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Contabilidade Rural

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  • I CAPITULO
  • DA PECUARIA

TRN/TITULO

1/1

BR 3300023

E15/B/M/V
CARNEIRO, J.; CARNEIRO. E.
TRATADO DE CONTABILIDADE V. 3. CONTABILIDA-
DE RURAL

2. ED.
[NP] (BRAZIL)
1933 228 P. (PT)
ADMISTRAÇÃO RURAL; CONTABILIDADE

TRATADO

DE

CONTABILIDADE

POR

JUVENAL CARNEIRO

E

ERYMA CARNEIRO

Diretor da Contabilidade do Estado de Minas;
advogado; Professor de Contabilidade

VOLUME III

CONTABILIDADE RURAL

2.ª EDIÇÃO

1 9 3 3

CALVINO FILHO

E D I T O R

I CAPITULO

DA CONTABILIDADE
RURAL

LIÇÃO I

Da Contabilidade Rural

Sumario: — Conceito. Contabilidade Rural ou Agraria.

Sua extensão.

DA CONTABILIDADE RURAL

Contabilidade Rural é a especialisação da Contablida-
de que se ocupa dos atos e fatos administrativos das empre-
zas rurais.

Estabelecimentos rurais ou agrarios são todos aqueles
que são localisados nos campos e que têm por fim a explora-
ção das terras (agricultura stricto-sensu) ou a creação de
animais (pecuaria).

A Contabilidade Rural, de acôrdo com a nossa divisão
da Contabilidade (1) póde ser Publica ou Privada. Geral-
mente é Privada, pois que os estabelecimentos agrarios são
via de regra instituições particulares. Quando se tratar,
porém, de empreza agraria publica, isto é, emprezas rurais
do governo (fazendas modelos, campos de sementes, de ex-
perimentação, etc.) a Contabilidade aí aplicada será consi-
derada publica.

DA CONTABILIDADE RURAL OU AGRARIA

A Contabilidade Rural, tambem é denominada Agra-
ria. Outros preferem dar-lhe a denominação de Contabili-
dade Agricola. Principalmente os autores da lingua por-

(1) Ver “Tratado de Contabilidade”, vol. I, 2ª. edição, Rio de

Janeiro, 1929, pag. 31.

— 22 —

tugueza. Essa ultima expressão porém não a julgamos

perfeitamente clara.

A expressão Contabilidade Agricola não nos dá uma
idéa bem nitida da compreensão enorme deste vasto ramo
da ciencia contabilistica. As expressões agricola, agricul-
tura, comquanto designem o objeto de estudo, mais parti-
cularisam um dos ramos da vida rural, que é a cultura dos
campos. Pelo menos este é o sentido etímologico da palavra.
Contrariamente: As expressões contabilidade Rural e
Contabilidade Agraria compreendem muito mais amplamen-
te o movimento dos estabelecimentos rurais, todas as diver-
sas modalidades de emprezas que têm por fim ora a cultura
dos campos, ora a creação de animais e ainda a transforma-
ção de alguns produtos do campo em novas utilidades (in-
dustrias rurais).

Por Contabilidade Agricola podemos entender a que se
ocupa das operações atinentes aos estabelecimentos rurais
sómente dedicados á cultura (lavoura) dos campos (Agri-
cultura propriamente dita). Ao passo que pela expressão
Rural ou ainda Agraria tanto se compreende aquela como a
Contabilidade Pastoril ou Creacional e as diversas indus-
trias rurais.

Deste modo apurando-se bem o sentido dessas expres-
sões poderemos formular as seguintes conclusões:
a) Por Contabilidade Agraria ou Rural entende-se o
estudo da Contabilidade aplicada a todos e quaisquer estabe-
lecimentos dos campos.

b) Por Contabilidade Agricola entender-se-á a aplica-
da ás operações das pequenas aziendas rurais que se dedi-
cam concomitantemente á creação (de animais, aves, etc.), e
a cultura dos campos (fazendas mixtas).
c) Por Contabilidade Pastoril ou Creacional compreen-
der-se-á a aplicada ás emprezas rurais que têm por fim a
creação de animais.

d) Por Contabilidade Cultural entende-se a que se ocupa
das operações dos estabelecimentos que têm por fim a cultura
dos campos (lavoura).

Deste modo pensamos bem claro deixar o sentido das

— 23 —

diversas expressões empregadas neste livro, não mais dando
azo a confusões.

DA EXTENSÃO DA CONTABILIDADE RURAL

Pelo exposto notamos a estensão vastissima que abran-
ge a Contabilidade Rural. Ela compreende todos os estabele-
cimentos agrarios, todas as emprezas subordinadas á vida
rural, tais como fazendas de plantação e creação, estancias,
industrias rurais, cooperativas e sindicatos agrarios, bancos e
caixas rurais, etc. Tem pois uma importancia indiscutivel;
um papel multiforme e vasto. Principalmente em paizes
agrarios como o são os do Novo-Mundo e muito especialmen-
te o Brasil.

Vê-se logo, pois, que o estudo deste ramo da Contabili-
dade é complexo. E, para que bem estudado e mais clara e
amplamente fique este assunto, dividimos o presente trabalho
em tres partes, estudando na primeira as noções fundamen-
tais e indispensaveis de Contabilidade Rural — bem como
noções imprescindiveis de Economia Agraria — e as princi-
pais questões que interessam ao estudo contabilistico das em-
prezas rurais.

Na Parte II estudaremos as emprezas pastorís (Conta-

bilidade Pastoril).

Na Parte III estudaremos os estabelecimentos agrarios

culturais.

Estas duas ultimas partes se ocuparão tão sómente dos
principios especiais a cada uma delas.

LIÇÃO II

Da Contabilidade Rural

(Continuação)

Sumario — Objéto e fins. Necessidade e vantagens. Escritu-
ração Rural. Requisitos ecenciais. Objeções. Refutações.

DO OBJETO E FINS DA CONTABILIDADE RURAL

O papel da Contabilidade Rural — como de toda a cien-
cia contábil — é sobremodo saliente. Ela não é só necessaria
sob o ponto de vista economico e administrativo mas tambem
moral. A bôa ordem e regularidade são elementos de real
importancia em toda administralção. E é a Contabilidade
quem melhor nos fornece os meios necessarios para conse-
guir aqueles requisitos.

Anotando tudo o que se ocorre com as diversas empre-
zas agrarias, a Contabilidade Rural nos apresenta ao mesmo
tempo:

a) O estado economico, juridico e financeiro da azien-
da agricola ao começar o exercicio, isto é, os valores existen-
tes, os débitos e créditos, e o movimento de numerário.
b) As modificações operadas pelos fátos administrati-
vos realisados (aumento, diminuição ou transformação de
valores)

e) A demonstração de quais foram as contas afetadas
pela gestão administrativa e em que consistiram essas trans-
formações.

d) O resultado de cada objéto da exploração rural, bem
como o seu resultado final (lucro ou prejuizo).

DA NECESSIDADE E VANTAGENS DA CONTABI-
LIDADE RURAL

Pelo que dito ácima ficou, uma Contabilidade Agraria
bem organisada nos demonstra a vida evolutiva da empreza
administrada. Por isso é de enormes vantagens. Mas é im-
prescindivel que a contabilisação dos fatos da entidade ad-

— 25 —

ministrada seja realizada com perfeito conhecimento não só
técnico, como da empreza. Principalmente em se tratando
de estabelecimentos agrarios onde os fátos administrativos
oriundos, são os mais diversos e complexos.
A Contabilidade Agraria demonstrando-nos o movi-
mento dos estabelecimentos rurais é pois, de indiscutivel ne-
cessidade. Ela é a unica apta a nos demonstrar quais series
de operações nos darão lucros, quais no-los não darão, bem
como a proporção destes em cada caso especial. Desse modo
ela orienta o fazendeiro ministrando-lhe as informações in-
dispensaveis para a produtividade de sua empreza. E este po-
derá facilmente encontrar os remedios para curar as suas
doenças administrativas. Mas, sem Contabilidade a sua
gestão permanecerá aeria. E os prejuizos serão inevitaveis.
E a debacle final como resultante da descontabilização, quer
dizer, da incerteza de negocios.

DA ESCRITURAÇÃO RURAL

Como parte integrante e indispensavel a toda Contabi-
lidade, a Escrituração, que nada mais é do que o registro dos
fatos administrativos de uma azienda, a arte de escrever em
bôa ordem nos livros apropriados todas as transações efe-
tuadas, a Escrituração tem papel importante na demonstra-
ção prática dos resultados das gestões das emprezas rurais.
Por isso é de grande necessidade estudarem-se os diversos
métodos de registração contábil, afim de se poder escolher o
que melhor se coadune com a natureza das diversas empre-
zas agrarias.

Como uma das partes mais importantes da Contabilida-
de, a Escrituração deve obedecer a uma concepção essencial-
mente prática e eficaz. Para isto o estudo que iremos fazer
adiante dos métodos de escrituração, das contas, livros, etc.
nos demonstração claramente o caminho a adotar.

DOS REQUISITOS PARA UMA BÓA CONTA-
BILIDADE RURAL

A organização perfeita de um sistema contábil a seguir,
é questão essencial para a administração e não é das mais fa-

— 26 —

ceis. Primeiro que tudo, o contador precisará conhecer per-
feitamente a situação da empreza afim de poder classificar
os diversos elementos segundo a verdadeira técnica contabi-
listica. A classificação dos capitais agrarios deverá ser tra-
balho bem cuidado afim de que não dê margem a duvidas e
não origine ambiguidade de técnica. Após a classificação
dos capitais, o conceito cientifico de contas, para a sua uni-
forme registração, bem como a classificação indispensavel
dos livros de registro. Devem-se evitar os livros inuteis que
só servem para aumentar o trabalho de contabilidade.
Outra questão importantissima em Contabilidade Agra-
ria é a fixação do exercicio agricola. Este poderá variar para
maior ou menor espaço de tempo, conforme a necessidade
dos diversos fatores que influem na produtividade da empre-
za rural.

Além desses requisitos que devem sempre ser bem es-
clarecidos, outros ha de menor importancia e que surgem
com a necessidade de cada caso isolado.

OBJEÇÕES A’ CONTABILIDADE RURAL

Diversas têm sido as objeções opostas a adoção da Con-
tabilidade Rural nas fazendas. Comquanto a elite dos agri-
cultores já tenha sentido a necessidade de uma perfeita Con-
tabilidade para o registro do movimento das aziendas agra-
rias, muitos fazendeiros ainda vacilam, por uma questão es-
treita de rotina, a contabilizar os atos referentes ás suas
aziendas agrarias. (1)

Todas as objeções que usualmente se têm levantado, pó-
dem ser reduzidas a duas ordens: (2)
a) Alegam uns a extensão das operações rurais: e ar-
gumentam que a complexidade dessas operações não permi-
te uma contabilisação perfeita dos fatos das aziendas
agrarias.

(1) Tornou-se conhecida a expressão “agrario” como sinonimo

de retrogrado, atrazado.

(2) Ernesto Marenghi “Lezioni di Contabilitá Agraria”. Milane,

1922, pag. 5.

— 27 —

b) Outros alegam a ignorancia em que vive o homem do

campo.

Ambas essas objeções não são brasileiras como á pri-
meira vista se poderá pensar. São de todos os paizes em que
já se tem feito sentir a necessidade da Contabilidade Agraria.

REFUTAÇÃO ÁS OBJEÇÕES ANTERIORES

Hoje não mais pódem subsistir essas objeções. No es-
tado atual da nossa cultura contábil não mais se deve admi-
tir que uma pessôa possuindo certos conhecimentos práticos
da vida economica, comercial, as aceite de bôa fé.
A ignorancia não póde ser de nenhum modo motivo de
excusa. A Contabilidade é hoje uma ciencia constituida e
difundida. E, se os homens dos campos, os responsaveis pela
nossa economia rural não possuem o seu conhecimento, im-
ponha-se-lhes. Na ignorancia é que não pódem nem devem
ficar, para o seu e o bem geral, e para melhor regulamenta-
ção da nossa produção. Sem Contabilidade nenhuma admi-
nistração poderá alegar a seu favor presumção de honesti-
dade.

Finalmente: Os principios da Contabilidade hodierna
são aplicaveis a quaisquer aziendas. Desde o menor patrimo-
nio domestico ao mais extenso patrimonio bancario, publico,
industrial, mercantil ou rural, a Contabilidade satisfaz, com
os seus principios e normas infaliveis, á perfeita regularisa-
ção da administração.

A extensão da empreza rural não impede a perfeita
Contabilidade. Se fosse questão de complexidade dos fa-
tos administrativos realisados seria impossivel a existencia
da Contabilidade Publica.
Tudo depende de ordem e de saber contabilisar.
Pelo exposto, cáem por terra os dois pontos de ataque
dos inimigos da Contabilidade que são tambem os inimigos
da ordem e da lealdade nos negocios, (3) pois que sem Con-
tabilidade nunca haverá ordem nem administração.

3 — Marenghi chama á primeira objeção ácima de objetiva
(ostacoli oggetivi) e á segunda subjetiva (ostacoli soggettivi): Loc. cit.

— 28 —

LIÇÃO IV

Da Contabilidade Rural

(Continuação)

Sumario: — Divisão da Contabilidade Rural. Divisão de
D. Santos

DA DIVISÃO DA CONTABILIDADE RURAL

A especialisação das tarefas é um dos caracteristicos da
bôa ordem, regularidade e perfeição. Assim, devemos tam-
bem dividir o estudo da Contabilidade Rural para a sua me-
lhor compreensão. Essa divisão póde ser feita sob varios
aspétos, variando de acôrdo com o ponto de vista sob o qual
a encararmos.

Para nós a melhor classificação, a fundamental, é a que
divide o estudo da Contabilidade Agraria segundo a natureza
das operações realisadas na empreza a que é aplicada. Deste
modo, a Contabilidade Rural póde ser:
a) Cultural.
b) Pastoril ou Creacional.
c) Agricola ou Mixta.
Como sabemos ja, pelo que dito ficou, a Contabilidade
Cultural é a que cuida das fazendas de cultura dos cam-
pos, (lavoura).

A Contabilidade Pastoril ou Creacional se refere ás
operações dos estabelecimentos rurais destinados á criação de
animais.

Denominamos Contabilidade Rural Mixta á que e fei-
ta nas fazendas que tanto cuidam de lavoura como de cria-
ção de animais. Este é o nosso mais comum tipo de aziendas.
Como dissemos, as emprezas rurais compreendem tam-
bem as industrias rurais, cooperativas e sindicatos, caixas
rurais, etc.; mas a contabilidade destas aziendas deve ser
efetuada segundo os principios da Contabilidade Industrial
para as primeiras, segundo os ensinamentos da Contabilida-

— 29 —

de Mercantil e Bancaria para as ultimas, sempre de acôrdo
com a natureza das operações de cada uma e as modificações
sugeridas pelas necessidades da Contabilidade Rural.

DA DIVISÃO DA CONTABILIDADE RURAL
SEGUNDO D. SANTOS

Desejando particularisar ainda mais as diversas varie-
dades de emprezas rurais poderemos de acôrdo com a clas-
sificação de D. Santos (1) dividir tanto a Contabilidade Pas-
toril quanto a Cultural nas tres classes seguintes:
a) Exclusiva.
b) Dominante.
c) Mixta.
A Contabilidade Rural (Pastoril ou Cultural) é exclu-
siva quando é aplicada a emprezas agrarias que têm por fim-
uma unica ordem de operações:
E’ Dominante a Contabilidade Agraria (Cultural ou
Pastoril), quando ela se ocupa dos estabelecimentos rurais
em que uma serie de fatos administrativos é mais frequente
que as demais.

Contabilidade Rural Mixta. é a em que não ha predomi-
nio nem exclusividade de determinadas ordens de opera-
ções. (2).

Como é claro, a mais facil de todas estas é a Contabili-
dade Rural Exclusiva, por se ocupar com uma unica ordem
de elementos economicos Não ha, porém, para essas tres
classes da Contabilidade Agraria principios caracteristicos e
especiais.

Sob o ponto de vista contábil, a divisão que mais inte-
ressa é a que apresentamos no parágrafo anterior.

(1) “Contabilidade Agricola, S. Paulo. Empreza Editora Brasileira,

pag.20.

(2) Ver lição VII onde melhor esclarecemos este assunto.

— 30 —

LIÇÃO V

Da Contabilidade Rural

(Continuação)

Sumario: — Estudo da Contabilidade Rural. No Brasil.
Historico. Literatura nacional sobre Contabilidade Agraria.

DO ESTUDO DA CONTABILIDADE RURAL

Já fartamente demonstrámos a necessidade da Conta-
bilidade Rural. Vejamos o que se tem feito pelo seu estudo
e pela sua propaganda.

A importancia da Contabilidade Agraria justifica a
sua necessidade. Não é só o contador, não é só o guarda-
livros da empreza rural quem dela necessita. O proprietario,
o administrador das aziendas agrarias não pódem precindir
desta ciencia.

Infelizmente pouco se tem estudado este belo ramo da
ciencia contabilistica. De todas as especialisações da Conta-
bilidade é a menos cultivada. Em países como o nosso, es
sencialmente agrario, não se exige uma Contabilidade dos
fazendeiros. Deixa-se ao léo da sorte e mesmo da ignorancia
de muitos, — ignorancia que felizmente decresce — a fonte
primordial da nossa riqueza economica. Mas tambem não é
este um mal brasileiro. Não seremos nós que nos acusare-
mos. E’ antes um mal geral, de todos os paizes. Desse im-
portante problema dizia recentemente o professor Dufayel:
“Maihereusement, cet agriculteur, qui a tant besoin
d’une comptabilité ordonee et méticuleuse, est, parmi les in-
dustriels et les commerçants, celui qui s’en est le moins servi
jusqu'á present''. (1)

1 — H. Dufayel: “Cours de Comptabilité, Paris, 1925, pag. 161.

— 31 —

DO ESTUDO DA CONTABILIDADE RURAL
NO BRASIL

Entre nós o estudo desta disciplina é deficientissimo.
Somente nestes ultimos tempos vêm as elites das classes ru-
rais e contabilisticas reagindo contra o marasmo que cerca a
Contabilidade Agraria. Descurámos por completo do estu-
co desta ciencia. Nós que somos os responsaveis pelo desti-
no de um país essencialmente agrario. E, talvez a esse descui-
do de ordem administrativa poderemos culpar o grande erro
da nossa economia rural: a monocultura.
Basta este unico fato historico para nos mostrar o indi-
ce da orientação dos nossos dirigentes na proteção da vida
dos campos: Proclamou-se a Republica em nosso país, fo-
ram creados os Ministerios para cuidar dos interesses dos
diversos ramos da nossa atividade economica, social e poli-
tica, e os utopistas se esqueceram de crear o Ministerio mais
necessario... o da Agricultura, que só 20 anos depois foi
creado...

Um consolo de carater nacionalista nos resta: Não so-
mos os unicos contabilistas que se queixam. O nosso país
não é o unico atrazado neste assunto. E’ o que nos informa
o elegante (2) ERNESTO MARENGUI com referencia á
Italia, e com referencia á França HENRI DUFAYEL (3).

DO HISTORICO DA CONTABILIDADE RURAL
NO BRASIL

Passemos, agora uma ligeira vista sobre o que se ha feito,
até agora a favor do estudo da Contabilidade Rural em nos-
so país.

Como vimos de dizer, sómente com a creação do Minis-
terio da Agricultura foi que nasceu a nossa Contabilidade
Agraria. Este departamento publico foi creado pela lei n°.

2 — “Lezioni de Contabilitá Agraria”, Milano, 1922, pag. 5.
3 — “Cours de Comptabilité”, Paris, 1925, pag. 161.

— 32 —

1. 606 de 29 de Dezembro de 1906, no governo do Presiden-
te Affonso Penna mas a lei que o creou sómente foi posta
em execução no governo do seu sucessor, Dr. Nilo Peçanha,
com muita inteligencia e compreensão da sua enorme valía.
Os cultores da Contabilidade no nosso país quase nada
têm podido fazer, devido mesmo ao trabalho dispersivo que
tem sido feito, o qual só agora se encaminha, para, afinal re-
presentar o papel que lhes cabe na vida intelectual e economi-
ca do pais, com a creação e fortalecimento das associações
de classe.

O estudo da Contabilidade Rural no Brasil tem se limi-
tado tão sómente aos frutos do esforço e da bôa vontade do
Ministerio da Agricultura.
Pela regulamentação do decreto numero 8.319 de 20
de Outubro de 1910, que creou o “Ensino Agronomico” no
Brasil, o estudo da nossa diciplina tornou-se obrigatorio nas
escolas de Agronomia. Deste modo passou a “Contabilidade
Agricola” a ser ensinada nas Escolas Superiores de Agricul-
tura e Medicina Veterinaria, Escolas Medias ou Teórico-
Praticas de Agricultura. Escolas Praticas de Agricultura,
Aprendizados Agricolas, nos Campos de Demonstração e
outros estabelecimentos, consoante as disposições do citado
decreto e de outros que se lhe seguiram.
E’ bem verdade que muita tinta foi gasta inutilmente...
Quasi tudo ficou no papel... inclusive muita boa-vontade...
Nos ultimos anos, devido aos progressos de nossa cien-
cia e á elevação natural do nivel cultural das populações agra-
rias e aos esforços de Escolas e Professores de Contabilida-
de, ultimamente, a Contabilidade Rural tem feito ligeiros
progressos entre nós. Assim é que pelo decreto n. 17.329 de
28 de Maio de 1926, que regulamentou o “Ensino Comer-
cial” no Brasil, a cadeira de “Contabilidade Agricola” faz
parte do mesmo e fórma a 4.ª cadeira (conjuntamente com
a Contabilidade Industrial, é verdade...) do 3.° ano.
No Distrito Federal, o recente Decreto numero 2.940,
de 22 de Novembro de 1928, que regulamentou a “Organi-
sação do ensino no Distrito Federal” reservou um “cantinho”
á “Contabilidade Rural” na cadeira de “Economia Rural”,
que compreende a “Contabilidade, administração e legislação
rural.

— 33 —

DA LITERATURA BRASILEIRA SOBRE
CONTABILIDADE RURAL

Como corolario do que exposto temos nesta e na poste-
rior lição, segue-se a pobreza de nossa literatura sobre Con-
tabilidade Agraria. Poucas são as obras especialmente dedi-
cadas ao assunto. Até agora esta materia era tratada em
algumas paginas, na rabada dos livros de Agricultura, Agro-
nomia, Economia Rural, etc.
Dentre os livros brasileiros sobre Contabilidade Rural
não conseguimos contar meia duzia e poderemos citar, tão
somente:

I) Lourenço Granato: “Noções Elementares de Conta-
bilidade Agricola”, 3ª edição, 1912, S. Paulo. A 1.ª edição é
de 1906.

II) D. Santos “Contabilidade Agricola”, Empreza Edi-
tora Brasileira, S. Paulo, 1917 (1).
III) Alvaro Figueiredo: “Elementos de Contabilidade
Agricola”. 1917. Belo Horizonte.
IV) F. T. de Souza Reis: “Contabilidade Agricola”, S.

Paulo, 1921.

V) — José Watzl: “Guia para Contabilidade Agricola”,
1923, publicação autorisada pelo Ministerio da Agricultura,
para propaganda do assunto, Rio de Janeiro.

LIÇÃO VI

(Conclusão)

Da Contabilidade Rural

Suumario: — Posição da Contabilidade Rural na ciencia

contabil. Suas funções.

DA POSIÇÃO: DA CONTABILIDADE RURAL NA
CIENCIA CONTÁBIL

Como sabemos a Contabilidade Rural é uma especiali-
sação importantissima da Contabilidade. Ocupa-se ela das

(1) — É o melhor livro sobre “Contabilidade Agricola” que
temos. O melhor ou o unico?!...

