Você está na página 1de 126

PERGUNTAS QUE VOCÊ

GOSTARIA DE FAZER,
mas tem receio de ouvir as respostas
Todos os direitos desta edição reservados ao autor.
Publicado por Editco Comercial Ltda.
Rua Pedroso Alvarenga, 1046, 9º andar – sala 95
Itaim – 04531-004 – São Paulo-SP
Tel: (11) 3706-1492 – Fax: (11) 3071-2567
e-mail: info@ieditora.com.br
Na internet, publicação exclusiva da iEditora:
www.ieditora.com.br
Omar Bueno

PERGUNTAS QUE VOCÊ


GOSTARIA DE FAZER,
mas tem receio de ouvir as respostas

São Paulo – 2002


© 2002 de Omar Bueno
Título original português:
PERGUNTAS QUE VOCÊ GOSTARIA DE FAZER,
mas tem receio de ouvir as respostas.

Revisão:
Elina Correa Miotto
Concepção da Capa:
Omar Bueno
Editoração eletrônica:
Julio Cesar Portellada

ISBN 85-87916-35-1

É PROIBIDA A REPRODUÇÃO
Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida, copiada, transcrita ou mesmo transmitida
por meios eletrônicos ou gravações, assim como traduzida, sem a permissão, por escrito, do
autor. Os infratores serão punidos pela Lei nº 9.610/98.
Impresso no Brasil / Printed in Brazil
PREFÁCIO

F oi com muita alegria que recebi o convite para prefa-


ciar o livro de Omar Bueno. Durante a leitura do
livro pude experimentar conhecer um pouco mais do autor. Um
amigo que aprendi a conhecer nos últimos anos e que sempre
revela novas surpresas. Omar realmente é aquilo que escreve
e agora temos a oportunidade de partilhar da intensidade e da
diversi-dade de suas experiências. A simplicidade da pessoa
transpira pelas páginas do livro, oferecendo respostas possíveis
para os problemas humanos que ele foi encontrando através
de suas diversas experiências profissionais, enriquecidas com
as ex-periências pessoais. Na verdade, assim deve ser sempre:
aqui-lo que somos profissionalmente não pode deixar de ser
um espelho do que somos em nossa vida privada, sob o risco
de nos perdermos em ambas.
Mais do que respostas para as perguntas que gostaría-
mos de fazer, a leitura do livro nos traz um caminho para
pen-sarmos, uma maneira de abordarmos os problemas que
cria-mos e que são criados para o nosso viver. Os problemas
dos quais ele trata e que foi encontrando ao longo do seu cami-
nho, são as questões fundamentais do viver humano: as maze-
las do encontro com os outros e as dificuldades do encontro
consigo mesmo. Traduzidos em perguntas, ele nos convida a
nos identificarmos com as problemáticas apresentadas e nos

—5—
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

convida a caminhar por possíveis vias de acesso a respostas,


todas elas impregnadas da reflexão. Uma reflexão sobre os
sentidos dos encontros humanos, sobre os sentidos do viver
humano.
O livro que você tem agora em mãos é, enfim, um
sensível e delicado produto do encontro humano proporcio-
nando esclarecimentos sobre os desencontros humanos.
De-sencontros que acontecem cotidianamente com todos e
que parecem obstruir o caminho para um viver mais saudável,
mais feliz. A leitura do livro deve ser feita sem o receio de
ouvirmos as respostas, nos permitindo ao encontro do outro e
nos deixando encontrar nas respostas às perguntas que gosta-
ríamos de ter feito. Boa leitura e aproveitem a experiência de
encontrar o humano, demasiadamente humano de cada um de
nós!

Alexandre Nicolau Luccas


Prof. e Coordenador do curso de Psicologia
UNIP – Universidade Paulista

—6—
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Q uando resolvi produzir este trabalho, tinha em


mente contribuir para o esclarecimento de algumas
dúvidas que as pessoas comumente têm. Na verdade, muitas
coisas que acontecem na vida das pessoas têm relações muito
próximas.
Mas tudo tem um começo, evidentemente.
Como profissional de Marketing, prestava consultoria
em uma empresa do segmento gráfico, e utilizava um método
criado e desenvolvido por mim, quando da minha passagem
por uma multinacional americana.
O processo constituía em criar uma aproximação maior
entre os funcionários de “chão de fábrica” e a diretoria. Para
isso era preciso conhecer os problemas enfrentados pelos
funcionários que iam desde recursos ferramentais até relações
pessoais.
Nessa relação tão próxima e amiga, necessária para
encontrar as causas dos problemas da empresa, estava me
transformando em um terapeuta, principalmente em relação aos
menos privilegiados sócio-econômico-culturalmente. Percebi
nesse momento, que era preciso aprender mais. Era preciso
conhecer melhor a pessoa humana. Era preciso voltar ao
banco universitário.
Conhecer as bases da Psicologia foi de fundamental

—7—
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

importância e a paixão pela Psicanálise veio através de cursos


de especialização e simpósios que, cada vez mais, me faziam
apaixonado pelo complexo comportamento humano.
Mais tarde, veio o contato com adolescentes, em idade
entre 15 e 18 anos. Passei a lecionar em ensino médio e
técnico, e isso me forneceu excelente material de trabalho.
Pelos conhecimentos adquiridos, não tinha dificuldades em
conquistar a atenção e a amizade deles, podendo orientá-los
como professor, terapeuta, amigo e muitas vezes pai.
E foi nessa relação de confiança entre mim e meus
alunos que comecei a ser procurado por seus pais. Muitos
deles queriam entender o que levava seus filhos a terem tanto
respeito, admiração e amizade por um professor.
Não havia segredo. Apenas o respeito mútuo, tão
importante para o adolescente. Respeito que significava
também impor limites, mas, e ao mesmo tempo, dar
responsabilidades e cobrar os resultados depois. Criticar o
errado mostrando o certo. Enaltecer os acertos e ser sempre
justo nos critérios de avaliação.

—8—
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

A
amigos.
mãe da paciente me procurou, pois a filha apresen-
tava apatia e abandono dos estudos, da escola e dos

Numa certa noite, mãe e avó buscaram ajuda no Colégio


onde a paciente estudava através da Coordenadora Pedagógica.
A coordenadora chamou-me em sua sala e, diante da mãe e
avó, solicitou minha intervenção.
Durante a conversa, foi colocada a situação da família.
A avó era separada, a mãe também era separada e ambas
moravam com a paciente, mais um irmão um ano mais novo.
A mãe marcou, em meu consultório, uma primeira
sessão, posteriormente cancelada devido à paciente se recusar
a comparecer. Pedi à mãe que não forçasse sua ida, pois isso
deveria ser espontâneo para o sucesso do tratamento.
Duas semanas depois a paciente compareceu à primeira
sessão.
A sua ansiedade e depressão estavam estampadas em
seu rosto.
Em meio a choros e risos ela começou a se soltar como
se tivesse essa necessidade há muito tempo.
Contou que, no ano anterior, começara a namorar e
desde então sua vida, que estava controlada, passou a ser
carregada de pressões e ansiedades.

—9—
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

O namoro reviveu seu passado através de momentos que


ela, a toda hora, comparava com aqueles que a marcaram na
infância. Começou a achar que tudo o que fazia agredia as
pessoas que amava, que eram basicamente a mãe e a avó.
Esses momentos, vindos na lembrança, deixavam-na apática
ou ansiosa.
No colégio ou em qualquer outra atividade não conseguia
concentração. Qualquer barulho por mais leve que fosse era
suficiente para dispersá-la.
A sua infância foi sempre muito tumultuada. Pai e mãe
tinham brigas constantes. O casamento deles foi feito de
altos e baixos, havendo sete separações e reconciliações até
a separação definitiva. Isso fazia com que a paciente vivesse
constantemente em trânsito entre sua casa e a de sua avó.
Segundo ela, sempre que estava na casa de sua avó tinha
o pensamento em sua casa, imaginando o que poderia estar
acontecendo. Quando estava em sua casa, queria voltar para
a casa de sua avó, pois era lá que se sentia bem e amada.
Estava claro que era tremendamente apegada à avó, mas
também à mãe. Aliás, a família sempre foi para ela algo muito
importante. Cada vez que se ausentava de casa sentia-se como
que perdendo a família. A saída definitiva do pai gerou um
vazio muito grande visto que o pai deixou de visitá-la exceto
para trazer a pensão.
Após a separação, o pai mudou totalmente de vida.
Segundo ela, era por isso que ele não podia mais acompanhá-la.
A mãe, sentindo medo, se contradizia em relação ao pai. Pedia
para que ela o amasse, mas em seguida contava momentos
que mostravam o outro lado do pai. Assim, ela não sabia
exatamente qual era o verdadeiro caráter do pai e se devia
amá-lo ou odiá-lo.
O seu único namoro também foi cheio de idas e vindas o
que fazia com que ela revivesse, a cada briga ou reconciliação,

— 10 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

a situação já vivida entre pai e mãe, quando ela tinha 9 anos.


Por pressão do namorado, que a impediu de ir ao noivado
da prima, sentiu uma enorme culpa. Era como se estivesse
abandonando a família e tudo o que amava. Isso causou nela
um ódio muito grande do namorado, mas manteve o namoro
por não querer magoá-lo.
Parou de sair de casa, inclusive ir à aula, para não deixar
a família. A sensação de perda era constante. A avó, sempre
preocupada, mantinha-a por todos os modos em sua guarda.
Assim, ela dormia na avó mas não conseguia deixar de pensar
na mãe o tempo todo.
O retorno com o namorado gerou nova depressão. A
cada vez que o namorado a tratava como mulher ela sentia-se
deprimida e com ódio por ter permitido qualquer aproximação
mais íntima. Sentia falta de carinho e afeto e queria se sentir
protegida. Via na figura do namorado a figura do pai que faltara
desde a infância. Apegava-se a ele na busca de segurança e
encontrava, ao invés de um pai, um homem com desejos de
homem. Num dos encontros, o namorado deixou uma marca
em seu pescoço o que a transtornou. Primeiramente resistiu,
mas depois cedeu. Consentiu no momento em que aconteceu,
mas odiou depois. Achou que esconder da avó ou da mãe
não seria direito e só conseguiu se acalmar quando finalmente
contou a verdade.
A família, sempre reafirmava, era tudo para ela. Estava
claro que era a própria auto-afirmação pela falta de uma
família estruturada. Sentia a necessidade de ser abraçada
como se estivesse buscando proteção e afeto e tinha um ciúme
muito grande das pessoas que amava.
Não se sentia abandonada pela mãe, mas ficou claro sua
predileção pela avó, que cuidou dela por preocupação.
Dias depois à primeira sessão, a mãe me ligou fazendo
comentários sobre os dias subseqüentes da filha. Disse que

— 11 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

a paciente tivera momentos de ausência inúmeras vezes.


Comunicou que iria arrumar o quarto, já arrumado pela mãe, e
demorou cerca de três horas limpando os bichinhos de pelúcia.
Foi flagrada pela avó, parada na porta, olhando pra lugar
nenhum.
Pediu à mãe para ir ao shopping, mas a mãe me
perguntou primeiro para saber se era conveniente. Era clara a
insegurança da mãe.
Após as primeiras análises, conclui que a paciente
tinha uma situação traumática ocorrida durante o processo
de separação dos pais. A transição fez com que ela buscasse
apego à avó por inúmeras vezes.
Todas as vezes que ocorria uma nova briga, que gerava
um novo afastamento, a mãe colocava os filhos contra o pai.
Na reconciliação fazia a operação inversa. Dizia que o pai não
era tão ruim e que tudo aquilo era passageiro. Isso, segundo
a paciente, ocorreu por sete vezes. A cada vez que ia pra casa
da avó, sentia a separação da mãe. Quando voltava pra casa da
mãe, sentia a separação da avó.
Apesar de gostar do pai, tinha as histórias da mãe
criticando-o na tentativa de justificar a separação.
O processo de ausência em que a paciente se encontrava
na ocasião demonstrava a falta de poder para decidir qualquer
coisa em sua própria vida. No entanto, segundo ela mesma, já
havia superado esta fase, o que fez com que se sociabilizasse
novamente junto aos colegas de escola.
O reinício do um namoro já marcado por idas e vindas
colocou-a novamente nesse processo de depressão. A cada
vez que as pessoas se impunham sobre ela, ela se sentia
desprestigiada e deprimida, procurando a ausência como fuga.
A escola, ponto principal de sociabilização, foi a
primeira coisa a ser excluída. Abandonou os estudos não
fazendo nem mesmo as provas de final de ano.

— 12 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

O ponto crítico, no entanto, era a falta do pai. A expulsão


do pai de sua vida estava fazendo com que ela buscasse a
figura paterna no namorado. De acordo com sua explanação,
o namorado queria tê-la como namorada (mulher), enquanto
ela o queria como uma força segura e terna. Disse inclusive
que não suportava os carinhos, mas aceitava por submissão.
Depois se sentia culpada e esse complexo a fazia sofrer.
Era como se estivesse cedendo ao pai e isso a colocava em
frustração e com um enorme complexo de culpa que a fazia
sofrer como se estivesse sendo violentada por uma marca no
pescoço, como ela colocou.
O caminho estava em alterar, principalmente, os valores
da infância, quando da separação dos pais.
Naquele momento, a importância da relação era
imprescindível e a separação não encontrava, na criança, uma
lógica inteligível. Essa marca deixada no inconsciente fez
com que sair de casa fosse um ato violento e de perda da
família (o que já ocorrera, voltava a ocorrer a cada vez que se
afastava de casa).
Após a primeira sessão, segundo a descrição de seus
atos pela sua mãe, era possível notar que a paciente já entrara
em processo reflexivo. Estava começando a resgatar os valores
da infância e transportando-os para o presente. Era o primeiro
passo para a mudança desses valores. Notei quão importante
era que os valores fossem mesmo alterados sob um conceito
mais atual e dentro de um raciocínio de 18 anos e não de 9.
Solicitar ir ao shopping, sozinha, era uma tomada de
decisão vitoriosa dentro de seus conceitos e valores. Era
preciso que a mãe a liberasse, deixando que ela tomasse tais
decisões.
Na sessão seguinte a paciente apresentou-se com
significativa melhora de comportamento. No entanto, não
soube começar qualquer assunto sem que eu desse o

— 13 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

início. Resolvi começar de onde havíamos parado na sessão


anterior. Perguntei a respeito de sua infância, tentando buscar
recordações, que tudo indicava, era onde estava a causa de sua
depressão e ansiedade.
A paciente disse ter tido uma infância agradável e feliz,
sempre ao lado da avó. Todas as vezes que a mãe ia buscá-la,
para levá-la em casa, ela chorava muito porque não queria ir
com a mãe.
Outro detalhe que pude ressaltar era que preferia
conversar com pessoas mais velhas. Novamente a figura do
pai estava presente.
Durante toda a sua infância, lembrou-se de ter tido
apenas uma amiga, ao contrário do irmão que sempre foi bem
relacionado.
Pouco se lembrava de experiências interessantes ao lado
da mãe. As melhores lembranças foram ao lado da avó. Exceto
na primeira sessão, jamais falou do pai.
Sem nenhum motivo, mudou de assunto como se
quisesse evitar, naquele momento, falar sobre a mãe.
Perguntei-lhe a respeito do namoro e me disse que havia
terminado definitivamente.
Nesse momento, falamos uma frase (duas palavras)
ao mesmo tempo. Imediatamente, ela buscou na memória
uma brincadeira de criança onde contamos as letras e depois
associamos a palavras relacionadas a amor e afeição. Agora,
via em minha frente uma criança de 9 anos, entusiasmada pela
alegria de estar sendo correspondida em sua brincadeira. Isso
durou aproximadamente 8 minutos.
Perguntei sobre seus medos, se tinha medo de algo e ela,
após pensar longamente, respondeu que não tinha medo de
nada. No entanto, todas as vezes que a conversa partia para
esse lado, notava uma transformação na paciente. Ela parecia
transformar-se numa criança, alterando inclusive sua maneira

— 14 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

de falar. Ficava mais cadenciada e até o tom de voz ficava


mais infantil.
Buscando colocá-la na realidade atual, mostrando-lhe
os novos valores da idade, perguntei-lhe sobre o que pensava
do futuro. Disse que pensava em ter sua própria casa para
poder arrumá-la do seu jeito. Demonstrava, e muito, o seu
senso de organização e limpeza. Dizia que gostava de todas as
coisas no lugar e a casa devia estar sempre limpa e arrumada.
Pensava, realmente, em constituir uma família, com filhos,
não especificando quantos.
Falando de emprego, preferia um lugar onde tivesse
o horário da manhã livre como num shopping center por
exemplo, pois lá, além do horário, estaria em contato com
muitas pessoas.
Em um breve contato com a paciente, durante a semana,
soube que havia voltado à vida estudantil buscando recuperar
o que havia ficado para trás.
Ela mantivera contato mais estreito, durante a semana,
com uma de suas colegas de classe, exatamente aquela que,
segundo seus comentários, tinha maior simpatia. Comentou
sobre seu jeito de falar e das suas ações com um carinho
especial, dizendo ainda que tinha maior afeição por ela do que
pelas outras colegas de classe.
Paradoxalmente, estivera estudando com a amiga e
comentou que a colega sabia o bastante para uma boa nota.
A nota máxima tirada pela colega fez com que ela
ganhasse um pouco mais de auto-estima, colocando-se no
lugar de orientadora ao invés de dependente. Sentiu-se como
se estivesse dirigindo a amiga, tomando conta da situação.
A sessão seguinte foi totalmente diferente das iniciais.
Já bastante confiante, procurou assuntos relacionados aos seus
conhecimentos adquiridos durante a vida estudantil. Falou
de fatos históricos que havia aprendido, bem como dados

— 15 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

geográficos, mostrando-se bastante confiante e segura.


Sobre seus dotes culinários, algo que acha imprescindível
para uma vida a dois (nota-se sua preocupação em relação à
família e a um relacionamento sólido), fez comentários longos
a respeito dos pratos que sabe fazer. Acha que a comida do
marido quem deve preparar é a esposa e não a empregada.
Do seu cardápio pessoal, carne não faz parte. De
nenhuma forma. Nem mesmo a carne branca. No entanto,
adora molho vinagrete e doces, principalmente brigadeiro.
Em relação aos amigos, disse preferir amigos mais
velhos, mas incrivelmente seus amigos são sempre mais novos.
Na sessão seguinte, chegou reclamando de dores nas
costas. Estava impaciente, como se quisesse que a sessão
terminasse mais cedo. Nesse momento, falamos sobre postura
e maneiras de se sentar para aliviar o problema. Após uma
rápida massagem, sentiu-se melhor e continuou a conversa
mais tranqüila. A necessidade que tinha de um contato maior
estava bastante clara. Ser abraçada ou simplesmente tocada,
lhe fazia sentir segura e protegida.
Na seqüência, fizemos alguns testes utilizando o baralho
Zenner. A idéia era analisar sua sensitividade, para poder
trabalhar diretamente em seu subconsciente. Era preciso que a
paciente sentisse a mudança de valores ao longo do tempo.
O que mantém um trauma por muito tempo é o fato do
paciente não alterar os valores adquiridos durante a infância
ou na época em que ocorreu. É preciso ficar claro que um
automóvel, por exemplo, durante a infância não tem o mesmo
valor que tem durante a adolescência nem tampouco durante
a fase adulta. O que ocorre é que, com o surgimento do
trauma, estabelece-se um bloqueio em que a análise deixa
de existir. Passa a ser doloroso ao consciente rememorar a
marca traumática. Assim, o inconsciente cria uma barreira
impedindo que os valores sejam reavaliados conscientemente.

— 16 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

É preciso penetrar novamente nesse ponto da história da vida


do paciente para que, com novos conhecimentos lógicos,
adquiridos na vida atual, os códigos de valores sejam
recodificados, deixando claro a ele mesmo, e por ele mesmo,
que aquela dor já não tem mais sentido, e que, de acordo com
os valores atuais, não é motivo para tanto. Quando o paciente
finalmente se conscientizar dessa mudança, fatalmente o
trauma estará desativado e o paciente terá como lembrança
apenas um fato histórico dentro de seu banco de dados, com o
discernimento da lógica atual, bem mais estruturada.
Os resultados obtidos no primeiro teste, como era de
se esperar, não foram positivos. Contudo, a própria paciente,
animada que estava para realizar os testes, solicitou que
continuássemos na próxima sessão.
A sessão seguinte ocorreu oito dias depois por solicitação
da paciente. Ela alterou o dia da semana por insistência da
mãe. No que pude perceber, a mãe continuava exercendo forte
influência sobre ela.
Pelas informações enviadas à minha secretária na clínica,
a paciente havia conseguido emprego no Shopping Center, em
uma loja de roupas, exatamente como ela dissera na sessão
anterior. Assim, eu aguardava novidades e uma mudança
visível nessa sessão.
Como o esperado, ela começou a sessão falando da
novidade. Comentou sobre as obrigações de vestimentas e
postura durante as horas de trabalho. A adaptação ao novo
ambiente foi difícil e, após o terceiro dia de trabalho, pediu a
conta.
Enquanto narrava sua história, parecia buscar as imagens
daqueles três dias. Comentou a sua angústia enquanto
trabalhava na loja. Via pais com crianças passando e se sentia
presa. Parecia que essas imagens a perturbavam.
Nesse momento, pediu que eu desligasse o circulador de
ar. Apesar do calor, o barulho a incomodava. Mostrava uma

— 17 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

sensibilidade incomum.
O grande progresso foi haver conquistado esse emprego
por si só. Sempre carregara o estigma de “lerdinha”, dito
principalmente pela mãe. O fato de ir de ônibus a fez sentir-se
livre. Achou importante tomar contato com o cotidiano.
Mais uma vez, disse que haveria de procurar algo novo.
Como secretária talvez.
De sua vida na última semana, comentou que tinha
dormido bem, tido sonhos interessantes e ido ao clube, coisa
que há muito não fazia.
Na véspera da sessão seguinte sua mãe me ligou.
Interessante as suas colocações. Era fácil analisar e entender
a dependência da paciente. Pelas coisas que sua mãe me
colocava, ficavam claros os motivos que levaram a paciente a
esse estado tão depressivo.
Quando comigo, a paciente não tinha sofrido mais
qualquer alteração emocional. No entanto, sua mãe, sempre
que me ligava, colocava novos pontos de conduta da paciente.
Dissera que no domingo anterior, em almoço num restaurante,
a paciente entrara em estado depressivo e começara a chorar.
Todas as vezes que isso acontecia, a mãe e a avó estavam
diretamente relacionadas. A pressão exercida pela avó era
ainda maior. A mãe pressionava por pressão da avó. Todas
as vezes que a paciente procurava se libertar, deparava-se
com a mãe impedindo, e por um motivo muito mais social e
ético do que salutar. Não queria se indispor com a mãe (avó),
que segundo ela mesma, foi responsável, e ainda era, pela
educação da paciente.
A conquista de um novo emprego poderia dar outro
enfoque no tratamento. O convívio com pessoas diferentes e a
necessidade de assumir responsabilidades poderia mudar sua
postura.
A mãe da paciente justificou o cancelamento da sessão
na semana anterior pelo fato da paciente se recusar a vir.

