MARAVILHAS DA CIÊNCIA

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ÍNDICE
A pequena esfera de aço de uma esferográfica, a descolagem de um Jumbo, a identificação das impressões digitais de um criminoso, a construção de uma torre com mais de 500 m de altura, a habilidade de tirar um coelho do chapéu. Estas são algumas das maravilhas e curiosidades que esta obra lhe revela. Esperamos, porém, que ao folhear este livro encontre muitos outros assuntos que lhe despertem o seu interesse e a sua admiração.

Fecho de correr

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Um serviço mundial de mensageiros

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MILAGRES DO DIA-A-DIA
Pp. 9-30
Desenhos em néon Iluminação controlada pelo Sol A resistência das lâmpadas As pilhas Como se "mete" o bico num lápis Esferográfica Supercolas Os post-it Pondo perfume num papel Fotografias em pontinhos As máquinas de moedas Vclcro 10 11

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Parar um elevador em queda Testes de cheiro no gás natural As fibras dos saquinhos de chá Fósforos aos milhões C o m o adere a película aderente? Panelas antieslurro C o m o cozinham as microondas C o m o os frigoríficos "fazem frio" Panelas de pressão Eliminando o calcário das panelas "Girinos" na máquina de lavar Pasta de dentes - de giz e algas 0 fio das lâminas de barbear Aço inoxidável

O controle do tráfego citadino

GRANDES PROEZAS DE ORGANIZAÇÃO
Pp. 31-72
Multidões nos aeroportos
Evitando colisões aéreas A selecção d o s controladores aéreos A caça aos terroristas Refeições a bordo de um Jumbo 0 m u n d o da Bolsa Dinheiro para queimar C o m o se constrói um automóvel A previsão meteorológica Abastecimento de água a uma cidade Tratamento de lixos Combate a incêndios na floresta O problema do trânsito Um dia nos cuidados intensivos Fotografias aéreas para mapas Uma carta atravessa o Mundo

Notícias de todo o Mundo Elaboração de um dicionário Abastecimento de um exército em guerra l ni dia n u m hotel de luxo Um dia n u m transatlântico Como se organizam as Olimpíadas Como se faz um filme Pôr em cena u m a comédia musical Equipas de socorro de montanha

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TÉCNICAS DE LOGRO E DETECÇÃO
Pp. 73-100
0 avião "invisível" Camuflagem Scramblers Códigos e cifras () m u n d o das "toupeiras" Dispositivos de escuta Tintas invisíveis 74 76 77 78 79 80 81

Pormenor do vekro
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As drogas da verdade Fotografias que mentem Detectores de mentiras A busca das causas de um incêndio Descobrindo pinturas ocultas

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Seda: fabricada por borboletas Vestuário de fibras sintéticas Tecidos com padrões Produção de vestuário cm massa

Defesa contra torpedos e mísseis Como guiar mísseis até ao alvo Como um soldado vê na escuridão Porque vai uma bala a direito Construindo armas nucleares Raios de laser no espaço Extinguir um incêndio nuclear Velejar contra o vento O restauro de uma obra de arte A pintura da Capela Sistina

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A EXPLORAÇÃO DO UNIVERSO
Pp. 165-186
A força que impele o foguete Dos fios de algodão ao tecido Como se obtém água doce do mar Transformar lixo em energia A reciclagem do lixo Electricidade a partir do urânio Armazenagem de resíduos nucleares Electricidade a partir das marés Electricidade a partir do vento Rochas quentes: fonte de energia A origem das chuvas ácidas Captando a luz do Sol Fotografias de alta velocidade Captar em filme a Natureza Plástico que se autodestrói A "revolução do plástico" Como se extrai petróleo Prospecção de petróleo Limpar derrames de petróleo Fogo num poço de petróleo Como se mede uma montanha Tesouros no fundo do mar O escafandro autónomo Reparação dos cabos submarinos Diamantes sintéticos Como se cortam diamantes O corte do diamante Cullinan A técnica dos vedores Como se faz chover Construindo os aviões do futuro Aeroplanos accionados pelo homem Aterragem em porta aviões lançamento de aviões de um navio Tácticas dos pilotos de caça "Ver" com o radar 167

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117 118 119 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 138 138 140 141 142 143 144 146 146 146 149 150 151 151 154 W"'V' ÍM

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Fotografias ' men t irosas' Impressões digitais A "dacliloscopia" genética Como se produz um retrato-robô Análise ria caligrafia Detecção de droga Desmascarando traficantes A investigação de desastres aéreos 92 94 95 95 97 98 99

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Deslocação no espaço Navegação no espaço Refeições numa nave espacial ("orno os satélites giram em órbita O controle das sondas espaciais Fotografias por satélite Receber fotografias de satélites Einstein e a relatividade Medindo o Universo Os espelhos dos telescópios Como se contam as estrelas? Como acabará o Universo? Em busca dos limites do Universo "Vendo" o invisível buraco negro A serpente que voltou do espaço Descobrindo planetas Em busca de vida no espaço 168 169 170 172 174 175 176 178 180 182 183 183 183 184 185 186

IDEIAS PRATICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS
Pp. 101-164
Como se obtêm os melais puros Como se transforma areia em vidro Das árvores ao papel Converter plantas em gasolina Conversão de carvão em petróleo Captando a fragrância das flores Tecido feito de fibras naturais 102 104 106 108 108 108 110

ÍNDICE
MARAVILHAS DA CIÊNCIA
Pp. 187-210
Clones de plantas e animais Os segredos das células Criação de novas espécies Como se iriam novos medicamentos Comunicar c o m .munais Os mamutes voltarão a existir' Reconstituir seres pre-historieos Km In isca da máquina pensadora Como é que um computador traduz? Computadores que falam Como se cindem os átomos? Explorando o interior do átomo Ver os átomos Medindo a velocidade da luz Medindo a velocidade do som Chuck Yeager e a barreira do som A previsão de sismos Perfurando a crusta terrestre A deriva dos continentes 188 189 190 191 192 193 194 196 196 197 198 199 200 201 201 202 201 206 207 O vídeo Gravação em fila O gira discos .Sons de duas direcções Edison e a lu/ eléctrica CDs: música com um raio de laser Os sintetizadores Fibras ópticas Hologramas Fax fotocópias pelo telefone O "bip" que nos chama Fotocopiadoras A câmara fotográfica «'•'miaras de focagem automática 0 cristal de silício 220 221 222 223 224 226 227 228 229 230 231 231 232 237 238

MARAVILHAS DA MEDICINA
Pp. 275-298
A criação de um bebé-proveta O exame oftalmológico 276 277

Quando a cida auneçu numa panela Como os óculos aguçam a vista Como se fazem lentes de contacto Corno lêem os cegos Como se mede a inteligência o que e ,i memória? O que e a hipnose? Como se treinam os atletas "Vendo"' o interior do corpo Antibióticos A microcirurgia Marie Curie e o rádio Operar com um feixe de luz Como a anestesia elimina a dor Para que ser\e o pacemaker A cirurgia de transplante Eliminar as rugas da face O primeiro transplante cardíaco Como trabalha um rim artificial? Como se reduz, a calvície Sobreviver a um raio 27,s 278 280 281 282 2.82 283 287 288 289 290 292 292 293 291 295 296 298 298 298

As utilizações de um micmchip Os computadores Como as calculadoras fazem somas Os cofres dos bancos Dinheiro de plástico O código de barras Relógios de quartzo Relógios atómicos - a perfeição O microscópio electrónico Os robôs O motor de um automóvel Travões antibloqueio O cinto de segurança Porque se usam pneus lisos Testes de alcoolemia Como funciona um aerossol Os herbicidas selectivos Os pesticidas selectivos Metais com memoria Relógio de fumo Alarmes contra ladrões A máquina de costura Porque flutuam os navios de aço Submerso durante semanas Como se navega uni submarino Cabinas pressurizadas George Stephenson e os comboios A descolagem de um Jumbo o helicóptero o hydrofoil: 'Voando" na água o hot ercrafi 239 211 2-12 212 2 13 211 211 2 IS 246 248 2S0 230 251 2S1 251 252 253 254 254 254 255 256 257 259 259 260 262 268 272 271

Dndc <>s ctuUttwntes se separam A idade da Terra O centro da Terra 209 210

CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO
Pp. 299-316
Construir um arranha céus A mais alta construção do Mundo Como o cimento faz presa na tigiia Betão (ire esforçado A demolição de um arranha-céus Demolindo uma central nuclear Cabos que poderiam atar o Mundo 300 .502 .303 303 301 305 306

COMO FUNCIONA?
Pp. 211-274
(i teletl me A radio A televisão
Controle remoto

212 2 IS 218 220

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Como se represam grandes rios? Construções resistentes ao vento Montagem de gruas gigantes Soldar debaixo de água Construir túneis debaixo de água

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Os cosméticos primitivos C o m o os Gregos mediram a Terra Decifrando línguas esquecidas Travessia aérea sem escala

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PURO DIVERTIMENTO
Pp. 395-437
C o m o serrar uma mulher ao meio Mm coelho no chapéu Morte de um apanhador de balas Levitação O truque da corda indiano Homens que "lêem" o pensamento Os venlríloquos Houdini: o mestre da evasão 396 397 398 399 400 401 401 402

CURIOSIDADES DE ALIMENTOS E BEBIDAS
Domar a Natureza Como os túneis se encontram

Pp. 373-394
A pêra dentro da garrafa Rodelas de ananás todas iguais C o m o se faz o luro no macarrão C o m o se recheia uma azeitona Rechear chocolates Bolachas c o m pedaços de chocolate Filetes prontos a fritar Batatas fritas aos milhões Camarões descascados à máquina Ervilhas congeladas Alimentos tratados c o m radiações A liofilizaçáo Café instantâneo Sabores artificiais Escolher feijões Transformar feijões em "carne" Conservação do leite Algas nos gel.idos Maionese l.ouis Pasteur Assar um boi Comida para animais de estimação A coca-cola Como se Faz o vinho O sabor do vinho As bolhíis do champanhe 571 375 375 375 376 376 376 377 377 378 378 379 380 380 381 381 381 385 385 386 388 388 38!) 390 392 393

COMO FOI FEITO
Pp. 317-372
A Grande Pirâmide As doenças dos antigos egípcios Os rostos do passado Ferramentas na Idade da Pedra •\s estátuas da ilha da Páscoa A Cirande Muralha da China Um exército de barro As paredes de pedra dos Incas A construção de Stonehenge Datação de vestígios antigos 0 passado em grãos de pólen Como Aníbal atravessou os Alpes Pão e cerveja na Idade da Pedra Desenhos com pedras Os artistas das cavernas Os Jogos Romanos Cerco a um castelo medieval A navegação \UÍ Antiguidade Colombo descobre o "Novo Mundo''

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Porque é que náo caem'' O truque das três cartas Montanha russa Espelhos que enganam "Nevoeiro" no teatro e cinema Os eleitos especiais no cinema Os duplos O homem que "embrulha" paisagens Pleitos gráficos na televisão Animais que são estrelas de TV Concursos de televisão Roleta Preparando palavras cruzadas Computadores campeões de xadrez Aprisionar um dente de leão Um barco dentro de uma garrafa Cronometrar os atletas olímpicos JutZ de linha electrónico Curvar u m a bola no ar As covinhas nas bolas de golfe Porque volta O bumerangue Andar sobre o fogo Mergulhos " e m seco" Saltos de esqui Saltos de pára-quedas Surf ÍNDICE 404 405 406 406 406 414 118 120 425 426 427 427 427 428 I2!> 429 430 431 132 432 433 434 434 435 436

338 341 343 344 346 347 347 350 352 355 356

1'iiuuru nu kludc clu PedrQ A construção de l.ady Liberty O memorial do monte Rushmore A hidráulica romana Medicina na Idade da Pedra 359 362 365 366

De onde vêm as bolhas C o m o se fax cerveja 394

438 446

AGRADECIMENTOS

Redactores e consultores da edição inglesa Nigel Hawkes • Nigel Henbest Graham Jones • Robin Kerrod • Terry Kirby Theodore Rowland-Entwistle John H. Stephens • Nigel West Neil Ardley • John Brosnan • Dr. John R. Bullen Prof. Geoffrey Campbell-Platt • Mike Clifford Jean Cooke • Mike Groushko • Ned Halley • Commander D. A. Hobbs Richard Holliss • W. F. A. Horner • Dr. Robert Ilson Dominic Man • John Man • Dr. J. R. Mitchell Prof. Frank Paine • Michael D. Ranken • Nigel Rodgers Dr. David A. Rosie • Andrew Wilbey

Consultores

da

edição portuguesa

Dr. Alfredo Barreto • Prof. António de Vallêra • Dr. António Dias Diogo Eng. António Pratt • Dr. Augusto Maldonado Simões • Dr. Carlos Santos Ferreira Dr.a Dulce Mota • Eurico da Fonseca • Filipe La Féria • Eng. Francisco Chumbinho Eng. Francisco Tudella • Dr.*1 Gabriela Iriarte • Eng. Gonçalo Borges de Castro Dr.a Graça Vieira • Dr.d Helena Paveia • Henrique Sampaio Soares • Dr. Horácio Novais Dr.a Isabel Barros Ferreira • Dr. João Matela • Arq. José António Abreu Valente Dr. José António Pestana • Dr. José de Matos Cruz • Eng. José Eduardo Noronha José Soudo • Liselotte Correia • Dr.a Lúcia Garcia Marques • Manuel Gorjão Henriques Dr. Ricardo Schedel • Profa Teresa Mira Azevedo • Dr. Vasco Rivoti Victor Milheirão • Vítor Neto

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Milagres do dia-a-dia
Todos os dias, e quase sem pensar, nos servimos dos mais extraordinários instrumentos e materiais - fornos de microondas, pasta dentífrica às riscas, máquinas de barbear descartáveis. Mas como sõo feitos, como funcionam e como foram concebidos todos estes ingredientes maravilhosos da vida moderna?

Como se fazem anúncios aromáticos, p. 16 Como se forma uma bola de sabão, p. 2

Néon: desenhos luminosos
Por todo o Mundo se vêem anúncios luiui nosos. formando figuras coloridas ou desenhando os nomes de marcas comerciais. Esla variedade na forma e na cor, impossível de obter com as convencionais lâmpadas d€ filamento incandescente, deve-se às lâmpadas de descarga eléctrica em gas. Estas são Formadas por simples tubos de vidro, a que pode dar-se a forma pretendida, no interior dos quais existe um gás a baixa pressão. Normalmente, os gases não condn/.em fac iliiicnlc a electrici dade — são bons isoladores —, mas passam ii la/è lo se se lhes baixar a pressão e se lhes aplicar uma tensão eléctrica (voltagem) elevada. A descarga através do gás falo brilhar com a luminosidade caracterís lica. Nos finais do século xix e princípios do XX, os cientistas que investigavam o com portamento das descargas eléctricas atra vés do gás raro néon a baixa pressão observaram pela primeira vez a admirável lumi nosidade vermelho-alaranjada que o gás emite. Ainda hoje as lâmpadas de néon são das mais usadas nos anúncios luminosos. Quando experimentaram outros gases,

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As noites de néon. O cowboydo Pioneei Club, com <> seu cigarro bamboleante, do mino o caleidoscópio de néon de Las Vegas (à esquerda). A figura data de 1951. Tam bem em Hong Kong a noite se enche de luzes (em cima). Algumas, como este dra gâo, são o pesadelo dos mestres vidreiros.

B

De madrugada. que em seguida é ajustado à medida do casquilho e aparado. mas que tem a propriedade de provocar a fluorescência de muitas substâncias. lâmpadas a partir de uma fita de vidro A manufactura de lâmpadas é um processo industrial complicado e altamente auto matizado. E por esta razão que o colapso de uma lâmpada ou ovo. (Se a casca fosse demasia do grossa. As cores das lâmpadas sáo determina das pela mistura gasosa com que se enche o tubo. o pinto não conseguiria quebrála para sair.) As lâmpadas tal como os ovos pOS suem um perfil arredondado convexo cm toda a sua superfície: quando as seguramos ou apertamos. a forca que aplicamos Irans mite-se em Uxlas as direcções a partir da área de contacto. o filamento quebra se enquan to a lâmpada está acesa. No início dos tempos. mas esta conti nua a dar luz porque se produz um arco voltaico entre as extremidades do fio par tido. ao rubro.sado o seu limite de resistência. As ampolas de vidro passam cm frente de urna chama para aquecer e amolecer o "gargalo". vulgares nas discotecas. é soldada à fiaste de vidro ÇU€ SU porta o filamento em espiral. 1. surgiu um sistema de controle fotoelectrónico que comanda o interruptor que liga ou desliga as luzes. dispõem de um dispositivo mecânico que ajusta todos os meses os ressaltos de on c Ó/f. mercúrio. A lâmpada dá luz quando um filamento. A solução foi a for ma característica do ovo. 3. uma vez ultra|)as. a luz que incide na célula provoca um fluxo de electrões entre os átomos. Fsles gases usam se nas chamadas lâmpadas de "luz negra*'. sem concentração das tensões em ponto algum. Como é que o Sol liga e desliga a iluminação pública? Na sua maioria. uma espiral de lio de tungsténio com a espessura de um centésimo de milímetro. no entanto. FABRICO DE LÂMPADAS ELÉCTRICAS 2. F. Como as horas do nascer e pôr do . A lâmpada é então rolada. os candeeiros da iluminação pública precisam igualmente de acender-se e apagar-se a horas diferentes. fica incandescente. que acendem ou apagam as luzes a horas predeterminadas. a Natureza resol vcu o problema de impedir que os ovos fossem esmagados pelo peso da ave enquanto eram chocados. Lâmpadas que zumbem Por que razão algumas lâmpadas fazem um zumbido antes de se fundirem'' Na verdade. a corrente interrompe se e as luzes acendem se fitando todo o objecto destruído. Para tal. Um dos componentes essenciais da lâmpada é o filamento. permitindo -lhe suportar pressões surpreendentemente elevadas. que lhe propor Ciona resistência estrutural. como o árgon e o Porque as lâmpadas são tão fortes O vidro de uma lâmpada eléctrica não é muito mais espesso que esta folha de pa pel. Ksle sistema inclui uma célula foloeléctrica que contém um composto sensível à luz. Muitos dos interruptores temporizados actuais possuem um relógio eléctrico com um mostrador rotativo munido de ressaltos. ao ser atravessado por unia corrente eléctrica. emitem sobretudo radiação ul Iravioleta.MILAGRES DO DIA-A-DIA verificaram que luziam com cores diferentes. os electrões imobilizam-se. A base da ampola. os candeeiros da iluminação pública sáo controlados por interrup tores temporizados que comandam toda uma área. conduzindo electricidade até ao interruptor e desligando-o. mas também. pelo que aqueles mostradores permitem alterar também o respectivo horário de acordo com as épocas do ano. como o sulfureto de cádmio ou o silício. e sobretudo. em que aquelas adquirem a sua forma em moldes a partir de uma fita conti nua de vidro em fusão. Para evitar a sua oxidação e rápida destruição. a lux emilicla pelo hélio é vermelho-dourada. que segue o princípio da casca do ovo. II . que ligam e desligam o interruptor por forma a seguirem as modificações verificadas nas horas de luz natural. devido à curvatura do vidro. Os primeiros interruptores esta vam equipados com um mecanismo de relógio.Sol valam ao longo do ano. A pressão é de facto sujxirtada |>or todo o ob jecto. suporta uma pressão forte quando enroscamos a lâmpada no suporte. Por exemplo. Os contactos na base da am pola são soldados aos fios que conduzem ao filamento. e a do críplon. lodo o ar da lâmpada é extraído e substituído por uma mistura inerte de árgon e azoto. por vezes em combinação com a utilização de vidro colorido. é catastrófico. Outros gases. ou nas de ultravioletas para tratamento ou bronzeamento. invisível para os nossos olhos. A explicação reside principal mente na forma da lâmpada. este arco que emite o zumbido característico. nas chamadas lâmpadas fluorescentes: o tubo de vidro é coberto com urna tinta que fluoresce fortemente com os ul Iravioletas emitidos pela descarga no gás. pelo que era necessário dar-lhes corda e acerlá-los todas as semanas. violctapálido. e só depois lhe é colocado o casquilho. e. Recentemente. Quando escurece.

) ligarmos um voltímetro entre os seus dois terminais. que orbitam em torno dele. e "empilhadas" umas sobre as outras (de onde a designação de pilha). deixando electrões a mais no eléctrodo. geralmente de cobre. perminíssimas partículas chamadas átomos. Uma vareta central de carvão-das-re A PILHA ALCALINA Nesta pilha de longa duração. na realidade. com as suas cargas negatidistribuição pública não são pilhas. considera-se rença de potencial . é gerada uma defito: é uma corrente alternada. Um circuito alimentado por um de potencial. reparou que as pernas de rãs mortas se contraíam quando eram penduradas de ganchos num varão. apercebeu-se de que a electricidade resultava do contacto entre os ganchos de cobre e o varão de ferro em que as rãs eram penduradas . estamos a comToda a matéria é composta por pequepletar (fechar) o circuito eléctrico. separadas por discos de papel. do portanto entre ser o positivo ou o neEssa diferença é designada por diferença gativo. precursora de todas as pilhas actuais. têm dois tenninais. As chamadas pilhas secas não contêm electrólito líquido livre. O fluxo contínuo de electrões que assim se estabelece de um eléctrodo para o outro é que forma a corrente eléctrica. as tomadas em nossas casas trões. um candeeiro. Allessandro Volta. alternansuas extremidades relativamente à outra. mediremos uma difeConvencionalmente. Esta convenção unirmos os terminais da pilha por meio foi estabelecida antes da descoberta do de condutores eléctricos (por exemplo. o outro eléctrodo. da Universidade de Pavia. se sentido é uma corrente contínua. e é mealternador é percorrido por uma corrente dida em volts. cada terminal uma corrente eléctrica se houver excesso de um alternador tem sucessivamente ex(ou deficiência) de electrões numa das cesso e deficiência de electrões. perde electrões para os iões positivos do electrólito. tindo a passagem de corrente através dos constituídos por um núcleo central com condutores de cobre e do filamento das carga eléctrica positiva e por electrões lâmpadas. em 1800. de forma que. dispostos em camadas. Se agora positivo para o negativo. Um "prego" metálico.também chamaque a corrente eléctrica flui do terminal da força electromotriz da pilha. os seus átomos começarem a migrar para o electrólito sob a forma de iões positivos. estes podem partir para o circuito através do terminal negativo. fechande ser atribuída uma carga negativa. tortas actua como colector da corrente. produz-se neste um fluxo contínuo de electrões entre um terminal (o negativo) e o outro (o positivo). pois perde electrões para o cloreto de amónio. A pilha de Volta era constituída por placas alternadas de zinco e cobre. partindo de ga negativa que existem em toda a matéuma fonte de energia eléctrica e regresria. Mesmo uma corrente fraquíssima sando a ela precisa de um fluxo de biliões de elecPor isso. A caixa metálica da pilha é de zinco e forma um dos eléctrodos da pilha.5 V enquanto nova. em número exactamente sufiOs geradores que abastecem a rede de ciente para. Os electrões dirigem-se. por exemplo. (A corrente ciência de electrões num dos eléctrodos gerada por uma pilha sempre no mesmo e um excesso no outro. O do o circuito eléctrico. um electrólito alcalino (potassa cáustica) está misturado com zinco em pó. para o compensar dos electrões que perdera paru o electrólito. quais um dos terminais tem sempre um excesso de electrões (o negativo) e o ouUm fio condutor só é percorrido por tro deficiência (o positivo).MILAGRES DO DIA-A-DIA Pilhas electricidade portátil Foram experiências no campo da anatomia na década de 1780 que levaram à invenção da pilha: Luigi Galvani. à pilha de Volta. O manganésio é. mas a tensão eléctrica entre os seus eléctrodos diminui com o uso. a corrente eléctrica é produzida pelas reacções entre dois eléctrodos (condutores eléctricos) e um electróli to (um líquido ou uma pasta condutora de electricidade). electráo. no terminal po sitioo. e dióxido de manganésio. Uma pilha seca deste tipo tem uma for ça electromotriz de 1. que constitui o electrn lito. Numa pilha. de acordo com ela. Quando ligamos. professor de Anatomia da Universidade de Bolonha. à medida que se vão formando bolhas de hidrogénio na va- O QUE É A ELECTRICIDADE? Uma corrente eléctrica é um fluxo de Um circuito eléctrico é constituído por electrões — partículas minúsculas de carum fio. Ao contrário das pilhas. mas vas. compensarem a carga positiva do nú grandes máquinas eléctricas chamadas cleo — os átomos são assim electricaalternadores. ao qual. Pelo contrário. Esta observação deu lugar. Pensou (erradamente) que esse facto se devia a qualquer tipo de electricidade animal. corrente eléctrica. transferindo electrões do terminal positivo para o manganésio. através da lâmpada da lanterna. nas mente neutros. tornando-se deficiente em electrões — que vai buscar ao condutor que fecha o circuito para compensar esta deficiência. A produção deste fluxo deve-se ao facto de o material de um dos eléctrodos começar a dissolver-se parcialmente no electrólito — isto é. Nela está contida uma mistura de cloreto de amónio. Cada eléctrodo está ligado a um dos terminais metálicos da pilha. ou tensão eléctrica. para o invólucro de aço. teve o filamento de uma lâmpada). estes serão perfluxo de electrões é portanto no sentido corridos por uma corrente (a lâmpada contrário do sentido convencional da acender-se-á). capta electrões do zin co e transmite os ao ter minai negatioo. e dai pura o dióxido de manganésio.as pernas destas faziam apenas parte do circuito. O outro eléctrodo é geralmente de um material diferente e que não se dissolve da mesma forma no electrólito. Quando a pilha é integrada num circuito. Uma manga porosa separa esta mistura de um revestimento de dióxido de manganésio. sucessivamente num sentido e no oposNo caso das pilheis. 12 .

