ARTIGO

Cuidando da pessoa com ferida cirúrgica: estudo de caso
Taking care of the person with a surgical wound: case-study

Pedro Miguel Lopes de Sousa* Isabel Margarida Silva Costa Santos**

Resumo
Actualmente, o número de pessoas com feridas cirúrgicas parece aumentar tanto nos cuidados de saúde primários como nos diferenciados, exigindo o incremento da investigação para rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem. Neste âmbito, realizou-se um estudo de caso com um indivíduo submetido a excisão dum sinus pilonidal, com o objectivo de: reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados e avaliar a evolução do processo de cicatrização de uma ferida cirúrgica em função dos materiais de pensos utilizados. No caso estudado verificou-se que a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem adequado facilita o processo de tomada de decisão do enfermeiro. De salientar que o tratamento com gaze iodoformada promoveu a hemostasia, o desbridamento e o tecido de granulação. Já a utilização de alginato de cálcio pareceu ter um maior êxito terapêutico, ao contrário do Triticum vulgare que conduziu à regressão evolutiva da ferida e à recidiva de infecção.
Palavra-chave: Estudo de caso; Ferida cirúrgica; Material

Abstract
In our days, the number of people with surgical wounds seems to increase in primary and differentiated health care, which demands for the amplification of investigation to maximize resources and optimize nursing care. So, a case-study was conducted with a subject submitted to excision of a pilonidal disease, with the objective of reflecting about the nursing care plan and evaluating the evolution of the cicatrisation process of a surgical wound according to the used dressing material. In the studied case, we observed that the elaboration of an accurate nursing care plan makes possible the nursing process of taking decisions. The treatment with iodoformed gauze promoted the hemostasy, cleanning and granulation tissue. With calcium alginate we achieved higher therapeutic success, unlike the Triticum vulgare that conduced to the evolutive regression of the wound and to infection.

de penso; Plano de Cuidados de Enfermagem.

Key-words: Ca se-stud y; Surgi c al wound ; Dressin g Material; Nursing Care Plan.

* Licenciado em Enfermagem e Mestre em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeiro de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 3-Homens) ** Licenciada em Enfermagem e Mestranda em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeira de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 1-Mulheres)

Recebido para publicação em 03-05-06 Aceite para publicação em 02-01-07

Revista

II.ª Série - nº 4 - Jun. 2007

eritema da pele. eritema e edema em torno da ferida. pelo que sentimos necessidade de encontrar espaços de reflexão sobre as práticas. considerou-se pertinente desenvolver um estudo de caso com um indivíduo portador de uma ferida cirúrgica. 26 . pele circundante com bolhas. sanguínea ou purulenta. técnicas e produtos que permitam tratar estas pessoas de uma forma mais rápida. macerada e anormal. (2000. odor da ferida. Perante este contexto. elevação da temperatura da pele. O seu aparecimento pode dever-se a um trauma (mecânico. devendo haver uma aproximação entre o contexto da prática e o contexto formativo. 1999). o conceito de ferida abarca uma grande diversidade de situações.. no nosso quotidiano. a acção é frequentemente privilegiada em detrimento da reflexão. No entanto. 2000. p. o doente do foro cirúrgico é o principal alvo dos nossos cuidados. As feridas consistem em soluções de continuidade que podem estar presentes nos tegumentos e nos órgãos que ocorrem em consequência de uma acção exterior (Paredes. para progredir na área científica e na área da prática clínica. drenagem serosa. sensibilidade dolorosa em torno da ferida. p. os estádios são graduados de acordo com a gravidade. sendo os cuidados de enfermagem planeados e desenvolvidos com base na Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE).” (Mortensen. ou a um processo isquémico e/ou de pressão. Uma das principais áreas de intervenção refere-se ao doente com ferida cirúrgica. afigura-se pertinente fazer uma breve resenha teórica sobre os principais conceitos envolvidos nesta pesquisa: ferida cirúrgica. desde o esfacelo e tunelização dos tecidos. tecido de granulação vermelho. Estas conduzem à quebra da função protectora da pele e são definidas na perspectiva de Rocha et al. a uma cirurgia. 2002). 13) “(.Introdução A Enfermagem. da mucosa ou eventualmente do osso (. as actividades científicas de Enfermagem não devem ser divorciadas da sua prática clínica. cuidados estes que devem estar na vanguarda das necessidades percepcionadas pela sociedade no presente e no futuro (Watson. as prescrições de enfermagem relativamente à técnica e aos produtos utilizados foram sendo adaptados consoante os diagnósticos de enfermagem activos. de modo a melhorar a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. a CIPE considera que: “Ferida é um tipo de tecido com as seguintes características específicas: lesão do tecido habitualmente associada com agressão física ou mecânica. pelo que se impõe a necessidade de proceder à sua classificação.. quer se trate de pele. Neste contexto. o presente estudo visa reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados aos doentes com feridas cirúrgicas.. feridas negras marcadas pela necrose. necrose do tecido gordo. mais eficaz e menos dolorosa. será pertinente determonos sobre o conceito e classificação das feridas.)”. bem como avaliar a evolução de uma ferida cirúrgica de acordo com os materiais de pensos utilizados. sendo necessário encontrar métodos. minimizando as complicações a longo prazo. químico ou físico). Por sua vez. materiais de penso e sinus pilonidal. Isto porque a Enfermagem é uma profissão cuja responsabilidade ética e social perante o indivíduo e perante a sociedade torna o Enfermeiro responsável pelos cuidados prestados ao indivíduo. 41). Durante o processo de tratamento.) como uma ruptura da estrutura e função anatómica normal. No nosso contexto profissional. não pode abdicar da visão holística e humanista do ser humano.. Deste modo. Tendo em vista a consecução dos objectivos supracitados. Assim como a mente é inseparável do corpo. Ao prestarmos cuidados agimos para o bem do outro mas por vezes.

