MARAVILHAS DA CIÊNCIA

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ÍNDICE
A pequena esfera de aço de uma esferográfica, a descolagem de um Jumbo, a identificação das impressões digitais de um criminoso, a construção de uma torre com mais de 500 m de altura, a habilidade de tirar um coelho do chapéu. Estas são algumas das maravilhas e curiosidades que esta obra lhe revela. Esperamos, porém, que ao folhear este livro encontre muitos outros assuntos que lhe despertem o seu interesse e a sua admiração.

Fecho de correr

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Um serviço mundial de mensageiros

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MILAGRES DO DIA-A-DIA
Pp. 9-30
Desenhos em néon Iluminação controlada pelo Sol A resistência das lâmpadas As pilhas Como se "mete" o bico num lápis Esferográfica Supercolas Os post-it Pondo perfume num papel Fotografias em pontinhos As máquinas de moedas Vclcro 10 11

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Parar um elevador em queda Testes de cheiro no gás natural As fibras dos saquinhos de chá Fósforos aos milhões C o m o adere a película aderente? Panelas antieslurro C o m o cozinham as microondas C o m o os frigoríficos "fazem frio" Panelas de pressão Eliminando o calcário das panelas "Girinos" na máquina de lavar Pasta de dentes - de giz e algas 0 fio das lâminas de barbear Aço inoxidável

O controle do tráfego citadino

GRANDES PROEZAS DE ORGANIZAÇÃO
Pp. 31-72
Multidões nos aeroportos
Evitando colisões aéreas A selecção d o s controladores aéreos A caça aos terroristas Refeições a bordo de um Jumbo 0 m u n d o da Bolsa Dinheiro para queimar C o m o se constrói um automóvel A previsão meteorológica Abastecimento de água a uma cidade Tratamento de lixos Combate a incêndios na floresta O problema do trânsito Um dia nos cuidados intensivos Fotografias aéreas para mapas Uma carta atravessa o Mundo

Notícias de todo o Mundo Elaboração de um dicionário Abastecimento de um exército em guerra l ni dia n u m hotel de luxo Um dia n u m transatlântico Como se organizam as Olimpíadas Como se faz um filme Pôr em cena u m a comédia musical Equipas de socorro de montanha

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TÉCNICAS DE LOGRO E DETECÇÃO
Pp. 73-100
0 avião "invisível" Camuflagem Scramblers Códigos e cifras () m u n d o das "toupeiras" Dispositivos de escuta Tintas invisíveis 74 76 77 78 79 80 81

Pormenor do vekro
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As drogas da verdade Fotografias que mentem Detectores de mentiras A busca das causas de um incêndio Descobrindo pinturas ocultas

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Seda: fabricada por borboletas Vestuário de fibras sintéticas Tecidos com padrões Produção de vestuário cm massa

Defesa contra torpedos e mísseis Como guiar mísseis até ao alvo Como um soldado vê na escuridão Porque vai uma bala a direito Construindo armas nucleares Raios de laser no espaço Extinguir um incêndio nuclear Velejar contra o vento O restauro de uma obra de arte A pintura da Capela Sistina

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A EXPLORAÇÃO DO UNIVERSO
Pp. 165-186
A força que impele o foguete Dos fios de algodão ao tecido Como se obtém água doce do mar Transformar lixo em energia A reciclagem do lixo Electricidade a partir do urânio Armazenagem de resíduos nucleares Electricidade a partir das marés Electricidade a partir do vento Rochas quentes: fonte de energia A origem das chuvas ácidas Captando a luz do Sol Fotografias de alta velocidade Captar em filme a Natureza Plástico que se autodestrói A "revolução do plástico" Como se extrai petróleo Prospecção de petróleo Limpar derrames de petróleo Fogo num poço de petróleo Como se mede uma montanha Tesouros no fundo do mar O escafandro autónomo Reparação dos cabos submarinos Diamantes sintéticos Como se cortam diamantes O corte do diamante Cullinan A técnica dos vedores Como se faz chover Construindo os aviões do futuro Aeroplanos accionados pelo homem Aterragem em porta aviões lançamento de aviões de um navio Tácticas dos pilotos de caça "Ver" com o radar 167

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117 118 119 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 138 138 140 141 142 143 144 146 146 146 149 150 151 151 154 W"'V' ÍM

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Fotografias ' men t irosas' Impressões digitais A "dacliloscopia" genética Como se produz um retrato-robô Análise ria caligrafia Detecção de droga Desmascarando traficantes A investigação de desastres aéreos 92 94 95 95 97 98 99

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Deslocação no espaço Navegação no espaço Refeições numa nave espacial ("orno os satélites giram em órbita O controle das sondas espaciais Fotografias por satélite Receber fotografias de satélites Einstein e a relatividade Medindo o Universo Os espelhos dos telescópios Como se contam as estrelas? Como acabará o Universo? Em busca dos limites do Universo "Vendo" o invisível buraco negro A serpente que voltou do espaço Descobrindo planetas Em busca de vida no espaço 168 169 170 172 174 175 176 178 180 182 183 183 183 184 185 186

IDEIAS PRATICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS
Pp. 101-164
Como se obtêm os melais puros Como se transforma areia em vidro Das árvores ao papel Converter plantas em gasolina Conversão de carvão em petróleo Captando a fragrância das flores Tecido feito de fibras naturais 102 104 106 108 108 108 110

ÍNDICE
MARAVILHAS DA CIÊNCIA
Pp. 187-210
Clones de plantas e animais Os segredos das células Criação de novas espécies Como se iriam novos medicamentos Comunicar c o m .munais Os mamutes voltarão a existir' Reconstituir seres pre-historieos Km In isca da máquina pensadora Como é que um computador traduz? Computadores que falam Como se cindem os átomos? Explorando o interior do átomo Ver os átomos Medindo a velocidade da luz Medindo a velocidade do som Chuck Yeager e a barreira do som A previsão de sismos Perfurando a crusta terrestre A deriva dos continentes 188 189 190 191 192 193 194 196 196 197 198 199 200 201 201 202 201 206 207 O vídeo Gravação em fila O gira discos .Sons de duas direcções Edison e a lu/ eléctrica CDs: música com um raio de laser Os sintetizadores Fibras ópticas Hologramas Fax fotocópias pelo telefone O "bip" que nos chama Fotocopiadoras A câmara fotográfica «'•'miaras de focagem automática 0 cristal de silício 220 221 222 223 224 226 227 228 229 230 231 231 232 237 238

MARAVILHAS DA MEDICINA
Pp. 275-298
A criação de um bebé-proveta O exame oftalmológico 276 277

Quando a cida auneçu numa panela Como os óculos aguçam a vista Como se fazem lentes de contacto Corno lêem os cegos Como se mede a inteligência o que e ,i memória? O que e a hipnose? Como se treinam os atletas "Vendo"' o interior do corpo Antibióticos A microcirurgia Marie Curie e o rádio Operar com um feixe de luz Como a anestesia elimina a dor Para que ser\e o pacemaker A cirurgia de transplante Eliminar as rugas da face O primeiro transplante cardíaco Como trabalha um rim artificial? Como se reduz, a calvície Sobreviver a um raio 27,s 278 280 281 282 2.82 283 287 288 289 290 292 292 293 291 295 296 298 298 298

As utilizações de um micmchip Os computadores Como as calculadoras fazem somas Os cofres dos bancos Dinheiro de plástico O código de barras Relógios de quartzo Relógios atómicos - a perfeição O microscópio electrónico Os robôs O motor de um automóvel Travões antibloqueio O cinto de segurança Porque se usam pneus lisos Testes de alcoolemia Como funciona um aerossol Os herbicidas selectivos Os pesticidas selectivos Metais com memoria Relógio de fumo Alarmes contra ladrões A máquina de costura Porque flutuam os navios de aço Submerso durante semanas Como se navega uni submarino Cabinas pressurizadas George Stephenson e os comboios A descolagem de um Jumbo o helicóptero o hydrofoil: 'Voando" na água o hot ercrafi 239 211 2-12 212 2 13 211 211 2 IS 246 248 2S0 230 251 2S1 251 252 253 254 254 254 255 256 257 259 259 260 262 268 272 271

Dndc <>s ctuUttwntes se separam A idade da Terra O centro da Terra 209 210

CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO
Pp. 299-316
Construir um arranha céus A mais alta construção do Mundo Como o cimento faz presa na tigiia Betão (ire esforçado A demolição de um arranha-céus Demolindo uma central nuclear Cabos que poderiam atar o Mundo 300 .502 .303 303 301 305 306

COMO FUNCIONA?
Pp. 211-274
(i teletl me A radio A televisão
Controle remoto

212 2 IS 218 220

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Como se represam grandes rios? Construções resistentes ao vento Montagem de gruas gigantes Soldar debaixo de água Construir túneis debaixo de água

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Os cosméticos primitivos C o m o os Gregos mediram a Terra Decifrando línguas esquecidas Travessia aérea sem escala

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PURO DIVERTIMENTO
Pp. 395-437
C o m o serrar uma mulher ao meio Mm coelho no chapéu Morte de um apanhador de balas Levitação O truque da corda indiano Homens que "lêem" o pensamento Os venlríloquos Houdini: o mestre da evasão 396 397 398 399 400 401 401 402

CURIOSIDADES DE ALIMENTOS E BEBIDAS
Domar a Natureza Como os túneis se encontram

Pp. 373-394
A pêra dentro da garrafa Rodelas de ananás todas iguais C o m o se faz o luro no macarrão C o m o se recheia uma azeitona Rechear chocolates Bolachas c o m pedaços de chocolate Filetes prontos a fritar Batatas fritas aos milhões Camarões descascados à máquina Ervilhas congeladas Alimentos tratados c o m radiações A liofilizaçáo Café instantâneo Sabores artificiais Escolher feijões Transformar feijões em "carne" Conservação do leite Algas nos gel.idos Maionese l.ouis Pasteur Assar um boi Comida para animais de estimação A coca-cola Como se Faz o vinho O sabor do vinho As bolhíis do champanhe 571 375 375 375 376 376 376 377 377 378 378 379 380 380 381 381 381 385 385 386 388 388 38!) 390 392 393

COMO FOI FEITO
Pp. 317-372
A Grande Pirâmide As doenças dos antigos egípcios Os rostos do passado Ferramentas na Idade da Pedra •\s estátuas da ilha da Páscoa A Cirande Muralha da China Um exército de barro As paredes de pedra dos Incas A construção de Stonehenge Datação de vestígios antigos 0 passado em grãos de pólen Como Aníbal atravessou os Alpes Pão e cerveja na Idade da Pedra Desenhos com pedras Os artistas das cavernas Os Jogos Romanos Cerco a um castelo medieval A navegação \UÍ Antiguidade Colombo descobre o "Novo Mundo''

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Porque é que náo caem'' O truque das três cartas Montanha russa Espelhos que enganam "Nevoeiro" no teatro e cinema Os eleitos especiais no cinema Os duplos O homem que "embrulha" paisagens Pleitos gráficos na televisão Animais que são estrelas de TV Concursos de televisão Roleta Preparando palavras cruzadas Computadores campeões de xadrez Aprisionar um dente de leão Um barco dentro de uma garrafa Cronometrar os atletas olímpicos JutZ de linha electrónico Curvar u m a bola no ar As covinhas nas bolas de golfe Porque volta O bumerangue Andar sobre o fogo Mergulhos " e m seco" Saltos de esqui Saltos de pára-quedas Surf ÍNDICE 404 405 406 406 406 414 118 120 425 426 427 427 427 428 I2!> 429 430 431 132 432 433 434 434 435 436

338 341 343 344 346 347 347 350 352 355 356

1'iiuuru nu kludc clu PedrQ A construção de l.ady Liberty O memorial do monte Rushmore A hidráulica romana Medicina na Idade da Pedra 359 362 365 366

De onde vêm as bolhas C o m o se fax cerveja 394

438 446

AGRADECIMENTOS

Redactores e consultores da edição inglesa Nigel Hawkes • Nigel Henbest Graham Jones • Robin Kerrod • Terry Kirby Theodore Rowland-Entwistle John H. Stephens • Nigel West Neil Ardley • John Brosnan • Dr. John R. Bullen Prof. Geoffrey Campbell-Platt • Mike Clifford Jean Cooke • Mike Groushko • Ned Halley • Commander D. A. Hobbs Richard Holliss • W. F. A. Horner • Dr. Robert Ilson Dominic Man • John Man • Dr. J. R. Mitchell Prof. Frank Paine • Michael D. Ranken • Nigel Rodgers Dr. David A. Rosie • Andrew Wilbey

Consultores

da

edição portuguesa

Dr. Alfredo Barreto • Prof. António de Vallêra • Dr. António Dias Diogo Eng. António Pratt • Dr. Augusto Maldonado Simões • Dr. Carlos Santos Ferreira Dr.a Dulce Mota • Eurico da Fonseca • Filipe La Féria • Eng. Francisco Chumbinho Eng. Francisco Tudella • Dr.*1 Gabriela Iriarte • Eng. Gonçalo Borges de Castro Dr.a Graça Vieira • Dr.d Helena Paveia • Henrique Sampaio Soares • Dr. Horácio Novais Dr.a Isabel Barros Ferreira • Dr. João Matela • Arq. José António Abreu Valente Dr. José António Pestana • Dr. José de Matos Cruz • Eng. José Eduardo Noronha José Soudo • Liselotte Correia • Dr.a Lúcia Garcia Marques • Manuel Gorjão Henriques Dr. Ricardo Schedel • Profa Teresa Mira Azevedo • Dr. Vasco Rivoti Victor Milheirão • Vítor Neto

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Milagres do dia-a-dia
Todos os dias, e quase sem pensar, nos servimos dos mais extraordinários instrumentos e materiais - fornos de microondas, pasta dentífrica às riscas, máquinas de barbear descartáveis. Mas como sõo feitos, como funcionam e como foram concebidos todos estes ingredientes maravilhosos da vida moderna?

Como se fazem anúncios aromáticos, p. 16 Como se forma uma bola de sabão, p. 2

Néon: desenhos luminosos
Por todo o Mundo se vêem anúncios luiui nosos. formando figuras coloridas ou desenhando os nomes de marcas comerciais. Esla variedade na forma e na cor, impossível de obter com as convencionais lâmpadas d€ filamento incandescente, deve-se às lâmpadas de descarga eléctrica em gas. Estas são Formadas por simples tubos de vidro, a que pode dar-se a forma pretendida, no interior dos quais existe um gás a baixa pressão. Normalmente, os gases não condn/.em fac iliiicnlc a electrici dade — são bons isoladores —, mas passam ii la/è lo se se lhes baixar a pressão e se lhes aplicar uma tensão eléctrica (voltagem) elevada. A descarga através do gás falo brilhar com a luminosidade caracterís lica. Nos finais do século xix e princípios do XX, os cientistas que investigavam o com portamento das descargas eléctricas atra vés do gás raro néon a baixa pressão observaram pela primeira vez a admirável lumi nosidade vermelho-alaranjada que o gás emite. Ainda hoje as lâmpadas de néon são das mais usadas nos anúncios luminosos. Quando experimentaram outros gases,

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As noites de néon. O cowboydo Pioneei Club, com <> seu cigarro bamboleante, do mino o caleidoscópio de néon de Las Vegas (à esquerda). A figura data de 1951. Tam bem em Hong Kong a noite se enche de luzes (em cima). Algumas, como este dra gâo, são o pesadelo dos mestres vidreiros.

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3. é catastrófico. violctapálido. por vezes em combinação com a utilização de vidro colorido. mas também. sem concentração das tensões em ponto algum. a lux emilicla pelo hélio é vermelho-dourada. os electrões imobilizam-se. ao rubro. e só depois lhe é colocado o casquilho. uma espiral de lio de tungsténio com a espessura de um centésimo de milímetro. uma vez ultra|)as. que segue o princípio da casca do ovo. que acendem ou apagam as luzes a horas predeterminadas. no entanto. A pressão é de facto sujxirtada |>or todo o ob jecto. Lâmpadas que zumbem Por que razão algumas lâmpadas fazem um zumbido antes de se fundirem'' Na verdade. fica incandescente. e sobretudo. Os contactos na base da am pola são soldados aos fios que conduzem ao filamento. mas que tem a propriedade de provocar a fluorescência de muitas substâncias. devido à curvatura do vidro.sado o seu limite de resistência.Sol valam ao longo do ano. No início dos tempos. Muitos dos interruptores temporizados actuais possuem um relógio eléctrico com um mostrador rotativo munido de ressaltos. Os primeiros interruptores esta vam equipados com um mecanismo de relógio. como o árgon e o Porque as lâmpadas são tão fortes O vidro de uma lâmpada eléctrica não é muito mais espesso que esta folha de pa pel.MILAGRES DO DIA-A-DIA verificaram que luziam com cores diferentes. o pinto não conseguiria quebrála para sair. como o sulfureto de cádmio ou o silício. e a do críplon. De madrugada. este arco que emite o zumbido característico. pelo que era necessário dar-lhes corda e acerlá-los todas as semanas. ao ser atravessado por unia corrente eléctrica. Outros gases. Para tal.) As lâmpadas tal como os ovos pOS suem um perfil arredondado convexo cm toda a sua superfície: quando as seguramos ou apertamos. mas esta conti nua a dar luz porque se produz um arco voltaico entre as extremidades do fio par tido. que lhe propor Ciona resistência estrutural. Um dos componentes essenciais da lâmpada é o filamento. Por exemplo. surgiu um sistema de controle fotoelectrónico que comanda o interruptor que liga ou desliga as luzes. Recentemente. a forca que aplicamos Irans mite-se em Uxlas as direcções a partir da área de contacto. FABRICO DE LÂMPADAS ELÉCTRICAS 2. Como as horas do nascer e pôr do . suporta uma pressão forte quando enroscamos a lâmpada no suporte. ou nas de ultravioletas para tratamento ou bronzeamento. pelo que aqueles mostradores permitem alterar também o respectivo horário de acordo com as épocas do ano. conduzindo electricidade até ao interruptor e desligando-o. dispõem de um dispositivo mecânico que ajusta todos os meses os ressaltos de on c Ó/f. A solução foi a for ma característica do ovo. 1. (Se a casca fosse demasia do grossa. A explicação reside principal mente na forma da lâmpada. As ampolas de vidro passam cm frente de urna chama para aquecer e amolecer o "gargalo". lodo o ar da lâmpada é extraído e substituído por uma mistura inerte de árgon e azoto. que em seguida é ajustado à medida do casquilho e aparado. os candeeiros da iluminação pública precisam igualmente de acender-se e apagar-se a horas diferentes. A lâmpada dá luz quando um filamento. a luz que incide na célula provoca um fluxo de electrões entre os átomos. mercúrio. A base da ampola. que ligam e desligam o interruptor por forma a seguirem as modificações verificadas nas horas de luz natural. os candeeiros da iluminação pública sáo controlados por interrup tores temporizados que comandam toda uma área. II . Fsles gases usam se nas chamadas lâmpadas de "luz negra*'. F. Quando escurece. vulgares nas discotecas. As cores das lâmpadas sáo determina das pela mistura gasosa com que se enche o tubo. E por esta razão que o colapso de uma lâmpada ou ovo. Ksle sistema inclui uma célula foloeléctrica que contém um composto sensível à luz. a Natureza resol vcu o problema de impedir que os ovos fossem esmagados pelo peso da ave enquanto eram chocados. Como é que o Sol liga e desliga a iluminação pública? Na sua maioria. emitem sobretudo radiação ul Iravioleta. A lâmpada é então rolada. invisível para os nossos olhos. em que aquelas adquirem a sua forma em moldes a partir de uma fita conti nua de vidro em fusão. o filamento quebra se enquan to a lâmpada está acesa. nas chamadas lâmpadas fluorescentes: o tubo de vidro é coberto com urna tinta que fluoresce fortemente com os ul Iravioletas emitidos pela descarga no gás. Para evitar a sua oxidação e rápida destruição. e. permitindo -lhe suportar pressões surpreendentemente elevadas. a corrente interrompe se e as luzes acendem se fitando todo o objecto destruído. lâmpadas a partir de uma fita de vidro A manufactura de lâmpadas é um processo industrial complicado e altamente auto matizado. é soldada à fiaste de vidro ÇU€ SU porta o filamento em espiral.

tindo a passagem de corrente através dos constituídos por um núcleo central com condutores de cobre e do filamento das carga eléctrica positiva e por electrões lâmpadas. nas mente neutros.também chamaque a corrente eléctrica flui do terminal da força electromotriz da pilha. a corrente eléctrica é produzida pelas reacções entre dois eléctrodos (condutores eléctricos) e um electróli to (um líquido ou uma pasta condutora de electricidade). mas vas. Quando a pilha é integrada num circuito. Allessandro Volta. quais um dos terminais tem sempre um excesso de electrões (o negativo) e o ouUm fio condutor só é percorrido por tro deficiência (o positivo).as pernas destas faziam apenas parte do circuito. Um circuito alimentado por um de potencial. Os electrões dirigem-se. estes podem partir para o circuito através do terminal negativo. Se agora positivo para o negativo. à medida que se vão formando bolhas de hidrogénio na va- O QUE É A ELECTRICIDADE? Uma corrente eléctrica é um fluxo de Um circuito eléctrico é constituído por electrões — partículas minúsculas de carum fio. tortas actua como colector da corrente. um electrólito alcalino (potassa cáustica) está misturado com zinco em pó. Esta observação deu lugar. Numa pilha. tornando-se deficiente em electrões — que vai buscar ao condutor que fecha o circuito para compensar esta deficiência. Uma vareta central de carvão-das-re A PILHA ALCALINA Nesta pilha de longa duração. electráo. transferindo electrões do terminal positivo para o manganésio. A caixa metálica da pilha é de zinco e forma um dos eléctrodos da pilha. Nela está contida uma mistura de cloreto de amónio. Ao contrário das pilhas. Uma manga porosa separa esta mistura de um revestimento de dióxido de manganésio. As chamadas pilhas secas não contêm electrólito líquido livre. para o invólucro de aço. A produção deste fluxo deve-se ao facto de o material de um dos eléctrodos começar a dissolver-se parcialmente no electrólito — isto é. para o compensar dos electrões que perdera paru o electrólito. perde electrões para os iões positivos do electrólito. pois perde electrões para o cloreto de amónio. de acordo com ela. Cada eléctrodo está ligado a um dos terminais metálicos da pilha. 12 . sucessivamente num sentido e no oposNo caso das pilheis. dispostos em camadas. o outro eléctrodo. cada terminal uma corrente eléctrica se houver excesso de um alternador tem sucessivamente ex(ou deficiência) de electrões numa das cesso e deficiência de electrões. corrente eléctrica. professor de Anatomia da Universidade de Bolonha. Pensou (erradamente) que esse facto se devia a qualquer tipo de electricidade animal. O fluxo contínuo de electrões que assim se estabelece de um eléctrodo para o outro é que forma a corrente eléctrica. de forma que. estamos a comToda a matéria é composta por pequepletar (fechar) o circuito eléctrico. através da lâmpada da lanterna. um candeeiro. os seus átomos começarem a migrar para o electrólito sob a forma de iões positivos. apercebeu-se de que a electricidade resultava do contacto entre os ganchos de cobre e o varão de ferro em que as rãs eram penduradas . Um "prego" metálico. à pilha de Volta. que constitui o electrn lito. da Universidade de Pavia. ao qual.5 V enquanto nova. têm dois tenninais. alternansuas extremidades relativamente à outra.) ligarmos um voltímetro entre os seus dois terminais. que orbitam em torno dele. partindo de ga negativa que existem em toda a matéuma fonte de energia eléctrica e regresria. deixando electrões a mais no eléctrodo. A pilha de Volta era constituída por placas alternadas de zinco e cobre. compensarem a carga positiva do nú grandes máquinas eléctricas chamadas cleo — os átomos são assim electricaalternadores. por exemplo. produz-se neste um fluxo contínuo de electrões entre um terminal (o negativo) e o outro (o positivo). se sentido é uma corrente contínua. Pelo contrário. na realidade. mediremos uma difeConvencionalmente. separadas por discos de papel. e dióxido de manganésio. as tomadas em nossas casas trões. reparou que as pernas de rãs mortas se contraíam quando eram penduradas de ganchos num varão. Uma pilha seca deste tipo tem uma for ça electromotriz de 1. Esta convenção unirmos os terminais da pilha por meio foi estabelecida antes da descoberta do de condutores eléctricos (por exemplo. em 1800. teve o filamento de uma lâmpada). precursora de todas as pilhas actuais. O do o circuito eléctrico. e dai pura o dióxido de manganésio. do portanto entre ser o positivo ou o neEssa diferença é designada por diferença gativo. O manganésio é. e "empilhadas" umas sobre as outras (de onde a designação de pilha). considera-se rença de potencial . estes serão perfluxo de electrões é portanto no sentido corridos por uma corrente (a lâmpada contrário do sentido convencional da acender-se-á). ou tensão eléctrica. com as suas cargas negatidistribuição pública não são pilhas. e é mealternador é percorrido por uma corrente dida em volts. fechande ser atribuída uma carga negativa.MILAGRES DO DIA-A-DIA Pilhas electricidade portátil Foram experiências no campo da anatomia na década de 1780 que levaram à invenção da pilha: Luigi Galvani. O outro eléctrodo é geralmente de um material diferente e que não se dissolve da mesma forma no electrólito. perminíssimas partículas chamadas átomos. capta electrões do zin co e transmite os ao ter minai negatioo. em número exactamente sufiOs geradores que abastecem a rede de ciente para. (A corrente ciência de electrões num dos eléctrodos gerada por uma pilha sempre no mesmo e um excesso no outro. Mesmo uma corrente fraquíssima sando a ela precisa de um fluxo de biliões de elecPor isso. é gerada uma defito: é uma corrente alternada. mas a tensão eléctrica entre os seus eléctrodos diminui com o uso. geralmente de cobre. Quando ligamos. no terminal po sitioo.

se descobriu em 1564 a grafite pura — nasceu então o lápis moderno. assim chamadas porque podem ser recarregadas .têm argila em proporções crescentes. a um pro cesso diferente. DURO OU MOLE? DEPENDE DA ARGILA No fabrico dos bicos de lápis. Assim. colidindo. tem de ser bastante macia para que possa ser afiada com facilidade à medida que o bico se gasta. separados por folhas isolantes para evitar eurtos-circuitos e suspensos num electrólito de ácido sulfúrico. Em seguida. uns de encontro aos outros. A grafite utilizada nos lá pis tern uma estrutura em carnudas. que. As placas de chumbo são deste modo re convertidas na sua substância primitiva e a potência do ácido sulfúrico é restaurada. invertendo as reacções químicas. "duro e preto"). Mas enquanto o motor do carro trabalha. Cada elemento possui vários eléctrodos. Como se "mete" o bico num lápis Os antigos egípcios. Risco ampliado. E no século xv o suíço Conrad Gesner. mas argila pura. a largura de sete lápis e a espessura de meio lápis. Os bicos dos lápis de cor e os lápis de cera não contêm grafite. Os dois ingredientes sáo misturados em proporções diversas. O chumbo deixou de constituir um material de escrita quando em Borrowdale. Ião negativo. a grafite deixa nele delgados flocos que formam uma marca escura. O filete é cortado em varetas do tamanho dos lápis. Torna então o nome de ião positivo. de Zurique. Estas "sanduíches" são levadas à máquina. cortada em varetas e cozida num forno. zinco ou prata para fazerem os seus desenhos cinzento claros. a grafite é misturada com uma argila fina rio lipo utilizado nas melhores loiças e porcelanas. o que reduz a área da superfície do eléctrodo. de madeira. denominados a ponta-de-prala. contendo as negativas chumbo espon joso e as positivas dióxido de chumbo. formando uma pasta. de black) possuem maior teor de grafite. consoante os graus de dureza e negrura de traço pretendidos. Se o átomo ganha um ou mais electrões. soltam-se facilmente pequenas escamas que formam uma marca negra. introduzem-se os bicos e cola-se por cima uma segunda tabuinha igualmente com sulcos. Alguma da melhor grafite para o fabrico de lápis vem de Sonora. no Norte de Inglaterra. A grafite não pode ser moída num moinho vulgar. as suas reacções químicas são reversíveis. As baterias de automóvel são baterias de acumuladores. Quando a grafite e friccionada contra o papel.MILAGRES DO DIA A DIA reta de carvão. O tipo de lápis mais largamente utilizado é o HB (hard and black. Átomo neutro. e os mais duros . Estas partículas minúsculas são misturadas com caulino puro e água. os lápis são pintados com um verniz não tóxico. cera e pigmentos. que são levadas a secar num forno antes de serem cozidas a uma temperatura de cerca de 1200°C. São depois tratadas com cera para assegurar um traço suave e seladas para evitar que deslizem no invólucro de madeira. As reacções químicas que produzem a electricidade fazem com que tanto as placas negativas como as positivas se transformem gradualmente em sulfato de chumbo e o electrólito em água. Quando é friccionada contra o papel. jactos de ar comprimido contendo partículas de grafite. e os electrões. a madeira é serrada em tabuinhas com o comprimento de um lápis. O núcleo do átomo tem carga positioa. No século xiv. Ião positivo. no México: é pulverulenta e extremamente negra. carga nega liva. Fazem-se os sulcos. em que se lançam. as placas. Para fabricar este invólucro. de onde sai em filete contínuo e com o diâmetro pretendido. A grafite é uma forma de carbono e um dos minerais mais macios. gregos e romanos utilizavam pequenos discos de chumbo para traçar linhas nas folhas de papiro antes de nelas escreverem com pincel e tinta. Recorre-se. As placas são constituídas por grades de chumbo. a carga passa a ser negati va e ele torna o nome de ião negativo. O bico é constituído por uma mistura de grafite fina e argila. I:Í . os artistas europeus usavam varetas de chumbo. Os bicos mais macios e mais negros (B e BB. A perda de um electrão resulta num átomo de carga positiva. A parte exterior do lápis. a bateria fica descarregada. Esta é introduzida num cilindro e forçada através de um furo na sua extremidade. alternadamente positivos e negativos. a corrente do gerador carrega a bateria. O tipo mais comum de bateria possui seis pilhas primárias (elementos) ligadas entre si. o átorno ê neutro. descreveu no seu Tratado dos Fósseis uma vareta de escrever contida num invólucro de madeira.graduados de H (hard) a 10H . se pulverizam. que as corta em sete lápis e dá a cada um uma secção hexagonal ou cilíndrica. pois a sua estrutura em camadas faz dela um lubrificante natural.isto é. Sc este processo cliega a completar-se. por isso.

aperfeiçoou a caneta e fabricou-a em Buenos Aires durante .m tes da invenção da caneta de tinta permanente.seus financiadores. a esfera (ampliado 80 vezes) reifhe um acabamento rigoroso.MILAGRES DO DIA ADIA Como se coloca a esfera numa esferográfica A parle principal de uma esferográfica é unia esfera de metal que transfere para o papel uma tinta a base de óleo e que tem a particularidade de ser de secagem muito rápida. Km 1944. em 1884. • Biro e a esferográfica • U ma pena cie ave com a haste afiada foi O instrumento de es cuia durante mais de 1000 . vendeu os seus interesses no invento a um .ijud. Com . Saliências no seu interior luzem com que a tinia se distribua por toda a esfera A esfera colocada. De aço. com cerca de 1 mm de diâmetro. quase Ião duro como o diamante. i las ilt< raçi ies na pressão almosfé rica. Na década de . quando aplicada sobre uma superfície. A esfera é aplicada num encaixe cie aço ou latão desenhado por forma a permitir que a esfera rode perfeitamente em todas as direcções. ela rode e desenhe um traço. a esfera 0 ás pêra para conseguir melhor atrito na su perfície de escrita.mos. O encaixe.i esfera para que. o artista e jornalista húngaro Ladislao Biro inventou em Budapeste a canela esferográfica. para que se adapte perfeitamente ao encaixe.i guerra.se ia um vácuo parcial a medida que o nível da tinta tosse baixando. 0. Biro fugiu com a eclosão da II (iuerra Mundial. Bode tam bém ser constituída por um composto cie tungsténio e carbono. fixando se na Argentina. é acabada com um rigor de centé siuiDs milésimos de milímetro. químico de formação. Por vezes.s bordos do encaixe suo dobrados pena ilcutio puni a segurarem. o que acabaria por a impedir de correr Saliências no interior do encaixe distribuem homogeneamente a unta em redor d. Ladislao Biro desapareceu no obscurantismo. 14 . . embora o seu inven to se tenha tornado um objecto utili zado em todo o Mundo.i de seu irmão Georg. <) reservatório deve ser aberto ao ar ou ter um orifício. pois de outro modo criai .i através de um tubo estreito. que passou a fabricar a caneta Biro para as torças aéreas aliadas. A esfera.5(1. e. A esfera é geralmente de aço médio ou inoxidável. O bordo do encaixe é de|>ois inclinado para dentro para que a esfera não caia A tinta corre do reservatório para <> encaixe da éster. dado não ser afectada .i .

na sua maioria. dado esta ser húmida. ligando entre si as peças da obra.a dos iões da água grupos de átomos dotados de carga eléctrica . têm sido utilizadas supercolas em aerossol para fechar uma ferida e reduzir a hemorragia. as suas pequenas moléculas ligam se. Ponta de plástico. Exis tem também resinas epoxídicas. Os iões estão presentes em praticamente todas as superfícies ex postas ao ar. A força da cola. A tinia. as colas são. o carto amarelo esta fixo por cola de resina epowlicu. Fibras ligadas por resina dururri mais que as pontas de feltro Esferográfica. Em cirurgia. Dentro do tubo. As supercolas aderem bem a pele.que desencadeia o processo de polimerização. O bico é de lã natura! ou sintética Ponta de fibra. Secam rapidamente e formam uniões muito fortes. A tinta e levada ao bico pela acção rotativa da esfera. desde o metal ao vidro e ao plástico. utilizavam se principal mente nos trabalhos de carpintaria: o grude IfqUÍdO penetrava nos poros da madeira e secava. O remédio é mergulhar a parte afectada cm água morna e descolar suavemente o objecto. A excepção da esferográfica. O cairo encarnado assenta no tejadilho do outro demonstrando a força da cola. As mais rápidas são chamadas supercolas. as colas eram gomas vege lais ou obtinham se fervendo peles e ossos de animais. Ponta de feltro. pois este contém sempre ai guina humidade. desde chávenas a maçanetas de portas. Quando a rola é aplicada a uma superfície. alimenta uma por na de plástico de grande resistência <n> desgastt Porque aderem tão bem as colas modernas Ale há KXI anos. a cola é impedida de polimerizar por meio de um estabilizador aofdiCO. que consistem em dois componentes que são misturados e fazem presa em 10a 30 minu tos. a tinia ê levada para a ponta através cie tubos finíssimos por acção da capilaridade. Por este motivo. que cone livremente.Canetas e marcadores. Quando exposta ao mí- XzM . demoravam muito tempo a colar v o sen poder de união não era parti nimo de humidade. formando moléculas maiores — processo químico denominado polimerização. tem havido muitos casos de pessoas com Ioda a natureza de objectos colados a pele. Hoje. cularmente forte. a mais diminuta quantidade de humidade supera a acção do estabilizador e a resina polimeriza instantaneamente É a presenç. e secam em segundos. A supercola é uma resina acrílica Fabricada a partir de produtos petroquímicos. total mente sintéticas. Neste painel publicitário. 0 invento de Ladislao Biro foi aplicado no fabrico de novos modelos que produzem urna diversidade de traços de irrita sobre diversas superfícies. ou colas instantâneas.

o óleo é misturado com água e agitado. a fim de se desintegrar em gotas minúsculas como acontece com o azeite e o vinagre no CHEIROS NUMERADOS Em 1984. pelo que as folhas são reutilizáveis. poderem ser descolados com facilidade. o cheiro a pólvora queimada. aplicadas ao papel num revestimento resinoso. começaram a aparecer nos escritórios uns papelinhos amarelos. Uma descoberta acidental que deixou a sua marca no Mundo No princípio da década de 80. as mole cuias adesivas juntam se em cadeias hm gOS. Mas um dos empregados. O perfume está contido em pequeninas cápsulas de plástico. aparecia um número no canto ÚOécran . O resultado fora uma cola tao fraca que a em presa 3M a rejeitara por inútil. A técnica. no Minnesota. estes papelinhos auto aderentes. em 1968. depois cie lidos. e os maridos e mulheres. deixavam uns aos outros rep* cados apressados colados no frigorí^ fico. etc. *L [<•* Pondo perfume num papel Pode fazer se publicidade a perfumes impregnando um prospecto com o respectivo aroma. liber tando os óleos essenciais do perfume do seu interior. Cada espectador recebia um pequeno cartão com uma meia dúzia de números. a superfície adesi va de um post-it apresenta se coberta por minúsculas bolhas de resina de ureia for maldefdo que contém a substância adesi va. chamados post-it. Mas só em 19X0 a 3M começou a vender. para Utili2açâ0 nos escritórios. foi iniciada pela empresa americana 3M na década de 60. Podiam assim sentir o cheiro adequado à cena em curso — o encanto de um perfume. mas não Iodas simultaneamente. Estes autocolantes nasceram de uma descoberta acidental num laboratório de St.o número que os espectadores deviam raspar nos seus cartões. 0 método é designa do por microfragrância. foi produzido na América um filme jocoso de couiboys que linha como atracção adicional aromas microencapsulados. De vez em quando. quando se procurava produzir uma supercola. denominada micro encapsulação. Paul. um químico chamado Art Fry. Com o passar dos anos. blocos de lolhas para notas com uma faixa adesiva num dos bordos que podem ser descoladas e recoladas. Vista ao microscópio. ao saírem para o trabalho. 0 plástico quebra ao ser raspado ou esfregado. no decorrer do filme. estende ram-se as esa rias e depois às nossas casas. O estabilizador acidico ê neutralizado em contado com a humidade (azul) da super íiae que se pretende colar Neutralizado o estabilizador. Os estudantes e os investigadores começaram a usá-los para marcar textos de ititeresse nos livros. Vinham geralmente colados aos documentos com pequenas mensagens trocadas entre os executivos e tinham a grande vantagem de. que é libertado quando se raspa a superfície do papel. Para 0 enchimento das capsulas. Fry tentou persuadir a empresa de que estava a deitar fora urna ideia que podia ter os mais variados usos. ((instituindo nina união tenaz.MILAGRK5 DO DIA-A-DIA O PROCESSO QUE FAZ COLAR A SUPERCOLA A supercoio contém um estabilizador aa' dico (vermelho) que mantém a cola líquida. As bolhas rebentam sob a pressão dos dedos. 16 . cantava num coro e utilizou aquela cola fraca para marcar o seu livro com papelinhos que podiam retirar •se sem estragar o livro.

os pontos são maiores e fundem-se entre si. 17 . As diversas tonalidades da fotografia são convertidas num padrão de pontos com diferentes dimensões recorrendo a urna retícula. tal corno aparece num jornal (em cima). de modo que quase não se vê o papel bran co. produzindo. que apenas são libertados quando o preparado é aplicado. o perfume é liber lado. quando impressa. e o aroma é libertado quando o revestimento se quebra ao desdobrar-se o folheto. produz um padrão de pontos em imagem negativa. As gotas sáo depois espalhadas sobre uma superfície e cobertas por urna camada de resina plástica. retícula que consiste num padrão de linhas diagonais sobre uma película transparente. Nas zonas mais claras. 0 autocolante deste quarto de maçã é típico dos que aparecem nas revistas. Deixam-se secar (por vezes são aquecidas) antes de serem aplicadas sobre o papel por meio de outra resina. Nesta microfotografia (em cima) oèem-se as microcápsulas que contêm o perfume num autocolante. o mesmo número de pontos por centímetro. A densidade de pontos utilizados determina a qualidade da reprodução da fotografia na página impressa. Imagem desportiva. Fotografias nos jornais: milhares de pontinhos Se se observar de perlo uma fotografia num jornal. alguns cosméticos contêm microcápsulas de óleos nutrientes da pele. Nas zonas escuras. Algumas vezes utilizam-se como um revestimento adesivo na dobra de um folheio publicitário. A ampliação mostra que a imagem se compõe de uma série de pontos pretos entre meados de espaços brancos. A continuação do processo de revelação produz uma imagem positiva. o que garante a sua frescura até à utilização. Actualmente. os pontos sáo más pequenos e estão rodeados por grandes porções de branco. ao ser revelada. A fotografia a ser reproduzida é fotografada através de uma retícula posta em contacto com o filme. ou trama. que. Fotografia a preto e branco. verifica-se que a gama das tonalidades nos é dada por combinações de pontinhos negros.O cheiro a maças. A luz reflectida da fotografia passa através da retícula e é decomposta em zonas de intensidade luminosa variável captadas em película fotográfica de alto contraste. tempero da salada. A maioria dos jornais utiliza uma retícula de malha relativamente larga para a reprodução de fotografias em papel normal A retícula tem cerca de 20 a 35 linhas por centímetro. Quando se raspam as cápsulas. A área no interior do tracejado conteria microcápsulas para lembrar aos leitores o delicioso cheiro da maçã.

submetendo-a a uma série de exames. em vez das máquinas fotográficas tradicionais. com dimensões diferen tes. Fotografia com filtros 0 primeiro passo na reprodução é a "selec çao" (Lis cores. espessas ou deformadas As moedas que entram podem ser exa minadas por uma sonda. Uma impressão a cores e feita a partir de combinações destas três cores primárias. as combinações de pontos destas cores. magenta e azul-cvm. As genuínas caem soba. pelo que " processo toma <> nome de quadricromia. Uma moeda mais leve não consegue bascular o balancim e é desviada Separador dindo a entrada de moedas demasiado grandes. A imagem impressa a três cores segue se a impressão do prelo para acentuar a profundidade. Cada tipo de moeda no Mundo tem as suas características próprias. as estrangeiras. normal mente. ranhura. bebidas. A máquina de moedas típica funciona ilo seguinte modo: o sistema de verifica çao começa pela própria ranhura.i impressão .um balan cim rigorosamente equilibrado: quando o seu peso é suficiente. f o i ontraste. que verifica se elas são luradas. impe Percursos das moedas rejeitadas Lâmina de contacto Balancim Magneto Calha. antes de entregarem o seu produ lo. ! ma moeda de metal diferente é desviada pelo magneto. na espessura. magenta e azu\cyan (azul esverdeado). no peso e até na composição química. todas estas propriedades são in vestigadas. a fim de se produzir um padrão pontilhado. tirando fotografias através de filtros. as máquinas Fornecem-nos desde bilhetes de comboio a chamadas lelelo nicas.IMAGENS A CORES As fotografias a cores são lambem repro duzidas como padrões de pontos. por scanners electrónicos. uma de cada cor. as falsas e as anilhas. Nas máquinas de moedas.se ainda uma chapa a preto. iunta. as máquinas analisam cada moeda. são depois fotografadas através de uma re tícula de meio tom. As três imagens. para o rejeilador. para aumentar ii pormenor. Mas.1 calha [ou ranipae quando é insuficiente. fundem-se por forma a simular lodo o espectro das emes. a moeda faz tombar ii balancim e é dirigida para . e só quando a moeda entra no percurso correcto da máquina é que é dis parado o mecanismo de funcionamento. c o m o n. detectando assim as ani lhas. Esta é hoje feita. co meçando por rejeitai as de valor diferente. a defi/itaio prelo e branco. São diferentes no diâmetro. atinge o deflector c passa pelo lado eirado do separador Rejeilador (moedas rejeitadas) A moeda que foi aprovada percorre a . Vistas a distância. amarelo. <> olha humano mistura os pontos coloridos e vê t<ulas as cores.. maços de cigarros e ale juckpols de moedas. ou tampa Verdadeira ou falsa Esta máquina de moedas destinada a moedas francesas tem unta ranhura igual ao tamanho de ama moeda de 10 francos. Como funcionam as máquinas de moedas Com 1 1 11 moeda que se introduz numa 11. Estes são de Ires rores diferentes amarelo. Faz se uma chapa de impressão para cada cor e. Finalmente. o balancim não oscila e a moeda cai no rejeitado!. A impressão a cores baseia se no principio de que todas as co res podem ser produzidas através de com lunações destas três cores primárias.

palavras francesas que significam "veludo" e "gancho". um microchip liberta o troco certo. para evitar que flutuem desordenadamente no espa ço na ausência da força da gravidade. pequenas almofadas crespas formadas de ganchos e ilhós de plástico. Alguns tipos de velcro têm tanta resistência que uma peça quadrada de 12 cm de lado consegue suportar uma carga de 1 t. Ao atravessar o campo magnético deste último. e provavelmente durará mais do que O tecido a que foi aplicado. esta é rejeitada. colado ao suporte adequado e cortado à medida. A face dos ganchos obtém-se cortando as argolas noutra porção de tecido — de modo que cada meia argola passe a constituir um gancho. Podem também ser programadas para dar trocos. abre-se nova cancela para aceitar a moeda. Quando chega ao fim do per curso. percorrer uma trajectória que evita o obstáculo seguinte. Mestral imaginou rapidamente uma forma de reproduzir em tecido de nylon o esquema de ganchos e argolas e deu ao produto o nome de velcro . Acerta então no separador por baixo deste. Sc os valores obtidos coincidirem com os da memória da máquina.é verificada.4 fotografia do oelCfO QO microscópio moslru como esíe copio a Natureza. Quando a moeda atravessa o sistema de verificação. OS astronautas usam fita velcro para agarrar tabuleiros. No entanto. O velcro pode fechar-se e abrir se milha res de vezes. Voltou para casa com umas ervas agarradas às meias e ao pêlo do cão e decidiu investigar por que razão aquelas se pegam Ião bem á lá.calha e passa polo magneto. E feito de modo a poder ser aberto à mão com um estorço relativamente pequeno. a uma superfície tixa. As minúsculas vagens da aparína possuem ganchos que se ugurram ao vestuário de lã e aos pêlos dos ailimais Copiando a Natureza. Também neste caso. a um ângulo de incidência lai que a faz dirigir se para o canal "aceite". . Conjuntos de díodos emissores de luz e de fotossensores medem a velocidade da moeda. Ima moeda com a composição correcta abranda exactamente o necessário para. observou que minúsculos ganchos nas pontas dessas er vas ficavam presos às argolas da lã. substituem as molas e os fechos de correr. Por meio de aquecimento. argolas e ganchos tomam a sua forma definitiva. e ate cies próprios. Máquinas de moedas electrónicas A ultima geração destas máquinas confere as moedas electronicamente. Velcro: como as ervas que se agarram às meias Os fechos de velcro. As moedas com peso demasiado e as menos afectadas pelo magneto atingem o defleclor e são encaminhadas pelo lado errado do separador para o rejeitador. equipamento científico. a ve locidade com que deixam os magnetos depende da composição das moedas. com 12 500 argolas na lace oposta. possui enorme resistência transversal. o deflector. mas o nome mantémse como marca registada 0 velcro é feito tecendo fio de nylon de modo a produzir um tecido com urna grande densidade de minúsculas argolas. Os minúsculos ganchos de nylon numa peca de i elcro agarram as argo las da outra peca exat tumente do mesmo modo que terias plantas como a aparinu se agarram às meias de la (mundo passeamos no meio das ervas. embalagens de ali mentos. No vaivém espacial. Na indústria de vestuário. A patente original de protecção ao velcro expirou em 1978. 0 tecido é depois tingido. e existem actual men te muitas imitações. Ao microscópio. percorrendo a rampa e passando entre dois magnetos. a sua condutibilidade capacidade para deixar passar unia corrente eléctrica . O engenheiro suíço Georgcs de Mestral concebeu a ideia que deu origem ao velcro depois de um passeio pelo canipo em 1948. ao cair da rampa. Assim que a moeda é introduzida. As moedas aceitáveis num primeiro exame atravessam depois uma "cancela". . ê descarregada uma pequena corrente eléctrica no seu interior. Uma peca de velcro com 5 x 2 cm contém cerca de 750 ganchos. fazendo a rodar mais ou menos lentamente devido à força magnética provocada pelo campo magnético. 0 respectivo valor é identificado. Como as ervas se agarram. têm encontrado aplicações a to dos os níveis. Se não. Algumas máquinas podem ser programadas para tratar até oito tipos de moedas diferentes.contracção de uelours e CfOChet.

O passo decisivo para o aparecimento do moderno fecho de correr deu-se cerca de 20 anos depois. com cinco pisos. e criou a maquinaria que permitiu o fabrico dos dentes e a sua fixação a uma fita. Os dentes das duas fitas são desencontrados para poderem encaixar entre si: n u m dos lados têm uma saliência e no outro uma concavidade. engatando-os ou desenga ÍB tando-os.e a queda foi interrompida depois de cortado o cabo. em Chicago. as consequências teriam sido desastrosas. Ordenou então que cortassem o cabo de sus pensão. mas o mecanismo de segurança de Otis resultou . quando o engenheiro americano Klisha Graves Otis introduziu o primeiro dispositivo de segurança para a elevação de cargas na Exposição do Palácio de Cristal. pois libertou os arquitectos das restrições na altura. Os cabos fixos ao topo da cabina Subida rápida. 20 . Mas este fecho. Mas quando o cabo de suspensão foi cortado. por forma que. Otis demonstrou a segurança do seu processo por forma espectacular. as saliências encaixem nas concavidades. Sundback desenhou o chamado Hookless 2. Num elevador normal. no estabelecimento V. Os elevadores estão equipados com dispo sitiuos de segurança para o caso de quebra dos cabos. revelou se pouco prático. Lste desenhara um fecho com posto de carreiras de colchetes machos e fêmeas como método rápido de apertar as botas de cano alto. Km 1918. A Sears Tower. Olis instalou o primeiro elevador de pas sageiros cm Nova Iorque em 1857. que utili zava um cursor para ligar os colchetes machos e fêmeas. em Nova Iorque. quando forçados a juntar-se. edifício de IK) andares em Chicago. a Sears Tower. encomendou 10 000 unidades para aplicar em fatos de voo. dispõe de eleou dores rápidos que se deslocam a 32 km/h. dá-se o contrário. de modo que as suas extremidades não tocassem nos entalhes das duas calhas dentadas de guiamento. O moderno elevador é constituído por uma cabina içada por cabos de aço entre duas calhas laterais de guiamento e possui um dispositivo de segurança que trava de encontro às calhas no caso de os cabos se partirem. os dentes entram pelo fundo do cursor e separam-se. a mola abriu c as suas exlremida des encaixaram nos entalhes das calhas. situadas de um e outro lado da platafor ma. e quando a plataforma era puxada para cima. um corpo que caísse do último andar da Sears Tower esmagar-se-ia no solo a 820 km/h. Separador Cursor Fita Fiadas de dentes Dentes que engatam. quase igual ao moderno fecho rie correr. O cabo de suspensão estava ligado à mola. Como se faz parar um elevador em queda O mais alto edifício de escritórios do Mundo. A invenção do elevador de segurança foi um factor decisivo na evolução do arranha-céus. e o fecho de correr estava lan çado.Como a Marinha dos EUA lançou o fecho de correr A Marinha dos EUA foi a pioneira no uso dos fechos de correr quando. tem 103 elevadores para transportar passageiros entre os seus 110 andares a velocidades que chegam aos 550 m por minuto Mas o que aconteceria se um cabo se partisse quando um dos elevadores se encontrasse no topo de tão alto edifício? Teoricamente. 0 fecho de correr fora inventado pelo engenheiro americano Whitcomb Judson em 1893. em 1918. Para evitar estes acidentes. a Marinha Americana fez a sua encomenda. impedindo a queda da plataforma. quando o engenheiro sueco Gideon Sundback foi admitido por Judson para aperfeiçoar o seu fecho. Quando se puxa o cursor para abrir o fecho. Um cursor move-se num ou noutro sentido sobre duas fiadas de dentes presos a fitas. O fecho de correr consiste ern duas tiras de tecido com dentes de metal ou plástico ao longo das bordas. Ao fechar. com 443 m. O moderno elevador de passageiros leve as suas origens em 1854. as duas fiadas de dentes entram obliquamente no cursor que as junta.. A carga foi guindada até uma altura de 8 ou 10 m com Otis também sobre a plataforma. o seu peso iria arquear a mola. A mecânica do fecho de correr é muito simples. O segredo do sucesso da experiência residiu numa mola em fornia de arco fixa da ao topo da plataforma. os elevadores são dotados de dispositivos de segurança. Haughwout & Co. engatando os dentes.

é pulverizado no gás quando este deixa o complexo de produção. Se.5 kg por cada 100 000 rrí*. com poros de diversas dimensões. vêem-se bem OS orifícios filtrantes. gás que nos pântanos pode ser visto em bolhas emanando dos lodos orgânicos. não tem cheiro próprio. o teste final de segurança é. A roldana pára automaticamente e o elevador imobiliza-se sem que tenha de ser activado o dispositivo de segurança. A quantidade de odorizante é medida rigorosamente por computador. náo devia ser absorvido pelo solo para que as fugas subterrâneas pudessem ser detectadas e tinha de ser inócuo e náo-corrosivo. como o de compressão de roleles ou de excêntricos de bordos serrilhados contra as calhas de guiamento. contudo. As sondas são colocadas junto ao solo e o ar que captam é introduzido num aparelho que detecta gás em concentrações de apenas algumas parles num milhão. Testes de cheiro no gás natural Numa indústria de alta tecnologia como a do gás natural. No entanto. A roldana é accionada por um motor eléctrico. Ampliando 60 vezes um saquinho de chá. que reduz a velocidade por meio de fricção. Existem outros mecanismos de segurança. O seu ponto de fusão é superior a 100°C para que o saquinho náo se desmanche na água a ferver. Forma se o papel quando a água se escoa e o emaranhado de fibras é apertado em rolos para secar. Apesar dos odorizantes. O gás natural. As duas fibras náo são tecidas em conjunto. foram ensaiadas como odorizantes diversas combinações de compostos orgânicos de enxofre. As fibras termoplásticas são derretidas para se ligarem fortemente entre si. O gás natural comercial começou a ser utilizado comercialmente nos Estados Unidos nos anos 20 c na Europa na década de 60. o nariz humano. para fechar os saquinhos. mas assentes. os pesos accionam um interruptor de segurança que desliga a corrente eléctrica do motor. numa emergência. e fibras termoplásticas. ou o de cunhas. 0 limitador do excesso de velocidade baseia-se num sistema mecânico de pesos. em duas cama das separadas. pode juntar-se-lhe um odorizante. fazem-se milhões de chávenas de chá a partir de saquinhos. O papel dos saquinhos de chã é fabricado com duas fibras fortes: cânhamo-de-manila. e náo o cheiro. e os cabos sustentam na outra extremidade um contrapeso que corre igualmente em calhas de guiamento. Acabou por descobrir se a fór mula correcta. sob a forma de mistura aquosa. É também suficien temente forte para náo se rasgar nas máquinas de empacotamento ou durante a manipulação — esteja seco ou molhado. a cabina continuar a acelerar. que constitui o saco. Tem um aroma tão intenso que apenas é necessário 1. pelo que uma fuga nas tubagens poderia passar facilmente des percebida e causar uma explosão. peritos empregados pela sua capa cidade olfacliva muito sensível asseguram que. Estes deixam passar a água. Por isso. fibra natural longa utilizada no fabrico de cordas para conferir resistência. tem orifícios de tamanho suficiente para deixar passar a água a ferver sem deixar fugir as folhas do chá. Esse odorizante.sobem alé um mecanismo de roldanas no cimo da caixa do elevador. As fibras que conferem resistência aos saquinhos de chá Diariamente. que são impelidos para fora devido à força centrífuga. os técnicos seguem frequentemente os percursos das tubagens com instrumentos extremamente sensíveis. Como era necessário que tivesse cheiro. Assim. Orifícios filtrantes. estes detectam o gás. curiosamente. ao arrefecerem. as fugas de gás nas tubagens subterrâneas podem ainda passar despercebidas. sob a forma líquida. Parle dele um cabo que corre para cima e para baixo na caixa do elevador e está ligado ao mecanismo de segurança montado sob a cabina. Contudo. solidificam novamente. Acima de uma velocidade preestabelecida. o limitador centrífugo prende o respectivo cabo com força suficiente para disparar o mecanismo de segurança. O papel de filtro rendilhado. Este processo confere ao papel uma estrutura irregular. Dá-se forma aos sacos vedando os bordos por meio de calor. O papel passa pela máquina de embala gem do chá sob a forma de duas tiras e a máquina vai colocando as doses de chá sobre a tira inferior. O seu componente principal é o metano. pois o gás em si é inodoro. 2\ . O cheiro intenso que acompanha o metano nos pântanos deve-se à matéria vegetal em decomposição. Nenhum papel vulgar podia satisfazer estas exigências. ao contrário do gás de hulha. mantendo a sua resistência quando. mas sem deixarem sair as folhas de chá. O gás natural encontra-se no solo ou sob o fundo do mar. o gás emita o chei ro certo para fazer disparar o alarme mental de "fuga de gás!" Esses peritos cheiram o gás para terem a certeza de que a sofisticada aparelhagem de análise está a funcionar correctamente. O odorizante ideal tinha de ter um cheiro forte e muito característico. Limitador do excesso de velocidade Este é outro componente fundamental da segurança do elevador.

A procura era tanta que. Os fósfo ros deste tipo mantiveram-se em uso até finais do século xix e. explodiriam. inventou um fósforo muito mais eficaz.e milha- res de operários da indústria fosforeira protestaram contra aquilo que viam como uma ameaça ao seu ganha-pão.Fósforos aos milhões Se riscarmos um fósforo de segurança (amorfo) em qualquer superfície que não seja a lixa da caixa. o chanceler do Tesouro propôs uma taxa de 1 penny por caixa. A proposta originou protestos no Parlamento e na imprensa . \7 % %_• i • • • ii « mwâ Contra o imposto E m 1801. Se lhe batermos com um martelo. O antepassado do fósforo actual foi produzido pelo químico inglês John Walker em 1827. utilizando fósforo branco. e actualmente podem produzir-se mais de 800 caixas por minuto. em 1871. Ao fim de um ano. cm casos de exposição prolongada. Km 1830. e se lhes batêssemos com um martelo. 2 2 . A reacção é desencadeada pelo riscar do fósforo. tinham uma grande desvantagem: podiam matar . no início deste século. Se a cabeça e a lixa não estiverem em contacto. Seguiram-se manifestações e tumultos e o Parlamento aboliu o imposto. os fósforos acendiam-se ao serem riscados em qual quer superfície rugosa. assim. as técnicas do fabrico de fósforos foram sendo aperfei coadas. Os opera rios das fábricas de fósforos eram os mais afectados. a firma Bryant & May produziu o seu primeiro fósforo de segurança numa fábrica em Londres. No caso dos fósforos de segurança. porém. em França. tendo passado a utilizar se o sesquissulfureto de fósforo. uma doença deformante — e eventualmente fatal — em que ocorre a decomposição dos maxilares. Os seus fósforos acendiam-se em qualquer superfície e não eram de grande confiança. Por todo o Mundo. ele não se acende. nada acontece. Antigamente. foi proibido o uso de fósforo branco.e fizcram-no muitas vezes O fósforo branco liberta fumos tóxicos que provocam. é a reacção entre os produtos químicos da cabeça do fósforo e da lixa da caixa que os incendeia. embora eficientes. a fábrica produzia 1 800 000 fósforos por semana. Charles Suria. que gera calor devido à fricção. • « • « • « 11 t « I «I L\\\ W V W V . não se dá a ignição.

Em movimento. I m tapeie rolante de aço transporta os palitos de madeira - já com as cabeças tingidas de vermelho ao encontro das caixas, que se movem numa tela
transportadora perpendicularmente ao percurso dos fósforos. Estes são automaticamente expulsos do tapete, por fornia a caírem dentro das caiwis nus quantidades certas.

um átomo de carbono e dois de hidrogénio numa molécula de polietileno, por exem pio. A maioria das substâncias comuns é constituída por moléculas pequenas a molécula de agua contém apenas dois álo mos de hidrogénio e um de oxigénio
As moléculas longas da película aderen

Na década de 1850, o sueco John LundsIrom foi pioneiro dos fósforos de seguran ça (amorfos) ao separar o elemento fósforo dos outros ingredientes combustíveis: pós fósforo vermelho, não tóxico, na lixa e os outros ingredientes na cabeça. Actualmente, os fósforos são fabricados por máquinas automáticas que chegam a produzir 2 milhões de unidades por hora. O vulgar fósforo de madeira começa por um toro que é cortado em fasquias de cer ca de 2.r> mm de espessura. Estas são depois cortadas em palitos que são embebidos numa soluçáo de fosfato de amónio retardador de ignição que evita que os palitos continuem a deitar fumo. Os palitos são depois introduzidos automaticamente nos orifícios de um tapete ro lante de aço que mergulha as pontas num banho de parafina aquecida. Esta vai impregnar as fibras da madeira e anulará a fazer passar a chama da cabeça para o palito. Os palitos são cm seguida mergulhados na mistura que constituirá a cabeça. Nos fósforos de segurança, essa mistura con tem enxofre, e por vexes carvão, para produzir a chama e clorato de potássio para fornecer o oxigénio necessário á combus tão. Quando as cabeças secam, os fósforos
sao e m p u r r a d o s do tapete rolante para

te. ou adesiva, encontram se enroladas c dobradas como as libras da la. Quando .• película é esticada, as moléculas ordenam se Mas, lai como as fibras da lá ou como um elástico . elas procuram reto mar a sua forma inicial
O poder de aderência desta película

ocorre naturalmente na maioria das pelí cuias plásticas, que aderem porque adqui rem uma carga eléctrica estática. A película aderente pode. por exemplo, adquirir uma carga eléctrica negativa por fricção, << que faz deslocar electrões d<i superfície de uma película ou de outro material adjacente. Na
segunda superfície, .i carga eléctrica será

positiva, o que leva a que as duas superfícies se unam por atracção electrostática. A película aderente podo ser fabricada
num destes plásticos: PVC 'cloreto de poli

vinilo) ou polietileno. O PVC. normalmente duro. toma se- macio c flexível pela adi cão de certos produtos químicos, os plasli ficanles. o polietileno é macio por natureza, pelo que não necessita de plastificantes. A película de PVC e mais transparente que a de polietileno, mas ê mais sujeita a fadiga Com eleito. 24 horas depois de utili zada perdeu já mais de dois lerços da sua elasticidade, enquanto o polietileno per
deu apenas um lerço

dentro das caixas de fósforos que correm numa tela transportadora. As tampas das caixas correm noutra tela em movimento paralelo, A intervalos de alguns segundos, as telas param e .is caixas sao metidas nas respectivas tampas. As ta ces laterais destas aplica se a lixa, uma tira rui>osa impregnada de fósforo vermelho. que constitui o produto combustível.

Um material escorregadio como o gelo
o revestimento interior náo-aderente dos modernos tachos e frigideiras e o maleri.il mais escorregadio que ri tecnologia conhece. Tendo quase o mesmo coeficiente
de atrito que o gelo. se cohrisseinos as ruas

Como adere a película aderente?
Esta película adere por duas razões: quan do esticada, a sua elasticidade leva a a retomar as dimensões iniciais; e a electricidade estática que possui cria uma forma de atracção a muitas outras coisas. O segredo da elasticidade esta na estrutura molecular da película. Os plásticos são formados por moléculas longas centenas cie milhares de unidades repetitivas de

com ele. torná-las-íamos intransitáveis. () PTFE e um dos mais notáveis produ tos artificiais, e a náo-aderencia não é a sua Superfície revestida. Para lazer uma (ri gideira náo-aderente. mistura-se PTFE cm pó com aii.ua puberiza-se o sen interiot e
seca se

Válvula cardíaca. O anel desta válvula está coberto com um tecido revestido de PTFE. O PTFE é quimicamente inerte, pelo que não há o risco de causar infecção. Sol e espaço. A cúpula plástica deste estádio japonês está revestida de PTFE para reduzir o calor dos raios do Sol. Os fatos de pressão dos astronautas possuem diversas camadas de material, incluindo uma de tecido revestido a teflon, incombustível e resistente à abrasão. única qualidade invulgar. K considerável a sua resistência a temperaturas, tanto muito altas como muito baixas, e ao ataque químico; é ainda um mau condutor de electricidade. PTFE é a abreviatura de politetrafluoroetileno, material que foi descoberto quase por acaso em 1938 pelo americano Dr. Roy Plunkett quando ensaiava para a Du Pont um produto químico utilizado para refrigeração. A Du Pont deu à descoberta o nome comercial de teflon. O PTFE é um material difícil de manusear, e só se lhe descobriu utilidade em larga escala quando o engenheiro francês Marc Gregoire se apercebeu das possibilidades da sua aplicação em utensílios domésticos. Assim, nos meados da década de 50, Gregoire comercializou com a marca Tefal os primeiros tachos não-aderentes. No entanto, já desde o início dos anos 40 se vinha desenvolvendo uma grande variedade de aplicações industriais para o PTFE. A sua não aderência foi utilizada nas chumaceiras - componentes de máquinas que suportam veios rotativos. As chumaceiras de PTFE são consideradas autolubrificantes, pois não precisam de qualquer lubrificação além da sua própria natureza deslizante. Para lhes aumentar a resistência, são geralmente reforçadas com outros materiais, como a fibra de vidro e a grafite. A resistência ao ataque dos ácidos O PTFE não é afectado por nenhuma substância química vulgar, incluindo os ácidos e os álcalis a ferver. Mesmo a água-régia (mistura de ácidos clorídrico e nítrico) deixa-o incólume. As únicas substâncias que o atacam são o sódio em fusão, o cálcio em fusão e o flúor muito quente. O facto de ser quimicamente inerte significa que o PTFE não contamina os alimentos nele cozinhados. Na realidade, ele não produz efeitos sobre qualquer matéria orgânica, inclusive o tecido humano. Estas características permitem ainda a sua utilização em próteses cirúrgicas, particularmente nas articulações artificiais; o seu reduzidíssimo coeficiente de atrito constitui uma vantagem adicional. Também já tem sido utilizado, sob a forma de fibras entretecidas e impregnadas de carbono, na re construção dos ossos da face. Outra propriedade importante do PTFE é a sua resistência à electricidade, o que o torna excelente para o revestimento de fios. Possui ainda a grande vantagem de manter a flexibilidade a temperaturas que váo dos — 270°C (poucos graus acima de zero absoluto) até aos 260°C. Este conjunto único de propriedades re sulta da estrutura química do PITE. Corn efeito, a sua molécula consiste numa "espinha dorsal" formada por uma cadeia longa de átomos de carbono, cada um dos quais ligado a dois átomos de flúor. As ligações químicas entre os átomos de carbono e de flúor são extremamente fortes, razão pela qual o PTFE náo reage com outras substâncias químicas. As fortes ligações carbono-flúor verificam-se também entre as moléculas adjacentes, de modo que se atraem mutua mente mais do que atraem as moléculas de outras substâncias. Este o motivo por que nada se lhe adere. Esta forte atracção intermolecular significa igualmente que o PTFE não funde, mesmo a temperaturas elevadas. A fusão dá-se quando as moléculas obtêm suficiente energia por aquecimento e se separam umas das outras. No PTFE, a atracção molecular é tão forte que as moléculas têm grande dificuldade em separar-se. Como se fabrica o PTFE O PTFE é produzido a partir do fréon 22 (diclorodífluorometano), refrigerante líquido largamente utilizado em frigoríficos.

O engenheiro americano Dr. Roy Plunkett descobriu que o aquecimento do fréon produz o gás tetrafluoroeteno. A urna pressão de cerca de 45 a 50 atmosferas e na presença de um catalisador, o gás sofre uma alteração química da qual resulta o PTFE sob a forma de resina pulverulenta. Como náo chega propriamente a fun dir, o PTFE é misturado com um aglutinante adequado e enformado num molde. É depois sujeito a pressão e temperatura elevadas, e as partículas da resina fundem, formando uma massa sólida. Para os reci pientes de cozinha não-aderentes, o pó de PTFE é suspenso em água para formar um acabamento não-aderente que é depois pulverizado sobre a superfície e seco.

Como as microondas cozinham sem aquecer os pratos
Ao ligarmos um forno de microondas, criamos no seu interior um poderoso campo electromagnético que oscila na mesma banda de frequência que as emissões de televisão por satélite e o radar. As microondas utilizam-se na cozedura rápida de alimentos, pois fazem vibrar as moléculas de água contida naqueles. A vibração absorve energia do campo electromagnético e aquece os alimentos. Como toda a energia é absorvida pelos alimentos sem se desperdiçar no aquecimento do ar ambiente nem do próprio forno, e como as microondas penetram nos alimentos, aquecendo-os directamente por dentro (ao contrário dos fornos convencionais, nos quais só a superfície é directamente aquecida), o processo é muito mais rápido e económico do que os métodos tradicionais de cozinhar. A energia das microondas náo aquece os utensílios no forno, porque os materiais de que são feitos - louça e vidro - não absorvem energia do campo electromagnético (os recipientes não saem frios do forno, porque são aquecidos pelos alimentos). Utensílios de cozinha especiais Além da louça e do vidro, muitos outros materiais - como o plástico, o papel e a cartolina — podem ser usados num forno de microondas. Os recipientes de metal não devem ser usados, porque o meta] não transmite as microondas, reflecte-as. Por este motivo, os alimentos náo devem ser cobertos com folha de alumínio. As ondas longas da rádio têm compri mentos de onda de milhares de metros. As microondas utilizadas nos fornos têm um

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comprimento de onda de cerca de 12 cm. Uma onda electromagnética é uma vibração de campos eléctricos e magnéticos que alternam constantemente, dirigidos ora no sentido positivo, ora no negativo. Os fornos de microondas funcionam com ondas que vibram 2450 milhões de vezes por segundo — uma frequência de 2450 MH/.

Como os frigoríficos «fazem frio»
Quando ligamos uma torradeira ou um ferro eléctrico, obtemos calor. Porque é então que um frigorífico ou um congela dor -lazem frio» quando OS ligamos0 Assim acontece porque estes aparelhos utilizam dois princípios científicos. O primeiro é o de que, quando um líquido se evapora, absorve calor do ambiente que o cerca: o liquido precisa de energia para se transformar em vapor e vai buscá-la sob a forma de calor. O segundo é o de que um líquido evapora-se a uma temperatura mais baixa quando a pressão é, por sua vez, mais baixa. Qualquer líquido que se evapore facilmente a temperaturas baixas é um refrigerante, ou agente de arrefeci mento, em potencia. E é possível fazê-lo vaporizar-se e liquefazer-se alternadamente, obrigando-o a circular numa tubagem em que a pressão seja variável. Na maioria dos frigoríficos domésticos, o refrigerante é um dos compostos artificiais, denomina aqui o tubo alarga e o gás vaporiza se nova mente, reiniciando-se o ciclo. A refrigeração desenvolveu se no século estimulada pela necessidade de se obterem fornecimentos de carne das grandes pastagens da Austrália, Nova Zelândia, América do Sul e Oeste Norte-Ainericano para os principais mercados da Europa e do Leste da América do Norte. lima das primeiras pessoas a descobrir e aplicar o princípio da refrigeração foi um tipógrafo, James Harrison. Ao limpar OS caracteres de metal com éter. verificou o efeito refrescante que este tinha sobre o metal - o éter é um líquido com ponto de ebulição muito baixo que se evapora fácil mente. Harrison deu aplicação prática á sua descoberta no edifício de uma fábrica de cerveja em Bendigo, Vitória, em 1851, fazendo circular éter numa canalização própria para refrescar o ambiente. A ideia de Harrison levou á primeira viagem coroada de êxito com um equipamento frigorífico a partir da Austrália: a do navio Strathleven, com um carregamento de carne para Londres em 1880 - viagem que demorava dois meses. O primeiro frigorífico doméstico foi cria do em 1879, quando o engenheiro alemão Karl von Linde modificou um modelo in dustrial que desenhara seis anos antes (> refrigerante era o amoníaco que circulava por acção de uma pequena bomba a va por. Os pioneiros dos frigoríficos eléctricos foram os engenheiros suecos Balzer von Platen e Cari Munters, com o seu modelo Eiectrolux de 1923, que utilizava um motor eléctrico para accionar o compressor. COMO FUNCIONA LM FRIGORÍFICO
O CFC vaporiza-se no t u b o largo Tubo capilar O CFC liqufifaz-S6 \ -, s o b pressão ~~""'* ' •/ elevada

(megahertz), ou 2,45 GHz (gigahertz). As moléculas da água tem um pólo de
carga positiva e um pólo de carga negativa. As microondas em vibração positiva negativa interagem com as moléculas polares da água, atraindo e repelindo os seus pólos, fazendo-as rcxlar ora num sentido, ora no outro. Este movimento acontece também 2450 milhões de vezes por segundo. O componente mais importante do forno de microondas é o magnetrão, o dispositivo que gera as microondas. Foi criado em 1940 em Inglaterra, mas foi a Raytheon

Company, dos EUA, que, no princípio dos
anos 50, se apercebeu das aplicações do mestiças que este invento poderia ter e pa tenteou um "aparelho de aquecimento dieléctrico de alta frequência". Os pequenos modelos domésticos foram aperfeiçoados na América em finais da década de 60. Ferver até transbordar. Quando se aquece agua num copo num forno de microondas, a temperatura pode subir ulé ]10"C sem que a água (ema. Isto acontece porque as microondas aquecem a água no centro sem aquecerem o copo. peto que u água em contacto com o vidro está abaixo do ponto de ebulição. Como as bolhas de oapor na água a ferver se formam principal mente sobre as irregularidades do recipiente, não se dá a ebulição. Mas se deitarmos café solúvel na água, formam se bolhas em redor dos grânulos, e o liquido borbulha e transborda.

dos clorofluorocarbonos (CFCs).
Os tubos no interior do frigorífico são largos, a pressão é baixa e o refrigerante vaporiza-se. Oeste modo, o tubo mantémse frio c retira o calor aos alimentos. I Im motor eléctrico aspira o gás frio da tubagem do interior do frigorífico, comprime o - o que o aquece - e envia-o à tubagem exterior, na parte de trás do trigo rífico. 0 ar em torno destes tubos absorve-lhes o calor, fazendo com que o gás se condense novamente em líquido, ainda a uma pressão elevada. Depois, um tubo de diâmetro muito pe queno, o tubo capilar, reconduz o líquido sob pressão para o interior do frigorífico; COMO SE CONSERVAM OS ALIMENTOS O arrefecimento dos alimentos no frigorífico retarda a acção de dois dos principais causadores da sua deterioração: o desenvolvimento de bolores e bactérias e a decomposição química. Num frigorífico doméstico, a temperatura é mantida entre 1 e 5°C — temperatura suficientemente baixa para manter frescos durante uma semana a maioria dos alimentos que utilizamos. O crescimento dos organismos causadores da decomposição é retardado, mas as temperaturas baixas não cies troem esses organismos. A decomposição química é também retardada de modo idêntico, mas não completa mente anulada. A temperatura do congelador do mestiço ronda os - lo"C. o que preserva os alimentos até um ano.

O ar quente no interior do frigorifico sobe e é arrefecido à medida que o calor lhe é reti rodo pelo refrigerante contido na secção larga da tubagem. O refrigerante transporta o calor, que é depois radiado para 0 um biente na serpentina por trás do frigorífico 25

Porque se cozinha tão depressa numa panela de pressão
Quando cozemos batatas numa panela vulgar, o tempo de cozedura c de 20 a 30 minutos. Mas numa panela de pressão ti carão cozidas em 4-5 minutos. Porquê? Na panela vulgar, a água ferve a 100"C, e por muito que a aqueçamos, a temperalu ra da agua nunca subirá - apenas produzirá mais vapor. Mas a panela de pressão tem uma lampa que veda hermeticamente; assim, o vapor que se produz quando a agua ferve acumula se no seu interior, aumentando a pressão e aumentando por tanto 0 ponto de ebulição da água. Com uma temperatura de cozimento mais ele vada, o tempo de cozedura é reduzido. Na tampa, existe um respiradouro sobre o qual é colocado um peso. Esle tapa o respiradouro, mas levanta quando o vapor no interior atinge a pressão desejada. Existe também na tampa uma válvula de segu rança que liberta a pressão se o peso do respiradouro não subir quando ê atingida a pressão pretendida. A panela de pressão doméstica evoluiu a partir de um "digestor a vapor" patenteado em Inglaterra pelo físico francês De nis Papin em 1679. A panela actual trabalha à pressão de I kg/cm2, cerca do dobro da pressa.» atmosférica normal, e, por este motivo, ,i água ferve a 122°C.

IMPOSSÍVEL UM BOM CHA NO IOPO DO EVERESTE ...

A água ferve quando começa a Iransfor mar-se em vapor. As bolhas são causadas pelo vapor que sobe d») fundo do recipiente para a superfície. A temperatura de 100°C que é dada como o ponto de ebulição da água só é correcta ao nível do mar. A medida que subimos, a pressão atmosférica desce, provocando igualmente a descida do ponto de ebulição da água. Tanto na pa nela vulgar como na de pressão, o tem po de cozedura aumenta.

E isto responde á pergunta: por que razão não se consegue beber um bom chá no topo do F.vereste? O cume do monte Evereste encontra se- a quase 9000 m de altitude, e a prés são atmosférica é aí menor que um terço da pressão ao nível do mar. A água ferve a 70°C apenas: esta temperatura não é suficiente para extrair das folhas do chá a sua melhor fragrância, pelo que o resultado nunca poderá ser um bom chá.

Remédio para o calcário das panelas
As pessoas que têm em casa água canalizada, que e calcaria por provir de regiões em que o solo possui rochas calcárias, aca bani com parle destas rochas depositada nas suas panelas e cafeleiras. Quando a água da chuva é filtrada atra vés de um terreno calcário, dissolve se nela uma parte desse mineral. Ao ferver se a água, o calcário e separado da solução e deposita-se na panela. I Ima água calcária faz-se ainda sentir de outra forma: o sabão não produz muita espuma. Em vez de dissolver o sabão e fazer espuma, a água reage com os COITlpO nentes químicos do sabão e forma flocos insolúveis. K a chamada agua "dura". Aparecem igualmente manchas de cal cario nas banheiras e lavatórios e em redor das bicas das torneiras. Os depósitos de calcário nos recipientes podem ser removidos pelo vulgar vinagre ou por produtos comerciais adequados, contendo, por exemplo, uma solução concentrada de ácido fórmico, O ácido dis26 solve o calcário, fazendo-o fervilhar en quanto liberta dióxido de carbono. Em algumas caldeiras e sistemas de aqueci mento de águas, a dureza da água pode ser mais do que um simples incómodo: o calcário deposita-se nas paredes interiores dos canos e reduz o débito da água. Nas caldeiras, forma nina barreira que impede a transferência eficiente do calor, enca recendo muito o aquecimento. Por isso, a água leni de ser "amaciada" antes de entrar nos circuitos de aquecimento. Nas estações do abastecimento de água ê possível diminuir lhe a dureza por processos químicos, tratando-a, por exemplo, com cal apagada e carbonato de séxlio.

Flor de pedra. Cristais de carbonato de cálcio em fornia de flor (em cima) ligam as 'pétalas", formando o deposito calcário no interior das panelas e caldeiras. De compo siçãa química idêntica são as estalactites (ao alto) que pendem do tecto das grutas calcarias.

Os "girinos" na sua máquina de lavar
O segredo de Iodos os pós de lavar é um produto químico que torna a água mais '"molhada". Curiosamente, a água por si só não é muito eficiente em "molhar" as coisas devido à sua tensão superficial, que lhe confere uma espécie de pele e é causada pela atracção das moléculas do interior da água sol ire as da camada superficial. A adição de um detergente à água enfraquece as forças intermoleculares e reduz a tensão superficial, o q u e permite à água espalhar-sc mais facilmente e molhar melhor as coisas. A água de lavagem, mais "molhada", consegue penetrar mais facilmente nas libras dos tecidos e retirar delas as sujidades e gorduras. 0 ingrediente activo d o s detergentes que não contém sabão é um derivado do petróleo, um alquilbenzeno, tratado com ácido sulfúrico e soda cáustica. Podemos imaginar as moléculas do de tergente c o m o p e q u e n o s girinos, c o m uma cabeça e uma cauda. As cabeças são atraídas pelas moléculas da água — sáo hidrófilas, isto é, gostam da água. porque as moléculas da água têm uma pequena carga positiva, ao passo que as "cabeças" de detergente sáo eleetricamente negativas. As caudas, por seu lado, são hidrófo bas (não gostam da água). Q u a n d o se m e r g u l h a a r o u p a suja numa solução de detergente, as caudas das moléculas agarram se á sujidade gordurosa das fibras, pois são quimicamente semelhantes a gorduras. Alem disso, peneiram entre as libras, soltando a sujidade. Por outro lado, as partículas de sujidade, ao atraírem as caudas, ficam totalmente revestidas por uma camada de cabeças hidrófilas - tal como minúsculos balões — e flutuam na água. A agitação da roupa ajuda assim a libertar a sujidade. Os pós de lavagem sáo uma mistura de até 10 ou mais ingredientes, entre quais o detergente básico e um branqueador. Os pós de lavagem biológicos diferem dos outros detergentes por conterem enzimas, um tipo de proteínas produzidas pe las plantas e animais. Os enzimas actuam como catalisadores, ou activadores químicos, para ajudar a d e c o m p o r as n ó d o a s que contém proteínas, lais como sangue, transpiração e molhos de carne. Os enzi mas provocam a decomposição química das outras proteínas, enquanto os detergentes normais actuam fisicamente. Dado que as nódoas de proteínas sáo derivadas de seres vivos, os detergentes que. actuam sobre elas são chamados biológicos. ÁGUA MAIS 'MOLHADA" PARA LAVAR A ROUPA A água nào molha bem os objectos porque as suas moléculas se juntam, produzindo tensão su perficial. Os alfaiates conseguem assim "andai" sobre a água. Ao juntar um detergente a uma gota de água, esta perde a forma este rica (a esquerda), deuiao à redu çôo da tensão superficial. Os detergentes rernouem as gorduras porque as ajudas das suas moléculas se ligam às partículas de gordura. As cabeças das moléculas sao atraídas pela água, e\ pulsando as partículas gordas do tecido tiuando se agita a roupa. As fracas cargas eléctricas do de tergente impedem as partículas de gordura de se unirem Tecido (ú esquerdai com partículas de gor dura entre as fibras. Durante a lavagem, <js moléculas de deter gente arrastam a gor dura. limpando o teci do fà direita).

Pasta de dentes — de giz e algas
As pessoas que lavavam os dentes nos meados do século xix usavam provável mente pós dentífrtcos contendo coral moído, osso de choco, casca de ovo queimada ou porcelana. Por vezes, esles pós conti nham ainda um corante vermelho obtido dos corpos das cochonilhas. As pastas dentffricas actuais — brancas, de cor ou às riscas — contem dez ou mais

ingredientes. Uns deslinam-se â limpeza
ou à protecção dos dentes, outros conferem o sabor à pasta, outros fazem a ligação da massa, outros ainda facilitam a sua saída do tubo

0 ingrediente principal da parte branca
da pasta é giz finamente moído (carbonato de cálcio) ou outro pó mineral como o óxido de alumínio. Estes pós são ligeiramente abrasivos e ajudam a remover a placa dentária, película que se forma constantemente sobre os dentes e que é composta por muco, partículas de alimentos e bactérias. Ás vezes, para tornar a pasta mais branca, junta-se também > um pouco de óxido de titânio em pó.

As pastas de gel
transparente obtêm as suas características abrasivas por meio de compostos transparentes de sílica, a que frequentemente se adiciona um corante. Os ingredientes de limpeza e polimento são combinados com água, formando uma pasta espessa graças à adição de um agente de ligação e espessamento

como o alginato,
substância extraída das algas marinhas. Enchimento dos tubos. Os tubos oazios são enchidos mecanicamente: recebem quantidades exaCtOS da pasta, depois do que são vedados na extremidade A introdução das riscas. Ilã dois processos de pôr as riscas na pasta. No recipiente grande (ã esquerda), a pasta branca e a colorida são introduzidas separadamente e combinam-se quando se espremem para o exterior. No tubo tradicional (ã direita;, a pasta de cor encontra-se num anel perto da extremidade e sai através de orifícios. fazendo assim riscas na pasta branca.
"Pasta dentífrica branca Pasta dentífrica de cor

Pasta às riscas. As riscas de cor contêm flúor ou elixir. 2S

Junla-se ainda um pouco de detergente para criar espuma e contribuir também para o processo de limpeza. Para que fique agradável ao paladar, a pasta é geralmente adoçada com óleo de hortelá-pimenta e mentol. Inclui se também um humectante como a glicerina, a fim de evitar que a pasta seque. Além disso, na maioria, as pastas clenlífricas actuais contém flúor, que ajuda a fortalecer o esmalte dos dentes, e por vezes o bactericida formaldeído. Como se fazem as riscas

Gillette e a máquina de barbear

S

Algumas pastas dentífricas apresentam o
flúor ou o elixir sob a forma de riscas. A iiiislura de limpeza é normalmente branca, enquanto o flúor ou o elixir são frequentemente um gel transparente azul ou vermelho. As duas pastas são prepara das separadamente. Os tubos são enchidos, como sempre, pela parle larga, que depois c dobrada e vedada. As duas pastas contêm cores que não se misturam, e as respectivas massas também não se misturam, de modo que. ao espremer se o tubo. sai a pasta branca com riscas de cor.

Como se dá o fio às lâminas de barbear
Todas as 24 horas. 25 000 pêlos crescem até cerca de meio milímetro na face do lio mem adulto. A moderna lâmina de barbear. perfeitamente afiada, permite um barbear escanhoado, suave; e seguro. Há milhares de anos que o homem se barbeia, lendo usado para isso lascas de sílex, depois lâminas cie bronze e finalmente de ferro. As primeiras navalhas de bar bear com fio de aço foram feitas em Sheffield em 1680. Mas a actual lâmina descar tável surgiu apenas em 1901, com King Camp Gillette e William Nickerson. A lamina de barbear inicia a sua vida como um rolo de fita de aço contínua, com uma espessura aproximada da do pêlo que irá cortar. O aço é uma liga com cerca de 13"» de crómio, que lhe confere maior dureza e resistência à corrosão. A dureza é ainda aumentada com o aquecimento do aço e a sua imersão num líquido de arrefecimento. O fio de corte é produzido por afiação. A fita de aço passa por três conjuntos de ro das de afiar, cada uni deles afiando mais que o anterior. As rodas estão montadas em ângulos diferentes, a fim de produzi rem a secção de fio chamada de arco gótico (curva), forma mais forte que a de uma cunha de rampas direitas. O índice de afia mento da lâmina exprime-se como o raio

e não fosse a invenção do amorica no King Camp Gillette (1855-1932), é possível que, ainda hoje, os homens se barbeassem todas as manhãs com as velhas navalhas de barba. Caixeiro-viajante de ferragens no Centro Oeste Americano, Gillette barbeava-se certa manhã, em 1895, quando achou que a sua navalha não era eficiente nem segura. Reparou que só uma pequena parte da lâmina era utilizada v como era perigoso tal instrumento que podia, literalmente, cortar a garganta de um homem. Homem ocupado, Gillette não gostava de desperdi çar o seu tempo a amolar a navalha. Porque não criar uma lâmina que nunca tivesse do ser afiada, que tivesse o tamanho certo para barbear a cara de um homem o que fosse suficientemente barata para ser deitada fora quando já não cortasse7 Gillette lembrou se ainda das pa lavras do seu antigo patrão, William Painter, um inventor e homem de negócios que pensava que, se se produzisse um artigo que as pessoas pudessem deitar fora depois de usar, elas procurá-lo-iam

cabo e cabeça regulável. As lâminas de aço ao carbono tinham a garantia de se manterem afiadas por 20 barbas e eram vendidas em pacotes de 12. Gillette criou a Safety Razor Company e-patenteou a sua máquina de barbear em 1901. As primeiras máquinas surgi iam nos Estados Unidos em 1904. Vendidas em ourivesarias, farmácias e lojas de ferragens, bem como nos novos armazéns de retalho, a máquina c as lâminas apresenta vam se em conjunto dentro de um estojo. Os cabos das primeiras máquinas levavam um banho de prata, e os dos modelos mais caros, mi banho de ouro. Mas as vendas iniciais revelaram-se d e s a n ima doras. e a empresa promoveu uma

campanha publi
citaria em jornais e revistas para homens nos EUA e na Europa para dar f^ a conhecer ao público o novo invento. Km 190(5, as ven das atingiam as 90 000 máquinas e os 12 milhões de lâminas. Gillette tornou-se rico e famoso. Ain da hoje. o seu rosto é conhecido de mui tos, pois, até há pouco, o seu retrato figurou nas embalagens das lâminas. O desenho da chamada "gilete" e da sua lâmina não sofreu praticamente alterações desde o início; actualmente, muitas máquinas de barbear são de plástico e elas próprias descartáveis.

sempre.
Gillette e o mecânico William Nickerson aperfeiçoaram a lâmina de bar bear de segurança de dois gumes, que se aplicava num suporte especial, com

Corte em molhado e a seco. Um pêlo da barba cortado por uma lâmina em molhado (à esquerda) apresenta uni coife muito mais regular que o feito por uma máquina eléctrica (à direita). Cm pêlo seco é tão difícil de cortar como um fio de cobre da mesma espessura.

da curva do fio visto em secção: cerca de cinco centésimos milésimos de milímetro Depois de afiado, o fio e polido por ro das de couro. Mas, à escala microscópica, o fio é ainda áspero e. devido â fricção, poderá repuxar os pêlos e provocar cies conforto. Para proteger o fio e reduzir a fricção, a lâmina recebe três banhos sucessivos: um de crómio, outro de cerâmica e outro de PTFE, substância mais conhecida corno revestimento não aderente de pane las e frigideiras. O crómio confere resistem cia â corrosão, a cerâmica reduz o desgaste o o PTFE produz a lubrificação. Cada um destes revestimentos tem uma espessura inferior a um centésimo milési mo de milímetro. A lâmina aplica-se num suporte com um cabo, cómodo de manusear, e com uma cabeça que pode ser ajustável e abre para receber a lâmina. 29

Como o aço inoxidável foi descoberto por acidente
O aço inoxidável foi descoberto por acidente em 1913 pelo metalúrgico britânico liam Brearley. Este Fazia ensaios com ligas de aço que pudessem ser utilizadas nos canos de espingarda. Mais tarde, verificou que, enquanto a maioria das ligas que rejeitara tinham enlerrujado, o mesmo não aconle cera .1 ama liga que continha 14% de cro reage com o oxigénio do ar. produzindo óxidos de ferro avermelhados. Outros metais, como o alumínio, o níquel e o crómio, reagem também de forma idêntica, mas os respectivos óxidos formam uma camada .superficial impermeável, impedindo que o oxigénio reaja com o metal no seu interior. Na liga de Brearley, o crómio formou uma placa semelhante protegendo o metal da oxidação. Hoje. fabrica-se uma diversidade de aços inoxidáveis, lima das ligas mais vulgares contém 18% de crómio o 8% de

níquel

pelo que é conhecida por 18:8 —

mio. Esta descoberta levou â criação do açi >
inoxidável. O aço vulgar enferruja porque

e é utilizada « M lava-louças. por exemplo. M As taças de cozinha são fabricadas com uni aço contendo |.'j"n de crómio. Juntando uma pequena percentagem do metal mo libdénio, obtém se uma liga ainda mais re SÍStente à corrosão que é utilizada no revés timento de edifícios.

Poria para o Oeste. (> mau» ano do Mundo é 0 monumento à expansão americana para oeste, em St Louis, Missuri. Tem \S2 m de alttiiu e 192 m de Uáo. Uma tal construção SÓ podia ser feita de aco iuoxiduicl. 30

. .. até descobrirmos o que se passa nos bastidores.Grandes proezas de organização • Desde a regulação do trânsito numa cidade até à organização dos Jogo Olímpicos ou à montagem de automóveis — há tantas coisas que achamos naturais e que nos parecem simples.

Como lidam os aeroportos com milhões de passageiros? Um aeroporto é um organismo vivo com urna função principal: manter o sangue que o alimenta — os seus passageiros fluindo livremente através das suas veias e artérias. e os distribuidores automáticos processam 480 peças de bagagem por minuto. em Junho de 1988. codificadas por computador. são lidas por laser. F. o 0'Hare. Esperando ordens. milhares de pessoas saem deles quase simultaneamente. que. dezenas de milhares de passageiros ficaram retidos em aeroportos por toda a Europa. 0 número desses passageiros é astronómico e cresce rapidamente. em parte porque são alojadas noutra secção do aparelho. 32 Prontos para o embarque. Cada Jumbo que aterra no Aeroporto J. Em 1986. As avarias e as greves produzem os mesmos efeitos. utilizado por 50 companhias aéreas. os aeroportos gastam anualmente 750 milhões de contos para que os seus passageiras se sintam satisfeitos. Quando diversos Jumbos aterram a minutos uns dos outros. A zona de distribuição da bagagem tem a área de seis campos do futebol. no seu conjunto. No terminal da United Airways em 0'Hare. Cerca de 2200 aviões utilizam diariamente o 0'Hare. Os "Jumbos" Veja-se o aeroporto mais movimentado do Mundo. Seguem separadamente dos passageiros. As bagagens são uma questão importante na organização dos aeroportos. Passam por ele 55 milhões de pessoas por ano. chega a desembarcar 500 passageiros. destroem a confiança e minam os lucros do aeroporto. o que representa 6700 passageiros por hora. . Em todo o Mundo. Quando uma greve de controladores aé reos em Espanha coincidiu com o início das férias grandes em França. contra as 7õ que poderiam ser processadas à mão. em parte por razões de segurança. Jactos de passageiros encostam às fontes do terminal do Aeroporto de Frankfurt — o principal da Alemanha e um dos 37 mais movimentados do Mundo. os 37 aeroportos mais movimentados do Mundo foram utilizados. A missão do chamado pessoal de handling é assegurar que as malas tenham o mesmo destino que os respectivos donos. em Chicago. processam 740 milhões de passageiros por ano. Foram chamados palhaços e malabaristas para entreter milhares de crianças. 16 000 turistas em férias tiveram atrasos de até sete ho ras — e um grupo de pessoas que se dirigia para a Grécia partiu finalmente depois de uma espera de 21 horas. de Nova Iorque. Kennedy. no seu conjunto. por um total de 740 milhões de pessoas. Segue-se a espera para o próximo LHX). as etiquetas de bagagem. Só em Manchester. provocando congestionamentos que afec tam os planos e as disposições dos passageiros.

com o seu exército próprio de bagageiros. dos restaurantes e da manutenção. O espaço aéreo está dividido em zonas de controlo (fír's) em que existem corredores aéreos. As dimensões dos aeroportos tornam -se assustadoras. Enquanto uma grande estação de caminho de ferro cobre cerca de 3. por exemplo. pois 90% de todas as colisões e quase colisões entre aviões dáose quando estes sobem depois da desço lagem. Os controladores têm de assegurar que. 33 . mas em cada ano o índice destes acidentes diminui. novas tecnologias permitirão atender mais pessoas com as instalações existentes. como aconteceu ao terminal 3 de Heathrow entre 1987 e 1990.72 mortes por 100 000 horas de voo em 1978 e 0. os passageiros encontram á sua disposição uma vasta gama de serviços que.5 ha. Os números correspondentes na Europa mantêm-se estacionários.92 ern 1986. podem ter que andar a pé uma enorme distância para chegar até lá. A vigília constante para evitar que os aviões choquem Apesar da acumulação crescente de aviões no espaço aéreo mundial. o Aeroporto Internacional do Rei Khalid. na Geórgia. nos quais cada avião voa no interior de um paralelepípedo teórico. comboios automáticos para trans porte das pessoas desde os parques de automóveis — todas estas inovações se destinam a tornar mais aprazíveis as viagens aéreas. os quase acidentes nos EUA ocorreram à razão de três por dia . dois Jambos americanos ambos a caminho dos EUA com um total de quase 000 pessoas a bordo — passaram a menos de 30 m um do outro por sobre o Atlântico. o tráfego aéreo cresce cerca de 20% por ano. Em 8 de Julho de 1987. cada avião seja entregue de uma zona de controle à outra.o dobro dos de 1984. a viagem por ar está a lornar-se efectivamente mais segura Nos EUA. Em 1988. A responsabilidade de assegurar que os aviões não colidam no ar pesa inteiramente sobre os ombros dos controladores de tráfego aéreo. os confunde. Tapetes rolantes para passageiros. Nos EUA. Quanto mais pessoas pas sam por um aeroporto. com os seus 23 (iOO ha. um avião teria de voar 24 horas por dia durante quase 12 anos para que morresse uma pessoa.Com as crescentes dimensões e complexidade dos aeroportos. o de Dallas-Fort Worth. Com a expansão dos parques para automóveis. mesmo so brevoando o oceano. em Londres. tratamento computorizado das bagagens. descem para aterrar ou circulam aguardando autorização para aterrar. houve 1. de enfermagem e administrativo. Cada terminal acaba por assemelhar se a uma pequena cidade. As regras do ar As regras do tráfego aéreo há muito que se encontram estabelecidas. Contudo. tem 3000 empregados. os aviões estão separados por espaços de 2000 pés (610 m) na vertical e 60 milhas marítimas (110 km) na horizontal. Em 1987. Ao chegarem a um aeroporto. Mas para se manterem activos. No maior terminal do Mundo . os seus quatro terminais movimentaram mais de 44 milhões de passageiros. tudo leva mais tempo e mais frustra dos se sentem os passageiros. mais espaço é preciso. por exemplo. mas alguns peritos temem que o quadro americano se repita aqui à medida que o tráfego aumenta. todos os terminais acabam por ter de ser modernizados. No mundo ocidental. que movimenta a maioria dos voos de longo curso. por exemplo. cobre 7000 ha. A sua remodelação teve de ser planeada por forma a causar o mínimo de transtorno ao pessoal e aos seus 0 milhões de passageiros anuais. aumenta constantemente o volume do trabalho. EUA —. os problemas multiplícam-se. Os principais locais de perigo são os próprios aeroportos.o do Aeroporto de Hartsfield Atlanta. Mas mesmo este enorme aeroporto parece pequeno se comparado com o maior do Mundo. Nos corredores entre Nova Iorque e Londres. Nos EUA. a área coberta atinge mais de 24 ha. E com o aumento do número de voos. Parece assim que deveriam aumentar as probabilidades de colisões no ar.quase exactamente o mesmo número que em 1980. o maior aeroporto americano. o número de viajantes por ar subiu de 315 para 460 milhões entre 1980 e 1987. e. por vezes. o sistema revela sinais de cansaço. Por outras palavras. O Terminal 3 do Aeroporto de Heathrow. de pessoal de limpeza. a federal Aviation Administralion emprega 15 500 controladores aéreos . tem de se proporcionar aos passageiros meios adicionais de transporte para os levar dos seus carros até aos terminais do aeroporto. na Arábia Saudita. durante o voo. Contudo. mais de quatro vezes a área da Bermuda. Mais aviões exigem mais portas de embarque e mais terminais e mais quilómetros de corredores. quando descobrem onde se localiza um deles. empregados das lojas.

o controle (\o tráfego aé reo é um sistema de fiabilidade comprovada. 4m •V«a» Controlando os caminhos aéreos. seguem atentamente os aviões que aterram e levantam na área e estão em constante comunicação com os pilotos. Teoricamente. Conseguimos ver estrelas por cima. às vezes. sem cintos de segurança. mas ainda estamos na zona das nuvens. passando mesmo por cima dele a uma velocidade combinada de 1600 km hora. dirigindo dezenas de voos. Se se tiver cuidado e mantiver a calma e a lucidez. os controladores de tráfego aéreo no Aeroporto 0'Hare. o comandante Eby viu o seu pára brisas tapado com o Jumbo da TWA.0 CS. tra balhain sob pressão crescente. O controlador apercebeu-se de que os dois aparelhos se encontravam numa rota de colisão. Sentados defronte dos visores de radar. Ohio. 0 relatório sobre o desastre de um avião durante uma trovoada no Aeroporto Dallas-Forl Worth.» No cockpit do DC 10. os aviões não são autorizados a iniciar o seu voo antes de terem garantido o respectivo espaço de aterragem.7 (34 700 pés) neste momento. que é actualizado em prínl outs do computador durante o voo. Contudo. procedente de Chicago e voando para leste com 194 pessoas a bordo. os problemas multiplicam-se. durante períodos de ponta pode acontecer que o número dos aviões que querem aterrar é su perior àquele que o aeroporto comporta. Mas. qual é a sua altitude?" A resposta do avião foi: "Atravessando os 34. descrita como moderada. à medida que as exigências se acumulam. O avião picou com um movimento de revolver os estômagos. \9 wP A u V *** V "Í-Jí 1% \ \ \ 1 c.Antes de descolar. O comandante Guy Eby reagiu instintivamente. Cleveland. O novo sistema quadruplicará a capacidade pela utilização de computadores. cada avião entrega um plano de voo. e os passageiros. Durante um breve instante. Nada devia correr mal. Em certos países. mas será mais seguro pelo menos por uma ou duas décadas. 34 . um controlador de tráfego aéreo em Cleveland. demonstrou que os controladores de tráfego aéreo recebiam uma chamada em cada quatro segundos. corre. os sistemas computorizados actuais estão obsoletos. Esta carga de trabalho foi. Aumenta assim a probabilidade de os erros surgirem e passarem despercebidos. Obser vava o seu radar havia apenas 55 segundos quando se apercebeu de que estava em presença de um desastre iminente. O satélite dará também informações sobre as hipóteses de congestionamento. num padrão de espe ra. Só que. está a planear uma revolução no controle do tráfego aéreo." Controlador: "AA 182. Os registos de voo mostraram depois que 0 DC 10 es lava a 14 m da altitude do Jumbo quando mergulhou para se pôr a salvo. acabara de entrar de serviço. os sistemas computorizados de cada país são frequentemente incompatíveis entre si. no Texas. E lhe então atribuída uma rota de voo própria que o conduz à pista. colisão essa que ocorreria dentro de poucos segundos. o céu pode vir a tornar se mais congestionado. A forma de preservar e aumentar a segurança é recorrendo à computorizaçào. l\Ví— % *s t >íw4»%Kv'l ' fr. que podem provocar desastres quando o avião desce para aterrar. Como são escolhidos os controladores de tráfego aéreo Controlar o tráfego aéreo é como jogar xa drez a três dimensões. dirigindo-se para oeste com 114 pessoas. com um custo de perto de 20 000 milhões de dólares. O sistema sugerirá aos aviões manobras de escape sempre que verificar que dois aparelhos se encontram em rota de colisão. instruções para não-colisão. nada acnnte cera. fez uma chamada urgente para o DC-10: "AA 182. cuja capacidade é qua tro vezes superior â dos anteriores e que são oito vezes mais rápidos. em 1985. desça imediata mente para 33. dos EUA. Noutros países. Km 2G de Novembro de 1976. Um computador a bordo detectará outros aviões na vizinhança e dará ao piloto. Assim. e os controladores de tráfego. e há computadores que ajudam a planear cada uma delas e a prever as suas consequências. Os controladores fazem então aterrar os que voam a altitudes mais baixas.i 000 pés). Outro computador tratará as subi tas alterações na direcção do vento. Quando um aparelho se aproxima de um aeroporto movimentado com intenção de aterrar. alguns aeroportos retiram lucros destas esperas. Um DC 10 da American Airlines. permitindo que os aviões de companhias que pagam mais passem à frente dos das outras. empurrando para a frente a alavanca dos coman dos. em voz sintetizada. em geral a várias milhas de distância. Um Jumbo da TWA. Na sua maioria. Nos EUA. Os aviões fora do contac to com os centros de controle de tráfego serão monitorizados por satélite. no entanto. Cada avião emite um sinal identificativo que é visto no radar. determi nando em simultâneo que os restantes aviões diminuam a sua altitude de voo à medida que os outros vão aterrando. os aviões recebem or dons para voarem em círculos concêntricos . Todos os planos de voo e ajustamentos de horários serão actualizados automaticamente. A Federal Aviation Administration.mas a diferentes altitudes — sobre o ponto de referência. Reagindo imediatamente. Através da Europa. As acções constam todas dos manuais e instruções de procedimentos. Os visores de radar serão a cores e terão informações sobre o estado do tempo. subia para a posição que lhe fora atribuída. as hospedeiras e os carrinhos com os tabuleiros de comida "voaram" quando o chão lhes fugiu debaixo dos pés. é dirigido para um ponto de referência por sobre um radiofarol. a 37 000 pés. Os controladores de tráfego monitorizam a viagem a partir destes printouts. voava a 35 000 pés. de Chicago.

Depois despejou a mala e achou-a 'muito pesada para uma mala vazia"."':"-'!!!"Í controlador as características de per sonalidade necessárias para desempenhar cabalmente a sua missão. Nezar Hindawi. movimento e todas com pilotos aguardando instruções. todas em A caça permanente aos terroristas Ann Murphy. os futuros controladores de tráfego aprendem leis da aviação e teoria de meteorologia e ra diocomunicação. Nunca vêem o avião e podem ler muito pouco contacto com outras pessoas. figuravam uma pistola. Um empregado da segurança fez lhe algumas perguntas de rotina e passou a sua mala pela máquina de raios X. balas. Fora colocada pelo seu noivo jordano. Durante <> curso. O noivo. Os candidatos a este lugar tem de ler uma boa forma física. além das formalidades de comunica ção com os pilotos. nos grandes muitos deles estão permanentemente sentados em salas com iluminação difusa defronte dos seus radares. São depois colocados num aeroporto ou num centro de controle para fazerem um estágio sob orientação superior Quando finalmente são considerados aptos. empregada doméstica irlandesa. que transportaria 375 pessoas para Te lavive. na convicção de que iria conhecer a mãe do seu noivo jordano antes de casar. em Londres. A conversa durante as horas de trabalho restringe-se muitas vezes as instruções dadas nas frases formais necessárias para garantir clareza e rigor: "Roger. à esquerda) linha na mala uma bomba de relógio. Descend to three thousand feet on QNII one-zero two four. em 17 de Abril de 1986. puxou pelo fundo da mala e descobriu um comparti mento secreto contendo 1. a dedicação e autodisciplina são também características indispensáveis. com sessões práticas em centros de controle e aeroportos. Aler tado por esle peso suspeito. a língua internacional da aviação. . Nezar Hindawi (em cima. expressão verbal clara e habilitações que in cluam o inglês. boa visão. uma atenção viva e reacções rápidas. Uma calculadora de bolso no meio das roupas de Ann continha um relõ Convite para a morte. a responsabilidade e o salário compensador garantem que não haja falta de candidatos a controladores. 35 . chegou ao controle de passageiros da El Al no Aeroporto de Healhrovv.O incidente ilustrou as qualidades." ('"Entendido. à direita). sele três-dois.um por minuto nas horas de ponta — . pois adquirira um bilhete através da empresa em que trabalhava. pois lrata-se muitas vezes de uma ocupação solitária envolvendo trabalho em turnos durante a noite.5 kg de explosi vo plástico. seven three Rastreio por números. Assim. Desça para três mil pés no QNII. Estava grávida de cinco meses. 0 oisor na sala de radares do Aeroporto Nacional de Wash ington atribui um número de voo a cada avião no seu espaço aéreo para que os res pectiuOS movimentos possam ser vistos e seguidos pelo radar. um zero dois quatro". além de um temperamento calmo e equilibrado. paciência. um passaporte e uma calculadora para detonar o explosivo. Mas não há capacidades intelectuais nem conhecimentos técnicos que dêem -two. um saco. Embora nos aeroportos pequenos os controladores consigam ver os aviões a manobrar. a irlan desa Ann Murphy (em cima. disse-lhe que seguiria noutro voo. Sem o saber. Um grande aeroporto como o de Frankfurt trata uma média de 805 voos por dia kao NÊ»!!^ K/. Estudam em salas de aula e em simuladores. ideais de um controlador de tráfego aéreo: concentração. que mais lar/te foi condenado o 45 anos de prisão por tentar fazer explodir o avião com os seus 375 DOS saleiros Entre as provas apresentadas a julgamento (à esquerda). Preparava se para voar para Israel. de 32 anos. que nada mostrou de anormal.eo visor de radar do controlador pode apresentar 25 imagens simultâneas. estão preparados para analisar e agir com base no enorme conjunto de informações em constante alteração nos visores de radar e de computadores.) Não se pode dizer que seja divertido. Mas o desafio. rapidez de decisão e unia aulori dade em que os pilotos possam confiar instantaneamente. Ann Murphy entrou na bicha com os outros passageiros para embarcar woJum bo.

datam de 1930. Mas os responsáveis pelos aeroportos dizem que seria demasiado caro e demorado se cada companhia verificasse todas as pessoas e todas as peças de bagagem. A El Al revisla-os a todos. Os acordos internacionais poderão alargar o uso desta etiquetagem. só nos EUA descobriram 20 000 armas de fogo. 90% dos quais depois de 1968. Ann Murphy . Toda a baga gem é examinaria à mão. Enquanto novas ideias e novos progressos técnicos se sucedem. Terrorista palestiniano apoiado pelos Serviços Secretos Sírios. Mas as verificações por raios X são apenas tão eficientes quanto os guardas que as fazem: a maioria das pessoas aperceber-se-ia de uma pistola vista de lado . que revelam o local de origem e a data de compra. matando 259 passageiros e tripulantes e II residentes da pequena cidade. tem fama de ser. A caminho do aeroporto. ou num aparelho de rádio. quando o avião voasse a 39 000 pés sobre a Áustria. contém uma pistola.minúsculos pedaços de plástico. Radiografia das bagagens As máquinas de raios X de baixa intensidade. os detectores de metais podem vir a tomar-se obsoletos: os peritos em segurança temem que um dia seja possível construir armas de plástico. Entre 1973 e 1980. Embora as companhias não gostem de revelar pormenores. no Mundo. já tem introduzido nos aviões armas e explosivos. Olho perscrutador. a companhia de aviação israelita. por exemplo. em particular os assaltos e a sabotagem. E há sempre um conflito entre a necessidade de segurança e a necessidade de pro cessar rapidamente o movimento dos passageiros. aumentando assim o risco de deixar passar pequenas armas. Por outro lado. Cada uma destas tragédias provoca nos aeroportos uma segurança mais apertada. O pesadelo de um acto terrorista num avião lotado pende constantemente sobre todos os responsáveis pela segurança aérea. Para apertar a segurança. um monitor de raios X reoeta que a mala inspeccionada. Os piratas do ar pedem geralmente dinheiro. A pilha. Os passageiros têm de apresentar-se cerca de três horas antes da partiria e submeler-se a urna revista completa das suas pessoas. dizendo que era para um amigo.nhias aéreas poderão introduzir a "etiquetagem oculta" o tratamento dos uniformes. para evitar que os alarmes disparem desnecessariamente. Fiscalização do pessoal Um aeroporto é uma área enorme que emprega milhares de pessoas e tem muitos pontos vulneráveis. E os terroristas tratam as companhias aéreas como um símbolo da nação a cuja política Detectores de metais As máquinas que criam campos magnéticos têm sido largamente utilizadas desde o princípio dos anos 70 na detecção de objectos de metal dentro das bagagens. Mas. as compa 36 . O pessoal de abastecimento e de limpeza. a mais preocupada com a segurança. Hindawi pusera uma pilha na calculadora para armar a bomba. de cores codificadas. É um pesadelo que às vezes se toma medonhamente real. os responsáveis da segurança mantêm com os terroristas um permanente jogo do gato e do rato. como no caso da El Al. Embora estas etiquetas apenas se tomem úteis após a explosão. Revista aos passageiros Quase todos os aeroportos revistam actualmente alguns dos passageiros e a sua bagagem.mas vista de frente será mais difícil de reconhecer. quando pela primeira vez um avião foi assaltado — um avião das Linhas Aéreas Peruanas pirateado no Peru. têm sido aperfeiçoadas com circuitos transistorizados a fim de fornecerem imagens suficientemente nítidas para poderem detectar fios eléctricos mais finos que um cabelo humano. permitindo assim rastrear os que os adquirem. Nos aeroportos de todo o Mundo oerificam-se as bagagens por meio de raios X. como no desastre da Pan Am. os detonadores e os fios utilizados para a explosão podem ser facilmente in corporados numa calculadora. Desde então registaram-se mais de (iOO incidentes.que deu à luz a filha de ambos atites do julgamento foi descrita no tribunal como a vítima de "um dos mais insensíveis actos de iodos os tempos!" 0 avião teria sido destruído no ar com todos os passageiros e tripulantes se não fosse a atenção vigilante do empregado da segurança e a perfeição do sistema de verificação de passageiros e bagagens da Kl Al. Nezar Hindawi dera-lhe a mala — já contendo o explosivo sob o pretexto de que a dela era muito pesada e colocara nela a calculadora. Etiquetagem de explosivos Alguns fabricantes de explosivos incluem "etiquetas" nos seus produtos . como no caso rio Jumbo da Pan American que explodiu no ar sobre a cidade escocesa de Lockcrbie em 21 de Dezembro de 1988. além de óculos de sol e uma tesoura. Hindawi foi apanhado e condenado a 45 anos de prisão. dos veículos e dos passes com um produto químico detectável apenas por equipamento especial de leitura. As pessoas revistadas são habitualmente escolhidas se opõem. O explosivo plástico — como o Semtex checoslovaco — é invisível aos raios X. A El Al. Os crimes no ar. gio c um detonador que teriam feito expio dir a bomba às 13 horas. os operadores dessas máquinas baixam-lhes frequentemente a sensibilidade. existem diversos tipos de segurança nos aeroportos. vulgares na década de 70. publicidade ou acção política. Nesta fotografia. mas a segurança terá sempre as suas limitações. a sua inclusão poderá dissuadir os terroristas ao tornar mais garantida a respectiva detecção.

como rotina. talheres e condimentos. tem no seu quadro centenas de pessoas in Cluindo 80 cozinheiras — que preparam cerca de 160 000 refeições por semana. a refeição é servida conforme o fuso horário local. tudo fica pronto para ser descarregado. para os veículos do calering local. As ementas são planeadas com três meses de antecedência. Refeições a bordo de um "Jumbo" Com uma lotação que pode ir até 400 lugares. o melhor aliado do terrorista é o inspector de segurança abor recido e descuidado. por muito sensível. Os componentes. que bombardeia as bagagens com neutrões (partículas su batómicas) que reagem com 0 azoto utilizado na maioria dos explosivos. a British Airways possui . Uma delas é a radiografia por raios gama. Percepção à distância Utilizam-se cães com faro educado para detectar explosivos. cm Heathrow. a melhor defesa contra os terroristas é a vigilância eficiente. Na maioria. os três conjuntos de refeições para as três classes são armazenados nas respectivas cozinhas — geralmente. uni bolo de anos requisitado à pressa . No futuro imediato. as grandes companhias de aviação preparam os pratos em centrais de caleriny dos aeroporlos das suas cidades de origem. que poderão transportar quase 12 000 pessoas. as refeições são parcialmente cozinhadas e rapidamente congeladas para poderem ser depois terminadas nos fornos do avião e servidas logo que acabadas de cozinhar. Quando os tabuleiros estão prepa rados. liem como diversos tipos de sensores de gases (v.GRANDES PROEZAS DE ORGANIZAÇÃO ao acaso. Os processos de preparação dos pratos quentes variam conforme as companhias aéreas. As refeições nos aviões. as necessidades definitivas de refeições constam do ASPIC. Todos eles têm de estar verificados e prontos para embarque duas horas e meia antes da parlida. O número total dos artigos de cateríng de um Jumbo eleva se a 35 000. A bordo. libertando um gás detectável. o centro abastece 30 voos de Jumbo. Os 15 elementos do pessoal de cabina tentam pôr os tabuleiros em movimento imediatamente a seguir a estar pronto o principal prato quente. Recolhidos os tabuleiros c colocados novamente nos carrinhos. 97). Nenhuma máquina ou animal. incluindo acepipes e sobre mesa preparados de fresco. que atravessa as bagagens com radiações moderadamente radioactivas. são entregues a partir dos respectivos locais no edifí cio de quase 5 ha. serve-se aos passageiros uma refeição de três pratos (com o prato principal à es colha). SERVIÇO A BORDO No dia da partida. especialmente nas viagens de lon go curso. Refeições a bordo.Num voo intercontinental típico. mas feita com lacto. pão. são colocados 30 em cada um dos conhecidos carrinhos de transporte com a largura da coxia e levados juntamente com os carrinhos de bebidas com as louças e talheres e ou tros artigos. o centro começa a preparar os tabuleiros. O pessoal do centro de forneci mento de refeições da British Airwoys em Heathrow expõe o comida que vai ser servi da aos passageiros de um Jumbo. consegue detectar explosivos inodoros ou hermeticamente fechados. As revistas são agora apoiadas. salvando assim centenas de vidas inocentes. Contudo. Cerca de quatro horas e meia antes da hora da partida. Até que novos aparelhos sejam inventa dos ou aperfeiçoados. mas há pedidos cons tantes de dietas especiais por razões de saúde. religiosas ou culturais. p. Gerias frequências são parcialmente absorvidas pelo conteúdo. O enorme centro de prepara ção e fornecimento de refeições da British Airways. uni Jumbo acomoda tantas pessoas como um hotel ou um hospital de tamanho médio. As máquinas eslão a ser instaladas em certos grandes aeroportos. Em Heathrow. Nos voos da British Airways. . Londres. estão em progresso diversas técnicas. seis. o sistema automático do centro da Brilish Airways para o conlrolc da produção do fornecimento de comi da a bordo. Outro dispositivo é o aparelho de análise por neutrões térmicos. dando ao feixe de raios uma '"assinatura" que identifica os explosivos. a não ser que haja razões para suspeitar de determinado voo ou passageiro.é entregue por camiào-frigorífico. Num dia típico. por questionários que incluem perguntas sobre quem fez as malas dos passageiros e se alguém lhes pediu que transportassem alguma coisa. além do pequeno-almoço ou do lanche. para dar tempo a serem transportados para o avião. Foi o sentido de vigilância que levou os homens da segurança a descobrir a bomba na mala de Anu Murphy. Qualquer artigo de última hora — uma refeição es|)ecial para um passageiro diabético inesperado. Falta agora uma hora para a partida. Podem Iam bém ser encomendadas refeições especiais para crianças até 24 horas antes da partida. pois as buscas muito complelas conseguem tornar hostis até os passageiros mais pacientes. no destino. Umas cozinham previamente os alimentos para serem reaquecidos na estufa ou em fornos de microondas a bordo. especialmente para detectar explosivos plásticos. No ar. procuram ter o nível de um bom restaurante.