— 18 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

No entanto, duas semanas antes, havia me perguntado se eu


não achava que podia reduzir o número de sessões mensais.
Disse-me que os valores estabelecidos estavam um pouco
pesados. Mesmo depois de uma redução significativa, manteve
a diminuição do número das sessões no mês, apesar de, na
primeira entrevista, a avó deixar claro ter posses suficientes
para dar à neta o melhor tratamento.
No que podia claramente observar nas sessões, era que
as atitudes da paciente não condiziam com as atitudes que a
mãe me confidenciava durante a semana.
A novidade na sessão seguinte era que voltara a trabalhar
e agora em um consultório dentário como recepcionista,
instrumentadora e secretária. Segundo alegou, não viera na
semana anterior por não ter novidades pra contar. As saídas
e passeios estavam acontecendo normalmente com o irmão e
amigos.
Nas duas sessões seguintes a paciente não compareceu.
Sua mãe não me ligou na semana anterior como de costume.
Um dos grandes avanços no tratamento, sem dúvida
nenhuma, estava no novo emprego conseguido como recep-
cionista em um consultório odontológico.
Infelizmente, sabia que a pressão exercida pela mãe era
muito forte no ego da paciente. Toda a vida da paciente, até
aquele dia, fora sempre carregada de “nãos”. A expectativa
da mãe era que a filha se transformasse, através da terapia,
naquilo que ela queria e não no que era preciso.
A libertação da paciente, objetivo da terapia, não era o
objetivo da mãe. Ela sentia estar perdendo o controle sobre a
filha. Na verdade, as depressões da paciente já eram origem
de uma ansiedade que visava a uma necessidade de se libertar
do vínculo materno. Como sempre viveu sob um jugo de
moral compactuado pela avó, sentia-se como se estivesse
violentando os padrões e preceitos familiares. Isso fez com
que ela se fechasse em um mundo próprio. Ao dizer os

— 19 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

primeiros “nãos” para a mãe, criou-se um forte impacto


na relação mãe/filha, que fez com que a mãe entendesse a
nova situação como um desequilíbrio da filha. Na verdade,
a mãe era a detentora do desequilíbrio e não aceitava a filha
decidindo por si mesma.
A suspensão por conta própria (mãe) das sessões parecia
muito mais uma questão de princípios do que propriamente
financeira. Significava que a paciente começava a buscar seus
próprios caminhos. A mãe, que via na terapia da filha o retorno
da personalidade original, não conseguindo tal resultado,
atribuiu a resultados negativos, o que, verdadeiramente, era o
contrário.
A avó, figura marcante no primeiro contato, não se
pronunciou em nenhum momento e mesmo a mãe jamais
tocou em seu nome.
Como a paciente não compareceu e não avisou como
de costume, liguei para saber se poderia suspender a sessão.
A avó, que atendeu ao telefone, comunicou que a neta
viajara com sua mãe, esquecendo-se de suspender a sessão.
Nas informações da filha, mãe da paciente, acontecera um
retrocesso, ou, nas suas palavras, uma piora.
Por conta da mãe, as sessões foram suspensas.
Dois anos depois, a paciente me ligou. Estava feliz em
um novo emprego, já há oito meses, e cursando o primeiro
ano de faculdade. Apesar de estar namorando, não pensava
em nada sério antes de ter sua vida definida. Por conta
da universidade escolhida, mudara-se de cidade e estava
dividindo um apartamento com duas amigas, tomando, na
maioria das vezes, as decisões sobre o grupo.
Antes de desligar o telefone, disse que sentia saudades
das nossas sessões e muito me agradecia por ter lhe mostrado
um novo horizonte.

— 20 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

M eu próximo passo, na vida profissional, foi um


voluntariado em um centro educacional para
portadores de Síndrome de Down. Foi outra oportunidade
para aprender mais do que orientar. Aprender que há muito
mais problemas na vida das pessoas do que podemos carregar
em nossas costas.
O contato com as mães dos portadores nos faz tão
pequenos diante da grandiosidade de seus corações e do peso
de seus fardos.
Finalmente, quando comecei a lecionar na UNIP –
Universidade Paulista, pude encontrar um outro tipo de
comportamento. Jovens, já em fase de pré-maturidade e alguns
já na fase adulta. Em quatro anos de vida universitária, era
notória a transformação que sofriam.
Com a continuação de minhas pesquisas visando o
doutorado em Arqueologia na USP – Universidade São Paulo
– tive o tempo de atendimento em consultório muito reduzido.
Assim, encontrei uma outra forma de ampliar o contato com
as pessoas, objeto de meus estudos sobre o comportamento, as
salas de “chat” na Internet.
Descobri que muitas pessoas procuravam esconder seus
problemas atrás de uma tela de computador. O fato de estarem
com suas identidades preservadas fazia com que se abrissem,

— 21 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

soltando seus medos e suas ansiedades, através de uma


identidade fictícia. E era exatamente nesse processo de fuga,
e ao mesmo tempo busca de outras relações e soluções, que
a maioria ficava exposta, mostrando seus verdadeiros anseios,
medos e traumas.
Mantive por muito tempo algumas sessões virtuais,
se é que se pode denominar assim, até que passei a dar
o endereço do meu site para que pesquisassem. Sempre
que recebia as perguntas, por e-mail, procurava respondê-las
rapidamente. Muitas perguntas, provavelmente, você, leitor,
também gostaria de fazer. Mas como muitos, também não
gostaria de encarar a resposta. Por isso, através desse trabalho
você terá a oportunidade de esclarecer pelo menos parte de
suas dúvidas.

— 22 —
PERGUNTAS QUE VOCÊ GOSTARIA DE FAZER,
MAS TEM RECEIO DE OUVIR AS RESPOSTAS

S ou uma mulher de 30 anos que infelizmente me


casei num daqueles empurrões da vida. Depois de
vários anos me divorciei e tive um relacionamento sério com
outro homem que durou muitos anos.
Atualmente estou vivendo um novo relacionamento com
um parceiro que me dá momentos agradáveis como nunca tive
antes.
Sinceramente, não me lembro de ter sido mais feliz na
vida. Ele tem uma forma especial de tratar a mim e ao meu
filho. Posso dizer, honestamente, que não quero jamais perder
esse relacionamento tão maravilhoso fazendo qualquer coisa
estúpida. Contudo, bem lá no fundo de meus pensamentos,
sinto sensações estranhas de perda e medo.
Você poderia dizer que esses pensamentos têm a ver
com experiências anteriores. Até acredito que sim. Mas como
eu devo agir para me sentir mais tranqüila em relação a mim
mesma e a ele?

Um erro muito comum entre as pessoas é o de achar que


todos os relacionamentos seguem o mesmo padrão quando,
na verdade, cada relacionamento tem seu curso próprio
em relação aos passados. O que pode permanecer são as
conseqüências desses relacionamentos, a menos que sejamos

— 23 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

bastante espertos para aprender com esses erros.


Você se sente preocupada por achar que pode ter
escolhido um parceiro diferente do padrão desenhado por
você. Alguém que talvez não preencha as suas necessidades.
Confie na sua intuição e acredite que desta vez você
fez a melhor escolha. Isso é bom para ambos. Aceite com
satisfação e demonstre o quanto está feliz e vivam, os dois, o
amor de coração aberto.
...

M eu namorado e eu estamos juntos há 8 meses. No


entanto, um problema tem me atormentado. Seu
ciúme excessivo.
No começo eu pensei que fosse uma forma dele se
preocupar comigo. Recentemente teve uma atitude que achei
desnecessária. Aliás, é bom salientar que em todos os seus
antigos relacionamentos, as separações aconteceram de formas
muito ruins, o que não me dá condições de procurar suas
antigas namoradas para obter apoio ou mesmo informações
sobre sua conduta.
Acontece que eu tenho ainda grande amizade com meu
antigo namorado.
Quando me formei, e ainda estávamos juntos, eu e meu
ex-namorado, ele me deu uma correntinha de presente. No
entanto, meu namorado atual, quando soube de quem eu
ganhara, jogou-a fora.
O que acontece é que ele não quer que eu tenha qualquer
amizade masculina.
O que devo fazer? Tirá-lo da minha vida ou tirar dela
todo e qualquer homem existente na face da terra?

O ciúme é uma emoção natural. A forma como


controlamos nosso ciúme é que faz desse sentimento um

— 24 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

problema ou não. Não é incomum uma sensação de


desconforto ao ver alguém que amamos abraçar um antigo
namorado. Mas controlar seu relacionamento com os amigos
é demasiado impróprio. Aceitar suas impressões agora é
deixar-se dominar, possivelmente, pelo resto da vida.
Seja firme e imponha limites. Deixe claro que seu
coração é só dele. Ele é o objeto maior de suas intenções
românticas. Caso ele não consiga entender ou mesmo aceitar
suas amizades, o melhor a fazer é passar por cima desse
episódio da sua vida esquecendo-o. Contudo, a escolha é sua
de como enfrentar esse problema. Aliás, um problema que
certamente irá magoá-la sempre que tiver uma nova amizade
masculina na sua vida ou se encontrar com uma antiga.
...

M inha esposa e eu nos separamos, mas continuamos


a manter relações sexuais com muita intensidade.
Contudo, de um tempo para cá, ela tem evitado beijar-me.
Por que será que isso está acontecendo com ela? O que posso
fazer para que ela volte a beijar-me como antes?

É fácil supor que o seu relacionamento está com


um problema bastante sério. A separação torna evidente
que algo muito importante está faltando entre você e ela.
Provavelmente a comunicação está falha. Está claro que a
atração física ainda é muito grande e é isso que mantém o
relacionamento ativo. Beijar, por outro lado, pode ser um
fator de pouca importância ou mesmo sem qualquer prazer
para ela nesse momento. Seu corpo pode estar receptivo mas
seu coração está fechado.
A finalidade de uma separação é permitir às pessoas a
possibilidade de viverem como se fossem divorciadas sem a
dissolução formal da união. É uma possibilidade de ambos

— 25 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

ganharem autonomia, um em relação ao outro. Com certeza


ambos ainda têm o amor e a paixão em suas vidas. Porém,
até que isso seja redescoberto é preciso que haja uma reflexão
completa sobre o relacionamento de ambos até então.
É preciso refletir não somente sobre a relação física
mas também emocional. Nenhum de vocês poderá decidir
de coração aberto enquanto houver o contato que satisfaça
apenas o prazer físico.
Uma separação temporária, fisicamente, para que
ambos possam refletir, vai ajudar, com certeza, a encontrarem
o caminho que os levará a reconstituir essa união, ou
destituí-la definitivamente.
...

E u tenho um bom amigo que está tentando reco-


meçar sua vida. Recentemente ele me procurou.
Preocupei-me e interessei-me por ele, afinal, ultimamente
havia se distanciado totalmente de mim e de seus outros
amigos. Sei que você é da opinião de que todo homem tem
a necessidade de encontrar suas próprias soluções. Mas a
maneira como ele me apresentou seu dilema me faz pensar
que ele não tem ninguém com quem se abrir. Naturalmente
isso me faz responsável por ele, mesmo que seja apenas por
um momento.
Como posso fazê-lo ver que pode contar comigo como
amiga sem que possa parecer, para ele, qualquer outra intenção?

Todas as vezes que um homem procura uma mulher,


faz parte do instinto feminino compartilhar com ele sua
angústia.
A maneira que seu amigo encontrou para demonstrar
seu verdadeiro sentimento foi procurando compartilhar com
você as suas angústias. Mesmo sabendo que não encontraria

— 26 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

respostas, tentou expressar seus sentimentos expondo a você


os pensamentos dele.
Queixar-se é uma forma de esconder sua verdadeira
ansiedade.
O amigo verdadeiro é aquele que não ridiculariza os
sentimentos do outro, pelo contrário, procura entendê-los.
Seja paciente com ele e não faça análise precipitada.
Apenas procure entendê-lo deixando-o falar sobre seus
sentimentos. Isso haverá de deixá-lo mais confortável e fará
com que ele entenda em pouco tempo que você está ali
para ajudá-lo e ouvi-lo sem que ele alimente esperanças
infundadas. Com certeza você também se sentirá mais
confortável.
...

H á três anos estou como dona de casa, fato incomum


na minha vida. Só que, ultimamente, tenho gritado
com tudo e com todos e a toda hora. O problema é que tenho
me sentido deprimida, sem que saiba exatamente o motivo.
Meu marido não consegue compreender o que está se passando
e isso me angustia ainda mais. Sei que algo não está certo.
Você tem alguma sugestão?

Dos sintomas que você descreveu, faz-me entender que o


que você está experimentando é o que chamamos clinicamente
de depressão. É um sintoma difícil de diagnosticar e ninguém
sabe exatamente o que ocasiona essa sensação, embora
saibamos claramente que a origem está na bioquímica do
cérebro que afeta os feixes nervosos.
As pessoas sob níveis de tensão elevados liberam um
tipo de hormônio (cortisol) e diversos elementos químicos
produzidos pelo cérebro, chamados neurotransmissores, como
serotonina, dopamina e norepinefrina.

— 27 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

A quantidade gerada ou produzida é diferente de pessoa


para pessoa. Alguns especialistas acreditam que pode ser
hereditária, o que explica a tendência comum de casos na
mesma família. No entanto, é sabido que a química do cérebro
freqüentemente muda em pessoas deprimidas sem nenhuma
razão aparente.
Muitos fatores – incluindo os genéticos, convívio familiar,
ciclo dormir-acordar, as mudanças hormonais (similares às
ocorridas antes, durante e depois da gravidez), perda muito
cedo de entes queridos ou a deficiência física – são situações
que fatalmente contribuem para essa circunstância.
Um outro fator a considerar diz respeito às raízes ou
origem natural que faz com que algumas pessoas sejam mais
vulneráveis à depressão do que outras.
A cada hora, 5% da população mundial sofre algum
efeito da depressão. Só nos Estados Unidos, onde existe
um controle mais aproximado, 19 milhões de americanos
adultos sofrem desse mal. Sabemos, no entanto, que 80%
dos pacientes podem ser tratados com drogas antidepressivas
ou com medicina alternativa. O mais adequado é falar com
seu médico sobre seus sintomas que ele, com certeza, poderá
orientá-la no tratamento.
...

S ou viúvo, tenho 53 anos e minha namorada tem 23.


Nos conhecemos há quase dois anos. Foi na época
em que minha esposa morreu. Estamos juntos e nos amamos
demais. Ela diz que seu coração é meu e certamente o meu é
dela. Estamos decididos a nos casar e isso é o desejo de ambos.
Você acha que alguma coisa pode dar errado nessa relação?

Evidentemente que há certas considerações a fazer


quando existe tal diferença de idade. A primeira consideração

— 28 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

é que esse relacionamento entre vocês surgiu num momento


de perda, onde ficou um vazio muito grande e, diga-se de
passagem, uma perda bastante recente.
A segunda consideração é analisar se o tempo em que
vocês estão juntos é suficiente o bastante para estabelecer tal
compromisso. Assumir novo relacionamento sério e definitivo,
após uma separação dessa natureza, como é o seu caso,
requer uma reflexão mais consciente. É o momento de
avaliar a situação para que, num ato precipitado, o novo
relacionamento não dê errado.
A terceira consideração é a incompatibilidade de idade.
É importante entender que sua futura esposa tem idade para
ser sua filha. A sua responsabilidade é bastante grande, pois
enquanto ela está praticamente começando a vida adulta,
você está na idade onde a maioria das pessoas está entrando
em estágio de aposentadoria. Quando você estiver com 70
anos, ela estará com 40 e o nível de energia e interesse pode
diferir substancialmente.
Evidentemente que ninguém pode dizer, com certeza, se a
diferença de idade irá incompatibilizar a relação fisicamente,
emocionalmente ou mentalmente, mas é importante que ambos
estejam cientes disso. Ter a mente e o coração abertos poderá
ser o grande sucesso desse novo relacionamento.
...

S ou casada há quase 20 anos e tenho dois filhos.


Porém, não sou feliz. Sinto que falta algo em minha
vida, e foi sempre assim desde que eu era adolescente.
Contudo, não consigo saber o que é e tampouco onde encontrar.
Meu marido e eu tivemos altos e baixos nessa união,
mas o dinheiro foi sempre o nosso maior problema. Pra ser
sincera, nunca vivemos, mas apenas sobrevivemos. Jamais
tivemos férias verdadeiras com as crianças ou mesmo sem

— 29 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

elas. Nossa vida sempre foi trabalhar para pagar as contas.


Esse tem sido o nosso maior esforço. Nem com o sexo me
importo mais.
Estou com 42 anos e trabalho fora. As pessoas se
espantam em como os mais novos me olham e falam do meu
belo corpo apesar da idade. No entanto nem isso me dá ânimo.
O que há de errado comigo? Tudo que sempre quis foi ter uma
vida saudável, feliz e com muito amor. No entanto nunca me
senti feliz e sinto que nunca amei verdadeiramente, mesmo
que meu marido diga que sou tudo em sua vida, jamais me
senti amada ou amando.
Minha vida é muito simples. Vivo sempre em função do
meu marido e nunca pra mim mesma. Acontece que eu e ele
somos completamente opostos.
Há muito mais coisas que gostaria de dizer, mas não
posso ficar aqui enumerando a vida toda. Se puder me dar
algum conselho, com certeza será muito útil.

A felicidade só está completa quando nos sentimos bem


emocionalmente, espiritualmente e fisicamente.
Se sente que sua vida está sem sentido e deprimente,
é o momento para refletir e endireitar. Você há de concluir
que todo o problema está no seu relacionamento amoroso.
Você está se doando de forma obrigada. O amor deve
ser expontâneo. Tente refletir sobre a maneira como você
recebe os sentimentos do seu marido. Talvez você não esteja
conseguindo sentir a emoção de ser amada pelo fato de nunca
ter sido expontânea em relação ao seu amor por ele. Procure
ser mais você, buscando primeiro a felicidade e o prazer
dentro de si mesma. Olhe pra dentro e para fora e visualize a
sua própria beleza. Verá que o sentido da vida vai tomar outro
rumo e sentirá novamente o amor fluir.
...

— 30 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

P or que algumas mulheres se sentem atraídas por


homens cafajestes e maus-caráteres? São sempre
fantásticos na cama, mas são péssimos companheiros e pouco
confiáveis. Alguns, inclusive, utilizam sua posição social para
proveito da situação, nos envolvendo e nos seduzindo. No
entanto, mesmo sabendo que é uma relação de momento e
de puro interesse, me sinto tremendamente atraída. Como
explicar isso?

O que faz um homem atraente é seu magnetismo


natural e seus mistérios ou segredos. Para que haja um bom
relacionamento isso não basta. A confiança e assertividade
também são importantes. É preciso considerar os desejos,
vontades e suas necessidades. Um homem mau-caráter se
conhece por não observar a última das considerações –
as necessidades da companheira. Aquela atração inicial, o
magnetismo sentido à primeira vista, pode ser emocionante
no início. Porém, ao longo do tempo, seu companheiro acaba
por se sobrepor também aos seus desejos e vontades para
deixar figurar somente as necessidades dele.
...

A credito que aprendi muito lendo e ouvindo você.


No entanto, há apenas uma coisa que me incomoda.
Sinto que você recomenda sempre às mulheres para serem
flexíveis e adaptarem-se às necessidades dos maridos. Por que
somos nós, as mulheres, que temos que fazer o esforço?

Eu apenas aconselho as mulheres por serem, na maioria


das vezes, as mais interessadas e mais preocupadas com
problemas de relacionamento, além de, sem dúvida nenhuma,
serem mais flexíveis. Na realidade, um bom relacionamento
só pode acontecer se ambos forem flexíveis e aceitarem-se

— 31 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

mutuamente da maneira como cada um é. Se ambos viverem


compromissados no amor, no respeito e numa comunicação
aberta, ambos têm muito a ganhar
...

E stou saindo com um homem que foi traído por sua


mulher. Ela implorou seu perdão e, apesar de a
ter perdoado, ela continuou com o caso até que, 18 meses
depois, ele a encontrou com o outro na cama. Isso o deixou
amargurado de tal maneira que ele se tornou uma pessoa
fechada e introvertida.
O que posso fazer para mostrar a ele que não sou como
sua ex-mulher?

Com certeza tudo isso o deixou com marcas profundas.


Ele precisará agora de um tempo para refletir e deixar que a
ferida cicatrize.
Isso não será fácil. O caminho é árduo e você terá que
ter muita paciência. Não adianta forçá-lo a apressar esse
processo. Isso tem que vir dele próprio. Seja primeiramente
sua amiga e confidente. Demonstre seu carinho e amizade
abertamente, de forma honesta, sem nada esconder. Essa é a
melhor maneira de abrir o coração dele. Lentamente ele há
de reconhecer todo o seu sentimento e a partir daí ele vai
enxergar o seu amor por ele.
...

M eu irmão tem sido infiel com a minha cunhada


há vários anos. Após seu caso mais recente,
resolveu permanecer com ela, mas pediu para dormir em
quartos separados até ter certeza do que realmente quer. Quer
também ter a liberdade de sair sozinho ou com amigos após o
trabalho.

— 32 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Eu sou muito íntima de ambos e acompanho de perto


seus problemas. Minha cunhada está fazendo como ele quer,
mas eu lhe pergunto: será que essa é realmente a maneira
correta deles solucionarem os entraves dessa relação?

Seu interesse pelo caso de seu irmão e sua cunhada


é realmente louvável, tocante e bastante válido. Contudo,
somente eles podem decidir o que querem desse relaciona-
mento.
Minha opinião é que uma separação temporária é uma
experiência bastante válida. Quando um dos dois sente dúvida
no relacionamento e deseja ter um tempo só para si, o melhor a
fazer é tomar o caminho da separação temporária para colocar
a cabeça no lugar até ter a certeza do quê quer realmente.
No entanto, os termos dessa separação devem ter a
concordância de ambas as partes. Nesse caso específico, se
não houver a concordância de quartos separados, mudar de
casa temporariamente pode ser outra forma de experimentar.
...

M eu namorado e eu estamos juntos há dois anos.


Juntos não temos nenhum filho, mas eu tenho
dois de um casamento anterior: um menino de 14 anos e uma
menina de 12. As crianças o aceitaram assim que começamos
o nosso namoro.
O problema é que ele adora a menina, porém não sinto
que ocorra o mesmo em relação ao menino. Pelo contrário,
é nítida a falta de atenção dele em relação ao menino
quando este lhe dirige a palavra. Percebo isso pelos poucos
comentários que faz comigo sobre o menino.
Já falamos sobre isso, mas ele diz que é impressão
minha e que estou vendo coisas. Contudo, tenho certeza que
não é apenas impressão.

— 33 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

É um homem maravilhoso e eu o amo demais. Porém,


quando deixei meu marido, prometi a mim mesma que jamais
deixaria qualquer pessoa ou qualquer coisa se colocar entre
mim e meus filhos.
Será que estou me colocando em segundo plano ou
sendo demasiadamente sensível?

Concordo com você que sua primeira responsabilidade


é com os seus filhos. Mas, para o seu namorado, o
relacionamento primordial é com você. Ele só chegou aos
seus filhos por se relacionar com você. Se ele puder respeitar
o seu filho e, por sua vez, receber o respeito que merece,
poderão ambos coexistir tranqüilamente.
O que você não pode esperar é que os dois tenham um
grande e maravilhoso relacionamento tal qual você gostaria.
O que você precisa, e isso, sim, é imprescindível, é que haja
um relacionamento de respeito mútuo. Desde que o adulto na
relação é seu namorado, é de se esperar que ele reflita sobre
isso e seja razoável.
Você deve ser honesta com ele sobre seus sentimentos a
fim de que o relacionamento entre vocês não seja abalado.
Em uma conversa franca, procure esclarecer a ele o
quanto será mais saudável uma boa relação entre todos para
que o relacionamento seu e dele não seja abalado.
...

