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- INTRODUÇÃO

A Seqüência de Fibonacci é conhecida desde a antiguidade, mas foi popularizada por um


brilhante matemático da Idade Média chamado Leonardo de Fibonacci. Essa seqüência parte da
resolução do seguinte problema: quantos casais de coelhos teremos a cada mês, partindo de um casal,
se esse casal de coelhos dará origem a um novo casal dois meses após seu nascimento.

A maneira mais fácil de identificarmos o próximo número da sequência é somando os dois


números anteriores para o acharmos o próximo, então:
1+1=2
1+2=3
2+3=5
3+5=8
e assim por diante, teríamos então a seguinte seqüência:

1,1,2,3,5,8,13,21,34,55,89,144,233,377...

Essa sequência tem algumas características bem interessantes, se pegarmos qualquer número,
exceto os 4 ou 5 primeiros, por exemplo o número 144, e o dividirmos pelo número anterior e pelo
posterior teremos:
144÷89 = 0,618
144÷233 = 1,618

Essas duas razões: 0,618 e 1,618, são conhecidas como Razões Áureas. Além delas temos
outras duas razões bem importantes que são conseguidas dividindo o mesmo número por dois
anteriores e dois posteriores:

144÷55 = 0,382
144÷377 = 2,618

Essas quatro razões, além do 1 (144÷144) tem algumas relações bem interessantes
demonstradas na tabela abaixo onde temos

÷÷ X 0,382 0,618 1 1,618 2,618


0,382 0,382 0,618 1,000
0,618 0,382 0,618 1,000 1,618
1 0,382 0,618 1,000 1,618 2,618
1,618 0,618 1,000 1,618 2,618
2,618 1,000 1,618 2,618

Temos ainda,
1,618-0,618 = 1,
2,618-1,618 = 1,
0,382+0,618 = 1
A Sequência de Fibonacci dá origem ao que chamamos de Quadrados de Fibonacci. Nessa
figura o lado de cada quadrado tem o tamanho da soma dos lados dos dois quadrados anteriores

As razões áureas são encontradas em várias áreas do conhecimento humano como música,
pintura e arquitetura. As obras que consideramos mais belas respeitam essas proporções como por
exemplo o Parthenon:
A Sequência de Fibonacci dá origem ao Espiral de Fibonacci

O Espiral de Fibonacci é a forma que a natureza encontrou para se expandir e se retrair mais
facilmente. Todos sabemos que a natureza é sábia e vai sempre tentar fazer seus movimentos de
maneira que gaste menos energia. Podemos ver vários exemplos na natureza:
Uma galáxia:

Um furacão:
Uma concha

O corpo humano também possui várias relações de Fibonacci


Existem ainda muitos outros exemplos de fibonacci determinando as formas da natureza. Nesse
momento algumas pessoas devem estar pensando: “tudo bem, interessante, mas o que eu tenho a ver
com isso? Como vou utilizar isso para operar melhor?” A resposta para essa pergunta é: o que é o
movimento dos preços dos ativos senão um eterno movimento de expansão e retração, expansão e
retração, provocado por quem? Por balanços? Por notícias? Não!!!! Por nós! Seres humanos, que
fazemos parte da natureza. Então a forma como os preços dos ativos se expandem e se retraem mais
facilmente é através de Fibonacci. As duas formas mais usadas de fibonacci na Análise Técnica são
as retrações e extensões (ou expansões). Abordaremos primeiramente as Retrações de Fibonacci.
Porém , antes de começarmos vale a pena discutir alguns detalhes. As retrações e extensão
devem ser traçadas pelos corpos dos candles e não pelas suas sombras, apesar disso não ser consenso
entre traders. Os corpos são mais significativos que as sombras dos candles, então usaremos as
aberturas e fechamentos como pontos de início e final de nossas análises. Devemos sempre utilizar
os gráficos em escala logarítmica, porém as extensões e retrações devem ser traçadas em escala
aritmética já que a sequência de Fibonacci é uma sequência aritmética e não exponencial.