tal não significa que a cicatrização atrase ou que as feridas se tornem imediatamente infectadas.” (Mortensen. Esta classificação defende ainda que a infecção na ferida deve ser reconhecida como um fenómeno de enfermagem distinto. apesar de todos os tipos de ferida merecerem um estudo aprofundado. exsudativas e infectadas. Importa antes de mais. o que pode ser interpretado como um indicador de um processo infeccioso (Riijswijk. a CIPE (Mortensen. tentando manter em condições óptimas para garantir a sua humidade. infectada. p. no entanto. 2000). profundidade. pretende-se que o material de penso a utilizar. 27 . Quanto às feridas infectadas. Para o tratamento destas feridas existem dois tipos de pensos hemostáticos: os absorvíveis (ex. queimadura. alertar para a existência de uma grande diversidade de feridas cirúrgicas. as células epiteliais só permanecem viáveis e só migram ao longo do leito de uma ferida. celulose oxidada e colagénio com gentamicina) e os não absorvíveis (ex. 41). coexistindo várias classificações com indicadores de avaliação distintos. tempo de cicatrização. Rocha et al.. tenha a capacidade de absorver rapidamente o fluído excessivo e possuir uma grande capacidade de retenção. Assim. as espumas e as hidrofibras parecem ser os mais indicados para este tipo de feridas (Rijswijk. nomeadamente: etiologia. pelo que se apresenta mais elevada na fase inflamatória. Lopes e Rocha (1999) optam por defender uma divisão em quatro tipos distintos de feridas: necrótica. caso esta se mantenha húmida. 2000). sem mostrar sinais de infecção ou pus. isto é. Por tudo isto. incisão. no contexto deste estudo iremos avaliar uma ferida cirúrgica. laceração. que é “(. pelo que aqui apenas nos referiremos de um modo geral à especificidade das feridas hemorrágicas.. 2003).) um tipo de ferida com as seguintes características específicas: corte de tecido produzido por um instrumento cirúrgico cortante. que inclui escoriação. não permitindo que o exsudado entre em contacto com a pele circundante. Na tentativa de uniformizar o pensamento científico e uniformizar os conceitos teóricos relativos à profissão de enfermagem. gaze iodoformada) (Rocha et al. produzindo drenagem de soro e sangue. em granulação e. há que considerar prioritário.Identifica-se ausência de consenso no campo da comunidade científica. material secretado (como por exemplo: factores de crescimento) a partir de células à volta da ferida e por fragmentos das células mortas resultantes da destruição da matriz extracelular. estes autores são unânimes ao afirmarem que a presença de exsudado nestas feridas é resultante do aumento da permeabilidade capilar. Neste sentido.. Nas feridas hemorrágicas estão indicados os pensos hemostáticos.. Assim. necrose e outros. o facto de que a humidade pode beneficiar as feridas exsudativas. 2003. que se espera que seja limpa. sendo composto por fluidos extravasados dos vasos sanguíneos. 2000). neste tipo de feridas.. queimadura por frio. visando controlar as hemorragias persistentes devido à cirurgia e sempre que a hemostase tradicional seja de difícil realização. em epitelização. contusão. Rocha et al. esponja de gelatina. É igualmente relevante. os alginatos. extensão do tecido lesado e aparência clínica (Rocha et al.No que respeita às feridas exsudativas. Todavia. uma ferida infectada será aquela que contém exsudado purulento. 2000. o controlo do fluído da ferida. (2000) consideram que normalmente todas as feridas são colonizadas por bactérias. Assim. de modo a criar uma abertura num espaço do corpo ou num órgão. Alguns factores locais podem ser susceptíveis de aumentar o risco de infecção. a quantidade de exsudado não é a mesma ao longo de todo o processo de cicatrização. uma vez que. 2000) apresentou uma categorização em dois tipos de feridas: a ferida cirúrgica e a ferida traumática.