Q ual é o impacto em um relacionamento quando um


homem tem mais traços femininos e uma mulher
tem mais traços masculinos? Sei que não é uma situação
comum, mas eu gostaria de saber qual é sua explanação das
conseqüências dessa reversão de papéis.

É bom saber que há muitas possibilidades. Contudo,

— 34 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

geralmente, há duas razões pelas quais a reversão de papéis


ocorre. A razão natural e a provocada.
Por exemplo, a natureza pode ter dado a um homem
mais hormônios femininos do que a quantidade normalmente
encontrada nos homens. Nesse caso, a tendência para a
reversão do papel seria natural.
Por outro lado, um homem pode ter uma quantidade
normal de hormônios masculinos, mas crescer em um ambiente
onde seja incentivado a rejeitar suas tendências masculinas
emocionais e naturais e ser recompensado com aprovação e
aceitação pelas pessoas de convívio a agir assim.
No caso inverso, uma mulher pode ser condicionada a
ser masculina. Talvez seus irmãos a forçassem nessa situação
frente a brincadeiras de infância, ou, ainda, seu pai a rejeitou
como mulher, por querer um menino, tratando-a como tal.
Seja qual for a maneira da reversão do papel, sempre
será um relacionamento difícil.
Se um homem tiver seu lado feminino mais sobressaído,
poderá ser demasiado dependente. Se por outro lado, a
mulher for demasiadamente masculina, poderá dominar
o relacionamento não permitindo que seu companheiro
compartilhe das decisões, o que poderá resultar em
ressentimentos futuros.
Independente das diferenças, é importante entender
que o relacionamento ideal é aquele em que a compreensão
de ambos encontra o ponto de equilíbrio e somente a
compreensão mútua pode se sobrepor às diferenças originais
de qualquer casal.
...

S ou casada há dez anos. Tenho 30 anos e meu marido


37. Temos 4 filhos. Para podermos manter os custos
da família, meu marido trabalha durante a semana e eu nos

— 35 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

finais de semana.
Para que ele entre no trabalho às 7 horas, levantamos às
5. O resto do dia eu passo limpando e cuidando da casa. Já que
trabalho fora nos finais de semana, seria muito melhor que
não tivesse de me preocupar com os serviços da casa nesses
dias. No entanto, quando eu venho para casa após um dia
inteiro de trabalho, ainda tenho de fazer o trabalho caseiro. Eu
gastaria menos tempo se ele cuidasse, pelo menos, das coisas
pequenas como, por exemplo, não deixar os pratos sobre a
mesa após as refeições.
Quando venho para casa ele sempre está cuidando do
quintal ou jardim, mas a casa está destruída.
Disse a ele que quando chego, quero encontrar a casa
arrumada, sem bagunça. Mas ele, naturalmente, diz que não
se importa com isso e acusa-me de implicar com tudo.
Todo final de semana é a mesma coisa – discussões
e ele se trancando em seu canto. Sei que não deveria viver
discutindo sobre isso, mas eu me recuso a viver numa casa
bagunçada.
O que devo fazer?

Seu marido trabalha cinco dias da semana fora e você


dois. Talvez você precise conversar com ele utilizando outro
enfoque, afinal, é ele quem passa os fins de semana cuidando
das crianças. Além disso, como você mesma disse, é ele quem
cuida do quintal e do jardim. O que eu quero dizer é que,
se cada qual fizer a sua parte para contribuir, certamente a
família só terá a ganhar.
...

M eu marido e eu fomos casados por 11 anos. Há


alguns meses, disse-me que não consegue mais
manter o casamento. Eu sei que nós nos amamos e não

— 36 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

podemos nos separar. Sei, no entanto, que essa separação,


nesse momento, é o melhor. Porém, penso nele o tempo todo.
Pra piorar as coisas, mudou-se para outra casa que alugou
com sua nova namorada. Pediu parte das coisas que fazem
parte da nossa vida e isso está acabando comigo por dentro.
Nas três últimas semanas tem me procurado e me
confiado os problemas de seu novo relacionamento. Tivemos
até sexo durante o tempo que estivemos separados.
Se não quisesse manter o casamento andando com outra
mulher, por que estaria voltando aos poucos? Como eu o amo
é duro pra dizer não. Como fazer?

Obviamente que ambos ainda têm sentimentos não


resolvidos dentro de si. O fato de estar lhe confiando as
dúvidas sobre o novo relacionamento confirma isso. Manter
a porta aberta da maneira como está fazendo é o mesmo que
dizer a ele que, não importa o que faça, terá sempre você a
sua espera.
O que você quer no entanto é que ele resolva,
definitivamente, seus problemas e volte pra você. Contudo, me
parece que a mensagem que você está passando a ele é que
poderá sempre vaguear por aí, desde que volte pra casa.
Mas se essa não é a mensagem pretendida, então acho
importante que procurem conselho os dois juntos. Pergunte-lhe
se está disposto a voltar definitivamente. Só é preciso que ele
entenda que os erros do passado devem ser deixados para trás.
E quanto a você, deve manter a nova postura para que
não se repitam os mesmos erros após a reconciliação.
...

E u trabalho com um homem que se tornou meu


amigo antes de trabalharmos juntos. Na empresa
formamos um grupo de amigos e pelo menos uma vez por

— 37 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

semana saímos juntos após o trabalho. Quando isso acontece,


costumamos ficar até muito tarde da noite conversando, rindo
e bebendo.
De algum modo, começamos a nos beijar, porém, não na
frente de outro colega, mas, mais tarde, durante a despedida.
Isso aconteceu uma vez e foi só. Na segunda-feira, no trabalho,
nada foi dito e o assunto não foi comentado, o que me fez
muito feliz, pois me senti culpada pelo que fiz.
No entanto, ao contrário do que pensava, aconteceu
por mais cinco vezes durante um ano. Contudo, apesar dos
beijos, nunca houve sexo. Interessante que, por todo esse
tempo e apesar das cinco vezes, jamais tocamos no assunto no
dia seguinte. Nunca havia me incomodado antes, talvez pelo
fato de trabalharmos juntos. Porém, recentemente, me senti
incomodada, pois passamos a nos beijar também na frente dos
outros.
Talvez eu esteja me sentindo como um brinquedo que só
coloca as emoções pra fora quando espremido.
O mais interessante é que essas emoções só aparecem
quando já bebi um pouco mais.
O que eu faço? Obviamente que esse não é um
relacionamento saudável mesmo sendo ambos livres e desim-
pedidos. As pessoas agem dessa maneira somente por que
estão alcoolizadas? Ou essa é uma demonstração de atração?
Quero resolver a situação definitivamente me afastando ou me
aproximando. Como posso fazer?

Respondendo às suas dúvidas devo assegurar-lhe que


as duas respostas são sim. As pessoas perdem suas inibições
quando estão alcoolizadas e farão coisas que normalmente
não fariam por serem mais inibidas. Depois, estando você
alcoolizada ou não, há obviamente uma atração de ambas as
partes, do contrário nem o beijo aconteceria com normalidade.

— 38 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

O que se faz necessário é você procurá-lo para uma


conversa franca, fora do local de trabalho e sem nenhuma
interferência alcoólica.
Se tudo não passar de momentos de euforia motivados
pelo estado alterado, a conversa, provavelmente, será levada
de maneira amigável e com entendimento adequado.
Se, por outro lado, a atração ultrapassar a instância
do estado de alteração, então a conversa poderá tomar outro
rumo, onde a franqueza e abertura, de ambas as partes,
poderá aproximá-los definitivamente.
...

H á três meses mudei-me para uma casa maravilhosa,


de dois quartos, com meu filho de quatro anos e
meu namorado.
Dou um duro danado a semana toda como uma
verdadeira empregada doméstica, pois adoro uma casa limpa.
Sou seguidora do provérbio que diz: “há um lugar pra tudo e
tudo deve estar em seu lugar”.
No entanto, a falta de consideração de meu namorado
para com o meu esforço me frustra. Eu não espero que a
casa esteja sempre parecendo um espelho. Seria mesmo um
exagero da minha parte. Eu apenas não quero ver a roupa suja,
as coisas de trabalho e o tapete de entrada no meio do assoalho.
Não é justo que eu chegue do escritório, após um dia
inteiro de trabalho, e ainda tenha de limpar e arrumar a casa.
O pior de tudo é que meu filho está tomando meu
namorado como exemplo. Antes ele me respeitava, mas agora se
espelha nele e não toma conhecimento de minhas reclamações.
Falei com meu namorado a esse respeito e pedi que
mantivesse a casa limpa e arrumada. Mas ele explodiu como
uma bomba não aceitando as reclamações.
E agora? O que devo fazer?

— 39 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Um bom relacionamento depende da aceitação do


parceiro e do que estão ambos dispostos a fazer em prol dessa
relação.
Se seu namorado fizesse tudo do jeitinho que você quer,
o próximo passo, provavelmente, seria dizer que ele não é
a pessoa certa pra você. Na sua situação, entretanto, é só
uma questão de abordagem e de tempo. Conseguir alguma
coisa de alguém depende muito de como se pede. Também
é interessante que os pedidos sejam pequenos e aos poucos.
Quer um exemplo? “Eu sei que você tem momentos difíceis
no seu trabalho e que não vê a hora de chegar em casa pra
relaxar. Mas faz um favorzinho pra mim? Coloca os sapatos
no armário e a roupa suja na cesta da lavanderia?”
Os homens guardam mais facilmente pedidos dessa
natureza quando vêm em doses “homeopáticas”, sem que
você justifique por que está fazendo o pedido.
Freqüentemente a mulher reclama que não é certo ou
que não consegue fazer tudo. A verdade é simples. Nada se
consegue em momentos de explosão. Nenhum de nós aceita
com naturalidade. É natural sentir essa reação quando ambos
trabalham dentro e fora de casa.
Pra isso existe uma solução prática. Analisar o
orçamento familiar e contratar uma pessoa ou empresa que
possa fazer o trabalho uma ou duas vezes por semana. Isso
mantém a casa limpa e em ordem sem que ambos se estressem
prejudicando a relação da família.
...

C omo a maioria das mulheres, tenho muita curio-


sidade em saber o que vai na mente dos homens
quando fixam uma mulher. Será que quando olham é porque a
desejam? Ou apenas admiram-na? Tentei raciocinar a respeito,
mas como mulher não consigo compreender esse mecanismo.

— 40 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Pra ser sincera, eu não me sinto à vontade quando o


homem que está comigo olha para outra mulher. Passa-me um
sentimento de que eu não basto pra ele. Sinto-me como um
objeto simplesmente. Será que você pode me esclarecer algo
sobre isso?

Pra ser franco, eu vejo o olhar de um homem sobre


uma mulher como uma condição normal e não desajustada.
Desde que o homem não seja agressivo, rude, indelicado ou
indiscreto excessivamente em relação a sua companhia, não
vejo mal nenhum.
Você diz que se sente mal quando o seu acompanhante
faz isso. Nenhuma mulher aceita isso se ocorrer de maneira
indiscreta e inconveniente, exceto aquelas que têm por opção
esse ambiente.
A respeito do que os homens estão pensando nesse
momento, depende do homem, da idade dele e do que o faz
olhar para a mulher naquele instante.
Às vezes não é nada mais do que a apreciação da arte.
Outras vezes é desejo mesmo. A maioria dos homens realiza
rápidas fantasias que, evidentemente, não se concretizam. O
que é real, no entanto, é o compromisso cotidiano, o respeito
e os atos aleatórios de amor entre duas pessoas que se amam.
As mulheres desses homens não têm que tomar essas situações
como caminhos de infidelidade, pois a segurança do amor só
é encontrada com elas.
...

S ou casado com uma mulher bonita e espiritualmente


maravilhosa. Ambos fomos casados anteriormente e
temos cinco crianças dos casamentos anteriores. Mas somente
um dos filhos vive conosco.
Por seis anos, nosso casamento foi maravilhoso. Nos

— 41 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

últimos seis meses ela tem bebido demais e eu tenho sido


rude, acabando por descarregar minha raiva sobre ela, o que
nos deixa longe um do outro.
Na verdade estou em uma encruzilhada. Não podemos
nos divorciar e nem queremos. Porém, nós dois concordamos
que da forma como estamos vivendo, brigando e praticamente
separados, não podemos continuar.
O que posso fazer pra mudar esse meu comportamento
e ser novamente um bom marido pra minha esposa? Existe
uma maneira de eu trabalhar comigo mesmo de maneira a
convencê-la de meus desejos? Eu a amo verdadeiramente
e não quero de forma alguma viver dessa forma. Qualquer
orientação me ajudaria extremamente.

Se a sua escolha for permanecer nesse relacionamento


sob as atuais circunstâncias, é preciso que saiba que, se
ela continuar bebendo, em pouco tempo você sentirá raiva
e ressentimento. Esta não é nenhuma maneira de viver. Você
também deve reconhecer que não é a pessoa certa para
mudá-la.
Primeiramente, ela deve estar disposta a mudar. Visto
isso, você pode então escolher: ou permanece como está,
com atritos constantes e uma vida cheia de ressentimentos e
brigas, ou você pode sair agora. Rompendo agora, talvez a
motive a procurar ajuda, antes que seja tarde para ela e para
o relacionamento. Tomar a decisão correta agora, pode ser
vital para ambos.
...

M eu marido e eu estamos casados há um ano. Eu


sempre o achei extremamente atraente e continuo
achando mesmo após o casamento.
O problema é que ele quer fazer sexo todas as noites sem

— 42 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

saber se eu também quero. Eu tentei explicar a ele que não


tenho, obviamente, a mesma disposição sexual que ele. Ele se
zanga e diz que eu não sinto mais atração, o bastante, para
fazer amor com ele todas as noites. Mas isso, com certeza, não
é verdade. No entanto, se disser que não estou disposta, ele se
zanga e começa a argumentar.
Estamos ambos com pouco mais de 30 anos e já fomos
casados antes. Já tentei diversas vezes explicar-lhe que o
amo, mas que não quero fazer sexo todas as noites. Tentei
mostrar a ele aquelas estatísticas que mostram que também
recém casados, após o primeiro ano, têm um declínio típico no
apetite sexual. Entretanto, isso não o convenceu tampouco.
Quero desesperadamente resolver esse assunto com
meu marido. Eu o amo demais, porém sinto que isso está
começando a me magoar.

É bastante comum que um casal tenha diversidades


no sexo. Contudo, esse é um assunto que deve ser discutido
abertamente entre o casal. É preciso que se encontre uma
média que deixe ambos felizes.
Por exemplo, você se sentiria mais confortável fazendo
sexo duas, três ou quatro vezes por semana? Negocie isso.
Decidam juntos quais serão os dias. Elaborem brincadeiras
que antecipem os dias de sexo. Isso criará um incentivo maior,
uma expectativa maior e uma espontaneidade que aumentará
com o tempo.
Claro que é preciso entender que o sexo não pode ser
uma edição com data marcada, mesmo porque o estresse
diário e outros fatores podem influenciar na disposição. No
entanto, é preciso que nos lembremos sempre que a vida é
constituída na perseguição da felicidade e nada nos faz mais
feliz do que amar e ser amado.
Devemos nos recordar também que o sexo regular não

— 43 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

significa, necessariamente, o sexo com total consumação. O


sexo completo significa paixão, descoberta e variedades no
estilo.
Com o coração e a mente abertos, esses momentos
de intimidade podem ser o ajustamento de uma união
maravilhosa.
...

M eu marido e eu somos casados há 5 anos. Temos


duas meninas pequenas. Nosso problema é o
relacionamento dele com a sua mãe.
Seus pais foram casados por dezenove anos até se
divorciarem. Durante esses dezenove anos de casamento, sua
mãe deixou seu pai por três vezes. Finalmente, quando houve
o divórcio, ela levou os dois menores deixando-o com o pai.
Eu duvido que o pai tivesse impedido meu marido de
ver a mãe, não obstante ele se lembre muito bem que sua mãe
não o procurava por longos períodos.
Eu sei que meu marido nunca se recuperou do trauma
de ter sido abandonado por sua mãe. É atencioso e caloroso
com as crianças, mas admite sempre que as memórias da
infância não o abandonaram. Embora tenha superado essa
grande tristeza, mantém a mágoa em seu coração e resiste em
falar com a mãe sobre isso.
A sua mágoa me entristece também e sinto que gostaria
de resolver de uma vez por todas essa mágoa, pois por não ter
coragem de enfrentar a mãe abertamente, sofre muito.
O que posso fazer para ajudá-lo?

Finalizar de vez essa mágoa tem só um caminho. E


esse caminho está na decisão de reiniciar o contato com
sua mãe. Comece por aconselhar seu marido a iniciar uma
aproximação gradativa.

— 44 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Quando perceber que ele está num daqueles momentos


tristes, incentive-o a escrever uma carta a sua mãe expressando
todo o seu sentimento. Tal carta não seria necessariamente
enviada, a menos que ele queira. Na realidade, é uma forma
de ele expressar seus sentimentos e que pode funcionar como
um desabafo em relação ao que ele sente e ao que falta em sua
vida nessa relação. A carta deve finalizar com todo o amor
que ele sente pela mãe. Enfrentar sua dor pode transpô-lo
além dela.
...

S ou um homem graduado na faculdade e, quando


calouro, me relacionei com uma garota. Posso dizer
que para nós dois foi o grande amor de nossas vidas.
Quando terminamos a faculdade nos distanciamos. Agora
estamos trabalhando na mesma escola e nos relacionamos
com os mesmos amigos. Contudo, desde que começamos a
trabalhar, jamais nos falamos. No entanto, ocasionalmente nos
olhamos de relance. Para dizer a verdade eu acho que ainda
sinto amor por ela. De fato, meus amigos vivem brincando
comigo, mas não tenho tanta certeza.
Você acha que pode ser possível que ela ainda tenha o
mesmo sentimento que acho que sinto por ela?

Só há uma maneira de realmente saber: perguntando a


ela. Vá até ela, puxe uma conversa qualquer e a convide para
jantar. Se o que ela sentia por você não desapareceu, com
certeza aceitará o convite. Pelo contrário, se a resposta for
não, ou ainda que aceite, mas tenha apenas um comportamento
amigo, você saberá e poderá então escolher outro caminho.
O importante é você não gastar a sua vida se lamentando
por não ter aproveitado a oportunidade.
Uma coisa é certa, se quiser saber o que ela ainda

— 45 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

sente, só existe uma maneira. E você não saberá se não


aproveitar a oportunidade e perguntar a ela.
...

M eu marido é o mais novo de quatro irmãos. Mais


próximo dele tem uma irmã. Ele e a irmã sempre
foram muito próximos e ela age até hoje como se estivessem
juntos. O problema é que ela sempre interfere em nosso
relacionamento e acaba colocando-o sempre em confronto
comigo.
Eu quero estabelecer limites para ela para que não mais
se envolva em nosso relacionamento. Quero poder cortar as
amarras entre ele e ela. O que posso fazer?

Não deixe que ninguém interfira em sua relação. É o seu


desafio estabelecer limites de modo que sua cunhada não a
ofenda, a insulte ou interfira na sua vida. E como você
pode conseguir isso? Simples. Na próxima vez que ela faltar-
lhe com o respeito peça a ela que a respeite como gostaria
de ser respeitada. Caso não surta efeito, simplesmente não
responda nada e se afaste dela. Depois disso, a decisão passa
a ser do seu marido, e não sua, para manter toda a sorte de
relacionamento que quiser com sua irmã.
Se ele quiser vê-la e você não, não existe razão para
contrariedades e raiva. Contudo, explique-lhe que você sabe
que ele ama a irmã e queira sempre estar com ela, mas que
você quer evitar esse contato pessoal.
...

O que você pensa sobre viver junto antes do


casamento? Meu namorado e eu ficamos juntos
por cinco anos. Após a faculdade, por razões financeiras,
continuamos morando juntos. Agora, após dois anos, estamos

— 46 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

nos perguntado se o que estamos fazendo está certo. Ainda


assim gostaríamos de continuar dividindo as despesas. O que
você nos aconselha?

Tudo depende do porquê da decisão de morarem juntos.


No seu caso, a razão inicial foi financeira. Ao contrário
de você, pode ter sido visto por ele como o início de um
compromisso a longo prazo.
Agora é o momento de esclarecer a sua situação. Seja
honesta com ele e procure outra pessoa com quem você não
tenha nenhum sentimento emocional para dividir as despesas.
Se certamente o amar, poderá reatar o compromisso no futuro,
porém não agora.
Esclareça primeiro o porquê de ainda estarem juntos.
Apenas esclareça, sem determinar um prazo para que ele
saia, mas assegurando sempre que essa é sua necessidade.
Isso também será importante para que você entenda em que
nível se estabeleceu o compromisso de vocês.
...

M eu marido e eu temos brigado e discutido pelo


menos uma vez ao mês. Durante as brigas ele diz
coisas como “eu não preciso de você”, ou “seria melhor que
nos divorciássemos” ou, ainda, “você pode ir embora se não
me quiser mais”.
Eu tentei mostrar a ele como isso me deixa angustiada
e terrivelmente magoada, mas ele continua a fazer do mesmo
jeito.
O que devo fazer?

Nada que eu diga vai mudar a sua angústia. Porém, eu


posso fazer sugestões para minimizar a sua dor.
Antes de tudo não tire conclusões precipitadas. O que

— 47 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

ele diz ele só diz no momento de raiva. Na realidade, se ele


quisesse deixá-la de verdade já teria feito a algum tempo.
Na próxima vez que ele lhe agredir verbalmente, evite-o
se afastando das agressões. Você não precisa ser o “bode
expiatório” da raiva e do ódio dele. Se você se afastar todas
as vezes, ele acabará aprendendo e compreenderá seu ponto.
Essa sua atitude será benéfica para ambos. Isso significa
que gradativamente irá modificando o comportamento dele
de uma forma que seja justa pra você.
...

M inha esposa e eu estamos juntos há 10 anos. Eu


tenho 41 anos, ela 28 e temos um menino com 7.
Eu a amo mais do que se possa imaginar.
Ela não gosta de se relacionar com outras mulheres e a
maioria de seus amigos são homens. Gosta de ir ao shopping,
dançar e jantar com eles.
Eu recebi, recentemente, uma oferta de emprego em
outra cidade. Ela está hesitante em me acompanhar, a menos
que eu permita que visite seus amigos para um fim de semana
ou mesmo por uma semana algumas vezes. Eu não gosto da
idéia. Alguns desses rapazes ela conheceu há pouco tempo,
como é o caso de seu professor de Inglês.
Acho que há uma diferença entre amigos de muito
tempo e pessoas conhecidas recentemente.
Acha isso saudável em uma união? Que conselho me
daria?

Sua esposa se casou cedo e possivelmente não teve tempo


de explorar sua sensualidade perante o sexo oposto. Esses
namoros platônicos preenchem essa necessidade. Mantendo
sua postura você a deixa com três escolhas: a separação, até
que tome consciência que o que ela quer realmente é você;

— 48 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

vai com você e passa a viver de mentiras a cada vez que sair
com amigos; ou vai com você renunciando a todos os outros
relacionamentos, o que seria algo extremo e sem propósito.
Fazendo a última escolha não haverá nenhuma garantia
de que suas necessidades serão preenchidas sempre. Com
certeza irá procurar novas amizades masculinas, talvez sem
seu conhecimento, por não ter a sua aprovação.
Uma união é construída na confiança e no compromisso.
Se você sente que não está havendo comprometimento total,
seria interessante experimentar uma separação até que tudo
isso se defina. Aconselho-o a considerar essa opção que
poderá ajudar.
...

