Diferenças individuais: fatores determinantes e capacidades mentais

O desempenho humano depende de uma complexidade de fatores que atuam interagindo entre si de maneira extremamente dinâmica. Em uma situação na qual os objetivos e metas foram devidamente explicitados, a tarefa foi desenhada e redesenhada sob medida para a pessoa, se ela está motivada para executá-la e atingir os objetivos e metas propostos, certamente a pessoa desenvolverá um determinado esforço individual proporcional à sua motivação. Esse esforço pessoal e eficaz na medida em que a pessoa possua as habilidades adequadas para a execução da tarefa e se as condições ambientais não lhe provocarem restrições ou limitações. Assim, o desempenho é conseqüência do estado motivacional e do esforço individual pra realizar a tarefa e atingir os objetivos. Os resultados percebidos pela pessoa - seja em termos de alcançar os objetivos organizacionais ou individuais ou em termos de recompensas recebidas pela empresa - provocam um determinado grau de satisfação pessoal. Esse grau de satisfação - grande ou pequeno ou nulo - realimentará positiva ou negativamente a motivação para um novo desempenho. Ou simplesmente não mais motivará. A satisfação obtida pelo indivíduo funciona como um reforço positivo para um novo desempenho, enquanto a insatisfação ou frustração funciona como reforço negativo. Daí a necessidade de alguns cuidados com que o gerente deve se preocupar, como os seguintes:

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a) Desenvolver sistematicamente as habilidades e capacidades das pessoas como base fundamental para um desempenho eficiente e eficaz. b) Remover continuamente as restrições ambientais que possam afetar negativamente o desempenho humano, como o excesso de regras e regulamentos, supervisão cerrada, controles burocráticos, métodos e procedimentos mecânicos e tradicionais etc. c) Motivar e incentivar constantemente as pessoas para que dêem o melhor de suas habilidades na execução das tarefas. d) Orientar o esforço das pessoas para um desempenho excelente ou pelo menos gradativamente excelente. e) Avaliar o resultado do desempenho alcançado e recompensá-lo imediatamente ou corrigi-lo adequadamente, sempre buscando um reforço positivo pra um desempenho excelente. O mau desempenho deve ser fruto de uma profunda avaliação para se remover as causas e origens da ineficiência ou ineficácia. f) A satisfação no trabalho é uma conseqüência do sucesso no desempenho das tarefas e da recompensa recebida. A recompensa pode ser representada por estímulos externos - como elogio do gerente, reconhecimento do trabalho, imagem social do executante, prêmios ou gratificações, oportunidades de promoção etc., - ou por estímulos provocados pela própria tarefa - através de um desenho de cargo que promova variedade, identidade, significado, autonomia e retroação. Certamente, com essas dimensões, haverá uma grande possibilidade de que o executante desenvolva prazer e sucesso pessoal em realizar excelentemente uma tarefa.

Com todos esses ingredientes, o desempenho pode ser continuamente melhorado através da própria pessoa, com um mínimo de intervenção externa. Todavia, essa intervenção deve existir na medida em que o desempenho não seja satisfatório. Surge então a necessidade de se monitorar, de se medir e avaliar o desempenho humano, a fim de direcioná-lo continuamente rumo à excelência e à melhoria da qualidade de vida dentro da empresa. Para o Reforço Positivo:

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1. Identifique claramente os comportamentos desejados para o trabalho. 2. Mantenha um inventário diversificado de recompensas. 3. Informe a cada pessoa o que deve ser feito para ganhar as recompensas. 4. Reconheça as diferenças individuais quando proporcionar as recompensas. 5. Siga as leis do reforço imediato e contingencial.

