CURSO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO

PROFESSOR: ALEXANDRE MARTINEZ

APOSTILA: PREVENÇÃO DE ACIDENTES

2009

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1.ACIDENTES: CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO
1.1 QUAL A DIFERENÇA ENTRE ACIDENTE E INCIDENTE Acidente é um evento não programado nem planejado, portanto indesejável, que resulta em perda de tempo, lesão, doença ou morte do indivíduo ou causa algum dano a propriedade. Para melhor entendermos a diferença entre acidente e incidente, apresentamos a seguir três situações representativas: 1) Na primeira, um operário estava transportando manualmente uma caixa contendo certo produto: em dado momento, deixa cair a caixa. Não houve perda material, ou seja a caixa não se danificou, nem o operário foi lesionado. Apenas ocorreu perda de tempo neste caso temos somente um incidente. 2) Na segunda, na queda da caixa esta se danificou, porém não ocasionou lesão no operário, portanto é um exemplo de acidente, pois houve além da perda de tempo um dano a propriedade, já que ocorreu perda de material. 3) A última situação é quando a queda da caixa provocou a lesão no homem e a perda do material, neste caso, também temos um acidente, já que além da perda de tempo houve danos ao operário e a propriedade. É claro que a vida e saúde humana têm mais valor que as perdas materiais, daí serem considerados como mais importantes os acidentes com lesão. Por exemplo: se a caixa ao cair atingir pé da pessoa que a estava carregando, provocando sua queda e causando - lhe uma lesão, terá um acidente mais grave, porque, além da perda de material, houve dano físico.

1.2 ACIDENTE DE TRABALHO: CONCEITO LEGAL E PREVENCIONISTA De acordo com o conceito legal acidente do trabalho é todo aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho, a serviço da empresa, provocando lesão corporal, perturbação funcional ou doença, que cause morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.” Equiparam-se ao acidente de trabalho: • O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para a redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para sua recuperação;

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• O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em conseqüência de: a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho; b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho; c) ato de imprudência (excesso de confiança), de negligência (falta de atenção) ou de imperícia (inabilitação) de terceiro ou de companheiro de trabalho; d) ato de pessoa privada do uso da razão, por exemplo, o louco; e e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos (quedas de raios) ou decorrentes de força maior (enchentes); • Doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade: Exemplo: A AIDS adquirida por profissional de saúde ao manipular instrumento com sangue ou outro produto derivado contaminado. • O acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa; b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito; c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhorar capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado; e d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado; e)Nos períodos destinados à refeição ou ao descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho. Entende-se como percurso o trajeto da residência ou do local de refeição para o trabalho ou destes para aqueles, independentemente do meio de locomoção, sem alteração ou interrupção por motivo pessoal do percurso do segurado. Não havendo limite de prazo estipulado para que o segurado atinja o local de residência, refeição e do trabalho, deve ser observado o tempo necessário compatível com a distância percorida e o meio de locomoção utilizado. Será considerado agravamento de acidente do trabalho aquele sofrido pelo acidentado quando estiver sob a responsabilidade do setor de reabilitação profissional.

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Não será considerado agravamento ou complicação de acidente do trabalho a lesão que, resultante de outra origem, se associe ou se superponha às consequências do acidente anterior. Será também, considerado acidente do trabalho, quando expressamente constar do contrato de trabalho que o empregado deverá participar de atividades esportivas no decurso da jornada de trabalho, o infortúnio ocorrido durante estas atividades será considerado como acidente do trabalho. Considera-se também acidente de trabalho as doenças decorrentes do trabalho que são: as doenças ocupacionais ou profissionais ou as doenças do trabalho. A doença ocupacional ou profissional é a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade. Podemos citar como exemplo de doença ocupacional ou profissional, aquela adquirida no trabalho com manipulação de areia, sem a devida proteção, pode levar ao aparecimento de uma doença chamada silicose. A própria atividade laborativa basta para comprovar a relação de causa e efeito entre trabalho e doença. Já a Doença do Trabalho é a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. Um exemplo clássico de Doença do Trabalho é a do trabalho em ambientes com muito ruído que sem a proteção recomendada pode levar ao aparecimento de uma surdez. Neste caso, necesita-se comprovar a relaçao de causa e efeito entre o trabalho e a doença. Não são consideradas como doenças do trabalho: • a doença degenerativa = diabetes; • a inerente a grupo etário = o reumatismo; • a que não produza incapacidade laborativa = a miopia; e • a doença endêmica, a exemplo da malária, adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.

A propósito da conceituação legal do acidente de trabalho, contida na definição transcrita, cabe tecer algumas considerações: • O acidente deve ser apreciado em relação tão somente a pessoa. Daí resulta, desde logo, que as únicas conseqüências indenizáveis dos acidentes são as respeitantes à lesão do corpo ou a saúde (doença);

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Acidente do trabalho é todo aquele resultante do exercício do trabalho, isto é, cuja ocorrência se verifique na execução do trabalho, ou enquanto o empregado é considerado no seu desempenho, ainda que, em certos casos, fora do respectivo lugar e horário (como prevê o Art. 2 da Lei de Acidentes); Na definição adotada pela Lei de Acidentes, ganha o acidente um sentido amplo, lato, abrangendo também as chamadas moléstias profissionais. Equiparou a Leipor uma questão de técnica legislativa- o acidente do trabalho às moléstias profissionais, para fins de reparação do dano sofrido pelo trabalhador.

Em caso de doença profissional ou do trabalho, será considerado dia do acidente, a data de início da incapacidade laborativa para exercício da atividade habitual ou o dia em que for realizado o diagnóstico, cabendo para este efeito o que ocorrer primeiro. Como já vimos, a legislação brasileira define acidente do trabalho como todo aquele decorrente do exercício do trabalho e que provoca, direta ou indiretamente, lesão, perturbação funcional ou doença. Pela lei brasileira, o acidente é confundido com o prejuízo físico pelo trabalhador (lesão, perturbação funcional ou doença). Do ponto de vista prevencionista, entretanto, essa definição não é satisfatória, pois o acidente é definido de suas conseqüências sobre o homem, ou seja, as lesões, perturbações ou doenças. O conceito prevencionista de acidente do trabalho é muito mais amplo. Para os profissionais de segurança a amplitude do mesmo vem de encontro à ação prevencionista. Portanto neste conceito acidente de trabalho é qualquer ocorrência não programada, inesperada, que interfere ou interrompe o processo normal de uma atividade, trazendo como conseqüência isolada ou simultaneamente, a perda de tempo, o dano material ou lesões ao homem. No conceito legal, ao legislador interessou, definir o acidente com a finalidade de proteger o trabalhador acidentado, através de uma compensação financeira, garantindo-lhe o pagamento de diárias enquanto estiver impossibilitado de trabalhar em decorrência do acidente, ou de indenização, se tiver sofrido incapacidadee permanente. Nota–se por aí que o acidente só ocorre se dele resultar um ferimento. Mas devemos lembrar que o ferimento é apenas uma das conseqüências do acidente. A definição prevencionista nos alerta que o acidente pode ocorrer sem provocar lesões pessoais. A experiência demonstra que para cada grupo de 330 acidentes de um mesmo tipo, 300 vezes não ocorre lesão nos trabalhadores, enquanto que em apenas 30 casos resultam danos à integridade física do homem. Em todos os casos, porém, haverá prejuízo à produção e, sob os aspectos de proteção ao homem, resulta serem igualmente importantes todos os acidentes, em virtude de não se poder prever quando um acidente vai resultar, ou não, lesão no trabalhador. Em 1931, H.W. Henrich, que pertencia a uma compahia de seguros dos Estados Unidos, publicou um estudo onde descreveu as proporções entre os tipos de acidentes. Os resultados da pesquisa de Henrich, são apresentados na pirâmide abaixo:

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Em 1966, frank E. Bird Junior, publicou resultados de seu estudo junto a Companhia siderúgicas Luckens Stell, com mais de 5.000 trabalhadores, situados na Filadélfia, onde analisou 90.000 acidentes ocorridos na empresa durante os sete anos anteriores. Os resultados obtidos por Bird são apresentados na Pirâmide abaixo:

Em 1969, a Insurance Company of North America, publicou um estudo, realizado sob o comando de Frank E. Bird Jr., então diretor de segurança, que consistia de um resumo, com fundamentos estatísticos, da análise de 1.753.498 ocorrências obtidas do levantamento de 297 empresas que empregavam 1.750.000 pessoas. Este estudo, além de contar com dados mais precisos e representativos que os obtidos anteriormente por Bird, introduzi também, nas estatísticas, os números relacionados aos “quase acidentes”, ou seja os incidentes. Os resultados deste estudo são apresentados a seguir:

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2. CAUSAS DOS ACIDENTES A lesão, caso exista, é o ponto de partida para descobrir o tipo de acidente ocorrido, já que é uma das conseqüências do acidente que é precedida de uma ocorrência ou de uma causa. Na prática prevencionista, causa de acidente é qualquer fator que, se removido a tempo, teria evitado o acidente. Os acidentes são evitáveis. Não acontecem por acaso. É uma seqüência de erros. Eles são causados, e portanto passíveis de prevenção através da eliminação oportuna de suas causas. Estas podem decorrer de fatores pessoais, dependentes do homem ou de fatores materiais decorrentes das condições existentes nos locais de trabalho.

CAUSA PESSOAL DE INSEGURANÇA ou FATOR PESSOAL É a causa relativa ao comportamento humano, que leva à prática do ato inseguro. É a característica mental ou física que ocasiona o ato inseguro e que em muitos casos também criam condições inseguras ou permitem que elas continuem existindo. Os fatores pessoais predominantes são: atitude imprópria (desrespeito às instruções, má interpretação das normas, nervosismo, excesso de confiança), falta de conhecimento das práticas seguras e incapacidade física para o trabalho. ATO INSEGURO É o ato que, contrariando preceito de segurança, pode causar ou favorecer a ocorrência de acidente. O ato inseguro é a maneira pela qual o trabalhador se expõe, consciente ou inconsciente a riscos. Ao se analisar os atos inseguros, deve-se identificar os atos e os comportamentos da pessoa que o cometeu. Exemplos: - Levantamento impróprio de cargas; - Permanecer embaixo de cargas suspensas; - Manutenção, lubrificação ou limpeza de máquinas em movimento; - Abusos, brincadeiras grosseiras, etc.; - Remoção de dispositivo de proteção ou alteração em seu funcionamento, de maneira a torná-los ineficientes; - Operação de máquinas em velocidades inseguras; - Realização de operações para as quais não esteja devidamente autorizado; - Uso de equipamento inadequado, inseguro ou de forma incorreta; - Falha no uso de equipamento individual de proteção necessária para a execução de sua tarefa.

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CONDIÇÃO AMBIENTE DE INSEGURANÇA ou simplesmente CONDIÇÃO INSEGURA. É a condição do meio que causou o acidente ou contribuiu para a sua ocorrência. As CONDIÇÕES INSEGURAS de um local de trabalho são as falhas físicas que comprometem a segurança do trabalhador. Em resumo, são as falhas, defeitos, irregularidades técnicas, carência de dispositivos de segurança e outros que põem em risco a integridade física ou a saúde das pessoas e a própria segurança das instalações e equipamentos. Apesar da condição insegura ser possível de correção, ela tem sido considerada responsável por 18% dos acidentes. Exemplos de condições inseguras: - Falta de proteção mecânica; - condição defeituosa do equipamento (grosseiro, cortante, escorregadio, corroído, fraturado, de qualidade inferior, etc.) - escadas inseguras; - pisos derrapantes ou escorregadios; - tubulações mal projetadas; - projetos ou construções inseguras; - iluminação inadequada ou incorreta; - ventilação inadequada ou incorreta; - processos, operações ou disposições (arranjos) perigosos (empilhamento e armazenagens). perigosos, passagens obstruídas, sobrecarga sobre o piso, congestionamento de maquinaria e operadores, etc.)

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3. CONSEQÜÊNCIA DOS ACIDENTES Considerando a teoria sobre os acidentes e tendo em vista que as causas dos acidentes são as falhas humanas e materiais é possível controlar ou eliminar estas causas, evitando os atos inseguros e as condições ambientes de insegurança. Do ponto de vista prevencionista, o acidente do trabalho é, por definição, um evento negativo e inesperado do qual resulta uma lesão pessoal ou dano material, e interfere no processo normal de uma atividade, ocasionando perda de tempo útil. Portanto, mesmo ocorrências que resultem unicamente em perda de tempo, devem ser encaradas como acidentes do trabalho. Esse critério se justifica, pois, muitas vezes, as lesões e os danos materiais não ocorrem apenas por uma questão de sorte. O gerenciamento dos riscos é fundamental para a prevenção de acidentes. Isso requer pesquisas, métodos e técnicas específicas, monitoramento e controle. Os conceitos básicos de segurança e saúde devem estar incorporados em todas as etapas do processo produtivo, do projeto à operação. Essa concepção irá garantir inclusive a continuidade e segurança dos processos, uma vez que os acidentes geram horas e dias perdidos. A conseqüência dos acidentes é uma das maiores preocupações do pessoal técnico de segurança, por envolver diretamente vidas humanas, as lesões merecem especial destaque. Com isso, cria-se a mentalidade prevencionista atenta para toda e qualquer anomalia no decorrer de um processo produtivo, não se justificando, de forma alguma, as famosas expressões pós-acidentes: Foi uma fatalidade !. Esta frase não identifica as causas do acidente. Todo acidente de trabalho deve ser plenamente previsto e evitado. CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES Evidentemente, a extensão e gravidade das lesões que sofrem os trabalhadores irão depender da natureza do acidente. Essa pode ser : - lesão imediata (lesão traumática) ou - lesão mediata (doença profissional). Lesões Imediatas: são aquelas em que os traumas físicos ou psicológicos se observam imediatamente, ou no espaço de algumas horas após a ocorrência do acidente. É o caso das lesões traumáticas como corte, fraturas e escoriações, queimaduras, choques elétricos e também das intoxicações agudas com substâncias nocivas. Lesões Mediatas: São aquelas em que os estados patológicos, às vezes, demoram até anos para se manifestarem. É o caso das intoxicações e das maiorias das doenças profissionais decorrentes de exposições constantes e prolongada a agentes ambientais agressivos. Exemplos bastante conhecidos são: a silicose, que resulta da exposição à poeira de sílica livre e cristalina, o benzolismo, que resulta da exposição a vapores de benzenos; o saturnismo, resultante da exposição a fumos de chumbos; a surdez profissional, etc. A legislação define a doença do trabalho como: - doença não degenerativa nem inerente a grupos etários, resultante das condições excepcionais em que o trabalho é executado, desde que diretamente relacionada com a atividade exercida, que cause

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redução da capacidade para trabalho e justifique a concessão de benefício por incapacidade. Algumas doenças que, embora possam resultar do exercício de determinadas atividades, exigem a comprovação do nexo de causa efeito, por incidirem também com certa freqüência na população em geral, não sendo, então, possível considerá-las como tipicamente profissionais. Nesses casos necessita-se de uma verificação minuciosa do nexo causal. Convém observar, ainda, que as intoxicações agudas com substâncias tóxicas no trabalho podem levar rapidamente a estados patológicos que também devem ser considerados doenças profissionais. Em tais casos as doenças do trabalho passam a constituir lesões mediatas. Isto ocorre, por exemplo, quando um operário fica exposto a altas concentrações de óxido de nitrogênio em operações de solda elétrica. Estes gases são altamente irritantes, mas os primeiros sintomas de sua ação podem aparecer somente algum tempo após a exposição, quando o operário já se encontra em casa. Sentindo-se mal, e procurando um médico pode ser constatada a formação de edema pulmonar, doença grave que muitas vezes leva o paciente à morte em questão de horas. Todavia, a origem da doença passa geralmente despercebida, sendo atribuída a outros fatores, não relacionados com sua verdadeira causa que foi a exposição ocupacional aos gases tóxicos. Este fato permite tirar algumas conclusões. Primeiramente, verifica-se que o edema pulmonar deveria ser classificado, neste caso, como doença profissional. Em seguida conclui-se que acidentes desta natureza ocorrem e não são diagnosticados corretamente devido à ausência de pessoal especializados em Saúde Ocupacional (Engenheiros de Segurança e Médicos do trabalho). Finalmente, conclui-se que as estatísticas do Acidente do Trabalho apresentarão números inferiores a realidade por este e outros motivos que serão abordados adiante. Para efeito de cadastramento e levantamento estatístico dos acidentes do trabalho, somente as lesões incapacitantes são computadas. Considera-se lesão incapacitante, quaisquer lesões, incluídas as doenças profissionais, que ocasione a morte por incapacidade permanente, ou que impeça ao acidentado desempenhar normalmente suas funções, por um dia no mínimo, excluído o dia do acidente. Como se percebe, as estatísticas não incluem os pequenos acidentes também chamados acidentes sem perda de tempo, que exigem apenas cuidados de ambulatório, justamente os mais freqüentes na indústria. Contudo, a influência desses acidentes menores na produtividade não deve ser menosprezada pelo profissional de segurança, que deve dar toda atenção ao seu controle. As lesões incapacitantes também chamadas acidentes com perda de tempo são classificados em quatro categorias: 1- MORTE: É qualquer fatalidade resultante de uma lesão do trabalho. 2- INCAPACIDADE TOTAL PERMANENTE: É qualquer lesão do trabalho, exceto a morte que incapacite total e permanente a um trabalhador desempenhar qualquer ocupação lucrativa ou que resulte em: - perda anatômica ou a impotência funcional em partes essenciais considerandose como partes essenciais a mão e o pé.

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- a perda da visão de um olho com a redução simultânea de mais da metade da visão do outro. - as lesões orgânicas ou perturbações funcionais graves e permanentes de qualquer órgão vital, ou quaisquer estados patológicos reputados incuráveis, que determinem idêntica incapacidade para o trabalho. 3- INCAPACIDADE PARCIAL PERMANENTE: É qualquer lesão, exceto a morte ou a incapacidade total permanente, que resulte na completa perda ou inutilização de qualquer membro ou parte de um membro do corpo; ou qualquer incapacitação permanente de funções do corpo ou de parte dele. 4- INCAPACIDADE TOTAL TEMPORÁRIA: É qualquer lesão do trabalho que não resulte em morte ou incapacidade permanente, mas ocasiona o afastamento do trabalhador de sua atividade profissional, por um ou mais dias. CONCEITOS BÁSICOS SOBRE CONSEQÜÊNCIAS DO ACIDENTE 1- LESÃO PESSOAL ou LESÃO. É qualquer dano sofrido pelo organismo humano como conseqüência de acidente de trabalho. 2- NATUREZA DA LESÃO é a expressão que identifica a lesão, segundo suas características principais 3- LESÃO IMEDIATA é a lesão que se verifica imediatamente após a ocorrência do acidente. 4- LESÃO MEDIATA (TARDIA) é a lesão que não se verifica imediatamente após a exposição à fonte da lesão. 4.1 – A lesão mediata que constituir entidade nosológica definida, será considerada doença do trabalho (doença profissional). 5- MORTE é a cessação da capacidade de trabalho pela perda da vida, independentemente do tempo ocorrido desde a lesão. 6- LESÃO COM PERDA DE TEMPO OU INCAPACITANTE é a lesão pessoal que impede o acidentado de voltar no dia imediato ao do acidente ou de que resulte incapacidade permanente. 7- LESÃO SEM PERDA DE TEMPO é a lesão pessoal que não impede o acidentado de voltar ao trabalho no dia imediato ao do acidente, desde que não haja incapacidade permanente. - Esta lesão não provocando a morte, incapacidade permanente total ou parcial ou incapacidade temporária total, exige, no entanto, primeiros socorros médicos de urgência. 8- INCAPACIDADE TOTAL PERMANENTE - Esta incapacidade corresponde à lesão que, não provocando a morte, impossibilita o acidentado, permanentemente, de exercer ocupação remunerada ou da qual decorre a perda total do dos seguintes elementos: a) ambos os olhos; b)um olho e uma das mãos ou um olho e um pé; c)ambas as mãos ou ambos os pés ou uma das mãos e um pé 9- INCAPACIDADE PARCIAL PERMANENTE é a redução parcial da capacidade de trabalho, em caráter permanente - Esta incapacidade corresponde à lesão que, não provocando morte ou incapacidade permanente total, é causa de perda de qualquer membro ou parte do

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corpo, perda total do uso desse membro ou parte do corpo, ou qualquer redução permanente de função orgânica. - A vítima desse tipo de incapacidade é incluída nas estatísticas de acidentados com “lesões com perda de tempo”. 10- INCAPACIDADE TEMPORÁRIA TOTAL é a perda da capacidade de trabalho de que resulte um ou mais dias perdidos, excetuados a morte, a incapacidade permanente parcial e a incapacidade permanente total. - permanecendo o acidentado afastado de sua atividade por mais de um ano, a incapacidade temporária será automaticamente considerada permanente, sendo computado o tempo de 360 dias. - A incapacidade temporária parcial não causa afastamento do acidentado, correspondendo, portanto, a lesão sem perda de tempo. 11- TEMPO COMPUTADO é o tempo contado em “dias perdidos” por incapacidade temporária total ou “dias debitados por morte ou incapacidade permanente, total ou parcial”. permanecendo o acidentado afastado de sua atividade por mais de um ano, a capacidade temporária será automaticamente considerada permanente, sendo computado o tempo de 360 dias. a incapacidade temporária parcial não causa afastamento do acidentado, correspondendo, portanto, a lesão sem perda de tempo.

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12- PREJUÍZO MATERIAL é o prejuízo decorrente de danos materiais e outros ônus, resultantes de acidente do trabalho. 13- AGENTE DO ACIDENTE (ou simplesmente, AGENTE) é a coisa, substância ou ambiente que, sendo inerente à condição de insegurança, tenha provocado o acidente. 14- FONTE DA LESÃO é a coisa, substância, energia ou movimento do corpo que diretamente provocou a lesão. A fonte da LESÃO é aquilo que, em contrato com a pessoa determina a lesão. Pode ser, por exemplo, um dos muitos materiais com características agressivas, uma ferramenta, a ponta de uma máquina. A LESÃO – e a sede da lesão, isto é, a parte do corpo onde ela se localiza- é o ponto inicial que identificarmos o agente da lesão. Convém observar qual a característica do agente que causou a lesão. Alguns agentes são essencialmente agressivos, como ácidos e outros produtos químicos, a corrente elétrica, etc.. Basta um leve contato para ocorrer a lesão. Outros determinam ferimentos por atritos mais acentuados, por batidas contra a pessoa ou da pessoa contra eles, por prensamento, queda, etc., mas determinam sempre alguma lesão quando entram em contato mais ou menos violento com a pessoa. O mesmo se pode dizer do peso de objetos. O peso em si não constitui agressividade, mas é um fator que, aliado à dureza do objeto, determina ferimentos ao cair sobre as pessoas.

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4. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO – CAT A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho, ocorrido com seu empregado, havendo ou não afastamento do trabalho, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o teto máximo do salário-de-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada na forma do artigo 109 do Decreto nº 2.173/97. Deverão ser comunicadas ao INSS, mediante formulário “Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT”, as seguintes ocorrências: Ocorrências: a) acidente do trabalho, típico ou de trajeto, ou doença profissional ou do trabalho; b) reinicio de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou doença profissional ou do trabalho, já comunicado anteriormente ao INSS; c) falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do trabalho, ocorrido após a emissão da CAT inicial. Tipos de CAT: CAT inicial; CAT reabertura;

CAT comunicação de óbito.

A comunicação será feita ao INSS por intermédio do formulário CAT, preenchido em seis vias, com a seguinte destinação: 1ª via – ao INSS; 2ª via – à empresa; 3ª via – ao segurado ou dependente; 4ª via – ao sindicato de classe do trabalhador; 5ª via – ao Sistema Único de Saúde – SUS; 6ª via – à Delegacia Regional do Trabalho. A entrega das vias da CAT compete ao emitente da mesma, cabendo a este comunicar ao segurado ou seus dependentes em qual Posto do Seguro Social foi registrada a CAT. Tratando-se de trabalhador temporário, a comunicação referida neste item será feita pela empresa de trabalho temporário. No caso do trabalhador avulso, a responsabilidade pelo preenchimento e encaminhamento da CAT é do Órgão Gestor de Mão de Obra – OGMO e, na falta deste, do sindicato da categoria. Para este trabalhador, compete ao OGMO e, na sua falta, ao seu sindicato preencher e assinar a CAT, registrando nos campos “Razão Social/Nome” e “Tipo”(de matrícula) os dados referentes ao OGMO ou sindicato e, no campo “CNAE”, aquele que corresponder à categoria profissional do trabalhador.

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No caso de segurado especial, a CAT poderá ser formalizada pelo próprio acidentado ou dependente, pelo médico responsável pelo atendimento, pelo sindicato da categoria ou autoridade pública. São autoridades públicas reconhecidas para esta finalidade: os magistrados em geral, os membros do Ministério Público e dos Serviços Jurídicos da União e dos Estados, os comandantes de unidades militares do Exército, Marinha, Aeronáutica e Forças Auxiliares (Corpo de Bombeiros e Polícia Militar). Quando se tratar de marítimo, aeroviário, ferroviário, motorista ou outro trabalhador acidentado fora da sede da empresa, caberá ao representante desta comunicar o acidente. Tratando-se de acidente envolvendo trabalhadores a serviço de empresas prestadoras de serviços, a CAT deverá ser emitida pela empresa empregadora, informando, no campo próprio, o nome e o CGC ou CNPJ da empresa onde ocorreu o acidente. É obrigatória a emissão da CAT relativa ao acidente ou doença profissional ou do trabalho ocorrido com o aposentado por tempo de serviço ou idade, que permaneça ou retorne à atividade após a aposentadoria, embora não tenha direito a benefícios pelo INSS em razão do acidente, salvo a reabilitação profissional. Neste caso, a CAT também será obrigatoriamente cadastrada pelo INSS. Tratando-se de presidiário, só caberá a emissão de CAT quando ocorrer acidente ou doença profissional ou do trabalho no exercício de atividade remunerada na condição de empregado, trabalhador avulso, médico-residente ou segurado especial. Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, o sindicato da categoria, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública. A comunicação a que se refere este item não exime a empresa da responsabilidade pela falta de emissão da CAT. Todos os casos com diagnóstico firmado de doença profissional ou do trabalho devem ser objeto de emissão de CAT pelo empregador, acompanhada de relatório médico preenchido pelo médico do trabalho da empresa, médico assistente (serviço de saúde público ou privado) ou médico responsável pelo PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – previsto na NR nº 7), com descrição da atividade e posto de trabalho para fundamentar o nexo causal e o técnico. No caso de doença profissional ou do trabalho, a CAT deverá ser emitida após a conclusão do diagnóstico. Quando a doença profissional ou do trabalho se manifestar após a desvinculação do acidentado da empresa onde foi adquirida, deverá ser emitida CAT por aquela empresa, e na falta desta poderá ser feita pelo serviço médico de atendimento, beneficiário ou sindicato da classe ou autoridade pública definida no subitem 1.6.1.

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A CAT poderá ser apresentada no Posto do Seguro Social – PSS mais conveniente ao segurado, o que jurisdiciona a sede da empresa, do local do acidente, do atendimento médico ou da residência do acidentado. Deve ser considerada como sede da empresa a dependência, tanto a matriz quanto a filial, que possua matrícula no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ, bem como a obra de construção civil registrada por pessoa física. As reaberturas deverão ser comunicadas ao INSS pela empresa ou beneficiário, quando houver reinicio de tratamento ou afastamento por agravamento de lesão de acidente do trabalho ou doença ocupacional comunicado anteriormente ao INSS. Na CAT de reabertura deverão constar as mesmas informações da época do acidente, exceto quanto ao afastamento, último dia trabalhado, atestado médico e data da emissão, que serão relativos à data da reabertura. O óbito decorrente de acidente ou doença ocupacional, ocorrido após a emissão da CAT inicial ou da CAT reabertura, será comunicado ao INSS através da CAT comunicação de óbito, constando a data do óbito e os dados relativos ao acidente inicial. Anexar a certidão de óbito e quando houver o laudo de necropsia. Em face dos aspectos legais envolvidos, recomenda-se que sejam tomadas algumas precauções para o preenchimento da CAT, dentre elas: 1 – não assinar a CAT em branco; 2 – ao assinar a CAT, verificar se todos os itens de identificação foram devida e corretamente preenchidos; 3 – o atestado médico da CAT é de competência única e exclusiva do médico; 4 – o preenchimento deverá ser feito a máquina ou em letra de forma, de preferência com caneta esferográfica; 5 – não conter emendas ou rasuras; 6 – evitar deixar campos em branco; 7 – apresentar a CAT, impressa em papel, em duas vias ao INSS, que reterá a primeira via, observada a destinação das demais vias, prevista no subitem 1.2; 8 – o formulário “Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT” poderá ser substituído por impresso da própria empresa, desde que esta possua sistema de informação de pessoal mediante processamento eletrônico, cabendo observar que o formulário substituído deverá ser emitido por computador e conter todas as informações exigidas pelo INSS.

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Preenchimento do formulário CAT Quadro I – EMITENTE I.1 – Informações relativas ao EMPREGADOR Campo 1. Emitente – informar no campo demarcado o dígito que especifica o responsável pela emissão da CAT, sendo: (1) empregador; (2) sindicato; (3) médico assistente; (4) segurado ou seus dependentes; (5) autoridade pública (subitem 1.6.1 da Parte III). Campo 2. Tipo de CAT – informar no campo demarcado o dígito que especifica o tipo de CAT, sendo: (1) inicial – refere-se à primeira comunicação do acidente ou doença do trabalho; (2) reabertura – quando houver reinicio de tratamento ou afastamento por agravamento da lesão (acidente ou doença comunicado anteriormente ao INSS); comunicação de óbito – refere-se à comunicação do óbito,

(3) em

decorrência de acidente do trabalho, ocorrido após a emissão da CATV inicial. Deverá ser anexada a cópia quando houver, do laudo de necropsia. Obs.: Os acidentes com morte imediata deverão ser comunicados por CAT inicial. Campo 3. Razão Social/Nome – informar a denominação da empresa empregadora. Considera-se empresa na forma prevista no artigo 14 do Decreto 2.173/97: a) a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração direta, indireta e fundacional; b) o trabalhador autônomo e equiparado, em relação ao segurado que lhe presta serviço; c) a cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras; d) o operador portuário e o órgão gestor de mão de obra - de que trata a Lei 8.630 de 25 de fevereiro de 1993. da certidão de óbito e

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Obs.: Informar o nome do acidentado, quando segurado especial.

Campo 4. Tipo e número do documento – informar o código que especifica o tipo de documento, sendo: (1) CGC/CNPJ – informar o número da matrícula no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC ou da matrícula no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ, da empresa empregadora; (2) CEI – informar o número de inscrição no Cadastro Específico do INSS quando o empregador for pessoa jurídica desobrigada de inscrição no CGC/CNPJ; (3) CPF – informar o número de inscrição no Cadastro de Pessoa Física quando o empregador for pessoa física; (4) NIT – informar o Número de Identificação do Trabalhador no INSS quando for segurado especial. Campo 5. CNAE – informar o código relativo à atividade principal do estabelecimento, em conformidade com aquela que determina o Grau de Risco para fins de contribuição para os benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. O código CNAE (Classificação Nacional de Atividade Econômica) encontra-se no documento de CGC ou CNPJ da empresa ou no Anexo do Decreto nº 2.173/97. Obs.: No caso de segurado especial, o campo poderá ficar em branco. Campo 6 a 9. Endereço – informar o endereço completo da empresa empregadora (art. 14 do Decreto nº 2.173/97). Obs.: Informar o endereço do acidentado, quando segurado especial. O número do telefone, quando houver, deverá ser precedido do código DDD do município.

I.2 – Informações relativas ao ACIDENTADO Campo 10. Nome – informar o nome completo do acidentado, sem abreviaturas. Campo 11. Nome da mãe – informar o nome completo da mãe do acidentado, sem abreviaturas. Campo 12. Data de nascimento – informar a data completa de nascimento do acidentado, utilizando quatro dígitos para o ano. Exemplo: 16/11/1960. Campo 13. Sexo - informar (1) masculino e (3) feminino.

