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1.

0 - INTRODUÇÃO

1.0-
1.0- Formação e Ocupação:

• No estado de Mato Grosso, o processo de ocupação do território inicia-se efetivamente no século XVII, através das
incursões dos bandeirantes à região, em busca de ouro e na captura e aprisionamento de mão de obra indígena.
• Mesmo após a descoberta de ouro na região de Cuiabá e durante todo o século XVIII, o espaço Mato grossense
permaneceu “vazio” dado que as atividades econômicas implementadas na região, basicamente mineração do ouro e de
diamantes, fundavam-se num sistema comumente designado como o de pilhagem do período colonial e num povoamento
temporário e itinerante.
• Durante todo século XVIII, XIX e até meados do século XX, Governo Vargas, o espaço matogrossense vai permanecer
isolado, quando a partir daí, tem inicio as políticas de ocupação planejada da Amazônia e do Centro-Oeste, resultando na
diversificação das frágeis atividades econômicas e sua articulação comercial com centros produtores-consumidores
nacionais e internacionais; e o da criação das condições infra-estruturas como a abertura de rodovias e outras
condições(década de 1970) para a efetiva integração produtiva da região (década de 1980) ao movimento de
produção/reprodução do capital hegemônico nacional, inserido o Mato Grosso na economia capitalista mundial com
produtor de matérias-primas agrícolas.

1.1-
1.1- NO CAMINHO DO OURO, A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO (SÉCULOS XVII-
XVII-XVIII)

• As terras pantaneiras eram conhecidas dos espanhóis desde o século XVI e lhes pertenciam por força do Tratado de
Tordesilhas (1494), o qual demarcava e partilhava os domínios das terras descobertas, entre os reinos da Espanha
(hemisfério ocidental) e de Portugal (hemisfério oriental).
• Numa associação com capitais holandeses, surge então, na região nordeste do Brasil, a primeira empresa colonial agrícola
européia em terras americanas, altamente especializada na produção de açúcar. Os excelentes resultados financeiros
obtidos com a produção-comercialização do açúcar e o comércio de escravos, possibilitaram a Portugal financiar sua
política de ocupação do território onde, um dia, esperava-se também encontrar ouro em grande escala.
• No século XVII, o crescimento da economia açucareira e de suas necessidades de abastecimento induz a criação e/ou
desenvolvimento de regiões produtoras no país, tais como aquelas originadas pela expansão da economia criatória que,
por sua forma própria de reprodução, funcionou como fator de penetração e ocupação do interior brasileiro (cruzando o Rio
São Francisco, atingiu o Tocantins e, para o norte, o Maranhão).
• Também derivada do dinamismo da região açucareira, dá-se a efetiva consolidação da colônia de povoamento de São
Vicente, cujos colonos, desde o início, dedicaram-se à caça aos índios. Com base nesta atividade, voltaram-se para o
interior e transformaram-se em sertanistas profissionais, sendo responsáveis pela precoce ocupação de vastas áreas do
continente sul-americano, inclusive a bacia amazônica.
• Assim é que a penetração portuguesa em terras de Mato Grosso efetivou-se desde o século XVII, promovida pelas
incursões de bandeirantes paulistas, sendo a primeira delas, a bandeira de Raposo Tavares, em 1647 (Vila de São Paulo-
Corumbá-cachoeiras do rio Madeira). A partir de então, o avanço bandeirante em direção ao oeste intensificou-se cada vez
mais, na medida mesmo em que o aprisionamento de índios para o trabalho escravo na Província de São Paulo constituía-
se numa atividade bastante lucrativa, inclusive para a Coroa, “cabendo-lhe o quinto dos aprisionados (20%)”. (CORRÊA,
1996)
• Numa das bandeiras realizadas, finalmente, descobre-se ouro na região de Cuiabá. A fundação desta cidade pelo
bandeirante Moreira Cabral, em 08 de abril de 1719, origina a primeira povoação do atual estado de Mato Grosso e dá
início ao processo de ocupação de seu território, pelo colonizador europeu.
• O acesso à região, na época, era feito apenas por rotas fluviais. Com o desenvolvimento da exploração do ouro, foram
abertas rotas terrestres, que atingiam Cuiabá através de Goiás. Estas rotas, embora menos rápidas, eram mais seguras,
pois evitavam os ataques dos índios pantaneiros. Um considerável fluxo migratório acorreu em direção às minas

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cuiabanas, fazendo da cidade de Cuiabá uma das mais populosas do Brasil, no período 1722/26. Expandia-se a atividade
mineradora e o povoamento das áreas circundantes, gerando-se também a necessidade de abastecimento desses núcleos
coloniais e da força de trabalho empregada na mineração.
• O comércio e o abastecimento (alimentos e escravos) das zonas de mineração eram então realizados através das
monções. Progressivamente, núcleos populacionais iam surgindo no entorno das rotas terrestres, destinados ao apoio das
tropas monçoeiras.
• A atividade mineradora, cuja forma de expansão baseava-se na incorporação de novas áreas, acabava por gerar sempre
novos núcleos populacionais. Isto porque o sistema de exploração utilizado - coleta do metal de aluvião depositado no
fundo dos rios - resultava num esgotamento rápido do estoque disponível. No processo contínuo d
de
e exaustão de uma área
e de busca e exploração de outra, ocorriam novos deslocamentos da população. Esta, enquanto avançava, submetia ou
exterminava nações indígenas e assim conquistava espaços para novos núcleos populacionais.
As inúmeras sociedades indígenas
indígenas que habitavam essas terras, há pelo menos 11 mil anos, passaram a ser dizimadas

nestes confrontos com o homem branco: nas guerras, pelas doenças por ele trazidas, ou ainda, em conseqüência da escravidão. O

processo de extermínio dessas sociedades contou,


contou, assim, com o apoio e o incentivo do próprio Estado colonial português que,

visando acima de tudo garantir o abastecimento das rendosas minas, autorizou a “guerra justa” contra as populações indígenas,

tornando-
tornando-se responsável pelo massacre de muitas nações,
nações, como a dos Paiaguás e dos Borôro.

A penetração em busca de novas lavras auríferas deslocou o eixo de povoamento para o oeste. Com a descoberta dos ricos
veios no Vale do Guaporé ampliou-se ainda mais a conquista portuguesa para além dos limites de Tordesilhas.
• Em 1752 era fundada a Vila Bela da Santíssima Trindade, capital da recém criada (1748) Capitania de Mato Grosso, a qual
permaneceu, entre os anos de 1752 e 1835, abastecida por uma nova rota de penetração, conhecida por monções do
norte, via Companhia
Companhia de Comércio do Grão-
Grão-Pará e Maranhão, monopólio da Coroa Portuguesa

A política expansionista da Coroa de Portugal não era de todo inconveniente aos espanhóis, pois as terras por eles não
ocupadas acabavam por ficar em mãos dos franceses e ingleses. Entretanto, o contínuo avanço português sobre as terras
espanholas acabava por exigir, por parte dos dois reinos, que novos acordos fossem firmados, no sentido de redefinir as fronteiras
dos seus domínios. No decorrer da segunda metade do século, foram assinados e anulados diversos tratados, como:
• O Tratado de Madri (1750) e o Tratado de Santo Ildefonso (1777).

Logo após ter firmado o tratado de Madri, a Coroa Portuguesa liberou a exploração do diamante, até então proibida para
evitar despertar o interesse da Espanha sobre as terras invadidas. No entanto, antes mesmo desta liberação oficial, a atividade já
era explorada abundantemente na região, dando origem:
• em 1728, à cidade de Diamantino. Tal era a importância da atividade mineradora do diamante que, derivada desta,
formara-se na região um mercado atrativo ao abastecimento realizado pelas monções provenientes de Belém, através do
rios Tapajós e Arinos.
• Rosário Oeste, como ponto de apoio aos viajantes, situado no caminho entre Cuiabá e as minas de Diamantino, às
margens do rio Cuiabá. Secundariamente, as áreas de Alto Paraguai,
• Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio do Leverger e Barão de Melgaço, constituíram-se em novos núcleos
concentradores de população, sendo os dois últimos dedicados à agricultura.
agricultura. (Santo Antônio do Leverger e Barão de

Melgaço)

Ao final do século XVIII, os veios auríferos de Mato Grosso, que haviam proporcionado grande riqueza à Coroa Portuguesa,
começam a dar sinais de esgotamento, disso resultando o esvaziamento dos principais
principais núcleos populacionais ligados à mineração.

É quando se iniciam as instalações dos primeiros sítios e fazendas no território, como núcleos de povoamento fixo e dedicados às
atividades de criação ou agricultura.

• Na região fértil do vale do Rio Cuiabá expandiu-


expandiu-se a agricultura pois, paralelamente à exploração mineral, disseminaram-
disseminaram-se

as plantações de cana-
cana-de-
de-açúcar (produção de açúcar e aguardente), que deram suporte econômico também aos

povoados de Santo Antônio do Leverger e Barão do Melgaço.

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• A exploração nativa da poaia ou Ipecacuanha (planta medicinal destinada à fabricação de remédios), numa vasta região
entre os vales dos rios Paraguai e Guaporé, resultou em um significativo desenvolvimento para a cidade de Cáceres, que
comercialização e exportação (mercado internacional) do produto. A exploração econômica da
se tornou um centro de comercialização

poaia também deu suporte à criação do povoado de Barra do Bugres, situado às margens do Rio Paraguai.

Ao iniciar-se o século XIX, embora ainda predominantemente marcado pela exploração de ouro e diamantes, tem-se, na
região, basicamente dois tipos de estabelecimentos agropecuários: os de maior porte, típicos da região pantaneira e caracterizados
pela complementação de atividades (criação, agricultura, engenho, comércio); e os de pequeno porte, especializados na produção
mercantil de abastecimento urbano, típicos da Vila dos Guimarães (Chapada dos Guimarães). Em ambos, a mão- mão-de-
de-obra era

predominantemente escrava - negra e índia -, embora fosse também integrada por imigrantes.

1.2-
1.2- DA HIDROVIA À FERROVIA: A DIVERSIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO (SÉC. XIX-
XIX-XX)

No transcorrer de todo o século XIX, o modelo primário exportador tradicional, que forjou a economia brasileira, tinha nas
exportações (variável exógena) a maior responsável pela geração da renda nacional e pelo crescimento da mesma. O
desenvolvimento do setor exportador deu lugar a um processo de urbanização mais ou menos intenso - embora restrito aos centros
de exportação - quando foram se estabelecendo as chamadas indústrias tradicionais de bens de consumo interno, tais como as de
tecidos, calçados, vestuário, móveis, alimentos etc.
A interioridade do vasto território mato-grossense, acrescida do fato da ocupação inicial ter se baseado no extrativismo
mineral, impediu o crescimento dos núcleos urbanos em maiores dimensões, como também o florescimento de uma indústria local.
O processo de ocupação, conforme visto anteriormente, ocorreu apenas no eixo das atividades mineradoras e teve sua expansão
estritamente determinada pelo dinamismo desta atividade. Com a decadência da mineração, os núcleos populacionais então
existentes passam por um longo período de estagnação, revigorando-se apenas na segunda metade do século XIX, com a abertura
da navegação pelo Rio Paraguai (1856), via estuário do Prata, que faz surgir uma nova rota comercial.

Durante quase uma década, a ligação com o mercado platino tem um efeito dinamizador sobre a base econômica, a qual
ganha um novo impulso pela diversificação da produção com a extração da erva- erva-mate,
mate, na porção sul do Estado (Mato Grosso do

Sul), do látex e da poaia, na porção norte.

Mas o desenvolvimento de um setor produtivo regional foi novamente interrompido em 1864, com o início da Guerra do

Paraguai, a qual impossibilitou a navegação fluvial, causando sérios problemas de comunicação e abastecimento para Mato Grosso.

Terminada a Guerra (1870), foi retomada a rota de comércio pelo Rio Paraguai, ocorrendo a abertura do porto de Corumbá
ao comércio internacional. Fruto da diversificação econômica ocorrida na segunda metade do século XIX, a cidade de Corumbá,

hoje localizada no Mato Grosso do Sul, exerceu o papel de grande empório comercial, centro importador de produtos manufaturados

e exportador de matérias-
matérias-primas regionais. Através do Porto de Corumbá,
Corumbá, Mato Grosso recebeu a maquinaria para implantar as

primeiras indústrias:

• a indústria açucareira (produção e refinação do açúcar e destilação da aguardente e do álcool), na baixada cuiabana
• indústria de carne bovina para exportação (charqueadas) na área do Pantanal, ambas com a presença do capital
estrangeiro.
• O incremento da navegação, encurtando distâncias e ligando mercados, possibilitou a Mato Grosso não só o rápido
escoamento de sua produção como também a importação e consumo dos mais variados produtos estrangeiros,
desde sal para o gado até artigos de luxo dos mais sofisticados.

Ao final do século XIX, a integração entre o setor produtivo de Mato Grosso e os centros do capital industrial e financeiro, se
não estava consolidada, ao menos já se constituía num processo irreversível. O Estado firma-se como exportador de matérias-
primas, importador de capital e de produtos manufaturados, ocorrendo um desenvolvimento generalizado dos principais centros
urbanos, a partir de Corumbá. Os antigos núcleos portuários, como Cáceres e Cuiabá, convivem com uma intensa atividade
econômica-
econômica-comercial:
comercial:

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• Cáceres firma-
firma-se como centro exportador da poaia, cuja extração e comercialização gerou grande movimento agrícola e

comercial nas cidades de Barra do Bugres, Vila


Vila Bela e Cuiabá, e também através da exportação da seringa (látex),

extraída na Bacia Amazônica.

• Cuiabá, centro político administrativo desde 1835, (CAPITAL desde 1835) vive seu apogeu com a instalação das muitas
usinas de cana-
cana-de-
de-açúcar na região, e sofre intenso processo de urbanização recebendo infra-estrutura urbana, como
praças, escolas, melhorias de ruas, serviços de transporte urbano etc..
• Também os pequenos núcleos, como Santo Antônio do Leverger e Barão de Melgaço, pela proximidade das usinas de
cana, crescem e desenvolvem-se enquanto espaço urbano.

No entanto, excetuando-se essa concentração populacional do entorno cuiabano, o povoamento do atual território de Mato
Grosso permanecia extremamente rarefeito. (população reduzida e concentrada). Além disso, todo o processo de ocupação das

terras ocorreu de forma extremamente desordenada, demandando do Estado regional, então motivado pela Constituição
Republicana, a edição da primeira Lei de Terras (1892). Através desta lei, criava-
criava-se o aparato jurídico
jurídico-
ico-institucional para mediar e

legitimar os diferentes interesses das classes envolvidas no processo de apropriação da terra e, ao mesmo tempo, gerava-
gerava-se a

sustentação à política fundiária de regularização e venda de terras a nível do estado. ]

O Estado Nacional
Nacional , por sua vez, num claro objetivo de promover a integração da região Centro-Oeste ao sistema de
comunicação nacional e ao processo de circularidade do capital emergente, executa dois projetos específicos na área: a instalação
de linhas telegráficas e a construção de ligações ferroviárias.
(1900-1906), acabou de interligar a região Centro-Oeste
A instalação de linhas telegráficas, realizada pela Missão RONDON (1900-
ao resto do País, além de determinar a criação de novos eixos de ocupação.
• A implantação de postos avançados para comunicação e suprimentos, fez surgir alguns embriões de povoados, os

quais resultaram nas atuais cidades de Rondonópolis, General Carneiro, Acorizal e Porto Esperidião.

• A construção das ferrovias Noroeste do Brasil e Madeira-


Madeira-Mamoré, particularmente a primeira, possibilitaram a
integração de Mato Grosso ao sistema ferroviário brasileiro, facilitando o escoamento da produção para outras
regiões e incentivando o desenvolvimento da produção regional. Por outro lado, e paralelamente aos avanços dos
trilhos da ferrovia sobre territórios indígenas, ocorria a abertura de extensas fazendas de criação na região sul do
estado, hoje Mato Grosso do Sul.

As novas rotas de penetração, agora constituídas por caminhos terrestres, desenvolveram eixos de circulação de pessoas e
mercadorias, tanto no sentido leste-oeste, desde o Araguaia até o Guaporé, quanto no sentido sul-norte, interligando a porção sul do
Estado, hoje Mato Grosso do Sul, com a região de Diamantino. A par do desenvolvimento das atividades agropecuárias, extrativistas
vegetais e do surgimento de uma indústria tradicional, a primeira metade do século XX foi marcada também pela descoberta de
jazidas diamantíferas na porção Sudeste do Estado, notadamente nos vales dos rios Araguaia, Garças e São Lourenço, atraindo

novos fluxos migratórios.

1.3.-
1.3.- A “MARCHA PARA O OESTE”: COLÔNIAS NACIONAIS E COLONIZAÇÃO OFICIAL PÚBLICA E PRIVADA NO ESTADO

(1930-
(1930-70)

Desde a grande depressão da década de 1930 até o período pós-guerra, a retração do mercado externo levou a economia
brasileira a voltar-se “para dentro”. A transição do modelo primário exportador para o de substituição de importações ocorreu pelo
deslocamento das exportações (variável exógena), como determinante da renda nacional e do crescimento da economia, e sua
substituição pela variável (endógena) investimento, cujo montante e composição passaram a ser decisivos para a continuação do
processo de desenvolvimento. A função que adquire o setor externo neste período é a de ser responsável pela diversificação da
estrutura produtiva, mediante importações de equipamentos e bens intermediários. Num primeiro momento (1930-45), as restrições
do setor externo tiveram um peso “absoluto” na economia, reduzindo sua capacidade de importar. Assim, as transformações da
estrutura produtiva (substituição de importações de bens não-duráveis de consumo final) circunscreveram-se, praticamente, ao setor
industrial e atividades conexas, sem modificar de modo sensível a condição tradicional do setor primário, inclusive do segmento
exportador.

