Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC Especialização em Artes Visuais - Cultura e Criação Modalidade à distância - Polo DF (turma AVDF04

/2009) Aluna: Iracema Mª Motta Brochado

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Brasília, Distrito Federal 14 de Dezembro de 2010

Iracema Mª Motta Brochado

ARTE E SUSTENTABILIDADE APLICADA À CRIAÇÃO ARTÍSTICA

Dissertação apresentada ao Departamento de Educação à Distância do SENAC/DF, como requisito parcial para obtenção do título de especialista em Artes Visuais - Cultura e Criação.

Orientadora: Prof.ª Tatiana Terra Brasília, DF 2010

Ficha catalográfica
B863a Brochado, Iracema Mª Motta. Arte e sustentabilidade aplicada à criação artística / Iracema Mª Motta Brochado – Brasília: Senac DF, 2010. 60 p.: il. Inclui Bibliografia Orientadora: Prof.ª Tatiana Terra Dissertação – Educação a distância (Especialista em Artes Visuais – Cultura e Criação) Senac/DF, 2010. 1. Sustentabilidade. 2. Artes Visuais. 3. Artes plásticas. I.Título. CDU 7:502.3

Com amor e gratidão: Aos meus pais, À Prof.ª Carmen Lígia Fraga, À Prof.ª Dra. Cladis Voos, Às Dras. Léa Gadia e Sílvia Mª Daud, Pela amizade, carinho, dedicação e apoio por todos estes anos.

AGRADECIMENTOS Às Profªs. pela orientação e apoio. Per Marco. Aos colegas de curso. Jayme Vasconcellos. per il suo prezioso aiuto. Isabela Barbosa Rodrigues e Tatiana Terra. Ao Prof. que possibilitaram a experiência de troca de ideias sobre diferentes linguagens artísticas. que me possibilitou ver minhas próprias criações artísticas com outros olhos. . no decorrer do mesmo.

políticas públicas. os elementos culturais regionais como incentivo à diversidade cultural bem como aproveitamento sustentável dos recursos locais. arte ambiental. desenvolvimento sustentável. Land Art. artes plásticas. meio ambiente.aplicável tanto a cenários naturais como à paisagem urbana -. especialmente em um país rico nesse setor e de grande diversidade regional e cultural como o Brasil. cultura. natureza. arquitetura. História da Arte. artes visuais. materiais.RESUMO O objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de criação visual para uma instalação artística . diversidade cultural como parte integrante do mesmo. artes plásticas. Para o entendimento e análise da viabilidade de tal proposta. intervenção urbana. políticas culturais. gambiarra. pesquisa. arte de instalação. um breve histórico da Land Art (movimento artístico que se constitui na principal referência conceitual desta proposta) e possíveis custos empregados no projeto. Palavras-chave: sustentabilidade. projeto. cenografia. com base na pesquisa e levantamento de recursos locais (naturais. desta forma. . este trabalho apresenta uma contextualização de diversos fatores: desenvolvimento sustentável. design. a qual visa conciliar os elementos artístico cenográficos de uma instalação aos conceitos de sustentabilidade (mediante o emprego de materiais e componentes ecológicos e/ou sustentáveis) e de “gambiarra” enquanto forma alternativa de design (tal como anteriormente apresentada na tese do arquiteto brasileiro Rodrigo Boufleur). materiais e culturais) valorizando.

sustainable development.applicable to both natural scenery as to the urban landscape . stage design. especially in a country rich in this sector. research. visual arts. . architecture. materials. based on research and survey of local resources (natural. environment. adaptation) as an alternative form of design (as once presented in Brazilian-born architect Rodrigo Boufleur's thesis). Keywords: sustainability. art history. improvisation. cultural diversity as part of the same. public policies. scenography. within the project. material and cultural) enhancing. environmental art. urban intervention. the use of regional cultural elements as well as to promote cultural diversity and sustainable use of local resources. adaptation. nature. installation art. cultural policies. this paper presents a background of several factors: sustainable development.which seeks to reconcile the artistic and scenic elements of an installation to the concepts of sustainability (through the use of either ecological or sustainable components) and of the "GAMBIARRA" (a Brazilian term with the sense of improvisation. For understanding and assessing the feasibility of this proposal. arts. design.ABSTRACT The aim of this paper is presenting a proposal to create a visual art installation . project. a brief history of the Land Art (art movement which constitutes the main conceptual framework of this proposal) and possible costs involved. with both large regional and cultural diversity like Brazil. culture. thus. fine arts. Land Art. design.

Palabras clave: sostenibilidad. . arte ambiental. aplicable tanto a los paisajes naturales como al paisaje urbano. investigación. improvisación.RESUMEN El objetivo de este trabalho es presentar una propuesta para crearse una instalación artística visual. políticas públicas. proyecto. materiales. historia del arte. diseño. artes plásticas. medio ambiente. adaptación. así como el fomento de la diversidad cultural y el uso sostenible de los recursos locales. arte. cultura. intervención urbana. un breve historico del Land Art (movimiento artístico que constituye el principal marco conceptual de esta propuesta) y los posibles costos empleados en este proyecto. políticas culturales. y que trata de conciliar los elementos artístico-escénicos de una instalación a los conceptos de sostenibilidad (a través del uso de materiales y componentes ecológicos y / o sostenibles) y de la "GAMBIARRA" (término brasileño con el sentido de improvisación. desarrollo sostenible. como Brasil. diseño. naturaleza. arquitectura. naturales y culturales) mejorando así los elementos regionales y culturales. Para comprenderse y evaluarse la viabilidad de esta propuesta. este trabajo presenta un fondo de varios factores: el desarrollo sostenible. Land Art. artes visuales. especialmente en un país rico en este sector y de gran diversidad regional y cultural. escenografía. basado en la investigación y estudio de los recursos locales (materiales. adaptación) como forma alternativa de diseño (tal como se había presentado en la tesis del arquitecto brasileño Rodrigo Boufleur). la diversidad cultural como parte de lo mismo. diseño de escenario. arte de instalación.

cultura. intervento urbano. adattamento) come progetto alternativo di disegno (come presentato prima nella tesi dell'architetto brasiliano Rodrigo Boufleur). progetto. arti visive.ASTRATTO Lo scopo di questo lavoro è di presentare una proposta per creare un'installazione di arte visiva. politiche culturali. soprattutto in un paese ricco in questo settore. materiali. ricerca. belle arti. adattamento.che cerchi di conciliare l'aspetto artistico e paesaggistico di un impianto per i concetti di sostenibilità (attraverso l'utilizzo di materiali e componenti ecologici e/o sostenibili) e di "GAMBIARRA" (un termine brasiliano che ha il significato di improvvisazione. di grandi diversità regionali e culturali come il Brasile. arte. applicabile sia ai paesaggi naturali che al paesaggio urbano . installazioni. la diversità culturale come parte dello stesso. questo lavoro presenta uno sfondo di diversi fattori: lo sviluppo sostenibile. design. natura. storia dell'arte. materiali e culturali) potenziando così gli elementi culturali e regionali per la promozione della diversità culturale e l'uso sostenibile delle risorse locali. improvvisazione. disegno. scenografia. arte ambientale. una breve storia della Land Art (movimento artistico che costituisce il principale quadro concettuale di questa proposta) ed eventuali costi insiti nel progetto. Per capire e valutare la fattibilità di questa proposta. Land Art. politiche pubbliche. basato su ricerca e indagine delle risorse locali (naturali. . ambiente. sviluppo sostenibile. Parole chiave: sostenibilità. architettura.

Figura 08 . de 2009). idem. Fotomontagem a partir de imagens obtidas pela pesquisa Google. como parte integrante da proposta instalação. Figura 16 .esboço para detalhe de uma instalação interativa fundindo elementos da plasticidade presente na flora do Cerrado com a ideia estrutural do móbile de Alexander Calder.esboço para intervenção urbana na Plataforma Rodoviária de Brasília.Espécies da flora do Cerrado. Montagem feita pela autora. Figura 07 . . Figura 15 . idem. Brasília.idem. Figura 06 . tiradas por celular no bairro do Lago Sul. em Brasília. Figura 14 .Fotos analógicas preto-e-branco tiradas pela autora em 1996.elemento cenográfico: foto de crepúsculo brasiliense. Figura 03 . Figura 17 .Evento de moda na Plataforma Rodoviária do Plano Piloto.Lista das ilustrações Figura 01 . Fotos da autora. Figura 04 – Andy Goldsworthy.idem. idem. DF (fev. Montagem feita a partir de foto de crepúsculo feito pela au tora. Foto da autora e fotomontagem a partir de imagens obtidas pela pesquisa Google. Figura 12 .esboço para “instalação interativa” nº 1. Fotos re produzidas da matéria publicada a respeito no Portal G1 de notícias. obras diversas. Figura 10 . Figura 02 .Fotomontagem com diversas fotos de crepúsculos brasilienses. baseado na flora do Cerrado característico da Região Centro-oeste.esboço para “instalação interativa” nº 2. de 2010.Fotomontagem a partir de fotos digitais panorâmicas da Plataforma Rodoviária do Plano Piloto de Brasília. a partir de imagens obtidas pela pesquisa Google. Figura 05 . Figura 09 . Figura 13 . entre 2009 e 2010. Figura 11 . ibidem. tiradas pela autora em Out. Fotomontagem feita a partir de fotos digitais da autora. tiradas pela autora em diferentes épocas do ano (a maioria de celular). inicialmente sugerida para a Plataforma Rodoviária do Plano Piloto de Brasília. esculturas diversas.esboço para uma "cabine de experimentação" baseada no Trenzinho de Mira Schendel. mais imagens obtidas pela pesquisa Google. Fotos obtidas através da pesquisa Google.entulhos orgânicos provenientes de jardinagem.Frans Krajcberg.Referências visuais iniciais adotadas para este trabalho. remodeladas plasticamente no ato da revelação química e propositalmente subexpostas ou superexpostas. DF (dez/2010). ibidem. Fotomontagem elaborada a partir de imagens obtidas pela pesquisa Google.