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Campo 14. Estado civil - informar (1) solteiro, (2) casado, (3) viúvo, (4) separado judicialmente, (5) outros, e quando o estado civil for desconhecido informar (6) ignorado. Campo 15. CTPS – informar o número, a série e a data de emissão da Carteira Profissional ou da Carteira de Trabalho e Previdência Social. Obs.: No caso de segurado empregado, é obrigatória a especificação do número da CTPS. Campo 16. UF – informar a Unidade da Federação de emissão da CTPS. Campo 17. Carteira de identidade – informar o número do documento, a data de emissão e o órgão expedidor. Campo 18. UF – informar a Unidade da Federação de emissão da Carteira de Identidade. Campo 19. PIS/PASEP – informar o número de inscrição no Programa de Integração Social – PIS ou no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP, conforme o caso. Obs.: No caso de segurado especial e de médico residente, o campo poderá ficar em branco. Campo 20. Remuneração mensal – informar a remuneração mensal do acidentado em moeda corrente na data do acidente. Campo 21 a 24. Endereço do acidentado – informar o endereço completo do acidentado. O número do telefone, quando houver, deverá ser precedido do código DDD do município. Campo 25. Nome da ocupação – informar o nome da ocupação exercida pelo acidentado à época do acidente ou da doença. Campo 26. CBO – informar o código da ocupação constante no Campo 25 segundo o Código Brasileiro de Ocupação. Campo 27. Filiação à Previdência Social – informar no campo apropriado o tipo de filiação do segurado, sendo: (1) empregado; (2) trabalhador avulso; (7) segurado especial; (8) médico residente (conforme a Lei nº 8.138/90). Campo 28. Aposentado? – informar "sim" exclusivamente quando tratar-se de aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS. Campo 29. Área – informar a natureza da prestação de serviço, se urbana ou rural.

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I.3 – Informações relativas ao ACIDENTE OU DOENÇA Campo 30. Data do acidente – informar a data em que o acidente ocorreu. No caso de doença, informar como data do acidente a da conclusão do diagnóstico ou a do início da incapacidade laborativa, devendo ser consignada aquela que ocorrer primeiro. A data deverá ser completa. Exemplo: 23/11/1998. Campo 31. Hora do acidente – informar a hora da ocorrência do acidente, utilizando quatro dígitos (Exemplo: 10:45). No caso de doença, o campo deverá ficar em branco. Campo 32. Após quantas horas de trabalho? – informar o número de horas decorridas desde o início da jornada de trabalho até o momento do acidente. No caso de doença, o campo deverá ficar em branco. Campo 33. Houve afastamento? – informar se houve ou não afastamento do trabalho. Obs.: É importante ressaltar que a CAT deverá ser emitida para todo acidente ou doença relacionados ao trabalho, ainda que não haja afastamento ou incapacidade. Campo 34. Último dia trabalhado – informar a data do último dia em que efetivamente houve trabalho do acidentado, ainda que a jornada não tenha sido completa. Ex.: 23/11/1998. Obs.: Só preencher no caso de constar 1 (Sim) no Campo 33. Campo 35. Local do acidente – informar o local onde ocorreu o acidente, sendo: (1) em estabelecimento da empregadora; (2) em empresa onde a empregadora presta serviço; (3) em via pública; (4) em área rural; (5) outros. Campo 36. CGC/CNPJ – informar o nome e o CGC ou CNPJ da empresa onde ocorreu o acidente/doença, no caso de constar no campo 35 a opção 2. Campo 37. Munícipio do local do acidente - informar o nome do município onde ocorreu o acidente. Campo 38. UF - informar a unidade da federação onde ocorreu o acidente. Campo 39. Especificação do local do acidente – informar de maneira clara e precisa o local onde ocorreu o acidente (Exemplo: pátio, rampa de acesso, posto de trabalho, nome da rua, etc.). Campo 40. Parte(s) do corpo atingida(s) – para acidente de trabalho deverá ser informada a parte do corpo diretamente atingida pelo agente causador, seja externa ou internamente;

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– para doenças profissionais, do trabalho, ou equiparadas informar o órgão ou sistema lesionado. Obs.: Deverá ser especificado o lado atingido (direito ou esquerdo), quando se tratar de parte do corpo que seja bilateral. Campo 41. Agente causador – informar o agente diretamente relacionado ao acidente, podendo ser máquina, equipamento ou ferramenta, como uma prensa ou uma injetora de plásticos; ou produtos químicos, agentes físicos ou biológicos como benzeno, sílica, ruído ou salmonela. Pode ainda ser consignada uma situação específica como queda, choque elétrico, atropelamento. Campo 42. Descrição da situação geradora do acidente ou doença – descrever a situação ou a atividade de trabalho desenvolvida pelo acidentado e por outros diretamente relacionados ao acidente. - tratando-se de acidente de trajeto, especificar o deslocamento e informar se o percurso foi ou não alterado ou interrompido por motivos alheios ao trabalho. - no caso de doença, descrever a atividade de trabalho, o ambiente ou as condições em que o trabalho era realizado. Obs.: Evitar consignar neste campo o diagnóstico da doença ou lesão (Exemplo: indicar a exposição continuada a níveis acentuados de benzeno em função da atividade de pintar motores com tintas contendo solventes orgânicos, e não benzenismo). Campo 43. Houve registro policial? – informar se houve ou não registro policial. No caso de constar 1 (SIM), deverá ser encaminhada cópia do documento ao INSS oportunamente. Campo 44. Houve morte? – o campo deverá constar SIM sempre que tenha havido morte em tempo anterior ao do preenchimento da CAT, independentemente de ter ocorrido na hora ou após o acidente. Obs.: Quando houver morte decorrente do acidente ou doença, após a emissão da CAT inicial, a empresa deverá emitir CAT para a comunicação de óbito. Deverá ser anexada cópia da certidão de óbito.

I.4 – Informações relativas às TESTEMUNHAS Campo 45 a 52. Testemunhas – informar o nome e endereço completo das testemunhas que tenham presenciado o acidente ou daquelas que primeiro tenham tomado ciência do fato. Local e data – informar o local e a data da emissão da CAT.

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Assinatura e carimbo do emitente – no caso da emissão pelo próprio segurado ou por seus dependentes, fica dispensado o carimbo, devendo ser consignado o nome legível do emitente ao lado ou abaixo de sua assinatura.

Quadro II – ATESTADO MÉDICO Deverá ser preenchido por profissional médico. No caso de acidente com morte, o preenchimento é dispensável, devendo ser apresentada a certidão de óbito e, quando houver, o laudo de necropsia. Campo 53. Unidade de atendimento médico – informar o nome do local onde foi prestado o atendimento médico. Campo 54. Data – informar a data do atendimento. A data deverá ser completa, utilizando-se quatro dígitos para o ano. Exemplo: 23/11/1998. Campo 55. Hora – Informar a hora do atendimento utilizando quatro dígitos. Exemplo: 15:10. Campo 56. Houve internação? - informar (1) sim ou (2) não. Campo 57. Duração provável do tratamento – informar o período provável do tratamento, mesmo que superior a quinze dias. Campo 58. Deverá o acidentado afastar-se do trabalho durante o tratamento? informar (1)sim ou (2) não. Campo 59. Descrição e natureza da lesão – fazer relato claro e sucinto, informando a natureza, tipo da lesão e/ou quadro clínico da doença, citando a parte do corpo atingida, sistemas ou aparelhos. Exemplo: a) edema, equimose e limitação dos movimentos na articulação tíbio társica direita; b) sinais flogísticos, edema no antebraço esquerdo e dor à movimentação da flexão do punho esquerdo. Campo 60. Diagnóstico provável – informar, objetivamente, o diagnóstico. Exemplo: a) entorse tornozelo direito; b) tendinite dos flexores do carpo. Campo 61. CID – 10 – Classificar conforme o CID – 10. Exemplo: a) S93.4 – entorse e distensão do tornozelo; b) M65.9 – sinovite ou tendinite não especificada. Campo 62. Observações – citar qualquer tipo de informação médica adicional, como condições patológicas pré-existentes, concausas, se há compatibilidade entre o estágio evolutivo das lesões e a data do acidente declarada, se há recomendação especial para permanência no trabalho, etc.

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Obs.: Havendo recomendação especial para a permanência no trabalho, justificar. Local e data – informar o local e a data do atendimento médico. Assinatura e carimbo do médico com CRM – apor assinatura, carimbo e CRM do médico responsável.

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5. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA BENEFÍCIOS APOSENTADORIA POR INVALIDEZ Beneficiários: (art. 42 a 47 da Lei nº 8.213 / 91)

trata-se de benefício de trato continuado, devido, mensal e sucessivamente, em face da INCAPACIDADE TOTAL E DEFINITIVA do segurado.
Data do Duração Recebimento

Renda Mensal do Benefício

Período de Carência

100% do salário de benefício; será devida a partir do não pode ser inferior ao salário mínimo; dia imediato ao da se necessitar do auxílio cessação do auxíliode outra pessoa, o doença salário será acrescido de 25 %.

enquanto permanecer 12 contribuições a condição do segurado de incapaz para o exercício mensais, com da atividade que lhe ressalvas. garanta a subsistência.

APOSENTADORIA POR IDADE Beneficiários:

(art. 48 a 51 da Lei nº 8.213 / 91)

trata-se de benefício de trato continuado, devido, mensal e sucessivamente, para o segurado que completar 65 ANOS e para a segurada que completar 60 ANOS de idade. Esses limites são reduzidos em 5 anos no caso dos trabalhadores rurais.

Renda Mensal do Benefício

Data do Recebimento

Duração

Período de Carência

70 % do salário de benefício + 1 % deste, por grupo de 12 contribuições, não podendo ultrapassar 100 % do salário benefício

será devida: I – ao segurado Empregado: a) a partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até esta data; b) da data do requerimento, quando . não houver desligamento do emprego ou quando requerida após 90 dias. II – para os demais segurados: da data da entrada do requerimento.

180 contribuições mensais

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APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO(art. 52 a 56 da Lei nº 8.213 / 91) Beneficiários: trata-se de benefício de trato continuado, devido, mensal e sucessivamente, para o segurado que completar 35 ANOS de contribuição, se do sexo masculino, ou 30 ANOS de contribuição, se do sexo feminino.
Data do Recebimento será devida: I – ao segurado Empregado: a) a partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até esta data; b) da data do requerimento, quando não houver desligamento do emprego ou quando requerida após 90 dias. II – para os demais segurados: da data da entrada do requerimento.

Renda Mensal do Benefício
para a mulher: 100% do salário de benefício aos 30 anos de contribuição; para o homem: 100% do salário de benefício aos 35 anos de contribuição; para professores: 100%, com 5 anos a menos no período de contribuição

Duração

Período de Carência

180 contribuições mensais.

APOSENTADORIA ESPECIAL (art. 57 a 58 da Lei nº 8.213 / 91) Beneficiários: trata-se de benefício de trato continuado, devido, mensal e sucessivamente, para trabalhadores que durante 15, 20 ou 25 anos trabalhem permanentemente em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Duração Período de Carência

Renda Mensal do Benefício

Data do Recebimento será devida: I – ao Segurado Empregado: a) a partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até esta data; 100% do salário b) da data do requerimento, de benefício; quando não houver desligamento do emprego ou quando requerida após 90 dias. II – para os demais segurados: da data da entrada do requerimento

ocorre a perda do benefício para o segurado que permanecer ou voltar a trabalhar em condições especiais. se retornar ao trabalho em condições normais, não ocorre a perda do benefício.

180 contribuições mensais

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AUXÍLIO - DOENÇA (art. 59 a 64 da Lei nº 8.213 / 91) Beneficiários: será devido ao segurado que, tendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido na lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 dias há a suspensão do contrato de trabalho: não há cômputo do tempo de serviço. • os primeiros 15 dias correm por conta da empresa, quando o contrato de trabalho fica interrompido

Renda Mensal do Benefício
91 % do salário de benefício, não podendo Ter valor inferior ao do salário mínimo, nem superior ao do limite máximo do salário de contribuição

Data do Recebimento

Duração

Período de Carência

não cessará o benefício até que o será devida: segurado em gozo do I – ao segurado Empregado: auxílio seja dado a) a contar do 16º dia do como habilitado para afastamento da atividade; o desempenho de 12 contribuições nova atividade que lhe mensais II – demais segurados: a contar garanta a subsistência, da data do início da ou qdo. considerado incapacidade e enquanto ele não-recuperável, for permanecer incapaz. aposentado por invalidez.

AUXÍLIO - ACIDENTE (art. 86 da Lei nº 8.213 / 91) Beneficiários: trata-se de benefício concedido como indenização quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem seqüelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. É DEVIDO SOMENTE aos EMPREGADOS, aos AVULSOS e aos SEGURADOS ESPECIAIS.

Renda Mensal do Benefício

Data do Recebimento

Duração
será devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer aposentadoria

Período de Carência

a data do início da 50 % do salário cessação do auxílio-doença, de benefício. percebido enquanto não consolidadas as lesões decorrentes do acidente.

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SALÁRIO MATERNIDADE (art. 71 a 73 da Lei nº 8.213 / 91) Beneficiários: trata-se de benefício concedido à SEGURADA GESTANTE em razão do parto. É devido a todas as seguradas.

Renda Mensal do Benefício
o valor do benefício não pode ser inferior a 1 SM. para a EMPREGADA e a AVULSA: a remuneração é integral (sem limite máximo)

Data do Recebi Duração mento

Período de Carência

28 dias antes para a DOMÉSTICA: é o último salário de do parto e 91 dias depois de sua contribuição. ocorrência. SEGURADA ESPECIAL: TOTAL DE 120 1/12 da contribuição anual. DIAS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL e FACULTATIVA: 1/12 da soma dos 12 últimos salários de contribuição, tomados em período não superior a 15 meses.

não tem período de carência para a Empregada, para a doméstica e para a será devido durante 120 avulsa.. dias, a partir de 28 dias antes Para as do parto e 91 dias após a sua autônomas e ocorrência. a Excepcionalmente, os facultativa, períodos de repouso antes e carência é de 10 depois do parto podem ser meses. aumentados em mais 2 semanas, comprovados por a segurada especial, não tenha médicos do SUS, ou pela embora carência, deve empresa.
comprovar exercício de atividade rural por 10 meses imediatamente anteriores ao início do benefício.

SALÁRIO FAMÍLIA

(art. 65 a 70 da Lei nº 8.213 / 91)

Beneficiários:

trata-se de um benefício previdenciário concedido aos segurados de baixa renda, em razão do número de filhos menores de 14 anos ou inválidos de qualquer idade. Os adotados tem o mesmo tratamento de filhos e os enteados e tutelados são equiparados.

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Não será devido salário família a: EMPREGADO DOMÉSTICO, TRABALHADOR AVULSO, AUTÔNOMO, EMPRESÁRIO e SEGURADO FACULTATIVO.
Data do Duração Recebimento

Renda Mensal do Benefício

Período de Carência
não salário período cessa carência. tem de

o direito ao família automaticamente: A) por morte do filho, A CONTAR DO MÊS SEGUINTE AO DO ÓBITO; é devido o salário pago a partir do família apenas em B) quando o filho momento em que é relação a quem ganha comprovada, com a completar 14 anos, até R$ 468,13, sendo o certidão de nascimento, a salvo se inválido, A valor de R$ 11,26 por CONTAR DO MÊS existência de filhos filho. SEGUINTE À DATA DE menores, seguida da ANIVERSÁRIO; demonstração anual de (valor base- junho/2002) vacinação obrigatória.. c) pela recuperação da capacidade do filho, se inválido for; d) pelo desemprego do segurado; e) pela morte do segurado.

sua concessão é condicionada: a) à apresentação da certidão de nascimento do filho; b) e à apresentação de atestado de vacinação obrigatória c) e comprovação de freqüência à escola.

PENSÃO POR MORTE Beneficiários:

(art. 74 a 79 da Lei nº 8.213 / 91)

trata-se de trato continuado devido, mensal e sucessivamente, ao conjunto de dependentes do segurado, aposentado ou não, enquanto perdurar a situação de dependência.

Renda Mensal do Benefício Renda Mensal: 100 %
do valor da aposentadoria que o segurado recebia, ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento.

Data do Duração Recebimento

Período de Carência

será devido

não tem período de carência.

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44.4.10. AUXÍLIO RECLUSÃO Beneficiários:

(art. 80 da Lei nº 8.213 / 91)

trata-se de benefício concedido aos dependentes do segurado preso, que não recebe remuneração da empresa ou benefício de auxílio doença, aposentadoria, abono e permanência.

Data do Recebimento a partir da data da prisão ou da data do requerimento, se realizado 30 dias após. exige-se que o pedido seja instruído com certidão do 100 % do salário efetivo recolhimento à de benefício prisão, devendo ser apresentado trimestralmente um atestado de que o segurado continua recolhido.

Renda Mensal do Benefício

Duração

Período de Carência

o benefício cessa com a morte do beneficiário, ou quando o dependente completar 21 anos ou for emancipado, ou com a não tem período cessação da prisão. de carência a suspensão do benefício ocorre com a fuga do segurado. Sendo recapturado, é restabelecido o benefício.

44.4.11. ABONO ANUAL - 13º SALÁRIO (art. 40 da Lei nº 8.213 / 91) Beneficiários: Tem natureza híbrida, já que é devido uma única vez, a cada ano. Benefício correspondente ao 13º salário ou gratificação de natal devido ao beneficiário, segurado ou dependente, que durante o ano recebeu: auxílio-doença, auxílio-acidente, aposentadoria, pensão por morte ou auxílio reclusão..

Renda Mensal do Benefício

Data do Recebimento

Duração

Período de Carência

corresponde a uma quantia pecuniária igual a remuneração é devido apenas uma vez por mês de Dezembro – até o não tem dos proventos do mês ano dia 20 previsão legal de dezembro de cada ano.

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BENEFÍCIOS Auxílio-doença (esp.91)

BENEFICIÁRI OS Acidentado do trabalho

CONDIÇÕES P/ CONCESSÃO - afastamento do trabalho por incapacidade laborativa temporária por acidente do trabalho.

DATA DE INÍCIO - 16º dia de afastamento consecutivo para empregado; - data do afastamento demais segurados.

Aposentadoria por invalidez (esp.92)

Acidentado do - afastamento do trabalho trabalho por invalidez acidentaria.

Auxílio Acidente (esp.94) Pensão (esp.93)

Acidentado do -redução trabalho capacidade laborativa lesão acidentaria. Dependentes -morte do acidente Acidentado do trabalho. trabalho

- no dia em que o auxíliodoença teria início; ou no dia seguinte à cessação do auxíliodoença. da - dia seguinte -concessão de a cessação do aposentadoria; por auxílio- óbito. doença.

DATA DA CESSAÇÃO - morte; - concessão de auxílio-acidente ou aposentadoria; -cessação da incapacidade; - alta médica; volta ao trabalho. - morte; -cessação da invalidez; volta ao trabalho.

VALOR 91% do salário de benefício

100% do salário de benefício

50% do salário de benefício

por data do do óbito; ou data da entrada do requerimento quando requerida após 30 dias do óbito.

-morte do 100% do dependente; salário de -cessação da benefício qualidade de dependente.

Obs.: a) o valor da renda mensal da aposentadoria por invalidez será acrescida de 25% (vinte e cinco por cento) desse valor, quando comprovado através de avaliação médico pericial que o acidentado necessita de acompanhante; b) salário de benefício- o salário de benefício consiste na média aritmética simples de todos os últimos salários de contribuição relativos aos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou da data de entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), apurados em período não superior a 48 (quarenta e oito) meses.

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6-PREVENÇÃO DE ACIDENTES - INSPEÇÃO DE SEGRANÇA As inspeções de segurança e as campanhas de Segurança, São as duas maneiras mais eficazes de se praticar prevenção de acidentes. Vamos inicialmente enfocar a Inspeção de Segurança permite detectar riscos de acidentes possibilitando a determinação de medidas preventivas. A inspeção de segurança permite detectar riscos de acidentes possibilitando a determinação de medidas preventivas. É portanto a forma mais antiga de evitar acidentes. A quem cabe realizar uma Inspeção de Segurança? • Aos próprios empregados; • Aos supervisores imediatos; • Membros da CIPA ou designados; • Órgão de Segurança; • Companhias de seguro; • Örgãos oficiais; 1. Empregados: Devem se habituar à quando iniciar suas tarefas diárias, executarem uma vistoria prévia nas suas ferramentas, nos equipamentos, nas condições de trabalho. 2. Supervisores: Os supervisores tem a responsabilidade de representarem a Empresa e como tal devem estar atentos às condições de segurança de seu local de trabalho, para tanto devem proceder inspeções periódicas dos seus locais e condições de trabalho. 3. CIPA: A CIPA, de conformidade com a legislação em vigor, tem entre outras atribuições efetuar inspeções em locais de trabalho. Os problemas levantados serão discutidos com os representantes da área periciada e se não apresentarem condições de solução, os mesmos serão levados a plenária da CIPA. É importante que nas empresas que não tem CIPA. Os designados, de acordo com a NR5, devem cumprir as mesmas tarefas. 4. Órgão de Segurança(SESMT): É o responsável na empresa pelas realizações das inspeções em todas as suas dependências, levantando os problemas de segurança, procurando equacioná-los, encaminhando relatórios à quem de direito e acompanhando as soluções. 5. Companhias de Seguros: São executadas visando atenderem as necessidades de seus segurados. São mais intensas quanto maior for o prêmio do Seguro. 6. Órgão Oficiais: Basicamente realizada pelo ministério do trabalho, em busca de fiscalizar o cumprimento das normas de segurança.

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Após vermos quem faz a Inspeção de segurança. Devemos estudar as modalidades de inspeções de segurança: • • • • • • Inspeções Gerais Inspeções parciais Inspeções periódicas Inspeções eventuais Inspeções Oficiais Inspeções Especiais

1. Inspeções Gerais: São as inspeções feitas em toda a área da empresa,de maneira a vistoriar todos os aspectos relativos à higiene e segurança do trabalho. Muitas vezes é conveniente que a mesma seja realizada em conjunto, participando além do engenheiro e técnicos de segurança, os médicos, enfermeiros e supervisores da área. O órgão de segurança do trabalho (SESMT), coordena sempre tais inspeções e emite relatórios para que cada responsável preocupe-se com a solução do problema de sua área de atuação Tais inspeções devem ser rotineiras e em empresas onde não haja SESMT, a atribuição de tais exames compete a CIPA. Atualmente tais inspeções naturalmente fazem parte do PPRA (Programa de prevenção de riscos ambientais).

2. Inspeções Parciais: São as que limitam apenas a alguma parte da empresa, a determinadas atividades ou a certos equipamentos existentes. Este tipo de inspeção envolve a participação de cada setor da empresa devidamente conscientizadonpara a prevenção de acidentes em sua tarefa de inspecionar. Senão vejamos: Os supervisores fazem inspeção de segurança no desempenho de suas atividades, sem se aperceberem, com essência do que é segurança do trabalho, apenas usando sua consciência prevencionistas. Os trabalhadores por sua vez devem ser treinados e abituados a inspecionarem rotineiramente suas ferramentas, seus equipamentos e máquinas, a fim de descobrir quaisquer irregularidades que, corrigidas a tempo evitam os acidentes.

3. Inspeções Periódicas: São aquelas que são realizadas conforme uma prévia programação e obedecem a uma periodicidade, que pode ser: anual, semestral, trimestral, mensal, quinzenal ou semanal. São inspeções que visam apontar riscos previstos, que podem surgir de quando em quando, devido a desgastes, fadiga, exposição a certas agressividades do ambiente à que estão submetidas máquinas, ferramentas, instalações etc.

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Algumas destas inspeções são obrigatórias por lei. São os casos dos extintores. Equipamentos de combate a incêndio, caldeiras e elevadores. 4. Inspeções Eventuais: São esporádicas sem dia ou período estabelecido. São feitas junto com médicos, engenheiros ou pessoal da manutenção, visando determinados aspectos importantes. 5. Inspeções Oficiais: São efetuadas por órgãos governamentais do trabalho ou securitários. Dentre as inspeções oficiais existem aquelas realizadas pelos próprios órgãos, através de incursões de rotina ou denúncia, bem como aquela para atender a legislação vigente. De coformidade com a portaria 3214 de 08 de junho de 1978, foram estabelecidas as normas relativas à Segurança e Medicina do Trabalho; num total de 28 NR’s e 5NRR’s. Atualmenta jé existem 33 NR’s ou seja já aumentaram cinco NR’s e as NRR’s foram revogadas e substiuídas, pela NR-31. A NR-02 estabelece a inspeção prévia em todo o estabelecimento novo, o qual antes de iniciar suas atividades, deverá solicitar aprovaçào de suas instalações ao Ministério de Trabalho e Emprego (MTE). O MTE fará a inspeção prévia e emitirá o Certificado de Aprovação Instalações(CAI). das

Todavia a Empresa poderá realizar a inspeção e encaminhar ao MTE uma Declaração das Instalações, assumindo que suas instalações não oferecem riscos aos trabalhadores. Isto ocorrerá quando não for possível, ao MTE efetuar a inspeção Prévia.

6. Inspeções Especiais: São aquelas que requerem conhecimentos ou aparelhos especializados. São os casos das inspeções das condições ambientais. Normalmente para se avaliar níveis de ruídos, de iluminamento, calor para os quais são necessários o uso de equipamentos especiais. A exemplo das inspeções Gerais, as Especiais fazem parte principalmente do PPRA, neste caso especificamente na fase da avaliação, esta avaliação e conhecida como quantitativa.

OBJETIVO DA INSPEÇÃO

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As inspeções têm como objetivo: • Possibilitar a determinação dos meios preventivos, antes da ocorrência dos acidentes; • Ajudar a fixar nos operários a mentalidade prevencionista. • Encorajar os próprios operários a agirem como profissionais de segurança e os demais setores da empresa. • Despertar nos empregados a necessária confiança na administração e angariar a colaboração de todos na prevenção de acidentes Antes de desencadearmos uma inspeção alguns pontos básicos devem ser estabelecidos: • • • • • • O que inspenionar; Qual a frequência; Quem será o responsável; Quem irá acompanhar; Quais os informes que serão necessários; A quem serão encaminhadas as recomendações;

1. O que inspecionar? Este ponto deve ser definido com clareza, pois sabemos que os profissionas de segurança tem tempo limitado, portanto deve ser distribuído cuidadosamente o tempo que dispõe para lograr o seu propósito. 2. Qual a frequência? Em função do que foi observado e gerado em termos de recomendação iremos estabelecer a frequência das instalações. 3. Quem será o responsável? Normalmente cabe ao srviço de segurança (SESMT), a responsabilidade da inspeção, ou ao engenheiro ou ao técnico de segurança do trabalho. 4. Quem irá acompanhar? O envolvimento dos responsáveis da área a ser inspecionada é fundamental, para o retorno e cumprimento das recomendações. Deve-se acertar uma entrevista com o gerente do local antes de realizarmos uma inspeção. Nesta entrevista, alguns pontos devem ficar claros: • Dar uma explicação franca do propósito da visita; • Avaliar caso seja possível, o interesse do gerente pela segurança e dos conhecimentos que tenha acerca do funcionamento da segurança em seu local de trabalho. • Se o gerente estáà par do retrospecto de acidentes da sua área; • Verificar como se encontram os indicadores de segurança daquela área;

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• • • Atenção!

Se for possível, o profissional de segurança deve sugerir ao gerente, a fazer um rápido giro pelo estabelecimento apresentando-o aos supervisores e colocando-os a par dos objetivos da inspeção. Solicitar ao gerente que nomeie alguém, com competência para acompanhar a inspeção. Após a inspeção retornar ao gerente e se possível, com os supervisores presentes, apresentando um relato do que foi encontrado.

O engenheiro e/ou o técnico de segurança do trabalho devem ter em mente a necessidade de adotar, uma conduta durante a inspeção de não assumir uma atitude de superioridade junto ao gerente e supervisores do estabelecimento inspecionado. Nunca se deve partir do suposto de que a gerência não está disposta a obedecer a lei ou que se mostre indiferente à segurança dos operários. Sua missão consiste em determinar as condições de cada um dos locais de trabalho inspecionados e lutar para que se implantem as melhorias necessárias. 5. Quais os informes que serão necessários? Quem estiver efetuando a inspeção, engenheiro ou técnico de segurança do trabalho, deve comunicar qualquer irregularidade ao responsável pela atividade onde ela foi detectada. A informação imediata, quase sempre verbal, pode muitas vezes abreviar o processo de solução de um problema, com a aplicação de medidas que se anteciparão a ocorrências desagradáveis. É a verdadeira prevenção. O inspetor não deve, deixar para depois. Deve informar o supervisor, mostrar-lhe a irregularidade e discutir na hora, se for o caso, qual a melhor medida a ser tomada. Entretanto não pode deixar de registrar as observações surgidas na inspeção a fim de se avaliar a necessidade e oportunidade de discutir o assunto no momento. A prática mostra que quanto mais o assunto for discutido e examinado “ïn loco”, maior chance se tem de alcançar os objetivos da inspeção. Os tópicos observados nas inspeçòes devem ser registrados em formulário especial – Relatório de Inspeção – ou outro nome que lhes queiram dar. Vale ressaltar a necessidade de existirem formulários diferenciados para os diversos tipos de inspeção ou local a inspecionar. Neste registro devem existir: o que foi observado; o local onde foi observado, de modo a facilitar a socialização; a recomendação do que se espera e seja feita alguma sugestão. É oportuno lembrar a necessidade dos registros serem claros, sem dupla interpretações, para que não haja motivo de críticas ou mal interpretado, de uma inspeção sem registros dos fatos nem sempre pode se esperar um bom resultado, pois se torna difícil encaminhar as reivindicações e acompanhar seu desenvolvimento. 6. A quem serão encaminhadas as recomendações?

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7- RISCO DAS ATIVIDADES LABORAIS Pelo seu instinto, o homem conseguiu, através da História, criar uma tecnologia que as atividades laborativas nasceram com o homem. Pela sua capacidade de raciocínio e possibilitou sua existência no planeta. Partindo da atividade evoluiu para a agricultura e o pastoreio, alcançou a fase do artesanato e atingiu a era industrial. Até o advento da máquina à vapor, poucas e esparsas notícias se têm sobre a saúde ocupacional. Somente com a Revolução Industrial é que o aldeão começou a agrupar-se nas cidades. Deixou o risco de ser apanhado pelas garras de uma fera, para aceitar o risco de ser apanhado pelas garras de uma máquina. No Brasil, podemos fixar por volta de 1930 a Revolução Industrial. A Segurança do Trabalho devendo aplicar os princípios e recursos da Engenharia e da Medicina no controle e prevenção dos riscos profissionais, é, portanto, um campo de especialização para engenheiros que deverão exercer suas atividades em equipe e dentro de um espírito de cooperação mútua para que o objetivo comum seja alcançado. Segurança do Trabalho costuma ser definida como a ciência e arte devotada ao reconhecimento, avaliação e controle dos riscos profissionais. Estes, em última análise são os fatores ambientais ou inerentes às próprias atividades, que podem, eventualmente, ocasionar alterações na saúde, conforto ou eficiência de trabalhador. Como já se viu, no que se refere à Segurança do Trabalho, em um sentido amplo, deverá o profissional estar apto a: - reconhecer os riscos profissionais capazes de ocasionar alterações na saúde do trabalhador, ou afetar o seu conforto e eficiência; - avaliar a magnitude desses riscos, através da experiência e treinamento, e com o auxilio de técnicas de avaliação quantitativa, prescrever medidas para eliminá-los ou reduzi-los em níveis aceitáveis. Para um perfeito reconhecimento dos riscos pelo engenheiro de segurança passemos a:

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CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS PROFISSIONAIS

Os riscos profissionais, conforme mencionado, são os que decorrem das condições precárias inerentes ao ambiente ou ao próprio processo operacional das diversas atividades profissionais. São, portanto, as condições inseguras do trabalho, capazes de afetar a saúde, a segurança e o bem estar do trabalhador. As condições inseguras relativas ao processo operacional, como por exemplo, máquinas desprotegidas, pisos escorregadios, empilhamentos precários, etc., são chamados riscos de operação. As condições inseguras relativas ao ambiente de trabalho, como por exemplo, a presença de gases e vapores tóxicos, o ruído e o calor intensos, etc., são chamados riscos de ambiente. Os riscos de ambiente são aqueles inerentes ao trabalho regulamentados pela NR-9 Riscos Ambientais que podem causar danos à saúde do trabalhador em função de sua natureza, concentração e tempo de exposição.

