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FUNÇÃO QUADRÁTICA

Definição:

Uma função quadrática é uma função f definida por

f ( x ) = ax 2 + bx + c , a ≠0
a, b e c são números reais.
- O domínio de uma função quadrática é o conjunto dos números reais.
- O gráfico de uma função quadrática é uma parábola.

1. ESTUDO DA FUNÇÃO x  f ( x ) = x 2

Construa-se o gráfico da função f : y = x 2

x y =x2
-3 9
-2 4
-1 1
0 0 Nota: Esta função deverá ser visualizada na máquina de
1 1 calcular.
2 4
3 9 Vamos fazer agora o estudo da função, tendo em conta a
sua representação geométrica.

• Domínio: ℜ (como aliás já tinha sido dito na definição);

• Contradomínio: [0,+
∞[ ;

• Zeros: 0;

• Sinal da função: f é não negativa em todo o seu domínio, ou seja, em ℜ;

• Monotonia: → f é decrescente no intervalo ] −∞,0[


→ f é crescente no intervalo ] 0,+
∞[ ;

• Extremos: A função tem um mínimo em 0;

• Injectividade: A função é não injectiva, pois existem objectos diferentes que


têm a mesma imagem,
Por exemplo: f(1)=1 e f(-1)=1 ;

• Paridade: A função é par, pois,

1
∀x ∈ℜ, f ( x ) =f ( −x )

• Eixo de simetria: O eixo de simetria é OY (uma vez que é par);

• Vértice da parábola: (0,0);

• Concavidade: Voltada para cima.

Vamos agora fazer o estudo dos vários casos de funções quadráticas.

1º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  ax 2 , a ≠ 0

(a) Consideremos as seguintes funções em que a>0:

2
f (x) = x 2 g ( x ) = 0,5x 2 h(x)=2 x 2

Vamos representar graficamente estas três funções:

Conclusões:
Verificamos que nestas três funções o que varia é a abertura da parábola,
mantendo--se todas as outras características. Então podemos concluir que quanto maior
é o valor de a, mais fechada é parábola.

(b) Consideremos agora as funções em que a<0:


a ( x ) = −x 2 b( x ) = −0,5x 2 c( x ) = −2 x 2

Voltemos novamente a representá-las geometricamente:

Conclusões:
Verificamos que o que varia nestas três funções é novamente a abertura da parábola.
Neste caso, quanto menor é o valor de a, mais fechada é a parábola. Em relação às
funções consideradas em (a) já vão variar outras características.

Registemos num quadro as principais características da função do tipo y = ax 2 , a ≠ 0 :

a<0 a>0

3
À medida que a diminui, a
abertura também diminui À medida que a aumenta, a
abertura diminui
Concavidade voltada para baixo voltada para cima
Domínio ℜ ℜ
Contradomínio ] − ∞,0] = ℜ0− [0,+∞[ = ℜ0+
crescente →] −∞,0[ crescente →]0,+∞[
Monotonia
decrescente →]0,+ ∞[ decrescente →] −∞,0[
Zeros 0 0
Extremos máximo absoluto: 0 mínimo absoluto: 0
maximizante: 0 minimizante: 0
Vértice (0,0) (0,0)
Eixo de simetria eixo OY de equação eixo OY de equação x = 0
x =0
Sinal não positiva em ℜ não negativa em ℜ

2º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  ax 2 + k , a ≠ 0

Consideremos as funções:
f (x ) = 2x 2 g( x ) = 2x 2 − 2 h (x ) = 2x 2 + 2

Geometricamente temos:

Conclusões:
• A abertura das parábolas é a mesma, assim como a concavidade (a é o mesmo);
• Houve uma translação vertical nas funções h e g em relação a f;
• A função g sofreu uma translação associada ao vector (0,-2);
• A função h sofreu uma translação associada ao vector (0,2);
• Os vértices vão passar a ser: - em h → (0,2)
- em g → (0,-2)
• Os eixos de simetria são os mesmos, ou seja, a recta x = 0 ;
• Os extremos vão mudar: - em g temos um mínimo → -2
- em h temos um mínimo → 2
• O contradomínio também vai sofrer alterações: - D´g =[−2,+ ∞[
- D´h =[2,+ ∞[
• Zeros: Neste caso poderemos ter 0, 1 ou 2 zeros:

4
Sintetizando:

a >0 ∧k >0 a >0 ∧k <0 a <0 ∧k >0 a <0 ∧k <0

Concavi- voltada para cima voltada para cima voltada para baixo voltada para baixo
dade
Domínio ℜ ℜ ℜ ℜ
Contra- [k ,+
∞[ [k ,+
∞[ ]−∞, k ] ]−∞, k ]
domínio
decrescente: decrescente: ]−∞,0[ decrescente: decrescente:
Monotonia ]−∞,0[ crescente: ]0,+
∞[ ]0,+
∞[ ]0,+
∞[
crescente: ]0,+
∞[ crescente: ]−∞,0[ crescente: ]−∞ ,0[
Zeros não tem x1 e x 2 x1 e x 2 não tem
Extremos mínimo absoluto: k mínimo absoluto: k máximo absoluto: k máximo absoluto: k
minimizante: 0 minimizante: 0 maximizante: 0 maximizante: 0
Vértice (0,k) (0,k) (0,k) (0,k)
Eixo de eixo OY de eixo OY de eixo OY de eixo OY de
simetria equação x = 0 equação x = 0 equação x = 0 equação x = 0
positiva: positiva: ]x1 , x 2 [
Sinal positiva em ℜ ]− ∞, x1[ ∪]x 2 ,+∞[ negativa: negativa em ℜ
negativa: ]x1 , x 2 [ ]− ∞, x1[ ∪]x 2 ,+∞[
Exercício 1:
Determina os zeros, analiticamente, das funções f, g e h anteriormente definidas:

Resolução:
→ f(x) = 2 x 2 → g(x ) = 2x 2 − 2
f ( x) = 0 ⇔ 2x 2 = 0 ⇔ x = 0 g ( x ) = 0 ⇔ 2 x 2 − 2 = 0 ⇔ x = ±1
(1 zero) (2 zeros)

→ h ( x ) = 2x 2 + 2
h ( x ) = 0 ⇔ 2 x 2 + 2 = 0 ⇔ x 2 = −1 Equação impossível (nenhum zero)

Exercício 2:
Escreve na forma y = ax 2 + k as funções que têm a seguinte representação gráfica:
(a) (b)

Resolução:

5
(a) Temos que k = 2 , logo vem

y = ax 2 + 2

Resta determinar a. Como o ponto (2,4) pertence à parábola, ele verifica a equação:

1
4 = 4a + 2 ⇔ a =
2
1
Então a equação da função é dada por y = x 2 + 2 .
2

(b) Temos que k = 3 , logo vem


y = ax 2 + 3

Resta determinar a. Como o ponto (2,0) pertence à parábola, ele verifica a equação:

3
0 = 4a + 3 ⇔ a = −
4

3
Então a equação da função é dada por y = − x + 3 .
2

Exercício 3:
2
Seja f uma função quadrática definida por y = −3x 2 − . Indica as coordenadas do
3
vértice, o contradomínio e os intervalos de monotonia.

Resolução:
2  2
Como k = − então as coordenadas do vértice são 0,−  .
3  3
  2
O contradomínio é o intervalo −∞,−3  .
 
A função é decrescente no intervalo ]0,+
∞[ e crescente no intervalo ]−∞,0[ .

3º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  a( x − h ) 2

A partir do gráfico da função f ( x ) = x 2 , constrói os gráficos das seguintes


funções:

g ( x ) = ( x +1) 2 h ( x ) = ( x − 3) 2

6
Conclusões:
Obtivemos os gráficos das funções g e h através de uma translação horizontal,
segundo o vector (h,0). Vamos ter alterações nos zeros, nas coordenadas do vértice, o
eixo de simetria e na monotonia.

Sintetizando:
a>0 a<0

Concavidade voltada para cima voltada para baixo


Domínio ℜ ℜ
Contradomínio ℜ0+ ℜ0−
decrescente: ]−∞, h[ decrescente: ]h ,+
∞[
Monotonia crescente: ]h ,+
∞[ crescente: ]−∞, h[
Zeros h h
mínimo absoluto: 0 máximo absoluto: 0
Extremos minimizante: h maximizante: h
Vértice (h,0) (h,0)
Eixo de simetria recta de equação x = h recta de equação x = h
Sinal não negativa em ℜ não positiva em ℜ

Exercício: Sem efectuar cálculos faz um possível esboço do gráfico de cada uma das
funções:

(a) x  x 2 + 2,5 (b) x  3x 2 − 4 (c) x  −( x − 3) 2

Resolução:

(a) v = (0;2,5) (b) v = (0;-4)

7
(d) v = (3,0)

4º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  a( x − h ) 2 + k

Consideremos a função f ( x ) = 2( x +1) 2 − 3 .


