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A HISTÓRIA DA TABELA PERIÓDICA

Um pré-requisito necessário para construção da tabela


periódica, foi a descoberta individual dos elementos
químicos. Embora os elementos, tais como ouro (Au), prata
(Ag), estanho (Sn), cobre (Cu), chumbo (Pb) e mercúrio (Hg)
fossem conhecidos desde a antiguidade. A primeira descoberta
científica de um elemento, ocorreu em 1669, quando o
alquimista Henning Brand descobriu o fósforo.

Durante os 200 anos seguintes, um grande volume de


conhecimento relativo às propriedades dos elementos e seus
compostos, foram adquiridos pelos químicos. Com o aumento do
número de elementos descobertos, os cientistas iniciaram a
investigação de modelos para reconhecer as propriedades e
desenvolver esquemas de classificação.

A primeira classificação, foi a divisão dos elementos em


metais e não-metais. Isso possibilitou a antecipação das
propriedades de outros elementos, determinando assim, se
seriam ou não metálicos.

Veja, a seguir, um breve histórico:

⇒ TRÍADES DE DÖBEREINER

Em 1829, Johann W. Döbereiner teve a primeira idéia, com


sucesso parcial, de agrupar os elementos em três - ou
tríades. Essas tríades também estavam separadas pelas massas
atômicas, mas com propriedades químicas muito semelhantes.
A massa atômica do elemento central da tríade, era
supostamente a média das massas atômicas do primeiro e
terceiro membros. Lamentavelmente, muitos dos metais não
podiam ser agrupados em tríades. Os elementos cloro, bromo e
iodo eram uma tríade, lítio, sódio e potássio formava outra.

Elemento Massa atômica


40
Cálcio
88 >>> (40 + 137)/2 =
Estrôncio
88,5
Bário
137
1817 - Lei das tríades de Döbereiner
⇒ PARAFUSO TELÚRICO DE CHANCOURTOIS

Em 1863, A. E. Béguyer de Chancourtois dispôs os elementos


numa espiral traçada nas paredes de um cilindro, em ordem
crescente de massa atômica. Tal classificação recebeu o nome
de parafuso telúrico.

1862 - O parafuso telúrico de Chancourtois

⇒ LEI DAS OITAVAS DE NEWLANDS

Um outro modelo, foi sugerido em 1864 pôr John A.R. Newlands


(professor de química no City College em Londres). Sugerindo
que os elementos, poderiam ser arranjados num modelo
periódico de oitavas, ou grupos de oito, na ordem crescente
de suas massas atômicas. Este modelo, colocou o elemento
lítio, sódio e potássio juntos. Esquecendo o grupo dos
elementos cloro, bromo e iodo, e os metais comuns como o
ferro e o cobre. A idéia de Newlands, foi ridicularizada pela
analogia com os sete intervalos da escala musical. A Chemical
Society recusou a publicação do seu trabalho periódico
(Journal of the Chemical Society).
Nenhuma regra numérica, foi encontrada para que se pudesse
organizar completamente os elementos químicos numa forma
consistente, com as propriedades químicas e suas massas
atômicas.
A base teórica na qual os elementos químicos estão arranjados
atualmente - número atômico e teoria quântica - era
desconhecida naquela época e permaneceu assim pôr várias
décadas.
1864 - As leis das oitavas de Newland

⇒ TABELA DE MENDELEYEV

Finalmente, Dimitri Ivanovitch Mendeleyev apresentou uma


classificação, que é a base da classificação periódica
moderna, colocando os elementos em ordem crescente de suas
massas atômicas, distribuídos em oito colunas verticais e
doze faixas horizontais. Verificou que as propriedades
variavam periodicamente à medida que aumentava a massa
atômica.

1872 - A tabela periódica de Mendeleyev.

Os espaços marcados com traços representam elementos que


Mendeleyev deduziu existirem mas que ainda não haviam sido
descobertos àquela época. Os símbolos no topo de cada coluna
são as fórmulas moleculares escritas no estilo do século XIX.
⇒ A DESCOBERTA DO NÚMERO ATÔMICO

Em 1913, o cientista britânico Henry Moseley descobriu que o


número de prótons no núcleo de um determinado átomo, era
sempre o mesmo. Moseley usou essa idéia para o número atômico
de cada átomo. Quando os átomos foram arranjados de acordo
com o aumento do número atômico, os problemas existentes na
tabela de Mendeleyev desapareceram.Devido ao trabalho de
Moseley, a tabela periódica moderna esta baseada no número
atômico dos elementos. A tabela atual se difere bastante da
de Mendeleyev. Com o passar do tempo, os químicos foram
melhorando a tabela periódica moderna, aplicando novos dados,
com as descobertas de novos elementos ou um número mais
preciso na massa atômica, e rearranjando os existentes,
sempre em função dos conceitos originais.