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RISCOS AMBIENTAIS CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS Podem ser classificados segundo a sua natureza e forma com que atuam no organismo humano. Esta classificação é dada a seguir: - agentes físicos - agentes químicos - agentes biológicos - agentes ergonômicos - agentes mecânicos ou de acidentes A ocorrência dos acidentes dependerá da atuação simultânea de uma série de fatores relativos a condição ambiental, a atividade profissional e ao próprio indivíduo. Quanto ao risco ambiental, a ocorrência de acidente dependerá de sua natureza e intensidade, evidentemente. Quanto ao indivíduo, dependerá de sua suscetibilidade ao agente, e quanto à atividade profissional, dependerá de suas características como a duração do processo e o tempo de exposição. Tais fatores devem sempre ser considerados em conjunto para uma análise real do risco que os agentes ambientais oferecem à saúde dos trabalhadores. A) AGENTES FÍSICOS Os agentes causadores em potencial de doenças ocupacionais são: - ruído - vibrações mecânicas - temperaturas extremas - pressões anormais - radiações ionizantes - radiações não ionizantes RUÍDO O risco elevado é talvez, o risco profissional mais freqüente na indústria, porém nem sempre considerado com o respeito que merece. Além de produzir uma redução na capacidade auditiva do trabalhador, a exposição intensa e prolongada ao ruído atua desfavoravelmente sobre o estado emocional do indivíduo com conseqüências imprevisíveis sobre o equilíbrio psicossomático. De um modo geral, quanto mais elevados os níveis encontrados, maior o número de trabalhadores que apresentarão início de surdez profissional e menor será o tempo em que este e outros problemas se manifestarão. É aceito ainda que o ruído elevado influi negativamente na produtividade, além de ser, freqüentemente, o causador indireto de acidentes do trabalho, por causa da distração ou mau entendimento de instruções ou mascarar avisos e sinais de alarme. - VIBRAÇÕES MECÂNICAS

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As vibrações mecânicas são também relativamente freqüentes na indústria, e podem ser subdivididas em duas categorias: vibrações localizadas e vibrações de corpo inteiro. Ambos os tipos, porém, nas condições normalmente encontradas, não oferecem preocupações sob o ponto de vista de riscos à saúde. Entretanto, exposições contínuas a níveis intensos poderão, em determinadas circunstâncias, produzir diversos males nos trabalhadores. Vibrações localizadas, características de operações com ferramentas manuais elétricas ou pneumáticas, por exemplo, poderão produzir, em longo prazo, alterações neuro-vasculares nas mãos dos trabalhadores, problemas nas articulações e braços e osteoporose (perda de substância óssea). Vibrações de corpo inteiro, a que estão expostos, por exemplo, operadores de grandes máquinas e motorista de caminhões e tratores, poderão produzir problemas na coluna vertebral, dores lombares, além de haver suspeitas de causarem pequenas lesões nos rins. TEMPERATURAS EXTREMAS As temperaturas extremas são condições térmicas rigorosas, em que são realizadas atividades profissionais. - Calor intenso é sem dúvida mais freqüente que o frio excessivo, como problema ocupacional no Brasil. Seja devido à multiplicidade dos processos industriais que liberam grandes quantidades de energia calórica, seja devido às nossas condições geográficas e climáticas predominantes. O calor intenso é responsável por uma série de problemas que afetam a saúde e o rendimento dos trabalhadores, conhecidos como males do calor ou doenças do calor. Entre as principais mencionam-se a insolação, a prostração térmicas, a desidratação e as cãibras do calor. O frio intenso é encontrado em diversos tipos de indústrias que utilizam câmaras frigoríficas ou ainda em operações executadas ao ar livre em certas regiões do país, especialmente durante os meses de inverno. Nessas condições, poderá provocar enregelamento dos membros, hipotermia (queda de temperatura do núcleo do corpo) além de lesões na epiderme do trabalhador, conhecidas como úlceras do frio. PRESSÕES ANORMAIS As pressões anormais são encontradas em trabalhos submersos ou realizadas abaixo do nível do lençol freático. Nestas condições utilizam-se pressões elevadas para expulsar a água do compartimento de trabalho, ficando, em tais condições, submetidos os operários a pressões atmosféricas acima do normal, podendo ocasionar-lhes danos à saúde, se não forem observadas certas medidas preventivas e de segurança. Além destes trabalhos que são realizados em caixões pneumáticos, campânulas, tubulões a ar comprimidos etc., as pressões elevadas podem afetar igualmente os mergulhadores profissionais.

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As pressões hidrostáticas elevadas apresentam os mesmos riscos que as pressões atmosféricas elevadas. Entre os problemas mais freqüentes que afetam os trabalhadores expostos à pressões elevadas mencionam-se a intoxicação pelo gás carbônico e diversos males conhecidos como doenças descompreensivas, das quais a mais grave é a embolia causado pelo nitrogênio. Pressões atmosféricas abaixo do normal podem também produzir algumas alterações no organismo do indivíduo, mas, essas exposições ocupacionais são bastante raras no Brasil. Isto ao fato de não possuirmos altitudes muito elevadas no país. Somente alguns poucos pilotos de aviões não pressurizados estarão sujeitos a este risco profissional. RADIAÇÕES IONIZANTES As radiações ionizantes oferecem sério risco à saúde dos indivíduos expostos. São assim chamadas porque produzem uma ionização nos materiais sobre os quais incidem, isto é, produzem a subdivisão de partículas inicialmente neutras em partículas eletricamente carregadas. As radiações ionizantes são provenientes de materiais radiativos como é o caso dos raios alfa (α), beta(β) e gama (γ) ou são produzidas artificialmente em equipamentos mo é o caso dos raios X. Diversos desses materiais e equipamentos são produzidos na indústria ou em outros estabelecimentos como instituto de pesquisa, hospitais, laboratórios, etc..., devendo sua manipulação obedecer as rigorosas normas de segurança e de proteção individual existente. Dependendo de sua natureza, as radiações ionizantes produzirão diversos males no organismo do trabalhador. Os raios alfa (α) e beta (β), de natureza corpuscular, possuem menor poder de penetração no organismo e portanto oferecem menor risco. Os raios X e γ, de natureza eletromagnética, possuem alto poder de penetração e entre os males causados incluem-se a anemia, a leucemia, o câncer e também alterações genéticas que podem comprometer fisicamente gerações futuras. RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES As radiações não ionizantes são de natureza eletromagnética e seus efeitos dependerão de fatores como duração e intensidade da exposição, comprimento de onda da radiação, região do espectro em que se situam, etc. A Radiação Infravermelha - também chamada de calor radiante é bastante comum em indústrias metalúrgicas, de fabricação de vidro e outras, onde existem fornos e materiais altamente aquecidos. É encontrada igualmente em trabalhos no ar livre, onde os operários ficam expostos à radiação solar. Além de contribuir para a sobrecarga térmica imposta ao trabalhador, a radiação infravermelha poderá causar queimaduras assim como a catarata que é uma doença irreversível. A Radiação Ultravioleta- é encontrada, por exemplo, em operações de solda elétrica, na fusão de metais e no controle de qualidade de peças com lâmpadas especiais.

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Seus efeitos principais são queimaduras, eritema, conjuntivite e câncer de pele. A Radiação Laser- é energia eletromagnética altamente concentrada num determinado comprimento de onda do espectro. Vem encontrado cada vez maiores aplicações na indústria sendo utilizada também em outras atividades profissionais como levantamentos topográficos e geodésicos, na medicina e nas comunicações. Seus principais efeitos são queimaduras na pele e nos olhos que podem ser bastante graves, conforme o tipo e duração da exposição à radiação. As Microondas- são bastante utilizadas nas comunicações sendo produzidas em instalações de radar e de radiotransmissão. São utilizadas ainda em alguns processos industriais químicos, em fornos de microondas e em secagem de materiais. Conforme a potência das estações de transmissão ou da energia liberada no processo poderão ficar submetidos os operadores à intensidades prejudiciais. Outros fatores devem ainda ser considerados nas exposições da onda, como a espessura ou a composição dos tecidos, etc., para que se possa avaliar melhor o risco. Os efeitos mais graves são os de natureza aguda como a catarata, e o superaquecimento dos órgãos internos que, em determinados casos, podem levar à morte. Efeitos crônicos podem ainda resultar de exposições prolongadas às microondas de baixa potência, entre as quais inclui-se a hipertensão, as alterações no sistema nervoso central, o aumento da atividade da glândula tiróide, etc..

B) AGENTES QUÍMICOS Ocorrência e Características dos Agentes Químicos Agentes químicos são os agentes ambientais causadores em potencial de doenças profissionais devida à sua ação química sobre o organismo dos trabalhadores. Podem ser encontrados tanto na forma sólida, como líquida ou gasosa. Além do grande número de materiais e substâncias tradicionalmente utilizadas ou manufaturadas no meio industrial, uma variedade enorme de novos agentes químicos vai sendo encontrados devido à quantidade sempre crescente de novos processos e compostos desenvolvidos. Por outro lado, freqüentemente os agentes químicos ocorrem como subproduto indesejável de inúmeros processos industriais. Grande parte dessas substâncias possui características tóxicas e, conseqüentemente, do agente do organismo. O grau de toxicidade de um determinado agente químico dependerá de características intrínsecas da substância como: estado físico, solubilidade, PH, etc., além da via de penetração do agente no organismo. Diversas substâncias apresentam ainda o risco de explosão quando em determinadas concentrações no ar atmosférico o que, certamente, constitui ameaça séria à integridade física do trabalhador. Na apreciação dos riscos que os agentes químicos oferecem, estes aspectos devem ser levados em consideração, além dos demais fatores desencadeantes das doenças profissionais já mencionados.

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ABSORÇÃO E ELIMINAÇÃO DOS AGENTES QUÍMICOS As três possíveis vias de penetração dos agentes químicos no organismo são: - via respiratória - via cutânea - via digestiva A via respiratória é inegavelmente a mais importante por ser a mais freqüente. Isto se deve ao fato de que, a maior parte dos agentes químicos encontra-se suspensos ou dispersos na atmosfera ambiente, em forma de poeiras, gases ou vapores. Além do mais uma grande quantidade de ar é respirada diariamente pelos trabalhadores. Durante as 8 (oito) horas diárias de trabalho de um indivíduo, este respira em média cerca de 8 metros cúbicos de ar. Muitos agentes químicos, entretanto, possuem a propriedade de penetrar através da pele intacta, produzindo intoxicações no trabalhador. É o caso, por exemplo, de diversos solventes industriais, fenóis, de alguns pesticidas e de outras substâncias que exigem a proteção adequada do trabalhador para impedir a sua penetração pela via cutânea. A penetração dos agentes químicos através da via digestiva, ocorre acidentalmente nos casos onde o trabalhador come, bebe ou fuma num ambiente de trabalho contaminado. Em tais condições, graves intoxicações podem acontecer. Estas podem ser de dois tipos: agudas ou crônicas. As intoxicações agudas são aquelas que em curto espaço de tempo provocam alterações profundas no organismo humano. São causadas por contaminantes muito tóxicos ou por outros, que embora menos tóxicos, se encontram em altas concentrações no ambiente. As intoxicações crônicas podem produzir danos consideráveis no organismo, porém, mais em longo prazo. Origina-se normalmente de exposições contínuas a baixos níveis de concentração dos poluentes. A fim de evitar tais intoxicações ocupacionais, a exposição do organismo dos agentes ambientais não deve ultrapassar determinados limites, compatíveis com a manutenção da saúde do trabalhador. Tais limites foram desenvolvidos e adotados nos países mais desenvolvidos e são estipulados em listas especiais denominadas Limites de Tolerância. Estas listas estabelecem os valores máximos para as concentrações dos agentes no ambiente, valores estes que se aplicam exclusivamente para as condições de trabalho dentro de certos limites, isto é, são válidos para regimes de trabalho de 8 horas diárias ou 40 horas semanais. Baseiam-se estes valores máximos em estudos epidemiológicos e toxicológicos ou em informações obtidas através de exposições acidentais aos agentes em níveis extremamente elevados. Até o presente as tabelas existentes cobrem apenas agentes químicos e físicos, e os limites estão sujeitos as revisões anuais, podendo ser alterados em funções de novas informações sobre os agentes. Além de se aplicarem exclusivamente a ambientes de trabalho, os Limites de Tolerância devem ser usados somente como orientação no controle de agentes que oferecem risco à saúde.

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Em nenhuma hipótese devem ser encarados como linha divisória entre situações seguras. Em alguns casos os Limites de Tolerância podem ser ultrapassados durante um certo tempo em quantidades estipuladas na Tabela. Em outros, são concentrações - teto que não devem ser excedidas em nenhuma circunstância. Existem indicações especiais a esse respeito na tabela, como também sobre as substâncias que podem ser absorvidas pela pele. Os agentes químicos, conforme foi visto, devido à sua natureza, podem ser absorvidos pelo organismo e poderão, ou não, ser eliminadas pelo mesmo. Diversas substâncias possuem a propriedade de se acumularem nos tecidos, nos órgãos ou nos ossos, sendo a sua eliminação bastante demorada ou difícil. Quando são eliminadas do organismo, as substâncias podem se apresentar inalteradas ou então transformadas em outros compostos. As substâncias podem ser eliminadas do organismo através de três vias: urinárias, fezes e, em menor quantidade, pelo suor. CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES QUÍMICOS Os agentes químicos podem ser classificados de diversas formas, segundo suas características tóxicas, estado físico, etc. Conforme foi observado, os agentes químicos são encontrados em forma sólida líquida e gasosa. Os sólidos são, por exemplo, as poeiras nocivas podem provocar uma série de doenças nos pulmões. As poeiras podem ser de origem mineral, vegetal ou animal. Entre as primeiras, encontram-se de sílica livre e cristalina que produzem silicose; as de berilo que produzem berilose, etc. Entre as segundas estão as fibras vegetais, como o algodão, que produzem bissinose, etc. Entre as fibras de origem animal que podem causar doenças estão, por exemplo, aquelas provenientes de pelo e couro de animais. Existem ainda fibras de origem sintética (de alguns plásticos, por exemplo) capazes de provocar moléstias profissionais. Os agentes em forma líquida são constituídos por ácidos, solventes, etc. Estão-se em forma de partículas pequenas em suspensão no ar, podem causar danos ao sistema respiratório. Podem produzir também dermastoses em contato com a pele, irritações, queimaduras, etc. Entretanto a maioria das exposições aos agentes químicos na indústria ocorre quando estes se encontram em forma de gás ou vapor. Os mais comuns são dióxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio, monóxidos de carbono, vapores de solventes, etc. Seus efeitos variam bastante. Alguns são praticamente inertes, outros apresentam até a possibilidade de morte, mesmo em concentrações muito pequenas e em exposições curtas, como é caso do ácido cianídrico. CLASSIFICAÇÃO FÍSICA DOS CONTAMINANTES ATMOSFÉRICOS Os agentes químicos quando se encontram em suspensão ou dispersão no ar atmosférico. Estes podem ser classificados em: - aerodispersóides

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- gases - vapores Aerodispersóides: são dispersores de partículas sólidas ou líquidas, de tamanho bastante reduzido (abaixo de 100 microns) que podem se manter por longo tempo em suspensão no ar. EXEMPLOS: Poeiras: são partículas sólidas, produzidas mecanicamente por ruptura de partículas maiores. Fumos: são partículas produzidas por condensação de vapores metálicos. Fumaça: são sistemas de partículas combinadas com gases que se originam em combustões incompletas. Névoa: são partículas líquidas produzidas mecanicamente em processo “spray”, por exemplo. Neblina: são partículas líquidas produzidas por condensação de vapores. O tempo que os aerosdispersóides podem permanecer no ar depende de seu tamanho, peso específico (quanto maior o peso específico, menor o tempo de permanência) e da velocidade de movimentação do ar. Evidentemente, quanto mais tempo o aerodispersóides ficar no ar, maior é a chance de ser inalado e de produzir intoxicações no trabalhador. As partículas mais perigosas são as que se situam abaixo de 10 microns, visíveis com microscópio. Estas constituem a chamadas frações respiráveis, pois pode ser absorvida pelo organismo através do sistema respiratório. As partículas maiores, normalmente ficam retidas nas mucosas da parte superior do aparelho respiratório, de onde são expelidas através da tosse, expectoração, ou pela ação dos cílios. - Gases: são dispersores de moléculas no ar, misturadas completamente com este (o próprio ar é uma mistura de gases). - Vapores: são também dispersores de moléculas no ar que, ao contrário dos gases, podem condensar-se para formar líquidos ou sólidos em condições normais de temperatura e pressão. Uma outra diferença importante é que os vapores em recintos fechados podem alcançar uma concentração máxima no ar, que não é ultrapassada, chamada saturação. Os gases, por outro lado, podem chegar a deslocar totalmente o ar de um recinto. CLASSIFICAÇÃO FISIOLÓGICA DOS CONTAMINANTES ATMOSFÉRICOS

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Os agentes químicos podem ainda ser classificados segundo a sua ação sobre o organismo humano. Como a maioria destes encontra-se em dispersão no ar, serão abordados os efeitos fisiológicos resultantes de absorção através da via respiratória. Entretanto, quando um determinado agente é classificado como irritante das mucosas do aparelho respiratório, pode-se esperar que possua ação semelhante em outras mucosas do corpo humano e em muitos casos, na própria pele. Convém lembrar que os efeitos fisiológicos dos contaminantes, especialmente dos gases e vapores, variam segundo a concentração em que se encontra no ar, motivo pelo qual um mesmo contaminantes pode ter diferentes classificações fisiológicas. Porém, o grosso modo, pode-se fazer a seguinte classificação: 1) IRRITANTES Estes, devido a uma ação química ou corrosiva, têm a propriedade de produzir inflamação nos tecidos com quais entram em contato. Atuam, principalmente, sobre os tecidos de revestimento epiteliais como a pele, mucosas das vias respiratórias conjuntivas oculares, etc. A forma de ação é determinada, principalmente por características físicas como solubilidade, volatilidade e ponto de ebulição do agente. Os irritantes muito solúveis são absorvidos pelos primeiros tecidos epiteliais que encontram, ou seja, quando ingressam pela via respiratória ficam absorvidos principalmente pelo nariz e garganta. (Ex: amoníaco, poeiras alcalinas, etc.). Os de solubilidade moderada atuam em todas as partes do sistema respiratório (Ex: cloro, ozona, iodo, etc.) Todavia, há um grupo de irritantes orgânicos que não segue esta regra de solubilidade. Isto é, ainda que pouco solúveis, exercem ação irritante nas vias respiratórias superiores. É o caso da acroleína, que se encontra nos gases de escapamento de motores diesel. Existe também, um grupo se irritantes chamados secundários, que além da ação inflamatória atuam sobre todo organismo. Por exemplo: o ácido sulfídrico (H2S), éteres, etc. 2) ASFIXIANTES Estes são classificados em simples e químicos Os simples são os que, sem interferir nas funções do organismo, podem provocar asfixia por reduzir a concentração de oxigênio no ar. Exemplos: metano, nitrogênio, dióxido de carbono, hélio, etc. Os de atuação química interferem no processo de absorção de oxigênio do sangue ou nos tecidos. A forma de interferência depende do tipo do composto. Neste grupo encontram-se o monóxido de carbono, gás sulfídrico, nitrilos, etc. 3) NARCÓTICOS Os contaminantes narcóticos apresentam uma ação depressiva sobre o sistema nervoso central, produzindo efeito anestésico após terem sido absorvidos pelo sangue. Exemplo: éter etílico, acetona, éter isopropílico.

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4) INTOXICANTES SISTÊMICOS São compostos que podem causar tanto intoxicações agudas como crônicas. Compostos que causam lesões nos órgãos As exposições agudas (às concentrações elevadas), ainda que breves, podem ser graves, causando até a morte em alguns casos. Exemplos: hidrocarbonetos halogenados (clorofórmio tetrocloreto de carbono, cloreto de vinila, etc.). Compostos que causam lesões no sistema formador de sangue São acumulada em tecidos graxos, medula de ossos e sistema nervoso. Exemplos: hidrocarbonetos aromáticos (benzeno, tolueno, xileno). O benzeno requer atenção especial, pois pode produzir anemia incurável se a exposição for prolongada. Em alguns casos pode também produzir leucemia. Compostos que afetam o sistema nervoso Sua eliminação em geral é feita com lentidão. Neste grupo encontram-se os álcoois metílicos e etílicos, dissulfeto de carbono, e éteres de ácidos orgânicos. Compostos tóxicos inorgânicos e metais tóxicos Os compostos de tóxicos inorgânicos são sais de não metais, cuja toxidade varia numa ampla faixa. Entre os mais perigosos estão os sais de cianuretos (cianureto de sódio ou cianureto de potássio). Outros exemplos são: floretos e compostos de arsênio, fósforo, enxofre, etc. Podem produzir febre dos metais, dermatoses, alterações no sistema nervoso central, câncer e diversas intoxicações graves. Material particulado Nesta categoria estão incluídas poeiras, fumos, névoas, etc., que não foram provenientes classificados como intoxicantes sistêmicos. Poeiras Produtoras de Fibrose As poeiras que não produzem reação fisiológica apreciável são chamadas inertes, podem ficar retidas nos pulmões, mas, não produzem alterações. Somente apresentam problemas quando presentes em concentrações muitos elevadas. Exemplos: alguns carbonatos, sais complexos de alumínio, carvão, carborundum, etc. Partículas alergizantes e irritantes Podem atuar sobre a pele ou aparelho respiratório. Entre as primeiras estão poeiras de algumas madeiras (ex: caviúna), bem como partículas de óleos vegetais, como óleo de castanha de caju, partículas de ácidos, cromatos, etc. Entre as que podem atuar sobre o aparelho respiratório, inclui-se a poeira de semente seca de mamona, pólens, resinas, etc. C) AGENTES BIOLÓGICOS Agentes biológicos são microorganismos causadores de doenças com os quais o trabalhador pode entrar em contato no exercício de diversas atividades profissionais. Vírus, bactérias, parasitas, fungos, bacilos são exemplos de microorganismo aos quais freqüentemente ficam expostos médicos, enfermeiros, funcionários de hospitais, sanatórios e laboratórios de análise biológica, lixeiros, açougueiros, lavradores, tratadores de gado, trabalhadores de curtume e estações de tratamento de esgoto, etc.

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Entre as inúmeras doenças profissionais causadas pelos agentes biológicos, inclui-se, por exemplo, a tuberculose, a brucelose, o tétano, a malária, a febre tifóide, a febre amarela e o carbúnculo. Evidentemente, tais doenças só devem ser consideradas profissionais quando estiverem diretamente relacionadas com exposições ocupacionais aos microorganismos patológicos. Isto é, quando causada diretamente pelas condições de trabalho. Apesar do conhecimento razoável sobre os efeitos de tais organismos nos seres humanos, as técnicas de avaliação quantitativa dos mesmos, bem como os estudos sobre as máximas concentrações permissíveis no ar, ainda se encontram nos estágios iniciais de pesquisa. Por esse motivo todo cuidado deve ser tomado nas atividades em que os trabalhadores possam ficar expostos a agentes biológicos. Para o controle do pessoal exposto aos agentes biológicos as medidas preventivas mais usuais são: - vacinação - esterilização - rigorosa higiene pessoal, das roupas e dos ambientes de trabalho - equipamento de proteção individual - ventilação adequada - controle médico permanente D) Agentes Ergonômicos Agentes ergonômicos são aqueles relacionados com fatores fisiológicos e psicológicos inerentes à execução das atividades profissionais. Estes fatores podem produzir alterações no organismo e estado emocional dos trabalhadores, comprometendo a sua saúde, segurança e produtividade. Entre os principais fatores incluem-se a monotonia, a posição e o ritmo de trabalho, a fadiga, a preocupação, trabalhos repetitivos, etc. Atualmente observa-se ainda a tendência de se considerar como agentes ergonômicos outros fatores como, por exemplo, as condições térmicas e de iluminação do ambiente de trabalho. Este enfoque se justifica, pois, tais fatores entre outros, enquadram- se na definição de agentes ergonômicos, e seu estudo identifica-se com os objetivos da ergonomia. A ergonomia é uma ciência bastante recente, em muitos pontos coincidentes com a Segurança do Trabalho. A Organização Internacional do Trabalho define ergonomia como a aplicação das ciências biológicas humanas em conjunto com os recursos e técnicas da Engenharia para alcançar o ajustamento mútuo ideal entre o Homem e seu trabalho, e cujos resultados se medem em termos de eficiência humana e bem estar no trabalho. O ajustamento mútuo do Homem e seu trabalho obtêm- se através de medidas como: a modernização e higienização dos ambientes de trabalho , modificação dos processos, o projeto de máquinas e ferramentas perfeitamente adequadas ao operário, adoção de ritmos e posições adequadas ao trabalho, a assistência médico- psicologia ao empregado, é feito levando- se em consideração: 1) Aspectos biomecânicos - que são as implicações juntas e nervos. do trabalho nos músculos,

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2) Aspectos sensoriais – como a fadiga visual, cores sinais auditivos e outros fatores semelhantes. 3) Aspectos ambientais – como iluminação, temperatura , umidade , ruído, contaminantes, atmosféricos, vibração. 4) Aspectos psicológicos e sociais do ambiente de trabalho Estes fatores quando considerados isoladamente ou em conjunto permitirão introduzir diversas modificações ambientais, trazendo benefícios aos trabalhos e à própria empresa uma vez que haverá melhor aproveitamento da mão de obra, menor custo operacional, redução de tempo de treinamento de pessoal, etc. D) Agentes Mecânicos Arranjo físico Máquinas e equipamentos Ferramentas manuais defeituosas, inadequadas e inexistentes Transporte de materiais Eletricidade Sinalização Perigo de Incêndio ou explosão Edificações Armazenamento inadequado Outros

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8- COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA) CIPA significa Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Seu objetivo é "observar e relatar as condições de risco nos ambientes de trabalho e solicitar medidas para reduzir até eliminar o riscos existentes e/ou neutralizar os mesmos..." Sua missão é, portanto, a preservação da saúde e integridade física dos trabalhadores e de todos os que interagem com a empresa (aqueles que prestam serviço para a empresa). Cabe à CIPA investigar os acidentes e promover e divulgar o zelo pela observância das normas de segurança, bem como a promoção da Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SIPAT). Aos trabalhadores da empresa compete indicar à CIPA situações de risco, apresentar sugestões e observar as recomendações quanto à prevenção de acidentes, utilizando os equipamentos de proteção individual (EPIs) e de proteção coletiva fornecidos pelo empregador, bem como submeter-se a exames médicos previstos em Normas Regulamentadoras, quando aplicável. Vale lembrar que a CIPA não trabalha sozinha!! O seu papel mais importante é o de estabelecer uma relação de diálogo e conscientização, de forma criativa e participativa, entre gerentes e colaboradores em relação à forma como os trabalhos são realizados, objetivando sempre melhorar as condições de trabalho, visando a humanização do trabalho.

A CIPA terá por atribuição:

Realizar a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de riscos que foram identificadas; Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho; Realizar periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando a identificação de situações que venha a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores; Elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúdes no trabalho; Identificar os riscos do processos de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com as participação do maior número de trabalhadores com assessoria do SESMT, onde houver;

Cabe aos empregados: Indicar a CIPA, ao SESMT e ao empregador situações de riscos e apresentar sugestões para melhoria das condições de trabalho;

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Observar e aplicar no ambiente de trabalho as recomendações quanto a prevenção de acidentes e doenças decorrente do trabalho. Colaborar com a gestão da CIPA; Participar da eleição de seus representantes;

Cabe ao presidente da CIPA: Delegar atribuições ao vice-presidente; Manter os empregados informados sobre os trabalhos da CIPA; Coordenar e supervisionar as atividades de secretária; Coordenar as reuniões da CIPA, encaminhado ao empregador e ao SESMT, quando houver, as decisões da comissão; Convocar os membros para as reuniões da CIPA; Cabe ao Vice-Presidente: Substituir o Presidente nos seus impedimentos eventuais; Executar atribuições que lhe forem determinadas;

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9- EPI (EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL) Antes de qualquer outra colocação, cumpre esclarecer que os EPI's (equipamentos de proteção individual) foram concebidos única e exclusivamente para serem adotadas apenas em situações bem específicas e legalmente previstas, como o caso em que medidas de proteção coletiva são inviáveis - casos de emergência - ou enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implementadas. O empregador brasileiro, contrariando a própria essência do EPI, faz uso deste como primeira opção, quando na verdade deveria ser a última, partindo, inclusive, do pressuposto que o EPI é remédio para todos os males em matéria de segurança do trabalho. Erroneamente, muitas empresas acreditam que o simples ato de fornecimento dos EPI's está isentando total e irrestritamente as responsabilidades advindas do acidente de trabalho ou doença profissional. Aliás, em caso de acidente de trabalho, onde a empresa negligenciou ou não forneceu o EPI, esta, através de seu representante, responde civil e criminalmente pela omissão. Nos dias de hoje, deparamos com empresas e mais empresas que sequer fornecem os EPI's adequados, e ainda assim, acreditam estar protegendo os trabalhadores; EPI's são adquiridos e especificados pelo setor de suprimentos, cujo único critério de seleção é o menor preço. A NR-6 elenca as condições para que um EPI possa ser considerado instrumento neutralizador da insalubridade e o primeiro destes é exatamente o fator adequabilidade ao risco; o equipamento deve ser especificado por profissional competente, não se permitindo que o mero "achismo" faça a escolha; deparamos com trabalhadores expostos a vapores orgânicos usando máscaras para poeira, da mesma forma que trabalhadores usam protetores auriculares cuja atenuação não é suficiente para fazer com que a exposição fique abaixo da dose; ou ainda, o uso de luvas de raspa para o manuseio de solventes. Também não é recomendável o superdimensionamento, especialmente no caso dos protetores auriculares; temos notícia de processos nos Estados Unidos envolvendo vultosas indenizações, porque o trabalhador foi vítima de acidente que poderia ter sido evitado por aviso sonoro - se o protetor que estivesse usando não interferisse na comunicação - evitando que o acidentado ouvisse o sinal. O EPI, quando mal dimensionado ou inadequado ao risco, passa a ter caráter inverso do que foi inicialmente proposto, facilitando, em muitos casos, a ocorrência de acidentes.

COMPETÊNCIAS(do empregador, empregado, DSST e DRT) A aquisição do EPI é de responsabilidade do empregador, e tem de ser feita de forma criteriosa; a empresa vendedora tem por obrigação a apresentação do C.A. Certificado de Aprovação - que consiste em documento emitido pelo DSST Departamento de Segurança e Saúde do Trabalhador, o qual atesta que o equipamento reúne condições de servir ao fim a que se presta. Além do C.A., o fabricante deverá apresentar o C.R.F. - Certificado de Registro de Fabricante, e o

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importador, o C.R.I. - Certificado de Registro de Importador, ambos também emitidos pelo DSST. Detalhe importe é que, legalmente, o EPI tem de ser fornecido gratuitamente, e na realidade algumas empresas obrigam os empregados a assinarem vales para desconto em folha de pagamento, a exemplo de botinas e uniformes, o que contraria frontalmente a Lei. É importante alertar as empresas que os EPI's devem ser fornecidos mediante recibo firmado pelo trabalhador, constituindo-se em única prova a ser produzida em juízo da entrega de tais equipamentos; todos os equipamentos têm de estar relacionados analiticamente na ficha de entrega de EPI's, mesmo aqueles cujo fornecimento seja constante, a exemplo de luvas de látex e protetores descartáveis. Sob a responsabilidade do empregador estão também a manutenção e higienização do EPI; cabe ao empregador promover a limpeza dos mesmos, a exemplo das máscaras não descartáveis, óculos e protetores tipo plug (estes devem ser lavados para se evitar infecção do canal auditivo). Alguns EPI's são passíveis de conserto e de terem suas partes substituídas, prolongando sua vida útil - como por exemplo, o protetor tipo concha, que possui peças de reposição no mercado. Para o protetor tipo concha existe uma máxima que diz: o conforto é inversamente proporcional à proteção; assim, a partir do momento em que o protetor tipo concha estiver confortável, é exatamente por que não está exercendo a pressão adequada, permitindo vazamento, não cumprindo sua função de atenuar ruídos. Observamos verdadeiros absurdos de trabalhadores que usam protetores auriculares descartáveis por várias semanas, contrariando totalmente a finalidade para a qual foram concebidos; em visita a empresas no primeiro mundo, notamos que os EPI's estão disponíveis na fábrica para que sejam trocados diariamente pelo trabalhador. A durabilidade do EPI está diretamente ligada ao tipo de atividade e condições ambientais a que este está sendo submetido, somente existindo, com algumas exceções, métodos empíricos para se determinar se o EPI está imprestável. No caso de máscaras, é bem nítido o instante em que o equipamento não produz mais o efeito desejado, pois o trabalhador passa a sentir o cheiro do contaminante ou dificuldade de respirar, pela obstrução dos poros do filtro. Outro detalhe ao qual as empresas não estão atentas é que de nada adianta fornecer o EPI cercado de todos os cuidados, se o trabalhador não recebeu treinamento para usálo; a eficiência do equipamento, particularmente os protetores auriculares e máscaras, depende essencialmente do modo como são usados, sob risco de não promoverem a atenuação especificada. Assim, é igualmente importante que a empresa treine o trabalhador com recursos próprios, ou por meio dos fabricantes de EPI's que já fazem este trabalho gratuitamente, através de palestras ou mini cursos. Mais uma vez, deve a empresa documentar que treinou o trabalhador ao uso do EPI, seja por meio de termo na própria ficha de entrega, seja por meio de emissão de certificado.

