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Antoni Zabala - prática educativa

Antoni Zabala - prática educativa

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Este livro foi utilizado na Teia do Saber, projeto da SEE

Para Zabala (1998, p. 141), “tradicionalmente os conteúdos foram classificados conforme o critério de pertencimento a uma disciplina, cadeira ou matéria, decorrendo disso os referenciais para a organização dos conteúdos”. Ele classifica, portanto, os conteúdos conforme sua natureza organizativa em multi-, inter-, pluri- trans- ou metadisciplinares, colocando de forma clara que: as características de cada uma das modalidades organizativas estão determinadas pelo tipo de relações que se estabelecem e o número de disciplinas que intervêm nestas relações e destaca que em nenhum caso a lógica interna de cada uma das disciplinas deixa de ser o referencial básico para a seleção e articulação dos conteúdos das diferentes unidades de intervenção, levando a organizações centradas numa disciplina apenas, forma tradicional de organização de conteúdos, e outras que estabelecem relações entre duas ou mais disciplinas
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A prática educativa: como ensinar trata das relações interativas na classe, do papel dos professores e alunos, da distribuição do tempo e da organização dos conteúdos. análise e reflexão da prática educativa, o autor propõe pautas e orientações que visam a melhorá-la.

Antoni Zabala apresenta exemplos bem práticos — e recheados de comparações com fatos do diaa-dia — para ajudar a desatar esse grande nó. "O professor deve ser um misto de nutricionista e cozinheiro", diz ele. "O primeiro preocupa-se em elaborar refeições saudáveis e o outro quer pratos apetitosos. No planejamento da aula, devemos agir como nutricionistas, pensando nas competências que o aluno deve desenvolver. Na classe, precisamos atuar como cozinheiros, propondo atividades interessantes e que possam ser executadas com prazer."

Entrevista > Antoni Zabala

Educação Infantil inspira avaliação formativa
Para o educador espanhol, as técnicas para ensinar crianças pequenas deveriam ser conhecidas de todos os professores Monitorar os alunos que trabalham em grupos, observar suas reações e evoluções durante a aprendizagem e fazer relatórios de desenvolvimento são alguns dos caminhos

químicos ou a gramática não estamos mudando nada. esse valor se dá em retribuições salariais e no valor econômico e social atribuído ao profissional. Essas estratégias estão aqui mesmo no Brasil. Sabemos que o ideal teórico é uma utopia. Em quase todos os países a educação tem sido meras palavras. As propostas mundiais sobre o que deve ser o ensino implicam em mudança total. NE > Aconteceram várias mudanças nos conceitos do que seja a educação ideal. Os pensadores da educação defendem modelos impecáveis. Não é preciso consultar teóricos. com ações. . O professor precisa capacitar-se. nos últimos 40 anos.. É muito fácil fazer leis que atendam esses princípios. O que realmente importa é a valorização profissional da educação. básica etc. Mas pode ser feito. que é fundamental. se conhecermos as técnicas e as estratégias para isso. Todo pensamento precisa de estímulos para mudar. Dizemos que avaliar de forma personalizada com 30 ou 40 alunos é difícil. respeitando as características de cada aluno. Eu diria: diga-me como avalia que eu te direi que professor você é. Isso implica em um processo de aprendizagem: precisa ter um professor. educador espanhol que esteve no Brasil em setembro. É preciso aprender técnicas. porque uma das coisas que nós professores mais temos é criatividade para inventar atividades.. O problema está em colocar os meios que levem essas idéias a cabo. Ele precisa se desfazer de toda sua história como aluno e como professor. Mas isso é deixado de lado. dizem que é aí que está o futuro do país. E aí não acontecem ações suficientes. Na verdade. de colocar técnicas de trabalho em equipe e itens que avaliem o que se considera o perfil ideal da pessoa que se quer aprovar. Pode ser feita aos poucos ou em parte. mas não é suficiente. e deu a seguinte entrevista para NOVA ESCOLA. alguma experimentação. Em uma sociedade como a nossa. mas as motivações para que as mudanças ocorressem foram mais do que insuficientes. Essa é a opinião de Antoni Zabala. de estratégias de aprendizagem. O professor consegue captar rapidamente esses novos parâmetros? Zabala < A sociedade é bastante farisaica em relação à educação. estratégias e formas profissionais de se atuar em relação a esses preceitos. NE > Quais seriam esses instrumentos e técnicas? Zabala < Atender a uma avaliação formativa. informações básicas. Só estou dando a entender que quero formar futuros universitários. Mas um caminho se constrói andando. NE > Classes grandes e superlotadas prejudicam a concretização de um modelo ideal de avaliação? Zabala < Existe um problema anterior. que afetam aquilo que é nuclear: a avaliação. não é uma questão de tudo ou nada. Dificilmente conseguiremos que uma escola possa atender a todos os alunos segundo suas necessidades e possibilidades. Todos dão importância à ela. os professores deveriam tentar introduzir também seu pensamento de educador. É na maneira de avaliar que aparece tudo o que é importante para o professor. Existem muitas estratégias.para ser fazer uma avaliação formativa. Esse é o discurso. Se avaliamos somente os conceitos matemáticos. Nova Escola > Qual a principal dificuldade que o professor enfrenta no processo de avaliação? Zabala < A maior barreira é interna. É apenas um caminho. A formação que os professores tiveram não foi suficiente. Isso implica em falar de valores.

