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Introdução ao Salmo 25_Biblica et Exegetica

Introdução ao Salmo 25_Biblica et Exegetica

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Uma análise introdutória dos aspectos históricos e literários do Salmo 25
Uma análise introdutória dos aspectos históricos e literários do Salmo 25

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© Biblica et Exegetica 2011

SALMO 25: UMA ANÁLISE INTRODUTÓRIA
Tiago Abdalla T. Neto
O estudo do livro dos Salmos revela de forma especial o relacionamento
pessoal responsivo de Israel para com o seu Deus. Não se trata de um envolvimento
mecânico pré-estabelecido, mas de uma profunda reflexão da comunidade hebraica
sobre o próprio Deus, que se interessa não apenas pela cura, mas também, pelos
sofrimentos e aflições de Seu povo.
1

Diante das ações salvíficas de Yahweh, Israel não permaneceu emudecido,
mas se dirigiu a Ele, louvando-o, consultando-o e expondo seu lamento pelos males que
enfrentava. A razão para isso, foi bem definida por von Rad: “É que Javé não havia
escolhido para si o seu povo como objeto mudo da sua vontade histórica, mas para o
diálogo”.
2
Tal diálogo se deu de forma poeticamente bela e artística, como um dom de
Deus, que elevava o impacto das declarações dos salmistas e comunicava mais
efetivamente os seus pensamentos do que uma dissertação escrita de forma maçante.
3

A compreensão de qualquer obra literária requer o conhecimento de certos
aspectos introdutórios, para uma correta interpretação da mesma. Este capítulo,
portanto, visa observar questões como a autoria do Salmo 25, o contexto de vida
experimentado pelo salmista no momento de sua escrita, a estrutura e o gattung do
Salmo, além de sua relação com a adoração comunitária hebraica.
4

1. Autoria
As palavras iniciais do Salmo trazem a expressão ¬:¬: ¬::: (“Salmo de
[para] Davi”). O significado de tal sobrescrito tem sido fonte de constante discussão.
VanGemeren observa que os cabeçalhos dos salmos na LXX diferem do Texto
Massorético (TM), gerando problemas no estudo da autoria deles, o que se deve,
possivelmente, aos diferentes usos litúrgicos dos Salmos em Judá e na diáspora.
5
Por

1
Craig C. BROYLES, Psalms, p. 32.
2
Gerhard VON RAD, Teologia do Antigo Testamento, p. 345.
3
Leland RYKEN, Words of delight: a literary introduction to the Bible, p. 187-188.
4
O desenvolvimento da análise dos gattungen e do Sitz in Lebem cutual se devem ao renomado estudioso
do Antigo Testamento, Hermann Gunkel. Ver Hermann GUNKEL, The psalms: a form-critical
introduction.
5
Willem A. VANGEMEREN, “Psalms”. In: Frank E. GAEBELEIN, The expositor’s Bible commentary,
v. 5 p. 19.
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exemplo, enquanto a LXX acrescenta o título (“para [ou de] Davi”) em
textos como Salmo 33, 43, 71, 91, 93-99, 104 e 137, o TM não apresenta tais
sobrescritos. Já, o TM traz a expressão ¬:¬: nos Salmos 122 e 124, a qual está ausente
na LXX.
Essa diferença de tradições é usada por Artur Weiser para defender a adição
dos cabeçalhos contendo ¬:¬:, como um processo que começou no primeiro templo e
que se estendeu durante o período pós-exílico até o século III a.C.
6
Weiser argumenta
que a expressão, originalmente, era usada no culto do templo de Salomão, como uma
direção do uso do salmo na adoração pública “para Davi”, isto é, para a leitura pública
desempenhada pelos monarcas da dinastia davídica que desempenhavam o papel de seu
antecessor no culto e que eram recipientes das promessas feitas a Davi e da “graça da
realeza” (cf. “misericórdias de Davi” em Sl 18.50; 20.9; Jr 30.9, 21).
7
Com o passar dos
anos, no período pós-exílico, a expressão já não indicava mais uma direção de seu uso
cultual, mas sim, aqueles salmos cuja origem era datada do período cúltico real pré-
exílico. Assim, o termo era uma referência aos salmos da “tradição de Davi” do
primeiro templo.
8
Isso polemizava contra os samaritanos e validava Jerusalém como o
local de adoração do povo judeu.
9

O fato real, reconhecido até mesmo por críticos como Robert Alter, é que a
grande problemática repousa na definição do uso semântico da preposição :.
10
Este
termo hebraico pode ser traduzido de diversos modos como “para”, “de”, “concernente
a”, “em relação a” ou “dedicado a”.
11
As possibilidades de entendimento do termo
foram resumidas, razoavelmente, na obra de LaSor, Hubbard e Bush:
(1) “de autoria de Davi”, cuja musicalidade é bem atestada (1 Sm
16.17-23; 18.20; 1 Sm 1.17-27; 3.33s.; 23.1-7; Am 6.5); (2) “em favor
de Davi” (Sl 20, numa oração pelo rei davídico na véspera da batalha),

6
Artur WEISER, The Psalms: a commentary, p. 96-99.
7
Ibid, p. 96. Cf. Derek KIDNER, Salmos: introdução e comentário, p. 47-48.
8
Artur WEISER, The Psalms: a commentary, p. 96-98.
9
Ibid. p. 98-99.
10
Robert ALTER, “Salmos”. In: Robert ALTER, Frank KERMODE, Guia literário da Bíblia, p. 264.
11
F. BROWN, S. DRIVER, C. BRIGGS, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English lexicon, p. 510-
517. Willem A. VANGEMEREN, “Psalms”. In: Frank E. GAEBELEIN, The expositor’s Bible
commentary, v. 5, p. 19.
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ou (3) “pertencente a Davi”, parte de uma coleção real, talvez,
incluindo composições de Davi.
12

Além das possíveis compreensões assinaladas acima, pode-se acrescentar o
sentido de “dedicado a” Davi ou ao rei davídico (como a dedicação de um livro),
13
“ao
estilo de” ou “segundo o padrão” de Davi.
14
Claus Westermann observa que os salmos
davídicos contém, predominantemente, salmos pessoais, especialmente lamentos.
15