Conclusão IV.SUMÁRIO I. Referências Bibliográficas 13 20 34 37 53 55 . Desenvolvimento prático e teórico Conceitos motivadores e desenvolvimento teórico Recursos técnicos e resultados pretendidos Proposta visual: alguns esboços III. Introdução II.

dominantemente. um quadro.. digamos. do clássico escopro ou pincel a robots no limite da consciência. libertando gradativamente o artista de retratar a natureza. de tempo e espaço. [. interiores e exteriores.. das regras tradicionais e livrou as cores [. sob essa ruptura. usando como plasticina todas as tecnologias ao dispor do artista. 1999) Embora. . a arte.. é a procura de limites... conforme ideias anteriormente apresentadas em outras atividades desenvolvidas pela autora. paradoxalmente alguns movimentos recentes da arte moderna parecem haver trilhado uma espécie de caminho inverso.].] No princípio do século passado..” (STRICKLAND.] Apenas os critérios mudaram e a arte deixou de ser. “Para Que Serve a Arte Contemporânea?” 1) No processo evolutivo da arte ocidental. Duchamp demonstrou que bastava mudar o urinol de sítio e posição para ele nos interrogar como. Desta forma. a instalações vídeo. Quadrados pretos sobre fundo preto. Hoje.html> Acesso em 16 de nov. (Luis Soares.. através do emprego de recursos locais. a arte priorizasse a imaginação e as experiências individuais.org/archives/2007/11/para_que_serve. visuais e materiais. no sentido de buscar na natureza a fonte das inquietações sociais e ambientais.. ela “não apenas decretou que qualquer tema era adequado. a proposta de criação visual aqui apresentada visa promover e estimular a chamada sustentabilidade e a diversidade cultural (cujas definições serão apresentadas adiante). Porém. 1 Disponível em <http://obviousmag.]. O objetivo e proposta desenvolvidos para este trabalho são o de sinteticamente estabelecer uma fusão. uma interação entre a Arte os conceitos de Desenvolvimento Sustentável e de "Gambiarra". levando-se a extremos. foi no século XX que se deu a ruptura mais radical com o passado. a arte do “belo”.13 1. através de movimentos como a Land Art e seus derivados. mas também libertou a forma [. da obrigação de representar com exatidão os objetos... como grande parte da actividade humana. de 2010. INTRODUÇÃO SOBRE A ESCOLHA DO TEMA [. alguns destes movimentos foram um tanto irresponsáveis em termos de impacto ambiental. camas com lençóis sujos ou. e isto será discutido mais adiante.

A título de demonstração puramente hipotética.org/wiki/Arte_de_instala %C3%A7%C3%B5es> Acesso em 20/11/2010. "a disposição de elemen tos no espaço tem a intenção de criar uma relação com o espectador. em locações urbanas como praças.wikipedia. e após isto é desmontada. fundindo elementos plástico cenográficos da linguagem teatral. por si mesma.como esboçam as duas imagens apresentadas neste trabalho. por conseguinte. Uma das possibilidades da instalação é provocar sensações: frio. portanto de fácil acesso às vivências individuais e coletivas. adicionalmente. sendo que de lembrança da mesma só ficam fotos e recordações.. por excelência. da proposta de intervenção ambiental da Land Art e dos artefatos popularmente denominados "GAMBIARRA". [. da chamada Arte de Instalação .que. É uma obra de arte que só 'existe' na hora da exposição. de. 3 SOUSA. zoológicos. (Ver Referências Bibliográficas) . possibilitando aos participantes uma melhor compreensão do dia-a-dia.14 Para tanto. Rafael O. traduz exatamente o lugar físico da diversidade cultural3 ” e. A todos estes cenários o elemento "gambiarra" é incorporado.] como um ambiente que. de componentes cenográficos. o primeiro espaço físico a proporcionar trocas culturais. a instalação aqui proposta visa estimular o público a interagir. como proposta de instalação interativa entre público e evento. linguagens estas direcionadas ao diálogo entre Arte. é montada na hora. estações de metrô ou rodoviárias.como local de relevância sociocultural na dinâmica urbana. som ou coisas que simplesmente chamem a atenção do público ao redor. na Arte de Instalação. a experimentar diferentes aspectos da sustentabilidade empregados em objetos de uso cotidiano. o tema deste trabalho debruça-se sobre a intervenção artística urbana. Sustentabilidade e recursos locais cultural ambientais. 2 Considerando-se uma definição sugerida pelo Wikipédia onde. PROPOSTA DE CRIAÇÃO VISUAL A proposta deste trabalho é a de uma intervenção urbano ambiental. odores.. em vez do público como mero expectador . jardins botânicos. parques e outras reservas naturais. “elemento significativo nas trocas e relações culturais. A Praça Como Lugar da Diversidade Cultural. caindo no conhecimento do público. esta proposta de intervenção urbano ambiental baseia-se em um conceito previamente trabalhado em atividades no decorrer do curso: o conceito de praça pública .baseado em estudo de Rafael Oliveira de Sousa . dentro do cenário urbano ou mesmo fora dele. como recentemente discutido na tese de pós-graduação apresentada por Rodrigo Boufleur para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (e uma das principais referências incorporadas a este trabalho). pontos de ônibus e." <http://pt. verdadeiro palco onde os acontecimentos afluem. Partindo-se destes princípios. já sugere um quê de cenográfico 2 -. calor.

Esta obra é considerada um marco na . convidado a interagir com a obra. Dentre as referências plásticas apontadas. como a internet e em material gráfico – principalmente fotos de locações – de minha autoria.15 nos mais diferentes pontos.onde o público. julgadas afinadas com a proposta (tanto pela ideia que transmitem quanto pelas linguagens e técnicas adotadas). como o aqui proposto. 1964 . "veste" a criação do artista. sobretudo. destacam-se: figura 01 1. Parangolés de Hélio Oiticica. Cumpre ressaltar que o conceito de praça pública é mencionado aqui. embora outras referências sejam também pesquisadas em fontes adicionais. REFERÊNCIAS VISUAIS PESQUISADAS Algumas referências plásticas foram inicialmente selecionadas das obras artísticas analisadas no decorrer do curso. como um conceito espacial passível de aplicação em projetos de criação artística.

também parte integrante do conceito de Gambiarra. A experimentação. a obra sugere uma ideia para gambiarras.].. somados à pesquisa de materiais (no caso desta obra de Pesce.” (CAVALCANTI. Trenzinho de Mira Schendel. Os móbiles também constituem referencial visual para a proposta deste trabalho. com o adicional plástico do design de linhas orgânicas e apelo confortável. que se caracteriza na busca de elementos da banalidade urbana como fonte de inspiração. 1969 . uma das características inovadoras mais marcantes da obra de Calder -. 3. 4.elemento de inspiração sobretudo cenográfica. segundo palavras do próprio artista. sem pretender impor um padrão estético. visando porém o mínimo de impacto ambiental em relação à obra de Smithson. “Píer em Espiral” (Spiral Jetty) de Robert Smithson. 5.. O processo criativo da obra dos irmãos Campana como um todo. outras peças de mobiliário) dos Irmãos Campana. da necessidade de uma livre expressão”. Sua proposta “consiste em sensibilizar o cotidiano através da repotencialização do ‘coeficiente’ criativo do indivíduo. por extensão. à semelhança da proposta de Marcel Duchamp. 1965 – Elaborado em papel-arroz e fio de nylon. . dentro do conceito de Gambiarra aqui desenvolvido. pela sua ideia de estrutura a ser incorporada .ideia para mobiliário confeccionado com materiais eco-friendly. na contextualização da Land Art (à qual a obra pertence).Cadeira Favela (e. como elemento para uma Gambiarra. no sentido de libertar a Arte da restrição contida nos espaços institucionais. a obra surgiu de "uma necessidade vital de desintelectualização [. constitui referencial plástico na medida em que serve como exemplo para a busca de novas releituras em recursos locais aparentemente insignificantes. Isto será discutido mais adiante. é base desta referência no tocante à pesquisa e experimentação de materiais. como os museus e as galerias. Os móbiles de Alexander Calder . o emprego da espuma de poliuretano) como referencial. com reaproveitamento de materiais. Poltronas Up Series de Gaetano Pesce.a mesma ideia apresentada pelo Trenzinho.foi nada mais nada menos que Marcel Duchamp quem inventou o termo “móbile” para este tipo de obra. 2002). característica marcante da trajetória artística de Schendel. 1991 .16 trajetória de Oiticica: em seu processo criativo. 6. 1970 . Funda-se aqui uma ética para a qual a liberdade reside numa tentativa constante de autodesprendimento e auto-invenção. 2.