O tratamento desta patologia pode ser feito através de incisão. sendo o tempo de recuperação médio de 1 mês (com curetagem) a 10 semanas (sem curetagem). material de penso impregnado (gaze gorda e gazes medicadas) e filmes (películas semipermeáveis adesivas e não adesivas). as hormonas sexuais afectam as glândulas pilossebáceas através da distensão dos folículos pilosos com queratina. pelo que Rocha et al. também conhecido por quisto dermóide sacrococcígeo. A primeira pode conduzir a uma cicatrização mais rápida. mas implica uma restrição de várias actividades e tem uma taxa de insucesso de 16% e uma taxa de recorrência de 38%. Rocha. celulose oxidada e carvão activado com prata). a presença de microorganismos dentro da ferida prolonga a cicatrização devido à destruição celular por competição pelo oxigénio dentro de ferida. com a fricção e o movimento do indivíduo sempre que este se senta e levanta. A dor e a drenagem purulenta. Nesta ordem de ideias. No contexto deste estudo. celulose oxidada e esponja de colagénio com gentamicina). circulação local insuficiente. 2000b. material de penso hemostático (esponja de gelatina. feridas no abdómen. material de penso desbridante (hidrogéis). Uma outra técnica. tem como vantagem minimizar a possibilidade de infecção e de deiscência da ferida e. por outro. 2000). por seu lado. formando um abcesso pilonidal. Estas considerações abrem espaço para uma outra reflexão centrada nos materiais disponíveis para o tratamento das feridas. A gaze iodoformada é um material de penso hemostático não absorvível. hidrocolóides. Após a puberdade. gaze iodoformada. coxa e nádegas. razão pela qual pode desenvolver-se uma foliculite que se estende e rompe o tecido subcutâneo. hematomas ou “espaços mortos” (Marquez. organizando-os em 5 grupos principais: material de penso absorvente (alginatos. quisto pilonidal ou doença pilonidal. (2000) apontam a necessidade de agrupar o material de penso. espumas.tais como: a presença de tecido desvitalizado. indicado sobretudo para o 28 . segundo Caestecker (2005) esta patologia foi descrita pela primeira vez em 1833. Já a cicatrização por segunda intenção apresenta uma menor taxa de recorrência (8-21%) mas um tempo médio de cicatrização de 2 meses. Por um lado. a mesma autora faz ainda referência a uma classificação dos materiais de pensos. De acordo com o mesmo autor. De facto. presença de corpos estranhos. sendo comum em adolescentes e jovens adultos (15-30 anos). foi uma técnica introduzida em 1937 e representa um método misto. causando necrose e formação de pus bem como. drenagem e curetagem da cavidade do abcesso sob anestesia local. Deste modo. 2003). à libertação de toxinas que danificam o tecido local. A manifestação mais comum desta patologia é a presença uma massa dolorosa flutuante na região sacrococcígea. Os estudos apontam para um tempo médio de 6 semanas e uma taxa de recorrência de 4-8% (Caestecker. de modo a simplificar e clarificar essa selecção. 2005). reconhecida como marsuapialização. estão presentes em cerca de 70 a 80% dos casos. Existem mais de 200 produtos disponíveis no mercado. o que torna complexa a selecção do material de penso. à libertação de toxinas na corrente sanguínea (Gogia. os pêlos soltos perfuram ou são sugados pelo sinus. Existem ainda duas possibilidades cirúrgicas principais: o encerramento primário da ferida e a cicatrização por segunda intenção. Uma das feridas cirúrgicas muito frequente que requer tratamento durante várias semanas pode ser provocada pela presença de sinus pilonidal. permite reduzir o tempo de cicatrização visto que a ferida é suturada aberta. hidrofibras. do triticum vulgare e do alginato de cálcio. importa analisar com maior pormenor as propriedades da gaze iodoformada.

