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Manual Calculo Financeiro

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MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO

Índice

CONCEITOS BÁSICOS DE CÁLCULO FINANCEIRO ..................................... 2 TEMPO, CAPITAL E JURO .................................................................................... 2 TAXAS DE JURO E DE DESCONTO ........................................................................ 2 VALOR ACTUAL E VALOR ACUMULADO................................................................. 4 JUROS SIMPLES E COMPOSTOS, CAPITALIZAÇÃO E ACTUALIZAÇÃO ........................ 5 RENDAS ............................................................................................................ 7 NOÇÃO ............................................................................................................. 7 RENDAS CONSTANTES E RENDAS PERPÉTUAS ..................................................... 7 EQUIVALÊNCIA DE VALORES ...................................................................... 12 EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS .............................................................................. 12 REEMBOLSO DE EMPRÉSTIMOS................................................................. 13 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 13 MODALIDADES DE REEMBOLSO ......................................................................... 14 REGIME DE JURO SIMPLES ............................................................................... 15 REGIME DE JURO COMPOSTO ........................................................................... 15 EMPRÉSTIMOS POR OBRIGAÇÕES ............................................................ 16 GENERALIDADES ............................................................................................. 16 REEMBOLSO DE EMPRÉSTIMOS POR OBRIGAÇÕES .............................................. 17 VIDA MÉDIA DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................... 18 O CÁLCULO FINANCEIRO E AS APLICAÇÕES DE CAPITAL .................... 19 GENERALIDADES ............................................................................................. 19 CÁLCULO FINANCEIRO E A ANÁLISE DE INVESTIMENTO ........................................ 19 A INFLAÇÃO NA APLICAÇÃO DE CAPITAIS ............................................................ 21 AVALIAÇÃO DE PROJECTOS ....................................................................... 22 O CONCEITO DE CASH-FLOW E DE VALOR ACTUALIZADO LÍQUIDO........................ 22 PERÍODO DE RECUPERAÇÃO (PAY BACK PERIOD) .............................................. 25 PERÍODO DE RECUPERAÇÃO ACTUALIZADO........................................................ 26

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MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO

«Não há nada que cimente e segure as partes de uma sociedade do que a fé e o crédito, que nunca conseguem ser mantidos a não ser que os homens estejam sob uma força ou necessidade de pagar honestamente o que devem aos outros.» Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.), escritor e estadista romano

Conceitos Básicos de Cálculo Financeiro

Tempo, Capital e Juro Os factores tempo, capital e juro são, de certo, sobejamente conhecidos pela generalidade das pessoas. No cálculo financeiro é de todo o interesse efectuar a sua análise numa óptica financeira. Por capital entende-se todo o conjunto de meios líquidos (moeda), concedidos durante um determinado espaço de tempo, temporária ou definitivamente, produzindo uma certa remuneração para o seu possuidor. O tempo refere-se ao prazo durante o qual o capital está aplicado e será abordado sob uma análise periódica, isto é em espaços mais curtos ou mais longos aos quais a referida remuneração do capital. Cada um destes espaços, considerado como uma unidade de tempo, denomina-se período. O período poderá ser anual, semestral, trimestral, etc, consoante a unidade de tempo a ser considerada.

