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MODULO 01 Biologia

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Biologia

Citologia Introdução ............................................................... 3 I - Bioquímica Celular .............................................. 3 1 - Composição Química da Célula .................... 3 II - Estrutura e Funcionamento Celular ..................18 1 - Surgimento da Citologia ............................. 18 2 - Organização Celular ................................... 19 3 - Membrana Citoplasmática .......................... 20 4 - Parede Celular ............................................ 26 5 - Citoplasma ................................................. 26 6 - Síntese Protéica.......................................... 32 7 - Fotossíntese ............................................... 34 8 - Respiração Celular ..................................... 39 9 - Núcleo Celular ............................................. 45 Diversidade dos Seres Vivos (Parte I) I II I II IV V VI - Classificação dos Seres Vivos .................... - Vírus ............................................................ - Reino Monera .............................................. - Reino Protista .............................................. - Reino Fungi ................................................. - Liquens ........................................................ 58 62 65 72 87 91

A reprodução por qualquer meio, inteira ou em parte, venda, exposição à venda, aluguel, aquisição, ocultamento, empréstimo, troca ou manutenção em depósito sem autorização do detentor dos direitos autorais é crime previsto no Código Penal, Artigo 184, parágrafo 1 e 2, com multa e pena de reclusão de 01 a 04 anos.

M1 RICARDO LUIZ PRATA PONTES

Anotações

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ITAPECURSOS

CITOLOGIA
INTRODUÇÃO
A Citologia (gr: KYTOS = célula; LOGOS = estudo) é a parte da Biologia que estuda a célula em todos os seus aspectos: bioquímico, morfológico e funcional. A célula é considerada a unidade fundamental dos seres vivos, com exceção dos vírus, que são organismos acelulares, ou seja, não são constituídos por células, mas dependem delas para sua sobrevivência. Nos organismos unicelulares, a única célula presente realiza todas as funções necessárias à manutenção da vida, enquanto as várias células dos organismos pluricelulares apresentam diferentes formas adaptadas ao desempenho das mais variadas funções.

I - BIOQUÍMICA CELULAR
É o estudo da composição química da célula. Os elementos químicos predominantes na matéria viva são carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, que representam cerca de 95% dos elementos encontrados no interior da célula. Os outros 5% se distribuem entre elementos como sódio, potássio, cloro, cálcio, ferro, magnésio, enxofre, fósforo e outros. Os elementos citados formam as mais diversas substâncias, que reagem entre si através de um conjunto de processos químicos. Ao conjunto de reações químicas que ocorrem em um organismo vivo denominamos metabolismo. As substâncias químicas presentes nas células podem ser divididas em dois grandes grupos: substâncias inorgânicas e substâncias orgânicas.

1 - COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA CÉLULA
SUBSTÂNCIAS INORGÂNICAS Água Sais Minerais SUBSTÂNCIAS ORGÂNICAS Carboidratos Proteínas Lípides Ácidos Nucléicos Vitaminas

1.1 - Substâncias Inorgânicas ÁGUA
É a substância mais abundante encontrada no interior das células. A taxa de água nos organismos vivos varia em função de três fatores: atividade metabólica, idade e espécie. a) Atividade Metabólica: Quanto maior a atividade metabólica de um tecido, maior o teor de água. Nos neurônios do córtex cerebral, a porcentagem de água é de cerca de 85%, enquanto nos adipócitos (células que armazenam gordura), cerca de 20% do conteúdo celular é formado por água. b) Idade: Normalmente, o teor de água decresce com o aumento da idade. Um feto humano com três meses de idade apresenta cerca de 94% de água, enquanto que em um indivíduo adulto o teor médio é de 65%. c) Espécie: O teor de água nos organismos vivos varia de espécie para espécie. Na espécie humana, a água representa cerca de 65% do peso, enquanto que nas águas-vivas o teor médio é de 98%. As principais funções da água nos seres vivos são: - É o principal solvente celular, dissolvendo grande parte de substâncias no interior do organismo. Por esse motivo, é considerada solvente universal. O estabelecimento de um meio aquoso é fundamental para o metabolismo, já que todas as reações químicas nos organismos vivos ocorrem em solução. - Participa da reações de hidrólise, ou seja, reações de quebra de substâncias através da água. Biologia - M1

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- Atua como regulador térmico nos animais homeotermos, animais que mantêm a temperatura do corpo constante, independente da temperatura ambiental. A evaporação da água na superfície da pele retira o excesso de calor do corpo, favorecendo a manutenção da temperatura. - Atua como regulador ácido-básico, mantendo o pH mais ou menos constante. A concentração hidrogeniônica [H+] varia muito pouco nas reações que ocorrem em meio aquoso, favorecendo, assim, a manutenção do pH. - Atua como veículo de substâncias (oxigênio, gás carbônico, nutrientes, excretas, etc.) que atravessam as membranas celulares, mantendo um intercâmbio entre os meios intracelular e extracelular. O estado de equilíbrio estabelecido através da água é denominado equilíbrio osmótico. - Atua com lubrificante, exercendo importantíssimo papel na diminuição do atrito nas articulações e entre os órgãos.

SAIS MINERAIS
Desempenham as mais variadas funções no interior das células, sendo muito importantes para o perfeito funcionamento celular. Os sais minerais são encontrados nos organismos vivos sob duas formas de ocorrência: insolúvel e solúvel. a) Forma Insolúvel: Nessa forma, os sais minerais se apresentam como componentes da estrutura esquelética. Os sais insolúveis são também denominados cristalinos e apresentam como importante representante o fosfato de cálcio, presente nos ossos e dentes. b) Forma Solúvel: Nessa forma, os sais minerais se apresentam dissolvidos em água e, assim, dissociados em íons. Os sais solúveis são também denominados íons minerais, exercendo importantes papéis no metabolismo. O quadro representado a seguir indica os principais íons minerais presentes nos organismos vivos e o seu papel biológico. ÍONS MINERAIS (SAIS MINERAIS SOLÚVEIS) Sódio (Na+) e Potássio (K+) PAPEL BIOLÓGICO Aumentam a permeabilidade das membranas celulares, desempenhando importante papel na manutenção do equilíbrio osmótico celular. Relacionamse também à condução dos impulsos nervosos. A concentração de Na+ é maior no meio extracelular, enquanto a concentração de K+ é maior no meio intracelular. Participa dos processos de contração muscular e coagulação do sangue. Atua sobre a permeabilidade das membranas celulares. É essencial à formação do ácido clorídrico, no estômago. Faz parte dos hormônios da tireóide, glândula relacionada ao controle metabólico geral. A carência de iodo na alimentação pode provocar o bócio, comum em certas regiões interioranas (bócio endêmico). Faz parte da molécula de hemoglobina, pigmento vermelho presente no interior das hemácias do sangue com função de realizar o transporte de gases respiratórios. Faz parte das moléculas de citocromos, que são transportadores de elétrons e que participam dos processos de fotossíntese e respiração celular. Faz parte da molécula de clorofila, pigmento verde capaz de absorver a energia luminosa para a realização da fotossíntese. Faz parte dos nucleotídeos, unidades formadoras dos ácidos nucléicos. Faz parte da molécula de ATP, que se relaciona à transferência de energia nas células. Faz parte da molécula de vitamina B12 (Cianocobalamina), essencial ao crescimento, formação e amadurecimento das hemácias do sangue.

Cálcio (Ca++) Cloro (Cl–) Iodo (I–)

Ferro (Fe++)

Magnésio (Mg++) Fosfato (PO4– – –)

Cobalto (Co++)

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Sais Minerais e Equilíbrio Ácido-Básico Alguns sais iônicos, como fosfatos e carbonatos, são importantes na manutenção do pH nas células, formando a solução tampão. Esses íons, denominados tampões, evitam variações do pH intracelular e favorecem a ocorrência das reações químicas.

1.2 - Substâncias Orgânicas CARBOIDRATOS
Também conhecidos por açúcares, hidratos de carbono, glúcides, glícides e sacárides, representam as principais fontes de energia para o organismo. Observamos também que os carboidratos podem apresentar função estrutural quando fazem parte de estruturas celulares. São constituídos principalmente por carbono ( C ) hidrogênio (H) e oxigênio (O), podendo também aparecer o nitrogênio (N) ou o enxofre (S). Os carboidratos são divididos em três grandes grupos: Monossacarídeos, Dissacarídeos e Polissacarídeos. a) Monossacarídeos: São os açúcares mais simples que não podem ser hidrolisados. Possuem fórmula geral CnH2nOn, sendo que n varia de 3 a 7. Sua classificação é feita de acordo com o número de átomos de carbono que apresentam. Assim, temos: FÓRMULA MOLECULAR Se n = 3 Se n = 4 Se n = 5 Se n = 6 Se n = 7 C3H6O3 C4H8O4 C5H10O5 C6H12O6 C7H14O7 DENOMINAÇÃO Triose Tetrose Pentose Hexose Heptose

As pentoses e as hexoses são os monossacarídeos mais importantes para os organismos vivos. As principais pentoses são ribose e desoxirribose, que apresentam função estrutural por entrarem na constituição dos ácidos nucléicos, enquanto entre as hexoses destacamos glicose, frutose e galactose, que apresentam função energética, já que constituem importantes fontes de energia para as células. PENTOSE Ribose Desoxirribose HEXOSE Glicose Frutose Galactose FÓRMULA MOLECULAR C5H10O5 C5H10O4 FÓRMULA MOLECULAR C6H12O6 C6H12O6 C6H12O6 OCORRÊNCIA RNA DNA OCORRÊNCIA Sangue-Mel Frutas Leite FUNÇÃO Estrutural Estrutural FUNÇÃO Energética Energética Energética

b) Dissacarídeos: São açúcares hidrolisáveis formados pela união de duas moléculas de monossacarídeos através de uma ligação denominada glicosídica, com liberação de molécula de água. Os principais dissacarídeos são: Maltose - Formada pela união de duas moléculas de glicose. Apresenta função energética, estando presente no pão e na batata. Sacarose - Formada pela união de uma molécula de glicose e uma de frutose. Apresenta função energética, estando presente na cana-de-açúcar e na beterraba. Lactose - Formada pela união de uma molécula de glicose e uma de galactose. Apresenta função energética, estando presente no leite. Celobiose - Formada pela união de duas moléculas de glicose. Apresenta função estrutural, já que é um produto de degradação parcial da celulose, polissacarídeo integrante da parede celular dos vegetais. Biologia - M1

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c) Polissacarídeos: São açúcares hidrolisáveis formados pela união de várias moléculas de monossacarídeos. Os principais polissacarídeos são: Amido - Formado pela união de várias moléculas de glicose, constitui a reserva energética dos vegetais. Encontra-se armazenado em grandes proporções em raízes tuberosas como a mandioca e caules tubérculos como a batata inglesa. A hidrólise total do amido forma moléculas de glicose, enquanto a hidrólise parcial produz moléculas de maltose. Glicogênio - Formado pela união de várias moléculas de glicose, constitui a reserva energética dos animais. Encontra-se armazenado sobretudo no fígado e nos músculos. A hidrólise total do glicogênio forma moléculas de glicose, enquanto a hidrólise parcial produz moléculas de maltose. Celulose - Formada pela união de várias moléculas de glicose, constitui um importante polissacarídeo com função estrutural. É o principal componente da parede celular dos vegetais. A hidrólise total da celulose forma moléculas de glicose, enquanto a hidrólise parcial produz moléculas de celobiose. Além dos três exemplos de polissacarídeos mencionados podemos citar: - Heparina - Substância de ação anti-coagulante produzida por células do tecido conjuntivo propriamente dito denominadas mastócitos. - Quitina - Substância nitrogenada com função estrutural, presente na parede celular dos fungos e no exoesqueleto dos artrópodos. - Ácido Hialurônico - Substância presente no material intercelular dos tecidos conjuntivos com função estrutural. Em laboratório, os carboidratos podem ser identificados por diversas reações químicas. Nas reações com o iodo (teste do lugol), identificamos a presença do amido pela coloração azul ou roxa. Nas reações com o reagente de Benedict (reações de redução), identificamos monossacarídeos e alguns dissacarídeos. PRINCIPAIS CARBOIDRATOS CARBOIDRATO PENTOSES Ribose Desoxirribose MONOSSACARÍDEOS HEXOSE Glicose Frutose Galactose Maltose Sacarose Lactose Celobiose Amido POLISSACARÍDEOS Glicogênio Celulose CONSTITUÍDO POR Glicose + Glicose Glicose + Frutose Glicose + Galactose Glicose + Glicose Várias Glicoses Várias Glicoses Várias Glicoses OCORRÊNCIA RNA DNA Sangue, Mel Frutas Leite Batata, Pão Cana-de-açúcar Leite Células Vegetais Vegetais Animais Paredes Celulares Vegetais FUNÇÃO Estrutural Estrutural Energética Energética Energética Energética Energética Energética Estrutural Reserva Energética Vegetal Reserva Energética Animal Estrutural

DISSACARÍDEOS

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PROTEÍNAS
São as mais abundantes substâncias orgânicas dos seres vivos, sendo definidas como polímeros de aminoácidos. Assim, os aminoácidos são as unidades formadoras das proteínas.

Estrutura de um aminoácido

O radical é a porção variável de um aminoácido. Existem aproximadamente 20 aminoácidos diferentes, que podem ser identificados pelo seu radical. Observe alguns tipos de aminoácidos:

Os aminoácidos são classificados em naturais e essenciais. Aminoácidos naturais são aqueles que podem ser sintetizados pelos animais e vegetais, enquanto Aminoácidos essenciais só podem ser sintetizados pelos vegetais, sendo obtidos pelos animais através da alimentação. Assim, percebemos que os vegetais são capazes, ao contrário dos animais, de produzir todos os aminoácidos de que necessitam para a síntese de suas proteínas.

Ligação Peptídica
É o tipo de ligação que une os aminoácidos. Ocorre entre o grupo ácido de um aminoácido e o grupo amina de outro aminoácido com liberação de uma molécula de água.

Cadeias formadas de aminoácidos são chamadas PEPTÍDEOS. Falamos em DIPEPTÍDEO quando o composto apresenta dois aminoácidos unidos por uma ligação peptídica. Se o composto é formado pela união de três aminoácidos, temos um TRIPEPTÍDEO. Um maior número de aminoácidos unidos por ligações peptídicas forma um POLIPEPTÍDEO. O número de aminoácidos necessários à formação de uma proteína é muito divergente entre os autores. É certo que uma proteína é um polipeptídeo formado pela união de grande número de aminoácidos (alguns autores falam em mais de cinqüenta, outros em mais de cem aminoácidos). Assim, toda proteína é um polipeptídeo, mas nem todo polipeptídeo é uma proteína.

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O número de ligações peptídicas é sempre igual ao número de aminoácidos menos um, enquanto o número de moléculas de água liberadas durante a síntese é sempre igual ao número de ligações peptídicas. Quando uma proteína é submetida a altas temperaturas e a variações de pH, ocorre a sua desnaturação . A desnaturação é a perda total ou parcial das propriedades de uma proteína devido a modificações em sua estrutura.

Classificação das Proteínas
a) Proteínas Simples Constituídas apenas por aminoácidos. Como exemplos temos insulina, queratina, albumina, colágeno, fibrinogênio, etc. b) Proteínas Conjugadas Constituídas por aminoácidos associados a uma outra substância de natureza não protéica denominada grupo prostético. Veja alguns exemplos. PROTEÍNA CONJUGADA Glicoproteína Hemoglobina Nucleoproteína Clorofila GRUPO PROSTÉTICO Glicose Grupo heme (contém ferro) Ácido nucléico Magnésio

Papel biológico das proteínas
As principais funções atribuídas às proteínas são: a) Função Estrutural Participam da estrutura dos tecidos. Como exemplos, podemos citar: - QUERATINA: Presente na pele, cabelos e unhas. - COLÁGENO: Presente nos tecidos conjuntivos. - OSSEÍNA: Presente nos ossos. b) Função Nutritiva São utilizadas como fonte de aminoácidos. c) Função Imunológica Os anticorpos são proteínas (gamaglobulinas) produzidas pelo organismo para combater a ação do antígeno. A reação antígeno-anticorpo é altamente específica, sendo que um certo anticorpo neutraliza somente o antígeno responsável pela sua formação. d) Função Hormonal Muitos hormônios são proteínas. Como exemplos, podemos citar a insulina produzida pelo pâncreas e os hormônios da tireóide. e) Função Contrátil Actina e miosina são proteínas que participam do processo de contração muscular. f) Função Respiratória A hemoglobina é uma proteína presente no interior das hemácias do sangue, responsável pelo transporte de gases. g) Função Coagulante A coagulação do sangue ocorre através de uma série de reações químicas envolvendo proteínas. h) Função Enzimática As enzimas são proteínas catalisadoras das reações químicas. Como exemplos, podemos citar a maltase, a amilase e a tripsina.

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ENZIMAS
São biocatalisadores orgânicos de natureza protéica. O papel básico de uma enzima é diminuir a energia de ativação, aumentando, assim, a velocidade das reações químicas. Entende-se por energia de ativação a energia necessária para produzir a colisão intermolecuEnzima Substrato lar necessária para desencadear uma reação química. Denomina-se substrato a substância que sofre ação da enzima, enquanto centro ativo ou sítio ativo é a parte da enzima que se liga ao substrato. Observe o mecanismo de ação enzimática representado ao lado. A partir dele podemos entender claramente algumas propriedades das enzimas.

+

+

Enzima

Complexo Enzima-Substrato (Complexo ativado)

Produto

Propriedades das Enzimas
a) As enzimas são específicas. Para cada tipo de substrato existe uma enzima específica. Assim, a sacarase é uma enzima que catalisa a quebra da sacarose em uma molécula de glicose e outra de frutose, enquanto a amilase é uma enzima que catalisa a quebra de amido em moléculas de maltose. b) As enzimas não são consumidas durante as reações químicas. c) As enzimas atuam em ambos os sentidos na reação química, até certo ponto (atuação reversível). d) As enzimas não modificam o produto das reações químicas. e) As enzimas exigem um valor ideal de temperatura para que a velocidade da reação seja máxima. Observase que a cada 10OC de aumento de temperatura do meio em que a enzima atua, a atividade enzimática pode até triplicar. No entanto, existe um limite máximo para o aumento de temperatura, a partir do qual inicia-se o processo de desnaturação da enzima, que se torna irreversível, diminuindo sensivelmente a velocidade da reação. Esse limite, de maneira geral, situa-se em torno de 40oC. As enzimas são termolábeis, isto é, sensíveis a valores muito elevados de temperatura. f) As enzimas exigem um valor ideal de pH para que a velocidade da reação seja máxima. Variações de pH levam à desnaturação da enzima, porém, ao contrário da desnaturação causada por altas temperaturas, apresenta caráter reversível, o que leva alguns autores a usarem o termo inativação enzimática.

Nomenclatura das Enzimas
Deve ser feita acrescentando-se o sufixo ASE ao nome do substrato. Veja alguns exemplos: SUBSTRATO Lípide Amido Maltose ENZIMA Lipase Amilase Maltase No entanto, observamos que alguns nomes de enzimas não apresentam a terminação ASE, como ocorre com a pepsina, tripsina, etc.

Fatores que influenciam na ação enzimática
Para um bom desempenho da enzima, alguns fatores devem ser considerados: a) Concentração do Substrato Desde que haja enzima disponível, o aumento da concentração do substrato leva a um aumento da velocidade da reação. A partir do momento em que a enzima atinge a capacidade catalítica máxima, um aumento da concentração do substrato não promove aumento da velocidade da reação. Nesse caso, a enzima ficou saturada pelo substrato.

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Observa-se que a partir do ponto X, mesmo que a concentração do substrato seja aumentada, a velocidade da reação permanece constante. O ponto Y representa a concentração ótima de substrato, já que a velocidade da reação é máxima nesse ponto. No ponto Y, todas as moléculas de enzimas estão “ocupadas” pelo substrato, de nada adiantando aumentar ainda mais a concentração do mesmo. b) Concentração da Enzima Desde que haja substrato disponível, o aumento da concentração da enzima leva a um aumento da velocidade da reação. Observa-se que a partir do ponto X, mesmo que a concentração da enzima seja aumentada, a velocidade da reação permanece constante. O ponto Y representa a concentração ótima de enzima, já que a velocidade da reação é máxima nesse ponto. A partir do ponto X, é possível que não exista substrato suficiente para a grande concentração de enzima. c) Temperatura As enzimas exigem uma temperatura ótima, na qual a velocidade da reação seja máxima. Quando submetidas a valores de temperatura muito elevados, as enzimas sofrem desnaturação. Observa-se que no ponto X a velocidade da reação é máxima. Um aumento de temperatura leva a um aumento da velocidade da reação até determinado ponto (ponto Y), a partir do qual ocorre desnaturação da enzima, reduzindo a velocidade da reação. O ponto Y representa a temperatura ótima para a atuação da enzima. d) pH As enzimas exigem um pH ótimo, no qual a velocidade da reação seja máxima. Acima ou abaixo do seu pH ótimo, as enzimas diminuem gradativamente a sua atividade e tendem a desnaturar-se. Observa-se que no ponto X a velocidade da reação é máxima. O ponto Y representa o pH ótimo para a atuação da enzima. A amilase salivar, enzima que inicia a digestão do amido na boca, atinge o máximo de atividade em pH 7, enquanto a pepsina, enzima que inicia a digestão das proteínas no estômago, atinge o máximo de atividade em pH 2.

Velocidade da Reação

x

y

Concentração de Substrato

x
Velocidade da Reação

y

Concentração de Enzima

Velocidade da Reação

X

Y Temperatura em (OC)

Velocidade da Reação

X

Y pH

LÍPIDES
Também conhecidos por lipídeos, são substâncias orgânicas insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos como clorofórmio, benzina e álcool. Não existe um conceito unificado para os lípides, mas a maioria são ésteres de ácido graxo e álcool. Os ésteres são substâncias resultantes da reação entre um ácido e um álcool.

Classificação dos Lípides
a) Lípides Simples Constituídos apenas por ácido graxo e álcool. Os lípides se subdividem em glicérides e cérides. - GLICÉRIDES - O álcool é o glicerol. Como exemplo, temos as gorduras e os óleos. - CÉRIDES - O álcool não é o glicerol, e sim um álcool superior de cadeia mais longa. Como exemplo, temos as ceras.

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b) Lípides Conjugados Constituídos por ácido graxo, álcool e uma outra substância. Os exemplos mais importantes são os fosfolípides, que apresentam radicais fosfato, e os esfingolípides, que apresentam nitrogênio. Os fosfolípides são importantes por entrarem na constituição das membranas celulares, enquanto os esfingolípides são abundantes no tecido nervoso, estando relacionados ao aumento da velocidade de condução do impulso nervoso. c) Lípides Esteróides Apresentam estrutura química muito diferente dos demais lípides, fato que exige uma classificação à parte para o seu caso. Os principais esteróides são o colesterol e os hormônios sexuais (testosterona no homem, e progesterona na mulher). O colesterol é o precursor dos demais esteróides e o seu excesso pode ser nocivo à saúde, em função do seu acúmulo nas paredes internas dos vasos sangüíneos, dificultando a circulação do sangue. As principais funções dos lípides são: a) Reserva Energética Quando degradados, os lípides fornecem mais energia que os carboidratos. No entanto, os carboidratos representam as principais fontes de energia para o organismo, pelo fato de serem degradados antes dos lípides. b) Isolante Térmico Nas aves e nos mamíferos, as gorduras acumulam-se no tecido adiposo, sob a pele, formando uma camada que dificulta a perda excessiva de calor para o ambiente. Em animais que vivem em clima frio, essa camada é muito mais desenvolvida. c) Amortecedores A proteção mecânica contra choques é desempenhada pelos lípides. d) Estrutural Os lípides participam da formação das membranas celulares e dão forma ao corpo. e) Impermeabilizantes As ceras exercem papel impermeabilizante em superfícies sujeitas à desidratação. A camada de cera é muito desenvolvida em certas folhas e frutos e pode ser produzida por certos insetos, como as abelhas.

ÁCIDOS NUCLÉICOS
São definidos como polinucleotídeos ligados em cadeia. Por controlarem a atividade celular, são considerados as “moléculas mestras” dos seres vivos. Normalmente, encontram-se associados às proteínas, das quais constituem grupos prostéticos. Tais proteínas são denominadas nucleoproteínas. Existem dois tipos de ácidos nucléicos: ácido desoxirribonucléico (ADN ou DNA) e ácido ribonucléico (ARN ou RNA).

Nucleotídeos
São as unidades formadoras dos ácidos nucléicos. Cada nucleotídeo é formado por: a) Uma molécula de ácido fosfórico b) Uma molécula de pentose c) Uma molécula de base nitrogenada

Observa-se que o ácido fosfórico se liga à pentose que, por sua vez, se liga à base nitrogenada.

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Existem dois tipos de pentoses que entram na constituição dos nucleotídeos: ribose, encontrada nos nucleotídeos do RNA e desoxirribose, encontrada nos nucleotídeos do DNA.
O OH C H H C OH Ribose C5H10O5 H C OH
H Desoxirribose (C5H10O4) C

H H C H
H H

O

H H C C H H C HO OH OH

C

OH

OH C

As bases nitrogenadas que entram na constituição dos nucleotídeos podem ser de dois tipos: púricas formadas por dois anéis de átomos de carbono e nitrogênio e pirimídicas, formadas por um anel de átomos de carbono e nitrogênio.

BASES NITROGENADAS PÚRICAS

ADENINA (A) GUANINA (G)

A
Adenina

G
Guanina

As bases nitrogenadas púricas são comuns ao DNA e ao RNA

BASES NITROGENADAS PIRIMÍDICAS

CITOSINA (C) TIMINA (T) URACILA (U)

C
Citosina

T
Timina

U
Uracila

Citosina é comum ao DNA e ao RNA Timina é exclusiva do DNA e uracila é exclusiva do RNA R
Adenina Nucleotídeo Guanina Nucleotídeo Citosina Nucleotídeo Timina Nucleotídeo Adenina Nucleotídeo Guanina Nucleotídeo
Desoxirribose Fosfato

Citosina Nucleotídeo

U

Uracila Nucleotídeo

Ribose

Nucleosídeo
Composto formado por uma pentose unida a uma base nitrogenada

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Adenosina é um nucleosídeo de grande importância, formada por uma ribose unida à base nitrogenada adenina. Muitas vezes, a adenosina se apresenta unida a três radicais fosfato, formando um nucleotídeo de grande interesse biológico: o ATP (trifosfato de adenosina).
Adenina Ribose Fosfato

P
Adenosina

~P~P

Fosfato

Fosfato

A ligação

~ significa LIGAÇÃO ALTAMENTE ENERGÉTICA

A Molécula de ATP

As ligações entre os radicais fosfato são altamente energéticas, liberando, assim, grande quantidade de energia para a célula, quando quebrada. Quando uma dessas ligações é rompida, uma grande quantidade de energia é liberada, juntamente com um grupo fosfato e o ADP (difostato de adenosina). A energia desprendida nessa transformação pode ser utilizada pela célula para as mais variadas atividades. Para garantir um perfeito mecanismo de obtenção e armazenamento de energia, moléculas de ADP podem se converter em moléculas de ATP por um mecanismo conhecido como fosforilação.

Formação de um Polinucleotídeo
A união de vários nucleotídeos forma um polinucleotídeo. O ácido fosfórico de um nucleotídeo se liga à pentose de outro, e assim por diante na formação do ácido nucléico.

Polinucleotídeo

Estudo dos tipos de ácidos nucléicos
a) Ácido Desoxirribonucléico (DNA) De acordo com o modelo proposto por Watson e Crick, a molécula de DNA é constituída por duas cadeias de nucleotídeos enroladas uma ao redor da outra na forma de dupla hélice. Os eixos das hélices são formados por moléculas de ácido fosfórico e desoxirribose, enquanto as bases nitrogenadas se dispõem perpendicularmente ao eixo principal da estrutura e voltadas para dentro dela. As bases nitrogenadas de uma hélice se unem às bases nitrogenadas da hélice complementar através de ligações denominadas pontes de hidrogênio, que se estabelecem de forma altamente específica da seguinte maneira: Adenina e Timina se unem através de duas pontes de hidrogênio enquanto Guanina e Citosina se unem através de três pontes de hidrogênio. Podemos concluir que o número de bases nitrogenadas púricas (A + G) é igual ao número de bases nitrogenadas pirimídicas (C + T) no DNA, já que o número de adeninas é igual ao de timinas e o número de guaninas é igual ao de citosinas. Assim, os nucleotídeos de DNA apresentam: - Ácido fosfórico - Pentose - desoxirribose - Bases nitrogenadas
púricas guanina (G) citosina (C) pirimídicas timina (T) adenina (A)

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T

A

A

T

C

G

A
“degraus” organizados por pares de bases nitrogenadas.

T

T

A

“corrimão” formado por grupos fosfóricos e pentoses

G

C

T

A

A

T

Modelo em dupla-hélice proposto por Watson e Crick.

Modelo de Watson e Crick em detalhe, com as hélices abertas.

Localização do DNA
O DNA está presente principalmente no núcleo das células, fazendo parte, juntamente com as proteínas, da estrutura dos cromossomos. Pode ser também encontrado no interior de cloroplastos e mitocôndrias, presentes no citoplasma de certos tipos celulares.

Reação de Feulgen
Consiste em um método de coloração que identifica o DNA. Utilizando-se o reagente de Feulgen na presença do DNA, a reação torna-se positiva. Assim, dizemos que o DNA é Feulgen positivo.

Funções do DNA
O DNA é o responsável pela determinação das características hereditárias, além de comandar o funcionamento celular e promover a síntese do RNA.

Autoduplicação do DNA
É o processo de formação de duas moléculas-filhas de DNA a partir de uma molécula-mãe. As duas moléculasfilhas são idênticas entre si e à molécula-mãe. A autoduplicação do DNA pode ser dividida em duas etapas: - Primeira Etapa - Rompimento das pontes de hidrogênio que unem as bases nitrogenadas da moléculamãe. Dessa forma, ocorre a separação das duas hélices que compõem a molécula-mãe de DNA. - Segunda Etapa - Nucleotídeos livres (que já se encontram no interior da célula) se ligam aos nucleotídeos das hélices separadas de forma altamente específica, ou seja, adenina só se liga à timina e guanina só se liga à citosina. Nessa etapa, ocorre a atuação da enzima DNA polimerase ou DNA sintetase, que catalisa a formação das hélices complementares. O resultado desse processo é a formação de duas novas moléculas

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de DNA, idênticas entre si e à molécula-mãe, como podemos observar nas figuras:
pontes de hidrogênio: G ≡ C T=A

molécula-mãe cujas hélices vão se separar

cadeia “a” cadeia “b” separação das hélices da molécula-mãe e formação das hélices complementares.

cadeia “a” cadeia nova.

cadeia nova

cadeia “b”

duas moléculas filhas de DNA

Observe que, em cada nova molécula de DNA formada, há um filamento antigo que pertencia à moléculamãe e um filamento novo formado através do processo de complementação de bases. Diz-se que a molécula de DNA apresenta uma autoduplicação semiconservativa, já que cada molécula-filha conserva metade da molécula-mãe. b) Ácido Ribonucléico (RNA) A molécula de RNA é constituída por uma única cadeia de nucleotídeos (fita simples). Os nucleotídeos de RNA apresentam: - Ácido fosfórico
C

- Pentose - ribose
púricas

adenina (A)
G

guanina (G)
U

- Bases nitrogenadas
citosina (C) pirimídicas uracila (U)
A G

U

Estrutura do RNA

Localização do RNA
O RNA está presente no núcleo das células, livre no citoplasma, no interior de cloroplastos e mitocôndrias e fazendo parte da estrutura dos ribossomos.

Reação de Feulgen
O RNA é Feulgen negativo, porque a reação de Feulgen torna-se negativa na presença do RNA. Biologia - M1

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Função do RNA
Transportando informação genética do DNA que o formou, o RNA participa diretamente do processo de síntese protéica.

Formação do RNA
Transcrição - Transcrição é o processo de formação do RNA a partir do DNA. A transcrição pode ser dividida em duas etapas: • Primeira Etapa - Rompimento das pontes de hidrogênio que unem as bases nitrogenadas da moléculamãe de DNA. Dessa forma, ocorre a separação das duas hélices. • Segunda Etapa - Apenas uma das hélices da molécula-mãe de DNA funciona como molde para a síntese do RNA. Assim, a molécula de RNA a ser formada terá uma fita simples, diferentemente da molécula de DNA, que possui fita dupla. A hélice do DNA que serve de molde para a síntese do RNA denomina-se hélice ativa. Nessa etapa, o pareamento de bases nitrogenadas ocorre da seguinte maneira: HÉLICE ATIVA DO DNA Adenina (A) Guanina (G) Citosina (C) Timina (T) RNA FORMADO Uracila (U) Citosina (C) Guanina (G) Adenina (A)

Para a formação da molécula de RNA é fundamental que ocorra a atuação da enzima RNA polimerase ou RNA sintetase - que catalisa a polimerização dos nucleotídeos de RNA que já se encontram livres no interior da célula. Após ser formada, a molécula de RNA se destaca do seu molde de DNA e as duas hélices de DNA voltam a se parear, reconstituindo a molécula-mãe original.