— 34 —

operações administrativas das emprezas agrarias e é pois, um
dos ramos mais importantes da Contabilidade Privada. Em-
quadra-se ainda a Contabilidade Rural na especialização da
Contabilidade Privada denominada Patrimonial.
Para melhor compreensão da situação da Contabilidade
Agraria ou Rural no quadro geral da ciencia contábil, apre-
sentamos o seguinte quadro squematico:

DAS FUNÇÕES DA CONTABILIDADE RURAL

Como toda empreza industrial, os estabelecimentos agra-
rios exercem sempre duas ordens distintas de operações:
a) Operações técnicas.
b) Operações comerciais.
São operações técnicas das emprezas rurais, as que se
referem ao trabalho dos campos, á atividade rural prori-
mente dita.

São operações comerciais das emprezas rurais as que
têm por fim as transações mercantís das aziendas agrarias.
Disto decorrem duas ordens de funções que cabem á

Contabilidade Rural:
a) Operações técnicas.
b) Operações comerciais.
São funções técnicas da Contabilidade Rural as que se
referem ao registro e apuração dos fatos administrativos ori-
ginaldos das operações industriais da fazenda, ás operações
produtoras das culturas,criação, etc.
São funções comerciais a registração e apuração dos
fatos administrativos oriundos das operações comerciais das
fazendas, tais como compra e venda, emprestimos, penhor,
ipotéca, etc.

Estas duas ordens de funções da Contabilidade Rural
são inseparaveis e, por vezes, chegam a se confundir.

II CAPITULO

DA ECONOMIA RURAL

LIÇÃO VII

Da Economia Rural

Sumario — Conceito Agricultura. Industrias Rurais Im-
portancia desta. Importancia daquela.

DA ECONOMIA RURAL

A Economia Rural é à ciencia que estuda a organiza-
ção e direção economica das emprezas agrarias. Ou, no di-
zer de JOUZIER é “a economia politica aplicada á agri-
cultura”. (1).

E’ esta ciencia um dos ramos mais novos e uteis dos
conhecimentos agrarios. Estuda ela os meios mais economicos
para a produção rural, os modos de proteção e repartição desta,
a organisação administrativa das emprezas agrarias, etc. E’
ela pois, uma ciencia complexa, que requer inumeros outros
conhecimentos, tais como a Economia Politica, Agronomia,
Matematica, Geologia, Quimica, Astronomia, Botanica, Bio-
logia, Zoologia, Medicina Veterinaria, Agricultura, Direito,
Engenharia Rural, etc.

A Contabilidade Rural ocupa papel proeminente no es-

tudo dessa diciplina.

DA AGRICULTURA

A palavra Agricultura póde ser tomada como designan-
do uma ciencia ou uma industria. Quer como ciencia, quer

(1) “Economie Rurale”, Paris, 1920, pag. 15.

— 38 —

como industria, ela tem por fim, designar o campo de ação
dos estabelecimentos rurais. Quando geralmente se usa da
expressão. Agricultura, não se quer com ela significar sómen-
te a "cultura do sólo" como pensam alguns autores.(2).Com
aquela palavra compreende-se não só essa ordem de idéas,
como tambem a creação de animais.
A palavra Agricultura tanto significa a cultura do sólo,
como a industria pastoril. E’ bem verdade que a expressão
Agricultura, dá muito facilmente motivos a essas confusões.
Mas em tal não pódem caír os técnicos...
As industrias rurais são um prolongamento natural da
Agricultura. Constituem um estágio superior da vida econo-
mica rural, e se verificam nos centros mais adeantados.
Elas tomam diversas fórmas. Assim, são mais comuns
nos centros pastorís, e tomam as fórmas de estancias, xar-
queadas, laticinios (queijo, manteiga, requeijões), carnes,
lãs, couros, péles, enfim, todas as fórmas de aproveitamento
dos produtos animais.

Na economia brasileira, os produtos provenientes das
industrias rurais, tomam logares preeminentes, pois, além
dos acima mencionados, temos tambem famósas industrias
extrativas, como a da borracha, oléos de babassu, mamona,
etc. Basta dizer que pór uma recente publicação feita pelo
Ministerio da Agricultura, o comercio de exportação de pro-
dutos agricolas brasileiros, atingiu em 1.930, á........................
5.500.000:000$000.

A contabilisação das industrias rurais, toma um aspéto
mais importante, e se apresenta mais dificil, pois ela se
socórre de elementos especiais á Contabilidade Rural e ou-
tros pertinentes á Contabilidade Industrial encontrando-se
em algumas ás vezes perfeitamente diferenciadas, ambas ás
especialisações técnicas.

2 — Dentre outros: E Jouzier, liv. cit., pag. 11 e Alvaro Figueire-
do: “Elementos de Contabilidade Agricola”,Bello-Horizonte, 1917,
pag. 17.

— 39 —

DA IMPORTANCIA DA ECONOMIA RURAL

Sendo o estudo das instituições agrarias e suas necessi-
dades, o papel que cabe á Economia Rural hodiernamente é
inegavel. As necessidades da vida humana nos provam que
mais não é possivel a vida sem a sua concepção economica.
A concepção economica é quem regula a vida do homem.
Desse medo foi que surgiu a necessidade desta nova ciencia
— a Economia Rural — afim de nos encaminhar nos pro-
cessos mais eficientes para a produção util e barata das em-
prezas agrarias.

DA IMPORTANCIA DA AGRICULTURA

O papel representado pelas emprezas rurais na vida dos
povos tem sido sempre dos mais salientes e proficuos. Delas
provêm a riqueza economica de inumeras nações. São elas
que alimentam as industrias, proporcionando-lhes as mate-
rias primas indispensaveis á sua atividade e manutenção.
Ademais, é pela Agricultura que se crêa a riqueza das
nações. E’ uma das primeiras etapas da produção. Todos os
povos foram primitivamente agricultores. E isto é facil de
se explicar, pois que a vida rural não exige um cabedal gran-
de de conhecimentos. Principalmente quando incipiente. Não
queremos, porém, dizer com isto que a Agricultura não ne-
cessite, hoje, de conhecimentos técnicos. Dispensa-os a peque-
na cultura algumas vezes.
Mas nas grandes emprezas agricolas, aqueles são indispensa-
veis. E’ hoje um assunto de grande interesse para os países
agrarios, a Agricultura cientifica. E é para ela que con-
vergem os esforços dos administradores, creando escolas
técnicas e cientificas, amparando-as, estimulando-as.
Não obstante ser a Agricultura uma fonte incomensu-
ravel de riquezas, só ela não faz a riqueza de um povo (3).

(3) — E’ interessante observar que os povos industriais dominam
os povos agrarios. As nações industrialistas guiam as rurais. Na luta
economica — e, pois, politica, social — a maquina vence a terra. Basta
ver quais são os países que contrólam a vida economica social e

— 40 —

Ha uma completa interdependencia entre os diversos ramos
produtores da economia moderna, mas, entre estes, uns ainda
predominam sobre outros quer pela elevação do nivel cultu-
ral, quer pela grandeza numerica ou outros quaisquer fatos,
sendo que a produção agraria não tem ocupado sempre o
primeiro logar.

Não se póde, porém, precindir da Agricultura. Os ali-
mentos com que se nutre e mantém a humanidade, provêm
dela. No dia em que fôr resolvido o problema de alta alqui-
mia e que o homem puder se alimentar unicamente com algu-
mas cápsulas diarias, então, sim, talvez advenha a desneces-
sidade da Agricultur...

LIÇÃO VIII

Da Agricultura

Sumario: — Divisão. Agricultura e Contabilidade

DA DIVISÃO DA AGRICULTURA

A Agricultura considerada como ciencia comporta divi-
sões para melhor compreensão de suas idéas. Considerada co-
mo industria, tambem póde ser dividida conforme a sua, es-
pecialidade.

Conforme a extensão e diversidade da sua produção, a
Agricultnra póde tomar dois aspétos:
a) Monocultura.
b) Pólicultura.
Monocultura como o nome o indica, é a cultura de um
só produto. Exemplo: A cultura só de café, de cana de assu-
car, de borracha, etc.

politica do mundo. São as potencias industrialistas: Estados Unidos
da America, Inglaterra, Allemanha, Japão. A Russia, que era um pais
essencialmente agrario, somente teve influencia na vida internacional
com a queda do tzarismo e o advento do leninismo e consequente in-
dustrialisação do país.

— 41 —

Policultura é a cultura concomitante de mais de um

produto.

Poder-se ia falar tambem de monocreação e pôlicreação
ou multicreação, mas, essas modalidades da Agricultura são
mais raras, comquanto se encontrem.
Segundo a sua especialisação, a Agricultura póde ser:

a) Cultural.
b) Creacional ou pastoril.
c) Mixta ou Agricola.
A Agricultura Creacional ou Pastoril é a que se ocupa
exclusivamente da creação de animais.
Agricultura Cultural é a que cuida da exploração do
campo, da cultura do sólo (lavoura).
Agricultura Mixta é a que trata da creação de animais e
plantação da terra, concomitantemente.
Essa divisão é a que mais interesse apresenta.
Alguns autores dividem a empreza agricola, segundo
a diversidade de sua produção, em:
a) Exclusiva.
b) Dominante.
c) Mixta.

Chama-se-Agricultura Exclusiva, a que se dedica a uma
só ordem de operações produtoras.
Agricultura Dominante é a em que havendo produção
diversa uma predomina sobre as outras.
Denomina-se Mixta a Agricultura em que não ha exclu-
sividade nem predominio de uma exploração sobre outra.
Como é claro, tanto a Agricultura a Cultural, a Creacio-
nal, como a Mixta, pódem ser Exclusivas ou Dominantes.
Chamamos Monocultura á Exclusiva. E, Policultura

as Dominante e Mixta.

DA CONTABILIDADE E, DA AGRICULTURA

Com o vimos, em Economia Rural a Contabilidade é um
complememto indispensavel da Agricultura racional. Deseja-
mos agora, porem, frisar um ponto para os menos entendi-
dos na ciencia de que tratamos.

— 42 —

Quando apontamos a importancia da Contabilidade nas
emprezas agrarias, não queremos com isso dizer que uma bôa
Contabilidade Rural aumente a produção. Absolutamente. A
Contabilidade não é ciencia produtora. E’ um a ciencia eco-
nomica, de ordem mor al, reguladora da vida administrativa
das entidades economicas, publicas ou privadas. Ela não au-
menta a riqueza dos estabelecimentos em que é empregada.
Mas coordena e organisa eficientemente, demonstrando as
operações que são vantajosas e as que o não são, bem co-
mo os resultados parciais e totais dos fatos administrativos
realisados. E’ um elemento de ordem, de natureza moral, de-
monstrativo das condições economico-administrativas das
aziendas em que é adotada.

LIÇÃO IX

Da Produção Rural

Sumario: — Conceito. Fatores. Papel da Contabilidade.

DA PRODUÇÃO RURAL

Já por vezes temos demonstrando a importancia da pro-
dução rural. Esta especie de produção é a mais verdadeira,
se se encarar o sentido etímologico da palavra. As outras
industriais geralmente transformam a materia prima crean-
do novo produto. A produção rural nos dá sempre um pro-
duto novo.

Aliás, esse caráter da produção agraria tem sido muito
exagerado. Assim é que a antiga escola economista dos Fi-
siocratas, que combatia o sístema mercantil, exagerando es-
se conceito dizia que a agricultura deve estar colocada em pri-
meiro logar na esfera das humanas atividades, acima do co-
mercio e das demais industrias. E fundaram os Fisiocratas a
sua escola sobre o principio segundo o qual só a Natureza é
fonte de riquezas; só ela nos fornece um produto ver dadeira-

— 43 —

mente novo, emquanto que as demais classes são estéreis, im-
produtivas. (1).

Como vemos, a concepção economica dos Fisiocratas era
por demais agraria e pouco acorde com os progressos da vi-
da moderna.

DOS FATORES DA PRODUÇÃO RURAL

Como uma das modalidades industriais (industria rural
que é), a produção agraria sofre a ação de varios fatores.
Estes, parém variam com o critério economico de cada um.
Uma das mais antigas classificações dos fatores da produ-
ção os classifica assim:
a) Natureza.
b) Capital.
c) Trabalho.
Pelo primeiro fator — a Natureza — não só compre-
endemos o sólo, á terra como todos os agentes naturais, tais
como o clima, as forças motoras, vento, aguas, vapor, eletri-
cidade, etc.

Na produção agraria este fator é fundamental.
Pelo fator Capital, compreendemos os valores ou rique-
zas pre-existentes, que contribuem direta ou indiretamente
para a produção. São tais, os bens pertencentes a uma pes-
soa, como materiais, dinheiro, etc.
O Trabalho — terceiro fator da produção — é o esfor-
ço, humano ou não para a produção de utilidades.
O Trabalho humano póde ser fisico ou intelectual.
Os fatores ácima enumerados pódem ser ativos ou pas-
sivos. São fatores passivos: a Natureza e o Capital. O Tra-
balho é o fator activo por ecelencia. (2).

(1) Charles Gide: “Principes d’Economie Politique”, Paris. 1923,

pag. 7.

(2) Gide: “Liv. cit., pag. 79.

— 44 —

DO PAPEL DA CONTABILIDADE NA
O PRODUÇÃO RURAL

A perfeita Contabilidade está na ordem direta da bôa
classificação das contas. Para essa classificação, porém, não
apresenta a classificação dos fatores da produção ácima
enumerados nenhuma vantagem. Devemos procurar estudar
todos os meios que facilitam a produção rural para podermos
organisar a Contabilidade a se adaptar ás diversas aziendas
agrarias. E’ o que vamos fazer nas lições seguintes, para
orientação dos estudos contáveis.
A Contabilidade está reservado o importante papel de
esclarecer os fatos administrativos que dão origem á pro-
dução rural, bem como os que resultam desta. Deve tam-
bem demonstrar não sómente o custo de cada produção agri-
cola, como tambem a proveniencia das diversas verbas que
modificam a receita e a despeza de cada produto colhido.
A’ Contabilidade Rural pois está reservado o importan-
te e dificil papel de demonstrar a produtividade das diversas
emprezas agrarias bem como o grão produtivo de cada or-
dem de fatores, afim de que fique bem orientado o adminis-
trador capás. Ela serve de base para o levantamento estatis-
tico da vida das emprezas rurais bem como de seu valor eco-
nomico.

LIÇÃO X

Do Trabalho Rural

Sumario — Sua condição. Proteção. Contabilisação.

DA CONDIÇÃO DO TRABALHO RURAL

O trabalho é a força empregada na produção de utilida-
de. Póde ser humano ou animal. O trabalho humano póde
ser fisico ou muscular e intelectual ou mental.
Pelo trabalho se opéra sempre uma transformação no
objeto que é executado. Essa transformação póde ser

— 45 —

mudando o estado da materia (bruta ou ja trabalhada), ou
deslocando-a de logar somente.
A hodierna condição do trabalho humano e, em tése a
da liberdade. Dizemos em tése por que, verdadeiramente a
propalada liberdade de trabalho não póde ser completa num
regimen em que os fracos têm que contratar com os fortes.
E’verdade que, considerados isoladamente os homens são
seres livres. Mas, vistos em sociedade não o são, pois de-
pendem economicamente dos individuos economicamente mais
poderosos. E’ verdade que as leis asseguram a liberdade da
escolha de profissão, bem como o exercicio do direito de as-
sociação, etc. Isso tudo, porém, são condições teóricas que
verdadeiramente não existem, a não ser idealmente.
Segundo os economistas oficiais, a liberdade de traba-
lho repousa nos tres seguintes principios:
a) Liberdade profissional.
b) Liberdade de exercer a sua profissão em qualquer

logar.

c) Liberdade de ter mais de uma profissão.
Sabemos, porém — e neste ponto estão conosco os pro-
prios economistas oficiais — que essa liberdade de trabalho
é condicionada (diplomas, licenças, etc.) e, assim, que a li-
berdade do trabalho é no minimo uma liberdade condicional...

DA PROTEÇÃO AO TRABALHO RURAL

As legislações modernas ás vezes procuram proteger a
liberdade do trabalho. Dentre as medidas de proteção usa-
das citam-se ás referentes ao dia de 8 horas, trabalho em lo-
gar salubre, garantia, do salario em caso de molestia, inde-
nisação em casos de acidente no trabalho, etc. Estas medi-
das, porém, são mais protetoras do trabalho industrial, das-
fabricas.

O trabalhador rural ainda está esquecido e poucas são-
as disposições que os protegem. Principalmente em nossa
terra “essencialmente agricola e pastoril”... Dentre algu-
mas medidas protetoras do nosso trabalhador rural, citare-
mos as referentes ao abono de salarios, á organisação de
sindicatos e cooperativas agrarias, á impenhorabilidade do

— 46 —

salario do trabalhador rural, os seus creditos serem privile-
giados em caso de falencia, etc.
E’ bem verdade, porém, que essa prerogativas, do tra-
balhador rural nunca são constatadas na vida pratica.

DA CONTABILISAÇÃO DO TRABALHO RURAL

Em Contabilidade os fatos administrativos consequentes
do trabalho merecem registro cuidado. Para a apuração do
custo da produção temos necessidade de contabilisar a ex-
pressão economica do trabalho empregado.
O trabalho usado nas aziendas rurais é humano e

animal.

O trabalho humano recebe a denominação especial de
“Salarios”, “Mão de Obra”, e queijandas. E nessa conta re-
gistraremos por débito o trabalho produzido pelos emprega-
dos de acôrdo com o preço combinado. Por crédito registra-
mos os serviços pagos.

O trabalho animal é de mais dificil contabilisação. E
tanto o é que os autores que têm tratado do assunto dele não
cuidam. Mas, desde que seja um serviço prestado pelos ani-
mais, as contas que representam estes devem ser creditadas
por um importancia que represente a expressão economica
do esforço produzido. Para justificar este registro basta
uma pergunta:

— Não debitamos aos animais as despezas com a sua
manutenção, tais como alimentação, curativos etc.? (1).
O valor do custo do trabalho animal é usualmente cal-
culado sobre o total das despezas diarias com a manutenção
do mesmo.

Observe-se, porém, que deve ser contabilisado sómente
o serviço prestado pelos animais de trabalho sendo que os
animais de creação, que se destinam á exploração comercial
não prestam serviços e sim produtos ou rendas.

(1) — Quando nos referimos á contabilisação das despesas com
a manutenção do animal (despesas gerais), para efeito de orçamento,
distinguimos da registrarem apenas para dar um valor ao animal. Aquela
tem toda a importancia que falta á esta.

— 47 —

LIÇÃO XI

Do Seguro Agrario

Sumario: — Necessidade. Companhias do Seguro Rural.

Sua Contabilidade.

DA NECESSIDADE DO SEGURO AGRARIO

“Considera-se contrato de seguro aquele, pelo qual uma
das partes se obriga para com outra, mediante a paga de um
premio, a indeniza-la do prejuizo resultante de riscos futuros,
previstos no contrato”. (1).
O contrato de Seguro póde ser efetuado para proteção
dos bens ou das pessôas (seguro de vida). Pode ser tambem
terrestre ou maritimo. Dentre as diversas especies de con-
trato de Seguro terrestre, cita-se o Seguro Agrario.
O Seguro Agrario é uma das mais modernas fórmas de
Segura. Por muito tempo julgou-se impossivel esta modali-
dade de seguro por serem inumeros os imprevistos que atin-
gem a produção rural, não sendo ás vezes possivel uma per-
feita compensação tal o vulto dos prejuizos e a natureza dos
danos que se verificam. Mas, como esta modalidade de se-
guro é muito vantajosa idealisou-se pagar sinistros por um
valor préviamente estabelecido (um terço, metade ou dois
terços do valor da cousa segurada), para tambem evitar que
os administradores nada fizessem para salvar seus bens. Nes-
te seguro deve-se banir o lucro. Esta é, aliás, a caracteristi-
ca do instituto dos seguros.
Dentre as inumeras vantagens proporcionadas pelo Se-
guro Agrario, destaca-se a proteção á produção animal e ve-
getal, assistencia, amparo, indenisações, etc.
Ordinariamente o Seguro Agrario é efetuado para pro-
teção dos bens rurais em caso de incendio, peste, geada, etc.

2 — Codigo Civil, 1.432.

— 48 —

DAS COMPANHIAS DE SEGURO AGRARIO

As Companhias de Seguro Agrario, que já se, desenvol-
veram muito, principalmente na Europa e Estados Unidos da
America, ainda, não tem no Brasil a representação que lhes
compete. Elas geralmente se revestem da forma mutua ou
de premio.

Dentre os inconvenientes apontados nestas modalidades
de seguro cita-se o fato de que o fazendeiro de posse da apo-
lice que o garanta no caso de sinistro não tem mais interesse
em procurar salvar os seus bens ou mesmo evitar as causas
de sua destruição.

Estes argumentos não procedem. Se em devida conta
fossemos leva-los, não seria tambem possivel a exigencia de
nenhuma especie de seguro. Todas as diversas modalidades
de seguros sobre as cousas estão sujeitas a estes argumentos.
Para evita-los, no caso de Seguro Agrario, bastará, como dis-
semos ácima, as Companhias de Seguros segurarem os bens
rurais por uma fração do seu valor (meio, um terço, dois
terços, tres quartos, etc.), evitando assim o enriquecimento
ilicito dos segurados.

DA CONTABILIDADE DO SEGURO
RURAL

Não pretendemos estudar aqui a Contabilidade das Com-
panhias, de Seguro Agrario. Nem cabe tal neste momento.
Seu logar é no estudo especial da Contabilidade das Compa-
nhias de Seguros, num livro especial. Queremos grifar só-
mente a maneira de contabilisar na azienda rural a efetua-
ção de um seguro.

Efetuado o contrato de seguro (sobre determinado ani-
mal ou cultura, etc.) deve-se fazer o seguinte lançamento no
Diario, pelo pagamento das anuidades:

Seguros de...
a Caixa

Pg. á Cia. X, 1.° anuidade da apolice n° Y X

— 49 —

Recebida a apolice de seguro efetuado deve-se fazer o

seguinte lançamento:

Companhia X
a Apolice de Seguro.
Pelo seguro de ...
que fizemos naquela Cia., anuidade de
rs. Z apagar em... apolice n.° 1.000...

X
Alguns contadores aconselham e usam levar por oca-
sião de balanço o debito da conta de Seguros sobre... a Lu-
cros & Perdas. Pensamos, porém, que tal não se deve fa-
zer. Como um dos principais papeis da Contabilidade é de-
monstrar o estado especifico do patrimonio em qualquer mo-
mento, pensamos que a Conta de Seguros deverá ficar aber-
ta para que no caso de indenisação possamos saber qual foi
a real indenisação obtida. Conhecemos esta pelo calculo se-
guinte:

Indenisação = Valor da Apolice — Anuidades.
O lucro ou prejuizo apurado sobre a conta segurada se-
rá, pois, o seguinte resultado:
Valor dos bens perdidos — Indenisação = Prejuizo
ou ainda este resultado mais raro:
Indenisação — Valor dos bens perdidos = Lucro.
Quando fôr recebida a indenisação far-se-á um lança-

mento assim .

Caixa
a Companhia X

Recebi pela indenisação da apolice n.
1.000, do seguro de nossos..................................... X

Em seguida levamos á conta do bem que foi segurado,
por debito, o valor da apolice, assim:

Apolice de Seguro
a ... (Animais ou Cultura).
Pelo valor da indenisação da apolice n.
1.000 da Cia. X...................................................... X

— 50 —

E o débito da conta de Seguros de... será levado ao seu
crédito, para saldo, e a debito da conta que foi segurada, da
maneira seguinte:

... (Animais ou Cultura)
a Seguros sobre

Pelo débito desta conta, por saldo.............................Z

Dessa maneira temos escriturado (1) todo o ciclo dos
fatos administrativos originados das operações sobre os se-
guros. E, pelos lançamentos ácima poderemos vêr nitida-
mente qual foi o resultado da operação de seguro, assim:
Indenisação — Anuidades pagas = Indenisação

líquida.

