UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE PSICOLOGIA

ESTÁGIO BÁSICO EM PSICOLOGIA

Estagiárias Amanda V. Jacques Ana Paula M. Petry Ana Paula S. Becker Andressa Cesa

Professora Orientadora Maria Isabel do Nascimento André

Itajaí, 2010

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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE PSICOLOGIA

ESTÁGIO BÁSICO EM PSICOLOGIA

Trabalho realizado como requisito para conclusão do Estágio Básico – 5º período.

Profª. Orientadora: Maria Isabel do Nascimento-André

Estagiárias Amanda V. Jacques Ana Paula M. Petry Ana Paula S. Becker Andressa Cesa

JUNHO / 2010

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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................................4 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................................................6 2.1 A Psicologia.........................................................................................................................6 2.1.1 A diversidade do objeto de estudo..............................................................................6 2.2 O psicólogo brasileiro: a psicologia que temos...................................................................7 2.3 Áreas de atuação................................................................................................................8 2.4 A prática psicológica na educação infantil........................................................................10 2.4.1 Aspectos do desenvolvimento da criança (0-6 anos).................................................11 2.5 A prática psicológica na educação infantil........................................................................13 2.6 A importância do brincar, do jogo e da brincadeira na perspectiva psicológica...............14 2.6.1 A importância do jogo na educação infantil..............................................................16 2.7 Psicomotricidade..............................................................................................................17 2.7.1 Evolução histórica......................................................................................................17 2.7.2 Campos de atuação...................................................................................................18 2.7.3 O desenvolvimento psicomotor e os conceitos de psicomotricidade........................18 2.7.4 Psicomotricidade e aprendizagem.............................................................................22 3. LEVANTAMENTO DE NECESSIDADE/DEMANDA.................................................................24 4. MÉTODO............................................................................................................................25 4.1 Descrição da População...................................................................................................25 4.2 Atividades realizadas........................................................................................................25 4.2.1 Atividades realizadas da turma “A”...........................................................................26 4.2.2 Atividades realizadas da turma “B”...........................................................................28 5. DESCRIÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES REALIZADAS........................................................34 5.1 Descrição e análise das atividades na turma “A”.............................................................34 5.2 Descrição e análise das atividades na turma “B”.............................................................38 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................52 REFERÊNCIAS.........................................................................................................................54

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1. INTRODUÇÃO O seguinte relatório tem como objetivo descrever as atividades realizadas ao decorrer do primeiro semestre de 2010 em campo de estágio, supervisionado na disciplina de Estágio Básico. O objetivo geral deste trabalho é apresentar aos professores atividades alternativas que podem ser trabalhadas com os pré-escolares de forma a facilitar o desenvolvimento infantil dentro do contexto escolar. Para isto, pautamos o nosso conhecimento sob as noções teóricas da Psicomotricidade e a partir de dinâmicas referentes ao tema proposto, exercemos na prática o que foi aprendido teoricamente. Para melhor compreensão deste relatório, organizamos o mesmo com as devidas caracterizações e análises da turma “A” e da turma “B”. Tendo em vista, que o estágio realizado foi composto por 4 alunas do 5º período de Psicologia, as estagiárias dividiram-se em duplas para aplicar as atividades lúdicas com as crianças. Desta forma, cada dupla ficou responsável pelas respectivas turmas de pré-escolares de um colégio municipal de Itajaí. Assim, caracterizamos a turma “A” pelos alunos pré-escolares, com faixa etária entre 4 a 5 anos. E foi caracterizada a turma “B” pelos alunos do Jardim II, estando na faixa etária de 5 a 6 anos de idade. Também, é importante considerar o baixo nível sócio-econômico em que muitas dessas crianças estão inseridas, onde por recorridas vezes os pais ou responsáveis precisam trabalhar e deixam seus filhos o dia todo na creche, como no caso da turma “A”; sendo que na turma “B”, as crianças passam meioperíodo no ambiente escolar, e por vezes são cuidadas no outro período do dia pelos irmãos mais velhos, parentes e vizinhos. A partir disto, é importante refletir num primeiro momento sobre o desenvolvimento infantil na perspectiva psicomotora, o qual será detalhado de forma mais aprofundada posteriormente. Assim, o desenvolvimento infantil pode ser considerado como a junção dos processos de interação com o meio e transformação. Interação, pois através dos estímulos que o meio apresenta para a criança, a mesma é capaz de desenvolver-se com maior qualidade; e a transformação, porque com o passar do desenvolvimento infantil a criança

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possui estágios onde seus interesses mudam e conseqüentemente sua noção psicomotora também. É notável ressaltar a importância da Psicomotricidade em si, e seu conceito proposto pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade que a caracteriza como: “uma ciência que tem por objetivo o estudo do homem, através do seu corpo em movimento, nas relações com seu mundo interno e externo”. Portanto, a noção psicomotora do ser humano, contempla também o aspecto cognitivo e sócio-afetivo, sendo visto que estes possuem grande influência não só no desenvolvimento infantil, que é o foco deste trabalho, como também, o desenvolvimento do homem ao longo de sua vida. Além disso, é importante perceber que a Psicomotricidade caminha junto com a aprendizagem da criança. Seus movimentos em primeiro momento servem para descobrir sua própria estrutura e aos poucos eles se tornam mais complexos a fim de exprimir os desejos e anseios corporalmente pela vida do sujeito. De acordo com o exposto acima, este relatório apresenta a metodologia de cada encontro e análise dos mesmos; também consta a fundamentação teórica, a descrição da demanda e população a que se destinou o estudo e por fim, as considerações finais.

Ela possui uma diversidade de objetos de estudo. Cabral e Nick (2006) concordam que a Psicologia é uma ciência que estuda o comportamento do ser humano. 2. bem como os campos de atuação.1 A diversidade do objeto de estudo Podem-se dar várias definições para o objeto de estudo da Psicologia. Esta ciência passou a ser reconhecida a partir do momento em que a sociedade contemplou a sua eficácia na contribuição de mudanças de comportamento. ou seja. se esta mesma pergunta for feita a um psicanalista. medos. al (1995). ou a personalidade.2 O Psicólogo Brasileiro: a Psicologia que temos . como no trabalho e na vida particular das pessoas. ou ainda referem-na estritamente à Freud e aos seres humanos de forma generalista. tenta compreender a natureza dos desejos. mas também apresenta grande eficácia nas mudanças de comportamento e com pesquisas em animais. e dos animais. tendo como foco um objeto passível de observação e verificação. É muito eficaz no tratamento de problemas psicológicos das pessoas.1. Conforme citado por Bock (1999) se pedirmos a um psicólogo comportamentalista conceituar o que é a Psicologia. porém. ele dirá que o objeto de estudo da Psicologia. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2. Muitas pessoas a relacionam como sendo algo para “loucos”. devido à falta de informação. devido ao seu senso comum. Outros ainda dirão que é a consciência humana. ele possivelmente responderá que é o estudo do comportamento humano. e na solução de problemas que surgem tanto na escola. independente da abordagem que se utilize. é o inconsciente. aptidões e limitações do homem. Atkinson et. Portanto. não há uma definição exata. a Psicologia em si é uma ciência.6 2. Contudo. 2.1 A Psicologia A Psicologia sempre foi confundida pela maioria das pessoas. esperanças. Estudando o comportamento destes. dos organismos.

como geralmente ocorre. que aceita e compreende tudo. Porém. que cada indivíduo tem uma cultura e um meio histórico pelo qual é influenciado. O psicólogo de hoje tem que estar preparado para tudo. Atualmente. para o consultório. e vários outros campos de atuação. 1997.” (MOURA. . é ainda mais interessante o que “encontramos contraditoriamente. (MOURA. tendo ainda mais valor. pois este deve ser modificado. ou seja. transformações estas que mudaram o âmbito e a maneira de como a Psicologia passou a ser vista. não somente para o modelo biomédico “o qual privilegia a prática psicoterápica de consultório. como se ele fosse um profissional que ajudasse ao próximo. assistência social.13). o discurso: o psicólogo não muda o homem. p.7 “A psicologia passou a ser valorizada e reconhecida no momento em que a sociedade percebeu a sua contribuição para a solução de problemas”. p. Porém. É importante formar profissionais que saibam. sociologia. as universidades formam profissionais preparados em grande maioria para a atuação clínica. a fim de desenvolver um ótimo trabalho de parceria. apenas contribui para que ele próprio se modifique. em suas características e no modo de agir e pensar subjetivo de cada um. 1997).12) e desde lá muitas transformações ocorreram. 1999. 39) Um grande desafio que encontramos atualmente é preparar um profissional psicólogo capaz de trabalhar com equipes interdisciplinares. As universidades devem se preparar para formar cidadãos capazes de lidar com a diversidade que o mundo atual nos exige. e que este meio influencia de forma significativa em suas decisões. que atue com diversas áreas como: fisioterapia. a prática do psicólogo aparece associada com a idéia de ajuda.” (BOCK. p. odontologia. este não é o ideal de psicólogo que queremos formar. que juntos podem construir uma equipe forte. 1999. neurologia. entendendo-a como sinônimo exclusivo de prática clínica. na sua personalidade. acima de tudo. (BOCK. Atualmente.

(ROMARO. e psicofísicos relacionados ao trânsito. jurídica. relatórios e pesquisas em cima de comportamentos individuais e coletivos. e . e sua relação com o processo de ensino-aprendizagem. implantação de currículos. testes.8 2. possibilitando ao profissional especializar-se ainda nas seguintes áreas: escolar ou educacional. Auxilia juntamente com uma equipe multidisciplinar. além de tomar algumas ações educacionais aos vários usuários da via (pedestres. organizacional. provas. do esporte. (ROMARO. clínica e escolar. Realiza o seu trabalho com uma equipe interdisciplinar e tenta unir o seu conhecimento com os demais membros do grupo. 2006) Psicologia Escolar ou Educacional: é o psicólogo que utiliza os procedimentos de ensino-aprendizagem na análise e intervenção do clima organizacional. Também desenvolve estudos sobre o homem e seu ambiente físico. do trânsito. avaliação. se formaram três tradicionais áreas de especialidades: a Psicologia organizacional. psicossociais. na elaboração. condutores infratores). 2006) Psicologia do Trânsito: está relacionada com o estudo dos processos psicológicos. hospitalar. 2006) Psicologia Organizacional: o psicólogo deste ramo atua em equipes multiprofissionais utilizando métodos como entrevistas. e Psicologia social. clínica. desenvolvendo novos projetos educacionais. (ROMARO. assim como estuda o efeito que as drogas e bebidas alcoólicas podem causar no comportamento dos condutores. Este profissional está presente nos exames psicotécnicos para indivíduos que estão tentando a habilitação como condutores e elabora laudos. A partir disso. realiza diagnósticos. buscando sempre a melhoria. O psicólogo elabora e implementa ações de engenharia que relacionam-se com o tráfego. projetos pedagógicos. pareceres. a Psicologia é muito mais ampla que essas vertentes. ciclistas. e principalmente na política educacional da instituição. Como já foi discutido.3 Áreas de Atuação Somente depois que as pessoas passaram a não mais poder pagar por uma consulta com um psicólogo em seu consultório que a Psicologia passou a reconhecer que o consultório não seria mais suficiente e que novas áreas teriam que surgir.

p. 147). Participa juntamente com uma equipe multidisciplinar. Presta auxílio a estes atletas a identificarem padrões de comportamento que devem ser seguidos. 2006). adolescentes.9 dinâmicas de grupo. e familiares. estudo e planejamento de condições de trabalho dos colaboradores. programas educacionais e de prevenção à violência. recrutamento e seleção de pessoal. e prevenção da violência” (ROMARO. No contexto da justiça. sempre com atividades de desenvolvimento de equipe. sempre levando em conta sua complexidade e subjetividade. Realiza também orientação. 2006. detentos. desenvolvimento humano. Visa reduzir o sofrimento psicológico do homem. aumentando assim seu rendimento e performance. auxiliando no processo judicial. na elaboração e preparação de estratégias de trabalho com o objetivo de aperfeiçoar os objetivos que a equipe propõe. O psicólogo desta área participa de audiências. Ele possibilita a avaliação das características de personalidade. e no atendimento às pessoas que procuram a Vara de Família. Psicologia no Esporte: atua auxiliando atletas e técnicos de esportes a alcançarem um bom nível de saúde mental. direitos humanos. Psicologia Jurídica: o psicólogo que se especializa nesta área atua na justiça “colaborando no planejamento e execução de políticas de cidadania. acompanha detentos internados em hospitais. Algo muito importante é a observação que este profissional faz em atletas com o objetivo de identificar quais as variáveis que interferem no desempenho dos mesmos. 2006). acompanhamento e avaliação do desempenho dos trabalhadores (ROMARO. visando a melhoria do desempenho dos mesmos. Psicologia Clínica: o psicólogo clinico atua especificamente na área da saúde. Realiza atividades de análise e desenvolvimento organizacional. e principalmente realiza estudos com intervenções voltados para a saúde e o bem-estar do trabalhador. O psicólogo com esta especialização orienta também pais e responsáveis em questões como a escolha da modalidade esportiva ideal (ROMARO. Realiza atendimentos psicoterápico em atletas. e apóia também seus familiares (ROMARO. 2006). Atua também. realiza pesquisas. na orientação de crianças. mas em diferentes contextos. Este . o profissional aplica métodos e técnicas para definir qual foi a responsabilidade legal dos infratores em atos criminosos.