Não há espaço neste trabalho para a discussão sobre a credibilidade dos títulos
dos Salmos fomentada pela crítica bíblica.
16
Este autor parte do pressuposto de que eles
são historicamente confiáveis, não produto de escribas judeus de um período posterior
ao canônico.
17
A grande dificuldade recai sobre o sentido do termo do sobrescrito. Há
salmos com indicadores claros de que foram compostos durante a vida do rei (3, 7, 18,
34, 51, 52, 54, 56, 57, 59, 60, 63 e 142), não deixando dúvida quanto a sua autoria.
18

Todavia, isso significa que todos os salmos com a expressão ¬:¬: têm Davi como o seu
compositor? Alguns comentaristas defendem que sim,
19
mas este escritor não está
totalmente convencido do fato. As razões são as seguintes: (1) as várias possibilidades
do uso sintático da preposição :, como “de”, “para”, “com respeito a” “em favor de”;
20

(2) a similaridade de gattungen deste grupo de salmos, em que a maioria são lamentos
do indivíduo, pode indicar uma coleção de salmos conforme o estilo davídico, não
necessariamente que todos sejam de sua autoria (cf. Sl 3 - 7; 9; 11 – 13; 16 – 17; 35 –

12
William S. LASOR, David A. HUBBARD, Frederic W. BUSH, Introdução ao Antigo Testamento, p.
481.
13
Craig C. BROYLES, Psalms, p. 28.
14
Robert ALTER, Op. cit., p. 264; Carlos Osvaldo PINTO, Foco e desenvolvimento do Antigo
Testamento, p. 455.
15
Claus WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 214.
16
Ver James Luther MAYS, Psalms, p. 11-14; Craig C. BROYLES, Psalms, p. 29-31; Artur WEISER,
Op cit., p. 96-99.
17
Para uma argumentação e fundamentação completas e claras em prol da legitimidade e confiabilidade
dos sobrescritos dos Salmos, ver Gleason ARCHER, Merece confiança o antigo Testamento?, p. 390-
397; Carlos Osvaldo PINTO, Op. cit., p. 455; H. C. LEUPOLD, Expositions of the Psalms, p. 5-7.
18
Derek KIDNER, Salmos: introdução e comentário, p. 57-61; Carlos Osvaldo PINTO, :: ¬ : , p. 6;
Roland K. HARRISON, Introduction to the Old Testament. p. 977-978.
19
Thomas CONSTABLE, Notes on Psalms, p. 1-3; Willem A. VANGEMEREN, “Psalms”. In: Frank E.
GAEBELEIN, The expositor’s Bible commentary, v. 5, p. 33-34; Derek KIDNER, Salmos: introdução e
comentário, p. 46-48.
20
F. BROWN, S. DRIVER, C. BRIGGS, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English lexicon, p. 510-
517; J. W. GESENIUS, Hebrew and English lexicon of the Old Testament including the biblical Chaldee,
p. 322-323; _______________, Gesenius’ Hebrew grammar, p. 218, 278. É importante observar que
Gesenius, diferentemente do BDB, reconhece apenas a possibilidade do uso do genitivo autoral na
expressão ¬:¬: .
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36; 38 – 40; passim);
21
(3) há salmos que parecem ser uma oração em favor do rei, feita
por um de seus súditos (cf. Sl 20).
22

Portanto, a não ser que haja uma clara especificação histórica do próprio salmo
de que este fora escrito por Davi ou uma indicação neotestamentária da autoria davídica
(cf. Mc 12.36 com 110.1; At 4.24-25 com Sl 2.1-2; At 1.20 com Sl 69; At 2.25-28 com
Sl 16), não se pode argumentar com segurança que o importante músico e compositor
de Israel, Davi, é o autor dele, mesmo contendo a expressão ¬:¬:. Como R. K Harrison
argumenta, a expressão se deve, provavelmente, ao importante papel que o monarca
desempenhou para o desenvolvimento da poesia e musicalidade hebraica e,
possivelmente, indique que o salmo foi inspirado por Davi, escrito conforme o seu estilo
ou dedicado ao governante de Israel.
23

O Salmo 25 não possui tal referência histórica em seu sobrescrito nem uma
indicação de revelação posterior quanto a sua autoria. Vangemeren, Kidner e Leupold
assumem a autoria davídica para o salmo, devido às suas pressuposições de que a
expressão ¬:¬: é um genitivo autoral.
24
Já autores mais críticos, datam o salmo da época
do exílio
25
ou do final do reino de Judá e próxima da destruição de Jerusalém, como faz
Samuel L. Terrien. Ele vê o clamor final, no verso 22, para que Yahweh redima Israel
de suas tribulações, como um desejo semelhante ao do profeta Jeremias diante da agonia
do cerco babilônico e exílio (cf. Jr 31.11) e atribui o salmo a um autor de círculo
profético do início do século VI a.C.
26

A terminologia geral do salmo dificulta a indicação de um autor específico e
até a determinação de uma data própria. As sugestões tanto da autoria davídica quanto
de um escritor de qualquer outro período da história de Israel são plausíveis. Desde que
Davi foi o responsável pelo estabelecimento de levitas com a função de conduzir o povo
em sua adoração pública (cf. 1 Cr 6.31-37; 23.5; 25.1ss) e tal padrão fora mantido