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No período pós-guerra (1945-55), quando incrementou-se o poder de compra das exportações, houve um considerável
dinamismo da economia, havendo um real aproveitamento dessa situação favorável no sentido de intensificar o processo de
industrialização nacional, agora, de bens de consumo duráveis e avançando nos setores de bens intermediários e de capital. No
entanto, a partir desse período, as condições externas voltaram a ser francamente restritivas, repousando no setor público a
capacidade e a vitalidade dos investimentos de capital. Esta capacidade foi obtida às custas de uma política governamental, cujas
duas linhas mestras - política cambial e investimentos - orientaram-se quase exclusivamente no sentido da resultante histórica do
processo, tanto em termos de sua natureza intrinsecamente industrial, quanto em termos de sua concentração espacial (eixo Rio-
São Paulo) e setorial (energia e transportes).
Ao iniciar-se a década de sessenta, a despeito do enorme “déficit” fiscal e das dificuldades crescentes de financiamento
externo (agravadas a partir da ruptura com o FMI e o BIRD em 1959), o setor público, orientado numa política de cunho
“nacionalista”, constituía-se no componente autônomo fundamental dos investimentos no Brasil. Os gastos de capital do governo e
das empresas públicas, em conjunto, foram responsáveis por mais de 50% do investimento total na economia em 1960/61 (material
de transportes, material elétrico e metal-mecânica) e pelo ritmo de crescimento acelerado da indústria (taxas médias superiores a
20%) e da economia brasileira. No entanto, já em 1963, corta-se violentamente os gastos do governo, inclusive os de capital sofrem
uma queda importante. Decorre novo processo de desaceleração do crescimento econômico e os projetos de investimento público,
como os da siderurgia e petroquímica, entram em compasso de espera por falta de financiamento interno e externo. A retomada do
crescimento só irá ocorrer em 1968, na fase do “milagre brasileiro”. Assim é que o desenvolvimento industrial brasileiro se fez a
partir do aumento crescente do déficit fiscal, com graves pressões inflacionárias, com um aumento do desequilíbrio externo e das
desigualdades regionais. Pois é nesse contexto econômico, político e social do processo de industrialização brasileiro que podem
ser entendidos o papel e os limites do Estado, no sentido da interiorização da economia e da incorporação das regiões (em especial,
Centro-Oeste e norte) ao processo de reprodução do capital hegemônico nacional. Enquanto
Enquanto área de fronteira, a necessidade de

legitimar os limites estabelecidos, através de uma ocupação efetiva do território, foi uma constante em toda a formação histórica do

Mato Grosso.

A política nacionalista de Vargas, pós anos 1930, já incluía em suas linhas programáticas a colonização e a ocupação do
espaço brasileiro considerado “vazio”. Atendendo a esta prioridade, foi criado o programa “Marcha para o Oeste”, que visava

principalmente a criação de colônias agrícolas, denominadas “Colônias Nacionais”,


Nacionais”, nas terras a serem ocupadas.

• Em 1940, através do decreto-


decreto-lei nº 2009, define-
define-se a organização dos núcleos-
núcleos-colônias e são estabelecidas as normas
reguladoras das relações entre empresas de colonização e colonos. Os objetivos pretendidos, de “fomento da pequena
propriedade”, deveriam ser perseguidos pelo Estado, através de ações como: auxílios governamentais e supervisão de
órgãos técnicos até a emancipação dos núcleos; e assistência social às famílias. Neste mesmo ano, novo decreto dispunha
sobre os projetos de colonização dos Estados e Municípios, submetendo-os à aprovação do governo central, por
intermédio do Conselho de Imigração e Colonização.
• Dentro desta política, em 1943, é criada a Colônia Agrícola Nacional de Dourados, no sul do Estado. Apesar de ter sido

objeto de intensa propaganda pelo Estado Novo, que a apresentava como colônia-modelo, a implantação efetiva da colônia
atrasou-se consideravelmente. Somente em 1948 é que o Governo Federal demarcou a área e os limites para sua
instalação. Ainda assim, a forte propaganda realizada sobre esta colônia funcionou como grande atrativo a novos fluxos
migratórios dirigidos à região.
• Também em 1943, o governo federal promovia a Expedição Roncador/Xingu, que tinha como finalidade precípua alcançar

Santarém,
Santarém, no Estado do Pará, penetrando pelo Brasil-
Brasil-Central e Amazônia, desbravando e colonizando regiões

desconhecidas. A base inicial da expedição localizou-


localizou-se em Barra do Garças e visava atingir a confluência dos rios

Kuluene e Xingu, ultrapassando o Rio das Mortes.


Mortes. O primeiro posto-
posto-base da expedição, localizado às margens do Rio das

Mortes, deu origem à atual cidade de Nova Xavantina,onde foi sediada a Fundação Brasil Central (FBC), criada no mesmo
ano de 1943. A idéia era que a expedição Roncador-Xingu ocupasse vastas áreas do Araguaia e Xingu e atingisse
Manaus. Os núcleos criados seriam ponta de lança para a colonização.

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No “Vale do Sonhos”, tentou-se a colonização através de pequenos núcleos de colonos, o que fracassou pouco depois, como
também fracassou o projeto global de colonização concebido então para a região. O principal motivo apontado refere-se aos litígios
acerca do domínio das terras que, nessa parte do território, já se faziam manifestar: seja por estarem as terras ocupadas por
garimpeiros - cerca de 30 mil concentravam-se na região; seja por constituírem-se de terras indígenas, como no caso das terras
Xavantes, em que a tentativa de ocupação gerou vários conflitos e violências. Em efeito, essa primeira tentativa oficial de
colonização das terras mato-grossenses não representou praticamente nenhuma alteração significativa no processo de ocupação
populacional.
• Em 1940, registrava-se 192.531 habitantes no estado de Mato Grosso, ou seja, 15,39% da região Centro-Oeste e 0,46% do
total nacional. No período de 1940/1950, Mato Grosso apresentou a menor taxa de crescimento populacional da região, ou
seja, 0,96% a.a.
• A partir de 1950 houve uma importante redefinição da política governamental de ocupação e colonização de Mato Grosso e
da região centro-oeste. Esta política, agora explicitamente, objetivava a absorção dos excedentes populacionais de outras
regiões brasileiras, fazendo uso de uma nova estratégia na destinação das terras: parte à colonização pública e parte à
colonização privada.
• No decorrer das décadas de 50 e 60 foram parcialmente implantadas 29 colônias oficiais, ocupando um total de 400.668
ha., cerca de 0,32% da superfície do antigo Estado de Mato Grosso. Com exceção da colônia Rio Branco, com área de
200.000 ha., as demais constituíam-se de glebas inferiores a 500 ha. (75% destas) ou inferiores a 1.000 ha. (25% do total).
Segundo os dados oficiais, foram retalhadas 8.739 parcelas, com lotes variando entre 10 e 15 ha., que acolheram 68.920
colonos.
Vários registros foram feitos sobre as dificuldades vivenciadas por estes colonos e suas precárias condições de vida e de
trabalho. Provavelmente amparadas nestas constatações, a maior parte das avaliações feitas do processo de colonização oficial
concluem pelo “insucesso” da mesma, já que o Estado não conseguiu atender sequer às exigências mínimas e promessas relativas
à infra-estrutura das “colônias”, tais como: a construção de estradas de acesso às áreas e vias de circulação interna nos projetos; a
disponibilização de serviços de educação e de saúde; além de não proporcionar assistência técnica aos colonos e financiamento à
produção.
No que se refere à colonização particular ou privada, foram celebrados contratos em áreas médias de 200.000 ha. Também
nesse caso, as análises concluem que o processo de colonização não obteve êxito. Da mesma forma, alegam como principal motivo
o fato de que as empresas concessionárias, embora tendo adquirido terras tituladas pelo Estado em condições especiais, não
cumpriram os compromissos assumidos, notadamente quanto à implantação de infra-estrutura social e econômica, como previam os
contratos. Além disso, as irregularidades ocorridas nas transações de venda de terras a particulares, realizadas inclusive pelas
próprias instituições do Estado, também são consideradas entraves ao êxito do projeto de colonização da época. Em ambos os
casos, colonização pública ou privada, o fracasso dos projetos é avaliado por resultados (ou pela ausência deles) que pressupõem
que a política de colonização dos anos 50-60 tivesse como objetivo precípuo a promoção do desenvolvimento dos projetos e dos
colonos, da agricultura familiar e do mercado interno. No entanto, se esse objetivo de colonização era explicitado a nível do
discurso, não expressava a finalidade prioritária da política governamental, nem poderia sustentar-se nas condições objetivas de
desenvolvimento da sociedade e economia da época.
Conforme descrito anteriormente, todo o esforço realizado a nível dos investimentos públicos dirigiu-se à sustentação do
processo de industrialização concentrado no eixo urbano Rio-São Paulo, restando à agricultura uma dinamização específica, mas
apenas derivada das demandas particulares do processo de industrialização emergente. Inicialmente, num contexto de
desenvolvimento “fechado” e de urbanização crescente, é certo que a agricultura tradicional adquire um papel primordial, tanto pela
sua atividade inerente de produção de alimentos, como pela contenção/redução do custo de reprodução da força de trabalho.
Assim, a pressão pelo aumento da oferta de alimentos - agricultura de subsistência - vai repercutir prioritariamente na incorporação
de novas áreas, dada a abundância de terras inexploradas no país.
Nos anos 1940/50, o chamado “esgotamento da fronteira agrícola”, nas áreas antigas de ocupação do país, referia-
referia-se

sobretudo à questão da apropriação da terra, via instrumento jurídico da propriedade privada, e não a um pretenso esgotamento em

termos de utilização produtiva e/ou de acréscimos de produtividade. Assim, a dimensão do processo de incorporação de novas
terras ao processo produtivo foi tal, que a participação do número de estabelecimentos agropecuários na área total do território
nacional mais do que duplicou, no período de 1940 a 1960 (21,5% e 43,5%, respectivamente). Mas o fato é que, a expansão da
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fronteira agropecuária nos anos 50 ocorreu em áreas próximas ao núcleo dinâmico da economia nacional, estendendo-se por terras
do Paraná; em Minas Gerais, na região do chamado Triângulo Mineiro; no Oeste Paulista e no Rio Grande do Sul.
Na região Centro-
Centro-Oeste esse avanço só viria a ocorrer, pelo menos, uma década mais tarde, concentrando-
concentrando-se

predominantemente na porção sul dos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. Nessas áreas, a disponibilidade de terras baratas
favoreceu a ocupação com pecuária, o que ocorreu através da implantação de projetos de colonização privada, promovidos pelos
frigoríficos da região Sudeste. Espacialmente, verificava-se a ocorrência de algumas regiões ocupadas com pastagens, enquanto
sua maior extensão territorial permanecia desocupada e à margem do processo produtivo.
A incorporação da região Centro-
Centro-Oeste ao espaço econômico nacional, no período em questão, ocorreu sobretudo a partir da

transferência da Capital Federal para o Planalto Central, quando reforçam


reforçam-
çam-se também os investimentos governamentais em infra-
infra-

estrutura viária (rodovia Belém-


Belém-Brasília, abertura das BR-
BR-364, BR-
BR-163) e implementaram-se programas de ocupação e colonização
na região. Ainda assim, essa ocupação e expansão populacional, a nível da região, não se deu uniformemente no espaço e tempo:
inicialmente, no estado de Goiás (até 1970, detinha 50% da população regional) e em Mato Grosso do Sul e, a partir da década de
setenta, também no estado de Mato Grosso. Certamente, a contribuição da região Centro-Oeste ao processo de industrialização
nacional do período 1950-70, não foi nem uma importante absorção de excedentes migratórios originados do Sul-Sudeste, nem uma
significativa participação na oferta de alimentos para esses mercados.
A grande contribuição foi dada no sentido de que a abertura desses novos espaços, através da infra-estrutura rodoviária
disponibilizada pelo Estado, permitiu colocar no mercado nacional um grande volume de terras a preços baixos, refreando, assim, o
processo em curso, de supervalorização nas áreas de ocupação antiga e o repasse disto aos preços dos produtos alimentares -
basicamente no setor produtor de carnes.
Nestes termos, a colocação das terras mato-grossenses, dentre outras, no mercado nacional, quando o próprio Estado -
regional e nacional - ainda desconhecia seus domínios, apenas contribuiu para agudizar o já tumultuado processo de ocupação do
meio rural, dando ampla margem à especulação, à fraude e à violência. Nas décadas de 50 e 60, grandes fatias do território foram
praticamente distribuídas a grupos locais e nacionais, através da expedição de falsos títulos de propriedade, emitidos inclusive pelo
próprio Departamento de Terras do estado, burlando a própria lei que limitava a extensão das terras adquiridas.
O volume de irregularidades foi tal, que o Estado, em 1966, reconhecendo a fraude ostensiva nas transações imobiliárias e a
perda total do controle da situação, foi obrigado a fechar o Departamento de Terras e Colonização, passando o controle das vendas
para a guarda dos Cartórios de Fé Pública. A partir de então, os negócios ilícitos de terra se acentuam - generalizando-se as vendas
de Títulos Provisórios, das posses lícitas e ilícitas - e a burla à lei fica facilitada, principalmente, através de procurações que
estabelecem e substabelecem direitos para a venda de terras de terceiros. Note-se ainda que, no caso dos projetos de colonização
oficial, houve uma grande permissividade, por parte do Estado, no sentido de facilitar a migração dos colonos para outros projetos
ou para centros urbanos, favorecendo aos mesmos, tanto a aquisição de novos lotes em outros núcleos de colonização, como a
devolução ao Estado das parcelas adquiridas. Assim, os primeiros colonos de Dourados foram os de Rondonópolis, sendo que parte
deles também desbravou as glebas da região de Cáceres e parte seguiu para o Território de Rondônia e Estado do Acre.
Portanto, a lógica subjacente da política de ocupação dos anos 1940/50, via colonização, não era outra senão a de criar as
condições materiais e não materiais - abertura de estradas, reserva de mão de obra, propriedade privada da terra como reserva de
valor etc. - para a apropriação do espaço pelo capital agrário, comercial e financeiro. Nestes termos, o projeto de colonização oficial
foi bem sucedido, embora apresentasse tímidos resultados em termos de ocupação e promoção do desenvolvimento rural na região.

1.4.-
1.4.- OS AGENTES DA FRONTEIRA: ESTADO E EMPRESARIADO PRIVADO

O projeto de integração nacional, que orientou a intervenção governamental pós anos 60, assumiu, na década de 70, sua
forma mais elaborada, manifestando-se no esforço de dotar o Estado Nacional de uma máquina administrativa centralizada, bem
como garantir mecanismos fiscais e financeiros que o capacitassem a abrir fronteiras de acumulação, a serem ocupadas através de
ajustes negociados entre empresas estatais, multinacionais e nacionais (o “tripé” da economia nacional).
O planejamento da intervenção estatal assume um papel estratégico na condução do processo, durante toda a década de
setenta, desdobrando-se em múltiplos planos setoriais e regionais de desenvolvimento. A dinamização do setor industrial, induzida
pelo Estado (pós reforma fiscal de 1966), conduziu a economia nacional a um novo ciclo de expansão, o qual revela-se através de
dois períodos distintos: o primeiro representa o auge da fase iniciada no final da década (1968), quando se inicia um maciço bloco
de investimentos na indústria de bens de capital; estende-se até 1973, quando ocorre o choque do petróleo. Esta fase é conhecida
7
pela denominação ufanista de “milagre brasileiro”; o segundo, que vai até o final da década de setenta, procurou consolidar a
indústria mecânica de bens de capital e a de insumos estratégicos, energia, química e metais não-ferrosos, principalmente alumínio.
Esse segundo período de expansão corresponde a uma redução gradativa do ritmo de produção corrente industrial e,
concomitantemente, a uma expansão planejada e estimulada pelo Estado do setor de bens de produção, especialmente insumos
industriais (II PND, 1974 - 1979).
A integração produtiva, que marca os anos 70, acelerou o processo de desenvolvimento da atividade industrial no território
nacional. Com a consolidação do núcleo industrial pesado no Sudeste, foi possível às grandes empresas mobilizar recursos, com
forte apoio do Estado, para a implantação de novas localizações na periferia, principalmente no que diz respeito a indústria de bens
intermediários (siderurgia, metalurgia de não-ferrosos, química e petroquímica).
Nesse contexto, foram objeto de atenção especial pelo Estado tanto as obras de infra-estrutura viária, integrando o Centro-
Oeste e a Amazônia ao centro hegemônico do capital nacional, como a tomada de decisões estratégicas, muitas delas
corporificadas no I e II PND, na forma de políticas de incentivo à ocupação de terras e de estímulos ao desenvolvimento regional, via
legislação de incentivos fiscais, além da implementação de programas e projetos de desenvolvimento, especialmente formulados
para essas regiões.
Logo em 1970 é criado o Programa de Integração Nacional (PIN), que tinha como objetivo intensificar a ocupação da
Amazônia Legal, a qual engloba parcela significativa do território do Centro-Oeste. Entre seus instrumentos estavam a promoção da
colonização ao longo da Rodovia Transamazônica - recém aberta, a distribuição de terras públicas e a concessão de incentivos
fiscais a investimentos e investidores na região. O referido programa teve rebatimento em Mato Grosso através da construção da
BR-364, entre Cuiabá e Porto Velho, e da BR-163, entre Cuiabá e Santarém, que permitiram a expansão de frentes agropecuárias
no norte do Centro-Oeste.
Até então, as políticas de desenvolvimento para a Amazônia direcionavam-se a projetos específicos de interesse de
oligarquias locais, como o de recuperação da atividade extrativa da borracha, em total desacordo com os interesses do Centro-Sul,
pois a indústria nacional importava a borracha a preços mais baixos do que os preços daquela produzida internamente. Numa
época em que o êxodo rural era intenso, provocado pela industrialização da agricultura do Sul-Sudeste (modernização
conservadora), além da forte pressão sobre a terra e sobre o incremento da oferta de alimentos, o Estado muda radicalmente a
política de desenvolvimento para a Amazônia: propõe o povoamento racional da região, canalizando as correntes migratórias
internas, oriundas do Nordeste e do Centro-Sul, com o objetivo de ocupar os espaços “vazios” e garantindo a interligação da região
com o resto do país. Ao mesmo tempo, reformula a legislação dos incentivos fiscais, facilitando sua obtenção por investidores
nacionais e estrangeiros. Instituições criadas no contexto das políticas protecionistas anteriores – SUDAM, BASA, SUDECO –
passaram a ser os organismos executores básicos deste propósito.
Explicita-se, assim, a extensão da associação entre o Estado e o capital nacional e estrangeiro, este último passando a
receber os mesmos incentivos oferecidos ao primeiro. Com a abertura das estradas, a frente agrícola foi deslocada para os eixos
Cuiabá/Santarém, Cuiabá/Porto Velho, Porto Velho/Manaus, o que foi facilitado pela liberação, por parte do Estado Nacional, da
faixa de terra de cem quilômetros em ambas as margens das rodovias federais, recém incorporada aos seus domínios.
O instrumento principal para a ocupação foi o “Programa de Colonização Dirigida”, que se propunha a assentar, até 1980, um
milhão de famílias na Amazônia. Ainda que os resultados não tenham atingido as metas propostas, este Programa abriu uma
dimensão nova para a política de reordenamento da ocupação territorial no país, desta feita, absorvendo enormes contingentes
populacionais expulsos do meio rural das regiões sul, sudeste e nordeste. Disto resultou, na década de 70, um crescimento
populacional do Centro-Oeste (46%) muito mais elevado que o do país (26%). No entanto, a ação do Estado não acompanhou o
volume e a pressão dos fluxos migratórios e, menos ainda, a demanda de terra imposta pela colonização não dirigida. Sua
participação limitou-se, nesse primeiro momento, a abrir o espaço para a ocupação da Amazônia, através da aplicação na região de
elevados montantes de capital, seja na implantação de infra-estrutura, seja através de financiamento de projetos agropecuários e do
setor mineral, beneficiando empresas com programas especiais de Crédito e Incentivos Fiscais.
Até 1977, quando ocorre a divisão político-administrativa e o desmembramento da porção sul do território, originando o
estado de Mato Grosso do Sul, o INCRA apenas acompanhou os projetos de colonização privada, não tendo implantado nenhum
projeto de colonização oficial no estado de Mato Grosso. O governo estadual, por sua vez, mantendo fechado o departamento de
terras do Estado, de 1966 até 1979, não exerceu nenhum controle sobre a sua situação fundiária. Somente em 1978, começam a
ser implantados os Projetos de Assentamento Conjunto (PAC’s), que pretendiam somar as experiências e recursos do órgão
8
colonizador oficial (INCRA) e aquelas da iniciativa privada (Cooperativas). Os objetivos preconizados pelo INCRA para estes
projetos eram:
• Proporcionar ao colono acesso à propriedade de um lote rural através do crédito fundiário, integrando-
integrando-o a um projeto de
colonização que assegurasse as condições mínimas de infra-
infra-estrutura física, social e econômica, necessárias
necessárias para a
exploração agrícola e para garantia de condições de subsistência da família, bem como sua promoção social e econômica;
• Aliviar as tensões sociais e políticas nos estados sulinos;
• Agilizar a desocupação de reservas indígenas no sul do país e em Mato Grosso;
• Promover e agilizar o processo de povoamento dos grandes “vazios demográficos” da Amazônia mato-
mato-grossense, com a
ocupação do território através de programas de colonização, ordenando o fluxo migratório;
• Promover e acelerar o desenvolvimento
desenvolvimento social e econômico da Amazônia.