A inteligência é um dos conceitos mais estudados e discutidos do século. Foi temática Fundamental no período de emergência e consolidação da psicologia moderna, uma vez que, a partir das últimas décadas do século passado, a questão do conhecimento deixaria de ser um problema especifico da filosofia, para se converter em um objeto dessa novíssima ciência chamada a dizer como se dão os processos individuais de aquisição do conhecimento. O eixo da questão se deslocava da compreensão do sujeito coletivo no processo de conhecimento para o ser particularizado, o

a par do desenvolvimento de outras teorias também importantes e contemporâneas. a explicação da cognição do indivíduo empírico. como "superdotação" ou obras como The bell curve. na medida cm que desconsidera suas diferenças em nome de uma igualdade abstrata. o que é uma condição fundamental numa proposta de igualdade. ao valorizar sobretudo a ação que ter por objetivo o real. Apesar disso. portanto. e mede-se comparativamente seu desempenho. em primeiro lugar. Diferenciadas explicações sobre o processo de aquisição de capacidades intelectuais apresentadas pelas teorias da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo da criança também contribuiriam decisivamente para o fortalecimento da noção do que é ser inteligente no mundo contemporâneo. terminou por legitimar a desigualdade ao quantificar e cristalizar as diferenças entre as pessoas. pelos estudos psicométricos. pelo ressurgimento de noções veladamente psicométricas. consonante à tendência da época em explicar os fenômenos sociais a partir de uma interpretação evolucionista (Miranda. O confronto mais vigoroso à noção de inteligência mediada pela psicometria foi feita por Jean Piaget.indivíduo empírico que aprende. ao ser tomada. A concepção psicométrica de inteligência foi amplamente difundida e igualmente criticada. entre outras. como a teoria das inteligências múltiplas de Gardner (1994). A existência de diferenças entre os indivíduos tornava legitimo que determinadas pessoas devessem ter sucesso e outras não. que procurou desvendar. Identificada ao potencial inato e às experiências a ele agregadas através da experiência. A explicação piagetiana de inteligência foi tão fortemente disseminada que. Para a psicometria. de Herrnstein e Murray. Como essa igualdade nunca se realizou inteiramente. quanto ontogenético. A noção de inteligência de Piaget contrariava a visão psicométrica. Piaget compreendia a ação intelectual como prolongamento da ação motora. O que era ser inteligente para a nascente psicologia? A inteligência era. Significa dizer que a explicação de inteligência formulada por Piaget tomou-se prescritiva. o processo de constituição dessa inteligência adaptativa. geralmente de caráter lógico-matemático ou lingüístico. . a psicologia constituiria uma solução que se mostraria vigorosa e poderosa ao longo do século. p329). Claparede. a sua inteligência. Exemplos disso são a avassaladora inserção do construtivismo piagetiano na educação escolar e a presença de suas teses em grande partes dos novos enfoques interpretativos de inteligência. tanto do ponto de vista filogenético. operativa. a discussão da concepção de inteligência foi direcionada. Numa sociedade regida pela ótica liberal. que. ainda persiste uma forte visão psicométrica da inteligência. James. Do início do século até há poucos anos atrás. sustentada pela permanência dos testes utilizados em várias situações e para fins variados. havendo hoje um reconhecimento de seus limites pela maioria dos psicólogos . como se sabe. A constatação da diferenças entre os indivíduos. ja haviam demonstrado adesão a uma noção adaptativa de inteligência humana. A rigor essa idéia nascente de inteligência é tributária da noção de diferença entre os indivíduos. Para a urgente tarefa de mensurar capacidades cognitivas com a finalidade de adequar soldados e trabalhadores às suas funções no início do século. em lugar de fomentar a igualdade. Tais estudos enfatizaram sobretudo. uma competência cognitiva e individual. os mecanismos de seleção e exclusão sociais eram justificados pela concepção evolucionista da existência de sujeitos mais ou menos aptos para determinadas tarefas. 