Os ready-mades de Marcel Duchamp .. 17 As colagens de Mimmo Rotella . Em seguida. além de libertar a obra de arte da restrição contida nos espaços institucionais (como galerias e museus). rasgando as tiras soltas em trapos e farrapos amassados no estúdio – ‘décollage duplo’. será também discutido mais adiante. o conceito de “readymade” apresentado por Duchamp representa o grande referencial visual. “Depois de Duchamp a arte nunca mais seria a mesma. “havia método na aparente loucura: ele transformava suas fitas e panos dos cartazes de cinema em quebra-cabeças inescrutáveis cuja solução estava simplesmente no prazer da visão de sua colagem cubista.. precisamos. ideias.onde recursos inusitados são reaproveitados. sentimentos. [. Consigo ver.. A colagem transmite algo fundamental… Que. filosóficas e críticas acima das questões formais. Duchamp gera uma relação com os objetos e com o espectador. os pedaços eram colados a esmo em uma tela preparada. criando novas linguagens. Ao privilegiar o ato do artista. O ready-made é aqui adotado como referencial em sua proposta de redimensionar artisticamente objetos banais ou de gosto duvidoso (bem como convidar o público a uma interação com a obra. . e nas criações artísticas dos princípios do século XXI são inegáveis e constantes. suscitando-lhe um questionamento da Arte e do papel do artista). feita na cidade de São Paulo em 2002 – cujo referencial visual reside na integração do ready-made ao cenário urbano. que em última instância..” Publicado na entrevista “Bate-papo consciente com o artista plástico Silvio Alvarez” (ver Referências Bibliográficas). 8. ainda que com 4 Ideia trabalhada pelo artista plástico paulista Silvio Alvarez: “Em tempos de aquecimento global. em detrimento muitas vezes do objeto artístico.] materiais. Este elemento de “desconstrução”. [.. acima de tudo. em um processo batizado pelo crítico francês Pierre Restany como “rotelização”. 2007) 9. vai definir como obra de arte um objeto escolhido pelo artista. O efeito final era muitas vezes chocante e estranhamente comovente em sua beleza ferida” (KIRKUP. (oni) presente na Arte Moderna como um todo. A intervenção urbana de José Resende. Partindo-se desta ideia.” (BOSCO E SILVA. acrescente-se à da colagem como uma proposta de linguagem ambiental4. o meu trabalho atuando positivamente junto à coletividade como instrumento de conscientização. Sua influência na arte do século XX. para revertermos esta situação. muito mais eficaz. do que longos sermões a respeito da devastação do Planeta.(idem). outro importante referencial plástico.. Duchamp coloca as questões conceituais. promovendo uma releitura crítica da banalização inerente ao mesmo. justamente. Sem dúvida.] O passo seguinte era ‘desconstruir’ os cartazes rasgados ainda mais. reciclar [.7. por exemplo. tenho constatado que a arte da colagem pode atuar como importante instrumento de conscientização. No processo criativo destas colagens.] Ao priorizar o gesto à criação de novos objetos. 2006).

não somente no sentido de trabalhar os materiais extraídos da natureza. a obra do escultor polonês radicado no Brasil não poderia deixar de ser igualmente incluída como de grande importância referencial plástica no contexto deste trabalho (Figura 02).18 um toque melancólico. sem a ironia de Duchamp. pela notável perspectiva plástica que ela apresenta para o reaproveitamento de recursos naturais como troncos de madeira calcinada. a incorporála como local de trabalho e de expressão artística por excelência. Em um artigo de 2010. e tudo isto contra a vida”. Ainda. como ponto de partida de uma reflexão sobre a própria condição humana perante a natureza e a constante guerra entre o gênero humano e a vida. . Por isto. a obra de Krajcberg é dotada de grande valor filosófico. como ainda no fato do escultor ser apontado entre um dos primeiros a adotar a própria Natureza como ateliê. Adicionalmente. destaca-se o conjunto da obra do escultor Frans Krajcberg. que será discutido mais adiante. por exemplo. o homem contra a natureza. a artista plástica Roberta Ricci Molina estabelece um paralelo entre a obra de Duchamp e a de Resende. Sob o aspecto ambiental. acrescente-se à obra de Krajcberg grande valor pioneirístico. Citando-se as palavras do próprio escultor: “o homem contra o homem.

foi esboçada uma proposta de intervenção urbana. .19 Figura 02 Desta forma. cuja contextualização e características serão esmiuçadas ao longo deste estudo. amalgamando-se várias das ideias apresentadas pelas referências visuais acima.

20 2. a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro”. obviamente. será apresentada aqui uma síntese e inserção dos mesmos à proposta aqui contida. de 2010. este estudo se perderia -. a direção dos investimentos.scribd. por sua vez.com/doc/12906958/Relatorio-Brundtland-Nosso-FuturoComum-Em-Portugues> Acesso em 20 de Nov. no sentido de dirigir indivíduos e sociedade a um questionamento sobre as dimensões do desenvolvimento que. o conceito de desenvolvimento sustentável começou a tomar corpo somente na década de 80. acelerou ainda mais a consolidação do conceito de sustentabilidade. . que redigiu um Relatório – conhecido como Relatório de Brundtland5 – tido como o grande marco daquilo que poderíamos denominar um “repensar sustentável”. sendo este conceito consagrado em 1987 pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente (CMMA) das Nações Unidas.) tende a assumir grande complexidade – na qual. nas palavras do próprio relatório. em 1989. uma vez que a discussão sobre a Cultura como um todo (bem como sobre os inúmeros aspectos. com base em atividades desenvolvidas ao longo do curso . “a exploração dos recursos.das quais se originaram os conceitos motivadores deste trabalho -. DESENVOLVIMENTO PRÁTICO E TEÓRICO CONCEITOS MOTIVADORES E DESENVOLVIMENTO TEÓRICO DA PROPOSTA DE CRIAÇÃO VISUAL Apresentação Como já foi mencionado. Naturalmente. regional etc. sem no entanto desconsiderar a 5 Disponível em <http://www. conduzam a práticas econômicas e sociais onde. conhecida como Comissão Brundtland. a contextualização inicial procurará ater-se especificamente aos aspectos referentes à Arte bem como à discussão sobre o uso de linguagens e de técnicas artísticas. Contextualização nº 1: Cultura e Desenvolvimento Sustentável A título de uma breve introdução. O fim da Guerra Fria. fatores e expressividades culturais – de caráter histórico. além de uma contextualização de sua proposta (dividida em três partes).

Karin Vecchiatti ressalta a importância do papel das políticas públicas na sustentabilidade. onde a Arte. reorientando a produção de bens materiais e imateriais. ao invés do crescimento econômico’”. destaca que todos os problemas são culturais na sociedade contemporânea. a cultura ou o desenvolvimento? A cultura é o DNA do intangível. Os que não são culturais são decorrentes da cultura: ‘O que veio primeiro. através da pesquisa de técnicas e de linguagens e do aprendizado com os erros e acertos de movimentos artísticos passados. já não conseguem comunicar-se . a forma geral pela qual percebemos a vida. mas no sentido de que envolvem mudanças na nossa visão de mundo. de algum modo. a cultura representa um importante fator de desenvolvimento. no contexto da sustentabilidade. aparato tecnológico eficiente e ações geradas a partir de percepções individuais e culturais da sociedade] poderia direcionar uma revolução social e cultural. como alternativa às formas de discurso convencionais onde. no sentido de que “somente uma articulação ético-política [entre fatores das forças de mercado. (YODA.] é constituída da vida social e impulsiona relações entre pessoas e grupos. criando imagens e poéticas imprescindíveis para o conhecimento de si mesmo e do outro e contribuindo para a criação de um rico imaginário local apoiado nas raízes e na criatividade coletivas. Isso porque as novas ideias são visões imaginativas originais. reconciliando o crescimento econômico com as formas de desenvolvimento sustentável. renovando vivências. ibidem) Assim.. Toda mudança e transformação é cultural.21 relevância do conceito de desenvolvimento sustentável aplicado não somente à prática eficiente de uma política cultural. 2006).” (VECCHIATTI. Ainda pouco explorados nas ações promotoras da sustentabilidade.. a Arte comunica-se através daqueles que. os trabalhos artísticos que tocam o imaginário e a subjetividade humana fazem parte de um importante registro ecológico de nossas ações. mas também ao repensar das linguagens artísticas sob tal contexto. “Lala Deheinzelin. a Arte – com sua capacidade de promover transformações através do uso e de pesquisa de técnicas e de linguagens – desempenharia um significativo papel. [. 2004). (Idem. neste tipo de discurso. Desta forma. artista e produtora cultural. não somente porque elas envolvem imagens particulares inéditas. Assim nasce o paradigma do desenvolvimento. laços de solidariedade. apresentada como uma das chamadas frentes à disposição das chamadas políticas culturais.

2008. daí a importância destas colocações para a proposta e objeto deste estudo. cabe inicialmente 6 Disponível em <http://www. através dos tempos (desde a Antiguidade).22 por outras formas.ead.) e o design (arquitetônico ou de produtos). o pontapé inicial da inclusão do conceito de Desenvolvimento Sustentável a este estudo foi dado por um curso de Extensão Universitária sobre Políticas Ambientais e Desenvolvimento Sustentável. patrimônio cultural.). 7 DUDZIAK e GERALDES. tendo crescido em importância também no setor cultural. os aspectos culturais da sustentabilidade. Gráficas etc. Sob este enfoque. políticas culturais e recursos naturais ou locais). Observação das condições locais em relação a tal medida (processo histórico local. notadamente a partir dos anos 90. Em seu programa. de 2010. memória. como desenvolvido no já mencionado estudo de Rafael de Sousa -. . desenvolvimento sustentável significa também promover e manter a diversidade cultural bem como identidades culturais (regionais. Visuais. Somando-se à ideia inicialmente desenvolvida em uma das atividades durante esta Especialização. o curso havia apresentado.br/cursos/desenvolvimentosustentavel/2009_2/portal/index. identidade cultural. para uma proposta de projeto de intervenção artística: • Prévia análise crítica dos pressupostos teóricos e metodológicos relativos à implementação de um projeto de desenvolvimento sustentável.php> Acesso em 16 de nov. em linhas gerais. incluídas as Artes (Plásticas. • Contextualização nº 2: dimensão cultural da sustentabilidade Primeiramente. Adicionalmente. entre outros tópicos. referente a um projeto artístico de intervenção urbana em ponto de sociabilidade massiva – cuja escolha baseou-se no conceito inicial da praça pública enquanto espaço urbano de grande significado sócio político-cultural. realizado no final do ano passado pelo Portal EAD da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) 6. paisagens. com base em outro trabalho desenvolvido pela autora deste. além da busca de soluções ambientalmente viáveis para diferentes aspectos das manifestações culturais. conduzindo-se à reflexão de que a mesma não mais deve ser vista sob o enfoque meramente socioeconômico.pucrs. históricas etc. alguns aspectos 7 possibilitam uma reflexão preliminar.

