ARTIGO

Cuidando da pessoa com ferida cirúrgica: estudo de caso
Taking care of the person with a surgical wound: case-study

Pedro Miguel Lopes de Sousa* Isabel Margarida Silva Costa Santos**

Resumo
Actualmente, o número de pessoas com feridas cirúrgicas parece aumentar tanto nos cuidados de saúde primários como nos diferenciados, exigindo o incremento da investigação para rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem. Neste âmbito, realizou-se um estudo de caso com um indivíduo submetido a excisão dum sinus pilonidal, com o objectivo de: reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados e avaliar a evolução do processo de cicatrização de uma ferida cirúrgica em função dos materiais de pensos utilizados. No caso estudado verificou-se que a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem adequado facilita o processo de tomada de decisão do enfermeiro. De salientar que o tratamento com gaze iodoformada promoveu a hemostasia, o desbridamento e o tecido de granulação. Já a utilização de alginato de cálcio pareceu ter um maior êxito terapêutico, ao contrário do Triticum vulgare que conduziu à regressão evolutiva da ferida e à recidiva de infecção.
Palavra-chave: Estudo de caso; Ferida cirúrgica; Material

Abstract
In our days, the number of people with surgical wounds seems to increase in primary and differentiated health care, which demands for the amplification of investigation to maximize resources and optimize nursing care. So, a case-study was conducted with a subject submitted to excision of a pilonidal disease, with the objective of reflecting about the nursing care plan and evaluating the evolution of the cicatrisation process of a surgical wound according to the used dressing material. In the studied case, we observed that the elaboration of an accurate nursing care plan makes possible the nursing process of taking decisions. The treatment with iodoformed gauze promoted the hemostasy, cleanning and granulation tissue. With calcium alginate we achieved higher therapeutic success, unlike the Triticum vulgare that conduced to the evolutive regression of the wound and to infection.

de penso; Plano de Cuidados de Enfermagem.

Key-words: Ca se-stud y; Surgi c al wound ; Dressin g Material; Nursing Care Plan.

* Licenciado em Enfermagem e Mestre em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeiro de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 3-Homens) ** Licenciada em Enfermagem e Mestranda em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeira de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 1-Mulheres)

Recebido para publicação em 03-05-06 Aceite para publicação em 02-01-07

Revista

II.ª Série - nº 4 - Jun. 2007

. p. eritema da pele. o doente do foro cirúrgico é o principal alvo dos nossos cuidados. as prescrições de enfermagem relativamente à técnica e aos produtos utilizados foram sendo adaptados consoante os diagnósticos de enfermagem activos. quer se trate de pele. No entanto. 41). O seu aparecimento pode dever-se a um trauma (mecânico. afigura-se pertinente fazer uma breve resenha teórica sobre os principais conceitos envolvidos nesta pesquisa: ferida cirúrgica. desde o esfacelo e tunelização dos tecidos.. Uma das principais áreas de intervenção refere-se ao doente com ferida cirúrgica. os estádios são graduados de acordo com a gravidade. sensibilidade dolorosa em torno da ferida. a uma cirurgia. pelo que sentimos necessidade de encontrar espaços de reflexão sobre as práticas. 2002).” (Mortensen. odor da ferida. Neste contexto. sanguínea ou purulenta. pelo que se impõe a necessidade de proceder à sua classificação. necrose do tecido gordo. Durante o processo de tratamento. o conceito de ferida abarca uma grande diversidade de situações. não pode abdicar da visão holística e humanista do ser humano.) como uma ruptura da estrutura e função anatómica normal. (2000. de modo a melhorar a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. técnicas e produtos que permitam tratar estas pessoas de uma forma mais rápida. 2000. eritema e edema em torno da ferida. a acção é frequentemente privilegiada em detrimento da reflexão. p. No nosso contexto profissional. ou a um processo isquémico e/ou de pressão.Introdução A Enfermagem. mais eficaz e menos dolorosa.)”. cuidados estes que devem estar na vanguarda das necessidades percepcionadas pela sociedade no presente e no futuro (Watson. Deste modo. Estas conduzem à quebra da função protectora da pele e são definidas na perspectiva de Rocha et al. Perante este contexto. químico ou físico). 1999). considerou-se pertinente desenvolver um estudo de caso com um indivíduo portador de uma ferida cirúrgica. 13) “(. a CIPE considera que: “Ferida é um tipo de tecido com as seguintes características específicas: lesão do tecido habitualmente associada com agressão física ou mecânica. Por sua vez. As feridas consistem em soluções de continuidade que podem estar presentes nos tegumentos e nos órgãos que ocorrem em consequência de uma acção exterior (Paredes. materiais de penso e sinus pilonidal. no nosso quotidiano. 26 . Tendo em vista a consecução dos objectivos supracitados. o presente estudo visa reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados aos doentes com feridas cirúrgicas. minimizando as complicações a longo prazo. será pertinente determonos sobre o conceito e classificação das feridas.. elevação da temperatura da pele. drenagem serosa. devendo haver uma aproximação entre o contexto da prática e o contexto formativo. sendo necessário encontrar métodos.. Assim como a mente é inseparável do corpo. feridas negras marcadas pela necrose. da mucosa ou eventualmente do osso (. as actividades científicas de Enfermagem não devem ser divorciadas da sua prática clínica. Ao prestarmos cuidados agimos para o bem do outro mas por vezes. bem como avaliar a evolução de uma ferida cirúrgica de acordo com os materiais de pensos utilizados. sendo os cuidados de enfermagem planeados e desenvolvidos com base na Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE). tecido de granulação vermelho. pele circundante com bolhas. para progredir na área científica e na área da prática clínica. Isto porque a Enfermagem é uma profissão cuja responsabilidade ética e social perante o indivíduo e perante a sociedade torna o Enfermeiro responsável pelos cuidados prestados ao indivíduo. macerada e anormal.

