Você está na página 1de 3

Ano Lectivo 2010/2011

Filosofia

“A Proibição de se fumar em locais e transportes públicos deve ser estabelecida.”

No cargo de cidadão comum português, eu, João Carlos da Cunha Sanches Fernandes, sinto-me
no dever de defender a seguinte tese: “ A proibição de se fumar em locais e transportes públicos deve
ser estabelecida.”
Anualmente morrem 100 000 pessoas nos países da Comunidade Económica Europeia (CEE) por
cancro do pulmão.
Nos termos de uma declaração do Parlamento Europeu, o tabagismo foi considerado
responsável pelo aumento do cancro do pulmão e de muitas outras doenças, entre as quais as
cardiovasculares.
Reconheceu também que os não fumadores sujeitos a ambientes viciados pelo fumo do tabaco
se encontram igualmente expostos aos seus malefícios.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) difundiu uma série de recomendações sobre uso do
tabaco e suas repercussões na saúde, entre as quais sobressai a de atribuir aos governos a
responsabilidade de adoptarem medidas de controle do uso do tabaco, nomeadamente no âmbito da
investigação, da legislação e da formação e informação, com a certeza de que a prevenção do tabagismo
não será eficaz sem uma acção prolongada de conjunto que englobe aqueles três tipos de medidas.
A Comissão de Especialistas da OMS para os Efeitos do Tabaco sobre a Saúde, que se reuniu em
Genebra em Dezembro de 1974, assinalou a necessidade de serem tomadas decisões políticas enérgicas
a nível governamental, designadamente no que se refere a actuação legislativa.
A IV Conferência Mundial sobre o Tabaco e a Saúde, que teve lugar em Estocolmo em Junho de
1979, considerou o tabagismo, conjuntamente com o trânsito, a poluição, o álcool e a
nutrição imprópria, como um dos grandes males das sociedades modernas. Confirmou a necessidade de
pôr em prática as recomendações da OMS, chamando a atenção para a urgência da publicação e
cumprimento de legislação adequada, em especial no que se refere à
protecção de menores, grávidas e não fumadores e à restrição, proibição e controle da publicidade, de
modo que se consiga uma sociedade em que não fumar seja o normal.
Após a IV Conferência Mundial sobre o Tabaco e a Saúde, em que Portugal participou,
durante o ano de 1980, que a OMS dedicou ao tema «Tabaco ou saúde – a escolha é sua», foi
constituído um grupo de trabalho interministerial que apresentou ao Governo várias propostas de
medidas educativas e legislativas tendo em vista minorar os malefícios da epidemia do tabaco.
Este processo culminou com a aprovação pela Assembleia da República da Lei n.º 22/82, de 17
de Agosto, contendo as bases gerais de prevenção do tabagismo, facto que veio dar um importantíssimo
contributo para o lançamento de uma política eficaz neste âmbito.
No seguimento da lei, procura-se pelo presente articulado proteger os não fumadores e limitar
o uso do tabaco, contribuindo, desta forma, para o desaparecimento ou diminuição dos riscos ou efeitos
negativos que esta prática acarreta para a saúde dos indivíduos.
Em todo o mundo, cada organização médica e científica respeitável – incluindo a Organização
Mundial da Saúde, o Surgeon General dos EUA, as agências nacionais de protecção ao meio ambiente, as
sociedades médicas – concordam que a exposição ao tabagismo passivo causa sérias doenças e mortes
em não fumantes. Nos EUA, 53.000 não fumantes morrem a cada ano de doenças cardiovasculares e
3.000 morrem de câncer do pulmão causado pelo fumo passivo. Transferindo essas estatísticas para um
país com 10 milhões de pessoas, podemos estimar cerca de 2.000 mortes por câncer de pulmão e
doenças cardiovasculares entre não fumantes por ano devido ao tabagismo passivo. E o tabagismo
passivo gera doenças às crianças: causa pneumonia, bronquite, asma e otite. O único grupo que insiste
em negar isto é a indústria do tabaco e seus grupos “de fachada”.
Muitas substâncias poluem o nosso ar e nós devíamos trabalhar para eliminar todos os riscos à
saúde de nosso meio ambiente. O fumo do tabaco é reconhecido como uma dessas ameaças.
Juntamente com a queima de combustíveis de preparo e aquecimento de alimentos, o fumo do tabaco é
a maior causa de poluição dentro de uma residência e é a forma de poluição que possui uma solução
mais simples: a eliminação do tabagismo nesse ambiente.
O tabagismo passivo não é apenas uma questão de ventilação ineficiente. Uma ventilação pode
reduzir o odor da fumaça, mas não elimina as substâncias nocivas. Para eliminar essas substâncias num
escritório, são necessárias tantas trocas de ar, que poderiam causar um pequeno furacão. E porque
forçar as empresas a investir em equipamentos de ventilação caros quando elas podem simplesmente
eliminar a fonte de poluição? A solução mais sensata, barata e efectiva é eliminar a poluição nos
ambientes fechados.
Ambientes livres do fumo do tabaco não irão prejudicar o comércio, Incluindo bares,
restaurantes e o sector turístico. Ambientes de trabalho que são livres da fumaça do tabaco diminuem
seus custos com manutenção e seguros (seguro contra fogo e de saúde, por exemplo), e seus
funcionários são mais produtivos. Fumadores e não fumadores expostos ao fumo ficam doentes com
mais frequência do que os não fumadores não expostos. Além disso, ambientes de trabalho livres do
fumo do tabaco estimulam os fumadores a parar de fumar.
As empresas não têm o direito de pôr em risco a vida e a saúde de seus funcionários e clientes.
O governo é obrigado a proteger a saúde e a segurança pública, e o faz, por exemplo, ao regular o não
beber quando se vai dirigir, ao implementar leis que determinam o uso do cinto de segurança, ou ao
estabelecer padrões de poluição ambiental.
Restrições ao fumo do tabaco não infringem o livre-arbítrio dos fumadores. Como os mais
experientes dizem, o direito de uma pessoa balançar o braço termina onde o nariz de uma outra pessoa
começa. Os fumadores não têm o direito de prejudicar os outros com o seu fumo. Os ambientes livres
do fumo do tabaco não violam o “direito” de fumar – eles protegem o direito dos não fumantes de
respirar um ar puro e limpo.

Você também pode gostar