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Adoção - Adoção Nacional e Internacional

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ADOÇÃO ADOÇÃO NACIONAL E INTERNACIONAL

ROSARINHA BASTOS

Cuiabá/MT 2003

1.0

- INTRODUÇÃO

Ao iniciarmos o presente trabalho mister se faz uma colocação do que vem a ser a Adoção , não apenas como um instituto jurídico, mas do ponto de vista psicossocial. A adoção é um dos institutos de direito que maiores indagações suscitam, considerando que diz respeito diretamente aos aspectos biopsicossociais da criança e da família. As legislações obedecem ao processo histórico de cada país e sofrem uma evolução profunda através de diversificados tipos que se acomodam às exigências desta ou daquela sociedade. Constata-se, com freqüência, o despertar do interesse quando o tema é enfocado publicamente, frente às inúmeras perguntas que se sucedem, sentindose claramente o questionamento pessoal daqueles que estão vivendo o problema através de uma Guarda de fato, de direito ou ainda da própria Adoção. Indaga-se sobre a complexidade burocrática (o que afasta a possibilidade de muitas adoções no Brasil). O brasileiro não gosta de esperar e sofrer a demora do processo, sobre os impedimentos legais ou, ainda sobre a dolorosa dúvida sobre o momento da reveladora verdade ao adotando. Questões como a adoção por estrangeiros residentes fora do país, o direito ou não dos concumbinos de requerê-la, o conceito e a diferença entre a adoção e a delegação do pátrio familiar, as distorções sobre o patrimônio – herança e muitos outros, são permanentemente levantadas. Inobstante os doutrinadores diversificarem nas elucubrações jurídicas no que tange a mantença do Instituto no Direito Civil, em específico no Direito de Família; outros no “Direito do Menor” (sabiamente substituído pelo Estatuto da Criança e do Adolescente), e ainda outros por um Direito autônomo e social – no nosso ponto-de-vista – o próprio ECA acima referendado. De qualquer forma e diante de toda e qualquer discussão, entendemos o quanto é importante o Instituto porque é insistentemente reclamado por aqueles que, em boa hora, se dispõem adotar uma criança (malgrado a demora burocrática), restituindo-lhe o direito de ter uma família, ainda que substituta. Em nosso País, é agravante o problema com a marginalização dos pequeninos, e conseqüente desagregação familiar. O número de crianças e adolescentes carentes e abandonados ultrapassa a casa dos milhões, mesmo com programas implementados pelo Governo e determinadas ONG´s. Entretanto é de bom alvitre evidenciar que, também nos chamados Países desenvolvidos as seqüelas sociais se acumulam. Não bastasse o fato, em razão do controle da natalidade ou do planejamento familiar, as crianças se tornaram

adultas e os adultos sentem a solidão da ausência de filhos com um grande número de separações, desagregação familiar, neuroses múltiplas, flagelo das guerras, etc. As atenções estão voltadas para os países subdesenvolvidos como fonte geradora de crianças e adolescentes carentes e abandonados. Paradoxal... De um lado a fartura de bens em qualidade e quantidade com a ausência da criança; de outro, a escassez de tudo e os pequeninos por todos os lados clamando misericórdia para a miséria e a fome. Era urgente a legislação disciplinadora do Instituto para adequá-lo à realidade social sem vulgarizá-lo ou descaracterizar os seus valores na preservação do bem-estar do adotado, que é o objetivo-fim. Sem sombras de dúvidas, a adoção deve ser una para que se não discrimine a criança adotada, contudo exige muita cautela não só para que se evitem as rejeições como também para que o Instituto não se transforme no instrumento paliativo da desassistência social. 1.1- Embasamento Histórico A adoção pode ser encontrada nas mais variadas formas, e em todos os povos da Antigüidade. De acordo com Fustel de Conlanges1 sua origem repousa no dever de perpetuar o culto doméstico. Baseada no sentimento religioso, era recurso para impedir que a família escapasse da desgraça da extinção, assegurando posteridade a quem não a tinha por consangüinidade e permitindo a perpetuação do nome e a continuidade do culto. Na Bíblia vamos encontrar os casos de adoção de Moisés pela filha do Faraó e de Ester, que foi filha adotiva conforme se extrai do Velho Testamento (Êxodo e Livro de Ester). Nos chamados códigos orientais dos povos asiânicos, denominação da por alguns historiadores, o Código de Urnamu (2.050 a. C.), Código de Eshnunnna (século XIX a. C.), Código de Lipitistar (1.875-1.865 a. C.) e o Código de Hamurabi ( 1.728-1.686 a. C.), neste último é que encontramos textos bastante expressivos sobre a adoção.2 Ainda de acordo com Fustel de Coulanges, é em Atenas que surgem regras precisas sobre os requisitos, formalidade e efeitos do Instituto. Em Roma, o Instituto assume desenvolvimento maior com contornos de maior precisão e larga utilização devida, principalmente, ao caráter limitado dos laços de sangue e a índole profundamente religiosa do povo, sobretudo no culto do lar.
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Fustel de Coulanges – A Cidade Antiga, tradução de Souza Costa, Cap.IV. Código de Hamurabi-Rio, Ed. Vozes, 1976, pp.83/85.

Para atender a fins políticos até imperadores foram adotivos como Otávio Augusto (adotado por Júlio Cesar) e Justiniano (por Justino).3 O sistema do Direito Romano abrigou dois tipos de adoção ad-rogação pela qual um pater-familias entrava na família do ad-rogante e a adoção em sentido restrito pela qual o adotado entrava na família do adotante na qualidade de filho, filha, neto ou neta do pater-familias. Além das formalidades exigidas para a ad-rogação - ato que acarretava a extinção de um grupo familiar - como a obrigatória intervenção do Estado, e a cerimônia religiosa ordenava as seguintes condições: manifestação de vontade favorável do ad-rogante e ad-rogado ( inadmissível para as mulheres já que o ato conferia a patria potestas), o liberto não podia ser ad-rogado pelo seu patrono, nem o menor de 25 anos por seu tutor ou curador, se o ad-rogado fosse emancipado ou deserdado sem justa causa o ad-rogante restituiria os seus bens, além de um quarto dos seus próprios. No Baixo Império admitia-se a modalidade para os impúberes. Vigorava que se o ad-rogado morresse sem haver alcançado a puberdade seu patrimônio seria devolvido à antiga família, se fosse emancipado seria a restituição feita ao próprio ad-rogado. Era feita por ato de tabelião, simples contrato entre o pai verdadeiro e o adotivo com o consentimento do adotado sendo que, ao depois, passou a ser celebrado na presença do magistrado. No tempo de Justiniano a ab-rogação toma um sentido mais ético na procura da imitação da natureza e proteção dos interesses dos filhos nascidos do casamento do ad-rogante. Dessa forma era exigido que o ad-rogante tivesse mais de sessenta anos e a diferença de idade não poderia ser inferior a 18 anos, além de ser vedada aos que não podiam ser pais ou eunucos. Esse tipo de adoção não é o que serviu para a instituição da adoção dos tempos modernos; ao contrário, a adoção stricto sensu, sim, é que fundamenta o desenvolvimento do instituto até o direito moderno, o que se pode verificar na definição de Clóvis Bevilaqüa ao conceituar que é o ato pelo qual alguém aceita um estranho na qualidade de filho.4 Na Idade Média, a adoção caiu em desuso, substituída a base religiosa que lhe dava sustento pelo surgimento da família cristã, cujos princípios giram em torno ao sacramento do matrimônio: matrimoni finis primarius est procreatio atque educacatio prolis; secundaruis mutuum adjutorium et remedium concupiscentiae ( Canan, 1013, §1º). Na Idade Moderna, retorna a adoção como importante instituto na legislação revolucionária francesa, que por decreto de 18 de janeiro de 1792 a incluiu no plano das leis civis até que o Código de Napoleão de 1804 estabeleceu suas formas, seus requisitos e os efeitos dela decorrentes.
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J.Cretela Júnior – Curso de Direito Romano, 13ª ed.., Rio, Forense, 1980, p.125. Clóvis Bevilaqua – Código Civil, Vol.II, Ed,1954,p.270

No princípio, o Código Civil a instituiu de forma tímida, nos moldes da romana adoptio minus plena; no entanto, a lei de 19/06/1923 ampliou a adoção aproximando-a da antiga adoptio plena, mas deixando subsistir os laços de parentescos entre o adotado e sua família. Finalmente, o Dec. Lei de 29/06/1923 estabeleceu a legitimação adotiva onde o “menor”5 ingressa na família do adotante desde que com menos de cinco anos ou nascido de pais desconhecidos ou mortos. Partindo desse sistema, a adoção projetou-se para quase todas as legislações modernas e, como observa Marc Ancel impulsionando os mais nobres sentimentos de generosidade e acentuando o caráter humanitário que deve ser o fundamento do interesse social na proteção do adotado menor como uma das preocupações dominantes do direito contemporâneo.6

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Usaremos a terminologia “menor” sempre entre aspas, por ser empregada pelo Código de Menores (1927), para qualificar toda criança e adolescente como trombadinhas e em situação irregular. Enquanto o ECA preconiza que em situação irregular sempre estiveram os pais, a sociedade e o Estado. Este, por não garantir prioridade absoluta a implementação de políticas públicas às crianças e adolescentes. 6 Apud Omar Gama Benkauss, In A Adoção, Ed.Lumen Juris, 2. edição, p.6.