Por tudo isto. a CIPE (Mortensen.” (Mortensen. necrose e outros. visando controlar as hemorragias persistentes devido à cirurgia e sempre que a hemostase tradicional seja de difícil realização. esponja de gelatina.. 2000) apresentou uma categorização em dois tipos de feridas: a ferida cirúrgica e a ferida traumática. o controlo do fluído da ferida. os alginatos.. que inclui escoriação. pelo que se apresenta mais elevada na fase inflamatória. sendo composto por fluidos extravasados dos vasos sanguíneos. 27 . Assim. Alguns factores locais podem ser susceptíveis de aumentar o risco de infecção. 2000). Quanto às feridas infectadas. 2000). as espumas e as hidrofibras parecem ser os mais indicados para este tipo de feridas (Rijswijk. o que pode ser interpretado como um indicador de um processo infeccioso (Riijswijk. Esta classificação defende ainda que a infecção na ferida deve ser reconhecida como um fenómeno de enfermagem distinto. o facto de que a humidade pode beneficiar as feridas exsudativas. queimadura. 2000.Identifica-se ausência de consenso no campo da comunidade científica. nomeadamente: etiologia. Lopes e Rocha (1999) optam por defender uma divisão em quatro tipos distintos de feridas: necrótica. 2003). p. tempo de cicatrização. coexistindo várias classificações com indicadores de avaliação distintos.. pelo que aqui apenas nos referiremos de um modo geral à especificidade das feridas hemorrágicas. uma ferida infectada será aquela que contém exsudado purulento. celulose oxidada e colagénio com gentamicina) e os não absorvíveis (ex. Para o tratamento destas feridas existem dois tipos de pensos hemostáticos: os absorvíveis (ex. extensão do tecido lesado e aparência clínica (Rocha et al. tal não significa que a cicatrização atrase ou que as feridas se tornem imediatamente infectadas. há que considerar prioritário.) um tipo de ferida com as seguintes características específicas: corte de tecido produzido por um instrumento cirúrgico cortante. que se espera que seja limpa. Rocha et al. É igualmente relevante. Todavia. não permitindo que o exsudado entre em contacto com a pele circundante. 2003. no entanto. a quantidade de exsudado não é a mesma ao longo de todo o processo de cicatrização. exsudativas e infectadas. (2000) consideram que normalmente todas as feridas são colonizadas por bactérias. estes autores são unânimes ao afirmarem que a presença de exsudado nestas feridas é resultante do aumento da permeabilidade capilar. apesar de todos os tipos de ferida merecerem um estudo aprofundado. contusão. em epitelização. isto é. Assim. tentando manter em condições óptimas para garantir a sua humidade. Assim. 41). Neste sentido. sem mostrar sinais de infecção ou pus. produzindo drenagem de soro e sangue. as células epiteliais só permanecem viáveis e só migram ao longo do leito de uma ferida. 2000). Importa antes de mais. Na tentativa de uniformizar o pensamento científico e uniformizar os conceitos teóricos relativos à profissão de enfermagem. neste tipo de feridas. infectada. pretende-se que o material de penso a utilizar. no contexto deste estudo iremos avaliar uma ferida cirúrgica. gaze iodoformada) (Rocha et al. laceração.No que respeita às feridas exsudativas. Rocha et al. Nas feridas hemorrágicas estão indicados os pensos hemostáticos.. queimadura por frio. de modo a criar uma abertura num espaço do corpo ou num órgão. alertar para a existência de uma grande diversidade de feridas cirúrgicas. tenha a capacidade de absorver rapidamente o fluído excessivo e possuir uma grande capacidade de retenção. incisão. material secretado (como por exemplo: factores de crescimento) a partir de células à volta da ferida e por fragmentos das células mortas resultantes da destruição da matriz extracelular.. em granulação e. que é “(. profundidade. caso esta se mantenha húmida. uma vez que.