que são levadas a secar num forno antes de serem cozidas a uma temperatura de cerca de 1200°C. As baterias de automóvel são baterias de acumuladores. os lápis são pintados com um verniz não tóxico. Como se "mete" o bico num lápis Os antigos egípcios. O filete é cortado em varetas do tamanho dos lápis. pois a sua estrutura em camadas faz dela um lubrificante natural. separados por folhas isolantes para evitar eurtos-circuitos e suspensos num electrólito de ácido sulfúrico. Em seguida. São depois tratadas com cera para assegurar um traço suave e seladas para evitar que deslizem no invólucro de madeira. colidindo. Para fabricar este invólucro. os artistas europeus usavam varetas de chumbo. consoante os graus de dureza e negrura de traço pretendidos. soltam-se facilmente pequenas escamas que formam uma marca negra. as suas reacções químicas são reversíveis. que as corta em sete lápis e dá a cada um uma secção hexagonal ou cilíndrica. jactos de ar comprimido contendo partículas de grafite. Ião negativo. Recorre-se. Cada elemento possui vários eléctrodos. O núcleo do átomo tem carga positioa. de madeira. As placas de chumbo são deste modo re convertidas na sua substância primitiva e a potência do ácido sulfúrico é restaurada. tem de ser bastante macia para que possa ser afiada com facilidade à medida que o bico se gasta. Torna então o nome de ião positivo. E no século xv o suíço Conrad Gesner.têm argila em proporções crescentes. uns de encontro aos outros. I:Í . Os bicos mais macios e mais negros (B e BB. e os mais duros . Assim. de black) possuem maior teor de grafite. gregos e romanos utilizavam pequenos discos de chumbo para traçar linhas nas folhas de papiro antes de nelas escreverem com pincel e tinta. A parte exterior do lápis. O chumbo deixou de constituir um material de escrita quando em Borrowdale. O bico é constituído por uma mistura de grafite fina e argila. No século xiv. A grafite não pode ser moída num moinho vulgar. mas argila pura. a corrente do gerador carrega a bateria.isto é.MILAGRES DO DIA A DIA reta de carvão. a madeira é serrada em tabuinhas com o comprimento de um lápis. Estas "sanduíches" são levadas à máquina. Alguma da melhor grafite para o fabrico de lápis vem de Sonora. invertendo as reacções químicas. a grafite deixa nele delgados flocos que formam uma marca escura. contendo as negativas chumbo espon joso e as positivas dióxido de chumbo. se pulverizam. A grafite é uma forma de carbono e um dos minerais mais macios. o que reduz a área da superfície do eléctrodo. no México: é pulverulenta e extremamente negra. Estas partículas minúsculas são misturadas com caulino puro e água. cortada em varetas e cozida num forno. de onde sai em filete contínuo e com o diâmetro pretendido. A grafite utilizada nos lá pis tern uma estrutura em carnudas. O tipo de lápis mais largamente utilizado é o HB (hard and black. a grafite é misturada com uma argila fina rio lipo utilizado nas melhores loiças e porcelanas. As placas são constituídas por grades de chumbo. descreveu no seu Tratado dos Fósseis uma vareta de escrever contida num invólucro de madeira. Risco ampliado. a um pro cesso diferente. assim chamadas porque podem ser recarregadas . a largura de sete lápis e a espessura de meio lápis. alternadamente positivos e negativos. o átorno ê neutro. a carga passa a ser negati va e ele torna o nome de ião negativo. introduzem-se os bicos e cola-se por cima uma segunda tabuinha igualmente com sulcos. a bateria fica descarregada. Os bicos dos lápis de cor e os lápis de cera não contêm grafite. por isso. As reacções químicas que produzem a electricidade fazem com que tanto as placas negativas como as positivas se transformem gradualmente em sulfato de chumbo e o electrólito em água. cera e pigmentos. zinco ou prata para fazerem os seus desenhos cinzento claros. denominados a ponta-de-prala. Átomo neutro. "duro e preto"). Sc este processo cliega a completar-se. no Norte de Inglaterra. de Zurique. Se o átomo ganha um ou mais electrões. DURO OU MOLE? DEPENDE DA ARGILA No fabrico dos bicos de lápis. as placas. se descobriu em 1564 a grafite pura — nasceu então o lápis moderno. Quando a grafite e friccionada contra o papel. O tipo mais comum de bateria possui seis pilhas primárias (elementos) ligadas entre si. Ião positivo. que. Os dois ingredientes sáo misturados em proporções diversas.graduados de H (hard) a 10H . em que se lançam. carga nega liva. Fazem-se os sulcos. e os electrões. A perda de um electrão resulta num átomo de carga positiva. Esta é introduzida num cilindro e forçada através de um furo na sua extremidade. formando uma pasta. Quando é friccionada contra o papel. Mas enquanto o motor do carro trabalha.

. 14 .i através de um tubo estreito. fixando se na Argentina.i de seu irmão Georg. Ladislao Biro desapareceu no obscurantismo. o artista e jornalista húngaro Ladislao Biro inventou em Budapeste a canela esferográfica.MILAGRES DO DIA ADIA Como se coloca a esfera numa esferográfica A parle principal de uma esferográfica é unia esfera de metal que transfere para o papel uma tinta a base de óleo e que tem a particularidade de ser de secagem muito rápida. em 1884.mos.5(1. o que acabaria por a impedir de correr Saliências no interior do encaixe distribuem homogeneamente a unta em redor d. a esfera (ampliado 80 vezes) reifhe um acabamento rigoroso.i guerra. O bordo do encaixe é de|>ois inclinado para dentro para que a esfera não caia A tinta corre do reservatório para <> encaixe da éster. 0. pois de outro modo criai .ijud. A esfera. para que se adapte perfeitamente ao encaixe. A esfera é geralmente de aço médio ou inoxidável. O encaixe. Saliências no seu interior luzem com que a tinia se distribua por toda a esfera A esfera colocada. ela rode e desenhe um traço.m tes da invenção da caneta de tinta permanente.se ia um vácuo parcial a medida que o nível da tinta tosse baixando. Na década de . <) reservatório deve ser aberto ao ar ou ter um orifício. i las ilt< raçi ies na pressão almosfé rica. Por vezes. vendeu os seus interesses no invento a um . De aço. Bode tam bém ser constituída por um composto cie tungsténio e carbono. Km 1944. químico de formação. • Biro e a esferográfica • U ma pena cie ave com a haste afiada foi O instrumento de es cuia durante mais de 1000 . a esfera 0 ás pêra para conseguir melhor atrito na su perfície de escrita. Biro fugiu com a eclosão da II (iuerra Mundial. embora o seu inven to se tenha tornado um objecto utili zado em todo o Mundo. que passou a fabricar a caneta Biro para as torças aéreas aliadas.i esfera para que.seus financiadores.s bordos do encaixe suo dobrados pena ilcutio puni a segurarem. aperfeiçoou a caneta e fabricou-a em Buenos Aires durante . dado não ser afectada . quase Ião duro como o diamante. Com . A esfera é aplicada num encaixe cie aço ou latão desenhado por forma a permitir que a esfera rode perfeitamente em todas as direcções. com cerca de 1 mm de diâmetro. e.i . quando aplicada sobre uma superfície. é acabada com um rigor de centé siuiDs milésimos de milímetro.

pois este contém sempre ai guina humidade. Os iões estão presentes em praticamente todas as superfícies ex postas ao ar. as colas são. Hoje. que consistem em dois componentes que são misturados e fazem presa em 10a 30 minu tos. O bico é de lã natura! ou sintética Ponta de fibra. As supercolas aderem bem a pele. têm sido utilizadas supercolas em aerossol para fechar uma ferida e reduzir a hemorragia. Dentro do tubo. Secam rapidamente e formam uniões muito fortes. utilizavam se principal mente nos trabalhos de carpintaria: o grude IfqUÍdO penetrava nos poros da madeira e secava. desde chávenas a maçanetas de portas. Exis tem também resinas epoxídicas. A força da cola. total mente sintéticas. A tinia. Quando exposta ao mí- XzM . cularmente forte. Ponta de plástico. na sua maioria. a tinia ê levada para a ponta através cie tubos finíssimos por acção da capilaridade.que desencadeia o processo de polimerização. demoravam muito tempo a colar v o sen poder de união não era parti nimo de humidade. Fibras ligadas por resina dururri mais que as pontas de feltro Esferográfica. O remédio é mergulhar a parte afectada cm água morna e descolar suavemente o objecto. tem havido muitos casos de pessoas com Ioda a natureza de objectos colados a pele. A excepção da esferográfica. o carto amarelo esta fixo por cola de resina epowlicu. O cairo encarnado assenta no tejadilho do outro demonstrando a força da cola. A tinta e levada ao bico pela acção rotativa da esfera. Neste painel publicitário. 0 invento de Ladislao Biro foi aplicado no fabrico de novos modelos que produzem urna diversidade de traços de irrita sobre diversas superfícies. A supercola é uma resina acrílica Fabricada a partir de produtos petroquímicos. ligando entre si as peças da obra. formando moléculas maiores — processo químico denominado polimerização. a mais diminuta quantidade de humidade supera a acção do estabilizador e a resina polimeriza instantaneamente É a presenç. As mais rápidas são chamadas supercolas. e secam em segundos. Em cirurgia. a cola é impedida de polimerizar por meio de um estabilizador aofdiCO. desde o metal ao vidro e ao plástico. alimenta uma por na de plástico de grande resistência <n> desgastt Porque aderem tão bem as colas modernas Ale há KXI anos.a dos iões da água grupos de átomos dotados de carga eléctrica . dado esta ser húmida.Canetas e marcadores. que cone livremente. as colas eram gomas vege lais ou obtinham se fervendo peles e ossos de animais. Quando a rola é aplicada a uma superfície. Por este motivo. as suas pequenas moléculas ligam se. Ponta de feltro. ou colas instantâneas.

o número que os espectadores deviam raspar nos seus cartões. as mole cuias adesivas juntam se em cadeias hm gOS.MILAGRK5 DO DIA-A-DIA O PROCESSO QUE FAZ COLAR A SUPERCOLA A supercoio contém um estabilizador aa' dico (vermelho) que mantém a cola líquida. As bolhas rebentam sob a pressão dos dedos. estende ram-se as esa rias e depois às nossas casas. mas não Iodas simultaneamente. no decorrer do filme. chamados post-it. cantava num coro e utilizou aquela cola fraca para marcar o seu livro com papelinhos que podiam retirar •se sem estragar o livro. O estabilizador acidico ê neutralizado em contado com a humidade (azul) da super íiae que se pretende colar Neutralizado o estabilizador. em 1968. a fim de se desintegrar em gotas minúsculas como acontece com o azeite e o vinagre no CHEIROS NUMERADOS Em 1984. foi produzido na América um filme jocoso de couiboys que linha como atracção adicional aromas microencapsulados. pelo que as folhas são reutilizáveis. ao saírem para o trabalho. Os estudantes e os investigadores começaram a usá-los para marcar textos de ititeresse nos livros. aplicadas ao papel num revestimento resinoso. Vista ao microscópio. quando se procurava produzir uma supercola. depois cie lidos. Com o passar dos anos. etc. a superfície adesi va de um post-it apresenta se coberta por minúsculas bolhas de resina de ureia for maldefdo que contém a substância adesi va. Vinham geralmente colados aos documentos com pequenas mensagens trocadas entre os executivos e tinham a grande vantagem de. deixavam uns aos outros rep* cados apressados colados no frigorí^ fico. liber tando os óleos essenciais do perfume do seu interior. e os maridos e mulheres. Paul. A técnica. para Utili2açâ0 nos escritórios. Estes autocolantes nasceram de uma descoberta acidental num laboratório de St. no Minnesota. O perfume está contido em pequeninas cápsulas de plástico. Podiam assim sentir o cheiro adequado à cena em curso — o encanto de um perfume. O resultado fora uma cola tao fraca que a em presa 3M a rejeitara por inútil. Mas só em 19X0 a 3M começou a vender. De vez em quando. Mas um dos empregados. ((instituindo nina união tenaz. estes papelinhos auto aderentes. começaram a aparecer nos escritórios uns papelinhos amarelos. 0 plástico quebra ao ser raspado ou esfregado. *L [<•* Pondo perfume num papel Pode fazer se publicidade a perfumes impregnando um prospecto com o respectivo aroma. 16 . 0 método é designa do por microfragrância. poderem ser descolados com facilidade. foi iniciada pela empresa americana 3M na década de 60. o cheiro a pólvora queimada. Uma descoberta acidental que deixou a sua marca no Mundo No princípio da década de 80. aparecia um número no canto ÚOécran . Para 0 enchimento das capsulas. que é libertado quando se raspa a superfície do papel. Fry tentou persuadir a empresa de que estava a deitar fora urna ideia que podia ter os mais variados usos. Cada espectador recebia um pequeno cartão com uma meia dúzia de números. denominada micro encapsulação. blocos de lolhas para notas com uma faixa adesiva num dos bordos que podem ser descoladas e recoladas. um químico chamado Art Fry. o óleo é misturado com água e agitado.

A continuação do processo de revelação produz uma imagem positiva. os pontos são maiores e fundem-se entre si. As gotas sáo depois espalhadas sobre uma superfície e cobertas por urna camada de resina plástica. As diversas tonalidades da fotografia são convertidas num padrão de pontos com diferentes dimensões recorrendo a urna retícula. Nas zonas escuras. 0 autocolante deste quarto de maçã é típico dos que aparecem nas revistas. tal corno aparece num jornal (em cima). 17 . o que garante a sua frescura até à utilização. os pontos sáo más pequenos e estão rodeados por grandes porções de branco. de modo que quase não se vê o papel bran co. A maioria dos jornais utiliza uma retícula de malha relativamente larga para a reprodução de fotografias em papel normal A retícula tem cerca de 20 a 35 linhas por centímetro. tempero da salada. A luz reflectida da fotografia passa através da retícula e é decomposta em zonas de intensidade luminosa variável captadas em película fotográfica de alto contraste. Fotografia a preto e branco. Algumas vezes utilizam-se como um revestimento adesivo na dobra de um folheio publicitário.O cheiro a maças. Actualmente. Imagem desportiva. que apenas são libertados quando o preparado é aplicado. e o aroma é libertado quando o revestimento se quebra ao desdobrar-se o folheto. que. A área no interior do tracejado conteria microcápsulas para lembrar aos leitores o delicioso cheiro da maçã. alguns cosméticos contêm microcápsulas de óleos nutrientes da pele. ou trama. verifica-se que a gama das tonalidades nos é dada por combinações de pontinhos negros. quando impressa. o mesmo número de pontos por centímetro. A fotografia a ser reproduzida é fotografada através de uma retícula posta em contacto com o filme. Nesta microfotografia (em cima) oèem-se as microcápsulas que contêm o perfume num autocolante. A ampliação mostra que a imagem se compõe de uma série de pontos pretos entre meados de espaços brancos. ao ser revelada. Nas zonas mais claras. produzindo. retícula que consiste num padrão de linhas diagonais sobre uma película transparente. Quando se raspam as cápsulas. o perfume é liber lado. produz um padrão de pontos em imagem negativa. Deixam-se secar (por vezes são aquecidas) antes de serem aplicadas sobre o papel por meio de outra resina. A densidade de pontos utilizados determina a qualidade da reprodução da fotografia na página impressa. Fotografias nos jornais: milhares de pontinhos Se se observar de perlo uma fotografia num jornal.

co meçando por rejeitai as de valor diferente. As três imagens.i impressão . a moeda faz tombar ii balancim e é dirigida para . pelo que " processo toma <> nome de quadricromia. As genuínas caem soba. espessas ou deformadas As moedas que entram podem ser exa minadas por uma sonda. iunta.se ainda uma chapa a preto. São diferentes no diâmetro. amarelo. as falsas e as anilhas.IMAGENS A CORES As fotografias a cores são lambem repro duzidas como padrões de pontos. com dimensões diferen tes. as máquinas Fornecem-nos desde bilhetes de comboio a chamadas lelelo nicas. para aumentar ii pormenor. Cada tipo de moeda no Mundo tem as suas características próprias. detectando assim as ani lhas. por scanners electrónicos. as combinações de pontos destas cores. antes de entregarem o seu produ lo. na espessura. submetendo-a a uma série de exames. Vistas a distância. Uma moeda mais leve não consegue bascular o balancim e é desviada Separador dindo a entrada de moedas demasiado grandes. A máquina de moedas típica funciona ilo seguinte modo: o sistema de verifica çao começa pela própria ranhura. em vez das máquinas fotográficas tradicionais.um balan cim rigorosamente equilibrado: quando o seu peso é suficiente. maços de cigarros e ale juckpols de moedas. que verifica se elas são luradas. no peso e até na composição química. e só quando a moeda entra no percurso correcto da máquina é que é dis parado o mecanismo de funcionamento. fundem-se por forma a simular lodo o espectro das emes. A imagem impressa a três cores segue se a impressão do prelo para acentuar a profundidade. Finalmente. Esta é hoje feita.1 calha [ou ranipae quando é insuficiente. c o m o n.. tirando fotografias através de filtros. impe Percursos das moedas rejeitadas Lâmina de contacto Balancim Magneto Calha. para o rejeilador. ranhura. atinge o deflector c passa pelo lado eirado do separador Rejeilador (moedas rejeitadas) A moeda que foi aprovada percorre a . Estes são de Ires rores diferentes amarelo. ! ma moeda de metal diferente é desviada pelo magneto. normal mente. ou tampa Verdadeira ou falsa Esta máquina de moedas destinada a moedas francesas tem unta ranhura igual ao tamanho de ama moeda de 10 francos. Faz se uma chapa de impressão para cada cor e. magenta e azu\cyan (azul esverdeado). a fim de se produzir um padrão pontilhado. Mas. bebidas. uma de cada cor. magenta e azul-cvm. todas estas propriedades são in vestigadas. A impressão a cores baseia se no principio de que todas as co res podem ser produzidas através de com lunações destas três cores primárias. o balancim não oscila e a moeda cai no rejeitado!. f o i ontraste. Uma impressão a cores e feita a partir de combinações destas três cores primárias. Como funcionam as máquinas de moedas Com 1 1 11 moeda que se introduz numa 11. Nas máquinas de moedas. são depois fotografadas através de uma re tícula de meio tom. as estrangeiras. a defi/itaio prelo e branco. <> olha humano mistura os pontos coloridos e vê t<ulas as cores. Fotografia com filtros 0 primeiro passo na reprodução é a "selec çao" (Lis cores. as máquinas analisam cada moeda.

Se não. No vaivém espacial. com 12 500 argolas na lace oposta. e ate cies próprios. A patente original de protecção ao velcro expirou em 1978. um microchip liberta o troco certo. Máquinas de moedas electrónicas A ultima geração destas máquinas confere as moedas electronicamente. percorrer uma trajectória que evita o obstáculo seguinte. Podem também ser programadas para dar trocos. e provavelmente durará mais do que O tecido a que foi aplicado. As moedas com peso demasiado e as menos afectadas pelo magneto atingem o defleclor e são encaminhadas pelo lado errado do separador para o rejeitador. Ima moeda com a composição correcta abranda exactamente o necessário para. OS astronautas usam fita velcro para agarrar tabuleiros.é verificada. Quando chega ao fim do per curso. e existem actual men te muitas imitações. Alguns tipos de velcro têm tanta resistência que uma peça quadrada de 12 cm de lado consegue suportar uma carga de 1 t. observou que minúsculos ganchos nas pontas dessas er vas ficavam presos às argolas da lã. As moedas aceitáveis num primeiro exame atravessam depois uma "cancela". possui enorme resistência transversal. Como as ervas se agarram. Ao atravessar o campo magnético deste último. Sc os valores obtidos coincidirem com os da memória da máquina. ê descarregada uma pequena corrente eléctrica no seu interior. pequenas almofadas crespas formadas de ganchos e ilhós de plástico. A face dos ganchos obtém-se cortando as argolas noutra porção de tecido — de modo que cada meia argola passe a constituir um gancho. esta é rejeitada.calha e passa polo magneto. têm encontrado aplicações a to dos os níveis. argolas e ganchos tomam a sua forma definitiva. para evitar que flutuem desordenadamente no espa ço na ausência da força da gravidade. 0 respectivo valor é identificado. Quando a moeda atravessa o sistema de verificação. . Assim que a moeda é introduzida. a sua condutibilidade capacidade para deixar passar unia corrente eléctrica . ao cair da rampa. . abre-se nova cancela para aceitar a moeda. E feito de modo a poder ser aberto à mão com um estorço relativamente pequeno. Os minúsculos ganchos de nylon numa peca de i elcro agarram as argo las da outra peca exat tumente do mesmo modo que terias plantas como a aparinu se agarram às meias de la (mundo passeamos no meio das ervas. Na indústria de vestuário. a uma superfície tixa. Acerta então no separador por baixo deste. As minúsculas vagens da aparína possuem ganchos que se ugurram ao vestuário de lã e aos pêlos dos ailimais Copiando a Natureza. a ve locidade com que deixam os magnetos depende da composição das moedas. Ao microscópio. palavras francesas que significam "veludo" e "gancho". Também neste caso. colado ao suporte adequado e cortado à medida. Uma peca de velcro com 5 x 2 cm contém cerca de 750 ganchos. Algumas máquinas podem ser programadas para tratar até oito tipos de moedas diferentes. Por meio de aquecimento. percorrendo a rampa e passando entre dois magnetos.contracção de uelours e CfOChet. fazendo a rodar mais ou menos lentamente devido à força magnética provocada pelo campo magnético. equipamento científico. Voltou para casa com umas ervas agarradas às meias e ao pêlo do cão e decidiu investigar por que razão aquelas se pegam Ião bem á lá. No entanto. substituem as molas e os fechos de correr. embalagens de ali mentos. Velcro: como as ervas que se agarram às meias Os fechos de velcro.4 fotografia do oelCfO QO microscópio moslru como esíe copio a Natureza. 0 tecido é depois tingido. Conjuntos de díodos emissores de luz e de fotossensores medem a velocidade da moeda. O engenheiro suíço Georgcs de Mestral concebeu a ideia que deu origem ao velcro depois de um passeio pelo canipo em 1948. O velcro pode fechar-se e abrir se milha res de vezes. a um ângulo de incidência lai que a faz dirigir se para o canal "aceite". o deflector. Mestral imaginou rapidamente uma forma de reproduzir em tecido de nylon o esquema de ganchos e argolas e deu ao produto o nome de velcro . mas o nome mantémse como marca registada 0 velcro é feito tecendo fio de nylon de modo a produzir um tecido com urna grande densidade de minúsculas argolas.

engatando os dentes. de modo que as suas extremidades não tocassem nos entalhes das duas calhas dentadas de guiamento. O cabo de suspensão estava ligado à mola. Ordenou então que cortassem o cabo de sus pensão. Lste desenhara um fecho com posto de carreiras de colchetes machos e fêmeas como método rápido de apertar as botas de cano alto. Haughwout & Co. em Chicago. Os cabos fixos ao topo da cabina Subida rápida. Km 1918. e o fecho de correr estava lan çado. mas o mecanismo de segurança de Otis resultou . A mecânica do fecho de correr é muito simples. Olis instalou o primeiro elevador de pas sageiros cm Nova Iorque em 1857. quando o engenheiro americano Klisha Graves Otis introduziu o primeiro dispositivo de segurança para a elevação de cargas na Exposição do Palácio de Cristal. O fecho de correr consiste ern duas tiras de tecido com dentes de metal ou plástico ao longo das bordas. engatando-os ou desenga ÍB tando-os. e criou a maquinaria que permitiu o fabrico dos dentes e a sua fixação a uma fita. 0 fecho de correr fora inventado pelo engenheiro americano Whitcomb Judson em 1893. com cinco pisos. a Sears Tower. O passo decisivo para o aparecimento do moderno fecho de correr deu-se cerca de 20 anos depois. os dentes entram pelo fundo do cursor e separam-se. o seu peso iria arquear a mola. em 1918. em Nova Iorque. A carga foi guindada até uma altura de 8 ou 10 m com Otis também sobre a plataforma. Otis demonstrou a segurança do seu processo por forma espectacular. revelou se pouco prático.Como a Marinha dos EUA lançou o fecho de correr A Marinha dos EUA foi a pioneira no uso dos fechos de correr quando. encomendou 10 000 unidades para aplicar em fatos de voo. Ao fechar. 20 . dispõe de eleou dores rápidos que se deslocam a 32 km/h. Quando se puxa o cursor para abrir o fecho. quase igual ao moderno fecho rie correr. O moderno elevador de passageiros leve as suas origens em 1854. os elevadores são dotados de dispositivos de segurança. dá-se o contrário. impedindo a queda da plataforma. Os dentes das duas fitas são desencontrados para poderem encaixar entre si: n u m dos lados têm uma saliência e no outro uma concavidade. que utili zava um cursor para ligar os colchetes machos e fêmeas. O segredo do sucesso da experiência residiu numa mola em fornia de arco fixa da ao topo da plataforma. Num elevador normal. Para evitar estes acidentes. A Sears Tower. as saliências encaixem nas concavidades. Mas este fecho. quando forçados a juntar-se. Separador Cursor Fita Fiadas de dentes Dentes que engatam.e a queda foi interrompida depois de cortado o cabo. Como se faz parar um elevador em queda O mais alto edifício de escritórios do Mundo. tem 103 elevadores para transportar passageiros entre os seus 110 andares a velocidades que chegam aos 550 m por minuto Mas o que aconteceria se um cabo se partisse quando um dos elevadores se encontrasse no topo de tão alto edifício? Teoricamente. Os elevadores estão equipados com dispo sitiuos de segurança para o caso de quebra dos cabos. por forma que. no estabelecimento V. Um cursor move-se num ou noutro sentido sobre duas fiadas de dentes presos a fitas. e quando a plataforma era puxada para cima. O moderno elevador é constituído por uma cabina içada por cabos de aço entre duas calhas laterais de guiamento e possui um dispositivo de segurança que trava de encontro às calhas no caso de os cabos se partirem. quando o engenheiro sueco Gideon Sundback foi admitido por Judson para aperfeiçoar o seu fecho. Sundback desenhou o chamado Hookless 2. A invenção do elevador de segurança foi um factor decisivo na evolução do arranha-céus. Mas quando o cabo de suspensão foi cortado. com 443 m. a mola abriu c as suas exlremida des encaixaram nos entalhes das calhas. situadas de um e outro lado da platafor ma. as duas fiadas de dentes entram obliquamente no cursor que as junta. as consequências teriam sido desastrosas. a Marinha Americana fez a sua encomenda. pois libertou os arquitectos das restrições na altura. um corpo que caísse do último andar da Sears Tower esmagar-se-ia no solo a 820 km/h.. edifício de IK) andares em Chicago.