2.0 - CONCEITO ADOÇÃO – derivado do latim adoptio, que significa dar seu próprio nome a, pôr um nome em, tendo em linguagem mais popular, o sentido de acolher alguém. O Professor Antonio Chaves apresenta as mais significativas e importantes conclusões sobre seu significado. Adotar é pedir à religião e à lei aquilo que da natureza não se pode obter. (Cícero). Instituição pela qual se estabelecem entre duas pessoas estranhas, relações de paternidade e filiação semelhante às que têm lugar na filiação legítima. ( Puig Peña).7 Entre os nossos tratadistas brasileiros, o douto Clóvis Beviláqua define a adoção como sendo: o ato civil pelo qual alguém aceita estranho na qualidade de filho. Para Carvalho Santos significa ato jurídico que estabelece entre duas pessoas relações civis de paternidade e de filiação; já o eminente Silvio Rodrigues: ato do adotante pelo qual traz ele, para sua família e na condição de filho, pessoa que lhe é estranha. No entender de Orlando Gomes: ato jurídico pelo qual se estabelece, independentemente do fato natural da procriação, o vínculo de filiação..8 Tais conceitos revestem-se, basicamente, de conotação jurídica, fundamentados nos princípios vigentes nos Códigos Civis, que encerram uma visão legalista e parcial do instituto da adoção. Na verdade, a adoção, considerada em um sentido mais amplo, além de perseguir as razões legais de seus efeitos, também busca atingir o equilíbrio entre a norma e atividade social e humanitária. 2.1 - Natureza Jurídica A adoção mudou de finalidade, que anteriormente era a de atender a interesses religiosos dos adotantes, e passou a ser de atender aos interesses do adotado, objetivando dar-lhe um lar, uma família. Essa nova visão da filiação veio pela mão do legislador constitucional, que determinou no artigo 227, § 6º, da Constituição Federal de 1988 que os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação, mandamento este repetido pelo art. 20 do Estatuto da Criança e do Adolescente. A adoção na moderna lei vem regulada pelos arts. 39 a 52, na Subseção IV (Da Adoção), da seção III (Da Família Substituta), do Capítulo III (Do direito à Convivência Familiar e Comunitária) e regulamentando uma parte do Capítulo
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Adoção, Adoção Simples e Adoção Plena, p.1 Clóvis Bevilaqüa, Op. Cit. p. 270; Silvio Rodrigues, Direito Civil – Direito de Família, v.6/342; Orlando Gomes, Direito de Família, p.349.

VII (Da Família, Da Criança, do Adolescente e do Idoso), do Título VIII ( Da Ordem Social) da Constituição Federal de 1988. Na ótica do Estatuto da Criança e do Adolescente, não se pode considerar a simples bilateralidade da manifestação da vontade, que, aliás, a nova lei exige, para admitimo-la como contrato. A participação do Estado é tão presente que o Instituto escapa da ordem privatista para poder ser considerado, desenganadamente, como Instituição ou Instituto de ordem pública. O final do procedimento da adoção não é uma simples homologação de acordo de vontades, mas uma sentença concessiva ou não da adoção pretendida (art. 47 ECA). Na nova sistemática, não são mais os adotantes que escolhem os filhos adotivos. Mas, nos termos do artigo 50 do ECA, a autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um registro de pessoas interessadas em adotar. São os candidatos à adotantes, que precisam apresentar os requisitos legais (artigo 50 e §§ do ECA), e, consequentemente não estarem nas hipóteses previstas no artigo 29 da lei em comento. Vale ressaltar que a adoção só será deferida, quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos (artigos 43, ECA). Na modalidade de adoção criada pelo ECA já não existe o fim primordial de manter o nomem familiae ou perpetuar o culto do lar, nem atender o interesse dos casais sem filhos, mas a posição atual dos direitos garantidos à criança e ao adolescente, dentre eles o direito à vida familiar e comunitária (ECA, artigo 16, V). 2.1.1 Da Distinção A lei de n. 8069/90, preconiza em seu artigo 31 que, a colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção. (grifamos) A adoção por estrangeiros é tema repleto de mitos e folclores. A verdade sobre sua prática e ideologia esconde sua grandeza. Uns são contra, outros a favor. Aqueles que tiveram decepções em procedimentos de adoção internacional criticam-na, aqueles bem sucedidos elogiam-na. Urge destacar que, àqueles que antes da instalação dos Conselhos das Autoridades Centrais Administrativas brasileira, intentaram o pedido de Habilitação junto à CEJA e, após o devido deferimento ingressaram na Vara da Infância e Juventude, pouco aborrecimentos tiveram, haja vista estarem respaldados por lei. O instituto de adoção feita por estrangeiros constitui exceção à regra. Entretanto, a adoção por brasileiros constitui um paradoxo já que é a regra, e para que tal aconteça com mais freqüência criou-se o GAA – GRUPO DE

APOIO À ADOÇÃO9, onde grupo de pessoas, pais e filhos adotivos, profissionais ou simpatizantes da idéia, mobilizam esforços no sentido de encontrar famílias brasileiras aptas a assumir crianças, em situação de abandono, através da adoção. É um grupo de iniciativa da Sociedade Civil que incentiva a adoção nacional, em fins lucrativos e que trabalha em parceria com as Varas da Infância e Juventude. O GAA tem como objetivo, prevenir o abandono, incentivar a adoção de crianças abandonadas acompanhar famílias adotivas, divulgar e incentivar a prática da adoção, desenvolver projetos de integração de crianças institucionalizadas na sociedade, incentivar a produção de material sobre os assuntos ligados à adoção. Distinção maior está nos critérios de seleção e prioridade, já que como dissemos anteriormente, pretendentes brasileiros têm preferência sobre estrangeiros e, dentre estes, será preferenciado o que reside no Brasil sobre os residentes no exterior. Com relação ao estágio de convivência, goza o brasileiro de privilégio (quando a criança contar com menos de 01 de idade ou já estiver convivendo com o adotante), este período será dispensado ( artigo 46,§ 1º ECA). Duas medidas vieram inibir ainda mais a adoção por estrangeiros: a primeira foi a Portaria n. 815, de 28/07/1999 do Ministério da Justiça – Departamento de Polícia Federal que instituiu e aprovou o modelo do Certificado de Cadastramento de entidades nacionais e estrangeira que atuam em adoções internacionais de crianças e adolescentes, e respectivos Formulários de requerimento, fixando critérios e estabelecendo procedimentos para aplicação das normas relativas ao FUNAPOL e outras providências. A segunda foi a instalação dos Conselhos das Autoridades Centrais – conforme dito alhures -, acabando a facilidade existente no ordenamento jurídico anterior. Dado o seu caráter excepcional, a adoção por estrangeiro só pode ser deferida em relação à criança e à/ao adolescente que não pode ficar em família natural e não tenha pretendente brasileiro para adotá-la. 3.0 - Da Realização da Adoção por Estrangeiros O processo de adoção por estrangeiros é mais complexo (e com toda razão), os documentos a serem apresentados devem vir do país de origem, comprovando-se que o pretendente à adoção está devidamente habilitado. De igual forma, o estudo psicossocial elaborado por agência especializada e credenciada no seu domicílio, através dos Consulados, e traduzidos por tradutor juramentado. Ao chegar, via Consulado, ingressa-se com o pedido de CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO junto à CEJA, e, em sendo deferido, para que se dê início ao processo de adoção propriamente dito junto à Vara da Infância e Juventude. Esta é a regra, contudo existem exceções nos seguintes
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Em Cuiabá, o GAA funcionou, à princípio, no Instituto de Promoção Humana “Papa João XXIII”, na Av. Miguel Sutil, 605, Bairro Araés; uma vez por mês ( geralmente nas primeiras quintas-feira).

casos: quando um dos pretendentes à adoção tenha nacionalidade brasileira, adoção unilateral, sendo o genitor ou a genitora do adotando de nacionalidade brasileira e estrangeiro residente no Brasil e possuidor de visto de permanência. A CEJA tem 60 (sessenta) dias para o cumprimento de eventuais exigências no estudo do processo de habilitação, que, depois de deferido só poderá ser utilizado apenas para um único processo, que pode abranger a adoção de mais de uma criança e ou adolescente. Mister destacar que não é obrigatória a presença do advogado para requerer a Habilitação, esse requerimento poderá ser feito pessoalmente ou através de um procurador (advogado ou não). Depois de autuado o pedido de Habilitação, é sorteado um Relator, dentre os integrantes, que poderá determinar as provas e diligências que julgar necessárias, solicitando, conforme o caso, qualquer esclarecimento da equipe interdisciplinar, colhendo a manifestação do Ministério Público. Na primeira sessão seguinte, estando o processo devidamente instruído, será levado à deliberação da Comissão, que decidirá por maioria de votos, cabendo ao Presidente o voto de desempate. Para as sessões ordinárias, mensais só serão levados os casos complexos, ou quando existirem divergências de opiniões. Nos casos de extrema urgência, o presidente da CEJA, após relatório ou laudo técnico fornecido pela equipe multidisciplinar, ouvido o representante do Ministério Público, decidirá ad referendum, autorizando a imediata expedição do Certificado de Habilitação. Em média, estando em ordem toda a documentação, estima-se o prazo de 30 (trinta) dias para expedição do Certificado, se não houverem exigências a serem superadas. O prazo de validade do Certificado de Habilitação é de 90 (noventa dias ), devidamente prorrogáveis após requerimento junto à CEJA. Deferido o pedido de Habilitação, expedir-se-á o competente Certificado em 04 (quatro) vias com os seguintes requisitos: identificação e classificação do processo, qualificação do adotando e dos pretendentes à adoção, data da habilitação e prazo de validade do Certificado, data do trânsito em julgado da decisão, ressalva sobre a excepcionalidade a que se refere o artigo 31 do ECA, assinatura do Presidente da Comissão. As três primeiras vias são entregues aos Requerentes, a fim de serem apresentadas ao Juízo da Adoção juntamente com a inicial, como documento indispensável à propositura da ação de adoção internacional. Deferida a adoção, uma via do Certificado ficará nos autos do processo, outra acompanhará o mandado judicial de cancelamento do registro de nascimento do adotando, e a terceira via será entregue aos adotantes, que a depositarão junto às autoridades policiais competentes nos locais de embarque para o exterior. Das decisões finais da Comissão caberá Pedido de reexame da Deliberação, no prazo de 05 (cinco) dias, para a própria Comissão, com efeito suspensivo, competindo ao Presidente da Comissão o juízo de admissibilidade do pedido de reexame, proferindo despacho irrecorrível.