- RETRAÇÕES
Quando temos um movimento nos preços de um ativo, de alta por exemplo, e esse movimento
se encerra e temos o começo de uma correção o trader quer saber até onde mais provavelmente essa
correção irá. Para isso utilizaremos as Retrações de Fibonacci de:
0,618 ou 61,8%
0,500 ou 50%
0,382 ou 38,2%
Então, estudando o claro movimento de alta abaixo temos que as retrações de 38,2%, 50% e
61,8% são respectivamente os níveis de 45,93 43,55 e 41,16. Como a alta se iniciou em 33,43 e foi
até 53,66 uma retração de 50% de toda essa alta ou seja uma correção de metade da alta seria uma
queda até o nível de 43,55. Esses pontos não são objetivos no sentido de que os preços devem ir até
lá, mas sim que se forem até lá, aí sim, deveremos encontrar suporte.
Mas por que não utilizarmos todo o movimento de alta desde o fundo de 2006? Isso também
seria possível. A retração de 61,8% do movimento de alta menor (41,16) fica bem perto da retração
de 38,2% de todo movimento (40,09). Quando temos duas retrações de dois movimentos diferentes
coincidindo no mesmo ponto ele se torna mais forte como possível local de formação de suporte.
Vejamos como o mercado se movimentou a seguir. Formamos um candle de reversão com
forte volume em cima das Retrações de Fibonacci, mas também em cima do antigo Topo Histórico
do ativo, de uma LTA, do número redondo 40,00, apesar de não aparecer nesse gráfico também
temos o IFR no suporte, a média de 50 semanas e a Banda de Bollinger inferior sendo testada, mas o
mais importante, o ativo está em clara tendência de alta. Depois disso tivemos uma boa alta. É
importante termos em mente que Fibonacci não deve ser usado isoladamente, mas em conjunto com
outras ferramentas.
Mais um exemplo de Retrações de Fibonacci em conjunto com outras ferramentas de Análise
Técnica apontando um bom ponto de compra.
Retração não significa queda e sim correção do movimento anterior. Se o movimento anterior
foi de alta a retração será um movimento de queda, mas se estamos estudando um movimento de
queda a retração será uma alta. Após forte queda o ativo abaixo formou um candle de reversão e já
apresentou uma semana de boa alta. O trader vai querer então saber até onde essa alta mais
provavelmente irá, traçamos então estas duas retrações. Em torno de 54,00 temos duas retrações
coincidindo, então se esse nível for alcançado deveremos ter forte resistência.
A zona de resistência mais forte não foi alcançada. A alta dos preços foi apenas até a primeira
retração do movimento menor, o ativo ficou por várias semanas testando essa zona de preços e o
movimento de queda continuou com força
- EXTENSÕES
Falaremos agora sobre as Extensões de Fibonacci. Muitos traders se confundem em relação a
quando usar as retrações e quando usar as extensões. O mais importante é prestar muita atenção no
nome da ferramenta. Se estivermos analisando um movimento de alta e queremos saber o quanto
desse movimento será corrigido (para baixo) usaremos as retrações, mas se depois de uma alta (com
início e fim bem definidos) queremos saber até onde um novo movimento de alta pode ir traçaremos
as extensões. O mesmo se aplica às quedas.
Traçaremos extensões utilizando os seguintes níveis:
0,618 ou 61,8%
1,000 ou 100%
1,618 ou 161,8%
2,618 ou 261,8%
As Extensões de Fibonacci são especialmente úteis quando temos um ativo rompendo um Topo
Histórico (ou Fundo Histórico), pois numa situação dessa não temos referenciais no passado para
determinarmos objetivos para o movimento dos preços
No exemplo abaixo temos um claro movimento de alta de 29,70 a 45,09. Depois de uma breve
correção o ativo reiniciou sua alta e está prestes a romper seu Topo Histórico. Se isso realmente
acontecer o trader vai querer saber até onde mais provavelmente irá a alta dos preços do ativo.
Traçaremos então as Extensões de Fibonacci para encontrar pontos de possível formação de
resistência.
O ativo realmente rompeu o topo histórico, passou pelas duas primeiras extensões sem senti-las
como resistência. Isso não significa que as extensões falharam, pois não ouve nenhum outro sinal
que indicasse um topo sendo formado, como candles de reversão. Na extensão de 1,618 o ativo deu
uma parada, formou um topo e corrigiu durante várias semanas, juntou forças e rompeu mais uma
vez o Topo Histórico, foi até a extensão de 2,618 formou um novo topo e depois disso corrigiu muito
forte.
Da mesma forma que retrações não significam quedas extensões não são sinônimos de altas e
sim de continuação do movimento anterior. Se quisermos saber o quanto um movimento de queda
vai continuar para baixo traçaremos as extensões, mas agora para baixo. Depois que o suporte em
47,00 foi perdido o trader quer saber até onde esse movimento de baixa pode ir mais provavelmente.
Na extensão de 100% em 40,48 o ativo encontrou suporte e voltou a subir forte.
-EXTENSÕES ALTERNADAS

