ARTIGO

Cuidando da pessoa com ferida cirúrgica: estudo de caso
Taking care of the person with a surgical wound: case-study

Pedro Miguel Lopes de Sousa* Isabel Margarida Silva Costa Santos**

Resumo
Actualmente, o número de pessoas com feridas cirúrgicas parece aumentar tanto nos cuidados de saúde primários como nos diferenciados, exigindo o incremento da investigação para rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem. Neste âmbito, realizou-se um estudo de caso com um indivíduo submetido a excisão dum sinus pilonidal, com o objectivo de: reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados e avaliar a evolução do processo de cicatrização de uma ferida cirúrgica em função dos materiais de pensos utilizados. No caso estudado verificou-se que a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem adequado facilita o processo de tomada de decisão do enfermeiro. De salientar que o tratamento com gaze iodoformada promoveu a hemostasia, o desbridamento e o tecido de granulação. Já a utilização de alginato de cálcio pareceu ter um maior êxito terapêutico, ao contrário do Triticum vulgare que conduziu à regressão evolutiva da ferida e à recidiva de infecção.
Palavra-chave: Estudo de caso; Ferida cirúrgica; Material

Abstract
In our days, the number of people with surgical wounds seems to increase in primary and differentiated health care, which demands for the amplification of investigation to maximize resources and optimize nursing care. So, a case-study was conducted with a subject submitted to excision of a pilonidal disease, with the objective of reflecting about the nursing care plan and evaluating the evolution of the cicatrisation process of a surgical wound according to the used dressing material. In the studied case, we observed that the elaboration of an accurate nursing care plan makes possible the nursing process of taking decisions. The treatment with iodoformed gauze promoted the hemostasy, cleanning and granulation tissue. With calcium alginate we achieved higher therapeutic success, unlike the Triticum vulgare that conduced to the evolutive regression of the wound and to infection.

de penso; Plano de Cuidados de Enfermagem.

Key-words: Ca se-stud y; Surgi c al wound ; Dressin g Material; Nursing Care Plan.

* Licenciado em Enfermagem e Mestre em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeiro de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 3-Homens) ** Licenciada em Enfermagem e Mestranda em Psicologia Pedagógica pela Universidade de Coimbra. Enfermeira de Nível I nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Cirurgia 1-Mulheres)

Recebido para publicação em 03-05-06 Aceite para publicação em 02-01-07

Revista

II.ª Série - nº 4 - Jun. 2007

Ao prestarmos cuidados agimos para o bem do outro mas por vezes. de modo a melhorar a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. No entanto. Deste modo. os estádios são graduados de acordo com a gravidade. o presente estudo visa reflectir sobre o planeamento dos cuidados de enfermagem prestados aos doentes com feridas cirúrgicas. odor da ferida. O seu aparecimento pode dever-se a um trauma (mecânico.. o conceito de ferida abarca uma grande diversidade de situações. sensibilidade dolorosa em torno da ferida. mais eficaz e menos dolorosa. materiais de penso e sinus pilonidal. da mucosa ou eventualmente do osso (. Durante o processo de tratamento. sendo os cuidados de enfermagem planeados e desenvolvidos com base na Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE).Introdução A Enfermagem. no nosso quotidiano. 13) “(. para progredir na área científica e na área da prática clínica. as actividades científicas de Enfermagem não devem ser divorciadas da sua prática clínica. pelo que se impõe a necessidade de proceder à sua classificação. afigura-se pertinente fazer uma breve resenha teórica sobre os principais conceitos envolvidos nesta pesquisa: ferida cirúrgica. 1999). Perante este contexto. será pertinente determonos sobre o conceito e classificação das feridas. pelo que sentimos necessidade de encontrar espaços de reflexão sobre as práticas. cuidados estes que devem estar na vanguarda das necessidades percepcionadas pela sociedade no presente e no futuro (Watson. Isto porque a Enfermagem é uma profissão cuja responsabilidade ética e social perante o indivíduo e perante a sociedade torna o Enfermeiro responsável pelos cuidados prestados ao indivíduo. quer se trate de pele. considerou-se pertinente desenvolver um estudo de caso com um indivíduo portador de uma ferida cirúrgica. As feridas consistem em soluções de continuidade que podem estar presentes nos tegumentos e nos órgãos que ocorrem em consequência de uma acção exterior (Paredes.. drenagem serosa. No nosso contexto profissional. bem como avaliar a evolução de uma ferida cirúrgica de acordo com os materiais de pensos utilizados. Por sua vez. tecido de granulação vermelho. sendo necessário encontrar métodos. feridas negras marcadas pela necrose.” (Mortensen.)”. ou a um processo isquémico e/ou de pressão. minimizando as complicações a longo prazo. a acção é frequentemente privilegiada em detrimento da reflexão. desde o esfacelo e tunelização dos tecidos. Estas conduzem à quebra da função protectora da pele e são definidas na perspectiva de Rocha et al. Neste contexto. a uma cirurgia. eritema da pele. p. Tendo em vista a consecução dos objectivos supracitados. (2000. sanguínea ou purulenta. pele circundante com bolhas. a CIPE considera que: “Ferida é um tipo de tecido com as seguintes características específicas: lesão do tecido habitualmente associada com agressão física ou mecânica. as prescrições de enfermagem relativamente à técnica e aos produtos utilizados foram sendo adaptados consoante os diagnósticos de enfermagem activos. eritema e edema em torno da ferida. químico ou físico). não pode abdicar da visão holística e humanista do ser humano. devendo haver uma aproximação entre o contexto da prática e o contexto formativo. técnicas e produtos que permitam tratar estas pessoas de uma forma mais rápida.. Uma das principais áreas de intervenção refere-se ao doente com ferida cirúrgica. macerada e anormal. necrose do tecido gordo. p. o doente do foro cirúrgico é o principal alvo dos nossos cuidados. elevação da temperatura da pele. 41). 2000. 2002). 26 .. Assim como a mente é inseparável do corpo.) como uma ruptura da estrutura e função anatómica normal.