Admitido o pedido de reexame, porém mantida a decisão pela Comissão, caberá recurso para o Conselho da Magistratura, no prazo de 10 (dez). Reputamos de bom alvitre destacar que com o advento da lei n. 8666/90, o Estatuto da Criança e do Adolescente, é o vigente diploma legal a tratar de adoção de crianças e adolescentes. Ao contrário do Código Civil, que silencia a respeito do assunto e o Código de Menores (Lei n. 6697, de 10/10/1979), que só autorizava a adoção por estrangeiro na sua forma simples, vedando-lhe a adoção plena e, somente quando o menor estivesse abandonado, privado de condições essenciais à sua subsistência, saúde e instrução obrigatória por ação ou omissão dos pais ou responsáveis. O principal objetivo do legislador foi dificultar a adoção por estrangeiros tentando coibir fatos abusivos ocorridos com freqüência, como o ato de um casal estrangeiro ir a cartório e lavrar uma escritura de adoção de criança brasileira, ou de se enviar criança para o exterior sem o devido cumprimento das exigência legais. Nesse sentido, ratificamos o prelecionado por Omar Gama Bem Kauss, quando afirma que a lei em comento foi feita para a criança e o adolescente e são eles o alvo quase que exclusivo da atenção do legislador com uma preocupação que jamais teve tamanho avanço, não sendo nenhum exagero denominar-se, como denominar-se-á nas considerações sobre ela, a adoção moderna como um parto artificial, tal a relação de parentesco que cria, em nada diferente à criada pelo jus sanguinis, na mais perfeita imitação da natureza produzida até hoje. 3.1 Do Processo de Adoção De posse do Certificado de Habilitação, o adotante recorrerá à lista das crianças e adolescentes disponíveis para adoção na CEJA ou, percorrerá as casas/abrigos onde se encontram essas crianças/adolescentes sob Medida de Proteção. Em seguida deverá protocolizar seu requerimento perante a Vara da Infância e da Juventude que conste da Medida de Proteção ou perante o Juiz que exerce essa função, na forma da Lei de Organização Judiciária local. (ECA, artigo 146). O pedido inicial deve conter os requisitos exigidos pelos artigos 165 do ECA e 282 do Código de Processo Civil e outros específicos da adoção. Com o requerimento, através da peça Inicial e preenchidos os requisitos acima mencionados, o adotante deverá juntar o Certificado de Habilitação expedido pela CEJAI, seus documentos de identificação pessoal e os da criança (se os tiver), casos há em que a criança só tem o documento de “nascido vivo” expedido pelo hospital. A declaração de anuência dos pais do adotando, se forem conhecidos, será providenciada pela própria Justiça, prestada perante a autoridade judiciária e o representante do Ministério Público; entendemos que, melhor seria se as crianças e adolescentes ‘disponíveis’ para adoção já se encontrassem com a destituição do poder familiar efetivada, haja vista, os

problemas de ordem psicossocial que esse enfrentamento em Juízo traz para ambas as partes – a família biológica e a adotante. Se não foram destituídos do poder familiar e estando em lugar desconhecido, os genitores do adotando serão citados por edital para integrarem a ação. Persistindo a ausência dos genitores, o juiz nomeará curador especial para efetuar a proteção de seus interesses e promover sua defesa. O laudo social comprovante do estágio de convivência (no mínimo de 15 dias para crianças de até dois anos de idade e de no mínimo trinta dias quando se tratar de adotando acima de dois anos de idade) será juntado pelo próprio Juizado. O processo é gratuito, não existe custas ou emolumentos a serem recolhidos, em virtude da disposição legal exarada no § 2º, do artigo 141 do ECA: As ações judiciais da competência da Justiça da Infância e da Juventude são isentas de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé. 3.1.1 Do Procedimento Contraditório O referido procedimento será instaurado sempre que houver resistência de uma das partes (aqui o motivo que nos leva a crer que melhor seria se a criança e o/a adolescente já tivessem com a destituição do poder familiar efetivada), caso em que a Ação de Adoção seguirá o Rito Ordinário previsto no Código de Processo Civil. Nas ações de adoção, o procedimento do contraditório será obrigatoriamente iniciado quando os genitores do adotando estiverem vivos, na regência do poder familiar e não concordarem com a adoção. De igual forma, a ausência dos genitores requer a instalação do contraditório, caso em que o juiz nomeará curador especial para a proteção de seus interesses. Nessas hipóteses a assistência do advogado é indispensável. A adoção exige o pressuposto da destituição do poder familiar para sua concretização, em virtude da extinção do poder familiar que se opera pela adoção, de acordo com o preconizado no Código Civil, artigo 1635, IV, e, da constituição judicial de seu vínculo e sua irrevogabilidade (ECA, artigos 47 e 48). Não basta o decreto da suspensão do poder familiar, medida que é reversível, como por exemplo, nos casos de tutela. Relacionada ao tipo de procedimento em que deverá ter curso a ação de Adoção, a anuência dos genitores do adotando é fator determinante, ou seja, se houver a concordância, o procedimento será de jurisdição voluntária é regido pelos artigos 165 usque 170 do ECA. Se inexistente a manifestação positiva de vontade dos genitores, o procedimento será caracterizado pela pretensão resistida veiculada pelo contraditório, disciplinado pelos arts. 282 a 475 do CPC e complementado pelas peculiaridades dos artigos 167, 168 e 170 do ECA. Ressaltamos aqui, a possibilidade do titular do poder familiar ser menor de 18 anos, nesse caso para a realização do ato judicial - onde deverá concordar

com a adoção -, deverá ser representado ou assistido, conforme disciplina o Código Civil. 3.1.2 Da entrega da criança antes do término do processo Para iniciar o estágio de convivência, o juiz deverá proferir despacho no ato da inicial (raro acontecer na prática). Em tomando tal procedimento, o magistrado deverá autorizar, por escrito, que aquela criança fique sob a responsabilidade do adotante. A experiência é mútua e pretende ser o início de uma relação familiar amparada na confiança e no respeito. Os mais legalistas argumentam que a lei proíbe a entrega de criança brasileira ao adotante estrangeiro, mediante guarda, como regulamenta o artigo 31 do ECA. Realmente, dispõe o referido artigo: A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção. Ressaltamos o disposto no art. 31 do mesmo diploma legal: A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros. (grifamos) Ou seja, quando o estrangeiro requer a adoção, é vedado ao juiz conceder a guarda liminar ou incidentalmente. O ECA não deu muita liberdade ao magistrado neste aspecto, donde se desprende duas hipóteses mais viáveis: concede a Guarda Provisória e procede uma monitoração estreita no estágio de convivência, ao arrepio dos dispositivos legais já citados, ou não concede a guarda ou autorização – por escrito- e permite que o estágio de convivência seja distante da realidade, podendo provocar, inclusive, rejeição da criança em relação ao adotante. Deferindo a guarda ou o estágio de convivência, esta deverá ter validade limitada e circunscrita à Comarca processante, não tendo valor como autorização de viagem ou saída da criança do país - autorização esta que será expedida no final do processo, após o devido registro da criança/adolescente e que será encaminhada à Polícia Federal para expedição do passaporte. 3.1.3 Do consentimento do adotando maior de 12 anos de idade Processo raro de acontecer, embora a legislação seja clara dizendo que não se pode escolher a criança ou adolescente a ser adotado, não é o que ser registra na prática. Na maioria dos casos, os adotantes preferem as crianças na faixa etária de 0 a 4 anos de idade. E, para que se obtenha êxito na adoção de adolescente maior de 12 anos o ECA exige o pressuposto fundamental do seu consentimento à pretensão do adotante. O pré-requisito é necessário e obrigatório, eivando de nulidade o processo em que inexiste tal formalidade. Tal exigência vem elencada no § 2º do artigo 45

do ECA: Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário o seu consentimento. O consentimento do adotando adolescente no processo de adoção, seja ele requerido por nacional ou estrangeiro, é uma exigência comum em diversos países, a exemplo da Espanha, Itália, Alemanha. A preocupação do legislador em exigir o consentimento do adotando adolescente à pretensão dos adotantes circunda-se, principalmente, na dificuldade de adaptação aos costumes, à língua e à vida no país estrangeiro. Essa medida representa um avanço do procedimento judicial, que percebeu a necessidade de ouvir o maior interessado na adoção, que é o adolescente. 3.1.4 Do estágio de convivência Em caso de adoção por estrangeiro residente ou domiciliado fora do País, o estágio de convivência, cumprido no território nacional, será de no mínimo quinze dias para crianças de até dois anos de idade, e de no mínimo trinta dias quando se tratar de adotando acima de dois anos de idade. (Artigo 46, § 2º, ECA) No caput do referido artigo, afirma o legislador com certa rigidez, que é necessário o cumprimento daquele período de mútuo conhecimento. Entretanto, a necessidade prática do estágio recebe, no § 1º, duas exceções destinadas aos adotantes nacionais, quais sejam: se a criança não tiver mais de 01 ano de idade e, se a criança já estiver na companhia do adotante por tempo suficiente que se possa avaliar o liame afetivo constituído pela convivência. Em outras palavras, verificando-se uma das hipóteses acima, o adotante nacional poderá ser dispensado do cumprimento do estágio de convivência. Já com o pretendente estrangeiro é obrigatório o estágio de convivência. Entendemos que o estágio de convivência é necessário e tem a mesma importância e função quer o interessado seja nacional ou estrangeiro. A diferença entre um e outro, exigida pela lei, reside na quantidade de documentos que o estrangeiro tem que apresentar ao juiz. Diante de tais imposições vem à baila uma série de questionamentos tais como: ara que fazer o estágio com uma criança recém-nascida? Que transformação de comportamento ou de afetividade terá essa criança com o casal interessado? Qual a possibilidade de não ser possível a adaptação? Qual o critério seja jurídico ou psicológico, para descobrir se a criança está aceitando ou não aquele casal? No mundo da pesquisa científica podem até existir métodos para essa aferição, mas, na prática, não é possível detectar a rejeição nem a aceitação. E o fato de o casal adotante ser nacional ou estrangeiro – no nosso entender - não é relevante.