material de penso hemostático (esponja de gelatina. gaze iodoformada. hidrofibras. De facto. Uma outra técnica. Uma das feridas cirúrgicas muito frequente que requer tratamento durante várias semanas pode ser provocada pela presença de sinus pilonidal. celulose oxidada e esponja de colagénio com gentamicina). material de penso impregnado (gaze gorda e gazes medicadas) e filmes (películas semipermeáveis adesivas e não adesivas). hematomas ou “espaços mortos” (Marquez. a mesma autora faz ainda referência a uma classificação dos materiais de pensos. feridas no abdómen. organizando-os em 5 grupos principais: material de penso absorvente (alginatos. Existem ainda duas possibilidades cirúrgicas principais: o encerramento primário da ferida e a cicatrização por segunda intenção. 2005). tem como vantagem minimizar a possibilidade de infecção e de deiscência da ferida e. A dor e a drenagem purulenta. Existem mais de 200 produtos disponíveis no mercado. celulose oxidada e carvão activado com prata). quisto pilonidal ou doença pilonidal. Por um lado. causando necrose e formação de pus bem como. material de penso desbridante (hidrogéis). A manifestação mais comum desta patologia é a presença uma massa dolorosa flutuante na região sacrococcígea. também conhecido por quisto dermóide sacrococcígeo. mas implica uma restrição de várias actividades e tem uma taxa de insucesso de 16% e uma taxa de recorrência de 38%. coxa e nádegas.tais como: a presença de tecido desvitalizado. os pêlos soltos perfuram ou são sugados pelo sinus. sendo comum em adolescentes e jovens adultos (15-30 anos). foi uma técnica introduzida em 1937 e representa um método misto. permite reduzir o tempo de cicatrização visto que a ferida é suturada aberta. Rocha. Os estudos apontam para um tempo médio de 6 semanas e uma taxa de recorrência de 4-8% (Caestecker. segundo Caestecker (2005) esta patologia foi descrita pela primeira vez em 1833. No contexto deste estudo. Deste modo. Estas considerações abrem espaço para uma outra reflexão centrada nos materiais disponíveis para o tratamento das feridas. Após a puberdade. (2000) apontam a necessidade de agrupar o material de penso. hidrocolóides. drenagem e curetagem da cavidade do abcesso sob anestesia local. A primeira pode conduzir a uma cicatrização mais rápida. razão pela qual pode desenvolver-se uma foliculite que se estende e rompe o tecido subcutâneo. 2000). o que torna complexa a selecção do material de penso. importa analisar com maior pormenor as propriedades da gaze iodoformada. estão presentes em cerca de 70 a 80% dos casos. sendo o tempo de recuperação médio de 1 mês (com curetagem) a 10 semanas (sem curetagem). pelo que Rocha et al. O tratamento desta patologia pode ser feito através de incisão. do triticum vulgare e do alginato de cálcio. à libertação de toxinas que danificam o tecido local. com a fricção e o movimento do indivíduo sempre que este se senta e levanta. circulação local insuficiente. formando um abcesso pilonidal. a presença de microorganismos dentro da ferida prolonga a cicatrização devido à destruição celular por competição pelo oxigénio dentro de ferida. as hormonas sexuais afectam as glândulas pilossebáceas através da distensão dos folículos pilosos com queratina. de modo a simplificar e clarificar essa selecção. presença de corpos estranhos. De acordo com o mesmo autor. indicado sobretudo para o 28 . espumas. Já a cicatrização por segunda intenção apresenta uma menor taxa de recorrência (8-21%) mas um tempo médio de cicatrização de 2 meses. 2003). à libertação de toxinas na corrente sanguínea (Gogia. Nesta ordem de ideias. por outro. A gaze iodoformada é um material de penso hemostático não absorvível. 2000b. reconhecida como marsuapialização. por seu lado.