No contexto hospitalar. em grupo. Realiza atendimento terapêutico individual. ou seja. 2. intervindo nas relações entre médico e paciente. paciente e família. 2006). de casal. familiar. 2006). dar autonomia para que o sujeito possa enfrentar e prevenir suas dificuldades. Visa o bem-estar emocional e físico dos pesquisadores. e orientação de pais. e paciente e paciente. Psicologia Social: o psicólogo desta área atua na investigação das conseqüências psicológicas e sociais que o ser humano passa devido à sociedade. e principalmente no auxilio a pacientes terminais. Participa. faz-se necessário que a escola e o educador conheçam as diferentes fases do desenvolvimento infantil de 0 a 6 anos bem como os aspectos relacionais que a criança estabelece consigo mesma e com o outro. Atende também gestantes durante todo processo de gestação até o nascimento do bebê.4. e saída de pacientes.1 Aspectos do desenvolvimento da criança (0-6 anos) .10 profissional tem por objetivo promover mudanças de comportamento no indivíduo. tanto adolescência quanto na velhice (ROMARO. através da psicoterapia lúdica. Para isto. arteterapia. bem como no desenvolvimento das diversas fases da vida. Também visa a recuperação da saúde física e mental. quando se trata do âmbito da pesquisa. mais precisamente na Educação Infantil. objetivando investigar a relação entre indivíduo e sociedade (ROMARO. permanência. em relação aos processos de adoecer e o “ficar hospitalizado”. atua nas questões que dizem respeito à entrada. das decisões relacionadas a conduta a ser tomada pela equipe com o objetivo de dar apoio e segurança aos pacientes e seus familiares (ROMARO. assim como na psicologia clínica. 2. partimos para uma análise mais específica da prática do psicólogo no contexto escolar. Psicologia Hospitalar: também atua na área de saúde. no ensino superior e centros de pesquisa. 2006).4 A Prática Psicológica na Educação Infantil A partir dos diferentes fazeres da Psicologia como já mencionamos. porém.

“Além disso.” É bastante importante esse estágio do desenvolvimento infantil. p. entendidos como sendo desenvolvidos primordialmente pelo meio social”. Nesse sentido. ao que Wallon apud Bastos. No período subseqüente que se estende até os 2 anos de idade. predomina o estágio do personalismo. o que ele caracteriza como uma simbiose orgânica. encontrando-se no estágio sensóriomotor e projetivo. destacam-se as peculiaridades dessa etapa do desenvolvimento da criança como forma de propiciar subsídios para a atuação e intervenção por parte do educador e do psicólogo escolar neste contexto. ao que Wallon refere-se á prevalência da emoção. p. 96 “a criança deve ser estudada na sucessão das etapas de desenvolvimento caracterizadas pelos domínios funcionais da afetividade.. Segundo o autor citado acima. 2005. 2000. é nesse momento que a criança está mais propensa a desencadear complexos. é estabelecido o estágio impulsivo-emocional. a criança passa a explorar o mundo físico ao seu redor. PEDROZA. A partir dos 3 anos até os 6 anos de idade.] mostrando claramente não só uma evolução na linguagem como o início da consciência de si. Em cada etapa do desenvolvimento humano é possível identificar características distintas e peculiares de cada faixa-etária. designado como o período da simbiose afetiva. 40 menciona que: “a criança que até então se referia a si própria na terceira pessoa do singular começa a fazer uso constante do pronome pessoal na primeira pessoa: o mim e o eu [. de seu processo de busca de afirmação e diferenciação. É importante resgatar a consciência de que todos aqueles envolvidos com a Educação Infantil promovem ações que desencadeiam conseqüências não apenas no momento presente do desenvolvimento. pois irá contribuir para a formação da personalidade da criança.. os estágios do desenvolvimento têm início na vida intra-uterina. mas também posteriormente. atentando para a idade compreendida na Educação Infantil.11 Segundo Wallon apud VOKOY. do ato motor e do conhecimento. . Dér. A partir do nascimento.

” (WALLON apud VOKOY. PEDROZA.” (p. p.” (MAHONEY apud VOKOY. verifica-se que a Educação Infantil tem muito que contribuir na formação da personalidade da criança. sedução e imitação. (BASTOS. O estágio do personalismo dividi-se em 3 etapas diferentes: oposição. A partir dos 3 anos inicia-se a crise de oposição ao outro. PEDROZA. em resgatar noções de sua visão singular e do meio em que vive. que ocorre a partir dos 5 anos. ou idade da graça por volta dos 4 anos de idade. “A escola pode estimular o desenvolvimento de valores saudáveis nas interações. de sentir que agrada aos outros. atitudes que podem marcar de forma duradoura seu comportamento em relação ao meio.12 ou seja. PEDROZA. 97. Nesta fase a criança sente prazer em contradizer e opor-se às regras e opiniões das pessoas de seu ambiente. o companheirismo e o coletivismo. As atividades em grupo. (VOKOY. A partir dessas reflexões.42). 2000). tais como a cooperação. Logo depois da oposição. 2005). o da imitação. surge a fase da sedução. 96). manifestado pelo gosto de imitar quem a criança admira e deseja suplantar. Bastos e Dér (2000) complementam que: “a criança agora tem necessidade de ser admirada. 2005. a solidariedade. na interação com outras crianças e nas relações que se estabelecem. PEDROZA. “Este comportamento possui um papel essencial na assimilação do mundo exterior”. pois só assim poderá se admirar também. p. É uma forma da criança se auto-afirmar. Wallon apud VOKOY. entende a imitação como uma “necessidade de identificar-se com a realidade percebida para identificá-la melhor”. 2005. O terceiro período. . 97). 2005. p. Neste período a criança desenvolve maneiras de ser admirada e chamar a atenção para si. tomando-os como modelos. DÉR. é evidenciado pela reaproximação ao outro. devem alternar-se com atividades individuais fazendo assim uso das alternâncias comuns nesse estágio para promover o desenvolvimento de mais recursos de personalidade. como uma necessidade de obter a aprovação dos demais. pela simples razão de pôr em prática a sua independência impondo-a.

PEDROZA. promover uma aproximação escola-pais. 97). A partir desta concepção. Nisto.98). 2005. vem sendo um pouco modificado. No início da inserção do psicólogo escolar. Atualmente o enfoque antes discutido. 2005. PEDROZA. numa perspectiva teórica e metodológica. Tem sido observada a importância do psicólogo escolar não se restringir à orientação psicológica sobre as crianças. p.” (SAYÃO. 2005). buscando novas estratégias para sua intervenção e adequando-as ao contexto vigente e às limitações inerentes em cada instituição. p. . (VOKOY. as insatisfações e contradições relacionadas às práticas sociais. É importante que se busque nesse processo reflexões a partir da prática “professor-aluno”. PEDROZA. buscava-se um olhar pautado na mensuração das habilidades e “classificação das crianças quanto à capacidade de aprender e de progredir nos estudos.13 2.” (PATTO apud VOKOY. a etnografia como metodologia. GUARIDO apud VOKOY.” (VOKOY. “mas envolver os aspectos da relação entre a equipe e os educadores.5 A Prática Psicológica na Educação Infantil As emergentes demandas na Educação Infantil vêm permitir ao psicólogo uma atuação nas diferentes instituições sociais. p. O psicólogo escolar deve ter como objetivo junto aos professores buscar desenvolver nestes profissionais um papel atuante no processo educativo. a interdisciplinariedade. 97). fica sugerido uma proposta de atuação psicológica voltada a um trabalhar com os professores. possibilita a compreensão das relações de extrema complexidade e contradição que envolve o cotidiano da escola. contemplando assim os conflitos existentes. cabe ao profissional repensar e reavaliar o seu modo de atuar. PEDROZA. Além disso. 2005. era evidenciada uma forma de atuação basicamente clínica no sentido de emitir diagnóstico e tratamento dos distúrbios apresentados. “O psicólogo escolar ao contribuir para a formação pessoal do professor. um trabalhar com as próprias crianças e proporcionar a participação e a integração dos envolvidos no processo educativo.

ou condição econômica. medos. PEDROZA.14 Segundo Machado e Souza apud Vokoy. O trabalho a ser desenvolvido por este profissional deve ter como objeto as relações nas quais a criança circula. Este ato pode ser considerado instintivo e voluntário. Pedroza. 2005). além disso.6 A Importância do Brincar. emocional e social. ao dizer que brincar educa e desenvolve. Froebel foi considerado o psicólogo da infância. Para isto. do Jogo e da Brincadeira na Perspectiva Psicológica. o psicólogo escolar deveria utilizar outras formas de conhecer e entender os problemas do aluno. Atentando para a prática psicológica envolvendo as crianças em si na Educação Infantil. um modo para que se estabeleça um vínculo maior com os alunos. Contudo. é uma atividade exploratória que pode auxiliar na comunicação e expressão do indivíduo. O verbo brincar faz parte do cotidiano de todos os indivíduos. etc.” (MAMEDE apud VOKOY. (MALUF. (VOKOY. independente da faixa etária. classe social. permitir que a criança expresse suas emoções e sentimentos pelos fenômenos que irão surgir: como queixas de comportamento. PEDROZA. que envolvam grupos de idades variadas. é possível que o psicólogo atue junto aos pré-escolares de forma problematizadora. 2. Este mesmo autor concebe o brincar como atividade livre . mental. dificuldades de socialização. é possível observar que há crianças que necessitam de atendimento individual de acordo com o sofrimento psíquico que podem apresentar. Ou seja. 2005). ao invés de usar predominantemente os testes e realizar anamnese familiar. também observamos a importância do psicólogo junto ao educador infantil propor atividades e brincadeiras que permitem a criatividade e a imaginação. “Uma outra possibilidade de atuação do psicólogo junto à criança é promover atividades verticais. as redes de relações e a maneira como os educadores concebem a o seu fazer no contexto. Neste contexto. 2005. e ajudar as crianças no seu desenvolvimento físico. é possível utilizar métodos etnográficos na área educacional que permitem estudar a vida cotidiana da escola. 2007).

além disso. (ANDRADE. socialmente e emocionalmente. o foco é o carregamento de objetos. atitudes na situação escolar irão modelar a personalidade da criança e os estímulos sociais e físicos estarão presentes em todo e qualquer ambiente. nos desenvolvemos intelectualmente. cultivamos a sensibilidade. SANTOMAURO. uma vez que ajuda a esquecer momentos difíceis. sentar. 2007). com o propósito de se chegar ao melhor desempenho e um bom convívio. moral e cognitivo. Esta ação desenvolve os músculos. (MALUF. As crianças se comunicam através da brincadeira. o que se via eram mesas. Os movimentos podem ser classificados em dois principais grupos: os movimentos para controlar o corpo e os movimentos para controlar os objetos. correr. O professor deve organizar suas atividades. O brincar pode ser estimulado com brincadeiras que necessitem do auxílio do corpo/movimento. MALUF. ele é quem cria oportunidades para que o brincar aconteça de maneira sempre educativa. Todas as pessoas precisam de fantasia para viver. Algum tempo atrás eram raras as escolas que investiam neste aprendizado. funcionários irão fazer parte de um bom tempo da vida do sujeito. Brincar é tão importante quanto o estudo. levantar. responsável pelo desenvolvimento físico. o jogar e o agarrar. professor. porém outros dependem das oportunidades. Alguns movimentos como andar. desenvolvemos a sociabilidade. e levando as brincadeiras novamente para a sala de aula. Aos poucos. 2007). O recreio era cheio de limitações e considerado perda de tempo. cadeiras. selecionando aquelas mais adequadas aos seus alunos. os professores estão buscando informações sobre o brincar. ajoelhar são comuns para todas as crianças. 2007). 2008. e crianças com papel e lápis na mão. . adquirimos conhecimento sem estresse ou medo. a sociabilidade. onde colegas de turma. a mente. Nessa fase. Já no segundo grupo. Estas oportunidades variam de acordo com o espaço e/ou local oferecido. Quando brincamos. (MALUF. a coordenação motora e além de tudo deixa qualquer criança feliz. É justamente na escola que se inicia a fase de interação social. trabalha-se o equilíbrio (no mesmo lugar) e o deslocamento (de um local para o outro).15 e espontânea. dançar. No primeiro grupo.

