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Planear a avaliação na BE da EB1

De acordo com o MAABE, a planificação da avaliação “implica tomar em consideração vários procedimentos que têm como propósito, em primeiro lugar, permitir a realização de uma escolha ponderada e participada…”. Por sua vez, adianta ainda que a selecção ao nível da escola/agrupamento do domínio que vai ser avaliado deve ser “decidida ao nível de escola, sob orientação do professor bibliotecário, deve envolver todos os docentes, na medida em que o seu trabalho e a sua colaboração são imprescindíveis…”.

Nestes e noutros aspectos, o MAABE aponta sempre para um trabalho conjunto, não só da

equipa da BE, mas acima de tudo com os colegas docentes. Em relação a estes, é evidente que

o papel do PB passará pela orientação/condução do processo, pois os parceiros em causa não

dominam funcionamento do modelo de avaliação. Já no que diz respeito às equipas e à sua constituição, se em relação às BE das escolas sede de agrupamento, de forma geral, não se apresentam grandes dificuldades (salvo algumas excepções, as equipas existem e funcionam plenamente), em relação às BE do 1ºciclo, a constituição das equipas tenderá a revelar-se mais difícil, tanto pela dispersão das escolas do agrupamento como pelos princípios inerentes às funções dos docentes deste ciclo. O regime de monodocência não se compatibiliza com a

atribuição de horas para funções no âmbito da equipa da BE.

No meu caso específico, o do Agrupamento de Escolas da Nazaré, apenas existe uma equipa para as duas BE (constituída pelos dois PB e pela assistente operacional com funções na BE da sede de agrupamento), prevendo desde já muitas dificuldades aquando da aplicação do MAABE à BE do 1º ciclo. Mesmo que se procedam as esperadas adaptações do modelo, não estão reunidas as condições humanas para que o mesmo possa ser aplicado.

Se no quadro do presente ano lectivo a situação é a mencionada, prevêndo-se a abertura do centro escolar para o próximo ano civil (e repito civil e não escolar, logo, a partir de 1 de Janeiro de 2011…), a qualquer momento ela poderá agravar-se com a transição da BE, que passará a servir não só 5 turmas do 1º ciclo mas 18, que são todas as existentes nas quatro

escolas do 1º ciclo da vila. Não querendo fazer futurologia, não se avizinham bons tempos para

a operacionalização do modelo.

Parece-me mais sensato pensar no presente por forma a não antecipar constrangimentos que possam causar algum tipo de reação alérgica aos princípios inerentes ao próprio MAABE. Mas não posso deixar de perspectivar possíveis cenários e respectivas estratégias de actuação. Tendo em conta as características do ciclo de ensino em causa, os objectivos fundadores das BE e a realidade do funcionamento das EB1, não seria oportuno que a tutela definisse as condições específicas para o funcionamento das BE do 1º ciclo? De que forma se poderão criar equipas com professores do ciclo em causa, porque são eles que melhor dominam as práticas, com o actual regime de horários a que estão sujeitos?

Espero continuar a acreditar que a tutela criará as condições necessárias, possibilitando à(s) direcção(ões) do(s) agrupamento(s) a implementação de medidas e a tomada de decisões, no sentido de garantir à(às) BE das escolas do 1º ciclo (nomeadamente aos novos centros escolares) condições semelhantes às que têm permitido às BE das sedes de agrupamento assumir-se como fundamentais para o funcionamento e sucesso da escola pública portuguesa,

não só no que diz respeito à dotação de recursos físicos, mas essencialmente em relação à dotação dos recursos humanos.

José Cesário Moreira

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