cirurgia plástica e reparadora. 2001. exigindo do enfermeiro uma resposta capaz e adequada. maceração e pouca adesão das fibras. oclusão venosa ou arterial e nos casos de alergia aos alginatos (Braun. colonizadas ou infectadas. piodermíticas. quando combinados com hidrocolóides. A duração do tratamento é dependente do ritmo de epitelização da ferida (Rocha et al. encerramento de trajectos fistulosos. este recurso constitui um material de penso cómodo para o doente e de fácil utilização por parte do profissional de saúde (Braun. feridas de qualquer etiologia. extensão e etiologia. úlceras de decúbito. hemostático e uniforme de alginato sódiocálcio que permite a troca de gases e cria um meio húmido na superfície da ferida que favorece a sua cicatrização e proporciona um alívio da dor ao humidificar as terminações nervosas. 2003). falta de propriedades de barreira. 2003. por radiação. 2000). Se o exsudato estiver a ser contido pelo alginato de cálcio. 2001). o mesmo poderá ser mantido até 7 dias. É um material de penso que absorve grandes quantidades de exsudado por capilaridade (cerca de 20 vezes o seu peso). Quanto aos alginatos. Mandelbaum. O creme deve ser aplicado na superfície da ferida. 2003). dependendo das características da ferida e da resposta ao tratamento. úlceras que necessitam de uma terapia antibiótica tópica. pode aplicar-se em feridas sangrantes. cirurgia urológica (circuncisão e fimoses). 2003). agudas ou crónicas. Está particularmente indicado para feridas superficiais com perda parcial de tecido (placa) ou lesões cavitárias profundas altamente exsudativas. 2000). Actualmente conhecemse vários problemas associados aos pensos convencionais (denominados pensos secos). 2001. fissuras anais. A sua utilização encontra-se contra-indicada em feridas não exsudativas. Estes produtos podem apresentar-se sob a forma de compressas ou tiras não adesivas. bioadesão e dor associadas à remoção. Di Santis e Mandelbaum. Di Santis e Mandelbaum. 1999). De facto. tais como a dissecção da ferida. e. úlceras de origem infecciosa. aumentarem a sua capacidade de absorção (Braun. varicosas. Já a escolha do alginato e a frequência da sua substituição dependem da quantidade de exsudado existente no leito da ferida (Rocha et al. o penso era considerado apenas como uma simples barreira de protecção que impedia a infecção da lesão ulcerada (Durão e Furtado. Forma-se um gel viscoso. Rijswijk. 2000). estes polímeros de cadeia longa são fibras de não-tecido impregnadas de alginato de cálcio e sódio extraídas das algas marinhas castanhas Laminaria.. Existem alguns trabalhos científicos que demonstram a capacidade dos alginatos estimularem o crescimento dos fibroblastos e de. Este apósito necessita da aplicação de um penso secundário que pode ser feito com compressas ou filmes adesivos. Já o creme de extracto aquoso de triticum vulgare está indicado para o tratamento tópico das alterações do tecido dérmico que necessitem da reactivação dos processos de epitelização. contendo ácido algínico como princípio activo (Braun. tais como: queimaduras de qualquer grau. Mandelbaum. com ou sem infecção (fita). atraso de cicatrização). cirurgia geral (avulsão de unhas. Além disso. hidrofílico. A sua utilização no tratamento de feridas está ainda pouco descrita e investigada na literatura científica nacional e internacional. 2 a 3 vezes por dia ou apenas diariamente. as feridas cirúrgicas são uma realidade constante tanto nos cuidados de saúde diferenciados como nos cuidados de saúde primários. Assim.tratamento da epistaxis (Rijswijk. hidratando-se e produzindo um intercâmbio de iões de cálcio para iões de sódio que passam a ser solúveis em solução salina para a sua posterior limpeza. neuropáticas. nas últimas duas décadas surgiram no mercado diversos 29 . Rocha et al. 2001. Em suma. Durante muito tempo...