“Mas. pois através das brincadeiras as crianças têm a possibilidade de desenvolver as funções psicológicas superiores como atenção. Esta imaginação surge primeiro em forma de jogo. entre os aspectos. a imaginação é um processo psicológico novo para a criança. para que haja o entendimento em que o brincar e a aprendizagem estão interligadas. memória. proporcionando comportamentos que a mesma não está habituada.6. é essencial trabalhar de maneira continuada e interdisciplinar com o professor. de sua forma expressar seus sentimentos.2) As atividades lúdicas em si geram situações de aprendizagem para a criança. ao que o autor chama “imaginação em ação”. permitindo então ao educador possibilidades de aprendizagens com muito mais sucesso.16 2. “A brincadeira favorece ainda o desenvolvimento da auto-estima. as atividades lúdicas além de fazerem relação entre jogo e educação. Assim. são ao mesmo tempo prazerosas para a criança. propiciar as atividades lúdicas para a criança é fundamental. além de estimular outros aspectos de sua formação. controle da conduta. da criatividade e da psique infantil. p. como a sociabilidade. outro aspecto de grande relevância refere-se ao fato de que as brincadeiras possibilitam um salto qualitativo no desenvolvimento da psique infantil. Por isso.5) Observar a criança em seu processo de brincar com atividades lúdicas é favorecer sem dúvidas o seu desenvolvimento. ocasionando mudanças qualitativas em suas estruturas mentais.1 A importância do jogo na educação infantil O período da infância é onde as crianças exploram as brincadeiras e as atividades lúdicas para entrarem em contato com o meio em que vivem e.” (PINHO. Portanto. p. Para Vygotsky (1984). 2007. 2007. O . considerando aspectos comportamentais como sinais do que acontece com cada indivíduo. ela representa uma forma especificamente humana de atividade consciente que não está presente na consciência das crianças muito pequenas e está ausente nos animais.” (PINHO.

a Psicomotricidade. a Psicologia e a Pedagogia. anatômicos e locomotores.17 ambiente então deve ser uma condição favorável para a atividade lúdica ser bem executada e realizada de maneira espontânea pela criança. . Lapierre (1984. em que o homem é tido como objeto de seu estudo. complementa que a Psicomotricidade considera o ser físico e social em constante transformação interagindo assim com o meio. s/d). no campo da Neurologia. nos seus primórdios. E foi somente no século XX que ela passou a desenvolver-se como uma prática independente e. a fim de emitir e receber significados e significantes. 1998). apud BUENO. transformar-se em ciência. via o corpo nos seus aspectos neurofisiológicos. no discurso médico. aos poucos. Portanto é a ligação entre o psiquismo e a motricidade. 2. pedagógicos e de saúde. 2. apud LAVOURA e WIPPEL. (BUENO. a Psicomotricidade possui uma importância cada vez maior no desenvolvimento global do indivíduo. mais especificamente. quando no século XIX houve uma preocupação em identificar e nomear as áreas específicas do córtex cerebral de acordo com as funções desempenhadas por cada uma delas. modificando-o e modificando-se. uma vez que este engloba várias outros saberes: educacionais. pela primeira vez. Nesta ciência estuda-se a globalização do indivíduo na perspectiva do seu corpo.7 Psicomotricidade A Psicomotricidade é uma ciência relativamente nova. nas vivências corporais. 1998. onde simultaneamente desenvolvia-se a coordenação e sincronização do espaço e do tempo. no campo semiótico das palavras e atenta-se também para a interação entre os objetos e o meio para realizar uma atividade. Segundo Barreto (2000. GORETTI. Por estar articulada com outros campos científicos como a Neurologia. contemplado por todas as suas fases. 2005).7.1 Evolução Histórica O conceito de Psicomotricidade apareceu.

que visa essencialmente estimular o desenvolvimento psicomotor e o potencial de aprendizagem. André Lapierre. A partir destas concepções. s/d). incluindo a melhoria/manutenção de competências de autonomia ao longo de todas as fases da vida. Aleksander Luria. porém. psicólogo francês do desenvolvimento infantil.18 Na sucessão destes fatos históricos. com base no modelo educativo. novas idéias passaram a ser repensadas e outros estudiosos puderam aprofundar-se nesta temática. (GORETTI. atualmente existem três campos de atuação com base em três modelos: O primeiro é o preventivo. Atualmente percebe-se que a Psicomotricidade é o relacionar-se através da ação. E com essa teoria. um deles foi Henry Wallon. alguns filósofos renomados como Renné Descartes. que em 1925 começou a relacionar a motricidade com a emoção. ao mesmo tempo já se fazia colocações de que o corpo é tão unido á pessoa que ambos chegam a “misturar-se”. . explicando o que chamou de “diálogo tônico-emocional”. que consiste na promoção e estimulação do desenvolvimento. 2. bem como o segundo campo de atuação desta ciência. A partir destas novas notórias concepções. temos o fim do dualismo cartesiano que separa o corpo do desenvolvimento intelectual e emocional do indivíduo. Jean Bèrges. ainda defendia uma dicotomia entre corpo e alma. que influenciou de forma significativa o pensamento humano. Jean-Claude Coste e Vitor Fonseca.2 Campos de Atuação Segundo a Associação Portuguesa de Psicomotricidade (s/d).7. É a solidariedade original e profunda entre o pensamento e a ação. que é corpo-mente-espírito-natureza-sociedade. de unificação do ser. como um meio de tomada de consciência. neste campo especificamente se encaixam determinados objetivos propostos neste estágio. como: Jean Lê Boulch. Vayer. assim como o sentimento e a personalidade de todo o sujeito. P. outros á pesquisadores importantes trouxeram contribuições Psicomotricidade. Bernard Auconturier.

). ou ainda quando é necessário ir além dos problemas psicoafetivos.3 O Desenvolvimento Psicomotor e os Conceitos de Psicomotricidade O desenvolvimento psicomotor compreende o desenvolvimento de condutas de base (equilíbrio. onde há comprometimento da adaptabilidade da pessoa. o terceiro modelo de atuação. apud LAVOURA e WIPPEL. “o desenvolvimento psicomotor caracteriza-se pela maturação que integra o movimento. a construção espacial. a imagem do nosso corpo e a palavra”. É importante resgatar o que a criança oferece para o desempenho de uma determinada tarefa e não dar crédito apenas aos indivíduos ditos capazes para alcançar o sucesso ao efetuar “simples” movimento.7. (FONSECA. condutas perceptivomotoras (organização corporal. das posições. havendo a partir desta faixa etária um “refinamento” perceptual motor. p.). organização temporal. das condutas psicomotoras. com o desenvolvimento do processo intelectual (período operacional) de fato. Sendo assim.32). o reconhecimento dos objetos. etc. Tendo em vista. pauta-se no processo reeducativo ou terapêutico que tem por finalidade fazer uma intervenção psicomotora quando a dinâmica do desenvolvimento e da aprendizagem está comprometida. Segundo Bueno (1998. coordenação. intelectuais e emocionais. 1998. O mesmo autor esclarece que o desenvolvimento psicomotor estruturase ao redor dos sete anos. o ritmo. Estas são subdivididas didaticamente em funcionais e relacionais. 2005). 2. é um processo extenso apresentando uma continuidade que compreende desde o nascimento até a idade adulta. etc. serão elencados os conceitos mais recorrentes realizados durante o estágio básico. que no decorrer deste estágio nos apropriamos de diversos conceitos estudados na Psicomotricidade e visto como se dão essas noções na prática.19 Por fim. segundo Bueno (1998): . Este processo irá permitir a boa integridade das condutas motores. ou melhor. de base relacional. condutas neuromotoras (esquema corporal) e as demais implicações na vida dos indivíduos de forma contextualizada. postura. Abrange o desenvolvimento funcional de todo o corpo e suas partes.

andar com um copo cheio de água na mão. Pode ser estático ou dinâmico. Postura Está diretamente ligada ao tônus. ou seja. colagem. da forma mais eficaz e econômica possível. encaixe. O desenvolvimento do tônus é uma condição básica para a aquisição de movimentos manuais coordenados. Exemplo: dançar ao som de uma música. etc.20 Coordenação Dinâmica Global Refere-se ao controle dos movimentos amplos de nosso corpo. inclinar-se verticalmente para frente e para trás. Ritmo Está presente em todas as atividades humanas e se manifesta em todos os fenômenos da natureza. fazer um nó simples. para uma boa coordenação viso-manual. atividade da “dança da cadeira”. cujo controle facilita a possibilidade de canalizar a energia tônica necessária para realizar os gestos e prolongar uma ação ou levar o corpo a uma posição determinada. dobraduras. Coordenação Motora Fina Considera-se como a capacidade de controlar os pequenos músculos para exercícios refinados. Esquema Corporal . movimentos que atinjam vários segmentos corporais. Tônus Refere-se á firmeza e á palpação estando presente tanto nos músculos em repouso como em movimento. como em um gesto ou em uma atitude. andar em cima de uma corda estendida no chão. Equilíbrio É a base de toda a coordenação dinâmica global. Já o equilíbrio dinâmico pode-se exemplificar como andar na ponta dos pés. perfuração. Sua função é permitir. Depende essencialmente do sistema labiríntico e do sistema plantar. Equilíbrio estático: equilibrar-se sobre um pé só. É a noção de distribuição de peso em relação a um espaço e a um tempo e em relação ao eixo de gravidade. constituindo uma unidade tônicopostural. como: recorte. produzir sons com o corpo e ao tocar um instrumento musical é possível obter ritmos diferentes.

os pés embaixo do banco. argila. gustativas e táteis.” Organização Temporal É a capacidade de situar-se em função da sucessão de acontecimentos. controlar uma bola com os pés.7. Lateralidade É a capacidade motora de percepção integrada dos dois lados do corpo: esquerdo e direito. papel. da renovação cíclica de certos períodos e do caráter irreversível do tempo. desagradáveis e sem cheiro. lembrar o que fez ontem e planejar o que será feito na próxima semana. reconhecer objetos pelo gosto e identificar cheiros agradáveis. apalpar vários tipos de tecido. visuais.4 Psicomotricidade e aprendizagem Segundo Bagatini (1992. dar três pulos no mesmo lugar. etc.21 Elemento básico e indispensável para a formação da personalidade da criança. pois reflete o equilíbrio entre as funções psicomotras e sua maturidade. areia. Exemplos: Atividade do Mestre-Manda. Organização Espacial É a orientação e a estruturação do mundo exterior. marchar. olfativas. madeira. nomear as partes do corpo em si e no outro. Isto porque. compor a sua árvore genealógica. As percepções podem ser: auditivas. etc. 1998). etc. Percepção É a capacidade de reconhecer e compreender estímulos. 2. Exemplos: Organizar o calendário estudantil. a partir do “Eu” e depois a relação com outros objetos ou pessoas em posição estática ou em movimento. identificar formas geométricas. Exemplo: discriminar determinado som. apud BUENO. montar partes de um boneco. a educação do movimento está intimamente ligada ao desenvolvimento da inteligência. Exemplo: percorrer espaços demarcados no chão com linhas. em que se obedece ordens do tipo “coloque as mãos na cabeça. os desenvolvimentos intelectuais e afetivos estão em . num momento com um pé e ora com outro. Exemplo: Desenhar a si mesmo. etc. da duração dos intervalos. a função motora. sendo seu núcleo central.