Queremos esclarecer neste ato que, o nosso posicionamento nessa defesa não eqüivale dizer que somos totalmente favoráveis à adoção por estrangeiros, podendo a criança ficar em solo nacional, melhor para ela, que poderá permanecer no convívio de seus valores. Entretanto, sabemos que na prática não é o que ocorre, haja vista a grande dificuldade para proceder a uma adoção com o nacional, dificuldade esta por não existir o nacional pré-disposto à adoção, prova disso são os GAA criados em quase todo o Brasil. Com relação às crianças de dois ou três anos acima, o estágio representa medida salutar e necessária que aproveita ao adotante e à criança. Neste caso, o estágio servirá como um campo de prova, um exercício de mútuo conhecimento, um laboratório de família. Não podemos olvidar a importância do estágio de convivência, vez que sedimentam as relações afetivas e reforça a convicção do juiz de que a criança que foi entregue ao adotante estrangeiro está percorrendo um processo de adaptação que, seguramente, será benéfico para sua vida futura. E como bem pondera Maria Josefina Becker, o estágio permite uma observação do modo como se estabelece o vínculo com os pais adotivos. 3.1.5 - Do Relatório Social A equipe multidisciplinar de técnicos ou auxiliares da justiça exerce função de suma importância no acompanhamento e na avaliação do estágio de convivência. A manifestação técnica, principalmente na área da assistência social, da pedagogia, da medicina psiquiátrica e da psicologia, conduz a decisão judicial para caminho mais próximo da realidade vivida entre adotante e futuro adotado. O trabalho da equipe técnica traz subsídios e informações referentes às circunstâncias do convívio entre ambos, muito embora ao preferir a Decisão, o juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. (artigo 436, CPC). Entretanto, são os referidos técnicos que verificarão a possibilidade ou não da permanência da criança ou adolescente na família substituta, fornecendo opinião adequada sobre suas condições para assumir os deveres paternais em relação à criança. Recomendações estas, devidamente expressas nos artigos 28 a 32 do ECA. 3.1.6 - Da manifestação do Ministério Público Apresentado o relatório social ou o laudo pericial, e ouvida, sempre que possível, a criança ou o adolescente, dar-se-á vista dos autos ao Ministério Público. 10 Ao receber o processo de adoção, o Promotor de Justiça, que atuará como custos legis, verificará sua regularidade processual e forma antes de proferir seu parecer final. Podendo, ainda requerer estudo social da situação e outras
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Estatuto da Criança e do Adolescente. Artigo 168.

providências. Não podemos esquecer que nos processos e procedimentos em que não for parte, atuará obrigatoriamente o Ministério Público na defesa dos direitos e interesses de que cuida esta lei.11 A razão de ser sua participação no processo civil, quer como autor da ação civil pública (artigo 81 do CPC), quer como custos legis (artigo 82 do mesmo diploma legal), é sempre o interesse público. Por isso o interesse processual para ele é sempre um prius em relação à legitimidade para a causa. De igual forma, o artigo 204 da referida lei determina que: a falta de intervenção do Ministério Público acarreta a nulidade do feito, que será declarada de ofício pelo juiz ou a requerimento de qualquer interessado. Na legislação adjetiva civil, encontramos disposição semelhante em dois momentos: Artigo 84: Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público, a parte promover-lhe-á intimação sob pena de nulidade do processo; Artigo 246: É nulo o processo quando o Ministério Público não for intimado a acompanhar o feito em que deva intervir. A fundamentação dos pareceres ministeriais pressupõe atento exame do processo, levando-se em consideração os fatos colocados para análise. 3.1.7 - Da Sentença Judicial A certeza da segurança e da regularidade processual nas ações de adoção fundamente-se na sentença definitiva, atividade da autoridade judiciária que resolve o conflito de interesses ou homologa a vontade das partes. Segundo Liebman: É definitiva a sentença que define o juízo, concluindo-o e exaurindo-o na instância ou grau de jurisdição em que foi proferida. Ela é, portanto, a sentença final de primeiro grau que resolve o litígio. 12 É através da sentença judicial que se constitui o vínculo da adoção (ECA, artigo 47). A partir de então, esgotadas as possibilidades recursais, a adoção torna-se irrevogável, não sendo possível o restabelecimento do vínculo paternal dos pais naturais (ECA, artigo 49). Somente através de sentença judicial opera-se a adoção. O Estatuto da Criança e do Adolescente aboliu a possibilidade da constituição do vínculo da adoção através de escritura pública. Essa prática deixou de existir no Direito brasileiro. A partir da Lei 8.069/90, as adoções somente se convalidam através de sentença constitutiva, que produz o efeito de criar, modificar ou extinguir uma relação jurídica. 3.1.8 - Da Destituição do Poder Familiar
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Idem. Artigo 202 Apud Omar Gama Benkauss, in A Adoção, Ed.Lumen Juris, 2. edição, p.12

Se, anteriormente, não foi verificada em ação autônoma da destituição do poder paternal, esta se opera quando da prolação da sentença de adoção. Efeito este protegido pela norma contida no artigo 1635, IV, do Código Civil: Pela destituição, todas as relações afetivas com a família natural são extintas, criando-se, em conseqüência da adoção, uma nova e definitiva relação familiar, atribuindo a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com os pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais (ECA, artigo41). A destituição do poder familiar constitui, na verdade, sanção aplicada aos pais biológicos (ou adotivos) pelo fato de terem desprezado o dever de criar, assistir e educar seus filhos, conforme determina a lei. Esse dever é precípuo de todos os pais, que devem zelar pela formação moral e intelectual de seus filhos sob pena de incorrer nos crimes previstos nos artigos 244 e 246 do Código Penal. Mister destacar que, a falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do pátrio poder (ECA, artigo 23). Configurada a sanção ao poder paternal, o ato destitutório representa a proteção dos interesses da criança e do adolescente, assertiva esta fundamentada no artigo 22 do ECA: Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores (...). E, de igual forma no artigo 19 do mesmo diploma legal: Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta (...). Na maioria das legislações estrangeiras sobre adoção, a partir do momento em que a autoridade judiciária proclama a decisão, opera-se a destituição do poder parental, vinculando, naquele instante, o adotado à nova família, que está sendo constituída pela vontade legal. 3.1.9 Do Registro de Nascimento Através de mandado, a autoridade judiciária determinará a inscrição da sentença no registro civil. Com fundamento nesta sentença, será inscrita a nova filiação do adotado, vem como o nome dos ascendentes do adotante (ECA, artigo 47, § 1º). O registro de nascimento, com os novos dados, será concretizado a partir das indicações constantes na sentença, que é a fonte formal do novel vínculo paternal nascido com a adoção. O referido mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registro original do adotado, conforma preceitua o artigo 47, § 2º do ECA. No seu artigo 47, § 3º, o ECA determina que nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões do registro. A salvaguarda do sigilo é preponderante: nenhuma observação sobre filiação, parentesco, origem, processo, poderá ser feita na certidão de nascimento do adotado.

Há de se convir que, não seria de bom alvitre, nem produziria efeitos benéficos, a inserção de dados referentes à adoção na certidão de nascimento da criança. 3.2 Do Novo Nome do Adotado Desde o nascimento, toda criança terá o direito a um nome e a uma nacionalidade..13 No pedido inicial de adoção, o adotante declina o prenome que deseja ter seu filho. Não há limite para sugestões de diferentes prenomes, vez que no país de acolhimento muitos nomes são para nós desconhecidos, podendo significar algo importante para o adotante. Sabemos que o prenome, no Brasil, é imutável, conforme dispõe o artigo 58 da Lei 6.015/73, entretanto sua modificação vem prevista no parágrafo único do mesmo artigo e pode ser efetuada se constar de sentença judicial. Nesse sentido, a sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e, a pedido deste, poderá determinar a modificação do prenome (artigo 47, § 5º, ECA). Quanto ao nome de família, este é o primeiro efeito que surge com a decretação da adoção, quando o adotando adquire o status de filho legítimo do adotante, assume e transmite o nome de família. Conclui-se que, a transmissão do nome de família e a mudança do pronome do adotado decorrem do efeito principal da adoção, que é a constituição do vínculo de filiação paterno-filial. Ou seja, o adotado torna-se filho legítimo do adotante, e este, seu pai/mãe, por desejo manifestado e decretado através de lei. 3.2.1 Da Autorização para Viajar e Expedição de Passaporte O Estatuto da Criança e do Adolescente insculpiu diversos artigos em seu texto com a finalidade de impedir que o estrangeiro aqui não residente pudesse sair do País levando consigo criança ou adolescente nacional, em desacordo com as formalidades legais. Para tanto, preconiza em seu artigo 85: Sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou adolescente nascido em território nacional poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior.

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3º Princípio da Declaração dos Direitos da Criança

Essa proibição está estreitamente ligada ao § 4º, do artigo 51 da lei em comento, que dispõe antes de consumada adoção não será permitida a saída do adotando do território nacional. As vedações legal acima referendadas são pertinentes e necessárias, vez que a legislação pátria consagrou o princípio da perfeita regularidade e idoneidade na prática da adoção, através de um procedimento transparente e vinculado, internacionalmente, às diretrizes da Organização das Nações Unidas. De maneira que o adotante estrangeiro estará mais seguro respeitando e seguindo as regras impostas para o procedimento da adoção internacional. Em suma, a expressa autorização para a saída do País deve constar, obrigatoriamente, na sentença que defere o pedido de adoção. E, de igual forma, a autoridade judiciária deverá consignar na decisão a permissão para a emissão do passaporte do adotado. Tal exigência baseia-se no mandamento do § 2º, artigo 19, Decreto 637, de 24/08/92, que dispõe: Artigo 19: São condições gerais para a obtenção do passaporte comum: § 1º: omissis; § 2º: Quando se tratar de menor de 18 anos, não emancipado, será exigida autorização dos pais ou do responsável legal, ou do juiz competente. Na verdade, o Brasil é partícipe da maioria das Convenções e Declarações, cujo objetivo é regulamentar a adoção internacional entre os povos, aproximando os países de uma política conjunta de auxílio e fiscalização entre adotantes e adotados. A Convenção de Haia14, ocorrida em 1993 e ratificada pelo Brasil através do Decreto-Lei n. 63/99, foi um dos principais acordos de cooperação entre nações em matéria de adoção. As Convenções e Declarações sobre os Direitos da Criança e do Adolescente têm como princípios norteadores: 1. Superior interesse do menor; 2. Supremacia do princípio da prioridade da própria família; 3. Família substituta brasileira; 4. Família substituta estrangeira; 5. Jurisdição competente para conhecer e decidir sobre a constituição da adoção internacional é a residência habitual do menor; 6. Instituição da autoridade central e entidades autorizadas que funcionarão como pólo controlador da lisura do processo de adoção.
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Vide ADENDO.

