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TCC - Terceira Idade

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Inclusão Digital - Ação Social da Prefeitura de União da Vitória e UNIUV
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1 INTRODUÇÃO

O ensino para idosos é historicamente focalizado em sua alfabetização. Neste sentido inúmeros métodos têm sido utilizados com grande sucesso. Porém, com o surgimento de entidades preocupadas com a ocupação dos idosos, diversos cursos têm sido oferecidos para esta faixa etária. Centros comunitários, igrejas e serviços sociais têm oferecido oportunidades com a criação de vários grupos de terceira idade. A comunidade universitária por meio da Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória - UNIUV e a comunidade de serviços sociais, representada pela Prefeitura de União da Vitória, pela Secretaria da Ação Social e dos Grupos da Terceira Idade, estendem seus braços até a comunidade externa para oportunizar aos cidadãos de terceira idade a aquisição de co nhecimentos acadêmicos e o melhoramento do seu sentimento de cidadania. O curso de informática básica visa propiciar a integração do idoso no núcleo familiar pela nova linguagem (computes), incluí-lo no mundo cada vez mais globalizado pelo uso da internet e integrá-lo a um ambiente cheio de perspectivas de novos conhecimentos. Teve-se sempre uma preocupação metodológica, pedagógica e didática na elaboração de material. Para tanto foi confeccionada uma pasta chamada Informática Básica, distribuída em CD´s a todos os alunos, na qual contém apostilas, slides, pesquisas, exercícios, programas, sites e jogos, ou seja, toda a programação do curso, dividida em módulos de estudos (subpastas). Assim, os conteúdos programáticos abordaram desde o ensino da introdução à informática, sua história e seus avanços, com a criação de contas de email, MSN e Orkut e o acesso a sites úteis e de entretenimento, desmistificando assim o computador. A transmissão de informações, para a compreensão dos alunos idosos, deve ser feita de forma mais lenta do que a realizada para alunos adolescentes e pós adolescentes, e revisada várias vezes. Pois a fixação de conhecimentos é mais morosa de ocorrer em função das próprias condições orgânicas dos alunos desta

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faixa etária. A matéria a ser ensinada quando transmitida primeiro mecanicamente, através do exercício prático, e só depois explicada a sua fundamentação teórica, propicia o melhor aproveitamento de compreensão pelos idosos. Tendo em vista que os alunos após a primeira etapa (prática) sentem que dominam o conteúdo, então só depois tornam sensíveis à fundamentação teórica. Há que se ressaltar, que houve uma série de empecilhos no decorrer do curso, contudo, mesmo diante dos inúmeros contratempos, o curso de informática básica dá o primeiro impulso para essa inclusão digital, fazendo com que desperte o interesse da terceira idade pelo computador e pelas novas tecnologias para o uso no entretenimento, assim como nas aplicações cotidianas do dia -a-dia, e não se pode deixar de mencionar que o respeito, o carinho e a gratidão, tão esquecidos ultimamente, estão presentes nesta relação. Ao iniciar a pesquisa, em nenhum momento teve-se de reconstruir a imagem cultural, que é imposta e veiculada pela mídia, sobre os idosos, porque, de uma forma ou de outra, estes sujeitos sempre fizeram parte de maneira positiva. Mesmo com todos os avanços vivenciados no dia-a-dia, pode-se perceber que a mesma sociedade que discrimina também é a mesma que quer incluir, pois, a partir de muitas pesquisas e campanhas promovidas por entidades governamentais ou não, já há uma conscientização de que envelhecer é um processo acelerado e universal e que atinge a todos. Mesmo que não se dê o devido valor para estas pessoas, a sociedade depende delas para se manter viva, geração após geração, pois através de suas ações é que se vai determinando o tipo de pessoas que teremos em nossa sociedade. Em 1999, no Ano Internacional do Idoso, em 1999, o lema do Dia Mundial da Saúde foi ³Sigamos ativos para envelhecer bem´, ou seja, a pessoa que se mantém ativa, ao longo de toda sua vida e em todos os setores da atividade humana, quer física quer mentalmente, envelhece bem e com qualidade de vida. No mundo globalizado, que muda rapidamente, e na sociedade de informação, nos quais as tecnologias que se caracterizam por permitir um grande aumento em nossa capacidade de acessar, organizar, selecionar, armazenar e distribuir informações, e ainda por efetuar comunicação rápida e eficaz com outras pessoas, onde quer que elas estejam, crê -se que estas tecnologias deveriam estar inseridas no cotidiano deste segmento que está envelhecendo, pois elas estão

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alterando o formato da socieda de e estão possibilitando a oportunidade de gerar o próprio conhecimento sobre a realidade e seu entorno. O trabalho dividiu-se em capítulos, a conferir: - na Introdução, procurou-se fazer um breve relato da turma, as dificuldades e resistências encontradas, e por fim, justifica-se a pesquisa; - no Desenvolvimento, foram tratados de assuntos típicos do grupo estudado, como os mitos e preconceitos aos idosos, suas deficiências, seus dire itos, finalizando-se com a ergonomia e a inclusão digital propriamente dita; - na Prática Pedagógica, abortou -se a metodologia, os procedimentos e instrumentos aplicados, analisou -se, interpretou-se e categorizaram-se os dados, relatando ao final os aspectos principais observados, respondendo enfim ao problema.

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2 DESENVOLVIMENTO

2.1 A TERCEIRA IDADE

Há resistências quando se fala em idoso e envelhecimento no panorama social. Quase nunca foi estudado o envelhecimento humano.
As pesquisas na área do envelhecimento que são poucas, porém mostram que as alterações fisiológicas não o impedem de realizar seus sonhos. O idoso seguindo os cuidados de uma velhice saudável. Pode viver muito bem e acompanhar as mudanças sociais, para o s trabalhar com o idoso e e importante estar sempre disposta a ouvir sem preconceitos, e acreditar na possível transformação do idoso (KACHAR, 2001, p. 46).

O mundo está envelhecendo. Esta realidade já faz parte do cotidiano brasileiro vê-se idosos em todos os segmentos da sociedade e em diversas ocupações. O estereótipo do idoso aposentado em casa é apenas uma das faces do idoso brasileiro, que pode ser idoso ativo, que ainda trabalha de forma voluntária ou contribui com o orçamento familiar; que corre no parque e joga tênis ou damas e leciona na universidade; ou pode ser um idoso acamado em um asilo, limitado por muitas doenças ou isolado socialmente. Múltiplos perfis se associam para compor a imagem do nosso idoso. A proporção atual de idosos na população e as particularidades da saúde deste segmento etário, bem como do processo do envelhecer, fizeram com que surgisse a partir da metade do século passado a Geriatria, especialidade médica que lida com os idosos, é uma especialidade menos conhecida do que deveria no Brasil. O Envelhecimento é um processo pessoal e difere de pessoa para pessoa, de classe social para classe social e de época para época. Os idosos são divididos em três categorias: os pré-idosos (entre 55 e 64 anos); os idosos jovens (entre 65 e 79 anos - ou entre 60 e 69 para quem vive na Ásia e na região do Pacífico); e os idosos de idade avançada (com mais de 75 ou 80 anos), segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

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O Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas até 2025. O Governo brasileiro deve ficar atento com este cenário e criar, o mais rápido possível, políticas sociais que preparem a sociedade para essa realidade, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . A Constituição de 1988 deixou clara a preocupação e a atenção que deve ser dispensada ao assunto, quando colocou em seu texto a questão do idoso. Existe pesquisa no Brasil sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC Domicílios 2008), do Comitê Gestor da Internet no Brasil (cgi.br), que demonstram que mais da metade dos brasileiros (55%) nunca utilizou um computador e 66% jamais acessou a internet. Os que já passaram dos 60 anos então, o computador e a rede internet é algo inatingível, segundo o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO).
Delegar ao idoso o estado de velhice é um preconceito muito grande, é negar o seu próprio envelhecimento. Os jovens e adultos poderiam começar a cuidar da sua própria velhice durante o decorrer do seu processo orgânico e começar a vivê-la, visualizando um futuro onde o idoso será mais efetivo na socialmente e exercendo suas funções sem sofrer discriminação, e com isto poderá ser um cidadão com melhor qualidade de vida. (KACHAR, 2001, p. 47).

Observadas as grandes diferenças entre idosos, muitas vezes de mesma idade, na verdade são características daquilo que vem ocorrendo com o envelhecimento do povo: ao contrário da crença comum, idoso não é tudo igual; torna-se cada vez mais distinto uns dos outros em relação ao grau de saúde, entre outros tantos aspectos. Por que isto ocorre? Em primeiro lugar tem que se entender que há duas formas de envelhecimento: o envelhecimento normal e o envelhecimento errado. O envelhecimento normal acontece com tod os, não se consegue fugir e quem disser o contrário, à luz da ciência atual, está enganado. A boa notícia é que o envelhecimento normal não imped e de se fazer esporte, de cuidar-se do intelecto e de ser ativo; ou seja, não impõe graves limitações à vida. Já o envelhecimento ruim ou patológico, esse pode trazer terríveis limitações. Ao olhar-se novamente para aquele idoso acamado, para aquele que não consegue cuidar de si próprio, quase com certeza houve coisa errada com seu envelhecimento. Ele não envelhece u bem.

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As mudanças orgânicas como doenças decorrentes da idade em questão modificam o estado emocional, a auto-estima e a auto- imagem: cabelos brancos e rugas e motricidade lenta que incomodam; diminuição da potência sexual e menopausa são alguns dos fatores que implicam na característica psicológica do idoso. (KACHAR, 2001, p. 44).

Então quando é que se deve preocupar-se com o envelhecimento? As pesquisas mostram que alguns dos processos biológicos do envelhecimento humano já se iniciam desde o nascimento; alguns cientistas acreditam que eles se iniciam até mesmo antes de nascer. E todos são unânimes em dizer que uma vida saudável desde a época da nossa gestação influe ncia em algum grau o tipo de idoso que vamos ser. Sabe-se que normalmente, por volta dos 30 anos de idade, ating e-se o auge: fisicamente, em termos de capacidades mentais e nos processos biológico s dos quais se depende como a capacidade respiratória ou da filtração dos rins. A partir de então se tem uma lenta queda, que faz parte do processo normal do envelhecimento; ao mesmo tempo, está-se muito sensível às ações do envelhecimento ruim, que se soma ao envelheci mento normal e pode fazer com que esta queda seja muito mais rápida. O envelhecimento é, portanto, um processo contínuo e não uma mudança súbita a partir de certa idade. Assim, é a prevenção continuada e os hábitos saudáveis ao longo da vida que contribue m com o envelhecimento saudável. É um processo ativo. Envelhece com saúde quem se previne das doenças que podem aparecer ao longo da vida, como a hipertensão ou diabete, de preferência por meio do controle dos fatores de risco, como o fumo, o sedentarismo e o colesterol alto. Vale dizer que atividade física e uma alimentação saudável são algumas das bases para o bom envelhecimento. Exames médicos periódicos e o aconselhamento médico também podem garantir que se está no caminho certo, mas é fundamental entender que antes de tudo, o envelhecimento saudável e uma escolha e um compromisso pessoal. Um compromisso antes de tudo com a manutenção da saúde, prevenção das doenças evitáveis ou das complicações das doenças inevitáveis. O envelhecimento saudável é uma aplicação científica do velho ditado: prevenir é o melhor remédio. Bem falavam as nossas avós!

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2.2 MITOS E PRECONCEITOS

A sociedade em geral vê o idoso com algumas restrições e com opiniões formadas, como se esta fase fosse algo eliminatório para várias questões em sua vida. Sobre o idoso se acumulam alguns mitos:
Inutilidade, os idosos não produzem, logo em um país capitalistas devem ser eliminados da sociedade. Porém não é visto a experiência e a visão ampla do idoso, podem quantificar a produção e acima de tudo qualificá-la, não é somente a faixa etária jovem que consome, dê oportunidade ao idoso e ele também vai ser um consumidor. (MELO, 1994, p. 14).

O velho é detentor de conhecimento, experiência e visão ampla do mundo, tendo condições de participar no mercado de trabalho, contribuindo com sua experiência e conhecimento acumulados ao longo dos a nos. Não é só o jovem que produz e consome, o idoso pode exercer outras atividades produtivas e se obtiver recursos também vai consumir.
Antiquado, taxam-se o idoso como superado, desatualizado, é evidente que com a evolução das tecnologias no processo geométrico alguns indivíduos não acompanham, mas não podemos nivelar as pessoas, pois se analisarmos o passado tudo que temos de essencial foi criado a partir de experimentos empíricos ou pouco científicos realizado por eles. (MELO, 1994, p. 14).

A velhice é feia. É evidente que com o decorrer do tempo o ser humano vai perdendo o frescor da juventude e a beleza exterior, tão valorizada pela sociedade. A beleza, no entanto, assim como a velhice, é um conceito efêmero que muda de geração para geração. O belo de hoje é muito diferente do belo de séculos passados. Atualmente, no entanto, valoriza -se, até com certo exagero, a beleza juvenil. Esconde-se, por outro lado, a beleza da idade, refletida não apenas no ar de sensatez, sabedoria e sobriedade, mas t ambém nas rugas e nos cabelos brancos como marcas do tempo. Não é difícil ver pessoas com cabelos grisalhos nas ruas? Por que tanta gente recorre à cirurgia plástica na face? Para os meios de comunicação social, a literatura, o teatro, os jovens são sempre os galãs, os mocinhos. A fada aparece como uma bela jovem. Já a bruxa é uma velha horrenda.

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Essas formas de discriminação, felizmente, estão sendo combatidas com iniciativas diversas. Um exemplo é um calendário que fez enorme sucesso no mundo todo. Criado por um grupo de senhoras da pequena e conservadora cidade de Knapely, norte da Inglaterra, ele apresenta as próprias em fotos artísticas mostrando seus corpos seminus com sensualidade, charme, discrição, elegância e beleza superando valores e preconceitos, sendo tema do filme ³Garotas do Calendário´. O envelhecimento acarreta perda da memória. Os efeitos do envelhecimento sobre a memória não são inevitáveis nem irreversíveis. As pessoas possuem capacidade de recordar em qualquer idade, desde que exercitem a memória. O jovem também se esquece, se engana e ainda age muitas vezes de maneira ilógica. A velhice é uma etapa totalmente negativa. A maioria dos idosos não tem limitações, nem suas vidas são negativas e dependentes. Uma pessoa idosa possui várias experiências, conhecimentos e saberes que um jovem não pode ter, mas este possui a força e a vitalidade que o velho carece. Se a s ociedade valorizar unicamente o vigor físico, o idoso fica em desvantagem.
Esclerose, identifica-se o idoso com alguém que não possui a memória, o raciocínio e até a lógica, como se isto fosse exclusividade do idoso, e ser uma patologia exclusiva do idoso. Não percebem que o jovem também esquece, também se engana e age muitas vezes de maneira ilógica. (MELO, 1994, p. 14).

O importante numa sociedade democrática e pluralista é respeitar a condição do idoso, sua experiência e conhecimento da vida, equilibrando com a capacidade de inovação, iniciativa e vitalidade do jovem. Idoso só gosta de bingo e baile. O baile traz a possibilidade de relembrar e reviver momentos prazerosos, desenvolver a sociabilidade, as habilidades e talentos, promover a atividade física por meio da dança, estimular a sensualidade, desenvolver o gosto pela música e soltar a imaginação e fantasia. Esta atividade não se restringe apenas aos idosos, tem efeitos positivos em qualquer faixa etária. O bingo pode ser um excelente espaço de sociabilid ade quando promovido com o objetivo de diversão e integração comunitária. Quando a atividade se caracteriza como comercial pode levar ao vício, isolamento e perdas materiais, que são aspectos negativos em qualquer faixa etária. Estas diferenças, portanto, devem ser consideradas.

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O velho é ranzinza. A pessoa que possui características como teimosia, rigidez, mau humor, é considerado ranzinza e pode tê -las acentuada na velhice. No entanto, estes comportamentos não são exclusivos da pessoa idosa. Ela é prudente e experimentada na vida, e cede quando percebe a irracionalidade. O envelhecimento traz impotência sexual. É o mito mais presente, basta observar o apelo da mídia, da TV e do cinema. Hoje os médicos, psicólogos e sexólogos já desmistificaram esse assunt o tão importante para a pessoa em todas as etapas da vida. O corpo muda, mas a sexualidade continua, a sensibilidade fica refinada e mais bela. Daí a importância da manutenção dos cu idados preventivos em relação a doenças sexualmente transmissíveis, garant indo assim o sexo seguro e reverter estatísticas que apresentam altos índices de AIDS entre os idosos. Velhice é doença. Há muitos meios de prevenir doenças e preservar a saúde física e mental. Existem doenças que se manifestam na velhice, mas podem ter sido adquiridas na infância e se agravaram ao longo da vida. O envelhecimento com qualidade depende da prevenção, de cuidados e hábitos saudáveis cultivados desde os primeiros anos de vida. Alienação, aqui se cria um estereótipo de um idoso que vive em um mundo surreal. Subestima-se a sua capacidade de pensar, de opinar e participar. Assim citamos alguns mitos atribuídos às pessoas idosas, as quais terminam aceitando-os e assumindo uma posição submissa, o que as le va ao isolamento. Muitas vezes o idoso é discriminado e marginalizado em sua própria família. Melo (1994, p. 14). É urgente que o idoso assuma seu papel na sociedade e não aceite as imposições familiares e sociais, supere os mitos e preconceitos para viver a velhice em toda a sua plenitude.

2.3 ENVELHECIMENTO FISIOLÓGICO

O envelhecimento natural era erroneamente, caracterizado como um estado patológico, o envelhecer era visto com uma situação derivada da doença. O envelhecimento fisiológico é variável de acordo com o indivíduo, somando-se ao envelhecimento ligado aos efeitos prejudiciais do ambiente, como os raios ultravioletas, a alimentação, as doenças, o estresse, fumo e álcool.

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A expressão ³envelhecimento ativo´ tem crescido consideravelmente, assim como o número de seus adeptos. Trata -se de envelhecer priorizando, além de atividades sociais, as afetivas, profissionais e amorosas. Essas atividades preenchem o dia dos idosos deixando -os ocupados, tornando-os presas mais difíceis aos problemas de saúde e psicológicos.

2.3.1 Deficiências

Um dos grandes aliados no processo de envelhecimento saudável são o esclarecimento, as informações e a adaptação em relação às alterações fisiológicas, morfológicas, bioquímicas e psíquicas, naturais que o avanço da idade trás e que não podem ser consideradas como doença na velhice, mas devem ser cuidadas com diferenciais da mesma forma como houve necessidades específicas na inf ância, adolescência e idade adulta. São estes cuidados fundamentais na prevenção das deficiências e incapacidades funcionais.
As modificações são iniciadas aos 30 anos de vida, produzindo modificações no indivíduo. O envelhecimento não se dá após os 60 a nos conforme é categorizado o idoso, é um processo transcorre por toda a vida. (KACHAR, 2001, p. 37).

A pele perde água e elasticidade, aparecem manchas e rugas com o ressecamento e redução capilar, o poder de cicatrização diminui. A prevenção de acidentes deve estar muito presente no dia a dia. Por exemplo, uma ferida que aos 20 anos leva 10 dias para cicatrizar, no idoso exigirá 32 dias, segundo o Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento ± NEPE, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. A massa corpórea se modifica, com queda do metabolismo basal, aumento da concentração de gordura e enfraquecimento muscular. Neste sentido, há uma predominância de posturas em flexão pela dificuldade em vencer a força da gravidade; a coluna cervical curva -se para frente podendo aparecer problemas como uma cifose dorsal, certo imobilismo da coluna lombar, os membros tendem a refletir ao nível dos cotovelos, joelhos e articulação coxofemoral.

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A atividade física, os exercícios de mobilidade e técnicas corporai s podem ser de grande valia neste processo evitando as deformidades, a imobilidade e as deficiências físicas ou processos dolorosos. Alterações morfológicas e fisiológicas dos órgãos levam a mudanças na capacidade cardíaca, respiratória, digestiva, renal necessitando de condições mais adequadas e de adaptação do idoso a este diferente funcionamento, que não deve ser considerado patológico. A manutenção do equilíbrio destas funções passam a depender de fatores de estilo de vida, nu tricionais, psicossociais, etc. Por exemplo, o rim do idoso perde peso e tamanho, há também a dimi nuição do número e tamanho de ne fros e da filtração glomerular, passando o idoso a eliminar uma maior quantidade de urina, de densidade mais baixa, permitindo a eliminação dos excretos, mas facilitando a desidratação que, se não cuidada levará a todo um quadro de debilidade secundária até s ituações mais graves. Os pulmões diminuem de volume e perde a elasticidade, os músculos respiratórios perdem parte de sua capacidade resultando em uma diminuição da ventilação. A capacidade vital no idoso poderá estar diminuída em até 60 a 70% sem que isso signifique uma patologia res piratória, porém que associada à falta de atividade física ou hábitos como fumo podem acarretar problemas secundários. Diminuição das capacidades sensoriais: visual, auditiva, térmica, olfativa, gustativa, que conhecidas, compreendidas e cuidadas não necessariamente se tornam deficiências incapacitantes. Por exemplo: o uso de aparelho auditivo ou óculos pode ser recurso adotado que permitirá o desempenho de atividades com independência. O Sistema Nervoso Central sofre alter ações como retração das circunvoluções cerebrais, perda de neurônios podendo chegar a 20% até a idade de 90 anos. O desbalanceamento entre vários sistemas de transmissã o com conseqüências para as funções cerebrais pode levar a manifestações clínicas chamadas de ³mudanças cerebrais suaves relacionadas com a idade´ que incluem a redução do tônus muscular, distúrbios da memória, mudanças do comportamento afetivo, desorientação no tempo e no espaço e distúrbios do sono. O aparelho músculo-esquelético também passa por transformações. O declínio da força muscular pode começar aos 30 anos, em condições de sedentarismo sendo mais pronunciado nos homens do que nas mulheres. Assim, na idade de 70 a 80 anos as mulheres podem apresentar esta diminuição em torno de 30% e os homens em 58%.

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Pesquisas recentes demonstram que há uma diferença entre o envelhecimento saudável e o patológico. As alterações fisiológicas do processo natural são características que se dá com o envelhecimento e as alterações produzidas por afecções que atingem o idoso fazem parte da deterioração mental. (KACHAR, 2001, p.37).