Taxas de Juro e de Desconto Juro e Taxa de Juro

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o desconto (D) constitui a redução desse capital durante o período compreendido entre t-1 e t. considerando o capital C no momento t. podemos definir a taxa de desconto (D) como sendo a redução sofrida por uma unidade de capital descontada durante uma unidade de tempo. Consideremos então um capital C aplicado num dado momento t. Desconto e taxa de desconto O desconto. o desconto transforma o capital C referido a um dado momento t. Este juro (J) origina que o capital C do momento t. O vencimento de juros. ou seja. Este acréscimo de valor (representado por i) que vai transformar o capital unitário inicial. corresponde a uma redução do valor do capital durante um determinado espaço de tempo. esse capital vai vencer juros. fenómeno inverso da capitalização. ou o que é o mesmo. O seu interesse é relevante em casos em que o devedor pretenda liquidar o capital em divida antes da data do vencimento ou o credor receber os seus créditos antes de estarem vencidos. no capital 1+i.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Vimos que o Juro corresponde ao incremento sofrido por um dado capital aplicado durante um determinado prazo de tempo. isto é. ao fim de uma unidade de tempo. ou seja no espaço de tempo que vai de t a t+1. designa-se por taxa de juro. dado que J>0. isto é. o acréscimo sofrido por uma unidade de capital. È claro que o desconto apenas se justifica se recuarmos no tempo. Assim. ao fim de um período. se transforme no capital t+1. o incremento do valor dum capital à medida que o tempo vai decorrendo. Por taxa de juro entende-se. isto é. representa a capitalização. O seu valor poderá ser calculado em função da taxa de juro. 3 . vai sofrer um acréscimo de valor. durante uma unidade de tempo. Também durante o período compreendido entre t e t+1. capitalizada (aplicada) durante uma unidade de tempo. num valor superior. num capital inferior (C-D) – visto que D>0 – referido a um momento anterior ao dado (t-1). esta unidade de capital vai sofrer um acréscimo de valor. À semelhança do juro. A capitalização corresponde num processo de acumulação de capital ou de produção de juros.

Em contrapartida. Co é o valor actual (actualizado) ou descontado no momento O. O capital C0 no decurso do tempo irá transformar-se no capital Ct que corresponderá ao seu valor inicial C0 acrescido do juro (Jt) vencido no espaço de tempo compreendido entre 0 e t. designa-se por valor actual o valor do capital no momento de referência. Portanto será: Ct = C0 + Jt Diz-se que Ct é o valor acumulado ou capitalizado de Co no momento t. o valor acumulado ou capitalizado será o valor dum capital num momento posterior ao momento de referência. onde o capital tem o valor representado por C0. Será então: Co = Ct – Jt Correctamente.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Valor Actual e Valor Acumulado Vamos considerar o momento 0 como momento de referência na contagem do tempo. teremos o valor descontado. 4 . do capital Ct. por sua vez. Inversamente.

5 . raciocinar em termos de valores actuais (ou valores actualizados): 1. comparar dois investimentos cujos cronogramas dos validamente somas disponíveis em recebimentos e pagamentos são claramente diferentes. que leva em conta o tempo. É devido à técnica da actualização. A operação capitalização permite conhecer o valor futuro de um dado valor presente.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Juros Simples e Compostos. Assim. Inversamente. relacionar/comparar diferentes datas. Capitalização e Actualização Existem duas grandes modalidades de Juros: Juro Simples – onde só o capital inicial é gerador de rendimentos. 2. Cn = C0 * (1 + n * i ) Juro Composto – tem como efeito tornar os juros devidos no final do período produtores de outros juros ao longo dos períodos seguintes. C n = C 0 * (1 + i ) n Esta última modalidade de cálculo de juros permite-nos falar em operações de capitalização e de actualização. a actualização permite calcular o valor presente de um valor futuro. que se pode.

MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO A actualização de uma série de valores futuros A1.. + 1 + i (1 + i ) 2 (1 + i ) n 6 ..…. An pode ser calculada através de: C0 = An A1 A2 + + .

estes designamse por anuidades. O intervalo de tempo que decorre entre os vencimentos de dois termos consecutivos. 1 1 1 − 1 + i (1 + i ) n 1 + i (1 + i ) n − 1 C0 = A =A 1 (1 + i ) n i 1− 1+ i 7 .MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Rendas Noção Considere-se um conjunto de capitais C1. Cada um dos capitais constitui um termo da renda. O conjunto destes n capitais. mensalmente. Nos casos particulares dos termos se vencerem anualmente. sendo condição suficiente que o intervalo de tempo entre os vencimentos de dois termos consecutivos. como 1+ i 1. semestralmente por semestralidades. designa-se por renda. vencíveis em momentos equidistantes. C2. Não é condição necessária que os capitais acima referidos. 1 − razão então.º termo − último _ termo × razão . que se vencem em momentos equidistantes. por trimestralidades. designa-se por período da renda. sejam iguais para constituírem uma renda. …. Cn. trimestralmente. As rendas poderão ser classificadas da seguinte forma: Rendas Inteiras Temporárias (Temporárias imediatas e Temporárias diferidas) e Rendas perpétuas diferidas. por mensalidades. seja constante. Rendas Constantes e Rendas Perpétuas Se A1=A2=…=An então C0 será igual à soma de uma progressão geométrica com razão igual a Soma = A 1 e dai que.