Apesar dos odorizantes. com poros de diversas dimensões. numa emergência. e fibras termoplásticas. sob a forma líquida. As sondas são colocadas junto ao solo e o ar que captam é introduzido num aparelho que detecta gás em concentrações de apenas algumas parles num milhão. foram ensaiadas como odorizantes diversas combinações de compostos orgânicos de enxofre. Tem um aroma tão intenso que apenas é necessário 1. As fibras que conferem resistência aos saquinhos de chá Diariamente. o nariz humano. solidificam novamente. os pesos accionam um interruptor de segurança que desliga a corrente eléctrica do motor. é pulverizado no gás quando este deixa o complexo de produção. fibra natural longa utilizada no fabrico de cordas para conferir resistência. as fugas de gás nas tubagens subterrâneas podem ainda passar despercebidas. Limitador do excesso de velocidade Este é outro componente fundamental da segurança do elevador. mas sem deixarem sair as folhas de chá. Se. As duas fibras náo são tecidas em conjunto. pois o gás em si é inodoro. Forma se o papel quando a água se escoa e o emaranhado de fibras é apertado em rolos para secar. que são impelidos para fora devido à força centrífuga. em duas cama das separadas. A quantidade de odorizante é medida rigorosamente por computador. ao contrário do gás de hulha. O papel dos saquinhos de chã é fabricado com duas fibras fortes: cânhamo-de-manila. mas assentes. peritos empregados pela sua capa cidade olfacliva muito sensível asseguram que. No entanto. e os cabos sustentam na outra extremidade um contrapeso que corre igualmente em calhas de guiamento. que constitui o saco. o gás emita o chei ro certo para fazer disparar o alarme mental de "fuga de gás!" Esses peritos cheiram o gás para terem a certeza de que a sofisticada aparelhagem de análise está a funcionar correctamente. É também suficien temente forte para náo se rasgar nas máquinas de empacotamento ou durante a manipulação — esteja seco ou molhado.sobem alé um mecanismo de roldanas no cimo da caixa do elevador. ao arrefecerem. O odorizante ideal tinha de ter um cheiro forte e muito característico. fazem-se milhões de chávenas de chá a partir de saquinhos. O papel de filtro rendilhado. A roldana é accionada por um motor eléctrico. O gás natural. o limitador centrífugo prende o respectivo cabo com força suficiente para disparar o mecanismo de segurança. O cheiro intenso que acompanha o metano nos pântanos deve-se à matéria vegetal em decomposição. e náo o cheiro. mantendo a sua resistência quando. sob a forma de mistura aquosa. Existem outros mecanismos de segurança. curiosamente. O gás natural comercial começou a ser utilizado comercialmente nos Estados Unidos nos anos 20 c na Europa na década de 60. Dá-se forma aos sacos vedando os bordos por meio de calor. tem orifícios de tamanho suficiente para deixar passar a água a ferver sem deixar fugir as folhas do chá. como o de compressão de roleles ou de excêntricos de bordos serrilhados contra as calhas de guiamento. O papel passa pela máquina de embala gem do chá sob a forma de duas tiras e a máquina vai colocando as doses de chá sobre a tira inferior. O seu ponto de fusão é superior a 100°C para que o saquinho náo se desmanche na água a ferver. A roldana pára automaticamente e o elevador imobiliza-se sem que tenha de ser activado o dispositivo de segurança. 2\ . gás que nos pântanos pode ser visto em bolhas emanando dos lodos orgânicos.5 kg por cada 100 000 rrí*. o teste final de segurança é. Testes de cheiro no gás natural Numa indústria de alta tecnologia como a do gás natural. para fechar os saquinhos. Orifícios filtrantes. não tem cheiro próprio. vêem-se bem OS orifícios filtrantes. pode juntar-se-lhe um odorizante. Parle dele um cabo que corre para cima e para baixo na caixa do elevador e está ligado ao mecanismo de segurança montado sob a cabina. Este processo confere ao papel uma estrutura irregular. Ampliando 60 vezes um saquinho de chá. estes detectam o gás. pelo que uma fuga nas tubagens poderia passar facilmente des percebida e causar uma explosão. os técnicos seguem frequentemente os percursos das tubagens com instrumentos extremamente sensíveis. Estes deixam passar a água. Como era necessário que tivesse cheiro. O gás natural encontra-se no solo ou sob o fundo do mar. a cabina continuar a acelerar. Contudo. Assim. Acima de uma velocidade preestabelecida. 0 limitador do excesso de velocidade baseia-se num sistema mecânico de pesos. que reduz a velocidade por meio de fricção. As fibras termoplásticas são derretidas para se ligarem fortemente entre si. contudo. Por isso. O seu componente principal é o metano. Esse odorizante. náo devia ser absorvido pelo solo para que as fugas subterrâneas pudessem ser detectadas e tinha de ser inócuo e náo-corrosivo. Nenhum papel vulgar podia satisfazer estas exigências. Acabou por descobrir se a fór mula correcta. ou o de cunhas.

e fizcram-no muitas vezes O fósforo branco liberta fumos tóxicos que provocam. A reacção é desencadeada pelo riscar do fósforo. embora eficientes. porém. as técnicas do fabrico de fósforos foram sendo aperfei coadas. em França. os fósforos acendiam-se ao serem riscados em qual quer superfície rugosa. Antigamente. a fábrica produzia 1 800 000 fósforos por semana. O antepassado do fósforo actual foi produzido pelo químico inglês John Walker em 1827. \7 % %_• i • • • ii « mwâ Contra o imposto E m 1801. tinham uma grande desvantagem: podiam matar . ele não se acende. é a reacção entre os produtos químicos da cabeça do fósforo e da lixa da caixa que os incendeia. foi proibido o uso de fósforo branco. não se dá a ignição. Km 1830.e milha- res de operários da indústria fosforeira protestaram contra aquilo que viam como uma ameaça ao seu ganha-pão. cm casos de exposição prolongada. o chanceler do Tesouro propôs uma taxa de 1 penny por caixa. e se lhes batêssemos com um martelo. • « • « • « 11 t « I «I L\\\ W V W V . Os opera rios das fábricas de fósforos eram os mais afectados. Se lhe batermos com um martelo. Ao fim de um ano. Os fósfo ros deste tipo mantiveram-se em uso até finais do século xix e. no início deste século.Fósforos aos milhões Se riscarmos um fósforo de segurança (amorfo) em qualquer superfície que não seja a lixa da caixa. uma doença deformante — e eventualmente fatal — em que ocorre a decomposição dos maxilares. utilizando fósforo branco. 2 2 . a firma Bryant & May produziu o seu primeiro fósforo de segurança numa fábrica em Londres. tendo passado a utilizar se o sesquissulfureto de fósforo. A proposta originou protestos no Parlamento e na imprensa . nada acontece. A procura era tanta que. Seguiram-se manifestações e tumultos e o Parlamento aboliu o imposto. Os seus fósforos acendiam-se em qualquer superfície e não eram de grande confiança. Se a cabeça e a lixa não estiverem em contacto. em 1871. No caso dos fósforos de segurança. inventou um fósforo muito mais eficaz. assim. e actualmente podem produzir-se mais de 800 caixas por minuto. Por todo o Mundo. que gera calor devido à fricção. explodiriam. Charles Suria.

Em movimento. I m tapeie rolante de aço transporta os palitos de madeira - já com as cabeças tingidas de vermelho ao encontro das caixas, que se movem numa tela
transportadora perpendicularmente ao percurso dos fósforos. Estes são automaticamente expulsos do tapete, por fornia a caírem dentro das caiwis nus quantidades certas.

um átomo de carbono e dois de hidrogénio numa molécula de polietileno, por exem pio. A maioria das substâncias comuns é constituída por moléculas pequenas a molécula de agua contém apenas dois álo mos de hidrogénio e um de oxigénio
As moléculas longas da película aderen

Na década de 1850, o sueco John LundsIrom foi pioneiro dos fósforos de seguran ça (amorfos) ao separar o elemento fósforo dos outros ingredientes combustíveis: pós fósforo vermelho, não tóxico, na lixa e os outros ingredientes na cabeça. Actualmente, os fósforos são fabricados por máquinas automáticas que chegam a produzir 2 milhões de unidades por hora. O vulgar fósforo de madeira começa por um toro que é cortado em fasquias de cer ca de 2.r> mm de espessura. Estas são depois cortadas em palitos que são embebidos numa soluçáo de fosfato de amónio retardador de ignição que evita que os palitos continuem a deitar fumo. Os palitos são depois introduzidos automaticamente nos orifícios de um tapete ro lante de aço que mergulha as pontas num banho de parafina aquecida. Esta vai impregnar as fibras da madeira e anulará a fazer passar a chama da cabeça para o palito. Os palitos são cm seguida mergulhados na mistura que constituirá a cabeça. Nos fósforos de segurança, essa mistura con tem enxofre, e por vexes carvão, para produzir a chama e clorato de potássio para fornecer o oxigénio necessário á combus tão. Quando as cabeças secam, os fósforos
sao e m p u r r a d o s do tapete rolante para

te. ou adesiva, encontram se enroladas c dobradas como as libras da la. Quando .• película é esticada, as moléculas ordenam se Mas, lai como as fibras da lá ou como um elástico . elas procuram reto mar a sua forma inicial
O poder de aderência desta película

ocorre naturalmente na maioria das pelí cuias plásticas, que aderem porque adqui rem uma carga eléctrica estática. A película aderente pode. por exemplo, adquirir uma carga eléctrica negativa por fricção, << que faz deslocar electrões d<i superfície de uma película ou de outro material adjacente. Na
segunda superfície, .i carga eléctrica será

positiva, o que leva a que as duas superfícies se unam por atracção electrostática. A película aderente podo ser fabricada
num destes plásticos: PVC 'cloreto de poli

vinilo) ou polietileno. O PVC. normalmente duro. toma se- macio c flexível pela adi cão de certos produtos químicos, os plasli ficanles. o polietileno é macio por natureza, pelo que não necessita de plastificantes. A película de PVC e mais transparente que a de polietileno, mas ê mais sujeita a fadiga Com eleito. 24 horas depois de utili zada perdeu já mais de dois lerços da sua elasticidade, enquanto o polietileno per
deu apenas um lerço

dentro das caixas de fósforos que correm numa tela transportadora. As tampas das caixas correm noutra tela em movimento paralelo, A intervalos de alguns segundos, as telas param e .is caixas sao metidas nas respectivas tampas. As ta ces laterais destas aplica se a lixa, uma tira rui>osa impregnada de fósforo vermelho. que constitui o produto combustível.

Um material escorregadio como o gelo
o revestimento interior náo-aderente dos modernos tachos e frigideiras e o maleri.il mais escorregadio que ri tecnologia conhece. Tendo quase o mesmo coeficiente
de atrito que o gelo. se cohrisseinos as ruas

Como adere a película aderente?
Esta película adere por duas razões: quan do esticada, a sua elasticidade leva a a retomar as dimensões iniciais; e a electricidade estática que possui cria uma forma de atracção a muitas outras coisas. O segredo da elasticidade esta na estrutura molecular da película. Os plásticos são formados por moléculas longas centenas cie milhares de unidades repetitivas de

com ele. torná-las-íamos intransitáveis. () PTFE e um dos mais notáveis produ tos artificiais, e a náo-aderencia não é a sua Superfície revestida. Para lazer uma (ri gideira náo-aderente. mistura-se PTFE cm pó com aii.ua puberiza-se o sen interiot e
seca se

Válvula cardíaca. O anel desta válvula está coberto com um tecido revestido de PTFE. O PTFE é quimicamente inerte, pelo que não há o risco de causar infecção. Sol e espaço. A cúpula plástica deste estádio japonês está revestida de PTFE para reduzir o calor dos raios do Sol. Os fatos de pressão dos astronautas possuem diversas camadas de material, incluindo uma de tecido revestido a teflon, incombustível e resistente à abrasão. única qualidade invulgar. K considerável a sua resistência a temperaturas, tanto muito altas como muito baixas, e ao ataque químico; é ainda um mau condutor de electricidade. PTFE é a abreviatura de politetrafluoroetileno, material que foi descoberto quase por acaso em 1938 pelo americano Dr. Roy Plunkett quando ensaiava para a Du Pont um produto químico utilizado para refrigeração. A Du Pont deu à descoberta o nome comercial de teflon. O PTFE é um material difícil de manusear, e só se lhe descobriu utilidade em larga escala quando o engenheiro francês Marc Gregoire se apercebeu das possibilidades da sua aplicação em utensílios domésticos. Assim, nos meados da década de 50, Gregoire comercializou com a marca Tefal os primeiros tachos não-aderentes. No entanto, já desde o início dos anos 40 se vinha desenvolvendo uma grande variedade de aplicações industriais para o PTFE. A sua não aderência foi utilizada nas chumaceiras - componentes de máquinas que suportam veios rotativos. As chumaceiras de PTFE são consideradas autolubrificantes, pois não precisam de qualquer lubrificação além da sua própria natureza deslizante. Para lhes aumentar a resistência, são geralmente reforçadas com outros materiais, como a fibra de vidro e a grafite. A resistência ao ataque dos ácidos O PTFE não é afectado por nenhuma substância química vulgar, incluindo os ácidos e os álcalis a ferver. Mesmo a água-régia (mistura de ácidos clorídrico e nítrico) deixa-o incólume. As únicas substâncias que o atacam são o sódio em fusão, o cálcio em fusão e o flúor muito quente. O facto de ser quimicamente inerte significa que o PTFE não contamina os alimentos nele cozinhados. Na realidade, ele não produz efeitos sobre qualquer matéria orgânica, inclusive o tecido humano. Estas características permitem ainda a sua utilização em próteses cirúrgicas, particularmente nas articulações artificiais; o seu reduzidíssimo coeficiente de atrito constitui uma vantagem adicional. Também já tem sido utilizado, sob a forma de fibras entretecidas e impregnadas de carbono, na re construção dos ossos da face. Outra propriedade importante do PTFE é a sua resistência à electricidade, o que o torna excelente para o revestimento de fios. Possui ainda a grande vantagem de manter a flexibilidade a temperaturas que váo dos — 270°C (poucos graus acima de zero absoluto) até aos 260°C. Este conjunto único de propriedades re sulta da estrutura química do PITE. Corn efeito, a sua molécula consiste numa "espinha dorsal" formada por uma cadeia longa de átomos de carbono, cada um dos quais ligado a dois átomos de flúor. As ligações químicas entre os átomos de carbono e de flúor são extremamente fortes, razão pela qual o PTFE náo reage com outras substâncias químicas. As fortes ligações carbono-flúor verificam-se também entre as moléculas adjacentes, de modo que se atraem mutua mente mais do que atraem as moléculas de outras substâncias. Este o motivo por que nada se lhe adere. Esta forte atracção intermolecular significa igualmente que o PTFE não funde, mesmo a temperaturas elevadas. A fusão dá-se quando as moléculas obtêm suficiente energia por aquecimento e se separam umas das outras. No PTFE, a atracção molecular é tão forte que as moléculas têm grande dificuldade em separar-se. Como se fabrica o PTFE O PTFE é produzido a partir do fréon 22 (diclorodífluorometano), refrigerante líquido largamente utilizado em frigoríficos.

O engenheiro americano Dr. Roy Plunkett descobriu que o aquecimento do fréon produz o gás tetrafluoroeteno. A urna pressão de cerca de 45 a 50 atmosferas e na presença de um catalisador, o gás sofre uma alteração química da qual resulta o PTFE sob a forma de resina pulverulenta. Como náo chega propriamente a fun dir, o PTFE é misturado com um aglutinante adequado e enformado num molde. É depois sujeito a pressão e temperatura elevadas, e as partículas da resina fundem, formando uma massa sólida. Para os reci pientes de cozinha não-aderentes, o pó de PTFE é suspenso em água para formar um acabamento não-aderente que é depois pulverizado sobre a superfície e seco.

Como as microondas cozinham sem aquecer os pratos
Ao ligarmos um forno de microondas, criamos no seu interior um poderoso campo electromagnético que oscila na mesma banda de frequência que as emissões de televisão por satélite e o radar. As microondas utilizam-se na cozedura rápida de alimentos, pois fazem vibrar as moléculas de água contida naqueles. A vibração absorve energia do campo electromagnético e aquece os alimentos. Como toda a energia é absorvida pelos alimentos sem se desperdiçar no aquecimento do ar ambiente nem do próprio forno, e como as microondas penetram nos alimentos, aquecendo-os directamente por dentro (ao contrário dos fornos convencionais, nos quais só a superfície é directamente aquecida), o processo é muito mais rápido e económico do que os métodos tradicionais de cozinhar. A energia das microondas náo aquece os utensílios no forno, porque os materiais de que são feitos - louça e vidro - não absorvem energia do campo electromagnético (os recipientes não saem frios do forno, porque são aquecidos pelos alimentos). Utensílios de cozinha especiais Além da louça e do vidro, muitos outros materiais - como o plástico, o papel e a cartolina — podem ser usados num forno de microondas. Os recipientes de metal não devem ser usados, porque o meta] não transmite as microondas, reflecte-as. Por este motivo, os alimentos náo devem ser cobertos com folha de alumínio. As ondas longas da rádio têm compri mentos de onda de milhares de metros. As microondas utilizadas nos fornos têm um

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comprimento de onda de cerca de 12 cm. Uma onda electromagnética é uma vibração de campos eléctricos e magnéticos que alternam constantemente, dirigidos ora no sentido positivo, ora no negativo. Os fornos de microondas funcionam com ondas que vibram 2450 milhões de vezes por segundo — uma frequência de 2450 MH/.

Como os frigoríficos «fazem frio»
Quando ligamos uma torradeira ou um ferro eléctrico, obtemos calor. Porque é então que um frigorífico ou um congela dor -lazem frio» quando OS ligamos0 Assim acontece porque estes aparelhos utilizam dois princípios científicos. O primeiro é o de que, quando um líquido se evapora, absorve calor do ambiente que o cerca: o liquido precisa de energia para se transformar em vapor e vai buscá-la sob a forma de calor. O segundo é o de que um líquido evapora-se a uma temperatura mais baixa quando a pressão é, por sua vez, mais baixa. Qualquer líquido que se evapore facilmente a temperaturas baixas é um refrigerante, ou agente de arrefeci mento, em potencia. E é possível fazê-lo vaporizar-se e liquefazer-se alternadamente, obrigando-o a circular numa tubagem em que a pressão seja variável. Na maioria dos frigoríficos domésticos, o refrigerante é um dos compostos artificiais, denomina aqui o tubo alarga e o gás vaporiza se nova mente, reiniciando-se o ciclo. A refrigeração desenvolveu se no século estimulada pela necessidade de se obterem fornecimentos de carne das grandes pastagens da Austrália, Nova Zelândia, América do Sul e Oeste Norte-Ainericano para os principais mercados da Europa e do Leste da América do Norte. lima das primeiras pessoas a descobrir e aplicar o princípio da refrigeração foi um tipógrafo, James Harrison. Ao limpar OS caracteres de metal com éter. verificou o efeito refrescante que este tinha sobre o metal - o éter é um líquido com ponto de ebulição muito baixo que se evapora fácil mente. Harrison deu aplicação prática á sua descoberta no edifício de uma fábrica de cerveja em Bendigo, Vitória, em 1851, fazendo circular éter numa canalização própria para refrescar o ambiente. A ideia de Harrison levou á primeira viagem coroada de êxito com um equipamento frigorífico a partir da Austrália: a do navio Strathleven, com um carregamento de carne para Londres em 1880 - viagem que demorava dois meses. O primeiro frigorífico doméstico foi cria do em 1879, quando o engenheiro alemão Karl von Linde modificou um modelo in dustrial que desenhara seis anos antes (> refrigerante era o amoníaco que circulava por acção de uma pequena bomba a va por. Os pioneiros dos frigoríficos eléctricos foram os engenheiros suecos Balzer von Platen e Cari Munters, com o seu modelo Eiectrolux de 1923, que utilizava um motor eléctrico para accionar o compressor. COMO FUNCIONA LM FRIGORÍFICO
O CFC vaporiza-se no t u b o largo Tubo capilar O CFC liqufifaz-S6 \ -, s o b pressão ~~""'* ' •/ elevada

(megahertz), ou 2,45 GHz (gigahertz). As moléculas da água tem um pólo de
carga positiva e um pólo de carga negativa. As microondas em vibração positiva negativa interagem com as moléculas polares da água, atraindo e repelindo os seus pólos, fazendo-as rcxlar ora num sentido, ora no outro. Este movimento acontece também 2450 milhões de vezes por segundo. O componente mais importante do forno de microondas é o magnetrão, o dispositivo que gera as microondas. Foi criado em 1940 em Inglaterra, mas foi a Raytheon

Company, dos EUA, que, no princípio dos
anos 50, se apercebeu das aplicações do mestiças que este invento poderia ter e pa tenteou um "aparelho de aquecimento dieléctrico de alta frequência". Os pequenos modelos domésticos foram aperfeiçoados na América em finais da década de 60. Ferver até transbordar. Quando se aquece agua num copo num forno de microondas, a temperatura pode subir ulé ]10"C sem que a água (ema. Isto acontece porque as microondas aquecem a água no centro sem aquecerem o copo. peto que u água em contacto com o vidro está abaixo do ponto de ebulição. Como as bolhas de oapor na água a ferver se formam principal mente sobre as irregularidades do recipiente, não se dá a ebulição. Mas se deitarmos café solúvel na água, formam se bolhas em redor dos grânulos, e o liquido borbulha e transborda.

dos clorofluorocarbonos (CFCs).
Os tubos no interior do frigorífico são largos, a pressão é baixa e o refrigerante vaporiza-se. Oeste modo, o tubo mantémse frio c retira o calor aos alimentos. I Im motor eléctrico aspira o gás frio da tubagem do interior do frigorífico, comprime o - o que o aquece - e envia-o à tubagem exterior, na parte de trás do trigo rífico. 0 ar em torno destes tubos absorve-lhes o calor, fazendo com que o gás se condense novamente em líquido, ainda a uma pressão elevada. Depois, um tubo de diâmetro muito pe queno, o tubo capilar, reconduz o líquido sob pressão para o interior do frigorífico; COMO SE CONSERVAM OS ALIMENTOS O arrefecimento dos alimentos no frigorífico retarda a acção de dois dos principais causadores da sua deterioração: o desenvolvimento de bolores e bactérias e a decomposição química. Num frigorífico doméstico, a temperatura é mantida entre 1 e 5°C — temperatura suficientemente baixa para manter frescos durante uma semana a maioria dos alimentos que utilizamos. O crescimento dos organismos causadores da decomposição é retardado, mas as temperaturas baixas não cies troem esses organismos. A decomposição química é também retardada de modo idêntico, mas não completa mente anulada. A temperatura do congelador do mestiço ronda os - lo"C. o que preserva os alimentos até um ano.

O ar quente no interior do frigorifico sobe e é arrefecido à medida que o calor lhe é reti rodo pelo refrigerante contido na secção larga da tubagem. O refrigerante transporta o calor, que é depois radiado para 0 um biente na serpentina por trás do frigorífico 25

Porque se cozinha tão depressa numa panela de pressão
Quando cozemos batatas numa panela vulgar, o tempo de cozedura c de 20 a 30 minutos. Mas numa panela de pressão ti carão cozidas em 4-5 minutos. Porquê? Na panela vulgar, a água ferve a 100"C, e por muito que a aqueçamos, a temperalu ra da agua nunca subirá - apenas produzirá mais vapor. Mas a panela de pressão tem uma lampa que veda hermeticamente; assim, o vapor que se produz quando a agua ferve acumula se no seu interior, aumentando a pressão e aumentando por tanto 0 ponto de ebulição da água. Com uma temperatura de cozimento mais ele vada, o tempo de cozedura é reduzido. Na tampa, existe um respiradouro sobre o qual é colocado um peso. Esle tapa o respiradouro, mas levanta quando o vapor no interior atinge a pressão desejada. Existe também na tampa uma válvula de segu rança que liberta a pressão se o peso do respiradouro não subir quando ê atingida a pressão pretendida. A panela de pressão doméstica evoluiu a partir de um "digestor a vapor" patenteado em Inglaterra pelo físico francês De nis Papin em 1679. A panela actual trabalha à pressão de I kg/cm2, cerca do dobro da pressa.» atmosférica normal, e, por este motivo, ,i água ferve a 122°C.

