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Processo PenaL - Resumo para concursos - Marcato

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Comparecer no dia, hora e local: se o desrespeitar, a testemunha pode ser conduzida
coercitivamente; pode ainda responder por crime de desobediência e pagar multa
fixada pelo juiz. O juiz só pode obrigar a comparecer a testemunha que resida dentro
dos limites do território da sua jurisdição. As testemunhas residentes em outra
comarca (testemunhas de fora da terra) devem ser ouvidas por carta precatória. As
pessoas impossibilitadas, por enfermidade ou por velhice, de comparecer para depor,
serão inquiridas onde estiverem (artigo 220 do Código de Processo Penal). As
autoridades mencionadas no artigo 221 serão inquiridas em local, dia e hora
previamente ajustados entre elas e o juiz.

Comunicar mudança de endereço: “as testemunhas comunicarão ao juiz, dentro de 1
(um) ano, qualquer mudança de residência, sujeitando-se, pela simples omissão, às
penas do não-comparecimento” (artigo 224 do Código de Processo Penal).

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Depor e dizer a verdade: acerca do que souber e sobre o que lhe for perguntado. O
juiz deverá advertir a testemunha das penas do falso testemunho. A testemunha não
pode se recusar a depor. O cônjuge, o ascendente, o descendente e o irmão do réu,
entretanto, são dispensados de depor, exceto se não for possível, por outro modo,
obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias. Eles têm a obrigação
de comparecer, mas não de depor. Se vierem a depor, não prestam compromisso de
dizer a verdade (artigo 208 do Código de Processo Penal).

Pergunta-se: Aqueles que não prestam o compromisso de dizer a verdade, de que
trata o artigo 203 do Código de Processo Penal, podem ser acusados de cometerem o
crime de falso testemunho?

Resposta: Há divergência. A doutrina majoritária entende que sim. Para esses
autores, dentre os quais estão Damásio de Jesus e Nélson Hungria, o compromisso não é
elementar do crime. O tipo do artigo 342 do Código Penal menciona “testemunha”, que
pode ser compromissada ou não. Para esses autores, o dever de dizer a verdade não
decorre do compromisso. Todos têm o dever de dizer a verdade em Juízo. Para a
doutrina minoritária, seguida por Heleno Cláudio Fragoso, os que não prestam
compromisso são informantes e não testemunhas; se não prestam compromisso, não têm
o dever de dizer a verdade, já que esse dever decorre do compromisso. Por isso não
respondem pelo crime de falso testemunho.

A jurisprudência está dividida. O Supremo Tribunal Federal decidiu que há crime
de falso testemunho, mesmo que a pessoa não preste compromisso.

Algumas pessoas, em razão da função, ofício, ministério ou profissão que exercem,
devem guardar segredo e por isso são proibidas de depor (exemplo: padres, advogados etc.).
Poderão depor desde que: 1) sejam desobrigadas pela parte beneficiada pelo sigilo; 2)
queiram depor. Observe-se que a lei não dispensa essas pessoas de prestarem compromisso
de dizer a verdade, caso elas queiram depor. Assim, se mentirem, não há dúvidas de que
poderão responder pelo crime de falso testemunho.

Observação: função pressupõe atividade de natureza pública; ofício diz
respeito a atividade predominantemente manual (exemplo: mecânico, sapateiro
etc.); ministério trata-se de atividade de cunho eclesiástico ou assistencial; e
profissão refere-se a atividade predominantemente intelectual (exemplo: advogado,
psicólogo etc.).

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