Singapura. . que é recolhido dos aviões logo que estes aterram. a ajuda nos iniinicações por satélite levaseus esforços de criar funram imediatamente a notícia à Bolsa de dos. Como d que por isso grandes quantidades desses títufuncionam as bolsas de valores? A bolsa de valores determina. seguindo-se um rar.se dirigem para obterem parte do capital de que preHoje em dia. por seu lado. duas maneiras princiem toda a parte quase imepais de o obter: ou o pedem diatamente. Há três séculos ou mais que as bolsas seguintes. do de títulos na segunda-feira porque o dinheiro obtido li) de Outubro de 1987. as acções. pelo prolos. portante de investidores potenciais — e O tradicional frenesim de compras e ao seu dinheiro. Os semblantes preocupados dos corretores de Estar cotada na bolsa dá lores das acções baixaram títulos londrinos refleclerti a consternação provocada peio crash mundial prestígio ã empresa.90 000 peças por dia — por meio de um íman. a onda varreu o Gloao ruído surdo da alta tecnologia. perguntavam. Todos A "Segunda-Feira Negra" veio chamar a tro britânico. A 800(1 m acima do solo. e Rothschild viu aumentar a sua o valor de cada título para a pessoa que o têm sido a praça aonde as empresas — e já considerável fortuna. A Bolsa ter desse investimento um de Sydney abriu as portas na rendimento melhor do que manhã de segunda-feira enaquele que conseguiriam quanto grande parte do dando ao sen dinheiro uma Mundo dormia ainda. recebeu a notícia dia terminar. Quando o }" voo tem duas ou mais escalas . do a notícia fosse conhecida. O mundo especial e arriscado do mercado de títulos Assim que se extinguiu o ruído dos calevando sucessivamente a cada bolsa res das bolsas está agora a ceder o lugar nhões no campo de batalha de Waterloo. possui em qualquer momento. Exemplo dramático foi a O segundo processo leni quebra verificada no merca vantagens para a empresa. cada um detêm vendendo uma parte de les reagindo sem demora às si próprias.Scgunda-Feira Negra. A bolsa é o local para a compra dres. e os seus títulos aumenfim-de-semana efervescente tarão de valor. por sua vez. ao jeito de leilões. as bolsas da dida que os corretores se computori sobre Napoleão foi levada por estafetas até Kuropa. o ciclo rei nicia-se. Os outra aplicação menos ar corretores foram inundados riscada. 0 preço subiu durante os quatro dias cesso do mercado livre da oferta e procura. Este financeiro. tenda comprar. eles representam um investimento para atenção para o mercado de títulos de pes a pessoa que os compra e uma forma de Rothschild sabia que o preço dos títulos sejas que normalmente nem reparam que obter fundos para a organização que os do Governo Inglês subiria em flecha quanele existe. a mudança de ementa é a única coisa que distingue um percurso do outro. No curto espaço de tempo em que O avião está pousado. e Nova Iorque outra vez. vendas. ou o obse em uníssono. Lord Liverpool.> 000 artigos. também alguns governos . a alguém que os preoutros. as organizações financeiAs empresas que necessitam de diras de todo o Mundo estão nheiro extra para financiar interligadas por comunicaas suas actividades têm.Londres- Abu Dabi-Singapura Sydney. à medida que cada panhia falhem por complebolsa ia abrindo para um to. A Bolsa tulos. a sua hora de abrir. um dos fundadores mais de 500 biliões de dólares antes de o e venda de valores — designação genéri da dinastia Rothschild. e os va. No local de destino do avião. é embarcada uma carga de . por ordens de venda. Mas os princípios básicos náo se ao banqueiro Nalhan Rothschild. nas ções electrónicas. sob a forma de notícias que recebe dos títulos. Este centro emprega lf>0 pes soas — mas apenas 130 na cozinha —. Comprou volumosas?. â mecm 1815. que não tem necessariamente se transmitiu como uma de ser devolvido. onde se deu uma venda em larga igualmente acesso ao conjunto mais immentos. Os compradores dos tínovo dia de trabalho. por exemplo —. a notícia da vitória dos aliados bo — Hong Kong. ca para os fundos do Estado. o que. Através da bolsa. a empresa tem cisam para financiar os seus empreendiTóquio. Os valozam. Os mercados de emprestado a um banco títulos do Mundo agem quapor um prazo fixo. caso os onda de choque à volta do empreendimentos da comMundo. em Ixin res das empresas americanas desceram alteram.também um centro de lavagem do equi pamenlo cie serviço utilizado a bordo. escala. mais de 24 horas antes do primeiro-minisas obrigações e títulos similares. ficam de Nova Iorque sofrera uma com direito a parte dos luqueda brusca na sexta (eira cros se a empresa prospeanterior. apesar da enorme automatização. nos corredo3H . e os aconeconomias de mercado litecimentos são conhecidos vre. As co dos mercados de títulos na "Segunda-Feira Negra" do Outono de 1987. Enquanto a Terra rodava no seu eixo. Como podiam dar se perdas tão emite. Há um aparelho que pega nos talheres . milhares de dólares. Esperam obde pânico financeiro. a companhia procura fornecer ementas diferentes para cada classe no percurso entre cada escala.

Uma empresa não é automaticamente admitida na bolsa. os membros náo estão sujeitos a um número preesta- belecido de vagas e a bolsa é aberta a qualquer empresa que preencha os requisitos de admissão. Km Nova Iorque. para vigiar a actividade diária das bolsas em representação do público. A fotografia mais aproximada mostraos em compenetrado colóquio.Passo acelerado. os títulos são vendidos para minimizar as perdas dos proprietários. o processo ainda náo é inteiramente automático: o corretor tem ainda de falar com o market maker para fazer negócios importantes. mesmo assim. Em Portugal há o chamado "mercado não-oficial". a regras estritas. como a Grá-Bretanha. que pode comprar ou vender a corretores que o contactem. por exemplo. e assim sucessivamente. O «floor». uma companhia cotada tem de ter um activo de pelo menos 16 milhões de dólares. São os sócios que elaboram as regras da bolsa. no qual os corretores. o mundo financeiro arrisca-se a um crash dirigido pelos computadores. que poderá ameaçar a estabilidade dos mercados nacionais e até internacionais. em baixo). "CRASH" POR COMPUTADOR? A utilização de computadores por alguns investidores no mercado de títulos criou um processo chamado "venda stop-hss". comprando e vendendo títulos públicos. as bolsas do mercado têm sido tradicionalmente ad ministradas precisamente por aqueles que lhes deram origem.6 milhões de dólares em Tóquio. como os de Nova Iorque. Assemclham-se a clubes privados muito exclusivos. 39 . com o aparecimento dos sistemas computadora computador. A cada es pecialista é atribuído o direito exclusivo de negociar em determinados títulos. onde são cotadas as empresas que não preenchem as condições impostas para a cotação oficial. por sua vez. Mesmo nas bolsas mais automatizadas. se juntam em volta do especialista. Estes mercados impõem condições menos rigorosas que as dos grandes mercados. Corretores da Bolsa de Tóquio rodopiando na zona central (à esquerda. é serem corretores — as pessoas que têm acesso directo aos market makers para comprarem ou venderem em nome dos investidores. Prevê-se ainda para breve a criação de dois "terceiros mercados" regionais (Lisboa e Porto). desencadeará outros. utilizando a sua carteira de títulos pessoal para corrigir desequilíbrios. mas obedecem. O especialista concilia compradores e vendedores da melhor maneira. Mas. de serem o ponto central através do qual os valores são comprados e vendidos. Em alguns países. igualmente importante.chega a cerca de 375 000 dólares em Nova Iorque e a 6. O negócio assume a forma de um leilão livre na sala da bolsa. Corretores da Bolsa de Honsf Kon# sentam-se em frente dos computadores e dos telefones. Quem administra as bolsas? Como templos do mercado livre. acções e obrigações. O segundo privilégio. gritando os preços por que eslão dispostos a comprar determinados títulos (o bid) ou a vendê-los (o ask). o market maker é a figura principal. provocando um consequente novo abaixamento. Uma ligeira tendência baixista no mercado de títulos poderá desencadear umas quantas vendas stop•loss. foi criada uma entidade independente. originando um crash difícil de controlar. Se o preço desce abaixo do progra mado. Em muitos países. "Market makers" e corretores O privilégio máximo concedido pelas bolsas aos seus associados é o direito de serem market makers em títulos — isto é. E caro e complicado para as empresas conseguirem cotação nos grandes mercados. nos Estados Unidos. Em outros países. Há regras para garantir que as empresas cotadas dèern aos investidores informações completas e rigorosas acerca dos seus negócios e os tratem com honestidade e dentro da lei. ou que pode comprar ou vender por sua própria conta. desde que os outros membros concordem com a admissão e exista uma vaga. com instruções dos seus clientes. e estas têm de obedecer às leis do país. 0 preço é elevado . a qualidade de membro pode ser comprada. Em Londres. Tóquio ou Londres. Na Bolsa de Va lores de Nova Iorque. Muitos países criaram mercados secundários para as empresas de menores dimensões que pretendem oferecer ao público os seus títulos. o "especialista" desempenha um papel idêntico. Os proprietários de valores dão instruções aos corretores para programarem os seus computadores com determinado preço para cada título. como a Comissão de Títulos e da Bolsa. Este.

Em 1697. Os corretores vagueiam consternados com a grande quebra da Bolsa de Nova Iorque em Outubro de 1987 (em cima) Há momentos de tensão fã esquerda) quando perscrutam nos seus computadores os últimos movimentos do mercado. com quase tantas empresas como Nova Iorque. Os market makers obtêm o seu rendimento do spread das suas transacções — a diferença entre os valores de compra e venda. A Bolsa de Valores de Tóquio ocupa o segundo lugar mundial. os corretores trabalham a punir dos seus próprios escritórios. Se o portador de uma letra precisava de dinheiro antes do respectivo vencimento. Num mercado baixista. as bolsas de valores. com cerca de 1500 empresas coladas. 40 . títulos que nessa altura ainda não tenham Na Bolsa de Tóquio. bolsa 50 000 acções com o valor nominal de 2000$ cada uma. Mas o desenvolvimento industrial do século xix e a explosão da oferta de acções e outros títulos criou a necessidade de instalações permanentes. a função de market maker é desempenhada pelas sociedades finan ceiras de corretagem (dealers). Em Nova Iorque. o equivalente aos especialistas de Nova Iorque são os dia mados saitori. por exemplo. Uma empresa que pretenda. Num mercado altista. o seu preço de mercado pode revelar-se superior ou inferior ao valor nominativo. Os negociantes vendiam letras de câmbio . o preço baixa. debaixo de uma árvore. Em Londres. na maioria. O preço dos títulos Os títulos cotados oficialmente são inicialmente emitidos com um valor nominal ou facial. eram ajuntamentos informais de corretores nos bairros mercantis das cidades. podia vendê-la a um terceiro Mas só no século xvn as bolsas começaram a evoluir para a sua forma actual. naquilo que mais tarde foi a famosa Wall Street. Quando há mais pessoas a comprar do que a vender. Os monitores mostram a situação do mercado. mas com um valor de transacções inferior a metade daquele. A Bolsa de Valores de Nova Iorque é o maior centro de transacções. Até ao princípio do século xix. à excepção de não serem autorizados a comprar ou vender títulos por conta própria: são meramente intermediários nas transacções da sala da bolsa. Desde a compuíorizaçâo da Bolsa de Valores de Londres. a um preço fixo. Em Portugal.Locais de pânico. os preços dos títulos estão a cair. uma vez que aqueles títulos comecem a ser negociados. foi introduzido em Inglaterra um primei ro sistema de regulamentação dos corretores. Quando há mais a vender. e os especuladores podem ainda fazer dinheiro concordando em vender. e a função de corretor. No entanto. ligada ao valor dos títulos que compram ou vendem por conta dos seus clientes. A Bolsa de Valores de Amsterdão reclama-se como a mais antiga. pelas sociedades corretoras ORIGEM DAS BOLSAS As cerca de 130 bolsas de valores do Mundo têm as suas origens na França e Países Baixos (Bélgica e I lolan da) do século xin. os corretores encontravam se ao ar livre. (brokers). o preço sobe. angariar 100 milhões de escudos pode pôr à venda através da Ciência de computador. que operam de forma semelhante. Os corretores trabalham geralmente à comissão. em 1987. repre sentando 60% do negócio mundial de títulos.declarações de dívida emitidas pelos mercadores em troca de empréstimos. fundada por volta de 1611. o negócio centrava-se em cafés. as pessoas compram títulos na esperança de que o seu valor aumente e venham a poder vendêlos com lucro.

John Aislabie. Desde os primeiros tempos das bolsas houve sempre tentativas de burla. por exemplo. é o inside trad ing. empreendimento que arruinou muitos investidores. Mas é conveniente "congelá-los" periodicamente para se poder comparar. o comportamento desses títulos o dos títulos do mercado em geral. o Financial Times/Stock Exchange 100 (Londres) c o Nikkei 225 Stock Average (Tóquio). o aço para a carroçaria pode vir da própria Espanha. As empresas de corretagem internacionais e os grandes investidores. Todas os países têm as suas leis próprias para evitar as burlas. A facilidade e comodidade de utilização do papel-moeda confere-lhe características tais que mesmo o recente aparecimento e desenvolvimento de meios de pagamento automáticos não tem provocado uma diminuição do papel-moeda em circulação. e um dos mais difíceis de suster. Um dos crimes mais notórios. como a US Securities & Exchange Commission (Comissão de Títulos e das Bolsas rios Estados Unidos). caixa de velocidades e sistema de injecção do com bustível da Alemanha. pois o processo pode envolver fábricas de todo o Mundo para a construção de um único carro. O Banco de Portugal não foge à regra de ter de queimar as notas em mau estado retiradas da circulação. acerca de uma empresa para se obter lucro com os seus títulos. Os índices são dados a conhecer a todo o Mundo duas ou mesmo mais vezes por dia. que consiste no uso de informações internas. Não se vislumbra ainda um substituto do papel-moeda. São mais de 150 milhões de notas destruídas anualmente. podem contar-se mudanças de governo. para assegurar o cumprimento dessas leis. Todos os dias é publicado nos jornais o preço do fecho de cada título. referente ao dia anterior. a suspensão. onde a empresa americana General Motors possui uma enorme linha de montagem. foi multado em 100 milhões de dólares e condenado a três anos de prisão. e alguns possuem agências. Por volta de 1720. Em Saragoça. As moedas em circulação podem durar dezenas de anos. Pagara quantias enormes por es S3S informações: só de uma vez entregara 700 000 dólares em notas usadas a um banqueiro numa ruela da Wall Street. quando tiverem que o fazer. Depois de admitir ter utilizado informações confidenciais sobre fusões de empresas. O financeiro nova-iorquino Ivan Boesky (ao centro) deixando o Tribunal. O valor de mercado dos lítulos é regido pelo comportamento da empresa que os emite e pela situação económica e política do país e do mercado. Como se constrói um automóvel Os filmes de desenhos animados mostram fábricas de automóveis em que. sendo os resíduos aglutinados em brikettes destinados a ser utilizados como combustível industrial. E é verdade: os governos de todo o Mundo queimam em cada semana tonela das de notas velhas. entra ferro em bruto e saem. o chanceler do Tesouro Britânico. privilegia das.pago: esperam que. Claro que se trata de uma falsa imagem: os automóveis não são totalmente construídos no mesmo sítio. à medida que se processam as compras e as vendas. até que a imagem se gaste ou a denominação se altere. Os acontecimentos nacionais que afectam os valores comerciais dos títulos são fáceis de identificar. Dinheiro para queimar Os cínicos afirmam muitas vezes que os governos parecem ter dinheiro para quei mar. Espanha. O inside trader tem de comprar as acções imediatamente antes de a companhia anunciar um aumento dos lucros ou de as vender antes de se anunciarem prejuízos. o preço lenha caído ainda mais. foi acusado de investir em acções utilizando informa ções confidenciais sobre fusões de empresas. mas as notas de pequeno valor mudam de mãos com tanta rapidez que se inutilizam em poucos meses. ou insider dealing. Os índices mais conhecidos incluem o Dow Jones Industrial Average (Nova Iorque). Mesmo as notas "grandes" não duram mais que dois ou três anos. carros reluzentes já a andar. foi preso por "corrupção infame": enchera os bolsos durante a venda ao público de acções da South Sea Company. nomeadamente os relativos à segurança e poluição. Foi condenado a três anos de prisão. mas o seu impacte é difícil de prever. não obstante os Australianos já lerem posto a circular notas de plástico. Este quantitativo põe ao banco alguns problemas. entre dois períodos sucessivos. E o progresso global do mercado é medido através de índices compostos por diversos tít u los-ehave. previsões de surtos ou quebras económicas ou aumentos súbitos no custo de matérias-primas essenciais. o motor de Inglaterra. que resultou na prisão de banqueiros e empresários. Entre eles. os pneus de França II . Em 1986. Mas a realidade não é muito menos notável. AS FRAUDES NA BOLSA "Inside trader". as companhias de seguros. O valor dos títulos está em constante variação. A operação de escolha das notas usadas e entradas no banco selecciona as notas incapazes de circular. um eminente financeiro nova-iorquino. que são depois totalmente desfeitas em equipamento apropriado com a garantia ria máxima eficiência. têm orçamentos cada vez mais elevados para os seus departamentos de previsão. por um lado. de modo que irão pagar menos do que aquilo que receberão. Ivan Boesky. Boesky fez uma confissão pormenorizada. como. pelo ou tro.

o chão do carro. em áreas do tamanho de três campos de futebol. só 30 das 2700 operações de soldadura são feitas à mão. figs. num processo que envolve diversas prensagens para a criação de um corpo exterior rebitado a uma moldura interior. gruas robôs entregam folhas de aço a máquinas de estampagem gigantes. se mantém hoje nas mãos do homem. a cada um dos quais competia uma tarefa específica. Inverteu-se assim a relação operário/produto. de algumas horas para 15 minutos. robôs constroem a parte inferior desta. martelando com vagar. Depois. Em menos de 10 anos. os painéis de metal nas estruturas de madeira. em 1913. Entretanto. Tapetes rolantes passavam as pe ças em frente dos mecânicos e transporta oam os motores até aos montadores (em cima). Henry Ford introduziu linhas de montagem na sua fábrica. Ford começou a fabricar auto móveis em Detroit. as portas foram construídas em linhas de montagem paralelas. A primeira linha de montagem Em 1903. Na fase seguinte. que moldam e cortam as peças de metal para a construção da carroçaria. Itália. Ao fim de cinco anos. de grandes dimensões mantêm em posição as ilhargas e o tejadilho para serem auto maticamente soldados no seu lugar. pois agora era este que pas sava por uma linha de operários. o rádio da Holanda ou do Japão. 1 2 .como as fábricas rio Fiat Uno em Mirafiori ou Rivai ta. com contribuições até da Austrália o da Coreia. com robôs a substituírem operários. No princípio do século. Aqui. foi preciso um génio de organização para aplicar o princípio à indústria automóvel: Henry Ford. como a instalação dos fios eléctricos. ou gabarits. a primeira fase consiste na chegada da chapa de aço ao sector de prensagem. Comercialmente. que produzem 3000 carros por dia —. precisão. Ford alargou •• o princípio à construção de Sr^V chassis. a peça que lhe competia. para a mala e para a roda sobresse lente. 40 máquinas reduzem o tempo de produção. ficou reduzido a hora e meia. cada um deles fixando ao chassis. Noutros tempos. e em três anos transformou se no maior construtor de automóveis da América. Em 1915. ao lado do qual se encontravam 50 operários.o Ford T . Depois. com a introdução do transportador movido por correntes. wrf Entusiasmado. A Ford Motors foi novamente pioneira em 1951 ao utilizar equipamento automático na produção de blocos de motor. por motor. No Fiat Uno. concentrava as suas atenções num único modelo . Quando pela primeira vez foi aplicado à produção de magnetos. a linha de montagem. O mundo dos robôs O desejo de poupar trabalho tem continuado a inspirar novos processos. Apenas as tarefas especializadas. era tudo muito mais simples. em cada minuto e meio saía da tinha de montagem um Ford T.ou de Itália. e com elevados custos. Numa cadeia de montagem típica dos anos 80 . eliminando tarefas monótonas e garantindo maior Montagem manual. o preço do Ford T desceu de 850 para 250 dólares. introduziu a ideia que iria revolucionar a produção automóvel. Embora os princípios da produção em série há muito se encontrassem estabelecidos para artigos como roldanas para barcos e armas de fogo.para aproveitar ao máximo as peças normalizadas. O tempo de montagem para os chassis desceu de 12 para fi horas e. procedendo a inúmeras soldaduras e criando uma forma complexa com espaços para o encaixe das rodas. Em 500 operações distintas. os primeiros automóveis eram produzidos de maneira semelhante à das carruagens de cavalos com os operários andando de um lado para o outro. e Ford vendeu 1. quando este pas sava. os resultados foram espantosos. Uma corda puxava os chassis ao longo de um trilho. reduziu o tempo de montagem de 20 para 5 minutos. Em 19/3.8 milhões de carros.

O depósito de com bustfvel é montado na parte traseira do carro.robôs para movimentar as peças —. injecta-se em todas as secções ocas. pulem. soldam e montam os carros com precisão rigorosa. óleo e combustível. As últimas demãos — habitualmente três — são de tinta acrílica brilhante. Vêm depois a suspensão. completo com a embraiagem e a caixa de velocidades. um carro recebe uma de cerca de 2000 soldaduras automáticas. Na última fase. Robôs controlados por computadores executam os trabalhos de produção na fábrica do Fiat Tipo em Cassino. contra a água. lavado e coberto com fosfato para o tornar mais recepti vo à pintura. Quando recebe o seu passe final. a gravilha.1 mm. a neve e o sal. a direcção. como os pilares e as longarinas.2 mm. .especialmente ao "teste de estrada" para verificação do seu comportamento. 0 carro. Após novas lavagens. A pintura da maioria dos carros de série tem a espessara de 0. À saída é inspeccionado antes de ser submetido aos últimos testes . uma cera especial para protecção Montagem robotizada. O carro é içado numa grua. Os pára-brisas e outras janelas fixas são frequentemente colados à carroçaria para melhor ajustamento e redução da resistência ao vento e dos ruídos. A fase seguinte são os acabamentos do interior. que produzem uma espessura de 0. é desengordurado. O carro recebe os seus "nervos" — o sistema eléctrico. são-Ihe aplicadas eleetrostalieamenle diversas deinãos de primário. o carro está completo e pronto para andar. utilizando um campo magnético para atrair a tinta. quase completamente montado. À direita. o radiador e a bateria e finalmente as jantes e os pneus. Depois de abastecido de água. nas linhas de montagem final todas as carroçarias são verificadas por laser para se detectarem as mínimas distorções ou irregularidades.protege o contra a corrosão e dá-lhe um acabamento bonito e brilhante. anticongelante. reduzindo assim a possibilidade de danos e a necessidade de mão-de-obra. é colocado por um sistema de elevação. os assentos e outros acabamentos são aplicados por robôs. o carro recebe o seu coração. o carro está pronto para o stand ! • . Os forros de feltro. calafetam. as alcatifas. A seguir. O acabamento A pintura de um carro é um processo importante . Robôs aplicam a cola aos bordos dos vidros e colocam estes nos seus lugares por meio de braços com dispositivos de sucção. Itália. Um Rolls-Royce recebe 22 demãos. Muitas fábricas utilizam transportadores . e o motor.Finalmente. Os robôs pintam.

Os furacões duram habitualmente cerca de uma semana. às vezes de hora a hora. nebulosidade. sistemas de radar. foi possível recolher informações de estações afastadas. Depressa se verificou que as subidas e descidas da pressão de ar correspondiam a alterações no tempo e que uma queda frequentemente prenunciava uma tempestade. a pressão atmosférica e a temperatura. quando se encontrava sobre o Leste do mar das Antilhas. balões meteorológicos largados de 950 estações por todo o Mundo recolhem dados da atmosfera até uma altitude de 30 km. precipitação. Os furacões enfraquecem habitualmente quando chegam a terra por se verem privados de humidade. situado em Bracknell. em 1840. características de uma tempestade tropical. Dois centros — o Centro Meteorológico Nacional de Washing ton. Computadores com a capacidade de 3500 milhões de cálculos por segundo tratam os dados para elaborar as previsões. observando a atmosfera até uma altitude de 80 km. entra em acção. Estas informações são fornecidas a uma rede de 17 estações espalhadas pelo Mundo. cocos. capaz de prever o tempo com semanas ou meses de antecedência. são avistadas. por uma questão de segurança. seis das quais se transformam cm furacões. o Gilbert atingiu a Jamaica com força devastadora. À medida que se eleva no centro do ciclone. A quantidade de informações actual mente ao dispor dos meteorologistas é espantosa. uma depressão ao largo da costa africana intensificou-se de forma progressiva. Mas só depois da invenção do telégrafo. Quando as nuvens em espiral. o ponto da sua penetração na costa. que.5 milhões de habitantes e destruindo quase todas as colheitas de que depen de a sua economia bananas. estas informações produzem 80 milhões de dígitos binários de dados de computador — equivalentes ao conteúdo de vários milhares de livros. até o clima local era frequentemente desconcertante na sua imprevisibilidade. por exemplo. O seu pessoal analisa uma imensidade de dados fornecidos por satélites. Todas estas observações fornecem cm conjunto uma enorme riqueza de informações — velocidade e direcção dos ventos. foi classificada de furacão e recebeu o nome de Gilbert. Os acontecimentos que mais põem à prova os meteorologistas são os ciclones tropicais — enormes tempestades de configuração circular que se formam sobre os mares dos trópicos. de previsão de zona para a aviação civil. de Junho a Novembro. em condições normalizadas (a velocidade do vento. o Cen tro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. Durante a estação dos fura coes. São largados regularmente por 950 estações em todo o Mundo. pressão atmosférica. No Atlântico chamam se furacões. Sob um céu de ardósia. é medida a 10 m do solo). II .Meteorologistas: sentinelas contra os desastres naturais Durante centenas de anos. humidade. Na década de 60. Indústrias inteiras — como a construção. os enormes pro gressos técnicos na recolha de informações e na análise de dados por meio de computadores fizeram pensar que a meteorologia poderia vir um dia a ser uma ciência exacta. que. até que no sábado 10 de Setembro.grupos de instrumentos que registam a humidade. No princípio de Setembro de 1988. recebendo energia do ar quente e húmido sobre os oceanos tropicais. em Miami. libertando calor e atraindo mais ar húmido para o sistema. formam o Sistema Mundial de Telecomunicações. Além disso. permitindo a previsão de mudanças iminentes com razoável segurança. Apenas se podia rezar ou inventar provérbios baseados na experiência: céu pedrento — chuva. no Pacífico tomam o nome de tufões. deixando sem casa um quinto dos seus 2. a navegação e a agricultura — dependem crucialmente de previsões de hora a hora e dia a dia. em conjunto. vento ou qualquer outro tempo. temperatura. A Organização Meteorológica Mundial recebe relatórios de 9000 postos e 7500 navios. Os balões meteorológicos levam para o ar radiossondas . afastando se do equador e enfraquecendo quando atingem terra. Só no controle do tráfego aéreo. formam se ao largo da costa de África mais de 100 tempestades. No princípio do século xx. Sele satélites meteorológicos perscrutam a Terra a partir do espaço. A previsão meteorológica local deu um passo em frente em 1643. Estações operadas por pessoal fazem observações várias vezes por dia. Saber hoje qual será o tempo de amanhã é fundamental para o ocidente industrializado. em geral por um satélite. os ventos destroçaram a ilha. nos Estados Unidos. Dois dias depois. as previsões globais que permitem aos aviões aproveitar os ventos de popa ou alterar as horas de aterragem para evitarem as condições adversas poupam anualmente milhares de contos de combustível. repe tem as operações um do outro. a rádio permitiu outro importante passo em frente. o vapor de água contido no ar condensa-se em nuvens. a fim de prever a sua trajectória — particularmente. Cerca de 600 aviões voando sobre os oceanos enviam diariamente os seus comunicados. e o Departamento de Meteorologia. quando o físico italiano Torricelli inventou o barómetro para medir a pressão atmosférica. Em cada dia. na Grã-Bretanha — são centros mundiais Balão-sonda. bóias automáticas e aviões.

Edward Seaga. Por exemplo. O número relativamente pequeno de mortes causadas pelo Gilbert. li. açúcar e vegetais. Podia ter sido muito pior: em 1979. Muitas vezes. os alertas revelaram-se desnecessários: quando o Gilbert chegou ao continente norte-americano. Os cientistas aceitam o facto de acontecimentos pouco relevantes poderem ter consequências enormes. e o Flora. Trouxe ventos fortes. afãs tando-se da ilha. . que é a sua falta de certezas absolutas. Não houve mais vítimas. vitimara 7200. Mas os efeitos podem ser Imagem de satélite. deixando 30 000 pessoas sem lar. e. No segundo seguinte. EUA. Os números que descrevem factores variáveis como a velocidade do vento e a temperatura são verda deiros apenas momentaneamente. realidade e previsões depressa se afastam entre si. no México. Os sistemas meteorológicos são imprevisíveis no seu pormenor. Por esta razão. Com a trajectória do Gilbert para norte. Narraganselt Bay. em 1963. esses números não passam de uma aproximação. por muito pequenos que sejam os desvios. café. Mas os meteorologistas não puderam ainda prever exactamente o que iria acontecer. da Luisiana e do Mississipi. mas pouca destruição. puseram-se em alerta as costas do Texas. Com a sua trajectória prevista. assolou a zona de teorologista tem do mundo real é melhor guia para o futuro imediato do que qual quer modelo computorizado. Instrumentos de detecção fornecem elementos a um computador que constrói imagens das nuvens por meio de códigos de cor num monitor de TV. estava já em dissipação. Rhode Island. cerca de 300. produzindo ventos com velocidade de 280 kirvíi — a mais poderosa tempestade que assolou o hemisfério ocidental neste século. marés altas e muita chuva. 0 primeiro-ministro. o limite actual das previsões úteis não passa de alguns dias. Neste caso. A morte inesperada do Gilbert ilustra bem o grande problema das previsões me teorológicas. o ar que se desloca do mar do Norte para os países europeus que o cercam pode formar uma delgada camada de nuvens que ou faz chover sobre a terra no dia seguinte ou se evapora com o calor do Sol. a experiência que o me- Carol. Depois. o estado do tempo em Nova Iorque. os meteorologistas lidam apenas com probabilidades. à medida que rodopiava.a ideia de uma borboleta batendo as asas em Pequim afectar. Houve uma corrida aos géneros nos supermercados e 100 000 pessoas fugiram para o interior. por exemplo. Referem-se jocosamente a esta verdade desagradável chamando lhe o "efeito da borboleta" . em 1954. enchendo as estradas e deixando para trás as suas casas fechadas e reforçadas com protecções. chainou-lhe "o maior desastre natural da nossa história moderna". o Gilbert quase duplicou a sua força. Este.Chicoteada pelos ventos. Os furacões deslocam-se sobre o oceano por acção do ar quente e húmido. o furacão David matara 1100 pessoas. na madrugada de quarla-feira. o Gilbert abateu-sc sobre a península do Iucatão. representou um tributo aos benefícios de uma correcta previsão meteorológica. Apesar dos computadores caríssimos e das suas fontes de informação a nível mundial. O resultado pode depender de uma diferença de temperatura de apenas alguns décimos de grau.

Todos os dias. Nova Iorque consome 5. O método habitual envolve a filtragem da água. O processo repete-se através de areias sucessivamente mais finas. as áreas verdes são vegetação. A rede de distribuição da cidade leva a água ao consumidor através de mais de 9000 km de canalizações. uma esperança. embora alguns reservatórios de serviço sejam subterrâneos. Os reservatórios são as manchas pretas à esquerda e em cima. A água que é fornecida às cidades provém geralmente de rios . de Reading. No primeiro leito. por duas vezes. por baixo de zonas públicas como os parques.um dia frio e enevoado ou quente e soalheiro. A água é canaliza da até às estações de filtragem e bombagem. são agora tão correctas como as que eram feitas a um dia há 10 anos. Inglaterra. El Nino provoca também invernos ou mais suaves ou mais frios nos EUA Ainda ninguém sabe porquê — mas talvez um dia os efeitos desta corrente sejam previsíveis. Nesta fotografia de Londres. em períodos que vão de três a sete anos. Estes estão habitualmente situados cm pontos elevados. na altura do Natal. contém água suficiente para inundar Manhattan até uma altura de 12 m. Há. por exemplo. Como se abastece de água uma grande cidade Diariamente. Um sistema de comportas leva a água dos reservatórios de armazenagem até a uma estação de tratamento. necida na zona do Tamisa é obtida do próprio rio.Nova Iorque. as cataratas do Niága/a vêem passar pela sua crista 72 milhões de metros cúbicos de água. que capta as impurezas maiores. o Pepacton. tirada por satélite. são superiores a 3 milhões de metros cúbicos. recolhe a maior parte da água que utiliza das bacias do Hudson e do Delaware. A água é tratada quimicamente pelo cloro num tanque fechado para destruir as bactérias e desclorada em seguida para eliminação do sabor que lhe confere o produto. realizadas no Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo. que inclui Londres e Oxford. provindo a restante de reservatórios e rios subterrâneos através de furos artesianos ou de poços. Mas seriam precisos 17 dias para essa catarata tonitroante encher os 21 reservatórios principais que servem a cidade de Nova Iorque: 1210 milhões de metros cúbicos. da zona do Tamisa. Na Grã-Bretanha. não é provável que as previsões venham alguma vez a ser correctas com mais de duas semanas de antecedência. através de leitos de areia que são limpos diariamente. As previsões a médio prazo têm melhorado com as inovações técnicas. Por outro lado. vida animal e indústrias locais. . Os cientistas pensam que existe uma relação entre a alteração nas temperaturas do mar e certas condições meteorológicas. os sólidos descem para o fundo. Previsões a três dias para a Europa. Como a água nos reservatórios está imóvel. onde se processa nova purificação. A água tratada introduzida na rede pode ser usada imediatamente ou desviada para armazenagem temporária nos reservatórios. Por exemplo. exclusivamente para uso doméstico. Só o maior deles. incluindo a utilizada pelas fábricas e escritórios.substancialmente diferentes . Ao mesmo tempo. Mesmo com o auxílio dos melhores computadores e a mais eficiente recolha de infor mações. uma corrente quente denominada El Nino peneira as águas muito frias ao largo da costa ocidental da América do Sul. o que representa cerca de 750 I por habitante. que a transportam até aos consumidores. a previsão a longo prazo (mais de 10 dias) não se tem revelado de confiança. Mais de metade da água canalizada for46 O abastecimento de água a Londres. a água infiltra-se na areia grossa.tubagens largas acima ou abaixo do solo —. por exemplo. É depois bombeada sob pressão para os ramais principais da rede . as necessidades diárias. nas quais os filtros a libertam dos detritos principais e as bombas a elevam para reservatórios de armazenagem. de certo modo.4 milhões de melros cúbicos de água. Além de ter consequências sérias no clima. o rio Tamisa è a linha preta que serpenteia a meio da fotografia. o oxigénio do ar neutraliza outras impurezas químicas ou orgânicas.

tenta-se criar sistemas de escoamento independentes (rede separativa). EUA . pelo que eram inundados até à saturação pelas grandes chuvadas. 0 mau cheiro que emanava da maré vazia era tão terrível que os Londrinos apenas podiam aproximar-se das margens ou das pontes com lenços cobrindo a boca e o nariz. por gravidade ou por bombagem. onde as matérias sólidas mais finas se depositam no fundo. onde. desde as casas e os escritórios até às estações de tratamento. Com o crescimento das populações e dos resíduos da industrialização durante o século xix. EUA. Uma família americana média produz quase 25 kg de lixo por semana.Como uma cidade se liberta dos seus detritos Em Junho de 1858. o número correspondente aproxima -se dos 17 kg. geralmente subterrânea. durante três ou quatro semanas. Esta situação foi o resultado de séculos de incúria nos despejos. Estação de tratamento. Em seguida. por exemplo. Estas e o líquido delas sepa rado seguem depois trajectórias diferentes. a imagem é no verdade uma Dista aérea de uma estação de tratamento de esgotos a norte de Baton Rouge. O líquido é encaminhado para esta ções de tratamento secundárias. no rio Mississipi. Embora pareça uma fotografia de micróbios. transporta as águas negras.frequentemente. a capacidade inicial da estação de tratamento de esgotos em Blue Plains passou de 490 milhões de litros diários na década de 30 para perto de 1100 milhões nos anos 70. na Pensilvânia. 0 tráfego no rio foi suspenso. os esgotos drenavam também as águas pluviais (rede unitária). paralelamente à maior eficiência dos processos de eliminação dos excrementos e de outros detritos líquidos (as águas negras). onde em cerca de oito horas determinadas bactérias destroem as matérias que o líquido ainda contém. Originariamente. condições atmosféricas invulgarmente quentes e secas provocaram uma queda brutal no nível das águas do Tamisa em Londres. Os esgotos 0 tratamento básico das águas negras em cidades como Londres ou Washington difere pouco dos processos criados nos meados do século xix. processos de tratamento dos esgotos antes da respectiva descarga. Hoje. As águas resultantes passam por tanques preliminares de sedimentação. a sua única fonte de água para beber . Desenvolveram-se em Inglaterra. e foram copiados e aperfeiçoados na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. No entanto.como grandes esgotos abertos. ou retirados e queima dos ou enterrados noutro local. altura em que as próprias bactérias são separadas para reutilização A água resultante está suficientemente limpa para ser lançada no rio. as lamas são bombeadas para tanques de decomposição. retira-se ainda água das lamas antes de serem vendidas como fertilizante agrícola. As águas são seguidamente bombeadas através de canais para eliminação das areias. tinham-se acostumado a tratar lodos os cursos de água que tinham à mão . Na estação de tratamento. o habitante médio da cidade de Nova Iorque deita fora em lixo oito ou nove vezes o seu próprio peso. e ainda hoje em muitas cidades. sempre que possível. as águas são passadas por redes de crivos que retêm os objectos maiores. e já foi aumentada desde então. como trapos e pedaços de madeira. Entretanto. Em Washington. em França. as lamas dos esgotos têm ajudado a reflorestar terras destruídas pela extracção de zinco. Em Blue Mountain. tomando a designação de lamas. os quais ou são triturados mecanicamente e reintroduzidos no processo de tratamento. Este passa em seguida por uma última sedimentação. Num único ano. a Natureza e o homem gritaram "Basta!". conquanto o seu volume aumente constantemente. Estes detritos são draga dos e lavados e posteriormente utilizados em obras de construção civil. o qual é canalizado e utilizado como combustível de accionamento das estações de tratamento. o crescimento das cidades modernas aumentou a produção dos detritos sólidos (lixos). bactérias convertem parte das lamas num gás que contém metano. que são precipitadas no fundo juntamente com pequenas pedras. As sobras de lamas são lançadas ao mar. Os Londrinos. como os habitantes de outras cidades po pulosas em todo o Mundo. Uma rede de esgotos.

o custo dos transportes torna-se demasiado alto para os orçamentos municipais. As infiltrações do lixo em decomposição contaminam a água de superfície e subterrânea. Esta fotografia aérea mostra leitos de filtragem de esgotos numa estação de tratamento de Baltimore. Mas. à medida que o volume de detritos aumenta. as lixeiras como a de Fresh Kills passam a ter menos capacidade de lidar com eles. o custo do enterramento pode chegar a 60 dólares a tonelada. menos de 5% da eliminação dos detritos sólidos. as lamas secas são vendidas como fertilizante. a Alemanha e o Japão. Em muitos países. Outro facto negativo na incineração dos lixos é o custo. podem libertar-se para a atmosfera durante a incineração se não se utilizar um equipamento adequado para a limpeza dos gases. recolhidos pelo Município duas vezes por semana. nos meados dos anos 80. Quando as lixeiras estão cheias ou se . e não é fácil encontrar novos locais. Este tipo de lixeira é. a não ser que a lixeira esteja especialmente equipada para o tratar. A vantagem da incineração é redu zir em dois terços o volume dos lixos. como o ácido clorídrico e a dioxina. as novas leis restringem o despejo dos lixos. proibiram a construção de incineradores. Outras substâncias tóxicas. as cinzas residuais podem conter produtos tóxicos que se concentraram durante a incineração. o da incineração pode atingir três vezes mais. têm de ser encerradas e aterradas (aterro sanitário). a cidade de Nova Iorque produz entre 24 000 e 25 000 t de detritos sólidos — a maior parte constituída por lixos domésticos. a mais utilizada e mais barata for ma de libertar a sociedade dos seus subprodutos indesejáveis que não podem ser lançados nas redes de esgotos. como a Suécia. temen do a poluição atmosférica. EUA. Na maioria dos países ocidentais. pelo que nem sempre podem ser lançadas com segurança em lixeiras normais.tornam um risco para a saúde pública. Mas nos EUA. Uma vez drenada a água. do ponto de vista mundial. onde é despejada naquilo que começou como uma cratera no chão e é agora o maior depósito de lixo do Mundo. O depósito incontrolado de lixos na terra pnxluz riscos para a saúde. no Maryland. os cidadãos. Como inconvenientes. cobrindo 1215 ha. Fresh Kills. Detritos sólidos Em cada dia. As lamas não utilizadas na terra são lançadas ao mar. Risco para a saúde. Desde 1960. o processo representava. Nova Iorque encerrou 14. Praticamente. Nos EUA. além de que o calor produzido pode ser aproveitado para gerar electricidade ou fornecer aquecimento. A falta de espaço origina problemas de poluição. há muito tempo que se emprega a incineração em vez da acumulação em lixeiras. Em Los Angeles. em Staten Island. toda esta montanha de lixo é transferida para um único lugar. Leitos de filtragem. Se distam muito da cidade que servem.

Em Setembro de 1987. O fogo pode alastrar insidiosamente por baixo de musgos e líquenes e conseguir sobreviver dentro dos montículos de terra Espuma contra o fogo. os incêndios no Wisconsin e no Michigan queimaram 1 700 000 ha e mataram 1500 pessoas. Em 1949. a água afecta também os materiais combustíveis e. do Oregon e do Idaho. Água contra o fogo. 94 bulldozers. Espanha . No combate a um fogo. 13 aviões-tanques e 4500 bombeiros. uma noite de combate em apenas uma zona — a Stanislaus National Forest — reuniu 376 carros de bomba e autotanques de água. Deitar água sobre um fogo não serve apenas para o arrefecer: em grandes quantidades. uma chaminé de ar quente causada pelos ventos que penetram na floresta. os bombeiros empregam uma combinação de duas estratégias básicas: o arrefecimento e a contenção. Mas é um espectáculo que se repete milhares de vezes por ano nas florestas temperadas de todo o Mundo. Em Portugal. Os números não oficiais obtidos até ao início de Setembro de 1990 apontam para uma área florestal destruída na ordem dos 108 106 ha. a França perdeu 156 000 ha de florestas em 350 fogos. quando incêndios queimaram uma enorme área da Califórnia. Na Austrália. por si só. ao tornar-se em vapor. As destruições podem ser enormes. Um avião anfíbio de combate aos fogos (em cima) derrama espuma sobre as chamas.Combate a incêndios na floresta Visto de perlo. em que consegue arrancar árvores e atirá-las ao ar. Os satélites. da luz do Sol ampliada por um vidro de garrafa ou de um raio. um incêndio na floresta c um espectáculo aterrador. Em 1971. 19 . através dos EUA. Um avião de combate ao fogo recolhe água de um lago Os aviões podern recolher atê 6400 I de água em 10 segundos ~ e fazer 200 voos por dia. os aviões de vigilância nocturna com câmaras de infravermelhos e a coordenação computorizada permitem prever as condições favoráveis aos incên dios e o controle dos fogos quando se declaram. Mas. 16 helicópteros.como este perto de Valência. Estas são presas fáceis de um fósforo. o calor de um incêndio consegue vaporizar 0 óleo de eucalipto. Em 1985.combalem se mais facilmente com agentes produtores de espuma. Alguns incêndios florestais . A informação é talvez a maior arma de fensiva contra os incêndios nas florestas. onde todos os verões ocorrem fogos. reduz a quantidade de oxigénio de ar que alimenta o fogo. a combustão provoca um remoinho de fogo. As chamas podem alastrar pelos arbus tos secos a velocidades que excedem os 140 km/h. Ocasionalmente. a área florestal afectada foi de 22 435 ha em 1988 e de 103 908 ha em 1989. fazendo arder árvores inteiras em explosões de gás. dando origem a fogos a centenas de metros de distância. a água pode não chegar. 81 662 fogos quei maram quase I 200 000 ha.

Em Nova Iorque e outras cidades em que as ruas são paralelas cortadas por paralelas. enquanto os aviões-tanques chegam a despejar 20 000 1 de água e produtos químicos. como se provou pelos incêndios que varreram os estados de Vitória e de Austrália do Sul em 16 de Fevereiro de 1983. um demónio com espírito próprio". Graham Simpson. o que. Quando. lançando-se em pára-quedas. em 1914. O resultado é angústia e desespero. com vista a circunscrever o fogo até que ele se extinga por si ou que cheguem as forças terrestres de combate. destruído quase 400 000 ha e 280 000 cabeças de gado e causado prejuízos elevadíssimos. combustível e outros encargos. gado e propriedades. existem corporações de bombeiros-pára-quedistas que atingem locais remotos ou de difícil acesso por terra. . as multas de estacionamento. a velocidade era de 14. aumentando. um smoke-jumper entra em acção contra um incêndio provocado por lava no monte Adams. que surgiram na década de 60. Os princípios do controle Através da História. com 800 carros de bomba e 200 bulldozers para abrirem quebra-fogos. por sua vez. Mas todas estas medidas não têm resol vido os problemas postos pelo constante aumento de tráfego. a visibilidade é má e os riscos são elevados. O objectivo é isolarem os pequenos fogos antes que alastrem. Muitas cidades ensaiam outras maneiras de facilitar o fluxo do tráfego. Nessa altura. as correntes atmosféricas são imprevisíveis. misturam-se com a água produtos químicos denominados agentes molhantes. Chamas com 36 m de altura varriam os estados. O calor é tão intenso que a água se eoapora sem produzir qual quer efeito sobre as chamas. em Nova Iorque e Brisbane. de 17 km/h. havia 20 grandes fogos num arco de 960 km. maiores e mais incontrolados. Ohio. encorajando a partilha dos carros particulares e introduzindo nas ruas faixas para transportes públicos (bus). em 1988. a velocidade média das carruagens de cavalos era apenas de cerca de 13 km/h. No século i a. Podem ainda juntar-se corantes para mostrar quais as áreas da floresta já tratadas. Durante dias. Cerca de 21 500 voluntários combatiam os fogos. de 16 km/h.5 km/h. As equipas de terra podem criar quebra-fogos para conter o incêndio. 660 km para oeste. C. combatendo-os apenas para proteger vidas. O problema reside na densidade do tráfego. Nal guns países. Os bombeiros reconhecem também que as suas possibilidades têm limites. por exemplo. Júlio César baniu a circulação de carros em Roma durante o dia. Km 1968. Quarta-Feira de Cinzas. declararam-se incêndios a 72 km a noroeste de Melburne e perto de Adelaide. Os sistemas computorizados.Bombeiro-pára-quedista. Nessa tarde. Uma vez aterrados em segurança. em Paris. os incêndios tinham causado a morte de 74 pessoas. O maior progresso dos tempos modernos foram os semáforos. os bombeiros-pára-quedistas {smoke-jumpers. Dentro de duas horas. utilizados pela primeira vez em Cleveland. o serviço permite que fogos naturais sigam o seu curso. as temperaturas tinham rondado os 40"C e os campos estavam ressequidos. O comandante da corporação de bombeiros de Vitória. fustigados por ventos de 110 km/h que lançavam tufos de erva cm chamas pelo ar e sugavam as paredes das casas. os automóveis não conseguiam andar mais depressa. os bombeiros saltam de pára-quedas para combater incêndios desde 1941. na Venezuela. Os veículos parados e em marcha lenta desperdiçam anualmente somas elevadíssimas em tempo. de 18 km/h. o Serviço de Parques dos EUA começou a empregar fogos controlados para evitar posteriores incêndios. que ajudam o poder de penetração daquela. e em Estocolmo. se insistiu em que os automóveis em Caracas só poderiam circular em certos Bombeiro de floresto. que cria um círculo vicioso: o aumento do tráfego leva à construção de estradas melhores e melhores sistemas de controle. com áreas inteiras de trânsito impossibilitado de se movimentar durante horas. 10 dias depois.() . empurradas por ventos quentíssimos. pouco se pode fazer.-. Em 1988. como se designam em inglês) abrem uma clareira em redor do fogo e derrubam as árvores secas. EUA. Descendo cru pára-quedas. O problema do trânsito nas cidades Após quase um século de melhoria na velocidade dos automóveis nas estradas e ruas e no controle do tráfego. comentava que um grande incêndio florestal era "um cataclismo que cria os seus próprios ventos e o seu próprio clima. Quando se extinguiriam. Para reduzir estes "pontos quentes". e dos velhos cepos de árvores para se reacender dias depois. Com o fogo em baixo. Pouco depois. Um bombeiro voluntário ajuda a combater um incêndio em Grose Valley. em Junho de 1987. as aglomerações das horas de ponta já têm produzido engarrafamentos em grelha. tem-se tentado arranjar soluções para o problema do trânsito. leva-se hoje tanto tempo a atravessar o centro de uma grande cidade como em 1900. Frequentemente. Por exemplo. em Copenhaga. Nos EUA. Austrália. os semáforos eram sincronizados por sectores para melhorar o fluxo. de forma a mantê-lo em movimento. O período de tempo em que se mantinham verdes podia ainda ser controlado pelo número de carros que passassem sobre placas de comando. permitem regular o trânsito numa secção interna de uma cidade. leva a um aumento do tráfego. Nestas condições.

onde sensores subterrâneos monitorizam a velocidade e o volume do tráfego. em Londres. Muntendo-se nos seus corredores. quando os condutores eram multados se entrassem na cidade às horas de ponta sem. da multidão de espectadores que sai de um estádio de futebol. milhares de crianças ofereceram-se como "passageiros" a troco de umas moedas. a complexidade é aterradora: a hora do dia. numa gravura do século xix de Gustave Doré. levando o tráfego a comprimir-se nas pontes e nos túneis. carruagens. Mantiveram-se os engarrafamentos . número este anualmente acrescido de 40 milhões. Em 1987. na Samarra do Norte. Em tudo isto o condutor individual é passivo. os semáforos podem desviar o trânsito de um acidente.ainda agravados pelos carros estacionados. utilizando os semáforos como comportas. milhares de pessoas compraram segundos carros. Em Singapura. dias da semana — conforme o último algarismo da respectiva matrícula —. os computadores recebem informações dos cruzamentos principais. O carro teria o seu próprio computador. Francisco. Fluxo de tráfego. o tempo que faz. E toda esta massa efervescente é ainda complicada pela necessidade de atravessar os rios que cercam Manhattan. Hora de ponta. contendo mapas pormenorizados e capaz de receber um fluxo permanente de infor- •>1 . havia no Mundo mais de 500 milhões de veículos motorizados em actividade. pelo menos. Cada cidade tem os seus problemas. I Engarrafamento de trânsito. em S. um carro funerário e um rebanho engarrafam Fleet Street e Ludgate Hill. Com o carregar de um botão. o trânsito bio queia urna rua da cidade comercial de Me dan. e cada bairro afecta os outros. dois passageiros no carro. Ónibus puxados por cavalos. Na tentativa de dominar a situação. carroças. Km Manhattan. A única solução para as cidades parece residir numa computorização cada vez mais complexa que permita aos controladores guiarem o tráfego como se fosse água. os veículos atravessam em bi cha a ponte de Oakland. a actividade comercial local. a época do ano . de trabalhos na rua. Aparentemente sem qualquer ordem. Os resultados podem ser notórios: nos bairros periféricos de Nova Iorque a computorização reduziu o número de paragens de cada veículo em 70%. a largura da rua.todas estas variantes afectam cada bairro. A verdadeira revolução no contro le do tráfego reside na navegação incorpo rada no veículo.Hi .

A informação era enviada a um centro de comandos computorizado.COMO EVITAR ENGARRAFAMENTOS POR MEIO DE UM COMPUTADOR 1. E de madrugada.e os monitores computorizados ajudam a localizar os pontos nevrálgicos. a primeira hora após o acidente c decisiva. o computador dava ainda instruções verbais e avisos de nevoeiro. O custo de instalação no carro seria idêntico ao de um telefone. 4. alterações da faixa de rodagem e desvios em voz sintetizada. e a distância a percorrer. Quase imediatamente. um veiculo não atravessa Paris a mais de 17 km/h . 2. vítima de acidente na estrada "Bom dia. O caso de Ana Ferreira. Posso ajuda lo?" A enfermeira-chefe Margarida San tos recebe a primeira chamada telefónica do dia na UCIP onde está colocada. 1 louve um grave acidente de viação numa estrada perto do hospital. a sua jovem passageira e um motociclista — ficaram feridos numa colisão contra uma camioneta. Em média. Controle central. em 1988. Quando há que salvar vidas. os condutores introduziram no computador o local aonde pretendiam dirigir-se. um mapa desse caminho. Mas o problema maior seria a instalação de milhares de semáforos para cobrir o pais. E para o pessoal da ambulância ê obvio que a rapariga — uma secretária de 20 anos. Nos ensaios feitos em Berlim e em Londres. traduzidas por uma seta num mostrador do tablier indicando o caminho que o condutor deveria tomar para chegar mais depressa ao seu destino. num dia enevoado de Novembro. mações sobre a situação do trânsito nas estradas de todo o pais. Finalmente. é a ferida mais grave Está inconscien- 52 . 0 condutor marcaria o código do ponto de destino c partiria. Fala da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes (UCIP). O destino era introduzido pelo transceiver do carro no semáforo mais próximo. trabalhos na estrada. Um oficial do Centro de Controle do Tráfego em Paris observa ima gens dos locais em que se começam a notar engarrafamentos. Três pessoas — um motorista de táxi. E o semáforo transmitia ao condutor. O centro de comandos enuiaoa ao semáforo indicações sobre o caminho mais rápido. Num ensaio de um sistema electrónico de orientação do trânsito em Berlim. o computador do carro traduzia a informação em conselhos claros e simples no respectivo mostrador: o melhor caminho era indicado por setas. A tecnologia para a introdução de um sistema deste tipo existe já. e urna ambulância com a sirene a tocar transporta velozmente as vítimas para o hospital. A resposta é "sim". através do qual o computador obteria do centro de informações as condições que o espera vam na sua rota. por dígitos. 3. situado num dos 240 cruzamentos da cidade. Ana Ferreira. Começariam então a aparecer instruções. o carro passaria um semáforo à beira da estrada. através do transceiver.

Uma delgada sonda de aspiração c-lhe introduzida pelo nariz até ao estômago para drenagem dos fluidos gástricos acumulados. onde o espaço aberto e as paredes cor-de-rosa tornam o ambiente mais acolhedor. a parte superior do corpo de Ana fica ligada a toda uma bateria de tubos e fios que vão ajudá-la a viver. introduz-se-lhe na boca até à traqueia uma delgada cânula de plástico. Enquanto estiver nessa unidade. que monitoriza a pressão arterial. Desde que um doente entra numa unidade de cuidados intensivos polioalentes. tem muita dificuldade em respirar. Devido às fracturas das costelas. Logo que a respiração de Ana estabilizou. A violência da colisão provocou-lhe rupturas no sistema circulatório e derrame do respectivo fluido e a ulterior acumulação nos pulmões pelo que é imediatamente conduzida à UCIP. A UClf de um hospital é um mundo fechado funcionando com uma equipa polivalente de médicos. inicia-se a fase seguinte do tratamento. c os exames radiológicos revelam a existência de fracturas rias costelas e da bacia. que por sua vez está conectada a um ventilador. ficando aí colocada enquanto for precisa. passa a ser vigiado 24 horas por dia. sangra do tórax e pareço ter graves ferimentos internos. Se necessário.te. e os respectivos dados registados. Mundo fechado. um cateter introduzido numa veia do pescoço. A enfermeira que tem Ana a seu cargo raramente sai de ao pé da cama e anota quaisquer alterações no seu estado. a tensão arterial e as pulsa ções serão verificadas periodicamente. Às 8 menos um quarto. Entre eles. onde lhe são tratadas as feridas superficiais. enviando lhe intermitentemente aos pulmões uma mistura de ar e oxigénio. . Este aparelho respira pelo doente. As enfermeiras raramente se afastam da sua cama e verificam constantemente a bateria de fios e tubos ligados ao seu como. Na enfermaria de cuidados intensivos. Por isso. incluindo o sangue. Ana será observada e vigiada de perlo em cada minuto do dia e da noite. que fornece informações permanentes sobre o ritmo e a frequência cardíacos. A chegada ao hospital. é-lhe extremamente doloroso respirar. os médicos fazem a "visita" da enfermaria. contam -se um electrocardiógrafo. Paralelamente. através do qual são repostos os fluidos perdidos. A equipa de enfermagem e médicos rodeiam-na imediatamente. enfermeiras e técnicos especializados. a uma determinada frequência. pedirá conselhos ou ajuda — que imediatamente lhe serão dados. a doente é colocada numa cama articulada e com rodas. lem lugar a rotina matinal da UCIP. Ana é encaminhada rapidamente para o sector de urgências e emergências. Vigilância de 24 horas Em breve. A respiração. e um outro cateter introduzido numa artéria do punho. Uma outra sonda de aspiração é depois introduzida periodicamente pelo "aparelho respiratório" para se poderem extrair as secreções dos brônquios e pulmões. no segundo andar.

do tempo e dizendo-lhe que ela está nas melhores mãos e recebe os melhores cuidados. e às 9 e meia chega um cirurgião para falar com Isabel. em frente do gabinete do especialista da UCIP. "Sempre que um doente morre. "A sua operação correu muito bem".que já passou cinco dias nos cuidados intensivos . cujos muples e a televisão foram presente de um antigo doente reconhecido. José. O choque inicial e o poderoso cocktail de analgésicos e sedativos que lhe foram administrados garantirão que assim seja. a enfermeira-chefe Santos e a sua equipa são rendidas para o almoço pelo turno da tarde. uma avó de cabelo branco que recupera de uma operação ao estômago feita na véspera. a terapeuta insiste com os doentes para que respirem fundo e tussam. 'Estamos muito contentes consigo. junto da cama de um dos doentes um rádio toca suavemente música ligeira. o capelão do hospital aparece. murmura a mãe.é deitado de lado. e Isabel Marques. faiando-lhe da família. Precisamos de falar disso com alguém que conheça e compreenda os nossos problemas. com fractura do baço e outras lesões internas em consequência de uma queda grave. Embora os doentes aqui instalados se encontrem em estado grave. José . Há alguns anos — antes de existirem unidades de cuidados intensivos polivalentes —. diz a enfermeira de serviço. "Estamos a virá-lo. "Voltaremos amanhã para te ver. Ana poderia ter morrido sem a vigilância. diz o radiografista aos doentes enquanto vai de uma cama para a outra. As refeições — essencialmente café e sanduíches . As enfermeiras esperam que a noite seja calma para que se possam concentrar nos doentes que já ali se encontram. As primeiras fotografias aéreas destina das a mapas foram tiradas em 1851 pelo francês Aimé Laussedat. Entretanto." Um pouco antes do meio-dia. chega a fisioterapeuta para a primeira das suas duas sessões diárias: José Silva. o telefone da secretária volta a tocar. Mas. já nada mais há para contar e os pais Ferreira levantam-se para sair. Um avião voando a 25 000 pés (7500 m) teria de tirar pelo menos 12 700 fotografias para cobrir a superfície da França." O relógio da enfermaria marca 10 horas Um gerador móvel de raios X é utilizado.» Às 13 horas. embora activa. Ele conforta-nos e dá nos o tipo de apoio mo ral e espiritual de que precisamos de vez em quando. ela prepara os pais para o choque que terão ao verem Ana cheia de fios e tubos que a fazem parecer ainda mais doente do que está realmente. E aqui que entra o capelão.doutra enfermaria ou doutro hospital —. As 8 e meia. lembrar-se-á pouco ou nada do tempo que aí passou. Para remover as secreções dos pulmões. Como sempre. devendo faixas adjacentes sobrepor-se em cerca de 30%. Saem. e um técnico radiografista lira radiografias aos três doentes. Ana será transferida para uma enfermaria cerca de uma semana após ter dado entrada na UCIP. Passa mais meia hora. Impossibilitada de falar devido a estar ligada ao ventilador. tudo o que se faz é lhes explicado. Ana abre os olhos de vez em quando para lhes mostrar que está consciente e percebe o que lhe dizem. Para a cartografia aérea. na casa dos 40. "Nessa altura. A sala de espera tem um aspecto acolhedor e aconchegado. As fracturas da bacia e das coste las de Ana." Às 9. o cartógrafo subiria ao cimo de um monte com os seus instrumentos e equipamento. hoje. Tem dois maples c dois sofàs-camas para o caso de um parente ou amigo desejar passar a noite! Maria. o sirvo abafado dos telefones e a conversa animada do pessoal de enfermagem.são igualmente tomadas aí. e as enfermeiras revezam-se para tomarem um chá com torradas na sala contígua. Se não houver novas admissões de doentes . Pálidos e apreensivos. Poderoso "cocktail" Se tudo continuar a evoluir sem complicações. Passam a hora seguinte junto da fi lha. com o avião voando alternadamente num sentido e em sentido inverso ao longo de faixas contíguas sobre o terreno que se deseja cartografar. Garante-se assim que todas as áreas parciais do solo serão fotografadas pelo menos duas vezes. Fotografias tiradas de aviões militares foram utiliza das para os mapas das trincheiras durante a I Guerra Mundial. o avião voa à altitude mais adequada à escala média da fotografia que se pretende para o mapa. "Posso ajudá-lo?" Como se utilizam as fotografias aéreas na elaboração de mapas Os cartógrafos actuais recorrem a um processo utilizado pelos seus antecessores mais antigos: sobem a um ponto elevado para terem uma visão geral da área que querem cartografar. afirma a enfermeira-chefe Santos. Embora a sua primeira preocupação sejam os doentes. consolidarão a seu tempo. Finalmente. "Só para ver se houve qualquer alteração aí por dentro". Só o soar do alarme de um dos sistemas de controle e tratamento das funções vitais que ultrapasse o respectivo limite de tolerância virá perturbar a tranquilidade existente enquanto não chega o turno da noite. já deves estar muito melhor. querida". se o seu estado se mantiver estacionário. que tomarào conta dos doentes durante as próximas oito horas. "Não demora depois voltamos a pô-lo confortável . a altitude de voo tem de ser de 7500 ni. Até que. são às vezes as próprias enfermeiras quem mais precisa dos seus conselhos. diz-lhe com um ar bem-disposlo. os pais de Ana são conduzidos à enfermaria e junto da cama. acima de tudo. mete a cabeça nos guardaventos que dão para a enfermaria: «Senhora Enfermeira estão aqui os pais da Ana!" Livre de perigo A enfermeira-chefe Santos corre a dizer ao casal ferreira que a filha se encontra agora perfeitamente consciente e que. As 11 tioras. O refeitório do hospital fica no andar de baixo. é para nós um golpe terrível". os pais de Ana chegam c são levados para a sala de espera dos familiares. "UCIP. Aproximain-se as 6 horas da tarde e o médico intensivista faz a última visita de rotina do dia — certificando se de que tudo corre bem e de que pode regressar a casa descansado. As fotografias são tiradas na vertical. ficará livre de perigo. a atenção e os níveis de cuidados ai' prestados minuto a minuto. mas que não seja uma de nós. mas mantém-se urna actividade e os ruídos constantes: o zumbido surdo das máquinas. subitamente. Se a escala for de 1:50 000 e a lente tiver uma distância focal de 150 mm. Na mesma faixa cada loto grafia deve sobrepor-se à anterior em cerca de 60%. que sobrevoou os campos num balão de ar quente. explica a terapeuta. os tubos ligados aos ventiladores de cada doente são substituídos para evitar a proliferação de bactérias no equipamento. Como quase todos os doentes destas unidades. Para que os músculos mantenham o seu tónus e as articulações não fiquem "presas". a empregada de serviço auxiliar da unidade. o ambiente é reconfortante e alegre. ela ajuda os doentes a mobilizar os membros. composto por uma enfermeira-chefe e três enfermeiras. boa noite". funcionário público local. são fotógrafos que sobem num avião. 54 . acrescenta a enfermeira. ''Especialmente se for uma criança.avaliando o estado dos doentes. para lhe ajudar a limpar o tórax". a unidade poderá contar com uma tarde calma. e o pessoal de serviço não pode estar tão longe e afastado — em tempo e distância — dos doentes a seu cargo. Nos tempos antigos.

o estilo deste e a sua escala. à escala de um planisfério — e um planisfé cartográficas de conceito matemático. os mapas poderão dis só mapas preliminares para verificação pensar o sistema actual de aerofotograme das por círculos ou quadrados. aos monitores dos aviões um mapa agrológico mostrando as áreas que unem os pontos com a mesma altitu dos navios ou dos automóveis. de modo que a. curvas de nível e zona Para "captar" os pormenores do de cor. Satélites em órbita do planei. Os pontos fixos. sob a forma de sinai: um mapa de . as florestadas e as de. Quanto mais próximas estão entre si pantanosas. A solucomeçou como um conjunto de edifícios possível planear uma viagem de aulomòve ção é utilizar uma das muitas projecções é amalgamada numa única forma. tendo em atenção a fi nalidade específica do mapa sempre à custa de rigor em certo< aspectos menos importantes par* cada caso. por forma a minimizar a< distorções. linhas electrónicos. como es tradas. (distância angular para norte ou para sul do equador) e uma longiKscolhida a projecção. Finalmencomo mapas acabados para impressão. mais pronunciado é o declive. as alde largura. sendo transmitido: outros elementos indispensáveis.1 terras muito distantes do equadoí p a r e c e m ter uma área muiti maior que a real. A Projecção de Merca tor. Outros mapas. os diferentes elementos. sadas acabarão por transformar-se num dem ser indicadas. as agrícolas. rios. tem igualmente de se dimiA representação da superfície curva da nuir o pormenor e passar a utilizar símboUtilizam-se diferentes escalas. milímetro ou polegada) represent. nos mapas de continentes inteiros ou de vencional. rio à escala de 1250 000 teria cerca de 200 n que dispõem os meridianos e os paraleNuma escala ainda mais reduzida. quinas de desenho comandadas elaborar um mapa pormenorizado da área (em baixo). registando automapor cada uma das quatro a seis CO ticamente a informação em algarisres geralmente utilizadas na im mos sobre fita magnética. tria. Pode usar-se sozinho ou como expressa em I cm = 2. metro. planearem novas estradas. um computador. Os mapas deste mapa pode ser feito à escala de 1:250 000 ção desde o nível do mar (geralmente vertipo são usados pelos urbanistas para. Uma projecção destinada a re pontos fotogramétricos. figurando em cada umi fias aéreas. 0 operador do estereorreslículas que são assentes em con tituidor aponta um foco luminoso junto e combinadas fotográfica sobre cada característica importanmente. por significando que cada unidade (centí de) até às altas montanhas (geralmente exemplo. conform» Terra num mapa plano é impossível de los. Os traçados à mãe wich). pelo computador produzem não No futuro. As curA área a incluir num mapa pode ser em A escala de um mapa vas de nível podem ser combinadas com escala muito grande — cobrindo apenas Um dos factores mais importantes na elabo cores . O sombreamento das 250 000 dessas unidades no terreno. los. (plotter) para verificação. escala se reduz. Un layer tinting — a fim de se indicar a variada em grande pormenor. registar e definir a posição e a altura dos pormenores da carta na escala desejada.estradas para motorista ou representada por curvas de nível. produzindo uma películi te da fotografia. Por exemplo. Os por pressão das cartas. obscrvam-se pares de fotografias seguidas através de um eslereorrestituidor. Seria im conseguir sem alguma distorção. bem como outros pormenores do deias são omitidas e as cidades representa :. ou 1" = 4 milhas cartógrafo aglutina num só alguns dos macomplemento de contour layer tinting. o sional. electronicamente aos aviões ou na como a área que o mapa irá abranVista aérea e mapa.processo denominado contour uma pequena zona do terreno apresentaração e na leitura dos mapas é a escala. Alguns mapa: menores "capturados" podem ser desenhados por computador pro simultaneamente mostrados num duzem directamente a películi monitor vídeo ou num restiluidor para a impressão. a qual é ajustada a uma rede de pontos cuja exacta posição no solo é conhecida. que imprimirá os mapa mapa traçado para determinado fim A altitude do terreno é habitualmente ou os transmitirá. estas linhas (cotadas em pés ou em metros).Por cada faixa. castanho ou roxo). é utilizada par? traçar rumos de navegação. Má com as suas casas e jardins (em cima) foi utilizada para monitores de computador. Pode haver mais de 20 pe terreno. nunca chegam a se troduzidas num computador com imprimidos. Pode então operar-se o eslereorrestituidor por forma a medir. ma? distorce a escala. por exemplo.: . Po Para traçar um rnapa numa escala meelevações dá ao mapa um efeito tridimenisso. o mapa t tude (distância angular para lesto traçado por desenhadores ou po ou oeste do meridiano de Greencomputadores. Estes to possível das reais distorce as dis pontos — como quaisquer outros tâncias e as direcções e não pod( sobre a Terra — lém uma latitude ser utilizada na navegação. uma aldeia ou vila que aquilo que se pretende do mapa. Um mapa do Mundo num atlas pode ter < pas em escala maior. denominados terreno. aquela escala podia igualmente se nor (e mostrar uma superfície maior). marcadas por pontos.5 km. urbanas. Todas as informações recolhidas e analitodo o Mundo só as grandes cidades popoderão enviar as imagens directamente . Mas. podem presentar os países com áreas e po ter sido definidos anteriormente siçòes relativas tão próximas quan ou criados para este caso. que mostra uma imagem de terreno em três dimensões. topografia no solo e impressão con te. e devem poder ser perfeitasão desenhados em películas so mente identificados nas fotograbrepostas. Uma fotografia aérea de urna praceta vios para navegação através do: ger. elaborados po As informações gravadas são incomputador. à medida que a escala de 1 :60 000 000 (I cm = 600 km).

e como as acumulações do Natal.Como o correio atravessa o Mundo Os serviços postais mundiais conjugam-se para formar um cérebro à escala da Terra e de uma complexidade fenomenal. Pierre deita a caria no correio na segunda feira de manhã. introduzindo os dados num computador central para que os res pectivos percursos possam ser monitori zados. as cartas são separadas por países e. que Pierre. assim seria num mundo ideal. no Sul de França Em Peace River. Os correios não eram bastante rápidos. onde se juntam aos 50 milhões de objectos tratados diariamente pelo sistema altamente mecanizado ria França. Alguém rio escritório ria empresa de serviços. um segundo carregamento transporta a correspondência para a capital da provín cia. os sacos de correio internacional juntam-sc a outros provenientes de cidades vizinhas. que lhe acrescenta um código de barras indicando o ponto a partir do qual a carta terá a sua distribuição final. e a avó lê as suas notícias ao pequeno almoço. na Colômbia. jovem engenheiro francês recentemente destacado para Peace River. Esle processo ocupa quase inteiramente a quarta e quinta-feiras. Uma segunda máquina agrupa as cartas em pilhas correspondentes às divisões administrativas. A carta está agora no quinto dia da sua jornada. porque os sistemas postais se preocupavam com entregas volumosas em peque na velocidade. Neste ponto. No sábado. As cartas provenientes do Canadá seguem para Paris. e o pacote para Quito é colocado num voo da tarde que faz escala primeiro em Bogotá. o saco para a América do Sul é novamente triado em Nova Iorque. ca pitai do Equador.os sacos para traves sia do Pacífico seguem para oeste. urn sistema poslal personalizado. Esle protótipo tem de estar nesta cidade na manhã de terça feira. por exemplo. Entretanto. os sacos são colocados no voo da noite para Nova Iorque. em Paris. A movimentação física de uma carta (em vez da transmissão elect ró nica do seu conteúdo) é uma operação lenta que exi ge trabalho intenso e representa um desafio constante para os milhões de pessoas que trabalham para os 169 Estados inem bros da União Postal Internacional. Os serviços internacionais de cou/iei surgiram no fim da década de (i(). são transportados para os camiões e comboios que percorrem o país com as suas 3000 t diárias de correio. A seguir à recolha nessa tarde. as duas cargas iniciam caminhos separados . embora esles factores muitas vezes se conjuguem. A quantidade de correspondência manipulada pelas 654 000 estações de cor reios do Mundo é impressionante. por sua vez. Mas surgem inevitavelmente complicações: como os fins-de semana e os dias feriados. com 330 kg. Na manhã seguinte. 480 km a sueste. Um serviço mundial de mensageiros São 5 horas de uma tarde de quinta-feira num activo gabinete de estudos e projec tos do centro de Frankfurt. aonde chega na madrugada de sexta feira. De Peace River para Nice Todo e qualquer objecto posto no correio passa a fazer parte desta actividade épica. aonde chegam ao fim do dia de ter ça feira. Imaginemos. a caria junta se a milhares de outras na estação local dos Correios. Um terminal de computador na carrinha indica ao condutor o caminho mais rápido. Uma carrinha entrega-o no local do destino à hora do almoço. próxi mo do Aeroporto Internacional de Frankfurt Ali. no Canadá. os sacos do correio. Esta máquina trata 40 000 cartas por hora. A noite. Aí. são executadas as operações de recolha e triagem no sentido in verso. viajam de camião para a cidade de Grande Prairie. e os serviços de courier conseguiam garantir entregas rápidas. Separam tam bém a correspondência internacional em dois grupos — um que irá para oeste. e a carta de Pierre embarca no voo de sexta à tarde. um mensageiro estava no gabinete de estudos meia hora depois. A estação dos Correios utiliza um Airbus para levar a correspondência para Marselha e Nice. como avarias. os outros para leste. escreve uma carta à avó. A Alfândega de Quito está fechada até segunda-feira. porque as empresas de todo o Mundo que podiam enviar um empregado a quase qualquer ponto do Globo em 24 horas por avião desejavam assegurar a mesma eficiência no envio de cartas e encomendas impor tantes. Edmonton. enquanto o documento rias especifica ções tem de estar na sede da empresa. incluindo a Europa. obrigando a atrasos. destinada a França. excluindo a correspondência local para Peace River. de COurier em Nova Iorque põe o saco destinado aos EUA num voo para o escritório cenlral da distribuição. Uma tela transportadora leva as da máquina para sacos que. Num só dia passam pelo sistema postal internacional 1000 milhões de artigos. Os funcionários sepa ram a correspondência local da destinada a outras regiões do Canadá. em Nice. para Vancouver. que vive perto de Nice. pessoal . em Nova Orleães. antes de aterrar em Quito na sexta à noite. O mensageiro recebe o envelope com as especificações e o embrulho com a má quina de lapidação e dirigese para o centro de distribuição da sua empresa. A estação divide a correspondência em várias subzonas para distribuição local. por zonas dentro de cada país. Esses mesmos dados são utilizados na preparação dos documentos de expor tacão e importação e na elaboração da factura para o gabinete de estudos. um voo interna cional de Toronto leva a caria para O Aeroporto Charles de Gaulle. O código postal da casa da avó de Pierre é lido por uma máquina codificadora. Na tarde de quinta-feira. respondência. mas o representante da empresa de courier prepara a documentação para desalfandegar o pacote na segunda de manhã. A chegada. Alemanha 0 pessoal prepara as especificações de uma nova ferramenta de lapidação de diamantes que criou e da qual um protótipo está embalado para ser entregue em Quito. À tarde. na província de Alberta.30. Neste caso. terça-feira. na sexta-feira. e a carta de Pierre junta se a pilha de corHl. com uma carrinha para transportar os artigos. A chamaria para os escritórios locais desse serviço foi feita às 4. Mas. para Toronto. onde o sobrescrito é colocado num saco para Nova Orleães e enviado no voo de ligação seguinte. O volume de correio internacional aumenta nova mente antes de ser transportado da Estação de Correios de Edmonton para o aeroporto. Uma leia transportadora leva o pacote para um saco com a etiqueta "América do Sul" e o sobrescrito para o saco dos EUA Cada saco será colocado no primeiro voo disponível com partida de Frankfurt. de manhã cedo. nalguns casos. uma carrinha leva a correspondência desde a estação de escolha para a estação central. uma máquina de laser lê o sobres crito e 0 pacote. Em Toronto. cada entrega representa um pequeno tributo ao empenho e à cooperação humanos. c entregue em mão na sexta-feira à tarde. e depois em Guaiaquil. outro para todos os destinos de leste. no sexto dia da viagem desde Peace River Pelo menos. como toneladas de embrulhos mal feitos e sobrescritos ilegíveis: como greves. Um serviço internacional de COurier aéreo foi contratado para assegurar a entrega de ambos os artigos. Esta coloca a carta de Pierre num dos 70 000 circuitos postais nacionais. atravessando o Pacífico. com chegada na madrugada de sexta-feira.

que é um terminal remoto do computador central do jornal. Em 1980. Na cabina da imprensa. Um artigo de 1000 palavras leva cerca de um minuto a ser transmitido. o seu adversário é um escandinavo mais velho e muito mais experiente. Nenhum acontecimento desportivo passa sem os repórteres fotográficos. o redaclor limita-se Tecnologia a duas mãos. A acres eentar ao relalo dos seta. os Correios criaram os seus serviços de courier. O começo da partida está previsto para as 14 horas e pode durar toda a tarde. de um encontro clássico entre "um jovem pretendente e um rei entronizado". a ligar o adaptador ao telefone mais próximo e a marcar o número do jornal. a DHL. Dm outro campo em crescimento competitivo é o remailing. O mercado para as entregas expresso. na véspera do jogo. 0 redactor e o repórter fotográfico chegam a Roma a tempo da conferência de imprensa. No entanto. pelo que vários organismos internacionais e principalmente a CEE estão a tentar regu lar esta actividade. Parece provável que os serviços de courier expresso continuem a expandir se para ir ao encontro das exigências das empresas. Muitas firmas possuem os seus próprios aviões e helicópteros e quase todas tem frotas de carrinhas e motos para as recolhas e entregas porta a porta. A noticia ocupará provavelmente as primeiras páginas dos matutinos sul-africanos. o resultado deve ser conhecido pelas 18 horas. a 8850 km de distância. Do outro lado do Mundo — reportagem para um jornal É um dia especial para os apreciadores de ténis na Africa do Sul — particularmente para os que vivem em Joanesburgo ou suas proximidades.is aparecem rapidamente. Um jovem da zona chegou às finais do campeonato italiano em singulares homens. num esforço de modernização c indo ao encontro das necessidades do mundo empresarial. cujas fotografias podem ser enviadas por transmissores especiais 57 . Em virtu de do grande interesse local. os serviços postais. na África do Sul. como diz o jornalista. o redactor vai agora entrevistar ambos os finalistas. a decorrer em Roma. Quando termina a sua história. o maior serviço internacional em termos do número de entregas. Com um leleío ne em cuciu mõo. em que a correspondência internacional é enviada do país por serviço de courier e metida no correio no estrangeiro. um jornalista recolhe elementos paru urna nova reportagem. o retnuiling é uma actividade considerada ilegal. As empresas de courier gastam anualmente milhares de contos com as reservas de espaço nos voos regulares de carga e passageiros e todas mantêm informações computorizadas sobre os horários de voo de todo o Mundo. o repórter fotográfico recorre a uma agência noticiosa internacional de cujo equipamento de transmissão fotográfica necessita. e o texto é transmitido directamente para o computador. Entretanto. curto circuitando assim. decide enviar uma equipa própria. O jogo termina com uma brilhante vitória do jovem tenista sul-africano. que tem a mesma hora de Roma. no receptor do editor de fotografia em Joanes burgo. Na Europa. Equipa da imprensa. como reproduções de negativos de alta qualidade. oferecendo as sim a rapidez e segurança desejadas. e o seu sucesso ou o seu desaire serão notícia em ambos os países. tratava 30 000 artigos em cada noite da se mana. já introduzido no seu processador de texto. que duplicou em cada dois ou três anos na década de 70. O redactor pode assim escrever um artigo sobre o ambiente geral e as expectativas que rodeiam a partida juntamente com as impressões de ambos os finalistas. as grandes empresas de courier e as administrações postais prometem entregas de um dia para o outro nos destinos europeus e prazos de dois dias para qualquer parte do Mundo. 0 transmissor envia as imagens através de uma linha telefónica e cl.próprio e as mais recentes tecnologias. Os jornalistas não terão dificuldade em mandar os seus artigos e as suas fotografias a tempo da primeira edição do dia seguinte. em parte. Por isso. o redactor pode escrever a reportagem no seu processador de texto portátil. O director terá de escolher a forma de fazer a cobertura da partida: apoiar se nos despachos e fotografias das agencias noticiosas ou mandar o seu próprio redactor despor tivo e um repórter fotográfico para fazerem a reportagem em primeira mão. Hoje. actual detentor do titulo Trata se. Revela os seus filmes e introduz num transmissor os melhores negativos. O jogador sul-africano é um adolescente que não ganhou ainda um grande campeonato ou torneio. atingia os 4000 milhões de dólares em 1988.

a ideia O dicionário pode incluir vocábulos de todos os tipos ou unicamente termos especializados (como num dicionário de química). um critério definido sobre a forma de pôr essa ideia em prática e os exemplos e citações relacionados com os vocábulos a incluir e com aquilo que pre tende dizer acerca deles. Depois de o editor de fotografia e o editor de desporto lerem escolhido a fotografia que ilustrará a reportagem. de forma a preencher esse espaço. O artigo sobre o campeonato de Roma. do tipo de dicionário que pretende. São quase 22 horas. o chefe de redacção-adjunto saberá qual o espaço de que dispõe. pelo director. aqui como em todas as fases do processo.já paginados. O primeiro Oxford English Dklionary. Na Alemanha. Às 20 horas. fica pronto em menos de 30 segundos. A velocidade. muitos jornais preferem ainda cortar as provas e colálas em folhas do tamanho da página método rápido quando executado por paginadores experientes. O chefe de redac çáo-adjunto certifica-se de que todos os artigos cabem nos espaços que lhes foram atribuídos e que náo surgiram enos antes ou durante a fotocomposição. signi ficado. Da fotocomposição sai uma prova em papel fotográfico para ser montada em página de acordo com a maqueta previamente feita. a reportagem constituirá o artigo principal das páginas de desporto Por outro lado. por exemplo).Montagem da página. tanto mais recentes são as edições que recebem. esse trabalho demorou sete anos. é fundamental. Quanto mais perto do centro de impres são se encontram os revendedores. A maioria dos dicionários exige consideravelmente menos esforço e tempo. completado em 1928. Conforme acordado na reunião de editores. Urna nova edição de um "dicionário portátil" com nome já feito pode levar cerca de dois anos. O chefe de redacção-adjunto pode chamar ao seu monitor uma imagem da página inteira tal como agora se encontra. as páginas são levadas à secção de impressão. Primeiro. Pode incluir ou não os nomes de personalidades e de lugares. O leitor satisfeito Deste modo. A elaboração de um dicionário: trabalho que pode durar uma vida Quando Samuel Johnson escreveu o seu dicionário de inglês no século xvm. de 1000 palavras. títulos e fotografias — e anúncios. o editor rie desporto chama a reportagem do ténis ao seu monitor. Um pequeno dicionário especializado como um dicionário de abreviaturas — pode ser es crito apenas por uma pessoa. Notícia de primeira página Por volta das 21 horas. relegando alguns artigos da primeira página para uma página interior. Quaisquer espaços em branco encontrados num negativo depois de montada a página são retocados com uma caneta preta especial (em baixo). Com todos os textos. O redactor. Depois de entrevistar os jogadores. iniciado pelos irmãos Grirnm em 1838. e faz-se um título que chame a atenção c se ajuste à história e ao espaço disponível. a página completa é fotografada. títulos. O chefe rie redacção-adjunto introduz a legenda da fotografia. comportamento gramatical. O artigo é então editado no monitor. e nesta altura todos os textos para a primeira edição têm de ser compostos. Estas últimas edições podem ser radical mente diferentes das primeiras. pronúncia. A meia-noite. levou 50 anos. Retoques. com frequência. pede uma linha à telefonista do hotel e transmite a sua reportagem com mais pormenores de fundo e mais colorido que as notícias de primeira mão da televisão e ria rádio. Pode dar muitos tipos rie informação acerca de cada entrada (grafia. Fazem-se primeiro fotocópias das páginas para serem aprovadas pelo editor de desporto. as páginas estão prontas para serem transferirias fotograficamente para chapas de impressão de zinco ou alumínio revestidas a plástico. o resultado rio tenista dá noticia de primeira página. tudo isto são notícias rie ontem. com 16 volumes. bem corno todos os outros textos. Urna vez verificadas e aprovadas pelos revisores. à passagem ria tinta. apenas foi terminado em 1961 — passados 123 anos c riuas guerras mundiais. Para ele. o redactor prepara a reportagem definitiva. Os patinadores (à direita) cortam as provas e colam-nas em folhas do (amanho das páginas do jornal. etimologia. com os seus 12 volumes e 252 259 vocábulos. A reportagem principal é depois lida e corrigida por um chefe de redacção-adjunto por forma que ela se encaixe no espaço que lhe atribuiu o editor rias páginas de desporto. o leitor de Joanesburgo interessado em desporto lê o relato da vitória do seu jovem concidadão. reportagens de última hora re clamam espaço na primeira página. se os houver . pois os jornais têm à sua espera as 80 carrinhas que os distribuirão pelos postos de venda. náo só porque são menos extensos como também porque os seus compiladores podem utilizar dicionários anteriores como fontes de informação. fotografias e filetes. escrita a partir da reportagem do enviado e que o chefe de redacção poderá ler no monitor. Nesse período ele teve rie escrever o significado de 40 000 palavras. com todos os outros artigos. pelo chefe de redacção e. entretanto. o Deutsches Wõrter huch. transita então para um equipamento rie fotocomposição de alta velocidade. O artigo. sinónimos e antónimos) ou apenas alguns tipos de informação (grafia e pronúncia. Pode ser monolingue (com os significados das palavras portuguesas dados em português) ou bilingue (com os significados das palavras portu- 58 . Pode incluir ilustrações e exemplos rio uso das palavras. aquele que o faz (o lexicógrafo) precisa de ter uma ideia. imprimem o papel. pois. obtendo-se em minutos um negativo a preto e branco a partir do qual vão ser feitas as chapas de impressão. enquanto toma o seu pequeno-almoço. está a acordar em Roma. Para escrever um dicionário. ajustando e corrigindo o texto que escreveu e que visualiza no écran da sua máquina. eventualmente. As chapas. ou conceito. Embora a paginação possa ser feita di rectamente no computador.

Actualmente. a maioria representa esforços conjuntos. por meio de computador. Mas lerá de interpretar com muito cui dado todos estes dados. têm de se estabelecer critérios para a sua elaboração. em Inglaterra. por exemplo. porque não são usados nas zonas do pais com que o lexicógrafo está mais familiarizado — mas antes de os classificar como tais ele terá de saber se certas regiões os não utilizam ainda na sua fala normal. facilitar a revisão (fazendo lis tas de artigos previamente assinalados para potencial eliminação. outro para a pronúncia. Pode ainda consultar os peritos sobre palavras especializadas e as pes soas vulgares sobre as suas predilecções e as suas reacções quanto à forma como as palavras são usadas. 5500 soldados alemães estiveram isolados pelo exército russo perlo da cidade de Kholm. e decidir se todas estas locuções terão de constituir entradas no dicionário. como devem ser tratados? E se uma palavra aparece mais de uma vez como entrada principal. como chão. c azul. É mais fácil. É possível que uma entrada seja produ to do trabalho de um único lexicógrafo. enregelados. soalho e pavimento. entre Moscovo e Leninegrado. por exemplo. o geral antes do técnico? Exemplos e citações 0 ponto de partida para decidir aquilo que vá ser incluído são os conhecimentos do lexicógrafo acerca da língua e o modo corno a entende. em que ordem devem aparecer esses significados: o mais antigo antes do mais recente.' Ainda quando uma palavra tem mais de um significado. Será ideal também que possua um vasto repositório de exemplos do emprego real dos vocábulos e das frases. grande parte do trabalho pode ser realizado por computadores. fim. uma mu lher que ficou parcialmente incapacitada devido a uma intervenção cirúrgica deci diu pedir uma indemnização. que conseguem tratar grande quantidade de elementos. um para cada significado? Ou ainda entrarão os dois primeiros num único verbete por terem o mesmo étimo (latim caput. Têm igualmente de ser sopesadas considerações sobre o espaço e sobre o tipo de utilizadores da obra. constituir uma entrada principal (como sacar e como rolba) ou unia subentrada — e neste caso dentro do verbete «sacar» ou dentro do verbete «rolha»? Capitáo-tenente será provavelmente uma entrada principal mas virá em capitão ou em tenente? Cabo (promontório. os soldados alemães. e os das francesas dados em português). Subitamente. por exemplo. Como se alimenta e abastece um exército na guerra Entre Janeiro e Maio de 1942. o literal antes do figurado. Os lexicógrafos que têm a sorte de pos suir citações utilizam-nas na elaboração dos verbetes e organizam o seu trabalho por forma que. Antes de o fazer. A elaboração do dicionário Num dicionário alfabético normal. ouviram o som distante de motores. que pode refleclirse na dimensão do dicionário. se o classificarmos como um "decápode". os verbetes para anabolismo. o léxico grafo deve tentar encontrar o equilíbrio entre a clareza e o esclarecimento ou a informação. Pode fazer-se uma lista alfabética. Uma solução será chamar ao camarão "um animal decápode (com 10 patas)". São uma espécie de memória arquivada da cultura em que são produzidos. que ordem dar às entradas: a mais antiga antes da mais recente. que se transformou num rugido quando 20 aviões de transporte Jun kers Ju 52. Determinados vocábulos podem ser facilmente tabelados de "obsoletos" ou "arcaicos". Material complementar. caudilho. os vocábulos relacionados entre si. como fotogra fias ou mapas. Na elaboração das definições. cabo (do martelo. Mas isso exige mais espaço. por exemplo. Ioda a gente perceberá. Com -30°C. em francês. encontrarão provavelmente outras informações úteis. graduação militar).guesas dados. Mas. dimi nuindo o número de entradas possíveis. clareza e solidez. cabo (chefe. de todos os exemplos de cada palavra nos textos escolhidos para investigação. o mais frequente antes do menos frequente. escoltados por duas esquaríri- 59 . O critério Uma vez decidido o objectivo do dicionário. Esta colectânea pode ser tão representativa do espectro da língua quanto o lexicógrafo o pretenda. a fim de darem lugar a novos vocábulos e significados) e garantir um tratamento homogéneo (mas não o rigor nem a clareza). Assegurar-se-ia assim que não se perderiam empregos impor tantes das palavras pelo simples facto de serem demasiado vulgares para despertar a atenção do lexicógrafo. "cabeça". mas o mais provável é que o seja de vários especialistas: um para o significado. bem como um meio de acesso a essa cultura Há alguns anos. Quando é que um vocábu lo deve constituir uma entrada principal ou uma subentrada? Deverá saca-rolhas. E ganhou a acção. poderáo aparecer muito distanciados. Se dissermos que um camarão é um animal "com 10 patas". muitas pessoas lerão de pro curar a definição de decápode. ao decidir-se quanto à quantidade de informações a incluir: deve rá a definição de água incluir a sua fórmula química (H^O) e os seus pontos cie conge lação e ebulição ao nível do mar-5 A importância dos dicionários Apesar de lodos os problemas. Alguns termos técnicos podem ser mais fáceis de explicar do que muitas palavras do dia-a-dia. Este reportar se á ainda a outros dicio nários e outras obras e a artigos acerca da linguagem. "extremidade") e terão os outros dois (respectivamente de copio. amontoavam-se nos abrigos subterrâneos e rezavam para que viessem os socorros. podem mesmo ser recolhidos exemplos em trabalhos científicos e até em revistas humorísticas. pode ainda ser preparado por outros especialistas. adjectivo (qualidade daquilo que tem a cor azul). substantivo. "'agarrar*' e de capulum. distinguir uma estalactite (que aponta para baixo) de uma estalagrnite (que aponta para cima) do que um quarto de uma sala. da vassoura) e cabo (corda) farão parte de um único verbete porque se escrevem do mesmo modo? Ou haverá quatro verbetes. Um dicionário geral incluirá palavras recentes (como sida) e novos significados de palavras antigas (como monitor). sobrado. ou ainda casa de banho e casa de jantar. A organização do projecto Embora seja possível alguns dicionários serem obra de uma só pessoa. também eles decá podes. catabolismo e metabolismo façam referências cruzadas entre si apesar de terem letras iniciais diferentes. ele terá eventualmente que saber explicar porque se diz quarto de ba- nho e sala de jantar. E. por exemplo. Fora o pior Inverno desde há 100 anos. Assim. tendo conseguido definir distintamente quarto e sala. o lexicógrafo pode consolar se com a ideia de que um dicionário pode ser um dos mais importantes instrumentos de auto-educaçâo. Mas os verbetes podem ser escritos ao mesmo tempo para garantir que os respectivos significados sejam devidamente comparados e que não faltem as referências cruzadas. recolhidos de escritos publicados c talvez de manuscritos e até discursos gravados. como o facto de os ca marôes estarem relacionados com as lagostas e os caranguejos. um terceiro para a eti mologia (a origem e a evolução do vocábulo ou da expressão). estudou durante seis meses dicionários de medicina para não ser enganada pela terminologia médica que seria utilizada no tribunal. como boleeiro. e referirá vocábulos antigos. "corda") cada um o seu ver bete próprio? E azul. ao fazê-lo. extremidade). E tudo tem de ser verificado quanto ao sou rigor. a mais frequente antes da mais rara ou o adjectivo antes do substantivo'.

lhes passaram por cima. Num exercício. os US Army Rangers treinam-se no salto e/n páraquedus por detrás das linhas inimigas. E na guerra moderna um ataque ou uma defesa eficazes dependem cada vez mais de um reabastecimento rápido e continuado. munições e medicamentos. em parte por não terem reabastecimentos. como se revelou em Setembro de 1987 durante as manobras militares Reforger 87. O exercício envolveu a mais vasta movimentação ultramarina de forças norte- americanas em tempo de paz. Soldados de infantaria recolhem embalagens de refeições durante um exercício militar. estaciona do em Fort I lood.a capacidade de abastecer uma força de combate com alimentos. iriam ser enviados para a Alemanha Ocidental. permitindo aos alemães sitiados repelir os ataques do Exército Vermelho. na fronteira indo -birmanesa. Quando os Ingleses e os Indianos avançaram. permite a entrega de cargas pesadas na zona de combale sem que o avião lenha de aterrar. As tropas das linhas da frente eram obrigadas a ir à retaguarda reabastecer-sc. lhas de caças Messerschmitt. como se constituíssem reforços aos seus colegas aliados no início de uma invasão soviética da Europa Ocidental Soldados e equipamento encontravam-se espalhados por mais de 30 estados Rações de combate. A logística . Movimento maciço de tropas norte-americanas Os problemas ligados ao reabastecimento são enormíssimos.Força aerotransportada. Um tanque Shcridan de IS t é retirado de um aoiâo Hercules por pára quedas gigantes Esta técnica. [. encontraram cadáveres de japoneses com ervas na boca. Os Japoneses não conseguiram tomar Imphal c Kohima. Km Maio. . um exército morre. transportando apenas provisões básicas. extracção por pára quedas a baixa altitude. Estaline extinguiu esse sistema em 1943. os tanques alemães conseguiram abrir caminho até aos sitiados. em 1944.ançainento de um tanque. no Texas. Uma divisão pesada moderna com cerca de lfi 000 homens e 1000 veículos empe nhados em combate consome pelo menos 5000 t de munições e 2700 t de com bustíveis por dia. A Bolsa de Kholm sobrevivera graças a um bom apoio logístico. munições e equipamento foi sempre um elemento essencial das artes bélicas. Estes voos de abastecimento continuaram por mais de três meses. Os 35 000 homens do III Corpo blindado. O céu encheu-se com riú zias rie pára-quedas com caixotes de alimentos. Sem esse fluxo vital. A frase de Napoleão "Um exército marcha sobre o seu estômago" é tão verdadeira agora como era então. A incapacidade do Exército Vermelho para suster a invasão de Hitler em 1941 deveu se em parte a um sis tema de reabastecimentos inadequado.

quase 550 pessoas trabalham na preparação c no serviço das comidas e bebidas no hotel. O chefe do pessoal das limpezas dá os loques finais aos arran jos para as funções especiais do dia. Das 9 ao meio-dia: chegam os administrativos Quando diminui a azáfama das saídas da manhã e já foram servidos os últimos pequenos-almoços. A equipa de limpeza nocturna lava e limpa o equipamento da cozinha e areia os serviços do pequeno-almoço. conferências. os 62 técnicos da manutenção fazem a sua inspecção diária completa. os cerca de 50 funcionários da noite preparam o hotel para o novo dia E esta a vida do hotel que os hóspedes não vêem. verificam-sc as horas do chegadas e parti das. dois dias depois. Dos aeroportos europeus foram levadas. Atrás do iobby do rés-rio-chão. Uma totalidade de 200 cozinheiros. são substituídos pelos da equipa de dia. distribuído o correio. luz eléctrica e força motriz. em reu niões de trabalho e negócios. o serviço de quartos prepara os tabulei Um dia num hotel de luxo Quando se aproxima a I hora de uma madrugada abafada de Hong Kong. Ao lodo.americanos. de onde voaram para a Europa. para entrepostos onde lhes foram fornecidos equipamentos da NATO ou para portos onde receberam equipamento pesado que chegara de barco através do Atlântico. O turno da noite da manutenção é suhs tituído pelo da manhã. onde chegam a trabalhar durante o dia 75 funcionários. e é cada vez maior a necessidade de rapidez. recepções e banquetes. famoso comandante da II Guerra Mundial: "Não compete às tropas preocuparein-se com a retaguarda. a farmácia e o cabeleireiro estão já abertos. Complementando esse trabalho. embora. Desde a altura em que foram convocados ate àquela em que se encontraram em posição de combate. por isso foi necessário ter material pré-armazenario para as primeiras tropas. fotocópias. desapareceram já os últimos '"vestígios" dos pequenos-almoços. um copo de whisky ou uma ceia inteira para si próprios e para os seus amigos. Fazem-se as reservas. procedendo a reparações e conservações de rotina. navios-lanques gigantes. e a zona de lojas. Do meio-dia às 3: horas de almoço Nas cozinhas. cargueiros movidos a energia nuclear.do direclor-geral para baixo — descansam. As luzes das zonas de convívio e dos corredores baixaram de intensidade. os grandes hotéis • il . Enquanto os cerca de 1250 empregados . Nos restaurantes. Os computadores transmitem os pedidos instantaneamente. incluindo a verificação da piscina e do equipamento da sauna e do ginásio — onde uma equipa de oito pessoas toma conta da sauna. cansados. nada mudou. as tropas não demoraram mais de uma semana. Da 1 às 7 da manhã: cozinhas e limpezas Nas cozinhas. Na cave. venha a ser necessário o reabastecimento dos bufetes. água quente . refrigeração. Das 7 às 9 da manhã: tudo em acção O hotel está agora bem acordado — como o estão muitos dos hóspedes. Os empregados do serviço do quartos preparam os pedidos para o dia seguinte e estão atentos aos pedidos ocasionais dos que não conseguem dormir e que querem um comprimido para as dores de cabeça. No entanto. num dia de ponta gastam se 820 000 I de água e recolhem-se cerca de 4. onde têm de ser confeccionadas cerca de 3750 refeições durante as próximas 24 horas. Assim acontece no Milton. os campos de ténis e a piscina encontram-se desertos. No futuro. contudo. Os empregados de serviço às salas de reuniões confirmam que estas foram convenientemente limpas. só ficaram os empregados da noite e uns quantos recepcionistas. Daí. os serviços adminislrati vos do hotel começam os seus trabalhos. 0 transporte em navios rápidos através do Atlântico leva mais quatro dias do que por ar. o reabasteci mento incluiria igualmente munições). Os 43 porteiros e mandaretes já verifica ram os seus registos de saídas e entradas. As (ropas foram conduzidas para os aeroportos americanos. com cinco elementos. o pão e a pastelaria para os pequenos-almoços estão a ser c. fax e telex durante 24 horas. A mudança é marcada pelo ajustamento do volume suave do sistema sonoro de comunicações para um nível que possa ser ouvido por sobre os ruídos do dia. Na recepção. Os abastecimentos urgentes podem ser transportados por helicóptero ou por aparelhos STOL (short-take-off-and-landing. como disse o marechal Rokossovsky. estuda a melhor forma de fazer publicidade ao hotel. As cerca de 60 lojas. e. 0 Corpo Blindado deslocou-se então para a sua zona do acção. Na zona da entrada. a equipa que trata da manutenção dos sistemas vitais do hotel ar condicionado. o Business Centre também já abriu as portas: põe à disposição dos clientes um serviço de secretariado. submarinos de carga e até grandes aviões poderão aumentar os reaprovisio namentos convencionais por ar e por mar. Na rouparia.o zidos desde a meia noite. perto de Miinster e Osnabruck. por volta da 1 hora. cada uma das duas divisões e as respectivas brigadas de apoio dirígiram-se a uma zona táctica de concentração ali próxima para reabastecimento de combustíveis e provisões (em situação de guerra. dá-so então início à limpeza e arruma çáo dos 750 quartos de cama. Os directores de vendas reúnem-se para decidir sobre estratégias e tácticas para o melhor aproveitamento do hoiel e das suas instalações não só o alojamento nocturno como exposições. os funcionários do turno da noite. Os res pousáveis pelo pessoal preparam-se para um dia que pode incluir admissões ou des pedimentos ou ficar se pela atençào dada às boas condições de trabalho dos empre gados. serviços internacionais de entrega de documentos e uma biblioteca de livros de referência. ajudantes de cozinha e empregados-de-mesa estarão envolvidos em preparar e servir as refeições. a maioria dos cerca de 1000 hóspedes do Hotel Milton já está recolhida. mas à retaguarda preocupar se com as tropas. Estrategicamente. ansiosos pelo pequeno-almoço c por mais um novo dia. de telegramas. Distribuem se os jornais da manhã para entrega nos quartos e afixam-se no átrio principal os avisos sobre os acontecimentos do dia no hotel. as mesas estão postas e as reservas verificadas. Os exércitos modernos são cada vez mais complexos.5 t de lixo. a quem entrega uma lista de trabalhos a fazer. No serviço de aprovisionamento. "de aterragem e levantamento em curto espaço"). Ao todo.está empenhada nas suas tarefas nocturnas. enchem-se os últimos ces tos com as mudas de roupa de cama e as toalhas para os quartos. marcados os quartos. os empregados fazem uma verificação de existências de última hora para se assegurarem de que têm todos os alimentos e bebidas para o dia. São organizadas as entradas e saídas. Os contabilistas sentam se em frente das suas calculadoras e computadores para examinar as finanças do hotel. Entretanto. Os empregados dos sectores administrativos há muito que terminaram o seu serviço. por estrada ou caminho de ferro. lorre de 25 andares de betão e vidro no sopé do Vic.toria Peak. rio banho turco e das insta lações de massagem. A preparação dos almoços vai avançada. a sauna. O pessoal de limpeza limpa as zonas de circulação e arranja as salas necessárias para funcionar durante a manhã. O pessoal de noite do serviço de quartos retira se e entra o de dia. o ginásio. a equipa de relações pú blicas." não dormem: a frenética actividade organizada de ontem limita-se a dar lugar a uma curta noite de preparação para amanhã. Entretanto. Os sete restaurantes c dois bares do hotel fecharam.

Atracou à 1 hora da tarde e partirá para a viagem de regresso a .2 . E. t está já em anda mento mais uma noite de preparativos. Alguns dos 90 contabilistas do hotel apuram a receita do dia anterior. pelas 4 horas. os 17 guardas de segurança do llilton au Um dia na vida de um transatlântico O sol da tarde banha o porto de Southampton. os pasteleiros de bordo produzem os 6000 bolos necessários para o lanche e os 5000 petits •fours para o buffet. Cada um dos 10 decks." andar. e a maioria das provisões — incluindo frutas e vegetais. que podem ser roubadas e copiadas. a lista de chegadas para ama nhã estará já pronta. as provisões já foram embarcadas. o hotel ajusta se gradualmente ao seu ritmo nocturno. a fim de prepararem os mais de 3000 pãezinhos e croissants servidos ao peque no-almoçp. no 25. a maioria dos vinhos. o dia de trabalho termina por volta das (i ho ras. embalados em contentores metálicos. entre outros artigos. Ao mesmo tempo. 10 000 toalhas e 500 camisas. o pessoal da recepção examina os relatórios diários do departamento de quartos — o segundo maior do hotel. bebidas alcoólicas e refrescos. por volta das 3 da tarde. o turno de dia do pessoal de manutenção ensaia o alarme de incêndio. Os mandaretes pegam nas bagagens e acompanham os hóspedes aos respectivos quartos. Das 3 às 6 da tarde: o chá A medida que se esvaziam os restaurantes e os bares. K 30 000 I de cerveja são bombeados directamente dos camióes-cisternas estacionados no cais para enormes depósitos de aço inoxidá vel que estão ligados por tubagens aos sete bares francos do navio. A medida que os hóspedes se vão recolhendo. os 14 padeiros come çam a sua longa jornada de trabalho nas três cozinhas principais. os hóspedes começam a tomar o chá. os 1000 tripulantes estão nos respectivos postos e a maioria dos cerca de 1800 passageiros já embarcou. 1. às 5 horas da ma nhã. os ele vadores e o sistema de comunicação sono ra. Os alimentos e bebidas serão suficientes para a travessia transatlântica de cinco dias. enquanto gmpos de trabalhadores das docas começam a carregar alimentos frescos e outras provisões a bordo do Queeit EBzabeth 2 o maior navio da Cunard Line e o único navio de passageiros que atravessa regularmente o Atlântico. Entretanto. cerca de 23 000 contos. abrindo-lhes as porias com cartões de segurança computorizados. A lavandaria. Nos bares. Qualquer coisa que tenha corrido mal nos quartos é. ali mentos enlatados e carne e peixe congelados — é transportada em tapetes rolantes para 0 interior. prepara-se para fechar. Uma vez por semana. Na recepção. quando muitos hóspedes começam a pensar nos cocktails e no jantar.desde saunas ejacuzzis até filmes e um centro de com putadores. Meia-noite: começa a noite de trabalho Chegou ao fim mais um dia. em vez das chaves tradicionais. o que permite aos cria dos e criadas de bordo preparar e servir desde chávenas de chá ou café pela manhã até complicadas ceias à noite. mentam discretamente a sua vigilância.ros e os carrinhos para os hóspedes que preferem almoçar no quarto. as empregadas de quarto enchem os baldes de gelo nos quartos. Uma vez no mar. na cozi nha. assim. Pelas 7 da tarde. com 217 empregados. Das 6 às 8 da noite: os "cocktails" Para a maioria do pessoal administrativo. Pelas 11 horas. Não há tempo a perder. apresentam-se os novos hóspedes. os empregados preparam as fichas de registo para o dia seguinte. Entretanto.Nova Iorque sete horas depois. o jantar já está a fazer-se. Sáo-Ihes dadas as boas vindas por uma banda de jazz tocando músicas conhecidas. de passageiros possui a sua própria cozi nha com despensa. Tudo foi preparado para o bem-estar e o conforto dos passageiros . que lava diariamente. a orquestra inicia o seu trabalho e na cozi nha pensa se já nas encomendas de alimentos do dia que se aproxima. 0 pessoal do serviço de quartos retira das portas as encomendas para os peque nos almoços. onde poderão aprender coisas novas como processamento de texto. através de quatro estreitas pranchas de embarque. depois do de alimentos e bebidas. os empregados-de-mesa e os bormen preparam tudo para a reabertura ao fim da tarde e. OU pavimentos. No Res tauranle Ninho de Águia. as 72 empregadas de serviço aos quartos e os 14 empregados de limpeza das zonas de circulação e salas já completaram os respectivos serviços. Na recepção. é içada cuidadosa mente para bordo por gruas. e sào encaminhados para os seus camarotes por quase 80 criados e criadas. Das 8 à meia-noite: o serviço de jantares A maioria dos 1500 hóspedes e visitantes que comem no hotel está a jantar. 0 pessoal de limpeza já aspirou uma área de alcatifas equivalente a 142 campos de ténis. rapidamente corrigida.

abrangendo a altura de dois decks. Por razões de segurança. é entregue em todos os camarotes um pro grama impresso dos acontecimentos do dia seguinte. Os cerca de 60 ajudantes de cozinha chegam a trabalhar 12 horas por dia nas cozinhas abafadas e sem janelas. NOS seus camarins. a ponte está em comunicação íntima com a casa das máquinas — por telefone directo — e com outras zonas vitais. as bailarinos preparam-se para a exibição Trabalhos de reparação. De manha cedo. Ao fim de cada noite.stres-cozinheiros .5 nós (60 km/h). Sentem -se frequentemente fatigados e com saudades de casa . trata se de uma forma cie ver o Mundo. em contacto com vários satélites cm órbita à volta da Terra. Alguns destes depósitos destinam se a servir de lastro para regular o caimento do navio. Para a maioria. São tratadas diariamente cerca de 480 t — o bastante para se encherem sete piscinas idênticas às do navio. existe uma campainha de alarme dentro do cada armário-frigorífico. este começa a inclinar-se. a partir de uma velocidade de 32.4 preparação da sopa começa às 7 da manhã. por qualquer motivo. incluindo o piloto automático. serve os convivas. .lodos homens. numa distância de cerca de 1. Chamada ao palco. Para reduzir ao mínimo os erros e as más interpreta ções. se utilizou mais água de um dos lados do navio que do outro. Para evitar tais acidentes. às vezes. Existe. conservam-se centenas de produtos alimentares. A casa das máquinas contem ainda uma aparelhagem de dessalinização e purificação da água. ladeado por uma águia de gelo. na parte mais inferior do navio. que mostra em cada momento o rumo. são entregues as folhas noticiosas. e os enormes ar mários frigoríficos das carnes estendem-so a quase toda a largura do navio 32 m. enquanto a maioria dos passageiros termina os seus pequenos-almoços.25 milhas (2 km). outros contêm a água para bet>er e a utilizada na lavagem da roupa. No seu interior. chegam os primeiros cozinheiros para preparar os ingredientes para as sopas e os estufados do dia. faz cruzeiros nos fiordes noruegueses. a equipa de ti pógrafos desempenha o seu papel na vida diária do navio. via satélite. o QE2. a água é rapidamente redistribuída pelos outros depósitos. Um cozinheiro. o primeiro que se instalou num navio de passageiros. Os motores gigantescos do QE2 estão instalados na casa das máquinas — diversas e extensas áreas de enorme pé direito. Mexendo o caldeirão. Planeamento antecipado. A verificação dos diversos depósitos de água. Como sede dos comandos do barco. um navegador marca a próxima rota 63 . todos os dias. Nas despensas. incluindo um de cozinha kosher. O rigor i\n leitura é inferior a 100 m. Cruzeiro nos fiordes. Centro nervoso O centro nervoso do transatlântico é a ponte de comando. um sistema de prevenção de colisões. Se. em 3 minutos e 39 segundos. Os 75 me. Kste instrumento assinala a posição do QE2 a intervalos de 35 até 100 minutos. um carpinteiro começa a consertar uma cama. a temperatura de -10°C mataria quem quer que ai' ficasse fechado mais de 12 horas. existe apenas uma escada que leva à pon te — e uma única porta de entrada que apetias pode ser aberta por dentro. Existe também um sistema de navegação por satélite. Alem disso.As 7 da manhã. Na oficina. além disso. com notícias de todo o Mundo recebidas a bordo. para o caso de as portas serem fechadas por engano. Para corrigir esta situação. Além de navegar no Atlântico. Cada um dos nove motores tem o tamanho de um autocarro de dois andares. de vez em quando. as instruções importantes são transmitidas à casa das máquinas por meio de um painel de teclas etiquetadas: quando Pratos frio».e. que recolhe água do mar e a transforma em água potável. A ponte exibe o mais recente equipamento de navegação. a velocidade e a direcção de até 20 navios. quatro vaporizado res a vácuo produzem 250 I de água por dia. Numa pequena divisão. é da responsabilidade dos carpinteiros de bordo. Mas a roda do leme continua a ser habitualmente usada quando o tráfego é intenso ou quando o navio entra ou sai do porto. começam a preparar os 2800 almoços e jantares. Geram 130 000 cavalos e conseguem fazer parar completamente o navio. alguns deles abandonam o trabalho assim que atracam. contudo. Na ponte.

Uma zona de arrozais perto de Seul iransforruada num complexo desportivo de 55 ha para as Olimpíadas de 1988. Quando a noite começa a cair sobre Southampton. Atiradores especiais alemães acorreram a salvar os reféns. lagosta e ostras — além de outros pratos requintados. quando os criados já voltaram ao serviço e oferecem aos passa geiros o luxo do pequeno almoço na cama.até à câmara escura. 64 . são submetidos a exames médicos periódicos Quem tiver excesso de peso é enviado para terra até emagrecer. os Jogos de Seul foram os maiores até à data — com mais de 9400 homens e mulheres. Nas 34 horas seguintes. o que se destina a eliminar. E nomeia-se uru comité organizador para planear e supervisar toda a operação — fazendo relatórios periódicos para o COI. Como Iodas as Olimpíadas modernas.pouco antes da primeira série de pequenos-almoços. competindo em 237 provas que abrangeram 23 modali dades. numa cerimónia de homenagem celebrada ao ar livre c presenciada na televisão por 1000 milhões de espectadores. Como se organiza o maior festival desportivo do Mundo Na manhã de 6 de Setembro de 1972. oito terroristas palestinianos tinham penetrado na Aldeia Olímpica. Cada edi ção dos Jogos Olímpicos demora seis anos a planear e organizar e já estavam em curso os preparativos para as Olimpíadas em Montreal. Paisagem olímpica. Desde a ponte que funciona 24 horas por dia . 5000 kg de fnita fresca. havia um estúdio de basebol (atrás) e edifícios com ringues e campos (à direita). dirigiu-se a 75 000 pessoas reunidas no Estádio Olímpico de Munique. tiveram de dominar bandos de estudantes desordeiros. às 8 da noite. Avery Brundage. então com 84 anos. A vida nocturna prolonga-se até de madrugada . tanto quanto possível. os Jogos Olímpicos de 1972 poderiam ter sido suspensos e o futuro das Olimpíadas posto em questão. onde o fotógrafo revela as fotografias tiradas em acontecimentos como o cocktail do comandante. No dia anterior. já todos os passageiros embarcaram e tudo se encontra a postos para uma nova travessia. do capitão para baixo. que podem tratar de tudo. o acontecimento foi da responsabili dade do Comité Olímpico Internacional (COI). perfeitamente equipada. em re presentação de 160 países. há sempre trabalho para a tripulação. que. Coreia do Sul. próximo da linha de água. Seja a que hora for e em qualquer parte do navio. o Queen Elizubetfi 2 sai majestosamente do porto e dirige-se para o Atlântico.Seul. que escreveria mais tarde: "O horror dos assassínios na Aldeia Olímpica de Munique alterou totalmente o conceito de segurança.. Canadá. O presidente do Comité Olímpico Internacional era o irlandês Lord Killanin. E assim. a influência dos governos. afirmou: "Os Jogos têm de continuar — e nós temos de prosseguir no nosso esforço de os tornar claros e honestos e tentar alargar a outras áreas o espírito desportivo dos campos de atletismo. os 60 animadores de bordo — músicos. E todos. em 1988. os Jogos foram suspensos e o seu destino manteve-se in certo. o pessoal terá aberto 6000 garrafas de cerveja e tirado 13 6501 de cerveja a copo. com os seus 292 m de comprimento. Comendo e bebendo Grande actividade espera a tripulação. A escolha da cidade Unicamente cidades — e não países podem candidalar-se a organizar os Jogos. foi uma das grandes prioridades nos Jogos de Montreal . Usaram-se 25 000 copos. 20 kg úepàté de foie-gras — além de cerca de 4800 potes de compotas e 100 garrafas de molhos e pickles.proporcionam aos passageiros uma escolha variada de entretenimentos. eles e os barrnen terão aberto 000 garrafas de vinho c 500 de champanhe. Nos bares propriamente ditos. 350 kg de lagosta. 18 000 talheres e lavaram-se e pu seram-se nas mesas quase 3000 toalhas. O COI escolhe o lugar dos Jogos e decide quais os desportos a incluir. Mas depois. croupiers. bailarinas e cantores . de manhã cedo. com sede em Lausana. as forças de segurança e antiterroristas. três enfermeiras e três paramédicos. Quando chegarem a Nova Iorque. 300 de gin e 120 de brandy. 500 de whisky. A ementa apresenta salmão fumado. O hospital de bordo fica situado a meia nau. mas os nove foram mortos no tiroteio que se seguiu e em que cinco dos terroristas também morreram.e o maquinista sabe exactamente o que é que se lhe pede. em 1976. Avery Brundage.uma das teclas é pressionada na ponte. Além do 'Estádio Olímpico (primeiro plano). a azáfama regressa ao começar um novo dia a bordo do mais luxuoso tran satlánlico do Mundo. Antes de escolhida a cidade. na sala de operações. onde o balanço do barco. Suíça. nas semanas que antecederam os Jogos. Os motores podem também ser comandados directamente a parlir da ponte. a tecla equivalente da secção de controle principal da casa das maquinas acende-se . tomando como reféns nove atletas israelitas e matando outros dois. Os empregados-de-mesa preparam se para servir o jantar nos quatro restaurantes do navio. presidente do Comité Olímpico Internacional. Em número de competidores." Não fora pela determinação de Avery Brundage. caviar. os criados terão servido 5600 kg de vaca. em que. Entre a tripulação. por essa razão. O pessoal do hospital é constituído por dois médicos.. com 100 000 homens. contam-se seis bailarinas. Depois do jantar. mal se sente. o comité olímpico do país assegura se de que ela é capaz de providenciar todo o pessoal e instalações para o desenrolar dos Jogos. desde um dente até uma operação ao apêndice." O número de tropas armadas e polícias superou os 6189 atletas c estabeleceu o critério para os Jogos futuros como os de . 32 000 artigos de loiça. Além disso.

acompanharam os atletas de Tóquio. durante o período olímpico de 16 dias. quando a Aldeia Olímpica foi construída numa área de 30 ha perto de um meandro do Tibre. em 1952 . cujos movimentos estavam sincronizados com o ritmo da música. Na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Seul. um quadro de 1400 funcionários serviu. sem qualquer remuneração. igrejas e sapateiros — que fazem bom negócio consertando os sapatos de corrida dos atletas. em 1964. ã razão de 6000 por dia — não foram tão felizes. Enquanto se ouvia o hino de cada país. havia 5000 intérpretes. lojas. formarem a respectiva bandeira. foi propositadamente construído um troço de monocarril entre o Aeroporto Hareda e o Estádio Nacional. incluía-se servi rem de tradutores para os comités olímpicos nacionais. a modernização e. túneis e quilómetros de esgotos foram rapidamente construídos — e 22 artérias principais em mau estado foram alargadas e denominadas "estradas olímpicas". O clima desempenha frequentemente um papel importante. tia colina do Tivoli. muitos dos 100 000 visitantes dos Jogos de Roma . urna equipa de 135 cozinheiros preparou diariamente cerca de 60 000 refeições. estações de correios. por exemplo. onde em 19 meses milhares de hectares de campos de arroz foram transformados numa minicidade de betão que incluía o Parque e a Aldeia Olímpica. jornalistas . Um milhar de habitantes que falavam inglês recebia os visitantes estrangeiros no moderno Aeroporto de Seul . em 1964.que chegavam ao Aeroporto de Fiumicino. Os empreiteiros privados aproveitaram a oportunidade para construir 178 blocos de apartamentos de luxo próximo dos dois centros olímpicos principais. Para os atletas judeus. O espaço vital era precioso nas Olimpía das de Roma. Km Montreal. recrutados nos melhores hotéis japoneses) é grandemente ultrapassado pelo número de guias-intérpretes necessários para os Jogos. Para os Jogos de Tóquio. prepara se comida kosher. em 1976. arrumadores e vendedores de bilhetes. Incluía um complexo de apartamentos com 4500 quar tos destinados a alojar 8000 atletas. em todos os Jogos Olímpicos Lima equipa internacional de meteorologistas emite diariamente boletins . por exemplo. Tiveram de dormir em conventos. 200 000 visitantes tiveram de ser alojados em hotéis ou apartamentos. Mas o número de cozinheiros (300 nos Jogos de Tóquio.muitos dos quais foram hóspedes destes voluntários durante os Jogos. erguiam cartões de diferentes cores para. K nas Olimpíadas de Los Angeles. e os novos proprietários alugaram-nos para os Jogos e só depois os foram habitar. uma ou outra prova esteve ocasionalmente prestes a não poder ser realizada devido ao nevoeiro cerrado (smog). Além dos funcionários. Além destes. rádio e televisão — e funcionários. em 1960. por exemplo. o que representou uma média diária de 3. Instalou-se mesmo um parque de campismo nos jardins da uilla do imperador Adriano. Em Los Angeles. Organizar os Jogos Olímpicos implica inevitavelmente a melhoria. milhares de voluntários sul coreanos formaram as bandeiras dos 160 países representados. Mas as aldeias olímpicas são mais de que quartos de dormir e instalações de treino. Auio-cstradas. certas provas têm de mudar à pressa de horário. os participantes. Contudo. pois incluem também cabeleireiros. recentemente construído. Por isso. por vezes. em 1984. a alteração do aspecto da cidade candidata. peixe e legumes. em ge- ti5 . Os alimentos frescos eram entregues diariamente por mais de 100 fornecedores e incluíam 20 400 kg de carne todos os dias. Os preços de venda dos apartamentos atingiram o equivalente a perto de 25 000 contos cada um. Quase 1000 intérpretes. e em Helsínquia. para as centenas de diplo matas e para os mais de 1000 jornalistas. em )98B. mosteiros e dormitórios de co légios ou acampar nos parques e zonas verdes da cidade. a Avenida Olímpica.Apresentação das bandeiras. 5200 calorias por dia A alimentação dos atletas constitui outra grande responsabilidade dos comités organizadores.que chegam a 20 por dia. incluindo as duas línguas oficiais do COI — francês e inglês. em 1984.quando a União Soviética pela primeira vez tomou parte nos Jogos —. bem como apartamentos e casas para albergar 35 000 atletas. discotecas.5 kg e 5200 calorias por atida — servidas numa cafeteria aberta 24 horas por dia e maior que dois campos de futebol. no seu conjunto. e são muçulmanos que se encarregam das cozinhas que fornecem alimentos aos atletas de religião muçulmana. teve de contar-se com a ameaça do frio e da neve. quase 30 000 sul-coreanos ofereceram-se para. Entre as suas tarefas. uma estrada de acesso. Assim. um total de 1135 t de carne. cinemas. Nas Olimpíadas de Seul. na Finlândia. Houve uma situação parecida em Seul. Construíram•se também um novo terminal aéreo. Palavam-se mais de 30 línguas.da imprensa. servirem de guias. que é o maior troço de monocarril do Mundo. conhecedores da terminologia desportiva.

urn para homens. Steve McQueen. Paul Newman. que recebeu 500 dólares pelo seu primeiro filme. Em Munique. a produção. Depois. de ensaios e de marcações das datas dos transportes e das filmagens.ral para evitar que sejam afectadas por temporais. há sempre qualquer coisa que corre mal. Wur Hunt. que dirige os actores e que dá ao filme a sua forma artística. aguaceiros ou granizo. de desenho dos cenários. Anteriormente. O Estádio Olímpico principal . As negociações podem durar meses. começa a tarefa de desmontar as aldeias ou de convertê-las para outros fins proveitosos. Diz o autor-realizador Steven Spielberg. outro para mulheres. E o instrumento medidor dos tempos para as corridas estava ajustado ao milésimo de segundo.a conjugação vcnto-temperatura atingiu os 53°C negativos . A primeira coisa essencial é "o acordo". Há dezenas de anos. os artistas e os orçamentos. os projectos podem ser aprovados. em geral. o enredo. produção e pós-produção. Como peça literária. Hoje em dia. de donativos de empresas locais e das contribuições dos habitantes das cidades. em poucas páginas. poder. Por tudo isso. com propostas e contrapropostas na casa dos milhões. as grandes estrelas detêm um enorme poder e há sempre uns 15 actores importantes que Ioda a gente pretende. Em contrapartida. o francês barão Pierre de Coubertin. por exemplo. Quando. Como acarretam enormes rendimentos para os filmes. os artistas estavam total mente dependentes dos estúdios. O argumento-basc mantém o esqueleto do filme. e pelo menos 12 homens perderam a vida em acidentes. Os que dominam o acesso aos financiamentos de filmes — como os agentes e os managers — adquiriram enorme influência. o orçamento e os exteriores K. No Estádio de Tóquio o quadro electrónico de resultados podia mostrar até 500 caracteres luminosos simultaneamente. . Os Jogos Olímpicos da era moderna tiveram início em Atenas em 1896. que são as forças por detrás de alguns acordos de Hollywood. que é citada na cerimónia de abertura de todos os Jogos. Robert Redford. que utilizavam contratos de exclusividade para os obrigar àquilo que pretendiam. Como investimento. por vezes. Robert Redford. Montreal foi um exemplo notório. James Caan c Warren Beatty todos recusaram 4 milhões de dólares para representar o Superman (1978). o escritor W. a maior estrutura pré fabricada do Mundo — revelou-se um problema importante. de elaboração de orçamentos. O processo. Só então o produtor que recebe grande parte dos honorários quando se inicia a rodagem começa a fazer dinheiro. Os jogos de Seul tiveram um lucro recorde de quase 500 milhões de dólares — mais do dobro do apurado em Los Angeles em 1984. a MGM e a Twentieth Century-Fox. pré-produção. Nesta fase. a Aldeia Olímpica estava dividida em dois sectores. o realizador. contendo pouco mais que 0 diálogo e instruções simples para sugerir o carácter do filme e o ambiente. três meses de greves sindicais. Se o estúdio aprovar o argumento. e todos os outros elementos tem de ser coordenados pelo acordo. decompõe se nas seguintes fases principais: concepção. com frequência. deu luz verde ao argumentista Lorenzo Semple Jr. os grandes estúdios cinematográficos. Uma vez terminados os Jogos. em 1980.a ideia (ou. Muito do dinheiro provém dos governos interessados e de patrocinadores privados. o conceito é apresentado por escrito e descreve. Os agentes transformam-se frequentemente em produtores independentes. Igualmente importantes são os "boletins desportivos". um filme é um jogo. Conseguida a viabilidade do acordo. ainda se colocava relva no estádio na manhã da cerimónia inaugural. Contudo. Dirio de Laurentiis decidiu fazer nova versão do King Kong de 1933. controlavam as ideias. Direitos de televisão Mas as compensações são igualmente impressionantes. Tempestades de neve e temperaturas baixíssimas . no seu todo. que dão a conhecer as classificações e os tempos. entra-se na produção. Pré-produçáo O período de pré-produçáo pode durar anos. em 1961. é pouco deu so — cerca de 135 páginas é mais ou me nos o habitual -. Agora." Geralmente. é grandemente modificado uma vez conhecidos o elenco. criou a máxima "Não para ganhar. ou conceito. O argumento.das quais a criação ou a compra do argumento é uma das mais importantes. de procura de exteriores. ganhou 100 000 dólares por dia em A Bridge 7òo Far (lima Ponte Longe Demais) (1977).em 1976. mas pode ser apenas uma ideia expressa por um título ou pouco mais. durante os quais se discutem os contratos e se contactam os artistas e os realizadores. como a Paramount. é que existem regras definidas. A grande parte dos ganhos de Seul proveio da venda de direi tos de televisão . Com os seus "elementos" . em 1976. O conceito A ideia fundamental. quando o filme está nas mãos dos técnicos. 66 Os ingredientes de um filme de Hollywood: dinheiro. um ou dois actores e o realizador —. as personagens e o interesse da história. Muitas estrelas dependem da sua própria imagem e recusam-se a ser contratadas quando consideram que o papel não lhes é adequado. O sector dos homens foi vendido ou arrendado para habitação. ela irá dar urn bom filme. arquivados ou rejeitados pelo estúdio. são pagos em conformidade. de um filme provém muitas vezes de um livro. Só durante a produção. o produtor pode pelo menos cobrir as suas despesas . quando o seu fundador. As imagens apresentadas pelo argumento apenas tomam vida quando lha dá o realizador — a pessoa que escolhe os ângulos da fotografia. inclusiva mente aditamentos ou prorrogações do contrato. "Se urna pessoa consegue iransmitir-nie uma ideia em vinte e cinco palavras ou menos. em 10 minutos. oito anos depois. o produtor vende o conjunto a um grande estúdio para obter os fundos (à volta de 100 000 dólares) para o arranque da produção. Certas ideias avançam com espantosa facilidade.só os EUA pagaram 325 milhões de dólares. conhecimentos e magia As grandes metragens de Hollywood nascem no caos da criatividade individual e vivem ou morrem ao capricho do público. Seguem-se meses de correcções do argumento. caso em que voltam a ser oferecidos ao mercado. mas para participar". concentram-se no financiamento e na distribuição. e "apenas" 850 milhões a dos de Seul. A montagem dos Jogos é uma tarefa altamente dispendiosa — custou 8000 milhões de dólares a dos Jogos Olímpicos de Moscovo. de greves de zelo e de absentismo quase fizeram parar os trabalhos. Querelas políticas e a complexidade do desenho atrasaram o início da montagem dos 11 770 elementos de betão armado do estádio.contri buíram também para que o trabalho fosse frequentemente interrompido. vai-se alterando com as filmagens até à sua forma definitiva. e o das mulheres é utilizado como bloco residencial para estudantes. Alguns dos 355(1 trabalhadores tiveram de lutar contra rajadas de 100 km/h. por muito bem que os Jogos estejam organizados. o argumento). Goldman recolheu dados para Butch Cassidy and the Sundance Kid (Dois Homens e Urn Destino) (1969) durante oito anos antes de começar a escrever o argumento. ou serviços computorizados de resultados.