IMPOSSÍVEL UM BOM CHA NO IOPO DO EVERESTE ...

A água ferve quando começa a Iransfor mar-se em vapor. As bolhas são causadas pelo vapor que sobe d») fundo do recipiente para a superfície. A temperatura de 100°C que é dada como o ponto de ebulição da água só é correcta ao nível do mar. A medida que subimos, a pressão atmosférica desce, provocando igualmente a descida do ponto de ebulição da água. Tanto na pa nela vulgar como na de pressão, o tem po de cozedura aumenta.

E isto responde á pergunta: por que razão não se consegue beber um bom chá no topo do F.vereste? O cume do monte Evereste encontra se- a quase 9000 m de altitude, e a prés são atmosférica é aí menor que um terço da pressão ao nível do mar. A água ferve a 70°C apenas: esta temperatura não é suficiente para extrair das folhas do chá a sua melhor fragrância, pelo que o resultado nunca poderá ser um bom chá.

Remédio para o calcário das panelas
As pessoas que têm em casa água canalizada, que e calcaria por provir de regiões em que o solo possui rochas calcárias, aca bani com parle destas rochas depositada nas suas panelas e cafeleiras. Quando a água da chuva é filtrada atra vés de um terreno calcário, dissolve se nela uma parte desse mineral. Ao ferver se a água, o calcário e separado da solução e deposita-se na panela. I Ima água calcária faz-se ainda sentir de outra forma: o sabão não produz muita espuma. Em vez de dissolver o sabão e fazer espuma, a água reage com os COITlpO nentes químicos do sabão e forma flocos insolúveis. K a chamada agua "dura". Aparecem igualmente manchas de cal cario nas banheiras e lavatórios e em redor das bicas das torneiras. Os depósitos de calcário nos recipientes podem ser removidos pelo vulgar vinagre ou por produtos comerciais adequados, contendo, por exemplo, uma solução concentrada de ácido fórmico, O ácido dis26 solve o calcário, fazendo-o fervilhar en quanto liberta dióxido de carbono. Em algumas caldeiras e sistemas de aqueci mento de águas, a dureza da água pode ser mais do que um simples incómodo: o calcário deposita-se nas paredes interiores dos canos e reduz o débito da água. Nas caldeiras, forma nina barreira que impede a transferência eficiente do calor, enca recendo muito o aquecimento. Por isso, a água leni de ser "amaciada" antes de entrar nos circuitos de aquecimento. Nas estações do abastecimento de água ê possível diminuir lhe a dureza por processos químicos, tratando-a, por exemplo, com cal apagada e carbonato de séxlio.

Flor de pedra. Cristais de carbonato de cálcio em fornia de flor (em cima) ligam as 'pétalas", formando o deposito calcário no interior das panelas e caldeiras. De compo siçãa química idêntica são as estalactites (ao alto) que pendem do tecto das grutas calcarias.

Os "girinos" na sua máquina de lavar
O segredo de Iodos os pós de lavar é um produto químico que torna a água mais '"molhada". Curiosamente, a água por si só não é muito eficiente em "molhar" as coisas devido à sua tensão superficial, que lhe confere uma espécie de pele e é causada pela atracção das moléculas do interior da água sol ire as da camada superficial. A adição de um detergente à água enfraquece as forças intermoleculares e reduz a tensão superficial, o q u e permite à água espalhar-sc mais facilmente e molhar melhor as coisas. A água de lavagem, mais "molhada", consegue penetrar mais facilmente nas libras dos tecidos e retirar delas as sujidades e gorduras. 0 ingrediente activo d o s detergentes que não contém sabão é um derivado do petróleo, um alquilbenzeno, tratado com ácido sulfúrico e soda cáustica. Podemos imaginar as moléculas do de tergente c o m o p e q u e n o s girinos, c o m uma cabeça e uma cauda. As cabeças são atraídas pelas moléculas da água — sáo hidrófilas, isto é, gostam da água. porque as moléculas da água têm uma pequena carga positiva, ao passo que as "cabeças" de detergente sáo eleetricamente negativas. As caudas, por seu lado, são hidrófo bas (não gostam da água). Q u a n d o se m e r g u l h a a r o u p a suja numa solução de detergente, as caudas das moléculas agarram se á sujidade gordurosa das fibras, pois são quimicamente semelhantes a gorduras. Alem disso, peneiram entre as libras, soltando a sujidade. Por outro lado, as partículas de sujidade, ao atraírem as caudas, ficam totalmente revestidas por uma camada de cabeças hidrófilas - tal como minúsculos balões — e flutuam na água. A agitação da roupa ajuda assim a libertar a sujidade. Os pós de lavagem sáo uma mistura de até 10 ou mais ingredientes, entre quais o detergente básico e um branqueador. Os pós de lavagem biológicos diferem dos outros detergentes por conterem enzimas, um tipo de proteínas produzidas pe las plantas e animais. Os enzimas actuam como catalisadores, ou activadores químicos, para ajudar a d e c o m p o r as n ó d o a s que contém proteínas, lais como sangue, transpiração e molhos de carne. Os enzi mas provocam a decomposição química das outras proteínas, enquanto os detergentes normais actuam fisicamente. Dado que as nódoas de proteínas sáo derivadas de seres vivos, os detergentes que. actuam sobre elas são chamados biológicos. ÁGUA MAIS 'MOLHADA" PARA LAVAR A ROUPA A água nào molha bem os objectos porque as suas moléculas se juntam, produzindo tensão su perficial. Os alfaiates conseguem assim "andai" sobre a água. Ao juntar um detergente a uma gota de água, esta perde a forma este rica (a esquerda), deuiao à redu çôo da tensão superficial. Os detergentes rernouem as gorduras porque as ajudas das suas moléculas se ligam às partículas de gordura. As cabeças das moléculas sao atraídas pela água, e\ pulsando as partículas gordas do tecido tiuando se agita a roupa. As fracas cargas eléctricas do de tergente impedem as partículas de gordura de se unirem Tecido (ú esquerdai com partículas de gor dura entre as fibras. Durante a lavagem, <js moléculas de deter gente arrastam a gor dura. limpando o teci do fà direita).

Pasta de dentes — de giz e algas
As pessoas que lavavam os dentes nos meados do século xix usavam provável mente pós dentífrtcos contendo coral moído, osso de choco, casca de ovo queimada ou porcelana. Por vezes, esles pós conti nham ainda um corante vermelho obtido dos corpos das cochonilhas. As pastas dentffricas actuais — brancas, de cor ou às riscas — contem dez ou mais

ingredientes. Uns deslinam-se â limpeza
ou à protecção dos dentes, outros conferem o sabor à pasta, outros fazem a ligação da massa, outros ainda facilitam a sua saída do tubo

0 ingrediente principal da parte branca
da pasta é giz finamente moído (carbonato de cálcio) ou outro pó mineral como o óxido de alumínio. Estes pós são ligeiramente abrasivos e ajudam a remover a placa dentária, película que se forma constantemente sobre os dentes e que é composta por muco, partículas de alimentos e bactérias. Ás vezes, para tornar a pasta mais branca, junta-se também > um pouco de óxido de titânio em pó.

As pastas de gel
transparente obtêm as suas características abrasivas por meio de compostos transparentes de sílica, a que frequentemente se adiciona um corante. Os ingredientes de limpeza e polimento são combinados com água, formando uma pasta espessa graças à adição de um agente de ligação e espessamento

como o alginato,
substância extraída das algas marinhas. Enchimento dos tubos. Os tubos oazios são enchidos mecanicamente: recebem quantidades exaCtOS da pasta, depois do que são vedados na extremidade A introdução das riscas. Ilã dois processos de pôr as riscas na pasta. No recipiente grande (ã esquerda), a pasta branca e a colorida são introduzidas separadamente e combinam-se quando se espremem para o exterior. No tubo tradicional (ã direita;, a pasta de cor encontra-se num anel perto da extremidade e sai através de orifícios. fazendo assim riscas na pasta branca.
"Pasta dentífrica branca Pasta dentífrica de cor

Pasta às riscas. As riscas de cor contêm flúor ou elixir. 2S

Junla-se ainda um pouco de detergente para criar espuma e contribuir também para o processo de limpeza. Para que fique agradável ao paladar, a pasta é geralmente adoçada com óleo de hortelá-pimenta e mentol. Inclui se também um humectante como a glicerina, a fim de evitar que a pasta seque. Além disso, na maioria, as pastas clenlífricas actuais contém flúor, que ajuda a fortalecer o esmalte dos dentes, e por vezes o bactericida formaldeído. Como se fazem as riscas

Gillette e a máquina de barbear

S

Algumas pastas dentífricas apresentam o
flúor ou o elixir sob a forma de riscas. A iiiislura de limpeza é normalmente branca, enquanto o flúor ou o elixir são frequentemente um gel transparente azul ou vermelho. As duas pastas são prepara das separadamente. Os tubos são enchidos, como sempre, pela parle larga, que depois c dobrada e vedada. As duas pastas contêm cores que não se misturam, e as respectivas massas também não se misturam, de modo que. ao espremer se o tubo. sai a pasta branca com riscas de cor.

Como se dá o fio às lâminas de barbear
Todas as 24 horas. 25 000 pêlos crescem até cerca de meio milímetro na face do lio mem adulto. A moderna lâmina de barbear. perfeitamente afiada, permite um barbear escanhoado, suave; e seguro. Há milhares de anos que o homem se barbeia, lendo usado para isso lascas de sílex, depois lâminas cie bronze e finalmente de ferro. As primeiras navalhas de bar bear com fio de aço foram feitas em Sheffield em 1680. Mas a actual lâmina descar tável surgiu apenas em 1901, com King Camp Gillette e William Nickerson. A lamina de barbear inicia a sua vida como um rolo de fita de aço contínua, com uma espessura aproximada da do pêlo que irá cortar. O aço é uma liga com cerca de 13"» de crómio, que lhe confere maior dureza e resistência à corrosão. A dureza é ainda aumentada com o aquecimento do aço e a sua imersão num líquido de arrefecimento. O fio de corte é produzido por afiação. A fita de aço passa por três conjuntos de ro das de afiar, cada uni deles afiando mais que o anterior. As rodas estão montadas em ângulos diferentes, a fim de produzi rem a secção de fio chamada de arco gótico (curva), forma mais forte que a de uma cunha de rampas direitas. O índice de afia mento da lâmina exprime-se como o raio

e não fosse a invenção do amorica no King Camp Gillette (1855-1932), é possível que, ainda hoje, os homens se barbeassem todas as manhãs com as velhas navalhas de barba. Caixeiro-viajante de ferragens no Centro Oeste Americano, Gillette barbeava-se certa manhã, em 1895, quando achou que a sua navalha não era eficiente nem segura. Reparou que só uma pequena parte da lâmina era utilizada v como era perigoso tal instrumento que podia, literalmente, cortar a garganta de um homem. Homem ocupado, Gillette não gostava de desperdi çar o seu tempo a amolar a navalha. Porque não criar uma lâmina que nunca tivesse do ser afiada, que tivesse o tamanho certo para barbear a cara de um homem o que fosse suficientemente barata para ser deitada fora quando já não cortasse7 Gillette lembrou se ainda das pa lavras do seu antigo patrão, William Painter, um inventor e homem de negócios que pensava que, se se produzisse um artigo que as pessoas pudessem deitar fora depois de usar, elas procurá-lo-iam

cabo e cabeça regulável. As lâminas de aço ao carbono tinham a garantia de se manterem afiadas por 20 barbas e eram vendidas em pacotes de 12. Gillette criou a Safety Razor Company e-patenteou a sua máquina de barbear em 1901. As primeiras máquinas surgi iam nos Estados Unidos em 1904. Vendidas em ourivesarias, farmácias e lojas de ferragens, bem como nos novos armazéns de retalho, a máquina c as lâminas apresenta vam se em conjunto dentro de um estojo. Os cabos das primeiras máquinas levavam um banho de prata, e os dos modelos mais caros, mi banho de ouro. Mas as vendas iniciais revelaram-se d e s a n ima doras. e a empresa promoveu uma

campanha publi
citaria em jornais e revistas para homens nos EUA e na Europa para dar f^ a conhecer ao público o novo invento. Km 190(5, as ven das atingiam as 90 000 máquinas e os 12 milhões de lâminas. Gillette tornou-se rico e famoso. Ain da hoje. o seu rosto é conhecido de mui tos, pois, até há pouco, o seu retrato figurou nas embalagens das lâminas. O desenho da chamada "gilete" e da sua lâmina não sofreu praticamente alterações desde o início; actualmente, muitas máquinas de barbear são de plástico e elas próprias descartáveis.

sempre.
Gillette e o mecânico William Nickerson aperfeiçoaram a lâmina de bar bear de segurança de dois gumes, que se aplicava num suporte especial, com

Corte em molhado e a seco. Um pêlo da barba cortado por uma lâmina em molhado (à esquerda) apresenta uni coife muito mais regular que o feito por uma máquina eléctrica (à direita). Cm pêlo seco é tão difícil de cortar como um fio de cobre da mesma espessura.

da curva do fio visto em secção: cerca de cinco centésimos milésimos de milímetro Depois de afiado, o fio e polido por ro das de couro. Mas, à escala microscópica, o fio é ainda áspero e. devido â fricção, poderá repuxar os pêlos e provocar cies conforto. Para proteger o fio e reduzir a fricção, a lâmina recebe três banhos sucessivos: um de crómio, outro de cerâmica e outro de PTFE, substância mais conhecida corno revestimento não aderente de pane las e frigideiras. O crómio confere resistem cia â corrosão, a cerâmica reduz o desgaste o o PTFE produz a lubrificação. Cada um destes revestimentos tem uma espessura inferior a um centésimo milési mo de milímetro. A lâmina aplica-se num suporte com um cabo, cómodo de manusear, e com uma cabeça que pode ser ajustável e abre para receber a lâmina. 29

Como o aço inoxidável foi descoberto por acidente
O aço inoxidável foi descoberto por acidente em 1913 pelo metalúrgico britânico liam Brearley. Este Fazia ensaios com ligas de aço que pudessem ser utilizadas nos canos de espingarda. Mais tarde, verificou que, enquanto a maioria das ligas que rejeitara tinham enlerrujado, o mesmo não aconle cera .1 ama liga que continha 14% de cro reage com o oxigénio do ar. produzindo óxidos de ferro avermelhados. Outros metais, como o alumínio, o níquel e o crómio, reagem também de forma idêntica, mas os respectivos óxidos formam uma camada .superficial impermeável, impedindo que o oxigénio reaja com o metal no seu interior. Na liga de Brearley, o crómio formou uma placa semelhante protegendo o metal da oxidação. Hoje. fabrica-se uma diversidade de aços inoxidáveis, lima das ligas mais vulgares contém 18% de crómio o 8% de

níquel

pelo que é conhecida por 18:8 —

mio. Esta descoberta levou â criação do açi >
inoxidável. O aço vulgar enferruja porque

e é utilizada « M lava-louças. por exemplo. M As taças de cozinha são fabricadas com uni aço contendo |.'j"n de crómio. Juntando uma pequena percentagem do metal mo libdénio, obtém se uma liga ainda mais re SÍStente à corrosão que é utilizada no revés timento de edifícios.

Poria para o Oeste. (> mau» ano do Mundo é 0 monumento à expansão americana para oeste, em St Louis, Missuri. Tem \S2 m de alttiiu e 192 m de Uáo. Uma tal construção SÓ podia ser feita de aco iuoxiduicl. 30

. até descobrirmos o que se passa nos bastidores...Grandes proezas de organização • Desde a regulação do trânsito numa cidade até à organização dos Jogo Olímpicos ou à montagem de automóveis — há tantas coisas que achamos naturais e que nos parecem simples.

que. Cerca de 2200 aviões utilizam diariamente o 0'Hare. A zona de distribuição da bagagem tem a área de seis campos do futebol. Os "Jumbos" Veja-se o aeroporto mais movimentado do Mundo. Esperando ordens. o 0'Hare.Como lidam os aeroportos com milhões de passageiros? Um aeroporto é um organismo vivo com urna função principal: manter o sangue que o alimenta — os seus passageiros fluindo livremente através das suas veias e artérias. Segue-se a espera para o próximo LHX). e os distribuidores automáticos processam 480 peças de bagagem por minuto. o que representa 6700 passageiros por hora. os 37 aeroportos mais movimentados do Mundo foram utilizados. são lidas por laser. Seguem separadamente dos passageiros. contra as 7õ que poderiam ser processadas à mão. em parte porque são alojadas noutra secção do aparelho. dezenas de milhares de passageiros ficaram retidos em aeroportos por toda a Europa. codificadas por computador. as etiquetas de bagagem. Jactos de passageiros encostam às fontes do terminal do Aeroporto de Frankfurt — o principal da Alemanha e um dos 37 mais movimentados do Mundo. . Em 1986. chega a desembarcar 500 passageiros. 0 número desses passageiros é astronómico e cresce rapidamente. 16 000 turistas em férias tiveram atrasos de até sete ho ras — e um grupo de pessoas que se dirigia para a Grécia partiu finalmente depois de uma espera de 21 horas. Quando uma greve de controladores aé reos em Espanha coincidiu com o início das férias grandes em França. Em todo o Mundo. destroem a confiança e minam os lucros do aeroporto. processam 740 milhões de passageiros por ano. milhares de pessoas saem deles quase simultaneamente. Foram chamados palhaços e malabaristas para entreter milhares de crianças. no seu conjunto. F. provocando congestionamentos que afec tam os planos e as disposições dos passageiros. em Junho de 1988. As bagagens são uma questão importante na organização dos aeroportos. Cada Jumbo que aterra no Aeroporto J. Quando diversos Jumbos aterram a minutos uns dos outros. No terminal da United Airways em 0'Hare. em Chicago. As avarias e as greves produzem os mesmos efeitos. Passam por ele 55 milhões de pessoas por ano. Só em Manchester. os aeroportos gastam anualmente 750 milhões de contos para que os seus passageiras se sintam satisfeitos. A missão do chamado pessoal de handling é assegurar que as malas tenham o mesmo destino que os respectivos donos. em parte por razões de segurança. no seu conjunto. de Nova Iorque. Kennedy. por um total de 740 milhões de pessoas. 32 Prontos para o embarque. utilizado por 50 companhias aéreas.

dois Jambos americanos ambos a caminho dos EUA com um total de quase 000 pessoas a bordo — passaram a menos de 30 m um do outro por sobre o Atlântico. e. Nos EUA. Nos EUA. tem 3000 empregados. durante o voo. aumenta constantemente o volume do trabalho. Mas mesmo este enorme aeroporto parece pequeno se comparado com o maior do Mundo. Tapetes rolantes para passageiros. o tráfego aéreo cresce cerca de 20% por ano. todos os terminais acabam por ter de ser modernizados.5 ha. dos restaurantes e da manutenção. Em 1987. mas alguns peritos temem que o quadro americano se repita aqui à medida que o tráfego aumenta. a viagem por ar está a lornar-se efectivamente mais segura Nos EUA. O espaço aéreo está dividido em zonas de controlo (fír's) em que existem corredores aéreos. As regras do ar As regras do tráfego aéreo há muito que se encontram estabelecidas. como aconteceu ao terminal 3 de Heathrow entre 1987 e 1990.72 mortes por 100 000 horas de voo em 1978 e 0. que movimenta a maioria dos voos de longo curso. E com o aumento do número de voos. em Londres. Por outras palavras. A vigília constante para evitar que os aviões choquem Apesar da acumulação crescente de aviões no espaço aéreo mundial. por vezes. Em 1988. Os controladores têm de assegurar que. com os seus 23 (iOO ha.quase exactamente o mesmo número que em 1980.92 ern 1986. tudo leva mais tempo e mais frustra dos se sentem os passageiros. Ao chegarem a um aeroporto. tem de se proporcionar aos passageiros meios adicionais de transporte para os levar dos seus carros até aos terminais do aeroporto. No mundo ocidental. os problemas multiplícam-se. o maior aeroporto americano. o sistema revela sinais de cansaço. Em 8 de Julho de 1987. EUA —. os passageiros encontram á sua disposição uma vasta gama de serviços que. Quanto mais pessoas pas sam por um aeroporto. mas em cada ano o índice destes acidentes diminui. por exemplo.Com as crescentes dimensões e complexidade dos aeroportos. No maior terminal do Mundo . por exemplo. Mas para se manterem activos. de enfermagem e administrativo. o número de viajantes por ar subiu de 315 para 460 milhões entre 1980 e 1987. Contudo. O Terminal 3 do Aeroporto de Heathrow. nos quais cada avião voa no interior de um paralelepípedo teórico. A responsabilidade de assegurar que os aviões não colidam no ar pesa inteiramente sobre os ombros dos controladores de tráfego aéreo. a área coberta atinge mais de 24 ha. podem ter que andar a pé uma enorme distância para chegar até lá. Mais aviões exigem mais portas de embarque e mais terminais e mais quilómetros de corredores. Enquanto uma grande estação de caminho de ferro cobre cerca de 3. na Arábia Saudita. os seus quatro terminais movimentaram mais de 44 milhões de passageiros. As dimensões dos aeroportos tornam -se assustadoras. de pessoal de limpeza. com o seu exército próprio de bagageiros. por exemplo. comboios automáticos para trans porte das pessoas desde os parques de automóveis — todas estas inovações se destinam a tornar mais aprazíveis as viagens aéreas. Os números correspondentes na Europa mantêm-se estacionários. houve 1. quando descobrem onde se localiza um deles. cobre 7000 ha. mais de quatro vezes a área da Bermuda. Parece assim que deveriam aumentar as probabilidades de colisões no ar. o de Dallas-Fort Worth. um avião teria de voar 24 horas por dia durante quase 12 anos para que morresse uma pessoa.o dobro dos de 1984.o do Aeroporto de Hartsfield Atlanta. mais espaço é preciso. os confunde. 33 . a federal Aviation Administralion emprega 15 500 controladores aéreos . Contudo. novas tecnologias permitirão atender mais pessoas com as instalações existentes. os aviões estão separados por espaços de 2000 pés (610 m) na vertical e 60 milhas marítimas (110 km) na horizontal. os quase acidentes nos EUA ocorreram à razão de três por dia . Os principais locais de perigo são os próprios aeroportos. descem para aterrar ou circulam aguardando autorização para aterrar. tratamento computorizado das bagagens. pois 90% de todas as colisões e quase colisões entre aviões dáose quando estes sobem depois da desço lagem. Com a expansão dos parques para automóveis. na Geórgia. mesmo so brevoando o oceano. A sua remodelação teve de ser planeada por forma a causar o mínimo de transtorno ao pessoal e aos seus 0 milhões de passageiros anuais. Cada terminal acaba por assemelhar se a uma pequena cidade. Nos corredores entre Nova Iorque e Londres. empregados das lojas. cada avião seja entregue de uma zona de controle à outra. o Aeroporto Internacional do Rei Khalid.

