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Teoria da Arquitectura – Do Renascimento aos Nossos Dias

Vários Autores.

Taschen, 2003, Italy

De re aedificatoria libri decem

Alberti – Nasce em Veneza em 1404

Emergência da estética clássica no «Quattrocento» origina mudanças que se mantêm ate


hoje.

Escreve o primeiro tratado dos tempos modernos. Inspira-se no antigo tratado de


Vitrúvio mas raramente vemos uma referência ao escritor antigo. Escreve o tratado drae,
sobre a arte de bem construir entre 1442 a 1452 (pág.22). No tratado que escreve sobre
a pintura Della Pittura dedica a obra ao grande arquitecto Brunelleschi demonstrando já
ai um grande interesse pela arte. (Idem).

Quando em 1447 o seu amigo Tommaso Parentucelli é eleito papa com o nome de
Nicolau V, pede a Alberti que comece a pensar numa nova basílica que substitua a velha
igreja Constantiniana erigida dedicada a São Pedro bem como de toda a área do
Vaticano. Em 1450 é-lhe entregue o projecto de reconstrução da igreja dos Malatesta
em Rimini. A partir deste momento entra também ao serviço da família Rucellai de
Florença, construindo por exmplo a fachada da igreja de Santa Maria Novella e o
palazzo Rucellai em Florença, ou mesmo Sant’Andrea em Mântua. (idem)

No seu tratado drae, que Alberti envia a Nicolau V, o autor expõe por escrito quais
devem ser as funções do arquitecto que aspira ser mais do que um empilhador de pedras
(pág. 24).

A obra este dividida em dez volumes, tal como vemos em Vitrúvio, contudo quanto à
essência do tratado vemos uma organização diferente:

1. Livro i - Lineamenta

a. Trata das partes constitutivas de qualquer edifício que devem ser


colocadas na origem da construção de qualquer edifício: terreno, meio
ambiente, plano do solo, as paredes de suporte, materiais o tecto. (pag.
24)

2. Livro ii – Materia

a. Fala dos materiais que se devem usar na construção dos edifícios.

3. Livro iii – Opus

a. Tratado de construção onde são assinalados os aspectos que revelam


maior robustez do edifício.
4. Livros iv e v – Universorum opus e Singulorum opus

a. Utilidade e tipos de edifícios ordinários ou especiais

5. Livros vi a ix – Ornamentorum, Sacrorum ornamentorum, Puclici profani


ornamentorum, Privati ornamentorum

a. Constituem uma série que o escritor consagra à beleza dos vários tipos
de edifícios. (idem)

6. Livro x – Operum instauratio

a. Tratamento das técnicas de conservação e restauro dos edifícios


existentes. (pag.25)

No que diz respeito à beleza da arquitectura Alberti estabelece duas dimensões


diferenciadas, uma ética e social e outra mais formal e estética. Definições que partem
da estrutura social enquadrada na cidade, a arquitectura, deve estar internamente
ordenada numa hierarquia onde o estatuto social de um edifício tem repercussões na sua
dignitas: maior abundância no ornamentorum, maior riqueza. Os edifícios religiosos
surgem em primeiríssimo lugar, depois a um nível médio as construções publicas como
as ruas, as praças, as pontes, bibliotcas…onde a dignidade deve estar submetida às
construções sagradas. Na base aparecem as casas privadas, os palácios, villas, jardins.
(pag.25)

História da Arquitectura no Ocidente

Ian Sutton

Editorial Verbo, Lisboa, Outubro de 2004

Fluente em Latim. O seu tratado tornou-se o Vitruivio moderno tornando-se inevitável


que o próprio tivesse bastantes convites para a construção de vários edifícios. Primeiro a
codificar regras da arquitectura clássica e a adaptar elementos antigos na arquitectura
moderna. Formulação de um edifício onde nada pode ser retirado ou acrescentado sem
danificar o sentido estético e estrutural da obra. (pag144)

Alberti morre em 1472 e a sua influência faz-se sentir nos edifícios dos anos
subsequentes. O papa Pio II pede a Bernardo Rossellino a construção do centro urbano
de Pienza e o artista recorre em grande medida às teorias de Alberti. Rossellino constrói
assim uma Catedral, uma câmara municipal, um palácio papal e um palácio episcopal
cuidadosamente escalonados e que obedecem à hierarquia social que Alberti introduz.

Entender la Arquitectura – Sus Elementos, historia y significado

Leland M. Roth

Editorial Gustavo Gili, SL, 2008, Barcelona

A harmonia matemática começa com Brunelleschi com o Hospital dos Inocentes (1419)
para João de Medicis – galeria em pórtico, aberta para uma praça suportada por colunas
coríntias monolíticas que suportam umas arcadas gráceis e um entablamento alargado.
Cubo como modulo base de todo o edifício. Empreende o estudo da arquitectura em
Roma depois de ter perdido para Ghiberti a produção das portas do baptistério da
catedral de Santa Maria del Fiore. Na cidade pontifícia estudas as ruínas romanas, as
suas medidas e proporções e desenvolve a técnica da perspectiva. Nesta altura também
Alberti se encontrava em Roma a estudar o mesmo assunto. Deste modo brunelleschi
vê-se capaz de concluir a igreja de santa Maria del Fiore, uma vez que ninguém
conseguia fechar a cúpula por esta ser demasiado larga e nada a conseguir suster.

Bruneleschi vai então encarregar-se da missão de aplicar as regras da perspectiva


matemática na arquitctura. Neste sentido podemos assinalar a igreja de San Lorenzo e
mais ainda a paradigmática Sancto Spirito. (pag.348)

Para Alberti o circulo e a planta central eram símbolos da perfeição divina que detinham
também um enorme poder evocador. A cúpula surgia como o prolongamento da planta
central numa tentativa de elevar o homem ao céu.