Que transformações devem ser feitas ao gráfico da função g ( x ) = x 2 para obter o
gráfico da função f ?

1º) Passar de y = x 2 para y = 2 x 2 :

8
2º) Passar de y = 2 x 2 para y = 2( x +1) 2 :

Vamos deslocar o gráfico segundo uma translação associada ao vector (-1,0).

3º) Passar de y = 2( x +1) 2 para y = 2( x +1) 2 − 3 :

Vamos deslocar o gráfico segundo uma translação associada ao vector (0,-3).

Conclusões:
Obtemos o gráfico de f através de uma translação do gráfico da função y = 2 x 2 ,
associada ao vector (-1,3).

Sintetizando:

a>0 a<0
Concavidade voltada para cima voltada para baixo
Domínio ℜ ℜ
Contradomínio [k ,+
∞[ ]−∞, k ]
Monotonia crescente em ]h ,+
∞[ crescente em ]−∞, h[
decrescente em ]−∞, h[ decrescente em ]h ,+
∞[
Extremos mínimo absoluto: k máximo absoluto: k
minimizante: h maximizante: h

9
Vértice (h, k ) (h, k )
Eixo de simetria recta de equação x = h recta de equação x = h

Exercício:
Sem efectuar cálculos faz um possível esboço do gráfico da seguinte função:

x  5( x + 3) 2

Resolução:
v = (-3,0)

Em termos de representação gráfica temos o seguinte:

1º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  ax 2 , a ≠ 0


Qualquer função do tipo x  ax 2 tem gráfico resultante do de y = x 2 , variando apenas a abertura
da parábola.

2º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  ax 2 + k , a ≠ 0


O gráfico de funções do tipo f ( x ) = ax 2 + k resulta do de y = ax 2 por uma translação vertical
associada ao vector (0,k).

3º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  a( x − h ) 2

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Qualquer função definida por uma expressão do tipo y = a ( x − h ) 2 tem gráfico resultante do de
y = ax 2 por uma translação associada ao vector (h,0).

4º CASO: GRÁFICO DA FUNÇÃO x  a( x − h ) 2 + k


Qualquer função definida por uma expressão do tipo y = a ( x − h ) 2 + k (a , h , k ∈ℜ, a ≠ 0) , tem
um gráfico resultante do de y = ax 2 por translação associada ao vector (h,k).

Exemplo: Sem representar graficamente a função


f : x  −2( x − 3) 2 +1
indica as suas principais características.

Resolução:
Domínio: ℜ;
Contradomínio: ]−∞ ,1] ;
Concavidade: voltada para baixo, uma vez que a = −2 ;
Monotonia: crescente →]−∞,3[ ; decrescente →]3,+ ∞[ ;
Vértice: (3,1);
Máximo absoluto: 1 maximizante: 3

COMO PASSAR DE ax 2 + bx + c PARA a( x − h )2 + k ?

Consideremos a seguinte função:

f (x ) = x 2 − 4x + 5

Teremos que construir um caso notável:


x 2 − 4x + 5
= x 2 − 4x + 4 − 4
= ( x 2 − 4 x + 4) − 4
= ( x − 2) 2 − 4

A função f representa uma parábola com a concavidade voltada para cima


(a =1, a > 0) , vértice no ponto (2,-4) e eixo de simetria x = 2 .

11
Exercício:
Dadas as funções g e h, passa à forma a ( x − h ) 2 + k , indicando o vértice de cada uma
delas:
(a) g ( x ) = 2 x − 3x 2
(b) h ( x ) = 2x 2 − 6 x +1

Resolução:

 2 2   2 2 1 1
(a) 2x − 3x = −3 x − x  = −3 x − x + − 
2

 3   3 9 9
 2 1 1
= −3 x 2 − x +  +
 3 9 3
2
 1 1
= −3 x −  +
 3 3

  1 1
O vértice tem coordenadas  ,  .
3 3 

(b) 2 x 2 − 6 x +1 = 2( x 2 − 3x ) +1
 9 9
= 2 x 2 − 3x + −  + 1
 4 4
 9 9
= 2 x 2 − 3x +  + 1 −
 4 2
2
 3 7
= 2 x −  −
 2  2

3 7 
O vértice tem coordenadas  ,−  .
2 2

Exercícios :

1) Para cada par de funções, descreve como podes obter o gráfico da segunda partindo
do gráfico da primeira:
1.1) f1 ( x ) = ( x − 2) 2 ; f 2 = ( x + 3) 2
1.2) g1 ( x ) =−2 x −1 ; g 2 ( x ) = 2 x +1 +3

Resolução:
1.1) O gráfico da função terá que sofrer uma translação segundo o vector (-5,0).
1.2) Primeiro, o gráfico da função terá que ser invertido em relação ao eixo OX ,
depois terá que sofrer uma translação associada ao vector (-2,3).