Existe ainda um outro tipo de extensão chamada de Extensão Alternada. Nesse tipo de extensão
pegaremos o movimento original e projetaremos extensões desse movimento não a partir do seu
final, como fizemos anteriormente, mas sim a partir do reinício do próximo movimento na mesma
direção, ou seja, a partir do fim da correção do primeiro movimento. Vejamos as extensões
alternadas do mesmo movimento mostrado acima. O ativo fez um movimento de queda do ponto 1
ao ponto 2 depois disso tivemos uma correção desse movimento até o ponto 3, formando um topo
abaixo do topo anterior. Se o fundo do ponto 2 for perdido poderemos traçar nossas extensões
alternadas. Essas extensões calcularão o quanto do primeiro movimento de queda do ponto 1 ao
ponto 2 será estendido para baixo. Essa extensão porém levará em consideração o quanto desse
primeiro movimento de queda foi corrigido (na alta do ponto 2 ao ponto 3). Quanto maior essa
correção menor será o alcance do próximo movimento de queda. Quando o fundo no ponto 2 foi
perdido iniciamos uma tendência terciária de baixa com a confirmação de um pivô de baixa. O ativo
sentiu a extensão de 100% como suporte, tendo sido formado alguns candles de reversão, porém a
força vendedora prevaleceu, esse suporte foi perdido e a queda só parou na extensão de 161,8%,
onde um fundo foi formado e tivemos um forte movimento de alta. Nesse exemplo quando temos
duas extensões batendo no mesmo ponto, a extensão normal de 100% e a alternada de 161,8%, esse
ponto será um suporte ainda mais forte.
No exemplo abaixo temos duas extensões alternadas de dois movimentos de alta diferentes
sendo traçadas. A primeira extensão do ponto 1 ao ponto 2 a partir do ponto 3 e a segunda do ponto 3
ao ponto 4 a partir do ponto 5. Na primeira extensão, em roxo, inclui a extensão de 424%. Essa
extensão é menos usada e serve para traçar objetivos mais distantes. Os topos marcados com as setas
vermelhas foram todos formados onde as duas extensões se encontram. Além disso os objetivos dos
movimentos de alta puderam ser traçados com a ajuda da linha de retorno do canal de alta
- CONCLUSÃO

Existem ainda muitas outras formas de se utilizar Fibonacci dentro da Análise Técnica tais
como Fibonacci no Tempo, Canais de Fibonacci, Espirais de Fibonacci, Elipses de Fibonacci e
Ondas de Elliott, mas essas apresentadas são mais do que suficiente para uma boa análise.
Algumas pessoas criticam Fibonacci dizendo que só funciona porque todo mundo usa. A minha
resposta é: “E daí?” Se Fibonacci funciona por ser uma proporção mágica que faz com que tudo na
natureza se expanda e se retraia seguindo-o ou se funciona porque todo mundo usa, não me importa,
eu quero usar o que funciona. Mas esses questionamentos são infundados, pois mesmo em gráficos
bem antigos, quando Fibonacci não era utilizado dentro da Análise Técnica vemos as extensões e
retrações funcionando perfeitamente. Claro que pessoas inteligentes não devem acreditar em nada só
porque alguém está dizendo que funciona, mas abra a cabeça, teste e verá como essa ferramenta pode
ser de grande utilidade. Mas lembre-se de que Fibonacci não é infalível, assim como tudo na Análise
Técnica, nem deve ser a coisa mais importante dentro de nossas análises, mas usada em conjunto
com as ferramentas mais básicas (tendência, suporte, resistência, LTA, LTB), candles, volume,
simetria, ciclos e até indicadores podem ser de grande utilidade.