⇒ AS ÚLTIMAS MODIFICAÇÕES

A última maior troca na tabela periódica, resultou do


trabalho de Glenn Seaborg, na década de 50. À partir da
descoberta do plutônio em 1940, Seaborg descobriu todos os
elementos transurânicos (do número atômico 94 até 102).
Reconfigurou a tabela periódica colocando a série dos
actnídeos abaixo da série dos lantanídeos.
Em 1951, Seaborg recebeu o Prêmio Nobel em química, pelo seu
trabalho. O elemento 106 da tabela periódica é chamado
seabórgio, em sua homenagem.O sistema de numeração dos grupos
da tabela periódica, usado atualmente, é recomendado pela
União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC). A
numeração é feita em algarismos arábicos de 1 à 18, começando
a numeração da esquerda para a direita, sendo o grupo 1, o
dos metais alcalinos e o 18, o dos gases nobres.
Na Tabela Periódica moderna, os elementos são colocados em
ordem crescente de número atômico.

⇒ A HISTÓRIA DA CIÊNCIA PARECE TER ESQUECIDO DE LOTHAR MEYER

É muito comum atribuir o crédito da construção da Tabela


Periódica a Mendeleyev, mas não devemos nos esquecer de outro
químico, talvez tão brilhante quanto o cientista russo: o
alemão julius Lothar Meyer (1830 - 1895).
Em 1869, Meyer e Mendeleyev, trabalhando independentemente,
lançaram classificações periódicas semelhantes. Mas o
brilhantismo das previsões de Mendeleyev ofuscou por completo
o resultado das pesquisas de Lothar Meyer.
Em 1882, porém, os dois cientistas receberam a Medalha Davy,
a mais alta honraria da Associação Britânica para o Progresso
da Ciência.

Vale lembrar também que, em 1887, outra injustiça foi


reparada. A mesma medalha foi oferecida a Newlands, o
cientista que fora ridicularizado por sua classificação
baseada nas oitavas musicais.
Os grupos dos elementos representativos podem ser designados
por nomes especiais:

DISTRIBUIÇÃO
ELEMENTOS
NOME GRUPO ELETRÔNICA NA
DO GRUPO
ÚLTIMA CAMADA
metais Li, Na, K, Rb, Cs
1 (IA) s1
alcalinos Fr
Metais
Be, Mg, Ca, Sr,
alcalinos 2 (IIA) s2
Ba, Ra
terrosos
grupo do boro
ou dos metais 13 (IIIA) B, Al, Ga, In, Tl s2 p1
terrosos
grupo do
14 (IVA) C, Si, Ge, Sn, Pb s2 p2
carbono
grupo do
15 (VA) N, P, As, Sb, Bi s2 p3
nitrogênio
calcogênios 16 (VIA O, S, Se Te, Po s2 p4
halogênios 17 (VIIA) F, Cl, Br, I, At s2 p5
gases raros ou 18 He, Ne, Ar, Kr,
s2 p6
gases nobres (VIIIA) Xe, Rn

Observações:

1. Observe que nos elementos representativos o número de


elétrons da última camada é igual ao numeral romano da
nomenclatura tradicional, ou igual ao último algarismo do
número IUPAC do grupo.

2. Observe que o hidrogênio, apesar de constar na primeira


coluna da tabela, não é considerado um elemento do grupo dos
alcalinos por apresentar características especiais.