Algumas das funções psíquicas como memória, concentração, associação, são mais sensíveis ao envelhecimento, porém certamente também são determinados por uma série de fatores sociais, emocionais e de antecedentes pessoais. A relação de vida destas pessoas p ode facilitar muito o não agravamento destas condições. Por exemplo: manutenção de atividades de leitura, escrita, jogos, lazer, hobbies e a convivência social.
Sabe-se hoje que a velhice não implica necessariamente doença e afastamento, que o idoso tem potencial para mudança e muitas reservas inexploradas. Assim, os idosos podem sentir-se felizes e realizados e, quanto mais atuantes e integrados em seu meio social, menos ônus trarão para a família e para os serviços de saúde. (FREIRE, 2000, p. 22).

As relações sociais sofrem transformações como a maior freqüência de perda de amigos, de emprego, redução de rendimentos, distância dos filhos. O ajustamento a estas situações pode causar ansiedade e depressão, interferindo com as atividades diárias e assim se tornar um problema de saúde até mesmo incapacitante. Poder vivenciar estas experiências com suporte familiar e social, mantendo o desempenho de atividades, são caminhos fundamentais para a prevenção de doenças.

2.3.2 Auditiva

Tratando-se de questão de saúde pública com necessidades específicas, a perda de audição é a segunda patologia física que mais incapacita o idoso, os riscos começam aos 65 anos, trabalhos recentes mostram que a deficiência auditiva acontece de alguma forma, 70% dos idosos que per faz pelo menos 10 milhões de pessoas em nosso país, segundo o Centro de Referência e Documentação sobre Envelhecimento (CRDE) da Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI -UERJ).

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Um dos maiores fatores de exclusão social é a surdez , provoca um processo devastador no processo de comunicação do idoso. As pessoas apresentam um processo natural de envelhecimento gradativo, que envolve o aparelho auditivo, em suas vias periféricas e centrais. Fica mais evidente após os 65 anos de idade.
A comunicação freqüente pode ter vários objetivos: a troca de experiências informação com o propósito de construir conhecimento; a tomada de posição e decisão, num sentido mais pragmático ou, mesmo, simplesmente o fato de relacionar-se com outro, pelo próprio prazer de interação comunicacional. A qualidade da comunicação está relacionada com habilidade de comunicar-se do interlocutor, com possíveis interferências do meio externo. (KACHAR, 2003, p. 38).

Em alguns indivíduos, por ação de agentes agravantes como a exposição a ruídos, diabetes, uso de medicação tóxica para os ouvidos ou herança genética, a diminuição da acuidade auditiva na Terceira Idade torna -se extremamente comprometedora, interferindo diretamente na sua qualidade de vida. Percebe-se que é muito comum aos familiares descreverem o idoso portador de deficiência auditiva como confuso, desorientado, distraído, não comunicativo, não colaborador, zangado. Com muita pressão para que sua mensagem seja compreendida, isto gera ansiedade cresce muito a possibilidade da falha nesta atividade, que pode ocasionar frustração e a frustração leva à falha; a falha, por sua vez leva à raiva e, finalmente, a raiva leva ao afastamento da situação de comunicação o resultado é o isolamento e a segregação. Destacam-se as implicações da deficiência auditiva no idoso :
y

Redução na percepção da fala em várias situações e ambientes

acústicos, piora em ambientes ruidosos, muitas vezes está associado a um zumbido, o que piora o problema;
y

O idoso muitas vezes ouve o que a pess oa está falando, mas não Alterações psicológicas: depressão, embaraço, frustração, raiva e Isolamento social: A interação com família, amigos e comunidade fica Incapacidade auditiva: igrejas, teatro, cinema, rádio e TV;

entende;
y

medo, causados por incapacidade pessoal de comunicar -se com os outros;
y

seriamente afetada;
y

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y

Intolerância (irritação) a sons de moderada à alta intensidade Se a pessoa fala em baixo tom, o idoso não ouve, se falar em tom alto Problemas de alerta e defesa: incapacidade para ouvir pessoas e

principalmente os sons agudos;
y

se incomoda;
y

veículos aproximando-se, panelas fervendo, alarmes, telefone, campainha da porta, anúncios de emergências em rádio e TV.

2.3.3 Visual

A partir dos 40 anos de idade, a visão começa a dar sinais de cansaço, por volta dos 50 anos, a catarata também se t orna uma ameaça ao bem estar e a autonomia do indivíduo e a retina começa a apresentar sinais de envelhecimento. Após os 40 anos os exames oftalmológicos são obrigatórios e imprescindíveis. Devem ser realizados anualmente. Uma das razões para a preocupação com a saúde oftalmológica é o aparecimento da presbiopia, uma alteração que acontece no cristalino e no músculo ciliar impedindo o indivíduo de enxergar de perto. A dificuldade de enxergar de perto faz com que a pessoa afaste, regularmente, os olhos do documento que está sendo lido , ação que repetida várias vezes causa um cansaço excessivo pelo simples atos de ler. O declínio visual e auditivo pode ser compensado de através de algumas estratégias: gestos, expressões faciais, entonação, falas pausadas, falar um pouco mais alto, sem gritar, evitar gírias, evitar vocabulários pouco utilizados, repetir várias vezes caso a pessoa não compreenda o que foi dito, introduza palavras diferenciadas para ao auxílio relacionada ao seu convívio social. Tem-se essa falsa impressão, essa coisa de µcoitadinho do idoso¶, de que ele chegou a uma fase da vida em que ninguém vai mais cuidar dele. É o contrário. ³É aí que a gente investe mais´, afirma a oftalmologista Denise de Freitas, do Instituto da Visão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). da compreensão, criar exemplos que esteja

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No Instituto da Visão há até um grupo de apoio especializado em ajudar pessoas com mais de 100 anos. Não apenas com acompanhamento e prescrição de óculos, mas com cirurgias. Explica a especialista em oftalmologia geriátrica M arcela Cypel, também da Unifesp:
³Se ele tiver 70 anos e for viver mais 15, ele vai ter só 85 anos. Vale a pena dar 15 anos a mais com qualidade de visão Muitas vezes as pessoas acham que não tem por que operar um idoso, que ele tem poucos anos pela frente. Mas isso é errado´.

³Um paciente com Alzheimer e catarata, se você não opera a catarata, ele fica muito pior´, afirma. Para Cypel, a sociedade também sai ganhando:
³Você ganha uma pessoa ainda ativa, com menos depressão, mais interação com a família, com os netos, com atividades voluntárias. Não só o idoso ganha qualidade de vida, mas a sociedade ganha mais pessoas com experiência participando´.

³A cirurgia de catarata hoje é feita com anestesia local. Anestesia geral é praticamente inexistente. É um procedimento de dez, quinze minutos. Não há internação no hospital. As complicações são baixíssimas, 0,1% 0,2%´, explica Denise de Freitas. A catarata é uma dos principais problemas oftalmológicos da tercei ra idade. ³É um processo degenerativo. A pele enruga, o cabelo fica branco, o cristalino perde a transparência´, explica Freitas. ³Outros problemas, mais sérios, também estão ligados à idade. ³É o caso da degeneração macular senil, que afeta a retina´. Muitas vezes, no entanto, o problema é simples e é o mero descaso com o idoso que atrapalha. ³Você se depara com um idoso que é deficiente visual simplesmente porque não tem um óculos´, diz a médica. Para evitar problemas de saúde visual na terceira idade, os conselhos de ³preservar´ a visão não passam de mitos. ³A visão e os olhos foram feitos para enxergar a vida toda. Pode usar a visão que ela não vai gastar´, ga rante Marcela Cypel. A única recomendação é tentar levar uma vida saudável, com boa alimentação e exercícios freqüentemente e fazer exames oftalmológicos regulares.

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2.3.4 Cognição e memória

Além das mudanças nos órgãos e nos sentidos periféricos, há modificações em funções de percepção, envolvendo o sistema nervoso central. A cognição e a interpretação de informações ficam comprometidas. Há uma considerável estabilidade do desempenho intelectual ao longo da vida, na ausência de doenças mais importantes, mas alguns aspectos da inteligência parecem sensíveis aos efeitos do envelhecimento.
É normal a pessoa de Terceira Idade passar por experiências de alguma perca de desempenho envolvendo novos estímulos ou habilidades em resolver problemas, existem muitos idosos entre 70 e 80 anos apresentam desempenho em testes psicológicos igual ou próxima ao dos jovens. (KACHAR, 2001, p. 42).

Mesmo no envelhecimento normal percebe-se usualmente um declínio na habilidade em adquirir e recordar informações isto está relacionado à memória:
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Memória primária, isto é, o estoque de informações que é perdido, se

não usado em curto prazo sofre mínimas alterações com a idade e pode ser avaliado pelo número de letras e palavras que uma pessoa pode decorar numa ordem correta;
y

Memória secundária, que se refere à armazenagem de informação

apreendida recentemente, apresenta decréscimo mais intenso nas pessoas com mais idade;
y

Memória terciária, que é de fatos distantes, lembranças remotas, é

pouco alterada em relação aos mais jovens.
A falta de memória muitas vezes, está relacionada ao estado depressivo que acompanham o idoso, por vivenciar situações de perdas, não havendo nessas circunstâncias, funções cognitivas rebaixadas. (KACHAR, 2001, p. 43). Além dos problemas que acometem a mem ória, os idosos apresentam dificuldades no desempenho em atividades que requeiram iniciativas, planejamento e avaliação de comportamentos complexos. Essas dificuldades dão margem a discutir se é uma deficiência na resolução do problema ou na capacidade de planejar e organizar o comportamento. (KACHAR, 2001, p. 33).

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Os autores apontam outras características:
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inflexibilidade ou dificuldade de desistir de uma determinada solução; menor capacidade de discernir o relevante do irrelevante; dificuldades conceituais.

Outro aspecto importante é que as informações abstratas se alteram mais cedo que as concretas. (KACHAR, 2001, p.44).

2.3.5 Características psicológicas

Para (Kachar, 2001, p. 44, citado por Pontes, 1996), na leitura psicanalítica do envelhecimento mostra-se o outro lado da questão, discutem -se as perdas como que relacionada às aquisições. O envelhecimento é um processo estruturado não só em perdas, mas na dinâmica da transformação. Quando ocorre a perda de objetos, a partir da liberação de energia, podemos fazer aquisição de outros objetos.
As alterações fisiológicas do envelhecimento decorrentes da senescência em alguns aspectos são significativas na vida do indivíduo e na sua relação como o computador. O declínio de algumas atividades não inviabiliza a apropriação e domínio do recurso tecnológico, mas exige um contesto educacional específico que atenda às condições de aprender sobre a máquina e por meio dela explorar outras possibilidades de desenvolvimento do individuo. (KACHAR, 2001, p. 47). As perdas sofridas na visão, força e rapidez podem diminuir no idoso a possibilidade de cuidar-se, gerando dependência dos outros. O envelhecimento é período que poder visto como sofrimento das perdas: morte de parentes e amigos queridos aumentando o isolamento; problemas econômicos devido ao valor da aposentadoria; saúde em declínio e perca de vivência social, com o crescimento dos filhos, falecimento do cônjuge e saída do mercado de trabalho. Esta série de fatos leva à diminuição da auto-estima e da auto-imagem. (Kachar, 2001, p. 44).

As perdas e aquisições são relativas às representações

mentais

inconscientes, não às situações concretas. O envelhecimento gera perdas, qu e podem gerar crises psicológicas. Para contornar a situação o idoso precisa de afeto, apoio de parentes e com atividades ocupacionais de seu interesse:

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a escolha de atividades deve ser espontânea e não imposta; a pessoa determinará o tempo que destinará a atividade, quebrando o ritual de tantos anos cumprindo horários e prazos determinados por outros; as atividades devem estimular a criatividade e potencial para a resolução de problemas; se possível, uma remuneração relativa à sua produção, segundo (Kachar, 2001, p. 46).

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Para Kachar (2001, p. 46), identificam em estudos que o homem maduro apresenta formas de pensar sobre a vida que diferem das dos jovens:
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raciocínio mais sutil e relativista; diminui seu número de projeções no envelhecimento; relativização no que diz respeito aos bens materiais; autoconfrontação e busca de um significado próprio para sua vida.

2.4 DIREITOS DA TERCEIRA IDADE

As sociedades primitivas, as tribos, os clãs normalmente davam o devido valor aos seus idosos. Ouviam os seus conselhos e pediam conselhos nos momentos difíceis, se for visto no passado em escrituras os anciões não eram excluídos socialmente, hoje a sociedade vem banindo o idoso do meio social, impossibilitando a sua participação nas decisões políticas e sociais e nosso país. Os idosos têm seus direitos assegurados desde 1948, na Declaração dos Direitos Humanos, do 1º ao 29º artigo, sem excluir a idade. Também a Constituição Federal de 1988 e a legislação dela decorrente procuram dar o idoso todo o amparo de que ele necessita. O autor, advogado devidamente inscrito na OAB/PR sob o nº 23.924, atuando em todas as áreas do Direito desde 1996, acompanhou em 2003 a promulgação da legislação pátria que guarnece e ampara o idoso.

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2.4.1 Estatuto do Idoso

Após quinze anos de vigência da Constituição e Federal, foi colmatada a lacuna legislativa existente em relação ao idoso. O estatuto do idoso apresenta um novo momento de reflexão para a população brasileira, contribuindo para que os idosos tenham seus direitos assegurados e respeitados, objetivando a melhoria as condições de vida do idoso, constituindo-se num instrumento de conquista de cidadania. Art. 20. O idoso tem direito a educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade. Art. 21. O poder público criará oportunidade de acesso do ido so à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados. § 1º Os cursos especiais para idoso incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para interação da vida moderna. Art. 22. Nos currículos mínimos dos diversos níveis de ensino formal serão inseridos conteúdos voltados aos processos de envelhecimento, ao respeito e à valorização do idoso, de forma a eliminar o preconceito e a produzir conhecimento sobre a matéria. De acordo com o Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, p. 5, Capitulo V, artigo 20, 21 §1 e 22. A lei apresenta, sem dúvida, equívocos, mas todos os diplomas legais os apresentam. Cumpre ao intérprete suprir estes equívocos através da inteligente interpretação da lei. E o grande problema do Estatuto do Idoso é o mesmo de todo e qualquer diploma que cria obrigações positivas para o Estado. É que a materialização dos direitos contemplados nesta espécie de diploma aca ba invariavelmente criando obrigações positivas que apresentam titulares individuais especificáveis. A violação destes direitos gera pretensões cujo exercício na prática implica atividade estatal voltada a um indivíduo ou grupo, interferindo o Judiciário nesta determinação. Haveria neste caso invasão de competências? Há mal ferimento ao princípio da separação de poderes?

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A rigor, o julgador efetivamente se interpõe entre o admini strado e o Estado. Ocorre que a função primária do Poder Judiciário é exatamente restabelecer a legalidade, e sem dúvida que a violação de um direito contemplado em lei representa uma ilegalidade. A questão é difícil e demanda cuidado, sob pena de indevid a ingerência do Poder Judiciário em matéria de alçada administrativa, qual seja, a destinação de recursos públicos. Neste caso, a questão traduz-se na postura que temos diante da própria Constituição, e é cediço que a hermenêutica clássica é incapaz de for necer mecanismos aptos à resolução dos problemas da exegese constitucional. A respeito, pertinente é a lição de Gilmar Ferreira Mendes:
³Parece hoje superada a idéia que recomendava a adoção do chamado método hermenêutico clássico no plano da interpretação constitucional. Como se sabe, esse modelo assenta-se em duas premissas básicas: (a) a Constituição, enquanto lei há de ser interpretada da mesma forma que se interpreta qualquer lei; (b) a interpretação da lei está vinculada às regras da hermenêutica jurídica clássica".

A solução dos conflitos de princípios e normas constitucionais, que apresentam sob o ponto de vista formal a mesma hierarquia em vista do princípio da unidade constitucional, faz-se com o descortinar de uma dimensão que transcende à mera legalidade formal, observando as grandes diretrizes históricas, políticas e sociais. É por isso que diante da relevância dos direitos em pauta, não resta alternativa viável que não seja considerar possível a intervenção do Poder Judiciário. Como bem asseverou o Desembargador Wellington Pacheco Barros no julgamento da apelação cível nº 70008257388, do TJRS, acerca de ação que condenou Município do Rio Grande do Sul a construir abrigo para idosos:
"Com efeito, a extrema relevância do caso em questão e a omissão, para não dizer descaso, do requerido, surgem para o Poder Judiciário, como manda seu ofício, determinar o cumprimento da Lei. É obrigação de o Município assegurar aos idosos carentes, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, consoante o disposto no artigo 3º, da Lei 8.842/1994, e também no artigo 230, da Constituição Federal".

Não há, na hipótese, indevida ingerência de competências, mas sim reposição da legalidade, pois como lembra o Ministro Celso de Mello:

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As situações configuradoras de omissão inconstitucional, ainda que se cuide de omissão parcial, derivada da insuficiente concretização, pelo Poder Público, do conteúdo material da norma impositiva, fundada na Carta Política, de que é destinatário, refletem comportamento estatal que deve ser repelido, pois a inércia do Estado qualifica-se, perigosamente, como um dos processos informais de mudança da Constituição, ex pondo-se, por isso mesmo, à censura do Poder Judiciário. A inércia estatal em adimplir as imposições constitucionais traduz inaceitável gesto de desprezo pela autoridade da Constituição e configura, por isso mesmo, comportamento que deve ser evitado. É qu nada se e revela mais nocivo, perigoso e ilegítimo do que elaborar uma Constituição, sem a vontade de fazê-la cumprir integralmente, ou então, de apenas executá-la com o propósito subalterno de torná-la aplicável somente nos pontos que se mostrem ajustados à conveniência e aos desígnios dos governantes, em detrimento dos interesses maiores dos cidadãos.

Tem-se uma Constituição Cidadã, que prestigia uma visão solidarista do Direito, e que deve ser aplicada dentro de uma perspectiva vinculativa e dirigente, então há que se privilegiar uma exegese que conduza à efetiva materialização destes direitos. Ao não admitir-se a intervenção do Poder Judiciário, estamos conduzindo a realização do direito subjetivo concretamente a um impasse. Se alguém deixa de ter assegurado o exercício de um direito, então há uma violação à lei, devendo haver pronta intervenção do Poder Jud iciário. Dir-se-á que o exercício dos direito passará a ser uma questão de quem ingressa em juízo. A assertiva não deixa de ser correta. Todavia, uma vez que há ampla legitimidade ao Ministério Público, associações e Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, dentre outros órgãos e entidades, fica afastada a possibilidade de que o poder econômico ou a instrução de cada indivíduo venham a se tornar os fatores decisivos de diferenciação entre aqueles para os quais a lei realmente representa uma realidade e aqueles que ficam a sua margem. A lei não é o Direito em sua completude. É apenas o ponto de partida e um mecanismo que fornece a direção inicial. Agora dispomos de mais um mecanismo, cujo emprego mais eficaz somente será construído através da tentativa e da discussão, que apenas se inicia. Contudo, não é somente uma legislação que vai mudar este panorama triste de discriminação com o idoso, juntamente com as leis tem que haver uma mudança da mentalidade do ser humano, pois o idoso não precisa de esmolas e sim de reconhecimento e respeito, as leis vão dar solidez aos direitos deste idoso, porém o que deve ser praticado por todos é a valorização do cidadão da t erceira idade.

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2.5 ERGONOMIA

Existem pesquisas onde mostram que um melhor posicionamento do monitor e de seu operador, visando trazer um melhor aproveitamento em seu trabalho e melhor qualidade de vida. São vários os sintomas que podem aparecer devido a uma má posição e utilização do computador, quando notar algum dos seguintes sintomas é recomendável que consulte o mais rapidamente um médico especializado na área! Quando mais cedo se tratar estes problemas, mais fácil será de prevenir possíveis deficiências físicas provenientes do mau uso do computador! Os sintomas que se seguem podem ser notados ao usar o teclado/mouse ou até mesmo quando as mãos estiverem em repouso:
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Formigueiro, ardor e dormência; Irritação, dor contínua ou sensibilidade; Dor, latejamento ou inchaço; Tensão ou enrijecimento; Fraqueza ou calafrios.

Estes distúrbios podem-se notar nas mãos, nos pulsos, nos braços, nos ombros, no pescoço e nas costas. A fadiga, o desconforto, tensão e outros tipos de mal estar podem estar diretamente relacionados com a configuração do seu ambiente de trabalho . Uma boa solução será ajustar o seu ambiente de trabalho de forma a estar com uma postura correta. Existe uma série de princípios básicos que poderão prevenir os problemas:
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ajuste a posição do seu corpo e do seu comp utador; evite estar o dia todo sentado; procure estar relaxado, faça vários intervalos durante o dia; sempre que se sentir desconfortável procure alguma forma de alivio; faça exercício físico, evite uma vida sedentária.

Monitores colocados em posição superior à linha dos olhos provocam um grande desconforto visual e exige maior esforço. Existe muita discussão sobre qual o melhor ângulo que o monitor deva ser colocado. Este tipo de ajuste pode ser feito pelo operador do computador conforme lhe seja apropriado, normalmente, o

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recomendável é de 10 a 20 graus abaixo da linha horizontal à distância entre os olhos e o monitor também deve ser ajustado individualmente, manter o monitor de 50 a 70 cm de distância possibilitará um b om nível de conforto e acomodação. Recomenda-se utilizar um filtro de proteção sobre a tela do monitor. E o tipo de monitor pode influenciar. Os de alta resolução (acima de 90) são bem mais tolerados a limpeza regular do vidro do monitor também pode ajuda r. Computadores com alta freqüência de atualização (300 hz5) diminuem a instabilidade da tela, proporcionando maior conforto visual e taxa de piscar, Displays de cristal líquido (LCD) apresentam alta freqüência de atualização. O controle do brilho e da iluminação tanto da tela quanto do ambiente é aconselhável para tornar o trabalho mais confortável e acomodar a amplitude da visão. A iluminação do ambiente deve ter claridade constante, ao invés de spots que causam efeito de luz e sombra. O fundo de tela do monitor deve ser três vezes mais claro que a iluminação do ambiente e os caracteres devem ser escuros para um bom contraste. Além disto, é sempre necessário estar atento sobre a questão postural, que envolve um bom posicionamento de braços, pescoço, pernas, móveis e cadeiras adequadas, teclados e mouses ergonômicos. Com isto pode-se melhorar o rendimento e a qualidade de vida do idoso.