No que tange o superior interesse do menor, vale dizer que a situação do menor e seu interesse devem ser examinados primordialmente, posto ser ente totalmente dependente e especialmente protegido pela Constituição da República Federativa do Brasil em seu artigo 227, caput: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Entretanto, esse princípio do superior interesse do menor tem sido utilizado de forma ampla pelos inescrupulosos e inconseqüentes no intuito de fazer com que pais entreguem seus filhos para adoção pelo simples fato de não terem muitos recursos para o sustento da família de forma confortável. Ora, o simples fato dos pais estarem em situação de carência sócioeconômica não constitui motivo para a destituição do poder familiar. E é neste ponto, justamente, que se analisa o princípio da supremacia da prioridade da própria família. 4.0 DA CEJA A CEJA – Comissão Estadual Judiciária de Adoção -, instituída no âmbito do Estado de Mato Grosso, pelo Provimento n. 27/96, de 05/12/1966, do Egrégio Conselho da Magistratura (publicado no Diário da Justiça de 11/12/1966), tem por finalidade atender ao disposto no artigo 52 da Lei n. 8069. de 13/10/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente 15, através de organização e manutenção do Cadastro Geral Unificado de interessados nacionais ou estrangeiros, residentes ou domiciliados fora do País, em adotar crianças e
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Art. 52- A adoção internacional poderá ser condicionada ao estudo prévio e análise de uma comissão estadual judiciária de adoção, que fornecerá o respectivo laudo de habilitação para instruir o processo competente. Parágrafo único: Competirá à comissão manter registro centralizado de interessados estrangeiros em adoção.

adolescentes brasileiros, e pela expedição do competente Certificado de Habilitação. 4.1 Das Atribuições dos Membros da CEJA São atribuições da Comissão:

I. II.

Promover o estudo prévio e a análise dos pedidos de habilitação à

adoção, formulados por pretendentes nacionais ou estrangeiros, residentes ou domiciliados fora do País;

Fornecer o respectivo Certificado de Habilitação, válido por 90

( noventa ) dias, prorrogável a critério da Comissão, após o exame da aptidão e capacidade dos pretendentes e verificação de que a validade jurídica da adoção será assegurada no País de origem dos adotantes, inclusive quanto aos direitos do adotando segundo a legislação brasileira;

III. IV.

Indicar aos pretendentes, depois de aprovada a habilitação, as

crianças e adolescentes cadastrados, em condições de serem adotados, quando não houver interessados brasileiros ou estrangeiros residentes no País;

Organizar e manter, para utilização de todas as Comarcas do

Estado, o Cadastro Geral Unificado de:

a) b) c)

Brasileiros e estrangeiros, residentes ou domiciliados fora do País,

interessados em adotar;

Crianças e adolescentes, na situação prevista no art. 98 do

ECA, em condições de serem colocados em família substitua, sob a forma de adoção, observado o disposto no artigo 31 do referido Estatuto;

Brasileiros e estrangeiros residentes no País, interessados na adoção

ou guarda de crianças e adolescentes, sem prejuízo do disposto no artigo 50 da lei acima referendada. V – Manter convênios e intercâmbios com entidades e instituições públicas ou privadas, de âmbito nacional ou internacional, com o objetivo de estabelecer o controle e o acompanhamento, sem prejuízo da atuação concorrente do juízo que deferiu a medida, quanto ao cumprimento das obrigações legais decorrentes da adoção. 5.0 DA CEJAI CEJAI é um órgão auxiliar da Justiça, que foi primeiramente instituída no Estado do Paraná, pelo Decreto Judiciário n. 21, de 1989, amparado pelo disposto no artigo 227 da Constituição Federal de 1988. Originariamente, a Comissão tinha como missão e finalidade colocar a salvo as crianças disponíveis para a adoção internacional, como forma de evitarlhes a negligência, a discriminação, a exploração, a violência, a crueldade e opressão. Além de defender os interesses da criança. A Comissão procura manter intercâmbio com outros órgãos e instituições internacionais de apoio à adoção, estabelecendo com elas um sistema de controle e acompanhamento dos casos apresentados e divulgando suas atividades. Com isso buscar diminuir o

tráfico de internacional de crianças, impedindo que os estrangeiros adotem e saiam do País irregularmente e descumprindo os mandamentos legais. Nem todos os Estados brasileiros possuem CEJAI, a exemplo do nosso Estado em que através da CEJA processa os pedidos de Habilitação para a devida adoção internacional. Em nosso Estado, tivemos nos dias 24 a 26 de 2000, a instalação do CONSELHO DAS AUTORIDADES CENTRAIS ADMINISTRATIVAS BRASILEIRAS, que tem por escopo administrar as adoções internacionais, zelando dos direitos fundamentais da criança e do adolescente em processo de adoção. O referido Conselho foi tratado na Convenção de Haia, no sentido de proceder a instituição de uma autoridade central para fiscalizar e controlar o processo de adoção. Ou seja, interligar as entidades centrais dos países, principalmente àqueles de onde provêem a maioria dos adotantes e adotados. A Autoridade Central Federal no Brasil, segundo o Decreto n. 3174/99, é a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Determinou-se, também, nesta lei, a criação do Conselho das Autoridades Centrais dos Estados Federados e o Distrito Federal, com função administrativa e de cooperação com as Autoridades Centrais Estaduais. As Comissões Estaduais Judiciárias de Adoção, que são ligadas aos Tribunais de Justiça de cada Estado, funcionam como as Autoridades Centrais dos Estados, visto não haver outra entidade fora de cada Estado que lhe seja hierarquicamente superior.

6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao partirmos do princípio que o Brasil – a exemplo da maioria dos países subdesenvolvidos -, apresenta características próprias para ser classificado dessa forma, haja vista os grandes contrastes econômico-sociais, com a criminalidade latente e crescente ante o predominante e excludente sistema do capitalismo selvagem, afloram a miserabilidade das crianças e adolescentes que, praticamente, vivem nas ruas. Nesse sentido, o Brasil é visto em todo o mundo como uma nação onde não existem justiça nem política sociais. Não é de admirar que o tráfico internacional de crianças e adolescentes tenham encontrado terreno pacífico para agir, e mercadoria farta para transacionar, ou seja, crianças (a maioria de recém-nascidos), a exemplo do ocorrido em Jundiaí/SP, conforme dito alhures. Diante desse fato, não se pode olvidar que, muitos interessados estrangeiros em adotar menores brasileiros estejam

imbuídos da vontade de serem pais, visto residirem num país com baixíssima taxa de natalidade e com poucas crianças adotáveis. De igual forma, não podemos fugir à realidade de que a adoção internacional não é a solução para os problemas de crianças abandonadas no Brasil. Leis que disciplinam essas questões temos em abundância, o que falta é a vontade política no sentido de minimizar as desigualdades econômico-sociais, educando e melhorando a qualidade de vida das pessoas, restaurando a justiça e a dignidade dos cidadãos. De qualquer forma, admitimos que a adoção feita por brasileiros ou por estrangeiros, deve ter apenas um objetivo: acolher a criança ou adolescente que, por algum motivo, viu-se privado de sua família natural. Oferecer a Instituição (abrigo, casa lar), à criança ou ao adolescente em troca da família é condená-la a um período indeterminado de solidão social. Se a família estiver preparada para receber um novo membro, não importa se ela é brasileira ou estrangeira, deve-se convocá-la para assumir a criança. Se a família estiver preparada para receber um novo membro, não importa se ela é brasileira ou estrangeira, deve-se convocá-la para assumir a criança ou adolescente. O que não pode acontecer é o esquecimento de nossas crianças e adolescentes em instituições (necessitando do apoio dos GAA - Grupo de Apoio à Adoção - , cujo objetivo como já evidenciado é estimular as famílias brasileiras no processo de adoção); deixando-as à mercê da burocracia institucional interrompendo-lhes o sonho de compor uma família. A discussão do tema “adoção internacional” passa pela própria incapacidade de gerência das famílias; sua existência, suas dificuldades financeiras, a falta de emprego, a desestrutura familiar, a fixação dos valores, etc. Não podemos olvidar que algumas perguntas ainda ficarão sem respostas. A pesquisa do fenômeno social “adoção” continuará a partir de algumas indagações, tais como: por que os países mais ricos resolveram buscar a adoção em países considerados pobres ou em desenvolvimento? Qual o ponto fraco das famílias que permitem (permitem?) sua desestruturação e desintegração social? O que pensam os pais biológicos quando ‘abandonam’ seus filhos (existem casos de abandono e ‘abandono’). Seguindo os passos da literatura, podemos deduzir que nos países mais ricos, a esterilidade, a legalização do aborto ou outras leis que permitem a interrupção voluntária da gestação, a aceitação da cultura da monoparentalidade – delegação unilateral do poder familiar à mãe -,fatores de convivência comunitária etc., podem ter criado essa explosão de demanda pela adoção nos países do chamado terceiro mundo. Refletimos... Se não foram esses os motivos determinantes daquelas pessoas desprovidas de fertilidade ou arrependidas de ter interrompido uma gestação, ou ainda, pela morte do único filho da família? Nesses casos, a

reflexão e discussão devem ser mais extensa, profunda, porque a adoção não se presta para resolver problemas de fertilidade ou de transferência de afetividade de um ente querido que faleceu; a adoção não é remédio para curar as feridas afetivas e emocionais dos adotante, mas como já dissemos anteriormente, adotar é um ato de amor. E por ato de amor entendemos a entrega e a doação total da vida dos adotantes ao adotado. E, é por isso que na adoção não pode haver escolha da criança desta ou daquela forma, desta ou daquela cor, tamanho, peso, cor de olhos, saúde, etc. Criança não é mercadoria que pode ser apalpada ou devolvida quando apresenta algum problema ou defeito. Criança é gente como o adotante, que vai construir uma relação familiar e comunitária, compartilhar as alegrias e tristezas, saúde e doença, fracassos e vitórias... Enfim, irá compartilhar com os adotantes e demais membros da família, a tarefa de realizar o amor.

7.0 BIBLIOGRAFIA _____. Adoção: Primeiros Passos, Tribunal de Justiça de Goiás, Corregedoria Geral da Justiça do Estado de Goiás, Vara da Infância e da Juventude da Capital. ALBERGARIA, Jason. Adoção Plena., Ed. Del Rey, 1ª edição, Belo Horizonte, 1996. BENKAUSS, Omar Gama. A Adoção no Código e no Estatuto da Criança e do Adolescente, Ed. Lumen Juris, 2ª edição, Rio de Janeiro, 1993.