2) Escreve a expressão que define a função quadrática tal que:


(a) o vértice da parábola é (-1,4) e a = −5 ;

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(c) o vértice da parábola é (-3,1) e um dos zeros é x = 3
Resolução:
(a) A expressão será do tipo y = a ( x − h ) 2 + k .Temos que h = −1, k = 4 e
a = −5 logo virá
y = −5( x +1) 2 + 4

(c) y = a ( x − h ) 2 + k , h = −3 e k = 1
Logo temos
y = a ( x + 3) 2 +1

Como um dos seus zeros é 3 então o ponto (3,0) pertence à parábola, substituindo
vem
0 = a (3 + 3) 2 +1

⇔ 0 = 6a + 1
1
⇔a =−
6
Temos então
1
y = − ( x + 3) 2 + 1
6

3) Considera a família de funções f ( x ) = a ( x − h ) 2 , a ≠ 0 , h ∈ℜ.


3.1) Sabendo que h = −5 , o que podes dizer acerca dos intervalos de monotonia da
função?
3.2) Considerando a = −2 e h = 3 determina o contradomínio da função.
3.3) Indica um intervalo onde a função seja injectiva.

Resolução:
3.1) Como h = −5 , a função é do tipo f ( x ) = a ( x + 5) 2 , a ≠ 0 . Logo o que irá
fazer variar a função é o valor de a.
Então:

 c r e s c en noitneet r v a] −l o5,+ [ ∞
- se a > 0 , a função é 

 d e c r e secn eoinn tet r v a] − l ∞o,− 5[

13
 c r e s c en noi tneet r v a] −l ∞o ,− 5[

 d e c r e se cn eoinn tet r v a] − l5o,+ [ ∞
- se a < 0 , a função é

3.2) D´=]−∞,0]

3.3) Por exemplo o intervalo [3,+


∞[

4) Escreve uma expressão analítica para as funções quadráticas representadas


graficamente:

4.1) 4.2)

Resolução:

4.1) y = ax 2 + k
O vértice tem coordenadas (0,3), logo k = 3 .
Vem então y = ax 2 + 3 . Resta determinar a.
Como o ponto (-2,0) é um ponto da parábola, então verifica a equação:
3
0 = 4a + 3 ⇔ a = −
4
Vem então
3
y = − x2 + 3
4

4.2) y = a ( x − h ) 2
O vértice tem coordenadas (2,0), logo h = 2 .
Vem então y = a ( x − 2) 2 . Resta determinar a.
Como o ponto (0,4) é um ponto da parábola, então verifica a equação:

4 = a (0 − 2) 2 ⇔ 4 = 4a ⇔ a = 1
Vem então
y = ( x − 2) 2

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ESTUDO DO GRÁFICO DE x  ax 2 + bx + c A PARTIR DE a E DE ∆

Já vimos a importância do valor a, pois além de nos indicar a abertura da parábola,


também nos permite concluir se a concavidade da parábola está voltada para cima ou
para baixo, mediante a>0 ou a<0, respectivamente.
Outro parâmetro importante para o estudo do gráfico de uma função é ∆ , ou seja, o
binómio discriminante.
∆ = b 2 − 4ac

Ao analisarmos o valor de ∆ , ficamos a conhecer o número de raízes da função,


podendo ser 0, 1 ou 2.
Então,
∆ = b 2 − 4ac < 0 →não existem raízes
b
∆ = b 2 − 4ac = 0 →existe uma raiz, x = −
2a
−b ± ∆
∆ = b 2 − 4ac > 0 →existem duas raízes, x = (fórmula resolvente)
2a

Conhecendo a e ∆ podemos localizar o gráfico da função x  ax 2 + bx + c em


relação ao eixo horizontal e posteriormente saber o sinal da função.

