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Portfolio Profissional

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Publicado porFátima Fonseca
Portfolio Profissional de Fátima Fonseca.
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05/17/2013

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Agente em Geriatria

Que ao envelhecer permaneça belo… Há tantas coisas boas para fazer. O ouro, as rendas, o marfim e as sedas Não precisam de ser novos. E as velhas árvores também curam, as velhas ruas também têm encanto. Então, por que não poderei eu, como elas, permanecer belo ao envelhecer?

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Apresentação
Chamo-me Fátima Cristina Pereira da Fonseca, tenho 29 anos e sou solteira. Sou natural de Nespereira, concelho de Cinfães do Douro e migrei para Rio Meão juntamente com os meus pais e o meu irmão em Março de 1989. Actualmente moro sozinha, mas até Agosto de 2009 residia com os meus pais, Manuel António Vasconcelos da Fonseca e Conceição da Silva Pereira da Fonseca e o meu irmão, mais novo que eu 21 meses, Carlos Manuel Pereira da Fonseca na Avenida da Liberdade, Bl 3 2 Dto em Rio Meão. Tenho o 12º ano de escolaridade e frequento o 2º ano do Curso Superior de Educação Socioprofissional na Escola Superior de Educação Jean Piaget, Canelas, Vila Nova de Gaia. Trabalho no M.A.C.U.R. (Movimento de Assistência, Cultura, Urbanismo e Recreio), em Rio Meão, nas valências de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, onde exerço as funções de Ajudante de Acção Directa desde Junho de 2005. Nos meus tempos livres gosto de praticar desporto, ler, fazer reiki, yoga, acampar, ir ao cinema, conversar noite dentro e jantar com amigos. As áreas que me despertam mais interesse são o Direito, a Psicologia e a espiritualidade. Tenho um longo percurso a percorrer, no qual eu sei que já dei o primeiro passo!.... Sou ambiciosa, lutadora e teimosa. Quando decido algo vou em frente, mesmo que a seguir tenha que voltar para trás e reconhecer que estava errada, não desisto face às adversidades e soube aprender com elas as devidas lições! Sou como a tartaruga, dura por fora e mole por dentro!....

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Percurso Escolar
O meu percurso escolar iniciou-se em Outubro de 1987 na escola primária de Valinhas, freguesia de Nespereira, Cinfães do Douro. Recordo-me perfeitamente do meu primeiro dia de aulas. Não gostei! Fui sozinha. O meu pai saiu cedo para trabalhar e a minha mãe nesse dia tinha que ir regar, prática comum para quem vivia da agricultura, e lá fui eu com uma sacola às costas que a minha madrinha me havia dado quando eu fiz uns quatro anos. Sempre me recordo de a ver lá por casa. Era branca, velha e feia. Deve tê-la herdado do pai! Mas, ainda assim, era das melhores que por lá apareciam. Havia colegas que levavam numa saca de pano, tipo ardina, e quando havia irmãos uma saca dava para os dois. Estou a falar de Portugal, do interior do país mais concretamente, pouco mais de uma década depois do 25 de Abril de 1974, entenda-se! Nunca havia frequentado infantários. Não havia! A minha infância foi passada a guardar as vacas. Eu e o meu irmão Carlos tinhamos a árdua tarefa de impedir que estas comessem as couves, o milho, as vides e até mesmo que fossem para terrenos vizinhos. Agora seria exploração infantil, na altura também seria, mas era a vida! Na primeira classe tinha aulas com a segunda e o horário era das 8 as 13 horas e a terceira e quarta classe das 13 as 18 horas. A parte da tarde era reservada para guardar as vacas ou apanhar pasto para estas comerem, um farme ville da altura, digamos! À noite fazia os deveres escolares. Na escola só havia uma sala de aula e uma despensa, onde era guardado o leite chocolatado que tão bem nos sabia à hora do recreio junto com o pão com queijo que ia comprar à venda por 25$00. A casa de banho era de madeira e cá fora. Na sala de aula tinha um círculo, em cartão, com duas faces, uma de cor verde e outra de cor vermelha. Quando alguém ia à casa de banho colocava à mostra a cor vermelha, como sinal que estava ocupada, e quando regressava colocava a cor verde, como sinal de que já estava livre, e assim sucessivamente. Na minha primeira classe aprendi a ler, a escrever, a fazer contas. O momento que mais me marcou na primeira classe, para além do primeiro dia foi a visita de estudo que fizemos ao Porto. Vi o mar pela primeira vez! Descobri, também, que a água era salgada quando na tentativa de saciar a minha sede a provei na praia junto ao Castelo do Queijo em Matosinhos. Na segunda classe passei a ter aulas numa escola nova, que já estava em construção há alguns anos, que veio substituir a velhinha escola, que hoje remodelada e reaproveitada serve de sede para uma colectividade da freguesia. Aí as aulas eram das 9 as 12 e das 13 as 15.30 horas. Continuavam a primeira e segunda classe juntas assim como a terceira e a quarta classe, mas, como havia duas salas houve alterações dos horários. No fim do segundo período da segunda classe, tinha eu oito anos, viemos morar para Santa Maria da Feira, Rio Meão mais concretamente. Chorei tanto! Não queria. Não entendia que era o sonho de uma vida melhor que movia os meus pais a dar tal passo. Abençoado passo! Sentia-me a Maria Papoila!(...) Despedi-me das Ovelhas, dos campos das casas velhas, da aldeia onde eu nasci(...) Fui transferida para a escola primária do Monte de Cima em Santa Maria de Lamas. Era a mais próxima da casa onde eu morava. Caminhava 30 minutos para ir para a escola e outros 30 para regressar a casa. Tudo era novidade para mim, e eu, também, era novidade para as restantes crianças da escola, a minha pronuncia dava-lhes piada. Falava axim! Fiquei nesta escola o terceiro periodo da segunda classe e a terceira classe toda. Durante esse tempo aprendi lingua portuguesa, meio fisico e social, matemática, artes plásticas.
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Como era longe e entretanto haviamos mudado de casa, mais uma vez, mudei de escola. Fui para a escola primária da Mata,sita na freguesia de Rio Meão. Lá completei o meu ensino primário. Quando passei para o quinto ano foi um orgulho muito grande para mim. Já havia aprendido as contas de somar, subtraír, dividir e multiplicar, as reduções, a tabuada, a conjugar verbos em todos os tempos, conhecia os rios de Portugal e seus afluentes, os 18 distritos em que está dividido o nosso país e regiões autónomas. Já era grande! Ia deixar de ser candidata a reguadas e passaria a ter 10 professores aos quais chamaria de “ Stores” e ia andar na escola dos grandes. Fui para a escola C+S de Paços de Brandão. Bem! O choque foi grande mas rápido me habituei. Se, na primária era a maior à qual os pequenitos da primeira classe se dirigiam e pediam ajuda, na C+S era das mais pequenas, digo das mais novas pois já naquela altura era bem constituida, bastante vá! Tudo me fez crescer e ensinou-me a desenrascar-me. Ali permaneci até ao 9º ano de escolaridade, passando todos os anos e assimilando os conhecimentos e competências pretendidas de acordo com cada disciplina. Foi assim que vivi a passagem da infância para a adolescência e os primeiros anos de adolescente e todas as peripécias inerentes. Findo o 9º ano era a hora de fazer escolha. Que escola escolher? Qual a área? Terminar os estudos e ir trabalhar? Nem pensar! No fundo era essa a vontade do meu pai. Confrontei-o e disse que não! Tinha o direito a um futuro melhor. Como o apoio era pouco ou nenhum optei pela Escola Profissional de Paços de Brandão. Tirei o curso Técnico de Gestão de Empresas. Era um curso técnico profissional com duração de três anos com equivalência ao 12º ano. As disciplinas que faziam parte do curso eram as seguintes: Gestão de Empresas, Informática, Direito, Área de Integração, Cálculo e Estatística, Lingua Portuguesa, Lingua Estrangeira - Inglês, Matemática, Organização e Desenvolvimento Comercial, Contabilidade e Fiscalidade e Contabilidade Analítica. Não era preciso livros, as fotocópias eram cedidas pela escola e tinhamos subsídio de transporte e alimentação que ao fim do mês dava aproximadamente 10.000$00. Vivia-se bem na altura, pensava eu! Este dinheiro, mais algum que eu ganhava a fazer limpeza em casas particulares permitiu-me a minha autonomia e o 12º ano de escolaridade. Tinha, digo tenho, uma longa experiência em ser teimosa. Gostei do curso e o estágio integrado, na Agência de Contabilidade “Ferreira Couto, Lda.” Permitiu-me ter um contacto prático com o mercado de trabalho, podendo assim aplicar os conhecimentos adquiridos. Ao longo do 12º ano e como projecto final de curso tinha que elaborar a P.A.P. (Projecto de Aptidão Profissional) que consistia na criação de uma empresa fictícia e para tal recorriamos a todos os conhecimentos adquiridos ao longo do percurso escolar. O meu Projecto consistia na criação de uma Cooperativa Agrícola onde o objecto da sociedade era o cultivo e o ciclo do linho, “Cooperativa Roca & Fuso” era a sua denominação social. Talvez um projecto futuro, quem sabe?! Terminei o 12º ano com média final de 13 (ver certificado anexo), não é uma média brilhante, é um facto, mas, a organização e angariação de fundos para a viagem de finalistas ocupava bastante parte do meu tempo que deveria ser dedicado ao estudo. Palma de Maiorca foi o destino e eu, com 18 anos, fui a responsável pelo grupo. Vieram os mesmos que foram! Como calhou nas férias da Páscoa, nenhum professor ou funcionário quis ir beijar a cruz a terra de nuestros hermanos! Terminei o 12º ano de escolaridade em Julho de 2000. Já um longo percurso escolar havia sido percorrido mas .... Não sei, faltava-me algo! Queria tanto ir para a faculdade, vestir o traje académico..... Que orgulho seria! Durante nove anos o sonho foi adiado mas nunca esquecido. Em Outubro de 2009 lá estava eu no meio da “Bestas” da Escola Superior de Educação Jean Piaget, Canelas, Vila Nova de Gaia a fazer as delícias dos doutores de 20 anos! Era caloira! Era verdade, eu
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estava ali, estava na faculdade! Todas as dúvidas e ansiedades estavam presentes. Será que eu me vou controlar face as ofensas destes pseudo-doutores? Mais ou menos! Como seriam as frequências? Será que eu vou conseguir? Ou as orelhas de burro que fiz na semana de recepção ao caloiro me iriam assentar que nem uma luva? No final do ano lectivo todas as questões estavam respondidas e esclarecidas. O empenho e dedicação ao longo do ano permitui-me concluir o primeiro ano com média de 14,41. Venha o segundo ano..... O caminho faz-se caminhando!....

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Percurso Profissional
Em Novembro e Dezembro de 2003, realizei a componente de formação prática em contexto de trabalho do curso “Apoio Familiar e à Comunidade” no M.A.C.U.R. (Movimento de Assistência, Cultura, Urbanismo e Recreio) nas valências de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário. Findo o curso, abordei o MACUR no sentido de realizar um estagio profissional com duração de nove meses co-financiado pelo I.E.F.P. (Instituto de Emprego e Formação Profissional). O estágio foi-me concedido e, em Setembro de 2004 iniciei-o finalizando-o a 31 de Maio de 2005. Ao longo do estágio exerci funções de Ajudante de Acção Directa nas valências de Centro de dia e Serviço de Apoio Domiciliário. No dia 1 de Junho de 2005 assinei contracto com o MACUR, atribuindo-me assim a categoria de Ajudante de Acção Directa. Os conhecimentos assimilados ao longo do curso, bem como, as competências adquiridas ao longo do estágio permitiu-me exercer as seguintes funções nas valências de Centro de Dia e Apoio Domiciliário: - Trabalhar directamente com idosos, quer individualmente, quer em grupo, tendo em vista o seu bem-estar; - Receber os Clientes e fazer a sua integração no período inicial de utilização dos equipamentos ou serviços; - Proceder ao acompanhamento diurno e ou nocturno dos utentes, dentro e fora dos estabelecimentos e serviços, guiando-os, auxiliando-os, estimulando-os através da conversação, detectando os seus interesses e motivações e participando na ocupação dos tempos livres;

- Assegurar a alimentação regular dos utilizadores; - Recolher e cuidar dos utensílios e equipamentos utilizados nas refeições; - Prestar cuidados de higiene e conforto aos utilizadores e colaborar na prestação de cuidados de saúde que não requeiram conhecimentos específicos, nomeadamente, aplicação de cremes medicinais, execução de pequenos pensos e administrar medicamentos, nas horas prescritas e segundo as instruções recebidas;

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- Substituir as roupas de cama e da casa de banho, bem como o vestuário dos utilizadores, proceder ao acondicionamento, arrumação, distribuição, transporte e controlo de roupas lavadas e à recolha de roupas sujas e sua entrega na lavandaria;

- Requisitar, receber, controlar e distribuir os artigos de higiene e conforto; - Reportar à instituição ocorrências relevantes no âmbito das funções exercidas;

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- Conduzir, se habilitado, as viaturas da instituição;

- Providenciar a manutenção das condições de higiene e salubridade do domicílio dos utentes.