21
Claus WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 214; F. BROWN, S. DRIVER, C.
BRIGGS, Op. cit., p. 513.
22
William S. LASOR, David A. HUBBARD, BUSH, Frederic W. BUSH, Introdução ao Antigo
Testamento, p. 481.
23
Ver a argumentação em Roland K. HARRISON, Op. cit., p. 982-983.
24
Willem A. VANGEMEREN, Op. cit., v. 5, p. 33-34, 226; Derek KIDNER, Salmos: introdução e
comentário, p. 46-48, 134; H. C. LEUPOLD, Expositions of the Psalms, p. 5-7, 223.
25
Craig C. BROYLES, Psalms, p. 133; James Luther MAYS, Psalms, p. 125.
26
Samuel L. TERRIEN, The Psalms: strophic structure and theological commentary, p. 257-258.
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mesmo em tempos pós-exílicos (cf. Ed 3.10-11; Ne 7.44),
27
a probabilidade é que o
autor tenha vivido dentro de tal espaço de tempo, não antes. Pois, apesar de ser um
lamento individual, ele visa o louvor comunitário, como as expressões plurais e
didáticas encontradas nos versos 3, 8-10, 12-14, além do rogo para que Deus redima
Israel de suas aflições, indicam. Um músico levita, como os da família de Asafe, Hemã
ou Jedutum, parece ser uma suposição provável para a autoria
28
tanto quanto o próprio
Davi.
2. O Sitz im Leben do Salmista e a Relação de sua Canção com o Culto
A situação de vida que marcou a escrita do Salmo 25 é difícil de delinear. A
maioria dos comentaristas concorda que a situação de pecado, inimigos e sofrimentos
são descritos de forma muito geral.
29
O salmista expressa este lamento ou oração de
confiança
30
num momento de tribulação real, causada pelos seus inimigos (cf. vv. 2-3,
17-19), durante o qual confia esperançosamente no cuidado e direção de Deus (vv. 4-5,
12-15, 20-21). Apesar de não relacionar, diretamente, as suas aflições com o pecado
pessoal, há uma forte sugestão de que o salmista percebe a disciplina divina por trás de
tal sofrimento e clama pelo perdão de Deus, com base em Sua compaixão e amor leal
(!yedfsAxáw hæwhºy !yemAxa r-rokºz - v. 6) e em Seu próprio caráter (!:mi$-}a(×am:l - v. 11).
O compositor do salmo não vê, todavia, a disciplina como motivo para o
desespero (vv. 3, 20), mas como uma oportunidade de ser guiado e instruído por
Yawheh,
31
pois mesmo com seus erros, ele teme ao Senhor (v. 12, 14), é humilde diante
dEle ({yiwænA( – v. 9) e guarda a Sua aliança e os Seus preceitos (wyftod"(ºw wotyi r:b y"r:cïn:l
- v. 10).
32

Além disso, é necessário atentar para o fato de que o salmo é a voz de um
indivíduo “cujas tribulações e esperanças são aquelas de todo o povo. Isto leva o

27
Roland K. HARRISON, Introduction to the Old Testament. p. 979.
28
Ibid. p. 83.
29
Ver James Luther MAYS, Psalms, p. 125-126; Willem A. VANGEMEREN, “Psalms”. In: Frank E.
GAEBELEIN, The expositor’s Bible commentary, v. 5, p. 226; Artur WEISER, The Psalms: a
commentary, p. 238; Derek KIDNER, Salmos: introdução e comentário, p. 134; H. C. LEUPOLD,
Expositions of the Psalms, p. 223.
30
Ver Claus WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 219.
31
Willem A. VANGEMEREN, “Psalms”. In: Frank E. GAEBELEIN, The expositor’s Bible commentary,
v. 5, p. 226.
32
Johannes SCHILDENBERGER, “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”, In: J.
SALVADOR, Atualidades Bíblicas, p. 214-219.
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indivíduo a orar em solidariedade com todo o povo e a congregação a orar na unidade
de uma identidade individual”.
33
Assim, o salmo fora composto, a fim de que a
esperança do salmista, em meio ao sofrimento, impelisse e reforçasse a confiança em
Yahweh de todos os que cumprem os Seus preceitos e aliança e O temem (vv. 10, 12).
A menção à herança da terra como dádiva divina reforça este aspecto mais amplo da
comunidade que o autor tem em vista (v. 13).
34
Como destacou VanGemeren: “As
adversidades, as quais o salmista detalha nos vv. 15-21, são de uma natureza tão geral
que funcionam como um lamento comunitário”.
35
Isso liga o salmo com o contexto
cúltico, como destacou Artur Weiser, ainda que não haja a necessidade de se postular o
seu uso num festival de renovação da aliança como ele o faz.
36
A observação de Craig
Broyles é pertinente e ressalta o uso cúltico do salmo:
A questão retórica, “Quem, pois, é o homem que teme ao SENHOR?”
(v. 12), possivelmente implique na presença de uma audiência durante
a execução do salmo. Porque combina tanto petição em favor do
orador individual quanto instrução a um grupo, ele pode funcionar
como representativo ou litúrgico.
37

Ao final do salmo, quando o escritor reivindica para Israel aquilo que pediu
para si mesmo (v. 22), ele transforma uma petição pessoal em hino para a congregação
inteira.
38
É provável que a escrita do salmo se dê num momento de tragédia nacional e
que a dor do salmista seja aquela experimentada por toda a nação, ou simultânea a ela.
O momento exato da história individual e nacional é impossível de se datar. A
menção aos pecados e transgressões da juventude (ya(f$:pU yarU(ºn tw)o=ax – v. 7)
sugere um autor em idade senil.
39
Talvez, um idoso rei Davi que sofria, juntamente com
a nação, por pecados passados e presentes, a disciplina divina.
40
Ou, quiçá, um profeta
levita que clama pela salvação divina, diante de momentos tempestuosos
experimentados em sua história pessoal e na história de Judá, durante o período pré-

33
James Luther MAYS, Psalms, p. 125.
34
Idem. Ibid.
35
Willem A. VANGEMEREN, Op. cit., p. 226.
36
Ver Artur WEISER, The Psalms: a commentary, p. 238.
37
Craig C. BROYLES, Psalms, p. 133.
38
Derek KIDNER, Salmos: introdução e comentário, p. 134.
39
Geoffrey GROGAN, Psalms, p. 77.
40
Eugene Merril data tanto a revolta de Absalão quanto o castigo do censo nos anos finais do reino de
Davi (Ver Eugene MERRIL, História de Israel no Antigo Testamento, p. 283-284, 289-290). Ainda
assim, relacionar estes eventos com o salmo é apenas uma sugestão especulativa deste escritor.
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exílico ou próximo à queda de Jerusalém.
41
Qualquer uma dessas possibilidades é
adequada, mas se constitui apenas em conjectura.
42

3. O Gattung do Salmo e sua Estrutura Literária
A análise da forma do Salmo 25 aponta para um Lamento do Indivíduo (LI),
43

ainda que um pouco desalinhado com a estrutura padrão.
44
Tal desalinhamento não
deve surpreender o exegeta, pois, “não há um único [salmo] idêntico ao outro. As partes
constituintes de um salmo variam na proporção em que cada um, dos aproximadamente
setenta lamentos pessoais, é uma produção individual”.
45