As transformações engendradas, nesta época, na estrutura sócio-econômica do estado de Mato Grosso e que vão marcar o
desenvolvimento da agricultura até os dias atuais, só puderam realizar-se pela conjunção de ações planejadas do Estado, onde se
inclui o processo de colonização, que atraiu grandes fluxos migratórios e as políticas governamentais de desenvolvimento, que
propiciaram o necessário aporte de capitais à região.
No contexto do Projeto de Integração Nacional, o II PND (l975/79) explicita de forma clara, através de seus Programas
Especiais, como POLAMAZÔNIA e POLOCENTRO o projeto de desenvolvimento concebido para a Amazônia e região Centro-
Oeste. Este projeto também se manifesta através do “Programa de Desenvolvimento dos Cerrados”, “Corredores de exportação” e
pelo apoio a projetos de colonização privada. As empresas de colonização, para estimular a atração de agricultores do sul do país,
recorriam a uma linha de crédito com recursos provenientes do Proterra, possibilitando a aquisição de áreas pelos agricultores e a
sua utilização no cultivo da soja.

• O POLAMAZÔNIA (1974) teve como objetivo promover o aproveitamento integrado das potencialidades

agropecuárias, agro-industriais, florestais e minerais, em áreas prioritárias da Amazônia. Cinco delas localizavam-se
na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (SUDECO), envolvendo Mato
Grosso, além de Rondônia e Goiás. Paralelamente, o Programa apresentava uma intenção de preservação dos
recursos naturais, desde que esta fosse compatível com os objetivos imediatos de exploração intensiva.

• O POLOCENTRO (1975) visava propiciar a ocupação racional e ordenada de áreas selecionadas do cerrado para

expandir a fronteira agrícola. De 1975 a 1979, pretendia-se incorporar à produção 3 milhões ha., dos quais 1,8
milhão com lavoura e mais 700 mil com reflorestamento. Particularmente este programa produziu um grande
impacto no avanço da fronteira, não somente pela extensão de área atingida, mas porque orientou investimentos de
maneira integrada. Promoveu diretamente a incorporação de cerca de 2,5 milhões de ha, especialmente soja e
pastagens.

Pelas metas programadas, a região Centro-Oeste deveria participar com 5% do PI B nacional até o fim da década de 70,
contra 3,7% em 1974, e expandir o nível de emprego, elevando o coeficiente médio de utilização da força de trabalho para 50%.
Projetava-se ainda expandir os equipamentos urbanos e promover o progresso social e a distribuição de renda, a fim de que um
mínimo de 6% da população alcançasse um nível de renda per capita igual ou superior à média regional. Uma avaliação rigorosa
dos resultados destes programas revela-se difícil, uma vez que nem todos evidenciaram o mesmo ritmo de continuidade e de aporte
de recursos. Os elementos contidos nos planos oficiais de desenvolvimento são extremamente genéricos, e as avaliações efetuadas
até hoje apenas permitem destacar os seguintes aspectos:
• A falta de critérios para a escolha de áreas beneficiadas e projetos aprovados. Embora estes se refiram a uma exploração
“racional”, não existe definição clara do que isto vem a significar;
• A inexistência de um planejamento integrado para os projetos, seja no plano espacial, seja pela ausência de um
planejamento plurianual. As aplicações realizadas acabaram por servir à suplementação dos orçamentos estaduais,
orientados, na melhor das hipóteses, para realizações de médio prazo. O impacto gerado pelo conjunto dos investimentos
realizados acabou sendo reduzido, justamente pela atomização dos projetos;
9
• A falta de coordenação entre os diversos ministérios que intervêm na execução dos projetos, provocando indefinições no

relacionamento entre Governo Federal e Estados e entre organismos estaduais e federais ; Essa falta de coordenação
impede, ainda, a existência de parâmetros homogêneos de avaliação dos projetos por parte dos órgãos responsáveis.
Neste sentido, uma das principais conclusões da análise de diversos relatórios oficiais é que os projetos perderam suas
características enquanto programas de desenvolvimento regional, transformando-se em fundos de investimento para os
Estados.

Somente em outubro de 1985, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM efetuou levantamento da


situação destes projetos, para o período 1964/85, mesmo assim, por amostragem de 10% do total de 952 projetos. Deste total, 581
referiam-se a projetos agropecuários beneficiados com incentivos fiscais pelo Governo, envolvendo fazendas cujo tamanho variava
de 3.000 a mais de 300.000 ha (área média de 15.600 ha), assim localizadas: 210 no Pará, 208 em Mato Grosso e 163 em outros
estados da Amazônia Legal. Todos os projetos agropecuários cobriam uma área total de 9 milhões de hectares, dos quais 4 milhões
eram destinados a pastagens, que deveriam abrigar um rebanho de 6,18 milhões de cabeças.
Até hoje, contudo, desconhecem-se os resultados logrados por estes investimentos em termos de emprego, geração de
riquezas e melhoria da qualidade de vida da população deles participante. Estas informações não constam dos números compilados
pelo governo nas suas diversas agências de desenvolvimento, nem pela iniciativa privada, que também os desconhece.
Informações publicadas pela imprensa nesse período, estimava, a preços da época, em aproximadamente US$ 230 milhões os
investimentos realizados e incentivos aprovados pela SUDAM, ressalvando-se que o número seria cinco vezes inferior ao valor
nominal dos projetos, cuja maioria foi aprovada em meados da década de 70, quando os incentivos correspondiam a descontos de
50% do imposto de renda.
Os resultados verificados ficaram aquém das expectativas iniciais dos projetos, sendo o rebanho estimado em pouco mais de
2 milhões de cabeças (praticamente três vezes menor que o esperado), enquanto as pastagens atingiram metade dos 4 milhões de
hectares previstos. Além disso, foi estimado que, do total de empresários que receberam estes recursos, pelo menos 20% agiram de
má fé, enquanto outros 20% não conseguiram atingir as metas fixadas, seja por incompetência, seja por encontrar dificuldades
maiores do que esperavam. Um bom número de empresários consideravam que estas perdas representavam o custo que o país
devia pagar para desbravar uma região como a Amazônia.
Na verdade, concretizava-se o pacto estabelecido entre o Estado e o empresariado nacional e internacional: ao Estado, cabia
facilitar a atuação do setor privado, promovendo o investimento em infra-estrutura, pesquisa e planejamento e criando mecanismos
de incentivo e subsídios. À iniciativa privada, cabia a condução concreta do processo de ocupação, o qual se fez através da
implantação da grande empresa. A preferência por estes empresários na concessão de incentivos fiscais para o desenvolvimento da
pecuária, na Amazônia, e para a produção de grãos, nos cerrados, definiu o processo de ocupação da região. As culturas
"modernas" introduzidas no Centro-Oeste, aí incluídas a exploração da soja, milho e arroz, tiveram um rápido crescimento no
período, amparadas por instrumentos da política agrícola que incentivavam a utilização dos "insumos modernos" e a
motomecanização das atividades no manejo dessas culturas (a área cultivada da soja cresce 547%, no período 1970-1979).
Dentre os instrumentos de política acionados pelo Estado, a partir de 1965, tem-se:

• a política dos preços mínimos, ligada a ajustes de curto prazo, no sentido de antecipações e à garantia do preço de
equilíbrio oferta-demanda na época da safra, foi um instrumento importante para a região. O governo comprava os
excedentes por meio de contratos de Aquisição do Governo Federal (AGF) ou financiava a comercialização via contratos
de Empréstimo do Governo Federal (EGF). Particularmente no caso da soja, esta última modalidade foi utilizada como
fonte alternativa de financiamentos de estoque de comercialização, principalmente no caso de grandes produtores e
cooperativas.

• crédito agrícola (investimento, custeio e comercialização) que, por incorporar um subsídio implícito e extremamente
concentrado espacial e empresarialmente, quase não foi utilizado para incentivar a produção agropecuária da região
Centro-Oeste, nessa época.

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• a pesquisa e extensão rural, cuja atuação era ainda frágil para contribuir efetivamente para o aumento dos níveis de
produtividade, foram paulatinamente sendo adaptadas às novas circunstâncias do desenvolvimento agropecuário, no
sentido da transferência da tecnologia “moderna” aos agricultores. De maneira associada, a industrialização de fertilizantes,
defensivos e máquinas agrícolas acompanhou esse processo, recebendo incentivos fiscais e creditícios para instalação de
novas unidades, ainda que direcionadas para o Sudeste.

Apesar dos grandiosos projetos implantados na Amazônia e na região dos cerrados, ou justamente a partir deles, a década
de 1980 inicia-se sob condições econômicas fortemente desfavoráveis, a saber: recessão interna, interrupção dos financiamentos
externos, agravamento do déficit público, queda dos preços internacionais das commodities e dos produtos agro-industriais
exportados pelo país. Neste contexto de recessão econômica nacional, a intervenção do INCRA sobre o processo de ocupação do
Mato Grosso só pode ser mais efetiva, graças aos recursos aportados pelo POLONOROESTE (PNO).
• Polonoroeste, Instituído em 1981, numa ação conjunta entre o Governo Brasileiro e o Banco Mundial, o PNO tinha

como objetivo maior promover o reordenamento da ocupação territorial, ocorrido de forma intensa durante toda a
década de setenta, assim como estimular o desenvolvimento da região noroeste do Brasil, através do apoio às
atividades produtivas e da ampliação da infra-estrutura social e econômica. Sua área de atuação eram os estados
de Rondônia e Mato Grosso, com uma duração prevista de execução para o período 1981/1986.

No caso de Mato Grosso, os 14 municípios abrangidos pelo programa eram considerados área de influência direta da BR-
364. O Banco Mundial participaria com 34% dos recursos totais, avaliados em US$ 1,55 bilhão (do restante, 43% eram financiados
com recursos próprios das entidades executoras estaduais e nacionais e 23% com fundos especiais de desenvolvimento nacional).
No transcorrer do programa, a composição alterou-se e o BIRD arcou com uma participação maior do que a prevista inicialmente,
além de ter sido prolongada a execução do programa até 1989.
O POLONOROESTE foi concebido exatamente como uma tentativa de dar um caráter mais integrado às intervenções de

planejamento na região. Nestes termos, seis intervenções inter-relacionadas foram previstas:


• Reconstrução e pavimentação da BR 364, construída desde o fim da década de 60, ligando Cuiabá
Cuiabá a Porto Velho;

• Construção e consolidação da malha de estradas secundárias e alimentadoras;

• Implantação e consolidação de projetos integrados de colonização (PIC), em Mato Grosso e projetos de

Assentamento Dirigido (PAD), em Rondônia;

• Execução de serviços
serviços de regularização fundiária no Estado de Mato Grosso;

• Apoio às atividades agrícolas, agro-


agro-industriais e florestais, além de fornecimento de serviços sociais e infra-
infra-estrutura

para comunidades de pequenos produtores; e

• Proteção ambiental (com metas de preservação de 2 milhões ha de parques naturais) e apoio às comunidades

indígenas.

• O apoio ao setor produtivo (agricultura familiar) incluía desde linhas de crédito, infra-
infra-estrutura de armazenamento e

comercialização, até apoio à pesquisa e serviços de assistência


assistência técnica e extensão rural.

Com isso, esperava-se o fortalecimento da agricultura de alimentos, estruturando uma redistribuição fundiária com grande
participação da pequena propriedade e com níveis de renda que viabilizassem sua reprodução; aumento de produtividade agrícola
mediante utilização de técnicas conservacionistas; escoamento mais fácil e competitividade da produção, graças à implementação
da malha viária. No entanto, as avaliações do POLONOROESTE constataram uma situação bastante diversa daquela esperada com
a implementação de um projeto de desenvolvimento rural integrado para a região.

Problemas Fundiários

O asfaltamento da BR-364 facilitou o acesso, para Mato Grosso e Rondônia, de novos contingentes populacionais, oriundos
de vários estados brasileiros, mas principalmente daqueles onde o processo de “modernização” da agricultura era mais intenso (São
Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia). O elevado número de migrantes superou em muito as previsões oficiais e
tornou ainda mais insuficientes os recursos disponíveis para assentamento e fixação dos produtores beneficiários do projeto. As
cidades absorveram parte do excedente migratório e, no campo, observou-se o crescimento de conflitos pela posse da terra,
11
invasão de áreas indígenas e reservas florestais. Particularmente em Mato Grosso, onde instalara-se o caos na situação fundiária,
pela produção de títulos de propriedade em condições ilegítimas e ilegais, as precárias ações de regularização fundiária, no
contexto do PNO, implicaram no agravamento das situações de conflito e de falta de garantias nas transações imobiliárias, com
repercussões diretas sobre médios e pequenos produtores, impossibilitados de ter acesso às linhas de crédito oficiais.
Por outro lado, a forte valorização fundiária provocada pelo asfaltamento da BR-364, contribuiu para que determinados
segmentos sociais exercessem forte pressão sobre o Estado, no sentido de promover a regularização de suas terras. Neste período,
a ação do Instituto de Terras centrou-se na regularização de grandes áreas, diluindo o já duvidoso patrimônio das terras devolutas
do estado.
Mesmo em relação às obras de infra-estrutura (escolas e serviços de saúde), observaram-se falhas evidentes, principalmente
em termos do seu inadequado dimensionamento e/ou má localização. Neste caso incluem-se também algumas estradas vicinais,
pela localização em benefício apenas de grandes fazendeiros, ou pela inviabilidade apresentada, nas épocas de chuva, em servir ao
escoamento da produção agrícola.
A construção de prédios, para o armazenamento de grãos, resultou em elevada capacidade ociosa, dada sua má localização,
ou dadas as alterações ocorridas no perfil produtivo de determinadas regiões. Em algumas delas, como Tangará da Serra e Barra
do Bugre, o avanço da soja e da cana-de-açúcar, com a instalação de usinas de álcool, provocou um êxodo rural importante; em
outras, ocorreu uma clara substituição da agricultura pela pecuária de corte, enquanto a produção de gêneros alimentícios
distanciava-se da infra-estrutura implantada, onerando custos de transporte e propiciando o uso predatório dos recursos naturais.
A eletrificação rural evidenciou uma média de ligações muito baixa por quilômetro, já que a energia foi muito mais utilizada
para iluminação de uso doméstico e raramente como insumo produtivo (irrigação, movimentação de máquinas). Na maioria dos
projetos de colonização, usa-se ainda geradores de energia acionados por óleo diesel, por curtos espaços de tempo, dado o
elevado custo do produto.
No tocante ao componente saúde, a mais eloqüente constatação, segundo Informações do Banco mundial, diz respeito ao
aumento da incidência de malária na região, na década de 80. Em 1987, o estado de Rondônia era responsável por 45% de todos
os casos de malária registrados no Brasil, enquanto esse percentual era de 25% nos anos anteriores (4). Sem a contrapartida de
instrumentos que viabilizassem a fixação dos produtores nos seus lotes (crédito, assistência técnica e comercialização), a tendência
à concentração da propriedade da terra foi marcante. Embora legalmente impedidos de comercializar o lote, os produtores assim o
faziam com o objetivo de obter renda, dada a dificuldade de gerar lucros, via produção. O crescimento da pecuária extensiva, como
desdobramento natural desse processo, teve conseqüências visíveis sobre o meio ambiente e estrutura fundiária.
Ademais, todas essas formas de benfeitorias implantadas favoreceram aumentos nos preços da terra, estimulando surtos
especulativos que pouca relação guardam com o real valor da produção econômica. Também o segmento de proteção ao meio
ambiente apresentou resultados aquém dos esperados. Mais especificamente, não foi atingido o objetivo de harmonizar
desenvolvimento rural e sistema ecológico. As culturas permanentes foram adotadas em menor escala que aquela prevista para
preservação do solo. Além disso, a planejada cobertura verde da área não foi estabelecida, pois ocorreram invasões das reservas
florestais, queimadas e desmatamentos ilegais. Os postos florestais, apesar de terem sido construídos em áreas estratégicas,
apresentaram deficiência no provimento de pessoal e de serviços, necessários para a execução de atividades de vigilância.
Finalmente, em Mato Grosso como em Rondônia, foram constatadas dificuldades quanto à integração institucional que o
programa exigia para a sua execução. Os interesses distintos das diversas esferas de competência (federal, estadual, municipal),
bem como os atrasos na liberação de verbas, contribuíram sobremaneira para o descompasso entre os diversos segmentos e o não
cumprimento das metas estabelecidas para cada um deles. Nestes termos, as avaliações realizadas ao final do programa apenas
constataram o fato já esperado de que os investimentos em infra-estrutura física (malha viária, edificações) absorveram a maior
parte dos recursos e foram utilizados em tempo hábil. No caso do asfaltamento da BR-364, a conclusão da obra antecipou-se ao
programado.
Os desequilíbrios gerados pelo insuficiente aporte de verbas para todos os demais componentes do projeto, tiveram
conseqüências as mais diversas, no entanto, gerando um resultado comum, que foi o de internalizar no estado de Mato Grosso o
modelo de desenvolvimento rural e o padrão concentrador do mesmo tipo que se verificava no setor agrícola, principalmente nas
regiões Sul/Sudeste do país. No quadro de crise econômica e financeira, que persiste ao longo da década de oitenta, alteram-se os
(4)
The World Bank: World Bank Approaches to the Environment in Brazil: A Rewiew of Select Projects; Vol. V: The
POLONOROESTE Program
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instrumentos de política oficial dotados na década anterior, resultando no incentivo às exportações (via política cambial), na restrição
ao crédito e aos subsídios e na perda de eficácia da política de preços mínimos. Os rebatimentos destas mudanças sobre a
agricultura induzem a adoção de uma nova estratégia para o seu desenvolvimento.
Tratava-se então de reorganizar a produção e o espaço rural, no sentido da implementação de complexos agro-industriais,
integrando produtivamente esses setores e incentivando a verticalização da produção. Em outros termos, significava,
principalmente, priorizar ganhos de produtividade no setor, ao invés da antiga fórmula de expansão da área plantada.
Em termos nacionais, o dinamismo na incorporação de novas áreas manteve-se apenas no Centro-Oeste, onde na mesma
década foram incorporados mais 2,6 milhões de hectares, principalmente com a expansão da produção de grãos. Certamente para
isto muito contribuiu a implantação da BR-163, no trecho que faz a ligação de Campo Grande com Cuiabá, seguindo em direção
norte até a divisa com o Estado do Pará. Esta rodovia, gradativamente, teve um importante papel estruturador na agricultura
regional, na medida em que acabou por propiciar a interiorização da produção agrícola para distâncias cada vez maiores, pois
através duma combinação com terras baratas não deixou que os custos de transporte contribuíssem para reduzir significativamente
a margem do produtor. No entorno desse eixo rodoviário, implantam-se as culturas de grãos, especialmente da soja, na segunda
metade dos anos 80. Considerando-se apenas esta última, entre 1981/82 e 1988/89, sua produção quase que quadruplicou na
região Centro-Oeste, passando de 2.495 mil para 8.019 mil toneladas, fazendo com que a região respondesse por 59% do
incremento da área colhida de soja no País e por pouco mais da metade (52%) da expansão da produção nacional. Além disso,
observou-se um aumento dos seus níveis de produtividade, passando de 1.820 para 2.095 kg/ha, superior à média nacional.
Esse processo trouxe como conseqüência uma forte diferenciação do espaço agrário regional. Nele convivem segmentos
produtivos (lavoura temporária) com intenso processo de capitalização e acentuados investimentos em máquinas e insumos
químicos, com segmentos voltados à pecuária extensiva, com reduzidas taxas de lotação do rebanho e inexpressivas parcelas de
pastagens plantadas. Ao analisar a incorporação da região Centro-Oeste ao processo da produção nacional é que a avaliação da
Fundação IBGE (6) conclui que as metas de ampliação do espaço produtivo, estabelecidas na década de 70, com os PNDs foram
alcançadas.
Entre 1975 e 1980 foram anexados ao processo produtivo 21.375 mil hectares. Destes, 13.735 mil são de Mato Grosso, o
Estado que passou por maiores transformações na região, pois, agora “dotado de infra- infra-estrutura rodoviária, cumpre suas funções
atuais como área produtora
produtora de produtos primários para exportação, escoando seus produtos aos portos do Atlântico através de
verdadeiros corredores de exportação”. Por isso, o Centro-Oeste deixou de ser, na década de 80, a região natural definida pelo
IBGE em 1941. Não é mais, também, a região definida no fim da década de 60, como um espaço de transição entre o Sudeste e a
Amazônia. Na década de 80 integrou-se ao sistema econômico nacional, com especialização regional e reivindicando uma
redefinição de suas funções, na divisão inter-regional do trabalho do País.