Quanto às feridas infectadas. Alguns factores locais podem ser susceptíveis de aumentar o risco de infecção. profundidade. nomeadamente: etiologia. isto é. alertar para a existência de uma grande diversidade de feridas cirúrgicas. o facto de que a humidade pode beneficiar as feridas exsudativas. p.) um tipo de ferida com as seguintes características específicas: corte de tecido produzido por um instrumento cirúrgico cortante. queimadura por frio. pelo que aqui apenas nos referiremos de um modo geral à especificidade das feridas hemorrágicas. 2003. apesar de todos os tipos de ferida merecerem um estudo aprofundado. uma ferida infectada será aquela que contém exsudado purulento. exsudativas e infectadas. 2000). em epitelização. Assim. no entanto. gaze iodoformada) (Rocha et al. uma vez que.” (Mortensen. incisão. estes autores são unânimes ao afirmarem que a presença de exsudado nestas feridas é resultante do aumento da permeabilidade capilar. coexistindo várias classificações com indicadores de avaliação distintos. sendo composto por fluidos extravasados dos vasos sanguíneos. (2000) consideram que normalmente todas as feridas são colonizadas por bactérias. tal não significa que a cicatrização atrase ou que as feridas se tornem imediatamente infectadas. 2003). Por tudo isto. caso esta se mantenha húmida. Rocha et al. esponja de gelatina. tenha a capacidade de absorver rapidamente o fluído excessivo e possuir uma grande capacidade de retenção. as células epiteliais só permanecem viáveis e só migram ao longo do leito de uma ferida. laceração. a CIPE (Mortensen.. sem mostrar sinais de infecção ou pus. não permitindo que o exsudado entre em contacto com a pele circundante. contusão. tentando manter em condições óptimas para garantir a sua humidade. em granulação e. pretende-se que o material de penso a utilizar. infectada. 2000). os alginatos. 41). de modo a criar uma abertura num espaço do corpo ou num órgão. Lopes e Rocha (1999) optam por defender uma divisão em quatro tipos distintos de feridas: necrótica. que se espera que seja limpa. Na tentativa de uniformizar o pensamento científico e uniformizar os conceitos teóricos relativos à profissão de enfermagem. a quantidade de exsudado não é a mesma ao longo de todo o processo de cicatrização. que é “(. Para o tratamento destas feridas existem dois tipos de pensos hemostáticos: os absorvíveis (ex. há que considerar prioritário. queimadura. Rocha et al. extensão do tecido lesado e aparência clínica (Rocha et al.. visando controlar as hemorragias persistentes devido à cirurgia e sempre que a hemostase tradicional seja de difícil realização. necrose e outros. no contexto deste estudo iremos avaliar uma ferida cirúrgica. o controlo do fluído da ferida. que inclui escoriação. neste tipo de feridas.Identifica-se ausência de consenso no campo da comunidade científica. Esta classificação defende ainda que a infecção na ferida deve ser reconhecida como um fenómeno de enfermagem distinto. celulose oxidada e colagénio com gentamicina) e os não absorvíveis (ex. Importa antes de mais. as espumas e as hidrofibras parecem ser os mais indicados para este tipo de feridas (Rijswijk. pelo que se apresenta mais elevada na fase inflamatória. 2000. Assim. tempo de cicatrização. É igualmente relevante. 2000) apresentou uma categorização em dois tipos de feridas: a ferida cirúrgica e a ferida traumática. o que pode ser interpretado como um indicador de um processo infeccioso (Riijswijk. Todavia. 27 .. produzindo drenagem de soro e sangue. Assim. Neste sentido.No que respeita às feridas exsudativas. 2000).. Nas feridas hemorrágicas estão indicados os pensos hemostáticos. material secretado (como por exemplo: factores de crescimento) a partir de células à volta da ferida e por fragmentos das células mortas resultantes da destruição da matriz extracelular..