estudo de caso. Este indivíduo foi submetido em 27 de Junho de 2005 a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) com marsupialização sob anestesia local. profundidade. Ou seja. Este tipo de investigação utiliza-se para estudar um caso que é reconhecido como especial. largura. e a experiência dos profissionais de saúde também representam factores determinantes para uma decisão terapêutica eficaz e adequada. uma vez que consiste em investigar aprofundadamente um indivíduo (Fortin. a observação atenta das características gerais do utente. através da observação directa e recolha fotográfica. data em que foi concluído o plano de cuidados de enfermagem ao indivíduo com o encerramento da sua ferida cirúrgica (num total de 68 dias). o desafio actual que é colocado ao enfermeiro reportase à necessidade de uniformizar as práticas de actuação. O estudo foi realizado com um indivíduo do sexo masculino (Sr. consequentemente. atendendo a uma grelha de avaliação da ferida constituída por seis parâmetros: extensão. Neste âmbito. o Sr. mais concretamente. propriedades e modos de utilização dos novos materiais. aconselha-se o incremento da investigação mas. quando George Winter publicou um trabalho sobre o efeito da humidade na epitelização da ferida. exsudato (Marquez. Resultados Como foi referido. contraindicações. aparência. X) de 23 anos de idade.produtos modernos para o tratamento de feridas que foram concebidos com o intuito de solucionar os problemas apresentados pelos pensos convencionais e. X foi submetido a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) no dia 27 de Junho de 2005. sendo o caso acompanhado até 3 de Setembro de 2005. incrementando a pesquisa científica sobre a eficácia dos novos materiais de penso. um 30 . atendendo a todas estas considerações conclui-se que a escolha do material de penso mais adequado é complexa. No dia seguinte foi iniciada a colheita de informações e elaborado o plano de cuidados de enfermagem. de forma a rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem aos indivíduos portadores de feridas. uma vez que consideramos que a tomada de decisão em enfermagem deve ser cada vez mais fundamentada e rigorosa. Assim.. com a salvaguarda de os resultados não poderem ser generalizados a outras populações ou situações. 1999). devido à diversidade de propriedades de cada produto e ao facto de o mesmo material poder ser utilizado em situações distintas. sem antecedentes patológicos pessoais ou familiares relevantes. podemos Método O presente estudo é uma pesquisa de índole descritiva. melhorar o processo de cicatrização natural (Rocha et al. Uma das características do estudo prende-se com a possibilidade de obter informação detalhada sobre um fenómeno novo. 2003) e dor (segundo a Escala Visual Analógica). considera-se que só através da investigação se tornará possível descriminar de forma adequada todas as indicações. Assim. Para minimizar esta dificuldade. Desde aí tem-se assistido a uma constante demanda pela procura do material de penso ideal. 2000). mas persiste ainda uma grande discórdia e várias divergências quanto às práticas e opiniões relativas aos diferentes métodos de tratamento das feridas. utilizando a CIPE como referencial teórico. A revolução nos métodos de tratamento ocorreu em 1962. procurando associar a evolução de um fenómeno a uma intervenção. A colheita de dados para esta pesquisa foi realizada no domicílio do sujeito do estudo. o bom senso.