A Indenisação Líquida póde ser maior ou menor do que
o prejuizo verdadeiro sofrido pelo fazendeiro. Se fôr maior,
houve lucro; se menor, prejuizo.

LIÇÃO XII

Do Penhor Rural

Sumario — Conceito. Especies. Contabilidade

DO PENHOR RURAL

Penhor é uma garantia de divida efetuada pela aliena-

ção de bens moveis.

Penhor Rural é o que se efetua, sobre bens moveis das
emprezas agrarias. Como sabemos, é da essencia do penhor

(1) — Ha outra fórma mais simples de se anotar a liquidação dos
seguros a saber: Recebida a indenisação, estórna-se o segundo lança-
mento ácima, e dá-se entrada do dinheiro em Caixa, debitando-se a esta
conta e creditando-se a Lucros e Perdas.

— 51 —

que ele tenha por garantia bens moveis. Não obstante isto, o
nosso Codigo Civil enumerando no seu artigo 781 os objé-
tos que podem ser dados em penhor cita as colheitas penden-
tes e as em via de formação, que, como sabemos, são por sua
natureza bens imoveis. E’ por isso mesmo ainda que os auto-
res dizem que “o penhor agricola é uma fórma anormal do
penhor, que se aproxima da hipotéca”. (1).
O penhor rural foi instituido entre nós pelo Decreto
n° 3.272 de 5 de Outubro de 1885, artigo 10, e hoje já se
acha regulado pelo Codigo Civil, artigo 781 e seguintes.

DAS ESPECIES DE PENHOR RURAL

O penhor rural pela nossa legislação em vigor póde to-
mar duas fórmas diferentes. Póde ser :
a) Agricola.
b) Pecuario.
Penhor Agricola é o efetuado sobre os bens moveis das

emprezas agricolas.

Penhor Pecuário é o realisado com a garantia dos bens
moveis das emprezas pastorís, pecuárias (animais de creação
ou de trabalho).

A distinção ácima, entre as duas especies de penhor rural
enumeradas, comquanto não tenha sido observada pela nossa
legislação, depreende-se facilmente do espirito de seus arti-
gos (2).

Nas Partes seguintes estudaremos detalhadamente cada
uma dessas especies do penhor rural.

DA CONTABILIDADE DO PENHOR RURAL

O registro dos fatos administrativos oriundos das opera-
ções referentes ao penhor rural não apresenta grande dificul-

(1)Clovis Bevilaqua:”CodigoCivil Brasileiro Commentado”, vol. 3°,

pagina 343.

(2) Artigo 781 e seguintes.

— 52 —

dade.No Diario poder-se-á obedecer á seguinte ordem de lan-
çamentos:

Efetuado o contrato de penhor e recebido o dinheiro apu-

rado com o mesmo:
Caixa
a Colheita de Milho em Penhor.
Recebido de F. por emprestimo com a ga-
rantia do penhor da nossa colheita de milho.. X
Resgatada a divida que deu origem ao penhor ácima
(penhor agricola), estorna-se o lançamento feito da maneira
seguinte:

Colheita de Milho em Penhor
a Caixa

Pelo resgate de n emprestimo contraído com
F., e com a garantia da nossa colheita de
milho....................................................... X
Quando houver pagamento de juros, antecupadamente,

farse-á:

Diversos a Colheita de Milho em Penhor
Caixa

Rec°. de X, a 120 dias,
conforme contrato d. d. 9:900$000
Juros & Descontos
Desconto por antecipa-
ção...................................... 100$000 10:000$000
Si os juros não forem pagos antecipadamente, registrare-
mos como no primeiro lançamento deste capitulo, e na liquida-
ção faremos:

Diversos a Caixa
Colheita de Milho em Penhor
Pelo resgate de n em-
prestimo com X.............. 10:000$000
Juros & Descontos
Juros pagos................... 100$000 10:000$000

III CAPITULO

DA ASSOCIAÇÃO RURAL

LIÇÃO XIII

Da Parceria Rural

Sumario: — Conceito. Especies. Contabilidade.

DA PARCERÍA RURAL

Parcería Rural é o contrato pelo qual uma pessoa cede a
outra, mediante condições préviamente estabelecidas a explo-
ração de algum ou alguns bens rurais. E’ esta uma instituição
já consagrada e regulada por inumeras legislações. O nosso
Codigo Civil dela trata no seu artigo 1.410 e seguintes.
O contrato de Parceria Rural já está sobremodo den-
tro dos costumes do nosso país, recebendo denominações re-
gionais, sendo mais conhecido nos meios rurais por contrato
de “meiação”, de “meiá”. As pessoas que por ele contratam,
em linguagem rural, se denominam meieiros. O contrato de
Parcería Rural, de Meiação, tem sido já estudado sob varios
aspétos, principalmente na Italia (mezzadria, colonia parzia-
ria), permanecendo porém ainda entre nós sem a obrigatorie-
dade de uma fórmula juridica que garanta a parte do carnei-
ro no contrato com o lobo...
Tem por fim este contrato a exploração industrial das
cousas pertencentes aos dominios agrarios: cultura do sólo ou
exploração de animais

A Parcería Rural como observa o grande Clovis Bevila-
qua “participa’ da natureza da locação e da sociedade, (1);
por isso, “aplicam-se a este contrato as regras do de sociedade
no que não estiver regulado por convenção das partes”. (2)

(1) Liv cit V 20, Rio de Janeiro, 1926, pag 168,

observação 1

— 56 —

DAS ESPECIES DE PARCERIA RURAL

Como é facil de se concluir são de duas naturezas dife-
rentes as modalidades de Parcería Rural:
a) Parcería Agricola.
b) Parcería Pecuária.
O Codigo Civil no artigo 1.410 define a Parcería Agrí-

cola:

“Dá-se a parcería agricola, quando uma pessôa cede um

predio rustico a outra, para ser por esta cultivado, repartindo-
se os frutos entre as duas, na proporção que estipularem”.
E’ ainda o nosso Codigo Civil quem define a Parcería

Pecuária:

“Art. 1.416 — Dá-se a parcería pecuária, quando se en-
tregam animais a alguem para os pastorear, tratar e criar,
mediante uma quota nos lucros produzidos”.
A Parcería Pecuária só se dá sobre os animais (“gado
grosso” ou “meu’do”), não podendo ter por objéto aves e in-
sétos.

No contrato de Parcería Rural (Pecuária ou Agricola)
aparecem sempre, no mínimo, duas pessoas que se denominam
Parceiro e Proprietario.

Nas Partes seguintes trataremos de cada uma dessas
especies de Parcería, especialmente.

DA CONTABILIDADE DAS PARCERÍAS RURAIS

Nada mais são as Parcerías Rurais que especiais azien-
das agrarias, com ligeiras modificações. São quasi que um
contrato de sociedade comercial de capital e industria. Lógo,
a elas pódem e devem ser aplicados os mesmos principios que
estamos estudando para as demais emprezas rurais com ligei-
ras modificações de fórma contábil, baseadas no contrato efe-
taudo, direitos e obrigações dos parceiros, etc.

— 57 —

LIÇÃO XIV

Das Cooperativas e Sindicatos Rurais

Sumario: — Cooperativas Rurais. Sindicatos Rurais.
Importancia de um e de outro. Principais fórmas.

DAS COOPERATIVAS RURAIS

Denominam-se Cooperativas as sociedades em que mais
de sete socios se reunem para proteção de interesses comuns,
com capital variavel e numero ilimitado de socios (1).
As cooperativas são reguladas pelo Decreto n°. 1.637

de 5 de Janeiro de 1907.

As cooperativas Rurais são as que se destinam á prote-
ção dos estabelecimentos agrarios e de seus membros. Delas
só pódem fazer parte as pessoas que se ocupam de serviços
rurais.

DOS SINDICATOS RURAIS

Sindicatos Rurais “são as associações formadas entre
profissionais da agricultura e industrias rurais de qualquer
genero, para defesa dos interesses de ordem economica, social
ou moral comuns aos associados”. (2)
São considerados profissionais da agricultura e indus-
trias rurais, nos termos do artigo 4 do Regulamento citado “o
proprietario, o cultivador, o arrendatario, o parceiro, o cria-
dor de gado, o jornaleiro e quaisquer pessoas empregadas em
serviço dos predios rurais, bem como a pessôa juridica cuja
existencia tenha por fim a exploração da agricultura ou indus-
tria rural”.

DA IMPORTANCIA DOS SINDICATOS E
COOPERATIVAS RURAIS

E’ ocioso encarecer as vantagens dessas associações. A
conciencia do cumprimento do dever, a elevação das profis-

(1) Ver o volume 11.° do nosso “Tratado de Contabilidade (Contabi-
lidade Mercantil), pag. 200 e seguintes.
(2) Regulamento do Decreto n. 6.532 de 20 de Junho de 1907, art. 1.

— 58 —

sões, a compenetração do papel que cada um deverá represen-
tar na vida, provém dessas associações. Além da conciencia
moral que ali se cria, aquelas sociedades são as grandes pro-
tetoras e incentivadoras da classe. Mórmente as associações
rurais representam papel saliente. O auxilio á produção agra-
ria é sempre dos mais eficazes, principalmente no nosso país.
Por isso se faz sentir a grande necessidade das Cooperativas
e Sindicatos Rurais para contrabalançar o descaso em que vi-
ve a nossa produção rural.

DAS PRINCIPAIS FO’RMAS DAS COOPERATIVAS
E SINDICATOS

Sindicatos e cooperativas Rurais pódem tomar inumeras,
fórmas conforme a especie de auxilio de que pretendam se
ocupar. Assim é que os ha destinados á proteção da produ-
ção, do crédito, do consumo, do seguro agrario; etc. (3).
Qualquer que seja o fim dessas associações, todas elas
prestam relevantes serviços, salientando-se as Cooperativas e
Sindicatos destinados á proporcionar o crédito aos seus
filiados.

LIÇÃO XV

Das Cooperativas e Sindicatos Rurais

(Conclusão)

Sumario: — Cooperativas e Sindicatos de credito. Caixas
Rurais. Contabilidade das Cooperativas e Sindicato.

DAS COOPERATIVAS E SINDICATOS
DE CRÉDITO

Dentre todas as especies de Cooperativas e Sindicatos
salientam-se as que têm por fim imediato o adiantamento de
capitais aos seus associados. O crédito rural é de todos o que

(3) Sobre este assumpto não se deve deixar de ler, a monographia do
professor Salvatore Bruno, intitulado: “I Monti Frumentari, Torino 1924.

— 59 —

mais ampa o necessita. Dependente de fatores extranhos e al-
gumas vezes inevitaveis, a produção agraria necessita de cer-
tas vantagens. Uma destas é a que se refere ao prazo dos
serviços rurais. Os estabelecimentos puramente comerciais
geralmente fazem emprestimos a curto prazo. E é por isso
que os Sindicatos e Cooperativas de Crédito proliferam com
o incremento que vemos hoje em dia.

DAS CAIXAS RURAIS

As associações de crédito agrario geralmente se consti-
tuem sob a fórma de Caixas Rurais. Estas têm por fim pro-
porcionar capitais aos seus associados, bem como obriga-los á
economia. São os Bancos dos agricultores.
As caixas rurais obedecem geralmente a dois tipos di-

ferentes:

a) Caixas Locais.
b) Caixas Regionais
As caixas locais se caraterisam por agir em campo deli-
mitado. Só pódem ser seus associados e com elas efetuar
operações as pessoas residentes em determinada circumscri-
ção territorial.

As caixas regionais têm campo de ação mais amplo. Efe-
tuam operações com pessoas residente em logares diferentes,
comquanto dentro de determinada região.
O que caraterisa esses dois tipos de caixas rurais é o
maior ou menor ambito em que elas operam. De maneira, que,
para que uma pessoa possa efetuar transações com uma cai-
xa regional é preciso que tenha alguma notoriedade e as ope-
rações sejam baseadas em garantias mobiliarias ou imobilia-
ris. Ao passo que nas caixas locais são em via de regra ga-
rantia das transações o crédito pessoal.
Existem diversos tipos de caixas rurais, sendo que os
mais conhecidos são os do tipo Schulte-Delitszch, Raiffeisen,
Bancos Luzzatti e outros geralmente conhecidos pelo nome de
seus creadores.

— 60 —

A primeira caixa rural que se tem noticia foi creada
na Allemanha, em Altenkirchen (Prussia Renana), em 1847
(1). Vê-se, pois, que é uma instituição recente, não obstante
ser hoje das mais propagadas nos meios rurais.

DA CONTABILIDADE DAS COOPERATIVAS E
SINDICATOS RURAIS

A contabilidade dos Sindicatos e Cooperativas rurais de-
ve obedecer a um criterio a adotar de acôrdo com o fim da
associação. Por isso deveria seguir ora os principios da
Contabilidade Mercantil, ora os da Contabilidade Bancaria,
pois que esses institutos participam de algumas operações
comuns ás emprezas bancarias (Caixas Rurais) e comerciais.

(1) Prof. Salvatore Bruno: “Le Casse Rurali de Prestiti”, Torino.

1924, pag. 59

IV CAPITULO

DA EMPRESA RURAL

LIÇÃO XVI

Da Empreza Rural

Sumario: — Conceito. Organisação. Azienda Rural. Pes-
soal da empreza rural.

DA EMPREZA RURAL

A Empreza Rural é a organisação ecoonmica destinada
á exploração produtiva dos campos. Ela póde abranger gran-
de numero de operações produtoras ou se dedicar a uma mo-
dalidade só da exploração agraria. Póde tambem se destinar-
á grande ou á pequena cultura.
Por Empreza Rural não devemos compreender sómente
as instituições que têm por fim a produção de utilidades agra-
rias, mas tambem as que se destinam á proteção dessa produ-
ção ou ainda á transformação dos produtos rurais (industrias
rurais).

DA ORGANISAÇÃO DA EMPREZA RURAL

Qualquer que seja a fórma e a finalidade da Empreza
Rural a sua organisação é tarefa dificil e que deve ser bem
orientada para agir proficuamente. Em todo periodo de orga-
nisação de uma empreza as operações iniciais são sempre ba-
sicas. Na Empreza Rural a escolha dos terrenos a serem traba-
lhados, das raças de animais para creação, dos maquinismos e
utensilios necessarios á industria rural, das sementes e mudas
para cultura, da elaboração da receita e despeza, etc. são ope-

— 64 —

rações primordiais e de relevante importancia. Como em toda
organisação produtora é de grande necessidade a escolha do
pessoal habilitado, não devendo se esquecer nunca um orga-
nisador de que são fatores da grandeza de toda instituição
economica as cabeças que pensam e os braços que executam.
Após a inventariação dos capitais agrarios deve, tambem o or-
ganisador cuidar das combinações culturais ou industriais a
que se destina a Empreza.
No calculo das despezas dos exercicios devemos tambem
levar na devida conta as que são necessarias e inevitaveis, bem
como as eventuais e os impostos e gravames com que são em
geral afetados os bens e a produção, tais como despezas com
os trabalhadores, materia prima a empregar, sementes, prepa-
ro do sólo, etc., alimentação dos animais, premios de seguros,
juros de capitais empenhados, impostos diversos, etc.

O PESSOAL DAS EMPREZAS RURAIS

O pessoal que auxilia a produção agraria se classifica por
diversas categorias. O numero destas, porém, varia com a
extensão da empreza.

Na pequena Empreza Rural unia familia ás vezes se en-
carrega de todas as operações necessarias á produção. Mas, no
regimen da grande propriedade territorial, que é o dominante
em nosso país, torna-se necessario um pessoal mais habilita-
do, e, debaixo de certas disposições costumeiras e contratuais
facil nos torna agrupa-los nas seguintes categorias, dentre
outras:

a) Proprietario, detentor da riqueza administrada (dono,

arrendatario, etc.)

b) Administrador, que dirige os diversos serviços da

Empreza.

c) Colonos, trabalhadores manuais e que ordinariamente

trabalham por contrato.

d) Pessoal do Escritorio (Contador, caixa, auxiliares,

etc.).

e) Meieiros, colonos ou parceiros, que trabalham para o
proprietario com o contrato de satisfazer ás despezas e dividir
os lucros com este...

— 65 —

f) Jornaleiros ou diaristas, empregados que ganham por

dia de trabalho.

g) Camaradas, que são os empregados contratados por

mês.

Sob o ponto de vista contábil diversas são as pessoas que
fazem parte da administração das emprezas rurais, como ve-
remos adiante.

LIÇÃO XVII

Da Administração Economica

Sumario: — Conceito. Funções administrativas. Pessoas.

Azienda Rural.

DA ADMINISTRAÇÃO ECONOMICA

Administração economica é a serie de funções exercidas
pelos encarregados do patrimonio afim de que este produza.
Ela tem por fim todas as operações cujo fim é acconserva-
ção, melhoramento ou produtividade da riqueza administrada,
E’ exercida por meio de funções executadas por meio de atos
e fatos administrativos, por um corpo de pessoas sobre um
patrimonio.

As funções administrativas têm por fim a organisação,
direção e liquidação dos estabelecimentos administrados.
Daí se infere que são de tres ordens diferentes as funções

administrativas:

a) Funções iniciais, que são as que têm por fim a organi-
sação dos estabelecimentos.
b) Funções gestivas ou gestoriais, que têm por fim a di-
reção, a gerencia da empreza.
c) Funções finais ou conclusivas que têm por fim a liqui-
dação das operações de um exercicio, ou a liquidação final da
empreza.

Em toda administração economica, de qualquer que seja
a natureza da entidade administrada, aparecem sempre na
Empreza Rural tres pessoas distintas:
a) Proprietario.
b) Agentes Consignatarios.
c) Correspondentes.

— 66 —

Proprietario é o dono da Empreza, é o senhor do patri-

monio.

a) Caixas Locais.
Agentes Consignatarios são os encarregados da guarda
dos bens materiais da administração.
Correspondentes são os freguezes da administração.
As contas que representam o Proprietario, são as de Ca-
pital e Lucros e Perdas (Resultado).
As contas que representam os agentes consignatarios são
as que representam os bens materiais da administração tais
como Caixa, Mercadorias, Semoventes, Imoveis, etc.
As contas que representam os Correspondentes são as
que demonstram os débitos e créditos das pessoas que mantêm,
transações com a Empreza, são os devedores e credores.

DA AZIENDA RURAL

Denomina-se azienda rural ao patrimonio das emprezas
agrarias, ao conjunto de todos os bens que formam o ativo
e passivo da entidade economica rural.
E’ sobre o Patrimonio da Empreza que são executadas as
funções administrativas ácima enumeradas, pelas diversas
pessoas da administração.
A Azienda Rural póde ser dividida em duas seções com-

pletamente distintas:
a) Azienda Domestica.
b) Azienda Agraria.
Azienda Agraria é a que se compõe dos bens destinados á

produção rural.

Azienda Domestica é a que se compõe dos bens destina-
dos ás despezas particulares do Proprietario da Empreza
Rural.

— 67 —

LIÇÃO XVIII

Do Inventario

Sumario — Conceito. Complexidade. Levantamento do

Inventario.

DO INVENTARIO (1)

Inventario é a verificação, descrição e avaliação de to-
dos os bens que formam um patrimonio. E’ a apuração do
valor economico de uma riqueza. O Inventario é efetuado
quando se trata de crear um estabelecimento que tem por fim
operações economicas (Inventario Inicial), para a verifica-
ção do resultado produzido em determinados periodos ou
exercicios (Inventario Periodico), ou para a terminação das
operações (Inventario Final). E’ o Inventario que nos de-
monstra o valor economico do patrimonio, a situação da
azienda. E’ uma das bases para o 1 evantamento do Balanço.
O fim principal e toda a importancia do Inventario, está
em demonstrar ao administrador, em qualquer azienda:
a) a sua situação especifica, isto é, global, dos movi-

mentos.

b) a sua situação juridica, a saber, as relações com os

correspondentes.

c) a sua situação economica, isto é, o estado liquido do
patrimonio nas suas relações com as contas que o compõem.
d) a sua situação financeira, a saber, o movimento mo-

netario, de numerario.

DA COMPLEXIDADE DO INVENTARIO RURAL

Nas aziendas rurais as operações de inventariação se
tornam ás vezes, por demais complexas. Compondo-se elas
de elementos de natureza as mais diversas torna-se ele por
isso extenso e assaz trabalhoso. Ademais, sendo grandé o
número de contas, dificulta ainda mais as operações impres-
cindiveis de clasificação dos bens patrimoniais.

(1) Ver o nosso 1.° Volume, (Contabilidade Geral), 1929, pag. 61.

— 68 —

Como todo Inventario, o aplicado ás aziendas agrarias
tambem póde ser Analitico ou Sintético.
E’ Analitico o Inventario Rural, quando descrimina to-
dos os elementos patrimoniais, um por um, demonstrando to-
das as suas qualidades e defeitos.
O Inventario Sintético é o que reúne os dados todos da
mesma categorias, debaixo da conta correspondente.
Todo Inventario deve ser primeiramente Analitico e ao
depois Sintético, para bôa ordem e exata verficação do pa-
trimonio.

Dissemos, que na azienda agraria se torna complexa a
operação de inventariação, pois que os bens que a compõem
são inumeros e vasta se torna aquela operação. Principal-
mente a clasificação dos diversos imoveis se torna algo dificil,
pois cada classe é aplicada a um determinado, fim, e, faz par-
te pois, de contas especiais.

DO LEVANTAMENTO DO INVENTARIO
Em qualquer que seja a modalidade do patrimonio o pro-
cesso para inventario é um só. Resume-se ele em tres ope-
rações, fundamentais;
a) Classificação.
b) Descrição.
c) Avaliação.
A operação da classificação nos faz grupar os bens exis-
tentes em um patrimonio, de acôrdo com a natureza de cada
um. Cada grupo destes formará uma conta tambem especial.
Descrição é o meio de qualificar os bens pela demons-
tração de suas qualidades e defeitos. A bôa descrição é con-
dição essencial para uma exata avaliação. Uma depende e
é consequencia da outra.

Avaliação é o calculo em dinheiro do valor dos bens in-
ventariados. E’ esta operação que demonstra o estado econo-
mico da azienda.

O Inventario Analitico exige sempre uma completa e
detalhada descriminação dos elementos patrimoniais. O In-
ventario Sintético se contenta com o agrupamento de elemen-
tos da mesma natureza, pois que este se baseia naquele. O

— 69 —

Inventario Analitico exige classificação descriminada por-
menorisadamente. Para e Inventano Sintético torna-se ne-
cessario conhecer as contas que representam os diversos bens
afim de formar as varias catégorias de contas.
A descrição e a enumeração dos diversos elementos pa-
trimoniais (classificação) são essenciais no Inventario Ana-
litico. Já no Inventario Sintético esta descrição não se faz
necessaria pois este - um resumo daquele.
A Avaliação é tanto necessaria no Inventar io Sintético
quanto no Analitico. Com a diferença de que neste ela é
efetuada sobre cada cousa, e os totais de cada bem, ao pas-
so que no Inventario Sintético o calculo monetario é feito
sobre a conta que representa a cousa inventariada. (1).
Nas lições seguintes vamos tratar de cada uma destas
operações para levantamento do Inventario. Deixaremos de
tratar da Descrição, tão sómente, pois que esta depende dos
conhecimentos gerais de cada um e não se baseia em conhe-
cimentos nem principios contaveis.

LIÇÃO XIX

Da Classifica ção dos Bens Rurais

Sumario: — Método. Capitais Agrarios. Classificação. Qua

dro siriático.

DA CLASSIFICAÇÃO DOS BENS RURAIS

A Classificação dos bens rurais é uma das funções pri-
mordiais para o levantamento do Inventario de uma azienda
agraria. Para essa operação deve-se ter em vista os bens da
mesma natureza e grupa-los debaixo da conta que os tiver
de representar.