Tipos de RNA
Existem três tipos de RNA que participam diretamente do processo de síntese protéica. São eles: - RNA mensageiro (RNA m) - RNA transportador (RNA t) - RNA ribossômico (RNA r)
Molécula de RNA

Síntese do RNA

Hélice ativa

Separação das hélices da molécula-mãe de DNA

No processo de síntese protéica, esses três tipos serão estudados com detalhes.

VITAMINAS
São compostos orgânicos exigidos em doses muito pequenas pelos organismos e que atuam como reguladores biológicos na maioria das reações metabólicas. A maior parte das vitaminas atuam como coenzimas, ativando enzimas importantes para o metabolismo. Uma dieta variada pode fornecer as vitaminas exigidas pelo organismo, em função da larga distribuição desses compostos em muitos tipos de alimentos. Avitaminose se refere a uma carência total de determinada vitamina, enquanto hipovitaminose representa uma carência vitamínica parcial. Algumas vitaminas são encontradas na natureza em uma forma precursora inativa denominada provitamina. No interior do organismo, sob certas condições, a provitamina torna-se ativa, formando a vitamina propriamente dita. É o que ocorre com a vitamina A, encontrada na natureza como caroteno (provitamina A) e com a vitamina D, encontrada na natureza na forma de ergosterol (provitamina D).

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De acordo com a solubilidade em água ou em lípides, as vitaminas podem ser classificadas em dois grupos: Vitaminas Hidrossolúveis - B e C Vitaminas Lipossolúveis - A, D, E e K

Denominamos complexo B um conjunto de vitaminas hidrossolúveis obtidas quase que das mesmas fontes, desempenhando papéis biológicos muito semelhantes. São elas: B1, B2, B6, B12, PP, biotina, ácido pantotênico e ácido fólico. PRINCIPAIS VITAMINAS VITAMINA
A

NOME
Retinol

PRINCIPAIS FONTES
Cenoura - tomate mamão - alface - leite manteiga - ovo

CARÊNCIA
Cegueira noturna ou hemeralopia: deficiência visual em ambiente de luz fraca. Xeroftalmia: ressecamento da camada córnea do globo ocular com conseqüente destruição. Pele escamosa: pele áspera, com descamações freqüentes. Beribéri: polineurite generalizada com distúrbios neuromusculares profundos e paralisia muscular. - Inflamação na boca (estomatite) e na língua (glossite) - Rachaduras nos cantos dos lábios (queilose) - Distúrbios neuromusculares - Fotofobia - Dermatite - Distúrbios neuromusculares Anemia perniciosa: ausência de amadurecimento das hemácias do sangue - Retardo no crescimento Escorbuto: inflamação da pele e mucosas com sangramento de lábios e gengivas. Fragilidade dentária e diminuição de resistência às infecções. Raquitismo: fragilidade óssea e dentária com retardo no crescimento.

OUTRA NOMENCLATURA
Antixeroftálmica

B1

Tiamina

Feijão - soja - leite - carne - lêvedo de cerveja Feijão - soja - leite - carne - lêvedo de cerveja

Antineurítica (Antiberibérica) Antineurítica

B2

Riboflavina

B6

Piridoxina

B12 C

Cianocobalamina

Feijão - soja - leite - carne - lêvedo de cerveja Leite - ovos - carne fígado - produzida pela flora bacteriana intestinal Frutas cítricas - tomate morango - goiaba alface - maçã

Antineurítica Antianêmica

Ácido ascórbico

Antiescorbútica

D

Calciferol

Leite - ovos - manteiga óleo de fígado Radiação ultravioleta estimula a síntese de vitamina D na pele. Leite - ovos - amendoim - alface - arroz - soja

Antiraquítica

E K

PP

H

- Esterilidade em alguns animais Antiesterilidade - Envelhecimento precoce Filoquinona Verduras alho - Dificuldade na coagulação do Antihemorrágica Produzida pela flora sangue, já que a vitamina K participa da síntese da protrombina no fígado bacteriana intestinal Niacina ou Leite - ovos - carne - Pelagra: também conhecida por Antipelagrosa Ácido nicotínico fígado - verduras “doença dos três dês”; é ou Nicotinamida caracterizada por dermatite, diarréia e demência Feijão - soja - leite - carne Dermatite Antidermatítica Biotina - lêvedo de cerveja fígado

Tocoferol

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01 - (UFMG) Nos seres vivos, o radical essencialmente envolvido na transferência de energia é: a) carbonato b) cloreto c) fosfato d) nitrato e) sulfato

02 - (PUC/RS) - O polissacarídeo formado por unidades de glicose e que representa a principal forma de armazenamento intracelular de glicídeos nos animais é denominado: a) amido b) colesterol c) ergosterol d) volutina e) glicogênio

03 - (PUC-MG) - Com relação às enzimas, é CORRETO afirmar que: a) Como catalisadores, são necessárias em pequena quantidade. b) Aumentam a energia de ativação. c) Agem em qualquer pH. d) Não dependem da temperatura. e) São inespecíficas em relação ao substrato. 04 - (UEG) - O processo de duplicação do DNA recebe o nome de semi-conservativo, porque: a) as duas moléculas-filhas são iguais à molécula-mãe. b) uma molécula de DNA origina duas moléculas de DNA. c) a seqüência de bases de uma hemimolécula é complementar à seqüência de base da outra hemimolécula. d) em cada uma das moléculas-filhas, uma das hemimoléculas fazia parte da molécula-mãe. e) o DNA é formado por duas hemimoléculas complementares. 05 - (UFMG) - Em todas as alternativas, as associações entre uma carência de vitamina e uma doença estão corretas, EXCETO em: a) Vitamina A - cegueira noturna b) Vitamina C - baixa resistência a infecção c) Vitamina D - raquitismo d) Vitamina E - escorbuto e) Vitamina K - alteração da coagulação do sangue

II - ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO CELULAR
1 - SURGIMENTO DA CITOLOGIA
Para que a Citologia surgisse como Ciência, foi necessária a invenção de um tipo muito simples de microscópio, em 1590, pelos irmãos Jensen. Em 1665, Robert Hooke, cientista inglês, observou pela primeira vez células, utilizando um microscópio muito simples iluminado a vela. Hooke observava pedaços de cortiça ao microscópio e descreveu pequenas cavidades em seu interior que foram denominadas células (CELL = cela, em inglês). Na realidade, Robert Hooke observou a parede de celulose e o espaço vazio que era ocupado por cada célula quando viva, fato esse justificado por ser a cortiça um tecido vegetal morto, denominado súber. Em 1838, dois biólogos alemães, Schleiden e Schwann, observando a presença de células em tecidos animais e vegetais, anunciaram a TEORIA CELULAR,

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que diz que todos os seres vivos são constituídos por uma ou mais células. Sabemos que os vírus não são constituídos por células, mas esses organismos vivos só foram descritos no século XX. Em 1858, Virchow demonstrou que toda célula provém de outra pré-existente, o que explica melhor a

continuidade da vida. Em 1927, Brush inventou o microscópio eletrônico que, ao invés de luz, utiliza feixes de elétrons, permitindo ampliações superiores a 1.500 vezes. Com isso, a Citologia apresentou grandes avanços como ciência.

2 - ORGANIZAÇÃO CELULAR
Uma célula típica apresenta três partes fundamentais: membrana citoplasmática, citoplasma e núcleo. Em tipos diferentes de células, podemos encontrar algumas variações relacionadas a essas porções fundamentais. Quanto à organização, existem dois tipos celulares básicos: Célula Procariota e Célula Eucariota.

2.1 - Célula Procariota ou Protocélula
É o tipo mais simples quanto à organização. O que caracteriza uma célula procariota é a ausência de um núcleo verdadeiro. Essas células possuem uma estrutura dispersa no citoplasma denominada nucleóide ou núcleo difuso, que não é envolvido por uma membrana. As únicas organelas presentes no citoplasma desse tipo celular são os ribossomos, responsáveis pela síntese protéica. O citoplasma das células procariotas não apresenta organelas delimitadas por membrana. Em algumas células procariotas, a membrana citoplasmática sofre uma invaginação que penetra no citoplasma, formando o mesossomo. Acredita-se que o mesossomo contenha enzimas que participam do processo de respiração celular aeróbica. A forma das células procariotas é mantida pela presença de uma parede externa em relação à membrana citoplasmática, denominada parede celular. As células procariotas caracterizam os representantes do Reino Monera, que se denominam procariontes.

Ribossomos Núcleo Difuso (Nucleóide) Parede Celular Mesossomo Membrana Citoplasmática Citoplasma

Célula Procariota

2.2 - Célula Eucariota ou Eucélula
Apresenta um padrão de organização mais complexo em relação à célula procariota. O que caracteriza uma célula eucariota é a presença de um núcleo verdadeiro, isto é, delimitado por uma membrana denominada carioteca ou membrana nuclear. Esse nucléolo tipo celular apresenta grande quantidade núcleo de organelas delimitadas por membrana mitocôndrias no citoplasma, como podemos observar carioteca na figura ao lado. ergastoplasma As células eucariotas animais caracterizam todo o Reino Metazoa e alguns representantes do Reino Protista, enquanto as células eucariotas vegetais caracterizam todo o Reino Metaphyta e alguns representantes do Reino Protista. Organismos que apresentam células eucariotas são caracterizados como eucariontes.
ou retículo endoplasmático rugoso centríolo complexo de Golgi membrana citoplasmática suco nuclear retículo endoplasmático liso

ribossomos

lisossomos

Célula Eucariota Animal Biologia - M1

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parede celular

vacúolo tonoplasto retículo endoplasmático cloroplasto ribossomos membrana citoplasmática complexo de Golgi

suco nuclear carioteca nucléolo plasmodesmo

mitocôndrias

gotícula de lípide

Célula Eucariota Vegetal Nos próximos itens desse capítulo, será feito o estudo morfológico e funcional das partes fundamentais de uma célula: membrana citoplasmática, citoplasma e núcleo. Nas células eucariotas vegetais observamos, externamente à membrana citoplasmática, uma parede rígida com função protetora denominada parede celular.

3 - MEMBRANA CITOPLASMÁTICA
Também denominada membrana plasmática, membrana celular ou plasmalema, é a estrutura que envolve todos os tipos de células, protegendo-as e controlando as trocas metabólicas com o meio extracelular.

3.1 - Composição Química
A membrana citoplasmática é de constituição lipoprotéica. Os principais lípides encontrados são os fosfolípides e o colesterol, enquanto a principal proteína é a estromatina.

3.2 - Espessura
A espessura da membrana citoplasmática é muito pequena, oscilando entre 75 a 100 Ângstrons (1A = 10-10 m), não sendo visível ao microscópio óptico. A invenção do microscópio eletrônico permitiu a elucidação de aspectos muito importantes a respeito dessa membrana.

3.3 - Organização Molecular
A organização molecular da membrana citoplasmática ainda não está totalmente esclarecida. Na década de 50, Davson e Danielli propuseram um modelo que explicava como as moléculas de lípides e proteínas estariam dispostas na estrutura da membrana. Segundo esse modelo, a membrana seria constituída de uma camada central bimolecular de lípides recoberta por duas camadas externas monomoleculares de proteínas. A membrana apresentaria ainda poros permanentes.

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Esse arranjo trilaminar se estende a todas as outras estruturas membranosas celulares como núcleo, retículo endoplasmático, complexo de Golgi, mitocôndrias, cloroplastos, etc, sendo por isso denominado UNIDADE DE MEMBRANA.

Proteínas

Lípides Na década de 70, surgiu um novo modelo proposto por Singer e Nicolson que difere em alguns aspectos do modelo de Davson e Danielli. Segundo Singer e Nicolson, a membrana citoplasmática seria constituída de uma Proteínas dupla camada lipídica entre as quais estariam encaixadas as moléculas de proteínas. As proteínas ESTRUTURA DA MEMBRANA CITOPLASMÁTICA SEGUNDO não teriam posição fixa, e sim se deslocariam nessa DAVSON E DANIELLI. dupla camada lipídica. Com a mobilidade das proteínas, muitas substâncias podem entrar e sair da célula com mais facilidade, pois essas proteínas podem funcionar como poros funcionais. Esses poros surgem como resultado da movimentação das proteínas na dupla camada lipídica. O modelo de Singer e Nicolson é o mais aceito atualmente e é denominado modelo do mosaico fluido, já que a dupla camada lipídica seria fluida com um mosaico de proteínas encaixadas.

Lipídios Proteína ESTRUTURA DA MEMBRANA CITOPLASMÁTICA SEGUNDO SINGER E NICOLSON (MODELO DO MOSAICO FLUIDO) Enquanto a estrutura da membrana é determinada pelos lípides, a maioria das propriedades da membrana são determinadas pelas proteínas. Algumas proteínas atuam como carreadoras ou transportadoras de substâncias para dentro ou para fora da célula. Outras proteínas atuam como enzimas e outras como receptoras de membrana, reconhecendo substâncias próprias da célula ou vindas do meio extracelular.

3.4 - Propriedades
As principais propriedades da membrana citoplasmática são: a) Permeabilidade Seletiva: Consiste na capacidade da membrana em selecionar substâncias que devem entrar ou sair da célula. b) Porosidade: Apresenta poros diretamente relacionados com as trocas de muitas substâncias entre a célula e o meio extracelular. c) Elasticidade: A elasticidade se deve às proteínas da membrana, sendo importante para a manutenção da sua integridade. d) Regeneração: Desde que a lesão não seja muito extensa, a membrana pode se regenerar. e) Resistência Mecânica: Ocorre pelo fato de a membrana revestir e proteger o conteúdo celular. f) Alta Resistência Elétrica: Propriedade atribuída aos lípides pelo seu papel isolante.

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3.5 - Transportes através da Membrana
A célula necessita adquirir substâncias do meio e eliminar os resíduos do seu metabolismo. Assim, a membrana citoplasmática não isola completamente a célula do meio extracelular. Diversas substâncias entram e saem da célula atravessando a membrana. O transporte de substâncias através da membrana celular pode ser de dois tipos: passivo e ativo.

Transporte Passivo
Ocorre a favor de um gradiente de concentração e não exige gasto de energia pela célula. São conhecidas duas modalidades de transporte passivo: difusão e osmose. - DIFUSÃO Consiste em um fluxo de moléculas de um meio mais concentrado para um meio menos concentrado. No nível da membrana citoplasmática, a difusão representa a passagem de soluto de um meio hipertônico (mais concentrado) para um meio hipotônico (menos concentrado). Para que ocorra a difusão, a membrana deve ser permeável ao soluto em questão. Em geral, partículas menores se difundem mais rapidamente pela membrana. Observamos que monossacarídeos, aminoácidos e sais minerais iônicos apresentam maior velocidade de difusão, ao contrário das proteínas e polissacarídeos que necessitam ser capturados pela célula. Substâncias solúveis em lípides também atravessam a membrana com mais facilidade por difusão. É o caso do oxigênio, gás carbônico, álcoois e outras substâncias. Observe que as soluções I e II apresentam concentrações diferentes e foram separadas por uma membrana representada pela letra M. Percebe-se claramente que a solução II é hipertônica em relação à solução I, que é hipotônica. Admitindo ser a membrana M permeável à sacarose, ocorrerá difusão do soluto (sacarose) de II para I, até que se atinja a isotonia, ou seja, um estado de equilíbrio.
Difusão

Certas substâncias, como a glicose, são insolúveis em lípides e atravessam a membrana citoplasmática por um tipo especial de difusão denominado difusão facilitada. No processo de difusão facilitada, a substância a ser transportada associa-se a uma substância transportadora, formando um complexo solúvel em lípides. Ocorrida a difusão, a substância transportadora se desliga da substância transportada, estando apta a promover uma nova difusão facilitada. As substâncias transportadoras são proteínas denominadas permeases por aumentarem a permeabilidade da membrana celular, facilitando a difusão de algumas substâncias. A difusão facilitada não envolve gasto de energia, sendo considerada um tipo de transporte passivo. Assim, observamos que enquanto a difusão simples não envolve substâncias transportadoras, estas substâncias são imprescindíveis à ocorrência da difusão facilitada. - OSMOSE Consiste na difusão do solvente através de uma membrana semipermeável. Representa a passagem de solvente (em geral água) de um meio hipotônico (menos concentrado) para um meio hipertônico (mais concentrado). Observe que as soluções I e II apresentam concentrações diferentes e foram separadas por uma membrana representada pela letra M. Percebe-se claramente que a solução I é hipotônica em relação à solução II, que é hipertônica. O fluxo de água ocorrerá de I para II até que se atinja a isotonia.
Osmose

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Por definição, membrana semipermeável é aquela que permite a passagem de solvente, mas impede a passagem de soluto. Podemos perceber que a membrana citoplasmática não é uma membrana semipermeável perfeita, já que permite a passagem de água (solvente universal) e de soluto. No entanto, é importante perceber que a velocidade do fluxo de água por osmose é muito maior que a velocidade do fluxo de qualquer soluto. Células animais e vegetais colocadas em meio hipotônico ganham água por um processo denominado endosmose. Ao ganhar água do meio, a célula se torna túrgida, daí o termo turgescência aplicado a esse tipo de endosmose. Células animais podem sofrer lise (rompimento) em função da pressão da água exercida
Colocada em solução hipertônica, a célula perde muita água, Vacúolo tornando-se plasmolisada.

sobre a membrana citoplasmática, enquanto células vegetais não sofrem lise devido à resistência oferecida pela parede celular. Nesse último caso, a entrada de água força a parede celular para fora, de modo que a turgescência exerce uma força contrária cada vez maior à entrada de água. Células animais e vegetais colocadas em meio hipertônico perdem água por um processo denominado exosmose. Ao perder água para o meio, a célula se torna plasmolisada, daí o termo plasmólise aplicado a esse tipo de exosmose. Colocando-se uma célula plasmolisada em um meio hipotônico, ela ganha água do meio, tornando-se túrgida. Esse tipo de endosmose denomina-se deplasmólise.
Colocada em água pura ou em solução de pequena concentração, a célula recebe água tornando-se túrgida novamente. Célula túrgida

Célula túrgida

PLASMÓLISE Célula plasmolisada DEPLASMÓLISE

Plasmólise e Deplasmólise em células vegetais

Transporte Ativo
Ocorre contra um gradiente de concentração e exige gasto de energia pela célula. São conhecidas quatro modalidades de transporte ativo: fagocitose, pinocitose, clasmocitose e bomba de sódio e potássio. - FAGOCITOSE Consiste no englobamento de partículas sólidas volumosas pela célula. A célula emite expansões citoplasmáticas denominadas pseudópodos (gr: pseudo = falso; podos = pés) que englobam gradativamente o material do meio externo. Com o englobamento da partícula sólida, forma-se uma vesícula denominada fagossomo. O fagossomo é revestido por membrana lipoprotéica e contém a partícula englobada.
partícula sólida fagossomo

pseudópodes

Fagocitose

A fagocitose ocorre em alguns protozoários com finalidade alimentar e em macrófagos e leucócitos como mecanismo de defesa nos animais superiores. - PINOCITOSE Consiste no englobamento de partículas líquidas pela célula. Ocorre a formação de um sulco denominado canal de pinocitose, que recolhe o líquido que penetra no interior da célula. Com o englobamento da partícula líquida, forma-se uma vesícula denominada pinossomo. O pinossomo é revestido por membrana lipoprotéica e contém a partícula englobada. A pinocitose é utilizada pelas células para englobar proteínas do meio extracelular.
partícula líquida canal de pinocitose

pinossomo

Pinocitose

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- CLASMOCITOSE Consiste na eliminação de restos formados no interior da célula, daí esse processo ser também denominado defecação celular. Forma-se uma estrutura denominada corpo residual, que se funde à membrana citoplasmática, eliminando os restos para o meio extracelular. Enquanto fagocitose e pinocitose são tipos de endocitose, isto é, processos que promovem entrada de substâncias na célula, a clasmocitose é um tipo de exocitose, já que ocorre eliminação de substâncias do interior da célula. Clasmocitose

BOMBA DE SÓDIO E POTÁSSIO (BOMBA DE ÍONS)
De uma maneira geral, a concentração de íons sódio (Na+) é maior no meio extracelular, enquanto a concentração de íons potássio (K+) é maior no meio intracelular.

K

+

Na+

Célula
Célula

Na + Meio extracelular

K+

Assim, observamos que íons sódio entram na célula e íons potássio saem por difusão, já que passam, passivamente, de um meio mais concentrado para um meio menos concentrado. No entanto, não se atinge a isotonia entre os meios intra e extracelulares devido a um tipo de transporte ativo denominado bomba de sódio e potássio. A bomba de sódio e potássio consiste em um sistema carregador que bombeia íons contra um gradiente de concentração. Existem substâncias transportadoras que se associam ao sódio no meio intracelular e o transportam ativamente para o meio extracelular. Ao mesmo tempo, substâncias transportadoras se associam ao potássio no meio extracelular e o transportam ativamente para o meio intracelular. Assim, com a energia liberada na quebra de cada molécula de ATP, íons sódio são bombeados para fora e íons potássio são bombeados para dentro da célula.
Meio extracelular Meio intracelular Energia Na+ K+

Difusão Na+ K+

Difusão

Difusão e Bomba de íons

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Assim, temos: Entrada de Na+ na célula Saída de K+ da célula Saída de Na+ da célula Entrada de K+ na célula

} }

Transporte Passivo (Difusão) Transporte ativo (Bomba de íons)

3.6 - Especializações da Membrana
Em certos tipos de células, a membrana citoplasmática pode apresentar diferenciações relacionadas à fisiologia do tecido. São mais numerosas nos epitélios, mas podem estar presentes em outros tecidos. As principais especializações da membrana são:

- MICROVILOSIDADES
São evaginações digitiformes da membrana citoplasmática que aumentam a superfície de absorção do ápice das células. São muito numerosas nas células do intestino delgado.

- DESMOSSOMOS
São diferenciações laterais da membrana citoplasmática que apresentam material denso do lado interno de cada membrana, onde estão inseridos microtúbulos. Os desmossomos aumentam a aderência entre as células vizinhas. São muito freqüentes em células epiteliais.

- INTERDIGITAÇÕES
São diferenciações laterais da membrana citoplasmática constituídas por invaginações das membranas de células vizinhas. Essas dobras das membranas se encaixam umas nas outras aumentando a aderência entre as células. São muito freqüentes em células epiteliais.

- PREGAS BASAIS
São invaginações da membrana citoplasmática situadas na base de alguns tipos celulares. No nível das pregas basais, ocorre um transporte ativo muito intenso favorecido pela grande quantidade de mitocôndrias presentes nessa região. São muito freqüentes no epitélio renal.
Microvilosidades

Desmossomos

Interdigitações

Especializações da Membrana Citoplasmática

Pregas Basais e Microvilosidades em detalhe

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4 - PAREDE CELULAR
A parede celular representa um envoltório rígido que se localiza externamente à membrana citoplasmática, conferindo proteção e sustentação à célula. É uma estrutura típica de células procariotas e eucariotas vegetais. A substância mais abundante da parede celular é a celulose, que se deposita na parede, exercendo importante função estrutural. Em certos pontos desse revestimento não há depósito de celulose, determinando o aparecimento de pequenas interrupções (poros) denominadas plasmodesmos. Eles representam elos de ligações entre células vizinhas e possibilitam um maior intercâmbio de substâncias entre as células que se unem. As principais propriedades da parede celular são:

Parede celular

Lúmen Celular

Plasmodesmo

Parede Celular com Plasmodesmos

- Alta resistência, sendo rompida com dificuldade. - Permeabilidade, possibilitando a entrada e a saída de substâncias na célula.

5 - CITOPLASMA
É toda a região da célula compreendida entre a membrana citoplasmática e o núcleo. O citoplasma é dividido em duas porções:

5.1 - Hialoplasma ou Matriz Citoplasmática
É um colóide que preenche espaços no interior da célula. É dividido em ectoplasma e endoplasma. O ectoplasma é a porção que se localiza próximo à membrana celular, apresentando-se em estado GEL, mais viscoso. O endoplasma é a porção mais interna, apresentando-se em estado SOL, mais fluido. Os dois estados do colóide, GEL e SOL podem se interconverter, o que explica a emissão de pseudópodos por alguns tipos celulares. Essa interconversão dos estados do colóide denomina-se TIXOTROPISMO. O hialoplasma pode se movimentar na célula, criando uma corrente que distribui todo o conteúdo celular sem modificar a forma da célula por um processo conhecido como CICLOSE. No hialoplasma, encontram-se mergulhadas as organelas citoplasmáticas e as inclusões. As organelas representam estruturas que se destacam funcionalmente, enquanto as inclusões representam o material biologicamente inativo que se acumula no meio intracelular.

5.2 - Citoplasma Diferenciado
É representado pelas organelas citoplasmáticas e pelas inclusões.

5.2.1 - Organelas Citoplasmáticas - RIBOSSOMOS
Também denominados grânulos de Palade, são as únicas organelas presentes em todos os tipos celulares. São também as únicas organelas presentes em células procariotas. São constituídos por duas sub-unidades de RNA ribossômico (RNAr) e proteínas, sem membrana lipoprotéica envolvente.

Subunidades Ribossômicas Os ribossomos podem ser encontrados livres no hialoplasma, associados às membranas do retículo endoplasmático e ligados a uma fita de RNA mensageiro (RNAm). Nesse último caso, ocorre a formação dos polirribossomos ou polissomos. Os ribossomos realizam o processo de síntese de proteínas. Polirribossomo

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- RETÍCULO ENDOPLASMÁTICO
É um conjunto de cavidades intercomunicantes envolvidas por membrana lipoprotéica. Está presente em células eucariotas animais e vegetais e pode ser de dois tipos: liso ou agranular e rugoso ou granular. A diferença morfológica básica entre os dois tipos de retículo endoplasmático reside no fato de o retículo rugoso apresentar inúmeros ribossomos associados às suas membranas.

Ribossomos

Retículo Endoplasmático Liso a) Funções do Retículo Endoplasmático Liso

Retículo Endoplasmático Rugoso

- Armazenamento de substâncias no interior de suas cavidades. - Transporte de substâncias no interior da célula, auxiliando na circulação intracelular. Como as membranas do retículo endoplasmático comunicam-se com a membrana celular e com a carioteca (membrana nuclear), pode ocorrer transporte de substâncias envolvendo a célula e o meio extracelular. - Síntese de lípides, principalmente esteróides. Nas células das supra-renais e dos testículos, o retículo liso é muito desenvolvido. - Neutralização de substâncias tóxicas no interior da célula, agindo como desintoxicante. - Aumento da superfície interna da célula, facilitando reações enzimáticas. - Regulação da pressão osmótica já que o retículo liso retira substâncias do hialoplasma e as armazena em suas cavidades, modificando a concentração do suco celular e, conseqüentemente, sua pressão osmótica. b) Funções do Retículo Endoplasmático Rugoso Também denominado ergastoplasma, o retículo rugoso desempenha todas as funções do retículo liso, além de realizar a síntese de proteínas de exportação, como anticorpos e enzimas. É importante salientar que ribossomos que não se encontram associados às membranas do retículo sintetizam proteínas para consumo interno.

- COMPLEXO DE GOLGI
É um conjunto de sacos achatados (cisternas) e vesículas envolvidos por membrana lipoprotéica. Está presente em células eucariotas animais e vegetais mas, nestas últimas, encontra-se fragmentado, recebendo o nome de dictiossomo ou golgiossomo.

brotamento de vesículas

vesículas

sacos achatados

Complexo de Golgi

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a) Funções do Complexo de Golgi - Armazenamento e empacotamento de substâncias. Substâncias absorvidas ou produzidas pelo Complexo de Golgi são armazenadas no interior dos sacos achatados, sendo liberados para o citoplasma em “pacotes”, através do brotamento de vesículas. As vesículas liberadas contêm substâncias empacotadas pelo Golgi. Os ácinos pancreáticos são pequenas estruturas glandulares que secretam as enzimas do suco pancreático. Observe na figura ao lado que as células estão situadas ao redor de uma cavidade denominada luz ou lúmen. O que ocorre em cada uma dessas células é o empacotamento de enzimas secretadas pelo retículo rugoso, com brotamento de vesículas repletas dessas enzimas. Essas vesículas denominadas grãos de zimógeno, despejam o seu conteúdo na luz do ácino por processo de exocitose. - Síntese de polissacarídeos através da polimerização de monossacarídeos. O muco, produzido pelas células caliciformes do intestino, apresenta função lubrificante e protetora e é constituído por proteínas associadas a polissacarídeos. A parte protéica do muco é produzida no retículo endoplasmático rugoso, enquanto os polissacarídeos são produzidos no Golgi. As proteínas são empacotadas pelo Complexo de Golgi e se associam aos polissacarídeos produzidos nesse local. O material formado é liberado em vesículas de muco e lançado para o meio extracelular. - Formação do acrossomo do espermatozóide. O acrossomo é uma estrutura localizada na região anterior da cabeça do espermatozóide, formado a partir da fusão de vesículas do Complexo de Golgi. Em seu interior, encontram-se enzimas responsáveis pelo rompimento das membranas do gameta feminino para que ocorra a fecundação. - Formação da lamela média de pectina nas células vegetais. A lamela média é a primeira parede a aparecer entre duas células vegetais em divisão. - Formação de lisossomos primários, que são vesículas liberadas pelo Complexo de Golgi repletas de enzimas digestivas que atuarão no interior da célula, promovendo a digestão intracelular.
Os grânulos fundem-se, formando o acrossomo

Luz do ácino

Corte longitudinal de um Ácino Pancreático

Acrossomo Núcleo

Colo

Cauda

Espermatozóide

- LISOSSOMOS
São organelas citoplasmáticas repletas de enzimas digestivas revestidas por membrana lipoprotéica. São organelas típicas de células eucariotas animais e sua presença em células eucariotas vegetais é discutida. São conhecidos dois tipos de lisossomos: primário e secundário. Os lisossomos primários são formados pelo Complexo de Golgi através do empacotamento de enzimas digestivas, que são liberadas no hialoplasma, no interior de vesículas. Essas vesículas constituem os lisossomos primários. Os lisossomos secundários ou vacúolos digestivos são formados pela fusão do lisossomo primário com um fagossomo ou pinossomo. No interior do lisossomo secundário, ocorre a digestão intracelular do material absorvido e as substâncias aproveitáveis são distribuídas à célula. Após essa distribuição, o vacúolo digestivo repleto de restos metabólicos forma o corpo residual ou vacúolo residual, que se funde à membrana citoplasmática, liberando, por clasmocitose, os restos digestivos para o meio extracelular.

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A função dos lisossomos é realizar a digestão intracelular. Esta função se manifesta de duas maneiras: heterofagia e autofagia.
Corpo residual

A heterofagia é a digestão de substâncias que penetram na célula com posterior eliminação dos restos digestivos. A autofagia é a digestão das próprias estruturas celulares, que ocorre em casos de insuficiência nutricional e, em condições normais, para a renovação das organelas citoplasmáticas. Na autofagia, forma-se o autofagossomo ou vacúolo autofágico, que corresponde ao vacúolo digestivo. O fenômeno da autólise consiste na autodestruição celular gerada pela ruptura da membrana dos lisossomos com extravasamento das enzimas digestivas. Ocorre em alguns casos patológicos e, em condições normais, durante a reabsorção da cauda dos girinos no processo de metamorfose.

Fagossomo

Lisossomo I

II mo sso Golgi Liso

Autofagossomo

RER

Lisossomo e Digestão Intracelular

- MITOCÔNDRIAS
São organelas citoplasmáticas presentes em células eucariotas membrana externa animais e vegetais, aparecendo em grande quantidade em membrana interna células que apresentam atividade metabólica intensa. matriz cristas Observadas ao microscópio eletrônico, as mitocôndrias revelam a presença de duas membranas lipoprotéicas denominadas membrana externa e membrana interna. Essa última sofre inúmeras invaginações, formando as cristas mitocondriais, onde encontramos inúmeras estruturas protéicas denominadas partículas elementares internas, nas quais acontece uma das etapas do processo de respiração Ultra-estrutura de uma Mitocôndria celular aeróbia, denominada cadeia respiratória. A membrana interna e as cristas delimitam a matriz mitocondrial, onde ocorre outra etapa do processo de respiração celular aeróbia, denominada Ciclo de Krebs. A composição química da matriz mitocondrial é muito variada, incluindo água, sais minerais, carboidratos, proteínas, enzimas, lípides, DNA, RNA, ATP, ADP, entre outros. A presença de DNA na matriz mitocondrial justifica a capacidade de autoduplicação dessas organelas citoplasmáticas. Na matriz, encontramos, ainda, inúmeros ribossomos que sintetizam proteínas para consumo interno na mitocôndria. O conjunto de mitocôndrias de uma célula é denominado condrioma e essas organelas têm como principal função servir de sede para a realização da maior parte do processo de respiração celular aeróbia. Através desse processo ocorre liberação de energia, que será utilizada na atividade metabólica celular.