1995. ser mais ou menos dotado dessa competência passava a ser determinante para a vida do indivíduo. pelo fortalecimento de noções que articulam o significado de medida de inteligência. e não pela apresentação de resultados ou respostas contas. A condição ontológica da diferença se traduz historicamente em condição de desigualdade. a inteligência seria uma competência individual para desempenhar bem atividades relacionadas à expressão verbal. pela tendência de alguns psicólogos em transformar situações de observação piagetianas em testes de verificação de habilidades cognitivas. A inteligência foi concebida por Piaget como um processo adaptativo. Sustentando o principio de continuidade entre as naturezas biológica e social humanas. dominantemente. mas a alguns. A genial intuição de Piaget diante dos erros semelhantes realizados por grupos de crianças ao serem confrontadas com uma mesma prova o conduziu à investigação do aparente erro como manifestação do desenvolvimento cognitivo da criança naquela determinada etapa. as medidas de quociente intelectual: apresenta-se ao indivíduo um conjunto de problemas. Grande parte das oportunidades de inclusão e ascensão social seria regida pela disponibilidade da capacidade intelectual em cada uma das pessoas. mas a cultura e a educação determinariam o grau de realização desse potencial. Como tais oportunidades não se destinavam a todos. Baldwin. Estava posta em causa. portanto. testando provas de inteligência. Essa é uma concepção fundante de sua teoria. A teoria piagetiana concebeu uma inteligência processual. pelo menos do ponto de vista de alguns interesses sociais e econômicos que estavam em jogo. a idéia corrente de coletividade se efetiva reiteradamente como negação de cada indivíduo. como paradigma. Spencer. quase exclusivamente no registro da externalidade do sujeito. tomou-se a compreensão de inteligência predominante no mundo atual. para citar alguns. funcional. valorizando-a como uma ação adaptativa diante de uma situação-problema. modelo ou "método" a ser seguido para formar indivíduos mais inteligentes. à acumulação e memorização de conhecimentos gerais e ao raciocínio lógicomatematico. iniciou suas investigações trabalhando no Laboratório de Binet em Paris. a inteligência seria uma habilidade inata.

ou seja. Isto implica. também. na formulação de demandas de estudos e articulações de concepções de inteligência adequadas à essa tendência de intelectualização do processo produtivo. criatividade. informatizado e robotizado e. 1997. Num sentido amplo. o que indicaria a necessidade de pensar suas implicações na psicologia. a idéia de uma centralidade da noção de inteligência no mundo contemporâneo. com notória prevalência da explicação piagetiana. que deverá ser capaz de transferir conhecimentos e experiências.A par do reconhecimento da importância da contribuição de Piaget para a elucidação do desenvolvimento da inteligência na criança. no entanto. p. Há uma profusão de novos termos como redes neurais. da riqueza e do conhecimento". E implica que sejam acionados novos mais poderosos mecanismos ideológicos de legitimação da exclusão. a concepção psicométrica e a concepção piagetiana. é possível afirmar que as duas principais concepções de inteligência formuladas ao longo desse século em que essa habilidade humana foi supervalorizada foram. antagônicas. 1997. fundamenta um poderoso mecanismo de legitimação da exclusão social ao permitir que se estabeleçam diferenças entre quem possui e quem não possui qualificação intelectual para o trabalho.como a inteligência . Em parte. Empregado ou desempregado. então. evidentemente. um programa de estudos a ser empreendido por vários pesquisadores. ecologia cognitiva (Lévy). à engenharia genética e às novas fontes de energia. especialmente aquelas relacionadas ao consumo. No presente trabalho. em especial. o que supõe uma supervalorização da capacidade intelectual humana. inteligências múltiplas (Gardner). 