3. O grupo 18 já foi chamado de grupo 0 (zero), pois se


acreditava que seus elementos não reagissem com nenhum átomo.
Por essa aparente propriedade, esses elementos eram também
chamados de gases inertes.
DESENVOLVIMENTOS PRELIMINARES
Desde os primórdios, os químicos são responsáveis pela
evolução do conceito de periodicidade química (periodicidade
significa ocorrer regularmente ou intermitentemente. Um
exemplo familiar de periodicidade é a ocorrência da maré no
oceano, duas vezes ao dia). O alemão Lothar Meyer e o russo
Dimitri Mendeleyev fizeram mais do que quaisquer outros.
Posicionando-a sobre um firme fundamento experimental.
Trabalhando independentemente, eles descobriram a lei
periódica e publicaram a tabela periódica dos elementos.
Meyer publicou primeiro em 1864 e em 1869 expandiu sua tabela
para mais de 50 elementos. Ele demonstrou a variação de
propriedades periódicas, como o volume molar, o ponto de
ebulição e a dureza, como uma função da massa atômica. No
mesmo ano Mendeleyev publicou os resultados de seu trabalho,
incluindo sua própria versão da tabela periódica. Nos anos
seguintes, ele prosseguiu em seu estudo, em 1871 publicou a
versão mostrada na figura. Com esta tabela, ele previu a
existência dos elementos gálio e germânio e estimou suas
propriedades com grande exatidão. Demonstrou-se assim o valor
da tabela periódica na organização do conhecimento químico.
Em suas tabelas periódicas, Meyer e Mendeleyev listaram os
elementos em ordem crescente de massa atômica. (Nesta época,
as massas atômicas eram conhecidas, mas os números atômicos
não.) Atualmente, sabemos que a periodicidade é mais
facilmente visualizada se a listagem for feita em ordem
crescente do número atômico. Este fato ocasiona, em alguns
casos, uma pequena diferença na seqüência dos elementos,
pois, numa comparação entre dois elementos, o que tem maior
número atômico em geral tem a maior massa atômica.
(Entretanto, existem umas poucas exceções; compare o
potássio, Z=19, com argônio, Z=18, ou o iodo, Z=53, com o
telúrio, Z=52).
⇒ PERIODICIDADE: UMA DESCRIÇÃO MODERNA

A lei periódica estabelece que quando os elementos são


listados, seqüencialmente, em ordem crescente do número
atômico, é observada uma repetição periódica em suas
propriedades. Para entender o significado deste comentário,
considere a seqüência mostrada na figura a seguir, que é a
primeira parte desta lista de elementos.

Nesta ilustração a posição de cada elemento, na seqüência, é


marcada por um círculo, quadrado ou triângulo. Ao examinarmos
esta lista, um conjunto de elementos que atrai nossa atenção
é o dos gases nobres (quadrado, nos diagramas). Recebem esta
denominação porque todos os gases a temperatura e pressões
ordinárias ou comuns, e pouco ativos quimicamente, ou nobres.
(A palavra tem sido usada deste modo, uma vez que os metais
preciosos, notadamente prata, ouro e platina, todos poucos
reativos, foram a princípio denominados metais nobres.). Os
gases nobres são:
Hélio (He, Z=2)

Neônio (Ne, Z=10)


Argônio (Ar, Z=18)

Criptônio (Kr, Z=36)


Xenônio (Xe, Z=54)

Radônio (Rn, Z=86)

Ao olharmos para um elemento imediatamente posterior a um gás


nobre, encontramos um metal ativo que reage vigorosamente com
uma grande variedade de substâncias, inclusive com a água.
Esta família de elementos é chamada de metais alcalinos, e
cada elemento é designado por um triângulo na figura
anterior. Os metais alcalinos são:

Lítio (Li, Z=3)


Sódio (Na, Z=11)

Potássio (K, Z=19)


Rubídio (Rb, Z=37)
Césio (Cs, Z=55)

Frâncio (Fr, Z=87)

Os elementos imediatamente anteriores aos gases nobres,


exceto o hidrogênio, são todos altamente reativos,
semelhantes quimicamente aos não-metais, e são chamados
halogênios. Estão designados por círculos na figura anterior.
Os halogênios são:

Flúor (F, Z=9)


Cloro (Cl, Z=17)

Bromo (Br, Z=35)


Iodo (I, Z=53)

Astato (At, Z=85)


(Embora algumas das propriedades do Hidrogênio sejam
semelhantes às dos halogênios, o hidrogênio não é
classificado com halogênio. As propriedades do hidrogênio
ocupam uma classe particular).
Considerando estas três famílias de elementos, encontramos a
seqüência halogênio-gás-nobre-metal alcalino que se repete
periodicamente. (A periodicidade química pode ser
posteriormente demonstrada pela inclusão de outras famílias
de elementos em um estudo similar).

⇒ A TABELA PERIÓDICA MODERNA

A repetição verificada na lei periódica é a base da estrutura


da tabela periódica moderna, na qual as famílias de elementos
com propriedades químicas semelhantes são distribuídas em
colunas verticais chamadas grupos.

⇒ GRUPOS OU FAMÍLIA

Os grupos maiores consistem em cinco ou seis elementos e são


chamados grupos representativos, principais ou grupos A. São
enumerados de IA até VIIA, mais o grupo 0. (O grupo 0
consiste nos gases nobres e algumas vezes é chamado grupo
VIIIA.) Comumente, o “A” é omitido nestas designações, e
assim os halogênios correspondem ao grupo VIIA ou grupo VII.
Os elementos destes grupos são conhecidos como elementos
representativos.