∆ > 0 (2 raízes) ∆ = 0 (1 raiz dupla) ∆ < 0 (não há raízes)

a>0

Função positiva
x < x1 ∨ x > x 2 Função positiva Função sempre positiva
x ≠ x1
Função negativa
x1 < x < x 2

15
a<0

Função positiva
x1 < x < x 2 Função negativa Função sempre
Função negativa x ≠ x1 negativa
x < x1 ∨ x > x 2

Exemplos:

(a) Consideremos a função definida por f ( x ) = 4 x 2 − 8x + 3 . A função representa


uma parábola de concavidade voltada para cima (a = 4, a > 0) .

- Zeros
∆ = b 2 − 4ac
= 64 − 4 × 4 × 3 = 64 − 48 = 16 > 0

Logo a função tem dois zeros.

Determinemo-los:
8 ± 16
x=
8
12 4
⇔x = ∨x=
8 8
3 1
⇔x = ∨x =
2 2

Para fazermos um esboço da parábola um pouco mais rigoroso, é necessário


determinar as coordenadas do vértice. Como a parábola é simétrica relativamente ao seu
eixo de simetria (que é a recta vertical que passa pelo vértice), o eixo fica equidistante
das suas raízes. Logo a abcissa do vértice é dado por:

3 1
+
xv = 2 2 =1
2

Como o vértice é um ponto da parábola, para determinarmos a sua ordenada, basta


substituirmos na equação x v por 1,

y v = 4(1) − 8(1) + 3 = −1

Temos então que o vértice tem coordenadas (1,-1). O eixo de simetria é a recta de
equação x = 1 .
Já estamos então em condições de traçar um esboço do gráfico:

16
- Domínio : ℜ;
- Contradomínio: [−1,+ ∞[ ;
- Monotonia:
crescente em ]1,+ ∞[ ;
decrescente em ]− ∞,1[ ;
- Sinal:
 1  3 
positiva em −∞, 2  e 2 ,+
∞;
   
1 3 
negativa em 2 , 2 
 

(b) E se considerarmos a função definida por y = x 2 + 4x + 5 ?

- A concavidade é voltada para cima.

- Zeros:
Será que existem?
∆ = 4 2 − 4 ×1 × 5 = −4 < 0

Logo não existem zeros.

Como determinar o vértice e o eixo de simetria?


A maneira mais simples será construir um caso notável e escrever a equação na forma
y = a (x − h)2 + k .

x 2 + 4x + 5 = x 2 + 4x + 4 − 4 + 5
= ( x 2 + 4 x + 4) +1
= ( x + 2) 2 +1
Logo o vértice tem coordenadas (-2,1) e o eixo de simetria é a recta de equação x = −2
.

17
Exercício:
Considere as funções quadráticas definidas como se segue:

f (x ) = x 2 − 6x + 8 ; h ( x ) = −x 2 + 2 x − 5

1) Determine os zeros e estude o sinal da função f;


2) Represente graficamente a função f. Indique as coordenadas do vértice da parábola, o
contradomínio e intervalos de monotonia da função;
3) Repita as alíneas anteriores para a função h.

Resolução:

1)
Zeros: ∆ = b 2 − 4ac
= 36 − 4 ×1 × 8
= 36 − 32
=4 >0 Logo tem dois zeros

Determinemos os zeros:
6± 4
x=
2
⇔x =4 ∨ x =2

Como a concavidade é voltada para cima, vem que:


- a função é positiva ]−∞ ,2[ e em ]4,+ ∞[ ;
- a função é negativa em ]2,4[

2) Determinemos as coordenadas do vértice:


4+2
xv = =3
2
Logo
y v = 9 −18 + 8
= 9 −10
= −1

Então as coordenadas do vértice são (3,-1).

Temos a seguinte representação geométrica:

18
Contradomínio: [−1,+ ∞[ ;
Monotonia: crescente em ]3,+
∞[ ; decrescente em ]−∞,3[

3)
Zeros: ∆ = b 2 − 4ac
= 4 − 4 ×( −1) ×(−5)
= 4 − 20 < 0 Logo não tem zeros.

Como a = −1 , (a < 0) , a concavidade é voltada para baixo, logo a função é sempre


negativa.
Para representar graficamente a função, será necessário determinar as coordenadas do
seu vértice.

− x 2 + 2 x − 5 = −( x 2 − 2 x ) − 5
= −( x 2 − 2 x +1 −1) − 5
= −( x 2 − 2 x +1) − 5 +1
= ( x −1) 2 − 4

Logo o vértice tem coordenadas (1,-4).