E u amei um homem por muitos anos. Depois,


nos desligamos e cada qual seguiu seu caminho.
Acontece que estamos trabalhando juntos agora e somos
muito bons amigos. Talvez não seja direito, mas a todos os
eventos dos quais participamos ficamos juntos. Na verdade
nos tornamos amantes.
No entanto, ultimamente, os sentimentos cresceram de
forma mais profunda.
Devo deixá-lo saber disso? Se eu lhe disser poderá
acontecer de ele se afastar de mim? Ou o melhor seria eu
renunciar como sua amante?

Pelo que me expôs me faz acreditar que ambos têm


outro relacionamento. Isso me assegura que, na verdade, o
que vocês têm é um relacionamento incompleto e escuso. Você
estabeleceu uma intimidade física mas não uma intimidade
emocional. Ou seja, existe forte atração física, mas não me
parece existir amor. Conseqüentemente, não há bases para
um compromisso emocional com ele. A decisão está no que

— 49 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

você necessita desse relacionamento. E você tem de estar


preparada que pode não ser a decisão dele. Se o que ele quer
é apenas tê-la como amante, na cama, sem nenhum vínculo
maior, expondo seu sentimento a ele poderá fazer com que ele
se afaste.
Contudo, se o que você quer é mais do que simplesmente
a cama, seja honesta com o seu parceiro sobre isso. Se, pelo
contrário, você não acha que ele deva saber, o melhor a fazer
é deixar de lado o amante e mantê-lo apenas como amigo.
...

S ou casada há 22 anos e sempre fui uma mulher


do lar. Meu marido é um homem de negócios
bem sucedido. Temos três filhos, vivemos numa bela casa
e gozamos férias agradáveis todos os anos. Contudo, eu
sou totalmente insatisfeita comigo mesma. Isso afeta o meu
relacionamento com todo mundo. Procuro estar perto das
outras pessoas o mínimo possível. É assim também em relação
aos parentes, filhos e no relacionamento com meu marido.
No sexo, tenho sido passiva e uma amante realmente
desinteressante. Sinto-me vazia por dentro e querendo fugir
de tudo. Sinto que a alma de menina que já tive um dia se
afasta de mim cada vez mais.
Diga-me, por favor, o que posso fazer para mudar isso e
melhorar os relacionamentos na minha vida?

Você descreveu apenas alguns dos sintomas da depressão


que afeta aproximadamente 5% da nossa população a toda
hora. A depressão é difícil de diagnosticar, embora os médicos
e cientistas julguem que suas raízes estejam na bioquímica do
cérebro e que isso é o que afeta o sistema nervoso.
Muitos fatores – insônia, disfunções hormonais, gené-
ticas e problemas familiares – podem contribuir para o

— 50 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

surgimento da depressão.
É muito importante combater a depressão. Você deve
falar o quanto antes com seu médico sobre esses sintomas
para que ele lhe dê opções de tratamento.
...

M inha esposa insiste que nós mantenhamos contas


bancárias separadas. Nós éramos casados antes
de nos conhecermos. Com minha esposa anterior, eu nunca
tive problemas com a comunhão de nossas finanças. Mas,
aparentemente, o ex-marido da minha esposa atual deve ter
usado o seu dinheiro sem seu conhecimento e a deixou com
dúvidas.
Apesar de já sermos casados há dois anos, termos
comprado uma casa juntos utilizando rendas iguais, ela insiste
que continuemos clientes distintos no banco.
Isso faz com que as coisas que cada um compra para a
casa como: jogos de sofá, televisão, computador ou mesmo
viagens de férias ganhem um caráter individualista. É como se
fosse o “seu sofá”, a “sua televisão”.
Se eu não colocar combustível no carro dela eu não posso
guiá-lo. Se eu não comprar a comida eu não posso comê-la.
Estou começando a sentir a nossa relação como
companheiros de quarto e não como marido e mulher. Contudo,
eu a deixo usar meu computador e não fico cronometrando o
tempo.
Eu não acho que tenha que pagar pelos erros acontecidos
no passado dela.
O que você acha disso?

Você está certo. Não deve mesmo se responsabilizar


pelas ações do ex-marido dela.
Certamente que falta confiança e confiança se constrói

— 51 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

com o tempo. Até que ela se sinta confortável outra vez,


demonstre sua boa fé sugerindo a abertura de uma terceira
conta que seja comum para compras conjuntas. Cada um
de vocês pode depositar uma quantia pré-estabelecida que
possa cobrir pagamentos mensais e outras utilidades. Também
podem pensar numa quantia adicional para fundo de férias e
outros artigos.
Quando uma compra tiver o acordo de ambos, o
dinheiro poderá sair dessa conta. Se um de vocês quiser
comprar algo que o outro não queira, o dinheiro virá da conta
individual. Dessa forma você há de ganhar, vagarosamente,
sua confiança. Acho que a sugestão já será suficiente para
colocá-la em reflexão. Colocá-la em prática fará com que,
aos poucos, suas diferenças diminuam.
...

E u tenho 61 anos e sou ex-capitão da marinha. Sou


casado há 41 anos. Minha esposa e eu temos 6
filhos, todos muito bem casados, e nove netos. Eu ainda sou
louco de amor por minha esposa e a adoro muito.
Meu problema é que algumas mulheres se insinuam
constantemente pra mim e eu não sei o porquê. Eu nem
mesmo as observo. Às vezes, quando minha esposa e eu
estamos fazendo compras ela me diz “aquela mulher não tira
o olho de você”.
Ultimamente uma menina de 16 anos tem me seguido
em toda parte. Eu contei à minha esposa sobre isso e ela disse
para que eu tenha cuidado e que mantenha a distância. O que
é que acontece com estas mulheres? Você pode me explicar?

Bem! Isso não pode ser de todo ruim. A maioria dos


homens, após os 50 anos, teria um flerte ocasional por parte
das mulheres. Esse tipo de carisma é um dom que, tenho

— 52 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

certeza, você aprecia. Muitas mulheres se sentem atraídas


por homens maduros, com uma boa forma física, experiência
e uma aparência considerável. Essa atração faz com que
busquem inúmeras tentativas até que você aceite ou responda
ao flerte.
Pelo que você disse, suponho que costume sempre
evitar esses assédios. Isso é louvável. Os comentários de sua
esposa podem ser uma maneira de ela expressar uma leve
insegurança. Esse é o melhor momento para você fazê-la
conhecer ainda mais o seu amor e devoção para com ela.
...

M eu namorado e eu moramos juntos há 4 anos.


Quando nos conhecemos, ambos éramos fuman-
tes. Há dois anos eu parei de fumar pelo fato de ter bronquite.
Contudo, apesar de saber o quanto me incomoda, ele não
deixa de fumar à minha volta. Quando eu me queixo, entra em
seu escritório e fecha a porta, mas não abre a janela. Ou então,
senta-se à porta, mas naturalmente o cheiro e a fumaça vêm
pra dentro. Talvez eu não me queixasse tanto se ele fumasse
menos. Porém, convenhamos – ele fuma dois maços por dia!
Até minha roupa fica cheirando e eu não consigo respirar
direito. Quando me queixo ele se irrita. O que devo fazer?

O motivo mais forte desse ressentimento está no fato


de você ter parado. A aversão do ex-fumante, geralmente, é
maior do que a daquele que nunca fumou.
Evidentemente, que tanto quanto você, ele também pode
parar. A decisão é dele. Se tomar a decisão de parar, verá
com maior facilidade o quanto as qualidades do tabaco são
prejudiciais.
Você tem duas escolhas. Numa conversa amigável pode
pedir que ele aceite algumas regras que serão úteis para

— 53 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

ambos. Peça a ele que só fume fora de casa ou em um cômodo


particular onde a janela possa sempre ser aberta.
Caso ele recuse, pense na sua saúde e considere outra
alternativa. Saia você de casa e só concorde em voltar quando
ele parar de fumar.
Os riscos do fumante passivo são reais e reconhecidos,
tanto que existem regras em ambientes de trabalho. Alguns
empregadores simplesmente descartam os fumantes.
Faça seu pedido a ele da forma mais amável possível. A
reação dele lhe dará a escolha que, tenho certeza, será uma
escolha sábia.
...

S ou uma garota de 15 anos. Moro numa boa casa,


num bairro bom, uma vizinhança agradável e a
minha família está muito bem financeiramente. Apesar de tudo
isso, não me sinto feliz. Estou sempre pensando na morte.
Aliás, tanto quanto meus únicos sete amigos. Acho que como
eu, eles também têm tendência suicida.
Nós nos conhecemos na Internet e três deles já estiveram
no hospital por tentativa de suicídio. Todos eles significam
muito pra mim.
Estou com eles sempre que posso e procuro entender o
que os fez buscarem a morte cortando os pulsos.
Muitas vezes digitei a eles dizendo “que se ninguém
mais os ama, eu os amo!”. “Não me deixem!”. “Eu me
importo com vocês!”. Porém, “se você for”, digo sempre a um
ou a outro, “eu também vou”.
E na verdade é o que sinto. Um desejo grande de morrer
também. Se um deles buscar o suicídio, eu, com certeza, me
suicido também.
E esse desejo tem aumentado a cada dia. Todos os meus
amigos da Internet sabem disso. Acho que só os meus pais não

— 54 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

sabem.
Pra ser sincera já disse isso a ales, mas eles nem se
importaram. Não acreditaram. E se eu ousar escrever algo
dirão que é doidice e não levarão a sério. Acho que se
recusarão a ler. O que devo fazer?

Independente de seus pais quererem ou não te ouvir,


o importante é que você diga o que sente. Saiba também
que existem muitas pessoas que desejariam fazer contato com
você. Tem ainda associações especializadas em suicidas em
estado crítico e que podem sugerir, aconselhar e encontrar
alternativas para você e sua família, de modo que você possa
começar a confrontar e resolver suas divergências de uma
maneira construtiva e eficiente.
Há também entidades que atendem por telefone e
aconselham 24 horas por dia.
Você deve procurar por eles imediatamente e dizer-
lhes exatamente o que você está sentindo em relação aos
pensamentos suicidas.
Você é uma pessoa de alma iluminada cuja vida é
preciosa. É amada por seus pais, amigos e muitas outras
pessoas que você nem imagina.
Coloque tudo isso pra fora e deixe que lhe ajudem.
Entenda que você tem toda uma vida a sua espera.
...

V i uma mulher no meu trabalho e achei que o que


senti por ela fosse amor à primeira vista. Mal
chegamos a nos ver pessoalmente, mas mantínhamos longas
conversas telefônicas. Em uma dessas conversas abri meu
coração e disse que a amava profundamente e ela me disse
o mesmo. Aquilo mexeu comigo de tal forma que o nosso
relacionamento se transformou em “brasa” completamente.

— 55 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Eu não sei se foi desejo ou amor.


Como poderia pensar que era amor se mal conhecia
aquela mulher? Qual o significado real de amor à primeira
vista? Não seria um desejo à primeira vista?

O desejo é quando um sente uma paixão oprimida pelo


outro. O amor abrange a paixão, mas inclui também um
compromisso a longo prazo, orgulho e respeito mútuos no
relacionamento.
O relacionamento que você mencionou não durou
porque, quando você se sentiu atraído fisicamente, ainda não
estava pronto pra lhe dar seu coração e sua alma. Foi um
exemplo perfeito de “desejo à primeira vista”.
Por outro lado, o amor à primeira vista é algo que
você sente quando está pronto para assumir um compromisso
com alguém que poderá ser sua alma gêmea. O desejo é
secundário. É uma forma de passar o tempo com alguém. Com
certeza, algum dia, você experimentará o amor completo.
...

C onheci um homem na Internet e me correspondi


com ele durante um ano. Chegávamos a ficar horas
conversando via net. Durante esse período nós trocamos
fotos e vídeos. Então tivemos uma idéia fantástica. Ele veio
encontrar-me em Foz do Iguaçu. Tivemos uma noite fabulosa
juntos. O dia seguinte passamos nos divertindo em um parque
de diversões. Depois disso partimos para nossas casas.
Bem..., foram dias inesquecíveis. Contudo, as despesas
foram caindo e acabaram ultrapassando, e muito além, os
meus recursos.
Sei que ele é muito bem financeiramente. Você acha que
devo pedir que me ajude nessa conta?

— 56 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

O melhor momento para discutir o orçamento é sempre


antes e nunca depois. Você está agora em uma encruzilhada.
Se pedir a compensação pode ressenti-lo a ponto de criar
tensão no relacionamento. Você está disposta a correr esse
risco? Se estiver, vá em frente e pergunte se ele pode ajudá-la
em tudo ou pelo menos em parte das despesas. Do contrário,
assuma o problema financeiro desta vez, porém, consciente de
que os gastos futuros deverão ser repartidos ou por conta dele.
...

M eu ex-marido e eu estamos divorciados há sete


anos. Ele tem uma nova esposa e uma família.
Quando estávamos juntos ele nunca quis ter uma família
comigo. Disse-me que um filho não o prenderia comigo. Isso
me magoou profundamente. Em seguida, antes mesmo que o
nosso divórcio estivesse consumado, ele já estava com outra
pessoa.
A última vez que falei com ele foi há cinco anos quando
me procurou para se desculpar e dizer que estava arrependido.
No mês passado procurou-me novamente no meu
aniversário. O que eu devo pensar de tudo isso?

As ações dele são o reflexo de um sentimento que mostra


claramente que ficaram coisas inacabadas no relacionamento
dele para com você.
Depois de sete anos, é esperado que ele esteja mais
maduro e mais consciente. É inegável que em algum momento
vocês dois tiveram profundos sentimentos um para com o outro.
Apesar dele não poder estar com você agora, não o
impede de importar-se com você e de reconhecer o importante
papel que você teve na vida dele.
Na época em que tudo aconteceu, e o motivo pelo qual
aconteceu, era impossível o perdão ou mesmo uma separação

— 57 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

amigável.
Se você acha que agora está pronta para lhe dar
o perdão, na próxima vez que ele a procurar, demonstre
isso. Faça com que ele reflita sobre isso pensando inclusive
na esposa que tem agora. Abra seu coração estendendo
sua amizade a ambos. Dar o perdão a quem quer, onde o
arrependimento é real, só faz crescer a ambos.
...

P or oito anos meu marido teve casos fora do


matrimônio. Acabamos nos separando.
Há algum tempo nos unimos novamente e prometeu que
não faria mais isso. Só que ele já disse isso antes.
Buscamos aconselhamento e no entanto ele continua
cometendo os mesmos erros. Contudo, ele continua dizendo
que vai mudar.
Acontece que agora tenho um lugar estável para ir, coisa
que não tinha naquela época, motivo pelo qual aceitei por
muito tempo.
Será que devo acreditar nele desta vez?

Você não tem que acreditar nele. As ações falam mais


alto que as palavras. Ele não provou ser verdadeiro e nem
seguiu completamente as suas promessas ou compromissos
feitos a você.
Portanto, se você tiver para onde ir, vá e não se
arrependa. Você nunca terá sossego na vida se continuar
repetindo os erros do passado.
...

E u comecei a viver com uma mulher mais nova. Eu


estou com 47 anos e ela com 33. É bonita, sexy e
com certeza tem tudo que eu sempre quis em uma mulher.

— 58 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Mas há um problema. Seu ex-marido está cumprindo 20 anos


por tráfico de drogas. Eles têm 3 filhos com idade entre 10 e 4
anos que ficam com ela. Acontece que eu sou apaixonado por
ela. Algum conselho?

Você está preocupado com o ex-marido que está preso,


com os três filhos ou com a diferença de idade? Se for com o
ex-marido, a menos que ela ainda sinta alguma coisa por
ele, é hora de falar sobre suas intenções. O seu interesse e
atração por ela é um bom motivo para começar. Quanto aos
filhos e à diferença de idade, se você amá-la profundamente,
e ela o amar, o melhor presente que você poderá dar a ela
é ajudá-la a educar as crianças, amando-as e fornecendo a
elas o modelo de um homem forte e honesto, buscando suprir
a falta do pai.
A escolha é sua. Mas se você não quiser assumir, deve
procurá-la e desatar o relacionamento.
...

M eu irmão arruína todos os meus relacionamentos.


Eu tenho 20 anos e ele é 5 anos mais velho. Acha
sempre que eu faço a escolha errada em relação aos meus
namorados. Só que eu acho que isso é problema meu. O que
você acha?

Acho que você está certa. Só você pode aprender com os


próprios erros. E jamais poderá saber se a escolha está certa
ou errada se nunca puder escolher. Ele tem que acreditar
mais em você. Além disso, o caminho a ser seguido por você é
um problema só seu. Agradeça-lhe pelos conselhos, mas peça
a ele que não interfira. Afinal, você já é adulta agora.
...

— 59 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

P or que é que meu namorado responde mal aos meus


e-mails? Nós temos um relacionamento estável e eu
estou feliz com o progresso que fizemos durante todo esse
tempo. Entretanto, o que ainda me frustra é a forma com que
ele responde às minhas mensagens. Elas são sempre curtas e
objetivas.
O que poderia ser feito para melhorar isso?

Se você quiser melhores respostas procure evitar e-mails


diretos. É importante saber que os homens e as mulheres
diferem extremamente na forma de se comunicar. Uma mulher
fala ou escreve seus sentimentos de maneira expressa, ao
contrário da maioria dos homens que não tem como conceito
externar esses sentimentos.
A maioria dos homens conversa para passar o tempo.
É o que chamamos de ponto de encontro. Porém raramente
expressam seus sentimentos.
Por exemplo, se você lhe enviar um e-mail solicitando
a sugestão de um filme para o cinema de sábado à noite,
suponho que você terá uma resposta curta e objetiva.
Por outro lado, tente escrever algo como: “Depois de
um fim de semana com você, eu me sinto solitária só de pensar
que não vou vê-lo na segunda-feira. E você, como se sente?”
Esse tipo de comentário acrescido de uma pergunta,
provavelmente, lhe trará uma resposta mais satisfatória.
...

S e um homem casado me disser que está apaixonado


por mim e que está deixando sua esposa para ficar
comigo, o que devo fazer para ajudá-lo?

Duas coisas: uma delas é aguardar pelo divórcio.


Depois esperar que ele passe por uma seqüência de estágios

— 60 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

– a atração, a incerteza, a exclusividade, a intimidade e


finalmente ficar com você.
Quando estiver provado que ele lhe quer por completo,
e somente quando estiver livre do outro compromisso, poderá
então ter uma vida a dois com você.
É importante que ele faça as coisas de maneira correta. A
avaliação é sua. Caso contrário, melhor buscar outro caminho.
...

S ou um homem de 38 anos e nunca tive um caso


sequer. O problema é que há 20 anos procuro a
mulher ideal.
Todas as vezes que pensava ter encontrado alguém como
eu queria, descobria logo que algo não me satisfazia.
Estou crendo que, neste estágio da vida, jamais
encontrarei alguém. Acho que meu destino é ficar só. Ou será
que tenho de parar de buscar a pessoa ideal e tentar encontrar
alguém que pelo menos me aceite?

Encontrar uma alma gêmea não é algo impossível.


Se a sua maneira atual de encontrar alguém não está
funcionando, talvez seja o momento de tentar algo diferente.
Por exemplo, não busque a mulher ideal como alguém
possível. Veja as pessoas como amigas e que podem ser
companheiras agradáveis com vidas e histórias interessantes
e personalidades originais. Dessa forma, você aprende a
enxergar a melhor face de cada pessoa. Bem ao contrário de
buscar um tipo específico. Ninguém é perfeito e não existe a
pessoa ideal.
Aceitando as pessoas do jeito que elas são, você
acabará, sem perceber, encontrando a pessoa que poderá
suprir seus anseios.
Entenda que a idade não tem nada a ver com isso. Não

— 61 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

há idade para o amor. Esse processo vai se completando e,


de repente, uma companheira de início poderá se transformar
em uma companhia definitiva.
A vida não é um problema, mas uma aventura. Deixe de
lado a ansiedade e expectativa que tudo há de fluir a contento.
...

M eu marido é paranóico por sexo. Eu não gosto da


maneira como ele se excita.
Quando eu lhe digo que não gosto de algo ele me
pressiona e me chama de fria. Sinceramente, eu acho que
pode ser algum problema. Eu sinto que ele não respeita meus
sentimentos.
Quer um exemplo? Ele quis fazer fotos eróticas e
explícitas de mim, mas não deixei. Está sempre vendo
sites pornográficos pela internet ou em salas de bate-papo
pornográficas. Quando eu entro no quarto ele sai rapidamente.
Eu tentei lhe explicar que as minhas necessidades vão
muito além do sexo, mas ele me ignora. Já procuramos nos
aconselhar, mas ele nega que tenha problemas. Eu realmente
amo esse homem. Como contornar isso?

Você tem o direito de dizer não àquilo que lhe incomoda.


Por outro lado, é preciso entender quais as razões que o
levam a essas atitudes.
Você tem duas escolhas. Se as atitudes dele a
incomodarem excessivamente a ponto de afetarem o
relacionamento de vocês, insisto para que o faça ciente disso.
Caso ele insista para que você se submeta aos seus desejos,
diga a ele que o melhor a fazer é seguir o próprio caminho.
Contudo, procure analisar a possibilidade de você manter-se
por si só.
...

— 62 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

M eu marido foi casado duas vezes antes de se casar


comigo. Todas as vezes buscou nova companhia.
O que faz um homem ser tão inconstante?
Nós estamos divorciados há quase dois anos, contudo
ele ainda me procura.
Por que continua atormentando meu coração se foi ele
quem quis buscar outra pessoa?

Seu ex-marido não consegue manter um relacionamento


monogâmico. Algumas pessoas enfrentam esse problema. Isso
pode ter dois motivos. Um deles pode ser pelo fato de, durante
sua formação, ter convivido com esse tipo de instabilidade. O
outro motivo pode ser uma reação aos sentimentos reprimidos
os quais não conseguiu ainda reconhecer e superar.
É preciso lembrar que a monogamia não existe sem
amor, respeito, compromisso e paixão.
Entenda que sempre haverá alguém pronto e disposto
a lhe oferecer tudo isso. Portanto não se prenda nele. Jogue
uma pedra em tudo isso e comece a olhar mais para outros
homens a sua volta. Saia com amigos. Do contrário ficará
sempre presa a esse sentimento passado.
...

M eu companheiro e eu estamos juntos há nove


anos. Há três meses estamos morando na casa de
minha mãe onde também moram seu marido e meu irmão de
15 anos.
Recentemente meu irmão disse que o marido de minha
mãe andou falando que não suporta o meu companheiro e que
o quer fora de casa.
Meu companheiro está na força aérea e atualmente
enfrenta alguns problemas financeiros. No entanto, ele garante
a sua alimentação e a minha e sempre se oferece para suprir

— 63 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

o consumo da família toda. Eu gostaria de ter certeza de que


realmente o marido de minha mãe disse isso ou se é meu irmão
que está se sentindo incomodado com meu companheiro em
casa.
Sei dizer que estou em uma encruzilhada. O que é bom
para o meu irmão não, necessariamente, está bom para mim.
O que devo fazer?