onde a econômica representaria a abordagem central. seguindo-se concentricamente à abordagem social e.. as políticas culturais são de suma importância. Apesar de raramente pensadas em termos de sustentabilidade.]. observa em seu artigo que a ênfase na cultura como fator de sustentabilidade ainda é muito recente. porém. social e ecológica. componente fundamental da articulação ético-política capaz de conciliar o desenvolvimento ao crescimento econômico.. porque suas ferramentas de intervenção geralmente se aproximam da subjetividade humana [. sendo esta considerada como a dimensão agregadora. Karin Vecchiatti.23 introduzir aqui uma definição de "sustentável". [Grifo meu] Com base nestas argumentações. como se assuntos culturais não estivessem de alguma forma relacionadas às questões socioeconômicas. Ainda. Foi. especialmente nas políticas públicas.. que começou a tomar corpo no ano de 1972. onde se contextualizou a sustentabilidade como um efeito sobre o futuro por ações praticadas no presente (onde "as consequências da economia têm efeito sobre futuras gerações"). mas permeia diversas ações da sociedade. Vecchiatti sustenta que o desenvolvimento cultural pode ser benéfico ao próprio desenvolvimento social como um todo. tal como o conhecemos hoje (de interpretação dinâmica). pois não se restringe a um segmento específico. [. sendo priorizado justamente o de âmbito econômico. O termo provém da palavra latina sustinere.. e que se mantêm como a abordagem atual: dimensões econômica. onde a cultura em geral (e as Artes em particular) tende a ser tratada como um mero “segmento específico”. O conceito. sendo 3 dimensões conferidas e sistematizadas durante a Earth Summit 2002 de Johannesburg. no sentido de "restituir os recursos consumidos pelas organizações". "defender". para um enfoque artístico baseado nos seguintes critérios: . no entanto. lida com a criatividade que transita entre o novo e o antigo e impulsiona a sociedade a construir um quadro de referência com relação a seu futuro. na Earth Summit realizada no Rio de Janeiro em 1992 (evento que ficou conhecido como ECO 92).]. a ecológica. mais externamente. SUSTENTABILIDADE é a palavra-chave da proposta aqui adotada. significando "manter vivo". teve várias versões ao longo dos anos.

ajudam a fornecer uma dimensão de sustentabilidade aplicada a empreendimentos culturais. Preocupação ambiental. paralelamente às demais formas de discurso. não é diferente.e em um projeto de intervenção artística. Jardim Botânico (com exibição permanente de acervo artístico mais resgate e introdução de espécies botânicas) e projeto de inclusão social. Somadas aos elementos apresentados na contextualização anterior.org. abertos ao grande público. onde a Arte desempenha um papel como opção de expressão discursiva através do uso de linguagens. . estas representariam considerações importantes a serem levadas em conta. com sua proposta de integração entre Arte e Paisagismo (neste. 2008): • A sustentabilidade cultural passa necessariamente pelo reapropriação do espaço público e comunitário. como demonstrado. técnicas e meios próprios. (segundo a própria definição de sustentabilidade proposta pelo Relatório de Brundtland a qual. Garantir às obras uma espécie de "perenidade sustentável". em uma proposta de intervenção artística espacial (DUDZIAK e GERALDES. • • Considerar a dimensão cultural é essencial para a elaboração de políticas de sustentabilidade . A perspectiva da complexidade cultural e a compreensão da cultura como um processo dinâmico através dos tempos permitem uma abordagem mais dinâmica dos processos culturais.24 • • • Promoção da diversidade cultural e das identidades culturais existentes. Acesso em 16 de nov. criativa dos recursos oferecidos. Adicionalmente. no Brasil.inhotim. e mesmo pelas reservas naturais. ao mesmo tempo. de 2010. fator de grande importância para o levantamento dos aspectos locais e adequação do projeto aos mesmos. melhor se adéqua ao conceito estético de sustentabilidade aqui proposto).br>. no sentido de "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas". 8 Disponível em <http://www. com colaboração inicial de Burle Marx) e sua fusão infraestrutural entre Espaço Cultural. produzindo o mínimo de impacto ambiental mediante utilização responsável e. iniciativas como o Instituto Cultural Inhotim de Minas Gerais 8.

Disponível em <http://g1.html>.com/Noticias/Brasil/0. mostrando a necessidade de aprofundamento da compreensão da arte e sua direta influência na cultura brasileira contemporânea e em especial de suas metrópoles. onde modelos masculinos e femininos desfilaram modelos de underwear.25 Outro exemplo digno de menção é o evento de moda ocorrido em 2009 na Plataforma Rodoviária do Plano Piloto. Acesso em 19 de jul. O evento demonstra como um espaço tecnicamente encaixado no conceito de praça pública (embora.MUL1006250-5598.” Nisto. em Brasília 9.. somada às possibilidades oferecidas pela diversidade cultural e regional existentes no Brasil. não seja propriamente uma “praça”) pode servir para uma interação entre o público passante – pessoas em seus afazeres cotidianos – e uma manifestação estética como parte integrante da rotina de um cenário urbano. em uma data celebrada como o “Dia Nacional da Roupa de Baixo” (Figura 03).00MODELOS+DE+CALCINHA+PARAM+RODOVIARIA+DE+BRASILIA. Luciana Bosco e Silva sugere “possibilidades socioculturais de Intervenções Urbanas e de eventos que se apropriem da urbe para criar e apresentar cultura. de suas nuances e sendo assim de sua representação artística.globo. no tocante à sustentabilidade aplicada à criação artística. onde a necessidade de um diálogo com a urbe se apresenta de forma incontestável para o questionamento da contemporaneidade. 9 Matéria publicada em 17/02/2009. de . na realidade. a proposta de criação visual deste trabalho propõe este tipo de diálogo. no Portal G1.

ou Land Art a) Breve histórico do movimento Durante o século passado. no entanto. linguagem. portanto grande potencialidade ao emprego sustentável de linguagens e de técnicas artísticas. somados à análise das referências plásticas anteriormente demonstradas – com destaque para a obra do escultor Krajcberg não seria demais afirmar que o Brasil continua a representar um país rico em recursos naturais e culturais (haja vista a imensa dimensão territorial do país.26 Figura 03 Apresentados estes exemplos ocorridos em território nacional. a expressão artística fez o seu caminho através de novos meios de comunicação. não exime a arte de uma das suas missões originais: reflexão sobre o sentido da existência humana e os mundos do visível e . Contextualização nº 3: Arte Ambiental. materiais. significados. com sua diversidade regional e cultural: os vários “Brasis” de que tanto se fala são um fato) oferecendo. com recursos locais e peculiaridades regionais. A busca pela novidade.

além de Robert Smithson e o búlgaro Javacheff Christo (certamente o mais famoso. é inegável o pioneirismo e a grande influência paisagística exercida pelas primeiras manifestações da chamada Land Art (intitulada. um questionamento. Porém. se aprofunda nesta preocupação antiga do ser humano. paisagísticos e mesmo lúdicos do cenário urbano . feitas a partir do meio natural. por Itzel Rodríguez10) A Land Art começou a tomar corpo na virada da década de 60 para a de 70. no plano etimológico. uma participa10 Ver Referências Bibliográficas. Um dos enigmas que têm inquietado os seres humanos desde os tempos antigos é a sua relação com a natureza. Land Art sugere uma ressonância com landscape (=paisagem). entre os expoentes do gênero). Apesar de seu potencial polêmico. Land Art. [Grifo meu] (Traduzido de Land Art = Arte y Naturaleza. O movimento ganhou esse nome pelo fato dos artistas utilizarem a paisagem natural como cenário. no transeunte. A arte contemporânea. seus conceitos podem também ser aproveitados como integrantes cênicos. outros nomes como o americano Art Sonfist e Walter de Maria. Significativamente. Sobre Resende.daí a sua importância referencial plástico cenográfica para a proposta apresentada neste trabalho. às vezes. embora boa parte destas manifestações tenha priorizado os cenários naturais. O movimento tem como principais representantes artistas americanos e europeus destacandose. em inglês.27 do invisível. através da Land Art. Environmental Art) . sobretudo na questão do eventual impacto ambiental ocasionado pelas obras.como intervenções urbanas recentes e decorrentes de políticas culturais adequadas já possibilitaram. a artista plástica Roberta Ricci Molina chegou a estabelecer um paralelo entre a sua obra e a de Marcel Duchamp. . que têm como alguns dos pontos em comum a ação política (no sentido de provocar no espectador. como suporte para as suas criações. significa “Arte da Terra”. e os ingleses Andy Goldsworthy e Richard Long. a exemplo da obra de José Resende (para citar-se um exemplo puramente brasileiro) e parte da própria obra de Christo.

