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Este trabalho, como o próprio nome indica, pode ser entendido como a tentativa da
descobertado Nada, do Vazio e do Silêncio nas artes e em especial a forma como ela se
manifesta na música. Assim, após apresentar breves considerações, sob uma
perspectivaanalítica, de como a arte se pode manifestar acerca de algo tão complexo,
abstracto e subjectivo, irei numa segunda fase abordar o tema proposto, apartir da
peça 4͛33͛͛, no âmbito de demonstrar como este assunto pode de igual modo ser
entendido, através da análise pormenorizada do vasto universo repleto de novas
ideologias e pensamentos desenvolvidos no cérebro de um pensador, John Cage.As
questões que ele coloca, assim como as suas respostas, são revolucionárias, mesmo
nos dias de hoje. Os silêncios ou os ruídos que ele impõe nas suas obras musicais, são
apenas alguns aspectos que deixam qualquer pessoa a reflectir acerca do sentido que
a música pode ter, enquanto forma de artística.A Arte pode ser considerada uma das
formas de como asSociedades se podem manifestar, e assim, poranalogiaà Arte ela
alterca as mesmas questões. Este trabalho,tem o âmbito de replicar essas
interrogações e como tal, pode ser visto como um começo à reflexão do fim dos
conceitos artísticos, das disciplinas convencionais artísticas e de toda a arte em geral.
Enquanto a Arte não for capaz de alcançar as soluções das questões levantadas sobre
si própria, como poderá a sociedade encontrar a resposta da sua natureza
identitária?Existe uma eminente necessidade de reflexão, por parte de todos os
artistas e pensadores relacionados à Arte em geral, sobre determinados aspectos na
Arte, como o nada, o vazio ou o silêncio.

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John Cage


LUIS PEDRO RIBEIRO CASTELA 
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A Arte é arte porque existe uma forte necessidade de respostas, íntrinsecas à própria
natureza humana, que apenas as mentes mais iluminadas conseguem alcançar ou
apenas sobre elas reflectir. Penso existir uma forte necessidade de abordar algumas
questões que alguns autores têm vindo a colocar e que exigem uma urgente resposta,
sob pena de que a própria Arte não faça sentido ou reflicta a sociedade da qual advém
a sua própria existência. As questões metafísicas que o Homem, ao longo dos tempos,
tem vindo a colocar acerca da sua própria existência, dos seus medos ou receios, e de
todas as questões que a Ciência ainda não consegue responder, têm sido de igual
modo colocadas na Arte. Entre a Arte e a Sociedade, sempre existiu uma relação
profunda que, permitiu quase sempre ao Homem superar as suas dúvidas. Porém, a
partir da segunda metade do século vinte, estas questões essenciais têm vindo a ser
reformuladas, permitindo novas respostas nunca antes atingidas.

Quando olhamos directamente para o abismo do vazio, encontramos o nada e o


silêncio, que podem ser entendidos como respostas da escuridão perturbante que
reside dentro de cada um, ou simplesmente como algo que possibilita encontrar a
solução da equação que antes parecia ͞impossível͟. A subjectividade existente nas
reflexões sobre questões que começam a entrar no campo metafísico da existência,
muitas vezes, devida ao facto de olharmos para algo que não espelha qualquer
significado, pois não possui signos co gnitivos identificáveis. Porém, quando olhamos
concentradamente para o abismo, ele por vezes, devolve esse olhar demonstrando
todo o seu esplendor infinito. Assim, ao tentarmos identificar o silêncio e o nada
absoluto, enquanto signos, podemos encontrar um a solução explicativa da existência
do vazio e do que ele significa, pois são esses os dois aspectos que sabemos à partida
pertencerem ao seu campo semântico.