Produção Um filme de longa metragem exige um pequeno exército de departamentos especializados: som. está um grupo de operadores de câmara e técnicos de som. iluminação. PeterOToole . câmaras. um elemento da equipa de iluminação. de 1964. foi filmado em cenários exteriores no Extremo Oriente. lais como os cenários e os técnicos — são calculados a partir do argumento. De Waay decidiu-se finalmente por Belize. As negociações são tão complicadas que dariam para um livro ou um filme. Os custos abone the Une . Um terceiro argumento serviu de base à procura dos locais para exteriores. caracterização. % i X i Os exteriores de "Lord Jlm". conseguira.produlor. esteve seis anos em pré -produção. e o filme foi lançado em 1980. por baixo da "girafa" (para captação do som). Mas ambos atingem os milhões.os directamente relacionados com o ofício de fazer filmes. publicidade e argumento. A Guerra das Estrelas (1977). operação já de si épica. redigem-se os contratos. BI • • r • W'/ P r tó^' » > i! Jt * * * r »«ffl • 1.* . enquanto a acção se desenrola e a câmara filma. arte. em colaboração com o presidente do pais.. e no topo do escadote. realizador. que as filmagens fossem nas Seychelles. Teve dois argumentistas e dois produtores antes de John Irvin ser contratado como realizador. Larry de Waay. Os custos behtv lhe Une . The Dogs of V/ar (Cães de Guerra).-. ti- 67 . tirado do best seller de Frederick Korsyth de 1974. Os realizadores são também parte do chamado star syslem. Náo há dois iguais. que custou 44 milhões de dólares em 1962 e perdeu dinheiro nas bilheteiras.rt>-' . cabeleireiros e guarda-roupa. arlislas e escritor — são abertos a negociação. Mas Mancham foi deposto por um golpe de Estado antes de iniciados os trabalhos. Um dos mais caros filmes de todos os tempos foi Cleópatra (1963).de boné preto -. Mesmo filmes relativamente simples e já definidos podem levar anos a serem concretizados. estas especializações têm a sua importância própria. o seu estúdio. Mas Gralfiti foi um êxito e ele aproveitou a sua nova posição para fazer um filme com a Twenlielh Century-Fox. Vê-se aqui a estrela do filme. de Stanley Kubrick. As filmagens realizaram-se. Depois de os elementos estarem definidos c o acordo assente cm princípio. na América Central. Conforme os filmes. a Universal. descreveu o filme como "uma desgraça" e quase decidiu não o lançar. A longa metragem Lord Jim. O produtor. M n tw? Y > • • r ••:•» SG ife . Quando George Lucas fez American Gralfiti (Nova Geração) em 1973. Os orçamentos das grandes metragens são uma constante fonte de fascínio. O departamento de design de 2001: Odisseia no Espaço (1968). Atrás. James Mancham. tanto para os produtores corno para o público.

o orçamento não permitirá a repetição da cena. 414). Rccusam-se a declarar lucros. Os duplos são importantes para os pro dulores de filmes (v. por exemplo. o pano sobe para uma noite de música. Só então o filme propriamente dito fica pronto para exibir ao público. As capacidades e a competência necessárias para lançar uma peça de teatro do princípio ao fim desde o financiamento da produção ao ensaio dos artistas . aos produtores e aos realizadores qualquer parte dos seus lucros. Pós-produçáo A montagem fase cm que se corta a película para articular os planos e as sequências .1. Em 1988. o burburinho cessa e os espectadores recostam-se nas suas cadeiras. que só pode ser escrita quando estiver praticamente com pleta a montagem do filme. orquestrada e integrada no enredo.2 milhões. Mas os efeitos especiais de hoje em dia requerem alta tecnologia (v. o preço inicial de uma peça musical é de cerca de 7 milhões de dólares. Na primeira versão de Ben Hur (1925) morreram 100 cavalos. facto esse que é especialmente verdadeiro em relação ao operador de imagem. Um motivo de peso para a mentalidade dos "sem-lucros" é que os filmes não só custam muitíssimo e rendem muitíssi mo como dão muitíssimo prejuízo. A perda de uma só das centenas de bobinas pode ser fatal para o filme. Há o guarda roupa e os cenários. frequentemente mais ricos que numa peça convencional. Após a rodagem. Há a música que precisa de ser composta. e isto mais vezes do que suscitam ganhos. exigiu um tubarão automático com 7. O índice normal dê aproveitamento situa-se entre os 10 e os 5%." Passageiro) (1979). de que apenas foi utilizado cerca de 1%. Uma questão particularmente controversa é a filmagem de cenas que provoquem danos em animais. Na década de 80. em Agosto de 1978. A rodagem de uma cena de batalha num filme de guerra pode custar milhões. 406). O Fantasma da Ópera. A realização já foi comparada à guerra . Em Steel (Homens de Aço) (1979). O próprio teatro tem de ser espaçoso e de natureza a acomodar o espectáculo — com boa acústica e lugar para a orquestra. A seguir à montagem. Para Apocalypse Now. entra em acção outra grande máquina . Devido aos limites de tempo.pode criar ou destruir o filme. 3. danças e canções. mas esta tem muito mais dificuldades que lhe são específicas. Falta ainda acrescentar um elemento fundamental: a música. . Apocalypse Now (1979). o Vietname foi recriado nas Filipinas. As cenas terão sido filmadas de muitas formas diferentes para permitir uma escolha o mais ampla possível.nha três delineadores de produção e um cenógrafo-decorador para os cenários. de The Brinks Job (A Grande Jogada) (1978) e pediram um resgate de 600 000 dólares (o resgate não foi pago: o filme foi montado sem aquelas bobinas e os prejuízos ascenderam a 9 milhões de dólares). Bakunas saltou de um edifício de 107 m para cima de uma enorme almofada de ar. só três em cada sete longas metragens lograram dinheiro . mas as dificuldades inerentes aumentaram para 31 milhões de dólares o orçamento inicial de 13 milhões. que lhe preenchem os esquemas musicais. Com Alien (O 8. Os responsáveis pela escolha de exteriores têm um papel igualmente vital. Os riscos e as compensações de pôr em cena uma comédia musical A sala obscurece-se. O Tubarão. a força da queda rebentou a almofada e Bakunas morreu.a promoção —. Os cineastas não sabem realmente como se faz um filme de sucesso: sabem apenas que certos filmes tiveram êxito. o compositor trabalha ha bitualmente com assistentes. um dos filmes com mais êxito de sempre. a Fox despendeu mais de 18 milhões de dólares nos chama dos ouerheads . A Columbia analisou o ET (O Extraterrestre) (1982). Porquê? Como escreve William Gold man no seu livro Aventuras no Mundo do Cinema. em One Million Years BC (Quando o Mundo Nasceu). Encontros Imediatos do Terceiro Grau (1977) precisou de 60 projeclores de arco voltaico suspensos 24 m acima do solo. Em 1966. em Nova Iorque. de 1975. Mas o que é preciso para que uma peça musical chegue a ser apresentada? Nenhuma outra forma de espectáculo exige uma tão complexa mistura de capa cidades de criação e execução Iodas as noi tes. algumas delas com 28 efeitos ópticos. Por exemplo.são inerentes também à peça musical.15 milhões em publicidade e 3 milhões em exemplares do filmeanúncio para apresentação em mais de 2000 cinemas. escrevendo as orquestrações exigidas. e o Ziegfeld. . Em liighpoint (1984). às vezes durante anos a fio. o técnico inglês de efeitos especiais Les Bowie criou o Mundo em seis dias por 1200 libras. Ser duplo é 68 urna ocupação perigosa e muito bem paga. O departamento de arte pode ter de resolver exigências como a de Franklin Schaffner para A Esfinge: apresentar um sarcófago egípcio com 800 a 900 peças de joalharia. as quantidades imensas de película têm de ser cuidadosamente reveladas. as cópias e a distribuição. Na Broadway. ainda não montadas. I lá a dança. foi rejeitado por todos os grandes estúdios. aos escritores. com excepção da Paramount. p. necessitou de dezenas de morcegos vivos. de Andrew JJoyd Webber. uma sequência que mostrava asteróides em The Empire Strikes Back (O Império Contra-Alaca) necessitou de 40 captações.horas de tédio interrompidas de vez em quando por momentos de puro terror. dependia cnicialmente da capacidade de Vittorio Storaro em controlar simultânea mente até 10 câmaras. A Esfinge (1981). concluiu que não teria público e rejeitou o. "o facto mais importante de toda a indústria cinematográfica" é: NINGUÉM SABE NADA ou seja nada daquilo que o público vai querer no ano seguinte. que tem de ser coreografada. e o realizador pode estar obrigado por contraio a pagar as despesas que excedam o referido orçamento. Os efeitos especiais e os duplos Os efeitos especiais constituem um campo de trabalho particularmente exigente. Stanley Kubrick impressionou mais de 300 km de película para The Shining (1980). amortecendo a queda com um "cabo de desaceleração". homens mascarados roubaram de um estúdio de Boston 15 bobinas. de Franklin Schaffner. Dar Robinson recebeu 100 000 dólares para saltar da Torre CN em Toronto. Em consequência deste e de excessos semelhantes.o que mostra a inconstância do gosto do público. Por exemplo. A. custou perto de 2 milhões de libras a montar em Londres. num total de 100 fragmentos de filme. luz. dizen do que os rendimentos foram para fazer face aos ouerheads.6 m. que engloba a publicidade. Depois. Os Salteadores da Arca Perdida (1982). É preciso encontrar actores que saibam dançar e cantar. Uma das razões pelas quais as negociações são tão difíceis — e o dinheiro necessário à preparação do filme pode atingir montantes tão elevados é os estúdios serem notoriamente lentos a pagar aos artistas. de Francis Ford Coppola. começou a haver um controle mais rigoroso. Só então o exército de pessoas envolvidas na sua feitura sabem se produziram algo de desastroso ou pura magia. Provavelmente. e esperam que o futuro seja como o passado. de 553 m. fazendo lava com papa de aveia. Tudo isto faz das grandes peças musicais a forma mais dispendiosa de produção teatral. Lima grande fonte de stress para o realizador é o facto de muitas das pessoas sob as suas ordens tanto poderem fazer como destruir o filme. p.

Les Misérables e Man from La Mancha foram adaptados de romances de Dickens. É ele quem selecciona o espectáculo. uma grande peça musical deverá ter casas cheias durante um ano. os produtores estiveram envolvidos no espectáculo desde o início. embora aceite a opinião do director. o principal papel feminino de O Fantasma da Ópera. Maqueta. onde e quando quiser. com música de Verdi e Offenbach.Para não perder dinheiro. e nomeou ce nógrafo-figurinista Maria Bjõrnson. Michael Crawford. As maquetas de Maria Bjõrnson para O Fantasma incluíam um dos seus efeitos mais dramáticos . os autores e os compositores têm em mãos um conceito que o produtor pode apreender facilmente.a letra. cujo corpo aparece subitamente pendurado sobre o palco. como peça do teatro. As verdadeiras restrições são de ordem financeira. O álbum musical vendeu-se aos milhões. Kiss Me Kate e West Side Story inspiraram-se em obras de Shakespeare. deu 250 milhões de libras em três anos na década de 80. O empresário opera com a sua organização de produção própria. contribuíram para os lucros. fechou ao fim de uma semana com um prejuízo de 7 milhões de dólares. os papéis principais são atribuídos com um ano ou mais de antecedência. O homem do meio 0 risco e a responsabilidade de montar uma peça musical assentam no produtor. assim. e sabem à partida que o enredo já provou ter interesse para o público. o diálogo e a música. As exibições foram simultâneas em Inglaterra. Os actores principais permanecem geralmente num papel entre seis meses e um ano. My Fair Lady derivou da peça teatral Pigmalião. as peças musicais de grande espectáculo são geralmente domínio dos empresários. viu o seu Dance a Little Closer sair da cena antes da terceira noite. pelo menos. O teatro pode ser privado ou do Estado. Cats. arranja os fundos e superintende a produção. foi escrito por Lloyd Webber para a soprano Sarah Brightman. de Beniard Shaw. ou libreto. das luzes e dos cenários. S. Por esta razão. Andrew Lloyd Webber lembrou-se de fazer uma versão para o West End. Car rie. 0 fracasso pode ser igualmente espectacular.o empre sário e o director. que trabalhara já para a English National Opera e a Royal Shakespeare Company. O empresário tem de ser capaz de obter os fundos necessários. Eliot. da Royal Shakespeare Company. de Lloyd Webber. O actor principal. No entanto. pelos aspectos técnicos e artísticos da produção e pelo ensaio dos artistas e dos técnicos encarregados do som. em 1984. Tem ampla liberdade de levar à cena aquilo que desejar. na América e em mais oito países. A génese de O Fantasma da Ópera é um exemplo de como as diversas linhas de evolução de uma peça musical acabam por juntar-se. Londres. Há dois tipos de produtor . e outras recordações. Charles Harl. O director é em geral um empregado nomeado pela administração de determinado teatro para as suas próprias produções. Até Alan J. Para simplificar o problema. O romance original foi escrito pelo jornalista francês Gaston Lcroux em 1911. Christine. Pensou também aproveitar música já composta. Cats teve origem em poemas ligeiros de T. Victor Hugo e Cervantes. muitos espectáculos musicais vão buscar o enredo a obras existentes sob outra forma. Mas igualmente importante é a existência de um compromisso por parte de um grande intérprete. o director é uma figura-chave: é ele o responsável pela distribuição dos papéis. depois de ouvidas outras artistas. Olioer. era um nome muito conhecido em Inglaterra. três pessoas diferentes. porque em geral são criadas por. A equipa criativa Em qualquer produção teatral. Devido às grandes somas de dinheiro que implicam. O projecto encontrava-se ainda em fase de concepção quando Lloyd Webber contactou Cameron Mackintosh e. Mas as compensações pelo êxito podem ser fenomenais.o assassínio de um trabalhador dos bastidores. Já têm também surgido formas de co-produção — tanto Cais como O Fantasma da Ópera foram apresentadas conjuntamente pelo empresário londrino Cameron Mackintosh e pelo grupo de Andrew Lloyd Webber. o papel foi lho entregue. era de Lloyd Webber e Richard Slilgoe . Lerner. particularmente na Broadway. Com um argumento já existente. por sua vez tirada de uma antiga lenda grega. pois torna-se assim mais fácil obter os fundos indispensáveis para iniciar a produ ção. depois de ouvirem trabalhos seus num concurso. A escolha do espectáculo Uma peça musical envolve três linhas de desenvolvimento separadas . The Really Useful Thealre Company. Lloyd Webber escolheu liai Prince. e o seu projecto lerá de demonstrar boa promessa de rendimentos para que os financeiros o apoiem. 69 . Para escrever as leiras das canções.que também escreveu letras para as canções. Foi adaptado a filme três vezes. cuja My Fair Lady figura entre os espectáculos musicais de maior êxito de sempre. Raramente estão todas prontas quando o produtor começa a tomar decisões. o produtor lem voz decisiva sobre quem desempenha os papéis principais. en tre cujos êxitos musicais se contam Um Violino no Telhado e Evita. Esteve no Thealre Royal de Stratford. E o diálogo. contra cerca de três meses no caso de uma peça de teatro declamado. nomearam um jovem desconhecido. mas depois decidiu escrevê-la. A atribuição dos papéis Nas produções importantes. que era então sua mulher e que não era ainda uma estrela de primeira grandeza. como T-shirts.

trabalham com percentagens menores — cerca de 2%. analisarem a sua reacção e angariarem fundos. interessando uma editora discográfica nos direitos dos álbuns da peça e autorizando o comércio de artigos com ela relacionados. a directora de cena-adjun ta. mais talvez uns 20% do rendimento da bilheteira até o espectáculo pagar o investimento e 12. As pessoas ligadas à produção dividem-se em dois grupos. que investem num espectáculo como po cliam investir em títulos na Bolsa. mar cham pelo caminho de ladrilhos amarelos ao encontro do Feiticeiro. Os produtores têm outras formas de obter fundos — por exemplo. os panos e os efeitos especiais. o Leão. Quanto menos fundos o produtor necessitar de obter de fontes exteriores. terá de asCoordenadora da produção. A angariação de fundos Enquanto o director reúne Iodas as componentes de uma produção. Andrew Lloyd Web- . Muitos produtores têm listas de empresas e indivíduos — conhecidos por "anjos" — que são potenciais investidores. Algumas despesas são fixadas desde o princípio — por exemplo. coordena no seu painel electrónico as gumento se encontra próximo da sua forma definitiva. O actor ou actriz principal podem receber um honorário básico durante os ensaios. Todos os outros aspectos da produção ficam sob o controle do director.5% depois disso. O mesmo acontece com os libretistas e o compositor. abriu em Nova Iorque com uma bilheteira previamente garantida de 19 milhões de dólares — o que lhe assegurava um êxito financeiro. Alguns produtores fazem uma experiência na província antes de trazerem a peça para um centro importante — para verificarem e corrigirem eventuais falhas antes da estreia de gala.Ao encontro do Feiticeiro. por exemplo. com enorme êxito na comédia musical Barnum.deixarão de constituir custos quando o espectáculo encerrar. que serão necessários por todo o tempo que durar a exibição. todas estas datas têm de estar previstas no calendário da produção. No ensaio geral (em baixo). tanto mais lucros pode arrecadar. Mas poucos empresários desejam tomar os riscos exclusivamente sobre os próprios ombros. Anni Partridge. Em qualquer dos casos. fazendo-o em percentagens que vão dos 10 aos 70%. As fontes habituais para o restante da 70 ber e o autor de letras Tim Rice — que trabalharam juntos cm Jesus Cristo. os cenários e o guarda-roupa. 0 Espantalho. cobertura são empresas ou particulares. álbuns e vídeos antes da estreia da peça . Muito do seu esforço dirige-se às vendas adiantadas de bilhetes. incluindo a publicidade e os anúncios. como o cenógrafo e o director musical.foram pioneiros das técnicas de editarem discos singles. Outras. Por luzes.o que lhes pennitiu despertarem a atenção do público. Outros fazem ante-estreias perante convidados. Primeiro. o produtor dá os toques finais nas questões financeiras. 0 seu orçamento discrimina todos os custos principais. o som. Algumas despesas estão ligadas aos rendimentos da produção como percentagens fixas. que permaneceu muito tempo em cena no West End. Uma das prioridades do produtor será reservar um teatro e marcar a noite da estreia. Outros elementos-chave. Supersíar c Eoita . seja em garantias pessoais aos financiadores. Os "anjos" não começam a ser reembolsados antes de estarem pagas as despesas iniciais. o Homem de Lala e Dorothy ensaiam uma cena de 0 Feiticeiro cie Oz. Durante a representasegurar-se de que o texto do arção de O Fantasma da Opera. seja em dinheiro. O Fantasma da opero. como o ancndamenlo do leatro e os salários aos elementos de segunda linha da empresa. são apenas parcialmente fixadas . O produtor e os seus associados concentrai n-se nas questões económicas. a estreia oficial pode ser daí a um ano ou mais. Conforme a natureza do espectáculo.

Na extremidade daquele ia urn saco contendo um walkie-talkie. A notícia da sua situação foi dada aos Serviços de Socorros Aéreos em Zurique.5 m da face do penhasco. Só podia ser içado um homem de cada vez. A perigosa tarefa de uma equipa de socorristas de montanha Aguilhoados por chuvas geladas. Os actores estão vestidos e caracterizados. por exemplo. termos com chá. em Agosto de 1975. à escalada da vertente nordeste. o director começa os seus trabalhos com o elenco. organiza leituras com toda a companhia. quase vertical. e combinou-se que seria Philippe Berclaz o primeiro. Berclaz des prendeu-se da parede e agarrou-se com força à volta da cintura de I léritier. Simultaneamente. o cenógrafo e o figurinista trabalham nos cenários e no guarda-roupa. o temporal amainou. Chegaram à montanha em uma hora e viram os dois montanhistas em apuros. Um mestre carpinteiro e os seus assistentes trabalharão finalmente com o cenógrafo na montagem dos cenários. A música é da responsabilidade do director musical. As canções. as danças e outras passagens especiais váo-se integrando nos ensaios. Uma equipa de salvamento no Bcn Neois . tinham passado quatro dias encurralados numa minúscula plataforma rochosa a mais de 3000 m de altitude nos Alpes Suíços. voavam os 160 km até Piz Badile num potente helicóptero Lama equipado com um guincho. Caía já a noite e o nevoeiro escondera o Piz Badile. Nessa noite. caso surja alguma emergência. em que os actores se movimentam segundo as instruções de cena. Os dois Philippes treinavam-se para guias profissionais de montanha e tinham partido. Enquanto se montam os cenários. Na madrugada do dia seguinte. ou mestre de dança.vezes. Os montanhistas tinham chegado a 150 m do cume quando o céu se cobriu de nuvens e eles se viram no moio de uma tempestade de neve. Os primeiros ensaios decorrem tanto com todo o conjunto da companhia como com alguns actores isolados ou grupos que precisem de instruções especiais para os seus papéis. por vezes. o director. Resta apenas fazer pequeníssimas alterações antes de o teatro abrir as suas portas e o público e os críticos dizerem de sua justiça. vestuário quente. chicoteados por ventos fortíssimos e com pedaços de neve caindo-lhes em cima de minuto a minuto. Siegfried Stangier não conseguiu chegar tão perto dos dois homens quanto pretendia. bem como para os secundários. desceram 40 m pelo cabo até a uma estreita plataforma rochosa sobre um precipício de 670 m a pique. quando as condições melhoraram subitamente. Com o cenógrafo podem trabalhar alguns especialistas — para criarem a iluminação ou estudarem uma caracterização especial. os diversos elementos váo-se conjugando e torna-se essencial passar ao palco onde irá decorrer a representação. que se ocupa de salvamentos na montanha. dois jovens montanhistas. mas na fase seguinte. Dentro de minutos. Os cenários poderão começar como maquetas pormenorizadas ou como desenhos e têm de ser aprovados nas várias fases pelo produtor e pelo director. o alemão Siegfried Stangier. as posições destes são indicadas no chão com fitas de cores diversas. gritavam por socorro. Antes de começarem propriamente os ensaios. que ainda estava seguro à parede de montanha utiliSalvamento de avalanchas. na fronteira da Suíça com a Itália. zum sondas paru hn alizar vítimas soterradas 71 . mas o vento desviava os seus gritos. sível qualquer tentativa de salvamento. tais como as mobílias de cena. um serviço comercial de helicópteros. ele e o seu piloto. e os grilos e assobios desesperados foram ouvidos no vale de Bergell. Impossibilitados de prosseguir até ao cume ou de voltar para baixo. Kstas leituras podem fazer-se em qualquer local. Tem de assegurar-se de que tem substitutos para os primeiros papéis. O director musical orienta os cantores e os músicos. A fase final — talvez uma semana antes da primeira representação em público — ê o chamado ensaio geral. Fortes rajadas de vento ameaçavam lançar o helicóptero de encontro à montanha. os bailarinos. fazem-se alterações até à noite da estreia ou mesmo depois dela. Na tarde do terceiro dia. e contrataram-no para tratar do salvamento. indicando a cada um como pretende ver desempenhado o respectivo papel. do Piz Badile. A orquestra está completa. Prenderam-se à face do granito com cordas e pitões e passaram assim os dois primeiros dias sob um frio agonizante. agarrando se como moscas à parede branca da vertente nordeste. De tempos a tempos. é necessária uma sala de ensaios ou um palco. como uma lâmina gigante. Ensaiam-se as luzes e os efeitos. Socorristas de na neoe. Como em geral não há cenários. E um outro técnico tem a seu cargo a obtenção de artigos. Entretanto. 0 ensaio dos actores Os actores começam a familiarizar-se com os textos do argumento. seria impos- Salvamento por maca. a briga da de socorros aéreos entrou em acção: telefonaram a Beal Perren. Por isso. chefe da Air Zermatt. largou um cabo com 45 m até à plataforma. carne seca e rebuçados com vitaminas e os montanhistas em breve se encontravam em contacto via rádio com os socorristas. Philip pe Berclaz e Philippe Héritier. descendo o de maca. Mas nuvens e ventos atrasaram os trabalhos de salvamento até às 6 da tarde. que pode montá-la com a ajuda do compositor. supervisar os arranjos para orquestra e prepará-la para o espectáculo. o coreógrafo. Stangier manobrou o helicóptero até as pás do rotor ficarem a 7.o mais alto pico da Grã-Bretanha — salua um montanhista ferido. A chefe do guarda-roupa orienta a preparação dos trajes. Cuidadosamente. os trabalhadores do palco vão adquirindo prática na mudança das cenas. Gradualmente. montanha que se ergue a 3300 m. os cenários nos seus lugares e a iluminação pronta a fundo nar.

que dirige as operações de uma base fora da montanha. São caros e não conseguem operar com ventos muito fortes.lei. Os elementos da equipa são quase sem pre peritos montanhistas da zona conhecedores do terreno e das condições clima téricas locais. bem como Philip Benbow. Benbow lançou-se através da escuridão gela da.Salvamento tom cães. por um chefe de brigada. a Cruz Vermelha e outros serviços médicos e com diversos especialistas de salvamentos. Atrai anualmente mais de 1 milhão de visitantes. Héritier agarrou o cabo com os dedos dormentes e enregelados e engatou o fecho no cinto de segurança do amigo. Os cães têm uma temperatura do corpo superior à do homem. Berclaz foi levantado ao ar. pelo que a meti com Jet num saco cama para a aquecer. a polícia local. embora as equipas maiores incluam médicos ou enfermeiros. na América do Norte possuem equipas profissionais altamente treinadas. Um cão. Por isso se empregam ainda os meios terrestres tradicionais no salvamento de pessoas presas nas montanhas ou soterradas por avalanchas. mas as es tâncias mais visitadas — os Alpes. ou ser transportada 150 m do cume do Glyder Favvr. chamando a si as últimas réstias de força e determinação. Recebem instrução de primeiros socorros. e por tantos elementos quantos os necessários. tradicionalmente associados aos salvamentos aipi nos. Os cães — em geral. De repente. Mas não são a solução perfeita. Em Março de 1985. pico com 1000 m de altitude.» Benbow contactou pelo seu rádio a equipa de socorros de montanha. Entretanto. Salvamento por cordas. e não para missões prolongadas e distantes. com o seu olfacto apuradíssimo. pastores-alemães. neves abundantes e nuvens densas — além de que o ruído dos rotores pode desencadear avalanchas. no gelo. onde auxiliares o guiaram até ao solo. incluindo uma jovem do Wbmen's Royal Navy Service. em breve. As comunicações processam-se pela rádio ou por telefones portáteis. lutando contra o vento gelado. por exemplo. labradores e collies são ensinai los ri pro curar qualquer pessoa perdida na área em questão (os são-bemardos. em que o reabastecimento de combustível pode ser um problema. Uma equipa de socorros de montanha é constituída por um chefe de equipa. disse Benbow mais tarde "A mais gelada era a jovem. pelo que foi dado como desaparecido. Berclaz foi conduzido a um abrigo de pedras no planalto por sobre a aldeia de Bondo. que dirige a equipa durante as buscas e os socorros. Cães treinados. Mais tarde. Chegou o dia.até lugar seguro A capacidade de manobra e a velocidade do helicóptero são essenciais no transporte dos feridos graves para o hospital. com sofisticadas redes de coordenação de operações. nas rochas e nas piores condições de tempo. e. il O Jet já ia muito ã minha frente quando percebi pelo seu ladrar que tinha encon trado o grupo". equi pas de socorro terrestre participam em mais de 400 salvamentos por ano. granito. As organizações de socorros de montanha trabalham em conjunto com as forças amuadas. como a Guarda Costeira e as brigadas de cães. conforme a or dem de grandeza do acidente. Héritier ficou balouçando. 72 No Monte Branco. Quase todas as regiões montanhosas têm o seu serviço de socorros. um grupo de marinheiros ingleses. ou controlador. suspenso do cabo e do pitão. de helicóptero. O Monte Branco. consegue fazer bus cas numa determinada área no mesmo tempo que 20 homens levariam a íazê lo. as Terras Altas da Escócia. e em breve os seus elementos chegavam com sacos próprios para aquecer os monta nhistas enregelados. as Montanhas Rochosas. As equipas de salvamento empregam habitualmente cães treinados para localizar as vítimas que se perderam c para ajudar a libertar as que se encontram soterra das por avalanchas. "Uma boa botija de água quente" Duas brigadas locais de socorros de montanha partiram para Glyder Fawr. membro da SARDA (Search and Rescue Dog Association Associação de Buscas e Socorros com Cães). o pico mais alto da Europa Ocidental. o seu iabrador preto. levando o para lugar seguro. são considerados demasiado volumosos para trabalhar em terreno difícil). São mais apropriados para salvamentos alpinos arriscados. Jet disparou por uma en costa íngreme. arrastando o amigo para fora da platafor ma. Com . Um monianhis la nos Alpes SUÍÇOS desce por uma corda para chegar a uma vitima encurralada numa fenda do gelo. como os pastoresalemães. pelo que são uma boa 'botija'. fazia monta nhismo no Pais de Gales quando ficou encurralado numa plataforma escorregadia a . muitos dos quais querem trepar até ao cume. Em 1987. podem ser descidos de um helicóptero paru localizarem pessoas perdidas na neve. e com ele um helicóptero da RAF que içou para bordo o grupo — incluindo Benbow e Jet -. conseguiu amarrar-se ao cabo de socorro à quarta tentativa. Desamparado. balouçava a caminho da salvação Os meios terrestres Os helicópteros têm demonstrado ser o método mais eficaz para localizar as vítimas dos acidentes de montanha e de as transportar — e aos seus salvadores . Conforme o terreno e o tempo. conseguiu içar se novamente para a plataforma. morreram nele 44 pessoas e quase 300 ficaram feridas. De repente. seguido pelo dono — que era guiado por uma luzinha verde na capa do cão. o grupo não regressara ainda. As 9 e meia dessa noite. São treinados para trabalhar na neve. cleva-se a quase 4800 m nas fronteiras da França e da Itália. a equipa pode subir a pé OU com raquetas ou esquis: pode deslocar-se a cavalo ou em veículos motorizados: pode usar trenós ou trenós motorizados. Mas depois. Héritier.

p. . 81 Como funciona a camuflagem. /"' //jtr/WÁ '" Como «e escrevem cartas com tinta Invisível. rft* f f //> : • • </<'<T><< >/<'(u(< • • Fotografias que mentem. rUf • y./ t e/ii > ci 7 (Tf/tUtU. p. • n '//< r t ri ' • • / ' • S' S / ' f ' '' / 7 / //V/f Vi.. fazem-se esforços incessantes para se obter vantagem por meio do logro e se descobrir a verdade escondida sob as aparências. li f/l* '/*t<<ff* / ' r / i > //' *7y« 1 ' • " •-.. 76 ..• -' • • » / • ' • • • ' . p.Técnicas de logro e detecção Na guerra como na paz. 82. / / )-yi/t!<.^ J* t-íe/t > '<<L 1 V C( éf < I ' . / / .** ' ]"* fiau.

teve de ejectar-se. com o auxílio de um novo equipamento de radar pertencente aos mísseis terra-ar SA-2.O avião militar "invisível" ao radar Nos finais dos anos 50. pouco mais eraiTi do que planadores equipados com motores a jacto. os "aviões-espiões" Lockheed U2 começaram a sobrevoar a União Soviética para obterem informações fotográficas. largavam as pequenas rodas estabilizadoras que se projectavam das extremidades das asas . Os U2 voavam a Bombardeiro "Stealth". dos Estados Unidos. O U2 levou tanto tempo a ser detectado por ser construído com materiais não-mela licos que absorvem os sinas de radar. cm vez de os reflectirem para as estações de radar em terra. O programa Stealth tinha como objecti vo a criação de aviões militares incor- . o U2 não foi directamente atingido: urn míssil explodiu suficientemente perto para o lançar num mergulho descontrolado. depois de mais de quatro anos de sobrevoos. construídos de plástico e contraplacado. As suas asas em leque não reflectem praticamente os sinais de radar. por ordem da Central Intelligence Agency. O êxito dos U2 levou a um programa de investigação altamente secreto nas EUA . E. Tinia absorvente do sinal de radar aplicada TtO bordo de ataque do bombardeiro americano de grande altitude B-2 Stealth permite torna lo praticamente invisível ao radar inimigo. mesmo assim. é que os Russos abateram um U2. Gaiy Powers. A descolagem. como normalmente acontece.e aterravam com o trem principal de rodas retrácteis que tinham a meio da fuselagem.o Stealth — para a criação de um avião militar indetectável pelo radar. e o pilo to. Só cm Maio de 1960. 24 000 m de altitude para se manterem fora do alcance da artilharia antiaérea. mas des cobriu-se que o radar não os detectava Estes aviões extraordinários.

que absorve eficazmente os sons e apenas reflecte uma parte ínfima da energia transmitida pelos detectores de sonar. utilizado nos anos 60. Alvos-chave Desenvolvido no maior segredo. foi revelado a convidados e jornalistas na fábrica de montagem da empresa Northrop. de alta tecnologia. No entanto. A forma do avião es pião americano SR71. em Palmdale. onde existe uma grande quantidade de ecos de radar emiti dos por edifícios e outros objectos que vão . Uma tecnologia semelhante c utilizada debaixo de água para evitar a detecção por sonar. "Blackbird". Califórnia. criado para penetrar nas defesas de radar inimigas sem ser detectado. largando depois até 16 bombas nucleares sobre alvos •chave. o bordo de ataque do avião era revestido com uma tinta absorvente dos sinais emitidos pelo radar.solo mais recentes e sofisticados conseguem distinguir entre essa confusão de ecos e os aviões inimigos. um mínimo <le metais e um revestimento exterior em placas altamente absorventes. tornando obsoleta a maioria dos sistemas antiaéreos controlados por radar. Os aviões seriam quase invisíveis pelo radar. em Novembro de 1988. Os submarinos modernos são cobertos com uma espessa camada de uma resina altamente secreta. o bombardeiro B-2 Slealth. Para ajudar a conseguir a invisibilidade no radar. essa coníu são pode ser parcialmente evitada pelo emprego de sistemas de radar montados em aviões e que detectam outros voando abai xo deles. os sistemas de defesa ao nível do . entre outras vantagens. criar uma confusão nos écrans tios radares. A assistência foi mantida a distância deste avião. foi de pois aproveitada e melhora da no Slealth A "confusão" no radar Outra técnica usada pelos aviões para evitarem ser detectados pelo radar é voarem a altitudes muito baixas. Além disso.porando.

construiupode ser distorcido com pinturas hábeis -se uma linha de caminho de ferro fictícia que lhe reduzem a silhueta e lhe dão até para dar a ideia de um novo ramal de abaste um aspecto menos ameaçador. pelo menos do ar. as instalações vulneráveis. Mesmo as sim. Adoptou se o uso generalizado de uma cor conhecida por caqui (que significa pó na língua urduj.Camuflagem: como se esconde um navio de guerra? Durante a Guerra de Independência Ame rieana.ste artifício teve dos. Foram pintadas durante a II Guerra Mundial para enganar o inimigo quanto ao verdadeiro rumo do navio. ao passo que o pardo da pele de gamo não era facilmente visível. Durante urnas manobras militares na Salisbury Plain. se pintada de inimigo. tive! estavam tão liem esce. Pintado para se confundir com o terreno e não ser visto do alto. A linha possuía tanto êxito que a inclusivamente um divisão se tor comboio falso. comandos militares Este logro desviava a que a camuflagem atenção do posto de passou a ser gradualabastecimentos verdamente aceite como uma deiro. Mundial. para se confundirem com o solo quando eram regadas com pó de carvão para evitar vistos do alto. utilizando chá. confunde-se beradamente negaças para atraírem o fogo com o céu durante o dia. permitindo aos solda dos de ambos os lados confundirem-se com o ambiente de combate. Tinham descober to que o vermelho constituía um bom alvo para os atiradores americanos. Por isso se introduziram pouco a pouco as redes de camuflagem e a pintura de riscas nos equipamentos. Alguns aviões são pintados por cima como pontos de referência durante a noite. rebentou a I Guerra Mundial. 0 emprego deste género de camufla gem foi aperfeiçoado durante a Guerra do Afeganistão (1880). nos finais do século xvm. se confundissem com o Quando a parte inferior de um bombarambiente. o emprego de aviões de reconhecimento deixou as tropas no solo perigosa mente expostas. confunde-se com o céu durante a zados pelos navegadores dos bombardeiras noite. as cores neutras como o caqui e o cinzento tomaram-se as cores habituais dos fardamentos. utili preto. com der "diluir" na um velho fogão p a i s a g e m foi de campanha fuc o n s i d e r a d a de megando por uma tanto interesse pelos lamine de cartão. Corno na I Guerra condidos que o inimigo nunca os encontrou. o perfil que brilhassem ao luar.que. utilizado para arma importante nos arapoiar a ofensiva do geneDisfarce natural. nou indistinta completo com da paisagem furgões e vaque a rodeagões de carga va A ideia de e uma loco uma unidade motiva coninteira se povincente. As suas forças mais Mundial. O tigre é quasenais modernos. um Operação encandeamento. tinham tingido de castanho os seus capacetes brancos sabiam que o não ser visto era uni faclor-chave para a sobrevivência. É importantes e os respecti foi largamente emprega uma lição sobre a arte da camu vos depostos de combus da como técnica de disfarttagem. eram cobertas com redes para que. o comandante de uma divisão do exército inglês . Os veteranos das lutas na índia . ral Auchinleck contra Tb se invisível para a sua presa bruk em Novembro de Durante a 11 Guerra quando as suas riscas se confun1911. em 1914. Quando. As riscas traçadas no casco deste torpedeiro americano duo a ilusão de o barco ter várias proas. como A camuflagem é também utilizada para depósitos de combustíveis e paióis de munitornar menos visíveis aviões c navios. colocavam se delideiro é pintada de azul-claro. cobertura vegetal para se escimentos a um ponto de conconderem da aviação centração de blinda F. a camuflagem dem com O capim fulvo e alto. Mais afastadas. Da mesma forma. disfarçarem os veículos com redes pardacentas e aproveitarem a Ilusão no deserto. Zonas de água como os canais. talvez o de Messerschmitt Rf 109E alemão faz um voo rasante sobre o deserto da Líbia em 1941. Durante a campanha beiíi conhecido de um barco de guerra do Norte de África de 1940-1943. ções.um sobrevivente da Guerra dos Bóeres — disse aos seus homens para atarem ramos com folhas aos capacetes. a fim de tornar os movimentos de tropas menos visíveis para os nativos. JX 76 y + . alguns regimentos ingleses começaram a usar casacos de pele de gamo em vez das tradicionais casacas vermelhas.

O primeiro converte a voz do quem fala numa versão incompreensível e envia a através 77 . deixava na pista um monte de terra circular. Coberto por folhagem artificial. equipados apenas com pás e carros de mão. As técnicas de camuflagem têm igual mente sido utilizadas para confundir o reconhecimento aéreo. um emissor e um receptor. serve-se de um scrambler de voz. Ao percorrer a linha entre os dois telefones. osso monto do torra pare cia a cratera do uma bomba. e uma linha de água falsa pode fazer errar o cálculo da distância. aviões argentinos carregados. Uma onda de proa pintada no casco de um navio de guerra pode enganar o comandante do um submarino quanto à velocidade do seu alvo. por exemplo. os comandos britânicos foram avisados de que as forças argentinas sitiadas não podiam ser reabastecidas porque o único aeroporlo de Por! Stanley fora danificado pelas bombas da RAF. As fotografias de reconhecimento mostravam o que parecia ser uma funda cratera atravessando a pista principal. Só mais tarde se descobriu que todas as manhãs um grupo de recrutas. A tecnologia moderna reduziu as dimensões desses aparelhos às de uma caixa de fósforos. os scramblers são dispositivos electrónicos de cifra que misturam e invertem as frequências da voz humana. Na realidade. Na sua maioria. Visto do ar. a coberto da noite. Dispositivo duplo Os scramblers são constituídos por duas unidades. «Scramblers» de voz: o envio de palavras ininteligíveis através de uma linha de telefones públicos Quando um funcionário governamental pretende fazer um telefonema confidencial para. Km tempos. todos os dias até à rendição aterraram ali. mais fáceis do obter. Actualmente. em l!>82. a conversa não passa de um ruí do ininteligível para alguém que efective uma escuta. um atirador do Carpo de Fuzileiros Americano rasteja pelo mulo ulé uo seu alvo. Duranle a campa nha das Malvinas. Na Escola de Atiradores. uma embaixada no estrangeiro. escapando se depois sem ser tíiStO. os irtstruendos são ensinados a confundirem-se com o fundo ambiente por forma semelhante à de muitos animais um cargueiro inofensivo. Outros escon dom a voz no meio de um fundo de ruído contínuo.Atirador camuflado. os scramblers apenas eram fornecidos aos altos comandos militares que tinham de trocar informações melindrosas através de linhas telefónicas que poderiam estar sob escuta inimiga. são frequente mente utilizadas por empresários internacionais desejosos de proteger de concorrentes sem escrúpulos os seus segredos comerciais. tornando-a ininteligível.

têm sido criadas pelos matemáticos cifras imensamente compli- cadas. enquanto o Q é representado por traço traço-ponto-traço ( ).de uma linha telefónica normal. Mensagens semelhantes foram transmiti das pela BBC para a Resistência Francesa durante a II Guerra Mundial. por telégrafo ou por lâmpadas de sinais. segundo um calendário conhecido apenas dos Alemães. Os aparelhos de escuta colocados na linha captam um ruído distorcido que mal se reconhece como fala humana. Por isso. e assim sucessivamente. os códigos têm se tomado muito mais complicados e difíceis de decifrar. Ou podem utilizar-se grupos de le trás desconexas para criar todo um dicionário de palavras e frases. No entanto. Como se transmitem segredos por códigos e cifras Na véspera do ataque japonês a Pearl Harbor. seguindo um percurso em diagonal ao longo da grelha: T G A O S R I S N Á O P A S M I N I E M B A M A C R B A D O T G A O S R i S N Á O P A S M I N 1 E M B A M A C R B A D O Assim. pelo que os misturadores proporcionam real mente uma protecção de curto prazo. números ou símbolos. em Dezembro de 1941. utilizando letras e números. e sem se conhecer a sequência das respectivas instruções levariam milha res de anos a descodificar. alguém que queira quebrar a cifra pode partir do princípio de que a letra que ocorre mais frequentemente representa um A. que fora afundado. é um único ponto. muitas das instruções mais melindrosas da Esquadra Alemã de Alto Mar foram lidas pelos Ingleses. Por isso. As instruções em código transmitidas pela rádio referem se a gnjfx>s de números de cinco algarismos de uma página determinada do bloco. As letras voltam depois a ser escritas em grupos de cinco. Um outro método de se transmitirem informações secretas é por meio de cifras. Os scramblers de voz não são de uma segurança absoluta no caso de técnicos de escutas competentes. Todos os dias era estabelecida uma grelha diferente. Durante a II Guerra Mundial. exigindo o emprego de processadores de dados especialmente programados e de operadores extremamente bem preparados. demorou semanas até dotar cada navio germânico com um novo código. Na I Guerra Mundial. Um ponto fraco deste sistema é o facto de a frequência das letras e das combinações de letras ser a mesma que na linguagem normal. mas os misturadores normais utilizam 512 permutações. escrita numa grelha de. A pessoa que o recebe utiliza uma chave semelhante para o decifrar.apenas inteligíveis para aqueles que possam verificá-los no livro de código adequado. o recebedor e o emissário rasgam a página correspondente dos respectivos blocos. A mensagem "Tropas inimigas embarcam no sábado" pode ser 78 Bloco para uma só vez. se um livro de código cai nas mãos do inimigo. existem cerca de 3840 combinações possíveis. Uma vez recebida e descodificada a mensagem. o Governo Alemão utilizou uma máquina de cifra denominada Enigma. Longos relato rios militares podem ser transmitidos em grupos de cinco letras . "Quadrante leste chuvoso. na realidade. A maior parte dos scramblers funciona cortando o espectro da voz em cinco ban- das de frequência. Em consequência disto. avisou os diplomatas japoneses em todo o Mundo de que a guerra estava iminente. O seu trabalho desempenhou um papel importante na vitória ao fornecer ao Quartel General Aliado informações sempre actualizadas sobre os planos alemães para a campanha do Norte de África e a guerra aérea. por exemplo. Esta mensagem era uma das mais simples formas de código — uma mensagem preestabelecida com um significado especial para aqueles que a recebessem. escrevendo-a alternadamente cia es querda para a direita e da direita para a esquerda. Os primeiros versos de um poema de Paul Verlaine ("Os longos soluços dos violinos do Outono") in formaram a Resistência de que os desembarques do Dia D iriam começar. c a letra mais usada na língua portuguesa. O alfabeto Morse é. o criptograma a transmitir será: SA1AN POIBR OCMMR TIEAD AMSGA NBAOS. Por muitas vezes que fosse marcada determinada letra. O A. a letra que lhe correspondia na cifra nunca era repetida. Códigos mais complexos substituem palavras ou frases por outras palavras ou frases. Outra forma de cifra utiliza uma grelha denominada chave. pois as conversas podem acabar por ser descodificadas. . informações vitais podem ser interceptadas sem conhecimento daquele que as emitiu. por exemplo. uma cifra que traduz as letras por combinações de sinais breves e longos que podem ser transmitidas por "bips" de rádio. uma previsão meteorológica aparentemente inocente. O receptor inverte o processo para que a fala seja inteligível na outra extremidade do fio. Os espiões usam minúsculos blocos de cifras para descodificar as mensagens secretas dos seus chefes. por exemplo. Mas uma equipa de matemáticos e linguistas ingleses acabou por deslindar as cifras da Enigma em 1940. Mas o método é demasiado moroso. Com o advento dos computadores. Mesmo deixjis de o Almirantado Alemão ter descoberto a sua perda. A letra E. quadrante oeste limpo". Os seus programas complexos utilizam milhares de cálculos. o livro de código naval alemão foi recuperado do cruzador ligeiro Magdeburg. seis colunas. Ern teoria. quadrante norte nublado. que depois são misturadas por meio de um complicado processo electrónico que as desloca e inverte. Uma cifra substitui as letras do alfabeto por outras letras.

Quando foi preso. consegue infiltrar-. Sir Anlhony Blunt. John Walker (d(j barba). Du rante 17 anos. o qual lhes ensinou os rudimentos da espionagem e lhes recomendou que desistissem da sua filiação em grupos políticos radicais: tinham de tornar-se tanto quanto possível agradáveis aos olhos das organizações oficiais. anunciou à Câmara dos Comuns que um dos homens mais respeitados no mundo da arte inglês. Algumas toupeiras são recrutadas por especialistas dos serviços de informação. Guy Burgess e Donald Maclean. foi Heinz Felfe. até conseguirem acesso a informações vitais. construindo a sua cobertura. tornou se suspeito quando comprou uma casa demasiado cara para quem vivia de um único salário. incluindo 46 agentes em actividade. Quando pri meiro-secretário na Embaixada Britânica nos EUA. oferecendo os seus préstimos. Cada um deles cultivou deliberadamen te amizades com pessoas em posições de influência que. espiou para os Russos. unicamente por dinheiro. KGB) por um salário de 1500 marcos mensais. onde acabaram por morrer.se numa posição em que produz os maiores estragos . Km 1963. Burgess e Maclean conseguiram ser admitidos no Ministério dos Estrangeiros. 0 caso mais famoso desde a II Guerra Mundial é talvez o dos quatro espiões ingleses Blunt. que passaram cada um deles a um especialista dos Servi ços Secretos Soviéticos. Morreu em 1983. Burgess c Philby fugiram para Moscovo. Falsa i m a g e m . que atingiu uma posição de relevo na Agência Federal de Informação da Alemanha Ocidental durante os anos 50. 79 . por motivos ideológicos. Blunt tomara se comunista nos anos 30 e trabalhara para os Serviços de Segurança Britânicos (MIS) durante a II Guerra. Blunt fez uma confissão completa aos Serviços de Segurança Ingleses e não foi pro cessado. Os seus chefes russos pagavam-Ihe 1000 dólares por se mana para que dirigisse uma associação famiiar de e s p i o n a g e m . Família de e s p i õ e s . Traidor. antigo oficial das SS alemãs. foi admitido na Agência federal de Informação. Em 1986. a fugirem para a Rússia quando se tornaram suspeitos.O mundo subterrâneo das "toupeiras" Em Novembro de 1979. trabalhar secretamente para a União Soviética. Em 1951. Margaret Thatcher. dando a este informações acerca da rede de espionagem alemã para lá da Cortina de Ferro Finalmente. descobriu-se que as suas actividades tinham custado aos Alemães Ocidentais 94 contactos para lá da Cortina de Ferro. oador dos quadros da rainha e espião enganou todos com a sua posição social. antigo of ciai da Marinha. decidiu trabalhar para uma causa alheia. os quatro homens progrediram até aos mais sensíveis níveis governamentais. em sua opinião. Outras "recrutam-se" a si próprias. em troca. a toupeira é habitualmente alguém que. Uma toupeira que espiou contra o seu próprio país. conservador dos quadros da rainha. pudessem ajuda los a encontrar um emprego útil. linha trabalhado como espião a favor dos Russos. quando procurava emprego. em 1961. Maclean e Kim Philby. aceitou trabalhar para os Serviços Secretos Soviéticos (posteriormente. Maclean (de laço) forneceu à URSS segredos americanos. recrutado pelo seu próprio país para desempenhar determinada missão no estrangeiro. Blunt era um exemplo do tipo de espião conhecido por "toupeira" — agentes pre parados para esperarem anos. Contrariamente ao espião mais conven cional. O u t r o espião q u e operou nos EUA ate meados dos anos 80 foi John Walker. ajudara dois outros espiões ingleses. Felfe foi condenado a 14 anos de prisão. Simultaneamente. Em 1951. ganhando acesso as informações mais secretas. Burgess. antigo ofi ciai da Marinha America na. Anlhony filnnl COflSer- Philby nos Serviços Secretos (MHi) e Blunt no Serviço de Contra-Espionagem (MI5). Uma vez instalados nas organizações que escolheram. foi condena do a prisão perpétua por dirigir uma associação familiar de espionagem. quando frequentavam ainda a Universidade de Cambridge nos anos 30. transmitindo segredos a Moscovo. fornecendo aos Alemães "desinformação-' sobre o KGB e. Tomada essa decisão.e durante todo esse tempo age como se se tratasse de um patriota. Durante a década seguinte trabalhou como agente duplo. Começaram por ser recomendados por "caçadores de talentos". Maclean. a primeira-ministra britânica. que decidiram.

A secretária e espia alemã Renate Lutze na época em que operava para os Alemães Orientais. eles operavam com um emissor clandestino de rádio ligado ao KGB em Moscovo até serem presos. Durante os quatro anos seguintes. ofereceu se aos Ingleses. a ligação do mi crofone ao receptor é feita por um cabo. pode colocar se no exterior de uma das paredes um estetoscópio. 80 . na Virgínia. Renate conseguiu arranjar-lhe um emprego no Ministério da Defesa. na zona oeste de Ixtndres. Penkovsky fingiu simplesmente que queria deitar-se cedo. As suas actividades permitiram aos Soviéticos decifrar inúmeras comunica ções altamente secretas e receber mais de 1500 documentos secretos. Neste orifício coloca-sc um tubo com um microfone ligado a um gravador no exterior. capta todos OS sons na divisão do outro lado. Anthony Dispositivos de escuta: ouvir sem ser visto Actualmente. Mas ás vezes a toupeira não lem possibilidade de ser treinada e pode ter de apren der as técnicas fundamentais enquanto vai actuando. todas as palavras pronunciadas no compartimento sob observação serão transmitidas por fios. Philby entrara para o M16 vindo do jornal The Times. Penkovsky era já um agente conhecedor do seu ofício. Mas a sua carreira de espião foi curta. o KGB prendeu o no ano seguinte e conde nou-o à morte. Um tipo de toupeira diferente é aquele que entra num país estrangeiro com documentos falsos e se infiltra profundamente no tecido da sua sociedade adoptiva. nessa altura espião por conta do Ministério para a Segurança do listado na Alemanha Oriental. Depois de passar três anos em prisão preventiva. começaram a explorar-se as capacidades do laser. utiliza se um cabo existente. E activado por um sinal de rádio Que lhe é dirigido do exterior. Algumas toupeiras recebem um peno do de instrução antes de entrarem em acção. marinheiro a bordo do porta-aviões USS Nimitz. e o KGB possui centros de treino per to de Leninegrado. nenhuma conversa no escritório ou em casa está a salvo das escutas. ele era negocian te de livros antigos que. Alemanha Oriental. Uma das razões pelas quais os edifícios diplomáticos são tão apertadamente vigia dos durante a construção é o receio de que uma agência de espionagem estrangeira consiga incorporar na estrutura tubos para passagem de cabos. Um tipo de dispositivo de escuta utiliza um transmissor de rádio de baixa potência ligado a um microfone para enviar os sinais desle a um receptor a alguns metros de distância. As toupeiras mais eficientes são aquelas de quem ninguém suspeitaria. e seu filho Michael. Em Camp Peary. Estas informações são depois reconvertidas electronicamente em versão inteligível. Desde que um posto de escuta possa ser instalado dentro de um raio razoável cerca de 1. Rena te e Lothar l. com a mulher. o pai de Maclean fora ministro do Estado. e. apesar disso. casou com Lothar Lutze. quando se descobriu que as vigas de aço fornecidas para a construção da Embaixada dos EUA eram ocas. permitindo que se ouçam as conversas. ensinaram-no a utilizar uma câmara miniatura e deram lhe noções sobre sistemas criptográficos. a CIA opera uma grande base de instrução sob o disfarce de instalações militares. a 12 anos. e o marido. quando regressou a Moscovo. como uma lâmpada. Oleg Penkovsky. para a transmissão das vozes. Noutro tipo. Existe ainda um dispositivo sem fios que é talvez o dispositivo ideal. pois não necessita de pilhas nem de manutenção. cidadãos norte-ame- ricanos de origem polaca. o vidro vibra com as ondas sonoras das vozes. uma televisão ou um telefone. um tenente-coronel russo. Estas concretizam-se geralmente pela instalação disfarçada numa divisão de um mi croíone pequeno mas sensível. seria libertada em 1981. facilmente detectáveis. Este sistema tem uma variante que apenas penetra parte da parede. eram um casal deste tipo. que consiste num simples microfone preso por uma ventosa à parede e ligado a um amplificador ou furar-se a parede a partir do exterior com um furo que na parte interior não seja maior que um bico de alfinete. Sucedeu que os Ingleses e os Americanos tinham alugado todo o andar por cima do quarto do hotel de Londres onde Penkovsky se alojava e nele haviam instalado o equipamento ne cessário para as sessões de treino. em 1960. Quando não se consegue acesso a uma divisão. Burgess fora educado em Elon. Foram desmascarados e presos cm Junho de 1976. na altura em que foi descoberto. Aparentemente. Em geral. Quando ocorre uma conversa uo interior da sala. Assim aconteceu em Moscovo em 1987. graduado da Marinha na reforma. Renate Ubclacker — seu nome de solteira arranjou lugar corno secretária no Ministério da Defesa da Alemanha federal em Bona o seu trabalho implicava lidar com documentos altamente secretos. ele tem a vantagem de não emitir sinais de rádio. Por esse motivo. A instalação de um dispositivo de escuta numa divisão é difícil se os respectivos oeu pantes souberem que poderão ser espiados. Em Setembro de 1972. Quando. Ela foi libertada em Setembro de 1981. no Sueste do país. Embora o sistema dotado de cabo exija que este seja cuidadosamente escondido. composta por seu irmão Artliur. o casal forneceu informações vitais aos Alemães Orientais. mas. como uma linha telefónica desocupada. Blunl fora nomeado conservador dos quadros da rainha no Palácio de Buckingham e recebera o título de sir. e estes movimentos microscópicos podem ser detectados medindo as minúsculas variações no comprimento do raio de laser fixo.Livre e sorridente. Desmascarada e. Foca se um raio de laser sobre o vidro de uma janela. Peter e I lelen Kroger.500 m . O microfone pode ser disfarçado sob a forma de um artigo vulgar. em 1940.ut/e eram toupeiras alemãs orientais actuando na Alemanha Ocidental até serem presos Nascida em Brandeburgo. E a maioria das salas ou dos gabinetes já tem tantos fios instalados que mais um passará desperee bido. Renate Lutze foi condenada a seis anos por espionagem. Consiste numa cápsula com cerca de 25 mm de largura contendo uma antena muito sensível e um diafragma. c. no ano seguinte. fez parte de uma missão comercial soviéti ca em uma das raras visitas ao Ocidente. como es pião. Em vez de se escapar do seu grupo. incluindo planos da NATO. detida em 1976. os Franceses mantêm uma escola numa região iso lada dos Alpes Marítimos. levava uma vida confortável em Ruislip. Na verdade. a cápsula trans forma-se então num transmissor de rádio que capta os sons da divisão. controlados pelos Soviéticos. Tudo funcionou perfeitamente.

é utilizado para promover a criação de um estado rie desorientação no qual a percepção rio ambiente por parte do indivíduo pode ser manipulada. A mensagem.UA encetou um projecto de procura de um "soro da verdade" para que os pilotos americanos pudessem tomá-lo e treinarem se a resistir às lavagens ao cérebro. uma pequena quanti dade de sulfureto rie sódio dissolvido em água. O penlolal rie sódio. Quando este recibo de uma consignação de arroz foi aquecido. sem constrangimento. A tinta água. A Força Aérea rios F. mas só é revelada depois de tratada quimicamente. barbitúrico usado pelos anestesistas para descontrair os doentes antes de uma operação. Dá se -lhe depois uma injecção do estimulante benzedlina para a reanimar. É assim possível transmitir mensagens pelo correio. a sua mente foi reconduziria a uma fase em que ele pensava estar a falar com a mulher em casa. AdminiStra-se uma dose potente da droga. As informações incluíam da dos sobre firmas britânicas que trabalhavam para o sistema defensivo americano Guerra rias Estrelas. 0 espião coloca o papel químico sobre outra folha de papel e escreve a sua mensagem. que toma a pessoa inconsciente. espionagem em Inglaterra. Fizeram-se experiências com barbitúricos. Quando este método foi utilizado num soviético suspeito de espionagem na Ale manha Ocidental em 1955. "escritas". Quando o papel é depois imerso numa solução fraca de carDonato de sódio e água ou de amoníaco e água. de olhos vidrados. transmitira cerca de 200 mensagens secretas aos seus chefes em Praga — muitas em tinta invisível.mesmo que isso signifique trair o seu pais. . que em 1989 foi condenado a 10 anos de prisão por Palavras aquecidas. a escrita aparece a azul. 1 7f<~ > ' foè * ' V BI . Os estudos sobre as chamadas drogas da verdade iniciaram se no princípio da década de 50. Neste contexto. A es crita é transferida para O papel rie baixo. Os réus apareciam em tribunal em estado de aparente confusão. Este processo foi utilizado pelo espião checoslovaco F.r(c / • • ' / i . é frequentemente designado por soro da verdade. A procura da droga da verdade perfeita O objectivo de uma droga da verdade é descontrair o espírito rie uma pessoa para que esta forneça respostas verdadeiras a todas as perguntas que lhe façam . mas a maioria destas drogas limitou se a ajudar as pessoas a mentir com mais habilidade. i9 :/«'*•< t/o ':/'• l? » // ?/i( •/<%' V> ' c-ru ""?: /f. A maioria das tintas invisíveis químicas precisa de um segundo líquido — o cha mado reagente para as tornar visíveis.rwin van Haarlem. o que o fez ciar. álcool e heroína. Uma das tintas mais vulgares é o sulfato rie cobre diluído em água. na sequência rie relatos acerca rie processos de interrogatórios com "lavagem ao cérebro" levados a cabo pelos Norte Coreanos e pelos Chineses em prisioneiros de guerra. e o reagente. por exemplo. . Uma tinta química particularmente sensível usada pelos espiões alemães durante a II Guerra Mundial empregava produtos químicos utilizados em fotografia. relata as actividades dos realistas em Paris durante a Revolução Francesa. em letra miúda. confessando crimes que não ti nham hipótese de ter cometido. anfetaminas.era uma solução rie nitrato rie chumbo e Tintas invisíveis para mensagens Uma forma moderna da tinta invisível é um tipo especial de papel químico. mas apenas parcialmente. 0 resultado é uma tinta negra. Com a pessoa semieons ciente. Desde 1975. Processos de depuração O medo das técnicas rie controle da mente manifestara-se pela primeira vez aquando dos célebres processos rie depuração de José Estaline na União Soviética e nos pai' ses do Bloco de Leste durante as décadas de 30 e 40. uni relato rias suas actividades secretas. um psiquiatra pode empregar técnicas hipnóticas para modificar a sua per cepção daquilo que se passa em seu redor. nas páginas de uma revista. surgiu uma mensagem secreta escrita com sumo de limão. j ^ r/irtht\ .

Quando se viu pela primeira vez numa chapa fotográfica uma exposição dupla . tanto os leigos como os peritos. é mais fácil acreditarmos ou fazermos crer que tudo o que se vê nas imagens pode ter acontecido. Fotografia do céu "Fotografias" de espíritos dos mortos. Os fotógrafos sabem que podem fazer a fotografia de um objecto e sobrepor-lhe outro. mais sofisticadas se têm tornado as técnicas para fazerem as câmaras fotográficas "mentirem". Com a fotografia cada vez mais na era dos computadores. expondo de novo a mesma película. ainda que temporariamente. ficou demonstrada a possibilidade de se adicionarem imagens sobre imagens.provavelmente acidental —. aprenderam também a falsificá-las. de ovnis e até de fadas têm enganado. de objectos e pessoas em levitação. Quando se desconhece o modo como as fotografias acontecem.Como as câmaras fotográficas podem enganar a visão Desde o dia em que as pessoas aprenderam a fotografar e a revelar as suas fotografias. ti* Aviáo em miniatura t* i Klk • tf L ^%5& Paisagem Vedação em primeiro plano .

explica. A imagem principal.uma de árvores e um portão. A imagem foi composta por sobreposições diversas para a capa de um disco para a Quaker Feace Foundation. da mulher e da criança no prado. Juntou-se-lhes outra fotografia do céu para se obter a faixa mais clara junlo ao horizonte. sobrepostas à fotografia do céu e colocadas com esta entre dois vidros para serem reproduzidas. o foto grafo londrino Chris Morris criou urna cena sugerindo a ameaça militar. não existe tal como a vemos. Na última fase. . A fotografia é urna imagem múltipla. As imagens do primeiro plano . é uma vulgar fotografia a cores. uma combinação de diversas fotografias. outra de uma vedação de arame foram sobrepostas em conjunto e reproduzidas numa película de grande formato a preto e branco. poluída por imagens ameaçadoras . "Mas a cena nunca existiu como a vemos".caças a jacto e uma sebe de arame farpado -.Seis fotografias numa só Esla cena rural. as árvores e a vedação foram colocados uns sobre os outros e reproduzidos como uma só fotografia. Capa de disco. Foi imaginada e criada para a Quaker Peace Foundation pelo fotógrafo londrino Chris Morris para a capa de um disco. Os dois aviões são fotografias de uma mesma miniatura feitas em estúdio de ân- gulos ligeiramente diferentes. Combinando fotografias (página anterior) e reproduzindo-as. as figuras e o campo. o céu e os jactos.

ela apenas se vê neste esplendor quando é iluminada pela luz do dia que entra na abadia.Encaixe perfeito "Super-realidade" foi o nomo dado pelo seu criador a esta imagem da Abadia de Westminster. . onde a imagem foi fotografada.pois. "para compensar o nível um pouco mais baixo do chão da abadia. 'efeito este que criei durante a sobreposição. "Qualquer pequenina diferença no ajustamento foi disfarçada pela aura luminosa em volta da janela". Mediu a distância entre a câmara e o edifício e marcou a mesma distância no interior. acrescenta. embora a colorida janela do vitral seja autêntica. um voo de 61 m. Simulação de voo Esta fotografia do primeiro voo de Santos-Dumont na Europa é uma falsificação. "Fiz apenas um ligeiro ajustamento no tripé"." Devido ao cuidado posto nas medições. fotografou a luz do Sol atravessando os vitrais da janela do lado oeste. sendo depois sobreposta a uma fotografia da fachada. recortou-se uma cópia. a fotografia interior da janela encaixou perfeitamente na outra quando ele as sobrepôs para as reproduzir em conjunto. em 23 de Outubro de 1906. Falso voo. Esta fotogra fia da Abadia de Westminster dá-nos a ideia de que irradia dela urna luz interior. As árvores teriam impedido a descolagem. Depois. O avião de Santos-Dumont foi fotografado quando este o suspendeu de um cabo para verificar o equilíbrio. que foi montada sobre uma outra de pessoas que observavam um balão — fazendo se em seguida uma reprodução da montagem." Efeito luminoso. Na realidade. Depois. Mas a verdade é que o brasileiro efectuou em Paris. este efeito apenas é visível no interior. diz. em Londres .S4 . 0 fotógrafo Chris Morris começou por fotografar a fachada da abadia por fora.

apagando-lhe o fundo. esta menina da fotografia: ela aparecera num plicados Arthur C. Um engenheiro de Caracas admitiu então ter sido o falsifi cador. uma menina . na década de 80. alseu paciente revelou a fotografia que Hooguns investigadores "reconheceram" a Diz o investigador de fenómenos inexper lhe tirara com a mesma chapa.. ressurgiu o menina. de pé em frente de um homem sentado à secretária. T. Foi feila por um piloto de avião comercial sobre a Venezuela em 1905. Garland e usado no anúncio coisas.. de Birmingham. lhe pedira para fazer a fotografia. "O próprio homem levou a chapa para a câmara-escura e revelou-a. Roy Frieden. pintado em 1879 sua dor e agarrando-se às mais pequenas Era uma técnica comummente utilizada por Charles T. Quando o nina era a sua filha que tinha morrido? interesse pela fotografia de espíritos. de um suposto objecto voador não identificado era genuína. que afirmou que um dos seus pacientes. que tinha como hóspede. Hooper. pelos chamados "fotógrafos de espíritos". diversos livros e revistas publicaram esta fotografia de uma menina segurando um ramo de flores e um sobrescrito. pois sentia uma presença invisível. escreveu o Dr. Clarke: "Talvez ele. Botão '^voador". «. disse-lhe que via ao pé dele uma linda criança". os peritos fotográficos convenceram-se de que a fotografia. morreu há trinta anos'. A exclamação do senhor foi: 'Céus! É a minha filha. ." Fotografia falsa de um ovni Ao princípio. quadro chamado Para Ti. fez notar que os contornos do "disco voador" estavam demasiado nítidos para se tratar de um objecto distante — e suspeitou de que a sombra no chão tinha sido acrescentada. d'Aute Hooper. antes de expor a chapa. B. tenha sido vítima de uma ilusão. "Peguei na câmara fotográfica e. da Universidade do Arizona. na segunda fotografia fornecera o novo fundo. Este "ovni" quase convenceu os peritos. à direita. Mas quando o Dr. que do sabonete Pears' no início do século. examinou a fotografia em 1971. surgindo então a linda forma de Sobreposição. o Dr.Menina fantasma Durante cerca de 60 anos.» Hooper preparara antecipadamente Mas por que razão o paciente de Hooper uma chapa em que fotografara o quadro da manifestara logo a impressão de que a meSó quando. Confessou que o ovni era a fotografia de um botão sobreposta à fotografia aérea e fotografada de novo. Era apresentada como prova de que a "fotografia de espíritos" era genuína. Um anúncio dos finais do século xtx foi utilizado numa suposta "fotografia de espírito".. Apareceu pela primeira vez em 1919 e foi feila por um curandeiro e médium espírita.

Também podem adicionar-se novas imagens. que morreu dois anos depois. com 87. que decompõe nos respectivos elementos básicos: vermelho. Foi em Julho de 1917 que Elsie Wright. disse ao Times de Londres: "A brincadeira devia durar duas horas e durou setenta anos. Elsie desenhara e pintara as farias em cartolina e prendera-as nos ramos com alfinetes de chapéu. e a sua prima Francês Griffiths. Mas havia quem duvidasse dela. e em Novembro de 1920. Graças ao processamento computorizado de imagens. Conan Doyle publicou as fotografias na revista The Strand. duas primas guardaram o seu segredo das fadas que diziam ter fotografado num vale arboriza do de Cottingley. O espaço em branco pode ser então preenchido. Conan Doyle. o carro pode ser transformado de um modelo de quatro portas num modelo de duas. verde. Só em 1983 Elsie e Francês. a fotografia atingiu quase proporções de magia. Durante esse tempo.Fantasia. As fotografias Sonho de um dia de Verão Durante quase 70 anos. de 10 anos. O processamento computorizado de imagens pode eliminar ou acrescentar qualquer elemento fotográfico. Barco que se desvanece. nessa altura viúvas c idosas. Acabou por convencer-se da autenticidade destas. o prestidigitador americano James Randi chamou a atenção para a semelhança entre as figuras de uma das fotografias e um desenho de fadas no Princess Mary's Gift Book. de analisar as fotografias. uma câmara fotográfica de "caixote" — e foram brincar perto de um regato no vale. E. via-se Elsie com um gnomo alado que dançava. no Yorkshire. se lhes referiu numa reunião em 1919. até uma pessoa — pode desaparecer electronicamente. espírita empenhado. azul e preto. mostravam uma ou outra das duas raparigas juntamente com imagens daquilo que pareciam fadas dançando. A fotografia pode então ser copiada com os pixels dispostos na ordem desejada. publicado dois anos antes de as fotografias se rem feitas. então com 15 anos. No anúncio de uma revista. Sherlock Holmes. qualquer componente de uma fotografia — um navio. Os efeitos da sombra na pintura podem fazer-se condizer com os do Canyon. com 79 anos. incumbiu Kdward Gardner. O processamento computorizado pode transplantar a sua imagem para um diapositivo do Canyon." Malabarismos com a realidade: o arranjo de fotografias em computador Quando foi conjugada com a tecnologia dos computadores. as suas fotografias controver sas ganharam fama internacional e desconcertaram especialistas fotográficos e chegaram ao conhecimento de Conan Doyle através da Sociedade Teosófica. 86 . saltando e pousadas nos ramos. o criador do mais famoso detective da ficção. Quando as fotografias que fizeram nesse dia e nos seguintes foram reveladas. Em 1978. os pixels deste são removidos e substituídos por outros idênticos aos do empedrado. O scanner electrónico percorre a fotografia e regista cada pixei. fotógrafo e teosofista notável. Cada pixel é arquivado no computador sob a forma digital. Recortes de um Hum tornaram-se "fadas" investigadores psíquicos de todo o Mundo . Elsie. Numa delas. Elsie revelou ainda que o logro fora inicialmente planeado para que Francês não fosse castigada por ter caído no regato. Por este processo pode "apagar-se" um barco de um cais (cm baixo). A técnica implica o registo dos mais diminutos elementos da fotografia e a sua redisposição ou recomposição. Arthur Wright. Francês morreu em 1986. No caso do barco que desaparece. confessaram. o automóvel do último modelo parado à beira do Grand Canyon pode nunca ter saído do stand onde foi fotografado. pediram emprestada ao pai de Elsie.incluindo Sir Arthur Conan Doyle. onde Doris. as duas raparigas mantiveram a sua história. através da redisposição dos elementos da fotografia (pixels). por exemplo. a mãe de Elsie. Ao longo dos anos.

foi criado o primeiro detector de mentiras moderno com monitorização contínua pelo estudante de Medicina John COMO LUDIBRIAR O DETECTOR DE MENTIRAS Peritos médicos dos EUA e da Grá-Bretanha dizem ser perfeitamente possível unia pessoa suspeita ludibriar o detector de mentiras. A primeira pessoa a usar aparelhos para detectar o stress através das variações do ritmo da pulsação e da tensão arterial foi o criminologista italiano Cesare Lombroso. o cardiosfigO detector de mentiras é um conjunto de mómetro. COMO UM DETECTOR DE MENTIRAS TRAÇA O SEU VEREDICTO O segundo instrumento. sagem de uma corrente eléctrica muito fraregista os padrões da respiração. depois inspirar profundamente e suspirar. Denominada polígrafo. que elaborou um relatório sobre detectores de mentiras para o Governo Inglês em 1988. Mais tarde.qualquer coisa sempre diferente. Em 1921. Poderia depois fazer qualquer coisa para identificar a sua resposta às perguntas de controle durante o teste . Mas estas são a excepção. Ambas as acusações eram falsas. Os resultados eram registados por três canetas sobre um rolo de papel contínuo. Os testes de detecção de mentiras devem ser conduzidos em condições estritamente controladas. poderia trincar a língua com força. as empresas americanas foram proibidas de utilizar estes testes nos exames de candidatos. mento é o galvanómetro. As informamações são transmitidas separadamente ções são captadas por uma manga de bor ao detector e registadas como curvas inderacha aplicada ao braço. Ata-se ao ca através da pele. O aparelho funciona com base no princípio de que a pessoa que mente fica sob stress emocional. candidatas a empregos) eram submetidas anualmente a testes de detecção de mentiras. David Thoreson Lykken. Durante a terceira pergunta de controle. Estes efeitos podem ser detectados por instrumentos sensíveis. tem de ser registada com uma intensidade muito maior que as respostas de controle.a da condutibilidade eléctrica da pele. cujas inforarterial e no ritmo da pulsação. Uma dessas vítimas foi a estudante universitária Shama llolleman. o qual acelera os ritmos da pulsação e da respiração e provoca transpiração. das pelas variações da respiração. Um inconveniente é o de certas pessoas ficarem tão nervosas que parecem estar a mentir ainda que digam a verdade. A. Se a pessoa mente. que mede a pasUm dos instrumentos. A pessoa testada é ligada à máquina e faz-se-lhe uma série de perguntas inocentes como: "O seu nome é José da Silva?" (que pode ou não ser). da Universidade da Califórnia. Mas esses testes levaram certas pessoas a serem falsamente acusadas de desonestidade. Um grande utilizador dos detectores de mentiras são as forças policiais. a máquina em breve foi alcunhada de detector de mentiras. professor de Psicologia e Psiquiatria na Escola Médica da Universidade do Minnesota." 0 Dr. que varia conforme a quantidade de transpiração. do Conselho de Investigação Médica Inglês. Os eléctrodos aplicam-se ge lume de ar no interior desse tubo provocaralmente sobre as mãos com adesivo. para não levantar suspeitas. Larson. podia fazer força com o braço direito contra o braço ria cadeira ou contrair os músculos das nádegas. Para que uma resposta seja classificada como sendo uma mentira. eu poderia suspender a respiração por uns segundos. 87 . a fim de se obter uma resposta que proporcione curvas de referência no polígrafo. passados mais de 60 anos sobre a invenção do detector de mentiras. O terceiro instru pendentes num gráfico. Uma tacha de desenho dentro da meia pode ser utilizada disfarçadamente para produzir uma boa reacção no polígrafo. escreve no seu livro Uma Tremura no Sangue que o entrevistado poderia identificar as perguntas de controle durante a entrevista anterior ao teste. respirando rapidamente pelo nariz. o aparelho deve ser capaz de detectar as alterações causadas pelo stress da mentira e de as registar. O Dr. o pneumógrafo. recusada por uma loja de Nova Iorque por o seu teste indicar que ela poderia ser vende dora de droga e já ter estado presa. Outras podem ter tanto domínio das suas emoções que coasigam mentir sem afectar as curvas do polígrafo. em colaboração com a polícia local. Verdade Mentira Verdade Mentira Um processo controverso. na década de 1890. diz ainda que podem utilizar-se técnicas de meditação para conseguir o efeito oposto baixando a intensidade de todas as respostas. o seu uso mantém-se controverso.Detecção de mentiras por meio de uma máquina No princípio da década de 80. "Após a primeira pergunta de controle. Desde então. Archibald Levey. Mas. As verdades e as mentiras sao registadas como variações gráficas dos ritmos cardíaco e respiratório e da transpiração do indivíduo durante os testes. O truque é fazer com que as respostas às perguntas de controle se pareçam tanto quanto possível com as respostas às perguntas verdadeiras. pelo menos 1 milháo de pessoas nos EUA (a maioria. o polígrafo transformou-se no aparelho actual pela adição de uma quarta medição . Esta conduz melhor a peito da pessoa um tubo de borracha e os electricidade quando está húmida com a instrumentos medem as flutuações do votranspiração. A máquina de Larson registava simultaneamente a tensão arterial do indivíduo e os seus ritmos respiratório e da pulsação. detecta as variações na tensão três instrumentos diferentes. Quando fosse feita a segunda pergunta de controle.

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que foram condenados a penas de prisão entre os 75 e os 99 anos. em Maio de 1988.a setu branca indica onde o fósforo penetrou — e depois pelo túnel da escada (em baixo). de Los Angeles. em San Juan. é evidente tratar-se de fogo posto quando se verificarem diversos focos simultâneos ou ai guém foi visto a fugir do local mesmo antes de se detectarem as chamas. É também necessário traçar o caminho percorrido pelo fogo. Quando. os investigadores descobriram vestígios do álcool desnaturado e concluí ram que se tratara de fogo posto. em baixo) indicou o percurso dos gases quentes até ao andar de cima. e dois deles usaram álcool desnaturado para incendiar urnas caixas de cartão e outro lixo numa sala de baile vazia. Em 15 minutos. O investigador pode ser confundido por fogos provocados por ruptura de tubos do gás ou combustíveis armazenados. A segunda tarefa é localizar o ponto ou os pontos onde o fogo se declarou e onde ele foi mais intenso. lima pessoa morreu e 40 ficaram feridas neste incêndio. A dilatação dos metais também pode ser reveladora: uma viga de aço com 10 m aquecida a 500"C dilata-se 7 cm. Oito minutos depois de um fósforo pegar fogo ao óleo e COtâo por debaixo dos degraus (em cima). Os peritos forenses são especialistas no exame dos fragmentos dos materiais queimados. há que ter em conta os FOGO NO METROPOLITANO Depois do fogo do metropolitano de Londres. A densidade das rachas num vidro corresponde habitualmente à intensidade do calor. Depois de encontrar o foco do incêndio. Os peritos em incêndios são das primeiras pessoas a chegarem ao local depois de extinto um fogo.Em busca das causas de um incêndio Em 1966. Por outro lado. Latas de aerossol que explodem podem originar bolas de fogo com mais de 1 m de diâmetro. examinaram os restos calcinados do mobiliário da sala de baile.vt . Os empregados do hotel. Por vezes. O fogo consumiu quatro dos 62 andares da First Interstate Tower. chaminés de ventilação e caixas de escadas produzem 0 chamado "efeito de chaminé". Uma simulação (à direita. A altura de madeira ou alcatifa calcinada dá igualmen te indicações sobre a temperatura ou a du ração de um incêndio. na véspera cio Ano Novo. transmitindo os gases aquecidos às partes superiores do edifício e criando novos focos de incêndio. as chamas tinham invadido todo o rés-do-châo e encurralado os hóspedes no último piso do edifício de 21 andares. foram presos três empregados. Depois de um dos maiores incêndios ocorridos em Itália. houve 140 feridos. posteriormente. fios queimados que indiquem uma ligação eléctrica defeituosa. o Du pont Plaza. as chamas propagaram-se à madeira (à direita) . Caixas de elevadores. demonstrou se como um fósforo aceso p<xlia incendiar uma escuda rolante. No fim. Muitos dos 1400 ocupantes tiveram de ser salvos por helicópteros. estavam furiosos pela falia de um acordo salarial. sas — uma lata vazia de gasolina deixada pelo incendiário. Um varão de metal torce-se ou derrete-se conforme a proximidade a que está da parte mais quente do fogo. Chamou -se então o FBI para interrogar o pessoal do hotel. até 0 fragmento de um fósforo que descuida damente se deitou fora. Pode dedu zir-se muito da observação dos vestígios do fumo e dos estragos causados aos materiais. um incêndio malou 97 pessoas num hotel de Porto Rico. Á\\\V^^ factores que ajudam o fogo a alastrar. Além dos 97 mortos. o do Cinema Sta- . 0 investigador procurará indícios das cau- Inferno nas alturas. A sua primeira tarefa é preservar e tomar nola dos materiais queimados.

de Millet. indicando que o incêndio terá sido ateado para encobrir o crime. Mas em 1983. sugerindo que foi incendiado primeiro. são mais absorventes do que as que contêm crómio ou cobalto. em que morreram 64 jovens. O grau de absorção depende do tipo de pigmentos: as tintas à base de chumbo e de cádmio. Quando a película é revelada. restauradores de arte do Museu de Belas-Artes de Boston. Massachusetts. No exame forense. verificar que um dos cadáveres foi vítima de assassínio. dois restauradores de arte de Glasgow . aparece a imagem esbatida da pintura anterior. Pensa-se agora que Millet reutilizou a tela mais de 20 anos depois. em 13 de Fevereiro de 1983. e um deles queixou-se da selvajaria desmesurada da cena. em Novembro de 1987." O quadro desapareceu e os peritos de arte concluíram que Millet o destruíra. A radiografia mostrava a imagem do "desaparecido" e controverso Cativeiro. Como se radiografa um quadro A radiografia é o método mais usado para descobrir pinturas ocultas. Os críticos parisienses acharam que a superfície do quadro tinha uma camada de tinta muito espessa. Para radiografar um quadro. o que significa que a pessoa foi estrangulada. de Rembrandt. e os seus restos podem dizer muito aos investigadores: o corpo pode ter ardido mais intensamente que os objectos em redor. "Os soldados empurram as mulheres judias com uma violência excessiva. mas muitas pessoas acendiam os cigarros na escada rolante quando se dirigiam para a saída. Era proibido fumar nos comboios do metropolitano desde 1984. por exemplo. ou podem verificar-se indícios de asfixia no tecido pulmonar. verificaram 90 . Os investigadores concluíram que ele tivera origem no cotão e no óleo acumulados por debaixo da escada. durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870-71. de Millet. que tinham afirmado que o cinema era seguro. 0 proprietário do cinema. por exemplo. quase certamente incendiados por um fósforo deita do fora. os peritos verificaram que tinha havido desrespeito pelos regulamentos italianos de segurança. de Turim. descobriram-se fragmentos de fios velhos que tinham estado na origem do fogo. e descobriram o que parecia ser uma pluma branca inclinada na direcção errada a partir do topo do elmo. O incêndio que vitimou 31 pessoas na Estação de King's Cross do metropolitano de Londres. No princípio da década de 80. declarou-se numa escada rolante e foi alimentado pela corrente do ar proveniente dos túneis. Ao voltarem a radiografia. Um corpo humano é muito difícil de queimar completamente. coloca-se por detrás dele uma película fotográfica e aplicam-se os raios X pela frente. quando escasseava o material artístico. O comprimento de ondas dos raios X é utilizado. inicialmente tomado como fogo posto.tuto. utilizaram raios X para revelar a presença de outra pintura por baixo da superfície do retrato de A Jovem Pastora. Como descobrir pinturas antigas sob novas pinturas Quando o quadro de Jean François Millet O Cativeiro dos Judeus na Babilónia foi apresentado no final da década de 1840. foram condenados a penas de prisão entre os quatro e os oito anos. E as camadas mais espessas absorvem mais do que as delgadas. pois estes são facilmente absorvidos pelas tintas. o investigador pode. Não havendo causa aparente do incên- dio. por exemplo. o supervisor dos trabalhos de decoração e dois bombeiros locais. tanto o público como a crítica foram muito duros nas suas apreciações.ambos técnicos de raios X num hospital local — radiografaram O Homem da Armadura.

O retrato perdido. (A palavra "pentimento" vem do italiano pentersi. Os raios X são também utilizados para estudar o pentimento — as alterações que o artista faz enquanto produz uma obra. 4. a fotografia por infravermelhos. um deles pintado por um artista desconhecido. revela pormenores não visíveis na pintura final e ajuda a compreender a técnica do artista.S. Curnadura do segundo retrato. sugerindo uma mudança de ideias por parte do artista. Alterações da composição.) Traços de carváo A luz infravermelha também é utilizada para se descobrirem pinturas sob outras pinturas. pintado por Goya. 0 uso de outra técnica. por baixo. o retrato de um homem desconhecido fã esquerda). Verificou-se assim que o corte da linha do maxilar marcada com um a continha sete camadas de tinta: 1. Terceiro primário cinzento. são reveladas pelos raios X e úteis para os historiadores e restauradores de arte. Quando o retrato de Dona Isabel de Porcel (à direita). revelando os traços de carvão do desenho preliminar do artista. do primeiro retrato. descobriu se. A técnica tem sido utilizada pelo Museu Metropolitano de Nova Iorque para estudar os quadros da Renascença Flamenga. 3. eles penetram as tintas da superfície e são reflectidos. "arrepender-se". Quando se fazem incidir raios infravermelhos sobre a pintura. •n . pálida. 6. Carnaduru feminina. Segundo primário cinzento. Três cabeças foram reveladas pelas radiografias do Retrato de l IH Jovem.que a "pluma" era parte de um trabalho abandonado por Rembrandt: uma dama com um vestido branco e um toucado. Sombra do maxilar do homem. Base ocre vermelho-acastanhada 2. Primário cinzento. Os peritos colheram amostras da tinta e fotografaram nas ao microscópio. Este quadro está também na Galeria de Glasgow. 5. o Grande) Louvando Um Benfeitor — verificou-se aos raios X que tinha dois benfeitores. foi observado aos ratos X. O reflexo é fixado por uma máquina fotográfica. 7. num quadro do pintor quinhentista italiano Paris Bordone . Imagem tripla. Jerónimo e Santo António Abade (0 Eremita. 0 efeito deste processo é tornar transparentes as camadas delgadas c superficiais da tinia. mudanças na inclinação da cabeça ou de um braço. de Karel du Jardin. De forma semelhante. Em alguns casos. mostra o olho direito do homem (em cima).

pelo que adere às áreas cobertas de ouro. da esquerda para a direita. Este número varia conforme os países. denominado metalização no vácuo. e depois de encontro a um papel. como sacos de plástico. produzem padrões iguais aos "sulcos" e "cristas" existentes nos dedos e noutras zonas da mão. A fotografia grande. Vapori za-se por sobre a superfície primeiro uma 92 >V Padrões indiciadores. "esporões" e "ilhas" Para que uma identificação possa ser apresentada em tribunal. Uma vez obtida a fotografia. é preciso que um certo número de características reconhecíveis das impressões de um único dedo correspondam ao mesmo número de características da impressão em arquivo. O processo consiste em colocar as pontas dos dedos sobre uma almofada de tinta. a azul. Se as impressões forem de mais que um dedo. quatro padrões de arcos. devido à gordura que se acumula na sua superfície. As impressões de luvas podem igualmente ser reveladas por uma camada de pó e. oertkilos e compostos. Por este motivo. 0 zinco só se condensa sobre outro metal. que. é o bastante para se concentrar a investigação sobre determinado suspeito. Plásticos e tintas As impressões digitais consistem em minúsculas quantidades de humidade. numa superfície. As partículas do pó aderem aos tractos de humidade. O ouro deposita se uniformemente. depois uma de zinco. só se conservam as impressões dos criminosos condenados e as não identifi cadas recolhidas em casos ainda por resolver. As impressões são normalmente invisíveis. "lagos". consiste em colocar a superfície a examinar dentro de um recipiente ao qual se extrai o ar. por forma a registar o desenho dos padrões da pele. o perito policial em dactiloscopia utiliza um pó muito fino (muitas vezes alumínio em pó) para cobrir as superfícies em que poderão existir impressões digitais. As fotografias pequenas apresentam. constituirão uma prova importante. A maioria dos especialistas considera que a existência de mais de oito características é suficiente para confirmar uma identidade: embora tal não possa ser apresentado em tribunal. excepto se produzidas por tinta ou sangue. se coincidem com as de uma luva encontrada em poder de um suspeito. os padrões podem ajudar a estabelecer a inocência ou a culpabilidade de um suspeito. Impressões de luvas As luvas fornecem impressões distintas de modo muito semelhante à pele humana.As impressões digitais e os criminosos A Polícia pode querer lirar as impressões digitais de uma pessoa porque suspeita dela como criminosa ou porque quer identificar as impressões "inocentes". criando o vácuo. 0 processo assemelha-se àqueles passatempos em que têm de descobrir se as diferenças entre dois desenhos aparentemente iguais. Como cada indivíduo possui o seu conjunto único de impressões digitais. esta é com parada com as impressões digitais dos criminosos. Estes são depois comparados com as impressões deixadas na superfície dos objectos na cena do crime. A tecnologia moderna auxilia agora a Polícia a conseguir impressões de superfícies das quais antigamente nada se obtinha. mas é absorvido pelas cristas de humidade que formam o padrão dactiloscópico. as impressões são mais nítidas que nos absorventes. a técnica constitui um importante auxiliar na luta contra o crime. Com a identificação das im pressões digitais sucede o inverso: o perito tem de procurar as semelhanças. tomando-os visíveis. camada de ouro. recebendo uma impressão que pode ser levada para fotografar. 0 processo. Nos materiais nào-absorventes. Na maioria dos países. Os padrões dactiloscópicos são decompostos em traços característicos "forquilhas". rnostra-nos a impressão do polegar de um adulto. tornando-as mais contrastantes com as hn pressões não recobertas e permitindo que sejam fotografadas. mas pode chegar a 17. Alguns países mantêm um arquivo na- . como os tecidos. fazendo pressão. presilhas. As impressões digitais sáo normalmente arquivadas por nomes. Comparados entre si. como os plásticos e as superfícies pintadas. o tribunal aceita menos características por dedo. A comparação das impressões A comparação das impressões digitais requer boa vista e concentração intensa. Uma fita gomada é então aplicada à marca.

na esperança de resolverem casos em suspenso. verificando-se correspondência entre 12 características. Fingertips" ("Sr. Pontas-dos-Dedos"). devido ao tempo que as buscas podem demorar. por exemplo. é considerado simplesmente como instru mento de recurso para utilização quando não se consegue identificar localmente uma marca. criaram-se processos electrónicos destinados a acelerá-lo. Foram presos e julgados. o pequeno cofre em que o casal guardava as suas economias. mas o perito pode achar que não vale 2 3 5 6 a pena debruçar-se sobre os passadores de cheques falsos. sendo enforcados pelos irmãos John e William Billington. que em seis meses procedeu a mais de 100 identificações bem-sucedidas. Os peritos dactiloscopistas comparam ainda as impressões digitais de criminosos presos recentemente com marcas não identificadas obtidas durante a investigação de outros crimes. em 1901. junto aos corpos. quando foi inspector-geral da Polícia de Bengala. continua a ter de ser feita pelo perito dactiloscopista. O inglês Edward Henry interessou-se pelas impressões digitais na década de 1890. seguindo depois para os das redondezas. Marcas e impressões digitais. As polícias secretas e as organizações de contra espionagem possuem igualmente os seus ficheiros com os indivíduos que consideram revolucionários ou agentes inimigos. foi encontrado. como os ladrões de automóveis ou os carteiristas. estão já a ser utilizados por certos departamentos policiais de alguns países. Foi seguidamente comparada com a impressão digital do suspeito. e implicava a medição dos braços e pernas do criminoso. graças aos trabalhos do dactiloscopista João Vucetich. começará por reler to dos os casos de furto na localidade. 93 . O perito retira então do ficheiro todas as impressões dos suspeitos possíveis. em Londres. em 23 de Maio de 1905. A marca deixada no local do crime (à esquerda) foi recolhi da por um perito policial. 0 perito dactiloscopisla começa por examinar as marcas reveladas no local e decorar as respectivas características. mas. Mantém-se também arquivos dos criminosos com especialidades conhecidas. Estes sistemas podem ser ligados a sistemas idênticos de forças de investigação vizinhas ou mesmo aos arquivos nacionais para aumentar o potencial das buscas. apresentar-nos todas as impressões dos ladrões de automóveis conhecidos que vivam em determinada área e tenham menos de 30 anos. executores públicos. Cientistas de lodo o Mundo procuram desenvolver sistemas computorizados para arquivar e — o mais importante — comparar as impressões digitais e as mar cas recolhidas. Alfred e Albert Stratton foram acusados do assassínio de um casal idoso. No início da década de 80. foram executados por outros dois irmãos. Se procura um ladrão. A procura do arrombador de uma casa pode alargar-se a outros tipos potenciais de cri minosos. A impressão do polegar constituiu a prova principal. os peritos recolheram a impressão de um polegar suado ou sujo de óleo que não condizia com o dos mortos — nem com o do primeiro agente da Polícia que chegou ao local. provavelmente. vazio. A compa ração visual. Alguns processos. condenados junta mente por assassínio. Foram os dois considerados culpa dos e condenados à morte. Fazem diariamente dezenas de comparações. terá de fazer uma busca mais alargada e laboriosa. por forma que o premir um botão pode. poderá prossegui las nos departamentos de dactiloscopia de outras forças policiais. em 1891. A suspeita recaiu sobre os Strattons. que chegam a fazer 60 000 comparações por se gundo. Se estas não coincidem. As impressões podem hoje ser arquivadas e procuradas em sistemas de indexação electrónica. "Mr. contudo. ao único caso em que dois irmãos. ambos assaltantes conhecidos. mas podem trabalhar durante dias sem conseguirem uma identificação positiva. Comparam igualmente as marcas não identificadas com as marcas novas para verem se determinados crimes constituem uma série interligada. cujos nomes lhe foram indicados pelos detectives que investigam o caso. por exemplo. Flngertipa". Dependendo do tempo superiormente estabelecido para se dedicar às buscas. como os arrombadores de cofres. O CASO ESPANTOSO DE QUATRO IRMÃOS A prova por impressões digitais conduziu. por exemplo. na índia. Reformou se o recebeu um título nobiliárquico em 1918 — mas ficou sempre conhecido por "Mr. Henry foi posteriormente comissário da Polícia Metropolitana. No chão. Anteriormente. Em seguida. As suas ideias despertaram interesse em Inglaterra. feita com tinta. Edward Henry foi nomeado responsável pelo Departa mento de Investigação Criminal ria Scotland Yard. Em 1905. ou o "Senhor Pontas-dos-Dedos" A primeira identificação de um homicida pela comparação das impressões digitais com as dedadas deixadas no local do crime foi feita na Argentina. Aí criou a primeira Secção de Impressões Digitais. criado pelo criminologista francês Alphonse Bertillon. e. no andar por cima da sua loja. compara-as com as impressões digitais de pessoas inocentes que possam ter deixado marcas na cena do crime membros da família ou polícias. bem como fotografias de frente e de perfil. A maior parte deste trabalho é manual e extremamente laborioso. No tabuleiro de metal do cofre. o método habitual de registo dos caracteres dos criminosos baseava-se no sistema antropomé Irico.cional de impressões digilais. espancado até à morte. Todas as marcas que coincidam com as impressões inocentes são postas de lado.

A "dactiloscopia" genética pode também servir para resolver disputas de paternidade. A "dactiloscopia" genética é tão impor tante no estabelecimento da inocência como da culpa. duas jovens tinham sido violadas e mortas. mas não um suspeito. se não.A "dactiloscopia" genética: processo de identificação que não falha A "dactiloscopia" genética alterou o curso da investigação criminal: é o método até hoje mais rigoroso para a identificação de um individuo. O criminoso foi encontrado quando um homem disse a alguém que um seu companheiro de trabalho lhe pedira que tomasse o seu lugar quando fossem feitas as recolhas. extrai-lhe um pouco de sangue e compara a impressão genética com o que possui. O ladrão que parte uma janela pode deixar no vidro vestígios de sangue que servem para a criação de uma impressão genética. Não coincidindo. 0 composto químico que. mas nâo idênticos Pode assim determinar-se a culpabilidade de uma pessoa e a inocência de outras seis. A estrutura do ADN é diferente de pessoa para pessoa. O padrõo de ADN (ao meio) obtido de uma mancha de sangue encontrada no local do crime é comparado com os de se/e suspeitos. A imagem final. 94 . semelhante aos códigos de barras utilizados nas embalagens dos produtos. 0 comprimento da sequência. como a cor dos olhos c do cabelo. Jeffreys descobriu que no interior da molécula de ADN existe uma sequência de informações genéticas que se repete muitas vezes ao longo da respectiva estrutura. o nume ro de vezes que ela se repete e a sua localização precisa dentro da cadeia do ADN são únicos em cada indivíduo.em geral. o transplante não deu resultado. sangue. o cientista pode afirmar com toda a segurança que os elementos da impressão genéti ca do filho que não condizem com os da mãe provêm do seu verdadeiro pai. a "impressão digital" genética. Comparam as impressões gene ticas obtidas de animais para assegurar que o cruzamento consanguíneo nas espécies ameaçadas . O processo pode igualmente provar a paternidade de uma criança e controlar a criação de animais raros. no inte rior de todas as células vivas. Comparando as im pressões genéticas da mãe e do filho. o transplante teve êxito e está a produzir leucócitos sãos. Só o padrão imediatamente à esquerda condiz exactamente Os outros são semelhantes. Outra utilização é nos transplantes de medula óssea. 0 inglês Alec Jeffreys. Na afirmativa. Para obter um espécime de ADN o cientista precisa apenas de uma amostra bioló gica contendo algumas células humanas . geneticista da Universidade de Leicester. Um filamento de ADN é igualmente constituído pelas características de ambos os progenitores. o preso está inocente. excepto nos gémeos idênticos. Fazia investigações sobre o ácido desoxirribonudeico (ADN). Quando a Polícia prende um suspeito. A primeira recolha de impressões genéticas de um número considerável de pessoas foi feita no Leicestershire em 1987.que produz animais enfraquecidos — seja evitado. descobriu a dactiloscopia genética em 1984. sémen ou cabelo em quantidades mínimas. a Polícia pode obter impressões de um grupo de pessoas fazendo colheitas de sangue. formando uma dupla espiral. determina as características de cada indivíduo. foi libertado porque a sua impressão genética não se ajustava às provas obtidas na cena do crime. anteriormente acusado de um dos crimes. Um outro homem. se ela condiz. Os zoólogos podem utilizar a "dactilos copia" genética para controlar a criação de animais raros e a conservação de certas espécies. consiste numa série de barras sobre uma película de raios X. Quando possui uma impressão genética. quando se extraíram amostras de 5500 homens que viviam nos arredores de uma aldeia em que O ADN indica o culpado. Os médicos verificam se a impressão genética do paciente após o transplante condiz com a do dador. 0 Prol. Criou-se um processo de passagem destas sequências a registos visíveis. trata-se do ladrão.

narizes. 0 processo fora concebido na década de 40 principalmente por Hugh C. Munin dose de cerca de 50 000 fotografias de rostos de pessoas. O ldentikit era formado por quase 400 pares de olhos. porque eu observo-a de perto. funcionário policial do Departamen lo de Identificação de Los Angeles. Peter. cicatrizes. Como os peritos em escrita apanham um criminoso Na tarde de 4 de Julho de 195G. 105 bocas o 74 queixos e faces — o que permite biliões de combinações possíveis. cortadas em secções e montadas por forma que certas feições — um nariz aquilino. Deixou o caninho no pátio e correu a buscar uma fralda. Q descrição inicial da pessoa (1) pode alterar-se pela aplicação de um bigode (2). Depois. . as fotografias de criminosos capturados podem arquivar-se em computador. o que permitiu à Polícia fazer um retrato muito parecido do homem que procurava Esse retrato foi posto a circular na zona. em cinco secções. O desenho é depois coberto por um fixador e assinado pela testemunha. Este processo utilizava fotografias de criminosos tiradas de frente e de perfil. tem sido utilizada a tecnologia dos computadoras para realçar estes retratos. Além disso. altura em que o criminologista Alphonse Bertillon criou um processo que chamou portrait parle (retrato falado). O conjunto básico. O E-FTT. A face é montada folha a folha ou tira a tira. as manchas da pele. linhas de cabelo. Nos meados da década de 70. Estou aterrorizado e mato o bebé se 95 Rosto por computador. podem ainda acreseentar-se barba. Tornava-se assim mais fácil para os agentes reconhecer na rua os criminosos que procuravam. surgiu na América do Norte um novo sistema de retrato-robô. lábios. quer o Idenlikit. Indianos e Afro-Caribes Ainda não se criou um kit para os Orientais. Não fale nisto a ninguém nem vá à Polícia. 99 olhos o sobrancelhas. pede se a um de senhador da Polícia que retoque a ima gem: sobrepõe-se a esta urna folha de plástico transparente. barbas. As testemunhas dos crimes são entrevistadas pela Polícia logo que possível. Obtém-se assim uma imagem que parece uma fotografia. da Polícia do Condado de Los Angeles. pois a capacidade de recordar começa a diminuir ao fim de uma semana acerca dos pormenores do rosto. e serve-se de folhas de plástico com fotografias autênticas das diversas feições do rosto. bi godés. EUA. passando depois à descrição genérica do suspeito ou suspeitos. fazendo as suas escolhas. No Reino Unido. O sistema emprega também fotografias autênticas de pessoas "vulgares" montadas sobre delga das folhas de plástico. todos diferentes entre si. bigodes ou óculos. que utilizou como a base do que chamou ldentikit (à letra. queixos. as diversas feições eram desenhadas em folhas de plástico transparente que se faziam combinar até se obter um retrato composto que se ajustasse às descrições testemunhais do indivíduo que se procurava. desde 1970 que a Poli cia utiliza um sistema denominado Photo-FIT (facial Identification technique — técnica de identificação facial). em Long Island. "estojo de identidade") — o que entre nós permite fazer o chamado retrato-robô. Quando voltou momentos depois. Para se construir um retrato.o primeiro criminoso do Mundo a ser apanhado graças a um retrato-robô. contendo as diversas folhas de Photo-FIT ou ldentikit. As componentes são cortadas por forma que o comprimento e a largura de uma face composta possa ser montada numa moldura que as mantém no lugar. um queixo proeminente. A nota dizia: "Atenção. a forma das sobrancelhas. sobre a qual se acresceu Iam os pormenores. havendo kits suplementares para os Ameríndios. Eram baixos e atarracados ou magros e altos? Que tipo de vestuário usavam? E que fizeram na verdade no local do crime? Só então as testemunhas são interrogadas Polícia assassino.Vo mais recente processo computorizado de identificação. nhãs de cabelo. de um mês. Recentemente. compõe-se de 195 liQuer se utilize o Photo-FIT. Em consequência da montagem de um retrato-robô em França. cortou-as em 12 secções principais. mas preciso mui to de dinheiro e não podia arranjá-lo de outra maneira. Lamento que isto tivesse de acontecer. São codificadas segundo as características físicas. O kit básico é de rostos de raça branca. Beatricc Weinbcrger regressou à sua casa de Westbury. com o filho. Mrs. depois pela mudança do feitio do rosto (3) e peta colocação de uma cicatriz (4). que são habitualmente desenhados por artistas. uma descri ção pormenorizada do ladrão. muitas vezes. McDonald. orelhas salientes pudessem ser estudadas. Ela permite que faces com aspecto extrcmamenle verdadeiro sejam desenhadas no écran segundo as descrições das testemunhas e que se lhes apliquem as mínimas alterações. Além disso. Não teria passado do típico crime menor. Folheiam álbuns.Como se produz um retrato-robô de um criminoso Em Fevereiro de 1959. etc. o carrinho estava vazio — e no lugar de Peter havia uma nota escrita. funcionário da Real Polícia Montada do Canadá. sobrancelhas. o assassino foi identificado como um dos pO lícias que colaboravam nas investigações. excepto por um facto: o proprietário do armazém forneceu ao xerife Peter Pitchess. 89 narizes. como as sombras do cabelo. . Foi aperfeiçoado por Pai Dun leavy. os detectives começam por pedir às testemunhas que recordem os pormenores do crime em si. O emprego de fotografias ou de esboços desenhados para identificar e prender criminosos começou cm França na década de 1880. o que levou à identificação e prisão do larapio . e o computador pode apresentar uma escolha das que mais se ajustem à descrição das testemunhas. ou "atlas de feições". um ladrão armado assaltou uma loja no Sul da Califórnia e fugiu com o produto do roubo. depois de um passeio.

era de alguém que. os pedidos de promoção e as sugestões recebidas pelo correio. Um sobrescrito com papel de jornal cortado em pedaços foi colocado no local na manhã seguinte.->'• ' . em bora o autor possa ser objectivo e de espirito cientifico. (icjt nado Qusuuo Inclinação para a direita. a altura e o tamanho rias letras maiús cuias c minúsculas. era inseguro e rígido. Em ambas as notas de resgate notou-se nos yy uma primeira perna invulgar em forma de z. encontraram apenas o cadáver ria criança. Até que em meados de Agosto estas pe nosas tentativas trouxeram resultados. Inclinação para a esquerda." Apesar do aviso rio raptor. o espaço entre as pala vras. preocupados. flexível e de bom contado..M. no entanto. Ponha 2000 dólares em notas pequenas num sobrescrito pardo e coloque-0 junto ao . Nessa altura. Sugere uma personalidade expansiva. Denota ambição ou espirito largo.. a Polícia achou que o bebé já estaria morto.semáforo na esquina da Albemarle Koad com Park Avenue exactamente às 10 horas da manhã de amanhã (quinta leira). Apa rentemente. Afirmou ter agido num impulso rie momento para minorar as suas dificuldades financeiras. você fizer alguma coisa errada. çr\ Wu)t)er\ Estreita. a maioria dos grafólogos concorda em certos conceitos básicos corno a importância da apreciação rio carácter através ria conjugação rie LARGURA \\VJAOJUU. Não há desculpas. Escrita grande. Encontra-se muitas vezes na caligrafia das pessoas do espectáculo. . O ângulo com que a pessoa segura a caneta.. Os indivíduos com caligrafia estreita são habitualmente disciplina dos mas inibidos. apeTAMANHO sar do seu estatuto social e profissional. nos clubes e nas escolas Ao lodo foram examinadas visualmente e comparadas com as notas de resgaste mais de 2 milhões de assinaturas e de amostras de caligrafia. não posso esperar! O seu baby-sitler.arga. o lugar foi dado ao primeiro candidato. nada havia que fizesse preferir qualquer deles . cujos peritos em análise de escrita manual começaram a tentar encontrar a pista do criminoso. No entanto. a maneira como cruza os // ou põe o ponto nos ii.- Prova escrita.a Marca tivesse sido apanhado. Mr. nas fábricas. O seu autor gosta de se dar com as pessoas. . La Marca fora posto em liberdade condicional pelo fabrico ilegal de álcool. —-— 9(1 . condizia com a do raptor especialmente no traçado pe culiar dos yy. Tendo começado pelo registo automóvel da cidade de Nova Iorque. Mas o raptor não apareceu. ou detector de mentiras. Por isso. Long Island. E os que criticam a grafologia acusam do mesmo os grafólogos . a "individualidade" de quem escreve vem sempre à superfície. a do segundo era pequena. A caligrafia de Angelo John La Marca. Os que escrevem com letra larga são normalmente desinibidos e gostam de viajar. Por muito que se tente disfarçar as peculiaridades e as características da escrita ou adoptar a caligrafia de outra pessoa. com tendência para esconder as suas emoções e manter uma atitude passiua. capacidade e qualificações idênticas. Nos EUA. Na Alemanha.. Podem ser igualmente mesquinhos e de vistas estreitas. confessou o rapto rie Peter. 'São e Salvo'. l. exactamen te ao meio dia. A selecção por polígrafo revelou-se de validade pouco segura. a grafologia tomou o lugar rio polígrafo. Segundo o grafólogo. Foi chamado o FBI. A caligrafia nu nota de resgate coincidia com a de La Marca num impresso de liberdade condiciono!. Ao ser confrontado com as amostras de escrita. Nos EUA onde as empresas perdem algo como 40 000 milhões rie dólares por ano devido a empregados desonestos . La Marca foi mais tarde executado na Prisão de Sing Sing. Disse à Polícia que deixara o bebé vivo e são num parque próximo no dia a seguir ao rapto.*<. Mesmo que tivesse tentado disfarçar a letra.muitos deles autodidactas e cujas apreciações frequentemente se contradizem. Weinbcrger. contactaram a Polícia. de Plainview. Pode de notar um indioiduo reservado e tímido. Faltou a dois "encontros" poste riores com os Weinbcrgcrs e deixou uma segunda nota assinada "o seu baby-sittef'. A caligrafia do primeiro candidato era grande. Escrita pequena. a primeira le tra rienotava uma pessoa autoconfiante. um grande número rie empresas emprega grafólogos para anali sar as candidaturas a emprego. deixarei o belx? na mesma esquina. Mas quando os agen tes acorreram ao local. I QUANDO UM NOVO EMPREGO DEPENDE DA SUA CALIGRAFIA Os candidatos ao lugar de assistente rio director rio pessoal de uma companhia de computadores tinham ficado reduzi dos a dois jovens com experiência. brusca e angulosa. cujos tes tes já não são autorizados por lei. c Mrs. os peritos passaram as seis semanas seguintes perscrutando os ficheiros locais na Polícia.pelo que os en trevistadores convocaram um grafólo go para avaliar o carácter e as potencialidades de cada um. P<xlern ser impetuosos. o uso ou abuso da pontuação tudo isto identifica uma pessoa. é provável que l. A segun da. Algum tempo antes. 80% das grandes empresas utilizam grafólogos na escolha do pessoal e esta prática está a espalhar-se pelo Mundo. Os grafólogos afirmam que a caligrafia é uma espécie de "escrita do cérebro" em que a mente inconsciente é conduzida aos dedos e se revela no papel. fluida e arredondaria. Os apologistas do exame grafológico afirmam tratar-se de uma forma eficaz rie INCLINAÇÃO decidir se se pode confiar numa pessoa. Se tudo correr bem. nos escritórios. l3ode indicar modéstia e sentimentos de inferioridade.gMr-.

em 1988. Massachusells. . os grafólogos dividem a caligrafia em três "zonas": a zona superior e a inferior. que incluem scanners de infravermolhos e ultravioletas com os quais examinam rasuras e emendas. Para isso. As mulheres foram todas conde nadas a 14 anos de prisão. Além disso. curvas mal desenhadas. no princípio da dê cada de 80. "Mesmo à primeira vista"." Os 60 diários foram comprados pela re vista alemã Stem. uma zona inferior pequena sugere superficialidade. afirmou. Holanda. Esta revista convocou um reputado perito em análise ric escrita. Em resultado desta denúncia. 97 ([j6 wduLMCÂQt Jnf^làJoa. Duas letras podem ter a mesma forma. em que estavam escritos os diários falsos. antes de Hitler ser ditador. Os cães conduziram os homens da Alfândega a 20 discos LP em cada uma rias malas das mulheres. Gary Herbertsoii. diz-se que por 6 milhões de marcos. comparou os dois conjuntos escritos — especialmente as letras E. a fluência. utiliza ra unicamente papel da melhor qualidade. Quando se separa ram as camadas de vinilo dos discos. um trapo Ordena-se ao cão que entregue esse objecto ao treinador e dá-se-lhe uma recompensa. 0 cão começa por ser ensinado a reconhecer determinada droga ou explosivo. é hoje utilizado nos principais aeroportos do Mundo. As pessoas que separam muito as palavras não se dão bem na companhia dos outros Podem ser reservadas e solitárias. na Colômbia. odcog. Itália. como ob. e Hitler. chefe da secção de documentos do laboratório do FBI. Uma zona superior grande. foi considerado culpado por um tribunal de Hamburgo e condenado a uma pena de prisão de quatro anos e meio. porque os receptores olfactivos que possui são 100 vezes mais longos que os do homem. contendo as restantes leiras minúsculas. que é na realidade o cheiro da droga ou do explosivo. sensível aos vapores. equipamento de écran duplo para comparação entre documentos verdadeiros e duvidosos e instrumentos de grande ampliação da caligrafia para comparação entre as diversas formas de ligação das leiras. Este detector portátil de explosivos. Esta pode ser qualquer coisa que esse cão goste de fazer — uma luta amigável com o dono ou um jogo de escondidas. Como os cães e as máquinas farejam drogas e explosivos Quando cinco mulheres de Bogotá. "tudo parecia errado. pautado. Verificação de um saco. fazem-sc coisas que não pare cem naturais. O cão aprende a reconhecer o cheiro do objecto de Ireino. ea zona intermédia. e não de uma qualquer característica peculiar. A Stem vendeu depois direitos subsidiários em França. também interessada na sua publicação. que imediatamente se mostrou desconfiado. esse objecto é colocado à vista do cão. Estes cães são utilizados pelas polícias e alfândegas de todo o Mundo para de tectar drogas e explosivos. Bélgica. por exemplo. Incluíam uma referência ao ataque dos Russos a Berlim em Abril de 1945. um criminoso alemão já várias vezes condenado . provou se que a tinta era moderna. Espanha. e uma zona intermédia de tamanho médio denota uma personalidade metódica e prática. mas que escolhe indiscriminadamente os amigos. No total. em Londres. foram encontrados 16 kg ria droga nos discos e em sobrecapas de livras. da escrita natural. outro de 1945. formarias pelas partes superiores e inferiores das maiúsculas e de outras letras. o treinador esconde uma amostra do produto dentro de qualquer coisa que o cão consiga agarrar com a boca — um jornal enrolado. Serão as dimensões relativas das três zonas que revelarão a verdadeira personalidade do indivíduo. O mais nolável caso dos últimos tempos diz respeito ã falsificação." Utilizando um poderoso microscópio e exemplares autênticos da caligrafia de Hitler. Que Deus esteja do nosso lado. os colhes c osspaniels. indica uma pessoa aberta e alegre. Em geral. a suavidade. A publicação na Alemanha começou na Primavera de 1983 E dois dos diários — um de 1932. O cão tem um sentido de olfacto muito superior ao do homem. é possível dizer se uma foi a escrita rapidamente e a outra cuidadosamente desenhada. quando Hitler. no seu esconderijo. H e K — e encontrou grandes discrepâncias e dissemelhanças entre eles — o que convenceu Rendcll de que os diários eram falsifica ções. descobriu-se cocaína escondida entre as duas metades. mesmo assim. Em Julho de 1985.Konrad Paul Kujau foi mais tarde preso com dois cúmplices e julgado por falsificação dos diários. O treino de um destes cães dura habitualmente cerca de 12 semanas. mas. ligeiros tremores. Noruega e Inglaterra. pelo que não era crível que tivesse recorrido ao papel ordinário.Em 1983. levantaram suspeitas no Aeroporto de Heathrow. O objecto utilizado no Ireino é mudado periodicamente." Além rios seus conhecimentos. trouxeram-se cães especialmente treina dos para examinar as respectivas bagagens. afirmou: "Sempre que se tenta modificar a caligrafia. Pequenos espa cos entre as palavras denotam uma pessoa gregária. depois passa a ser escondido. ESPAÇAMENTO Grandes espaços. Notam-se fins e prin cípios dos traços bruscos ou embotados. Ao princípio. um pedaço de cano.c^r^ Espaços apertados. interrupções inapropriadas. A escrita de um falsificador não tem a velocidade. mas o cheiro mantérn-se o mesmo. de Boston. ao tomar notas e apontamentos no princípio dos anos 30. ano em que se suicidou — foram enviados à revista americana Newsweek. os peritos em análise de escuta utilizam no seu trabalho instrumentos e aparelhos sofisticados. certos factores fundamentais. Kenneth Rendei!. supostamente escrevera: "Começou a ofensiva há muito esperada. Os cães treinados para este trabalho incluem os cães de caça como os labradores. dos "diários" de Adolf Hitler — nos quais o chefe nazi supostamente es crcvera os seus pensamentos mais íntimos numa caligrafia antiquada.

diamantes. Amostras de ar As máquinas. As amostras do ar são analisadas por um aparelho. Abríram-no com maçaricos de oxiaceti leno o descobriram uo seu interior 210 kg veis. Cáo que fareja. nas costas das mãos). entram os funcionários da Alfândega ou da Polícia. cannabis (haxixe). de aço. foram instaladas máquinas "farejadoras".com destino à Holanda. a Polícia Holandesa apareceu o prendeu os traficantes. veste-se-lhe um "colete" especial . Removeram o contentor para o examinar e dopa raram com um compartimento escondido. que uso óculos escuros para esconder estes sinais denunciadores. com uma profundidade de 10 cru a todo o comprimento da parte superior. Por isso. Em i')SH. onde um gru po de oito homens CO nieçou a cortar o tecto.em geral. em Londres. ou cuja respiração seja acelerada. pelo que os funcionários tive ram de agir depressa e cm segredo. por exem pio. que transpire exageradamente (particularmente os homens. Quando se leva um cão para procurar drogas numa carrinha ou num armazém. Óculos escuros Todo o passageiro que chega do estrange ro e se mostra nervoso desperta a atenção do pessoal das alfândegas.sinal de que deve começar a trabalhar. conseguem ver o interior dos depósitos de ga solina ou os forros das portas dos automó- Olho que espreita. Certas máquinas especiais de raios X fornecem imagens a coros o detectam o que quer que se encontre escondido don tro de um recipiente. pesam as bagagens dos passageiros suspeitos e revistam nas se as acharem com poso a mais. Uma funcionária adua neira do Aeroporto internacional de Miami dá instruções uo seu câo na incessante pro cura de drogas. Um cão podo ser treinado a reagir a 12 tipos diferentes do explosivos e a •'! lipos diferentes de drogas . as dimensões o posições relativas dos objectos dentro do um saco. poderá ser revistada cm busca de drogas. os funcionários decidiram invés ligar. Despertada a suspeita. Uma corrente eléctrica que atravessa a máquina detecta o movimento dos electrões. que as decompõe nos seus componentes químicos o identifica os mais pequenos vesti gios de substâncias usadas nos explosivos ou nas drogas. Podem ainda esvaziar uma mala o pesá-la: se pesar mais do que o valor dado pelo fabricante. Os funcionários sabem quanto posa uma mala media quando cheia. Doce subterfúgio. que foram julgados o condenados. fibras ópticas no interior do tubo transporiam a imagem até uma pequena ocular. Nossa altura. Estas máquinas detectam dinamite ou nitroglicerina. Baseando-so apenas neste facto e na sua intuição. Um dos aparelhos mais úteis usados por estes funcionários é lambem um dos mais simples: a balança. que enn tem um vapor que atrai electrões. Um funcionário adua neiro utiliza um espectroscópiò para obser uar um depósito de gasolina em busca de cannabis que ali possa estar escondida 98 . Cheiros como os do perfumes. Nossa altura. por tráfico do cocaína. que coitos traficantes espalham para disfarçar o cheiro cias drogas. va lendo mais de 13 milhões de contos. Este está atonto a quem quer que se mostre demasiado agi tado que pisque os olhos mais vezes que as habituais. Movimento de electrões Km alguns aeroportos internacionais incluindo o de Seul antes dos Jogos Olímpicos de 1988 -. Mostram. como depósitos de gasolina.. Quando localiza um cheiro que sabe lhe trará uma recompensa. Foi levado para um parque do caravanas. Com um espoei roscou i o — tubo comprido e delgado com uma lente na extremidade .Processos antigos e modernos de levar a melhor sobre os traficantes Os funcionários aduaneiros de Southamp lon estavam muito desconfiados de parte de um carregamento procedente da Co lômbia .utilizadas na detecção do drogas e explosivos aspiram ar por um tubo que pode sor introduzido em espaços escusos. heroína o aiiíetaminas. o espectrómetro de massa. o cão fica agitado o excitado. através das quais podem transitar pessoas. O carregamento fora descido de um navio para se proceder a uma nova arruma Cão da carga. O contentor foi novamente selado — lo vanrío sacos do grãos do cereais em vez da droga — o voltado a colocar a bordo sem que ninguém disso se apercebesse.importante centro produtor do droga . com penas de até sois anos. Afirma se que podem ser identificados vestígios Ião diminutos como um Irilionésimo de grama. ouro ou outro contra bando que esteja escondido em comparti mentos dentro do forro. são igualmente utilizados para que o cão se habitue a elos. descobriu se lie roina escondida em paneis de caramelos. for ros dos automóveis ou intervalos onlre paredes. os funcionários aduaneiros servem-se de equipamento especial para aprofundar a busca. de cocaína em 263 pequenos pacotes. cocaína. pois os cadeados de um contentor cheio de ladri lhos cerâmicos pareciam ler sido forcados. O navio continuou a sua viagem e o contentor foi descarregado no porto holan dés de Roterdão. no Aeroporto de Heathrow. Recolhem-se também amostras de ar de contentores c camiões onde se sus peita que possam estar escondidas drogas e matérias explosivas.