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M.A.C.U.R
Movimento de Assistência, Cultura, Urbanismo e Recreio É uma associação particular de solidariedade social, sem fins lucrativos, que se propõe exercer na freguesia de Rio Meão, uma acção de promoção e valorização no campo da assistência, da cultura, do urbanismo e do recreio. A Instituição foi constituída por escritura no dia cinco de Janeiro de 1979 e a sua sede situa-se na Rua das Escolas, no Centro Infantil da Instituição, próximo do largo de Santo António. A Instituição MACUR tem como finalidade ter uma expressão organizada do dever da solidariedade e de justiça entre os indivíduos. No âmbito dos seus objectivos incluem-se a promoção da população da freguesia onde tem a sua sede, o apoio a crianças e jovens e a protecção de cidadãos na velhice e invalidez. O MACUR tem uma intervenção social juno da população idosa, das crianças e de pessoas que não tenham capacidade de autonomia nos eu dia-a-dia e que residam na freguesia e arredores. O MACUR possui como recursos humanos: - 7 Auxiliares de acção educativa - 4 Educadoras de infância - 3 Administrativas - 2 Directoras técnicas - 2 Cozinheiras - 2 Auxiliares de cozinha - 3 Motoristas - 8 Auxiliares de serviços gerais - 5 Auxiliares de acção directa - 2 Colaboradoras em regime de Contrato Emprego – Inserção. Como Recursos Físicos o MACUR tem: - 1 Quinta, onde estão as instalações do Centro Infantil - 1 Terreno, onde estão as instalações do Centro de Dia - 1 Autocarro de 32 lugares - 1 Carrinha de passageiros de 17 lugares - 2 Carrinhas de transporte de passageiros de 9 lugares - 3 Carrinhas de mercadorias - 1 Carrinha de passageiros de 5 lugares As valências da instituição são: - Creche - Pré-escolar -Centro de Dia -Serviço de Apoio Domiciliário

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O centro de dia, que é o espaço físico do MACUR onde eu exerço as minhas funções, situa-se na Rua Mestra Emília, Lugar de Cardielos, Rio Meão. O terreno foi cedido para a sua construção e a direcção da altura optou por este local para o desenvolvimento do lugar de cardielos e descentralização dos serviços. Uma decisão que a meu ver não foi a melhor na medida em que limita a autonomia dos idosos nas tarefas do quotidiano é uma forma indirecta de exclusão social. A área de centro de dia abrange um campo de jogos, zona de garagem, lavandaria, copa exterior e uma extensa área de jardim relvado com pinheiros mansos. O edifício, inicialmente construído para centro de dia e A.T.L., posteriormente e após a extinção desta última valência todo o edifício é utilizado para centro de dia. O edifício é constituído por: - Cozinha industrial - Dispensa - Refeitório para colaboradores - Hall de entrada de serviço - Refeitório para os clientes - Bar - 2 Salas de estar
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- Quarto de repouso - Cabeleireiro - Gabinete médico com respectiva casa de banho - 2 Casas de banho masculina - 2 Casas de banho feminina - Casa de banho para cuidados de higiene - poliban com chuveiro individual - Entrada principal - Casa de banho para colaboradores - Sala de reuniões - Sala de actividades

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MACUR- Para além do serviço, uma imagem!
O MACUR, é uma instituição particular de solidariedade social. Está inserida em Rio Meão uma pequena freguesia do concelho de Santa Maria da Feira. Presta apoio essencialmente à população jovem e idosa da freguesia e a população de freguesias circundantes. Usamos um uniforme que como a palavra indica significa unidade, sempre que alguma situação se destaque a referência é sempre feita à MACUR e não ao colaborador que a evidenciou. Mais que do que serviço que prestamos, somos a imagem da instituição. Para prestar os respectivos serviços, deslocamo-nos em carrinhas, devidamente, identificadas. Toda a nossa atitude reflecte a filosofia, o profissionalismo, o brio, a ética patente no MACUR. Somos avaliados pelo que fazemos e partindo do princípio que fazemos o que pensamos, cada atitude reflecte muito de nós. É necessário, ter uma postura o mais profissional possível. Os colaboradores que conduzem, quando o fazem devem ter o máximo de zelo e lembrar-se essencialmente que o que conduzem não lhe pertence e, portanto, requer um cuidado redobrado. É importante por uma questão de cidadania respeitar a velocidade máxima permitida por lei, respeitar as regras e sinais de trânsito, bem como estar atenta a manutenção da viatura.

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Percurso Formativo
Quando terminei o 12º ano, estava longe de me imaginar a trabalhar na área da geriatria, sendo que, os meus dois primeiros empregos foram na área administrativa. Sempre considerei que as adversidades são grandes oportunidades. Um dia, quando ao acaso desfolhava o Jornal de Noticias, deparei-me com o anúncio do curso de Apoio Familiar e a Comunidade (ver certificado anexo), que mais tarde, após muita insistência, viria a frequentar. Em conversas tidas, sempre afirmei que preferia cuidar de idosos a cuidar de crianças. Assumindo as minhas limitações e vendo, aqui, uma oportunidade para mudar de área, achei pertinente recorrer à formação para que à posterióri pudesse desempenhar as minhas funções dotada de um conhecimento mais profundo e mais correcto. A primeira formação que frequentei foi no Comércio Activo- Consultores, Lda., Rua do Breyner, 85 – 4050 – 126 Porto que decorreu de 22 de Abril de 2003 a 31 de Dezembro de 2003, com a duração total de 1200 horas. O curso era dividido em três componentes, A componente de formação sóciocultural, a componente de formação em contexto de trabalho e a componente de formação cientifico-tecnológica. Cada componente era subdividida em vários módulos, a saber: - Componente de Formação sociocultural Desenvolvimento de competências transversais de natureza pessoal, social e racional, através dos domínios: Comunicação oral e escrita; cidadão do futuro; desenvolvimento de competências pessoais, sociais e técnicas de procura de emprego. Cada módulo era constituído pelos seguintes conteúdos programáticos:
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Comunicação Oral e Escrita A importância da utilização correcta da língua portuguesa Planos a considerar na elaboração de um texto Condições importantes para a prática da “mensagem escrita” A estrutura da língua – Tipo de frase, forma de frase, pontuação. Estrutura de cartas Preencher documentos referentes ao envio de uma carta pelo correio (carta registada com ou sem aviso de recepção). Cidadão do Futuro Organização do poder político Princípios gerais Princípios fundamentais da República Portuguesa Estado de direito democrático Tarefas fundamentais do estado Governo, funções e estrutura A sociedade Questões étnicas – Discriminação, etnocentrismo e racismo Comunicação e sociedade de informação A imprensa A rádio A televisão Desenvolvimento de competências pessoais, sociais e técnicas de procura de emprego Elaborar Curriculum Vitae Preparação para entrevista de emprego
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Técnicas de procura de emprego Conceito de capacidade técnica na área da saúde, cozinha, higienização e na área de animação e lazer Capacidades sociais - Relacionamento interpessoal com familiares, funcionárias e colegas Conceito de competências – Perspectiva sistemática, áreas de competência, curso e estágio que competências adquiridas e desenvolvidas Exemplos de competência - Saber ser, saber estar, saber fazer Personalidade – Pontos fortes, pontos fracos.