por exemplo. encontra-se o cash flow constante A. a taxa i e o número de períodos n. Este é normalmente designado por prestação constante e é bastante utilizado para efeitos de crédito. á habitação. Quanto a representar-se por (1 + i ) n − 1 (1 + i ) n i . é usual an . deduz-se a expressão da perpetuidade: 1 1 1 − 1 + i (1 + i ) ∞ 1 + i 1 1+ i A C0 = A =A = 1 1+ i i i 1− 1+ i 8 .MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Conhecido o valor actual C0. que iguala a expressão. factor de prestação constante. i Quando n → ∞ .

V n = V i (1 + x ) n − i entre 1 e 4 entre 2 e 5 → 198=100(1+X)3 => X = → 396=110(1+X)3 => X = 0.36 b) A média geométrica das taxas de crescimento. Períodos 1 Valores 100 Taxas de cresciment o x= n 1 n 1 100 2 110 3 132 4 198 5 396 2 110 .2 4 198 .MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Casos de Aplicação: 1.1 3 132 .5 5 396 1 ∑x i i = 0.32 c) A taxa de crescimento média entre o período 1 e o período 4 e entre o período 2 e 5. e comente as vantagens e inconvenientes de cada um. x = n π in = 0.Considerando a evolução da seguinte série Períodos Valores determine: a) A média aritmética das taxas de crescimento.Distinga o índice de Laspeyres do de Paasche. Laspeyres → ∑Q ∑Q 0i * Pti * P0 i Paasche → 0i ∑Q ∑Q ti * Pti * P0 i ti 9 .26 0.53 2.

Considerando um capital inicial de 100000 Euros. sabendo que a taxa de inflação foi de 5% .MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO 3. uma taxa de juro anual de 10% e um processo de capitalização quadrimestral. em regime de juro simples e composto. qual a taxa que a Rita deveria ter aplicado para quer o seu ganho real1 tivesse sido de 4%? (1+TN) = (1+TP)(1+TR) …….A Rita emprestou por um ano à Carolina 500 euros à taxa de juro de 4%.A Marta emprestou ao Ricardo por um período de três anos 10000 Euros à taxa anual de juro de 15%. tendo acordado que o regime seria o de juro simples.Quanto receberia a Marta do Ricardo no fim do contrato se tivesse acordado a mesma taxa mas no regime de juro composto? 6. construa um quadro comparativo que lhe evidencie o capital inicial. colocado durante 331 dias à taxa anual de 15% no regime de juro simples? 7. => formula de Fisher 4. 1 Ou custo de renuncia ao consumo presente 10 . juro e capital acumulado para cada um dos quadrimestres. um período de aplicação de 2 anos. Quanto receberá a Marta ao fim de cada um dos anos? E pelo total do contrato? 5. …….Calcule o valor "acumulado" de um capital de 500 Euros.

MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO 8.A uma taxa de actualização de 10% qual dos seguintes projectos lhe parece mais viável? Nota: o projecto A a partir do ano 4 permite gerar uma renda perpetua anual de 50 u.m. sabendo que o capital emprestado é de 20000 u.Supondo que contraiu um empréstimo à habitação na modalidade de prestações constantes construa o respectivo mapa de simulação. a 10 anos à taxa de 10% ao ano. 11 . 9.m.