Temos a seguinte representação geométrica:

Contradomínio: ]−∞ ,−4] ;


Monotonia: crescente em ]−∞ ,1[ ; decrescente em ]1,+
∞[

19
APLICAÇÕES DO ESTUDO DA FUNÇÃO QUADRÁTICA

INEQUAÇÕES DO 2º GRAU

O estudo que foi feito até aqui da função quadrática irá ser usado agora na resolução
de inequações do 2º grau.

Problema: Para iluminar uma operação de salvamento lança-se um “very light” cuja
altura h em relação ao nível do mar é dada aproximadamente pela lei

h = 10 + 5t − t 2

(h em metros, t em segundos)

A luz só é útil desde que o “very light” esteja a 4m ou mais acima do mar. Quanto
tempo dura a luz útil de cada foguete?

Resolução:
Queremos os valores de t para os quais h ≥ 4 , ou seja,

− t 2 + 5t + 10 ≥ 4
⇔ − t 2 + 5t + 6 ≥ 0

Queremos saber para que valores de t , a função é positiva ou nula (não negativa), logo
teremos que estudar o sinal da função.

- a < 0 (tem concavidade voltada para baixo);

- ∆ = b 2 − 4ac
= 25 − 4 × ( −1) × 6 = 49 > 0 logo a função tem dois zeros.

- Zeros:
− 5 ± 49 5 −7 5+7
t= ⇔t = ∨t=
−2 2 2

⇔ t = −1 ∨ t = 6

A função é positiva no intervalo das raízes, ou


seja, de -1 a 6. No entanto, neste problema
só interessa quando t>0, pelo que a luz é útil
do instante 0 a 6, ou seja durante 6 segundos.

Exercícios:

20
Resolva, em ℜ, as inequações:

1) x − 9 ≤ 0 2) x 2 − 5x < 6

3) x ( x − 2) < −3 4) ( x − 5)( 3 − x ) ≥ 0

Resolução:

1)
x2 − 9 ≤ 0
x 2 − 9 = 0 ⇔ x 2 = 9 ⇔ x = −3 ∨ x = 3

c.s.: [−3,3]

2)
x 2 − 5x < −6
x 2 − 5x = −6 ⇔ x 2 − 5x + 6 = 0

∆ = b 2 − 4ac
= 25 − 4 × 6 = 1 > 0 logo tem 2 zeros.

Determinemos os zeros:
5 ±1
x= ⇔x =3∨ x =2
2

c.s.: ]2,3[

3)
x ( x − 2) < −3
x ( x − 2) = −3 ⇔ x 2 − 2 x + 3 = 0

∆ = b 2 − 4ac = 4 − 12 = −8 < 0 logo não tem zeros.

c.s.: { }

4)
( x − 5)( 3 − x ) ≥ 0
( x − 5)( 3 − x ) = 0 ⇔ x = 5 ∨ x = 3

Como a<0 temos que

c.s.: [3,5]

21
Exercício:
Determina o domínio da cada uma das seguintes funções f, definidas por:

(a) f ( x ) = x 2 + x
(b) f ( x ) = − x 2 + 2 x +8 (para trabalho de casa)
(c) f ( x ) = −x 2 +2 2 x −2 (para trabalho de casa)

Resolução:

(a) D = {x ∈ ℜ : x 2 + x ≥ 0}

C.A.
x2 + x = 0
⇔ x ( x +1) = 0
⇔ x = 0 ∨ x +1 = 0
⇔ x = 0 ∨ x = −1

Então D =]−∞,−1] ∪[0,+


∞[

(b) D = { x ∈ ℜ : x 2 + 2x + 8 ≥ 0}

C.A.
x 2 + 2x + 8 = 0
− 2 ± 4 − 4 ×8
⇔x =
2
− 2 ± − 28
⇔x =
2
Impossível em ℜ, ou seja, a função não tem zeros.

(c) D = {x ∈ℜ : −x 2 + 2 2 x − 2 ≥ 0}

C.A.
− x 2 + 2 2x − 2 = 0
−2 2 ± 0
⇔x =
−2
−2 2
⇔x= ⇔x= 2
−2

Então D = { 2 }

PROBLEMAS DE APLICAÇÃO

22
Um agricultor comprou 6 metros de rede para fazer um galinheiro rectangular. Para
optimizar o empate de capital feito na compra da rede, pretende que o galinheiro tenha
área máxima. Ajude o agricultor a resolver o problema, seguindo os passos que a seguir
se indicam:

1) Exprime l em função de c;
2) Exprime a área A do galinheiro em função de c;
3) Determina o valor de c para o qual a área é máxima e o correspondente valor de l.