alguns aeroportos retiram lucros destas esperas. Durante um breve instante. Os visores de radar serão a cores e terão informações sobre o estado do tempo. e os passageiros. demonstrou que os controladores de tráfego aéreo recebiam uma chamada em cada quatro segundos. que é actualizado em prínl outs do computador durante o voo. passando mesmo por cima dele a uma velocidade combinada de 1600 km hora. seguem atentamente os aviões que aterram e levantam na área e estão em constante comunicação com os pilotos. l\Ví— % *s t >íw4»%Kv'l ' fr. está a planear uma revolução no controle do tráfego aéreo. que podem provocar desastres quando o avião desce para aterrar. Os aviões fora do contac to com os centros de controle de tráfego serão monitorizados por satélite. Cada avião emite um sinal identificativo que é visto no radar. permitindo que os aviões de companhias que pagam mais passem à frente dos das outras. Ohio. e há computadores que ajudam a planear cada uma delas e a prever as suas consequências. Aumenta assim a probabilidade de os erros surgirem e passarem despercebidos. procedente de Chicago e voando para leste com 194 pessoas a bordo. As acções constam todas dos manuais e instruções de procedimentos. Quando um aparelho se aproxima de um aeroporto movimentado com intenção de aterrar. E lhe então atribuída uma rota de voo própria que o conduz à pista. subia para a posição que lhe fora atribuída. em voz sintetizada. no entanto.7 (34 700 pés) neste momento. a 37 000 pés. dirigindo-se para oeste com 114 pessoas. O controlador apercebeu-se de que os dois aparelhos se encontravam numa rota de colisão. Através da Europa. com um custo de perto de 20 000 milhões de dólares. os sistemas computorizados actuais estão obsoletos. Só que. A forma de preservar e aumentar a segurança é recorrendo à computorizaçào. Todos os planos de voo e ajustamentos de horários serão actualizados automaticamente. à medida que as exigências se acumulam. 0 relatório sobre o desastre de um avião durante uma trovoada no Aeroporto Dallas-Forl Worth. Mas. descrita como moderada. Teoricamente. O avião picou com um movimento de revolver os estômagos. voava a 35 000 pés. as hospedeiras e os carrinhos com os tabuleiros de comida "voaram" quando o chão lhes fugiu debaixo dos pés. os aviões não são autorizados a iniciar o seu voo antes de terem garantido o respectivo espaço de aterragem. instruções para não-colisão. tra balhain sob pressão crescente. mas ainda estamos na zona das nuvens. em 1985. fez uma chamada urgente para o DC-10: "AA 182. dos EUA. corre." Controlador: "AA 182. Assim. \9 wP A u V *** V "Í-Jí 1% \ \ \ 1 c. Nada devia correr mal. Nos EUA. O novo sistema quadruplicará a capacidade pela utilização de computadores. às vezes. Reagindo imediatamente. Na sua maioria. determi nando em simultâneo que os restantes aviões diminuam a sua altitude de voo à medida que os outros vão aterrando. de Chicago.Antes de descolar. Como são escolhidos os controladores de tráfego aéreo Controlar o tráfego aéreo é como jogar xa drez a três dimensões. sem cintos de segurança. cuja capacidade é qua tro vezes superior â dos anteriores e que são oito vezes mais rápidos. acabara de entrar de serviço. desça imediata mente para 33. Noutros países. Conseguimos ver estrelas por cima. Esta carga de trabalho foi. Os controladores de tráfego monitorizam a viagem a partir destes printouts. num padrão de espe ra. é dirigido para um ponto de referência por sobre um radiofarol.mas a diferentes altitudes — sobre o ponto de referência. no Texas.0 CS. Se se tiver cuidado e mantiver a calma e a lucidez. o controle (\o tráfego aé reo é um sistema de fiabilidade comprovada. A Federal Aviation Administration. O sistema sugerirá aos aviões manobras de escape sempre que verificar que dois aparelhos se encontram em rota de colisão. e os controladores de tráfego. mas será mais seguro pelo menos por uma ou duas décadas. 34 . em geral a várias milhas de distância. os problemas multiplicam-se. O comandante Guy Eby reagiu instintivamente. Km 2G de Novembro de 1976. Outro computador tratará as subi tas alterações na direcção do vento. O satélite dará também informações sobre as hipóteses de congestionamento. um controlador de tráfego aéreo em Cleveland.» No cockpit do DC 10. colisão essa que ocorreria dentro de poucos segundos. Um DC 10 da American Airlines. dirigindo dezenas de voos. Um Jumbo da TWA. os controladores de tráfego aéreo no Aeroporto 0'Hare. os aviões recebem or dons para voarem em círculos concêntricos . Obser vava o seu radar havia apenas 55 segundos quando se apercebeu de que estava em presença de um desastre iminente. Um computador a bordo detectará outros aviões na vizinhança e dará ao piloto. Sentados defronte dos visores de radar. 4m •V«a» Controlando os caminhos aéreos. Contudo. Os registos de voo mostraram depois que 0 DC 10 es lava a 14 m da altitude do Jumbo quando mergulhou para se pôr a salvo. Em certos países. Cleveland. empurrando para a frente a alavanca dos coman dos. o comandante Eby viu o seu pára brisas tapado com o Jumbo da TWA. o céu pode vir a tornar se mais congestionado. nada acnnte cera. Os controladores fazem então aterrar os que voam a altitudes mais baixas. os sistemas computorizados de cada país são frequentemente incompatíveis entre si. cada avião entrega um plano de voo.i 000 pés). qual é a sua altitude?" A resposta do avião foi: "Atravessando os 34. durante períodos de ponta pode acontecer que o número dos aviões que querem aterrar é su perior àquele que o aeroporto comporta.

estão preparados para analisar e agir com base no enorme conjunto de informações em constante alteração nos visores de radar e de computadores. Mas não há capacidades intelectuais nem conhecimentos técnicos que dêem -two. Descend to three thousand feet on QNII one-zero two four. a dedicação e autodisciplina são também características indispensáveis. São depois colocados num aeroporto ou num centro de controle para fazerem um estágio sob orientação superior Quando finalmente são considerados aptos. balas. . pois adquirira um bilhete através da empresa em que trabalhava. movimento e todas com pilotos aguardando instruções. Estava grávida de cinco meses. figuravam uma pistola. com sessões práticas em centros de controle e aeroportos. Preparava se para voar para Israel. à esquerda) linha na mala uma bomba de relógio. Os candidatos a este lugar tem de ler uma boa forma física. A conversa durante as horas de trabalho restringe-se muitas vezes as instruções dadas nas frases formais necessárias para garantir clareza e rigor: "Roger. Aler tado por esle peso suspeito. Sem o saber. que transportaria 375 pessoas para Te lavive. Fora colocada pelo seu noivo jordano. Depois despejou a mala e achou-a 'muito pesada para uma mala vazia". Uma calculadora de bolso no meio das roupas de Ann continha um relõ Convite para a morte. em 17 de Abril de 1986. além das formalidades de comunica ção com os pilotos. em Londres.eo visor de radar do controlador pode apresentar 25 imagens simultâneas.) Não se pode dizer que seja divertido. que nada mostrou de anormal. Um grande aeroporto como o de Frankfurt trata uma média de 805 voos por dia kao NÊ»!!^ K/. Embora nos aeroportos pequenos os controladores consigam ver os aviões a manobrar. Um empregado da segurança fez lhe algumas perguntas de rotina e passou a sua mala pela máquina de raios X. Desça para três mil pés no QNII. todas em A caça permanente aos terroristas Ann Murphy. nos grandes muitos deles estão permanentemente sentados em salas com iluminação difusa defronte dos seus radares. Ann Murphy entrou na bicha com os outros passageiros para embarcar woJum bo. boa visão. Nezar Hindawi (em cima. de 32 anos. Nunca vêem o avião e podem ler muito pouco contacto com outras pessoas. Estudam em salas de aula e em simuladores. que mais lar/te foi condenado o 45 anos de prisão por tentar fazer explodir o avião com os seus 375 DOS saleiros Entre as provas apresentadas a julgamento (à esquerda). à direita).O incidente ilustrou as qualidades. ideais de um controlador de tráfego aéreo: concentração. Mas o desafio. paciência. os futuros controladores de tráfego aprendem leis da aviação e teoria de meteorologia e ra diocomunicação. 35 . um passaporte e uma calculadora para detonar o explosivo. O noivo. disse-lhe que seguiria noutro voo. Assim. um zero dois quatro". seven three Rastreio por números. a irlan desa Ann Murphy (em cima. um saco. Nezar Hindawi."':"-'!!!"Í controlador as características de per sonalidade necessárias para desempenhar cabalmente a sua missão.um por minuto nas horas de ponta — . a língua internacional da aviação. rapidez de decisão e unia aulori dade em que os pilotos possam confiar instantaneamente. 0 oisor na sala de radares do Aeroporto Nacional de Wash ington atribui um número de voo a cada avião no seu espaço aéreo para que os res pectiuOS movimentos possam ser vistos e seguidos pelo radar. pois lrata-se muitas vezes de uma ocupação solitária envolvendo trabalho em turnos durante a noite. expressão verbal clara e habilitações que in cluam o inglês." ('"Entendido. sele três-dois. chegou ao controle de passageiros da El Al no Aeroporto de Healhrovv. a responsabilidade e o salário compensador garantem que não haja falta de candidatos a controladores. na convicção de que iria conhecer a mãe do seu noivo jordano antes de casar. além de um temperamento calmo e equilibrado.5 kg de explosi vo plástico. uma atenção viva e reacções rápidas. empregada doméstica irlandesa. puxou pelo fundo da mala e descobriu um comparti mento secreto contendo 1. Durante <> curso.

ou num aparelho de rádio. Terrorista palestiniano apoiado pelos Serviços Secretos Sírios. Embora as companhias não gostem de revelar pormenores. Nesta fotografia. Os passageiros têm de apresentar-se cerca de três horas antes da partiria e submeler-se a urna revista completa das suas pessoas. que revelam o local de origem e a data de compra. como no caso rio Jumbo da Pan American que explodiu no ar sobre a cidade escocesa de Lockcrbie em 21 de Dezembro de 1988. existem diversos tipos de segurança nos aeroportos. As pessoas revistadas são habitualmente escolhidas se opõem. já tem introduzido nos aviões armas e explosivos.nhias aéreas poderão introduzir a "etiquetagem oculta" o tratamento dos uniformes. matando 259 passageiros e tripulantes e II residentes da pequena cidade. dizendo que era para um amigo. Enquanto novas ideias e novos progressos técnicos se sucedem. como no caso da El Al. os operadores dessas máquinas baixam-lhes frequentemente a sensibilidade. a mais preocupada com a segurança. A caminho do aeroporto. os responsáveis da segurança mantêm com os terroristas um permanente jogo do gato e do rato. Cada uma destas tragédias provoca nos aeroportos uma segurança mais apertada. além de óculos de sol e uma tesoura. dos veículos e dos passes com um produto químico detectável apenas por equipamento especial de leitura. aumentando assim o risco de deixar passar pequenas armas. gio c um detonador que teriam feito expio dir a bomba às 13 horas. um monitor de raios X reoeta que a mala inspeccionada. O pessoal de abastecimento e de limpeza. Embora estas etiquetas apenas se tomem úteis após a explosão. E há sempre um conflito entre a necessidade de segurança e a necessidade de pro cessar rapidamente o movimento dos passageiros. a sua inclusão poderá dissuadir os terroristas ao tornar mais garantida a respectiva detecção.minúsculos pedaços de plástico. Mas as verificações por raios X são apenas tão eficientes quanto os guardas que as fazem: a maioria das pessoas aperceber-se-ia de uma pistola vista de lado . Os piratas do ar pedem geralmente dinheiro. mas a segurança terá sempre as suas limitações. contém uma pistola. Entre 1973 e 1980. Desde então registaram-se mais de (iOO incidentes. Revista aos passageiros Quase todos os aeroportos revistam actualmente alguns dos passageiros e a sua bagagem. quando o avião voasse a 39 000 pés sobre a Áustria. Fiscalização do pessoal Um aeroporto é uma área enorme que emprega milhares de pessoas e tem muitos pontos vulneráveis. por exemplo. Por outro lado. para evitar que os alarmes disparem desnecessariamente. como no desastre da Pan Am. de cores codificadas.mas vista de frente será mais difícil de reconhecer. Hindawi foi apanhado e condenado a 45 anos de prisão. vulgares na década de 70. Ann Murphy . Mas. Nezar Hindawi dera-lhe a mala — já contendo o explosivo sob o pretexto de que a dela era muito pesada e colocara nela a calculadora. quando pela primeira vez um avião foi assaltado — um avião das Linhas Aéreas Peruanas pirateado no Peru. permitindo assim rastrear os que os adquirem. A El Al. E os terroristas tratam as companhias aéreas como um símbolo da nação a cuja política Detectores de metais As máquinas que criam campos magnéticos têm sido largamente utilizadas desde o princípio dos anos 70 na detecção de objectos de metal dentro das bagagens. 90% dos quais depois de 1968. Etiquetagem de explosivos Alguns fabricantes de explosivos incluem "etiquetas" nos seus produtos . Mas os responsáveis pelos aeroportos dizem que seria demasiado caro e demorado se cada companhia verificasse todas as pessoas e todas as peças de bagagem. Os crimes no ar. só nos EUA descobriram 20 000 armas de fogo. os detonadores e os fios utilizados para a explosão podem ser facilmente in corporados numa calculadora. publicidade ou acção política. tem fama de ser. Os acordos internacionais poderão alargar o uso desta etiquetagem. no Mundo. A pilha. Hindawi pusera uma pilha na calculadora para armar a bomba. Para apertar a segurança. O explosivo plástico — como o Semtex checoslovaco — é invisível aos raios X. É um pesadelo que às vezes se toma medonhamente real. Olho perscrutador. A El Al revisla-os a todos. têm sido aperfeiçoadas com circuitos transistorizados a fim de fornecerem imagens suficientemente nítidas para poderem detectar fios eléctricos mais finos que um cabelo humano. Toda a baga gem é examinaria à mão. as compa 36 . O pesadelo de um acto terrorista num avião lotado pende constantemente sobre todos os responsáveis pela segurança aérea. Nos aeroportos de todo o Mundo oerificam-se as bagagens por meio de raios X. Radiografia das bagagens As máquinas de raios X de baixa intensidade. os detectores de metais podem vir a tomar-se obsoletos: os peritos em segurança temem que um dia seja possível construir armas de plástico. datam de 1930.que deu à luz a filha de ambos atites do julgamento foi descrita no tribunal como a vítima de "um dos mais insensíveis actos de iodos os tempos!" 0 avião teria sido destruído no ar com todos os passageiros e tripulantes se não fosse a atenção vigilante do empregado da segurança e a perfeição do sistema de verificação de passageiros e bagagens da Kl Al. a companhia de aviação israelita. em particular os assaltos e a sabotagem.

97). são entregues a partir dos respectivos locais no edifí cio de quase 5 ha. a não ser que haja razões para suspeitar de determinado voo ou passageiro. Até que novos aparelhos sejam inventa dos ou aperfeiçoados. especialmente para detectar explosivos plásticos. por questionários que incluem perguntas sobre quem fez as malas dos passageiros e se alguém lhes pediu que transportassem alguma coisa. As máquinas eslão a ser instaladas em certos grandes aeroportos.Num voo intercontinental típico. Os 15 elementos do pessoal de cabina tentam pôr os tabuleiros em movimento imediatamente a seguir a estar pronto o principal prato quente. uni bolo de anos requisitado à pressa . Umas cozinham previamente os alimentos para serem reaquecidos na estufa ou em fornos de microondas a bordo. cm Heathrow. liem como diversos tipos de sensores de gases (v. mas há pedidos cons tantes de dietas especiais por razões de saúde. a refeição é servida conforme o fuso horário local. a melhor defesa contra os terroristas é a vigilância eficiente. as refeições são parcialmente cozinhadas e rapidamente congeladas para poderem ser depois terminadas nos fornos do avião e servidas logo que acabadas de cozinhar. mas feita com lacto. por muito sensível. As refeições nos aviões. como rotina. Nenhuma máquina ou animal. a British Airways possui . Refeições a bordo. Contudo. que bombardeia as bagagens com neutrões (partículas su batómicas) que reagem com 0 azoto utilizado na maioria dos explosivos. para os veículos do calering local. para dar tempo a serem transportados para o avião. SERVIÇO A BORDO No dia da partida. Londres. incluindo acepipes e sobre mesa preparados de fresco. Nos voos da British Airways.GRANDES PROEZAS DE ORGANIZAÇÃO ao acaso. que atravessa as bagagens com radiações moderadamente radioactivas. Gerias frequências são parcialmente absorvidas pelo conteúdo. especialmente nas viagens de lon go curso. serve-se aos passageiros uma refeição de três pratos (com o prato principal à es colha). pois as buscas muito complelas conseguem tornar hostis até os passageiros mais pacientes. além do pequeno-almoço ou do lanche. o centro começa a preparar os tabuleiros. o melhor aliado do terrorista é o inspector de segurança abor recido e descuidado. Cerca de quatro horas e meia antes da hora da partida. Podem Iam bém ser encomendadas refeições especiais para crianças até 24 horas antes da partida. Todos eles têm de estar verificados e prontos para embarque duas horas e meia antes da parlida. A bordo. p. pão. consegue detectar explosivos inodoros ou hermeticamente fechados. o centro abastece 30 voos de Jumbo. Quando os tabuleiros estão prepa rados. As revistas são agora apoiadas. Recolhidos os tabuleiros c colocados novamente nos carrinhos. religiosas ou culturais. estão em progresso diversas técnicas. uni Jumbo acomoda tantas pessoas como um hotel ou um hospital de tamanho médio. os três conjuntos de refeições para as três classes são armazenados nas respectivas cozinhas — geralmente. seis. Em Heathrow. Os componentes. Uma delas é a radiografia por raios gama. Foi o sentido de vigilância que levou os homens da segurança a descobrir a bomba na mala de Anu Murphy. No ar. que poderão transportar quase 12 000 pessoas. Falta agora uma hora para a partida. Outro dispositivo é o aparelho de análise por neutrões térmicos. talheres e condimentos. no destino. .é entregue por camiào-frigorífico. O pessoal do centro de forneci mento de refeições da British Airwoys em Heathrow expõe o comida que vai ser servi da aos passageiros de um Jumbo. as necessidades definitivas de refeições constam do ASPIC. as grandes companhias de aviação preparam os pratos em centrais de caleriny dos aeroporlos das suas cidades de origem. Na maioria. No futuro imediato. salvando assim centenas de vidas inocentes. Num dia típico. tem no seu quadro centenas de pessoas in Cluindo 80 cozinheiras — que preparam cerca de 160 000 refeições por semana. são colocados 30 em cada um dos conhecidos carrinhos de transporte com a largura da coxia e levados juntamente com os carrinhos de bebidas com as louças e talheres e ou tros artigos. O número total dos artigos de cateríng de um Jumbo eleva se a 35 000. Os processos de preparação dos pratos quentes variam conforme as companhias aéreas. o sistema automático do centro da Brilish Airways para o conlrolc da produção do fornecimento de comi da a bordo. libertando um gás detectável. Percepção à distância Utilizam-se cães com faro educado para detectar explosivos. Qualquer artigo de última hora — uma refeição es|)ecial para um passageiro diabético inesperado. dando ao feixe de raios uma '"assinatura" que identifica os explosivos. As ementas são planeadas com três meses de antecedência. Refeições a bordo de um "Jumbo" Com uma lotação que pode ir até 400 lugares. tudo fica pronto para ser descarregado. procuram ter o nível de um bom restaurante. O enorme centro de prepara ção e fornecimento de refeições da British Airways.

a ajuda nos iniinicações por satélite levaseus esforços de criar funram imediatamente a notícia à Bolsa de dos.90 000 peças por dia — por meio de um íman. possui em qualquer momento.> 000 artigos. Os mercados de emprestado a um banco títulos do Mundo agem quapor um prazo fixo. perguntavam. escala. recebeu a notícia dia terminar. Este centro emprega lf>0 pes soas — mas apenas 130 na cozinha —. milhares de dólares. o que. a companhia procura fornecer ementas diferentes para cada classe no percurso entre cada escala. A Bolsa ter desse investimento um de Sydney abriu as portas na rendimento melhor do que manhã de segunda-feira enaquele que conseguiriam quanto grande parte do dando ao sen dinheiro uma Mundo dormia ainda. Exemplo dramático foi a O segundo processo leni quebra verificada no merca vantagens para a empresa. A bolsa é o local para a compra dres. seguindo-se um rar. Como podiam dar se perdas tão emite. a sua hora de abrir. um dos fundadores mais de 500 biliões de dólares antes de o e venda de valores — designação genéri da dinastia Rothschild. sob a forma de notícias que recebe dos títulos. Lord Liverpool. duas maneiras princiem toda a parte quase imepais de o obter: ou o pedem diatamente. tenda comprar. Enquanto a Terra rodava no seu eixo.se dirigem para obterem parte do capital de que preHoje em dia. ficam de Nova Iorque sofrera uma com direito a parte dos luqueda brusca na sexta (eira cros se a empresa prospeanterior. à medida que cada panhia falhem por complebolsa ia abrindo para um to. e os seus títulos aumenfim-de-semana efervescente tarão de valor. O mundo especial e arriscado do mercado de títulos Assim que se extinguiu o ruído dos calevando sucessivamente a cada bolsa res das bolsas está agora a ceder o lugar nhões no campo de batalha de Waterloo. ca para os fundos do Estado. No local de destino do avião. a alguém que os preoutros. A Bolsa tulos. portante de investidores potenciais — e O tradicional frenesim de compras e ao seu dinheiro. Este financeiro. por seu lado. o ciclo rei nicia-se.também um centro de lavagem do equi pamenlo cie serviço utilizado a bordo. Quando o }" voo tem duas ou mais escalas . e os va. Através da bolsa. 0 preço subiu durante os quatro dias cesso do mercado livre da oferta e procura. A 800(1 m acima do solo. Os semblantes preocupados dos corretores de Estar cotada na bolsa dá lores das acções baixaram títulos londrinos refleclerti a consternação provocada peio crash mundial prestígio ã empresa. Os outra aplicação menos ar corretores foram inundados riscada. cada um detêm vendendo uma parte de les reagindo sem demora às si próprias. eles representam um investimento para atenção para o mercado de títulos de pes a pessoa que os compra e uma forma de Rothschild sabia que o preço dos títulos sejas que normalmente nem reparam que obter fundos para a organização que os do Governo Inglês subiria em flecha quanele existe. Como d que por isso grandes quantidades desses títufuncionam as bolsas de valores? A bolsa de valores determina. as acções. por ordens de venda. nos corredo3H . Esperam obde pânico financeiro. ao jeito de leilões. vendas. caso os onda de choque à volta do empreendimentos da comMundo. e Rothschild viu aumentar a sua o valor de cada título para a pessoa que o têm sido a praça aonde as empresas — e já considerável fortuna. Os valozam. . â mecm 1815. do de títulos na segunda-feira porque o dinheiro obtido li) de Outubro de 1987. Há três séculos ou mais que as bolsas seguintes. que não tem necessariamente se transmitiu como uma de ser devolvido. Mas os princípios básicos náo se ao banqueiro Nalhan Rothschild. ou o obse em uníssono. Os compradores dos tínovo dia de trabalho. e Nova Iorque outra vez. a notícia da vitória dos aliados bo — Hong Kong.Scgunda-Feira Negra. do a notícia fosse conhecida. Singapura.Londres- Abu Dabi-Singapura Sydney. Há um aparelho que pega nos talheres . No curto espaço de tempo em que O avião está pousado. e os aconeconomias de mercado litecimentos são conhecidos vre. por sua vez. Comprou volumosas?. Todos A "Segunda-Feira Negra" veio chamar a tro britânico. a onda varreu o Gloao ruído surdo da alta tecnologia. também alguns governos . as organizações financeiAs empresas que necessitam de diras de todo o Mundo estão nheiro extra para financiar interligadas por comunicaas suas actividades têm. a empresa tem cisam para financiar os seus empreendiTóquio. As co dos mercados de títulos na "Segunda-Feira Negra" do Outono de 1987. que é recolhido dos aviões logo que estes aterram. as bolsas da dida que os corretores se computori sobre Napoleão foi levada por estafetas até Kuropa. por exemplo —. a mudança de ementa é a única coisa que distingue um percurso do outro. é embarcada uma carga de . nas ções electrónicas. apesar da enorme automatização. mais de 24 horas antes do primeiro-minisas obrigações e títulos similares. em Ixin res das empresas americanas desceram alteram. pelo prolos. onde se deu uma venda em larga igualmente acesso ao conjunto mais immentos.