material de penso hemostático (esponja de gelatina. organizando-os em 5 grupos principais: material de penso absorvente (alginatos. Estas considerações abrem espaço para uma outra reflexão centrada nos materiais disponíveis para o tratamento das feridas. também conhecido por quisto dermóide sacrococcígeo. feridas no abdómen. hidrocolóides. Após a puberdade. sendo o tempo de recuperação médio de 1 mês (com curetagem) a 10 semanas (sem curetagem). razão pela qual pode desenvolver-se uma foliculite que se estende e rompe o tecido subcutâneo. à libertação de toxinas que danificam o tecido local. à libertação de toxinas na corrente sanguínea (Gogia. gaze iodoformada. os pêlos soltos perfuram ou são sugados pelo sinus. tem como vantagem minimizar a possibilidade de infecção e de deiscência da ferida e. por seu lado. coxa e nádegas. celulose oxidada e esponja de colagénio com gentamicina). De acordo com o mesmo autor. Os estudos apontam para um tempo médio de 6 semanas e uma taxa de recorrência de 4-8% (Caestecker. A dor e a drenagem purulenta. a presença de microorganismos dentro da ferida prolonga a cicatrização devido à destruição celular por competição pelo oxigénio dentro de ferida. 2000b. permite reduzir o tempo de cicatrização visto que a ferida é suturada aberta. importa analisar com maior pormenor as propriedades da gaze iodoformada. Uma outra técnica. por outro. 2000). o que torna complexa a selecção do material de penso. Já a cicatrização por segunda intenção apresenta uma menor taxa de recorrência (8-21%) mas um tempo médio de cicatrização de 2 meses. hidrofibras. A manifestação mais comum desta patologia é a presença uma massa dolorosa flutuante na região sacrococcígea. A primeira pode conduzir a uma cicatrização mais rápida. Existem ainda duas possibilidades cirúrgicas principais: o encerramento primário da ferida e a cicatrização por segunda intenção. a mesma autora faz ainda referência a uma classificação dos materiais de pensos. Uma das feridas cirúrgicas muito frequente que requer tratamento durante várias semanas pode ser provocada pela presença de sinus pilonidal. Rocha. estão presentes em cerca de 70 a 80% dos casos. circulação local insuficiente. reconhecida como marsuapialização. 2003). O tratamento desta patologia pode ser feito através de incisão. segundo Caestecker (2005) esta patologia foi descrita pela primeira vez em 1833. Existem mais de 200 produtos disponíveis no mercado.tais como: a presença de tecido desvitalizado. hematomas ou “espaços mortos” (Marquez. A gaze iodoformada é um material de penso hemostático não absorvível. mas implica uma restrição de várias actividades e tem uma taxa de insucesso de 16% e uma taxa de recorrência de 38%. Deste modo. material de penso impregnado (gaze gorda e gazes medicadas) e filmes (películas semipermeáveis adesivas e não adesivas). pelo que Rocha et al. sendo comum em adolescentes e jovens adultos (15-30 anos). causando necrose e formação de pus bem como. celulose oxidada e carvão activado com prata). material de penso desbridante (hidrogéis). de modo a simplificar e clarificar essa selecção. com a fricção e o movimento do indivíduo sempre que este se senta e levanta. presença de corpos estranhos. 2005). formando um abcesso pilonidal. as hormonas sexuais afectam as glândulas pilossebáceas através da distensão dos folículos pilosos com queratina. De facto. drenagem e curetagem da cavidade do abcesso sob anestesia local. foi uma técnica introduzida em 1937 e representa um método misto. No contexto deste estudo. indicado sobretudo para o 28 . quisto pilonidal ou doença pilonidal. Por um lado. do triticum vulgare e do alginato de cálcio. (2000) apontam a necessidade de agrupar o material de penso. Nesta ordem de ideias. espumas.