O professor é aquele que veicula interações. Ou se muda tudo. A professora não transmite conhecimento. Tem de haver de tudo. valorizá-lo para despertar seu interesse em buscar o conhecimento. Um olha o outro e aprende com ele. A função do professor é conhecer o aluno. ela ajuda a todos. O dilema é: os alunos devem ser promovidos automaticamente? Depende do jogo que estamos jogando. onde existam relações interativas que provoquem conhecimento. O papel do professor é provocar ajudas. Todas as grandes experiências que existem no mundo de atenção à diversidade não implicam em redução das classes. E a vida tem quem vai ser matemático. escutando o mestre? Não. A ação do mestre deve ser buscar o que o aluno tem de melhor e tentar valorizá-lo. Se o modelo que temos é aquele em que a escola deve preparar para a universidade. elas devem ter uma boa auto-estima. Os professores não sancionam seus alunos. Isso implica em buscar aquilo em que o aluno é mais potente. Mas por que devemos fazer alguém estudar algo que não lhe interessa? Quando não há interesse não há aprendizagem. provoca intercâmbio na aula e ajuda na busca de conhecimentos. assim como todas as regras que ele implica. Contam o que sabem e o que não sabem fazer. dinamizar a classe para que se trabalhe em pequenos grupos flexíveis. Devemos usar essa estratégia. Buscar ele próprio. dizendo que não sabem isso ou aquilo. em pares ou trios. elas fazem coisas. às vezes em pares. Está claro que devemos ir de um modelo seletivo para um modelo orientador. mas também tem cozinheiros. ou é melhor não mexer. é preparar para a vida. Estão sempre com os colegas. Ao passo que quando são maiores. O segredo está na participação dos alunos nos processos de ensino. na sua capacidade e potencialidade. Eles tentam averiguar o que eles não sabem para orientá-los. não impor-lhe o conhecimento. Estamos ajudando a fomentar a autoestima quando obrigamos uma pessoa a deixar seu grupo de amigos e a freqüentar uma turma mais jovem? Isso é bom para seu equilíbrio? Está claro que não. O professor não é aquele que tem o conhecimento e o transmite. A função da escola não é preparar para a universidade. quais as dificuldades. E esse motorista tem de ser o melhor possível. Isso implica uma mudança no papel do professor. O modelo de avaliação também está lá. As técnicas passam por montar classes dinâmicas. Porque temem que ele imediatamente anote essa "falha" do aluno. Se nos convencemos que o objetivo da escola é formar pessoas que se integrem à sociedade e dê respostas aos problemas que a vida vai lhes trazer.em muitas escolas de qualidade que estão atendendo a diversidade. centrado no que o aluno sabe e não naquilo que ele não sabe. então as normas devem mudar. O problema é que edita-se uma portaria para que as orientações de um modelo sejam aplicadas em outro. motoristas. NE > Os próprios alunos serão então companheiros de ensino e aprendizagem? Zabala < As técnicas para atender a diversidade estão na Educação Infantil. NE > Em quais casos a retenção é necessária? Zabala < Esse problema está aparecendo em todos os países. cobrando tarefas e querendo saber por que motivo não as executaram. então o modelo seletivo deve prevalecer. Para ela é uma . Se queremos formar pessoas equilibradas e autônomas. O que sabe mais ajuda o que sabe menos. As crianças são mais espontâneas e desarmadas. E não fazem sozinhas. Os alunos devem ajudar outros alunos. ser considerados agentes educadores dos companheiros. Muitas vezes utilizamos as notas para controlar a disciplina do aluno e para obrigá-lo a estudar. o arquiteto tem de ser o melhor possível. camareiros. O que fazem as crianças lá? Ficam sentadas umas atrás das outras. ninguém se atreve a ir ao mestre e dizer "eu não sei fazer isso".