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Existem pelo menos três formas de demonstrar a relação que a Arte tem com o nada,
com o silêncio e consequentemente com o vazio. Sendo a primeira, a ideia de que esta
nasce do nada, isto é, ela própria provém de matérias brutas, como a tinta, a tela, a
pedra ou o som. Através desta perspectiva entende-se que a obra aparece como uma
acção, de um espírito criativo mais ou menos dotado, de transformar a materialidade
inerte. Esta ideia rejeita por completo, a teoria defendida por diversos artistas de que
uma pedra já continha em si, desde o início, a escultura final, ou no caso da pintura, a
tela conteria o quadro, pois entre o nada da matéria-prima utilizada e o processo que
envolve a complexidade da construção da obra artística, existe sempre o esforço
humano, quer seja ele proveniente da sua genialidade intelectual, ou da sua
perfectibilidade natur al. A segunda forma demonstrativa desta relação entre o Vazio e
a Arte, é a própria ideia de a expressar. É neste sentido que o nada que antes era
moldado, passa agora a ocupar o lugar principal na formulação da obra de arte e de
representar a necessidade de encontrar um sentido da vida ou apenas a ideia de que
esse sentido não existe. A terceira relação, é aquela a que diz respeito à forma
significativa estética do nada e do vazio. Ou seja, é a realização de uma obra dearte
utilizando o mínimo de materialidade possível, não existindo à partida um principio
nem um fim, tornando o vazio a ser o seu próprio conteúdo, o que torna desde logo
difícil a dissociação entre a obra em si e o nada. Esta é a ideia que irei explorar e que,
no meu entender, reflecte a crise generalizada existente na arte. Existem vários
exemplos desta estética artística, como o famoso ͞Carréblancsurfondblanc ͟, de
Kazimir Malevitch, ou ainda os quadros monocoloridos todos brancos ou pretos, de
Robert Rauschenberg. Outro exemplo que, no meu entender, reflecte esta tendência
de relacionar o vazio com a Arte, é a célebre ͞Lafontaine͟, de Marcel Duchamp. Penso
que o ͞nada͟ está igualmente aqui representado, pois o facto de ele colocar um
objecto banal e quotidiano num espaço público e dign o de representação num museu,
não passa de um simples gesto de transposição, não existindo de forma alguma uma
acção sobre a materialidade da obra. Também na Literatura existem vários casos de
escritores que conseguem escrever sobre nada, e pelo simples facto de caírem na
repetição ou de terem um discurso propositadamente incoerente, perdem o seu total
sentido, tornando os seus textos insignificantes, exaltando assim o vazio e o nada.


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Estas obras têm um grau de dificuldade de avaliação estética elevado, pelo simples
facto de não a terem, pois é esse o próprio ponto de partida do artista quando as
realiza. Este facto, faz com que estas obras sejam apenas reconhecidas consoante a
crítica que posteriormente é feita, validando ou não a obra como Arte, pois por si só
esta forma de arte passaria despercebida e quase indetectável no meio artístico. Esta
forma de representar o vazio, demonstra a crise existente no mundo da Arte e a
preocupação de procurar critérios capazes de avaliar um objecto, pois ela torna esse
problema como o seu próprio ponto de partida e de exploração artística, conseguindo
demonstrar que a própria arte está em sintonia com a crítica nessa procura. De alguma
forma parece que a arte está a tentar reagir a esta problemática situação, através da
modificação dos seus conceitos semióticos (exemplo: quando tocar uma peça de
Mozart imperfeitamente, não mais pode ser visto como um mau intérprete, mas como
produzir a imperfeição). De facto, a música é um dos campos artísticos que se
encontra privilegiada perante as outras formas de manifestação artística, pois no
campo da superprodução de signos e mensagens, o problema agrava-se de tal forma
que seria incorrecto da minha parte desenvolver neste pequeno ensaio, tal assunto.
No entanto, pode-se facilmente entender que são os ruídos e os sons, que
protagonizam o campo semiótico da disciplina musical. Porém é ao lermos o prefácio
de FredericJameson em † oise:thepoliticaleconomyofmusic͟, Y Y  , que
entendemos que a música para além de ser um meio de atingir a sociedade, possui de
igual forma o poder de antecipar aspectos políticos e económicos, o que torna a peça
4͛33͛͛, de John Cage, aparentemente desinteressante, numa obra de grande relevância
no contexto social, político, económico mas acima de tudo cultu ral.

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John Cage é um autor difícil, mais encoberto de que revelado em tal ou tais fórmulas
retumbantes de que sobressaltam devido a um imenso reportório. A sua primeira fase
da vida foi essencial para que o autor te nha descoberto, para além das fórmulas que
foi alcançando, um ser vivo. A segunda fase irá contribuir para levantar o véu que nos
esconde, sob as fórmulas do pensador, para além das vicissitudes do ser vivo, o
significado de uma das aventuras mais singulares e mais heróicas que foram tentadas
ao sector da música.

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John Cage

Outro passo bastante importante da sua vida, foi quando ele se relacionou com o
Budismo Zen. Foi nesta fase, que um novo John, ganha um novo sentido e que
acabaria por modificar-nos a todos, com as suas novas teorias no campo musical e no
que elas representavam. De facto, a inspiração foi de tal forma imediata que irá
compor ͞MusicofChanges͟, uma obra em todas as notas e os tempos musicais são
obtidos através do I Ching, onde ele se inspira para criar um hexagrama aleatório para
determinar a combinação da forma musical a realizar pelo intérprete. Este novo
género musical, a que comummente chamaram nos dias de hoje de "música
aleatória", foi explorado ao extremo por John Cage. Foi, portanto, uma resposta por
parte do compositor, às técnicas musicais composicionais da vanguarda, que na época
eramtrivialmente regidas pelo serialismo integral. Assim, esta nova liberdade de
improvisação que o intérprete passa a possuir, pode ser entendida, através das
performances imprevisíveis, como uma oportunidade infinitésima de destinos sonoros
que cada intérprete passaria a ter face a uma orientação pré-estabelecida pelo
compositor.