cria estratégias que já dispõe para resolvê-los. irá favorecer o desenvolvimento das funções intelectuais.22 constante ligação com a criança. (LAVOURA e WIPPEL. com todos os elementos psicomotores estruturados. antes de aprender a matemática. organizar seu corpo. ou seja. a criança precisa desenvolver a motricidade ampla. “uma criança que não consegue organizar seu corpo no tempo e no espaço. basta refletir que para chegar a uma coordenação motora fina. Assim. Ao mesmo tempo em que esta ciência vai educar os movimentos. ler. de acordo com a autora. Para ilustrar essa linha de pensamento. Desta forma. onde é possível tornar efetiva a prática interdisciplinar neste contexto de aprendizagem. uma vez que o emprego destas funções psicomotoras irão lhe servir de base para a sua maturidade a fim de que futuramente esteja preparada para escrever. não conseguirá sentar-se numa cadeira. segurar num lápis com firmeza e reproduzir num papel o que elaborou em pensamento. o português e os ensinamentos formais. necessária à construção da escrita. se no lugar destas experiências. Pois segundo a autora. Portanto há o cruzamento de diferentes campos teóricos como a Psicologia e a Psicopedagogia. ao se defrontar com os obstáculos da aprendizagem formal. no desenvolvimento global da criança é fundamental que haja a estimulação por meio do movimento. Portanto. o corpo tem que estar organizado. Molina (1988) complementa que a criança ao se confrontar com os conflitos. 2005). considera-se que a criança . é fundamental o professor estar oferecendo vivências motoras adequadas ás crianças para que seu corpo vivido atue beneficamente no processo de aprendizagem de conceitos formais e informais. Desta forma. o pré-escolar irá recorrer á experiências anteriores que são basicamente psicomotoras. e falar corretamente. Para isto. ter experiências motoras que estruturem sua imagem e seu esquema corporal. Assim. assim. houver um “buraco”.5). não haverá aprendizagem. concentrar-se. Nesse sentido. de acordo com Goretti (s/d).” (p. é importante refletir ao que Galvão (1995) inspirada pela obra de Henri Wallon propôs sobre o que a postura escolar clássica gera no sujeito em formação. ainda predomina no contexto escolar uma visão academicista.

como já foi mencionado anteriormente. porém. se atentarmos ás características da atividade infantil. . 1995). Assim. sentada e concentrada. que tem por expectativa uma classe de alunos continuamente sentados e atentos á atividade proposta pelo professor. a imposição de imobilidade por parte da escola pode ter efeito contrário sobre a aprendizagem. É preciso deixar de olhar o movimento apenas como transgressão e fonte de transtornos. o papel do movimento é mais evidente na criança pequena. (GALVÃO. um obstáculo. não deixa de estar presente também nas crianças mais velhas e em adultos. cujo funcionamento mental é projetivo (o ato mental projeta-se em atos motores). Portanto. uma pessoa em sua totalidade. a Psicomotricidade oferece um caminho possível tanto para a prevenção e tratamento das dificuldades. sendo o movimento um fator implicado ativamente no funcionamento intelectual. como na contribuição do processo de aprendizagem e promoção da saúde. olhar a criança como um ser concreto e corpóreo. mas buscar enxergar nele sua multiplicidade de dimensões e significados. constituindo assim. Para isto. É preciso romper com a visão tradicional de disciplina. veremos que isso não é verdade.23 só aprende se estiver parada. uma vez que o movimento (sobretudo na dimensão tônico-postural) permite uma relação estreita com a atividade intelectual. É preciso enfim. Portanto.

Em todo o projeto procuramos levar em consideração o brincar da criança fazendo parte de todo o processo de transformação que ela vivencia. Além desta necessidade. No levantamento de demandas da turma “B”. como também. no que se refere ao tema e população a que se destinou este trabalho. a turma “A” obteve a demanda de trabalhar a motricidade fina das crianças. não precisando estar em todo o tempo sentadas e cumprindo tarefas escritas. Contudo. . Tendo em vista. explorar a imagem corporal. observou-se que seria possível e importante trabalhar o esquema corporal a fim de explorar a imagem corporal dos pré-escolares.24 3. o levantamento das demandas específicas de cada turma. LEVANTAMENTO DE NECESSIDADES/DEMANDAS O projeto deste estágio já havia sido estabelecido pela professora orientadora. o que é essencial para a criança externalizar suas emoções e vivenciar sua capacidade criativa de fantasiar e da imaginação. a coordenação motora fina e a organização espacial. só foi possível ser efetivado a partir das observações feitas pelas estagiárias nos primeiros encontros que se teve em campo. Desta forma. observou-se a importância de se trabalhar a coordenação motora geral. a dinâmica escolar que nas observações ficou clara a importância de se trabalhar atividades onde as crianças pudessem explorar mais os movimentos corporais e terem acesso ao aprendizado “lúdico” e espontâneo.

Na turma “A”. a turma era dividida em doze meninas e nove meninos. corrida. Também. a dupla de estagiárias se revezava no procedimento das atividades. Sendo que durante todas as intervenções foram utilizados materiais lúdicos. A turma era dividida em nove meninas e quatorze meninos. A maioria da população vive na comunidade onde a escola se encontra. A faixa etária dessa turma era de 5 a 6 anos da idade. 4. Como já foi mencionado anteriormente. enquanto uma dava os comandos á turma. em virtude das turmas .25 4. Assim. em virtude da condição climática chuvosa que se acometeu nos dias de intervenção. sendo que todos iriam completar 6 anos ao final do respectivo ano escolar. Ou seja. Já a turma “B” é composta por 25 crianças. todas iriam completar 5 anos ao final deste ano. sendo maior o número de meninas do que meninos. A cada encontro na Educação Infantil. é necessário pontuar que o parque existente na escola não pôde ser explorado neste trabalho. a outra auxiliava no que fosse solicitado e compartilhava reflexões com a professora diante das dinâmicas propostas. etc. MÉTODO 4.1 Descrição da População A população investigada da turma “A” é composta por 20 crianças. recorte e colagem.2 Atividades realizadas Para o desenvolvimento das atividades foram realizadas técnicas que envolveram a musicalização. sendo maior o número de meninos do que meninas. o desenho. a maioria dos pais das crianças trabalham em tempo integral. por isso os mesmos permanecem na instituição no período matutino e vespertino. foram realizadas diferentes propostas de atuação para cada turma de pré-escolares. sendo assim. A faixa etária dessas crianças eram de 4 a 5 anos de idade. Assim. muitos vivem numa condição sócio-econômica baixa.

mãos. a fim de trazer maior clareza neste relatório. orelha.1 – Atividades Realizadas da turma “A”. a criança que espontaneamente quiseram apresentar seu desenho destacando o que mais gostava no colega teve espaço para falar. assim como. Estratégias utilizadas: Música ao fundo das atividades. Dinâmica: O papel pardo foi dado para as crianças. 2 ª Intervenção Objetivo: Identificar as partes do corpo humano (esquema corporal). 1ª Intervenção Objetivo: A atividade foi realizada com o intuito das crianças adquirirem noções corporais do seu corpo e do colega. nariz. e em seguida completou o seu próprio desenho acrescentando boca. Dinâmica: A dinâmica do corpo em primeiro momento visou identificar as partes do corpo humano em si próprio e posteriormente no colega ao lado. Estratégias utilizadas: Desenho. olhos. cartaz ou desenhado na lousa o corpo humano. lápis de cor. onde uma das estagiárias dava o comando “O chefinho . a motricidade ampla das crianças e o sentido visual. pés. e em duplas uma contornou o corpo da outra no papel. Após esta dinâmica as crianças se sentaram em círculos para iniciar a atividade do “Chefinho mandou”. Logo em seguida cada uma cortou na forma do seu corpo que o colega desenhou. pernas. as descrições e análises das mesmas. 4. tesoura sem ponta. Observando a coordenação motora fina e esquema corporal. braços. Material: Papel pardo.2. serão expostas primeiramente as intervenções da turma “A” e posteriormente as da turma “B”. cabelo. Portanto.26 disponibilizadas para atuação. Após esta atividade.

equilíbrio e lateralidade. . onde cada criança deveria desenhar em um papel sulfite. O objetivo foi observar a percepção da criança de como a mesma se enxerga. giz de cera. para as crianças dançarem livremente. Estratégias utilizadas: Desenho Dinâmica: foi retomada com as crianças a identificação das partes do corpo humano. utilizando uma das estagiárias como modelo. observando seu equilíbrio. detalhando o retrato como cor dos olhos. Material: Aparelho de som. 3ª Intervenção Objetivo: Mostrar como a criança se vê. Estratégias utilizadas: Dinâmicas com músicas. e após o término do desenho cada criança pode apresentar o seu trabalho. ritmo e sua noção de cor. após retomar esses conceitos foi proposto à atividade de auto-retrato. essa atividade teve como objetivo observar se as crianças fixaram as partes do corpo humano comentadas anteriormente. Material: Papel sulfite para cada criança. da pele. além de perceber sua psicomotricidade ampla. quem risse saía da atividade e ajudava os adultos a fazer as outras crianças rir. analisando também a motricidade fina dela. boca e nariz. enquanto uma das estagiárias e/ou professora e auxiliar tentaram fazer os alunos rir. ainda foi possível trabalhar as cores com esta dinâmica. as crianças deveriam ficar em “estátuas” sem se mover. o que vinha a mente sobre si. 4ª Intervenção Objetivo: Fazer atividade que explorem o perceptivo – motor da criança. lápis de cor. e quando a música foi devidamente pausada por uma das estagiárias ou pela própria professora.27 mandou encostar o dedo no nariz”. foram ouvidas músicas trabalhadas em sala de aula com a professora. Dinâmica: com o aparelho de som.

imagem corporal. lateralidade. Material: Aparelho de som 5ª Intervenção Objetivo: Explorar os sentidos com as crianças e a motricidade fina. apenas agrupados em grupos de quatro. giz de cera. 4. observando ritmicamente as crianças.28 Logo em seguida foi feita uma fila atrás de uma das estagiárias e a atividade do chefinho mandou.2. interagindo assim entre si com os bonecos. deixando os mesmos utilizarem e construírem de maneira livre. equilíbrio. além da criatividade. lápis de cor. Por fim foi explicado cada órgão do sentido para as crianças dando exemplos do seu cotidiano do porque que os sentidos servem e sua importância. . controle viso-motor. ritmo. As mesmas deveriam imitar os movimentos que a estagiária exibiu. sentar-se adequadamente e a coordenação motora geral. movimentos sustentados. cola. os alunos criaram um boneco com os materiais fornecidos. Material: Papel sulfite para cada criança. Logo após a construção dos fantoches as crianças puderam brincar com seu boneco livremente pelo espaço externo da sala. foi refeita agora com música. Estratégias utilizadas: Construção de um fantoche explorando os órgãos do sentido.2 – Atividades Realizadas da turma “B” 1ª Intervenção Objetivo: Desenvolver a capacidade de locomoção. tesoura. fita adesiva. Dinâmica: Tendo um exemplo mostrado pelas estagiárias.

liga-se uma música. cd com músicas infantis e corda (2m). giram a corda em volta do seu corpo. aquela que não conseguir sentar é eliminada e se retira mais uma cadeira. Material: 23 cadeiras. • Na estratégia da “dança da cadeira”. a sua boca. Que apontem em seu corpo as partes que sugerimos por ex: aponte onde estão o seu joelho. enquanto os outros estão em fila. quando a música pára. enquanto a música toca as crianças andam em volta das cadeiras. e vence quem conseguir melhor desempenho nos comandos.29 Estratégias utilizadas: O Mestre Manda. • Na estratégia de “pular corda”. O jogo continua assim até que a última criança vença. os procedimentos foram: Nessa atividade é necessário que tenha uma pessoa para comandar. os comandos são: “Morto”. Dança da cadeira e pular corda. como de cócoras. etc. duas pessoas seguram cada uma em uma ponta. Vão saindo assim que errarem os comandos. aparelho de som portátil. 2° com uma corda maior. os procedimentos foram: Essa atividade pode ser feita de duas formas: 1° cada criança tem uma corda individual. Morto Vivo. os procedimentos foram: Aqui são colocadas cadeiras em círculos. sempre com uma cadeira a menos que o numero de crianças. as crianças se abaixam. que as crianças voltam a ficar em pé com as mãos ao lado do corpo. • Na estratégia do “morto vivo”. as suas unhas. e “vivo”. seguram as pontas da corda uma em cada mão. os procedimentos foram: Pedir à criança que pule três vezes com a mão nas orelhas. uma (ou mais) criança vai ao meio então as pessoas que estão segurando as pontas giram a corda em volta da(s) criança(s) e quando a corda chega aos pés. Dinâmica: • Na estratégia do “mestre manda”. . pulando quando ela chega nos pés. a criança pula para a corda continuar em movimento.