A classificação dos elementos patrimoniais das aziendas
rurais no Inventario Analitico é a operação mais simples pos-
sivel. Basta tão sómente enumerar as cousas ou bens da

(1) Ver lição XVIII onde apresentamos os modelos de Inventarios

Analitico e Sintéico.

— 70 —

mesma natureza debaixo de um titulo que os represente, com
a especificação dos seus caracteristicos e fins. Assim, debai-
xo da conta de “Máquinas Ágrarias” incluiremos todas as
que forem usadas na empreza rural, tais como arados, char-
ruas, etc. Sob o titulo de Imoveis incluiremos os diversos
bens dessa natureza, tais como terrenos de culturas, terrenos
em matas, construções, pastos, etc.
No Inventario Sintético, porém, não ha necessidade de
minucia na classificação dos bens. Sendo esta especie de In-
ventario um resumo do Analitico, este servirá de documenta-
ção tornando-se, pois, desnecessaria a minudencia. Basta tão
sómente um ligeiro historico designando, por conjunto, a na-
tureza dos bens que a conta inventariada representa.
Após a classificação dos elementos patrimoniais segue-
se a fase terminal do Inventario que é a Avaliação, após pas-
sar pela fase de terminação, que é a Descrição.

DOS CAPITAIS AGRARIOS

Capital, num sentido, amplo, são todas as cousas que nos
proporcionam serviços ou servem á nossa manutenção. São
as riquezas ecedentes, conservadas para aproveitamento em
ocasião oportuna. E’ o trabalho acumulado, convertido em
bens ou cousas, e é geralmente uma resultante da economia
ou da superprodução.

Não cabe aqui exaltar a função e necessidade do Capi-
tal. Sem ele quasi não seria possivel a vida. E é ele um gran-
de fator da produção, comquanto não seja o principal nem o
mais importante, como pensam os economistas conservadores.
A utilidade dos Capitais se faz sentir grandemente na
Agricultura. Dependendo esta não só do fator humano mas
de condições outras, fatais e inevitaveis, tais como o prazo
para germinação das sementes, desenvolvimento das plantas,
maturação dos frutos, colheitas, criação e crescimento de ani-
mais, etc... a necessidade da riqueza acumulada torna-se pon-
to essencial. E é por isso que não se concebe azienda rural
sem fortes reservas de capitais.
Os Capitais agrarios tomam diversas fórmas, sob as
quais são convertidos tais como terras nuas e lavradas ou em

— 71 —

Pastos, recoltas a colher, animais, maquinarios, dinheiro,
construções, sementes, adubos, etc.

DA CLASSIFICAÇÃO DOS CAPITAIS AGRARIOS

Inumeras tem sido as classificações propostas dos capi-
tais rurais. Principalmente os tratadistas de Economia Ru-
ral não descuidam deste ponto. Assim é que, dentre outras
classificações, podemos citar as de E. Jouzier (1) Manvilli
(2) Nicoli (3).

Geralmente estas classificações são mais propostas de
acôordo com os principios de Economia Rural e não sob o
ponto de vista contabil.

Para nós os Capitais Agrarios pódem ser classificados
primordialmente em duas grandes classes:
a) Capitais Domesticos.
b) Capitais Industriais e Comerciais.
Capitais Domesticos de uma azienda agraria são os que
satisfazem ás necessidades particulares, pessoais, do dono
da Empreza Rural. Estes capitais se regulam e se subdivi-
dem de acôrdo com as normas da Contabilidade Domestica,
cabendo a esta a sua sub-divisão.
Capitais Industriais e Comerciais da azienda rural, são
todos aqueles que concorrem para a produção agraria e para
as operações comerciais efetuadas com os resultados daquela.
Estes capitais se referem ás funções técnicas (industriais) e
comerciais da azienda agraria, a que já nos referimos. E,
como todo Capital póde desaparecer ou não lógo após um
fato administrativo, dizemos que estes Capitais pódem ser
economicamente considerados.
a) Fixos.
b) Circulantes.
São fixos quando não desaparecem nem se transfor-
mam após uma operação realisada. Estes Capitais ainda pó-
dem ser, fisicamente considerados:

(1) E. Jouzier: “Economie Rurale”, Pariz, 1920, pag. 84.
(2) Venanzio Manvilli: “Valutazione Agrarie”, Livorno, 1922, pa-
gina 47, e “Contabilit á Agrarie”. Livorno, 1922, pag. 6.
(3) Vittori Niccoli: “Economia Rurale, Agrotimesia e Computiste-
ria Agraria”, Torino, 1927, pag. 16.

— 72 —

a) Moveis.
b) Imoveis.
São moveis quando constituidos por bens desta natureza.
Estes ainda pódem ser, segundo a sua natureza:
a) Animados ou Semoventes.
b) Inanimados.
conforme tenham ou não movimento independente do

esforço alheio.

Os Capitais fixos imoveis são os formados por bens
imoveis. Estes pódem ser:
a) Imoveis territoriais.
b) Imoveis de Exploração ou Cultura.
Aqueles são formados pelos terrenos desaproveitados.
Estes são constituidos por terras cultivadas, edificações, etc.
Os Capitais circulantes são sempre moveis. E pódem

ser:

a) Animais, se têm vida propria.
b) Inanimados, em caso contrario.
Ambos pódem ser utilizados na produção agraria ou nas
suas operações comerciais.

QUADRO SINÓTICO DOS CAPITAIS AGRARIOS

Apresentamos a seguir o quadro sinótico da nossa clas-
sificação dos Capitais Agrarios.

— 73 —

LIÇÃO XX

Da Avaliação dos Bens Rurais

Sumario — Conceito. Métodos. Agrotmésia. Metodos.

DA AVALIAÇÃO DOS BENS RURAIS

Para a apuração do estado economico das aziendas
agrarias, torna-se indispensavel a Avaliação, que é a função
conclusional de todo Inventario.
Avaliação é o calculo monetario efetuado sobre uma de-
terminada cousa. Todos os bens são sucetiveis de avalação.
Para tal, diversos são os processos usados. A Avaliação po-
rém, dos bens rurais não segue uma regra prefixada. O mé-
todo a aplicar varía com a natureza do elemento a inventa-
riar. Sendo que até a classificação dos imovéis rurais cons-
titue oje um capitulo especial de Economia e Contabilidade
Rurais que estudaremos adeante. E’ assunto de tal importan-
cia que os diversos métodos de aváliação das terras das em-
prezas rurais constituem hoje uma ordem de estudos definida,
denominada Agrotimesia.

DOS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DOS
BENS RURAIS

As cousas que formam o patrimonio das emprezas ru-
rais pódem ser avaliadas por diversos processos. Varios são
os métodos aplicados, tais como o do preço do custo, preço
corrente, curso, médio, etc. Estes métodos pódem ser aplica-
dos a quaisquer especie de bens moveis, com maior ou menor
vantagem, variando todos eles de caso a caso.
Pelo método do preço do custo damos a cada elemento
patrimonial um valor monetario baseado nas despezas por
que nos ficou a cousa, mais os juros compensadores do em-
prego do capital.

Pelo método do preço corrente damos ao bem inventaria-
do um valor monetario baseado no preço de cotação do
mercado

— 74 —

Pelo método do curso médio ou valor médio, encontra-
se o valor de um dado elemento fazendo-se a soma da cotação
atual da cousa (preço corrente), mais o preço de custo do
mesmo, dividido o total por dois. O resultado será o preço
médio.

Qualquer destes processos como outros mais que exis-
tem, póde ser adotado com maior ou menor vantagem. Tudo
depende do criterio do contador encarregado da avaliação.

DA AGROTIMESIA

Agrotimesia é a ciencia que tem por fim a avaliação mo-
netaria dos imoveis rurais. E’ uma das operações mais com-
plexas do Inventario dos bens rurais, pois que depende de um
criterio seguro a adotar. Exige tambem grande prática das
operações rurais e conhecimentos de principios indispensaveis
de ciencias correlatas, tais como a Economia Politica. Agro-
nomia, Economia, Legislação, Contabilidade Rural, Algebra,
etc. Além de tudo, a avaliação das propriedades rurais varía
de método só com o fim que se tem em vista com o Inventa-
rio: se para venda, se para aluguel, se para balanço.
Constitue esta dificil parte do Inventario Rural uma cien-
cia moderna, uma nova ordem de estudos, principalmente em
países como a Italia e Alemanha onde as obras de VENAN-
ZIO MANVILLI, SERPIEIRI, ERNESTO MARHEN-
GI e sobretudo a obra notavel de V. Nicoli assentaram as
bases definitivas da nova ordem de estudos.
Como sabemos, ha fatores externos que atuam sobre a
avaliação dos imoveis rurais fazendo com que aumente ou
diminua o seu valor, tal como a lei da oferta e da procura.
Além desses fatores externos ha tambem fatores internos
que agem para melhoria ou não do valor dos imoveis agra-
rios, tais como a fertilidade das terras, a especialidade de
cultura, adatavel, a facilidade de comunicação, a concurren-
cia, o clima, a situação do imovel, etc.
LOURENÇO GRANATO, a quem devemos na lingua
portugueza a prioridade de tratar do estudo a que nos refe-
rimos, escreveu:

— 75 —

“Para se avaliar um terreno cultivavel não devemos
considerar tão sómente a sua extensão; outros muitos ele-
mentos influem para lhe elevar ou depreciar o preço, que, á
primeira vista se lhe pode atribuir. O avaliador deve, pois,
levar muito em conta, além da extensão da área cultivavel, a
natureza mineralogica do sólo; a sua fertilidade, a natureza
da vegetação, as condições dos meios de comunicação, a dis-
tancia dos centros consumidores, a natureza do clima, as
aguas para a irrigação, as quédas d’aguas aproveitaveis como
força motriz, a sistematização do sólo, as servidões, a natu-
za das culturais, a topografia do sólo sob o ponto de vista
das lavras culturais, os melhoramentos introduzidos com a
drenagem e outros muitos elementos que eventualmente se
apresentam á sua observação. (1).

DOS MÉTODOS DE AGROTIMESIA

Os autores costumam enumerar tres métodos diferentes
para a avaliação dos terrenos agricolas (2):
a) Método da Avaliação Comparativa ou Indireta.
b) Método da Avaliação Empirica, ou Direta Síntetica.
c) Método dá Avaliação Racional, ou Direta Analitica.
O primeiro é denominado Método Indireto por se dar o
valor á propriedade rural tomando-se por base propriedades
semelhantes. Segundo este método devemos comparar a pro-
priedade a avaliar com outras que se encontrem nas mesmas
condições, e que bem conheçamos. Quando, porém, a empreza
rural fôr muito extensa, classifica-la-emos em zonas de acôr-
do com os tipos carateristicos, e daí faremos as diversas com-
parações. Procede por meio de confronto.

(1) “Noções Elementares de Contabilidade Agricola”, São Paulo,

1912.pag.85.

(2) Ha além desses três outros mais. Para melhor, estudo desta ma-
teria vêr as duas seguintes obras que se podem considerar classicas: Vitto-
rio Nicolli: “Economia Ruralle, Agrotimesia e Computisteria Agraria”, To-
rino 1927 e Venanzio Manvilli “Valutazioni Agrarie”, Livornio, 1922.

— 76 —

Segundo o método da Avaliação Empirica, Direta ou
Sintética o avaliador — baseado na sua prática — procurará
saber a historia das terras que tem que avaliar (preço por
que foram compradas, produção anual, produtos que dão.
etc.). Procede por síntese, pelo conhecimento da região.
Pelo método da Avaliação Racional ou Direta Analítica,
o avaliador calculará o preço sobre uma proporção baseada
na renda territorial da propriedade, e sobre essa renda fará
o calculo do capital que deva proporcionar tal renda. Este
método é o mais dificil de ser realisado pois depende do bom
conhecimento da propriedade, economica e técnicamente.
Chama-se Racional porque é o mais cientifico de todos, ou
antes, é o unico método cientifico de Agrotimesia. E’ tam-
bem o método preferido. “A renda territorial, é o titulo prin-
cipal sobre o qual se mede o valor de uma propriedade ru-
ral” (3) Baseia-se na utilidade material das terras.
Os dois primeiros métodos enumerados são esperimen-
tais. O ultimo é o cientifico. Aqueles se baseiam na expe-
riencia, na prática. O ultimo depende do estudo economico
da empreza a avaliar.

Em todos estes métodos, porém, devem-se ter em vista
as condições especiais de cada caso isolado: Condições extrin-
secas (população, mão de obra, regimen tributario, facilida-
de de crédito, etc.), e condições intrinsecas (estado agrono-
mico da propriedade e topografico e onus que pesam sobre o
imovel). (4).

(3) Manvilli: Liv. cit., pag. 94.
(4) Vér Niccoli, op. cit., pags. 323 e 324.

— 77 —

LIÇÃO XXI

Do Inventario

Sumario — Contas Ativas e Passivas. Inventario Geral e
Parcial. Modelo de Inventario Analitico. Modelo de Inventario

Sintético

DAS CONTAS ATIVAS E PASSIVAS

Terminada a avaliação esta dá fórma contábil ao In-

ventario.

Num Inventar ha ha sempre duas partes perfeitamente

distintas:

a) O Ativo, onde colocamos as contas que representam
os bens existentes (contas dos agentes consignatarios) e as
obrigações que temos a receber (contas dos correspondentes).
b) o Passivo, onde registramos as nossas obrigações a
resgatar (titulos ou credores em contas correntes).
Dai surgem duas especies de contas
a) Contas Ativas.
b) Contas Passivas
São ativas quando fazem parte do Ativo, tais como,
Imoveis, Caixa, Maquinas Agrarias, Construções, Planta-
ções, Animais, etc.

São contas passivas quando pertencem ao passivo. São
tais: Obrigações, a Pagar, Duplicatas a Pagar, etc.

DO INVENTARIO GERAL E PARCIAL

Quando o Inventario é efetuado sobre toda a empreza
rural, denomina-se Geral. Nele se incluem, pois, todas as
contas ,ativas e passivas.

Quando o Inventario é efetuado sobre parte ou partes
da azienda agraria, recebe a denominação de Parcial (1).

(1) Para melhor comprehensão deste assunto, vêr o nosso 1.º vo-
lume (Tratado de Contabilidade: Contabilidade Geral), pag 61, 2ª. Edição.

— 78 —

DO MODÊLO DO INVENTARIO ANALITICO

Inventario da Fazenda das “TRES BARRAS” efetua-
do em 30 de Junho de 1929.

UNIDADE TOTAL

IMMOVEIS:
50 alqueires de terra em capoeira...............
20 “ “ “ “ pastos................
10.000 cafeeiros de 10 annos ....................
1 casa moradia, feita de telhas, tijolos, for-
rada, assoalhada, com 100m2., em estylo
moderno em perfeito estado.......................
15 casas para colonas, de tijolos, cobertas
de telha, com 900m2 ................................
1 cocheira para os animaes de trabalho.....
1 curral de 6.500m2. para o gado..............
GADO:GROSSO:
5 touros caracús.........................................
90 vacas hollandezas.................................
50 “ communs ...................................
12 novilhos de 1 a 2 annos .......................
20 novilhas de 2 a 3 annos .......................
2 jumentos ..............................................
20 eguas para creação...............................
5 cachaços nacionaes................................
40 bacorinhos............................................
MACHINAS E UTENSILIOS
2 arados “Oliver’, de cisco.......................
1 “

de sub-solo................................
1 troly.......................................................
5 carroças.................................................
5 arreios para carroças.............................
5 montarias para passeio..........................
1 machina de escrever.............................
CAIXA:
Dinheiro no cofre.....................................
PAIOL:

35 carros de milho..........................
600 arrobas de café........................
20 saccos de feijão...............................
(Continua)

400$000
300$000
1$000

2:000$000

600$000
400$000
300$000
80$000
100$000
1:200$000
150$000
200$000
40$000

250$000

300$000
50$000
140$000

40$000
30$000
55$000

20:000$000
6:000$000
10:000$000

20:000$000

30:000$000
1:000$000
250$000

3:000$000
36:000$000
15:000$000
860$000
2:000$000
2:400$000
4:500$000
1:000$000
1:000$000

500$000
100$000
350$000
1:500$000
250$000
700$000
950$000
950$000
2:641$000

1:400$000
18:000$000
1:100$000

— 79 —

(Continuação)

CONTAS CORRENTES
Devedores

Marcel Amaral Lopes ................................
Yolanda Lacerda .......................................
Gilberto Soares Fontes..............................
Eurico Oliveira de Campos.......................

TITULOS

1 promissoria acceita por Hilda Pinho,
para 5/8/29.................................................
1 letra acceita por Helio Coutinho da
Costa, para 10/7/29....................................

VEHICULOS:

1caminhão “Chevrolet”...........................
1caminhão “Ford”......................................
1automovel “ Buick”..................................

CONTAS CORRENTES:

Credores:

Hugo Jordão..............................................
Celia Resende.............................................
Ruy

Barbosa

Pinto......................................

TITULOS:

Promissoria que acceitei a Armando Silva
para 8/7/29.................................................

SALARIOS:

Pelos deste mez a pagar, conforme livro
ponto...........................................................

HYPOTHECA

Pela que effectuamos com Epaminondas
Torres Filho................................................

560$000
980$000
3:500$000
770$000

4:000$000

3:200$000

7:800$000
5:500$000
12:000$000

1:400$000
820$000
21:000$000

5:810$000

7:700$000

25:300$000

23:226$000

12:500$000

11:000$000

10:000$000

— 80 —

Apresentámos a seguir um modêlo de inventario já Sob

a fórma sintética:

Inventario da Fazenda das “TRES BARRAS” efetua-
do em 30 de Junho de 1929.

ACTIVO:

Immoveis
Pelos inventariados.
B ovinos
Idem, idem
Equideos
Idem, idem
Suinos
Idem, idem
Machinas Agrarias
Idem, idem
Moveis e Utensílios
1 machina de escrever
Caixa
Dinheiro em cofre...
Produtos no Paiol
Pelos armasenados..
Vehiculos
Pelos arrolados
Arreios e Silhões
Pelos em uso
Titulos a Receber
Pelos em carteira..........
Contas Correntes
Devedores....................

Total do Activo...

87:750$000

56:900$000

6:900$000

2:600$000

600$000

950$000

2:843$000

20:500$000

27:150$000

950$000

7:700$000

5:810$000

220:713$000

PASSIVO:

Contas Correntes
Credores.........
Titulos a Pagar
Pelos de n/ acceite
Salarios
Pelos a pagar
H ypothecas
Pela que contrahimos

23:220$000

12:500$000

11:000$000

10:000$000

56:720$000

V CAPITULO

DAS CONTAS

LIÇÃO XXII

Das Contas

Sumario: Conceito. Modelos.

DAS CONTAS

Conta é um agrupamento de fatos da mesma natureza.
E na Contabilidade Sintética que melhor se evidencia o pa-
pel das contas, pois, registrando elas todas as mutações pa-
trimoniais são aptas para nos demonstrar a todo momento
a situação especifica de cada ordem de bens aziendais. Regis-
trando toda entrada e saída de valores, toda obrigação e di-
reito concernente a cada bem, ela é apta para nos mostrar
qual foi o movimento com os fatos administrativos de deter-
minada ordem, a situação destes num começo de exercicio e
no momento que se deseja, as modificações produzidas e os
resultados obtidos, evidenciando tudo com clareza e certeza.
A função das contas é a mesma, qualquer que seja a
especialisação da Contabilidade, qualquer que seja a empreza
em que é aplicada: demonstrar o estado especifico e economi-
co dos elementos patrimoniais.
As classificações sob o ponto de vista contábil, cientifi-
co, das contas, são aplicaveis a qualquer azienda administra-
da. Segundo a natureza de suas especialisações é que os pa-
trimonios nos fornecem conceitos diversos para a classifica-
ção técnico-contábil de suas contas.

DOS MODELOS DAS CONTAS AGRARIAS

Com referencia aos modelos das contas pódem e devem
ser adotados todos os que satisfaçam a natureza dos fatos ad-

— 84 —

ministrativos a registrar, ás operações a contabilisar. A’
Contabilidade Rural será permitido adotar os que se fize-
rem necessarios.

No geral todas as contas têm sempre duas partes

distintas:

a) a da esquerda (Deve, Débito ou Entrada), onde re-
gistramos os fatos positivos, que trazem aumento ou dimi-
nuição de direito á conta;
b) a da direita (Crédito, Haver ou Saída), onde regis-
tramos os fatos negativos, que diminuem o valor da conta.
Além destas ha contas que pela natureza das cousas que
representam necessitam de outras colunas que poderão ser
adotadas á vontade, como subsidios esclarecedores, tendo in-
tuitos mais estatisticos do que contaveis.
São de tres modos diversos os modelos usados em Conta-
bilidade na colocação das secções de Débito e Crédito do
Contas:

a) Secções Contiguas, quando o débito vem junto ao

crédito.

b) Secções Divididas ou Separadas, quando o débito
vem numa pagina e o crédito na outra.
c) Secções Superpostas, quando o débito vem por cima e

o crédito por baixo.

Apresentamos a seguir modelos da fórma grafica des-

tas diversas especies:

— 85 —

Modelo de secções contiguas:

DEBITO CREDITO

Modelo de secções divididas:

DEBITO CREDITO

— 86 —

Modelo de conta de secções superpostas:

DEBITO

CREDITO

— 87 —

LIÇÃO XXIII

DAS CONTAS

(Conclusão)

Sumario:— Classificação. Na Contabilidade Rural. Clas-

sificação. Exemplos.

DA CLASSIFICAÇÃO DAS CONTAS

Vamos apresentar agora algumas classificações de con-
tas que julgamos indispensaveis para o estudo de qualquer
Contabilidade aplicada.
As contas pódem se classificar:
1.° Quanto á sua personalidade:
a) Contas do Proprietario, que são todas as que de-
monstram lucro ou prejuizo, bem como a conta de Capital.
Ex.: Despezas, Salarios, etc.
b) Contas dos Agentes Consignatarios, que são todas
as que representam os bens materiais da administração.
Exemplo: Caixa, Bovinos, Sumos, Café, Maquinas Agra-
rias, etc.

2.° — Quanto á sua função as contas pódem ser:
a) Integrais, quando representam os objetos e pessoas
que tornam parte numa operação. São as contas dos Consi
gnatarios e Correspondentes.
b) Diferenciais, que são as que representam o resultado
das operações, os lucros ou prejuizos. São as contas do
Proprietario.

c) Contas dos Correspondentes que são as que repre-
sentam as pessoas com quem a empreza mantém relações
mercantis. Exemplo: Nair Succar, Edgard Marx, Banco
do Brasil, etc.

3.° Finalmente, quanto á sua função, ainda pódem ser:
a) Contas de Movimento, que são todas as que repre-
sentam os objetos das operações aziendais, taes como Imo-
veis, Construções, Produtos no Paiol, etc.
b) Contas de Resultado, que são as que demonstram
lucro ou prejuizo, tais como: Lucros e Perdas e suas sub-di-
visões, como Despezas, Juros e Descontos, Comissões, etc.

— 88 —

DAS CONTAS NA CONTABILIDADE RURAL

Todas as contas pódem ser sintéticas ou Analiticas,
conforme se destinam á escrituração sintética ou á analitica.
As contas sintéticas ou de razão, só demonstram as mu-
tações economicas; as contas analiticas, ou dos auxiliares,
demonstram não só estas como a sua origem, natureza e es-
clarecimentos necessarios.
Na Contabilidade Rural as contas auxiliares ou analiti-
cas são importantissimas e apresentam vantagens formida-
veis; são de grande necessidade e indispensaveis para demons-
trar o custo e a razão de ser das diversas produções agrarias.
Contra elas não permanecem de pé as alegações de MA-
RHENGI que tentou demonstrar a desvantagem da Conta-
bilidade Analitica na Contabilidade Rural, sem lograr exito
porém.

