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Ferida Cirúrgica

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ARTIGO

Cuidando da pessoa com ferida cirúrgica: estudo de caso
Taking care of the person with a surgical wound: case-study

Pedro Miguel Lopes de Sousa* Isabel Margarida Silva Costa Santos**

Resumo
Actualmente, o número de pessoas com feridas cirúrgicas parece aumentar tanto nos cuidados de saúde primários como nos diferenciados, exigindo o incremento da investigação para rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem. Neste âmbito, realizou-se um estudo de caso com um indivíduo submetido a excisão dum sinus pilonidal, com o objectivo de: reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados e avaliar a evolução do processo de cicatrização de uma ferida cirúrgica em função dos materiais de pensos utilizados. No caso estudado verificou-se que a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem adequado facilita o processo de tomada de decisão do enfermeiro. De salientar que o tratamento com gaze iodoformada promoveu a hemostasia, o desbridamento e o tecido de granulação. Já a utilização de alginato de cálcio pareceu ter um maior êxito terapêutico, ao contrário do Triticum vulgare que conduziu à regressão evolutiva da ferida e à recidiva de infecção.
Palavra-chave: Estudo de caso; Ferida cirúrgica; Material

Abstract
In our days, the number of people with surgical wounds seems to increase in primary and differentiated health care, which demands for the amplification of investigation to maximize resources and optimize nursing care. So, a case-study was conducted with a subject submitted to excision of a pilonidal disease, with the objective of reflecting about the nursing care plan and evaluating the evolution of the cicatrisation process of a surgical wound according to the used dressing material. In the studied case, we observed that the elaboration of an accurate nursing care plan makes possible the nursing process of taking decisions. The treatment with iodoformed gauze promoted the hemostasy, cleanning and granulation tissue. With calcium alginate we achieved higher therapeutic success, unlike the Triticum vulgare that conduced to the evolutive regression of the wound and to infection.

de penso; Plano de Cuidados de Enfermagem.

Key-words: Ca se-stud y; Surgi c al wound ; Dressin g Material; Nursing Care Plan.

* Licenciado em Enfermagem e Mestre em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeiro de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 3-Homens) ** Licenciada em Enfermagem e Mestranda em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeira de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 1-Mulheres)

Recebido para publicação em 03-05-06 Aceite para publicação em 02-01-07

Revista

II.ª Série - nº 4 - Jun. 2007

as prescrições de enfermagem relativamente à técnica e aos produtos utilizados foram sendo adaptados consoante os diagnósticos de enfermagem activos.. os estádios são graduados de acordo com a gravidade. eritema e edema em torno da ferida. 2000. p.. O seu aparecimento pode dever-se a um trauma (mecânico. o presente estudo visa reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados aos doentes com feridas cirúrgicas. a CIPE considera que: “Ferida é um tipo de tecido com as seguintes características específicas: lesão do tecido habitualmente associada com agressão física ou mecânica.. materiais de penso e sinus pilonidal. Por sua vez. tecido de granulação vermelho. técnicas e produtos que permitam tratar estas pessoas de uma forma mais rápida. no nosso quotidiano. ou a um processo isquémico e/ou de pressão. Isto porque a Enfermagem é uma profissão cuja responsabilidade ética e social perante o indivíduo e perante a sociedade torna o Enfermeiro responsável pelos cuidados prestados ao indivíduo. devendo haver uma aproximação entre o contexto da prática e o contexto formativo. afigura-se pertinente fazer uma breve resenha teórica sobre os principais conceitos envolvidos nesta pesquisa: ferida cirúrgica. As feridas consistem em soluções de continuidade que podem estar presentes nos tegumentos e nos órgãos que ocorrem em consequência de uma acção exterior (Paredes. 26 . a uma cirurgia. p.Introdução A Enfermagem. não pode abdicar da visão holística e humanista do ser humano. Tendo em vista a consecução dos objectivos supracitados. quer se trate de pele. as actividades científicas de Enfermagem não devem ser divorciadas da sua prática clínica. eritema da pele. sensibilidade dolorosa em torno da ferida. macerada e anormal. desde o esfacelo e tunelização dos tecidos. sendo os cuidados de enfermagem planeados e desenvolvidos com base na Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE). pele circundante com bolhas. 13) “(. da mucosa ou eventualmente do osso (. Perante este contexto. 1999). necrose do tecido gordo. a acção é frequentemente privilegiada em detrimento da reflexão. de modo a melhorar a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. feridas negras marcadas pela necrose. mais eficaz e menos dolorosa. 41). bem como avaliar a evolução de uma ferida cirúrgica de acordo com os materiais de pensos utilizados. Assim como a mente é inseparável do corpo. Uma das principais áreas de intervenção refere-se ao doente com ferida cirúrgica. considerou-se pertinente desenvolver um estudo de caso com um indivíduo portador de uma ferida cirúrgica. pelo que se impõe a necessidade de proceder à sua classificação. drenagem serosa. sanguínea ou purulenta. 2002). químico ou físico). Durante o processo de tratamento. Ao prestarmos cuidados agimos para o bem do outro mas por vezes.) como uma ruptura da estrutura e função anatómica normal. (2000. Neste contexto. odor da ferida. minimizando as complicações a longo prazo. Deste modo.. pelo que sentimos necessidade de encontrar espaços de reflexão sobre as práticas. sendo necessário encontrar métodos. No nosso contexto profissional. No entanto. Estas conduzem à quebra da função protectora da pele e são definidas na perspectiva de Rocha et al. elevação da temperatura da pele. cuidados estes que devem estar na vanguarda das necessidades percepcionadas pela sociedade no presente e no futuro (Watson.” (Mortensen. será pertinente determonos sobre o conceito e classificação das feridas. o conceito de ferida abarca uma grande diversidade de situações.)”. para progredir na área científica e na área da prática clínica. o doente do foro cirúrgico é o principal alvo dos nossos cuidados.