Estratégias utilizadas: Desenho. • “Estação de Aquecimento” . Estratégias utilizadas: Circuito individual. os que ainda não desenharam iriam desenhar o corpo humano por dentro. Giz de Cera.coordenação viso-motora. desempenhando as funções e se mostravam-se receptivas a este novo desafio. flexibilidade. bem como a coordenação motora geral e a resistência cardiovascular no decorrer da atividade. cada um desenhou por vez uma parte do corpo. Assim. foi proposto por item cada etapa do circuito. Lápis grafite borracha e apontador e Lápis de Cor. Dinâmica: com um pedaço de papel pardo. etc. a imagem corporal e a lateralidade. Material: 2m de Papel Pardo. 3ª Intervenção Objetivo: Desenvolver e observar nos pré-escolares a força. a boca. Dinâmica: O circuito foi proposto por nove estações. agilidade. Sendo que em cada era trabalhado conceitos específicos.30 2 ª Intervenção Objetivo: Desenvolver e observar a motricidade fina. Observar também se as crianças conseguiriam responder aos comandos de cada estação do circuito. e se alguém ficasse sem desenhar quando o amigo saiu do tracejado. para melhor compreensão do mesmo. Canetinhas Coloridas. escolheram um ‘amigo’ que deitou no chão em cima do papel e os outros o desenharam. por exemplo: os olhos.

• “Estação tiro ao alvo” As crianças tentaram lançar uma bola pequena (do tamanho de uma de tênis) na parede há 2m de distância. andar de 4. as crianças imitaram um animal e usar a sua criatividade para isso (podem rastejar.31 As crianças foram ensinadas a fazer 15 polichinelos. • “Estação mirando a cesta” As crianças tentaram lançar a bola dentro da cesta a uns 5 metros de distância com arremesso. em alguns momentos com um pé só e em outros saltando com os dois juntos. Como objetivo específico pode-se perceber a coordenação motora geral e a imagem corporal. bater asas. mantendo o equilíbrio e postura. • “Estação da floresta” Nessa fase. • “Estação do túnel fantástico” As crianças engatinhavam dentro daquelas “minhocas” até se deslocar para o outro lado. levantar vôo. podem soltar a imaginação e fazer movimentos para isto). “bate-asas”. algumas flexões dos braços. numa folha marcada com um x. pernas e mãos. • “Estação da Amarelinha” As crianças pulavam amarelinha alternando os “pulos”. • “Estação do Desfiladeiro” As crianças andavam por cima de um banco comprido. . • “Estação dos colchonetes” As crianças viraram cambalhota e depois se rolaram até o final dos colchonetes. etc.

Dinâmica: foram levados vários materiais como papel crepom. etc. 4 4ª Intervenção Objetivo: Promover e observar a motricidade fina (por ex. 6 cartolinas. a pintura. pedimos a eles que colassem num papel pardo e contassem uma história a partir do que produziram. proporcionar ao final das atividades. os desenhos. 1 Cesta ou balde e uma colchonetes. um momento de descontração e relaxamento de tudo que foi realizado neste dia. bem como observar a coordenação motora fina das mesmas e a criatividade de cada uma e por fim. Banco Comprido. lápis de cor. cola. Estratégias utilizadas: recorte e colagem. Material: 6 papéis crepom. Material: 1 túnel lúdico. 6 obstáculos. . 5ª Intervenção Objetivo: Estabelecer uma comunicação “alternativa”. etc). giz de cera. Giz de Quadro para desenhar no chão a Amarelinha. canetinhas coloridas e cola e tesoura sem ponta. a imagem corporal e a lateralidade. através do desenho livre. lápis de cor. 4 folhas de EVA. tiveram-se como objetivos. EVA. o recorte em linha reta ou curva. giz de cera. cartolina. e deixamos as crianças desenhar ou criar o que quisessem e depois disto. Também.32 • “Estação da corrida” As crianças correram em zig-zag driblando seis cones. onde fosse possível observar também subjetividades de cada sujeito e relacioná-las com o desenvolvimento psicomotor esperado para cada faixa etária. “bola média”. promover a percepção tátil nas crianças.

para que desta forma. demos uma folha A4 branca para cada criança com lápis de cor e canetinhas para elas desenhassem o que quisessem. Depois disto. uma das estagiárias levou o violão e cantou com as crianças sentadas em roda músicas relacionadas ao esquema corporal. Argila. Material: Folhas brancas A4. Dinâmica: Num primeiro momento. Estratégias utilizadas: Desenho livre. Por fim. Obra de arte e musicalização. na dinâmica da musicalização. a fim de criarem obras de arte que depois foram colocadas em exposição para todos verem. . e posteriormente perguntamos á cada uma o que significava cada desenho. organizamos a turma em grupos de 4 a 3 alunos e a cada um foi dado um pouco de argila.33 bem como explorar a percepção corporal e ritmo das crianças através da letra da música utilizada. canetas coloridas e lápis de cor e violão. as crianças apontassem em seu corpo onde ficava determinada parte.

enquanto uma ficava deitada sobre o papel pardo. visto . Após concluir a atividade as crianças espontaneamente fizeram observações sobre seus desenhos. um menino citou o sorriso mostrando os dentes e outro menino citou os dedinhos das mãos. uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual não faça parte. e pés no contorno que foi feito.). a boca e o cabelo. pernas. op. olhos. ainda. braços. A atividade realizada tinha como objetivo desenvolver as noções básicas que cada criança possui de seu corpo e do corpo do seu colega observando ainda a interação entre elas. mãos. as crianças vinham falar sobre o seu desenho. passava a ficar deitado para ter o corpo contornado no outro lado da folha de papel pardo. Muitos citaram os olhos. Com a atividade foi observada a noção de espaço para contornar também o seu colega sem atrapalhar o amigo do lado que fazia o mesmo trabalho.” (RAPPAPORT. devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica.34 5 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES REALIZADAS 5. orelha. pelo egocentrismo. destacando o que mais gostava no colega ou o que mais gostou de desenhar. como nos mostra Piaget no período pré – operatório onde “a criança caracteriza-se. e o que mais gostaram de desenhar no colega. Depois as crianças trocavam de lugar. nariz. Foi possível observar que grande parte das crianças em vez de desenhar detalhadamente seu colega desenhou a si mesmo.1Descrição e análise das atividades da turma “A” 1ª Intervenção Na primeira intervenção foi entregue um pedaço de papel pardo para as crianças que foram colocadas para desenvolver a atividade em dupla.cit. e quem contornou o corpo anteriormente. apenas duas duplas apresentaram grande dificuldade. a outra contornava o corpo de quem estava deitado no papel e em seguida acrescentavam boca. Quando todos terminaram. a maioria das crianças conseguiu trabalhar no espaço proposto. cabelo.

2 ª Intervenção Na segunda intervenção foi desenvolvida a atividade do “Chefinho mandou”. Bezerra (2006) relata . o qual foi explicado e aplicado. para que nós estagiárias apontássemos uma parte do corpo e as outras crianças identificassem. onde uma das estagiárias dava o comando “O chefinho mandou encostar o dedo no nariz”. A professora participando de todas as atividades ativamente colocou uma música já conhecida dos alunos. à medida que cada criança era usada como exemplo de corpo humano. A primeira atividade onde era necessário identificar as partes do corpo humano teve como principal objetivo observar o esquema corporal das crianças. e as crianças faziam o que era falado. desenvolvemos o “morto e vivo”. mais se fixavam as identificações do mesmo. Observar a organização visual da criança com esta atividade e também. ainda foi possível trabalhar as cores com esta dinâmica.35 que este mesmo menino após pedir ajuda da estagiária conseguiu contornar os dedos. o qual diz respeito a “capacidade de discriminar com exatidão as partes corporais. Para encerramento das atividades do dia. além de perceber sua psicomotricidade ampla. As crianças espontaneamente identificaram as partes do corpo humano e um a um foi ao centro da sala. sustentar ativamente todos os gestos que o corpo realiza sobre si mesmo e sobre os objetos exteriores e organizar as partes do corpo na execução de uma tarefa. 2002). Pôde-se observar que algumas crianças estavam desatentas e outras. Como muitas não conheciam a brincadeira aplicamos a atividade várias vezes em forma de “testes” para todos compreenderem. A maioria obteve uma boa compreensão da atividade. e como ela compreende o espaço a sua volta. a atividade do “morto e vivo” é essencial para perceber como ela se observa no espaço. prestaram bastante atenção.” (ROSA NETO. equilíbrio e lateralidade. para notar a percepção viso – motora das crianças além da questão da audição e distração. de uma maneira geral. Essa atividade tem como objetivo observar se as crianças fixaram as partes do corpo humano comentadas anteriormente. após estas tentativas a atividade funcionou muito bem.