DA CLASSIFICAÇÃO DAS CONTAS RURAIS

São varios os criterios que pódem ser adotados para a
classificação das contas rurais. Dentre os principais cita-
remos o que as estuda sob um ponto de vista geral, isto é,
compreendendo as emprezas rurais mixtas e o da classifica-
ção das contas segundo a especialisação da empreza rural
(pastoril ou cultural).

Ocupar-nos-emos no momento da classificação das con-
tas das emprezas rurais mixtas.
Quando tratarmos de cada uma daquelas especialisa-
ções da Contabilidade Agraria, estudaremos-as classifica-
ções que se lhes refiram. (1)

EXEMPLOS DE CONTAS DA CONTA-
BILIDADE RURAL

Vamos enumerar perfuntoriamente algumas contas que
geralmente são usadas tanto na Contabilidade Pastoril quan-

(1) Liv. cit., pag. 54 e seguintes.

— 89 —

to na Cultural, reservando para quando destas tratarmos es-
pecialmente, fazer a enumeração das suas contas carateris-
ticas.

Dentre as principais contas que usualmente aparecem
na Contabilidade Rural, citaremos:
Capital. Conta fundamental. Representa os valores
com que uma pessôa constitue o seu patrimonio para inicio de
suas transações. E’creditada pelos valores que constituem o
capital e debitada pela diminuição ou desaparecimento deste.
Caixa. Representa o movimento monetario. Registra a
entrada e saida de dinheiro.
Imoveis. Representa os bens que não se deslocam De-
bita-se pelos existentes e adquiridos. Credita-se pelos alie-
nados.

Maquinismos ou Maquinarios. Representa as maquinas
em uso na empreza rural. E’ debitada pelas que são insta-
ladas e creditada pelas amortisações, depreciações e inutili-
sações.

Contas Correntes. Registra as transações com os Cor-
respondentes: no débito quando estes asumem uma obriga-
ção; no crédito, quando adquirem algum direito.
Moveis e utensilios: Representa os objetos de uso. E’
debitada pelos comprados e creditada pelas amortisações e
estragos.

Animais de Trabalho. Representa os que são utilisa-
dos nos serviços agrarios. Debita-se pelos existentes. Cre-
dita-se pelos que morrem ou são vendidos.
Animais de Trabalho. Representa os que são utilisados
nos serviços agrarios. Debita-se pelos existentes. Credita-se
pelos que morrem ou são vendidos.
Despezas Gerais. Registra por débito os gastos miudos
do estabelecimento rural. Não tem crédito. E’ conta de lu-
cros e perdas. Salda-se por balanço.
Salarios. Representa os pagamentos de serviços aos
trabalhadores, por débito. Não tem crédito: salda-se por
balanço. E’conta de resultado.
Colonos. Representa a conta das familias ou pessoas
que empregam a sua atividade na fazenda. Movimento iden-
tico ao de contas corrente.

— 90 —

Veículos. Registra as operações efetuadas com os bens
de transporte. Movimento egual á Moveis & Utensilios,
acrecido com as despezas por débito, com a sua manutenção
e funcionamento.

Arreios e Selins. Representa estes utensilios, bem como
correiames, barrigueiras, freios, etc. usados pelos animais
de trabalho. Movimento identico á conta de Moveis e Uten-
silios.

Titulos a Receber. Registra as obrigações aceitas a fa-
vor do fazendeiro. Debita-se pelas aceitas. Credita-sé pe-
las recebidas.

Titulos a Pagar. O inverso da precedente. Jogo escri-

tural inverso.

Juros & Descontos. Comissões. Representam por
débito os que abonamos aos nossos devedores, e por crédito
os que nos são abonados.
Lucros e Perdas. Registra por débito os prejuizos e
por crédito os lucros da empreza. Conta de resultado.
Fundo de Reserva. Representa uma parte dos lucros
retirada para garantia de prejuizos eventuais, pelo que é cre-
ditada. Debita-se pelos prejuizos.
Lucros Supensos. Idem, idem.

LIÇÃO XXIV

Das Contas

Sumario: — Classificação proposta no Primeiro Congresso
Brasileiro de Contabilidade. Classificação adotada Critica.

CLASSIFICAÇÃO DAS CONTAS RURAIS NO
PRIMEIRO CONGRESSO BRASILEIRO DE
CONTABILIDADE

Sob a epigrafe de “Uniformisação da Contabilidade
Agricola”, o “Primeiro Congresso Brasileiro de Contabili-
dade” estudou a questão da classificação das contas rurais,
sendo então propostas duas classificações (1)

(1) “Relatorio do Primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade”,
Rio de Janeiro, 1927, pag. 320.

— 91 —

Uma, pelo autor da tése numero 33, outra pelo relator desta,
sendo esta ultima adotada pela Commissão encarregada de
dár parecer, a qual foi posteriormente aceita pelo Congresso.
Vejamos estas classificações:
A tése num. 33 foi da autoria do Sr. PERCILIO DE
CARVALHO. A classificação proposta por este, comquan-
to encare a empreza rural sob varios aspétos, não nos apre-
senta uma classificação rigorosa sob o ponto de vista con-
tável, pois se extende assaz por sub-ordens. Preocupou-se
tambem ecessivamente o seu Autor com a especialisação da
empreza rural. Aliás neste ponto a tése é interessante.
Não se ateve, porém, a uma classificação do ponto de vista
geral. No entretanto a sua classificação das contas de
“Culturas” e “Criações” são muito bôas para compreensão
das emprezas culturais e pastorís. (2).
Nota-se na classificação do Sr. PERCILIO DE CAR-
VALHO o intuito de classificar as contas de acôrdo com a
especialisação do estabelecimento rural. Ocupando-se na sua
tése da classificação das contas das emprezas agrarias, num
sentido amplo, não deveria se ater com as especialisações da
produção dos estabelecimentos rurais.
Sob este ponto de vista, porém, a sua classificação das
contas é perfeitamente aceitavel, não obstante a sua proli-
xidade.

DA CLASSIFICAÇÃO ADOTADA NO “PRIMEIRO
CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE”

Por proposta da Commissão encarregada de relatar a
tése n. 33, no citado Congresso, da qual foi relator o prof.
ANTONIO MIGUEL PINTO (3), foi aprovada outra
classificação das contas da Contabilidade Rural. Na verdade
a classificação então aprovada satisfaz ás exigencias da

(2) Idem, idem, pag. 309.
(3) Idem, idem, pag. 318.

— 92 —

técnica contábil, pois, encara as diversas especies de fatos ad-
ministrativos de uma azienda agraria.
Classificando as contas em quatro grandes classes, o
Congresso citado houve por bem aprovar a seguinte classifi-
cação das contas na Contabilidade Rural: (4):

(4) Idem, idem, pag. 320.

— 93 —

CRITICA DA CLASSIFICÇÃO SUPRA

A classificação ácima não é prolixa. E é das melhores
que conhecemos. E a que adotamos, tendo em vista que as
contas na Contabilidade Rural ou representam os fundos com
que foi constituida a empreza agraria (Conta de Capital),
ou representam os fatos administrativos referentes ao exer-
cicio agricola (contas da gestão rural), ou ainda as opera-
ções comerciais das aziendas agrarias. E, finalmente, tendo-
se em vista que estas duas ordens de fatos administrativos
pódem apresentar um resultado positivo (lucro) ou um re-
sultado negativo (prejuizo), segue-se que devemos abrir
ainda uma quarta e ultima classe de contas: as de Lucros e
Perdas.Vê-se que é bem racional tal classificação.
Quando estudarmos as duas modalidades de emprezas
agrarias exclusivas (cultura e pastoril), teremos ocasião de
formular algumas idéas sobre a classificação das contas refe-
rentes a cada uma daquelas aziendas.
A classificação ácima se refere ás emprezas rurais de

caráter mixto.

VI CAPITULO

DOS METODOS DE ESCRITURAÇÃO

LIÇÃO XXV

Dos Métodos de Escrituração

Suimario: — Escrituração. Métodos. Partidas Simples e Mixtas.

Diario. Razão. Especies.

DA ESCRITURAÇÃO (1)

Escrituração, como já dissemos, é a arte de escrever nos
livros de Contabilidade, é o registro grafico de todas as ope-
rações que afetam o patrimonio. Das funções da Contabili-
dade esta é uma das mais importantes. Registra metodicamen-
te, segundo principios fixos e preestabelecidos todos os fatos
das aziendas administradas. E nos demonstra a todo e qual-
quer momento o resultado dessas operações.
A Escrituração póde ser efetuada por tres modos dife-

rentes:

a) Escrituração Cronologica, em que todos os lançamen-
tos obedecem á ordem de data (dia, mez e ano).
b) Escrituração sistematica ou sintética ou de Razão,
em que os lançamentos são registrados em fórma contábil,
por partidas, no Livro Razão.
c) Escrituração Analitica ou Auxiliar, em que os regis-
tros são efetuados em contas especiais para cada cousa, de-
monstrando ao contrario da antecedente todas as mutações
efetuadas com cada bem, como a sua razão de ser. E’ tam-
bem uma Escrituração Estatistica.

(1) — Ver o nosso 1° volume “Contabilidade Geral”, lição I

— 98 —

DOS MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO

São diversos os métodos de Escrituração dos livros de
Contabilidade (2). Servem eles para orientar o contador na
registração das operações efetuadas. Não se póde conce-
ber uma Escrituração sem um método prefixado. E’ este
que orienta no registro dos fatos administrativos, nas contas
e livros necessarios.

Dentre os principais métodos de Escrituração aplicaveis
á azienda rural, citam-se a Unigrafia ou Partidas Simples, as
Partidas Mixtas, a Digrafia ou Partidas Dobradas, os
Métodos do Diario-Razão, dentre os quais citaremos como
principais o de Degrange (Método Americano), o de GIU-
SEPPE CERBONI (Método Logismografico e o de EM-
MANUELLE PISANI (Método Estatmografico).
Vamos nesta e nas lições seguintes dar algumas noções
sobre estes diversos métodos. Extender-nos-emos tão só-
mente quando tratarmos da Digrafia, pois julgamos este o
mais cientifico e necessario dos métodos de Escrituração.

DAS PARTIDAS SIMPLES E MIXTAS

Entende-se por Unigrafia ou método das Partidas Sim-
ples o que nos ensina a registrar todas as operações no dé-
bito ou no crédito de determinada conta. O que caráterisa
este método, porém, é o fato de que só se preocupa com as
contas dos Correspondentes (pessôas que mantêm transa-
ções com a administração) e dos Consignatarios (bens cor-
poreos), sem se preocupar com as contas do Proprietario
(contas de resultado).

Como sabemos a Unigrafia passou por duas fases evo-

lutivas distintas

a) Primeiramente compreendia este método sómente o
registro das operações efetuadas com os Correspondentes
(freguezes) (2).

(2) Ver o nosso 1°. volume Contabilidade Geral, lição XVII e se-

guintes.

— 99 —

b) Posteriormente se passou a compreender por Uni-
grafia o método de registro das operações efetuadas com os
Correspondentes e Agentes Consignatarios (bens materiais).
O método das Partidas Mixtas se confunde com este
segundo conceito da Unigrafia.
Pelo exposto, porém, se vê a desvalía desses métodos que
no seu rudimentarismo são incapazes de orientar o melhor
administrador, aquele que necessita sempre estar ao corrente
do movimento economico e juridico da riqueza que admi-
nistra.

Nestes dois métodos apurava-se o reesultado de um exer-
cicio pela comparação do Inventario Inicial com o Inventaria
extraído no momento. São pois, métodos rudimentares, in-
uteis no estado atual da ciencia contábil.

DOS DIARIOS-RAZÕES

Denominamos Diarios-Razões aos métodos administra-
tivos num só livro destinado ao Diario e ao Razão. Este
métodos se baseiam nas Partidas Dobradas de que são aper-
feiçoamentos. Por isto mesmo já podemos induzir que são
métodos muito superiores aos antecedentes.
O intuito dos Diarios-Razões é tornar mais facil e ra-
pida a escrita dos estabelecimentos. Nem sempre conseguem
ambos os resultados ácima.
Baseiando-se na Digrafia os Diarios-Razões não dis-
pensam os livros auxiliares, que são sempre fundamentais

e

esclarecedores da escrituração.

DOS PRINCIPAIS METODOS DE
DIARIO-RAZÃO

Dentre os principais métodos de Diario-Razão usados e
aconselhaveis, mencionaremos:
a) Diario-Razão de EDMOND DEGRANGE PAE.
E tambem impropriamente conhecido por Método America-
no. Foi o primeiro Diario-Razão conhecido. Este méto-
do nos ensina a escriturar aquele livro dividindo-se as contas
em cinco ordens, as quais têm por fim representar todo o mo-

— 100 —

vimento das administrações: Mercadorias, Caixa, Obriga-
ções a Receber, Obrigações a Pagar, e Lucros e Perdas, re-
servando-se, porém, uma coluna para as novas contas que
surgirem e não possam ser enquadradas naquelas “cinco con-
tas gerais”.

b) O método Racionalista de MORAES JUNIOR. E’
um aperfeiçoamento do anterior. Pela teória de MORAES
JUNIOR além das cinco contas gerais enumeradas ácima
devemos abrir mais uma coluna para a conta de Capital e fa-
zer desaparecer a de “Diversas Contas” pois, conforme este
autor aquelas contas representam todas as ordens de opera-
ções de um patrimonio.

c) A Logismografia de GIUSEPPE CERBONI. Este
classificou as operações efetuadas em tres ordens de fatos
administrativos: permutativos, modificativos e mixtos. E
em tres as pessôas que tomam parte na administração de um
patrimonio: Proprietario; Consignatarios e Correspondentes
( Teória Personalista). Segundo CERBONI devemos abrir
no Diario Logismografico uma coluna para a primeira da-
quelas pessôas, uma para as segunda e terceira e outra final-
mente para as “permutações”, além de colunas auxiliares de
somenos importancia.

d) A Estatmografia de EMMANUELLE PISANI
DIPESCIA. E’ este um método de escrituração por meio de
balanços. O seu Diario-Razão é dividido nas seguintes co-
lunas:

A Para as operações referentes ao estado patrimonial;
B quando se refere ao movimento dos valores, C para se
apurar os “resultados economico-administrativos”,além de
outras colunas auxiliares.
Todos estes métodos têm o jogo escritural das suas con-
tas baseado por débito e crédito, principio fundamental das
Partidas Dobradas.

— 101 —

LIÇÃO XXVI

Da Digrafia

Sumario: — Conceito. Principio fundamental. Mecanismo.

DA DIGRAFIA

Digrafia ou método de Escrituração por Partidas Do-
bradas é aquele que nos ensina a escriturar os fatos adminis-
trativos sempre em duas contas diferentes: numa devedora
(que recebe ou asume uma obrigação) e numa credora (que
fornece ou adquire um direito). Tem este método, por fun-
damento, a contraposição de contas que representam valores,
direitos, obrigações ou resultados, as quais apresentam no
fim de um exercicio, por balanço, o patrimonio liquido e os
resultados parciais e totais de todas as operações.
E’ um processo cientifico por ecelencia, e, desde o seu
aparecimento, ha seculos, foi universalmente adotado.
Não se sabe ainda quem foi o credor das Partidas Do-
bradas, sendo que o primeiro livro sobre o assunto foi escri-
to em 1494, por FREI LUCCA PACCIOLO, em Veneza.
E’este o método por todos aconselhado na escrituração
dos livros de Contabilidade. E é tambem o que adotamos.

DO PRINCIPIO FUNDAMENTAL DA
DIGRAFIA

Baseia-se este método em que toda operação afeta sem-
pre duas ordens de contas, e que invariavelmente uma fica
sendo devedora da outra. Por isso é que se diz não haver
em lançamento algum devedor sem credor. Porque: devedor
é a pessôa que recebe alguma cousa, que se obriga; e credor
é a que fornece ou que adquire algum direito. Ora, não póde
haver recebimento sem ter havido fornecimento; não póde
haver aquisição de um direito (credor) sem que uma pessôa
assuma uma obrigação (devedor).
Este é o principio basico e eterno das Partidas Dobra-
das: Não ha devedor sem credor, nem credor sem devedor.

— 102 —

Como sabemos, ha sempre num patrimonio contas que
representam valores movimentados e resultados. Ora, lan-
çando-se sempre no débito e no crédito desta ultima, de acôr-
do com o fato administrativo que origina o lançamento, é
claro que no fim de um periodo (exercicio) essas contas de
resultado demonstrem um lucro (quando são credoras) ou
um prejuizo (quando são devedoras). Lógo a Digrafia é
apta para não só nos demonstrar as mutações operadas no pa-
trimonio, e suas respectivas contas, como o seu estado liquido
num periodo determinado, bem como o resultado perfeito que
as transações apresentaram.

DO MECANISMO DIGRAFICO

Nos livros auxiliares a aplicação da Digrafia torna-se
facil: basta debitar a conta que recebeu e creditar a que for-
neceu, na mesma importancia.
No Diario, porém, usa-se um mecanismo segundo o qual
os lançamentos são escriturados por meio de determinadas
fórmulas. Estas pódem ser:
a) Fórmula Simples, quando na operação aparece um só
devedor e um só credor. Esta é tambem denominada pri-
meira fórmula.

b) Fórmulas Complexas, quando na operação que
se registra surge uma conta devedora e diversas credoras, ou
diversas contas devedoras e uma só credora. No primeiro
caso se diz segunda fórmula; no segundo caso dizemos ter-
ceira fórmula.

c) Fórmulas Composta, quando ha diversos devedores
e diversos credores. E’ tambem denominada quarta fór-
mula, ou fórmula de Diversos a Diversos.
E’ de cada uma destas fórmulas que vamos tratar nas

lições seguintes.

— 103 —

LIÇÃO XXVII

Da Digrafia

(Continuação)

Sumario: — Fórmula Simples. Colocação das importancias

no Diario.

DA FÓRMULA SIMPLES

Fórmula Simples é aquela que demonstra um só deve-
dor e um só credor. Por isso é tambem chamada 1ª. Fórmu-
la. O devedor é o elemento que vem antes; o credor, o que
vem depois. Esta simples colocação basta para suprimir as
palavras débito e crédito. A Digrafia estabeleceu que a con-
ta que vem antes, deve á que vem depois. Assim, em vez de
no Diario lançarmos:
Caixa deve
a Mercadorias

Féria de hoje $

lançamos assim:
Caixa
a Mercadorias

Féria de hoje $
Pelo laconismo e clareza deste lançamento ficamos sa-
bendo que Caixa é devedora de Mercadorias, e esta por sua
vez é credora de caixa.

Esta Fórmula Simples é tambem denominada primeira

fórmula.

DA COLOCAÇÃO DAS QUANTIAS DA FÓRMULA
SIMPLES, NO DIARIO.

Não ha regras estabelecidas pela Contabilidade para a
colocação das importancias das partidas nas colimas do Diario.

— 104 —

E’ a prática que nos aconselha a vantagem das posições das
colunas. Vamos mostrar agóra como costumamos a colocar
as quantias nas colunas do Diario, de tres colunas quando
usamos a Fórmula Simples.
Podemos supôr dois casos diversos:
a) — Quando na fórmula simples uma conta deve a

outra sómente uma vez.

b) — Quando ha uma conta devendo a outra mais de

uma vez.

Vejamos como se deve fazer para a colocação das im-
portancias nas colunas do Diario:
1.° Caso: A quantia vai dirétamente para a terceira (ul-

tima) coluna.

2.° Caso: As quantias irão todas para a primeira coluna,
sendo no final somadas para a terceira coluna (última).
Ver na lição seguinte o primeiro e segundo lançamentos.

LIÇÃO XXVIII

Da Digrafia

(Continuação)

Sumario: — Fórmulas Complexas. Colocação das quantias
no Diario. Modelo de Diario Moderno.

DAS FÓRMULAS COMPLEXAS

As Fórmulas Complexas compreendem a segunda e a
terceira fórmulas, enumeradas ácima.
A Fórmula Complexa é aquela que demonstra um só
devedor e varios credores, ou um só credor e varios deve-
dores.

— 105 —

Exemplos:

2ª Fórmula

Contas Correntes a Diversos.
a Mercadorias

Agnello G.da Silva
Generos comprou 8$000

a Caixa

Agnello G.da Silva
Dinheiro que nos pediu 200$000 208$000

3ª Fórmula

Diversos a Caixa
Contas Correntes

José Getulio da Silva
Dinheiro que nos pediu 10$000

Mercadorias

Pelas compradas a dinheiro 150$000

Obrigações a Pagar
Pela de Armando Colapietro,
hoje resgatada 800$000 960$000

Ambos estes lançamentos são feitos por Partidas Do-
bradas e Fórmula Complexa.O primeiro (2ª fórmula),
contem um só credor e varios devedores.
Chamam-se estas fórmulas Complexas,porque elas são
complexas em cada um de seus termos.A segunda é comple-
xa quanto aos credores (varios). A terceira é complexa
quanto aos devedores (varios devedores).
Quer dizer o primeiro exemplo que o correntista Agnel-
lo Guedes da Silva deve a Mercadorias e deve a Caixa; e que
Mercadorias tem haver de Agnello Guedes da Silva, assim
como Caixa.

O segundo exemplo quer referir que Caixa tem haver de
José Getulio da Silva, de Mercadorias e de Obrigações a
Pagar tambem.

— 106 —

DA COLOCAÇÃO DAS QUANTIAS DAS FÓRMU-
LAS COMPLEXAS, NO DIARIO

Para colocação das quantias das fórmulas complexas
no Diario devemos supôr tambem os dois casos da lição
anterior.

a) — Quando uma conta deve a outra so uma vez.
b) — Quando uma conta deve a outra mais de uma vez.
Quer para a segunda quanto para a terceira fórmulas, a
colocação das quantias no Diario de tres colunas é identica.
No primeiro caso ácima: Todas as quantias vão para a
segunda coluna e daí serão somadas para a terceira.
No segundo caso ácima: Quando uma conta fór devedo-
ra de outra mais de uma vez, colocam-se estas quantias na
primeira coluna e somam-se para a segunda; e, dai, soma-se
as quantias todas para a terceira coluna.
Ver as duas ultimas partidas no Diario adiante.

Do Modelo do diario Moderno

Denomina-se Diario Moderno ao escriturado pela fór-
mulas simples e complexas, sómente.
Apresentamos um modelo de escrituração do

DIARIO MODERNO

Rio de Janeiro,1 de julho de 1929

Bo
a

vinos
Caixa
Pg. por uma vac

ca

“Hollandeza”

600

000

C
a

aixa
Colonos
a José Schultr
Dro. que deu pa
a Carlos Amor
Idem, idem......

e
ra
im

2

guardar

40

30

000

000

70

000

Cu
a

a

ltura de Café a
Colonos
120 alqueires de c
na semana p.
Capina
Pelas despezas d
Serviço, conforme L

D

af
pa

e
ivro

iversos

é colhido
ssada

10 dias de
Pronto

240

50

000

000

290

000

Di
Co

D

versos a Caix
lonos
Pg. mezadas a:
Newton R. Moraes
Nestor Sobral
Calry Vasconcel
espezas Geraes
Pg. por livros de Co

a

los

nt

abilidade

80
90
110

000
000
000

280

15

000

000

295

000

LIÇÃO XXIX

Da Digrafia

(conclusão)

Sumario: — Fórmula Composta. Colocação das quantias

no Diario.

DA FÓRMULA COMPOSTA

Quando as fórmulas são complexas em ambos os seus
termos, elas se denominam Fórmulas Compostas. As Fór-
mulas compostas por diversos devedores e diversos credores.
Por (complexas) e mais de um credor (complexa). São
fórmulas compostas por diversos devedores e diversos cre-
dores. Por isto, esta fórmula é tambem chamada de Diver-
sos a Diversos.