NE > Que conselho o senhor daria para o professor que estará nesse mês de dezembro fazendo o planejamento escolar para o próximo ano quando estarão querendo mudar o seu modo de avaliar? Zabala < Se ele está tentado. Pontes. Existem na maioria das escolas as técnicas e estratégias necessárias para responder a essas dúvidas. C.. S.. Nesse sentido.google. as DCNs 4 e os RCNs 5 . trabalhos como os de César Coll 6 e Antoni Zabala 7 foram revisados criticamente.br/~defmh/spqmh/pdf/rbce. A.PDF+zabala+a+pratica+educativa& O Google não é associado aos autores desta página nem é responsável por seu conteúdo. Ferreira. L. É preciso estar alerta e escutar os demais. L. esse aluno não vai acompanhar a classe. Para criar um link para esta página ou armazenar referência a ela. G. como os PCNs 3 .ufscar.ufscar. Ramos. Z..PDF. S. Mas se eles sabem atender a diversidade. é melhor que repita. I. A. Darido. H. G o o g l e cria automaticamente versões em texto de documentos à medida que vasculha a web.Membros do LETPEF 2 Palavras-Chave: Prática Educativa.com/search? q=cache:g4XZFUTl4vQJ:www. quero felicitá-lo: está no caminho.. Portanto. M. N. Rodrigues. Os seguintes termos de pesquisa foram destacados: zabala educativa Estes termos aparecem somente em links que apontam para esta página: pratica Page 1 1 RESENHA * DO LIVRO “A PRÁTICA EDUCATIVA” 1 DE ANTONI ZABALA Sanches Neto.. que não preparou esses professores para atender a diversidade.humilhação repetir de ano. cuidado! Isso acontece por um déficit do sistema. Silva. Escutar e refletir com os companheiros. mas se no curso seguinte não existe um modelo de ensino que atenda a diversidade. .. V. Ora. então não deve haver retenção. E. H. Galvão.. L. Rangel. use: http://www.. C. a fim de aprofundar estudos sobre a compreensão do papel da . G. Educação Física Escolar INTRODUÇÃO As investigações que os membros do LETPEF vêm realizando têm referenciado algumas obras utilizadas na elaboração de documentos oficiais para o sistema educacional brasileiro.br/~defmh/spqmh/pdf/rbce. Mas. Esta é a versão em html do arquivo http://www.