O lamento do Salmo 25 apresenta a seguinte estrutura:
1. O apelo inicial em que o salmista reconhece sua dependência de Yahweh e
roga para que o livre da vergonha diante de seus inimigos - vv. 1-3
2. Uma petição para que Yahweh conceda orientação e perdão de seus
pecados - vv. 4-7
3. A expressão de confiança de que Yahweh cuidará dele, protegerá e lhe
dará direção, pois o salmista é humilde, guarda a aliança e teme ao Senhor
– vv. 8-14
4. A petição final para que Deus olhe para a sua situação e o liberte de suas
tribulações, estendendo seu pedido a toda a nação (composto de duas
estrofes) – vv. 15-22
Diante do gattung acima apresentado, percebe-se que há uma ênfase na
expressão de confiança do indivíduo, enquanto o lamento propriamente dito, como uma
descrição mais extensa sobre a crise experimentada pelo salmista, não aparece no
texto.
46
Dentro da estrofe que contém a confissão de confiança (vv. 8-15), destaca-se a
influência sapiencial, característica dos salmos didáticos.
47
Tanto o destaque à instrução
e à orientação quanto ao “temor do senhor” revelam traços sapienciais (cf. Sl 19.9; 34.
7, 9, 11; 112).
48
Schöckel e Carniti destacam termos comuns da literatura de sabedoria

41
Terrien propõe a escrita do salmo no período próximo à queda de Jerusalém, c.a. 587 a.C. Ver Samuel
L. TERRIEN, The Psalms: strophic structure and theological commentary, p. 287-288.
42
Idem. Ibid.
43
Willem A. VANGEMEREN, “Psalms”. In: Frank E. GAEBELEIN, The expositor’s Bible commentary,
v. 5, p. 226. James Luther MAYS, Psalms, p. 125.
44
Ver Carlos Osvaldo PINTO, :: ¬ : , p. 21-23; William S. LASOR, David A. HUBBARD, Frederic W.
BUSH, Introdução ao Antigo Testamento, p. 473-474.
45
Claus WESTERMANN, Handbook to the Old Testament, p. 217.
46
Tal fato é perfeitamente compreensível como atesta Claus WESTERMANN, Handbook to the Old
Testament, p. 217.
47
Ver a explanação dos Salmos de Sabedoria em Carlos Osvaldo PINTO, ::¬: , p. 30.
48
Craig C. BROYLES, Psalms, p. 133.
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como o verbo no Hifil ¸¬¬ (“guiar”, “apontar”) e o substantivo ¸¬¬ (“caminho”,
“conduta”) (vv. 4, 5, 8, 9, 12), o termo paralelo ¬¬× (“vereda”) (vv. 4, 10), o verbo no
Piel ¬:: (“ensinar”) (vv. 4, 5, 9) e o Hifil de :¬ (vv. 4, 14).
49

O Salmo 25 está organizado de forma acróstica, na qual o alfabeto hebraico
forma o arcabouço estrutural do texto. Poucas irregularidades podem ser vistas na
seqüência alfabética como os versos 18 e 19 que começam ambos com a letra ¬, a
ausência das letras : e ;, e o último versículo começando com a letra c.
50
Tais traços
irregulares são comuns em salmos acrósticos, exceto no Salmo 119.
51
Na verdade,
algumas destas anomalias revelam relações literárias entre o Salmo 25 e 34, pois, ambos
não possuem o : e acrescentam o c ao final do texto, após o :. Tais traços literários,
além das mesmas características sapienciais (cf. 25.12-15 e 34.11-17) e ênfases em
termos idênticos (como a yi$:pán em 25.1 com 34.3; e os {yiwænA( em 25.9 com 34.2)
indicam que ambos formam um par literário singular.
52

O salmo em análise, também, apresenta muitos paralelismos sinônimos (e.g.
25.1-2a, 2b, 3, 4, 9, 14 et al) e sintéticos (e.g. 25.5b, 6, 8, 11, et al). Poucos paralelismos
antitéticos aparecem no texto (25.3, 7a).
Este escritor segue a proposta perspicaz de Terrien
53
e Schildenberger
54
que
dividem o salmo em cinco estrofes. Tal divisão encontra base no número simétrico de
dísticos/trísticos das estrofes, o qual não deve não deve ser acidental. As estrofes I (1-3)
e II (4-7) são refletidas em IV (15-18) e V (19-21), enquanto a estrofe III (9-14) se
subdivide em duas (8-10 e 12-14),
55
tendo o verso 11, a descrição do clamor pelo perdão
de Deus, como o centro da estrofe e do salmo todo.
56
As estrofes I e V possuem três
dísticos/trísticos, as II e IV têm quatro, enquanto as duas subestrofes da III possuem três
cada uma.

49
Luis Alonso SCHÖKEL, Cecília CARNITI, Salmos: tradução, introdução e comentário. p. 399.
50
Consultar o texto em K. ELLINGER, W. RUDOLPH. Biblia Hebraica Stuttgartensia.
51
Geoffrey GROGAN, Psalms, p. 30.
52
Les D. MALONEY, “Intertextual links: part of the poetic artistry within the book 1 acrostic psalms”. In:
Restoration Quarterly, v.49, no. 1, 2007, p. 17-18.
53
Samuel L. TERRIEN, The Psalms: strophic structure and theological commentary, p. 253.
54
Johannes SCHILDENBERGER, “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”, In: J.
SALVADOR, Atualidades Bíblicas, p. 214-218.
55
Samuel L. TERRIEN, The Psalms: strophic structure and theological commentary, p. 253.
56
Johannes SCHILDENBERGER, “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”, In: J.
SALVADOR, Atualidades Bíblicas, p. 216.
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A invocação final do verso 22 em prol da nação israelita se coaduna
perfeitamente com outras expressões comunitárias do salmo (“todo o que espera em ti”
– v. 3; “pecadores” – v. 8; “humildes” – v. 9; “o homem que teme Yahweh”), e por isto
deve ser parte integrante do texto. Ela liga o rogo e confiança individuais do salmista
em Yahweh como perdoador, orientador e protetor ao rogo e confiança que se espera de
toda a nação neste mesmo Deus.
57