BEVILAQUA, Clóvis. Código Civil, Vol II, Rio, Livraria Francisco Alves – 1954. _____.Código de Hamurabi. Rio, Ed. Vozes, 1976. COULANGES, Fustel de – A Cidade Antiga, tradução de Souza Costa, Cap.IV _____. Declaração dos Direitos da Criança. CRETELA, J. Júnior – Curso de Direito Romano, 13ª edição, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 1.980. LIBERATI, Wilson Donizeti. Estatuto da Criança e Comentado, 2ª ed., Ed. Malheiros, São Paulo, 1.993. do Adolescente

OLIVEIRA, J. M. Leoni Lopes de. Guarda, Tutela e Adoção, Ed. Lumen Juris, 2ª edição, Rio de Janeiro,1.999. OLIVEIRA, J. M. Leoni Lopes de. Guarda, Tutela e Adoção, Ed. Lumen Juris, 2ª edição, Rio de Janeiro,1.999. _____. Regimento Interno da Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Estado de Mato Grosso. _____. Revista. Associação Paulista do Ministério Público, Ano I, nº 04, Março de 1997. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil – Direito de Família, Vol. VI, Ed. Saraiva, 1978. SIQUEIRA, Liborni. Adoção no Tempo e no Espaço. Ed. Forense, 1ª edição, Rio de Janeiro, 1992.

ADENDO
DA CONVENÇÃO DE HAIA DECRETO N. 3.087, DE 21 DE JUNHO DE 1999. Promulga a Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de adoção Internacional, concluída na Haia, em 29 de Maio de 1993.

O PRESIDENTE DA REPUBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, Considerando que Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional foi concluída na Haia, em 29 de maio de 1993; Considerando que o Congresso Nacional aprovou o Ato multilateral em epígrafe por meio do Decreto Legislativo no 1, de 14 de janeiro de 1999; Considerando que a Convenção em tela entrou em vigor internacional de 1o de maio de 1995; Considerando que o Governo brasileiro depositou o Instrumento de Ratificação da referida Convenção em 10 de março de 1999, passará a mesma a vigorar para o Brasil em 1o julho de 1999, nos termos do parágrafo 2º de seu Artigo 46; DECRETA: Art. 1o A Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, concluída na Haia, em 29 de maio de 1993, apensa por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém. Art. 2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 21 de junho de 1999; 178o da Independência e 111o da República.

Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional

Os Estados signatários da presente Convenção, Reconhecendo que, para o desenvolvimento harmonioso de sua personalidade, a criança deve crescer em meio familiar, em clima de felicidade, de amor e de compreensão; Recordando que cada país deveria tomar, com caráter prioritário, medidas adequadas para permitir a manutenção da criança em sua família de origem;

Reconhecendo que a adoção internacional pode apresentar a vantagem de dar uma família permanente à criança para quem não se possa encontrar uma família adequada em seu país de origem; Convencidos da necessidade de prever medidas para garantir que as adoções internacionais sejam feitas no interesse superior da criança e com respeito a seus direitos fundamentais, assim como para prevenir o seqüestro, a venda ou o tráfico de crianças; e Desejando estabelecer para esse fim disposições comuns que levem em consideração os princípios reconhecidos por instrumentos internacionais, em particular a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, de 20 de novembro de 1989, e pela Declaração das Nações Unidas sobre os Princípios Sociais e Jurídicos Aplicáveis à Proteção e ao Bem-estar das Crianças, com Especial Referência às Práticas em Matéria de Adoção e de Colocação Familiar nos Planos Nacional e Internacional (Resolução da Assembléia Geral 41/85, de 3 de dezembro de 1986), Acordam nas seguintes disposições: Capítulo I Âmbito de Aplicação da Convenção Artigo 1 A presente Convenção tem por objetivo: a) Estabelecer garantias para que as adoções internacionais sejam feitas segundo o interesse superior da criança e com respeito aos direitos fundamentais que lhe reconhece o direito internacional; b) Instaurar um sistema de cooperação entre os Estados Contratantes que assegure o respeito às mencionadas garantias e, em conseqüência, previna o seqüestro, a venda ou o tráfico de crianças;
d) Assegurar o reconhecimento nos Estados Contratantes das adoções realizadas

segundo a Convenção.

Artigo 2 1. A Convenção será aplicada quando uma criança com residência habitual em um Estado Contratante ("o Estado de origem") tiver sido, for, ou deva ser deslocada para outro Estado Contratante ("o Estado de acolhida"), quer após sua adoção no Estado de origem por cônjuges ou por uma pessoa residente

habitualmente no Estado de acolhida, quer para que essa adoção seja realizada, no Estado de acolhida ou no Estado de origem. 2. A Convenção somente abrange as Adoções que estabeleçam um vínculo de filiação.

Artigo 3 A Convenção deixará de ser aplicável se as aprovações previstas no artigo 17, alínea "c", não forem concedidas antes que a criança atinja a idade de 18 (dezoito) anos.

Capítulo II Requisitos Para As Adoções Internacionais

Artigo 4 As adoções abrangidas por esta Convenção só poderão ocorrer quando as autoridades competentes do Estado de origem: a) tiverem determinado que a criança é adotável; b) tiverem verificado, depois de haver examinado adequadamente as possibilidades de colocação da criança em seu Estado de origem, que uma adoção internacional atende ao interesse superior da criança; c) tiverem-se assegurado de: 1) que as pessoas, instituições e autoridades cujo consentimento se requeira para a adoção hajam sido convenientemente orientadas e devidamente informadas das conseqüências de seu consentimento, em particular em relação à manutenção ou à ruptura, em virtude da adoção, dos vínculos jurídicos entre a criança e sua família de origem; 2) que estas pessoas, instituições e autoridades tenham manifestado seu consentimento livremente, na forma legal prevista, e que este consentimento se tenha manifestado ou constatado por escrito; 3) que os consentimentos não tenham sido obtidos mediante pagamento ou compensação de qualquer espécie nem tenham sido revogados, e

4) que o consentimento da mãe, quando exigido, tenha sido manifestado após o nascimento da criança; e d) tiverem-se assegurado, observada a idade e o grau de maturidade da criança, de: 1) que tenha sido a mesma convenientemente orientada e devidamente informada sobre as conseqüências de seu consentimento à adoção, quando este for exigido; 2) que tenham sido levadas em consideração a vontade e as opiniões da criança; 3) que o consentimento da criança à adoção, quando exigido, tenha sido dado livremente, na forma legal prevista, e que este consentimento tenha sido manifestado ou constatado por escrito; 4) que o consentimento não tenha sido induzido mediante pagamento ou compensação de qualquer espécie.

Artigo 5 As adoções abrangidas por esta Convenção só poderão ocorrer quando as autoridades competentes do Estado de acolhida: a) tiverem verificado que os futuros pais adotivos encontram-se habilitados e aptos para adotar; b) tiverem-se assegurado de convenientemente orientados; que os futuros pais adotivos foram

c) tiverem verificado que a criança foi ou será autorizada a entrar e a residir permanentemente no Estado de acolhida.

Capítulo III Autoridades Centrais e Organismos Credenciados

Artigo 6 1. Cada Estado Contratante designará uma Autoridade Central encarregada de dar cumprimento às obrigações impostas pela presente Convenção. 2. Um Estado federal, um Estado no qual vigoram diversos sistemas jurídicos ou um Estado com unidades territoriais autônomas poderá designar mais de uma Autoridade Central e especificar o âmbito territorial ou pessoal de suas funções. O Estado que fizer uso dessa faculdade designará a Autoridade Central à qual poderá ser dirigida toda a comunicação para sua transmissão à Autoridade Central competente dentro desse Estado.

Artigo 7 1. As Autoridades Centrais deverão cooperar entre si e promover a colaboração entre as autoridades competentes de seus respectivos Estados a fim de assegurar a proteção das crianças e alcançar os demais objetivos da Convenção. 2. As Autoridades Centrais tomarão, diretamente, todas as medidas adequadas para: a) fornecer informações sobre a legislação de seus Estados em matéria de adoção e outras informações gerais, tais como estatísticas e formulários padronizados; b) informar-se mutuamente sobre o funcionamento da Convenção e, na medida do possível, remover os obstáculos para sua aplicação. Artigo 8 As Autoridades Centrais tomarão, diretamente ou com a cooperação de autoridades públicas, todas as medidas apropriadas para prevenir benefícios materiais induzidos por ocasião de uma adoção e para impedir qualquer prática contrária aos objetivos da Convenção. Artigo 9 As Autoridades Centrais tomarão todas as medidas apropriadas, seja diretamente ou com a cooperação de autoridades públicas ou outros organismos devidamente credenciados em seu Estado, em especial para: a) reunir, conservar e permutar informações relativas à situação da criança e dos futuros pais adotivos, na medida necessária à realização da adoção; b) facilitar, acompanhar e acelerar o procedimento de adoção;

c) promover o desenvolvimento de serviços de orientação em matéria de adoção e de acompanhamento das adoções em seus respectivos Estados; d) permutar relatórios gerais de avaliação sobre as experiências em matéria de adoção internacional; e) responder, nos limites da lei do seu Estado, às solicitações justificadas de informações a respeito de uma situação particular de adoção formuladas por outras Autoridades Centrais ou por autoridades públicas. Artigo 10 Somente poderão obter e conservar o credenciamento os organismos que demonstrarem sua aptidão para cumprir corretamente as tarefas que lhe possam ser confiadas. Artigo 11 Um organismo credenciado deverá: a) perseguir unicamente fins não lucrativos, nas condições e dentro dos limites fixados pelas autoridades competentes do Estado que o tiver credenciado; b) ser dirigido e administrado por pessoas qualificadas por sua integridade moral e por sua formação ou experiência para atuar na área de adoção internacional; c) estar submetido à supervisão das autoridades competentes do referido Estado, no que tange à sua composição, funcionamento e situação financeira. Artigo 12 Um organismo credenciado em um Estado Contratante somente poderá atuar em outro Estado Contratante se tiver sido autorizado pelas autoridades competentes de ambos os Estados.