O que se pretendia desenvolver através destes domínios era essencialmente a autonomia e dotar os formandos de informação para que se possam emancipar no mercado de trabalho e na vida activa, elaborar exercícios de expressão oral e escrita, e abordar assuntos actuais como por exemplo sociedade de informação, noções de sociedade, usos e costumes, valores transmitidos. Esta componente tornou-se útil e pertinente porque abordou-se temas e situações actuais que aquando do meu contacto com os idosos permitiu-me um maior entendimento sobre a sua postura face a vida tendo em conta o periodo histórico que o país atravessou (estado novo) marcando a infância e a sua adultez com repercursões ao longo da velhice. Situar o país no contexto histórico mundial, saber quais os órgãos de estado e noções dos direitos fundamentais do Homem. O Homem enquanto ser individual, social e cultural. Permitiu-me também uma maior preparação no que respeita às técnicas de procura de emprego e informar os idosos acerca de assuntos que surjam no seu quotidiano, onde e como pagar uma conta, prazos a cumprir, etc. - Componente de formação prática em contexto de trabalho Execução de actividades, sob a orientação do Tutor, utilizando técnicas, equipamentos e materiais, que se integrem em processos de produção de bens ou prestação de serviços em contexto de trabalho. Esta componente pretendia a aproximação do mercado de emprego, bem como o aprofundamento e a consolidação das competências adquiridas ao longo do processo formativo. A componente de formação prática em contexto de trabalho permitiu-me pôr em prática todos os conhecimentos teóricos, anteriormente adquiridos, aplicá-los e participar na realidade dos cuidados de apoio à terceira idade. A formação prática foi executada no MACUR nas valências de serviço de apoio domiciliário e no centro de dia. Reconheci o quanto o conhecimento teórico foi importante pois o contributo da minha experiência empírica seria pouco para poder exercer com qualidade as minhas funções. - Componente de formação científico - tecnológica * Cuidados humanos e de saúde básicos - prestação de cuidados humanos básicos e prestação de cuidados básicos de saúde Os conteúdos deste módulo abordavam essencialmente o corpo humano, a sua constituição e diversas doenças a que o ser humano está susceptível. A célula. Os vários tipos de tecidos e suas funções. Tecido epitelial- Tecido que se compõe quase exclusivamente de células. Técido epitelial de revestimento ou epitélio de revestimento - são tecidos de revestimento que protege dos micróbios, evita a desidratação e encontra-se sempre fora do orgão e não tem vasos sanguíneos. Tecido epitelial glândular ou secretor - a sua função consiste em revestir glândulas, produzir e eliminar substâncias necessárias nas superfícies do tecido.
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Tecido conjuntivo – sustenta as partes moles do corpo, apoiando e ligando os outros tipos de tecido. Caracterizam-se pela grande quantidade de material intracelular e pelo distanciamento das suas células e fibras. Outros tecidos de sustentação possuem a função importante na difusão e fluxo de metabolismo e na defesa do organismo Tecido conjuntivo adiposo – É constituído principalmente por células adiposas. São acúmulos de tecido adiposo localizado sob a pele ou nas membranas que revestem os órgãos internos por exemplo no tecido subcutâneo do abdomen e das nádegas, ele funciona como reservatório de gordura, amortecedor de choques e contribui para o equilíbrio térmico dos organismos. Tecido hemapoiético ou sanguíneo - A sua função é a produção de células no sangue. Localizado principalmente na medula dos ossos. Tecido cartilaginoso - Tem consistência bem mais rígida que os tecidos conjuntivos. Ele forma as cartilagens dos esqueléticos dos vertebrados, como, por exemplo, as orelhas a extremidade do nariz, a laringe, a traqueia, os brônquios e as extremidades ósseas. Tecido ósseo - É o tecido de sustentação que apresenta maior rigidez, forma os ossos dos esqueletos dos vertebrados. É constituído pelas células ósseas, os osteócitos e por uma matriz compacta e resistente. Tecido muscular - É constituído por células alongadas, em forma de fibras, que se dispõe agrupadas, em feixes. Essas células são capazes de se contrair e conferem ao tecido muscular a capacidade de movimentar o corpo. Há três variedades de tecido muscular: liso (funciona sem a nossa vontade), estriado (movimentos articiulares) e cardíaco (funcionamento do musculo, autonomia). Tecido nervoso - O tecido nervoso forma os orgãos dos sistemas nervosos central, periférico e autónomo. Ele tem por função coordenar as actividades de diversos orgãos, receber informações do meio externo e responder aos estimulos recebidos. É constituído por células nervosas ou neurónios e células de apoio ou células da gluia. Abordar os tipos de tecidos contituíntes do nosso corpo foi importante porque permite-nos conhecer as caracteristicas do nosso corpo, como se forma, como funciona e o porquê de cada caracteristica. O tecido nervoso foi o que me despertou mais interesse e foi o que me fez entender a demora da resposta dos idosos face a alguma pergunta, acção ou situação (sinapses). O tipo de aparelhos que contitui o nosso organismo bem como os respectivos orgãos foi, também, um pertinente tema abordado. O corpo humano é constituído pelos seguintes sistemas: Sistema respiratório - Constituído pelas fossas nasais, pela boca, laringe, traqueia, brônquios e pulmões. O tecido pulmonar é constituído por uma grande quantidade de alvéolos. Por sua vez, a parede dos alvéolos é atapetada por uma membrana respiratória ao nível da qual se processam as trocas gasosas ( hematose). A dinâmica da respiração pode dividir-se em distintos processos. 1Inspiração- consiste na entrada de ar até os alvéolos pulmonares. Ingressa oxigénio. 2-Processo de intercâmbio de oxigénio e bióxido de carbono entre os alvéolos pulmonares e o sangue; e transporte do sangue aos tecidos. Expiração- Inspiração. 3- Expiração – consiste na saída do ar dos alvéolos pulmonares para o exterior. Elimina-se bióxido de carbono. O oxigénio ingressa pela narina, atravessa a faringe, a laringe e a traqueia. A traqueia ramifica-se em dois brônquios, que se dirige cada um a um pulmão. Sistema circulatório – Deste sistema faz parte o coração, que é o órgão central, as artérias, as arteríolas e capilares que levam o sangue enriquecido em O2 aos tecidos e as veias que transportam o sangue com CO2, produto das trocas gasosas nos tecidos, até ao coração, que por sua vez o remete para os pulmões. O coração é constituído pelo miocárdio, que tem a aprticularidade de autogerar impulsos nervosos de uma maneira ritmica, conferindo-lhe a capacidade de se contrair e
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relaxar de acordo com a frequência determinada por esses impulsos. É este ritmo que captamos através da frequência cardáca que, usualmente, se situa em repouso entre as 60 e 80 pulsações por minuto. O sangue desempenha três funções essenciais: transportar oxigénio, distribuir os nutrientes (alimentos) e remover o dióxido de carbono e outros detritos eliminados pelas células. Existem três tipos de vasos sanguíneos: artérias, veias e capilares. A circulação sanguínea acontece da seguinte forma: 1- Coração; 2-Circulação cerebral; 3-Circulação pulmunar; 4-Circulação hepática; 5Circulação gástrica; 6-Baço; 7-Circulação renal; 8-Circulação intestinal; 9-Circulação nos membros inferiores (pernas). Sistema digestivo - O sistema digestivo ou gastrointestinal inclui o tubo digestivo (que é constituído por: boca, faringe, esófago, o estômago, o intestino delgado, intestino grosso e recto) e órgãos glandulares (glândulas salivares, glândulas estomacais, fígado e pâncreas) que segregam substâncias que lançam no interior desse tubo. A função deste aparelho é transferir as moléculas orgânicas, água e sais minerais que constituem a alimentação para o meio interno do organismo, de modo a que os átomos e moléculas que os constituem possam ser distribuídos pelas células através do sistema circulatório. Sistema excretor - o sistema excretor é um conjunto de órgãos que produzem e excretam a urina, o principal líquido de excreção do organismo. Os dois rins filtram todas as substâncias de corrente sanguínea, estes resíduos formam parte da urina que passa, de forma contínua, pelos ureteres até à bexiga. Depois de armazenada na bexiga, a urina passa por um conduto denominado uretra até ao exterior do organismo. A saída da urina produz-se pelo relaxamento involuntário de um esfíncter que se localiza entre a bexiga e a uretra e também pela abertura voluntária de um esfíncter na uretra. A excreção é o processo pelo qual eliminam substâncias nitrogenadas tóxicas (denominadas excretas ou excreções que provêm principalmente da degradação de aminoácidos ingeridos no alimento), produzidas durante o metabolismo celular. O sistema do sistema urinário consiste na chegada do sangue ao rim pela artéria renal que se ramifica em numerosos capilares. O rim extrai deste sangue água e substâncias prejudiciais em excesso formando assim a urina. O sangue purificado passa para a veia renal saindo do rim. A urina assim formada passa aos ureteres e desce à bexiga onde é armazenada. Quando a bexiga se enche sentimos vontade de urinar. A urina sai da bexiga através da uretra. Sistema ósseo - A função mais importante do esqueleto é sustentar a totalidade do corpo e dar-lhe forma. Torna possível a locomoção ao fornecer ao organismo material duro e consistente, que sustenta os tecidos brandos contra a força da gravidade e onde estão inseridos os músculos, que lhe permitem erguer-se do chão e mover-se sobre a sua superfície. O sistema ósseo também protege os órgãos internos (cérebro, pulmões, coração) dos traumatismos do exterior. O esqueleto é composto por ossos, ligamentos e tendões. O esqueleto humano é formado por 206 ossos e divide-se em cabeça, tronco e membros. Sistema muscular - Os músculos permitem-nos fazer movimentos, são eles que nos move. Sem eles seriamos incapazes de abrir a boca, falar, andar e até mesmo de digerir a comida. O corpo humano tem mais de 630 músculos, em média estes ocupam 40% do peso corporal. Os músculos trabalham aos pares, deste modo, há sempre um que faz um movimento inverso ao outro. Conhecer os sistemas que compõe o nosso organismo e respectivos órgãos é interessante e essencialmente útil, na medida em que nos é possível saber, quando determinado órgão está afectado, quais as repercuções no restante organismo e saber como actuar no sentido de minimizar ou eliminar o dano e saber associar a dor à manifestação orgânica e conhecer também o processo degenerativo, na medida em que por vezes não é patológico determinadas características no idoso.
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Conseguir explicar ao idoso, por forma a que este entenda, o funcionamento do seu organismo e os benefícios nomeadamente do exercício físico, de beber água, de evitar certos alimentos é muito importante para que este tenha consciência do seu corpo e saber interpretar sintomas que este manifeste. É também importante que o idoso tome consciência que certas modificações não acontecem só com ele, que é um processo comum a todo o ser Humano que se encontre naquela faxa etária. Em termos patológicos que abrange o ser humano foram abordadas as seguintes patologias:  Diabetes - É uma doença crónica muito frequente que se caracteriza por uma concentração sanguínea elevada de glicose (glicémia), provocada por uma insuficiência na produção e ou actividade da insulina.O principal orgão implicado é o pâncreas. Este tem funções digestivas, secreta insulina(está associado à abundância de energia) e glucagon(hormona secretada quando há concentração de glicose sanguínea). Existe dois tipos de diabetes. O diabetes tipo I e o diabetes tipo II com caracteristicas distintas. A diabetes, no entanto, pode desencadear dois tipos de situações, hiperglicemia- excesso de glicose (açucar) no sangue; e hipoglicemia diminuição de glicose no sangue. Se ambas as situações se prolongarem, podem provocar a inconsciência, e eventualmente a morte da vítima. No entanto, a hiperglicemia desenvolve-se, normalmente, de forma gradual. Por outro lado, a hipoglicemia é de desencadeamento geralmente repentino. Os valores de glicémia abaixo de um valor de 50 mg/dl existe uma hipo - glicemia; acima de 120-140 mg/dl há transposição renal, ou seja, o rim já não consegue reabsorver a glicose filtrada e re - injectá-la no sangue. Em consequência, existe glicose na urina (glicosúria). Quando um idoso apresenta uma situação de hipoglicemia, o meu procedimento é, no sentido de que os valores glicémicos atinjam valores normais, de lhe dar uma pasta consistente de açucar, colocá-la debaixo da língua por forma a que seja absorvida e entre mais rápido na circulação sanguínea. Quando acontece o contrário, insentivo o idoso a motiventar-se a beber água, a ter cuidado redobrado com a alimentação e rever a medicação e pedir aconselhamento a pessoal especializado, nomeadamente ao médico de familia. Sempre que haja alguma situação que ultrapasse as minhas competências, remeto para instâncias competentes, por norma o idoso é encaminhado para a unidade hospitalar mais próxima. Os diagnósticos são sempre feitos em função dos sinais e sintomas que o utente demonstre, sendo que a actuação varia consoante o idoso estar ou não consciente. As lesões tardias da diabetes como as alterações a nivel do sistema vascular, da visão, do ritmo cardiaco dos membros inferiores forão questões também abordadas.

HTA – Hiper - Tensão Arterial – Pressão arterial é a força que o sangue exerce na parede das artérias, quando é bombeado pelo coração, para chegar às diversas partes do corpo. Quando um coração se contrai e expulsa o sangue para as artérias, a pressão exercida pelo sangue na parede das artérias é designada de Pressão Sistólica, ou mais comummente conhecida por “Máxima”. Quando o coração está em repouso, a pressão que o sangue exerce na parede das artérias é reduzida e temos a Pressão Diastólica ou “Mínima”. A hiper-tensão arterial é um reconhecido factor de risco das doenças cardiovasculares. Designam-se de hiper-tensão arterial todas as situações em que se verificam valores de tensão arterial aumentados.>= 140mmHg (milímetros de mercúrio) > 90mmHg. Epilepsia – A epilepsia é uma doença que se caracteriza por ataques súbitos e transitórios de disfunção cerebral, que se manifesta através de episódios de perda de consciência acompanhada de acessos convulsivos, ou outras formas de crise com tendência para se
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repetirem continuamente. É uma situação que resulta de uma tendência para breves interrupções na actividade eléctrica normal do cérebro; são descargas eléctricas não controladas do cérebro. As causas e os potenciais factores desencadeadores de uma crise de epilepsia são diversos. Podendo ter como causa a falta de oxigénio, hipoglicemia, perturbações na hidratação, ingestão de drogas e venenos, traumatismos, tumores cerebrais, desiquilíbrios hidroelectrolíticos (sódio, potácio, magnésio e calcio) e infecções que causam temperaturas muito elevadas. Os potenciais factores desencadeadores podem ser a fadiga, jejum prolongado, consumo de bebidas alcoólicas e ruídos excessivos. As crises epilépticas podem ser denominadas como sendo crises de grande mal, que se caracterizam por perda de consciência acompanhada de convulções e crises de pequeno mal com alterações do estado de consciência mas sem originar problemas motores evidentes. A crise de grande mal pode ser dividida em duas fases, a fase tónica onde há a perda de consciência e a contracção sustentada de toda a musculatura. Por sua vez na fase clónica há a dilatação das pupilas, aumento da saliva (espuma pela boca), convulsões dos membros, tronco e cabeça, aumento da frequência cardíaca e eventual paragem cardiorrespiratória. Após uma crise de grande mal, segue-se a fase de relaxamento muscular generalizada, a qual pode provocar uma insuficiência nos esfíncteres e por conseguinte uma emissão involuntária de urina e em alguns casos fezes. Embora recupere a consciencia de forma progressiva, é muito provável que este se encontre muito confuso e sonolento, pode referir cefaleias, dores musculares, sem se recordar do que lhe aconteceu. Esta fase pode demorar alguns minutos ou até várias horas. No meu local de trabalho nunca presenciei nenhum idoso a ter uma crise tónico-clónica, no entanto, sei que a minha actuação e atitude deve ser essencialmente de vigilância, sendo que as medidas de primeiros socorros são: - Caso seja possível, atenuar a queda da vítima, para evitar que se magoe; - Libertar o espaço circundante da vítima, de modo a proporcionar uma zona de segurança à volta da mesma; - Caso seja possível desapertar o cinto e as peças de roupa que possam apertar o pescoço (lenços, gravatas), tórax e cintura; - Colocar uma almofada improvisada sob a cabeça da vítima; - Não deixar a vítima sozinha e evitar a acção intempestiva de testemunhas que pretendam auxiliar de forma inadequada; - Após a cessação da crise, devo colocar a vítima em PLS (posição lateral de segurança), e controlar o seu estado até à total recuperação. Durante todo este processo de medidas de primeiros socorros: - NÃO devo movimentar a vítima nem a levantar, excepto se houver perigo (incêndio, desmorenamento); - NÃO devo restringir os movimentos pela força; - NÃO dar de beber à vítima até que este fique totalmente consciente; - NÃO tentar acordar a vítima; - NUNCA tentar pôr nada na boca da vítima, nem abrir-lhe a boca, na fase tónica-clónica. Outra temática abordada ao longo da disciplina foi os transtornos psíquicos, as causas e sintomas. Os transtornos psíquicos podem ser divididos em delírio e demência.

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O delírio consiste na alteração repentina e habitualmente reversível no estado mental, caracterizada por estados de confusão e de desorientação. A demência por sua vez é uma doença crónica de progressão lenta que causa uma perda de memória e uma diminuição extrema de todos os aspectos da função mental e é inreversível. Delírio - Causas
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Álcool, drogas, medicamentos e substâncias tóxicas Valores de electrólitos, sais minerais como o cálcio, o sódio, o magnésio e o potássio, alterados no sangue, devidos a medicamentos, desidratação ou doença Infecção aguda com febre Alterações de pressão intra craniana Défice de vitamina B Doenças de tiróide Tumores cerebrais Fracturas da anca e dos ossos compridos Função deficiente do coração ou dos pulmões - aumento da concentração de CO2 no sangue AIT (Acidente esquémico e transitórios) Delírio - Sintomas Incapacidade de prestar atenção Comportamento de uma pessoa embriagada Falta de concentração/ incapacidade de recordar factos recentes Perde o sentido do tempo e do espaço Divagam/incoerência Alucinações Caladas e retraídas ou agitação Habitualmente agrava-se ao cair da noite Demência – Sintomas Normalmente aparece após os 60anos Diminui a memória e a capacidade da noção do tempo De reconhecer pessoas, lugares e objectos Tem dificuldade em encontrar a palavra apropriada Dificuldade em pensar em abstracto (trabalhar com números) Alterações de personalidade Dificuldades em interpretar sinais de trânsito Comportamento social inadequado Podem esquecer-se do pagamento de facturas Esquecem-se de desligar luzes ou o fogão Tem alterações de humor Demência – Causas Doença de Alzheimer AIT (acidentes isquémicos transitórios) relacionado com HTA (hiper-tensão arterial) e diabetes Lesão cerebral Paragem cardíaca Doença de Parkinson
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Sida