em epitelização. Nas feridas hemorrágicas estão indicados os pensos hemostáticos. 27 . pelo que se apresenta mais elevada na fase inflamatória. uma vez que. esponja de gelatina. o facto de que a humidade pode beneficiar as feridas exsudativas. Para o tratamento destas feridas existem dois tipos de pensos hemostáticos: os absorvíveis (ex. laceração. tentando manter em condições óptimas para garantir a sua humidade. Na tentativa de uniformizar o pensamento científico e uniformizar os conceitos teóricos relativos à profissão de enfermagem. incisão. exsudativas e infectadas. material secretado (como por exemplo: factores de crescimento) a partir de células à volta da ferida e por fragmentos das células mortas resultantes da destruição da matriz extracelular.. 2000) apresentou uma categorização em dois tipos de feridas: a ferida cirúrgica e a ferida traumática. estes autores são unânimes ao afirmarem que a presença de exsudado nestas feridas é resultante do aumento da permeabilidade capilar. tempo de cicatrização.. no entanto. 2000).. 2000). que se espera que seja limpa. queimadura. É igualmente relevante. que é “(. coexistindo várias classificações com indicadores de avaliação distintos. que inclui escoriação. pelo que aqui apenas nos referiremos de um modo geral à especificidade das feridas hemorrágicas. infectada.” (Mortensen. tal não significa que a cicatrização atrase ou que as feridas se tornem imediatamente infectadas. tenha a capacidade de absorver rapidamente o fluído excessivo e possuir uma grande capacidade de retenção. o que pode ser interpretado como um indicador de um processo infeccioso (Riijswijk. de modo a criar uma abertura num espaço do corpo ou num órgão. apesar de todos os tipos de ferida merecerem um estudo aprofundado. a quantidade de exsudado não é a mesma ao longo de todo o processo de cicatrização. Esta classificação defende ainda que a infecção na ferida deve ser reconhecida como um fenómeno de enfermagem distinto. os alginatos. Quanto às feridas infectadas. produzindo drenagem de soro e sangue. as espumas e as hidrofibras parecem ser os mais indicados para este tipo de feridas (Rijswijk. Todavia. Neste sentido.. 41). Rocha et al. pretende-se que o material de penso a utilizar. caso esta se mantenha húmida. nomeadamente: etiologia. isto é.) um tipo de ferida com as seguintes características específicas: corte de tecido produzido por um instrumento cirúrgico cortante. contusão. no contexto deste estudo iremos avaliar uma ferida cirúrgica. alertar para a existência de uma grande diversidade de feridas cirúrgicas. necrose e outros. há que considerar prioritário.No que respeita às feridas exsudativas. profundidade. Rocha et al. Assim. Assim. em granulação e. a CIPE (Mortensen. (2000) consideram que normalmente todas as feridas são colonizadas por bactérias. 2000.Identifica-se ausência de consenso no campo da comunidade científica. neste tipo de feridas. Lopes e Rocha (1999) optam por defender uma divisão em quatro tipos distintos de feridas: necrótica. 2003. o controlo do fluído da ferida. gaze iodoformada) (Rocha et al. 2000). p. uma ferida infectada será aquela que contém exsudado purulento. não permitindo que o exsudado entre em contacto com a pele circundante. visando controlar as hemorragias persistentes devido à cirurgia e sempre que a hemostase tradicional seja de difícil realização. Alguns factores locais podem ser susceptíveis de aumentar o risco de infecção. Importa antes de mais. sendo composto por fluidos extravasados dos vasos sanguíneos. queimadura por frio. sem mostrar sinais de infecção ou pus. Assim.. 2003). extensão do tecido lesado e aparência clínica (Rocha et al. celulose oxidada e colagénio com gentamicina) e os não absorvíveis (ex. as células epiteliais só permanecem viáveis e só migram ao longo do leito de uma ferida. Por tudo isto.