Resolução:

1) P = 2c + 2l e além disso P =6 .
Logo
6 = 2c + 2l
6 − 2c
⇔l = ⇔l =3−c
2

2) A = c × l , como l = 3 − c , vem
A = c (3 − c )
⇔ A = 3c − c 2

3) Queremos determinar o máximo da função


A (c) = −c 2 + 3c

Como a = −1 , a<0, a concavidade será voltada para baixo, logo o máximo


corresponde à abcissa do vértice da parábola.

Determinemos os zeros:
A (c) = 0 ⇔ − c 2 + 3c = 0
⇔ c( −c + 3) = 0
⇔c = 0 ∨ − c + 3 = 0
⇔c = 0 ∨ c = 3

Então
3
cv = = 1,5
2

A área é máxima quando c =1,5 m.


Determinemos o valor e l correspondente:
l = 3 − c ⇔ l = 3 −1,5
⇔l =1,5

EXERCÍCIO 1:
Uma bola é lançada verticalmente ao ar, com uma velocidade inicial de 20m/s. A
altura h ( t ) da bola, em metros, no tempo t, é dada aproximadamente pela fórmula
h ( t ) = −5t 2 + 20 t + 0,5

1) Quanto tempo a bola se manteve no ar?

23
2) Qual é a atura máxima atingida pela bola?

3) Determina o intervalo de tempo em que a altura era superior a 0,5m.

4) A que altura foi lançada a bola?

RESOLUÇÃO:

1) Façamos um breve estudo da função para esboçar o gráfico:

a = −5 , a<0, logo a concavidade é voltada para baixo.

Zeros:
∆ = b 2 − 4ac
= 400 − 4(−5) × 0,5 = 400 +10 = 410 > 0 , 2 zeros

Determinemo-los:
− 20 ± 410 20 ± 410 410 410
t= ⇔t = ⇔t =2+ ∨ t =2−
− 10 10 10 10

⇔t ≈ 4,02 ∨ t ≈ −0,025

A bola mantém-se no ar aproximadamente 4,02 segundos.

2) Determinar a altura máxima é determinar h v :

410 410
2+ +2−
tv = 10 10 = 2
2

Logo
h v = −5(4) + 40 + 0,5 = 20 ,5

A altura máxima é de 20,5m.

3) Queremos determinar t, tal que

h ( t ) > 0,5

24
⇔ −5t 2 + 20 t + 0,5 > 0,5
⇔ −5t 2 + 20 t + 0,5 − 0,5 > 0
⇔ −5t 2 + 20 t > 0

C.A.
− 5t 2 +20 t = 0
⇔ t (−5t + 20) = 0
⇔ t = 0 ∨ − 5t + 20 = 0
⇔t=0 ∨ t=4

A altura é superior a 0,5m no intervalo ]0,4[ .

4) A bola foi lançada no instante t = 0 , logo

h (0) = −5(0) 2 + 20 (0) + 0,5 = 0,5

A bola foi lançada a uma altura de 0,5m.


EXERCÍCIO 2:

Uma bola atirada de baixo para cima, na vertical, atinge a altura h, em metros, dada
por
h ( t ) =15 t − 5t 2
ao fim de t segundos.

1) Qual é a altura máxima atingida pela bola e o tempo gasto nesse percurso?

2) Qual é a altura da bola ao fim de 2 segundos?

3) Em que instante atinge a bola o solo?

4) Em que instantes é a altura atingida pela bola superior a 5 metros?

RESOLUÇÃO:

1) Queremos determinar a altura máxima, ou seja, h v .


Determinemos primeiro os zeros da função:

h(t) = 0
⇔ 15 t − 5t 2 = 0
⇔ t (15 − 5t ) = 0
⇔t =0 ∨ t =3

Então
3
tv =
2
logo
2
3 3 45
h v = 15   − 5  = ≈ 11,25
2 2 4

Conclui-se então que o tempo gasto é de 3 segundos.

25
2)
h ( 2) =15 ( 2) −5( 2) 2
= 30 − 5(4) =10

A altura ao fim de 2 segundos é de 10 metros.

3) A bola atinge o solo no instante t = 3 .