Torna-se pertinente e útil, na nossa profissão, conhecermos tais transtornos uma vez que tais situações ocorrem maioritariamente na velhice. Saber reconhecer um sintoma e identificar uma causa pode permitir uma intervenção por maneira a minimizar danos e retardar os efeitos. É também importante este tipo de informação pois às vezes tais comportamentos podem ser associados à personalidade do idoso e cai-se na asneira de cometer um julgamento errado. Outras temáticas abordadas ao longo do módulo foram os processos de algaliação, mais concretamente o processo da troca do saco colector de urina, a movimentação dos idosos, cadeira cadeira, cadeira - cama, cama - cama, cama - cadeira, posicioná-lo de forma correcta e confortável na cama, movimentá-lo na cama não só quanto ao seu posicionamento mas também no que se refere o número de vezes que deve ser trocada a posição por maneira a evitar úlceras de pressão. Mudar o idoso várias vezes de posição, é preferível ao uso excessivo de almofadas na medida em que estas causam aquecimento e provocam queimaduras. O que para mim foi bastante enriquecedor e mais importante ao longo deste módulo foi como dar banho a um idoso. Aprendemos e exercitamos como dar banho a um idoso autónomo, dependente, paraplégico, em pé, sentado e acamado. Os cuidados a ter, as zonas críticas e que devem ser sempre observadas (orelhas, pés, mucosidades), os materiais a utilizar, as técnicas de movimentação por maneira a respeitar a intimidade, a vontade, a necessidade, a sua condição. Que tipo de pomadas aplicar, a importância da hidratação (prevenção de úlceras de pressão, hidratação, massagem, estimular a circulação sanguínea). Como fazer uma cama, ocupada ou simples. Os cuidados a ter com a higiene do idoso, os materiais a utilizar, a sua selecção e a atenção em determinadas zonas do corpo, a alimentação por sonda e sua fixação, em que consiste, os cuidados a ter na preparação, durante e após a refeição foram explicados, exemplificados e também exercitados. Os hábitos de higiene diários incluem não só a lavagem corporal mas também o tipo de alimentação, vestuário e calçado, a postura no dia-a-dia, as horas de sono diárias e a prática de exercício físico. No entanto os hábitos de higiene têm que ser ajustados às características de cada idoso. Assim sendo foram abordados os cuidados a ter com idosos acamados, idoso não acamado, as técnicas a utilizar, o material, o procedimento. Cuidados a ter com a higiene oral, dentição e próteses dentárias, do cabelo, da pele, das unhas e pés. Tão ou mais importante que a higiene a ter com os idosos, é também a higiene e a apresentação que o profissional deve ter quanto a lavagem das mãos, existindo três tipos de lavagem de mãos. A lavagem higiénica, social ou de rotina; a lavagem asséptica, utiliza-se água e sabão líquido com anti-séptico; a lavagem cirúrgica, utiliza-se água e sabão líquido com anti-séptico de acção residual. Cada tipo de lavagem é aplicado de acordo com a situação, e tem uma técnica própria de acordo com cada lavagem. O uso de luvas foi também uma temática abordada, quanto ao seu uso, a sua natureza, luvas cirúrgicas, luvas não estéreis e luvas de uso doméstico. Fazendo uma breve análise deste módulo, creio que foi o mais importante ao longo do curso. Não tiro o mérito aos restantes, mas, foi neste que tomamos consciência e um maior contacto com futuras situações. Observar imagens de úlceras de pressão, ver um corpo humano idoso tendo assim a percepção das alterações físicas e mentais, e ver um idoso algaliado ou com sonda náso-gástrica, mexe um pouco com a nossa sensibilidade e põe à prova a nossa coragem e profissionalismo face a situações reais.

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* Higienização e conforto - Higienização de espaços e equipamentos, decoração de espaços e tratamento de plantas e animais, lavandaria e tratamento de roupa, aquisição, armazenagem e conservação de produtos. Nos módulos referenciados foram abordados os seguintes conteúdos programáticos: Higienização de espaços e equipamentos
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Extintores, regras para uso e localização Fogos, principais classes, triângulo do fogo Bactérias, tipos, formas, onde podem existir, como penetram no corpo, condições favoráveis ao seu desenvolvimento, defesas naturais do organismo contra as bactérias Higiene vs contaminação Desinfecção vs esterilização Agentes ou formas de desinfecção e esterilização – Calor húmido, luz (por raios ultra – violetas), vapor activo (água em ebulição), desinfecção líquida, anti – sépticos e gases fluminantes. Funcionamento das companhias seguradoras e participação de acidente de trabalho Objectivos da higiene e segurança no trabalho Factores que originam acidentes de trabalho Factores para a realização de um trabalho de qualidade Como evitar possíveis acidentes

Este módulo permitiu-me ter uma visão mais ampla dos perigos a que estamos sujeitos no nosso local de trabalho, como podemos evitá-los, como contorná-los e como os resolver, caso ocorram, foram questões pertinentes. Uma breve noção sobre bacteriologia foi, também, importante para que no meu local de trabalho saiba onde estou exposta a elas e como posso fazer para as eliminar. Decoração de espaços e tratamento de plantas e animais As dimensões das cores e influência nas divisões da casa  Revestimento de paredes  Tipos de luz natural e artificial  A iluminação mais adequada para diferentes divisões  Escolha do imobiliário  Orientação da habitação  Decoração floral – factores básicos para o êxito de um arranjo, recipiente, ambiente a que se destina, colocação do arranjo, harmonia das cores  As plantas de interior – cuidados a ter  Necessidades básicas das plantas, como regar, como deve ser o calor, como administrar a luz, pragas e doenças – tipos e soluções, alterações comuns nas plantas, sementes.  Animais de companhia – cuidados a ter na alimentação, na higiene e controlo sanitários (pulgas, ácaros e carraças, disparasitação) Este módulo permitiu-me ter outras noções de conforto, do bem-estar do idoso e de todo um conjunto de factores que lhe são alheios, mas que, quando conciliados e tidos em atenção são importantíssimos para a saúde do idoso. Refiro-me a aspectos relacionados não só com o espaço físico que o envolve como também ao que lhe é importante e desperta afeição, como é o caso de animais de estimação e plantas.

Lavandaria e tratamento de roupa

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Símbolos internacionais da conservação dos têxteis Classificação das fibras – Artificiais, sintéticas, animal, vegetal, mineral. Cuidados a ter na máquina de lavar, respeitar a carga, a dose de detergente, esvaziar os bolsos, não avançar programas e encher o tambor sem pressionar. Cuidados a ter no uso da máquina de secar - Não misturar peças de fibras diferentes, não abrir a máquina em funcionamento e limpar o filtro após cada utilização. Regras para a eliminação de nódoas Factores que intervêm na lavagem – Tempo, temperatura, acção química, acção mecânica. Técnicas de costura e reparação de peças de vestuário, técnicas para cozer botões e bainhas.

Gostei especialmente deste módulo, e apesar de não exercer funções assíduas na lavandaria, permitiu-me adquirir conhecimentos e pequenos truques para remediar erros que por vezes se julgam irreversíveis. Regras que sendo respeitadas simplificam tarefas e asseguram a qualidade das roupas. Aquisição, armazenagem e conservação de produtos
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Compra – quando, quanto, onde, a quem, o que e porquê comprar? Gestão de stocks – Consumo médio, tempo de armazenagem, margem de segurança, consumo médio, diário e mensal Recepção, armazenagem e conservação – Aspectos a ter em consideração.

Tipo de produtos Aspectos a observar Enlatados Prazo de validade Higiene do transporte Verificar se há ferrugem nas latas (rejeição). Mercearias Prazo de validade Existência de parasitas (rejeição) Acondicionamento Higiene do transporte Ovos Prazo de validade Higiene Adequação do transporte Higiene do transporte

Atitudes a tomar Contar Armazenar

Contar Armazenar

Contar Armazenar

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Produtos Higiene do transporte hortícolas e frutas Grau de frescura Grau de limpeza Acondicionamento Leite e derivados seus Prazo de validade Acondicionamento Higiene do transporte Adequação do transporte Bebidas Prazo de validade Limpeza do vasilhame Carne fresca Adequação do transporte Limpeza do transporte Características orgânicas Acondicionamento transparente em plástico

Pesar Armazenagem frigorífica em câmara

Contar Armazenar em local refrigerado

Contar Armazenar Pesar Guardar de imediato em câmara de refrigeração ou congelação

Carne congelada

Adequação e limpeza do transporte

Pesar

Sinais de descongelação (carne com Armazenagem em câmara de molho) congelação Sinais de descongelação anterior e recongelação (cristais de gelo) Prazo de validade Peixe fresco Adequação e limpeza do transporte Frescura Pesar Guardar em refrigeração câmara de

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Acondicionamento Peixe congelado Adequação do transporte Limpeza do transporte Acondicionamento plástico em sacos de Pesar Armazenar em refrigeração câmara de

Sinais de descongelamento Sinais de descongelação anterior e recongelação Prazo de validade

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Definição de Armazém, despensa, reserva de material, cave, depósito de combustíveis, produtos de drogaria, papelaria, viveiros. Onde se devem se situar, que materiais devem conter e porquê Documentação de base num economato – Requisição interna, requisição externa, valor provisório, rol de praça, guia de remessa, factura, recibo, nota de débito, nota de crédito, resumo das requisições diárias, resumo diário de exploração ao economato Ficha de stock – Preço médio ponderado, L.I.F.O.( last in, first out), F.I.F.O. (first in, first out)

Ainda que as minhas funções não sejam exercidas na cozinha estão em sintonia com ela. Ao servir a refeição ao idoso é importante que saiba interpretar as indicações dos alimentos assim como o seu estado de conservação. Acho também pertinente saber o significado e funções a que se destinam os documentos associados aos alimentos desde a encomenda até ao consumo final, não esquecendo o respectivo pagamento e transporte de acordo com a lei. * Nutrição e confecção de refeições – Nutrição e dietética, confecção e serviço de refeições. No módulo acima referenciado o primeiro tema a ser abordado foi:  Noções gerais sobre microbiologia e contaminação microbiológica. - Microorganismos - Origem e propagação de microorganismos - Bactérias - Os bolores - Leveduras - Toxinfecções alimentares - Principais fontes de contaminação - Algumas medidas preventivas
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Contaminação química Contaminação física
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Higiene do manipulador de alimentos - Higiene pessoal - Hábitos de higiene

Higiene das instalações, equipamentos e utensílios - Instalações - Equipamentos e utensílios - Procedimento de limpeza - Limpeza e desinfecção - Controlo de insectos e roedores

Higiene dos alimentos - Armazenagem e conservação - Preparação e confecção - Exposição e comercialização

Conservação dos alimentos - Utilização de frio - Utilização de calor - Desidratação - Salga - Fumagem - Atmosfera controlada - Aditivos

Esta primeira parte do módulo reforçou e veio um pouco ao encontro dos módulos de higienização de espaços e equipamentos e de Aquisição armazenagem e conservação de produtos. Em qualquer tipo de trabalho a higiene é um factor importante, mas quando falamos em confecção de alimentos e em especial na alimentação de pessoas idosas a importância da higiene sobe exponencialmente. Nestas situações é necessário ter em atenção que os produtos que produzimos são perecíveis (alimentos com duração limitada), podendo por isso chegar ao cliente estragados. Posso portanto afirmar que a higiene é a prevenção de riscos na totalidade da cadeia e que visa eliminar riscos de vários tipos de contaminação. Esta introdução ao módulo ensinou-me para além de regras de higiene é importante, também, que haja ao dispor materiais que permitam por em prática estas regras. Aprendi a reconhecer se um alimento está em bom estado de conservação, aspectos a ter em consideração na sua conservação e armazenamento. Sabendo que uma alimentação correcta favorece o nosso bem-estar e que nunca é tarde demais para se adoptar este módulo permitiu-me dotar de mais informação de como fazer e aconselhar os idosos a fazer uma alimentação mais agradável e saudável. As regras básicas para uma alimentação saudável são as seguintes: - Ter em consideração a variedade, o equilíbrio, quantidade justa, qualidade nutricional e higiénica e ser bem cozinhado - Comer nas proporções indicadas na roda dos alimentos. - Comer, pelo menos, uma refeição quente por dia. - Comer a horas certas, com intervalos entre as refeições não superiores a 3.30 Horas.
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- Evitar o jejum nocturno, o intervalo entre a última refeição do dia e a primeira do dia seguinte não deve ultrapassar as 10 horas. - Reduzir o consumo de sal - Reduzir o consumo de açúcar - Reduzir o consumo de gorduras - Limitar o consumo de bebidas alcoólicas - Aumentar o consumo de vegetais, hortaliças e frutas - Preferir cereais menos refinados - Beber muitos líquidos (no mínimo 1.5 litros diários) - Variar o mais possível a alimentação No entanto, creio que, mais importante do que saber as regras de uma alimentação saudável é saber o que ingerimos e qual a melhor alimentação a seguir de acordo com a patologia de que se padece. Consoante a doença há uma adaptação nutricional a ter em conta. Assim sendo a dieta alimentar deve ser considerada de acordo com as características das seguintes doenças: Doença Hipertensão Adaptação Características Alimentares Nutricional Baixo teor de sódio Evitar uso de saleiro na mesa Evitar conservas, enchidos, produtos de charcutaria, refeições pré-confeccionadas, molhos prontos Abusar temperos naturais (alho, cebola, limão) condimentos (pimenta…) e ervas aromáticas (salsa, orégãos…) Dislipidemias (alterações das gorduras no sangue) Baixo teor gordura de Evitar gorduras em geral e a gordura saturada em particular Abusar produtos hortícolas, vegetais frutas e produtos menos manipulados (integrais). Evitar o consumo regular de rissóis, croquetes, panados, folhados, empadas, produtos de charcutaria, batatas fritas e aperitivos, caldos concentrados, refeições pré-preparadas Diabetes Normocalórica Hidratos carbono de Repartir os alimentos por várias refeições Pequena quantidade de hidratos de carbono em cada refeição
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Equilibrio entre os nutrientes energéticos: Protaínas, gorduras, hidratos de carbono (açucares), fibras.