13
RESENHA DA HISTÓRIA DE MATO GROSSO

• O primeiro bandeirante que chegou a região de Cuiabá foi Antonio Pires de Campos, em 1718, que aprisionou índios e
regressou para São Paulo.
• Cuiabá (termo indígena “Ikuiapá”, que significa lugar da flecha). A razão da cidade ter tal nome é estar localizada
justamente no local em que antigamente os índios bororos pescavam com flechas e arpões.
• Foi o bandeirante Paschoal Moreira Cabral que encontrou ouro no valo do Coxipó e fundou um arraial às margens desse
rio, com o nome de Arraial da Forquilha, sob a invocação de N.S. da Penha de França, em 08 de Abril de 1719.
• A história de Mato Grosso começa assim, com a fundação de Cuiabá. A fama das riquezas descobertas ecoou em São
Paulo e muitas expedições de lá partiram, rumo ao novo Eldorado.
• Três anos depois, em 1722, o bandeirante Miguel Sutil descobriu ouro em quantidade até antão desconhecida, às margens
do Ribeirão Prainha, próximo a atual Igreja de N.S. do Rosário em Cuiabá. Essas minas riquíssimas receberam o nome de
Lavras do Sutil e sua fama abalou São Paulo.
• De Cuiabá os bandeirantes se espalharam por outras regiões da Capitania, onde o ouro também aflorava, fundando
povoações. O povoamento de Mato Grosso partiu, portanto de Cuiabá, que foi o seu número inicial.
• Os paulistas tornaram-se os mais importantes bandeirantes, pela circunstância de que na região de São Paulo, os rios
correm do litoral para o interior, como se fossem predestinados a conduzir os exploradores da terra. Por isso foram eles os
descobridores de Mato Grosso e São Paulo, que sempre teve maiores ligações históricas e sociais com Mato Grosso.
• Tamanha foi a importância atribuída ao ouro de Cuiabá e regiões circunvizinhas que o governo da metrópole portuguesa
decidiu criar a Capitania de Mato Grosso, separando-se da de São Paulo em 1748.
• O primeiro Capitão – General, Antonio Rolin de Moura Tavares, veio com instruções de colocar a sede de seu governo em
ponto, de onde fundou Vila Bela da Santíssima Trindade em 19/03/1752, para ser a capital da nova capitania, as margens
do Rio Guaporé.
• Desde a criação da capitania, em 1748, desmembrada da de São Paulo, até a proclamação da independência do país, num
período de 74 anos, foi Mato Grosso administrado por nove Capitães Generais.
• O que caracterizou o Período Colonial foi a constante preocupação com a consolidação e defesa do imenso território que
os bandeirantes haviam incorporado ao Brasil.
• Com a outorga da Constituição do Império, de 25 de Março de 1854, as Capitanias passaram a denominar-se Províncias.
Governadores coloniais

A partir de 1748, Mato Grosso é desmembrado da capitania de São Paulo, criada então a capitania de Mato Grosso e os
seguintes governantes:
• Antônio Rolim de Moura de 1751 a 1765, fundou a primeira capital Vila Bela da Santíssima Trindade.
• João Pedro Câmara de 1765 a 1769,
• Luís Pinto de Sousa Coutinho de 1769 a 1772, expulsou os jesuítas e fundou vários fortes e povoados.
• Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres de 1772 a 1789.
• João de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres de 1789 a 1796.
• Caetano Pinto de Miranda Montenegro de 1796 a 1802.
• Manuel Carlos de Abreu e Meneses de 1802 a 1807.
• João Carlos Augusto d'Oeynhausen e Gravembourg (Marquês de Aracati) de 1807 a 1819, iniciou a transferência da capital
de Vila Bela para Cuiabá.
• Francisco de Paula Magessi de Carvalho (Barão de Vila Bela) de 1819 e 1821.
1º Reinado e Regências

• Foram nomeados para Mato grosso 5 presidentes.


• Os fatos mais importantes ocorridos neste período foram: a “Rusga”, a oficialização de Cuiabá como capital da província e
o aparecimento da primeira tipografia em Mato Grosso.

14
• A “Rusga” foi um movimento nativista que explodiu em Cuiabá, com ramificações em outros pontos do estado. Na noite de
30 para 31 de maio de 1834, centenas de populares agindo sob inspiração de Antonio Patrício da Silva Manso,
exterminaram dezenas de portugueses, saqueando-lhes as casas.
2º Reinado

• Começa com a declaração da maioridade de D. Pedro II, a 23 de Julho de 1840 e vai até a Proclamação da República em
15 de Novembro de 1889.
• Durante esses 49 anos, Mato Grosso foi governado por 28 presidentes nomeados pelo imperador.
• De todos eles, os que mais se destacaram pela sua ação administrativa foram Augusto João Laverger, o futuro Barão de
Melgaço, que exerceu a presidência por 3 vezes e o Dr. José Vieira Couto de Magalhães.
• Fato curioso durante esse período foi a chegada a Cuiabá, em 1844, do médico Dr. Sabino da Rocha Vieira, que chefiou a
revolução baiana de 1837, conhecida como “Sabinada”, e que, condenado a degredo no sertão, ia a caminho da Forte do
Príncipe da Beira, quando foi acolhido pelo Dr. João Carlos Pereira leite, na sua fazenda Jacobina, situada na estrada de
Cuiabá a Cáceres e ali permaneceu até sua morte, ocorrida em 25 de Dezembro de 1846.
• Outro fato curioso foi a estada em Cuiabá do Capitão Manoel Deodoro da Fonseca, futuro marechal, proclamador da
república e primeiro presidente, que veio como ajudante de ordens do Presidente Antonio Pedro de Alencastro. Deodoro
casou-se em Cuiabá. Retornou a Mato Grosso, já no posto de marechal, em janeiro de 1889, permanecendo apenas 6
meses e regressando ao Rio 3nmeses antes da proclamação da república.
• Outro futuro presidente da república, Floriano Peixoto, veio em Mato Grosso, como comandante das Armas, tendo
exercido, por um ano, a presidência da província. Ocupou também esse posto, por 3 anos (1875 a 1878), o General
Ernesto da Fonseca, pai do Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, que foi o sétimo presidente da república, no
quadriênio 1810 a 1914.
Fato mais importante – Guerra do Paraguai

• A propaganda dos ideais republicanos que empolgava todo o país, também encontrou eco em Mato Grosso. Dois jornais
circularam em Cuiabá fazendo propaganda republicana: A República (1882, de Francisco Agostinho Ribeiro) e A Gazeta (
1888, de Vital de Araújo).
• A 27 de Junho de 1888, foi lançado um manifesto pela fundação do Partido republicano em Mato Grosso, o que se efetivou
a 12 de Agosto.
• A notícia da proclamação da república só chegou a Cuiabá na madrugada do dia 09 de dezembro de 1889, trazida pelo
comandante do navio Coxipó. Conhecido o fato, um movimento popular dirigido por aqueles líderes aclamou o Marechal
Antonio Maria Coelho, herói da retomada de Corumbá, como governador do estado, sendo ele empossado pela assembléia
legislativa e depois confirmado pelo presidente provisório da república, Marechal Deodoro da Fonseca.
• Com a primeira constituição da república (24 de agosto de 1892), as antigas províncias passaram a denominar-se estados.
• Cumprindo dispositivo dessa constituição, em maio de 1892, foram eleitos os deputados que comporiam a assembléia
estadual constituinte.
• A 15 de agosto de 1891, era promulgada a primeira constituição estadual e eleito o primeiro presidente, Manoel José
Murtinho.
Movimentos Sociais

• Rusga (1843), Rebelião ocorrida em Cuiabá, durante a Regência, objetivando a retirada do poder público das mãos dos
conservadores para cedê-los aos liberais (Regências).
• Massacre da Baía do Garcez (1901) Movimento ocorrido durante a política dos governadores (governo de Antonio Alves de
Barros), quando foi realizado um cerco a Usina de Conceição, com prisões e execuções bárbaras.
• Caetanada (1916), Movimento ocorrido pela posse da terra: de um lado a Companhia Mate Laranjeira e de outro, os
interesses dos trabalhadores (gaúchos).
• Norbech e Carvalhinho (1920 em diante), Luta travada entre 2 chefes locais das zonas de garimpo, no leste mato-
grossense.
• Tanque Novo (1933), Movimento armado ocorrido em 1933, no município de Poconé, que resultou em perseguições por
questões políticas e no julgamento de Doninha (1º República).

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Os quilombos

Existiam em Mato Grosso, durante os séculos XVIII e XIX, 11 quilombos, sendo mais conhecidos:
Os do Vale do Guaporé:
1. Piolho,
2. Quariterê
3. Joaquim Felix,
Os de Chapada dos Guimarães:
1. Mutuca,
2. Pindaituba
3. Rio Manso (formados por escravos fugitivos dos engenhos de açúcar) e o da região de Cáceres.
Primeira República

• Vai até a Revolução de 1930 e durante esse período de 40 anos, teve Mato Grosso 22 governantes. As agitações que
caracterizam esse período da consolidação da república em Mato Grosso, começa com a Revolução de 1892, que depõe o
Presidente Murtinho.Em seguida, ocorre a frustrada tentativa da implantação da “República Transatlântica de Mato
Grosso”, independente do Brasil.
• Em maio de 1892 uma contra revolução, chefiada por Generosa Ponce, devolve o governo a Murtinho. Chamou-se a isso a
reposição da legalidade.
• Substituto de Murtinho, foi o Dr. Antonio Correa da Costa, que renunciou em virtude do “caso do bonde”, ocorrido com o
Senador Generoso Ponce.
• Nas eleições seguintes, de 1899, foi eleito presidente o Comandante Antonio Pedro Alves de Barros, que realizou um
governo marcado pela violência, culminado com a tragédia da Baia do Garcez, na qual foram trucidados 17 mato-
grossenses.
• Para sucessor do Comandante Alves de Barros, foi eleito presidente o Coronel Antonio Paes de Barros (Totó Paes),
proprietário da Usina Itaicy.
• Continuando o clima de insegurança e violência no estado, o Coronel Generoso Ponche e Dr. Antonio Correa da Costa,
chefe oposicionista, exilaram-se em Assunção, no Paraguai, onde passaram a editar o jornal “A Reação”, que entrava
clandestinamente em Mato Grosso.
• m 1906 retorna ao Estado. Encontra-se em Corumbá com Manoel Murtinho, seu adversário político, mas que se encontrava
em desentendimento com Totó Paes. Acertaram a formação da “Coligação Mato-Grossense”. Reúnem forças poderosas no
sul e norte do estado, estas chefiadas por Pedro Celestino Correa da Costa e cercam a Capital (junho de 1906). Era a
“Revolução de 1906”. Totó Paes, intimado a render-se, conseguiu fugir da cidade sitiada e foi alcançado e morto no Coxipó
do Ouro.

Termina assim, o movimento armado que encerra o agitado período da consolidação da república em Mato Grosso. Com a
vitória da Revolução de 1906, inicia-se um período de paz e tranqüilidade na política de MT. Nessa fase, preocupam-se os
governantes, com os problemas de colonização, construção de estradas, navegação fluvial, saúde pública e ensino.
• Nos anos de 1920,1911 e 1912, respectivamente, são fundadas a escola de Aprendizes Artífices (hoje Escola
Técnica Federal), a Escola Normal Pedro Celestino e a Biblioteca Pública Estadual.
• No governo Dom Aquino, são resolvidas as questões de limites com Goiás e circulam os primeiros automóveis em
Cuiabá.
• O presidente Mario Correa remodela Cuiabá, iluminando-a com energia hidroelétrica da Usina do Rio da casca, a
pioneira no gênero em Mato Grosso e promove a vinda a Capital do primeiro avião, que rasga as rotas aéreas do
oeste brasileiro.
• Durante os anos de 1908 a 1915, Mato Grosso é percorrido pela “Comissão Rondon”, construindo linhas
telegráficas, pacificando índios, realizando estudos científicos e plantando povoações e cidades. Perturbações
havidas nos anos finais da primeira república, foram a passagem pelo estado, dos fugitivos da “Coluna Prestes”e as
lutas fratricidas na região garimpeira do leste, entre os seguidores do Dr. Norbech e seu es-subordinado
Carvalhinho.
16
• Grandes vultos da política e da cultura mato-grossense nesse período foram Generoso Ponce, Marechal Rondon,
Dom Aquino Correa que foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e Antonio Azeredo, por muitos anos, vice e
presidente do Senado federal.
• A chamada “Primeira República”, terminou em outubro de 1930, com a vitória da revolução liberal, que depôs o
Presidente Washington Luis.

Economia entre os séculos XVIII, XIX e meados do séculos XX

• Cana de açúcar, erva mate (arrendamento Cia Matte Laranjeira – renda 6 vezes maior que a do estado MT) POAIA
(exportação rica em ementina – medicinal – Bacia do Rio Paraguai a do Guaporé – (Cáceres/Barra do Bugres/ Vila
Bela e Cuiabá)
• Borracha: Mangabeiras (rios Paraguai e Amazonas).
• Pecuária: XVIII – Como atividade subsidiária (Cuiabana e Guapareana) – desenvolvimento da indústria do charque
(Cáceres).
• Hidrovia – PR/Paraguai – 1858-1870 – Ativada em 1880 – Cáceres ao Uruguai.
• Aproximadamente 1.750.000 Km 2 – População 17 milhões de habitantes (Argentina/Bolívia/Brasil/Paraguai) ZPE –
Zona de Processamento de Exportação Cáceres – parque Industrial – exportar produtos via Mercosul.
Estrada de Ferro Madeira Mamoré

• Idealizador: George Eral Church – Amazônia/Bolívia – Eng. Brasileiro Martins da Silva Coutinho.
• 1867 – Tratado da Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição.
• 1871 – Madeira Mamoré Railaway CO Ltda Construtoras: Public Works Construtions CO p&T Collins (Filadélfia) Faliu
em 1881.
• 1903 – Renasce com truste americano – Facqhuar – Tratado de Petrópolis.
• 1912 – Concluída – Não havia mais borracha. Inviabilidade – fretes caros. Em 1929 faliu.
• 1972 – reativação – Apenas para turismo Porto Velho a Santo Antônio
• Fase final – Haviam 21.817 trabalhadores. Morreram 6.000. Trabalho em forma assalariado e servidão.
• Saúde: Hospital da Candelária – Dr. Belt – Porto Velho (região mais doentia do mundo – sarampo, tuberculose, febre
amarela, malária e outras). Conseqüência: nascimento cidade de Porto velho _ RO
• Estrada de ferro – Noroeste do Brasil: SP 575.611 Km –(25) – MT 964.006 KM (9). Ligaria Bauru(SP) a Cuiabá(MT).
Chegou até Campo Grande (Porto Esperança e Ponta Porã). Desagradou aos comerciantes de Corumbá que deixou
de ser agente catalizador. Decadência 1920.
2º República Ou República Nova e com ela um governo provisórios, chefiado pelo Dr. Getulio Vargas.