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Os novos caminhos abertos pelo génio musical de J.Cage, abriram novos horizontes
nos vários campos artísticos. De facto, a importância de Cage numa parceria com
MerceCunningham, deflagraram na dança uma série de mudanças que abririam novas
possibilidades na segunda metade do século XX . A esta ͞sociedade, deve-se a
alteraçãode que o movimento na dança deva estar estritamente vinculado ao
encadeamento com a narrativa, repertório, tema ou motivo, adquirindo, portanto, a
sua aguardada autonomia, inclusive em relação à música tocada contigua à
coreografia. † relação entre a dança e a música é de coexistência, quer dizer, estão
relacionadas simplesmente porque existem ao mesmo tempo͟, é através desta
observaçãodo coreógrafoMerce Cunningham, que podemos entender, essa mesma
desvinculação da dança perante a música e que a ideia de ritmo, não responde mais
perante a função do espaço ou do tempo, no desenrolar de uma composição ou
bailado.A parceria Cage e Cunningham, desenvolveu outros aspectos peculiares como
a reinvençãodo ͞foundobject͟ de M.Duchamp, criando uma ligação a este através do
chamado ͞foundsound͟e do ͞foundmovement͟. Este último foi introduzido, nos anos
50 do século XX, com a implantação do ͞caminhar͟ na dança , que trouxe repercussões
essenciais imediatas a este género artístico, relativamente à metafísica do
expressionismo abstracto, que procurava sublimar a monotonia urbana .

Da mesma forma que Cage envolveu o silêncio na música, também Cunningham irá
comprometer ainacção do corpo às suas performances.Esta ideia resulta, da
constatação de não existir, na realidade, uma diferença entre estar parado ou estar em
movimento. De facto, em tempo algum conseguimos estar absolutamente inertes, pois
o zero é algo que não existe, segundo as leis de Newton. Será a partir desse princípio
nuclear das leis da física, que Cage irá valorizar a relação dos ͞espaços͟ entre os
movimentos e os tempos entre cada fracção sonora, nas suas composições musicais.
Assim, ele irá passar a considerar o tempo como algo que engloba tudo e não como
algo que simplesmente exclui.
Apartir desta constatação de que o silêncio absoluto e que a estática total não existe,
eles irão abordar a arte de uma perspectiva diferente, criando performances onde a
narrativa e os movimentos são autónomos e independentes. ͞Nestas danças e


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músicas, nós não estamos a dizer alguma coisa. Nós somos suficientementesinceros
para pensarmos que se estivéssemos a dizer alguma coisa usaríamos palavras. Ao invés
disso, nós estamos a fazer alguma coisa. (...) Não existem histórias ou problemas
psicológicos. Há simplesmente uma actividade de movimento, som e luz. (...) O
movimento é o movimento do corpo͟. Acerca desta observação que J.Cage faz acerca
dos seus trabalhos em conjunto com M.Cunningham, pode -se deduzir que no trabalho
realizado por ambos existe, na verdade, um certo afastamento em relação à realidade
social, à qual eles advertem ser uma sociedade entroncada de pensamentos e
preocupações demasiado particulares, em perjúrio da aproximação da natureza real e
da integração da relação entre uma determinada parte específica e do todo integral.

No meu entender, o silêncio de Cage, não pode ser perspectivado da mesma forma
que os silêncios de Schoenberg, seu mestre e professor. Esta forma de considerar o
silêncio na música vai opor-se à teoria neoplástica da música de Mondrian, que
considerava apenas os sons, excluindo e não ponderando a importância que ele
poderia ter na música. Enquantoo silêncio no dodecafonismo se contrapõe ao som, de
modo a criar um determinado contraste na forma musical, em Cage essa dualidade
desaparece, pois todos os sons, instantes e movimentos, têm a mesma importância
numa composição musical. Este aspecto pode ser observado quando ele descreve a
͞Experimental Music͟(texto de 1955, publicado em Silence): † esta música, apenas o
som possui lugar: os que são ͚anotados͛ e os que não são. Os que não são ͚anotados͛
aparecem nas músicas escritas como silêncio, abrindo as portas das músicas para os
sons que estão no ambiente. Esta abertura existe no campo da escu ltura moderna e da
arquitectura. s casas de vidro de Mies Van der Rohe reflectem o seu ambiente [...]
ão existe algo como um espaço vazio ou um tempo vazio. Há sempre algo para ser
visto, para ser ouvido. De fa cto, por mais que tentemos fazer silêncio, não o
conseguimos͟.

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Pimenta, Emanuel Dimas de Melo - JOH CE, OS SO S HUM OS D CIDDE.