- PLASTOS
Também denominados plastídeos, são organelas citoplasmáticas exclusivas de células eucariotas vegetais. Os plastos são classificados, de acordo com a coloração, em leucoplastos e cromoplastos. LEUCOPLASTOS Incolores Ausentes Armazenamento de Substâncias Amiloplastos Oleoplastos Proteoplastos CROMOPLASTOS Coloridos Presentes Fotossíntese Xantoplastos - (amarelos) Eritroplastos - (vermelhos) Cloroplastos - (verdes)

COLORAÇÃO PIGMENTOS FUNÇÃO PRINCIPAIS TIPOS

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A nomenclatura utilizada para os tipos de leucoplastos é dada em função das substâncias armazenadas em seu interior, enquanto que para os cromoplastos, a nomenclatura é dada de acordo com o pigmento predominante. Assim, temos: Leucoplastos Amiloplastos - armazenam amido Oleoplastos - armazenam óleos Proteoplastos - armazenam proteínas Xantoplastos - predomina a xantofila Eritroplastos - predomina a ficoeritrina Cloroplastos - predomina a clorofila

Cromoplastos

Os cloroplastos serão estudados separadamente devido à sua grande importância. Observados ao microscópio eletrônico, os cloroplastos revelam a presença de duas membranas lipoprotéicas, denominadas membrana externa e membrana interna. Essa última sofre invaginações, formando lamelas que apresentam uma série de discos denominados tilacóides. No interior dos tilacóides, encontramos pigmentos que absorvem a energia luminosa para a realização da fotossíntese. Entre os pigmentos encontramos carotenos, xantofilas, ficoeritrina e clorofila, com nítida predominância desse último. Os tilacóides se organizam em pilhas localizadas na matriz, que recebe o nome de estroma. Cada pilha de tilacóides é chamada granum, enquanto o conjunto de todas essas pilhas denominase grana. A composição química do estroma é muito semelhante ao que observamos na matriz mitocondrial. A presença de DNA no estroma justifica a capacidade de autoduplicação dos cloroplastos, enquanto que os ribossomos aí situados sintetizam proteínas para consumo no interior dessas organelas.
Membrana Externa Membrana Interna Tilacóide Granum Lamela Estroma H2O Estroma Lamela O2 Granum Luz CO2 GLICOSE

Ultra-estrutura de um Cloroplasto

Esquema de um Cloroplasto

A função dos cloroplastos é realizar a fotossíntese. Através desse processo, os organismos clorofilados convertem a energia luminosa em energia química armazenada nos compostos orgânicos produzidos.

- CENTRÍOLOS
São organelas citoplasmáticas exclusivas de células eucariotas animais. Normalmente uma célula apresenta um par de centríolos dispostos mais ou menos perpendicularmente um em relação ao outro, formando um diplossomo. Os centríolos são constituídos por nove trincas de microtúbulos protéicos dispostos em círculo, sem membrana lipoprotéica envolvente. Trinca de microtúbulos
protéicos microtúbulo protéico

Centríolos

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Os centríolos orientam a divisão celular, além de formar cílios e flagelos, estruturas contráteis que possibilitam o movimento. A estrutura interna dos cílios e flagelos revela a existência de nove pares de microtúbulos protéicos dispostos em círculo, envolvendo um par central. Na base dos cílios e flagelos, encontramos o centríolo que originou tais estruturas, denominado corpúsculo basal. Os microtúbulos formadores dos cílios e flagelos são envolvidos por um prolongamento da membrana citoplasmática. CÍLIOS CARACTERIZAÇÃO MOVIMENTO OCORRÊNCIA Curtos e numerosos Vibrátil Certos protozoários, epitélio da traquéia e das tubas uterinas FLAGELOS Longos e pouco numerosos Ondulatório Certos protozoários, espermatozóides, coanócitos dos poríferos

membrana plasmática

microtúbulos

corpúsculo basal (centríolo)

Estrutura dos Cílios e Flagelos

Epitélio Ciliado da Traquéia

Protozoário Flagelado

Protozoário Ciliado

As funções atribuídas a cílios e flagelos são basicamente as mesmas, ou seja: - Locomoção - Cílios e flagelos de certos protozoários e o flagelo do espermatozóide. - Transporte de Partículas - O epitélio ciliado das vias respiratórias e tubas uterinas. - Nutrição - Os coanócitos são células flageladas dos poríferos que, além de criar um fluxo de água no interior do corpo do animal, capturam o alimento com ajuda do flagelo e iniciam a digestão intracelular.

- VACÚOLOS
São cavidades existentes no citoplasma revestidas por membrana lipoprotéica. Os tipos mais comuns de vacúolos são: a) Vacúolos de Armazenamento: São organelas típicas de células eucariotas vegetais, capazes de armazenar substâncias em seu interior. Em células jovens, os vacúolos são numerosos e pequenos. Com o amadurecimento da célula, os vacúolos se reúnem, formando uma cavidade ampla que ocupa quase toda a extensão da célula, deslocando núcleo e citoplasma para a periferia. A membrana lipoprotéica do vacúolo de armazenamento é denominada tonoplasto.
Citoplasma com orgânulos Vacúolo

Vacúolo

Citoplasma com orgânulos

(a)

(b)

(c)

Em “a”, temos uma célula vegetal que passa por um processo de desenvolvimento em “b” até tornar-se adulta em “c”.

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b) Vacúolos Digestivos: Também denominados lisossomos secundários, são organelas citoplasmáticas típicas de células eucariotas animais que realizam a digestão intracelular. São formados a partir da fusão dos lisossomos primários com fagossomos ou pinossomos. c) Vacúolos Contráteis: Também denominados vacúolos pulsáteis, são organelas citoplasmáticas típicas de protozoários de água doce. A célula dos protozoários de água doce é hipertônica em relação ao meio, ocorrendo, assim, entrada de água na célula, por osmose. Os vacúolos contráteis contraem-se ritmicamente, eliminando o excesso de água da célula. Excretas da célula solúveis em água são eliminados a partir das contrações dessas organelas.
cílio vacúolo contrátil macronúcleo

vacúolo digestivo micronúcleo

formação do vacúolo digestivo

Paramécio (protozoário de água doce) evidenciando vacúolo contrátil e vacúolo digestivo

6 - SÍNTESE PROTÉICA
A síntese de proteínas no meio intracelular ocorre no interior dos ribossomos, onde as ligações peptídicas são formadas unindo os aminoácidos. Moléculas de DNA comandam todo o funcionamento da célula, incluindo a síntese protéica. A seqüência de bases nitrogenadas do DNA condiciona a seqüência de bases nitrogenadas do RNA e esta condiciona a seqüência de aminoácidos da proteína. Três tipos de RNA estão relacionados com o processo de síntese protéica. São eles: - RNA mensageiro - RNAm - seu papel na síntese é levar uma mensagem genética do DNA que o formou ao citoplasma, para que a proteína possa ser sintetizada. - RNA transportador - RNAt também denominado RNA solúvel, captura e transporta aminoácidos até os ribossomos, para que a proteína possa ser sintetizada. Cada RNAt é específico em relação ao aminoácido transportado. - RNA ribossômico - RNAr - Apresenta função estrutural, já que faz parte da estrutura dos ribossomos. Os três tipos de RNA são formados no interior do núcleo por um processo denominado transcrição, já estudado no capítulo Bioquímica Celular. Uma vez formadas, as moléculas de RNA migram para o citoplasma, onde exercem suas funções. Cada aminoácido que constitui uma proteína é codificado por uma seqüência de três bases nitrogenadas do DNA, denominada CÓDIGO GENÉTICO. O código genético determina o tipo e a seqüência dos aminoácidos formadores da proteína. Assim, podemos concluir: 3 Bases Nitrogenadas do DNA 1 Aminoácido

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Para facilitar o estudo, o mecanismo de síntese protéica será dividido em etapas, que são: 1ª etapa: O DNA forma o RNAm no interior do núcleo por TRANSCRIÇÃO. O RNAm formado migra para o citoplasma, levando uma mensagem genética do DNA que o formou, para a síntese da proteína. 2ª etapa: No citoplasma, o RNAm se associa a ribossomos, formando os polirribossomos ou polissomos. Cada conjunto de três bases nitrogenadas (Triplet) do RNAm é denominado códon e na formação do polissomo cada ribossomo abrange dois códons. 3ª etapa: Cada RNAt combina-se a um aminoácido e o transporta até um ribossomo. À medida que se estabelecem as ligações peptídicas, a proteína vai sendo formada. Em uma das extremidades do RNAt, existe uma seqüência de três bases nitrogenadas, denominada anticódon, que se liga a três bases nitrogenadas que constituem o códon do RNAm associado aos ribossomos, da seguinte maneira: RNAm ____________________________ RNAt A G C U _______________________________ _______________________________ _______________________________ _______________________________ U C G A

As quatro bases nitrogenadas citadas estarão arranjadas três a três. Cada aminoácido é transportado por um RNAt específico. Ao transportar aminoácidos até os ribossomos, os anticódons das moléculas de RNAt se unem aos códons complementares do RNAm, sendo esse processo denominado TRADUÇÃO. A tradução é a capacidade do RNAm em reconhecer o aminoácido para que a proteína seja formada. O processo de síntese protéica consome energia na forma de ATP e pode ser assim resumido:

Os ribossomos vão se deslocando sobre o RNAm e, dessa maneira, novos aminoácidos vão sendo incorporados. Ao ocorrer a tradução do último códon, o ribossomo se desprende do RNAm. Quanto maior o número de códons percorridos pelo ribossomo, maior o número de aminoácidos formadores da proteína. Observe na tabela e na figura a seguir um exemplo de como funciona o código genético. Observe ainda que um aminoácido pode apresentar um ou mais códons, de modo que uma modificação do código genético nem sempre provoca a síntese de uma proteína diferente. Código no DNA AAA AAC, GAG CAA CCG, CCT CTT GTA TGT AGG GGG TCT, TCC Código no RNA UUU UUG, CUC GUU GGC, GGA GAA CAU ACA UCC CCC AGA, AGG Aminoácido Fenilalanina Leucina Valina Glicina Ácido glutâmico Histidina Treonina Serina Prolina Arginina Abreviação do aminoácido (Phe) (Leu) (Val) (Gly) (Glu) (His) (Thr) (Ser) (Pro) (Arg)

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Etapas do processo de síntese de uma proteína. (Coluna da esquerda) À medida que o ribossomo se desloca sobre o RNA mensageiro (estágios A a E), vão sendo encaixados os aminoácidos e a proteína vai crescendo. Os RNA transportadores não foram representados. (Coluna da direita) Esquema que mostra a correspondência entre os códons do RNAm e os anticódons do RNAt no processo de síntese de proteínas.

Com base na tabela anterior, podemos dizer que uma molécula de DNA com a seguinte seqüência de bases nitrogenadas na hélice ativa AGG CAA GGG CCT GTA TGT CCG produzirá um polipeptídio com a seguinte seqüência de aminoácidos:
Ser Val Pro Gly His Thr Gly

7 - FOTOSSÍNTESE
É o processo de transformação da energia luminosa em energia química, armazenada nos compostos altamente energéticos produzidos. Os organismos clorofilados utilizando gás carbônico, água e luz produzem o seu próprio alimento e liberam o oxigênio para o meio ambiente. A equação geral simplificada da fotossíntese pode ser assim representada: Luz Clorofila Enzimas Os organismos capazes de produzir o seu próprio alimento através da fotossíntese são denominados autótrofos fotossintetizantes. Os representantes do reino Metaphyta e alguns indivíduos dos reinos Monera e Protista são clorofilados e, assim, autótrofos fosossintetizantes. No entanto, alguns organismos autótofos produzem o seu próprio alimento utilizando energia liberada em reações de oxidação de substâncias inorgânicas. Esse processo não depende da luz e é denominado quimiossíntese, sendo realizado por algumas bactérias classificadas como autótrofas quimiossintetizantes.

6 CO2 + 6 H2O

C6H12O6 + 6O2

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7.1 - Absorção de Luz
A clorofila é um pigmento verde capaz de absorver a energia luminosa, propiciando a ocorrência da fotossíntese. A luz é uma forma de energia composta por vários comprimentos de onda. O olho humano só consegue distinguir comprimentos de onda situados entre 390 e 760 mµ, que compõem a luz visível ou luz branca. Ao passar por um prisma óptico, a luz branca se divide em vários comprimentos de onda com cores características.
10 ULTRA VIOLETA 390 760 LUZ VISÍVEL INFRA VERMELHO 100 000(mµ)

PRISMA

Violeta 390 430

Anil 470

Azul 500

Verde

Amarelo 560

Laranja 650

Vermelho 760(mµ)

600
Veloc. da fotossíntese

Vários pigmentos diferentes estão presentes nas células dos organismos fotossintetizantes. Cada pigmento absorve certos comprimentos de onda refletindo aqueles que não são absorvidos. A cor de um pigmento é determinada pelo comprimento de onda refletido. Assim, podemos concluir que a clorofila é verde por refletir os comprimentos de onda da luz verde. Pigmentos como caroteno, fucoxantina, ficoeritrina e xantofila estão presentes no interior das células de organismos fotossintetizantes. No entanto, observamos que nos vegetais superiores os pigmentos mais importantes são as clorofilas a e b.

Vermelho

700

Amarelo

600
Laranja

500
Verde Azul

400 Comprimentos de
Violeta
onda da luz

Espectro de Ação Fotossintética

Pelo espectro representado, podemos perceber que a taxa de fotossíntese é maior quando o vegetal é iluminado pelas luzes vermelha e azul. As clorofilas a e b praticamente não absorvem os comprimentos de onda das luzes amarela e verde, ocorrendo, assim, uma menor velocidade da fotossíntese. Em células procariotas fotossintetizantes (cianofíceas e algumas bactérias), a clorofila se encontra dispersa no hialoplasma, enquanto que em células eucariotas vegetais ela se localiza no interior dos tilacóides dos cloroplastos.

7.2 - Origem do Oxigênio
Em 1941, alguns experimentos realizados demonstraram que todo o oxigênio liberado na fotossíntese provém da água e não do gás carbônico. Os experimentos utilizaram a alga verde Chlorella, que foi exposta à água marcada com um isótopo radioativo do oxigênio. Observou-se que todo o oxigênio liberado na fotossíntese estava marcado radiativamente e o carboidrato formado nunca continha oxigênio radioativo. No entanto, fornecendo à alga gás carbônico marcado com oxigênio radioativo, observava-se que todo ele aparecia no carboidrato e nunca no oxigênio liberado. Pela equação geral simplificada da fotossíntese já citada, não podemos concluir o fato justificado acima. Assim, a equação geral da fotossíntese pode ser assim representada: Luz Clorofila Enzimas

6 CO2 + 12 H2O

C6H12O6 + 6O2 + 6H2O

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7.3 - Fases da Fotossíntese
A fotossíntese ocorre em duas etapas: a fase clara e a fase escura.

- FASE CLARA
Também denominada fase fotoquímica ou iluminada, depende diretamente da luz, ocorrendo no interior dos tilacóides do cloroplasto. As clorofilas a e b tornam-se excitadas ao absorverem a luz e liberam elétrons que buscam níveis energéticos mais elevados. Os elétrons liberados, ricos em energia, podem seguir dois trajetos possíveis. De acordo com o trajeto seguido por esses elétrons, a fase clara pode ser dividida em duas sub-fases: fotofostorilação cíclica e fotofosforilação acíclica.

FOTOFOSFORILAÇÃO CÍCLICA
Ferrodoxina

ADP ATP Elétron

A clorofila é excitada pela luz e perde um de seus elétrons, que vai adquirindo energia. Esse elétron é capturado por um transportador de elétrons, a ferrodoxina, e segue por uma cadeia transportadora formada também pela plastoquinona e pelos citocromos, retornando à clorofila que o liberou. A energia adquirida pelo elétron vai sendo perdida à medida que ele passa pela cadeia transportadora de elétrons, sendo utilizada para a formação de ATP que será utilizado na fase escura.

Plastoquinona Elétron ADP ATP Citocromos Clorofila Luz

FOTOFOSFORILAÇÃO ACÍCLICA
As clorofilas a e b participam desse processo que leva à produção de ATP por um trajeto acíclico dos elétrons que não retornam às clorofilas. O esquema abaixo mostra que os elétrons perdidos pela clorofila a são repostos pela clorofila b, enquanto a reposição dos elétrons perdidos pela clorofila b é feita através da fotólise da água.

Fotofosforilação Cíclica

Plastoquinona
– –

Citocromos

(Fotólise da água)
– – –

Fotofosforilação Acíclica

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A fotólise da água ou reação de Hill está associada à fotofosforilação acíclica e consiste na quebra de moléculas de água sob ação da energia da luz. O transportador de elétrons NADP recebe dois elétrons (2e–) da clorofila e dois prótons (2H+) provenientes da fotólise da água, equilibrando-se como NADPH2. No trajeto dos elétrons entre as clorofilas, ocorre produção de ATP que, juntamente com o NADPH2, será utilizado na fase escura. A observação da fotólise da água no esquema permite concluir que ocorre formação de água e liberação de oxigênio para o meio. Quimicamente, oxidação representa perda de elétrons, enquanto redução é o ganho de elétrons. Assim, na fotofosforilação acíclica, a clorofila b reduz a clorofila a, e a água reduz a clorofila b.

- FASE ESCURA
Também denominada fase enzimática, fixação de CO2, ciclo das pentoses, ciclo de Calvin e fase química, não depende diretamente da luz, ocorrendo no interior do estroma do cloroplasto. Em células procariotas, as duas fases ocorrem no hialoplasma. A ribulose difosfato (RDP) é um monossacarídeo presente no estroma do cloroplasto. Esse composto apresenta cinco átomos de carbono e reage com o CO2, formando a hexose difosfato (HDP), que apresenta seis átomos de carbono. A hexose difosfato é muito instável quimicamente e logo é hidrolisada em duas moléculas de ácido fosfoglicérico (PGA), considerado o primeiro composto estável da fotossíntese. Cada molécula de ácido fosfoglicérico recebe um radical fosfato proveniente do ATP, formando ácido difosfoglicérico (DPGA). Cada molécula de ácido difosfoglicérico recebe hidrogênios provenientes do NADPH2 e perde fosfato para o meio, formando fosfogliceraldeído ou aldeído fosfoglicérico (DPGA). As duas moléculas de aldeído se reúnem, formando uma molécula de glicose. Algumas moléculas de fosfogliceraldeído podem realimentar a fonte de glicose através de uma via metabólica alternativa que origina ribuloses difosfato.

2ATP 2ATP Ácido Difosfoglicérico 2NADPH2 2 2NADP

Fase Escura

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Assim, observamos que, na fase escura, o CO2 é reduzido a glicose pelo NADPH2 e pelo ATP.
2ATP CO2 2NADPH2 2ADP C6H12O6 2NADP

Esquema de um Cloroplasto com representação das Fases Clara e Escura ADP

NADP Relação entre as Fases Clara e Escura da Fotossíntese

7.4 - Fatores Limitantes da Fotossíntese
Os três fatores que influem diretamente na realização da fotossíntese são: intensidade luminosa, concentração de CO2 e temperatura.

INTENSIDADE LUMINOSA
Com o aumento da intensidade luminosa, a velocidade da fotossíntese tende a aumentar, desde que existam moléculas ativas de clorofila. Atingindo o ponto de saturação luminosa, a velocidade da fotossíntese tende a se estabilizar.

Velocidade da Fotossíntese

Intensidade Luminosa

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CONCENTRAÇÃO DE CO2
Com o aumento da concentração de CO2, a velocidade da fotossíntese tende a aumentar, desde que existam moléculas ativas de ribulose difosfato. A partir de determinada concentração de CO2, a velocidade da fotossíntese tende a se estabilizar.
Velocidade da Fotossíntese

Concentração de CO2

TEMPERATURA
Com o aumento da temperatura, a velocidade da fotossíntese tende a aumentar, já que ocorre um aumento na velocidade das reações químicas da fase escura. O aumento da temperatura tem pouca influência na fase clara, já que as reações dessa fase são fotoquímicas. A partir de determinada temperatura, a velocidade da fotossíntese diminui devido à desnaturação das enzimas que catalisam as reações de escuro.

Velocidade da Fotossíntese

Temperatura 10° 20° 40° 50° 60°

8 - RESPIRAÇÃO CELULAR
É o processo bioquímico através do qual as células obtêm a energia necessária à vida. Em geral, a respiração celular é representada através da quebra da glicose, que apresenta grande função energética. A energia é liberada na forma de ATP, que, ao perder um radical fosfato, libera aproximadamente 8.000 calorias, formando ADP.

Se a respiração celular não utilizar o oxigênio, teremos a respiração celular anaeróbia ou fermentação. Se o processo utilizar o oxigênio, teremos a respiração celular aeróbia.

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8.1 - Respiração Celular Anaeróbia ou Fermentação
Consiste na degradação da glicose sem utilizar o oxigênio. Os produtos finais da fermentação ainda são muito energéticos, já que a degradação da glicose é incompleta. Através da fermentação, cada molécula de glicose forma duas moléculas de ácido pirúvico, que podem originar outros compostos. A fermentação consiste, então, em uma glicólise, que ocorre no hialoplasma, produzindo 4 ATP e consumindo 2 ATP para ativar a glicose, resultando em um saldo energético de 2 ATP. De acordo com os compostos formados pelas moléculas de ácido pirúvico, a fermentação pode ser de dois tipos principais: fermentação lática e fermentação alcoólica.

FERMENTAÇÃO LÁTICA
Cada molécula de ácido pirúvico forma uma molécula de ácido lático. Ocorre a utilização de hidrogênios transportados pelo NAD (transportador de hidrogênio) para formação do ácido lático.

A fermentação lática é realizada por alguns microrganismos e por células do tecido muscular. As bactérias denominadas lactobacilos são utilizadas na produção de iogurtes, queijos e coalhadas, já que sua fermentação forma o ácido lático que promove o azedamento do leite. Nos nossos músculos, pode ocorrer fermentação lática quando a atividade física é muito intensa com insuficiência de oxigênio para manter a respiração aeróbica. Nessa condição, as células musculares geram energia através da glicólise sem usar o oxigênio, por fermentação lática. O acúmulo de ácido lático nos músculos provoca a fadiga muscular. Observe que na fermentação lática não há descarboxilação do ácido pirúvico e não ocorre formação do gás carbônico.

FERMENTAÇÃO ALCOÓLICA
Cada molécula de ácido pirúvico forma uma molécula de álcool etílico (etanol) e uma de gás carbônico. Ocorre a utilização de hidrogênios transportados pelo NAD (transportador de hidrogênio) para formação do álcool etílico.

A fermentação alcoólica é realizada por algumas bactérias e alguns fungos (leveduras). Entre as leveduras, merece destaque o Saccharomyces cerevisiae (lêvedo de cerveja) que permite a fabricação da cerveja. O crescimento da massa de pães e bolos se deve ao gás carbônico produzido através da fermentação, onde se utilizam tabletes de fermento (Saccharomyces). Observe que na fermentação alcoólica há descarboxilação do ácido pirúvico, com formação de gás carbônico. Resumidamente, temos: • Fermentação Lática

Glicose

2 Ácido pirúvico

2 Ácido lático + 2 ATP

• Fermentação Alcoólica

Glicose

2 Ácido pirúvico

2 Álcoól etílico + 2 ATP + 2 CO2

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8.2 - Respiração Celular Aeróbia
Consiste na degradação total da glicose utilizando o oxigênio. Ocorre produção de grande quantidade de energia na forma de ATP. Podemos representar a respiração celular aeróbia através da seguinte equação geral: C6H12O6 + 6O2
Enzimas

6CO2 + 6H2O + 38ATP

São produzidos 40 ATP, havendo um consumo de dois ATP e resultando em um saldo energético de 38 ATP. A respiração celular aeróbia é dividida em três fases: - Glicólise - ocorre no hialoplasma - Ciclo de Krebs - ocorre na matriz mitocondrial - Cadeia respiratória - ocorre nas cristas mitocondriais
membrana interna crista mitocondrial matriz mitocondrial

membrana externa

Morfologia de uma Mitocôndria

GLICÓLISE
É a quebra da glicose em duas moléculas de ácido pirúvico. Ocorre no hialoplasma, representando um fenômeno anaeróbio, embora a respiração seja aeróbia.
2ADP Glicose (6C) 2NAD 2 NADH2 Ácido pirúvico (3C)

Assim como na respiração anaeróbia, ocorre a produção de 4 ATP e consumo de 2 ATP para ativar a glicose, resultando em um saldo energético de 2 ATP. Formam-se duas moléculas de NADH2 que transportam hidrogênio até as cristas mitocondriais, onde o oxigênio representa o aceptor final de hidrogênios, formando água. Os 4 ATP são produzidos por fosforilação do substrato (ADP + PO≡4 ® ATP).

2ATP Ácido pirúvico (3C)

O esquema não representa os 2 ATP utilizados na ativação da glicose.

CICLO DE KREBS
Também denominado ciclo do ácido cítrico ou ciclo do ácido tricarboxílico, ocorre na matriz mitocondrial. Ao penetrar na matriz mitocondrial, cada molécula de ácido pirúvico (3C) transforma-se em uma molécula de ácido acético (2C), havendo liberação de gás carbônico e hidrogênios. Estes últimos são capturados pelo NAD, formando NADH2, que transporta os hidrogênios até as cristas mitocondriais. Cada molécula de ácido acético combina-se com a coenzima A, formando um composto denominado acetil coenzima A (acetil Co-A), que reage com o ácido oxalacético iniciando o ciclo de Krebs, liberando a coenzima A. O ciclo de Krebs envolve um conjunto complexo de reações químicas que regeneram o ácido oxalacético, liberando gás carbônico, hidrogênios e ATP. Os hidrogênios liberados são transportados pelos transportadores NAD (Nicotinamida adenina dinucleotídeo) e FAD (Flavina adenina dinucleotídeo) até as cristas mitocondriais. Biologia - M1

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ITAPECURSOS

Como são formadas duas moléculas de ácido pirúvico por molécula de glicose, ocorrem dois ciclos de Krebs. Em cada ciclo observamos que: - 3 NAD se reduzem a 3 NADH2 - 1 FAD se reduz a 1 FADH2 - ocorre a produção de 1 ATP por fosforilação do substrato (ADP + PO≡4 ® ATP)

1 - Liberação de CO2 e de NADH 2, formando um composto de 2C.

2 - O ácido acético recebe a coenzima A, formando Acetil CoA.

3 - O Acetil CoA combina-se com um composto de 4C e libera a coenzima A.

Observe que o processo foi representado com apenas uma molécula de ácido pirúvico. No ciclo de Krebs, ocorre produção de 2 ATP por fosforilação do substrato (1 ATP para cada ciclo de Krebs).

CADEIRA RESPIRATÓRIA
Também denominada fosforilação oxidativa, ocorre nas cristas mitocondriais no nível das partículas elementares internas. Os hidrogênios retirados nas reações já descritas e presentes nas moléculas de NADH2 e FADH2 são transportados até o oxigênio presente nas cristas mitocondriais, formando água. Assim, o oxigênio representa o aceptor final de hidrogênios na cadeia respiratória.

A Cadeia Respiratória

O– –

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ITAPECURSOS

Observe pela figura que um NADH2 pode iniciar a cadeia respiratória cedendo dois átomos de hidrogênios ao FAD, que se reduz a FADH2. Nessa etapa, ocorre liberação de energia suficiente para formação de 1 ATP. A partir do FADH2, apenas os dois elétrons dos hidrogênios são cedidos para uma cadeia de citocromos (transportadores de elétrons), sobrando dois prótons H+. Ao passar de um citocromo a outro, os elétrons liberam energia suficiente para a formação de mais 2 ATP. No final da cadeia, os elétrons são captados pelo oxigênio (1/2 O2), que reduz a O– –. Os 2 H+ se combinam com O– –, formando água. A cadeia respiratória representa o principal mecanismo gerador de ATP. Pela observação da figura e da descrição anterior, podemos perceber que cada NADH2 permite a formação de 3 ATP na cadeia respiratória. No entanto, se a cadeia inicia-se pelo FADH2, haverá formação de apenas 2 ATP. Na cadeia respiratória, ocorre a participação de 10 moléculas de NAD que se reduzem a NADH2, permitindo a formação de 30 ATP, e duas moléculas de FAD, que se reduzem a FADH2, permitindo a formação de mais 4 ATP. Assim, no final da cadeia respiratória, há formação de 34 ATP. Como são formados 4 ATP na glicólise (com saldo de 2 ATP) e 2 ATP no ciclo de Krebs, a respiração celular aeróbia leva à produção de 40 ATP. O saldo final é de 38 ATP, já que são gastos 2 ATP para ativar a glicose na primeira fase do processo, que é a glicólise. Tente observar no esquema a seguir o saldo energético de 38 ATP. Já foram descontados os 2 ATP utilizados na ativação da glicose e o processo foi representado a partir de apenas uma molécula de ácido pirúvico.

Integração das Etapas da Respiração Celular Aeróbia Biologia - M1

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ITAPECURSOS

Em células procariotas, glicólise e ciclo de Krebs ocorrem no hialoplasma, enquanto a cadeia respiratória ocorre na membrana citoplasmática. As bactérias aeróbias apresentam uma invaginação da membrana citoplasmática denominada mesossomo, onde ocorre a cadeia respiratória (fosforilação oxidativa). BALANCEAMENTO ENERGÉTICO DA RESPIRAÇÃO CELULAR AERÓBIA FORMAÇÃO DE ATP POR FOSFORILAÇÃO DO SUBSTRATO - Glicólise - Ciclo de Krebs TOTAL - 4 ATP - 2 ATP - 6 ATP

FORMAÇÃO DE ATP POR FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA - Glicólise - Na produção de ácido acético a partir de ácido pirúvico - Ciclo de Krebs - 2 NADH2 - 2 NADH2 6 ATP 6ATP

- 6 NADH2 ______ 18 ATP - 2 FADH2 ______ 4 ATP

TOTAL

34 ATP

8.3 - Relação Entre Respiração Celular Aeróbia e Fotossíntese
Respiração celular aeróbia e fotossíntese são processos antagônicos, já que cada um desses processos utiliza como reagente o que o outro produz. As equações representadas facilitam o entendimento. RESPIRAÇÃO CELULAR AERÓBIA FOTOSSÍNTESE C6H12O6 + 6O2 ® 6CO2 + 6H2O 6CO2 + 6H2O ® C6H12O6 + 6O2

Denomina-se ponto de compensação fótico, a intensidade luminosa em que a atividade fotossintetizante é igual à atividade respiratória. Isso significa que, nesse ponto, o vegetal consome na fotossíntese uma quantidade de CO2 equivalente à liberada pela respiração ou que consome na respiração uma quantidade de O2 equivalente à produzida na fotossíntese. O ponto B corresponde ao ponto de compensação fótico e podemos perceber que, no intervalo AB, o vegetal encontra-se abaixo do ponto de compensação, já que a taxa de fotossíntese é menor que a de respiração. A partir do ponto B, o vegetal encontrase acima do ponto de compensação, já que a taxa de fotossíntese é maior que a de respiração.

Ponto de compensação fótico

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ITAPECURSOS

9 - NÚCLEO CELULAR
É a porção da célula que controla o funcionamento celular e determina os mecanismos de hereditariedade. No final do século passado, os experimentos de merotomia realizados por Balbiani evidenciaram a função do núcleo de controlar toda a atividade celular. Balbiani separava o núcleo de amebas do restante da célula, e observava que o fragmento anucleado morria, alguns dias depois. O transplante do núcleo para o fragmento anucleado permitia sua sobrevivência e reprodução, evidenciando, assim, a importância do núcleo para o funcionamento e a reprodução celular. O comando do funcionamento celular desempenhado pelo núcleo se deve à presença de DNA em seu interior.
Citoplasma

Núcleo Fragmento nucleado

Fragmento anucleado

Transplante do Núcleo

Experimento de Balbiani

9.1 - Partes do Núcleo
Os principais componentes estruturais do núcleo de eucariontes são: CARIOTECA, SUCO NUCLEAR, NUCLÉOLO e CROMATINA.
lamela externa carioteca lamela interna

CARIOTECA
Também denominada membrana nuclear ou cariomembrana, é uma dupla membrana lipoprotéica derivada do retículo endoplasmático rugoso e invisível ao microscópio óptico comum. Ao microscópio eletrônico podemos observar a existência de duas lâminas com inúmeros poros por onde ocorrem trocas diversas de substâncias entre o núcleo e o citoplasma.

nucléolo suco nuclear cromatina poros

A carioteca apresenta as mesmas propriedades da membrana citoplasmática, exceto a capacidade de regeneração.