2.6 TERCEIRA IDADE E INCLUSÃO DIGITAL

A sociedade da informação e do conhecimento traz impactos sociais capazes de levar a uma transformação social, maior que a produzida pela máquina a vapor. Com o mundo, que tudo gira em torno cada vez mais no dinheiro, a informação vem transformar o conceito atual do trabalho, valorizar mais a tecnologia e a aprendizagem. Neste conte xto, os excluídos tecnológicos aumentarão ainda mais se não houver políticas e ações, visando combater o analfabetismo trazido pelas novas tecnologias.
Nossas concepções de mundo estão sendo delineadas pelas informações que recebemos por meio das mídias eletrônicas. A TV, além de informar, seleciona, exibe e interpreta o que acontece (LOMAS, 2001, p. 147).

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Ao analisar a situação social dos idosos perante a tecnologia digital pode -se perceber que muitos estão alheios ao processo tecnológico. Na atual globalização surge uma grande necessidade de inovação, o que as pessoas estão se esquecendo é que há os que não possuem um fácil acesso ao processo tec nológico, seja pela formação, condição financeira, ou até mesmo falta de vontade. Ao invés do poder público e as empresas tentar incluí-los, o que ocorre na maioria das vezes, é que este grupo de pessoas é excluído do processo e cada vez mais esteja ficando de lado. Os idosos atualmente têm melhor nível de instrução do que seus antepassados, e essa tendência irão continuar à medida que as gerações mais jovens envelhecerem. Pode-se dizer que a vida média das pessoas aumentou. Além disso, um número cada vez maior de adultos mais velhos opta por continuar seus estudos. A continuidade da atividade mental como nos programas de educação adulta ou cursos de tecnologia, pode manter as pessoas mais velhas mentalmente alertas. A tecnologia em si não é neutra, ela au menta a ação humana, daí o motivo da escolha desse tema, para saber quais os prós e contras da tecnologia digital para a vida desse grupo de pessoas. A inclusão digital inicia uma série de outros objetivos que não simplesmente os tecnológicos após permitir o acesso dos indivíduos em um mundo digital que implica em transformações culturais diversas, o seu acesso nesse mundo digital antes intocável essa população pode se encher de saberes antes não trabalhados. Abordando esse assunto em um projeto de pesquisa pode se analisar que a resolução de alguns problemas podem ser sanados com o apoio de monitores e com a participação dos demais usuários como numa verdadeira rede local humana de aprendizagem cooperativa, focada nos contextos significativos das aplicações , sejam para navegar na internet para tirar uma 2º via de conta telefônica ou até mesmo para a digitalização de um currículo. Cada uma dessas tarefas exige um acompanhamento pedagógico individualizado, poderia ser mais dinamicamente trabalhado sem a forma padrão de cursos de informática, e sim com o processo de rede de investigações. É importante considerar os vários aspectos do processo de exclusão. Questiona-se ainda onde está a ³educação para todos´ que o governo tanto prega,

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pois educação tecnológica n os dias de hoje se faz necessária tanto quanto a alfabetização. Quase tudo o que aparece de novo, é utilizado digitalmente, e isso pode contribuir para o afastamento e o stress diário, mediante a tantos problemas que os idosos enfrentam. A inclusão digital poderia proporcionar momentos de esquecimento e máximo êxtase além do seu desenvolvimento pessoal. É muito importante para o idoso saber que depois de uma vida toda, ainda consegue desempenhar diversas funções, as quais muitas pessoas não acreditam que possam desenvolver. Ganham um pouco mais de autonomia. A tecnologia invadiu as casas, empresas, instituições de todos os tipos. A sociedade, como um todo, está se tornando informatizada. Os recursos da imprensa, rádio, TV, telefone, fax, vídeo, compu tador e Internet são disseminadores de culturas, valores e padrões sociais de comportamento. Todos esses artefatos fazem com que a comunicação seja intermediada pela máquina e não pela voz humana. As mudanças transparecem nas diversas dimensões de viver na sociedade tecnologizada. Com a sofisticação dos recursos da tecnologia, torna -se maior a amplitude de acesso à informação, assim como a qualidade de veiculação e recepção se mostra em diferentes níveis de mídia. O acesso fácil e rápido, quase que instantâneo, à informação relativiza a questão do tempo e do espaço. As informações infiltram-se por todos os lados, quase que não precisamos ir atrás delas, pois elas passam a se apresentar a nós exaustivamente, intervindo nas nossas relações e comportamentos. O ambiente familiar, antes convergente e constituído em volta das figuras da mãe e do pai, fica diluído entre os mitos eletrônicos, que são endeusados e assumem a tutoria da infância. Uma fábrica de sonhos e emoções que invade a vida dos indivíduos, conformando subjetividades, interiorizando comportamentos -modelo da sociedade, atuando no inconsciente do sujeito espectador que capta as mensagens dentro dessa visão, que é uma versão do mu ndo fragmentada e filtrada pela tela. Para Lomas, a mídia age a partir a informação textual, verbal e das imagens para persuadir e manipular o espectador com a intenção de fazer saber, fazer crer, fazer parecer verdade, fazer sentir (2001:149).

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Na sociedade contemporânea, a socialização incorpora as relações produzidas pela rede de interconexões de pessoas entre si, mediadas pelas Tecnologias da Comunicação e Informação. A mídia e a publicidade focam perspectivas da realidade, intervindo na construção de identidade, culturas e relações pessoais. A preocupação está na discrepância que surge entre o que as mídias anunciam de horizontes e leituras de universos e os valores educativos que são discutidos e tratados nas instituições educacionais. Há uma emergente necessidade de preparar cidadãos que saibam ler, interpretar, analisar criticamente as informações recebidas e selecionar as significativas para si e para o uso coletivo. A população de um modo geral está carente de recursos técnicos e educacionais para enfrentar e lidar com um futuro que caminha na ambigüidade do local e global, do espaço físico e virtual. A geração nascida no universo de ícones, imagens, botões e teclas, transitam com desenvoltura na operacionalização, nesta cena visionária de quase ficção científica, mas a outra geração, nascida em tempos de relativa estabilidade, convive de forma conflituosa com as rápidas e complexas mudanças tecnológicas, cuja progressão é geométrica. Para Pretto (1996:99), o analfabeto do futuro será aquele que não souber ler as imagens geradas pelos meios eletrônicos de comunicação. E isso não significa apenas o aprendizado do alfabeto dessa nova linguagem. A nova geração é introduzida nesse universo desde o nascimento e por isso sua intimidade com os meios eletrônicos ocorre numa relação de identificação e fascinação (Pretto, 1996). A geração dos idosos de hoje tem revelado suas dificuldades em entender a nova linguagem e em lidar com os avanços tecnológicos até mesmo nas questões mais básicas como os eletrodomésti cos, celulares, os caixas eletrônicos instalados nos bancos. Conseqüentemente, aumenta o número de idosos iletrados em Informática, ou analfabetos digitais, em todas as áreas da sociedade. Esse novo universo de relações, comunicações e trânsito de informações pode se tornar mais um elemento de exclusão para o idoso, tirando -lhe a oportunidade de participar do presente, marginalizando -o e exilando-o no tempo da geração anterior, relegando sua função social à memória, ao passado. Para inserir se na sociedade tecnologizada, ele precisa ter acesso à linguagem da Informática,

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dispondo dela para liberar -se do fardo de ser visto como alguém que está ultrapassado e descontextualizado do mundo atual. Há uma necessidade em dominar os recursos do computador devido à sociedade ter se tornado informatizada, atingindo todos os âmbitos, e permeando o cotidiano dos indivíduos nas mais variadas faixas etárias. É preciso prevenir a exclusão dos indivíduos idosos por desconhecerem a nova linguagem que se dissemina também nas conversas sociais. O perfil de idoso mudou muito nos últimos tempos. Apesar de ser um universo heterogêneo, pode -se dizer que, na época dos avós, o idoso recolhia -se ao seu aposento e vivia o resto da vida dedicado aos netos, à contemplação da passagem do tempo pela fresta da janela, a reviver as memórias e (re)lembrar e (re)contar as lembranças passadas. Relegava-se a pessoa idosa ao passado, ao ontem, não reservando um espaço digno e louvável ao indivíduo na velhice, no tempo presente. Havia (e ainda há) uma exclusão das pessoas idosas na construção do presente e do futuro da humanidade. O futuro foi sempre considerado dos e para os jovens. Então, quais os espaços de ser na velhice? Hoje, desponta um novo tempo, pois os/as idosos/as têm uma vitalidade grande para viver projetos futuros (a curto prazo), contribuir na produção, participar do consumo e intervir nas mudanças sociais e políticas. Cabe aos educadores a responsabilidade de pesquisar e criar espaços de ensino-aprendizagem que insiram os/as idoso s/as na dinâmica participativa da sociedade e atendam ao desejo do ser humano de aprender continuamente e projetar-se no vir a ser. Com o aumento da população idosa nos últimos tempos conseqüentemente aumentou também o número de idosos iletrados em Informática ou analfabetos digitais, em todas as áreas da sociedade, gerando uma demanda por cursos direcionados para o ensino dos recursos básicos sobre o computador. Muitas empresas oferecem cursos básicos de Introdução à Informática, porém, poucas destinam cursos específicos para a faixa etária da terceira idade. Algumas universidades abertas para a terceira idade oferecem curso de introdução sobre os recursos do computador dentro do seu leque de opções, porém, como as pesquisas sobre o impacto da aprendizagem e utilização do computador

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pela terceira idade são escassas no Brasil, acredita -se que os cursos ainda não apresentem uma metodologia de ensino e aprendizagem específica para o idoso. As pesquisas mostram que existem diferenças entre as faixas etári as na forma da apropriação e no domínio da habilidade operacional do computador. Estudos que comparam jovens, adultos e idosos na interação com a máquina apontam a importância do dimensionamento de estratégias de ensino e aprendizagem delineadas de acordo com as características e condições da população, respeitando o ritmo e tempo para aprender, as limitações físicas (auditivas, visuais) e cognitivas (memória, atenção). Na Internet um site traz um estudo interessante sobre o idoso e a relação de aprendizagem com o computador, do qual foram extraídas algumas questões: "Coming of age: the virtual older adult learner", por Donald A. King (1997), apresentado numa conferência de Educação Continuada no Canadá. Este estudo pretendeu identificar as necessidades d e aprendizagem das pessoas de 55 anos e mais para ajudá -las a superar seus medos e resistências às novas tecnologias. Àquela pesquisa contou com uma revisão de área para responder à pergunta: ³como a terceira idade aprende as novas tecnologias´. Alguns pontos de destaque:
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as pesquisas sobre idosos e computadores ainda são iniciais; instrução assistida por computador é bem aceita pelos idosos; idosos apresentam muitas razões para aprender as novas tecnologias; idosos apresentam dificuldades específicas para aprender.

As dificuldades para a aprendizagem do computador pelos idosos podem ser superadas, utilizando-se estratégias específicas como:
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seguir etapas gradativas de aprendizagem; auxílio na medida da neces sidade; seguir no próprio ritmo; frequentes paradas; boa iluminação; caracteres e fontes grandes; classes pequenas; mais tempo para a execução das tarefas e repetição delas.

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Os resultados da pesquisa de King (1997) apontam especificações sobre o tipo de hardware e software e técnicas de ensino:
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hardware - atenção deve ser dada a: tamanho do monitor e iluminação; teclado com design especial; mouse com design especial; qualidade de impressão; tamanho e cor da área de trabalho no monitor; qualidade do assento. técnicas de Ensino - idéias para otimizar o ensino: começar com jogos, Internet e e-mail; ter outros idosos para ajudar; pedir aos idosos que escrevam e avaliem o currículo; utilizar as experiências de vida dos idosos; preparar material de apoio com caracteres grandes e fortes; manter um ritmo lento, abrir para troca.

Para King (1997), o advento da tecnologia provê a pessoa da terceira idade com oportunidades para se tornar um aprendiz virtual, fornecendo ed ucação continuada, educação à distância, estimulação mental e bem -estar. A tecnologia possibilita ao indivíduo integra r-se em uma comunidade eletrônica ampla; coloca-o em contato com parentes e amigos, num ambiente de troca de idéias e informações, aprendendo junto e reduzindo o isolamento por meio da experiência comunitária. É relevante investigar quais as abordagens adequadas para introduzir o idoso no universo da Informática e construir estratégias metodológicas educacionais para preparar a população da terceira idade (ativ a ou aposentada) no domínio operacional dos recursos computacionais. É necessário gerar a alfabetização na nova linguagem tecnológica que se instala em todos os setores da sociedade e promover a inclusão do idoso nas transformações da sociedade. A abordagem educacional com idosos tem suas peculiaridades e requer a imersão neste universo para compreendê-lo e uma prática pedagógica específica, considerando as características físicas, psicológicas e sociais dessa faixa etária. Foram observados alguns benefícios da tecnologia para este grupo etário, como melhorar as condições de interação social e estimular a atividade mental.

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Algumas pesquisas apontam que mudanças de atitudes em relação ao computador surgem depois dos cursos, em decorrência de os parti cipantes se sentirem:
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mais familiarizados com a terminologia e a linguagem do computador; menos excluídos dos progressos tecnológicos da sociedade; menos apreensivos sobre o uso do computador e mais confiantes com as próprias habilidades para entender um

computador. Muitos idosos vêem a tecnologia computacional favoravelmente e acreditam nos benefícios da aquisição de habilidades básicas para dominar o computador (MORRIS, 1994). Computadores e tecnologias da comunicação oferecem um potencial de melhorar a qualidade de vida da pessoa na terceira idade, provendo -a com as informações e serviços externos a sua residência, contribuindo para fac ilitar a vida das pessoas que tem dificuldade ou dependem de outros para se deslocarem.

2.6.1 O uso da tecnologia na terceira idade

Pesquisas descrevem diferenças na aprendizagem da nova tecnologia, discutindo os efeitos do comportamental, ansiedades e potencialidades cognitivas na apropriação do computador. Em duas pesquisas foram comparados os resultados de dois grupos etários. Num estudo (Westerman e Davies, 2000) com grupos de adultos mais jovens: ³younger adults´ e adultos mais velhos ³older adults´ foram encontradas diferenças, apontando vantagem dos adultos mais jovens com relação aos fatores psicológicos, cognitivos e experiências. Evidências indicaram vantagens para os jovens adultos na velocidade de desempenho nas tarefas, acopladas com tendência à maior precisão na utilização dos recursos computacionais. No entanto, essas diferenças podem ser amenizadas com um treinamento extenso e mais exercícios pelos adultos mais velhos.

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É importante destacar que alguns adultos mais velhos têm habilidades e potencialidades próprias que os colocam em melhores condições do que outros. (Kachar, 2001, p.60). (Kachar, 2001, p. 61), comparou dois grupos: jovens idosos ³ young-old´ (60 74 anos) e idosos velhos ³old-old´ (75 ± 89 anos) e extraiu dados sobre as condições para adquirir e reter habilidades básicas sobre o computador. Ambos os grupos passaram por um treinamento sobre os procedimentos básicos de Informática, por meio da interação com um programa multimídia (CD-ROM) ou manual ilustrado. A avaliação foi feita imediatamente depois do treinamento e repetida, a pós uma semana. Os resultados apontaram que os jovens idosos em relação aos idosos velhos:
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tiveram menos erros na performance e coordenação motora; requisitaram menos assistência/ajuda; levaram menos tempo no treinamento.

Ambos os grupos tiveram alguns esquecimentos pontuais sobre os recursos do computador e como executá-los. A análise dos testes mostrou que o idoso que apresenta melhor rendimento na memória espacial e verbal tem melhores condições e maior probabilidade para adquirir habilidades no domínio do computador (Kachar, 2001, p. 61). Outras dificuldades foram detectadas em pesquisa (Kachar, 200 1, p. 61):
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limitações cognitivas relacionadas com a memória; limitação visual e auditiva; dificuldade de mobilidade/flexibilidade para mudanças.

2.6.2 Benefícios da tecnologia na terceira idade

As pesquisas nesta área têm desmistificado os estereótipos sobre a incompetência dos adultos mais velhos, retratam que eles podem aprender a usar o computador, mas necessitam de ensinamentos e técnicas para a melhor fixação e aprendizagem e maior tempo para aprendizagem.

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Muitos idosos vêem a tecnologia computacional favoravelmente e acreditam nos benefícios da aquisição de habilidades básicas para dominar o computador (KACHAR, 2001, p.62, citado por MORRIS, 1994).

Existem mudanças que são percebidas após o contato do idoso com a tecnologia:
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mais sintonizado com a terminologia e a linguagem do computador; menos descriminados e excluídos progressos tecnológicos da quebra de barreiras sobre o uso do computador e mais confiantes com

sociedade e
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as próprias habilidades para entender a máquina.

2.6.3 Aplicações do cotidiano

Pode-se dizer que o foco principal do Curso de Informática B ásica ao grupo de idosos foi o uso da internet em aplicações do cotidiano, como a 2ª via de documentos e a navegação em sites úteis, como Copel, DETRAN, INSS, de entretenimento, como Youtube, entre outros. Ainda, deu-se ênfase à manipulação de pastas e subpastas (criar, excluir, renomear, alterar ícone, copiar, colar, editar), imagens, fotos, músicas e vídeos. Em laboratório, os alunos acessaram sites dos mais variados, tais como: Google, Orkut, MSN, UOL, Yahoo, Globo.com, Superdownloads, Baixaki, Mercado Livre, Wikipédia e Youtube, além de aplicativos como o Google Earth, ferramenta de mapas de satélite, que desperta grande interesse aos alunos da terceira idade. O objetivo é apresentar além dos sites úteis, bancários e oficiais, de uso cotidiano, aqueles que oferecem entretenimento, jogos, relacionamentos, compartilhamento de arquivos, mensagens, imagens, fotos, vídeos, músicas, compras e vendas, etc. A popularização da internet tem provocado diversas mudanças nas formas de relacionamento social das pessoas. Com a junção de áudio, imagem e textos, proporcionada simultaneamente na internet, as interações através dessa nova mídia têm se mostrado mais atraentes

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para os diversos grupos das sociedades humanas, fazendo com que mais e mais pessoas passem utilizar a formas de comunicação que esse meio proporciona. Neste início de século tem se lidado com novas formas de se comunicar gerando novos comportamentos, entendimentos e maneiras de interagir na sociedade contemporânea, através das comunidades de relacionamentos, bate -papo on-line, chats, fóruns, e-mails e inclusive através de outras mídias populares mais acessíveis como os celulares. Essas transformações, que podem ser tanto positivas quanto negativas em alguns aspectos, já podem ser apontadas no dia -a-dia a exemplo da utilização desses meios para comunicação pessoal sobre determinado assunto, novas linguagens e comportamentos, como passar horas em frente a um computador vendo um site de relacionamento ou conversando on-line com um amigo e mesmo alguém que acabou de conhecer na rede. Enfim, diversos aspectos comportamentais têm surgido e merecem uma discussão que aborde essas interações e mostre como ela está inserida no contexto social cotidiano. O ciberespaço, proporcionado pela internet, constitui um espaço de práticas sociais cuja função ou participação dessa realidade não inibe ou acaba com práticas antigas, mas desenvolve novas formas que se complementam; como defende Lemos: ³trata-se, portanto, em insistir, não em uma lógica excludente, mas em uma dialógica da complementaridade´ A cibercultura é entendida como um conjunto de técnicas, práticas, atitudes, modos de pensamento e valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento da Internet como um meio de comunicação, que surge com a interconexão mundial de computadores. O computador, que começou por ser usado como uma ferramenta facilitadora de algumas tarefas transformou -se, nos anos mais recentes, com o crescimento ou expansão da internet, num meio p ossibilitador de novos comportamentos e atitudes. A Cibercultura, surgida com o advento da internet, constitui no principal canal de comunicação e suporte de memória da humanidade neste novo século, o que tem proporcionado o surgimento de diversos comporta mentos ou maneiras de comunicar que se pretende relatar nesse trabalho.

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Trata-se de um novo espaço ou forma de comunicação, de sociabilidade, de organização, acesso e transporte de informação e conhecimento. Comunicar-se através da net é uma realidade, embora mais acessível a determinadas classes sociais, tem se tornado acessível a classes menos abastadas, principalmente com a popularização das ³Lan-Houses´.
As fronteiras geográficas, culturais, sociais e políticas, que até aos nossos dias definiam os espaços de influência da ordem informativa, parecem, por conseguinte, ruir com a permeabilidade da informática (RODRIGUES, 1994, p. 26).

Assim, faz-se importante e essencial uma abordagem das diversas formas de comunicação e interação através do ciberespaço, suas preferências e as mudanças nas relações sociais cotidianas que a popularização da nova mídia tem provocado no dia-a-dia desse grupo social e podem provocar, já que todos os aspectos sócio-culturais sejam educativos, comerciais, informativos, estão, e mais ainda no futuro, influenciados pelos avanços da Internet e do mundo digital.

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3 PRÁTICA PEDAGÓGICA

Castanho (2000) explica que inovação é uma pal avra que sobressai na literatura educacional, aparecendo atrelada à perspectiva de soluções para o ³marasmo´ dos sistemas de ensino. Inovação não significa descoberta nem invenção, mas ação para alterar as coisas pela introdução de algo novo e pode se dar a partir de três dimensões: (a) pela investigação; (b) por meio da solução de problemas; (c) com base na interação social; a primeira é o caminho mais adequado. Para Japiassu (1983), os docentes resistem à inovação porque são submetidos a um processo de formação baseado no chamado co nhecimento educacional científico, o qual se ancora na pesquisa positivista e é responsável por generalizações que interessam a planejadores de currículos e supervisores, o que acaba por desarticular tentativas de criação pedagógica. Amarrados à racionalidade cientifica (SANTOS, 2003) os professores encontram mais dificuldades para incorporar o computador e rede ao seu fazer pedagógico. Marques (2003) afirma que a chamada µsociedade da informação¶, na qual se articulam diferentes linguagens, passou a demandar outra educação. A escola da contemporaneidade está inserida em uma cultura ambivalente, que também se faz presente na sala de aula, inseparável de seus principais atores, alunos e professores, e dos objetos culturais exigidos pelas práticas educativas. Para ele, o desafio básico dos professores é trabalhar com essa cultura difusa e assistemática, não tematizada, como são as estruturas simbólicas do mundo da vida. Entende que a sala de aula tem, hoje, novas possibilidades como
³participar de comunidades virtuais e difundir, para um vasto público, toda informação que julgar de interesse, num processo transversal, comunitário e recíproco, de negociação de significados e de reconhecimentos mútuos de indivíduos e grupos´ (MARQUES, 2003, p.173).