• Os estados passaram q ser administrados por interventores nomeados pelo governo central. Para Mato Grosso vieram os
interventores Antonio Mena Gonçalves, Artur Antunes Maciel, Leônidas Antero de Matos, César de Mesquita Serva,
Fenelon Muller e Newton Cavalcanti, que administraram Mato grosso desde outubro de 1930 a 07 de Setembro de 1935.
• Em 1932 ocorreu a chamada Revolução Constitucionalista, em que forças de Mato Grosso e São Paulo se levantaram
contra os governo federal, exigindo a reconstitucionalização do país.Derrotado o movimento revolucionário, o ideal de
legalidade tornou-se, entretanto, vitorioso, pois em 1933, o governo federal convoca eleições gerais e em 1934 o país tinha
uma nova constituição estadual e eleito governador o Dr. Mario Correa da Costa.
• Em março de 1937 o governo da união decretava nova intervenção em Mato Grosso, em virtude do “impeachment” movido
pela assembléia contra o governador e distúrbios dele decorrentes.
• A 10 de novembro de 1937, em golpe de estado, implantava no país, o “Novo Estado”, um regime ditatorial, apoiado numa
constituição outorgada.
• Durante todo o período do Estado Novo, que perdurou até 29 de outubro de 1945, o governo de Mato Grosso foi exercido
pelo Bacharel Julio S. Muller. Realizou ele, sem dúvida, uma das mais brilhantes administrações que o estado tinha até
então, notabilizado sobretudo, pelas obras oficiais, que construiu em Cuiabá. Durante seu governo, Mato Grosso recebeu a
visita do Presidente Getulio Vargas, o primeiro presidente a visitar o estado.

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Por exigências da guerra, incentivou-se novamente nesse período a indústria extrativa da borracha, que passou a ser
material estratégico. Ainda nessa época, o presidente Getulio Vargas, lançou sua “Marcha para Oeste”, com a criação da Fundação
Brasil Central. Foi brilhante a participação de Mato Grosso na II Guerra Mundial. Muitos oficiais e praças oriundos deste estado
lutaram na FEB e os 2 maiores heróis da campanha da Itália foram mato-grossenses: o capitão João Tarcisio Bueno (Monte
Castelo) e o 2º tenente Iporam Nunes de Oliveira (Montesi). O Estado Novo caiu em virtude do movimento revolucionário de 29 de
outubro de 1945. Com a deposição de Getulio Vargas e dos interventores, foram empossados na Presidência da república, o
presidente do supremo tribunal federal, ministro José Linhares e nos governos estaduais os presidentes dos tribunais de justiça dos
estados.
• A 2 de outubro de 1945, foi eleito presidente da república, o mato-grossense General Eurico Gaspar Dutra.

3º República:
República: Vai da queda de Getulio Vargas em outubro de 1945 a revolução de 1964, período em que estava na presidência da
república, o mato-grossense Eurico Gaspar Dutra. Exerceram a governança do estado, eleitos pelo voto direto, os seguintes
governadores:
• Arnaldo Estevão de Figueiredo
• Fernando Correa da Costa
• João Ponce de Arruda
• Fernando Correa da Costa
Infra-
Infra-estrutura:

• Nesse período inicia-se no estado com escassos recursos, a implantação das rodovias previstas no plano rodoviário
nacional.
• No setor de energia elétrica, registra-se a construção da Usina nº 2 do Rio da Casca (Cuiabá) e a elaboração do
projeto da Usina do Mimoso (Campo grande). Organização e promoção da reunião de governadores dos estados da
bacia dos rios Paraná e Uruguai que resultou na construção das Usinas de Urubupungá e lha Solteira.
• Ocorreu a reforma na educação: secretaria de educação e saúde do Mato Grosso.
Implantação do plano rodoviário estadual.
estadual.

• O governo Fernando Correa provoca a realização de uma reunião entre os governos de Mato Grosso, São Paulo,
Minas, Goiás e Paraná, da qual resultou a criação da comissão interestadual da bacia Paraná-Uruguai e a
construção das hidrelétricas que hoje aproveitam o potencial do Rio Paraná.
• Nesse período da Terceira República, foram instalados o banco do estado de Mato Grosso, a Acarmat, a Casemat e
a Usina Açucareira de Jaciara.
• João Ponce de Arruda assinou o decreto nº 120, de 05/09/1956, determinado a reabertura do curso de Direito e pelo
decreto nº 40.387, de 20/11/1956, obteve do Presidente J.K. autorização para o funcionamento da Faculdade de
Direito de Mato Grosso.
Antes da eleição de Arnaldo de Figueire
Figueiredo,
redo, Mato Grosso teve 2 interventores:

• Desembargador Olegário Moreira de Barros


• Dr. José Marcelo Moreira.
4º República

• Vai da Revolução de 1964, ao término do governo João Figueiredo, em 15 de março de 1985.


Pedro Pedrossian

• De 1966 a 1971 –– Este governo marca o início de uma nova mentalidade político administrativa no estado.
• Criação do Instituto de Ciências e Letras de Cuiabá e o Instituto de Ciências Biológicas de Campo Grande.
• Em 10/12/1970 – Médice sanciona a Lei 5647, criando a Universidade Federal de Mato Grosso.
José Fontanilha Fragelli – 1971 1 1975.

• 1973 – Medice implantou PIN – Plano de integração Nacional – BR 158 – B. Garças a S. Felix do Araguaia
• Expulsão de posseiros e índios (Parque Nacional do Xingu)
• Normalização financeira do BEMAT
• Criação de rodovias vicinais
• Construção de linha de transmissão da Cachoeira Dourada a Cuiabá.
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• Utilização de linha de transmissão para 8 municípios de Mato grosso.
• Início da construção do CPA – Centro Político Administrativo e do Estádio Verdão

José Garcia Neto

• 1976 a 1979 – José Garcia Neto – Mato grosso – Estado Solução


• Criou a Fundação Cultural do MT
• Divisão do estado pela Lei Complementar nº 31 de 11/10/1977 – Início com Barros Cassal e João Caetano Muzzi em
fins do século XIX. Mesmo tendo sido divididos territorialmente, Mato Grosso e Mato grosso do Sul, não podem ser
divididos culturalmente, pois a história de ambos foi única de 1719 a 1977.
Frederico Carlos Soares
Soares de Campos

• 1979 a 1983 – Frederico Carlos Soares de Campos – Fé, coragem e perseverança. Criação de vários municípios.
Julio José de Campos

• 1983 a 1987 – Julio José de Campos – Progresso para todos.


• Até a década de 80, 25 colonizadoras (SUDAM/BASA/SUDECO) – Ministério da Reforma Agrária.
Governo do Estado de Mato grosso – Governador Blairo Borges Maggi

• Vice Governadora: Iraci Araújo Moreira. A vice-governadora entrou para a história de MT, como sendo a primeira
mulher a assumir o governo do estado, durante o período em que o governador efetivou várias viagens para o
exterior
Os 3 símbolos oficiais

O estado de Mato grosso possui 3 símbolos oficiais. Por ordem cronológica, considerando a legislação específica de cada um
deles. São:
• O mais antigo dos símbolos oficiais do MT é a sua bandeira. Ela foi criada pelo Decreto nº 2, de 31 de janeiro de
1890, pelo primeiro governador republicano, o general Antonio Maria Coelho.
• O Brasão de Armas do Estado de MT, nos termos do artigo 19 da constituição Estadual, é o instituído pela
Resolução nº 799, de 14 de Agosto de 1918, da presidência de MT.
• Hino Oficial de MT – O Decreto nº 208/1.983 oficializa a letra e melodia do poema de D. Francisco de Aquino Correa,
musicado por Emilio Heine, como o hino do estado de MT.

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MATO GROSSO ATUAL

Não se pode compreender o Mato Grosso atual sem considerar duas variáveis:
• a construção de Brasília, nos anos 1960, e os reflexos da filosofia do presidente Juscelino Kubitscheck de
interiorizar o Brasil, expandindo o desenvolvimento e a nacionalidade, confinados, historicamente, no litoral. De
Brasília partiram os grandes eixos rodoviários e os conceitos políticos concebidos para interiorizar o Centro-Oeste
e a Amazônia.
• A segunda variável foi, na década de 1970, a filosofia estratégica dos governos militares de integrar o Centro-
Oeste à Amazônia, complementando a expansão de Brasília.
Na retaguarda desse novo avanço havia algumas circunstâncias especiais. Uma delas, os problemas sociais, no Rio Grande
do Sul, que atingiam descendentes dos imigrantes europeus, que vieram para o Brasil no final do século XIX e começo do século
XX.
O minifúndio, de 25 hectares, recebido na chegada, foi dividido, sucessivamente, entre os descendentes e, já na década de
30 do século XX, os filhos migravam para Santa Catarina, Paraná e para o Sul de Mato Grosso. Mas a segunda geração
remanescente no Rio Grande tornara-se um problema social, acampada na entrada de Porto Alegre, expulsa de terras indígenas,
que invadiram alguns anos antes. Esses descendentes, ao lado dos cafeicultores atingidos pelas geadas de 1974/75 no Paraná,
aumentavam a crise social no Sul do Brasil, cuja economia era a referência nacional.
Esses dois fatos, somados à visão estratégica de ocupar a Amazônia, levaram o governo do presidente Emílio Garrastazu
Médici (1971- 1975) a criar programas especiais de desenvolvimento, destinados a criar infra-estrutura nas regiões Sul e Norte de
Mato Grosso. A idéia era preparar Mato Grosso para ser o “Portal da Amazônia”, e, a partir dele, ocupar o norte amazônico.
A doutrina manteve-se nos dois governos seguintes, até 1985. A política federal investiu nesses programas de
desenvolvimento e, num segundo gesto, atraiu os descendentes dos imigrantes, os cafeicultores e brasileiros de todas as regiões
para Mato Grosso, Rondônia e Sul do Pará. Mas Mato Grosso foi, realmente, o “Portal da Amazônia”.
• Para apoiar a ocupação, o governo federal, através do Programa de Integração Nacional – PIN, pavimentou as
rodovias BR-163 e 364, ligando Cuiabá a Goiânia e a Campo Grande, com extensão à malha rodoviária nacional.
• Criou a Universidade Federal de Mato Grosso e estendeu linhões de energia elétrica a partir de Cachoeira Dourada,
em Goiás. Como último gesto para fortalecer o “Portal da Amazônia”, o governo federal dividiu Mato Grosso em
1977, separando Mato Grosso do Sul, desmembrado em 1° de janeiro de 1979, já que a região Sul tinha melhor
infra-estrutura e melhor posição geográfica em relação ao Sul e Sudeste.

Nos anos 1970, a população de Mato Grosso se elevou de 599 mil para 1.038 milhão em 1980, 2.027 milhões em 1991,
2.235 milhões em 1996, 2,504 milhões em 2000 e 2.803 milhões de habitantes em 2005. Na esteira da evolução demográfica, os 38
municípios de 1979 multiplicaram-se para 141 em 2006.
Multiplicaram-se também as fontes da economia, com ampliação da pecuária, da agricultura, da madeira, da indústria, do
comércio e dos serviços, na inevitável cascata do desenvolvimento econômico. A pecuária, antes restrita ao Pantanal, ganhou as
terras altas cultivadas dos cerrados e avizinhou-se da agricultura. Desenvolveram-se ambas em escala surpreendente.
Por fim, Mato Grosso fez severa frente ao Centro-Oeste. O PIB da agropecuária saltou de menos de 1% em relação ao PIB
nacional em 1970, para 2,45% em 1998 e 4,9% em 2003. Evidente que o crescimento econômico gerou demandas a serem
superadas. Entre elas, a infra-estrutura viária para suportar a logística das novas exigências produtivas.
Na esteira social, questões como saúde, educação, IDH, emprego e renda, habitação, segurança, tomaram vulto em escala
geométrica. O estágio atual indica, para o futuro de curto, médio e longo prazos, o desafio da construção de um novo ciclo, que
agregue todas as variáveis econômicas e sociais construídas nesses 36 anos, contados a partir de 1970.
Os números de Mato Grosso são mais desafiadores do que consoladores. A visão do mundo globalizado pede inserções
muito sólidas e pragmáticas da produção econômica. Barreiras fiscais, sanitárias, ambientais, qualidade e competitividade, desafiam
subsídios dos países ricos, requerem novas visões estratégicas. No lugar do pioneirismo surgido com Brasília e já consolidado, os
tempos atuais exigem gestão globalizada de produção e de produtos e a construção de tecnologias específicas, capazes de atender

20
à competitividade cruel dos mercados internacionais. Esta edição de “Mato Grosso em Números – 2006” é uma radiografia do
patamar, a partir do qual os patamares futuros devem se construídos.
Onofre Ribeiro Jornalista
1.1-
1.1- Localização e extensão:
extensão:

O Estado de Mato Grosso faz parte da Região Centro-Oeste do Brasil, localizado na parte sul do continente americano.
Possui superfície de 903.357,91km2, limita-se ao Norte com os Estado do Pará e Amazonas, ao Sul com Mato Grosso do Sul, a
Leste com Goiás e Tocantins e a Oeste com Rondônia e Bolívia.

1.2-
1.2- Fuso Horário

Devido à grande extensão Leste-Oeste, o território brasileiro abrange quatro fusos horários situados a Oeste de Greenwich. O
Estado de Mato Grosso abrange um fuso horário (o fuso quatro negativo), correspondendo ao quarto fuso horário. Apresenta,
portanto, 4 horas a menos, tendo como referência Londres, o horário GMT (Greenwich Meridian Time).

2.0-
2.0- Organização Político-
Político-administrativa

Atualmente a divisão político-administrativa de Mato Grosso apresenta o seguinte aspecto:


• 142 municípios;
• 22 microrregiões político-administrativas;
• 5 mesorregiões definidas pelo IBGE.
• Em 2001, através de estudos produzidos pela SEPLAN/MT, foi realizada uma nova regionalização do Estado e foram
definidas 12 Regiões de Planejamento.
• Atualmente Mato Grosso possui 75 terras indígenas;
• 19 unidades de conservação federais;
• 42 estaduais;
• 44 municipais distribuídas entre reservas, parques, bosques, estações ecológicas e RPPN (Reserva Particular do
Patrimônio Nacional).

3.0-
3.0- Aspectos Físico

3.1- Relevo

Pela classificação de Ross (1996), descrita por Vasconcelos (2005), o relevo do Estado de Mato Grosso apresenta três tipos
de unidades geomorfológicas que refletem suas gêneses:
1. os planaltos;
2. as depressões
3. planícies,

21
Os planaltos foram identificados em três grandes categorias: planaltos em bacias sedimentares, em intrusões e coberturas
residuais de plataforma e em cinturões orogênicos; as depressões e as planícies foram identificadas conforme denominações
geográficas regionais.
• Planaltos em bacias sedimentares – Os Planaltos em bacias sedimentares são quase inteiramente

circundados por depressões marginais. Essas unidades também se caracterizam por apresentar nos
contatos relevos escarpados em relação às depressões que os circundam, ou estão embutidas em seu
interior.
Em Mato Grosso, foram identificados o Planalto e Chapada dos Parecis, o Planalto e Chapada dos Guimarães e o Planalto
Alcantilados-Alto Araguaia. Esses planaltos integram o planalto central brasileiro, onde ocorreu extensiva substituição da
dos Alcantilados-

cobertura vegetal original de cerrados pela agricultura tecnificada, com elevada especialização produtiva e predominância do cultivo
de grãos nos chapadões.
As bordas das Chapadas caracterizam-se pela beleza cênica da paisagem, com alto potencial para o turismo. Planaltos em
intrusões e coberturas residuais de plataforma – Estas unidades não se constituem exclusivamente por coberturas sedimentares
residuais de diversos ciclos erosivos, mas também por um pontilhado de serras e morros isolados, associados às intrusões
graníticas, derrames vulcânicos antigos e de dobramentos com ou sem metamorfismo, todas formações datadas do Pré-Cambriano
Inferior a Superior.
Esta unidade em Mato Grosso foi sub-compartimentada em Planaltos e Serras Residuais do Norte de Mato Grosso e
Planaltos e Serras Residuais do Guaporé-Jauru.
1. Planaltos em cinturões orogênicos – Os planaltos que ocorrem nas faixas de orogenia ou dobramentos antigos

correspondem aos relevos residuais sustentados por diversos tipos de rochas, quase sempre metamórficas associadas a
intrusivas. Em Mato Grosso essas áreas correspondem às estruturas dobradas do cinturão Paraguai-Araguaia, que formam
inúmeras serras associadas aos residuais de estruturas dobradas intensamente atacados por processos erosivos, sob a
denominação de Província Serrana/Serras Residuais do Alto Paraguai, incluindo também o Planalto do Arruda-Mutum e o
Planalto de São Vicente.
2. Depressões periféricas e marginais – As depressões no território brasileiro têm uma característica genética muito marcante

que é o fato de terem sido geradas por processos erosivos com atuação acentuada nos contatos das bordas das bacias
sedimentares com maciços antigos. As atividades erosivas com alternâncias de ciclos úmidos e secos esculpiram, ao longo
do Terciário e Quaternário, as depressões periféricas, as marginais e as monoclinais, que aparecem circundando as bordas
das bacias e se interpondo entre estas e os maciços antigos do cristalino.
3. Planícies – Os relevos que se enquadram nas Planícies no Estado de Mato Grosso, correspondem às áreas

essencialmente planas, geradas por deposição fluvial de sedimentos recentes. São áreas, portanto, onde atualmente
predominam os processos agradacionais associados aos depósitos recentes do Quaternário, principalmente do Holoceno.
Em Mato Grosso foram identificadas três grandes unidades de planícies e pantanais:

• Planície e Pantanal
• do Rio Guaporé,
• Planície e Pantanal do Rio Paraguai
• Planície do Rio Araguaia
Em Mato Grosso, foram identificadas as depressões:

• do Norte de Mato Grosso;


• do Guaporé;
• do Araguaia;
• do Alto Paraguai;
• a Cuiabana;
• Depressão Interplanáltica de Paranatinga.
Solos

O Estado de Mato Grosso possui ambientes naturais diversificados, o que reflete a heterogeneidade de suas coberturas
pedológicas. Destacam-se, em extensão, as classes de solos:
• latossolo vermelho-amarelo e latossolo vermelho-escuro, com aproximadamente 366.389,81km2;
22
• podzólicos vermelho–amarelos, em torno de 216.286,72km2;
• areias quartzosas com 116.202,38km2, todos em caráter de dominância.

Os latossolos e podzólicos, em relevos plano e suave ondulados sob Cerrados e Florestas, são predominantemente ácidos e
de baixa fertilidade, necessitando correção com calcário e adubação química, para uso agropecuário. Os latossolos que se
estendem na parte centro-sul do Estado sobre planaltos e chapadas, possuem condições físicas excelentes para agricultura
mecanizada.
Os podzólicos sob florestas, distribuídos na parte norte do Estado, merecem cuidados especiais, em função do regime

climático (a maioria sob clima equatorial), menor profundidade efetiva, presença de cascalhos, pedregosidade e gradiente textural,
que os tornam mais susceptíveis a processos erosivos.
Os solos de areias quartzosas, com baixa retenção de umidade e nutrientes aplicados, podem ser utilizados para

preservação, culturas adaptadas, pastagens nativas e reflorestamentos.