deve entender-se o valor do capital vencíveis nos momentos T1. de forma a substituir o conjunto de capitais Cj. durante o mesmo prazo de tempo. A expressão da equivalência depende do regime de capitalização considerado. forem iguais. quando aplicadas a um mesmo capital produzirem. Designa-se por taxa média.…. aplicando a taxa de juro i. a taxa de juro única. que aplicada a esses capitais durante os mesmos prazos. Tn. Equivalência de Taxas Duas taxas i e i`. produz o mesmo rendimento. Tn. referentes a períodos diferentes. Taxa Média Considere-se um conjunto de capitais C1. aplicados durante os prazos T1. Vencimento Médio O vencimento médio. e designa-se por equação do valor. dizem-se equivalentes. in. para uma dada taxa de juro i. Cn. consiste em determinar o prazo t. …. de dois capitais que compõem cada um dos conjuntos. em que se deve vencer o capital Ct. Noção de Capital Único Por capital único no momento t. T2. 12 . C2.…. referidos a esse momento. …. T2. quando as somas dos valores actuais.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Equivalência de Valores Equivalência de Capitais Dois conjuntos de capitais dizem-se equivalentes num dado momento. às taxas de juro i2. i2. o mesmo valor acumulado.

quando emitidos sem prazo de reembolso. a taxa básica de desconto fixada pelo Banco de Portugal. quando não exista qualquer garantia especial. 13 .Quanto ás garantias prestadas pelo mutuário: a) empréstimos caucionados. O preço dos juros deste tipo de contrato. temporária ou definitivamente.Quanto ao prazo de reembolso: a) empréstimos perpétuos ou consolidados. ii) o reembolso resulta da concordância de ambas as partes (empréstimo irremível). é regulado por lei. b) empréstimos a descoberto.pagamento dos juros pela utilização desse capital. gozando apenas da garantia geral comum a qualquer contrato de empréstimo. quando existe garantia especial para o seu reembolso. tendo como referência. . bem como o preço de uso desse capital – juro. em geral. uma certa importância. a entidade a quem é cedido (emprestado) o capital designa-se por mutuário e fica com uma dupla obrigação: . Dois casos poderão acontecer: i) o mutuário reembolsa a divida se assim o entender e quando quiser (empréstimo remível). A entidade que cede o capital designa-se por mutuante e fica com o direito de receber o capital emprestado bem como os juros vencidos. obrigando-se esta a restituir o capital recebido. Poderá ser real. no caso da hipoteca.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Reembolso de Empréstimos Introdução Um empréstimo é um contrato pelo qual uma entidade coloca à disposição de outrem. estes podem assumir diversas formas: . Quanto à natureza destes empréstimos. do penhor e da consignação de rendimentos.restituição do capital recebido como empréstimo (reembolso) . e da fiança. poderá ser pessoal no caso do aval.

Também poderão ser subdivididos em: i) empréstimos a curto prazo. 1) Quanto à amortização do capital em divida: 14 .Quanto à finalidade: a) empréstimos de funcionamento. Havendo formas distintas de localização no tempo quer do reembolso da quantia em divida. São em geral a médio e longo prazos. entende-se o resultado da combinação entre o método de amortização do capital em divida e o de pagamento de juros. a expansão da actividade do mutuário.Quanto à sua aplicação: a) empréstimos ao consumo. Ii) empréstimos a médio e longos prazos. Modalidades de Reembolso Por modalidade de reembolso.Empréstimos temporários.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO . quando visam a realização de projectos de investimento possibilitando. quando o prazo de reembolso é previamente fixado. São normalmente a curto prazo. b) empréstimos ao investimento. iremos considerar as mais frequentes. quer dos juros vencidos. se o prazo de reembolso for superior a um ano. quando visam suprir deficiências temporárias de liquidez. . se o prazo de reembolso for igual ou inferior um ano. a partir das quais todas as outras poderão ser consideradas como derivadas. Os juros destes empréstimos são em geral onerados com sobretaxas suplementares. b) empréstimos de financiamento. quando destinados à aquisição de bens de consumo. se destinados à aquisição de bens de investimento (bens duradouros para produção de bens ou serviços). deste modo. .

Estas têm sido frequentemente utilizadas nas vendas a prestações. . para interesse reduzido as modalidades de pagamento escalonado de capital. Regime de Juro Composto Este regime utiliza-se especialmente em contratos de empréstimo a médio e longo prazos. . visto proporcionar uma capitalização dos juros vencidos em cada período da taxa.de uma só vez no fim do prazo empréstimo.Escalonamento no tempo e durante o prazo. na data de contracção do empréstimo. 15 . 2) Quanto ao pagamento do juro: . isto é.de uma só vez no inicio do prazo (juro à cabeça). È claro que para operações a curto prazo os juros vencidos são. Regime de Juro Simples O regime de juro simples utiliza-se normalmente nas operações a curto prazo relegando. assim.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO . inferiores aos proporcionados pelo juro simples (considerando as taxas anuais).pagamento do capital de uma só vez no fim do prazo. .pagamento escalonado do capital durante o prazo do empréstimo. normalmente.

MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Empréstimos por Obrigações Generalidades Este empréstimo difere dos anteriores pelo facto de o seu valor nominal estar representado em títulos designados por obrigações. tendo o direito não só ao valor nela inscrito – valor nominal – como também aos juros vencidos e outras importâncias a que a entidade se obrigou. quando o seu valor é restituído pelo mutuário dentro de determinado prazo e segundo certo plano previamente estabelecido. Apresentam as seguintes características a) permitem ao mutuário a reunião de um maior volume de capitais. quando forem transformados em acções.amortizáveis. quando procedeu à sua emissão. será um titulo representativo de uma fracção do empréstimo emitido. A obrigação. permitindo o reembolso em fracções periódicas. pré-estabelecidos.º 397/71. em vez de um “grande credor” existem muitos “pequenos credores” da entidade que contraiu o empréstimo. segundo determinadas condições e prazos. As obrigações podem assumir vários tipos: a) Quanto à garantia de reembolso: . b) Quanto à forma de transmissão e pagamento de juros: 16 . Esta convertibilidade veio a ser autorizada em 1971. isto é. b) permitem a repartição da responsabilidade do mutuário por um grande número de mutuantes. c) são. a médio e longos prazos.não amortizáveis. . . O seu detentor – obrigacionista – representa um credor da entidade emitente. quando o mutuário não se obriga a reembolsar o seu valor nominal. através do Decreto-Lei n.convertíveis. de 22 de Setembro. em regra.

nominativos. se na data de reembolso o portador recebe além do valor nominal uma importância adicional – prémio de reembolso. dão direito ao reembolso do seu valor nominal e ao recebimento de juros nos prazos previstos. se revela insuficiente para cobrir a progressiva desvalorização da moeda.ao portador. . A sua transmissão faz-se por simples entrega. .MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO . Nesta modalidade. Quer as obrigações com prémio. . . considerando em qualquer delas emissão ao par. a prática tem vindo a confirmar que apenas uma delas é relevante.com prémio. porquanto é a praticada na quase totalidade destes: reembolso por amortizações periódicas. sendo constantes o número de obrigações a sortear. são variáveis de vencimento para vencimento em função de determinada variável – indexante. quando o reembolso do capital e o pagamento dos juros forem efectuados à entidade portadora do titulo ou cupão. quer as indexadas têm por finalidade a captação das poupanças para empréstimos obrigacionistas através de um incentivo financeiro para além do juro que. se os valores de reembolso ou o montante de juros vencidos. No entanto.mistas.simples. A sua transmissão faz-se por averbamento. c) Quando o rendimento que proporcionam ao seu detentos: . Reembolso de empréstimos por obrigações Teoricamente.indexadas. 17 . ou ambos. Este indexante visa cobrir os efeitos provocados pela inflação no valor dos meios líquidos ou na actividade da empresa. considera-se o reembolso com ou sem prémio. inscrito na obrigação ou nos livros da entidade emitente. só por si. quando o reembolso do capital for nominativo e o pagamento dos juros ao portador. quando o reembolso do capital e o pagamento de juros forem efectuados apenas ao seu efectivo proprietário. poderão ser consideradas várias hipóteses de reembolso deste tipo de empréstimos.