Você está certa. Nem tudo que é bom para um é bom


para o outro. E se você pensa assim, realmente está com dois
problemas.
Porém, é preciso entender que a casa pertence à sua
mãe. Assim, as decisões de quem deve viver lá e sob quais
circunstâncias são inteiramente dela. Obviamente que seu
companheiro tem boas intenções ou não se ofereceria para
assumir algumas despesas. No entanto, em se tratando de
dinheiro, o crédito é sempre maior quando colocado no papel.
Sugira-lhe que faça uma espécie de contrato com a sua mãe
esclarecendo qual será sua contribuição mensal. Isso pode
resolver. Caso contrário, seu companheiro deve sair da casa,
especialmente se quiser manter boas relações com sua mãe.
Isso poderá acarretar problemas financeiros para vocês
dois, porém, essa nova situação poderá trazer mudanças
benéficas para ambos.
...

S ou uma mulher bonita, porém muito oprimida.


Apaixonei-me pelo melhor amigo do meu marido
após uma curta aventura.
Depois de retornar de umas férias de três semanas com
meu marido, sinto que nossa relação está desgastada. Está
difícil encará-lo olhos nos olhos. O desejo de amar e ser amada
em relação ao meu marido desapareceu por completo. Como

— 64 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

conviver com as lembranças tão excitantes e estimulantes do


contato físico com o outro homem?
Como lidar com meu marido, que não me deixa passar
qualquer necessidade material? O que aconteceria se ele
soubesse? O que devo fazer?

Primeiramente é preciso saber que você não é a vítima.


Apesar da pressão que sente agora, foi você quem permitiu
que o caso chegasse a esse ponto.
Contudo, é relativamente simples de resolver, pois não
há nenhuma obrigação em jogo de ambas as partes.
Peça ao seu amante que se afaste e tente melhorar a
relação com seu marido.
Se você não fizer dessa forma, tudo o que tem a provar
é que não tem consciência e consideração.
Um bom trabalho de relacionamento inclui: lealdade,
confiança mútua e habilidade de saber o que se quer.
Comunique a ele suas necessidades e comece por admitir seu
erro.
...

M eu marido e eu estamos juntos há pouco mais de


um ano. Nos amamos demais e estamos esperando
nosso primeiro filho para daqui a três meses.
Nosso problema é que eu tenho sonhos eróticos e
explícitos. E, evidentemente, eu falo e ajo em minhas fantasias
enquanto durmo, embora não me recorde de nenhum sonho
depois que acordo.
Isso incomoda meu marido. Tem se mostrado
desconfiado embora eu lhe explique que jamais penso ou
tenho vontade de estar com outros homens. Eu não posso
controlar o que faço enquanto durmo.
Aconteceu o mesmo com meu ex-namorado e com o

— 65 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

anterior também, mas de forma passageira.


Ao contrário, com meu marido, as palavras e as ações
são mais constantes e ele tem guardado tudo isso.
Não sei o que fazer para que ele compreenda o quanto o
amo. Por favor me ajude.

Nós todos temos fantasias, homens e mulheres


igualmente. Entretanto, nem todo mundo recorda facilmente
seus sonhos.
O que você esta experimentando são seus desejos
subconscientes, algo que todos estamos sujeitos, incluindo seu
marido. Ele pode até insistir que nunca teve sonhos eróticos
de maneira explícita. Mas, a verdade é que todo homem tem,
em média, cinco ou até mais ereções durante a noite.
A fidelidade está na nossa consciência e não nos
instintos mais básicos que o nosso sonho nos transporta.
Peça a seu marido que julgue você pelo que faz quando
está acordada e não o que faz enquanto dorme e prometa a
ele que fará sempre o melhor com ele.
...

M eu marido e eu temos um filho que já está


cursando a faculdade.
É meu único filho, mas é o quinto do meu marido. Meu
marido é alcoólatra e tem sido assim durante os 21 anos que
estamos juntos. Meu filho e eu criamos uma afinidade muito
grande e eu acabei assumindo as responsabilidades de pai.
Essa nossa afinidade irrita meu marido porque se sente
rejeitado e sem nenhum controle sobre o filho. Diz que eu
nunca deixo que comece uma conversa com ele. Eu respondo
que o motivo está no fato dele nunca estar em casa.
Ele próprio não tem controle sobre si mesmo e agora
quer controlar nosso filho. Quer ensiná-lo a fazer a barba, a se

— 66 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

vestir e até o carro do filho quer controlar.


Acontece que nosso filho já é adulto o bastante para
tomar suas próprias decisões sem ser punido.
O que devo fazer?

Há duas alternativas. A primeira é como seu marido e


seu filho podem melhorar o relacionamento. Lembre-se que
seu marido ainda não trocou o papel de mentor, que é o nosso
papel, quando as crianças são pequenas, para o de conselheiro,
que é o papel seguinte, porque nossas crianças crescem e
passam pela adolescência até se tornarem um novo adulto.
A diferença é que, como mentor, nós tomamos as
decisões por eles; como conselheiros, nós recomendamos e
confiamos em suas próprias decisões. Seu filho é certamente
adulto o bastante para ter uma conversa com o pai sem a sua
interferência. Aliás, você deve incentivá-lo a fazer assim. No
momento em que isso acontecer, o melhor a fazer é deixá-los
a sós. Saiba também que você não mais poderá se impor na
vida de seu filho. Haverá, com certeza, diferenças de opiniões
e nesse momento as emoções deverão ficar de lado. Ele terá
de ter a conversa com o pai e, qualquer que seja o resultado,
você não deve interferir.
É preciso que você entenda que seu marido quer assumir
um papel mais ativo no bem estar do seu filho. Você deve
incentivar essa atitude. Incentive a amizade deles. Isso fará
com que ele consiga ver o quanto você foi importante e teve
sucesso na educação do filho. Converse com seu filho sobre
algumas formas de melhorar a convivência, de maneira que
seja bom para ambos e que isso aumente cada vez mais a
união dos dois para o futuro.
Agora não é o momento para críticas ou recriminações
sobre suas ações no passado. A melhor coisa a fazer é ajudar
no processo de união entre pai e filho. É contribuir para que

— 67 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

se aprofundem no respeito mútuo e no amor, para que daqui


para frente você alcance uma vida plena em família como
você merece.
...

T enho uma filha de 39 anos que está envolvida há


quatro anos com um homem de 45. Ela quer se
casar com ele, porém ele evita o assunto. Eles se amam, mas
ele não quer falar sobre casamento. Ambos já foram casados,
embora nenhum deles tenha filhos.
Ela sabe que já não é tão nova e não entende o porquê
da espera.
O que você sugere?

Não é difícil entender seu interesse. Estou certo de que


você procura fazer o seu papel de mãe. Mas é importante que
você só dê recomendações se ela pedir sua opinião.
Se ela acha que o tempo de relacionamento já é o
suficiente para assumir compromisso, ela deve dizer-lhe. E
isso deve ser feito através de uma conversa amigável sem
acusações ou irritações.
Deve se portar com calma, porém resoluta. Deve se
abrir e falar do seu amor e do amor dele por ela. E que está
em um ponto da vida onde quer devotar seu coração e sua
alma a quem ela possa chamar de “meu marido”. Dizer que
espera que ele seja essa pessoa. E que se ele ainda não estiver
pronto para assumir, que ela quer que saiba que o ama muito,
mas que é hora dela buscar outro caminho.
Diga a ela que lhe dê um tempo de uma ou duas
semanas para pensar.
Se depois desse tempo ele ainda se mantiver arredio,
ela deve se preparar para seguir outro caminho. A separação
mostrará a ele se ela é realmente a mulher de sua vida. Caso

— 68 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

contrário, ela estará livre para encontrar sua verdadeira alma


gêmea. Qualquer que seja o resultado trará ganho para ela.
...

J á tem alguns anos que eu vivi com um homem. A nossa


relação na cama era fantástica, porém durou só três
meses, pois ele não queria assumir um compromisso mais sério.
Agora, já está fazendo dois anos que vivo com outro
e nos damos muito bem. Contudo, eu sou seu “primeiro e
único amor verdadeiro”. Isso me assusta, pois apesar desse
seu sentimento, ainda não temos um relacionamento perfeito.
Só que o primeiro vive me dizendo que ainda se sente atraído
por mim. Disse que nossa separação foi um grande erro e que
ainda sente o mesmo amor por mim.
A verdade é que cada um tem fortes motivos para a
minha escolha o que me deixa dividida. Pode me ajudar?

As mulheres compromissadas são sempre mais dese-


jáveis.
Em relação ao primeiro homem, ainda existe a
lembrança do relacionamento. No entanto, o fato de vocês
dois terem sido sexualmente compatíveis, não significa que
você tenha um sincronismo emocional capaz de garantir um
relacionamento longo. Esse sincronismo só se consegue após
galgar alguns estágios como: atração, ciúmes, fidelidade,
intimidade e finalmente o “ficar juntos”. Vocês dois pularam
os estágios dois e três.
Quanto ao seu segundo homem, nunca poderá avaliar o
relacionamento sem que tenha em que se basear.
Dar um tempo pra você mesma, esfriando um pouco a
relação dupla, poderá ajudá-la a reorganizar seus sentimentos
quanto a quem seria o mais indicado para um compromisso
de longa duração. Assim, quando fizer a escolha, não será

— 69 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

baseada na disponibilidade de qualquer um deles, mas no


seu conceito quanto a manter um compromisso durável, que
acredito, seja o seu desejo.
...

E u e meu marido estamos juntos há quatro anos. De


um ano para cá, ele tem se distanciado de mim. Já
não nos abraçamos e não nos tocamos como antes. Ele está
se sentindo menos atraente pelo fato de estar perdendo os
cabelos e ganhando peso. Tenho repetido a ele constantemente
que não me importo e que o amo como ele é, mas nada tem
adiantado.
O que devo fazer?

Para ajudá-lo em relação às suas preocupações quanto


à aparência, procure não comentar sobre a insegurança dele.
Isso poderá agravar ainda mais o problema.
Nas ações do dia a dia, deixe-o saber que tem a
habilidade de lhe satisfazer física e emocionalmente. E não
tenha receio de pedir a ele o que você quer, ou seja, diga como
você quer que ele faça. Com certeza você tem a habilidade
para despertar a sua atenção.
Lembre-se que os homens se realizam muito mais
quando conseguem satisfazer uma mulher.
Acredito que dessa forma a situação há de se corrigir
em poucas semanas.
...

E stou me sentindo emocionalmente atraída por um


homem cuja única relação no passado foi o sexo.
No entanto, meus sentimentos para com ele estão
crescendo muito além disso. Contudo, sinto que isso não é
recíproco. O que devo fazer?

— 70 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Anteriormente você não pensava em assumir qualquer


compromisso, mas agora tem novas intenções. Você sente
que o estágio da atração física já foi consumado e agora
tem o desejo de assumir uma intimidade maior com um
compromisso definitivo. Bem, você está pulando dois dos
cinco estágios: a incerteza e a exclusividade.
Se partir para o quarto estágio, que é o que você quer,
poderá ter que retroceder aos dois estágios anteriores ou lhe
faltará base e estrutura para manter o atual.
Se você estiver procurando um relacionamento longo,
deve voltar ao começo, do ponto de atração física, e mostrar
a ele seu desejo de assumir um compromisso definitivo.
Se houver, por parte dele, o mesmo sentimento, com
certeza vocês partirão para o segundo estágio e assim
sucessivamente.
Entenda que é muito importante que ambos desejem.
Caso contrário, a relação não irá além da cama.
Nesse caso, se não é isso o que você deseja agora,
melhor buscar um relacionamento com outro alguém.
...

M eu companheiro e eu estamos vivendo uma relação


de amor e sexo.
Tanto ele quanto eu temos um filho do relacionamento
anterior e como conseqüência não queremos uma nova
criança. Entretanto, discutimos sobre a possibilidade de
eu engravidar acidentalmente. Ele disse que, caso isso
acontecesse, deveríamos interromper a gravidez.
Quando eu lhe disse que o aborto é contra os meus
princípios ele me disse que faria de qualquer jeito, nem que
fosse preciso perfurar minha barriga.
Incomodou-me bastante a possibilidade de ele ir adiante
com tal idéia. Desde então, estou meio confusa quanto ao

— 71 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

nosso relacionamento.
Ele me disse que foi apenas uma força de expressão,
mas que não muda seus princípios e que é importante ser
honesto comigo.
Agora eu temo que se acontecer a gravidez, eu não
poderei lhe contar, pois tenho medo que ele faça alguma
estupidez.
Que saída eu tenho?

Não consigo ver mais de uma saída.


O que ele disse é verdadeiramente terrível, não obstante
sua posição em relação ao aborto.
Se por um lado você acredita que ele seja capaz de tal
violência, já é tempo de pensar em se desligar dele. Mesmo
que o seu comentário seja colocado de lado, e supondo que
estava apenas tentando mostrar a sua posição quanto a não
gerar uma nova criança, ambos têm que refletir sobre o fato
das opiniões serem diferentes.
Naturalmente que cada um tem o direito de ter sua
própria opinião.
Mesmo que você quisesse ter a criança por conta
própria, ele teria a responsabilidade legal e financeira, mesmo
que esteja contra os princípios dele.
Se você estiver procurando alguém que tenha com você
a mesma compatibilidade, sugiro que busque novos caminhos
e encontre alguém que tenha a mesma opinião que você.
...

E u trabalho 36 horas semanais na loja do meu


pai. Meu trabalho consiste em vender, controlar o
estoque, cuidar das promoções, da contabilidade, da decoração
e tudo o mais. Apesar disso, eu não recebo nenhum salário,
embora tenha 15 anos de experiência como gerente de vendas

— 72 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

e de propaganda e ainda todo o conhecimento necessário em


informática.
Pra ser coerente deveria receber um salário compatível
com minhas funções.
Para as minhas despesas pessoais e para as despesas
como luz, água e telefone, tenho que me desdobrar e fazer
pequenos trabalhos que me tomam mais 30 horas semanais.
Nem sair tenho saído, pois me falta dinheiro para o
combustível.
Gostaria de buscar uma nova oportunidade no mercado,
mas não tenho um currículo que mostre um histórico de
mercado, apesar dos meus conhecimentos.
Como faço pra sair dessa situação?

Pelo que você descreveu, posso dizer que tem alguma


habilidade em Marketing. O que você precisa, primeiramente,
é ser honesta com seu pai sobre as suas necessidades
financeiras. Você não pode ter receio de dizer isso a ele.
Caso seu pai não tenha recursos para lhe pagar ou não
queira reconhecer o seu trabalho, você deve buscar uma nova
oportunidade.
Como você não tem um histórico, talvez tenha que
começar com um salário menor e em alguma função mais
simples, até poder mostrar seus reais conhecimentos.
Atualmente, existem no mercado empresas
especializadas em preparação e recolocação de pessoal.
Procure primeiro tomar informações sobre a honestidade
e seriedade de algumas e então parta em busca de seus anseios.
Seu sucesso, com certeza, será tão grande quanto suas
ambições pessoais. O tempo há de colocá-la no patamar que
você merece.
...

— 73 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

E u tenho saído com um homem já há alguns


meses. Nós começamos muito bem. Contudo, estou
começando a ver algumas coisas que precisam ser orientadas.
Todas as noites, não importa pra quê, ele tem que ver seus
pais. Eu estive lá e senti o quanto são estressados. Alguém
sempre está insultando alguém. Seu pai é uma pessoa muito
desagradável. Diverte-se jocosamente ao falar do peso do meu
namorado, insultando-o constantemente. Ele se chateia com
isso, mas não toma nenhuma atitude.
Ele diz que me ama e por isso preciso achar uma forma
de afastá-lo de sua família. Será que esse relacionamento vale
todo esse trabalho?

Muitas pessoas se submetem ao comportamento abusivo


de seus pais ou vivem uma relação de desrespeito e desamor.
Essa relação conturbada pode se tornar a causa de
conseqüências futuras que venham afetar significativamente
a união de vocês.
O comportamento do seu namorado em relação aos
pais e familiares não mudará a menos que ele esteja pronto a
superar a si mesmo.
Naturalmente, quando ele estiver pronto, o seu apoio
será fundamental para o sucesso dele.
No momento, o melhor a fazer é incentivá-lo e
aconselhá-lo a tomar a decisão da mudança. Caso ele recuse,
você saberá o que te espera no futuro e poderá então escolher
o que quer com maior clareza.
...

M inha mulher pediu que eu saísse de casa. O que


posso fazer para lhe provar o quanto eu a amo e o
quanto estou arrependido do que fui para ela?
Sinto falta da minha família e da minha casa. É como se

— 74 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

meu coração, de repente, ficasse completamente vazio.


Eu queria que tudo fosse passageiro e não definitivo.
O que quero realmente é voltar para casa. Sei que você não
pode fazer nada por mim, mas seu conselho pode ajudar-me a
refletir.

Quando uma mulher toma uma decisão quanto a um


relacionamento, ela sempre se baseia numa série de atos
indesejáveis do seu marido. E acredite, para chegar a esse
ponto, toda a consideração já foi feita.
A primeira coisa a fazer para buscar novamente a
união é admitir seus erros demonstrando arrependimento e
compromisso com a mudança.
É necessário saber se você está disposto a refletir
sobre os erros que denegriram o seu relacionamento. Você
pode começar dando-lhe uma lista dos erros que você
acha que foram a causa da desunião. Peça que ela leia e
compartilhe de seu arrependimento. Isso deve iniciar um
diálogo que conduzirá ambos a um único caminho – a terapia
do relacionamento.
Ambos têm ainda a responsabilidade de compartilhar
as suas vidas com as crianças. Só compartilhando com a
família é possível pensar novamente num futuro juntos.
...

E stou envolvida com alguém, há dois anos, que


é enfaticamente contra o casamento ou qualquer
compromisso permanente.
O que acontece é que ele tem dificuldade em confiar em
qualquer mulher por herança de sua ex-esposa.
Embora sejamos íntimos sexualmente e partilhemos de
uma excelente amizade (nos falamos ao telefone todos os
dias e nos vemos pelo menos duas vezes por semana), nunca

— 75 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

vamos a qualquer lugar juntos. Somos pessoas atualizadas,


atraentes e não é por falta de oportunidade.
O que acontece é que ele se sente satisfeito com a
maneira como as coisas estão. Diz que prefere manter dessa
forma para nossa própria tranqüilidade.
Eu sei que ele se importa comigo e eu também me
importo, e muito, com ele. Ambos somos socialmente ativos
e participamos de eventos. No entanto, tudo o que fazemos
nesse sentido, fazemos separados. Ele é parte importante da
minha vida e eu não quero perder o que temos, mas não sou
plenamente feliz da maneira como as coisas são.
Gostaria de saber se estou desperdiçando o meu tempo
ou se há algo que eu possa fazer quanto à mágoa que carrega
em relação a sua ex-esposa. Não sei se devo ser paciente e
esperar ou se devo fazer algo que possa resolver ou mudar
o rumo das coisas. Todo o conselho que você puder dar será
bem vindo, certamente.

Você está pronta para assumir esse relacionamento


de forma definitiva, com um compromisso firme, fidelidade
e amor. Contudo, é preciso refletir sobre a mágoa que ele
carrega e pensar sobre as etapas que terá de enfrentar. Se
existe consideração e estima dele em relação a você, ele
não tem o porquê de não se mostrar ao seu lado perante a
sociedade. Do contrário, você não tem que desperdiçar seu
tempo em uma situação que a satisfaz apenas em parte.
Faça-o saber que é importante para você estar ao lado
dele. Caso ele seja irredutível, vá em frente você. Siga o seu
caminho. Caso ele mude de idéia, saberá onde encontrá-la.
...

E u tenho um anel que ganhei de noivado do meu


ex-noivo. Nós estávamos juntos há cinco anos e o

— 76 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

anel ele me deu há três. Apesar disso, nós discutíamos toda


hora. Eu sugeri a ele que procurássemos um analista, mas ele
se recusou. De qualquer maneira eu fui, pois queria entender
melhor a mim mesma. Nesse ínterim ele mudou-se para outro
estado com sua mãe, deixando-me com todas as contas pra
pagar e a casa pra cuidar.
Agora eu estou sendo procurada por seu advogado,
exigindo-me a devolução do anel de noivado que vale cerca de
US$ 5,000.
O que devo fazer? Independente do valor material, acha
que devo recusar ou devo devolver?

Não sou juiz para julgar o caso legalmente. No entanto,


eu entendo que, uma vez dado um presente qualquer, não há
volta.
Algumas culturas, realmente, fazem a devolução do anel
de compromisso caso o compromisso seja quebrado. Contudo,
não é regra geral e muito menos uma obrigação legal.
No que posso analisar, me parece que esse presente
cria um incômodo a ele. Tenho que esse relacionamento não
trouxe a ele muita satisfação, mas alguns conflitos internos
que vêm incomodando-o por muito tempo.
Daqui pra frente, sua vida ganha um novo rumo e o
anel, com certeza, será uma parte pequena em tudo isso.
Considere como uma lembrança e uma vitória sobre o que
seria um mau relacionamento e tire-o também da sua vida.
O importante agora é procurar alguém que seja digno
de compartilhar com você uma nova vida.
...

E u estive envolvida com um cliente nos últimos nove


meses.
Embora nosso relacionamento começasse como algo

— 77 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

puramente físico, transformou-se em algo mais. No início meu


cliente deixou claro que não procurava um relacionamento.
No entanto eu me apaixonei.
Passamos a ter encontros exclusivos, mas a partir do
momento em que admiti meus sentimentos, meu cliente
afastou-se de mim.
Eu realmente sou franca em dizer como apreciei tê-lo
em minha vida como cliente.
Recentemente falamos sobre o fato de não termos
compromissos. Ele deixou claro que o que podemos ser é
apenas amigos.
Eu lhe expliquei que pensei poder manter apenas um
bom relacionamento amigável, mas não consegui.
A nova situação fez com que me deixasse claro que não
me quer em sua vida para todos os momentos. O problema é
que quando nos encontramos em público, ou em outro local
qualquer, é ele quem se aproxima, me beija ou diz coisas que
me confundem a respeito de como se sente realmente. Isso me
faz pensar que as coisas poderiam ser diferentes.
Por que se afasta se seu coração não quer? É possível
manter uma amizade havendo outro interesse?

Seu cliente não quer te assumir, não obstante a forma


carinhosa e amorosa que a trata quando se encontram em
público.
Duas pessoas encontrarem-se e assumirem-se seria
muito fácil se os sentimentos de ambos fossem recíprocos. Em
sua situação esse não é o caso. É preciso acertar as coisas
agora. Você não está nessa vida para dar sem receber. Tem
que existir uma troca. Entretanto, é importante começar um
processo de análise deste relacionamento.
Para superar isso e encontrar outra vez o amor, é
necessário aceitar a perda.

— 78 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Escrever uma carta é uma terapia interessante.


Escrevendo você pode abrir-se até encontrar seu próprio
sentimento de perda. Somente sendo honesta com você mesma
e aceitando a perda pela própria vontade você estará pronta
para superar e buscar um novo relacionamento. Lembre-se
que deixar para trás as más lembranças é a melhor maneira
de ter um bom recomeçar.
...