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Renal Obesidade

Hipoproteica Contabilizar: Proteínas, sódio, potássio Restrição calórica Equilibrio entre os nutrientes: Protaínas, gorduras, hidratos de carbono (açucares), Fibras, água. Redução global do valor calórico total. Evitar alimentos de alta densidade calórica.

Ao falarmos das doenças típicas da terceira idade, abordou-se também os principais erros alimentares que a população portuguesa tem. Excesso de sal e respectivas consequências. Excesso de bebidas alcoólicas e consequências. Excesso de gorduras e consequências. Consumo insuficiente de leite e consequências. Consumo insuficiente de produtos hortícolas e frutos assim como respectivas consequências. Ausência de merenda e pequeno - almoço, consequências de demasiadas horas em jejum. Excesso de açúcar e consequências. Alimentação excessiva, consequências e doenças. Abordamos, também, questões relacionadas com os métodos culinários - Cozidos, estufados/guisados, jardineiras/caldeiradas, grelhados, assados e fritos.  Meios de transmissão de calor - Água, vapor, gordura e ar.  Técnicas para menor perda de nutrientes, vitaminas e nutrientes por parte do alimento  Como garantir qualidade aos cozinhados sem alterar a composição dos alimentos  A sopa fonte de vitaminas, minerais, proteínas vegetais e água.  Distribuição calórica das refeições diárias, o que cada uma deve conter, o espaçamento entre si.  A diferença entre alimentação e nutrição; alimento e nutriente. Para se falar em culinária é necessário antes de mais falar sobre as classes dos nutrientes: - Hidratos de carbono – Compostos orgânicos presentes na quase totalidade dos produtos vegetais (cereais, leguminosas, produtos hortícolas) e, em pequenas quantidades nos alimentos de origem animal. Os hidratos de carbono são divididos em três grupos, monossacarídeos (glicose, frutose, galactose), dissacarideos (sacarose e lactose) e polisacarideos (celulose, amido, glicogénico) - Proteínas - As proteínas têm uma função nobre, já que são necessárias para o crescimento, desenvolvimento e reparação das células, tecidos e órgãos, produção de hormonas, enzimas e sistemas de defesa ou imunidade - Lípidos – Desempenham funções de importância vital como componentes estruturais de membranas celulares e como poderosos emulsionantes. Ocorrem em muitos alimentos, nomeadamente em ovos, carnes, cereais e leguminosas. - Vitaminas - São substâncias químicas presentes na maior parte dos alimentos. Cada uma tem a sua própria função, o que não pode ser substituída por outra diferente. Não são fontes de energia, nem constitui elas próprias as estruturas do nosso corpo, tem antes uma função reguladora (equilibrar o organismo) ou activadora de diversos mecanismos metabólicos - Sais minerais – São agentes protectores essenciais ao desenvolvimento e manutenção do organismo. - Complantix ou fibras alimentares - São substâncias provenientes das células vegetais, que atingem o cólon sem terem sofrido a hidrólise digestiva dos seres humanos. São a parte não
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digerível nem absorvível (total ou parcialmente) de muitos alimentos de origem vegetal (como os cereais, frutas ou legumes). Algumas são solúveis na água, outras são insolúveis. Apesar de não serem absorvidas pelo intestino, sendo por isso eliminadas nas fezes, têm propriedades que as tomam muito úteis e recomendáveis na alimentação diária. - Água - A água constitui mais de metade do nosso corpo é o nutriente em maior abundância no nosso organismo, constituindo 65% do peso do nosso corpo. Cada classe desempenha funções diferentes, todas são importantes e insubstituíveis. As suas funções: - ENERGÉTICOS – Gorduras e Hidratos de Carbono - PLÁSTICOS – Proteínas e alguns Minerais - REGULADORES – Vitaminas, Minerais e Água A nutrição é uma área que me desperta especial interesse. Gosto de saber a composição dos alimentos, a sua função, o seu valor calórico e a sua acção no nosso organismo. É importante saber os efeitos e doenças que os hábitos alimentares criam no nosso organismo e quais as formas de os contornar. Adquirir este tipo de conhecimento permite-me aconselhar os idosos, aconselha-los, orientá-los e explicar o porquê da sua doença e os benefícios de optar por hábitos alimentares saudáveis. * Gestão do comportamento - Atendimento e recepção, animação e lazer e ética profissional e legislação laboral. Nos módulos referenciados foram abordados os seguintes conteúdos programáticos: Atendimento e recepção  A sociabilidade e os grupos

Relacionamento Interpessoal - Relacionamento com o utente - Relacionamento com a instituição - Relacionamento com colegas

- Comportamentos que facilitam as relações humanas Comunicação Interpessoal - A importância da comunicação nas relações interpessoais - O processo Comunicacional - Formas de Comunicação - Leis e efeitos da Comunicação - Barreiras à comunicação - Elementos não – verbais da comunicação - As redes de comunicação - A comunicação nas instituições

* Comunicar com eficácia * Técnicas de escuta activa * O comportamento como desencadeador de comportamento

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* Estilos de comunicação - Atitudes verbais e posturas não verbais discriminadas dos quatros estilos * A assertividade - A base das relações construtivas - Regras da assertividade - Como desenvolver a assertividade Com todos os conhecimentos adquiridos ao longo do curso fazia todo o sentido um módulo deste género. Não só na vida profissional como também na vida social, familiar, etc., os conhecimentos absorvidos são muito úteis. Sendo o público-alvo um que requer alguma atenção e sensibilidade na resolução de situações diárias e pontuais é importante saber comunicar com eles, com a família e com toda a equipa multidisciplinar envolvida. A arte de bem comunicar é uma importante ferramenta na gestão de emoções e comportamentos. Animação e lazer  Breves noções de animação sociocultural  O animador sociocultural e o seu perfil genérico  Intervenção genérica do animador sociocultural  O perfil do animador sociocultural  Actividades de animação  Plano mensal de actividades  Técnicas de expressão plástica O módulo de animação e lazer permitiu-me adquirir técnicas de animação, objectivos e finalidades da mesma. Aspectos a ter em consideração e o papel do animador no sentido de contribuir para o encorajamento dos idosos a participar nas actividades organizadas por eles e para eles. Não sendo tarefa fácil, o animador, deve ser empenhado com ardor e vivacidade ter espírito de iniciativa empreendedor e mostrar entusiasmo nas actividades que promove. A animação deve ir ao encontro dos interesses dos idosos, aproveitar a sua experiência para os cativar de maneira a os manter activos e retardar os efeitos próprios da velhice. A animação deve ser feita no sentido de lhes proporcionar lazer e não no sentido de os manter ocupados. Ética profissional e legislação laboral Conceito de ética Conceito de ética no trabalho  Diferença entre ética e moral  Direito  Valores cívicos  Código deontológico  Qualidades pessoais e profissionais  Cuidados a ter relativamente à organização e ao público externo  Exigências em relação aos colegas de trabalho  Processo de comunicação  Gestão de conflitos  Estilos de comunicação face ao conflito  Legislação laboral  Direitos e deveres do empregado e do empregador De uma forma simplista podemos definir ética como um modo de ser, de estar, carácter, aquilo que uma pessoa se torna pela educação, pela cultura e pelo meio em que vive, configurando uma
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maneira de ser e de sentir, reagir. Usa valores como medidas de escolha. Avalia as normas, as suas práticas e as intenções e finalidades. Acentua em aspectos pessoais. Adquirir teorias de nada nos serve se não as soubermos aplicar na prática. Ética profissional e legislação laboral, permitiu-me criar hábitos de empatia, ajudou-me a moldar a minha forma de ser e a consciencializar-me acerca de alguns aspectos pessoais. Sendo a ética inerente à vida humana, a sua aplicação é bastante importante na vida profissional porque cada um de nós tem responsabilidades individuais e sociais. Aprendi a diferença entre ética e moral e algumas soluções a ter em conta na resolução de conflitos. Todas as questões éticas abordadas me despertaram especial interesse, entendo, compreendo e concordo com elas. No entanto, creio que quando se tenta aplicar na prática há todo um conjunto de factores que condiciona o sucesso da mesma. No dia 12 de Janeiro de 2005, participei na Acção de Formação Cuidados Continuados Integrados (ver certificado anexo), no âmbito do projecto “Mais de Nós”- Projecto de Cuidados Continuados Integrados, com duração de 1.30 horas, realizado n’O Abrigo- Centro de Solidariedade Social de S. João de Ver. De 02 de Maio de 2005 a 14 de Julho de 2007, frequentei a formação: “Animação de Idosos” (ver certificado anexo). Esta formação foi ministrada pela União das Misericórdias Portuguesas, que decorreu na Santa Casa da Misericórdia da Murtosa com duração de 100 horas. Os Módulos abordados na formação foram os seguintes: 1.Conceito de Animação e Ocupação para Idosos. 2.Locais de Desenvolvimento. 3.Intervenientes na Animação. 4.Planeamento e Gestão de Actividades de Animação. 5.Métodos e Técnicas de Animação. Esta formação foi bastante importante e veio preencher uma lacuna que eu sentia. Animar idosos requer bastante mestria, mestria essa que a experiência empirica não nos traz. É necessário conhecimento. É necessário saber onde, quando, como, porquê, para que animar e intervir. Foi interessante, aprender técnicas de animação, cuidados a ter na preparação e no local de uma actividade bem como autoridades competentes a contactar quando se trata de actividades no exterior, a logística e pequenos truques que podem fazer toda a diferença. No ano de 2009, frequentei a formação “Apoio Familiar e à comunidade” (ver certificado anexo). Esta formação foi ministrada pela Siner Consult, Formação e Consultadoria de negócios, Lda., que decorreu na MACUR, instalações do centro de dia, Rua Mestra Emília, Lugar de Cardielos, Rio Meão com duração de 275 horas. Os Módulos abordados foram os seguintes: 1.Cuidados Humanos Básicos – Higiene e Apresentação Pessoal. 2.Higienização de Espaços e Equipamentos. 3.Decoração de Espaços. 4.Dietética e confecção dos alimentos. 5. Animação e Lazer. 6.Ética Profissional e Legislação Laboral. Esta formação foi utilizada, por mim, como uma requalificação profissional na medida em que os módulos foram os mesmos que constituíram o curso de Apoio Familiar e à Comunidade que eu frequentei de 22 de Abril de 2003 a 31 de Dezembro de 2003 com duração total de 1200 horas.
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No ano lectivo de 2009/ 2010 Ingressei no ensino superior, na Escola Superior de Educação, Jean Piaget, Canelas, Vila Nova de Gaia, no Curso Superior de Educação Sociocultural. Três das doze unidades curriculares constituintes do plano de estudos do primeiro ano permitiram-me adquirir conhecimentos mais profundos acerca de determinados temas que se adequam na íntegra ao profissional de geriatria, a saber: - Saúde, Higiene, Nutrição e Primeiros Socorros – Nesta Unidade Curricular adquiri conhecimentos mais aprofundados que iam de encontro à minha actividade profissional, gostei especialmente do plano nacional de vacinação e dos primeiros socorros pois permitiu-me revalidar o curso de socorrismo que havia feito em 2005.(ver anexo). - Psicologia do Desenvolvimento: Épigenises e Ciclos de Vida - Esta Unidade Curricular permitiu-me libertar de ideias pré concebidas que eu julgava certas e acabou por se provar precisamente o contrário. Abordou-se o ciclo vital do ser humano, capacidades e competências que se adquire em cada fase da nossa vida, dando especial atenção as alterações físicas e cognitivas ocorridas na terceira idade. Esta unidade curricular fez-me compreender que determinados comportamentos nos idosos são normais tendo em conta a sua idade, não são sinónimo de doença mas sim acções típicas dessa fase do ciclo vital. (ver anexo) -Introdução às neurociências - Nesta Unidade Curricular abordou-se essencialmente questões relacionadas com o cérebro. O seu funcionamento, a sua composição, as funções do sistema nervoso central, do sistema nervoso periférico, o que é o neurónio, como surge a senilidade, doença de Parkinson, doença de Alzheimer, Esclerose múltipla, foram as principais doenças neuro degenerativas abordadas. Achei interessante e pertinente, toda a matéria pois ajudou-me essencialmente a compreender as principais doenças que comprometem a saúde mental do ser humano que atinge o auge na velhice. (ver anexo) Nos dias 20 e 27 de Março de 2010, participei nas I Jornadas de Educação para a Saúde (ver certificado anexo) que decorreu no Auditório da Escola Superior de Educação Jean Piaget. Participar nas jornadas de educação foi muito enriquecedor para mim, uma vez que obtive respostas concretas e cientificas acerca da velhice. Permitiu-me entender o comportamento e a postura do idoso e consegui, a partir daí, compreender o idoso associado à velhice e não à personalidade e carácter. No dia 31 de Maio de 2010, estive presente no seminário “Práticas de Intervenção para a Inclusão Social em Vila Nova de Gaia” (ver certificado anexo), ao abrigo do programa 2010 Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social. Existem vários tipos de exclusão social (social, económico, cultural, territorial e de origem patológica), o ser humano num estado de velhice está mais susceptível à exclusão. Participar neste seminário, permitiu-me tomar contacto com estudos demográficos, programas de combate à exclusão e medidas de prevenção. No presente ano lectivo, faz parte do plano de estudos, unidades curriculares que se adequam à prática das minhas funções, nomeadamente: - Psicossociologia do Desenvolvimento e Aprendizagem; - Psicologia Social e Comunitária; - Técnicas de Animação de Grupo; - Actividade Física na Terceira Idade