Lança-se a Fórmula Composta da seguinte maneira:
Colocam-se as palavras Diversos a Diversos, que indi-
cam a existencia de varios devedores e varios credores. Ao
depois fazem-se os lançamentos como nas demais fórmulas.
As quantias da terceira coluna são somadas para baixo; dão-
se dois traços debaixo da soma e faz-se a contra-partida do
seguinte modo: vê-se a conta credora e coloca-se na linha
lógo abaixo — antecedida da preposição a; e debaixo dela
a indicação da conta de quem ela tem haver, antecedida

da

preposição de.

Em toda fórmula composta ha sempre duas partes dis-

tintas:

a) — A Partida
b) — A contra-partida.
Chama-se Partida a primeira parte do lançamento onde
fazemos os lançamentos de credito das contas.
Contra-Partida é a segunda parte da fórmula, em que
fazemos os lançamentos de crédito das contas.

DA COLOCAÇÃO DAS IMPORTANCIAS NAS
COLUNAS DO DIARIO DE DIVERSOS
A DIVERSOS

Denomina-se Diario de Diversos a Diversos aquele em
que é usada a quarta fórmula (composta). Este Diario é
tambem denominado Diario Antigo, pois que os guarda-
livros usam oje mais as tres primeiras fórmulas (Diario
Moderno). O Diario de Diversos e Diversos têm geralmente
quatro colunas. Para colocação das importancias nas colu-
nas deste Diario, vamos supôr tambem os seguintes casos:
a) — Se ha lançamentos em que uma conta deve a ou-

tra só uma vez.

b) — Se ha lançamentos em que alguma conta deve a

mais de uma conta.

c) — Se ha lançamentos em que alguma conta deve a

outra mais de uma vez.

d) — Se ha lançamentos em que alguma conta deve a
outra mais de uma vez e deve ainda a mais de uma conta.
No primeiro caso: As quantias irão todas para a ter-
ceira coluna, donde será tirada a contra-partida.
No segundo caso: As quantias irão para a segunda co-
luna, sendo ao depois somadas para a terceira, donde será fei-
ta a contra-partida.

No terceiro caso: As quantias irão para a primeira co-
luna sendo então somadas para a terceira coluna, e daí feita
a contra-partida.

No quarto caso: As quantias irão para a primeira co-
luna, sendo depois somadas para a segunda; daí somam-se os
totais para a terceira, onde será efetuada a contra-partida.

VII CAPITULO

DOS LIVROS NA CONTABILIDADE RURAL

LIÇÃO XXX

Dos Livros na Contabilidade Rural

Sumario: — Livros na Contabilidade Rural. Livros de Es

crituração Rural.

DOS LIVROS DE CONTABILIDADE

Livros de Contabilidade ou de Escrituração são os que
servem para o registro de todos os atos administrativos. E’
nesses livros que são registradas as contas, em que são lan-
çadas todas as operações da administração.
Os livros pódem ser de Escrituração Sintética, Analiti-
ca ou Cronologica, conforme a especie de registro que se
adote nos mesmos. Os livros de Escrituração cronologica
não têm as suas paginas divididas em contas, ao passo que os
de Escrituração Analitica e Sintética são divididos em
contas.

DOS LIVROS NA CONTABILIDADE RURAL

Todas as especies de livros ácima enumeradas são de
grande necessidade na Contabilidade Rural. Nas adminis-
trações agrarias não ha livros exigidos por lei. De modo que
a Contabilidade Rural está ainda em periodo muito rudimen-
tar ainda em nosso país, caraterisando-se por anotações fei-
tas a bel-prazer dos fazendeiros. Não obstante, nos Estados
mais adiantados do país, como Minas e S. Paulo já ha empre-
zas agrarias com sistemas de Contabilidade mais ou, menos
perfeitamente organizadas.

Não se póde conceber a inexistencia de Contabilidade
nas administrações rurais. Ela orienta e aconselha com a
expressão muda de suas estatisticas.
A’ falta de Contabilidade podemos atribuir o regimen de
quasi monocultura em que vivemos e que caráterisa certas
zonas do nosso vastissimo país. Pois, sem saber o custo de
cada cultura e as vantagens destas em vista do preço do mer-
cado e do de custo, o fazendeiro que se entrega a uma planta-
ção (café aqui, assucar alí, borracha acolá, algodão além,
etc) só dela passa a cuidar, julgando que o preço do produ to
que explora e o mais vantajoso, o que dá mais lucros —
pois o que mais cotação tem no mercado — sem se preocupar
em que ha produtos que menor preço têm no mercado mas
que rendem mais, pois o seu custo de produção é baratissimo
Isto só a Contabilidade nos demonstra.

DOS LIVROS DE ESCRITURAÇÃO RURAL

Como dissemos, a lei não estabelece a exigencia de uma
Contabilidade nas emprezas agrarias. Quer isto dizer que os
fazendeiros poderão adotar os livros que quizerem, e se
quizerem...

Já tivemos ocasião de fazer sentir o mal que nos causa
a desorganisação das empregas rurais, devido á não exigen-
cia de Contabilidade que as regulamente Esta é uma busso-
la indispensavel á qualquer administração, de qualquer natu-
reza que ela seja. Só ela nos proporciona os meios necessa-
rios para o licito empreendimento dos negocios, para evitar
os insucéssos, os prejuizos aos particulares e ao país inteiro,
pela quebra da economia nacional, pelo desequilibrio da pro-
dução.

Dentre os livros que pódem ser adotados na Contabili-
dade Rural, trataremos ádiante dos principais.
Nesta parte trataremos sómente dos livros que tanto
pódem ser adotados na Contabilidade Pastoril quanto na Cul-
tural, isto é livros indispensaveis á qualquer empreza agraria.

LIÇÃO XXXI

Do Borrador

Sumario: — Conceito, Escrituração, Modelos.

DO BORRADOR

O Borrador é o registro inicial das operações. E’ um
livro em que se rascunham ligeiramente todas as transações
efetuadas para ao depois serem transportadas em bôa or-
dem contável para os demais livros, nos seus desdobramen-
tos. E’ o registro cronologico de todos os fatos adminis-
trativos.

Tambem se conhece este livro pelas denominações de
Costaneira, Memorial, Borrão, etc.
E’ um livro que apresenta grandes vantagens. Nele
nós fixamos provisoriamente, em resumo, todas as transa-
ções e em qualquer tempo podemos transporta-las para os
demais livros. E’ ordinariamente escriturado em ordem
cronológica, por Partidas Simples, isto é, demonstrando
sempre um dos elementos das contas: o devedor ou o credor.
Nele repousa, pois, resumidamente, toda a Contabili-
dade da azienda. Ele supre ainda a falta de tempo. Com
uma, anotação ligeira e clara podemos deixar para lançar a
transação nos outros livros de desdobramentos, muito tem-
po depois.

DA ESCRITURAÇÃO DO BORRADOR

Este livro é escriturado cronologicamente e por Parti-
das Simples. De maneira que nele costuma-se mostrar só-
mente o devedor ou o credor. Dada a operação devemos
aí buscar a conta que recebeu (devedor) e a que forneceu
(credor) e fazer o lançamento demonstrando um daqueles
dois elementos, assim: Exemplo: José nos pede 500$000.
Lançaremos conforme se vê no primeiro lançamento

adiante.

Em seguida vendemos um boi à dinheiro, por 400$000.
Lançaremos conforme se vê no segundo exemplo

adiante.

Ao depois vendemos um saco de café a prazo, para Ma-

noel, por 40$000.

Lançaremos conforme se vê no terceiro exemplo

adiante.

Quando a conta que se tiver escrito houver recebido a
importancia vai para a primeira coluna do Borrador (Deve
ou Débito); quando houver fornecido vai para a segunda co-
luna (Crédito ou Haver).

No Borrador de minutas avulsas, em que cada folha,
na parte de cima demonstra o devedor e na de baixo o cre-
dor, basta lançar em cima quando a conta tiver recebido e
em baixo quando tiver fornecido.
No Borrador em livro, encarnado, os lançamentos são
separados uns de outros por um traço de separação assim:

No Borrador de folhas soltas não ha necessidade desse
traço, pois que cada lançamento é feito numa ficha.

DOS MODELOS DE BORRADOR

O Borrador póde ser feito por dois modelos diferentes:
a) Borrador de folhas soltas.
b) Borrador encadernado.
O Borrador de folhas soltas ou minutas avulsas é cons-
tituido por folhas apropriadas onde registramos as opera-
ções. Neste Borrador fazemos os lançamentos em cada
folha, para cada transação.
O Borrador encadernado ainda é o mais usado, não
obstante o anterior ser mais moderno, mais prático e já te-
nha conseguido muita aceitação, principalmente nos estabe-
lecimentos comerciais.

Ha varios modelos usados para este Borrador, varian-
do todos; porém, ligeiramente. Dentre os modelos mais usa-
dos apresentámos o seguinte:

— 117 —

RIO DE JANEIRO,10 DE JULHO DE 1929 DEBITO CREDITO

Jo

B

M

se

Dinheiro que pediu

ovinos

Recebido pela venda de
um boi

anoel

1 saco de café

500

40

000

000

400

000

— 118 —

LIÇÃO XXXII

Do Caixa

Sumario: — Conceito. Escrituração. Modelos. Balanço-

Conferencia. Erros.

DO CAIXA

O Caixa é o livro de registro das entradas e saídas de
dinheiro. Todos os lançamentos referentes a dinheiro têm
que ser lançados no Caixa: no débito, quando o dinheiro
entrar para a caixa, no haver, quando saír dinheiro de nos-
sa caixa.

Sendo o movimento de dinheiro um dos mais intensos
das administrações, a necessidade de um livro especial para
o registro particular das transações efetuadas com a moeda
se faz sentir grandemente.
O livro Caixa registrando todas as operações efetua-
das com dinheiro, a todo momento nos fornece os dados so-
bre a situação da caixa da administração, pela apresentação
do que entrou e do que saíu da mesma. Nisto está a grande
vantagem deste livro: serve para mostrar o dinheiro exis-
tente, a situação financeira da empreza.

DE COMO SE ESCRITURA O CAIXA

Como o Diario, o Caixa é escriturado pelo Borrador.
Nele debitamos todas as quantias que a caixa recebe e cre-
ditamos todas as que ela fornece (pagamento ou empres-
timo) .

O primeiro lançamento que em todo livro Caixa se faz,
é no débito. Compreende-se: a caixa precisa primeiro re-
ceber dinheiro, para depois pagar ou emprestar (fornecer);
e, sempre que ela receba deve ser debitada. O dinheiro com
que uma pessôa começa a fazer as suas transações mercan-
tis, é sempre lançado no débito do Caixa.
Para fazermos os lançamentos no Caixa (quer sejam
no Deve, quer no Haver), temos que escritura-lo da manei-
ra seguinte:

a) colocando na primeira coluna de cada seção o Ano,
debaixo deste o mês, e na coluna seguinte o dia.

— 119 —

b) Adiante deste a preposição “a” ou “de” que prece-
dem a conta credora ou devedora.
c) Em seguida o nome da conta devedora ou credora.
d) E a quantia, na primeira coluna no dia houver mais
de um lançamento naquela secção; na segunda se houver um
só lançamento. No primeiro caso, somam-se as importan-
cias para a segunda coluna no fim do dia.

DOS MODELOS DO CAIXA

O livro Caixa póde ser escriturado por qualquer mo-
delo, desde que satisfaça ao seu fim. Dentre os modelos mais
usados citaremos os de secções contiguas, divididas e super-
postas a que já nos referimos na lição XXII.

DO BALANÇO DO CAIXA

Usualmente balanceia-se o Caixa no fim de cada mez.
Mas ha costume tambem de se o balancear quinzenalmente,
semanalmente e até diariamente. Na Contabilidade Rural,
porém, basta o balanço mensal do livro Caixa.
Denomina-se balanço do Caixa o jogo por débito e cre-
dito das importancias lançadas neste livro, para apuração do
dinheiro existente na caixa.
Balanceia-se o caixa do seguinte modo:
a) Soma-se o débito, separadamente, não no livro.
b) Soma-se o crédito, idem, idem.
c) Subtrae-se o menor do maior: a diferença chama-se

saldo.

d) Coloca-se este no lado menor (crédito, porque não
póde saír mais dinheiro do que entra).
e) Soma-se novamente, agora já no livro: o débito dá

igual ao crédito.

f) Passam-se dois traços de separação, debaixo de cada
conta, os quais indicam o fechamento.
g) Em seguida reabre-se o livro Caixa com a nova data
(dia, mês e ano), colocando-se tambem no débito o saldo
apurado.

Apresentamos a seguir um modelo do Caixa escritura-

do e balanceado:

C A I X A

1928 DEBITO

1928 CREDITO

80

820

000

000

100

300

000

1

300

700

000

000

100

5

000

000

30

150

220

000

000

000

20

1

000

600

400

800

200

150

50

700

50

450

400

000

000

000

000

000

000

000

000

000

000

000

000

1

2

20

900

100

50

000

105

95

500

050

000

000

000

000

000

000

000

000

Capital
Dro. existente
Mercadorias
Feira
Paulo Magalhães
Dro. que deu
Paulo Costa Bastos
Idem, idem
Mecadorias
Feria
Nelson Azevedo
Dro. que deu
Mercadorias
Feria
Mercadorias
Feria
Mercadorias
Feria
José Carneiro Pereira
Dro. que deu
Helio Coutinho
Idem, idem
Francisco Coelho Neto
Dro. que deu
Emilio Maksoud
Reco. de Edgard Poteugy
Mercadorias
Feria
Mercadorias
Feria

24800 000

24800 000

Janeiro

Fevereiro

5

6

9

12

15

18

20

21

25

26

31

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

Saldo de Janeiro p. p.

20050 000

Janeiro 6

8

12

14

20

23

26

de

de

de

de

de

de

de

de

de

de

Despezas
Pg. pelo preparo de n/
contrato
Moveis & Utensilios
Pg. por 1 armação
Mercadorias
Pg. por 1 factura
Nelson Vidal
Dro. que pediu
Equideos
Pg. por 1 cavallo
Immoveis
Pg. por 1 casa
Marcello Almeida
Dro. que recebeu
Despezas
Lg. por sellos
Puiz Fonseca
Dro. que pediu
Carlos Amorim
Dro. que pediu

Saldo

— 121 —

DA CONFERENCIA DO CAIXA

Confere-se o livro Caixa verificando a passagem dos
lançamentos do Borrador para aquêle livro, um por um, e
comparando o saldo purado com o saldo do titulo Caixa do
Livro Razão.

DOS ERROS NO CAIXA

Se a conferencia supra não der positiva é que ha algum
erro. Encontrado este corrige-se da maneira que ensinamos
na lição XLIV.

LIÇÃO XXXIII

Do Contas Correntes

Sumario: — Conceito. Escrituração. Modelos. Indice. Ba-

lanço. Conferencias. Erros.

D OS CONTAS CORRENTES

O Contas Correntes é o livro em que são lançadas por
débito e crédito todas as transações com os Corresponden-
tes. E’ um livro auxiliar e, não obstante, se reveste de
grande importancia. E’ êle que demonstra a nossa
situação juridica para com as pessoas que transacio-
nam conosco. Escriturando a débito e crédito todas as ope-
rações êle a todo momento nos mostrará o estado economico
e juridico de qualquer conta das pessôas.
Na Contabilidade Rural, porém, o Contas Correntes
não apresenta grande importancia, como nas demais admi-
nistrações. Isto porque as emprezas agrarias em regra ge-
ral não entram em contato direto com os consumidores e as
suas compras e vendas são usualmente efetuadas a dinheiro.

DA ESCRITURAÇÃO DO CONTAS CORRENTES

No alto da pagina do livro, abre-se o titulo da conta, co-
locando-se ali o nome da pessôa com quem temos transação
(correspondente). Na linha seguinte a sua residencia. Quan-
do houver taxa de juros a pagar, a residencia do correntista

— 122 —

será colocada na linha mencionada, á ,esquerda, e a taxa do
lado direito. A primeira linha, serve ainda para o ano; a se-
gunda, para o mês e dia, e as demais para os diversos lan-
çamentos. A ultima linha deverá ser reservada para as so-
mas á transportar, escrevendo-se sempre nelas, — á pagina
(tal).

Quando se transportar uma conta, deve-se faze-lo para
primeira pagina em branco, escrevendo-se nela, na primeira
linha das operações as palavras: De pagina (tal). O histo-
rico é copiado tal e qual se acha no Borrador. Na coluna do
deve são colocadas as quantias devedoras; na do haver, as
credoras. (1).

Lógo que o lançamento fôr passado do Borrador para
o Contas Correntes, devemos colocar em frente ao nome do
correntista, no Borrador, o numero da pagina ocupada pela
sua conta no livro Contas Correntes. Isto tem a vantagem
de nos indicar os lançamentos já passados para o livro, assim
como auxilia a conferencia, pela indicação da pagina que
ocupa o correntista no seu livro.

DOS MODELOS DO CONTAS CORRENTES

Quanto aos modelos que possam ser adotados no livro
Contas Correntes, ver lição XXII.
Apresentamos a seguir o modelo de uma conta do Con-
tas Correntes, balanceada:

1929

NELSON SOARES AZEVEDO DEBITO

CREDITO

Julho

Agosto

Setembro

5
11
19
25
3
31

1

5 50 saccos de milho
Dinheiro que remetteu
10 saccos de feijão
1 cavalo que nos deu
5 saccos de arroz
Saldo para balanço

Saldo de balanço

300

350

200

850
450

000

000

000

000
000

100

300

450

850

000

000

000

000

(1) Alguns Contas Correntes tem tambem uma coluna para nella
serem anotados os saldos dos correntistas.

— 123 —

DO BALANÇO DO CONTAS CORRENTES

O processo para balanço das contas do livro Contas
Correntes é identico ao usado para o do Caixa. (2).
Balanceam-se, porém, as contas do Correntes sómente
por ocasião do Balanço Geral, não havendo necessidade de
se-lo antes.

DA CONFERENCIA DO CONTAS CORRENTES

Devemos conferir o Contas Correntes, mensalmente,
tirando-se todo fim de mês um Balancete (mensal) de veri-
ficação. (3).

A diferença entre as somas brutas do Balancete men-
sal do Contas Correntes e a dos saldos deste, deve tambem
ser egual á do titulo Contas Correntes do Razão. Se não
derem eguais, este ou aquêle deverá estar errado.

DO INDICE

Lógo que se abra a conta do correntista, no Contas
Correntes, devemos escrever o nome do mesmo, no livro
Indice, livro que deve acompanhar o Contas Correntes, e que
tem em cada folha uma letra do alfabeto. Devemos escrever
a primeira letra do seu nome ou sobrenome, e, em seguida
a este, escrever o numero da pagina em que o seu titulo se
acha no livro Contas Correntes.
As Contas Correntes de folhas soltas não têm indices;
a abertura dos seus titulos obedece á ordem alfabetica.

DOS ERROS NO CONTAS CORRENTES

Quanto aos erros neste livro, ver as regras apresenta-
das na lição XLIV e a exemplificação do modo de cor-
reção dos erros do Contas Correntes.

(2) Ver lição XXXIII.
(3) Ver lição XLII.

— 124 —

LIÇÃO XXXIV

Do Diario

Sumario: — Conceito. Escrituração. Modelos. Conferencia.

Erros. Partidas e Mensais.

DO DIARIO

O Diario é o livro em que se lançam cronologicamente,
segundo as normas da Contabilidade, os registros de todas
as operações efetuadas numa entidade administrada.
O Diario é uma especie de Borrador. E’, porém, um
Borrador melhorado, esclarecido. Alguns o chamam de
Borrador a Limpo.

O Diario só póde ser feito por quem conhece a Conta-
bilidade e principalmente a escrituração. Deve seguir sem-
pre uma ordem uniforme: as partidas nêle lançadas devem
seguir uma ordem cronologica de dia, mês e ano.

DA ESCRITURAÇÃO DO DIARIO

A escrituração do livro Diario obedecendo á ordem cro-
nologica de dia, mês e ano deverá ser fêita de acôrdo com as
explicações explendidas na lição onde tratámos do mecanis-
mo das Partidas Dobradas aplicavel ao Diario. Póde este
ser escriturado por qualquer daquelas fórmulas.
Apresentamos o modelo do Diario de uma Contabilida-
de Rural, escriturado pelas fórmulas complexas e simples
(Diario Moderno):

— 125 —

Fazenda das Tres Barras, 20 de julho de 1929

C
o

a

D

C
o

D

D
C

L

C
a

ntas Corrente

Equideos
Marcel Lopes
1 cavallo

iversos a C

lonos

Armando A
Dro.que pedi
Quirino Jun
Idem, idem
espezas Ger

Pg. por sello

iveros a S
aixas

Reco.pelo vend

ucros e Perda
Um bacorinh

aixa
Contas Corre
a Francisco Co
Dro. que deu

s

a

ze
u
q
u

ae

s

2
1

u

a
s
o

nt
el

ixa

vedo

eira

s

inos

inos

de um cachaçe

que morreu

es
ho Netto

50

20

000

000

70

5

400

60

000

000

000

000

300

75

460

100

000

000

000

000

— 126 —

DOS MODELOS DO DIARIO

O modelo que apresentámos na pagina anterior não é o
unico usado, como se poderá supôr. Além deste ha outros
com maior ou menor numero de riscos, de acôrdo com a
vontade do encarregado da Contabilidade.
Além deste ha um modelo especial, de quatro colunas,
para os Diarios em que são escrituradas as quartas fórmu-
las de Partidas Dobradas (Diario Antigo).

DA CONFERENCIA DO DIARIO

Confere-se o lançamento verificando se as partidas que
foram passadas do Borrador para aquêle livro obedecem á
ordem de classificação das contas e se as quantias estão
transportadas de acôrdo.

DOS ERROS NO DIARIO

Quanto aos erros que se pódem dar no Diario devemos
corrigi-los pelos meios ensinados na lição XLIV.

DAS PARTIDAS DIARIAS E MENSAIS

O Diario póde ser escriturado por Partidas Diarias ou
por Partidas Mensais. No exemplo que demos ácima está
aquêle livro escriturado por Partidas Diarias: os lançamen-
tos são feitos dia a dia.

Pelas Partidas Mensais escrituramos todo o movimento
do mês no ultimo dia deste, especificando bem as datas. (1)

(1) Ver o nosso 1.° volume Contabilidade Geral, pags. 181 e 182.

— 127 —

LIÇÃO XXXV

Do Razão

Sumario: — Conceito. Escrituração. Modelos, Conferencia.

Erros. Balanço.

DO RAZÃO

O Razão é o livro que coordena sinteticamente to-
das as contas que foram lançadas no Diario. Este livro
dispõe as contas em ordem, classifica-as em grupos. Ele
,compreende todas as contas de uma Contabilidade, sejam
devedoras ou credoras. Por isso o Razão é escriturado
pelo Diario. Ele sintetisa todas as importancias de cada
conta, permitindo que a qualquer momento se saiba o valor
de cada uma delas e todo o movimento do ativo e passivo do
patrimonio administrado.
E’ o livro de escrituração sintetica, por ecelencia e é
êle que nos fornece os saldos das contas para levantamento
do Balanço.

DA ESCRITURAÇÃO DO RAZÃO

Escritura-se o Razão, assim:
No cabeçalho da conta deve ser colocado o titulo dela.
Chama-se a isto abrir um titulo. Na primeira coluna, á es-
querda da pessôa, por cima das linhas anteriores á pauta,
deve ser colocado o ano; logo abaixo deste o nome do mês.
Na pequena coluna adiante do mês, coloca-se o dia: adiante
deste a preposição “a” ou “de” (conforme seja o lança-
mento no débito ou no crédito (respetivamente); em segui-
da o nome da conta devedora ou credora. Antes das colunas
das quantias, existe uma pequena coluna ou quadro, onde
deverá ser colocado o numero da pagina do Diario em que
está o lançamento que se acaba de fazer. Em seguida colo-
ca-se a importancia: no débito, se devedora, no haver, se
credora.