144). Nesse sentido a seleção e a conseqüente exclusão social fundamentadas em fatores definidos a priori como puramente individuais . Verifica-se. em decorrência. flexibilidade. uma tendência à intelectualização do processo produtivo. O que estamos presenciando não é apenas uma mudança qualitativa da relação do ser humano com a realidade. afinal. da exploração do trabalho e de contenção dos bolsões de pobreza. Inteligência e trabalho Antes de tudo. inteligência criadora (Marina). pelo menos do ponto de vista de seus fundamentos. No Brasil. na Psicologia da Educação. cujas conseqüências se delineiam nos termos do que sendo denominado de “sociedade dos três terços": "um terço integrado ao trabalho e ao consumo. o tema da inteligência esteja se consagrando como temática ainda mais determinante. continua sendo uma capacidade exigida para as mais qualificadas funções no mercado de trabalho e. formular algumas questões: como e em que sentido tem caminhado a noção de inteligência nesse final de século? Em que medida as novas noções formuladas recriam ou refutam as explicações anteriores? Como as formulações teóricas psicológicas têm respondido às novas exigências sociais e culturais? Que referenciais teóricometodológicas adotar? Como somos afetados pelo debate atual do ponto de vista da manutenção de nossas teorias e paradigmas? Será preciso repensar nossos cursos de Psicologia da Educação? A resposta a estas interrogações constitui. portanto. dessa concentração extremada. inclusive por parte de teóricos.continuam sendo mecanismos fundamentais. uma concepção de inteligência inteiramente nova e distinta daquelas que se delinearam ao longo desse século. p. sua teoria foi alvo de muitas críticas. Enquanto a primeira e a segunda revoluções significaram uma potenciação fantástica da força física humana. verifica-se. aproximadas. A emergência dessas novas abordagens sugere que. como Vygotsky e Wallon. evidentemente. a presença de algumas novas abordagens da inteligência. De outra parte. cm especial. A atual fase do capitalismo configura "um revolucionamento da base científico-técnica do processo produtivo no contexto que a literatura denomina de terceira revolução industrial. . à vida social em geral. as duas concepções resistem e são. Distintas e. relacionar as partes e o todo no processo produtivo. ele deverá utilizar e consumir recursos cada vez mais transformados pela parafernália das novas tecnologias disponíveis e em alucinante transformação. Caberia aqui perguntar se estaria em causa. assim. uma concentração crescente "do capital. que formularam suas concepções de desenvolvimento infantil se contrapondo a Piaget em aspectos fundamentais. no entanto. Cabe. pelos mesmos motivos porque foi importante no início do século. No debate contemporâneo. dominar linguagens apropriadas e procedimentos técnico-científicos. em especial em economias periféricas como a nossa. possuir capacidades de elevada abstração. algumas vezes. para empanar a notável inserção das idéias piagetianas no mundo contemporâneo. inteligência emocional (Goleman). O desemprego e o emprego precário são conseqüências. São conhecidos os estudos que traçam esse novo perfil do trabalhador. interatividade. Pode-se depreender. no cenário educacional. do que foi formulado acima. um terço precarizado no trabalho e no consumo e um terço excluído" (Frigotto. Essas críticas não foram suficientes. a terceira amplia a capacidade mental e intelectual" ( Frigotto. verifica-se uma ampla divulgação de uma espécie de ideário construtivista que orienta propostas pedagógicas tanto governamentais quanto privadas. Verifica-se. pretende-se apenas iniciar essa discussão. portanto. é também verdade que a moderna sociedade capitalista requer novas habilidades cognitivas (e também de outra ordem) necessárias ao desempenho em um universo de trabalho automatizado. 144). em âmbito mundial. é preciso que se discuta por que o conceito de inteligência se tornou particularmente importante neste final de século. inteligência artificial (Minsky). neste final de século. definida pela microeletrônica associada à informática.