Três pessoas morreram num Airbus francês que caiu quando tomava parte num espectáculo aéreo perlo de Multtouse. principalmente cocaína e heroína. estão atentos aos correios que transportam as drogas. Wright. Os funcionários aduaneiros aguardam que ela seja levantada pelo dono . procede-so sempre a uma investigação cuidadosa sobre as causas do acidente para delas se po- Às vezes. verificando-se que da Nigéria.O ESTRANHO CASO DOS CARACÓIS PORTADORES DE DROGA totalizando cerca de G00 g de droga. cerca de 1100 pessoas morrem no Mundo em acidentes aéreos . mas muitas mais são devidas a horas de penoso trabalho de investigação. uma peça de bagagem desembarcada de um avião pode ser "apontada" por uma máquina de raios X ou um cão treinado. tenente do Exército Americano. também es interior diversas pequenas embalagens. no Leste de França. suspeitou de um passageiro ram o caso aos seus colegas por toda a que transportava um saco em mau estaAlemanha. e os funcionáneiro do Aeroporto de Hanôver. Embalagens semelhantes fofora frustrado mais um engenhoso meio ram encontradas nos outros caracóis. continha um saco de plástico cheio de caracóis comestíveis vivos da espécie Duas semanas depois. especial atenção aos passageiros vindos 0 saco foi aberto. partiu uma perna. 0 primeiro a ser registado deu-se em 1908.re- cuperando-os depois por ríefecação ou vómito — ou os introduzem nos orifícios do corpo. Thomas C. heroína. As estalísti cas mostram que. o funcionário descobriu no seu heroína ligeiramente maior. foi apanhado Achalina fálica. . em Junho de 1988. A queda verificouse quando o avião entrou por uma mata com áwores de 12 m de altura. Virgínia. que engolem . Partindo uma das no que tentava passar uma porção de cascas. anualmente. Selfridge. dedicou-se do e acabara de chegar. seu passageiro. Nos portos de ferry-boats e nas fronteiras terrestres. Reconstituindo os últimos momentos de um desastre de avião O avião é normalmente um meio de transporte extremamente seguro. após se ter partido uma hélice de madeira. desde os primórdios da aviação que os acidentes se verificam. 133 outros passageiros do Airbus sobreviveram à queda. embora o avião tivesse ficado quase totalmente destruído. Miraculosamente. um dos pioneiros dos voos pilotados. na Ale rios aduaneiros de Hanôver transmitimanha. de fazer tráfico de droga. quando um avião se despenha — seja um pequeno avião de dois passageiros. Os funcionários das alfândegas estão atentos aos passageiros provenientes de países conhecidos como exportadores de droga. Muitas capturas resultam de suspeitas surgidas no momento. Em particular. Tragédia no espectáculo aéreo.e detêm no à passagem pelo pos to de controle. condida em conchas de caracóis Achalicontendo cada uma cerca de 30 g de na. morreu quase instantaneamente. morreu quando o avião de Orville Wright caiu em Kort Myer. dentro de preservativos. seja um Jumbo transportando mais de 500 pessoas —.contra 40 000 em acidentes de viação só nos EUA. A partir de então. O piloto foi despedido pela Air Frunce quando os registos de voo da caixa negra revelaram que ele não obedecera a avisos sonoros dos controles para que aumentasse a altitude. Graças à atenção de um funcionário. Actualmente. No entanto. os que se mostrem tensos ou hesitantes ou uma pessoa mal vestida conduzindo um automóvel de luxo podem ser sujeitos a revista. um funcionário aduaO traficante foi preso. Selfridge. os condutores ou passageiros sem explicação adequada para a sua viagem. A descida do aparelho foi aparentemente amortecida pelas árvores sobre que aterrou. Em Julho de 1988. cuja casca é do tamano Aeroporto de Hanôver outro nigerianho de um punho.

este sistema tem um ponto fraco: se com a queda o gravador não parar. Quando esta é passada. Apenas A dos 528 passageiros se salvaram. Devem ser capazes de suportar sem danos uma temperatura de 1I00"C durante 30 mi nutos. fornece um gráfico computorizado dos movimentos do avião. o que apoiou a teoria de que 0 avião explodira no ar. 113 km a norte de Tóquio. de pressão ou de explosão. Os destroços que mais importa recuperar são os dois aparelhos de registo transportados a bordo dos aviões civis. A princípio. Estes aparelhos de registo estão insta lados na cauda do avião — a zona de maior probabilidade de sobrevivência à queda . levou três meses a localizar e traçar um mapa do resto do avião. 0 ano mais fatídico em desastres de aviação foi o de 1985. 0 aparelho de registo de voo fornece uma cravação dos movimentos dos instrumentos principais. Outro indicativo surgiu quando investi gadores canadianos descobriram que na carga figurava urna mala de um passageiro indiano que não embarcara Um conjunto de circunstâncias seme Ihanles rodeou a explosão de uma mala no Aeroporto de Narita. como os indicadores de velocidade e de altitude e as posições dos lemes e dos aHerons. a partir de barcos de recuperação trabalhando à superfície. são habitualmente cor de laranja ou vermelhos para serem vistos mais facilmente. Foi localizado pelo emprego de equipamento de sonar e mini submarinos. Os metais fendem ou fundem de maneira diferente. julgou-se que os acidentes tinham sido causados por talhas mecânicas dos aviões. mas ficou provado que esta ideia não linha fundamento. o avião desintegrou se e mergulhou no mar. Os peritos conseguiram também apontar exactamente os sítios onde os corpos AS MAQUINAS QUE REPRODUZEM A TRAGÉDIA Investigadores examinam o aparelho de registo de ooo de um avião da Air Florida que se despenhou no rio Potomac. Alguns minutos depois de levantar voo. Os primeiros e mais importantes destroços a serem recuperados foram o aparelho de registo de voo e o gravador de vozes do cockpit (cabina de pilotagem). os princípios da investigação são os mesmos. um 747 das Linhas Aéreas Japonesas que voava entre Tóquio e Osaka despe nhou se contra o monte Osutaka. Os quatro sobreviventes ocupavam.derem tirar lições que evitem futuras tragedias. na qual a parte de trás do avião raspara na pista O exame dos destroços revelou que os mecânicos que procederam à reparação tinham deixado um pequeno espaço entre as chapas de reforço de uma junção rebita da num dos tabiques divisórios. Fazem um mapa da área em que se encontram os destroços. Como consequência os cabos de controle hidráulico tinham rebentado. juntos. pelo que. Os investigadores de acidentes aéreos dirigem se ao local. até que este se despenhou. a oeste de Shannon. Funcionam em fita continua. quase à mesma hora em que ocorria o desastre do avião da Air índia. Os aparelhos de registo de elementos de voo podem gravar até 200 horas de tempo de voo. Dois meses depois do desastre da Air índia. contendo entre elas um material termoisolante. A gravação das conversas entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo revelou-se de pouco valor. depois de uma má aterragem em Osaka em 1978. A recolha e exame dos corpos orientados por peritos médicos podem determinar a altura e a causa da morte e contribuir assim para descobrir a origem do desastre. quatro lugares no centro do aparelho. e recolhem amostras de todos os destroços para o caso de alguma delas poder fornecer algum indício. Os assentos estavam queimados por baixo e a porta de carga de vante parecia ter sido atirada para fora.) sobre o Atlântico Nor le. este continuará a funcionar. en quanto outras se mantiveram intactas. ar rançando o leme de direcção e os de pro fundidade. apenas estão gravados os últimos 30 minutos. estejam numa montanha ou no fundo do mar. Embora não houvesse prova directa de uma bomba terrorista. Os 32!) ocupantes morreram.numa caixa de paredes duplas de aço inoxidável. Embora mais de 130 corpos e alguns destroços tenham sido rapidamente recuperados. A cerca de 31 000 pés (9500 m. O primeiro acidente deu-se com um 747 da Air índia que se dirigia a Deli. e pensa se que as explosões foram obra de terroristas sikhs. A maior parte encontrava-se no fundo do mar. via Londres. na Irlanda. os destro ços apresentavam sinais bastantes para a tornarem plausível. Os aparelhos de registo de vozes do cockpil gravam as conversas e outros sons da tripulação. ouviu-se um grande estampido na parte de trás da cabina. recuperados tinham estado sentados e es tabeleceram os padrões de diferentes tipos de ferimentos. que dura 30 minutos. As informações são registadas sob a forma de impulsos electrónicos numa fita. Pode igualmente programar•se um visor de computador para que reproduza o mostrador dos instrumentos principais. desintegrando se quase completamente. Bomba terrorista Quando o gravador de vozes da cabina . na realidade. No entanto.que regista em fita gravada OS sons no interior do cockpit foi posto a funcionar. dando uma imagem mais realista. apagando a parte vital da informação. em Tóquio. em qualquer altura. A tripulação lutou durante 32 minutos para manter o avião no ar. permitindo a passagem de ar da cabina para o sector da cauda. Quer a causa suspeita seja uma bomba ou uma peça defeituosa. Este inter valo expusera a junta a pressões que teriam levado ã sua ruptura. Ambas as inalas foram identificadas como pertencentes a um mesmo homem de Vancouver. que matou dois bagageiros. Mas a história do avião mostrou que este fora reparado pelos fabricantes. 100 . Washington DC. procedeu te de Vancouver. seguido pela falha completa de todos os instrumentos. em Fevereiro de 1982. conforme os ti pos cie calor. a 2000 m de profundidade. o que pode revelar a sequência da queda. em que mais de 800 pessoas morreram em dois desastres com Jambos Boeing 7-17. Os primeiros passos incluem a recuperação dos destro ços. Estes aparelhos são frequentemente apelidados de "caixas negras" mas. pareceu aos investigadores terem ouvido c> som de uma explosão gravado no último milissegiindo de fita antes da desintegra çâo do avião. o que tornara impossível o do rnínio do avião. a Boeing. O gravador de vozes do cockpil (ã direita) registou as conversas da tripulação durante o ooo.

Ideias práticas e soluções engenhosas Fotografar uma bala em movimento. . converter o vento em energia eléctrica e transformar fibras em linha de coser — o homem descobre a resposta a numerosos problemas fascinantes.

A hematite. As companhias mineiras de chumbo e cobre juntam os minérios a uni líquido sobre o qual se formou espuma por meio de borbulhamento por ar. deve o nome à sua semelhança com sangue seco. des cobrem-se pepitas de ouro: em 1869. Caria metal exige o seu processo próprio. enxofre. um minério de ferro. uma pepita de ouro puro pesando quase 70 kg. carbono e outros elementos e formando minérios que. na Austrália. O primeiro passo na obtenção do metal puro é separar o minério da terra e das pedras que com ele são escavadas.Como se obtêm os metais puros São poucos os melais que emergem da terra perfeitos e brilhantes. este líquido contém Ferro. combinados com oxigénio. pouco diferem de rochas ou terra. . foi encontrada em Vitória. no seu aspecto. Às vezes. Mas outros metais aparecem sob disfarces pouco vistosos.

eram levadas pelas águas. utiliza-se muitas vezes o calor num processo de fusão. O minério. deixando depositado o ouro. apenas começou a ser produzido em quantidades significativas no final do sé culo xix. em vez do carvão de madeira. no estado natural. mais denso. O aço é a forma mais importante do ferro. 103 . Na época medieval. como fonte de carbono e tem lugar em enormes altos-fomos com capacidade para produzir diariamente milhares de toneladas de ferro. 0 cobre era fundido por este processo no antigo Egipto e. Embora seja de todos o metal mais abundante. Os átomos de oxigénio desprendem-se do ferro e juntam-se ao carbono.T' ' ferro. sendo menos densas. neste caso um mineral chamado criolite (fluoreto duplo de sódio e alumínio). ao aquecer minérios num fogo de carvão. obtinha uma massa esponjosa que podia martelar para fabricar utensílios. A versão moderna deste processo utiliza o co que. 0 alumínio ocorre em combinação com o oxigénio no minério bauxite. que baixa o ponto de fusão para 1000°C. Para extrair o metal puro do minério. A gusa (ferro fundido) é vazada em lingotes (em cima). Mergulhando as bateias no rio e agitando as em seguida. O minério é transfor mado em ferro num alto-forno. se encontra combinado com oxigénio.* sita no fundo. o ferro. produzindo um gás. pelo que tem de ser convertido em aço pela remoção do carbono. por requerer grande quantidade de energia para ser separado do oxigénio. Granulação d Gotas de ouro derretido são lançadas em águt fria (em cima). descobriu-se que o emprego de fornalhas com foles para insuflar o ar aumentava a temperatura do fogo. O processo utilizado é a electrólise. No processo de fusão. foi utilizado o mesmo método para a produção de um metal más útil. a gusa. é misturado com uma solução de cianeto de potássio. O ouro ocorre frequentemente sob a forma de escamas ou pequenos grãos no leito dos rios. Os depósitos de ouro. deixan- Ouro. Os grãc que então se formam (à direita. comparados com os 1600"C do ferro. 0 homem primitivo descobriu que. onde reage com coque e calcário a uma temperatura de I600"C. O problema resolve-se misturando o óxido de alumínio com um fundente. usa-se um produto químico. possui demasiado carbono para a maioria das utilizações. A solução já contendo o ouro é filtrada para remoção das impurezas não dissolvidas. o qual por sua vez se liberta. Os materiais valiosos são transportados pela espuma para serem recolhidos e secos. mas ferro líquido que podia ser vazado em moldes.ainda um produto químico que se designa por colector e que faz com que as partículas minerais adiram à superfície das bolhas de ar. encontram-se ern oeios de De minério a ferro. mais tarde. obtendo-se não um pedaço informe de metal. chamados filões. óxido de carbono. o que vai retirar o oxigénio e deixar um depósito de alumínio líquido. que. enquanto o restante material se depo•. Actualmente. Uma tonelada de minério produz cerca de 10 g de ouro. triturado. porque o metal. 0 minério de ferro é constituído por óxido de ferro. Os pesquisadores extraíam-no por uma operação puramente mecânica. e o ouro é finalmente separado por precipitação. do corno -^ ^ • k * ! depósito o ^il. o óxido de ferro reage com o carbono obtido pela conversão da madeira em carvão. Faz-se passar uma corrente eléctrica por um banho de óxido de alumínio fundido. conseguiam separar as escamas de ouro das areias. A maior dificuldade reside no ponto de fusão extremamente alto do óxido de alumínio — mais de 2000°C. que dissolve o ouro. O ferro assim produzido. em tamanho natural) podem ser pesados com precisão quando adquiridos por um joalheiro. 0 problema consiste em separar as diminutas quantidades de metal da massa de matérias inúteis (ganga). para o qiie utilizavam bateias (espécie de pratos grandes).

A mistura contém sempre vi- VIDRO DURO . que atinge a temperatura de I590"C. que. mas o quartzo é o seu componente principal. é o mais abun dante de todos os minerais da Terra. examine um punhado de areia. tornando se translúcido. nalguma praia do Médio Oriente. Os ingredientes. porque c duro. Estas são enormes cadeias flexíveis constituídas por milhões de átomos. para fundir os ingredientes. As janelas dos automóveis dos diplomatas podem ser feitas de vidro reforçado com folhas de plástico endurecido. E como todas as praias do Mundo foram formadas por rochas que o mar desfez em minúsculas partículas. é utilizado em peças de ir ao forno. designadamente no granito. O vidro com 10 a 15% de ácido bórico. A frita. Os grãos semitransparentes — e não pretos. submetidas a uma força suficiente. As ligações entre estes são muito fortes. vermelhos. é combinada com estilhaços de oidro c sulfato de sódio impuro para ser aquecida no forno. sobre a areia. Jactos de chama sáo projecta dos dus paredes do forno. Por isso. A janela absorve a energia da bala. Geralmente transparente ou de cor branco•leitosa. Vidros de ir ao forno e cristal de chumbo Outros materiais podem ser adicionados para dar cor ou melhorar a qualidade do vidro acabado. mas frágil. coinbinam-se cal e soda com a sílica para produzir o vidro utilizado no fabrico de garrafas.PLÁSTICO MOLE 0 vidro é duro. o que torna os plásticos flexíveis. resistente a aquecimento ou arrefecimento súbitos. sob a forma de quartzo — sílica cristalizada —. FABRICO DE VIDRO NUM BANHO DE ESTANHO FUNDIDO Tremonha de . o vidro não retoma uma estrutura cristalina como a do quartzo. porque nele cada átomo está unido aos outros por ligações químicas muito rígidas. As mate rias primas são fundidas ern fornos enormes. A soda actua corno fundente. a areia é a principal fonte de sílica. mas as ligações entre cadeias sáo fracas. A incorporação de óxido de chumbo produz um vidro pesado e brilhante o cristal de chumbo. Quando arrefece c solidifica. 104 . alguém terá feito uma fogueira e encontrado depois. A sílica pura tem um ponto de fusão Ião elevado que o fogo de uma fogueira vulgar não a converte em vidro. Por arrefecimento lento ou tratamento térmico posterior. e por isso dura mais. encontra-se em muitas rochas.é um material amorfo muito transparente. Fornos de fusáo. Na próxima vez que for à praia. A moderna chapa de vidro obtém se aquecendo os ingredientes em tanques compridos. Como é que estas curiosidades se transformaram num dos mais importantes materiais do século xx o vidro9 A matéria prima para o fabrico do vi dro é a sílica. A areia contém outros minerais. que. insolúvel e não se decompõe. pequenos glóbulos transparentes brilhando como jóias. de um branco leitoso.Como se transforma areia em vidro Há 5000 anos. se quebram. Os plásticos transparentes são polímeros formados por moléculas muito grandes. como que a do líquido congelada . ama relos ou de outra cor bem definida — são grãos de quartzo. e o plástico evita os estilhaços. o vidro pode começar a cristalizar. soda e cal. vidraças e copos baratos. Actualmente. Vidro à prova de bala. os pri meíros vidreiros do Médio Oriente devem ter feito a sua fogueira sobre areia impreg nada de soda (carbonato de sódio) deixa da pela evaporação da água de um lago ou do mar._ Tremonha da frita estilhaços de vidro Vidro por flutuação. mantém uma estrutura desordenada. mistura de areia. baixando o ponto de fusão da sílica.

Na têmpera. Este processo de fabrico consistia em soprar o vidro por um tubo até formar um grande balão. Enquanto a chapa acabada sai de uma das extremidades do tanque. vidro por flutuação tem espessura uniforme e é liso dos dois lados. O vidro fundido escorre sobre a superfície de um . 0 vidro de segurança obtém-se por dois processos: por têmpera e por laminaçáo. mas na verdade ele é muito forte. de grande espessura e rodeada por estrias circulares. 105 . em vez dos estilhaços perigosos do vidro vulgar. Uma pancada pode estilhaçar o vidro. que funde a temperatura inferior à dos outros materiais e os ajuda a combinarem-se mais completamente. especialmente destinadas às igrejas. este continua a aderir ao plástico. Ao arrefecer e contrair-se antes da parte interior. Embora esta última possa ser muito delgada. o que o torna apropriado para os pára-brisas de automóveis.I I l i . na outra extremidade entram as matérias-primas. era a menos transparente. Fibras de vidro ligadas com plástico produzem um material resistente e elástico — o plástico reforçado com fibra de vidro. Este mesmo vidro protege os pilotos de aviões militares contra as balas. contendo a zona de fixação ao pontel. Depois de arrefecido. flutuando. utilizado em cascos de barcos e carroçarias de automóveis. São BANHO DE ESTANHO FUNDIDO CÂMARA DE TEMPERATURA CONTROLADA I Elementos de aquecimento Regulador de temperatura Queimador a gás * Rolos de transporte da fita de vidro * T T T/-. Os pára-brisas de avião têm de ser capazes de suportar altas pressões. de forma a manter constante o nível do tanque. Uma fibra de vidro sem fissuras submetida a tracção longitudinal é cinco vezes mais resistente que o melhor aço. conhecido como vidro coroa (crown glass). Outro tipo de vidro de segurança é uma "sanduíche" de duas placas de vidro unidas por uma folha de plástico. o vidro sai do banho. formados por três ou quatro placas de vidro intercaladas com placas de polivinilo e são capazes de resistir ao choque de uma ave grande com o avião voando até 650 kuVh. o vidro é aquecido até exactamente abaixo do seu ponto de fusão e depois arrefecido rapidamente com jactos de ar. As chapas circulares de vidro redondas e planas eram então cortadas para formar pequenas vidraças. desintegra se em fragmentos.dro partido. mas aproveitava-se dado o seu elevado preço. O balão de vidro. Um soprador experimentado fazia apenas cerca de 12 vidraças por dia. Vidro coroa. o vidro temperado suporta melhor a flexão e a percussão. Este era depois achatado e ligado a uma haste de ferro chamada pontel. Chapas de vidro. a superfície do vidro fica comprimida. em França. o vidro za em cilindros. Além disso. mas Fabrico de vidraças à antiga A técnica de fabricação de vidros para janelas foi aperfeiçoada no século xiv na Normandia. que o operário fazia girar o mais rapidamente possível. temperaturas extremas e impactes de aves em voo. ia se alargando até formar um círculo de 1 a 2 m de diâmetro. O arrefece até 600"C e solidifica. era individualmente soprada por um artesão. ficando com uma superfície mais plana. Um soprador de vidro gira urna chapa de vidro num pontel. A parte central do disco. não sol tando os estilhaços. Mais forte que o aço Pensa-se que o vidro é um material fraco. é cortado em chapas e lavado com jactos de água. achatado. desli banho de estanho em fusão. A medida que avança. é resistente. Cada peça deste vidro. conforme o tamanho do balão inicial e a perícia do artesão. I I » ^>» _ I Estanho líquido. Como só depois de superada esta compressão o vidro se quebrará. quando se parte.

Também na filatelia as marcas de água tem um papel importante. eram montados para formarem janelas completas. dando ao vidro que os contém uma cor característica. trapos e refugos de cânhamo. apesar de forte. como os tijolos numa parede. mas não se tratava de verdadeiro papel. É triturado com água até ficar em pasta. usam-se marcas mais complexas. Este princípio está na origem de uma das magnificências da catedral medie vai. em Itália. Vidros do tamanho aproximado deste livro eram fabricados em diferentes cores e depois cortados com as formas requeridas. inevitáveis na tecnologia medieval. fazendo uma linha que podia ver-se colocando o papel contra a luz. Surgiu a ideia de se fazer um desenho completo de arame. como um monte de lijo los. Até então. verde. Metais diferentes absorvem luz de diferentes frequências. descobriu o processo de fazer papel. Tsai Lun. R em 1282 nasceu a primeira marca deliberada — uma simples cruz. Este vitral de urna igre ja em França represento a coroação da Virgem. o cobre torna-o vermelho-rubi. amarelo. leito de pele de vilela. o cobalto. o ferro. redes de pesca. o vitral. Finalmente. O método actual é praticamente o mesmo. Para dificultar a falsificação das notas de banco. Quando se aperfeiçoaram as técnicas do fabrico de vidro. Cores intensas. Os antigos egípcios tinham usado o papiro. Até 1850. e não alinhados ordenadamente. A peça que estava a ser usada para espremer a água do papel molhado tinha um pequeno arame saliente. proporcio nando subtis variações de tonalidade. feito com fibras interiores do caule do papiro prensadas e setas. contém muitos espaços vazios porque os seus átomos estão aglomerados ao acaso. tratado com uma cola para impedir demasiada absorção de tinta e finalmente prensado em folhas. perdeu se muila desta subtileza. branqueado. criando uma marca de água decorativa. Quando adicionado ao vidro fundido. por volta do ano 105. A primeira marca de água apareceu por acaso na fábrica de papel Fabriano. onde se produz papel desde 1260. O papel ficou mais delgado no sítio em que o arame penetrou nele. A diversidade dos azuis deoe-se às diferenças de espessura das peças de vidro. quem. a matéria prima básica eram AS MARCAS DE AGUA NO PAPEL E NAS NOTAS DE BANCO Chama se marca de água a um sinal feito na própria contextura do papel cujo desenho só é visível em contraluz. As marcas de água são usadas desde há séculos para identificar os fabricantes de bom papel de carta. Como se faz papel a partir das árvores? Foi uni funcionário ligado ã corte imperial chinesa. As variações da espessura do vidro. 106 . Quase qualquer material fibroso pode ser utilizado no fabrico de papel. Lsles espaços podem ser ocupados por átomos de metais que afectam a forma como a luz é transmitida através do vidro. púrpura. a maioria dos documentos fora escrita em pergaminho. O papel molhado é prensado por um rolo com um desenho em relevo que produz a marca de água. Ts'ai Lun fabricou o seu papel com li bras de amoreira. realçavam a beleza das janelas. e o manganês. 0 antimó A nio. fabrica do com fibras transformadas em pasta. na República de Pádua. azul. leito da pele de carneiros ou cabras. representando as efígies de chefes de Estado ou de heróis nacionais. ou em velino.Vitrais medievais estrutura do vidro.

os trapos de linho e algodão. geralmente de arvores de madeira macia. A mistura sai então de um grande reservatório. 11)7 . É normalmente tratado com caseína. finalmente. são removidas. matéria orgânica formada por fibras resistentes com cerca de 2. Uma roda de azenha de madeira acciona as hastes que trituram os Ira pos com a água numa grande celha. formando a pasta de papel. Este papel de Qlta qualidade incorpora habitualmente unia parle de pasta de trapos. Fábrica de papel. As impurezas. Esta é introduzida em enormes recipientes os digestores ondeé misturada com produtos químicos (habitualmente. Fibras achatadas e entre teadus sem compactação duo Hw textura macia e a pasta de madeira tratada com resinas vegetais temiam no mais absorvente. de carbonato de cálcio. que depois se penduram em uarões de madeira para a secagem. um derivado do leite. sulfato de sódio) e sujeita a temperatura e pressão elevadas. Mas a procura crescia tão rapidamente que era necessária nova matéria prima — e a resposta foi a polpa de madeira. e a pasta é branqueada e misturada com produtos que lhe dão a cor pretendida ou a tornam mais branca ou com agentes ligantes que unem melhor as fibras. para uma rede em movimento que permite que a água escorra. constituindo a estilha de madeira. A madeira é em grande parte constituí da por celulose. Papel «tissue». As árvores abatidas são partidas em lascas. Por fim. mas que retém a maioria das fibras. v?rib„„c Papel Bond. como a resina e o pez. como as coníferas. O produto é medido e comprimido em tolhas. transpor ludas em burros até aos tipógrafos. As fibras separam-se.r^J *s i^ ást-sas^ JWM®5* % *M> . Esta gravura alemã do século xvu mostra-nos uma fábrica de pu pel da época. Este papel de textura áspera utiliza uma pasta de qualidade inferior tratada mecanicamente e amarelece em poucos dias se exposto ao sol. caulinos ou dióxido de titânio para lhe melhorar a superfície.5 mm de comprimento. A fita de pasta é prensada para se extrair mais água e secada ao passar por uma série de rolos aquecidos por vapor. As folhas secas suo atadas em resmas e. que produziam um papel excelente. o papel pode ser revestido com uma mistura de pigmentos. Papel de jornal. através de uma ranhura estreita.

Nos EUA. a produção de álcool no Brasil tem prosperado: mais de 80% dos automóveis vendidos no país consomem álcool puro ou com uma mistura de gasolina. O livro de receitas de 1914 (à direita). está já a ficar amurelo. Mesmo assim. gases de petróleo liquefeitos e outras substâncias químicas. No entanto. O carvão é colocado em grandes recipientes. l. mas o processo é muito dispendioso. Contudo. Para combustível. que formam a base da indústria rios perfumes. Converter plantas em gasolina Um dos mais antigos passatempos do homem é produzir bebidas alcoólicas com plantas fermentadas. A descoberta de que podia fabricar-se papel a partir da madeira tornou possível a comercialização maciça de livros e jornais. e os custos do petróleo importado desceram cerca rie 2000 milhões de dólares Na Africa rio Sul. Hnjtttmbiu ní ftiBlmaiu: i:r quabo iiatcatur inmi> luioipmunebtaiaiuSsA "íumir arítm tn tmut na tiuo: ttati amura qui ranhbuntin ro. Captando a fragrância das flores Os aromas frescos de um jardim no Verão ou as fragrâncias tropicais de uma floresta equatorial são causados por minúsculas gotículas de líquidos oleosos produzidos pelas plantas. Os reactores podem produzir gasolina. em papel de pasta de madeira.ir. a empresa Sasol foi a pioneira de um processo de conversão do carvão em petróleo. UxJ dwonuo with a u l l cima . Os bibliotecários começam a aperceber-se de que os livros modernos se deterioram rapidamente. a produção de álcool anidro. quando se usa milho para produzir álcool. produz grandes quantidades de gás rico em hidrogénio e carbono — elementos a partir dos quais se pode produzir petróleo. Esta última fase. Para a maioria dos leitores. este problema pouco importa. Uns . é impraticável para a totalidade dos livros. que os corroem.iMnluiua òittufl min fiujtnr afluir rtbfolmi filii fm. A Bíblia de Gutenberg (à esquerda). A produção anual ultrapassa os II 000 milhões de litros e terá rie subir mais 2000 milhões para satisfazer a prtxjura. O hidrogénio assim produzido dá ao gás o equilíbrio correcto entre este elemento e o carbono. Este gás tem de ser lavado com metanol para o libertar do enxofre o rie cianetos. quer o produto final seja uma aguardente de qualidade ou um combustível para automóveis: o açúcar não refinado é misturado com água e levedura e fermentado em cubas até se transformar num líquido alcoó 108 lico — semelhante ao vinho ou à cerveja. são necessárias 109 unidades de energia para se obterem 100 de combustível. o Bra sil lançou o seu programa rio álcool como reacção à subida dos custos rie importa çáo daquele produto. O carvão em combustão gera energia suficiente para decompor as moléculas de água do vapor em átomos de hidrogénio e de oxigénio. 'á voraint qo nlnulii. o processo é o mesmo. o único processo é arrancar-lhes a encadernação e tratar as páginas uma a uma para eliminar os ácidos. Como esle tem aproximadamente o dobro dos átomos de hidrogénio do carvão. ceras. Os bibliotecários estão agora a procurar uma forma económica de tratar as suas enormes existências de livros. Dois anos depois da crise do petróleo de 1973.^ >q< Bula a nu tt babo tibi çturo bmuitutnn tua: tt juffruí oiú tua tininoa tiw. O problema está em que eles contêm produtos químicos. O carvão. O Departamento de Energia rios EUA verificou que. o álcool à base de milho é também produzido comercialmente e é habitualmente misturado à gasolina normal como antidetonante. DMb sn HOTMIIMI. ao arder.lVproíiunsatonran rçoaounulirathii[irotoa. Não se sabe ao certo porque é que as plantas produzem óleos aromáticos. o álcool feito a partir de plantas está a ter uma nova utilização — a de combustível para veículos. ao velino ou aos papéis à base de trapos. tem de se adicionar hidrogénio ao gás de carvão. que contém ácidos.«Uo. ainda em excelente estado. 1 (DUÒJM è CtmO Será o carvão a resposta a uma crise de petróleo? •Í-. É depois transferido para reactores. porque já leram os livros muito antes de se tornar evidente o seu envelhecimento. alguns fabricantes já estão a produzir papel com uma colagem neutra que lhe prolonga a vida. São estes óleos essenciais naturais.I Papel que envelhece.. onde o carvão é abundante e de baixo preço.. Este país utiliza uma matéria-prima de baixo valor comercial que produz em abundância — a cana-de -açúcar. evitando o emprego de produtos que contêm chumbo. contrariamente ao pergaminho. Inicialmente.u mi n m d or btart*hji|»xt pcua of }x* hultond Irart. Mas. usa-se álcool puro. embora esle procedimento possa juslificar-se no caso de algumas primeiras edições valiosas.*ntmu ngra inaUigur: mibtnuni 4 uioua-ri o mw *^ mutr tuio i muon: (t q írirattn fii tranoiT. lais como álcoois. íum qui V >nntailfljratíniulniiifuttnitttl)' uafummrí(f>ulnlii(úiiiiimtciurr: por ano. O maior produtor mundial de álcool vegetal para combustível é o Brasil. o papel fabricado com pasta de madeira tem uma vida limitada. aldeídos e cetonas. Actualmente. Pre sentemente.-liial io iW u n a íor & niuuta or tn iMS. Pii* il. com o petróleo a esgotar-se e o seu preço a subir. impressa no século xv em papel pergaminho fino. incluindo ácidos do processo de branqueamento.f RT" n »n<l i*J . acendido e submetido durante alguns minutos a um jacto de vapor de água e oxigénio a alta pressão.aquecimento rio líquido até à vaporização do álcool e condensação do vapor de forma a extrair o álcool e dei xar a água. lodos os livros que se publicaram depois de 1850 poderão estar a autodestruir-se lentamente.POR QUE RAZÃO OS LIVROS E DOCUMENTOS ANTIGOS DURAM MAIS QUE OS MODERNOS? VIO intuo • tu: M boftir Qtmii tr. juntamente com aromas produzidos sinteticamente. pelo que é necessário concentrar a mistura por destilação . TIC •«•mini li mtíirf WptOy. Este é fornecido pelo vapor de água. óleos. requer grande quantidade de energia e tem originado críticas no sentido de que a produção de combustível por esta forma pode consumir mais energia do que a que fornece. Mas para os arquivistas e bibliotecários significa que. potencialmente. onde uni tratamento químico ulterior determina o produto final.

I poderão atrair os insectos. que compõem as suas pró prias fragrâncias. de uma glândula do castor. contém habitualmente de 2 a 6% de essências dissolvidas em álcool. apenas cerca de 200 produzem a diversidade de óleos essenciais utilizados pela indústria de perfumaria. Em Grasse. contendo óleos de canela da China. apenas algumas. Nem todos os perfumes são fabricados por métodos tradicionais. desodorizantes do am biente. Os óleos são comprados por corretores. que forma com aquelas uma solução alcoólica pronta a ser misturada As essências são muitas vezes produzi das em regiões remotas por empresas familiares cujos métodos se mantêm desde há centenas de anos. O óleo obtido pela sua destilação e usado como ingre dienle em perfumes à base de flores. porque há certas fragrâncias que se deterioraram com o calor. com 10 a 25% de essências também em solução alcoólica. A destilação nem sempre pode ser usada. Alguns perfumes chegam a conter 100 essências diferentes. Dos muitos milhares de plantas do Mundo. Mas a sua fragrância é Ião intensa que. secreção do gato de-algália. de madeiras ou de couros. Para aumentar a persistência dos perfumes. Esses unguentos continham quase de certeza nardo. S. contudo.O âmbar cinzento. usam-se fixadores. Os antigos gregos e romanos faziam unguentos perfumados imergindo flores. o eastórico. ou esficanardo Foram OS Árabes quem primeiro utilizou a técnica da destilação para extrair os óleos essenciais. Certos óleos são produzidos ao ritmo de apenas algumas toneladas por ano. de uma glândula do almiscareiro macho. identificada como Maria Madalena por alguns estudiosos. que modifica a impressão inicial e se destina a dar corpo ao perfume. uma arte difícil e delicada Alguns perfumes leni características florais dominadas por aromas como a rosa OU a gardénia Outros são orientais. O vapor percorre um tubo de vidro arrefecido que provoca a condensação dos óleos. folhas e raízes em óleos gordos. en sopou com perfume as velas púrpuras da sua barca para o impressionar. Quando Cleópatra saiu a cumprimentar Marco António. estes provinham de produtos animais exóticos . Lucas conta nos a história de uma mu lher. outros podem destinar se a afastar parasitas ou animais daninhos. uma "nota média". Deixadas num local fresco e escuro durante um a três dias. A Bulgária é ainda responsável por 70% da produção mun dial de essência de rosas. as gorduras absorvem as essências das flores. esta é vendida sob uma variedade de fornias. cenlro perfumeiro da Provença. pois as pétalas têm de ser apanhadas antes da aurora para que mantenham a íragrán cia. Inicialmente. outros. formada pelos ingredientes mais voláteis e que criam 0 efeito imediato. depois aquecidas com vapor de água para obrigar os óleos voláteis a evaporarem se. e uma "nota de base". produzindo o que se chama uma pomada. As substâncias que produzem os aromas podem ser recriadas sinteticamente e os produtos obli dos utilizados nos casos em que um perfume convencional seria demasiado dispen dioso . que os vendem aos exportadores e estes aos perfumistas. Uma vez composta determinada fra grância. A água-dc-colónia. São precisas mais de 2000 pétalas para cada grama do seu precioso óleo. óleo aromático extraído da valcriana-da índia. mesmo numa solução de 100 para 1. Flores de alfazema prontas u serem colhidas. os fixadores são sintetizados quimicamente. As essências separam se da gordura pela adição de álcool. Mas todos eles têm três elementos em comum: uma 'nota alta". que deitou unguentos sobre os pés de Jesus em casa de um fariseu. desinfectantes ou champôs. ou de toilet te. as fio res são colocadas sobre camadas de sebo e banha altamente purificados. Nos vales inferiores dos Balcãs. Birmânia e Sri Lanka ou de noz-moscada da Indonésia e das índias Ocidentais. As quantidades assim obtidas da maioria das plantas são mínimas. de ervas ou especiarias. As flores ou as folhas da planta aromática são esmagadas ou cortadas em pequenos pedaços. ainda se emprega para estes óleos delicados o método chamado enfleurage. Actualmente. e ainda hoje se utiliza um processo semelhante. dos intestinos do cachalote. As loções para depois de barbear contêm frequentemente aromas de especiarias. Campos aromáticos. Ui" . o civete. o almíscar. que lhes extraíam os aromas. no Sul de frança. mais duradoura e persistente. Os perfu mes são mais intensos. usualmente inferiores a um milésimo de todo o material colhido. se mantém poderosíssima. os cultivadores de rosas diri gem-se para os campos ainda de noite.em ceras.

Depois de colhido. O linho é uma fibra que se obtém do caule da planta com o mesmo nome. a roca.?•>". C. são penteadas para retirar as fiFardos de algodão. Para transformar em tecido fibras como a lã. nas lonas e nos oleados. há cerca de 7000 anos. EUA. uma tarefa masculina. A mais importante rias fibras animais é a lá de ovelha. formando fitas achatadas e retorcidas de 0. o luso fazia torcer as fibras. nos princípios do século xiv. As fibras de algodão desenvolvem-se nas cápsulas do algodoeiro. Extrai-se abrindo o caule e mergulhando o em água para separar as fibras da matéria resinosa que as aglutina.. fabricado da cunnabis e utilizado nos panos de velas. A fiação era tradicionalmente uma tarefa feminina. São muito mais curtas que as do linho. que iam sendo retiradas de um outro pau. uma mulher conseguia fiar cerca de 500 m de fio de lã. encontraram-se múmias de 3400 a. criando na indústria a possibilidade de produção em massa. As fibras têm de 15 cm a 1 m de comprimento. um processo denominado fiação. Kntre outras fibras vegelais. Em um dia.Como se transformam produtos naturais em tecido A lã foi provavelmente a primeira fibra a ser transformada com êxito em tecido dnran te o Neolítico. Irabalhando-as entre duas superfícies paralelas em movimento dotadas de bicos aguçados. nenhuma destas fibras. contam-sc a juta. As máquinas de liar obtêm mecanicamente o mesmo resultado. Uma fiadoura moderna pode chegar a ter 500 fusos. necessitava-se da produção de cinco a oito mulheres para ocupar um tecelão. As fibras de linho e de algodão também eram conhecidas no mundo antigo. pela qual as fibras são torcidas em conjunto para for marem o fio. e o cânhamo. em que dois fios são entrelaçados em ângulo recto para formar o tecido. As fibras são primeiramente "cardadas" — dispôs tas paralelamente entre si —. o linho e o algodão. C. Originariamente. pequeno pau com uma extremidade pesada. utilizada no fabrico de sacas e forros de tapetes. O homem conseguiu assim a primeira alternativa ao vestuário de peles de animais. processo efectuado mecanicamente pelos descaroçadores. Em seguida. No Egipto . provavelmente a partir da índia.5 a 20 cm de comprimento. Como das fibras se produz fio Tal como existem. A primeira roda de fiar . animais ou vegetais. Durante a Revolução Industrial.onde a lã era considerada "impura" -. as máquinas de fiar foram sendo aperfeiçoa das.5 cm de comprimento. embrulhadas em lençóis de li nho com LÍ00 m de comprimento. AigtxJao aguardando embarque no Arizona.3 a 0. suspenso das próprias fibras que a ele estavam presas. e a tecelagem. são precisos dois processos: o primeiro é a fiação. cada um com mais de 0000 m de fio. quando a fiação era toda manual. é suficientemente longa para ser transformada em tecido. C. As fibras têm de ser retira das da cápsula e separadas das sementes. j •mu . A fim de produzir um fio utilizável. o segundo é a tecelagem. este trabalho era feito num fuso.que simplesmente fazia i>irar o fuso — foi introduzida na Europa. o algodão é comprimido em fardos de 180 kg. Antes da Revolução Industrial. e em 1828 surgiu na América a antepassada de muitas das modernas máquinas de fiar a fiadoura de anéis. Como trabalha uma máquina de fiar Os princípios da fiação são hoje exactamente os mesmos que quando o trabalho era processado manualmente. as fibras têm de ser postas lado a lado e torcidas. A maioria das fibras de lá mede de 2. O algodão já se usava na índia em 3000 a. e foram encontrados no Peru tecidos de algodão datando de 2000 a. Ao ser gira do entre o polegar e um dos outros dedos. •iaáw >* *r * 110 . Só em 1707 o tecelão inglês James Hargreaves construiu a fiandeira rotativa de oito fusos.

no sentido da largura do tecido. por exemplo. portanto. mais compridos e rígidos. formando uma camada térmica em redor desle. mas muitos teares modernos não possuem lançadeira. Na ai tura em que morreu o jovem faraó Tutankhamon. 0 algodão apresenta fi bras finas mas de forma irregular. ou jactos de ar ou água. e a trama. representa fiandeiros e tecelões. Os olhais que guiam o fio da leia são agora baixados.bras cúrias. a teia. armação de madeira ou metal que torna mais rápido o processo repetitivo de entrelaçar a trama na teia. O tear. Ill . uma simples sacudidela expele a água dos pêlos exteriores. Depois. a lançadeira. O ar é mau condutor de calor. mas o homem não possui gorduras suficientes e tem poucos pêlos. já se fabricavam tecidos muito complexos com padrões de cores diversas. Uma fotografia através do microscópio mostra os espaços entre as fibras onde o ar fica retido. espessas e menos redondas. Fio <le lã. e correm. Por baixo destes encontra-se uma camada densa de pêlos macios. utilizando uma vareta semelhante a um florete. o fio acabado é enrolado em bobinas. lã e poliéster. FIBRAS VEGETAIS As fibras de lã merino. Os mamíferos. Depois da sua "passagem" através da leia. Por simples acção mecânica. Passam através de um conjunto de arames verticais (liços) que são movidos para baixo e para cima. Os da camada superior. produzem tecidos duradouros. A tecelagem emprega dois conjuntos de fio. resistência e faciliciado de lavagem. é indispensável um isolamento eficaz que impeça que o ca lor do corpo se escape. Quando chove ou o animal entra na água. a lançadeira é virada ao contrário e faz-se uma segunda passagem através de um novo conjunto de fios. FIBRAS VISTAS AO MICROSCÓPIO FIBRAS ANIMAIS O vestuário de caxemira é macio porque as fibras são arredondadas e lisas. Cada arame possui a meio um pequeno olhai através do qual passa o fio da teia. Finalmente. O mohair tem uma textura áspera porque as fibras são espessas e grosseiras. ou urdidura. em geral. os fios da teia saem de um cilindro ('"órgão") da largura com que irá ficar o tecido acabado. Aproveitando as qualidades da lá. A Odisseia. As fibras de juta sáo duras e espessas. A roupa junto à pele retém ar que se mantém quente pelo calor do corpo. A estrutura áspera de linho é produzida pelas fibras espessas e grosseiras da planta.5 m de altura. Os fios da teia correm no sentido do comprimento do pano. os da trama são entrelaçados perpendicularmente neles. depois passam a máquinas providas de cilindros que repuxam as li bras. para transporte do fio da trama. Um casaco impermeável impede que o vestuário se molhe e perca as suas propriedades isolantes. Não restam exemplares de tecidos gregos antigos. Os mamíferos possuem pêlos ou camadas de gordura como isoladores do corpo. o fio da trama é "batido" contra o fio anterior por uma armação chamada "pente". no século xiv a. o homem imita o comportamento dos animais. pelo que uma camada de ar retida nos pêlos conserva o calor do corpo e mantém o animal quente em tem po frio. é do mesmo tipo que o utilizado por Penélope enquanto aguarda va o regresso de Ulisses. tornam se erectos quando o animal eslá assustado ou zangado. a fim de se obter uma combinação mais perfeita de capacidade de aquecimento. este fio é transportado num instrumento em forma de barco. alternadamente por cima e por baixo. com uma textura muito aberta. abrindo um espaço ("cala") através do qual passa o fio da trama. Num tear mecânico simples. C. ou canelas. Como se produz tecido a partir do fio Os povos primitivos teciam panos exactamente como ainda hoje o taxemos. os pêlos mais compridos formam uma camada impermeável que impede que a pele e os pêlos da camada inferior se molhem e percam as suas propriedades isolantes. tornando o fio mais fino c dando-lhes uma torcedura que as mantém unidas. Os fios podem lambem ser torcidos em conjunto para produzirem um fio nuílli pio. seu marido. A tecelã gem faz-sc num tear. Nos teares tradicionais. que retêm o ar junto â pele. como. Os mais rápidos teares industriais ultrapassam largamente as 200 passagens por minuto. C. com cerca de 1. no poema de Homero. mas a decoração de um vaso do século vi a. têm o corpo revestido por duas espécies de pêlos. Os fios de fibras mistas resultam da fiação conjunto cie fibras de diferentes origens. mais forte e espesso como na lã de tricotar de dois fios ou de três fios. 0 processo de tecelagem descrito produz um tecido de estrutura tafetá em que COMO E ÇjUE UMA CAMISOLA DE LÃ NOS MANTÉM QUENTES NUM DIA FRIO? Para nos mantermos quentes num clima frio. podem subir-se os olhais alternados. tem assim de recorrer ao vestuário.

C. ela viu que era possível puxar um Ho finíssimo e enrolá-lo cm carrinhos. cada fio da trama passa alternadamente por cima c por baixo dos fios da teia.5 km de comprimento. . Cada casulo é constituído por um único filamento que chega a atingir 1. 112 Dobagem do fio. mas as folhas da amoreira são as que produzem a seda mais fina. Na China.seda. por exemplo. Outros tipos de estrutura incluem a sarja — utilizada na gabardina e nas sarjas propriamente ditas — e as estruturas com pêlo utilizadas no fabrico de bomba/. a descoberta da seda deu se em 2640 a. No entanto.inas. Os bichos-da-seda comem as folhas de uma diversidade de árvores —uma espó cie alimenta se de folhas de carvalho — . são férvidos até ficarem brancos. nos jardins do imperador lluang Ti. Bombyx mori. Dado que no direito do tecido predominam os chamados fios saltados (os que não foram entrelaçados pelo fio da trama). O "pêlo" espesso do veludo forma-se aparando os fios da superfície depois de tecidos. processo esse que se manteve um bem guardado segredo chinês durante os 2000 anos seguintes.Linho tecido. a criação do bicho-da-seda. Deixando cair um destes casulos acidentalmente em água quente. os tecidos podem ter muitos outros tipos de estrutura: a estrutura cetim. Seda: fibra fabricada por borboletas Durante milhares de anos. causadas por compostos químicos segregados pelos bichos da-seda. 0 damasco apresenta uma estrutura que é uma variante da estrutura cetim. Com efeito. Aqui. É uma fibra produzida pelo bicho-da. Os fios de cores diferentes. para formar um casulo dentro do qual se transformará em borboleta. a estruturo mais simples. Dobar a seda implica o aquecimento dos casulos já lanados e depois o puxar do fio. 0 linho é fiado e depois tecido. Cada casulo produz cerca de 1. 030 para uma blusa e 3000 para um quimono. Xi Lingshi. Diz a lenda que Huang Ti pediu à esposa. as leis imperiais estabeleceram mesmo que quem quer que revelasse o segredo seria torturado até à morte. a obtenção das fibras da seda a partir dos casulos e a tecelagem do pano. Conseguem-se subtis variações de cores pela alternância da área com a teia ou a trama à superfície. São precisos 110 casulos para fazer uma gravata. a seda foi vendi da pelo Oriente ao Ocidente. Mulheres escolhem os casulos. a tafetá. retirando os que estiverem danificados. e ainda hoje é o tecido mais precioso por unidade de peso. peluche e veludos. que descobrisse o que é que andava a comer as suas amoreiras: a imperatriz verificou tratar-se de umas lagartas brancas que teciam uns casulos lustrosos. Os bichos-da-seda criam se na Trimave DO CASULO ATE AO BORDADO AO MODO TRADICIONAL DA CHINA Selecção dos casulos. Segundo a tradição. A manufactura da soda tem quatro fa ses: o cultivo das amoreiras.5 km de fio. as amoreiras são cultivadas em arbusto para que as folhas para alimentação dos bichos possam ser facilmente colhidas. oblóm-se quando a teia c entrelaçada apenas por cada quarto OU quinto fio da trama. o tecido apresenta um brilho característico. Tinha descoberto o processo de obter a seda.

Dizia-se também que não gostavam de barulho. estes constroem casulos gémeos. do cheiro a peixe Fabrico do fio. que. apenas 0. os bichos-da-seda fazem uma fina rede. entre cinco e oito. pintar-se ou comer alho. procurando a ponta do fio e enrolando-o numa dobadoura. Evitando se que o casulo seja estragado pela borboleta que dele sai. Casulos do bicho-da-seda em tamanho natural. A sua textura brilhante deve-se às suas fibras triangulares. constroem lentamente um casulo impermeável que os envolve completamente. Neste período de quatro semanas. A seda que deles se retira é chamada dupion. para formar um fio de espessura suficiente. pôr os ovos. Depois. durante os quais a lagarta moveu a cabeça cerca de 300 000 vezes. visto respirarem através de orifícios que têm no corpo. Os o v o s . A construção de um casulo demora aproximadamente três dias. O processo de obtenção deste fio chama-se dobagem. Na prática. Fibras de seda. Depois da quarta muda de pele. Para serem produtivos. Esta mulher borda um desenho de flores com linha de seda. que dará para um quadrado de tecido de seda um pouco menor que esta fotografia. de gritos. na província chinesa de Zhejiang. Na China. \ loje. a maioria do trabalho é feita em dobadouras automáticas. este é depois enrolado em meadas. gostavam de secura e detestavam a humidade. frito. reflectem a luz. como este. as mulheres que cuidam dos bi chos-da-seda estão proibidas de fumar. dobam-se no mesmo aparelho os fios de vários casulos. de lágrimas. Quando se juntam dois bichos-da-seda. Bordado de seda. A estrutura de fios múlti pios faz brilhar o tecido. Ainda hoje. gostavam de limpeza e detestavam a sujidade. Primeiro. depois do que as lagartas se alimentam continuamente de folhas de amoreira durante um mês. os restantes são mortos. o seu peso aumenta 10 000 vezes. consegue-se obter um fio contínuo. durante dois meses de actividade intensa. Produzirão cerca de 18 km de fio. Se não houver qualquer interferência. os bichos-da-seda têm de ser mimados. portanto. ra. a lagarta lransforma-se em borboleta em cerca de duas semanas. Levam cerca de oito dias a chocar. Nem mesmo a respiração interfere com a alimentação. As duas glândulas seriagenas que têm ao longo do corpo começam então a segregar uma mistura semilíquida que emerge como um fio único formado pelos dois filamentos juntos. as lagartas iniciam o fabrico dos casulos. Km geral. 113 . segrega um enzima que enfraquece o casulo e emerge para Captando a luz. Tem "nós" ao longo do fio e é empregada no fabrico de tecidos com variações de lexlura. só assim acontece com alguns dos bichos. Os fios de cinco e oito casulos sào torcidos em conjunto para formarem um fio de espessura suficiente. dizia-se que gostavam de calor e detestavam o frio. guardados em lugar fres co desde o ano anterior.2% da produção total de fibras têxteis. As meadas de seda sâo tingidas e utilizadas no fabrico de tecidos ou em bordados. nem de mulheres grávidas ou que tinham acabado de dar à luz. têrn sido substituídos por máquinas. são i n c u b a d o s assim que as amoreiras começam a ler fo lhas. K levado a cabo mergulhando os casulos em água quente. Os tradicionais aparelhos de madeira. Esta micro fotografia mos tra Q forma e a proximidade das fibras. que irão dar origem a novos bichos-da-seda. A produção mundial de seda é cerca de 50 000 t por ano. deslocando a cabeça num movimento em forma de oito.Casulos de seda.

que negociavam com a China por mar. Carothers sofria de depressão havia muitos anos. Carothers pro- (luziu uma fibra muito resistente e elástica. Justiniano encheu os monges de presentes e prometeu lhes consideráveis recompensas. Nunca soube que a sua descoberta viria a chamar-se nylon e provavelmente nunca sonhou que iniciara uma "revolução dos materiais'*. e ainda bem . Misturando ácido adípico e hexametilenodia mina. com as suas fibras penugentas e finas. e o imperador Justiniano I era o senhor do Império Romano do Oriente. apoiando-se em fortes bastões de bambu. A actriz Betty Grable vendeu as suas meias para a campanha destinada a obter fundos para a guerra Em baixo. Era cada vez mais cara e difícil de obter. Algum deste magnífico tecido era então fabricado na pequena ilha grega de Cós. desde Luoyang. A sua ideia era criar um polímero com a estrutura da seda e que pudesse ser fabricado em massa. 20 dias após ler requerido a patente para o seu invento. e o fino jacto solidifica quase instantaneamente. Os tecidos produzidos com fibras artificiais conseguem já recriar a maioria das propriedades das fibras naturais. e Justiniano estava a tentar importá-la através dos mercadores etíopes. O projecto tomou quase II anos e custou 27 milhões de dólares. Ao chegar à Kuropa. as lagartas da seda preferem ainda as folhas da amoreira-branca chinesa. O acrílico. a seda valia literalmente o seu peso em ouro. O segredo dos monges merecia bem a atenção de Justiniano: eles ofereciam-se para lhe ensinar o processo de fabricar seda à maneira dos Chineses. mas já não sucedia o mesmo com os minúsculos ovos. As fibras artificiais podem ser combina das com as naturais. a partir de bichos-da-seda selvagens que se alimentavam de folhas de carvalho. em Wilmington. Os romanos do Oriente compravam esta seda chinesa a mercadores que a transportavam durante mais de 4800 km ao longo da perigosa Rota da Seda. e foram necessários mais quatro anos para aperfei coar o "polímero 66".Como os segredos da seda foram trazidos da China O s dois monges insisliam muito: tinham de ver o imperador. Os fabricantes diziam que a nova fibra era "forte como o aço e delicada como uma teia de aranha". suicidou-se. as primeiras fibras que produziu ou fundiam a temperaturas baixas ou eram muito fracas. os quais foram utilizados no fabrico das primeiras serias finas da Europa. até ao Mediterrâneo Oriental. obtida de bichos-da-seda que se alimentavam das folhas da ainoreira-branca. No entanto. que tornam as meias de nylon macias e elas ricas. pormenor das malhas. professor de Química Orgânica. As meias cie nylon surgiram em 1938 e depressa tiveram enorme procura. Delaware. ensinaram os romanos do Oriente a criar os bichos-da-seda. Com a sua estrutura molecular forte mas elástica. e a Europa continua a importar da China uma parte ria sua seda crua. Os monges eram persas que tinham pregado o cristianismo na China durante muitos anos e lá aprendido os segredos da sericicultura. Carothers descobriu uma fibra mais fina e mais resistente que a seda. Obtêm-se assim fios resistentes que são transformados em tecido. no rio Amarelo. o poliéster tem a capj &^Lú de retomar acidade a *\ forma inich sua ^ r o que evita que o vestuário se enrugue. I. apesar dos esforços destes monges. O nylon pode ser esticado até cerca de cinco vezes o seu comprimento original antes de as moléculas se alinharem e se interligarem resistindo a posteriores distensões. Descobriu. pelo que os tecidos que não precisam de ser passados a ferro podem mesmo assim parecer naturais. A técnica de produção rias fibras sintéticas tem-se mantido quase inalterada. Os polímeros em estado líquido são exlrudidos através de uma fieira. formando uma fibra com um quarto da espessura de um cabelo humano. que o processo de polimerização era inibi do por gotículas de água contidas no composto. depois. e em 29 de Abril de 1937. Meias de "nylon". Alguns foram reservados para criação. A viagem demorava oito meses. fora convidado em 1927 para chefiar um grupo de investigação na K. usa-se no fabrico de tecidos felpudos ou de peles sintéticas. Estava-se à volta do ano 550. através da Ásia Central. Os tecidos artificiais são mais fáceis de produzir em massa que a lã ou o algodão.cada par de meias de nylon é feito com um único filamento de nylon com perlo de 6. du Pont Nemours and Company. Em 1931. tendo viajado desde a China até Constantinopla (actual Istambul) para o revelar à corte. Cerca de 30 g desses ovos bastariam para produzir 36 000 bichos-da-seria. 114 " / . Mas não se comparava com a seda chinesa. Afirmavam querer transmitir lhe um segredo valioso. produziu um composto viscoso com o qual era possível obter uma fibra delgada. evaporando a água. Carothers. a fim de inventar um novo material sintético. Mas. iniciando-se assim uma indústria da seda. Ao chegarem. Faziam agora uma proposta a Justiniano: era impossível manter vivos os bichos-da-seda durante tão longa jornada. entretanto. pois a Rota da Seria atravessava terras devastarias pela guerra. Os dois homens voltaram à China e adquiriram uma quantidade de ovos. entrelaçado em 3 milhões de malhas. Como se transformam produtos químicos em vestuário Foi em 1935 que o americano Wallace Carothers inventou o nylon. o que alinha as moléculas longas ao comprimento da fibra e dá ao nylon o seu brilho e transparência. Carothers acreditava que se podia obter um novo material por meio da polimerização (combinação de moléculas pequenas para a formação de novos compostos com moléculas grandes).5 km. As fibras são esticadas. percorreram o longo caminho de regresso ao Ocidente com os preciosos ovos escondidos nos bastões.

As fibras de nylon são obtidas forçando o polímero liquido através de orifícios. o tecelão tinha de saber que fios da teia (os que correm ao comprimento do tear) tinham de ser levantados para produzir determinado desenho. Só os fios levantados eram tecidos no desenho quando a lançadeira que transportava a trama (os fios atravessados no tear) era passada de um lado para o outro através da cala. a inclusão de desenhos na tecelagem exigia habilidade e paciência consideráveis. 115 . Muitos panos com padrões podem ser tecidos em máquinas mais simples. Os Chineses foram mestres na arle da tecelagem. Depois de cada cartão ser usado na feitura de uma pequena área de desenho.Do líquido ao tecido. utilizando fios de seda de muitas cores e estruturas complicadas para produzir brocados e tapeçarias. Só onde havia furos é que os fios podiam ser apanhados por pequenos ganchos e ser tecidos. tão perfeito que mal se distinguia de um retrato a Tecido estampado. óleo. deu a outra. Os clássicos padrões do tweed são ainda tecidos em teares manuais. Shunyu Yen. Prendia-se uma série de cartões perfurados a um bloco rotativo por cima do tear. Com os teares primitivos. Este tecido de algodão moderno foi estampado com um desenho do final do século xix. Só no princípio do século xix o tecelão francês Joseph Jacquard descobriu uma maneira de fazer padrões minuciosos sem o auxílio de tecelões especializados. dava-se um quarto de volta ao bloco. a mulher de um nobre chinês. Foram precisos 24 000 cartões para tecer em seda um retrato de Jacquard. o qual solidifica em fios. Os cartões unidos formavam uma longa tira que passava lentamente por sobre o tear. A ampliação mostra os pequenos espaços entre as diferentes cores. trazendo ao seu lugar o cartão seguinte. e as primeiras chitas estampadas foram trazidas para a Como se fazem tecidos com padrões Por volta do ano do nascimento de Cristo. Os teares Jacquard ainda hoje se utilizam no fabrico de tecidos luxuosos. destinados a evitar que as tintas se misturassem umas com as outras. "vinte e quatro rolos de brocado de seda com desenhos de uvas e vinte e cinco rolos de seda fina com um padrão entretecido de flores soltas". Ho Kuang. A impressão directa de desenhos nos tecidos teve origem na índia. Mesmo depois rios inventos do século xviii.

As tabelas de tamanhos que existiam baseavam se na altura média. de 1.60 rn. conduzidos pela lançadeira através dos fios da teia (verti cais) estendidos na moldura do tear. Os cilindros passam por um banho de cor enquanto rodam. isto é. Como se faz vestuário que sirva a quase todos 0 alfaiate tradicional toma em consideração uns braços compridos ou uma cintura grossa e consegue um falo que se ajusta bem. Para garantir que cada cilindro ajusta o seu desenho ao desenho anterior. passa por urna estufa de secagem. As modernas máquinas podem estampar a 16 cores à velocidade de 180 m de tecido por minuto. sendo cada cor aplicada por um cilindro diferente. Quando o tecido sai do último cilindro. para as mulheres. Para tecer este padrão floral. palavra que ainda hoje usamos para designar tecidos estampados a que se dá um ligeiro brilho. terão sido precisos cerca de 10 000 cartões. Pessoas invulgarmente grandes ou pequenas queixam-se de nunca encontrar nada que lhes sirva. recorre -se a sistemas de controle electrónico. Em Inglaterra. a disposição dos moldes sobre Tecido Jacquard. transferindo depois a tinta para o tecido. Este tecido é fabricado com fio de algodão. mas qual quer fibra ou combinação de fibras podem ser tecidas. e não por cartões.Europa no século xvi. Hoje. A moderna estamparia têxtil emprega cilindros de metal em que está gravado o desenho. 116 . foram medidas 5000 mulheres com alguns resultados inesperados. Os tecidos de decoração com desenhos complicados são ainda feitos nos teares Jacquard. inventado em França no século x/x. e têm razão: economicamente. Mas o vestuário feito por medida tem um preço cada vez mais elevado. Este tear usa cartões perfurados para guiar os fios da trama (horizontais). não fazia sentido para os fabricantes produzi rem o número limitado de peças de vestuário que conseguiriam vender. Um dos primeiros levantamentos das medidas das pessoas foi levado a cabo por ordem do Governo dos FAJÃ durante a 1 Guerra Mundial. no princí pio da década de 50. Podem chegar a usar-se 16 cilindros num só pano.68 m . A ampliação (à esquerda) mostra as variações na textura e na espessura dos fios. Centenas de camadas são estendidas umas sobre as outras para se poder cortar um grande número de peças de uma só vez. Computadores estudam o plano de corte.mas o levantamento revelou que essa altura média era de 1. As peças de tecido são dispostas mecanicamente para que fiquem perfeitamente pia nas. Alguns tea res Jacquard são controlados electronicamente. O passo seguinte é utilizar os moldes para cortar o tecido para o vestuário. e a moderna indústria de confecções tem de pro duzír fatos prontos a vestir que sirvam sem grandes alterações à maioria das pessoas. nas grandes empresas de vestuário um molde feito por um desenhador serve de base para um computador produzir uma gama de tamanhos que abranjam as variações normais da população. Do vocábulo indiano tchàll veio o chintz.

um raio de luz intenso. onde parte da água DOIS PROCESSOS DE CORTAR TECIDO Corte com lâmina. Os compu tadores ajudam também a planear. o melhor aproveitamento do tecido (em cima). faz um corte limpo muito mais rigoroso que o de qualquer lâmina. vaporiza se e depois condensa-se no vidro. 117 . o suprimento natural de água é insuficiente. C. Corle com "laser". mas colados a calor. A faca eléctrica de alta velocidade corta camadas de tecidos de três cores para fazer mangas de blusas. em média. Pode fazer-se um alambique solar rudimentar colocando uma campânula de vidro sobre uma poça de água salgada. Certos artigos não são cosidos da forma tradicional. Para produzir quantidades significativas de água doce. 0 corte do tecido é efectuado por lâminas guiadas de cima ou por raios laser comandados por computador. A central de dessalinização mais simples é um alambique em que a água é fervida e o vapor condensado. 20 pontos por minuto — a maquinaria moderna pode chegar aos 7000 no mesmo intervalo de tempo. ao condensar-se. a partir de um único desenho. cosem-se as diversas peças cortadas. As peças de vestuário são então passadas a ferro para se lhes dar a forma adequada e se marcarem os vincos ou as pregas. Um alambique destes com uma área de 1 m^ deverá produzir cerca de 4. torna-se necessário um sistema de destilação muito maior. 0 laser. são feitas automaticamente. Utilizam se computadores para. Muitas operações. E depois conduzi da para uma câmara que se encontra a uma pressão inferior. pelo que. Cada contorno colorido (à esquerda) representa uma perna de calça de tamanho diferente. Uma das soluções é a dessalinização. A água é aquecida pelo sol. em certas zonas de baixa pluviosidade. em visor. para que não ferva. escorrendo até se acumular em canais em redor dos bordos. Em seguida. o tecido. o vapor que se forma não transporta o sal. de modo a haver o mínimo de desperdício. Aristóteles fez notar que. A água é aquecida acima do seu ponto atmosférico de ebulição. No século iv a. Como se obtém água doce do mar O Mundo encontra-se perante uma crescente escassez de água e. Uma costureira faz. processo pelo qual se retira o sal à água do mar. 0 desenho em papel desses moldes é colocado sobre as camadas de tecido prontas para o corte. Cortadores a laser comandados por computador produzem cortes limpos. mas num recipiente sob pressão. ao ferver-se água salgada. como a abertura de casas.5 1 de água doce por dia.Moldes por computador. cujas beiras não desfiam. traçar moldes paro todos os ta manhos normais. se transforma em água doce.

mas deste a maior parte é reciclável. Este é seguidamente condensado por contacto com os tubos adutores da água fria do mar. se transforma instantaneamente em vapor. Calcula-se que os lixos da América poderiam gerar tanta energia como 100 milhões de toneladas de carvão. ria sua maioria. agora ligeiramente mais fria. A água ferve em cada uma das câmaras. Estas membranas formam um tubo no interior do qual se introduz água salgada sob pressão. A Central de Edinonton. e o vapor condensase em água doce. é mais rendível que o do des tilação acima descrito. A combustão dos lixos aquece água. Cerca de metade do desperdício do mestiço mundial é papel. A água dessalinizada é bombeada para um depósito e está pronta a ser bebida. A água salgada quente que não ferveu na primeira câmara passa para uma segunda câmara também com pressão ligeiramente inferior.DESSALINIZAÇAO POR SISTEMA DE CAMARÁS MÚLTIPLAS proveniente da central térmica O vapor aquece a água salgada dentro do tubo Água salgada do mar •••• Depósito de água doce Na primeira câmara. aprooeilando o calor desperdiçado por uma centrai térmica. enquanto os restos de cozinha representam um quarto e os plásticos menos de um décimo. Os lixos podem ser queimados nas fábricas em substituição do carvão ou de fuel. têm de ser 118 . Das paredes exteriores do tubo escorre água doce. o vapor produzido pela água em ebulição sobe e atravessa um desenevoador que lhe retira todas as goticulas de água salgada. queima cerca de 400 000 t de desperdícios por ano. usando o princípio da chamada osmose inversa. Começam por ser peneirados através de uma rede vibratória para separar as partículas orgâ nicas mais pequenas. A água aquecida passa através de uma série de câmaras que se encontram a pressão cada vez menor. com uma produção diária de água doce superior a 54 milhões de litros. onde uma nova parte se evapora c condensa. Em 10 anos. A água do mar. A seguir. e o vapor produzido acciona geradores eléctricos. cada uma delas a pressáo sucessivamente inferior. Um sistema de dessalinizacão mais moderno. mas não o sal. A água do mar pode ser transformada em água potável pelo sistema de dessalinização em câmaras múltiplas. a fábrica economizou 1 milhão de toneladas de carvão. passa para a segunda câmara. Utiliza membranas de plástico com orifícios minúsculos que deixam passar as moléculas de água. A Europa Ocidental possui mais de 200 centrais de queima de detritos para produção de electricidade. em Londres. onde a pressáo é menor e onde parte da água se vaporiza instantaneamente. mas têm de ser tratados. Apenas um quinto não é combustível. as quais serão transformadas cm adubos para a agricultura. O processo repete-se em 10 ou mais câmaras. para a indústria ou para sementeiras de alta rendibilidade. estavam em laboração mais de 2200 centrais. produzindo mais vapor. O sistema baseia-se no princípio de que a água feroe a uma temperatura inferior à normal quando o pressão atmosférica for também inferior à que se verifica ao nível do mar. lixo que se transforma em electricidade e calor Os Americanos deitam fora 250 milhões de toneladas de detritos por ano. Mas o custo desta água é elevado. que abriu em 1974. principalmente melais. as componentes mais pesadas do lixo. Em 1988. Depois. Contudo. o que significa que a sua produção só se justifica para beber. o vapor condensa-se em contacto com o tubo condensador e pinga para uma tina. Uma das maiores centrais de osmose inversa no Mundo foi construída no Barém. são enterrados e nunca utilizados.

PRODUÇÃO DE BIOGAS NA ÍNDIA No Terceiro Mundo produz-se gás com es (rume e água armazenados em depósitos. é constituída por seis camadas de plásticos diferentes. Assim.retiradas. resistência. cortada em pequenos pedaços e usada para encher almofadas ou isolar sacos-camas. Uma tonelada de detritos pode produzir cerca de 230 m3 de metano. Quando começam a decompor-se. No futuro. por enquanto. Queimadores de gás feitos com argila são ligados a um tubo proveniente do depósito. ficando papéis e têxteis — os quais são prensados sob a forma de cilindros e vendidos como combustível. os detritos libertam metano . "semeando" neles certas estirpes de bactérias. Introduzindo a melhor combinação de bactérias para determinado tipo de detritos. onde se aproveita o estrume dos gados. não existe nenhuma maneira fácil de transformar uma garrafa velha numa nova. Uma garrafa de ketchup feita de plástico. queimando-o em motores a gás simples. dado o seu baixo valor como material reutilizável. Lixos domésticos são retirados de enormes depósitos em Londres para serem queimados numa centro! termoeléctrica. O gás metano — chamado biogás — é a principal fonte de combustível pura cozinha em zonas rurais da índia. Os plásticos só podem ser transformados em produtos de qualidade inferior uma garrafa de plástico poderia ser limpa. por exemplo. Há mais de 140 projectos deste tipo em laboração em 15 países. ele. E. Mas muitos desperdícios de plásticos ainda têm de ser deitados fora. Lixo para queimar. obter-se-ia uma quantidade máxima de gás. flexibilidade. a produção de gás nos depósitos de lixo poderá ser aperfeiçoada. Uma mistura de detritos plásticos pode ser reciclada em "paus" plásticos e utilizada em vedações de longa duração. 19 . economizando um total de pelo menos 82õ 0001 de carvão por ano. cada uma das quais destinada a conferir à garrafa determinadas qualidades — forma. Até os lixos despejados na terra podem ser utilizados como fonte de combustível. todo o gás pode ser utilizado. Outras instalações utilizam o gás no próprio local para gerar electricidade. Novos bens a partir do lixo A reciclagem dos lixos não só faz sentido do ponto de vista económico. em vez de tentar ajustar-se a sua produção às exigências variáveis de uma fábrica. dado apresentar-se sob inúmeras formas. que pode ser canalizado com muilo baixo custo e utilizado na produção de calor ou electricidade.idêntico ao gás natural armazenado cm bolsas sob a crusta terrestre. como lambem é benéfica para o ambiente: reduz a poluição criada pelos detritos ou pela sua queima e economiza recursos valiosos O plástico é uma das substâncias de mais difícil reciclagem.

e. vale a pena recicla lo porque a sua extracção da bauxite consome enormes quantidades de electricidade. Quando uma lei destas foi promulgada no estado de Nova Iorque em 1983. Muitos países têm hoje normas de depósitos de vasilhame obrigatórios para levar os consumidores a devolverem as garrafas às lojas. O vidro partido pode igualmente ser reciclado. Graças principalmente aos programas de reciclagem. Quanto mais valioso o metal — como o ouro e a prata -. e muitos países possuem "vidrões" em que podem ser deitadas as garrafas usadas. us latas são prensadas e enfardadas. no espaço de seis semanas. estão de uolta às prateleiras dos supermercados. O métorio mais sensato consiste em reutilizar as garrafas tantas vezes quanto possível. O vidro deve separar-se conforme as cores. Cada automóvel que hoje anda na estrada é parcialmente constituído por carros antigos vendidos como sucata e reciclados em novos aços e outros materiais. c o seu êxito varia grandemente conforme os países. Metade dos lixos do Mundo é papel. cerca de metade das latas de bebidas. O Ouro impuro é refinado e depois novamente vazado em barras. cheias e com novas etiquetas. Nos EUA. Na primeira fase da reciclagem. Este desperdício é transformado em pasta e em novo papel pelo mesmo processo que a pasta de madeira ou os trapos. Por exemplo. No caso do alumínio. Também vale a pena recuperar o vidro. Com os melais é diferente. de alumínio. a energia utilizada no fabrico rio alumínio diminuiu de um quarto desde o princípio da década de 70. Cerca de metade é refundiria depois de usada. os Suíços e os Holandeses recuperam 50% do seu vidro. Nos EUA.RECICLAGEM DO OURO DOS COMPUTADORES Reciclagem de latas. 120 . O vidro partido pode ser refundido em fornos e facilmente transformado noutros objectos. está de volta às prateleiras dos supermercados. Este sistema de recuperação do vidro apoia-se na boa vontade das pessoas. pois o de cores misturadas só serve para fabricar vidro verde. são fundidas. calculou-se que em dois anos se teriam poupado 50 milhões de dólares em despesas de recolha de lixos e cerca de 75 milhões em custos de energia. O Japão fabrica agora metade do aei\ papel por reciclagem. Seis semanas depois. Muitos países importam desperdício de papel em vez de pasta para as suas fábricas. vendem-se anualmente mais de 70 000 milhões de bebidas em latas feitas de alumínio. tanto mais compensadora se torna a sua reciclagem.

É utilizado na investigação de substâncias artifi ciais que poderão fornecer mais energia que o urânio. No processo da cisão. O plutónio pode ser usado como combustível em centrais de produção de energia. chamadas isótopos. provocar a cisão de novos núcleos de urânio. 0 urânio é um dos elementos mais densos. Alemanha. porque. O combustível usado é levado para uma instalação especial onde é reproecssado. Os restantes sáo quase todos de urânio-238. sob pena de envenenamento maciço da biosfera. 121 . um elemento de combustível pode aí permanecer até três anos. Elemento de combustível a ser retirado da água no reactor de alto fluxo para produção de radioisótopos em Ouk Ridge. sem que seja consumido todo o urânio. E este o princípio das centrais nucleares. Apenas sete de cada 1000 átomos de urânio que ocorrem na Natureza são de U-235.gases como o crípton. a fim de ser recuperado o urânio não "queimado" e o plutónio por separação química dos outros produtos residuais. Este reactor de água pressurizada em Biblis. cujo nome se deve às 235 partículas (protões e neutrões) que compõem o seu núcleo. uma vez iniciado. liberta uma enorme quantidade de energia. Tennessee. ao colidirem com o núcleo. além dos dois núcleos formados. como o urânio. de forma controlada. O coração do átomo-o núcleo — necessita apetias de um minúsculo "empurrão" para que se dê a sua divisão — a chamada cisão ou fissão nuclear.chamada reacção em cadeia. cada um com cerca de metade da massa do núcleo inicial. num reactor nuclear e ser utilizada para aquecer água cujo vapor acciona um gerador que produz electricidade. fornece electricidade às indústrias do vale do Reno. que permite que o processo de desintegração do urânio. sólidos como o césio. agrupadas em feixes verticais sustentados por uma grelha. o estrôncio e o plutónio. Elementos de combustível Os elementos de combustível — os componentes essenciais do núcleo de um reactor — sáo constituídos por pequenas pas tilhas de dióxido de urânio carregadas em varelas. Contudo. O urânio ocorre sob diversas formas quimicamente idênticas. e assim sucessivamente — é a Reactor experimental. que podem. não se cinde com tanla facilida- Centrai de energia nuclear. os seus núcleos podem cindir-se e libertar energia. liber tam-se novos neutroes. EUA. por sua vez. conhecido e o componente mais usado no fabrico de bombas nucleares. Destas formas diversas. minúsculas partículas muito mono res que o átomo e que. Uma vez colocado no reactor. uma é o urânio-235. Antes de estes se acumularem demasiado e de a água corroer as varetas. Estes são altamente radioactivos. Mas é também o elemento mais venenoso Electricidade a partir do urânio Uma pequena mancheia de urânio fornece tanta energia eléctrica como 70 l de carvão ou 390 barris de petróleo. e cada um dos seus átomos "balouça" à beira da instabilidade. mas cujos áto mos possuem núcleos com massas diferentes. Quando o U-238 é bombardeado por neutrões. o levam a dividir-se. A energia da cisão nuclear pode ser libertada lentamente. 0 "empurrão" pode ser dado por neutrões. não podendo ser dispersos no ambiente. possa prosseguir quase indefinidamente até à exaustão dos átomos cindíveis. começam a acumular-se subprodutos . E quando um núcleo se divide. os elementos de combustível sáo retirados.

á introduzido em tambores que giram a altíssima velocidade. Alguns resíduos tratados são guardados em depósitos de aço inoxidável de paredes duplas envolvidas por um revestimento de betão com 1 m de espessura. O processo mais usado actualmente para este enriquecimento usa o princípio da centrifugação: o urânio. Para que o líquido não entre em ebulição. Os lixos armazenados no estado líquido em depósitos de aço geram calor à medida que os átomos radioactivos se desintegram.daí o nome de reprodutores por que são conhecidos.30-40 átomos em cada 1000. Utilizados há 40 anos. Por isso. não moderados. que não só mantêm a reacção em cadeia como transformam com grande eficiência U-238 em plutónio. o reactor nunca funcionará. Felizmente. pois são os neutrões rápidos. que por isso não ferve apesar de aquecida muito acima de 10O"C. Alguns são modera dos por água (que evidentemente contém hidrogénio). produzindo vapor que vai accionar geradores que produzem electricidade. São depois misturados com sílica. Nesse caso. O reactor é refrigerado a água a alia prés suo. mas pode ser convertido num elemento completamente novo. provocando uma fuga radioactiva. A melhor solução neste momento é fundir os resíduos. estes depósitos constituem uma solução provisória. que será vazada em recipientes de aço inoxidável. A segunda forma é aproveitar da melhor maneira os neutrões disponíveis no interior do reactor. diminuindo-lhes a velocidade. Mas a maior parte é mergulhada em tanques especiais junto às instalações nucleares dentro das próprias varetas usadas e com as suas bainhas originais. Armazenagem de resíduos nucleares A água pressurizada é aquecida no reactor e provoca a ebulição da água não pressurizada no gerador de vapor de como o U 235. o gás junto às paredes acumula U-238. Os elementos leves actuam como "moderadores" a sua função é moderar a velocidade dos neutrões. As reacções de cisão no núcleo de um reactor produzem grande quantidade de energia. Há duas formas de contornar o problema: uma é "enriquecer" o urânio. Uma instalação em Marcoule. que tem de ser retirada e transportada por um alto fluxo de refrigerante. A maioria dos reactores modernos utili za simultaneamente combustível enriquecido e moderadores. produzindo de facto mais combustível cindível do que o que gastam . a água ferve. mais pesado. o volume de resíduos nucleares de alta actividade é reduzido. o perigo é haver uma absorção exagerada de neutrões pelo U-238 antes de estes atingirem o U-235 e provocarem a reacção em cadeia. Alguns reactores usam água pura simultaneamente como moderador e refrigerante. enquanto o volume central se enriquece em U-235. A água pesada na qual o hidrogénio normal é substituído por um isótopo mais pesado. Neste circuito. utiliza este processo desde 1978. boro e outros ingredientes utilizados no fabrico de vidro. despejados numa câmara vertical e aquecidos a 1500°G Emerge então do fundo uma corrente de vidro fundido. A água passa por um permutador de calor. por absorção de um neutrão. o plutónio-239. Os resíduos altamente radioactivos são letais e mantêm-se perigosos durante milhares de anos. formando cilindros de vidro que serão enterrados a grande profundidade. onde fornece calor a um segundo circuito de água. enquanto outros são moderados por carbono sob a forma de grafite o material que constitui o bico dos lápis vulgares. bombeia-se água fria através de serpentinas no interior dos tanques. Uma central de 1000 MW produz resíduos que encherão 122 . Mas esta solução não é válida a longo prazo. na França. sob a forma de um composto gasoso. O processo de desacelerar os neutrões consiste em fazê-los ricochetear em átomos leves de um elemento como o hidrogénio ou o carbono. Se esle for insuficiente. Os lixos radioactivos são secados e reduzidos a um resíduo sólido por aquecimento dentro de um tambor rotativo. enquanto a França utiliza sódio líquido como refrigerante nos seus reprodutores. no entanto. aumentar a fracção de U-235 no combustí vel do reactor de 7 para . Um tipo importante de reactores. o deulério — é usada cm reactores-reprodulores canadianos. isto é. a pressão mais baixa. não usa moderador. Uma central típica que produza 1000 MW de electricidade origina cerca de 2 m-1 de resíduos por ano. se um reactor é concebido para utilizar urânio natural. o que lhes aumenta a probabilidade de provocarem cisões. destruindo o reactor. a temperatura do núcleo pode elevar-se.PRODUÇÃO DE ELECTRICIDADE NUM REACTOR DE AGUA PRESSURIZADA i Os reactores de água pressurizada são os que existem em maior número no Mundo.

Construiu-se uma barragem no es tuário do rio Rance. Os resíduos ficariam isolados por detrás de tantas barreiras que não seria possível a sua fuga dentro de qualquer período de tempo significativo. no estuário do Tejo. mas seria conveniente e desejável que pudessem ser guardados em locais que deixassem de exigir a intervenção do homem. o de Corroios. se mantém em funcionamento. a amplitude da maré foi aumentada. dado o enorme custo da cons tmçáo das barragens e a escassez de locais adequados. Na preia-mar. ao subir. quando o mar volta a baixar. Os contentores são guardados em "poços" especiais num edifício vizinho em Mar coule. A quantidade de electricidade produzida depende da "queda" de água — a diferença entre os níveis da água a montante e a jusante das turbinas. 15 destes tambores por ano. mas a água bombeada gera bastante mais energia do que a consumiria pelas bombas. o vidro é cotocodo num contentor Como as marés podem produzir electricidade No século xviii. As zonas escolhidas para os "despejos" nào deveriam conter minerais valiosos. foi construída uma cenlral-piloto numa reentrância dessa baía em Annapolis Royal.a diversas centenas de metros demoraria 1 milhão de anos até que algum material conseguisse infiltrar-se até à superfície. Quando a maré começa a descer. Vidro fundido contendo lixos nucleares é vazado de um cadinho de platina para um molde de aço inoxidável a uma temperatura de cerca de 590" C. Depois. tem a maior amplitude rie marés do Mundo. as comportas eram fechadas. deixa-se a água subir junto da barragem até haver uma di ferença de 1. Os resíduos radio aaiixis de alta actividade podem ser u Uri ficados e armazenados em contentores de aço inoxidável cujas tampas são soldadas. O nível da água deste fica acima da marca da preia-mar e. Em Portugal. Este princípio foi também utilizado numa central eléctrica construída em França. existem ainda vários moinhos de maré.5 m enlre a altura da água de um lado e do outro. As cavernas poderiam ser se ladas e esquecidas. que absorve os materiais radioactivos. produziria 10 vezes mais electricidade rio que a capacidade de consumo local. nos quais a água. que assim acciona as turbinas com mais força.Resíduos vitrificados. Quanto maior a queda. O projecto de La Rance tem tido poucos seguidores. Cada contentor produz 1. Em 1984. Os especialistas pensam que. em St. na Bretanha. em covas ou valas e cober los com betão ou uma argila. Uma das propostas prevê rodear os contentores com um invólucro de ferro ou cobre fundido e armazená-los em cavernas subterrâneas. viesse a "tropeçar" nos resíduos. as tampas são soldadas. esta terá baixado para um nível próximo do minério de urânio original. Depois de o vidro solidificar. maior a pressão da água. bombeia-se ainda mais água para fora do estuário. um dos quais. as comportas são fechadas e bombeia-se água do mar para o estuário. A dificuldade consiste em encontrar locais cujos habitantes concordem em armazenar resíduos nucleares. Na maré cheia. Depois de solidificado.5 kW de calor e é refrigerado a ar. Os recipientes devem durar pelo menos 1000 anos antes de serem corroídos e deixarem escapar radioactividade. Quando a maré enche. mandado construir em 1403 por Nuno Alvares Pereira. accionando-as e gerando electricidade. as pás das turbinas são novamente invertidas. Após 500 anos. Os resíduos estarão seguros enquanto forem controlados. ao extrair esses minerais. as pás das turbinas são invertidas e a água volta a produzir electricidade. a água passa pelas turbinas. se as cavernas estiverem bem situarias e à profundidade suficiente . podendo atingir 18 m de diferença entre os níveis da preia-mar e da baixa-mar. fornecendo assim força motriz. A baía de Fundy. Maio. na Nova Escócia. a água entra no estuário e o ciclo reinicia-se. e a única forma de a água se escoar com a vazante era accionando urna roda de pás. a bentonite. 123 . Se a energia das marés em toda a extensão ria baia pudesse ser aproveitada. para que nenhuma civilização futura. Uma vez descargada a água para o mar através das turbinas. Quando a maré volta a encher. tomando o nível deste artificialmente baixo. a costa da Europa encon trava-se semeada de moinhos de marés. A bombagem consome electricidade. e nessa altura já praticamenle todo o lixo radioactivo se teria desintegrado. passava por comportas abertas e entrava num reservatório — a "caldeira". Vazamento dos resíduos. com 24 turbinas que podiam funcionar tanto na enchente como na vazante.

A dimensão das pás e a altura da torre determinam a quantidade de electricidade que a máquina é capaz de produzir. Acima da força 10. Mais importante ainda. estas máquinas estão previstas para produzirem uma potência eléctrica quase constante ao longo de toda a sua zona de trabalho. 124 . a potência quadruplica. A maioria das máquinas destina-se a operar a velocidades do vento entre a força 3 e a força 10 da escala de Beaufort — de 20 a um pouco menos de 100 km/h. Turbinas Darreius. 0 vento laz rodar todo o conjunto. Francisco. Por esta razão.Como se obtém electricidade do vento O potencial de utilização do vento para produzir electricidade é enorme. o vento é mais forte à medida que a altura aumenta. Um estudo recentemente feito para a Comunidade Económica Europeia concluiu que existem locais suficientes na Europa para cerca de 400 000 grandes geradores . seja directamente a favor. Os rotores fazem girar um veio que acciona um gerador eléctrico. Na sua maioria. com as pás "fechando" automaticamente se o vento aumenta. Estas máquinas têm lâminas em forma de arco ligadas a uma hQSte. seja directamente contra o vento. E melhor conseguir-se urna produção uniforme com um largo espectro de condições do vento do que aproveitarem-se as poucas rajadas verdadeira mente fortes.os rotores — montadas no topo de altas torres de aço ou belão. e a potência que é obtida é proporcional à área percorrida pelas pás. pois a potência que se pode obter aumenta com o cubo dessa velocidade . Em geral. Os modernos geradores eólicos são muito diferentes dos antigos moinhos de vento. o rotor está montado sobre uma plataforma giratória comandada por um motor eléctrico ligado a senso res que determinam a orientação.se esta for duas vezes maior. Esta e uma Quinta eólica perto de S.o bastante para suprir o triplo das actuais necessidades do continente. a potência obtida é oito vezes maior. é a velocidade do vento. Em 1988. Os geradores eólicos têm de estar orientados na direcção correcta. Este problema da direcção do vento pode ser completamente evitado se as pás Quinta eólica. os geradores eólicos não precisam de temporais. Se duplicarmos o comprimento destas. a Culifomiu possuiu Ib 000 turbinas eólicas. Contudo. de forma a não haver uma acelera ção exagerada. Parecem-se mais com hélices gigan les com duas ou três pás . as máquinas fecham-se automaticamente para evitar serem destruídas.

Estas máquinas verticais. Embora as pessoas gostem da ideia desle tipo de energia não poluente. mais elevada é a temperatura. na Califórnia e no México têm sido construídas centrais eléctricas em locais onde o calor da Terra chega naturalmente à superfície. Mas. foi feito em 1988 um furo com 2 km de profundidade. duas zonas de boas potencialidades geotérmicas são as ilhas vulcânicas dos Açores e a região transmontana de Chaves. No campo da lagoa do Fogo. na Islândia. apenas rochas quentes. Na Nova Zelândia. nas Filipinas. Um técnico inspecciona as enormes pás de um dos turbo geradores de 660 MW numa central termoeléctrica do Yorkshire. As turbinas são constituídas por várias rodas de pás. têm outras vantagens. Rochas quentes: uma fonte natural de energia Quanto mais nos aproximamos do centro da Terra.para arrancarem. Nestes casos. no Norte de Itália. Os habitantes da Fair Isle. como. A hipótese de colocar os geradores no alto mar foi já encarada seriamente. A posição e a forma das pás fixas é tal que o vapor sob pressão é dirigido para as pás móveis com a máxima força possível. é fácil aproveitá-las para produzir energia eléctrica. Um inconveniente é necessitarem frequentemente de um impulso auxiliar . As pás móveis estão montadas num veio que. alternadamente fixas e móveis. denominadas turbinas de Darreius. Outra forma de aproveitar a energia geotérmica. uma central no vulcão de Agua de Pau. que se espera venha a produzir 3 MW de energia eléctrica. pode não haver 15 2 . Reacções nucleares de decomposição de materiais radioactivos mantêm a 4000°C o núcleo em fusão. cujo calor só pode ser utilizado se lhes injectarmos água. recuperando-a à superfície sob a forma de vapor — que é então usado para accionar turbinas e gerar electricidade. Em Portugal. No entanto. o magneto provoca a passagem de uma corrente eléctrica através do fio da bobina. Ê por causa desta energia geotérmica que a temperatura no fundo de uma mina é alguns graus mais elevada do que à superfície. Instalaram um pequeno gerador eólico no princípio dos anos 80. e. Na extremidade do veio encontra-se um grande magneto. ao largo da costa setentrional da Escócia. ao rodar. Miguel.COMO AS TURBINAS E OS GERADORES PRODUZEM ENERGIA ELÉCTRICA r ' Turbogerador. géiseres ou vapor de água que se escapa do solo. na maioria dos casos. Arrancou já uma grande central eléctrica no Novo México. Miguel. Nos Açores. haveria os problemas da fixação e da transmissão da energia para terra. também nesta ilha. forem montadas num eixo vertical e não horizontal: neste caso. O vapor foi directamente canalizado para turbinas que accionam geradores. por exemplo. Nalguns locais. Banhistas diuertem-se na quente lagoa Azul. Nalguns casos. estão em curso estudos do aproveitamento de fontes termais artesianas com temperaturas superiores a 70°C. Ao rodar. onde o vapor se escapava do solo a temperaturas entre 140 e 260°C. o que diminuiu em mais de três quartos os custos da electricidade produzida pelos motores a diesel. rodeado por uma bobina fixa no interior do gerador. Um dos problemas principais do emprego de geradores eólicos é am biental. Pensa-se neste caso prioritariamente na sua utilização para o aquecimento de estufas e instalações de secagem. nos granitos da Comualha. as rochas quentes encontram-se bastante perto da superfície. não importa a direcção do vento. já fazem uso da energia do vento. O rotor fica sujeito a menos esforços do que nos geradores de eixo horizontal. na Grã•Bretanha. cujas águas provém da Central Geotérmica de Svartsengi. Na região transmontana de Chaves. A primeira central eléctrica geotérmica foi construída em 1904 em Lardcrello. a energia geotérmica tem de ser captada por perfuração. Os pesados geradores que convertem a energia do vento em energia eléctrica podem ser colocados no solo em vez de no cimo de uma torre. produz 500 kW de energia eléctrica. a exploração geotérmica iniciou-se em meados da década de 70. Cada vez mais países procuram a energia geotérmica como alternativa aos combustíveis fósseis. água presente. Estudos gravimétricos e magnetotelúricos concluem que este campo terá provável mente capacidade para satisfazer as neces sidades energéticas totais da ilha de S. acciona um gerador. está em execução um projecto conjunto franco-alemão. não apreciam ver geradores eólicos semeados no topo de cada colina. dando origem a fontes termais. atingindo temperaturas de 240°C. na ilha de S. perto de Estrasburgo.manual ou eléctrico .

em muitas localidades da Europa e América do Norte a chuva que cai é centenas de vezes mais ácida do que deveria ser. anteriores às chuvas mais ácidas. o enxofre e o azoto. O azoto. regulares e espessos. Nem mesmo o Árctico está livre da poluição atmosférica que origina as chuvas ácidas. 126 . O gás mistura-se com a água. Ao ser queimado. A chuva ácida corrói os edifícios. Os exteriores. Embora os valores em Pillochry fossem excepcionalmente elevados. produzindo ácido sulfúrico. em concordância com as suas origens naturais. das fábricas e das centrais termoeléctricas. mais finos. mata os peixes nos lagos e contribui para a destruição de árvores. As velhas cantarias e outros ar na mentos de pedra são corroídos pelo ácido criado pelo dióxi do de enxofre libertado por combustíveis fósseis como o petró leo e o carvão. Mediu-se o grau de acidez em gelos formados antes da Revolução Industrial e aprisionados nos glaciares e verificou-se que eram apenas moderadamente ácidos. ela bateu o recorde do Mundo . A chuva que caiu nesse dia era quase sumo de limão e mais ácida do que vinagre. nos pântanos e do plâncton marítimo.Como os cientistas descobrem a origem de uma chuva ácida Quando uma chuvada se abateu sobre Pitlochry. que se combina com as gotas de água das nuvens. na Escócia. contrastam com os do centro. A chuva torna-se ácida principalmente devido a dois elementos. transforma-se em dióxido de enxofre. mas de acidez. em 10 de Abril de 197-1. De onde provém esta acidez? Não restam dúvidas de que a maior parte provém das actividades do homem — dos auto móveis.não de volume. Chaminés altas enviam a poluição para muito longe. que existe UMA DAS CAUSAS DAS CHUVAS ACIDAS E DOIS DOS SEUS EFEITOS A atrofia cio crescimento de um abeto da Floresta Negra revela-se na variação da espessura dos anéis do tronco. danifica os solos. produzindo ácido sulfúrico. O enxofre encontra-se no carvão e no petróleo. Sempre houve alguma acidez na água das chuvas devido à actividade nos vulcões. formados nos últimos 20 anos. mas a acidez tem aumentado abruptamente nos últimos 200 anos.

Vinagre 0 pH de um líquido é medido por meio de um aparelho especial ou com Chuva papel indicador.3 3. São to dos solúveis em água. teve como resultado que regiões como a Escandinávia fossem afectadas pela poluição proveniente de fábricas em países a milhares de quilómetros de distância. Instrumenlos colocados a bordo do avião iam medindo o teor daquele composto na atmosfera. o hexafluorcto de enxofe. um líquido neutro lorna-o verde. Uma parte destes ácidos cai localmente com as chuvas. reagindo depois com as moléculas da água para formar ácido nítrico. é transformado. transportado pelo ventos dominantes do Atlântico. Foi mesmo possível marcar as trajectórias da poluição originada cm determinada central térmica.3 4. Os Chuva normal líquidos altamente alcalinos tornam-no Água destilada púrpura. no entanto. 17 2 . COR DO INDICADOR Vermelho Vermelho Rosa Rosa Rosa ÍNDICE DE pH 1. mas em maior área. Os cientistas suecos estimam que 70% do enxofre da atmosfera sobre a Suécia provém da quei ma de combustível e que. como o de tomassol. captara os poluentes que depois transportava para a Escandinávia. o que a encarece. Na Europa. Um é Chuva extremamente ácido. aliado ao grande aumento no volume da poluição. e a sua concentraÁcido sulfúrico ção é medida pelo seu pH (potência em concentrado hidrogénio). construído nos EUA. as florestas são por vezes pulverizadas com cal. Para descobrirem se parte destas chuvas provinha da Inglaterra. Mas captar e armazenar esta abundante provisão cie energia gratuita é difícil e caro. por combustão. HT ^« i^^B l^írujH • Carro solar. tem origem fora da Suécia. a fim de neutralizar a acidez do solo e ajudar o crescimento das árvores. Estas células podem produzir grandes quantidades de energia eléctrica a partir da luz solar. Com um painel de células so lares como fonte de energia. Sumo de limáo A escala de pll vai de I a 14. partieularmen te na Europa Oriental. a energia por unidade de área é bastante baixa pelo que qualquer utilização da radiação solar de potência razoável tem de cobrir uma grande área. especialmente das centrais térmicas. A partir da década de 50. começaram a construir-se chaminés com 150 m de altura para afastar a poluição das áreas urbanas. detectando com precisão a posição e evolução do "penacho" de gás marcado. 7 é neutro e 14 é de Pitlochry muito alcalino (o contrário de ácido). em óxido de azoto.r^^t^^^ÍLSI ^ H pi Captando a luz do Sol 1 1 ^m * TSJÍA Pj 1 li-'''. Num dos voos.0 2. cientistas britânicos colheram amostras de ar por avião e analisaram-nas. nas últimas décadas.3 Laranja Verde 5. continha menos de metade do enxofre e um quarto dos nitratos que ao longo da costa oriental: ao soprar sobre a Inglaterra. verificou-se que o ar que chegava à costa ocidental da GrãBretanha.0 Células fotovoltaicas. no ar e nos próprios combustíveis.0 3. COMO SE MEDE A ACIDEZ Os ácidos corroem gradualmente e desLIQUIDO troem quase tudo o que tocam. nas regiões Um ácido forte torna este papel vermeindustriais lho. o Quiet Achiever atravessou a Austrália em 1984. libertando das respectivas chaminés um produto químico. Outro problema é a irregularidade do seu fome Aplicação de cal.0 a 5. Este facto.6 7. o efeito que tiveram foi espalhada com menor densidade. na maior parte. usa lentes para concentrarem a radiação solar nas células montadas nos cilindros. Embora a energia total seja colossal. mas a restante pode ser transportada a milhares de quilómetros de distância. Este modelo. cobrindo 4800 km em 20 dias A energia que atinge a Terra sob a forma de luz solar é enormíssima mais de 12 000 vezes o consumo mundial de combustí veis.

São precisas exposições 10 ou 20 vezes mais curtas. porque as células são ainda demasiado caras. aquece um fluido que circula numa canalização. a luz do Sol é concentrada por meio de espelhos dispostos em semicírculo que reflectem a luz em direcção a uma "torre geradora de energia" de betão.IfífiffSM *&+*?*&& 4tA «f<ku f * * * * i *t ^ * * * tt* ^ 'U %A "S>. a luz cria no semicondutor cargas eléctricas que são colectadas pelas grelhas. situada no centro do círculo (à direita). funcionando a célula. Entretanto. Urn módulo de células com 1 m2 de área. demasiado dispendiosos para serem competitivos. como uma simples pilha. que é suficiente para satisfazer as necessidades de uma pequena cidade. dentro das quais uma chapa de metal pintada de negro absorve a radiação solar e aquece a água que circula. Mais interessante que a geração de energia eléctrica pela via térmica é a sua geração por acção directa da luz solar sobre dispositivos conhecidos pelo nome de células solares foto voltaicas. .w^ ^ _^' ->- „„ Espelhos produzem electricidade para 20 000 pessoas. Para obtenção de temperaturas muito superiores à da ebulição da água.foi construída perto de Victorville. necessita-se de um tempo de exposição muito menor do que o de uma máquina vulgar: mesmo a 1/1000 de segundo. produz tipicamente 100 W de energia eléctrica — quase sem manutenção. electrificação rural e bombeamento de água e pequenas aplicações. as asas não passam de uma mancha. Porque não se usam então células fotovoltaicas para produção de energia eléctrica em larga escala? Basicamente. A luz concentrada do Sol. Utilizando uma câmara-escura. em 1982. exposto à luz directa do Sol. Desde 1085. sem poluição. relativamente ao custo actual. Como se tiram fotografias de alta velocidade Para "parar" o bater de uma asa de insecto. Os sistemas domésticos de aquecimento de água à base de energia solar usam colectores (painéis) solares montados nos telhados e voltados para o Sol. com 128 grelhas de contactos eléctricos metálicos que conduzem a dois terminais. As células fotovoltaicas são constituídas por uma delgada lâmina de semicondutor. data do lançamento do satélite americano Vanguard. o que complica a sua aplicação na Torra. como nos relógios de pulso e nas calculadoras. produz vapor a alta pressão. sem peças que se gastem e. o que provocaria uma verdadeira revolução. estima-se que um abaixamento. a sua purificação e o processamento para se transformar em células fotovoltaicas sào. fê-la girar rapidamente e conseguiu tirar uma fotografia nítida iluminando a roda com uma faísca intensa que durou apenas 1/100 000 de segundo. a energia solar fotovoltaica tem-se implantado em áreas em que é já competitiva — satélites. Se esse fluido for água. cimento: dia e noite. O esforço de investiga ção nos últimos 20 anos levou a uma melhoria notável das células e a um abai xamento do custo da energia por elas pro duzida de um factor superior a 20. ^ ^ ii 11 n » \T* v>* . com incalculáveis repercussões em áreas tão diferentes como o efeito de estufa. quase todas as naves espaciais e todos os satélites usam células solares para obter energia eléctrica. estações retransmissoras de telecomunicações em zonas isoladas. frequentemente de silício cristalino. pela técnica actual. A primeira central helieléclrica de dimensões significativas — com urna produção de 1 MW . Embora o silício seja o elemento mais abundante da crusta terrestre depois do oxigénio — é o constituinte básico da areia e da maior parte das rochas — e de baixo preço. sol alto ou baixo levam a enormes variações da quantidade de energia disponível. sobretudo. A água aquecida passa para um depósito termicamente bem isolado. ^u -^ . 0 calor produz vapor para gerar electricidade. Já em 1851 o pioneiro da fotografia Fox Talbot conseguiu fazer uma fotografia de alta velocidade: prendeu um exemplar do jornal The Times a uma roda. um positivo e o outro negativo. _ ^ <*• . céu limpo e encoberto. ao incidir sobre um receptor no cimo da torre. de um factor de 2 a 4 seria suficiente para tomar competitiva a energia fotovoltaica para produção de energia para a rede. Um vasto círculo de espelhos capta os raios do Sol e reflecte-os para urna torre geradora de energia. com a altura de 20 andares. que é utilizado para accionar geradores de electricidade.-^ V» ' ^ . Estes são simples caixas com uma cobertura de vidro ou plástico. do ponto de vista do utilizador. Quando a lâmina é iluminada. Califórnia. a chuva ácida ou o preço da gasolina. o diafragma da máquina pode deixar-se aberto e a película é exposta unicamente enquanto dura a faísca.

de 24 imagens por segundo. mas o cenário do estúdio levou horas a construir. encontramos a fil A Natureza ao microscópio. conseguiu fotografar o impacte de uma gota de leite caindo numa tigela. o que interrompeu momentânea mente o raio de luz que incidia na objectiva. Habitualmente. como este plâncton. que afrouxa o desenrolar de uma acção rápida demais para os olhos humanos. As mais rápidas máquinas de filmar actuais fotografam 11 000 imagens por segundo. apresentando a acção milhares de vezes mais rápida do que é na realidade. Uma sequên cia rápida de flashes conseguiu fotografar o pingo a cair. A dificuldade consiste em fazer disparar o flasli exactamente quando o objecto estiver na posição certa. florescer e morrer em poucos segundos: fixa-se a máquina fotográfica em posição e programa-se para tirar uma série de fotografias isoladas a intervalos de minutos ou de horas. por exemplo. e a sequência pode ficar completamente estragada se qualquer coisa obscurecer o objecto a ser filmado. O produto final é tão natural que é impoSSÍvel descobrir que foi feito em estúdio. A fotografia a intervalos faz com que uma planta pareça nascer do solo. Se algo corre mal. a máquina foi disparada por uma célula fotoeléctrica. A película é depois projectada à velocidade normal para cinema. com a respectiva bobina a fazer 33 000 rotações por minuto. Usando 10 flashes por segundo e sobrepondo todas as imagens na mesma película. nos anos 30. AMBIENTE NATURAL EM ESTÚDIO Esta fotografia de uma rã levou menos de um segundo a tirar. Pode levar semanas para se conseguir apenas uma porção boa de filme no último minuto. constroem se cenários que parecem naturais (à direita). activada pela rã quando saltou. um fino raio in fravermelho ou de luz focado sobre uma célula de reacção. No outro extremo. acopla-se uma máquina fotográfica a um microscópio especial. magem de alta velocidade.Captar em filme a Natureza Os fotógrafos da Natureza conseguem captar a língua rapidíssima do camaleão que apanha um insecto ou acompanhar o crescimento de uma planta. comparadas com as 24 da projecção normal. A rã é colocada nu pedra (foto grafia inserida) e fotografada. Esta técnica foi iniciada por um americano. levantando uma coluna de água. Harold Edgerton. Neste caso. interrompendo. O filme passa diante da lente a quase 320 km/h. Muitas vezes. a solução é fazer o próprio objecto — como a bala que atravessa uma maçã disparar o obturador ou o flash ou ambos. Corno é di fícil fotografar animais no seu habitat. Pode utilizar-se uma série de flashes avançando o filme nos intervalos. numa fracção de segundo a máquina fica encravada e o filme inutilizado. . a tocar a superfície e a mergulhar. bastam velocidades muito menores: para mostrar os batimen- "PARANDO" UM PINGO DE AGUA A fotografia de alia velocidade regista o percurso dos pingos da água caindo sobre a superfície do liquido. Para fotografar plantas e animais minúsculos. Este tipo de fotografia exige uma preparação extremamente cuidada e equipamento muito fiável.

para que se decomponham a um ritmo previsível. Um fotógrafo utiliza uma es pécie de periscópio invertido pura fotografar uma carauela-portuguesa (ú direita). por exemplo. Também os medicamentos são muitas vezes embalados em cápsulas plásticas que se dissolvem lentamente. Por exemplo. Mas esta vantagem pode constituir um problema: copos. que é fotodegradável. os resultados não são muito bons. possuem tentúculos urticantes que podem atingir os 9 m de comprimento. Por exemplo. Filmar animais no estado selvagem é um mundo de problemas. mas os cientistas japoneses pensam conseguir um plástico biodegra dável para diversos fins a custo muito mais baixo. cerca de um quarto das juntas que seguram as lalas de cerveja nas embalagens de seis são feitas de um plástico chamado ecofyte. O periscópio é suspenso de uma câmara montada sobre carris num cavalete por cima da cabeça do operador para poder ser focada enquanto é rodada. . O habitat de uma truta que desova num riacho de montanha. por exemplo. Estes animais. As sim. Muitos filmes de animais "selvagens" são feitos com animais semiamansados ou mesmo treinados. A maior desvantagem tem sido o seu custo de produção. inclinada ou movimentada para trás e para diante. O mais pequenino movimento entre a objectiva e o objecto prejudica a focagem. o mesmo acontecendo para uma rã que salta. mas há que tomar cuidado para que o calor em excesso não afecte os animais. sacos e recipientes de plástico atulham o campo o as praias de todo o Mundo e. Outro problema inerente à filmagem destes seres são as vibrações. quando a luz natural é suficiente. os animais são fotografados a noite. as bactérias que se alimentam de amido irão decompondo-os gradualmente em fragmentos que desaparecerão sem dano no solo. onde actualmente as costuras são feitas com plásticos que se dissolvem lentamente nos fluidos orgânicos. O animal pode ser seguido quando desaparece por detrás de uma folha ou mergulha na água. Duram entre um e Ires anos antes de se decomporem e se integrarem no solo. o espectador nunca se apercebe de que uma parte foi tirada no estúdio. continuarão a acumular-se ano após ano. que uivem em águas quentes. 0 filme é depois tratado com filtros que nos dão a ideia de ser muito mais escuro. um insecto enquanto percorre o chão da floresta. o que pode representar um inconveniente para o retalhista. na verdade. mas. O plástico degradável tem outros problemas. como os insectos ou outros seres minúsculos. Por vezes. Esta difieuldade é ultrapassada recorrendo a um "banco óptico" . mesmo com intensificadores de imagem que os torna mais fáceis de ver. pode imitar-se num tanque de vidro. usam-se no campo tiras de plástico fotodegradável com cerca de 1 m de largura para reter o calor no solo e produzir colheitas têmporas. libertando o medicamento para o sangue a um determinado ritmo. No entanto. é necessária uma iluminação adicional. Muitos animais são filmados em estúdio: alguns não podem ser treinados. os fotógrafos têm de servir-se de truques. têm sido estudadas diversas formas de plástico degradável. Por vezes. os filmes que mostram raposas caçando de noite são. Alguns dos problemas mais difíceis relaeionam-se com a filmagem de formas de vida demasiado pequenas para serem visíveis a olho nu. Mas. estas embalagens têm de ser armazenadas ao abrigo da luz solar directa. uma bala a atravessar um vidro ou um golfista ao bater a bola. Os plásticos degradáveis quimicamente podem ser decompostos pulverizando-os com uma solução que provoca a sua disso lução em substâncias inócuas que podem ser despejadas para o esgoto.plataforma com a má quina rigidamente fixada numa das extremidades e o objecto da fotografia na outra. O segredo consiste em incorporar-lhe um produto químico atacável pela luz. Alguns dos filmes mais interessantes conseguem-se utilizando um aparelho que parece um periscópio invertido e que permite filmar. o que reduz muito a luz que impressiona o filme. pelas bactérias ou por substâncias químicas. a câmara e o objecto vibram em uníssono e a focagem não é afectada. Montando a máquina numa camioneta ou num barco rápido. Plástico que se autodestrói Uma das vantagens do plástico é não enferrujar nem se decompor. Cenas de pequenos animais dando à luz e criando os filhos conseguem-se construindo no estúdio ni130 nhos com janelas transparentes que permitem filmar as suas vidas privadas. mas já são precisas 1000 imagens por segundo para captar o salto de uma pulga.Fotografia subaquática. não pode ser reciclado porque não há processo de medir facilmente a sua vida residual. para que não se decomponham cedo demais. e estas passam a segui-los para onde quer que vão. são suficientes 500 imagens por segundo. Quando o filme è montado e combinado com filme tirado no exterior. frequentemente tirados de madrugada ou ao anoitecer. As maiores velocidades são necessárias para acompanhar um pingo de água desintegrando-se sobre uma superfície. Os plásticos biodegradáveis podem conseguir-se pela adição de amido: se os plásticos foram enterrados. só podem ser usados num país com uma insolação regular. Alguns fotógrafos cuidam de aves desde o momento em que saem do ovo. conseguem filmar de muito perto as aves que voam atrás deles. se não forem recolhidos. Os plásticos foto de gradáveis contêm substâncias químicas que se desintegram lentamente quando expostas ã luz. Estes têm de ser filmados através do microscópio. Se um camião que passa provoca vibra ções. dos morcegos e insec tos. Em França. Uma das utilizações dos plásticos degra dáveis que teve maior êxito foi na cirurgia. Nos EUA. Para ultrapassar este problema. tos de asa das aves. e não é prático filmá-los na Natureza.

resistência ao calor.Como o petróleo deu lugar à "revolução do plástico" PLÁSTICOS: OS MATERIAIS MAIS VERSÁTEIS Desde que os plásticos foram inventados nos finais do século xix que em lodo o Mundo ocorreu uma revolução de materiais. neve artificial e articulações protésicas. difere de plástico para Se retirássemos das nossas casas tudo aquilo que contém plástico. dando aos plásticos a sua resistência. Há. mas separam-se o suficiente para deslizarem umas sobre as outras.são aquecidos a cerca de 200"C. possivelmente. as cadeiras. se mantêm duros e conservam a fornia ainda que reaqueci dos: são os duroplásticos. contudo. como maior rigidez. cartões de crédito. Hoje em dia. O termo "plásticos" abrange uma extensa gama de materiais fabricados pelo homem a partir de dois elementos básicos: o carbono e o hidrogénio. poder deslizante e flexibilidade. a polimerização. os plásticos são ideais para urtigos de exterior. Uma vez arrefecido. como tubagens de esgotos ou vasos de plantas. a maioria das carpetas e tapetes desaparece riam. 1 . Quando a maioria dos plásticos — os termoplásticos . o plástico conserva a nova forma e mantém a sua resistência. Têm também a vantagem de poderem ser moldados praticamente na forma que se quiser. por sua vez formadas por moléculas mais pequenas unidas entre si em cadeias longas. o tabuleiro do gelo e o resistente capacete de protecção são apenas alguns exemplos. assim como muitas roupas e. uma vez moldados. a maioria dos brinquedos e dos artigos de desporto e muitos artigos domésticos contêm pelo menos um material plástico. Estas enredam-se. as cortinas. Adicionando-seIhes outros elementos ou produtos químicos. as cadeias mantêm-se intactas. alta fidelidade e televisão. Uma vez que sáo à prova de água e não se decompõem. rapidamente e corri pouco custo — a caixa amarela para a viola. Os plásticos são constituídos por moléculas grandes denominadas polímeros. que restaria7 Muitas cozinhas ficariam quase nuas. outros plásticos que. Deixaria com certeza de haver telefone. l >. Esta característi ca permite que os termoplásticos sejam repetidamente aquecidos e moldados em novas formas. O processo de ligação das moléculas pe quenas para formação das moléculas grandes. os plásticos adquirem propriedades especiais.