Uma proposta de esboço exegético sobre tal estrutura literária segue abaixo:
I. Apelo Inicial: O salmista expressa sua confiança em Yahweh e clama por
livramento dos inimigos como alguém que espera em Deus (vv. 1-3).
II. Petição: O salmista roga por orientação e instrução na lei de Yahweh e
pelo perdão de seus pecados em apelo à fidelidade e amor leal divinos
(vv. 4-7).
III. A expressão de Confiança: O salmista reconhece que Yahweh é um Guia
Fiel e Gracioso que orienta pecadores humildes e tementes a Deus pelos
Seus justos caminhos, lhes concede prosperidade e permanência na terra
Prometida e um relacionamento íntimo com Ele, portanto, suplica pelo
perdão divino como um pecador desejoso de Sua comunhão e orientação
(vv. 8-14).
IV. Petição Final (Parte 1): Em meio às aflições e sofrimentos crescentes, o
salmista clama, continuamente, pela libertação e perdão de Yahweh (vv.
15-18).
V. Petição Final (Parte 2): Em meio à oposição crescente e ódio intenso, o
salmista se apega à sua íntegra retidão e confiança em Yahweh, a fim de
pedir a Deus que o salve de seus inimigos bem como resgate Israel de
suas aflições (vv. 19-22).



57
James Luther MAYS, Psalms, p. 125-126; Johannes SCHILDENBERGER, Op. cit. 218.

Jr 30. S. 264.8 Isso polemizava contra os samaritanos e validava Jerusalém como o local de adoração do povo judeu. Frank KERMODE.9.10 Este termo hebraico pode ser traduzido de diversos modos como “para”. 10 Robert ALTER. 8 Artur WEISER. 21). p. Am 6. 20. p. 71. The Psalms: a commentary. In: Frank E.© Biblica et Exegetica 2011 exemplo. In: Robert ALTER. p. 1 Sm 1. GAEBELEIN. 98-99.33s. (2) “em favor de Davi” (Sl 20.C. “de”. BROWN. “Salmos”. v. numa oração pelo rei davídico na véspera da batalha). p. The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English lexicon. p. 6 7 . Derek KIDNER. como um processo que começou no primeiro templo e que se estendeu durante o período pós-exílico até o século III a. mas sim. Artur WEISER. 11 F. no período pós-exílico. para a leitura pública desempenhada pelos monarcas da dinastia davídica que desempenhavam o papel de seu antecessor no culto e que eram recipientes das promessas feitas a Davi e da “graça da realeza” (cf. Willem A.6 Weiser argumenta que a expressão. “em relação a” ou “dedicado a”. 43. 23.. 96. 18.1-7. 510517. DRIVER. é que a grande problemática repousa na definição do uso semântico da preposição . Guia literário da Bíblia. a expressão já não indicava mais uma direção de seu uso cultual. razoavelmente.9 O fato real. como uma direção do uso do salmo na adoração pública “para Davi”. “concernente a”. originalmente. 93-99. reconhecido até mesmo por críticos como Robert Alter. 91. C. o termo era uma referência aos salmos da “tradição de Davi” do primeiro templo. 5. 9 Ibid. The Psalms: a commentary.17-23. isto é. aqueles salmos cuja origem era datada do período cúltico real préexílico. BRIGGS. Já. Cf.17-27. Essa diferença de tradições é usada por Artur Weiser para defender a adição dos cabeçalhos contendo . Assim. Ibid. 47-48. Hubbard e Bush: (1) “de autoria de Davi”. Salmos: introdução e comentário.20.9. “misericórdias de Davi” em Sl 18.11 As possibilidades de entendimento do termo foram resumidas. 96-99. p. 19. The expositor’s Bible commentary.7 Com o passar dos anos. era usada no culto do templo de Salomão. a qual está ausente na LXX. 104 e 137.50. 96-98. na obra de LaSor.5). p. enquanto a LXX acrescenta o título (“para [ou de] Davi”) em textos como Salmo 33. “Psalms”. o TM traz a expressão  nos Salmos 122 e 124. o TM não apresenta tais sobrescritos. cuja musicalidade é bem atestada (1 Sm 16. VANGEMEREN. p. 3.

11-14.15 Não há espaço neste trabalho para a discussão sobre a credibilidade dos títulos dos Salmos fomentada pela crítica bíblica. 59. Salmos: introdução e comentário. 481. GESENIUS. 455. predominantemente. como “de”. Notes on Psalms. C. 17 A grande dificuldade recai sobre o sentido do termo do sobrescrito. p. 18. cit. p. 54. p. C. Op. Gesenius’ Hebrew grammar. 5. p. 20 F. 6.13 “ao estilo de” ou “segundo o padrão” de Davi. p.7. 29-31. Salmos: introdução e comentário. Introdução ao Antigo Testamento. Carlos Osvaldo PINTO. 7. Craig C. DRIVER. GAEBELEIN. parte de uma coleção real.12 Além das possíveis compreensões assinaladas acima. p. Willem A. 16 Ver James Luther MAYS. _______________. p. isso significa que todos os salmos com a expressão  têm Davi como o seu compositor? Alguns comentaristas defendem que sim. J. 56. 214. 390397. LASOR. David A. Psalms. 34. 510517. “para”. 51. 57-61. Há salmos com indicadores claros de que foram compostos durante a vida do rei (3. . HARRISON. p. 60. 28. 17 Para uma argumentação e fundamentação completas e claras em prol da legitimidade e confiabilidade dos sobrescritos dos Salmos. “com respeito a” “em favor de”. incluindo composições de Davi. BROYLES. pode-se acrescentar o sentido de “dedicado a” Davi ou ao rei davídico (como a dedicação de um livro). Artur WEISER. p. 33-34. p. Sl 3 . 455.14 Claus Westermann observa que os salmos davídicos contém. não deixando dúvida quanto a sua autoria. 15 Claus WESTERMANN. 322-323. 14 Robert ALTER. Expositions of the Psalms.. BUSH. W.. BROWN. p.20 (2) a similaridade de gattungen deste grupo de salmos.  12 . Op. 264. BROYLES. não necessariamente que todos sejam de sua autoria (cf. pode indicar uma coleção de salmos conforme o estilo davídico. diferentemente do BDB. v. The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English lexicon. 11 – 13. reconhece apenas a possibilidade do uso do genitivo autoral na expressão . 218. 52. Foco e desenvolvimento do Antigo Testamento. p. cit. Frederic W. Hebrew and English lexicon of the Old Testament including the biblical Chaldee. Merece confiança o antigo Testamento?. Psalms. VANGEMEREN. 278. p. “Psalms”. não produto de escribas judeus de um período posterior ao canônico. 96-99. In: Frank E. em que a maioria são lamentos do indivíduo. 35 – William S. BRIGGS. p. 1-3. Handbook to the Old Testament. 5-7. The expositor’s Bible commentary. Carlos Osvaldo PINTO.18 Todavia.16 Este autor parte do pressuposto de que eles são historicamente confiáveis. 19 Thomas CONSTABLE. LEUPOLD. Introduction to the Old Testament. 16 – 17.19 mas este escritor não está totalmente convencido do fato. salmos pessoais.© Biblica et Exegetica 2011 ou (3) “pertencente a Davi”. talvez. p. 18 Derek KIDNER. 63 e 142). 13 Craig C. 977-978. p. É importante observar que Gesenius. As razões são as seguintes: (1) as várias possibilidades do uso sintático da preposição . 9. H. Carlos Osvaldo PINTO. Psalms. HUBBARD. p. especialmente lamentos. p.   Roland K. S. p. Derek KIDNER.. 46-48. 57. ver Gleason ARCHER. p. Op cit.