encontraria força renovada. Esta concepção tem merecido ampla divulgação. Ao se discutir os novos enfoques do conceito de inteligência. que "a mente seria resultante de uma operação computacional por meio de regras e de símbolos mentais. incorporando conceitos e modelos renovados. especialmente por não permitir elucidação do processo pelo qual redes neurais cerebrais formam símbolos mentais a partir de sinais elétricos. Pode-se tomar por exemplos as concepções de "inteligência emocional" e de "inteligências múltiplas". em conseqüência. mas baseia-se em uma visão simplista de cérebro. a conclusões sobre o comportamento. especialmente no campo da informática e das comunicações. A tendência à naturalização dos processos psicológicos. não exclusivo. a tendência contemporânea em afirmar a biologia enquanto paradigma das ciências humanas e a recorrente perspectiva de naturalização da psicologia. naturais ou mecânicos da atividade cognitiva. o livro “Inteligência Emocional” sustenta suas argumentações em um manancial de pesquisas científicas. a que provoca mais criticas no meio acadêmico. pela mídia envolvida. com bastante rapidez. para fundamentar sua tese da multiplicidade da inteligência. além daquelas diretamente decorrentes das transformações produtivas. ao mesmo tempo. o psicólogo ( Ph. A informática e as redes de comunicação teriam permitido. ainda. A explicação de Gardner vai. O conceito de inteligência artificial simbólica supõe." (Del Nero. de outro. Segundo este pesquisador. sua metáfora. sendo sua propositura bastante sensível à crescente demanda de diversificação e flexibilização das atividades produtivas. acima de tudo. são numerosas e diversificadas as tentativas de afirmar o que é ser contemporaneamente inteligente. um curioso processo em que se observa. deve-se ressaltar. 1997). o conceito de rede neural é útil e interessante na solução de inúmeros problemas. Em primeiro lugar. Ou seja. A explicação da inteligência passaria pela adoção de um modelo explicativo fundamentalmente de caráter biológico. As publicações do divulgador do conceito. finalmente. vão aprendendo a melhor maneira de ajustar a força de suas conexões de tal forma a resolvê-lo. quanto na mídia. A concepção de "inteligência emocional" é. permitindo que se realizassem. soando inovadora para aqueles que criticam a ênfase dada nos aspectos lógico-matemáticos e cognitivos da racionalidade contemporânea. é importante situar alguns fatores determinantes dessas novas concepções. Nem sentido. Por intermédio de leis lógicas poderiam construir-se programas que simulassem as leis mentais. a partir de inferências que nem sempre são bem explicadas." (Del Nero. das teorias anteriores (psicométrica e piagetiana). Tudo poderia ser explicado pelos modelos naturais. essas tentativas reintroduzem modelos e conceitos que se pretendia superar. espacial. as contribuições da ciência cognitiva e da biologia. Daniel Gateman. especialmente com relação ao modo como os meios educacionais deveriam proceder para desenvolver as inteligências particulares em seus alunos.nas máquinas.D. a partir de suas evidências. corporal-cinestésica. estudos numerosos e variados sobre o cérebro humano. com efeito. A construção de redes neurais destinada a simular a inteligência é chamada de "inteligência artificial conexionista" e se distingue por não estabelecer uma diferenciação entre software e hardware: "Os múltiplos neurônios artificiais conectados em rede são capazes de passar por uma fase de treinamento em que. E. Tratado por alguns como literatura de auto-ajuda. em especial oriundas . incorporando. tão familiar à psicologia desde seu nascimento. nesse momento. por exemplo. dado um determinado problema.Concepções de inteligência contemporâneas Verifica-se. Sua análise se contrapõe e se beneficia. indicativas de sucesso ou insucesso na vida do sujeito. evidenciada pela persistência da idéia de avaliação de potencialidades individuais com relação a talentos diversificados. O estudo da cognição encontraria. valeria a pena observar se não estaria em causa uma reafirmação da psicometria. a formulação de um modelo sobre como funciona a inteligência humana. oferecendo a sugestão de que "a inteligência da máquina" possa funcionar como modelo ou parâmetro para a inteligência humana. Verifica-se uma exacerbação dos determinantes biológicos. Essa profusão de descobertas conduziu. simples cadeias de inferências válidas. tornaram-se best sellers. A mente nessa visão seria um programa (software) e o cérebro um meio físico (hardware). tanto no meio acadêmico. a inteligência artificial e alguns enfoques da psicologia cognitiva. ao mesmo tempo. cometidos pelos cientistas. como já foi indicado. tão poderosamente desvendados pelos novos recursos tecnológicos. 1997). possivelmente. cabe destacar os novos recursos oferecidos pelo avanço tecnológico. lógico-matemática. o surgimento de novas e diversificadas concepções de inteligência e a reafirmação das concepções anteriores. com relativa facilidade. Corre-se o risco de se repetir para as inteligências múltiplas o que já foi amplamente criticado com relação aos testes de inteligência tradicionais. de um lado. assumindo um tom prescritivo. devidamente traduzidos em algoritmos. dentre as novas abordagens da inteligência. As recentes especulações sobre a relação entre número de neurônios no cérebro das mulheres e sua inteligência é um exemplo desses excessos. pela Universidade de Harvard) e articulista sobre temas científicos no New York Times. A concepção de "inteligências múltiplas" de Howard Gardner amplia a análise da cognição para incluir variedades de habilidades humanas (lingüística. Situam-se ai algumas áreas como a neurociência. Outra concepção importante seria o desenvolvimento da pesquisa no campo da psicofisiologia e da neurologia. musical. daí poder-se replicar o processo em outros meios físicos . intrapessoal e interpessoal). mas é seguramente aquela que mais adesão apaixonada provoca entre os leitores leigos e aquela que melhor foi incorporada pelas estratégias de marketing empresarial e escolar.