Duas torres de perfuração de petróleo flanqueadas por guindastes. Depressa se descobriram novos usos para o celulóide . Um deles é o etano (dois átomos de carbono e seis de hidrogénio). Quando finalmente a broca aparece e é substituída por uma nova. pára-brisas para os primeiros automóveis e películas fotográficas. foram inventados muitos outros plásticos.armações para óculos. Os átomos de carbono e de hidrogénio que constituem a base de todos os plásticos provêm do petróleo bruto. com um concurso para se encontrar uma bola de bilhar de melhor qualidade. só nos Estados Unidos. Muitos polímeros têm sido fabricados em laboratório. Para acrescentar um novo segmento à vara. químico belga a trabalhar na América. que. mas uma combinação de substâncias químicas e água que impele os fragmentos para a superfície e evita o sobreaquecimento da broca por fricção. a vara tem de ser totalmente içada para o exterior e separada em stands de 27 m (cada um com três segmentos). 132 Periodicamente. que são amimados verticalmente na torre. Na esteira desta descoberta de Baekeland. a indústria cine matográfica nunca poderia ter nascido. o novo segmento é ligado à extremidade superior da vara antes de se repor o kelly — e a perfuração continua. Esta pequena alteração torna o PVC "retardador do fogo". pelo que é mais seguro para usar em casa. O vencedor foi John Wesley Hyalt. como o poliestireno. Sem o celulóide. porque a sua matéria-prima é a celulose que se encontra nas plantas. têm de acreseeniar-se novos segmentos de vara. os catalisadores. gás que pode ser convertido num outro. INDUSTRIA DE BILIÕES O celulóide não é uma substância inteiramente sintética. Fonte dupla. Mas ele próprio teria ficado admirado com o desenvolvimento da indústria. o PTFE e o nylon. ou de aço com ponta de diamante. À medida que o furo se torna mais profundo. o gás propano transforma-se em polipropileno. e depois polimerizado para fabricar polietileno. Então.O NASCIMENTO DE UMA A moderna indústria dos plásticos nasceu na América na década de 1860. Leo Baekeland. No processo da refinação rio petróleo bruto obtêm-se. o etileno. que. a vara toma a ser montada e descida pelo poço. O PVC — cloreto de polivinilo — é quimicamente semelhante ao polietileno. tem actualmente uma produção bruta superior a 100 biliões de dólares. Na extremidade superior da vara fica o kelly. Estes dois plásticos são usados para fabricar garrafas. cabos de faca. chaminés de descarga quei marn os excessos de gás proveniente do depósito petrolífero submarino. A broca de aço. plástico. Oferecia-se um prémio de 10 000 dólares para quem descobrisse um substituto de baixo preço para as bolas de marfim. conhecido por íefíon. é usado nas frigi deiras não-aderenles e em chumaceiras. Os hidrocarbonetos vão desde moléculas simples como o metano (gás formado por um átomo de carbono combinado com quatro átomos de hidrogénio) até aos alcatrões e asfal- tos. é colo cada na extremidade de um forte tubo de aço chamado vara de perfuração. que fomentam a ligação das moléculas pequenas. Se em vez do átomo de cloro forem usados quatro átomos de flúor. rodando. mas só os de propriedades mais úteis. este é revestido por pesados tubos de aço que são descidos à medida que a . mas um dos átomos de hidrogénio foi substituído por um de cloro. tubos e sacos de plástico. Este produto. O processo pode demorar até 10 horas. que fez uma bola de uma substância a que chamou celulóide. De forma semelhante. como subprodutos. em geral com 9 m de comprimento. esta é içada o suficiente para remoção do kelly. Mas envolve frequentemente pressões elevadas e o emprego de agentes especiais. que podem ter centenas de átomos. De cada lado. Como se extrai petróleo do solo Como é que efectivamente se extrai petróleo do fundo do mar ou do solo? Os poços de petróleo são perfurados com brocas de perfuração. torna-se necessário substituir a broca. obtém-se o politetrafluoretileno. que roda accionaria por uni motor à superfície ou por uma turbina no interior do furo. O petróleo é constituído por hidrocarbonetos — átomos de carbono e de hidrogénio ligados entre si. são produzidos industrialmente. Para que os lados do furo não se desmoronem. muitos hidrocarbonetos diferentes. criou o primeiro material inteiramente sintético em 1907 combinando fenol (ácido carbólico) com o gás formaldeído e produzindo um plástico a que chamou baquelite. ou PTFE. que se ajusta a uma placa giratória no chão da torre de perfuração. Os fragmentos áe rocha são trazidos para a superfície pelo retorno da chamada "lama de perfuração". que é injectada pelo interior da vara de perfuração. vão desintegrando a rocha. Não é realmente lama.

o peso da lama assegura que este não se escape. Podem assim saber se é ou não prouável encontrar -se petróleo num dado local. a de uma abóbada. cada uma delas perfurando direccionalmenie segundo um plano prévio. a fim de abrir fissuras na rocha e permitir que o petróleo entre nos poços. constituído por uma válvula especial fixada no topo do tubo de revestimento. Esta envia ao 133 . .perfuração prossegue e fixados por betão. recorre-se a um avião que reboca sobre a zona um magnetómetro que mede o campo magnético. As informações colhidas são processa das em computador e interpretadas por geólogos. uma camada de rocha porosa para o armazenar. Mas. é preciso perfurar uma série de poços de produção para o trazer à superfície. dirigindo os furos para diversas partes do campo petrolífero. Computadores fornecem o traçado de linhas de perfuração altematioas (representadas corno traços coloridos atravessando as diferentes camadas rochosas) depois de se ter procedido a testes sísmicos. Mais tarde. desce-se por eles um canhão de perfuração para impelir cargas explosivas até à rocha através da tubagem c cimento do revestimento. As rochas sedimentares formam-se ao longo de milhões de anos a partir de sedimentos que contêm peixes. a pressão pode ser mantida injectando-se água ou gás para empurrar o petróleo para os poços de produção. A prospecção gravimétrica baseia se na Testes sísmicos. dando aos geólogos indicações sobre a estrutura e o tipo das rochas que se encontram sob o solo. conchas. Pode demorar tanto como 30 cm/h na rocha impermeável e compacta da abóbada ou ser tão rápido como 60 m/h nos arenitos. mas o magnetismo varia ligeiramente de rocha para rocha. A abertura destes poços pode fazer-se de uma única torre ou plataforma. Se os resultados forem promete dores. as reservas de petróleo conhecidas devem estar esgotadas. produzem petróleo e gás. Um poço de 4500 m pode ler um tubo de revestimento com um diâmetro de 76 cm à superfície. raramente é possível extrair mais do que 30 a 50% do petróleo de um campo. 0 ritmo de perfuração de um poço depende da natureza da rocha. Um aparelho chamado gravírnetro consegue medir variações da aceleração da gravidade terres tre de uma parte em 100 milhões. prospectores pesquisam petróleo P/O uocam explosões e medem as ondas de choque a fim de elaborarem uma carta das formações rochosas subterrâneas. Quando estas matérias orgânicas se decompõem. To das as rochas são magnéticas. Uma camada de rocha impermeável sobre o petróleo irá retê-lo. para que toda a área seja explorada. plâncton e plantas. e uma "tampa" de rocha impermeável para o reter. Outras indicações são dadas pelas densidades diversas das rochas. o primeiro passo é abrir diversos poços destinados a cobrir toda a extensão da jazida. 0 revestimento vai-se estreitando gradual mente com a profundidade do poço. Para se encontrarem bacias sedimentares em que poderá ter ocorrido a formação de petróleo. para fazer leituras no mar. Há uma versão deste instrumento. Como se sabe onde procurar petróleo Por volta do ano 2020. mesmo com o auxílio destas técnicas. Na prospecção magnética. Enquanto o produto é extraído. Perfuração por computador. será necessário encontrar novos campos petrolíferos. estabilizada por um giroscópio. Daqui ale lá. provavelmente em lugares cada vez mais inacessíveis. Se a broca encontra petróleo. fazem-se frequentemente estudos de magnetismo e de gravidade. Quando se encontra petróleo.Vo oasto deserto da Ara bia. diâmetro este que diminui escalonadamente até 18 cm no fundo. podem empregar-se bombas eléctricas ou mecâ nicas. as pesquisas prosseguem agora por meio da prospecção sísmica. mas existe um dispositivo de segurança adicional. No mar e em terrenos difíceis. medição do campo gravítico para inferir conclusões quanto às densidades das rochas abaixo da superfície. desde que a tampa tenha a forma adequada — idealmente. As variações do campo magnético ajudam a construir uma imagem da estrutura do solo sobrevoado. ela impregna se de petróleo como uma esponja. Havendo uma camada de racha porosa. São preci sas três condições para que se forme uma jazida de petróleo: o tipo certo de rocha sedimentar para criar o petróleo. Num campo muito vasto terão de usar-se várias torres de perfuração. Depois de perfurados e revestidos os poços de produção.

ter naufragado ao largo da Bretanha. conforme o tipo de rocha em que se propagam. A limpeza de um grande derrame de petróleo 0 petróleo é o maior poluente dos oceanos e estuários da Terra . Para esse efeito. Em 1989. Derramaram-se 45 milhões de litros de petróleo quando o Exxon Valdez.solo ondas de choque provocadas por explosões ou vibrações à superfície. A desintegração pode ser acelerada regando-se o petróleo com agentes químicos de dispersão. navio de 216 000 t. os maiores culpados. mesmo que todos os dados obtidos o indiquem. As praias negras da Bretanha (em cimo) depois de o petroleiro líbio Amoco Cadiz ler naufragado. As ondas viajam a velocidades diversas. petroleiro líbio. detergentes. coloca-se em volta da mancha um grande dique flutuante de tubos cheios de ar. que são. Se não forem tomadas quaisquer medidas. As operações de limpeza junto à costa são frequentemente executadas por uoluntários usando simplesmente pás e baldes estragos na vida marinha. O ideal será circunscrever a mancha de óleo antes que alastre e depois remove la da superfície do mar por meio de bombas. contaminou as zonas de reprodução de focas. e desenhar um corte pormenorizado da zona. uma mancha gigante de petróleo no golfo do Príncipe William. com as superfícies tratadas por compostos quí- . que o arrastam devagar sobre a água. com base no tempo entre a emissão das ondas e o seu retorno. Um enorme dique pneumático flutuante (à esquerda! foi utilizado para tentar represar a mancha de petróleo ao largo. Uma das razões principais é que os lençóis petrolíferos podem infiltrar se através de rochas porosas. no Alasca. A solha apresentava órgãos reprodutores anormais c defeituosos. através de uma conduta flutuante. destruindo os óleos naturais nas penas das aves marinhas e ríiminuindo-lhes a sua capacidade de flutuação. encalhou num recife. Um destes navios bombeia o produto. As escumadeiras de absorção empregam cilindros. Quase 10 anos depois de o Amoco Cadiz. Este sistema pode recolher diariamente 15 000 t de mistura petróleo água. os cientistas revelaram que naquele sector da costa os peixes ainda não se reproduziam como anteriormente. A contaminação dá-se muitas vezes quando os petroleiros lavam com água do mar os reservatórios vazios depois de uma entrega. as ondas são reflectidas e voltam à superfície. Quando atingem a interface entre duas rochas de natureza diferente. e as ostras en contravam-se contaminadas. entre os quais as escumadeiras de absorção e as escumadeiras de barragem. o dique evita que ele alastre. basicamente. Mas os geólogos nunca podem ler a certeza da existência de petróleo em determinado local. em 1!)78. desintegrando-se em resíduos inócuos — depois de ter causado enormes 134 Costa contaminada. Como o petróleo flutua na água. Podem então usar se computadores para calcular as posições das camadas de rocha. Foram já criados diversos outros sistemas e dispositivos para aspirar o petróleo depois de circunscrito. Mas também estes podem ter efeitos indesejáveis. As extremidades do dique são presas a navios. para um navio-lanque próximo. um derrame de petróleo acaba por se dispersar. leões-marinhos c aves. capturando o petróleo. Ninguém sabe precisamente quanto petróleo é derramado acidentalmente e quanto é lançado deliberadamente ao mar em deslastragens de rotina. onde são captadas por microfones e registadas.e os petroleiros gigantes. Os resíduos que são bombeados para o mar podem ser consideráveis. correias ou esfregões. em Março de 1978.

A população inicial de 30 homens do campo crescera para se transformar num acampamento de 500 pessoas. ao meio-dia de 13 de Novembro. limpando a correia ou cilindro para dentro de um contentor. precisava de água. o petróleo assim escumado vai sendo transferido para um reservatório. A forma mais simplificada deste processo utiliza tambores de óleo sem tampa. havia 24 que combatia fogos desta natureza. Os derrames em terra ou o petróleo que o mar lançou à costa sáo difíceis de limpar. fazendo um penacho a que os ventos do deserto davam as mais fantásticas formas. Ao chegar ao local. a transportá-lo pelo ar para a Argélia e daí para o deserto.micos sintéticos aos quais o petróleo adere e a água não. tinha de o privar de oxigénio. até então quase invisível. Além de contratar um intérprete francês. chegavam camiões com bulido zers. Para o apagar — "matá-lo". quando o gás do poço irrompera. Os problemas tinham começado em Novembro de 1961. O gás saía para o ar em quantidades que teriam chegado para satisfazer as necessidades energéticas de uma cidade como Paris. Às vezes. O nível do outro lado é mantido um pouco abaixo por bombagem. se deu uma violenta explosão e a coluna de gás. para o que detonaria junto à chama uma poderosa carga explosiva. e foi visto do espaço pelo astronauta americano John Glenn quando orbitava a Terra. apercebeu-se de que o fogo. arrastada por uma enorme grua arrefecida a água e por um "ancinho" gigantesco. Durante sete dias. Ainda náo havia chamas . lastrados com pedras e colocados em água tão pouco profunda que os bordos eslão imediatamente abaixo da superfície. bombas e secções de tubagem. se incendiou. que as chamas só começavam a quase 10 m de altura. a equipa de Adair bombeou lama para dentro do poço para tentar bloquear o gás que saía Até que. Antes de mais. Uma lâmina semelhante a um limpa-pára-brisas vai raspando continuamente o petróleo.como foi apelidado o fogo no poço de petróleo — ardia há quase seis meses nas areias do interior do Sara. Só em Abril de 1962 ele e a sua equipa se consideraram prontos para iniciar o trabalho. O gás irrompia de um tubo de 33 cm de diâmetro com uma velocidade superior à do som. o texano Red Adair. Adair rodeou se também de guardas armados de metralhadora para o protegerem e aos seus homens. a Argélia encontrava-se em plena guerra para se tornar independente da França. poderia arder sem cessar durante 100 anos. na gíria dos campos petrolíferos —.que o fogo reduzira a 600 t de aço torcido — foi retirada do local. O penacho era visível a mais de 150 km no céu da Argélia Central. Levou cinco meses a juntar todo o equipamento de que precisava. Com 47 anos. de modo que o petróleo passa sobre ele. Palha. na verdade. O trabalho agora era para o próprio Red Adair. se náo fosse dominado. Nessa época.unicamente um fortíssimo jacto de gás. A origem esteve provavelmente numa faísca de electricidade estática criada pela areia que era constantemente ejectada. ejectando a vara de perfuração. que acorresse à emergência Ocupado com um fogo no México. As escumadeiras de barragem colocam um dique um pouco abaixo da superfície. criando um reservatório que podia ser utilizado para regar as chamas sempre que necessário. tão rapidamente. Mas a ameaça que pairava no espírito de todos os observadores era que bastaria uma simples faísca para fazer eclodir um inferno. O cilindro ou a correia rodam sobre a mancha. O ruído era um trovejar incessante. serradura ou turfa podem ser utilizadas para a limpeza final. que obteve por meio de furos. a sueste de Argel. O petróleo flutuante entra nos tambores e pode ser bombeado para o exterior. Revoluteando e torcendo-se. em Fevereiro de 1962. O passo seguinte . as chamas vermelho-aJaranjadas elevavam-se a 140 m de altura. Diariamente. a torre de perfuração de sete andares . no deserto. Depois.montar e detonar o explosivo — era muito mais complicado e 135 . Mas a tarefa que linha em mãos era a sua preocupação principal. Como se apaga um fogo num poço de petróleo 0 Isqueiro do Diabo . Os franceses proprietários do poço pediram ao "bombeiro" número um dos poços de petróleo e dos campos de gás. emprega-se maquinaria de remoção de terras ou cavam-se valas de drenagem. a capital argelina. O solo do deserto tremia e a areia crepitava. apanhando o petróleo da superfície do mar. Adair mandou imediatamente dois dos seus assistentes principais para o campo petrolífero de Gassi Touil.

começou a carregar o tambor com 250 kg de dinamite. de bombeiros." Três anos depois. Tinha preparado um tractor de lagartas com uma lança de 15 m a cuja extremidade estava soldado um tambor de ferro preto envolvi do em alumínio e amianto. a grande cabeça iria desviar o jacto de gás da área de perigo para um tubo transversal com 365 m de comprimento. navio de emergência de 30 000 I. Usando um cabo de aço RED ADAIR: O HOMEM E A LENDA 0 primeiro trabalho de Paul Neal Adair — alcunhado de Red (vermelho. era preciso ter a certeza de que o tubo do poço estava intacto. gos desde o golfo do México . caía sobre os operários uma chuva de gasolina condensada do gás e que se espalhava num círculo a partir do poço. Enquanto a cabeça estava a ser descida. Durante os dois dias seguintes. Os dois homens trabalharam juntos até os Estados Unidos entrarem na II Guerra Mundial. chamado cabeça de controle. Red Adair trabalha a partir de um escritório em Houston. de onde seria provocada a explosão. havia que retirar os destroços — mas a plataforma atingia uma temperatura muito acima dos 1000tJC e estava inclinada a 45°. o assistente saltou para o chão e guiou Adair fazendo sinais com as mãos. O sol estava já ardente quando. até ao mar do Norte. Um espesso fumo negro cobriu a cena. Nos seus cinquenta e tal anos de combate ao fogo. Havia o perigo de se desmoronar completamente e de os poços incendiados explodirem. de polícias e de enfermeiros . veio a tarefa de tapar o poço com um bloco de aço com 3 m de altura e o peso de 8 t. disse uma vez numa entrevista. que — como o seu automóvel e o seu barco a motor — é encarnado como um carro de bombeiros. havia uma série de pequenos fogos dispersos em volta da boca do poço que tinham de ser apaga dos. as atenções centraram-se na extinção do fogo nos cinco poços em chamas. que pediu ao jovem Adair que o ajudasse num acidente em Alice. Em 1938. "Nunca saber para onde vou quando toca o telefone — e não ser incomodado por angariadores de seguros de vida!" Bombeiro dos poços de petróleo. pelas 9 horas. Duas imensas explosões envolveram a plataforma numa bola de fogo. Adair saltou do tractor e correu atrás dele.pois podia fazer faíscas enquanto trabalhava —. criou a sua própria empresa. Assim que os dois chegaram à trincheira. A única maneira de trabalhar com um mínimo de segurança era debaixo de toneladas de água jorrando inces santemente de oito grandes agulhetas. a plataforma petrolífera Piper Alpha. que prestou serviço no Pacífico. A seguir. pois ele apagou fo. Nunca deixou de apagar um fogo — alguns em seis meses. Adair e o seu assistente subiram para o tractor. sofreu o maior desastre da história do petróleo. a lança conduziu o tambor de explosivo até uns centímetros do ponto onde a coluna de gás se transformava em chama. Pouco depois das 8 horas de uma ma nhã de sábado.e o rugido do fogo foi afogado pelo som de um poderoso "brrrrum". Piper Alpha: bola de fogo assassina Em 6 de Julho de 1988. Mas alguns dos feitos mais dramáticos de Adair estavam ainda para chegar. alguns com mais de 20 t. Multimilionário e avó. no mar do Norte. matando 167 homens. Lançou-se então fogo ao gás que saía das duas extremidades do tubo transversal e o maior incêndio que até então lavrara num campo petrolífero foi abafado. Primeiro. equipado com aparelhagem de combate aos fogos. tornou-se especialista em desactivar bombas. a 190 km ao largo da costa escocesa. de manhã cedo. foi um grupo de 20 operários que içou a cabeça com cordas e a colocou sobre o poço. um sino de mergulho e uma câmara de descompressão. O fio conduzia a uma trincheira a 180 m do fogo. Uma vez colocada. com a divisa: 'A todas as horas. cortaram a parle do tubo que saía do solo. Com todos os fogos extintos e o poço arrefecido por um dilúvio constante de água. Antes de se tentar extinguir qualquer dos poços. a Companhia Red Adair de Controle de Fogos e Explosões em Poços de Petróleo.envergando um fato-macaco vermelho. Adair e a sua equipa entraram em acção c colocaram os rebites com martelos de latão (menos propensos que os de aço a fazer faíscas). Para apagar quaisquer faíscas. Red Adair chegou da América de avião. capacete de segurança também vermelho e botas de borracha vermelhas — estava pronto. ruivo) devido à cor flame jante do seu cabelo — foi servir de fogueiro na forja do pai. Este seria aceso nas extre midades e o poço ficaria sob controle. desfiado com 3000 m de comprimento. uma lança telescópica e 16 canhões de água. Adair. o assistente carregou no contador . Alguns destes foram usados para criar uma cortina de água para proteger o Tha- 136 . A plataforma retorcida estava coberta de petróleo escorregadio e de destroços. Adair . encontrava-se perto da plata forma o Tharos. Adair e a sua equipa trabalharam numa nuvem de gás altamente explosivo que em qual quer momento se podia incendiar e queima los vivos. o êxito em Gassi Touil foi notícia no Mundo inteiro e a sua fama cresceu rapidamente. Por isso. lidou com mais de 1000 incêndios e explosões em poços de petróleo. Adair sentiu-se aliviado ao verificar que o tubo estava intacto. o navio tinha uma tripulação de 135 ho mens. Depois de recolhidos os 63 sobreviventes. entrando debaixo do chuveiro das oito agulhetas. no Texas. Texas. preparou se para corta lo e aplicar-lhe a cabeça de controle contra a fortíssima pressão ascendente do gás. O trovejar do fogo foi substituído por um ruído agudo e sibilante do gás que se escapava. Enquanto todos corriam a abrigar-se. a zona de trabalho era continuamente inundada de água. Mas Adair decidiu esperar até à segunda-feira seguinte. depois. o assistente correu a abrigar-se na trincheira. aos 23 anos. Desenhado por Adair. outros em segundos. Lentamente. em todo o Mundo. três gruas. em 1968. a grande cabeça de controle — um complicado conjunto de válvulas. Red Adair.foi levada para o local. Red — embora magoado e abalado — repôs calmamente a válvula em posição A sua coragem foi notada pelo pioneiro nos combates aos fogos de petróleo Myron Kinley. flanges e torneiras . trabalhava como operário num poço de petróleo quando uma válvula rebentou e ele foi atirado a 15 m. O Isqueiro do Diabo Quando o tractor se aproximou do fogo. Adair tomou os comandos e a máquina avançou como um monstro pré-histórico de longo pescoço. Depois.perigoso. O Isqueiro do Diabo fora apagado. Devido ao perigo que a utilização de uma grua poderia representar . Ligou depois os detonadores e o fio eléctrico ao tambor. ferreiro de Houston. "1 lá duas coisas de que realmente gosto no meu trabalho". Felizmente. na segunda-feira. Neste ano. Em seguida. Observado por uma multidão de traba lhadores do campo petrolífero.e com dois helicópteros em alerta para levarem alguém ao hospital se algo corresse mal —. mas voltou a trabalhar com Kinley desde o fim da guerra até 1959. em 1941.

Mas depois de uma explosão. Uma simples faísca e o petróleo incendiar-se-ia. tiveram êxito. dirige as operações para dominar uma fuga de metano perto de Franenthal. O desastre na plataforma petrolífera Piper Alpha em 1988 foi o mais grave de sempre. A ideia era vedar o poço com cimento a partir do fundo para impedir o fluxo do petróleo. reduzindo-se assim o volume e a pressão no poço principal. Alemanha. vcdando-os definitivamente. nesta foto grafia. Red Adair. Enquanto a plataforma era limpa. 137 . A força do jacto de petróleo era demasiada para ser dominada pela bombagem de água do mar. Após cinco tentativas. corri 167 mortos. A grua principal levantava os destroços da plataforma. Depois de uma explosão na plataforma Ekofisk em 1977. Inferno no mar do Norte. A equipa de Red Adair conseguiu tapar todos os poços. Cada fogo em poços de petróleo tem problemas próprios. estas vál- vulas ficam frequentemente inutilizadas. mas tal não chegou a ser necessário. e os fogos acabaram por extinguir-se. Outro processo consiste em perfurar poços de diversão para desviar o petróleo de um poço ou de um tubo. Esta medida fora já prevista para o caso de o plano inicial para dominar a explosão da Pi per Alpha ter falhado: o aparelho de perfuração semi-submersível Kingsnorth começara já a perfurar outro poço até uma profundidade de 2600 m abaixo do fundo do mar. mas ajustá-los nessas condições não era fácil. Red Adair tentou utilizar dois macacos hidráulicos para comprimir dois semidiscos para cobrir o topo do poço. Canhões de água (pormenor em cima. Homem de acção. mas os processos de o extinguir são basicamente os mesmos. sustendo-se assim a saída do petróleo. A lança do Tharos é um braço mecânico telescópico que pode ser movimentado para baixo e para cima ou para os lados. à esquerda) regaram os fogos que deflagraram após duas explosões que abalaram a plataforma. Imediatamente se injectou betão em cada poço. Red Adair e a sua equipa limparam todos os destroços e dominaram os fogos dos poços em apenas 36 dias. que se deteve a 25 m da plataforma. 0 mais simples é impedir se o fluxo de petróleo ou de gás pelo fecho das válvulas. em 1980. Os restantes foram apontados aos fogos. podendo estender-se quase 20 m para fora do barco.ros. o petróleo jorrou de um dos poços com uma enorme pressão e a uma temperatura de quase 100°. bombeou-se água do mar para dentro dos poços. Mas as bocas dos poços continuavam a jorrar petróleo. sob pressão muito elevada. os canhões regavam-na com milhões de litros de água do mar. Assim que a plataforma arrefeceu o suficiente.

obtendo o ângulo x. escreveu. mediu-se uma linha de base com vários quilómetros O cume da montanha era vi sível dos dois extremos dessa linha. Olhava tângulo. Das 2200 pessoas a bordo salvaram-se apenas 705. da Universidade de Washington. em 1852. Colocaram-se receptores nas encostas do Evereste e do K-2 e empregaram-se sinais de Navstar (navegação electrónica por estrelas) para determinar as respectivas alturas e posições Esta medição era decisiva." O Titanic afundou se a cerca de 720 km ao sul da Terra Nova no dia 15 de Abril de 1912. depois tava eu no fundo do para B. Ainda criados e construídos em B. "Mesmo à nossa frente. a K-2. pois as discrepâncias nas altitudes das montanhas devem-se habitualmente a erros na altitude da linha de base sobre que se fundamentam os cálculos. brincado. mas. A equipa do geólogo Ardito Desio calculou então as alturas das duas montanhas utili zando teodolitos colocados nos locais em que se encontravam os receptores. para decks ao longo dos quais elas tinham passeado.Como se mede uma montanha? Em 1749. Cálculos subsequentes dáo-nos então a altura (v. determina o ângulo z com um instrumento de nível. a 4 km de profundi dade. Era a viagem inaugural do navio.obtendo-se a distância da linha de base ao cume. diagrama). que soma â altitude através de janelas pelas da linha de base para obter a altitude total da montanha. Foram sugeridos diversos nomes para este pico. Era como descer na superfície de Marte apenas para encontrar os restos de uma antiga civilização semelhante à nossa. Foi designado por Pico XV. 256 ui superior à do K-2. mas só em 1849 outra missão topográfica decidiu medir a sua altitude. poderia ter mais 11 m do que o Evereste. topógrafo-geral da índia. afirmou que uma outra montanha dos Himalaias. podem calcular-se os comprimentos dos outros lados . aparentemente interminável — o casco maciço do Titanic". dois pontos (A <? Bj à mesma altitude O topógrafo coloca-se Ballard recorda: "Ali es em A e aponta o teodolito. . quais já tinham olhado pessoas. o 'levantamento topográfico da índia" feito pelos Ingleses identificou um pico muito elevado nas montanhas dos Hi malaias. Ballard. Esta afirmação era tão perturbadora que uma expedição italiana que se encon trava nos Himalaias em 1987 decidiu verificá-la. Quando o levantamento terminou. Sir George Everesl. A posição do Evereste como a montanha mais alta do Mundo náo foi posta em causa até 1986. Mede se urna tinha de base entre em Julho de 1986 . Mas o nome aprovado foi o sugerido por Andrew Waugh. na tos que eu reconhecia. A média dava exactamente 29 000 pés (8839 m). 138 Apetrechos de um archeiro. empregaram-se os métodos clássicos de topografia. calcula o comprimento de h. dado que esta medida parecia tratar se de uma aproximação. o l)r. amado. Cinco dus 4000 setas recuperadas do Mary Rose 01contrauam-se num suporte de cabedal ao lado de uma braçadeira e de uma bainha de cabedal. encabeçada pelo Dr. ou sejam 8840 m. Robert Bailará viu à sua frente o vulto do navio de passageiros Titanic. olhando objecobter o ângulo y. somaram-lhe 2 pés (0. que achou que o monte devia ter o nome do seu antecessor.oDr. Os topógrafos mediram o Evereste a partir de seis pontos diferentes — o que produziu seis números entre 28 990 e 29 026 pés (8836 e 8847 m). De um segundo mergulho — um dos nove efectuados pelo Aloin O que faz o topógrafo. pelo homem para um Com a distância BD e sabendo que o triângulo BCD é recoutro mundo. utilizando um método diferente. e fizeram-se leituras para o cume com tcodoli los . quando George WallerStein. confirmou-se que o Pico XV era o mais alto do Mundo. Faz o mesmo a partir de B para oceano.aparelhos que medem ângulos. Calcula então a distância ao ponto D. erguia-se do fundo uma chapa de aço negro. primeiro para o cume C. Ele e a restante tripulação do mini-submarino Aloin foram os primeiros homens a pôr a vista no gigante dos mares desde que esle foi afundado por um icebergue há quase 75 anos. A sua conclusão foi de que a altitude do Evereste era de 8872 m. incluindo Devadhunga (Trono dos Deuses) e Guarishankar (A Esplendorosa Noiva Branca de Xiva). para quartos onde tinham dormi do. perpendicular do cume e à altitude da linha de base. Para calcular a altitude do Evereste. Mas só em 1 de Setembro de 1985 — graças às modernas tecnologias o barco foi localizado por uma expedição conjunta franco-americana. Conhecendo-se dois ângulos e o com primento de um dos lados de um triângulo. Obrigando o mar a devolver os seus tesouros No fundo do Atlântico. No solo e a uma altitude conhecida.6 m) e emitiram a sua opinião abalizada: 29 002 pés.

0 peso extra deve ter contribuído pura que o barco se virasse. O Mary Rose virou-se. Cuba. um frasco de remédios e caixas . um sapato. 0 orgulho da frota naval de He. Este. pérolas e 2300 arcas de moedas acabadas de cunhar na Cidade do calmo . afogando 650 homens. Encontra rum se. incluindo o próprio rei. pentes e outros objectos indicam a presença de uma mulher. 0 primeiro passo para se encontrar um navio naufragado perdido implica buscas meticulosas nos arquivos históricos. A sua posição era conhecida.o que. carregados de ouro. mas depois foi perdida ou esquecida. uma bolsa de couro. O "Mary Rose". afundou-se em 1545 no Solenl com um mar relativamente Tempo de lazer.Artigos pessoais. fazendo mais peso a estibordo. de regresso à pátria. Os canhões partiram as Canhão de bronze. Um dos achados mais ricos foi o de uma flolilha de 10 barcos espanhóis ao largo da Florida. por vezes. um almofariz. navio almirante do rei Henrique VIII de Inglaterra. Um conjunto de muni cura. uma flauta. 91 canhões e 415 tripulantes.nri que VIII tinha 40 m de comprimento. L só mais de 400 anos depois o navio pôde ser levantado. uma tigela de sangria e uma seringa. moedas de troca e marcas de jogo. 139 . 0 Mary Rose. por forma a determinar com o possível rigor onde é que o navio se afundou . em 1545. Esta reconstituição artística mostra o Mary Rose antes de se virar. amarras e rolaram.à vista de centenas de pessoas em terra. Sobre um tabuleiro de jogos de madeira vêem-se uma capa cie ti vro. 6 bastante simples. atravessando o convés. Quando se fazia de vela com uma frota de mais Sfl navios para enfrentar uma esquadra invasora francesa. dois dados e o esporão de um galo de combate.para uso de um cirurgião. canhão fazia parte da artilharia de reforço do Mary Rose. adernou com o vento e a água entrou pelas janelas de tiro de estibordo. esmeraldas. Estojo de cirurgião-barbeiro. Estes barcos partiram de Havana.

como canhões. Mandou uma moeda para a Smithsonian Institution em Washington. Uma arca contendo moedas de prata fazia parte do tesouro descoberto perto dos destroços de um galeão espanhol afundado em 1622 ao largo da costa da Florida. nada encontraram. Não convencido. e descobri lo na imensidade do Atlântico Norte com apenas uma ideia vaga da sua localização exigia capacidades especiais. desceu a Grande Escadaria. o inglês Rex Cowan decidiu procurar o Hollandia. No dia seguinte. O submarino pousou na proa e na ponte. Kip Wagner. no Canadá. Wagner fez buscas nas praias próximas da zona descrita — e encontrou um enorme tesouro de objectos valiosos. cartógrafo inglês. Foram ainda encontradas mais de 35 000 moedas de prata com o valor de cerca de I milhão de libras. Depois de. Como funciona o escafandro autónomo? Desde o século xix que os cientistas vinham tentando inventar um aparelho de respiração eficaz e autónomo para os mergulhadores. e um anel de brilhantes que valia 20 000. via o barco com os seus próprios olhos. Cowan e a sua equipa tiveram finalmente uma indicação alguns dias apenas antes de terminar a estação de mergulho. Um ano depois. Investigando a sua origem. Wagner fez-se ao mar e começou a mergulhar para encontrar os despojos. relógios. mas disseram-lhe que ela não podia pertencer àquela flotilha. mas os mergulhadores não encontravam quaisquer vestígios. pratas e os interiores dos camarotes. que fizera a rota das Índias Orientais I lolandesas e se perdera ao largo das ilhas Scilly em 1743. descrevera em 1775 o local onde a frota se afundara e chegara a desenhar um mapa. Os magnetómetros revelaram-se. Encontra-se a uma profundidade excessiva para mergulhadores. "caçador de tesouros" nas praias. A equipa conjunta franco-americana utilizou um aparelho de sonar para grandes profundidades para esquadrinhar o fundo do mar e encontrar o navio naufragado — e uma máquina fotográfica submarina de comando remoto para colher as primeiras imagens. a dos Imhoff Bentinck. I In . continuaram a investigar por sua conta e descobriram que Bernard Romans. Criado para a guena submarina. Em 1970.e descobriram canhões com o monograma da dependência em Amsterdão da Companhia Holandesa das índias Orientais. Os navios foram apanhados por um tufão e afundaram-se a sul de Cabo Canaveral. Na década de 50. o sonar emite sinais sonoros e regista os ecos reflectidos por objectos sólidos. Mas a redescoberta do Titanic deve considerar-se o mais notável achado do mar alto. infrutíferos na descoberta do Mary Rose. Mergulharam. porém. o Dr. com as velas ainda nos mastros. estava coberto de lodo e areia quando se iniciaram as buscas. depois do qual as condições meteorológicas são geralmente desfavoráveis. Um tipo de sonar que detecta objectos afundados no lodo ou na areia produziu sinais que poderiam indicar a presença de uma elevação no fundo do mar — e algo de sólido no seu interior. O emprego do detector de minas por Wagner foi o começo da aplicação das modernas tecnologias à busca de barcos naufragados. Wagner e um amigo. no mês de Setembro. Três anos depois. leiloada por 50 000 dólares. Foi detectado em 1980 com o auxílio de rastreio por sonar. as marés tinham retirado parte dos sedimentos do lado de bombordo do navio afundado e podiam verse algumas madeiras. descobriram uma colher de prata com o brasão de uma família holandesa.Tesouro espanhol. no Massachusetts. o Dr. quando procurava sobreviventes da expedição Franklin. As imagens mostraram o navio. incluindo urna corrente de ouro com pin gente. leu algo acerca da esquadra e convenceu-se de que tinha encontra do parte do seu tesouro. Ballard. durante meses. Embora este tivesse naufragado a poucas centenas de metros da costa. por relatos da época. 64 km a sul de Cabo Canaveral. O tesouro que acabou por recolher valeu mais de 5 milhões de dólares. a Jason Júnior. encontrou algumas moedas de prata na baía de Sebastian. Sabia. Equipado com um detector de minas comprado em se- gunda mão. Uma câmara-robô submarina de controle remoto. mas voltaram no dia seguinte . a posição aproximada do naufrágio. confirmando a respectiva origem. México — tesouro que valeria pelo menos 50 milhões de dólares ao valor actual. a 104 m de profundidade sob o gelo. Jacques Yves Cousteau e Emile Gagnan aperfeiçoaram o escafandro autónomo. que se tinha afundado 240 km mais a sul. para três tripulantes. O navio Breadalbane perdeu-se em 1853 na Passagem do Noroeste. Kip Kelso. Começou então a histórica recupera çáo — uma "cápsula do tempo" da vida a bordo de um navio de guerra do século xvi. um de cujos membros se sabia ter estado a bordo do Hollandia. de bordo do submarino Alvin. A solução veio de outro invento modern o — o sonar. geólogo oceanográfico do Instituto Oceanográfico de Woods Hole. ter percorrido a zona provável em todas as direcções. inventado em 1865 por Roquayrol e Denayrouse. Cowan usou então um magnetometro — aparelho que se reboca de um barco e que detecta alterações do campo magnético provocadas por objectos de fer ro. Cousteau Imagens de sonar de um navio naufragado no Árctico. Em 1943. fotografando lustres ainda pendurados.

Quando ela inspira. o ar que entra empurra a membro na. a fim de abrir a válvula e deixar penetrar o ar do tubo. O botão de purga do bocal pode ser accionado para deixar entrar ar ou expulsar água. um aumento da pressão da água quando ele mergulha empurra a membrana para diante. correntes fortes ou os bancos de pesca. Os pulmões humanos não são suíicien temente poderosos para se expandirem contra a pressão da água abaixo de cerca de 45 cm. As grandes empresas de tclecomu nicaçóes possuem navios de manutenção em serviço permanente para efectuar as reparações. O ar chega ao mergulhador através de um regulador de dois andares. os operadores estendem poderosos braços articulados que agarram o cabo. a pressão é reduzida a cerca de 10 atmosferas acima da da água envolvente. Uma vez reparado. O segundo. O CIRRUS usa uma lâmina especial para cortar o cabo avariado e deixa no fundo do mar um «bip-bip» acústico para marcar o local. o ROV128. sobe à superfície. o ar está armazenado a alta pressão . O primeiro trabalho de um submersível consiste em localizar a avaria.utilizou este escafandro para descer até 60 m de profundidade. o risco de avaria foi muito reduzido pelo emprego de um isolamento de polietileno e pela escolha de percursos que evitam as zonas de actividade vulcânica. Se um cabo estiver partido. Por isso. que são descidos do navio de manutenção. O CIRRU5 (Cable Installation. Quando o mergulhador pára de inspi rar. o fluxo de ar. a membrana é puxada para dentro e empurra uma alavanca na câmara. a cores e a preto e branco. No primeiro. A pressão aumenta rapidamente com a profundidade. deixando um rasto de bolhas. os cabos são frequentemente enterrados. o submersível pousa no fundo do oceano e põe a visla o cabo avariado por meio de um poderoso jacto de água que expulsa a camada de areia e lodo. O trabalho é feito por submersíveis de comando à distância com o tamanho de uma furgoneta. ainda se dão avarias. Mesmo quando o mergulhador não esla a inspirar. fechando a válvula e cortando o fluxo de ar. localizam a avaria e prendem linhas ao cabo avariado. assente em 1858. esta alavanca faz abrir uma válvula que deixa entrar o ar do tubo. abrindo uma válvula e deixando entrar o ar. Respirar debaixo de água. leva-o para o fundo e liga-o a uma extremidade do cabo telefóni co. fechando a válvula e. avariou-se poucas se manas depois. ainda mais sofisticado. fornece ao mergulhador ar à mesma pressão que a da água que o rodeia. que é então içado para a superfície. Ill . e a 10 m atinge já 2 atmosferas . Nas zonas pouco profundas. Quando a inspiração termina. pega num cabo de aço forte. Membrana elástica Alavanca •* v—1= 'jt A—^~ ' Água Válvula Membrana elástica Alava |^- Agua Botão de purga Válvula Câmara-de-ar Regulador do bocal y< Inspiração Ar do ' cilindro Ar inspirado 1 Cámara-dc-iir ?tf Expiração * » Válvula de escape Ar "expirado ^_ Como sáo reparados os cabos de telefone submarinos? Um grande número de conversações telefónicas internacionais continua a ser feito através de cabos assentes no fundo do mar e que ligam entre si os continentes. Apesar destas precauções. Mas que acontece quando um cabo se avaria? 0 primeiro cabo telegráfico transatlântico. Para respirar debaixo de água. O submersível segue o percurso do cabo no fundo do mar. Recovery and Repair Underwater Subrnersible) e o seu sucessor. Uma membrana elástica no bocal está em contacto com água num dos lados e com uma câmara-de-ar no outro. Este baixa de pressão para igualar a que a água exerce sobre a face exterior da membrana. o ar que entra na câmara empurra a membrana elástica. No escafandro autónomo. o mergulhador tem de receber ar à mesma pressão que a da água que o rodeia. a água provoca um curto-circuito que irá estabelecer a ligação entre os fios que compõem o cabo. são comandados através de um cabo "umbilical" do navio e accionados por propulsores hidráulicos. mergulham até ao fundo do mar. o cabo é descido de novo para O fundo.alé 200 atmosferas — em cilindros atados às costas do mergulhador e ligados à boca por um tubo e um bocal. Depois. o ar na câmara do bocal está sempre à mesma pressão que a da água envolvente. no bocal. que permitem aos operadores a bordo do navio de manutenção observar todos os pormenores do terreno. Quando o mergulhador inspira. Os satélites de comunicações ainda não eliminaram a necessidade destes cabos submarinos . Usa-se o mesmo processo para a outra extremidade do cabo. Quando o sinal de saparece. portanto. Hoje. O CIRRUS eslá equipado com luzes poderosas e câmaras de televisão. Kste é então puxado até à superfície e reparado a bordo. o qual diminui de pressão quando entra.até a "linha quente" entre Washington e Moscovo os utiliza. O ar que esta mergulhadora respira do cilindro do seu escafandro aula no mo está regulado para igualar a pressão da água sobre o seu corpo. captando os fracos sinais de baixa frequência transmitidos através dele pela estação terminal em terra. uma membrana elástica no bocal cria uma depressão na câmara. O ar expirado sai por válvulas de escape. Usando as imagens como guia.cerca de 2 kg/cm2.

hoje. foi construído um forno eléctrico capaz de gerar uma temperatura de 2500"C. O problema que agora se punha à equipa era como duplicar o processo que criara os diamantes. já se fabricaram mais diamantes sintéticos do que lodos os naturais extraídos ao longo de milhares de anos mais de 1000 t. Usando grafite como material de base. é 55% mais denso que a grafite. formando uma nova estrutura cristalina mais compacta. Quase desesperado. os inventores há muito que tentam reproduzir as condições que criam os diamantes no interior da Terra. prono Vincenti Peruzziot inventou a "lapiduzindo reflexos multicores. a rainha Vitória foi presenteada com o diamante Koh-i-Nor. mas. Tanto os bicos de lápis como os diamantes são formas de carbono. destaca-se a General Electric Company. o carbono foi submetido debaixo da crusta terrestre a temperaturas e pressões de tal modo elevadas que os seus átomos se rearranjaram. A General Electric acabou por inventar o melhor catalisador e. com 33 facetas na . em 1850. A equipa dos diamantes podia unicamente fornecer-lhe um de 22 quilates. mas também porque tem muitas utilizações industriais. oculta. mas sem sucesso. temperatura e condições químicas. A ideia de diamantes artificiais tem um atractivo evidente. Dois tipos de carbono. Faltava um catalisador para acelerar a reacção. os cientistas fizeram ensaios com muitos catalisadores diferentes. O departamento da General Electric que produzia ferramentas de corte fabricadas com um dos metais mais duros. a substância de ocorrência natural mais dura que existe. verificou que a amostra que riscara a roda continha dois diamantes. um dos químicos. hoje.5 quilates. Até que. em 1957. Tracy Hall.Fabrico de diamantes em laboratório rior de cilindros de metal resistente. que. o joalheiro italiadecomposta nas cores do espectro. Uma lapidação de qua lidade menor estraga este efeito. depois de experiências metódicas. mas o seu preço é tão elevado como o dos verdadeiros porque são necessárias mais de duas semanas para obter um carate de boa qualidade. O alto índice de refracção do diamante—a medida em que ele desvia a trajectória de um raio da luz que o penetra faz com que. que algumas amostras produzidas pelo físico Herbert Strong tinham danificado a sua roda de polir. Ficaram encantados . as facetas da. nenhum diamante se formou. no princípio dos anos 50. O brilho do diamante é igualmente devido ao facto de a luz que o penetra ser No final do século xvn. com o ponteiro a indicar perto de 100 000 atmosferas — e finalmente conseguiu. O brilho e as recta. com a sua equipa. branca e amarelo-canário.93 quilates. é apenas cerca de 50 cêntimos para o mesmo tipo de diamante . O seu preço tem descido com o aperfeiçoamento dos processos de fabrico. de 186. não só pelo seu valor e fascínio como pedra preciosa. começou a comercializar diamantes sintéticos. Ambos sâo feitos de carbono. o carboneto de tungsténio. Entre as companhias que se têm dedicado a esta investigação. o que os torna ideais para a indústria. O brilho dos diamantes è realçado pelo cinzento da grafite dos bicos de lápis. Quando. No entanto. Telefonou a Strong para se queixar — e este. Assim. era 6 dólares por quilate. que já era suficiente para fazer uma roda de amolar. PORQUE BRILHAM OS DIAMANTES parte superior e 25 na inferior. ficou desapontada com a sua falta de brilho e mandou tornar a lapidá-lo. O maior desafio para os cientistas é. com uma lapidação corLapidação em brilhante. Os diamantes artificiais podem ser feitos por encomenda e à medida. toda a luz seja reflectida. cores de um diamante bem lapidado.os diamantes artificiais cortavam melhor que os naturais e eram pelo menos tão duradouros. um técnico do laboratório reparou. acorreu ao laboratório e começou a examinar as amostras. conseguirem uma forma acessível de fabricar diamantes sintéticos de qualidade. Tracy Hall utilizou o seu aparelho à pressão máxima. num teste de rotina. de contorno redondo. no caso do diamante. O diamante lapidado em brilhante é que lhe dão o lustre nunca se gastam. em 1957. Nova Iorque. Até hoje. ficando reduzido a 108. Os técnicos daquele departamento utilizaram esta roda para cortar e afiar as suas ferramentas. A General Electric já os produz nas cores azul. pediu para ensaiar um exemplar de 25 quilates. Os ângulos são calculados rigorosamente para que a luz que entra no diamante seja reflectida internamente e saia novamente por cima. Devido à dação em brilhante". a fim de produzirem pressões que podiam atingir as 100 000 atmosferas (103 500 kg/cm2).a comparar com milhares de dólares por quilate por um bom diamante natural com qualidade de pedra preciosa. O diamante. Os diamantes naturais formam se a partir da grafite a mesma substância que é utilizada nos bicos dos lápis. Strong usara metais e ligas ferrosas como catalisadores. No interior da câmara de pressão. Durante três anos. ainda hoje utilizaextrema dureza do diamante. mas com estruturas diferentes. As experiências anteriores tinham provavelmente falhado por ter havido a combinação errada de pressão. em 15 de Dezembro de 1954. mas durante vários dias e noites os cientistas não conseguiram fazer mais diamantes. os investigadores utilizaram dois pistões trabalhando no inte142 A equipa preocupava-se agora em saber se os seus diamantes seriam tão bons como os naturais para o corte e a perfuração industriais. formou uma equipa de cientistas para trabalharem num laboratório de Schenectady.

pois o diamante é a . contra ele. CLIVAGEM DE UM DIAMANTE A pedra em bruto parece um pedaço de vidro. A energia com que eles colidem com a superfície é suficiente para os ligar entre si e formar diamante. O disco roda entre 4000 e 6000 vezes por minuto e o seu bordo é revestido de uma mistura de pó de diamante e óleo. mas um material que se assemelha ao vidro.substância natural mais dura que se conhece. é encostado a um disco em rotação. Como se cortam os diamantes à mão e à máquina Um diamante não lapidado. 144). Produz-se um feixe de iões de carbono que se faz incidir sobre uma superfície. que serra lentamente o diamante. que se bate com uma pancada seca. preso num grampo com um dado ângulo. p. Seguidamente. A pedra é montaria numa haste e depois encostada a um disco de ferro imbuído de pó de diamante e óleo. Sobre este sulco. desgastando e polindo uma faceta de cada vez. Os iões são átomos que ganharam ou perderam electrões. pode desfazer-se em pedaços. coloca-se uma lâmina forte de aço. Uma pancada seca e o diamante fende-se ao longo do plano de clivagem. Se não. o diamante fracciona-se em dois. A pedra é fixada em maxilas almofadadas ou num suporte de gesso. em 1908 (v. A primeira operação consiste em mar cor na pedra a direcção de clivagem Um diamante lapidado em brilhante é geralmente serrado por um delgado disco metálico com pó de diamante no bordo. desenvolvido por cientistas no Instituto de Investigação Química em Kharkov. a direcção correcta para o corte. e já foi sugerido que podia ser usado no fabrico de lâminas de barba que nunca perderiam o gume. O diamante é finalmente mergulhado em ácido sulfúrico em ebulição. a posição do corte. os iões podem ser acelerados até grandes velocidades por campos eléctricos. mas perdese muito material porque o diamante tem de ser cortado de determinada maneira. A pedra final pesa geralmente um pouco menos de metade que a pedra original. Um novo método. a partir da forma da pedra. Com urn diamante mais pequeno. 0 lapidador calcula. o primeiro passo consiste em fracturá-la ao longo dos planos naturais de clivagem da sua estrutura cristalina. A lapidação é um trabalho que exige muita perícia e paciência. é depois baixada até aos bordos de um disco finíssimo de fósforo-bronze. Um pequeno deslize e tê-la-ia transformado num monte de fragmentos. 0 resultado não é um único cristal de diamante. para que mostre o seu fulgor e o seu brilho ele tem de ser cortado e facetado com rigor micrométrico. tem de arredondar-se ou desgastar-se a pedra com outro dia mante. Os minúsculos fragmentos de pó de diamante que saltam são cuidadosamente recolhidos para depois serrarem e polirem as pe- Para desgastar e polir as facetas. evita o uso de temperaturas e pressões extremas. dura e resistente. é tão pouco impressionante como um pedaço amorfo de vidro baço. o diamante. Para tornar a pedra circular. esta é fixada num tomo de bruting e rodada a alta oeloci dade de encontro a outro diamante Sobre o sulco coloca-se uma lâmina de aço. Assim. utiliza-se uma serra para levar a cabo o resto do processo. com tin la-da-china. No caso de uma pedra grande. Um diamante com o peso de um quilate (um quinto de grama) levará entre quatro e oito horas a cortar. A forma definitiva da pedra preciosa depende da sua forma original. 143 . Uma vez clivada a pedra. por muito grande que seja. faz-se um sulco ao longo dessa marca. dras.Só um perito consegue distinguir um diamante artificial de um natural. para o limpar. num processo chamado bruting. O disco gira a cerca de 2500 rotações por minuto. uma liga metálica muito A pedra é fixa numa haste e faz-se um sulco ao longo da marca com um fragmento de diamante. A sequência fotográfica à direita mostra como o lapidador marca na pedra. Fixa-se um dos diamantes num torno e encosta-se. Antes de clivar com êxito o enorme diamante Cullinan. A última fase é o corte e polimento das facetas que dão ao diamante o seu brilho. esta parte é a mais arriscada de toda a operação. Joseph Asscher estudou a pedra durante várias semanas. Se tudo correr bem. Como possuem carga eléctrica. Já foi utilizado para tornar mais rijos os gumes das peças de corte das máquinas-ferramentas e os diafragmas de altifalantes de hi-fí. em Amsterdão. outro diamante.

Este. escreveu uma página na história do corte de diamantes. A pedra. longe de desmaiar. O diamante foi fixado num suporte.dizem os boatos — Joseph Asscher desmaiou de alívio. Quando o viu pela primeira vez. porém. e este retirou o «vidro» da parede com um canivete Mas breve se convenceu de que a pedra era autêntica. A pedra fora vista pela primeira vez quando um operário que trabalhava tia Premier Mine. Thomas Cullinan. ele festejara o acontecimento bebendo champanhe com os seus quatro irmãos e co directores da Joseph Asscher e Companhia de Amsterdão. abrindo um sulco na pedra com pedaços aguçados de diamante pois só o diamante corta o diamante. Frederick Wells.5 cm de altura — tinha o tamanho aproximado U R R de um punho de senhora. neTamanho natural. foi colocado numa abertura na parte da frente da caixa de clivagem. Os presentes sobressaltaram-se quando a lâmina de aço quebrou e o diamante ficou intacto. por sua vez. o Cullinan. e os seus sócios estudaram o diamante Cullinan — para decidirem se o clivaoam ou o serravam em dois. Com um peso bruto de 3106 quilates. superintendente da mina. Limpando a testa. havia o risco de a pedra se estilhaçar em fragmentos re lativamente pouco valiosos. Asscher pediu outra lâmina. A pedra partiu-se em duas e .Joseph Asscher: o corte do diamante Cullinan Na tarde de 10 de Fevereiro de 1908. Até que. reparou em qualquer coisa "grande e brilhante" numa das paredes. julgou ser vítima de uma partida — e que a grande pedra era feita de vidro. em Joanesburgo. não ficou muito contente por possuir a pedra preciosa. branco-azulada. Foi colocada no cofre da mina e levada mais tarde em cano de mulas até à sede da empresa. o lapi dador Joseph Asscher preparou-se para cortar o maior e mais famoso diamante em bruto do Mundo. os jornais de todo o Mundo contavam aos leitores a história do que até ali se passara. Chamou o superintendente da mina. o Cullinan valia mais de três vezes o até então maior diamante A PREPARAÇÃO DA "GRANDE PANCADA" . capital do Transval. tendo em conta a forma invul gar e a estrutura da pedra. por forma que os diamantes por eles produzidos pudessem vir a fazer parte das jóias da Coroa de Inglaterra. afirmando que.5 cm de altura e 12. lapidador de Amsterdão. membros da imprensa e um grupo da sua própria empresa. no dia da 'grande pancada". Asscher decidiu cortá-la. A missão seguinte dos Asschers foi a rie (ornar a cortar e polir os dois pedaços. Fas sou duas semanas à sua mesa de trabalho. Em qualquer das hipóteses. Pesava cerca de 680 g e media cerca de 10 cm de comprimento. pertencia ao rei Eduardo Vil de Inglaterra . perto de Pretória. 6.7 cm de largura. Joseph Asscher apoiou uma lâmina de aço nào afiada no sulco que fizera no diamante. Após meses de deliberação. Joseph Asscher. juntamente com os restantes diamantes extraídos nessa semana. que. O dia rnante em bruto — com 10 cm de comprimento e 6. levantou a vara de metal e desceu-a com força sobre a lâmina. Mais tarde. gou-o veementemente. Frederick Wells.e naquela tarde decisiva Asscher era observado por representantes do rei. Aí foi-lhe dado o nome do presidente da companhia. Entretanto. a 80 km de distância.

os Asschers dedicaram-se ao estudo da grande pedra. pensava-se que o diamante era apenas uma parte de uma pedra muito maior. foi montado no Ceptro com a Cruz. e a imprensa foi informada de que o diamante seria levado para a Holanda a bordo de um contratorpedeiro poderosamente guardado. Decidiram que ela se integrava na categoria mais elevada de uma escala de nove cores que vai do branco-azulado no topo até ao amarelo. dado o seu tamanho sem precedentes. Vinha a seguir a tarefa delicada de polir os diamantes. um dos irmãos Asschers — Abraham — limitou-se a meter a pedra na algibeira no Palácio de Bucking* ham e levá-la para casa por comboio e ferry-boat.que o deu de presente a Eduardo VII quando este fez 66 anos. 0 diamante embarcou para Inglaterra no meio de grande publicidade. era absolutamente pura. o diamante maior. Dado o risco que o seu corte implicava. o general Louis Botha .foi colocada no Ceptro com a Cruz. com 317. do Mundo. a menor das duas pedras. foi incrustada na Coroa Imperial do Estado Inglês. neta da rainha Mary. em forma de pêra. Esta pedra é ainda o maior diamante lapidado do Mundo. Dois anos depois. a Jagersfontein. Thomas Cullinan temia que. abai xo do rubi Príncipe Negro. No ano seguinte. filho de Eduardo Vil. por sugestão do primeiro-ministro.O PROGRESSO DO CULUNAN DESDE PEDRA BRUTA A JÓIAS DA COROA Os primeiro» cortes. os Asschers disseram ao rei que o que ele pretendia era impossível: o diamante era imperfeito de vido a uma grande mancha negra que se reflectiria através de todas as suas facetas. A pedra foi cortada em três peças. pesando 530. o Cullinan 11. Após breve inspecção. o Excelsior — descoberto noutra mina sul-africana. "^•Jfr/ir-V Os pedaços maiores.4 i u i l a t e s e 66 facetas — foi incrustado na Coroa Imperial do Estado. oval. r U m a vez o d i a mante a salvo na sede da companhia. Acabou por ser comprado pelo Governo do Transval por 150 000 libras. As outras entraram na herança da família real e são carinho sãmente apelidadas de "as pedrinhas da avó" por Isabel II. Os dia mantes fazem parte das jóias da Coroa. o rei Eduardo convidou os irmãos Asschers — que em 1903 tinham com êxito cortado e polido o diamante Excelsior .2 quilates e com 74 facetas . o sindicato londrino que possuía o Excelsior não conseguira vendê-lo em bruto. A família Asscher espera que um dia a "parte que falta" desta maravilhosa Jóia seja encontrada numa mina sul-africana. ou Primeira Estrela de África. Duas das jóias foram aplicadas na própria coroa da rainha Mary. Cullinan com vista a polirem o diamante.a irem a Londres examinar o Glória régia. A parte a mancha negra. 145 . Os restantes diamantes Cullinan vieram a ser adquiridos para a rainha Mary. O presente foi considerado como um gesto de reconciliação definitiva a seguir à derrota dos colonos holandeses pelos Ingleses na Guerra dos Bóeres de 1899-1902 e o estabelecimento do Transval como colónia da Coroa Britânica. A maior das pedras acabadas — o Cullinan I. Apesar do seu tamanho. Na realidade. Em 1908.o Cullinan II. em 1893. Quando o corte histórico foi executado. as duas partes do diamante foram novamente clivadas e divididas em 7 grandes pedras preciosas e 98 menores lapidadas em brilhante. incluindo boatos de que se enviava uma imitação para afastar eventuais ladrões e de que a pedra verdadeira viria mais tarde. Duas pedras preciosas gigantes. Gradualmente. em 9 de Novembro de 1907. o Cullinan I. O rei concordou. O Cullinan teria de ir a Amsterdão para ser clivado e libertado da mancha. o seu diamante fosse ainda mais difícil de vender. O segundo em tamanho . ou Segunda Estrela de África. muler de Jorge V. as duas pedras principais foram sendo lapidadas e polidas até assumirem a sua forma definitiva. foto fotografia mostra as sete pecas maiores em que seguidamente a pedra foi cortada. Marcas numa das suas faces sugeriam que ela fora "partida peia Natureza".

no Norte de África. Nova Iorque. Menos de 100 anos passados. França. com um braço do Y em cada mão virado para cima e a haste apon tada para diante. descreveu em 1977 como sentia choques eléctricos por todo o corpo quando se encontrava próximo de água subterrânea. adicionadas a nuvens sobrear refecidas podem criar cristais de gelo que crescem rapidamente Estas partículas têm sido lançadas de aviões. O vedor avança lentamente. em que o ar é sugado e passa pelo modelo Como e que se consegue fazer chover? Enquanto os Hopi. mas produzam maior propulsão com menor dispêndio de combustível. as gotas de água gelam e aumentam rapidamente de volume até o seu tamanho as fazer cair. pois descreveu-o num estudo que data do século xvii. os aviões de hoje viajam comummente a mais de 16 km de altitude e podem atingir a velocidade de uma bala de carabina. A bara nesa de Beausoleil. Hoje. as companhias que constroem aviões têm por objectivo produzir aparelhos ainda mais rápidos. inconscientemente. Desde que as nuvens estejam sobrearrefecidas. da Escola Normal de Paris. acham que as varas do vedor são de maior confiança do que os modernos instrumentos de detecção. um em cada mão. bem como de cursos de água subterrâneos. o Prof. o que leva à formação de partículas de gelo. é que elas se precipitam sob a forma de chuva miudinha. que provaram que as nuvens apropriadas podiam ser artificialmente levadas a produzir aguaceiros. Por isso. Pensando na velocidade A medida que as velocidades aumentam. pensa que as aves em migração se orien tam pelo campo magnético da Terra. habitualmente de iodeto de prata. materiais que (ornem o avião mais leve sem prejuízo da resistência e sem afectar os custos e motores que sejam de confiança e de manutenção fácil. muitos vedores fazem descobertas que não podem ser unicamente atribuídas ao acaso. e os estudos feitos por diversos cientistas sugerem que assim possa ser. podia es- como se este estivesse a voar.em geral. Só quando essas gotas atingem um quarto de milímetro ou mais. outros adoptaram caminhos mais científicos. ainda há muitas interrogações quanto à viabilidade económica do processo. a dobrar. em Kittyhawk. os varões rodam e cruzam-se. Vincent Schaefer e Irving Longmuir iniciaram trabalhos nos Laboratórios de Investigação da General Electric em Schenectady. foi a primeira pessoa que se sabe ter utilizado este sistema para pesquisar água. designado por método dos efeitos biofísicos. Cientistas na União Soviética há anos que têm vindo a utilizar o processo na pesquisa de jazigos de minérios e petróleo. Tradicionalmente. A forquilha é segura sob tensão. Uma vez que a temperatura das nuvens está frequentemente abaixo do ponto de congelação. assim os músculos do vedor podem reagir quando ele. as partículas de gelo aumentam rapidamente de volume à medida que as gotas se evaporam e o vapor é transferido para o gelo. Uma das maneiras de as gotas aumentarem de tamanho é pela congelação. Se se lhe juntarem minúsculas partículas. Como se construirão os aviões do futuro? Em 1903. A ideia do galho é amplificar o movimento involuntário dos músculos da mão quando o vedor descobre água. uma vez que é impossível saber quanta chuva teria caído naturalmente. a técnica funciona — aumentando a pluviosidade até um quinto. ainda hoje tentam fazer chover sacrificando animais. Mas a água pode estar alguns graus abaixo desse ponto (sobrearrefeci da) sem chegar a gelar. Assim como se perar-se que as gotas de água congelassem facilmente. a distância de cada um dos pontos exteriores ao centro representa a profundidade a que deve encontrar-se a água. Em terreno plano. As gotículas mais pequenas evaporam-se antes de tocar o solo. vedor inglês. No entanto. Numa nuvem que contenha partículas de gelo e gotas de água. até o galho ou os varões começarem a torcer-so. Algumas empresas de engenharia civil recorrem a vedores para a localização de tubagens ou cabos subterrâneos quando fazem levantamentos dos locais das obras. Mas os primeiros vedores de que há notícia foram os mineiros medievais alemães dos campos carboníferos da Saxónia.Como é que um vedor encontra água ou minerais subterrâneos apenas com auxílio de uma vara? Uma pintura rupestre com 8000 anos nas montanhas do Atlas. Estes movimentos indicam o local onde se deve cavar para encontrar aquilo que se procurava Um bom vedor calculará a profundidade a que se encontra a nascente marcando o sítio onde o sinal foi mais forte e irradiando dai' em várias direcções. procuram formas que reduzam o atrito. Frequentemente. índios do Sudoeste Americano. representa um ser humano usando aquilo que parece ser uma vara de vedor. Einstein admitia que a explicação residisse no electromagnetismo. Os desenhadores de aviões ensaiam as formas que idealizam em computadores que simulam os fluxos do ar em volta do aparelho. 146 . Este fenómeno deve-se ao facto de a água das nuvens ser absolutamente pura. As nuvens são formadas por biliões de partículas de água. Muitos vedores actuais preferem usar dois varões de metal dobrados em L. transportadas por foguetes ou mesmo libertadas ao nível do solo para que as correntes de ar que sobem as levem para cima. a puxar para baixo ou até a saltarem-lhe das mãos. de Nice. Schaefer e Longmuir provaram que pe querias partículas. o vedor usa um pau em forquilha . o primeiro aeroplano do Mundo voou a apenas alguns metros do solo e à velocidade de um cavalo de corrida. fundindo-se depois devido à temperatura mais elevada e chegando ao solo sob a forma de chuva. a forma toma-se uma característica cada vez mais importante. sem poeiras ou outros contaminantes que iriam constituir o centro de um cristal de gelo. O mineralogista alemão Agrícola (George Bauer) des crevia no século xvi a forma como os mineiros se serviam de ramos de arvore em forquilha para localizar veios ocultos. demasiado pequenas para caírem sob a forma de chuva. usam um modelo à escala num túnel de vento. Quando o "alvo" é atingido. Robert Ashford. assinalando os sítios onde sentiu novos sinais. Mas. Em 1946. Um investigador. Ninguém consegue explicar cabalmen te como o fenómeno actua. diz que um bom vedor tem menos resistência eléctrica entre as palmas das mãos do que um mau vedor. na Carolina do Norte. Yves Rocard. e muitos encaram os resultados com cepticismo. depois. seguros como pistolas apontadas para a frente. se sintoniza com minúsculas flutuações provoca das pela água ou minerais subterrâneos. mais fiáveis e mais económicos. um galho de sabugueiro ou salgueiro em forma de Y.

previstos para entrada em serviço em 1992. Os testes têm lugar em fornos. ângulo e espaçamento. isto é. o Egrett. Rumo aos céus. com as asas puxa das para trás para voos supersónicos. tinha um revestimento com estrias deste tipo ao longo do fundo. raio de acção A34Q/330.atingir a velocidade do som. em câmaras acústicas e em estruturas de ensaio de carga em que as pressões são aplicadas hidraulicamente. São estrias como estas que contribuem para que os tubarões nadem com rapidez. mas suficientemente rígidos para náo vergarem com tis tensões do voo nem se deformarem quando sujeitos a compressão.entre 15 e 50 km de altitude. a resistência é causada por pequenos remoinhos que se formam quando o ar passa pelas superfícies da fuselagem. Todas as partes do protótipo são testadas em terra quanto às respectivas reacções ao calor. Estes materiais foram criados para serem leves e resistentes. cerca de 1200 km/h ao nível do mar. como a fibra de carbono. estão por isso a entrar na constniçáo aeronáutica. com um consumo racional de combustível a baixas velocidades (ã esquerda) e o perfil de uma seta (em cima). As saliências abrandam a velocidade do fluxo de ar e reduzem a resistência.Estes ensaios proporcionam uma ideia do comportamento do avião verdadeiro. poupam-se cerca de 150 I de combustível durante um ano de voo. Aqui. uma ideia retira da da Natureza. Porque as asas compridas e estreitas são mais sujeitas a esforço que as curtas e largas. Cada 1% da resistência que diminui representa 1% de combustível poupado. Aliviando a carga Por cada quilograma poupado no peso de um grande avião comercial. foi criado para voar na estratosfera . Depois. as do Egrett são feitas de carbono e fibra de vidro. o avião é experimentado em voo. As asas de um avião convencional feitas de uma liga de alumínio não podem Superaerodinamismo Os jactos do futuro terão provavelmente uma espécie de estrias de secção triangular ao longo da fuselagem. O iate americano que ganhou a Amcrica's Cup em 1987. O choque é provocado pelo facto de o ar que passa na parte de cima das asas . destruindo pequeninas correntes revessas que aumentariam a resistência ao movimento. pelo que a NASA ensaiou em túneis aerodinâmicos a ideia das estrias aplicadas a aviões. A Airbus Industrie está a ensaiar as estrias em condições de voo na sua série de jactos de longo 147 . Lm avião experimental alemão ocidental. Se um Jumbo Boeing 747 pesasse menos 10%. os custos operacionais durante os seus 20 anos de vida baixariam cerca de 4 milhões de dólares. Estes jactos terão também asas com pequenas saliências triangulares nas extremidades por cima e por baixo da ponta da asa. As asas de geome iria oariáoel dào ao Panavia Tornado uma forma convencional. combinação que lhes permite terem um comprimento 20 vezes superior à largura. As asas inclinadas para trás foram inventadas para retardar a formação das ondas de choque que afectam os aviões de asas perpen diculares quando se aproximam da velocidade do som.mais rápido do que o que passa sob as asas . Verificaram que estas reduziam a resistência do ar em 8% desde que mantidas dentro de limites bem definidos de tamanho. Materiais mais leves. porque reduzem a fricção entre a água e a pele. o ar a alta pressão que vem da parte de baixo da asa provoca turbulência ao subir. ao ruído e aos esforços. Nos aviões. Os ensaios no túnel aerodinâmico têm levado os desenhadores a criar novas formas para os aviões de alta velocidade. o Stars and Stripes.

quase o dobro da de um helicóptero. assim. Mas para evitar o ruído inaceitável da nos 40% de combustível do que os motoexplosão sónica. o Boeing 7J7. t . Um diagrama de tenham sido aperfeiçoados compa/ador assinalou 0 para serem mais seguros e fluxo do ar. tornaram possível a criação do avião de rotor basculante — o aparelho que poderá substituir o helicóptero —. Uma das soluções para o problema da forma adequada tanto para baixas como para altas vel<xidades são os aviões de asas de geometria variável. avião americano de rotor basculante cm serviço desde 1988. Em sua substituição. A velocidade de cruzeiro do Osprey é assim de 576 km/h. de concepção americana. atravessando a atmosfera e entrando em órbita durante parte da viagem . da hélice aceleram o ar que passa em volta inclinadas para trás. que garante também que os comandos do aparelho não sejam forçados a operar para além dos limites da sua capacidade. As tubagens e depósitos que até aqui têm alimentado o sistema hidráulico de comandos foram eliminados. e o avião e antiecouómico a baixas veloci dades. como o aparelho de intercepção e ataque Panaria Tornado. aumentando assim a propulsão ros anglo-francês Concorde tornam-no ca do avião. levanta com as suas hélices com três pás de 12 m rodando horizontalmente.Í00. A viagem dai ou nove dias. o Concorde gasta oito vezes mais combustível do que alguns aviões convencionais. as superfícies de c o m a n d o . Novos comandos Outro aperfeiçoamento de concepção que poupou peso e espaço foi a tecnologia de comando por computador. no seu histórico OOO a volta da Mundo.ler um comprimento que exceda cerca de oito vezes a largura Materiais leves mas rígidos. do avião de passageido motor. A 800 km/h. O Voyager. A sua estrutura de fibra de carbono permitiu-lhe carregar quase cinco vezes o próprio peso em combustível. economizará no peso devido ao emprego. bre terra firme tem de ser inferior á do som. da liga de alu mínio-lítio e de fibra de carbono. As suas asas podem tomar uma posição praticamente perpendicular à fuselagem durante os voos a pequena velocidade ou inclinar-se para trás para as altas velocidades. Os aviões projectados para os anos 90 escaparão ao problema da explosão sónica. as hélices ínclinam-se 90" para diante para darem a propulsão para a frente. Douglas ensaiaram já a utilização de hélices curtas e largas ligadas á Velocidade. mostrando as menos ruidosos do que os áreas de baixa pressão de há 10 anos. a velocidade de voo so res a jacto convencionais. como o rotor de um helicóptero. italianas e inglesas. sem escala nem reabastecimento. Combinado com o alumínio. projectado conjuntamente por empresas alemãs. A hélice pode americanas como a Generá i 'olrar aos jactos ca ral Electric e a McDonnell merciais nos anos 90. Quando a força de sustentação já é suficiente. Estes motores propfun demons paz de viajar a velocidades superiores à do traram produzir mais potência e gastar me som. O metal mais leve que se conhece c o lítio. 0 Bell-Boeing V22 Osprey. o avião pode cruzar a menos de 320 km/h ou acelerar para Mach 2 cerca de 2250 km/h. I lm novo avião de passageiros. possuem pequenos activadores hidráulicos ligados electricamente a um com putador e comandados por sinais electrónicos. a hélice está em azul e as de alta em agora a regressar. como a fibra de vidro. som e espaço parte posterior de um motor a jacto. em Dezembro de 1986. Cientistas Potência e hélices da NASA utilizaram estas Os motores representam 20 hélices paru aumentar Q a 30% do custo de um avião potência de um motor u Embora os motores a jacto jacto. As asas tia fama. Este tipo de sistema de transmissão foi utilizado pela primeira vez nos aviões europeus de transporte Airbus da série A. O regresso. As pás O focinho aguçado e as asas triangulares. na construção. idêntica a de urn avião convencional. produz uma liga 8% mais leve que as outras ligas de alumínio. Os EIA têm em estudo um destes aviões. ou seja 0 dobro da velocidade do som. pelo que estas tem de ser muito rígidas. como os ílups e os aiierons. Fabricas castanho. cujos motores e hélices se situam na extremidade das asas curtas.voan do a 25 vezes a velocidade do som.

Ca32 kg de peso. se 250 horas . em Shafter. plano accionado pelo homem que percortrês dias: tinha cumprido a sua missão de resse um dado circuito. mas a proeza real data de cerca de um terço de cavalo-vapor uma lenda grega. arrefecido a líquido. Passou pela barrei Cready estava decidido a ganhar o Prémio O avião linha dois motores. O Gossamer Conmecanismo de comando mais aperfeiçoador foi construído com tubos de alumínio do e era manobrado por um par de asas ligados com cordas de piano. Para o ganhar. o cartão canelado adiantadas em relação às asas principais. para voar os 37 km do canal da Mansobrevoando uma barreira com 3 m de alpopa. Este avião é capaz de levantar e aterrar em qualquer aeroporlo. instituído em 1949 pelo industrial extremidade da fuselagem central. Esle avião de fuselagem tripla. co e campeão de voo em planador. na ilha voo falharam porque os materiais eram gue produzir mesmo durante poucos mide Creta. que fugiu de Creta com o auxílio de umas asas. atravessou o Canal à altitude co para fechar a cabina e forrar as superfímédia de apenas 75 cm. poupando assim meio quilo. de 24 anos. asas e a fuselagem eram de plástico. materiais foram a balsa. Jeana Yeager cortou os seus cabelos Condor percorreu 9 m de pista do aeromento. o Voyager. O da tross. Possuía um de — cerca de 15 km/h. arrefecido a ar. As anteriores tentativas de próximo do limite que um homem consefugiram do labirinto do rei Minos. ou X30. na telefónica. e levantou voo. o Gossamer Condor. Os outros pequenas. uma corrente de bicicleta ligada a uma grande hélice por detrás da cabina e coEm Abril de 1988. tinha uma envergadura superior à do Boeing 727. Kanellos Kaneilopoulos. o fornecer potência adicional para a descoMacCready resolveu construir um aeroGossamer Condor tinha de fazer um oito lagem e enquanto o avião estava ainda plano mais sofisticado. Maclifórnia. O combustível dos seus motores a jacto será provavelmente o hidrogénio. A volta ao Mundo sem reabastecimento Um voo de nove dias sem escala à volta do Mundo. efectuado por dois aviadores americanos em 1986. pilotado por asas). num voo ainda mais mandado por uma alavanca que torcia as espantoso. 29 m de envergadura e apenas compridos. voando com asas feitas de cera e demasiado pesados para serem impulsionutos. foi possível graças à leveza do seu avião de fibra de carbono. reforenormes asas para obler a máxima força çadas com fibra de carbono e revestidas de sustentação a muito baixa velocidacom uma película de poliéster. Dédalo e seu filho ícaro apenas de 1977. levando um poucies de voo. O peso era um Allen. munidas de ailerons ajustáveis. As MacCready construiu o aparelho com sem manutenção. recriando a lenda de Dédalo. trabalhou quacha. mas também de transportar rapidamente passageiros de Nova Iorque para Tóquio cm 2 horas em vez das actuais 14. um em cada ra dos 3 m e fez o percurso de 2 km em 7 Kremer. engenheiro aeronáutidepósitos de combustível. O avião tinha aproximadamente o tatura à partida e à chegada. O aeroplano seria pilotado pelo enpenas. foi parado ao fim de avultado prémio. Segundo mens voadores. Kaneilopoulos pedala no seu aeroplano a distância recorde de 120 km entre Creta e mente o tamanho de uma cabiSantorini. o Gossamer truiu um aeroplano com 9 m de comprivoo. pelo que pôde carregar cinco vezes o próprio peso em combustível . espuma de plástico e folha de plástiBryan Allen. Ícaro aproximou-so demasiado do nados pela força muscular do homem.cerca de 5600 I. muito pesado devido ao combustível. Os pilotos deste primeiro voo à volta do Mundo sem reabastecimento foram Dick Rutan e Joana Yeager. precisaria de uma potência constituiu a história de Dédalo.quase 10 vezes o tempo manho do seu predecessor. reSão milhares as histórias fabulosas de hoem linha recta. ganhando o inglês 1 lenry Kremer para o primeiro aerofrente. mas pesava menos de I t. mas era cons que um motor convencional funciona truído com materiais mais resistentes. O aparelho era accionado por co menos que três horas.5 segundos. MacCready calculou que. porto do condado de Kern. por asas. O da minutos e 22. e a propulsão no espaço será feita por foguetes. antes do Em 23 de Agosto de 1977. (que formava os bordos de alaque das Em 12 de Junho de 1979. A maioria do espaço no avião era ocupada pelos seus 17 tusiasta de ciclismo e de asa-delta Bryan Paul MacCready. O cockpil na fuselagem central tinha aproximadaRecriando a lenda. Como é que voa um aeroplano accionado pelo homem? 149 . consfactor de tal modo importante que.conhecido por avião espacial. para voar 14 vezes campeão grego de ciclismo. o Gossamer Alba entre duas colunas distanciadas de 800 m.

Kanelgação aérea táctica). onde há ainda nuvens. Nesta altura. vermelhas e amarelas. a "espera". que os cientistas equipararam ao es cabos. em Washington. Quando o piloto chedor começa a orientar a descida do avião problemas até ele ter de virar o aparelho ga a 190 km da mãe. O primeiro avião é introduzido no controle de radar e dirigido para o sistema de aproximação. A 800 m do navio. de combustível. o Dédaum oficial de segurança de alerragem. Após TACAN (tactical air nauigation. Kanellopoulos voou a radar emitidos pelo porta-aviões ou por de 90 a 135 m. chuva e turbulência. Recebe rá instruções para descer para 1500 pés (460 m). a tripulação do cerca de 6 m acima do mar. o piloto recebe instruções para voar à vista até aterrar. O voo não teve aquele em patrulha. correcções dão ao piloto do avião informaengenheiros e meteorologistas. Ordena-se ao piloto que faça as suas verifi cações prévias com o auxílio do controlador aéreo no porta aviões. da Marinha Britânica. a uma distância mento. Recolha A mãe aponta entáo ao vento e começa a "recolha". foi projectado pelo Massachusetts Insliobserva a aproximação e transmite ao pilotute of Technology c pelo Museu Nacional to: "Ligeiramente alio. Um jacto F-4 Phantom aterra no porta aviões Ark Royal. as asas derreteram-se e ele caiu e morà descida de aproximação ideal por meio reu. Dédalo conseguiu chegar à ilha de de luzes verdes. batendo o de cerca de 25 km do porta aviões. colocados longe da popa para que O caça sobe para utilizar o combustível forço de duas maratonas. sendo construído em fibra de num mar bravo. um pouco para a do Ar e do Espaço. Com uma envergadura de 34 m (maior que a do Concorde). Um caça monolugar Desde que o piloto acate as correcções vicinco vezes mais forte que o aço e mais voa a 300 km de distância já com pouco suais e verbais. Esta é a faixa de aproximação ideal." Estas nellopoulos foi apoiado por 36 cientistas. enviado por tombadilho entra em acção o o controla30 km/h. quando o gancho da cauda se prende nos cabos de aço do convés. obtém a posição rigoseguinte. Como seria perivelas e a cauda partiram-se e o avião caiu auxiliar da navegação por rádio. Estes voo. o Dédalo pesava apeImagine se um porta-aviões balançando nas 32 kg. comandado pelo porta aviões. ou navemolhado c balouçante. como o goso manobrar o avião num tombadilho no mar a poucos melros da costa. pois o seu objectivo é fazer aler contra o vento para aterrar em Sanlorini: as rosa desta pelo radar do avião ou por um rar um avião por minuto. rie de luzes no porta-aviões que indicam a posição rio avião em relação Sol. As nuvens o a chuva reduA salvo de volta à máe carbono e em keuiar. treinou-se durante meses para o «mãe» (porta-aviões). entra numa descida de aproximação de 3°. Voara 120 km. o gancho da cauda do seu leve que a fibra de vidro. O rumo é acertado por sinais de ram a cerca de 250 km/h e estacam ao fim estavam perfeitas. Continuar. 120 km a norte de Creia. O piloto tem agora corno pontos de referência as luzes de tombadilho ria mãe e Aterragem no mar. mas todas estas se encon Como os aviões pousam num porta-aviões com mau tempo 150 . Outros passados cabos que o prendem ao convés. está O aeroplano de Kanellopoulos. noutras esperas.trarn a diferentes altitudes e distâncias da mãe. os efeitos do balanço do tombadilho sedo modo mais eficiente e marca o rumo jam menos intensos. O custo loções vitais. controlado pelo radar. recorde da distância de voo impulsionado aviões podem estar nessa altura a enirar Fim de manobra. detêm o avião num As condições meteorológicas atrasaram para a posição em que foi informado estar espaço notavelmente curto: os aviões atero voo por 25 dias. Mais potência. e Kaesquerda. pelo homem. que lhe dá in formações sobre as condições do tempo à superfície. um material sintético zem a visibilidade. CoSanlorini. O piloto desce e entra por um tractor especial para o estacionalopoulos conseguiu arrombar a cabina e numa órbita. 0 avião a mira de projectores — séestaca no espaço de 90 a 135 m. que lo. mas em 23 de Abril a mãe. pelo que tem de regressar à avião prender-se á num dos quatro cabos 30 anos. de aço que atravessam o tombadilho. além de uma sensação de segu tai foi de 1 milhão de dólares. à rnédia de um avião avisador avançado. rança. o avião é rebocado quase quatro horas de esforço. com vento a favor. Kanellopoulos. e o controlador avisa o piloto caso ele se desvie dela. onde lhe são travadas as rodas e nadar para terra. O avião. locado junto à mira de projectores.

do avião à máxima potência. onde uma argola. Dois cilindros paralelos. usual mente delectando-o pelo radar. atingindo a velocidade de 250 km/h em 45 m. os portaaviões de todo o Mundo começaram a usá-la. conservando-se vivo. As tácticas dos modernos pilotos de caça O piloto de um Sopwith Camel voando a cerca de 160 km/h na I Guerra Mundial podia virar em pouco mais de 70 m para escapar às metralhadoras de um triplano alemão Fokker.5 km para fazer manobra idêntica. Os computadores do avião podem detectar simul taneamente 500 aviões inimigos e transmitir instantaneamente informações às bases de comando em Inglaterra. Os AWACS (designação por que são conhecidos os aviões do Airborne Warning and Control System. 154) como primeiro alerta do um ataque seja radar instalado no solo. É a única parle da catapulta visível acima do tombadilho de voo. sofrendo apenas uma perda. A lançadeira volta depois à posição inicial para novo lançamento — um porta-aviões pode assim lançar um avião em cada dois minutos. A catapulta a vapor foi inventada por C. o avião é então atirado para a frente. é a primeira prioridade. seja instalado a bordo de outros aviões. quatro não chegam a ver os seus atacantes. os modernos caças fazem parte de um complexo sistema de defesa que utiliza o radar (v. Os porta-aviões americanos podem ter até quatro catapultas. Por isso. De cada cinco pilotos abatidos. chamada holdback. Esta pressão varia conforme o peso do avião a lançar. Para evitarem a detecção pelos radares instalados em terra. e os seus círculos de viragem são tão largos — perto de 25 km — que é difícil aos pilotos de ambos os lados chegarem sequer a verse. a maioria dos aviões modernos não conseguiria descolar dos navios que os transportam. O radar do avião tem um alcance até 640 km. o piloto põe os motores Descolagem por catapulta. ou Sistema Aéreo de Alerta e Controle) da NATO podem voar sem reabastecimento durante 10 horas. . a argola tem no meio um elo fraco. No seu interior. O vapor é fornecido aos cilindros pelas caldeiras do navio através de um acumulador de pressão. Imagens computorizadas aparecem na linha de visão do piloto. da Marinha Britânica. Na invasão israelita do Líbano em 1982. os pilotos voam a rasar Guerra computorizada. mas quando a catapulta é disparada. este avião foi tão eficaz na localização do inimigo (às vezes ainda antes de este descolar) que os Israelitas destruíram mais de 80 aparelhos sírios. embora ambos os lados utilizassem jactos supersónicos com velocidades de ponta semelhantes. e instalada para ensaios em 1949. Mitchell. Ser o primeiro a localizar o inimigo. C. o avião dirige-se à sua posição. faz a ligação entre a cauda do aparelho e um ponlo fixo do convés. Os actuais caças a jacto voam a mais de 2400 km/h. O problema para todos os pilotos de caça rnantém-se o que era nos primeiros dias dos combates aéreos localizar e destruir o inimigo. Uma barra de reboque perto da roda da frente do avião é descida até uma "lançadeira". lançando assim uni avião em cada 30 segundos. Sondas no topo dos pistões vão de encontro a um depósito de água. à frente do avião. o aparelho solta-se da lançadeira. estão colocados debaixo do tombadilho. 0 avião mantém-se imobilizado pelo holdback. que prende o avião à catapulta com um mecanismo de engate. enviando sinais de radar para a sua base em terra até distâncias de quase 400 km. fazendo-os parar num pequeno espaço. as forças combinadas da pressão do vapor e dos motores do avião rompem o elo fraco. Em operação. No final do percurso. Depois de a Marinha Americana a adoptar em 1954. Em 1953. Um jacto F-4 Phantom preparase para levantar voo. Uma barra de reboque prende a frente do aoião ao mecanismo da catapulta a vapor. Para descolar. funcionam dois pistões presos à lançadeira. um caça americano Sabre F-86 voando a 960 km/h na Guerra da Coreia precisava de mais de 2. As imagens permitem-lhe fixar o seu rumo sobre um aoião inimigo e abatê-lo. p. com pelo menos 45 m de comprimento.Catapultas a vapor: lançamento de aviões de um navio Sem as catapultas a vapor. dependendo da altitude de voo. Um tipo de avião de primeiro alerta é o subsónico americano E-2C Hawkeye.

ele consegue aproximar-se o suficien- 152 . o Harrier. o que evita que ultrapasse o avião inimigo no final da picada. Ainda hoje são ensinadas nalgumas forças aéreas tácticas de combate usadas na Guerra da Coreia. Pica para o centro do círculo e sobe por baixo do adversário enquanto este continua a dar a volta. executa um tonneau para diminuir a velocidade. o solo. bombardeando um alvo inimigo em terra. mísseis. Depois.Disparo de foguetes. o agressor pode usar a táctica do ioiô baixo para se aproximar. o cockpit. Se tiverem de entrar em combate. pelo que não só é muito V&sálll em combate aéreo. que se coloca em posição de ataque para o caso de o inimigo sobreviver e voltar ao combate. numa guerra. sendo o "chefe" protegido por um "asa". voarem o mais baixo possível. Ao eliminar um sector do círculo de voo. a curvatura da Terra. como também pode destruir aviões inimigos ainda no chão e dar apoio a forcas terrestres. Assim que o avião inimigo é avistado. os pilotos aprendem estas tácticas voando a 75 m para evitar o incómodo do ruído. os aparelhos estão separados por escassos metros — confunde também o radar inimigo. quando ele dispara foguetes SNEB. mas têm de estar preparados para. tomam então altura para obter espaço de manobra. A técnica hoje ensinada pelas forças aéreas é a de atacar o inimigo tão rapidamente quanto possível. Voar em formação cerrada — em que. às vezes. foguetes —. Chamas brilham sob as asas deste jacto de descolagem vertical. 0 piloto atacante sobe quase a pique para uma posição acima do seu adversário e pica sobre ele vindo da direcção do Sol. A este nível. o atacante tenta aproximar-se dele o suficiente para captar na sua mira a parte mais vulnerável do outro avião. durante apenas meio segundo — quanto basta para o abater.bombas. Esta manobra é frequentemente executada em pares. Se dois adversários se perseguem em círculo aproximadamente à mesma velocidade. Uma destas é o ioiô a alta velocidade. que não consegue distinguir o número de aviões da esquadrilha. os montes e os edifícios escondem o aparelho dos sinais de radar Durante os treinos em tempo de paz. O Harrier pode transportar mais de 41 de armamento .

como o Sidewinder. Os pormenores são apresentados na sua linha de visão num HUD (head up display). os aviões inimigos são destruídos em combate por mísseis que buscam o calor.velocidade máxima. O outro caça. fixando-se depois nele ao premir um botão. e o piloto pode alterar. o ângulo de impulso dos motores. permitindo lhe ler as informações sem desviar os olhos. 1915 km/h -. um Harrier (rosto azul) abale um caça inimigo mais rápido (rasto laranja). O piloto de um Tornado F-3 (à esquerda) demonstra uma táctica de combate aéreo utilizada desde a I Guerra Mundial.Manobra defensiva de um "Harrier". avião cujos computadores se sobrepõem ao piloto caso este cometa um erro. como subir a pique com pouca velocidade. Um princípio semelhante é usado no F/A-18 Hornet da Marinha Americana . orientando as respectivas tubeiras de escape. Na maior parle. Deste modo. depois pica sobre este vindo da direcção do Sol para que o piloto inimigo fique encadeado. que persegue o calor do escape do inimigo e pode ser disparado a uma distância de 18 km. O piloto utiliza-os para obter informações de pormenor sobre a altitude. Sem os seus computadores. Quando um piloto se apercebe de que um míssel foi lançado contra ele. te para disparar um canhão ou um míssil térmico. Os mísseis inimigos são atraídos pelo calor dos foguetes. Ameaçado por um atacante (em cima). com écran transparente colocado à sua frente. perdendo subitamente velocidade e forçando o inimigo a ultrapassá-lo. Procedendo a uma manobra sem par. os ailerons e os lemes de direcção e de profundidade. Este avião pode aterrar e descolar na vertical. seja automaticamente. 3. O piloto olha para o alvo ao longo da mira. o piloto de um F-16 Fighting Falcon americano dispara foguetes para desviar mísseis lerrnoguiados. são construídos tendo em vista uma grande capacidade de manobra. continuando com os motores à potência máxima. As ver soes mais recentes projectam as informações sobre a viseira do capacete do piloto. direcção e velocidade de aproximação do seu alvo. O computador está continuamente a ajustar esses comandos com movimentos tão pequenos e rápidos que nenhum piloto conseguiria fazê-los por si. como o F-16 Fighting Falcon americano. Os mais recentes jactos de combate. Os computadores são também a chave do êxito nos combates a velocidades supersónicas. que por sua vez as transmitem ao sistema hidráulico que controla as superfícies de comando de voo. como no caso do Harrier. que actua igualmente como mira. Ataque e defesa. A concepção revolucionária do Falcon proporciona-lhe um centro de gravidade tão recuado que o avião está sempre pesado de cauda e. em apenas al- guns segundos é-lhe possível reduzir a veocidade horária em 320 km. Ele sobe rapidamente acima do avião inimigo. avião subsónico com uma impressionante capacidade de manobra. no solo. sensível a alterações mínimas da pressão dos dedos do piloto. tornase um ahx> fácil. seja pelo piloto. a experiência e a capacidade de decisão do piloto são ainda mais importantes que a electrónica do avião. 4. 153 . As reacções rápidas. mas nem sempre assim acontece. 1. podendo então ser feito um disparo. O manche. agora na frente. Em geral. inicia um percurso em ziguezague ou lança foguetes para atrair e desviar o míssil. durante o voo. ele não conseguiria erguer-se do solo. pelo que os pilotos do F-16 deram a esle avião a alcunha de o Jacto Eléctrico. caça polivalente com uma velocidade má xima de 2145 km/h. Pode ser colocado muito rapidamente em subida apertada. a vitória cabe ao avião mais rápido. 0 inimigo está em posição de disparar. O Harrier aponta para baixo as lubeiras dos seus jactos. parece estar na posição de descolagem. Este sistema é conhecido por fly-by-wire (pilotagem por sinais eléctricos). O ra dar e outros sensores localizam o alvo. O I larrier detecta o avião inimigo atrás de si. envia mensagens electrónicas aos compu tadores. 2. mas precisa de um computador integrado para controlar as superfícies de comando de voo — os flaps.

sobre a superfície de outros planetas. os operadoécran no qual são exibidos os sinais reflecres de radar conseguem distinguir um obtidos. o sinal de retorno tem uma frequência ligeiraComo funciona o radar mente diferente do de saída. A primeira fornia de defesa contra ataques 154 . Os aviões de carreira estão equipados com um radar-farol. permitindo aos controladores do tráfego aéreo mantê-los a altitudes diferentes enquanto organizam as rotas de aterragem. e na navegação marítima para determinar o efeito de Doppler das ondas sonoras a profundidade da água e pelos barcos indica se o objecto está em movimento. Os meteorologistas utilizam redes de radar para localizar as nuvens de chuva ou de neve. Num petroleira. foi criado pelo cientista francês 1500 m/s . detecção e telemetria por meio do som). aos nésimos de segundo). Os sinais de radar podem igualmente ser reflectidos pelas gotas de chuva. O radar é po que um sinal demora a voltar. os intervalos das pulsações uma imagem da superfície. O piloto ira quiano que disparou os mísseis nunca chegou a ver o alvo. Em casos de necessidade. Como acontece com o radar. entre 1000 e direcção em que ele se desloca.foi equipado com radar em 1936 para a detecção de icebergues. por exemplo. Esta mudança na frequência é conhecida por efeito de O equipamento básico do radar consiste Doppler e é causada pela acumulação das num emissor para gerar os sinais de rádio. que usa os ecos dos sons emitiO som propaga-se na água a cerca de dos. o qual informa o aeroporto da identidade e altitude do avião.IDEIAS PRÁTICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS Como os aviões e os navios "vêem" com o radar Os morcegos voam emitindo sons agudos que são reflectidos para os seus ouvidos quando encontram qualquer obstáculo. Os feixes de microondas de go têm frequências de 30 a 120 000 ciclos radar emitidos pelas naves ou satélites em por segundo. um écran de radar contra da Terra empregam feixes colisões mostra os outros navios com pontos e a direcção com de radar para obter inforpequenas rectas. que en via sinais em código ao transponder.florestas densas ja o alvo e regresse à fonte antes da emissão ou campos cultivados. rápido que no ar. dois mísseis Exocet atingiram a fragata americana Slark no golfo Pérsico. a não ser no seu écran de radar . o piloto pode inclinar o pesquisador para obter um mapa do terreno a sobrevoar. na parte inferior. ou apresentados num écran. Como as ondas de rádio putadores analisam as diferentes intensise propagam à velocidade da luz. O navio francês de passageiros Normandie — que em 1935 estabeleceu o recorde da travessia do Atlântico em pouco mais de quatro dias . ondas de rádio quando um objecto se num pesquisador giratório — a antena aproxima ou pelo seu espaçamento quanque envia e recebe os sinais — e num do ele se afasta. ou iransponder (transmissor-respondedor). que avisa da aproximação e distância do avião. 0 radar deriva o seu nome de radio detection and ranging (detecção e telemetria por rádio). o complicado controle de tráfego aéreo e os sistemas avançados de alerta de mísseis seriam impossíveis de operar. torna-se igualmente utilizado para recolher dados possível calcular a distância ao alvo. mas Utiliza sinais de rádio reflectidos para detectar objectos até 3200 km de distância.estava a cerca de 50 km quando os lançou. depois de o engenhei ro italiano Guglielmo Marconi (o pioneiro da rádio) ter sugerido a ideia em 1922. Pulsações sonoras. Por seu lado. e o secundário. O moderno socia de 10 km. Medindo-se o temgeólogos e aos oceanógrafos. Os sinais reflectidos sáo nar [sound detection and ranging. Os impulsos do radar estão órbita respondem diferentemente às situa sincronizadas por forma que um sinal atinções que encontram . matando 38 homens. Os aviões de carreira estão equipados no nariz com pesquisadores de radar que dão ao piloto um mapa do tempo que faz até 320 km à sua frente. em 1912. a distância ao obstáculo é calculaActualmente. a tripulação do Stark só se apercebeu rios mísseis poucos segundos antes de ser atingida. O radar funciona de modo semelhante. As naves espaciais e os satélites em órbita à volta Navios a vante. Este emite os seus sinais de radar para o solo e recebe-os reflectidos. as ondas sonoras dos sinais do morcea velocidade. Comdo sinal seguinte. Se o objecto está em movimento. Os sinais de rádio são transmitidos jecto que se move de um objecto estado por impulsos (disparos curtos) na frenário (como uma montanha) e calcular a quência das microondas. A linha maior indica o rumo do petroleiro mações sobre a superfície do planeta destinadas aos cartógrafos.cerca de quatro vezes mais Paul Langevin. devido à sua colisão geradas electronicamente. O moderno radar é suficientemente sensível para localizar todos os aviões que se aproximam de um aeroporto movi mentado. Pela ampli35 000 ciclos por segundo. cerca de dades dos sinais de retorno e constroem 300 000 km/s. Tííanlc. levou os cientistas através da água e reflectidas para o navio a procurarem uma forma de detectar por qualquer obstáculo até uma distânobstáculos submersos. O radar-farol reflecte ainda os sinais dos dois sistemas de radar do aeroporto: o primário. Defesa contra torpedos e mísseis Em Maio de 1987. e os navios no alto mar arriscar-se-iam a colisões em tempo de nevoeiro ou à noite. são emitidas com um icebergue. Por este efeito. são medidos em microssegundos (milio- VENDO ATRAVÉS DA AGUA POR MEIO DE ECOS SONOROS bem como na investigação e na cartoO naufrágio do navio de passageiros grafia dos fundos. o processo é utilizado da a partir do tempo de retorno do eco. Em compara tude do efeito podem igualmente calcular ção. o que permite ao piloto conhecer a altitude a que voa. Surgiu na Europa e na América durante os anos 30. Sem ele. para que ele possa evitar as tempestades. de pesca para localizar os cardumes.

ao contrário de um sinal de rádio. se verifica que este se afasta do alvo devido a ventos fortes ou por oulros motivos. na Califórnia Os fogueies alemães V-2. ou o Roland. São conduzidos por um computador integrado que acciona pequenas aletas na parle da frente e. inglês. possuíam um sistema de orientação bastante primitivo e eram pouco certeiros. Ligado por fio ao lançador c guiado por um operador humano. Os mísseis antinavios. O Rapier tem um alcance de cerca de 6. foram criados muitos sistemas de orientação de precisão para todos os lipos de míssil. A sua fornia de orientação pode ser activa ou passiva. enquanto o do Roland é de 6 krn. detectando todas as alterações da direcção e velocidade desde o momento do lançamento. soviético. como o Milan. Para atacar aviões é necessário um sistema de orientação diferente. ou o Swingfire. Outras armas que empregam orientação activa são os mísseis terra-ar (SAMs). Os mísseis estão munidos de sistemas de navegação por inércia. uma vez lançados. 0 sistema de orientação mais simples é o olho humano. A ligação por fio é simples e. como o Rapier. Um radiultinie tro a bordo do míssil mede e controla a sua passagem por cima das ondas. são mísseis de "lançar-e-esquecer". possuem um fio delgado que os liga ao joyStick miniatura manejado pelo apontador. Desde os anos 40. um míssil de cruzeiro americano Tomahawk atinge uma edificação na ilha de San Clemente.5 km. utilizados no final da II Guerra Mundial. franco-alemáo.Como os mísseis são guiados até ao alvo Teste de um míssil de cruzeiro. No entanto. a necessidade de o ter restringe o alcance do míssil e. Os mísseis anticarros. Esles mísseis têm um alcance de cerca de 50 km. sinais de radar ou térmicos. que apuram constantemente a posição exacta do míssil. dirigindo o até ao alvo. Dirigidos por fios. rosando a água a cerca de 2. pois a rapidez com que o fio pode desenrolar-se tem limites. A resposta consiste num míssil autoguiado equipado com um computador que substitui o ope rador humano. Na orientação passiva. a sua velocidade. Lançado de um submarino a 640 km de distância e guiado por uni computador que monitoriza o terreno que sobrevoa. não sofre interíerên cias. como o Exocet criado pelos Franceses. o AT-3 Sag ger. em certa medida. são apontados automaticamente pela inlroduçáo da posição do alvo num computador de lançamento. o míssil é guiado por sinais vindos do próprio alvo — em geral. Quan Mísseis antinavios. Todas estas alterações são monitorizadas por um computador exis tente no míssil. francoalemão. o operador nada mais lem a fazer. . Um míssil Exocet lun çado de um auião dirige se ao alvo.5 m. ajusta pequenas aletas que o devolvem ao rumo correcto. Os mísseis americanos Sidewinder ar-ar c Stinger terra-ar detectam as radiações infravermelhas do escape dos aviões. o qual. inglês. Os mísseis guiados por fio são apenas eficazes contra tanques ou outros alvos relativamente lentos que podem manter-se visíveis durante todo o trajecto da arma. Computadores enviam depois instruções por rádio até ao míssil. um míssil antkarro Milan procura o aluo. que usam radar no solo ou sistemas ópticos para detectar o alvo e seguir o míssil depois de lançado.

Aproveitando a iluminação de rua e a luz geral da cidade. tanques. os mísseis balísticos intercontinentais são relativa mente pouco certeiros. para um soldado. Visão nocturna. Versões mais potentes. Cada ponto do solo é registado segundo um conjunto de números indicando a sua posição e a altura a que o míssil o sobrevoa. direcção e elevação. um soldado consegue apontar correctamente a um alvo a mais de 350 m. as bolas passaram a ajustar-se bem aos canos para evitar o efeito de ressalto. depois. comparando-os com as informações contidas no computador. Mesmo numa noite sem Lua e dentro de um bosque. Objectos que geram calor . Nessas condições. inventou uma bala de chumbo com a base ligeiramente côncava Quando a bala era disparada. Com uma nightsight. os seus altímetros medem rigorosamente os contornos do terreno em baixo. as estrias. À mediria que o míssil avança. utiliza-se um aparelho diferente uma câmara de infravermelhos. as bolas tinham se já transformado na bala com a forma que é hoje vulgar alongada com ponta cónica. que detecta o ca lor em vez ria luz. Disparavam bolas de chumbo que eram carregadas pela boca do cano. será possível combater durante 24 horas por dia. escapes de mísseis. finalmente. Tinham uma penetração considerável. Os mais certeiros mísseis americanos. Mesmo numa noite que a maioria das pessoas classificaria de escura como breu. tanques e aviões. Estas balas podiam ser introduzidas no cano fácil e rapidamente. Em 1847. com o alcance de I km. mas ainda eram difíceis de carregar. atravessando blindagens que teriam detido as balas de chumbo macio. Os mísseis de cruzeiro de longo alcance utilizam o mais sofisticado de todos os sistemas de orientação. utilizam o seu sistema de navegação por inércia a fim de estabelecerem o rumo. Estas miras são utilizadas como rotina nas operações de reconhecimento As câmaras de infravermelhos detectam igualmente o calor do corpo de um soldado inimigo. Estes mísseis voam a alturas entre 15 e 90 m. Em comparação com estes. por exem pio . passaram a fazer se entalhes em espiral no interior do cano. Além disso. A nightsight assemelha-se a uma mira telescópica grande e permite ao soldado ver claramente em qualquer noite (excep to as demasiado escuras). fogueiras de acampamentos. de onde saíam com uma direcção imprevisível. o que significa que a escuridão deixou de ser um refúgio para as tropas inimigas. 157 Como um soldado consegue "ver" na escuridão A nightsight (mira de visão nocturna) transforma. o TERCOM {terrain contourmatching ou comparação topográfica). os seus movimentos são facilmente detectáveis. Os instrumentos localizam lambem o alvo e fixam nele o seu rumo. . a noite em dia. capitão do Exército Francês. que obrigavam a bola a girar ao longo do percurso. mas depois voam como um dardo — caindo no solo num local determinado pela sua velocidade inicial. Balas revestidas de bronze ou de bronze maciço foram produzidas para as armas de carregamento pela culatra em 1886. Mesmo que uma dessas bolas estivesse bem apontada ao alvo. Quando a nightsight fizer parte do equipamento de todos os soldados. Claudc-Eticnne Minié. põe em funcionamento um scanner de radar que detecta o navio. Por volta de 1840. Depois. I loje em dia. o que. expondo-os a fogo seguro. transformado numa imagem e apresentado num écran. a luz das estrelas ilumina esle alvo a 30 m. batiam de um lado e outro no interior do cilindro. a fim de manter o rumo do míssil. uma célula fotoeléctrica de grande sensibilidade converte a imagem num sinal eléctrico. há alguma luz. ao sair do cano riesviava-se frequentemente. a criação de invólucros de metal para conter a carga rietonan te levou às espingardas rie carregamento pela culatra. o míssil atinge o alvo com uma margem de erro de 15 m. os Minuteman III. é suficientemente perto. qualquer irregularidade de forma fazia-as oscilar em voo. tornando prático o uso de armas estriadas na guerra Foram pela primeira vez usadas em larga escala na Guerra da Crimeia (1853-56) e na Guerra Civil Americana (1861-65).aviões. O seu melhor aerodinamismo aumentou-lhes o alcance e a precisão. a bala vai em linha recta — mas como é que isso foi conseguido? As bolas de mosquete entravam à vontade no cano. O computador calcula então o caminho percorrido pelo alvo desde que o Exocel foi lançado e ajusta o novo rumo. pois amplifica a luz do luar e das estrelas. Depois de um voo de mais de 2500 km. Primeiro.podem ser detectados de urna distân cia de vários quilómetros. Ao serem lança dos. Porque é que uma bala de carabina faz um percurso rectilíneo? Os antigos mosquetes e espingardas eram pouco certeiros. a nightsight de um soldado detecta um terrorista a 80 rn de distância (em cima). helicópteros e aviões. Lima bola que gira mantém a sua trajectória no ar. corno numa câmara de televisão. esse sinal eléctrico é ampliado por circuitos semelhantes aos de um amplificador de som e. dada a enorme potência das suas ogivas nucleares. pois qualquer tendência para se desviar num sentido é contrabalançada quando a bola gira e tenta desviar-se no sentido oposto. Já em 1500 surgiu uma solução para estes problemas: primeiro. Nos computadores de bordo do míssil existe um modelo tridimensional do terreno que ele sobrevoará. são usadas em peças de artilharia. que era liso. em substituição das de carre gar pela boca. têm uma margem de erro de 220 m do seu alvo. ainda que só a das estrelas.do o computador de bordo calcula que o míssil está a 15 km do alvo. Ao serem disparadas. a base de chumbo macio expandia-se para se ajustar à estria. Na década de 1870. Não havendo o mínimo de luz _^^ das estrelas.

e a reacção em cadeia diz-sc controlada. tendo o cuidado de nunca se juntar uma massa crítica antes do momento da explosão. nem uma nem outra eram suficientemente grandes para explodirem. Carga mortal. t uma carga mais pequena provoca um recuo menor. Nagasaki foi desunida em 9 de Agosto por uma bomba de plutónio. A que foi largada sobre Hiroshima em 6 rie Agosto de 1945 usou urânio. 158 . em con junto. Além de reduzirem a sujidade do cano. A "Little Boy" ("O Menino"). e assim sucessivamente: é uma reacção em cadeia. o que torna o tiro mais preciso. ultrapassaram a massa crítica e explodiram com a potência de 12 a 13 0001 de TNT. uma bala de calibre . vulgar mente conhecida pelo nome de bomba atómica. (Os com plicados controles de um reactor nuclear destinam-se a mantê-lo exactamente crítico. provoca rem duas novas cisões. pesava 4100 kg. ou fissão. Separadas. Na bomba de Hiroshima foi empregada uma carga explosiva convencional para impelir unia porção de urânio ao longo de um tubo até outra porção de urânio. qualquer massa superior à crítica pode sustentar uma reacção em cadeia crescente — e portanto dar origem a uma explosão nuclear. Se. Este processo liberta quantidades de energia ainda maiores que a cisão. A massa de material tal que uma geração de neutrões dá origem. Por essa altura. também as cargas detonantes "sem fumo" substituíram as de pól vora negra. Há que garantir que a explosão não ocorra acidentalmente. Voando a 3383 hmih. as melhores carabinas de tiro de precisão acertam num alvo de 6 mm. no entanto. eram mais potentes: a velocidade da bala passou de 1600 para 2600 km/h. o que é adequado à maioria dos objectivos militares. chocando com dois outros núcleos. com uma liber tacão brutal de energia uma explosão nuclear. é o processo pelo qual um núcleo atómico se divide e constitui a base da bomba nuclear de cisão. mas linha a potência de 12 a 13 0001 de TNT. A fusão nuclear é também a fonte da energia do Sol. perder se ão inofensivamente no ar sem provocar novas ci- sões. Aquela distância. Estes tem a possibilidade de. a reacção auto-extingue-se — não há possibilidade de explosão. ou bomba A. a energia libertada é então constante ao longo do tempo. Como se constroem as armas nucleares? As armas nucleares tem mantido o Mundo num equilíbrio instável entre a paz e o terror desde que as duas únicas até agora utili zadas forçaram a rendição do Japão. As cinco ogivas nucleares do míssil intercontinental americano MX •'Peacekeepcr" estão programadas para atingir simultaneamente alvos diferentes. A bomba de Nagasaki aproveitou o facto de a massa crítica poder reduzir-sc se o A bomba A de Hiroshima. e está na base da bomba de hidrogénio. em média.Mesmo a meio. originando quatro neutrões. A cisão. A fusão é o opôs to a combinação de dois núcleos atómicos para formarem um núcleo maior. na sua maioria.) A massa crítica de plutónio ou de urânio-235 corresponde a uma esfera do tamanho de uma toranja. a um número igual de neutrões na geração seguinte chama-se massa crítica. Quando um núcleo destes se cinde. os neutrões.o urânio ou o plutónio. Durante o século xx. mas. são libertados pelo menos dois novos neutrões. em 2 de Setembro de 1945. As modernas carabinas de guerra dispa ram balas a cerca de 3600 km/h e conseguem acertar repetidamente num alvo de 10 cm de uma distância de 90 m. as balas tornaram -se muito mais pontiagudas. As bombas de cisão têm de possuir um de dois ingredientes . tivermos apenas uma pequena porção de material cindível.30 rasga uma carta Sào ciara mente visíveis na bala as marcas feitas pelas estrias do interior do cano. A maioria das armas nucleares modernas utiliza os dois pro cesso s. Há igualmen te tendência para que as balas sejam menores do que antigamente. rapidamente se atinge uma taxa de cisões catastrófica. Uma bala pe quena e leve vai mais longe c mais depressa do que uma grande disparada por carga idêntica. bomba nuclear que {leras toa litroshima em 1945. ou bomba H. Como cada neulrâo libertado leva apenas cerca de um centésimo milionésimo de segundo a provocar nova cisão. também conhecida por bomba termonuclear. Tanto o urânio como o plutónio são elementos cindíveis — os seus núcleos podem ser fragmentados por partículas subatómicas denominadas neutrões. terminando a II Guerra Mundial O poder terrível destas ar mas provém da libertação de quantidades imensas de energia pelos núcleos dos áto mos durante reacções de cisão ou de fusão.

229) que destruam os mísseis inimigos nos cinco minutos após o lançamento. A energia restante é libertada sob a forma de radiações energéticas — sobretudo raios gama c raios X. o que torna impossível detona las sem se conhecerem complexos códigos que todos os dias são alterados. as medidas de segurança eram relativamente simples. ou "Guerra das Estrelas". Uma parte importante deste programa consiste no aperfeiçoamento de lasers (v.o deutério e o trítio. a defesa torna-se mui159 . destinada à destruição de pontes e outras estruturas. um míssil Titan I (ú esquerda! foi o aluo de um laser químico. que atingiriam 30 minutos depois do lançamento. A primeira bomba termonuclear . p. Segundos depois de o laser ser activado. cada um viajando a velocidades de até 6. Como se poderiam usar os raios de "laser" no espaço Se um ataque nuclear fosse lançado contra a América. e a maior é de 2 milhões de toneladas. Rodcou-se urna massa suberítica de plutónio com cargas explosivas convencionais. O destruidor invisível. grande ilha ao largo da costa norte da Rússia. Após uma explosão nu clear. resumindo-se a um selo de arame. deslruiu o míssil (ã direita! Investigação do programa SDI. constituindo a chamada chuva nuclear (fallout. Se se introduzirem diversas vezes números errados. Armas termonucleares Para fabricar bombas ainda mais potentes. em 30 de Outubro de 1961. Depois desse período. A bomba nuclear mais pequena. Para se protegerem. e a sua onda de choque deu três voltas à Terra. capacidade destrutiva. as bombas de hidrogénio baseiam-se simul taneamenle nas reacções de fusão e decisão.ou de hidrogénio — foi construída nos EUA Tinha a potência de cerca de 10 milhões de toneladas de TNT (10 MD e foi detonada no atol de Eniwetak. Assim. são necessárias temperaturas comparáveis à do centro do Sol — 14 milhões de graus centígrados. milhões de pequenas partículas radioactivas caem para o solo. não haveria perigo de uma explosão nuclear. no Pacífico. pode ser transportada às costas de um soldado. dá-se uma enorme libertação de energia. Cerca de metade da energia libertada numa explosão nuclear típica é gasta na onda de choque — uma bomba equivalente a 20 000 t de TNT destrói edifícios num raio de 800 m. Nas primeiras armas. As modernas têm dispositivos de armação e detonação controlados por código. Os cálculos situam a sua potência entre os 57 e os 90 milhões de toneladas de TNT. pois a bomba não estaria armada: só os explosivos químicos usados para disparar a bomba nuclear poderiam explodir. As armas práticas são. muito menos potentes. com uma potência de 250 t. A "Fat Man" ("Homem Gordo") de Nagasaki tinha 3. As primeiras armas nucleares eram volumosas.material cindível (neste caso. comprimiram o plutónio. é necessário recorrer à fusão nuclear. Quando estas foram detonadas. A mais pequena bomba nuclear do arsenal dos EUA é a W-54. que se tornou supererítieo e produziu uma explosão idêntica à de 22 000 t de TNT. tão intenso que incendeia todas as matérias combustíveis num raio de 6. de tal modo que só poderá ser disparada depois de uma reparação. Se um avião que transportasse uma bomba nuclear caísse e se incendiasse. em Novembro de 1952. Actualmente. Nas bombas de fusão empregam-se duas formas de hidrogénio . a hm de se avaliar a sua precisão e. A bomba de maior potência que jamais se fez explodir foi detonada em Nova Zernbla. o plutónio) for comprimido para aumentar a sua densidade.6 m de comprimento e pesava 4900 kg. A única forma de se conseguir esta temperatura á por meio de uma bomba de cisão nuclear.5 km/s a caminho dos alvos. no entanto. Todas as armas americanas (das soviéticas pouco se sabe) contêm instrumentos de segurança que impedem a sua detonação não autorizada ou acidental. um interruptor e um lecho. Quando os núcleos destes elementos se combinam. em inglês). a W-54. Mas para que se dê a sua fusão. as bombas com este peso têm uma potên cia 600 vezes superior. Um pouco mais de um terço da energia toma a forma de calor. os Ame ricanos têm vindo a desenvolver o seu programa de Iniciativa de Defesa Estratégica (SDl) ou ''Guerra das Estreias". Dois raios de laser químicos convergentes são apor/lados a um aluo de ouro 00 tamanho de um ponto final. a arma trava-se e neutraliza-sc a si própria. envolveria possivelmente centenas de mísseis transportando milhares de ogivas nucleares. Num ensaio experimental.5 km.

mas registaram-se incêndios graves em Windscale. dado que cada míssil chega a largar 10 ogivas e muilas negaças. Não tinham queri- O centro do calor. em 1957. pelo que os lasers baseados em terra teriam de ser realmente muito potentes: cerca de 400 MW cada um — potência idêntica à do consumo da electricidade de uma cidade de tamanho médio e 1000 vezes superior à de qualquer laser hoje existente. o que permitiu que a temperatura do núcleo subisse excessivamente. Os lasers de raios X seriam lançados de submarinos e então rápida mente colocados em órbita. o que sugeriu a alguns observadores americanos que um segundo reactor nuclear estava à beira de se fundir hipótese que de facto não se confirmou. no Noroeste de Inglaterra. O reactor de Windscale foi construído para produzir plutónio para as armas nucleares britânicas. Os bombeiros. mas por processos diferentes. neste caso. mas urna série de explosões menores ou o próprio incêndio podem destruir o reactor e libertar para a atmosfera enormes quantidades de materiais radioactivos altamente perigosos. de onde seriam automaticamente disparados. houve fuga de radioactividade. Os espelhos teriam de manter o laser apontado durante vários segundos para o míssil antes de este ser destruído.lo mais difícil. O mais simples processo de destruição consiste em focar sobre o míssil um feixe de radiações infravermelhas que abra um orifício na blindagem. 160 . mas o processo falhou. Os Americanos estão a estudar um laser químico que usa a reacção do flúor com o hidrogénio para originar uma poderosa emissão de raios infravermelhos. em Março de 1979. mas. Irrompeu em chamas quando um operador cometeu um erro. A ideia não é estacionar permanentemente os lasers no espaço. começaram por pulverizar o fogo com dióxido de carbono. em Abril de 1986. com fatos que os prote giam da radioactividade. em meados da década de 50. não explode como uma bomba nuclear. Uma espessa muralha de betão. O laser é focado e apontado por meio de prismas e espelhos. tinham também de ser disparados do espaço. e em Chernobyl. O Programa Guerra das Estrelas tem igualmente vindo a desenvolver lasers que emitem raios X em vez de um feixe de lux. seriam precisas cem dessas estações para conferir à América uma protecção completa e pô-las em Órbita seria uma tarefa que tomaria insignificante qualquer dos projectos espaciais até aqui levados a cabo. Quando um reactor nuclear se incendeia. houve três acidentes importantes. Apenas um décimo da potência do laser atingiria o alvo. foi construída para conter a saída das radiações do reactor destruído em Chernobyl (em cima). iTuv \S• • A sepultura da unidade 4. aumentando grandemente o número de alvos que têm de ser atingidos. Estes raios são emitidos numa única pulsação em vez de num feixe contínuo. mas lançá-los unicamente quando as observações por satélite revelassem que estava já em progresso um ataque inimigo. Umu fotografia ao acidente de Chernobyl tirada pelo satélite americano Landsat revelou duas fontes de calor (as pequenas manchas azuis). Durante todo o tempo em que se combateram os fogos de Chernobyl e Windscale. Dado que os raios X são rapidamente absorvidos pela atmosfera. provocando fuga de combustível ou destruindo o sistema electrónico de orientação. Uma alternativa seria ter os lasers basea dos em terra. quando lanto o laser como o míssil que aquele atacaria tivessem subido acima da atmosfera — pelo menos a 80 km da Terra. esperando abafá-lo por falta de oxigénio. Um laser químico de potência suficiente (25 MW ou mais) poderá destruir um míssil à distância de quase 3200 km. O reactor que sobreaqueceu em Three Mile Island. tornando aquele trabalho extremamente perigoso. na Ucrânia. O resultado foi um incêndio que durou quase dois dias até ser dominado. Só o flúor e o hidrogénio necessários para alimentar os lasers pesariam perto de 2000 t. Os lasers atacariam os seus alvos a partir de estações militares espaciais a algumas centenas de quilómetros da Terra Contudo. haveria o inconveniente de a atmosfera dispersar o feixe. o inimigo poderia ainda derrotar o laser montando um escudo térmico em volta do míssil ou imprimindo um movimento de rotação ao míssil para que o feixe não estivesse focado sobre o mesmo ponto o tempo suficiente para abrir um orifício. Como se extingue um letal incêndio nuclear? Desde os primórdios da indústria nuclear. Mesmo que tal se conseguisse. nunca chegou a pegar fogo. A fonte dos raios X é urna pequena explosão nuclear. iniciada em 1986 (ao alto). Filadélfia. Estes dois incêndios foram extintos.