Aos quatro anos de idade então. 3ª Intervenção Na terceira intervenção retomamos com as crianças as partes do corpo humano. p. cachorros. mostrando também o que acontece ao seu redor e a importância disso em sua vida. macio). a criança percebe o seu desenho e começa a projetar o que sente para ele. posteriormente relembramos o que foi trabalhado nas últimas semanas propomos o desenho de auto-retrato. ilustraram o papel também com desenhos de suas bonecas. mãe e irmãos) mostrando a importância que têm em suas vidas. a partir do três anos que ela começa atribuir significado para o desenho. verde e azul). Algumas crianças além de se desenhar. áspero. a criança até seus dois anos de idade faz desenhos sem significados. . mesmo não dando nome ao que ilustra a criança já elabora uma imagem mental. assim como texturas (duro. ela projeta o desenho de acordo com a realidade com que ela vive. com pensamento pré – operatório. nos mostrando como a criança se enxerga. amarelo. possuindo dificuldades de achar cores como o rosa. fixa predominante na sala onde aplicamos as atividades. casas e família (pai. somente usando como “boneco” a colega de psicologia. Segundo Piaget e Inhelder (1984). Seu vocabulário aumenta conforme a qualidade de suas experiências” (GESELL. Assim. apenas rabiscando. diante das cores pedidas e aonde cada aluno foi buscar as mesmas. e como alguns desenharam outras coisas além de si. mole. É visto então que o desenho de auto – retrato já é feito com significado. 1999). onde cada criança tinha como objetivo se imaginar e desenhar no papel como vinha a mente.36 que é muito importante investigar a organização visual da criança relacionada com objetos. 392. pois estas posteriormente auxiliarão no processo de leitura e escrita. Diante da atividade “Chefinho mandou” é interessante destacar as percepções diferentes de cada criança. “Aos 5 anos a criança é capaz de reconhecer e nomear as cores básicas (vermelho.

andar nas pontas do pé. movimentar o quadril da direita para esquerda. e as mesmas deveriam imitar os movimentos que a estagiária exibia ao som das músicas trabalhadas em sala de aula. ela aumenta a ativação de sentimentos e sensações. Perceber esta interação entre meio e comportamento é essencial para observar situações problemas vividas pelas crianças. Houve grande dificuldade da parte das crianças em não se movimentarem quando a música era pausada. retomamos a atividade do “Chefinho mandou”. Em seguida. pular somente com o pé direito. Oliveira (2005) afirma que ao perceber os estímulos através de sentidos. onde ligamos o aparelho de som e colocamos as músicas trabalhadas em sala de aula com as crianças e a professora. assim quando a música era pausada as crianças deveriam parar seus movimentos e ficar em “estátua”. a criança se mexeu um pouco. onde as crianças fizeram uma fila indiana atrás de uma das estagiária. estalar os dedos com a mão direita. ou seja. pois é neste âmbito que a criança externaliza o que ela sente. somente acompanhada da estagiária. estalar os dedos com as duas mãos. Os movimentos mais utilizados foram: pular somente com o pé esquerdo. por isso proporcionar estas atividades lúdicas se torna de grande importância. movimentar o quadril da esquerda para direita. A atividade de “Estátua” nos proporcionou novas observações sobre a coordenação e firmeza dos movimentos das crianças. . de mãos dadas. pular com os dois pés. porém após quatro ou cinco pausas as crianças com ajuda da auxiliar compreenderam a atividade. de forma a ampliar e desenvolver suas funções intelectuais. estalar os dedos com a mão esquerda. de acordo com o que estão vivenciando. Assim. realizar estas atividades nos mostrou a importância de ter esta sensibilidade para analisar e diferenciar os comportamentos das crianças. de acordo também com seu contexto social. esticar os dois braços acima da cabeça e bater palmas.37 4ª Intervenção Na quarta e penúltima intervenção aplicamos a atividade de “Estátua”. além de perceber que apenas uma criança não aderiu à atividade por expressar “não gostar de dançar”.

valorizando seu desenho. a emoção é como que uma espécie de presença que está ligada ao temperamento dos hábitos do mesmo. a importância em que elas levaram ao fazer o fantoche e a alegria por poder levar para casa e mostrar aos pais o material construído. sendo um menino e uma menina. Fonseca (1995) nos mostra que a aprendizagem ocorre no momento em que o indivíduo interpreta os objetos que estão a sua volta. cada aluno pegou sua ficha correspondente ao seu nome e escreveu seu próprio nome no fantoche. com a ajuda da inteligência. 5.38 5ª Intervenção A quinta e última intervenção realizada foi feita pela apresentação de fantoches feitos por nós mesmas. Assim foi possível observar o desenhar de cada criança e a atenção dada por elas para tal atividade. todos fariam o seu fantoche de papel e poderiam levar para casa. o que nos faz acreditar que em casa as crianças podem ser bastante motivadas a mostrarem atividades que acontecem em sala de aula. a criatividade e ainda o desenvolvimento do sentimento da auto-estima. A proposta da construção do fantoche nos proporciona observar através deste processo a expressão dos desenhos. e mostramos que se tratando do último dia. a emoção e o ato motor atuam unidos no desenvolvimento do indivíduo. estagiárias. onde os alunos estavam sentados na mesa. e em seguida foram para a sala externa e brincaram com seus fantoches. atribuindo a estes objetos uma carga emocional. Após todos desenharem os fantoches. assim foram distribuídos lápis de cor e giz de cera para as crianças colorir e enfeitarem seus fantoches de acordo com seus gostos. Segundo Wallon (1971).2 Descrição e análise das atividades da turma “B” 1ª Intervenção . A sala foi dividida em 5 grupos de 4 crianças.

Porém. outras. A primeira atividade que realizamos com as crianças foi “Morto-Vivo”. ela nos ajudou e os alunos também. Foi uma “alegria” para a turma essa movimentação. mas somente umas três conseguiram pular uma ou duas vezes no máximo. onde .as a perceber o giro da corda para pular. quando fomos aplicar a atividade podemos perceber que apenas duas crianças conseguiam pular e as demais não conseguiram. pular num pé só. onde foram trabalhadas as partes do corpo. Percebe-se que de todas as atividades realizadas esta foi a que mais as crianças envolveram-se. por nós a partir daquele momento. A segunda atividade foi o “Mestre manda”. solicitamos à professora que afastássemos as mesas e cadeiras das crianças para obtermos maior espaço. A terceira atividade foi a “Dança da cadeira”. apenas 5 falaram que não aprenderam a pular. porém. Todos já conheciam a brincadeira e pediram para repetir a mesma. Assim. Foram encontradas com maior facilidade pelas crianças as partes do corpo e as cores. Não foi necessário explicar a atividade. Quanto a isto. Observamos que algumas crianças não percebiam quando tinha uma cadeira sobrando. mais de uma vez. A quarta atividade foi “Pular corda”. pois todos já conheciam. a qual todos participaram efetivamente. Assim. Perguntamos aos pré-escolares quem sabia pular corda e a maioria disse que sabia. as letras elas tiveram mais dificuldade. Ficamos um tempo ensinando. o que as fez saírem da brincadeira por não aceitarem os comandos. foi possível verificar que na primeira atividade realizada. Pode-se dizer que a ansiedade e a euforia gerada pela nossa presença e por ser uma atividade que fez mudar a rotina da aula. porém. a imagem corporal.39 Primeiramente a professora avisou a turma que estariam sendo coordenados. desempenhando assim equilíbrio e lateralidade. foi o que causou uma pequena desatenção em algumas crianças no começo. as cores e as letras. ajudavam-se entre si para organizar a fileira de cadeiras quando um colega saía e conseguiram realizar a atividade com sucesso. Foi muito interessante para nós aplicarmos as atividades com os préescolares e poder observar na prática as noções teóricas que temos aprendido.

é esperado para crianças de 5 anos de idade que desenvolvam a coordenação global.40 compreendem os aspectos da capacidade de locomoção. Como as atividades que realizamos envolveram o lúdico e a espontaneidade.18). as crianças obtiveram bom êxito. Segundo Maluf (2007). Segundo Bueno (1998). Também foi observado que nas demais atividades que envolveram conceitos como a imagem corporal. onde os pré-escolares foram rápidos em apontar com precisão as partes do seu corpo e as do colega. desenvolvem com maior facilidade jogos de competição e raciocínio. Apenas duas conseguiram realizar a atividade efetivamente. Para tanto. também nos diz que crianças de 5 a 6 anos de idade. Portanto. foi proporcionado um momento com maior descontração e observado outros conceitos teóricos. a presença do esquema corporal. equilíbrio. “a criança pode relacionar questões internas com a realidade externa e torna-se capaz de participar seu contexto e perceber-se como um ser no mundo”. não houveram dificuldades nesta atividade realizada. também se mostraram prestativos em arrumar as fileiras de cadeiras quando um colega saía e competiam entre si. no brincar. imagem corporal. sentar-se adequadamente e a coordenação motora geral. Pfeifer et al (2007). as crianças apresentaram um pouco de dificuldade. sentar-se adequadamente e coordenação motora geral. as crianças sentiam prazer e cooperavam no andamento da brincadeira. Muitas não tinham aprendido ainda. de acordo com a faixa etária predominante da turma (faixa etária de 5 a 6 anos de idade). Foi possível perceber que muitos obedeceram aos comandos e as regras da brincadeira. (p. o que foi observado na atividade. Isto foi possível verificar com maior precisão na atividade “O mestre manda”. todas as crianças corresponderam aos objetivos elencados. onde já se utiliza a mão dominante reconhecendo direita e esquerda em si apenas. mas se mostraram receptivas para encarar novos desafios. o “pular corda”. A quarta atividade foi que realizada com as crianças. o que dará origem a outro conceito também estudado: a lateralidade. para ganharem no final desta atividade. Na terceira atividade. a capacidade de locomoção. como: o ritmo. que as crianças desenvolvem as . nos diz que é a partir dos 6 anos. Bueno (1998).

A estagiária perguntou: “Mas. Isto foi bem visível para nós nesta atividade. as crianças poderiam desenhar o que faltava no corpo humano como: “olhos. A criança respondeu: “tô desenhando um peixe. e a mesma se deu de forma voluntária para compor o grupo. que para eles foi suficiente. mas ele tá morto com uma faca cheio de sangue”. mas ainda não a efetivavam completamente. pudemos observar que o primeiro grupo contornou o corpo humano e internamente desenharam apenas os olhos. dizemos aos pré-escolares que um deles iria deitar em cima do papel enquanto os outros dois iriam contornar o formato do corpo daquele que estivesse deitado. orelha. cumprimentamos a turma que se mostrou bastante receptiva pela nossa presença e nos dirigimos à professora a fim de informá-la o que iríamos desenvolver naquele dia com as crianças e também com as mesmas (professora e agente). Observou-se neste dia que muitas crianças faltaram. em que aumentam a força e se tornam mais ágeis. por que ele morreu?”. as crianças mostram grande prazer em auxiliar-nos e colocamos no chão 3 pedaços de papel pardo e separamos a turma em 3 grupos contendo 3 integrantes cada. Afastamos as mesas e cadeiras e nisto. ele enfatiza o salto alternando os pés e salto á distância com maior habilidade). Depois de contornado. Nisto uma das estagiárias questionou a uma das crianças o que ela estava desenhando. e não a plena integração com o corpo. A criança respondeu: “porque ele fez . Foi interessante observar também neste grupo. pois os pré-escolares estavam começando a adquirir estas noções. etc. que muitos completaram o papel desenhando figuras de plantas e animais.41 competências de coordenação motora. a boca e o nariz. A partir da distribuição em grupos. preparamos a sala de aula para a realização das atividades. o indivíduo começa a desenvolver essas competências (no caso. E Bueno (1998). tendo em vista o dia chuvoso. boca.” e isto deixamos a critério deles escolherem da forma como quisessem preencher. Depois disto. 2 ª Intervenção Assim que chegamos a campo. a partir desta faixa etária. também complementa que a partir dos 5-6 anos de idade. Durante a execução da atividade.

lateralidade e imagem corporal. no caso das mímicas. boca. como controlar a turma em alguns momentos. as crianças nos solicitaram que gostariam de repetir a atividade da “dança da cadeira” e as outras que tínhamos feito na semana passada (“Morto Vivo” . nariz. o nariz e as demais partes do corpo riscaram toda a folha de giz de cera colorido e lápis de cor. A criança responde: “Não. porque era irmão daquele morreu. nós conseguimos fazer com que a professora e a agente fossem inseridas nas atividades. Esta intervenção nos possibilitou um olhar mais acurado acerca dos conceitos estudados até o momento sobre Psicomotricidade. pois apesar de não ser o foco do nosso estágio. eles não só contornaram o corpo humano como também desenharam além de olhos. boca. unhas e fizeram roupas para o “boneco” vestir.42 coisa errada. como: Coordenação motora fina. dessa forma. bem como ocupar o .” Então a estagiária pergunta: “e o que é aquele outro desenho?” (referindo-se a outro peixe). etc. Enfim. desenharam a boca e a pintaram de rosa. nariz. sendo que nas demais atividades elas nos ajudavam em tudo que precisávamos. ele desobedeceu. Ele está triste. onde elas puderam também imitar e na atividade do “Mestre Manda”.” A estagiária pergunta: “E ele está feliz?”. organizar a sala junto conosco e observar o que seus alunos estavam fazendo.” Achamos interessante relatar esta parte da atividade. analisar o significado do desenho infantil. Já o terceiro grupo contornou ao redor do corpo. complementaram com dedos. Todos os integrantes escreveram o seu nome e apenas uma menina escreveu seu nome de trás para frente. Deixaram tudo bem colorido. foi muito rico para nós estas vivências. global. colorir internamente o desenho. realizamos novamente as atividades e todos se mostraram contentes. desenhar os olhos. A criança responde: “Aquele é outro peixe. Isto foi possível enquanto fazíamos a “atividade extra”. Também é importante destacar que neste dia. como tínhamos tempo hábil e já havíamos encerrado a proposta do plano de ação. “O Mestre Manda”). as crianças apresentaram diferentes formas de contornar o corpo humano. no segundo grupo foi observado que diferente do primeiro. pois foi possível nos apropriarmos com maior clareza das vivências infantis. Foi possível observarmos que na vivência da atividade “Desenhando o amigo”. desenharam os olhos bem pequenos em relação á cabeça. Assim que encerramos esta atividade proposta.