A primeira pode conduzir a uma cicatrização mais rápida. celulose oxidada e esponja de colagénio com gentamicina). De acordo com o mesmo autor. com a fricção e o movimento do indivíduo sempre que este se senta e levanta. O tratamento desta patologia pode ser feito através de incisão. Existem mais de 200 produtos disponíveis no mercado. A manifestação mais comum desta patologia é a presença uma massa dolorosa flutuante na região sacrococcígea. a mesma autora faz ainda referência a uma classificação dos materiais de pensos. organizando-os em 5 grupos principais: material de penso absorvente (alginatos. No contexto deste estudo. reconhecida como marsuapialização. à libertação de toxinas na corrente sanguínea (Gogia. 2003). foi uma técnica introduzida em 1937 e representa um método misto. os pêlos soltos perfuram ou são sugados pelo sinus. coxa e nádegas. (2000) apontam a necessidade de agrupar o material de penso. Deste modo. Por um lado. segundo Caestecker (2005) esta patologia foi descrita pela primeira vez em 1833. material de penso hemostático (esponja de gelatina. por seu lado. o que torna complexa a selecção do material de penso. Rocha. do triticum vulgare e do alginato de cálcio. as hormonas sexuais afectam as glândulas pilossebáceas através da distensão dos folículos pilosos com queratina. Já a cicatrização por segunda intenção apresenta uma menor taxa de recorrência (8-21%) mas um tempo médio de cicatrização de 2 meses. 2000b. permite reduzir o tempo de cicatrização visto que a ferida é suturada aberta. hematomas ou “espaços mortos” (Marquez. a presença de microorganismos dentro da ferida prolonga a cicatrização devido à destruição celular por competição pelo oxigénio dentro de ferida. Nesta ordem de ideias. quisto pilonidal ou doença pilonidal. feridas no abdómen. gaze iodoformada. importa analisar com maior pormenor as propriedades da gaze iodoformada. razão pela qual pode desenvolver-se uma foliculite que se estende e rompe o tecido subcutâneo. hidrofibras. material de penso desbridante (hidrogéis). pelo que Rocha et al. De facto. formando um abcesso pilonidal. sendo o tempo de recuperação médio de 1 mês (com curetagem) a 10 semanas (sem curetagem). hidrocolóides. circulação local insuficiente. drenagem e curetagem da cavidade do abcesso sob anestesia local. celulose oxidada e carvão activado com prata). de modo a simplificar e clarificar essa selecção. mas implica uma restrição de várias actividades e tem uma taxa de insucesso de 16% e uma taxa de recorrência de 38%. Após a puberdade. 2000).tais como: a presença de tecido desvitalizado. tem como vantagem minimizar a possibilidade de infecção e de deiscência da ferida e. Estas considerações abrem espaço para uma outra reflexão centrada nos materiais disponíveis para o tratamento das feridas. por outro. A gaze iodoformada é um material de penso hemostático não absorvível. Uma outra técnica. presença de corpos estranhos. indicado sobretudo para o 28 . Existem ainda duas possibilidades cirúrgicas principais: o encerramento primário da ferida e a cicatrização por segunda intenção. também conhecido por quisto dermóide sacrococcígeo. Os estudos apontam para um tempo médio de 6 semanas e uma taxa de recorrência de 4-8% (Caestecker. sendo comum em adolescentes e jovens adultos (15-30 anos). 2005). estão presentes em cerca de 70 a 80% dos casos. espumas. causando necrose e formação de pus bem como. material de penso impregnado (gaze gorda e gazes medicadas) e filmes (películas semipermeáveis adesivas e não adesivas). Uma das feridas cirúrgicas muito frequente que requer tratamento durante várias semanas pode ser provocada pela presença de sinus pilonidal. à libertação de toxinas que danificam o tecido local. A dor e a drenagem purulenta.