A prática educativa: como ensinar. que se contrapõe àquele em que o professor é um aplicador de fórmulas herdadas da tradição.unesp. procedimentos e atitudes.2. é conclamada a necessidade de uma reflexão profunda e permanente da condição de cidadania dos alunos. Ferreira. utiliza-se de uma perspectiva processual. A. L. A.. Acerca das críticas em relação às dimensões do conteúdo. http://www. Page 2 2 que definem as concepções pessoais sobre si e os demais. Rio Claro. Ramos. S. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda. balizadas pela proposta de Zabala. César et alii. através das relações construídas a partir das experiências vividas. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Assim. Resenha do livro “A prática educativa”. Na Educação Física Escolar. segundo Zabala. A FUNÇÃO SOCIAL DO ENSINO E A CONCEPÇÃO SOBRE OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM: INSTRUMENTOS DE ANÁLISE A finalidade da escola é promover a formação integral dos alunos. Pontes. e a contextualização da Educação Física. S. é na instituição escolar. Quanto aos capítulos analisados. UNESP. n. como o ensino reflexivo. L. C. 4 DCNs – Diretrizes Curriculares Nacionais. onde as fases de planejamento. Como opção. 2ª ed. A PRÁTICA EDUCATIVA: UNIDADES DE ANÁLISE Buscar a competência em seu ofício é característica de qualquer bom profissional. Campinas. 1998. I. de acordo com pressupostos norteadores do LETPEF. e da sociedade em que vivem. p. a preocupação com a cidadania. Antoni (org.rc. como as pressões sociais.. 1998. 1 ZABALA. Rangel. G. utiliza-se do modelo de interpretação. 5 RCNs – Referenciais Curriculares Nacionais. entre outras. fundamentando-se no pensamento prático e na capacidade reflexiva do docente. este modelo pode ser entendido como um conjunto de ações que efetivamente revigore e potencialize a prática educativa. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos.. pensamos que sua principal contribuição pode ser uma tentativa de superação da exclusividade procedimental nas aulas de Educação Física.br/ib/efisica/letpef/letindex1. M. a trajetória profissional dos professores. de Antoni ZABALA. Zabala elabora um modelo que seria capaz de trazer subsídios para a análise da prática profissional. que critica as ênfases atribuídas ao aspecto cognitivo. E. assumem uma posição de relevância. devem assegurar um sentido integral às variáveis metodológicas que caracterizam as unidades de intervenção pedagógica.. aplicação e avaliação. Silva. Por isso. Antoni.html 3 PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais. G.. sua organização requereu certas digressões. Rodrigues. 2 Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física. A resenha que se segue reporta alguns pontos de uma dessas obras 1 . que se estabelecem os vínculos e as condições * Referência: Sanches Neto. Z. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda.) Como trabalhar os conteúdos procedimentais em aula. relações foram tecidas quanto à Educação Física Escolar. assim. Darido.. H.. Galvão. 7 ZABALA. Para ele..195-205. L. Como encaminhamento para o modelo. .. V. uma constante avaliação do trabalho por parte do profissional. sua seqüência pode ser apreendida mais adequadamente se considerarmos que foram textos avulsos sobre temas da prática docente. N. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda. C. A partir dessa posição ideológica acerca da finalidade da educação escolarizada..Educação Física no contexto escolar.. H. Também as condicionantes do contexto educativo. 1999. v. Recomenda-se.23. 2002. 6 COLL.