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Considera que é imperioso insistir no alargamento dos horizontes da sala de aula, integrando as mídias eletrônicas às tecnologias do ler e escrever, tendo em vista que essas mídias não ameaçam apenas a nos invadir, mas a nos dominar, caso não tenhamos uma relação crítica com elas. Nesta escola ampliada deve surgir um novo professor: um educador socialmente qualificado, capaz de concretizar uma leitura mais abrangente do mundo no qual se insere e que saiba conduzir seus alunos, por meio de processos de pesquisa que se vale de todos os recursos possíveis, a uma autoria autônoma e crítica. Estão os professores preparados para aceitar as tecnologias da informação e comunicação (TIC), particularmente o computador e rede, em suas salas de aula? Esta indagação estimulou a investigar o grupo de dezoito idosos, muitos dos quais participantes dos Grupos de Terceira Idade de União da Vitória, visualizando a inserção da informática educativa e da prática pedagógica. Com este trabalho espera-se compreender melhor as resistências, dificuldades e possibilidades que esses sujeitos enfrentam e, assim, oferecer algumas pistas . A idéia do projeto de inclusão digital da terceira idade deu -se no início de 2009 quando se entregou uma cópia do projeto de estágio à Coordenadora dos Grupos de Terceira Idade de União da Vitória, outra cópia Prefeitura de União da Vitória, à Secretária de Ação Social e à Secretária da Administração e por fim, enviado por e-mail à orientadora Professora Ms. Edna Satiko Eiri Trebien, coordenadora dos cursos superiores de Licenciatura Plena em Informática e Informática de Gestão do Centro Universitário de União da Vitória ± UNIUV, concedendo, após duas semanas, o Laboratório nº 03, para todas as quartas, das 09:00h às 11:00h. Desde o início do projeto houve total apoio da orientadora, da reitoria e da coordenação do curso, concedendo todos os instrumentos , meios pedagógicos e de multimídia. Por se tratar de um grupo de idosos, considera-se relevante indagar-lhes quais as suas dificuldades em relação ao uso da informática, e para tanto, na aula inaugural aplicou -se o Questionário de Sondagem Inicial, assim como o Questionário de Sondagem no término, fornecendo dados para análise e comparação. Entende-se, desde logo, que qualquer process o de mudança (inovação), enfrenta a desconstrução de estereótipos. Assim, conhecer e compreender como os idosos vêem a informática antes e no término do curso foi de suma importância.

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No decorrer das aulas foram desenvolvidos os planos de aula, que seguem acostados, baseados no aprendizado acumulado e no desenvolvimento dos alunos. Observou-se a lentidão de boa parte dos alunos, enquanto outra melhorava a cada aula. O impulso do curso foi revisto e implantado de forma mais lenta e ponderada em tópicos relevantes. Face ao teor das questões investigativas, optou -se por uma abordagem qualitativa, considerando que nela não há definição de hipóteses formais e nem se busca provar ou verificar fenômenos, mas sim construir o objeto de estudo. Segundo Rey (2002, p. 91) a abordagem qualitativa não visa ³expressar em operações os conteúdos diretos e explícitos dos sujeitos, com o fim de convertê-los em entidades objetivas suscetíveis de processamento matemático´. Ela comporta, sim, uma intenção construtivo-interpretativa em relação ao que os sujeitos expressam. O material coletado por meio dos questionários foi submetido à Análise de Conteúdo nos termos em que é proposta por Bardin (2000), quando esta autora se refere à análise representacional. Nesta análise busca -se identificar os pontos mais recorrentes, procurando agrupá -los em núcleos de significados interligados. A partir daí, passa-se à interpretação desses núcleos, tendo como suporte teórico autores da área educacional que apresentam uma visão crítica sobre o uso das TIC. O trabalho cooperativo entre o professor e o monitor foi positivo, pois vai permitindo ao docente adquirir confiança no que está realizando. Giraffa (2002) acredita que só se terá a informática na educação quando os professores dominarem a tecnologia, usando-a de forma crítica; o que passa pela troca de experiências com o especialista. O domínio da tecnologia favorece outras abordagens e novas metodologias de ensino. Quanto às dificuldades encontradas na incorporação do computador e internet à prática pedagógica, emergiu o entraves do desconhecimento de outros alunos em relação aos conhecimentos básicos da informática, exigindo um acompanhamento muito maior por parte do docente e do monitor. As respostas sugerem que esses idosos estão incorporando a tecnologia em uma perspectiva tradicional de ensino -aprendizagem. As preocupações apresentadas fazem parte do repertório de queixas que nutre a sala de aula centrada na figura do professor. Essa postura conservadora na incorporação das TIC tem sido muito criticada.

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Para Moran (1996), por exemplo, a utilização das tecnologias, em especial a Internet, deve levar a mudanças na forma de ensinar, isto é, deve transformar a sala de aula em pesquisa e comunicação. Ele acredita que tal tecnologia facilita a motivação dos alunos não apenas por ser uma novidade, mas especialmente pelas possibilidades que cria em termos de pesquisa. Nesta linha de raciocínio, Kenski (2002) considera que a motivação dos alunos pode aumentar quando o professor constrói um clima de confiança, abertura e cordialidade, o que, em última instância, depende do modo como as tecnologias são percebidas e usadas. A internet é um instrumento que pode facilitar a mediação, uma vez que oferece informações abundantes para o processo de conhecimento. Portanto, não se trata apenas de dizer que incorporou e faz parte do seu cotidiano; é preciso muito mais: o professor tem de estar aberto para pensar processos totalmente diferentes de construção do conhecimento. A visualização gráfica permite uma memorização maior dos conceitos. A aula rende mais, os alunos fazem questionamentos, começam a levantar hipóteses, criando, com isso, um processo investigativo. Oferece-se uma opção educativa de qualidade, gerando grande motivação nos alunos, elevando a sua auto -estima. Os idosos revelaram que vêem o computador/rede como recurso que incentiva, dinamiza, facilita a aprendizagem; torna o conteúdo mais atraente; estimula a permanência na escola; pode ser fonte de pesquisa e reflexão crítica. Eles espelham posições de autores que têm estudado os impactos das TIC no cotidiano escolar, como Heide e Stilborne (2000), para quem as tecnologias ajudam o desenvolvimento de habilidades cognitivas de ordem superior, criando possibilidades para acessar, armazenar, manipular e analisar informações, fazendo com que os aprendizes gastem mais tempo refletindo e compreendendo. No conjunto cabe destacar a compreensão da importância da tecnologia não ser um apêndice no contexto da organização escolar. Para isso, tem de estar presente tanto no projeto p edagógico, como no planejamento didático de cada professor. Esta é uma perspectiva fundamental, pois coloca no todo escolar (direção, professores, alunos, funcionários e comunidade) a responsabilidade de trabalhar, de forma integrada, com as tecnologias.

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Trata-se aqui de uma visão consistente, que além de conferir importância ao projeto pedagógico, defende o trabalho didático colaborativo, o que vai ao encontro do pensamento de Veiga (2004). Os demais registros, no entanto, infer e uma posição de responsabilização da escola pela incorporação das tecnologias. Quando perguntamos ³como a escola deve se organizar´, não se está compreendendo a escola enquanto direção, ou entidade separada de seus atores, mas sim como um conjunto de sujeitos envolvidos com objetivos educacionais comuns. Percebemos que a maioria dos docentes entende esta organização como dependente da ³escola´ (direção e Estado). Neste sentido, a escola deve: (a) organizar turmas menores; (b) montar o Laboratório de Informática ou outros espaços pa ra uso das tecnologias; (c) disponibilizar programas; (d) incentivar e promover cursos segundo os interesses particulares; (e) estar sempre orientando os docentes. Trata-se aqui de uma postura disjuntiva, que divide em pólos distintos: docentes e alunos de um lado e de outro a escola (direção/secretaria de educação). Valendo-se deste raciocínio, o professor fica esperando que suas expectativas sejam concretizadas pelos gestores e, enquanto isto não acontece se acomoda e mantém o ensino desconectado dos ava nços da tecnologia. Outras posições contidas remetem ao mito do computador como recurso redentor (FALCÃO, 1991). Por exemplo, na primeira delas encontra -se uma visão que situa a sala de aula interativa (laboratório) como espaço capaz de milagres, onde se obtém a motivação dos alunos e professores, dando a entender que em uma sala de aula onde inexistem os recursos do computador e da rede se torna mais difícil provocar nos alunos o desejo de aprender. Trata -se de uma percepção ingênua, que superestima a tecnologia, e deixa de compreender os espaços educacionais ± a sala de aula convencional e o laboratório ± como complementares. Alguns acreditam que as TIC podem promover maior interação, revelando uma visão limitada dos processos interativos, pois estes independem da presença da tecnologia, porque são essencialmente subjetivos. No cômputo geral, observa-se uma µeuforia¶ em relação à sala de aula interativa, permitindo compreender melhor as expectativas desses idosos em relação à incorporação do computado r em suas vidas.

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3.1 METODOLOGIA

Neste capítulo, aborda-se a Metodologia, os Objetivos, a Área Temática, Questões da Pesquisa, os Sujeitos, os Procedimentos Metodológicos para a Coleta e Análise dos Dados e os Instrumentos. A metodologia da presente pesquisa foi orientada por um paradigma que, segundo Engers, ³é um esquema teórico, uma percepção, uma forma de compreensão do mundo´ (1994, p.65) . Assim, o caminho da investigação foi planejado a partir de uma modalidade de pesquisa que veio possibilitar meu envolvimento com os grupos de terceira idade que participaram do curso de informática básica, a fim de buscar informações suficientes para responder ao problema proposto, portanto a pesquisa feita esteve apoiada no parad igma construtivista/naturalista. Moraes salienta
Um paradigma construtivista compreende o conhecimento como algo que está sempre em processo de construção, transformando -se, mediante ação do indivíduo no mundo [...] construtivista porque possui características multidimensionais, entre elas o caráter aberto que lhe permite estar sempre em construção, traduzindo a plasticidade e a flexibilidade dos processos de auto-renovação nele envolvidos. (2004, p.25)

E Castro
A pesquisa, no paradigma naturalístico, começa com um foco inicial que vai se definindo no próprio processo. [...] o foco do estudo determina seus limites, definindo o que vai ser pesquisado, servindo como critério para inclusão-exclusão de novas informações (1994, p. 62).

A pesquisa constituiu-se em Estudo de Caso, pois aponta para um estudo investigativo e, conforme Castro, ³o estudo de caso é considerado a forma ideal de relatório de pesquisa para o parad igma naturalista´ (1994, p. 61). Para Yin, conta com muitas técnicas utilizadas por pesquisas históricas, porém acrescenta duas fontes de evidência que não são incluídas no repertório do historiador: ´observação direta dos acontecimentos que estão sendo estudados e entrevistas das pessoas nele envolvidas´ (2000, p. 26).

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Gil comenta que os propósitos do estudo de caso ³não são os de proporcionar o conhecimento preciso das características de uma população, mas sim o de proporcionar uma visão global do problema ou de identificar possíveis fatores que o inf luenciam ou são por ele influenciados´ (2002, p. 54).
Bogdan e Biklen caracterizam a investigação qualitativa como ³fonte direta de dados no ambiente natural, constituindo-se o pesquisador no instrumento principal, interessando-se mais pelo processo do que pelos dados´ (1994, p. 47).

A pesquisa qualitativa também apresenta o aspecto descritivo que Gil define como,
As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno [...] São inúmeros os estudos que podem ser classificados sobe este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Entre as pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo (2002, p. 42).

Portanto, a metodologia empregada nesta pesquisa foi de caráter qualitativo quantitativo, sendo explicativo e interpretativo com levantamento bibliográ fico e pesquisa de campo (através de entrevistas e questionários), que permite um maior envolvimento com o objeto de estudo e flexibilidade, entre a teoria e a prática, através das compreensões e interpretações individuais do pesquisador. A utilização de entrevistas, questionários e a observação descritiva caracterizaram qualitativamente a pesquisa. A caracterização quantitativa ocorreu pelos questionários finais, nos quais os sujeitos responderam a questões fechadas, servindo para complementação dos dados da investigação. Enfim, consternou-se como referência o método de análise dos dados descrito por Bardin (1977), Análise de Conteúdo.

3.2 PROBLEMA

A inserção das tecnologias de informação e comunicação nas sociedades não é mais uma opção, mas uma realidade que está formando culturas do

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conhecimento com coletivos pensantes, que possibilita a criação de grupos de discussões, nos quais comunidades virtu ais vêm reestruturando modos de pensar. Entretanto, muitos ainda estão e vivem às margens desta realidade e precisam ser incluídos digitalmente para poderem participar e interagirem neste novo formato de sociedade. Sobretudo, pessoas que entraram na Tercei ra Idade e que manifestam muitas dificuldades em entender a lógica das tecnologias. Diante deste contexto sócio-cultural, em que os que não acompanham mudanças tão rápidas são excluídos, devem-se refutar os conceitos preestabelecidos, pois acredita r na capacidade de mudar a realidade social, de mudar as idéias, não como verdades, mas como ferramentas de construção e reconstrução, torna as pessoas mais responsáveis pela sua própria construção de conhecimento, através da autonomia e da cooperação mútua ent re todos que participam deste processo. Para Gil, ³[...] um problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis´ (2002, p. 24), assim defini u-se o problema de pesquisa desta investigação que se trata de compreende r:
Como ensinar informática a alunos da terceira idade em está gios diferentes de conhecimento?

3.3 ABORDAGEM METODOLÓGICA

y y

Para a realização da investigação teórica utilizou-se: pesquisas bibliográficas: em obras mais recentes de autores

consagrados, para contextualização da sociedade de in formação e suas transformações, o envelhecimento e a aprendizagem ao longo da vida, dando suporte para o entendimento das relações da terceira idade com o advento das novas tecnologias;
y

Os livros foram adquiridos na Biblioteca João Dissenha, junto ao

Centro Universitário de União da Vitória - UNIUV, na Biblioteca Pública do Paraná - BPP, sito a Rua Cândido Lopes, 133, e por fim, na Biblioteca Hugo Simas, sito à Praça Nossa Senhora da Salete, s/n, Centro Cívico, ambas de Curitiba ± PR;

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y

pesquisas em revistas e periódicos: ao longo da pesquisa utilizou-se de

revistas especializadas em educação, além de periódicos e publicações que relacionam a educação com a informática;
y

pesquisas em sites: navegaram-se em web sites de órgãos públicos

nacionais, agências de pesquisas e publicações de Informática e Educação, que somaram dados estatísticos com informações atuais e confiáveis;
y

coleta de informações: iniciou-se a pesquisa com o Projeto de Estágio, Projeto de Estágio: Inclusão Digital a Turma da Terceira Idade: Ação

pré-estabelecido para fundar as diretrizes e as bases metodológicas;
y

Social da Prefeitura de União da Vitória e U NIUV, questionários de sondagem inicial e final, entrevistas e coleta de opiniões dos alunos para descrever e acrescentar dados, qualificações e pequenas consultas que incorporaram fatos e fundamentos substanciais na pesquisa.

3.3.1 Objetivos

A presente pesquisa pretendeu:
Objetivo Geral y

Capacitar os alunos da terceira idade a utilizarem satisfatoriamente o

computador como ferramenta indispensável em suas atividades pessoais e de lazer.
Objetivos Específicos y

Coletar dados acerca da turma com a aplicação de dois questionários Tabelar os dados coletados pelos questionários de sondagem; Confeccionar o plano de ação conforme os níveis de conhecimento dos Aplicar o plano de ação de acordo com os níveis de conhecimento da Desenvolver uma apostila de informática básica direcionada a terceira

de sondagem, um inicial no início e outro no final do curso;
y y

alunos;
y

turma;
y

idade em uma pasta, contendo os planos de aula e respectivos documentos

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utilizados nas consultas e pesquisas do professor, sendo devidamente atualizada a cada aula, ficando disponível a cada aluno;
y

Focar o ensino da informática no d esempenho de aplicações do

cotidiano, tais como: navegar na internet para encontrar lugares e pessoas, imprimir 2ª via de documentos ou contas, retirar extratos bancários, verificar pontos e multas na carteira de motorista junto ao DETRAN, consultas ao INSS e à Receita Federal, dentre outras.

3.3.2 Participantes

A pesquisa foi realizada com uma amostra composta por 18 (dezoito) participantes do curso de Informática Básica para Terceira Idade: Ação Social da Prefeitura de União da Vitória e U NIUV. Foram aplicados questionários simples, no início do curso e no final, com 18 (dezoito) participantes que responderam ao questionário inicial e 10 (dez) participantes que responderam a o questionário final . No final do curso, 10 (dez) alunos foram entrevist ados, destes 5 (cinco) foram sorteados para a entrevista filmada que segue anexo em DVD.

3.3.3 Perfil dos participantes

Os 18 (dezoito) sujeitos que participaram da pesquisa tem idades variando entre 44 (quarenta e quatro) a 79 (setenta e nove) anos:
y y y y y y

1 sujeito com idade de 44 anos (1965); 1 sujeito com idade de 48 anos (1961); 1 sujeito com idade de 53 anos (1956); 1 sujeito com idade de 61 anos (1948); 1 sujeito com idade de 65 anos (1944); 3 sujeitos com idade de 66 anos (1943);

60

y y y y y y y y y

1 sujeito com idade de 67 anos (1942); 1 sujeito com idade de 68 anos (1941); 2 sujeitos com idade de 70 anos (1939); 1 sujeito com idade de 71 anos (1938); 1 sujeito com idade de 72 anos (1937); 1 sujeito com idade de 73 anos (1936); 1 sujeito com idade de 75 anos (1934); 1 sujeito com idade de 76 anos (1933); 1 sujeito com idade de 79 anos (1930).

3.4 PROCEDIMENTOS DA PESQUISA

A pesquisa iniciou-se pelo contato com a Coordenadora dos Grupos da Terceira Idade de União da Vitória, a Secretária da Ação Social de União da Vitória e a Orientadora e Coordenadora dos Cursos de Licenciatura Plena em Informática e Informática de Gestão do Centro Universitário de União da Vitória ± UNIUV. Para consentimento e realização da pesquisa proposta, junto aos grupos de Terceira Idade, após a autorização, houve uma reunião com o professor regente e o monitor do curso e iniciou-se a pesquisa. O instrumento de coleta de dados escolhido foi à entrevist a semi-estruturada e os questionários de sondagem, com questões abertas e fechadas. Foram feitas 8 (oito) perguntas abertas no questionário de sondagem inicial e 13 (treze) no final; e na entrevista no final do curso, foram respondidas 11 (onze) perguntas. A entrevista semi-estruturada foi escolhida, pois há uma relação de interação entre o entrevistador e o entrevistado; também, através do diálogo, foi estabelecida uma relação de interação, e neste tipo de entrevista, conforme Lüdke e André, ³desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações´ (1986, p. 34). A escolha pelo questionário foi relacionada pelo tempo que os sujeitos dispunham para responder, que foi na primeira aula, antes de iniciar o curso; e o segundo questionário, na última aula, antes do encerramento do curso.

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Entendeu-se que essa foi a melhor escolha, pois se relaciona diretamente com o problema e para uma melhor análise dos dados coletados. Foram respeit adas e incluídas as respostas na íntegra da entrevista e dos questionários, também foi preservado o anonimato de cada sujeito.

Foto 1 - Visita ao laboratório de hardware. Fonte: Autor, 2009.

Os sujeitos foram caracterizados pela letra S e o número que aparecer do lado representará o sujeito que respondeu aos questionários . Por exemplo: S1; S2 e assim consecutivamente; quando aparecerem respostas e comentários do S1 (sujeito 1), a fala corresponderá a este sujeito e assim por diante. Nas entrevistas semi-estruturadas, 10 (dez) alunos foram entrevistados, sendo sorteados 5 (cinco) destes para a entrevista filmada. Foram caracterizados pela letra E, e por números consecutivos, E1, E2, E3.

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3.5 INSTRUMENTOS DA PESQUISA

O instrumento para a execução de pesquisa constituiu -se de entrevista semiestruturada e de dois questionários, junto aos grupos de Terceira Idade; nesses constaram questões abertas e fechadas, de acordo com a intencionalidade de obtenção das informações, que abordam os pontos relevantes deste trabalho com o objetivo de obter informações acerca de seus interesses, dificuldades e motivações no manuseio das tecnologias digitais. O primeiro questionário foi aplicado no início do curso sendo a primeira parte composta dos dados de identificação: data, nome, telefone, profissão, nacionalidade, grau de instrução, data de nascimento e escolaridade, e a segunda parte contendo 8 (oito) perguntas. O segundo questionário foi aplicado no término do curso, e indicando somente a data e o nome, foram feitas 13 (treze) perguntas. A entrevista semi-estruturada com 11 (onze) questões foi aplicada no final do curso e, juntamente com os questionários, recebeu tratamento através de uma análise qualitativa dos dados, colhidos na pesquisa e no contexto atual, ou seja, interpretam-se estes dados de modo a identificarem-se as necessidades, expectativas e motivações relativas à inclusão digital e à Terceira Idade.

3.6 CAMPO DA PESQUISA

A investigação foi realizada em um ambiente educacional formal, em laboratório computacional destinado à aprendizagem e à inclusão digital, da Fundação Municipal Centro Universitário de União da Vitória - UNIUV, sito a Avenida Bento Munhoz da Rocha Neto, 3 856, São Basílio Magno, União da Vitória - PR. O laboratório onde ocorre o curso está localizado no térreo do prédio e tem 40 (quarenta) computadores, proporcionando assim, uma máquina individual para cada aluno. O curso iniciou-se em 18.03.09 e terminou em 30.09.09, ocorrendo todas as quartas em 2 (duas) aulas de 55 (cinqü enta e cinco) minutos, pela manhã, no horário das 09:00h às 11:00h, com intervalo de 10 (dez) minutos.