Contando a partir da data de emissão. na medida em que se conhecem os seus valores máximo e mínimo. prazo de tempo decorrente para o último reembolso de capital. isto é. quando a obrigação é amortizada no reembolso imediato. 18 .MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Vida média das obrigações Por vida de uma obrigação entende-se o espaço de tempo durante o qual essa obrigação vai estar em circulação. a vida média representa a expectativa do prazo de reembolso.Vida máxima ou esperança de vida. ou da aquisição. e a data de amortização. Isto é. . É contada no espaço compreendido entre a data de sua emissão. a vida de uma obrigação inicia-se com a sua emissão e finda com o seu reembolso. corresponde à média aritmética ponderada entre o número de obrigações amortizadas em cada reembolso pelos respectivos prazos de reembolso.Vida máxima. .Vida mínima. a vida mínima corresponde ao prazo de vencimento do primeiro reembolso de capital. podemos distinguir três tipos possíveis: . quando a obrigação é amortizada no último reembolso. Na prática. Desta forma.

a taxa de rendimento será o que o investidor espera receber cobrindo as taxas correntes do mercado.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO O Cálculo Financeiro e as Aplicações de Capital Generalidades A aplicação de capitais envolve sempre o estudo não só dos rendimentos que daí poderão advir. Sendo o risco um dos aliados do investimento. isto é. como também a opção entre alternativas distintas com que se depara o investidor.As previsões foram elaboradas a preços de mercado o que origina uma maior importância do cálculo financeiro na medida em que dois factores são significativos: taxa de rendimento dos capitais e efeito de taxa de inflação sobre estes rendimentos. Normalmente. Duas alternativas poderão ocorrer: . quer com as aplicações.As previsões foram elaboradas a preços constantes o que reduz o peso do cálculo financeiro na interpretação ou análise dos valores. . 19 . um investimento pressupõe o acréscimo do valor do capital actual. Para o investidor esta substituição deverá ser compensatória. é falível a sua comparação quando não referidos ao mesmo tempo. não se torna fácil decidir pela simples comparação entre os valores nominais dos capitais aplicados e dos resultantes desta aplicação porque aqueles valores se referem a momentos diferentes e. como também o risco desse mesmo investir. os capitais futuros deverão resultar da multiplicação dos actuais. Também os resultados provenientes de aplicações de capitais por se situarem em períodos distintos necessitam de ser comparados quer com as previsões. isto é. Cálculo Financeiro e a Análise de Investimento Um investimento traduz-se pela substituição de capitais presentes por capitais vindouros. como tal.

A diferença entre aqueles dois valores actualizados designa-se por valor actual líquido. Entende-se por prazo de recuperação o espaço de tempo necessário para que o investidor tenha reembolsado o capital investido. valor actual líquido (VAL) e taxa de rentabilidade (TR). o prazo de recuperação corresponde ao número de períodos em que o somatório dos lucros periódicos seja igual ao capital investido.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO De entre os vários critérios. Este método obriga a estabelecer um prazo de vida útil do investimento. a taxa de rentabilidade é inferior a (i). destacam-se os seguintes: prazo de recuperação. A diferença entre estas traduz-se no Rendimento Líquido do Investimento. Taxa de Rentabilidade 20 . significa que a taxa de rentabilidade do investimento é superior à mínima (i) que o investidor considera aceitável. Se VAL < 0. Quando VAL > 0.º Actualização do saldo líquido entre as receitas e despesas. 2. Dois métodos podem ser utilizados para o cálculo do valor actual líquido: 1. isto é. logo o investimento parece desfavorável.º Actualização de todas as despesas e receitas inerentes ao projecto de investimento. Por outras palavras. donde a decisão poderá ser favorável. Valor Actual Líquido Consiste na actualização para um momento comum de todas as despesas e receitas inerentes a determinado projecto. período de tempo durante o qual o investimento tem utilidade económica. Prazo de Recuperação O investimento envolve sempre o aparecimento de um conjunto de elementos de sinais contrários: despesas e receitas.

21 . isto é.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Consiste na determinação de um rendimento unitário. é em função da taxa de juro praticada. Este rendimento. o lucro previsto por cada unidade monetária de investimento. O valor calculado poderá ser determinante na opção não só de investir como também de quanto investir. A Inflação na aplicação de capitais É relevante para a decisão de aplicar capitais é o rendimento que se espera obter com essa aplicação. como sabemos. para montantes limitados de capital o resultado obtido pela sua aplicação. o nível geral dos preços tende a subir período a período (há inflação). Este método apresenta a vantagem de permitir a análise em termos de quantidade de investimento. o nível geral dos preços tende a descer (há deflação). Mas esta análise só fica completa se conhecermos o efeito que o fenómeno inflação tem ao longo da vida de um investimento: análise da sua situação em que o nível geral dos preços é estável. isto é.