O Razão é um livro sem historico. Na coluna para este
deve-se, mencionar sómente o nome da conta devedora ou
Credora.

— 128 —

Sempre que tivermos de debitar a uma conta uma im-
portancia, teremos que creditar á conta correspondente a
mesma importancia, e vice-versa. É o eterno principio das
Partidas Dobradas, segundo o qual não há devedor de uma
quantia sem credor da mesma, e vice-versa.
Como em todos os demais livros não se escreve na últi-
ma linha do Razão. Reserva-se esta para as somas e trans-
portes, assim com a primeira linha deve ser reservada para
receber o transporte das paginas anteriores. No mesmo dia
em que somarmos o débito deveremos somar o crédito, e vi-
ce-versa.

A primeira conta que em todo Razão se abre, é a de
Capital. A palavra Diversos que aparece no Diário, é a
única que não entra no Razão, por não representar conta
alguma. Diversos designa tão sòmente um conjunto de vá-
rios titulos.

Feito o lançamento no Razão, no livro Diário, na linha
em que está o titulo que se abriu naquele livro, coloca-se á
margem do nome da conta aberta o numero da pagina que
ela ocupa no Razão.

Assim como o Contas Correntes o Razão deve possuir

sempre um Indice.

DA CONFERENCIA DO RAZÃO

Confere-se o Razão tirando-se um balancete (1) A
soma total do débito deste deverá dar egual ao total da soma
do crédito, bem como a soma do Ativo egual á do Passivo.
Assim dando está certo o Razão, pois que os lançamentos
feitos do Diário se encontram sempre no débito de uma
conta e no crédito de outra ( digrafia ).

DOS ERROS NO RAZÃO

Quanto aos erros neste livro, o modo de sua correção
está explicado na lição XLIV.

_________
(1) – Ver lição XLVII.

— 129 —

DO BALANÇO DAS CONTAS DO RAZÃO

O balanço das contas do Razão é feito da mesma ma-
neira como o do Contas Correntes, Caixa, Livro de Culturas
Livro de Creações, etc.

______

LIÇAO XXXVI

Do Livro de Armazem

Sumario – Conceito, Escrituração. Conferencia. Erros.
Modelos.

DO LIVRO DE ARMAZEM

Livro de Armazem ou de Estóque é o em que nós regis-
tramos toda entrada e saída de produtos. Neste livro nós
abrimos uma pagina para cada espécie de mercadoria tal
como no Razão, com as diversas contas, e anotamos ai toda
entrada e saída que se efetuar.
Assim como o Caixa, o livro de armazem ou de Esto-
que é o registrador das operações efetuadas com a conta dos
agentes consignatarios mercadorias).
A importancia deste livro é assaz considerável. Per-
mite uma constante fiscalisação do stoque de produtos, pois
demonstra claramente toda saída e toda entrada de produ-
to, e especifíca quais foram os que entraram, quais os que
saíram.

Neste livro devem, porém ser registradas sómente as
mercadorias adquiridas pela empreza rural, para gasto, para
consumo. Nêle não devemos registrar os produtos das co-
lheitas, mas sómente as mercadorias adquiridas para gasto
da fazenda. É portanto um livro indispensável na azienda
agrária.

Os produtos da colheita já prontos para a venda devem
ser registrados no registro especial de “ Produtos no Paiol “.

DA ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DE ARMAZEM

Quando se recebem mercadorias, devemos imediata-
mente fazer um lançamento no dêbito ( mercadorias recebi-
das ou entradas ), especificando claramente da data, o nome

— 130 —

da pessoa a quem foi comprada, a quantidade, a unidade, o
preço da unidade e finalmente o preço da fatura. Quando
sái alguma mercadoria, na conta correspondente a esta, de-
vemos declarar a data, o nome da pessôa a quem foi vendida,
a quantidade, a unida, o preço desta e por fim o preço da
fatura, tudo isto no crédito ( registro da saída).

DA CONFERENCIA DO LIVRO DE ARMAZEM

Para se verificar a exatidão dos registros do Livro de
Armazem, temos dois modos de conferencia:
a) Vendo se o saldo das contas confere com as merca-

dorias em Estóque.

b) Examinando se o saldo deste livro concorda com o
titulo Mercadorias do Razão.
O saldo deste livro é a diferença entre a mercadoria que

entrou e a que saiu.

O saldo do livro de Armazem forçosamente tem de com-
ferir com as mercadorias existentes no armazem Este livro
é o registro de todas as mercadorias que entram e sáem:
forçosamente, não póde ter saído nem entrado nenhuma
mercadoria, sem que este fato fosse registrado no Livro de
Armazem .

A conta de Mercadorias do Razão é a em que nós ano-
tamos englobadamente todas as operações efetuadas com as
mercadorias. Lógo o saldo daquela deve conferir com o
saldo total do Livro de Armazem.
Consequentemente, por ocasião de Balanço, o lucro ve-
rificado na conta de Mercadorias do Razão, deverá ser
identico ao verificado no livro de Armazem.

DOS ERROS NO LIVRO DE ARMAZEM

Os erros deste livro corrigem-se pelos mesmos proces-
sos ensinados na lição XLIV.

DOS MODELOS DE LIVROS DE ARMAZEM

Os modelos deste livro como de todos os demais são
adotados de acordo com a necessidade contábil de cada um.
Apresentamos a seguir um modelo de uma pagina do

Livro de Armazem.

PREÇO

QUALI-
DADE

SAHIDA

DATA

PREÇO

QUALI-
DADE

ENTRADA

— 131 —

NOME DA CONTA

DATA

LIÇÃO XXXVII

Dos Registros de Titulos

Sumario: — Conceito. Registro de Titulos a receber. Re-
gistros de titulos a pagar. Conferencia destes livros. Modelos.

DOS REGISTROS DE TITULOS

Registros de titulos são os livros onde são anotados os
titulos de crédito, ativo e passivo.
Titulos de crédito são todos os documentos que garan-
tem uma divida, tais como letras de cambio, promissorias,
duplicatas, etc.

Os titulos de crédito pódem constituir duas classes di-

versas de obrigações:
a) Obrigações a Receber
b) Obrigações a Pagar
São Obrigações a Receber os titulos assinados a nosso

favor.

São Obrigações a Pagar os titulos assinados por nós a

favor de outrem.

Daí a divisão dos Registros de Titulos em duas clas-
ses: Registro de Titulos a Receber e Registro de Titulos a
Pagar.

Estes Registros não se revestem de grande importan-
cia na Contabilidade Rural. Servem eles para a anotação
minuciosa de todas as obrigações, para a bôa orientação
do administrador no pagamento e recebimento dos titulos.

DO REGISTRO DE TITULOS A RECEBER

Este livro se destina ás anotações de todas as dividas
que as pessôas contráem com o comerciante por meio de
letras.

Divide-se este livro em duas partes:
a) A Entrada, onde são anotadas as dividas dos cor-
respondentes para com o comerciante, isto é, as obrigações

—133 —

que este tem a receber de seus freguezes ( notas promisso-
rias, letras de cambio, etc.).
b) A saida, onde anotamos as indicações relativas á
extinção dos titulos, ou á sua cessão.
Tanto a entrada como a Saída devem ser escrituradas
com grande clareza e minucia. Cada uma destas partes con-
tém varias colunas onde devem ser particularisadas a entrada
e saida dos titulos.

O registro, ou melhor, a escrituração deste livro é bem
facil, bastando inscrever-se cuidadosamente as particulari-
dades exigidas pelos modelos usados que são muito claros.

DO REGISTRO DE TITULOS A PAGAR

Este livro é o registro das dividas do negociante. Nêle
são lançadas, detalhadamente, todas as obrigações ou divi-
das contraídas pelo comerciante para com outrem.
Divide-se tambem este registro em Entrada e Saida.
Lançam-se na Entrada as obrigacões contraidas; na Saida,
as obrigações ou titulos resgatados.
Neste, como no Registro das Obrigações a Receber só
não devem entrar os titulos de Contas Assinadas, pois estas de-
vem possuir um livro especial. Tambem póde ser subdividido
este registro em tomos para as diversas praças, conforme a
vontade do negociante e a clareza da escrituração.
Quanto a este livro transporte-se o leitor ao que disse-
mos ácima sobre o Registro das Obrigações a Receber, bas-
tando tão sómente aplicar as mudanças que a natureza dos
titulos exige.

DA CONFERENCIA DO REGISTRO DE TITULOS
A RECEBER

A conferencia ou verificação da exatidão dos lança-
mentos deste livro é facil e rapida. Há dois processos:
(a) Verificar se os titulos existentes em carteira, con-
cordam com os que tiveram entrada no registro, e não tive-
ram saída. Sendo este livro o registro dos titulos de crédito

— 134 —

dos estabelecimentos, os que ainda não foram pagos ou não
tiveram saida, deverão achar-se em carteira.
b)Verificar se a diferença entre a Entrada e a Saída,
confere com o saldo do titulo Obrigações a Receber do Ra-
zão. Desde que ambas as contas confirmam, o registro está
certo.

DA CONFERENCIA DO REGISTRO DE TITULOS
A PAGAR

A conferencia deste livro é mais facil do que a do Re-
gistro dos Titulos a Receber. Bastará verificar se o saldo
do titulo Obrigações ou Titulos a Pagar, do Razão, confere
com a diferança entre a Entrada e a Saída do Registro dos
Titulos a Pagar.

Conferido está certa a escrita deste registro.


1
3
5

OBSERVAÇÕES

SAHIDA

IMPORTADORAS

MOTIVO
DE SAHIDA

DATA

IMPORTADORAS

PRAÇA

Dos modelos dos Registros de Titulos

TITULOS A RECEBER

ENDOSSADOR

Coobrigador
Principal

Vencimento

Natureza
do titulo

DATA

Apresentamos um modelo de um Registro de Titulo a Receber, extrahido do livro de D”AURA: (1)

ENTRADA

_________

(1) Curso de Contabilidade, vol V. pág. 201

Modelo de um Registro de Titulos a Pagar, extra ido do livro citado de D’AURIA, pág, 208

TITULOS A PAGAR

ENTRADA

SAHIDA

Importancia

Data

Liquido DescontoTotal

Nome

Data

Natureza
do
titulo

Credor

Praça

Importancia

Vencimento

OBSERVAÇÕES


1
3
6

— 137 —

LIÇÃO XXXVIII

Do Livro Ponto

Sumario: - Conceito. Escrituração. Modelo.

DO LIVRO PONTO

Livro Ponto ou Registro do Trabalho ou Registro da
Mão de Obra é o que serve para a anotação diaria dos servi-
ços e faltas dos jornaleiros que trabalham na empreza agra-
ri. Este livro registra a presença e falta de cada empregado,
diariamente, por hora de serviço.
Desde que uma empreza tenha um numero crecido de
empregados é de toda necessidade que se adote este livro
para pagamento do pessoal. É por êle que se tira a “ Folha
de Pagamento “, que é uma lista dos pagamentos que se tem
a fazer aos diaristas ou jornaleiros.
Diaristas ou jornaleiros são os empregados que ganham
ordenados por dia ou por hora de serviços prestados. Não são
considerados como tais, numa empreza rural: os colonos,
empreiteiros, meieiros, empregados superiores, empregados
contratados por ordenados, etc.

DA ESCRITURAÇÃO DO LIVRO PONTO

É facilima. Numa pagina como se vê do modelo que
segue há uma coluna para o numero de ordem, o nome do
camarada, o serviço ou tarefa e uma vasta coluna para a
soma dos dias de serviço, salario a perceber por dia, total e
observações. Basta colocar na linha respectiva o nome do
empregado e ir escrevendo diariamente o tempo de servico
prestado ( dia, meio dia, um quarto de dia, etc. ), e fazer o
calculo no fim da semana para pagamento.

DO MODELO DO LIVRO PONTO

Apresentamos o modelo de uma pagina de um livro
Ponto, segundo o que explicamos:

MODELO DO LIVRO PONTO

D I A S

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31

Nº DE ORDEM

NOME

Tarefa


de
dias

alarios TOTAL Observações


1
3
8

— 139 —

LIÇÃO XXXIX

Do Registro de Imóveis

Sumario–Conceito.Escrituração. Modelo. Conferencia,

Erros.

DO REGISTRO DE IMOVEIS

Este livro serve para o registro em ordem sistemática
de toda a existência imobiliaria das aziendas rurais, abrindo - se
sub-titulos para cada especie de departamento imovel. È
um desenvolvimento da respectiva conta do Razão. Serve
para desmonstrar o valor dos diversos bens imoveis, as suas
condições, carateristicos, situação, etc.
São exemplos de sub-titulos do Registro de Imoveis, as
contas que representam as diversas dependencias imoveis do
estabelecimento rural, tais como Terras, Casa de Residen-
cia, Currais, Ranchos, Paióis, Estábulos, Cocheiras, Pastos,
Matas, Cercas, Casas de Colonos, etc.

DA ESCRITURAÇÃO DO REGISTRO
DE IMOVEIS

Abrem-se contas para os diversos departamentos imo-veis
( É pois um livro de Contabilidade Analitica). E as
contas abertas são debitadas pelo valor dos bens que elas re-
presentam, seus melhoramentos, bemfeitorias, etc. São cre-
ditadas pelo desaparecimento do imovel ( venda, destruição, etc.
) e pelas rendas que produzem.
É aconselhavel a opinião de D. SANTOS para a es-
crituração dessas contas. Ensina-nos este autor que, quando
se estiver construido algum imovel devem-se lançar as res-
pectivas despesas no titulo que representa o imovel, mas
num livro especial denominado Livro de Capitalisação, e
deste transferir para a conta correpondente no Registro de
Imoveis o total das despesas com a construção, desde que
terminada esteja esta.

—140 —

DO MODELO DO REGISTRO DE IMOVEIS

Os modelos deste registro variam de acordo com os pontos
essenciais que se queira esclarecer.
Apresentamos a seguir o modelo de uma pagina escri-

turada do

REGISTRO DE IMOVEIS

CASAS DE COLONOS

REGISTRO DE IMOVEIS

CASAS DE COLONOS

DATA

HISTORICO

DEBITO

CREDITO

1929
Junho

Agosto

21

17

Pelo grupo de 6 casas constituídas
na margem da Estrada de Thebas,
e transferido do «Serviços de Ca-
pitalização, pag.

1 casa construida pero da «Enge-
nhocá», conforme «Serviço de
Capitalização»

7

1

500

500

000

000

— 141 —

DA CONFERENCIA DO REGISTRO DE IMOVEIS

O modo para conferencia deste livro é o seguinte:
Tira-se mensalmente um Balancete de todo o movimen- to do
livro e, desde que o saldo das contas deste confiram com o
saldo do titulo de Imoveis no Razão, é que o livro es- tá
certo.

DOS ERROS NO REGISTRO DE IMOVEIS

Quanto á conferencia dos erros do Registro de Imo-
veis, ver nesta 1ª Parte, lição XLIV.

_______

LIÇÃO XL

Do Livro de Colonos

Sumario: - Conceito. Escrituração. Modelos. Conferencia. Erros.

DO LIVRO DE COLONOS

Este livro tem por fim registrar por débito e crédito as
operações com os colonos.
Denominam-se colonos todas as pessoas que prestam seus
serviços á empreza agraria, mediante contrato prévio, escrito ou não.
O livro de Colonos tem a mesma finalidade do Contas
Correntes (1), isto é, demonstra a situação economica dos colonos
para com a administração rural. Obedece êle ao mesmo processo de
escrituração do Contas Correntes, bem como se utilisa de identicos
modelos e é identico o modo de conferencia e correção dos erros
deste livro.

DA ESCRITURAÇÃO DO CONTAS DE COLONOS

Abre-se um titulo para cada familia de colonos e ai se se
escrituraram detalhadamente os serviços prestados pelos diversos
membros da familia colonica, bem como os forne-

_______

(1) Ver nesta Parte lição XXII.

—142 —

cimentos e adeantamentos feitos. Em seguida ao titulo da
conta coloca-se á margem a data em que começam as opera-ções,
seguida sempre das datas das demais operações, o his-torico da
transação e a quantia no débito, si a conta tiver re-cebido ou
assumido alguma obrigação, no crédito si houver fornecido ou
adquirido algum direito.

Demonstra assim o livro de Colonos a situação juridica de
cada pessôa para com a administração da empreza rural.

DOS MODELOS DO LIVRO DE COLONOS

Os modelos em que pódem ser usadas as contas de co-lonos
são diversas especies, podendo ser usado qualquer
um dos que enumerámos na lição XXII.
Apresentamos a seguir um modelo de conta aberta no Livro

de Colonos.

DATA

THEMISTICLES FRANÇA

DEBITO

CREDITO

1929
Julho

Agosto

7
19

5
18

S/ mesada .........................................
12 dias de serviço auxiliando cons-
trução do nvo paiol ..........................
S/ mesada .........................................
100 alq. de café que colheu ..............

80

70

000

000

00

100

000

000

— 143 —

DA CONFERENCIA DO LIVRO DE COLONOS

Para conferencia deste livro devem-se observar os
mesmos principios estabelecidos na lição XXXIII desta Parte
1ª, onde ensinámos a conferir o Contas Correntes, pois a
contabilidade dos dois é identica.

DOS MODOS DE CONFERENCIA DE ESCRITA

Os erros neste livro devem ser corrigidos pelos mes-
mos processos ensinados nesta 1ª Parte, lição XLIV, os
quais são aplicaveis aos erros de quaisquer livros de Conta-
bilidade.

_______

LIÇÃO XLI

Do Registro da Capitalisação

Sumario: — Conceito. Escrituração. Modelo. Conferencia.

Erros.

DO RESGISTRO DE CAPITALISAÇÃO

Capitalisação é o conjunto das operações economi-
cas que têm por fim aumentar o valor dos bens imoveis,
bem como das plantações.
O Registro da Capitalisação tem por fim registrar ana-
liticamente, minuciosamente estas operações. Corresponde
a identica conta do Razão. Quando estiver terminado o ser-
viço de capitalisação, o total das despezas deverá ser levado
á conta respectiva no Registro de Imoveis e encerrada a conta
no livro de que tratamos.
As contas do Registro de Imoveis correspondem quasi
todas ás encerradas no Registro de Capitalisação.

DAS ESCRITURAÇÃO DO REGISTRO
DE CAPITALISAÇÃO

Abrem-se tantas contas quantas forem as especies de
bens imoveis em construção. Aí debitam-se todas as despe-
sas com as obras de capitalisação , até final conclusão. Ter-
minado o serviço transfere-se o débito da respectiva conta

— 144 —

desse livro para o Registro de Imoveis, creditando naquele
livro a importancia do débito, por transferencia, e debitan-
do neste á mesma, em identica importancia.
São exemplos de sub-titulos desse livro, dentre

outros:
Formação de Cafezais, Casa de Residencia, Casa de Colo-
nos, Formação de Canaviais, Formação de Laranjais, de Se-
ringais, etc, Terreiros, Cercas, Canalisações, etc.

DO MODELO DO REGISTRO DE
CAPITALISAÇÃO

Apresentamos a seguir exemplo de duas contas
abertas neste livro, a primeira especial da Contabilidade
Cultural e a segunda propria da Contabilidade Pastoril:

1929

RANCHOS

DEBITO

CREDITO

30

45

50

310

000

000

000

000

435

000

Madeira para construção de dois
ranchos na “Grota” ..........................

Pg. 3 dias de serviços aos cama-
radas .................................................

500 telhas .........................................

Pg. aos camaradas.............................

Transferido para “Immoveis” ..........

435 000 435 000

Julho

Agosto

2

5

19

30

15

1929

FORMAÇÃO DE SERINGAES

DEBITO

CREDITO

5

2

Julho

Agosto

12

30

25

Pg. por 3.000 mudas de “herva”.

18 dias aoz trabalhadores para
plantio .............................................

Pg. ao encarregado da formação.

000

000

300

000

000

000

— 146 —

DA CONFERENCIA DO REGISTRO DE
CAPITALISAÇÃO

Confere-se este livro de modo identico ao anterior, isto
é extraindo-se um Balancete mensal e verificando se o sal-
do do débito e crédito deste ou do ativo e passivo conferem
com o saldo do indetico titulo de Razão.
Conferindo está certa a escrita da conta e do livro.

DOS ERROS NO REGISTRO DE CAPITALISAÇÃO

Conferem-se os erros deste livro pelos mesmos princi-
pios ensinados nesta 1ª. Parte, lição XLIV.

______

LIÇÃO XLII

Balancete do Razão

Sumario: - Co,nceito. Extração. Modelos.

DOS BALANCETES

Balancetes são os documentos extraídos dos livros de
escrituração sintética e analiica e que nos demosram o
resultado parcial e total dos movimentos das contas.
Extráem-se os Balancetes para conferencia da escrita.
É o Balancete um documento onde anotamos todas as com-
tas pelo seu valor de débito e crédito, extraindo-se-lhes tam-
bem os saldos.

Tira-se Balancetes do Contas Correntes, Razão. Regis-
tros de Culturas, Registros de Creações. Etc.

DA EXTRAÇÃO DE BALANCETES

É o seguinte o processo para extração de um balance-
te de qualquer que seja o livro:
Numa folha ou livro de quatro colunas, conforme o
modelo que se segue, coloca-se numa pequena coluna á es-
querda, o numero da pagina em que a conta está aberta no
livro, em seguida o nome da conta e a soma do débito da
conta na primeira coluna do Balancete ( coluna do Débito ),

— 147 —

e a soma do crédito da conta na segunda coluna ( coluna do
crédito ). E assim se faz com todas das contas. Em seguida
tiram-se-lhes os saldos. Para isso subtráe-se o débito do
crédito ou vice-versa e coloca-se a diferença no Ativo, se
o saldo for devedor (débito maior ), e no passivo se fôr credor
( crédito maior ). Ao depois soma-se o total das colunas do
débito, crédito, ativo e passivo.
Se o livro de que se tira o Balancete fôr auxiliar, a di-
ferença entre e débito e o crédito total ( que é tambem egual
á diferença do total do ativo e passivo ), deverá ser egual
ao saldo da respectiva conta do livro Razão. (1.)

DOS MODELOS DE BALANCETES

Apresentamos a seguir dois modelos de Balancetes:
um extraido do livro Razão e o outro extraido do livro Con-
tas Correntes.

Modelo de Balancete extraido do livro Razão

Balancete do Razão

Mez de Junho de 1929

Sommas brutas

Sommas Líquidas

fs.

Titulos

Breve

Haver

Activa

Passiva

15

04
120

13

6
16
49
22
51
6

5

000

132
000
320
183

230
015
368
142
129
352
932
000

000

000
000
000
000

000
000
000
000
000
000
000
000

100
10

9
10
4
33
45
8
45
4
3
25
10

000
000

110
350
000
125
890
217
695
765
139
512
000
000

000
000

000
000
000
000
000
000
000
000
000
000
000
000

05

04
120

3

2

4
13
5
2

000

132
000
210
833

105

151
447
364
213

000

000
000
000
000

000

000
000
000
000

100

10

17

2
20
10

000

000

875

580
000
000

000

000

000

000
000
000

309 803 000 309 803 000 160 455 000 160 455 000

1
4

5
6
8
11
12
13
14
17
18
19
20
21
22
23

Capital........................
Obrurigações a Rece-
ber ............................
Machinas Agrarias
Immoveis.................
Saccaria ...................
Celleiro ....................
Penhores Agricolas
Colonos ..................
Contas Correntes ....
Caixa ......................
Bovinos ..................
Cultura de Café ......
Culturas Diversas ...
Rendas diversas .....
Obrigações a l’agar .
Hypothecas .............

(1) Ver o saldo de títulos Contas Correntes no Balancete do Razão e a
difernça entre o debito e credito do Balancete de Contas Correntes.