Estes mercados impõem condições menos rigorosas que as dos grandes mercados. foi criada uma entidade independente. mas obedecem. as bolsas do mercado têm sido tradicionalmente ad ministradas precisamente por aqueles que lhes deram origem. Em outros países. O segundo privilégio. igualmente importante. que poderá ameaçar a estabilidade dos mercados nacionais e até internacionais. em baixo). é serem corretores — as pessoas que têm acesso directo aos market makers para comprarem ou venderem em nome dos investidores. onde são cotadas as empresas que não preenchem as condições impostas para a cotação oficial. o processo ainda náo é inteiramente automático: o corretor tem ainda de falar com o market maker para fazer negócios importantes. os membros náo estão sujeitos a um número preesta- belecido de vagas e a bolsa é aberta a qualquer empresa que preencha os requisitos de admissão. Há regras para garantir que as empresas cotadas dèern aos investidores informações completas e rigorosas acerca dos seus negócios e os tratem com honestidade e dentro da lei. o market maker é a figura principal.chega a cerca de 375 000 dólares em Nova Iorque e a 6. Uma ligeira tendência baixista no mercado de títulos poderá desencadear umas quantas vendas stop•loss. desde que os outros membros concordem com a admissão e exista uma vaga. acções e obrigações. de serem o ponto central através do qual os valores são comprados e vendidos. provocando um consequente novo abaixamento. como a Comissão de Títulos e da Bolsa. Prevê-se ainda para breve a criação de dois "terceiros mercados" regionais (Lisboa e Porto). utilizando a sua carteira de títulos pessoal para corrigir desequilíbrios. 0 preço é elevado . Corretores da Bolsa de Tóquio rodopiando na zona central (à esquerda. com o aparecimento dos sistemas computadora computador. os títulos são vendidos para minimizar as perdas dos proprietários. que pode comprar ou vender a corretores que o contactem. gritando os preços por que eslão dispostos a comprar determinados títulos (o bid) ou a vendê-los (o ask). por exemplo. com instruções dos seus clientes. mesmo assim. originando um crash difícil de controlar. comprando e vendendo títulos públicos. ou que pode comprar ou vender por sua própria conta. Uma empresa não é automaticamente admitida na bolsa. Em Portugal há o chamado "mercado não-oficial".6 milhões de dólares em Tóquio. Km Nova Iorque. Em Londres. "CRASH" POR COMPUTADOR? A utilização de computadores por alguns investidores no mercado de títulos criou um processo chamado "venda stop-hss". Mas. se juntam em volta do especialista. nos Estados Unidos. O negócio assume a forma de um leilão livre na sala da bolsa. a qualidade de membro pode ser comprada. a regras estritas. Assemclham-se a clubes privados muito exclusivos. e assim sucessivamente. Em muitos países.Passo acelerado. "Market makers" e corretores O privilégio máximo concedido pelas bolsas aos seus associados é o direito de serem market makers em títulos — isto é. Na Bolsa de Va lores de Nova Iorque. por sua vez. 39 . E caro e complicado para as empresas conseguirem cotação nos grandes mercados. Tóquio ou Londres. e estas têm de obedecer às leis do país. Corretores da Bolsa de Honsf Kon# sentam-se em frente dos computadores e dos telefones. A fotografia mais aproximada mostraos em compenetrado colóquio. O «floor». Mesmo nas bolsas mais automatizadas. Em alguns países. no qual os corretores. São os sócios que elaboram as regras da bolsa. como a Grá-Bretanha. o mundo financeiro arrisca-se a um crash dirigido pelos computadores. como os de Nova Iorque. Quem administra as bolsas? Como templos do mercado livre. desencadeará outros. o "especialista" desempenha um papel idêntico. Se o preço desce abaixo do progra mado. A cada es pecialista é atribuído o direito exclusivo de negociar em determinados títulos. Muitos países criaram mercados secundários para as empresas de menores dimensões que pretendem oferecer ao público os seus títulos. uma companhia cotada tem de ter um activo de pelo menos 16 milhões de dólares. O especialista concilia compradores e vendedores da melhor maneira. Os proprietários de valores dão instruções aos corretores para programarem os seus computadores com determinado preço para cada título. Este. para vigiar a actividade diária das bolsas em representação do público.

por exemplo. com cerca de 1500 empresas coladas. o negócio centrava-se em cafés. No entanto. A Bolsa de Valores de Amsterdão reclama-se como a mais antiga. O preço dos títulos Os títulos cotados oficialmente são inicialmente emitidos com um valor nominal ou facial. fundada por volta de 1611. e os especuladores podem ainda fazer dinheiro concordando em vender. Uma empresa que pretenda. títulos que nessa altura ainda não tenham Na Bolsa de Tóquio. em 1987. o preço sobe. Até ao princípio do século xix. Os corretores trabalham geralmente à comissão. bolsa 50 000 acções com o valor nominal de 2000$ cada uma.declarações de dívida emitidas pelos mercadores em troca de empréstimos. A Bolsa de Valores de Tóquio ocupa o segundo lugar mundial. que operam de forma semelhante. Em Nova Iorque. naquilo que mais tarde foi a famosa Wall Street. foi introduzido em Inglaterra um primei ro sistema de regulamentação dos corretores. as bolsas de valores.Locais de pânico. Quando há mais a vender. na maioria. Se o portador de uma letra precisava de dinheiro antes do respectivo vencimento. podia vendê-la a um terceiro Mas só no século xvn as bolsas começaram a evoluir para a sua forma actual. à excepção de não serem autorizados a comprar ou vender títulos por conta própria: são meramente intermediários nas transacções da sala da bolsa. os preços dos títulos estão a cair. debaixo de uma árvore. os corretores encontravam se ao ar livre. Desde a compuíorizaçâo da Bolsa de Valores de Londres. 40 . com quase tantas empresas como Nova Iorque. angariar 100 milhões de escudos pode pôr à venda através da Ciência de computador. o equivalente aos especialistas de Nova Iorque são os dia mados saitori. as pessoas compram títulos na esperança de que o seu valor aumente e venham a poder vendêlos com lucro. Mas o desenvolvimento industrial do século xix e a explosão da oferta de acções e outros títulos criou a necessidade de instalações permanentes. uma vez que aqueles títulos comecem a ser negociados. Os corretores vagueiam consternados com a grande quebra da Bolsa de Nova Iorque em Outubro de 1987 (em cima) Há momentos de tensão fã esquerda) quando perscrutam nos seus computadores os últimos movimentos do mercado. pelas sociedades corretoras ORIGEM DAS BOLSAS As cerca de 130 bolsas de valores do Mundo têm as suas origens na França e Países Baixos (Bélgica e I lolan da) do século xin. Os market makers obtêm o seu rendimento do spread das suas transacções — a diferença entre os valores de compra e venda. Em 1697. o seu preço de mercado pode revelar-se superior ou inferior ao valor nominativo. mas com um valor de transacções inferior a metade daquele. Os monitores mostram a situação do mercado. Quando há mais pessoas a comprar do que a vender. a um preço fixo. os corretores trabalham a punir dos seus próprios escritórios. Em Londres. eram ajuntamentos informais de corretores nos bairros mercantis das cidades. o preço baixa. ligada ao valor dos títulos que compram ou vendem por conta dos seus clientes. Num mercado altista. Em Portugal. Num mercado baixista. Os negociantes vendiam letras de câmbio . A Bolsa de Valores de Nova Iorque é o maior centro de transacções. repre sentando 60% do negócio mundial de títulos. a função de market maker é desempenhada pelas sociedades finan ceiras de corretagem (dealers). (brokers). e a função de corretor.

e alguns possuem agências. caixa de velocidades e sistema de injecção do com bustível da Alemanha. pelo ou tro. à medida que se processam as compras e as vendas. Depois de admitir ter utilizado informações confidenciais sobre fusões de empresas. E o progresso global do mercado é medido através de índices compostos por diversos tít u los-ehave. carros reluzentes já a andar. que são depois totalmente desfeitas em equipamento apropriado com a garantia ria máxima eficiência. Pagara quantias enormes por es S3S informações: só de uma vez entregara 700 000 dólares em notas usadas a um banqueiro numa ruela da Wall Street. podem contar-se mudanças de governo. As moedas em circulação podem durar dezenas de anos. entre dois períodos sucessivos. Em 1986. A facilidade e comodidade de utilização do papel-moeda confere-lhe características tais que mesmo o recente aparecimento e desenvolvimento de meios de pagamento automáticos não tem provocado uma diminuição do papel-moeda em circulação. O Banco de Portugal não foge à regra de ter de queimar as notas em mau estado retiradas da circulação. E é verdade: os governos de todo o Mundo queimam em cada semana tonela das de notas velhas. Como se constrói um automóvel Os filmes de desenhos animados mostram fábricas de automóveis em que. mas as notas de pequeno valor mudam de mãos com tanta rapidez que se inutilizam em poucos meses. não obstante os Australianos já lerem posto a circular notas de plástico. o preço lenha caído ainda mais. foi acusado de investir em acções utilizando informa ções confidenciais sobre fusões de empresas. os pneus de França II .pago: esperam que. para assegurar o cumprimento dessas leis. Por volta de 1720. O inside trader tem de comprar as acções imediatamente antes de a companhia anunciar um aumento dos lucros ou de as vender antes de se anunciarem prejuízos. por exemplo. Em Saragoça. como. Os índices mais conhecidos incluem o Dow Jones Industrial Average (Nova Iorque). Um dos crimes mais notórios. Mesmo as notas "grandes" não duram mais que dois ou três anos. Mas é conveniente "congelá-los" periodicamente para se poder comparar. A operação de escolha das notas usadas e entradas no banco selecciona as notas incapazes de circular. o motor de Inglaterra. O valor dos títulos está em constante variação. referente ao dia anterior. Boesky fez uma confissão pormenorizada. acerca de uma empresa para se obter lucro com os seus títulos. Ivan Boesky. sendo os resíduos aglutinados em brikettes destinados a ser utilizados como combustível industrial. São mais de 150 milhões de notas destruídas anualmente. as companhias de seguros. pois o processo pode envolver fábricas de todo o Mundo para a construção de um único carro. é o inside trad ing. Desde os primeiros tempos das bolsas houve sempre tentativas de burla. mas o seu impacte é difícil de prever. a suspensão. entra ferro em bruto e saem. John Aislabie. Mas a realidade não é muito menos notável. AS FRAUDES NA BOLSA "Inside trader". por um lado. o Financial Times/Stock Exchange 100 (Londres) c o Nikkei 225 Stock Average (Tóquio). até que a imagem se gaste ou a denominação se altere. onde a empresa americana General Motors possui uma enorme linha de montagem. nomeadamente os relativos à segurança e poluição. O valor de mercado dos lítulos é regido pelo comportamento da empresa que os emite e pela situação económica e política do país e do mercado. o chanceler do Tesouro Britânico. previsões de surtos ou quebras económicas ou aumentos súbitos no custo de matérias-primas essenciais. como a US Securities & Exchange Commission (Comissão de Títulos e das Bolsas rios Estados Unidos). O financeiro nova-iorquino Ivan Boesky (ao centro) deixando o Tribunal. Todos os dias é publicado nos jornais o preço do fecho de cada título. quando tiverem que o fazer. foi multado em 100 milhões de dólares e condenado a três anos de prisão. Dinheiro para queimar Os cínicos afirmam muitas vezes que os governos parecem ter dinheiro para quei mar. que consiste no uso de informações internas. Não se vislumbra ainda um substituto do papel-moeda. e um dos mais difíceis de suster. Todas os países têm as suas leis próprias para evitar as burlas. Entre eles. um eminente financeiro nova-iorquino. o comportamento desses títulos o dos títulos do mercado em geral. Claro que se trata de uma falsa imagem: os automóveis não são totalmente construídos no mesmo sítio. Os acontecimentos nacionais que afectam os valores comerciais dos títulos são fáceis de identificar. foi preso por "corrupção infame": enchera os bolsos durante a venda ao público de acções da South Sea Company. o aço para a carroçaria pode vir da própria Espanha. Espanha. Este quantitativo põe ao banco alguns problemas. têm orçamentos cada vez mais elevados para os seus departamentos de previsão. privilegia das. empreendimento que arruinou muitos investidores. que resultou na prisão de banqueiros e empresários. ou insider dealing. As empresas de corretagem internacionais e os grandes investidores. de modo que irão pagar menos do que aquilo que receberão. Foi condenado a três anos de prisão. Os índices são dados a conhecer a todo o Mundo duas ou mesmo mais vezes por dia.

num processo que envolve diversas prensagens para a criação de um corpo exterior rebitado a uma moldura interior. ou gabarits. se mantém hoje nas mãos do homem. Uma corda puxava os chassis ao longo de um trilho. o preço do Ford T desceu de 850 para 250 dólares. Em 1915. e com elevados custos. O mundo dos robôs O desejo de poupar trabalho tem continuado a inspirar novos processos. A primeira linha de montagem Em 1903. Tapetes rolantes passavam as pe ças em frente dos mecânicos e transporta oam os motores até aos montadores (em cima). como a instalação dos fios eléctricos. gruas robôs entregam folhas de aço a máquinas de estampagem gigantes. precisão. os painéis de metal nas estruturas de madeira. reduziu o tempo de montagem de 20 para 5 minutos. para a mala e para a roda sobresse lente. procedendo a inúmeras soldaduras e criando uma forma complexa com espaços para o encaixe das rodas. ao lado do qual se encontravam 50 operários. Aqui. com contribuições até da Austrália o da Coreia. Itália. o rádio da Holanda ou do Japão. Ao fim de cinco anos. Numa cadeia de montagem típica dos anos 80 . Noutros tempos. ficou reduzido a hora e meia. Quando pela primeira vez foi aplicado à produção de magnetos. 1 2 . com a introdução do transportador movido por correntes. em áreas do tamanho de três campos de futebol. em cada minuto e meio saía da tinha de montagem um Ford T.ou de Itália. Ford alargou •• o princípio à construção de Sr^V chassis. wrf Entusiasmado. só 30 das 2700 operações de soldadura são feitas à mão. os primeiros automóveis eram produzidos de maneira semelhante à das carruagens de cavalos com os operários andando de um lado para o outro. figs. a linha de montagem. que produzem 3000 carros por dia —. era tudo muito mais simples. martelando com vagar.como as fábricas rio Fiat Uno em Mirafiori ou Rivai ta. concentrava as suas atenções num único modelo . 40 máquinas reduzem o tempo de produção. Em 500 operações distintas. os resultados foram espantosos. de algumas horas para 15 minutos. em 1913. Em menos de 10 anos. Inverteu-se assim a relação operário/produto. e em três anos transformou se no maior construtor de automóveis da América. com robôs a substituírem operários. eliminando tarefas monótonas e garantindo maior Montagem manual. Apenas as tarefas especializadas. Ford começou a fabricar auto móveis em Detroit. a peça que lhe competia.8 milhões de carros. a cada um dos quais competia uma tarefa específica. Na fase seguinte. O tempo de montagem para os chassis desceu de 12 para fi horas e.para aproveitar ao máximo as peças normalizadas. A Ford Motors foi novamente pioneira em 1951 ao utilizar equipamento automático na produção de blocos de motor. Depois. Em 19/3. e Ford vendeu 1. Depois. foi preciso um génio de organização para aplicar o princípio à indústria automóvel: Henry Ford. de grandes dimensões mantêm em posição as ilhargas e o tejadilho para serem auto maticamente soldados no seu lugar. No Fiat Uno. quando este pas sava. que moldam e cortam as peças de metal para a construção da carroçaria. No princípio do século. Entretanto. por motor. pois agora era este que pas sava por uma linha de operários. as portas foram construídas em linhas de montagem paralelas. Henry Ford introduziu linhas de montagem na sua fábrica.o Ford T . Comercialmente. Embora os princípios da produção em série há muito se encontrassem estabelecidos para artigos como roldanas para barcos e armas de fogo. robôs constroem a parte inferior desta. cada um deles fixando ao chassis. a primeira fase consiste na chegada da chapa de aço ao sector de prensagem. introduziu a ideia que iria revolucionar a produção automóvel. o chão do carro.

1 mm.robôs para movimentar as peças —. Robôs controlados por computadores executam os trabalhos de produção na fábrica do Fiat Tipo em Cassino. é colocado por um sistema de elevação. A fase seguinte são os acabamentos do interior. . Vêm depois a suspensão. pulem. Robôs aplicam a cola aos bordos dos vidros e colocam estes nos seus lugares por meio de braços com dispositivos de sucção. Os forros de feltro. os assentos e outros acabamentos são aplicados por robôs. Muitas fábricas utilizam transportadores . contra a água. nas linhas de montagem final todas as carroçarias são verificadas por laser para se detectarem as mínimas distorções ou irregularidades. O depósito de com bustfvel é montado na parte traseira do carro. completo com a embraiagem e a caixa de velocidades. Os pára-brisas e outras janelas fixas são frequentemente colados à carroçaria para melhor ajustamento e redução da resistência ao vento e dos ruídos. um carro recebe uma de cerca de 2000 soldaduras automáticas. é desengordurado. e o motor. anticongelante. o carro está completo e pronto para andar. Quando recebe o seu passe final. O carro recebe os seus "nervos" — o sistema eléctrico. óleo e combustível. a neve e o sal. A pintura da maioria dos carros de série tem a espessara de 0. o carro está pronto para o stand ! • . como os pilares e as longarinas. as alcatifas. o carro recebe o seu coração. calafetam.Finalmente. quase completamente montado. o radiador e a bateria e finalmente as jantes e os pneus. À direita. lavado e coberto com fosfato para o tornar mais recepti vo à pintura.2 mm. utilizando um campo magnético para atrair a tinta. uma cera especial para protecção Montagem robotizada. Os robôs pintam. Itália. 0 carro.especialmente ao "teste de estrada" para verificação do seu comportamento. O acabamento A pintura de um carro é um processo importante . reduzindo assim a possibilidade de danos e a necessidade de mão-de-obra. a gravilha.protege o contra a corrosão e dá-lhe um acabamento bonito e brilhante. Depois de abastecido de água. soldam e montam os carros com precisão rigorosa. As últimas demãos — habitualmente três — são de tinta acrílica brilhante. A seguir. a direcção. Na última fase. O carro é içado numa grua. Um Rolls-Royce recebe 22 demãos. Após novas lavagens. À saída é inspeccionado antes de ser submetido aos últimos testes . são-Ihe aplicadas eleetrostalieamenle diversas deinãos de primário. injecta-se em todas as secções ocas. que produzem uma espessura de 0.

repe tem as operações um do outro. o vapor de água contido no ar condensa-se em nuvens. balões meteorológicos largados de 950 estações por todo o Mundo recolhem dados da atmosfera até uma altitude de 30 km. o Gilbert atingiu a Jamaica com força devastadora. pressão atmosférica. A quantidade de informações actual mente ao dispor dos meteorologistas é espantosa. O seu pessoal analisa uma imensidade de dados fornecidos por satélites. A previsão meteorológica local deu um passo em frente em 1643. Na década de 60. por exemplo. Só no controle do tráfego aéreo. recebendo energia do ar quente e húmido sobre os oceanos tropicais. em conjunto. Saber hoje qual será o tempo de amanhã é fundamental para o ocidente industrializado. até que no sábado 10 de Setembro. Apenas se podia rezar ou inventar provérbios baseados na experiência: céu pedrento — chuva. quando se encontrava sobre o Leste do mar das Antilhas. sistemas de radar. Indústrias inteiras — como a construção. os enormes pro gressos técnicos na recolha de informações e na análise de dados por meio de computadores fizeram pensar que a meteorologia poderia vir um dia a ser uma ciência exacta.5 milhões de habitantes e destruindo quase todas as colheitas de que depen de a sua economia bananas. na Grã-Bretanha — são centros mundiais Balão-sonda. No princípio do século xx. Durante a estação dos fura coes. À medida que se eleva no centro do ciclone. seis das quais se transformam cm furacões. formam se ao largo da costa de África mais de 100 tempestades. deixando sem casa um quinto dos seus 2. entra em acção. que. a rádio permitiu outro importante passo em frente. às vezes de hora a hora. quando o físico italiano Torricelli inventou o barómetro para medir a pressão atmosférica. Cerca de 600 aviões voando sobre os oceanos enviam diariamente os seus comunicados. Além disso. a fim de prever a sua trajectória — particularmente. precipitação. No princípio de Setembro de 1988. são avistadas. de Junho a Novembro. uma depressão ao largo da costa africana intensificou-se de forma progressiva. bóias automáticas e aviões. características de uma tempestade tropical. os ventos destroçaram a ilha. em geral por um satélite. Sele satélites meteorológicos perscrutam a Terra a partir do espaço. em Miami. libertando calor e atraindo mais ar húmido para o sistema. formam o Sistema Mundial de Telecomunicações. afastando se do equador e enfraquecendo quando atingem terra. observando a atmosfera até uma altitude de 80 km. situado em Bracknell. permitindo a previsão de mudanças iminentes com razoável segurança. Dois centros — o Centro Meteorológico Nacional de Washing ton. no Pacífico tomam o nome de tufões. em 1840. vento ou qualquer outro tempo. Quando as nuvens em espiral. nos Estados Unidos. Estas informações são fornecidas a uma rede de 17 estações espalhadas pelo Mundo. é medida a 10 m do solo). Em cada dia. No Atlântico chamam se furacões. a pressão atmosférica e a temperatura. de previsão de zona para a aviação civil. Estações operadas por pessoal fazem observações várias vezes por dia. que. temperatura. A Organização Meteorológica Mundial recebe relatórios de 9000 postos e 7500 navios. em condições normalizadas (a velocidade do vento. a navegação e a agricultura — dependem crucialmente de previsões de hora a hora e dia a dia. o ponto da sua penetração na costa. Os balões meteorológicos levam para o ar radiossondas . as previsões globais que permitem aos aviões aproveitar os ventos de popa ou alterar as horas de aterragem para evitarem as condições adversas poupam anualmente milhares de contos de combustível. por uma questão de segurança.grupos de instrumentos que registam a humidade. humidade. capaz de prever o tempo com semanas ou meses de antecedência. nebulosidade. Computadores com a capacidade de 3500 milhões de cálculos por segundo tratam os dados para elaborar as previsões. foi possível recolher informações de estações afastadas. Depressa se verificou que as subidas e descidas da pressão de ar correspondiam a alterações no tempo e que uma queda frequentemente prenunciava uma tempestade. o Cen tro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. Mas só depois da invenção do telégrafo. São largados regularmente por 950 estações em todo o Mundo. Os furacões duram habitualmente cerca de uma semana. Sob um céu de ardósia. II . cocos. foi classificada de furacão e recebeu o nome de Gilbert. estas informações produzem 80 milhões de dígitos binários de dados de computador — equivalentes ao conteúdo de vários milhares de livros. Os furacões enfraquecem habitualmente quando chegam a terra por se verem privados de humidade. e o Departamento de Meteorologia. Dois dias depois. Os acontecimentos que mais põem à prova os meteorologistas são os ciclones tropicais — enormes tempestades de configuração circular que se formam sobre os mares dos trópicos. Todas estas observações fornecem cm conjunto uma enorme riqueza de informações — velocidade e direcção dos ventos. até o clima local era frequentemente desconcertante na sua imprevisibilidade.Meteorologistas: sentinelas contra os desastres naturais Durante centenas de anos.

realidade e previsões depressa se afastam entre si. por muito pequenos que sejam os desvios. esses números não passam de uma aproximação. que é a sua falta de certezas absolutas. representou um tributo aos benefícios de uma correcta previsão meteorológica. enchendo as estradas e deixando para trás as suas casas fechadas e reforçadas com protecções. No segundo seguinte. afãs tando-se da ilha. por exemplo. Por exemplo. Os cientistas aceitam o facto de acontecimentos pouco relevantes poderem ter consequências enormes. Os furacões deslocam-se sobre o oceano por acção do ar quente e húmido. no México. Mas os efeitos podem ser Imagem de satélite. Podia ter sido muito pior: em 1979. A morte inesperada do Gilbert ilustra bem o grande problema das previsões me teorológicas. Este. EUA. os meteorologistas lidam apenas com probabilidades. café. à medida que rodopiava. a experiência que o me- Carol. e o Flora. Apesar dos computadores caríssimos e das suas fontes de informação a nível mundial. Os sistemas meteorológicos são imprevisíveis no seu pormenor. Muitas vezes. Edward Seaga. Instrumentos de detecção fornecem elementos a um computador que constrói imagens das nuvens por meio de códigos de cor num monitor de TV.Chicoteada pelos ventos. mas pouca destruição. Os números que descrevem factores variáveis como a velocidade do vento e a temperatura são verda deiros apenas momentaneamente. Não houve mais vítimas. o limite actual das previsões úteis não passa de alguns dias. chainou-lhe "o maior desastre natural da nossa história moderna". li. produzindo ventos com velocidade de 280 kirvíi — a mais poderosa tempestade que assolou o hemisfério ocidental neste século. o estado do tempo em Nova Iorque. Houve uma corrida aos géneros nos supermercados e 100 000 pessoas fugiram para o interior. e. o Gilbert abateu-sc sobre a península do Iucatão. Mas os meteorologistas não puderam ainda prever exactamente o que iria acontecer. açúcar e vegetais. o ar que se desloca do mar do Norte para os países europeus que o cercam pode formar uma delgada camada de nuvens que ou faz chover sobre a terra no dia seguinte ou se evapora com o calor do Sol. . Neste caso. em 1954. Com a trajectória do Gilbert para norte. o Gilbert quase duplicou a sua força. Narraganselt Bay. O resultado pode depender de uma diferença de temperatura de apenas alguns décimos de grau. marés altas e muita chuva. Rhode Island. assolou a zona de teorologista tem do mundo real é melhor guia para o futuro imediato do que qual quer modelo computorizado. puseram-se em alerta as costas do Texas. Depois. Com a sua trajectória prevista. da Luisiana e do Mississipi. em 1963. o furacão David matara 1100 pessoas. 0 primeiro-ministro. cerca de 300. O número relativamente pequeno de mortes causadas pelo Gilbert. Referem-se jocosamente a esta verdade desagradável chamando lhe o "efeito da borboleta" . estava já em dissipação. vitimara 7200. deixando 30 000 pessoas sem lar. Por esta razão. na madrugada de quarla-feira. os alertas revelaram-se desnecessários: quando o Gilbert chegou ao continente norte-americano. Trouxe ventos fortes.a ideia de uma borboleta batendo as asas em Pequim afectar.

Os cientistas pensam que existe uma relação entre a alteração nas temperaturas do mar e certas condições meteorológicas. Nesta fotografia de Londres. A água é canaliza da até às estações de filtragem e bombagem. onde se processa nova purificação. A água tratada introduzida na rede pode ser usada imediatamente ou desviada para armazenagem temporária nos reservatórios. da zona do Tamisa. Por exemplo. o Pepacton. O método habitual envolve a filtragem da água. são agora tão correctas como as que eram feitas a um dia há 10 anos. Há.substancialmente diferentes . embora alguns reservatórios de serviço sejam subterrâneos. necida na zona do Tamisa é obtida do próprio rio. Mas seriam precisos 17 dias para essa catarata tonitroante encher os 21 reservatórios principais que servem a cidade de Nova Iorque: 1210 milhões de metros cúbicos. que inclui Londres e Oxford. que capta as impurezas maiores. o rio Tamisa è a linha preta que serpenteia a meio da fotografia. incluindo a utilizada pelas fábricas e escritórios. Mais de metade da água canalizada for46 O abastecimento de água a Londres. Por outro lado. El Nino provoca também invernos ou mais suaves ou mais frios nos EUA Ainda ninguém sabe porquê — mas talvez um dia os efeitos desta corrente sejam previsíveis. A água é tratada quimicamente pelo cloro num tanque fechado para destruir as bactérias e desclorada em seguida para eliminação do sabor que lhe confere o produto.4 milhões de melros cúbicos de água. as cataratas do Niága/a vêem passar pela sua crista 72 milhões de metros cúbicos de água. Todos os dias. Só o maior deles.um dia frio e enevoado ou quente e soalheiro. Como se abastece de água uma grande cidade Diariamente. As previsões a médio prazo têm melhorado com as inovações técnicas. Os reservatórios são as manchas pretas à esquerda e em cima. por exemplo. Além de ter consequências sérias no clima. de certo modo. provindo a restante de reservatórios e rios subterrâneos através de furos artesianos ou de poços. vida animal e indústrias locais. por exemplo. as áreas verdes são vegetação. A água que é fornecida às cidades provém geralmente de rios . Previsões a três dias para a Europa. por duas vezes. Inglaterra. não é provável que as previsões venham alguma vez a ser correctas com mais de duas semanas de antecedência. os sólidos descem para o fundo. realizadas no Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo. A rede de distribuição da cidade leva a água ao consumidor através de mais de 9000 km de canalizações. . Um sistema de comportas leva a água dos reservatórios de armazenagem até a uma estação de tratamento.tubagens largas acima ou abaixo do solo —. tirada por satélite. as necessidades diárias. o que representa cerca de 750 I por habitante. exclusivamente para uso doméstico. de Reading. a água infiltra-se na areia grossa. que a transportam até aos consumidores. Estes estão habitualmente situados cm pontos elevados. através de leitos de areia que são limpos diariamente. por baixo de zonas públicas como os parques. Nova Iorque consome 5. recolhe a maior parte da água que utiliza das bacias do Hudson e do Delaware. nas quais os filtros a libertam dos detritos principais e as bombas a elevam para reservatórios de armazenagem.Nova Iorque. uma corrente quente denominada El Nino peneira as águas muito frias ao largo da costa ocidental da América do Sul. O processo repete-se através de areias sucessivamente mais finas. uma esperança. Mesmo com o auxílio dos melhores computadores e a mais eficiente recolha de infor mações. contém água suficiente para inundar Manhattan até uma altura de 12 m. em períodos que vão de três a sete anos. na altura do Natal. Na Grã-Bretanha. a previsão a longo prazo (mais de 10 dias) não se tem revelado de confiança. Como a água nos reservatórios está imóvel. No primeiro leito. são superiores a 3 milhões de metros cúbicos. Ao mesmo tempo. É depois bombeada sob pressão para os ramais principais da rede . o oxigénio do ar neutraliza outras impurezas químicas ou orgânicas.