Já a escolha do alginato e a frequência da sua substituição dependem da quantidade de exsudado existente no leito da ferida (Rocha et al. feridas de qualquer etiologia.. 2000). cirurgia geral (avulsão de unhas. Está particularmente indicado para feridas superficiais com perda parcial de tecido (placa) ou lesões cavitárias profundas altamente exsudativas. 1999).tratamento da epistaxis (Rijswijk. e. 2000). Di Santis e Mandelbaum. este recurso constitui um material de penso cómodo para o doente e de fácil utilização por parte do profissional de saúde (Braun. pode aplicar-se em feridas sangrantes. Forma-se um gel viscoso. piodermíticas. por radiação. 2001). aumentarem a sua capacidade de absorção (Braun. De facto. neuropáticas. úlceras de decúbito. úlceras de origem infecciosa. colonizadas ou infectadas. 2001. Existem alguns trabalhos científicos que demonstram a capacidade dos alginatos estimularem o crescimento dos fibroblastos e de. 2003. A duração do tratamento é dependente do ritmo de epitelização da ferida (Rocha et al. cirurgia plástica e reparadora. extensão e etiologia. tais como a dissecção da ferida. A sua utilização no tratamento de feridas está ainda pouco descrita e investigada na literatura científica nacional e internacional. estes polímeros de cadeia longa são fibras de não-tecido impregnadas de alginato de cálcio e sódio extraídas das algas marinhas castanhas Laminaria.. 2 a 3 vezes por dia ou apenas diariamente. o penso era considerado apenas como uma simples barreira de protecção que impedia a infecção da lesão ulcerada (Durão e Furtado. Mandelbaum. É um material de penso que absorve grandes quantidades de exsudado por capilaridade (cerca de 20 vezes o seu peso). agudas ou crónicas. Se o exsudato estiver a ser contido pelo alginato de cálcio.. tais como: queimaduras de qualquer grau. quando combinados com hidrocolóides. atraso de cicatrização). falta de propriedades de barreira. dependendo das características da ferida e da resposta ao tratamento. hidratando-se e produzindo um intercâmbio de iões de cálcio para iões de sódio que passam a ser solúveis em solução salina para a sua posterior limpeza. o mesmo poderá ser mantido até 7 dias. Este apósito necessita da aplicação de um penso secundário que pode ser feito com compressas ou filmes adesivos. 2003). Durante muito tempo. Di Santis e Mandelbaum. Rijswijk. Actualmente conhecemse vários problemas associados aos pensos convencionais (denominados pensos secos). maceração e pouca adesão das fibras. hidrofílico. Já o creme de extracto aquoso de triticum vulgare está indicado para o tratamento tópico das alterações do tecido dérmico que necessitem da reactivação dos processos de epitelização. fissuras anais. Assim. Estes produtos podem apresentar-se sob a forma de compressas ou tiras não adesivas. bioadesão e dor associadas à remoção. contendo ácido algínico como princípio activo (Braun. cirurgia urológica (circuncisão e fimoses). O creme deve ser aplicado na superfície da ferida. nas últimas duas décadas surgiram no mercado diversos 29 . úlceras que necessitam de uma terapia antibiótica tópica. hemostático e uniforme de alginato sódiocálcio que permite a troca de gases e cria um meio húmido na superfície da ferida que favorece a sua cicatrização e proporciona um alívio da dor ao humidificar as terminações nervosas. 2001. Quanto aos alginatos. Rocha et al. oclusão venosa ou arterial e nos casos de alergia aos alginatos (Braun. Em suma. 2000). Mandelbaum. encerramento de trajectos fistulosos. exigindo do enfermeiro uma resposta capaz e adequada. 2001. Além disso. com ou sem infecção (fita). as feridas cirúrgicas são uma realidade constante tanto nos cuidados de saúde diferenciados como nos cuidados de saúde primários. A sua utilização encontra-se contra-indicada em feridas não exsudativas. 2003). varicosas. 2003).