atribuindo-lhes novo sentido. mas cheios de história e referências do local. temos seis vagões equilibrados por cabos de aço em meio a outros vagões “abandonados” num pátio ferroviário e seus arredores. irreverente. na de Resende existe “o abandono. ao atribuir um diferente sentido a coisas comumente tidas por banais. transpondo-se a própria pesquisa artística e estética a outras dimensões.28 ção) e a linguagem dos ready-mades: Em Resende. Roberto Gaudereto comenta que A arte ambiental na sua definição não apresenta conexão com a preocupação ambiental atual. já existentes. de repente ocorre uma quebra neste ritmo e a criação de uma nova relação com este espaço gerado pela intervenção do artista. a Land Art opta pelas formas prontas já presentes na Natureza. 2010) Mas. a melancolia. a cidade em sua dimensão esmagadora e opressiva e a impotência dos indivíduos [. assim como este trabalha com formas materiais prontas. alguns fechados à visão de ser o umbigo do universo tendo o direito de moldá-lo e outros assustados com os acontecimentos naturais consequentes de nossas próprias ações (ou não). da dinâmica econômica e espacial a que estavam antes inseridos. Alguns salientam a capacidade transformadora e moldadora do homem enquanto que outros focalizam no poder e na ação da forças naturais. A cidade e suas múltiplas relações e abandonos são o palco e o motor da experiência vivida pelos transeuntes. o que é uma curiosa semelhança com a posição da humanidade hoje. ... (MOLINA. igualmente atribuindo-lhe um novo significado? Isto porque o próprio conceito de ready-made. o sucateamento. Pois. se na obra de Duchamp havia o elemento irônico. se a experiência com este espaço era dominada pela pressa e indiferença dos habitantes. Lançando-se um questionamento sem grandes compromissos: seria a Land Art. acaba por sugerir certa transcendência neste sentido. por assim dizer.]”. Os vagões são “objetos prontos”. tendo seus trabalhos resultados diferentes para com ela. uma espécie de versão “ecológica” do ready-made – no sentido de que. b) Aspectos críticos Em artigo postado no blog Navegantes de Iapetus.

inclusive. é que ela só é visível quando as condições climáticas levam o nível do Great Salt Lake a cair abaixo de uma elevação de 4197. por sua vez. a proposta visual deste trabalho poderia sugerir paralelamente uma opção de perspectiva estética para a chamada “desconstrução”. promovendo uma efetiva interação entre manifestação artística e condições locais mediante utilização criativa e. é o criativo. sujeita a modificações (senão ao desaparecimento) feitas pela ação do tempo cronológico e das intempéries: erosões. Paralelamente. Desconstruir é abrir novos horizontes. e de como a obra (criada em abril de 1970) ficou. que é de 1500 pés (457 m) de comprimento e 15 pés (4. sustentável dos recursos locais o qual. É transpor barreiras. o alternativo. de 2010..6 m) de largura. serviria como ferramenta de promoção e estímulo à diversidade cultural local. é o não-convencional. de forma a desestabilizar metodicamente as estruturas e normas cristalizadas ao longo do tempo..8 pés (1280. uma releitura local com o mínimo de impacto ambiental. mas a forma de criar condições para o surgimento do novo. ao mesmo tempo.. diferentemente da Land Art que visa modificar as características locais da paisagem (aumentado os riscos de impacto ambiental.. cerca de quarenta anos depois: “[.] talvez o aspecto mais intrigante da criação de Smithson. 2009) Assim. da autoria de William Case.designbrasil. chuva. . um projeto sustentável visaria um repensar da atitude artística perante o meio ambiente.br/designdesigner/purungo-volta-ao-memorial-de-curitiba> Acesso em 16 de nov. só consegue ser visível sob certas condições climáticas locais -. o diferente. um artigo postado na Internet. Discorrendo sobre estes aspectos. Desconstruir não é a proposta do novo. boa parte das obras da Land Art é efêmera. marés ou mesmo desmontada pelo próprio artista. com a finalidade de melhor percebê-las e questioná-las. o termo desconstruir significa questionar verdades preestabelecidas.2 m). portanto). como a apresentada nesta definição pelo professor de design André Villas Boas: Diferente de destruir.29 (GAUDERETO. ilustra o caso particular da Spiral Jetty (ou “Cais em Espiral”) de Smithson – a qual. por ser ao ar livre.org. [Grifo meu] 11 Significativamente. [.] Spiral Jetty veio à tona várias vezes 11 Disponível em <http://www. levando-se em conta as contribuições (tanto as positivas como as negativas) dadas pelas manifestações da Land Art em particular.

os componentes químicos e biológicos.apesar da postura do artista de negar os espaços ditos institucionais (tradicionalmente a galeria e o museu). acaba por tornar esta forma de arte dependente do circuito dos museus e galerias para a sua divulgação . mapas ou desenhos expostos em galerias e museus ou. Nisto certamente reside o primeiro paradoxo ocasionado pela Land Art no qual. estes pioneiros não tive- . como as próprias dimensões da obra. componentes eletrônicos e até carros são transformados em obras de arte. Durante as flutuações do nível do lago. estas obras tendem a ficar fora do circuito comercial. a crosta de sal endurecido provavelmente cimentou o conjunto de pedras e proporcionou uma camada protetora na superfície [da obra]” (CASE.. Além disso. químicos e biológicos locais. é multifacetada. Por outro lado. negando o papel preponderante dos museus e das galerias ao desviar a obra de arte a lugares inéditos ou distantes.] Escultores como os americanos Robert Smithson.] Cada vez mais artistas contemporâneos criam propostas e obras que discutem o papel do meio ambiente na atualidade. E a arte não poderia escapar. inacessíveis. Assim. são vendidas a colecionadores particulares. no entanto. ainda... Os materiais utilizados são diversos: grama. por situarem-se frequentemente em locais um tanto inóspitos. chegam ao conhecimento do público apenas por registros (fotográficos ou fílmicos). com pouquíssimas pessoas podendo observá-las in loco. 2010). Alan Sonfist e o búlgaro Christo estão dentre os primeiros que tentaram unir arte e meio ambiente As telas destes artistas eram as paisagens. A Arte Sustentável. O artigo de Case fornece interessantes detalhes técnicos. [. como são chamadas as obras que obedecem a preceitos de sustentabilidade. fechados ou privados. Outro aspecto é apresentado na citação que se segue. A questão da sustentabilidade invade diversos segmentos da sociedade. sua localização (além meios de acesso ao local) e componentes minerais.. sujeira. em sua proposta de desmaterialização do objeto. [.30 entre 1970 e 2002. este tipo de obra tende a ficar afastada do grande público. desempenharam um significativo papel na feição assumida pela obra com o passar das décadas. musgo. No processo acima descrito pela citação. a Spiral Jetty sobreviveu à erosão. que haviam particularmente servido de fonte de inspiração para o próprio artista.

através de nomes como o americano Robert Hinson. reduzindo o máximo possível o seu impacto. É o caso. homem e natureza. O trabalho foi muito criticado. 2009) No caso das obras discutidas no trecho acima. Os artistas foram acusados de desrespeito ao meio ambiente em diversas ocasiões. chega a lembrar a obra de Frans Krajcberg. para destacar-se outro exemplo positivo. ao menos. conservacionistas e críticos alegavam que as obras causavam danos à natureza. fazemos na areia das praias. estas obras acabavam por causar algum tipo de dano ambiental às locações.12 Mas. inocentemente. nos Estados Unidos. o impacto ambiental é óbvio. madeira etc. de Andy Goldsworthy cujas obras parecem tornar possível uma comunhão entre Arte. Em 1969 “embrulhou” a costa em Little Bay. em um vídeo intitulado Brochure. . pois diversos animais ficavam presos na “obra”. gelo. Smithson. às vezes) pode ser vista. em Utah. folhas secas. temática e pictórica – através do emprego de materiais variados como pedras. embora dotada de maior diversificação técnica. O caso de Christo foi mais grave. outros expoentes da Arte Ambiental buscam harmonizar suas criações artísticas com o meio ambiente. de cujo trabalho uma amostra (que parece evocar os tracejados que.31 ram muito sucesso. a corrente ressurgiu sob o nome de Arte Sustentável (Sustainable Art). (Figura 04) 12 Disponível no portal Vimeo.com (ver Referências Bibliográficas). extraídos do meio natural. Tal inconsistência entre a proposta ideológica e a prática ocasionou certo esvaziamento do movimento por algum tempo. intervindo de forma sutil nos cenários naturais (através do uso de recursos de iluminação e de cores. em alguns momentos. sem ocasionar danos ambientais ou. Apesar de eles estarem discutindo ecologia. além de outros recursos naturais disponíveis) e atraindo o interesse dos ecologistas. na Austrália. E talvez aí esteja o segundo paradoxo embutido nas manifestações pioneiras da Land Art: pretendendo suscitar um questionamento ambiental. como nem tudo são “pedras” (quiçá na acepção ambiental da expressão). usou enormes escavadeiras para esculpir uma espiral às margens do Grande Lago Salgado. Recentemente. por exemplo [na construção de sua Spiral Jetty]. (MAIA.

como “ator social”. o objetivo deste trabalho. pelo contrário. trata-se de considerar os prós e contras para a avaliação de fatores empregados em um projeto de criação visual para a livre apreciação e interação com o público.onde. certamente uma alusão à obra de Smithson). sempre existe o risco de enveredar-se para algum tipo de postura fundamentalista o que não é. no “instrumental”. no reforço de tal divisão. exibe o potencial para oferecer alternativas a paradigmas dominantes.32 Figura 04 A Arte Sustentável incorpora uma posição crítica sobre as principais manifestações da Land Art. no “autônomo”. com uma escavadeira de pincel”. nas quais se demonstrava pouca preocupação com possíveis consequências ambientais das obras (processo certa vez ironicamente descrito como “tratar-se a paisagem como uma tela gigante. residiria a verdadeira liberdade de criação artística. verifica-se o sacrifício da liberdade artística em função da mensagem política enquanto. Contudo. . onde o artista. Os expoentes da Arte Sustentável também questionam a própria divisão entre “autônomo” e “instrumental” proposta pelo Modernismo . evidentemente. ainda que para fins puramente críticos – como em todo processo de polarização -.

