O que é documento histórico?

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Curso Historiografia Semana 3

Apesar de todas as muitas mudanças pelas quais passou nossa disciplina, a História continua sendo uma forma de conhecimento que se efetiva por meio dos documentos. Definir o que são os documentos históricos é algo que, em si, também tem uma história: houve inúmeras definições ao longo dos séculos, desde relatos dignos da confiança daqueles que o citavam, passando pela definição apenas como manifestações oficiais escritas e reconhecidas como tal por grupos e instituições de saber, como arquivos e bibliotecas. Quando se trabalha com documentos oficiais produzidos ou preservados por uma burocracia ligada aos Estados Nacionais, é muito provável, como v eremos nos próximos módulos, produzir uma história dos grandes homens, das guerras e dos acontecimentos políticos. Mas, ao mudar o enfoque dado aos mesmos documentos, questionando o predomínio da história política e diplomática, outras explicações podem surgir. Notamos, pois, que a interpretação de um documento é tão importante quanto o documento em si. Quando percebemos que os documentos oficiais só dão conta da história daqueles com poder, notamos que a própria noção de documento tem que ser alterada. D e outra maneira, como estudar, por exemplo, os hereges e os rebeldes? Ou os cozinheiros, pedreiros e pessoas comuns? Como estudar a história das relações de gênero, ou a história do racismo, a "história vista de baixo" (ou seja, do ponto de vista de quem n ão tinha poder), a história da cultura, das religiões e uma infinidade de práticas e relações humanas? Para esses novos objetos de estudo, novos documentos, gerando novas interpretações para os mesmos fatos. Logo, independente do recorte e do enfoque, o trabalho do historiador está intimamente relacionado ao estudo de documentos, registros das mais diversas formas deixados por pessoas que viveram em outras épocas. Esses registros podem ser escritos em forma de livros, pergaminhos, papéis, couro ou qualque r suporte, oficiais ou não, desde que possam ser datados. Mas podem ser também pinturas, músicas, correspondências, certidões de nascimento, relatos de viajantes, novelas, plantas de cidades, registros materiais, etc. Em suma, tudo o que foi criado ou modificado pelo ser humano, desde que possa sobreviver a seu tempo, pode servir como documento, fonte de estudo para o historiador. O que é documento histórico? (2)

Os trabalhos do artista gráfico holandês M.C. Escher criaram uma nova linguagem artística e inspiraram desde videoclipes até jogos eletrônicos, passando pelo cinema e seriados de televisão. A obra Drawing Hands ("Mãos Desenhando") - é um exemplo das produções deste autor e de um documento que pode ser explorado pelo historiador: tudo depende das perguntas que queremos fazer, refletir e responder! Para conhecer outras obras do artista gráfico, clique aqui .
No link, acesse o item "Picture gallery ". Depois, acesse a aba "Back in Holland 1941-1954". Lá, você encontrará a imagem para qual chamamos a atenção: mãos que se desenham mutuamente. Qual reflexão poderíamos fazer, a partir desta imagem, pensando a definição de doc umentos e de suas possibilidades que acabamos de ver?