Em 1587. cria uma forçu de suecuo une forca o barco para o lado Mas a quilha con traria este movimento. a quilha — ou o patilhão do barco contraria este movi mento lateral. Quanto mais apertadamente o barco anda contra o vento. Os soldados apedrejavam os Apóstolos e chefiavam a subir as escadas para lhes raspar OS olhos. incendiando o edifício da central eléctrica c ameaçando um reactor p r ó x i m o . dá-se u m a d i m i n u i ç ã o d a pressão — p o r q u e . Adicionouse ainda carboneto de boro para absorver sarcófago de betão c o m 1 m de espessura. e não pela primeira vez. f o r a m precisas duas semanas de voos quase c o n t í n u o s . ainda muitos habitantes <\à região não po d i a m regressar às suas casas por os níveis de radiação serem ainda demasiado altos. Para avançar para a direcção da qual o vento sopra. decidiram ampliar u m a porta . q u e .s e a i n d a perante um problema terrível . escorria pela parede. u m a das grandes obras de arte do m u n d o oci dental. c r i a n d o um p o d e r o s o efeito de sucção — isto é. O desastre de C h e r n o b y l foi o pior de sempre na indústria nuclear. m e n o s m o l é c u l a s existem por unidade rio volume. O mural. c o m 3. o vento tem de c o n t o r n a r a vela. Na face exterior — de sotavento —. Km Ião incompetente que se pagou a outro pintor. a sua velocidade aumenta a corrente de ar por baixo de u m a porta p o d e ser s u r p r e e n d e n t e m e n t e forte por este motivo. Quatro anos após o acidente.60 m de altura. O efeito de sucção c um dos fenómenos da aerodinâmica: o ar que é desvia do por u m a vela curva c o m p r i m e se para p o d e r passar. O t i m o n e i r o pode andar mais depressa fazendo ziguezagues a um ângulo mais aberto em relação ao vento mas o trajecto percorrido passa a ser maior. No entanto. acabaram por decidir arris car e. o barco tem de navegar n u m a série de zigue zagues. devido à exposição a elevados níveis de radiação. Muitas outras poderão vir a morrer de cancro no futuro. incandescente e expelindo para o ar quantidades imensas de substâncias radioactivas. E em 1943 u m a b o m b a d o s A l i a d o s esteve a l ou 2 m de completar a destruição. produzindo hidrogénio que poderia explodir e destruir completamente o reactor. este c o m e ç o u a arder violentamente. inundaram o reactor c o m u m a enorme quantidade de água. Quando os índices de radiação f i n a l m e n t e d i m i n u í rain. em cujo refeitório Leonardo pintara a sua obra pri ma. lançaram-se sobre o reactor mais de 5000 t de argila seca e areia para tentar abafar o fogo. 0 reactor inutilizado foi depois enchido com betão e abandonado. Q u a n d o um f l u x o de ar é c o m p r i m i d o .o incêndio mortífero de Chernobyl foi e x t i n t o e d e t i d a a l i b e r t a ç ã o de ra diação. e 20 anos depois a tinta estava já a soltar-se. Corno o vento pussu mais rapidamente ao longo da a ima exte rior da vela. i n c l u i n d o 6 b o m b e i r o s . temendo que esta reagisse com a grafite em combustão. 0 incêndio de Chernobyl foi muito mais grave. Por este motivo. N e n h u m b a r c o navega d i r e c t a m e n t e contra o v e n t o . a pintura mural está a ser restaurada. envolvendo o núcleo do reactor. lales luzem um bordo contra um vento forte Direcção do vento Movimento para diante A maior velocidade do vento redui a pressão Quilha Vela Força lateral A f o r ç a do v e n t o . Giuseppe Mazza. foi terminado no fim da década de 1490. evitaria que o fogo irrompesse de novo. A dada altura. a pintu ra foi considerada " m e i o arruinada". C o m o auxilio de u m a es quadrilha de helicópteros. o vento força o barco a andar de lado. q u a n t o mais rapidam e n t e o ar se m o v e . que. Partículas ao rubro branco de combustível radioactivo começaram a ser projectadas. puxando a vela para si. para rasp. Despejou-se t a m b é m cal em pó para produzir dióxido de c a r b o n o . sepultando o para sempre. assaltaram aquele inferno e e x t i n g u i r a m q u a n t o puderam do incêndio c o m o auxílio de mangueiras vulgares. A humidade. a sua a c ç ã o quase certamente salvou o reactor vizinho e evitou um desastre ainda maior. c o m imensa cora gem e sem vestuário protector. E m b o r a m u i t o s destes homens t e n h a m m o r r i d o . Contudo. Resultou e o fogo apagou-se. perderam o controle do reactor. Esta é a sétima tentativa desde 1726. Os primeiros a chegar ao local foram os bombeiros locais. quando um pintor de n o m e Michelangelo Bellotli foi con tratado para restaurar totalmente o quadro.tr Continuo no p. depois de duas fortes explosões. sofreu provavelmente mais danos do que qualquer outro grande trabalho. Em 1652.o v e n t o a e m p u r r a no m e s m o sentido. Assim. A força do vento é assim decomposta n u m a força que faz o barco an dar para a frente e noutra que o faz inclinar-se para sotavento — força esta que o tripulante tenta vencer projectando se para fora da borda do lado contrário. convertendo parte da suecuo em movimento para diunle. foi construído em volta do reactor um 161 . O u t r o s estragos o c o r r e r a m e m 1796. c o m o pode este navegar c o n tra c l e ? Por extraordinário q u e pareça. E quando a velocidade do ven t o a u m e n t a . o método utilizado na ex tinção do incêndio só foi possível porque 0 acidente fora suficientemente grave para destruir a cobertura do reactor. com o auxílio de mangueiras. matando 31 pessoas.um iate da classe "12 metros".o que implicou o corte dos pés de Cristo No século XVIII. por e x e m p l o . ou bordos. embora depois de se t e r e m escapado quantidades substanciais de radioactiviriade. expondo-o ao ar livre. Agora. impedida de se evaporar. puseram u m a cortina em frente do mural. a baixa pressão no lado de sota vento suga a vela para si c o m o d o b r o da força c o m que na outra face de barlav e n t o . não consegue um ângulo melhor que 10 a 15". q u a n d o as tropas de Napoleão usaram o refeitório c o m o arsenal. em Milão. a força mais i m p o r t a n t e que faz um barco andai contra o vento é a sucção. Mas os Russos e n c o n t r a v a m . Teve início depois de os operadores terem "passado por c i m a " de u m a série de sistemas de segurança a fim de verificarem por quanto t e m p o as turbinas c o n t i n u a riam a gerar electricidade depois de a fonte de vapor ter sido fechada.do utilizar água. Regateando contra o vento. mas o processo resul tou . Bombardeamento por helicópteros Para combater o fogo foi utilizado um processo inédito. Dcitou-se ainda c h u m b o para absorver calor ao fundir e para selar o reactor q u a n d o arrefecesse e solidificasse. menor será a sua velocidade. os frades dominicanos de Santa Maria delle Grazie. Velejar contra o vento Se o vento é a única força que impele um barco á vela. Ironicamente. A vela de um barco assemelha-se à asa de um avião em posição vertical.um reactor destruído e sem cobertura. 16-t neutrões e impedir que o reactor explodis se novamente. A cobertura do reactor foi destruída. e. de Leonardo da Vinci. O restauro de uma obra de arte A Ultima Ceia.

em Roma.Miguel Ângelo: a pintura da Capela Sistina Sentado na parte mais alta do andaime de madeira. por cima do altar. a cabeça andava-lhe à roda e temia cegar.." O papa partilhava das apreensões de Miguel Ângelo e visitava periodicamente a capela. Alguns andaimes (na fotografia em baixo. Em seguida. Ao todo. a meio caminho da sua tarefa ciclópica. o papa. furioso. terminando-o rapidamente!" Noutra ocasião. ao longo de quatro anos e meio. muito alto. afirmando que lhes faltava inspiração. no estúdio anexo. Mesmo assim.cada uma com as suas próprias feições. Por essa altura. Sentia-se mal com dores. colocava o papel 162 de encontro ao teclo e passava carvão em pó através dos orifícios para registar o desenho no preparo húmido. a tinta escorrendo lhe pela face e os olhos a arder. de ombros largos e meão na altura. Primeiro. despediu quase todos os assistentes. os antepassados de Cristo. Que Deus me ajude. completou a sua extensa obra no Outono de 1512 — quase quatro anos e meio depois de ter assinado o contrato com o papa. os nus masculinos (/ Nudi. Comia enquanto trabalhava . os dois homens fizeram as pazes e Miguel Ângelo voltou ao trabalho até ao Outono. cujo tecto se eleva a 21 me mede 40 m de comprimento por 13 de largura. para quem fora construída entre 1473 e 1481. e imitou-o: "Quando estiver pronto! Quando Génio solitário. sibilas (antigas profetisas). No dia seguinte. replicou laconicamente Miguel Ângelo. este busto de bronze de Miguel Ângelo. O papa ficou muito satisfeito . às vezes improvisando e compondo à medida que a confiança aumentava. enquanto o preparo estava húmido. que exaltam a perfeição da beleza humana) e cenas repre sentando a salvação da Humanidade. mostra a solidão de um homem cuja vida foi inteiramente dedicada ao seu trabalho. e escreveu ao pai: "Terminei a capela que estava a pintar. rotos e cheios de argamassa. pintou profetas. Feito em 1565. 1 lomem vigoroso. Qualquer erro significava inutilizar a argamassa e recomeçar do princípio. Nas ruas. por Piermatteo d'Amelia. Posteriormente. tinha 33 anos quando o papa Júlio II o chamou a Roma e lhe deu o encargo de repintar o tecto da Capela Sistina. com dores no pescoço. O andaime e as coberturas foram retirados. a capela foi oficialmente reaberta para a consagração pelo papa. pois não acho que o meu trabalho prossiga de forma a merecê-lo. Trabalhando sozinho e sem interrup çáo. e Júlio II e a sua corte viram o tecto em 31 de Outubro. dizendo: "Nada peço ao papa. desenhava as figuras numa folha de papel e perfurava os contornos com um estilete. desenhou um andaime de madeira móvel que lhe permitia pintar de pé se quisesse e ainda andar de um lado para o outro. O cabelo e a barba estavam sujos de tintas. O papa franziu o sobrolho e disse lhe acerbamente: "E nós queremos que nos satisfaças. com os olhos a poucos centímetros do tecto.decorasse o tecto abobadado com retratos dos 12 Apóstolos. Sofria física e mentalmente. trabalhava 30 dias seguidos." As obras de Deus e do homem. Para alcançar o tecto. à medida que o trabalho progredia.. criando manchas de bolor nas pinturas.quase sempre pedaços de pão — e a noite dormia. ele achou-o dolorosamente limitativo — especialmente depois de ter acrescentado uma rampa à plataforma superior para po der trabalhar nos pormenores. Gradualmente. zangado. As nove cenas da criação do Universo sucediam-se alinhadas sobre a sua cabeça. escreveu: "Estou no lugar errado — e não sou um pintor!" Na verdade. subindo a escada até ao cimo do andaime para inspeccionar as pinturas. Caprese Michelangelo). por sobre a entrada.. O seu projecto era cobrir a abóbada com frescos . faltou o dinheiro para continuar o trabalho. A criação do Universo por Deus é apresentada por Miguel Ângelo numa série de nove painéis no tecto da Capela Sistina do Vaticano. mais uma vez. a sueste de Florença —. Esta capela recebera o nome do tio de Júlio II. ameaçou mandar atirar o artista do andaime abaixo se não trabalhasse mais depressa. com 66 anos. Miguel Ângelo começou a trabalhar no Verão de 1508 com a ajuda de seis assistentes — que lhe misturavam as tintas. Miguel Ângelo só teve de o fazer uma vez.. véspera do Dia de Todos os Santos. "Quando estiver pronto". No Verão de 1510. muitos julga vam-no "louco" e troçavam dele quando passava. "Quando ele me satisfizer como artista". Mas o artista considerava o tema bastante pobre e decidiu cobrir a superfície com a sua concepção da criação do Universo. respondeu Miguel Ângelo. até à Embriaguez de Noé (mostrando o homem distanciado de Deus). antes de mais. prepa ravam a argamassa e às vezes colaboravam mesmo na pintura. Às vezes. por exemplo. estiver pronto!" E erguendo a bengala. só em Fevereiro de 1511 pôde prosseguir a obra. o papa Júlio quis saber quando estaria terminado o resto do tecto. mais de 1000 m2 de área pintada. pintava a partir do desenho. Em volta. andava de cabeça baixa porque a luz do exterior lhe feria os olhos. o papa Júlio pretendia que Miguel Ângelo — que aceitara o encargo com relutância . Chegaram mesmo a trocar palavras azedas. A princípio. . Isto não só pela dificuldade da tarefa corno também por não se tratar da minha profissão. Miguel Ângelo (Michelangelo Buonarroti) considerava-se. Perco infrutiferamente o meu tempo.pintura a água sobre a argamassa ainda fresca —. "Quando é que tudo estará pronto?". criou cerca de 300 figuras do Velho e do Novo Testamento . Iam desde a Separação da Luz e das Trevas (a Criação). o papa Sisto IV. mas no tecto havia uma pintura relativamente insignificante de um céu estrelado. o que tinha de ser feito muito rapidamente. O papa enrubesceu-se. bateu com ela no ombro do artista. Depois. perguntou Júlio II. Miguel Ângelo trabalhava de sol a sol nos seus frescos para o tecto da Capela Sistina do Vaticano. As suas pare des estavam cobertas por quadros magníficos de mestres como Botticelli e Perugi no. quando o tra balho já ia a meio. obra do seu amigo Daniele da Volterra. os fatos. suportou resolutamente os rigores do inverno romano — quando o frio vento de norte soprava pela capela c a chuva entrava pelo tecto. altura em que. Miguel Ângelo não assistiu às cerimónias: estava ansioso por regressar às suas esculturas. e por entre os grandes frescos. vestido e calçado. com a cabeça e os ombros inclinados para trás. à esquerda) dão uma ideia das dimensões da capela. e em Janeiro de 1509 escreveu ao pai. um escultor de mármore — e não tinha boa opinião das suas faculdades como pintor. Nascido em 1475 — filho do presidente do Município de Caprese (hoje. expressões e atitudes -. as pessoas que trabalha vam no Vaticano já se tinham acostumado à estranha figura de Miguel Ângelo. Em 1510.

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Para realçar as imagens. O computador considera muitos factores. As cores muito vivas que emergem não são as que Miguel Angelo pretendia. e a tarefa principal é a sua limpeza. Cada vez se utilizam técnicas mais sofisticadas no restauro de quadros. Um técnico de restauro trabalhando no túmulo da rainha Nefertite. porque certas cores alteram-se rnuito mais rapidamente que outras e certos pigmentos podem ter sido afectados pelo verniz. examinando-a ao microscópio com uma ampliação de 40 vezes. Alguns dos restauradores alteraram consideravelmente o trabalho original. de tão escuro que se tornara. O tecto restaurado é agora fácil mente visível à luz normal." Pinin Brambilla Barcilon. por exemplo. em Tebas. a Dr. O tecto encontrasse em muito melhor eslado que 4 Última Ceia. Na Capela Sistina tem sido utilizada uma técnica semelhante.'1 Brambilla ter começado o seu trabalho. Deixará para futuras gerações a responsabilidade de re pintarem essas áreas e tentarem captar a visão original de Leonardo. utilizam-se outros métodos. facilmente removível. Outro restauro igualmente importante está a ser levado a cabo em Roma o do tecto da Capela Sistina do Vaticano. cola o suporte solto injectando uma emulsão de resina acrílica. Estuda uma pequena área de cada vez. As cores vivas que Leonardo usava começam lentamente a ser reveladas à medida que as pinturas sobrepostas e escurecidas vão sendo retiradas. e foram necessários seis anos para restaurar a quarta parle. tudo o que BelloUi fizera. A primeira tareia era limpar a sujidade de 500 anos. espessa e de cheiro desagradável. Na verdade. embora o agente de limpeza fique no tecto durante apenas três minutos até ser removido. muito pouco de A Ultima Ceia tinha verdadeiras semelhanças com o original de Leo nardo antes de a Dr. se deixam ficar durante cerca de 10 minutos e se retiram depois como um penso adesivo. por exemplo. Mas. e a Dr. que acham que o restauro vai retirar todas as pequenas áreas de tinta que o artista acrescentou a seco (depois de a argamassa secar) e que a parte do tecto já limpa tem um aspecto duro e pouco subtil. Este processo tinha de ser repetido diversas vezes. passou três anos a examinar o quadro e a parede em que ele foi pintado. Alguns pe ritos usam reflectografia infravermelha para "espreitar" por debaixo da superfície das pinturas e revelar os desenhos feitos pelo artista antes de pintar o quadro. pinta do entre 1508 e 1512 por Miguel Ângelo. Os peritos pensam. a máquinas iguais às que a NASA emprega para melhorar as fotografias do espaço. Mas esta raspagem foi mais prejudicial que benéfica. A empresa química italiana Montedison inventou uma espécie de cataplasma para limpar frescos. tal como estava. A Dr. A restauradora.d Brambilla preenche as áreas vazias com uma aguada neutra. Túmulo com 3200 anos. depois enxugava-o an tes que ele atingisse e danificasse as cores originais de Leonardo. O restauro mais recente iniciou-se em 1977 e ainda continua. a fim de levantar as camadas de sujidade e verniz. Muitos outros peritos não são desta opinião. O processo é repetido 24 horas depois. precisava de 30 000 W de lâmpadas do halogéneo para o tornarem visível. levando consigo a sujidade. Usam-se computadores para calcular o grau de alteração sofrido pelos pigmentos de uma pintura e produzir uma imagem do quadra com as cores corrigidas. a fim de adquirir um conhecimento pormenorizado dos pro blemas existentes. Grande parte do quadro está irremediavelmente perdida. o restauro do tecto tem dado azo a controvérsia. bem como os vernizes e ca madas de tinta dos restauros anteriores. A pouco e pouco. o fresco enegreceu gradualmente pelo arder das velas e das braseiras de carvão usadas pelos padres para iluminar e aquecer a capela. que Judas recebeu um aspecto muito mais sinistro do que Leonardo pretendia. dizem os críticos. O restauro da pintura murai de Leonardo da Vinci em Milão. é aplicada em tiras de papel poroso que se comprimem sobre o fresco. recorrendo. Demora uma semana a limpar uma área do tamanho de um selo.«i4 Última Ceia». Ao longo de quase 500 anos. tem sido um processo tento. 164 . foram aparecendo pormenores delicados — uma imagem anteriormente obscura provou ser o refle xo de uma rodela de limão num prato de estanho.a Brambilla aplicava um diluente preparado para o efeito. situada à direita. O tecto. A pasta. criada há 500 anos.

. os astrónomos criam instrumentos potentes que lhes permitem procurar os limites do Universo.A exploração do Universo Enquanto os astronautas tentam os seus primeiros passos na imensidão do espaço.

166 .

Os gases dos dois foguetes auxiliares de combustível sólido produzem uma reacção de 2400 t . a reacção é suficiente para a elevar do solo e a acelerar cm direcção ao espaço. o fogueie é desenhado para manter um rumo estável. queimando propulsanles. o primeiro vaivém espacial. ascendente. Ao contrário do balão. em conjunto.pelo que a reacção ascendente global do vaivém é superior a 30001. No século XVII. Quando os gases quentes do escape são expelidos pela sua parte posterior. Contudo. aterrando numa pista de aviação 167 . 100 t de combustível por minuto. Os seus dois foguetes auxiliares de lançamento. que consomem. uma vez produzido o gás. Mas. o Columbia. o vaivém entra na sua órbita preestabe lecida em torno da Terra. o princípio básico do seu funcionamento é o mesmo de um balão que dispara pelo ar quando lhe abrimos o pipo: é o princípio da acção e reacção. é a reacção igual e oposta ao jacto de ar que se escapa que empurra o balão para a frente. o foguete não contém um gás comprimido. Como a nave completamente carregada de combustível pesa apenas 2000 t. o vaivém espado! Columbia sobe para o espaço numa das suas muitas uiagens. o foguete c impelido para diante pela reacção igual e de sentido oposto ao dos gases libertados. Os três motores de propulsante líquido do Columbia.uma "reacção". separam se da tiave ao fim de dois minutos e coitam à Terra por meio de pára quedas. Uma vez no espa ço. Era accionado por três motores de combustível líquido e um par de foguetes auxiliares de lançamento de propulsanle sólido e comandado por cinco computadores sofisticados interligados. a fim de serem reutilizados. quando se larga o pipo de um balão cheio e o ar é expelido pela abertura. o princípio é o mesmo. produzem uma corrente descendente de gases que provoca uma força oposta. Newton resumiu uma das regras fundamentais do Universo na frase "A cada acção opõe-se uma reacção igual de sentido contrário": por exemplo. mas fabrica gás. presos ao grande depósito de combustível.A força que impele um foguete Em 12 de Abril de 1981. O vaivém regressa. O depósito grande é largado seis minutos depois e desintegra se na sua queda atraias da atmosfera. Mas. ape sar da aparente complexidade do vaivém. de 640 t . subiu de Cabo Cana veral. contrariamente ao balão que voa em todas as direcções. A primeira nave espacial reutilizável Expelindo chamas € nuvens de fumo.

Se uma fonte de ondas de rádio se encontra em moviuien to. a distância percorri da. fotografando osle planeta gigante e as suas luas. tanto maior a alteração nos comprimentos de onda. Durante os voos da Apollo à Lua. dependendo da velocidade da fonte emissora.spacial Europeia. no da Voyager 2. Quando a sua direcção precisa de ser alterada. os foguetes lançados para o espaço transportam um sisto ma de navegação por inércia que funciona independentemente de sinais exteriores ao aparelho. a Canopus. em cada instante e com rigor. Pessoal de manutenção. As últimas naves tripuladas americanas. Por exemplo. Entretanto. os controladores da missão em terra tinham de saber exactamente onde se encontrava a Voyager . compu tadores em terra dão instruções ao próprio computador da nave para ligar os foguetes de impulsão para corrigir a órbita da nave. o astronauta americano Gardner (à esquerda) saiu do ixtioém Discovery para o espaço com o auxílio de uma "mochila" a jacto — uma MMU fmanncd manoeuvering unit. Um computador a bordo regista continuamente todas as alto rac.ões na direcção e na velocidade do foguete. Se os sinais de rádio e a navegação por inércia mostras sem que havia ligeiros desvios. podendo assim calcular. Antes de cada voo. Um deles capta a direcção do Sol. um dos eixos é a direcção em relação à Terra As duas outras referências consistem em fotossensores. seguem órbitas mais próximas da Terra do que a Apollo. É um exemplo do efeito de Doppler. o seu companheiro Allen deslocou-se até ao satélite apoiado num IMJÇO•robô extensível.e conseguiram computar a sua posição com uma margem de erro de 100 km. Mediam o tempo que os sinais de rádio demoravam a chegar à Apollo o a regressar à Terra e dividiam-no pela velocidade tio sinal (igual à da luz. a direcção real c a velocidade.01% da velocidade da luz. Quanto mais rapidamente a nave se desloca. O outro é um conjunto de acelerómelros que medem a sua aceleração ou desaceleração. o outro "fixa-se" numa estrela brilhante — a Regulus. A fim de obterem as melhores loto grafias possíveis. Um estudo dos sinais revelava-lhes tain bém a velocidade da nave. Os engenheiros espaciais tem muitas maneiras de conseguir estas proezas de navegação. mesmo depois de a nave ter percorrido 4954 milhões de quilómetros. as frequências c o comprimento dessas ondas são alterados em certa medida. As sondas espaciais não tripuladas possuem auxiliares de navegação incorporados. Conhecendo a direcção e a distância à nave. Agarrando se ao satélite. ou unidade tripulada de manobra). os controladores de terra seguiam também o percurso da nave por meio do sistema de comunicações com os astronautas. Paru reparar o satélite de comunicações Westar VI. Além disso. No caso das Voyagers. A partir dos sinais de rádio quo captavam. Para navegar no espaço. Este sistema contém dois ins Irumentos: um é um conjunto de giroscópios que permite monitorizar o rumo efec tivo do foguete. Esta sonda foi 168 . da Agência F. Gardner accionou os jactos da MMIJ para parar o Weslar. os radio telescópios na Terra computavam exactamente a direcção da nave. estes sinais permitiam aos controladores calcular a distância da Terra ixApulh. A alteração na frequência da Apollo era de cerca de 0. a nave não tripulada Voyager 2 passou ao lado de Urano.Como os astronautas navegam no espaço Em Janeiro de 1986. eram calculados o percurso e a velocidade que os astronautas da Apollo deveriam cumprir. 300 000 km/s). Outra sonda espacial que exigiu a marcação de uma rota exacta foi a GiottO. no caso da Voyager I. A frequência das ondas aumenta ou diminui conforme a nave espacial se aproxima ou se afasia da Terra. Este recolheu os astronautas e o satélite e trouxe os para o vaiuém. os controla dores de terra davam instruções aos astronautas para accionarem pequenos moto res a jacto para alterar a velocidade da nave e a recolocar na rota correcta. uma sonda espacial tem de fixar a sua posição em três eixos diferentes. os vaivéns. os controladores cal CUlavam a posição em que se encontrava.

os controladores de terra davam instruções aos foguetes de impulsão de bordo para corrigir a orientação da Giotto. Por isso. afirmativa. ro dam eles também. A comida tem de ser colocada na boca com cuidado: uma vez na boca. pois tenta compensar as alte rações que se dão no organismo durante o voo espacial Estas alterações iníciam-se assim que os astronautas entram no espaço e são bem notórias logo ao fim de uma semana. figura a programada para se encontrar com o co meta rio Halley em Março de 1986 e enviar para a Terra fotografias pormenorizarias do núcleo sólido no centro do corneta. c a humidade é cuidadosamente regulada. localizar o núcleo rio cometa era uma tarefa mais difícil. Po deria sacudir-sc o sumo para dentro do copo só que o líquido saltaria. Se a trajectória aparente de uma estrela estava incorrecta. a resposta a estas perguntas é. sem gravidade contra a qual lutar. Antes de Yuri Gagarin. a falta de peso não tem significa rio. que espremiam para a boca por meio de bisnagas como as das pastas de dentes. O ar viciado e os odores são eliminados pela circulação rio ar atra vós de absorvedores rie dióxido de carbono e de filtros rie carvão. mais o corpo é afectado. Poderia o seu corpo resistir às forças esmagadoras criadas pelo foguete rie lançamento — forças que tornavam 0 ho mem seis vezes mais pesado? Poderia o seu corpo adaptar se imediatamente a seguir ao estado de gravidade zero? K seriam os astronautas capazes de comer e beber sem a gravidade para lhes "puxar" os alimentos e bebidas para o tubo digestivo? Hoje. as bebidas têm de ser esguichadas para dentro da boca por meio de uma espécie rie pistola de água ou ser sugadas do frasco com uma palhinha. porque o sumo não sai rio recipiente. Quanto mais demorado o voo. nos anos 60. O azoto para o sistema de pressurização de ar é fornecido por depósitos à pressão. O sugar funciona tão bem no espaço como na Terra. bifes. 0 núcleo do cometa de Halley ia sua parte interior densa. podem já desfrutar de refeições apetitosas. com certas reservas. A Gioíto possuía sensores referenciados à Terra e ao Sol. começam às cambalhotas. uma vez que no espaço não há "baixo" nem "cima". O oxigénio é obtido de reservatórios rie oxigénio líquido transportados a bordo. Utilizando radiolelescópios espalhados por todo o Mundo. porque fora concebida para girar continuamente. As refeições são planeadas para fornecer aos astronautas uma média rie 3000 calo rias riiárias. Entre as alterações mais graves. Dá-se ainda uma perda progressiva rios glóbulos vermelhos do sangue. que se tornou o primeiro astronauta em 12 de Abril de 1961. obtiveram as primeiras. que mostraram a posi cão do núcleo em relação às duas naves Vega. Ksla infor mação permitiu aos Europeus guiarem a Giotto até à distância correcta do núcleo. contudo. Duas sondas soviéticas de nome Vega chegaram ao cometa cerca de uma perda de cálcio. Quando este passou pela nave a 605 km de distância. houve urna notável colaboração interna dona). formada de partículas de gelo c rochas) revelou se um objecto negro corno carvão. os cientistas america nos sintonizaram as rariiotransmissões soviéticas a fim de calcularem exactamente onde estavam as Vega A partir destas posições e das fotografias das Vega. espargos e pudins de caramelo — tudo comido com talheres e servido em tabuleiros. Não se sabe o que provoca estes efeitos. ninguém sabia em que medida o ser humano suportaria os rigores do voo no espaço. fotogra fias do seu núcleo. Km vez riisso. pois o reflexo da deglutição encarrega-se de empurrar a comida para baixo embora "baixo" não seja a palavra adequada. por exemplo. . que emitia géiseres de gases e vapores de uni branco -brilhante até à distância de 1G00 km. Na era do vaivém espacial. ainda que longínquas. mas a resposta terá rie ser conhecida para que as viagens espaciais de longa duração se possam considerar realmente seguras. Os músculos do coração. tentam rociar um manipulo. porque se serve da pressão do ar para ele var o líquido na palhinha. o que parece muito para a vida num ambiente fechado em que não há gravidade Mas os astronautas despendem grandes quantidades de energia na exe cução rias tarefas mais simples. e existe a maior preocupação em que sejam apetecíveis à vista e ao olfacto.semana antes da Giotto. A dieta espacial é francamente diferente da terrestre. começam a atrofiar líi1) . fornecida pelo sistema rie apoio vital da sua nave. Mas. 3000 calorias por dia O leque de alimentos oferecidos aos astro nautas do vaivém é amplo. No espaço. A maneira de comer e beber no espaço é diferente da na Terra. Se se dobram para atar um sapato. espalhando se em glóbulos por toda a parle. neste caso.lá o beber apresenta problemas: não se pode encher um copo rie sumo rie laranja. a Giotto tinha um sistema que computava as posi çòes de todas as estrelas mais brilhantes. Refeições numa nave espacial Durante os primeiros voos espaciais. que incluem ovos mexidos. Se. a Giotto conseguiu tirar fotografias que surpreenderam os astrónomos. Passando pelo co meta à distância rie 8000 km. mas não podia fixar se em determinaria estrela para o seu terceiro eixo. os astronautas alimentavam se com pastas de aspecto pouco apetecível. 0 encontrar formas invulgares de executar essas simples tarefas gasta o excesso de calorias. os Soviéticos puderam determinar com rigor qual a posição do núcleo rio cometa. que provoca uma diminui çáo marcada ria massa e resistência dos ossos. os astronautas vivem encerrados numa at mosfera de azoto e oxigénio à pressão normal do nível do mar c numa temperatura agradável. em forma de batata. A navegação correcta ria Giotto era simples. com 16 km de comprimento e 8 de largura.

incluindo a viagem de ida e volta. transpiram e vomitam. os astronautas fixavam sacos às partes apropria -se. Em seguida. Três meses depois. duzir a extensão destas alterações. despensa e bica de Uma das soluções seria os tripulantes cultiágua. como esta constitui um enorme problema. pudim de caramelo e ponche tropi das do COipo. Comer com faca. Curiosamente. fechos velcro ou fita go mada para os manter no lugar. de conservação. Sentem náuseas e dores de cabeça. a tensão superficial de um líquido mantém no no seu recipiente. O pão é cortado em fatias estão a fazer planos para uma missão tri e conservado por irradiação. tal como a maçã que Newton viu cair 170 . E uma forma aguda do enjoo de movimento de que certas pessoas sofrem na Terra. uma vez que os alimentos também se agarram aos talheres. equipada com forno. A eliminação dos sacos de vomitado tem de ser feita higienicamente. O cozinheiro re-hidrata os alimentos varem os alimentos em estufas a bordo. outros planetas nas primeiras décadas do gos são secos por congelação. As refeições do vaivém são embaladas individualmente e preparadas pelo "coziAlimentar a tripulação numa missão nheiro de serviço" na cozinha de bordo. Tal como muitos alimendesejariam. Os alisoes de G a 12 meses nas estações espaciais por pessoas de ambos os sexos. bife. do."voem" descontrolados. então o homem poderá visitar caramelo encontra se em latas. Mas no vaivém eles dispõem de sível em órbita. for sacudi espaço quando deixam o corpo. mas equipada com alças para os pés e um "cintêm sido usadas as mais recentes técnicas não tanto quanto os médicos do espaço to de segurança". Em geral. normalmente. estão continuamente a cair em direcção à Terra. zidos para um contentor por uma corrente pacidade de resistência humana no espa de ar que sai logo abaixo do assento e são ÇO. que. Jantar: cocktail de camarão. flutuaria por toda a cabina. com os pés em estribos para evitar que Em \ de Outubro de 1957. brócolos gratitêm de ser aquecidos e introduz palhinhas nos recipientes de bebidas. A sanita está Para manter os alimentos apetecíveis. e ele problema: uma vez que não existe gravidade. que. pois esta é subproduto o conteúdo é lançado para o exterior. O pudim de to ao vácuo do espaço. A eliminação das excreções do organismo em condições de ausência de peso é Bola de sumo de laranja. retirada pelo tubo por meio de sucção de dos com água antes de se poderem consuar e armazenada num reservatório com mir. onde para Marte? abundante das pilhas de combustível que se evapora. que confunde os órgãos do equilíbrio no ouvido interno. Mas era uma operação desapernas. Como os satélites giram em órbita em torno da Terra que o exijam. Podem ser novamente hidratados com água ou na Tanto os Americanos como os Russos boca com saliva. factor funda vital cm voos prolongados como as mis um adaptador que permite a sua utilização mental em todas as naves espaciais. quase 50% dos astronautas sofrem de enjoo do espaço. A urina é mentos desidratados têm de ser mistura russas Salyut e Mir. ementas diferentes durante seis dias sucesciona com ar—. Os astronautas seguram os tabuleiros à mesa de refeição portátil ou a qualquer sítio conveniente. pulada a Marte. Uma dieta rica em minerais ajuda a redo para a remoção da urina. farelos. o satélite manteve-se perto da Terra. ardeu. No um espaço. essas excreções ficam a boiar no pode ser bebido por uma palhinha. Nas primeiras naves espaciais. então. um foguete so viético lançou para o espaço o Spulnik I. 0 exercício contribui também tos. Mas se o liquido. Apesar das aparências. Aparentemente desafiando a gravidade. existindo um tubo separa sivos. como este sumo de laranja. comem em pé. Cultivar alimentos numa viagem bordo do vaivém. demoraria cerca de dois anos. Periodicamente. Se os astronautas puderem suportar 0 bife é pré-cozinhado e vem apresenta secos quando o contentor é depois ex[K>s mais de dois anos de gravidade zero per do em embalagens estanques. são manente. Os morantrazidos de volta à Terra. o ovo mexido é desidratado A desidrapara contrariar a atrofia dos músculos o é O tubo para a urina é flexível e possui tação ajuda a reduzir o peso. Mas os astronautas têm de comer devagar e evitando movimentos bruscos para não "soltar" a comida. Os detritos sólidos são conduAinda ninguém conhece os limites da cafornecem electricidade à nave. põe no forno aqueles que A ementa diária da tripulação de um vaivém A ementa típica de um dia para os astronautas do vaivém seria: Pequeno-almoço: pêssegos. morangos e uma barra de chocolate e amêndoa. Existem a bordo alimengradável. garfo c colher apresenta poucas dificuldades. O mesmo acontece aos músculos cias nados. onde não há nada que tos alternativos suficientes para fornecer uma retrete com autoclismo que funmantenha os pés no chão. Coloca depois os pratos em tabuleiros individuais com o auxilio de imanes. o que lhes próximo século. uma vez que o caminhar é imposcal (sem álcool). flutua no ar com a forma de uma bola. os satélites não desafiam realmente a gravidade: de facto. ovos mexidos e cacau. preserva a forma e a textura. Almoço: carne de conserva com espargos. A eliminação das excreções do organismo Durante os primeiros dias de um voo espacial. não há falta de água a outras águas de despejos. e é causada pela falta de peso. A ausência de peso pode originar refeições divertidas. pois os germes poderiam propagar-se rapidamente no espaço fechado cm que se vive.

a superfície curva da Terra foge lhe de debaixo no mesmo ritmo: assim. 0 atrito da atmosfera fé la desacelerar. e. tem. pelo que as suas coordenadas se mantêm fixas em relação ao solo. Assim embora o satélite caia em direcção à Terra. Se a sua órbita o faz aproximar ate algumas centenas de quilómetros da Terra. humoristicamente. Imagine-se numa montanha a 150 km acima da superfície da Terra. Em Agosto de 1985.está em órbita. Para colocar um satélite em órbita elípti ca. e que o levou à descoberta das leis da gravidade. desde a circular à Reparação de satélites." órbita. a sua velocidade é novamente bastante para o tornar a afastar da Terra e iniciar uma segunda órbita elíptica. a estacão caiu e ardeu sobre a Austrália Ocidental. a atmosfera que ainda existe a essa altitude provo ca atrito no satélite.saiu do ixâoém Challenger a fim de recuperar o Solar Max. maior a órbita. Quanto mais for te a impulsão vertical. Trata-se de um satélite geoestacionário que mantém em órbita coordenadas permanentes em relação à Tetra elíptica muito excênlrica. cair na atmosfera e arder. porque podem usar antenas fixas para enviar sinais de e para os satélites em vez de seguirem alvos que se movimentam no espaço. Embora em teoria um satélite em órbita devesse permanecei eternamente m i es paço. que lhe imprimir suficiente velocidade horizontal para que a sua Ira jectória de queda nunca toque na Terra. este é lançado da Terra com velocidade suficiente para contrariar a força da gravidade. 171 . a estação espacial Skylab levou a cabo experiências de fisiologia e física. ã direitaj . Um satélite nesta órbita desloca-se à mesma velocidade que a Terra. tal não acontece frequentemente. Suponha agora que atira a maçã em direcção ao horizonte: ela cairá. a Companhia Ás de Reparações de Satélites. Quase todos os satélites de comunica coes. Km bora a maçã esteja continuamente em queda. Escolhendo a combinação adequada de impulsão de baixo para cima e na hori zonlal. que repararam o satélite. ela cai na vertical. o vaivém Discovcry lançou no espaço um satélite de cornai li cações. mais elíptica será a órbita. A diferença fundamental entre a maça e o satélite é que esle desloca se a cerca de 30 000 knVh c a muito maior altitude. ao completar uma órbita. o astronuuta George Nelson — na sua unidade tripulada de manobra (em baixo. Em Abril de 1984. a superfície do planeia afasta-sc dele pela sua curvatura — pelo que ele nunca chega realmente a aproximar se. A força cinética do satélite no sentido hori zonlal faz com que ele não "acerte" na Terra. percorrem órbitas circulares sobre o equador a uma altitude de 35 800 km. Quando um foguete lança um satélite. ele afasta se da curvatura da Terra. Se ela for lançada com velocidade suficientemente grande. portanto. os controladores de missão podem colocar um satélite numa órbita de quais quer dimensões e forma. pelo que este acaba por desacelerar e começar a cair em direcção à Terra. a maçã não se aproxima da Terra . Mas a gravidade do nosso planeta nunca deixa de se exercer sobre o satélite.laboratório espacial gigante. As empresas de comunicação preferem estes satélites "geocstacionários". na sua 34 981. trajectória descendente da sua queda será paralela à curva da superfície da Terra. lançado em 1980 para observação do Sol. Os astronautas. levando o a perder ve locidade. que recebem ou retransmilem mensagens telefónicas e de televisão. a Lançamento de satélites a p a r t i r do espaço. Lm órbita a 435 km da Terra. quanto mais forte a impulsão horizontal. Se pegar numa maçã e a largar. K na queda ele adquire novamente velocidade. Consequentemente. mas segundo uma trajectória curva. pelo que. intitularam se.

Saturno e o ú/timo. A diferença de temperatura entre as duas extremidades dos termopares origina a passagem de uma corrente eléctrica. via rádio. Assim. Desde o seu lançamento eni 20 de Agosto de 1977. contam se três construídos pela Agência Espacial NortcAmericana. Nu imagem. por forma que permanentemente pelo menos uma an tena possa estar em contacto com uma sonda espacial. que a capta por meio da sua antena parabólica. 172 OS GERADORES DE ENERGIA DAS "VOYAGERS" Cada sonda Voyager recebe a sua energia eléctrica de um gerador nuclear mi niatura formado por três cilindros metálicos. Situam-sc na Califór nia. uma substância radioactiva O núcleo de cada cilindro é envolvi do por centenas de termopares -circuitos eléctricos em miniatura consistindo numa peça de silício e outra de germânio. a Voyager 2 já passou por Júpiter. res enviam instruções. 3. Mas com a desintegração do plutónio. Espanha e Austrália. os cilindros produziam. montaram-se à volta do Mundo enormes antenas e pratos parabólicos. O computador dá então as instruções necessárias. tem um diâmetro de 64 m.70 m. O próximo planeta será Neptuno. os cientistas conseguem observar mais facilmente as faixas da atmosfera que rodeiam o planeta. estas antenas das sondas são tão grandes que pode até dizer-se que algumas sondas são construídas sobre o dorso das antenas. Realçando as fotografias tiradas pela Voyager com cores falsas. Quando os electrões do silício são perturbados pelo aquecimento. de uma distância de 118 400 km. que tanto podem ser ordens para que um jacto auxiliar comece a funcionar a fim de alterar o rumo Saturno. Urano c Neptuno. Califórnia Daqui. ligados pelas extremidades e contendo dióxido de plutónio. colhendo dados científicos e fotografias que transmitiu para a Terra.70 m de diâmetro. comandar uma destas naves é como dirigir um robô por controle remoto. Quando as duas sondas Voyager fo ram lançadas em lí)77. Para poderem receber com clareza as instruções da Terra. Cada prato da sua Deep Space Network.lado). onde é descodificado. Sob muitos aspectos. a DSN (Rede de Comunicação do Espaço Distante). Os pratos das Pioneers têm 2.Como são controladas as sondas espaciais Os astrónomos têm hoje muitos conheci mentos acerca do sistema solar graças às informações colhidas por naves espaciais não tripuladas comandadas da Terra. para o espaço frio. Urano. . A sala de comandos das sondas ameri canas fica no Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a . o circulo interior representa a Temi. mas a distâncias Ião grandes os sinais de rádio tornam•se demasiado fracos. Uma das extremidades de cada lermopar é aquecida pelo plutónio em desintegração. Entre eles. em Pa sadena. o segundo. cada um com 43 cm de compri mento por 33 de largura. ao prato conveniente da DSN. A única forma de mandar sinais através do espaço é por rádio. para se enviarem instruções às sondas espaciais. a outra aponta para o exterior. Um potente transmissor remete depois essa mensagem à sonda espacial. Júpiter. c os das Voyagers. esta energia diminui 7 W por ano. gerando uma corrente. A Voyager fotografou também a superfície coberta de gretas e crateras de Enceladus (à direita). o terceiro. os controlado- A "Voyager 2" visita os planetas. em conjunto. os electrões livres deslocam-se em direcção ao gennânio. a NASA. 475 W de energia eléctrica. uma das muitas luas de Saturno. O prato transmite o sinal a um computador a bordo da sonda. Saturno.

Em 1979. sendo preciso o mesmo tempo para um sinal ir da Terra ã sonda. possui urna quantidade limitada de energia para transmitir os seus sinais. q u e as g u a r d o u nos seus dois c o m p u t a d o r e s . todos os sistemas funcionaram de acordo c o m o planeado. que depois foram reunidas num mosaico para dar a imagem completo. O pequeno disco sobre a superfície do planeia é Europa. esta va a cerca de 4800 milhões de quilómetros de distância. da . c o n t u d o . Nesta altura. a Voyager I está para a l é m do planeta Plutão. caixa). o menor do sistema solar. Esta demora de cinco horas significa que Iodas as instruções tiveram que ser programadas meses antes do encontro c o m Urano. A sonda. a antena conse gue que eles sejam recebidos corri nitidez no Jet Propulsion Laboratory. e a gravura pequena (em baixo) mostra o satélite fo. estará equipada c o m painéis solares q u e c o n v e r t e m a energia solar em e l e c t r i c i d a d e . Outro problema nas comunicações c o m as sondas distantes é o tempo que os sinais de rádio emitidos da Terra demoram a atingi las. a Mariner 10 tirou uma sequência de mais de 200 fotografias de Mercúrio. Jiipiler e as suas luas. A medida que a sonda espacial se afasta. Em 197:3. Nenhum foi encontrado. Se está destinada a passar perto do Sol. a Voyager 2 fotografou o planeta Júpiter e algumas das suas luas. Em 1976. tais c o m o fotografias do planeta. a cerca de 4800 milhões de q u i l ó m e t r o s da Terra Apesai das e n o r m e s d i m e n s õ e s d e u m a antena DSN. os sinais de televisão da Voyager levaram duas tioras e meia a chegar à Terra. por exemplo. Mas u m a s o n d a c u j a rola seja m u i t o distante do Sol necessita de pequenos geradores nucleares (v. M a r t e . Mas. a energia total que ela consegue captar da Voyager é apenas de alguns milioné sirnos de m i l i o n é s i m o d a q u e l a q u e faz funcionar um relógio de pulso electrónico. Mesmo pro pagando -se a ve locidade da luz. O seu sinal vai-se tornando cada vez mais fraco. IV:Í . os controladores da missão puderam apenas esperar e fazer figas. Felizmente. um pequeno módulo de aterragem destacado da Viking 1 recolheu porções do solo rochoso avermelhado de Marte e procurou nele vestígios de organis mos vivos. se assemelha à da Lua. ampliando os sinais. e a Vaya ger enviou para a Terra 700 fotografias pormenorizadas de Urano e dos seus satélites.M e r c ú r i o . Outros transportam dados científicos. sen do depois transmitidas antecipadamente â Voyager. EstQ fotografia revelou que a superfície do planeta. Alguns são simples "recados" que informam os controladores de que todos os sistemas da nave estão a funcionar correcta mente. o que sugere que os dois lenham aproximadamente a mes ma idade peio menos 4000 milhões de anos. Quando a Voyager2 passou por Ura no em Janeiro de 1986. A sonda t a m b é m envia sinais para a Ter ra. Q u a n d o a s o n d a passou então por Urano.sonda espacial c o m o para que a câmara inicie uma série de fotografias.

por consequência. foram lançados com a única finalidade de fotografar a Terra. A clareira (a azul) resulta da penetração progressiva das culturas. um satélite Landsal fotografou o vaie utilizando diferentes comprimentos de onda de luz. porque as Colhas das plantas são boas reflectoras dos infravermelhos. Os tons rio vermelho em cada campo ou piau tacão correspondem às diferentes formas por que as diversas plantas reflectem as radiações infravermelhas. Floresta tropical em regressão. têm um verde mais azulado que as de uma caducifólia.Sol é boa para determinados fins — por exemplo. O que tornou possível a identificação das culturas foram as fotografias tiradas por um satélite que passara sobre o vale à altitude de 920 km. da Califórnia. conseguem detectar uma "impressão digital" distinta para cada tipo de planta. é possível fazê-lo à vista desarmada: as folhas de uma conífera. em 1975. entro eles os ria série americana Landsal e o francês SPOT.Fotografias por satélite para prever as secas ou descobrir petróleo Na década de 70. os outros quatro são as ondas infravermelhas ou quase infravermelhas. £ . obtida pelo Landsal em 1981. Os primeiros LandSatS descobriram que as cartas rio Pacífico tinham marcadas certas pequenas ilhas com erros até 16 km das suas posições reais. As cores das fotografias são. Estas diferentes faixas de cor permitem aos cientistas distinguir entre diversos terrenos ou coberturas vegetais. de verde a imagem normalmente vermelha e de azul a imagem verde. Mas os cientistas conseguem obter muito mais informações quando tiram fotografias sob um largo espectro de comprimento de onda. alteradas para que a radiação infravermelha. Os satélites que utilizam a fotografia por infravermelhos ajudam também a identificar o grau de secura de uma região. verde e vermelho. o amarelo. Também os geólogos utilizam as imagens do Landsal para prever onde pode- Culturas de algodão codificadas por cores. Os cientistas podem assim verificar se as plantas sofrem de falta de água. A fim de se conhecer a distribuição dos campos de algodão no oaie de San . 0 açafrão-bústardo. para ajudar os cartógrafos a fazerem mapas mais rigorosos. um grupo de cientistas americanos identificou 25 tipos de cultura em quase 9000 campos do Imperial Vallcv. Uma vez colorida uma imagem com es tas cores falsas. A quantidade de água nas folhas de uma planta determina a quantidade de radiação infravermelha que a planta reflecte. invisíveis aos olhos humanos.loa quin. por exemplo. Três são visíveis: azul. a vegetação apresenta se vermelha. O Landsal tira fotografias rio solo com sete comprimentos de onda diferentes. Diversos satélites. o que permite aos cientistas identificarem com rigor as diversas espécies vegetais. normalmente invisível. Dentro de certa medida. ria Califórnia (em cima). seja apresentada como uma cor visível. Mas esta comparação envolve apenas os comprimentos de onda azul e verde. A imagem à direita. regista a desflorestaçâo ocorrida na selva amazónica. que é mais vívida se se observar sob certos comprimentos de onda e mais escura se sob outros. O vermelho representa o algodão. o verde é reslol/io c 0 azul são terrenos de pousio. Quando os cientistas do Landsal observam todas as faixas de cores. A fotografia à luz normal do . 0 esquema habitual é colorir de encarnado a imagem infravermelha. permitindo aos lavradores controlar as regas e prever as secas. Os contrastes entre os diferentes tipos de vegetação são mais destacados com raios infravermelhos rio que com as fre- quências visíveis. sem sequer se terem aproximado deste vate.

tirada de 920 km de altitude. e o seu sucessor abrangerá 224. Estes novos instrumentos serão capazes de distinguir plantas que tenham absorvido do solo elementos não habituais. O satélite mais avançado do Mundo para pesquisas do solo. de páraquedas. transmite G000 linhas por imagem. Isto significa que. câmaras fotográficas gigantes que orbitam a Terra conseguem distinguir no solo objectos com apenas 30 cm de diâmetro. Mas. O espectrómetro gráfico aerotransportado mede 128 faixas na banda dos infravermelhos. os cosmonautas. Torna se assim possível identificar os tipos de rocha que contêm. Os geólogos soviéticos têm obtido inúmeras informações de câmaras instaladas nas suas estações espaciais tripuladas das séries Salyut e Mir. conseguir-se-ia distinguir o Arco do Triunfo. Por isso. estes lêm de ser enviados fisicamente para a Terra. Numa fotografia de toda a cidade de Paris. os da série KH 11. Califórnia. ou "laçada". Ao acompanharem uma guerra. os granitos são geralmente claros. precisam de fotografias detalhadas que lhes permitam conhecer o número de soldados num campo de bata lha ou identificar aviões ou navios. Mas a fotografia por satélite tem outros fins. Cientistas do laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. na URSS. Em U)84. Quando se utilizam filmes ou películas. Numa fotografia a cores reais. por exemplo. se conseguem ver objectos com 10 m. Os satélites americanos Big Bird aperfeiçoaram esta técnica. Mas as imagens televisivas não são tão nítidas como as registadas em filme de 16 mm ou de 35 mm. e os resultados já conduziram à descoberta de novos campos gasíferos e petrolíferos. O filme exposto é colocado numa de seis cápsulas de reentrada. Fazendo mapas destas características.ráo sor encontrados petróleo e minérios. Como é que as fotografias por satélite chegam à Terra? No espaço. que depois é ejectada e penetra na atmosfera terrestre. Os geólogos e os econo mistas analisam fotografias tiradas do espaço que mostram as rochas c as culturas do solo. transportam os filmes consigo. os geólogos podem concluir a localização provável de veios de minério ou jazidas de petróleo. Quando cai. transmitem as suas fotografias por meio das técnicas de televisão. Espião aéreo. o que é obviamente impossível no caso de naves não tripuladas. numa imagem que abranja uma área de 100 km. mais por menores se obtêm. onde estúOQ em construção o primeiro porta-aviões nuclear russo. por exemplo. o SPOT francês. além de abóbadas e inclina ções nos estratos rochosos. listas máquinas tiram seis fotografias simultâneas nas frequências visíveis e infravermelhas. Os comandos militares utilizam-nas como "espiões aéreos". Os peritos de informações militares pretendem geralmente distinguir pormenores ainda mais diminutos. em Pasadena. manga nés ou crómio. a cor das rochas descobertas pode dar uma indicação sobre a sua composição: as gredas e o calcário são brancos. Os satélites futuros levarão mais longe estas possibilidades. listão instaladas em satélites do tamanho de um autocarro de 15 m de com primento e ocupam metade da sua área. A qualidade dos pormenores que conseguem distinguir se depende do espaçamento entre as linhas que formam a imagem: quanto mais linhas. que poderão não ser evidentes a observadores no solo. estudos pormenorizados das plantas serão indispensáveis para os pesquisado res de minério. ao regressarem. os basaltos escuros. Todos os dias o boletim meteorológico da televisão nos mostra fotografias tira- 15 7 . por um laço de arame rebocado por um avião de transporte C-130 Hercules. E os astrónomos observam as es trelas e galáxias distantes sem serem afectadas pela atmosfera terrestre. As fotografias por satélite revelam falhas nas rochas. sol) o pórtico. os diferentes tipos de rocha têm "impressões digitais'* distintas quando observados sob a radiação infravermelha. Desta forma. Mas como é que estas imagens chegam até nós? O processo mais vulgar da transmissão de fotografias a partir do espaço é utilizar as ondas de rádio e emitir as imagens para a Terra do mesmo modo que se faz com a televisão. O navio está em duas partes. um satélite americano tirou esta fotografia do Estaleiro de Nikolaiev. Se as fotogra fias são tiradas de uma nave espacial tripulada. os Americanos e os Russos — e mais recentemente os Chineses — já construíram satélites que devol vem automaticamente os filmes à Terra. a cápsula é recolhida. das por satélites. lai como a vegetação. têm aperfeiçoado instrumentos capazes de pesquisar o solo a muito mais numerosas frequências que as câmaras soviéticas em simultâneo. vendo-se a proa e a popa. Os mais recentes "satélites-espiões" americanos. lado a lado.

grego e francês. esta teoria revelou o segredo do Sol. no Havai. na de Berlim. Em 1905. tome acções imediatas"." Alertou para o facto de novas bombas "extremamente potentes" poderem em breve ser fabricadas pelos físicos aleEinstein em Berlim. afirmou. Dois anos depois. Einstein origem à lenda de que fora mau aluno. ob- Einsteln na velhice. finalmente. A sua teoria da relatividade tinha-se revelado demasiado controversa para a comissão do Prémio Nobel. levou à invenção da bomba atómica. tornou-se cidadão suíço e. Munido de um diploma geral. e na velhice mostrou náo ter "respeito" pelas pessoas — especialmente por aquelas que O fotografavam nos seus dias de anos. mas em "corpúsculos ondulatórios" denominados fotões. Estudou se.a teoria geral. o seu mau francês fez com que reprovasse no exame de admissão ao afamado Instituto Técnico Federal de Zurique. Zurique e Praga e. "No decurso dos últimos quatro meses. O pai dera Pearl Harbor. pouco depois do do da física despertou nele aos 4 anos. onde o pai e um tio abriram Urânio. Entre outras consequências. caixa). Além de abrir o caminho para a bomba atómica. a meio da I Guerra Mundial. publicou a segunda parte da sua teoria da relatividade .devido aos seus trabalhos sobre o efeito fotoeléctrico. ataque japonês à base naval americana de quando estava doente na cama. com efeitos devastadores. divulgou a fórmula. publicou quatro importantes estudos . criaram-se todas as condições . se necessário. mas era e destruições maciças.. de aspecto tão simples. Mas quando Einstein soube das mortes também latim. surpreendentemente fraco nesta última disciplina — o que posteriormente deu Em 1905 — com 26 anos —. nas quais quantidades diminutas de massa nuclear são libertadas sob a forma de luz e calor (energia). No ano seguinte. Alarmado com a ascensão da Alemanha nazi .. Após um curto período como professor de Matemática em Zurique. que demonstrou que a luz não se propaga num fluxo contínuo. na Alemanha. "Certos aspectos da situação que agora se vive exigem que a Administração esteja atenta e. mostrando que uma pequena massa podia ser convertida numa enorme quantidade de energia. em Berna. (oi admitido pelo Departamento de Patentes Suíço. como "técnico estagiário de terceira". No mês seguinte. para se conseguir provocar uma reacção nuclear em cadeia numa grande massa de urânio. que lançou a Améri -lhe uma bússola para brincar. onde passou os quatro anos seguintes estudando matemática e física. O interesse de Albert pelo munem Dezembro de 1941. e pelos 11 anos estu: bardeamentos obrigaram o Japão a render dava física ao nível universitário. Einstein demitiu se do Departamento de Patentes e passou ai guns anos ensinando Física Teórica nas Universidades de Berna. o que geraria enormíssimas quanti dades de energia e novos elementos semelhantes ao rádio. mais tarde um violinista entusiástico. e tomou-se foram lançadas.Albert Einstein: "Deus náo joga aos dados com o Universo" Em 2 de Agosto de 1939. Einstein não tomou qualquer parte apontar sempre para o norte. perfeitamente destruir a totalidade do porto e parte do território em reEinstein nasceu na cidade industrial de dor". Nesse ano sugeriu te tipo. o físico Albert Einstein enviou ao presidente dos Estados Unidos. Ambos os processos consistem em reacções nucleares. e ele sentica na II Guerra Mundial. m a massa e c a velocidade da luz). com bombas atómicas sobre as cidades japoneespecial atracção por Mozart. escreveu Einstein com um grupo de outros cientistas. em 14 de Março de Ao receber a carta.e temendo que Hitler viesse em breve a possuir a bomba atómica —. Era muito sas de Hiroshima e Nagasaki. em 1902. Depois do seu aviso ra-se fascinado pelo facto de a agulha inicial. E=mc2 (em que E é a energia. em 1914. Em 19/6. foi aconselhado a continuar a estudar noutro local e tomar a candidatar-se dali a cerca de um ano. Roosevelt. ex p r i m i n d o esta noção na sua fórmula E=mc2. Contudo. "a assobiar a minha música da relatividade". Andou nas parangonas dos jornais ao afirmar: "Deus náo joga aos dados com o Universo" — manei- 176 . teve então entrada automática no instituto.incluindo a primeira parte da sua revolucionária teoria da relatividade. "Uma única bomba desAcademia das Ciências de Berlim. ficou desesperado. Roosevelt criou ime1879. aquilo que chamou "uma carta de consciência". transportada de barco e que a gravidade não era uma força directa. por muito na criação da bomba. do a mãe o iniciou na música. Morreu aos 76 anos. que foi ensaiada com que virasse a bússola. enquanto ali trabalhava. Tinha 6 anos quanêxito em Julho de 1945. Deduziu também matematicamente que massa e energia são intermutáveis. Einstein trabalhava na mães. Franklin D. Em 1921. Ulm. a teoria restrita (v. Em 1895 — aos 16 anos —. Passou os anos seguintes viajando pelo Mundo. a família mudou-se diatamente uma Comissão Consultiva do para Munique. facto que atormentou a consciência de Einstein durante os últimos 20 anos da sua vida. Estes bom bom em matemática. Mas a decisão de se fabricar uma uma pequena oficina de mecânica e elecbomba atómica americana só foi tomada tricidade. podia quência de uma curvatura do espaço. Einstein renunciou ao pacifismo em que até aí vivera. Einstein foi galardoado com o Prémio Nobel da Física . mas a consedeflagrada num porto. Em 1909. e ele decidiu divulgar os seus trabalhos. como a idade normal de admissão era aos 18 anos.

Contudo. quando regressar será apenas cinco anos mais velho — enquanto o seu gémeo terá envelhecido 10 anos. Hitler subiu ao poder na Alemanha. movimento que procurava instaurar na Palestina um estado judaico de governo independente. "antes queria ter sido um fabricante de relógios. V ff) si A teoria do tempo de Einstein foi comprovada em Julho de 1977. Einstein decidiu fixar-se nos EUA Tomou-se cidadão americano em 1941. Se urn dos gémeos viaja no espaço a uma velocidade aproximada da da luz. quando se colocaram num satélite americano e se puseram em órbita relógios atómicos extremamente precisos. e. duas vezes mais lentamente do que na Terra. a sua massa seria infinita. locidade da luz. pois um objecto mais pesa estrela situada à frente da Terra é recebida do contém mais energia que um outro nesta ao mesmo tempo que a de uma mais leve viajando à mesma velocidade. Em 1933. tropas de assalto queimaram-lhe os livros. por exemplo. Concluiu que a velocidade da luz é a Na sua teoria geral. convertida em energia. Einstein afirmou única propriedade física constante no que um raio de luz seria deflectido pela Universo. Por isso. do Universo é relativo. "Se tivesse sabido que as minhas teorias levariam a tais destruições". Nova Jérsia. não se sentirá diferente do outro gémeo que ficou na Terra. se o astronauta estiver longe da Terra durante.seguindoque seja o movimento deste. pois que. a sua teoria foi comprovada por uma equipa de astrónomos britânicos que fotografaram um eclipse total do Sol — altura em que é possível fotografar estrelas perto do Sol. À velocidade da luz. Mas no final desse ano. o tempo a bordo da sua nave poderá passar." OS PARADOXOS EINSTEINIANOS DO TEMPO E DO Na sua teoria restrita da relatividade. necessitaria de uma força infinita A teoria restrita conduz ao "paradoxo dos gémeos". Elsa. a distância mais Calculou que o tempo passaria mais lentamente numa nave espacial viajando a uma velocidade aproximada da da luz do que para uma pessoa que se mantivesse estacionária em relação à nave. as outras propriedades físicas gravidade ao passar por uma estrela. curvaria o próprio espaço. Estes cálculos foram feitos por Einstein num quadro preto durante uma palestra na Universidade de Oxford. Afirmou efectivamente ser. outra estrela situada atrás da Terra. Notas de uma palestra. Queria com -se daí que a sua energia tem igualmente isto significar que a luz emanada de uma de aumentar. no vazio A fórmula de Einstein E = me2 signido espaço. 10 anos. Esta também pareceria mais curta vista pelo observador estacionário. em Abril de 1955. As posições diferentes das es trelas nas duas fotografias mostraram que a luz emitida por elas fora deflectida pelo Sol segundo o ângulo previsto por Einstein. em 1931. ainda A energia adicional é igual ao aumento da que esta se aproxime de uma estrela e se massa rrfultiplicado pelo quadrado da veafaste da outra a 29 000 km/h. O devem ser diferentes para pessoas que campo gravitacional da estrela forçaria viajem em diferentes direcções e a velocio raio de luz a curvar-se para "dentro" — dades diferentes. perto de Berlim (onde se dedicava a andar de barco à vela). e a sua massa aumentaria. nada existe em referência fica que a massa de um objecto pode ao qual ele possa ser medido. quando Hitler se tornou chanceler. afirmou uma vez. a questão é descobri-los. Os nazis também detestavam Einstein de- vido ao seu muito apregoado apoio ao sionismo. igualmente que a velocidade da luz Chegou a esta fórmula partindo da afir— cerca de 300 000 km/s — é constante mação de que a massa de um objecto em relação a um observador. trocou a Alemanha pelos EUA i 1 ÍU '1 1 et h c { cif ZT *tt r \ j C\-/ • K. quando. As fotografias foram comparadas com outras das mesmas estrelas quando o Sol não se encontrava perto delas. Afirmou ate que Einstein roubara a ideia de uns papéis encontrados no cadáver de um oficial alemão morto na I Guerra Mundial. pilharam a sua casa à beira do rio. ESPAÇO curta entre dois pontos seria uma linha curva Em 1919. uma minúscula fracção — o tempo pasEinstein afirmou que todo o movimento sara mais devagar a bordo do satélite. para o fazer. e confiscaram-lhe a conta bancária e o conteúdo do cofre da sua mulher. e 11 anos depois recusou a presidência de Israel. Na ausência de Einstein. Morreu em Princeton. afirmando ser "muito ingénuo" para político. O Fúhrer não podia acreditar que "um mero judeu" pudesse ter elaborado a teoria da relatividade.ra curiosa de dizer que o Universo tem padrões. o físico ali esteve como professor visitante. pelo que nenhum objecto pode atingir essa velocidade. No regresso. qualquer aumenta com a velocidade . os reló gios foram comparados com outro relógio semelhante e verificou-se que os relógios do satélite se tinham atrasado 177 . em certo sentido. e até ao fim da vida abominou o terrível meio de aniquilação que os físicos nucleares tinham posto à solta no Mundo. Dois anos depois. pois. Por isso. digamos. enquanto Einstein se encontrava nos Estados Unidos.

Uma fita métrica sobre o Universo Uma vista de olhos sobre o imenso vazio. Estu distância representa cerca de um vigésimo milésimo do diâmetro do unioerso risível. 178 . .4 galáxia de Andrómeda pode ser vista a olho nu como uma ténue mancha no céu. apesar de distar de nos 22 milhões de anos-luz.

os astrónomos en contraram já as distâncias de centenas das estrelas mais próximas. pelo que o cálculo é idêntico ao efectuado com a medição da distância â Lua. Hoje. Os astrónomos registam a sua posição. As estrelas próximas As estrelas situam-se a distâncias milhões do vozes superiores à do Sol. porque este não é sólido. segundo a lei de Keplcr. os as trónomos podem calcular a distunaa à estrela recorrendo à trigonometria O ângulo do paralaxe é medido em segundos de arco. os cientistas descobriram que a Lua está agora cerca de 30 cm mais distan te da Terra do que quando os astronautas da Apollo a visitaram A Lua e a Torra estão a afastar se porque a fricção entro o fundo dos oceanos e a água que se acumula com as marés está a afrouxar gradualmente a rotação da Terra. Verificando as constante mente. deixa ram no planeia pequenos "retrorreílcctores". é 3. Agora. é uma estrela pouco luminosa chamada Próxima Centauri. Quando os astronautas da missão Apollo visitaram a Lua. podemos definir as distancias referenciando as ao tempo que a luz de unia estrela ou de outro corpo ceies te leva a chegar à Torra. Então. A distância a uma estrela. que se sabe hoje ser de 149 597 870 km. Multipli cam então o tempo de ida o volta do raio pela velocidade da luz e dividem o resultado por dois para achar a distância da Terra à Lua. As que aparentam movimento risível estão mais próximas da Terra do que as outras. os astrónomos não possuem reflectores que lhes devolvam os raios de luz. que envolve a medição do ângulo entre duas direcções do posi ções aparentes do uma estrela e o seu relacionamento com a órbita da Terra. a distância de Vénus ao Sol é do 0. Ti ram-se fotografias do céu. Por isso. pois estes são formados por gases. entre 1969 c 1972. Para o fazerem.20 dividido pelo sou ângulo de paralaxe. Assim. Medindo o ângulo do movimen to aparente da estrela entre estas duas posições. levante um dedo em frente da cara. Como os astrónomos não podem utilizar o radar pura calcular a distância de uma estre la. A intersecção das duas linhas é o vértice do ângulo do movimento aparente (D). A mais importante é o método da paralaxe. fazendo a perder energia. Vénus e Marte -. ou cerca de 1/2000 do diâmetro da Lua. que fica a 4. Os planetas No caso dos planetas do sistema solar. por exemplo. Estas mostram que certas estrelas se mantém "li xas" enquanto outras parecem "mooer-se". ou LIA. Esta mancha é.615 de um ano é igual ao cubo do 0. sempre do mes mo loculdu Terra.2 parsecs. As ondas de rádio propa gam-se à velocidade da luz.72 UA (pois que 0.20 anos luz. na Terra. Para o compreender. mas não podem receber um oco de radar de Saturno ou de Júpiter. a Lua está gradualmente a afastar-se da Terra. Para acharem a distância de ama estrela que se "move". em relação a estrelas muito longfnquas. Em astronomia. por isso os asfrónomos utilizam técnicas diferentes para as calcular. Por meio do radar. Um segundo de arco é 1/3600 de um grau no firmamento. Os radioastrónomos conseguiram reflexos de radar de todos os planetas rochosos Mercúrio. abra esse olho o feche o outro: o dedo pároco ter-se movido.I. têm primeiro que conhecer a distância da Terra ao planeta. e tanto mais quanto mais perto estiver da cara. feche um olho e marque a posição do dedo cru relação a um fundo.72 UA). cuja distância está a ser medida. e conhecendo o diâmetro da órbita da Terra. emitem ondas rádio em direcção ao planeta e aguardam que o sou eco débil regresse à fonte depois de reflectidas as ondas pela superfície rochosa do planeta. c possível saber que a distância de Vénus à Terra quando os dois se encontram mais próximos entre si é de 42 milhões de quilómetros. fazendo-a ga nhar energia. O resultado é-nos dado em parsecs. chamado o ângulo de paralaxe. o dedo é a estrela mais próxima.Um observador no hemisfério norte que olhe para o céu numa noite dos últimos meses do ano conseguirá distinguir uma ténue mancha de luz na constelação de Andrómeda. A Lua A Lua ó o objecto do Universo mais pró ximo da Terra. semelhantes aos que existem na par te traseira de um automóvel. descrevendo uma órbita alargada. Antes de este existir. unidade do distância que corresponde à paralaxe de um segundo de arco. A estrela mais perto do Sol. Por isso. DF/TERMINAÇÃO DF. a galáxia de Andrómeda o mais distante objecto que se consegue ver a olho nu: a sua luz demora 2. os asfrónomos calculam a distância. Os astróno mos.2 milhões do anos a chegar até nós. porque a sua órbita é elíptica. dirigem a estes relrorreíloctores um potente feixe do raios laser.22 anos luz.615 do ano) a completar uma revolução em forno do Sol. os astrónomos baseiam os seus cálculos na lei do movi mento planetário a terceira lei exposta pelo astrónomo Kopler em 1618. os astrónomos examinam duas fotografias tiradas do mesmo observa tório com o intervalo de seis meses (A). e a acumulação de água das marés oceânicas puxa a Lua para diante na sua órbita. Os astrónomos utilizam esta unidade na deter minaçáo das distâncias dos outros planetas ao Sol. que é medido em segundos de arco Conhecendo o diâmetro da órbita da Terra e a medida do ângulo do movimento. ob servada de dois pontos diferentes da órbita terrestre. sen em se do método du paralaxe.7 dias (0. Estas distâncias são expressas em anos luz. A distância Terra-Sol é definida como uma unidade a que se chamou unidade astronómica. contudo. um aglomerado de estrelas. ou 3. As medições desta distância têm uma margem de erro de apenas alguns centímetros. Mas os astro nomos sabem lambem que Vénus demo ra 224. Utilizando esta loi. Esta distância varia ligeira mente. A 179 . pelo que empregam o radar. DISTAMCIAS PF. na realidade. Usando este método. tracam-se duas linhas entre a estrela e os extremos desta linha de base (C). em anos-luz. para o que utilizam o método da pa ralaxe ou o radar. ou 1. utilizavam a velocidade da luz e o método da paralaxe para calcular as distâncias aos planetas. Diz essa lei que o quadrado do tempo da revolução orbital de um planeta em torno do Sol é directamente proporcional ao cubo da respectiva distância média ao Sol. que não reflectem o radar. e cerca de dois segundos e meio depois os seus telescópios captam um ligeiro clarão quando o feixe regressa â Terra. os astrónomos puderam computar a distância media da Ter ra ao S o l . à distância média de 384 -100 km. Utilizando como linha de base o diâmetro da órbitu terrestre (li).A PARALAXE O Sol O radar também não pode sor utilizado para se calcular a distância ao Sol. durante lodo O ano. Os cientistas exprimem as distâncias no espaço com base no que de mais rápido existe no Universo a lux Um raio de luz propaga se a 94ri0 biliões de quilómetros num ano.

se se en contrai uma estrela com 10 000"C. primeiramente. Por isso. As estrelas mais longínquas Para calcular a distância a estrelas ainda mais longínquas. uma estre la branca ou amarela tem uma temperatura média. O ângulo de convergência das suas trajectórias aparentes traduz a direcção em que os aglomerados se movem no espaço — em direcção à Terra. é muito mais fácil trabalhar-. maior é o seu brilho. Os limites do Universo Na década de 20. Um dos grandes problemas a enfrentar é a variação de temperatura durante a noite. o diâmetro do Universo. formados por milhares de estrelas movendo se no espaço. uma vez determinado o período de uma cefeide. Mas é possível calcular a distância entre os objectos mais afastados que se conhecem em todas as direcções — por outras palavras. Assim. Espelho gigante para explorar os céus Para obter uma imagem bem focada de urna estrela ou de um planeta. mas muito pouco brilhante. do brilho máximo ao brilho mínimo e o regresso ao máximo. Assim.QUAL O TAMANHO DO UNIVERSO? Muitos astrónomos pensam que ele é ilimitado. com cerca de 20 000nC. no caso de estrelas próximas. A velocidade de uma estrela deduz-se da sua luz. A luz das galáxias mais distantes levou 15 a 20 milhões de milhões de anos para chegar à Terra. os espelhos dos telescópios têm de ter a forma correcta e manté-la. cujo brilho se altera de modo regular. Se uma cefeide tem. digamos. a 3. e assim por diante. e o fenómeno dá-se porque o Universo está em expansão. A medição da temperatura de uma estrela é muito fácil: uma estrela azulada é quente. altera os comprimentos da onda da luz que aquela emite — a luz torna se mais azul se a estrela se aproxima. é de 40 milhões de milhões anos-luz. A lei de Hubble permite aos astrónomos calcular a distância com base na velocidade. está a 8. utilizam métodos como o da paralaxe. ou "cúmulos estelares". mais rapidamente se afastam. Os astrónomos medem o tempo que uma cefeide leva na pulsação. os astrónomos precisam de técnicas diferentes. Muitas estrelas pertencem a aglomerados. pelo que. algumas delas a 100 000 anos-luz da Terra. o chamado efeito de Doppler. a um ângulo de 45". se uma galáxia distante se afasta. Kste intervalo denomina-se o período. mais vermelha se ela se afasta —. Quanto mais quente é uma estrela. As cefeides mais brilhantes pulsam mais lentamente que as de menor brilho. os astrónomos servem -se de elementos como a temperatura e o brilho. ou 385 milhões de milhões de triliões de quilómetros. 180 . um período de duas semanas. até onde podemos observar. Uma delas im plica conhecer a direcção em que a estrela está a deslocar-se e a que velocidade. Combinando o ritmo da alteração no espectro da estrela com a direcção de des locação do aglomerado. os astrónomos podem calcular a sua velocidade real atra vés do espaço e portanto calcular a distância da Terra ao aglomerado. ou 2. Silius. Depois de medirem o brilho dessas estrelas. os astrónomos poderão dizer que ela é 4000 vezes mais brilhante que o Sol. É a chamada lei de Hubble. os astrónomos têm de conhecer a relação entre o brilho e a temperatura e a distância à Terra. Antes de utilizarem este método relativamente simples. aproximando-a ou afastando a da Terra.cerca de 3000"C. se tra balharmos em quilómetros/hora anos-luz) pela velocidade da galáxia.6 anos-luz de distância. o que significa que todas as galáxias se afastam rapidamente umas das outras. as estrelas alaranjadas ou verme lhas são "frias" . ela deverá estar a uma distância muito grande. por exemplo. medir o diâmetro do universo observável. o astrónomo americano Hubble fez uma espantosa descoberta acerca das galáxias: elas afastam-se iodas da Terra a velocidades que dependem das respectivas distâncias — quanto mais distantes. podem então servir-se dos dados que já conhecem para apurar o brilho relativo de estrelas mais dis tantes. eles podem determinar a distância a que estas se encontram. Todos os materiais estrela mais brilhante do céu. eles podem calcular que ela se encontra a 40 milhões de anos-luz. Estrelas distantes Para estrelas situadas a distâncias superio res a 300 anos-luz. por exemplo. Estudando o aparente brilho ténue de cefeides em galáxias distantes. Galáxias próximas Há um tipo de estrelas que funciona como padrão de medição das distâncias a que se encontram as galáxias mais próximas: são as chamadas "variáveis cefeides".5. O movimento da estrela.64 parsecs. pelo que o seu tamanho real não pode ser medido. A medição do brilho das estrelas permite aos astrónomos medir a distância a qualquer estrela da Via Láctea. multiplicando a constante de Hubble (12. E possível medir a velocidade de uma galáxia observando o seu espectro de luz e verificando a alteração do comprimento de onda das riscas espectrais de acordo com o efeito de Doppler. afastando se da Terra. Uma estrela com a temperatura de 10 000"C. Para se determinar a direcção. A perspectiva faz com que as es trelas de cada aglomerado pareçam convergir. É por isso que.2 milhões de quilómetros por hora. pode deduzir se a sua luminosidade. é 40 vezes mais brilhante que o Sol (cuja temperatura é de 5500''O.se com um aglomc rado de estrelas do que com uma estrela só.

'. 0 telescópio Wiltiam Herschel. na maioria. os espelhos dos telescópios eram feitos de vidro vulgar. . nas ilhas Canárias. a superfície da Um olho sobre o Universo. o que assegura a não-criaçáo de tensões que mais tarde iriam distorcer o espelho.comummente utilizados. Mas os astrónomos pediam espelhos cada vez maiores. Depois. incluindo o vi dro vulgar. em 1948. Até há pouco tempo. com um espelho de 5 m feito de pyrex. no Sul da Califórnia. Par. o que significava maior grau de distorção. o maior telescópio de então — o do monte Paloma/. lornou-se possí- vel construir. Actualmente. os espelhos de telescópio são fabricados com uma mistura de vidro e cerâmica que quase náo se expande. A peça é depois afeiçoada até ã sua forma final. em La Palma. o que distorce a forma do espelho e a imagem que elo reflecte. que se expande e contrai apenas um terço do vidro vulgar. para que a curvatura parabólica seja a correcta. Para lazer o espelho. Com a invenção do vidro pyrex. seria capaz de detectar u chama de uma vela a 160 000 km de distância ou quasares a milhões de anos luz. de diâmetro adequado ao telescópio. é um dos maiores do Mundo Com o seu espelho de -12 m. a peça-base do es pelho é arrefecida com extrema lentidão ao longo de semanas. esta zona arrefece mais depressa e contrai-se mais do que a coroa exterior. expandem-se ou contraem-se com as variações da temperatura Como a espessura do espelho de um telescópio é menor no centro. A superfície é revestida por uma camada de alumínio reflector. num processo controlado por computador. fazer um vulgar espelho de telescópio. o fabricante funde a matéria -prima de vidro o cerâmica num molde circular ligeiramente côncavo.

Todas estas in formações são registadas em fita magnética. as lentes produziam franjas de cores falsas em torno das estrelas. quando a máquina tiver analisado as fotografias de todo o céu. Por exemplo. em vez de as contarem olhando por um telescópio. que se juntarão entre si como ladrilhos para formarem a superfície. bem como do respectivo brilho. além de mostrar muito mais estrelas. A sua lista continha 458 000 estrelas. é desviada (ou retractada) em ângulo mais agudo que a luz vermelha. que tem ondas cur tas. equivalente a um telescópio de 16 m de diâmetro."> cm. Pequenos espelhos farão convergir a luz dos quatro telescópios sobre o mesmo foco. e a sensação que tem é de que vê milhões de estrelas. criou um forno rotativo tendo em mente espelhos grandes mas leves. as estrelas aparecem como pontos negros contra um fundo claro. Astrónomos argentinos registaram as estrelas demasiado a sul para poderem ser vistas da Alemanha e quase triplicaram a lista para 1 072 000 es trelas. Mas. um espelho de 8 m para um telescópio de concepção idêntica ao do monte Palomar (que mede 5 m) pesaria quatro vezes mais. A estrutura de vidro resultante compôe-se de 'células" hexagonais tapadas em cima e em baixo por uma placa de vidro. Os maiores telescópios actuais eonse guem revelar 1000 estrelas menos brilhantes por cada uma das registadas naquelas estrela. Mas os astrónomos não se limitam a contá-las . A luz azul. Como se contam as estrelas? Olhe para o céu numa noite límpida. trabalhando assim em conjunto como uma única óptica. a ser colocado numa montanha do Havai. escorre por entre os blocos. servindo se de simples miras. EUA. Na década de 1860. Assim.5 cm de diâmetro. onde fio de alumínio e vaporizado por calor. 0 astrónomo prussiano Friedrich Argelan der registou a posição das estrelas que conseguia observar de Bona. se possa varrer o cimento quebradiço (o "mel") com jactos de água. Com efeito. pensam que será demasiado difícil construir um único espelho com esse diâmetro. 0 computador vai registando estas mudanças de luminosidade do lasei e tomando nota da posição exacta de cada estrela. os lasers e os computadores são auxiliares preciosos para acelerar consideravelmente o processo.destinado ao projecto do Observatório Astral Euro peu (ESO). os astrónomos conseguem contar milhões de estrelas. Os astrónomos europeus empenhados na construção do maior telescópio do PORQUE OS TELESCÓPIOS USAM ESPELHOS EM VEZ DE LENTES No século xvii. Cada fotografia apresenta mais de 1 milhão de imagens. o físico inglês Sir Isaac Newton apercebeu-se de que o tradicio nal telescópio de refracção. a sua luminosidade diminui. realinhando a sequência dos espelhos. atacam o problema de outra maneira: o telescópio . estão a construir uma grande superfície reflectora constituída por 36 espelhos hexagonais mais pequenos. Este espelho em favo tem apenas um quarto do peso de um espelho maciço da mesma dimensão.situar-seá em La Silla. A placa inferior é perfurada para que. A face dos espe lhos que recebia a luz era côncava como um espelho da barba. deixando um conjunto de favos de vidro vazio. Também o resto do telescópio teria de ser proporcionalmente maior. Hoje. Na verdade. Uma oficina do Tucson. assim. que utilizava lentes de vidro para focar a luz das estrelas. por exemplo. Um telescópio não só amplia cada objecto que vemos no céu. \ow computadores verificam os sinais emitidos pe los sensores c enviam instruções a 108 parafusos de precisão ligados â face posterior dos segmentos. por volta de 1(360. Este fenómeno ocorre porque. a informação acumulada referir se á a mais de 1000 milhões de estrelas. que media 2.peça-base é então revestida pela camada reflectora: coloca-se numa câmara de vácuo. Nos meados da década de 90. Telescópios de espelhos múltiplos Os astrónomos que estão a construir o telescópio Keck. Os telescópios modernos utilizam também espelhos para captar a luz. 0 aparelho de Kibblewhite foca um feixe de raios laser de hélio-néon sobre a chapa fotográfica. Como a chapa é um negativo fotográfico. Quando 0 raio laser passa pela imagem escura de uma nos ver estrelas muito menos brilhantes. os construtores montam entre os espelhos 168 sensores que informam sempre que os lados adjacentes de dois espelhos se desalinham — quando o telescó pio é inclinado. Neste caso. estreitando o feixe até um círculo muito diminuto que varre toda a chapa. e um astro nomo levaria meses a registar a posição das estrelas de uma só dessas fotografias. o líquido é empurrado para a periferia e sobe pela parede do balde. Assim. permitelistas. porque têm diferentes comprimentos. Antes de se deitarem os pedaços de vidro. quando um feixe de luz é desviado ao atravessar o vidro. e com o auxilio de um telescópio com uma lente de 7. como capta mais luz do que a vista desarmada. como as de uma espingarda. organização a que Portugal acaba de aderir (1990) . a superfície torna-se côncava. para obter as melhores imagens do céu meridional e será formado por quatro telescópios adjacentes. os astrónomos tiram fotografias através do telescópio e observam as posições das estrelas nas chapai fotográficas. com maior comprimento de onda. cada um dos quais com um espelho de 8 m de diâmetro. no Arizona. O astrónomo inglês Edward Kibblewhite construiu om Cambridge uni sistema fotográfico de registo automático que "lê'" uma lotografia em uma hora. o Véry l. Em resultado disso. colocam se dentro do molde blocos hexagonais de cimento. Quando o vidro funde. Para que esta mantenha a sua forma correcta. de 10 m. Newton desenhou um telescópio de reflexão que captava e focava a luz por meio de dois espelhos (feitos de uma liga de estanho e cobre conhecida por metal speculum). 182 . Mundo. Quando estiver completado. mas os engenheiros estão agora a projectar ( i construção de telescópios muito maiores. Estas técnicas de fabrico têm resultado. trazia certos problemas. já os astrónomos tinham registado as posições de todas as estrelas visíveis. as respectivas ondas. tirando fotografias com gran des telescópios. formando uma rede de paredes finas muito semelhantes ã estrutura de cera dos favos das colmeias. no Chile.arge Telescope (Telescó pio Muito Grande). embora em tamanho já nada tenham a ver com o de Newton. por exemplo. quando todo o conjunto tiver arrefecido. Mas como pode uma estrutura em favo ser esmerilada para se tornar curva? Não 0 é: se fizermos girar rapidamente um balde de líquido segundo um eixo vertical. dificultando a respectiva mecânica e encare cendo todo o projecto. o Very Large Telescope será 10 vezes mais potente que o mais potente dos telescópios actuais. Ainda antes da invenção do telescópio. o o metal condensa se em tina camada sobre a lace da peça-base. o que os nossos olhos nos mostram não são mais que cerca de 6000.pretendem saber exactamente qual a posição de cada estrela no céu para poder regista la num catálogo de estrelas. Os parafusos rociam em resposta às ordens recebidas. e por isso fixava a luz como uma lente. são desviadas segundo ângulos diferentes. cujos espelhos seriam extrema mente pesados se produzidos ã maneira tradicional.

mas. Esta zona. o Universo acabará por morrer simplesmente. Esta teoria diz que a matéria possui um campo gravitacional que distorce o espaço c o tempo — o espaço encurva-se e o tempo passa mais depressa ou mais devagar. Há duas possibilidades. tem 5000 milhões de anos. mas que. em teoria. a sua gravidade fará encurvar o espaço. Se os buracos negros não podem ser vistos. viverá 10 000 milhões de anos. na realidade. A teoria afirma. este será. a força da gravidade entre as galáxias poderá afrouxar o ímpeto do Bing Bang e começar novamente a fazer aproximar entre si as galáxias. Por outro lado. Devido à sua enorme compressão. ou estrelas de neutrões. Uma é a de que ele se encurva em redor de si próprio. e o Universo será fechado. por meio dele. Qual das duas hipóteses é a correcta depende da quantidade de matéria que compõe o Universo Se existir matéria suficiente. Os cálculos mais recentes sobre a quantidade de matéria indicam que esta não é suficiente para "fechar" o Universo. de momento. Dentro de cerca de 100 000 milhões de anos. O que acontecerá a seguir é menos certo. não nos revela quando ocorreu. Aceitando que a teoria possa ser aplica da ao Universo como um todo. por muito longe que viajássemos. o tempo que uma estrela vive antes dessa transformação: o Sol.) Muitos são muito mais velhos. provavelmente. e continuará para sempre a expandir-se. menos aceite. incluindo a estrela Sol e o planeta Terra. Estrelas de diferentes massas evoluem a ritmos diferentes. em comparação. de Einstein. ninguém espera ver os limites do Universo.cerca de 70 milhões de anos. Este não emite luz nem qualquer outra radiação. sem limite. os astrónomos têm medido as idades dos cúmulos estelares. Um viajante espacial que partisse numa determinada direcção e nunca alte rasse o seu rumo regressaria ao ponto de partida É um universo "fechado". pode deixar atrás de si o objecto mais escuro e mais destrutivo do Universo — um buraco negro. O buraco negro são os restos colapsados de uma estrela velha. Neste caso. que existem duas possibilidades para o Universo. inferior ao do núcleo de um simples átomo e denominado uma singularidade. As estrelas mudam de cor e dimensão à medida que envelhecem. Dentro de cada cúmulo. «Vendo» o invisível buraco negro Quando uma estrela morre. as estrelas possuem uma compa nheira (o Sol faz parte da minoria) e as duas estrelas giram em torno uma da outra Se 183 Em busca dos limites do Universo Os astrónomos europeus estão empenhados na construção de um telescópio 10 vezes mais potente que qualquer dos existentes: o Very Large Telescope. o astrónomo americano Edwin Hubble descobriu que as galáxias se afastam umas das outras e que as mais distantes se deslocam a velocidades maiores que as mais próximas. Os radiotelescópios captam um ligeiro ruído de fundo em todo o Universo. os cientistas verificaram que ela explica o movimento rios planetas em volta do Sol e das estrelas girando em tomo de outras estrelas. Na sua maioria. Hubble pôde calcular quando teve lugar esta explosão. em particular os cúmulos globulares. mesmo assim. Num futuro de 1 milhão de milhões de anos. ao passo que uma estrela de uma massa 20 vezes maior se transformará numa gigante vermelha daqui a apenas 20 milhões de anos. as galáxias chocarão entre si e esmagar-se-ão conjuntamente num ponto. Assim. como a superfície de um planeta: embora não tenha limites. Mas como se pode calcular quando tudo se deu? Nos anos 20. mas alguns astrónomos calculam as suas consequências se ela for verdadeira. a gravidade será suficientemente forte para. não o estão quanto à forma como ele acabará.Como acabará o Universo? Há 15 000 milhões de anos. corno sabemos que existem? Um dos processos apoia-se na detecção dos seus efeitos sobre as estrelas próximas. é finito. muito persuasivo. a gravidade da matéria deflecte a luz. finalmente. a gravidade é absolutamente irresistível. Além disso. o que sugere que este tenha ocorrido há 15 000 milhões de anos Há ainda um elemento de prova. Este tipo de aglomerado é como que um enxame gigante de cerca de 1 milhão de estrelas. Conquanto os astrónomos estejam de acordo no que se refere ao nascimento do Universo. Esta teoria é. Dividindo as distâncias a que se encontravam pelas respectivas velocidades. como se constituíssem os estilhaços de uma explosão cósmica gigante. o Universo começou subitamente a sua existência por meio de urna tremenda explosão — o Big Bang. Pelas massas das estrelas que estão prestes a transformar-se em gigantes vermelhas. transformando-se em gigantes vermelhas. Uma parle da matéria que anteriormente constituía a estrela comprime-se pela sua própria gravidade até um volume ínfimo. os cosmólogos aceitam igualmente uma última pre- . os astrónomos calculam a idade de todo o cúmulo. O espaço prolongar-se infinitamente em todas as direcções. Alguns cúmulos estelares são bastante jovens à escala cósmica . A matéria concentrada poderá explodir novamente como um Big Bang. Neste Universo "aber to". de dimensões infinitas. O Universo começará então a contrair-se. Ao testarem os efeitos da teoria geral. A resposta (segundo as mais recentes e rigorosas observações) é: há 15 000 milhões de anos. num fenómeno a que dão o nome de Big Crunch. constitui o buraco negro. Os gases que se expandiram do centro da explosão acabaram por transformar-se em galáxias. ver mais do Universo do que jamais foi visto. algumas "envelheceram" mais rapidamente que outras. As estrelas de cada galáxia chegarão ao fim das respectivas vidas sob a forma de buracos negros ou objectos sóli dos e escuros chamados anãs negras. fazer parar a expansão do Universo e aproximar entre si as galáxias no Big Crunch. Sabem. com o diâmetro de alguns quilómetros. mesmo que todas as estrelas de um mesmo cúmulo (aglomerado) tenham nascido ao mesmo tempo. no entanto.que o Universo não tem limites. depois em anãs brancas. Na zona que circunda imediatamente a singularidade. a gravidade desta matéria é imensamente forte. pelo cjue não pode ser observado por qualquer espécie de telescópio. visão da teoria de Einstein . Os estudos modernos sobre o Universo baseiam-se na teoria geral da relatividade. encontraríamos sempre novas regiões. os astrónomos procuram as estrelas vulgares mais volumosas que estejam prestes a transformar-se em gigantes vermelhas. A outra teoria é a de o Universo ser infini to. estrelas e planetas. A explicação mais provável é que se deva a ondas electromagnéticas emanadas dos gases quentes do Big Bang e que ainda hoje pulsam através do Universo.12 000 a 14 000 milhões de anos. por exemplo. Desde que um objecto se aproxime de um buraco negro. (O Sol. por isso. A energia do Big Bang pode ser suficiente para manter as galáxias indefinidamente em movimento. de que existiu um Big Bang. Esperam. Para confirmarem este resultado. Os astrónomos descobriram que as estrelas que compõem estes cúmulos são muito antigas . produzindo o nascimento de outro universo. ele será inexoravelmente puxado para o seu interior e esmagado na singularidade. Koram talvez as primeiras estrelas a formar-se a partir dos gases do Big Bang.

era uma estrela chamada HDE 226 868. um sistema binário forma um equi teoria da gravitação. Estavam na pista de um objecto que não era visto havia mais de 70 anos e se previa que fizes se nova visita ao sistema solar interior . serpentes sequiosas de sangue enviadas para devorar os ho mens e mensageiros de doenças. o que procuram os buracos negros começam por percorrer o céu com telescópios de raios X em busca desses raios. Experiências em lalíbrio natural que permite aos astrónoboratório demonstraram qual a atracmos "pesar" as estrelas. uma delas morro e colapsa. os astrónomos assestaram o maior teles copio do Mundo sobre determinado ponto da constelação do Cão Menor. Uma forma de afastar a possibilidade de uma estrela de neutroes é verificar o seu peso. a um sem número de receios. deve "pesar" tanto como 10 sóis. Na constelação da Virgem encontra-se u radioguluxiu M-87. perto da estrela com maior massa.O coraçãozinho negro. As estrelas que circundam o centro da galáxia estão tão juntas e deslocam se tão rapidamente em direcção ao centro que se pensa que ali exista um buraco negro O jacto azul emitido do centro negro da galáxia é um feixe de electrões resultante da energia produzitla pelo buraco negro. As regiões exte riores desta estrela que aumentou aproximarn-se perigosamente do buraco negro. Quando uma estrela de neutroes se torna mais pesada que três sóis. feras de chumbo de massas conhecidas. mum. O Sol "pesa" 0 equivalente a 300 000 esse centro de gravidade fica a meia dis Terras. tem 20 vezes a massa do Sol. o buraco a Cisne X-l e a I IDE 226 8(i8. AsEsle número é calculado com base na sim. À medida que a companheira envelhe ce. Logo se suspeitou de que esta última seria um buraco negro. observou o cometa em 1682 e previu que ele regressaria cm 1758. Mas os astróno mos tinham primeiro que investigar a hi pótesc de se tratar de uma estrela de neuIroes. que começa a atrair os gases periféricos. O aparecimento de um cometa deve se ao tacto de estes astros se deslocarem em COMO OS ASTRÓNOMOS PESAM AS ESTRELAS As estrelas de um sistema binário. Esta experiência pode ser exmassa daquela estrela. que provou que os cometas percorrem órbitas que podem ser calculadas. o que é muito para uma estrela de neutroes. com temperaturas que atingem o milhar de milhões de graus centígrados. 184 .o cometa de Hallev. Uma supergigante azul é cerca para exercer a atracção gravitacional nede 20 vezes mais "pesada" que o Sol. Por isso. corno se a sua companheira invisível. que se encontra a (iOOO anos-luz da Terra. tem metade dessa torno do seu centro de gravidade comassa. giram em negro Cisne X-l. As cores desta fotografia indicam a crescente acumulação de estrelas da periferia para o centro. o mais antigo registo da observação deste cometa. Cs raios X tinham de provir de gases que se dirigiam em vórtice para a companheira invisível. Ao observarem o écran de televisão que transmitia a imagem captada através do telescópio do monte Palornar. Data de 240 a. centenas de vezes maior que 0 Sol. Estes acabam por entrar no buraco negro. Quando investigaram esta estrela. por foruma estrela do tipo supergigante azul. logo Cisne X-l deve ser um buraco negro. C. o cometa de Hallev estava na sua rola prevista. Km 1971. Assim. Isto cessária para manter em órbita a Terra e é. que recebeu o nome do cientista britânico do século xvn Edmond Hallev Este cientista. na Califórnia. o buraco negro que dela resulta e a estrela companheira continuam a girar em torno um do outro. ma que a distância entre as esferas passe Tem um diâmetro de 32 milhões de quia ser a da Terra ao Sol. A observarão dos cometas deu origem. que os torna extremamente quentes. Um gás a esta temperatura produz abundantes quantidades de raios X. A HDE 226 868 é trapolada proporcionalmente. ou seja 1989 milhões de milhões tância entre as duas. Se a massa das estrelas é igual. Se não. mas não caem ali directamente: eles começam por girar à superfície do buraco. Estudando o ção gravitacional entre duas grandes es movimento da estrela HDE 226 868. os astrónomos viram subitamente um pequenino ponto luminoso. o satélite de raios X americano Uhuru conseguiu localizar uma poderosa fonte de raios X na constelação do Cisne. Os astrónomos usam o Sol como peso -padrão. Descobriram que Cisne X-l pesava tanto como 10 sóis. aumenta de volume para se tornar uma estrela gigante ou supergigante. aqueles descobriram que o centro de Esta força depende cm parte da massa gravidade ficava tão próximo desta que a das esferas c cm parle da distância que sua companheira deveria ter metade da as separa. os astrónomos A serpente que voltou do espaço Em 16 de Outubro de 1982. no passado. colapsa e lorna-se num buraco negro. os outros planetas do sistema. descobriram que ela descrevia uma órbita de seis dias em torno de uma companheira invisível. Pode então dedulómetros. e o seu brilho é 50 000 vezes o zir-se qual a massa que o Sol tem de ter do Sol. Pensava se que eles eram horri veis visitantes da Terra. Estas estrelas são Ião pouco lumino sas que não podem ser vistas quando próximas de uma outra como a 1 IDE 226 8(>8. Os astrónomos descobriram então que essa fonte. fica mais de milhões de milhões de toneladas. Cisne X-l.

de 15 de Junho de 1911. de Cambridge. rochas e pedras e por um composto orgânico desconhecido resistente ao calor. Tem montes e depressões e expele jactos de gás e poeira. Mas durante os últimos 20(1 anos eles descobriram outros três. Depois. vê-lo reaparecer regularmente. Vénus. Mas as observações da sua órbita entre os anos 451 e 530. a sonda espacial Giotto passou a algumas centenas de quilómetros do cometa de Halley e fotografou o núcleo. Seria assim se ele sofresse unicamente a influência gravitacional do Sol. descobriu Urano. 0 período orbital do cometa de Halley é de 76 anos. revelam que ele levou 79 anos a completar uma órbita. Marte. do Laboratório de Propulsão a Jacto. Donald Yeomans. podem calcular o efeito que elas terão sobre os cometas. ele pode lornar-se — durante uns meses — um objecto brilhante nos nossos céus. utilizou uni computador para calcular os Descobrindo planetas Os planeias Mercúrio. tudo pode ser feito por um computador em apenas alguns minutos. ao registarem os seus movimentos. afrouxando lhe a velocidade. tal corno o da Lua quando cheia. pelo que. Foi mais claramente oisioel na Austrália. Em 31 de Agosto de 1846. Depois de este corneta passar pelo Sol em Novembro de 1835. onde esta fotografia foi tirada. o cometa de Halley passou pelo Sol com um erro de poucas horas sobre o previsto por Yeomans — depois de ter estado escondido durante sete décadas.5 anos. Em 1986. o astrónomo amador William Herschel. Passou a 150 milhões de quilómetros da Terra em 15 de Março de 1986. portanto. a hipotética posição do novo planeta. Actual mente. registadas por astrónomos chineses e japoneses. Mas os cálculos são muito longos e fastidiosos. os cometas são também afectados pelos planetas do sistema solar. Enquanto a órbita de um planeta em tomo do Sol é relativamente circular. efeitos de lodos os planetas sobre o cometa de 1911 até meados da década de 80. Até 1781 ninguém suspeitava da existência de planetas para além de Saturno. Mas no ponto mais próximo do Sol o cometa passa por dentro da órbita da Terra. especialmente pelos gigantes . Quando três matemáticos franceses predisseram o regresso do cometa de Halley em 1759. Depois desta descoberta. Obteve as sim informações sobre a forma como o cometa se deslocava. os planetas provocaram um aumento da sua velocidade. totalmente acidental. E existem indicações de um décimo planeta para além de Plutão. em 13 de Março desse ano. Na década de 70. ninguém os procurava Até que. separadamente. O núcleo do cometa de Halley tem a forma de um amendoim e mede 16x8x8 km. E. a sua gravidade puxa o cometa para diante e acelera-o. na realidade. Como os astrónomos conhecem as posições e a força gravitacional de cada pia neta. o que sugere que os planetas o tenham feito afrouxar. Esperar-se-ia. Nessa altura. Um cometa visto de perto. Dois matemáticos — Coueh Adams. No entanto.lií piter e Saturno. Esta suspeita foi reforçada pelo facto de terem descoberto que Urano não percorria a sua órbita em redor do Sol a ritmo constante: parecia que sofria o efeito da força de gravitação de um planeta mais distante e desconhecido. levando seis meses a completar o trabalho. até à fotografia mais recente. Sabia não se tratar de uma estrela por ter um disco visível. os cometas seguem percursos alongados. começou a coligir todas as observações sobre o cometa cie Halley. mesmo para o maior telescópio. A órbita mais rápida do cometa de Hal ley durou apenas 74. está 35 vezes mais afastado do Sol do que a Terra. os astrónomos concluíram que tinha de ser um planeta. a força gravitacional deste puxá-lo-á para trás.Cadeia de colinas Mancha luminosa . Vale Colina Eixo de rotação Limite dia-noite Sol O núcleo do cometa. Enfrentando uma furiosa tempestade de poeira que ameaçaoa destrui-la. traçando o mesmo percurso em volta do Sol. Este é formado por gelo. por meio de extensas divisões e multiplicações. os astrónomos começaram a pensar se poderia existir um outro planeta ainda mais distante. ao tentar encontrar estrelas duplas. e o francês Urbain Leverrier — calcularam. volta do Sol em órbitas governadas pela gravidade. tiveram de o calcular à mão. Quando um planeta está aproximadamente na frente de um cometa. Sc o cometa se afasia rio planeta. pelo que ele regres sou em Abril de 1910. mais distantes e menos luminosos: Urano. Nep tuno e Plutão. é invisível. na Califórnia. A maior parte da sua superfície é coberta por uma crusta espessa e escura de composição desconhecida. Quando o Sol o aquece e o núcleo gelado fica rodeado por uma enorme nuvem de gases e poeiras. Júpi ter e Saturno são Ião luminosos que os astrónomos sabem da sua existência há milhares de anos. Leverrier enviou os seus cálculos 185 . Quando o cometa de Halley se encontra no ponto mais afastado da sua órbita.

E muito pouco provável que uma destas minúsculas naves espaciais seja alguma vez encontrada na imensidão do espaço. em Porto Rico. e os astrónomos debruçam-se sobre esta vasta colectânea de dados. mas de brilho muito mais ténue do que este previra. no Ohfcj e no Massachusetts. mas muitos pensam que. onde poucas pessoas pro curaram planetas. assim como se verificaram na Terra as condições adequadas para a evolução de vida avançada.se. As mensagens consistem numa chapa de ouro com 15x23 cm que tem gravado um mapa com a localização do sistema solar em re lação a pulsares próximos (os pulsares são emissores naturais de feixes de rádio que OS futuros viajantes do espaço poderão utilizar como faróis cósmicos). Este LP dos "sons da Terra" inclui música.ao Observatório de Berlim. ainda nenhuma mensagem foi captada. Os planetas omitem grandes quantidades de radiações infravermelhas. emergiria dos pontos e traços determinado padrão que revelaria os elementos químicos que compõem a vida. e desde então muitas outras têm sido conduzidas na procura de sinais inteligentes vindos do espaço. Cada Pioneer tem um "cartão-de-visita" da Humanidade fixado à sua blinda gem. mostrando imagens da Terra. esses esforços aumentam constantemente. Este aglomerado contém 300 000 estrelas e é provável que tenha também inúmeros planetas. Tratava se efectivamente de um planeta. Os cientistas estão a seguir os movimentos dessas sondas para verificarem se o Planeta 10 estará a desvia las das suas rotas. o Infrared Astronómica! Satellite (Satélite Astronómico de Infravermelhos) pesquisou a totalidade do céu em busca de objectos do Universo emissores de radiações infravermelhas. Algumas das estrias são imagens codificadas em ondas sonoras. para um cúmulo estelar. deverá igualmente afectar os percursos dos três veículos espaciais Pioneer 10. alguns astrónomos perscrutam já os céus para ver se outras civilizações estarão a enviar mensagens à Terra. Recebeu o nome de Plutão. construíram um dispositivo que consegue sintonizar simultaneamente 8 milhões de frequências diferentes. detectou um pe quenino ponto luminoso que mudava de posição todas as noites. Pioneer II e Voyager I —. do Observatório Naval dos Kstados Unidos. Mesmo que o fos. se isso acontecesse. As ondas de rádio viajam livremen- te pelo espaço e qualquer ser com um aparelho receptor sensível poderá captar programas de rádio e TV emitidos pela Terra. quem calculou onde deveria encontrar-se esse "Planeta X". Se um ser a captar e enviar uma resposta. onde os astro nomos identificaram uma "estrela" como sendo esse novo planeta. calculou que este pia neta se encontra actualmente na parte meridional do céu. algumas mensagens idas da Terra estão agora a caminho. programadas para passarem por Júpiter (e também Saturno. Teriam. contactar com outros seres que vivam cm outro qualquer lugar na vastidão do Universo? Na realidade. Existirá um Planeta 10? Os astrónomos interrogam se agora sobre o que poderá estar a atrair Urano e Neptuno. A mensagem de Arecibo consiste numa série de 1679 pulsações de rádio que lembram o alfabeto Morse. os Americanos lançaram duas sondas espaciais. Existe outro problema: Messier 13 está tão distante que a mensagem demorará 25 000 anos a chegar. um telescópio na Nova Zelândia tira fotografias a esta parte do céu Nas suas investigações. Os resultados deste levantamento foram registados em 100 km de fita de computador. hoje conhecido por Neptuno. saudações em dezenas de línguas e cantos de baleias. desde Bach a Chuck Berry. Mas como poderemos nós. a população da Terra e a posição desta dentro do sistema solar. O homem tem o braço levantado num gesto de saudação. Em 1983. o mesmo pode ter ocorrido em milhões de outros planetas com condi ções semelhantes. Bob Harrington. Os astrónomos sabem hoje que não existe vida nos outros planetas do sistema solar. Computadores monitorizam todas estas frequências para procurarem sinais que não lhes pareçam naturais. por muito sofisticada que seja: caso existam em Messier 13 seres inteligentes com um receptor de rádio sensível. Se um extraterrestre dispusesse os sinais num rectângulo de 23 por 73 pulsações. no caso da Pioneer II) e tirarem fotografias. Para se estabelecer uma conversa com outra civilização. cada nave leva consigo um disco de longa duração. se ria um dos mais importantes acontecimentos na história da Humanidade. Com fundos cedidos por Sleven Spíel berg. é muito improvável a recepção de uma mensagem como esta. realizador do filme ET. 0 movimento desta lua revelou a gravidade de Plutão demasiado fraca para exercer qualquer efeito sobre Urano e Neptuno. esta levará o mesmo lempo a chegar a Terra pelo que temos de esperar 50 000 anos para a receber. completo com agulha e com símbolos indicando a forma de O to car. é simples — 0 rádio. Clyde Tombaugh. os astrónomos do Observatório Naval dos Kstados Unidos descobriram um satélite em torno de Plutão. Sc o Planeta 10 exerce influência sobre Urano e Neptuno. Em 16 de Novembro de 1974. No entanto. eles teriam de o ter apontado à Terra no preciso momento em que as pulsações eram emitidas. Em busca de vida no espaço Sempre houve pessoas que acreditaram existir vida inteligente em outros mundos do espaço. além disso. que vão cie um pôr de: sol até a um supermercado. provavelmente. a forma e tamanho de um ser humano médio. A primeira busca iniciou-se em 1960. ou Pesquisa de Inteligência Extraterrestre) no Observatório de Oak Ridge. Actualmente. na Terra. Harrington conta com as sondas espaciais. os cientistas americanos lançaram outras duas naves espaciais que irão para além do sistema solar a Voyager I e a Voyager 2. Em 1972 e 1973. o Messier 13. Percival Lowell. no Massachusetts. de estar sintonizados nu comprimento de onda correcto. que trabalhava no observatório fundado por Lowell. Mas. investigadores do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence. Infelizmente. E pouco prova vel que descubram outra raça inteligente no Universo. suspeitou-se de que tanto Urano como Neptuno sofriam influências da gravidade de outro planeta ainda mais distante. Km 1978. 186 . que perscrutam permanentemente o espaço em busca de mensagens de rádio. Desta vez foi um astrónomo americano. A resposta. a Pioneer 10 e a Pioneer II. Cinco anos mais tarde. Nos finais do século passado. A sua viagem continuará para além do sistema solar. Outros astrónomos não estão convencidos com os cálculos já efectuados: pen sam que 0 Planeta 10 poderia situar se em qualquer posição do céu. e assim atacam o problema por outra forma. que nesta altura estão prestes a deixar 0 sistema solar. como cada vez há mais astrónomos coo perando com o SETI. A busca de mensagens do espaço Em vez de esperarem. o "cartão de visita" apenas poderia ser respondido se se procurasse a Terra. na esperança de encontrar quaisquer seres inteligentes que possa haver "por lá". e a resposta parece ser um grande planeta situado nos limites do sistema solar. torna-se necessário outro meio de comunicação. mas. Apesar de todos estes esforços. os astrónomos enviaram a primeira mensagem de rádio do Observatório Radioastronómico de Arccibo. para o caso de serem encontradas por uma civilização extraterrestre. Em vez da placa. Com intervalos de algumas semanas. Há também um desenho da nave e de um homem e de uma mulher. Se o Planeta 10 existir. Em 1930. muitos astrónomos consideram Plutão demasiado pequeno para afectar os gigantes Urano e Neptuno. existem dois radiotelescópios norte americanos. o satélite té lo á prova velmente detectado.

Maravilhas da ciência Quando os cientistas cindiram o átomo. o Mundo penetrou no desconhecido. Como os cientistas tentam orever os terramotos. 204 #JS35S- . prevemos uma época em que talvez seja possível recriar criaturas extintas e produzir máquinas que pensam. Agora. p.

Criação de supcrvacas. Seria assim possível encurtar o demorado processo de aperfeiçoamento de raças de gado por reprodução selectiva. Esse fragmento é colocado num meio de cultura. o que leva â formação de uma massa de células vegetais que duplica de lama nho aproximadamente de seis em seis semanas (callus). Com o auxilio de um miuoruanipuiador. sua produtividade é 30% mais elevada que a das plantas produzidas a partir da sémen le. na mesma altura. obtendo se vitelas gémeas idênticas (em baixo i. Os animais podem igualmente ser clonados. os embriões são divididos numa fase precoce do seu desenvolvimento (à direilu. Cada um deles pode ser implantado no útero de uma mãe "de empréstimo" para produzir 32 indivíduos idênticos. Os embriões divididos são depois implantados. Por este processo podem também con trolar-se doenças virais das plantas que. pois embriões criados noutros países seriam congelados e transpor tados para depois serem implantados. Para se atingir esle estado. em cima) contêm. são transmitidas de geração em gera cão através das sementes. sendo a descendência réplica exacta de um único progenitor. o objectivo é copiar milhares de vezes uma variedade que seja mais produtiva ou decorativa. é preciso combina las com embriões unicelulares da mesma espécie aos quais foi retirado o núcleo. um embrião que já se desenvolveu até à fase das 32 células é dividido em 32 células intlivi duais. Os tubos de ensaio coloridos (à direita. esta massa de células começa a produzir pequenos pon- dera vir a ser utilizado brevemente na produção de manadas de vacas em que todas atinjam elevados níveis de produção de leite ou carne de sabor e textura uniformes. em geral. Às modernas técnicas cientificas aumentaram muito o âmbito da clonagem. . em carneiros e em vitelos. A Plantas-proveta. pode demorar até 18 meses. um caldo de nutrientes químicos que lhe fornece lodos os elementos necessários. O núcleo de uma célula contem toda a informação genética a partir da qual o organismo se desenvolve. O processo inicia-se com um pequeno fragmento da planta escolhida. Hoje em dia. é possível loriiecer-lhe um património novo. o embrião não possui nenhum património genético. Dina planta sã pode utilizar se na produção de milhares de clones igualmente sãos. Poderiam então ser congela dos para armazenagem e finalmente implantados no útero de mães de emprés timo. fundindo a célula anuclea da com uma das 32 retiradas do embrião em desenvolvimento. Uma técnica designada por transferência nuclear permite a produção simultânea de até 32 clones. estão a produzir uma cópia geneticamente tos brancos globulares designados por embrióides. denominado cultura de tecidos. Quando se fazem clones a partir de plantas. frag mento esse que pode ser retira do de qualquer parte da planta. Para a obtenção de quantidades verdadeiramente significativas. Mas a sua viabilidade foi comprovada em ratos. O processo po idêntica um clone. Em determinada altura. é possível fazer cópias de espé cies de plantas que não pegam de estaca. No entanto. Transplantadas cuidadosamente para a mistura apropriada. 0 processo poderia ser particularmente importante no caso de países em desenvolvimento. que apresentam grandes variações nas suas características. estes de senvolvem raízes ou produzem rebentos e começam a parecer-se com pequeninas plantas. um embrião de vaca. Quando plantados simulta ncamenle. Com o auxílio de minúsculos instrumentos cirúrgicos. cada um. contudo. A cultura de tecidos produz plantas a partir de urna célula única. as plântulas crescerão como cópias exactas da planla-mãe. pois todas as suas células contém a informação genética a partir da qual se pode reconstruir uma planta completa. Quando o núcleo é retirado. produzindo. obter st? ão 32 embriões com informação genética idêntica. 0 processo. Se todas as 32 forem usadas da mesma forma. óleo da mesma qualidade e em quantidade idêntica. Para que estas se desenvolvam com êxito. o processo é mais complexo e de uso ainda não generalizado. O meio inclui hormonas do crescimento que estimulam a divisão das células.Como se obtêm clones de plantas e animais De cada vez que os jardineiros cortam uma estaca de uma planta e a colocam cm terra para que se desenvolva uma nova planta. em baixo). os embriões produzidos por este processo teriam eles próprios de ser repetidamente clonados. Nos animais. lodos os clones rebentam e crescem ao mesmo ritmo. Em devido tempo.

Na profase (à direita). A natureza química do núcleo foi estudada pela primeira vez em 1869 pelo bioquímico suíço Friedrich Micscher. cada um dos quais se torna o núcleo das duas novas células. Mais tarde. mas a célula vegetal tem ainda uma parede bem definida. Posteriormente. os cromossomas. utiliza um feixe de electrões. ou divisão celular. já duplicados. 0 corpo humano possui mais de 50 milhões de milhões de células. além de outros elementos mais comuns. verificou-se não se tratar de um ácido.Descobrindo os segredos das células Todos os seres vivos são formados por unidades microscópicas chamadas células. à direita). os cromossomas encontram-se no centro. como carbono e oxigénio. mas o seu estudo detalhado obriga à separação das diferentes cstniluras. Na metafase (em baixo. formando dois grupos idênticos. descobriu que o núcleo continha fósforo. Pouco a pouco. Todas as células possuem um núcleo rodeado de um fluido (citoplasma). de um centésimo de milímetro. O sedimento pode então ser estudado. ^vftgsre Núcleo contendo "cromossomas 189 . cujas dimensões são. INTERIOR DE UMA CÉLULA Esta fotografia mostra o interior de uma cé lula vegetal. ao dissolver células em pepsina (um enzima digestivo). enquanto os microscópios ópticos têm um limite de DIVISÃO DE UMA CÉLULA ANIMAL As células vegetais e algumas animais reproduzem-se por um processo chamado mitose. mas de dois. As formas mais simples. Um dos mais importantes é o núcleo. Com os microscópios electrónicos descobriram-se estruturas minúsculas da célula. "respira" e reproduz-se. conseguem separar se os componentes de peso cada vez menor. Centrifugando este líquido a velocidades ainda maiores. como as bactérias. As células podem ser visualizadas com mais pormenor com o emprego de um microscópio electrónico que. os biólogos descobriram que as células eram as unidades básicas da vida. os cromossomas separam se. em vez de luz. a esquer da). utilizando técnicas semelhantes. mas todas estão envolvidas por uma membrana e têm um núcleo central rodeado por um fluido denominado citoplasma. aqui representada a amarelo. ao centro). são unicelulares. têm sido identificadas as actividades de todos os componentes da célula. Alirnenta-se. em média. A célula foi descoberta em 1665 por Robert Hooke. reage a mensagens das outras células e transmite-lhes mensagens. Existem células de tipos muito diferentes. Estas fotografias mostram uma célula dividindo se em duas. que. Uma das formas de o conseguir consiste em homogeneizar as células num misturador semelhante aos que se usam na cozinha e depois separar os componentes por centrifugação: os mais pesados precipitam no fundo do tubo que gira a grande velocidade e formam um sedimento sob um líquido transparente. Cada célula tem funções especializadas e colabora no funcionamento de todo o organismo: é uma unidade viva em miniatura. que já são perfeitamente visíveis na interfase (em baixo. Posteriormente. As funções de alguns dos componentes celulares podem ser inferidas da sua apa rência. que observava ao microscópio lâminas de cortiça e descobriu uma série de pequenos compartimentos que comparou às celas de um convento. os cientistas descobriram que um dos principais constituintes do núcleo é o ácido nucleico. encontram se aglomerados no centro. que permite à célula funcionar bem e reproduzir se. portador da informação genética. o ácido ribonucleico (ARN) e o ácido desoxirribonucleico (ADN). Este contém a informação genética que transmite os caracteres hereditários de pais para filhos. 1500 vezes. Este tipo de microscópio permite uma ampliação superior a 500 000 vezes. Na anafa se (em baixo. formando a placa equatorial.