O construtivismo é eleito como concepção metodológica em virtude da validação empírica de uma série de princípios psicopedagógicos: os esquemas de conhecimento. Ressalta que o parcelamento da prática educativa tem certo grau de artificialidade. o nível de desenvolvimento e dos conhecimentos prévios. Alguns critérios para análise das seqüências reportam que os conteúdos de aprendizagem agem explicitando as intenções educativas. Atividades que representem um desafio alcançável?. procedimentais. o termo “ambiente de aula” para designar mais amplamente o espaço em que ocorrem tais relações interativas que caracterizam o processo ensino e aprendizagem. ou conceituais. definindo suas ações no âmbito concreto do ambiente de aula. chamando a atenção para as particularidades dos processos de aprendizagem de cada aluno (diversidade). com ênfase na conceitual. a aprendizagem dos conteúdos apresenta características específicas para cada tipologia. bem como um aumento da complexidade e aprofundamento ao longo das unidades. os alunos e os . que quase invariavelmente são ministradas fora das salas. essa caracterização dos conteúdos parece apontar avanços. tradicionalmente desenvolvido em nossa área de maneira espontaneísta. Estimulem a auto-estima e o auto-conceito?. procedimentais e atitudinais.Sobre os conteúdos da aprendizagem. Para a Educação Física Escolar. Atividades cujos conteúdos sejam propostos de forma significativa e funcional?. especialmente nas aulas de Educação Física. e a aprendizagem significativa. AS SEQÜÊNCIAS DIDÁTICAS E AS SEQÜÊNCIAS DE CONTEÚDO Zabala explicita que a ordenação articulada das atividades seria o elemento diferenciador das metodologias. Deste modo. Certos questionamentos pareceram-nos relevantes: na seqüência há atividades que nos permitam determinar os conhecimentos prévios?. que requer uma interação entre as três dimensões. podendo abranger as dimensões: conceituais. ao contrário de uma conotação dual que a pergunta do autor permite supor. entretanto. caracterizando as seguintes tipologias de aprendizagem: factual e conceitual (o que se deve aprender?). na medida em que chama atenção para a dimensão conceitual. Page 3 3 O autor expõe o valor das relações que se estabelecem entre os professores. acabam por envolver os objetivos educacionais. Esses conteúdos assumem o papel de envolver todas as dimensões da pessoa. e atitudinal (como se deve ser?). e que o primeiro aspecto característico de um método seria o tipo de ordem em que se propõem as atividades. Baseada nessa concepção. salientando que o conflito mental proposto pode ser também de ordem motora – de modo integrado. Provoquem um conflito cognitivo e promovam a atividade mental?. convém expor sua relevância para a Educação Física Escolar no nosso entendimento. Atividades em que possamos inferir sua adequação ao nível de desenvolvimento de cada aluno?. as seqüências de conteúdo. explicável pela dificuldade em encontrar um sistema interpretativo adequado. encontrando sentido na indagação sobre por que ensinar. sendo cada vez mais autônomo em suas aprendizagens? Em relação às questões. seus significados são ampliados para além da questão do que ensinar. Sejam motivadoras em relação à aprendizagem dos novos conteúdos?. Ajudem o aluno a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender. que deveria permitir o estudo conjunto de todas as variáveis incidentes nos processos educativos. o autor afirma que não é possível ensinarmos sem nos determos nas referências de como os alunos aprendem. operacionaliza o antigo conceito denominado afetivo (atitudinal). procedimental (o que se deve fazer?). Consideramos também uma outra unidade de análise. AS RELAÇÕES INTERATIVAS EM SALA DE AULA 8 : O PAPEL DOS PROFESSORES E DOS ALUNOS 8 Preferimos empregar. Sobre a concepção de aprendizagem. conceituais e procedimentais. bem como. A seqüência considera a importância das intenções educacionais na definição dos conteúdos de aprendizagem e o papel das atividades que são propostas.

