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Apostila de Meteorologia I

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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI
CURSO SUPERIOR DE AVIAÇÃO CIVIL

METEOROLOGIA AERONÁUTICA I

Professor Dr. Edson Cabral

São Paulo

2010

SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO

À

METEOROLOGIA

AERONÁUTICA.............................................3
2. ATMOSFERA.........................................................................................................10
3. TEMPERATURA....................................................................................................13
4. UMIDADE...............................................................................................................22
5. PRESSÃO ATMOSFÉRICA...................................................................................29
6. MASSSAS DE AR E FRENTES.............................................................................38
7. ALTIMETRIA..........................................................................................................43
8.

VISIBILIDADE,

NUVENS

E

NEVOEIROS..............................................................50
9. CÓDIGOS METEOROLÓGICOS...........................................................................59
10.

CARTAS

METEOROLÓGICAS............................................................................74
11 TURBULÊNCIA.....................................................................................................76
12.ESTABILIDADE
ATMOSFÉRICA..........................................................................80
13. TROVOADAS.......................................................................................................85
14.

VENTOS

E

CIRCULAÇÃO

ATMOSFÉRICA........................................................89
15.

FORMAÇÃO

DE

GELO........................................................................................97
LISTAS DE TESTES................................................................................................103

2

1. INTRODUÇÃO À METEOROLOGIA AERONÁUTICA

A Meteorologia é a ciência que estuda os fenômenos da atmosfera e se
divide em:

Pura: voltada para a área da pesquisa – meteorologia sinóptica,
dinâmica, tropical, polar etc.

Aplicada: voltada para uma atividade humana – meteorologia marítima,
aeronáutica, agrícola, bioclimatologia etc.

A Meteorologia Aeronáutica é o ramo da meteorologia aplicado à
aviação e que visa, basicamente, a segurança, a economia e a
eficiência dos vôos.

A Meteorologia Aeronáutica vem obtendo, nas últimas décadas, um alto
grau de desenvolvimento de técnicas de observação/previsão e
sofisticação de equipamentos, acompanhando paralelamente a
evolução da aviação e, nisso contribuindo para um maior grau de
segurança e economia das operações aéreas.

1.1. BREVE CRONOLOGIA DA METEOROLOGIA NO
SÉCULO XX

•1920 – A Organização Meteorológica Internacional (OMI) cria a

Comissão Técnica de Meteorologia Aeronáutica;

•Anos 30 – a meteorologia tem grande impulso com a elaboração da

teoria das frentes (Escola Norueguesa);

3

Figura 1 – Aeronave da Marinha Norte Americana com um meteorógrafo preso às asas
registrando pressão, temperatura e umidade em 13 de dezembro de 1934.
fonte: http://www.photolib.noaa.gov/historic/nws/nwind18.htm

•Anos 30 (final) – introdução da Radiossonda:

Figuras 2 e 3 – Meteorologistas preparando e lançando radiossondas
fonte: http://www.noaa.gov

• Anos 40 – utilização do Radar na Meteorologia;

Figura 4 - Radar de superfície
Fonte: http://www.noaa.gov

• Anos 50 (início) – introdução da previsão meteorológica numérica

(Análise Sinótica e Previsão de Macro-Escala);

4

• 1954 - A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI/ICAO) e

a Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO) firmam acordo
de mútua cooperação;

• 1960 – Lançamento do 1o

satélite meteorológico – TIROS;

Figuras 5 e 6 – Fotografia do equipamento e da primeira imagem do Satélite TIROS
Fonte: http://www.noaa.gov.

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• Últimas décadas – Aplicação do Radar Doppler na Aviação;

• 1994 – Implantação do Supercomputador do INPE

•Tempos recentes – difusão crescente da Internet na troca de

informações meteorológicas e melhoria dos modelos de previsão e
nos equipamentos de detecção de fenômenos adversos à aviação
(turbulência, nevoeiros etc.).

1.2. ORGANIZAÇÃO DA METEOROLOGIA

Dois organismos internacionais ligados à ONU (Organização das
Nações Unidas) regem as atividades ligadas à Meteorologia Aeronáutica
em termos mundiais: a OACI (Organização de Aviação Civil
Internacional) ou ICAO (International Civil Aviation Organization), com
sede em Montreal (Canadá) e a OMM (Organização Meteorológica
Mundial) ou WMO (World Meteorological Organization), com sede em
Genebra (Suíça).
A OACI é o órgão dedicado a todas atividades ligadas à aviação civil
internacional, sendo um de seus principais objetivos possibilitar a
obtenção de informações meteorológicas necessárias para a maior
segurança, eficácia e economia dos vôos.
A OMM é um organismo das Nações Unidas, que auxilia tecnicamente a
OACI no tocante à elaboração de normas e procedimentos específicos
de Meteorologia para a aviação, assim como no treinamento de pessoal
da área.
Em termos globais, existem dois Centros Mundiais de Previsão de Área
ou WAFC (World Area Forecast Center), Washington e Londres,
responsáveis pela elaboração de Cartas Meteorológicas de Tempo
Significativo (SIGWX) e de Cartas de Vento em vários níveis de altura