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Uma vez que o EPI foi extraviado ou encontra-se sem condições de uso, cabe à empresa promover imediatamente a sua substituição; legalmente, o empregado está sujeito a responsabilizar-se por sua guarda, e se assim não agir, sujeitar-se-á a indenizar a empresa o valor do EPI perdido, e, ainda, tem por obrigação comunicar ao empregador quando seu EPI não tiver mais condições de uso. Cabe ao empregador: Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade e que possua Certificado de aprovação – CA; Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, sua guarda e conservação, além de exigir seu uso; Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica do EPI, devendo substituí-lo, imediatamente, quando danificado ou extraviado; e, Comunicar ao MTE qualquer irregularidade observada. Cabe ao empregado: Usar o equipamento de proteção individual apenas para a finalidade a que se destina, inclusive observando as determinações do empregador sobre o uso adequado; Responsabilizar-se por sua guarda e conservação; Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para o uso. Cabe ao DSST: Cadastrar o fabricante ou importador de EPI; Receber, examinar aprovar e registrar o EPI; Estabelecer, quando necessário, os regulamentos técnicos para ensaios de EPI`s; Emitir, renovar, suspender ou cancelar o CA ou o cadastro do fabricante ou do importador; e Fiscalizar a qualidade dos EPI`s. Cabe ao DRT: • Fiscalizar e orientar quanto ao uso adequado e ã qualidade do EPI; • Recolher amostras de EPI; e • Aplicar, na sua esfera de competência, as penalidades cabíveis pelo descumprimento da NR6.

Lista de Equipamentos de Proteção Individual EPI para proteção da cabeça Capacetes Capacetes destinados a proteção do crâneo nos trabalhos sujeitos a: • Agentes metereológicos (trabalhos a céu aberto); • Impactos provenientes de queda, proteção de objetos e outros; • Penetrações; • Arrancamento de cabelos e couro cabeludo.

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Características principais dos capacetes Os capacetes são normalmente constituídos por um casco e uma suspensão(carnera e coroa) que tem como principal função receber, absorver e distribuir as forças dos possíveis impactos, evitando contato direto com o crânio e favorecendo a ventilação natural. Capuzes e capuzes com viseiras Para trabalhos em temperaturas elevadas protegendo a cabeça, pescoço, a face e os olhos através de visores com filtros de luz. São equipamentos de proteção individual adequados principalmente para forneiros, fundidores e outras funções que envolvam riscos de mesma natureza. EPI para proteção de olhos e face Constituídos por viseiras, óculos e máscaras, visam proteger os olhos e face em trabalhos sujeitos a: Projeção de partículas sólidas; Respingos decorrentes do trabalho com metais em fusão; Líquidos agressivos e produtos químicos diversos; Vapores; Gases; Poeiras; Radiações luminosas e caloríficas. Óculos tipo convencional(comum) com protetores Laterais Para trabalhos sujeitos a projeção de partículas sólidas, armações, hastes e protetores laterais em acetato de celulose ou material similar, com lentes de resina sintética de boa qualidade que resistam a altos impactos. Óculos contra aerodispersóides Para trabalhos sujeitos a poeiras, fumos, fumaças, névoas, neblinas etc. Armação em material flexível não irritante para a pele normal e dotada de elástico para retenção e ajuste perfeito do equipamento à cabeça. O material pode ser de PVC atóxico ou material equivalente, capaz de resistir a desinfecções periódicas, corrosões, absorção de água e inflamabilidade, recomendadas pelas normas. Óculos contra gases e vapores Para dispersão de moléculas no ar completamente misturadas com ele, tais como monóxido de carbono, óxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, metano e amoníaco. Armação de borracha , PVC atóxico ou material equivalente, com sistema de vedação perfeito que não permita a penetração de gases ou vapores. Lentes de segurança resistentes a impactos de partículas. Óculos contra Ofuscamento e Radiações Infravermelha, Ultravioleta e Térmica Para proteção ocular em atividades desenvolvidas em fornos de fundições, fornalhas, materiais incandescentes ou em fusão, solda elétrica ou a gás. Filtros de luz especiais para filtragem adequada das radiações. Armação em celeron ou material similar, capaz de resistir às altas temperaturas. Lentes endurecidas para resistência de impactos e respingos e sistema de ventilação com válvula de transpiração, para evitar o embaçamento das lentes.

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Protetores faciais Os protetores faciais são indicados principalmente para operações com usinagem que possam originar projeções de partículas, operações com polimento e limpeza com escovas de aço e esmerilhamentos diversos. São constituídos por um anteparo articulado. Mantido emuma suspensão ajustável. Quando necessário incorporam também uma proteção para cabeça. Máscaras para soldadores As máscaras para soldador proporcionam proteção eficiente para a face, olhos, orelhas e pescoço contra energia radiante e respingos provenientes das operações de soldagem. EPI para proteção auditiva Os ruídos podem produzir efeitos nocivos sobre a saúde dos trabalhadores que, podem chegar a surdez profissional irreverssível, quando submetidos ã exposição prolongada em níveis sonoros elevados de 90 db a 120db ou exposição curta em níveis muito elevados de 120 a 150 db(A). Protetores de inserção moldados São aqueles que são colocados diretamente na entrada do canal auditivo do ouvido, são protetores com forma definida, geralmente fabricados em plástico ou borracha, de tal forma macios e flexíveis que permitem fácil ajuste a configuração do ouvido. Protetores de inserção moldáveis Os protetores de inserção moldáveis podem ser confeccionados de diversos materiais como fibras sintéticas, ceras especiais, algodão etc. Pequeno cone de um desses materiais é inicialmente moldado na palma da mão, sendo depois inserido pelo seu vértice no canal auditivo e pressionado de tal forma que se amolde perfeitamente ao perfil do canal auditivo e ali se mantenha na posição adequada. OBS: A Atenuação dos protetores de inserção varia de acordo com a freqüência (Hz) atingindo um NRR (Nível de Redução de ruído) da ordem de 29 dB. Protetores Circum-Auriculares Os protetores Circum-Auriculares são constituídos por duas peças elípticas em forma de concha unidas por uma haste flexível. OBS: A Atenuação dos protetores Circum-Auriculares varia de acordo com a freqüência (Hz) atingindo um NRR (Nível de Redução de ruído) da ordem de 23 dB.

EPI para proteção do tronco A proteção do tronco pode ser conseguida através da utilização de aventais, jaquetas, capas e outras vestimentas que protegem o tronco de altas temperaturas, umidade, agentes físicos cortantes ou perfurantes, respingos de produtos químicos. Devem ter ajuste perfeito, para que não interfiram nos movimentos dos trabalhadores.

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EPI para proteção respiratória Pelo efeito de sua proteção os equipamentos de proteção respiratória são divididos em 2 grupos principais, assim temos “os dependentes”(purificadores de ar) que dependem do efeito do ar atmosférico e “os independentes”(adução de ar), aqueles que independem do efeito ao ar atmosférico ambiental. Respiradores purificador de ar São aqueles em que os filtros de respiração retêm os poluentes do ar respirado, porém não fornecem oxigênio. Em decorrência deste fato só poderão ser usados em atmosferas que contenham no mínimo 19,5% em volume de oxigênio. Filtros contra aerodispersóides consistem de material fibroso microscopicamente fino. Partículas sólidas e líquidas são retidas na superfície dessas fibras com grande eficiência. Os filtros contra gases são recheados com carvão ativo, cuja estrutura porosa oferece uma grande superfície. Enquanto o ar respirado flui através da carga de carvão ativo do filtro, as moléculas do contaminante são retidas na grande superfície do carvão ativo granulado. Para muitos outros gases (por exemplo: amônia, cloro, dióxido de enxofre), o efeito de retenção no filtro poderá ser melhorado com a impregnação do carvão com produtos químicos de retenção, utilizando-se para tanto sais minerais e elementos alcalinos Os filtros combinados formam a união de filtro contra gases e de filtro contra aerodispersóides numa mesma unidade filtrante. Oferecem proteção quando gases e aerodispersóides aparecem simultaneamente no ambiente. O ar inalado atravessa inicialmente o filtro contra aerodispersóides que retêm todas as partículas em suspensão no ar.

Respiradores de adução de ar Estes respiradores são usados quando não usamos o ar do ambiente. O equipamento autônomo com cilindro de ar não apresenta restrições quanto ao ambiente, que poderá conter contaminantes e/ou deficiência de oxigênio. Seu emprego se adapta mais as situações de emergência, como resgates e manutenções especiais, considerando-se o tempo limitado de operação, que pode chegar no máximo a uma hora, dependendo da atividade física e da familiaridade do usuário com o equipamento. O equipamento a ar insuflado funciona com o envio de ar através de tubulação com diâmetro de 20 a 25 mm, insuflado por meio de bomba manual ou de compressor de baixa pressão. EPI para proteção dos membros superiores Por membros superiores entendem-se os braços, os antebraços e as mãos. Dos membros superiores, particularmente as mãos, são, sem dúvida nenhuma, os mais expostos aos riscos, na maior parte das atividades laborativas. Mesmo com todo o avanço da informática, da automação e da robótica, as mãos humanas continuam indispensáveis e expostas a riscos como: ferramentas cortantes, golpes e choques elétricos, queimaduras, radiações ionizantes, substâncias químicas e etc. A proteção dos membros superiores pode ser obtida através da utilização de:Luvas, braçadeira e dedeira.

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EPI para proteção dos membros inferiores Por membros inferiores entende-se as pernas e os pés. Principalmente os Pés, além dos variados esforços de correntes do deslocamento normal durante uma jornada de trabalho, estão sujeitos a uma variedades de riscos, que incluem principalmente: Substâncias químicas, agentes térmicos, objetos perfurantes, arestas cortantes, umidade e etc. A Proteção dos membros inferiores é obtida através da utilização dos EPI`s adequados, tais como sapatos, botinas, botas, perneiras, caneleiras e etc. EPI para proteção contra quedas Sem especificidades para a proteção de determinada parte do corpo, os cinturões são dispositivos indispensáveis contra os riscos de quedas em situações como: Trabalhos em grandes alturas, trabalhos específicos que, mesmo realizados em pequenas alturas(acima de dois metros), podem ensejar a queda do trabalhador.

EPI para proteção do corpo inteiro Frequentemente, como proteção principal ou complementar, é necessário a utilização de roupas especiais, protegendo assim o corpo inteiro, contra agentes nocivos inerentes à atividade desenvolvida e impossíveis de eliminar através de controle ambiental. Como exemplo, podemos destacar: Temperaturas extremas presentes em frigoríficos e fundições, tratamento germicida, substâncias radioativas, etc. Finalmente, de nada adianta o cumprimento de todos os requisitos anteriores, se não for cumprida a principal exigência que é a obrigatoriedade do uso do EPI; a empresa tem, legalmente, que obrigar o uso do equipamento, inclusive recorrendo-se da rescisão do contrato de trabalho por justa causa pelo empregado (art. 482 da C.L.T.) nos casos de comprovada resistência ao uso. Conforme item 1.8.b. da NR-1, constitui ato faltoso pelo empregado a recusa injustificada do uso do EPI. A adoção de comportamento paternalista, deixando o empregado à vontade no uso do EPI, traz sérias conseqüências à empresa, inclusive descaracterizando o fornecimento por força do Enunciado 289; assim, deve a empresa iniciar um trabalho de conscientização de todos os trabalhadores, através de palestras, cursos e vídeos, além da SIPAT, para o uso do equipamento, ao invés de criar um clima policialesco, em que o departamento de segurança gasta grande parte de seu tempo monitorando o uso do equipamento pelos trabalhadores.

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10- CÓDIGOS E SÍMBOLOS DE SST Introdução Sendo, a visão, a capacidade sensitiva mais usada pelo homem (aproximadamente 87% das sensações recebidas passam pelo órgão da visão), e como em muito caso há necessidade de uma rápida distinção entre o perigoso e o seguro, ou da localização de certos equipamentos, com segurança e rapidez, resolveu-se padronizar o uso das cores. Com o uso de cores padronizadas, pode-se, em caso de incêndio, localizar os equipamentos de combate ao fogo, com rapidez,distinguir os dispositivos de parada de emergência de máquinas ou notar suas partes perigosas. O uso de tubulações pintadas em cores padronizadas permite distinguir cada elemento transportado em uma tubulação entre diversas tubulações existentes dentro de uma empresa.

Cores e Sinalização na Segurança do Trabalho Tem por objetivo fixar as cores que devem ser usadas nos locais de trabalho para prevenção de acidentes, identificando os equipamentos de segurança, delimitando áreas, identificando as canalizações empregadas nas empresas para a condução de líquidos e gases, e advertindo contra riscos. Deverão ser adotadas cores para segurança em estabelecimentos ou locais de trabalho, a fim de indicar e advertir acerca dos riscos existentes. A utilização de cores não dispensa o emprego de outras formas de prevenção de acidentes. O uso de cores deverá ser o mais reduzido possível, a fim de não ocasionar distração, confusão e fadiga ao trabalhador. As cores aqui adotadas serão as seguintes: Vermelho, amarelo, branco, preto, azul, verde, laranja, púrpura, lilás, cinza, alumínio, marrom. A indicação em cor, sempre que necessária, especialmente quando em área de trânsito para pessoas estranhas ao trabalho, será acompanhada dos sinais convencionais ou a identificação por palavras.

Vermelho O vermelho deverá ser usado para distinguir e indicar equipamentos e aparelhos de proteção e combate a incêndio. Não deverá ser usada na indústria para assinalar perigo, por ser de pouca visibilidade em comparação com o amarelo (de alta visibilidade) e o alaranjado (que significa Alerta). É empregado para identificar: Caixa de alarme de incêndio;

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Hidrantes; Bombas de incêndio; Sirene de alarme de incêndio; Extintores e sua localização; Indicações de extintores (visível à distância, dentro da área de uso do extintor); Localização de mangueiras de incêndio (a cor deve ser usada no carretel, suporte, moldura da caixa ou nicho); Tubulações, válvulas e hastes do sistema de aspersão de água; Transporte com equipamentos de combate a incêndio; Portas de saídas de emergência; Rede de água para incêndio (SPRINKLERS); Mangueira de acetileno (solda oxiacetilênica). A cor vermelha será usada excepcionalmente com sentido de advertência de perigo: Nas luzes a serem colocadas em barricadas, tapumes de construções e quaisquer outras obstruções temporárias; Em botões interruptores de circuitos elétricos para paradas de emergência. Amarelo Em canalizações, deve-se utilizar o amarelo para identificar gases não liqüefeitos. O amarelo deverá ser empregado para indicar "Cuidado!", assinalando: Partes baixas de escadas portáteis; Corrimões, parapeitos, pisos e partes inferiores de escadas que apresentem risco; Espelhos de degraus de escadas; Bordos desguarnecidos de aberturas no solo (poço, entradas subterrâneas, etc.) e de plataformas que não possam ter corrimões; Bordas horizontais de portas de elevadores que se fecham verticalmente; Faixas no piso de entrada de elevadores e plataformas de carregamento; Meios-fios, onde haja necessidade de chamar atenção; Paredes de fundo de corredores sem saída; Vigas colocadas à baixa altura; Cabines, caçambas, guindastes, escavadeiras, etc; Equipamentos de transporte e manipulação de material tais como: empilhadeiras, tratores industriais, pontes-rolantes, vagonetes, reboques, etc; Fundos de letreiros e avisos de advertência; Pilastras, vigas, postes, colunas e partes salientes da estrutura e equipamentos em que se possa esbarrar; Cavaletes, porteiras e lanças de cancelas; Bandeiras como sinal de advertência (combinado ao preto); Comandos e equipamentos suspensos que ofereçam risco; Pára-choques para veículos de transporte pesados, com listras pretas Listras (verticais ou inclinadas) e quadrados pretos serão usados sobre o amarelo quando houver necessidade de melhorar a visibilidade da sinalização.

Branco O branco será empregado em: Passarelas e corredores de circulação, por meio de faixas (localização e largura); Direção circulação de sinais; Localização e coletores de resíduos; Localização de bebedouros;

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Áreas em torno dos equipamentos de socorro de urgência, de combate a incêndio ou outros equipamentos de emergência; Áreas destinadas à armazenagem; Zonas de segurança. Preto O preto será empregado para indicar as canalizações de inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade (ex.: óleo lubrificante, asfalto, óleo combustível, alcatrão, piche, etc.). O preto poderá ser usado em substituição ao branco, ou combinado a este quando condições especiais o exigirem. Azul O azul será utilizado para indicar "Cuidado!", ficando o seu emprego limitado a avisos contra uso e movimentação de equipamentos, que deverão permanecer fora de serviço. Empregado em barreiras e bandeirolas de advertência a serem localizadas nos pontos de comando, de partida, ou fontes de energia dos equipamentos. Será também empregado em: Canalizações de ar comprimido; Prevenção contra movimento acidental de qualquer equipamento em manutenção; Avisos colocados no ponto de arranque ou fontes de potência. Verde O verde é a cor que caracteriza "segurança". Deverá ser empregado para identificar: Canalizações de água; Caixas de equipamentos de socorro de urgência; Caixas contendo máscaras contra gases; Chuveiros de segurança; Macas; Fontes lavadoras de olhos; Quadros para exposição de cartazes, boletins, avisos de segurança, etc; Porta de entrada de salas de curativos de urgência; Localização de EPI; caixas contendo EPI Emblemas de segurança; Dispositivos de segurança; Mangueiras de oxigênio (solda oxiacetilênica).

Laranja O laranja deverá ser empregado para identificar: Canalizações contendo ácidos; Partes móveis de máquinas e equipamentos; Partes internas das guardas de máquinas que possam ser removidas ou abertas; Faces internas de caixas protetoras de dispositivos elétricos; Faces externas de polias e engrenagens; Botões de arranque de segurança; Dispositivos de corte, bordas de serras, prensas;

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Púrpura A púrpura deverá ser usada para indicar os perigos provenientes das radiações eletromagnéticas penetrantes de partículas nucleares. Deverá ser empregada a púrpura em: Portas e aberturas que dão acesso a locais onde se manipulam ou armazenam materiais radioativos ou materiais contaminados pela radioatividade; Locais onde tenham sido enterrados materiais e equipamentos contaminados; Recipientes de materiais radioativos ou de refugos de materiais e equipamentos contaminados; Sinais luminosos para indicar equipamentos produtores de radiações eletromagnéticas penetrantes e partículas nucleares. Lilás O lilás deverá ser usado para indicar canalizações que contenham álcalis. As refinarias de tróleo poderão utilizar o lilás para a identificação de lubrificantes. Cinza Cinza Claro O cinza claro deverá ser usado para identificar canalizações em vácuo. Cinza Escuro O cinza escuro deverá ser usado para identificar eletrodutos. Alumínio O alumínio será utilizado em canalizações contendo gases liqüefeitos, inflamáveis e combustíveis de baixa viscosidade (ex.: óleo diesel, gasolina, querosene, óleo lubrificante, etc.). Marrom O marrom pode ser adotado, a critério da empresa, para identificar qualquer fluido não identificável pelas demais cores. Cores em Máquinas O corpo das máquinas deverá ser pintado em branco, preto ou verde. Cores em Canalizações As canalizações industriais, para condução de líquidos e gases, deverão receber a aplicação de cores, em toda sua extensão, a fim de facilitar a identificação do produto e evitar acidentes. Obrigatoriamente, a canalização de água potável deverá ser diferenciada das demais. Quando houver a necessidade de uma identificação mais detalhada (concentração, temperatura, ressões, pureza, etc.), a diferenciação far-se-á através de faixas de cores diferentes, aplicadas sobre a cor básica. A identificação por meio de faixas deverá ser feita de modo que possibilite facilmente a sua visualização em qualquer parte da canalização. Todos os acessórios das tubulações serão pintados nas cores básicas de acordo com a natureza do produto a ser transportado. O sentido de transporte de fluido, quando necessário, será indicado por meio de seta pintada em

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cor de contraste sobre a cor básica da tubulação. Para fins de segurança pelo mesmo sistema de cores que as canalizações.

Sinalização para Armazenamento de Substância Perigosas O armazenamento de substâncias perigosas deverá seguir padrões internacionais. Para fins do disposto no item anterior, considera-se substância perigosa todo o material que seja, isoladamente ou não, corrosivo, tóxico, radioativo, oxidante, e que durante o seu manejo, armazenamento, processamento, embalagem, transporte, possa conduzir efeitos prejudiciais sobre trabalhadores, equipamentos, ambiente de trabalho.

Símbolos para Identificação dos Recipientes na Movimentação de Materiais Na movimentação de materiais no transporte terrestre, marítimo, aéreo e intermodal, deverão ser seguidas as normas técnicas sobre simbologia vigentes no país.

Rotulagem Preventiva A rotulagem dos produtos perigosos ou nocivos à saúde deverá ser feita segundo as normas constantes deste item. Todas as instruções dos rótulos deverão ser breves, precisas, redigidas em termos simples e de fácil compreensão. A linguagem deverá ser prática, não se baseando somente nas propriedades inerentes a uma produto, mas dirigida de modo a evitar os riscos resultantes do uso, manipulação e armazenagem do produto. Onde possa ocorrer misturas de duas ou mais substâncias químicas, com propriedades que variem, em tipo ou grau daquelas dos componentes considerados isoladamente, o rótulo deverá destacar as propriedades perigosas do produto final. Do rótulo deverão constar os seguintes tópicos: Nome Técnico do Produto; Palavra de Advertência, designando o grau de risco; Indicações de Risco; Medidas Preventivas, abrangendo aquelas a serem tomadas; Primeiros Socorros; Informações Para Médicos, em casos de acidentes; Instruções Especiais em Caso de Fogo, Derrame ou Vazamento, quando for o caso. No cumprimento do disposto no item anterior dever-se-á adotar o seguinte procedimento: Nome Técnico Completo O rótulo especificando a natureza do produto químico. Exemplo: "Ácido Corrosivo", "Composto de Chumbo" etc. Em qualquer situação a identificação deverá ser adequada, para permitir a escolha do tratamento médico correto, no caso de acidente. Palavra de Advertência As palavras de advertência que devem ser usadas são: "PERIGO" - para indicar substâncias que apresentam alto risco. "ATENÇÃO" - para substâncias que apresentam risco leve. Indicação de Risco As indicações deverão informar sobre os riscos relacionados ao manuseio de uso habitual ou razoavelmente previsível do produto. Exemplos: "Extremamente Inflamáveis", "Nocivo se Absorvido Através da Pele", etc.

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Medidas Preventivas Têm por finalidade estabelecer outras medidas a serem tomadas para evitar lesões ou danos decorrentes dos riscos indicados. Exemplos: "Mantenha Afastado do Calor, Faíscas e Chamas Abertas" e "Evite Inalar a Poeira". Primeiros Socorros Medidas específicas que podem ser tomadas antes da chegada do médico.

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11. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA PREVENÇÃO DE ACIDENTES DE SAÚDE

DA ÁREA

Com relação ao serviço de saúde ao qual você, profissional de segurança, fará inspeções para levantar os riscos ambientais, é importante responder as 10 perguntas chaves, que estão descritas abaixo: 1)São boas as condições de trabalho? 2) Há divulgação de informações claras e precisas sobre: A) riscos ocupacionais do ambiente de trabalho B)prevenção de acidentes e doenças profissionais ou do trabalho C)procedimentos a serem adotados em caso de incidentes, acidentes e em situações de emergência. 3) Na dúvida, você sabe a quem recorrer para esclarecer-se sobre saúde, higiene e segurança do trabalho? 4)Todos os lavatórios e pias do seu ambiente de trabalho possuem torneiras ou comandos que dispensam o contato das mãos para o fechamento da água e são providos de sabão líquido e toalhas descartáveis para secagem das mãos? 5) Há disponibilidade de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados aos riscos?. 6) Há equipes especificamente treinadas para a manutenção e transporte de pacientes? 7) Você está protegido (recebeu vacinas e/ou imunoglobulinas; conhece seu nível imunitário?) contra Caxumba, Difteria, Gripe, Hepatite B, Rubéola, Sarampo, Tétano Tuberculose, Varicella Zoster? 8)Você sempre adota um comportamento seguro na execução de suas tarefas.? 9)A legislação sobre saúde, higiene e segurança do trabalho é cumprida? 10) Você se considera um trabalhador-cidadão? Atenção! Quanto mais respostas negativas forem dadas a essas questões, mais riscos você corre. Você e todos os trabalhadores, pacientes/clientes e demais pessoas (acompanhantes, visitantes, prestadores de serviços esporádicos/ eventuais) de seu ambiente de trabalho. Na maioria dos setores da economia - agricultura, indústrias - o aumento do capital e da tecnologia contribuiu para reduzir a mão-de-obra. Exemplo disso é o setor bancário: a automação causou a dispensa de milhões de empregados. A clientela passou a fazer a maior parte de suas transações, através dos caixas eletrônicos e da Internet.

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A singularidade do setor da saúde é que, nele, o aumento de capital e de tecnologia, ao invés de reduzir, faz aumentar a mão-de-obra. O aumento do custo em saúde - população com mais saúde, com vida mais longa e melhor - passou a exigir pessoal em maior quantidade, melhor qualificado e bem remunerado. Mais capital, mais tecnologia, mais trabalhadores de saúde! No setor de saúde, uma categoria de trabalhadores ocupa singular função. Para cumprir um dos mais importantes papéis sociais e de grande relevância econômica, o trabalhador de enfermagem muito avançou cientificamente para atender às atuais e crescentes exigências, nesse campo. Diagnósticos mais precisos, cirurgias mais seguras com pósoperatório melhor monitorado; maior cobertura vacinal das populações infantil e idosa... Nas muitas e diferentes etapas de todos esses processos, o trabalhador de enfermagem tem necessária presença. Com mais de 40 especialidades no Brasil, o domínio de sua prática inclui: • Prestação de cuidados diretos e a avaliação de seu impacto; • Defesa dos interesses dos pacientes e da saúde em geral; • Supervisão e delegação de tarefas; • Direção e gestão; • Ensino e pesquisa; • Elaboração da política de saúde. Da chapa de Raios X ao Arco em C Tridimensional, muita coisa mudou para os trabalhadores da saúde. Para a enfermagem, uma das grandes mudanças consistiu no despertar de sua consciência como categoria trabalhadora, ao se tornar crescentemente participante da luta pela conquista de seus direitos. Direito a melhores condições de vida, direito à saúde e à segurança do trabalho. Nos últimos 20 anos, para tanto contribuíram: as conquistas, nesses quesitos, obtidas por outras categorias de trabalhadores; a epidemia de AIDS e o recrudescimento da tuberculose; o aumento das patologias psicossociais na sua própria pele; enfim, o reconhecimento de sua própria vulnerabilidade aos riscos ocupacionais, tendo em vista algumas das características já apontadas em Riscos do trabalho de Enfermagem. E, isso, pelo fato de a enfermagem ser: • O maior grupo individualizado de trabalhadores de saúde; • Prestadora de assistência ininterrupta, 24 horas por dia; • Executora de cerca de 60% das ações de saúde; • A categoria que mais entra em contato físico com os doentes; • Por excelência, uma profissão feminina; • Bastante diversificada em sua formação.

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12. Riscos específicos dos serviços de saúde
Risco Biológico A Norma Regulamentadora 32 (NR 32) considera risco biológico a probabilidade da exposição ocupacional a agentes biológicos: microrganismos geneticamente modificados ou não, culturas de células, parasitas, toxinas e príons. No setor de saúde, esse risco é representado sobretudo pelas infecções causadas por bactérias, vírus, rickettsias, clamídias e fungos e, em menor grau, pelas parasitoses produzidas por protozoários, helmintos e artrópodos. A exposição do pessoal de enfermagem ao risco biológico torna-se maior devido seu contato íntimo e freqüente com os pacientes infectados. Muitas vezes, o próprio rosto (conjuntiva ocular, mucosas da boca e do nariz) ao alcance do ar por eles expirado, ao alcance de respingos de sangue e de outros fluidos corporais, durante procedimentos invasivos, tosses, espirros... Excreções, produtos de vômito, bile, saliva, escarro, sangue e pus são observados e controlados antes do rejeito; seus recipientes são lavados e desinfectados, ou esterilizados; pijamas, camisas e roupa de cama são trocados. E tudo isso é feito pelo trabalhador de enfermagem. Infecções apontadas como risco biológico para o trabalhador de saúde 1. Principais: Tuberculose pulmonar Ccytomegalovirus (CMV) Hepatite virais (B, C, G) Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA/AIDS) 2. Outras infecções às quais o pessoal de enfermagem encontra-se potencialmente exposto: Difteria Febre tifóide Gastroenterite infecciosa Herpes simplex Meningites Infecções respiratórias por vírus Parotidite Rubéola Queraratoconjuntivite epidêmica Varicella zoster 3. Doenças causadas por bactérias envolvidas nas infecções hospitalares: Staphilococcus aureus Escherichia coli Salmonellae Streptococcus Pseudomonas Proteus

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4. Infecções diversas sem conseqüências patológicas graves ou duráveis Até agora, o único setor de atividade com ocorrência de transmissão ocupacional do HIV foi o setor de saúde e, neste, o pessoal de enfermagem tornou-se o principal grupo de risco. A hepatite B é a doença de origem profissional mais freqüente entre o pessoal hospitalar. Em relação à população geral, o risco de hepatite B é 11 vezes mais elevado entre o pessoal de saúde: trabalhadores de laboratório e de enfermagem. A tuberculose contitui, hoje, séria ameaça à saúde E mais: • O Brasil é um dos 22 países mais atingidos pela tuberculose. • Várias centenas de tuberculosos contagiosos são atendidos em consultórios médicos e nos hospitais, sem qualquer controle. • Quantidades cada vez maiores de pessoas infectadas e hospitalização freqüente de pacientes com HIV/AIDS já produziram epidemias de TB em vários hospitais. • Num hospital tido como referência para o tratamento da doença, em Minas Gerais, encontrou-se 16% dos seus funcionários infectados pelo bacilo da tuberculose. • A transmissão da doença se dá pelo ar! Um só paciente pode infectar todo o serviço! • Um terço da população mundial está infectada • 8 a 9 milhões de casos notificados, a cada ano • Expectativa de 35 milhões de mortes, até 2020 • Principal causa de morte de pessoas infectadas pelo HIV • 95% dos casos e 98% dos óbitos ocorrem no Terceiro Mundo Os trabalhadores de saúde mais expostos são aqueles com história de tuberculose, ou fatores de risco pessoal, lotados em clínicas cujas atividades aumentam o risco (aerossol e broncoscopia, por exemplo), ou, ainda, com sobrecarga física de trabalho. Proteja-se! Informe-se! Faça a sua parte! Prevenção e controle de riscos biológicos baseiam-se em conhecimentos de higiene, biossegurança, educação, administração, engenharia e até de legislação. A adoção de comportamento de segurança abrange formação, educação continuada, supervisão qualificada, organização do trabalho, recursos materiais (incluindo-se os EPIs), profissionais preparados para cuidar de pessoas com doenças infecciosas, além de normas bem claras sobre isolamento e barreiras. Basta a correta observação das normas básicas de higiene hospitalar para a prevenção e controle das infecções. Educação, controle serológico e imunização integram o programa destinado ao grupo de risco, representado por trabalhadores expostos a contato com sangue, seus derivados e outros fluidos corporais. Higiene! Lavagem das mãos!