3) com uma profundidade reduzida. Tabela 1 – Diagnósticos de Enfermagem (CIPE): evolução Tabela 2 – Grelha de avaliação da ferida cirúrgica 31 . de perda sanguínea pela ferida cirúrgica e de dor na ferida cirúrgica. Tabela 1e Fig. tendo os pontos da sutura sido removidos no 5º dia pós-operatório por dor e laceração dos tecidos. X. pelo que foi iniciado tratamento diário com creme de extracto aquoso de Triticum vulgare. atendendo à diminuição da quantidade de exsudato hemático e à boa evolução do tecido de granulação. A 7 de Agosto (41º dia pós-operatório) a ferida apresentava uma dimensão significativamente menor (cf. verificando-se uma diminuição da extensão da ferida mas um ligeiro aumento da sua profundidade (cf. foi diagnosticada a presença de uma ferida curúrgica. Assim. Optou-se pela manutenção deste material de penso. atendendo ao facto do leito da ferida estar sangrante (cf. dor na ferida cirúrgica e infecção na ferida cirúrgica. Nessa data foi ainda encerrado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica. o tratamento da ferida manteve-se com gaze iodoformada mas passou a ser efectuado de dois em dois dias. Tabela 2 e Fig.levantados (cf. no Sr. Tabela 2 e Fig. Nesta fase. Após o 19º dia pós-operatório. perda sanguínea pela ferida cirúrgica. pelo facto de a ferida se manter com exsudato sero-hemático (embora em quantidade reduzida). 1). Em 28 de Junho de 2005. 4). Este tratamento foi mantido durante 13 dias. além dos tecidos desvitalizados terem sido removidos e da ferida apresentar tecido de granulação (cf. 2). pelo que foi feito tratamento da ferida com a aplicação de gaze iodoformada. Tabela 2 e Fig. o tratamento da ferida com gaze iodoformada foi diário. a 16 de Julho foi terminado o diagnóstico de enfermagem de perda sanguínea pela ferida cirúrgica. Tabela 1): ferida cirúrgica.

Desta forma. O penso (alginato de cálcio) foi substituído ao fim de 3 dias apresentando exsudato hemato-purulento. 5). Fig. 1 . o sujeito do estudo referiu dor intensa (EVA=8) ao toque e prurido na ferida cirúrgica que apresentava tumefacção e presença de exsudato purulento.Ferida cirúrgica não exsudativa (41º dia pós-operatório) Fig. No dia seguinte foi reavaliada a ferida e elaborado novo plano de cuidados. verificando-se apenas uma drenagem serosa em quantidade reduzida. Desta forma foram encerrados os diagnósticos de dor na ferida cirúrgica e de infecção da ferida cirúrgica. reconhece-se uma evolução gradual neste processo que foi interrompida pela recidiva do processo infeccioso. a evolução positiva da ferida retomou-se com uma velocidade de cicatrização bastante superior à anterior (cf. Analisando os dados obtidos ao longo da cicatrização da ferida cirúrgica do Sr.No dia 26 de Agosto (60º dia pósoperatório). 4 .Ferida cirúrgica não exsudativa (54º dia pós-operatório) Fig. ao passo que a perda sanguínea pela ferida cirúrgica terminou a 2 de Setembro. Foi então iniciado tratamento com alginato de cálcio (cf. 2 .Ferida cirúrgica infectada Fig. 3 . Feita a limpeza cirúrgica da ferida e com a aplicação do alginato de cálcio. 6). Tabela 2 e Fig. X. por apresentar exsudato hemato-purulento em quantidade moderada. Gráfico 1). sendo finalizado o diagnóstico de ferida cirúrgica e encerrado o plano de cuidados (cf. 5 . o paciente foi encaminhado para o serviço de Cirurgia onde foi feita limpeza cirúrgica da ferida sob anestesia local. Tabela 1 e Fig.Ferida cirúrgica hemorrágica (1º dia pós-operatório) Fig. foi novamente activado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica e diagnosticou-se ainda uma infecção da ferida cirúrgica. 4 (54º dia pós-operatório) 32 .Ferida cirúrgica cicratrizada (68º dia pós-operatório) (61º dia pós-operatório).Ferida cirúrgica exsudativa (19º dia pós-operatório) Fig. diagnosticando-se uma perda sanguínea pela ferida cirúrgica. Perante esta situação. 6 .Ferida cirúrgica não exsudativa Fig. No dia seguinte (68º dia pós-operatório) a ferida estava cicatrizada.

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