Para ler mais sobre os desafios da leitura: O desafio de ler e compreender em todas as disciplinas.Lendo documentos em sala de aula (1) Embora o objetivo primordial do ensino de História no Ensino Fundamental e Médio não seja (nem deva ser!) formar historiadores. pode ser extrapolada para o ambiente extraescola. nossa própria aula expositiva. E. chamando a atenção para as diferentes linguagens e modos de expressão dos documentos humanos. Logo. uma cena de TV ou filme. intenções e vivências. em esforço infindo (pois ano que vem. etc. assim como lemos textos escritos e imagens. Ao longo deste módulo. podemos instrumentalizar a leitura dessas intencionalidades. expressaram vontades. despertar os alunos para esse exercício interpretativo. que variam conforme o suporte. 2) Toda essa documentação (seja qual for seu suporte) foi produzida por pessoas que. base do ofício do historiador. mas também com o lugar de onde seu autor falava: variações sociais. de gênero. sempre tentando chamar a atenção para as possibilidades de trabalho com documentos em sala de aula. ou de qualquer outro objeto produzido por humanos). voltaremos a essa questão algumas vezes. o uniforme dos alunos e a própria materialidade da sala de aula (ou da escola. também podemos analisar a própria cultura . poder. Assim como os documentos trazem especificidades. Delia Lerner fala sobre a leitura e a escrita em contexto de estudo. de forma crítica. deve ser incentivada no ambiente escolar. chamamos a atenção para duas questões centrais: 1) Uma vez que trabalhamos com um conceito plural de documento histórico. Como os historiadores são seres-humanos e estão sempre inseridos em contextos específicos. de época. turma nova e trabalho recomeçando "do zero"!). paixões. o livro didático. podemos perceber a enorme quantidade de possibilidades de leitura em sala de aula: um recorte de jornal. um panfleto distribuído nas ruas. auxiliando -os nesse processo formativo. em seu tempo. torna-se bastante difícil acreditar na possibilidade de construção de uma história objetiva: composta por "a verdade" e encerrada em si. etc. os historiadores e seus leitores também! A leitura dos documentos. A cultura material como documento histórico Você já reparou que. como devemos. por que devemos privar os alunos de atividades primordiais do fazer histórico: a leitura e interpretação de documentos? Para isso. Os alunos podem ser levados a pensar: porque o autor de tal jornal escreve desta forma? Quais seus interesses? O que eu penso sobre isso? Como posso argumentar minha posição? Porque os supermercados (e outras materialidades) são construídos de sta forma? Quais as intencionalidades destas construções (destes documentos)? Isso nos leva à segunda questão: Lendo documentos em sala de aula (2) A prática de ler e interpretar documentos deve ser constante em nosso cotidiano profissional: tanto nós devemos sempre estar atentos à leitura do mundo e de bibliografia que nos atualize.

você pode ajudar os alunos a ler e compreender diferentes tipos de texto. em que os textos estão por toda a parte. Há alguns anos elas deixaram de ser compartilhadas e passaram a ser destinadas a um único aluno. Os estudantes. um em cada dez brasileiros com 15 anos ou mais não sabe ler e escrever. A conclusão é que. sintetizar a ideia principal ou comparar dois escritos. Pode. Uma vergonha que encobre outras realidades não tão evidentes.ratier@abril. Num mundo como o atual. Independentemente de seu campo de atuação. a interpretar problemas. e o de Matemática. Pode ensiná-los a fazer anotações. pernas e cadernos) para serem os "donos" de seus próprios espaços (suas carteiras!). A alfabetização plena requer que os estudantes saibam compreender e produzir textos específicos das disciplinas". localizar informações específicas. explica a pesquisadora espanhola Isabel Solé. Professores como você têm um papel fundamental nessa tarefa (leia o infográfico abaixo). mas igualmente dramáticas. resumos. mas podemos levantar tantas hipóteses! Lance-se o desafio: vamos pensar o mundo material? O desafio de ler e compreender em todas as disciplinas Levar os alunos a entender tudo o que lêem exige explorar diferentes gêneros e procedimentos de estudo. enriquecida pelos conhecimentos adquiridos na exploração de livros. é necessário o envolvimento dos professores de todas as disciplinas Rodrigo Ratier (rodrigo. não apenas de Língua Portuguesa. revistas. com isso. "Um professor de História deve ensinar que muitos textos da área têm uma estrutura cronológica e que é necessário identificá-la para entender a informação. O de Ciências precisa discutir como ler as instruções de experiências e ensinar a produzir relatórios. comentários. apenas um quarto delas é plenamente alfabetizado. filmes. Em todas as áreas. obras de arte e manifestações culturais e esportivas. O problema não é reflexo apenas de baixa escolarização: segundo dados do Instituto Paulo Montenegro. ligado ao Ibope. O que você acha que isso pode nos dizer sobre nossa cultura atual? Ou melhor. Como o fato de que dois terços da população entre 15 e 64 anos é incapaz de entender textos longos. UM GRANDE ENCONTRO . uma das maiores autoridades do mundo quando o assunto é leitura (leia a entrevista).material? Veja as carteiras escolares. O primeiro passo é firmar um compromisso: ensinar a ler é tarefa de todas as disciplinas. incentivando-os a explorar cada um deles. foram desobrigados a negociar espaços (dos braços. É preciso virar esse jogo. É essa ideia que norteia esta edição especial de NOVA ESCOLA. o que podemos pensar sobre isso? Não há uma única resposta. na escola.br) No Brasil. enfim. encaminhálos para a escrita. entender o que se lê é uma necessidade para poder participar plenamente da vida social. os alunos aprendem a ler . Para ser bem-sucedido na tarefa. há aproximações possíveis com o tema. jornais.mas não compreendem o que leem.com. mesmo considerando a faixa de pessoas que cursaram de 5ª a 8ª série. facilitando a tarefa da interpretação.