4) Queremos determinar o intervalo de tempo tal que

h ( t ) > 5 ⇔ 15 t − 5t 2 > 5
⇔ −5t 2 + 15 t − 5 > 0

C.A.
− 5t 2 + 15 t − 5 = 0
−15 ± 15 2 − 4( −5)( −5)
⇔t =
−10
−15 ± 225 −100
⇔t =
−10
−15 ± 125
⇔t =
−10
−15 ± 5 5
⇔t =
−10
3− 5 3+ 5
⇔t = ∨ t=
2 2
⇔ t ≈ 0,38 ∨ t ≈ 2,62

Então a altura atingida pela bola é superior a 5 metros no intervalo de tempo


]0,38 ; 2,62 [ .

26
FUNÇÕES DEFINIDAS POR RAMOS

Consideremos a seguinte função módulo


f ( x ) = x −2
que pode ser definida por

 x− 2 ,x− 2≥ 0
f (x) = 
 − x+ 2 ,x− 2< 0
Geometricamente temos

Exemplo: Consideremos agora a seguinte representação gráfica:

Se quisermos determinar a sua expressão analítica, verificamos que não conseguimos


definir a função em todo o seu domínio, com apenas uma expressão analítica.
Determinemos primeiro a expressão analítica das duas rectas e consideremos os
pontos A =( −1;−1) , B =(0 ;1) , C =(1;1) e D =(5 ; −3) .

27
Para a recta AB:

- b = 1 ⇒ y = mx +1

- Como o ponto A pertence à recta então verifica a equação, logo vem

−1 = −m +1 ⇔m = 2

Então temos
AB : y = 2 x +1

Para a recta CD:


- CD = D − C = (1;1) − (5 ; − 3) = ( −4 ; 4)

4
Logo m = − = −1 . Obtemos então y = −x + b .
4

Resta determinar a ordenada na origem:

Como o ponto C pertence à recta, então verifica a equação


1 = −1 + b ⇔b = 2
Temos então
CD : y = −x + 2
A recta AB não está definida em ℜ, mas apenas no intervalo ]−∞ ;1] , enquanto que
a recta CD está definida no intervalo ]
1 ;5] . Então a expressão analítica da função é
dada por:

 2x + 1 , s ex ∈ ] − ∞ ;1]
f (x ) = 
 − x + 2 , s ex ∈ ]1;5]
ou equivalentemente

 2x + 1 , s ex ≤ 1
f (x ) = 
 − x + 2 , s e1 < x ≤ 5
EXERCÍCIOS

1. Considera a função

28
 x + 1 , s ex ≤ 0
h(x) =  2
 − x − x , s ex > 0
(a) Determina analiticamente os zeros da função h;
(b) Calcula h ( −1) , h (0) e h ( 4) ;
(c) Representa graficamente a função h.

2. Na figura está representado o gráfico da função g.

(a) Indica o domínio, contradomínio e intervalos de monotonia;


(b) Define a função g analiticamente.

RESOLUÇÃO

1.
(a) Queremos determinar os valores de x tais que h ( x ) = 0 :

x +1 =0 − x2 − x = 0
⇔ x +1 = 0 ⇔x ( −x −1) = 0
⇔ x = −1 ⇔x = 0 ∨ x = −1

O único zero da função é -1, pois o segundo ramo da função não está definido em 0
nem em -1.

(b)
h ( −1) = −1 +1 = 0 =0
h (0) = 0 +1 =1 =1
h ( 4) = −42 − 4 = −16 − 4 = −20

(c)

29
2.
(a)
D g = ]−∞;3] ∪]4;+
∞[
CD g = [ − 4;3]
Intervalos de monotonia: crescente ]−5;1[ ; ]1;3[
constante ]−7;−5[ ; ]4;+∞[

(b)
Determinemos:
- a equação reduzida da recta oblíqua

b =1 ⇒ y = mx +1
O ponto (−1;0) pertence à recta, logo verifica a equação
0 = −m + 1 ⇔ m = 1

Logo a equação reduzida da recta é dada por y = x +1 .

- a equação da parábola

O vértice tem coordenadas (1;−1) , logo temos


y = a ( x −1) 2 −1

Determinemos a. Como o ponto (3;3) pertence à parábola, então verifica a


equação logo
3 = 4a − 1 ⇔ a = 1

Vem então y = ( x −1) 2 −1 .

A função g é definida por

− 4 , s e− 7 ≤ x ≤ − 5
x+ 1 , s e − 5< x< 1

g(x ) =  2
 (x − 1) − 1 , s e 1 ≤ x ≤ 3
 2 , s e x> 4

30