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3.6.1 Tabela 1: Programação do Curso

DATA

CONTEÚDO

18.03.09

Aula Inaugural Aplicação do Questionário de Sondagem Inicial Introdução à Informática

25.03.09 01.04.09 15.04.09 22.04.09 29.04.09 06.05.09 13.05.09 20.05.09 27.05.09 03.06.09 10.06.09 17.06.09 24.06.09 05.08.09 12.08.09 19.08.09 26.08.09 02.09.09 08.09.09 16.09.09 23.09.09 30.09.09

Histórico e Avanços da Informática ASC II e Digitação Sistemas Operacionais Windows XP Windows XP Windows XP Internet (e-mail, MSN, Orkut, manipulação de fotos e vídeos) Internet (aplicações cotidianas) Apresentação: dvd Info Word 2007 Word Word Word 1ª Avaliação Sem aula: Gripe Sem aula: Gripe Apresentação: dvd Info Excel 2007 Apresentação: dvd Info Power Point 2007 Hardware Revisão de manipulação de pastas, imagens, fotos, músicas e vídeos Aplicação do Questionário de Sondagem Final Visita ao Laboratório de Hardware 2ª Avaliação Semestral Entrevistas Formatura

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3.6.2 Tabela 2: Metodologia da Pesquisa

PESQUISA QUALITATIVA-QUANTITATIVA Problema:
y

Como ensinar informática a alunos da terceira idade em estágios diferentes de conhecimento? Objetivo Geral: Capacitar os alunos da terceira idade a utilizarem satisfatoriamente o computador como ferramenta indispensável em suas atividades pessoais e de lazer. Objetivos Específicos :

y

y

Coletar dados acerca da turma com a aplicação de dois questionários de sondagem, um no início e outro no final do curso; Tabelar os dados coletados pelos questionários de sondagem; Confeccionar o plano de ação conforme os níveis de conhecimento dos alunos; Aplicar o plano de ação de acordo com os níveis de conhecimento da turma; Desenvolver uma apostila de informática básica direcionada a terceira idade em uma pasta, contendo os planos de aula e respectivos documentos utilizados nas consultas e pesquisas do professor, sendo devidamente atualizada a cada aula, ficando disponível a cada aluno; Focar o ensino da informática no desempenho de aplicações do cotidiano, tais como: navegar na internet par a encontrar lugares e pessoas, imprimir 2º via de documentos ou contas, retirar extratos bancários, verificar pontos e multas na carteira de motorista junto ao DETRAN, consultas ao INSS e à Receita Federal, dentre outras. Sujeitos:

y y y y

y

y

Grupos da Terceira Idade Instrumentos:

y y

Questionários de Sondagem Inicial e Final Entrevistas semi-estruturadas filmadas Análise Textual ± Bardin (1977); Moraes (1999)

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3.7 INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Com a análise de conteúdo pode-se decodificar as opiniões contidas e as expressões nas entrevistas semi-estruturadas e nos questionários de sondagem e, principalmente, tudo ou quase tudo o que se encontra subentendido a partir de um texto ou do conjunto de textos de cada resposta. Para Krippendorff (1980) (apud Freitas & Janissek 2000), a análise de conteúdo é uma técnica de pesquisa para validar inferências dos dados de um contexto que envolve procedimentos especializados, para processamento de dados de forma científica, com propósito de prover conhecimento e novos insights a partir dos dados coletados. As entrevistas e os questionários foram submetidos à análise de conteúdo que, segundo Bardin, significa
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (1977, p. 42).

A

análise

de

material

selecionado

fundamentou -se

nos

princípios

norteadores da técnica de análise de conteúdo que, de acordo com Bardin (1977), possui as seguintes etapas: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados e sua interpretação. Moraes (1999) sugere cinco etapas para proceder à análise de conteúdos: a) preparação das informações; b) unitarização (desmontagem dos textos, fragmentando -os no sentido de atingir unidades constituintes); c) categorização (implica construir relações entre as unidades de base); d) descrição (constitui-se em exposição de idéias de uma perspectiva próxima de uma leitura imediata); e e) interpretação (construir novos sentidos e compreensões afastando -se do imediato, expressando uma compreensão mais aprofundada).

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3.7.1 Primeira etapa: preparaç ão das informações

Os questionários de sondagem inicial e final, as entrevistas, avaliações e exercícios executados no decorrer do curso foram digitalizados e nomeados pelos codinomes S1, S2, S3, etc., catalogados na pasta Informática Básica, subpasta Estágios, subpasta Terceira Idade, constante no DVD que segue em anexo.

Foto 2 ± Aula de hardware. Fonte: Autor, 2009.

3.7.1.1 Leitura dos questionários

A fim de obterem-se os indicadores da análise de conteúdo, foi feita uma pré-análise; ao lerem-se os questionários devidamente preenchidos, nos quais se seleciona e organizam-se os dados, estes foram organizados a fim de que fossem utilizados de maneira qualitativa e quantitativa.

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As respostas utilizadas foram aquelas que tinham uma lógica mais coerente, eis que obteu-se respostas em que os sujeitos utilizaram expressões como: muito necessário, bom, importante, boas, diversos, muito boas, ótimo, maravilhoso, excelente, tudo de bom, etc.; não desmerecendo estas respostas, mas foram excluídas, pois não se relacionavam com o propósito da pesquisa.

3.7.2 Segunda etapa: unitarização

A partir da leitura dos questionários e da desconstrução dos textos, agruparam-se os dados em unidades; esse processo constituiu -se em leituras e interpretações aprofundadas mediante focalização e recorte dos elementos textuais, proporcionando a elaboração de textos descritivos e interpretativos da pesquisa investigada.

3.7.3 Terceira etapa: categorização

A partir das unidades, chega-se às categorias e às subcategorias que visam a determinar as dimensões da análise através do destaque de algumas palavras e prevalência de alguns aspectos, trazendo novas compreensões da pesquisa analisada, num encaminhamento qualitativo e construtivo, pois, através da interpretação, pode-se ressaltar variados aspectos significativos desta pesquisa.

3.7.4 Quarta etapa: descrição

Em seguida fez-se a descrição dos conteúdos, que representam para Moraes ³momento de se expressarem os significados captados e intuídos nas mensagens analisadas´ (1999, p. 24).

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3.7.5 Quinta etapa: interpretação

Tenta-se compreender os dados encontrados nos questionári os de sondagem através de um paralelo com a revisão da literatura, que, para Moraes, a interpretação dos dados é ³uma boa análise de conteúdo , não deve limitar-se à descrição. É importante que procure ir além, atingir compreensão mais aprofundada do conteúdo das mensagens mediante inferência e interpretação´ (1999, p. 24).

3.8 CATEGORIAS

3.8.1 Tabela 3: Categorias

Categorias Prévias
y y

Categorias Finais
y y

Aprendizagem Inclusão Digital

Autonomia Exclusão

Dos dados coletados, emergiram 2 (duas) categorias prévias, ou a priori, e 2 (duas) categorias finais, ou a posteriori. Estas categorias são referentes às respostas das entrevistas semi estruturadas e dos questionários de sondagem do início e do final do curso; conforme a relevância dada pelos sujeitos da pesquisa, pelo pesquisador e de acordo com o referencial teórico e as questões norteadoras. Pode-se perceber que as categorias 1. Aprendizagem, 2. Inclusão Digital, 3. Autonomia e 4. Exclusão, estão diretamente relacionadas à educação, pois a inclusão digital, sendo um grande desafio à nossa sociedade, a partir de uma aprendizagem autônoma, gera sujeitos livres de exclusões, sejam elas de origem social, sejam pedagógica.

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Pode-se perceber que as categorias prévias e finais se interligam, pois a aprendizagem digital promove a inclusão, sendo este o maior desafio para os idosos, e, a partir daí eles poderão participar mais ativamente da sociedade de informação e comunicação, com mais oportunidades, atualização e novos conhecimentos, possibilitando-lhes mais autonomia, independência e menos exclusões.

3.8.2 Análise dos Dados Qualitativos Categorizados

A partir dos dados levantados na pesquisa, os quais emergiram das respostas das entrevistas semi-estruturadas, contendo 11 (onze) questões, com 10 (dez) sujeitos entrevistados, sendo destes sorteados 5 (cinco) para a entrevista filmada, e dos questionários de sondagem inicial com 8 (oito) questões, com 18 (dezoito) sujeitos que responderam devidamente , e ao questionário final com 13 (treze) questões, com 10 (dez) sujeitos que responderam devidamente , houve uma diferenciação em 4 (quatro) unidades de análise (aprendizagem, inclusão digital, autonomia e exclusão), categorias de pesquisa e análise previamente estabelecidas , referindo-se ao grau de importância de cada uma associada à inclusão digital e aos objetivos da pesquisa. Os dados levantados seguem em anexo em DVD. Com esses dados, foi possível compor um cenário dos interesses, das necessidades e das expectativas das relações pertinentes à inclusão digital na terceira idade.

3.8.3 Aprendizagem

Fala-se em aprendizagem, mas automaticamente reporta-se à educação; esta se vivencia neste início do século XXI e pertence a um mundo complexo, constantemente agitado e que vivem muitas mudanças freqüentes, no qual medidas devem ser tomadas a fim de que a aprendizagem seja significativa , fazendo diferença na vida de quem aprende e de quem espera entender o novo modelo pautado na utilização de diferentes tecnologias. Assmann afirma que

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³é certamente inegável que o acesso à informação e ao conhecimento, ou seja, a transformação de todos em aprendentes, passou a ser uma condição para participar dos frutos do progresso tecnológico´ (1998, p. 72).

Foto 3 ± Contato com periféricos. Fonte: Autor, 2009.

Foto 4 ± Casal. Fonte: O Autor, 2009.

Evidencia-se um novo modelo de educação e, conseqüentemente, de aprendizagem. No relatório para a UNESCO29, Educação: um tesouro a descobrir, de Jacques Delors, são abordados, com muita propriedade, os quatro pilares da educação para o século XXI, que deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo, para cada pessoa, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.
A aprendizagem deve envolver o enriquecimento e o aprofundamento das relações consigo mesmo, com a família e com os membros da comunidade, com o planeta e com o cosmos (YUS, 2002, p. 256).

Este novo conceito de aprendizagem instiga ao comprometimento e a busca de mais qualidade ao longo da vida, pois contempla o todo e suas diferenças, para poder-se desenvolver a competência de vivermos juntos, sem fronteiras, diferenças e desigualdades.

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Na visão de Mosquera em 1987, ou seja, há 20 anos, como um visionário, já nos afirmava que ´uma das melhores garantias para a conservação de uma boa saúde na velhice é estar ocupado em coisas que despertam verdadeiro interesse´ (p.136). Para Papalia e Olds
A atividade mental continuada ajuda a manter o desempenho em nível elevado, quer essa atividade envolva leitura, conversação, palavras cruzadas, jogos de cartas ou xadrez, ou voltar para a escola, como cada vez mais adultos estão fazendo (2000, p. 519).

Foto 5 ± Maioria mulheres. Fonte: Autor, 2009.

O termo µaprendizagem¶, segundo o Dicionário de Pedagogia, ³designa o período durante o qual uma pessoa aprende um novo saber para si e o processo pelo qual o novo saber se adquire´ e apresenta -se como a primeira categoria, pois foi evidenciada na maioria das respostas dos sujeit os que participaram da pesquisa, na qual o enfoque foi à aprendizagem digital. Esses sujeitos estão buscando novas aprendizagens por perceberem a demanda de mudanças tão rápidas que a sociedade impõe dia a dia, em que competências, habilidades e novos sab eres têm de ser atualizados rapidamente com novas maneiras de aprender, e também pelo fato de que as necessidades e interesses dos idosos mudaram, senão vejamos o que S6 respondeu:

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³Importante. Descobri muita coisa, conversar com as pessoas, parentes e netos´. S9 afirmou: ³É muito bom aprender´. S3 embasa a necessidade de se atualizar, ³Acompanhar o mundo atual, entendendo o que está em desenvolvimento. Converso com pessoas distantes, adquiro conhecimentos e é uma distração sem sair de casa´, referindo-se ao computador. S7 foi enfático: ³Sempre devemos nos atualizar, isto é, se a pessoa se aposenta, acha que não deve se movimentar, isto é esperar para morrer´. Ainda, ³aprendo para não ficar analfabeto em informática´. S14 complementa: ³Devemos estar sempre nos atualizando, adquirido sempre mais experiências´. ³Precisamos aprender informática para poder pesquisar e ficar atento ao mundo de hoje´. Moraes e Souza nos afirmam que
³o envelhecimento da população é um fenômeno global e relativamente recente no mundo. A população anciã é a que mais cresce mundialmente. As tendências demográficas atuais evidenciam que a população está envelhecendo´ (2003, p. 57).

Diante dessa afirmação e com a expectativa de vida que vem aumentando gradativamente, pela melhora da qualidade de vida, os idosos sentem -se interessados em aprender mais para estarem atualizados e não se sentirem ultrapassados e excluídos, e nesse processo, através do qual novas tecnologias são incorporadas. Papalia e Olds questionam:
Por que tantos idosos querem aprender a usar o computador? Alguns estão simplesmente curiosos, ou precisam adquirir novas habilidades de trabalho ou se atualizar. Outros querem acompanhar as tecnologias mais recentes: comunicar-se com crianças e netos que usam computadores ou com amigos que estão na Internet (2000, p. 519).

A aprendizagem, formal ou não, mesmo que esteja ao alcance da maioria dos indivíduos, cada vez mais está fazendo parte deste novo perfil social, revelando a importância de aprender inf ormática através da inclusão digital. Assmann define:
Aprender significa, sem dúvida, entrar em mundos simbólicos préconfigurados, ou seja, em mundos do sentido que já são falados e sustentados por outras pessoas que nos cercam (amigos / as, pais, irmãos / as, professor / a, etc.). Mas aprender significa também, e num sentido muito forte esquecer linhas demarcatórios dos significados já estabelecidos e criar outros significados novos. Desaprender ³coisas por demais sabidas´, e re sabê-las ± re-saboreá-las ± de um modo inteiramente novo e diferente, faz parte do aprender (1998, p. 68).

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Papalia e Olds nos relatam que
Programas educacionais especificamente criados para adultos maduros estão florescendo em muitas partes do mundo; muitos desses estudantes são aposentados e têm mais tempo para se dedicar à aprendizagem do que em qualquer período anterior da vida desde a juventude. Numa categoria estão às aulas gratuitas ou de baixo custo, ministradas por profissionais ou voluntários [...] estas aulas geralmente têm um enfoque prático e social (2000, p. 519).

Foto 6 ± Aula de internet, orkut e msn. Fonte: Autor, 2009.

Para os sujeitos que participaram da pesquisa, ter uma oportunidade para aprender informática na fase em que se encontram, sendo que muitos não têm condições de pagar cursos particulares, vem acrescentar muito às suas aprendizagens. A oportunidade de educação ao longo da vida efetiva, os direitos dos cidadãos de continuarem participando da sociedade, mesmo que já estejam fora do mercado de trabalho, e esta oportunidade somente é contemplada quando surgem políticas públicas em parcerias com entidades governamentais ou não . Proporcionar oportunidades para que os sujeitos continuem aprendendo é propiciar condições de um futuro melhor, tanto para os idosos como para as futuras gerações. Mantendo a mente ativa, estes idosos terão mais facilidades para lidar com as transformações que envolvem a sociedade em todos seus segmentos.

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A oportunidade de inserir -se no mundo digital também pode ajudar os idosos que ainda estão tra balhando, pois a nossa legislação permite que aposentados voltem ao mercado de trabalho, desde que não seja aposentadoria por invalidez, atualizando-os e capacitando-os nas tecnologias, proporcionando que continuem sonhando com o futuro, em vez de ficarem presos ao passado. Dependendo das oportunidades e dos obstáculos que os sujeitos enfrentaram para desenvolver suas potencialidades de aprendizagem, ao longo de suas vidas, são fatores que podem influenciar e motivar a procura ou não por novos cursos. Mosquera salienta que ³a capacidade de olhar para o futuro, desenvolvido adequadamente, contribui para diminuir a apatia e manter a intelig ência acordada´ (1987, p. 143). Muitos grupos de Terceira Idade manifestam suas preocupações e interesses em adquirir mais conhecimentos, não como aprenderam em suas épocas de ensino, nos livros e enciclopédias, mas um conhecimento diferente, porque para eles são conhecimentos mais rápidos, simultâneos e atualizados, e, no seu ponto de vista, é do que precisam para inserir-se e participar do mundo digital . De acordo com Mosquera (2003),
³o conhecimento, portanto, é o fator mais significativo para o mundo do futuro e este conhecimento terá de ser cada vez mais democratizado e valorizado, como forma de convivência na qualidade de vida das pessoas´ (p. 52).

Adquirir conhecimentos pode significar, para os idosos, recuperar o tempo perdido, a fim de continuarem a se comunicar e a interagir como e com as pessoas que adquirem conhecimento desta forma no mundo digital . Mas como tudo se renova através de construções e reconstruções, com o conheci mento não seria diferente, e isso é possível. Nas diferentes fases de nossa vida, passa -se por diversas transições e, portanto, temos de nos atualizar como um processo contínuo que está sempre em movimento, porém não necessariamente pré -estabelecido pelos educação formal. Na Terceira Idade, esta atualização pode acontecer informalmente, partindo dos interesses e das motivações mais emergentes, como comenta Kachar moldes da

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³aprender, nesse período de tempo, é caracterizado pela necessidade de abertura, µrespiro¶, sem os limites rígidos impostos pela formalização do ensino´ (200 1, p. 114). Kachar enfatiza que ³aprender é viver continuamente em estado de mudança e transformação, o que está reservado não a uma determinada idade, mas a todas´ (2001, p.115), portanto aprender, como muitos pensam, não é exclusividade somente dos jovens, mas é o grande propósito de uma autêntica educação de adultos, pois ajuda as pessoas a entenderem; Mosquera (1985) afirma que são ³as artífices mais genuínas de seu desenvolvimen to´.

3.8.4 Inclusão Digital

Pode-se conceituar inclusão digital como o acesso à informação através das redes digitais, em que a informação, após ser reelaborada, torna -se conhecimento e, como conseqüência, tem-se uma melhor qualidade de vida, das pessoas que dela se apropriam e na vida dos idosos é entendida como uma participação mais efetiva na sociedade. Algumas questões das entrevistas referiam-se a própria inclusão digital dos participantes. S14 afirmou: ³Sempre tive vontade, é do lado de casa, aproveitei, gosto de aprender tudo´. ³Bom para a autoestima da pessoa´. Também criticou, assim como S18: ³Muito importante, só que teria que ser mais longo´. S7 revela: ³Eu tinha medo de aprender, achava que não ia acontecer, agora sinto que tenho capacidade, estou treinando´, e opina sobre o projeto: ³Excelente a idéia da Prefeitura e da U NIUV. Bom acolhimento´. S12, assim como outros sujeitos, reclamaram que um dos portões da universidade foi definitivamente fechado, assim como a falta de corrimõ es nas escadas de acesso à universidade. S3 destacou, assim como outros sujeitos, que o curso era gratuito, e S4 profetizou: ³o ano que vem vou continuar´ e S6 comove: ³realizei o meu sonho neste curso de informática, conheço melhor o assunto e tenho novos amigos´.

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Foto 7 ± Volta às aulas. Fonte: Autor, 2009.

Como visto, promovendo a cidadania digital há o resgate da integração com diferentes e diversos grupos. Entretanto, a inclusão digital, através do potencial que a Internet proporciona, faz emergir o problema de acesso a todos, ou seja, ela não exclui, porém se constitui como um fator de exclusão de grupos e pessoas, e isso é muito mais acirrado em um país marcado por desigualdades de todo tipo, regionais e sociais.
A inclusão e o envolvimento dos idosos na vida social podem ser efetivados através do incentivo de várias ações e programas que os estimulem à participação. Os cidadãos idosos podem ser motivados a participar de programas sociais comunitários diversos, não só os específicos para a Terceira Idade (BULLA, SANTOS e PADILHA, 2003, p. 181).

Entende-se que a inclusão digital não deve ser vista separadamente, mas como uma das prioridades das políticas públicas dos governos, pois é um direito do cidadão assegurado por lei, e o fato de haver outras exclusões não justifica, no contexto atual, abandoná -la, promovendo-a a um segundo plano; portanto, a sociedade deve preocupar-se e engajar-se em promover diferentes e diversos tipos de inclusão, conforme definiu Suaiden :
Quando você fala sociedade da informação, você pressupõe que está toda humanidade, não é. No Brasil, atualmente, apenas 20% da população estão incluídos nesta sociedade da informação. Uma sociedade que prega a democratização do acesso à informação, porém que exige um comportamento e uma infra-estrutura. E o Brasil é um país que têm analfabetos e desnutridos, pessoas que jamais terão condições de participar desta sociedade, na qual a exclusão e a inclusão passam a serem parâmetros (2003).

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Para Batista o analfabetismo digital vai -se tornando, possivelmente, o pior de todos. Enquanto outras alfabetizações são já mero pressuposto, a alfabetização digital significa habilidade imprescindível para ler a realidade e dela dar minimamente conta para ganhar a vida e, acima de tudo, ser alguma coisa na vida. Em especial, é fundamental que o incluído controle sua inclusão (2007, p. 196). Contudo, apesar desse contexto, em que muitos estão à margem deste processo constatamos que a vontade dos idosos de incluir -se supera qualquer tipo de preconceito e estereótipos. Silveira define inclusão digital como ³a universalização do acesso ao computador conectado com a Internet, bem como o domínio da linguagem básica para manuseá-lo com autonomia´ (2003). Quando se chega à velhice, muitos sujeitos não querem perder os laços sociais que ao longo da vida cultivaram, entretanto nesta fase, quando há comprometimentos físicos e de saúde, o uso das tecnologias, ainda que seja em casa, proporciona a diversificação das redes sociais at ravés da interação e integração com diferentes pessoas e lugares, tornando -se um meio eficiente de comunicação. A compreensão também é um modo de incluir, Morin enfatiza que
³compreender significa intelectualmente apreender em conjunto, comprehendere, abraçar junto (o texto e seu contexto, as partes e o todo, o múltiplo e o uno)´ (2001, p. 94), portanto, para que os idosos se sintam incluídos neste formato de sociedade, eles primeiramente têm de ser acolhidos, compreendidos para, então, poderem manifestar suas dificuldades, necessidades, motivações e ansiedades, ³a compreensão é, ao mesmo tempo, meio e fim da comunicação humana´ (p. 104).