SUCO NUCLEAR
Também denominado cariolinfa, carioplasma, nucleolinfa e nucleoplasma, é um colóide que preenche o núcleo. É constituído principalmente de água e proteínas e nele estão mergulhadas as estruturas nucleares.

NUCLÉOLO
É uma estrutura nuclear que se encontra mergulhada na cariolinfa, sendo observado em número de um ou mais. Convém ressaltar que as três estruturas nucleares citadas - carioteca, suco nuclear e nucléolo - só estão presentes em células eucariotas. É formado de RNA ribossômico (RNAr) e proteínas, sem membrana lipoprotéica envolvente. Desaparece no início da divisão celular e é novamente formado em regiões especiais de alguns cromossomos denominadas SATÉLITES ou ZONAS SAT ou ZONAS REORGANIZADORAS DO NUCLEÓLO. Em células que sintetizam grande quantidade de proteína, os nucléolos são mais numerosos e volumosos, já que eles formam os ribossomos. Biologia - M1

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ITAPECURSOS

CROMATINA
É um material formado por filamentos desespiralizados de DNA e proteínas (Desoxirribonucleoproteínas). A cromatina está presente no núcleo de células que não estão em processo de divisão. Isso ocorre porque quando a célula entra no processo de divisão (mitose ou meiose) os filamentos que formam a cromatina passam por um processo de espiralização, formando os cromossomos. A análise da cromatina permite a identificação de áreas menos condensadas (EUCROMATINA) mais condensadas (HETEROCROMATINA). Os cromossomos são estruturas resultantes da espiralização da cromatina durante a divisão celular. As regiões de eucromatina espiralizam-se bem mais em relação à heterocromatina. Filamento de Cromatina
Heterocromatina

Eucromatina

9.2 - Estrutura de um Cromossomo
Ao longo de sua estrutura, um cromossomo apresenta uma ou mais constrições. A constrição primária ou centrômero está presente em todos os cromossomos, representando um estrangulamento que permite a identificação de braços. A constrição secundária está presente em alguns cromossomos e é importante por delimitar uma região globosa e terminal de um ou mais braços do cromossomo, denominada satélite ou zona sat ou zona reorganizadora do nucléolo. Quanto à posição ocupada pelo centrômero, encontramos quatro tipos de cromossomos:

satélite

constrição secundária braços

constrição primária (centrômero)

Estrutura de um Cromossomo

Telocêntrico

Acrocêntrico

Submetacêntrico

Metacêntrico

Cromossomo Telocêntrico - O centrômero é terminal e o cromossomo apresenta apenas um braço. É o único tipo que não ocorre na espécie humana. Cromossomo Acrocêntrico - O centrômetro é subterminal e o cromossomo apresenta um braço bem maior que o outro. Cromossomo Submetacêntrico - O centrômero é quase mediano e o cromossomo apresenta dois braços desiguais de dimensões próximas. Cromossomo Metacêntico - O centrômero é mediano e o cromossomo apresenta os dois braços do mesmo tamanho.

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ITAPECURSOS

Quanto ao número de braços, encontramos dois tipos de cromossomos: Cromossomo simples - Apresenta dois braços. Cromossomo duplo - Apresenta quatro braços.

cromátide

cromátide

Cromossomo Simples

Cromossomo Duplo

A fase do ciclo de vida de uma célula que precede a sua divisão é denominada intérfase. Nessa fase, ocorre a duplicação do material genético, com os cromossomos passando de simples a duplos. CROMOSSOMOS SIMPLES 1 Centrômero 2 Braços X DNA e proteína X Cromonemas CROMOSSOMOS DUPLOS 1 Centrômero 4 Braços 2X DNA e proteína 2X Cromonemas 2 Cromátides Denomina-se cromonema os filamentos de cromatina que formam o cromossomo, enquanto cromátide representa cada metade de um cromossomo duplo. Se ocorrer a divisão do centrômero de um cromossomo duplo, haverá a formação de dois cromossomos simples. O número de cromossomos é constante entre indivíduos de mesma espécie, mas varia de espécie para espécie. As células somáticas da espécie humana (células que formam o corpo) apresentam 46 cromossomos, enquanto as células reprodutoras (gametas) apresentam 23 cromossomos. Nas células somáticas, os cromossomos normalmente ocorrem formando pares. Os dois cromossomos que constituem cada par são denominados cromossomos homólogos, que são semelhantes na forma e no tamanho. As células que apresentam pares de cromossomos homólogos são células diplóides (2n). Nos gametas, os cromossomos não ocorrem aos pares. Em cada gameta encontramos apenas um cromossomo de cada par de homólogos. Assim, as células que não apresentam cromossomos homólogos, possuindo apenas um cromossomo de cada par, são células haplóides (n) e possuem metade do número de cromossomos das células diplóides desse indivíduo. Cada gameta humano apresenta 23 cromossomos, e o zigoto (célula ovo) formado a partir da fecundação apresentará 46 cromossomos, sendo pois uma célula 2n. O zigoto originará o embrião, que apresentará 46 cromossomos nas céluas somáticas. Célula Diplóide

Célula Haplóide

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9.3 - Determinação do Sexo na Espécie Humana
Os 46 cromossomos presentes nas células somáticas humanas recebem as seguintes denominações: - 44 cromossomos autossomos que formam 22 pares de homólogos - 2 cromossomos sexuais ou alossomos ou heterossomos denominados X e Y. Esses cromossomos identificam o sexo do indivíduo. Observe: Sexo masculino - 44 autossomos + XY Sexo feminino 44 autossomos + XX

O homem pode formar dois tipos de gametas: um que apresenta o alossomo X e outro que apresenta o alossomo Y, enquanto a mulher só forma um tipo de gameta, ou seja, aquele que apresenta o alossomo X. Observe a seguir: Sexo Masculino 22 A + X 44 A + XY 22 A + Y Sexo Feminino 22 A + X 44 A + XX 22 A + X 1 tipo de ovócito II (gameta feminino) 2 tipos de espermatozóides (gametas masculinos)

No momento da fecundação, ocorre a determinação do sexo, já que o espermatozóide contendo o alossomo X ou Y penetra no ovócito II. O zigoto formado apresentará 46 cromossomos, sendo 44 autossomos e 2 alossomos (XX ou XY). Assim, o sexo da criança a ser gerada depende do tipo de espermatozóide (X ou Y) que penetra no ovócito II. Em 1949, Barr e Bertran, estudando células nervosas de gatas, observaram grânulos de heterocromatina (cromatina condensada) que não estavam presentes em células de gatos. Esses grânulos de heterocromatina foram denominados corpúsculos de Barr e são conhecidos hoje com o nome de cromatina sexual. Na espécie humana, a cromatina sexual também está presente em indivíduos do sexo feminino e representa um dos cromossomos X que se encontra mais espiralizado. Podemos determinar o número, o tamanho e a forma dos cromossomos de uma espécie através do seu cariótipo. O cariótipo é o conjunto de cromossomos das células diplóides do indivíduo sendo obtido pela interrupção da divisão de células extraídas do indivíduo. Os cromossomos são corados e fotografados quando passam por uma fase da divisão celular onde a espiralização é máxima. As fotografias obtidas são ampliadas e recortadas, agrupando-se os cromossomos conforme o tamanho e a forma que apresentam, estabelecendose, assim, pares de cromossomos homólogos.

Observe que os cromossomos são ordenados em sete grupos representados pelas letras de A até G, de acordo com o tamanho e a forma, e os 22 pares de autossomos são numerados.
X

Cariótipo de um Homem

Cariótipo de uma Mulher

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9.4 - Aberrações Cromossômicas
Representam qualquer alteração na estrutura ou no número de cromossomos de uma célula. As alterações do número de cromossomos classificam-se em: Euploidias - Ganho ou perda de uma ou mais genomas. Genoma é o conjunto de cromossomos de uma célula haplóide. Casos de euploidia não ocorrem na espécie humana. Aneuploidias - Ganho ou perda de um número pequeno de cromossomos (em geral, um ou dois). São conhecidos casos de monossomia (2n - 1), nulissomia (2n - 2), trissomia (2n + 1) e tetrassomia (2n + 2).

PRINCIPAIS ANEUPLOIDIAS HUMANAS
As aneuploidias são decorrentes de erros na distribuição dos cromossomos durante a divisão celular. As principais aneuploidias humanas são: Síndrome de Down, Síndrome de Klynefelter e Síndrome de Turner.

SÍNDROME DE DOWN
Também conhecida por trissomia do 21 ou mongolismo, é uma aneuploidia autossômica do tipo trissomia, em que o par cromossômico de número 21 apresenta um cromossomo extranumerário. As células somáticas apresentam 47 cromossomos e a freqüência é de um caso para 500 a 600 nascimentos normais. O portador dessa síndrome apresenta baixa estatura, mãos e dedos curtos, prega simiesca nas mãos, olhos oblíquos, retardo mental e problemas cardíacos congênitos. Os homens são estéreis, mas as mulheres são férteis. Problemas cardíacos e baixa resistência a infecções fazem com que a expectativa de vida seja pequena com o doente normalmente não ultrapassando os 30 anos de idade. Com o aumento da idade materna, o risco de nascimento de uma criança com essa síndrome torna-se maior, principalmente após os 35 anos de idade. Isso ocorre porque, quanto maior a idade da mãe, maior a possibilidade dessa mulher apresentar gametas anômalos, nos quais ocorre uma não disjunção do par 21. y
Cariótipo de um indivíduo do sexo masculino com síndrome de Down. Observe que o par de número 21 apresenta um cromossomo a mais.

SÍNDROME DE KLYNEFELTER
É uma aneuploidia alossômica do tipo trissomia, em que os indivíduos afetados são sempre do sexo masculino. O exame de seu cariótipo revela 47 cromossomos, havendo um cromossomo X a mais no par sexual. Os indivíduos afetados são XXY. A freqüência é de um caso para 700 ou 800 nascimentos de crianças do sexo masculino normais. O portador dessa síndrome apresenta testículos atrofiados, gerando esterilidade, ginecomastia (crescimento das mamas), cromatina sexual em suas células e um leve retardo mental em alguns casos.

SÍNDROME DE TURNER
É uma aneuploidia alossômica do tipo monossomia, em que os indivíduos afetados são sempre do sexo feminino. O exame de seu cariótipo revela 45 cromossomos, faltando um cromossomo X do par sexual. Os indivíduos afetados são XO. É uma anomalia cromossômica rara com freqüência de 1 caso para 3.000 nascimentos de crianças do sexo feminino normais.

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ITAPECURSOS

A portadora dessa síndrome apresenta ovários atrofiados, gerando esterilidade, baixa estatura, pescoço alado, grande quantidade de pêlos no corpo, alterações ósseas e cardíacas, ausência de cromatina sexual e um leve retardo mental em alguns casos. Assim, temos: Síndrome Down Klynefelter Turner Representação do Cariótipo 45 A + XY 45 A + XX 44 A + XXY 44 A + XO

9.5. Divisão Celular
É o processo pelo qual uma célula se divide, originando células filhas. São conhecidos dois tipos de divisão celular: mitose e meiose. Para entrar em divisão, uma célula deve apresentar cromossomos duplos, mas quando uma célula filha é formada, ela apresenta cromossomos simples. Assim, percebemos a necessidade da duplicação dos cromossomos, que ocorre em uma fase precedente à divisão celular denominada intérfase.

INTÉRFASE
Não faz parte da divisão celular e tem por finalidade promover a duplicação dos cromossomos (material genético) para que a célula possa entrar em divisão. A intérfase é dividida em três períodos: G1, S e G2. Os períodos G1 e G2 são períodos de repouso celular, enquanto no período S ocorre intensa síntese de DNA, promovendo a duplicação dos cromossomos. Assim, no período G1, o material genético ainda não sofreu duplicação, enquanto no período G2, ele já se encontra duplicado. A intérfase antecede os processos de mitose e meiose

MITOSE
É um processo de divisão celular em que uma célula mãe, haplóide ou diplóide, com cromossomos duplos, origina duas células filhas com o mesmo número de cromossomos da célula mãe, porém simples. Estas células filhas são geneticamente idênticas entre si. A mitose é uma divisão equacional, já que o número de cromossomos da célula mãe é mantido em cada uma das células filhas. Nota-se, então, a importância da duplicação do material genético na intérfase.

Nd

2 Nd
INTERFASE

DUPLICAÇÃO

Ns

Ns

2 Ns

2 Ns

Mitose em Célula Haplóide

Mitose em Célula Diplóide
MITOSE

Nd - Célula haplóide com cromossomos duplos Ns - Célula haplóide com cromossomos simples 2 Nd - Célula diplóide com cromossomos duplos 2 Ns - Célula diplóide com cromossomos simples

Distribuição dos Cromossomos durante a Mitose

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ITAPECURSOS

FASES DA MITOSE
Para facilitar o estudo, a mitose é dividida em quatro fases: prófase, metáfase, anáfase e telófase.

PRÓFASE
É a primeira fase da divisão celular. Caracteriza-se por: - Desaparecimento da carioteca e nucléolo(s). A carioteca, na verdade, se rompe devido ao aumento de volume do núcleo pela absorção de água do citoplasma. O(s) nucléolo(s) se desintegra(m), sendo o RNAr distribuído pela célula. - Início da espiralização dos cromonemas, formando cromossomos. Cromossomos verdadeiros começam a aparecer na prófase devido ao processo de espiralização dos cromonemas. Por razões didáticas, costumase usar o termo “cromossomos em intérfase”. - “Duplicação” dos centríolos e afastamento dos mesmos para os pólos da célula. A expressão “duplicação dos centríolos” ficou consagrada pelo uso, mas o que ocorre, na verdade, é a formação de um novo par de centríolos. Os centríolos não se autoduplicam. - Formação das fibras do áster e das fibras do fuso. As fibras do áster são microtúbulos protéicos presentes ao redor dos centríolos, enquanto as fibras do fuso são microtúbulos protéicos contínuos que se estendem de um pólo a outro da célula. O conjunto das fibras do áster e das fibras do fuso constituem o aparelho mitótico. - Cromossomos se prendem, pelo centrômero, às fibras do fuso, sem nenhum padrão de organização. As cromátides de uma mesmo cromossomo são chamadas cromátides irmãs.

METÁFASE
Caracteriza-se por: - Grau máximo de espiralização cromossômica. - Cromossomos alinhados na região equatorial da célula (placa equatorial). - Divisão do centrômero no final desta fase, de modo que cada cromossomo duplo se transforma em dois cromossomos simples.

ANÁFASE
Caracteriza-se por: - Encurtamento das fibras do fuso. - Em função do encurtamento das fibras do fuso, os cromossomos migram para os pólos da célula. Observe que esses cromossomos que vão atingir os pólos da célula são cromossomos simples, já que houve divisão do centrômero no final da metáfase precedente, quando cada cromossomo duplo originou dois cromossomos simples. - Início da desespiralização cromossômica.

TELÓFASE
É a fase final da mitose e costuma ser entendida como sendo o inverso da prófase. É caracterizada por: - Formação de novas cariotecas e nucléolos. - Cromossomos totalmente desespiralizados (cromatina). - Total desaparecimento das fibras do fuso. - Formação de duas células filhas. A formação de duas células filhas ocorre em duas etapas: cariocinese e citocinese. A cariocinese consiste na divisão do núcleo e se inicia no final da metáfase, com a divisão do centrômero. A cariocinese é concluída no final da telófase, com a formação de novas cariotecas e nucléolos, cromossomos reassumindo a forma de cromatina e desaparecimento total do aparelho mitótico. A citocinese ou citodiérese consiste na divisão do citoplasma e se inicia quando a cariocinese termina. São conhecidos dois tipos de citocinese:

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ITAPECURSOS

CITOCINESE CENTRÍPETA
Caracteriza células animais e ocorre de fora para dentro. O citoplasma sofre um estrangulamento através de invaginação da membrana plasmática, formando duas células filhas. Esse tipo de citocinese é também chamado citocinese por estrangulamento.

CITOCINESE CENTRÍFUGA
Caracteriza células vegetais e ocorre de Cromatina Carioteca dentro para fora. A grande resistência da parede celular das células vegetais impede a divisão do citoplasma de fora para dentro. Vesículas do complexo de Golgi Parede ricas em pectina formam uma estrutura Celular denominada fragmoplasto na região equatorial. Essas vesículas se fundem, Plasmoformando a lamela média, que separa as desmos duas células filhas. Em alguns pontos, a separação entre as células filhas não é completa, pois encontramos interrupções onde se estabelecem pontes citoplasmáticas, que fazem a comunicação entre as células vizinhas. Essas pontes citoplasmáticas são denominadas plasmodesmos.
Fragmoplasto

Prófase

Metáfase

Anáfase Fases da Mitose

Telófase

DIFERENÇAS ENTRE MITOSE ANIMAL E VEGETAL CÉLULA ANIMAL Astral, devido a presença do Áster. Cêntrica, devido à presença de centríolos. Citocinese centrípeta, por estrangulamento CÉLULA VEGETAL Anastral, devido à ausência do Áster. Acêntrica, devido à ausência de centríolos. Citocinese centrífuga, com formação da lamela média.

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ITAPECURSOS

VARIAÇÃO DA QUANTIDADE DE DNA NO CICLO DE VIDA DA CÉLULA
No gráfico abaixo, C representa a quantidade de DNA de uma célula haplóide, enquanto 2C representa a quantidade de DNA de uma célula diplóide, antes da duplicação do DNA, que ocorre no período S da intérfase. 4C representa a quantidade de DNA após a duplicação do DNA. Perceba que na anáfase a quantidade de DNA diminui para 2C, em função da separação das cromátides que migram para os pólos opostos da célula.
Quant. de DNA 4C G1
Metáfase Telófase

G2 S

2C C Intérfase
Prófase

Anáfase

Mitose

Tempo Intérfase

FINALIDADES DA MITOSE
- Reprodução assexuada de seres unicelulares (cissiparidade ou bipartição) - Divisão do zigoto durante o desenvolvimento embrionário. - Crescimento e regeneração de tecidos nos organismos pluricelulares. - Formação de gametas nos vegetais.

MEIOSE
É um processo de divisão celular em que uma célula mãe, sempre diplóide, com cromossomos duplos, origina quatro células filhas com metade do número de cromossomos da célula mãe, porém simples. A meiose consta de duas divisões. No entanto, só vai haver uma duplicação cromossômica, razão pela qual uma célula, que vai entrar em meiose, necessite apresentar cromossomos duplos. A primeira divisão da meiose é denominada divisão reducional, já que o número cromossômico é reduzido à metade. A segunda divisão da meiose é denominada divisão equacional, já que é mantido o número cromossômico.

2Nd Divisão Reducional (R!) ou Divisão I Nd Nd Divisão Equacional (E!) ou Divisão II Ns Ns Ns Ns 2 Nd - Célula diplóide com cromossomos duplos. Nd - Célula haplóide com cromossomos duplos. Ns - Célula haplóide com cromossomos simples.

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ITAPECURSOS

INTERFASE

DUPLICAÇÃO

DIVISÃO I

SEPARAÇÃO DOS HOMÓLOGOS

DIVISÃO II

SEPARAÇÃO DAS CROMÁTIDES

Distribuição dos Cromossomos durante a Meiose

Assim como na mitose, a intérfase precede a meiose, promovendo a duplicação dos cromossomos no período S. Terminada a intérfase, inicia-se a meiose propriamente dita, que apresenta duas divisões celulares: divisão I ou reducional e a divisão II ou equacional. Não há necessidade de nova intérfase entre as divisões I e II porque os cromossomos continuam duplos ao final da divisão I. O que ocorre entre as duas divisões é um período de repouso celular denominado intercinese.

FASES DA MEIOSE
Para facilitar o estudo, as divisões I e II da meiose são divididas em quatro fases cada uma, como podemos observar abaixo:

Divisão I

Prófase I

Leptóteno Zigóteno Paquíteno Diplóteno Diacinese

Meiose

Intercinese

Metáfase I Anáfase I Telófase I Prófase II Metáfase II Anáfase II Telófase II

Divisão II

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ITAPECURSOS

DIVISÃO REDUCIONAL
Apresenta as seguintes fases: prófase I, metáfase I, anáfase I e telófase I.

PRÓFASE I
É a fase mais longa do processo. O evento mais importante da prófase I da meiose é o crossing over, já que ele promove a recombinação de gens localizados em cromossomos homólogos. Assim, o crossing over é um fator de variabilidade genética, porque ele aumenta a variabilidade das células formadas e, assim, a variabilidade das espécies.

Detalhe do Crossing Over Observe nas figuras abaixo que a meiose com crossing over formou quatro células de constituição genética diferente (AB, Ab, aB e ab), enquanto a meiose sem crossing over não permitiu a recombinação de gens, formando duas células de constituição genética AB e duas de constituição ab.

Meiose com Crossing Over

Meiose sem Crossing Over

METÁFASE I
Caracteriza-se por: - Cromossomos pareados (pares de homólogos) na região equatorial da célula. - Não ocorre divisão do centrômero, como observamos no final da metáfase mitótica.

ANÁFASE I
Caracteriza-se por: - Encurtamento das fibras do fuso. - Em função do encurtamento das fibras do fuso e da não divisão do centrômero na metáfase I, cromossomos duplos migram para os pólos da célula.

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ITAPECURSOS

TELÓFASE I
É a última fase da divisão I da meiose. Caracteriza-se por: - Formação de novas cariotecas e nucléolos. - Total desaparecimento das fibras do fuso e do áster. - Os cromossomos não assumem o aspecto interfásico, permanecendo espiralizados. - Formação de duas células filhas. Os processos de formação das duas células filhas são os mesmos que já foram descritos na telófase da mitose. No entanto, as células filhas presentes na telófase I apresentarão cromossomos duplos, já que na divisão I não ocorre divisão do centrômero.

Leptóteno

Zigóteno

Paquíteno

Diplóteno

Diacinese

Metáfase I

Anáfase I

Telófase I

Fases da divisão I da Meiose

INTERCINESE
É um período de repouso celular entre as divisões I e II.

DIVISÃO EQUACIONAL
Apresenta as seguintes fases: prófase II, metáfase II, anáfase II e telófase II.

PRÓFASE II
Caracteriza-se por: - Desaparecimento da carioteca e nucléolo. - “Duplicação” dos centríolos e afastamento dos mesmos para os pólos da célula. Assim como na prófase da mitose e prófase I da meiose, não há uma verdadeira duplicação dos centríolos, e sim a formação de um novo par. - Formação das fibras do áster e das fibras do fuso. - Cromossomos se prendem, pelo centrômero, às fibras do fuso, sem nenhum padrão de organização.

METÁFASE II
Caracteriza-se por: - Cromossomos alinhados na região equatorial da célula (placa equatorial). - Grau máximo de espiralização cromossômica. - Divisão do centrômero no final desta fase, de modo que cada cromossomo duplo se transforma em dois cromossomos simples.

ANÁFASE II
Caracteriza-se por: - Encurtamento das fibras do fuso. - Cromossomos simples migram para os pólos da célula. Esses cromossomos são simples porque ocorreu divisão do centrômero no final da metáfase II. - Cromossomos em processo de desespiralização.

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ITAPECURSOS

TELÓFASE II
É a última fase da meiose. Caracteriza-se por: - Formação de novas cariotecas e nucléolos. - Cromossomos totalmente desespiralizados (cromatina). - Total desaparecimento das fibras do fuso e do áster. - Formação de duas células filhas através da cariocinese e da citocinese, já descritas. As células filhas da telófase II são haplóides com cromossomos simples. Finalidades da meiose - Formação de gametas em animais (Gametogênese Animal) - Formação de esporos em vegetais (Esporogênese Vegetal)

Prófase II

Metáfase II

Anáfase II

Telófase II

Fases da Divisão II da Meiose

TIPOS DE MEIOSE
MEIOSE ZIGÓTICA Ocorre no zigoto formado por certas algas, originando quatro células haplóides que evoluem para a fase adulta do organismo. MEIOSE ESPÓRICA Ocorre nos vegetais, originando esporos. MEIOSE GAMÉTICA Ocorre nos animais, originando gametas.

Clonagem
A palavra clone, de origem grega, significa broto. Atualmente, o termo clone vem sendo utilizado para designar uma cópia idêntica de outro ser vivo produzido artificialmente e assexuadamente. A identidade entre seres vivos clonados deve-se à igualdade de seus materiais genéticos. O nascimento da ovelha Dolly representou um caso clássico de clonagem que revolucionou o mundo científico. Ian Wilmut iniciou o seu experimento retirando uma única célula da mama da ovelha adulta que ele queria clonar. Dessa célula aproveitou apenas o núcleo, descartando o restante do conteúdo celular. Simultaneamente, os assistentes de Wilmut retiraram o óvulo de outra ovelha e extirparam o seu núcleo. O núcleo da célula mamária da primeira ovelha foi transportado para o óvulo sem núcleo da segunda. O óvulo aceitou o núcleo como se fosse originalmente seu. Imediatamente, o óvulo começou a se dividir normalmente para formar um feto, como se tivesse sido fecundado por um espermatozóide. O ser que estava sendo formado seguiu as instruções do DNA da célula da mama. O óvulo em desenvolvimento foi colocado no útero de uma terceira ovelha onde completou a gestação. A duplicação de um ser humano adulto é teoricamente possível, usando-se o mesmo processo descrito para a ovelha Dolly. No entanto, as técnicas de clonagem em seres humanos são totalmente anti-éticas. Grande número de pessoas não aceita a clonagem humana, pois o que rege nossa convivência é o fato de cada um de nós ser único além do risco de estarmos explorando um território desconhecido. “As diferenças e semelhanças que existem entre nós é que formam a sociedade e seus tabus”.

(PROF. RICARDO PRATA)

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ITAPECURSOS

DIVERSIDADE DOS SERES VIVOS PARTE I
I – CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS
INTRODUÇÃO
Em função do grande número de espécies existentes na Biosfera, tornou–se necessário agrupar os seres vivos de acordo com suas semelhanças e diferenças. A Taxonomia ou Sistemática é o ramo da Biologia que estuda a classificação dos seres vivos. Existem vários sistemas de classificação dos seres vivos. O sistema artificial de classificação utiliza os critérios arbitrários que não indicam as semelhanças e diferenças fundamentais entre os seres vivos. Por exemplo, se classificamos os animais quanto à locomoção teríamos dois grupos: animais voadores e não voadores. Observe que, em um mesmo grupo, encontramos animais bastante diferentes, o que não indica as principais semelhanças e diferenças entre os seres envolvidos. O sistema natural de classificação é o mais aceito atualmente e utiliza critérios que permitem verificar as relações de parentesco evolutivo entre os organismos. Assim, a classificação natural leva em conta as semelhanças e diferenças fundamentais baseadas no fator evolutivo.

1 – CATEGORIAS TAXONÔMICAS
São grupos formados por seres vivos, medindo um certo grau de parentesco evolutivo. A formação desses grupos segue uma ordem hierárquica como podemos perceber a seguir: HIERARQUIA DAS CATEGORIAS TAXONÔMICAS REINO –– FILO –– CLASSE –– ORDEM –– FAMÍLIA –– GÊNERO –– ESPÉCIE Reino representa um conjunto de filos ou divisões. Filo representa um conjunto de classes. Classe representa um conjunto de ordens. Ordem representa um conjunto de famílias. Família representa um conjunto de gêneros. Gênero representa um conjunto de espécies. Espécie representa a UNIDADE BÁSICA e FUNDAMENTAL DOS SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BIOLÓGICA. As categorias taxonômicas citadas podem ser subdivididas como ocorre com sub–filo, superclasse, subgênero, subespécie, dentre outras. Entre as categorias taxonômicas fundamentais, o Reino é a mais geral e a Espécie é a mais restrita. CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA DE ALGUNS SERES VIVOS
CATEGORIA TAXONÔMICA Reino Filo ou Divisão Classe Ordem Família Gênero Espécie Metazoa Chordata Mammalia Primata Hominidae Homo Homo sapiens Metazoa Chordata Mammalia Carnivora Canidae Canis Canis familiaris Metazoa Arthropoda Insecta Diptera Muscidae Musca Musca domestica Metaphyta Trachaeophyta Angiospermae Graminales Graminae Zea Zea mays HOMEM CÃO MOSCA MILHO

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ITAPECURSOS

cobra boi lula

gato

raposa cão

guará urso

sapo

borboleta galinha

Reino Metazoa

minhoca anêmona peixe

coiote porco lontra coelho tigre lobo

homem jacaré

estrela-do-mar

camarão

Filo Chordata

Classe Mammalia

Ordem Carnívora

Família Canidae Gênero Canis Espécie C. familiaris
Classificação do cão doméstico

2 – CONCEITO BIOLÓGICO DE ESPÉCIE
A Espécie é definida como sendo um conjunto de indivíduos semelhantes que se cruzam naturalmente e produzem descendentes férteis por um número ilimitado de gerações (intra–fertilidade e inter–esterilidade). Em geral, ocorre o isolamento reprodutivo entre seres de espécies diferentes. No entanto, pode ocorrer tal tipo de cruzamento com descendentes férteis por algumas gerações. É o caso do cruzamento entre o lobo, macho da espécie Canis lupus e a cadela, fêmea da espécie Canis familiaris. O cruzamento ocorre em cativeiro e os filhotes são férteis por três gerações.

3 – REGRAS DE NOMENCLATURA
A nomenclatura científica tem por objetivo universalizar os nomes dos seres vivos, facilitando a comunicação entre os cientistas. A nomenclatura utilizada é latina e foi adotada com base nos trabalhos de um fixista sueco que viveu no século XVllI, denominado Lineu. O latim foi a língua utilizada por ser uma língua morta e por ser falada pelos homens de ciência da época. As mais importantes regras de nomenclatura são: 1 – Todos os nomes científicos devem ser escritos em latim ou a partir de radicais latinizados. Devem ser destacados do texto através de grifo, itálico ou negrito. Exemplos: Plasmodium vivax Taenia saginata 2 – A nomenclatura para as espécies é binomial. O primeiro nome indica o gênero, que deve ser escrito com inicial maiúscula, enquanto o segundo é o nome específico, que deve ser escrito com inicial minúscula. Exemplos: Amoeba proteus gênero

nome especifico Biologia - M1

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ITAPECURSOS

3 – Se ocorrer homenagem a pessoa do sexo masculino, acrescenta–se a terminação i ao nome do homenageado. Homenageando pessoa do sexo feminino, usa–se a terminação ae. Exemplos: Trypanosoma cruzi Peripatus heloisae 4 – As letras sp devem ser utilizadas após o nome do gênero quando não é possível ou não interessa citar o nome completo da espécie. Exemplo: Plasmodium sp 5 – As letras spp devem ser utilizadas após o nome do gênero quando desejamos incluir todas as espécies do gênero citado. Exemplo: Plasmodium spp 6 – A nomenclatura para as subespécies é trinomial. O terceiro nome deve ser escrito com inicial minúscula e é denominado nome subespecífico. Exemplo: Crotalus terrificus durissus Homo gênero

sapiens nome específico

sapiens nome subsespecífico

7 – O nome do subgênero deve ser citado após o nome do gênero, entre parênteses, com inicial maiúscula e destacado do texto. Exemplo: Aedes (Stegomyia) aegypti gênero

subgênero

nome específco

8 – Algumas categorias taxonômicas podem ser identificadas por uma determinada terminação que pode variar em zoologia e botânica. Família – Entre os animais – terminação IDAE Exemplos: Hominidae Canidae Entre os vegetais – terminação ACEAE Exemplos: Rosaceae Cactaceae Superfamília – Entre os animais – terminação OIDEA Exemplo: Ascaroidea Subfamília – Entre os animais – terminação INAE Exemplo: Triatominae Tribo – Entre os animais – terminação lNl Exemplo: Culicini Classe – Entre os vegetais – terminação AE Exemplo: Angiospermae Ordem – Entre os vegetais – terminação ALES Exemplo: Rosales 9 – Quando desejamos citar o nome do indivíduo que classificou a espécie, este deve vir após o nome específico, com a inicial maiúscula e sem a interposição de qualquer sinal de pontuação. Desejando citar a data, esta pode vir após o nome do autor, separada por vírgula ou entre parênteses. Exemplos: Trypanosoma cruzi Chagas, 1909 Trypanosoma cruzi Chagas (1909)

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4– OS REINOS DE SERES VIVOS
Vários sistemas de classificação foram propostos ao longo dos anos. Atualmente, os dois sistemas de classificação mais usados são o de quatro reinos e o de cinco reinos. Em ambos, os vírus são classificados em um grupo à parte.