— 148 —

Modelo de um balancete extraido do livro Contas Cor-

rentes:

Balancete de Conferencia de C/ Correntes

Mez de Julho de 1929

Sommas brutas

Sommas Líquidas

Folio

TITULOS

Breve

Haver

Activa

Passiva

8

5

1
1

37
200

284
94
199
200

600
000

400
000
000
000

7
9
10

6

885
663
200

142

000
000
000

000

5

1

284
94

200

000
000

000

7
1
10

4

848
463
200

943

000
000
000

000

16 015 000 33 890 000

6 578 400 24 454 000

1
2
3
4
5
6
7

Fernando Carvalho
Anto. Sabarense
A. Bruzzi & C.
Ismael Dilva
Franco Rangel
Cysalpino Ribeiro
B. Rodolpho Abreu

Resumo

Credores 24:454.000
Devedores 6:578.400

Saldo 17:875.600

igual ao saldo do Ti-
tulo C/C do Balan-
cete do Razão

— 149 —

LIÇÃO XLIII

Da Conferencia de Escrita

Sumario – Modos de Conferencia. Conferencia
docomentaria. Conferencia escrituracional. Conclusão.

DOS MODOS DE CONFERENCIA DE ESCRITA

Não há em contabilidade principios, estabeleci-
dos para conferencia da escrituração dos livros. Podemos,
porém formular algumas regras que devem ser observadas,
auferindo-se com elas os melhores resultados, conseguindo-se
á maior probabilidade possivel de certeza, da escrita efe-
tuada.

Denomina-se escrita de uma administração ao conjunto
de todas as anotações efetuadas na entidade administrada,
ao conjunto de todos os registros anotados nos livros de Es-
crituração.

A conferencia de escrita se efetua pelos proprios livros
de Escrituração e documentos, confrontando-se todos os
lançamentos. Daí dizermos que a conferencia de uma es-
crita apresenta dois aspétos:
a) um, documental
b) outro, escrituracional

DA CONFERENCIA DOCUMENTARIA

Sob o ponto de vista dovumental, procedemos á confe-
rencia da escrita, certificando-nos da veracidade dos docu-
mentos dos registros, da sua existencia e regulairdade dos
lançamentos. A conferencia documentaria tem por fim
verificar a existencia de titulos que comprovem os lançamen-
tos. É uma questão essencial em Contabilidade, porque é
pelos documentos que nós garantimos a veracidade e lisura
das anotações.

A conferencia documentaria da escrita, demonstra a
lealdade com que ela foi feita.
Verificada a escrita pelos seus documentos, ficamos
cientes da lealdade e probabilidade dos lançamentos escritu-

— 150 —

rados. Não temos, porém, ainda, a certeza de que os ditos
lançamentos estão certos. Esta certeza só a temos, com a
verificação escrituracional.

DA CONFERENCIA ESCRITURACIONAL

Esta se efetua nos livros e registros das transações ad-
ministrativas. É a verificação, o estudo dos lançamentos.
É a parte técnica, propriamente contábil de conferencia de
escrita.

A conferencia escrituracional dos livros de Contabili-
dade póde efetuar-se segundo os seguintes principios:
1 — No BORRADOR — confere-se esse livro pelos
documentos comprovantes dos lançamentos.
2 — DIARIO E RAZÃO. Esses dois livros são har-
monicos e dependentes um do outro. O Razão é uma parte
integrante, complementar do Diario. De maneira que te-
mos certeza de que esses livros estão certos tirando-se um
Balancete do livro Razão. O débito e o crédito desse Balan-
cete deverão ser do mesmo valor, bem como o seu Ativo e
Passivo. Desde que assim se encontre o Balancete do Ra-
zão, quer dizer que a escrituração desse livro está certa.
3 – LIVROS DE ESCRITURAÇÃO ANALITICA.
Estes são conferidos pela comparação dos seus respectivos
saldos com os das suas contas no livro Razão. Assim é que
confere-se o Caixa, Contas Corrente, Livro Celeiro, Regis-
tros de Obrigações a Receber e a Pagar, Registros das
Culturas, Registro de Capitalisação, de Imoveis, etc.
4 – Verificando-se finalmente se as contas ativas se en-
contram na coluna do Ativo do Balancete do Razão, e se no
Passivo se encontram as contas passivas.

CONCLUSÕES

Pelo que dito ficou a conferencia documentaria nos cer-
tifica da existencia dos documentos em que se fundam os
lançamentos, ao passo que a conferencia escrituracional nos
certifica da ordem e certeza dos lançamentos efetuados nos
livros e registros.

— 151 —

As duas modalidades expostas de conferencia são, pó-
rém independentes uma de outra. Póde a verificação docu-
mentaria estar certa e a escrita errada. Como póde tambem
a escrita estar certa e a conferencia dos lançamentos com os
documentos não concordar. Os documentos, os comprovan-
tes são a base dos lançamentos. Mas mesmo com os do-
cumentos certos a escrita póde ser feita errada por meio de
lançamento defeituoso ( conta errada, quantia diferente, etc).
Contrariamente: Mesmo que os documentos não sejam
perfeitamente comprovantes, esclarecedores, a escrita póde
se apresentar certa. Uma é prova pura e simples. A ou-
tra é questão cientifica da Contabilidade. É parte técnica.
Estando concordes a conferencia documentaria e a con-
ferencia escrituracional é porque a escrita está certa. No
caso contrario está errada a escrita. Deve-se, então, procu-
rar corrigir os seus erros.
Vejamos na lição seguinte como se corrigem os erros
nos livros de escrituração.

_____

LIÇÃO XLIV

Dos Erros e Correções nos Livros

Sumario – Erros mais frequentes. De algarismos.

De posição

DOS ERROS MAIS FREQUENTES

Quanto escrituramos os livros estamos sujeitos a erros
que se podem verificar das maneiras mais diversas. Estes
erros, porém, devem ser corrigidos pelas regras ensinadas
pela Contabilidade. Não devemos raspa-los, emenda-los,
nem risca-los. Principalmente os livros obrigatorios por lei
não o podem ser de maneira alguma.
Vamos adiante supôr alguns casos de erros que se po-
dem verificar nos livros de escrituração, ensinar como deve-
mos corrigi-los, exemplificando quanto possivel e necessário.

— 152 —

Os erros mais comuns que se podem dar nos livros de

escrituração, podem ser:

a) Erros de algarismos;
b) Erros de posição;
c) Erros de intitulação
d) Duplicatas;
e) Omissões.

Quaisquer destes erros podem ser corrigidos por dois
processos conforme o caso:

a) Por meio de estorno.
b) Por meio de lançamento suplementar.

O Estorno é um lançamento no qual nós invertemos o
lançamento errado, para a sua correção. Assim, para estor-
narmos um lançamento que se acha no débito, fazemo-lo no
crédito, e vice-versa.

O Lançamento Suplementar é um segundo lançamento
que vem completar o lançamento errado.
O Estorno póde ser total ou parcial. É total, quando
estornamos todo o lançamento errado. É parcial, quando
estornamos sómente uma parte errada do lançamento.
O lançamento suplementar é sempre parcial.
Vejamos os diversos casos de erros nos livros de

escritu-ração.

DOS ERROS DE ALGARISMOS

Quando fazemos a escrituração dos livros, acontece ás
vezes que lançamos uma quantia por outra, maior ou menor.
É a isto de denominamos Erro de Algarismos ou de

Quantia.

Estes erros podem ser corrigidos por meio de estorno
ou de lançamento suplementar.
Não nos devemos esquecer, entretanto, que toda vez
que tivermos de fazer um estorno ou um lançamento suple-
mentar, neles temos sempre que mencionar a data da ope-
ração que se acerta.

— 153 —

Exemplos de Erros de Algarismo:

No Diario:

1) Em vez de lançarmos
Despezas
a Caixa

Pago por selos................................. 25$000

lançamos 15$000. Para correção deste erro faremos um lan-
çamento suplementar assim:

Despesas
a Caixa

Quantia debitada a menos no lança-
mento supra, hoje ............ ...............10$000

2) Se, em vez de lançarmos no exemplo ácima 25$000,
tivessemos lançado 35$000, fariamos a correção deste erro
por meio do seguinte estorno:

Caixa
a despesas

Estorno da quantia lançada a mais

ácima

(

ou

no

dia

tal

)

....................................10$000

Nos livros auxiliares, de escrituração sintética e ana-

litica.

Se os erros ácima se derem nesses livros, serão corri-
gidos da mesma maneira, com a diferença única de que, si
tivermos lançado a mais no débito, lançaremos a diferença
no crédito, e vice-versa. Se lançarmos a menos, lançare-
mos a diferença na mesma coluna.

1) Tinhamos que lançar no débito do livro Caixa a
quantia de 100$000, mas sómente lançamos 10$000. Temos
que lançar no débito mesmo, a diferença que falta assim:

— 154 —

Caixa Deve Haver

a Mercadoria ................ 10$000
a Mercadorias
Debº a menos
No lançamento
Supra.............................. 90$000

2) Se tivessemos de lançar no Caixa 10$000 e
lançasse-mos 100$000, corrigiriamos lançando na coluna
oposta a di-ferença. Ex:

Caixa Deve Haver

a Mercadorias.............. 100$000
de Mercadorias
Estorno hoje ................... 90$000

DOS ERROS DE POSIÇÃO

Os erros de Posição se verificam quando lançamos no
débito uma quantia que era do crédito, ou ao contrario.
Estes erros são mais frequentes nos livros de escritura-
ção sintética e analitica corrigindo-se estes erros pelo pro-
cessos que vamos ensinar agora.

1) Na conta de Milho do Razão, tinhamos que lan-
çar no deve 500$000, e lançamos esta quantia no haver.
Corrige-se estornando o lançamento errado, e depois fa-
zendo um novo lançamento certo, assim:

Milho Deve Haver

de Contas Correntes........ 500$000
a Contas Correntes
Estorno hoje............... 500$000
a Contas Correntes.... 500$000

Se tivesse dado o contrario, fariamos o inverso do

exemplo:

2) Tinhamos que creditar na conta de Imoveis a
importancia de 50:000$000, e debitamos-lhe reis...........
5:000$000.

— 155 —

Corrigimos assim:

Imoveis Deve Haver

a Caixa ................ 5:000$000
de caixa
Estorno hoje .............. 5:000$000
de Caixa..................... 50:000$000

Estornámos a quantia errada e fizemos a certa.

______

LIÇÃO XLV

(Conclusão)

Dos Erros e Correções nos Livros

Sumario – Dos Erros de Intitulação. Da Duplicata de
Lançamento. Das Omissões
.

Verificam-se os erros de Intitulação, quando lançamos
numa conta uma importancia que era de outra, isto é, quan-
do fazemos um lançamento em conta errada.
Corrigem-se estes erros estornando o lançamento erra-

do, e fazendo o certo.

Exemplos: No Diario:

1) Tinhamos que lançar
Caixa
a Mercadorias

Feria............................................................

550$000

e lançamos:

Mercadorias
a Caixa

Feria............................................................. 550$000

— 156 —

Modo de corrigir: Primeiramente estornamos o lança-

mento errado:

Caixa
a Mercadorias
Estorno do lançamento supra, ( ou do
dia

tal

)..............................................................

550$000

Em seguida fazemos o lançamento certo:

Caixa
a Mercadorias

Feria de hoje ( ou dia tal)....................... 550$

000

2) ( Erro de intitulação com erro de algarismo ): Tinha-
mos que fazer no Diario o seguinte lançamento.

Contas correntes
a Equideos

Equipamentos Torres
1 cavalo que comprou ................................ 30$000

e o fizemos assim:

Contas Correntes
Sunios

Aloysio dos santos
1 cavalo que comprou .....................................

30$000

Corrigiremos esornando este lançamento:

Suinos
a Contas Correntes
a Aloysio dos Santos
Estorno hoje (ou no dia tal)...................

30$000

e fazendo o lançamento certo:

Contas Correntes
a Eqüideos

Equipamentos Torres
1 cavalo que comprou...................................

300$00

— 157 —

No livro dos colonos:

1) Tinhamos que debitar na conta de Arnaldo de Aze-
vedo 50$000; mais fizemos este débito na conta de Armando
Colapietro. Corrigiremos estornando este lançamento
assim:

Deve Haver

Armando Colapietro
1 par de sapatos ...................... 50$000
Estorno hoje .......................... 50$000

e fazendo o lançamento certo na conta de Armando de Aze-
vedo

Se este erro se tivesse dado no crédito, fariamos o in-

verso.

Nos demais livros de escrituração analitica e sintética
corrigem-se estes erros deste modo.

DA DUPLICATA DE LANÇAMENTO

Dá-se a Duplicata de Lançamentos quando fizermos um
mesmo lançamento duas vezes numa mesma conta.
Estes erros são faceis de correção, por meio de

estornos.

Exemplos: No Diario:

1) Fizemos duas vezes o seguinte lançamento
Moveis & Utensílios
a Caixa

Pg. por um armario ................................ 70$000

Estornaremos, então, um:

Caixa
a Moveis & Utensilios
Estorno hoje ( ou dia tal ), deste
lançamento em duplicata ....................................

70$000

— 158 —

Tambem nos demais livros, corrigimos estes erros por

meio de estorno.

Exemplos: Na caixa.

1) Lançamos no haver deste livro um mesmo lançamen-
to duas vezes. Temos que estorna-lo assim:

Deve Haver

Caixa

de Antonio Petrone .............. 15$000
de Antonio Petrone .............. 15$000
a Antonio Petrone ............... 15$000
Estorno

No Contas Correntes:

1) Fizemos no deve da conta de Antenor Fortes, um
lan-çamento duas vezes. Temos que estornar um.

Deve Haver

Antenor Fortes

Generos que comprou .......... 13$000
Generos que comprou .......... 13$000
Estorno do lançamento
ácima, feito em duplicata .................. 13$000

DA OMISSÃO DE LANÇAMENTO

Dá-se Omissão de Lançamento quando nos esquecemos
de fazer o registro de alguma transação.
Supre-se a Omissão fazendo o lançamento que faltava.
Este caso é muito simples. Dispensa exemplificação.

VIII CAPITULO

DOS BALANÇOS

LIÇÃO XLVI

Do Balanço

Sumario – Conceito. Necessidade. Especies. Exercicio ad-
ministrativo. Exercio agricola.

DO BALANÇO

Balanco é a apuração do estado patrimonial de uma
azienda, pelo levantamento do seu ativo e passivo. Efetua-se o
Balanço no fim de cada exercicio (1).
Fórmam o Ativo de um Balanço todas as contas dos
consignatarios que apresentam saldo devedor, isto é, que
apresentam bens existentes na azienda. Constituem o Passi-
vo todas as obrigações patrimoniais. As contas diferenciais
não fazem parte do Balanço. São contas de resultado
que servem sómente para demonstrar o lucro ou prejuizo apu-
redo.

O resultado líquido entre o Ativo e o Passivo do Inven-
tario constitue o lucro ( quando o primeiro é maior ) ou o pré-
juizo ( quando maior é o resultado ). Este resultado é de-
monstrado, pela conta de Lucros e Perdas.
O Balanço das aziendas agrarias é levantado do mesmo
modo que nos demais patrimonios. É necessario que o se-
ja em periodos determinados, que se denominam exercicios e
procedidos por um Inventario feito de acordo com o que ex-
puzemos na lição XIX

_________
(1) – Ver liçao seguinte

— 162 —

DA NECESSIDADE DO BALANÇO

É imprescindivel o levantamento do Balanço em todas
as aziendas. E a melhor prova disto é que a lei o exige dos
comerciantes. Não assim dos agricultores, é verdade. Para
que os administradores não possam ser iludidos nas suas
operações e nos resultados aparentes que muitas vezes certos
negocios demonstram, deve-se levantar de tempos a tempos
um Balanço para se poder conhecer o estado líquido do pa-
trimonio, a situação da azienda. Por este são como que
apuradas as contas de resultado e os lançamentos de oitiva e o
verdadeiro estado especifico do patrimonio se nos apresenta
na sua nudês incontrastavel: E o administrador verá então o
resultado dos seus esforços: se positivo, se negativo.

DAS ESPECIES DE BALANÇO

Os Balanços pódem tomar varias fórmas e carateristi-
cos, conforme a maneira de seu levantamento.
Quando o Balanço é realisado sobre todo o patrimonio,
denomina-se Geral. Quando efetuado sobre parte ou partes
da riqueza administrada, denomina-se Balanço Parcial. Esta,
aliás, é uma denominação impropria, pois Balanço é uma
apuração de todo o ativo e passivo.
Conforme a epóca em que é realisado póde ser:
a) Balanço de Abertura ou Inicial, quando feito para
inicio das transações administrativas.
b) Balanço Periodico quando realisado de tempos a
tem-pos. É tambem melhormente denominado Balanço de
Exer-cicio.

c) Balanço Final ou de Encerramento, quando tem por
fim apurar o Ativo e Passivo da azienda, para terminação
das operações.

O Balanço ainda póde ser:
a) financeiro
b) Economico
conforme seja efetuado sómente sobre o movimento de caixa
ou de todo o patrimonio.
Aquele é parcial. Este é Geral.

— 163 —

DO EXERCICIO ADMINISTRATIVO

Denomina-se exercicio administrativo ao periodo da
gestão patrimonial que vai de um Balanço a outro. Chame-se
tambem periodo de gestão.
A fixação do fim do exercicio é uma questão funda-
mental para poder demonstrar o resultado, positivo das ope-
rações administrativas. Deve o exercicio como um periodo
de gestão que é, procurar encerrar não só todas as operações
realisadas para a produção, como tambem deve compreender
estas operações.

Não é, porém, a fixação do exercicio administrativo
questão facil. Principalmente em se tratando de azienda
rural.

DO EXERCICIO RURAL

Antes de iniciada a Contabilidade deve-se préviamente
fixar a data do encerramento do exercicio agrario.
Na Contabilidade das empresas agrarias destinadas uni-
camente á criação de animais ( Contabilidade Pastoril ), a fi-
xação do exercicio torna-se facil. Póde ser estabelicido o
mesmo que das administrações, comerciais e industriais ( 30
de Junho ou 31 de Dezembro ), pois não há resultados ad-
ministrativos que ultrapassem periodos maiores, ou opera-
ções dependentes do fator tempo.
Torna-se dificil a fixação do exercicio quando se trata
de estabelecimentos destinados á cultura dos campos ( Conta-
bilidade Cultural ), porque há operações de produção que se
extendem além daqueles tempo.
Deve-se, pois tratar de fixar o exercicio agrario.
O grande professor italiano A. SERPIERI (1) nas
suas “ LEZIONI DI ECONOMIA RURALE ED ESTI-
MO “ nos ensina que o exercicio administrativo das emprezas
rurais deve coincidir com a duração do “ ciclo produtivo da

__________

(1) - Ver Venanzio Mantilli: “ Valutazioni Agrarie “, Livorno,

1922 paginas 52 a 53.

— 164 —

planta”. E que devemos encerra-lo quando terminar a evolu-
ção das culturas. Deste modo aquele autor classificou as
plantações em tres grupos, conforme a sua evolução:
a) Plantas anuais, que se desenvolvem e produzem em

um ano.

b) Plantas Plurianuais, que levam mais de um ano para
o seu desenvolvimento, e produção
c) Plantas Plurianuais de produção periodica, que são
as que levam tempo para o seu desenvolvimento, mas que pro-
duzem periodicamente.

De acôrdo com esta classificação póde-se facilmente
es-tabelecer o exercicio agrario, fixando-lhe uma data segundo
a época da colheita ou da vida, para fácil estabelecimento do
preço dos produtos para inventario. (2).

______

LIÇÃO XLVII

Do Balanço

(Conclusão)

Sumario: - Inventario. Levantamento do Balanço. De-
monstrações da Conta de Lucros e Perdas. Modelo de Balanço.

DO INVENTARIO

Chegando no termo fixado para terminação do
exercicio agrario, deve-se efetuar o Inventario, inicio de todo
Balanço.
É por aquela operação que começa esta, confórme tivemos
ocasião de referir na lição XVL.

DO LEVANTAMENTO DO BALANÇO

Levanta-se o Balanço patrimonial do seguinte modo:
a) Fazendo a apuração do Inventario Geral: contas,
pesar, medir e avaliar todos os bens.

__________

(2) Augusto Argenziano: “ Le Aziende Agricole a
Conduzione Diretta “, Torino, 1922 pag. 172, nos diz que na azienda
agricola não existe um só ciclo de cultura e sim tantos quantos são as
varias cultu-ras usadas e, pois, deve haver um exercicio para cada
cultura, ou es-colner-se um em que se encontrem suspnsos os
trabalnos de cultura e poucos sejam os frutos pendentes.

— 165 —

b) verificando se a escrita está certa, conforme a lição.

XLVIII

c) Saldando-se ao depois as contas que representam lu-
cros e perdas ( Contas de Resultado ).
d) Acertando-se as contas representativas de bens exis-
tentes, pelo Inventario, debitando-se-lhes ou creditando-se-
lhes pela diferença devedora ou credora e levando-se a mes-
ma importancia a crédito ou débito de Lucros e Perdas.
e) Colocando-se no Ativo todas as contas ativas, e no
Passivo todas as contas passivas. Nesse quadro a conta de
Lucros e Perdas (Resultado), apresentar-se-á no Ativo ou
Passivo. Se estiver no ativo o exercicio deu prejuizo. Se
estiver no Passivo houve lucro.

DA DEMONSTRAÇÃO DA CONTA DE LUCROS
E PERDAS

Levantado o Balanço deve-se tambem levantar a de-
monstração da conta de Lucros e Perdas para esclarecer a
procedencia dos lucros ou prejuizos.
Como toda conta a de Lucros e Perdas divide-se em
duas seções: débito e crédito. No débito lançamos
descriminada-mente o total de cada conta de resultado
devedora. No cré- dito descriminamos os saldos credores
das contas de resul- tado. (1).
Quando o crédito da conta de Lucros e Perdas é maior
do que o débito, houve Lucro; quando é o débito que é maior,
houve prejuizo.

Apresentamos o modelo do levantamento da conta de
Lucros e Perdas e o modelo de levantamento de um Balanço:
Demonstração da conta de Lucros e Perdas:

_______

1 – Em vez de débito e crédito alguns põem na demonstração de
conta de Lucros e Perdas, Ativo e passivo.

— 166—

DEBITO

CREDITO

3

9

120

210

95

385

000

000

000

000

5

4

2

600

700

510

000

000

090

12 810 000

12 810 000

Despezas Geraes
Saldo desta
conta....................

Saccaria
Pelos inutiliza-
dos ......................

Juros e Descontos
Saldo

desta
conta ....................

Saldo de balan-
ço ........................

Cultura de Café
Lucros nesta
conta ...................

Culturas diversas
Idem, idem ....

Creações
Idem, idem......

MODELO DE BALANÇO:

ACTIVO

PASSIVO

5

4

120

3

16

9

14

000

132

000

210

833

015

934

151

000

000

000

000

000

000

000

000

100

10

33

10

10

9

000

000

890

000

000

385

000

000

000

000

000

000

173 257 000

173 275

000

Obrigações a Receber
Pelas em carteira
Machinas Agrarias
Pelas inventaria-
das..............................
Immoveis

Pelos de n/ pro-
priedade .....................
Saccaria

Existencia .............

Celleiro

Productos no Paiol
C/ Correntes
Devedores existen-
tes .............................
Colonos

Pelo debito desta
conta ..........................
Caixa

Dro. em cofre ......

Capital

Pelo realisado.........
Penhores Agricolas
Pelo contrahido.......
C/Correntes
Credores existen-
tes .........................
Obrigações a Pagar
Pelas que acceitei
Hypothecas
Pela effectuada ...
Helena Guimarães, c|r
Lucros deste exer-
cicio .........................

PARTE SEGUNDA

DA CONTABILIDADE PASTORIL

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