Nesse estágio também é esperado que a criança desenvolva desenhos pautados no “realismo intelectual”.. também está presente a visão raio-x. o qual remete ao desenho do modelo interno e não como é visto realmente. tendo diferentes significados. mas é obtida pelas experiências fragmentadas no tempo e espaço. não conseguindo ainda se colocar no lugar do outro nem levar em conta vários aspectos de uma mesma situação. dependendo do nível de coordenação da criança. segundo a teoria acerca dos estágios do desenvolvimento cognitivo de Piaget. mãos. De acordo com a atividade que propomos ao grupo. ou seja. o desenho traduzirá mais ou menos fielmente. a criança com idade aproximada entre 4 a 7 anos. o qual remete a um dos objetivos específicos que eram esperados nesta intervenção. 1991). Para tanto. o indivíduo interpreta o mundo pela sua percepção subjetiva e egocêntrica. p. etc. mas também irão constituir verdadeiros exercícios percepto-motores. a intuição que tem do próprio corpo em relação ao espaço dos objetos e das pessoas. Segundo Bueno (1998). a imagem corporal é realizada dentro do conjunto de um processo simbólico [. Por ser uma operação ídeo-motora. sendo que alguns desenharam outras figuras fora do contorno do corpo humano. Portanto. boca. pessoas através de paredes e através do casco dos barcos desenhadas (DI LEO. Nesse sentido. é esperado que corresponda ao “estágio pré-operacional” . Tavares (2003 apud RUSSO.” O que nem sempre correspondia de como essas partes do corpo são vistas realmente. É importante mencionar que as crianças observadas têm 5 anos de idade e neste ano irão completar 6. Ela é constituída como uma imagem totalizada. olho.81) diz que “o conceito de imagem corporal está vinculada ao significado dos termos imagens e corpo e . os esquemas visuais aprendidos durante as experiências anteriores.. 2005. que seria por exemplo. Todas as crianças expressaram a sua subjetividade e percepção a partir daquilo que para elas é considerado como “cabelo. o qual funciona intuitivamente e não logicamente.] expressando também. é importante relacionar essas vivências com um dos conceitos estudados em Psicomotricidade: imagem corporal. Le Bouch (1982) nos diz que os desenhos da criança irão permitir não somente avaliar os progressos realizados. foi possível observar situações conforme as teorias citadas acima.43 espaço na folha de papel pardo das imagens.

e a outra foi ate o pátio arrumar o espaço. ficamos sozinhas com as crianças.” Estas considerações teóricas remetem que o indivíduo constrói a sua imagem corporal. mas tiveram algumas dificuldades em colorir este mesmo corpo dentro dos limites do tracejado. já possuem uma preferência por um dos lados do corpo. Isto é fundamental para que ocorra uma relação e orientação do sujeito com o mundo exterior. nenhum criança conseguiu ficar em um pé só sem se segurar. 3ª Intervenção Levamos neste dia o circuito individual. Isto ficou evidente no momento em que eles desenharam e escreveram os seus nomes no papel. este autor conceitua como sendo a capacidade motora de percepção integrada dos dois lados do corpo: direito e esquerdo. A partir destes conceitos. é considerada como a capacidade de controlar os pequenos músculos para exercícios refinados como: recorte. e ao que Becker (1999 apud RUSSO.81) complementa: “As pessoas aprendem a avaliar seus corpos através da interação com o ambiente. perfuração. Já no que tange a lateralidade.colorir nos limites. no circuito começamos com o aquecimento. . um de 10 crianças e outro de 9. No que condiz a motricidade fina. 2005 p. que segundo Bueno (1998). optando pela mão direita ou esquerda. se pensarmos na subjetividade de cada individuo. polichinelos nenhuma criança conseguiu fazer. foi observado que as crianças conseguiram atingir os respectivos objetivos da atividade ao contornar o corpo humano. tem uma dimensão muito maior. colagem. assim que chegamos a professora saiu da sala. pôde ser observado que os pré-escolares de maneira geral. ao chegarmos eles estavam em uma atividade de pintura e as carteiras estavam em equipes de quatro crianças.44 que sua definição não é simplesmente uma questão de linguagem. Separamos as crianças em dois grandes grupos. contorno. também a partir da relação com o outro. e os movimentos dos braços apenas 5 crianças fizeram sem precisar de ajuda. etc. assim sua auto-imagem é desenvolvida e reavaliada continuamente durante a vida inteira”.e para que pudéssemos organizar o circuito uma estagiaria ficou com as crianças na sala. Não foi verificado se alguma criança teve dificuldade neste sentido. encaixes.

Para isto. passar em pé por cima de um banco foi a quinta etapa. 1998). e uma teve dificuldade. movimentos que interessem á vários segmentos corporais. como Bueno (1998) aponta. apenas duas crianças conseguiram pular sem dificuldades. onde era realizado o “aquecimento”. enquanto outras. foi preciso segurar em uma de suas mãos a fim de equilibrar-se. mas mostraramse receptivos para aprender. menciona como sendo a possibilidade de controle dos movimentos amplos de nosso corpo. na qual a maioria passou sem dificuldade tambem. na quarta etapa fizemos uma amarelinha. e desta forma muitos obtiveram êxito. a maioria das crianças mostrou uma certa dificuldade em efetuar os “polichinelos”. Assim que demos início aos comandos do circuito. como forma de estimular a importância de participar das atividades. Nesta mesma estação foi percebido que algumas crianças obtiveram êxito quando precisaram equilibrarse alongando suas pernas. da forma mais eficaz e econômica possível. a turma se mostrou bastante “eufórica” e na expectativa até que chegasse a vez de cada um participar. Alves (1981 apud BUENO. Desta forma. Neste encontro foi possível perceber a interação e a disposição dos préescolares na atividade inovadora que propomos a eles. Essa atividade implica diretamente com a coordenação motora geral. como num gesto ou em uma atitude. que uma criança não virou. Foi uma manhã agitada e todos estavam bem empolgados com a atividade. acreditamos que foi possível satisfazê-los na medida em que se conciliou a teoria estudada com a prática observada. Grande parte deles não conseguiu tornar efetiva esta prática. Sua função é permitir. ao que Bueno (1998). Na primeira estação. De acordo com os objetivos propostos. na terceira etapa que era o túnel todos passaram sem dificuldades.45 na segunda etapa todos imitaram bichos porém muitos não emitiam os sons. o . como sexta etapa ficou a cambalhota. porem todas as outras passaram sem dificuldade. mesmo que esta não possua um vencedor. podemos inferir que estavam intimidados por ser uma atividade individual. Podendo permitir a possibilidade de contrair grupos musculares diferentes de uma forma independente. foi distribuído no fim da manha um bombom por criança. complementa que para essa coordenação ser efetiva é necessário que haja uma perfeita harmonia de grupos musculares colocados em movimento ou em repouso.

que não virou cambalhota e nem se propôs a aprender quando nós fomos ensiná-la. o autor preconiza que o seu controle é importantíssimo para a aprendizagem. Também. A grande maioria dos pré-escolares aos passar pela “estação do colchonete”. que exige mais concentração. enquanto outras percorriam o trajeto com maior velocidade. Sendo assim. quando se refere aos movimentos dos grandes segmentos do corpo (membros superiores e inferiores). sendo também. a autora pontua que de acordo com o tipo de movimento que é realizado esta coordenação poderá ser ampla ou geral. quando o indivíduo está. andando vagarosamente. uma vez. conseguiu virar cambalhota. é mais complexo. que implicava elas andarem em cima de um banco comprido. as mesmas conseguiram atender aos objetivos propostos. todas se mostraram receptivas em efetuar a tarefa e muitas conseguiram acertar a bola maior na caixa e algumas acertaram a bola pequena (do tamanho de uma bola de tênis) no centro marcado. mais abstrato. . Assim. participando também desta etapa da atividade. Nas demais etapas do circuito foi observado que as crianças não tiveram dificuldades em percorrer o “túnel fantástico” (conforme explicitado no plano de ação). onde na primeira. Esta última tinha como objetivo observar a coordenação visomotora dos pré-escolares. Contudo. e também mostraram grande interesse em explorá-lo. ao percorrer a “estação do desfiladeiro”. Na estação “mirando a cesta” e “tiro ao alvo”. sobre um pé. ao que Schiavo (2003) diz que: a coordenação visomotora é a capacidade que o sujeito tem de coordenar o campo visual com a motricidade de partes do corpo. Umas se mostravam mais cuidadosas. sendo este conceito a base de toda a coordenação dinâmica global. por exemplo. Assim. propomos as crianças manterem-se afastadas por 2 metros de uma caixa de papelão e lançarem uma bola de plástico mediana dentro da caixa e a segunda atividade. a mesma rolou pelos colchonetes. com exceção de uma criança.46 equilíbrio estático. um bom domínio da coordenação visomotora favorece o desenvolvimento na leitura e na escrita. mantendo o equilíbrio e a postura. das crianças manterem-se afastadas por 2 metros da parede onde colamos uma folha com o desenho de uma bola no centro e atirarem a bola no centro da folha com a marcação. diferenciando-se apenas na forma em que andavam por cima do banco.

e ainda estavam descobrindo tudo. observamos que na “estação da amarelinha”. podemos inferir que estavam muito empolgados com o material. porem podemos observar que conforme esperado para a idade. percebemos como eles não só conseguem criar com espontaneidade quando lhes é dada oportunidade. Segundo Bueno (1998).47 Para finalizar. colar e mesmo dividir. Coloco isto pois mesmo que o nosso objetivo . então não tinham muita noção de quantidade. coordenar sua atividade e organizar sua vida cotidiana. poucos tiveram dificuldade. sendo que apenas duas sabiam tornar efetiva esta prática. a maioria das crianças apresentou dificuldade. interagindo-a real e convencionalmente numa sucessão e em grandeza especial. pedimos para que eles inventassem qualquer historia que eles quisessem. ou seja contar em forma de desenho sua historia. e como tem a capacidade de recortar sozinhos. e podiam usar tudo que tinha no seu espaço. o espaço e o ritmo. que segundo o referido autor é a “capacidade de avaliar tempo-espaço. para colar desenhar.”(p. Essa estruturação permite ao indivíduo não só se movimentar e se reconhecer no espaço. relacionar-se e dar sequência aos seus gestos. 4ª Intervenção Separamos então a turma em 3 grupos de 7 crianças. Dentro da organização espaço-temporal está incluído o tempo. e muito gratificante de levar para eles. Dos que inventaram alguma historia. pintar. como também. podemos ver que usavam o espaço na cartolina de forma que quando percebiam não havia mais lugar para desenharem. tiveram aqueles que não inventaram historia. Observamos que todos sabem usar a tesoura. usavam muita cola acreditamos que por que sempre existe alguém que passa a cola para eles. Foi uma atividade muito bem aceita. o jogo da amarelinha é uma das sugestões que ele propõe para colocar em prática o conceito de estruturação espaço-temporal.68). localizar as partes de seu copo e situá-las no espaço. visto isso disponibilizamos mais uma folha de EVA para aqueles grupos que pediram. Todos participaram e ficaram empolgados com a atividade. cada um inventou sua historia.