Destacam-se, pela fertilidade mais elevada, os podzólicos vermelho-
vermelho-escuros e terras roxas estruturadas, em pequenas áreas

no embasamento cristalino, ao norte do Estado. No sudeste, como dominantes, perfazem um total de 1.282,66km2, distribuídos em
relevo suave ondulado a ondulado, o que os torna susceptíveis a processos erosivos.
No Planalto de Tapirapuã destacam-se os latossolos
latossolos roxos em 1.576,34km2. Outras classes de solos ocorrem em menor

extensão, dentre elas, cambissolos, solos litólicos, planossolos e solos concrecionários, todos com baixa fertilidade natural.
3.2-
3.2- Clima

O Estado de Mato Grosso possui clima tipicamente


tipicamente continental, com duas estações bem-
bem-definidas:
definidas:

• Verão chuvoso
• Inverno seca.
A variação das médias de temperaturas deve-
deve-se principalmente a dois fatores:

• ampla extensão do território no sentido norte-sul;


• localização no interior do continente, com reduzida influência marítima;
• baixa amplitude térmica.
Assim, no extremo norte, a temperatura média anual é mais alta, em torno de 26º C, enquanto no extremo sul essa média é
de 22ºC. As variações de temperatura ao longo de um dia podem ser grandes, apenas quando há penetração de massa de ar fria de
origem polar, durante o inverno, principalmente nos meses de junho e julho.

O regime de chuvas é tipicamente tropical continental:

• Estação chuvosa vai de outubro a março (primavera e verão);


• Estação seca começa em abril e termina em setembro (outono e inverno).
As médias anuais de chuva variam de 1.250 a 2.750mm. Na região norte do Estado chove mais de 2.000mm por ano e
menos de 1.200mm no Pantanal. Predominam dois tipos de clima: equatorial e tropical continental
continental:

• O clima equatorial no norte do Estado caracteriza-se pela ocorrência de chuvas intensas, com temperaturas elevadas
durante os doze meses do ano. Sofre influência da massa equatorial continental, com altas temperaturas, baixas pressões
atmosféricas, forte evaporação e, conseqüentemente, intensas precipitações.(chuvas).
• O clima tropical continental, com duas estações bem-definidas, uma chuvosa e outra seca, também sofre influência da
massa equatorial continental, mas apenas no verão. No inverno, essa massa permanece estacionária sobre a Região Norte
do Brasil.
• No inverno, a massa tropical Continental avança e se instala sobre o Centro-Oeste, quase sem umidade. Tendo altas
pressões, impede a chegada de ventos úmidos, ocasionando a estiagem. Eventuais chuvas podem ocorrer, devido à
penetração da massa polar atlântica.

3.3-
3.3-Hidrografia

O Estado de Mato Grosso destaca-se no cenário nacional, sendo o divisor de águas que abriga as nascentes de rios
formadores das três grandes bacias hidrográficas do país: bacias Amazônica, do Paraná e Tocantins. Os rios matogrossenses que

23
integram a Bacia Amazônica drenam a porção norte do Estado, onde o escoamento das águas desses rios se faz com rapidez, à
medida que se dirigem para a Planície Amazônica, onde destacam-se os rios:
• Juruena

• Teles

• Pires, Arinos

• Aripuanã

• Roosevelt

• Xingu.

Na Bacia do Tocantins destaca-se o rio Araguaia, com sua nascente no extremo sul do Estado correndo para o norte. A leste
de Mato Grosso define o seu limite com o Estado de Goiás e Tocantins. Seus principais afluentes:
• rios das Mortes,

• das Garças,

• Cristalino

• Xavante.

Na Bacia do Paraná figura a rede de afluentes do rio Paraguai, drenando a porção sul e sudeste do Estado. Os rios
integrantes deste sistema caracterizam-se por possuir escoamento lento, correndo sobre aluviões recentes. O rio Paraguai é
navegável na maior parte do seu curso, e seus principais afluentes são os rios
• Jauru,
• Cabaçal,
• Sepotuba
• Cuiabá
Este ultimo, corta a cidade de Cuiabá, capital do Estado, sendo um dos principais rios tributários do Pantanal Mato-
Grossense.
Várias cachoeiras são encontradas na rede hidrográfica do Estado, destacando-
destacando-se:
se:

• cachoeiras do Véu de Noiva (Chapada dos Guimarães)


• da Fumaça, (Jaciara)
• o Salto dos Dardanellos ( Aripuanã )
Também merece destaque a represa do Rio Manso, localizada a 60km de Cuiabá, onde se encontra a Usina Hidrelétrica do
Rio Manso, de grande potencial turístico para esportes náuticos, assim como as baías:

• de Chacororé,
• Siá-Mariana,
• Uberaba
• Guariba.
O Estado é rico em recursos hídricos, mas a navegabilidade dos seus rios é pouco utilizada. Destacam-se trechos dos rios:
• Paraguai, (Hidrovia Paraguai-Paraná )
• Guaporé,
• Juruena,
• Araguaia (Hidrovia Tocantins-Araguaia)
• rio das Mortes,
3.4-
3.4- Vegetação

A vegetação do Estado de Mato Grosso encontra-se inserida nos Biomas e/ou Domínios dos Cerrados e das Florestas,
citados pela SEPLAN/CNEC (2002), definidos por Ab’Saber (1977). A fisionomia vegetal predominante no bioma do Cerrado é
constituída por bosques abertos, com árvores contorcidas e grossas de pequena altura (entre 8 e 12m); um estrato arbustivo e outro
herbáceo, onde predominam gramíneas e leguminosas.
Em função de peculiaridades edáficas, topográficas e climáticas desse bioma, distinguem-se os tipos mais relevantes no
Estado, segundo os estudos desenvolvidos pela SEPLAN/CNEC (2002), a saber:

24
• Campo Cerrado (Savana Parque) - Fisionomicamente prevalece o componente herbáceo e arbustivo, com indivíduos
arbóreos presentes de forma esparsa, compondo uma das expressões campestres da savana, denominada também
“Campo Cerrado”. Apresenta uma composição florística diversificada. Os componentes arbustivo e arbóreo (com altura
entre 1 a 2m) constituem-se de plantas características da Savana Arborizada.

• Cerrado Propriamente Dito (Savana Arborizada) - É caracterizada por um tapete gramíneo lenhoso contínuo e pela
presença de espécies arbóreas de troncos e galhos retorcidos, casca espessa (às vezes suberosa), folhas grandes
(podendo ser grossas, coriáceas e ásperas). Variações fisionômicas e estruturais, decorrentes geralmente de
características pedológicas diferenciadas e de perturbações antropogênicas, expressam-se pela distribuição espacial
irregular de indivíduos, ora com adensamento do estrato arbustivo-arbóreo, ora com predomínio do componente herbáceo.
A altura varia entre 2m e 7m.

• Cerradão (Savana Florestada) Fisionomicamente é descrito como a expressão florestal das formações savânicas. As
árvores que constituem o dossel possuem troncos geralmente grossos, com espesso ritidoma, porém sem a marcante
tortuosidade observada nas savanas. A estratificação é simples, e o componente arbóreo é perenifólio. Não há um estrato
arbustivo nítido, e o estrato graminoso é entremeado de espécies lenhosas de pequeno porte. Atinge altura em torno de
15m, podendo chegar a 18m. A composição florística do Cerradão é geralmente diversificada, contendo espécies das
expressões mais abertas das Savanas, que assumem hábito arbóreo, e da Floresta Estacional, raramente presente em
outras fisionomias savânicas. Ainda como característica desse Bioma tem-se a presença das

• Florestas de Galeria(ou matas ciliares), que começam, em geral, nos pequenos pântanos dos nascedouros dos ribeirões,
sob a forma de alamedas (veredas) de buritis ( Mauritia.sp). Estas florestas, ao longo dos cursos d’água, vão
progressivamente adquirindo outras espécies arbóreas, encorpando e ocupando gradualmente as “rampas” dos interflúvios.
Quando as matas ciliares se fundem no interflúvio, considera-se o fim da área nuclear do Domínio dos Cerrados.

• O Bioma das Florestas caracteriza-se pelas florestas: Ombrófila e Estacional. Com relação à Floresta Ombrófila, sua maior
expressão encontra-se no extremo Noroeste do Estado. Fisionomicamente representa uma formação florestal
pluriestratificada, de grande porte, com dossel de 20 a 30m de altura e emergentes que atingem até 45m. Predominam
espécies perenifólias. Epífitas são muito freqüentes, assim como lianas e plantas escandentes. A Floresta Estacional tem
ocorrência associada à estacionalidade climática e a solos geralmente mais férteis do que aqueles observados nas
Savanas. Entre estes dois Biomas, encontra-se a faixa de contatos – as chamadas áreas de transição (ou de tensão
ecológica) que se concentram, sobretudo, na faixa compreendida entre os paralelos 10º00’ e 14º00’S. Constitui-se em
comunidades indiferenciadas, entre dois ou mais tipos de vegetação, que podem interpenetrar-se ou confundir-se. O
primeiro corresponde aos encraves (mosaico de áreas edáficas), onde a vegetação preserva sua identidade ecológica sem
se misturar. O segundo caso é constituído pelos ecótonos (mosaico específico), onde os diferentes tipos de vegetação se
misturam, e a identidade ecológica é dada pela composição específica resultante.

• Complexo do Pantanal , considerado como um caso particular de área ou faixa de transição entre os Domínios dos
Cerrados e o do Chaco Central, também definido por Ab’Saber (1977). Fitogeograficamente, segundo Adámoli (1984),
citado pela SEPLAN/CNEC (2002), a região do Pantanal foi considerada como “ [...] um fitogeográfico de primeira
Carrefour

linha, no qual convergem quatro das principais províncias fitogeográficas da América do Sul: Amazônia, Cerrados,
Florestas Meridionais e Chaquenha [...]”. Os ciclos de cheias e vazantes criam condições e pressões peculiares, que
resultam em uma alta complexidade biótica. Pequenos desníveis de terreno ou pequenas diferenciações edáficas
condicionam formações vegetais completamente distintas.

25
4.0-
4.0- Demografia

O Estado de Mato Grosso, situado na Região Centro-Oeste, coloca-se, em termos de área, como a terceira maior unidade da
Federação, correspondendo a aproximadamente 10% do território nacional, contendo, em contrapartida, uma das mais baixas
densidades demográficas do país: 2,8 hab./km2 em 2000.
Em 1980, o Estado de Mato Grosso
ocupava a vigésima segunda posição no ranking

nacional, concentrando 0,96% da população do


País. Em 1991, essa participação
galgou a décima nona posição, com 1,38% da
população nacional, e no ano 2000 Mato Grosso
passa para o décimo oitavo lugar, com uma
participação de 1,48% da população brasileira.
A transferência da capital para Brasília e a
implementação de rodovias ligando a nova cidade
ao Centro-Sul e ao Norte, aliadas à execução de
programas governamentais voltados à ocupação
da região, vieram intensificar a formação de várias
frentes de expansão, fazendo com que a
população da região Centro-Oeste e a do Estado
de Mato Grosso tivessem crescimentos
altíssimos.
Diante disso, o Estado de Mato Grosso,
além de apresentar a maior taxa de crescimento
no último período (2000), em relação aos demais estados da região Centro-Oeste, desde 1970 suplanta esses estados em
crescimento. Vale salientar que as altas taxas de crescimento de Mato Grosso deveram-se, primordialmente, ao incremento de sua
população urbana, já que as taxas de crescimento da população rural foram significativamente mais baixas.
Tal tendência já era presente no Estado na década de 70, quando as taxas de crescimento da população urbana e rural
foram, respectivamente 10,9% e 2,05% a.a. No que se refere ao ritmo de crescimento, observa-se que este decresce drasticamente
no período 1991/1996, mostrando uma diminuição significativa do forte fluxo migratório ocorrido nas décadas de 70 e 80.
Entre os censos demográficos de
1980 e 1991, o número de municípios

existentes em Mato Grosso passou de


55 para 95. Em 1993, foram instalados
mais 22 e em 1997, mais 9. No período
de 1998 a 2000, instalaram-se mais 13
municípios e em 2004, mais 3,
totalizando 142.
Nos últimos 20 anos, o Estado
sofreu um acréscimo de 1.365.662
habitantes, tendo crescido a uma Taxa
Geométrica Anual de 5,38% entre
1980/1991 e 2,81% entre 1996/2000
Visualizam-se, no Quadro 5, os
20 maiores municípios do Estado em
2000, com destaque para Cuiabá e
Várzea Grande, conurbano que
representa aproximadamente 26% da

26
população de Mato Grosso. Outro município que ultrapassa o total de cem mil habitantes (150.227), é Rondonópolis, vindo em
seguida Cáceres, com 81.565 habitantes; Sinop, Tangará da Serra e Barra do Garças, com respectivamente 74.831, 58.840 e
52.092 habitantes
Com referência à população por sexo, conforme o censo 2000, havia um excedente de 70.021 homens na população do
Estado em relação às mulheres, resultando em uma razão de sexo de 105,79%, a qual era estimada para a região Centro-Oeste,
em 99,40% e, para o País, em 96,93%.
Em Mato Grosso, a razão de sexo na área
rural era mais alta que na urbana: 125,33% e
101,21%, respectivamente, o que se explica pelo
tipo de atividade e dificuldades que se apresentam
na incorporação das terras do Estado ao processo
produtivo e, conseqüentemente, pela maior
presença de homens sem família na zona rural.
Quanto à localização da população, em
2000, conforme o censo demográfico, 79,38% da
população do Estado residiam na zona urbana,
contra 20,62% na rural; em termos absolutos, esses
percentuais equivalem respectivamente a 1.987.726
e 516.627 habitantes.
4.1-
4.1-Índice de Desenvolvimento

Humano-
Humano- IDH

Para que seja possível avaliar a evolução da


qualidade de vida de uma população, são
necessárias informações quantitativas que sirvam
de referência ao planejamento das ações de
governo. Essas informações são chamadas de
índices.
Os índices são compostos por indicadores
que procuram descrever, quantificar e qualificar um
determinado aspecto da realidade, ou representam
uma relação entre vários aspectos, ou, ainda,
expressam uma relação entre duas grandezas. O Índice de Desenvolvimento Humano foi criado originalmente para medir o nível de
desenvolvimento humano dos países, a partir de indicadores de educação, longevidade e renda. O índice varia de 0 a 1.
O IDH de 0,00 até 0,499 representa o desenvolvimento humano considerado baixo, o IDH entre 0,500 e 0,799 é considerado
como médio desenvolvimento humano, e o IDH maior que 0,800 é considerado como desenvolvimento alto.
Analisando-se o IDH do Brasil,
conforme dados do Atlas do
Desenvolvimento Humano-2000, verifica-
se que a educação foi responsável por
60,78% do aumento entre 1991 e 2000.
Já a renda contribuiu com 25,78% e a
longevidade, com 13,44% no
crescimento do índice.
Em todas as unidades da
Federação, a educação foi o componente que mais influiu no aumento do IDH, e, em 21 delas, sua participação foi maior que 50%
do crescimento.

27
O componente longevidade contribuiu positivamente para o crescimento do IDH em todos os estados, variando entre 15,15%
e 39,02% do acréscimo do índice. Já o componente renda, apesar de sua contribuição para o acréscimo geral do IDH no Brasil,
apresenta grandes variações quando são analisados os estados individualmente.
Mato Grosso, no ano de 2000, foi considerado o 9º Estado brasileiro em IDH, atrás do Distrito Federal, São Paulo, Rio de
Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Goiás. Mas, em 30 anos da sua mensuração, Mato
Grosso vem melhorando esse índice. Em 1970, o seu IDH era de 0,458, considerado baixo, e no decorrer desses 30 anos seu
crescimento aumentou
consideravelmente, atingindo um índice de
0,767 no ano 2000, índice esse superior à
média do Brasil que foi de 0,766. No
último período, 1991/2000, os estados
brasileiros que mais subiram no ranking,
foram o Ceará, que subiu da 23ª posição
para a 19ª, e Mato Grosso, da 12ª para 9ª.
Quanto ao IDH dos municípios de
Mato Grosso, Sorriso foi o que apresentou
a melhor evolução, passando do 6º lugar
em 1991 para o 1º lugar em 2000. Cuiabá
também galgou uma posição melhor,
passando do 3º para o 2º lugar; já Sinop
retroagiu do 1º lugar em 1991, para o 7º
lugar em 2000. Aconteceu com os
municípios de Mato Grosso o mesmo fato
que ocorreu em todo o Brasil: o índice de
educação foi o principal responsável pelo
acréscimo do IDH do Estado.
Em Sorriso, o Índice Educação
passou de 0,797, em 1991, para 0,869, em 2000; já em Cuiabá, esse Índice passou de 0,860, em 1991, para 0,938, em 2000.
Analisando cada índice
separadamente, o maior índice em
educação foi alcançado em Cuiabá
(0,938), o melhor índice em renda ficou
com Sorriso (0,797) e o melhor em
longevidade foi o de Sapezal (0,807).
Quanto às políticas de governo
para a melhoria da qualidade de vida da
população no Estado, elas estão
alicerçadas em políticas de segurança
alimentar, saneamento básico e de
conservação ambiental nas cidades e no
campo, cujo objetivo é o de traçar
medidas e ações concretas que
proporcionarão ao cidadão sua inclusão
na sociedade e a superação de
desigualdades sociais e regionais.

28
4.2-
4.2- População Economicamente Ativa

No que se refere à estrutura ocupacional da população do Estado, o contingente populacional de 10 anos e mais, de acordo
com a Pesquisa Nacional por Amostra e Domicílio do IBGE - PNAD 2004, era de 1.401.007 pessoas. Os dados referentes ao
pessoal ocupado indicavam uma composição, por gênero, de ampla maioria masculina (60,41%).
As condições de trabalho do pessoal ocupado apontavam para uma situação precária em termos de seguridade social, na
medida em que aproximadamente 61% não contribuíam para o INSS. Em termos de distribuição por sexo – da população ocupada
por tipo de atividade – observava-se, no conjunto do Estado, forte concentração do trabalho feminino nas atividades ligadas à
prestação de serviços na área social, ao comércio e às atividades de prestação de serviços em geral.
Na estrutura ocupacional em 2004, segundo a PNAD, a categoria agrícola apresentou a maior participação – 30,00%, vindo
em seguida o comércio e reparação com 18,86%, a indústria com 9,78%, a educação, saúde e serviços pessoais com 7,82%, os
serviços domésticos com 7,63%, a administração pública com 5,18%, o transporte e comunicação com 3,72%.
No total, a população ocupada em atividades ligadas à economia urbana era de 1.023.526 pessoas, representando 73,2% do
total de pessoas ocupadas de 10 anos e mais de idade.
Quanto à renda, de um total de 2.229.552 pessoas com 10 anos e mais de idade, salta à vista a estrutura de baixos níveis de
renda e pessoas sem remuneração no Estado, quando se observa que 47,4% das pessoas encontravam-se na faixa de até 3
salários mínimos, 36,1% sem rendimento, 8,8% estão na faixa de 3 a 5 salários mínimos, 1,8%, na faixa de 10 a 20 salários
mínimos e 0,9%, na faixa de mais de 20 salários mínimos.
Apesar do aumento relativo da participação das mulheres no período 1991-2004, pode-se verificar, ainda, os baixos níveis de
rendimento, quando se considera que 48,6% encontram-se sem remuneraçãoe 42,3% percebem a classe de até três salários
mínimos. Analisando a situação da renda da população do conjunto do Estado - a partir dos dados da PNAD - verifica-se que, no
período de 1985/2004, houve um considerável aumento da renda média familiar per.capita no Estado de Mato Grosso.