0 tráfego no rio foi suspenso. por exemplo. e foram copiados e aperfeiçoados na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. o crescimento das cidades modernas aumentou a produção dos detritos sólidos (lixos).frequentemente. Estes detritos são draga dos e lavados e posteriormente utilizados em obras de construção civil. Uma rede de esgotos. Os esgotos 0 tratamento básico das águas negras em cidades como Londres ou Washington difere pouco dos processos criados nos meados do século xix. os quais ou são triturados mecanicamente e reintroduzidos no processo de tratamento. Entretanto. a capacidade inicial da estação de tratamento de esgotos em Blue Plains passou de 490 milhões de litros diários na década de 30 para perto de 1100 milhões nos anos 70. em França. Este passa em seguida por uma última sedimentação. transporta as águas negras. a sua única fonte de água para beber . Em Washington. o habitante médio da cidade de Nova Iorque deita fora em lixo oito ou nove vezes o seu próprio peso. e já foi aumentada desde então. As águas são seguidamente bombeadas através de canais para eliminação das areias. as lamas são bombeadas para tanques de decomposição. como trapos e pedaços de madeira. durante três ou quatro semanas. conquanto o seu volume aumente constantemente. Desenvolveram-se em Inglaterra. processos de tratamento dos esgotos antes da respectiva descarga. e ainda hoje em muitas cidades. desde as casas e os escritórios até às estações de tratamento. O líquido é encaminhado para esta ções de tratamento secundárias. ou retirados e queima dos ou enterrados noutro local. Os Londrinos. sempre que possível. retira-se ainda água das lamas antes de serem vendidas como fertilizante agrícola. altura em que as próprias bactérias são separadas para reutilização A água resultante está suficientemente limpa para ser lançada no rio. o número correspondente aproxima -se dos 17 kg. Hoje. Num único ano. onde em cerca de oito horas determinadas bactérias destroem as matérias que o líquido ainda contém. na Pensilvânia. Em seguida. condições atmosféricas invulgarmente quentes e secas provocaram uma queda brutal no nível das águas do Tamisa em Londres. tenta-se criar sistemas de escoamento independentes (rede separativa). EUA . que são precipitadas no fundo juntamente com pequenas pedras. a imagem é no verdade uma Dista aérea de uma estação de tratamento de esgotos a norte de Baton Rouge. Estas e o líquido delas sepa rado seguem depois trajectórias diferentes. Com o crescimento das populações e dos resíduos da industrialização durante o século xix. Esta situação foi o resultado de séculos de incúria nos despejos. Na estação de tratamento. geralmente subterrânea. as águas são passadas por redes de crivos que retêm os objectos maiores. tomando a designação de lamas.como grandes esgotos abertos.Como uma cidade se liberta dos seus detritos Em Junho de 1858. pelo que eram inundados até à saturação pelas grandes chuvadas. como os habitantes de outras cidades po pulosas em todo o Mundo. as lamas dos esgotos têm ajudado a reflorestar terras destruídas pela extracção de zinco. Em Blue Mountain. No entanto. Estação de tratamento. As sobras de lamas são lançadas ao mar. onde as matérias sólidas mais finas se depositam no fundo. onde. Embora pareça uma fotografia de micróbios. os esgotos drenavam também as águas pluviais (rede unitária). o qual é canalizado e utilizado como combustível de accionamento das estações de tratamento. por gravidade ou por bombagem. no rio Mississipi. bactérias convertem parte das lamas num gás que contém metano. As águas resultantes passam por tanques preliminares de sedimentação. tinham-se acostumado a tratar lodos os cursos de água que tinham à mão . Uma família americana média produz quase 25 kg de lixo por semana. EUA. Originariamente. paralelamente à maior eficiência dos processos de eliminação dos excrementos e de outros detritos líquidos (as águas negras). 0 mau cheiro que emanava da maré vazia era tão terrível que os Londrinos apenas podiam aproximar-se das margens ou das pontes com lenços cobrindo a boca e o nariz. a Natureza e o homem gritaram "Basta!".

menos de 5% da eliminação dos detritos sólidos. Mas. Outro facto negativo na incineração dos lixos é o custo. há muito tempo que se emprega a incineração em vez da acumulação em lixeiras. temen do a poluição atmosférica. pelo que nem sempre podem ser lançadas com segurança em lixeiras normais. A vantagem da incineração é redu zir em dois terços o volume dos lixos. Esta fotografia aérea mostra leitos de filtragem de esgotos numa estação de tratamento de Baltimore. as cinzas residuais podem conter produtos tóxicos que se concentraram durante a incineração. Leitos de filtragem. a mais utilizada e mais barata for ma de libertar a sociedade dos seus subprodutos indesejáveis que não podem ser lançados nas redes de esgotos. a cidade de Nova Iorque produz entre 24 000 e 25 000 t de detritos sólidos — a maior parte constituída por lixos domésticos. Detritos sólidos Em cada dia. as lixeiras como a de Fresh Kills passam a ter menos capacidade de lidar com eles. Se distam muito da cidade que servem. os cidadãos. Em muitos países. podem libertar-se para a atmosfera durante a incineração se não se utilizar um equipamento adequado para a limpeza dos gases. Desde 1960. o custo do enterramento pode chegar a 60 dólares a tonelada. As infiltrações do lixo em decomposição contaminam a água de superfície e subterrânea. onde é despejada naquilo que começou como uma cratera no chão e é agora o maior depósito de lixo do Mundo. Como inconvenientes. do ponto de vista mundial. como o ácido clorídrico e a dioxina. no Maryland. as novas leis restringem o despejo dos lixos. Nos EUA. Nova Iorque encerrou 14. Na maioria dos países ocidentais. Este tipo de lixeira é.tornam um risco para a saúde pública. e não é fácil encontrar novos locais. As lamas não utilizadas na terra são lançadas ao mar. como a Suécia. à medida que o volume de detritos aumenta. a não ser que a lixeira esteja especialmente equipada para o tratar. EUA. têm de ser encerradas e aterradas (aterro sanitário). nos meados dos anos 80. A falta de espaço origina problemas de poluição. Uma vez drenada a água. Fresh Kills. além de que o calor produzido pode ser aproveitado para gerar electricidade ou fornecer aquecimento. O depósito incontrolado de lixos na terra pnxluz riscos para a saúde. o custo dos transportes torna-se demasiado alto para os orçamentos municipais. o processo representava. recolhidos pelo Município duas vezes por semana. as lamas secas são vendidas como fertilizante. cobrindo 1215 ha. a Alemanha e o Japão. Outras substâncias tóxicas. toda esta montanha de lixo é transferida para um único lugar. proibiram a construção de incineradores. Em Los Angeles. o da incineração pode atingir três vezes mais. em Staten Island. Risco para a saúde. Praticamente. Quando as lixeiras estão cheias ou se . Mas nos EUA.

os incêndios no Wisconsin e no Michigan queimaram 1 700 000 ha e mataram 1500 pessoas. A informação é talvez a maior arma de fensiva contra os incêndios nas florestas. Alguns incêndios florestais . Mas é um espectáculo que se repete milhares de vezes por ano nas florestas temperadas de todo o Mundo. a França perdeu 156 000 ha de florestas em 350 fogos. Na Austrália. Mas. As destruições podem ser enormes. onde todos os verões ocorrem fogos. Ocasionalmente. As chamas podem alastrar pelos arbus tos secos a velocidades que excedem os 140 km/h. o calor de um incêndio consegue vaporizar 0 óleo de eucalipto. 13 aviões-tanques e 4500 bombeiros. Em 1985. fazendo arder árvores inteiras em explosões de gás. um incêndio na floresta c um espectáculo aterrador. ao tornar-se em vapor. quando incêndios queimaram uma enorme área da Califórnia. 16 helicópteros. por si só.como este perto de Valência. Água contra o fogo. 81 662 fogos quei maram quase I 200 000 ha. Os números não oficiais obtidos até ao início de Setembro de 1990 apontam para uma área florestal destruída na ordem dos 108 106 ha. No combate a um fogo. uma chaminé de ar quente causada pelos ventos que penetram na floresta. Deitar água sobre um fogo não serve apenas para o arrefecer: em grandes quantidades. os aviões de vigilância nocturna com câmaras de infravermelhos e a coordenação computorizada permitem prever as condições favoráveis aos incên dios e o controle dos fogos quando se declaram. a combustão provoca um remoinho de fogo. Em 1949. Um avião de combate ao fogo recolhe água de um lago Os aviões podern recolher atê 6400 I de água em 10 segundos ~ e fazer 200 voos por dia. dando origem a fogos a centenas de metros de distância. da luz do Sol ampliada por um vidro de garrafa ou de um raio. Em Setembro de 1987. do Oregon e do Idaho. Estas são presas fáceis de um fósforo.combalem se mais facilmente com agentes produtores de espuma. a água pode não chegar. Espanha . a área florestal afectada foi de 22 435 ha em 1988 e de 103 908 ha em 1989. 19 . a água afecta também os materiais combustíveis e. em que consegue arrancar árvores e atirá-las ao ar. Os satélites. os bombeiros empregam uma combinação de duas estratégias básicas: o arrefecimento e a contenção. Um avião anfíbio de combate aos fogos (em cima) derrama espuma sobre as chamas.Combate a incêndios na floresta Visto de perlo. através dos EUA. 94 bulldozers. reduz a quantidade de oxigénio de ar que alimenta o fogo. uma noite de combate em apenas uma zona — a Stanislaus National Forest — reuniu 376 carros de bomba e autotanques de água. O fogo pode alastrar insidiosamente por baixo de musgos e líquenes e conseguir sobreviver dentro dos montículos de terra Espuma contra o fogo. Em 1971. Em Portugal.

comentava que um grande incêndio florestal era "um cataclismo que cria os seus próprios ventos e o seu próprio clima. se insistiu em que os automóveis em Caracas só poderiam circular em certos Bombeiro de floresto. lançando-se em pára-quedas. aumentando. O período de tempo em que se mantinham verdes podia ainda ser controlado pelo número de carros que passassem sobre placas de comando. as aglomerações das horas de ponta já têm produzido engarrafamentos em grelha. por exemplo. Nal guns países. os automóveis não conseguiam andar mais depressa. como se provou pelos incêndios que varreram os estados de Vitória e de Austrália do Sul em 16 de Fevereiro de 1983. Os sistemas computorizados. Nessa tarde. O calor é tão intenso que a água se eoapora sem produzir qual quer efeito sobre as chamas. com 800 carros de bomba e 200 bulldozers para abrirem quebra-fogos. fustigados por ventos de 110 km/h que lançavam tufos de erva cm chamas pelo ar e sugavam as paredes das casas. Os bombeiros reconhecem também que as suas possibilidades têm limites. . Os princípios do controle Através da História. um demónio com espírito próprio". Dentro de duas horas. que cria um círculo vicioso: o aumento do tráfego leva à construção de estradas melhores e melhores sistemas de controle. maiores e mais incontrolados. As equipas de terra podem criar quebra-fogos para conter o incêndio. No século i a. O comandante da corporação de bombeiros de Vitória. Descendo cru pára-quedas. Um bombeiro voluntário ajuda a combater um incêndio em Grose Valley.() . permitem regular o trânsito numa secção interna de uma cidade. de 17 km/h. encorajando a partilha dos carros particulares e introduzindo nas ruas faixas para transportes públicos (bus). O problema reside na densidade do tráfego. O maior progresso dos tempos modernos foram os semáforos. a velocidade era de 14. de forma a mantê-lo em movimento. Km 1968. Frequentemente. a visibilidade é má e os riscos são elevados. existem corporações de bombeiros-pára-quedistas que atingem locais remotos ou de difícil acesso por terra. destruído quase 400 000 ha e 280 000 cabeças de gado e causado prejuízos elevadíssimos. Por exemplo. 10 dias depois. C. utilizados pela primeira vez em Cleveland. Nessa altura. 660 km para oeste. Graham Simpson. de 18 km/h. O problema do trânsito nas cidades Após quase um século de melhoria na velocidade dos automóveis nas estradas e ruas e no controle do tráfego. o Serviço de Parques dos EUA começou a empregar fogos controlados para evitar posteriores incêndios. Nos EUA. em Junho de 1987. como se designam em inglês) abrem uma clareira em redor do fogo e derrubam as árvores secas. as temperaturas tinham rondado os 40"C e os campos estavam ressequidos. na Venezuela. os bombeiros saltam de pára-quedas para combater incêndios desde 1941. pouco se pode fazer. em 1988. Mas todas estas medidas não têm resol vido os problemas postos pelo constante aumento de tráfego. um smoke-jumper entra em acção contra um incêndio provocado por lava no monte Adams.Bombeiro-pára-quedista. por sua vez. Chamas com 36 m de altura varriam os estados. Muitas cidades ensaiam outras maneiras de facilitar o fluxo do tráfego. declararam-se incêndios a 72 km a noroeste de Melburne e perto de Adelaide. Em 1988. Com o fogo em baixo. combatendo-os apenas para proteger vidas. Os veículos parados e em marcha lenta desperdiçam anualmente somas elevadíssimas em tempo. Cerca de 21 500 voluntários combatiam os fogos. Ohio. tem-se tentado arranjar soluções para o problema do trânsito. que ajudam o poder de penetração daquela. em 1914. os bombeiros-pára-quedistas {smoke-jumpers. Durante dias. os incêndios tinham causado a morte de 74 pessoas. Uma vez aterrados em segurança. Quarta-Feira de Cinzas. Nestas condições. as correntes atmosféricas são imprevisíveis. com vista a circunscrever o fogo até que ele se extinga por si ou que cheguem as forças terrestres de combate. em Nova Iorque e Brisbane. gado e propriedades. a velocidade média das carruagens de cavalos era apenas de cerca de 13 km/h. Júlio César baniu a circulação de carros em Roma durante o dia. de 16 km/h. leva-se hoje tanto tempo a atravessar o centro de uma grande cidade como em 1900. leva a um aumento do tráfego. com áreas inteiras de trânsito impossibilitado de se movimentar durante horas. Pouco depois. o serviço permite que fogos naturais sigam o seu curso. em Copenhaga. Austrália. o que. havia 20 grandes fogos num arco de 960 km. os semáforos eram sincronizados por sectores para melhorar o fluxo. Quando se extinguiriam. e em Estocolmo. que surgiram na década de 60. O objectivo é isolarem os pequenos fogos antes que alastrem. as multas de estacionamento. Em Nova Iorque e outras cidades em que as ruas são paralelas cortadas por paralelas. Podem ainda juntar-se corantes para mostrar quais as áreas da floresta já tratadas. Para reduzir estes "pontos quentes". enquanto os aviões-tanques chegam a despejar 20 000 1 de água e produtos químicos. misturam-se com a água produtos químicos denominados agentes molhantes. EUA. e dos velhos cepos de árvores para se reacender dias depois.5 km/h. empurradas por ventos quentíssimos. em Paris.-. combustível e outros encargos. O resultado é angústia e desespero. Quando.

utilizando os semáforos como comportas.todas estas variantes afectam cada bairro. Os resultados podem ser notórios: nos bairros periféricos de Nova Iorque a computorização reduziu o número de paragens de cada veículo em 70%. a época do ano . Francisco. a largura da rua. dois passageiros no carro. milhares de crianças ofereceram-se como "passageiros" a troco de umas moedas. a complexidade é aterradora: a hora do dia. Km Manhattan. e cada bairro afecta os outros. Na tentativa de dominar a situação. havia no Mundo mais de 500 milhões de veículos motorizados em actividade. Fluxo de tráfego. carruagens. Com o carregar de um botão. o trânsito bio queia urna rua da cidade comercial de Me dan. na Samarra do Norte. E toda esta massa efervescente é ainda complicada pela necessidade de atravessar os rios que cercam Manhattan. Hora de ponta. Ónibus puxados por cavalos. I Engarrafamento de trânsito. em S. numa gravura do século xix de Gustave Doré. da multidão de espectadores que sai de um estádio de futebol. Em Singapura. número este anualmente acrescido de 40 milhões. os veículos atravessam em bi cha a ponte de Oakland. em Londres. Em tudo isto o condutor individual é passivo. milhares de pessoas compraram segundos carros. levando o tráfego a comprimir-se nas pontes e nos túneis. A verdadeira revolução no contro le do tráfego reside na navegação incorpo rada no veículo. onde sensores subterrâneos monitorizam a velocidade e o volume do tráfego. a actividade comercial local. os computadores recebem informações dos cruzamentos principais. Aparentemente sem qualquer ordem. Em 1987. carroças. contendo mapas pormenorizados e capaz de receber um fluxo permanente de infor- •>1 . pelo menos. um carro funerário e um rebanho engarrafam Fleet Street e Ludgate Hill.Hi . A única solução para as cidades parece residir numa computorização cada vez mais complexa que permita aos controladores guiarem o tráfego como se fosse água. Mantiveram-se os engarrafamentos . os semáforos podem desviar o trânsito de um acidente.ainda agravados pelos carros estacionados. o tempo que faz. O carro teria o seu próprio computador. de trabalhos na rua. Muntendo-se nos seus corredores. quando os condutores eram multados se entrassem na cidade às horas de ponta sem. Cada cidade tem os seus problemas. dias da semana — conforme o último algarismo da respectiva matrícula —.

por dígitos. num dia enevoado de Novembro. Mas o problema maior seria a instalação de milhares de semáforos para cobrir o pais. Em média. E de madrugada. A tecnologia para a introdução de um sistema deste tipo existe já. 1 louve um grave acidente de viação numa estrada perto do hospital. a sua jovem passageira e um motociclista — ficaram feridos numa colisão contra uma camioneta. 4. O custo de instalação no carro seria idêntico ao de um telefone. os condutores introduziram no computador o local aonde pretendiam dirigir-se. um mapa desse caminho. Um oficial do Centro de Controle do Tráfego em Paris observa ima gens dos locais em que se começam a notar engarrafamentos. Finalmente. Quando há que salvar vidas. A informação era enviada a um centro de comandos computorizado. Nos ensaios feitos em Berlim e em Londres. Posso ajuda lo?" A enfermeira-chefe Margarida San tos recebe a primeira chamada telefónica do dia na UCIP onde está colocada. o carro passaria um semáforo à beira da estrada.COMO EVITAR ENGARRAFAMENTOS POR MEIO DE UM COMPUTADOR 1. Controle central. vítima de acidente na estrada "Bom dia. em 1988. A resposta é "sim". o computador do carro traduzia a informação em conselhos claros e simples no respectivo mostrador: o melhor caminho era indicado por setas.e os monitores computorizados ajudam a localizar os pontos nevrálgicos. 3. Quase imediatamente. através do qual o computador obteria do centro de informações as condições que o espera vam na sua rota. E para o pessoal da ambulância ê obvio que a rapariga — uma secretária de 20 anos. e a distância a percorrer. e urna ambulância com a sirene a tocar transporta velozmente as vítimas para o hospital. Fala da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes (UCIP). Começariam então a aparecer instruções. O caso de Ana Ferreira. E o semáforo transmitia ao condutor. O centro de comandos enuiaoa ao semáforo indicações sobre o caminho mais rápido. alterações da faixa de rodagem e desvios em voz sintetizada. é a ferida mais grave Está inconscien- 52 . situado num dos 240 cruzamentos da cidade. O destino era introduzido pelo transceiver do carro no semáforo mais próximo. Ana Ferreira. Três pessoas — um motorista de táxi. através do transceiver. a primeira hora após o acidente c decisiva. mações sobre a situação do trânsito nas estradas de todo o pais. Num ensaio de um sistema electrónico de orientação do trânsito em Berlim. um veiculo não atravessa Paris a mais de 17 km/h . 2. traduzidas por uma seta num mostrador do tablier indicando o caminho que o condutor deveria tomar para chegar mais depressa ao seu destino. o computador dava ainda instruções verbais e avisos de nevoeiro. trabalhos na estrada. 0 condutor marcaria o código do ponto de destino c partiria.

Logo que a respiração de Ana estabilizou. c os exames radiológicos revelam a existência de fracturas rias costelas e da bacia. que por sua vez está conectada a um ventilador. Desde que um doente entra numa unidade de cuidados intensivos polioalentes. contam -se um electrocardiógrafo. Paralelamente. incluindo o sangue. Enquanto estiver nessa unidade. passa a ser vigiado 24 horas por dia. A enfermeira que tem Ana a seu cargo raramente sai de ao pé da cama e anota quaisquer alterações no seu estado. . inicia-se a fase seguinte do tratamento. Este aparelho respira pelo doente. Uma delgada sonda de aspiração c-lhe introduzida pelo nariz até ao estômago para drenagem dos fluidos gástricos acumulados. A respiração. enviando lhe intermitentemente aos pulmões uma mistura de ar e oxigénio. Ana é encaminhada rapidamente para o sector de urgências e emergências. e os respectivos dados registados. Na enfermaria de cuidados intensivos. onde lhe são tratadas as feridas superficiais. introduz-se-lhe na boca até à traqueia uma delgada cânula de plástico. e um outro cateter introduzido numa artéria do punho. que monitoriza a pressão arterial. As enfermeiras raramente se afastam da sua cama e verificam constantemente a bateria de fios e tubos ligados ao seu como. ficando aí colocada enquanto for precisa. a uma determinada frequência. os médicos fazem a "visita" da enfermaria. Entre eles. no segundo andar. enfermeiras e técnicos especializados. Se necessário. que fornece informações permanentes sobre o ritmo e a frequência cardíacos. lem lugar a rotina matinal da UCIP. é-lhe extremamente doloroso respirar. um cateter introduzido numa veia do pescoço. Às 8 menos um quarto. A UClf de um hospital é um mundo fechado funcionando com uma equipa polivalente de médicos. Devido às fracturas das costelas. a parte superior do corpo de Ana fica ligada a toda uma bateria de tubos e fios que vão ajudá-la a viver. sangra do tórax e pareço ter graves ferimentos internos. A violência da colisão provocou-lhe rupturas no sistema circulatório e derrame do respectivo fluido e a ulterior acumulação nos pulmões pelo que é imediatamente conduzida à UCIP. tem muita dificuldade em respirar. através do qual são repostos os fluidos perdidos.te. A chegada ao hospital. pedirá conselhos ou ajuda — que imediatamente lhe serão dados. onde o espaço aberto e as paredes cor-de-rosa tornam o ambiente mais acolhedor. a doente é colocada numa cama articulada e com rodas. Mundo fechado. Vigilância de 24 horas Em breve. Ana será observada e vigiada de perlo em cada minuto do dia e da noite. Uma outra sonda de aspiração é depois introduzida periodicamente pelo "aparelho respiratório" para se poderem extrair as secreções dos brônquios e pulmões. Por isso. A equipa de enfermagem e médicos rodeiam-na imediatamente. a tensão arterial e as pulsa ções serão verificadas periodicamente.