úlceras de decúbito.tratamento da epistaxis (Rijswijk. cirurgia geral (avulsão de unhas. Durante muito tempo. maceração e pouca adesão das fibras. Mandelbaum. contendo ácido algínico como princípio activo (Braun. Já o creme de extracto aquoso de triticum vulgare está indicado para o tratamento tópico das alterações do tecido dérmico que necessitem da reactivação dos processos de epitelização. Se o exsudato estiver a ser contido pelo alginato de cálcio. Assim. nas últimas duas décadas surgiram no mercado diversos 29 . Mandelbaum. neuropáticas. hemostático e uniforme de alginato sódiocálcio que permite a troca de gases e cria um meio húmido na superfície da ferida que favorece a sua cicatrização e proporciona um alívio da dor ao humidificar as terminações nervosas. Di Santis e Mandelbaum. oclusão venosa ou arterial e nos casos de alergia aos alginatos (Braun. varicosas. agudas ou crónicas. e. o mesmo poderá ser mantido até 7 dias. Forma-se um gel viscoso. De facto. fissuras anais. tais como: queimaduras de qualquer grau. A sua utilização no tratamento de feridas está ainda pouco descrita e investigada na literatura científica nacional e internacional. Rocha et al. bioadesão e dor associadas à remoção. Este apósito necessita da aplicação de um penso secundário que pode ser feito com compressas ou filmes adesivos. piodermíticas. Quanto aos alginatos. É um material de penso que absorve grandes quantidades de exsudado por capilaridade (cerca de 20 vezes o seu peso). A duração do tratamento é dependente do ritmo de epitelização da ferida (Rocha et al. úlceras que necessitam de uma terapia antibiótica tópica. quando combinados com hidrocolóides. tais como a dissecção da ferida. o penso era considerado apenas como uma simples barreira de protecção que impedia a infecção da lesão ulcerada (Durão e Furtado. 2000). 2001. feridas de qualquer etiologia. 2001. 2003). as feridas cirúrgicas são uma realidade constante tanto nos cuidados de saúde diferenciados como nos cuidados de saúde primários.. por radiação. pode aplicar-se em feridas sangrantes. Além disso. Di Santis e Mandelbaum. atraso de cicatrização). estes polímeros de cadeia longa são fibras de não-tecido impregnadas de alginato de cálcio e sódio extraídas das algas marinhas castanhas Laminaria. 1999). com ou sem infecção (fita). 2003. exigindo do enfermeiro uma resposta capaz e adequada. úlceras de origem infecciosa. hidrofílico. 2 a 3 vezes por dia ou apenas diariamente. Rijswijk. este recurso constitui um material de penso cómodo para o doente e de fácil utilização por parte do profissional de saúde (Braun. Actualmente conhecemse vários problemas associados aos pensos convencionais (denominados pensos secos). 2000). 2001).. 2001. 2003). colonizadas ou infectadas. hidratando-se e produzindo um intercâmbio de iões de cálcio para iões de sódio que passam a ser solúveis em solução salina para a sua posterior limpeza. O creme deve ser aplicado na superfície da ferida. 2000). aumentarem a sua capacidade de absorção (Braun. Já a escolha do alginato e a frequência da sua substituição dependem da quantidade de exsudado existente no leito da ferida (Rocha et al. A sua utilização encontra-se contra-indicada em feridas não exsudativas. Estes produtos podem apresentar-se sob a forma de compressas ou tiras não adesivas.. cirurgia plástica e reparadora. cirurgia urológica (circuncisão e fimoses). extensão e etiologia. Existem alguns trabalhos científicos que demonstram a capacidade dos alginatos estimularem o crescimento dos fibroblastos e de. Em suma. dependendo das características da ferida e da resposta ao tratamento. 2003). Está particularmente indicado para feridas superficiais com perda parcial de tecido (placa) ou lesões cavitárias profundas altamente exsudativas. encerramento de trajectos fistulosos. falta de propriedades de barreira.