a conscientização do público às questões ambientais. as características da Land Art – e. visto que manifestações de caráter pioneiro às vezes podem não avaliar suas consequências em longo prazo (e não se pode culpá-las). .osklen. além de proporcionar uma ferramenta de pesquisa na participação. não apenas a interação momentânea entre público e evento. de 2010. e acertos aprendidos em experiências de intervenções passadas.como o recentemente demonstrado em eventos como o Arte e Desenvolvimento Sustentável. no entanto. uma politização e seus eventuais desgastes. promover a informação. por tabela. uma intervenção artística efetivamente sustentável visa tornar possível uma fusão entre Arte e Sustentabilidade.33 Por isto. comentadas no artigo online de Rodrigo Maia do qual provém à citação acima (a qual inspirou a autora deste trabalho a elaborar a reflexão aqui apresentada). conscientização. exibido no Centro Cultural Banco do Brasil de RJ 13 . por fim. 13 Disponível em <http://www. da Sustainable Art – aqui apresentadas têm a finalidade de fornecer subsídios artísticos e estéticos à discussão da proposta de criação visual apresentada neste trabalho sem acarretar. Desta forma. um recurso de diversidade cultural. um projeto de intervenção artística sustentável . a apresentação dos recursos locais ao público (possibilitando o reaproveitamento dos recursos locais e a busca de soluções criativas para os mesmos). também. c) Fusão Arte + Sustentabilidade Levando-se em conta os erros .net/news/show/65> Acesso em 16 de Nov. bem como uma ferramenta de pesquisa artística para novos caminhos para técnicas e linguagens artísticas (seja um redimensionamento das já existentes ou a descoberta de novas). portanto.visa. busca e utilização criativa de recursos locais promovendo. onde a Arte faz-se valer de linguagens e técnicas que aproveitem os recursos naturais e/ou locais sem causar impacto ambiental danoso à paisagem urbana ou natural. busca.a exemplo da Spiral Jetty de Robert Smithson e as obras do búlgaro Javacheff Christo.

promovendo a fusão dos seguintes conceitos: Onde os elementos envolvidos nesta "equação" abrangeriam os significados abaixo: a) ARTE E SUSTENTABILIDADE Aqui. bem como uma avaliação de seus efeitos positivos e negativos (como nas obras dos artistas aqui comentados). combinam-se obra de arte. uma grande possibilidade de suportes. assim como o Objeto Expandido e a Intervenção Urbana. Isto pode ser incorporado também às produções artísticas e seus respectivos processos criativos. 2007). seu impacto ambiental e a busca de uma interação entre arte e meio ambiente. podendo conduzir a uma espécie de intervenção alternativa. Desta forma. permite enquanto poética artística. . Dentre as linguagens oferecidas pela Arte Contemporânea. através do uso de recursos materiais disponíveis. faz com que estas formas de fazer artístico se situem de forma totalmente confortável na produção artística contemporânea. já que a Arte Contemporânea tem como característica o questionamento do próprio espaço e do tempo. A gama variada de possibilidades na realização destas modalidades artísticas.” (BOSCO E SILVA.tanto quanto o desenvolvimento econômico propriamente dito). ao comentar que uma política cultural eficiente é de grande importância ao desenvolvimento social . a sustentabilidade aplicada ao processo de criação artística proporciona uma ferramenta de pesquisa simultaneamente artística e ambiental (com base nas argumentações apresentadas por Karin Vecchiatti. b) GAMBIARRA Em uma definição simples e direta.34 RECURSOS TÉCNICOS E RESULTADOS PRETENDIDOS A proposta é a de um projeto de intervenção urbano ambiental. “a Instalação.

que já virou referência pela web. uma proposta do uso da “gambiarra” como recurso e saída criativa de soluções sustentáveis para o cotidiano. assim postos e usados por falta de recursos.. ou corretamente utilizados em outra configuração.35 A gambiarra [. transitório. 2006) Embora o termo seja comumente entendido no sentido pejorativo (como algo em condições precárias. Idem. de raciocínio espacial. onde a gambiarra é apresentada como uma intervenção alternativa . Alguns Pontos para se Pensar Uma Tecnologia Recombinante”15. Embora o termo seja corrente no Português brasileiro. apesar da aparente precarie14 15 Ver Referências Bibliográficas. Portanto. . [. para definir qualquer desvio ou improvisação aplicados a determinados usos de espaços. para contornar a restrição ou ausência total de recursos. utilizadas em recentes atentados terroristas) – entre toda uma gama que vai do meramente artesanal até sofisticações tecnológicas .Ricardo Rosas menciona ainda. pelo senso comum. de tempo ou de mão de obra. como uma espécie de design alternativo.] é aplicada correntemente. Ainda. Cao Guimarães e Gabriela de Gusmão Pereira. nas camadas sociais economicamente mais desfavorecidas. fiações ou objetos antes destinados a outras funções. a gambiarra possui uma característica inerente de design. em seu artigo “Gambiarra.] Se trata de um fenômeno situado nas fronteiras do design e muito ligado às questões de reutilização” (segundo Rafael Gatti 14). provisório. primitivo. “concebidos de forma não acadêmica e produzidos de forma alternativa. improvisação é a palavra-chave. tal caracteriza uma realidade cultural a ser observada.. mal-acabado ou rústico).através do uso de recursos materiais disponíveis (onde o fator cultural. Entre a enorme abrangência cultural da gambiarra (na qual se incluem até aspectos sinistros. máquinas. a produção artística de nomes como os brasileiros Christian Pierre Kasper. como a das bombas de fabricação caseira e acionadas por celular. portanto compreendida no contexto da diversidade cultural. onde a mesma desempenha importante papel como expressão de inventividade e de criatividade.. especialmente a cultural local/regional. [Grifo meu] (ROSAS. adquire peso significativo). A Gambiarra encontra-se comumente inserida na questão dos chamados objetos populares. verdadeira releitura da gambiarra enquanto linguagem de design . a 'Gambiarra' é presente em particular nos países tradicionalmente classificados como 'subdesenvolvidos'. cujo ponto em comum é o trabalho focado na criatividade popular (incluída aquela presente nos chamados moradores de rua) geradora de artefatos dotados de uma lógica toda própria. como redimensiona Rodrigo Boufleur em tese de Mestrado apresentada na FAU-USP..

à reutilização.36 dade. ao uso de artefatos improvisados. A difusão da ideia de aproximar gambiarra e design tende a colaborar com a quebra de alguns paradigmas insustentáveis. em seu estudo que constitui referência-chave para este trabalho. [Grifo meu] (Boufleur. à recauchutagem. gambiarra é uma realidade próxima para a maioria. 2007) . um passo para se repensar alguns preconceitos quanto à recuperação. ao reaproveitamento. Rodrigo Boufleur. estabelece uma aproximação entre gambiarra e design: Num trocadilho de termos mal interpretados. ao que entendemos aqui como a prática da gambiarra. enquanto design parece uma realidade distante para muitos. recuperados. à restauração. Por fim. reparados.

. como estas fotos de crepúsculos brasilienses tiradas em diversas épocas do ano (a maioria por celular) e fotos analógicas em preto-e-branco.elementos plásticos iniciais Segue a demonstração de elementos oriundos de criações artísticas anteriores. propositalmente superexpostas ou subexpostas (respectivamente.37 PROPOSTA VISUAL: ALGUNS ESBOÇOS Parte 1 . bem como elementos externos (pesquisados de outras fontes). figura 05 Primeiramente. plasticamente remodeladas a partir da revelação química. figuras 05 e 06). todos empregados como uma espécie de matriz para a proposta visual. além das referências visuais anteriormente demonstradas nas figuras 01 e 02. a proposta agrega elementos plásticos provenientes de obras de minha autoria.

o Cerrado (em alguns aspectos. A proposta visual agregaria. somadas à plasticidade resultante do processo de revelação química das fotos. as espécies da flora do Cerrado constituem uma amostra. por si só de grande diversidade e riqueza de recursos. e pequena parcela de São Paulo e Paraná. parte ocidental dos estados de Minas Gerais e Bahia. e boa parte do Tocantins -.8 milhão de km² (ou seja. cerca de 21% do território . servem como um elemento adicionado à referência plástica proposta pelas obras apresentadas no início deste trabalho – e. A título de informação.Goiás e DF em sua totalidade. a seguir. elementos de recursos locais – naturais e culturais. ocupando uma área de aproximadamente 1. No campo dos recursos naturais. servindo como referência à proposta de criação visual do mesmo. no Brasil. além de grande parte dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. por conseguinte.38 figura 06 As formas sugeridas pelos arranjos florais. semelhante à Savana africana) é característico da região Centro-oeste do Brasil . O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro. porção meridional do Maranhão e Piauí.

figura 07 Vale lembrar que o escultor Frans Krajcberg. frutos e outras espécies vegetais. adotando-se como critério de escolha para uma locação adequada a este tipo de projeto. . neste sentido. com algumas fotos tiradas pela autora. utiliza-se aqui o conceito de "praça pública” anteriormente demonstrado .onde a "praça" representa um espaço cultural dotado de dinâmica e fluxo sociocultural no cenário urbano para tanto incorporando. representando um verdadeiro estímulo à imaginação. A seguir. partindo-se desta ideia. Em termos estéticos. o Cerrado se destaca pela grande beleza plástica de várias flores. provisoriamente. em seu processo criativo. um exemplo adequado à realidade da cidade de Brasília: a Plataforma Rodoviária do Plano Piloto. destaca e trabalha a forte característica de plasticidade presente em muitas espécies da flora tropical brasileira como um todo. o Cerrado da região Centro-oeste do Brasil constituise fonte de uma plasticidade particularmente rica a ser explorada.39 nacional) e cortando diagonalmente o País no sentido nordeste .sudoeste. A Figura 07 mostra alguns exemplos desta plasticidade. como nos exemplos exibidos nas figura 08 e 09 (alguns dos quais trabalhados com simulações gráficas nas figuras 10 e 11).