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Auto análise profissional
Após tanta reflexão e escrita acerca do técnico de geriatria, torna-se pertinente fazer uma avaliação de nós mesmos e do nosso desempenho que pode levantar algumas questões pertinentes, ou não. Fazer uma auto-análise implica antes de mais que sejamos honestos connosco mesmo que isso possa implicar uma certa frustração, digo eu, chegar à conclusão que afinal não somos tão perfeitos como julgamos ser. Sou ajudante de acção directa há cinco anos. Proporcionou-me, juntamente com diversas formações, alguma mais valia e destreza, digamos assim, no exercício da minha profissão. Sou assídua e pontual, cumpro sempre horários e pico a ficha atempadamente para que no meu horário de trabalho esteja devidamente uniformizada e pronta para exercer as minhas funções. Confesso que tenho um pouco de dificuldade em lidar com algumas decisões tomadas pelas hierarquias, nomeadamente no contexto em que as I.P.S.S. (Instituição Particular de Solidariedade Social) se encontram. Respeito o trabalho das minhas colegas e gosto de trocar impressões. Por vezes sou demasiado exigente comigo mesma e com as colegas. Sou responsável e cumpridora das minhas funções, sou briosa e cuidadosa com os idosos, gosto de manter diálogos com eles acerca da sua vida, por norma é sempre a sua família, a sua obra feita! Tento na medida do possível criar um ambiente de inter-ajuda com as colegas, mas, preocupo-me primeiro em fazer o meu trabalho. Sou da opinião que se cada um se empenhar em fazer o seu trabalho não há necessidade da colega auxiliar. É claro que há excepções e quando uma colega necessita de ajuda eu auxilio. Ao longo dos anos tenho feito formação em diversas áreas e frequentei, sempre, as formações promovidas pela instituição, actualmente, frequento o 2º ano do Curso Superior de Educação Socioprofissional na Escola Superior de Educação Jean Piaget. Devido a situações de ordem familiar atravessei um período complicado na minha vida. Tal facto influenciou o meu equilíbrio emocional o que me causou um baixo rendimento no exercício das minhas funções. Tive alguns atritos, nada de maior mas que de certa forma criou uma imagem a meu respeito que aos poucos eu vou limpando. Aprendi com os erros e com as adversidades da vida. Considero-me agora uma pessoa melhor e mais crescida. Tenho um bom relacionamento com os familiares dos idosos, e estes, sempre que necessitam de algum apoio na prestação de cuidados ao idoso, pedem o meu auxílio. Ao fim de semana, ao fim do dia e sempre que necessitam costumo cuidar de idosos clientes da MACUR, com o conhecimento da direcção da instituição. Este tipo de apoio apenas complementa o da MACUR. Sou atenciosa, cuidadosa, briosa, preocupo-me com o seu bem–estar. Sou adepta de estimular ao máximo a sua autonomia. Por vezes eles acham que com esta minha atitude sou insensível à sua condição, mas após uma breve troca de impressões a situação inverte-se! Costumam dizer-me:” Ser velho é muito triste!”, ao que eu logo lhe pergunto:” E morrer novo é bom?!”. Um Sorriso é garantido, o tempo da conversa que se segue é que já é mais difícil de prever! Gosto de ouvir as suas histórias e argumentar soluções para as suas doenças, umas vezes bem aceites outras nem por isso, mas “queira Deus, queira o Senhor que nunca fiques como eu”. Sem esta resposta é que eu não fico. Sou uma boa confidente, segredo que me conte ou conversas tidas com colegas, familiares ou clientes nunca por mim são reveladas. Muita gente sabe a minha opinião sobre diversos assuntos mas nunca ninguém sabe o que me contam.

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Quando há situações que ocorrem com os idosos, não os costumo divulgar a menos que ache pertinente ser do conhecimento das colegas e da directora técnica. Sempre que um idoso me pede confidencialidade o seu pedido é atendido e até à data foi sempre possível, porque nunca pôs em causa a sua saúde ou bem-estar. Tento manter uma boa imagem e defendo a instituição que represento. Quando algum idoso me relata alguma situação ocorrida com as colegas tento ser o mais imparcial possível, mas não descuido a opinião do idoso. Quando sou abordada na rua por populares e me questionam acerca da vida dos nossos clientes, evito ao máximo desenvolver conversa, respondendo consoante a abordagem que me seja feita. O aspecto menos positivo, não só na minha profissão como na vida, é a impulsividade e a frontalidade. Sou demasiado exigente comigo e com os outros. Pode ser considerado defeito, pode ser considerada qualidade, mas é a característica que mais me define. Nesta profissão caímos no erro de uma entrega e um desgaste emocional muito grande. Creio que é humanamente impossível não nos envolver a esse nível. Na minha óptica o maior desafio da nossa profissão é não nos envolvermos emocionalmente. Prestamos um serviço, não fazemos caridade.

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Dia Típico no Serviço de Apoio Domiciliário
Um dia típico de segunda a sexta-feira no serviço de apoio domiciliário inicia-se às 8.00 horas da manhã e termina as 18.00 horas. Começo por “picar” a ficha, uniformizo-me e em conjunto com a minha colega coloco na carrinha o material necessário para que possamos prestar os cuidados de higiene e imagem no domicílio dos clientes. Por vezes transportamos material, previamente encomendado pelo familiar ou pelo próprio cliente, nomeadamente, fraldas, pensos e resguardos.

Na primeira parte da manhã, fazemos dois apoios domiciliários onde prestamos cuidados de conforto e imagem, ministramos medicação com prescrição médica e auxiliamos na toma do pequeno-almoço. Segue-se a pausa para o pequeno-almoço. Vimos ao centro de dia tomá-lo. Na segunda parte da manhã são feitos mais seis domicílios onde são prestados vários cuidados de conforto e imagem e auxilio em pequenas tarefas que o idoso por situações diversas não possa realizar, nomeadamente, regar vasos, abrir a porta aos patos, levar a cadela à rua, apanhar fruta nas árvores do quintal e contar novidades do mundo.

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Em cada domicilio devemos registar quais os cuidados prestados e alguma situação que tenho ocorrido e que seja pertinente o seu registo. A tensão arterial, alguma indisposição, o pagamento de uma mensalidade, material de higiene. Cada cliente tem no seu processo toda a informação necessária, como por exemplo contacto dos familiares mais próximos, P.D.I (plano de desenvolvimento individual), contactos úteis, medicação prescrita, entre outras informações A parte da manhã inicia-se às 8.00 horas e deverá terminar às 12.00 horas. Hora que regressamos ao centro de dia para que, após deixar o material de higiene e a roupa suja recolhida dos clientes na lavandaria, seja feita a entrega das refeições nos respectivos domicílios de cada cliente.

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Ao efectuarmos a entrega, há três momentos em que devemos fazer o registo das temperaturas das refeições. O registo é efectuado no inicio, mais ou menos a meio e no fim do percurso. Nele deverá constar a temperatura da sopa, do prato e respectivo acompanhamento e a hora em que foi verificado. Finda a entrega das refeições regressamos ao centro de dia. Ao chegarmos à instituição devemos fazer o registo de deslocação e entregar na copa exterior as marmitas recolhidas no domicílio das refeições do dia anterior.

Das 13.00 as 15.30 horas é feita a pausa para almoço e descanso. Da parte da tarde das 15.30 as 18.00 horas é feito novamente o apoio domiciliário a seis clientes. Por norma na parte da tarde, salvo raras excepções, só são feitas higienes parciais (troca de fralda, higiene oral, limpeza de cara e mãos). É uma opção da equipa, sempre constituída por duas colaboradoras, por uma questão de gestão de tempo.

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A cada cliente por norma é dado no mínimo dois banhos semanais, sendo os restantes dias feitas higienes completas com massagem de creme hidratante PH5.5 para hidratar, relaxar, estimular a circulação sanguínea e prevenir úlceras de pressão. Aos homens é feita a barba e as mulheres o buço, o cuidado de unhas, mãos e pés é uma prática comum aos dois géneros. Às 18.00 horas regressamos ao centro de dia, efectuo o registo de deslocação e desinfecção e retiro todo o material da carrinha, procedendo de imediato à desinfecção da mesma. Quando nos deslocamos ao domicílio do cliente há toda uma série de aspectos a ter em consideração para que os cuidados sejam prestados de uma forma eficaz, harmoniosa e correcta. Temos idosos que nos cedem a chave de sua casa, outros abrem a porta e maioritariamente há aqueles que quem nos recebe são os familiares. Devemos sempre fazer-nos anunciar, bater à porta ou tocar a campainha de forma discreta, manter o tom de voz baixo, porque chegar ao pé de um idoso com um tom de voz elevado é bastante incómodo. Devemos também cumprimentar quem nos recebe e dirigirmo-nos ao cliente, cumprimentámo-lo e esperamos feedback, quer seja através de um sorriso ou de palavras. Antes de começarmos a cuidar do idoso é importante que todo o material seja previamente preparado (luvas, gel, esponjas, toalhas, sacas para recolha de lixo e de roupa, creme hidratante, pomadas, betadine, pente, papel, roupa de cama e roupa que o idoso irá vestir após o banho). Após todo o material estar reunido, procede-se à higiene ou ao banho do idoso. Descobrimo-lo lentamente de maneira a retirar as almofadas existentes para evitar as úlceras de pressão. Quando retiradas é a vez de despir o idoso, é importante mantê-lo sempre confortável, respeitar a sua intimidade e assegurar que este durante o banho não tenha frio nem lhe cause desconforto. A zona que não está a ser limpa deve ser mantida sempre coberta, ou, por roupa limpa entretanto vestida ou com uma manta de agasalho. Se por acaso o idoso se encontrar com a fralda suja e que tenha passado para o resguardo (lençol dobrado na horizontal por cima de um resguardo de plástico que protege o lençol de baixo e facilita a movimentação do idoso) devemos, quando o despimos, dobrar o resguardo para que enquanto prestamos os cuidados de higiene e imagem ao idoso, este esteja numa zona limpa.

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Após termos a bacia da água pronta ou o chuveiro à temperatura conveniente é chegado o momento de procedermos à higiene. Os cuidados de higiene e imagem são considerados em três aspectos:  Higiene Parcial - A higiene parcial, consiste em lavar a cara, mãos e genitais. Quando lavamos a cara ao idoso devemos ter em atenção os olhos, nariz, orelhas e boca. É importante que estas zonas sejam bem limpas e acima de tudo bem secas. No que se refere às mão é também importante secar muito bem entre os dedos e verificar as unhas para que não se desenvolvam micoses. A troca de fralda é um processo que requer alguns cuidados não só por uma questão de higiene mas também para evitar infecções. Deve ser sempre feita da zona mais limpa para a mais suja, os grandes lábios da vagina devem ser abertos, com os dedos, e de preferência, com a esponja, por água a correr. Após a zona estar devidamente limpa, deve ser seca, sempre na direcção do anus. Para proceder à higiene da zona do ânus vira-se o idoso para o lado oposto ao que nos situamos e após limpar a zona com papel, se necessário, lavamos com esponja em primeiro lugar as nadegas e toda a zona e por fim o anús. Quando a zona estiver devidamente seca devemos colocar um pouco de pomada que ajuda na protecção, impermiabilidade e hidratação da zona. Com o idoso ainda na mesma posição colocamos a fralda e vestimo-lo. Em seguida posicionámo-lo, colocamos algumas almofadas, é preferível virar o idoso de 2 em 2 horas do que colocar almofadas pois estas causam aquecimento podendo originar queimaduras, mas como os cuidadores por norma são também idosos essa tarefa torna-se complicada. Grande parte das infecções urinárias nas mulheres ocorre por bactérias vindas do intestino. Regra geral este tipo de higiene é feito á tarde.