E ncontrei uma mulher bonita e interessante. Tudo


estava indo muito bem naquele encontro até que
eu lhe ofereci uma bebida. Ela recusou. Disse-me que se
envolveu uma vez com um alcoólatra e que isso foi muito
traumático.
Apesar da explicação, como estivesse em férias, pedi
uma bebida para mim.
No dia seguinte nos encontramos novamente e tomei
dois drinques para relaxar.
Ela observou-me novamente e me perguntou sobre estar
bebendo outra vez. Pra ser sincero, não percebi a relação da
pergunta com seu passado. Acabamos por terminar a noite
tendo-a envolvida em meus braços sorrindo e feliz.
Para encurtar a história, ela não atendeu minha ligação
no dia seguinte e nem na semana seguinte. Então eu fui
procurá-la. Ela disse não estar interessada.
Como posso conquistá-la novamente?

A mensagem dela está muito clara. Ela prefere alguém


que não beba.
Considerando sua experiência passada, isso é compre-
ensível.
Agora que você já sabe disso, a decisão é sua. Se
você acredita que seus sentimentos são profundos o bastante

— 79 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

para assumir um compromisso duradouro, seja o homem que


ela quer. Do contrário, ela não se sentirá atraída por você.
Mesmo a bebida ocasional deverá ser deixada de lado. Esse,
com certeza, é um dos critérios. A escolha é sua.
...

M eu noivo fala sobre sexo o tempo todo.


Ultimamente estou até meio desinteressada de
tanto que ele fala nisso. Claro que eu também gosto de sexo,
mas não o tempo todo. Pensa que a nossa lua de mel vai ser
sexo 24 horas. Só que eu sei que há muitas outras coisas para
se fazer também.
Você pode me dizer como fazer para pedir a ele,
delicadamente, que pare de falar em sexo a cada dois minutos?

Enquanto as mulheres focalizam sua atenção na


cerimônia do matrimônio, muitos homens fixam como ponto
mais importante a noite de núpcias. Como muitos noivos, ele
está vivendo a ansiedade de poder realizar as mais incríveis
fantasias, segundo sua concepção, nunca antes experimentada
por qualquer ser humano. Essa é a expectativa maior desses
homens.
O que acontece é que eles se esquecem de duas coisas:
primeiramente, o estresse emocional que ocorre na semana
que precede o casamento e que pesa bastante em ambos,
admitam ou não. Depois, como você já sabe, a maioria dos
homens falam muito e caminham pouco. Significa que o
desempenho pode não passar de algumas vezes à noite toda.
Reflita sobre compartilhar com ele as fantasias para a
noite nupcial. Sugira-lhe que não abandone seus sonhos, mas,
ao invés de falar sobre isso, escreva cada fantasia. Então, na
noite de núpcias, vocês poderão lê-las juntos e transformá-las
em realidade. Se ainda assim ele não mudar o discurso, diga-

— 80 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

lhe que falar sobre sexo no momento de fazer sexo é muito


mais excitante para você. E diga-lhe que falar sobre sexo fora
do momento íntimo tira todo o impacto e o desejo.
Mas é bom entender que um homem vê na relação com
uma mulher, inevitavelmente, o sexo como prioridade.
...

H á três anos tenho um relacionamento com um


funcionário que é um homem maravilhoso. Nós
começamos juntos e temos pensamentos iguais, os mesmos
interesses e já discutimos um relacionamento pessoal muitas
vezes.
É óbvio que há uma atração mútua.
Eu gostaria de ter uma oportunidade de me aproximar,
mas me contenho por ser meu funcionário.
Eu não quero ferir os padrões éticos e isso me marcar
profissionalmente. Mas eu sinto que juntos podemos segurar a
situação. Como contornar isso tudo?

Muitas empresas têm política contra o casamento entre


funcionários. Por quê? Porque tais relações podem criar
responsabilidades legais quando o relacionamento for em
escalão superior ou a companhia quiser transferir ou demitir
o funcionário.
Verifique se seu empregador tem essa prática. Se tiver,
você tem duas escolhas. Um, você pode apagar a idéia do
casamento. Caso não queira, e esteja mesmo interessada,
podem casar secretamente, desde que ambos compreendam o
risco que correm em perder o emprego. Dois, você pode dizer-
lhe que considera o fato de se sentir atraída por ele, mas não
quer colocar em risco suas posições profissionais.
Caso o sentimento não seja recíproco, irá incentivá-lo,
provavelmente, a renunciar a você.

— 81 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Contudo, é preciso que você também tenha certeza


desse sentimento.
...

N o mês passado, após dez anos de casado, num


momento de raiva, pedi a minha esposa que saísse
de casa, ao menos temporariamente. Mas, depois disso, eu
nunca mais fui o mesmo. Muitas vezes pedi que voltasse.
Agora tenho feito os pedidos diariamente.
Tentei entender o que acontece conosco, mas não
encontro uma resposta.
Pedi a ela que converse comigo. Eu a amo e disse isso
a ela. Contudo, ela não esboçou nenhuma reação sequer. Na
verdade, tem me tratado cada vez pior.
Quanto tempo mais vou ter que agüentar isso?

Muitos homens, em momentos de ira, pedem que suas


mulheres saiam de casa. Alguns não se contentam enquanto
não as vêem do outro lado da porta.
As mulheres têm um estilo próprio. Uma vez que saem,
não olham para trás.
Eu não acho que você foi franco no que me escreveu.
Minha suposição é que ela confiou em você e você quebrou
a confiança dela. Agora ela não tem nenhuma razão para
acreditar em você. Se você, verdadeiramente, a quiser de volta,
a única maneira é convencê-la demonstrando sua humildade.
Escreva a ela reconhecendo a sua culpa na quebra
do relacionamento. Faça um balanço. Diga-lhe que buscou
conselhos e peça-lhe o perdão. Envie a carta e espere a
resposta.
Se você cumprir com suas promessas, é possível que
tenha uma segunda chance.
...

— 82 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

M inha amiga perdeu recentemente o marido em um


trágico acidente. Desde então ela tem perseguido
todos os maridos de amigas ou colegas e tem causado
problemas, pois em muitos casos tem conseguido se encontrar
com eles.
Eu sei que ela está sofrendo, mas ela diz apenas que está
tentando realmente ter de volta um marido. Acontece que ela
tem a maioria deles em suas mãos. Como eu posso ajudá-la?

Primeiro é preciso saber que os relacionamentos fortes


não se desestruturarão por essa investida dela. Se esses
maridos estão buscando algo fora do casamento, encontrarão
com ou sem a sua amiga.
Ao mesmo tempo, sua amiga esqueceu-se que a
verdadeira relação de amor está construída na confiança e
é certo que suas ações não são honestas. É preciso ajuda. É
preciso uma auto-reflexão.
Diga-lhe que você a ama assim como seus outros
amigos e que todos se sensibilizam com sua dor, mas suas
ações são egoístas e sem propósito.
Sugira a ela que considere uma análise. Procure
indicar a ela um profissional ou um grupo de sustentação. É
importante para ela.
Se ela estiver pronta para superar sua dor e mesmo sua
raiva, saberá que tem o amor e o apoio dos seus amigos.
...

T enho uma filha com 26 anos. Até recentemente


namorava um rapaz de 28 anos que sempre morou
com os pais, vivendo de mesada e sob a permissão paterna
para tudo que queria fazer. Minha filha foi a única namorada
que teve.
Durante os sete anos de namoro tudo ocorreu sem

— 83 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

grandes problemas. Entretanto, há dois anos, quando começou


a trabalhar, a empresa mandou-o para outro estado.
No primeiro ano visitou minha filha por quinze vezes.
Contudo, ano passado, somente duas.
Durante o ano passado, foi oferecida a ela uma posição
na companhia em que trabalha, mas se recusa a assumir desde
que seu relacionamento tem experimentado essas dificuldades.
Ainda no ano passado, ela o viu com outra mulher. Ele
disse que era só uma amiga, mas estavam de mãos dadas em
um jantar íntimo em data especial, e isso não é ação de quem
é apenas amigo.
Desde então ela discutiu com ele e disse que não voltará
a falar com ele até que prove seus argumentos. Isso é típico de
quem pretende dar uma nova chance.
Que posso eu fazer para abrir os olhos dela?

Se sua filha me perguntasse sobre essa situação eu lhe


aconselharia a separação. Assim, ambos teriam tempo para
pensar sobre os prós e os contras no relacionamento. Durante
a separação, estaria livre para novos relacionamentos o que
a levaria a ter certeza sobre sua escolha.
No entanto, como a pergunta veio de você, mãe, devo
dizer que respeito e admiro a estima que tem pela sua filha
e o desejo de vê-la feliz, mas aconselharia manter distância
quanto à decisão dela.
Ela tem que fazer a escolha, mesmo que erre. Faz parte
da vida e é a única maneira de aprender. Lembre-se que a
vida é dela e não sua. Não negue a ela a oportunidade de
escolha.
Quando ela quiser seus conselhos, úteis e prudentes,
acredite, ela virá lhe pedir. Portanto, não os ofereça antes
disso.
...

— 84 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

S ou um estudante universitário e nunca tive um


relacionamento sério antes. Atualmente estou
namorando uma garota e gostaria de saber o que define um
bom relacionamento.

Há muitos tipos de relação. Porém, todas elas atravessam


cinco estágios para que se consolidem.
O primeiro estágio é o da atração física. Depois
vem a incerteza, em que questionamos nossos sentimentos
classificando nossas dúvidas. Em seguida, vem o ciúme, aquele
desejo de exclusividade. Eu diria que é a primeira etapa para
um compromisso sério. Em quarto lugar vem a intimidade,
onde a relação passa a ser mais aberta, fundindo o físico e
o emocional. Finalmente o casamento ou envolvimento pleno.
Essa é a seqüência ideal para um resultado satisfatório.
Muitas vezes, um dos dois se adianta um pouco. Nesse
momento, é preciso retroceder para que ambos caminhem
juntos.
Em qualquer um dos estágios você poderá descobrir
que sua companheira não é a sua alma gêmea. Melhor
interromper a relação e iniciar o mesmo processo com outra
pessoa. Os relacionamentos bem sucedidos são construídos
na paixão, na confiança, no compromisso e no amor.
...

S ou uma mulher de 30 anos, casada há quatro. Você


poderia me descrever de que maneira eu poderia
melhorar a relação íntima em uma união?

Ao que me parece você está querendo encontrar


as palavras certas que lhe ajudarão a explicar ao seu
companheiro do que você sente falta em seu relacionamento.
É bastante comum uma mulher não conseguir explicar

— 85 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

isso a um homem visto que os resultados são experimentados


de diferentes maneiras.
Para uma mulher, ter uma relação íntima com um
homem significa sentir o quanto ele se importa com ela. E
para conseguir isso, é preciso deixá-lo saber o quanto suas
ações e atitudes surtem efeitos positivos, demonstrando a ele
o quanto ela gosta disso.
Uma mulher quer ter a certeza de que tudo o que sente
naquele momento é verdadeiro por parte do homem.
Quanto ao homem, para conquistar uma mulher, é
preciso demonstrar a ela muito romantismo e carinho no
momento mais íntimo.
Lembre-se, no entanto, que o desempenho de um homem
é muito melhor quando ele acredita que a mulher o vê como
um bom amante.
...

D epois de um tempo de relacionamento, é comum


revelarmos detalhes de nossa vida. Em uma de
nossas conversas, meu marido revelou-me que por um longo
tempo, antes de nos relacionarmos, esteve envolvido em um
“ménage a trois” com um casal de amigos com os quais
continua a manter a amizade até hoje.
Depois que os encontros se findaram, todos concordaram
em manter segredo e que nunca falariam a respeito a não ser
entre os três. Contudo, meu marido quebrou sua promessa e
me contou. Agora que eu sei, não consigo me relacionar com
esses amigos. Na verdade, não tenho desejo nem de vê-los,
quanto mais manter a amizade.
Logo que assumi essa postura, meu marido não
conseguia compreender minha atitude e meus sentimentos.
Então perguntei-lhe como se sentiria se a situação fosse
invertida. Só então ele entendeu e disse que eu sou a pessoa

— 86 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

mais importante da sua vida.


Outro dia esse casal nos chamou para sairmos juntos,
mas demos a desculpa de outro compromisso. No entanto,
meu marido diz que, por serem bons amigos, não poderá
evitá-los para sempre. Tem que encontrar uma forma de dizer-
lhes a verdade. Por outro lado, não sabe como fazê-lo pelo
fato de ter jurado segredo e quebrado a promessa.
Eu sinto que ele se encontra numa péssima posição e
sugiro que sempre diga que estamos ocupados. Mas ele não se
sente bem dando desculpas.
Você tem alguma sugestão?

Às vezes, a melhor maneira de resolver as coisas é


sendo simples e direto.
Seu marido deve dizer-lhes, sem constrangimento,
exatamente o que aconteceu. Dizer-lhes que vocês comparti-
lharam segredos e que, depois disso, você se sente incomodada
em tê-los como amigos. Diga a ele que se desculpe por ter
quebrado a promessa e compartilhado do segredo desejando-
lhes muitas felicidades no futuro.
Dessa forma, isso logo estará no passado e vocês
poderão seguir a vida sem preocupações ou peso na cons-
ciência.
...

M eu namorado tem 24 anos. Como eu, tem um bom


emprego, é inteligente, divertido e interessante.
Seu problema é que perde o controle com facilidade. Sua
maneira de ver as coisas tem de prevalecer sempre. Eu nunca
posso fazer planos porque ele sempre muda na última hora
para que prevaleça sempre sua vontade.
Eu não gosto da maneira como discutimos por coisas à
toa. Dá-me uma sensação muito ruim, embora depois, doce e

— 87 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

gentilmente, ele sempre peça desculpas de suas atitudes.


Outro dia eu estava em sua casa e caía uma forte chuva.
Eu precisava tomar o ônibus e ir pra casa. Perguntei se me
emprestaria seu guarda-chuva, mas não imaginei que tivesse
para ele tanto valor sentimental. Disse que jamais emprestaria
a qualquer pessoa. Acabei indo debaixo de chuva, sentindo
como se ele não se importasse nem um pouco comigo. Mais
tarde se desculpou e pediu que fôssemos juntos ao cinema.
Isso talvez não seja uma atitude das piores que
conhecemos, mas balança, e muito, o nosso relacionamento.
Há alguma possibilidade dele se importar mais comigo?

Pelo que você disse, seu namorado tem a tendência de


ser autoritário. Felizmente isso não ocorre com constância e
ele sempre percebe o seu erro e se desculpa.
A respeito de sua tendência de controlar o relacio-
namento, não há realmente nada de errado com ele por querer
que tudo seja à sua maneira. O que é preciso é que ele se
disponha a reconhecer e respeitar os seus limites. Os limites
de cada um são a base de um relacionamento bem sucedido.
Você precisa entender que só mesmo você pode definir
os limites que a fazem confortável. Fale sobre isso com ele.
Caso não dê resultado e você não consiga se ver livre
do desconforto, é hora de buscar alguém de maior maturidade
que respeite seus sentimentos. Afinal, é um direito seu.
...

E u estou vendo, secretamente, o pai de minhas duas


crianças. Estivemos separados por dezoito meses
e quando eu o encontrei novamente, ele já vivia um novo
relacionamento. Cautelosamente, deixei-o saber que ainda o
amo.
Sei que não devo interferir em seu relacionamento, mas

— 88 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

senti que deveria dizer-lhe que ainda havia uma possibilidade


para nós. E ele sente o mesmo. Isso aconteceu há três semanas.
Desde então ele tem dito constantemente que me ama.
Temos trocado e-mails e telefonemas.
Há uma semana demonstrou que, num tempo mais
longo, poderá contar à sua companheira a verdade sobre ainda
me amar. Ao mesmo tempo não disse que vai deixá-la agora,
mas quer que eu seja apenas paciente.
Eu acredito que o seu coração queira estar comigo.
Eu realmente gostaria de apressar isso. Não apenas pelas
crianças, mas por nós também, pelo que já compartilhamos e
ainda podemos compartilhar. Contudo, não sei se posso me
apegar nisso.
O que devo fazer?

Esse não é certamente um caso incomum na maioria


das separações. Muitos casais, após um tempo de separação,
sentem que a ausência, verdadeiramente, pode fazer crescer
ainda mais a afeição e o amor. Contudo, em vez de prender-se
nessa esperança de tê-lo novamente como marido, por que não
tentar criar um sentido maior e mais forte de independência
pessoal com ou sem ele?
Ele agora vive um outro relacionamento. Mesmo que
você comece tudo outra vez, a menos que você se disponha
a reconhecer e analisar os motivos que a levaram a essa
situação, você poderá retornar à mesma situação que a
conduziu a sua separação na primeira vez.
Minha recomendação é que assuma sua vida e tente
conhecer outras pessoas. Seguindo novos caminhos você
saberá se é este mesmo o relacionamento que quer. Só então
recomece.
...

— 89 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

R ecentemente conheci um rapaz bem humorado e


inteligente. Trocamos telefones e e-mails, mas após
duas semanas parece não estar mais interessado em mim.
Admito que tenha muitas atribuições e que tenha entrado
poucas vezes em contato com ele e talvez, por isso, tenha
começado sua mensagem dizendo que não tenho tempo pra ele.
Sempre tive muita dificuldade em desenvolver relações
sociais. Faz três anos que terminei meu último namoro. Se
perder esse rapaz, será que vou ter que esperar mais três anos?

O medo de ficar só está nítido em você. Mas isso é


comum tanto aos homens quanto às mulheres. E é por isso
que não quer perdê-lo.
Você está na fase da descoberta. É preciso conhecer e
conversar com outras pessoas. Irá descobrir que há muitas
pessoas interessantes. Talvez até se sinta atraída por outro
alguém.
É preciso que você programe lazer com amigos. Sair
um pouco. Escreva-lhe um e-mail dizendo isso. Mantenha o
contato ocasional como diversão. Se dessa maneira ele se
mostrar interessado, você saberá ouvindo isso dele próprio.
...

A pós meu divórcio eu tive três relacionamentos.Todos


falharam pela mesma razão. Cada um disse que
estava a procura de algo melhor e que eu era esse algo
melhor e real. No entanto, após eu acreditar num compromisso
duradouro, a relação terminava.
Agora não acredito mais em compromisso duradouro.
Estou eu mesma tentando achar algo que valha a pena. No
entanto, sinto que é desgastante e difícil acreditar novamente.
Alguma sugestão?

— 90 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Freqüentemente nossa relação falha quando pulamos um


dos cinco estágios a saber: atração, incerteza, exclusividade,
intimidade e compromisso.
O amor é como um jogo. Tem vitórias e derrotas. É
como um caminho de rampas e escadas. Se faltar um degrau,
você pode levar um tombo.
Se o próximo namorado disser que você é a mulher
ideal, ouça-o, mas espere pela confirmação dos sentimentos
reais dele, que deverá vir com demonstrações de respeito,
amor e devoção.
...

M eu marido e eu estamos casados há vinte anos.


Temos quatro filhos maravilhosos. Ele é uma
pessoa e um pai fantástico, mas eu odeio o seu trabalho. É
Gerente de Marketing em uma companhia de cigarros.
Durante toda a nossa vida de casados eu tenho pedido a
ele que procure outro emprego, mas ele se sente confortável
com o salário e não quer ter que começar outra vez.
Eu parei minha carreira como Terapeuta Ocupacional
para poder criar nossos filhos enquanto ele se concentrava
em sua carreira. Arrependo-me agora e não tenho nenhum
interesse no que faz porque, para mim, é algo criminoso.
Quando fala às crianças e aos parentes sobre as
estratégias para a expansão de mercado eu fico irritada.
Obviamente que isso tem afetado nosso relacionamento.
Quando surgem assuntos do gênero, entre as pessoas, eu
não sinto o mínimo interesse e não consigo fingir.
Você tem alguma sugestão? Eu odiaria ver nossa relação
chegar ao extremo pelo fato de não encararmos o assunto da
mesma forma.

Eu concordo com você que o incentivo ao uso da

— 91 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

nicotina é uma prática não recomendável e a maneira com que


os cigarros são introduzidos no mercado é indiscriminada.
Entretanto, a produção e venda de cigarros no mercado são
legais. Portanto, seu marido tem o direito de escolher isso
como ocupação. Ao mesmo tempo, se você acha que ainda
assim é antiético, tem todo o direito de ir contra. Porém, não
faça disso um motivo para destruir a relação com ele.
...

F az mais de dez anos que meu marido e eu nos


divorciamos e no entanto ele ainda me odeia.
Quando vivíamos juntos ele já era uma pessoa abusiva
e, embora viva agora com outra pessoa, continua afetando
a minha vida através das crianças que tivemos. Todos os
momentos especiais da vida das crianças ainda são controlados
por ele. Está sempre as incentivando a me ignorarem. Se
eu comparecer em um evento especial das crianças ele faz
questão de não ir. Está sempre me responsabilizando por tudo
que dá errado em sua vida. Sempre que o vejo procuro ser
cordial.
Poderia até compreender seu comportamento se eu
o tivesse trocado por outro homem. No entanto, ocorreu
exatamente o contrário. Ele procurou outra mulher.
Eu tenho esclerose múltipla. Por esse motivo eu
não conseguia cuidar da casa sozinha. Por muito tempo,
sempre que as crianças tinham um comportamento errado, eu
nunca conseguia orientar adequadamente. Minha filha mais
nova, quando adolescente, sofreu muito com isso. Eu tentei
estabelecer regras em minha casa. Para não seguir as regras,
ela simplesmente saiu de casa.
Quando roubou um carro, meu ex-marido disse ao juiz
que era culpa minha. Que foi uma forma que ela encontrou de
agredir-me por estar irritada comigo. Agora ela também me

— 92 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

responsabiliza por tudo que dá errado em sua vida.


Para ser sincera, isso me dá uma ansiedade muito
grande e me deixa bastante deprimida. Apreciaria muito sua
orientação.

Faço votos que consiga encontrar o caminho certo para


a sua doença e que essa sua batalha tenha sucesso.
O que me parece é que sua família está sofrendo de uma
disfunção total. Para que você supere isso, a primeira coisa
a fazer é uma auto-reflexão e tentar considerar o que você
possa ter feito para receber respostas e reações tão negativas
e violentas de seu ex-marido e de sua filha.
Às vezes, o que gera conseqüências negativas não é o
que nós dizemos, mas como dizemos. Na maioria das vezes,
as pessoas mais sensíveis as nossas palavras e ao tom que as
pronunciamos são exatamente aquelas que mais amamos.
As ações de seu ex-marido ou da sua filha podem ter
sido a resposta quanto à maneira encontrada por você de se
impor ou impor certas regras.
Nunca é demasiado tarde para começar a demonstrar o
amor e o respeito para com as pessoas que amamos. Fazendo
assim, nós incentivamos esse comportamento neles também.
Procure um terapeuta para se aconselhar e aprender
como se comunicar melhor com eles nas próximas vezes que
se encontrarem. Caso eles recusem a relação, ao menos você
terá cumprido a sua parte, o que a deixará, com certeza, mais
tranqüila e em paz consigo mesma.
...

M eu companheiro é mecânico de automóveis. Outro


dia, em seu dia de folga, chegou em casa sem
carro. Perguntei-lhe como havia vindo. Disse que tinha ido
entregar um carro e deixara o seu no trabalho. Por esse motivo

— 93 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

seu cliente lhe havia dado carona. Eu não acreditei. Por que
o cliente não lhe deu carona até onde estava seu carro? Sinto
que há algo errado, mas não quero parecer ciumenta. Será que
estou exagerando?