5.0-
5.0- Aspectos Econômicos

O meio econômico reúne um conjunto de dados sobre a realidade econômica do Estado de Mato Grosso, abrangendo uma
série histórica de informações das atividades da agropecuária, indústria, comércio, balança comercial, agregados econômicos,
transportes, energia e finanças públicas, constituindo, assim, os principais indicadores econômicos.
Essas informações, obtidas, principalmente, a partir dos resultados das Pesquisas Agropecuárias Municipais – PAM,
Previsões de Safras dos Levantamentos Sistemáticos da Produção Agrícola - LSPA, Pesquisa Industrial Anual – PIA e Pesquisa
Anual do Comércio – PAC, todas elaboradas pelo IBGE e também pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio –
MDIC, SINFRA, SEFAZ, REDE/CEMAT, estão apresentadas em quadros e gráficos, e os resultados de algumas atividades que
foram possíveis estão disponíveis para o Brasil, Centro-Oeste e Mato Grosso.
A elaboração e a sistematização dessas informações atendem a recomendações internacionais, e a série histórica contida
neste estudo contribuirá para a compreensão das modificações no perfil econômico do Estado. Vale frisar que essas informações
29
são compostas fundamentalmente por dados secundários que são valiosos como subsídios aos administradores, no planejamento
de suas ações. Elas ainda fornecem elementos essenciais que permitem conhecer importantes aspectos socioeconômicos do
Estado de Mato Grosso, possibilitando, assim, o monitoramento das ações através de indicadores e constituindo-se, portanto, numa
importante ferramenta para o direcionamento das políticas econômicas.

Agropecuária

O Estado de Mato Grosso, por possuir cerca de 39% de seu território em áreas de Cerrados (ZSEE-MT), contribui fortemente
para colocar-se como uma das mais promissoras áreas de fronteira agrícola do País. O vigoroso crescimento da produção,
experimentado a partir da década de 80, sustentou-se, certamente, na expansão da área cultivada, mas, sobretudo, em ganhos de
produtividade em relação à grande maioria dos produtos.
Essa produtividade está associada ao tipo de solos existentes e à modernização agrícola nas áreas dos Cerrados. A
agricultura mato-grossense já se consolidou como o setor mais importante da economia estadual, dado seu papel motriz em relação
às demais atividades econômicas, e está inserida no contexto da moderna agricultura nacional, considerando-se a significativa
evolução da produtividade, área e produção das suas principais lavouras temporárias.
A partir da década de 90 acontece a consolidação da agricultura empresarial em grande escala como modelo padrão para
todo o Centro-Oeste e, para Mato Grosso, em particular. Na safra 1998/99, o Estado de Mato Grosso passa a ser o 3º maior
produtor de grãos, oleaginosas e fibras do Brasil, sendo o 1º na produção
produção de soja e algodão e 2º em arroz.

Na safra 2004/2005, estima-se, segundo os dados do levantamento sistemático da produção agrícola do IBGE, que Mato
Grosso passará a ser o 1º maior produtor de grãos, oleaginosas e fibras do Brasil. Os resultados favoráveis da produção agrícola do
Estado, sobretudo os ganhos de produtividade, fizeram com que a sua participação no PIB nacional se elevasse de 2,45% em 1998
para 4,9% em 2003. Segundo os dados da PAM/IBGE, para o ano de 2004 prevê-se que esta participação se eleve para 5,5%.
Caso os resultados se concretizem, Mato Grosso ocupará a 1º posição no ranking do PIB da atividade agropecuária do
Centro-Oeste. No conjunto dos principais produtos agrícolas, a produção de grãos, oleaginosas e fibras representou no
período de 1990/2004 em torno de 95% do total da área colhida, cabendo ao cultivo da soja aproximadamente 63% desta área. Em
2004, esta taxa chegou a alcançar 68,6%. Isto indica a elevada especialização da agricultura mato-grossense e, em conseqüência,
sua maior dependência e vulnerabilidade às oscilações do mercado destes produtos.
Veja a Tabela abaixo

30
Veja a Tabela abaixo

5.1-
5.1- Pecuária

O rebanho bovino brasileiro cresceu 4,8% ao ano no período 2000- 2003, passando de 169,9 milhões para 195,5 milhões de
cabeças, enquanto Mato Grosso cresceu à taxa de 9,2% ao ano, passando de 18,9 milhões em 2000 para aproximadamente 26
milhões de cabeças em 2004.
A atividade pecuária, forte componente histórico da formação econômico-social, é amplamente predominante no espaço rural
mato-grossense, sendo também a principal responsável pelo uso e ocupação dos territórios antropizados. A produção de carne
bovina em Mato Grosso passou de 453 mil toneladas (em equivalente carcaças), em 2000, para 814 mil toneladas, em 2004,
ocupando a 3ª posição no ranking nacional.

31
A bovinocultura de corte tem expressão no Estado como um todo, excetuando-se nas áreas já consolidadas com explorações
essencialmente agrícolas, ou onde a atividade bovina já atingiu o potencial de expansão (áreas essencialmente remanescentes da
divisão do Estado, particularmente nas regiões pantaneiras e sudeste).
O rebanho bovino tem grande expressão no Norte, Nordeste e Sudoeste do Estado. Em termos de microrregiões, a
bovinocultura apresenta relativa pulverização, sendo que as maiores expressões do efetivo mato-grossense no ano de 2004, ou
seja, acima de 400.000 cabeças (grandes e médios produtores com características empresariais) aparecem computados nos
municípios de:
• Cáceres

• Juara,

• Vila Bela da Santíssima Trindade,

• Pontes e Lacerda, Santo Antonio do Leverger.

De acordo com os dados do Ministério da Agricultura, dos 29 frigoríficos existentes em 2004 no Estado de Mato Grosso, 23
mostram- se habilitados para a exportação, dos quais 74%, ou seja, 17 são de grande porte (abate anual superior a 100.000
animais, com uma capacidade de abate de 80 a 120 bovinos/dia), cinco de porte intermediário (abate anual entre 50.000 e 100.000
animais e capacidade instalada de abate de 60 a 80 bovinos/dia) e cinco pequenos (abate anual entre 10.000 e 50.000 animais e
capacidade instalada de 40 a 60 bovinos/dia).
Quanto à bovinocultura de leite, os maiores municípios produtores de leite situam-se na chamada Bacia Leiteira de Jaciara,

que engloba os municípios de :


• Rondonópolis,
• Poxoréo,
• Juscimeira,
• Dom Aquino,
• Jaciara
Destacam-
estacam-se oeste do estado:

• Araputanga,
• Jauru e São
• José dos Quatro Marcos
• Barra do Bugres e
• Tangará da Serra.
No norte:

• Colíder apresenta maior densidade (verifica-se aí a presença de frigoríficos e de laticínios).


Com relação aos principais produtores de ovos de galinha, têm-
têm-se os municípios de:
de:

• Campo Verde, Santo


• Antônio do Leverger,
• Tangará da Serra,
• Alta Floresta,
• Juína,
• Itaúba
• Mirassol D’Oeste que,
Na produção de mel de abelha, os municípios maiores produtores são:
são:

• Barra do Garças,
• Água Boa,
• Querência,
• Canarana
• Cáceres.

32
Principais municípios produtores de gado bovino em MT

5.2-
5.2- A Industria Mato Grossense

Os resultados favoráveis de Mato Grosso na produção


de grãos, oleaginosos e fibras, a partir dos anos 1990, têm
estimulado consideravelmente a expansão das atividades da
agroindústria no Estado. Esmagadoras, algodoeiras, fiações e
beneficiadoras de cereais são os segmentos que mais se
destacam em termos de novos investimentos efetuados, tanto
por grandes empresas líderes, como também por capitais
locais atuantes nos mercados regionais.
De acordo com os dados da Secretaria de Estado da
Fazenda - SEFAZ, publicado no Anuário Estatístico de Mato
Grosso-2002, a Indústria de Mato Grosso possuía em 2000 um
total de 6.007 estabelecimentos industriais, passando em 2003
para 7.332, o que equivale a um crescimento em torno de
27%.
Segundo os resultados do IBGE da Pesquisa Industrial
Anual-PIA1, apenas 2.287, ou seja, 25% deste total são
unidades locais que possuem cinco ou mais pessoas
ocupadas, demonstrando, com isto, que o perfil da maioria dos
estabelecimentos industriais do Estado é de microindústrias.
Segundo os resultados da PIA, é possível observar os investimentos industriais por unidades da federação. Estudos
econômicos recentes vêm apontando uma importância crescente na atuação das pequenas empresas industriais. Elas apresentam
maior flexibilidade e capacidade de adaptação às mudanças no mercado, de forma que, quando organizadas em arranjos produtivos
locais, apresentam um elevado desempenho inovativo.
Assim, o maior ganho relativo, 1,52%, foi observado na Região Centro-Oeste, cuja participação sai de 2,04% para 3,11%,
com as quatro unidades da federação apresentando o mesmo movimento positivo. Mato Grosso, com menos expressividade, sai de
0,49% em 1996 para 0,59% em 2002, demonstrando, ainda, que a indústria do Estado vem se modernizando ao longo do período. A
configuração industrial da região e do Estado é fortemente marcada pela presença de segmentos articulados ao agronegócio
(alimentos e fertilizantes, principalmente), que vem apresentando desempenho positivo nos últimos anos, ampliando sua inserção no
mercado externo. Em 2003 a indústria de transformação do Estado de Mato Grosso representava 98% contra apenas 0,2% da

33
indústria extrativa. Os principais segmentos industriais do Estado, representados pelo faturamento médio anual nesse ano, foram
por ordem de importância:
• indústrias de produtos alimentícios
(67%),
• fabricação de produtos da madeira
(8,4%),
• fabricação de coques,
• combustíveis
• produção do álcool (6,7%),
• fabricação de produtos químicos
(5,9%),
• minerais não metálicos (2,7%)
A indústria de transformação no Estado
de Mato Grosso constitui-se na quarta
atividade de maior índice de crescimento
acumulado do valor adicionado (151%) no
período de 1994 a 2002. Para este aumento,
certamente contribuiu a relativa expansão da
agroindústria, verificada no período.
Em que pese a indústria
matogrossense ainda ser considerada
incipiente, ou seja, em 2003 ela representava
11,74% do PIB do Estado e 0,47% do PIB
nacional, não se pode desconsiderar,
entretanto, a efetividade das políticas públicas
setoriais de estímulo à produção primária e de
indução à agroindustrialização.
Desde os programas federais, através
de recursos do Fundo Constitucional do Centro- Oeste (FCO) e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM),
até os programas locais como o de incentivo à cotonicultura (Proalmat - isenção de 75% do ICMS), de desenvolvimento industrial e
comercial (Prodeic – adiamento em até 15 anos do pagamento de ICMS), têm sido, além do nato espírito empreendedor, os grandes
responsáveis pela pujança da agricultura mato-grossense.
Os investimentos em infra-estrutura (estradas, hidrovias, termoelétricas e hidroelétricas) permitem que obstáculos históricos
sejam agora superados, permitindo que as bases para um ciclo de forte desenvolvimento agrícola e agroindustrial se intensifiquem.
Rondonópolis, por exemplo, consolidou-se como pólo têxtil e prepara-se para atrair outros ramos industriais, devendo esboçar ao
longo dos próximos dez anos a trajetória que cidades como Uberlândia mostraram nos últimos dez anos.
Com as políticas públicas setoriais de estímulo à produção primária e de indução a agroindustrialização, Mato Grosso tem
atraído muitos investimentos através dos quais vem mudando a função de mero exportador de matérias-primas no cenário nacional
e modernizando o parque industrial.
As empresas de pequeno porte enfrentam maiores problemas para modernizar sua produção, uma vez que as condições de
acesso ao crédito e à tecnologia são mais limitadas. É com a agroindústria que o desenvolvimento econômico do Estado se
fortalece, pois ela permite agregar valores ao produto, absorver excedentes de produção e, com isso, expandir a base tributária e, o
mais importante, ampliar as oportunidades de investimentos, aumentando, conseqüentemente, a renda e o bem-estar da população
em geral. Entretanto, a diversificação da agroindústria mato-grossense é relativamente recente. O complexogrãos/ carnes ainda é
dominante e com diversificação restrita, inclusive no que se refere ao beneficiamento do gado bovino que se caracteriza pela
produção de leite, carne e couro.

34
5.3-
5.3-Comércio

A Pesquisa Anual de Comércio – PAC, realizada pelo IBGE, tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura
produtiva e econômica do segmento empresarial do comércio brasileiro. A PAC estimou em 2003, para Mato Grosso, um total de
23.463 empresas com atividade principal em
comércio. Essas empresas auferiram R$ 14,6 bilhões
em receita bruta de revenda, ocuparam cerca de 100
mil pessoas e pagaram R$ 533 milhões em
remunerações, o que significa um salário médio
mensal de R$ 409,11.
Observa-se que a estrutura dos salários do
setor comercial do Estado em 2003 permaneceu a
mesma de 2002. Nos dois anos, o segmento do
comércio varejista figura como o maior em termos de
número de empresas, pessoal ocupado e número de
estabelecimentos. Entretanto, em termos de receita
bruta de revenda e margem de comercialização, o
atacado gerou a maior parcela do total estimado pela
PAC. As atividades do comércio varejista, aí incluídas
as de comércio de combustíveis, foram em 2003 as
que registraram a maior parcela de pessoal ocupado do comércio em geral (68,24 %).
No ano de 2003 o varejo alcançou, no Estado de Mato Grosso, cerca de 80,03% dos estabelecimentos destinados à revenda
de mercadorias, que geraram um faturamento bruto no valor de R$ 4,39 bilhões, com margem de comercialização da ordem de R$
1,0 bilhão, obtendo uma relação MC/RB de 18,4%. Tal resultado reflete o esforço líquido das vendas de mercadorias deduzido dos
custos de aquisição das mercadorias pelas empresas. Em 31/12/2003, estas empresas ocupavam 68,24% dos empregados no
comércio e ao longo deste ano pagaram aproximadamente R$ 300 milhões na forma de salários, retiradas e outras remunerações, o
que significa um salário médio mensal de R$ 337,30. Por ser uma atividade desenvolvida principalmente por estabelecimentos de
pequeno porte, o comércio varejista reuniu nesse ano 80,03% do total de empresas com atividade comercial no Estado.
O comércio por atacado, por sua vez, foi responsável por apenas 8,60% do total dos estabelecimentos e 18,34% do pessoal
ocupado. Mesmo com menor participação em termos de número de empresas e pessoal, esta categoria responde pela maior
parcela de faturamento do comércio em geral, 59,49%, o que caracteriza o atacado como o segmento mais concentrado do setor
comercial. “A concentração é um traço relevante da estrutura do comércio atacadista dominado por um conjunto relativamente
pequeno de empresas de grande porte, em termos de receita operacional líquida e pessoal ocupado” (IBGE, 2003).
Em relação ao número de postos de trabalho, o comércio varejista foi responsável por 68,24% do total de pessoas ocupadas
no segmento comercial, o comércio atacadista, por 18,34% e o comércio de veículos, peças e combustíveis, por 13,42%. Quanto às
remunerações pagas nas empresas comerciais, as empresas do comércio varejista participaram com 56,26% do total da massa
salarial e outras remunerações pagas no período. As empresas do comércio atacadista atingiram
28,43% deste total e as empresas revendedoras de veículo, peças e combustíveis, 15,31% desse total.
5.4-
5.4- Mercado Externo

No final dos anos da década de 80, o Estado de Mato Grosso se firmou na 10ª posição entre os estados exportadores,
ocupando a primeira posição no contexto do Centro-Oeste. Em 1998 as exportações alcançaram cerca de US$ 653 milhões, com
forte redução (-30%) em relação ao ano anterior, quando foi atingida uma posição de topo na década de US$ 927 milhões. Contudo,
a partir de 1999, com uma trajetória pregressa de constantes incrementos, chegou a alcançar, em 2004, um montante de U$ 3.103
milhões, com variação de 42% em relação ao período anterior, o que equivale a aproximadamente 60% do total das exportações do
Centro-Oeste.

35
O principal produto das exportações, em 2004, foi:
• a soja em grão, mesmo triturada,
com 47,28%,
• bagaço e outros resíduos sólidos
da soja com 23,32%,
• óleo de soja (8,34%),
• algodão (5,95%),
• madeiras (5,95%),
• carne (4,61)
Desse modo, Mato Grosso se
caracterizou como um fornecedor de produtos primários e semi-elaborados, especializado em commodities e na produção de
carnes e derivados. trata-se de
uma tendência que parece
estar em processo de
consolidação.
A União Européia é o
principal cliente das
exportações de Mato Grosso,
respondendo por cerca de 51%
do total, seguindo-se, em
ordem de importância, a Ásia
com 30,0%, o Oriente Médio e, muito abaixo, o Mercosul. Trata-se também de uma tendência que parece consolidada. É importante
assinalar que, malgrado seja crescente a participação das remessas para o Mercosul, a sua participação ainda é incipiente. Tal fato
parece demonstrar um baixo grau de complementaridade da economia do Estado de Mato Grosso em relação aos parceiros do
Mercosul, ressaltando, outrossim, o aspecto de competidores no mercado Europeu e do Oriente Médio.
Os dados relativos aos anos de 2003 e 2004, das exportações de Mato Grosso, indicam uma tendência ascendente, quando
atingiram em 2004 US$ 3.103 milhões, contra US$ 418 milhões de importações, com saldo positivo de U$ 2.685. Estes dados vêm
confirmar o grande êxito da balança comercial brasileira que, em 2005, alcançou mais uma vez valores recordes no ano. As
exportações brasileiras atingiram US$ 118,3 bilhões neste ano. Já as importações alcançaram US$ 73,5 bilhões, resultando um
saldo positivo (exportação menos importação) de US$ 44,7 bilhões, valor nunca antes atingido.
Do total das exportações brasileiras, em 2005, aproximadamente 6,07% são provenientes das exportações do Centro-Oeste,
ou seja, US$ 7,2 bilhões, correspondendo, deste total, 57,8% às exportações do Estado de Mato Grosso.