Ao leitor. entre outras coisas. Também é comum explorar o texto antes de ler. Do latim lego. O texto Forma Por possuir estruturas diferentes. pode ler na cama. cada gênero desperta expectativas distintas. contrapõe-se a indicada pelo segundo termo. registrará os conceitos mais importantes.No diálogo entre o estudante e o texto. o leitor também constrói sentidos. os textos nunca dizem tudo: para se completarem. não significa que o leitor seja livre para atribuir todos os sentidos que quiser. uma estatística importante. basta passar os olhos. Conhecimentos prévios Tudo o que um estudante sabe antes de ler compõe os chamados esquemas de pensamento. compenetrado. Uma das mais essenciais diz respeito aos objetivos de leitura: por que estou lendo isso? A resposta a essa questão influi muito na maneira como o faz: se é por prazer. leitores em formação. Progressivamente. presente na maioria dos estudos mais recentes sobre o tema. Você já se perguntou o que significa ensinar alguém a ler? Mais que isso: o que é ler? Um passeio pela origem da palavra ajuda a esclarecer. se quer encontrar. assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. pular as partes chatas e até desistir. A essa concepção. dependem da interpretação de quem os lê. interpreta. Com isso. É aqui que entra o ensino: cabe ao professor fornecer indícios para a compreensão algo essencial. subtítulos e   . no caso. o professor tem um papel importante para criar condições de interpretação O aluno Leitor Ativo Toda criança é um leitor que realiza um esforço cognitivo para processar e atribuir significado ao que está escrito. localizar o número. digamos. títulos. anotá-lo em algum lugar e fechar o livro. Roubar . ainda mais considerando que os estudantes são. O professor Contexto de produção uem é o autor? Em que época escreveu? Quais suas possíveis intenções? Cabe ao professor ajudar cada aluno a enxergar esses aspectos. Agora. o tema deve estar ligado aos interesses de quem lê. em sua maioria. equivale a dizer que o autor deixa de ser dono absoluto do que escreve: com base no que lê e em seus saberes prévios. cada um estabelece um diálogo próprio com o texto e a leitura se torna autônoma . Encaminhar a turma para entender o que lê inclui ensinar uma série de estratégias de que o leitor experiente lança mão inconscientemente quando se depara com um texto. Contexto de leitura Para que lemos um texto? Estabelecer um objetivo claro (considerando o que a turma já sabe) é fundamental para dar sentido à tarefa. ler significa. E o professor de cada disciplina tem de direcionar o olhar da turma para aspectos específicos de sua área. afirma Claudio Bazzoni. totalmente determinado. Se a intenção é estudar as ideias do autor. No jornal. que influenciam o que ele compreende. provavelmente terá um lápis à mão e. Ensinar estratégias que os leitores experientes usam Antes de começar. No caso de um livro. Explorar suas características oferece pistas para antecipar a interpretação. vale a pena refletir um pouco sobre a tarefa à sua frente. Conteúdo Para motivar. dominante até pelo menos os anos 1970. O primeiro termo aponta para um tipo de leitura em que o sentido do texto já está pronto. caberia só captar colher o que o autor quis dizer. colher e roubar . Por essa perspectiva. Essa ideia. vale passear pela capa. explorar a biografia do autor na orelha e dar uma olhada no índice.