Isso depende se você tem outras desconfianças além


desse incidente.
Isso pode ser um sintoma de traumas passados ou
manifestações de antigas experiências acontecidas em outros
relacionamentos.
Você encontrará a resposta se colocar a razão acima
do sentimento. Avalie seus medos sem raiva ou culpa e tente
encontrar o motivo que gerou essa sensação.
Reforce o seu amor na confiança e reforce também o seu
amor por você mesma. Discuta abertamente seus interesses
e sentimentos. Peça que lhe dê explicações que a tranqüilize
e que demonstrem que seu ciúme é infundado. Discuta
também sobre todas as vezes que situações semelhantes a
incomodaram. Uma conversa franca e aberta poderá afastar
seus medos. Contudo, é preciso que você também procure
se ajudar não criando fantasias na sua cabeça. E isso você
pode fazer confrontando, detalhadamente, todas as perdas
amorosas que teve em sua vida.
Há muitos terapeutas qualificados que podem ajudá-la
nesse processo.
O medo nos prende sempre no passado. É hora de se
sobrepor a isso tudo e caminhar em frente.
...

M eu namorado tem uma ex-esposa com quem


tem filhos. Ele e eu temos um bonito e feliz
relacionamento. Como, realmente, não gosto dela, luto
duramente para evitar um confronto.

— 94 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Recentemente ele fez aniversário e a ex-esposa comprou-


lhe um terno. Eu lhe comprei duas camisetas e uma colônia.
Dei esses presentes de coração. Aliás, era tudo o que eu podia
pagar. Muito me magoou o fato de ele ter aceitado o presente
dela. Acho que isso a faz pensar que ele está interessado nela
outra vez.
Agora eu não sei discutir isso com ele de forma racional.
Eu sei que não pensou em me ferir quando contou do presente.
Que devo fazer agora?

A sua mágoa não foi pelo fato dela ter-lhe dado um


terno, mas por ter sido ela. Se o presente viesse de alguém
do sexo masculino, você teria pensado diferente. Sua maior
preocupação é com o quê a ex-esposa possa sentir por ele. E
o pior, é você não saber se é ou não recíproco.
Não permita que sua insegurança crie mágoas entre
vocês. Dessa maneira você acaba colocando-o na defensiva e
creio não ser o que você quer.
Não há razão para inseguranças. Se seu namorado
deixou a ex-esposa é porque não sentia amor por ela. E se
ele está com você é porque a ama. Deixe que ele demonstre
isso. Caso necessite ter certeza desse sentimento, sinta-se à
vontade para pedir-lhe. Dessa forma você terá o que precisa
e ele saberá o que você quer, o que é bom para que ele não se
acomode na situação.
...

M eu companheiro e eu estamos juntos há mais de


dois anos. Ambos temos 28 anos. Há aproxi-
madamente um ano passamos a morar juntos.
Eu lhe ensinei quase tudo, incluindo lazer, vida social
e sexual. Recentemente, em um evento social, ele convidou
outra mulher para almoçar. Naturalmente me senti traída.

— 95 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Afinal, a mim ele nunca havia convidado.


No mesmo dia, à noite, pedi que me levasse para sair
um pouco, mas ele se negou. Disse que não queria sair.
Falou também que havia pensado muito sobre nossa relação
de um ano atrás. Isso fez com que tomasse a decisão de
ver um terapeuta. Sente agora a repressão sofrida pela mãe
dominadora e pelo pai ausente. E entende que esses são os
motivos que o levaram a se apoiar em mim. Quer superar tudo
isso e assumir a responsabilidade do nosso relacionamento.
Admitiu ainda que por muito tempo não mereceu o amor que
eu lhe dei e que ele destruiu. Quer agora aprender a aceitá-lo.
Embora nada partisse dele exatamente, sabe que me feriu
levando outra mulher para almoçar.
Minha confiança nele se foi, sem mencionar a minha
auto-estima. Nunca tinha feito nada parecido antes.
É possível que apesar desse deslize ainda haja amor por
mim?

Todos cometem erros. O que aconteceu magoou seu


coração. Porém, o fato de ter procurado um profissional para
aconselhá-lo e ajudá-lo a entender o seu amor – afinal, quer
aprender como aceitar o seu amor – demonstra seu desejo de
assumir compromisso nessa relação.
Se você sentir esse empenho, vale a pena conservar e
deixar que o tempo apague esse incidente. Baseie-se agora
nos benefícios de suas ações recentes.
O suporte e o esforço do seu amor pode ajudá-lo a
superar os entraves emocionais para que vocês usufruam o
relacionamento que ambos estão procurando.
...

E u não amo mais a minha esposa. Tenho 35 anos de


idade e ela 29.

— 96 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Nós tivemos uma criança juntos, mas já trouxemos três


de casamento anterior.
Em nosso segundo ano de união, ela me deixou por
aproximadamente um ano e nós partimos para o divórcio.
Durante esse período de separação eu conheci outra
mulher e me apaixonei.
Foi então que minha mulher pediu que repensássemos
e retrocedêssemos. Eu acabei cedendo por causa de nossos
filhos. Contudo, continuo amando a outra.
Agora, metade do dia passo pensando na outra. Acordo e
durmo pensando na outra. Tentei lutar contra esse sentimento,
mas é uma luta desleal. O que devo fazer?

A maioria das pessoas comete o erro de deixarem


uma união num momento de irritação ou de carência. E
às vezes engana-se em pensar que é mais fácil colocar
toda a sua energia em um novo relacionamento, que buscar
recuperar o anterior. Infelizmente, tendem a encontrar os
mesmo problemas em seu relacionamento seguinte.
Refletindo sobre a primeira relação, você tem com sua
esposa problemas mal resolvidos. Pense um pouco, analise e
poderá determinar se o motivo que o levou à separação pode
ser reparado. Antes de concluir, procure se aconselhar com
um profissional. Isso poderá ajudar.
Uma vez que você se coloque além da emoção, poderá
tomar a decisão que haverá de prepará-lo para uma nova vida.
...

E u tenho 18 anos e estou grávida de três meses.


Meu namorado e eu, na última semana, tivemos
uma briga muito grande por coisa muito pequena. Ambos
dissemos coisas pesadas um ao outro.
Eu perguntei-lhe se não poderíamos esquecer tudo e

— 97 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

começar outra vez, mas ele disse que precisa pensar.


Na noite passada eu perguntei-lhe outra vez por que não
recomeçamos só nós dois. Ele quis saber por que eu quero tanto.
Não posso dizer-lhe abertamente, mas eu sei o por quê.
Disse-me que não posso querê-lo tanto, como eu digo,
se me recuso a sair com ele e seus amigos.
Acontece que sei que seus amigos usam drogas regular-
mente.
O que devo fazer?

Você está esperando que ele seja responsável o bastante


para com você, com seu filho e para consigo mesmo? Seja
realista. Você não pode forçá-lo a isso. Você só pode controlar
suas próprias ações. O que você pode fazer, no entanto, é
controlar o papel que tem na vida dele.
Se você acha que as ações dele não são condizentes com
o que você quer, siga você em frente, conduzindo a sua vida
da maneira que você acha certa.
Se decidir prosseguir sozinha e ainda quiser que ele
tenha o seu papel na vida da criança, discuta isso com ele e
veja como pode ser feito. De outra forma, jamais dará a você
mesma a oportunidade de conhecer alguém que a mereça. A
escolha é sua.
...

H á aproximadamente seis meses me separei do


homem que eu supunha ser o homem certo.
Só agora consigo ver que essa união só poderia
mesmo terminar no divórcio e isso foi mesmo o melhor que
aconteceu.
Sinto que agora estou pronta para um novo relacio-
namento.
Meu maior medo, no entanto, é que eu não consiga me

— 98 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

abrir a outro relacionamento.


Eu quero demais encontrar um homem que eu possa
amar, mas me sinto impotente pelo medo de cometer outro erro.
Você tem algum conselho para me ajudar?

Fico contente que tenha decidido recomeçar. Mas antes


que você possa, verdadeiramente, se envolver com outra
pessoa, você deve livrar-se do medo dessa relação. Em muitos
casos, quando ainda estamos presos a antigas feridas, temos
a tendência de atrair ou sermos atraídos por pessoas que
aumentam mais nossos dissabores.
A primeira coisa a fazer é admitir que em seu antigo
relacionamento você foi depressa demais no envolvimento.
A etapa seguinte é evitar cometer o mesmo erro
duas vezes. Significa não assumir imediatamente outro
relacionamento. Dê um tempo. Priorize outras coisas na vida.
Seja firme em critérios importantes, mas flexível nos menos
importantes. O objetivo é livrar seu coração de situações
repetidas. Fazendo assim, você aprenderá a se afastar das
pessoas erradas e reconhecer o parceiro adequado.
...

M eu namorado e eu estamos juntos há seis meses.


Durante todo esse tempo, ele nunca se desligou
dos amigos. Toda vez que estamos juntos ele só fala neles.
Sinto-me sempre em segundo plano.
Quando lhe perguntam sobre nosso relacionamento diz
sempre que está tudo bem.
Apesar da sua insistência para que saiamos com seus
amigos, eu sempre resisto. Ele me disse que não quer ter que
escolher entre mim e seus amigos.
Não é que eu seja anti-social. Eu apenas nunca vi tal
atitude antes. O que será que está acontecendo?

— 99 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

É surpreendente que você, estando com ele já há seis


meses, não tenha ainda se encontrado com seus amigos. Essa
resistência pode ser interpretada como insegurança da sua
parte.
A maneira mais rápida de perder alguém é rejeitar os
outros relacionamentos dele ou demonstrar não gostar deles.
Insista. Aproveite a oportunidade de mostrar-se ou
demonstrar seu carinho para com ele na frente de seus amigos.
Isto fará com que ele sinta que você é a pessoa ideal para ele.
Se ainda assim ele mantiver as mesmas atitudes,
significa que ele é a pessoa errada para você. Somente
uma pessoa insegura e imatura manteria um relacionamento
apoiado nos amigos.
...

E u tenho 38 anos e estou envolvida com um homem


de 42, incrivelmente mimado pela mãe.
Tanto mãe quanto filho são divorciados e moram
próximos um do outro. Jantam juntos todas as noites e
se telefonam constantemente. Vão ao cinema juntos e se
consideram os melhores amigos um do outro. Pelo jeito,
parece que a minha única função é o sexo, já que isso a mãe
não lhe dá. Ele a proteje demais e diz a todo mundo que é a
pessoa mais importante na vida dele.
Recentemente combinamos um passeio num final de
semana. Em três dias ele ligou para ela quatro vezes. Acha
normal esse comportamento? Como faço para tê-lo comigo?

Acho admirável que ele mostre tanto cuidado e


admiração pela mãe. Qualquer coisa que você faça para
controlá-lo, certamente não será bem recebida por ele. Você
não poderá forçar mudanças no comportamento dele. Isso
terá que partir dele.

— 100 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Sua escolha está entre manter o relacionamento como


está ou sair dele. O que não é aconselhável é construir um
relacionamento baseado no reconhecimento.
Ou muito me engano, ou você já fez a sua escolha.
...

M eu marido e eu somos casados há 30 anos. Ele


sempre gostou de beber, mas ultimamente tem
bebido além da conta.
É um executivo muito bem sucedido e uma pessoa
amável e carinhosa, porém se transformou de tal maneira que
não se consegue mais conversar com ele sobre qualquer coisa.
Há 10 anos não fazemos sexo. Nossas quatro filhas
também se ressentem pela vida que ele leva.
Eu estou pensando seriamente em ter uma conversa
franca com ele sobre esse problema.
Devo fazer isso sozinha ou devo pedir que as minhas
filhas também tomem parte na conversa e expliquem a ele
como se sentem com a situação?

Confrontá-lo é uma boa idéia. Porém, pedir a


participação das suas filhas não é bom. Nunca envolva suas
filhas, não obstante a idade delas, em seus problemas pessoais
em relação ao seu esposo. É seu trabalho suprir a falta
do pai e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a superar o problema.
Colocando as meninas no meio, o resultado tornar-se-á
mais complexo e tanto a resistência como os ressentimentos
aumentarão.
Se você acha que não consegue fazer isso sozinha, traga
auxílio de um profissional. Há muitos programas de auxílio a
alcoólatras, inclusive na Internet.
...

— 101 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

T enho mais de 30 anos e, infelizmente, meu último


relacionamento não deu em nada. Acho que não
combinávamos.
Há um ano não encontro uma garota a meu gosto. Sou
muito exigente. Seleciono demais e isso está contribuindo
para que eu não me aproxime de alguém.
Você acha que há algo errado em escolher tanto? Ou
será que essa exigência acaba me conduzindo sempre à pessoa
errada?

Se você sabe exatamente o que está procurando, não


tem absolutamente nada de errado em escolher. Contudo, é
importante que você não se esqueça do velho ditado: “não
julgue um livro pela sua capa”. Significa que a maioria de
nós supõe encontrar no interior da pessoa o mesmo encanto
sentido por fora. Muitas vezes, mais tarde, acaba descobrindo
que o caráter não condiz com a aparência. Da mesma forma
que, às vezes, nos envolvemos com alguém que não nos atraiu
à primeira vista. E isso nos faz lembrar de outro ditado
popular que diz “as aparências enganam”.
Em vez de se sentir perseguido pela má sorte, procure
conhecer diversas pessoas. Converse primeiro sobre as coisas
que gosta e observe também as ações e reações nas mais
diversas circunstâncias.
Dessa forma, seu julgamento será aprimorado e a
pessoa que você procura acabará surgindo quando você
menos esperar.
...

O que você diz do casamento? As pessoas dizem que


eu estou com receio do casamento, mas eu acho
que estão erradas. Acho que o amor é uma escolha entre duas
pessoas.

— 102 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Minha esperança é que você me ajude, pois minha vida


de casado começa em um mês e eu preciso de um conselho.

O amor não é um sentimento que você possa controlar,


mas pode escolher os caminhos que o manterão vivo.
É natural para nós pensarmos que podemos amar
alguém a vida toda. Isso não é verdade. Para manter um
relacionamento afetivo sempre vivo é preciso estar sempre
reacendendo as variações que originaram esse amor.
O medo que temos é de que o desejo e a paixão
se desfaçam ao longo do tempo e que percamos nossa
liberdade. Entretanto, o que ganhamos é a confiança, a
cumplicidade e um amor estruturado e verdadeiro que só
podemos experimentar em um relacionamento duradouro.
...

E u fui casada 31 anos com meu primeiro amor da


faculdade. Não foi sempre um mar de rosas, mas
nós sempre conseguimos levar.
Recentemente, conheci um homem em um seminário e
tive um caso com ele. Eu não consigo mais tirá-lo da cabeça.
Foram os cinco melhores dias dos últimos tempos. Isso é
normal? Ajude-me a conviver com isso.

Seus sentimentos cresceram em função das frustrações


e problemas que você tem passado em sua união.
Você pode ter gostado do novo amigo, mas esse novo
romance não foi o bastante para deixá-la inteiramente
satisfeita.
Considere que sempre que nos encontramos com uma
pessoa nova e diferente, em um outro ambiente e por um
período de tempo curto, procuramos sempre mostrar nosso
melhor lado. Sempre deixamos nossos defeitos e diferenças

— 103 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

em casa.
O homem que você conheceu pode ser muito diferente
no dia-a-dia. Diferente do lado mostrado a você.
Antes de se desfazer de 31 anos de união, reflita sobre
a história, o amor e as memórias compartilhadas com seu
esposo. Deixe que o renascimento das emoções e sentimentos
dê inspiração para reacender essa relação.
...

M eu marido e eu adoramos viajar. Entretanto, meu


patrão não é nem um pouco flexível quanto às
minhas folgas ou mesmo férias. Quer um exemplo? Minha
semana de trabalho tem, freqüentemente, seis dias. Mesmo
quando eu trabalho cinco e tenho dois dias de folga, eles
nunca são consecutivos. Já a programação do meu marido, no
entanto, tem completa flexibilidade e sempre consegue folga
a seu gosto.
Ele aprecia muito o tênis e sempre acompanha os jogos
fora da cidade, além de jogar também diversas vezes ao mês.
Freqüentemente ele me convida, mas infelizmente nunca
posso ir. Acha que sou desinteressada e isso me frustra.
Eu gosto muito dele e muito me magoa cada vez que o
vejo arrumando as coisas e partindo sem mim.
Queria poder mudar minha atual situação, mas não é
fácil. Com isso eu acabo me chateando e ambos sofrem as
conseqüências. Será que estou sendo irracional?

Há três coisas que podem ser feitas. Primeiramente é


preciso ter certeza de que não há mesmo desinteresse e não
expressar suas frustrações quando ele menciona sair para
o tênis. Sua postura e sua voz devem demonstrar que você
espera que ele divirta-se e relaxe, sem ressentimentos.
Em segundo, quando você está com ele, mostre a ele em

— 104 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

ações e palavras o quanto você adora estar junto dele e o


quanto esses momentos são especiais.
Reflita sobre todos os pontos que tornam um
relacionamento especial: troca de carícias, novas experiências,
compartilhamento mútuo de objetivos de vida e momentos de
relaxamento.
Planeje os possíveis momentos especiais que virão na
semana, no mês e no ano.
Terceiro e último, se seu objetivo é ser mais acessível
ao seu marido, analise a possibilidade de um novo emprego.
Quem sabe seja mais fácil administrar o tempo.
...

R
meu marido.
ecentemente, eu conversei com minha melhor
amiga e contei-lhe sobre um ocorrido entre mim e

Ele chegou em casa às duas horas da madrugada e me


deu uma justificativa pouco convincente.
Após ela ouvir o que eu disse, admitiu que há dois
meses ele fora a sua casa e pediu a ela que o ajudasse, com
uma desculpa, para justificar sua vinda para casa tão tarde. Só
que preferiu não mencionar antes.
Disse a ela que se fosse minha amiga de verdade teria
me dito na mesma noite ou na manhã seguinte.
Eu fui tirar a limpo com meu marido e ele negou tudo.
Eu sei que devo ponderar a negação do meu marido, mas esta
situação abalou a minha amizade com ela. Tanto que começo
a questionar suas intenções. Será que está tentando destruir
minha vida? Eu quero continuar sendo sua amiga e confiar
nela. O que devo fazer?

Por alguma razão sua amiga não contou o caso do


seu marido. Pensou, provavelmente, que estava ajudando.

— 105 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Quando tomou a decisão, já havia refletido bastante. Só não


esperava que as coisas tomassem outro rumo. Contou-lhe o
que realmente aconteceu por ser leal a você. Talvez não tenha
contado antes para poupá-la da mágoa.
Não jogue sobre ela a sua raiva. Pense na amizade que
existe e em tudo que já passaram juntas e trate de pensar na
indiscrição do seu marido. Porém, resolva isso com ele.
Comece por se aconselhar com um analista, que poderá
lhe dar uma visão objetiva de como está a sua união. Isso
também ajudará a deixar sua amiga fora dos seus problemas
de relacionamento.
...

M eu marido e eu ficamos separados por um ano e


nos reconciliamos. Estamos melhor agora do que
antes. Entretanto, uma das mulheres que se relacionou com
ele durante nossa separação continua a persegui-lo.
Eu deixei um recado na secretária eletrônica dela
dizendo que nos deixe em paz e que ele não tem mais
nenhum interesse nela. Como ela continuou a persegui-lo,
deixei um bilhete no pára-brisa do seu carro. Depois disso,
passou-me alguns e-mails muito mal-educados. Naturalmente
eu os respondi no mesmo nível. Agora ela deixa mensagens no
correio de voz do telefone dele insistindo que eu sou louca e
que destruí a vida dela.
Para ser honesta, isso está nos deixando muito infelizes.
Já fizemos tudo para que ela pare, mas nada conseguimos.
Temos três crianças maravilhosas, procuramos dar o
melhor a elas e não queremos que isso estrague a nossa nova
relação.
O que devo fazer para que ela nos deixe em paz? Será que
preciso ir a sua casa e dizer-lhe tudo o que penso a respeito?

— 106 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Você não está competindo com essa mulher pelo afeto


e atenção do seu marido. Agora que seu marido restabeleceu
o compromisso com você, a responsabilidade passa a ser dele
fazer com que ela compreenda que não a quer mais, e não
sua. Seu contato com ela deve parar imediatamente.
Sabendo o quão inconveniente é essa mulher, dê a seu
marido tempo e condições para resolver o problema. Talvez
ele deva formalizar a decisão em uma carta. Registre o
documento e guarde uma cópia. Assim, se o assédio continuar,
haverá uma prova do pedido dele. Em poder desse documento
ele poderá mover uma ação na justiça.
Você deve acreditar que o amor entre vocês garantirá
as ações dele sem a sua participação pessoal, o que facilitará
muito para você.
...

M eu marido e eu fomos casados por cinco anos,


mas minha família tentou dissolver o casamento
desde o primeiro dia. Finalmente eu o deixei.
Agora eu quero voltar atrás mas não sei se ele vai me
querer outra vez.
A mãe dele diz que ele quer falar comigo, mas ele não
fez nenhuma tentativa de aproximação, mesmo sabendo como
me encontrar.
O que devo fazer?

Sempre que você discute com seus pais os problemas


entre você e seu marido, comete um erro, pois os pais sempre
ficarão com a impressão e imagem que recebem em que a
“sempre menina pequena e indefesa” está sofrendo nas mãos
do marido.
No passado, você deixou transparecer os motivos e
aceitou a interferência deles.

— 107 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

O silêncio constante do seu marido torna evidente a sua


inabilidade em discutir e resolver os problemas diretamente
com ele.
Para reconquistá-lo, engula seu orgulho. Apanhe o
telefone e ligue pra ele. Reforce o fato de que você reavaliou
o relacionamento e pergunte se não pode se encontrar com
você para discutirem sobre os motivos dos conflitos. Inclua na
conversa a promessa de cortar seu cordão umbilical com seus
pais.
...

E u estou em um relacionamento maravilhoso com


uma mulher. Porém ela está muito acima do peso.
Nós nos divertimos muito juntos. Tenho muito carinho
e confiança nela e falo com ela dos meus sonhos sem
medo nenhum. Contudo um contato físico me deixa sempre
apreensivo. Eu procuro sempre me cuidar para manter boas
condições físicas. Será que estou sendo demasiadamente
reticente? Como dizer que ela está acima do peso sem afetar
seu amor próprio? Será que isso poderá quebrar o sentimento
que existe entre nós?

Não há dúvida que a aparência física é uma parte


considerável no jogo da sedução. Para muitos homens é
o primeiro critério de atração. Por outro lado, a maioria
das mulheres vê mais importância na parte emocional do
homem, tal como o seu interior, o seu romantismo e suas
demonstrações de consideração e respeito.
Se você esfriar os seus sentimentos sem que ela saiba o
porquê, talvez ela se responsabilize por isso, o que seria um
erro. Apesar de tudo, essa é uma decisão sua e não dela. Uma
vez que avalie seus sentimentos, pode decidir se seu pedido
merece consideração e se é bom pra ela.

— 108 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Caso você resolva agir dessa forma, faça da maneira


mais carinhosa e amorosa possível.
No começo ela poderá se sentir magoada e até com
raiva. Mas, mais tarde poderá decidir pelo seu pedido para
que o relacionamento cresça ao invés de sucumbir.
Sua honestidade também poderá alertá-la tornando o
controle do peso um objetivo pessoal.
Seus desejos serão melhor atendidos se partirem de
maneira amorosa e com a esperança de um futuro de
felicidade juntos.
...