Higiene Completa - A higiene completa consiste em lavar todo o idoso com excepção da cabeça. A higiene completa começa-se pela cara, tendo em conta os aspectos a cima já mencionados, em seguida lava-se as mãos, começando pela que está mais afastada. Esta forma permite que a colega que esteja a auxiliar possa secar enquanto nós continuamos a lavar. Após lavar braços, tronco e costas devemos passar creme hidratante com PH5.5 e desodorizante sem alcool. É importante ter em consideração a composição dos produtos usados, na higiene do idoso, uma vez que estes podem desencadear reacções alérgicas que poderão evoluir para situações que requerem intervenção médica. Antes de procedermos à higiene dos membros inferiores devemos vestir o tronco ao idoso ou então cobrir com uma manta para que este se mantenha quente e a sua intimidade resguardada. A higiene das pernas termina com a higiene dos pés. Podemos lavar os pés com a esponja molhada ou se possível colocar os pés dentro da bacia com água. É uma prática apreciada pelos idosos, pois causa um maior relaxamento e permite uma melhor higiene dos pés. É uma zona que requer bastante cuidado. É importante observar bem a zona, verificar se entre os dedos está bem seco, se há micose e se alguma parte do pé está sobre pressão. Após cuidar dos pés, troca-se de água, esponja e toalha e procedesse à higiene dos órgãos genitais e à troca de fralda como expliquei na situação anterior. Banho Completo – O banho completo consiste nos procedimentos anteriores mais a higiene da cabeça que consiste em lavar, secar e pentear. Para que possamos lavar a cabeça a um idoso acamado os procedimentos a ter em conta são os seguintes: Devemos colocar o material necessário : Saco de roupa suja, champô, resguardo, luvas descartáveis não esterilizadas e pequenas bolas de algodão, a escova de cabelo, bacia com água, secador e toalha.

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Em seguida, após ter todo o material pronto no quarto devemos informar o idoso do procedimento, assegurar que a temperatura do quarto é apropriada e evitar correntes de ar no quarto. Após colocar a cama totalmente na horizontal, retiramos a almofada debaixo na cabeça e colocámo-la na zona das omoplatas, segurando a cabeça para que este não fique com o pescoço em hiper - extenção epossa causar lesões ou desconforto. Em seguida colocamos o resguardo para evitar que a cama se molhe, colocamos a bacia debaixo da cabeça e iniciamos a sua lavagem. Aplica-se champô e massaja-se a cabeça com movimentos circulatórios. Aplica-se champô as vezes que seja necessário removendo-se o mesmo em seguida. Após limpa a cabeça, seca-se com a toalha, penteia-se e em seguida seca-se com o secador finalizando penteando-o novamente. Entretanto retira-se o resguardo, retira-se também a almofada das omoplatas e coloca-se novamente debaixo da cabeça do idoso. Em seguida dá-se banho ao idoso como acima referi. É importante que ao longo do banho o idoso seja mantido agasalhado, a sua intimidade resguardada, não estar em contacto com o colchão ou roupa molhada. Deve ser tido em conta também as movimentações que se faz pois podem ser desnecessárias, causar mau estar (vómitos), e até mesmo dor quando este tem úlceras de pressão. Ao fazermos a cama, para além de assegurar o asseio da mesma com as devidas técnicas, devemos ainda ter o cuidado de esticar bem a roupa, assim como, colocar bem a fralda, sob pena de esta poder originar úlceras de pressão ou bolhas de água. Ao idoso deve ser assegurado, que mesmo estando acamado, todos os cuidados de higiene e imagem lhe são assegurados como se em seguida tivesse algum acontecimento social.

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Dia típico no centro de dia
O horário de funcionamento do centro de dia é das 8.00 às 18.00 horas. Quando exerço as minhas funções no centro de dia, inicio-as às 9.30 horas. Começo por prestar cuidados de imagem aos homens.

A parte da manhã é essencialmente preenchida por eles. São 10 homens a quem costumo fazer a barba. Alguns costumam fazê-la sozinha, em casa, mas já não dispensam o ritual de ir ao barbeiro. A barba é feita com uma máquina de barbear por maneira a evitar corte ou sangramento, uma vez que são peles sensíveis e flácidas. Após ser feita a barba, o rosto é hidratado, umas vezes com creme hidratante dermatológico, outras vezes com afther shave, varia consoante a apresentação da pele. Após serem feitas as barbas, costumo prestar auxilio às colegas dando banho a alguns clientes, que não necessitem de tomar banho sentados, no poliban. Para dar banho, fazer higiene parcial, aos idosos nas instalações do centro de dia, o MACUR possui uma casa de banho com banheira e cadeira elevatória, um polibã e um armário onde guarda o vestuário dos idosos.

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O banho tomado na banheira consiste no idoso estar sentado na cadeira giratória com braços de segurança. O idoso senta-se na cadeira ainda fora da banheira e manualmente giramos uma pequena manivela que eleva a cadeira e faz o movimento de rotação para dentro da banheira. Uma vez dentro da banheira, procede-se ao banho. Os materiais necessários (tesoura, lima, luvas, gel P.H. 5.5,esponja, toalhas, pomadas se necessário, roupa limpa) são previamente preparados de maneira a que o idoso não seja deixado sozinho e para que o trabalho seja executado de forma coordenada e rápida para que não seja causado desconforto ao idoso. A casa de banho tem aquecimento que é ligado sempre que necessário. Terminado o banho, a cadeira é removida para fora da banheira. O idoso é seco, hidratado e vestido. Quando o idoso já está vestido acompanhámo-lo ao cabeleireiro onde o cabelo é seco e penteado. Sempre que o idoso queira o cabelo é-lhe cortado.

No poliban o banho pode ser tomado sozinho ou com o auxílio de uma colaboradora. O poliban é composto pela base, onde se coloca um tapete anti-derrapante, por duas pegas laterais onde o idoso
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se pode apoiar, um separador para evitar que a roupa se molhe e para o idoso salvaguardar a sua privacidade. Tem aquecimento e uma área de aproximadamente quatro metros quadrados onde o idoso se pode, despir, vestir e secar. A porta dispõe, na parte interior, de um cabide onde são colocadas a roupa limpa e as toalhas para o idoso. Quando o idoso necessita de ajuda de uma colaboradora o banho é dado com o idoso no poliban e a colaboradora na zona livre. O banho tem início com a lavagem da cabeça em seguida cara, mãos, braços, tronco, pernas, pés e por último com uma nova esponja os órgãos genitais e o ânus. É de salientar que o banho do idoso deve ser dado da zona mais limpa para a zona menos limpa. O idoso é seco em pé ou sentado num banco, hidratado e vestido e se necessário acompanhámo-lo ao cabeleireiro. Quando não é necessário esse tipo de apoio, faço a vigilância do pé diabético, corto e cuido das unhas no que respeita a manicure e pedicure, com respectiva massagem e hidratação de mãos, pés e pernas. É um momento de relaxamento apreciado por todos. A massagem é efectuada com creme hidratante PH5.5 e tem como objectivo, hidratar, estimular a circulação sanguínea. Sempre que necessário são aplicadas pomadas com fins terapêuticos (voltaren…) Remover o buço com a pinça é também outra prática comum apreciada pelas mulheres. A vigilância do pé diabético é uma prática que exige alguns cuidados e conhecimentos. É igualmente importante saber reconhecer quando determinada situação ultrapassa os nossos conhecimentos e encaminhar para técnicos competentes. Os pés dos diabéticos são muito susceptíveis de sofrer feridas e infecções. Deve-se realizar uma lavagem diária, curta, com sabão neutro, aproveitar para repararmos na cor, temperatura, inflamações, infecções, etc. A secagem deve ser minuciosa, tendo em conta o bom estado das unhas (cortá-las sempre rectas). O calçado não deve apertar e é melhor do tipo fechado.

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À segunda, quarta e sexta-feira, oriento os idosos que necessitem de cuidados de enfermagem. O MACUR, tem protocolo com a farmácia Santo António no sentido de estes nos prestar auxílio em pequenos serviços de enfermagem. Ao meio dia é servido o almoço. Após trocarmos de uniforme, acomodamos os idosos à mesa e é servida a refeição. A refeição é servida das 12.00 as 13 horas e são três as colegas que executam tal tarefa, sendo que duas estão até as 13.30 e uma sai as 12.30. A refeição é constituída por sopa, prato, sobremesa que por norma é fruta, há uma vez por semana que a sobremesa é doce, e cevada. Após almoçar os idosos vão lavar as mãos. A higiene das mãos é uma prática incentivada pelas colaboradoras antes e após a refeição. Antes de se servir o almoço aos idosos, sentamo-los comodamente nos respectivos sítios. São sentados tendo em consideração o seu grau de mobilidade e dependência. Os que requerem algum apoio são sentados em primeiro lugar, vindo em seguida os restantes. O refeitório é composto por várias mesas redondas com lugares sentados que variam entre os três e cinco lugares. Quando se encontram todos sentados, é servida a sopa, à qual verificamos e registamos a temperatura. A sopa é servida em terrinas de alumínio adequadas. Enquanto duas colaboradoras servem a sopa, uma terceira, ajudante de acção directa, auxilia na toma da medicação os idosos que necessitem.

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Quando os idosos terminam de comer a sopa, os pratos são levantados e serve-se em seguida o prato. Por norma são servidos em três travessas. Aqui também as temperaturas são verificadas e registadas. Uma com o prato, outra com o acompanhamento e a última com salada ou legumes. Para os idosos que necessitam de ajuda na refeição temos o apoio de duas voluntárias. Há idosos que comem a refeição sem qualquer restrição alimentar, para outros a alimentação é feita com ausência de sal e há também alguns que a comida deve ser cortada em bocados pequenos devido a carências dentárias.

Por norma é também necessário auxiliar alguns idosos a partir os alimentos, como é exemplo da carne e a separar as espinhas quando o acompanhamento é peixe (pescada, peixe vermelho, etc.) A sobremesa, assim como, a cevada são previamente preparadas. A sobremesa, por norma, tem sempre alternativa para quem não gosta da primeira opção. A cevada é servida com açúcar aos idosos que não são diabéticos e com adoçante aos diabéticos. Após tomarem a cevada alguns idosos levantamse de imediato, outros ficam à conversa e outros esperam pela nossa ajuda para eu sejam acomodados nos seus respectivos lugares.

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Os idosos ao longo do dia podem permanecer em todas as instalações que lhes são destinadas. Onde permanecem por mais tempo é na sala de estar, sala de convívio e jardim. Depois de os idosos estarem acomodados nos respectivos sofás procedemos à limpeza e desinfecção das mesas assim como do chão. As louças que já se encontram lavadas são colocadas no respectivo armário.

Aos clientes do MACUR são servidas as refeições do pequeno-almoço, almoço e lanche, havendo casos que também beneficiam do suplemento alimentar nocturno composto por sopa, pão e sobremesa que pode ser fruta, iogurte ou algo doce. Há ainda o reforço alimentar que é servido as 11.00 e as 14.30, que é servido aos clientes diabéticos.

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A minha pausa para o almoço é feita das 13.30 às 14.30. Almoço, assim como todos colaboradores, na instituição. Normalmente passo o meu intervalo na instituição. As 14.30 retomo as minhas funções, onde até as 16.00 horas exerço funções de animação socio-cultural. Efectuo com os idosos diversas actividades, promovendo momentos de lazer, convívio e aprendizagem atendendo as características cognitivas e motoras de cada um.

às 16.00 horas é servido o lanche que assim como o pequeno - almoço os idosos podem optar por: - Pão simples, misto, queijo, fiambre, manteiga, doce ou marmelada; - Bolachas; - Leite, café ou chá; - Ceriais ou cerelac. As refeições de pequeno-almoço e lanche são servidos em regime de serviço de bar. Os Clientes, ao ir para a mesa, passam pelo bar onde a colaboradora lhe prepara o pretendido. O leite, chá e café estão disponíveis nas respectivas mesas. Aos clientes que demonstrem mobilidade reduzida é prestado o apoio necessário, isto é, a funcionária, após questioná-lo acerca do que pretende tomar, desloca-se ao bar no sentido de obter o que este pretende comer. Ainda que o idoso seja sempre questionado acerca do que pretende comer, a colaboradora em questão deve ter o cuidado de o aconselhar e alertar para a importância de uma alimentação equilibrada e adequada as suas patologias. Reforçar a ideia de que mais importante que alimentar-se é nutrir-se. É uma tarefa que requer algum poder de argumentação, por parte da colaboradora, e sensibilidade por parte do idoso pois, como é do nosso conhecimento, com o avançar da idade há uma maior vontade de ingerir coisas doces. Às 16.30horas, inicia-se o regresso dos idosos às respectivas casas. As deslocações são efectuadas em duas carrinhas à tarde e por uma carrinha e o autocarro de manhã.

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Eu, por norma acompanho os idosos na carrinha de 9 ou 17 lugares , sendo feito duas viagens. Transportamos o idoso e os seus pertences, isto é roupas que estes mudam quando tomam banho, material de higiene, cesto com o jantar e andarilho e cadeira de rodas. Aos idosos são colocados os cintos de segurança e vão acomodados de acordo com as características de cada um. A carrinha de 9 lugares transporta sempre os clientes que usam cadeira de rodas, pois, é a única que tem elevador e espaço próprio para as mesmas. Quando o motorista está ausente também conduzo a carrinha de 9 lugares, o que acarreta uma responsabilidade acrescida. Ao entregarmos os idosos nas suas respectivas casas é importante que saibamos esclarecer os familiares acerca de questões que nos possam colocar. Sinto que é meu dever, antes de sair da instituição, informar-me se há algum recado para transmitir ao familiar e vice-versa. Às 18 horas regressamos ao centro de dia, troco de roupa, pico a ficha, certifico-me que todas as portas e janelas estão fechadas, acciono o alarme findando assim mais um dia de trabalho. Há idosos que devido à sua mobilidade reduzida têm necessidade de recorrer a aparelhos que lhe facilitem a sua marcha e que previna de quedas. Abusar deles não é recomendável e só o devem fazer após uma correcta aprendizagem. Vamos ver alguns desses apoios:  Muletas de cotovelo -Muleta habitual; é importante que o antebraço esteja bem colocado na braçadeira e a mão no cabo

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Bengalas – É o meio mais comum. A bengala deve prolongar o braço contrário ao da perna afectada. Deve ser um suporte de apoio e não deve ser arrastado. Temos de ter em conta a altura e peso do indivíduo e assegurarmo-nos que na ponta inferior tem uma borracha antideslizante.