Para minimizar esta dificuldade. mais concretamente. podemos Método O presente estudo é uma pesquisa de índole descritiva. Este tipo de investigação utiliza-se para estudar um caso que é reconhecido como especial. X foi submetido a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) no dia 27 de Junho de 2005. Assim. O estudo foi realizado com um indivíduo do sexo masculino (Sr. Neste âmbito. A revolução nos métodos de tratamento ocorreu em 1962. Este indivíduo foi submetido em 27 de Junho de 2005 a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) com marsupialização sob anestesia local. uma vez que consideramos que a tomada de decisão em enfermagem deve ser cada vez mais fundamentada e rigorosa. atendendo a todas estas considerações conclui-se que a escolha do material de penso mais adequado é complexa. sem antecedentes patológicos pessoais ou familiares relevantes. o bom senso. com a salvaguarda de os resultados não poderem ser generalizados a outras populações ou situações. A colheita de dados para esta pesquisa foi realizada no domicílio do sujeito do estudo. o desafio actual que é colocado ao enfermeiro reportase à necessidade de uniformizar as práticas de actuação. procurando associar a evolução de um fenómeno a uma intervenção. o Sr. exsudato (Marquez. aparência. 1999). a observação atenta das características gerais do utente. utilizando a CIPE como referencial teórico. data em que foi concluído o plano de cuidados de enfermagem ao indivíduo com o encerramento da sua ferida cirúrgica (num total de 68 dias). considera-se que só através da investigação se tornará possível descriminar de forma adequada todas as indicações. Ou seja. aconselha-se o incremento da investigação mas. melhorar o processo de cicatrização natural (Rocha et al. uma vez que consiste em investigar aprofundadamente um indivíduo (Fortin. sendo o caso acompanhado até 3 de Setembro de 2005.. incrementando a pesquisa científica sobre a eficácia dos novos materiais de penso. Assim. e a experiência dos profissionais de saúde também representam factores determinantes para uma decisão terapêutica eficaz e adequada. de forma a rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem aos indivíduos portadores de feridas. devido à diversidade de propriedades de cada produto e ao facto de o mesmo material poder ser utilizado em situações distintas. No dia seguinte foi iniciada a colheita de informações e elaborado o plano de cuidados de enfermagem. Desde aí tem-se assistido a uma constante demanda pela procura do material de penso ideal. Resultados Como foi referido. mas persiste ainda uma grande discórdia e várias divergências quanto às práticas e opiniões relativas aos diferentes métodos de tratamento das feridas. atendendo a uma grelha de avaliação da ferida constituída por seis parâmetros: extensão. através da observação directa e recolha fotográfica. largura. Uma das características do estudo prende-se com a possibilidade de obter informação detalhada sobre um fenómeno novo. quando George Winter publicou um trabalho sobre o efeito da humidade na epitelização da ferida. consequentemente. profundidade. um 30 . 2003) e dor (segundo a Escala Visual Analógica).produtos modernos para o tratamento de feridas que foram concebidos com o intuito de solucionar os problemas apresentados pelos pensos convencionais e. estudo de caso. 2000). propriedades e modos de utilização dos novos materiais. contraindicações. X) de 23 anos de idade.