com a salvaguarda de os resultados não poderem ser generalizados a outras populações ou situações. incrementando a pesquisa científica sobre a eficácia dos novos materiais de penso. de forma a rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem aos indivíduos portadores de feridas. um 30 . atendendo a uma grelha de avaliação da ferida constituída por seis parâmetros: extensão. estudo de caso. uma vez que consideramos que a tomada de decisão em enfermagem deve ser cada vez mais fundamentada e rigorosa. Para minimizar esta dificuldade. Assim. aconselha-se o incremento da investigação mas. o Sr. e a experiência dos profissionais de saúde também representam factores determinantes para uma decisão terapêutica eficaz e adequada. data em que foi concluído o plano de cuidados de enfermagem ao indivíduo com o encerramento da sua ferida cirúrgica (num total de 68 dias). Este tipo de investigação utiliza-se para estudar um caso que é reconhecido como especial.produtos modernos para o tratamento de feridas que foram concebidos com o intuito de solucionar os problemas apresentados pelos pensos convencionais e. utilizando a CIPE como referencial teórico. Resultados Como foi referido. sem antecedentes patológicos pessoais ou familiares relevantes. 1999). X foi submetido a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) no dia 27 de Junho de 2005. sendo o caso acompanhado até 3 de Setembro de 2005. 2000). procurando associar a evolução de um fenómeno a uma intervenção. quando George Winter publicou um trabalho sobre o efeito da humidade na epitelização da ferida. exsudato (Marquez. profundidade. Uma das características do estudo prende-se com a possibilidade de obter informação detalhada sobre um fenómeno novo. devido à diversidade de propriedades de cada produto e ao facto de o mesmo material poder ser utilizado em situações distintas. o bom senso. Desde aí tem-se assistido a uma constante demanda pela procura do material de penso ideal. Neste âmbito. uma vez que consiste em investigar aprofundadamente um indivíduo (Fortin. largura. contraindicações. a observação atenta das características gerais do utente. No dia seguinte foi iniciada a colheita de informações e elaborado o plano de cuidados de enfermagem. A revolução nos métodos de tratamento ocorreu em 1962. aparência. 2003) e dor (segundo a Escala Visual Analógica). A colheita de dados para esta pesquisa foi realizada no domicílio do sujeito do estudo. considera-se que só através da investigação se tornará possível descriminar de forma adequada todas as indicações. atendendo a todas estas considerações conclui-se que a escolha do material de penso mais adequado é complexa. O estudo foi realizado com um indivíduo do sexo masculino (Sr. X) de 23 anos de idade. Ou seja. podemos Método O presente estudo é uma pesquisa de índole descritiva. Assim. melhorar o processo de cicatrização natural (Rocha et al. mais concretamente. Este indivíduo foi submetido em 27 de Junho de 2005 a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) com marsupialização sob anestesia local. através da observação directa e recolha fotográfica. propriedades e modos de utilização dos novos materiais. mas persiste ainda uma grande discórdia e várias divergências quanto às práticas e opiniões relativas aos diferentes métodos de tratamento das feridas. consequentemente.. o desafio actual que é colocado ao enfermeiro reportase à necessidade de uniformizar as práticas de actuação.