Se. perlo de Kdimburgo. podem isolar-se segmentos responsáveis por determinada função (genes). Algumas plantas. como o feijão e o Ire vo. os nucloótidos. Melhoramento de plantas e animais para alimentação Aplicada as plantas. o ção Genética. As características de uma dada espécie sào transportadas. fusão ce lular. por exemplo. a cevada e o arroz. leite mais rico ou até algum produto inteiramente estranho à sua natureza normal. Esta modificação é feita recorrendo à engenharia genética. Desde 1982 tabaco. Engenharia genética Outra técnica consiste em reprogramar o material genético. a bactéria. possuem esla capacidade. consoante as células que formaram os órgãos reprodutores. pelos meios convencionais. Ao seleccionar as características desejáveis e ao fazer criações para as conseguir. na EsRoundup. no sangue humano normal. até então. A fotografia mostra os núcleos unidos de duas células de folha de tabaco. consegue-se por vozes fazê los lundir-se. pro utilizaram a hacléria Ag/obacmovendo a fusão. Um grande progresso seria os cereais. as células combinadas foram implantadas no útero de uma ovelha e assim nasceu uma combinação das duas espécies — um animal com chifres o o corpo revestido de lá de ovelha c pêlo de cabra. Uma delas. além de plantas decorativas mais bom tas que as do mundo natural. E o chamado factor VIII. e nunca semelhantes aos pais. postos em contacto. cuja au séneia no sangue de certos indivíduos pro voei a hemofilia.i mas. O gene foi separado por meio de um enzima de restriNo entanto. Aquelas ficam assim unicamente protegidas por uma delicada membrana interna. Existe já um processo do tor nar as plantas resistentes a certas doenças. os filhos são sempre ou ovelhas ou cabras. uma doença que reproduzir insulina suficiente. como o trigo. mesmas sequências. habitualmente com o auxilio de compostos químicos ou de vírus. animal ou mesmo bactéria. produção de tomate subiu de 20 para 3 N 0 Aplicada a plantas e a animais. Mas estes programas de apuramento desenrolam se ao longo de várias gerações e apenas po dom ser efectuados entre variedades da mesma espécie: não conseguimos criar uma nova super-hortaliça cruzando. que nor malmente provoca tumores nas plantas. pastam ovelhas de aspecto normal. que se encontra no núcleo de Iodas as células vivas. A ciência desenvolveu técnicas de criação revolucionárias.s no ADN de outra espécie — planta. produz insulina tomateiros resistentes ao ancilóstomo do humana. que pode ser extraída. e ao vírus do que os dialxíticos. Esta cresceu e produziu leite contendo o factor VIII. a com insulina assim produzida. que são depois reinserido. Os cientistas isolaram o gene responsável pela produção do factor VIII em seres humanos normais. além de leite. o homem produ ziu centenas de raças de cães. se conseguisse conferir esta qualidade aos cereais utilizados na alimentação. nascido em Cambridge em 1982 em resultado do cruzamento de cabras (goat) com carneiros (slieepj. As plantas lêm sido manipuladas com igual êxito no sentido de se obterem produções elevadas de cereais. Cientistas que trabalham para a firma Monsanto composto químico para destruir a parede celular. produzirem um factor de coagulação encontrado uni camente. que se traduz na possibilidade de se desenvolverem com êxito sem necessitarem de gran des quantidades de fertilizantes azotados. no. as ervas daninhas que cócia. além dos Em 1983. situação patológica em que o sangue não coagula. poupar se-iam anualmente enormes quantidades de dinheiro e reduzir-so ia a poluição dos rios e ribeiros pelos nitratos. elas foram transformadas em fábricas ambulantes de medicamentos pela reprogramação do seu código geuéli co. que foi também utilizado para cortar o retiraram-lhe os genes causadores dos tuADN de uma bactéria. Escherichia coli. removeram-no e inseriram-no no local correcto entre os genes do um embrião de ovelha. A espécie modificada produzirá então melhores frutos. Nestas experiências. As técnicas tradicionais de criação de plantas e animais implicam o cruzamento de variedades diferentes. são tratados duz a produção. poderem uli lizar o azolo do ar. As células nestas condições são denominadas protoplastos. a fim de se criar uma planta híbrida. uma praga comum. E a ordem destes nucleótidos ao longo da cadeia que constitui a informação necessária para as células funcionarem e se reproduzirem.elevada produtividade de um progenitor. e o fragmento de As plantas infectadas com a bactéria assim gene humano loi inserido no ADN bactéria modificada podem adquirir genes úteis. a engenharia genética oferece enormes possibilidades. de forma a.Criação de "geeps" e outros animais e plantas Todas as raças de cães do Mundo derivam originariamente do lobo. O resultado pode ser a criação do um novo organismo que recebe características de ambos os progenitores No caso do geep. Usou-se um 1!K) . teriam lumefaàens. nas mores e substituíram-nos por genes úteis. que dita a forma como se desenvolverá cada parte da planta ou do animal. As cadeias de ADN são formadas por apenas quatro unidades básicas. foram produzidos desta forma seus produtos normais. em código. que não são capazes do mosaico do tabaco. o qual pode ser extraído e utilizado no tratamento dos hemofílicos. Assim. Ao multiplicar se. elevada resistência à doença do outro. a técnica Em seguida. recorrendo à engenharia genética. frulos e verduras. Embora os geeps possam procriar normalmente entre si. introduziram um outro gene está já a ter resultados extraordinários. Um dos primeiros exemplos foi o isolamento da parle do ADN responsável pela produção de insulina no pâncreas humano c a sua inserção numa bactéria. ção. produziu o geep. na esperança de se combinarem as melhores características do cada uma . Plantas mais fortes. No que tornou os lomaleiros resistentes a um Instituto de Fisiologia Animal o Investiga dos herbicidas da própria Monsanto. Na fusão celular retiram se as mem branas exteriores do espermatozóide e do óvulo com o auxílio de determinados en/. uma cenoura com uma couve. em mole cuias longas e sinuosas de ADN (ácido de soxirribonucleico}. Utilizando enzimas de reslrição que cortam a cadeia de ADN em sequências nucleotídicas determinadas.

raciocinando que um produto que reagisse mais fortemente com as bactérias do que com as outras células poderia também eliminá-las. Sahachiro Hata. Náo pode haver dúvidas de que foi o próprio medicamento. Mesmo depois de um medicamento passar nos testes clínicos e ser comercializado. pois cresceram muito mais que o normal. mas sofriam de artrite. mas deixasse incólumes as restantes células do doente. Ensaios de segurança Os químicos têm meios de produzir uma enorme quantidade de compostos orgânicos. As futuras experiências terão de contornar este problema. no Paquistão. esta substância não era clinicamente satisfatória por ser muito pe queria a margem entre uma dose curativa e uma dose perigosa. os médicos que o receitam e o restante pes soai de saúde a quem os doentes se queixam devem informar as autoridades medi cas e farmacêuticas de quaisquer reacções adversas manifestadas pelos seus doentes. e a carne continha 5% de gordura em vez dos habituais 25%. O primeiro medicamento sintético foi produzido pelo alemão Paul Ehrlich em 1910. foi o primeiro medicamento eficaz contra uma doença que até então era incurável. descobriu que o composto 606. O passo seguinte é testar essas substâncias em voluntários humanos saudáveis com vista a detectar possíveis efeitos secundários. porque a água dos rios utilizada na sua irrigação deixa vestígios de sal que se acumulam de ano para ano. o grupo de voluntários é alargado. No futuro. A penicilina. Como se criam novos medicamentos? Muitos dos triunfos da medicina moderna são resultado não de melhores técnicas médicas. legal produzir artificialmente uma espécie que seria forçada a viver em sofrimento apenas para produzir mais carne. poderia nunca ter sido comercializada se tivesse sido inicialmente ensaiada em cobaias. um discípulo japonês de Ehrlich. Fazem-se ainda ensaios mais apurados com doses menores em animais jovens. Há quatro maneiras principais de abordar o problema. As substâncias químicas nem sempre afectam da mesma forma os animais e os homens. A primeira é isolar ou imitar compostos naturais que se sabe possuí rem propriedades medicinais. transferindo para o trigo células de uma gramínea que cresce nas areias salgadas. pois basta uma pequena dose para as matar. sem prejudicar os tomateiros. nos EUA.que têm sido produzidos pelos químicos e experimentá-los em animais. Ehrlich pretendia uma "bala mágica" que fosse capaz de destruir as bactérias responsáveis por doenças como a tuberculose e a difteria. Se a substância em estudo não produz. Ehrlich dedicou-se então à investigação das possibilidades dos compostos de arsénico. Ainda hoje. para se verificar se as crias não são afectadas. com frequência. Os ensaios de toxicidade são altamente complexos e demoram. a fim de tornar mais objectiva a avaliação clínica da eficácia. na ideia de que a modificação de um produto podia aumentar a respectiva eficácia e na verificação minuciosa dos efeitos dos produtos não só sobre a doença em que estava interessado. 0 laboratório farmacêutico faz o relatório das suas verificações. Esta característica é transmitida ao trigo híbrido pela transferência dos genes. na esperança de descobrir um com propriedades úteis. cientistas americanos inseriram em ratos o gene que produz a hormona de crescimento das ratazanas. o medicamento é então sujeito a ensaios clínicos em doentes para avaliação da sua eficácia. efeitos secundários perniciosos. na sua maioria. Cientistas ingleses estão a aperfeiçoar uma estirpe resistente ao sal. o êxito dos antibióticos (v. p. mais de dois anos a completar. encorajou os laboratórios de produtos farmacêuticos a investirem grandemente na investigação. aparentemente. poderão ser inseridos nos animais úteis ao homem genes responsa veis por toda uma série de características. Na América.TRIGO QUE CRESCE COM SAL A engenharia genética eslá a ser utilizada para criar uma variedade de trigo que cresça em solos salgados. crescem em redor das plantas podem ser destruídas pulverizando-as com Roundup. Criaram porcos com o gene que leva à produção da hormona de crescimento humana para os tornar maiores e a sua carne menos gorda.os que contêm carbono . que o levou a investigar no campo certo. 288). Este composto. Ehrlich descobriu assim um corante. Muitos medicamentos novos são submetidos a ensaios com "ocultação dupla": metade dos doentes toma um placebo (produto que não contém a substância activa) de aspecto idêntico. Em 1909. e em fêmeas grávidas. observam-se habitualmente entre 5000 e 15 000 pessoas antes de se enviar os resultados rios testes para a entidade encarregada da concessão de licenças de comercialização. Apesar de lodos estes ensaios. continua em observação. que promoveu a cura deste. a que posteriormente foi dado o nome de Salvarsan. desde a resistência às doenças até ao número de crias das ninhadas. organismos responsáveis pela doença do sono. e nem estes nem os médicos são informados de quem tomou o quê. ao qual posterior mente foi dado o nome de vermelho de triparto. na esperança de encontrar outros produtos igualmente eficazes. que destruía os tripanossomas. estes compostos. O êxito de Ehrlich baseou-se na sua intuição. como sobre outras. Começou por examinar os reagentes de coloração das bactérias que não coram as outras células. Eram de facto grandes. Em 1986. em certas circunstâncias. mas de melhores medicamen- tos. Noutros animais observa-se com atenção a ocorrência de erupções cutâ neas ou de comportamentos anormais. No vale do Indo. A quarta maneira consiste em tentar compreender o funcionamento do organismo humano e criar medicamentos a partir de princípios científicos. O resultado foi uma raça a que deram o nome de "super rato". Todos estes processos têm tido os seus êxitos. os médicos continuam atentos a quaisquer efeitos secundários náo aparentes nos testes anteriores. que tem salvo milhões de vidas humanas. os cientistas envolvidos na pesquisa de novos medicamentos procedem mais ou menos da mesma forma. Os resultados têm de ser suficientemente convincentes para que o medicamento passe nos ensaios clínicos. que têm salvo milhões de vidas. na esperança de o tornar mais eficaz. O gene estranho fizera algo mais que aumentar-lhes o tamanho. Ensaiados em animais. Vastas áreas das terras irrigadas no Mundo tomaram-se salgadas. era fatal para a bactéria causa dora da sífilis. Assim. Em 1982. A segunda é copiar um medicamento já existente. absorvendo menos sódio do sal do que as outras plantas. 191 . os resultados ainda podem conduzir a conclusões incorrectas. ou não produzem quaisquer efeitos ou apresentam uma tal toxicidade que deixam de poder ser considerados medicamentos. modificando-o ligeiramente. o processo foi adaptado à pecuária. a fim de se ter a certeza de que a substância não prejudica o seu crescimento. e se este é aprova do. algumas terras aráveis tornaram-se tão salgadas que actualmente náo podem ser utilizadas para a cultura do trigo. pois não seria ético e. Esta gramínea tolera solos salgados porque discrimina diversos produtos químicos. Contudo. que não tinha qualquer efeito contra os tripa nossomas. A terceira é escolher ao acaso entre os milhões de compostos orgânicos . Durante os ensaios clínicos. Produziu uma grande quantidade de derivados arsenicais do vermelho de tripano e começou a ensaiá-los. Por exemplo. e náo as resistências naturais do doente.

São ainda capazes de emitir uma grande variedade de sons. da Universidade de Colúmbia. outros cientistas americanos começaram a trei nar chimpanzés. garrafas. Como não possuem as mesmas cordas vocais que o homem. além de res ponderem a ordens simples. O seu instrutor. respondeu Washoe. utilizando urna série de diferentes métodos de comunicação. Os resultados pareceram demonstrar que os chimpanzés conseguiam. Washoe aprendeu depressa. falar. pois.. lançou um balde de água Iria sobre estes resultados. na verdade. chamado Washoe.Como se ensinam os animais a comunicar com as pessoas 0 entendimento que se pode criar entre as pessoas e os animais é. Mas será algum dia possível às pessoas comunicarem com os animais através da linguagem normal? Desde há alguns a n o s que se fazem grandes esforços para comunicar com gol finhos. uma otária de 13 anos do Long Marine Laboratory. O psicólogo Dr. o dono apontou para um pato e perguntou lhe em linguagem de sinais: "O que é A aprendizagem He Lucy. usavam na para pedir coisas. O índice de êxito das suas respostas a estas instruções é de apenas 40%. Lucy olha atentamente quando Olhar q u e i x o s o . lembraram se de ensinar a um deles a linguagem dos sinais. são capazes de compreender linguagem gestual e reagir correctamente. Por isso. Ron Scliustennan. Além disso. em Santa Cru/.bolas. foi treinada para identificar objectos. e até 1071 ensina ram lhe a Linguagem de Sinais Americana. Também o cavalo cos. inventando o seu termo próprio para "pato". As tentativas de interpretação desta linguagem não têm sido bem sucedidas Mas os cientistas demonstraram que estes animais. o Prof. indicando alarme. descobriu que a o r d e m das palavras era fortuita: pode reagir às indicações mais subtis. da Universidade do Nevada. consegue retirar do seu tanque apenas o objecto que lhe for pedido. Mais tarde. ameaça e reconhecimento. muitas vezes. Outros métodos implicavam o premir de diferentes teclas num computador para transmitir palavras ou frases. Allen e Beatrice Gardner. Chegou a saber usar 150 gestos. espalha pela piscina até uma dúzia de brinquedos . De olhos baixos. Um assistente sentado na borda da piscina faz sinais a Rocky. c o m o "Leva a bola ao disco'* ou "Leva o disco preto pequeno à garrafa". Ilerbert Terrace. etc. uma chimpunzé de seis anos e um dos membros da colónia de primatas da Universidade de ()klaho/na. objectos como maçãs ou o nome do instrutor. e em breve conhecia um grande número de palavras. Lucy faz o sinal de dedos-à boca que o Dr. Em 1967. Roger Fouts ensina a linguagem de sinais a Lucy. pedindo-lhe que recolha determinado brinque do. da Univer sidade da Califórnia. o método utilizado pelos surdos nos Estados Unidos. latidos e assobios. entre outras coisas. dominar uma "linguagem". Rocky. Mostravam lhe os sinais repetidamente e recompensavam-na com uma festa ou com comida quando ela respondia correctamente. sendo recompensada quando agia correc lamente. como 0 demonstram os complexos movi mentos da dressage. Linguagem de sinais para os chimpanzés Têm se feito experiências s e m e l h a n t e s com chimpanzés. gemidos. Fouts lhe ensinou para Doer". tal como as otárias. diques. Hoje. con seguiram um chimpanzé fêmea com um ano. Quando analisou todas as frases de duas palavras de Washoe. propriamente. Encorajados por este lacto. e a otária acerta 5)5% das vezes. dis- . Nova Iorque. incluindo chios. Al gnns implicavam a identificação de formas de plástico que simbolizavam. foi-lhe ensinado o significa d o d e o r d e n s muito mais c o m p l e x a s . orangolangos e outros macacos. Califórnia. quase misterioso. Passeando uma vez junto a um lago. 0 cão interpreta Ião liem os desejos do dono que por vezes parece possuir um sexto sentido. aquilo?" "Pássaro água". Estes mamíferos possuem cérebros de tamanho semelhante ao do cere bro humano e parecem muito inteligentes. os macacos não poderão.

de qualquer modo. Alemanha. mas a verdade é que produz asserções de duas e três palavras que parecem espontâneas. Kanzi começou a usar correctamente os símbolos aos dois anos e meio. Múmia de um bebé A múmia — a de um bebé do sexo mas culino que contava menos de um ano quando morreu . Os laxidennis las que embalsamaram o exemplar de Mainz deixaram na pele fragmentos de músculo e gordura. Reinhold Rau. onde capturou oito zebras com poucas riscas nos quartos traseiros como a cuaga. os chimpanzés não aumentavam gradualmente a complexidade das suas "frases". do Jardim Zoológico de San Diego. Mas as modernas técnicas de engenharia genética tornaram possível estudar a sua estmtura genética — ou até pôr a hipótese de lhes dar vida de novo. e o Dr. Depois disso. os cientistas procederão à reprodução selectiva destas zebras. e mostraram-lhe um vídeo em que aparecia Austin. do Laboratório Wallenberg. Esta infor mação está contida no ácido desoxirribonucleico (ADN) das células do animal mas só pode ser obtida de um tecido que. Metade zebra. estes trabalhos poderão vir a responder a algumas perguntas acerca dos antigos egípcios: se. o dodó. Depois de algumas noites. do Alasca e do Norte do Canadá. A finalidade destas expe riências não era reconstituir os animais. A caça incontrolada matou os últimos exemplares em estado selvagem. No entanto. o ADN do animal extinto pôde ser copiado. que faça cócegas ao outro. no campo da ficção científica. As mãos juntos indicam u palavra "livro". na Geórgia. Ao serem desenterrados. embora a cuaga tenha perdurado nalguns jardins zoológicos. eslão extintos. O ADN revelou que a cuaga era real mente uma subespécie da zebra e veio criar a ideia de que as suas características talvez pudessem ainda existir em popula ções selvagens de zebras das-planícies. em Berkeley. reuniu um grupo de pessoas empenhadas em conserva cão das espécies. orangotangos e chimpanzés vulgares. do dodó ou até dos antigos egípcios.Washoe poderia. muito provavelmente. tia actual Namíbia. A cuaga. Kanzi. extraiu uma pequena amostra da parte inferior da perna esquerda e clonou com êxito. como "metade zebra. ADN dela extraído. incluindo o mamute e a cuaga. por exem pio. grupo esse que se dirigiu à Reserva Natural de Ktosha. Ainda bebé. E nem mesmo esta ínfima possibilidade se verifica para animais que apenas existem sob a forma de fósseis. Foram também estudadas amostras de ADN de uma múmia egípcia conservada há mais de 2400 anos e de um bretão que viveu há cerca de 2000 anos e cujo corpo foi encontrado em bom estado de conser vaçáo numa turfeira do Cheshire em 198-1. a hipótese de os dinossauros virem um dia novamente a pisar a Terra permanecerá. sofriam de doenças genéticas ou se manifestavam sinais de casamentos consanguíneos. e aos três tinha adquirido aptidões que os chimpanzés vulgares não tinham aos sete anos. Mais recentemente. Por exemplo. tentando igua lar os padrões encontrados nas peles das cuagas conservadas no Museu de Mainz. com a mesma facilidade. Russell I luguchi. Se o embrião fosse recolocado no útero da mãe elefante. Kanzi senliu-se aparentemente sozinho. os cientistas teriam de obter uma amostra de material contendo a informação genética necessária para se recriar um animal completo. o que já foi feito com algumas espécies extintas.faz parte da colecção do Museu Egípcio de Berlim. m . Trala-se ainda de uma possibilidade teórica. metade cavalo Pedaços de pele de cuaga conservados no Museu de História Natural de Mainz. Igualmente — pelo menos em teoria . Terrace descobriu ainda que. forneceram ADN para a clonagem feita por dois cientistas da Califórnia. Assim. dos quais foi possível extrair porções do ADN da cuaga. Mas alguns animais como o mamute . Esta ideia levou a uma tentativa de reconstituição da cuaga através de criação selecti va. descrita pelos primeiros viajantes da província do Cabo. mas estudar o ADN* e tentar obter novos conhecimentos através dele. em 1985. contrariamente aos bebés humanos quando aprendem a falar. Kanzi brincava no laboratório enquanto a mãe era ensinada a usar o teclado. Oliver Kyder. Cada tecla está marcada com um símbolo geométrico que representa uma palavra. na Africa do Sul. Reconstituir qualquer ser a partir de tão pequena amostra é impossível. tenha sido preservado desde que o animal se extinguiu. Kanzi adormeceu contente. Para surpresa dos cientistas. perto de Atlanta. na Cidade do Cabo. Alemanha. Inserido no ADN de uma bactéria. da Universidade de Upsa la. Utiliza o teclado para comunicar com outros chimpanzés pigmeus que são objecto do mesmo treino — dizendo a um. do South African Mu seum. Mas o fragmento de ADN era apenas cerca de um vigésimo do ADN total que uma pessoa possui. pois passou a fazer parte do material genético daquela. por exemplo. Alguns macacos adquiriram vocabulários extensos. lima vez que da maioria das espécies extintas apenas restam fósseis. marcou no seu teclado os símbolos de "Austin" e de '"IV". uma espécie de zebra. da Universidade da Califórnia.poderia fazer-se o mesmo com os genes da cuaga. sem a habitual visita do amigo à hora de deitar. Kanzi tem um teclado ligado a um computador. um dia. Os fragmentos do ADN recuperados têm fornecido uma fracção insuficiente da informação genética total. o Dr. ave que não voava. O poder das palavras. Será possível.ficaram congelados nos solos da Sibéria. O primeiro passo para se reproduzir um espécime vivo seria extrair o ADN e copiá-lo. e reconstituir o restante parece impossível. ler dito "água pássaro". Durante os próximos 10 anos. a sua carne ainda continha vestígios de ADN. Kanzi vive no Centro de Es ludos de Linguagem. comenta as suas acções c descreve aos instrutores aquelas que tenciona executar. e a cuaga. reconstituir um animal completo? Suponhamos que se conseguia recuperar a informação genéti ca total de um mamute preservado no permafrosl. cloná-la e inseri-la depois no embrião de um elefante. um chimpanzé pigmeu. Comunicando a solidão Os instrutores de Kanzi não afirmam que ele construa frases gramaticais. A sua habilidade para captar os elementos da linguagem parece demons trar que os chimpanzés pigmeus têm um potencial intelectual superior ao dos gori las. Os mamutes voltarão a existir? O mamute lanudo. metade cavalo". O cientista sueco Svante Paibo. não existem quaisquer vestígios de tecido preservado. entrou em declínio quando os colonos começaram a vedar lhe o território e a introduzir o seu próprio gado. e parece ter aprendido ao observá-la. As suas frases representam também a sua reacção a uma situação. veio reavivar o interesse por estes estudos. Para o conseguirem. até que o último espécime morreu de morte natural no Zoo de Amsterdão em 1893. esta daria à luz um mamute.um parente peludo do elefante que se extinguiu há cerca de 12 000 anos . ao ser privado da companhia de oulro chimpanzé chamado Austin.

em 1856. andaria sobre as quatro patas. Os erros de reconstituição são comuns. esta ideia estava totalmente errada. Uma descoberta de esqueletos na Bélgica. Mas uma coisa ficará para sempre na dúvida: a cor da pele do dinossauro. são encontrados espécimes pré-históricos intactos. por exemplo. Só passados mais de 20 anos. Ocasionalmente. o Dr. em 1877. Pensa-se que estes gigantes vaguearam por aqueles campos há cerca de 120 milhões de anos. mas também porque os cientistas os interpretam de forma diferente. Resta-nos compará-la com a dos répteis actuais. Imagem errónea. revelou se errada. chamou um iguanodonte. A ideia de que os iguanodontes eram quadrúpe des com um chifre. Gideon Mantell. e conforme revelaram descobertas posteriores. Cada fragmento é numerado e etiquetado. maior é a exactidão com que o animal pode ser reconstituído. num monte de pedras à beira de um caminho no Sussex. espalhados e incompletos. tudo é cuidadosamente embalado. com os joelhos dobrados e os nós dos dedos das mãos quase tocando o solo.Reconstituir um ser pré-histórico a partir de alguns ossos Quando o primeiro exemplar do homem de Neandertal foi descoberto no vale do rio Neânder. Uma vez completado o esqueleto. Por seu lado. Mas qual o seu aspecto? Provavelmente. viva para atrair os companheiras ou afugentar os predadores. frequentemente. O que fora tomado por um chifre verificou-se ser um espigão. Devido a uma pouca sorte extraordinária. Na verdade. no caso dos dinossauros — para se certificarem de que os ossos são colocados na posição correcta. em 1822. os paleontologistas são confrontados com uma confusão de ossos lascados. como as iguanas actuais. E em breve esta figura trôpega e carrancuda foi aceite como protótipo do homem primitivo. foi feito um modelo em tamanho natural deste pesado quadrúpede e colocado nos jardins do Palácio de Cristal. Um dos dentes daquele animal gigante assemelhava-se ao de um lagarto actual. A reconstituição de uma espécie extinta é um trabalho difícil. inaugurado em Londres em 1851. foi encontrada uma manada inteira destes animais. como surge nestes modelos (em cima). na Alemanha. Contudo. Mas. não só porque os restos fósseis são escassos. Os cientistas têm de detectar as minúsculas irregularidades a que se encontravam originariamente ligados os músculos e os ligamentos e comparar depois a estrutura com a dos esqueletos dos animais de hoje — répteis. que lhe deformara as costas e lhe dera o andar inclinado. permitiram aos cientistas saberem exactamente o lugar de cada um dos ossos deste gigante de 9 m. Um osso que parecia p r o p o r c i o n a r uma ideia mais clara do seu aspecto assemelhava-se a um chifre de rinoceronte e assim. de onde a designação iguanodonte ("iguana-dente"). A reconstituição do homem primitivo continua a suscitar muita discussão. o seu esqueleto fossilizado sugeria que ele caminhava inclinado para a frente. na pata dianteira. ou até variável como a do camaleão. na Bélgica. a senhora Mary Ann Mantell encontrou os primeiros vestígios daquilo que seu marido. Em 1854. O segredo de uma reconstituição correcta é tomar notas rigorosas das posições dos ossos na altura em que são descobertos. Depois. na reconstituição. Os diversos exemplares de esqueleto do diplodoco. os homens de Neandertal andavam tão direitos como os de hoje e possuíam um cérebro até um pouco maior que o nosso. frequentemente em gesso ou em es puma de poliuretano. semelhante a uni polegar. resta ainda um problema: como cobrir esse esqueleto com "carne". que serviria para defesa ou para arrancar as plantas de que o iguanodonte se alimentava. permitiu uma reconstituição mais rigorosa (à esquerda) 194 . a pele pode ser deduzida de impressões fossilizadas que se formaram no caso de dinossauros que morreram no lodo. se verificou que os iguanoriontes eram afinal herbívoros gigantes de duas pernas e 5 m de altura. o primeiro esqueleto completo descoberto em Neandertal foi o de urn homem que sofrera de osteoartrite grave. Uma vez desembalados. quando no fundo de uma mina de carvão em Bemissart. que pode ser pardacenta para proporcionar camuflagem. Quanto mais ossos existirem num achado. Em Inglaterra. Também aqui é muito útil o conhecimento pormenorizado da anatomia dos animais actuais. como os mamutes preservados por congelação no permafrost siberiano e insectos extintos há milhões de anos que não sofreram qualquer deterioração no interior de gotas de resina vegetal fossilizada. Trata-se de um trabalho especializado. os ossos podem ser montados numa estrutura metálica. foi colocado sobre o nariz do animal.

mas mesmo assim calcula-se que por cada milhão de pessoas que ali viveram só três fossilizaram. mostrando a postura do animal De pois. obtém-se um modelo em fibra de vidro laminada. pronto para ser pintado. as cores poderão ter sido pardas. O esqueleto reconstituído de um tuojiangossauro esta seguro por meio de uma estrutura de metal e plástico. é o local onde foram descoberlos mais fósseis de homens primitivos. à esquerda). Com 7 m de comprimento. . Dese nha-se então o esqueleto à escala (centro). O animal aqui modelado. na Ásia Central. É raro aparecer um esqueleto completo ou mesmo parcial. vivas. Embora se tenham descoberto impressões fossilizadas em lodos. Dinossauro chinês. o animal viveu na China há 150 milhões de anos. um galimimo. Aqueles que estudam o homem primitivo lançam frequentemente teorias com base em metade de um maxilar . viveu na Mongólia. do qual se tira o molde. variegadas ou até variáveis. na Etiópia. há 70 milhões de anos.com consequentes discussões sobre o curso preciso da evolução humana. faz se um modelo com arame e barro. CONSTRUÇÃO DE UM MODELO 0 primeiro passo na construção de um dinossauro em miniatura é a medição dos ossos (em cima.O vale de Orno. constituindo de certo modo um guia para a textura da pele. A partir deste.

O cérebro consiste numa rede de células chamadas neurónios. produzem novas demonstrações de problemas matemáticos. A British Telecom está a aperfeiçoar um sistema de tradução automática pelo telefone em cinco línguas: inglês. Contudo. mas. por muito complexa. se elas estavam ou não a sorrir. além disso. os cientistas pensam que é esta a forma de o conseguir. As in formações que fluem através do computador percorrem um caminho único em vez de serem distribuídas por todo ele. mas não tão fácil traduzir textos. pretendendo conhecer as emissões russas referentes ao programa espacial. Os computadores já conseguem traduzir com rapidez — é essa a sua principal vantagem. Foi ensinada por meio da apresentação de uma série de fotografias. se algum computador vier algum dia a ser verdadeiramente inteligente. com as suas tentativas a serem corrigidas até saírem correctas. em 1988 já tinham sido criados sistemas com 96% dos lermos correctos — urna taxa de erras de 4% —. posição e alterações na escala. Quando necessário. um computador poderia fazer essa tradução e imprimi-la em cerca de 20 minutos. cada um deles ligado a apenas um outro e funcionando em sequência. . a IBM apresentou o primeiro programa de tradução. O processo é semelhante ao 196 que é utilizado no ensino de uma criança. Possuem na memória extensos dicionários das línguas que traduzem — até 100 000 palavras e frases nos sistemas mais avançados.algo que uma criança domina nos seus primeiros anos de vida. independentemente do respectivo tamanho. A partir daqui. podendo então ser duplicado por meios electrónicos. destinado a auxiliar a Comunidade Europeia no Luxemburgo e em Bruxelas a traduzir quase 1 milhão de páginas por ano. com os seus neurónios relativamente lentos. umas com sorrisos. Terrence Sejnowski construiu. lêem e traduzem. A tradução é muito mais que uma simples substituição de palavras: a maioria das línguas contém inú meras ambiguidades e termos que só são compreendidos no respectivo contexto. é muito superior no reconhecimento de padrões e na aprendizagem . O Systran é utilizado pela General Motors e pela Aerospatiale para traduzir os manuais de instruções. Como é que um computador traduz? É fácil para um computador traduzir pala vras isoladas ou pequenas frases. O Prof. criou em 1970 o tradutor Systran. era capaz de olhar para caras que nunca lhe tinham sido apresentadas e informar.processo que pode ter algo a ver com o aumento da densidade de conexões entre os neurónios enquanto essa aprendizagem tem lugar. que convertia em inglês frases russas simples. Termos co loquiais ou técnicos dificultam ainda mais a questão. Esta rede neural aprendeu exactamente como uma criança. está perto de conseguir abranger o campo vastíssimo do pensamento humano. alemão e espanhol. em Baltimore. Os computadores não são programados da maneira habitual pela introdução de um conjunto de instruções: sofrem um processo de aprendizagem no qual as informações lhes são introduzidas juntamente com exemplos das conclusões a que o computador deveria chegar ou com feedback sobre a qualidade do respectivo progresso. Foi tam bém aumentada a rapidez da tradução. Imagine-se a confusão de um engenheiro cujo manual falasse ern "planta de coca" como tradução de coke plant (fábrica de carvão de coque)! Em I9S4. inlrodu zem-sc termos técnicos no programa e o computador verifica os significados ambíguos e escolhe a palavra correcta. como no cérebro. do Imperial College de Londres. e todos funcionando ao mesmo tempo. sue co.nos cálculos matemáticos extensos e complexos. e. rnas estão ligados de forma diferente. por seu lado. o Dr. com muitas interconexões. possuem milhões de circuitos lógicos individuais. Por muito pouco elegante que seja a linguagem. um sintetizador de voz passa ao ouvinte a mensagem na língua própria deste. A organização emissora japonesa NHK tem urna rede neural que consegue identificar caracteres japoneses escritos à mão com 95% de rigor. nos anos 80. O computador transforma o que o seu interlocutor diz nas palavras apropriadas da outra língua. como acontece entre os neurónios do cérebro. As redes neurais estão ainda num estado muito incipiente. São usados para procurar e aplicar a palavra que mais se aproxima do termo correcto da outra língua. Ainda ninguém construiu uma máquina que seja capaz de aprender uma língua . Mas fazia muitos erros e transformava frases correntes em expressões sem nexo. A Força Aérea Americana. e a construção de uma frase pode. O Servi ço Meteorológico Canadiano uliliza-o na tradução das informações meteorológicas para francês. Uma das dificuldades é a organização diferente do cérebro e do computador. Os seus elementos-base são circuitos electrónicos exactamente como os dos computadores vulgares. uma rede neural capaz de pronunciar correctamente palavras inglesas que eram escritas no teclado. Os computadores. cada um deles ligado com cerca de outros 10 000. Igor Aleksander. Contém entre 10 e 100 biliões de neurónios. O Systran traduz 360 000 palavras numa hora. nos EUA e na Europa trabalha em computadores que procuram copiar a arquitectura do cérebro. os progra mas de tradução por computador há já algum tempo que são usados nas empresas. Dezenas de palavras têm dois ou três significados. Mas nenhuma máquina. Actualmente. além das palavras isoladas. com um rigor de 80%. Estes computadores tomam o nome de redes neurais. o cérebro. outras sem. De pois. que foi posteriormente adaptado a outras línguas europeias. Os cientistas que trabalham nesta área pensam que um dia o funcionamento do cérebro será compreendido em toda a sua extensão. que afirmam que este trabalho de revisão leva quase tanto tempo como uma tradução do texto a partir do original. mas a proposta pode ter centenas de páginas. francês. como "a gasolina é produzida por processos químicos a partir do petróleo bmto". criou em 1981 uma rede neural chamada Wisard que conseguia reconhecer um sorriso humano — uma das primeiras coisas que um bebé aprende. em certas tarefas. um número cada vez maior de cientistas no Japão. o computador é superior . no écran. Esta pode demorar meio dia para traduzir 1000 palavras de uma língua europeia para outra. o que foi conseguido tornando o computador mais apto a fazer remissões entre as palavras e traduzindo frases inteiras. e os textos necessitam de cuidadosas revisões por tradutores profissionais. Na Universidade Johns Hopkins. Um tradutor profissional faz depois a revisão para aperfeiçoar o texto. Apesar destas dificuldades. No entanto.Em busca da máquina pensadora Hoje em dia. ser ambígua. Se uma empresa pretende apresentar uma proposta. O sistema de tradução mecânica mais avançado do mundo é o Eurotra. Os circuitos do computador trabalham muito mais depressa do que os neurónios. os computadores já jogam xadrez. por exemplo. um computador consegue traduzi-la mais depressa que uma pessoa. Mas a simples substituição de palavras conduz a muitos erros. tem de agir rapidamente.

baseada em geral. na de um innão ou irmã da criança. Estes computadores não podem "ouvir" uma pergunta e respondem simplesmente aos números incorrectamente marcados. aparelhos portáteis permiti rão provavelmente a uma pessoa que fala inglês fazer perguntas simples que serão traduzidas num écran para japonês. e trabalha-se já na criação de sistemas rápidos com vocabulários extensos. sen do estas depois articuladas pelo sintetizador. Outro processo consiste no emprego de um sen sor electrónico que detecta os movimentos do olho para introduzir as instruções. A voz emitida pelo computador não soa como a voz humana: os computadores que falam emitem sons sacudidos e mecânicos porque pronunciam cada som ria fala de uma forma idêntica e neutra. Eles são já utilizados em trabalhos de tradução. Investigadores holandeses têm tentado resolver este problema combinando os sons da fala em fragmentos menores e agrupando-os de modo a produzirem palavras com entoa ções mais humanas. Nos paralíticos. e diz-lhe o seu nome.MAKAVlLHAà UA UfclNUA Computadores que nos ouvem e falam connosco Conversar com um computador — fazendo-lhe perguntas e obtendo as respostas — já não é urna fantasia da Ficção cientí fica: é já uma realidade. A voz diz então qual é o novo número. nas reservas de passagens aéreas e na segurança e prevenção de acesso a edifícios e a Ficheiros de computador. São programados com uma voz tanto quanto possível natural. dar o saldo da conta. Uma criança mais velha ou um adulto dactilografam as frases num teclado. Um sintetizador para uma criança mui- to jovem. pelo que não sustenta uma conversa propriamente dita. Os computadores que "ouvem" são programados com um sistema semelhante para permitir que um receptor reconheça os fonemas. impedindo outra pessoa de ligar o mesmo número e usar a conta Quando o computador aceita a chamada e identifica a pessoa. reconhecerá depois uma série de instruções verbais às quais responderá em inglês. Estes são armazenados sob forma digital. um sensor ligado à sobrancelha actua como ojoystick. cada uma das quais representa um som diferente. a criança escolhe as palavras que quer. fornecer pormenores sobre o último movimento. No futuro. No entanto. A maioria dos computadores apenas interpreta certas palavras.COMPUTADOR QUE GRAVA E RECONSTRÓI A FALA A impressão vocal da ooz de uma mulher que pronuncia a palavra "baby" é reproduzi da por um sintetizador e apresentada num écran. Nos EUA. O potencial dos computadores falantes é grande. o computador não pensa. Muitos dos sistemas de computadores falantes são utiliza dos nos telefones. pagar facturas e confirmar requisições de livros de cheques ou de extractos de conta. por exemplo. utilizando umjoystick para indicar as respectivas imagens. Nos EUA. E também utilizado em sistemas C*«W -Harmr*r de segurança de edifícios. código pessoal e uma palavra senha. 0 computador falante introduzido nos sistemas de horne banking foi criado pela British Telecom e entrou em fase de expe riências no princípio de 1988. 7 ms$&&: 197 . O computador está programado para agrupar os fonemas em palavras ou frases — sintetizar — e utiliza um altifalante para nos "dizer" o que queremos saber. Estudos em curso nos EUA e em França têm por objectivo criar uma lista telefónica computorizada que responderá às nossas buscas com o número correcto. as companhias de telefones usam uma voz computorizada quando precisam de dizer às pessoas que o número que marcaram foi alterado. o japonês utilizará uma máquina semelhante. de 4 anos. mas os sistemas mais avançados conseguem hoje reconhecer e responder a qual quer voz humana. enunciadas segundo uma ordem predeterminada ou por uma voz previamente introduzida. por exemplo. O teclado e o uisor de um sintetizador da fala (à direita) estão ligados a um computador que reconhece e interpreta a fala humana 0 sistema é utiliza dono estudo da fala e para fazer os computadores "conversar". O computador faz urna "impressão vocal" dos padrões da fala que funciona como uma assinatura. em serviços de informações. O SINTETIZADOR . e alguns compreendem até mais do que uma língua. já foram construídos sintetizadores de fala computorizados destinados a dar voz a algumas crianças que a não possuem. O cliente telefona para um número especial. como combinações de 0 e 1. por exemplo. 0 primeiro passo para se conseguir que um computador fale é introduzir na sua memória os sons comuns da fala .os fonemas. Ele pode. atendido pelo computador. corno os de compra e venda do mercado de títulos. Para responder. deve possuir um vocabulário adequadamente restrito. sem as entoações diversas ria fala humana.

Uma partícula alfa. noutro. Rutherford empregou azoto puro. culminou as experiências de Ernest Rutherford. desintegrando-se logo a seguir. com produção de núcleos de hidrogénio de alta energia que atravessavam o disco metálico.. obtiveram dois átomos de hélio por cada átomo deste metal. Rutherford demonstrou peia primeira vez a possibilidade de os átomos se "partirem". por sua vez. contavam se de (acto muito menos cintilações.deveriam atingir o alvo: quando o tubo continha ar. o novo núcleo é instável. Desintegrara o átomo de azoto. ao colidir com um núcleo de azoto. Pela extremidade de um tubo com cerca de 20 cm de comprimento. Otto Hahn e Lise Meitner. Para o confirmar. Em breve se descobriram processos mais eficazes para cindir os átomos. o átomo foi fragmentado pela primeira vez num laboratório da Universidade de Manchester. escreveu. que amplia enormemente a tensão eléctrica. provocar a cisão de outros átomos: era o prin cípio da reacção em cadeia. o número de cintila ções aumentava inexplicavelmente . O original está no Museu Cuoendish. o azoto. com emissão de um protão. o que era explicável pela capacidade da folha de metal c destes gases de pararem as partículas alfa. que vinha investigando as velozes partículas alfa libertadas pelo elemento radioactivo rádio. Rutherford transmutara um elemento. O tubo podia ser enchido com diversos gases. o oxigénio. Rutherford veio a chamá-los protões. "Temos de concluir". em Cambridge. m . "que o átomo de azoto é desintegrado. Eram estes protões que Rutherford via no seu écran. 0 disco de metal fino barrava o caminho da maioria das partículas alfa emitidas pelo rádio. os filósofos gregos avançaram a teoria de que toda a matéria era constituída por partículas indivisíveis. Cockcroft e Walton substituíram as partículas alfa por protões. mas sem carga eléctrica). Neste tubo. ao ser bombardeado por um neutráo (partícula semelhante ao protão. Usaram um aparelho chamado multipli- cador de voltagem.I I r t J Ut\ \. a frequência das centelhas era baixa. Em 1932. o tubo continha oxigénio ou dióxido de carbono.. Este acontecimento. C.o mais pesado dos elementos naturais —. Folha de meta As cintilações aumentam porque os protões penetram a folha Partículas alfa desintegram átomos de azoto Disco revestido com rádio Haste Quando o tubo continha azoto puro. Em Janeiro de 1939. em 1919. das quais muito poucas — só as mais energéticas . o número de cintilações era maior: Rutherford concluiu que da colisão das particulus alfa com os átomos de azoto resultavam protões com alta energia. libertando uma enorme quantidade de energia c dois ou mais neutrões que poderiam. Em 1928. em Toronto. 0 seu conceito do átomo c o m o o mais p e q u e n o componente existente na Natureza foi aceite durante mais de 2000 anos.lVim\/AVIL. observava-se um excesso de cintilações Folha de meta Disco revestido com rádio ndro As cintilações diminuem- Hasle Os átomos do gás ajudam a parar as partículas ntrodução de oxigénio ou dióxido de carbono Quando. se dividia em dois átomos. da Universidade de McGill. Mas quaisquer partículas de alta energia (longo alcance) que se formassem pela acção das partículas alfa sobre os átomos de gás no interior do tubo atravessariam o disco. em vez de ar. o oxigénio. Até que. Quando o gás no tubo era oxigénio ou dióxido de carbono. responsáveis pelo excesso de cintilações. quando dispararam estes protões acelerados sobre ato mos de lítio. base da bomba atómica e dos reactores nucleares.só poderia dever-se à presença do azoto. em Cambridge. Quebra-átomos. O outro extremo do tubo foi vedado com um delgado disco de metal por detrás do qual havia um écran de sulfureto de zinco. que nos lançou na era nuclear. RUTHERFORD CINDE O ÁTOMO Folha de metal _Ent /saídas de 08869 M Disco revestido com rádio Haste Partículas alfa emitidas O rádio emitia partículas alta. comunicando-lhes uma grande energia. Este êxito levou a uma série de experiências em que se usaram vários tipos de partículas para bombardear diversos "alvos".o que permitia contá-las. concluíram que um átomo de urânio ." Experiências posteriores confirmaram as conclusões de Rutherford. Concluiu que as partículas alfa desintegravam os átomos de azoto. Rutherford introduziu uma haste em cuja ponta havia um disco de latão revestido de rádio. combina-se com ele. cada um com cerca de metade da massa rio de urânio.lrt Como se cindem os átomos? Já no século v a. Mas quando se utilizava ar. Os núcleos resultantes desta desintegração são de um elemento totalmente diferente. Quando uma destas partículas embatia no sulfureto de zinco. este emitia uma centelha de luz esverdeada . para acelerarem estas partículas.ICIN«.

registada pelo físico inglês C T R. no Texas. houve que criar aceleradores cada vez maiores. Como a cabeça de um alfinete Por volta de 1911. Ocupará 405 ha e custará 4400 milhões de dólares Deverá estar pronto em 1996. Ainda mais extraordinário é que é possível estudar a estrutura de cada um dos componen tes atómicos e. todos estes dados foram aceites em teoria. Os traços sâo as trajectórias de partículas em hidrogénio líquido numa câmara de bolhas. Será um anel tubular gigante com o perímetro de 85 km. que praticamente toda a massa atómica se encontrava concentrada num núcleo pequeníssimo. Mas para atingir estas energias mais elevadas. do tamanho de uma casa. Cada aumento da energia das partículas Primeira* prova». conheciam-se pelo menos 14 partículas elementares. assim as partículas deie quase todo o seu volume é espaço vazio. No centro do átomo encontra-se o Blackett registou efectivamente a desinseu denso núcleo. o núcleo não passaria de uma cabeça de alfinete. tografada no Laboratório Lawrence Berkeley. Verificou-se que os átomos simples imaginados por J. Thomson e Ernest Rutherford eram na realidade muito complexos. Trajectória de urna par tícula alfa ao colidir com átomos. conseguiu ter registadas oito trajectórias ramificadas. Inglaterra. que começou as suas investigações por volta de 1919. mostrando a desintegração de um núcleo atómico. \\)\) . Se um átomo fosse. o vapor de água condensava-se. Em redor dele partícula alfa na sua câmara. pois não havia processo de observar as partículas individualmente. tirou 23 000 fotografias que mostravam cas muito mais leves que o núcleo e com carga eléctrica negativa que contrabalançam a carga positiva do núcleo. Utilizou um aparelho chamado câmara de nevoeiro. tirava as primeiras fotografias de colisões de partículas que originavam transmutações. o fí Electrão em espiral. O diâmetro de um átomo típico é de na atmosfera deixam rastos de gotículas de cerca de 20 milionésimos de milímetro vapor condensado. O maior de todos será construído na ci dade de Waxahachie. forátomo defronlam-se imediatamente com mando uma névoa. Trajectória de colisão. Mas pouco tempo depois. o físico britânico Patrick Blackett. O conceito inicial de átomo era o de uma partícula dura. Mas em Cambridge. Para o conseorbitam electrões . Focobriu o minúsculo electrão. por observação do ricochete de partículas alfa ao colidirem com os átomos. A câmara de Wilson e. na qual as partículas deixam num meio líquido um rasto de bolhas. ou de Wilson um recipiente de vidro contendo ar húmido. foram sendo descobertas mais partículas subatómicas. Dois feixes de protões circularão no seu interior em sentidos opostos. que ocupa menos de tegração do núcleo por colisão com uma 1/100 000 do volume total. desde então. seis anos após ter iniciado os trabalhos. posteriormente. em 1897. têm sido. o físico neozelandês Ernest Rutherford tinha já demonstrado. Colisões a alta energia A medida que as velocidades das partículas em colisão eram aumentadas por máquinas cada vez mais potentes. a câmara de bolhas.partículas su bato miguir. e em 1964 esse total aumentara para mais de 80. instrumentos fundamentais para os físicos das partículas. Quando a pressão no interior do recipiente era subitamente redu400 000 trajectórias de partículas alfa Só em 1925. Espera-se que seja confirmada a existência de uma série de partículas hipotéticas com nomes como o bosão de Higg ou o top quark. Em 1950. xavam rastos na câmara de Wilson. Wilson na câmara que inventou e que recebeu o seu nome. e não dispersada pelo volume atómico. Trajectória em espiral de um elecsico Joseph John Thomson destrão no CQmpQ magnético de uma câmara de bolhas. O processo de condenum problema: os átomos são demasiado sação podia ser desencadeado pela passa pequenos para que os seus pormenores gem de partículas subatómicas com cargas possam ser vistos por qualquer microscóeléctricas: tal como os aviões voando alto pio. por exemplo. será construído em túneis subterrâneos. que se pensa tenham existido apenas momentaneamente durante o nascimento do Universo. Este acelerador. sólida e uniforme. Califórnia. o Super Collider.IVI/MYAVVIL. J. por exemplo. Electroímanes superpotentes guiarão os feixes de protões enquanto são acelerados por campos eléctricos até quase atingirem a velocidade da luz e colidirem. que colidem produz novos dados que têm de ser explicados. demonstrar que os núcleos são formados por partículas ainda menores. Inicialmente. Mas como podem os dentistas saber tudo isto se não conseguem ver as partículas? Os factos são o resultado de uma longa série de experiências nas quais gerações de cientistas fragmentaram átomos com o auxilio de aparelhos complexos chamados aceleradores de partículas. com nomes como ciclotrão e sincrotrão.I l/V) Lírt «_IClNV_lrt Explorando o interior do átomo Os cientistas que exploram a estrutura do zida.

Por este processo conseguem reduzir a escrita a uma densidade de 10 milhões de palavras por milímetro quadrado. por acaso. Mueller injectou hélio numa câmara de vácuo onde havia uma ponta metálica extremamente fina. da Universidade Estadual da Pensilvânia. tocavam na ponta . Os átomos de hélio. ESCREVER NUM MUNDO MICROSCÓPICO A armazenagem miniaturizada de informações será uma benesse para instituições como as bibliotecas. Por exemplo. eslima-se que o Museu Britânico acrescenta às prateleiras da sua biblioteca 13 km de livros anualmente. foram produzidas cm 1956 pelo físico Krwin W1 lhem Mueller. Tem cerca de um milionésimo do tamanho normal. que.à qual eslava aplicada uma elevada tensão eléctrica positiva -. 200 . perdiam uma parte da sua "nuvem" de electrões: transformavam-se em iões de hélio positivos (um ião é um átomo com carga eléctrica). os constituintes básicos de toda a matéria. As linhas são fiadas de átomos. que têm de guardar grandes quantidades de volumosos livros. Dimensões quase atómicas. utilizaram um feixe de electrões para produzir padrões de pontos formando imagens e escrita microscópicas em fluoreto de alumínio. jornais e relatórios. em Cambridge. Os iões eram aceleraAtomos em formatura. O mais pequeno cartão. Este desenho de um pisco foi produzido por um feixe electrónico que faz padrões de furos. Cientistas do Laboratório Cavendish. As moléculas de benzeno da imagem encontramse adsorvidas na superfície de um crista! daí a suo arrumação regular. O furo cavado por um feixe de electrões em fluoreto de alumínio mede pouco mais que a distância entre dois átomos. ao fim de 20 anos de experiências com microscópios especiais.MARAVILHAS DA ULNCIA Ver os átomos As primeiras imagens de átomos. Utilizou-se um feixe de electrões para reduzir o tipo escrito até 10 milhões de palavras por milímetro quadrado. Padrão de pontos. A primeiro imo gem visual de como os átomos eslão dispostos numa molécula de benzeno foi obti da por investigadores em Zurique.

Mas o resultado seria apenas uma aproximação. fazendo com que a pena voltasse à sua posição inicial. O cilindro rodava e a pena traçava uma linha. obrigando a pena a saltar para a segunda posição. Era comandada por dois circuitos. A velocidade exacta de propagação do som confundiu os cientistas até há cerca de 100 anos. os cientistas demonstraram que o som se propaga na água a cerca de quatro vezes a sua velo cidade no ar e a mais de dez vezes através de um sólido. No início da experiência. Como foi medida a velocidade do som? Conforme notam todos aqueles que observam um estaleiro de construção a certa dis tância. o outro girava a 800 rotações por segundo. O STM tem a vantagem de. Como a velocidade de rotação do cilindro era conhecida. de modo que o raio que era devolvido à fonte se desviava ligeiramente da sua trajectória inicial. Um ou dois segundos depois. ligada a um dispositivo eléctrico. que enviou a luz ao longo de um tubo evacuado com 1. A EXPERIÊNCIA DE FOUCAULT Cilindro rotativo Pequeno ângulo percorrido pelo espelho rotativo Fisco do Observatório de Paris.6 km de comprimento para eliminar os efeitos do ar sobre a sua velocidade. Servindo se do desvio do raio para medir o ângulo de que o espelho se deslocara e conhecendo a velocidade de rotação. não danificar a amostra em estudo. inventado era 1981 nos laboratórios da IBM em Zurique. Ouvir-se-áo dois sons distintos: o ouvido encostado ao ferro ouvirá o som uma fracção de segundo antes do outro ouvido. cujo comportamento é determinado pelo rigor na colocação de camadas de átomos diferentes. 201 . O trovão ouve-se quase sempre alguns segundos depois do relâmpago que o pro vocou: numa tempestade a I km de distância. Jean Foucault. O resultado final apresentado por Koucault em 1862 foi de 300 900 km/s. pondo o cronometro a trabalhar quando se vê o clarão e pa rando-o quando se ouve o som. Tratava se de um cilindro rotativo revés tido a papel. diagrama). As posições dos átomos apareciam como pontinhos brilhantes. contrariamente ao microscópio electrónico. ou seja 340 m/s. lhe bata com um martelo. o salto na linha registava o tempo que 0 som levara entre o canhão e o diafragma.SCarming (unnelling microscope). Se um raio de luz atingia o espelho quando este se encontrava exactamente no ângulo certo. o som de um bate estacas chegados atrasado em relação à respectiva imagem: o som é comparativamente lento. a certa distância. Uma agulha. um defronte da boca de um canhão a uma distância considerável. o intervalo é de cerca de três segundos. outro através de um diafragma sensível ao som junto ao cilindro. Durante os anos 80. Uma diferença de potencial entre a ponta e a amostra produz uma corrente eléctrica.Pode efectuar se uma experiência relativamente simples que prova esta afirmação: pegue-se numa barra ou varão de ferro comprido e direito. A pena.. Resultado: o som do tiro propagava se a cerca de 1200 km/h. era reflectido para o espelho fixo. que voltava a fechar o circuito. Foucault pôde calcular o tempo que a luz levara no seu percurso e a sua velocidade. que recebe o som através do ar. As medições mais recentes conduziram a 299 793 km/s. Deve vir a revelar-se valiosíssimo na criação de novos dispositi vos microelectrónicos.se para o rotativo e deste para a fonte (v. foram produzidas imagens de átomos muito mais espectaculares com o microscópio de efeito de túnel (STM . entre as reflexões eram vitais para os cálculos de Foucault. tinha duas posições possíveis de contacto com o cilindro — uma com a corrente ligada. Um dos espelhos era fixo. o espelho rotativo tinha rodado um pequeno ângulo. Jean Foucault (1X196H) passou 12 anos nas suas experiências sobre A velocidade de um espelho rotativo e o seu movimento angular a velocidade da luz. no qual uma pena desenhava um traço. produziam uma imagem rigorosa da ponta metálica ampliada 5 milhões de vezes. Quando o canhão disparava. utilizando dois espelhos afastados 20 m entre si. O aparelho produz a imagem da superfície de uma amostra como um mapa de curvas de nível. cortava o primeiro circuito. provocando uma explosão numa colina distante. O resultado é uma imagem extraordinária. Desde o tempo de Regnault. outra com a corrente desligada. dependente da rapidez da reacção humana. voltava a rc flcclir-. físico do Observatório de Paris. E há 100 anos nenhum relógio conseguia medir centésimos de segundo. mostrando os átomos ligados entre si como num modelo de laboratório. O método utilizado por Koucault foi aper feiçoado na década de 1920 pelo físico ame ricano Alberl Michelson. mostrando as posições dos átomos individuais. Ao chocarem com o écran. A fim de ultrapassar estes problemas. Como foi medida a velocidade da luz? Nos meados do século xix. No tempo que levava a viagem de ida e volta entre os espelhos. é colocada a aiguns átomos de distância da superfície da amostra a estudar. aguçada quimicamente por forma que na sua ponta haja um único átomo. ligava-se a corrente. Quando se corre a ponta paralelamente à superfície. o som do tiro chegava ao diafragma. encostese-lhe o ouvido c peça-se a alguém que. a resistência ã corrente varia ao passar sobre sucessivos áloinos. revelando átomos individuais ou os sítios onde faltam átomos (lacunas) e quaisquer defeitos na estrutura cristalina. mediu a velocidade da luz com uma aproximação notável. o químico e físico francês llenri Victor Reg nault imaginou em 1864 um aparelho que fazia as medições automaticamente.ivmrmviuiAO UM C I L I C I A dos segundo trajectórias rectilíneas — atraídos por um écran fluorescente com carga negativa. As medições das variações de resistência utilizam •se para desenhar um mapa de curvas de nível. Uma maneira óbvia de medir a velocida de do som é verificar o tempo que ele leva a percorrer uma distância conhecida — por exemplo.

Apesar das dores que sentia. Yeager viajava por enquanto no bombardeiro — que levava o X-l encaixado na barriga. O avião Bell X-l. Charles "Chuck" Yeager. W Air Force . só há que bater os dentes . no deserto do Mojave.JI çedurei . por cima do seu capacete de voo." Durante os voos de ensaio. levantando o manipulo com o pau da vassoura. a transpiração de Yeager acrescentara mais uma ca- 202 . Yeager tinha de descer por uma pequena escada.' A velocidade de um avião comparada com a de propagação do som no meio vizinho é conhecida como o número de . Fizera já uma série de voos de ensaio no avião com propulsão por foguetes e tinha como objectivo ser o primeiro homem a ultrapassar a velocidade do som — cerca de 1220 km/h ao nível do mar (quanto maior é a altitude. com o seu nariz aerodinâmico e as suas linhas suaves. começaria a subir quando Yeager pusesse a funcionar em rápida sequência os quatro foguetes. um médico local ligou-lhe o tronco. recordava depois. ' u. "A tremer". recordou depois Yeager. Depois.5 m de comprimento e 8. no deserto do Mojave. de couro. Teoricamente. Uma vez colocada a porta.. a 182vC negativos. é como tentar concentrarmo-nos no trabalho dentro de um frigorífico. Yeager planeava voar a cerca de 700 milhas/hora (1126 km/h) a uma altitude de cerca de 40 000 pés (12 200 m) acima do nível do mar. "bate-se as palmas com as mãos enluvadas e coloca-se a máscara de oxigénio no avião mais frio que jamais voou. mais lentamente o som se propaga). Então. causando intensas vibrações irregulares que provocam perda do domínio de voo. as entidades superiores adiariam a tentativa.ocicet aircraf» S í ^ n e n. o avião a foguetes passou a barreira do som a 1126 km/h. "Procurámos pelo hangar e encontrámos uma vassoura". Yeager avançou para o compartimento das bombas. projectada secretamente para 14 de Outubro de 1947.»«_• an nouncerf Sr°> Sec-. Está-se a ser enregelado pelas centenas de litros de oxiPassagem da barreira. Yeager tinha de a fechar pelo lado direito — coisa simples quando não se tem duas costelas partidas e o braço direito imobilizado.Mr.. Para se proteger. • uvs "Chuck" Yeager: o homem que passou a barreira do som Dois dias antes da sua tentativa de passar a barreira do som. consegui fechá-la. A porta do cockpit tinha então de ser baixada por um cabo a partir do compartimento das bombas. de 24 anos. o X-l. seria largado do compartimento das bombas de um Boeing B-29 e. a partir do qual desciam uns carris até ao X-l. "Peguei no cabo da vassoura e o manipulo rodou para a posição de fechado. depois de uma curta planagem sem motor. Mach . Se um avião não é desenhado para o -voo supersónico. o B-29 largou da Base Aérea de Muroc. Ele encostou a porta ao caixilho e eu. o seu mecânico de voo. lembrava. teve de haver-se com o ambiente gelado do cockpit.nome do físico Emst Mach (18381916). Empurrou a escada de alumínio pelos carris c deixou-se escorregar para dentro do cockpit do X-l. que se ajustava perfeitamente ao manipulo." Depois. accionado por foguetes e pintado de cor de laranja. Contudo. mas. entrei no X-l e fizemos uma expe' riência. Ò Bell X-1 tinha apenas 9. Funcionou perfeitamente. Durante os próximos 15 minutos. Recorte de jornal com a notícia (ao alto'). Glennis (à direita). Pilotado pelo capitão "Chuck" Yeager. tinha o mau costume de sacudir o piloto dentro do apertado cockpit com tanta força que o poderia fazer perder os sentidos. Na sua tentativa. Um avião que se desloca à velocidade do som diz-se que vai a Mach 1. fortes ondas de choque atingcm-lhe as asas e a fuselagem quando ele se aproxima de Mach 1. "Descer o diabo da escada fez-me doer". Sabia que. teve uma ideia brilhante: o piloto poderia manobrar um pau com a rnão esquerda para levantar o manipulo da porta e fechá-la. "Chuck" não conseguia mexer o braço direito devido às dores. MARAVILHAS DA CIÊNCIA p ROM U Chi to SÍ v. com a sua mulher. O fluxo do ar em redor do aparelho torna-se instável. "Jack serrou-lhe 25 cm do cabo.5 m de envergadura. capitão da Força Aérea dos EUA. Para passar do B-29 para o minúsculo cockpit do X-l (também conhecido por XS-1). mesmo assim. não seria afectado." Por volta das 8 da manhã de 14 de Outubro. Na manhã seguinte. Quando o B-29 se aproximou dos 7000 pés (2100 m). Jack Ridley.'"itJOrity. se houvesse notícias do seu estado. Yeager estava optimista. partiu duas costelas num acidente quando corria a cavalo. "Chuck" Yeager (à esquerda) deu ao avião o nome da sua mulher. Yeager usava um grande capacete de râguebi. génio líquido armazenados no tanque de combustível directamente por trás do assento.r cra Avião mais rápido que o som.e an !>y an /eed.

Yeager largou o resto do combustível e sete minutos depois o avião pousava em segurança." f t yr /• ^ 203 . o X-1 foi transportado no compartimento das bombas de uma superiortaleza B-29 até aos Ç000 m de altitude. vi que ultrapassar a baneira do som era como andar numa pista perfeitamente alcatroada. mada de gelo ao vidro da frente. de nariz para cima A queda durou cerca de 150 m. "E assim. Finalmente. afirmou. Mas tudo correu de acordo com os planos. Para contrariar este efeito.e a 40 000 pés (12 200 m) estava a subir a Mach 0. enquanto Yeager lutava desesperadamente com os comandos." Os dois aviões. Voltou a acender o foguete n. quatro . e o avião e n d i r e i t o u -se a 36 000 pés (11 000 m).92. os bombeiros acorreram e apanhei boleia até ao hangar. voavam a cerca de 15 000 pés (4570 m) e continuavam a subir. três .96 e continuou a acelerar. o mecânico-chefe tinha posto um pouco de champô para o cabelo no vidro.. "E o voo era tão suave como a pele de um bebé: a minha avó podia ir ali sentada e a beber limo nada Levantei em seguida o nariz do avião para o afrouxar.. O sol quente do deserto sabia-me maravilhosamente.. "Por qualquer razão desconhecida"." Para eliminar o risco de explosão quando o X-1 aterrasse.Ã boleia. as ansiedades. um ... De novo voltou à horizontal .° 3 — e instantaneamente chegou a Mach 0..88 e começou a oscilar violentamente. "Estávamos a andar mais depressa que o som!".. Para iniciar o seu voo.desta vez a 42 000 pés (12 800 m). baixou o nariz do avião e acendeu as quatro câmaras dos foguetes. dois . afirmou Yeager.. iniciou a contagem decrescente ". major Bob Cardenas. naquele dia f fui um herói". o X-1 foi largado como uma bomba. ainda engatados um no outro. cinco .. Yeager puxou imediatamente o botão do e s t a b i l i z a d o r .. Aos 20 000 pés (6100 m) o piloto do B-29. "Como de costume. "aquilo funcionou como um eficaz dispositivo ahticongelante. e continuámos a usá-lo mesmo depois de o Governo ter comprado um produto químico especial a 18 dólares por garrafa. LARGA!" Premiu o botão e. disse com simpli cidade.. com um sacão. Desligou duas das câmaras de foguetes . Para conservar a sua carga de combustível de 2700 I de oxigénio liquido e álcool. O X-l subiu ã velocidade de Mach 0.. o X-1 estava entregue a si próprio e caindo pelo espaço. Depois de todas. Ele sabia que o combustível podia "explodir com uma pequena faís- ca de um interruptor de ignição e espalhar os meus pedaços por uma série de conda dos".

cientistas americanos detectaram alterações magnéticas. Assim. na Califórnia. Contudo. Francisco no sem ido noroeste-sudeste. pouco passava das 7. como a população se tinha mantido ao ar livre. os sismólogos procuram aperfeiçoar as suas previsões com base em quatro indicadores principais: o primeiro é a velocidade a que as ondas de choque se propagam através da crusta. embora não exista qualquer indicador único de confiança. e de um ponto de vista empírico. no Centro da Califórnia. Por outro lado. do US 204 . Centenas de casas ruíram. inclinações do solo e Linha de falha. Urna série rie pequenos abalos nessa manhã parecia avisar da iminência de uma catástrofe. uma previsão. O segundo indicador envolve alterações no nível da superfície topográfica. subiu 40 cm em 20 anos. poucas pessoas ficaram feridas.MAKAVILHAS DA CIÊNCIA Como os cientistas tentam prever os sismos Em 4 de Fevereiro de 1975. emitiram um aviso urgente de que estava prestes a ocorrer um tremor de terra. comportamento anómalo dos animais. Quando as tensões subterrâneas se acumulam. A velocidade destas parece diminuir. Com efeito. no ano seguinte. Mas os métodos utilizados falharam posteriormente na previsão de terramotos mais graves . na Manchúria. algumas previsões têm dado origem a falsos alarmes. consideram-se como indícios de um sismo iminente: ocorrência de pequenos sismos (premonitórios) durante horas. na China Oriental. aquele êxito tornou evidente o valor que poderá ter a previsão correcta dos tremores de terra. Este foi um dos primeiros casos conhecidos em que um terramoto foi correctamente previsto. verificou-se um forte sismo. funcionários da província chinesa de Liaoning. dias ou meses (embora ocorram grandes terramotos sem abalos preliminares e outras vezes os pequenos abalos não tenham sequência). que se eleva muito ligeiramente com o aumento da pressão no interior. gás inerte. John Healy. mudanças de velocidade das ondas de choque perto de Hollister. mas. ainda que fosse Inverno e estivesse muito frio. A falho de Santo André — uma das fracturas mais importantes da crusta terrestre . as pressões exercidas sobre as rochas alteram a forma de propagação das ondas de choque. radioactivo. que se liberta permanentemente através do solo. e resultou de um programa iniciado pelo Governo Chinês em 1965 para tentar diminuir a terrível mortalidade provocada por abalos sísmicos.30 da tarde. As pessoas foram aconselhadas a pennanecer fora de casa. Estas medições já permitiram. Em Novembro de 1974. para voltar a aumentar imediatamente antes de um abalo Pequenas explosões e abalos preliminares podem ser analisados para revelar essas alte rações. O terceiro é a emissão de maiores quantidades de rádon.atrauessa o Sul da Califórnia e a península de S. No mesmo dia. Os modernos esforços científicos para a previsão sísmica concentram se na observação de uma série de modificações verificadas na crusta terrestre antes de um grande sismo. foi a observação destes indícios nos EUA em 1974 e na China em 1975 e 1976 que permitiu minorar as con sequências de fortes abalos que se verificaram pela adopção de medidas preventivas adequadas. Uma zona da região da falha de Santo André. Um deles. abaixamento do nível da água nos poços e subida da sua temperatura. Actualmente. mas cuja concentração parece aumentar antes de um terramoto. de certo modo.como o catastrófico que. E o quarto são as mudanças no comportamento eléctrico ou magnético das rochas nos momentos em que elas se aproximam do seu ponto de fractura antes do abalo. matou mais de 240 000 pessoas em Tangshan.

Francisco. em princípio.^ UA UtINUA Mudança de curso.5 7.5 8. argumentava que os sinais eram suficientemente claros para se emitir um aviso.'ta é medida na escala de Richter — de 1 a 10.0 50-70 000 242 000 15 000 600 35 000 3000 2500 58 1 300 177 4 287 25 000 Medindo a intensidade das ondas de choque de um sismo.9 7.a do Pacifico e a da América do Norte.7 7.2 7.4 8. em pânico. Geológica] Survey.3 8. na Califórnia. garantindo assim a ocorrência da catástrofe que.3 7. fez desalinhar filas de árvores deste pomar. O rio percorre agora uma parte desta e retoma o seu curso do outro lado.8 7. de cidades inteiras. A escala é logarítmica: um a balo de magnitude 8 é 10 vezes maior que um de magnitude 7. ou hipocentro.4 83 180 99 200 70 20-60 4-5 12 700 000 000 000 000 255 000 000 11 000 178 000 1970 1976 1978 1979 1980 1980 1981 1983 1983 1985 1985 1988 Peru China Irão Equador Argélia Itália Irão Japão Turquia Chile México URSS (Arménia) 7. A falha de Santo André resulta do movimento de duas das maiores placas crustais da Terra . criada pelo sismóiogo c aliforniano Charles Richter em 1935.MAKAVILhA. E. a previsão evitaria.1 7.1 7.9 Desconh. Desalinhadas. à esquerda).6 8. EUA Chile Alasca Irão 8. 7.5 8.3 7. No dia seguinte.5 7. mas não contra as consequências de um alarme falso que provoque a evacuação.7 7. plantado sobre o percurso de uma falha OS GRANDES TERRAMOTOS DO SÉCULO XX DATA LOCAL MAGNITUDE MORTOS DATA LOCAL MAGNITUDE MORTOS 1906 1908 1920 1923 1927 1931 1932 1935 1952 1962 1964 1968 S. mas os colegas discordaram. etc.7 7. 205 . a actividade sísmica no Imperial Valley. no seu leito original (em baixo. Este movimento alterou o curso de um rio (topo direi to da fotografia) que em tempos atravessava a falha.7 7.a quantidade de energia libertada no foco. os a 'ntistas determinam a sua magnitude» .3 7. Um único rebate falso poderia levar a que uma previsão genuína fosse ignorada. Empresas e pessoas podem fazer seguros contra sismos. 100 i ezes maior que um de 6. pelo que nada se fez.7 8. Em 1940. EUA Itália China Japão China Nova Zelândia China Paquistão Califórnia. um sismo de magnitude 5 abalou Hollister.

As peças são de uma que perseguem e torpedeiam os submariprecisão considerável.o sistema germano/ vezes. . o míssil que se aproxima. A forma de os proteger é com O último recurso. tornando impossível distinOs porta aviões são alvos fáceis para os guir o alvo. no tombadilho. os contratorpedeiros por ta-helicópteros canadianos da classe "City" possuem os Sea Sparrows. atingida nas águas do golfo Pérsico por dois tado pelo radar do navio por voar muito mísseis Exocet iraquianos disparados de um avião Mirage FI-EQS. Os aviões de defesa podem transportar mísseis antimísseis como o Phoenix americano. com sonar. Estes projécteis de chumbo com núcleo de urânio são suficientemente peMísseis antimísseis. mas as ser de 30 mm. Outras nações utilizam projécteis maiores . perto da água e disparar de mais de 30 km de distância.constantemente em patrulha na intenção de evitar que a aviação inimiga se aproxime o suficiente para lançar os seus mísseis. As peças americanas Phalanx disparam projécteis de 20 mm ao ritmo de 3000 por minuto. que criam nuvens de fitas de alu cie ou por cargas de profundidade. o navio consegue esgueirar-se ou holandês Goalkeeper utiliza canhões Maumesmo escapar-se de um torpedo.IDEIAS PRATICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS desta natureza é o domínio do ar proporcionado por aviões — com base em porta-aviões . o sistema cam detectores sonar dentro de água para de radar do míssil (ou do avião que o lanlocalizarem os submarinos inimigos. As ondas do mar provocam frequente mente interferências no radar do navio. capazes de disparar 300 proúnicas defesas eficazes são submarinos jécteis por minuto. O avião argentino atacante. podem ser destruíe destruam os submarinos inimigos. Estas são constituídas por mísseis antimísseis como o Aegis. que defende os navios dos EUA. Por dos por canhões como o Phalanx i do 15 5 . A fragata americana Stark. Mas este tipo de defesa é difícil no caso do míssil soviético SS-N-3 "Shaddock". em 1982. submarinos como o Sturgeon americano. Os helicópteros reboMesmo que a artilharia falhe. por exemplo. operando em conjunto com navios à superfície. que podem disparar uma cortina de fogo tão densa que alguns dos projécteis atingirão. que pode ser lançado a mais de 400 km do alvo. Quando os mísseis atacantes escapam a todas as outras barreiras. mas não podem garantir a destruição de um míssil em voo. Durante a Guerra das Malvinas. combale e ataque aguardam. torpedos. e os navios soviéticos têm os sistemas SA-N-3 (Goblet) e SA-N-4. mínio que produzem centenas de ima gens ("neve"). prontos. Um pona-aoiôes lança aviões portaSubmarino caça-submarinos.Sc os mísseis penetram um anel de navios de guerra que detectem Não existem sistemas semelhantes para as defesas de um navio. a protecção de último recurso do navio é-lhe dada pelos seus canhões. que ça) pode ser anulado pelo disparo de pedepois são atacados por mísseis ar-superfíças Chaff. a destruição de torpedos submarinos. os navios lém de recorrer às suas próprias defesas. Dois F18 de vios de guerra obtêm alguma protecção de quer míssil que atinjam. não foi detecAlvo atingido. pois o tiro é comannos inimigos ou helicópteros equipados dado pelo radar. com certeza. Quando os aviões de apoio a uma esquadra não conseguem evitar um ataque. permitindo aos mísseis de voo rasante aproximarem-se muito do seu alvo antes de serem detectados. um Super Elendard. Os nasados para deterem qualmísseis para se defender dos ataques inimigos. o contratorpcdeiro britânico Sheffield foi atingido em 4 de Maio por um míssil Exocet.

210). Variando entre 10 e 65 km de profundidade. que tinha por objectivo penetrar para além do ponto em que a crusta contacta com o manto. depois de se terem realizado alguns furos prelimi- Um tensímetro — instrumento que regista a expansão e 0 contracção das rochas — é verificado por um cientista de Parkfield. No entanto. é proporcionalmente tão fina como a casca de uma maçã. camada dura e rugosa que constitui toda a superfície da Terra. fronteira denominada descontinuidade de Mohorovicic (v. Situa-se em Parkfield. 206 Um creepmeter é formado por um arame esticado que atravessa urna falha e por um instrumento que mede a sua tensão. p.MARAVILHAS DA CIÊNCIA IRES FORMAS DE DETECTAR SISMOS Esta casa abriga um laser e instrumentos electrónicos que registam os sismos da falha de Santo André. Califórnia. A crusta. é menos espessa no leito dos oceanos mais profundos e mais espessa nos continentes. A primeira tentativa para perfurar a crusta terrestre foi lançada no final da década de 50 com o projecto Mohole. . Um furo para atravessar a crusta terrestre Os geólogos sabem mais acerca das rochas da superfície da Lua do que das que se situam 15 km abaixo dos seus pés.

Animal de água doce que viveu há 280 milhões de anos. a Pangeia ("todas as terras ) (em cima). Entre outras provas de que os continentes já estiveram ligados. como o titânio. com a respectiva broca na extremidade. e não a 100°. que. pelo que seria necessário um material muito caro. a crusta terrestre. Mas com o seu objectivo de atingir 15 km ficará ainda a meio caminho do manto. Os processos russos poderiam. o projecto foi abandonado devido ao seu elevado custo. o que aumentaria ainda mais as dificuldades. no poço de Kola. no interior do círculo árctico. as tensões na extremidade superior do tubo tornam-se demasiado fortes devido ao peso dos tubos de perfuração. figuram características geológicas comuns. provavelmente formados a partir de elementos transportados por fluidos profundos através das fissuras da rocha. Por outro lado. Se pudessem Juntar-se. pode ser fabricado com ligas leves de alumínio em vez de aço. no poço de Kola a broca é rodada por uma turbina fixada ao tubo de perfuração próximo do fundo do furo. os quais sugeriam que elas teriam estado juntas no passado. para além dos 8 km. Uma vez que o tubo de perfuração não tem de transmitir forças de rotação. Nos finais da década de 80 já tinha 13 km de profundidade e foi o primeiro furo a atingir a crusta inferior. Disposição actual dos continentes (ã esquerda). encontrado em ambos os continentes. Os cientistas russos descobriram veios com ouro. situado neste local à profundidade de cerca de 30 km. À profundidade de 10 km a rocha estava à temperatura de 180°C. Há 100 milhões de anos os continentes estavam já separados (em baixo). Há cerca de 250 milhões de anos. Como se prova a deriva dos continentes? Já em 1620 o filósofo inglês Francis Bacon se referia aos contornos das costas da América do Sul e da África. tendo-se depois afastado. A perfuração convencional utiliza um motor à superfície para fazer rodar o tubo de perfuração. a costa ocidental da África ajustar-se-ia à costa oriental da América do Sul. principalmente no limite das plataformas continentais — melhor do que nas linhas de costa. Quando a broca é içada para substituição. como se pensava. Mas o contorno dos continentes a uma profundidade de cerca de 900 m mostra que a faixa de ma justaposição não ultrapassa em média os 80 km. a leste da Finlândia. muitos peixes de água doce da América do Sul são parentes próximos de espécies africanas. Mas as temperaturas criariam um problema: as ligas utilizadas no tubo de perfuração enfraquecem a temperaturas superiores a 230°C. Em 1970. Mas ela só foi comprovada satisfatoriamente para a maioria dos geólogos na década de 60. 207 . Mas foram provas de natureza mais prática que convenceram os cépticos. os continentes forma vam um único supercontinenie. A turbina é accionada por lamas bombeadas para o interior do furo sob grande pressão e faz rodar a broca por meio de uma caixa de velocidades. podem retirar-se para estudo amostras de rocha. técnicas especiais aperfeiçoadas pela indústria petrolífera. Em 1912. Mas. Para atingir a sua profundidade recorde. a perfuração leria de ser feita no oceano profundo. ferro. Por exemplo. Amos A Terra em transformação. nunca poderia ter atravessado o oceano. Outras provas da deriva dos continentes são-nos dadas por fósseis como o mesassauro. Verificaram também um aumento de temperatura inesperadamente rápido. para se encontrar a zona da crusta menos espessa. utilizaram-se. têm de rodar rapidamente. tais como rochas de tipo e idades semelhantes. ou também muitas plantas e animais que parecem ter origem comum. perfurando as rochas da península de Kola.MARAVILHAS DA CIÊNCIA nares a partir de um navio ao largo da costa da Califórnia cm 1960. diminuindo para metade o peso que tem de ser suportado pelo derrick (torre de sondagem). Por este motivo. os Russos iniciaram os trabalhos de execução do mais profundo furo do Mundo para estudo da geologia da crusta terrestre. cuja forma é continuamente modificada pela erosão marinha. cobalto e zinco. Um "puzzle". A ajustabilidade entre os dois continentes é bastante perfeita. que atinge a altura de um edifício de 30 andares. tornar possível atravessar. em princípio. pela primeira vez. além disso. e é difícil aceitar que tenham atravessado o oceano Atlântico. o meteorologista alemão Alfred Wegener argumentou em favor dessa teoria.

empurrando as placas lateralmente. tornando-sc o norte em sul. Os geólogos colheram as amostras perfurando o leito do oceano até à profundidade de 5. o Glornar Chaltenger.5 km. revelaram um padrão curioso. "congelam" em si a orientação do campo magnético da Terra: as minúsculas partículas ferromagnéticas de rocha orientam a sua magnetização segundo o campo terrestre na altura da sua formação — e esta orienta ção permanecerá fixa para sempre. desde que a rocha não volte a ser aquecida a alias temperaturas.suo afastados. Iras da crusta terrestre retiradas do fundo do mar por um navio hidrográfico americano. Quando as rochas arrefecem. Ajrefece e conslitui nooa crusta e os continentes . A deriva dos fundos oceânicos.PLANETA EM ACTIVIDADE Placas crustais Dorsal média atlântica A rocha em fusão sobe. no fim dos anos f>0. e vice-versa. De ambos os lados de uma crista que se alonga a meio do Atlântico — a dorsal mé _'(»* . As cristas oceânicas forniam-se quando a rocha em fusão sobe à superfície. As amostras de rochas colhidas no fundo do Atlântico revelaram que em muitas épocas do passado o campo magnético se tinha invertido.

Quando as rochas se formam. os cálculos são simples: conhecendo-se a largura do Atlântico. Só uma explicação se ajustava a estes factos: novas rochas eram continuamente produzidas por baixo da linha média do fundo do oceano e. ao forçarem o seu caminho para a superfície. mas emitem mais energia do que as galáxias. Comparações poste riores detectam quaisquer ligeiras alterações nas posições dos telescópios o método de triangulação é tão sensível que consegue detectar diferenças de apenas 13 mm. e o tempo que levou a formar-se. Outro processo de medição contínua. A crista situa-se justamente a meio do oceano Atlântico Norte e Sul. de grande precisão. O Atlântico começou a formar-se há 165 milhões de anos. pode medir-se a distância entre os telescópios. . é fácil calcular essa velocidade. Verificações periódicas revela rào quaisquer alterações dessas posições. o que é também a origem dos sismos. Os cientistas aceitam agora que a crusta terrestre solidificou há cerca de 4700 milhões de anos. Embora os telescópios rece Raios reflectidos. dia atlântica — foram identificados os mesmos padrões de inversão. Origem dos sismos Os cientistas concluíram que as jazidas de petróleo do Alasca e os depósitos de carvão do Norte da Europa se formaram nos trópicos. Um uulcanólogo estuda uma erupção do Kra fia. o processo das inversões periódicas. começou a formar se o Atlântico Sul à medida que a América do Sul se separava da África. por triangulação. elas adoptavam o campo magnético que se verificava na altura. não o gravam da mesma forma devido à distância que os separa. bam o mesmo sinal.CALCULO DA VELOCIDADE DE DERIVA DOS CONTINENTES Uma vez aceite a ideia da deriva dos continentes. utilizam-se radiotelescópios em vários continentes. passados os primeiros 40 milhões. e. o que dá uma média de 2 cm por ano. As cadeias montanhosas são formadas quando as placas em que os continentes "flutuam" se comprimem umas contra as outras. os cientistas começaram a especular sobre a velocidade da sua deslocação. dois (ou mais) dos quais apontam para um quasar e gravam os seus sinais em fita magnética. a distância entre os observatórios. na década de 60. pelo anc feciuienlo e solidificação da lava vulcânica. que separam a Europa da América do Norte e a África da América do Sul. Como se calcula a idade da Terra? Só com a descoberta da radioactividade pelo físico francês Antoine Henri Becquerel. o que sugere que o fundo do mar estava a expandir se a partir do centro. Estes elementos decompõem209 . A medida que novas rochas se formavam. Este cálculo foi possível através do estudo da desintegração de vários minerais radioactivos. por exemplo. A Terra em convulsão. um dos seus oulcôes. fornecendo as coordenadas que possibilitam medir a distância entre eles. o fundo do mar transportou consigo os quatro continentes à velocidade de cerca de 2. Estes corpos — os quasares. Raios laser apontados de dois continentes diferentes são reflecti dos por um satélite. possibilitando a sua utilização num sistema de triangulação sofísti cado idêntico ao empregado pelos topógrafos. como uma fila de gravação geológica. Neste caso. 0 padrão das inversões para leste da dorsal média atlântica é a imagem simétrica do padrão para oeste. Os quasares situam-se a uma tal distância que podem ser tratados corno pontos fixos. ou "fontes de ondas de rádio quase estelares" . Verificações periódicas detectam quaisquer movimentos das massas continentais. Os raios reflectidos são usados para calcular. em 1896. o Atlântico Norle tinha 3600 m de profundidade e 050 km de largura Então. Esta velocidade pode parecer muito reduzida. mas foi suficiente para criar todo o oceano Atlântico numa era geológica comparativamente recente. empurravam lateralmente as mais antigas. Quando se comparam os sinais registados. registando. Deduz-se daí que a Europa e a América se afastaram à média de 20 km em cada milhão de anos. Dois observatórios em continentes diferentes apontam lasers ao mesmo satélite reflector. afastando se lentamente até formar o oceano hoje existente. quando os dentistas aperfeiçoaram uma técnica sofisticada baseada em estranhos corpos celestes distanciados da Terra muitos milhões de anos-luz. se tornou possível uma noção exacta da idade da Terra. que tiram coordenadas angulares de um ponto a partir de dois outros fixos para calcularem as respectivas distâncias.4 Islândia faz par te da dorsal média atlântica onde esta se ergue acima da superfície oceânica. Ao expandir se lateralmente em ambos os sentidos. utiliza raios laser.parecenvse com estrelas.5 cm por ano. tendo sido deslocados pos teriormonle pela deriva continental para as suas actuais posições setentrionais. ficam retidos no seu interior elementos radioactivos. Mas com que velocidade se movem as placas na actualidade7 A medição de tão imperceptíveis movimentos só se tomou possível nos anos 80. Em certo sentido.

Ele descobrira o valor da constante de gravitação. O que é importante é a relação entre a quantidade de matéria radioactiva e o elemento no qual esta se transforma por desintegração. ou semivida. por exemplo. medido pelo chamado "período de semitransformação". na Lapónia (v. o sismólogo jugoslavo Andrija Mohorovicic descobriu uma segunda fronteira. finalmente. os milhões de milhões de minúcleos exterior e interior. o ferro e o níquel são mantidos no estado sólido pela enorme pressão da Terra em seu redor. Mostraram também que os continentes têm "raízes" frias profundas. é essencialmente formado por ferro e níquel aquecidos a 3800"C. Mas a densidade das roângulo recto com a direcção do movimenchas superficiais é apenas 2.J irto ut\ v^itiiiv^in -se a um ritmo preciso. que provocam a vibração longitudinal passa de uma picada de alfinete na superfídas rochas e que. mas desconhece-se a fonte desse calor. agora chamada descontinuidade de Mohorovicic. Assim. semelhantes às ondas sonoPor muito fundo que nos pareça. o processo de desintegração pode ser usado como se fosse um relógio que tivesse ini- ciario a contagem quando a rocha se formou. dividindo a crusta em pelo menos duas camadas e o manto em três. ao fim do qual se desintegrou já metade rios átomos radioactivos inicialmente presentes. O que importa não é a quantidade precisa do elemento radioactivo que ficou. atingir a superfície terrestre. Concluiu que esta fronteira. os geólogos conseguem fazer uma ideia de como é o intePLANETA DE MUITAS CAMADAS rior da Terra. com um diâmetro de 2100 km. ou ondas L (longae). com 1350 km de diâmetro. A Terra tem muitas camadas. pelas rochas mais leves da crusta. Em 1906. Para sua surpresa. Medindo a quantidade de um determinado elemento radioactivo numa amostra de rocha. e ondas transverNo entanto. concluiu que ela pesava o dobro do que se esperaria com base na densidade das rochas da superfície. Pensam que o seu núcleo. as ondas S desaparecem ou são reflectidas para a superfície. Como os cientistas imaginam o centro da Terra 0 mais profundo furo feito pelo homem gam por milhares de quilómetros através penetra mais de 13 km através da gelada do interior do planeta. ao chegasupusermos que uma grande parte do rem à superfície. como acontece com a crusta. As primeiras estimativas da massa da Terra foram efectuadas por Henry Cavendish em 1798. Determinaram. Podem utilizar-se diversos sistemas de datação. possível mente. cerca de 32 km abaixo da superfície. Oldham descobriu que as ondas P afrouxam a partir de certa profundidade e que. constituídos por ferro e níquel. pode calcular a massa da Terra servindo-se daquela constante. Uma sismologia mais sofisticada acrescentou pormenores a esta imagem. Quanto mais antiga for a rocha. Dos vulcões irrompe lava em fusão.522 sais.8 vezes a da to da onda — ondas S (secundae). cerca de metade do seu urânio original transformou-se já em chumbo — por isso a idade do planeta é aproximadamente a mesma que o período de semitransformação do urânio. ondas sísmicas. Mesmo no centro. muito está por conhecer acerca da Terra. não ras. p. geram as ondas superficentro é formada por ferro. tanto menos matéria radioactiva contém e maior será a proporção dos produtos resultantes da sua desintegração. . a natureza das rochas mudavam abruptamente. Sugeriu que esta profundidade assinalava a fronteira entre um manto sólido (região exterior) e um núcleo líquido (descontinuidade de Gutenberg). que são as caute denso para compensar a diferença e que sadoras das maiores destruições num sisé também encontrado nos meteoritos. Calcula-se que a temperatura do núcleo interior seja de cerca de 3850°C. Estes água. se conhecem teria de se continuar por cerca de 6377 km. A velocidade das ondas depende da densidade do meio em que se propagam. Um deles é a desintegração do elemento radioactivo potássio-40. constituía a separação entre o manto e a crusta terrestres. Pelo estudo da órbita da Lua. suficientemenciais. porque essa depende da quantidade que havia originalmente. Três anos depois. que não só o manto como também o núcleo variam de espessura de região para região. Mas na década de 80 os computadores analisaram as ondas sísmicas e produziram uma imagem muito mais clara. a força com que os corpos celestes se atraem mutuamente. que provocam vibrações formando vezes a da água.ivirti\MV IL. Trabalhos posteriores sugeriram que o núcleo central da Terra era sólido. A discrepância pode ser explicada se dois tipos de ondas interiores. cujo período de semitransformação é de 11 900 milhões de anos. Este modelo assenta parcialmente na relação entre a massa aparente da Terra e o seu tamanho. Estudos detalhados permitiram determinar os períodos de semitransformação dos diferentes elementos. D. por ondas P (primae). penetrando 200 km no manto. 207). ou núcleo interno. Estas vibrações. e as minas são mais quentes no fundo que à superfície. mo de grande intensidade. Sabe-se que o centro é quente devido ao calor que dele constantemente se liberta. A transmutação de urânio em chumbo (período de semitransfor mação. Por baixo da crusta ficam A massa da Terra é de 6595 os mantos superior e inferior e. No entanto. ou península de Kola. para atém destes. lhões de toneladas (6. Os estudos do interior da Terra só comeAs ondas de compressão (ondas P) proçaram após a descoberta de que as vibrapagam-se igualmente nos sólidos e líquições provocadas pelos sismos se propados. por serem as primeiras a cie da Terra: para atingir o centro do planeta. por um manto denso c. a essa mesma profundidade. os geólogos concluíram que a Terra possui uma pequena região sólida no centro rodeada por um núcleo líquido. 4500 milhões de anos) é também utilizada. o geólogo britânico R. enquanto as ondas transversais ape210 nas se propagam através dos sólidos. No caso da Terra. são de dois tipos: ondas de compressão.595x xlO24 kg) e a sua densidade média é 5. onde a densidade e.

p. 246 s ^ ™ •4 &jmà*mAWmi Como o microscópio electrónico perscruta o espaço Interior. m * Tf . Como um disco produz música. p. p. 222 . 245 'm .v>• Como os robôs estão a substituir as pessoas.Como funciona? Como é que um raio laser produz música? Como é que um cartão nos paga as contas? Porque é tão preciso um relógio atómico? Os últimos anos do século xx estão repletos de exemplos espantosos de tecnologia em funcionamento.

216). pelo que os satélites parecem estar imóveis (são os chamados satélites geoestacionários).Como é possível telefonar para o outro lado do Mundo Existem mais de 500 milhões de telefones em serviço em todo o Mundo. Satélites. As chamadas intercontinentais podem fazer-se com menos de um segundo de demora na ligação e sem dificuldades de escuta. entre torres localizadas. Early Bird. Estas antenas são comandadas por computador para estarem por manentemente apontadas ao satélite. são enviadas para os satélites as microondas portadoras das mensagens. o telefone revolucionou as comunicações mundiais. microelectrónica e "lasers" Entre os modernos inventos que possibilitaram esta revolução. p. ondas de rádio de frequências extremamente altas (v. Ale manha. foi lançado em 1965 pela International Telecommunications Satellite Organisation (INTELSAT). As microondas não servem unicamente as li gações via satélite . de forma a assegurar trajectórias livres de obstáculos. A partir das estações terrestres com as suas enormes antenas parabólicas. e através do ar por feixes hertzianos de microondas. aé reos e submarinos. em linha recta. As companhias multinacionais podem. algumas com 30 m de diâmetro. inclusivamente. em 1876 —. estão em órbita cerca de 130 satélites. pertencem a uma das muitas estu ções terrestres da rede internacional de comunicações via satélite e estabelecem liga ções entre todas as partes do Mundo a qualquer hora do dia ou da noite. as redes telefónicas transmitem não só vozes como imagens e informações escritas por cabos subterrâneos. Ligações à escala mundial. Iransmitindo men sagens em microondas entre as diversas estações terrestres. As suas órbitas situam-se a cerca de 36 000 km acima do equador e completam-se em 24 horas. Hoje. Em pouco mais de 100 anos — desde que o escocês Alexander Graham Bell patenteou o primeiro telefone. isto é. fazer reuniões em que os executivos em várias partes do Mundo conversam entre si através de écrans de televisão. Hoje. incluem-se os satéli tes artificiais.antenas parabólicas enviam igualmente mensagens à superfí cie da Terra. 212 . Estas enor mes antenas parabólicas em Raisting. o primeiro satélite comercial. os circuitos integrados e os lasers.

L U M U rUINV-IUINAÍ .

As frequências mais altas permitiriam maior número de chamadas simultâneas e portanto maior capacidade do cabo. Entre os serviços de telecomunicações actualmente disponíveis. o sinal dispersa-se e perde a intensidade. os telefones sem cabo. A corrente copia portan to o padrão das ondas de pressão do som. as linhas entre as centrais telefónicas são hoje constituídas por cabos coaxiais. ou condutores. Quando se levanta o auscultador. porque quanto mais comprimidos são os grânulos. que canaliza cada sinal para o receptor correcto. Utilizando a técnica da multiflexagem em frequência. Baixa Alta Onda sonora AUSCULTADOR Onda son 4lMJM|r^ 4^ Corrente eléctrica AI1. contam-se o fax. E os lasers tornaram possível o emprego de cabos de fibras ópticas — fios de vidro que transportam mensagens digitais à velocidade da luz com uma tal capacidade que milhares de conversas telefónicas podem ser transmitidas simultaneamente por uma só fibra. Nos satélites. na recepção. MICROFONE Quando o diafragma vibra. Através de um mesmo par de condutores. tal como na rádio. Certos cabos têm milhares de pares de fios. é depois enviada uma série de ondas portadoras de diferentes frequências. os bieepers. a transmissão simultânea de milhares de chamadas de uma central para outra seria impraticável. Amplificadores incorporados ampliam os sinais a intervalos aproximados de 2 km. Os circuitos são independentes da rede eléctrica nacional. os telefones para automóvel e até para avião. e as vibrações deste produzem ondas sonoras idênticas às que entraram no microfone. Na maioria. Se cada chamada precisasse de um par de fios para a sua transmissão através da rede telefónica. é necessário 214 . Apoia-se num interruptor de descanso ligado à central. Estes colaboram também na obtenção de comunicações mais claras e velozes ao permitirem as rápidas comutações eléctricas necessárias ao envio de mensagens telefónicas por transmissão digital. tem de haver uma desruultiflexagem. junto como uma manga.1 Baixa . nos quais o sinal é confinado a fim de impedir perdas de intensidade e interferências. mas. os sinais eléctricos correspondentes às ondas sonoras da fala são modulados — isto é. As operações que permitem juntar vários sinais numa só linha dizem-se de multiflexagem.UJVIU r UINV-IUINA: BOCAL COMO FUNCIONA UM TELEFONE 0 "auscultador" do telefone incorpora um emissor (tradicionalmente.L. uma corrente eléctrica passa pelos grânulos de carvão ou pelos electroímanes do microfone (os telefones modernos já não utilizam microfones de carvão). e a corrente que neles flui é muito mais fraca um par de fios. Um par de fios de cobre vulgar consegue transmitir apenas um número limitado de chamadas simultâneas. CENTRAL TELEFÓNICA As ondas sonoras da voz fazem delgado diafragma de metal no e é precisamente esta vibração siona com mais ou menos força los de carvão. mais corrente deixam passar. se não se usar um tipo diferente de cabo. vibrar um microfone que presos grânu- Cada telefone está ligado a uma central telefónica local por um par de fios. O cabo coaxial permite o uso de altas frequências e o transporte de milhares de chamadas simultâneas. que permitem aos passageiros fazer chamadas durante o voo. Em vez de um par de fios. a corrente que atravessa o microfone varia. um microfone de carvão) no bocal e um receptor (ultila lante) no auscultador. as diversas portadoras são separadas e os sinais são separa dos das portadoras por um processo chamado desmodulaçáo e depois filtrados para os respectivos receptores. e as cen trais estão ligadas entre si através de cabos. combinados com uma onda portadora electromagnética. os sinais transmitidos são ampliados por circuitos microelectróniCOS. um isolador que o cobre e um condutor de cobre exterior que envolve o con- 0$ sinais recebidos alimentam um electro íman junto a um diafragma. cada cabo coaxial tem um fio de cobre central. pois os cabos destinam-se a correntes de baixa frequência. O transporte da corrente Para completar o circuito entre o transmissor e o receptor telefónicos. A corrente faz corn que o iman atraia ou solte o diafragma. Na central receptora.

Os transmissores das células eslão ligados por cabo a um computador central. Ao princípio. de difusão para toda uma área. Quando a chamada é feita do carro. os impulsos de uma chamada podem ser intercalados com os impulsos de outras. em 1936. p. os ouvintes tinham auscultadores ligados aos receptores. A rádio: transmissão de sons à velocidade da luz Quando escutamos um concerto ao vivo através da rádio. Um conjunto de células constitui um grupo. depois da invenção do thodo pelo america no Lee de Korest em 1907. porque o alcance de cada transmissor é restrito. que utilizavam cristais de galena para captar as ondas de rádio. desde a Cornualha até S. as ondas sonoras provocam a vibração de um diafragma. O processo tomou o nome de "rádio". para casar com "a mulher que ama" — a americana Wallis Simpson. a chamada onda portadora. Muitos terão ouvido os primeiros programas de rádio num receptor deste tipo. Após os anos 70. cinco minutos antes de o programa começar. isto é. com cerca de 5 km de diâmetro. propagam-se em todas as direcções a partir da torre. a partir de emissoras em Pittsburgh e Detroit. passagem da corrente para um 1. Da galena ao transístor O físico alemão Heinrich Hertz demonstrou. o computador comuta a ligação do telefone para o transmissor celular mais próximo. na realidade. As ondas sonoras (devidas à vibração das vozes e instrumentos) levam mais tempo a atravessar a sala. De sons a sinais eléctricos Quando um som entra no microfone. ouvida por navios a 100 milhas (160 km) de distância — na véspera de Natal de 1906. e no final dos anos 50 já os pequenos Iransístores substituíam as volumosas válvulas. a antena da célula mais próxima capta os respectivos sinais c encaminha a chamada. As radioemissões regulares começaram em 1920. 241) nos circuitos electró nicos da central e transmitidos numa forma codificada. É a chamada modulação por impulsos (puise-code rnodulation. os aparelhos tinham de ser ligados. A transmissão dos sinais sob esta forma é sensível a interferências eléctricas. e cada célula de um grupo tem uma frequência diferente. e^sgj Sf^p^ 215 . que descobrira a maneira de combinar os sinais de um microfone corn uma onda electromagnética. Eduardo VIU de Inglaterra abdica. onda electromag nética. que a emite sob a forma de uma onda de rádio. As vibrações são converti das em sinais eléctricos. Cada medida é expressa por um número binário uma sequência dos algarismos 1 e 0 representada por uma série de impulsos —. Como cada impulso é muito curto. A emlssáo rios sinais através rio ar As antenas emissoras de radiodifusão são constituídas por uma espira ou por um varão de metal com uma dimensão que de pende da frequência a ser transmitida. a fim de se obter a melhor recepção. Esta técnica de multiplexagem no tempo que se usa para sinais digitais permite a transmissão simultânea de 32 chamadas por um único par de condutores ou de milhares de mensagens ao longo de um cabo coaxial. Edwin II. João da Terra Nova Dm engenheiro canadiano fez a primeira emissão radiofónica pública do Mundo do Massachusetts. A rede de radiotelefones é operada num sistema de células o terri tório abrangido é dividido em pequenas áreas. A corrente oscila rapidamente na antena radiando ondas electromagnéticas como o filamento de uma lâmpada radia luz eléctrica. Esta onda modulada é enviada por cabo para uma antena. Era Reginald Aubrey Fessenden. interrupção da corrente para cada 0. Este fenómeno espantoso deve-se ao facto de as ondas de rádio transpor tarem o som até nossa casa à velocidade da luz. alterar a amplitude ou a frequência de uma onda de alta frequência gerada por um oscilador. não são direccionais: as ondas. válvulas diódicas e circuitos electrónicos mais potentes. o sistema analógico começou a ser substituído por um sistema digital que elimina a maior parte das interferências e da distorção. para aquecerem. a maioria das chamadas telefónicas era transmitida sob a forma de sinais eléctricos que . Entre 1894 e 18%. ouvimos a música antes de algumas pessoas presentes na sala do concerto. já Marconi aperfeiçoara por tal forma o seu sistema que conseguiu enviar sinais de telegrafia sem fios através do Atlântico. Os sinais eléctricos analógicos provenientes do microfone são convertidos em números binários (v. o cientista Gu glielmo Marconi aperfeiçoou um processo de utilizar as ondas hertzianas no envio de sinais em código Morse — método que ficou conhecido por telegrafia sem fios. Telefonar em viagem Os telefones móveis instalados nos carros são.seguem as vibrações da voz. Em 1901. em 1888. ou PCM). Cada célula tem o seu transmissor central de baixa potência ligado à rede telefónica. Estes vieram a dar lugar aos apare- lhos com altifalante. Telefonia antiga. que se propaga pelo espaço ã velocidade da luz. que são ampliados e introduzidos num modulador — aparelho que os usa para "modular". 'í 4| m L-ái * vi 4 Emissáo histórica. São os chamados sinais analógicos. Estas antenas. Quando se faz uma chamada telefónica para um carro. nos EUA. ou células. que transfere de uma célula para outra a informação da posição do carro à medida que este anda. Com as primei ras válvulas (que serviam para ampliar os sinais). por serem de estrutura semelhante à do som.COMO FUNCIONA? Transmissão de vozes por meio de números Até à década de 70. que introduzem ruído que pode afectar a compreensão das vozes. que transportam os sinais. Pode utilizar-se num grupo adjacente o mesmo conjunto de frequências sem causar interferências. rádios ligados à rede telefónica normal. o valor do sinal eléctrico analógico gerado pelo microfone é medido milhares de vezes em cada segundo. que era possível transmitir energia eléctrica através do ar. Armstrong aperfeiçoou o receptor em 1924. Para tal.

A frequência do oscilador gera a onda portadora. reflectem os sinais. Há duas formas de o fazer: a modulação de amplitude (AM) e a modulação de frequência (KM). está ligada a um sintonizador. c o m frequências de 87 a 108 MHz (v. que varia de acordo com o sinal (v. uma frequência de onda portadora única. no entanto. maior a sua frequência. ou seja quanto menor o seu comprimento de onda. à direita). As bandas de KM são normalmente em VIIF (uery high frequeney. Muitos programas de de rádio transportam sinais de sinais na banda das rádio são emitidos em ondas para o comando â distância longas e médias. Onda gerada por um osci lador eléctrico. AS ONDAS DpCÇfiPECTRO ELEC As fontes naOrais orenergia radi te. A banda de VHF é também a utilizada pela Polícia. Em AM. cornOjOrSol. de modelos transmite A Guerra dos Mundos. O topo desta banda pode também ser usado para emissões de televisão. que capta estas ondas. O sinal vai modificá-la . aproveitando o seu enorme alcance. Modulação de amplitude. de forma que um emissor só é captado se directamente "visível" pela antena receptora Destinam-se portanto a emissões locais. Os sinais de 7V são transportados por ondas de frequência ultra-alta. As ondas navegam com emissão Rádio. As ondas destas bandas destinam se à difusão radiofónica para regiões muito grandes. circuito electrónico que aceita apenas uma frequência: sintonizar um receptor é ajustar exactamente a frequência que ele aceita à frequência da emissora pretendida. A modulação de amplitude é normalmente utilizada nas três bandas de mais baixa frequência (maior comprimento de onda): na banda das ondas longas (comprimentos de onda de 2000 a 1000 m). pelos táxis e pelos radioamadores. A antena de um receptor. ecos surgem num écran. Os astronautas na Lua em 1969 foram vistos por milhões. Quanto mais curta a onda.modulá-la . Wells. que é feita variar de acordo com o sinal. Os barcos remoto. 0 sinal assim seleccionado é amplifica do. Os obstáculos por exemplo. mas actualmente quase todos os canais de televisão europeus usam a banda de UHF [ultra high frequeney. na das ondas médias (677 a 187 m) e na das ondas curtas (100 a 10 rn). a amplitude de oscilação penna nece constante. eos de cairos ou aviões. A intensidade da radiação t pode ser traia computador: grafias detetíi ui trites ou canc 216 . Orson Welles microondas. cmiteui ondas o ^comprjwÊntos de ondavdesde Ojíis <m até menos de xjJMjíliési mo" de milionésimo de milímetro. novamente amplificado (regulado pelo botão de "volume") e conduzido aos altifalantes. As ondas de rádio de comprimento inferior a 300 mm são as microondas. a amplitude de oscilação da portadora é amplificada ou reduzida de um factor proporcional ao próprio sinal. Nas utilizações como o rádio ou os raios X são geradas ondas artificiais com o comprimento de onda adequado. Controle Televisão. devido ao facto de serem reflectidas tanto pelo solo como pelas camadas ionizadas da atmosfera superior. Estes têm a função inversa da dos microfones: transformam um sinal eléctrico em ondas sonoras. reproduzindo o mesmo som que foi captado pelo microfone da estação emissora. Sinal de áudio. dos 450 aos 855 MHz. separado da portadora por um desmodulador. dão facilmente a volta ao Globo. MODULAÇÃO DE UMA ONDA PORTADORA DE RÁDIO Portadora.COMO FUNCIONA' A captação dos sinais No espaço à nossa volta. A amplitude da oscilação da portadora é amplificada ou reduzida Modulação de f r e q u ê n c i a . é a própria frequência do oscilador que gera a portadora. entrecruzam-se as ondas de milhares de radioemissões si multâneas. Os radares e as comunicações por satélite utilizam as microondas nas frequências superaltas de 3 a 30 GHz. Corrente eléctrica saída de um microfone de forma variável. diferente de todas as outras. Em FM. ou frequência ultra alta). AMe FM A onda portadora oscila com uma frequência e uma amplitude constantes.de forma a ser transportado com ela. situadas a altitudes de mais de 100 km. Cada uma delas tem. Estas altas frequências não são já reflectidas pela ionosfera. de II G. FREQUÊNCIAS 1 milhão de ciclos por segundo 1000 milhões de ciclos por segundo 10 000 milhões de ciclos por segundo 100 biliões de ciclos por segundo -'Umx Infravermel Radar. quadro). ou frequência muito alta). reflcctindo-se sucessivamente no céu e na Terra. em 1938. que constituem a chamada ionosfera.

Raios X. a que corresponde um comprimento de onda inferior a um milésimo de milímetro. . Wfe 100 triliões de ciclos por segundo 1000 biliões de ciclos por segundo 1 trilião de ciclos por segundo 10 000 triliões de ciclos por segundo Luz do Sol. de I outros corpos celestes. a J luz branca aparece nos decomposta nas . Distância entre duas cristãs (máximos) consecutivas. Outra característica muito importante de uma onda é a sua frequência. As ondas de rádio geradas electricamente para transmitir os sons sob a forma de sinais são semelhantes em estrutura às ondas de rádio que ocorrem na Natureza.COMO FUNCIONA? AS ONDAS QUE NOS CHEGAM PROVENIENTES DO ESPAÇO Quando vemos um arco-íris. uma tensão eléctrica suficiente para produzir também uma pequena faísca. Este emite simultaneamente em todas as frequências desta banda. ou hertz.Suas ondas de diferentes frequências. Ondas de diferentes frequências sofrem desvios e chegam. Amplitude. talvez de supernovas que exf>lodirarn. Metade da diferença entre o máximo e o mínimo da oscilação. num dispositivo semelhante colocado a certa distância. milhões de hertz) ou giga-hertz (GHz. A exposição excessiva ao sol pode causar cancro da pele. As ondas de luz constituem apenas uma parcela das ondas electromagnéticas que nos chegam vindas do Sol c. As frequências medem-se em ciclos por segundo. Comprimento de onda. em 1888.é chama da amplitude. Velocidade. O 'olho humano atribui às frequências mais • baixas a cor vermelha e às mais altas a cor [violeta. mega-hertz (MHz. isto é. Atravessam rnais facilmente a carne que os ossos ou os metais. Portanto. portanto. Os raios UVda luz do Sol são uma fonte de oitamina D.num arco-íris. A altura da onda — metade da distar] cia entre a crista e o mínimo . aos nossos olhos de direcções um pouco diferentes . Chamam-se electromagnéticas porque são formadas por campos eléctricos e campos magnéticos que vibram perpendicularmente entre si. os seus raios são desviados . Como a luz. estamos a ver as diferentes ondas electromagnéticas da banda visível emitidas pelo Sol. produzindo na nossa retina a impressão a que chamamos "luz branca". a vermelha. tanto menor a frequência. não electro magnéticas. A de me nor frequência. Medir o comprimento de onda Todas as ondas electromagnéticas se propagam à velocidade da luz.as sete cores do arco-íris. que. Distância percorrida por uma dada crista num segundo. mas à velocidade da luz. dernonstrou que os sinais eléctricos podiam ser enviados através do ar. milhares de hertz). os átomos radioactivos emitem raios gama. Radiação ultravioleta. milhares de milhões de hertz). porque na água se propagam a uma velocidade menor que no ar. As radiações visíveis (a luz) têm frequências extremamente elevadas. A luz é composta por uma banda de frequências diferentes . Quando a luz do Sol incide em gotículas na atmosfera. vibra a cerca de 400 milhões de mega-hertz. O valor do comprimento de onda . Hertz fez saltar uma faísca entre duas esferas de metal ligadas por uma espira de arame e verificou que isto induzia. As frequências elevadas das ondas de rádio são geralmente expressas em kilo-hertz (kHz.refractados —. com frequências entre 30 GHz e 10 kl Iz. As ondas sonoras são ondas de pressão. 300 000 km/s. o número de cristas que passa por dado ponto em um segundo. do nome do ale mão Heinrich Hertz. Os campos propagam-se um pouco como no movimento de uma corda cuja extremidade é sacudi da. Raios gama. Frequência. Mas as ondas de rádio utilizadas nas comunicações vão desde cerca de 1 mm até aos 30 km. quanto maior o comprimento da onda. Estas ondas de origem ainda misteriosa provêm do espaço exterior. Número de cristas que passam por um ponto em cada segundo. Raios cósmicos.a distância entre duas cristas consecutivas — obtcmse dividindo a velocidade da onda (a da luz) pela sua frequência. estas ondas podem produzir fotografias. Durante a sua desintegração.

Até há poucos anos. vermelhos e azuis. de dispositivo em dispositivo.aquelas com que se formam todas as outras . que são transmitidos por ondas de rádio à velocidade da luz. a conversão da imagem era feita quase exclusivamente em tubos especiais de raios catódicos. Os feixes de electrões fazem o varrimento da imagem em 625 ou 525 linhas. depois as pares -. Há alguns anos. o verde e o azul dão ciano. primeiro as impares. O varrimento é feito em duas etapas.A televisão: imagens ao vivo transmitidas por ondas de rádio Quando ligamos o aparelho de televisão. o verde e o azul. pelo que uma série de imagens passadas a essa velocidade apa renta ser uma imagem contínua. 0 sistema de 525 linhas é usado na maior parle das Américas do Norte e do Sul e no Japão. Uma pequena parte da imagem é mostrada ã esquerda em tamanha natural. isto é. i _ Um feixe de electrões varre a parte de trás do écran de cima para baixo — segundo linhas. Os sinais incidem sobre um revestimento químico na parte de trás do écran (amplia ção à direita). que são envia dos para um posto emissor. 0 olho humano retém cada imagem durante esse espaço de tempo. em vez de uma letra. primeiro nas linhas ímpares.são o vermelho. que se deixa atravessar por correntes eléctricas tanto mais facilmente quanto mais iluminada. A câmara de televisão converte a imagem que capta em sinais eléctricos. produzindo uma imagem completa em cada 1/25 de segundo. Em cada tubo. aparece-nos no écran praticamente na mesma altura em que decorre a acção. Esse padrão é "lido" sequencialmente por um feixe focado de electrões (raios catódicos) que varre o écran linha a linha. 0 princípio é muito simples: a imagem "lê-se" como a página de um livro. surge à sua superfície um padrão de cargas eléctricas que reproduz a imagem. Quando a luz de um ponto da imagem incide num destes dispositivos. cria nele uma carga eléctrica proporcional â intensidade luminosa. a imagem que vemos é criada por um pa drão de luz formado por sinais eléctricos. as trás cores primárias . Este "entrelaçamento" produz uma imagem completa em 1/25 de segundo. depois nas linhas pares. a luz cria minúsculas cor gas eléctricas. ligados em filas — as linhas. linha a linha. surgiu um novo dispositivo de captação da imagem. tal l COMO A IMAGEM DE TELEVISÃO VIAJA DESDE A CAMARÁ AO "ÉCRAN' C A M A R Á DE TELEVISÃO Emissor Antena d e T V doméstica RECEPTOR DE TELEVISÃO C a n h õ e s de electrões •Os sinais de TV sáo e m i t i d o s por u m a antena s o b a f o r m a de ondas de rádio de ultra-alta frequência (UHF) Amarelo Vermelho As cores num écran de TV são pnxlu zidas pelas misturas de sinais de luz verdes. Um jogo de futebol. Quase todas as tonalidades se obtêm pela sua mistura em proporções diversas. deste modo. em cada ponto de uma linha. Se fossem passadas mais lentamente. As cores de um écran de televisão são produzidas pela mistura de diferentes proporções de luz de apenas três cores. uma simples bolacha de silício dividida em centenas de milhares de minúsculos dispositivos pelas técnicas da microelectrónica. lê-se uma intensidade luminosa — Obtém-se um sinal eléctrico proporcional ao fluxo luminoso no ponto. O varrimento faz-se de cada vez em metade do "campo" — isto é. que é acumulada num minúsculo "poço de potencial". 218 . As cores da luz não se misturam como as Untas. notar-se-ia um acender e apagar da imagem no écran. Este écran é feito de uma substância fotocondulora. Feixes de electrões traduzem as cargas em sinais eléctricos. e a acção seria sacudida. Todas as cores misturadas produzem branco. 625 dão melhor definição e c o sistema da Europa. a totalidade do campo. Revestimento fluorescente no écran de TV A lente de uma câmara a cores foca a imagem que está a captar através de um separador de cores — prismas de vidro que dirigem a luz de cada uma das três cores primárias para um tubo electrónico diferente. de grande parte da Ásia e da Austrália. Esta carga é em seguida passada ao longo de uma fila. conforme o sistema utilizado. Misturados aos pares. Em televisão. o azul e o vermelho dão magenta e o vermelho e o verde dão amarelo. por exemplo. A câmara de televisão decompõe a luz proveniente da cena nas três cores primárias e dirige cada uma destas para um dispositivo que converte as imagens em sequências de sinais eléctricos. porque há dificuldades técnicas em explorar de uma só vez. à velocidade referida. A imagem é focada num écran que reveste o vidro do tubo do lado interior. E o CCD (charge coupled devicej.

são desmodulados (separados da portadora) e conduzidos ao tubo de raios catódicos para reprodução da imagem. e rudimentar. sistema de televisão. foi ultrapassado pela câmara electrónica. Entoe outros sistemas televisivos introduzidos ou em estudo final no fim da década de 80. por cabo. convertendo os sinais eléctricos num padrão de luz colorida. conta-se a televisão por microondas. Depois. que utiliza mais de 1200 linhas de varrimento. As empresas emissoras codificam os sinais de forma que possam ser recebidos unicamente pelos assinantes com telerreceptores munidos de descodificadores. foi o seu baixo custo que abriu o mercado das câmaras para amadores. Às vezes. a televisão por cabo só apareceu na década de 80. isto limita o seu raio de acção a cerca de 65 km. A televisão por cabo surgiu nos Estados Unidos nos anos 50. O tubo de raios catódicos é ainda hoje 0 componente fundamental da televisão. que abriu o primeiro estúdio de televisão em 1929 e utilizou discos de Nipkow para o varrimento. Na Europa. verde e azul. Cada canhão electrónico destina se a reproduzir uma cor primária e dispara um feixe de electrões. Em países com populações dispersas ou com montanhas e edifícios que interfiram na recepção. A marcha do tempo. a televisão por cabo é também. e a RCA iniciou as transmissões na América em 1939. o que sintoniza electricamente o receptor para a frequência correcta para a recepção. o sistema de Baird. se podiam ser enviadas vozes a grandes distâncias. na outra o écran.) foram apresentadas na televisão.L U M U l-UINUUINA. parcialmente. sendo os programas retransmilidos por satélite até às antenas parabólicas das empresas numa estação central e daí. com capacidade de até 60 canais para curtas distâncias. da imagem original captada pela câmara. Os CCD's são de baixo preço e têm alta sensibilidade. A estas altas frequências. e a emissão directa por satélite (DBS) para pequenas antenas parabólicas. A BBC Britânica inaugurou o primeiro serviço público de alta defini çáo em 1936. a televisão de alta definição (HDTV). e a forma de decompor uma imagem e reconstituí-la depois foi sugerida por Paul Nipkowem 1884.inventado por Kerdinandi Braun em 1897 — e criou o primeiro. que emitem luz quando bombardeados pelos electrões). operado pela Fernseh. na saída do circuito. alternando as cores vermelha. por isso. com empresas comerciais enviando os seus programas aos subscritores através de cabos. Dos discos giratórios aos satélites espaciais A s primeiras ideias sobre a transmissão de imagens à distância surgiram a seguirá introdução do telefone. As emissões a cores começaram experimentalmente nos EUA em 1951. os sinais não são reflectidos. Para antenas emissoras ter restres. que produziu. fechamos um circuito do mecanismo selector. no écran. sem obstáculos pelo caminho. o cientista russo Boris Ho sing conjugou o princípio de varrimento do disco de Nipkow e as possibilida des de formar imagens do tubo de raios catódicos . de varrimento mecânico por disco. Este sistema permite a existência de mais canais que a transmissão por rádio. portanto. estas redes apresentam problemas. utilizando-os como relés dos sinais. em 1931.' como uma cadeia de bombeiros passando baldes de água mais ou menos cheios. inventada pelo russo Vladimir Zworykin. Este tem a função inversa da de uma câmara. em 1912. porque não também imagens? Cedo se compreendeu que as imagens não podiam ser transmitidas como um todo. as empresas de televisão cada vez se voltam mais para os satélites de comunicação. Os sinais de vídeo são aplicados a um eléctrodo dos canhões de electrões. 0 sinal de vídeo gerado pela câmara é usado para modular uma onda portadora. Os feixes de electrões varrem o écran linha a linha. normalmente na banda de UHF (ou das microondas. Os sinais da emissão são captados do espaço pela nossa antena de televisão. pelo que invadiram rapidamente o mercado rias câmaras de vídeo.daí resultando a reprodução. Em 1906. no caso dos satélites) e radiodifundido a partir de uma antena emissora. A face interior do écran está revestida com faixas verticais de materiais fluorescentes (isto é. Os sinais provenientes da antena são muito fracos e têm de ser ampliados. de facto. mas o primeiro sistema prático foi instalado em 1-ondres pelo escocês John Logic Baird. Nipkow utilizou discos giratórios perfurados para dissecar e em seguida recompor uma imagem a preto e branco. A pintura (em baixo) representa o naufrágio do Titanic. tanto no emissor como no receptor. As emissões experimentais começaram na América em 1928. Recepção de imagem Quando premimos o botão do canal que pretendemos. de modo que as antenas receptoras têm de estar apontadas directamente à estação emissora. Numa das ex tremidades estão três canhões electrónicos. Poucos anos depois. obtém-se um sinal eléctrico proporcional à carga gerada ponto a ponto. para o telespectador. empresa alemã por que Baird se interessara. Imagens corno as da proa (à esq. televisão por satélite. O primeiro serviço regular (três dias por semana) de televisão começou em Berlim em 1985. pelo que se utiliza uma rede de emissores. exactamente como a imagem na câmara foi "lida". Por detrás do écran. fazendo variar a intensidade dos feixes emitidos e. uma grelha com frestas verticais ali nhada com as faixas permite que o feixe de uma cor incida unicamente sobre o material que fluoresce com essa mesma cor. a luminosidade do material fluorescente . 219 . Os destroços foram en contractos a 4000 m de profundidade em 1985 por uma expedição. que depois (irou fotografias por meio de um robô guiado a partir de um submarino. o primeiro modelo prático.