Como o valor residual dá normalmente origem à libertação de fluxos monetários. referir aqui alguns dos pressupostos lógicos e evidentes mas indispensáveis á correcta determinação dos cash-flows previsionais associados a cada uma das alternativas decisórias colocadas á empresa: 1. contudo. São esses fluxos anuais ao longo do período vida do projecto de investimentos que se convencionou chamar de cash-flow e que se obtém anualmente através do somatório dos resultados líquidos. FLUXOGRAMA DE DETERMINAÇÃO DO CASH-FLOW Importa.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Avaliação de Projectos O Conceito de Cash-flow e de Valor Actualizado Líquido A realização ou não de um projecto de investimento depende essencialmente da sua rentabilidade futura. caso a libertação de fundos se verifique. de modo a cobrir as despesas efectuadas com a sua realização e funcionamento. provisões não utilizadas e encargos financeiros. ou por outras palavras da capacidade de gerar fluxos financeiros (receitas) num futuro mais ou menos próximo.O cash-flow do projecto (decisão) compreende o rendimento líquido de impostos devido à implementação do projecto e não todo o 22 . Neste sentido há que apurar quais os fluxos anuais gerados pela exploração do projecto que devem ser comparados com as despesas realizadas. este deve ser adicionado ao último cash-flow previsional. reintegrações e/ou amortizações técnicas.

Proveitos de exploração .37(P-C-A)+A = P-C-0. O mesmo é dizer que o cash-flow com interesse para a avaliação das opções estratégicas da empresa é um cash-flow diferencial. 2. por esta via constituem um in-flow (componente positiva do cash-flow).Amortizações . Assim. Contudo. as amortizações tem como efeito reduzir o montante de imposto sobre o rendimento a pagar. as amortizações tem um efeito positivo no cash-flow do exercício no valor de 37. isto é. Cash-flow do Exercício . pelo que.7% do seu valor.37(P-C-A) = P-C-0.Custos de exploração . como resultado das operações indicadas. Por exemplo se a taxa de imposto for de 37.37(P-C-A)=RLE ⇔ P-C-A-0.377A 23 .As amortizações não constituem uma saída efectiva de meios de pagamento da empresa e como tal não são consideradas como um out-flow no cálculo dos cash-flows. a inclusão das amortizações no cálculo do cash-flow podese resumir do seguinte modo. (P) (C) (A) (RAI) (I) (RLE) (A) (CF) Resultado Antes de Impostos . tal como abaixo se demonstra: P-C-A =RAI RAI-0.7%.377(P-C-A)=RLE CF = P-C-A-0.Imposto sobre o Rendimento Resultado Líquido do Exercício + Amortizações.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO rendimento gerado pela actividade da empresa. a diferença entre os cash-flows com projecto (ou decisão) e os cashflows resultantes da actividade normal da empresa sem projecto (sem decisão ou status quo).37(P-C)+0.

1) (1 + 0.5 VAL = -5000 + ..1) 4 1285. CMVMC FSE Custos c/Pessoal Amortizações Taxa de Imposto Valor residual Flutuantes..5 -52. Ano 1 Ano 2 2500 4000 8000 1000 200 1000 1250 30% 625 2000 200 1000 1875 Ano 3 6000 1500 200 1000 1875 Ano 4 4000 1000 200 1000 1875 Investimento Vendas Prest. 2 24 .Custos de Exploração ..5 + 625 = + + + 2 3 (1 + 0. Determine os cash-flows líquidos e afira sobre a aceitação ou não do projecto por parte da empresa2.5 1822.1) (1 + 0.5 1822.865 3992.+ Amortizações Cash-Flow do Exercício .m.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Caso de Aplicação: 10.5 1875 3922.199 Considerando que a taxa de juro para a melhor aplicação alternativa de fundos com idêntico risco é de 10% ao ano.5 0 3922.5 2700 Proveitos de Exploração .1) (1 + 0. Serv. Sa elaborou o seguinte mapa previsional de forma a poder decidir sobre a aceitação ou não do projecto Casas Ano 0 5000 u..IRC RLE .5 0 0 2872.5 -22.Investimento CFs Líquidos Ano 4 4000 2200 1875 1875 1425 -75 427.5 2047.A sociedade Arquitectos do Sul. Mapa de Apuramento dos CFs Líquidos Ano 0 Ano 1 Ano 2 Ano 3 0 4000 8000 6000 0 0 0 0 0 0 0 5000 -5000 2200 1250 550 165 385 1250 1635 2500 -865 3200 1875 2925 877.5 1822.5 2872.5 1875 1875 2872.5 997.Amortizações RAI .