4.1– Classificação em Quatro Reinos
– Reino MONERA – Bactérias – Cianofíceas ou Cianobactérias – Reino PROTISTA – Algas – Fungos – Liquens – Protozoários – Reino METAPHYTA – Briófitas – Pteridófitas – Gimnospermas – Angiospermas – Reino METAZOA – Poríferos – Celenterados – Platelmintos – Asquelmintos – Anelídeos – Moluscos – Artrópodos – Equinodermas – Hemicordados – Cordados

4.2– Classificação em Cinco Reinos
É a classificação moderna e a diferença para a classificação em quatro reinos está no fato de os fungos estarem classificados em um reino à parte (Reino FUNGI). Caracterização geral dos reinos:

MONERA ORGANIZAÇÃO CELULAR Nº DE CÉLULAS TECIDOS DIFERENCIADOS CLOROFILA NUTRIÇÃO MODO DE VIDA REPRESENTANTES Procariota Unicelulares Ausentes Ausente Presente Autótrofa Heterótrofa Vida livre Parasitas Bactérias Cianofíceas

PROTISTA Eucariota Unicelulares Pluricelulares Ausentes Ausente Presente Autótrofa Heterótrofa Vida livre Parasitas Algas Liquens Protozoários

METAPHYTA Eucariota Pluricelulares Presentes Presente Autótrofa Vida livre Parasitas Briófitas Pteridófitas Gimnospermas Angiospermas

METAZOA Eucariota Pluricelulares Presentes Ausente Heterótrofa Vida livre Parasitas De Poríferos até Cordados

FUNGI Eucariota Unicelulares Pluricelulares Ausentes Ausente Heterótrofa Vida livre Parasitas Mofo Cogumelo Candida

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ITAPECURSOS

lI – VÍRUS
INTRODUÇÃO
São microorganismos muito simples, visíveis apenas ao microscópio eletrônico. São seres vivos acelulares pelo fato de não apresentarem organização celular, possuindo apenas uma cápsula protéica denominada CAPSÍDEO em cujo interior existe um filamento de ácido nucléico (DNA ou RNA). Os dois tipos de ácidos nucléicos nunca são Vírus da Varíola Vírus da Gripe Vírus Bacteriófago encontrados em um mesmo vírus. Assim, Alguns tipos de vírus observamos que o vírus da herpes contém DNA, enquanto o vírus da AIDS contém RNA. Alguns autores consideram os vírus seres de transição entre a matéria bruta e a matéria viva em função de algumas de suas características. O poder de cristalização, a estrutura celular e a capacidade de difração de raio X são características da matéria bruta que estão presentes nos vírus. Por outro lado, a presença de ácido nucléico, a capacidade de reprodução e o poder de mutação ilustram características da matéria viva presentes nesses organismos. Os vírus não possuem metabolismo próprio, sendo dependentes de uma célula hospedeira, fato que justifica o termo parasitas intracelulares obrigatórios, atribuído a tais entidades. Quando as condições do meio não são favoráveis aos vírus, pode ocorrer a cristalização dos mesmos.

1 – ORIGEM DOS VÍRUS
Acredita–se que os vírus tenham se originado de células que perderam sua atividade metabólica e degeneraram, passando a depender obrigatoriamente de uma célula viva.

2 – REPRODUÇÃO DOS VÍRUS
A reprodução viral é melhor estudada no ciclo dos bacteriófagos ou fagos que são vírus que parasitam certas espécies de bactérias.
Capa protéica Cabeça Ácido nucléico (DNA) Pescoço Cauda

Fibras de Cauda

Esquema de um bacteriófago eliminando um DNA contido em seu interior.

Os vírus bacteriófagos se fixam à célula hospedeira através das fibras da cauda e injetam o seu DNA no interior da bactéria. A partir dessa situação, dois tipos de ciclos de reprodução podem ocorrer. São eles:

2.1 – Ciclo Lítico
O DNA viral, no interior da bactéria, passa a comandar as funções da célula, inibindo o metabolismo bacteriano. Ocorre a síntese de novas moléculas de DNA, através de sucessivas autoduplicações, utilizando enzimas e energia da célula hospedeira. Formam–se novas cápsulas protéicas (CAPSÍDEOS) sob comando do DNA viral e um processo de montagem se encarrega de formar vírus completos. O número de bacteriófagos aumenta bastante e ocorre lise ou destruição da célula hospedeira, liberando novos vírus que podem parasitar outras bactérias. No ciclo lítico sempre ocorre lise da célula hospedeira.

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ITAPECURSOS

4 - O envoltório protéico permanece fora.

3 - O DNA do vírus é injetado na célula.

5 - Novas moléculas de DNA do vírus são sintetizadas.

2 - Um vírus se prende à célula.

6 - A cápsula protéica do vírus é sintetizada.

1 - Bacteriófagos ficam em torno das bactérias.

7 - Formam-se vírus completos. 8 - A bactéria se rompe libertando novos vírus.

Ciclo lítico de um bacteriófago

2.2 – Ciclo Lisogênico
O DNA viral adere ao DNA bacteriano e não interfere no metabolismo da célula hospedeira. Quando a bactéria se reproduz, o DNA do vírus é transmitido às bactérias filhas sem que haja lise celular. Os vírus que desencadeiam o ciclo lisogênico são denominados temperados. Alguns fatores externos como radiação ultravioleta, radiação X e certas substâncias químicas podem induzir a separação do DNA do vírus em relação ao DNA bacteriano, iniciando o ciclo lítico com destruição da célula hospedeira.
Bacteriófago

Bactéria

DNA viral

Cromossomo bacteriano DNA viral incorpora-se ao cromossomo bacteriano

Bactérias filhas portando DNA viral.

Ciclo lisogênico de um bacteriófago

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ITAPECURSOS

3 – PRINCIPAIS DOENÇAS VIRÓTICAS
Como os vírus são insensíveis a medicamentos usuais, o combate às viroses depende sobretudo do sistema imunológico do indivíduo parasitado. As principais viroses que ocorrem na espécie humana são: poliomielite, sarampo, varíola, rubéola, hidrofobia (raiva), caxumba (parotidite), AIDS, febre amarela, dengue, gripe, herpes, hepatite infecciosa, catapora (varicela), mononucleose e outras. O quadro a seguir resume as principais características de algumas doenças viróticas:

DOENÇA VIRÓTICA Poliomielite

TRANSMISSÃO Água ou alimentos contaminados com o vírus que é eliminado em secreções respiratórias e nas fezes de indivíduos doentes. Penetração do vírus pelas mucosas das vias respiratórias. O vírus está presente nas secre– ções respiratórias e na saliva de indivíduos doentes.

SINTOMAS Paralisia dos membros devido a destruição de neurônios. Febre, tosse e verme– lhidão em todo o corpo.

PROFILAXIA Vacinação com o vírus inativado (vacina Salk) ou com o vírus vivo atenuado (vacina Sabin) Vacinação com o vírus atenuado.

Sarampo

Varíola

Penetração do vírus pelas muco– sas das vias respiratórias. O vírus está presente nas secre– ções respiratórias e na saliva de indivíduos doentes. Penetração do vírus pelas muco– sas das vias respiratórias. O vírus está presente nas secre– ções respiratórias e na saliva de indivíduos doentes. Ocorre contaminação do feto através da placenta. Pela mordida de mamíferos contaminados com o vírus. O vírus está presente na saliva do animal doente. Relações sexuais, transfusão de sangue, agulhas e seringas contaminadas, e contaminação do feto através da placenta e do sangue durante o parto.

Febre e erupções cutâneas que normal– mente deixam cicatrizes na pele. Febre e erupções cutâneas. Em caso de transmissão via placentária pode provocar mal formação congênita e morte. Febre, convulsões e paralisia dos músculos respiratórios.

Vacinação com o vírus atenuado.

Rubéola

Vacinação com o vírus atenuado. Em mulheres grávidas até o terceiro mês a vacinação é contra–indicada.

Hidrofobia (Raiva)

Vacinação dos animais domésticos e aplicação de soro e vacina em indivíduos feridos por animais raivosos. Uso de camisinha–de– vênus (preservativos) nas relações sexuais; seleção rigorosa dos doadores de sangue e uso de agulhas descartáveis ou esterilizadas. Não existe vacina. Vacinação com o vírus atenuado. Combate ao mosquito transmissor.

AIDS (Síndrome da deficiência imunológica adquirida)

Febre intermitente, emagrecimento rápido, diarréia, sarcoma de Kaposi (tumor de pele), doenças do aparelho respiratório e inflamação dos gânglios linfáticos.

Febre amarela e dengue

Picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti contaminado. O vírus está presente na saliva do mosquito contaminado.

Febre, calafrios, náuseas, vômitos e icterícia deixando a pele amarelada.

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ITAPECURSOS

4 – IMUNIDADE
A imunologia é a ciência que estuda os mecanismos de reação do organismo contra um agente agressor. A imunidade é o estado de resistência de um organismo contra a ação de agentes patogênicos. Os antígenos são substâncias ou organismos estranhos que induzem uma resposta imunológica específica através da produção de anticorpos que são proteínas de ação específica contra cada tipo de antígeno. As duas formas de imunidade são: 1– Imunidade natural – Ocorre devido à própria natureza do organismo e não é induzida pelo homem. Pode ser ativa ou passiva. – Imunidade natural ativa – o próprio organismo produz anticorpos após o contato com o agente agressor. – Imunidade natural passiva – ocorre através de uma transferência natural de um organismo para outro. Podemos observar esse caso na passagem de anticorpos maternos para o feto através da placenta e na transferência de anticorpos maternos através do aleitamento. 2 – Imunidade artificial – É a imunidade produzida pelo homem. Pode ser ativa ou passiva. – Imunidade artificial ativa – o próprio organismo produz anticorpos a partir da aplicação de uma vacina. – Imunidade artificial passiva – ocorre através de uma transferência de anticorpos através de soro específico.

5 – VACINA E SORO
VACINA Contém antígenos Ação preventiva, já que estimula a produção de anticorpos específicos. Ação duradoura. SORO Contém anticorpos. Ação curativa, já que é uma solução de anticorpos. Ação temporária

III – REINO MONERA
INTRODUÇÃO
O Reino Monera compreende organismos unicelulares e procariontes ou seja, a única célula presente apresenta um padrão muito simples de organização sendo do tipo procariota. A célula procariota não apresenta carioteca ou membrana nuclear, sendo o seu núcleo difuso (nucleóide). As únicas organelas presentes no citoplasma desse tipo celular são os ribossomos, responsáveis pela síntese protéica. Bactérias e Cianobactérias ou Cianofíceas são classificadas no reino Monera, podendo viver isoladamente ou se organizar formando colônias.

1 – BACTÉRIAS 1.1 – Características Gerais
A célula bacteriana apresenta, externamente à membrana citoplasmática, um envoltório rígido denominado parede celular. Ao contrário das paredes celulares presentes em outros organismos, a parede bacteriana não contém celulose, sendo formada por mucopolissacarídeos. As bactérias aeróbias apresentam uma invaginação da membrana citoplasmática denominada mesossomo. Nessa estrutura, observam–se enzimas que participam do processo de respiração celular aeróbia. Algumas bactérias apresentam externamente à parede celular uma estrutura denominada cápsula que protege a célula e aumenta a sua patogenicidade, já que evita a fagocitose pelas células de defesa do organismo parasitado. Outras bactérias apresentam flagelos relacionados à sua locomoção. O nucleóide de uma bactéria contém DNA e proteínas, estando o RNA presente no citoplasma associado às proteínas, formando os ribossomos. Biologia - M1

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ITAPECURSOS

Hialoplasma

Ribossomos

Parede Celular

Mesossomo

Cápsula

Membrana citoplasmática

Nucleóide (DNA)

Estrutura de uma Bactéria

As bactérias são classificadas quanto à forma em quatro tipos morfológicos básicos: COCOS, BACILOS, ESPIRILOS E VIBRIÕES. Os cocos são bactérias arredondadas que podem ter vida isolada ou formar colônias. Dois cocos agrupados formam um diplococo, vários cocos enfileirados formam um estreptococo, enquanto vários cocos dispostos em cacho formam um estafilococo. Os cocos também podem ser agrupados, formando uma sarcina que é uma colônia cúbica de oito ou mais cocos.

Coco

Diplococo Estreptococo

Estafilococo Cocos

Sarcina

Os bacilos são bactérias alongadas em forma de bastonete. Os espirilos ou espiroquetas são bactérias de forma espiralada. Os vibriões são bactérias cuja forma lembra uma vírgula.

Bacilos

Espirilos

Vibriões

1.2 – Respiração das Bactérias
A respiração celular consiste em um processo de degradação de compostos orgânicos para produção de energia. Esse processo pode ocorrer sem consumo de oxigênio ou com utilização desse gás. No primeiro caso, temos a respiração anaeróbia ou fermentação e no segundo, a respiração aeróbia. A maior parte das bactérias obtém energia através da fermentação, que pode formar álcool etílico (fermentação alcoólica) ou ácido lático (fermentação lática). A oxidação do álcool etílico forma ácido acético, processo esse erroneamente denominado fermentação acética. As bactérias anaeróbias podem ser estritas, quando não suportam a presença do oxigênio, ou facultativas quando suportam a presença desse gás

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ITAPECURSOS

Algumas bactérias obtêm energia através da respiração celular aeróbia e são denominadas bactérias aeróbias. As equações gerais dos processos anaeróbios e aeróbios são: Processos anaeróbios Fermentação lática C6H12O6 → 2C3H6O3 + 2ATP glicose ácido lático Fermentação alcoólica C6H12O6 → 2C2H5OH + CO2 + 2ATP glicose álcool etílico Processo aeróbio Respiração aeróbia C6H12O6 + 6O2 → 6CO2 + 6H2O + 38ATP

1.3 – Nutrição das Bactérias
A maior parte das bactérias são heterótrofas, isto é, absorvem o alimento do ambiente onde vivem. As bactérias heterótrofas mais numerosas obtêm seu alimento a partir da decomposição da matéria orgânica, sendo imprescindíveis na reciclagem da matéria, já que formam matéria inorgânica que é devolvida ao ambiente. Bactérias com essa capacidade são denominadas saprófltas, sapróvoras ou saprófagas. Algumas bactérias são autótrofas, isto é, produzem o próprio alimento. A maioria das bactérias autófrofas são quimiossintetizantes, isto é, produzem o próprio alimento através da quimiossíntese, que utiliza a energia liberada em reações de oxidação de substâncias inorgânicas. Entre as bactérias autótrofas quimiossintetizantes destacam–se as sulfobactérias, ferrobactérias e nitrobactérias que oxidam compostos que contêm enxofre, ferro e nitrogênio, respectivamente. As nitrobactérias oxidam nitrito em nitrato liberando energia que será utilizada por elas próprias na produção do próprio alimento a partir de CO2 e H2O. 6CO2 + 6H2O C6H12O6 glicose

energia

2NO–2 + O2 nitrito

2NO–3 nitrato

Entre as bactérias autótrofas, existem aquelas que são fotossintetizantes, isto é, produzem o próprio alimento através da fotossíntese, que utiliza a energia luminosa. A fotossíntese bacteriana é também denominada fotorredução e utiliza, ao invés de água, o sulfato de hidrogênio (H2S) não liberando oxigênio. O pigmento que absorve a energia luminosa é denominado bacterioclorofila e está presente no hialoplasma uma vez que as bactérias não apresentam cloroplastos. Observe a equação geral da fotossíntese bacteriana: luz infravermelha 6CO2 + 12H2S bacterioclorofila C6H12O6 + 12S + 6H2O

Assim, percebemos que, quanto à nutrição, as bactérias podem ser: Heterótrofas Quimiossintetizantes Autótrofas Fotossintetizantes Biologia - M1

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ITAPECURSOS

1.4 – Importância das Bactérias
A maior parte das bactérias são de vida livre, exercendo papéis muito importantes como: NA INDÚSTRIA Bactérias do gênero Acetobacter oxidam o álcool etílico em ácido acético, o que constitui a base da fabricação do vinagre. Bactérias do gênero Lactobacillus promovem a conversão da lactose (açúcar do leite) em ácido lático, tornando o leite azedo e formando o coalho. A fabricação de coalhada, iogurte e queijo relaciona–se a esse processo. Bactérias do gênero Bacillus produzem certos antibióticos utilizados no combate a infecções. NA AGRICULTURA Bactérias do gênero Rhizobium associam–se a raízes de plantas da família das Ieguminosas, estabelecendo com esses vegetais uma relação de benefício mútuo denominada mutualismo. Essas bactérias formam sais nitrogenados a partir do nitrogênio atmosférico e os cedem à planta, recebendo em troca nutrientes orgânicos. Esse processo no qual as bactérias cedem sais nitrogenados à leguminosa é denominado fixação do nitrogênio. NA DECOMPOSIÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA Algumas bactérias decompõem a matéria orgânica em matéria inorgânica que será devolvida ao ambiente, garantindo a ocorrência do ciclo da matéria, imprescindível ao desenvolvimento e manutenção de todos os organismos vivos do planeta. Esses organismos são denominados sapróvoros ou saprófagos. NA DIGESTÃO DA CELULOSE Algumas bactérias vivem no estômago dos animais ruminantes, estabelecendo com eles uma relação de benefício mútuo denominada mutualismo. Essas bactérias promovem a digestão da celulose através da enzima celulase produzida por elas, recebendo em troca habitat e alimento. NA SÍNTESE DE VITAMINAS Algumas bactérias que formam a flora intestinal são capazes de produzir as vitaminas B12 e K. NA MEDICINA Algumas bactérias apresentam uma grande importância para a medicina, não só pelo fato de poderem produzir antibióticos, como pelas doenças que podem causar. NA ENGENHARIA GENÉTICA Algumas bactérias são utilizadas em laboratório nas diversas técnicas do DNA recombinante (Engenharia Genética), em função de sua simplicidade metabólica que tem facilitado as pesquisas.

1.5 . Reprodução das Bactérias
A reprodução das bactérias pode ser assexuada, quando não ocorre mistura de material genético, ou sexuada, quando ocorre mistura de material genético. REPRODUÇÃO ASSEXUADA
célula-mãe

É o principal tipo de reprodução das bactérias e ocorre por cissiparidade ou bipartição ou divisão binária. Através desse processo, uma bactéria mãe duplica o seu material genético (nucleóide) e se divide originando duas bactérias filhas geneticamente idênticas à bactéria mãe, não ocorrendo assim variabilidade genética. A conjunto de organismos geneticamente idênticos originados por processo assexuado de reprodução denominamos CLONE. REPRODUÇÃO SEXUADA Através da reprodução sexuada ocorre a recombinação de material genético de bactérias diferentes, permitindo o surgimento de grande variedade de tipos dentro da espécie. Essa variabilidade genética é importante na evolução, acelerando os processos evolutivos. A reprodução sexuada das bactérias pode ocorrer através de três processos: conjugação, transformação e transdução.

duplicação do material genético

divisão da célula

Células-filhas

Cissiparidade em bactéria

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ITAPECURSOS

a) Conjugação
É a transferência unidirecional de material genético (DNA) de uma bactéria doadora a outra receptora através de uma ponte citoplasmática. As bactérias doadoras possuem um material genético denominado fator fertilidade (bactérias F+) que não está presente nas bactérias receptoras (bactérias F–). Em qualquer mecanismo de recombinação gênica em bactérias, somente uma fração do cromossomo da bactéria doadora é doado para a bactéria receptora. Essa fração doada corresponde à porção duplicada do seu cromossomo. A bactéria receptora ficará com uma constituição genética diferente das duas células iniciais e realiza divisão binária originando duas células iguais a ela.

b) Transformação
É a transferência de DNA livre de uma bactéria para outra sem contato celular. Ocorre quando o material genético (DNA) de uma bactéria encontra–se disperso no meio e é incorporado por outra bactéria ao seu DNA, transmitindo–o juntamente com seu cromossomo às células filhas por cissiparidade.

Conjugação - observe a tranferência do segmento 1 do cromossomo (DNA) da bactéria A para a bactéria B.

Transformação
Pneumococos capsulados mortos pelo calor Pneumococos capsulados mortos + pneumococos vivos não capsulados

Pneumococos capsulados vivos

Pneumococos não capsulados vivos

Injetados em camundongos

Injetados em camundongos

Injetados em camundongos

Injetados em camundongos

causam a morte dos indivíduos

não causam a morte dos indivíduos

não causam a morte dos indivíduos

causam a morte dos indivíduos. No sangue dos camundongos mortos são encontrados pneumococos capsulados vivos

Situação prática envolvendo a Transformação Bacteriana

c) Transdução
É a transferência de material genético (DNA) de uma bactéria a outra através de vírus bacteriófagos. Na transdução, um vírus bacteriófago introduz o seu DNA na bactéria hospedeira, estabelecendo um ciclo lisogênico, já que o DNA viral se incorpora ao DNA bacteriano. A transdução se completa quando o DNA viral se desprende do cromossomo bacteriano retirando parte do DNA da bactéria. Formam-se novos vírus através do ciclo lítico portando gens da bactéria hospedeira que sofre lise. Quando esses vírus parasitam outras bactérias transmitem a elas esses gens.

1.6 – Formação de Esporos
Em condições adversas, algumas bactérias formam estruturas de resistência denominadas esporos. Na forma de esporos, as bactérias permanecem em estado de vida latente e, ao encontrar condições favoráveis, passam a se reproduzir ativamente. O processo de formação de esporos é denominado esporulação. Os esporos bacterianos podem ser também denominados endósporos e são capazes de sobreviver em meios muito ácidos ou muito básicos, temperaturas muito altas ou muito baixas e em outras condições adversas. Uma bactéria de grande interesse médico capaz de sofrer esporulação é o Clostridium tetani, agente etiológico (causador) do tétano. Biologia - M1

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1.7 – Principais Doenças Bacterianas
As principais doenças bacterianas que ocorrem na espécie humana são: tétano, coqueluche, tuberculose, hanseníase, gastroenterite, sífilis, blenorragia, cólera, meningite, pneumonia, botulismo, leptospirose, peste bubônica, febre tifóide, brucelose, escarlatina e outras. O quadro a seguir resume as características de algumas doenças bacterianas.
DOENÇA AGENTE ETIOLÓGICO (causador da doença) Clostridium tetani (Bacilo de Nicolaier) Corynebacterium diphteriae (Bacilo de Klebs Löeffler) Bordetella pertussis Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch) Mycobacterium leprae (Bacilo de Hansen) Salmonella sp TRANSMISSÃO Penetração dos esporos bacterianos (formas de resistência) em ferimentos. Penetração da bactéria pelas vias respiratórias Penetração da bactéria pelas vias respiratórias e digestivas. Penetração da bactéria pelas vias respiratórias e digestivas. Penetração da bactéria pelas vias respiratórias, digestivas e através da pele. Penetração da bactéria pelas vias digestivas. Penetração da bactéria através de relação sexual, transfusão de sangue, vias digestivas e da mãe para o feto através da placenta. Penetração da bactéria através de relação sexual e no canal do parto. Penetração da bactéria pelas vias digestivas. Penetração da bactéria pelas vias respiratórias .
Penetração da bactéria pelas vias respiratórias Penetração da bactéria, encontrada em conservas e alimentos enlatados, pelas vias digestivas. Penetração da bactéria, encontrada na urina de ratos contaminados, pelas vias digestivas. Penetração da bactéria pela pele através da picada da pulga do rato.

PROFILAXIA . Vacina tríplice. . Higienização dos ferimentos. . Tratamento dos doentes. . Vacina tríplice. . Tratamento dos doentes. . Vacina tríplice. . Tratamento dos doentes. . Vacina BCG. . Tratamento dos doentes. . Higiene corporal. . Tratamento dos doentes.

Tétano Difteria (crupe) Coqueluche

Tuberculose

Hanseníase (lepra) Gastroenterite

. Educação sanitária. . Saneamento básico. . Tratamento dos doentes. . Educação sexual. . Seleção rigorosa dos doadores de sangue. . Tratamento dos doentes. . Educação sexual. . Tratamento dos doentes. . Educação sanitária. . Saneamento básico. . Tratamento dos doentes. . Vacinação. . Tratamento dos doentes.
. Tratamento dos doentes. . Evitar o uso de conservas e enlatados com embalagem danificada. . Tratamento dos doentes. . Higiene alimentar. . Tratamento dos doentes.

Treponema pallidum Sífilis

Blenorragia (gonorréia) Cólera

Neisseria gonorrhoeae (Gonococo) Vibrio cholerae

Meningite
Pneumonia

Neisseria meningitidis (Meningococo)
Diplococcus pneumoniae (Pneumococo) Clostridium botulinum

Botulismo

Leptospirose

Leptospira icterohaemorragiae

Peste Bubônica

Pasteurella pestis

. Higiene pessoal. . Tratamento dos doentes.

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1.8 – Antibióticos
São substâncias químicas produzidas por algumas espécies de bactérias e fungos. Essas substâncias podem ter ação de inibir a reprodução (bacteriostáticos) ou matar (bactericidas) microorganismos. Os antibióticos são utilizados em larga escala no combate a doenças bacterianas, porém seu uso indiscriminado pode trazer sérias conseqüências para o organismo humano como: seleção de bactérias naturalmente resistentes ao seu efeito, reações alérgicas, lesões hepáticas e renais, destruição da flora bacteriana intestinal, entre outras. Um importante método de estudo para determinar a ação dos antibióticos sobre certas bactérias é o antibiograma. Através dele, verifica–se a resistência ou a sensibilidade de uma bactéria a numerosos antibióticos.

2 – CIANOBACTÉRIAS 2.1 – Características Gerais
Também denominadas cianofíceas ou cianófitas ou algas azuis, apresentam externamente à membrana citoplasmática a parede celular que contém celulose. A denominação algas azuis atribuída a esses organismos é inadequada uma vez que sua coloração é muito variada (azul, marrom, vermelha, etc.). As cianobactérias podem ser diferenciadas das demais algas por apresentarem uma organização celular procariota e ausência de organelas citoplasmáticas limitadas por membrana lipoprotéica. São organismos autótrofos fotossintetizantes, apresentando pigmentos como ficocianina (azul), clorofila (verde), xantofila (amarelo), caroteno (amarelo) e ficoeritrina (vermelho). A coloração da cianobactéria depende do pigmento predominante. Esses pigmentos estão presentes no citoplasma e aderidos a pregas da membrana citoplasmática, já que esses organismos não apresentam plastos. A fotossíntese da cianobactéria, ao contrário das bactérias, utiliza água e libera oxigênio para o ambiente. A principal substância de reserva energética é o amido das cianofíceas. Observe a equação geral da fotossíntese das cianobactérias, demais algas e vegetais superiores: Luz 6CO2 + 12H2O Clorofila C6H12O6 + 6H2O + 6O2

A maioria das cianobactérias formam colônias que habitam os mais variados ambientes como água doce, água salgada, solo úmido, rochas úmidas, troncos de árvores e fontes hidrotermais. O nucleóide de uma cianobactéria contém DNA e proteínas, estando o RNA presente no citoplasma, associado às proteínas, formando os ribossomos.

2.2 . Importância das Cianobactérias
As cianobactérias são importantes, já que algumas espécies são capazes de fixar o nitrogênio atmosférico formando sais nitrogenados. Juntamente com outras algas, formam o fitoplâncton marinho, liberando grande quantidade de oxigênio para o ambiente. São também consideradas organismos pioneiros em uma sucessão ecológica.

Envoltório viscoso

Parede Celular Membrana plasmática

2.3 . Reprodução das Cianobactérias
A reprodução das cianobactérias é sempre assexuada. Nas espécies de vida isolada ocorre a cissiparidade, enquanto nas espécies que formam colônias ocorre a hormogonia. A hormogonia consiste na fragmentação da colônia em pequenos pedaços, denominados hormogônios, que crescem por divisão celular originando novas colônias. Em condições adversas, algumas espécies de cianobactérias podem formar esporos (formas de resistência semelhantes aos das bactérias, denominados acinetos. Esses esporos se destacam da colônia e crescem originando novas colônias. Além de acinetos, algumas espécies possuem uma célula especial denominada heterocisto com parede mais espessa e transparente. Acredita–se que o heterocisto esteja relacionado ao processo de fixação do nitrogênio.
Pigmentos Membrana fotossintética

Ribossomos Cromatina Inclusões

Estrutura de uma Cianobactéria

Cianobactéria colonial (filamentosa)

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lV – REINO PROTISTA
INTRODUÇÃO
O Reino Protista compreende organismos unicelulares e pluricelulares que já apresentam organização celular eucariota. A célula eucariota apresenta carioteca ou membrana nuclear delimitando um núcleo verdadeiro, além de organelas citoplasmáticas limitadas por membrana lipoprotéica. Apesar de alguns representantes serem pluricelulares, os protistas nunca formam tecidos diferenciados. Algas e protozoários são classificados no reino Protista.

1 . ALGAS 1.1. Características Gerais
São organismos autótrofos fotossintetizantes que apresentam clorofila e outros pigmentos no interior de cloroplastos. Todas as algas apresentam clorofila, caroteno e xantofila, muitas vezes associados a outros pigmentos. A coloração de uma alga depende do pigmento predominante que apresenta. Assim, nas algas verdes ou clorófitas, predomina a clorofila (pigmento verde) enquanto nas algas douradas ou crisófitas, predomina a fucoxantina (pigmento marrom). Algumas espécies de algas são unicelulares (isoladas ou coloniais) e outras pluricelulares, essas últimas denominadas talófitas já que o seu corpo é denominado talo. Como nos demais protistas, não ocorre a formação de tecidos diferenciados. As algas vivem em água salgada, água doce e em ambiente terrestre úmido. A maioria das espécies aquáticas flutuam na superfície da água formando o fitoplâncton que apresenta grande importância ecológica em função da liberação de grande quantidade de oxigênio para o ambiente. Sabe–se que mais de 90% de toda a fotossíntese realizada no planeta Terra se deve às algas planctônicas, que são importantes no processo de purificação da atmosfera. Dessa forma, as algas constituem a base das cadeias alimentares formando o nível dos produtores. As substâncias de reserva das algas variam entre as diversas divisões. Podemos encontrar amido, óleos, laminarina, manitol, paramilo e outros. A parede celular é encontrada na grande maioria das algas sendo normalmente constituída de celulose associada a outras substâncias como sílica, pectina, algina e outras.

1.2. Classificação das algas
As algas são classificadas em várias divisões com base em vários critérios sendo que os principais são: pigmentos, constituição da parede celular e substâncias de reserva alimentar. As principais divisões são: Euglenófitas, Clorófitas, Crisófitas, Feófitas, Rodófitas e Pirrófitas. EUGLENÓFITAS São algas unicelulares, flageladas e verdes que não apresentam parede celular. A maioria das espécies vive em água doce e apresenta uma estrutura denominada vacúolo contrátil ou pulsátil capaz de expulsar o excesso de água que entra na célula por osmose. Apresentam paramilo (isômero do amido) como substância de reserva alimentar. Os principais pigmentos que apresentam são clorofila e caroteno. A locomoção ocorre através do batimento flagelar e é orientada por uma estrutura de alta sensibilidade à luz denominada estigma ou mancha ocelar. CLORÓFITAS – AS ALGAS VERDES Algumas espécies são unicelulares (isoladas ou coloniais) e outras pluricelulares. Apresentam coloração verde com grande predominância de clorofila em relação a β caroteno e xantofila, o que dá coloração verde a esses organismos. A parede celular é constituída de celulose e pectina e a principal substância de reserva alimentar é o amido. A maioria das espécies vive no ambiente aquático, com alguns representantes em ambientes terrestres úmidos. Apresentam uma importância evolutiva muito grande já que são consideradas os ancestrais das metáfitas. CRISÓFITAS – AS ALGAS DOURADAS São algas unicelulares (isoladas ou coloniais) que apresentam fucoxantina como pigmento predominante. A parede celular é constituída de pectina e sílica de consistência muito rígida denominada frústula e as principais substâncias de reserva alimentar são os óleos. São encontradas no ambiente aquático, sendo as diatomáceas as representantes mais importantes. A porção silicosa da parede das diatomáceas é sedimentada com a morte dessas algas, formando, com o passar do tempo, um material rochoso denominado diatomito ou terra de diatomáceas. Esse material é utilizado como refratário, em filtros de piscinas e como abrasivo em dentifrícios.