a estação divide as asas Norte e Sul da cidade. situa-se no centro geográfico da capital. do lado sul e o Conjunto Nacional . estão localizados os dois setores de diversões.40 figura 08 Para os não-residentes no distrito Federal. do lado norte. e. constituídos por dois centros comerciais. uma breve explicação sobre o local: a Rodoviária. onde se cruzam os eixos Rodoviário e Monumental. o CONIC. na Plataforma Rodoviária situa-se a estação central do Metrô brasiliense. como é popularmente conhecida em Brasília. Lúcio Costa concebeu um conjunto de plataformas em quatro níveis: na plataforma inferior ficam os pontos de ônibus que ligam o Plano Piloto a todos os lugares do Distrito Federal e do Entorno. Nas plataformas intermediárias.o mais antigo e tradicional Shopping Center de Brasília -. Além de constituir-se no principal ponto de convergência das linhas de transporte urbano da cidade. . Nela. na plataforma superior.

apresentadas nesta parte. representam simulações gráficas em torno da proposta de Instalação Interativa. somando os conceitos de Sustentabilidade e de Gambiarra com base no aproveitamento de recursos locais e incorporando as referências plásticas e visuais previamente levantadas. .41 Figura 09 Parte 2 – simulações As figuras 10 a 16.

eu é que estava errado.. meio cosmopolita.. Lúcio Costa . essa vida intensa dos verdadeiros brasilienses. E eu fiquei orgulhoso disso. a Plataforma Rodoviária do Plano Piloto. é o lugar onde eles se sentem à vontade. fiquei satisfeito. Só o Brasil. Eu sempre repeti que essa plataforma rodoviária era o traço de união da metrópole. bebericando. Então eu senti esse movimento.] E o "centro de compras" então. [. Quem tomou conta dele foram esses brasileiros verdadeiros que construíram a cidade e estão ali legitimamente. fica funcionando até meia noite. na cidade de Brasília. É um ponto forçado. e uma das realidades que me surpreenderam foi a rodoviária. Eles tomaram conta daquilo .42 figura 10 Para tanto – e. da capital. Eles estão com a razão. Isto tudo é muito diferente do que eu tinha imaginado para esse centro urbano. com as cidades-satélites improvisadas da periferia. será empregado como sugestão de cenário.autor do projeto do Plano Piloto da cidade e também da Plataforma Rodoviária -. à noitinha. como uma coisa requintada. a título de demonstração hipotética -. até. Ali é a casa deles. Mas não é. novamente. a volta para a cidade-satélite e ficam ali. em que toda essa população que mora fora entra em contato com a cidade. essa massa que vive fora e converge para a rodoviária. com base nos critérios oferecidos pela definição de “praça pública”. Eles protelam. comenta: Eu caí em cheio na realidade. Em um significativo depoimento. É isto.

(Lúcio Costa. na prática. através das décadas. reais.exatamente pelo motivo da mesma desempenhar.torna-se particularmente complicada. não é uma flor de estufa como poderia ser. dada a sua dinâmica cultural como o verdadeiro centro de manifestações.43 que não foi concebido para eles. 30/03/87. figura 11 Enquanto as Figuras 10 a 11 exibem propostas de intervenções urbanas já cenograficamente . Em uma cidade como Brasília. lugares com frequência restrita. como locação hipotética para demonstração da proposta aqui apresentada. distanciados da dinâmica cultural da cidade. Praça Portugal etc. do Compromisso. como é mais conhecida pela população local) .) constituem. cuja concepção original difere radicalmente da concepção e traçado dos centros urbanos tradicionais. em declaração ao Jornal do Brasil) Este depoimento resume bem a dinâmica incorporada ao lugar através das décadas. a definição de um espaço como a praça . Então eu vi que Brasília tem raízes brasileiras. isolados. desde a fundação da cidade.tal como é conhecida nas cidades convencionais . do Buriti. por este motivo foi escolhida. papel de maior relevância sócio políticocultural no cotidiano brasiliense. uma vez que as "praças" formalmente constituídas na cidade (Praça dos Três Poderes. Foi uma bastilha. a Plataforma Rodoviária de Brasília (ou simplesmente Rodoviária.

todas estas figuras representam uma demonstração visual de propostas tanto para espaços a céu aberto como para ambientes fechados . ecologicamente corretos).44 delineadas quanto ao tipo de locação (com critérios de escolha baseados no conceito inicial de "praça pública"). “verdes”. as Figuras 12 a 16 contêm alguns dos elementos componentes destas intervenções. a partir de sugestões dadas pelos artigos de Paulo Oliveira sobre o uso de tecidos ecologicamente corretos 16. para todos os efeitos.como a moda e a decoração. provisoriamente denominados "cabines de experimentação" nas quais. sugerida por eventos recentes situados na Plataforma Rodoviária do Plano Piloto de Brasília como o evento de moda ocorrido no ano passado (e já mencionado aqui). . a conscientização do público no tocante à temática adotada pelo trabalho.portanto. o público experimenta e interage com os recursos locais oferecidos. além das propostas artístico urbanas discutidas no artigo "Arte da Sustentabilidade”. anteriormente citado) e peças de design confeccionadas com materiais eco-friendly (isto é. de 2008: 16 ver Referências Bibliográficas. figura 12 A finalidade da instalação aqui proposta seria promover.estes. além da interação. inspirada na questão do desenvolvimento sustentável adaptado a aspectos artísticos e cotidianos . como o próprio nome sugere. produtos sustentavelmente cultivados (como mostra o artigo sobre o bambu. acessíveis .

Todos e cada um de nós fazemos parte de um todo é o vemos na obra de Chiara Banfim. 2008) figura 13 Levantamento de possíveis materiais empregados no projeto . Outra obra que merece destaque é “Elemento desaparecendo/Elemento desaparecido” do artista Cildo Meirelles.. graças à iniciativa de artistas. após a Lei Kassab. mas também a questão ambiental e propõem nas obras uma reflexão sobre o tema. onipresente e onisciente. A proposta é promover alterações na perspectiva do olhar e na experiência sensorial do visitante. [. [. cada uma delas dotada de uma abertura por onde o visitante pode introduzir a cabeça... formada por duas mesas de aço. Os artistas contemporâneos buscam não só reutilizar e reciclar os materiais utilizados na fabricação de suas obras. de alturas diferentes. os outdoors foram. (LIMA.45 As novas tecnologias empregadas na produção artística contemporânea ajudam a reduzir as emissões de CO² na atmosfera. substituídos por Artdoors..] No ambiente urbano da cidade de São Paulo. intitulada “Jardim Suspenso”. pois chama a atenção para a escassez da água. uma “obra–provocação”.] O uso de materiais colhidos no lixo e a volta do humano ter o contato com a Natureza. servem de suporte para este jardim cultivado por erva-cidreira e citronela.

então. a distinção entre materiais ecológicos e materiais sustentáveis apresentada por Márcio Araújo. ora pouca afinidade química entre as substâncias (no caso. às vezes entra em conta: a perenidade. Se bem que.: A diferença principal está na origem da matéria-prima e no processo de fabricação. fatores como tipo de iluminação empregada não devem ser desconsiderados. a artigos de origem agrícola (depois chamados de ‘orgânicos’). na questão dos materiais considerados adequados a um projeto de criação visual deste porte. c) materiais com pequeno uso de energia ou processamento para sua transformação e . que ‘não nasce de novo’. da cidade de São Paulo). no caso de obras situadas em ambientes fechados. consultor do IDHEA (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica.46 Primeiramente. embora inicialmente inserida no campo da Arquitetura.: blocos de terra (adobes). a fim de garantir a durabilidade da obra e sua resistência a intempéries e ao ataque de pragas e micro-organismos. Posteriormente. Para uma melhor contextualização no tocante ao levantamento de materiais considerados “ecológicos” para este projeto de criação artística. b) materiais de extração local ou próxima aos locais de uso . em uma das grandes problemáticas desencadeadas por diversas manifestações da Arte Moderna. no fundo.: terra. e referia-se.particularmente em se tratando de obras destinadas à exposição a céu aberto embora. a questão da perenidade ou da efemeridade da obra é uma questão onde a postura filosófica do próprio artista – que a cria -. o que ocasionava o desmantelamento da obra. e constitui-se. como fungos .Exs. coberturas de madeira cortada (taubilha) etc. há um aspecto a ser considerado: o da compatibilidade química entre os materiais empregados. resulta extensiva e de grande utilidade para este trabalho: P. serviu para nomear materiais fabricados que: a) fossem produzidos com matérias-primas naturais renováveis (vegetais) ou não renováveis (ex.. uma vez que diversas obras de arte recentes tiveram sua durabilidade comprometida por. certamente. na Alemanha. os materiais) empregadas. ou a efemeridade da obra podem ser propositais. entre outros fatores. E o que viria a ser “compatibilidade química”. O termo ‘produto ecológico’ surgiu pela primeira vez em 1978. nesta questão? Trata-se de um aspecto de grande importância que os restauradores de obras de arte conhecem muito bem. como parte integrante da mensagem que o artista deseja transmitir. mas que pode ser reutilizada).: Qual a diferença entre materiais ecológicos e sustentáveis? R. ora a baixa qualidade e resistência dos mesmos.