No entendimento das pessoas que estão na Terceira Idade, o tempo é mais escasso e as perdas são aceleradas pelo envelhecimento restando menos tempo e chances para poderem realizar novas aprendizagens e projetos mais longos . Kachar afirma:
Os sujeitos aprendizes, sintonizados com as atividades em sala de aula, entusiasmados com o aprender, cheios de vontade de conhe cer estavam distantes da imagem do velho inativo ou incapaz. O desejo de aprender leva à renovação do mundo interior, gerando mudanças contínuas na subjetividade, no espírito e no intelecto do indivíduo (2001, p. 27).

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Os motivos que levam os idosos a participarem de cursos, a fim de se incluírem digitalmente, são variados, mas acreditamos que são mais intrínsecos, pois elevam sua auto-estima e sua qualidade de vida . A participação faz com que o sujeito se integre e possa ser entendido com o reconhecimento do papel das pessoas na sociedade, tendo a mesma conotação para os idosos. Quando eles falam em participar da sociedade de informação, isso nos reporta a uma minoria que precisa estar agregada a um contexto maior - no caso, grupos de Terceira Idade - que procuram a aprendizagem digital para agregarem-se a uma sociedade digital. A participação muitas vezes é motivada, porque em um grupo uns incentivam os outros a superar suas dificuldades, ansiedades e necessidades, muitas vezes dispensando a ajuda técnica dos monitores, apoiando com palavras e estimulando a pensar que, mesmo sendo idosos, é possível aprender . Para Bulla, Santos e Padilha:
A participação em atividades coletivas pode contribuir para mudar significativamente a vida dos idosos no que diz respeito a aspectos ligados ao fortalecimento da auto-estima, da identidade, do desenvolvimento das potencialidades, da autonomia e da superação de problemas físicos, emocionais e sociais (2003, p. 182).

Neste contexto, a participação tem a conotação de ser e continuar ativo no seio familiar e social, significando para os sujeitos na terceira idade, o aumento de sua auto-estima e sua auto-imagem, pois, muitas vezes, socialmente, são vistos à margem do processo por serem menos capazes e improdutivos . Para que os idosos não sejam vistos como Kachar (2001) constata que o sistema capitalista não os valoriza, porque os vê fora do sistema de produçã o e com importância social diminuída; nesse contexto, as ofertas de cursos para a Terceira Idade deveriam ter outros olhares, pois com o contingente de pessoas idosas e que estão envelhecendo, em nosso país, é melhor para todos os segmentos que a população permaneça ativa física e mentalmente, porque eles precisam de apoio e integração como em qualquer outra faixa etária e, se assim for, não fiquem atrelados às conversas sobre o tempo passado e aos males do corpo. Assim, tem-se que criar oportunidades e su portes para a grande maioria de idosos excluídos digitalmente, para que não permaneçam socialmente, promovendo o acesso a variados cursos com qualidade, atendendo a todos sem nenhum tipo de

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discriminação, valorizando as diferenças, as histórias de vida com o fator de enriquecimento do processo de aprendizagem, transpondo barreiras, desafios e participação com igualdade de oportunidades, superando a imagem imposta culturalmente de que o velho é um indivíduo fraco e decrépito, incapaz de se autodeterminar e produzir.
O idoso confronta-se com novos desafios, outras exigências, devendo renunciar a uma certa forma de continuidade, sobretudo biológica, e desenvolver atitudes psicológicas que o levem a superar dificuldades e conflitos, integrando limites e dificuldades (NOVAES, 1997, p. 24).

Em todas as idades enfrentamos desafios, isso é característica do ser humano que quer mais para si. O desafio pode ser visto como uma forma de combater estereótipos, preconceitos e superação dos próprios limites.

Foto 8 ± Aula de sistemas operacionais. Fonte: Autor, 2009.

A atitude de começar um curso de informática na Terceira Idade caracteriza se como um desafio, em que novos conceitos devem ser incorporados e memorizados. E a memória nesta fase pode ser um agravante para novas aprendizagens em que estes sujeitos devem saber lidar com ferramentas e informação muito diferentes das quais eles estão habituados.

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Kachar nos explica que
O desafio está presente na interação com o computador, [...] quando o sujeito está envolvido com uma tarefa que está além das suas possibilidades, sente-se ansioso e frustrado por não conseguir realizar o feito; isso pode diminuir sua auto-estima [...] ao transpor os limites do desafio, sente-se capaz com a realização das suas aptidões e descobre novas capacidades (2001, p. 94).

Os grupos de Terceira Idade que manifestam interesse em aprender informática geralmente necessitam mais tempo que os jovens; no entanto, quando os idosos começam a dominar o computado r, sentem satisfação em ultrapassar mais uma etapa, através das experiências positivas no domínio do computador e no de suas ferramentas. Eles conseguem provar primeiro para si que têm capacidade para novas descobertas, através de situações novas, e o desafio nesta fase é transformar a aprendizagem, baseada em informação, em construção e reconstrução do conhecimento. Franco nos esclarece como reagimos diante da Internet:
Com a rede encontrar-se-á um grande potencial para novas experiências de construção do conhecimento. É essa mutação que observamos nas telas quando estamos conectados à Internet. De alcance ainda desconhecido, essas novas formas de comunicação estão trazen radicais do transformações cognitivas e culturais, como ocorreu com a invenção da escrita e da imprensa (1997, p. 97).

Para os idosos, o simples acesso à rede é um grande desafio, pois uma grande parcela dos usuários de Internet, diante dos sites de busca, não sabe o que fazer diante de tantas respostas e chega a sentir pânico no momento seguinte ao clique no botão µpesquisar¶ . E, ao selecionar informações, ainda há dificuldade em analisar e produzir seu próprio saber e transformar a pesquisa num momento de aprendizagem e de produção criativa. Sendo o desafio maior compreender a lógica da Internet a qual eles entendem como uma rede complexa e descentralizada, e navegar em sites, que aguça a curiosidade de conhecer o desconhecido . Apesar de as informações e os conhecimentos estarem estritamente interligados, podemos distingui-los a partir do nível de compreensão e apreensão desses.

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Encontram-se muitas informações lendo jornais, assistindo a programas de televisão, navegando na Inte rnet, o que nos leva a perceber que dados e informações são variáveis e mutáveis. Porém, informações somente virão a se transformar em conhecimento, se tiverem significado e passarem a fazer parte do referencial da pessoa. Entretanto, a pesquisa, na Internet, deve nascer de uma curiosidade pessoal acerca de alguma realidade, de uma referência, para que tenha valor e propicie a aprendizagem e a produção de novos conhecimentos. Ser referencial aqui significa ser incorporado às associações e abstrações da pessoa, bem como ser aplicado na sua vivência: na formulação de hipóteses, na resolução de problemas, no aprimoramento de conceitos pré-formulados. Contudo, não basta terem acesso à Internet em cursos, se não tiverem em casa condições de pagar uma banda larga para acessá-la, pois a discada dificulta muito para quem está começando a aprender e não tem muita habilidade, porém se o idoso tem condições de ter Internet em casa, nada adiantará se não souber como e por que utilizar a lógica desta tecnologia .

Foto 9 - Aula de word. Fonte: Autor, 2009.

Ferreira nos explica que

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A Internet, como meio de comunicação, possibilita intercâmbio de informações múltiplas e variadas e, com o seu auxilio, podemos, não somente conhecer o nosso meio, mas também o de diferentes povos, interagindo com diversas maneiras de pensar, de agir e de sentir. Disponibiliza, ainda, uma gama de sites, contendo páginas de conteúdos bibliográficos que possibilitam a aquisição do conhecimento, numa gigantesca biblioteca de materiais de estudos. Nesta perspectiva, também o interesse do idoso pela busca de conhecimentos, de certa forma, exige a informação do ³porquê´ e dos ³ganhos´ em relação a esta busca (2003, p. 63).

As dificuldades que os idosos encontram quando precisam das muitas ferramentas para poder usar o computador e acessar a Internet fazem com que se sintam inseguros e acreditem que a aprendizagem torna -se difícil, pois têm de memorizar e compreender as diferentes funções das ferramentas simultaneamente.
As informações de que o idoso dispõe sobre o assunto ³informática´ revelam um ambiente de dificuldade e de extrema complexidade em relação ao seu uso. [...] outro fator relevante é que muitos acham o aparelho (computador) tão repleto de botões e teclas, que acabam sentindo a inibição pelo medo de danificá-lo (FERREIRA, 2003, p. 63).

Porém, a utilização das diferentes ferramentas de forma correta potencializa a aprendizagem digital e agiliza o processo da de scoberta de novos conhecimentos, justamente pelo seu caráter flexível, e não linear. Evidenciamos a preocupação que os idosos têm em querer aprender as diferentes ferramentas tecnológicas, para serem autônomos em suas aprendizagens. Claxton afirma que
Quando se está diante do desconhecido, a aprendizagem é uma entre várias opções. E a maneira como tomamos a decisão intuitiva de escolher entre essas opções; influencia o nosso desenvolvimento em longo prazo, a nossa ³qualidade de vida´ e, finalmente, a nossa sobrevivência (2005, p. 39).

A convicção de que eles têm o potencial para aprender deve ser passada nas primeiras aulas, como também as dúvidas devem ser sanadas, para que se sintam confiantes em si mesmos, como salienta Claxton ³a crença em nossa pr ópria competência para fazer diferença no curso dos acontecimentos é fundamental para a aprendizagem ao longo da vida´ (2005, p. 47) . Claxton também afirma

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³que muitas ferramentas estão prontas para o uso, mas temos de aprender como usá-las.Para fazer bom uso de um processador de palavras, de uma calculadora gráfica ou da Internet, é necessário um investimento de tempo de aprendizagem. É preciso estudar os manuais, elaborar as aulas, explorar as competências. Todavia feito este investimento, o objeto da aprendizagem torna-se uma ferramenta que possibilita tipos de exploração e aprendizagem diferentes, os quais podem conduzir a um melhor desempenho´ (p.161).

Claxton nos diz que se aprende de diferentes maneiras, e a aprendizagem é variada:
O aprender a aprender, ou o desenvolvimento do potencial de aprendizagem, é melhorado quando sabemos quando, como e o que fazer quando não sabemos o que fazer. Ficar à vontade em novos ambientes é aprendizagem. Resolver um problema técnico é aprendizagem. Ponderar sobre uma situação pessoal difícil é aprendizagem (2005, p. 19).

E como comenta Kachar
³a aprendizagem neste contexto etário depende de uma percepção e compreensão dos recursos e da estimulação da memória. A memória ativa o lembrar, no exercício do refazer, reconstruir, repensar, repetir´ (2001, p. 118).

Mesmo assim, muitos idosos resistem em procurar cursos para aprender novos conhecimentos e vinculam isso à sua memória que começa a falhar, porém Papalia e Olds nos informam que ³o treinament o da memória pode beneficiar os idosos´ (2000, p. 521).

Foto 10 ± Aula de digitação. Fonte: Autor, 2009.

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Izquierdo nos explica:
Esquecemos talvez, em parte porque os mecanismos que formam e evocam memórias são saturáveis. Não podemos fazê-los funcionar constantemente de maneira simultânea para todas as memórias possíveis, as existentes e as que adquirimos a cada minuto. Isso obriga naturalmente a perder memórias preexistentes, por falta de uso, para dar lugar a outras novas (2004a, p. 21).

Sabemos que a memorização dos comandos e das ferramentas podem ajudar os idosos nas diferentes tarefas que eles têm de fazer no seu dia -a-dia, e Mosquera confirma esta ideia quando diz que ³[...] voltamos a insistir que as pessoas que continuam com alguma classe de atividade produtiva permanecem, por mais tempo, com sua capacidade intelectual aberta e ativa´ (1987, p. 137) . Contudo, diante de todos os aspectos µnegativos¶ que o envelhecimento acarreta, como alterações estruturais e funcionais dos órgãos e sistemas, é fundamental que o envelhecer traga outros ganhos, possibilidades e seja bem sucedido, pode ser vista como mais uma etapa da vida, como todas as outras que já passaram, umas mais tranquilas, outras mais turbulentas. Entretanto, como muitos desafios que acontecem ao longo da vida, este deve ser encarado. Assim, fazendo uso das palavras de Delors:
³as informações mais rigorosas e mais atualizadas podem ser postas ao dispor de quem quer que seja, em qualquer parte do mundo, muitas vezes, em tempo real, e atingem as regiões mais recônditas´ (2004, p. 39);

Pode-se entender que os desafios para inserir esta população em processo de envelhecimento na sociedade da informação faz -se refletir que devemos ajudar a superar os diversos obstáculos, quer pessoais, quer sociais, sendo mediadores, facilitadores na construção de propostas e situações desafiadoras no processo de ensino e de aprendizagens, juntamente com políticas públicas mais abrangentes e que contemplem esta população em todas as suas necessidades, principalmente com ambientes informatizados capacitados para atender a estes sujeitos, ajudando os a prevenir e a reduzir as deficiências da velhice.

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3.8.5 Autonomia

Somos seres em constante transformação em uma sociedade que transforma seu formato a cada dia, influenciando -nos interna e externamente com o aumento da expectativa de vida. As pessoas que estão envelhecendo vivem uma situação ambígua, porque elas querem viver e participar mais, porém, ao mesmo tempo, as limitações da idade lhes causam muitos temores e desafios, pois a maioria não quer perder sua identidade por dependência tanto da família como de possíveis cuidadores. ³Autonomia e conhecimento são conceitos que se reclamam reciprocamente´. (ASSMANN, 1998, p.133). A importância de continuar mantendo suas relações sociais e constituir novas relações é imprescindível para os idosos, porque na Terceira Idade seus papéis sociais são alterados, e uma estratégia de continuar se socializando é a inserção desses indivíduos no mundo digital, porque, através de diferentes aprendizagens, não transferindo conhecimentos mas sim instigando, desafiando e questionando e, assim sendo, possibilitando que continuem sendo autô nomos e gestores de suas próprias vidas. Delors enfatiza que esta
[...] a alfabetização da informática é cada vez mais necessária para se chegar a uma verdadeira compreensão do real. Ela constitui, assim, uma via privilegiada de acesso à autonomia, levando cada um a comportar-se em sociedade como um indivíduo livre e esclarecido (2004, p. 192).

Pode-se entender autonomia como a capacidade que o indivíduo tem de gerir seus próprios atos e de comandar sua vida, segundo o Dicionário Aurélio, tem origem no grego µautonomía¶ e significa ³a faculdade de se governar por si mesmo, liberdade ou independência moral ou intelectual´. E manter a autonomia e a independência durante o processo de envelhecimento é uma preocupação tanto para os governantes como para os indivíduos que estão ou vão passar por esta fase, mesmo porque o envelhecimento é um processo que envolve muitas pessoas como familiares, amigos, colegas de trabalho, vizinhos e entidades sociais que o indivíduo freqüenta, como igrejas, associações, clubes, etc.

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Foto 11 ± A alegria em aprender informática. Fonte: Autor, 2009.

De acordo com Moraes e Souza
[...] a autonomia e a independência são dois indicadores de qualidade de vida para a população idosa. Todos os indivíduos, querem ser donos de sua própria vida, ter a capacidade de decidir e escolher caminhos, mesmo para ações cotidianas, como a escolha da marca do produto a ser adquirido. (2003, p. 63-64).

É essencial para a evolução de qualquer ser humano a aquisição de cultura, capacitação pessoal e profissional, autonomia diante das situações da vida e sabemos que as tecnologias de informação e comuni cação potencializam esses fatores em nossas vidas. E a Internet, entre as tantas tecnologias, pode ser definida como a ferramenta que proporciona maior autonomia, pois, diante de tantas escolhas que podemos fazer e de informações que acessamos , podemos adquirir variados conhecimentos: acadêmicos, profissionais, assuntos referentes à saúde, informações sobre doenças de amigos e parentes ou simplesmente fazer pesquisas sobre produtos que queiramos adquirir.

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Foto 12 ± Trabalhos e exercícios escritos. Fonte: Autor, 2009.

Nas entrevistas os participantes foram indagados sobre a autonomia e os sujeitos se dividiram conforme a saúde e a vida que levam, senão vejamos: S6 respondeu: ³não me considero autônoma, tenho problemas de saúde, com duas safenas e uma mamária´. S12: ³em parte, pois algumas coisas não posso fazer´. S7: ³não, toda pessoa precisa de outras para seu bom convívio.´. Já S14 afirmou: ³por enquanto ain da faço tudo´. S3: ³sim, tenho boa saúde, caminho bastante, tenho uma vida normal como uma pessoa mais jovem´. S9: ³sim, me considero independente.´ E, por fim, S15: ³faço muitas coisas sozinha´. Visto o avanço de a tecnologia ser atualmente um instrumento de trabalho, diversão e variados tipos de relacionamentos usados por grande parte da população, devemos proporcionar acesso a todos, promovendo a autonomia diante dessas tecnologias, por conseguinte os menos favorecidos, como os idosos, terão a chance de participar do mundo digital através da aprendizagem virtual. Souza corrobora com esta ideia quando afirma:
³Programas educativos poderão se dedicar à reestruturação de atividades educativas para idosos com o suporte de novas tec nologias, convocando, para uma interação pedagógica motivacional diferente, recursos como os da informática, o vídeo e a telecomunicação, pois são instrumentos que podem transformar a natureza dos processos educativos realizados com idosos pelas suas funções inovadora e motivadora, colaborando para a diversidade e a criatividade na educação de idosos´ (2003, p. 39).

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Os sujeitos que estão na Terceira Idade querem continuar tendo autonomia, e para eles a aprendizagem digital é sinônimo de independência e necessidade, pois trabalha instigando o sujeito ao uso do computador com interesses e prazeres e sendo autônomos. No mundo digital, o significado de ter autonomia diante das tecnologias é poder utilizar tais recursos, tanto para beneficio próprio como para a comunidade a que pertence; conseqüentemente aprender a lidar com as diferentes tecnologias gera uma necessidade n esta fase. Souza, Massaia e Marques corroboram afirmando que
O mundo da informação, hoje, também está acessível ao idoso. Portanto, o idoso precisa não apenas ³assistir´ televisão, ler jornais, revistas e materiais à disposição na Internet, precisa refletir e falar sobre o que está vendo, lendo e ouvindo, surpreendendo seus familiares com novas aprendizagens, novas atitudes e novos hábitos, alterando rotinas desinteressantes (2003, p. 117).

O envelhecer com autonomia depende de vários fatores determinan tes que envolvem os indivíduos e a sociedade como um todo, portanto entendemos que principalmente a sociedade, juntamente com políticas públicas, através de seus governantes engajados e comprometidos, deva incentivar programas para a Terceira Idade, como uma necessidade que os idosos têm em se manterem ativos e autônomos por mais tempo possível, com cuidados de si, preparando -se e planejando uma boa velhice através de ambientes acolhedores, motivadores e de apoios para que as aprendizagens ao longo de suas vidas se tornem mais fáceis, pois é uma questão de economia para o próprio país, com menos pessoas dependentes do sistema público de saúde.

3.8.6 Exclusão

Exclusão é um fenômeno cultural em que estão implícitos alguns valores discriminatórios. Geremek ³as exclusões não são uma invenção do final do século XX. Acompanham toda a história da humanidade´ (2004, p. 230).

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Estamos ingressando na era das redes, da telemática, da internet e da sociedade da informação, entendida, cada vez mais, como sociedade aprendente e sociedade do conhecimento. Esta contextualização precisa atingir o aspecto social: a sociedade da informação contém novas ameaças de exclusão. Documentos da União européia já criaram o neologismo expressivo: info-exclusão (ASSMANN, 1998, p. 72).

Grossi e Santos nos afirmam que
[...] uma pessoa idosa sofre discriminação não somente pelo que ela é, como um indivíduo, mas pelo que ela se torna enquanto pertencente a um grupo que foi estereotipado de forma negativa. Em resumo, todas essas características atribuídas às pessoas consideradas ³velhas´ (e.g. passividade, cumplicidade, fraqueza, submissão, impotência) influenciam como os outros vão perceber e interagir com ela, tanto no nível individual quanto institucional (2003, p. 29).

Foto 13 ± Orientação do professor nas atividades. Fonte: Autor, 2009.

Na sociedade de informação, a exclusão social antecede a exclusão digital, e conforme o Livro Verde ³inclusão social pressupõe formação para a cidadania, o que significa que as tecnologias de informação e de comunicação devam ser utilizadas também para a democratização dos processos sociais´ (2003, p.45), e, no caso dos idosos, não está limitada somente ao poder aquisitivo, mas em muitos casos ao comportamento preconceituoso da sociedade e da família com a qual convivem, deixando-os de lado, não dando valor às suas histórias e trajetórias de vida, vendo-os como sujeitos acabados, que não têm condições de aprender mais, excluindo-os, dessa maneira, do meio social. E como explica Ferreira

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O pensamento de que o homem se torna um produto acaba se prolongando por sinônimos, criando verdadeiras teias de incompatibilidades. Vejamos: o idoso passou a ser visto como sinônimo de aposentado, o aposentado como sinônimo de improdutível, improdutível como sinônimo de não -comercial, não-comercial como sinônimo de descartável (2003, p. 61).

E a outra forma de exclusão que percebemos é a do próprio idoso de não querer continuar aprendendo ao longo de sua vida e não querer participar dessa sociedade de informação resistindo o uso das TICs em suas vidas diárias . Geremek afirma que
Se a educação tem um papel determinante na luta contra a exclusão dos que, por razões sócio-econômicas ou culturais, se encontram marginalizados nas sociedades contemporâneas, parece ter um papel ainda maior na inserção das minorias na sociedade (2004, p. 232).

Nas entrevistas indagou-se: Se sente excluído digitalmente? E nas demais áreas? Corroborando com as respostas acerca da autonomia, a turma novamente se dividiu e tem várias opiniões: Há os que se sentem mais ou menos excluídos, assim como S9: ³não me sinto totalmente excluído´, S14: ³pessoalmente não, porque freqüento poucos lugares, e agora que sei o básico da informática também ajuda´, há os que se sentem totalmente excluídos, como S18: ³me sinto excluído por causa da idade´, e S12 ³os mais jovens em perfeita saúde me excluem´. Há os que opinaram pela falta de exclusão nas outras áreas, mas em informática, destacou-se S6 ³não, tenho todas as regalias, me tratam muito bem, tenho muitas amizades, mas digitalmente todos somos excluídos´. Também S3 enfatizou o esforço de que cada indivíduo: ´não, eu é que devo me esforçar para acompanhar o mundo atual, perguntando e tentando até conseguir o objetivo´. E, por fim, S7 lembrou o Estatuto do Idoso: ³não me sinto excluído digitalmente, porém 99% não conhece o Estatuto do Idoso, onde deveríamos ser mais respeitados, no entanto, somos chamados simplesmente de véio´. Assim, entende-se que a forma mais eficaz para que os idosos não sejam excluídos é inseri-los em cursos em que a aprendizagem seja o foco, criando oportunidades em diferentes áreas do saber conforme seus interesses, Geremek (2004) ³a educação ao longo da vida opõe-se a mais dolorosa das exclusões, a exclusão devido à ignorância, de não participar ou de não querer participar da sociedade da informação através das TICs´. E como enfatiza Franco:

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Também é imprescindível habilitar as pessoas com a capacidade de estabelecer comunicação com os computadores. Sem este acesso, a cidadania está ameaçada, pois aqueles que não tiverem o domínio das novas tecnologias terão dificuldades para viver na sociedade da informação (1997, p. 72).