Os grupos menores encontrados na região central da tabela


periódica são chamados grupos de transição, subgrupos ou
grupos B. São enumerados por algarismos romanos e pela letra
B. Os elementos deste grupo são conhecidos como elementos de
transição.

Por muitos anos, houve um desacordo internacional quanto aos


grupos que seriam designados por A e por B. O sistema
descrito há pouco é comum nos Estados Unidos, mas alguns
publicam tabelas periódicas, comercialmente, usando as letras
A e B de forma trocada. Em 1990, a IUPAC publicou a
recomendação final para um novo sistema que não usa letras e
os grupos passariam a ser enumerados com algarismos arábicos
de 1 a 18 (da esquerda para a direita). Na figura a seguir, a
numeração dos grupos de acordo com este novo sistema é
mostrada acima da designação tradicional.
⇒ PERÍODOS

As filas horizontais da tabela periódica são chamadas


períodos e são enumeradas com algarismos arábicos de 1 a 7.
Observe que os períodos variam grandemente em comprimento: o
primeiro período consiste em somente dois elementos, o sexto
período consiste em 32 elementos, em parte porque estão
incluídos os lantanóides (O termo lantanóide é recomendado
pela IUPAC, embora não seja de uso comum dos Estados Unidos.
Um termo mais antigo é elemento terra-rara), que são 14
elementos, do lantânio (Z=89) até o itérbio (Z=70). O sétimo
período também consiste (potencialmente) em 32 elementos,
pois estão incluídos os 14 elementos actinóides (A IUPAC
recomenda o termo actinóide. Um termo mais antigo é elemento
terra-rara pesado), do actínio (Z=89) ao nobélio (Z=102). Os
lantanóides e actinóides são conjuntamente chamados elementos
de transição interna.

Observe que o hidrogênio é posicionado, isoladamente, na


parte superior da tabela periódica. Isto é feito porque as
propriedades do hidrogênio são particulares. Algumas versões
da tabela periódica posicionam o hidrogênio acima do lítio
(grupo IA) e/ou acima do flúor (grupo VIIA). Contudo, o
hidrogênio pouco apresenta das propriedades dos metais
alcalinos ou dos halogênios.
Cada novo período, após o primeiro na tabela periódica, tem
início com um metal alcalino (grupo IA) e termina com um gás
nobre (grupo 0). Entre os elementos, alguns têm nomes
especiais: alcalinos terrosos, do grupo IIA, calcogênios do
grupo VIA e, como mencionamos anteriormente, os elementos do
grupo VIIA são denominados halogênios.

Tabela Periódica Atual

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18
8A
1A
(0)
H He
I 2A 3A 4A 5A 6A 7A
1 2
Li Be B C N O F Ne
II
3 4 5 6 7 8 9 10
Na Mg Al Si P S Cl Ar
III 3B 4B 5B 6B 7B 8B 2B 1B
11 12 13 14 15 16 17 18
K Ca Sc Ti V Cr Mn Fe Co Ni Cu Zn Ga Ge As Se Br Kr
IV
19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36
Rb Sr Y Zr Nb Mo Tc Ru Rh Pd Ag Cd In Sn Sb Te I Xe
V
37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54
Cs Ba Hf Ta W Re Os Ir Pt Au Hg Ti Pb Bi Po At Rn
VI ∗
55 56 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86
Fr Ra Rf Db Sb Bh Hs Mt Uun Uuu Uub Uuq
VII ∗∗
87 88 104 105 106 107 108 109 110 111 112 114

∗ Série dos La Ce Pr Nd Pm Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu
Lantanídeos 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71
∗ ∗ Série dos Ac Th Pa U Np Pu Am Cm Bk Cf Es Fm Md No Lr
Actinídeos 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103

LEGENDA
- Hidrogênio
- Metais
- Semi-metais
- Não metais
- Gases Nobres
- Lantanídeos
- Actinídeos
PROPRIEDADES PERIÓDICAS DOS ELEMENTOS
Na tabela periódica os elementos estão organizados em ordem
crescente de números atômicos e por semelhança de
configurações eletrônicas:

⇒ Numa mesma linha horizontal (período), ficam dispostos os


elementos que possuem o mesmo número de camadas eletrônicas.

⇒ Numa mesma linha vertical (grupo), ficam os elementos que


possuem configurações eletrônicas semelhantes no subnível
mais energético.
Essas semelhanças estão geralmente associadas a propriedades
semelhantes. Veremos nesta seção que existem certas
propriedades, como tamanho do átomo, densidade, pontos de
fusão a de ebulição etc., que se repetem a cada período e que
por isso são chamadas propriedades periódicas.