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Lavar, desinfectar, esterilizar! Assepsia, anti-sepsia, degermação. Isolamento, barreiras... Compreensão do significado desses termos e adoção de comportamento de segurança constituem aspecto vital da prática diária da enfermagem. As regras de segurança são porém insuficientes, se os materiais não são corretamente utilizados e se a (des)organização do trabalho impede sua aplicação. Picadas de agulhas são favorecidas por obscuridade, insuficiência de espaço, falta de recipientes adequados para transporte e coleta de seringas após o uso, por exemplo. Vacine-se! Conheça seu nível imunitário relativo às infecções que fazem parte do seu cotidiano. Mais exposto que a população em geral ao risco de adquirir algumas infecções imunologicamente preveníveis, o trabalhador de enfermagem deve proteger-se, por meio de vacinas ou imunoglobulinas, contra as seguintes doenças: Proteção altamente recomendada Caxumba Difteria Gripe Hepatite B Rubéola Sarampo Tétano Tuberculose Varicella Zoster Proteção eventualmente indicada Coqueluche Febre tifóide Hepatite A Doença meningocócica Doença pneumocócica Doença invasiva por H. influenzae Segundo a NR 32, todo trabalhador dos serviços de saúde deve receber, gratuitamente, programa de imunização ativa contra tétano, difteria, hepatite B e os estabelecidos no PCMSO. Sempre que houver vacinas eficazes contra outros agentes biológicos a que os trabalhadores estão, ou poderão estar expostos, o empregador deve fornecêlas gratuitamente. Lute pela proteção vacinal contra todas as doenças imunizáveis às quais você se expõe em seu trabalho! Redobre sua atenção com os perfurocortantes: • Agulhas, tesouras, bisturis, pinças e escalpes fazem parte do trabalho diário doprofissional de serviços de saúde. Picadas e cortes acidentais produzidos por esses materiais, também! Por isso, só devem ser manipuladas agulhas e material cortante, ou qualquer outro material sujo de sangue, como barbeadores e escovas de dente, com as devidas precauções.

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• Dentre os casos de AIDS envolvendo profissionais de saúde, a maioria ocorreu como resultado de manipulação inadequada de agulhas e instrumentos cortantes: mais de 70% dos casos comprovados e 43% dos prováveis, envolveram a categoria de enfermagem e de profissionais da área de laboratório. Agora é lei: Em toda ocorrência de acidente envolvendo riscos biológicos, com ou sem afastamento do trabalhador, deve ser emitida a Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT. Para a prevenção e controle do risco biológico, a NR 32 salienta a necessidade do cumprimento das seguintes Normas Regulamentadoras: NR 07 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional NR 09 Programas de Prevenção de Riscos Ambientaise NR 15 Atividades e Operações Insalubres. O Controle de Infecção Hospitalar também dispõe de legislação específica: a Lei 9431, de 06/01/1997 determina que os hospitais mantenham um Programa de Infecções Hospitalares (PCIH) e criem uma Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH). As diretrizes e normas que viabilizaram o planejamento do programa foram definidas pela Portaria GM 2616, de 12 de maio de 1998. Líquidos orgânicos capazes de apresentar risco de transmissão de vírus de difusão hematógena : sangue, esperma, secreções vaginais, líquidos cécebroespinhal, sinovial, pleural, pericárdico, amniótico, peritoneal e outros líquidos orgânicos contendo sangue Riscos Físicos São agentes de risco físico: • Radiações ionizantes: raios-X, raios gama, raios beta, partículas gama, prótons e nêutrons. • Radiações não ionizantes: ultravioleta, raios visíveis (luz solar ou artificial), infravermelho, microondas, freqüência de rádio, raios laser. • Variações atmosféricas: calor, frio e pressão atmosférica. • Vibrações oscilatórias: ruído e vibrações. A OIT considera as radiações ionizantes, o ruído, a temperatura e a eletricidade como os principais fatores de risco físico para os trabalhadores de saúde. Na NR-32, apenas as radiações ionizantes são detalhadas: radioterapia, radiodiagnóstico médico-odontológico, braquiterapia e resíduos. De fato, trata-se de risco considerado ainda mais perigoso porque impossível de ser detectado pelos sentidos: não tem cheiro, não emite qualquer som, não pode ser visto, nem tocado. São efeitos biológicos das radiações ionizantes:

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• Somáticos - as alterações celulares manifestam-se na pessoa irradiada, não passam aos escendentes. • Genéticos - as alterações ocorridas nos gametas do indivíduo irradiado são transmissíveis aos descendentes. Estima-se ser ainda desconhecida a maioria dos efeitos genéticos resultantes das exposições profissionais às radiações. As exposições radioativas do trabalhador podem ser agudas e crônicas: • Exposição aguda – sobreexposição a uma fonte interna ou externa de radiação. Produz a síndrome de irradiação aguda, podendo levar à morte. Corresponde a uma emergência médica e caracteriza-se como acidente de trabalho • Exposição crônica – exposição a doses baixas em um tempo de exposição longo, com a manifestação dos danos a ocorrer muitos anos após a exposição original. Seus efeitos a longo prazo são: aumento da incidência de carcinomas; efeitos embriotóxicos em trabalhadoras gestantes; efeitos cataratogênicos observados em radiologistas e físicos nucleares. A legislação é clara: toda trabalhadora com gravidez confirmada deve ser afastada das atividades com radiações ionizantes, devendo ser remanejada para atividade compatível com seu nível de formação. (NR-32) Proteja-se! Informe-se! Faça a sua parte! Exija condições seguras para o trabalho com radiações ionizantes. Bastaria o cumprimento da legislação em vigor, para se reduzir consideralmente os danos causados pelas radiações ionizantes. A radioproteção compreende o conjunto de medidas empregadas, para proteção do homem e do meio ambiente, contra possíveis efeitos nocivos causados pelas radiações ionizantes. São medidas de proteção: • Blindagens; • Capacitação do pessoal; • Confinamento de fontes radioativas; • Controle médico (PCMSO e PPRA); • Distância da fonte; • Identificação do risco; • Instalações adequadas; • Limitação do tempo de exposição; • Manutenção dos aparelhos em perfeito estado; • Monitoração do trabalhador; • Observação rigorosa das regras de segurança; • Otimização das atividades nas áreas de risco; Além do atendimento às exigências da NR-32, devem ser cumpridos vários dispositivos relativos à radioproteção, tais como:

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ABNT: NBR 9191/2000 Acondicionamento dos resíduos de saúde. CNEN 1988: Radioproteção: • NN -3.01 Diretrizes básicas de proteção radiológica • NE - 3.02 Serviços de radioproteção • NN - 3.05 Requisitos de radioproteção e segurança para serviços de medicina nuclear • NE - 3.06 Requisitos de Radioproteção e Segurança para Serviços de Radioterapia. Transporte: NE - 5.01 Transporte de Materiais Radi-ativos.nInstalações Radioativas: • NN - 6.01 Registro de pessoas físicas para o preparo, uso e manuseio fontes radioativas • NE - 6.02 Licenciamento de instalações radioativas • NE - 6.05 Gerência de rejeitos radioativos em instalações radioativas • NE - 6.06 Seleção e escolha de locais para depósitos de rejeitos radioativos • NN - 6.09 Critérios de aceitação parandeposição de rejeitos radioativos de baixo e médio níveis de radiação. COFEN: Resolução COFEN-211/1998 - Dispõe sobre a atuação dos profissionais de Enfermagem que trabalham com radiação ionizante. MS: Portaria/MS/SVS nº 453/1998 - Diretrizes básicas de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. MTE: • NR 07 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO • NR 09 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, • NR 16 Atividades e Operações Perigosas.

Riscos Quimicos No mundo, milhões de substâncias químicas encontram-se registradas. Dentre essas, centenas são de uso hospitalar, todas podendo constituir-se em risco tóxico. Os trabalhadores de saúde estão expostos à enorme variedade desses tóxicos. Anestésicos, esterilizantes, desinfetantes, solventes, agentes de limpeza, antissépticos, detergentes, medicamentos e drogas de risco são alguns dos produtos diariamente manipulados pelo trabalhador de enfermagem. Nos serviços de saúde, não são poucas as substâncias capazes de causar genotoxicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e toxicidade sobre órgãos e sistemas. Os agentes químicos são capazes de produzir todos os tipos de lesão celular e os efeitos da exposição aos mesmos podem manifestar-se imediata ou tardiamente. Fadiga, perda do apetite, irritabilidade, problemas da memória, do equilíbrio e do sono, alterações do humor e dor de cabeça podem estar associados à exposição ao risco químico. Possíveis efeitos crônicos causados pela maioria das substâncias químicas sobre o nosso organismo: • Cancerígenos: atingindo principalmente medula óssea, pulmão, laringe, pele, bexiga, fígado.

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• Comportamentais: instabilidade emocional, irritabilidade, distúrbios psicomotores e da memória. • Cutâneos: ressecamento, fissuras, dermatites, inclusive foliculite e acne . • Neurológicos: degeneração dos neurônios. • Pulmonares: bronquite crônica, enfisema pulmonar. • Relacionados com a reprodução: aborto, natimortalidade, baixo peso ao nascer, mortalidade perinatal, anomalias congênitas, malformações cardiovasculares, alterações na estrutura dos cromossomos. Tudo é veneno, não há nada que não seja veneno. Depende tão somente da dose. Paracelso (1493-1541) O gás óxido de etileno, por exempo, é altamente tóxico, facilmente inflamável e explosivo, além de ser carcinogênico, mutagênico, teratogênico e neurotóxico. Acrescente-se que as exposições ocupacionais envolvem várias substâncias, simultâneas ou sucessivamente. E a interação entre os tóxicos absorvidos simultaneamente pode ser antagônica ou sinérgica. Os seguintes fatores podem interagir e modificar, para pior, a reposta do organismo ao tóxico: • Ambientais - temperatura ambiente, pressão atmosférica, ruído, vibrações e radiações. • Genéticos - reações de hiper e hipossensibilidade. • Fisiológicos - idade, sexo (suscetibilidade da mulher a hormônios sexuais, gravidez). • Profissionais ou relacionados com o estilo de vida - estresse, fadiga, sobrecarga de trabalho, dieta alimentar, tabagismo. Medicamentos - os efeitos tóxicos dos medicamentos utilizados no meio hospitalar são frequentemente compartilhados pelo pessoal de enfermagem e da farmácia. Suspeitase que muitos dos efeitos nocivos da maioria dos medicamentos continuam ignorados. O trabalhador de enfermagem expõe-se, todos os dias, ao risco de absorção de vários medicamentos através das vias cutâneo-mucosa, respiratória e digestiva. Com um agravante: se a exposição profissional sensibilizar um trabalhador a um determinado medicamento, há o perigo de reação mais grave (choque anafilático, por exemplo), quando esse receber a substância diretamente, mais tarde. Um pouco sobre as dermatoses - dermatose profissional é qualquer anormalidade da pele produzida ou agravada pelo trabalho, abrangendo desde eritemas ou descamações, até sérias lesões eczematosas, acneiformes, neoplásicas, granulomatosas ou ulcerativas. As dermatoses profissionais podem ser causadas por agentes químicos, físicos e biológicos. Os trabalhos úmidos apresentam risco de dermatoses profissionais. Fatores domésticos, como cuidar de crianças e ausência de máquina de lavar roupa, uma vez combinados com os trabalhos úmidos no hospital, quadruplicam os riscos de dermatose. As diferentes tarefas de homens e mulheres explicam o maior número de casos de eczema entre estas.

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Proteja-se! Informe-se! Faça a sua parte! A legislação em vigor esbabelece medidas capazes de minimizar os danos causados pelos riscos químicos. Lutemos pelo cumprimento da mesma! A NR32 aborda as medidas de proteção contra os efeitos tóxicos de gases medicinais, medicamentos e drogas de risco, quimioterápicos antineoplásicos, gases e vapores anestésicos. Segundo essa norma, por exemplo, com relação aos quimioterápicos antineoplásicos: 1. É vedado: • iniciar qualquer atividade na falta de EPI • dar continuidade às atividades de manipulação quando ocorrer qualquer interrupção do funcionamento da cabine de segurança biológica. 2. Compete ao empregador: • proibir fumar, comer ou beber, bem como portar adornos ou maquiar-se • afastar das atividades as trabalhadoras gestantes e nutrizes • proibir que os trabalhadores expostos realizem atividades com possibilidade de exposição aos agentes ionizantes fornecer aos trabalhadores os EPIs e recursos necessários à execução das tarefas. Para a prevenção e controle dos riscos químicos, a própria NR32 lembra a necessidade de se cumprir o estabelecido nos seguintes dispositivos: NR 07 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional NR 09 - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais NR 15 - Atividades e Operações Insalubres NR 26 - Sinalização de Segurança Portaria Interministerial MS/MTE n.º 482 de 16/04/1999. Adote comportamento de segurança! Lembre-se! Sabemos que as implicações do trabalho sobre a saúde são bem mais amplas e difusas do que apenas aquelas determinadas pelos riscos ocupacionais. No mundo, o movimento sindical foi um dos primeiros - e o único, durante muito tempo - a denunciar o aviltamento das condições de trabalho. As (más) condições de trabalho do pessoal de enfermagem têm sido crescentemente denunciadas no mundo inteiro. Não há substância química segura, há apenas maneira segura de utilizá-la. Emil Mrak (1901-87) Diante das consideráveis conquistas de outras categorias de trabalhadores, como explicar o atraso em que se encontra a enfermagem na luta por melhores condições de higiene, saúde e segurança em seu ambiente de trabalho? No Brasil , a força-de-trabalho da enfermagem é constituída de mais de um milhão de pessoas. São enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, atendentes e auxiliares operacionais de serviços diversos assemelhados... à mercê de condições de trabalho capazes de ameaçar a própria sobrevivência da profissão.

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Dois grandes problemas mundiais dos sistemas de saúde - escassez e evasão do pessoal de saúde - estão reconhecidamente ligados às condições de trabalho existentes nos estabelecimentos de saúde. O défcit atual (em 2006) - de médicos, parteiras, enfermeiras e auxiliares – é de quase 4,3 milhões de em todo o planeta - diz a OMS. No relatório Penúria mundial do pessoal de enfermagem: ações prioritárias(2006), referente a estudo sobre a mão-de-obra da enfermagem, o Conselho Internacional de enfermeiras (CIE) e a Fundação Internacional Florence Nightingale (FIFN) indicam a melhoria das condições de trabalho como das mais importantes. 13- CONDIÇÕES DE TRABALHO NA ÁREA DE SAÚDE Condições de trabalho representa o conjunto de fatores - exigências, organização, execução, remuneração e ambiente do trabalho – capaz de determinar a conduta do trabalhador. A isso, o indivíduo responde com a execução de uma atividade ou conduta passível de ser analisada sob diferentes aspectos: perceptivos, motores e cognitivos. Satisfação, conforto, carga de trabalho, fadiga, estresse, doenças e acidentes são as conseqüências dessa resposta individual sobre o estado físico, mental e psicológico do trabalhador. As condições de trabalho marcam o corpo do trabalhador. Para o pessoal de enfermagem, o envelhecimento precoce e a incapacidade resultante de acidentes e de doenças profissionais são algumas marcas em seu corpo físico. O aumento da dependência alcoólica e o uso indiscriminado de psico-fármacos refletem as marcas em seu corpo psíquico. O corpo social não sai ileso, pois as condições, a organiza ção do trabalho e o tipo de tecnologia modelam os trabalhadores, impondo uma representação diferente de um grupo a outro. Segundo a Committee on Quality of Health Care in América, no mundo, a área da saúde é a oitava no ranking dos setores de maior índice de mortes. São registradas cerca de 98 mil mortes em hospitais, cada ano. A um custo financeiro entre 17 e 29 bilhões de dólares para essas instituições. No Brasil, dados oficiais indicam o setor de saúde como o primeiro na lista de registros de acidentes do trabalho. Com 23.108 notificações em 2003, ele ultrapassou até mesmo áreas consideradas de alto risco, como a da construção civil. Em 2004, do total de 458.956 acidentes notificados, 30.161 correspondiam ao setor de saúde. Exemplos de marcas no corpo do trabalhador de enfermagem: • De jan/1997 a dez/2004, houve mais de 15 mil notificações sobre acidentes de trabalho com material biológico – os dados são da Secretária de Saúde/RJ. A enfermagem foi a mais atingida. • Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho/RJ, o setor de saúde registra crescente número de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho: 1.361 em 2001; 1.534 em 2002; 1.586 em 2003. Os auxiliares de enfermagem foram os mais vitimados (51,1%) por acidentes causados por material perfurocortante; a segunda categoria mais atingida foi a dos trabalhadores de limpeza (8,9%).

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Sobre acidentes do traballho Em 2005, cerca de 270 milhões de pessoas sofreram acidentes no trabalho e 160 milhões contraíram doenças • Os acidentes e doenças do trabalho matam 2,2 milhões por ano, no mundo • São mais de seis mil mortes por dia • Na América Latina e Caribe, o número de acidentes cresceu 33% • Constatou- se aumento das chamadas novas doenças do trabalho: distúrbios psicossociais, violência, alcoolismo, dependência química, estresse, tabagismo e AIDS. OIT- 2005 Porque a profissão é feminina, convém lembrar que a gravidez é fortemente influenciada pelas condições de trabalho. Além disso, o meio ambiente hospitalar comporta uma grande variedade de agentes biológicos, físicos e químicos capazes de afetar as diferentes fases da reprodução. Que fazer? As más condições de trabalho - sobre as quais sabemos tão pouco porque não se constituem objeto de qualquer programa de ensino, e porque ainda não nos organizamos devidamente como categoria trabalhadora - é conseqüência da desatenção, da ignorância e até da conveniência de muitos: governo, sociedade, estabelecimentos de saúde, trabalhadores e clientes. Há muito a fazer ! E por muitos! REPRODUÇÃO - DANOS RELACIONADOS COM O TRABALHO Pré-concepção: ▪ desequilíbrio hormonal ▪ diminuição da libido ▪ dismenorréia ▪ esterilidade ▪ impotência▪ menopausa precoce ▪ subfertilidade masculina e feminina. Gestação : ▪ aborto espontâneo ▪ alterações sexuais▪ danos ao cromossoma ▪ deficiência do desenvolvimento físico e mental do feto ▪ malformações congênitas ▪ morte fetal ▪ doenças da gravidez (toxemia, hemorragia). Parto e pós parto: ▪ alteração do comportamento ▪ anomalias congênitas ▪ baixo peso ao nascer ▪ câncer e morbidade infantil ▪ deficiência mental ▪ mortinatalidade ▪ prematuridade. Como únicos proprietários das experiências adquiridas no processo do nosso trabalho, ao pessoal de enfermagem compete buscar a cooperação e o diálogo permanente com especialistas das áreas de ergonomia, saúde, higiene e segurança do trabalho, entre outros. Procuremos, juntos, as medidas capazes de garantir imediata e substancial adaptação do trabalho às nossas peculiaridades. Estudos antropométricos e posturais, busca de ambiente físico propício à eficácia, à satisfação, ao conforto, à segurança, à qualidade... nada disso pode ser concebido sem nossa participação. Que a capacitação do trabalhador de saúde, prevista na NR-32, abranja, igualmente, a busca e implantação de medidas capazes de promover, nos serviços de saúde, as transformações indispensáveis à melhoria das condições de trabalho. Organizemo-nos para essa luta! O trabalho de enfermagem não é apenas perigoso e insalubre; ele é também penoso. Complexidade das tarefas, imprevisibilidade; atos fracionados e cheios de interrupções;

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continuidade (presença permanentemente exigida); trabalho noturno; confrontação com o sofrimento e a morte, esses são alguns dos fatores de penosidade no trabalho de enfermagem. Direito garantido desde a vigência da Constituição Federal de 88, o adicional de penosidade não é concedido aos trabalhadores que atuam em condições penosas. Ao contrário das atividades insalubre e perigosa, a atividade penosa não tem regulamentação federal. Algumas das dificuldades para tal regulamentação podem ser percebidas, por exemplo, na seguinte argumentação de dois auditores fiscais do MTE (2000): • O pagamento desse adicional... uma medida paliativa, pressupõe a manutenção de situações que podem gerar acidentes e doenças do trabalho... e isso está em desacordo com os princípios do MTE; • Percebendo esse adicional, o trabalhador passaria a acreditar que seus direitos estariam sendo assegurados; pagando o adicional, a empresa consideraria cumpridas suas responsabilidades, deixando de melhorar as condições de trabalho; • Dificuldades em se definir o que é penoso, pois as situações penosas seriam referidas ao desgaste... sabidamente um parâmetro de difícil avaliação/conceituação, pelo seu caráter subjetivo. Enquanto persistem as dificuldades do governo federal para conceituar/definir o que é penosidade, e reconhecer que o trabalho penoso constitui um risco à saúde do trabalhador, alguns grupos têm conseguido minimizar um pouco a situação, nas esferas municipal e estadual. Apenas 4 exemplos: 1. Campinas (1996) - institui o adicional de penosidade ... para o servidor e o empregado público municipal que trabalhe em jornada noturna nos Hospitais Municipais e Prontos Socorros de atendimento permanente. 2. Juiz de Fora (2004) - Fazem jus ao adicional de penosidade os servidores vinculados ao Sistema Único de Saúde, que exercem suas atividades nos serviços médico-hospitalares de urgência e emergência do município. 3. Santa Catarina (2006) - o adicional de penosidade é atribuído aos servidores lotados e em exercício no Instituto de Psiquiatria do Estado... bem como àqueles em atividade nos setores de psiquiatria das unidades hospitalares da SES... 4. Em acordos trabalhistas, trabalhadores de várias empresas (Coelba, Chesf, Furnas e Eletronorte, entre outras) garantiram o direito ao adicional de penosidade – por sofrerem desgaste provocado pela alteração do seu relógio biológico com mudanças dos horários de trabalho e repouso aos quais os trabalhadores são submetidos. Em muitos países da Europa, o reconhecimento da penosidade vai além do pagamento de um adicional. A legislação portuguesa (1998), por exemplo, conceitua condições de penosidade como “aquelas que, por força da natureza das próprias funções ou de fatores ambientais, provoquem uma sobrecarga física ou psíquica”; e estabelece a graduação de níveis - alto, médio ou baixo - segundo a freqüência, a

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duração e a intensidade de exposição às mesmas. Essa lei também dispõe que o exercício de atividade penosa confere direito à atribuição de uma ou mais das seguintes compensações: • Adicional de penosidade variável segundo o seu nível; • Regimes de duração semanal de trabalho inferiores aos previstos na lei geral, bem como horários de trabalho adequados; • Férias anuais acrescidas de um período suplementar de, no máximo, cinco dias úteis; • Benefícios para efeitos de aposentadoria: a) acréscimo do tempo de serviço equivalente ao nível de penosidade; b) antecipação de limites de idade. No Brasil, a luta pela redução dos fatores de penosidade em nossas terefas diárias tem sido bastante... penosa! Vale dizer: difícil, cansativa, aflitiva, incômoda, exaustiva, dolorosa, pesada, espinhosa e frustrante.

Como caracterizar a penosidade? A penosidade decorre dos elementos envolvidos na carga de trabalho, correspondendo esta ao dispêndio físico e ao conjunto de capacidades (físicas, sensoriais, psicomotoras, psicológicas e cognitivas) que a pessoa investe na execução da tarefa. Vejam o quadro a seguir: Indicadores e determinantes da penosidade no trabalho de enfermagem Carga física • Quilometragem/Deslocamentos : distâncias dos corredores e entre os postos de trabalho, quartos, enfermarias, etc. • Posturas: dimensões dos mobiliários/ausência de cadeiras • Manutenção (levantamento, sustentação, transporte de cargas): inexistência, insuficiência ou inadaptação do material de manutenção; falta de equipes especificamente treinadas para a manutenção e transporte de pacientes • Elevação da temperatura corporal: temperatura ambiente elevada. Carga mental • Interrupções: dúvida sobre rotinas, técnicas, aparelhos • Tratamento de informações: memorização complexa • Erros: ilegibililidade, insuficiência de informação • Tamanho dos caracteres para leitura: inadequação de softwares, bulas, écrans • Nível de iluminamento/Contraste: iluminação insuficiente ou inadequada. Carga psíquica • Na comunicação: Respostas evasivas, hesitações, brevidade nas comunicações com doentes e colegas: confrontação com sofrimento, incapacidade, morte; falta de apoio (inexistência de grupos de conversa, grupos de discussão); falta de reconhecimento por parte de colegas e chefes. • No relacionamento: Falta de lugar para reuniões, ausência de meios de comunicação, inexistência de programa de trabalho: diálogo social insuficiente; insuficiência de informação; inexistência de regimento interno do serviço de saúde.

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•Quanto ao horário: Desrespeito aos ritmos biológicos • Irritabilidade •Hipoglicemia • Temperatura oral baixa: trabalho noturno fixo ou por longo período; horários fracionados; início da jornada demasiado cedo; desrespeito aos horários de alimentação; insuficiência de tempo para passagem do serviço; dobra de serviço ou permanência no trabalho após término da carga horária; duplo emprego. Sobrecarga física: A sobrecarga física decorre de operações freqüentes de alto custo energético: andar quilômetros, levantar, sustentar e transportar doentes; empurrar, puxar, levantar cargas diversas em posturas nocivas, quase sempre de pé ou, o que é pior, inclinada ou agachada; prevenir escaras, refazer leitos, verificar sinais vitais... Maior o grau de dependência dos doentes, maior também a carga de trabalho pelos cuidados a prestar e pela duração das posturas penosas. Tudo isso e as muitas atividades do tipo doméstico geram dispêndios energéticos que, acumulados ao longo do dia, intensificam a fadiga e favorecem as lombalgias e outras doenças ósteo-articulares. Fadiga e lombalgias representam os principais danos à saúde produzidos pela sobrecarga física. A penosidade do trabalho agrava o risco de prematuridade, sendo esta a mais importante causa de mortalidade e morbidade neonatais. Maior a carga física, mais elevada é a taxa de prematuridade, fenômeno bastante observado entre atendentes. A fadiga é causada por uma solicitação excessiva do organismo humano. Inicialmente considerada normal, constitui-se num sinal de alarme que permite ao organismo reconhecer seus limites. Neste caso, as perturbações por ela introduzidas são perfeitamente reversíveis, desaparecendo com o repouso e o sono reparador. A cronificação da fadiga ocorre quando o repouso e o sono são insuficientes. A fadiga crônica leva ao esgotamento, um fenômeno patológico grave, com manifestações orgânicas e psíquicas. As lombalgias encontram-se entre as principais causas de absenteísmo do pessoal de enfermagem em todo o mundo. Pesquisa realizada com 3.912 enfermeiras inglesas revelou absenteísmo de 750.000 dias de trabalho, por ano, devido a esta causa. No Brasil...não há registros. As posturas com o tronco inclinado para a frente e aquelas com rotações do eixo vertebral - tão freqüentes nas tarefas de enfermagem - favorecem as doenças ósteoarticulares, como cervicalgia e dorsolombalgia incapacitantes. Os programas para limitar a manutenção pesada e seus efeitos sobre a saúde do pessoal de enfermagem devem abordar, além da formação para prestação de cuidados diretos aos doentes, todos os riscos de comportamento físico capazes de intervir no meio-ambiente de trabalho. Inútil querer melhorar as técnicas de manipulação do paciente, sem considerar arquitetura hospitalar, organização do trabalho, materiais e equipamentos, posturas penosas e deslocamentos que tanto contribuem para aumentar a carga física.

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Sobrecargas mental e psíquica Confrontação com o sofrimento, solidão, monotonia, faltas de estímulo, de reconhecimento e de contato com os superiores; comunicações numerosas, mas breves; dificuldades para escutar o doente; inexistência de reuniões ou de grupos de expressão sobre os problemas psíquicos da relação com o paciente e com a morte... as diversas modalidades do exercício de autoridade (os conflitos médico x enfermeira, enfermeira x auxiliar de enfermagem); trabalho de supervisão, trabalhos realizados sob pressão de tempo, quando cada segundo conta como decisivo... Acrescente-se as várias formas de terceirização nos serviços públicos de saúde e a consequente precarização das relações no trabalho. Sensação de desvalorização crônica, falta de participação nas decisões, má utilização das competências e das capacidades, alta rotatividade nos postos de trabalho, condições de penúria imposta pelos baixos salários... Ufa!!! A carga psíquica/afetiva/emocional do trabalhador da área de saúde não é pequena! Para enfrentá-la, os mecanismos de defesa exprimem-se através de condutas evasivas (mutismo, recusa em aceitar a gravidade do caso), de gestos insólitos e de erros na execução dos cuidados. Danos causados pelas elevadas cargas mental e psicológica impostas ao trabalhador de enfermagem podem manifestar-se tanto na esfera somática, como na psíquica ou afetiva. Doenças mentais, distúrbios do sono, fadiga, solidão, falta de ânimo, desinteresse, perda do entusiasmo e do otimismo, enfim, uma percepção cínica e desumanizada dos outros foram observados no trabalhador de saúde, reconhecendose suas causas na própria estrutura hospitalar e nas condições de trabalho desse setor. A síndrome de exaustão representa a resposta ao estresse emocional crônico, onde estão presentes: • esgotamento emocional e físico, ou um dos dois • diminuição da produtividade • significativa espersonalização. Nesse quadro, observa-se ainda: abatimento, atitude negativa frente aos doentes, clientes ou colegas de trabalho; atitude cínica, absentismo, mudança freqüente de emprego e outras condutas evasivas, como o uso de drogas.

As ações exigidas A prevenção e o controle dos danos produzidos pelas cargas mental psíquica do trabalho de enfermagem concentram-se sobre medidas relacionadas com: 1. Transformação social e organizacional: • Promover melhor compreensão dos objetivos terapêuticos, maior cooperação entre os membros das diversas equipes envolvidas • Aprofundar a comunicação, dispor de tempo hábil para passagem de serviço entre as equipes • Criar grupos de conversa ou de apoio para ajudar a enfrentar o estresse, de preferência com a participação de um psicólogo ou psiquiatra • Melhorar a sinalização, a ordem e a limpeza do

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ambiente de trabalho; sujeira e desordem, além de contrárias aos princípios de higiene e segurança, são muito deprimentes.

2. Ações sobre o trabalhador: • Melhorar a seleção: nem sempre o exame de saúde pré-admissional leva em conta as cargas mental e psíquica às quais o trabalhador será exposto • Desenvolver ações de saúde ocupacional voltadas para a prevenção e o controle de problemas mentais e emocionais; levar em conta os fatores de penosidade na análise do perfil profissiográfico e na avaliação de saúde do trabalhador de enfermagem • Promover estilo saudável de vida • Formar, capacitar (inicial e continuamente) de modo a permitir o crescimento das competências do pessoal. Nas Disposições Gerais da NR 32 encontram-se referidos alguns recursos capazes de aliviar a sobrecarga física do trabalhador de saúde. São eles: • Condições de conforto por ocasião das refeições. • Níveis de ruído previstas na NB 95 da ABNT. • Níveis de iluminação conforme NB 57 da ABNT. • Conforto térmico previstas na RDC 50/02 da ANVISA. • Condições de limpeza e conservação do ambiente de trabalho. • Organização dos postos de trabalho de forma a evitar deslocamentos e esforços adicionais. • Previsão de dispositivos seguros e com estabilidade, que permitam acessar locais altos, sem esforço adicional dos trabalhadores. • Auxílio de meios mecânicos ou eletromecânicos nos procedimentos de movimentação e transporte de pacientes e no transporte de materiais. • Capacitação dos trabalhadores para adotar mecânica corporal correta, na movimentação de pacientes ou de materiais. • Orientação sobre medidas a serem tomadas diante de pacientes com distúrbios de comportamento.