Foto 14 ± Primeiros contatos com o computador. Fonte: Autor, 2009.

Ao nos reportamos à exclusão digital, podemos defini -la com o termo ³infoexcluídos´ (ou os que não têm acesso à Web) e às tecnologias de informação e comunicação, na qual a Internet é a principal delas, e, se não tê m acesso às tecnologias, conseqüentemente está excluído da sociedade:
O maior acesso à informação poderá conduzir a sociedades e relações sociais mais democráticas, mas também poderá gerar uma nova lógica de exclusão, acentuando as desigualdades e exclusões já existentes, tanto entre sociedades, como, no interior de cada uma, entre setores e regiões de maior e menor renda. No novo paradigma, a universalização dos serviços de informação e comunicação é condição necessária, ainda que não suficiente, para a inserção dos indivíduos como cidadãos. É a educação o elemento-chave para a construção de uma sociedade da informação e condição essencial para que pessoas e organizações estejam aptas a lidar com o novo, a criar e, assim, a garantir seu espaço de liberdade e autonomia. A dinâmica da sociedade da informação requer educação continuada ao longo da vida, que permita ao indivíduo não apenas acompanhar as mudanças tecnológicas, mas sobretudo inovar , (TAKAHASHI, 2003, p. 07).

Já se comentou que a exclusão, muitas vezes, começa dentro da própria família; porém, entre tantas mudanças que vivenciamos, a família continua sendo

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um espaço de apoio importante para os diferentes segmentos vulneráveis e no caso os idosos, pois estes geralmente não vivem isolados e seu bem-estar está ligado à relação com sua família e com a sociedade como um todo.

Foto 15 ± Professor. Fonte: Autor, 2009.

Há a preocupação de poder entender as tecnologias para não se se ntir excluído e para Motta:
O reencontro e a solidariedade geracionais são grandes e bons momentos iniciais na trajetória do idoso em busca da redefinição de um lugar social, mas deverão ser também base e fortalecimento para a busca ± que deveria ser da sociedade inteira ± da convivência, privada e publica, com as outras gerações (2004, p.118).

Com o aumento da qualidade de vida, grande parte das pessoas que chega à Terceira Idade está em condições de cuidar de si e até mesmo de pessoas com as quais convivem, como pais, cônjuges e netos. Os grupos que necessitam de assistência diária é menor.
[...] a Educação no Terceiro Milênio deve ter a força para possibilitar o desenvolvimento do talento e do gênio humano, ao mesmo tempo em que acredita nos sentimentos e nos corações de homens e mulheres que desejam o melhor para a humanidade, no futuro. (MOSQUERA, 2003, p. 57)

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Essas pessoas idosas são tanto provedoras de atenção quanto receptoras, porém observamos que muitos sentem faltam de um contato maior com a família, amigos, de continuarem aprendendo e participando de um círculo social que possam interagir mais efetivamente.

Foto 16 ± Aula de windows xp. Fonte: Autor, 2009.

Portanto, numa sociedade na qual a pluralidade pode ser um caminho para a resolução das exclusões, preconceitos, estereótipos e das dificuldades de reconhecimento das diferenças, sejam individuais ou coletivas, sejam visíveis ou invisíveis, abrindo espaço para uma transformação social, caminhando a passos largos para uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva.
O desafio de enfrentar o computador e dominá-lo é uma prova da própria capacidade de lidar com situações novas, coragem de aventurarse no desconhecido e descobrir que pode apostar em si mesma para abrir novas portas e desconstruir os muros internos (KACHAR, 2001, p. 155).

Entendeu-se assim que a inclusão digital pode afetar a todos os que dela se aproximam, acarretando uma radical mudança de mentalidade e de paradigmas.

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3.9 RELATOS DA PRÁTICA PEDAGÓGICA

O resultado objetivo de todo o processo culminou com o começo tímido da execução da ação educativa para a terceira idade, com a participação e o envolvimento de 18 (dezoito) sujeitos pertencentes ou não aos Grupos da Terceira Idade de União da Vitória - PR, sem os quais seria impossível tornar exeqüível a pesquisa. Apesar da maioria dos envolvidos terem consciência das dificuldades propostas, enfrentaram com efetivação. Assim, no início de 2009 ocorreu a implantação do projeto de estágio, que articulou o ensino de informática para a terceira idade , cognominado Inclusão Digital para Turma da Terceira Idade: Ação Social da Prefeitura de União da Vitória e Centro Universitário de União da Vitória ± UNIUV. No Centro Universitário foi o primeiro curso voltado basicamente para a inclusão digital da terceira idade , com o objetivo de propiciar a utilização das novas tecnologias a esta parcela excluída digitalmente. Não foram abertas matrículas, bastava o candidato apresentar-se na aula inaugural do dia 18 .03.09. Foram abertas assim, vagas para pessoas da comunidade de Porto União da Vitória , de ambos os sexos, com idade variando entre 40 (quarenta) e 80 (oitenta) anos.

Foto 17 ± Mesa do coquetel de formatura. Fonte: Autor, 2009.

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Para a surpresa geral, a formatura no dia 30.09.09 ocorreu justamente no ³Dia do Idoso´, data desconhecida, no entanto, por uma coincidência espetacular, foi programada desde o projeto de estágio. Os idosos receberam ingressos grátis de cinema e demais comemorações durante todo o dia em sua homenagem. A formatura foi bem divulgada, destaque nos primeiros dias de outubro, com 4 (quatro) veiculações na emissora local TV Millenium, com entrevistas dos alunos e da coordenação do curso, assim como nas rádios FM e AM locais, com entrevista do professor regente ao vivo na Rádio AM Colméia. No evento, discursaram a reitoria, a coordenação, professor e monitor e as autoridades presentes, exibiu -se extras do filme tema do grupo ³As Garotas do Calendário´ e um vídeo da turma, culminando com a entrega dos certificados e finalizando-se com um coquetel ao estilo americano.

Foto 18 ± Formatura. Fonte: Autor, 2009.

Importante destacar que, o curso se constituiu como um desafio contemporâneo, porque as iniciativas para a formação de educadores nessa modalidade de ensino (educação de adulto-idosos) no âmbito das universidades, ainda são bastante reduzidas.

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Contudo, para demarcar sua diferença com os tradicionais projetos na educação de adultos, houve a mobilização para preservar na execução/avaliação da ação educativa, os princípios políticos -pedagógicos advindos da docência contemporânea e do legado fre uriano, que compreende uma concepção libe rtadora de educação, que se deve fazer presente na formação dos educadores, traduzida na clareza política do papel do professor junto aos alfabetizandos, agora digitais. No entanto, a prioridade por princípios de uma pedagogia emancipadora exige a contínua reflexão sobre os pressupostos teóricos, assim como a vivência do exercício da dialogicidade na implementação crí tica e criativa da práxis. Mas, desenvolver uma experiência de educação de idosos, que vislumbra o compromisso social e pedagógico como um diferencial de formação humana e profissional, não se constituiu tarefa fácil de ser efetivada, visto que, é necessário transcender a lógica de uma educação bancária, numa perspectiva de fazer valer a ênfase teórica e prática na formação de novos professores. No entanto, o papel que o professor e o monitor desempenharam dependeu de seus envolvimentos com uma visão não autoritária de educação. Nesse sentido, inúmeros foram os problemas, decorrentes da tentativa de vivenciar os princípios dialógicos, eis que, como se ambiciona atender a exigências e expectativas de maneira rápida, os discursos logo preconizam avanços significativos, mas que nem sempre guardam vínculos efetivos em relação à prática pedagógica. Logo, professores querem sucumbir a interesses imediatistas, na proposição de apressar o processo de inclusão digital dos idosos com práticas de memorização, de letras, números, símbolos, sons, e reduzir o idoso a objeto. Dessa feita, foi importante enfatizar a necessidade da coerência entre a perspectiva da formação e a processo de inclusão digital dos idosos, o que compreende o rompimento com a uma opção pela mera transmissão de conteúdos, de maneira bem habitual e faz emergir situações conflituosas, desafiadoras e impactantes. Outra requisição, que também encontra barreiras de ser efetivada e provoca impacto significativo no currículo diz respeito à compreensão da escolarização do ser humano como agente social histórico, pois, abrange uma concepção de educação a serviço de uma superação, não apenas de desigualdades sociais, mas numa luta constante contra a prática social e educacional de princípios incompatíveis com um processo social e pedagógico participativo e compartilhado.

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No entanto, como historicamente, as instituiçõ es e os profissionais de ensino teorizam, mais do que exercitam as práticas de superação com relação ao processo de democratização nas ações ligadas ao ensino, a extensão, a gestão, fazer opções por posturas de maior grau de partilha nas atividades acadêmi cas é um desafio. Certamente, é um princípio, a ser adotado como básico rumo à necessidade de melhorar a qualidade pedagógica e compreende levar adiante o enfrentamento de desafios, não apenas meramente teóricos, mais, também práticos, de implantar e implementar buscas por novas perspectivas e posturas da comunidade acadêmica, nas ações pedagógicas e administrativas. As ações vivenciadas, que certamente, guardam íntimas relações com as teorias estudadas e praticadas, cotidianamente, produzem olhares difer enciados, não apenas sobre a alfabetização dos adultos, mas na própria perspectiva do processo formativo dos graduandos, pois são acatadas por alguns, ignoradas por outros. Decorre daí o reconhecimento da necessidade de reflexões, mais contínuas, acerca dos desafios a viabilização da interlocução permanente entre os campos teóricos e práticos e entre os sujeitos, como parte de um processo educativo complexo, mais também, criativo capaz de convergir na sua organização curricular com o compromisso de promover um novo perfil de formação.

Foto 19 ± Kit-multimidia. Fonte: Autor, 2009.

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Assim, a formação do profissional contemporâneo da educação deve constituir-se como um dos desafios institucionais das agências formadoras e suscita a necessidade da tentar superar as posturas tradicionais. Nesse sentido, o exercício da dialogicidade, constituindo-se como fonte de teoria da ação, que demanda a crítica e a autocrítica, assim como a reflexão permanente sobre uma prática, que busca ser fundada no diálogo, traduzida na garantia da voz do idoso, do professor, do monitor e das pessoas ligadas à pesquisa, que ajudaram a administrar os problemas cotidianos. Além de que, repensar a luz de instrumentos teóricos a reformulação da prática, contribui para ajustar os inúmeros interesses, combinar as ações, reformular objetivos um contínuo vir-a-ser. Mas, abdicar das posturas tradicionais de reprodução, de atitudes sobre manter ou transformar procedimentos, encaminhamentos e assumir a proposta de forma, construtiva e consciente, não se constitui demanda simples, pois envolvem ouvir opiniões, sugestões, desabafos de toda ordem. Os licenciandos envolvidos tiveram a possibilidade de trabalhar a relação teoria-prática no projeto, de forma a compreender a complexidade e as múltiplas possibilidades do trabalho pedagógico frente a u ma população excluída do saber produzido historicamente pela humanidade, bem como de vivenciar com adultoidosos as angustias resultantes de experiências escolares, que resultaram em fracasso e abandono da escola. Na prática da docência com os idosos é assegurada ao graduando a progressiva ampliação de conhecimentos inerentes ao campo específico da educação de jovens e adultos, adequada a esse multifacetado universo, que requer comprometimento com um fazer pedagógico de qualidade e com a democratizaçã o do conhecimento crítico rumo à construção de uma nova realidade social. Cabe aqui ressaltar que, enquanto desdobramentos teórico-práticos do exercício dialética de educação, nos cursos de alfabetização e atualização junto com os alunos da terceira idade, os graduandos alfabetizadores exercitaram o confronto do saber constituído, com as experiências culturais dos idosos. Essa caminhada em direção a problematização da realidade sociocultural dos idosas levou-os a se reconhecerem como cidadãs de direitos, de maneira mais ampla e significativa e gerou novas reflexões na construção de uma prática

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pedagógica situada numa lógica dialética, a partir do movimento de ação/ reflexão/ação junto a pessoas que tiveram nega do o direito à educação. Além disso, ainda dentro da execução da pesquisa , na continuidade desafiadora, do trabalho direto com os idosos foram incorporados pelos graduandos consideráveis avanços oriundos de outras experiências pedagógicas com educação de adultos, principalmente os conhecimentos teóricos gestados originalmente no contexto de experiências com educação popular, que demonstram respeito pelos conhecimentos advindos dos setores populares visando sua problematização e incorporação de um raciocínio mais rigoroso e cientifico, mas também inspirados nos princípios freireanos voltados para a alfabetização e a conscientização dos educandos baseada relação consciência ±mundo. (Freire, 1981, p. 27). Portanto, na metodologia d a inclusão digital e da atualização cultural foram incorporados, à cultura dos idosos e a sua realidade vivencial, como ponto inicial e, também, como conteúdos da prática educativa na busca de ampliar gradativamente as situações educativas que possibilitassem a instrumentalização da sua forma de pensar e ler o mundo ao seu redor na perspectiva de ampliar suas experiências anteriores, sua visão de mundo. Deriva da diversidade de atividades oferecida aos alunos idosos, a certeza da necessidade do ensino de graduação implementar a u tilização dos mais variados meios de expressão, comunicação e arte, como formas de intervenção educativa, o que também deve instigar pesquisas procurando tornar conseqüentes às práticas acadêmicas do cotidiano. No entanto, esse cenário tem favorecido, ainda de maneira embrionária, polarizar informações, orientar discussões, preencher lacunas no estabelecimento de interessantes abordagens pedagógicas baseadas nas diversificadas formas da comunicação humana (cênica, corporal, visual, verbal, sonora, audiovisual) , possibilitando a criação de formas originais de trabalhar o conteúdo das aulas, mesmo em laboratório de informática . Todas essas questões vivenciadas se tornam um desafio para educadores e educandos, ocasionando a necessidade contínua de refletir sobre as contradições, as tensões, as interrogações permitindo assumir uma postura investigativa, uma relação dialógica entre o planejado e o realizado, frente a uma riqueza de informações, pouco sistematizadas.

100

As reflexões estão sempre pautadas na problematização da realidade, de forma critica e criativa, frente à realidade local e o contexto global na busca de alternativas para a prática educativa cotidiana com os idosos e a para a formação do docente contemporâneo. No exercício cotidiano um mérito significativo d a pesquisa, esta situada na perspectiva dos universitários poderem adentrar, conhecer, vivenciar, refletir os conflitos e as tensões que perpassam o contexto social e educacional dos saberes e fazeres da educação de idosos, partindo prioritariamente do legado teórico metodológico de Paulo Freire, mas sem perder de vista as questões que são colocadas pelo contexto sócio-político-cultural nesse início do século XXI. Esses momentos articulados lhes têm permitido reduzir a defasagem teóricaprática entre o mundo do professor e o mundo vivido dos idosos, o que favorece o entendimento da opção metodológica de educar pela educação dialético-dialógica e traçar quadros comparativos com outras práticas educativas. Esse sinal de articulação teoria/prática encaminhou para certa sincronização de reflexão e ação sobre o trabalho realizado, pois, se constituiu como um desafio de manter acessa a postura investigativa, de questionar as contradições existentes, principalmente, com relação às limitações, os avanços na educação de idosos e várias outras questões do próprio processo educacional, tão desigual, mas repleta de possibilidades de transformação.

Foto 20 - Monitor. Fonte: Autor, 2009.

Foto 21 - Turma engajada. Fonte: Autor, 2009.

101

Mesmo encontrando vários obstáculos, como insuficiência de recursos materiais, equipamentos e outros entraves ligados à escassez do fluxo de recursos financeiros contínuos para projetos efetivos de ensino e extensão, a concessão de um laboratório destinado ao projeto foi comemorada pelos integrantes, contribuindo para consolidar o suporte infra -estrutural e técnico pedagógico do trabalho, criando formas e condições, para que os membros da equipe contribuíssem dentro de suas especificidades com a realização dos trabalhos, também propiciou uma aproximação maior entre professores e alunos. Neste contexto, a experiência possibilitou condições de refletir a ampliar a s dimensões da formação do s educadores a partir do caráte r multidimensional da educação preconizada por Candau (2001, p. 46) , que supõe um enfoque no domínio de conhecimentos pedagógicos, científicos, políticos e afetivos que devem estar intimamente articuladas entre si, favorecendo reflexões coletivas, sobre o sentido da prática educativa, na perspectiva clara do papel social do conhecimento, sendo suscitado nessas reflexões, de maneira peculiar, o entendimento da alfabetização e atualização cultural de ido sos, frente ao tipo de homem e de sociedade que se quer construir, dada a emergência reclamada pelas novas tarefas da educação. Sem dúvida, levando adiante a execução d a pesquisa, a universidade cumpre a sua função social/política/pedagógica de edificação dos bens culturais de interesse público efetivada no seu compromisso melhoria da qualidade de vida da população via ensino e extensão, que incide sobre a inclusão de sujeitos sociais de terceira idade, que possuem uma face humana, desprezada p elos projetos e programas alienígenas de caráter assistencialistas ou alienantes, que não estão situados nas peculiaridades e singularidades da vida geopolítica da região, que quase sempre é excluída de programas e políticas públicas. Neste cenário de desigualdades culturais, no Brasil, enquanto país que destina pouco das verbas públicas para a educação, o fato de a universidade colocar-se enquanto instituição a serviço da requalificação da velhice foi sem dúvida algo singular favorecendo as pessoas da terceira idade, um sentido bem diferente, daquele oferecido nas sociedades tradicionais, de marginalidade e repouso na lógica da compreensão do idoso.

102

Foto 22 ± Avaliação e entrevista. Fonte: Autor, 2009.

3.10 ANÁLISE DE DADOS COLETADOS

Todos os 18 (dezoito) participantes responderam ao Questionário de Sondagem Inicial. No entanto, há que se ressaltar, que houve uma série de empecilhos no decorrer do curso, e para citar apenas alguns:
y y y y y y

O surto da gripe suína, vírus H1N1 ; Curso de Dança de Quadrilha de Festas Juninas no mesmo horário ; Problemas de saúde próprios da idade; Problemas financeiros: crise econômica mundial; Morte de entes queridos; Problemas pessoais dos alunos, entre outros.

Mesmo enviados via correio os questionários a todos os participantes, boa parte destes não deram retorno nem participaram da Formatura , a que todos foram convidados com duas semanas de antecedência. Os certificados não recebidos na Formatura foram entregues via correio . Assim sendo, responderam ao Questionário Final pouco mais da metade da turma, ou seja, 10 (dez) participantes. Analisam-se aqui os dados coletados dos Questionários de Sondagem Inicial e Final:

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GRÁFI

PROFISS O

APOSE

ADO

COMERCIANTE

5

SERVENTE DO AR COSTUREIRA

FUNCIONÁRIA P

ICA

Computou-se uma funcionária pública, ue

a coordenadora do rupo de

terceira idade. Ainda, uma costureira, uma servente e uma comerciante. Como as mul eres são maioria, cinco participantes laboram em seus lares, e por fim, devido idade avançada sete sujeitos já estão aposentados.

GRÁFI O

GRAU E I S RUÇÃO

1 3

1

3
1º GRAU INCOMP ETO 1º GRAU COMP ETO 2º GRAU INCOMP ETO 2º GRAU COMP ETO TÉCNICO SUPERIOR

1 9

Apenas um sujeito concluiu o ensino superior, assim como curso t cnico. Com rau completo três sujeitos, enquanto incompleto apenas um. á no rau, nove completos e três incompletos. Assim, observou-se que, descendo a escala de rau de instrução encontra-se maior o número de participantes.

104

GRÁFICO 3

IDADE

2 1
DE 40 A 50 ANOS

8

DE 50 A 60 ANOS
DE 60 A 70 ANOS DE 70 A 80 ANOS

7

Apenas dois sujeitos tem idade inferior a Sexagenários totali am assim, que a turma, na grande maioria,

anos e um inferior a

anos.

sete) sujeitos, septuagenários,

oito) sujeitos. Conclui-se

de idade bastante avançada.

GRÁFICO 4

CIDADE

1

PORTO UNIÃO UNIAO DA VITÓRIA

17

ma vez que as cidades são gêmeas, como era de se esperar, apenas um sujeito reside em Porto nião SC, e os demais, em nião da Vit ria P .

105

GRÁFICO 5

AIRRO

2 1

1

SÂO GABRIEL SÃO BASÍLIO MAGNO CENTRO PORTO UNIÃO

5

8

CENTRO UNIÃO DA VITÓRIA SÃO BERNARDO

1

CRISTO REI

Computou-se apenas um sujeito residente no São Bernardo um no Centro de Porto nião sujeitos, o Centro de com SC. nião da Vit ria com

abriel, um no São dois) agno

bairro Cristo ei contou com cinco) sujeitos e o São Basílio

oito) sujeitos. Isto posto, constatou-se que a grande maioria dos participantes agno.

residem em nião da Vit ria, no Centro e no São Basílio

GRÁFICO 6

POSSUI COMPUTADOR EM CASA INICIAL)

9

9

POSSUI COMPUTADOR NÃO POSSUI COMPUTADOR

106

GRÁFICO 7

POSSUI COMPUTADOR EM CASA FINAL)

3
POSSUI COMPUTADOR NÃO POSSUI COMPUTADOR

7

Neste cenário, no início do curso metade dos alunos não possuía computador, já no t rmino do curso, uma minoria não possuía computador, denotando-se assim que vários alunos acabaram por adquirir o computador no decorrer do curso.