A 7 de Agosto (41º dia pós-operatório) a ferida apresentava uma dimensão significativamente menor (cf. 2). pelo que foi feito tratamento da ferida com a aplicação de gaze iodoformada. verificando-se uma diminuição da extensão da ferida mas um ligeiro aumento da sua profundidade (cf. tendo os pontos da sutura sido removidos no 5º dia pós-operatório por dor e laceração dos tecidos. Tabela 1): ferida cirúrgica. o tratamento da ferida com gaze iodoformada foi diário. X. 1). além dos tecidos desvitalizados terem sido removidos e da ferida apresentar tecido de granulação (cf. dor na ferida cirúrgica e infecção na ferida cirúrgica. foi diagnosticada a presença de uma ferida curúrgica. Tabela 2 e Fig. atendendo ao facto do leito da ferida estar sangrante (cf. Tabela 2 e Fig. a 16 de Julho foi terminado o diagnóstico de enfermagem de perda sanguínea pela ferida cirúrgica. Nesta fase. Assim. atendendo à diminuição da quantidade de exsudato hemático e à boa evolução do tecido de granulação. Tabela 2 e Fig.levantados (cf. Após o 19º dia pós-operatório. no Sr. perda sanguínea pela ferida cirúrgica. Optou-se pela manutenção deste material de penso. Tabela 1 – Diagnósticos de Enfermagem (CIPE): evolução Tabela 2 – Grelha de avaliação da ferida cirúrgica 31 . Em 28 de Junho de 2005. Este tratamento foi mantido durante 13 dias. Tabela 1e Fig. pelo que foi iniciado tratamento diário com creme de extracto aquoso de Triticum vulgare. o tratamento da ferida manteve-se com gaze iodoformada mas passou a ser efectuado de dois em dois dias. Nessa data foi ainda encerrado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica. 4). de perda sanguínea pela ferida cirúrgica e de dor na ferida cirúrgica. pelo facto de a ferida se manter com exsudato sero-hemático (embora em quantidade reduzida).3) com uma profundidade reduzida.

reconhece-se uma evolução gradual neste processo que foi interrompida pela recidiva do processo infeccioso. 2 . 4 (54º dia pós-operatório) 32 . No dia seguinte foi reavaliada a ferida e elaborado novo plano de cuidados. 1 . 6). O penso (alginato de cálcio) foi substituído ao fim de 3 dias apresentando exsudato hemato-purulento. Feita a limpeza cirúrgica da ferida e com a aplicação do alginato de cálcio. ao passo que a perda sanguínea pela ferida cirúrgica terminou a 2 de Setembro. Foi então iniciado tratamento com alginato de cálcio (cf. diagnosticando-se uma perda sanguínea pela ferida cirúrgica. sendo finalizado o diagnóstico de ferida cirúrgica e encerrado o plano de cuidados (cf.Ferida cirúrgica não exsudativa (54º dia pós-operatório) Fig.Ferida cirúrgica exsudativa (19º dia pós-operatório) Fig. Gráfico 1).Ferida cirúrgica cicratrizada (68º dia pós-operatório) (61º dia pós-operatório).Ferida cirúrgica infectada Fig. por apresentar exsudato hemato-purulento em quantidade moderada. X. 4 .Ferida cirúrgica não exsudativa (41º dia pós-operatório) Fig. Desta forma foram encerrados os diagnósticos de dor na ferida cirúrgica e de infecção da ferida cirúrgica.Ferida cirúrgica hemorrágica (1º dia pós-operatório) Fig. 5 . Perante esta situação. a evolução positiva da ferida retomou-se com uma velocidade de cicatrização bastante superior à anterior (cf. Desta forma. No dia seguinte (68º dia pós-operatório) a ferida estava cicatrizada. o paciente foi encaminhado para o serviço de Cirurgia onde foi feita limpeza cirúrgica da ferida sob anestesia local.Ferida cirúrgica não exsudativa Fig. 3 . foi novamente activado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica e diagnosticou-se ainda uma infecção da ferida cirúrgica. Fig. o sujeito do estudo referiu dor intensa (EVA=8) ao toque e prurido na ferida cirúrgica que apresentava tumefacção e presença de exsudato purulento. Tabela 2 e Fig. verificando-se apenas uma drenagem serosa em quantidade reduzida. 5).No dia 26 de Agosto (60º dia pósoperatório). Tabela 1 e Fig. Analisando os dados obtidos ao longo da cicatrização da ferida cirúrgica do Sr. 6 .

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