S ou uma mulher de 29 anos. Na noite passada tive um


sonho com um amigo. Foi um sonho erótico. Agora
eu não consigo parar de pensar nele.
Hoje, indo para o trabalho, passei em frente a sua casa.
Será isso uma reação do sonho?
Queria muito poder visitá-lo, mas odiaria arruinar três
anos de namoro sério em troca de um caso amoroso.

Você está certa. Uma fantasia sexual com um amigo,


obviamente, não é razão para descartar alguém que
demonstrou a você amor, respeito e confiança nesses três anos.
De fato, o termo amigo descreve muito mal alguém que
sugeriria segundas intenções em uma escapada noturna.
Faça um favor a você mesma e mantenha as suas
fantasias no lugar a que pertencem: a sua imaginação. Com
o tempo, você se sentirá grata por isso.
...

H á três meses saí com alguém e há dois meses


estamos morando juntos. Você acha que estamos
indo rápido demais? A todos que eu pergunto dizem que

— 109 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

sim, mas eu penso que, uma vez que haja amor, nenhuma
outra opinião importa exceto a própria. Estou certa em pensar
assim?

Isso não importa agora. Não depois que vocês já se


mudaram para a mesma casa. Porém, é o melhor momento para
você determinar se é a pessoa certa para viver o resto da vida.
Mesmo que você ache que é a pessoa certa, espere mais
um ano para definir o casamento. Um ano a mais não fará
diferença. Durante esse tempo, você poderá observar se as
qualidades demonstradas são as que você procura em um
marido: carinho, afeto, compatibilidade de gênios e paixão.
Se nada disso ele lhe oferecer, terá aprendido com
a oportunidade e estará melhor preparada para discernir
situações similares nos relacionamentos futuros.
Você não tem nada a perder em ir mais devagar. De fato,
quando estamos apaixonados, o tempo não tem significado.
...

E u tenho 18 anos e peso 130 quilos. Jamais consegui


me relacionar com uma mulher por mais de um
mês. Isso me dá um certo complexo. Fica difícil sair junto
com outras pessoas, pois me preocupo com a aparência.
Como posso encontrar alguém que me ame como eu sou?

A aparência visual será sempre uma parte da atração


humana. Isso é um fato. Mas você deve entender que a nossa
aparência não é necessariamente como nós nos vemos, mas
como nós nos apresentamos diante das outras pessoas. Ou
seja, antes que os outros reparem na gente, é preciso que nós
mesmos nos analisemos.
As mulheres costumam enxergar mais o interior e os
sentimentos do que os homens. Sua vida é um presente divino

— 110 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

e afortunada é a pessoa que te conhece por dentro.


Analise as vantagens de todas as coisas maravilhosas
que você tem dentro de si mesmo e deixe os outros saberem
que você sabe amar e ser amado.
...

A proximadamente há um ano meu marido quis a


separação. Nós relevamos algumas coisas, mas
desde então penso que é somente uma questão de tempo.
Tenho observado, ultimamente, que ele chama sua mais
nova assistente fora do horário de trabalho e conversa com ela
pelo celular nos finais de semana, sempre do lado de fora de
casa.
Chegou a um ponto que eu posso até prever quando o
telefone vai tocar. Coincidência ou não, ele sai, para fora de
casa, e um minuto depois o celular dele toca.
Quando lhe perguntei sobre isso, disse que as ligações
eram sobre trabalho ou para acertar datas de jogos para seu
filho (que integra uma equipe de futebol), como se eu não
percebesse que todas as ligações foram atendidas longe de mim.
Pedi que a convidasse a vir com seu filho em casa, mas
sua resposta foi não. Disse que não quer misturar as coisas e
insiste que não está fazendo nada de errado. Porém, não estou
convencida. O que posso fazer?

Você, certamente, está desorientada. Sem poder confiar


nele, seu casamento estará sempre em perigo. Para recon-
quistar essa confiança tem que haver o desejo mútuo de
manter a união.
A primeira coisa a fazer é, com calma e com a cabeça
fria, explicar que você, nesse tempo todo de união, tem
tido dificuldades em confiar nele visto as suas atuais ações.
Pergunte-lhe se está disposto a trabalhar junto com você e

— 111 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

fazer o que for necessário para reconquistar a sua confiança.


Um componente importante pode ser um mediador. Um
terapeuta especializado que pode facilitar e orientar nos
pontos de acordo e desacordo, mostrando os tópicos a serem
repensados nessa união.
Você tem muito a aprender. Para conservar sua união,
deve cuidar disso o mais rápido possível.
...

M eu marido e eu temos 65 anos.


Nos últimos 18 meses falamos sobre o divórcio
ao menos três vezes,mas sempre um dos dois acabou
retrocedendo. Ele disse que não está feliz
Começou um relacionamento platônico com uma colega
de trabalho. Algo além de uma simples amizade, embora não
haja sexo. Ele tem problemas de saúde e por isso já não
fazemos sexo há 8 anos.
Dois terapeutas disseram que ele está atravessando a
“crise da meia idade” e que levará algum tempo para uma
nova mudança.
Ele admitiu uma vez que gostaria de recuperar sua
juventude. Disse também que gostaria de dar um tempo
sozinho para poder fazer o que quiser. Mas eu nunca o impedi
de fazer qualquer coisa!
Nossos filhos estão decepcionados com ele. Odeiam a
maneira como ele me magoou após 30 anos de união.
Ele diz que gosta de mim, mas nunca disse “eu te amo”.
É possível passar por cima de tudo e começar de novo?

Sim, é possível passar por cima de tudo isso se for o


desejo de ambos. Mas primeiramente terá que suportar a dor
e o temor de assumir novo rumo em sua vida. E fico feliz por
você estar seguindo os conselhos de um terapeuta.

— 112 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

As ações e as palavras do seu marido indicam que ele


está procurando o crescimento emocional e neste momento
sente que não pode encontrar isto com você.
Uma possível solução é uma separação experimental.
Quanto aos seus filhos, querem protegê-la, mas sua
raiva pode colocar seu marido na defensiva e afastá-lo ainda
mais. Agradeça-lhes pelo suporte e incentivo que lhe dão,
mas peça-lhes que suportem, sem intervenção.
Tanto tempo de convivência não permitirá desabar a
união em um mês ou um ano.
Confie no amor que vocês compartilharam e busque os
conselhos de um profissional para garantir, temporariamente
ou permanentemente, o relacionamento da melhor forma
possível.
...

E u tenho 17 anos e meu namorado 18.


Seus amigos não prestam. Bebem excessivamente e
usam drogas. Eu não quero isso para nós.
Nossa discussão mais recente foi por esse motivo. Ele
insistiu que eu fosse com ele numa roda de drogas.
Eu ameacei deixá-lo se fizesse isso. Ofendeu-me com
palavrões que me deixaram louca de raiva a ponto de eu cuspir
em sua cara. Ele então apertou minha garganta com seu braço
até quase me sufocar.
Para encurtar a história, eu fui até a polícia e registrei
queixa.
Sei que não é suposto que eu volte a falar com ele, mas
eu não sei se consigo. Devo manter a relação e tentar tirá-lo
disso ou a violência vai se agravar ainda mais?

Vamos colocar as coisas da seguinte forma. O garoto


que você ama tem amizade com pessoas que você considera

— 113 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

sem caráter. Ele não tem nenhum respeito por você, usa
drogas, ofende-a com palavrões e tenta estrangulá-la.
O que a faz pensar que você merece isso?
Eu acho que você merece coisa melhor.
Ligar-se a um mau-caráter é não ter auto-estima e não
se valorizar. Ficando com ele estará se igualando a ele.
Faça um favor para você mesma. Saia desse caminho
enquanto pode. Se ele a ama com certeza, e se importa mesmo
com você, há de provar tratando-a com o respeito que você
merece e procurando pessoas de bom caráter onde haja o
respeito mútuo.
Os melhores relacionamentos acontecem quando há
resistência na conquista. E esse é o momento certo para resistir.
De duas uma: ou você consegue que ele aceite mudar
ou saberá que o melhor a fazer é seguir sem ele.
...

O que fazer quando se está casada com um homem


que quer dominá-la constantemente e quer que
tudo seja do seu jeito?

É difícil determinar a extensão do problema com tão


poucas informações. Porém, vou tentar responder sua dúvida.
Seu marido, certamente, pode ter o controle algumas
vezes, mas não todas as vezes.
O que quer que seja não passou a acontecer da noite
para o dia e nem uma ou duas vezes apenas.
O que me parece é que você deixou que começasse
assim no passado e que se tornasse comum.
É preciso analisar todo o histórico para mudar a
situação o mais cedo possível.
Faça a seguinte tentativa: primeiramente, se ele insistir
para que você aceite a sugestão dele, ouça-a e faça perguntas

— 114 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

baseadas em seus interesses. A seguir, agradeça-o pela


sugestão. Na seqüência, lembre-o que ambos devem decidir
juntos e que você gostaria muito que ele também ouvisse
a sua opinião. Quando ele consentir, o que deve acontecer,
esboce suas idéias de uma forma pouco emotiva, e inclua
detalhes que ele possa achar favoráveis. Nesse momento, o
resultado acordado deve ser realizado por ambos.
Se ele recusar, terminantemente, ouvir sua sugestão,
faça perguntas até que ele esclareça o porquê. Então,
delicadamente e calmamente, discuta assuntos adicionais.
Fure sua couraça até que ele abra seu coração e aceite
também suas idéias.
Se nada disso adiantar e ele continuar a insistir que só
a sua maneira é a única certa, peça que conversem a respeito
junto a um terapeuta.
Nenhuma das sugestões será fácil de trabalhar. O
objetivo é ficar longe de um “duelo de vontades” e não isolar
suas próprias opiniões.
Conquistando esse espaço, você passa a fazer valer
também suas vontades e eu tenho certeza que conseguirá o
respeito dele.
...

T enho mais de 30 anos, duas crianças, mas nunca fui


casada.
Quando saio com minhas amigas, ao contrário delas,
não consigo um rapaz como companhia.
Adoraria ter alguém com quem compartilhar no final da
vida, mas sinto que isso jamais acontecerá.
Não tenho habilidades para conquistar os homens que
me atraem. De fato, eu pouco agrado um homem quando
estou com ele.
Eu tentei buscar um casamento, mas não tive sucesso.

— 115 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Tenho sorte realmente por ter amigos e familiares que sempre


tentam me ajudar.
Será que faço algo errado? Ou meu jeito de ser é que
não agrada?

Muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, já me


trouxeram problemas semelhantes. Portanto, você não é a
única. Há milhares de pessoas maravilhosas que enfrentam as
mesmas situações.
Você acabou por se convencer que o amor só acontece
para os outros. E a cada vez que você se frustra, mais se
convence disso.
Meu conselho é para que você não fique ansiosa na
presença de um homem. Procure relaxar. Não demonstre
expectativa acima do normal. Tranqüilize-se e deixe seu
coração e sua mente abertos às muitas possibilidades e
oportunidades que a cercam. O universo social vai muito além
do seu convívio. Em sua comunidade ou mesmo em outras
localidades têm grupos de interesses comuns e que têm suas
reuniões e encontros. Juntos desenvolvem projetos e trabalhos
que podem combinar com seus interesses. Participar deles pode
lhe dar novos amigos de estilos e interesses sociais comuns.
Não procure o homem perfeito. Pelo contrário, direcione
suas energias nas coisas próprias do seu mundo. Minha
suposição é que a pessoa certa acabará por encontrá-la.
...

E u tenho 19 anos e meu namorado também. Quanto


tempo ainda você acha que devemos esperar para
nos casarmos?
Você acha que somos demasiadamente novos?

Sim. Em minha opinião vocês são muito novos.

— 116 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

O que acontece é que dois jovens apaixonados, por


quererem passar todo o tempo juntos, não percebem que
deixam para trás uma das melhores fases da vida.
As estatísticas mostram que a maior porcentagem de
separações ocorre entre casais que se casaram antes dos 26
anos.
E por que isso ocorre? É que essa é a fase em que nos
descobrimos. Poucos de nós, nessa fase, sabem o bastante de
si. Quem são realmente e o que querem da vida.
Uma relação a dois nessa fase, muitas vezes, impede
que façamos essa viagem interior.
No seu caso, eu sugiro aguardar mais um tempo para o
casamento. Uns quatro anos pelo menos.
Se durante esse tempo seus interesses divergirem,
você evitará a dor do divórcio. Caso os objetivos da vida
permaneçam compatíveis, o relacionamento já terá sido
testado muitas vezes e a união terá bases fortes para uma
longa duração.
...

S ó porque somos casados, meu marido pensa que


pode tocar em mim sempre que quer, em qualquer
lugar e em qualquer momento. Algumas vezes tenta ser rápido
para que eu não perceba a tempo de me defender. Não gosto
quando ele faz isso. Coloca sua mão entre a cadeira e eu
quando vou me sentar, ou coloca sua mão embaixo da minha
roupa quando estou dirigindo. Eu não gosto e perguntei a
ele como se sentiria se eu fizesse igual. Respondeu-me que
adoraria e eu acredito. Por esse motivo tenho me recusado
a sentar ao lado dele. Eu já me indispus com ele mas nada
adiantou.
Desde o nascimento de nosso filho, há 6 meses, nós não
fazemos sexo. E agora tenho que cuidar de sua “mão boba”.

— 117 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Nós participamos de reuniões de aconselhamento antes,


por causa do temperamento dele e de seu desejo sexual.
Nós podíamos aproveitar o que aprendemos. Eu não quero
andar me esquivando dele, mas estou vendo que não há outra
alternativa.
Eu espero que haja respeito para a proteção do nosso
amor.
Você pode me dar algum conselho?

Seu comportamento tem bases, provavelmente, em


alguma situação de raiva não resolvida.
Essa sua atitude de repulsividade é prova de sua
inabilidade em controlar seus impulsos. Não é saudável e
você tem que superar isso. A frustração sexual pode ser uma
das muitas razões para sua raiva.
...

M eu marido e minhas filhas, já adolescentes, estão


muito magoados porque minha irmã mais velha
diz que nós somos uma família de “pés-rapados”.
Ela diz isso por termos poucos recursos e usarmos
roupas simples.
Como se não bastasse, soube que meus pais e minha
outra irmã concordaram com ela durante uma conversa.
Os feriados de final de ano estão chegando. Como posso
estar com eles sabendo o que pensam e dizem a meu respeito?
Como eliminar esse mal-estar?

Você tem toda razão de estar magoada com sua irmã. O


que disse sobre vocês foi rude e maldoso.
Na realidade, as pessoas deveriam ser julgadas pelas
ações e não pelas aparências.
Nesse momento, o melhor a fazer é evitar confrontos em

— 118 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

relação ao seu comportamento insano. Não se deixe atingir.


Coloque-se acima disso. Dessa forma, você e sua família
demonstrarão a todos o que verdadeiramente conta: afeto,
consideração e respeito para com aqueles que você ama.
...

E u tenho 50 anos e estou profundamente envolvida


com um homem de 32. Este tem sido, absolutamente,
o relacionamento mais maravilhoso que já tive. Embora eu
tenha sido casada antes, pelo contrário, ele nunca se envolveu
profundamente com qualquer outra pessoa.
Eu nem consigo acreditar em como tudo tem sido
incrível desde o primeiro dia. É como se fôssemos feitos um
para o outro. Embora eu acredite que todos têm sua alma
gêmea, eu nunca pensei que encontraria a minha. Interessante
é que ele sente o mesmo. No momento estamos pensando em
nos casar.
Apesar de nenhum de nós sentir a diferença de idade
como empecilho, eu tenho no meu íntimo que isso possa se
tornar um problema no futuro.
Essa diferença pode, realmente, atrapalhar o casamento?

A sociedade assumiu, como convensão, a idéia do


homem ser o mais velho entre um casal. Mas, o inverso não
traz nenhum transtorno. Basta que ambos estejam dispostos a
ignorar o que os outros possam pensar e que ele compreenda
que o fato de ser mais novo não impeça que o relacionamento
prospere. De qualquer forma, você parece estar decidida.
Eu não tenho que lhe dizer que uma diferença de idade
de 18 anos pode gerar diferenças físicas e emocionais ao
longo dos diversos estágios de uma vida a dois. Porém, se
você reconhece esse problema e consegue imaginar o que
vem no futuro e já pensou sobre isso, vá em frente. Somente

— 119 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

o tempo poderá dizer se os dois corações permanecerão


fortemente ligados.
...

S ou casada há mais de 18 anos. Quando conheci meu


marido eu era virgem. Tinha apenas 16 anos.
Logo após nossa união, meu marido pediu que eu
fizesse amor com um de nossos amigos comuns enquanto ele
observava. Disse que queria que eu tivesse certeza de que
ele era melhor que qualquer outro, visto que eu jamais tivera
outro homem.
A maioria dos homens jamais tomaria tal atitude só para
convencer suas esposas de que são melhores. Em todo caso
isso passou. Parou de acontecer porque nosso amigo quis ir
a nossa casa estando meu marido no trabalho. Mais tarde
recomeçou. Há pouco mais de um ano eu pus um basta em
tudo.
Agora, cada vez que meu marido e eu estamos fazendo
amor discutimos por esse motivo, pois ele insiste em trazer o
amigo de volta a nossa cama.
Eu pedi a ele inúmeras vezes que não tocasse mais nesse
assunto quando estamos juntos, porque isso tira todo o clima.
Acontece que esse amigo está toda hora insistindo. Não
sei mais o que fazer. Sinto-me pequena por dentro e se ele
continuar insistindo no retorno do amigo, não acredito que
nossa união terá longa duração.
Que conselho você pode me dar?

Quando tudo começou, você era muito ingênua e talvez,


por isso, tenha aceitado outro homem com vocês. No entanto,
analisando a relação, podemos supor que você manteve a
condução por estar disposta a assumir dois homens. E se
todos aceitaram a condição, seu marido não pode assumir

— 120 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

toda a responsabilidade.
De uma forma ou de outra a decisão é sua. Só você tem
o direito de decidir com quem vai dividir sua “cama”.
Caso seu marido necessite de um incentivo sexual,
faça-o saber que você está disposta a lhe dar o amor,
reconhecimento e todo o prazer que ele procura, mas sem a
presença de outro.
Caso ele entenda e aceite, sugira que procure um
terapeuta. Assim você pode encontrar o suporte necessário
para redirecionar a relação.
...

E u tenho uma união muito boa, com exceção de um


único ponto: meu marido passa a maior parte dos
finais de semana na casa de seus pais.
Eu tenho um bom relacionamento com eles, mas isso
me incomoda.
Ele ajuda seus pais, não tem vícios, mas me chateia
muito não ocupar seu tempo, nos finais de semana, junto a
nossa família.
Nossas duas crianças estão crescendo e precisam dele
em casa também nessas horas e não apenas nos dias de semana
à noite.
Ele diz que não mudará. Isso me magoa muito. Alguma
sugestão?

É admirável que seu marido cuide da velhice dos pais e,


pelo que suponho, você não tem nada contra.
Ao mesmo tempo, ir na casa deles todo final de semana,
você acha um pouco demais. Parece que está procurando uma
desculpa para ficar longe da família. Por outro lado, pode
ser que ele tenha algumas dificuldades em conviver com essa
sensação nova. A sensação de ser pai talvez o incomode. É

— 121 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

preciso estabelecer uma ligação entre os avós e suas crianças


e você não tem nenhuma idéia em como e por onde começar.
Para ajudá-lo faça o seguinte: primeiramente peça que
reserve uma manhã de cada final de semana para cuidar
das crianças, a fim de lhe dar tempo para fazer algo para
si mesma. Isso lhe dará a oportunidade de interagir com as
crianças. Assim, ele aprenderá fazendo. Em seguida, peça a
ele para ficar com vocês um dia no final de semana ou em
finais de semanas alternados. Diga a ele para convidar seus
pais a virem em casa ao menos um dia, em finais de semana,
por mês. Isto afasta sua desculpa de ir sempre lá e dá aos
avós tempo com os netos.
Prestar a atenção na interação de seus pais com os
netos será uma boa lição para ele.
Finalmente, encontre uma babá confiável e combine ao
menos um final de semana para sair com ele à noite.
Estas dicas vão lhe ajudar a conquistar seu verdadeiro
objetivo que é mantê-lo mais participativo em relação à família.
...

E u sou apenas uma menina, mas já conheço muito


da vida, das coisas que me rodeiam e de meus
sentimentos.
Eu estou em um relacionamento, não sexual, mas íntimo
no sentido de que nós temos sentimentos um para com o outro.
Eu não penso em fazer sexo dado a minha idade e as
conseqüências disso.
Por outro lado, eu penso também que as pessoas da
minha idade fazem esse tipo de coisa e meu namorado pode
querer isso de mim.
Eu não estou dizendo que não quero fazer, mas é que eu
ainda não sei se estou preparada e se quero isso agora.
Existe algo que você possa dizer para me ajudar?

— 122 —
Perguntas que você gostaria de fazer, mas tem receio de ouvir as respostas.

Há dois tipos de intimidade: emocional e física.


Para uma relação duradoura, ambas são necessárias. E o
conhecimento desses sentimentos vem somente com os anos
e com a descoberta de si mesma. Também é importante ter
relacionamentos variados e outras experiências de vida.
Muitos homens buscam a relação física antes que se
estabeleça uma relação emocional. Já as mulheres necessitam
de envolvimento emocional antes de partirem para um contato
físico.
Não importa como você é e quantos anos tem. O
que importa é que você nunca faça qualquer coisa que a
incomode. Os verdadeiros amigos entendem isso. Aqueles que
a amam não a incentivariam a fazer qualquer coisa que fosse
contra os seus princípios ou vontades.
Lembre-se que o amor verdadeiro é aquele que sabe
esperar o momento certo para se entregar.
Diga a ele que se os sentimentos são verdadeiros saberá
esperar o momento certo.
Minha suposição é que se há sentimentos reais, ele há
de esperar você estar pronta. Do contrário, saberá tirar suas
conclusões e buscar novos caminhos.

— 123 —
T alvez você não tenha encontrado nesse trabalho
respostas a algumas de suas perguntas. No entanto,
sempre haverá outra oportunidade.

O relacionamento entre as pessoas é muito complexo e há


muito ainda a se saber a respeito do comportamento humano,
e é exatamente isso, essa diferença entre uma pessoa e outra,
que faz do ser humano algo tão fantástico e tão fascinante.
Perguntas que você gostaria de
fazer, mas tem receio de ouvir as
respostas trata de questões polêmicas
e profundas do ser humano com as
quais nos deparamos todos os dias.

Omar Carline Bueno é psicanalista e, neste sentido,


busca revelar as respostas dessas questões, geralmente
às nossas vistas, apenas tirando o fino véu que as
acoberta, sem dó.

O livro é uma somatória dos casos que o autor teve


contato ao longo de sua experiência clínica, bem como
conversas via e-mail, ocb@uol.com.br, onde os
internautas o consultavam para alívio, ou arrepio!, de
suas consciências. A gama de assuntos vai desde o
relacionamento de uma mãe superprotetora com sua
filha oprimida, até a dúvida acerca do que é fidelidade
conjugal, passando por pacientes com tendências
suicidas, entre outros.

Com certeza você se encontrará em alguma das muitas


questões aqui elucidadas pelo autor, mas é preciso ter
coragem para encarar o desafio.
ISBN 85-87916-35-1