conteúdos no processo ensino e aprendizagem. assim como todas as atividades a serem programadas/desenvolvidas pela escola e a própria forma de gestão que esta emprega. A ORGANIZAÇÃO SOCIAL DA CLASSE Antoni Zabala procurou analisar as diferentes formas de organização social dos alunos vivenciadas na escola e sua relação com o processo de aprendizagem. é preciso articular ações formativas. Tais considerações apresentam-se bastante úteis aos profissionais da educação. Comenta que essas se sobrepõem às seqüências didáticas. auxiliá-los a encontrar sentido no que fazem. estabelecer um ambiente e relações que facilitem a autoestima e o auto-conceito. e exigir dos alunos análise. pode acabar por desenvolver uma aprendizagem inversa àquilo que apregoa. propor desafios. levando em consideração o tipo de aprendizagem e conteúdo que esperam desenvolver nestes. aluno/aluno. dirigir e estar atento à diversidade dos alunos. colocando que o professor necessita diversificar as estratégias. comunicando objetivos. síntese e avaliação do trabalho. Desse modo. o que significa estabelecer uma interação direta com eles. O mesmo se aplica à Educação Física que parece não ter atentado.. envolvendo em primeiro lugar a contradição entre o que é trabalhado na escola e o sistema social. nos atitudinais. tolerância. visto que o professor e os alunos possuem certo grau de participação nesse processo. Nos procedimentais. dentro da concepção construtivista. O professor possui uma série de funções nessas relações interativas: o planejamento e a plasticidade na aplicação desse plano. E trabalhar conteúdos atitudinais é muito difícil... comparar. o que permite uma adaptação às necessidades dos alunos. possibilitando a metacognição. 9 Os PCNs contêm um adendo referindo-se ao uso da mídia nas aulas do componente curricular. em relação ao modelo militar vigente anteriormente já houve certos avanços consideráveis no processo das relações interativas. o papel dos professores e dos alunos. estabelecer metas alcançáveis. respeito mútuo etc. Parece que na Educação Física Escolar. oferecer ajuda adequada no processo de construção do aluno. a natureza dos diferentes conteúdos. para que eles consigam aprender os diversos conteúdos. levando-os a enxergar os processos e o que se espera deles. Em seguida. Examina. Contudo. promover o estabelecimento de relações com o novo conteúdo apresentado. para que reflitam sobre a importância de se organizar o grupo de alunos. não bastando propor debates e reflexões sobre comportamento cooperativo. ainda. é preciso viver o clima de solidariedade. Percebeu que todo tipo de organização grupal dos alunos. promover canais de comunicação entre professor/aluno. aborda a influência dos tipos dos conteúdos procedimentais e atitudinais na estruturação das interações educativas na aula.. Observou duas características pelas quais esses grupos são tradicionalmente organizados: a heterogeneidade e a homogeneidade. alertou para o fato de que inconscientemente a instituição escolar. potencializar a autonomia. procurando discutir as vantagens e as desvantagens de cada opção e os tipos de conteúdos que elas desenvolvem prioritariamente. percebendo que a organização social da classe tem relação direta com a aprendizagem. caracterizado pela transmissão/recepção e reprodução de conhecimentos. para a importância de se organizar o grupo de alunos de diferentes maneiras durante as aulas. tolerância. por conta da sua especificidade. devem levar em consideração os tipos de aprendizagens que estão proporcionando a seus alunos e os objetivos expressos pela própria escola. ainda faltam reflexões e discussões por parte dos professores e estudiosos da área 9 . ou o que é veiculado pela mídia. levar em conta as contribuições dos alunos no início e durante as atividades. o professor necessita perceber e criar condições adequadas às necessidades específicas de cada aluno. diferente do ensino tradicional. justiça. avaliar o aluno conforme sua capacidade e esforço. bem como a relação entre eles no processo. ao não refletir sobre esses aspectos. Page 4 4 .

o conhecimento sobre as novas formas de organização é necessário para a compreensão e reflexão destes documentos. o estudo do meio. Em o que avaliar propõe a avaliação de fatos. reguladora (prefere esse termo ao invés de formativa. vídeos e textos que estimulem o debate. quadro negro. Esta divisão é empregada como necessária para se continuar fazendo o que se faz. não enfatizando a dimensão conceitual e os respectivos materiais curriculares (quadro negro. o autor descreve as possibilidades dos centros de interesse de Decroly. necessária para que se entenda qual deve ser o objeto e o sujeito da avaliação. ou o que se deve fazer de novo. o que é mais uma justificativa para a avaliação. jornais. dados estatísticos. A AVALIAÇÃO Realiza-se uma severa crítica à forma como habitualmente é compreendida a avaliação. temos: para os conteúdos conceituais. o autor denominou tais métodos de globalizadores 10 . Ao longo da história. Contudo. para os conteúdos procedimentais. Elabora a idéia de que devemos realizar uma avaliação que seja inicial. No tocante aos métodos globalizadores. OS MATERIAIS CURRICULARES E OUTROS RECURSOS DIDÁTICOS Materiais curriculares são os instrumentos que proporcionam referências e critérios para tomar decisões: no planejamento. da história e da cultura. audiovisuais. para os conteúdos atitudinais. é capaz de acompanhar o progresso do ensino). Portanto. São meios que ajudam os professores a responder aos problemas concretos que as diferentes fases dos processos de planejamento. A pergunta inicial “por que temos que avaliar”. constata-se o predomínio das dimensões atitudinais e procedimentais dos conteúdos. Uma nota 10 Antoni Zabala trata mais detalhadamente deste tópico em outro livro. pois os conteúdos de aprendizagem só podem ser considerados relevantes na medida em que desenvolvam nos alunos a capacidade para compreender uma realidade que se manifesta globalmente. seja-a do tipo mais rápido ou exaustivo. procedimentos e atitudes. os métodos de projetos de Kilpatrick. e os projetos de trabalhos globais. nos seus documentos do Ensino Fundamental 11 . nos últimos anos é cada vez mais comum encontrarmos propostas que rompem com a organização por unidades centradas exclusivamente em disciplinas. livros didático e paradidático). ou seja. No ensino da Educação Física. Ele defende a organização dos conteúdos nesses métodos. Daí a importância da compreensão do significado da transversalidade. a temática de organização dos conteúdos de aprendizagem não poderia ser mais atual e significativa para a educação brasileira de maneira geral. e particularmente para a Educação Física. Na relação entre os materiais curriculares e a dimensão dos conteúdos. audiovisuais e livros didáticos. em uma lógica da organização curricular. conceitos. textos.A ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS São analisadas as relações e a forma de vincular os diferentes conteúdos de aprendizagem. os conhecimentos foram alocados em disciplinas. final e integradora. No nosso entendimento. e para o encaminhamento de novas propostas de ensino. devendo ser analisados a sua dependência ideológica e o modelo de aula a que induzem. o por quê avaliar. na intervenção direta no processo de ensino/aprendizagem e em sua avaliação. as DCNs do Ensino Médio referenciam como princípio básico para este nível a interdisciplinaridade. Todos os materiais curriculares utilizados por professores e alunos são veiculadores de mensagens e atuam como transmissores de determinadas visões da sociedade. intitulado “enfoque globalizador e pensamento . A proposta elimina a idéia da avaliação apenas do aluno como sujeito que aprende e propõe também uma avaliação de como o professor ensina. Os PCNs. por entender que explica melhor as características de adaptação e adequação. execução e avaliação lhes apresentam. Por outro lado. dão um papel de destaque para os temas transversais. demora um pouco a ser respondida. chegando a justificar a prova escrita para fatos e conceitos. revistas.