Quanto aos alginatos. fissuras anais. Estes produtos podem apresentar-se sob a forma de compressas ou tiras não adesivas. Forma-se um gel viscoso. Di Santis e Mandelbaum. agudas ou crónicas. e. A duração do tratamento é dependente do ritmo de epitelização da ferida (Rocha et al. este recurso constitui um material de penso cómodo para o doente e de fácil utilização por parte do profissional de saúde (Braun. úlceras de origem infecciosa. 1999). pode aplicar-se em feridas sangrantes. Em suma. 2003). estes polímeros de cadeia longa são fibras de não-tecido impregnadas de alginato de cálcio e sódio extraídas das algas marinhas castanhas Laminaria. A sua utilização encontra-se contra-indicada em feridas não exsudativas. hidratando-se e produzindo um intercâmbio de iões de cálcio para iões de sódio que passam a ser solúveis em solução salina para a sua posterior limpeza. Este apósito necessita da aplicação de um penso secundário que pode ser feito com compressas ou filmes adesivos. aumentarem a sua capacidade de absorção (Braun. por radiação. úlceras que necessitam de uma terapia antibiótica tópica. Durante muito tempo. cirurgia plástica e reparadora. hemostático e uniforme de alginato sódiocálcio que permite a troca de gases e cria um meio húmido na superfície da ferida que favorece a sua cicatrização e proporciona um alívio da dor ao humidificar as terminações nervosas. 2 a 3 vezes por dia ou apenas diariamente.. exigindo do enfermeiro uma resposta capaz e adequada. cirurgia geral (avulsão de unhas. com ou sem infecção (fita). falta de propriedades de barreira. neuropáticas. 2001. Assim. varicosas. o penso era considerado apenas como uma simples barreira de protecção que impedia a infecção da lesão ulcerada (Durão e Furtado. encerramento de trajectos fistulosos. quando combinados com hidrocolóides. Existem alguns trabalhos científicos que demonstram a capacidade dos alginatos estimularem o crescimento dos fibroblastos e de. 2003). Di Santis e Mandelbaum. 2000). atraso de cicatrização). Se o exsudato estiver a ser contido pelo alginato de cálcio. 2000). oclusão venosa ou arterial e nos casos de alergia aos alginatos (Braun. O creme deve ser aplicado na superfície da ferida. tais como: queimaduras de qualquer grau. bioadesão e dor associadas à remoção. cirurgia urológica (circuncisão e fimoses). as feridas cirúrgicas são uma realidade constante tanto nos cuidados de saúde diferenciados como nos cuidados de saúde primários. 2001. feridas de qualquer etiologia. colonizadas ou infectadas. Já o creme de extracto aquoso de triticum vulgare está indicado para o tratamento tópico das alterações do tecido dérmico que necessitem da reactivação dos processos de epitelização. A sua utilização no tratamento de feridas está ainda pouco descrita e investigada na literatura científica nacional e internacional. É um material de penso que absorve grandes quantidades de exsudado por capilaridade (cerca de 20 vezes o seu peso). 2001. 2001). dependendo das características da ferida e da resposta ao tratamento. Mandelbaum. piodermíticas. Rocha et al. De facto. nas últimas duas décadas surgiram no mercado diversos 29 . extensão e etiologia. Mandelbaum. úlceras de decúbito.. Além disso. Actualmente conhecemse vários problemas associados aos pensos convencionais (denominados pensos secos). 2000). contendo ácido algínico como princípio activo (Braun. tais como a dissecção da ferida. Rijswijk. Já a escolha do alginato e a frequência da sua substituição dependem da quantidade de exsudado existente no leito da ferida (Rocha et al. Está particularmente indicado para feridas superficiais com perda parcial de tecido (placa) ou lesões cavitárias profundas altamente exsudativas.. o mesmo poderá ser mantido até 7 dias. maceração e pouca adesão das fibras. 2003). 2003. hidrofílico.tratamento da epistaxis (Rijswijk.