dor na ferida cirúrgica e infecção na ferida cirúrgica. tendo os pontos da sutura sido removidos no 5º dia pós-operatório por dor e laceração dos tecidos. verificando-se uma diminuição da extensão da ferida mas um ligeiro aumento da sua profundidade (cf. Após o 19º dia pós-operatório. Optou-se pela manutenção deste material de penso. 2). Tabela 1e Fig.levantados (cf. o tratamento da ferida com gaze iodoformada foi diário. Tabela 2 e Fig. 4). Tabela 1 – Diagnósticos de Enfermagem (CIPE): evolução Tabela 2 – Grelha de avaliação da ferida cirúrgica 31 . Assim. além dos tecidos desvitalizados terem sido removidos e da ferida apresentar tecido de granulação (cf. A 7 de Agosto (41º dia pós-operatório) a ferida apresentava uma dimensão significativamente menor (cf. Este tratamento foi mantido durante 13 dias. Tabela 2 e Fig. o tratamento da ferida manteve-se com gaze iodoformada mas passou a ser efectuado de dois em dois dias. Tabela 1): ferida cirúrgica. pelo que foi iniciado tratamento diário com creme de extracto aquoso de Triticum vulgare. Tabela 2 e Fig. atendendo à diminuição da quantidade de exsudato hemático e à boa evolução do tecido de granulação. a 16 de Julho foi terminado o diagnóstico de enfermagem de perda sanguínea pela ferida cirúrgica. atendendo ao facto do leito da ferida estar sangrante (cf. foi diagnosticada a presença de uma ferida curúrgica. de perda sanguínea pela ferida cirúrgica e de dor na ferida cirúrgica. 1). X. pelo facto de a ferida se manter com exsudato sero-hemático (embora em quantidade reduzida). pelo que foi feito tratamento da ferida com a aplicação de gaze iodoformada. Em 28 de Junho de 2005. Nessa data foi ainda encerrado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica.3) com uma profundidade reduzida. Nesta fase. perda sanguínea pela ferida cirúrgica. no Sr.

3 . Fig. o sujeito do estudo referiu dor intensa (EVA=8) ao toque e prurido na ferida cirúrgica que apresentava tumefacção e presença de exsudato purulento. sendo finalizado o diagnóstico de ferida cirúrgica e encerrado o plano de cuidados (cf. No dia seguinte (68º dia pós-operatório) a ferida estava cicatrizada. Feita a limpeza cirúrgica da ferida e com a aplicação do alginato de cálcio. o paciente foi encaminhado para o serviço de Cirurgia onde foi feita limpeza cirúrgica da ferida sob anestesia local.No dia 26 de Agosto (60º dia pósoperatório). Perante esta situação.Ferida cirúrgica cicratrizada (68º dia pós-operatório) (61º dia pós-operatório).Ferida cirúrgica exsudativa (19º dia pós-operatório) Fig. Tabela 2 e Fig. a evolução positiva da ferida retomou-se com uma velocidade de cicatrização bastante superior à anterior (cf. Desta forma foram encerrados os diagnósticos de dor na ferida cirúrgica e de infecção da ferida cirúrgica. Tabela 1 e Fig. No dia seguinte foi reavaliada a ferida e elaborado novo plano de cuidados. Gráfico 1). diagnosticando-se uma perda sanguínea pela ferida cirúrgica. 6 . verificando-se apenas uma drenagem serosa em quantidade reduzida. foi novamente activado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica e diagnosticou-se ainda uma infecção da ferida cirúrgica.Ferida cirúrgica não exsudativa (54º dia pós-operatório) Fig. Analisando os dados obtidos ao longo da cicatrização da ferida cirúrgica do Sr. 6). X. 4 (54º dia pós-operatório) 32 . 5).Ferida cirúrgica não exsudativa (41º dia pós-operatório) Fig. 2 . Desta forma. 1 .Ferida cirúrgica infectada Fig.Ferida cirúrgica hemorrágica (1º dia pós-operatório) Fig. Foi então iniciado tratamento com alginato de cálcio (cf. 5 . por apresentar exsudato hemato-purulento em quantidade moderada. reconhece-se uma evolução gradual neste processo que foi interrompida pela recidiva do processo infeccioso. ao passo que a perda sanguínea pela ferida cirúrgica terminou a 2 de Setembro. 4 .Ferida cirúrgica não exsudativa Fig. O penso (alginato de cálcio) foi substituído ao fim de 3 dias apresentando exsudato hemato-purulento.

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