O bambu. na agropecuária e na confecção de utensílios domésticos e artísticos. além dos entulhos orgânicos provenientes de jardinagem (podas de árvores. sem. possibilitando ao material “agregar funções e adequações inerentes à sua forma. Além de materiais cultiváveis. materiais reciclados. como tecidos). chama exclusivamente os produtos ecológicos de sustentáveis. Apenas para situar melhor: a Agenda da Construção Sustentável. folhas secas como as de palmeira e talos de bambu . (ver Referências Bibliográficas) . na medicina.). 17 18 19 20 Entrevista concedida ao Portal do Voluntário. como a malha de bambu empregada em uma grife de roupas ecológicas chamada Bela Grafô.org (ver Referências Bibliográficas). chama a atenção o caso do bambu de cultivo sustentável na Estância do Socorro (SP) 18. papel. pode-se até confeccionar tecidos. Em geral. Acesso em 16 de nov. de suas fibras. caixas de papelão. serem necessariamente naturais. além ser totalmente aproveitável nos mais diversos usos: no setor construtivo. 'A Moda Sustentável de Bela Grafô'. dadas as definições empregadas na citação acima -. Dotado de características tão versáteis – e. Helen. por sua vez. como o deste trabalho. possui características de renovabilidade. no entanto. de Barcelona. Sendo composto basicamente de longas fibras vegetais. produtos ecológicos são fabricados no local de uso.como respectivamente mostrado nas figuras 14 e 15 – com o devido aproveitamento das fibras etc. painéis solares fotovoltaicos. pode ser moldado ou desfiado para novas aplicações” 19. Artigo publicado no Blog Instituto Totem Cultural. ao mesmo tempo. disponível em <http://blog. de Curitiba (PR)20. dentre muitos outros.47 beneficiamento. renováveis – não há dúvidas de que o bambu possa cogitado como material empregado em um projeto artístico de caráter sustentável. matéria-prima utilizada há milênios. na alimentação. constituem matéria-prima reciclável para outros tipos de produto. entorno e meio ambiente.org/?p=69>. de forma artesanal ou semiartesanal. são aqueles que aportam benefícios para toda construção. Exemplos: tintas sem insumos derivados de petróleo. Materiais sustentáveis.totemcultural. por sua vez. também é cogitado o reaproveitamento de entulhos do tipo garrafas PET (que. São fabricados em escala industrial.17 No campo da pesquisa e levantamento de materiais adequados à proposta – sejam ecológicos ou sustentáveis. de 2010. durabilidade e grande adaptabilidade aos mais diversos locais. A própria característica tubular do bambu representa uma vantagem adicional. QUINTANS. Idem.

Devido à sua característica extremamente diversificada. é possível encontrar uma gama variada de recursos materiais disponíveis. dentro da composição de todo entulho que existe no espaço urbano. além de sua qualidade material. em seu estudo Rodrigo Boufleur caracteriza o destino dos resíduos sólidos como um dos maiores problemas da atualidade: “O lixo é o único recurso em crescimento no planeta. Obviamente já existem diversas alternativas propostas. os quais possuem atributos particulares. papel em geral). garrafas PET. do entulho -. como a reciclagem do lixo massificado (latas de alumínio. caixas de longa vida. vidro. portanto qualquer proposição a esta problemática é bem-vinda. ao valor na tipologia (sua forma muitas vezes sugestiva).48 Figura 14 Sobre este aspecto – a problemática do lixo. poderíamos intitulá-los pela expressão “lixo rico”. e outras já implementadas. Contudo. 2007) . (BOUFLEUR.

49 Figura 15 Portanto. .. o projeto aqui apresentado propõe-se também como uma modesta saída para reaproveitamento dos resíduos sólidos..

Logo. alguns breves conceitos de gestão administrativa são apresentados aqui. em uma gestão administrativa. tais como: fatores econômico-financeiros globais. médio e longo prazo. para que um projeto de criação visual ofereça mais consistência. aconselha-se levar em consideração os ambientes internos e externos. há três tipos de planejamento: • Estratégico – diz respeito à organização da empresa ou empreendimento como um todo. fatores políticos e até sociais.50 figura 16 A questão dos custos Naturalmente. Faz-se também necessário ter uma visão integrada desenvolvida. Em uma rápida pesquisa sobre noções de Administração verifica-se que. ao elaborar-se um plano estratégico. . para fins puramente didáticos e para uma melhor compreensão da questão dos custos a ser levantada. a questão dos custos envolvidos é imprescindível. • Tático – está relacionado com as diferentes áreas da empresa/empreendimento. a fim de que o grau de viabilidade do projeto possa ser avaliado – a curto. Para tanto.

em estudo de Mestrado para a Faculdade do Porto. histórico. mas também das impressões individuais de cada um. Assim sendo. não podem ser considerados na avaliação • dispersão dos benefícios no tempo: o investimento empregado numa obra de arte ou num prédio para fins culturais pode proporcionar benefícios durante um período muito longo que vai muito para além do horizonte temporal que os Gestores ou governantes pretendem considerar.br/planejamento-estrategico/niveis-de-planejamento/>. disponível em <http://www. Os efeitos que o quadro provocará nos visitantes não dependem apenas das condições locais (assim como do próprio quadro). da sua abertura em relação ao que vê e ao que sente. Por exemplo: uma galeria compra um quadro e coloca-o numa exposição. • 21 O pressuposto de causalidade entre as variáveis explicativas e as variáveis explicadas pode não ser direto. o planejamento estratégico (longo prazo) é desdobrado em vários planejamentos táticos (médio prazo). • O valor intrínseco depende de cada indivíduo. como tal. estético e/ou espiritual que um investimento pode trazer). simbólico. da sua experiência passada.html> e CORRÊA. por sua vez.com.administracaoegestao. alguns desses dificilmente aparecem nas estatísticas e.21 Já no aspecto da gestão cultural. Kenneth. sobre investimentos na área cultural. apontado como alguns fatores (com adaptações): • dificuldade em recolher dados estatísticos: apesar da existência de benefícios intangíveis associados aos investimentos culturais (valor social. . tendo em conta que a realidade em análise não pode ser Fontes: FRAGA. de 2010. • Operacional . disponível em <http://marissonfraga.com/2010/02/diferencas-entreplanejamento. Diana Rodrigues aponta uma grande dificuldade em estabelecer-se uma relação custo-benefício na área dos investimentos culturais.51 constituindo-se na parte mediadora entre os planejamentos estratégico e operacional (onde o principal desafio é promover um contato eficiente entre os níveis estratégico e operacional).serve para orientar a alocação de recursos para as várias partes dos planos táticos. se desdobram em planos operacionais (curto prazo) para a sua devida realização. Acessos em 01 de dez. Estes. Portugal. do seu contexto político e social.blogspot. Márisson.

o projeto de criação visual). dependendo do seu sucesso. sob alguns aspectos. 2008) figura 17 Embora o tema deste trabalho seja o de um projeto de criação visual (e não propriamente de uma “empresa”). (RODRIGUES. implica o ato de assumir-se uma tarefa. um “empreendimento” – no sentido de que. embora em caráter inicialmente experimental. cuja organização é voltada para a exploração de fatores (materiais.52 isolada dos múltiplos efeitos que atuam em simultâneo sobre si. econômicos e socioculturais) que possam viabilizar comercialmente essa responsabilidade. . o projeto. a iniciativa deste tipo de criação não deixa de constituir. uma responsabilidade (no caso.

Por fim. sustentável dos recursos locais: enfim. acatando os recursos locais como parte integrante da realidade cultural local. possibilite uma maior interação entre os cenários urbanos e naturais e a busca de soluções ecologicamente corretas para ambos. como observa Paulo Oliveira em artigo de 2008 postado em seu blog. bem como a de promover uma conscientização ambiental que. promover e estimular a diversidade cultural através do uso criativo de recursos locais em uma proposta de criação artística visual Desta forma. Assim. tanto o natural quanto o urbano. com reaproveitamento e adaptação dos mesmos à criatividade. reutilização e uso criativo de recursos locais.53 3. por sua vez. desta forma constituindose em importante ferramenta para a promoção da sustentabilidade e diversidade culturais. pois. Por outro lado. diferentemente de grande parte das manifestações da Land Art que interferem ou modificam as características locais da paisagem (aumentado os riscos de impacto ambiental). a interatividade proposta neste projeto visa contribuir para amenizar as barreiras do preconceito público em relação a objetos ecologicamente corretos. promovendo uma efetiva interação entre manifestação artística e condições locais mediante utilização criativa e. por envolver uma questão cultural abrangente. este projeto de intervenção urbano ambiental visa incorporar os recursos culturais locais como parte de um estudo e compreensão globais da diversidade cultural. um projeto de intervenção urbano ambiental sustentável visaria um repensar da atitude artística perante o meio ambiente. desdobrados em outros trabalhos como uma fonte de recursos culturais e locais a ser explorada. "é difícil encontrarmos nas lojas etiquetas . proporcionando a pesquisa. uma “releitura” das possibilidades locais com o mínimo de impacto ambiental. variável de acordo com as características regionais de cada lugar. às técnicas e às linguagens artísticas. ao mesmo tempo. CONCLUSÃO A proposta de intervenção urbano ambiental como ferramenta de pesquisa de linguagens e técnicas artísticas visa “levantar questões e suscitar reflexões”. Por assim dizer. este trabalho levanta aspectos que podem ser desenvolvidos.

br>.54 'produto ecologicamente correto'. (N. 25/11/2010. Acesso em 01 de jul. da A.”23 22 23 Disponível em <http://www. como eletrodomésticos econômicos e alimentos orgânicos.com. Por outro lado. Tem em sua cabeça que estes produtos são 'sujos' e com qualidade inferior por serem feitos com materiais reusados".) Fonte: Portal Administrativo. de 2010. Além deste preconceito. de 2010. dada a conscientização ambiental presente naquele país. . por exemplo. a reciclagem é cotada como ponto positivo. feita em parceria pelo Ministério do Meio Ambiente e a rede de supermercados Walmart.mais de 90% dos brasileiros não estão dispostos a desembolsar mais por produtos ecologicamente corretos.org. Isso tem um fundamento já detectado pelo [Instituto] Akatu22 em uma pesquisa: o público brasileiro não vê com bons olhos produtos reciclados. mas tem dificuldade de colaborar. “a população do país está atenta às questões ambientais.br/informese/economia-e-financas/brasileiro-rejeita-pagar-mais-por-produto-ecologico/40553/ >. Disponível em < http://www. acesso em 03 de dez. como diferencial mercadológico). especialmente se tiver de gastar . há o fator econômico: de acordo com outra pesquisa.administradores. (Este tipo de preconceito certamente não se verifica em um lugar como a Alemanha. há disposição para economizar água (63% da população) e energia elétrica (48%) e para deixar de usar sacolas plásticas (40%).akatu.

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