A economia de Mato Grosso


Grosso em 2003

O Estado de Mato Grosso apresentou no ano de 2003 uma taxa de crescimento de aproximadamente 5,0%, superando a
média nacional que nesse ano foi de 0,54%. Assim, o Produto Interno Bruto a preços de mercado corrente, que é a soma de toda a
produção gerada no Estado, foi da ordem de R$ 22,6 bilhões.
O PIB per.capita, que é o resultado da divisão da riqueza produzida no Estado pelo número de habitantes, registrou em 2003

o valor de R$ 6.773,00, mantendo a posição de 12ª do ranking nacional. Havendo crescimento no PIB , teoricamente isto
per. capita

significa dizer que cada habitante obteve acréscimo em sua renda média, comparada à do ano anterior. Representa, também, que
os habitantes, de uma forma geral, tiveram maior acesso aos produtos de bens e serviços.
A boa performance do PIB Mato-Grossense nesse ano continuou sendo sustentada não só pela crescente evolução do setor
agropecuário, que obteve crescimentos em seu volume de 6%, no período2002/2003, como também pelos preços que beneficiaram
os agricultores. Assim, a agropecuária neste ano, estimulada excepcionalmente pelos preços, foi responsável por 36,3% de toda a
riqueza gerada do Estado, chegando a movimentar recursos da ordem de R$14,1 bilhões, acumulando no período de 1994-2003 a

36
maior taxa de crescimento do País, com 190,92%. Isto fez com que o valor adicionado do setor passasse de R$ 4,9 bilhões para R$
7,5 bilhões.
Mato Grosso foi o maior Estado exportador do Centro-Oeste, cuja região alcançou neste ano valores excepcionais, a maior
cifra registrada nas exportações (US$ 3,8 bilhões), sendo que o montante das exportações mato-grossenses atingiu US$ 2,2
bilhões, representando 57,5% do total das exportações da região Centro-Oeste e aproximadamente 30% do PIB do Estado.
As culturas que mais influenciaram para que o setor agropecuário tivesse este acréscimo, foram:
• a soja, produto de maior importância no Estado, que registrou taxa de crescimento de 9,0%,
• milho 24%,
• feijão 33%.
Na pecuária, foram registrados incrementos no efetivo bovino (11%), suínos (8%). Com relação à produção industrial, esta
cresceu em 2003 à taxa de 11,0%, contra 9,0% do ano anterior. Isso fez com que a atividade agregasse um montante da ordem de
R$ 2,4 bilhões, cuja participação é de 11,74% no PIB estadual, destacando-se, sobretudo, os segmentos vinculados à agroindústria.
São elas:
• a indústria química (21%),
• alimentícia(16 %),
• madeireira (12%)
• bebidas (12%).
No setor serviços, as atividades que mais agregaram valores foram:
• Administração Pública (13,53%), com valor adicionado da ordem de 2,8bilhões,
• Comércio (10,12%) e valor adicionado de R$ 2,1 bilhões.
Com relação ao comércio, foi registrada taxa de crescimento da ordem de 5,2%, motivada, sobretudo, pelo comércio de
veículos automotores que registrou incrementos de 23%, seguido de produtos agropecuários, com 6,0%. Os demais segmentos do
setor serviços tiveram crescimentos inferiores à média da economia do Estado, refletindo bem a crise de desaquecimento
atravessada pelo País.
6.0-
6.0- Infra-
Infra-estrutura

Transportes

O exame dos dados disponíveis nesta publicação reafirma alguns fatos sobejamente conhecidos, tais como: da malha
rodoviária do Estado de Mato Grosso em tráfego no ano de 2003, de 33.196km, apenas 5.193km, ou seja, 16% são pavimentados, o
que significa dizer que 28.003km não são pavimentados; dessa mesma malha rodoviária, 4.962km (14%) são federais, o que
também não surpreende, pois de longa data apresenta uma extensão estabilizada, sendo ela considerada relativamente baixa em
face da dimensão territorial do Estado.
Do total da malha viária de Mato Grosso, aproximadamente 19% são constituídos de rodovias implantadas e em leito natural,
ocasionando gravíssimos problemas nos períodos críticos das chuvas e, conseqüentemente, acarretando os mais elevados custos
nas movimentações de cargas. É de crucial importância citar o processo de deterioração em que se encontram as rodovias federais,
como a BR-163, BR-364, BR-174 e BR-070, que são as principais vias de escoamento da nossa produção.

37
Enquanto o PIB real acumulou no período de 2000 a 2003 a taxa anual de crescimento de 23%, a extensão da malha
rodoviária de Mato Grosso cresceu apenas 4%, permanecendo as pavimentadas federal e transitória inalteradas, crescendo apenas
a pavimentada estadual em 15% no período de 2003 a 2004. Tal fato pode ser justificado pela política dos transportes adotada pelo
atual governo, através dos consórcios de agricultores municipais. Essa modalidade é baseada na Parceria Público-
Público-Privada (PPP),
sendo um exemplo para todo o País. O acordo é firmado entre Governo do Estado e produtores rurais organizados, bem como as
prefeituras. Vale ressaltar que é rateado tanto o valor do investimento como a responsabilidade sobre a qualidade da obra. No
processo, o Estado providencia as licenças ambientais, além de se responsabilizar pela imprimação, drenagem superficial e
pavimento. As associações fazem a
terraplenagem, base, sub-base e
regularização do leito. Um dos grandes
problemas enfrentados nesta área é o tempo
de vida útil das rodovias brasileiras, que tem
se reduzido nos últimos anos em decorrência,
sobretudo, do excesso de peso dos
caminhões.
A questão tem despertado a
preocupação do Governo Federal e dos
transportadores de carga de todo o País, que
defendem maior rigor na adoção de medidas
de controle do fluxo dos veículos de carga.

Transporte multimodal

Mato Grosso, por sua situação central


na América do Sul, sobretudo por ter acesso
às três principais Bacias Hidrográficas, ou
seja, do Prata, Amazônica e Araguaia-
Tocantins, e ter sua malha básica nas BR’s
163/364/070, encontra-se ao mesmo tempo
distante dos portos de exportação em
operação.
Assim, de acordo com informações da
Secretaria de Estado de Infra- Estrutura de
Mato Grosso – SINFRA, apresentamos um
resumo dos principais corredores de
transporte em utilização nas exportações da produção do Estado.

1. Corredor Noroeste

A principal rota da produção da região noroeste se faz utilizando a BR 364/MT-235, BR-174 e a Hidrovia do Madeira-
Amazonas, através dos municípios de Campo Novo dos Parecis-Sapezal-Porto Velho-Itacoatiara-Rotterdam.
A situação ideal seria pela conclusão da pavimentação da BR-364 entre Comodoro e Sapezal, a pavimentação da MT-343
entre Cáceres e Barra do Bugres, permitindo, assim, o escoamento pela Hidrovia do Rio Paraguai.

38
2. Corredor Norte (Centro-
(Centro-amazônico)

A principal rota é Sorriso-Alto Araguaia-


Santos-Rotterdam, sendo também usada a
rota Sorriso-Paranaguá- Rotterdam, utilizando
a BR-163/BR-364/BR-262 e a Ferronorte.
Neste corredor, a situação desejada
seria pela conclusão da pavimentação da BR-
163 até o Porto de Santarém.

3. Corredor Sudeste

A principal rota é Primavera do Leste–


Alto Araguaia–Santos–Rotterdam, sendo
também usada a rota Primavera do Leste-
Paranaguá-Rotterdam pelas MT-130/BR-
070/BR-163/BR-364/BR-262 e a Ferronorte.
A situação desejada neste corredor
seria a conclusão da implantação da
Ferronorte até Rondonópolis e conclusão da
pavimentação da MT-130 entre Primavera do
Leste e Paranatinga.

4. Corredor Centro-
Centro-Nordeste

A principal rota é Nova Xavantina- Alto


Araguaia-Santos-Rotterdam, sendo também
usada a rota Nova Xavantina-Paranaguá-
Rotterdam pelas BR-163/BR-364/BR-158/BR-
262/MT-130 e a Ferronorte.
O ideal neste corredor seria a
conclusão da pavimentação da BR-158 entre Ribeirão Cascalheira e a divisa de MT/PA, para, através das rodovias BR-158/PA-150
e PA-257, chegar a Paraupebas-PA, daí até o Porto de Itaqui através da Ferrovia de Carajás, ou ainda pela Hidrovia Mortes-
Araguaia, BR-242 ate São Félix do Araguaia para alcançar Xambioá-TO, seguindo pela rodovia BR-156/BR-226 até Estrito-MA e até
o Porto de Itaqui pelas Ferrovias Norte-Sul e Carajás.

A Rede Ferroviária

A integração de Mato Grosso à malha ferroviária nacional é recente, e coube à iniciativa privada, através do Grupo Itamarati,
a implantação do corredor ferroviário, constituído pela Ferronorte atual, BRASIL FERROVIAS, que liga Aparecida do Taboado (MS)
a Cuiabá, totalizando 956km, passando por Alto Taquari, Alto Araguaia e Rondonópolis.
A Ferronorte/Brasil Ferrovias já opera os Terminais de Alto Araguaia e Alto Taquari, escoando soja, farelo de soja e açúcar e
retornando com adubo, gasolina e óleo diesel.

39
A Rede Hidroviária

Mato Grosso em 2004 tem no escoamento de sua produção duas importantes hidrovias, ou seja, a Hidrovia do Rio Madeira e
do Rio Paraguai. A Hidrovia Madeira/Amazonas integra a antiga MT-235, hoje federalizada, tendo seu traçado incorporado à BR-364
no segmento do entroncamento da BR-163 (Posto Gil), passando por Novo Diamantino, Itanorte, Campo Novo do Parecis, Sapezal,
Campos de Júlio e Comodoro até a BR-174, daí seguindo até o porto de Porto Velho em Rondônia e até o Terminal de Itacoatiara
no Rio Amazonas.
A Hidrovia do Rio Paraguai, via de transporte fluvial de utilização tradicional, em condições naturais, é uma artéria para o
Mercosul, com seus 3.442km de extensão, desde Cáceres até o seu final, no estuário do rio da Prata; proporciona acesso e serve
de escoamento para grandes áreas no interior do continente. As principais cargas transportadas no trecho mato-grossense são:
soja, açúcar e madeira.

Os fluxos de carga na hidrovia vêm crescendo nos últimos anos, sem, no entanto, corresponder à demanda gerada pelo setor
produtivo, pois não oferece as condições necessárias. Em território brasileiro, a hidrovia percorre 1.278km e tem como principais
portos: Cáceres, Corumbá e Ladário.

Energia

A produção de energia elétrica gerada no Estado no período de 1999 a 2004 apresentou um crescimento acumulado de
11,5%, sendo a maior elevação a de geração térmica com 5,73%, contra a geração hidráulica que ficou com 3,44%.
No que se refere à energia hidráulica, verifica-se que, no período de 1999 a 2004, houve um acréscimo de 24% na
modalidade dessa fonte, proveniente, sobretudo, da implantação de várias usinas hidroelétricas que vêm sendo construídas no
Estado, buscando atender às demandas reprimidas do setor industrial. Enquanto o PIB real da atividade industrial do Estado
cresceu no período de
1999 a 2003 índices
acumulados de 145%, a
atividade de energia
elétrica cresceu apenas
130%. Contudo, pode-se
observar que o consumo
industrial de energia
elétrica foi o que mais
cresceu, apresentando variação percentual de 95% no período de 1999 a 2003, influenciado tanto pelo número de consumidores
industriais de 99%, quanto pelo consumo industrial do Estado que foi de 95% neste mesmo período.
Finanças Públicas

A arrecadação tributária guarda


uma correlação muito forte com o nível de
atividade econômica predominante. É por
esta razão que os principais municípios,
em termos de PIB municipal, também se
configuram como os maiores
arrecadadores de tributos do Estado de
Mato Grosso.
O principal tributo é o Imposto
sobre circulação de mercadorias e
serviços (ICMS), que representa 92% da
receita tributária total.
O Estado de Mato Grosso registrou
um superávit orçamentário de
aproximadamente R$ 494 milhões, em
decorrência do acréscimo na arrecadação
40
tributária do ICMS em 12,7 %, como também pelo acréscimo das transferências constitucionais provenientes do Fundo de
Participação
dos Estados em 30,9%. Como reflexo, houve aumento da receita orçamentária arrecadada (ROA) em relação ao PIB.

Turismo

A atividade turística constitui-se um dos principais segmentos econômicos do planeta, tendo movimentado, segundo
estimativas da WTTC – World Travel Tourism Council, um volume financeiro em torno de US$ 4,5 trilhões no ano 2000, devendo,
para o ano de 2010, movimentar valores próximos de US$ 8,5 trilhões. Esses resultados relacionam-se com um poderoso efeito
multiplicador que a atividade tem na economia, podendo fomentar não apenas o crescimento de setores econômicos como ainda de
toda uma localidade ou região.
Para implementar ações voltadas ao desenvolvimento do turismo e aproveitar seus extraordinários efeitos econômicos, o
Governo Federal colocou em curso uma Política Nacional de Turismo que, em suas diretrizes e programas, contempla medidas
objetivadas ao ecoturismo e ao turismo rural, de extrema importância para Mato Grosso.
Com proposta inovadora de políticas públicas setoriais, definidas em conjunto com o Programa Nacional de Municipalização
do Turismo, essa política descentraliza as ações de planejamento e gestão, levando-as para o âmbito local.
A atividade turística em Mato Grosso tem na diversidade de recursos naturais um potencial a ser explorado. Com três
ecossistemas distintos:
• o pantanal,
• o cerrado
• o amazônico,
Além das bacias hidrográficas do Paraguai, Amazonas e Araguaia-Tocantins, o território mato-grossense apresenta grande
atrativo ecológico que, unido à riqueza cultural, representa uma extraordinária base para a constituição de uma oferta turística ampla
e diversificada.
Entre os atrativos naturais, destaca-se a paisagem propiciada pela variedade de relevo, com seus morros, serras, cavernas,
grutas e cascatas, compondo uma magnífica oferta de rara beleza. As águas termais, abundantes e cercadas de matas e
cachoeiras, constituem mais um potencial que, somado aos demais recursos, pode atender às mais variadas demandas do mercado
emergente do ecoturismo.
Os rios, com suas baías e praias que se formam no período da seca, constituem outra opção, tanto para banhos como para
pesca, com foco principal na Bacia do Alto Paraguai onde chama a atenção o Pantanal. O turismo na região acontece o ano todo.
De dezembro a março, período das inundações, as plantas aquáticas se reproduzem e os mamíferos (onça, cutia, capivara, porco-
espinho, lontra, anta eoutros), migram para os campos mais elevados, oferecendo aos turistas uma vegetação exuberante e a
oportunidade de observar esse fantástico grupo de animais.
De abril a junho é o período das águas vazantes, com formação de corixos e a presença de grande quantidade de pássaros.
De julho a setembro, podem-se ver animais de todas as espécies, sendo o jacaré o centro das atenções. Esse ambiente constituído
por florestas, cerrados e campos sazonalmente inundados, com rios meandrantes, corixos e numerosos lagos de água doce e
brejos, constitui-se uma verdadeira região de peixes e viveiros de aves. Nele se encontram os municípios de Poconé, Cáceres,
Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger.

• No município de Chapada dos Guimarães, localizado a 60km de Cuiabá, encontra-se o Parque Nacional de
Chapada dos Guimarães, criado em 1989, com uma área de 33 mil ha. Esse, com ecossistema do cerrado, conta
com montanhas, serras, rios, cascatas, cavernas e grutas, atraindo o ecoturismo internacional.

• Na Bacia do Alto e Médio Araguaia,


Araguaia, onde a cidade de Barra do Garças desempenha função centralizadora,
desenvolve-se um significativo pólo turístico, essencialmente de caráter receptivo, sendo crescente a atração de
fluxos regionais, principalmente em termos do Centro-Oeste.

41
• constitui-se em potencial a ser explorado, pois o turismo ainda é embrionário. A exploração
A Bacia Amazônica constitui-

turística existente na Amazônia Mato-Grossense tem nas cidades de Alta Floresta e Aripuanã os principais pólos de
desenvolvimento voltado ao ecoturismo.

Nessa região a demanda se dá através de pesquisadores, cientistas e turistas internacionais, atraídos pela diversidade
biológica (518 das espécies de plantas tropicais estão aí situadas) e faunística, próprias da maior bacia hidrográfica do mundo.
A Grande Cuiabá/Várzea Grande possui, atualmente, uma população de cerca de 730 mil habitantes e, graças à
disponibilidade de significativos atrativos a relativamente curtas distâncias, constitui-se no principal pólo emissor de âmbito local e
regional.
O segundo centro urbano do Estado, Rondonópolis, com quase 150 mil residentes, apresenta uma crescente demanda por
recreação e lazer, originando fluxos intermunicipais em direção à Jaciara e Juscimeira, onde se localizam águas termais e
cachoeiras de grande beleza.
Barra do Garças, com população pouco superior a 50 mil habitantes, centraliza os fluxos turísticos que se direcionam para o

vale do Araguaia (cerca de 1.000km de praias fluviais) e que, entre os meses de maio e julho, chega a receber cerca de 100 mil
turistas, em sua grande maioria do próprio Estado e de áreas próximas.
Cáceres, situada a 200Km de Cuiabá, tem como principal ponto de atração o Pantanal, que lhe permite ofertar a pesca

turística. Essa cidade realiza no mês de junho o Festival Internacional de Pesca, que chega a atrair milhares de pessoas. Esse
festival, além de proporcionar turismo e lazer, mostra o grande potencial pesqueiro da região, enquanto atrativo turístico.
No tocante ao turismo relacionado com o comércio, indústria e agropecuária, destacam-se as exposições agropecuária,
industrial, comercial e feiras que têm como objetivo divulgar e comercializar os produtos, ampliando o potencial econômico do
Estado e, conseqüentemente, o turismo regional.
No campo das artes, cultura e folclore destacam-se as festas religiosas e as afro-brasileiras. Dentre os eventos oferecidos em
vários municípios, destaca-se:
• a Festa do Congo de Vila Bela da Santíssima Trindade, que por sua tradição desperta a atenção de turistas
internacionais.
• As festas carnavalescas englobam desde o Carnaval Pantaneiro em Cáceres a Carnavais fora de época, em
Cuiabá.
Outro aspecto a considerar é o turismo de negócios, principalmente em Cuiabá, Rondonópolis e Barra do Garças, onde se
concentram as grandes empresas do Estado. Deve-se ainda registrar o papel desempenhado por Cuiabá como centro receptor e
redistribuidor dos fluxos turísticos nacionais e internacionais que buscam a oferta turística de Mato Grosso, o que lhe permite
promover o turismo local, incrementando principalmente a vida noturna.

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