Cada uma dessas propriedades depende de pelo menos dois


fatores. É o balanço entre esses fatores que irá determinar a
variação de cada propriedade.

A seguir, algumas delas:

⇒ RAIO ATÔMICO

⇒ VOLUME ATÔMICO

⇒ DENSIDADE

⇒ PONTOS DE FUSÃO E DE EBULIÇÃO

⇒ POTENCIAL (OU ENERGIA DE IONIZAÇÃO)

⇒ AFINIDADE ELETRÔNICA (OU ELETROAFINIDADE)

⇒ ELETRONEGATIVIDADE

RAIO ATÔMICO
O tamanho de um átomo é difícil de ser medido, pois os
elétrons não estão localizados em uma distância definida ao
redor do núcleo, mas sim permanecem em constante movimento.

Para contornar essa dificuldade, podemos fazer a seguinte


simplificação: vamos considerar os átomos como se tivessem
forma esférica e estivessem em contato uns com os outros.
Nessa situação, o raio atômico (r) será igual à metade da
distância (d) entre os núcleos de dois átomos vizinhos.

Se percorrermos os períodos da esquerda para a direita,


encontraremos cargas nucleares (números de prótons)
progressivamente maiores. Quanto maior a carga nuclear, maior
a força de atração que o núcleo exercerá sobre os elétrons.
Essa força fará os elétrons ficarem mais próximos do núcleo,
diminuindo, assim, o tamanho do átomo. Em resumo:

Ao longo de um mesmo período, o raio atômico diminui da


esquerda para a direita.

Se percorrermos um grupo de cima para baixo, o número de


camadas e a carga nuclear aumentarão. No entanto, esses dois
fatores agem em sentidos opostos: quanto maior o número de
camadas, maior o tamanho do átomo, e quanto maior a carga
nuclear, menor o átomo será. Qual dos dois fatores
predominará?

Ocorre, nesse caso, o chamado efeito de blindagem: a força de


atração entre a carga do núcleo a os elétrons das camadas
mais externas sofre um enfraquecimento devido à presença dos
elétrons das camadas mais internas. Em outras palavras, os
elétrons (negativos) que estão entre o núcleo e a camada mais
externa neutralizam em parte a carga positiva do núcleo, o
que diminui a força de atração entre o núcleo a os elétrons
mais externos. Esses últimos elétrons, por essa razão,
ficarão mais distantes do núcleo, o que resultará num maior
tamanho do átomo.

Portanto, ao longo dos grupos, a influência do número de


camadas é mais intensa que a da carga nuclear. Assim sendo, à
medida que percorrermos os grupos de cima para baixo, o
número de camadas aumentará, favorecendo o aumento do raio
atômico.

Podemos, então, dizer que:

Ao longo de um mesmo grupo, o tamanho dos átomos aumenta de


cima para baixo.

Essas conclusões obtidas até agora podem ser assim resumidas:


O raio atômico aumentada direita para a esquerda ao longo dos
períodos e de cima para baixo ao longo dos grupos.

Gráfico do raio atômico em função do número atômico:

VOLUME ATÔMICO
Apesar do nome, o volume atômico não é o volume de um único
átomo, mas o volume ocupado por um conjunto de 6,02 x 1023
átomos do elemento no estado sólido.

Aparentemente, poderíamos realizar o seguinte raciocínio: se


o volume atômico corresponde a 6,02 x 1023 átomos então o
volume de um só átomo seria determinado dividindo-se o volume
atômico por 6,02 x 1023. Entretanto, esse raciocínio não é
válido porque no estado sólido todos os elementos apresentam
seus átomos separados por uma certa distância. A mera divisão
dos valores forneceria um resultado maior que o volume real
de um átomo.

Portanto, numa definição mais precisa:

O volume atômico corresponde ao volume de 6,02 x 1023 átomos


do elemento no estado sólido mais o volume dos espaços vazios
entre esses átomos.

Esses espaços variam em função da maneira como os átomos do


elemento se ajustam uns aos outros. Os elementos localizados
do centro à direita da tabela periódica apresentam uma
estrutura mais espaçada, ou seja, seus átomos tendem a
permanecer mais distanciados uns dos outros do que os
elementos situados do centro à esquerda. Essa informação será
importante para compreendermos como o volume atômico varia ao
longo dos grupos e períodos.