133. Sl 20). TERRIEN. VANGEMEREN. 226.1. como um desejo semelhante ao do profeta Jeremias diante da agonia do cerco babilônico e exílio (cf. p. Jr 31.21 (3) há salmos que parecem ser uma oração em favor do rei. Como R. cit. 982-983. BROYLES. LASOR. devido às suas pressuposições de que a expressão  é um genitivo autoral. C. p.1-2.24 Já autores mais críticos. 25 Craig C. 223. DRIVER.25-28 com Sl 16). As sugestões tanto da autoria davídica quanto de um escritor de qualquer outro período da história de Israel são plausíveis. Desde que Davi foi o responsável pelo estabelecimento de levitas com a função de conduzir o povo em sua adoração pública (cf. feita por um de seus súditos (cf. David A. HARRISON. S. 23. a não ser que haja uma clara especificação histórica do próprio salmo de que este fora escrito por Davi ou uma indicação neotestamentária da autoria davídica (cf. 257-258. HUBBARD.© Biblica et Exegetica 2011 36.. C. v. 513. 22 William S. 134. não se pode argumentar com segurança que o importante músico e compositor de Israel. BROWN. Terrien. 21 . BUSH. Psalms.36 com 110. Vangemeren. p. 38 – 40. cit. The Psalms: strophic structure and theological commentary. p. 5. At 1. datam o salmo da época do exílio25 ou do final do reino de Judá e próxima da destruição de Jerusalém. Mc 12. Davi. Op.24-25 com Sl 2. Op. provavelmente. 24 Willem A. K Harrison argumenta. Frederic W. p. 26 Samuel L.31-37. passim). a expressão se deve. p. escrito conforme o seu estilo ou dedicado ao governante de Israel. 5-7. Kidner e Leupold assumem a autoria davídica para o salmo.1ss) e tal padrão fora mantido Claus WESTERMANN. é o autor dele. Introdução ao Antigo Testamento. Handbook to the Old Testament. F. para que Yahweh redima Israel de suas tribulações. At 2. BRIGGS.22 Portanto. p. possivelmente. At 4.. p. H.20 com Sl 69. 214. 1 Cr 6. p. 125. ao importante papel que o monarca desempenhou para o desenvolvimento da poesia e musicalidade hebraica e.26 A terminologia geral do salmo dificulta a indicação de um autor específico e até a determinação de uma data própria. 23 Ver a argumentação em Roland K. 481. no verso 22. cit. James Luther MAYS. Ele vê o clamor final.5. como faz Samuel L. 25. Expositions of the Psalms.11) e atribui o salmo a um autor de círculo profético do início do século VI a. Derek KIDNER. 33-34.23 O Salmo 25 não possui tal referência histórica em seu sobrescrito nem uma indicação de revelação posterior quanto a sua autoria. Salmos: introdução e comentário. 46-48. mesmo contendo a expressão . LEUPOLD. indique que o salmo foi inspirado por Davi.. Psalms. p. BUSH.C. Op.