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FEÓFITAS – AS ALGAS PARDAS São algas pluricelulares que apresentam fucoxantina e feoficeína como pigmentos predominantes. A parede celular é constituída de celulose e algina e as principais substâncias de reserva alimentar são laminarina e manitol. São encontradas, em sua maioria, no ambiente marinho, com poucas espécies de água doce. RODÓFITAS – AS ALGAS VERMELHAS A maioria das espécies é pluricelular e a ficoeritrina é o pigmento predominante. São conhecidas como flores do mar em função da beleza do talo. A parede celular é constituída de celulose e pectina e a principal substância de reserva alimentar é o amido das florídeas. São encontradas, em sua maioria, no ambiente marinho, com poucas espécies de água doce. PIRRÓFITAS – AS ALGAS DE FOGO Também conhecidas como dinoflagelados, são algas unicelulares que apresentam alguns tipos de xantofila como pigmentos predominantes. A parede celular, quando presente, é formada por placas espessas de celulose formando uma espécie de armadura denominada lórica. As principais substâncias de reserva alimentar são amidos e óleos. São encontradas, em sua maioria, no ambiente marinho, com poucas espécies de água doce. A denominação pirrófitas (grego: pyrro = fogo) ou algas de fogo deve-se ao fato dessas algas emitirem luz própria, fenômeno esse denominado bioluminescência. Algumas espécies de pirrófitas podem proliferar exageradamente nos mares formando um fitoplâncton (organismos produtores flutuantes) de cor avermelhada. Esse fenômeno denominado maré vermelha, é responsável pelo acúmulo de toxinas que matam grande quantidade de outros organismos marinhos.

1.3 - Importância das Algas
As algas exercem papéis muito importantes como: NA PURIFICAÇÃO DA ATMOSFERA A fotossíntese promove a liberação de grande quantidade de oxigênio para o ambiente. NA INDÚSTRIA De algumas espécies de algas é extraído o ÁGAR–ÁGAR, substância utilizada como meio de cultura para bactérias e fungos. Certas algas produzem substâncias utilizadas na indústria de cosméticos e na indústria alimentícia. NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS AQUÁTICOS Algumas algas servem de alimento para muitos animais aquáticos.

1.4 . Reprodução das Algas
A reprodução das algas pode ser assexuada ou sexuada. REPRODUÇÃO ASSEXUADA Nas algas unicelulares de vida isolada ocorre a Cissiparidade. Através desse processo, uma célula mãe origina duas células filhas geneticamente idênticas à célula mãe. Nas algas coloniais (filamentosas) e pluricelulares ocorre a esporulação. Esse processo consiste na formação de células germinativas denominadas esporos que podem ser móveis (zoósporos) ou imóveis (aplanósporos). Os esporos são capazes de originar novos indivíduos.

Esporulação em Ulothrix (alga verde filamentosa)

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REPRODUÇÃO SEXUADA Ocorre através de fecundação que pode ser de três tipos, de acordo com os tipos de gametas. Assim, temos: a) Fecundação Isogâmica (lsogamia) Os gametas masculino e feminino são iguais. Ambos são células móveis flageladas. b) Fecundação Anisogâmica (Anisogamia) Os gametas masculino e feminino são semelhantes. Ambos são células móveis flageladas, porém o gameta masculino é menor e mais ágil que o feminino. Anterozóide Oosfera Isogametas c) Fecundação Oogâmica (Oogamia) Os gametas masculino e feminino são bem Fecundação Fecundação Fecundação diferentes. O gameta masculino é pequeno, móvel e flagelado, enquanto o gameta feminino é volumoso e imóvel. Os gametas Zigoto Zigoto Zigoto envolvidos na oogamia são os que A B C apresentam maior nível de especialização.
Fecundação em Algas Em A – Fecundação lsogâmica Em B – Fecundação Anisogâmica Em C – Fecundação Oogâmica

1.5 . Tipos de Ciclos Reprodutivos
São conhecidos três tipos de ciclos reprodutivos entre os vegetais. Nas algas, existem espécies que formam cada um. São eles: CICLO HAPLOBIONTE OU HAPLONTE Os indivíduos são haplóides e algumas células formam gametas por mitose. Esses promovem a fecundação formando o zigoto ou célula ovo (2n) que sofre meiose originando quatro células haplóides (n). As células haplóides formadas multiplicam-se por mitose, formando um novo indivíduo haplóide que reinicia o ciclo.

Ciclo Haplobionte

Observe que, nesse tipo de ciclo, a meiose forma gametas, razão pela qual esse tipo de divisão é denominado meiose zigótica. CICLO DIPLOBIONTE OU DIPLONTE Os indivíduos são diplóides e algumas células formam gametas por meiose. Esses promovem a fecundação formando o zigoto ou célula ovo (2n) que sofre mitoses sucessivas, formando um novo indivíduo diplóide que reinicia o ciclo. Observe que neste ciclo a meiose forma gametas, razão pela qual esse tipo de divisão é denominado meiose gamética.
Meiose (R!) Gametas n Fecundação

Talo 2n Mitoses Zigoto 2n

Ciclo Diplobionte

CICLO HAPLODIPLOBIONTE OU HAPLONTE-DIPLONTE Nesse tipo de ciclo observamos uma alternância entre uma fase de indivíduos diplóides com uma fase de indivíduos haplóides Este ciclo denomina-se metagênese ou alternância de gerações. Algumas células dos indivíduos diplóides formam esporos por meiose que são liberados e se fixam originando indivíduos haplóides. Algumas células de indivíduos haplóides formam os gametas por mitose. Esses gametas promovem a fecundação, formando o zigoto ou célula ovo (2n), que sofre mitoses sucessivas, formando um novo indivíduo diplóide que reinicia o ciclo.
Meiose (R!) Esporos n

Mitose

Talo 2n Zigoto 2n Gametas n

Talo n

Mitoses

Fecundação

Ciclo Haplodiplobionte

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Os indivíduos diplóides são denominados esporófitos já que produzem esporos, enquanto os indivíduos haplóides são denominados gametófitos por produzirem gametas. Observe que nesse tipo de ciclo a meiose forma esporos, razão pela qual esse tipo de divisão é denominado meiose espórica.

Célula onde ocorreu meiose

Zoósporos haplóides (n cromossomos) Desenvolvimento dos esporos

Meiose

Esporófito diplóide (2n cromossomos)

Gametófitos haplóides (n) Células onde ocorreram diferenciações de gametas

Fecundação

Gametas haplóides (n)

Ciclo Haplodiplobionte de Ulva (alga verde)

2 . PROTOZOÁRIOS 2.1. Características Gerais
São organismos aclorofilados, heterótrofos e unicelulares, podendo apresentar vida isolada ou colonial. Os protozoários, ao contrário dos demais protistas, não apresentam parede celular. Estão presentes nos mais variados ambientes, com espécies em água salgada, água doce e no ambiente terrestre úmido. A maioria das espécies são de vida livre. Alguns protozoários são parasitas, existindo ainda espécies comensais e espécies que estabelecem uma relação de mutualismo com outros organismos. O glicogênio é a principal substância de reserva alimentar, sendo formado através da polimerização de várias moléculas de glicose.

2.2 . Classificação dos Protozoários
Os protozoários são estudados em quatro classes. O critério usado nessa classificação é o tipo de organela de locomoção. CLASSE MASTIGOPHORA (MASTIGÓFOROS OU FLAGELADOS) Os protozoários dessa classe apresentam um ou mais flagelos, normalmente longos, relacionados à locomoção e à captura de alimento. A maioria dos flagelados são de vida livre. Algumas espécies causam doenças no homem, como os seguintes protozoários: Trypanosoma cruzi, Leishmania brasiliensis, Leishmania donovani, Giardia lamblia e Trichomonas vaginalis. Alguns protozoários denominados hipermastiginos estabelecem uma relação de mutualismo com outros organismos. Esses protozoários habitam o intestino dos cupins, produzindo a enzima celulase que digere a celulose ingerida por estes animais. CLASSE CILLIOPHORA (CILIADOS) Os protozoários desta classe apresentam muitos cílios relacionados à Flagelos locomoção e à captura de alimento. Os cílios são normalmente curtos e numerosos, apresentando um movimento vibrátil coordenado na superfície celular. A maioria dos ciliados é de vida livre, sendo encontrados principalmente Núcleo em água doce. O Balantidium coli é o único ciliado que pode parasitar o homem. Esse protozoário é encontrado com mais freqüência no intestino dos suínos. Em geral, os protozoários ciliados apresentam dois núcleos: o macronúcleo que controla as funções vitais, e o micronúcleo que controla Partículas os processos de reprodução. de A membrana citoplasmática desses protozoários apresenta duas madeira modificações: citóstoma, para a entrada de alimento, e citopígeo para a Trichonympha sp (protozoário flagelado eliminação de restos. presente no intestino dos cupins) Biologia - M1

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Nas espécies de água doce, o citoplasma contém vacúolos contráteis ou pulsáteis que eliminam o excesso de água que penetrou na célula por osmose.
Citopígeo Citofaringe Vacúolo digestivo Vacúolo contrátil cheio Citóstoma

Vacúolo contrátil vazio

Tricocistos Cílios Micronúcleo Endoplasma Macronúcleo Penículo Ectoplasma

Paramécio - protozoário ciliado

CLASSE SARCODINA (RIZÓPODOS) Os protozoários dessa classe são capazes de emitir pseudópodos, que são expansões da membrana citoplasmática, relacionados à locomoção e à captura de alimento através de fagocitose.

Fagocitose em uma ameba Amoeba proteus - protozoário rizópodo de vida livre

As amebas são os representantes típicos dos Sarcodinos. Algumas amebas são de vida livre, como Amoeba proteus. Outras são parasitas, como Entamoeba histolytica, existindo ainda espécies comensais como Entamoeba coli e Entamoeba gingivalis que vivem, respectivamente, no intestino grosso e na boca do homem. O comensalismo é uma relação ecológica interespecífica em que um dos organismos é beneficiado e para o outro a associação é indiferente. Além das amebas, essa classe contém protozoários que apresentam carapaças externas, relacionadas à proteção e sustentação, constituídas de calcário e sílica. Tais protozoários são os foraminíferos, radiolários e heliozoários. CLASSE SPOROZOA (ESPOROZOÁRIOS) Os protozoários dessa classe não apresentam organela de locomoção e são todos parasitas. As espécies mais importantes são: Plasmodium vivax, Plasmodium malariae, Plasmodium falciparum e Toxoplasma gondii.

2.3 – Reprodução dos Protozoários
A reprodução dos protozoários pode ser assexuada ou sexuada. REPRODUÇÃO ASSEXUADA Ocorre por cissiparidade e esporulação. Através da cissiparidade, o protozoário sofre uma bipartição simples, originando dois protozoários filhos idênticos ao protozoário mãe. Ocorre entre os flagelados, ciliados e rizópodos. Através da esporulação, o protozoário realiza cariocineses (divisões nucleares), e cada núcleo filho diferencia–se originando um esporo. Ocorre entre os esporozoários. Alguns protozoários, em condições adversas, podem originar formas de resistência denominadas cistos, capazes de suportar condições desfavoráveis do ambiente. Esse processo de formação de cistos é denominado encistamento. Pode ocorrer ainda o desencistamento quando as condições do ambiente forem favoráveis novamente.

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REPRODUÇÃO SEXUADA Pode ocorrer por conjugação ou por fecundação. A conjugação consiste na transferência unidirecional de material genético de uma célula a outra através de uma ponte citoplasmática. Ocorre em ciliados como o paramécio. A fecundação consiste na união dos gametas masculino e feminino formando o zigoto ou célula ovo. Ocorre em esporozoários como Plasmodium sp.

2.4 . Principais Doenças Causadas por Protozoários
Protozooses são doenças causadas por protozoários. As principais protozooses são: doença de Chagas, leishmaniose tegumentar americana, leishmaniose visceral, giardíase, tricomoníase, balantidiose, disenteria amebiana, malária e toxoplasmose. DOENÇA DE CHAGAS ou TRIPANOSOMÍASE AMERICANA ou CARDIOPATIA CHAGÁSICA ou MAL DO BARBEIRO a) Agente Etiológico: Trypanosoma cruzi. O agente etiológico é um protozoário flagelado pertencente à classe Mastigophora. b) Morfologia do parasita: É variável, conforme a fase evolutiva e o hospedeiro. O Trypanosoma cruzi apresenta um polimorfismo característico, podendo ser encontrado em três formas: Amastigota, Epimastigota e Tripomastigota. – Forma Amastigota: forma oval com núcleo grande e excêntrico. Não possui flagelo livre. É típica do hospedeiro vertebrado onde se multiplica assexuadamente por divisão binária.

– Forma Epimastigota: Forma alongada, possui flagelo com origem anterior ao núcleo. Apresenta uma pequena membrana ondulante e uma porção flagelar livre. É típica do hospedeiro invertebrado onde, em seu intestino, multiplica–se assexuadamente por divisão binária. – Forma Tripomastigota: forma alongada, possui flagelo com origem posterior ao núcleo. Apresenta uma longa membrana ondulante e o flagelo percorre toda a extensão da célula. É a forma infectante do parasita. Consideramos a extremidade anterior da célula aquela onde o flagelo se exterioriza. O T. Cruzi “caminha” na direção da porção flagelar livre. c) Habitat: No hospedeiro vertebrado: formas Tripomastigota no sangue circulante e Amastigota nos tecidos. No hospedeiro invertebrado: Formas Tripomastigota, Amastigota e Epimastigota no tubo digestivo. d) Vetor: Barbeiro hematófago contaminado. e) Ciclo evolutivo: É do tipo heteroxeno. O barbeiro hematófago contaminado, ao sugar o sangue humano, defeca nas proximidades da picada. As formas Tripomastigota metacíclico são as formas contaminantes do parasita e são liberadas nas fezes do barbeiro. O indivíduo, ao coçar-se, espalha as fezes, permitindo a penetração do parasita. Estes penetram no tecido subcutâneo e atingem a circulação sangüínea, alcançando as células do Sistema Mononuclear Fagocitário (SMF) onde se transformam em Amastigotas. As formas Amastigota multiplicam–se intensamente por divisão binária e constituem os ninhos primários de amastigota. Estas células se rompem e liberam os parasitas que caem na corrente sangüínea e convertem-se novamente em Tripomastigotas que invadem outros tecidos (células musculares, células nervosas, etc.), voltando à forma Amastigota e constituindo os ninhos secundários de amastigota, responsáveis pelas lesões orgânicas dessa doença. O barbeiro se contamina ao sugar o sangue de indivíduo com doença de Chagas, já que ingere as formas Tripomastigotas. Normalmente um barbeiro se torna infectante 20 dias após o repasto contaminante, podendo permanecer assim a vida toda (um ano, aproximadamente). Em seu tubo digestivo, a evolução das formas processa-se da seguinte maneira: Biologia - M1

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No estômago, as formas Tripomastigota ingeridas se transformam em Amastigotas. No intestino médio, as formas Amastigota formam Epimastigotas que se multiplicam intensamente por divisão binária. No intestino posterior, as formas Epimastigota continuam a se multiplicar, formando os Tripomastigotas Metacíclicas, capazes de infectar um mamífero. 1 - Penetração do Tripomastigota Metacíclico em uma célula. 2 - Transformação do Tripomastigota em Amastigota 3 - Divisões binárias sucessivas de Amastigota dentro da célula. 4 - Rompimento da célula parasitada, liberando Tripomastigota. 5 - Formas Tripomastigota no sangue circulante; podem penetrar em outra célula (1) ou serem ingeridas pelo triatomíneo (6). 6 - Formas Tripomastigota no estômago do Triatomíneo. 7 - Formação de Epimastigota no intestino médio do inseto. 8 - Formas Epimastigota em multiplicação por Divisão Binária. 9 - Transformação das formas Epimastigota em Tripomastigota Metacíclico no intestino posterior do inseto. 10 - Formas Tripomastigota Metacíclico nas fezes do Triatomíneo.

3 2
Hospedeiro vertebrado

4

5

Hospedeiro invertebrado

10

6

9 8

7

Ciclo do Tripanosoma cruzi

f) Ciclo Natural: Estudando a distribuição geográfica e o comportamento da doença de Chagas hoje, podemos inferir que ela era uma doença exclusivamente de animais e barbeiros silvestres. Admite–se que o ciclo primitivo da doença envolvia apenas mamíferos silvestres (tatu, gambá, morcego, etc.) e barbeiros. O Trypanosoma cruzi não determina lesões nesses animais, havendo, portanto, um sistema de equilíbrio entre as duas espécies. Esses animais são considerados reservatórios naturais da doença. Posteriormente, passou para o homem, na medida em que este modificou ou destruiu o ciclo silvestre natural e construiu a cafua na zona rural, onde alguns barbeiros adaptaram–se. Sua adaptação foi rápida, pois, além do abrigo, a alimentação tornou–se fácil devido à presença do homem e de seus animais domésticos (cães, gatos, etc.). A doença de Chagas tornou–se uma zoonose típica. Da zona rural tem passado para as zonas periurbana e urbana, uma vez que o camponês, no êxodo rural existente em nosso meio, constrói a favela e, junto com a mudança, traz exemplares de barbeiros. O barbeiro é um inseto hematófago que vive escondido, durante o dia, nas frestas das casas de pau–a– pique saindo à noite para alimentar–se, sugando o sangue de homens e de outros animais. g) Transmissão: Fezes do barbeiro hematófago contaminado. Transfusão sangüínea. Transmissão congênita. (Quando existem ninhos de Amastigota na placenta, que liberariam formas Tripomastigota ao nível da placenta fetal). Acidentes de laboratório. Amamentação. h) Patogenia: As alterações orgânicas resultantes de musculaturas lesadas podem aparecer, principalmente, como: a) Cardiomegalia b) Bloqueio átrio–ventricular total c) Bloqueio átrio–ventricular parcial d) Megaesôfago e) Megacólon f) Perturbações de motilidade ou outras manifestações nervosas

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i) Distribuição Geográfica: Desde o sul dos Estados Unidos ao sul da América do Sul. Não existe doença de Chagas fora do continente americano. j) Profilaxia: Combate ao barbeiro (inseticidas) que vive em frestas de casas de pau–a–pique ou cafuas de barro. Substituição de casas de pau–a–pique ou de barro por casas de alvenaria. Seleção dos doadores de sangue. Evitar desmatamentos. l) Vetores: Nem todos os barbeiros podem funcionar como vetores da doença de Chagas. Sabemos que apenas os Barbeiros Hematófagos podem transmitir o Trypanosoma cruzi para mamíferos. Os barbeiros fitófagos e predadores não transmitem a doença de Chagas. Em nosso meio, apenas 3 gêneros são capazes de transmitir o Trypanosoma cruzi: Triatoma, Panstrogylus e Rhodnius LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA ou LEISHMANIOSE CUTÂNEO-MUCOSA ou ÚLCERA DE BAURU a) Agente Etiológico: Leishmania braziliensis. O agente etiológico é um protozoário flagelado pertencente à classe Mastigophora. b) Morfologia do Parasita: É variável conforme a fase evolutiva e o hospedeiro. O parasita se apresenta sob duas formas: Amastigota e Promastigota • Forma Amastigota: Forma oval com núcleo grande e excêntrico. Não possui flagelo livre. É típica do hospedeiro vertebrado onde se multiplica assexuadamente por divisão binária.

. Forma Promastigota: Forma alongada, possui flagelo com origem anterior ao núcleo. Apresenta uma porção flagelar livre e não apresenta membrana ondulante. É típica do hospedeiro invertebrado onde, em seu intestino, multiplica–se assexuadamente por divisão binária. As formas promastigotas migram para o aparelho bucal do inseto e são inoculadas durante a sucção de sangue. c) Habitat: No Hospedeiro Vertebrado – Formas Amastigota nas células do Sistema Mononuclear Fagocitário (SMF) e lesões de mucosa. No Hospedeiro Invertebrado – Formas Promastigota no intestino e glândulas salivares do inseto. d) Vetor: Fêmea do mosquito do gênero Lutzomyia (Flebótomo ou Mosquito Palha). e) Reservatórios Naturais: – Rato Silvestre – Paca – Cotia Convém ressaltar que esta é uma doença primariamente silvestre e em zonas não florestais; o cão pode ser um reservatório doméstico do parasita. Alguns autores afirmam que o Lutzomyia não é capaz de se infectar no Homem. f) Transmissão: Picada de insetos fêmea do gênero Lutzomyia contaminado com inoculação de formas Promastigota. O ciclo evolutivo é do tipo heteroxeno. g) Patogenia: Variável. Pode apresentar caráter deformante devido a lesões ocorridas nas mucosas da região nasobucofaringeana e na pele. – No local da picada surge um nódulo que pode permanecer estável ou aumentar de tamanho formando uma úlcera pequena dentro de 1 a 2 meses. – Febre – Necrose da úlcera – Alterações vasculares e circulatórias – Adenopatia – Edema – Invasão da mucosa nasobucofaringeana (caráter deformante). O nariz aumenta de volume e o indivíduo apresenta uma “fácies leishmaniótica” típica, conhecida como “nariz de anta”. Posteriormente, pode haver comprometimento de todo o nariz e lábio superior, palato e faringe, provocando mutilações graves, impedindo a alimentação e dificultando a respiração e a fonação. Normalmente não leva o paciente à morte. Biologia - M1

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h) Distribuição Geográfica: América Central e América do Sul. i) Profilaxia: Combate ao inseto (inseticida) nas regiões em que a transmissão for domiciliar. Não dormir dentro de matas ou grutas, pois o hematofagismo do Flebótomo é principalmente crepuscular e noturno. Usar repelentes, telar as janelas ou dormir com mosquiteiros finos. Construir casas ou acampamentos de trabalhadores em derrubadas de mata a uma distância de pelo menos 500 metros da orla da mesma, pois a Lutzomyia é um inseto fraco e que voa pouco. LEISHMANIOSE VISCERAL OU CALAZAR a) Agente Etiológico: Leishmania donovani. O agente etiológico é um protozoário flagelado pertencente à classe Mastigophora. b) Morfologia do Parasita: No Hospedeiro Vertebrado – Formas Amastigota nas células do Sistema Mononuclear Fagocitário, principalmente do baço, fígado e medula óssea. No Hospedeiro Invertebrado – Formas Promastigota no intestino e glândulas salivares do inseto. c) Vetor: Fêmea do mosquito do gênero Lutzomyia (Flebótomo ou Mosquito Palha). – Cão – Raposa No Brasil, a doença possui um Ciclo Silvestre, em que o protozoário circula entre RAPOSA – INSETO – RAPOSA; e um Ciclo Doméstico, em que o protozoário circula entre CÃO – INSETO – CÃO – INSETO – HOMEM. Dificilmente os Flebótomos se infectam no Homem. e) Transmissão: Picada da fêmea do inseto do gênero Lutzomyia contaminado com inoculação de formas Promastigota. O ciclo evolutivo é do tipo heteroxeno. f) Patogenia: Os sintomas mais freqüentes são: – Febre – Hepatoesplenomegalia – Ascite – Magreza intensa – Complicações Circulatórias e Respiratórias A sintomatologia é devida principalmente às alterações que ocorrem: – aumento do volume (esplenomegalia) No Baço – dificuldade circulatória – enfarte No Fígado d) Reservatórios Naturais

{ {

– aumento de volume (hepatomegalia) – dificuldade circulatória

Na Medula Óssea

{

– anemia – diminuição das plaquetas, facilitando a gênese de hemorragias

Quando não tratada pode levar 95% dos pacientes à morte. g) Distribuição Geográfica: Mundial h) Profilaxia: – Combate ao inseto no domicílio e peridomicílio. – Eliminar todos os cães positivos e suspeitos. – Uso de repelentes e telas nas janelas ou dormir com mosquiteiros finos. GIARDÍASE OU GIARDIOSE a) Agente Etiológico: Giardia lamblia. O agente etiológico é um protozoário flagelado pertencente à classe Mastigophora. b) Morfologia do Parasita: O parasita exibe duas formas de apresentação: trofozoíto e cisto.

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. Trofozoíto: É a forma ativa do protozoário. Apresenta simetria bilateral e um formato piriforme. Apresenta 4 pares de flagelos na seguinte disposição: par anterior, par mediano, par ventral e par caudal. Na superfície ventral da célula, encontra–se um grande disco suctorial ou ventosa e por baixo desse disco, um núcleo de cada lado. No eixo longitudinal do corpo, existem 2 axonemas e podemos encontrar também duas faixas curtas que atravessam os axonemas, abaixo da ventosa, chamadas corpos basais. O disco suctorial fixa o protozoário à mucosa intestinal do hospedeiro, enquanto axonemas são importantes na sustentação da célula. Os trofozoítos multiplicam–se assexuadamente por divisão binária e constituem a forma de vida vegetativa já que nessa forma o protozoário realiza suas funções vitais. . Cisto: É a forma de resistência do protozoário. Quando a população de trofozoítos aumenta muito, inicia–se o processo de encistamento que consiste na formação dos cistos. Os cistos apresentam dupla parede que protege o protozoário contra a desidratação. Apresentam ainda 2 a 4 núcleos e 4 axonemas.

Disco suctorial

Núcleo Corpos basais Axonema

Flagelo

Trofozoíto

Os cistos constituem a forma de vida latente e são expelidos nas fezes do doente, constituindo a forma infectante do protozoário. c) Habitat: – Trofozoítos no duodeno, principalmente. – Cistos são eliminados nas fezes. d) Transmissão: Ingestão de cistos contaminando alimentos (líquidos e sólidos). O hábito das crianças de levar a mão suja à boca constantemente facilita a transmissão. Giardia lamblia é o flagelado mais comumente encontrado no intestino humano. O ciclo evolutivo é do tipo monoxeno. e) Patogenia: A maioria das infecções por Giardia lamblia são assintomáticas. No entanto, em algumas aparecem sintomas, sendo que os mais comuns são: – Dor Abdominal – Inapetência – lrritabilidade – Perda de Sono – Diarréia – Perda de Peso Sabe–se que o Trofozoíta exerce uma ação irritativa no intestino, já que adere à parede, podendo provocar uma enterite. f) Distribuição Geográfica: Mundial g) Profilaxia: – Higiene Pessoal – Tratamento da Água – Proteção dos Alimentos – Tratamento precoce do doente – Saneamento Básico TRICOMONÍASE ou TRICOMONOSE a) Agente Etiológico: Trichomonas vaginalis. O agente etiológico é um protozoário flagelado pertencente à classe Mastigophora. b) Morfologia do parasita: O parasita apresenta uma única forma denominada trofozoíto. Possui um formato piriforme com uma organela de sustentação muito típica chamada de AXÓSTILO. Essa espécie apresenta 5 flagelos, sendo 4 livres. O outro permanece aderido à membrana citoplasmática, formando uma membrana ondulante. Obs.: Esse protozoário não possui a forma cística.
Membrana ondulante Flagelos

Citoplasma Núcleo

Axóstilo

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c) Habitat: Trato geniturinário masculino e feminino. d) Transmissão: – Contato sexual – Roupas de cama – Contato com – Roupas íntimas através de Fômites secreções – Água (“Banhos de bacia”, com a água guardada e usada através de seguidamente. O Trofozoíto permanece vivo nessa água Fômites por algumas horas). – Aparelhos ginecológicos. A tricomoníase é considerada uma doença sexualmente transmissível (DST). O ciclo evolutivo é do tipo monoxeno. e) Patogenia: – No Homem – Uretrite – Corrimento purulento – Dor durante a micção

– Vaginite – Leucorréia (corrimento leitoso) – Prurido intenso Obs: Na mulher, as complicações são maiores, e o homem muitas vezes é portador assintomático, o que facilita a transmissão. – Na Mulher f) Distribuição Geográfica: Mundial g) Profilaxia: Sendo uma doença eminentemente venérea, deve-se ter os cuidados usuais e, além disso: – Educação sexual – Tratamento precoce – Higiene corporal – Esterilização dos aparelhos ginecológicos – Tratamento do homem assintomático se a esposa estiver parasitada. BALANTIDIOSE OU BALANTIDÍASE a) Agente Etiológico: Balantidium coli. O agente etiológico é um protozoário pertencente à classe Cilliophora. É o maior protozoário parasita da espécie humana e também o único protozoário ciliado que pode parasitar a espécie humana. b) Morfologia do Parasita: O parasita exibe duas formas de apresentação: trofozoíto e cisto. Trofozoíto: é a forma ativa do protozoário. Apresenta toda a célula recoberta por células e, como nos demais protozoários ciliados, possui macronúcleo e micronúcleo. Multiplica–se intensamente por divisão binária. Cisto: é forma de resistência do protozoário, sendo mais ou menos esférico com a parede lisa. Os cistos são expelidos nas fezes do doente.

Trofozoíto

c) Habitat: Trofozoítos: São encontrados na mucosa e luz do intestino grosso de suínos. Raramente no intestino do homem, macaco e cavalos. Cisto – Cistos: São eliminados nas fezes, principalmente de suínos. d) Transmissão: Ingestão de cistos contaminando alimentos (líquidos e sólidos). O ciclo evolutivo é do tipo monoxeno e) Patogenia: O Balantidium coli é, normalmente, um protozoário comensal da luz do intestino dos suínos. Na espécie humana, quando há alguma lesão na mucosa do colo e do ceco, há possibilidades de invasão secundária da mesma pelo Balantidium. Essas lesões se manifestam com febre e disenteria mucosangüinolenta. f) Distribuição Geográfica: Mundial

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g) Profilaxia: – Higiene individual dos vários profissionais que têm de trabalhar com suínos. – Criação de suínos em boas condições sanitárias, impedindo que suas fezes sejam disseminadas. – Proteção dos alimentos. – Tratamento da água. DISENTERIA AMEBIANA OU AMEBÍASE a) Agente Etiológico: Entamoeba histolytica. O agente etiológico é um protozoário que se locomove através de pseudópodos pertencente à classe Sarcodina. b) Morfologia do Parasita: O parasita exibe duas formas de apresentação: trofozoíto e cisto. Trofozoíto: é a forma ativa do protozoário. Apresenta movimentos amebóides contínuos através dos pseudópodos, não possuindo forma definida. Quando a população de trofozoítos aumenta muito, inicia-se o processo de encistamento.
Núcleo Trofozoíto Vacúolo digestivo

Pseudópodo

Cisto: é a forma de resistência do protozoário. Possui dupla parede e 4 núcleos. Os cistos são expelidos nas fezes do doente. c) Habitat: – Trofozoítos: Na luz do intestino grosso. – Cistos: São eliminados nas fezes de pessoas doentes. d) Transmissão: Ingestão de cistos contaminando alimentos (sólidos ou líquidos). Alimentos podem ser contaminados por cistos veiculados nas patas de baratas ou moscas. O ciclo evolutivo é do tipo monoxeno. e) Patogenia: A Entamoeba histolytica possui duas formas: – Forma Invasora: (Forma Magna) É a forma capaz de produzir lesões intestinais, hepáticas, pulmonares e cerebrais. – Forma não Invasora: (Forma Minuta) É a forma que não produz lesões e é encontrada na luz intestinal. A forma invasora pode provocar: – Febre – Disenteria Mucosangüinolenta – Úlceras Intestinais – Abscesso Hepático – Abscessos Pulmonares – Abscesso Cerebral f) Distribuição Geográfica: Mundial g) Profilaxia: – Higiene pessoal. – Tratamento do portador assíntomático. – Lavar os alimentos crus. – Saneamento básico. MALÁRIA OU MALEITA ou SEZÃO ou IMPALUDISMO ou FEBRE PALUSTRE ou FEBRE INTERMITENTE ou FEBRE TREME–TREME a) Agentes Etiológicos: Plasmodium vivax Plasmodium falciparum Plasmodium malariae Os agentes etiológicos são protozoários que não apresentam organela de locomoção pertencentes à classe Sporozoa.