Percorrendo os grupos de cima para baixo, o raio atômico


aumenta e o volume atômico também. Em relação aos períodos,
temos dois casos:

⇒ Elementos localizados do centro para a direita – Embora o


raio atômico diminua, o volume atômico aumenta. Como
dissemos, isso ocorre porque os átomos desses elementos,
mesmo tendo um pequeno raio, tendem a permanecer muito
afastados entre si. Como resultado, seu volume atômico
aumenta em direção à direita do período.

⇒ Elementos localizados do centro para a esquerda – O raio


aumenta, mas o espaçamento entre os átomos vai se tornando
tão pequeno que passa a prevalecer a influência do raio
atômico. Portanto, para esses elementos o volume atômico
aumenta em direção à esquerda do período.

Em resumo:
Ao longo dos grupos, o volume atômico aumenta de cima para
baixo;ao longo dos períodos, ele aumenta do centro para as
extremidades.
Um gráfico do volume atômico em função do numero atômico,
seria:

DENSIDADE

Vimos que densidade é a relação entre a massa (m) e o volume


(V) ocupado por essa massa:

Essa relação nos mostra que, para massas iguais, quanto menor
o volume, maior será a densidade.
Uma vez que o volume atômico aumenta do centro para as
extremidades nos períodos, então a densidade (que varia
inversamente com o volume) aumentará das extremidades para o
centro. Em outras palavras, a densidade aumenta no sentido
inverso do volume.

Quanto à variação da densidade nos grupos, temos de


considerar o seguinte: como o volume atômico aumenta de cima
para baixo, poderíamos pensar que a densidade diminuiria
nesse sentido. Ocorre, porém, que a massa dos átomos também
aumenta de cima para baixo. Esse aumento é tão intenso que
supera o aumento do volume. Isso faz, então, com que nos
grupos a densidade aumente de cima para baixo.

Resumindo:

Nos períodos, a densidade aumenta das extremidades para o


centro; nos grupos, ela aumenta de cima para baixo.
Gráfico da densidade em função do número atômico:

PONTOS DE FUSÃO E DE EBULIÇÃO


A distancia entre as partículas que formam qualquer
substância varia conforme o estado físico em que o material
se encontra. No estado sólido as partículas estão mais
próximas entre si, e no gasoso, mais distantes. No estado
líquido elas estão a uma distância intermediária.

As partículas de qualquer substância são mantidas juntas como


conseqüência de forças de atração que se formam entre elas.
No estado sólido essas forças são maiores do que no líquido e
neste, maiores do que no estado gasoso.

Quando aquecemos um material sólido, suas partículas passam a


se movimentar mais intensamente. Prosseguindo o aquecimento,
elas chegarão a superar as forças de atração que as mantêm
juntas. Quando essas forças são superadas, atinge-se a
temperatura de fusão, e o sólido começa a derreter, passando
para o estado líquido, no qual as partículas permanecem
geralmente mais afastadas.

Continuando o aquecimento, as partículas passarão a se


movimentar ainda mais intensamente, até romper as forças de
atração que existem no estado líquido. Quando essas forças
são vencidas, atinge-se a temperatura de ebulição, ou seja, o
liquido começa a ferver e passa para o estado gasoso, no qual
as partículas estão ainda mais afastadas.
No caso dos elementos puros, em geral, quanto maiores são
essas forças, mais próximos os átomos permanecem. Isso
confere ao elemento uma estrutura mais compacta e uma
densidade maior. Além disso, quanto maiores essas forças,
maior é a temperatura necessária para separar os átomos.
Assim sendo, os pontos de fusão e de ebulição tendem a
aumentar com a densidade.

Assim:

Ao longo dos períodos, os pontos de fusão e de ebulição


aumentam das extremidades para o centro (tal como a
densidade); ao longo dos grupos, eles aumentam de cima para
baixo, com exceção dos grupos 1 (IA) e 2 (IIA), nos quais o
aumento é de baixo para cima.
Além dessa periodicidade, há outras informações relacionadas
ao estado físico que chamam a atenção:

⇒ O elemento de menor ponto de fusão (-269 °C) é o hélio (Z


= 2).

⇒ Os maiores pontos de fusão são 3.410°C, para o tungstênio


(Z = 74), e 3.500°C, para o carbono (Z = 6).

⇒ O carbono, por sua posição na tabela periódica, deveria


ter um ponto de fusão menor.

Essa exceção deve-se, porém, ao fato de seus átomos se


disporem de tal maneira que as forças de atração entre eles
se tornam muito intensas.

⇒ O elemento gálio (Z = 31) é um metal com temperatura de


fusão tão baixa (30°C) que derrete, como se fosse manteiga,
em contato com o calor da mão. (A temperatura do corpo humano
é de 37°C, aproximadamente).