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EPI E EPC NOS SERVIÇOS DE SAÚDE A saúde e bem estar dos trabalhadores dos Serviços de Saúde e Laboratórios são recursos primordiais para o desenvolvimento tanto social e econômico quanto pessoal, formando, assim uma importante dimensão ampliada da qualidade de vida. Correntes do pensamento sanitário que influenciaram as tendências políticas e organizativas na sociedade sugerem que fatores ambientais, biológicos e psico-socio-culturais, além dos políticos podem favorecer a perda da saúde se mal conduzidos pelas administrações das instituições e pelos trabalhadores. O ambiente de trabalho tanto nos serviços de saúde quanto nos laboratórios são ideais para o desenvolvimento da reflexão da proteção da saúde dos trabalhadores. Incrementar estilos saudáveis de trabalho por meio da sensibilização quanto ao uso dos equipamentos de proteção individual e coletiva beneficiam o trabalhador elevando o seu bem estar e segurança em patamares mais altos. O desenvolvimento do compromisso para implementação de estratégias para os postos de trabalho saudáveis deve constituir um objetivo a ser alcançado. A interdisciplinaridade e a multisetorialidade das ações empreendidas por meio da capacitação em Biossegurança e Saúde do Trabalhador são, primordialmente geradoras de processos de sensibilização dos trabalhadores nos serviços de saúde e laboratórios. O trabalhador protegido e, seguro desenvolve envolvimento com instituição auxiliando na implementação de estratégias que possibilitem uma ambientação segura e proveitosa. Os serviços de saúde e os laboratórios são ambientes de risco. Os trabalhadores destas áreas são confrontados com riscos químicos, físicos e biológicos e de acidentes, sobretudo na manipulação do instrumental existente como também, das técnicas, práticas e procedimentos que podem carrear riscos de exposição ou dano. As considerações a propósito da Biossegurança são entendidas como um conjunto de medidas técnicas, administrativa, educacionais e psico-bio-sociais que aferem as condições adequadas para manipular e conter agentes, possivelmente causadores de risco.

BARREIRAS DE CONTENÇÃO São considerados postos de controle ou instalações físicas e, do mesmo modo equipamentos individuais e coletivos projetados para minimizar, enclausurar ou eliminar as exposições aos agentes de risco. O emprego de boas práticas laboratoriais quanto boas práticas nos serviços de saúde formam a base sem a qual o uso das barreiras de contenção perde sua finalidade. BARREIRAS PRIMÁRIAS São formadas pelos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) que protegem os trabalhadores dos laboratórios e serviços de saúde do contato com agentes de risco biológico, químico e físico. Pelos Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) que objetivam proteger o ambiente, a integridade dos trabalhadores ocupantes de um espaço circunscrito e seu entorno, além de proteger o desenvolvimento de produtos, análises e pesquisas.

EPI`s ESPECÏFICOS PARA O SEVIÇOS EM ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE

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São dispositivos de uso pessoal, destinados a proteção da saúde e integridade física do trabalhador. O uso dos EPI no Brasil é regulamentado pela Norma Regulamentadora NR-6 da Portaria 3214 de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego. As instituições de saúde devem adquirir e oferecer EPI novos e em condições de uso aos trabalhadores sem nenhuma cobrança por seu uso. Igualmente, devem proporcionar capacitação para o uso correto dos mesmos e, caso o trabalhador se recuse a utilizá-los poderá exigir a assinatura de um documento no qual dará ciência e especificará detalhadamente os riscos aos quais o trabalhador estará exposto. Os EPI deverão ser cuidados, descontaminados e higienizados para prolongar sua vida útil, quando forem descartáveis não deverão ser reaproveitados. Os EPI não podem provocar alergias ou irritações, devem ser confortáveis e atóxicos. EPI UTILIZADO EM SERVIÇOS DE SAÚDE E LABORTÁORIOS JALECOS Protegem a parte superior e inferior do corpo, isto é os braços, tronco, abdômen e parte superior das pernas. Devem ser de mangas longas, usadas sempre fechados sobre as vestimentas pessoais (não usá-lo diretamente sobre o corpo), confeccionados em tecido de algodão (mistura poliéster-algodão é inflamável), impermeabilizados ou não, devem ser descontaminados antes de serem lavados. Os jalecos descartáveis devem ser resistentes e impermeáveis. Auxiliam na prevenção da contaminação de origem biológica, química e radioativa, além da exposição direta a sangue, fluídos corpóreos, borrifos, salpicos e derramamentos de origens diversas. AVENTAIS Os aventais podem ser usados sobre ou sob os jalecos. Quando usados nos trabalhos que envolvem produtos químicos são confeccionados em Cloreto de Polivinila (PVC), em Kevler® quando utilizados com altos níveis de calor, de borracha onde há manipulação de grandes volumes de soluções e durante lavagem e limpeza de vidrarias, equipamentos e instalações. MACACÃO E TRAJE PRESSÃO POSITIVA O macacão em peça única, confeccionado em tecido resistente e descartável, deve ser usado em laboratórios de Nível de Biossegurança 3/NB-3 e Nível de Biossegurança Animal 3/ NB-A3. No laboratório Nível de Biossegurança 4/ NB-4 e no Nível de Biossegurança Animal 4/NB-A4 que utiliza Cabine de Segurança Biológica Classe II, deve ser usado o traje de pressão positiva em PVC constituído de macacão em peça única impermeável, com visor acoplado ao macacão, sistema de sustentação de vida, cujo ar é filtrado, por filtro absoluto (HEPA) e, inclui ainda compressores de respiração de ar, alarme e tanque de ar de emergência. Nos serviços de saúde e laboratórios também podem ser usados: uniformes de algodão composto de calça e blusa, avental cirúrgico de algodão ou descartável, macacão de algodão ou descartável e, outras vestimentas que protejam os trabalhadores e o ambiente onde estes exercem suas atividades.

LUVAS

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São utilizadas como barreira de proteção, prevenindo a contaminação das mãos do trabalhador de serviços de saúde e de laboratório ao manipular material contaminado. As luvas reduzem a possibilidade dos microorganismos presentes nas mãos do trabalhador sejam transmitidas aos pacientes durante procedimentos invasivos ou quando pele não intacta, tecidos e mucosas possam ser tocadas. Diminuem o risco de que mãos contaminadas por microorganismos de um paciente ou fomite contaminem outros pacientes, o trabalho executado, equipamentos e instalações. A utilização de luvas não exclui o ato da lavagem das mãos. Protegem o trabalhador dos riscos biológicos, químicos e físicos como, por exemplo, queimaduras químicas por substâncias corrosivas, inflamáveis, irritantes; calor (fornos e muflas) ou frio (materiais congelados e em Nitrogênio líquido) extremos; mordidas cortes e arranhões provocados por animais; choques elétricos; manuseio de culturas microbiológicas, materiais biológicos (sangue, tecidos infectados etc); operações com objetos perfurocortantes e materiais abrasivos ou escoriantes; material radioativo. As luvas protegem contra dermatites acarretadas pela exposição repetida a pequenas concentrações de substâncias químicas. As luvas devem ser confeccionadas com material resistente e maleável, anatômicas, devem ter baixa permeabilidade e compatibilizadas com as substâncias manipuladas (SKRABA, 2004). Alguns trabalhadores são alérgicos as luvas de borracha natural ou látex ou, também, ao talco utilizado em seu interior. Estes trabalhadores deverão utilizar luvas de Vinil, PVC ou Nitrílicas.

LUVAS DE LÁTEX Protegem o trabalhador dos materiais potencialmente infectantes como: sangue, secreções, excreções, culturas de microrganismos, animais de laboratório etc. são divididas em estéreis as luvas cirúrgicas e não estéreis as luvas de procedimento, descartáveis ou não.

LUVAS PARA O MANUSEIO DE PRODUTOS QUÍMICOS Podem ser confeccionadas em: borracha natural (Látex), Butíl, Neoprene®, Cloreto de Polivinila (PVC), Acetato de Polivinila (PVA), Viton® (MC GILL, 2005). O tipo de luva usado durante o processo de trabalho deverá corresponder à substância química a ser manipulada, por exemplo, luvas de PVC para o manuseio de drogas citostáticas.

LUVAS DE PROTEÇÃO AO CALOR Para os trabalhos com autoclaves, fornos e muflas recomendam-se o uso de luvas de lã ou tecido resistente revestida de material isolante térmico. Para trabalhos que envolvem o manuseio a altas temperaturas, por exemplo, acima de
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350 C luvas Zetex®; abaixo de 350º C luvas Kevlar® ; acima de 100º C luvas de couro curtido com sais de cromo (MC GILL, 2005).

LUVAS DE PROTEÇÃO AO FRIO

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Na manipulação de artefatos e componentes em baixa temperatura utilizam-se luvas de algodão, lã, couro, náilon impermeabilizado, borracha revestida internamente com fibras naturais ou sintéticas. Deve ter cano longo para maior proteção.

ÓCULOS DE SEGURANÇA Protegem os olhos do trabalhador de borrifos, salpicos, gotas e impactos decorrentes da manipulação de substâncias que causam risco químico (irritantes, corrosivas etc.), risco biológico (sangue, material infectante etc.) e, risco físico (radiações UV e infravermelho etc.). Podem ter vedação lateral, hastes ajustáveis, cinta de fixação. As lentes devem ser confeccionadas em material transparente, resistente e que não provoque distorção, podem ser de policarbonato, resina orgânica, cristal de vidro, além de receber tratamento com substâncias antiembaçantes, anti-risco e, resistentes aos produtos químicos.

MÁSCARAS FACIAIS OU PROTETORES FACIAIS Utilizados como proteção da face e dos olhos em relação aos riscos de impacto de fragmentos sólidos, partículas quentes ou frias, poeiras, líquidos e vapores, assim como radiações não ionizantes. Resguardam a face dos respingos de substâncias de risco químico como, por exemplo, substâncias corrosivas, irritantes e tóxicas; gotículas de culturas de microorganismos ou outros materiais biológicos. Protegem contra estilhaços de metal e vidro ou outro tipo de projeteis. São confeccionadas em materiais como: propionato, acetato e policarbonato simples ou recobertos com substâncias metalizadas para absorção de radiações.

EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA (RESPIRADORES OU MÁSCARAS) São utilizados quando se manipula substâncias de risco químico ou biológico, em emergências (derramamentos e fugas de gases). Podem ser descartáveis ou exigir manutenção. Os respiradores mais utilizados são: de adução de ar (fornecem ar ao usuário independente do ar ambiente), purificador de ar (purificam o ar ambiente antes de ser inalado pelo usuário); respiradores semifaciais (máscaras descartáveis, respiradores com ou sem válvulas para poeiras, fumos e névoas), respiradores semi faciais com manutenção (com cartucho químico ou filtro mecânico), respiradores faciais de peça inteira (protegem o sistema respiratório, os olhos e a face do usuário) (MC GILL, 2005). Em serviços de saúde e laboratórios onde se manipula microrganismos de classe de risco biológico 3 como, por exemplo, o M. tuberculosis recomenda-se o uso de respirador purificador de ar semifacial N-95 (com eficiência mínima de filtração de 95% de partículas de até 0,3 µm) ou respiradores purificadores de ar motorizados com filtros de alta eficiência (filtros HEPA). Na preparação de drogas citotóxicas, quando não há disponibilidade da Cabine de Segurança Biológica/CSB, deve-se utilizar respirador para proteção contra material particulado (pó ou névoa) do tipo que utiliza filtro mecânico P2 ou P3 (classificação brasileiro-européia) ou respirador purificador de ar semifacial N-95. (BOLETIM, s/d) Existem máscaras de fuga utilizadas para evasão de ambientes onde possa ocorrer fuga de contaminantes tóxicos, vapores e gases combinados ou não com aerossóis.

PROTEÇÃO AURICULAR Os protetores auriculares são do tipo concha ou de inserção. A sua utilização está indicada em situações onde o ruído excessivo pode causar perda da audição do trabalhador.Os controles dos níveis de ruído em laboratório são regidos pela NBR nº 10152/ABNT, que estabelece limite de 60 decibéis para uma condição de conforto durante a jornada de

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trabalho. As normas estabelecidas pela OSHA nos EUA, o nível de ruído é de 85 decibéis por uma jornada de trabalho de oito horas.

TOUCAS OU GORROS Nos ambientes de serviços de saúde, laboratoriais e biotérios, os cabelos, principalmente, os longos devem permanecer presos para evitar acidentes e contaminações por microorganismos, poeiras e ectoparasitos em suspensão. Os cabelos dos trabalhadores, também podem contaminar ambientes limpos ou estéreis ou contaminar pacientes e o produto do trabalho, por este motivo as toucas ou gorros devem ser usados. Devem ser confeccionados em tecido que permita a aeração dos cabelos e do couro cabeludo. Podem ser descartáveis ou reutilizáveis.

PROTETORES PARA OS MEMBROS INFERIORES Os membros inferiores devem estar protegidos por calçados fechados durante o trabalho em serviços de saúde e laboratórios. Evitam acidentes que envolvem derramamento e salpicos de substâncias de risco químicos e biológicos, impactos, perfurocortantes, queimaduras, choques, calor, frio, eletricidade etc. Os trabalhadores não devem expor os artelhos, o uso de sandálias ou sapatos de tecido é proibido na área de trabalho. O calçado deverá ser ajustado ao tipo de atividade desenvolvida como: botas de segurança em couro, botas de PVC, botinas e outros calçados de cano curto ou longo, com biqueira de reforço e solado antiderrapante. Sapatilhas ou pró-pés descartáveis ou reutilizáveis são, geralmente, usadas em áreas estéreis tanto em hospitais, laboratórios, biotérios e na indústria.

DISPOSITIVOS DE PIPETAGEM São dispositivos de borracha (pêra de borracha), pipetadores automáticos e elétricos, etc. Evita o risco de acidente através da ingestão de substâncias contendo agentes de risco biológico, químico ou radioativo, visto que a ação de pipetar com a boca é um risco a integridade física e a saúde do trabalhador. (LIMA e SILVA, 1998)

DOSIMETRO PARA RADIAÇÃO IONIZANTE É utilizado como proteção para os trabalhadores que manipulam substâncias com radiações ionizantes. São usados como crachá, pulseira, anel ou gargantilha dependendo do tipo e emissão da radiação. Deve ser enviado para o serviço de monitoramento da Comissão Nacional de Energia Nuclear/CNEN para avaliação.

EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA Os Equipamentos de Proteção Coletiva EPC auxiliam na segurança do trabalhador dos serviços de saúde e laboratórios, na proteção ambiental e também na proteção do produto ou pesquisa desenvolvida. A correta seleção, uso e manutenção do equipamento de segurança permitem ao trabalhador da área de saúde a contenção apropriada contra os inúmeros riscos aos quais está envolvido no seu dia a dia.

AUTOCLAVES Gera a esterilização de equipamentos termorresistentes e insumos através de calor úmido (vapor) e pressão. Sua instalação é obrigatória no interior dos laboratórios NB-3 e NB-4, sendo que no laboratório NB-4 é obrigatório à instalação de autoclave de porta dupla. Nos

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laboratórios NB-2 e NB-1 e serviços de saúde é obrigatório que a autoclave esteja no edifício onde os mesmos estão instalados. O monitoramento deve ser feito com registro de pressão e temperatura a cada ciclo de esterilização, testes biológicos com o Bacillus stearothermophylus, fita termorresistente em todos os materiais. (LIMA e SILVA, in press)

FORNO PASTEUR Opera em superfícies que não são penetradas pelo calor úmido. É um processo demorado pode ser usado em vidraria, metal, etc. O monitoramento exige registro de temperatura nas esterilizações, testes biológicos com o Bacillus stearothermophylus, fita termorresistente em todos os materiais.

CHUVEIRO DE EMERGÊNCIA Chuveiro de aproximadamente 30cm de diâmetro, acionado por alavancas de mão, cotovelo ou pé. A localização deve ser de fácil acesso e ter um programa de manutenção constante.

LAVA OLHOS Dispositivo formado por dois pequenos chuveiros de média pressão acoplados a uma bacia metálica. O angulo do jato de água deve ser corretamente direcionamento para a lavagem ocular. Pode ser acoplado ao chuveiro de emergência ou ser do tipo frasco de lavagem ocular.

MICROINCINERADORES Dispositivo elétrico ou a gás utilizado para flambar alças microbiológicas ou instrumento perfurocortante no interior da Cabine de Segurança Biológica (LIMA e SILVA, 1998).

CAIXAS OU CONTAINERS DE AÇO Devem ter alças laterais e tampa, confeccionados em aço inoxidável, autoclaváveis, à prova de vazamento, usados para acondicionar e transportar material contaminado por agentes de risco biológico para esterilização em autoclave.

CAIXA DESCARTÁVEL PARA PERFUROCORTANTE Usada para descartar os resíduos perfurocortantes como: seringas hipodérmicas, agulhas de sutura, bisturis, dentre outros. (Recomenda-se que seja autoclavada antes do descarte final).

AGITADORES E MISTURADORES Devem possuir sistema de isolamento que contenham os aerossóis formados durante sua utilização. Utilizá-los no interior da Cabine de Segurança Biológica caso não possuam sistema de isolamento

CENTRIFUGAS Devem possuir sistema que permita a abertura somente após o ciclo completo de centrifugação, copos de segurança e sistema de alarme quando ocorra quebra de tubos.

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SINALIZAÇÃO LABORATORIAL É um conjunto de símbolos com formas e cores diferenciados que indicam sinalização de: aviso, interdição, obrigação, segurança e prevenção de incêndio. Os símbolos de aviso incluem o símbolo de Risco Biológico, Risco Químico, Risco Radioativo e outros.

OUTROS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO COLETIVA Chuveiro químico para laboratório NB-4, extintor de incêndio, mangueira de incêndio, sprinkle, luz ultravioleta, anteparo para microscópio de imunofluorescência, anteparo de acrílico para radiosótopos, indicadores de esterilidade usados em autoclaves e outros.

SALA LIMPA Área na qual se limita e/ou se controla as partículas do ambiente. Utilizam-se filtros absolutos (HEPA) para se conseguir ar com nível de limpeza superior aos encontrados normalmente nas salas convencionais. A sala limpa é projetada para eliminar partículas, direcionando-as a um local de exaustão.

MÓDULO DE FLUXO LAMINAR DE AR São áreas de trabalho, portáteis, limitadas por cortina de PVC flexível ou outro material rígido transparente. O fluxo de ar é geralmente perpendicular ao piso (Módulo de Fluxo Vertical de Ar), também é encontrado como módulo horizontal. É versátil, uma vez que pode ser acoplado em seqüência, sem afetar a instalação física da construção. O sistema pode ser sustentado por pés fixos, com rodas ou ainda, pendurado na laje.

UNIDADE DE NECROPSIA É uma CSB Classe I, a área de trabalho contém bandeja circular para recolhimento das peças necropsiadas. É construído em aço inoxidável o que facilita o trabalho e a limpeza. Tem sistema de drenagem de líquidos e ar filtrado por filtro absoluto.

CABINE PARA HISTOLOGIA Construída em aço inoxidável com exaustão para o exterior do ambiente laboratorial através de duto. É específica para preparações histológicas.

CABINE DE SEGURANÇA QUÍMICA Cabine construída de forma aerodinâmica cujo fluxo de ar ambiental não causa turbulências e correntes, assim reduzindo o perigo de inalação e contaminação do operador e do ambiente quando da manipulação de substâncias químicas que liberam vapore e gases tóxicos, irritantes, corrosivos etc. O duto de exaustão deve ser projetado de maneira a conduzir os vapores para parte externa da instalação, preferencialmente, no telhado. Deve ter filtro químico acoplado a saída do duto.

CABINES DE SEGURANÇA BIOLÓGICA (CSB)

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O princípio fundamental é a proteção do operador, do ambiente e do experimento através de fluxo laminar de ar, filtrado por filtro absoluto ou filtro HEPA. As Cabines de Segurança Biológica estão dividas em: Classe I, Classe II (divididas em A ou A1, B1, B2 e B3 ou A2 -) e Classe.

CABINES DE SEGURANÇA BIOLÓGICA (CSB) - CLASSE I: É uma modificação da cabine de segurança química. O tipo de ventilação da cabine protege o trabalhador e o ambiente, com velocidade do ar unidirecional e sem recirculação. É a forma mais simples de cabine, pode ser construída com o painel frontal aberto ou com o painel frontal fechado com luvas de borracha adaptadas. Na CSB Classe I não há proteção para o experimento, somente para o operador e o meio ambiente. É recomendada para trabalho com agentes de risco biológico das classes de risco 1, 2 e 3. Atenção especial deve ser dada durante o uso da CSB Classe I como, por exemplo: circulação de pessoas em frente à cabine; retirada rápida as mãos do espaço de trabalho; abertura e fechamento de portas durante o tempo em que a cabine estiver funcionando. As CSB Classe I que possuem painel com luvas de borracha, proporcionam maior proteção ao operador.

CABINES DE SEGURANÇA BIOLÓGICA (CSB) - CLASSE II A CBS Classe II é conhecida com o nome de Cabine de Segurança Biológica de Fluxo Laminar de Ar. O princípio fundamental é a proteção do operador, do ambiente e do experimento ou produto. Possui uma abertura frontal que permite acesso a superfície de trabalho. Alguns modelos possuem alarme que previne quando o painel frontal corrediço, não está na altura de segurança de 20 cm para execução do trabalho. Outros são construídos com painel frontal duplo que poderá ser fechado ao término do trabalho. Uma cortina de ar formada por ar não filtrado que passa da sala para a cabine e fluxo de ar que atravessa o filtro absoluto (HEPA) situado na parte superior da cabine, evita que os contaminantes que circulam no ar dentro da cabine escapem pela abertura frontal. A CSB Classe II possui equipamentos como: ventilador, motor, filtros HEPA de suprimento e exaustão de ar, luz, gás, luz UV, câmaras laterais, alarme, dentre outros. Podem ser utilizadas nos laboratórios NB-1, NB-2, NB-3, no laboratório NB-4 são utilizadas somente as que possuem exaustão total e com traje de pressão positiva e sistema de sustentação de vida. As CSB Classe II estão divididas em A1, B1, B2 e B3 ou A2 segundo suas funções e estruturas. Cabines de Segurança Biológica (CSB) - Classe III É construída em aço inoxidável com vidros blindados, absolutamente herméticos com ventilação própria. O trabalho é conduzido através de luvas de borracha presas à cabine. A temperatura deve ser controlada em um nível constante, impedindo sua elevação excessiva. O fluxo de ar penetra na CSB Classe III através de filtros absolutos (HEPA) em série. O fluxo de ar circula com trocas de pelo menos 10 vezes por hora. É operada com pressão negativa em relação ao laboratório, proporcionando absoluta contenção ao agente de risco biológico. Para purificar o ar contaminado, este é esgotado através da instalação dois filtros absolutos em série no duto de exaustão ou um filtro absoluto e um incinerador
o

com exposição do ar de 6 segundos à 300 C. A introdução e retirada de materiais se efetuam por meio de câmaras de passagem com intertravamento nas portas ou autoclaves de porta dupla com sistema hidráulico ou elétrico para abertura e fechamento. A

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descontaminação de todo material utilizado e os resíduos sólidos produzidos são feitos através da autoclave de porta dupla, câmaras de fumigação ou por recipientes de imersão com desinfetantes (dunk tank). Os resíduos líquidos são recolhidos em depósito e descontaminados antes de serem lançados ao sistema de sanitário. Possui no seu interior todos os equipamentos e serviços como: refrigerador, freezer, centrífuga, microscópio e sistema para experimentação e criação de animais. Podem ser adaptadas para trabalho que utilizem radioisótopos de vida longa. Não deve conter sistema de gás GLP ou outro gás que seja inflamável ou explosivo. Este tipo de CSB é utilizado no laboratório NB-4

CONCLUSÃO O uso de barreiras de contenção na forma de EPI e EPC utilizados nos serviços de saúde e laboratórios se constitui em sistemas que se sobrepõem permitindo ampliação da proteção do trabalhador da área de saúde, do paciente, do experimento e do ambiente. Na situação atual, na eminência de uma pandemia, além das doenças emergentes e reemergentes que assolam nosso mundo, as barreiras de contenção de riscos por meio dos equipamentos de proteção individuais e coletivos, tornam-se ferramentas táticas disponíveis em Biossegurança.

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PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS MÉDICOS ENVOLVIDOS EM ACIDENTES Equipamentos de anestesia e sistemas respiratórios Anestesia é um estado do sistema nervoso central no qual a resposta a estímulos nocivos são suprimidos reversivelmente. Poucos procedimentos cirúrgicos podem ser realizados sem a indução de anestesia geral. A despeito do fato de que muitos agentes químicos sejam usados para a produção de anestesia de uma maneira controlada, não há uma simples teoria para quantificar a ação de todas as substâncias que produzem efeitos anestésicos. A palavra "anestesia" originou-se com Oliver Wendell Homes, que sugeriu seu uso paras descrever o estado produzido ao ser humano quando vapor de éter foi ministrado pela primeira vez a paciente humano, submetido à intervenção cirúrgica. Este fato ocorreu em 16 de outubro de 1846, sendo o cirurgião J.C. Warren, do Hospital Geral de Massachussetts. O anestésico foi ministrado por William Morton. Embora este não tenha sido o primeiro uso de uma substância anestésica em uma cirurgia, esta demonstração atraiu a atenção para as propriedades elimindoras de dor (analgésicas) de certas substâncias, bem como a habilidade para controlar a profundidade e duração da anestesia. Riscos em equipamentos de anestesia e sistemas respiratórios Os acidentes envolvendo anestesia, apesar de poderem ser evitados com procedimentossimples e triviais, continuam ocorrendo com freqüência. É impossível listar todos os riscos concebíveis, entretanto os mais comuns e sérios serão analisados. Muitos envolvem tipos de equipamentos mais velhos ou situações peculiares, os quais têm sido modificados e eliminados pelo fabricante. Eles serão analisados devido ao fato de muitos equipamentos obsoletos ainda estarem em uso. Hipoxemia Hipoxemia é uma temerosa complicação, tendo como conseqüências ao paciente a morte ou lesões (danos) cerebrais. O dano depende do grau de hipoxemia e o tempo de duração da mesma. Nem pressão sanguínea ou freqüência cardíaca são indicadores confiáveis do estado de hipoxemia (151). O significado fisiológico é qualquer estado em que uma quantidade inadequada de oxigênio está disponível para ou é utilizada por tecidos, seja qual for a causa ou intensidade. Os aspectos que envolvem a hipoxemia, normalmente estão relacionados diretamente a problemas com o suprimento de oxigênio, dentre os quais são destacados: a) Problemas com a linha de tubos: pressão de trabalho insuficiente; mal funcionamento de válvulas reguladoras de pressão; falha do sistema de alarme de baixa pressão; alarme de baixa pressão funciona mas o pessoal não sabe o que fazer; fechamento acidental da válvula de alimentação do centro cirúrgico;

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vazamento de oxigênio nas conexões ou dobra na mangueira de alimentação; ausência de manutenção preventiva em equipamentos e instalações de gases medicinais; manômetros não aferidos indicam erroneamente a existência de gás em cilindros vazios. B)Problemas com cilindros: quando a tubulação principal não está em uso ou falhar, o acidente pode ocorrer se os cilindros reservas não estiverem cheios. Deste modo uma forma de evitar este risco é utilizar duplos cilindros junto aos equipamentos de anestesia. É de importância vital a verificação da pressão dos cilindros antes de se iniciar a anestesia; desconhecimento do manuseio. Além de se dispor de cilindros cheios nas salas de cirurgia, o pessoal envolvido em cirurgias deve saber manuseá-los corretamente; instalação imprópria: quando a instalação de cilindros é feita por pessoal inexperiente e não treinado, acidentes podem ocorrer na substituição (regulagem imprópria da válvula redutora de pressão, remoção incompleta da capa protetora contra poeira ou mesmo conexão em tomadas de gás incorretas); problemas na válvula do cilindro: cilindros cheios podem ter suas válvulas danificadas, impedindo a liberação correta do gás; C) Problemas com o equipamento: muitas tubulações de conexão internas e externas de equipamentos de anestesia são feitas de plástico podendo ser deformadas (dobradas) impedindo a passagem adequada de gás; problemas relativos aos usuários: a não compreensão dos dispositivos de proteção dos equipamentos de anestesia por parte do usuário constitui um sério risco; válvula de segurança para falha no oxigênio: esta válvula é projetada para eliminar o fluxo de óxido nitroso quando há falta de oxigênio. Entretanto, esse dispositivo não garante que o fluxo de gás seja adequado, pois depende somente da pressão. Estudos do funcionamento de cada dispositivo deste tipo deve ser adequadamente feito na ocasião da aquisição desse equipamento; dispositivos de alarme: os dispositivos de alarme integrados à maioria dos equipamentos são do tipo sonoro ou visual. No caso anterior, são acionados por intermédio de pressão, não monitorando fluxo, o que cria uma falsa idéia de segurança. Além disso, existe o fato de que alguns deles podem ser desligados ou usarem bateria, o que permite mais duas possibilidades de falha. Outros tipos de alarme são soados utilizando-se o próprio fluxo de gases anestésicos, o que aumenta o consumo e deixa de atuar em caso de falha simultânea do anestésico e oxigênio. variações na pressão do suprimento de óxido nitroso: variações de pressão podem ocorrer e causar com isso uma alteração na concentração de óxido nitroso em relação ao oxigênio, causando hipoxemia; a liberação de outros gases que não o oxigênio pode ocorrer devido a alterações na cor dos cilindros ou mesmo erro na colocação de identificação do mesmo; ligações cruzadas entre diferentes sistemas de gases podem surgir, principalmente quando na execução de reformas ou reparos. Dentro das salas de cirurgia, as tomadas de gás podem ser erroneamente instaladas, fato que obriga uma inspeção

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antes da liberação da rede para o uso. Estas ligações cruzadas podem acontecer inclusive dentro do próprio equipamento, na ocasião da montagem pelo fabricante ou equipe de manutenção do hospital; problemas com fluxômetros: a hipoxemia pode ocorrer quando a vazão de oxigênio liberada pelo fluxômetro for reduzida ou interrompida. A interrupção é comum quando o usuário fecha o fluxo de oxigênio ao invés de fechar o óxido nitroso; outro risco é a falta de calibração ou aferição dos fluxômetros por serviços independentes possuidores de padrões nacionais destas grandezas físicas; se o tubo do fluxômetro de oxigênio partir ou permitir vazamento na sua parte superior, o volume total que chega ao paciente será diminuído. Caso o vazamento ocorra após o fluxômetro, a diminuição do fluxo não será sentida pelo mesmo. Lembre-se que a leitura do fluxômetro deve ser feita na metade do diâmetro da esfera; quando o fluxômetro não está calibrado, os gases anestésicos podem ser liberados em excesso ou oxigênio em falta. É importante lembrar que a precisão dos fluxômetros diminuem com a diminuição do fluxo. Algumas causas de perda de exatidão em fluxômetros se devem à sujeira, graxa, óleo que, ao entrarem no sistema, prendem ou danificam o marcador. Hipercapnia Hipercapnia pode acontecer se a remoção de dióxido de carbono pelo processo de respiração não for adequada. Nem pressão sanguínea nem freqüência cardíaca são indicadores confiáveis de uma situação de hipercapnia. Felizmente, concentrações excessivas de dióxido de carbono levam mais que poucos minutos para acumular e proceder efeitos adversos. Os mecanismos mais comuns desta falha são: A) Falha de absorção ou do absorvente O absorvente tem a finalidade de reter o óxido de carbono proveniente dos gases exalados do paciente. Quando totalmente saturados, a mudança de cor que nele ocorre indica necessidade de troca, pois o mesmo não se liga mais ao dióxido de carbono. Quando a colocação do absorvente não é feita adequadamente (pouco compactado), canais poderão ser formados dentro do reservatório, impedindo que sua saturação seja observada. Para evitar esse acidente, deve ser certificado que o absorvente esteja bem compactado e que os gases exalados circulam por todo o reservatório. B) Falta de passagem pelo absorvedor Muitos equipamentos possuem circuitos específicos que são usados para troca de absorvente. Estes desviam o fluxo principal para outro reservatório de absorvente enquanto o anterior é completado. Este sistema também pode ser usado para desviar para o ambiente o fluxo de gases com altas concentrações de dióxido de carbono, fato que pode suceder no final de uma cirurgia. Caso na próxima cirurgia o fluxo de gases não seja desviado para o absorvedor ocorrerá hipercapnia Hipoventilação Problemas com o equipamento podem levar ao paciente uma qualidade de ventilação inadequada, principalmente retenção de dióxido de carbono e hipoxemia. Efeitos adversos podem aparecer em poucos minutos. Ventilação inadequada pode advir em

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vários graus e não é necessariamente uma má função do equipamento. A detecção precoce da hipoventilação é essencial, mas é habitualmente errônea. A monitoração dos sinais vitais nem sempre detecta os efeitos nocivos da ventilação inadequada de modo rápido o bastante para evitar complicações. Observar o movimento do tórax freqüentemente é recomendável, mas não pode ser utilizado em todos os casos. O ruído e a movimentação do pulmão do ventilador (fole) não podem se alterados marcadamente, mesmo se parte significante do volume corrente é perdido para o meio ambiente. Embora o uso do estetoscópio seja um confiável vínculo com o paciente, em casos de intubação, em casos prolongos ou em presença de elevado ruído de fundo, seu uso está longe da segurança desejada. O meio mais satisfatório de se acessar a adequação da ventilação é a análise dos gases sangüíneos, monitoração do dióxido de carbono exalado e medida do seu volume. As causas básicas de hipoventilação são os problemas inerentes aos equipamentos, como falha no ciclo e dispositivos de proteção, desligamento acidental, liberação de um volume corrente menor que o ajustado, falha no fornecimento de gases frescos, desconexões acidentais e bloqueio no ramo inspiratório.