Podem os dois estar sintonizados para captarem simultaneamente programas diferentes. Um receptor no modelo descodifica os sinais. 216). Como o gravador de vídeo está mcnle ligado à antena. pelo que hoje se usa mais o radiocomando. os servomecanismos. ou sistema de vídeo doméstico). Os sinais são recebidos. introduzido pela empresa japonesa Sony em 1975. Tanto cassetes como gravadores são diferentes nos dois sistemas. Isto introduz os sinais de imagem e de som no televisor. baseado em números binários (v. envia sinais a um motor eléctrico que opera as portas. a máquina de vídeo puxa uma alça da fita de entre as duas bobinas da cassete. A fita passa depois em volta de um tambor rotativo que contém as cabeças de gravação Os sinais de imagem são gravados como uma série de pistas oblí. e o novo Super VHS tem imagens de melhor qualidade que qualquer dos dois sistemas normais. Os sinais de som são gravados longitudinalmente num dos bordos da fita. COMO O VÍDEO GRAVA IMAGENS DE TV A fita de vídeo é magnética Cada cabeça de gravação é um electroiman que magnetiza as partículas metálicas da fita segundo o padrão determinado pelos sinais de TV. O código. em cujo écran a gravação é recriada. Estes abrem e fecham a válvula reguladora do motor. o vídeo armazena-as em fita magnética. Este. duas em geral. de que foi precursora a JVC (Japan Victor Company) em 1976. p. os sinais armazenados na fita magnélica produzem sinais eléctricos na cabeça de reprodução. Cabeças de gravação da imagem à antena deTVe capta o programa que decorre no canal para o qual foi sintonizado. Os dois principais sistemas de videocassetes existentes são o Betamax. Os sinais de imagem são gravados na zona central como uma série de pislas inclinadas. por exemplo. por sua vez. directa: Gravação e reprodução Ao carregar no botão de gravar. O vídeo: gravação de imagens em fita magnética Um gravador de vídeo capta sinais eléctricos da estação de televisão ao mesmo tem po que o nosso televisor. 241). que emitem ondas sonoras de alta frequência dirigidas a um microfone receptor. As cabeças de gravação da imagem. No televisor. uma cabeça de apagamento anula tudo o que estiver gravado na fita da cassete. é sobreposto ao feixe tal como um sinal de rádio é sobreposto à onda portadora. e os sinais sonoros que os acompanham são gravados como pistas longitudinais ao longo de um dos bordos da fita. A reprodução é a inversão do processo de gravação. a máquina puxa uma alça de fita de entre as duas bobinas da cassete e passa-a em volta de um lambor rotativo accionado por um molor eléctrico. iniciada nos anos 50 com o transíslor e o chip de silício — pequeno cristal de silício obtido por divisão de uma "bolacha". da mesma forma que um gravador de som armazena sinais sonoros. de magem Fita magnética 220 . capta emissões de televisão quando está em funcionamento. e o VHS (vídeo horne system.t U M U rUNVIUINAÍ Controle remoto: a operação de comutadores à distância O advento do computador e a exploração do espaço criaram a necessidade de comandos operados à distância. A fita passa pelo lambor obliquamente. em vez de converter esses sinais directamente em imagens. Quando a fita está gravada e rebobinada e se carrega no botão de play. voltadas para fora. e imprimem os sinais na fita enquanto vão rodando com o tambor. o chip activa a emissão de um feixe de infravermelhos (v. O sistema de radiocontrole dos modelos de aviões c barcos é mais complexo. É um chip de silício que constitui o coração do aparelho de comando dos vulgares televisores. As cabeças são pequenos electroímanes e funcionam do mesmo modo que na gravação da fita sonora. O sinal de rádio liga o molor que acciona as portas. levantam e baixam o trem de aterragem e accionam as superfícies de comando como os a/terons e o leme. Quando premimos um botão no controle remoto. mudar de canais ou aumentar o volume. E têm de funcionar em linha recta com as portas. de qual quer ponto nas imediações. Esles são introduzidos em motores eléctricos. mas as fitas VHS gravam mais tempo até quatro horas. Como a transmissão de imagens exige uma quantidade de sinais muito maior que o som. utilizam-se os telecomandos ultra-sónicos. pode abrir portas de garagem munidas de um receptor. no qual são formados os circuitos microelectrónicos. Quando se introduz a cassete e se carrega na tecla de gravação. p. O VHS acabou por se tomar o mais difundi do dos dois sistemas. Um radiocomando portátil é um emissor em miniatura que. cada uma destas grava nela os sinais que recebe através da corrente. Televisão e gravador de vídeo O gravador de vídeo está ligado Quando se carrega na tecla "gravar". estão montadas no lambor. Para abrir e fechar portas de garagem. amplificados e introduzidos noutro chip de silício. variando o código conforme o botão que se prime ligar. O emissor manual emite sinais de rádio codificados. O Betamax produz imagens de quali dade ligeiramente superior. Quando a fita é passada em frente das cabeças de gravação. o feixe codificado é recebido por um dispositivo sensível às ondas infravermelhas. Esta necessidade conduziu à actual era da microelec trónica. quer a televisão o esteja ou não. a fita de vídeo é geralmente mais larga e é passada com mais velocidade que uma fita de cassete para som. Mas. O feixe transporta um sinal codificado. que identifica o código. Aquele remete então o sinal a um comutador electrónico que executa a instrução dada._| quas.

As fitas. A cabeça de gravação que cria os padrões é um minúsculo electroíman. aproximação de um íman ou da pasconhecidas pelo nome de ferromagnétisagem de corrente eléctrica por uma cas. o MAGNETISMO E ELECTRICIDADE no entanto. Foi assim que. A fita é constituída por uma fina camada de partículas magnéticas finas como pó (em geral. ro.náo por movimentação das partículas. Quando a fita passa pela cabeça de gravação. e n q u a n t o d u r a r o m o v i m e n t o do de domínio para domínio. os gravadores modernos utilizam a mesma cabeça para a gravação e a reprodução. Nas passagens silenciosas. electroíman alimentado por uma corrente de alta frequência. o campo magnético alinhará a magnetização das partículas consoante a sua intensidade. o som é dirigido a um micro fone. Eliminação dos ruídos de fundo Um dos problemas da reprodução de som por fita é o silvo de fundo.*_A_*IVH_/ l U i l V . o que é efectuado por uma cabeça de apagamento. Para reproduzir uma gravação. Corrente eléctrica sinal A s s i m c o m o u m i m a n atrai limalha de ferro através de um papel. não se notam pólos à superfície. desde um cantor até uma orquestra. GRAVAÇÃO DE SONS NUMA FITA MAGNÉTICA A gravação e a r e p r o d u ç ã o são feitas por um m e s m o electroíman . alinham os seus pólos magnéticos bobina. para o ferro se tornar fortetodos na mesma direcção. os elect r o í m a n e s o r i e n t a m a magnetização das p a r t í c u l a s da fita de g r a v a ç ã o . surge alinhados entre si. com os seus pólos norte rente eléctrica forte. em 1831. Aqui. A fita grava apenas u m a face Por c a d a " l a d o " são g r a v a d a s d u a s pistas — a esquerda e a direita do s o m estereofónico. consegue-se um e sul resultando da cooperação dos mialinhamento total dos átomos de fer núsculos pólos atómicos. formando assim como que um códi go magnético do som original. Na maioria. passam pelo enrolamento do electroíman. No sistema DAT (digital áudio lapej. os sinais são reduzidos até à sua intensidade normal antes da entrada nos altifalantes. na qual não se nota com a vantagem de se poder ligar ou magnetismo. Cada partícula da fita é um minúsculo íman cuja magnetização tende a alinhar-se segundo a direcção do campo magnético aplicado . seu padrão magnético induz uma corrente eléctrica na cabeça de leitura. 221 . os sinais eléctricos do microfone são convertidos em números binários (v. A corrente vai alimentar um amplificador e seguidamente os altifalantes. Para ser gravada. Daí pode remente magnetizado. Com uma corsultar um íman. basta inverter o processo. são gravadas em estéreo (v. pelo que. óxi dos de ferro e de crómio) aplicada numa fita de poliéster. mais notório durante as passagens silenciosas — devido à magnetização residual sempre pre sente numa distribuição aleatória de parti cuias. Basta. foi consmagnetização é diferente. de um giradiscos ou de um gravador de fita. antes de actuarem na cabeça de gravação. os quais produzem ondas c pressão que fazem vibrar os tím panos do ouvido como o som original. Também quando se desloca ferro os imanes atómicos estão de facto um íman junto a uma bobina. quando a fita passa. mas por reorientação da sua magnetização. usa-se o sistema Dolby (do nome do seu inventor). mas apenas em penesta uma corrente eléctrica. Estes passam por um amplificador. p. a fita tem de ser limpa de todos os padrões anteriores antes de chegar à cabeça de gravação. Para o eliminar. Este sistema é mais preciso e produz uma gravação mais fiel. 0 silvo é reduzido na mes ma proporção e toma se inaudível. que lhes aumenta a intensidade. 0 que se passa é que no desligar. Esta cabeça é ligada automaticamente quando se carrega na tecla de gravação. as suas acções se compensam e por Michael Faraday. produ zindo um campo magnético. hoje em dia. c o m o o que resulta da minúsculos que em certas substancias. daí resultando um íman m u i t o Mas pode resultar também uma subsmais poderoso que os naturais — e tância como o ferro. a influência de um campo Os átomos de muitos metais são imanes magnético. que dura quenas extensões chamadas domínios. em truído o primeiro gerador eléctrico média. circuitos electrónicos reforçam os sinais antes de estes atingirem a cabeça de gravação.porção de substância ferromagnética c o m um e n r o l a m e n t o de fio eléctrico (bobina). As partículas da f ta magnética são pequenos imanes que se orientam s e g u n d o padrões i m p o s t o s pelos pólos da cabeça de gravação. onde as suas ondas de pressão são convertidas em fra cos sinais eléctricos variáveis. 223). p. Os gravadores em fita funcionam de maneira semelhante — marcam sobre uma fita coberta de minúsculas partículas magnetizadas um padrão que corresponde aos sons que estão a ser gravados. 241). Fita de gravação Os sinais eléctricos utilizados na formação do padrão podem provir de um microfone ou de um rádio. I V ^ I I r t : Gravação em fita: armazenar sons como padrões magnéticos Muitos de nós desenhámos padrões com limalha de ferro sobre uma folha de papel fazendo deslocar um íman debaixo dela. Para gravar seja o que for. a direcção da íman. na reprodução. que estão fixas.

No aparelho de gravação do disco. 222 . por exemplo. nais eléctricos provenientes da fita-matriz. dispostos em redor da corne ta. A fita é então montada num complicado misturador electrónico.além das ondas sonoras provenientes da execução . Estas utiliza vam um cilindro de cera (em cima) e Unham de ser produzidas individualmente. Quatro anos depois. A fabricação de um disco-matriz Na fabricação de um disco-matriz para reprodução. as gravações em multipistas são misturadas para produzirem uma fita-matriz de duas pistas em que os sons foram misturados e equilibrados de modo a produzirem os melhores efeitos nos canais estereofónicos esquerdo e direito (página seguinte). Desta forma. trabalhando nos EUA deu um passo decisivo na gravação de sons ao introduzir o disco em 1888. o tambor era rodado novamente e a agulha. uma camada de massa virgem sobre um disco plano de alumínio) segundo uma espiral a partir do bordo para o centro. numa "maquineta" que depois aperfeiçoou e comercializou com o nome de fonógrafo ("escrevedor de sons"). o som é captado por uma série de microfones. a tecnologia da fabricação de discos-matrizes estava na infância. sendo maior quando o som é mais forte. mas existem diversos outros dispositivos para converter as vibrações em corrente eléctrica. Os sinais estereofónicos obrigam a agulha a vibrar de forma a gravar em cada parede do sulco em V um padrão diferente. Todos os microfones possuem um diafragma que funciona segundo o mesmo principio que o do boca] do telefone (v. fazia vibrar o diafragma. o que permite que o técnico de gravação modifique a qualidade tonal e a intensidade de cada pista. No principio do século. O registo fazia-se sobre urna folha de estanho enrolada num tambor com um sulco em espiral na superfície. Quando tocamos um disco (réplica do disco-matriz).i w i i r t : Como a agulha de gira-discos lê o som O processo de armazenagem inicia-se quando a música entra num microfone e faz com que o seu diafragma vibre exactamente como uni tímpano humano. Na reprodução. As vibrações são convertidas em fracos sinais eléctricos variáveis. ao seguir os altos e baixos feitos na folha de estanho. as vibrações do estilete (agulha) reproduzem os sinais eléctricos. Quando a agulha era pousa da no disco. os executantes. produzindo sons que saíam pela corneta. mas a velocidade da cabeça de gravação em direcção ao centro varia de acordo com a intensidade do sinal. O mecanismo do prato giratório tinha de ser accionado à mão para cada disco que se graoaoa. começavam a locar.WIYIW i u i i v . O disco é rodado a precisamente 33 '/j rotações por minuto (rpm) para produzir um disco de longa duração. servindo simultaneamente de microfone e de altifalante. ••>• r > á *s ! # Sá 4-1 L _ *r t •«• V » ** jy* i > 1 y "ff jj AJI * A ^1 »' " Iftfcí* * \ m It^H Sessão ao vivo. e os sinais eléctricos são registados em pistas separadas (de 2 a 48) em fita magnética. O alemão Emile Berliner.V-. p. e uma passagem com som mais forte precisa de O que é o fonógrafo O s primeiros sons foram registados e reproduzidos por Thornas Alva Edison em 1877. Anteriormente. 214). foi o pioneiro da cópia de discos pelos processos de electroplastia e estampagem. que indentava a folha de estanho à medida que r se deslocava ao longo do sulco em espiral. Pode chegar a haver 140 sulcos por centímetro — o seu número varia com a velocidade da cabeça de gravação. um estilete em forma de buril vibra e escava um sulco ondulado na superfície de grava cão (em geral. O equipamento pura a gravação estava montado sobre um bloco de betão isolado para que outras vibrações . empregando o mesmo tipo de corneta e de agulha que o fonógrafo. 0 produtor pode desejar aumentar o volume de determinado instrumento. As paredes do sulco estão a 45° em relação à superfície do disco e a 90" uma da outra. 0 disco-matriz é então gravado por meio de si- Os sinais eléctricos produzidos pelo mi crofone são intensificados por um amplificador. O disco de 78 rpm de Berliner era feito de goma-laca. e os altifalantes reconvertem nos nos sons originais.não fos sem afectar a agulha durante as gravações. o tambor era rodado por uma manivela. Quando alguém falava para a corneta. os discos ou cilindros tinham de ser gravados um a um. Utilizava uma corneta com um diafragma na abertura mais estreita. gravados em fita e passados a um buril de gravação que produz um disco-matriz. O disco era tocado numa placa giratória. o diafragma — c uma agulha de aço que lhe estava ligada — vibrava para cima e para baixo. Para a gravação. e os sons que entravam pela corneta faziam vibrar a agulha. ou a 45 rpm para um pequeno single.

Sulco no disco Parede interior do sulco Parede exterior do sulco Altifalante esquerdo Altifalante direito Sinais para o altifalante direito 0 magnete. se só a parede interior contém sinais. que é o molde para a produção dos discos para venda. Está aplicada a uma cabeça de captação na qual um transdutor electromecânico converte as vibrações da agulha — causadas pela sua deslocação ao longo da espira do disco — em sinais eléctricos. os quais são amplificados separadamente e vão alimentar cada um dos altifalantes esquerdo e direito. Cada prensagem de um disco de longa duração demora cerca de 25 segundos. movimenta um íman no interior de bobinas de fio condutor. cada uma delas sentindo as vibrações de cada pista estereofónica e produzindo corrente para os sinais de saída esquerdos ou direitos. os sinais intensificados vão alimentar os altifalantes. outros a tonalidade e outros o equilíbrio (balance) entre os canais esquerdo e direito. Quando se ouve uma orquestra a tocar através da rádio. ao fazer o seu percurso. pelo que produz sulcos mais separados e portanto em menor número. A agulha tem a ponta arredondada e é habitualmente feita de safira ou diamante sintéticos. pelo que têm de ser amplificados nos circuitos electrónicos de um amplificador. Os sinais gerados pela cabeça de capta ção (pick-up) são muito fracos. { induz corrente ^ na bobina direita Sinais para o altifalante esquerdo U>!<\í '7 )) Sinal na parede rior 0 magnete móvel induz sinais diferentes em cada enrolamento (bobina). Uns destes circuitos controla o volume. COMO A AGULHA REPRODUZ O SOM A agulha é uma safira ou diamante artificiai com urna ponta arredou dada ou elíptica. Usam se duas bobinas. só o altifalante esquerdo receberá corrente. só a bobina correspondente ao altifalante direito produzirá corrente. criando os sinais que alimentam os dois altifalantes. Este possui um descodificador que separa o conjunto codificado em sinais do canal esquerdo e sinais do canal direito. onde um electroíman faz vibrar um diafragma em forma de cone a fim de converter novamente os sinais em ondas sonoras Um altifalante simples possui um único cone. o transdutor é magnético — a agulha. pode saber-se onde estão os diversos instrumentos. o outro transporta sinais codificados para um receptor estéreo. provocando sinais eléctricos na cabeça de captação. o disco-matriz é niquelado electroliticamente e processado para dar um disco de níquel muito delgado e de imagem negativa. Depois de o sulco ter sido gravado na massa virgem. induzindo neste uma corrente eléctrica. maior a frequência da vibração). induzem correntes eléctricas em dois enrolamentos de fio. Sons de duas direcções O som estereofónico proporciona uma sensação de direcção e de profundidade à audição de rádio ou de gravações. os movimentos do íman. por exemplo. e os sons misturados de forma a produzirem-se em pistas separadas os sons da esquerda e da direita do estúdio de emissão. denominado a matriz. separados e de tamanhos diferentes. 0 programa é gravado com o emprego de uma série de microfones. Os sinais são ampliados e depois convertidos em sons por cones (diafragmas) vibrados por electroímanes nos altifalantes Numa cabeça de captação (pick-up) de magnete móvel. O gira-discos e os altifalantes Nos bons sistemas de alta fidelidade. A partir do amplificador. 223 . Os discos que se compram são moldados em PVC (cloreto de polivinilo). Muitos programas de rádio em VIIF são actualmente transmitidos em som estereofónico. Estes sinais são réplicas daqueles que fizeram funcionar o estilele durante a gravação do disco-matriz.. Se só a parede exterior contém sinais. A agulha vibra enquanto per corre estas paredes irregulares. 0 emissor envia para o ar dois conjuntos de sinais de rádio: um transporta a saída conjunta dos microfones para que possa ser captado pelos receptores mono. mais espaço porque a agulha vibra mais. ou magnete. Habitualmente. pois cada tamanho é adequado à reprodução de uma gama de sons (ou frequências — quanto mais alto o som. a agulha está ligada a um íman. Grânulos de PVC são simultaneamente prensados e aquecidos entre duas matrizes gravadas em separado — uma para cada lado do disco — e depois arrefecidos. Os sulcos (aqui ampliados 1000 uezes) têm pare des de feitio diferente — uma para os sinais estereofónicos da direita. o prato é pesado e geralmente accionado por correia de transmissão a fim de o isolar das vibrações do motor. Quando a agulha vibra. outra para os da esquerda. mas os dos sistemas de alta fidelidade têm dois ou três.

0 ir Ft ' • te L Lc Ch to si ccdure & an ord s t íij ' ""-(. depois de uma curta planagem sem motor.. "Descer o diabo da escada fez-me doer". é como tentar concentrarmo-nos no trabalho dentro de um frigorífico. com a sua mulher. Contudo. que se ajustava perfeitamente ao manipulo. Durante os próxi mos 15 minutos. Yeager planeava voar a cerca de 700 milhas/hora (1126 km/h) a uma altitude de cerca de 40 000 pés (12 200 m) acima do nível do mar. Apesar das dores que sentia. O Bell X-l tinha apenas 9. o B-29 largou da Base Aérea de Muroc.. Empurrou a escada de alumínio pelos carris e deixou-se escorregar para dentro do cockpit do X-l. Sabia que. Charles "Chuck" Yeager. de couro.MARAVILHAS DA CIÊNCIA fROM Vi °VV\ "Chuck" Yeager: o homem que passou a barreira do som Dois dias antes da sua tentativa de passar a barreira do som. projectada secretamente para 14 de Outubro de 1947. O fluxo do ar em redor do aparelho torna-se instável. tinha o mau costume de sacudir o piloto dentro do apertado cockpit com tanta força que o poderia fazer perder os sentidos Para se proteger. no deserto do Mojave.5 m de envergadura. * ? _ " S y m / „ „ * G T ° » . "Chuck" não conseguia mexer o braço direito devido as dores. •'Chuck" Yeager (à esquerda) deu ao avião o nome da sua mulher. Fizera já uma série de voos de ensaio no avião com propulsão por foguetes e tinha como objectivo ser o primeiro homem a ultrapassar a velocidade do som — cerca de 1220 km/h ao nível do mar (quanto maior é a altitude. "Peguei no cabo da vassoura e o manipulo rodou para a posição de fechado. as entidades superiores adiariam a tentativa. Yeager usava um grande capacete de râguebi. SB Quando o B-29 se aproximou dos 7000 pés (2100 m).que levava o X-l encaixado na barriga. se houvesse notícias do seu estado. Recorte de jornal com a notícia (ao alto'). teve de haver-se com o ambiente gelado do cockpit "A tremer". causando intensas vibrações irregulares que provocam perda do domínio de voo. Yeager estava optimista. partiu duas costelas num acidente quando corria a cavalo. só há que bater os dentes ." Durante os voos de ensaio. o avião a foguetes passou a barreira do som a 1126 km/fr.norne do físico Ernst Mach (18381916). Yeager tinha de a fechar pelo lado direito — coisa simples quando não se tem duas costelas partidas e o braço direito imobilizado. consegui fechá-la. O avião Bell X-l. a transpira ção de Yeager acrescentara mais uma ca- 202 . Se um avião não é desenhado para o • voo supersónico. Clennis (à direita). entrei no X-l e fizemos uma expe-' riência. accionado por foguetes e pintado de cor de laranja. com o seu nariz aerodinâmico e as suas linhas suaves. recordava depois. Para passar do B-29 para o minúsculo cockpit do X-l (também conhecido por XS-I)." Por volta das 8 da manhã de 14 de Outubro. Funcionou perfeitamente. o seu mecânico de voo. A velocidade de um avião comparada com a de propagação do som no meio vizinho é conhecida como o número de > ' > Foro. a partir do qual desciam uns carris até ao X-l. génio líquido armazenados no tanque de combustível directamente por trás do assento. Teoricamente. Jus* . Mach . "Procurámos pelo hangar e encontrámos uma vassoura". recordou depois Yeager. Um avião que se desloca à velocidade do som diz-se que vai a Mach 1. Yeager avançou para o compartimento das bombas. mesmo assim. Então." Depois. Depois. Está-se a ser enregelado pelas centenas de litros de oxiPassagem da barreira. fortes ondas de choque atingem-lhe as asas e a fuselagem quando ele se aproxima de Mach 1. de 24 anos. Yeager viajava por enquanto no bombardeiro . no deserto do Mojave. mas. Ele encostou a porta ao caixilho e eu. Na sua tentativa. mais lentamente o som se propaga). teve uma ideia brilhante: o piloto poderia manobrar um pau com a mão esquerda para levantar o manipulo da porta e fechá-la. A porta do çockpit tinha então de ser baixada por um cabo a partir do compartimento das bombas. a 182íJC negativos.Ta Aviáo mais rápido que o som. Jack Ridley. começaria a subir quando Yeager pusesse a funcionar em rápida sequência os quatro foguetes. Yeager tinha de descer por uma pequena escada. seria largado do compartimento das bombas de um Boeing B-29 e. "Jack serrou-lhe 25 cm do cabo. "bate-se as palmas com as mãos enluvadas e coloca-se a máscara de oxigénio no aviáo mais frio que jamais voou. Na manhã seguinte. não seria afectado. Pilotado pelo capitão "Chuck" Yeager. Uma vez colocada a porta.5 m de comprimento e 8. levantando o manipulo com o pau da vassoura. lembrava. por cima do seu capacete de voo. um médico local ligou-lhe o tronco. o X-l. capitão da Força Aérea dos EUA.

abrira um novo laboratório — ou "fábrica de inventos" — na pequena povoação de Menlo Park. Pusera em prática este princípio em Maio de 1876. Um dia.e 85 casas. criou um novo microfone para o telefone de Alexander Graham Bell No aparelho de Bell. E pelas 7 horas. Edison tinha superintendido o início da conversão da iluminação de Nova Iorque de gás para electricidade. através dos estados do Centro-Oeste e do Sul. iluminando a estrada. Foi a Sr/' Edison quem encorajou o interesse crescente do jovem pelas ciências. bobinas de indução e aparelhos de medida. fio de cobre. dormindo numa cave na Wall Street. o laboratório e a biblioteca de Menlo Park com o emprego de um dínamo e de aproximadamente 40 lâmpadas. o inventor Thomas Alva Edison. em que quase desaparecia. no Michigan. O microfone de Edison utilizava pedaços de carvão para conseguir um contacto cuja resistência era modificada pela p r e s s ã o das ondas sonoras. Estava equipado com uma máquina a vapor. para ser vendido no comboio. o Grund Trunk Herald. i u i i A : \ Thomas Edison: o "feiticeiro" que iluminou o Mundo Precisamente às 3 horas da tarde de 4 de Setembro de 1882. Na realidade. Ohio. quando começou a escurecer. mas foi só no fim do ano seguinte que. mais de 430 edifícios da cidade estavam a ser iluminados por 10 000 lâmpadas. A gravura mostra a sua "fábrica de inventos" de Menlo Park em 1879 — ano em que produziu a sua lâmpada de incandescência (à direita). Edison e os outros directores da Edison Electric Light Company tinham-se juntado no escritório de um dos seus principais apoiantes. nos princípios da década de 1870. por ser a zona fi nanceira da cidade e ele querer impressionar potenciais patrocinadores. Instalou igualmente uma prensa de tipografia em segunda mão. Foi ligada a energia na primeira central geradora de Nova Iorque. as vibrações sonoras da voz humana eram convertidas directamente em impulsos eléctricos. trabalhando como distribuidor de jornais e vendedor de rebuçados no comboio entre Port Huron e Michigan. Os trabalhos de Edison sobre a electricidade demonstravam a sua política de inventar apenas coisas que as pessoas pudessem querer e que viessem a facilitar-lhes a vida. estava em Nova Iorque. Reparou-o ali mesmo e foi admitido na empresa. Em Agosto de 1883. O escritório de Morgan figurava entre os que seriam iluminados naquela tarde de Outono.V_V_MVIVJ r u i v v . Nascido em Milan. produziu finalmente uma lâmpada eléctrica prática. construiu um laboratório modesto num vagão de bagagens. Edison utilizou este dinheiro para abrir e equipar a sua primeira oficina verdadeira — em Newark. onde se dedicou à sua vida de inventor-a-tempo-inteiro. 224 . o inventor e o seu grupo tentavam aperfeiçoar a lâmpada de incandescência — na qual vinham a trabalhar desde a década de 1830. Nova Jérsia. mudou-se para a referida povoação de Menlo Park. na qual editava um semanário. das caixas de derivação. após laboriosas tentativas. dos quadros. na Pearl Street . ali próximo. especialmente a grandes distâncias. onde produzia a sua corrente eléctrica própria a partir de pilhas voltaicas e operava um telégrafo primitivo. quando. dos fusíveis e dos candeeiros. para Port Huron. Pierpont Mor gan. dos contadores. Em 1876. e tornou-se efectivamente o primeiro laboratório de investigação industrial do Mundo. Criou depois a Edison Universal Stock Printer. A sua educação oficial terminou ao fim de três meses. Isto controlava a O nascimento da luz eléctrica. Ohio. encontrava-se por acaso nos escritórios da Gold Indicator Company. como um electrómetro e um gal vanómetro. então com 35 anos. Edison for mou a Edison Electric Light Company. Pouco tempo depois. Escolhera o local para a central perto do East River. Cerca de 3000 espectadores assistiram a esta demonstração de génio do chamado '"feiticeiro de Menlo Park". baterias de acumuladores. juntamente com 20 "amigos e colegas de traba lho" escolhidos. lançou-se naquilo a que chamou "a maior aventura da minha vida". quando o indicador telegráfico dos preços do ouro se avariou. Thomas Alva Edison linha 7 anos quando a família se mudou para norte. a criança sofria de surdez parcial resultante de ter tido escarlatina. quando o mestre-escola da aldeia o expulsou como atrasado mental. Organizara um levantamento da zona. trabalhou como "telegrafista vagabundo". designadamente pelas máquinas a vapor e pelas forças mecânicas. Edison apresentou a sua invenção ao público na véspera de Natal de 1879. Tom instalou um pequeno laboratório de química na cave da casa dos Edisons. de maior fiabilidade — que vendeu à Western Union por 40 000 dólares.. Em 1809. Nos meses precedentes. Ao tempo. ali próximo. lojas e escritórios da zona resplandeceram com a luz de 400 lâmpadas incandescentes. o milionário J. A fábrica era urn edifício de madeira de dois andares situado em ricos terrenos de cultivo. e tratara da instalação da rede. No ano seguinte. material fotográfico. casa a casa. onde fabricou o primeiro telégrafo impressor de fita. segundo as suas próprias palavras. uma forja. Telegrafista vagabundo Entre os 1G e 21 anos. em 11 de Fevereiro de 1847. Nova Jérsia . a luz eléctrica fez o seu impacte nos escritórios do New York Times. na Wall Street. Em 1878. O gerador de Edison está ligado por correias e roldanas ao seu dinamómetro — que media a potência fornecida peias máquinas a vapor. Mas a reprodução dos sons era débil.

recitar o poema infantil «Mary hari a little lamb.dando assim a ilusão de imagens em movimento. em 1889. da arte e do desporto. já tinha ganho com os seus inventos uma soma que se calcula em 1 milhão de dólares (ao todo. . ou mesmo das peças Imagens em movimento. e nove anos depois mudou-se para uma nova casa. e deste modo o protótipo funcional será produzido em muito pouco tempo. figurou. ou máquina de imagens em movimento. Era quase madrugada do dia !6 de Junho de 1888. longínqua e em tons agudos. As fotografias eram observadas através de um visor no topo da máquina que funcionava por moedas Os "filmes" duravam apenas 15 segun dos. O seu kinetoscópio fornecia a ilusão de movimento ao projectar uma série de fotografias sobre um écran. 0 kinetoscópio de Edison projectava num écran uma série de fotografias de uma fita de película continua . Edison separou o emissor do receptor. concluía o artigo. Em Dezembro de 1877. A voz do interlocutor podia ser ouvida a muito maior distância. que. o kinetoscópio. para constituírem as bases de indústrias independentes". ouviu se a sua voz. Entre estas. ela era levada para outra oficina para ser reproduzida.V y Cinco dias sem dormir. preparavam-se desenhos de execução e criavam-se os moldes necessários. its fleeee as white as snow» . e desde que fosse ao encontro rias expectativas de Edison. Depois de aperfei coar o "telefone que falava alto". Com um tempo de exibi çáo de 10 minutos. e serão imediatamente destaca dos para o trabalho tantos trabalhadores quantos o possam ser em benefício da obra. Em seguida. tomando muito mais fácil o uso do telefone. era construída c ensaiada a máquina ou aparelho completo.. acabadas. produzido nos estúdios de Edison. ele foi fotografado com elementos da sua equipa (em baixo) e um ar menos despenteado. e mais tarde. No telefone rie Bell. que se servirão das vastas existências de materiais para fazerem protótipos das peças necessárias. o bocal servia também de auscultador. Nova Jérsia.. Enquanto o tambor do fonógrafo rodava lentamente. faziam-se aperfeiçoamentos. Edison dedicou se aos filmes de grande metragem . em West Orange. em 15)03.. Edison dedicou-se à invenção do fonógrafo — antepassado do gramofone e do moderno gira-discos. desde uma caneta eléctrica até casas de baixo custo em betão moldado). em tamanho definitivo. Depois dos filmes curiós sobre bailarinos e boxeurs. Edison descreveu uma vez os seus métodos de trabalho a uni redactor do Sàentifie American: "Desenhos rudimentares serão fornecidos aos fabricantes de mode los. fez uma demonstração da máquina aos seus empregados de Menlo Park. obteve 1093 patentes de invenção. Chegou a empregar 5000 trabalhadores. Edison afirmou Kr trabalhado cinco dias sem dormir no modelo aperfeiçoado do seu fonógrafo (à esquerda). espaçosa e dotada de laboratório de investigação. Nessa altura. Patenteou o fonógrafo em Fevereiro de 1878. iria trazer ao homem e mulher da rua os mundos da política. Finalmente.. pelo que quem o utilizava tinha de falar c escutar alternadamente da mesma campânula. "Serão lançadas invenções de magnitude suficiente . este foi um dos mais longos filmes feitos até então e constituiu o seu último grande triunfo." Depois. ^ o s corrente proveniente de uma bateria c permitia a emissão de sinais eléctricos muito mais fortes rio que os do telefone de Bell. afirmou Edison.enlre os quais O Grande Roubo do Comboio. nesse mesmo dia. em West Orange.

Com eles é possível compilar um código que representa uma diversidade infinita de padrões e de sons. revestido de uma resina fotossensível. Pista codificada. Sinais codificados.CDs: música com um raio "laser" Um disco compacto tem apenas 12 cm de diâmetro. Estes sinais são descodificados electronicamente. virgem. c girado sob um raio laser. Esta 0 1 1 0 1 1 1 0 1 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 IBI Til 1 i wm m 1 * — | . na fotografia ampliada de um disco (à direita). os quais reproduzem ondas sonoras idênticas às que. e representa rigorosamente os sons originais. Cada valor numérico é uma medida da intensidade da corrente. — I — ' i . O código binário permite 65 535 níveis possíveis de som em cada medida. levaram à criação das covas e dos planos. Os códigos binários são padrões de apenas dois dígitos . em cima) que vão servir para sintetizar uma corrente eléctrica analógica 3 5 6 6 4 2 1 2 ou seja com uma forma contínua análoga à das ondas sonoras Sinais descodificados. Quando a corrente eléctrica variável é amplificada e introduzida no altifalante. com uma ampliação de 930 vezes. Música compacta As covas e áreas planas que formam o código do som de um disco compacto vêem-se. Todo o som incluído no âmbito do ouvido humano é fielmente reproduzi do ao ser descodificado. os sinais codificados são fornecidos a este sob a forma de impulsos eléctricos. é transformada em ondas de som que reproduzem a gravação 226 . no início da cadeia. A voltagem desses sinais ó medida dezenas de milhares de vezes por segundo e codificada electronicamente sob a forma de números binários (v. i L j - *— i corrente eléctrica representa os dígitos binários (á direita. a luz reflectida é lida como "ligada'' ou "desligada". p. 241). Gravação do código no disco 0 processo que leva a um disco compacto inicia-se quando um microfone converte as ondas sonoras em sinais eléctricos. O disco-matriz fornece um molde para reprodução. porque não existe qualquer agulha em contacto com a sua superfície. com a sua cobertura de plástico repuxada para trás. Enquanto um disco de vidro.o 0 e o I. e seguidamente amplificados e introduzidos nos altifalantes. mas contém 5 km de pista de música e loca durante perto de uma hora. Quando o raio laser varre o disco que roda. Estes são novamente codificados a fim de se juntarem os dois canais estereofónicos numa via de impulsos única e prevê nir os danos causados aos sinais por riscos ou dedadas que podem ocorrer durante o manuseamento. Altifalante Onda sonora Corrente eléctrica O som. reflecle-se diferentemente conforme incide sobre uma cova ou uma área plana. Cada disco é revestido com uma fina camada de alumínio que o torna altamente reflector e seguida mente com uma camada protectora. resultando numa corrente eléctrica variável. que a converte em sinais eléctricos. Estas constituem um código bina rio que é interpretado sob a forma de som. Km vez dela. interpretando as minúsculas covas e áreas planas da pista de gravação. Um feixe de laser varre as covas e os planos. feita durante a gravação 44 100 vezes em cada segundo. um feixe de luz proveniente de um laser de baixa potência lê o disco pela parte de baixo. O laser emite-os como impulsos de luz que produzem o padrão de covas no revestimento padrão que aparece quando o revestimento é revelado quimicamente. Os CDs (compact discs) são tocados numa só face e não se riscam nem se gastam ao tocar. que evolui em espiral a partir do centro. 0 padrão da luz reflectida forma uma cadeia de impulsos eléctricos. A luz reflectida vai incidir sobre um dispositivo fotossensível chamado fotodíodo.

No gerador. Como um sintetizador raramente consegue simular todos os sons harmónicos. ele inventou um instrumento cha mado telarmónio. falta lhe habitualmente a mesma riqueza de qualidade — mas os modelos modernos aproximam-se bastante. Um sintetizador electrónico produz música ao gerar uma corrente eléctrica sobre um largo espectro de frequências. na Califórnia. em 1953. Alguns sintetizadores digitais têm computadores incorporados e conseguem produzir sons harmónicos complexos. Alguns usam síntese de FM (frequência modulada). Os Filtros deixam passar unicamente determinadas frequências e bloqueiam as restantes. que utilizava motores eléctricos e receptores de telefone para prcxluzir sons. contam se os americanos Milton Babbit e Morton Subolnik. Kra alimentado por fila theremin. A síntese em TM. O sintetizador tem um teclado como o do piano. criando a qualidade que o distingue. uma corda de violino vibra ao longo de todo o comprimento para produzir o tom fundamental. Os sintetizadores são também utilizados na composição de música electrónica. podem introduzir-se sons que são reproduzidos em qualquer tonalidade no teclado. um oboé e uma trombeta locam a mesma nota.Como o sintetizador produz música electrónica Quando um violino. Nos anos GO. Os sintetizadores são utilizados pelos músicos pop em conjunto com instrumentos convencionais para fazerem música electrónica "ao vivo". a "música" era locada movendo as mãos em torno das antenas. Chowning. O progresso do som electrónico A primeira pessoa que tentou obter sons electronicamente foi o inventor americano Thaddeus Cahill. A ideia da amostragem. a microfones e a outros sintetizadores ou tocados por um gravador de fita ou um computador. Quando a corrente vai alimentar um altifalante. mas sem muito su cesso. Um som pode ser introduzido subitamente e por pouco tempo ou feito apare cer e desaparecer gradualmente. que produzem os sons fundamentais e muitos harmónicos Utilizam se diversos circuitos filtrantes para modelar melhor as ondas de vibra ção. A onda mais regular de som fundamental pode verse por baixo dos harmónicos irregulares. que altera a forma por que a voltagem é aplicada a diversos circuitos simultaneamente. Entre outros. O ritmo de vibração (a frequência) é comandado fa zendo variar a voltagem dos circuitos geradores. foi introduzida pelos australianos Peter Vogel. Como utilizava válvulas termiónicas — tubos de vácuo electrónicos -. mas as teclas limitam se a alterar a voltagem da corrente enviada ao circuito gerador. con tam-se as ondas quadradas e as ondas em dente de serra. na Alemanha. para estudos de acústica. além de muitos outros efeitos sonoros. Kim Ryrie e Tony Furse. perfurada. e Stockhausen é um dos primeiros compositores de música electrónica. um aparelho denominado oscilador dá à corrente a sua forma de onda vibratória. processo seme lhante à modulação de ondas de rádio. com o seu fairlighl computer musical instrumenl (CMI). o cientista russo Leon Theremin produziu sons electrónicos utilizando dois osciladores de ondas de rádio. Alteram a qualidade cio som e criam diferenles efeitos. o que alterava a sintonização dos circuitos e produzia sons . fil trá-la e amplificá-la. IY>dem ser ligados Som visível. Para um som puro. o tocador acciona um comando chamado envelope generator. Outros botões. Por exemplo. O que lorna diferentes os sons dos instrumentos são os sons harmónicos . As notas de um trecho de música são aqui representadas por siri ais electrónicos verdes vibrando nurn écran. Km 1906. base dos sintetizadores digitais da década de 80. A modelação do» sons electrónicos Há três fases principais na produção de música electrónica — gerar a corrente. o tocador pode introduzir sons de diversos instrumentos ou de outro computador ou sintetizador para obter uma diversidade de efeitos. Ilerberl Kimcrt c Karlheinz Stockhausen instalaram o primeiro estúdio de música electrónica em Colónia. da Universidade de Stanford. o físico americano Robert Moog criou o sintetizador Moog com circuitos à base de transístores. Km 1920. 227 . Nos sintetizadores que utilizam um sis tema de ligação ao computador chamado MIDI (musical instrumenl digital interface). Nova Jérsia. todos eles pro duzem uma vibração fundamental da mesma frequência. produzindo os sons harmónicos. era tão volumoso que enchia uma sala. foi inven tada pelo Dr. Os instrumentos dão nos diferentes misturas de sons harmónicos se gundo as respectivas formas e materiais de que são feitos e o modo como as vibrações ressoam no corpo do instnimento. O desenvolvimento posterior no campo da electrónica permitiu o moderno sintetizador portátil. interruptores e cursores comandam os percursos através dos diversos circuitos. mas cada metade e cada quarto da corda vibram também. na qual se baseia a maioria dos modernos sintetizadores. Alguns podem ser alimentados por patches (discos ou placas com programas de computador) que criam sons diferentes. de um instrumento tocado convencionalmente.OS sons com frequência múltipla da fundamental. produzindo assim sons de altura diferente. os filtros e os amplificadores. A amplificação dos sons obtém-se pelo aumento da volta gem nos circuitos dos altifalantes. John M. em constante mutação. cujo código de furos accionava os geradores de sons. Com um aparelho electrónico digital chamado sampler.variáveis segundo a posição das mãos — emitidos pelos altifalantes. Entre outras formas de onda geradas. O instrumento chamava-se O antepassado dos sintetizadores modernos foi construído em 1955 pela Radio Corporation of America (RCA) em Princeton. A música era gravada em fita. são simulados os sons fundamentais e os harmónicos de qualquer tipo de insIrumenlo. A banda sonora do filme Koyaanisqatsi (1982) incluía música electrónica de Philip Glass. usa-se uma on dulaçáo regular . Para alterar a intensidade e a persistên cia de um som.uma onda sinusoidal.

V_WIVIV/ i u n v ^ i u i i n : I Há dois tipos principais de fibras: as mais finas. Esta. Os sinais eléctricos acendem e apagam rapidamente o laser. Como p<xlem ser enviados milhares de milhões de dígitos por segundo. que os reconverte em sinais eléctricos e os introduz num descodificador que reconstitui o padrão da corren te eléctrica saída pelo bocal do telefone. O primeiro cabo de fibras ópticas transatlântico. Em 1970. tendo uma frequência muito mais alta que a corrente eléctrica. ~ 0 1 |o I 1 0 1 1 0 < \f Impulsos/-"'LI de luz <T _ J luminosa 1 I" I < I Mensagens a alta velocidade As mensagens telefónicas são transmitidas pelos cabos de fibras Ópticos como séries de uns e zeros (código digital). o oalor de cada medida é transmitido em muito menos que 1/8000 s. Como cada fibra possui um núcleo interior que canaliza a luz ao longo dela e um revestimento exterior que a reflecte novamente para o núcleo. representados pela luz acesa (ON) para o I e apagada (OFF) para o 0. as multímodas. para iluminar o interior do organismo. a empresa americana Corning Glass produzia já fibras ópticas de qualidade suficiente para transmitir sinais telefónicos. Como há intervalos entre os sinais de uma chamada. Sons. descobriram que tais perdas se deviam às impurezas do vidro. e os sinais luminosos podem "viajar" quase 200 km sem serem reinten sifícados. Os cabos de fibras ópticas. quase não há perda de luz através das paredes. enviam se em conjunto muitas chamadas. Tempo correspondente a uma das 8000 medidas por segundo Fibra óptica reflectindo raios luminosos 228 . a diferentes intervalos. de elevada capacidade. até 1000 padrões de ondas (modos) dife rentes. Estes cabos de fibras ópticas podem transportar mais informações que os fios de cobre. Charles Kao e George Hockham. Isto é o que se chama mulliplexagem (no tempo). pequenas dimensões e ausência de interferências eléctricas. e os lasers não são maiores do que grãos de sal. C o m o sáo t r a n s m i t i d a s as mensagens Num sistema telefónico de fibras ópticas. O valor de cada medida. fax e dados de computadores. e os sinais não se atenuam tão rapidamente como no fio de cobre. transmitindo-as sob a forma de impulsos de luz — e ocupam apenas cerca de um décimo do espaço dos cabos de cobre. Na extremidade receptora do cabo de fibras. além das chamadas telefónicas — vinha esforçando até aos limites o sistema baseado no cabo de cobre. peto que há muito tempo livre para nele se intercalarem os sinais de muitas outras chamadas. A sua capacidade de perto de 40 000 chamadas telefónicas simultâneas é tripla da dos sete cabos de cobre hoje existentes em conjunto. é uma série de uns e zeros a que corresponde uma série de impulsos de corrente — um sinal digital. Quando se faz incidir luz sobre uma ex tremidade da fibra. e os sinais têm de ser reintensificados a intervalos de 15 km. te. alguns deles 10 vezes mais finos que um cabelo humano. A luz c gerada por lasers. que trabalhavam em Inglaterra nos Standard Telecommunications Laboratories. encaixadas umas nas outras. A perda de luz através das fibras era inicialmente demasiado grande para quaisquer outros usos. os impulsos da luz são captados por um fotodetector. A primeira utilização das fibras ópti cas deu-se em 1955 no campo da medicina. ela é reflectida interna mente muitas vezes cerca de 15 000 vezes por metro. as monómo das.telex. produzindo impulsos de luz codificados digitalmente que pe netram na fibra óptica através de uma lenCódigo S Fibras ópticas: o transporte de sons por raios de luz Fios do mais puro vidro. Pelo menos 2400 milhões de bits (dígitos binários) podem Iransmitir-se por segundo através de uma só fibra. podem ser transmitidos. transmitem a luz sob a forma de uma única onda ou modo -. são a chave para um novo desenvolvimento. o TAT-8. imagens e informações computorizadas podem ser transmitidos pelo mesmo cabo. polo que 0 cabo precisa de menos amplifi cadores de sinais intermédios. Os emissores c os receptores caberiam ambos numa caixa de fósforos. iniciou o serviço em 1988. Os cabos de fibras ópticas estão a substituir gradualmente os de cobre entre as centrais. a corrente eléctrica produzida pelo telefone em resposta às vibrações da voz começa por ser introduzida num codificador. mas perde-se sempre um pouco de luz. A REVOLUÇÃO DAS FIBRAS ÓPTICAS A quantidade de informação actualmente transmitida . pode transportar muito mais informação. estão a tomar o lugar do fio de cobre nos cabos utilizados na transmissão de sinais de telefone e de televisão. Mas em 1966 os Drs. Este mede a intensidade da corrente cerca de 8000 vezes por segundo. Nas fibras mais espessas. O tipo usado na transmissão por fibras ópticas é um laser de semicondutor que produz luz infravermelha invisível. em código binário.

O holograma gravado.D de segurança. mas permitindo uma visão total na horizontal. o feixe de referência. da ção dos dois revela as mínimas ralhas. Um feixe. ao reflectir-se de um objecto. Os dois fotões idênticos deslocam-se na mesma direcção e exactamente à mesma cadência. pontos de vista (os dois olhos). ao ser processado. 229 .a for ma como se sobrepõem e reforçam ou anulam mutuamente dependem do espaço por elas percorrido. de os submeterem a esforços: a sobreposidá uma superfície em relevo. 0 caminho é artificialmente alongado por espelhos nas extremidades do rubi. é essencialmente bidimensional. mas produz um efeito de arco-íris quando os olhos do observador se movi menlam no sentido vertical. A holografia capta também a profundidade ao medir a distância que a luz percorreu desde o objecto. cada uma delas mais fina que um cabelo humano. ou amplificação da luz pela emissão estimulada de radiação. 0 Prof. durando um milissegundo. O poder do laser reside na sua concentração. QUE E UM «LASER»? A palavra "laser" é formada pelas ini ciais das palavras que descrevem o seu processo: light amplification by slimulated emission of radiation. tal como uma fotografia. a luz. o feixe do objecto. usa-se a imagem "fanÉ também utilizado no ensaio de pnxlutasma'1 corno objecto de um segundo holos como os pneus de avião. cujo meio activo é um cristal cilíndrico de rubi artificial. emitindo espontaneamente um pacote de energia denominado fotáo. mas no sentido oposto. que oê uma imagem inteira atraués de cerca de 9000 minúsculas lentes.. e os fotões todos com o mes mo comprimento de onda . só em 1961 dois cientistas americanos — Emmet Leith e Júris Upatnieks — produziram o tipo de hologra ma do qual evoluiu a moderna holografia. O feixe é perfeitamente rectilíneo. pequenos movimentos da cabeça e um complexo processamento da informação pelo cere bro que inclui experiências anteriores de outros sentidos. criando um padrão de interferência. O padrão de referência das ondas luminosas. Os átomos de crómio no rubi eram estimulados e emitiam um feixe de luz de laser. Dennis Gabor. que lhes fornecia a luz intensa e pura que era requerida. um impulso com triliões de fotões vermelhos em uníssono. O outro feixe. Os dois feixes coincidem. Um dos primeiros tipos de laser foi o de rubi. Os médicos empregam os "guias de imagens" em sondas para exames internos ou na cirurgia. Para este. A imagem final é diferente se observada de posições horizontais diferentes. O holograma é usado nos cartões de crédito e nas etiquetas de vestuário como instrumento Gravação em relevo de imagens 3 . Utilizaram um laser. porque num holograma pode verse o objecto de qualquer ângulo. o padrão dispersa a luz. e à medida que se propagam pelo cristal mais e mais fotões idênticos se lhes juntam por estimulação. que inclui a visão de dois Paris. vemos diariamente. e os engenheiros para verem O interior dos motores. Uma lâmpada tubular de flash electrónico montada em espiral em redor do cilindro emite intensas pulsações de luz que excitam os átomos de cró mio de um estado de energia baixo para um estado de energia alto. Este holograma projecta um modemensões por um processo mislo do futuro Museu da Ciência e Tecnologia da cidade de to. Outros lasers emitem urn feixe contínuo em vez de pulsado. for examinada ao microscópio. criando uma imagem projectada do objecto em três dimensões suspensa no espaço como um fantasma. ultrafina. que é o padrão de interferência. ilumina o objecto. derivou o nome das palavras gregas holos e gramma. Fazem-se holograma. no segundo holograma. Se esta. e as ondas de luz reflectidas inci dem sobre uma chapa fotográfica placa de vidro com uma face revestida por uma emulsão fotossensível. que significam "mensagem total". proporcionando a vista do objecto a partir de uma "latitude" fixa. a chapa fotográfica tem logramas dos pneus novos antes e depois um revestimento que. O guia é um cabo com cerca de 27 000 fibras de vidro. que é registado na chapa fotográfica. depois de revelada. No entanto. Como se faz um holograma Um dos tipos mais simples de holograma é obtido dividindo o feixe de laser em dois com um vidro parcialmente espelhado. visto à luz normal reflecte a luz bran ca segundo as cores que a compõem — como se tivesse passado através de um prisma. Um 'guia de imagens" de fibras ópticas é semelhante ao olho de uma abelha. como o tacto. é feito incidir directamente sobre a chapa fotográfica. No entanto. ou holograma arco íris. um deles só parcialmente espelhado. contém mais informação que a cor e o contraste claro escuro que os nos sos olhos ou a fotografia captam.podem ser focados num ponto de uma mesma superfície. Vemos os objectos em três di Ciência ilustrada. o que limita as frentes de ondas. os átomos regressam ao seu estado normal. inventor da holografia. Hologramas: imagens tridimensionais A holografia é um processo de produzir imagens a três dimensões. que emitem um feixe infravermelho invisível. é por este que sai o feixe de laser. é dirigida ao objecto através de uma ranhura horizontal. Lsta limitação facilita a visão da ima gem tridimensional com luz normal. apresentará uma confusão de linhas sem significado. Os mais pequenos lasers actualmente em uso são os lasers de semicondutor. eslimula-o a emitir novo fotâo idêntico.Ver em linha curva. imagem adequada à gravação em relevo. A luz do laser. Quando um fotáo encontra outro átomo de crómio ainda no estado de energia elevado. Após alguns milésimos de segundo. A imagem num só olho. pois é quase impossível de Para as reproduções tridimensionais que falsificar. Quando se projecta luz de laser através do holograma já revelado sob o mesmo ângulo que o do feixe de referência inicial.

Podem utilizar uma impressora a laser ou utilizar a transferência térmica. em Tóquio. em Londres. aproveitando as tarifas telefónicas mais baixas. embora ela seja transmitida por sinais analógicos. Os aparelhos disponíveis na década de 90 codificarão e transmitirão digitalmente. um exemplar completo. dá um sinal que informa o utilizador de que deve tornar a enviar o documento. são desmodulados —separados da onda portadora. Codificam a informação digitalmente. . Estes sinais digitais vão alimentar um modem (modulador/ desmodulador) que os combina com uma onda portadora. Em segundos. pois a informação sairia confusa. o jornal japonês Asahi Shimbun (Sol da Manhã) mandava páginas inteiras da sua sede. Os aquecedores fundem a tinta da folha e esta adere ao papel normal. Esta é digitalizada. para uma tipografia em Sapporo. p. o aparelho não faz a transmissão. nos EUA. a cópia exacta de um documento ou de uma foto grafia. o qual possui um revestimento químico que enegrece quando atacado pelo calor. mas o material pode ser enviado com muito mais rapidez do que se fosse ditado. Em 1959. Os progressos tecnológicos têm dado origem a máquinas de menor preço. em geral uma lâmpada fluorescente. 0 modem verifica também a qualidade da linha telefónica antes de enviar os sinais. envia diariamente para Londres. ou modo de correcção de erros). A luz reflectida pelo documento é dirigida por espelhos e através de uma lente para um dispositivo chamado CCD (charged coupled device. Em certos aparelhos. que são codificados sob a forma de sinais digitais e enviados por telefone. em que uma folha de tinta é interposta entre a cabeça da impressão térmica e o papel nor mal. o mesmo documento pode ser enviado sucessivamente a muitos terminais diferentes — a chamada transmissão sequencial. Os jornais não são os únicos utilizadores: também as polícias transmitem entre si cópias de impressões digitais e retratos-robõs. possuindo uma cabeça de impressão térmica constituída por centenas de pontas metálicas aquecidas que funcionam em padrões de conjunto. que ali é impresso para venda na Europa. diminuindo para quatro ou cinco segundos o tempo de transmissão de uma folha A-4. As máquinas automáticas recebem mensagens a qualquer hora e po dem ser programadas para emitir documentação depois do escritório fechado. vantajoso porque permite uma armazenagem mais demorada sem se estragar. Actualmente. o tempo foi reduzido a metade. que converte a imagem recebida ponto a ponto numa corrente eléctrica. 0 documento ou imagem a transmitir é passado em frente de uma fonte de luz.4 . via satélite. Certos aparelhos imprimem em papel normal. este oficial de uma equipa de soco/ ro foi fotografado. As ampliações mostram o facsímile. 0 fax (abreviatura de transmissão em fac-símile) é hoje utilizado em toda a parte. Televisão. constituído por pontinhos minúsculos. semelhante mas mais simples que os das câmaras de vídeo — v. As transmissões por fax são debitadas ao mesmo preço que as das chamadas te lefónicas normais. Os aparelhos mais recentes retransmitem elementos em mau estado até que a transmissão deixe de conter erros: é o chamado ECM {error correctíng mode. A maioria das máquinas de fax utiliza a impressão térmica. 218). a fim de os transmitir ao longo das linhas telefónicas. o utilizador coloca-o na máquina e marca o número no teclado. Após a erupção do monte. ou seja convertida numa série de impulsos eléctricos repre sentando uns ou zeros. data em que uma fotografia foi transmitida por fios de Paris para o Daily Mirrar. Se a qualidade não for suficientemente boa. que recria o documento em cadeias horizontais de pontinhos linha a linha. He lens. a 960 km de distância. mas capazes de reproduções de boa qualidade.e introduzidos numa impressora. Assim. As primeiras máquinas de fax demoravam cerca de seis minutos a transmitir um documento em A . Imprimem em papel térmico. em poucos segundos. produzindo uma imagem a prelo que seca imediatamente. Quando os sinais chegam ao receptor telefónico. O «FAX» TORNA-SE MAIS RÁPIDO Os jornais utilizam máquinas de facsírnile para o envio de fotografias (telefotos) desde 1907. Para transmitir um documento ou uma imagem. A máquina encarrega-se do resto e dá sinal quando a sua missão foi cumprida. Mais tarde. St.t U M U hUNUUNAf "Fax": fotocópias pelo telefone Com uma máquina de fax ligada à rede telefónica. pode mandar-se através do Mundo. e as máquinas modernas levam menos de 30 segundos.

em geral ao redor da banda dos 27 MHz. que vai formar a imagem sobre o papel da cópia. c t / » » l ' o tambor é atraído pelas electricamente cimv /irc/iv carregadas. chamado CCD (charge•coupled deuices). As cores são recriadas na cópia pelo emprego de loners das três cores secundárias . O IUIUUUI c carregado da \s tambor ê i u ( / t x u u u com electricidade imagem sobre o tambor OKtAtífn nn nnw/ir não têm luz. 0 avisador de algibeira. noln que íttJO lAm I119 pelo niie estática ao passar a carga se mantém. U M U lUm. O "bip" é dado por um pequenino cristal que vibra e produz som quando atravessado por sinais eléctricos.' O "bip" que nos chama Os executivos e os técnicos atarefados podem usar consigo o seu sinal eléctrico pessoal — como se fosse uma campainha de algibeira— que os avisa de que alguém os está a procurar. por exemplo. entre os 50 e os 65 km. azul e verde. Estes são gerados nos circuitos electrónicos do aparelho e desencadeados por um sinal de rádio activado pelo carregar de um botão na unidade central. ntrni no Innpr ri suas áreas mrroanrin^ atrai toner.magenta. aplicava-se o estêncil em volta de um tambor rotativo. e mais escuras ou mais claras que o original. 0 raio de acção varia conforme a potência do emissor. mas é a imagem do documento a copiar que é projec tada neste por meio de espelhos e lentes. a imagem é impressa em quatro fases — primeiro as áreas com amarelo. é projectada sobre um painel de elementos fotossensíveis. O tambor tem um fino revestimento de semicondutor que conduz a electricidade quando iluminado (fotocondutor) e que é inicialmente carregado com electricidade estática. a seguir as áreas com anil e finalmente as áreas com negro. seja separadamente. bem como cópias reduzidas ou ampliadas. Quatro "bips" prolongados. Os tipos mais sofisticados podem dar pequenos recados ou arquivar mensagens. em geral. carregado \s l i m e i //H/J^Í. Os serviços de paging a longa distância são operados por empresas comerciais que transmitem mensagens aos "bipbips" dos seus assinantes a partir de uma sala de comando. é um radiorreceptor em miniatura alimentado por pilhas e sintonizado com uma estação. anil e amarelo . um espe lho que se desloca. 0 "bip-bip" mais simples pode emitir vários sinais diferentes. por exemplo. As mais recentes copiadoras a laser conseguem uma reprodução a cores mais precisa.i pretas O toner projectado sobre O\Jpapel. que que correspondem às é fundido sobre ele por áreas negras do original. sendo-lhes atribuída uma frequência. como é conhecido devido ao som que emite. Os sinais vão alimentar um laser que os transmite como sinais luminosos e constrói a imagem linha a linha sobre um tambor fotocondutor electrificado. 0 sistema é conhecido por radio paging. As modernas fotocopiadoras utilizam a electricidade estática . COMO FUNCIONA UMA FOTOCOPIADORA Original Tambor Tambor Cópia — A luz de uma lâmpada flúores cente ou de halogéneo varre o original por meio de.e do preto. Sensibilizador Luz reflectida. Cada receptor tem um número. Os espaços em branco do original reflectem a luz para o tambor. depois as áreas com magenta. Onqinjl Nas copiadoras antigas. que a converte em sinais eléctricos. A imagem original. e o controlador faz o contacto transmitindo esse número seguido da mensagem desejada. Carlson chamou ao seu processo xerografia. Fotocopiadoras — imprimir sem tinta Até à década de 40.lUINA. podem fa zer cópias de ambos os lados da folha. As áreas pretas do original não reflectem a luz. poderão significar "fale para o escritório". do grego "escrita a seco". pelo que a carga eléctrica é retirada. mas situa se. corno os pontos e traços do alfabeto Morse. varrida três vezes. É este sistema óptico que permite a alteração das dimensões da imagem. seja simultaneamente. um rolo aquecido Toner : Tambor ^fc ff Sensibilizador 231 . deixando assim a carga sobre o tambor.áreasjjrctux uu f%o uivu. em grupo. o toner. Uma rede pequena pode chamar até 100 receptores. As copiadoras electrostáticas actuais descendem de uma máquina inventada em 1938. o original é "varrido" três vezes e exposto sobre o tambor através de três filtros que o separam nas três intensidades diferentes das três cores primárias da luz — vermelho. Com a pressão de uma tecla que comanda um microprocessador electrónico. Os médicos durante as suas visitas num hospital. do original As.IUUÍJ . Estas áreas carregadas atraem um fino pó negro. num sensibilizador de alta voltagem. ou "bip-bip". A maioria das actuais fotocopiadoras utiliza também um tambor rotativo. Numa copiadora a cores. projectando a imagem sobre um tambor ro tativo carregado com electrici dade estática. Podem produzir até 135 cópias a preto e branco por minuto. O tambor está revestido de uma substância que conduz electricidade quando sobre ela incide luz. Como sucede na impressão a cores.tíjuicr fmuvi.sem o emprego de tintas. fazer cópias de um documento ou de um desenho envolvia a fotografia ou a preparação de uma matriz em estêncil destinada a um copiador munido de uma almofada de tinta. podem ser chamados a determinada enfermaria.l . Todos os sistemas têm de ser autorizados. bem como os bombeiros em serviço podem receber um alarme de fogo.

era a única forma possível de o registar por inteiro. transformando a imagem latente em imagem visível. Quando os raios de luz atravessam o vidro.4 Chicago Railmay Company. Existem. ou lamelas. ao atravessarem a lente. dos EUA. utilizou esta câmara para fotografar uni comboio de luxo em IÍMX) . Esta câmara fotográfica linha 4 m de comprimento e registaua fotografias do tamanho de uma porta. e todos esses raios (menos os que incidem no vidro a 90") são desviados. . ajustam os próprios comandos e fazem avançar o filme depois de cada disparo. imprimindo se sobre a pelícuia fotossensível. ou seja do lado oposto à objectiva. afrouxam porque o vidro 6 mais denso que o ar. 0 processamento químico da película completa as reacções físico químicas que se iniciaram quando da incidência dos raios luminosos sobre ela. o da comera obscura: quando pressionamos o disparador. Todas as câmaras fotográficas funcionam segundo o mesmo princípio. A Iconologia eliminou grande parte do ele menlo "incerteza" no momento de fotografar.o pia no de foco. do obturador durante um momento muito breve e a luz passa através da objectiva para o interior da camera obscura até chegar à película. . Os raios luminosos. hoje em dia. invertem-se e produzem uma imagem da cena real que fotografámos.CUMU KUNUUNAY Como a câmara fotográfica regista o instante fugidio Máquina gigante. accionam-se as cortinas. ou refractados. câmaras auto máticas computorizadas que focam por si. que obviamente se encontra na parte posterior da câmara fotográfica. Nas objectivas fotográficas. A impressão sobre papel completa o ciclo que nos permite obter a fotografia 232 A câmara fotográfica A objectiva de vidro é o olho da máquina. as lentes que as constituem têm uma forma tal que raios lurni nosos paralelos reflectidos pelo assunto que fotografámos vão convergir para um plano .

A rapidez da película vem indicada na caixa e no rolo pelo seu valor ISO.*_\_>jvn_/ rui'i\-. minutos ou mais. e o respectivo "ângulo de cobertura" é de cerca de 45°. dando uma imagem nítida. maior a sensibilidade da película. Usam se películas rápidas (de grande sensibilidade à luz) em conjunto com as exposições muito rápidas para se aproveitar ao máximo a pouca quantidade de luz que entra na câmara. e a que passa através de f/U corresponderia a metade da que passaria através de f/S.6 corresponde ao dobro da que passaria através de f/S. pelo que podem ser utilizadas em condições de menor iluminação. a fim de podermos "congelar" o movimento para que a imagem não fique "tremida". Nas objectivas mais usuais. geralmente a escala de números f varia entre f/22. 0 lapso de tempo em que se mantém aberto ehama-se tem po de obturação ou de exposição. Uma abertura maior deixa entrar mais luz na câmara. O diâmetro da abertura é regulado por um anel exterior na objectiva. A câmara tem. Muitas câmaras permitem acoplar objectivas intermutáveis com diferentes distâncias focais ou então objectivas "zoom" com distância focal ajustável pelo fotógrafo (variável). fica situado na própria objectiva logo atrás do diafragma. Nalguns modelos de câmaras. fica entre a objectiva e a película.ivjiirt: Ao prepararmos uma fotografia. Quanto menor for a fenda. Para que uma fotografia não fique nem "clara" nem "escura". 8.11.2 e 1. A distância adequada depende da objectiva utilizada. a luz que passa através de #5. mais rápido o tempo de exposição.8. o objecto que se vê através do visor é registado na película durante o breve momento em que o obturador se abre e deixa passar luz através da objectiva. Em função do diafragma escolhido. O diafragma encontra-se dentro das objectivas e geralmente concêntrico com elas e é constituído por lâminas. A película está revestida por uma emulsão que é quimicamente afectada pela luz. COMO A CAMARÁ UTILIZA A LUZ Quando se faz uma fotografia. forman do uma fenda que expõe a película.que eliminam as distorções inevitavelmente verificadas numa objectiva de lente única. O diafragma possui lâminas sobreponioeis que formam uma abertura de tamanho regulável em íris. conforme se avança ou recua na escala por exemplo. deve mos estar à distância certa do objecto para que os raios luminosos que penetram na nossa câmara se foquem sobre a película. 4. O número f é tanlo maior quanto menor é a abertura. um indicador de distâncias. noutros modelos fica situado junto à película. 5. produzindo uma abertura maior ou menor. As películas "rápidas" são mais sensíveis à luz do que as "lentas". ou telémetro. 2. de segun dos. Os tempos de exposição rápidos são indispensáveis nas fotografias de acção rápida. a película deve sofrer uma exposição adequada à luz. Objectiva Película m Objecto Pequena abertura (do diafragma) Grande abertura (do diafragma) Um obturador comum é constituído por duas "cortinas" que se abrem. A maioria das câmaras manuais possui um regulador de focagem que desloca a objectiva para permitir fotografar objectos a distâncias diferentes. a distância focal da objectiva chamada " n o r m a l " ronda os 50 mm. A exposição adequada é encontrada através do foto metro e controlada em simultâneo pela relação diafragma e obturador. etc. ou seja autofocam-se. que se abre para deixar chegar a luz a película. Cada abertura permite a passagem de metade ou rio dobro da luz Visot do número / anterior. As câmaras modernas têm objectivas compostas — conjuntos de lentes de vidros e formas diferentes . Número de exposições Sensibilidade ^ — da película (norma ISO) Largura da película j ^ A objectiva da máquina faz convergir a luz emitida pelo objecto a fotografar e projecta a sua imagem invertida sobre a película (na parte de trás da câmara). O obturador. Quanto mais alto esse número.4. podemos obter mais ou menos nitidez para lá e para cá do plano que optámos por focar: é o que se chama profundidade de campo. Na câmara comum de 35 mm — que corresponde à largura da película —. em geral. no qual os seus valores são indicados pelos chamados números /.6. Algumas câmaras automáticas focam-se a si próprias. por exemplo de 35 até 70 mm ou de 28 até 150 mm. e pode ir desde as obturações muito rápidas de 1/4000 de segundo até às lentas. 133 .16.

Efeitos do obturador.Os tempos de exposição ou ob luração mais lentos são adequados à fotografia de cenas pouco iluminadas em que não haja movimen lo. em que o obturador pode ser fixado na abertura desejada durante quanto tempo se quiser. 234 . As três secções deste nc gativo foram expostas a f/5. Os faróis dos auto móveis apresentam se como longas fitas brancas. 1/60 e 1/250 de segundo. desde a sobrexposiçào à Subexposiçâo. Por exemplo.6. muntendo-se o obtura dor aberto durante o solto e i/umiriando-o seis vezes com um flash estroboscópico de alta velocidade de reciclagem. As vezes. Resultado final. dando cada vez menos tempo para a luz actuar na película. geralmente superiores ao segundo. VII e í/22. o contrário de tudo o que foi dito também pode ser válido. um saltador à vara foi congelado" em seis posições. No enlanto. mas com um tempo de obturação relativa mente longo. Este negativo foi exposto durante 1/15. transformando-os em "formas Abertura do diafragma. escolhem-se tempos de exposição longos para "tremer" deliberadamente objectos em movi mento. Tempo de exposição. 0 melhor resultado foi obtido com 1/60 de segundo e Vil. Com as aberturas e os tempos de obturarão mostrados ã esquerda. imagine-se a fotografia de um objecto em movimento c o m a câmara a acompanhar o movimento do mesmo. cada posi çâo deixando entrar menos luz. Um tempo efe obturação lento forneceu luz suficiente paru registar a cena nocturna ern cima. À direita. Algumas câmaras têm uma posição B no obturador para exposições prolongadas. obteve se uma fotografia com três exposições diferentes.

-i. Para se obter o melhor resultado. Camadas expostas Camada sensível ao . um objecto azul é registado pela cama da sensível ao azul em linta amarela O negativo é então impresso na câmara escura sobre um papel que con tém camadas fotossensíveis semelhantes. luz a mais PROPRIEDADES DA LUZ QUE DÃO UMA COPIA A CORES A luz solar é composta pelas três cores primárias. A copia. amarelo e ciano. tanto mais escura quanto mais luz tenham recebido. duas a duas. ou seja qualquer cor adicionada à sua oposta produz o branco ou neutro. senão: luz a menos resulta em subexposição sem pormenores. Ao passar I. Juntando aos pares as cores secundárias. que nos dão as combinações correctas de diafragma e obturador possíveis de utilizar em relação à sensibilidade da película e à reflexão lumínica do assunto a fotografar. com as imagens nas cores complementares das reais. Camadas não expostas As camadas não expostas são fixadas e lavadas.-.LUMU KUNUUNA? abstractas". Todas as cores podem obter-se a partir de diferentes misturas daquelas. Ao olharmos para a fotografia. essa sincronização faz-se a 1/60 de segundo. As películas com grão maior (mais sensível à luz) são mais rápidas a reagir e são conhecidas por películas rápidas. A luz "branca" natural contém três cores primarias oer melho. cada camada reage a uma cor primária e forma a imagem em tinta da cor complementar. a tinta amarela bloqueia os raios azuis. amarelo (verde e vermelho) e ciano (verde e azul). 0 papel regista o vermelho e o verde como tintas ciano e magenta. cada uma delas sensível a uma cor pri mária. Quanto maior for o número ISO. As coies emitidas pelo objecto aungem a película. As cores que se opõem chamam se complementares. ou principais: azul. Quando se faz uma fotografia. verde e vermelho (à esquerda). necessitamos de utilizar o flash electrónico. produz a cópia em baixo. mas deixa passar os vermelhos e os verdes.6 deixa entrar o dobro da luz do f/H. ciano mais amarelo dá verde. também com perda de pormenores por a fotografia ficar clara demais. porque a fotografia — ou o diapositivo — fica demasiado escura. A sensibilidade das películas está geralmente indicada nas normas ISO (valor de sensibilidade da International Standards Organisation.suficiente. que no processa mento químico se decompõem. mais sensível a película. As tintas nas camadas expostas recriam as cores originais Tinta amarela . O relâmpago do flash tem de ser sincronizado com a abertura do obturador Na maioria das câmaras. ou Organização Internacional de Normalização). obtêm se novamente as primárias. ou seja a mesma quantidade de luz a chegar à película. voltam a reproduzir-se as cores primárias (à esquerda. " mn"iun ninii"iuii • « HHPUUI resulta numa sobrexposição. o azul e o amarelo são "complementares". como o são o verde e o magenta. ciano mais magenta dá azul.ii Mudança de cores. Quando a luz normal atravessa o objecto azul do negativo.G ficará mais "congelada". devido à pouca luz existente ou à pouca sensibilidade das películas que estamos a usar ou porque pretendemos determinados resultados mesmo com luz ambiente . noutras a 1/125 ou 1/250 e nas câmaras com obturador do tipo "central" qualquer obturação está sincronizada com o flash. por exemplo. KODAK 5095 Composição da luz. em baixo): magenta mais amarelo dá vermelho.I. as películas lentas têm o grão pequeno e necessitam de mais luz para uma mesma exposi ção correcta. tem de se regular a quantidade de luz conforme a indicação do fotómelro. Obtêm-se as mesmas exposições. com diferentes combinações de valores de diafragma e de obturador Por exemplo: como o r75. no entanto a sua profundidade de campo será menor. A película a cores tem três camadas. Algumas câmaras têm o flash incorporado. A maioria das câmaras tem medidores de exposição incorporados. produzem as cores secundárias magenta.através do negativo até ao papel •-••ri cima]. verde e azul. outras ainda permitem o uso do flash separado da câmara por meio de cabo conector. Registo da luz sobre papel I Camada • sensível O negativo. Combinadas duas a duas. As cores primárias. produzem as cores secundárias: magenta (azul e vermelho). Combinando purés de secundárias (em butxo). Como reage e funciona a película A película que regista os raios luminosos é mais uma fita transparente de poliéster ou triacetato coberta por um revestimento fo tossensível de sais de prata ou halogenetos microscópicos numa suspensão gelatinosa A exposição à luz provoca uma reacção latente nos halogenetos. Por vezes. a qual é sensível. em cima. A fotografia feita com 1/250 e /'5.6 à velocidade de 1/250 de segundo é o mesmo que usar f/S a 1/125 de segundo. transformando se em prata. a combinação de ciano e magenta aparece azul. noutras existe uma sapata de aplicação para um flash independente. usar a abertura /?5. as tintas do negativo bloqueiam as cores complementares. os fotóme tros. O negativo a cores.

utili zando-se diferentes lentes. 236 • . Uma objectioa com grande ângulo de cobertura abarca um campo mais alargado do que a percepção do olho humano. mas produz uma imagem aproximada. Uma das utilizações da objectiva grande-angular poderá ser a fotografia de interior em que a objectiva "normal" não CO briria a cena total que pretendemos registar — embora os assuntos fotografados de muito perto apareçam distorcidos. o que cobre uma parte maior da cena. Esta vista do Sunset Bouleuard (à direita) foi feita com uma objectioa tipo grande angular de 24 mm de distância focal. apraximadamen te o da percepção do olho humano. As teleobjectivas podem ter dl versas distâncias focais e ângulos de visão. diferentes porções da mesma cena.Vista ampla. 180 mm 50 mm '2>\ mm Sunset Boulevard. A fotografia do centro representa a mesma cena fei la com uma objectioa de 50 mm de distância focal. com um ângulo de visão de 84". A teleobjectiva tem urn campo de visão mui to estreito (esta cobre apenas 14°). A fo tografia de cima foi feita com uma teleobjectiva com 180 mm de distância focal. O ângulo de visão é de 45". a partir de um único ponto. As grandes-angulares sáo frequen temente usadas na obtenção de efeitos especiais. O ângulo grande faz com que a estátua e os edifícios distantes pareçam mais pequenos do que se estivéssemos a ver a cena à vista desarmada. permitindo-nos incluir. A avenida principal de Hollywood foi fotografada de cerca de 65 m.

focando o sobre papel fotográfico. O disco recebe os ecos do chilreio pro venientes do objecto. O ampliador projecta a imagem negativa sobre o papel. Depois. Entre o revelador e o fixador. Um sensor mede a distância entre as duas imagens. ou "fixada". coloca-se o mesmo num ampliador. Existem em dois tipos diferentes. exposição automática. Após a exposição. mas como as áreas mais escuras do negati vo deixaram passar menos luz. pelo que. parada e fi xada. Se a distância não está correcta. transformando a imagem latente inicial em imagem visível por decomposição e transformação dos sais de prata em prata negra. r Emissor de infravermelhos Obiecto "'' J» ^ Sensor de infravermelhos Fotografia a cores As películas a cores seguem um processo semelhante. a cópia é revelada. é preciso compensar este erro de visão. porque a luz que atravessa a objectiva da câmara é reflectida por um espelho para um pentaprisma até chegar à ocular do visor. conhecido por banho de paragem. nas fotografias a curta distância. A peça tem um relógio incorporado que mostra a data através de um LED (díodo emissor de luz). entre elas a Hassel blad. conforme o seu tipo. quando se acciona o balão disparador. Dois tipos de câmara Duas das câmaras fotográficas mais utilizadas são a compacta e a SLR {single-lens reflex. e expõe o papel à luz. aumenta as reacções químicas iniciadas com a incidência da luz. isto é. Primeiro. o sensor faz com que um motor desloque a objectiva para trás ou para a frente. mas uma câmara dotada de uma peça especial marca automaticamente a data nas fotografias. o espelho sobe. qualquer material fotossensível que se esteja a processar deverá passar por um banbo ácido. a vista do fotógrafo não coincide exactamente com a da objectiva. a auto-exposição e o enrolamento automático da película. Quando se carrega no botão disparador. A transparência (diapositivo. em papel. Os dois tipos de câmara diferem principalmente em dois aspectos. o qual pode ser simultaneamente fotografado na película ou nela impresso por meio de um pequenino flash interno. permitindo que a luz da imagem incida sobre a película. têm de ser removidos os sais de prata não expostos e. Com o visor por reflexão. geralmente designado por fixador. Os modelos mais recentes de SLR têm microprocessadores incorporados que comandam a autofocagem. a maioria das compactas possui apenas uma única objectiva incorporada.por exemplo. O papel retém a imagem da mesma forma que a película. O feixe de raios infravermelhos c reflectido do objec to até à câmara. introduz-se a película num composto. A partir daqui. O obturador é então accionado automaticamente. ou câmara da reflexão por lente única). a compacta tem um visor geralmente independente da objectiva. enquanto na SLR se pode aplicar uma diversidade de objectivas intermutáveis. Câmaras de focagem automática Na fracção de segundo entre o premir do botão do obturador e a sua abertura. e um microcomputador incorporado mede o tempo que cada chilreio demora a ir e voltar. tanto mais negra quanto mais luz tenham recebido. no qual a luz que entra na objectiva é separada em duas imagens. onde um sensor pára o emissor quando o sinal mais forte lhe indica que a lente está focada. Com o visor independente. logo dando maior definição. As máquinas SLR com autofocagem usam um sistema electrónico de detecção de fase. Frequentemente. Para se transfomiar o negativo em cópia positiva da cena original. caixa). o padrão de luz original é agora recriado. para um tempo de exposição escolhido manualmente a abertura do dia fragma "correcta" é feita automaticamente. Antes de a película revelada poder ser manipulada à luz. eon- A DATAÇÃO DA FOTOGRAFIA É fácil esquecermo-nos de quando fizemos determinada fotografia. O pen- taprisma inverte a imagem do espelho e aprosenta-a "direita" no visor. a chamada revelação. Os modelos mais caros podem ter focagem automática. revestido também com haiogenetos de prata. resultam de duas fases: primeiro obtemos um negativo a cores. ficando gravado no negativo ou no slide. A maioria das câmaras compactas tem um pequeno motor eléctrico para accio nar um emissor de radiação infravermelha. A compacta é geralmente mais peque ua que a SLR e é mais "fácil" de manejar. ou slide) dá-nos a imagem directa e positiva para ser projectada num écran ou vista num visor. As câmaras SLR podem ser programadas para exposição automática de diversas formas . calcula a distância ao objecto. lavada e seca. para tal. como o hipossulfito de sódio ou equivalente. que se desloca para a frente ou para Irás quando o leixe explora a posição do alvo. que depois é impresso em papel (v. que se encontram separadas por determinada distância quando a objectiva está lo cada. a câmara automática rnede a distância entre a objectiva e o assunto e regula a objectiva para se obter uma focagem nítida. Em certas câmaras. tem de ser estabilizada. usem rolos 120 . ampliando a para as dimensões por nós desejadas. As do tipo cópias a cores. Feixe reflectido de infraA objectiva vermelhos move-se até se ajustar a focagem Varrimento por infravermelhos. uma objectiva "zoom" e um motor para avançar e rebobinar a película.com 60 mm de largura -. consequente mente. O emissor está ligado à objectiva. não transformados em prata. urn feixe de infruvermelhos reflecte se no objecto e acciona o obturador quan do a objectiva se encontra na posição correcta 237 . o fotómetro tem um indicador no visor que mostra as combina ções de abertura e tempo de exposição que podem ser usadas. Algumas câmaras possuem focagem por ultra-sons — um disco revestido a ouro (o transdutor) emite "chilreios" demasiado altos para serem ouvidos pelo homem com a duração de 1/1000 de segundo cada um. Ambas usam película de 35 mm. o fotógrafo "vê" exactamente a imagem que irá impressionar a película. ao passo que a SLR tem um visor com reflector por espelho que "lê" através da objectiva da máquina. quanto algumas SLRs.Revelação a preto e branco A primeira fase do processamento da película. que precisarão de menor ampliação.

um quadradinho de silício chega a conter 450 000 componentes electrónicos. que produzem circuitos integrados com uma densidade de componentes crescente. Se. mas pior que os condutores Quando puro. com- Rastreio de uma abelha. A maioria dos circuitos integrados são feitos de silício. Esta diferença de potencial atrai os electrões li vres da basep para a poria. Um chip é um cristal per feito de silício. são principalmente usados como interruptores. deixando passar a corrente para representar o binário 1 ou interrompendo-a para o 0. é praticamente um isolador. que depois se soltam. O número e o tipo de portadores (electrões ou buracos) podem ser também alte rados por potenciais eléctricos.é o fruto das técnicas da microelectrónica. a conente não pode passar. p. Como funciona um transístor Os transístores. O fabrico de um "microchip" Os chips são produzidos às centenas de (vida vez sobre uma bolacha (wafer) de cristal de silício artificial ultrapuro e ultraperfeito. como têm carga negativa.desde que se começou a dominar as técnicas de crescimento de cristais puros e perfeitos e da sua dopagem. esta "falta de um electrão". um microchip com um emissor de infravermelhos. Por isso. um semicondutor do tipo o pode passar a isolador ou mesmo a tipo n por aplicação de um sinal eléctrico positivo. Aplica-se a abelhas captura das. chamada "buraco". juntamente com camadas de óxido isolador e pistas de metal. Estes electrões livres transportam a corrente eléctrica. ao silício "dopado" com fósforo chama-se si lício do tipo n (negativo). porla-se cm tudo como um portador com carga positiva. formando uma fina região tipo //. fornecendo uma passagem para a corrente atra vés do circuito em que o interruptor está a operar. com uma espessura de décimos de milímetro.microchip . de forma que os circuitos electrónicos possam trata los. chamadas dopai ites. mas alguns são de arsenieto de gálio. para que se torne um bom condutor. em vez do fósforo. Os diagramas dos circuitos são preparados em computador. Como os dispositivos como os transístores são construídos em camadas sucessivas do chip. Os de interface traduzem os sinais que chegam ao microprocessador do exterior em código binário (v. Como o silício conduz a electricidade 0 silício é um semicondutor conduz electricidade melhor que os isoladores. porque contém muito poucos portadores de carga eléctrica livres. conseguem fazer até 250 milhões de cálculos por segundo. O transístor é "desligado" quando se retira a voltagem da porta. como é que os semicondutores (e nunca os metais) puderam permitir o delicado controle da corrente essencial aos dispositivos electrónicos. os electrões livres das camadas n não conseguem passar através da camada/). 241). "Chips" para tudo Há vários tipos de circuitos integrados. um a menos que os quatro do átomo de silício que substitui. Enquanto o transístor está "desligado". A razão disto é que cada átomo da impureza vai soltar na rede cristalina do silício um electrão livre — se se tratar de uma impureza pentavalente como o fósforo. Electronicamente. que destroem as ubelhas domésticas. portanto. O transístor é "ligado" quando se aplica uma voltagem de um circuito separado de baixa potência a uma porta de alumínio por cima da base/). basta que lhe acrescentemos pequeníssimas quantidades de certas impurezas. faz-se uma máscara 238 . tentando controlar a migração. Os electrões formam então uma ponte entre as duas ilhas /7. 218). Um tipo de transístor utilizado é constituído por duas ilhas de semicondutor n numa base maior do tipo p. estão sob a vigilância de um laboratório americano. Um microprocessador pode ser um computador ou o centro nervoso de um computador maior. os circuitos que constituem um microchip não são espe cialmente complexos — é o seu tamanho minúsculo que permite aos sinais através sarem-nos à velocidade do relâmpago: por isso. No entanto. se incorporar no silício um pouco de boro. Percebe se. Cada um deles está ligado a um cristal de quartzo que vibra a uma frequência precisa. são as áreas de diferente dopagem do cristal. p. os componentes mais vulgares de um circuito integrado. dopante trivalente. Os circuitos integrados de relógio fornecem a cronometria necessária para que todos os circuitos do computador processem os sinais eléctricos na sequência correcta. Esse cristal de silício . Os de memória armazenam informações nos computadores em conjuntos de circuitos idênticos . dos transístores aos microprocessadores . assim.permanente ou tem porariamente.O cristal de silício Do tamanho de um botão cie camisa. cada átomo desta impureza dá à rede cristalina três electrões. Traduzem igualmente os sinais de saída em números ou palavras para o écran do monitor. depois reduzidos à escala do chip e aplicados lado a lado sobre uma chapa de vidro chamada a máscara. Sem a ponte entre as ilhas. que formam os dispositivos electrónicos que fazem funcionar desde os computadores às câmaras de vídeo (v. no qual são introduzidos dopantes dos dois tipos. Cientistas captam as transmissões e estudam os movimentos das abelhas. As "abelhas assassinas" do Brasil. o silício com muitos buracos diz-se do tipo p (positivo).

As máscaras. estas máquinas eram muito maiores e mais lentas. terminando com a sua dissolução nas zonas em que não deve existir.Desenhando um "chip". ou Linguagem Vulgar de Aplicação Comercial) e o FORTRAN (FORmula TRANslation. Os chips são construídos pela formação de cada camada — camadas tipo p ou tipo n ou camadas isoladoras de dióxido de silício . como os contactos de alumínio. As informações são depois introduzidas através do teclado. 0negativo é reduzido fotograficamente e depois impresso sobre o silício. ^ Linhas de memória. Os programas são denominados software (literalmente. utiliza-se um computador Um desenhador altera a imagem no écran por meio de uma "caneta" de luz (em cima) e verifica o plano global num print-out (à direita. usadas nos problemas científicos e mate 239 . está habitualmente contido hum disco magnético que é introduzido na máquina. que tapam as partes não desejadas. ou Código de Instruções Polivalentes para o Principiante). As máscaras para cobertura das áreas não funcionais cm coda camada do chip são feitas com o emprego de um negativo mestre (à direita. o écran e as partes funcionais do computador são designados por hardware ("artigos duros"). mais parecidas com lâmpadas eléctricas. "artigos macios"). Após os ensaios. Outro factor que contribuiu para a rapi dez de operação dos computadores foi a utilização dos números binários (v. que fazem a ligação ao circuito externo. O alumínio é depois sujeito ao processo acima descrito. Todos os circuitos integrados formados em cada chip de uma bolacha são testados. O computador "pensa". que é uma lista de instruções ao computador por cada tarefa a cumprir. são depositadas por condensação de vapor do metal. possuem memórias capazes de armazenar quantidades incríveis de informação e podem ser programados para "pensar". 0 computador canaliza as informações fazendo passar correntes eléctricas por diversos circuitos. Computadores: máquinas com memória Os computadores começaram por ser máquinas de somar. Os chips bons são montados numa base que se encapsula em plástico. ao escolher continuamente entre duas alternativas para chegar a uma decisão logica. 241). As sapatas de contacto sào ligadas a terminais de metal por fios de ouro e os terminais são ligados a pernas de contacto salientes. a bolacha é cortada ao microscópio em chips individuais. ou "raciocina". para cada operação. ou Tradução de Fórmulas). ficando apenas nas regiões onde forma pistas de interligação dos circuitos e nas sapatas de contado nos bordos do chip. Antes do advento do chip de silício. Fazem parte de um circui to integrado de memória capaz de armazenar 256 000 dígitos binários. são feitas em tamanho muito maior que o do chip e reduzidas depois fotograficamente. como o BASIC (Beginner's Ali pur pose Instruction Code . Os programas são escritos em diversas linguagens de computador. O teclado.o dissolução química das partes não desejadas. na década de 70. Embora apenas possa raciocinar dentro dos limites do seu programa. porque os seus interruptores eram milhares de válvulas volumosas. Certas partes. Funcionamento do computador O computador pessoal típico parece um aparelho de televisão com um teclado por baixo do écran. Para desenhar o plano de todos os árcui tos electrónicos. p. Os modernos computadores são do tamanho de uma pequena mala e executam milhões de operações por segundo. com os progressos da ciência. Isto execula-se tratando a camada com um revestimento sensível às radiações ultravioletas e expondo-a aos raios ultravioletas através da máscara. mas actualmente. O programa. Os interruptores electrónicos e condutores que ^JL—ãã aqui se mostram estão ampliados 4000 vezes. em baixo) cerca de 250 vezes maior que o chip. consegue apreciar enormes quantidades de informações com muito mais rapidez que o cérebro humano. o COBOL (Cornmon Business Oriented Language. em cima). i .

O ritmo de trabalho de um bilião de operações por segundo é tal que gera calor suficiente para derreter a má quina. Kxístem actualmente chips que podem armazenar até 1 048 576 dígitos binários {bits. ras de escaninhos. que constitui o armazém do computador e cujo conteúdo não se perde {[liando aquele é desligado. Os supercom putadores com processadores (à direita) podem executar biliões de cálculos com suficiente rapi dez para construir as imagens das condições atmosféricas em alteração que sáo necessárias pura as previsões meteorológicas 240 . A memória apresenta se mais ou menos como um dos velhos armários de separação do correio. Na gíria dos computadores. Os bits (sinais eléctricos) deixam a memória e dirigem-se à unidade de processamento por um sistema de transferência denominado data bus. Supersimulador. Esta imagem codificada a cores no écran de um supercomputador Cray mostra a pressão do ar sobre um vaivém espacial. Por isso. Foi utilizada para cálculo das pressões ã superfície. Cada escaninho da memória RAM é um interruptor de transístor e um capacitador que contém uma carga de sinal único. não podem ser alteradas. contudo. Na memória ROM. esta é regada com um liquido refrigerante enquanto trabalha. a sua capacidade será de 1024-K . tipicamente de S ou 1C. Krn ambas as memórias os escaninhos estão agrupa dos para armazenagem de bytes — unida des de dígitos binários. de binary digits). ou Memória Somen te de Leitura). ambas formadas por micfochips. Um chip de relógio sincroniza todas as operações e um outro chip interface converte os números binários em números ou letras normais para serem lidos no écran. Esta memória é apagada uma vez executado o trabalho e desligado o computador. As informações processadas podem ser impressas em papel. Mais de 200 000 microchips funcionam no processador do supercomputador (em cima). A memória principal armazena temporariamente aquilo que eslá a ser processado e é designada por RAM (Random Access Memory. Possui um comando leitura/escrita que permite ao utilizador não só ler as informações como alterá-las. Os computadores possuem também uma armazenagem de apoio (back-up) Trabalho quente. o chip de memória contém cerca de 450 000 peças electrónicas ligadas por circuitos Ião finos que seriam precisos quase 24 milhões para preencher urna espessura de 1 cm.K significa quilo e repre senta 1024. os escani nhos onde as cargas estão armazenadas são aparelhos semicondutores denomina dos díodos — que permitem a passagem da correme num único sentido. As linguagens consistem em palavras c abreviaturas simples e têm de ser compatíveis com o código do computador em que são utilizadas (página seguinte). que possui uma roda ou uma corrente que imprime os caracte res sobre o papel linha a linha ao ritmo de cerca de 2000 caracteres por minuto. Quando o computador recebe as suas instruções. Kmbora não seja maior que um botão de camisa. com fileiras e íileiAviáo garrido. envia uma mensagem ao escaninho adequado.máticos. A segunda memória é a ROM (Read Only Memory. cm geral por uma impressora linear. As informações da memória ROM. ou Memória de Acesso Não Sequencial). O coração do computador é um chip microprocessador que comanda as operações da memória e a unidade de aritmética e lógica que processa a informação. Levou 20 horas a tratar os dados para o lançamento do vaivém (ao alto). A memória O c o m p u t a d o r tem duas memórias incorporadas. tais como a linguagem da máquina e os programas incor porados.

os quais sâo processados como no primeiro half adder. a porta K e a porta OU. A primeira porta E produz o bit de "uai um". 3 2 8 0 0 4 0 0 1 2 11 10 0 1 1 (2+1) (2+0) (4+1) Dígitos a serem somados Porta E Entram 0. que procede aos cálculos. Os discos duros têm 10 a 30 vezes mais capacidade de armazenagem de informa ção que os outros e respondem cerca de 100 vezes mais rapidamente. 1 + + 1 = 0 . ela é habitualmente contida em discos magnéticos que são introduzidos na máquina. Carregar na tecla "igual". 4.0 sai 0 Entram 0. e o número 110 é como se mostra em baixo. As suas noções essenciais são a de que toda a afirmação ou é verdadeira ou é falsa e a de que. passa pelas portas lógicas E. Duas das portas. e os discos moles (floppy discs). pura serem somados. por exemplo. Por isso. Se queremos a informação contida no fim da fita. Nos números de todos os dias. Km linguagem BASIC. ou as duas são verdadeiras ou uma ou ambas são falsas. que "ligam" para 1 e "desligam" para 0. feitos de metal. São possíveis até 400 000 operações por segundo. mas as informações obtêm-se mais lentamente. as palavras são armazenadas sob a forma de números binários. reguladas por um relógio de cristal de quartzo que c ligado ao mesmo tempo que a calculadora. As teclas dos números enviam impulsos electrónicos a uma parte do chip chamada registo para armazenagem temporária. feitos de plástico. no sistema binário os dígitos 1-1-0 equivalem a 6 (0+2+4). quando duas afirmações se combinam. A fita magnética também pode ser utilizada como grande armazém de dados de computador. e o resultado.1 sai 0 Entram 1. e o compu tador lê o disco ou escreve nele por meio de uma cabeça electromagnética.' QUE SÃO NÚMEROS BINÁRIOS? É natural que o computador conte em conjuntos de dois. como a "mais".1 sai Entram 1. Os números são lidos da direita para a esquerda e baseiam-se nas potências de 2. esta envia um sinal aos circuitos de comando noutra parte do chip. e assim por diante. uma vez que tem de decidir entre sim e não para cada passo dos seus processamentos. 16. 1 =5 241 . Como os programas. mas são de preço mais elevado. 2. OU e NÃO com destino a uma porta E. tsta envia os números através dos seus circuitos por meio de interruptores. •\ Em qualquer soma binária há quatro resultados possíveis: 0 + 0 = 0 (e vai nada) 0 + 1 = 1 1 + 0 = 1 (e vai nada) (e vai nada) 100 1 100 1001111 1000001 1000 100 1 + 1 = 0 (e vai 1) Resultadc para infonnações extras. é transportado para a terceira coluna. designados por portas lógicas. a palavra LOAD ("carregue" ou "armazene") poderia ser processada assim: BASIC L 0 A D Número binário (51 0 H H^ Bit de "vai u m " NÃO H 7 ^z. Partindo da direita. O segundo half adder recebe o bit de "uai um" e o resultado do primeiro half adder.LUIVIU rUIN^IUINA. 1 0 3+ 2 Segundos -.1 sai Porta N Ã O Entra 1 sai 0 Entra 0 sai 1 No computador. As informações codificam-sc segundo um padrão magnético. temos de a percorrer toda desde o principio.0 sai 0 Entram 0. para a resposta. porque representa 2 + 2 em números de todos os dias. O número 110. O sistema binário usa apenas dois dígitos — o 0 e o 1. na coluna dois da soma acima. os dígitos de 0 a 9 são lidos da esquerda para a direita e baseiam-se nas potências de 10. COMO AS PORTAS IOGICAS SOMAM 3 COM 2 o Somar 3 mais 2 em números binários pode demonstrar-se no papel como segue: Valor do digito Número binário Número binário Resultado etc. 8. Cada par de dígitos. Há dois tipos de discos — os discos du ros (hard disc).1 sai 1 Porta OU Entram 0. half adders e portas OU adicionais «Fuli adders». Quando se pressiona uma tecla de função. Estas portas funcionam de acordo com a álgebra de Boole. faz com que os circuitos de comando enviem os sinais que representam os nume ros a unidade aritmética e lógica. criada pelo inglês Georges Boole na década de 1840. Quando se carrega numa tecla marcada com um dos dígitos entre 0 e 9. "Half adder". os circuitos convertem-no automaticamente em números binários. Número decimal 110 em sistema binário Valores binários 128 64 | 32 | 16 | 8 | 4 | 2 | 1 | Dígitos binários | 0 I 1 | 1 Cálculo 64 + 32 + 0 + 8 + 4 + 2 + 0 = 110 0 Como as calculadoras fazem somas As espantosas capacidades da calculadora dependem de um chip de silício c o m 6 mm de lado capaz de processar cerca de meio milhão de sinais electrónicos que representam os números envolvidos nos cálculos. 4. São constituídos por dois half adders e uma porta OU adicional que transpor ta os dígitos para a coluna seguinte. A calculadora utiliza três tipos funda mentais de porta lógica para avaliar cada passo dos seus cálculos como I ou como 0 equivalente ao "verdadeiro" ou "falso". é a soma de uma centena mais uma dezena mais zero unidades. cada dígito dobra de valor: 1. Por isso.

COMO FUNCIONA?

recebem cada uma dois dígitos e transmitem um. A porta F. só deixa passar 1 se receber dois uns, a porta OU deixa passar 1 se houver um I no par recebido. A terceira, a porta NÂO, só recebe um dígito, que faz passar invertido. Estas três portas em conjunto são capa zes de fazer somas, que são a base de todos os cálculos — a subtracção é uma soma negativa, a multiplicação é uma soma repelida e a divisão é uma subtracção repetida. As portas lógicas estão em unidades chamadas half udders, ligadas em Conjunto para formar full udders. Processando os sinais através destas adders, a calculadora é capaz das mais complicadas somas.

Como os bancos guardam o dinheiro em segurança
A vida está cada vez mais dura para os arrombadores, pois os cofres modernos estão preparados para resislir-lhes. O corpo do cofre é formado por uma "sanduíche" resistente com espessuras até 12 cm, constituída por chapas de duro aço liga soldadas entre si, com um enchimento de materiais cerâmicos ou betão especial. Pode ainda haver camadas de material resistente ao fogo ligadas à parte interior das chapas de aço, e o enchimento pode ser reforçado com rede de arame de aço ao carbono. Contém ainda, por vezes, blocos de um material cerâmico muito duro destinado a embolar as brocas. A porta do cofre não é apenas fechada à chave, mas possui fortes ferrolhos de aço que penetram nos quatro lados da moldura da porta. Esles ferrolhos são corridos por meio de urn manipulo que só funciona quando a porta não está fechada à chave. Alguns cofres estão ainda equipados com um mecanismo que desliga os ferroIhos do manipulo assim que a porta é fechada à chave. Muitos cofres têm um dispositivo antiex plosivos. Se alguém tenta abri-los por meio de explosão, esse dispositivo dispara imediatamente um mecanismo que bloqueia os ferrolhos por forma que não possam ser retirados. Há dois tipos de dispositivos: um tem de ser armado de cada vez que a porta é fechada; o outro não — só funciona por explosão ou calor. Com chave e fechadura Os cofres são geralmente fechados com fechaduras de segredo porque as chaves são fáceis de duplicar e as fechaduras de chave são mais fáceis de abrir com gazua. Além disso, os buracos de fechadura são bons sítios para colocar explosivos. Alguns cofres têm fechaduras de chave e de segredo. A maioria tem um segredo de quatro rodas com 100 números em cada roda. A marcação dos números correctos no con junto das rodas faz alinhar reentrâncias que permitem que o ferrolho corra na fechadura. O número do segredo pode ser mudado à vontade e escolhido entre os 100 milhões de comhinações possíveis. As casas-fortes dos bancos possuem ge ralmenle fechaduras de segredo com um sistema de abertura programada: nem mesmo a combinação certa abre a port a — a não ser às horas marcadas na fechadura de relógio.

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— De seixos a "chips" —
ábaco, provavelmente aparecido na China há milhares de anos, foi a primeira calculadora. A contagem é feita pela movimentação de contas ao longo de uma armação de arame. 0 nome deriva de abax, que significa "laje" em grego, provavelmente porque contar se fazia em tempos com seixos colocados em concavidades sobre uma laje ou no chão. A régua de cálculo, inventada por volta de 1620 pelo matemático inglês William Oughtred, utiliza os logaritmos que tinham sido inventados por John Napier anteriormente, mas já no século xvii. O francês Blaise Pascal patenteou a primeira calculadora mecânica em 1647, quando tinha apenas 24 anos. Tinha um sistema de engrenagens de rodas dentadas. Ootlfried l.eibniz, alemão, aperfeiçoou esta máquina em 1673. A mais perfeita máquina de calcular seria o engenho analítico de Charles Babbage, projectado na década de 1830, mas nunca construído. A sua máquina poderia, teoricamente, executar qualquer tipo de cálculo matemático, e, em 1843, Lady Ada Lovelace publicou programas para a sua utilização. Seria a precursora dos computadores actuais. Fazendo as contas. Esta gravura do século m mostro um cambista utilizando um ábaco

0

Missáo quase impossível. Esta pesada porta de aço inoxidáoel guarda importantes valores. Os ferrolhos que correm para o interior da moldura da porta são perfeitamente visíveis. A grade por detrás da porta destina -se a proteger o pessoal que trabalha na casa-forte quando a porta está aberta.

Como os cartões de plástico dão dinheiro e crédito
Quando se introduz o cartão de plástico numa caixa automática, um dispositivo de pesquisa — uma cabeça electromagnética de gravação e apagamento - verifica a tarja castanho-escura da parte de trás do cartão. Esta tarja é uma fita magnética semelhante à utilizada nos gravadores de som e contém três pistas que podem armazenar até 226 leiras ou algarismos. Uma pista tem o número da conta, outra o limite de crédito e a terceira verifica se o PIN (personal Identification number), o código pessoal secreto, está certo. Quando se marca nas teclas o código pessoal correcto, a máquina, que está ligada ao computador do banco, verifica se o limite de crédito não foi excedido, se a con ta tem provisão e se não há indicações de o cartão ler sido perdido ou roubado. Se tudo estiver em ordem, subtrai ao saldo existente o montante pedido e inscreve o novo saldo antes de entregar o dinheiro. Os cartões "credifone" trabalham de for-

dobrável.

C U M U rum.iuiNttí

ma quase idêntica —um scanner no telefo ne analisa as pistas do cartão para verificar se este possui unidades por utilizar. Quando se faz uma chamada, são apagadas unidades na quantidade correspondente. Transferência electrónica de fundos Os cartões de crédito modernos têm o nome do utente, o número da conta e o prazo de validade. Quando o cartão c passado na máquina do vendedor, esta transmite os respectivos elementos ao computador da instituição do cartão de crédito, que demora cerca de 15 segundos a verifi car se não houve queixa de perda ou roubo do cartão e se o limite de crédito foi respei lado. Se tudo estiver em ordem, o computador autoriza a transacção e a máquina apresenta um recibo para ser assinado pelo utente. Este processamento por meio de car toes de crédito é designado por EftPos {electronk funds transfer ai poirtí of sale, ou seja transferência electrónica de fundos no local da venda). Estes sistemas aceitam também cartões de débito — cartões bancários que podem ser utilizados em pagamentos cm vez de cheques e que debitam instantaneamente a conta bancária do utente. Antes de existir a transferência elec Irónica, os elementos dos cartões de crédito tinham de ser verificados por telefone sempre que as compras excedessem certo limite. 0 sistema da transferência electrónica diminui o número de fraudes com cartões de crédito, pois o computador pode

cancelar futuras transacções imediata mente após o anúncio da perda de um cartão, e não aceita um cartão falsificado. No entanto. OS cartões de tarja magnética estão a ceder o lugar aos chamados cartões "inteligentes" (smart cards). Estes cartões incorporam cérebros electrónicos miniaturizados. Foram inventados em 1974 por um francês. Rolaiid Mo remo. O cérebro do cartão inteligente é um minúsculo chip de silício ullrafino (v. p. 238) que contém um registo do limite de crédito do utente e pormenores sobre transacções anteriores. Quando se faz um pagamento com o cartão, o retalhista fá-lo passar por um ler minai existente no balcão e o cérebro do cartão procede às suas próprias verifica ções — não precisa de se servir do computador da empresa emissora do cartão. O terminal do balcão tem registos dos car toes perdidos e roubados; por isso, se um cartão dessa lista é introduzido como pagamento, a transacção é automaticamente cancelada e o cartão inutilizado para que não possa servir novamente. O terminal do balcão transmite ao computador da empresa informações sobre a transacção. Embora estes cartões contenham todos os elementos sobre as transacções do titular, este não tem forma de os consultar, excepto numa máquina especial. O cartão supersmart ultrapassa esta dificuldade — ele tem um pequeno visor e um teclado no qual o utente pode verificar as transacções e o saldo da sua conta.

Como as caixas dos supermercados lêem os códigos de barras
Todo o lojista tem de saber quais OS artigos que estão a vender-se bem o quais os que saem com lentidão para poder gerir as suas existências. Nas lojas pequenas, urna contabilidade cuidada e um olhar às prateleiras podem chegar para colher todas as informações necessárias. Mas os supermercados e outras grandes lojas precisam de registos rápidos e seguros de um fluxo de mercadorias muito maior. É por isso que utilizam os códigos de barras que se encontram impressos nas embalagens. O código de barras é lido por um scanner de laser, que o transmite a um computador. Este fornece os pormenores e o preço dos artigos, apura o total das contas e envia estas informações à caixa registadora, que imprime um recibo. O computador regista ainda a venda para efeito de gestão de stocks. Os códigos de barras mais vulgares são o EAN (Kuropcan Article Numbers, ou seja números de artigos europeus), baseado num número com 13 algarismos, e o UPC (Universal Product Code, ou Código Universal de Produtos), baseado num número de 12 algarismos. Cada algarismo é representado por uma série de segmentos de recta paralelos e de espaços brancos. O scanner de laser traduz a informação em sinais dígitos binários (p. 241), que introduz no computador. O código dá ao fabricante pormenores sobre o produto e o tamanho da embalagem e inclui um código de segurança que evita que alguém o altere ou que o scanner o leia erradamente. O computador dá o preço a partir da tabela respectiva, pelo que a única maneira de alterar o preço de um artigo é alterá-lo no computador. O laser lê o código de barras por meio de um feixe de luz que o varre de um lado ao outro. É sensível para ler da esquerda para a direita ou vice-versa. Embora os códigos de barras sejam geralmente impressos em preto sobre fundo branco, este pode ser de qualquer cor clara ou pastel, e o laser pode ler um código impresso em qualquer cor escura menos o vermelho. O sistema de códigos de barras é mais rápido e seguro do que os outros. O erro humano é limitado porque o pessoal não tem de marcar o preço em cada artigo, e os caixas não têm de os marcar nos seus teclados. 243

CARTÕES COM REGISTOS DA NOSSA SAÚDE - E DO QUE SE QUISER a ser usado ainda na presente década. A era do cartão de crédito alvoreceu em 1950 com a introdução do cartão do DiExistem ainda os cartões laser, crianers Club pelo empresário americano dos na Califórnia, EUA. Não são tão "inPrank McNamara. A ideia surgiu-lhe ao teligentes" (smart) como os cartões descobrir, depois de jantar num restausmart, mas podem conter muito maior rante de Nova Iorque, que tinha perdido quantidade de informações pessoais a carteira. O cartão do Diners Club não é sob a fonna de minúsculos furos - com estritamente um cartão de crédito, poro diâmetro de apenas um milésimo de que o total da conta tem de ser pago milímetro —sobre uma tarja fotossensíquando se recebe a factura — grande vel. Os furos, como as concavidades e os parte dos outros cartões permitem que planos de um disco compacto, podem o utente mantenha um saldo devedor. ser lidos por um scanner de laser num terminal especial. Hoje em dia, há milhares de milhões O cartão pode arquivar pormenores de cartões de crédito em uso no Mundo. de identificação codificados, incluindo No fim da década de 80, certas autoriimpressões digitais, assinatura, impresdades médicas da Europa, dos EUA e do são vocal e mesmo uma fotografia, além Japão começaram a experimentar a utide diversos códigos de segurança secrelização de cartões de identidade méditos que o tomam praticamente impossí cos - cartões smart (inteligentes) convel de falsificar. O seu espaço de armazetendo a história clínica do titular. Estes nagem de informações é tão vasto que cartões poupam tempo e burocracia, sobra ainda muito para contas bancápois podem ser consultados pelos médirias, história clínica e habilitações literácos e pelos farmacêuticos nos terminais rias. As informações são arquivadas no de computador actualizados de cada cartão sob códigos de acesso separa vez que o paciente é examinado. Os prodos, de modo que o banco, por exemgramas de ensaio europeus têm como plo, só pode ler dados financeiros, e o objectivo um cartão smart normalizado médico, dados clínicos. dentro da CEE, para assistência e saúde,

Como funciona o relógio de quartzo
Um cristal de quartzo vibra a uma frequência inalterável quando é atravessado por uma corrente eléctrica. Os cristais de quartzo artificiais utilizados nos relógios são fabricados para vibrar 32 768 vezes por segundo ao serem excitados pela corrente de uma pilha. Estas vibrações produzem impulsos eléctricos cujo ritmo à medida que eles percorrem os circuitos electrónicos do microchip é sucessivamente reduzido a metade ao longo do uma série de 15 passos, terminando no ritmo de um impulso por segundo. Cada impulso de um segundo provoca no chip o envio de sinais ao mostrador digital para que avance os números lambem um segundo. Muitos relógios de quartzo mostram as horas em dígitos num mostrador de cristal líquido. Este está contido entre duas placas cie vidro, uma camada inferior reflectora e uma camada superior de vidro polariza dor, e dividido em segmentos por condutores eléctricos transparentes. Cada algarismo é constituído por segmentos — em geral sete, sendo os sete utilizados na formarão do número 8. Os cristais líquidos dispõem as suas moléculas conforme o estado eléctrico em que se encontram. Nos condutores cm que não há carga, a luz que incide no mostrador é novamente reflectida para o exterior - o mostrador fica TUDO POR MEIO DE CRISTAIS em claro. Quando os condutores estão carregados devido ao impulso eléctrico, as moléculas dos segmentos afectados realinham-se, fa zendo com que os segmentos apareçam escuros. 0 cristal de quartzo afará por acçõú de urna corrente eléctrica fornecida por uma pilha. Um microchip converte as vibrações em impulsos de um segundo que fazem avançar a hora num mostrador de cristal líquido.

QUANTO DURA UM SEGUNDO? Desde 19(>7 que a definição internacional normalizada de um segundo, estalxileci da pelo Sistema Internacional de Unidades (Sistema SI), se baseia na frequência da radiação de um átomo de césio - ou seja 9 192 631 770 Hz (ciclos por segun do). Esta frequência é medida por um relógio de césio que regula um relógio de quartzo. Os relógios atómicos-padrão de cada país são aferidos e sincronizados através do Departamento Internacional do Tempo, de Paris.

Circuito electrónico de redução do ritmo - Pilha

Relógios atómicos — a perfeição
Segundo parece, nenhum relógio conse gue ser o cronometro perfeito. Os melhores relógios mecânicos adiantam se ou atrasam-sc cerca de quatro segundos por ano, c até os modernos relógios de quartzo não conseguem margem de erro inferior a um segundo em 10 anos. Mas ealcula-se que um relógio atómico seja exacto até um segundo em pelo menos 1000 anos. Qualquer relógio mede o tempo contando as vibrações regulares de alguma coisa. Os primeiros utilizavam o movimen lo de um pêndulo, e os relógios de pulso ou de bolso, a oscilação de uma roda de balanço. Os relógios de quart/.o tem cristais que vibram â frequência da ordem de 11)0 000 ciclos por segundo quando se lhes aplica uma corrente eléctrica. Os relógios atómicos registam o tempo pelas vibrações dos seus átomos - mais de 9000 milhões de vibrações por segundo nos de tipo mais utilizado, os de átomo de césio. E. contrariamente aos relógios mecânicos, que são afectados por factores como a temperatura e o atrito, os relógios atómicos são praticamente "imunes" às condições externas. Não possuem qualquer espécie de mostrador em que possa mos ver as horas a sua função é regular relógios de quartzo, mai lendo-os altamente precisos. A parte principal de um relógio de césio é um tubo de vácuo com um pequeno forno eléctrico numa extremidade, no qual uma porção de césio é fundida c transformada em vapor. 0 césio é um metal hranco-pra teado semelhante ao sódio, com um ponto de fusão de 28,5"C, baixíssi mo se comparado com os I535°C do ferro. Peça de museu. O relógio atómico de césio usado no Observatório de Greenwich até 1962 era exacto a menos de um segundo em .'iOO anos. Hoje. encontra•se no Museu da Ciência, em Londres.

Como todos os átomos, o do césio é constituído por um núcleo e por electrões que formam uma nuvem cm tomo daquele. Estes electrões podem absorver energia electromagnética, ficando num estado excitado, ou de alta energia; ao desexcitarem-se, radiam este excesso de energia sob a forma de uma onda electromagnética com uma frequência absolutamente constante. O césio vaporizado é submetido a um campo electromagnético no interior de um ressoador, originando vibrações com unia frequência precisa de 9 192 631 770 Hz (ciclos por segundo), exactamente a frequência a que os átomos mudam o seu estado de energia. O relógio de quartzo é utilizado para manter o ressoador vibrando a esta frequência, sendo a frequência normal do seu quartzo, de 100 000 Hz, multiplicada electronicamente. Desde que 0 relógio de quartzo esteja exacto, os átomos de césio ressoam todos uniformemente. São focados sobre um sensor que detecta qualquer alteração da respectiva concentração de energia. Se houver uma alteração, este sensor envia ao relógio de quartzo, através do circuito, um sinal de "erro". Com este feedback, o reló gio de quartzo é ajustado electronicamente para corrigir as vibrações do ressoador.

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UUMU KUNUUNA?

Para que se utilizam os relógios atómicos Os relógios atómicos são utilizados para acertar outros relógios e para investigações cientificas em observatórios e labora tórios espaciais e também nos aviões de alta velocidade para sincronização com os sinais de navegação de radiofrequência.

Nos relógios atómicos podem empregar se outras substâncias além do césio. No primeiro relógio atómico, construído em 1947 no National Bureau of Standards, EUA, do Washington, DC, foi utilizado o amoníaco. Os relógios atómicos mais precisos usam actualmente o hidrogénio, cuja fre-

quência de radiação é superior a 1420 mi lhares de milhões de hertz. Diz-se que a sua margem de erro é de cerca de um se gunrio em 2 milhões de anos. F. os cientistas americanos têm em estudo um relógio atómico de mercúrio cuja margem de erro será, assim o esperam, inferior a um segundo em 10 000 milhões de anos!

O microscópio utilizado na exploração do espaço interior
0 microscópio vulgar, ou microscópio ópservação de células cancetico, amplia graças à refracção dos raios rosas e fibras de vestuário. luminosos por meio de lentes. Mas o miDada a sua grande profundicroscópio óptico não consegue distinguir dade de campo, este micros pormenores distanciados menos de metacopio consegue "observar" de rio comprimento da onda da luz — isto em três dimensões. é, cerca de 0,00 025 mm. Os melhores miUm feixe de electrões não croscópios ópticos não ampliam mais de é visível aos olhos humanos, 2500 vezes, o que é insuficiente para determas a imagem é projectaria minados estudos científicos. sobre um visor fluorescente, semelhante a um écran de O microscópio electrónico pode amtelevisão, que brilha nos pliar um objecto até 1 milhão de vezes, perpontos em que é atingido mitindo aos cientistas estudar as próprias pelos electrões. A imagem moléculas que constituem o Universo. produzida pode ser registaFunciona pela emissão de um feixe de da em película fotográfica. electrões a partir de um canhão de electrões. Os electrões são acelerados através de um potente Vendo o invisível. Os espécimes observacampo eléctrico (vários mi dos pelo microscópio electrónico podem Ihões de volts nos microscóser fotografados quando aparecem no vipios mais aperfeiçoados) e fosor. Os dois espécimes aqui apresentados cados num feixe por meio de foram codificados por meio de cores falsas enrolamentos magnéticos, para facilitar a sua observação. Um gorgudenominados lentes magnélho emergindo de um grão de trigo (à direi ticas. O feixe tem de viajar ta) é visto através de um microscópio elecatravés do vácuo, pois as motrónico com uma ampliação de cerca de 32 léculas do ar provocar lhevezes. Uma pequena porção da bainha de iam interferências. um nervo humano (em baixo) foi observada através de um microscópio electrónico Há dois tipos de microscóde transmissão e tem uma ampliação de pio e l e c t r ó n i c o . O T E M 250 000 vezes. (iransmission elecíron microscope, ou microscópio electrónico de transmissão) transmite o feixe através de uma delgada lâmina rio material em estudo. Este tipo, usado em trabalhos como a observação de cortes de células ou tecidos, pode ampliar até 1 milhão de vezes. No SEM (scanning elecíron microscope, ou microscópio electrónico de varrimento), o feixe de electrões varre, isto é, percorre toda a superfície do objecto em observação ponto por ponto. A imagem é construída ponto por ponto, mais clara ou mais escura conforme mais ou menos electrões são reflecti rios. Pode ampliar até cerca de 200 000 vezes, e entre as suas utilizações figuram a ob-

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^UIVIVJ r U I N V I W I N / V '

Como funcionam os cérebros electrónicos dos robôs?
A noção mais corrente de robô é a de u m a máquina que age c o m o um ser h u m a n o e se parece c o m ele. Mas os robôs actuais quase nada têm de h u m a n o . Os robôs que m a n i p u l a m pistolas de soldar nas linhas de produção das fábricas de automóveis assemelham-se a guindas tes. Os robôs portáteis usados pelos pique tes de d e s a r m a d i l h a g e m de b o m b a s no Exército parecem carros de m ã o sobre carris. E um robô portátil utilizado nas escolas para e n s i n a r p r o g r a m a ç ã o d e c o m p u tadores a crianças já foi c o m p a r a d o p o r algumas a um e n o r m e rebuçado. Os robôs, contudo, assemelham-sc realmente a seres h u m a n o s na versatilidade das funções que d e s e m p e n h a m . Em vez d e repetirem c o n t i n u a m e n t e u m a ú n i c a acção, c o m o as máquinas automáticas, os robôs p o d e m executar u m a série de acções diferentes. Os seus m o v i m e n t o s são controlados hidraulicamente ou p n e u m a ticamente (por pressão de ó l e o ou de ar) ou por um motor eléctrico. O seu cérebro c u m pequeno c o m p u t a d o r que c o m a n d a os seus movimentos. A memória do c o m p u t a d o r c o n t é m instruções para o d e s e m p e n h o de u m a tarefa - pegar em chocolates de um recipiente e colocá-los no sítio certo de u m a caixa, por e x e m p l o . Alterando o programa, é possível fazer c o m que o robô altere essa tarefa ou desempenhe outra diferente dentro dos limites para que foi concebido. A maioria dos robôs consiste n u m braço que pode movimentar-se em várias direcções e n u m a m ã o