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(WIND ALOFT PROG) de várias partes do planeta, além de diversos
Centros Nacionais de Meteorologia Aeronáutica (CNMA)
No Brasil, o Centro Nacional de Meteorologia Aeronáutica (CNMA) é o
órgão que coleta todas as informações meteorológicas básicas
fornecidas pela rede de estações meteorológicas e posteriormente faz a
análise e o prognóstico do tempo significativo para sua área de
responsabilidade – entre os paralelos 12o

N/40O

S e meridianos 010O

W/080O

W. As Cartas de tempo significativo (SIGWX) são repassadas
aos demais centros da rede, além das previsões recebidas dos Centros
Mundiais de Previsão (WAFC) e outras informações meteorológicas de
interesse aeronáutico.
Para desempenhar as atividades relacionadas à navegação aérea, a
meteorologia brasileira está estruturada sob a forma de uma rede de
centros meteorológicos (RCM) e estações de coleta de dados
meteorológicos (REM).
Além do Centro Nacional de Meteorologia Aeronáutica, existem outros
Centros Meteorológicos Nacionais como os Centros Meteorológicos de
Aeródromo (CMA), localizados em aeródromos com o objetivo de
prestar apoio meteorológico à navegação aérea e classificados em
classes de 1 a 3, de acordo com suas atribuições, assim como os
Centros Meteorológicos de Vigilância (CMV) responsáveis por monitorar
as condições meteorológicas de sua área de vigilância, apoiando os
órgãos de Tráfego Aéreo e as aeronaves que voam em suas respectivas
Regiões de Informação de Vôo (FIR)) e expedindo as mensagens
AIRMET e SIGMET. Os Centros Meteorológicos de Aeródromo Classe I
são responsáveis pela elaboração de mensagens do tipo TAF (Terminal
Aerodrome Forecast), GAMET, WS WARNING e Avisos de Aeródromo,
que serão abordados de forma detalhada no capítulo de Códigos
Meteorológicos.

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Completando a Rede de Centros, existem também os Centros
Meteorológicos Militares (CMM), que atuam exclusivamente para
atender a aviação militar.
A Rede de Estações Meteorológicas é composta, por sua vez, de
Estações Meteorológicas de Superfície (EMS), Estações Meteorológicas
de Altitude (EMA), Estações de Radar Meteorológico (ERM) e Estações
de Recepção de Imagens de Satélite (ERIS).
A Rede de Estações Meteorológicas coleta, processa, registra e difunde
dados meteorológicos de superfície e altitude visando dar suporte à
navegação aérea.
As Estações Meteorológicas de Superfície (EMS) objetivam coletar e
processar dados meteorológicos de superfície para fins aeronáuticos e
sinóticos e são localizadas em aeródromos. São responsáveis pela
confecção dos Boletins METAR e SPECI, com as condições de tempo
presente dos aeroportos.
As Estações Meteorológicas de Altitude (EMA) coletam, por intermédio
de Radiossondagem, dados de pressão, temperatura, umidade, direção
e velocidade do vento, em vários níveis da atmosfera.
As Estações de Radar Meteorológico (ERM) tem como escopo realizar a
vigilância contínua na área de cobertura dos radares e divulgar as
informações obtidas de forma rápida e confiável aos Centros
Meteorológicos de Vigilância.
As Estações de Recepção de Imagens de Satélites (ERIS) tem como
objetivo obter as imagens de satélites meteorológicos nos canais visível
e infravermelho, complementando os dados necessários para os centros
meteorológicos para a elaboração de previsões.
A responsabilidade das atividades da meteorologia aeronáutica no Brasil
está a cargo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo – DECEA
(do Comando da Aeronáutica) e da Empresa Brasileira de Infra-

8

Estrutura Aeroportuária (INFRAERO), que é responsável, nesse sentido,
por uma grande parte desses serviços em todo o território nacional.
Como membro da OACI, o Brasil assumiu compromissos internacionais
com vistas a padronizar o serviço de proteção ao vôo de acordo com os
regulamentos dessa organização. Sendo assim, o DECEA normaliza e
fiscaliza os serviços da área de Meteorologia conforme os padrões da
OMM, OACI e interesses nacionais.

Figura 7 – Organograma de organizações da área de
Meteorologia.

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ONU

OACI

(ICAO)

OMM

(WMO)

COMANDO DA
AERONÁUTICA

DECEA

REM

EMS
EMA
ERM

RCM

CMA
CMV
CMM

MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA,
PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO

COMANDO DA
MARINHA

INMET

DHN

CNMA

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