período de vida económica i . pode ser considerado como um critério de natureza financeira.período de recuperação K . isto porque não tem em conta o custo do factor tempo. apenas aparentemente.custo do capital Caso de Aplicação u.valor do capital investido VR . Isto significa que através deste método é possível calcular as receitas necessárias para cobrir as despesas geradas pelo projecto.VRn s .5 8430 1822.5 10252.5 25 .cash-flows de exploração PR . 0 0 1635 1635 3922. Anos 0 1 2 3 4 CFs CFs Acum.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO TIR= 0. ainda que de forma empírica.valor residual n . do risco associado à implementação do projecto de investimento.1875 Período de Recuperação (Pay Back Period) Este critério consiste na determinação do tempo que um projecto necessita para recuperar o valor do capital inicialmente investido deduzido do seu valor residual.5 2872.5 5557. não considera os cash-flows gerados para além do período de recuperação e tende a privilegiar a liquidez mas não tem em consideração as fontes de financiamento da empresa. O período de recuperação.m. O período de recuperação é dado pela seguinte fórmula: s= PR s=1 0 ∑ CFs = ∑ Kt t=−k . Este critério de fácil cálculo. dá uma ideia.período de tempo necessário para recuperar o capital investido CFs .

s= PRA s=1 ∑ CFs / (1+i)s = ∑ Kt / (1+i)t .valor do capital investido VR .período de recuperação actualizado K .período de tempo necessário para recuperar o capital investido CFs . Período de Recuperação Actualizado Calcula-se de forma análoga ao anterior.1175 O período de recuperação do projecto é de dois anos e 165 dias. Este critério continua a ter como limitações o facto de não considerar os cash-flows gerados após o período de recuperação e tende a privilegiar a liquidez não tendo em conta as fontes de financiamento da empresa.5)/ 2872.cash-flows de exploração PRA . O período de recuperação actualizado é o período de tempo necessário para que o somatório dos cash-flows actualizados que se prevê obter com a implementação do projecto seja igual ao valor do capital previsto a ser investido deduzido do valor residual actualizado.período de vida económica i . só que neste caso é tido em consideração o custo do factor tempo.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Investimento -VR = 6875 PBP = ((6875-5557.5)*360= 165. Significa que ao fim de dois anos e cinco meses e meio aproximadamente é possível assegurar a recuperação do capital inicialmente investido.VRn / (1+i)n t=−k 0 s .valor residual n .custo de oportunidade do capital 26 .

5/ (1 + 0. 27 .1) = 1486.116.1)2 = 3241.5 1244.099 6 2872.251) / 1244.15 6886.6886.792) * 360 ≈ 54.5 3241. aproximadamente três anos e dois meses para recuperar o capital inicialmente investido. desvalorizando os CFs mais tardios. Investimento .73 4728.364 Cash-flow actualizado do período 2 = 3922.251 2 1822.736 ((7073. 0 0 0 1635 1486.04228 dias O período de recuperação actualizado é de 3 anos e 54 dias. Acum.VR (actualizado) = 7073.36 1486. Significa que é necessário. uma vez que tem em conta o custo do factor tempo.MANUAL DE CÁLCULO FINANCEIRO Caso de Aplicação Anos 0 1 2 3 4 CFs Actu.79 8131.364 4 3922. Este valor é superior ao obtido no período de recuperação.5 2158.043 2 CFs CFs Actual.116 Cash-flow actualizado do período 1 = 1635 / (1 + 0.

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