13). tia verdade. do capitulo 2). rotas 1. Fundamentando-se cientificamente. estudos psicológicos experimentais. na medida em que atualizam contribuições importantes do avanço tecnológico e científico. ratificando a ênfase nas habilidades cognitivas como realidades puramente individualizadas. faz um breve e superficial relato delas e apresenta inferências minuciosas e eloqüentes sobre suas implicações no comportamento emocional das pessoas. especialmente aquela que se ocupa da problemática educacional. 11. o texto vai se tornando cada vez mais prescritivo. muitas vezes agregando nota (que vem ao final do livro) informando que os estudos ou as inferências descritas ainda são inconclusas e não raro admite que elas são "um pouco especulativas" (exemplos: nota 7. 3. Fazer isso é estratégia para evitar a disseminação das conhecidas e nefastas formas dos psicologismos na educação e. com relação a essas aclamadas novas concepções de inteligência. as quais explicam aqueles momentos mais desconcertantes de nossa vidas. As novas teorias referendam exigências contemporâneas com relação à qualificação para o trabalho e para o mercado. explicando o sujeito a partir de suas exteriorizações tomadas independentes e autônomas frente às relações sociais concretas travadas por de Essas afirmações. 4. ao longo da obra. pela complexidade de enfoques multidisciplinares erigidos para o aprofundamento em algumas delas. demandas atuais de justificação e legitimação dos processos de exclusão e de adequação das pessoas à ordem vigente. Sua argumentação é simples: toma exemplos de pesquisas da neurociência. contribuição para a afirmação de uma concepção desta ciência chamada psicologia. mais ainda. traduzem uma noção naturalizada de inteligência. não chegam a romper com os modelos anteriores de inteligência afirmados ao longo do século. no plano ideológico.da neurologia: "as novas descobertas sobre a arquitetura emocional do cérebro. obscurecendo as determinações sociais e históricas da atividade intelectual. As novas teorias. . 2. é fundamental que os educadores se apropriem das implicações dessas abordagens. permitem rever e ampliar a discussão sobre inteligência. articulando. Algumas das novas explicações da inteligência. quando o sentimento esmaga toda racionalidade" (1996. e esse é o grande trunfo que o autor utiliza para legitimar sua análise. sugerem que a discussão sobre a inteligência no momento é uma tarefa fundamental para a psicologia. Também são citados. a saber. podem ser feitas algumas afirmações que. ainda que o proclamem. ainda. do capítulo 1. 2. dizendo como as pessoas devem ser para se tomarem "inteligentes emocionais" . em seu conjunto. p. As novas concepções de inteligência. Pressionados pelo modismos e pelo apelo mercadológico de certas concepções e. em sua maioria. traduzem hipóteses a serem referendadas por estudos posteriores: 1. Em síntese. a psicometria e a teoria psicogenética de Piaget.

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