o Sr. estudo de caso. melhorar o processo de cicatrização natural (Rocha et al. largura. devido à diversidade de propriedades de cada produto e ao facto de o mesmo material poder ser utilizado em situações distintas. contraindicações. e a experiência dos profissionais de saúde também representam factores determinantes para uma decisão terapêutica eficaz e adequada. utilizando a CIPE como referencial teórico. Uma das características do estudo prende-se com a possibilidade de obter informação detalhada sobre um fenómeno novo. aparência. data em que foi concluído o plano de cuidados de enfermagem ao indivíduo com o encerramento da sua ferida cirúrgica (num total de 68 dias). Resultados Como foi referido. sendo o caso acompanhado até 3 de Setembro de 2005. aconselha-se o incremento da investigação mas. consequentemente. com a salvaguarda de os resultados não poderem ser generalizados a outras populações ou situações. atendendo a todas estas considerações conclui-se que a escolha do material de penso mais adequado é complexa. Este indivíduo foi submetido em 27 de Junho de 2005 a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) com marsupialização sob anestesia local. um 30 . atendendo a uma grelha de avaliação da ferida constituída por seis parâmetros: extensão. 2003) e dor (segundo a Escala Visual Analógica). 1999). O estudo foi realizado com um indivíduo do sexo masculino (Sr. A colheita de dados para esta pesquisa foi realizada no domicílio do sujeito do estudo. Desde aí tem-se assistido a uma constante demanda pela procura do material de penso ideal. No dia seguinte foi iniciada a colheita de informações e elaborado o plano de cuidados de enfermagem. sem antecedentes patológicos pessoais ou familiares relevantes. através da observação directa e recolha fotográfica. uma vez que consiste em investigar aprofundadamente um indivíduo (Fortin. podemos Método O presente estudo é uma pesquisa de índole descritiva. 2000). X foi submetido a excisão de quisto dermóide sacrococcígeo (sinus pilonidal) no dia 27 de Junho de 2005. propriedades e modos de utilização dos novos materiais. de forma a rentabilizar os recursos disponíveis e optimizar os cuidados de enfermagem aos indivíduos portadores de feridas. Neste âmbito. quando George Winter publicou um trabalho sobre o efeito da humidade na epitelização da ferida. a observação atenta das características gerais do utente. mas persiste ainda uma grande discórdia e várias divergências quanto às práticas e opiniões relativas aos diferentes métodos de tratamento das feridas. procurando associar a evolução de um fenómeno a uma intervenção. uma vez que consideramos que a tomada de decisão em enfermagem deve ser cada vez mais fundamentada e rigorosa. mais concretamente. X) de 23 anos de idade. incrementando a pesquisa científica sobre a eficácia dos novos materiais de penso. considera-se que só através da investigação se tornará possível descriminar de forma adequada todas as indicações. A revolução nos métodos de tratamento ocorreu em 1962. Assim. exsudato (Marquez. o desafio actual que é colocado ao enfermeiro reportase à necessidade de uniformizar as práticas de actuação.produtos modernos para o tratamento de feridas que foram concebidos com o intuito de solucionar os problemas apresentados pelos pensos convencionais e. Ou seja. Assim. o bom senso. Este tipo de investigação utiliza-se para estudar um caso que é reconhecido como especial.. profundidade. Para minimizar esta dificuldade.