GRÁFICO 8

JÁ TRABALHOU COM O COMPUTADOR

3

JÁ TRABALHOU COM COMPUTADOR NÃO TRABALHOU COM COMPUTADOR

15

Acerca dos que já trabal aram com o computador, apenas se apresentaram. s demais, contato algum, seja profissional ou não, com o ardware e o software.

três) sujeitos

quinze) sujeitos, como já visto, jamais tiveram

107

GRÁFICO 9

FRE UENCIA DE ACESSO À INTERNET INICIAL)

1

1

NUNCA ÀS VEZES RARAMENTE

16

GRÁFICO 10

FRE UENCIA DE ACESSO À INTERNET FINAL)

1 3
NUNCA ÀS VEZES RARAMENTE

6

Como esperado, inicialmente apenas maioria nunca acessou a internet.

dois) sujeitos responderam que

acessavam a internet, um raramente acessava e outro apenas s vezes. A grande Por sua vez, no t rmino do curso, a grande maioria respondeu que acessa s vezes a internet, restando minoria que raramente ou nunca acessou.

108

GRÁFICO 11

MANIPULAÇÃO DE FOTOS INICIAL)

1

SIM
NÃO

1

GRÁFICO 12

MANIPULAÇÃO DE FOTOS FINAL)

5

Apenas um sujeito respondeu que sabia manipula r fotos copiar, colar, renomear, excluir, editar e imprimir) no início do curso. jamais avia manipulado fotos. Por derradeiro, no final do curso, metade já manipulava fotos, sem dúvida, um grande avanço. s demais, a grande maioria,

 
5
SIM
NÃO

109

GRÁFICO 13

MANIPULAÇÃO DE MÚSICAS INICIAL)
0

SIM
NÃO

18

GRÁFICO 14

MANIPULAÇÃO DE MÚSICAS FINAL)

3

SIM NÃO

7

No começo do curso, sobre a manipulação de músicas, nenhum sujeito afirmativamente respondeu. No final do curso, observa-se um avanço, três sujeitos responderam afirmativamente. Isso não quer dizer que a terceira idade não goste de música, pelo contrário, apenas desconhece como manipulá-las através do computador.

110

GRÁFICO 15

MANIPULAÇÃO DE VÍDEOS INICIAL)

1

SIM

NÃO

17

GRÁFICO 16

MANIPULAÇÃO DE VÍDEOS FINAL)

5

5

SIM NÃO

No mesmo sentido, na manipulação de vídeos, apenas um sujeito, provavelmente o único conhecedor da manipulação de fotos no início do curso, respondeu positivamente. No entanto, no término do curso, metade dos alunos manipula vídeos, ressalvando-se aqui um forte avanço na inclusão digital.

111

GRÁFICO 17

TEM ORKUT INICIAL)

1

SIM NÃO

17

GRÁFICO 18

TEM ORKUT FINAL)

4
SIM
NÃO

O Orkut, desde o início do curso, foi alvo de estudos e comentários. Apenas o sujeito que se apresentou ter contato com o computador possuía o cadastro. No término do curso, apresentaram-se cadastro no Orkut. seis) novos possuidores de

¡

112

GRÁFICO 19

TEM MSN INICIAL)

1

SIM NÃO

17

GRÁFICO 20

TEM MSN FINAL)

4
SIM NÃO

6

Após os dados coletados acerca do Orkut, como era de se esperar, apenas um sujeito possuía inicialmente o cadastro do SN, mas no término do curso, mais da metade da turma já enviava e recebia mensagens eletrônicas.

113

GRÁFICO 21

JÁ FEZ CURSO DE INFORMÁTICA

1

SIM

17

Analisando os últimos dados coletados, sem surpresas, apenas um sujeito respondeu afirmativamente que já fez curso de informática.

GRÁFICO 22

DECLARE O NÍVEL DE CONHECIMENTO EM INFORMÁTICA INICIAL)

2

BÁSICO
SEM CO T TO

¤

1

¦

¢ £ ¥

O

114

GRÁFICO 23

DECLARE O NÍVEL DE CONHECIMENTO EM INFORMÁTICA FINAL)
0

BÁSICO SEM CONTATO

10

Na solicitação de declaração sincera do nível de conhecimento em informática apenas dois) sujeitos inicialmente declararam básico , os demais, na grande maioria, sem contato algum com o computador. No final do curso todos declararam o nível de conhecimento básico, e sem contato nada registrou, constando-se, assim, que o objetivo primordial da inclusão digital foi atingido.

GRÁFICO 24

UAL CONTEÚDO MAIS LHE INTERESSOU

1

2
WINDOWS XP MICROSOFT OFFICE HARDWARE

7

Esta questão foi sugerida somente no conteúdo que mais agradou foi o ardware com apenas um voto.

uestionário de Sondagem inal. O icrosoft Office e do

indows XP, seguido do

115

GRÁFICO 25

DÊ UMA NOTA DE 1 A 10 PARA: EU COMO ALUNO

2

1
NOTA 2

2

NOTA 5 NOTA 6 NOTA 7

4

A

ª questão do

uestionário de Sondagem a

inal solicitou a cada

participante que desse uma nota de

para si mesmo, perguntando Eu como

aluno , sendo na verdade uma auto avaliação. m sujeito não deu nota alguma, comprometendo a pesquisa, e os dema is foram tímidos nas respostas, demonstrando que poderia m ter se dedicado mais.

GRÁFICO 26

DÊ UMA NOTA DE 1 A 10 PARA: LABORATÓRIO

2

1
NOTA 7

2

NOTA 8

NOTA 9
NOTA 10

4

Acerca das notas sugestionadas ao sete), duas para

aboratório computou -se: uma para dez), demonstrando-se

oito), quatro para nove e duas para

assim que os participantes aprovaram o aboratório da NI V.

116

GRÁFICO 27

DÊ UMA NOTA DE 1 A 10 PARA: CURSO

1
OT

2

OT 9 OT 10

eferente s notas destinadas ao curso como um todo, votaram oito), dois) votaram nove) e um votou nota

seis) participantes dez), sugerindo-se

assim que o curso atingiu os objetivos, mas que ainda precisa evoluir.

GRÁFICO 28

DÊ UMA NOTA DE 1 A 10 PARA: PROFESSOR

1 

OT

OT 9

§

2

OT 10

¨

¨

§

3 

§

6

©¨ ¨ ¨

§ § 

117

GRÁFICO 29

DÊ UMA NOTA DE 1 A 10 PARA: MONITOR

NOTA 8

4

4
NOTA 9
NOTA 10

1

Os alunos demonstraram aprovação ao trabalho do professor regente e do monitor, recebendo estes notas acima de oito). enota-se que, mesmo aprovados pela turma, precisam estar em contínuo aprimoramento.

. . Avaliação

Não se pretende aqui discutir a avaliação sob o ponto de vista pedagógico, mas sim buscar breves conceitos e fundamentos para que se possa aplicá -la em um ambiente de laboratório de informática. A avaliação é uma questão muito crítica na área pedagógica, o nde existem várias correntes com perspectivas diferentes. enfoques: avaliação tradicional e avaliação integral. Ademais, para uma melhor compreensão do processo de desenvolvimento e aprendizagem do aluno, pode-se ainda classificar a avaliação sob os domínios da área afetiva, psicomotora e cognitiva. No decorrer das aulas, professor e monitor, sob a ótica da avaliação integral, consideraram alguns objetos na observação de cada aluno: ivide-se a avaliação sob dois

118

y Desenvolvimento intelectual; y Persistência no desenvolvimento das tarefas; y Facilidade de assimilação da matéria; y Atitude positiva em relação ao estudo; y Pensamento criativo e independente; y Tem espírito de solidariedade e cooperação; y Observa as normas coletivas da disciplina; y Tem interesse e disposição para o estudo; y Resolve suas próprias dificuldades; y É responsável em relação às tarefas de estudo; y Tem iniciativa; y Tem presteza para iniciar as tarefas; y Apresenta as tarefas no prazo solicitado. As avaliações foram realizadas continuamente, onde foi atribuída uma nota

final a cada aluno, pelo seu desempenho, através de testes, provas e trabalhos escritos e práticos. A aplicação da avaliação em laboratório de informática requereu a construção de uma série de mecanismos que permitam a observação de todos os passos percorridos pelo aluno, seu grau de cooperação e seu desempenho na resolução de exercícios, provas e/ou testes. Ao final de postular cada módulo (Introdução à Informática, Sistemas Operacionais, Windows XP, Internet, Word, Excel, Power Point, Hardware e Redes), aplicaram-se exercícios e trabalhos correspondentes, e ainda foi motivo de avaliação a disciplina, a participação e a assiduidade. Como se pode observar, a avaliação tem um papel muito importante no processo de ensino-aprendizagem, pois através dela que acompanha -se e mede-se a construção do conhecimento do aluno. Neste trabalho, procurou-se mostrar a necessidade de uma avaliação pedagógica integral, que leve em conta não somente o desempenho cogniti vo, mas também fatores afetivos.

119

CONCLUSÃO

No término deste estudo enfatiza -se a importância em poder conhecer e participar um pouco mais deste universo e o modo de viver de pessoas que estão na Terceira Idade. Através do Curso de Inclusão Digital para Terceira Idade pode-se presenciar o regozijo que sentem os alunos quando recebem o certificado ao concluírem o curso, causando grande satisfação, pois muitos neste momento relatam que não tiveram a oportunidade para aprender quando eram mais novos, por acreditarem que não faria falta saber informática ou por não terem condições financeiras para pagar um curso. Considerou-se que as entrevistas e os questionários de sondagem forneceram todos os dados para responder à questão-problema formulada na contextualização da pesquisa, assim como os objetivos propostos foram alcançados no decorrer da investigação. O presente estudo objetivou compreender como ensinar a informática básica, o que motiva os grupos da terceira idade a procurarem programas de inclusão digital; a investigarem quais são os interesses, necessidades e dificuldades na aprendizagem digital e a documentarem este significado. A partir dos objetivos da pesquisa, vieram à tona diversos aspectos referentes à inclusão digital na terceira i dade, que foram desvelados a partir da análise do material como: suas motivações, necessidades, dificuldades, interesses e o significado da aprendizagem e inclusão digital em suas vidas. Entretanto, as considerações que são descritas tomaram por base as questões que nortearam a investigação, que são as seguintes: 1ª Questão: O que motiva sujeitos da terceira idade a procurarem cursos de inclusão digital? Para responder a esta questão verificou-se que, a partir das entrevistas e dos questionários feitos na pesquisa, pode -se observar que a motivação é algo muito presente na vida dos idosos que procuram cursos para aprenderem informática e, desta maneira, se incluírem digitalmente.

120

Constatou-se que são várias as motivações como: o desejo de aprender mais ou continuar aprendendo para não serem excluídos, tanto da sociedade como do núcleo familiar por não falarem e entenderem a linguagem das tecnologias; superar as dificuldades e dominar o computador, que para eles é saber ligar, enviar e-mails ou navegar na Internet; melhorar, assim, a relação familiar, intergeracional e realizar-se pessoalmente aumentando a auto -estima. Motivar os idosos para que continuem aprendendo mesmo diante de suas limitações e preconceitos deve ser uma preocupação tanto da família como da sociedade. Mesmo com tantas perdas físicas, psicológicas e sociais, constatou-se que muitos idosos estão motivados a incorporar as tecnologias de info rmação e de comunicação em suas vidas através de cursos de informática. Contudo, constatou-se também que para os que fizeram o curso o desafio está, portanto, na incorporação dessas tecnologias a novos processos de aprendizagem que oportunizem diversas at ividades, que exijam mais investimentos intelectuais, emocionais e físicos, tentando não simplesmente desenvolver habilidades, mas o indivíduo em sua totalidade em um processo contínuo, como uma aprendizagem ao longo da vida visando a uma melhor qualidade de vida para os idosos, atingindo beneficamente a família e a sociedade como um todo. 2ª Questão: Quais os interesses, necessidades e dificuldades dos sujeitos na aprendizagem e inclusão digital? Pode-se perceber que a maioria dos idosos possui interesse s, necessidades e dificuldades comuns em relação à aprendizagem digital. Através de suas respostas, tanto nas entrevistas como nos questionários, observou -se que os interesses e as necessidades são: continuar participando da sociedade e romper as muitas barreiras que eles encontram no caminho, sendo o maior desafio continuar gestores e protagonistas de suas vidas, sem precisar de auxílio ou ficar na dependência de terceiros, pois eles não querem se acomodar. Constatou-se, também, que para os idosos, a importância de saber informática e navegar na Internet tem a conotação de ir além das fronteiras, sair do local e conhecer e participar do global, incluindo -se, assim, em uma nova formatação que a sociedade possui e exige. Dificuldades existem muitas, eles che gam ao curso pensando que o computador é um µbicho -papão¶, e se transforma em um enigma manuseá-lo, porém, a cada aula, vai sendo desmistificada e desconstruída essa visão que eles têm.

121

Uma das principais dificuldades que se constatou foi em relação à mem ória, porém, ao longo do curso, eles são orientados a fazerem a repetição dos exercícios aprendidos em aula ao chegarem em casa, ajudando a memorizar os comandos para acessar o computador. Outras dificuldades foram: ícones muito pequenos; falta de coordenação motora para utilizar o mouse; pressionar o teclado com força; as janelas que são abertas simultaneamente; porém a monitoria ensina como configurar os ícones para ficar do tamanho desejado; como manusear o mouse de forma correta; como voltar à janela qu e se quer sem se perder. Os idosos que fizeram o curso sabem que um único curso não vai atender a demanda de que eles necessitam para aprender a lidar com o computador e a navegar na Internet; assim, pode -se perceber que muitos não param neste curso, antes mesmo de acabar, procuravam informações junto à monitoria e à coordenação para saberem onde acontecem outros cursos com o mesmo enfoque, voltados para a Terceira Idade. Na ocasião da formatura da turma, a Pró -reitora de Extensão e Cultura Professora Fahena Porto Horbatiuk, informou aos presentes que a UNIUV estaria disposta, juntamente com o professor regente, em formar uma nova turma da Terceira Idade para o ano letivo de 2010, prosseguindo em um curso intensivo de 3 (três) meses, a iniciar em abril. O prosseguimento do curso no ano seguinte vem a possibilitar seu aperfeiçoamento, uma vez que já detectadas as principais dificuldades e contratempos, os planos de aula e os módulos de estudo seriam analisados e revistos, contaria com os meios publicitários da universidade para divulgação, acolheria os demais participantes dos grupos da terceira idade, incluindo os grupos de Porto União ± SC, ainda, reforçaria o aprendizado dos alunos remanescentes, interessados em dar continuidade, e por fim, estenderia os braços a todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de incluir-se digitalmente. Entende-se que, para os grupos de Terceira Idade, que fazem o curso de Inclusão Digital, saber informática é desmistificar o estereótipo de que os idosos vivem do e no passado, apesar de todas as barreiras, diferenças e incertezas que os cercam, sendo que o maior desafio é superar seus próprios limites e preconceitos e poder provar que, mesmo estando nesta fase, aprende -se, pois eles possuem uma referência central que é a da µvida¶ - continuar vivendo de maneira prazerosa, reinventando a velhice.

122

3ª Questão: Como ensinar informática básica a alunos da terceira idade em estágios diferentes de conhecimento. Observou-se que muitos idosos que chegam para fazer o curso têm uma visão negativa em relação a si e ao envelhecimento, como algo que os marginaliza, portanto muitos têm a preocupação que podem ser descartados por serem considerados inúteis ou pesos mortos , entretanto desde a palestra motivacional que é ministrada no decorrer do curso, que se pode passar por esta fase de maneira muita tranqüila, com auto-estima elevada e produtiva, pois, como todas as outras fases da vida, esta é mais uma. Mosquera destaca que ³a vida adulta é um enorme desafio, pois de sua compreensão e equilíbrio depende, em grande parte, a dinâmica das outras gerações´ (1986, p. 357). Nesse contexto, aprender informática passa a ser uma realização pessoal, porque muitos trazem uma bagag em carregada de preconceitos e descréditos, impostos tanto pela família como pelo meio com o qual convivem, mas com novas motivações conseguem entender que ainda podem aprender e continuar aprendendo. Entende-se que, quando não se preparam os idosos para ter acesso às tecnologias, corre-se o risco de eles se tornarem alienados, dependentes e doentes, desperdiçando uma excelente oportunidade para que continuem tendo experiências de aprendizagens enriquecedoras e formadoras. Deve-se introduzir uma educação ao longo da vida, juntamente com as tecnologias de informação e comunicação, suas dimensões e tudo o que elas comportam, pois as interações fazem com que os idosos constituam melhores conhecimentos dentro de um contexto de desenvolvimento. Entende-se que cursos de inclusão digital, voltados para o público de Terceira Idade, com estratégias criativas e atrativas, proporcionam possibilidades para que construa seu próprio aprendizado, desenvolvendo o poder de iniciativa, autonomia e aprendendo de forma mais c onstrutiva. Pode-se dizer que, através desta pesquisa, confirmou-se que mais do que quaisquer outros indivíduos, neste início de século, deve -se ter a preocupação de investir na educação dos nossos idosos, dentro das diversas instituições de ensino, formais ou não, com variadas tecnologias e aprendizagens significativas, com valores éticos e concretos para suas vidas, pois são eles que precisam de maior

123

apoio, nesta fase, fazendo com que a velhice seja vista de forma positiva, da convivência e da valorização da pessoa idosa por sua história, sabedoria e contribuição às famílias e à sociedade. Observou-se que a inclusão digital tem muita teoria e pouca prática. O correto seria criar e manter um cenário favorável para a população, e não toda vez que muda as nossas lideranças políticas voltar a ³estaca zero´. Um projeto deste porte tem que haver início, meio e fim , sem demagogia e egocentrismo partidário, pois a educação não possui recoll. Sobretudo a terceira idade é uma parcela da sociedade não só excluída d igitalmente, mas em várias esferas da vida cotidiana e do conhecimento. "Computador Para Todos" é um programa que não tem qualquer iniciativa voltada para a alfabetização digital. É um projeto governamental totalmente focado em custos: prevê isenção de tributos para máquinas de razo ável valor, facilidades no financiamento de micros com configuração pré-determinada e acesso subsidiado à internet. O público alvo dessas máquinas são pessoas que ainda não têm computadores em suas casas e, sem as facilidades de preço e financiamento, não teriam condições de comprá-los. As operadoras de telefonia fixa prevêem que 90% desses novos usuários conectem-se à internet. Esse tipo de plataforma deve ser adotado em países desenvolvidos e em desenvolvimento, pois ele vai contra os monopólios. Relacionado à idéia de democracia e justiça social está o software livre. Não é só grátis, representa o uso para todos, quebrando a fro nteira da exclusão digital. Basta facilitar a proliferação de computadores, e o ser humano? Senão souber como usar a ferramenta para obter benefícios, ela servirá apenas p ara baterpapo, mandar e-mails e descontrair. Ora, estamos na era do conhecimento, em que o valor está nas informações de qualidade. Na pesquisa, ao final dos testes, embora os sujeitos tenham afirmado que acharam os procedimentos fáceis ou tenham responsabilizado a si pelos erros do processo, acredita-se que tenham formada uma idéia de qu e os erros e dificuldades encontrados durante a tarefa sejam causados por inexperiência e insegurança com a máquina e com o ambiente. As respostas finais dadas pelos sujeitos da pesquisa demonstraram que estes entendem que é papel do usuário adaptar -se à tecnologia, em vez de, como afirma Norman (1988), a tecnologia adaptar -se às necessidades do usuário.

124

Conforme afirma Kashar (2001), o declínio das funções orgânicas que caracteriza a terceira idade, embora não impeça que o idoso construa aprendizagens com relação às tecnologias, torna necessário observar suas necessidades especiais de aprendizagem. Visando atender essas necessidades específicas, tanto no que concerne ao declínio das funções orgânicas quanto às características culturais e históricas, procurou-se atender cada aluno com a atenção que lhe é devida e merecedora. Encerrando esta pesquisa, constatou-se que estar incluído digitalmente é muito significativo e é uma necessidade urgente para as pessoas que estão na Terceira Idade, pois eles não querem perder mais tempo: querem entrar no mundo virtual e compreender todas as suas possibilidades. Entretanto, incluir-se digitalmente não se trata de uma tarefa simples, uma vez que a sociedade não é um bloco homogêneo, mas composto de grupos plurais co m interesses, necessidades, motivações, crenças e valores diferenciados. Diante disso, não se pode ser neutro, uma vez que, em um mundo tão conturbado, desafiador e competitivo, tem -se a obrigação de cuidar, motivar nossos idosos para que, no alvorecer de suas vidas, suas aprendizagens possam ser reencantadas e suas vidas sejam mais florescentes e, assim, continuem dando frutos em todos os aspectos. Assim, vistos os aspectos aduzidos e aprimorados, os indivíduos participantes da pesquisa, se empenharam e chamaram para si a responsabilidade da inclusão digital da terceira idade, despertando nesta parcela oprimida da sociedade, novos horizontes, agora digitais.

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ANEXOS

132

LISTA DE ANEXOS

1 ± CONTRATO DE ESTÁGIO ...................................................... ........................ 133 2 ± RELATÓRIOS DE ESTÁGIO ........................................................................... 134 3 ± QUESTIONÁRIO DE SONDAGEM INICIAL .................................................... 138 4 ± QUESTIONÁRIO DE SONDAGEM FINAL ....................................................... 140 5 ± QUESTIONÁRIO DA ENTREVISTA ................................................................ 142 6 ± 1ª AVALIAÇÃO SEMESTRAL .......................................................................... 144 7 ± 2ª AVALIAÇÃO SEMESTRAL .......................................................................... 146 8 ± LISTA DE CHAMADA ....................................................................................... 148 9 ± CONVITE DE FORMATURA ............................................................................ 149 10 ± CERTIFICADO DE CONCLUSÃO ....................................................... .......... 151 11 ± MATERIAL DE DIGITAÇÃO DISTRIBUÍDO .......................................... ......... 153

LISTA DE ANEXOS - DVD

12 ± INFORMÁTICA BÁSICA ............................................................................... .. 155 13 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE .................................................................... 155 14 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± AVALIAÇÕES ......................................... 155 15 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± CONTRATO ............................................ 155 16 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± ENTREVISTAS ....................................... 155 17 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± FORMATURA ......................................... 155 18 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± FOTOS ................................................... 155 19 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± PLANOS DE AULA ................................. 155 20 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± PROJETO DE ESTÁGIO ........................ 155 21 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± QUESTIONÁRIOS .................................. 155 22 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± RELATÓRIOS ......................................... 155 23 ± ESTÁGIOS - TERCEIRA IDADE ± VÍDEOS .................................................. 155

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