Hiperventilação Um furo no fole do equipamento ou fabricação imprópria do mesmo podem causar hiperventilação pelo acréscimo do volume corrente pré-ajustado. Um investigador determinou que quando óxido de nitroso é o principal gás a circular pelo ventilador, o volume do gás liberado é dramaticamente aumentado. Pressão excessiva Casos de alta pressão no trato respiratório do paciente, transmitida através do sistema de suporte ventilatório (respiradores) ocorrida durante os procedimentos de anestesia, têm sido relatados. Em adição à interferência com a adequada ventilação, a alta pressão pode causar barotrauma e efeitos adversos no sistema cardiovascular. Mudanças neurológicas e possibilidade secundária de embolismo cerebral por ar têm sido expostas. Danos irreversíveis ao paciente podem acontecer em segundos. Como causas básicas de pressão excessiva, citamos falha da válvula de alívio para alta pressão, falha no ajuste do alarme da pressão máxima permissível ou mesmo obstrução do ramo expiratório, que aumentarão muito a pressão dos pontos anteriores à obstrução. A prevenção, para acidentes envolvendo alta pressão, é construir, de acordo com as características de cada equipamento, um programa de testes e verificações antes do uso.

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Aspiração de substâncias estranhas A inalação de resíduos de absorvente pode causar respiração difícil, bronco-espasmo, laringoespasmo, tosse e diminuição da complacência pulmonar. Resíduos de absorvente são gerados no "canister" e são levados pela tubulação inspiratória. Isto pode ocorrer quando o balão está posicionado no lado expiratório, uma vez que se for pressionado gás à alta velocidade. Será introduzido através do absorvedor. Uma sobredistensão do balão é uma repentina liberação de pressão através do "Y", quando o sistema está sendo verificado quanto ao vazamento. Pode forçar uma nuvem de poeira dentro do sistema de respiração. O projeto de certos sistemas, que possuem a entrada de gases frescos através do fundo do absorvedor, pode contribuir com o problema. A inalação de poeira é menos possível utilizando-se "canisters" de diâmetros maiores, que reduzirá a velocidade do fluxo, ocasionando menor turbulência no sistema. O problema de inalação de poeira pode ser evitado através da colocação de um filtro no lado inspiratório do circuito, posicionando a bolsa reserva no ramo inspiratório, aliviando a pressão na válvula de segurança na realização de inspeções de vazamentos. Deve-se, ainda, agitar o "canister" antes de colocá-lo em uso, para remover poeira. Equipamentos esterilizados com óxido de etileno e não aerados adequadamente irão possibilitar a difusão de óxido de etileno residual nos pulmões do paciente. De outro modo, se tubulações umidificadas forem esterilizadas com óxido de etileno, teremos a formação de etileno glicol e conseqüentemente inalação do mesmo. Um problema que aparece em hospitais com sistema de tubulações reformado ou recém instalado é o arraste de matéria particulada ou gases provenientes de solda pelo equipamento, com posterior contaminação do paciente.

Overdose de agente anestésico Uma overdose de agente anestésico pode resultar em hipotensão, ataque cardíaco, ou arritmias. A extensão do perigo depende de como o paciente é exposto a estas concentrações e durante quanto tempo. Se o anestésico na forma líquida é introduzido na linha de gases frescos, uma situação letal pode resultar ao paciente. As causas desse tipo de acidente são vaporizador sobrecarregado, vaporizador inclinado de modo a permitir que anestésico líquido escoe pelo ramo inspiratório em conjunto com gases frescos, cálculos de anestésicos feitos incorretamente e leituras erradas em fluxômetros. Outras causas possíveis são: vaporizador ligado sem conhecimento prévio do operador; contaminação cruzada entre vaporizadores; vazamentos em vaporizadores desligados devido ao mau funcionamento da válvula liga/desliga.

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Subdose de agente anestésico A não-liberação da dose adequada de agente anestésico pode ser tão séria quanto a liberação excessiva, no mínimo, muito embaraçante. Este tipo de acidente pode ocorrer nas seguintes situações: falha no suprimento de óxido nitroso; contaminação do circuito de óxido nitroso com oxigênio; vazamentos nos equipamentos de anestesia, vaporizadores, circuitos e nos equipamentos de ventilação; fluxômetros inadequados, vaporizadores desligados ou vazios; erros de cálculo ou agente anestésico incorreto; posicionamento incorreto do botão de ajuste do vaporizador; Em todos os casos, o controle deste risco deve ser feito com uso de técnicas adequadas de manutenção e verificações antes da operação do equipamento;

Fogo e explosões A possibilidade de explosão ou fogo em salas de cirurgia é usualmente reduzida por aqueles que não usam anestésicos inflamáveis. Infelizmente, esta satisfação não é garantida. Fogo e explosões podem e ainda continuam a ocorrer. Existem três fatores básicos para que fogo ou explosões possam surgir a existência de combustível, fonte de ignição e oxidantes para suportar a combustão. A) Oxidantes para suportar a combustão O ar servirá como suporte para combustão, desde que contenha oxigênio. O óxido nitroso também é um poderoso oxidante, o que aumenta o risco das cirurgias de pescoço e cabeça, pois os gases anestésicos tendem a ocupar a cavidade orofaríngea, criando uma atmosfera enriquecida destes gases. B) Fonte de ignição Normalmente as unidades eletrocirúrgicas são a principal fonte de ignição, pois seu princípio de funcionamento baseia-se na produção de calor. Outras fontes de calor são os raios "laser", lâmpadas cirúrgicas, instalações elétricas, eletricidade estática e fonte de luz para uso em conjunto com fibra óptica. Deve-se ainda, considerar a compressão adiabática de gases que pode gerar calor suficiente para a ignição. Isto ocorre quando, no momento da abertura de válvulas de cilindros, com a subseqüente recompressão do gás em um volume muito menor que o original, há produção de calor. Este pode ser suficiente para incendiar substâncias, como óleo e graxa. C) Substâncias combustíveis Inúmeros artigos utilizados em salas de cirurgia são potencialmente combustíveis, como por exemplo: tubo endotraqueal, fitas adesivas, tubos e bolsas plásticas

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utilizadas em circuito respiratório, esponjas, máscaras, produtos de papel, luvas, roupas cirúrgicas, gases do trato intestinal, agentes de limpeza e assepsia (álcool e éter). A orientação dos profissionais de centro cirúrgico com relação a estes riscos é um dos fatores preventivos a ser aplicado.

Prevenção de acidentes A prevenção de acidentes, dos quais a anestesia toma parte, é vital, mas também é uma tarefa difícil. Verificações, manutenção adequada do equipamento e o uso vigilante são medidas importantes, mas outras são necessárias. A seleção própria do equipamento é essencial. Confiança, segurança e custo devem ser considerados. O equipamento deve ser avaliado clinicamente sob condições similares àqueles em que será utilizado, verificando o que se espera durante o seu uso. A padronização do equipamento dentro do departamento de anestesia e em outras áreas do hospital ajudará a diminuir erros. É essencial a substituição de equipamentos obsoletos. Infelizmente, uma parte do equipamento, que parece ser a mais viável em um dado instante, pode vir a ser inferiorizada por uma outra peça mais recentemente concebida.

Unidades eletrocirúrgicas O bisturi elétrico utiliza em seu funcionamento altos valores de corrente e tensão elétrica, faiscamentos e geração de interferência eletromagnética. Estes fatores são intrínsecos a qualquer tipo de bisturi elétrico, gerando riscos para ambos, paciente e operador. Os riscos a que estão sujeitos os operadores são: choque elétrico, incêndio e explosões, conforme citados previamente. O paciente, por sua vez, além destes, está sujeito a queimaduras e paradas cardíacas (quando portador de marca passo cardíaco). O risco de queimadura está associado principalmente à colocação da placa neutra (eletrodo dispersivo), bem como a instalações elétricas deficientes. Assim sendo, essas devem ser feitas por engenheiros especializados, e a colocação do eletrodo deve ser feita após detalhadas explicações dos fabricantes ou dos serviços de engenharia do hospital. A corrente elétrica responsável pelo corte tem sua origem no eletrodo ativo (caneta), a qual, após realizar o corte ou a coagulação, retorna à terra através do eletrodo dispersivo (placa neutra). A corrente se distribui por toda a área da placa. Em situações normais, devido à área de contato com o paciente ser suficientemente grande, não há elevação de temperatura da pele do paciente sob o eletrodo dispersivo. Em situações anormais podem ocorrer queimaduras.

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Queimaduras sob a placa neutra (braços, pés e cabeça do paciente) Este tipo de queimadura surge quando a placa neutra é mal colocada, formando pouca área de contato com o corpo humano. Deste modo, com a corrente elétrica circulando através de pouca área de contato, ocorre elevação da temperatura no ponto de contato e queimadura na pele. Casos de queimaduras de braços, cabeça, pés e outras partes do corpo humano, acontecem em situações, como, quando o fio que liga a placa neutra ao equipamento estiver rompido ou com mau contato, o equipamento não funcionará, pois o circuito deveria estar aberto, impedindo a circulação de corrente elétrica. Entretanto, caso o paciente esteja em contato com a mesa aterrada, teremos um ponto em comum com a terra efetuado pelo seu corpo, fazendo com que o circuito elétrico funcione. Desse modo, a corrente circulará através dos pontos de contato, de área reduzida (alta resistência elétrica), ocasionando a queimadura do corpo nos locais de contato a mesa.

Queimaduras sob o eletrodo de monitoração cardíaca sem placa neutra Como verificado anteriormente, a ligação da placa neutra ao equipamento e paciente é muito importante para o funcionamento do bisturi elétrico. Há situações em que, mesmo com o fio da placa neutra rompido e mesmo com o paciente isolado da mesa, ocorre a queimadura do paciente. Esta queimadura acontece no local onde um dos eletrodos de monitoração cardíaca é colocado. A causa é a ausência da placa neutra de ligação do paciente à terra e conseqüentemente ao equipamento. Esta conexão é feita indevidamente através deste eletrodo, fazendo com que o equipamento funcione normalmente. A queimadura ocorre devido à área reduzida de contato, à elevação da temperatura do local, à passagem de corrente por este eletrodo, e conseqüente queimadura do paciente.

Queimadura sob o eletrodo de monitoração cardíaca com placa neutra Este tipo de queimadura ocorre, pois a placa neutra é colocada em um ponto muito distante do eletrodo ativo, fazendo com que a corrente proveniente do eletrodo ativo se divida em duas partes. Uma retorna à terra pela placa neutra e a outra parte pelo eletrodo de monitoração. Devido à área reduzida desse eletrodo, ocorrem queimaduras na pele do paciente.

Cuidados para evitar queimaduras do bisturi elétrico Para evitar as situações acima, as seguintes instruções devem ser seguidas: deve ser certificado que o fio da placa neutra não está rompido; deve ser certificado que haja bom contato elétrico entre a placa neutra e o corpo do paciente. Utilizar gel condutor próprio para este fim; colocar a placa neutra o mais próximo possível do ponto da intervenção cirúrgica; utilizar, sempre que possível, bisturi elétrico de última geração, com todos os dispositivos de proteção incorporados;

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em caso de acidente, um profissional habilitado deve ser acionado para o diagnóstico da situação, de modo a evitar repetição de casos. Cuidados durante a manutenção e utilização dos fios elétricos do bisturi (eletrodos ativos e dispersivos) O equipamento de eletrocirurgia opera com correntes elétricas alternadas de alta freqüência (1 MHz a 3 MHz) e com essas freqüências não ocorre a contração muscular provocada por correntes de baixa freqüência (60 Hz). Normalmente, os cabos dos eletrodos ativo e dispersivo são recebidos com o comprimento de 3 metros e indutância equivalente a 3,5 mH (microHenry). Se o cabo dos eletrodos forem enrolados com poucas voltas, a indutância do respectivo cabo aumenta para 10 mH ou mais. Um circuito com indutância equivalente a 3,5 mH, operando a uma freqüência de 2 Mhz e uma corrente circulante igual a 1 Ampére (RMS), irá apresentar uma impedância de 44Ohms. O que produzirá uma diferença de potencial de 44 Volts através do cabo dos eletrodos ativo e dispersivo. Isso significa que dizer que a placa do eletrodo de retorno está 44 Volts acima do potencial das partes metálicas aterradas que se incluem nas salas de cirurgia. Somando ainda as impedâncias do cabo de retorno, cabo de aterramento e outras eventuais que dependem do projeto das instalaçãoes, teremos o potencial elétrico do paciente elevado com relação ao potencial de terra em 50 Volts ou mais. Caso qualquer parte do paciente entre em contato com outro ponto aterrado, será criado um caminho alternativo para a passagem de corrente elétrica, que em geral causa sérias queimaduras nesses pontos, quando a área de contato é pequena. Outro aspecto relativo aos cabos de alimentação dos eletrodos ativo e dispersivo é o seu comprimento. Fios excessivamente longos formam um acoplamento capacitivo maior com relação ao piso de uma sala cirúrgica aterrada. Devido ao fato dos capacitores terem o comportamento de condutor para rádio-freqüências, haverá fuga de corrente para os objetos aterrados, podendo inclusive, na pior das hipóteses, fluir através do corpo do paciente até o terra, via pequenos pontos de contato. O fato de existir uma diferença de potencial entre o paciente e a terra permitirá que qualquer corrente de fuga, em determinadas condições, circule pelo paciente, podendo não raro causar a morte deste. Isto acontece em virtude do paciente estar cateterizado, situação em que o choque elétrico, apesar de não ser sentido, é aplicado diretamente sobre o coração. Por este motivo a corrente de fuga de equipamentos deve ser medida e controlada. De um modo geral, os acidentes com eletricidade são variados e devem ser investigados e avaliados por profissional especializado. Quanto ao operador e auxiliares, suas decisões deverão se basear nas instruções contidas no manual do usuário (operador). É de fundamental importância não alterar as variáveis previamente ajustadas no equipamento após a ocorrência de um acidente. Isso permitirá a eliminação de parte das possíveis causas do acidente. Há uma tendência de se implantar sistemas de monitoração junto aos equipamentos de

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uso médico hospitalar, que gravem todos os procedimentos e ajustes feitos nos comandos durante o uso dos mesmos. Pelos resultados apresentados na memória do sistema, a analise do acidente será mais rápida e objetiva, além de permitir o conhecimento do risco para imediata adoção de medida de controle. Unidade cirúrgica a "laser" Unidades cirúrgicas a "laser" estão sendo cada vez mais utilizadas para a realização de cirurgias, devido aos benefícios que apresentam. Entretanto, associados a elas temos sérios riscos de dano ao ser humano. Um dos fatores essenciais na segurança desses equipamentos é certificar que nenhuma outra forma de radiação, exceto aquela que se utiliza na cirurgia, seja liberada pelo equipamento. Uma vez que pressões maiores ou menores que a atmosfera são utilizadas por estes equipamentos, o risco de explosão ou implosão está presente. Desse modo, os aspectos construtivos dessas unidades devem ser capazes de proteger o usuário e o paciente contra danos dessa natureza. Por causa dos riscos inerentes a essas unidades, somente pessoal propriamente treinado devem permanecer dentro das salas onde o mesmo está sendo usado. O raio "laser" tem alto rendimento, o que significa que o mesmo pode refletir-se em superfícies polidas e atingir outras pessoas. Assim, as superfícies capazes de refletí-lo devem ser minimizadas. Além disso, óculos de proteção individual contra este tipo de radiação devem ser usados sempre os óculos de proteção individual devem assegurar adequada atenuação dessa radiação e prevenir a entrada de radiação pela lateral dos óculos. A proteção do paciente também deve ser levada a efeito. A proteção dos olhos deve ser feita e em caso de anestesia geral, seus olhos devem ser cobertos. O local da cirurgia deve ser coberto por panos úmidos, particularmente quando "laser" a dióxido de carbono é utilizado. Deve-se cuidar para que o "laser" não seja causa de ignição de tubos endotraqueais carregados de vapores anestésicos combustíveis. Todo endotraqueais projetados para este fim devem ser usados sempre que possível. As instituições que fazem uso do laser devem ter estabelecidos os procedimentos para operação segura desse equipamento e o princípio da segurança para operações desse tipo.

Unidades de eletrocardiografia Um eletrocardiógrafo proporciona uma completa e precisa gravação do eletrocardiograma do paciente. Usualmente, este sinal é gravado com 12 diferentes combinações entre as posições dos eletrodos. Utilizando gravação de alta fidelidade, é possível examinar exato e quantitativamente o ritmo e morfologia das formas de onda geradas pela despolarização das células do miocárdio, bem como níveis de voltagem e tempo entre os eventos. Desse modo, o eletrocardiógrafo permite um diagnóstico mais

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específico e preciso de doenças de origem cardíaca. Vários padrões e normas de verificação de segurança, incluindo as da American Heart Association (AHA – 1967) e sua revisão de 1975, incluem critérios de avaliação de desempenho, para garantir que a gravação esteja livre de erros, não interferindo com a segurança do paciente no que diz respeito ao diagnóstico. Os testes que visam verificar se um eletrocardiógrafo está de acordo com os critérios da AHA devem fazer parte dos pedidos de compra e devem ser empregados no momento da aceitação do equipamento. Eletrocardiógrafos móveis ou portáteis necessitam especial atenção pela sua contínua manipulação por diferentes pessoas. O manuseio inadequado pode mudar as características dos circuitos e afetar a gravação e, conseqüentemente, a segurança do paciente. Os danos mais frequentes se referem ao estilete, galvanômetros, alimentação do papel, cabos de alimentação elétrica e plugues. Visando fornecer informações adicionais sobre eletrocardiógrafo, apresentamos as descrições abaixo: os riscos associados ao

nenhum material no eletrodo ou em associação com eletrólitos deve ser passível de causar danos sob condições normais de uso. Os riscos químicos incluem aqueles relacionados com toxicidade e reações alérgicas. Riscos mecânicos incluem pressão e punção, os quais podem causar oclusão vascular ou lesões de pele; apesar do eletrodo ser considerado artigo não-crítico, infecções podem ocorrer (tricotomia). Contudo, o risco de transmissão de infecção de uma pessoa para outra está atualmente eliminado com a introdução do uso de eletrodos descartáveis. Nas situações em que o eletrodo permanece conectado por longos dias ao paciente ou é excessivamente pressionado contra sua pele, a probabilidade de um acidente por risco químico, mecânico ou biológico é maior; riscos de iontoforesis e eletrólise são aparentemente insignificantes quando correntes de linha na entrada de amplificadores, são muito pequenas. Entretanto, durante cirurgias podem acontecer queimaduras da pele sob os eletrodos do eletrocardiógrafo. A implementação de dispositivos de proteção tem eliminado este risco; alguns riscos são atribuídos a eletrodos que não tornam possível a captação de sinais de eletrocardiografia, após uma tentativa de desfibrilação. As altas voltagens empregadas na desfibrilação causam consideráveis correntes elétricas através dos eletrodos. Esta corrente aumenta a polarização entre eletrodo/eletrólito, de modo que uma voltagem anormal persiste mesmo após a corrente de desfibrilação ter sido interrompida. Quando a voltagem é suficiente para saturar o amplificador, a amplificação do sinal eletrocardiográfico é impossível; o tipo de paciente que apresenta maior risco de choque elétrico é aquele que possui um condutor que liga um ponto fora do corpo ao coração. Para este tipo de paciente, o eletrocardiógrafo deve possuir uma entrada eletricamente isolada. O desfibrilador A questão de segurança em desfibriladores pode ser atribuída á falha do equipamento, erro de operação e manutenção imprópria.

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a parte mais significante das falhas como desfibriladores geralmente se relaciona a erros de operação e manutenção adequada de equipamento. Assim, para garantir o uso seguro do desfribilador, o operador deve estar intimamente familiarizado com sua operação. Além disso, deve saber como garantir a segurança do paciente e dos elementos que fazem parte de sua equipe, bem como manter o equipamento e seus acessórios em perfeitas condições de uso. A garantia da segurança do paciente envolve várias considerações. A primeira delas é minimizar o erro clínico, reavaliando a situação. O paciente está realmente em fibrilação? Isto pode parecer elementar, mas várias situações podem efetivamente imitar a fibrilação ventricular. Um eletrodo com fio solto ou movimentação excessiva do "artfact" pode parecer um caso de fibrilação ventricular. Quando a movimentação é feita através de pás em uma situação emergência, a possibilidade disso ocorrer é menor, mas ambas as pás devem fazer um excelente contato com a pele do paciente, e uma interface inadequada deve ser mantida através de substância em forma de gel, pasta ou ainda através do uso de eletrodos de desfibrilação descartáveis. Durante a monitoração através de pás, uma breve parada deve ser feita antes de acessar o ritmo do paciente. Quando a desfibrilação automática externa estiver sendo usada, a análise do ritmo do paciente só deverá ser feita em caso de ataque cardíaco total. Em adição, todo movimento veicular (macas, aviões, helicópteros ou ambulâncias) do paciente deve cessar antes de se iniciar a análise cardíaca com o desfibrilador externo automático. Se o desfibrilador/monitor tem um seletor de entrada para ECG, tenha certeza de que o seletor está na posição, pás para monitoração por pás tipicamente cabos I, II ou III quando usar o cabo de ECG e eletrodos. Acesse o paciente completamente. Se ele ou ela não respondem imediatamente, confirme a presença ou ausência de pulso. Aplique gel, pasta, pás com gel ou eletrodos descartáveis antes de carregar o desfibrilador. Minimize queimaduras de pele usando uma quantidade adequada de gel ou pasta ou utilize eletrodos descartáveis para desfibrilação. O gel deve ser usado de modo a cobrir completamente a superfície de ambas as pás. Não use quantidades excessivas de gel, pois ele pode produzir um caminho de continuidade entre as pás ou atingir as mãos, proporcionando desse modo perda (fuga) de corrrente. Se possível, deve ser evitado uma pessoa apenas para fazer massagem cardíaca e desfibrilar alternadamente. Procedendo deste modo, há um aumento no risco de que o gel, proveniente do tórax do paciente, seja transferido para o punho das pás do desfibrilador, colocando o operador em risco. Proteja o paciente de outros riscos elétricos. Todo equipamento usado na área deve ser verificado quanto á corrente de fuga. A verificação dos valores permissíveis de corrente de fuga, as medições após as operações de reparo dos equipamentos e a periodicidade dos testes serão de atenção do setor de engenharia clínica ou manutenção. Quanto ao aspecto de segurança do paciente, a atenção do clínico deve ser redobrada. Rádiotransmissores podem interferir com o traçado do monitor. As

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máquinas de diatermia, as quais produzem energia sob a forma de campo elétrico, podem interferir com a operação do desfibrilador. Equipamentos auxilares, que podem ser danificados com o choque produzido pelo desfibrilador, devem ser desconectados do paciente. Devido ao fato do oxigênio dar suporte para a combustão, o potencial de risco é aumentado para ambientes enriquecidos de oxigênio ou quando uma fonte de oxigênio está próxima ao paciente quando o desfibrilador é descarrego. Fogo ou explosão podem acontecer se arcos elétricos ocorrem em presença de altas concentrações de oxigênio. Como não é prático desligar a fonte de oxigênio durante a defibrilação, equipamentos para a administração de oxigênio como bolsa-válvula-máscara ou tubulações de ventiladores devem ser removidas do leito ou maca durante a desfibrilação. Para garantir a segurança do operado e do pessoal, o operador deve estar certo de que não haja contato entre o pessoal com o paciente, leito e o próprio desfibrilador, antes de tentar a desfibrilação. Nenhum contato com o paciente deve ocorrer que não seja aquele feito através das pás do desfibrilador. Nunca toque a parte metálica das pás dos desfibriladores ou segure as pás junto a seu corpo quando o desfibrilador estiver ligado. Uma prática potencialmente perigosa, a qual não é recomendada, é descarregar o desfibrilador com as pás no ar, para "testá-lo" ou para liberar uma carga indesejável. Isto é chamado de descarga "aberta no ar". Quando isso é feito, o desfibrilador descarrega sua energia em uma resistência interna muito alta. Se um caminho de menor resistência está presente, a energia seguirá este caminho. Por exemplo, se o punho das pás tem gel sobre elas, o toque do operador sobre elas pode criar este caminho. Para testar um desfibrilador, use um equipamento adequado para tal fim. Para liberar uma carga indesejada, siga as instruções do fabricante. Alguns desfibriladores têm um botão de desarme ou de ajuste, outros descarregam energia quando novo valor de energia é selecionado. Há tipos que devem ser desligados para liberar uma carga indesejada. O desfibrilador nunca deve ser descarregado com a superfície das pás tocando uma na outra (descarga com pás em curto). Isto pode causar pequenas perfurações nas pás, as quais aumentar o risco de queimaduras no paciente e pode, além disso, diminuir a vida do equipamento. Sempre limpe as pás após o uso. Uma vez que o gel seco apresenta propriedades condutoras, a falta de limpeza das pás após o uso pode tornar perigosas as operações de desfibrilação subseqüentes, bem como as situações de verificação preventiva. Teste e mantenha o desfibrilador de acordo com o manual de serviço e de operações do equipamento. Estes cuidados não somente verificam a qualidade operacional do equipamento mas também familiarizam o operador com o equipamento. Algumas recomendações para operadores de desfibriladores em treinamento inicial e educação

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continuada são dados no Apêndice D.

Incubadoras para recém-nascidos Incubadoras (de berçário e de transporte) proporcionam aquecimento para manter a temperatura do corpo de recém-nascidos e freqüentemente são equipamentos essenciais à vida. Muitos tipos de incubadoras proporcionam aquecimento através do fornecimento de calor a massas de ar que são postas a circular dentro do ambiente no qual a criança esta confinada. As incubadoras são primariamente construídas para uso no ambiente hospitalar. Para isto fazem uso de fontes de energia proveniente de tomadas elétricas. Entretanto, as incubadoras de transporte, por serem portáteis, necessitam de fontes de energia provenientes de unidades autônomas (baterias).

A literatura mostra que mortes e acidentes sérios são causados em recém-nascidos ou neonatais. Entre as falhas mais comuns, estão incluídas: falhas em termostatos que causam sobreaquecimento e hipertermia; funcionamento inadequado ou defeitos de fabricação que produzem entre outros os efeitos danosos do choque elétrico e incêndio; erros de operação no manuseio com o equipamento; manutenção deficiente nas incubadoras de transporte, produzindo falha no fornecimento de energia elétrica por baterias ou marcação inadequada do nível de carga das baterias; Devido à mobilidade, as incubadoras (principalmente as de transporte), freqüentemente recebem impactos que podem alterar seu funcionamento adequado, bem como suas condições físicas. Outro acidente também relatado é a degradação do éter, que utilizado erroneamente em procedimentos de limpeza, transforma-se em formaldeído, ocasionando a morte do paciente por aspiração de gases tóxicos. De igual importância é manutenção dos baixos níveis de ruído no interior de incubadoras. Por serem fechadas pela tampa acrílica, os ruídos gerados no ambiente externo e por partes internas do equipamento, como ventilador e motor, são amplificados fazendo com que o ruído no interior da câmara exceda os limites aceitáveis. Outro risco existente nas imcubadoras é o mercúrio utilizado nos termômetros. Sendo altamente tóxico faz com que cuidados especiais devam ser tomados com relação a eles. Atualmente, por insistência da comunidade usuária, seu uso vem sendo eliminado. O uso de água na incubadora é feito para a criação de uma atmosfera terapêutica no interior da mesma. Devido ao alto poder de contaminação que a água possui, seu uso nestes instrumentos deve ser acompanhado de rigorosos procedimentos de

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desinfecção e esterilização. A inobservância desta orientação compromete o sucesso do tratamento e a vida do paciente.

Unidades de hemodiálise Unidades de hemodiálise são utilizadas para remover impurezas, sais e água do organismo de pacientes que possuem a função renal debilitada. Da mesma forma, removem toxinas em casos de intoxicação. As unidades de hemodiálise são compostas de uma bomba responsável pela circulação extracorpórea do sangue, de uma bomba para circular o dialisado, de um dializador e de unidades de monitoração. Os dispositivos para a segurança do paciente são: sensor de pressão sanguínea que alarma e desliga a unidade quando a pressão ultrapassa limites pré-ajustados;

detector de bolhas ou espuma, o qual fecha o retorno venoso e desliga a bomba de circulação extracorpórea se ar é detectado, prevenindo assim embolia no paciente; dependendo do tipo de equipamento, pode-se ter um conjunto de monitoração para temperatura, condutividade, fluxo, pressão negativa, pressão arterial e pressão venosa bem como de vazamentos nos circuitos. A qualidade da água utilizada para a diluição do dializado é de vital importância para os pacientes, principalmente os crônicos que fazem uso contínuo dessas unidades. Para o tratamento da água, o método mais recomendado é o denominado de osmose reversa, que deve ser mantido de acordo com as especificações do fabricante. Para proteção dos trabalhadores contra doenças transmitidas por sangue ou outras doenças, quando a unidade estiver sendo testada ou desmontada para limpeza, deve ser feito o uso de luvas de borracha, aventais de manga comprida e óculos de proteção. Para as áreas de manutenção devem ser previstos interruptores de corrente de fuga para a prevenção contra choques elétricos, uma vez que a manipulação da unidade requer também o contato com grande quantidade de água.

LIMPEZA DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS A possibilidade de que infecção pudesse ser transmitida por equipamento médico foi deixada de lado por muito tempo. Atualmente o interesse sobre a transmissão de infecção através de equipamento tem aumentado. Nesse sentido, tratamos aqui deste assunto de maneira introdutória, visando apresentar cuidados mínimos que devem ser tomados com equipamentos afim de minimizar os riscos de infecção.

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O dilema da esterilização São os equipamentos hospitalares responsáveis por infecções? Há fatos notadamente comprovadores de que a contaminação de pacientes tenha sido causada por equipamento? Este dilema refere-se, portanto, à determinação de qual o equipamento a ser esterilizado. Isto toma-se de fácil resolução se consideramos os conceitos de artigos e áreas hospitalares previamente descritos. Alguns pontos que visam a analisar o problema são citados a seguir: a esterilização é difícil, custosa e pode trazer certos riscos a pacientes e funcionários; embora certos itens possam ser esterilizados facilmente, outros mais volumosos não o são, principalmente pelas técnicas existentes; a esterilização requer dinheiro extra para empregar no equipamento, aumenta o trabalho para os funcionários e necessita de espaço adicional para armazenamento; muitas forma de esterilização podem danificar o equipamento. Esterilização química (líquidos e gases) podem deixar resíduos no equipamento, os quais trazem riscos adicionais aos pacientes; o aumento nas operações de limpeza dos equipamentos pode levar a erros de montagem e danificação das partes dos equipamentos.Por outro lado, há que se considerar o que segue: casos de contaminação cruzada têm sido relacionados a equipamentos como de anestesia e de suporte ventilatório; o risco de contaminação cruzada podem ser maiores do que se acredita, principalmente devido à dificuldade de determinar a causa exata de uma infecção; os ambientes úmidos que normalmente se encontram em alguns equipamentos médicos, como os de anestesia e suporte ventilatório, proporcionam habitat favorável ao desenvolvimento de bactérias gram negativas, as quais são de grande importância nas infecções hospitalares; paciente sob anestesia ou em tratamento intensivo tem um risco maior de contrair infecção do que a população normal hospitalar. O mesmo ocorre com pacientes acometidos de males que diminuem sua resistência; o mesmo organismos não patogênicos podem causar infecção primária ou secundária. Estas últimas afirmações traduzem perfeitamente a necessidade de tratamento diferenciado a alguns equipamentos, principalmente aqueles considerados críticos e semi-críticos.