Por último. pelo fato das mesmas não poderem ser quantificadas. pode-se fazer uma transposição dos objetivos referentes à avaliação de conceitos. Ministério da Educação e Deporto. ainda. Também para esta área é mais fácil a utilização de avaliações sobre conceitos e procedimentos do que sobre as atitudes. Essa indissociação dos conteúdos parece ser o ponto central para o trabalho dos professores. Para isto ela precisa ser vista como pertencente a um clima de cooperação e cumplicidade entre professores e alunos. pois a obra tratou de princípios. a serviço de quaisquer ideologias que se façam predominantes num dado período histórico. Duvida o autor dos efeitos estimulantes desta divulgação da forma como é feita. Neste ponto. a escola nova. a pedagogia mais “educativa” (ou informal) e menos “escolar” (ou formalizada). Por isso. organização das condições de ensino e aprofundamento significativo e integral dos conteúdos nas três dimensões. ou seja. nem por isso deixa de diagnosticar e medicar. uma proposta para o currículo escolar”. Parâmetros Curriculares Nacionais. portanto. Quanto às especificidades contextuais. as considerações do autor pareceram superar essa limitação. citando o exemplo do uso das mãos que os indivíduos fazem para explicar melhor esses conceitos. Contudo. e. da forma como é atualmente. CONSIDERAÇÕES FINAIS A prática educativa parece ter inúmeras facetas. Utiliza a metáfora do médico que não possui instrumentos para medir dor. 1998. as tendências críticas com maior ou menor atenção aos conteúdos. procedimentos e atitudes para a Educação Física. a superação do tratamento isolado da dimensão procedimental constitui um desafio para a intervenção docente. a prática reflexiva e demais componentes da função docente podem ser o direcionamento 12 necessário à escola. Page 6 6 RESUMO EM INGLÊS: . ou. relacionado com a obra resenhada. Não obstante. Em Educação Física. generalizações do trabalho docente podem incorrer em engodos. da mesma forma que vê nas pessoas a necessidade de uma expressão de gestos. Brasília: MEC. Essa ampliação do universo de análise ocasionou extrapolações que vão ao encontro de expectativas apontadas na área de Educação Física Escolar. 12 Porque na escola a intencionalidade deve ser evidente. publicado pela ARTMED Editora em 2002. mesmo que o autor tenha se reportado à prática docente genérica. ponderamos a prática educativa em Educação Física. mas a observação continua a ser a forma preferida de avaliação para atitudes e procedimentos. deixa dúvidas sobre se as notas ou classificações deveriam ser totalmente públicas. e não apenas a escrita. Afirma que os conteúdos atitudinais implicam na observação das atitudes em diferentes situações e levanta a possibilidade das pessoas não darem o devido valor às atitudes enquanto um conteúdo. pois entende que isto esbarra em uma dimensão ética. integrando os componentes curriculares. Secretaria de Educação Fundamental. pela superficialidade referente ao contexto de atuação de cada professor. g. as tendências tecnicistas contemporâneas. além da dimensão pública existe uma privada e íntima que precisa ser respeitada. enjôo ou estresse e.complexo. Acredita que esta deva ser compartilhada e não tratada como uma filosofia do engano ou do caçador e da caça. de caráter humanista ou redentor.. Tais inferências abrangeram: problematização das vivências. Page 5 5 importante diz respeito à observação de que os conceitos podem ser mais bem avaliados quando a expressão verbal é possível. algumas contempladas por essa obra de Antoni Zabala. propondo uma avaliação sistemática em situações naturais ou artificialmente criadas. Esclarece que os procedimentos só podem ser avaliados enquanto um saber fazer. 11 Brasil. inclusão dos alunos. para não constituir uma meta pretensamente neutra e.