Cisto

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b) Morfologia do Parasita: É bastante diferente nas diversas fases evolutivas como também entre cada espécie. As formas encontradas são as seguintes: – Esporozoíto – Trofozoíto jovem – Trofozoíto maduro – Esquizonte – Merozoíto – Macrogametócito – Microgametócito – Ovo ou Zigoto – Oocisto – Oocineto c) Habitat: Variado, conforme a fase do ciclo evolutivo (ver ciclo evolutivo). d) Vetor: Fêmea do mosquito do gênero Anopheles (mosquito prego). A principal espécie é o Anopheles darlingi. e) Ciclo Evolutivo: É do tipo Heteroxeno. No homem, ocorre a fase assexuada ou esquizogônica do ciclo, e no mosquito Anopheles, ocorre a fase sexuada ou esporogônica. Assim, o homem é o hospedeiro intermediário e o mosquito Anopheles é o hospedeiro–definitivo do parasita. O ciclo do Plasmodium será estudado em duas etapas, uma ocorrendo no homem e outra no mosquito Anopheles. – NO HOMEM: (Hospedeiro Intermediário) O ciclo no homem é dividido em duas fases: fase exo–eritrocítica e fase eritrocítica. Fase Exo-eritrocítica Também denominada fase pré-eritrocítica ou ciclo tissular primário, ocorre nos hepatócitos. Um mosquito fêmea infectado do gênero Anopheles, ao exercer a hematofagia, inocula esporozoítos (formas contaminantes) que caem na corrente sangüínea e alcançam o fígado, onde penetram em um hepatócito. Nessas células, os esporozoítos transformam-se em trofozoítos jovens que crescem e se transformam em trofozoítos maduros. Estes, por sua vez, formam esquizontes que sofrem esquizogonia (divisão múltipla), formando vários merozoítos que são liberados com a destruição dos hepatócitos. Cada merozoíto pode seguir dois caminhos: penetrar em outros hepatócitos e iniciar novo ciclo exo-eritrocítico ou penetrar nos eritrócitos (hemácias) e iniciar o ciclo eritrocítico. Penetrando em outros hepatócitos, os merozoítos se diferenciam em trofozoítos e estes em esquizontes que sofrem esquizogonia, formando outros merozoítos. Os hepatócitos são destruídos com liberação dos merozoítos estabelecendo, assim, um ciclo vicioso. Fase Eritrocítica Ocorre nos eritrócitos ou hemácias. Os merozoítos penetram nos eritrócitos e transformam-se em trofozoítos jovens. Estes transformam-se em trofozoítos maduros e finalmente em esquizontes. Por esquizogonia, os esquizontes formam vários merozoítos que penetram em outro eritrócito repetindo a fase eritrocítica. No interior dos eritrócitos, os merozoítos podem sofrer diferenciação, formando gametócitos masculinos (microgametócitos) e gametócitos femininos (macrogametócitos). Esses gametócitos se mantêm no sangue circulante por tempo não conhecido. – NO MOSQUITO ANOPHELES (Hospedeiro Definitivo) Ao exercer a hematofagia, o mosquito ingere todas as formas sangüíneas do parasita. Essas formas são digeridas no estômago do inseto, com exceção dos gametócitos que são precussores de gametas. No estômago do mosquito ocorre o seguinte: O gametócito feminino amadurece e transforma-se no macrogameta. O gametócito masculino amadurece e forma 8 microgametas. Estes últimos, por movimentação ativa, encontram um microgameta penetrando nele e formando o ovo ou zigoto. O ovo formado, na luz do estômago do mosquito, começa a migrar e se instala na parede do estômago. A fase móvel do zigoto chama-se oocineto e a fase encistada é o oocisto. O oocisto sofre esporogonia formando milhares de esporozoítos. Estes rompem a parede do oocisto, invadem toda a cavidade geral do inseto e chegam às glândulas salivares. O inseto, ao exercer a hematofagia, inocula, com a saliva, os esporozoítos que caem na corrente sangüínea e vão ao fígado iniciar novo ciclo exo-eritrocítico.

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Ciclo de vida do Plasmodium no homem e no mosquito Anopheles

– Picada de mosquitos fêmea do gênero Anopheles que inoculam esporozoítos. – Transfusão de sangue. g) Patogenia: As três espécies de Plasmodium que ocorrem no Brasil possuem patogenicidade diferente, e apenas o Plasmodium falciparum é capaz de levar o paciente à morte, mas as outras duas espécies provocam no homem os acessos maláricos e anemia capazes de reduzir sua resistência física e capacidade de trabalho. As esquizogonias sangüíneas provocam grande destruição de hemácias. As alterações mais freqüentes na malária são o acesso malárico e a anemia. Antes de o paciente apresentar o primeiro paroxismo ou acesso malárico, ele relata sintomas gerais de mal–estar, dor de cabeça e indisposição não característica. Em seguida a febre se acentua e, alguns dias depois, o doente apresenta o acesso malárico. Esse é caracterizado por: calafrio, calor e suor. Ocorre com a intermitência característica para cada espécie de Plasmodium, em dia e hora previstos pelo próprio paciente.Cada espécie apresenta a periodicidade própria para a repetição desse paroxismo, sendo que o P. vivax é de 48 horas, o P. falciparum, 36 a 48 horas e o P. malariae, 72 horas. Em virtude dessa periodicidade das esquizogonias sangüíneas, P. vivax é responsável pela TERÇÃ BENIGNA (48 h); P. falciparum pela TERÇÃ MALIGNA (36 a 48h) e P. malariae pela QUARTÃ BENIGNA. Durante o acesso malárico (que corresponde às esquizogonias sangüíneas) há um desequilíbrio do sódio (queda) e do potássio (aumento). Alguns autores supõem que esse desequilíbrio seja responsável pela fase do calafrio. Com a destruição das hemácias parasitadas após as esquizogonias, surge a anemia que é responsável pela anóxia de vários órgãos. O plasmódio consome grande quantidade de oxigênio nas hemácias parasitadas, além de aminoácidos e péptides. h) Distribuição Geográfica: Mundial i) Profilaxia: – Combate ao inseto (inseticida); – Uso de repelentes, telas nas janelas ou dormir com mosquiteiros finos; – Criação de peixes larvófagos que combatem a larva do mosquito transmissor (controle biológico); – Evitar acúmulo de água em locais descobertos.

f) Transmissão:

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j) Principais espécies de mosquitos transmissores Os mosquitos transmissores da malária pertencem ao gênero Anopheles, mas não são todas as espécies de Anopheles que são boas transmissoras, e sim essas quatro: – Anopheles darlingi (interior do país) – Anopheles aquasalis (região costeira do país, de São Paulo para o Norte) – Anopheles cruzi (região sul do país) – Anopheles bellator (região sul do país) TOXOPLASMOSE a) Agente etiológico: Toxoplasma gondii. O agente etiológico é um protozoário que não apresenta organela de locomoção pertencente à classe Sporozoa. b) Morfologia do parasita: O parasita exibe três formas de apresentação: trofozoíto, cisto e oocisto. • Trofozoíto: É a forma ativa do protozoário. Não apresenta organela de locomoção. • Cisto: É uma das formas de resistência dos protozoário. Possui uma membrana externa pertencente à célula parasitada e uma membrana interna produzida pelo parasita e ambas envolvendo grande número de Bradizoítos (formas encontradas durante a infecção crônica dentro do cisto). Trofozoíto de T. gondii • Oocisto Forma ovalada encontrada em fezes de gatos e outros felídeos recentemente infectados. É resultante de um processo de reprodução sexuada. c) Habitat:
Cisto de Toxoplasma gondii em tecido muscular com Bradizoítos.

Trofozoíto: Células do sistema mononuclear fagocitário, células musculares, células nervosas, líquidos e secreções:

Cisto: tecido nervoso, tecido muscular e retina. Oocisto: fezes de felídeos infectados. d) Transmissão: Ingestão de oocistos presentes em jardins, caixas de areia, latas de lixo ou disseminados por moscas, baratas, etc. Contato com trofozoíta encontrado em secreções tais como saliva, leite, esperma, etc. Ingestão de cistos encontrados em carne crua ou mal cozida. Congênita ou transplacentária (a mais grave). Transfusão de sangue. O ciclo evolutivo é do tipo heteroxeno. e) Patogenia: Toxoplasmose congênita: Pode manifestar–se com aborto, nascimento prematuro, encefalite, destruição da retina, retardamento mental, macrocefalia ou microcefalia e miocardite. Toxoplasmose adquirida (pós natal): Pode manifestar–se com comprometimento ganglionar e febre alta, cegueira, lesões cutâneas, alterações neurológicas e ataque generalizado. As duas últimas situações são fatais em poucos dias. f) Distribuição Geográfica: Mundial. g) Profilaxia: – Evitar contato íntimo com animais suspeitos. – Incinerar todas as fezes de gatos. – Proteger as caixas de areia para que os gatos lá não defequem. – Exame de toda gestante com enfartamento ganglionar ou que tenha história de aborto. – Desenvolvimento de uma vacina (já em estudos).

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V – REINO FUNGI
1 - Características Gerais
São organismos aclorofilados e heterótrofos, com alguns representantes unicelulares como as leveduras, e outros pluricelulares como os cogumelos. O corpo de um fungo pluricelular é constituído por uma série de filamentos denominados hifas que, em conjunto, formam uma massa de filamentos emaranhados denominada micélio. As células dos fungos apresentam parede celular constituída por um polissacarídeo nitrogenado denominado quitina. Os fungos estão presentes nos ambientes aquáticos e terrestres úmidos, predominando as espécies de vida livre. As espécies sapróvoras ou saprófagas realizam a decomposição da matéria orgânica atuando como agentes decompositores. Algumas espécies de fungos associam-se a certas algas formando os liquens. Outras espécies de fungos associam-se a raízes de vegetais superiores formando as micorrizas. Um pequeno número de espécies atuam como parasitas, responsáveis pelas micoses. O glicogênio é a principal substância de reserva alimentar, sendo formado através da polimerização de várias moléculas de glicose. Em função de certas características muito particulares, os fungos são classificados por alguns autores em um reino à parte (Reino Fungi). A parte da Biologia que estuda os fungos é denominada micologia.

2 - Estrutura das Hifas
As hifas que formam o corpo dos fungos pluricelulares podem ser cenocíticas ou septadas. Hifas cenocíticas não apresentam septos transversais formando uma massa multinucleada denominada cenócito. Hifas septadas apresentam septos transversais separando os núcleos. Nessas hifas, as células podem ter um núcleo haplóide ou dois núcleos pareados. Nesse caso, as hifas são chamadas dicarióticas e, portanto, diplóides. Tipos de Hifas a – Cenocítica b – Septada Haplóide c – Septada Dicariótica (Diplóide)

3 - Classificação dos Fungos
Os fungos são estudados em quatro grandes grupos: Ficomicetos, Ascomicetos, Basidiomicetos e Deuteromicetos. FICOMICETOS São os fungos mais primitivos dotados de hifas cenocíticas. Os fungos representantes mais importantes são Mucor e Rhizopus (bolor preto do pão) que se desenvolvem facilmente sobre alimentos guardados.

Rhizopus – exemplo de Ficomiceto

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ASCOMICETOS Caracterizam-se pela presença de uma estrutura reprodutora denominada asco no interior da qual formam– se quatro ou oito esporos denominados ascósporos. Os ascósporos são esporos sexuados já que são formados através de processo sexuado (fusão de núcleos seguida de meiose). Os ascos podem ser agrupados formando corpos de frutificação denominados ascocarpos. As hifas dos ascomicetos são septadas podendo ser haplóides ou dicarióticas. As hifas haplóides correspondem à geração gametofítica enquanto as hifas dicarióticas (diplóides) correspondem à geração esporofítica. Os representantes mais importantes são as leveduras como o Saccharomyces cerevisiae utilizado na produção de bebidas alcoólicas e de pão caseiro, e das várias espécies do gênero Penicillium utilizados na produção de queijos e do antibiótico penicilina.

Exemplos de Ascomicetos a – Saccharomyces b – Penicillium c – Aspergillus

BASIDIOMICETOS Caracterizam–se pela presença de uma estrutura reprodutora denominada basídio no interior do qual formam–se quatro esporos denominados basidiósporos. Os basidiósporos são esporos sexuados já que são formados através de processo sexuado (fusão de núcleos seguida de meiose). Os basídios podem ser agrupados formando corpos de frutificação denominados basidiocarpos. Os basidiocarpos apresentam comumente a forma de uma umbela ou chapéu onde os basídios estão situados em sua face inferior. Os basidiomicetos são os fungos mais evoluídos e suas hifas são septadas podendo ser haplóides ou dicarióticas (diplóides) e correspondem à geração esporofítica. Os representantes mais importantes são os cogumelos e as orelhas de pau. Entre os cogumelos vale ressaltar alguns como: Agaricus campestris (champignon) Amanita sp Claviceps purpurea Psilocybe sp – comestível – venenoso – extração do LSD de efeitos alucinógenos – extração do psilocibin de efeitos alucinógenos

Exemplos de Basidiomicetos: a - Psilocybe sp b - Agaricus campestris c - Polyporus sp (orelha de pau)

DEUTEROMICETOS Também denominados fungos imperfeitos, constituem representantes que só se reproduzem de forma assexuada. O representante mais importante é a Candida albicans responsável por certos tipos de vaginite, uretrite e pelo “sapinho”.

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4 – IMPORTÂNCIA DOS FUNGOS Os fungos exercem papéis muito importantes como: NA INDÚSTRIA Várias espécies são utilizadas na produção de queijos, bebidas alcoólicas e massas de pães e bolos. NA ALIMENTAÇÃO O champignon é rico em vitaminas do complexo B, proteínas e sais minerais. NA MEDICINA Alguns fungos são agentes etiológicos (causadores) de doenças e outros podem produzir antibióticos. As micoses são doenças causadas por fungos. Candida albicans é um fungo saprófita da mucosa bucal que pode tomar-se parasita. Esporos de Aspergillus e Penicillium existentes na poeira provocam certos tipos de alergias do sistema respiratório. NA AGRICULTURA As micorrizas representam associações de fungos com raízes de plantas aumentando a superfície de absorção dessas raízes. Algumas doenças causadas por fungos parasitas em vegetais são: esporão do centeio, ferrugem do café, podridão da batata e outras. NA FARMACOLOGIA Alguns fungos fornecem matéria prima para extração de drogas de interesse médico como penicilina, LSD, psilocibin e aflatoxinas. As aflatoxinas são toxinas produzidas no metabolismo de certos ascomicetos como Aspergillus flavus que ataca sementes de leguminosas como feijão, amendoim e soja, além de gramíneas como arroz, trigo e milho. As aflatoxinas causam intoxicações hepáticas e existem indícios de que apresentam efeito cancerígeno. NA DECOMPOSIÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA Alguns fungos decompõem a matéria orgânica em matéria inorgânica que será devolvida ao ambiente, garantindo a ocorrência do ciclo da matéria. Esses organismos são denominaclos sapróvoros ou saprófagos. NA ENGENHARIA GENÉTICA Alguns fungos constituem um ótimo material nas diversas técnicas do DNA recombinante (engenharia genética). 5– REPRODUÇÃO DOS FUNGOS A reprodução dos fungos pode ser assexuada ou sexuada. REPRODUÇÃO ASSEXUADA Nos fungos mais simples ocorre a esporulação que consiste na formação de esporos que podem originar novos indivíduos. Os tipos mais importantes de esporos são: ascósporos e basidiósporos.
Basidiósporos
Asco

Ascósporos

a) Ascósporos São formados em número de 4 ou 8 no interior de esporângios denominados ascos. b) Basidiósporos
Célula com dois núcleos haplóides Núcleo diplóide Quatro núcleos haplóides resultantes da meiose

Asco contendo 8 ascóporos

Basídio

São formados em número de 4 no interior de esporângios denominados basídios.

Formação dos basidiósporos no basídio

Em leveduras (ascomicetos) ocorre reprodução assexuada por brotamento ou gemação ou gemiparidade. Formam-se brotos ou gemas no organismo mãe que aumentam de tamanho formando indivíduos isolados ou formando colônias.

Brotamento na levedura Saccharomyces cerevisiae

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REPRODUÇÃO SEXUADA Ocorre através da fecundação. Nos fungos esse processo é resultado da fusão de duas hifas designadas uma como positiva (+) e outra como negativa (–). Muitas vezes, os núcleos da duas hifas haplóides não se fundem, originando hifas com dois núcleos (hifas dicarióticas) em cada célula. ALTERNÂNCIA DE GERAÇÕES (METAGÊNESE) Nos fungos mais desenvolvidos ocorre alternância de gerações que pode ser ilustrada no ciclo reprodutivo de um basidiomiceto. 6– CICLO REPRODUTIVO DE UM BASIDIOMICETO Os basidiocarpos (corpos de frutificação dos basidiomicetos) apresentam a forma de um chapéu onde os basídios estão situados em sua face inferior, na superficie de inúmeras lâminas radialmente simétricas. Essas lâminas, em conjunto, formam uma estrutura denominada himênio. Cada basídio forma quatro esporos (basidiósporos) haplóides através de meiose espórica. Quando cada basidiósporo cai em solo rico em substâncias orgânicas, forma-se um grande micélio subterrâneo, constituído de hifas haplóides, septadas e mononucleadas. Hifas fisiologicamente diferentes (+ e –) se fundem ocorrendo a plasmogamia (fusão dos citoplasmas) sem contudo ocorrer a cariogamia (fusão dos núcleos). Forma-se, assim, um micélio por hifas septadas e dicarióticas (diplóides) que apresentam em cada célula dois núcleos pareados. O novo micélio produzirá basidiocarpos com hifas septadas e dicarióticas (diplóides). Somente no interior dos basídios é que ocorre a cariogamia (fusão dos núcleos), seguida de meiose, formando assim os basidiósporos haplóides que reiniciam o ciclo. Pela descrição do ciclo reprodutivo, percebe-se que há uma nítida alternância de gerações, onde o esporófito (2N) é representado pelo basidiocarpo e o gametófito (N) pelas hifas de células haplóides mononucleadas.
Basidiocarpo (=corpo de frutificação)

Solo Micélio de hifas dicarióticas no solo Himênio

E (2n)
Hifa dicariótica Lamela Basídios com basidiósporos Basídio Jovem com dois Núcleos Haplóides

Plasmogamia (Fusão de hifas)

Basídios com núcleo diplóide

R! (Meiose) Hifa haplóide Basidiósporos

G (n)
Hifa haplóide Basidiósporo em germinação Basídio

Ciclo reprodutivo de um basidiomiceto

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VI – LIQUENS
1 - Características Gerais
Os liquens são protistas resultantes da associação permanente de uma alga com um fungo. As algas são representadas por certas espécies de cianófitas e clorófitas, enquanto que entre os fungos aparecem os ascomicetos e os basidiomicetos. A relação ecológica estabelecida entre alga e fungo na formação de um líquen é do tipo mutualismo. O mutualismo é uma associação permanente inter-específica com benefício mútuo. Percebe-se que, nos liquens, a alga realiza fotossintese alimentando as células do fungo. Este envolve as células da alga com suas hifas, protegendo-as, além de absorver água e sais minerais do ambiente que são cedidos à alga. O habitat dos liquens é bastante variado, sendo encontrados em troncos de árvores, no solo e em material rochoso.

CLADONIA

PARMELA

USNEA (BARBA DE VELHO)

Alguns liquens sobre um tronco

2 - Reprodução dos Liquens
A reprodução dos liquens é sempre assexuada. Ocorre através de sorédios que são pequenos propágulos formados por algumas células da alga envolvidas por hifas do fungo. Esses propágulos destacam-se do corpo do líquen e são disseminados pelo vento. Ao encontrar ambiente favorável, cada sorédio cresce e constitui um novo líquen.

3 - Importância dos Liquens
Os líquens são organismos pioneiros em uma sucessão ecológica que se estabelece numa rocha nua. Os líquens produzem um ácido que degrada a rocha, favorecendo a abertura de fendas onde ocorre acúmulo de água. Isso cria condições para a formação de um solo e, a partir daí, o crescimento de inúmeras espécies de vegetais e animais, caracterizando uma sucessão ecológica.

Hifa Alga

Estrutura de um sorédio

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Novo Rumo de Ensino

BIOLOGIA

Citologia
1) (FCMMG) O composto inorgânico mais abundante das células, da substância intercelular e dos líquidos orgânicos é a água. Com relação à mesma, está INCORRETO: a) Atua na regulação térmica e ácido-básica. b) Atua como solvente de outras substâncias. c) Participa da regulação osmótica dos meios intra e extra-celulares. d) Constitui uma das principais fontes de energia para os seres vivos. e) Serve como veículo para transporte de outras substâncias em mecanismos de secreção e absorção. 2) (UFMG)

Temperatura ambiente = -2º C Temperatura do corpo = 36,5º C

Temperatura ambiente = 40º C Temperatura do corpo = 36,5º C

A principal substância que atua na manutenção da temperatura corporal humana é: a) água b) proteína c) lípide d) carboidrato

e) enzima

3) (PUC-SP) O bócio endêmico é o aumento da glândula tireóide, doença muito comum em regiões interioranas do país. Esta doença relaciona-se com a falta de: a) cálcio b) fósforo c) potássio d) iodo e) ferro 4) (UFMG) Segundo estudo feito na Etiópia, crianças que comiam alimentos preparados em panelas de ferro apresentaram uma redução da taxa de anemia de 55 para 13%. Essa redução pode ser explicada pelo fato de que o ferro, a) aquecido, ativa vitaminas do complexo B presentes nos alimentos prevenindo a anemia. b) contido nos alimentos, se transforma facilmente durante o cozimento e é absorvido pelo organismo. c) oriundo das panelas, modifica o sabor dos alimentos, aumentando o apetite das crianças. d) proveniente das panelas, é misturado aos alimentos e absorvido pelo organismo. 5) (UFMG) Observe a reação de hidrólise: Essa hidrólise ocorre no processo de a) digestão b) excreção Biologia - M1 c) fotossíntese
C12H22O11 H 2O C6H12O6 + C6H12O6

d) sudação

e) transpiração

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6) (UFMG) Todas as alternativas apresentam substâncias que exercem importantes funções nos seres vivos e são macromoléculas constituídas de aminoácidos, EXCETO: a) Actina b) Albumina c) Celulose
R H 2N C H COOH

d) Colágeno

e) Queratina

7) (UFMG) Considere a fórmula:

Essa é a fórmula geral que representa importantes substâncias presentes nos seres vivos e que diferem entre si pela composição do radical R. Essas substâncias ligam-se formando grandes moléculas orgânicas. Em relação a essas substâncias e às moléculas orgânicas formadas, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO: a) A composição das moléculas orgânicas formadas é determinada geneticamente. b) A ligação química, na formação das moléculas, é feita através do radical R. c) As moléculas orgânicas formadas podem exercer funções enzimáticas. d) O colágeno e a queratina são exemplos dessas moléculas orgânicas e existem nos vertebrados. e) Os seres humanos são incapazes de produzir alguns tipos dessas substâncias. 8) (UFMG) Este gráfico indica as velocidades de reação das enzimas I, II e III em função do pH do meio.
Velocidade da Reação

Com base no gráfico e em seus conhecimentos, é correto afirmar-se que: a) a enzima I age numa faixa de pH mais estreita do que II e III. b) a enzima II pode sofrer desnaturação no pH 2. c) as três enzimas atuam sobre o mesmo substrato. d) as três enzimas possuem a mesma temperatura ótima de ação.

9) (UFMG) Mantendo-se constante a concentração de uma enzima de célula humana, o efeito da temperatura sobre a velocidade da reação é melhor representado pelo gráfico: a) b)

c)

d)

e)

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10) (UFMG) Observe o quadro: Composição do leite humano e de outros leites, em 100 ml. Tipos de leite Leite humano Leite de vaca, fresco Leite em pó, reconstituído Leite de jumenta Leite de cabra Calorias 45 63 70 43 92 Proteínas (g) 1,1 3,1 3,7 1,7 3,9 Lipídios (g) 1,0 3,5 3,8 1,2 6,2 Carboidratos (g) 8,1 5,0 5,3 6,5 5,4

Com base nesse quadro, é INCORRETO afirmar-se que: a) o leite de jumenta é o mais parecido com o leite humano. b) o leite de cabra tem cerca de 3,5 vezes mais proteínas do que o leite humano. c) o leite em pó é o que mais se assemelha ao leite de vaca. d) o leite de vaca é o mais gorduroso. e) os leites de vaca e de cabra são mais energéticos do que o leite humano. 11) (PUC-MG) O método de coloração de Feulgen é específico para DNA. As estruturas ácidas são basófilas quanto à afinidade tintorial. Assim sendo, o nucléolo é uma estrutura celular: a) Feulgen positiva e acidófila. b) Feulgen positiva e basófila. c) Feulgen negativa e basófila. d) Feulgen negativa e acidófila. e) Feulgen positiva e neutrófila.

12) (UFMG) Se o total de bases nitrogenadas de uma seqüência de DNA de fita dupla é igual a 240 e se nela existirem 30% de Adenina, o número de moléculas de Guanina será: a) 48 b) 72 c) 120 d) 144 e) 168 13) (UFRS) Nas longas viagens marítimas, durante a Idade Moderna, eram comuns, entre os marinheiros, surtos de escorbuto, doença que se caracteriza por hemorragias espontâneas nas mucosas, redução na ossificação e deficiência nos processos de cicatrização. Isso era devido à: a) longa exposição dos marinheiros à maresia. d) excessiva alimentação à base de peixe. b) longa exposição dos marinheiros ao sol tropical. e) ingestão permanente de água poluída. c) alimentação deficiente em vitamina C. 14) (CESGRANRIO) As manifestações relacionadas na primeira coluna são atribuídas à carência de vitaminas na dieta do homem. Assinale as vitaminas responsáveis relacionadas na segunda coluna, de acordo com a seqüência em que são citadas as manifestações de carência: ( ) beribéri (1) vitamina A a) 1, 2, 4, 5, 6 ( ) cegueira noturna (2) vitamina B1 b) 1, 2, 5, 4, 6 ( ) escorbuto (3) vitamina B2 c) 2, 1, 5, 4, 6 ( ) anemia perniciosa (4) vitamina B12 d) 2, 1, 3, 4, 5 ( ) dificuldade de coagulação (5) vitamina C (6) vitamina K 15) (PUC-SP) De acordo com o modelo moderno, correntemente aceito, proposto por Singer e Nicolson, a membrana plasmática é constituída por: a) um folheto triplo, onde uma camada bimolecular de lipídios se localiza entre duas camadas de proteínas. b) três folhetos lipídicos, sendo dois de triglicerídeos e um de fosfatídeos. c) dois folhetos ligados por pontes de hidrogênio, um de polissacarídeos e outro de ácidos graxos de peso molecular elevado. d) uma camada bimolecular de lipídios, com proteínas variando de posição, de acordo com o estado funcional da membrana. e) nenhuma das anteriores.

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16) (UFMG) Analise o esquema abaixo, referente a três fases de um fenômeno biológico.

Em relação ao fenômeno biológico representado, é CORRETO afirmar-se que: a) 1 pode representar um macrófago ou um leucócito. b) 2 não pode ser uma bactéria. c) esse fenômeno denomina-se pinocitose. d) esse fenômeno envolve a participação de enzimas hidrolíticas. e) esse fenômeno pode ser observado somente ao microscópio eletrônico. 17) (FCMMG)
EXOCITOSE Proteína secretada Proteína que permanece na membrana ENDOCITOSE Receptor

A

B

C

D

Vesícula revestida

O esquema acima representa mecanismos de transportes através da membrana citoplasmática, envolvendo moléculas de proteínas. Este processo, e outros semelhantes, são possíveis devido às propriedades da membrana, denominadas: a) Elasticidade e Regenerabilidade. b) Semipermeabilidade e Elasticidade. c) Condutibilidade e Regenerabilidade. d) Condutibilidade e Semipermeabilidade. e) Regenerabilidade e Semipermeabilidade.

18) (FUVEST-SP) As principais diferenças entre uma célula vegetal típica e uma célula animal típica são: a) presença de membrana plasmática e núcleo nas células animais e ausência destas estruturas nas células vegetais. b) presença de mitocôndrias e plastos nas células vegetais e ausência destas estruturas nas células animais. c) presença do complexo de Golgi e mitocôndrias nas células animais e ausência destas estruturas nas células vegetais. d) presença de plastos e parede celulósica nas células vegetais e ausência destas estruturas nas células animais. e) presença de mitocôndrias e parede celulósica nas células vegetais e ausência destas estruturas nas células animais.

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19) (UFMG) O esquema representa um modelo de célula com alguns de seus componentes numerados de 1 a 8. Com relação aos componentes indicados, a alternativa TOTALMENTE CORRETA é: a) 1 caracteriza células vegetais e 2 é a membrana celular. b) 3 é o retículo endoplasmático liso e 4 é um lisossomo. c) 5 e 7 ocorrem em células procariotas e eucariotas. d) 6 realiza a fotossíntese. e) 8 é o local da síntese de macromoléculas orgânicas.
3 2

4

5 6 7 8

1

20) (UFMG) A doença de Tay-Sachs, que provoca sintomas em crianças de poucos meses, deve-se à deficiência de certas enzimas lisossomais, que digerem um lipídio da célula nervosa. O acúmulo do lipídio prejudica o funcionamento do sistema nervoso. As enzimas e o organóide citados, que participam do processo acima referido, são originados respectivamente do: a) Retículo rugoso e complexo do Golgi d) Mitocôndria e retículo rugoso b) Retículo liso e retículo rugoso e) Complexo de Golgi e complexo de Golgi c) Complexo de Golgi e retículo liso 21) (UFMG) O desenvolvimento de seres multicelulares depende da morte programada de certas células. Esse fenômeno biológico, regulado por genes, é conhecido como apoptose e está ilustrado nestas figuras:

Membrana interdigital

Durante a metamorfose, desaparecem as guelras, as nadadeiras e a cauda.

No embrião, os sulcos dos dedos das mãos são formados como conseqüência da morte das células das membranas interdigitais

I

II

Com base nas informações dessas figuras e em outros conhecimentos sobre o assunto, é INCORRETO afirmar que a) a apoptose que ocorre no caso I resulta da ação de enzimas digestivas presentes nos lisossomos. b) A ausência de apoptose, no caso ilustrado em II, pode dificultar uma melhor exploração do ambiente. c) A ocorrência de alterações nos genes responsáveis pela apoptose, nos casos I e II, pode ser transmitida aos descendentes. d) A apoptose, no caso II, ocorre devido a um processo inflamatório.

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22) (FCMMG) A Silicose é uma grave doença, com perda progressiva da capacidade ventilatória dos pulmões, encontrada comumente em trabalhadores de minas. Partículas de sílica destroem uma organela citoplasmática, causando extravasamento de enzimas, que leva à morte celular. A organela acima referida é: a) Lisossoma b) Mitocôndria c) Complexo de Golgi d) Retículo Endoplasmático 23) (UFMG) Para resolver esta questão, utilize a tabela abaixo, que relaciona diversos códons de RNA mensageiro aos aminoácidos codificados por eles. Códons do mRNA AAA AAG AGG AUA AUG CCA CCG Aminoácidos lisina lisina arginina isoleucina metionina prolina prolina Um dos modos de atuação do ácido nitroso, como agente mutagênico, é a transformação da base nitrogenada citosina em uracila, nas moléculas de DNA. A uracila assim formada conserva as mesmas propriedades de formação de ponte de hidrogênio da uracila encontrada em RNA. Suponha que o segmento de DNA: 3’ ... TTC TCC GGC TAC ... 5’ tenha sofrido a ação do ácido nitroso e tenha tido todas as moléculas de citosina transformadas em uracila.

Pode-se concluir que a cadeia polipeptídica codificada pelo segmento de DNA original será diferente da cadeia polipeptídica codificada pelo segmento transformado em: a) quatro aminoácidos. c) dois aminoácidos. 24) (UFMG) Observe o esquema: b) três aminoácidos. d) um aminoácido. e) nenhum aminoácido.

Ü

3

Em relação ao esquema, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO: a) A eliminação de uma adenina em 4 altera toda a seqüência de códons a partir desse ponto. b) A seqüência UUU indicada em 3 é denominada códon. c) A troca de um único nucleotídeo em 3 (UUU ® UUA) poderia alterar o primeiro aminoácido da seqüência. d) O anticódon que pode reconhecer a seqüência indicada em 5 é GCT. e) Os processos indicados em 1 e 2 denominam-se, respectivamente, transcrição e tradução.

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25) O esquema representa a síntese do “bioisopor” a partir da utilização de produtos vegetais, cujas características ecológicas são mais vantajosas que as do isopor sintético.

Com a decomposição do “bioisopor”, todos os seguintes materiais são disponibilizados para a fotossíntese, EXCETO a) Água b) Gás carbônico c) Sais minerais d) Substância orgânica

26) (FCMMG) Observe a seguinte passagem: “... nesta etapa do processo, a molécula de água é quebrada, liberando os H+ que serão utilizados na redução do CO2 ao nível de carboidratos.” O citado acima refere-se à (ao): a) Ciclo de Krebs b) Ciclo do C de Calvin. c) Cadeia respiratória d) Fotofosforilação cíclica

e) Fotofosforilação acíclica.

27) (UFMG) Uma semente de roseira plantada num vaso com 2 kg de terra se transforma, em dois anos, em uma planta de 800g. Esse aumento de peso deve-se principalmente à absorção de a) matéria orgânica b) gás carbônico c) nitrogênio d) fósforo

28) (UFMG) Para se saber quais comprimentos de onda (cores do espectro) são absorvidos pelos pigmentos das plantas durante a fotossíntese, foram montados os esquemas A e B.