Se a opção é destacar apenas as palavras-chave.fotos captam a atenção. procedimentos. SEM CÓPIA Estruturas como a da foto. Estes servem para todos Dois procedimentos de estudo ajudam a leitura em todas as áreas e devem ser ensinados por todo o corpo docente COMPLEMENTO Grifos podem destacar palavras essenciais para a compreensão. anotações à margem podem comentar o que o termo escolhido expressa. Nesse processo. Clique para ampliar Anotação e sublinhado Antes de sair grifando ou anotando. de fato. cada um compara o que está escrito com seus conhecimentos (o que sei sobre o conteúdo do texto?) e se indaga: o que espero encontrar aqui? No momento da leitura. ainda. Também se interroga continuamente para saber se entende o que lê (qual a ideia fundamental do texto? Captei os argumentos principais?). cada aluno deve ter claro o motivo da tarefa. com destaque para os blocos significativos texto. Já as anotações desenvolvem. dependendo dos objetivos (lembra-se deles?). você pode ir suprimindo essas passagens até que a escrita seja. Ao mesmo tempo. Ou. nem todos os parágrafos têm passagens importantes. No fim. Clique para ampliar do Resumo Ao produzir textos que sintetizem os originais. auxiliam alunos iniciantes e evitam que os resumos virem transcrições. ainda simplesmente acolher outros pontos de vista que também contribuam para a interpretação. pode escrever uma síntese do que leu ou incorporar trechos para uma apresentação. os grifos devem destacar ideias completas. talvez abra o dicionário para procurar o significado de uma palavra desconhecida ou. o que o conceito em evidência significa. gêneros e sequências . Conforme a turma avança. É essencial. conclusão e possíveis sugestões de solução). que você oriente a turma a ler o texto todo antes de anotar (fica mais fácil perceber o que é relevante) e não grifar trechos enormes (com tudo destacado. por exemplo. argumentação. Já se a intenção é revelar argumentos. o destaque perde a função). todo leitor confirma ou retifica suas expectativas sobre o que imaginou encontrar. uma alternativa é dividir o escrito nos blocos em que ele se estrutura (num texto opinativo. Além disso. simplesmente segue em frente. Considerar esses blocos ajuda a evitar o problema das cópias desenfreadas: você pode propor uma estrutura de resumo com algumas frases que os conectem (veja na foto). Propósitos. com mais detalhes. se decidir que ela não é central para sua compreensão. uma classificação possível é apresentação do tema. autônoma.

. Outros oito surgem nas disciplinas em que são mais usuais. a que mais exige disciplina e organização . por serem úteis ao entendimento de quase todos os tipos de texto. dentro de cada uma.gov. esportes e obras de arte.com. Dois deles as anotações e os sublinhados e os resumos . os Referenciais de Expectativas para o Desenvolvimento da Competência Leitora e Escritora no Ciclo II do Ensino Fundamental. durante e depois do contato com os textos e procedimentos de estudo gêneros escritos que funcionam bem para a recuperação de ideias significativas ou para uma compreensão mais aprofundada. Língua Estrangeira.Esta edição pretende mostrar como é possível ajudar a construir essa rota. os gêneros privilegiados (alguns. Ed. ela está dividida nas oito disciplinas das séries finais do Ensino Fundamental: Arte. uma sequência didática. As reportagens estão separadas por disciplina e. não são escritos. Mudar as estatísticas mostradas no primeiro parágrafo está ao alcance de todos os professores. É necessário ensinar isso tudo. 232 págs. Geografia. tel. aparecem nesta apresentação. Artmed.. Quer saber mais? CONTATO Claudio Bazzoni. 36 reais INTERNET Em portalsme. caminhos para desenvolver habilidades antes. Língua Portuguesa e Matemática.prefeitura. Ciências. 128 págs.). Delia Lerner. Os exemplos estão ligados a tarefas do 6º ao 9º ano.sp. bazzoni@uol. Para completar. de todas as disciplinas. UFRGS. 20 casos reais de professores em escolas de todo o país mostram exemplos de bons trabalhos em relação à leitura prova de que levar todos os alunos a compreender o que leem pode ser difícil. o Possível e o Necessário .aspx .br BIBLIOGRAFIA Ler e Escrever: Compromisso de Todas as Áreas . 0800-703-3444. mas é possível. Neiva Otero Schaffer (org.. Com foco na leitura para aprender também chamada de leitura de estudo e trabalho. tel. Ed. (51) 3308 -5644 (edição esgotada) Ler e Escrever na Escola: o Real. como imagens.br/Projetos/BibliPed/Anonimo?Publica_FundII. há uma divisão em cinco blocos: a concepção de leitura na área. É um erro partir do pressuposto de que a moçada já sabe sublinhar e fazer esquemas. fase da escolarização básica em que os textos ganham complexidade e passam a representar um desafio crescente. mas também é preciso ensinar a lê-los). Educação Física. História.

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