. In this direction. Z. Silva. in order to deepen studies about understanding the role of Physical Education into the school context. C. G. the concern with the citizenship. S. para profundizar estudios en la comprensión del papel de la Educación Física en pertenecer al contexto de la escuela. I. . School Physical Education The inquiries that the LETPEF’s members have been carrying through are related to some papers used in the official document elaboration for the Brazilian educational system. and the Physical Education context. . works as Cesar Coll’s and Antoni Zabala’s had been revised critically. In this area. H. Ferreira. L. A. de acuerdo con los presupuestos estimados del LETPEF. E. como la educación reflexiva. las DCNs y los RCNs. E. as the PCNs. En esta dirección. Ramos... I. The analyzed chapters’ sequence can be more adequately apprehended if one notices that they were originally loose papers on issues related to teachers’ practice. N. L. C. L.. A. C. G. the overcoming of the procedural dimension isolated treatment constitutes a challenge for teaching intervention. pensamos que su contribución principal puede ser una tentativa de la superación de la exclusividad procedural en las lecciones de Educación Física.. S. H. Galvão. Silva. En esa area. C. such as reflective education. Cuánto a los capítulos analizados. Galvão. Rangel. Sur las criticas a las dimensiones del contenido..Summary Of The Book "The Educative Practice: How to Teach" Of Antoni Zabala Sanches Neto.... H. L. M. Z.Members of the LETPEF Key words: Educative Practice. la preocupación con la ciudadanía.. Pontes. RESUMO EM ESPANHOL: Resumen Del Libro “La Práctica Educativa: Cómo Enseñar” De Antoni Zabala Sanches Neto.. S. in accordance with LETPEF’s guidelines. Pontes. V. Rangel. and also for integrating the curricular components. los trabajos de Cesar Coll y Antoni Zabala habían sido criticamente revisados.. El resumen que si sigue trata de uno de estos obras. Educación Física de la Escuela Las preguntas que los miembros del LETPEF vienen llevando tienen referenciado algunos trabajos utilizados en la elaboración del documento oficial para el sistema educativo brasileño.. S. M. L. Concerning the critiques in relation to the dimensions of the contents. Ferreira. L. the DCNs and the RCNs. Darido. G. como los PCNs.. Darido. Rodrigues. Ramos. y la contextualización de la Educación Física. H. . Rodrigues.. V. su secuencia se puede prender más adecuadamente si considerado que habían sido textos a cerca de temas del práctico educativo. The following summary reports some points of one of these papers. G. A. la superación del tratamiento aislado de la dimensión procedural constituye un desafío para la intervención de la enseñanza y para la integración de los componentes del plan más general de estudios.miembros del LETPEF Palabras-Clave: Práctica Educativa.. A. N. we think that their main contribution can be an attempt of overcoming the procedural exclusiveness in Physical Education classes.

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