Com base nos dados dos esquemas e em seus conhecimentos sobre o assunto, indique a alternativa que apresenta as cores que não aparecerão no esquema B: a) Amarela e laranja b) Azul e vermelha c) Verde e vermelha d) Violeta e amarela e) Violeta e verde

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29) (PUC-MG) O processo fotossintético de uma célula eucariota é ATP-dependente e ocorre mesmo quando o cloroplasto é isolado da célula. Esse ATP é diretamente proveniente da: a) quebra da molécula de água. b) atividade mitocondrial. c) redução das moléculas de CO2. 30) (UFMG) Observe a figura: d) fotofosforilação cíclica e acíclica. e) oxidação da molécula de oxigênio.

A montagem esquematizada na figura serve para demonstrar, experimentalmente, todos os fenômenos biológicos indicados, EXCETO: a) O desprendimento de CO2 na respiração vegetal. b) O desprendimento de O2 na fotossíntese. c) O desprendimento de O2 na respiração anaeróbica. d) O efeito da concentração de CO2 na fotossíntese. e) O efeito da intensidade luminosa na fotossíntese.

31) (PUC-MG) A afirmativa INCORRETA é: a) No ciclo de Krebs há liberação de CO2. b) A fase clara da fotossíntese ocorre nos grana. c) A fotofosforilação ocorre na cadeia respiratória. d) O PGA aparece na fase escura da fotossíntese. e) A glicólise ocorre no hialoplasma e produz ATP. 32) (UFPE) O maior rendimento energético do processo de respiração aeróbica (acoplada à cadeia transportadora de elétrons) sobre a glicólise é principalmente devido à: a) maior atividade específica das enzimas envolvidas. b) maior difusão das enzimas no meio de reação. c) muito menor energia de ativação requerida. d) completa oxidação de glicose a CO2 e H2O. e) compartimentação e ordenação das enzimas envolvidas. 33) (UFMG) Observe o esquema que representa a obtenção de energia por um vertebrado: ETAPA 1 DIGESTÃO Com base nesse esquema e em seus conhecimentos sobre o assunto, é INCORRETO afirmar-se que: a) a energia produzida está armazenada na glicose. b) a etapa 1 é extracelular. c) a liberação de CO2 ocorre na etapa 2. d) as etapas 1 e 2 envolvem participação de enzimas. e) o oxigênio participa da formação de água na etapa 2.

ETAPA 2

RESPIRAÇÃO CELULAR ENERGIA

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34) (FCMMG) O gráfico ao lado representa a relação entre a intensidade luminosa e a intensidade dos processos da fotossíntese e respiração celular aeróbica. Marque a opção INCORRETA. a) Na situação A, a taxa de respiração aeróbica é superior à da fotossíntese, portanto, mais glicose é consumida. b) Na situação B, todo o oxigênio gerado na fotossíntese é consumido na respiração aeróbica. c) Na situação C, a taxa da fotossíntese supera a da respiração aeróbica: a planta libera mais O 2 do que consome e gera menos glicose do que é consumida na respiração aeróbica.

Intensidade do processo

d) Na situação C, a produção de compostos orgânicos é superior ao que é consumido, e a planta pode crescer e incorporar matéria orgânica. 35) (UFMG) Cromossomos homólogos aparecem em todas as células citadas, EXCETO: a) gametas de traíra. b) meristemáticas de plantas. c) musculares de peixes. d) epidérmicas de folhas. e) ganglionares de minhoca.

36) (U.F. Uberlândia-MG) Com respeito ao cromossomo ao lado esquematizado, sabemos que: a) o número 1 indica a constrição secundária. b) ele é do tipo metacêntrico. c) o nucleotídeo está indicado pelo número 2. d) o número 3 indica o telômero. e) o centrômero está indicado pelo número 4. 37) (UFMG) Analise a figura que representa um cariótipo humano.

Com base na análise da figura, pode-se concluir que o indivíduo com esse cariótipo: a) apresenta cromatina sexual. b) é normal e possui 46 cromossomos. c) é portador de trissomia do cromossomo 21. d) possui fenótipo feminino. e) tem alteração numérica dos autossomos.

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38) (UFMG) Analise o gráfico: Com base nas informações desse gráfico, todas as afirmativas sobre a correlação entre o nascimento de crianças com síndrome de Down e idade materna estão corretas, EXCETO: a) A freqüência aumenta com a idade avançada. b) A freqüência esperada aos 40 anos é cerca de 0,5%. c) A incidência aos 35 anos é, aproximadamente, a metade da incidência aos 40 anos. d) A incidência aos 45 anos é, aproximadamente, três vezes maior que aos 40 anos. e) A probabilidade de incidência abaixo de 20 anos é zero.

39) (UFMG) Analise o esquema referente aos três processos biológicos I, II e III, realizados pelas células representadas pelos números cromossômicos N e 2N. 2N 2N N 2N N N 2N N N I II III 2N 2N 2N 2N 2N

Em relação a esse esquema, todas as afirmativas são corretas, EXCETO: a) As células N são haplóides. b) As células podem ser somáticas no processo III. c) As células sofrem mitose no processo I. d) O processo I refere-se à gametogênese. e) O processo II representa a fecundação.

40) (UFMG)

Qual a alternativa ERRADA? a) 6 e 7 terão o mesmo número de cromossomas que 3. b) 5 possuirá a metade do número de cromossomas de 1. c) Se 4 possuir o cromossoma A, 5 não poderá ter o cromossoma A’. d) 4 poderá ter qualquer uma das combinações cromossômicas seguintes: AB, A’B, AB’ e A’B’. e) 2 poderá conter os cromossomas A e A’ e 3 os cromossomas B e B’

Esquema de uma meiose normal onde a célula inicial apresenta dois pares de cromossomas homólogos: A e A’, B e B’.

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1) (UFMG) Analise, nestes rótulos de alimentos industrializados, a composição de nutrientes e valores energéticos correspondentes: CADA 100G DO PRODUTO CONTÉM EM MÉDIA: Calorias ................. 150 kcal Proteínas .................. 26,2 g Gordura Total .............. 4,4 g Carboidratos ............... 1,3 g Sódio ................... 207,4 mg Fósforo ................ 206,2 mg Cálcio .................... 19,8 mg Ferro ....................... 2,4 mg Colesterol ................. 0,03 g INFORMAÇÃO NUTRICIONAL por 100 g Valor energético kcal ............. 503 Proteínas g ............................ 26,0 Amido g ................................. 39,1 • Lactose g ............................ 39,1 Gorduras g ............................. 27,0 • Lecitina adicionada g .......... 0,2 Fibra Alimentar g ................... 0,0 Sódio mg ............................... 320 Potássio mg .......................... 1220 CONTÉM: estabilizante lecitina de soja, aroma imitação de baunilha e aroma natural de caramelo reforçado. CONTÉM GLÚTEN. Composição por 100 g: Energia ................. 400 kcal Proteínas ................... 4,0 g Carboidratos ............ 90,0 g Gorduras ................... 2,2 g Vitamina A ............. 3000 UI Vitamina D3 ............. 400 UI Vitamina C ............ 45,0 mg Vitamina B1 ............ 1,0 mg Vitamina B2 ............ 1,8 mg Vitamina B6 ............ 1,0 mg Niacina ................. 12,0 mg

I

III

II
1. A partir dessa análise, a) INDIQUE, pelo número, o rótulo do alimento que contém a menor quantidade do nutriente usado pelas células, preferencialmente, para obtenção de energia. JUSTIFIQUE sua resposta. Rótulo: Justificativa: b) DETERMINE a quantidade mínima do alimento representado no rótulo III que deve ser ingerida por uma pessoa que precisa de 2.000 kcal/dia, caso, num determinado dia, ela use apenas esse alimento. 2. No rótulo I, constam 26,2 g de proteína, que, no caso, é de peixe. Apesar de o peixe ser freqüentemente incluído na dieta do homem, essa proteína não é encontrada em células humanas. EXPLIQUE por que isso ocorre.

3. Considerando os nutrientes listados nos três rótulos, CITE aquele que poderia ser identificado pelo teste de iodo.

4. Analise a composição nutricional indicada no rótulo II. Uma dieta diária que apresente a composição nutricional configurada nesse rótulo pode provocar prisão de ventre. Essa afirmativa é verdadeira ou falsa? JUSTIFIQUE sua resposta.

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5. Complete as afirmativas que se seguem: A) Nos animais, o sódio tem atividade fisiológica porque

B) Entre outras funções, o fósforo participa da constituição de C) No corpo humano, o cálcio tem função estrutural e fisiológica porque

6. Os diversos usos de aditivos na indústria de alimentos, apesar das vantagens que oferecem, ainda causam polêmica. CITE uma vantagem e uma desvantagem do uso de aditivos em alimento. Vantagem: Desvantagem: 7. Observe o gráfico.

Com base nos dados desse gráfico e em seus conhecimentos, APRESENTE dois motivos que justifiquem o gasto de energia de uma criança brincando com uma bola quando comparado aos de um lenhador e de um digitador.

Motivo 1 : Motivo 2 : 2) (UFMG) As figuras numeradas de 1 a 8, representam várias estruturas celulares, vistas ao microscópio eletrônico.

1

2

3

4

5

6

7

8

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Analise as figuras representadas e cite: 1 - O nome do: a) Reino em que todos os representantes: - não possuem a estrutura 5:

4. No interior da organela I, por estímulo da luz, há liberação de O2, proveniente da decomposição do(a) __________________________________. 5. A incorporação de CO2 processa-se na fração, solúvel em água, denominada ______________ da organela I. 6. Na matriz da organela II dá-se liberação de CO2 e de hidrogênios. Esta última substância transfere energia para o ATP, ao nível da estrutura denominada ________________. 7. A energia armazenada no ATP da organela II provém da substância orgânica chamada glicose, sintetizada na fase _________ da função que ocorre na organela I. 8. O oxigênio liberado na organela I pode ser usado na organela II para estabilizar o H2 formando _____________________. 4) (UFMG) Analise as figuras numeradas de I a V, referentes às etapas de divisão celular em um organismo diplóide.

- possuem a estrutura 2:

- possuem a estrutura 4:

b) Grupo de seres vivos que não possui nenhuma das estruturas: 2 - O nome do(a): a) Principal substância produzida em: 1: __________________________________ 4: __________________________________ b) Processo bioquímico essencial ocorrido em: 6: __________________________________ 7: __________________________________ 3 - O número de uma estrutura diretamente envolvida em: a) Reprodução celular:

I

IV

II b) Digestão celular: III

3) (UFMG) V Com base nessas figuras, 1. CITE o tipo de divisão celular representado.
NDH AP2

1. As figuras I e II representam, de modo esquemático, respectivamente, as seguintes organelas celulares: ________________________ e ________________________. 2. A função exercida por I denomina-se fotossíntese e a exercida por II denomina-se ____________________________________. ____________________________________ 3. A função que ocorre em I apresenta duas fases distintas. A que se passa nas suas lamelas corresponde à chamada fase _______________________________.

2. INDIQUE a seqüência de números que melhor representa a ordem cronológica das etapas da divisão celular.

3. CITE o número da etapa em que ocorre a segregação de a) Cromossomos homólogos:

b) Cromátides:

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4. a) CITE o nome do importante fenômeno, do ponto de vista evolutivo, que ocorre em III.

b) JUSTIFIQUE essa importância.

Diversidade dos Seres Vivos
01 – (UFMG) “Era um burrinho pedrês, miúdo e resignado, vindo de Passa-Tempo, Conceição do Serro, ou não sei onde no sertão. Chamava-se Setede-Ouros, e já fora tão bom, como outro não existiu e nem pode haver igual.” ROSA, J.GUIMARÃES. SAGARANA. Todas as alternativas apresentam características biológicas do burrinho referido nesse texto, EXCETO: a) Produz gametas inviáveis. b) É resultante do cruzamento de égua com jumento. c) Tem características morfológicas idênticas às de um dos pais. d) É um típico exemplo de animal híbrido. 02 – (UFMG) O quadro apresenta uma amostra hipotética de uma coleta de mosquitos realizada num parque.
Ordem Diptera Família Culicidae Simuliidae Psycodidae Espécie Aedes aegypti Aedes fluviatilis Aedes scapularis Simulium metallicum Simulium amazonicum Lutzomyia pessoai Número de indivíduos 10 5 20 2 3 1

04 – (UFMG) Observe a figura.

Com relação à figura, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO: a) ocorre duplicação do DNA viral no interior da célula bacteriana. b) são produzidas novas células bacterianas a partir do DNA viral. c) são sintetizadas cápsulas protéicas virais pela célula bacteriana. d) trata-se do ciclo de um bacteriófago. e) verifica-se lise da célula bacteriana. 05 – (UNESP-SP) Em relação à AIDS, temos as seguintes afirmações: l. A doença é causada por vírus. ll. O contágio se dá principalmente por transfusão de sangue contaminado, contato sexual com portadores e uso comum de agulha por viciados em drogas. lll. A convivência com a pessoa doente em casa, no trabalho, na escola, na rua, excluídas as condições mencionadas em II, não oferece perigo de transmissão da doença. lV. A doença atua sobre o sistema imunológico, diminuindo a resistência do organismo. Considerando os conhecimentos atuais, assinale a alternativa correta: a) Se apenas II, lll e lV são corretas. b) Se apenas II e lll são corretas. c) Se apenas I, lI e lV são corretas. d) Se apenas I, lll e lV são corretas. e) Se I, II, lll e lV são corretas. Biologia - M1

Considerando-se os dados desse quadro, a biodiversidade de mosquitos é expresssa pelo número de a) espécies. c) indivíduos. b) famílías. d) ordens. 03 – (FCMMG) De acordo com o sistema de nomeclatura zoológica, é CORRETO afirmar que: a) O nome da família é formado acrescentando– se ao radical do gênero a desinência – inae. b) O gênero é escrito sempre em letra minúscula. c) Os nomes de gênero e de subgênero devem consistir em uma palavra simples, única, latina ou latinizada. d) A nomeclatura das espécies é latina e binomial, onde a primeira palavra representa a espécie e a segunda o gênero. e) Quando escrevemos Anopheles (Nyssorhynchus) darlingi queremos mostrar também a presença da subfamília que fica colocada entre parênteses.

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06 – (FCMMG) - Em relação à imunidade, assinale a opção ERRADA: a) sempre é necessário contrair a doença para adquirir imunidade contra ela. b) a imunidade que é adquirida como resultado de se ter tido doença infecciosa, como caxumba por exemplo, dura muito tempo. c) desde que o corpo tenha produzido anticorpo em resposta a um antígeno, ele retém a capacidade de produzir anticorpo semelhante por muitos anos. d) a reação antígeno-anticorpo é geralmente muito específica, e importante mecanismo de defesa para o nosso organismo.

e) os anticorpos que se formam em reação ao vírus do sarampo, por exemplo, não se combinam com outros antígenos. 07 – (CESGRANRIO) Existem organismos que, apesar de possuírem propriedades como a autoreprodução, hereditariedade e mutação, são dependentes de células hospedeiras e, por isso, considerados parasitas obrigatórios. Tais organismos incluem: a) procariontes e vírus. b) bactérias e micoplasmas. c) bactérias e vírus. d) somente bactérias. e) somente vírus.

08 – (UFMG) No quadro comparativo entre vacina e soro, qual a alternativa ERRADA?
VACINA SORO Confere uma imunidade natural Confere imunidade de curta duração Confere imunidade passiva Fornece ao organismo os anticorpos já formados por um animal hiperimunizado É usado quanto se torna necessário conferir proteção imediata

a) b) c) d) e)

Confere uma imunidade adquirida Confere uma imunidade prolongada Confere imunidade ativa Proporciona ao organismo um estímulo para a produção de anticorpos É usada essencialmente em caráter preventivo

09 - (FCMMG) Rudolph Virchow (1821 - 1902) foi chamado o “papa” da Medicina européia e exerceu grande influência. Sua teoria mais importante, “toda célula provém de outra célula”, permitiu o aparecimento do conceito de que as doenças originavam-se por alterações na estrutura e na função das células e de que, diante de uma agressão, as células hospedeiras reagiam prontamente. Esse conceito de reação poderia ser atualmente comprovado de maneira fácil com a demonstração de a) produção de anti-corpos contra bactérias e vírus patogênicos. b) acúmulo de tecido adiposo no tecido subcutâneo com super alimentação. c) secreção de hormônios pela hipófise para controlar as secreções ovarianas. d) secreção de ácido clorídrico pela mucosa gástrica em contato com alimentos. 10) (UFMG) A tuberculose é uma doença que pode ser controlada. Observe este gráfico, em que está representada a incidência de tuberculose no Brasil: Considerando-se as informações desse gráfico, todos os seguintes fatores explicam a curva que caracteriza as décadas de 80 e 90, EXCETO a) Aumento da desnutrição e da pobreza e queda na qualidade das moradias como conseqüência da política social. b) A ocorrência de AIDS tornando os pacientes mais susceptíveis ao bacilo. c) Movimentos migratórios da população humana e conseqüente dispersão do bacilo por várias regiões. d) Alto custo do diagnóstico e uso de antibióticos ineficientes.

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11 – (FCMMG) - Albert Sabin (1906-1993) elaborou uma vacina oral contra a poliomielite, com microorganismos atenuados, que assegura uma proteção prolongada contra a doença. Em relação ao relato acima e com base em seus conhecimentos de Biologia, assinale a resposta CORRETA. a) Microorganismos atenuados promovem uma doença, de caráter brando, que pode ser curada rapidamente. b) Proteção prolongada se estabelece quando o microorganismo veiculado continua se reproduzindo no hospedeiro por longo tempo. c) O microorganismo citado é um vírus e a proteção é feita por mecanismos imunológicos. d) Pelo fato de ser ministrada por via oral, essa vacina é de pouca eficácia, por isso deve ser repetida de tempos em tempos. 12 – (FGV - SP) - É de conhecimento geral que não se deve fazer uso indiscriminado de antibiótico, pois os agentes patogênicos tornam-se resistentes ao medicamento. Essa resistência é conseguida: a) Porque os antibióticos induzem mutações para resistência nos microrganismos. b) Porque a droga, matando os microrganismos suscetíveis, seleciona os resistentes que já existiam na população. c) Porque a droga induz mutações no homem, tornando-o mais suscetível ao agente patogênico. d) Porque o organismo humano se “acostuma” com o medicamento. e) Por processos ainda desconhecidos. 13 – (UFMG) À massa usada na fabricação do pão é acrescentada certa quantidade de fermento (lêvedo), para que ela cresça e, depois de assada, fique saborosa. O crescimento da massa deve-se: a) a uma reação da farinha de trigo com a água, servindo o lêvedo para dar sabor ao pão. b) a uma reação química entre a massa e o lêvedo c) à utilização da massa como alimento pelo lêvedo, com liberação de gás d) ao crescimento excessivo do lêvedo, empurrando a massa e fazendo-a crescer e) ao preenchimento, com ar atmosférico, dos espaços resultantes do consumo da massa pelo lêvedo 14 – (FCMMG) Em animais herbívoros e ruminantes, a obtenção de glicose dos alimentos se torna mais viável desde que: a) Haja bastante água no tubo digestivo para amolecer o alimento antes da digestão propriamente dita.

b) Bactérias e protozoários que vivem em seus estômagos produzam enzimas para a digestão de celulose. c) O peristaltismo dos diversos compartimentos gástricos triturem corretamente os componentes do bolo alimentar. d) A saliva durante a ruminação contenha abundante amilase. e) Os ácidos graxos sejam convenientemente lisados ao nível intestinal. 15 – (U.F.RS) O organismo causador de uma determinada infecção no homem caracteriza-se, ao microscópio, como unicelular e sem núcleo diferenciado. Ele poderá ser classificado como: a) fungo. b) vírus. c) bactéria. e) metazoário. d) protozoário.

16) (UFMG) Na produção de compotas, devem ser adotadas algumas medidas para evitar-se a contaminação do alimento por microrganismos. Todas as alternativas apresentam medidas que podem garantir a assepsia desse processo, EXCETO a) A retirada do ar no momento de se fechar o recipiente que contém o doce. b) A adição de conservantes, para impedir o crescimento dos microrganismos. c) A manutenção do meio aquoso, para evitar o crescimento de bactérias. d) A fervura, para desinfecção dos recipientes em que os doces serão guardados. 17 – (UFMG) - Desde sua introdução na década de 40, os antibióticos tornaram-se um sucesso no controle de doenças bacterianas, sendo considerados medicamentos milagrosos. Conseqüentemente, passou-se a acreditar que essas doenças eram coisas do passado. Entretanto tem-se verificado o “ressurgimento” de muitas delas. Todas as seguintes medidas podem ser implementadas, em nível de Saúde Pública, para amenizar o problema crescente de bactérias com resistência múltipla a antibióticos, EXCETO. a) Aumentar o uso profilático desses medicamentos em rações animais, objetivando a imunização dos consumidores. b) Criar programas de vigilância hospitalar e comunitária para evitar o uso inadequado e abusivo desses medicamentos. c) Proibir a venda livre desses medicamentos e esclarecer a população dos riscos da automedicação. d) Vacinar a população para aumentar as defesas do organismo contra as doenças bacterianas, reduzindo o uso desses medicamentos.

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18 – (FUVEST-SP) - As marés vermelhas, fenômeno que pode trazer sérios problemas para organismos marinhos e mesmo para o homem, são devidas: a) à proliferação excessiva de certas algas planctônicas que liberam toxinas na água. b) ao vazamento de petróleo, o qual estimula a proliferação de diatomáceas marinhas. c) à presença de poluentes químicos provenientes de esgotos industriais. d) à reação de certos poluentes com o oxigênio produzido pelas algas marinhas. e) à grande concentração de rodofíceas bentônicas na zona das marés. 19 – (UFMG) O processo de tratamento de esgoto orgânico numa lagoa de oxidação baseia-se na rápida decomposição da matéria orgânica por bactérias decompositoras, ocasionando alta demanda de oxigênio. Para a eficiência desse processo, é necessária uma boa interação entre bactérias e a) algas d) moluscos b) fungos e) peixes c) larvas de insetos 20 – (Mackenzie-SP) Certas algas, além de contribuírem na importante função fotossintética e manutenção da cadeia alimentar aquática, são usadas em filtração, como abrasivo, como material isolante etc. Em certas regiões do Nordeste brasileiro, são cortados blocos ou tijolos de diatomito e usados na construção de habitações rurais. Essas particularidades referem-se à alga: a) verde b) dourada c) parda d) vermelha e) azul

23 – (PUC/CAMPINAS–SP)

As figuras indicam: I. tratar-se de um ascomiceto, pois houve formação de ascos e ascósporos. II. tratar-se de um basidiomiceto, pois houve formação de basídios e basidiósporos. lll. que é nas lamelas do corpo de frutificação que ocorre a formação dos esporos. Assinale a alternativa CORRETA: a) estão corretas apenas I e II. d) todas estão corretas. b) estão corretas apenas II e lll. e) todas estão incorretas. c) estão corretas apenas I e lll. 24 – (UFMG) - Observe a figura Todas as alternativas apresentam substâncias que podem ser encontradas na estrutura indicada pela seta, EXCETO: a) Amido b) Glicogênio c) Proteína d) Sais minerais e) Vitaminas 25 – (UFBA) Encontram–se às vezes, em certos ambientes, pedaços de pão recobertos de bolor. Explica-se esse fato porque o bolor representa: a) uma colônia de bactérias que se desenvolveu a partir de uma única bactéria que contaminou o pão. b) o levedo usado no preparo do pão, que se desenvolveu e tomou uma coloração escura. c) um agrupamento de microorganismos que apareceram no pão, por geração espontânea. d) um conjunto de fungos originados de esporos existentes no ar e que se desenvolveram no pão. e) o resultado do apodrecimento da farinha utilizada no fabrico do pão.

21 – (FUVEST-SP) Algas e fungos são semelhantes em muitos aspectos. Uma diferença marcante entre esses grupos, entretanto, é a ocorrência, em apenas um deles, de: a) parede celular. b) núcleo delimitado por membrana. c) clorofila. d) gametas haplóides. e) mitocôndrias. 22 – (UFMG) - É uma característica EXCLUSIVA dos fungos o fato de: a) apresentarem glicogênio como produto de reserva. b) possuírem quitina como revestimento. c) apresentarem micélio. d) serem parasitas. e) possuírem esporos.

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26 – (PUC - SP) - O filo Protozoa é subdividido em quatro classes: Sarcodinea, Mastigophora, Sporozoa e Ciliophora. A característica considerada para tal classificação é : a) O modo de reprodução. b) A presença ou ausência de carioteca. c) A composição química do pigmento fotossintetizante. d) A estrutura de locomoção. e) A composição química do citoplasma. 27 – (UFMG) - A transfusão sangüínea pode aumentar a incidência das doenças indicadas, EXCETO: a) Aids d) Hepatite B b) Doença de Chagas e) Sífilis c) Hemofilia 28 – (F. M. Itajubá-MG) Durante uma aula prática foi observado um protozoário que continha um macro e um micronúcleo. Qual das organelas abaixo será responsável pela locomoção desse mesmo organismo? a) Flagelo. b) Cílio. c) Mionema. d) Pseudópode. e) Nenhuma dessas, pois o protozoário em questão não se locomove. 29 – (FUMEC) I. Entamoeba histolytica. ll. Entamoeba coli. lll. Balantidium coli. lV Giardia lamblia Marque a alternativa FALSA, em relação aos protozoários acima: a) Somente I e II apresentam pseudópodes. b) Apenas II não é parasita. c) II e lll pertencem à mesma espécie. d) Somente lV é flagelado. e) Todos podem ser encontrados no organismo do homem.

30 – (UFMG)

3 5 4 2

1

O vetor da Leishmaniose e o agente patogênico desta endemia encontrado no hospedeiro vertebrado estão indicados pelos números: a) 1 e 3 b) 1 e 5 c) 2 e 3 d) 2 e 4 e) 3 e 5

31 – (UFMG) - Em relação ao Plasmodium, qual é a alternativa ERRADA? a) apresenta ciclo sexuado no hospedeiro vertebrado. b) é transmitido através das fêmeas de certos anofelinos. c) possui vetores que passam pelo menos uma das fases de seu ciclo vital em meio aquático. d) apresenta reprodução esporogônica e esquizogônica. e) é o agente patogênico da malária. 32 – (FAFEOD) O ÚNICO caso de ciliófora parasita humano é: a) Paramecium caudatum b) Giardia lamblia c) Stentor globator d) Balantidium coli e) Syprotrichonyms bispira

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01 – (UFMG) POSIÇÃO SISTEMÁTICA DO CÃO DOMÉSTICO
1. REINO:

1. Baseado nos retângulos de números 1 e 5 do desenho ao lado, complete os demais. 2. Cite duas razões pelas quais os indivíduos do grupo correspondente ao retângulo número 2, tão diferentes entre si, pertencem ao mesmo filo.

2.

FILO:

3.

CLASSE:

4.

ORDEM: FAMÍLIA:

5.

6.

GÊNERO:

3. Por que se pode afirmar que todos os cães domésticos, embora de raças diversas, pertencem a uma mesma espécie?

7.

Canis familiaris

4. Considerando os indivíduos pertencentes a um mesmo gênero ou a uma mesma família, quais os que se diversificaram mais recentemente, sob o ponto de vista evolutivo? Justifique.

02) (UFMG) Bactérias foram colocadas para crescer em uma placa de Petri, que contém meio de cultura adequado. Posteriormente, as colônias que cresceram foram transferidas para outra placa que contém o mesmo meio de cultura, acrescido de um antibiótico, como mostra o esquema abaixo.

a) Você concorda com a conclusão do estudante? JUSTIFIQUE

2. CITE um mecanismo que leve ao surgimento da variabilidade genética nesses organismos.

3. RELACIONE o uso indiscriminado de agrotóxicos com os resultados observados no experimento acima. Com base nessas informações e em seus conhecimentos, RESPONDA: 1. Após analisar o experimento, um estudante concluiu que o antibiótico induziu a resistência nas bactérias.

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4. O antibiograma é um exame de laboratório usado para determinar o antibiótico adequado para combater uma infecção bacteriana. Círculos de papel de filtro embebidos em antibióticos (A, B, C e D) são colocados em placas de Petri, com meio de cultura apropriado, onde foram previamente semeadas culturas de bactérias causadoras da infecção. O halo claro, em torno do papel de filtro, indica ausência de crescimento bacteriano, como mostra a figura abaixo.

1) I pertence ao grande grupo (classe) de fungos chamado:

2) Um dos esquemas representa fases do ciclo de Rhizopus sp., fungo preto do pão. Cite a letra de uma das estruturas indicadas em Rhizopus sp. e dê nome a ela. Letra: Nome da estrutura: 3) Que processo de reprodução sexuada está representado no esquema I?

4) Que processo de reprodução assexuada está representada no ciclo de Rhizopus sp.?

Com base no resultado desse experimento, CITE a letra correspondente ao antibiótico menos indicado para o tratamento da infecção.

5) Cite uma diferença morfológica entre as hifas de I e II.

03 – (UFMG) I e II são esquemas de partes do ciclo de duas espécies pertencentes a dois grandes grupos sistemáticos (classes) de fungos. D é um detalhe de C.

6) Os acontecimentos B e F são indicativos de que as espécies de fungos representadas não podem pertencer ao grande grupo (classe) dos

7) Quando I e uma Cianófita se encontram, pode ocorrer entre eles uma associação mutualística que dá origem a um organismo chamado

8) No ciclo da matéria que ocorre na Biosfera, muitos indivíduos pertencentes ao mesmo filo de I e II desempenham o indispensável papel de atuarem como

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CITOLOGIA
Caderno de Exercícios - Citologia 1) d 6) c 11) c 16) a 21) d 26) e 31) c 36) a 2) 7) 12) 17) 22) 27) 32) 37) a b a a a b d d 3) c 8) b 13) c 18) d 23) c 28) b 33) a 38) e 4) d 9) b 14) c 19) e 24) d 29) d 34) c 39) c 5) a 10) d 15) d 20) a 25) d 30) c 35) a 40) e

7) escura 8) água 4) 1. Meiose 2. III - IV - II - V - I 3. a) IV b) I 4. a) CROSSING OVER b) O crossing over aumenta a variabilidade genética das células formadas.

DIVERSIDADE DOS SERES VIVOS - Parte I
Caderno de Exercícios - Diversidade dos Seres Vivos pág. 105 1) c 6) a 11) c 16) c 21) c 26) d 31) a 2) a 7) e 12) b 17) a 22) c 27) c 32) d 3) c 8) a 13) c 18) a 23) b 28) b 4) b 9) a 14) b 19) a 24) a 29) c 5) e 10) d 15) c 20) b 25) d 30) a

Questões de Aprofundamento 1) UFMG 1. a. Rótulo I Este rótulo é o que contém menor teor de carboidratos b. 500 gramas 2. A proteína ingerida é quebrada fornecendo os aminoácidos que são absorvidos pelas células e utilizados na síntese de novas proteínas. 3. Amido. 4. Verdadeira. Nesse caso, a prisão de ventre é decorrente da ausência de fibras alimentares. 5. A - facilita a condução do estímulo nervoso. B - ácidos nucléicos. C - entra na constituição dos ossos e catalisa a coagulação do sangue. 6. Vantagem: Auxilia na conservação do alimento. Desvantagem: Pode alterar o sabor do alimento. 7. 1 - A criança gasta mais energia pelo fato do seu metabolismo ser elevado. 2 - A criança, em fase de crescimento, gasta mais energia. 2) 1- a) - MONERA - METAZOA - METAPHYTA b) VÍRUS 2- a) 1: Polissacarídeos. 4: Glicose. b) 6: Respiração celular aeróbia. 7: Síntese de proteínas. 3- a) 2 b) 1 3) 1) Cloroplasto - Mitocôndria 2) Respiração Celular Aeróbia 3) clara 4) água 5) estroma 6) crista mitocondrial

Questões de Aprofundamento - pág. 112 01) 1. 1. Reino: METAZOA 2. Filo: CHORDATA 3. Classe: MAMMALIA 4. Ordem: CARNIVORA 5. Família: CANIDAE 6. Genêro: Canis 7. Espécie: Canis familiaris 2. Presença de notocorda e fendas branquiais faringeanas pelo menos na fase embrionária. 3. Porque se cruzam entre si produzindo descendentes férteis. 4. Os pertecentes a um mesmo gênero, já que a divisão de uma família em vários gêneros ocorreu anteriormente, uma vez que família é uma categoria mais abrangente do que gênero. 2) 1 - a) Não. Os antibióticos apenas selecionam as bactérias naturalmente resistentes. 2 - Mutações 3 - Os agrotóxicos, assim como os antibióticos, selecionam organismos naturalmente resistentes e não induzem resistência. 4-D 6 - Deuteromicetos 3) 1 - Basidiomicetos 7 - Líquen 2 - E - Esporângio 8 - Decompositores 3 - Fecundação 4 - Esporulação 5 - Em I as Hifas são Acenocíticas e em II são Cenocíticas

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