Artigo 13 A designação das Autoridades Centrais e, quando for o caso, o âmbito de suas funções, assim como os nomes e endereços dos organismos credenciados devem ser comunicados por cada Estado Contratante ao Bureau Permanente da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado. Capítulo IV Requisitos Processuais para a Adoção Internacional

Artigo 14 As pessoas com residência habitual em um Estado Contratante, que desejem adotar uma criança cuja residência habitual seja em outro Estado Contratante, deverão dirigir-se à Autoridade Central do Estado de sua residência habitual. Artigo 15 1. Se a Autoridade Central do Estado de acolhida considerar que os solicitantes estão habilitados e aptos para adotar, a mesma preparará um relatório que contenha informações sobre a identidade, a capacidade jurídica e adequação dos solicitantes para adotar, sua situação pessoal, familiar e médica, seu meio social, os motivos que os animam, sua aptidão para assumir uma adoção internacional, assim como sobre as crianças de que eles estariam em condições de tomar a seu cargo. 2. A Autoridade Central do Estado de acolhida transmitirá o relatório à Autoridade Central do Estado de origem. Artigo 16 1. Se a Autoridade Central do Estado de origem considerar que a criança é adotável, deverá: a) preparar um relatório que contenha informações sobre a identidade da criança, sua adotabilidade, seu meio social, sua evolução pessoal e familiar, seu histórico médico pessoal e familiar, assim como quaisquer necessidades particulares da criança; b) levar em conta as condições de educação da criança, assim como sua origem étnica, religiosa e cultural; c) assegurar-se de que os consentimentos tenham sido obtidos de acordo com o artigo 4; e d) verificar, baseando-se especialmente nos relatórios relativos à criança e aos futuros pais adotivos, se a colocação prevista atende ao interesse superior da criança. 2. A Autoridade Central do Estado de origem transmitirá à Autoridade Central do Estado de acolhida seu relatório sobre a criança, a prova dos consentimentos requeridos e as razões que justificam a colocação, cuidando para não revelar a identidade da mãe e do pai, caso a divulgação dessas informações não seja permitida no Estado de origem. Artigo 17

Toda decisão de confiar uma criança aos futuros pais adotivos somente poderá ser tomada no Estado de origem se: a) a Autoridade Central do Estado de origem tiver-se assegurado de que os futuros pais adotivos manifestaram sua concordância; b) a Autoridade Central do Estado de acolhida tiver aprovado tal decisão, quando esta aprovação for requerida pela lei do Estado de acolhida ou pela Autoridade Central do Estado de origem; c) as Autoridades Centrais de ambos os Estados estiverem de acordo em que se prossiga com a adoção; e d) tiver sido verificado, de conformidade com o artigo 5, que os futuros pais adotivos estão habilitados e aptos a adotar e que a criança está ou será autorizada a entrar e residir permanentemente no Estado de acolhida. Artigo 18 As Autoridades Centrais de ambos os Estados tomarão todas as medidas necessárias para que a criança receba a autorização de saída do Estado de origem, assim como aquela de entrada e de residência permanente no Estado de acolhida. Artigo 19 1. O deslocamento da criança para o Estado de acolhida só poderá ocorrer quando tiverem sido satisfeitos os requisitos do artigo 17. 2. As Autoridades Centrais dos dois Estados deverão providenciar para que o deslocamento se realize com toda a segurança, em condições adequadas e, quando possível, em companhia dos pais adotivos ou futuros pais adotivos. 3. Se o deslocamento da criança não se efetivar, os relatórios a que se referem os artigos 15 e 16 serão restituídos às autoridades que os tiverem expedido. Artigo 20 As Autoridades Centrais manter-se-ão informadas sobre o procedimento de adoção, sobre as medidas adotadas para levá-la a efeito, assim como sobre o desenvolvimento do período probatório, se este for requerido. Artigo 21 1. Quando a adoção deva ocorrer, após o deslocamento da criança, para o Estado de acolhida e a Autoridade Central desse Estado considerar que a manutenção da

criança na família de acolhida já não responde ao seu interesse superior, essa Autoridade Central tomará as medidas necessárias à proteção da criança, especialmente de modo a: a) retirá-la das pessoas que pretendem adotá-la e assegurar provisoriamente seu cuidado; b) em consulta com a Autoridade Central do Estado de origem, assegurar, sem demora, uma nova colocação da criança com vistas à sua adoção ou, em sua falta, uma colocação alternativa de caráter duradouro. Somente poderá ocorrer uma adoção se a Autoridade Central do Estado de origem tiver sido devidamente informada sobre os novos pais adotivos; c) como último recurso, assegurar o retorno da criança ao Estado de origem, se assim o exigir o interesse da mesma. 2. Tendo em vista especialmente a idade e o grau de maturidade da criança, esta deverá ser consultada e, neste caso, deve-se obter seu consentimento em relação às medidas a serem tomadas, em conformidade com o presente Artigo. Artigo 22 1. As funções conferidas à Autoridade Central pelo presente capítulo poderão ser exercidas por autoridades públicas ou por organismos credenciados de conformidade com o capítulo III, e sempre na forma prevista pela lei de seu Estado. 2. Um Estado Contratante poderá declarar ante o depositário da Convenção que as Funções conferidas à Autoridade Central pelos artigos 15 a 21 poderão também ser exercidas nesse Estado, dentro dos limites permitidos pela lei e sob o controle das autoridades competentes desse Estado, por organismos e pessoas que: a) satisfizerem as condições de integridade moral, de competência profissional, experiência e responsabilidade exigidas pelo mencionado Estado; b) forem qualificados por seus padrões éticos e sua formação e experiência para atuar na área de adoção internacional. 3. O Estado Contratante que efetuar a declaração prevista no parágrafo 2 informará com regularidade ao Bureau Permanente da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado os nomes e endereços desses organismos e pessoas. 4. Um Estado Contratante poderá declarar ante o depositário da Convenção que as adoções de crianças cuja residência habitual estiver situada em seu território

somente poderão ocorrer se as funções conferidas às Autoridades Centrais forem exercidas de acordo com o parágrafo 1. 5. Não obstante qualquer declaração efetuada de conformidade com o parágrafo 2, os relatórios previstos nos artigos 15 e 16 serão, em todos os casos, elaborados sob a responsabilidade da Autoridade Central ou de outras autoridades ou organismos, de conformidade com o parágrafo 1. Capítulo V Reconhecimento e Efeitos da Adoção Artigo 23 1. Uma adoção certificada em conformidade com a Convenção, pela autoridade competente do Estado onde ocorreu, será reconhecida de pleno direito pelos demais Estados Contratantes. O certificado deverá especificar quando e quem outorgou os assentimentos previstos no artigo 17, alínea "c". 2. Cada Estado Contratante, no momento da assinatura, ratificação, aceitação, aprovação ou adesão, notificará ao depositário da Convenção a identidade e as Funções da autoridade ou das autoridades que, nesse Estado, são competentes para expedir esse certificado, bem como lhe notificará, igualmente, qualquer modificação na designação dessas autoridades. Artigo 24 O reconhecimento de uma adoção só poderá ser recusado em um Estado Contratante se a adoção for manifestamente contrária à sua ordem pública, levando em consideração o interesse superior da criança. Artigo 25 Qualquer Estado Contratante poderá declarar ao depositário da Convenção que não se considera obrigado, em virtude desta, a reconhecer as adoções feitas de conformidade com um acordo concluído com base no artigo 39, parágrafo 2. Artigo 26 1. O reconhecimento da adoção implicará o reconhecimento: a) do vínculo de filiação entre a criança e seus pais adotivos; b) da responsabilidade paterna dos pais adotivos a respeito da criança; c) da ruptura do vínculo de filiação preexistente entre a criança e sua mãe e seu pai, se a adoção produzir este efeito no Estado Contratante em que ocorreu.

2. Se a adoção tiver por efeito a ruptura do vínculo preexistente de filiação, a criança gozará, no Estado de acolhida e em qualquer outro Estado Contratante no qual se reconheça a adoção, de direitos equivalentes aos que resultem de uma adoção que produza tal efeito em cada um desses Estados. 3. Os parágrafos precedentes não impedirão a aplicação de quaisquer disposições mais favoráveis à criança, em vigor no Estado Contratante que reconheça a adoção. Artigo 27 1. Se uma adoção realizada no Estado de origem não tiver como efeito a ruptura do vínculo preexistente de filiação, o Estado de acolhida que reconhecer a adoção de conformidade com a Convenção poderá convertê-la em uma adoção que produza tal efeito, se: a. a lei do Estado de acolhida o permitir; e b) os consentimentos previstos no Artigo 4, alíneas "c" e "d", tiverem sido ou forem outorgados para tal adoção. 2. O artigo 23 aplica-se à decisão sobre a conversão. Capítulo VI Disposições Gerais Artigo 28 A Convenção não afetará nenhuma lei do Estado de origem que requeira que a adoção de uma criança residente habitualmente nesse Estado ocorra nesse Estado, ou que proíba a colocação da criança no Estado de acolhida ou seu deslocamento ao Estado de acolhida antes da adoção. Artigo 29 Não deverá haver nenhum contato entre os futuros pais adotivos e os pais da criança ou qualquer outra pessoa que detenha a sua guarda até que se tenham cumprido as disposições do artigo 4, alíneas "a" a "c" e do artigo 5, alínea "a", salvo os casos em que a adoção for efetuada entre membros de uma mesma família ou em que as condições fixadas pela autoridade competente do Estado de origem forem cumpridas. Artigo 30 1. As autoridades competentes de um Estado Contratante tomarão providências para a conservação das informações de que dispuserem relativamente à origem

da criança e, em particular, a respeito da identidade de seus pais, assim como sobre o histórico médico da criança e de sua família. 2. Essas autoridades assegurarão o acesso, com a devida orientação da criança ou de seu representante legal, a estas informações, na medida em que o permita a lei do referido Estado. Artigo 31 Sem prejuízo do estabelecido no artigo 30, os dados pessoais que forem obtidos ou transmitidos de conformidade com a Convenção, em particular aqueles a que se referem os artigos 15 e 16, não poderão ser utilizados para fins distintos daqueles para os quais foram colhidos ou transmitidos. Artigo 32 1. Ninguém poderá obter vantagens materiais indevidas em razão de intervenção em uma adoção internacional. 2. Só poderão ser cobrados e pagos os custos e as despesas, inclusive os honorários profissionais razoáveis de pessoas que tenham intervindo na adoção. 3. Os dirigentes, administradores e empregados dos organismos intervenientes em uma adoção não poderão receber remuneração desproporcional em relação aos serviços prestados. Artigo 33 Qualquer autoridade competente, ao verificar que uma disposição da Convenção foi desrespeitada ou que existe risco manifesto de que venha a sê-lo, informará imediatamente a Autoridade Central de seu Estado, a qual terá a responsabilidade de assegurar que sejam tomadas as medidas adequadas. Artigo 34 Se a autoridade competente do Estado destinatário de um documento requerer que se faça deste uma tradução certificada, esta deverá ser fornecida. Salvo dispensa, os custos de tal tradução estarão a cargo dos futuros pais adotivos. Artigo 35 As autoridades competentes dos Estados Contratantes atuarão com celeridade nos procedimentos de adoção. Artigo 36