Andarilhos – Podem ter rodas ou não. É preciso colocar-se perto deles e agarrar bem os punhos para um manejo correcto. Costuma ser prescritos nas fases intensas ou quando existir uma alta instabilidade.

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Cadeira de rodas – há de muitos tipos e especiais para determinadas patologias mas não devem ser utilizadas sem prescrição médica e razoável necessidade, pois costumam levar o idoso a uma situação de comodismo e dependência. É importante que se correspondam com as características físicas do utilizador: altura dos apoios dos pés e dos braços, peso, almofadados, etc. A sua adequação é geralmente avaliada por uma equipa de profissionais como podem ser o médico, o terapeuta ocupacional, o ortopedista, etc.

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Dia de trabalho atípico
Ao longo do ano há diversas actividades às quais os idosos se habituaram e que são organizadas e desenvolvidas no sentido de promover a sua inserção social, momentos de lazer, preencher o seu quotidiano, estimular e desenvolver capacidades motoras, cognitivas e sociais. Os idosos do MACUR participam em actividades organizadas por diversos órgãos competentes, nomeadamente a nível da câmara municipal de Santa Maria da Feira com os programas estipulados para a população sénior como é o caso das matinés dançantes, caminhadas, torneios e campeonatos de bócia, jogos tradicionais, etc,. A nível da comunidade de Rio Meão, os idosos participam anualmente, em Setembro, no passeio promovido pela Junta de freguesia, e na Festa do idoso, que ocorre no mês de Outubro, organizado pela MACUR em parceria com a paróquia (Conferência S. Vicente de Paulo) e o Rancho as Florinhas de Rio Meão. São vários os momentos de lazer e animação destinados aos clientes séniors do MACUR. O momento que mais me sensibiliza e que me dá especial gozo participar e organizar é a Ceia de Natal. Ocorre todos os anos, por norma na sexta-feira da semana que antecede o Natal. É um dia cansativo e intenso, para além de um dia normal de trabalho, tudo é pensado em função da noite que se aproxima. Tudo é pensado ao promenor, A ementa, número de convidados, as prendas, contactar os familiares. Nada pode ficar esquecido. Se ficar? Não há problema! Está tudo em festa, ninguém repara! Nesse dia, a direcção está presente, os colaboradores que ao longo do ano colaboram com a MACUR em regime de voluntariado, não são esquecidos. O rancho faz-nos uma visita, cantam as janeiras e todos damos um pezinho de dança. A tarde é ocupada com jogos, onde o bingo é o jogo com maior adesão. Há prémios! Ninguém quer ficar de fora, todos querem ganhar, ou o bolo rei ou o pão de ló, ou o que houver, o importante é participar, até porque é a única forma de ganhar! Após os jogos há sempre grupos que nos visitam e nos presenteiam com canções alusivas à quadra. Disfarçadamente muitas lágrimas são limpas e muitas outras são contidas. Os convidados vão chegando, a caldeirada está quase pronta. Tudo está aposto para ir para a mesa. Não há tristeza, diabetes ou hipertensão, nesse dia, que marque presença. O jantar é servido, as entradas, a caldeirada, o vinho, a broa, as sobremesas típicas, tudo corre à farta, a boa disposição é uma constante. Findo o jantar, e porque os idosos tem hora marcada para estar em casa, surge o rancho, é um momento muito bonito, todos se cumprimentam, todos cantam e quase todos dançam. Como andam a cantar as janeiras não podem ficar muito tempo, mas já prometeram deixar o Centro de dia para o fim da volta, eles também gostaram! Neste dia a meia noite é sempre antecipada e mesmo sem sapatinho na chaminé, o pai Natal, aliás os pais Natal chegam! São doze, após percorrer as ruas de Rio Meão a fazer as delícias das crianças, e graúdos, da freguesia o centro de dia recebe-os de braços abertos. São eles que entregam os presentes oferecidos pelo MACUR. O tempo vai passando, faz-se tarde, alguns idosos estão impacientes. Começam a chegar os familiares, anteriormente contactados, para acompanhar os seus pais, tios, avós, irmãos até casa. Alguns idosos são transportados pelas viaturas da instituição, uns porque não têm suporte familiar, outros porque usam cadeira de rodas.O centro de dia está de pernas para o ar, É mesmo uma típica casa em dia de Natal.
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Após os idosos estarem todos em suas casas, nós colaboradoras, limpamos o centro de dia, ansiosas por nos sentarmos e confraternizar juntamente com os pais Natal à civil. Por norma nunca saímos de lá antes da uma da manhã, ainda que na manhã seguinte tenhamos que lá estar novamente. É uma noite bonita, mas ainda bem que é só uma vez no ano!

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Rede de Relações
Exerço no MACUR, como já referi, funções de ajudante de acção directa. As pessoas com quem mantenho um contacto mais directo são, antes de mais, os idosos, quer esteja no serviço de apoio domiciliário, quer seja no centro de dia. Mesmo assim, as minhas funções, para manter o bem-estar do idoso, não são suficientes nem se extinguem na minha pessoa. Aos idosos são assegurados a alimentação, os cuidados de higiene imagem e conforto, acompanhamento às consultas, tratamento de roupas e todas outras situações que possam surgir e o MACUR possa resolver e/ou dar apoio. No que compete ao exercício das minhas funções, quando acompanho os idosos de suas casas para o centro de dia e vice-versa trabalho em parceria com o motorista e contacto também com os familiares. Sempre que haja algum recado, nomeadamente consultas médicas, medicação, alimentação ou outros assuntos relevantes comunico à directora técnica, Dra. Marta Basílio, ou à administrativa, Alice Reis, para que seja registada a ocorrência no respectivo processo do cliente. Se necessário comunica-se aos outros sectores, cozinha e lavandaria. Quando estou no centro de dia, exerço as minhas funções em parceria com colegas ajudantes de acção directa e colegas auxiliares de serviços gerais quer na reposição de material, limpeza de equipamentos ou entrega de roupa suja na lavandaria. No serviço de refeições é à cozinha que recorremos, já que é este o sector responsável pela sua confecção. As dietas alimentares e os gostos são tidos em conta durante a preparação da refeição. O MACUR trabalha em sistema de rotatividade, o que implica que haja um contacto directo entre todos os colaboradores. Por norma recorro a colegas ajudantes de acção directa e à directora técnica para a troca de impressões sempre que ache pertinente.

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Relação entre colaboradores
O MACUR (Movimento de Assistência, Cultura, Urbanismo e Recreio), é uma Instituição Particular de Solidariedade Social sem fins lucrativos que visa prestar assistência à infância e à terceira idade. A sua direcção funciona em regime de voluntariado. São elo de ligação, entre a direcção e os colaboradores, duas directoras técnicas, sendo a Dra. Alessandra coordenadora do centro infantil e a Dra. Marta do centro de dia e serviço de apoio domiciliário. O presidente do MACUR é o Dr. Nuno Campos e o vice-presidente é o professor António Semeão. Este último é presença assídua nas nossas instalações. Diariamente se desloca ao centro de dia, visita as instalações, dispensando alguns minutos da sua atenção aos clientes, inteira-se de assuntos do interesse da instituição, cumprimentando, sempre, as colaboradoras. O Dr. Nuno Campos não é uma presença tão assídua, a sua actividade profissional não permite, no entanto sempre que é necessário desloca-se ao centro de dia, onde por vezes almoça com os colaboradores. Sempre que precisei conversar com elementos da direcção estes mostraram-se disponíveis podendo voltar a fazê-lo sempre que ache necessário. Há um momento no ano em que toda a direcção e colaboradores convivem, que é no jantar de Natal.

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Momento marcante – O confronto!
Quando se pede a uma ajudante de acção directa para falar num momento marcante na sua profissão é difícil, se não impossível, não falar da morte. Eu até tentei, mas, a verdade é que não consegui e para ser sincera também não quero. Abala, mexe connosco e faz-nos pensar em muitas coisas. A simplificar as coisas mais complexas da vida. Goza a vida, até porque não sais viva dela! Costumo dizer eu! Verdade é que tal afirmação surge quando me encontro de boa saúde e na minha juventude. E na minha velhice? Será que conseguirei manter tão positiva filosofia de vida? A velhice não é sinónimo de doença, é um facto, mas a verdade é que é a última fase da vida. E, ainda que olhando para trás e ver tudo o que se construiu, não deve ser fácil abandonar a obra. Digo eu! O momento marcante que relato a seguir, não considero que seja negativo mas a sua intensidade emocional fez com que nunca mais esquecesse esse dia. Foi no dia 14 de Fevereiro de 2005. A D. Ana, a nossa cliente do domicílio mais velha, faleceu. Uma situação que poderia ser normal, não fosse o facto de a D. Ana falecer quando nos encontrávamos a prestar os cuidados de higiene e imagem. A sua saúde era debilitada, uma pneumonia, no seu estado, seria complicado mas não impossível e nada me fazia acreditar que o desfecho fosse esse. A colega que me acompanhava apercebeu-se da situação e alertou-me. A colega estava em pânico, situações vividas com familiares tornava-a demasiado sensível em relação à morte. Todos os meus receios naquele momento estavam a ser postos à prova. Seria eu capaz de tocar num morto? Como dar a notícia à família? Sim, fui capaz! Antes de mais tive que pedir à minha colega que se afastasse pois o seu estado de ansiedade assustou-me. Em seguida cobri a D. Ana, dei-lhe um beijo na testa, afeiçoei-me demasiado a esta senhora, e chamei a filha. Dei-lhe a notícia de forma serena e ponderada e, após momentos de revolta e não aceitação, a filha acalmou-se chegando entretanto os restantes irmãos. Senti que a prova estava superada e que me tinha saído relativamente bem. Uma vez sentada ao volante da carrinha, não contive as lágrimas. Chorei, lamentei a perda e após alguns momentos de reflexão, entendi que este era o meu trabalho e que ainda que me afeiçoasse às pessoas, não poderia viver o meu trabalho de uma forma tão intensa. Não seria benéfico para o meu equilíbrio mental e emocional sob pena de ser considerada, perdoemme a expressão, de carpideira. Entretanto outros idosos faleceram, e ainda que me custe a perda, encaro a situação com naturalidade sempre consciente de que fiz o que me era pedido ou até mesmo exigido para que os seus últimos dias de vida fossem vividos com dignidade.

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Momento marcante - O orgulho!
Às vezes sou obrigada a reconhecer que mais do que uma profissão, trabalhar com idosos, é um dom. Muitas histórias, muitas vidas foram envolvidas nas nossas vidas e são essas vidas que nos fazem criar metas, objectivos e tornar as causas e os sonhos dos outros nos nossos sonhos. A história que em seguida relato não se refere a um idoso mas sim a um cliente que aos 48 anos devido a uma queda necessitou dos nossos cuidados. O Jorge é um indivíduo que actualmente tem 52 anos. Após uma queda, numa escada, foi hospitalizado onde lhe diagnosticaram paralisia. Um diagnóstico que mais tarde se confirmou não ser totalmente certo. Durante muito tempo o Jorge esteve imobilizado, na cama, com colete cervical, apenas o retirava para tomar banho. Todos os dias se deslocava ao hospital para receber tratamentos de fisioterapia. Era transportado pelos bombeiros na maca. Passado algum tempo o Jorge já passava algum tempo sentado no sofá que tinha no seu quarto. Ao aperceber-me que este se aguentava de pé e que movimentava os pés questionei-o se queria ir tomar banho à casa de banho. “Oh Fátima, tu eras capaz?” Perguntou-me ele com um olhar de esperança e ao mesmo tempo receoso. “Porque não?! “- respondi-lhe eu! Creio que a minha coragem lhe transmitiu confiança! A primeira vez que o Jorge tomou banho na casa de banho, após a queda, foi no dia 22 de Fevereiro de 2006. Segurava-o pelo tronco enquanto este dava os primeiros passos a medo. Foi uma longa caminhada, a primeira de muitas!

Toda a gente em sua casa estava emocionada e o Jorge esbanjava no rosto a esperança que nunca
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perdera. Foi um risco que se correu. Dia após dia a sua evolução era notória, os progressos foram tantos que o terapeuta, no hospital, lhe perguntou se ele estava a receber acompanhamento extra em casa. O Jorge disse que era só o do apoio domiciliário do centro de dia da freguesia. E de facto foi. Penso que o factor psicológico e a esperança foram determinantes nesta recuperação. Sentir que alguém acredita e confia em nós é meio caminho andado para que aquilo que nós desejamos aconteça. Todos os dias, eu e a minha colega Elsa (estagiária) dedicamos uma hora do nosso tempo com massagem de relaxamento. Hoje em dia, o Jorge, apesar de caminhar, continua a necessitar dos nossos cuidados de higiene e imagem pois tem uma doença que afecta os membros superiores e a motricidade.

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