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Por vezes, a Resposta é Simples.

26 de Dezembro, uma tarde de domingo quase igual a muitas outras. Na


Academia da Juventude da Ilha da Teceira, preparávamos o espaço a fim
de proceder ao lançamento de um disco à moda antiga. Sim, de vinil. Tudo
pareceu normal. A banda convidada para abrir a festa, os System Failure,
banda angrense. Depois de uma oferta do seu trabalho bem ensaiado, e
um tanto entre algo de rock pesado e um pouco de progressivo,
ofereceram um bem estar ao publico presente.

De forma muito humilde e honesta, os Reposta Simples, sobem ao


palanco, dão os primeiros acordes, e de repente, sem apercebermo-nos,
estávamos perante um atropelo de energias deslumbrantes. Acordes
arrancados de um guitarrista que acredita, a serenidade exterior de um
reboliço interior do baixista, a batida e composição sobre inúmeras trocas
rítimicas como se de um condutor de um comboio imparável a 1000 à
hora se tratasse, prenderam e atiraram-nos à parede. Bem, pelo menos a
mim.

Tema após tema, a voz debitava palavras apelando à salvação de um


planeta em risco. Um cansaço inesperado apoderava-se de mim. Aí
percebi que era falta do meu controlo de respiração, pois tinha-o perdido
dado ao facto da tentativa de não perder um segundo que fosse daquele
fabuloso momento. Estava perante música de intervenção, algo que nos
falta no dia a dia, e em alguns casos, uma vida inteira. A verdade é que
embora o estilo musical, apelado pela banda como Punk Hardcore, para
mim não teve rótulo algum. Durante momentos, não tive idade, minha
audição superou todos os decibeis mandados ao corpo. Foi algo de tão
grande e de verdade, que me fez render perante os Reposta Simples. Uma
banda a ouvir sem preconceitos, uma banda a ter em conta para qualquer
espaço e momento digno.

Depois de festa feita, tive o previlégio de conversar um pouco com eles.


Procurei a história da banda e deram-ma. Naturalmente que falámos de
tudo e mais, o que me leva a pedir à Direcção Regional da Cultura, da
possibilidade de alterar as regras de apoio discográfico a bandas como
esta e outras. As contas, são fáceis de fazer: 500,00€ de apoio. Em troca,
de uma edição de 400 exemplares, 40 discos ( obrigatóriamente a ceder à
DRAC ). O valor destes discos no mercado, 400.00€ ( que a banda nunca
os verá ). Este reparo, totalmente da minha responsabilidade, caso para
exigir uma Resposta Simples e discreta. Para comprovar que o disco tinha
sido gravado, bastava apenas, por exemplo, a presença de um
responsável pela Direcção Regional da Cultura, no lançamento do disco, já
que aparecem em outros momentos ao lado de outras figuras, seria mais
uma, desta vez, produtiva. Enfim, são tantos os lançamentos
discográficos que não há tempo para estar em todos. Paciência ! Mas
muita mesmo.

O disco, EP intitula-se Gaia. Gravado em Angra do Heroísmo por Raul


Cardoso ( músico de eleição ). Os músicos: Paulo Lemos, guitarra e voz;
Fábio Couto, viola-baixo; João Cardoso, Bateria.
A capa, da responsabilidade e criatividade de Phillipa Cardoso. A ter em
conta uma visita ao seu site, e a uma exposição ( julgo ainda patente ) na
Academia da Juventude da Ilha Terceira. Esta, em companhia das palavras
de Sónia Bettencourt, outro caso a explorar ( salve-seja ).

luis gil bettencourt, naquela tarde, naquele momento, sem idade e quase
sem palavras.

26/12/2009

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