Limpeza do equipamento Limpar o equipamento significa essencialmente remover a matéria estranha sem a preocupação de matar qualquer organismo vivo. Este aspecto é normalmente negligenciado com relação à desinfecção e esterilização, mas é de igual importância.

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A menos que um artigo seja mecanicamente limpo, pode não haver superfície de contato entre o agente desinfetante ou esterilizante, de modo a obter-se uma esterilização eficaz. De outro modo, ao se efetivar a limpeza, teremos a carga microbiana do equipamento reduzida.

Pré – limpeza Deve ser feita com água fria, tão cedo quanto possível, de modo a impedir o ressecamento de material orgânico como sangue e secreções, o que dificultará em muito o processo total de reutilização do equipamento ou artigo.

Preparo do equipamento O preparo envolve a desmontagem do equipamento, remoção de etiquetas, fitas adesivas, etc. De um modo geral, se um equipamento pode ser desmontado, isso deve ser feito de modo a facilitar a ação dos agentes esterilizantes.

Deixar de molho Isso permitirá que sujeiras mais pesadas sejam removidas mais facilmente. O equipamento deve ser imerso (quando possível) em água e detergente. O detergente deve ser escolhido para permitir melhor umidificação das superfícies dos equipamentos e não por suas propriedades desinfetantes. Deve agredir o menos possível a superfície do material em questão. O tempo de molho deve ser suficiente para permitir a total remoção de matéria orgânica. Adesivos e óleo podem necessitar de detergente especial.

Remoção da sujidade Durante a limpeza, especial atenção deve ser dada a encaixes, cantos, frestas, onde as sujidades podem estar alojadas. Para a remoção de sujidades, podem-se empregar escovas como aquelas utilizadas para a lavagem das mãos em centros cirúrgicos. São bastante eficientes se usadas adequadamente. Outra forma de remover a sujidade é através de equipamentos de ultra-som, os quais transformam energia elétrica em energia mecânica. Esta energia é transmitida às sujidades removendo-as com extrema facilidade, principalmente naqueles acessórios que possuem muitas reentrâncias. Enxagüe Essa atividade removerá finalmente as sujidades, tornado o equipamento semi-pronto para uso. Removerá, além disso, o detergente residual. Alguns itens devem ser enxaguados com água desmineralizada ou destilada. Após o enxagüe, cada item deve ser observado para certificação de que não há sujidades em sua superfície.

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Secagem A menos que o equipamento ou item vá ser esterilizado ou desinfetado, o mesmo deve ser completamente seco. Mesmo que o item não seja desinfetado posteriormente, o processo de secagem deve ser efetuado de modo a evitar o crescimento de microrganismos. Se o equipamento foi esterilizado ou desinfetado com líquidos químicos, a presença de água irá diluí-lo e reduzir seu potencial biocida residual. O óxido de etileno será transformado em etileno glicol, o que implica em dificuldade de remoção posterior bem como na formação de substância tóxica.

Métodos de desinfecção e esterilização Fervura a 100 ° C A fervura a 100° é letal à maioria das bactérias n a forma vegetativa, a muitos esporos C e praticamente a todos os vírus, em menos de 30 minutos. Um tempo de 3 a 5 minutos de fervura, ao nível do mar, mata muitas bactérias na forma vegetativa. Em atitudes elevadas, onde o ponto de ebulição ocorre a menos de 100° um tempo maior é C, necessário. Recomenda-se que o tempo de 30 minutos seja aumentado em 5 minutos para cada 300 metros de altitude acima do nível do mar. Autoclavagem A esterilização de equipamentos médicos requer cuidados especiais, principalmente para manter a integridade dos equipamentos. Vários processos são utilizados, dentre eles o vapor. O tempo mínimo para esterilização, com vapor a 121 graus Celsius à pressão de 1kgf/cm2, é de 15 minutos. Se a temperatura for de 126 graus Celsius, haverá uma redução de tempo para 10 minutos. A velocidade de esterilização depende da temperatura. Deve-se, portanto, compatibilizar o processo escolhido com as características do material a ser esterilizado. Radiação gama A radiação gama é uma onda eletromagnética produzida durante a desintegração de certos elementos radiativos. Se uma dosagem adequada é aplicada ao produto, todas as bactérias ou produtos serão mortos. As vantagens da esterilização gama são as seguintes: o produto pode ser pré-embalado antes do tratamento; o produto é mantido estéril até que a embalagem seja removida; como não há aumento de temperatura durante o tratamento, materiais e embalagens termolábeis podem ser esterilizados; o equipamento pode ser usado imediatamente após a esterilização; São desvantagens do uso de radiação gama: é um processo caro;

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causa mudanças em alguns plásticos como PVC, de modo que íons cloro são liberados do material. Este fato não causa problemas quando usado diretamente sobre o paciente. Entretanto, quando esterilizado posteriormente em óxido de etileno, há formação de etileno cloridrina, substância extremamente tóxica aos tecidos. Agentes químicos líquidos São muito usados em equipamentos que não suportam altas temperaturas. A destruição dos microrganismos é feita por uma série de mecanismos, incluindo a coagulação e desnaturação protéica da célula, ruptura celular e degradação enzimática. São desvantagens desse processo as que seguem: não pode ser usado em todos os tipos de material; pode corroer determinados componentes; a pré-embalagem não pode ser feita e os equipamentos esterilizados estarão úmidos; há possibilidade de recontaminação do material durante o enxagüe, secagem e embalagem final; algumas soluções são irritantes da pele e de odor desagradável.

Fatores que influenciam a esterilização química Alguns fatores que influenciam o sucesso da esterilização química são: A)Concentração de agentes químicos A taxa de destruição de microorganismos é diretamente proporcional à concentração dos agentes químicos. Geralmente, soluções bactericidas e as pouco concentradas são bacteriostáticas. A água deixada sobre o equipamento diluirá o agente, reduzindo sua eficácia. Por esta razão, o equipamento deve ser seco. Independentemente do fato de que substâncias mais concentradas são mais eficientes, o uso de soluções diluídas é recomendado devido aos seus efeitos nocivos às pessoas que as manipulam. B) Temperatura Embora esses agentes sejam usados para serem utilizados à temperatura ambiente, sua eficiência aumenta com a elevação da temperatura.

C) Limpeza do material A limpeza do equipamento é essencial para a garantia da ação germicida do produto. Equipamentos sujos irão necessitar de exposições mais longas ou concentrações mais elevadas. Ainda assim há a possibilidade de uma não esterilização. D) Organismos infecciosos A eficiência da esterilização por agentes químicos varia amplamente de organismos para organismo. Alguns microrganismos são mais eficientemente mortos do que outros.

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Há casos de microorganismos isolados em soluções desinfetantes. Esse fato faz com que a utilização de agentes químicos seja cuidadosamente implementada. E) Tempo O temo necessário para a esterilização dependerá da natureza dos diferentes agentes químicos, bem como dos temas previamente citados. Ele varia de minutos a horas. Geralmente o tempo de destruição de esporos é maior que o tempo para destruir bactérias na forma vegetativa. Para uma garantia da eficiência do processo de esterilização, é necessário que se conheça o tempo mínimo para esterilização de cada agente esterilizante. F) Natureza da superfície a ser desinfetada As superfícies porosas necessitam de um tempo maior de esterilização do que as superfícies lisas. Isto se dá devido à presença de ar no interior dos poros, o que dificulta a entrada do agente químico. G) Agentes esterilizantes A tabela 6 indica a eficiência de cada agente esterilizante, frente aos tipos comuns de microorganismos existentes no ambiente hospitalar.

Esterilização por óxido de etileno O óxido de etileno é um potente esterilizante largamente utilizado para destruir, de modo eficaz, fungos, bactérias, vírus e esporos. O mecanismo de destruição é atribuído ao ataque químico que faz sobre o ácido nuclêico do microorganismo. É um gás inflamável e explosivo quando sua concentração no ar for de 3% ou mais. Para evitar os riscos inerentes à explosão, os fabricantes usam misturas diluídas com fluorcarbono ou dióxido de carbono. Alguns fabricantes de esterilizadores utilizam misturas puras do gás, entretanto seus equipamentos são especialmente construídos para tal fim.

Preparo para esterilização a óxido de etileno Consulte o fabricante dos equipamentos para verificar a que temperatura o processo de esterilização deve ser efetuado. Antes de empacotar e carregar a autoclave, desmonte os materiais, lave-os e seque-os. A desmontagem do equipamento é muito importante, pois remove as barreiras que impedem o movimento do gás. As instruções do fabricante para o carregamento dos materiais devem ser cuidadosamente seguidas, pois materiais mal alojados ou superlotados comprometem a eficácia da esterilização, uma vez que o esterilizador está programado para uma carga específica máxima.

Esterilização Para que a esterilização a óxido de etileno seja eficaz e segura, alguns fatores devem ser rigorosamente observados.

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A) Concentração do gás A concentração do gás esterilizante é usualmente medida em miligramas de gás por volume, em litros da câmara. Esse fator deve ser dimensionado na validação do processo.

B) Temperatura A eficácia da esterilização é diretamente ligada à temperatura, de modo que, quanto maior a temperatura maior a eficácia o processo. Os valores de temperatura normalmente são ajustados pelo fabricante do equipamento, mas podem ser alterados conforme a necessidade do processo. Utilize para esse serviço somente profissionais habilitados.

C) Umidade O teor de umidade dentro da câmara, bem como no interior do microorganismo, afeta a eficácia do processo. O conteúdo de água é importante para amolecer a parede dos esporos, como também para acelerar as reações químicas que ocorrem no interior da célula.

D) Barreiras protetoras Sangue coagulado pode atuar como barreira à penetração de óxido de etileno. Desse modo, o equipamento deve estar completamente limpo antes da esterilização.

E) Empacotamento. O tipo de material utilizado no empacotamento deve ser permeável á água e ao gás. Em esterilizados que possuem vácuo, o material do empacotamento deve permitir que o ar escape. O polietileno é o material mais comumente usado para esse fim. O fato de ser transparente permite que o material em seu interior seja visto.

F) Período de exposição O tempo de esterilização dependerá dos fatores previamente mencionados e será tanto maior quanto maior for a qualidade de material a esterilizar. Entretanto, esse tempo poderá ser otimizado durante a validação do processo.

Aeração O óxido de etileno atua na superfície dos materiais e, dependendo das características de porosidade deste, em seu interior. Nesse sentido, a aeração é necessária para que o mesmo seja retirado de seu interior, tomando o material seguro para quem opera (funcionários) e pacientes

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. A aeração pode ser feita de dois modos: mecânica e ambiental. A aeração ambiental é altamente variável pois depende do controle de temperatura e do fluxo de ar através da carga. É sempre mais demorada que a aeração mecânica. Além disso, pode trazer problemas a pacientes, devido à aeração imprópria. O tempo de aeração dependerá também da natureza dos materiais. De um modo geral, itens que requerem de 8 a 12 horas de aeração mecânica, necessitarão de 7 dias para aeração ambiental. A aeração mecânica é conseguida através de aplicação de vácuo de ar, sucessivamente, no interior da câmara de esterilização. Assim, a concentração de gás no interior de materiais será diluída até valores aceitáveis. A)Fatores que afetam a aeração Materiais de superfície lisa como aço ou vidro, requerem um tempo mínimo de aeração enquanto que materiais como tecidos, plásticos, borrachas ou papel, por possuírem alta absorção de gás, requerem um tempo maior. Metais ou vidro que estejam envolvidos por materiais absorventes devem ser aerados. O material que traz mais problemas para a aeração é o cloreto de polivina (PVC), que absorve fortemente o óxido de etileno. Quando a composição do material é desconhecida ou duvidosa, o mesmo deve ser tratado como o PVC. Objetos mais espessos requerem maior tempo de aeração que os delgados. As misturas de óxido de etileno à base de fluorcarbono requerem maior tempo de aeração que as de dióxido de carbono. O aumento da temperatura da aeração acelera a retirada de gás dos materiais. A temperatura usual de aeração varia entre 50 e 60° C. A aeração é afetada pelo volume de troca de ar por hora, bem como pelas características do ar. O uso a que o material se destina, interno ou externo ao corpo, intravascular ou implantando, afetará a quantidade de óxido de etileno permissível nos materiais. O tempo mínimo de aeração, para materiais mais difíceis, é de 8 horas a 60° ou 12 C horas a 50° Quando houver dúvidas com relação à a eração dos materiais, os valores C. apresentados podem ser seguidos como regra geral.

Complicações da esterilização a óxido de etileno A) Complicações com o paciente As complicações inerentes ao óxido de etileno incluem danos e reações na pele e inflamação laringotraqueal. Ocorre a morte de células vermelhas quando o sangue entra em contato com materiais tratados com óxido de etileno, bem como sensibilização e anafilaxia.

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Estes problemas são causados por níveis excessivos de óxido de etileno e seus subprodutos (etileno glicol e etileno cloridrina), que são originados após a esterilização. O etileno glicol é formado pela reação com a água e o etileno cloridrina é formado pela reação com íons cloro, normalmente por produtos de PVC previamente esterilizados com radiação gama. A) Complicações com o pessoal O principal problema relacionado ao óxido de etileno é a exposição dos trabalhadores ao gás tóxico. O óxido de etileno (OE) atua como vesicante, causando queimaduras quando em contato com a pele. Os efeitos tóxicos agudos incluem irritação das vias respiratórias e olhos, náusea e vômitos, diarréia, diminuição do paladar e olfato, dor de cabeça, falta de coordenação, convulsões, encefalopatia e neuropatia periférica. Os efeitos crônicos conhecidos incluem infecção respiratória, anemia e comportamento alterado. Em adição, pode ser mutagênico e possivelmente carcinogênico para humanos e pode produzir efeitos adversos sobre o sistema reprodutor, incluindo teratogenicidade. Documentação dos procedimentos de esterilização Documentar um processo de esterilização é manter o controle sobre todos os procedimentos nele empregados. Como por exemplo, datas, tipos de embalagem,números de lotes, valores de temperatura e pressão, testes de comprovação de eficácia, rótulos, etc. O uso de documentação nos processos de esterilização permite ao hospital um melhor controle sobre os índices de infecção hospitalar, facilita as investigações de surtos ou variações de índices de controle de infecção hospitalar, facilita as investigações de surtos ou variações de índices de controle de infeçcão, dá ao hospital argumentações durante processos legais. Esta documentação deve ser composta por todos os setores envolvidos como: manutenção, laboratório, centro cirúrgico, centro de esterilização de materiais, CIPA, CCIH, SESMT, enfermarias, etc.

DOCUMENTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS Esta documentação refere-se ao conjunto de informações do equipamento, adquiridas desde o momento que se verifica a necessidade do mesmo ou do momento em que entra no hospital (em casos de empréstimo, por exemplo), até o momento em que sua obsolescência é determinada.

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Estas informações são as mais variadas possíveis, como peças trocadas, manual de operação e de manutenção (serviço), acidentes que envolveram o equipamento, relatórios de manutenção preventiva e corretiva, procedimentos de calibração e ajustes. Enfim, todas as informações necessárias ao funcionamento seguro do equipamento devem ser registradas. Análise do funcionamento de equipamentos médicos Os equipamentos médicos de terapia, diagnóstico de assistência, devem ser avaliados periodicamente de acordo com a intensidade do uso, finalidade a que se destinam e das características especiais que possuem. Neste sentido, existem no mercado aparelhos projetados especialmente para avaliar a sua funcionabilidade e segurança. São eles os equipamentos para análise de equipamentos médicos e serão descritos a seguir: Aparelho de avaliação de aparelhos de suporte ventilatório (respiradores ou ventiladores) Em que se constitue o teste de performance de ventiladores? Existem sérias evidências de que a prática de testar ventiladores inadequadamente pode ser perigosa para sua instituição e para os pacientes que fazem uso desse equipamento. As ações legais movidas contra hospitais e profissionais da área da saúde, o contínuo desenvolvimento de novos testes, a disponibilidade de tecnologia têm mostrado a necessidade de se estabelecer uma rotina de testes de "performance" e de manutenção de equipamentos. Há duas razões básicas para se testar equipamentos médicos: Para proteger pacientes de danos ou morte através da detecção precoce de uma falha ou mal funcionamento. Para proteger a instituição ou companhias de ações legais a partir de pacientes de alguma forma lesados ou mortos durante o uso de equipamentos danificados. Isto é especialmente verdadeiro quando se fala em equipamentos de UTI, anestesia e ressuscitadores, uma vez que são utilizados em situações de suporte à vida. Em recente estudo utilizando várias combinações de complacência pulmonar e resistência das vias aéreas, visando simular o paciente, ventiladores de diferentes fabricantes foram testados em acordo com. Estes estudos mostraram que houve uma redução equivalente a 19% dos volumes ajustados nos equipamentos testados. Alguns destes mesmos ventiladores apresentaram redução de até 42% no fluxo préajustado e funcionando neste estado, podem prejudicar o tratamento e comprometer a vida de pacientes. Este mesmo grupo de pesquisadores havia testado, previamente, 9 tipos de ventiladores pediátricos e para pacientes neonatais. Suas observações foram similares e demonstraram significantes reduções nas taxas de volume e fluxo perante as condições simuladas. Outros estudos feitos podem ser encontrados nas referências.

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Contudo, um equipamento para teste de ventiladores deve possuir a capacidade de simular o paciente (adulto/pediátrico) em várias condições fisiológicas, através da variação da complacência pulmonar e resistência das vias aéreas, realizando o teste em condições, dinâmicas conforme normas ISO, ANSI e ASTM. Deve possuir compensação para variações de umidade, pressão barométrica, temperatura, e outros recomendados por norma. Deve permitir uma avaliação completa de volumes, fluxos e pressões que o equipamento fornece ao paciente. Deve permitir detectar: vazamentos; medidas de complacência: a sensibilidade do esforço inspiratório do paciente quando o ventilador estiver em modalidade de ventilação "assistida"; todos os parâmetros respiratórios, como pressão das vias aéreas, pressão no interior do pulmão, fluxo inspiratório e expiratório, tempos, frequências respiratórias. Nesse sentido, quanto maior a capacidade do equipamento de teste, mais segurança será oferecida ao paciente e maior certeza sobre o seu funcionamento os usuários irão ter. Simulador de ECG O eletrocardiógrafo é um equipamento que permite tornar visíveis as enfermidades edesordens relativas à atividade elétrica do músculo cardíaco. Daí a necessidade de uma constante e programada verificação da "performance" do mesmo. Esta verificação não deve ser feita somente em aparelhos de eletrocardiografia, mas também em monitores cardíacos e unidades de telemetria. Existem vários padrões e guias, os quais recomendam o teste do equipamento para garantir que o mesmo esteja livre de erros. Entre estes padrões, citamos as recomendações da AHA – 1967, bem como seu Boletim de 1975. A periodicidade desses testes é de 06 meses. Assim sendo, um analisador de ECG deve testar resposta em freqüência, velocidade do papel, ganho continuidade das derivações dos cabos do paciente, etc. Deve incluir outras formas de onda em várias freqüências como as quadradas, triangulares e pulsos. R um equipamento que permite ganhar tempo durante a análise de defeitos. Calibrador de sistemas destinados á medição de pressão Alguns fatores devem ser considerados durante a avaliação de sistemas de medição de pressão, entre eles a resposta em freqüência de transdutores, flutuação em função do tempo e temperatura e durabilidade do mesmo. As rotinas de inspeção devem ser feitas a cada 12 meses. O calibrador destina-se a solucionar com mais facilidade problemas freqüentemente encontrados na calibração de sistemas que medem pressões sangüíneas de modo dinâmico. Esses problemas são causados pelo mau funcionamento dos transdutores de pressão, presença de bolhas na tubulação, etc. E podem ser detectados e corrigidos através da análise da resposta em freqüência do transdutor e do sistema. Para uma análise mais completa, o calibrador poderá possuir sistemas para gerar pressões dinâmicas baseadas em sinais fisiológicos e pressões estáticas, além de sinais de ECG sincronizados com ondas de pressão. Alem desse equipamento, poderá ser utilizado um testador pneumático de transdutores de pressão para calibrar e

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consertar sistemas pneumáticos, hidráulicos e no transdutor de pressão de modo a comparar as

Medidor de Pressão Este equipamento é destinado à medição de pressões positivas e negativas provenientes de diversas fontes pneumáticas e hidráulicas (gases ou líquidos) em várias escalas de medição. Entre os equipamentos que se aplica, citamos o laser oftalmológico, ventiladores, aparelhos de anestesia, aspiradores, etc. Estes podem ou não serem associados com outro medidor de fluxos de gases.

Simulador de multiparâmetros O objetivo desta aparelhagem é simular os sinais vitais de um paciente. Sua aplicação é feita diretamente a equipamentos médicos e seus sinais podem ser gerados e utilizados simultaneamente. Entre os parâmetros simulados devem conter: pressões, ECG freqüência respiratória e temperatura.

Analisador de segurança elétrica Sua função é verificar as condições de segurança elétrica de aparelhos médicos. Analisa a segurança de equipamentos cujo consumo de corrente elétrica não seja superior a 10 Ampéres. Devem estar de acordo com as seguintes normas internacionais IEC 601.1 e VDE 751.1. Como resultado dos testes, o equipamento deve fornecer: medição de corrente de fuga, consumo, todos valores de tensão de alimentação, continuidade da eletricidade para terra, resistência de isolação. Há ainda equipamentos, comercialmente viáveis, que incluem sinais de ECG e ondas de arritmia, que podem ser utilizados em conjunto com monitores.

Monitor de oxigênio Destina-se à monitoração contínua da concentração de oxigênio em misturas gasosas de respiradores, aparelhos de anestesia, incubadoras, etc.. Este equipamento permite avaliar a existência de possíveis defeitos nos outros que fazem uso intensivo de oxigênio. O monitor de oxigênio deverá ser verificado semestralmente.

Radiômetros para fototerapia Os equipamentos de fototerapia tratam a bilirrubinemia de pacientes recém-nascidos. O problema básico com que se defrontam os neonatologistas, é a irradiância insuficiente para baixar a bilirrubinemia com a presteza, segurança e eficiência indispensáveis. A literatura mostra bem uma relação positiva da irradiância a baixa da

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bilirrubinemia, que se mantém até um "ponto de saturação", isto é, quanto maior a dose de irradiância liberada, mais eficaz é a fototerapia. Os radiômetros têm a finalidade de medir a densidade de potência emitida por lâmpadas de fototerapia no espectro azulado. Estes procedimentos visam, sobretudo, verificar a existência de equipamentos que estejam emitindo doses subterapêuticas e, além disso, como fator de economia, impedem trocas de lâmpadas desnecessariamente.

Analisador de marcapasso O marcapasso é um instrumento que libera um estímulo elétrico para o coração, com o objetivo de causar a despolarização cardíaca e pôr fim a contração muscular do miocárdio. É um substituto do sistema cardíaco, gerador e condutor de impulsos elétricos. O seu perfeito funcionamento é de vital importância. Assim sendo, o analisador de marcapassos é um equipamento que deve ser utilizado para avaliação de todos os tipos de marcapassos externos incluindo invasivos e não invasivos. Seu projeto deve permitir a medição da freqüência do marcapasso, amplitude e duração da onda. Além disso, deve medir o intervalo AV, período refratário, sensibilidade à onda RST, interferência de 60 Hz, etc.

Medidor de potência de ultra-som terapêutico Os equipamentos de ultra-som terapêutico são utilizados nas práticas de fisioterapia e empregam som em altas freqüências, cujo efeito térmico resultante tem a finalidade de cuidar diversas doenças. Caso os valores de potência estejam descalibrados, danos e lesões podem acometer o paciente, além do problema de se ministrar doses subterapêuticas. Por isso, a medição da potência gerada por aparelhos de ultra-som terapêutico é uma medida de segurança que visa possibilitar uma utilização segura do equipamento sem riscos desnecessários ao paciente.

Analisador de unidade eletrocirúrgicas (bisturi) Os possíveis casos de acidentes, descritos anteriormente, justificam os testes a serem realizados em bisturi elétrico. O bisturi, para funcionar adequadamente, deve fornecer um sinal de alta freqüência com potência controlada de modo que a evitar choques ou queimaduras de origem elétrica. O analisador de bisturi deve ser capaz de realizar testes simples porém precisos. Deve medir a corrente de fuga em RF, testar os detectores de interrupção de cabos de placa (teste REM), testar falta para a terra. Deve possuir saída isolada para osciloscópio, onde a forma de onda utilizada também pode ser analisada. Equipamentos mais sofisticados permitem acoplamento a registradores, os quais permitem uma análise mais cuidadosa dos resultados. As unidades eletrocirúrgicas devem ser verificadas a cada 6 meses.

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Analisador de desfibrilador O analisador de desfibrilador é bastante importante para verificação da segurança de equipamentos frente ao paciente e usuário. Deve ser capaz de medir a energia armazenada e a entregue, em joules, através da simulação do corpo humano por uma resistência elétrica. Outros recursos desejáveis: medição de energia, tempo de sincronismo (cardioversão), medição de energia, tempo de sincronismo (cardioversão), medição de tensão elétrica e corrente de pico, geração de sinais de ECG, senóides, ondas quadradas, triangulares, medir o tempo de recarga entre disparos consecutivos, etc. Os desfibriladores devem ser testados a cada 6 meses. Analisador de bombas de infusão As bombas de infusão têm sido largamente utilizadas nas UTI’S, e são de extrema importância por ministrarem drogas em quantidades pré-ajustadas, daí a necessidade de serem analisadas. Os analisadores atuais eliminam a necessidade do uso de buretas, cronômetro, medidores de pressão, etc. Devem reduzir o tempo dos testes e permitir a medição instantânea do fluxo, volume total, teste de detecção de oclusão no circuito do paciente, pressão, etc.. Além disso, deve permitir a análise de grande variedade de bombas de infusão. Conclusão Estes testes devem ser realizados rotineiramente, com o auxílio do setor de Engenharia Clínica, pois envolvem ajustes e interpretações específicas. São de fundamental importância para a segurança do paciente, usuário e da própria instituição, no que se refere a ações legais movidas por paciente lesado, de alguma forma. As verificações permitem segurança adicional para operadores, pois têm conhecimento através de seus resultados, que os equipamentos estão em perfeito estado de funcionamento e que os mesmos não reservam surpresas durante o uso.

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INVESTIGAÇÃO E ANÁLISE DE ACIDENTES Sempre que o paciente sofre algum tipo de lesão (dano), um dos primeiros procedimentos deve ser encontrar a causa. Uma causa frequentemente observada é um possível problema no equipamento assim que o fato tenha acontecido. A literatura médica legal tem descrito muitos casos vários danos em pacientes tenham ocorrido em sucessão, ou seja, o equipamento defeituoso continuou a ser utilizado após o primeiro acidente ter ocorrido. Geralmente, isto surge por não ter sido levantadas suspeitas sobre o funcionamento adequado do equipamento. Em qualquer momento que o paciente tenha um problema inexplicado, a primeira suspeita deve recair sobre o mal funcionamento do equipamento, que não deve ser utilizado novamente até que seja verificado quanto aos aspectos de segurança de operação. O pessoal apropriado e o fabricante devem ser notificados de modo a evitar que o mesmo dano ocorra novamente com outros pacientes. Quantidades numerosas de fotografias da sala de cirurgia ou de onde o acidente ocorreu devem ser registradas. Isto pode ajudar a responder questões originadas após a data da ocorrência do fato. Estas fotografias devem ser tiradas de vários ângulos, incluindo os locais onde o pessoal estava posicionado no momento do acidente. Todas as peças do equipamento devem ser situadas onde elas estavam no momento em que o problema aconteceu. Após a realização das fotografias, todo equipamento suspeito que contribui para o surgimento do problema deve ser colocado em local seguro, para prevenir modificações antes de ser colocado para análise por um perito. Um perito imparcial deve ser escolhido para investigar o equipamento suspeito. Deve ser uma pessoa que possua amplos conhecimentos sobre as várias peças do equipamento, bem como dos problemas relativos ao paciente. Se possível, todas as partes, incluindo o anestesista, paciente, hospital, cirurgião, fabricante do equipamento e representante do serviço devem estar de acordo com o perito. Na ausência de concordância cada parte pode trazer o seu ponto de vista. A investigação deve ser programada para o instante em que todas as partes interessadas e ou representantes puderem estar presentes. O procedimento da investigação deve ser determinado antes de colocá-lo em prática. O investigador deve ter certas informações antes de investigar, isso inclui nome, modelo, número de série, informações do serviço e relatórios do hospital sobre cada peça do equipamento que esteja envolvido. Os relatórios da anestesia e qualquer informação pertinente ao prontuário do paciente, dos casos que utilizaram o equipamento antes do acidente em questão, devem ser avaliados. Se qualquer equipamento foi movido da sala imediatamente após a ocorrência do caso, as anotações dos casos precedentes naquela sala na qual o equipamento foi obtido devem ser avaliadas.

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As questões que se seguem devem ser respondidas, de modo a proporcionar a compreensão das causas do acidente: Em que dia e hora aproximada o problema ocorreu? O paciente teve algum problema com anestesia no passado? Qual era o procedimento cirúrgico que estava sendo feito? Qual foi o primeiro indicativo de que o problema estava ocorrendo? A que horas aconteceu? Quem notou primeiramente o problema? Que sinais o paciente exibiu? Em que área ocorreu o problema? Ocorreu recente modificação nos circuitos elétricos ou nas linhas de gás naquela área? Esta área é nova ou reformada? Este caso foi o único que ocorreu naquela sala, naquele dia? Existiram outros casos problemáticos naquela sala, naquele dia ou no dia anterior? Houve alguma ocorrência não usual em outra sala de operação naquele dia ou no dia anterior? Havia algum equipamento estranho àquela sala? Notou-se algum tipo de problema com o equipamento quando ele estava na outra sala? Quais procedimentos de verificação foram feitos no equipamento de anestesia, ventilador e circuitos respiratórios antes do uso? Quem foi o último a encher o vaporizador do equipamento? O vaporizador estava adaptada na máquina imediatamente após o caso ocorrer? Se o vaporizador estava colocado no equipamento, alguma precaução foi tomada para prevenir que o líquido anestésico fosse espirrado dentro da tubulação de saída de gases frescos? A unidade eletrocirúrgica estava sendo usada? Quando a linha de isolamento do monitor foi verificada pela última vez? Que monitores estavam sendo utilizados durante o caso? Em que valores os alarmes estavam ajustados? A investigação deve consistir em entrevista com as testemunhas oculares do acidente e na examinação profunda do próprio funcionamento do equipamento. Se algum problema com o equipamento for encontrado, deve-se tentar reconstituí-lo, se tal prática não causar nenhum tipo de risco à ninguém. O equipamento deve ser isolado, novamente, até que alguma litigação envolvendo o caso seja determinada. Se a investigação não revelar problemas, o equipamento pode retornar ao serviço com o consentimento de todas as partes. Após a investigação, um relatório deve ser feito em linguagem clara e concisa, detalhando fatos, análises e conclusões. Seu objetivo final deve ser o de fornecer uma explicação baseada em fatos científicos, bem como medidas de controle que visem a eliminação da causa do acidente.

TREINAMENTO DO USUÁRIO DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS

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O desenvolvimento de um programa de treinamento exaustivo a respeito do uso de equipamentos médicos é uma das principais intenções de um programa de segurança em hospitais. Um sistema para planejamento, execução e avaliação de programas de treinamento em serviço foi desenvolvido por Baud. Devido às mudanças que vêm ocorrendo na esfera judicial, frente ao avanço tecnológico e a acidentes, responsabilidades adicionais estão sendo impostas para médicos e enfermeiras. Um treinamento visando reconhecer as condições dos equipamentos, necessidade de reparos e sinais que demonstrem possibilidade de falhas, deve ser recomendado para esses agentes da área da saúde. Outra fonte de informações para formar um programa de treinamento do usuário de equipamentos médicos pode ser obtido na referência. Atualmente, farta publicação de materiais para consulta é efetuada por instituições como: ECRI, FDA, AAMI, EPA...Estes materiais contêm uma ampla e variada quantidade de instruções relacionados à aplicação e uso dos equipamentos comumente empregados nos hospitais. Devido à disponibilidade de materiais para consulta e o número cada vez maior de problemas de segurança reais relacionados à falta de Treinamento e Engenharia Clínica e SESMT um programa para treinamento de usuários de equipamentos médicos.

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