1). Em 28 de Junho de 2005. Tabela 1 – Diagnósticos de Enfermagem (CIPE): evolução Tabela 2 – Grelha de avaliação da ferida cirúrgica 31 . Este tratamento foi mantido durante 13 dias. Nessa data foi ainda encerrado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica.3) com uma profundidade reduzida. de perda sanguínea pela ferida cirúrgica e de dor na ferida cirúrgica. verificando-se uma diminuição da extensão da ferida mas um ligeiro aumento da sua profundidade (cf. X. no Sr. Assim. Após o 19º dia pós-operatório. A 7 de Agosto (41º dia pós-operatório) a ferida apresentava uma dimensão significativamente menor (cf. atendendo ao facto do leito da ferida estar sangrante (cf. além dos tecidos desvitalizados terem sido removidos e da ferida apresentar tecido de granulação (cf. o tratamento da ferida com gaze iodoformada foi diário. Nesta fase. Tabela 1): ferida cirúrgica. Tabela 1e Fig. Optou-se pela manutenção deste material de penso. tendo os pontos da sutura sido removidos no 5º dia pós-operatório por dor e laceração dos tecidos. o tratamento da ferida manteve-se com gaze iodoformada mas passou a ser efectuado de dois em dois dias. Tabela 2 e Fig. pelo facto de a ferida se manter com exsudato sero-hemático (embora em quantidade reduzida). perda sanguínea pela ferida cirúrgica. Tabela 2 e Fig. foi diagnosticada a presença de uma ferida curúrgica. a 16 de Julho foi terminado o diagnóstico de enfermagem de perda sanguínea pela ferida cirúrgica. atendendo à diminuição da quantidade de exsudato hemático e à boa evolução do tecido de granulação.levantados (cf. pelo que foi feito tratamento da ferida com a aplicação de gaze iodoformada. 2). Tabela 2 e Fig. pelo que foi iniciado tratamento diário com creme de extracto aquoso de Triticum vulgare. 4). dor na ferida cirúrgica e infecção na ferida cirúrgica.

por apresentar exsudato hemato-purulento em quantidade moderada. Fig.Ferida cirúrgica hemorrágica (1º dia pós-operatório) Fig. sendo finalizado o diagnóstico de ferida cirúrgica e encerrado o plano de cuidados (cf.Ferida cirúrgica cicratrizada (68º dia pós-operatório) (61º dia pós-operatório). Tabela 2 e Fig. 6 . 2 . Desta forma. No dia seguinte (68º dia pós-operatório) a ferida estava cicatrizada. 1 . 4 (54º dia pós-operatório) 32 . 5 .No dia 26 de Agosto (60º dia pósoperatório). Desta forma foram encerrados os diagnósticos de dor na ferida cirúrgica e de infecção da ferida cirúrgica. 4 . foi novamente activado o diagnóstico de enfermagem de dor na ferida cirúrgica e diagnosticou-se ainda uma infecção da ferida cirúrgica.Ferida cirúrgica exsudativa (19º dia pós-operatório) Fig. Analisando os dados obtidos ao longo da cicatrização da ferida cirúrgica do Sr. X. a evolução positiva da ferida retomou-se com uma velocidade de cicatrização bastante superior à anterior (cf. 5). 6). O penso (alginato de cálcio) foi substituído ao fim de 3 dias apresentando exsudato hemato-purulento. Feita a limpeza cirúrgica da ferida e com a aplicação do alginato de cálcio. No dia seguinte foi reavaliada a ferida e elaborado novo plano de cuidados. reconhece-se uma evolução gradual neste processo que foi interrompida pela recidiva do processo infeccioso. o paciente foi encaminhado para o serviço de Cirurgia onde foi feita limpeza cirúrgica da ferida sob anestesia local. o sujeito do estudo referiu dor intensa (EVA=8) ao toque e prurido na ferida cirúrgica que apresentava tumefacção e presença de exsudato purulento. Perante esta situação. Foi então iniciado tratamento com alginato de cálcio (cf. Tabela 1 e Fig.Ferida cirúrgica infectada Fig. Gráfico 1). 3 .Ferida cirúrgica não exsudativa (54º dia pós-operatório) Fig.Ferida cirúrgica não exsudativa Fig.Ferida cirúrgica não exsudativa (41º dia pós-operatório) Fig. verificando-se apenas uma drenagem serosa em quantidade reduzida. diagnosticando-se uma perda sanguínea pela ferida cirúrgica. ao passo que a perda sanguínea pela ferida cirúrgica terminou a 2 de Setembro.

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