Em relação a um Estado que possua, em matéria de adoção, dois ou mais sistemas jurídicos aplicáveis em diferentes unidades territoriais: a) qualquer referência à residência habitual nesse Estado será entendida como relativa à residência habitual em uma unidade territorial do dito Estado; b) qualquer referência à lei desse Estado será entendida como relativa à lei vigente na correspondente unidade territorial; c) qualquer referência às autoridades competentes ou às autoridades públicas desse Estado será entendida como relativa às autoridades autorizadas para atuar na correspondente unidade territorial; d) qualquer referência aos organismos credenciados do dito Estado será entendida como relativa aos organismos credenciados na correspondente unidade territorial. Artigo 37 No tocante a um Estado que possua, em matéria de adoção, dois ou mais sistemas jurídicos aplicáveis a categorias diferentes de pessoas, qualquer referência à lei desse Estado será entendida como ao sistema jurídico indicado pela lei do dito Estado. Artigo 38 Um Estado em que distintas unidades territoriais possuam suas próprias regras de direito em matéria de adoção não estará obrigado a aplicar a Convenção nos casos em que um Estado de sistema jurídico único não estiver obrigado a fazêlo. Artigo 39 1. A Convenção não afeta os instrumentos internacionais em que os Estados Contratantes sejam Partes e que contenham disposições sobre as matérias reguladas pela presente Convenção, salvo declaração em contrário dos Estados vinculados pelos referidos instrumentos internacionais. 2. Qualquer Estado Contratante poderá concluir com um ou mais Estados Contratantes acordos para favorecer a aplicação da Convenção em suas relações recíprocas. Esses acordos somente poderão derrogar as disposições contidas nos artigos 14 a 16 e 18 a 21. Os Estados que concluírem tais acordos transmitirão uma cópia dos mesmos ao depositário da presente Convenção. Artigo 40 Nenhuma reserva à Convenção será admitida.

Artigo 41 A Convenção será aplicada às Solicitações formuladas em conformidade com o artigo 14 e recebidas depois da entrada em vigor da Convenção no Estado de acolhida e no Estado de origem. Artigo 42 O Secretário-Geral da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado convocará periodicamente uma Comissão Especial para examinar o funcionamento prático da Convenção.

Capítulo VII Cláusulas Finais Artigo 43 1. A Convenção estará aberta à assinatura dos Estados que eram membros da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado quando da Décima-Sétima Sessão, e aos demais Estados participantes da referida Sessão. 2. Ela será ratificada, aceita ou aprovada e os instrumentos de ratificação, aceitação ou aprovação serão depositados no Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino dos Países Baixos, depositário da Convenção. Artigo 44 1. Qualquer outro Estado poderá aderir à Convenção depois de sua entrada em vigor, conforme o disposto no artigo 46, parágrafo 1. 2. O instrumento de adesão deverá ser depositado junto ao depositário da Convenção. 3. A adesão somente surtirá efeitos nas relações entre o Estado aderente e os Estados Contratantes que não tiverem formulado objeção à sua adesão nos seis meses seguintes ao recebimento da notificação a que se refere o artigo 48, alínea "b". Tal objeção poderá igualmente ser formulada por qualquer Estado no momento da ratificação, aceitação ou aprovação da Convenção, posterior à adesão. As referidas objeções deverão ser notificadas ao depositário. Artigo 45 1. Quando um Estado compreender duas ou mais unidades territoriais nas quais se apliquem sistemas jurídicos diferentes em relação às questões reguladas pela

presente Convenção, poderá declarar, no momento da assinatura, da ratificação, da aceitação, da aprovação ou da adesão, que a presente Convenção será aplicada a todas as suas unidades territoriais ou somente a uma ou várias delas. Essa declaração poderá ser modificada por meio de nova declaração a qualquer tempo. 2. Tais declarações serão notificadas ao depositário, indicando-se expressamente as unidades territoriais às quais a Convenção será aplicável. 3. Caso um Estado não formule nenhuma declaração na forma do presente artigo, a Convenção será aplicada à totalidade do território do referido Estado. Artigo 46 1. A Convenção entrará em vigor no primeiro dia do mês seguinte à expiração de um período de três meses contados da data do depósito do terceiro instrumento de ratificação, de aceitação ou de aprovação previsto no artigo 43. 2. Posteriormente, a Convenção entrará em vigor: a) para cada Estado que a ratificar, aceitar ou aprovar posteriormente, ou apresentar adesão à mesma, no primeiro dia do mês seguinte à expiração de um período de três meses depois do depósito de seu instrumento de ratificação, aceitação, aprovação ou adesão; b) para as unidades territoriais às quais se tenha estendido a aplicação da Convenção conforme o disposto no artigo 45, no primeiro dia do mês seguinte à expiração de um período de três meses depois da notificação prevista no referido artigo. Artigo 47 1. Qualquer Estado-Parte na presente Convenção poderá denunciá-la mediante notificação por escrito, dirigida ao depositário. 2. A denúncia surtirá efeito no primeiro dia do mês subseqüente à expiração de um período de doze meses da data de recebimento da notificação pelo depositário. Caso a notificação fixe um período maior para que a denúncia surta efeito, esta surtirá efeito ao término do referido período a contar da data do recebimento da notificação. Artigo 48 O depositário notificará aos Estados-Membros da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, assim como aos demais Estados participantes da

Décima-Sétima Sessão e aos Estados que tiverem aderido à Convenção de conformidade com o disposto no artigo 44: a) as assinaturas, ratificações, aceitações e aprovações a que se refere o artigo 43; b) as adesões e as objeções às adesões a que se refere o artigo 44; c) a data em que a Convenção entrará em vigor de conformidade com as disposições do artigo 46; d) as declarações e designações a que se referem os artigos 22, 23, 25 e 45; e) os Acordos a que se refere o artigo 39; f) as denúncias a que se refere o artigo 47. Em testemunho do que, os abaixo-assinados, devidamente autorizados, firmaram a presente Convenção. Feita em Haia, em 29 de maio de 1993, nos idiomas francês e inglês, sendo ambos os textos igualmente autênticos, em um único exemplar, o qual será depositado nos arquivos do Governo do Reino dos Países Baixos e do qual uma cópia certificada será enviada, por via diplomática, a cada um dos EstadosMembros da Conferência da Haia de Direito Internacional Privado por ocasião da Décima-Sétima Sessão, assim como a cada um dos demais Estados que participaram desta Sessão.

DO COMENTÁRIO SOBRE A CONVENÇÃO Da Convenção transcrita acima, podemos deduzir que a mesma veio ao encontro da grande problemática que gera as adoções internacionais, no que tange, idoneidade, regularidade, etc. O aumento freqüente de adoções internacionais ( irregulares, principalmente), levou a ONU e outros organismos internacionais a discutirem sobre a regulamentação da matéria com o objetivo de facilitar o trâmite dos processos, desestimulando de maneira indireta as adoções irregulares que podem encobrir atentados aos direitos das crianças, e também negócios escusos. Dentro deste contexto, a Convenção de Proteção da Criança e Adoção Internacional (Haia, 1993), previu a criação de uma Autoridade Central em cada País com o escopo de maior zelo nos direitos fundamentais da criança e do adolescente passivos de adoção. Analisemos... O grau de desenvolvimento de uma nação está certamente relacionado com a capacidade de seus nacionais, autoridades ou comunidades,

de privilegiar a infância, garantindo de forma prática, o acesso a uma família que lhe permita a subsistência e o exercício dos demais direitos e garantias individuais. Se, de um lado, quanto mais desenvolvido o País, menor o número de crianças carentes, é incontestável que a maior parte das crianças adotáveis, no mundo de hoje, provêm de Países pouco ou nada desenvolvidos, nos quais o modelo sócio-econômico é impeditivo de mudanças de estrutura. No primeiro instante, é simpática a idéia de que a Adoção Internacional permite a colocação de crianças carentes dos Países em desenvolvimento, em famílias estrangeiras que lhes proporcionarão melhores oportunidades em termos de educação, desenvolvimento e condições financeira dando, também, aos casais, sem filhos biológicos, a chance de concretizarem seus sonhos de paternidade e de realização familiar. Entretanto, esta idéia não é pacífica e encontra inúmeros adversários convencidos de suas próprias razões. Alguns condenam a Adoção Internacional com o argumento de que se trata de problema social de âmbito interno e que, se autorizamos a saída para outros Países, estamos fugindo do problema e não o solucionando. Outros, argumentam com relação às freqüentes adoções irregulares e o tráfico de crianças, sem abandonar a velha discussão sobre a perda da identidade da criança, seu nome e relações familiares. Abrimos parênteses no que tange a “ perda de identidade, nome, relações familiares..”, ora, o que é mais digno para a criança/adolescente, viver professando suas origens em verdadeiras misérias? Ou, ter uma nova identidade, novas relações, vida digna em outros Países?? A mim me parece que caberia aqui grandes e sábias reflexões... De qualquer forma, adoções irregulares constituem uma realidade apesar de todos os mecanismos de fiscalização promovidos, sobretudo, nos Países de adotandos, a exemplo do Brasil, sem esquecer que continuam ocorrendo as saídas irregulares, quer pelas fronteiras, quer através dos aeroportos controlados pelas autoridades federais e autorizadas pelo Judiciário ( evidenciamos aqui os casos ocorridos em Jundiaí/SP, palco de manchetes escritas e televisionada). Dada essas questões, é que estudiosos e autoridades de inúmeros Países promoveram medidas próprias de controle e a se unirem em iniciativas conjuntas no sentido de estabelecerem princípios e procedimentos comuns, visando inclusive a regulamentação e a repressão das irregularidades, permitindo, assim, a oportunidade de novas famílias para as crianças desassistidas nos Países em desenvolvimento. Em suma, a intenção maior da Convenção é não só unificar as Leis Internacionais de Adoções nos Estados Contratantes, mas assegurar os direitos das crianças e adolescentes adotados, zelando para que os mesmos sejam respeitados ao máximo.

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