é a capacidade de controlar os pequenos músculos para exercícios refinados. perto. A maioria desenhou toda sua família e outros desenharam o que tiveram vontade de desenhar. cada um escreveu seu nome na folha e então recolhemos os . É possuir a noção de direção (acima. tendo em vista que os mesmos irão desenvolver habilidades que elas necessitam para o progresso de sua vida escolar. comprido) em integração. Para tanto. é fundamental que as crianças construam fortes alicerces nestes conceitos. pode-se elencar o conceito de organização espacial. Como por exemplo: colagem. acreditamos que foi possível observar a motricidade fina das crianças. é interessante retomar os conceitos estabelecidos dentro da Psicomotricidade no que tange a coordenação motora fina. Sendo a possibilidade para o sujeito de se organizar perante o mundo que o cerca. Nisto. é a tomada de consciência da situação das coisas entre si. eles nos mostram cada vez mais capacidade para crescer e aprender em todos os aspectos da vida escolar e pessoal. sua imagem corporal. jogo de varetas. cada criança recebeu uma folha e foi pedido para que eles desenhassem eles mesmos ou suas famílias. para ver como eles percebiam o ser humano. sendo que algumas colocavam muita cola nas figuras e também poucos ocupavam distribuidamente as folhas para colar as gravuras. 5ª Intervenção Neste dia levamos folhas sulfite. que segundo Bueno (1998). toda a nossa percepção do mundo é uma percepção espacial na qual o corpo é o termo de referência. e para que isto ocorra é necessário que haja oportunidades para que atividades assim possam ser desenvolvidas. ao lado) e. curto. de colocá-las em seu lugar e de movimentá-las. dar laço e fazer um nó simples. que segundo Lavoura (2005). Sendo assim. De acordo com os objetivos propostos. pintar com os dedos dos pés. etc. Ou seja. atrás.48 seja verificar a psicomotricidade. Este encontro nos proporcionou uma maior análise dos conceitos teóricos observados na prática da vivência infantil. encaixe. de distância (longe. de organizar as coisas entre si. recorte. á frente. abaixo. fazer dobraduras. observamos que todas as crianças já sabiam recortar e fazer colagens. Sendo assim.

pois obtivemos a ajuda efetiva da professora e da agente. podendo assim ter um melhor controle das atividades e ao mesmo tempo dar liberdade para eles usarem sua autonomia e criatividade. pedindo que eles fizessem com ela qualquer coisa. a coordenação motora. Deixamos eles um tempo a vontade. porém teriam que ter algo para entregar. um ponto que observamos era que as crianças no começo estavam com medo de se sujar. então encapamos as mesas com plástico e entregamos um pedaço de argila para cada um. a outra estagiária foi com as crianças e com a agente para o pátio onde seria realizada a atividade de musicalização. Com esse resultado com certeza saímos satisfeitas desse ultimo encontro pois percebemos que mesmo com o pouco tempo que estivemos presentes. bem como a agente . obtivemos resultados não só com as crianças. e que realmente escutaram a música. mostrando que possuíam ritmo. Foi realmente muito bom esse último encontro. evidenciando assim. todos cantaram e fizeram os gestos. começamos a encerrar a atividade. mas também com a professora e com a agente que são as peças fundamentais para garantir que mesmo sem a nossa presença o trabalho com as crianças irá continuar. Na terceira atividade enquanto uma estagiária ajudava a professora a limpar um pouco a sala. pois antes que chegássemos eles haviam tido uma aula de higiene e aprenderam que não poderiam mexer com barro. como os pais começaram a chegar para buscá-los. foi bastante significativo o fechamento deste dia.49 desenhos. e cada criança foi entregando a sua obra de arte. as crianças sentaram em roda e começamos a atividade com uma música que eles conheciam bem. que já vimos que são aspectos fundamentais para o desenvolvimento psicomotor. juntamos as mesas para que ficassem em pequenos grupos de 4 crianças. com isso falamos para eles que esse barro era limpo e também era usado para colocar em plantinha e que depois lavaríamos as mãos. Após essa atividade. Ficamos bastante satisfeitas e gratificadas por todas as vivências realizadas com as crianças e pelo apoio recebido de nossa professora orientadora. contudo. um desenho de argila. da professora de Educação Infantil da respectiva sala onde foram realizadas as intervenções. Por ter sido o último encontro realizado com os pré-escolares.

desenhando sol. as flores e o sol. Depois disto. Alguns se incomodaram pelo fato de sujar as mãos e as unhas e poucos sentiram certa repulsa num primeiro momento. nuvens. bem como a criatividade de cada uma no desenvolvimento desta atividade. o sentido tátil é um dos conceitos mais antigos. havendo também. ás arvores. onde muitas significaram ovos de chocolate. animais. a coordenadora da mesma e. é possível explorar esses conteúdos tanto em relação ao nosso corpo como em relação aos objetos. flores. foi possível satisfazê-los a partir dos resultados obtidos. Como exemplo.50 da instituição. flores e na grande maioria elas mesmas inclusas neste cenário junto ás suas famílias. Todos participaram efetivamente desta técnica realizada e sentiram-se satisfeitos ao manusear a argila. No que se referem à técnica do desenho livre. dragões e dinossauros. acreditamos que de acordo com os objetivos propostos para este encontro. pode-se utilizar a noção de duro/macio para relacionar ao nosso corpo diversas sensações que nossa pele identifica pela consistência diferente de materiais. Nesta atividade. para tornar esta pesquisa possível. Na técnica da obra de arte. aspectos da natureza e figuras humanas. das crianças que foram o alicerce. Ainda . árvores. de maneira geral as crianças representaram a natureza. natureza e um mundo além dos confins do lar. outros. sobretudo. podemos diferenciá-los. animais. chuva. por meio da resistência que ele oferece ao nosso corpo. as sensações de contato são quase as únicas que a criança recebe. que exprimem a necessidade de luz. os animais que pertencem a família. bonecos e cobras. como a casa que simboliza o lugar onde são buscados carinho e segurança. onde foi levado argila para as crianças explorarem o material e criarem o que tivessem vontade. pois desde a vida intra-uterina. todos se engajaram no “processo de arte” e desenvolveram diferentes obras de argila. foi bastante peculiar observar a expressão facial que as mesmas emitiram. acreditamos que foi possível satisfazer aos objetivos propostos. Segundo Di Leo (1991). Isto sugere que esses temas expressam os interesses e as necessidades das crianças. Sendo assim. Sendo assim. as crianças em idade escolar tendem a desenhar predominantemente casas. Em relação aos objetos. onde se elencou a percepção tátil e a criatividade que segundo Bueno (1998).

atividades como cantar fazendo gestos. O que foi bastante notório no decorrer desta vivência aplicada com as crianças. 1998). e Faria et. Para encerrar este encontro. qualquer movimento adaptado a um ritmo. onde seriam observadas a expressão corporal e o ritmo. a reação motora e aliviando as tensões. apontando as partes do corpo em relação à letra da música solicitada. 1998. Winnicott (1975. diz que “a criatividade desempenha papel importante no desenvolvimento da personalidade do indivíduo enquanto facilita a comunicação e a livre expressão”. são experiências importantes para a criança. apud Bueno. Isto porque toda expressão musical ativa age sobre a mente. foi proposto ás crianças para que sentassem em círculo a fim de resgatarmos a técnica da musicalização. 2005). dando abertura á espontaneidade. a fim de que ela desenvolva o senso rítmico e a coordenação motora. favorecendo a descarga emocional. aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. dançar. refere-se ainda a importância da criatividade no desenvolvimento global do indivíduo.95). também cantaram junto com a estagiária dirigente desta técnica que se utilizou do violão para compor este momento de encerramento. al (1979. é possível identificar que o ritmo possui função essencial na formação e equilíbrio do sistema nervoso. bater palmas.51 nesta atividade específica. apud BUENO. (CHIARELLI e BARRETO. Dada esta relevância. que expressaria a subjetividade de cada um. Portanto. p. promoveu-se um espaço para colocar-se em prática a criatividade. . que são fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita. Por isso. Assim. foi possível perceber que os pré-escolares mantiveram-se ativos nesta dinâmica. como também propiciar um momento de descontração e relaxamento de tudo que foi realizado neste dia. pés. As atividades musicais dentro contexto do desenvolvimento psicomotor oferecem inúmeras oportunidades para que a criança possa aprimorar sua habilidade motora. é resultado de um conjunto completo (e complexo) de atividades coordenadas.

bastante presente na aquisição da leitura e da escrita. mas em apresentar aos professores atividades alternativas que podem ser trabalhadas com os préescolares de forma a facilitar o desenvolvimento infantil dentro do contexto escolar. Através destas atividades. foi demonstrado ás professoras e agentes. permitindo-os criar novas estratégias de resolubilidade e aprendizado diante de situações novas. acreditamos que seria muito interessante dar continuidade a este trabalho. psicopedagogos ou também. Sugere-se também que para a efetividade de propostas assim como estas. este trabalho nos proporcionou um maior entendimento acerca dos fenômenos psicológicos no que se referem à vivência escolar e infantil e. fisioterapeutas. tanto para reforçar a aprendizagem quanto para explorar áreas do desenvolvimento psicomotor que não foram trabalhadas. as crianças conseguiram realizar grandes evoluções em relação à motricidade global. Sendo assim. uma vez que a nossa proposta não implicava numa avaliação psicomotora. uma vez que esta ciência permite também o desenvolvimento intelectual do indivíduo. para realizar palestras acerca do desenvolvimento infantil com ênfase na Psicomotricidade. pois observamos que ao final das intervenções. Enfim. foi possível perceber que o objetivo geral acredita-se que foi alcançado. Desta forma. é importante refletir acerca dos objetivos propostos no início deste trabalho e observar se os mesmos foram alcançados no decorrer dos encontros. Em síntese. seria muito produtivo dar continuidade a estas atividades num seguinte semestre. foi possível atingir nosso objetivo primordial através do plano de ação estabelecido para aplicar em cada turma. seria interessante que a escola trouxesse profissionais como psicólogos. . os pré-escolares se depararam com novos desafios. diferentes formas de trabalhar a aprendizagem envolvendo também a noção teórica da Psicomotricidade. Portanto. e inclusive a fina.52 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a finalização deste estágio básico. Percebeu-se que ao levar novas propostas que envolveram o lúdico e a criatividade. sendo desta forma.

improvisamos na hora e fizemos uma atividade lúdica com eles. pode-se dizer que foi bastante proveitoso resgatar o conhecimento adquirido no decorrer dos semestres e aplicá-lo neste campo de estágio. Portanto. foi muito gratificante todo o apoio recebido pela nossa professora orientadora. porém. é preciso que tenhamos uma organização prévia de quanto tempo cada atividade irá levar ao redor. para tornar esta pesquisa possível. sobre a importância do planejamento e elaboração de cada encontro previamente. como a “dança da cadeira”. Isto. a qual foi bem aceita pelo grupo. na prática. bem como as agentes das mesmas. É por isso. a fim de que as dificuldades encontradas neste primeiro momento nos sirvam de subsídios num próximo trabalho a ser elaborado. como em cada encontro é previsto o tempo especificado. Por isso. sobretudo. das crianças que foram o alicerce. . pelas professoras das respectivas turmas. Mencionamos esta reflexão. envolvendo mímica e percepção. Assim. que o objetivo maior de todo o referido trabalho é fazer do conhecimento uma busca incessante em nossa caminhada acadêmica e termos a consciência de que não somos detentores absolutos da verdade. porque. Apesar disto. é importante que se faça uma reflexão geral das experiências vivenciadas.53 consequentemente. pois aplicamos uma dinâmica que reuniu os objetivos previstos. Também. Podemos ponderar ainda. e. pela coordenadora da Instituição. observados. na segunda intervenção realizada sobrou um tempo considerável depois de ter sido feita a atividade proposta para aquele encontro. nós repetimos e com o tempo que ainda restou. e sim. obtivemos êxito neste encontro. pois especificamente a turma “b”. dos pressupostos teóricos da Psicomotricidade. “pilares” para a construção científica. como as crianças nos solicitaram a repetir atividades que fizemos no primeiro encontro.

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