⇒ De todos os elementos, somente o mercúrio (Z = 80) e o


bromo (Z = 35) são líquidos à temperatura ambiente (25°C). No
estado gasoso temos o hidrogênio, nitrogênio,oxigênio, flúor,
cloro e os gases nobres (grupo 18 ou VIIIA). No estado sólido
estão todos os outros elementos (ver tabela periódica)

Um gráfico do ponto de fusão em função do número atômico,


seria:

POTENCIAL (OU ENERGIA) DE IONIZAÇÃO

Para retirar os elétrons mais externos de um átomo, é


necessária uma certa quantidade de energia. Essa energia
precisará ser grande se os elétrons estiverem fortemente
atraídos pelo núcleo do átomo, mas poderá ser pequena se eles
estiverem fracamente atraídos.

Essa maior ou menor atração que o núcleo exerce sobre os


elétrons depende de dois fatores:

⇒ Carga nuclear (que é positiva e corresponde ao número de


prótons);
⇒ Tamanho do átomo (que pode ser expresso através do raio
atômico).

Quanto maior a carga positiva do núcleo, maior a atração


sobre os elétrons. Quanto menor o tamanho do átomo, mais
próximos os elétrons estão do núcleo e maior será a força de
atração. Desse modo, em um átomo com maior carga nuclear e
menor tamanho, exige-se maior energia para arrancar um dos
elétrons do que em um átomo com menor carga nuclear e maior
tamanho.

A energia exigida para arrancar um, dois ou mais elétrons de


um átomo é chamada energia de ionização ou potencial de
ionização.

Há diferentes potenciais de ionização para um mesmo átomo:


⇒ Damos o nome de primeiro potencial de ionização à energia
mínima necessária para retirar completamente um elétron da
camada mais externa, estando esse átomo rio estado
fundamental e era estado gasoso (O estado gasoso é tomado
como referência porque nele os átomos ficam isolados uns dos
outros, sem interferências mútuas. Desse modo, a energia
necessária para retirar o elétron é exatamente igual à
energia com que o elétron é atraído pelo núcleo).

⇒ O segundo potencial de ionização, por sua vez, corresponde


à retirada do segundo elétron.

⇒ O mesmo ocorre com o terceiro e os demais potenciais.

⇒ Quando não for especificada a ordem do potencial,


entendemos tratar-se do primeiro.

À medida que retiramos o primeiro, o segundo e o terceiro


elétron de um mesmo átomo, o potencial de ionização vai
sempre aumentando, pois a força de atração entre o núcleo e
os elétrons restantes vai se tornando cada vez maior. Isso
ocorre pela seguinte razão: à medida que os elétrons vão
sendo retirados, o íon vai assumindo cargas positivas cada
vez maiores (+1, +2, +3 etc.), que vão atraindo com mais
força os elétrons restantes. Torna-se necessária, por isso,
urna energia cada vez maior para separar esses elétrons do
átomo.

O potencial de ionização é medido em unidades especiais. A


mais comumente utilizada chamada elétron-volt (eV).

Na tabela periódica, à medida que acompanhamos um período da


esquerda para a direita, a carga do núcleo aumenta e o raio
atômico diminui. Isso provoca um aumento da atração do núcleo
pelos elétrons, com um conseqüente aumento da energia de
ionização.

Acompanhando um grupo de baixo para cima, o raio atômico (e


portanto o tamanho dos átomos) diminui, e os elétrons vão
ficando cada vez mais próximos do núcleo, aumentando a força
de atração entre eles e o núcleo. Isso faz com que a energia
de ionização, necessária para desprendê-los do átomo, cresça
também.

Resumindo, podemos dizer que:

Ao longo dos períodos, o potencial de ionização aumenta da


esquerda para a direita; ao longo dos grupos, ele aumenta de
baixo para cima, em variação contrária à dos raios atômicos.
Um gráfico do primeiro potencial de ionização em função do
número atômico seria:
AFINIDADE ELETRÔNICA (OU ELETROAFINIDADE)
Existem átomos que, apesar de já possuírem todos os seus
próprios elétrons, podem ainda receber elétrons extras com
muita facilidade. Essa capacidade é conhecida como afinidade
por elétrons ou eletroafinidade.

Átomos de elementos com alta eletroafinidade, ao receberem


elétrons extras, transformam-se em íons negativos (ânions)
bastante estáveis. Já os átomos que não aceitam elétrons
facilmente (ou seja, de elementos com baixa eletroafinidade)
formam ânions bastante instáveis.

Afinidade eletrônica ou eletroafinidade é a medida da


capacidade de um átomo em receber um ou mais elétrons. Essa
capacidade se refere a átomos isolados (o que ocorre no
estado gasoso).