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John Cage

Cage compôs a obra silenciosa 4'33'', que é o tempo exacto em que os artistas ficam
em silêncio no palco segurando os seus instrumentos, e cuja reação da plateia vai da
surpresa à indignação. Esta é sem dúvida uma das suas mais famosas obras, e
certamente a mais ousada e debatida ao longo dos tempos por diversos nomes da
história da música. É possivelmente a mais conhecida das obras sobre o nadae uma
das mais polémicas de todas elas. A peça foi composta em 1952, para ser executada
por qualquer grupo de instrumentos e é dividida em três movimentos. O primeiro
movimento tem a duração de trinta segundos, o segundo de dois minutos e vinte e
três segundos e o último movimento é composto de um minuto e quarenta segundos.
Durante os três movimentos osintérpretesnão tocam nada, a único acção que
acontece numa interpretação desta peça é o facto de dever ser assinalado os vários
movimentos, como por exemplo através do fechamento e abertura do tampo de um
piano. Não deverá existir qualquer tipo de dança ou outra forma artística adjacente a
esta composição, sob causa de esta perder o seu interesse estético.A audiência de um
espectáculo com esta magnitude, por mais desejável que seja, não é possívelexistir o
silêncio. Na realidade, o silêncio absoluto é algo ímpossível de alcançar, daí a obra ser
apelidada de ͞silence pice͟, à partida engana o público,pois quanto mais se procura o
silêncio, mais os ruídos de fundo e ambientais se elevam.

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Esta peça pode ser inserida no contexto de uma corrente da arte moderna
caracterizada essencialmente pela indeterminação, em contrate com a tendência
dominante do Alto Modernismo proveniente do simbolismo, do qual se poderiam
inserir nomes como Baudelaire, Stevens , T. S. Eliot, ouainda Frost. A tradição dos seus
vários experimentalismos, emergem nesta obra sobre um vazio, que é possível
identificar com nomes como Beckett, Gertrude Stein ou Rimbaud.
A temática em que se insere 4͛33͛͛, remete-nos para os inícios do século XX, onde se
debatiam, entre os críticos e filósofos da música, as direcções e os caminhos que esta
deveria levar. Relembro que o aparecimento do serialismo dodecafónico (1), e
posteriormente o serialismo integral (2), vieram pôr em causa os caminhos que a música
poderia tomar, daí o aparecimento de diversas performances e partituras musicais
experimentalistas na 2ªmetade do século XX. É precisamente neste aspecto que esta
peça, remonta a uma reflexão do próprio serialismo. E ele faz -lo de uma forma
perversa e provocatória, ao colocar em questão estas séries dodecafónicas ou
integrais, pois elas não continham o zero, a ausência ou o nada, e este 4͛33͛͛ de J.Cage
é feito inteiramente deste nada. Será a partir deste nada composto por Cage, que
permite aos sons da sala de concerto possam ser entendidos como música. O simples
facto de que os sons realizados pela audiência durante o espectáculo, não poderem
ser previstos, tornam a intencionalidade musical desta obra fora de questão. No
entanto, uma outra intencionalidade é possível ser constatada nesta obra, que em
grande parte está ligada aos príncipios de teorias filosóficas como o Zen Budismo , que
consiste na aceitação das coisas como elas são e da negação da tentiva de possessão.

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Este ensaio significou um começo de um novo universo, de um novo modo de ver o
mundo e pensar sobre ele. De facto, à medida que se ouve Cage, descobre-senovas
coisas, constantemente, em cada peça que se escuta, está uma nova ideologia. A
reflexão sobre a obra integral de Cage dava para falar de inúmeras assuntos, páginas
sem fim de puro constatar de pensamentos quase filosóficos. Para se entender as suas
doutrinas e a forma que o levou a compôr de tal maneira, seria era imprescindível
recuar à sua infância, aos acontecimentos que o marcaram enquanto músico onde
reside toda a base da estrutura psíquica e emocional. São aspectos de como era a sua
família, onde morava, qual a relação que tinha com os que o rodeavam, qual o seu
percurso académico, os amigos que teve, as pessoas que conheceu, os ensinamentos
que recebeu e a altura em que os recebeu. Estes são pormenores, que para mim,
fazem a diferença. Como podemos falar de alguém, neste caso, falar sobre algo que
esse alguém compôs, sem saber o mínimo da vida dessa pessoa? Não podemos
separar o eu profissional, do eu pessoal, uma coisa implica a outra, fazem parte do
mesmo, formam um todo. As experiências ou a falta delas, levam o ser humano a
pensar de uma certa forma subjacente ao próprio. Os sentimentos e sensações,
controlados, pensados, trabalhados, julgados, resolvidos, ou então a negação de
todos. Todo este processo forma o homem naquilo que ele é, diz, actua, defende e
acredita.
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http://www.lastfm.pt/music/John+Cage/+videos/+1 -Bsz-Mr59P6c

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