Apesar de não relacionar. Hemã ou Jedutum. Um músico levita. 4-5. Isto leva o Roland K. 226.31 pois mesmo com seus erros. “Psalms”. 27 28 . a disciplina como motivo para o desespero (vv. 6) e em Seu próprio caráter (!:mi$-}a(×am:l . p. 2-3. 3. vv. 12-14. v. parece ser uma suposição provável para a autoria28 tanto quanto o próprio Davi. 20-21). 14). como as expressões plurais e didáticas encontradas nos versos 3. LEUPOLD. H. O Sitz im Leben do Salmista e a Relação de sua Canção com o Culto A situação de vida que marcou a escrita do Salmo 25 é difícil de delinear. In: Frank E. Handbook to the Old Testament. Salmos: introdução e comentário. 226. 31 Willem A.v. 30 Ver Claus WESTERMANN. 214-219. 238. C. A maioria dos comentaristas concorda que a situação de pecado. Psalms. causada pelos seus inimigos (cf.32 Além disso.© Biblica et Exegetica 2011 mesmo em tempos pós-exílicos (cf. as suas aflições com o pecado pessoal.v. além do rogo para que Deus redima Israel de suas aflições. 223. como os da família de Asafe. VANGEMEREN.v. não antes. 17-19). Ibid. Expositions of the Psalms. v. p. durante o qual confia esperançosamente no cuidado e direção de Deus (vv. p. 5. indicam. 10). 219. inimigos e sofrimentos são descritos de forma muito geral. p. 12. mas como uma oportunidade de ser guiado e instruído por Yawheh. GAEBELEIN. Derek KIDNER. 979. 8-10. Pois. 125-126.29 O salmista expressa este lamento ou oração de confiança30 num momento de tribulação real.10-11. p. The expositor’s Bible commentary. 12-15. 32 Johannes SCHILDENBERGER. 11). 5. Ed 3. p. 134. todavia. é humilde diante dEle ({yiwænA( – v. p. Ne 7. SALVADOR.27 a probabilidade é que o autor tenha vivido dentro de tal espaço de tempo. The Psalms: a commentary. 2. In: Frank E. p. é necessário atentar para o fato de que o salmo é a voz de um indivíduo “cujas tribulações e esperanças são aquelas de todo o povo. p. 20). “Psalms”. com base em Sua compaixão e amor leal (!yedfsAxáw hæwhºy !yemAxr-rokºz . 83. a O compositor do salmo não vê. ele visa o louvor comunitário. “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”. ele teme ao Senhor (v. há uma forte sugestão de que o salmista percebe a disciplina divina por trás de tal sofrimento e clama pelo perdão de Deus. The expositor’s Bible commentary.44). Willem A. HARRISON. Atualidades Bíblicas. p. Artur WEISER. 9) e guarda a Sua aliança e os Seus preceitos (wyftod"(ºw wotyir:b y"r:cïn:l . Introduction to the Old Testament. GAEBELEIN. diretamente. 29 Ver James Luther MAYS. In: J. apesar de ser um lamento individual. VANGEMEREN.

Porque combina tanto petição em favor do orador individual quanto instrução a um grupo. BROYLES. 35 Willem A. como destacou Artur Weiser.37 Ao final do salmo. impelisse e reforçasse a confiança em Yahweh de todos os que cumprem os Seus preceitos e aliança e O temem (vv. 33 34 . 36 Ver Artur WEISER. 125. 12). a fim de que a esperança do salmista. p. diante de momentos tempestuosos experimentados em sua história pessoal e na história de Judá. 13). 39 Geoffrey GROGAN. 133. ele transforma uma petição pessoal em hino para a congregação inteira. p. VANGEMEREN. The Psalms: a commentary. A menção aos pecados e transgressões da juventude (ya(f$:pU yarU(ºn tw)o=ax – v. Salmos: introdução e comentário. A menção à herança da terra como dádiva divina reforça este aspecto mais amplo da comunidade que o autor tem em vista (v. p. cit. 36 A observação de Craig Broyles é pertinente e ressalta o uso cúltico do salmo: A questão retórica. relacionar estes eventos com o salmo é apenas uma sugestão especulativa deste escritor. 238. Op. o salmo fora composto.40 Ou. um idoso rei Davi que sofria. 40 Eugene Merril data tanto a revolta de Absalão quanto o castigo do censo nos anos finais do reino de Davi (Ver Eugene MERRIL. ele pode funcionar como representativo ou litúrgico. a disciplina divina. 77. 12). p. Psalms. Ainda assim. são de uma natureza tão geral que funcionam como um lamento comunitário”. juntamente com a nação. 10. Psalms. O momento exato da história individual e nacional é impossível de se datar. História de Israel no Antigo Testamento. ainda que não haja a necessidade de se postular o seu uso num festival de renovação da aliança como ele o faz.35 Isso liga o salmo com o contexto cúltico. as quais o salmista detalha nos vv. pois.34 Como destacou VanGemeren: “As adversidades. 22). um profeta levita que clama pela salvação divina.39 Talvez.© Biblica et Exegetica 2011 indivíduo a orar em solidariedade com todo o povo e a congregação a orar na unidade de uma identidade individual”. 38 Derek KIDNER. em meio ao sofrimento. 226. 15-21.33 Assim. 134. por pecados passados e presentes. Ibid. p. p. durante o período pré- James Luther MAYS. 37 Craig C. quando o escritor reivindica para Israel aquilo que pediu para si mesmo (v. Psalms. p. quiçá..38 É provável que a escrita do salmo se dê num momento de tragédia nacional e que a dor do salmista seja aquela experimentada por toda a nação. 7) sugere um autor em idade senil. possivelmente implique na presença de uma audiência durante a execução do salmo. é o homem que teme ao SENHOR?” (v. “Quem. 289-290). 283-284. Idem. ou simultânea a ela.

34. Sl 19. percebe-se que há uma ênfase na expressão de confiança do indivíduo. 5. David A. Frederic W. p. p.46 Dentro da estrofe que contém a confissão de confiança (vv. Psalms.  48 Craig C. 46 Tal fato é perfeitamente compreensível como atesta Claus WESTERMANN. não aparece no texto. 21-23. The Psalms: strophic structure and theological commentary. 217. In: Frank E. 4-7 3. 42 Idem. Ibid. pois o salmista é humilde. GAEBELEIN. p.44 Tal desalinhamento não deve surpreender o exegeta. enquanto o lamento propriamente dito. 45 Claus WESTERMANN. 11. TERRIEN. 1-3 2. mas se constitui apenas em conjectura. 30. 9. Introdução ao Antigo Testamento. característica dos salmos didáticos. BROYLES. 47 Ver a explanação dos Salmos de Sabedoria em Carlos Osvaldo PINTO.vv.   BUSH. p. VANGEMEREN.C. Uma petição para que Yahweh conceda orientação e perdão de seus pecados . 8-14 4. v. Psalms. 43 Willem A. 287-288. 226.48 Schöckel e Carniti destacam termos comuns da literatura de sabedoria Terrien propõe a escrita do salmo no período próximo à queda de Jerusalém. p.vv. 587 a. The expositor’s Bible commentary. James Luther MAYS. 112). 44 Ver Carlos Osvaldo PINTO. Handbook to the Old Testament. p. 217. LASOR. “Psalms”.47 Tanto o destaque à instrução e à orientação quanto ao “temor do senhor” revelam traços sapienciais (cf. 15-22 Diante do gattung acima apresentado. guarda a aliança e teme ao Senhor – vv. 7.41 Qualquer uma dessas possibilidades é adequada. dos aproximadamente setenta lamentos pessoais. . William S.43 ainda que um pouco desalinhado com a estrutura padrão. 8-15). estendendo seu pedido a toda a nação (composto de duas estrofes) – vv. protegerá e lhe dará direção. As partes constituintes de um salmo variam na proporção em que cada um. 133. p.42 3. O Gattung do Salmo e sua Estrutura Literária A análise da forma do Salmo 25 aponta para um Lamento do Indivíduo (LI). pois. Ver Samuel L. A petição final para que Deus olhe para a sua situação e o liberte de suas tribulações. 473-474. 125. 41 . HUBBARD. Handbook to the Old Testament.© Biblica et Exegetica 2011 exílico ou próximo à queda de Jerusalém. O apelo inicial em que o salmista reconhece sua dependência de Yahweh e roga para que o livre da vergonha diante de seus inimigos . A expressão de confiança de que Yahweh cuidará dele.9. p. p. destaca-se a influência sapiencial. é uma produção individual”.45 O lamento do Salmo 25 apresenta a seguinte estrutura: 1. como uma descrição mais extensa sobre a crise experimentada pelo salmista. . c. “não há um único [salmo] idêntico ao outro.a.