A energia envolvida na afinidade eletrônica pode ser medida


nas mesmas unidades do potencial de ionização. Geralmente, a
unidade utilizada é o elétron-volt.

O valor da eletroafinidade é, na maioria das vezes, negativo,


embora possa também ser positivo (ao contrário do potencial
de ionização, que é sempre positivo).

Quanto mais negativo o valor da afinidade eletrônica, maior a


facilidade do átomo para receber um ou mais elétrons.
Contrariamente, quanto mais positivo esse valor, mais será
preciso "forçar" o átomo para que receba elétrons.

Tal como o potencial de ionização, a variação da afinidade


eletrônica na tabela periódica tende a ser contrária à
variação do raio atômico.
Ao percorrermos um período da esquerda para a direita, o raio
atômico diminui. Com isso, a atração que o núcleo exerce
sobre os elétrons se torna maior, o que aumenta a afinidade
eletrônica.

Ao longo dos grupos, o raio atômico diminui de baixo para


cima, e, pelo mesmo raciocínio, a eletroafinidade aumenta
nesse sentido.

Os átomos dos halogênios (grupo 17 ou VIIA) têm grandes


valores negativos de afinidade eletrônica. De fato, esses
átomos recebem elétrons com muita facilidade, e os ânions por
eles formados (F-, Cl-, Br-, I-) têm estabilidade muito
grande.

Em oposição, os átomos dos gases nobres (grupo 18 ou VIIIA)


têm valores positivos de afinidade eletrônica, revelando sua
dificuldade em receber elétrons e formar ânions.

ELETRONEGATIVIDADE

Eletronegatividade é a capacidade que um átomo tem, de atrair


elétrons de outro átomo quando os dois formam uma ligação
química.

Assim, um átomo que, quando isolado, possui grande potencial


de ionização e grande afinidade eletrônica também
apresentará, quando ligado a outro átomo, grande atração por
elétrons, ou seja, terá uma alta eletronegatividade.

Podemos dizer que a eletronegatividade depende de dois


fatores: tamanho do átomo e número de elétrons na última
camada. Já conhecemos a influência do primeiro desses
fatores: quanto menor é o átomo, maior é sua capacidade de
atrair elétrons, já que a distância destes ao núcleo é menor.
O segundo fator se deve à tendência que os átomos possuem de
se tornarem mais estáveis quando completam oito elétrons na
última camada. Átomos com maior número de elétrons na última
camada exercem maior atração sobre os elétrons de outros
átomos. É o balanço entre esses fatores que determina qual,
dentre dois átomos, é o mais eletronegativo. Por exemplo, o
cloro tem sete elétrons na última camada e o oxigênio, seis.
Se fosse considerado apenas esse fator, o cloro seria mais
eletronegativo que o oxigênio por precisar de apenas um
elétron para completar o octeto. Entretanto, o átomo de
oxigênio é tão menor que o de cloro que essa característica
acaba por superar o outro fator. Como resultado, o oxigênio
se revela mais eletronegativo que o cloro. Isso nos permite
dizer que, de modo geral:

Quanto menor o átomo e maior o número de elétrons na última


camada, maior é sua eletronegatividade.

Para medir o quanto um átomo é mais ou menos eletronegativo


que outro, foi proposta por Linus Pauling uma escala que
atribui o valor 4,0 para o átomo de maior eletronegatividade,
que é o de Flúor. Os valores para os outros átomos são então
determinados por comparação. Por exemplo, e possível
demonstrar, por experimentos, que o átomo de boro atrai os
elétrons com a metade da força do flúor. Conseqüentemente, o
valor da eletronegatividade do boro, nessa escala, é 4/2 = 2.
Já o átomo de alumínio atrai os elétrons com três oitavos da
força em relação ao flúor; isso significa que a
eletronegatividade do Al na escala de Pauling é 4 . 3/8 =
1,5.

Um gráfico da eletronegatividade em função do número atômico,


seria:
PROPRIEDADES APERIÓDICAS DOS ELEMENTOS
São as propriedades cujos valores só aumentam ou só diminuem
com o número atômico, são propriedades que não se repetem em
ciclos ou períodos. Entre elas podemos citar:

⇒ MASSA ATÔMICA
Cresce à medida que o número atômico aumenta (massa atômica é
a massa do átomo medida em unidades de massa atômica, u);
⇒ CALOR ESPECÍFICO

Decresce à medida que o número atômico aumenta (calor


específicos é a quantidade de calor necessária para elevar de
1°C a temperatura de 1g do elemento).