“Intertextual links: part of the poetic artistry within the book 1 acrostic psalms”. Tal divisão encontra base no número simétrico de dísticos/trísticos das estrofes. p. Atualidades Bíblicas. o verbo no Piel (“ensinar”) (vv. no. TERRIEN. TERRIEN. p. 399. 10). In: Restoration Quarterly. o qual não deve não deve ser acidental. RUDOLPH.2) indicam que ambos formam um par literário singular. 216. Psalms. As estrofes I (1-3) e II (4-7) são refletidas em IV (15-18) e V (19-21). 4.g. “apontar”) e o substantivo  (“caminho”. 8. SALVADOR. “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”. além das mesmas características sapienciais (cf. 11.49 O Salmo 25 está organizado de forma acróstica. W. enquanto a estrofe III (9-14) se subdivide em duas (8-10 e 12-14). 4. 56 Johannes SCHILDENBERGER. 2007. 51 Geoffrey GROGAN. Luis Alonso SCHÖKEL. Biblia Hebraica Stuttgartensia.5b. 6. na qual o alfabeto hebraico forma o arcabouço estrutural do texto. In: J. v.3. SALVADOR. 53 Samuel L. “A estrutura temática e estrófica dos Salmos Alfabéticos”. 9) e o Hifil de  (vv. e o último versículo começando com a letra .1-2a. 12). algumas destas anomalias revelam relações literárias entre o Salmo 25 e 34. “conduta”) (vv. introdução e comentário. 25.55 tendo o verso 11. 253. as II e IV têm quatro.© Biblica et Exegetica 2011 como o verbo no Hifil (“guiar”. 14 et al) e sintéticos (e. Salmos: tradução. 3. p. 2b. p. apresenta muitos paralelismos sinônimos (e. 4. 4. a ausência das letras  e . The Psalms: strophic structure and theological commentary. 49 50 .51 Na verdade. ELLINGER. Cecília CARNITI. 17-18. 7a). 9. Poucos paralelismos antitéticos aparecem no texto (25. 52Les D. e os {yiwænA( em 25. 25. MALONEY. 1. 214-218. Consultar o texto em K. The Psalms: strophic structure and theological commentary. Atualidades Bíblicas.g. 5.49. 14). 4. 8. enquanto as duas subestrofes da III possuem três cada uma. 30. Poucas irregularidades podem ser vistas na seqüência alfabética como os versos 18 e 19 que começam ambos com a letra .9 com 34. In: J.56 As estrofes I e V possuem três dísticos/trísticos. Este escritor segue a proposta perspicaz de Terrien53 e Schildenberger54 que dividem o salmo em cinco estrofes.11-17) e ênfases em termos idênticos (como a yi$:pán em 25. p. p. 253. após o . Tais traços literários. 54 Johannes SCHILDENBERGER.1 com 34. ambos não possuem o  e acrescentam o  ao final do texto. pois. como o centro da estrofe e do salmo todo.3.52 O salmo em análise. 9. 55 Samuel L. et al).50 Tais traços irregulares são comuns em salmos acrósticos. 5. a descrição do clamor pelo perdão de Deus.12-15 e 34. p. 25. também. exceto no Salmo 119. o termo paralelo  (“vereda”) (vv.

19-22). Petição: O salmista roga por orientação e instrução na lei de Yahweh e pelo perdão de seus pecados em apelo à fidelidade e amor leal divinos (vv. “humildes” – v. 3. . continuamente. “pecadores” – v. 4-7). orientador e protetor ao rogo e confiança que se espera de toda a nação neste mesmo Deus. V.© Biblica et Exegetica 2011 A invocação final do verso 22 em prol da nação israelita se coaduna perfeitamente com outras expressões comunitárias do salmo (“todo o que espera em ti” – v. Petição Final (Parte 2): Em meio à oposição crescente e ódio intenso. 9. a fim de pedir a Deus que o salve de seus inimigos bem como resgate Israel de suas aflições (vv. 1-3). III. 125-126. Petição Final (Parte 1): Em meio às aflições e sofrimentos crescentes. II. o salmista se apega à sua íntegra retidão e confiança em Yahweh. cit. Apelo Inicial: O salmista expressa sua confiança em Yahweh e clama por livramento dos inimigos como alguém que espera em Deus (vv. Johannes SCHILDENBERGER. 15-18). portanto. Op. 8-14). 57 James Luther MAYS. lhes concede prosperidade e permanência na terra Prometida e um relacionamento íntimo com Ele. pela libertação e perdão de Yahweh (vv. “o homem que teme Yahweh”). 218. o salmista clama. 8. Psalms. IV.57 Uma proposta de esboço exegético sobre tal estrutura literária segue abaixo: I. e por isto deve ser parte integrante do texto. suplica pelo perdão divino como um pecador desejoso de Sua comunhão e orientação (vv. A expressão de Confiança: O salmista reconhece que Yahweh é um Guia Fiel e Gracioso que orienta pecadores humildes e tementes a Deus pelos Seus justos caminhos. Ela liga o rogo e confiança individuais do salmista em Yahweh como perdoador. p.

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