Há alguns anos — antes de existirem unidades de cuidados intensivos polivalentes —. e às 9 e meia chega um cirurgião para falar com Isabel. Pálidos e apreensivos. Até que. José . Fotografias tiradas de aviões militares foram utiliza das para os mapas das trincheiras durante a I Guerra Mundial. Precisamos de falar disso com alguém que conheça e compreenda os nossos problemas.que já passou cinco dias nos cuidados intensivos . Se não houver novas admissões de doentes . os tubos ligados aos ventiladores de cada doente são substituídos para evitar a proliferação de bactérias no equipamento.» Às 13 horas." Às 9. As refeições — essencialmente café e sanduíches . Finalmente. "Posso ajudá-lo?" Como se utilizam as fotografias aéreas na elaboração de mapas Os cartógrafos actuais recorrem a um processo utilizado pelos seus antecessores mais antigos: sobem a um ponto elevado para terem uma visão geral da área que querem cartografar. "Não demora depois voltamos a pô-lo confortável . Ana abre os olhos de vez em quando para lhes mostrar que está consciente e percebe o que lhe dizem. são fotógrafos que sobem num avião. Poderoso "cocktail" Se tudo continuar a evoluir sem complicações. 54 . Tem dois maples c dois sofàs-camas para o caso de um parente ou amigo desejar passar a noite! Maria. cujos muples e a televisão foram presente de um antigo doente reconhecido. o cartógrafo subiria ao cimo de um monte com os seus instrumentos e equipamento. e um técnico radiografista lira radiografias aos três doentes. composto por uma enfermeira-chefe e três enfermeiras. Na mesma faixa cada loto grafia deve sobrepor-se à anterior em cerca de 60%. Mas. ela ajuda os doentes a mobilizar os membros. afirma a enfermeira-chefe Santos. As 11 tioras. consolidarão a seu tempo. a empregada de serviço auxiliar da unidade. já deves estar muito melhor. o ambiente é reconfortante e alegre. A sala de espera tem um aspecto acolhedor e aconchegado. a unidade poderá contar com uma tarde calma. os pais de Ana chegam c são levados para a sala de espera dos familiares. é para nós um golpe terrível". "Sempre que um doente morre. querida". Para remover as secreções dos pulmões. O choque inicial e o poderoso cocktail de analgésicos e sedativos que lhe foram administrados garantirão que assim seja. As enfermeiras esperam que a noite seja calma para que se possam concentrar nos doentes que já ali se encontram. são às vezes as próprias enfermeiras quem mais precisa dos seus conselhos. embora activa. e Isabel Marques. As fotografias são tiradas na vertical. Só o soar do alarme de um dos sistemas de controle e tratamento das funções vitais que ultrapasse o respectivo limite de tolerância virá perturbar a tranquilidade existente enquanto não chega o turno da noite. hoje. devendo faixas adjacentes sobrepor-se em cerca de 30%. que sobrevoou os campos num balão de ar quente. "Voltaremos amanhã para te ver. e as enfermeiras revezam-se para tomarem um chá com torradas na sala contígua. se o seu estado se mantiver estacionário. mas que não seja uma de nós. o telefone da secretária volta a tocar. "Nessa altura. subitamente. em frente do gabinete do especialista da UCIP.doutra enfermaria ou doutro hospital —. Aproximain-se as 6 horas da tarde e o médico intensivista faz a última visita de rotina do dia — certificando se de que tudo corre bem e de que pode regressar a casa descansado. boa noite". Para a cartografia aérea. Passam a hora seguinte junto da fi lha. Garante-se assim que todas as áreas parciais do solo serão fotografadas pelo menos duas vezes. a terapeuta insiste com os doentes para que respirem fundo e tussam. o sirvo abafado dos telefones e a conversa animada do pessoal de enfermagem. o avião voa à altitude mais adequada à escala média da fotografia que se pretende para o mapa. diz-lhe com um ar bem-disposlo. Ele conforta-nos e dá nos o tipo de apoio mo ral e espiritual de que precisamos de vez em quando. lembrar-se-á pouco ou nada do tempo que aí passou. uma avó de cabelo branco que recupera de uma operação ao estômago feita na véspera. do tempo e dizendo-lhe que ela está nas melhores mãos e recebe os melhores cuidados. explica a terapeuta. "Só para ver se houve qualquer alteração aí por dentro". a altitude de voo tem de ser de 7500 ni. Saem. com fractura do baço e outras lesões internas em consequência de uma queda grave. diz o radiografista aos doentes enquanto vai de uma cama para a outra. com o avião voando alternadamente num sentido e em sentido inverso ao longo de faixas contíguas sobre o terreno que se deseja cartografar. Como sempre. Impossibilitada de falar devido a estar ligada ao ventilador. que tomarào conta dos doentes durante as próximas oito horas.são igualmente tomadas aí. José. para lhe ajudar a limpar o tórax". tudo o que se faz é lhes explicado. acima de tudo. os pais de Ana são conduzidos à enfermaria e junto da cama. acrescenta a enfermeira. "UCIP. e o pessoal de serviço não pode estar tão longe e afastado — em tempo e distância — dos doentes a seu cargo. As primeiras fotografias aéreas destina das a mapas foram tiradas em 1851 pelo francês Aimé Laussedat.é deitado de lado. já nada mais há para contar e os pais Ferreira levantam-se para sair. "A sua operação correu muito bem". As 8 e meia. na casa dos 40. chega a fisioterapeuta para a primeira das suas duas sessões diárias: José Silva. Um avião voando a 25 000 pés (7500 m) teria de tirar pelo menos 12 700 fotografias para cobrir a superfície da França. junto da cama de um dos doentes um rádio toca suavemente música ligeira. mete a cabeça nos guardaventos que dão para a enfermaria: «Senhora Enfermeira estão aqui os pais da Ana!" Livre de perigo A enfermeira-chefe Santos corre a dizer ao casal ferreira que a filha se encontra agora perfeitamente consciente e que. o capelão do hospital aparece. Para que os músculos mantenham o seu tónus e as articulações não fiquem "presas". ''Especialmente se for uma criança. 'Estamos muito contentes consigo. Se a escala for de 1:50 000 e a lente tiver uma distância focal de 150 mm. a enfermeira-chefe Santos e a sua equipa são rendidas para o almoço pelo turno da tarde. murmura a mãe. O refeitório do hospital fica no andar de baixo. ficará livre de perigo." Um pouco antes do meio-dia. funcionário público local. a atenção e os níveis de cuidados ai' prestados minuto a minuto. E aqui que entra o capelão. ela prepara os pais para o choque que terão ao verem Ana cheia de fios e tubos que a fazem parecer ainda mais doente do que está realmente. faiando-lhe da família. Como quase todos os doentes destas unidades. Entretanto. Embora a sua primeira preocupação sejam os doentes. Ana será transferida para uma enfermaria cerca de uma semana após ter dado entrada na UCIP. Embora os doentes aqui instalados se encontrem em estado grave. "Estamos a virá-lo. mas mantém-se urna actividade e os ruídos constantes: o zumbido surdo das máquinas.avaliando o estado dos doentes." O relógio da enfermaria marca 10 horas Um gerador móvel de raios X é utilizado. diz a enfermeira de serviço. As fracturas da bacia e das coste las de Ana. Nos tempos antigos. Passa mais meia hora. Ana poderia ter morrido sem a vigilância.

As curA área a incluir num mapa pode ser em A escala de um mapa vas de nível podem ser combinadas com escala muito grande — cobrindo apenas Um dos factores mais importantes na elabo cores . à medida que a escala de 1 :60 000 000 (I cm = 600 km). obscrvam-se pares de fotografias seguidas através de um eslereorrestituidor. Os traçados à mãe wich). e devem poder ser perfeitasão desenhados em películas so mente identificados nas fotograbrepostas. o sional. Pode então operar-se o eslereorrestituidor por forma a medir. é utilizada par? traçar rumos de navegação. Un layer tinting — a fim de se indicar a variada em grande pormenor. que mostra uma imagem de terreno em três dimensões. Os pontos fixos. quinas de desenho comandadas elaborar um mapa pormenorizado da área (em baixo).1 terras muito distantes do equadoí p a r e c e m ter uma área muiti maior que a real. registar e definir a posição e a altura dos pormenores da carta na escala desejada. o estilo deste e a sua escala. O sombreamento das 250 000 dessas unidades no terreno. Mas. as agrícolas. denominados terreno. os mapas poderão dis só mapas preliminares para verificação pensar o sistema actual de aerofotograme das por círculos ou quadrados. Po Para traçar um rnapa numa escala meelevações dá ao mapa um efeito tridimenisso. pelo computador produzem não No futuro. Um mapa do Mundo num atlas pode ter < pas em escala maior. um computador.: . sendo transmitido: outros elementos indispensáveis. Por exemplo. (plotter) para verificação. rio à escala de 1250 000 teria cerca de 200 n que dispõem os meridianos e os paraleNuma escala ainda mais reduzida. sob a forma de sinai: um mapa de .estradas para motorista ou representada por curvas de nível. linhas electrónicos. nos mapas de continentes inteiros ou de vencional. nunca chegam a se troduzidas num computador com imprimidos. Todas as informações recolhidas e analitodo o Mundo só as grandes cidades popoderão enviar as imagens directamente . Finalmencomo mapas acabados para impressão. as florestadas e as de. marcadas por pontos. Os por pressão das cartas. mais pronunciado é o declive. que imprimirá os mapa mapa traçado para determinado fim A altitude do terreno é habitualmente ou os transmitirá. produzindo uma películi te da fotografia. escala se reduz. Seria im conseguir sem alguma distorção. podem presentar os países com áreas e po ter sido definidos anteriormente siçòes relativas tão próximas quan ou criados para este caso. los. milímetro ou polegada) represent. bem como outros pormenores do deias são omitidas e as cidades representa :. Uma fotografia aérea de urna praceta vios para navegação através do: ger. metro. Quanto mais próximas estão entre si pantanosas. topografia no solo e impressão con te. urbanas. Outros mapas. Os mapas deste mapa pode ser feito à escala de 1:250 000 ção desde o nível do mar (geralmente vertipo são usados pelos urbanistas para. a qual é ajustada a uma rede de pontos cuja exacta posição no solo é conhecida. 0 operador do estereorreslículas que são assentes em con tituidor aponta um foco luminoso junto e combinadas fotográfica sobre cada característica importanmente. Uma projecção destinada a re pontos fotogramétricos. ou 1" = 4 milhas cartógrafo aglutina num só alguns dos macomplemento de contour layer tinting. ma? distorce a escala. figurando em cada umi fias aéreas. conform» Terra num mapa plano é impossível de los. A Projecção de Merca tor. à escala de um planisfério — e um planisfé cartográficas de conceito matemático. sadas acabarão por transformar-se num dem ser indicadas.processo denominado contour uma pequena zona do terreno apresentaração e na leitura dos mapas é a escala. planearem novas estradas.5 km. rios. Pode usar-se sozinho ou como expressa em I cm = 2. aquela escala podia igualmente se nor (e mostrar uma superfície maior). por significando que cada unidade (centí de) até às altas montanhas (geralmente exemplo. tendo em atenção a fi nalidade específica do mapa sempre à custa de rigor em certo< aspectos menos importantes par* cada caso. Satélites em órbita do planei. tria. tem igualmente de se dimiA representação da superfície curva da nuir o pormenor e passar a utilizar símboUtilizam-se diferentes escalas. os diferentes elementos. aos monitores dos aviões um mapa agrológico mostrando as áreas que unem os pontos com a mesma altitu dos navios ou dos automóveis. uma aldeia ou vila que aquilo que se pretende do mapa. Pode haver mais de 20 pe terreno. curvas de nível e zona Para "captar" os pormenores do de cor. electronicamente aos aviões ou na como a área que o mapa irá abranVista aérea e mapa. Alguns mapa: menores "capturados" podem ser desenhados por computador pro simultaneamente mostrados num duzem directamente a películi monitor vídeo ou num restiluidor para a impressão. como es tradas.Por cada faixa. por forma a minimizar a< distorções. por exemplo. registando automapor cada uma das quatro a seis CO ticamente a informação em algarisres geralmente utilizadas na im mos sobre fita magnética. castanho ou roxo). o mapa t tude (distância angular para lesto traçado por desenhadores ou po ou oeste do meridiano de Greencomputadores. estas linhas (cotadas em pés ou em metros). elaborados po As informações gravadas são incomputador. as alde largura. A solucomeçou como um conjunto de edifícios possível planear uma viagem de aulomòve ção é utilizar uma das muitas projecções é amalgamada numa única forma. de modo que a. (distância angular para norte ou para sul do equador) e uma longiKscolhida a projecção. Má com as suas casas e jardins (em cima) foi utilizada para monitores de computador. Estes to possível das reais distorce as dis pontos — como quaisquer outros tâncias e as direcções e não pod( sobre a Terra — lém uma latitude ser utilizada na navegação.

um mensageiro estava no gabinete de estudos meia hora depois. outro para todos os destinos de leste. uma carrinha leva a correspondência desde a estação de escolha para a estação central. no Canadá. como avarias.Como o correio atravessa o Mundo Os serviços postais mundiais conjugam-se para formar um cérebro à escala da Terra e de uma complexidade fenomenal. e o pacote para Quito é colocado num voo da tarde que faz escala primeiro em Bogotá. obrigando a atrasos. e a avó lê as suas notícias ao pequeno almoço. Um serviço internacional de COurier aéreo foi contratado para assegurar a entrega de ambos os artigos. Neste caso. Num só dia passam pelo sistema postal internacional 1000 milhões de artigos. a caria junta se a milhares de outras na estação local dos Correios. com 330 kg. Os serviços internacionais de cou/iei surgiram no fim da década de (i(). Esle processo ocupa quase inteiramente a quarta e quinta-feiras. viajam de camião para a cidade de Grande Prairie. o saco para a América do Sul é novamente triado em Nova Iorque. porque os sistemas postais se preocupavam com entregas volumosas em peque na velocidade. A estação dos Correios utiliza um Airbus para levar a correspondência para Marselha e Nice. onde se juntam aos 50 milhões de objectos tratados diariamente pelo sistema altamente mecanizado ria França. excluindo a correspondência local para Peace River. os outros para leste. c entregue em mão na sexta-feira à tarde. e depois em Guaiaquil. mas o representante da empresa de courier prepara a documentação para desalfandegar o pacote na segunda de manhã. no Sul de França Em Peace River. escreve uma carta à avó. A Alfândega de Quito está fechada até segunda-feira. antes de aterrar em Quito na sexta à noite. jovem engenheiro francês recentemente destacado para Peace River. Na tarde de quinta-feira. uma máquina de laser lê o sobres crito e 0 pacote. os sacos do correio. Aí. Os correios não eram bastante rápidos. Mas. em Nova Orleães. De Peace River para Nice Todo e qualquer objecto posto no correio passa a fazer parte desta actividade épica. as cartas são separadas por países e. Uma leia transportadora leva o pacote para um saco com a etiqueta "América do Sul" e o sobrescrito para o saco dos EUA Cada saco será colocado no primeiro voo disponível com partida de Frankfurt. A quantidade de correspondência manipulada pelas 654 000 estações de cor reios do Mundo é impressionante. aonde chega na madrugada de sexta feira. A chegada. Uma tela transportadora leva as da máquina para sacos que. aonde chegam ao fim do dia de ter ça feira. os sacos são colocados no voo da noite para Nova Iorque. embora esles factores muitas vezes se conjuguem. atravessando o Pacífico. e a carta de Pierre junta se a pilha de corHl. um voo interna cional de Toronto leva a caria para O Aeroporto Charles de Gaulle. por sua vez. para Vancouver. de manhã cedo. como toneladas de embrulhos mal feitos e sobrescritos ilegíveis: como greves. Esses mesmos dados são utilizados na preparação dos documentos de expor tacão e importação e na elaboração da factura para o gabinete de estudos. Na manhã seguinte. pessoal . são executadas as operações de recolha e triagem no sentido in verso.os sacos para traves sia do Pacífico seguem para oeste. Uma carrinha entrega-o no local do destino à hora do almoço. Um serviço mundial de mensageiros São 5 horas de uma tarde de quinta-feira num activo gabinete de estudos e projec tos do centro de Frankfurt. nalguns casos. são transportados para os camiões e comboios que percorrem o país com as suas 3000 t diárias de correio. As cartas provenientes do Canadá seguem para Paris. Edmonton. que Pierre. Separam tam bém a correspondência internacional em dois grupos — um que irá para oeste. Pierre deita a caria no correio na segunda feira de manhã. próxi mo do Aeroporto Internacional de Frankfurt Ali. que lhe acrescenta um código de barras indicando o ponto a partir do qual a carta terá a sua distribuição final. na Colômbia. os sacos de correio internacional juntam-sc a outros provenientes de cidades vizinhas. Entretanto. Uma segunda máquina agrupa as cartas em pilhas correspondentes às divisões administrativas. respondência. ca pitai do Equador. com chegada na madrugada de sexta-feira. Os funcionários sepa ram a correspondência local da destinada a outras regiões do Canadá. de COurier em Nova Iorque põe o saco destinado aos EUA num voo para o escritório cenlral da distribuição. onde o sobrescrito é colocado num saco para Nova Orleães e enviado no voo de ligação seguinte. Um terminal de computador na carrinha indica ao condutor o caminho mais rápido. terça-feira. e os serviços de courier conseguiam garantir entregas rápidas. introduzindo os dados num computador central para que os res pectivos percursos possam ser monitori zados. no sexto dia da viagem desde Peace River Pelo menos. Em Toronto. incluindo a Europa. na província de Alberta. A estação divide a correspondência em várias subzonas para distribuição local. destinada a França. que vive perto de Nice. em Paris. A chamaria para os escritórios locais desse serviço foi feita às 4. O volume de correio internacional aumenta nova mente antes de ser transportado da Estação de Correios de Edmonton para o aeroporto. com uma carrinha para transportar os artigos. O mensageiro recebe o envelope com as especificações e o embrulho com a má quina de lapidação e dirigese para o centro de distribuição da sua empresa. Esta coloca a carta de Pierre num dos 70 000 circuitos postais nacionais. No sábado. e a carta de Pierre embarca no voo de sexta à tarde. Alemanha 0 pessoal prepara as especificações de uma nova ferramenta de lapidação de diamantes que criou e da qual um protótipo está embalado para ser entregue em Quito. para Toronto. assim seria num mundo ideal. A noite. Esta máquina trata 40 000 cartas por hora. A carta está agora no quinto dia da sua jornada. e como as acumulações do Natal. 480 km a sueste. enquanto o documento rias especifica ções tem de estar na sede da empresa. um segundo carregamento transporta a correspondência para a capital da provín cia. A seguir à recolha nessa tarde. Esle protótipo tem de estar nesta cidade na manhã de terça feira. em Nice. porque as empresas de todo o Mundo que podiam enviar um empregado a quase qualquer ponto do Globo em 24 horas por avião desejavam assegurar a mesma eficiência no envio de cartas e encomendas impor tantes. urn sistema poslal personalizado. na sexta-feira. Imaginemos.30. Neste ponto. A movimentação física de uma carta (em vez da transmissão elect ró nica do seu conteúdo) é uma operação lenta que exi ge trabalho intenso e representa um desafio constante para os milhões de pessoas que trabalham para os 169 Estados inem bros da União Postal Internacional. O código postal da casa da avó de Pierre é lido por uma máquina codificadora. por zonas dentro de cada país. as duas cargas iniciam caminhos separados . À tarde. Mas surgem inevitavelmente complicações: como os fins-de semana e os dias feriados. cada entrega representa um pequeno tributo ao empenho e à cooperação humanos. Alguém rio escritório ria empresa de serviços. por exemplo.

na véspera do jogo. o seu adversário é um escandinavo mais velho e muito mais experiente. um jornalista recolhe elementos paru urna nova reportagem. Do outro lado do Mundo — reportagem para um jornal É um dia especial para os apreciadores de ténis na Africa do Sul — particularmente para os que vivem em Joanesburgo ou suas proximidades. Com um leleío ne em cuciu mõo. curto circuitando assim. atingia os 4000 milhões de dólares em 1988. as grandes empresas de courier e as administrações postais prometem entregas de um dia para o outro nos destinos europeus e prazos de dois dias para qualquer parte do Mundo. Parece provável que os serviços de courier expresso continuem a expandir se para ir ao encontro das exigências das empresas. cujas fotografias podem ser enviadas por transmissores especiais 57 . 0 transmissor envia as imagens através de uma linha telefónica e cl. no receptor do editor de fotografia em Joanes burgo. Entretanto. de um encontro clássico entre "um jovem pretendente e um rei entronizado". A acres eentar ao relalo dos seta. o maior serviço internacional em termos do número de entregas. 0 redactor e o repórter fotográfico chegam a Roma a tempo da conferência de imprensa.próprio e as mais recentes tecnologias. O director terá de escolher a forma de fazer a cobertura da partida: apoiar se nos despachos e fotografias das agencias noticiosas ou mandar o seu próprio redactor despor tivo e um repórter fotográfico para fazerem a reportagem em primeira mão. Equipa da imprensa. Os jornalistas não terão dificuldade em mandar os seus artigos e as suas fotografias a tempo da primeira edição do dia seguinte. como diz o jornalista. já introduzido no seu processador de texto. Dm outro campo em crescimento competitivo é o remailing. O redactor pode assim escrever um artigo sobre o ambiente geral e as expectativas que rodeiam a partida juntamente com as impressões de ambos os finalistas. o retnuiling é uma actividade considerada ilegal. decide enviar uma equipa própria. os serviços postais. o resultado deve ser conhecido pelas 18 horas. Hoje. Por isso. que é um terminal remoto do computador central do jornal. como reproduções de negativos de alta qualidade. A noticia ocupará provavelmente as primeiras páginas dos matutinos sul-africanos. tratava 30 000 artigos em cada noite da se mana. em parte. o redactor vai agora entrevistar ambos os finalistas. O começo da partida está previsto para as 14 horas e pode durar toda a tarde. Um jovem da zona chegou às finais do campeonato italiano em singulares homens. As empresas de courier gastam anualmente milhares de contos com as reservas de espaço nos voos regulares de carga e passageiros e todas mantêm informações computorizadas sobre os horários de voo de todo o Mundo. O jogo termina com uma brilhante vitória do jovem tenista sul-africano. a 8850 km de distância. No entanto. o redactor pode escrever a reportagem no seu processador de texto portátil. O mercado para as entregas expresso. e o seu sucesso ou o seu desaire serão notícia em ambos os países.is aparecem rapidamente. actual detentor do titulo Trata se. Quando termina a sua história. a decorrer em Roma. na África do Sul. Na Europa. e o texto é transmitido directamente para o computador. oferecendo as sim a rapidez e segurança desejadas. que duplicou em cada dois ou três anos na década de 70. Muitas firmas possuem os seus próprios aviões e helicópteros e quase todas tem frotas de carrinhas e motos para as recolhas e entregas porta a porta. a DHL. Revela os seus filmes e introduz num transmissor os melhores negativos. a ligar o adaptador ao telefone mais próximo e a marcar o número do jornal. Em virtu de do grande interesse local. Em 1980. Na cabina da imprensa. o redaclor limita-se Tecnologia a duas mãos. Um artigo de 1000 palavras leva cerca de um minuto a ser transmitido. que tem a mesma hora de Roma. Nenhum acontecimento desportivo passa sem os repórteres fotográficos. em que a correspondência internacional é enviada do país por serviço de courier e metida no correio no estrangeiro. os Correios criaram os seus serviços de courier. o repórter fotográfico recorre a uma agência noticiosa internacional de cujo equipamento de transmissão fotográfica necessita. O jogador sul-africano é um adolescente que não ganhou ainda um grande campeonato ou torneio. pelo que vários organismos internacionais e principalmente a CEE estão a tentar regu lar esta actividade. num esforço de modernização c indo ao encontro das necessidades do mundo empresarial.

com todos os outros artigos. iniciado pelos irmãos Grirnm em 1838. Nesse período ele teve rie escrever o significado de 40 000 palavras. o leitor de Joanesburgo interessado em desporto lê o relato da vitória do seu jovem concidadão. de forma a preencher esse espaço. Urna vez verificadas e aprovadas pelos revisores. por exemplo).Montagem da página. as páginas estão prontas para serem transferirias fotograficamente para chapas de impressão de zinco ou alumínio revestidas a plástico. Estas últimas edições podem ser radical mente diferentes das primeiras. obtendo-se em minutos um negativo a preto e branco a partir do qual vão ser feitas as chapas de impressão. à passagem ria tinta. títulos. comportamento gramatical. tudo isto são notícias rie ontem. fotografias e filetes. A elaboração de um dicionário: trabalho que pode durar uma vida Quando Samuel Johnson escreveu o seu dicionário de inglês no século xvm. São quase 22 horas. Com todos os textos. é fundamental. aqui como em todas as fases do processo. ajustando e corrigindo o texto que escreveu e que visualiza no écran da sua máquina. O primeiro Oxford English Dklionary. Quaisquer espaços em branco encontrados num negativo depois de montada a página são retocados com uma caneta preta especial (em baixo). O artigo. sinónimos e antónimos) ou apenas alguns tipos de informação (grafia e pronúncia. com 16 volumes. tanto mais recentes são as edições que recebem. com os seus 12 volumes e 252 259 vocábulos. Pode incluir ou não os nomes de personalidades e de lugares. um critério definido sobre a forma de pôr essa ideia em prática e os exemplos e citações relacionados com os vocábulos a incluir e com aquilo que pre tende dizer acerca deles. esse trabalho demorou sete anos. bem corno todos os outros textos. Retoques. e faz-se um título que chame a atenção c se ajuste à história e ao espaço disponível. pronúncia.já paginados. apenas foi terminado em 1961 — passados 123 anos c riuas guerras mundiais. As chapas. O artigo é então editado no monitor. pelo director. A meia-noite. eventualmente. o Deutsches Wõrter huch. Pode ser monolingue (com os significados das palavras portuguesas dados em português) ou bilingue (com os significados das palavras portu- 58 . as páginas são levadas à secção de impressão. O artigo sobre o campeonato de Roma. o resultado rio tenista dá noticia de primeira página. A reportagem principal é depois lida e corrigida por um chefe de redacção-adjunto por forma que ela se encaixe no espaço que lhe atribuiu o editor rias páginas de desporto. Para ele. etimologia. Para escrever um dicionário. Os patinadores (à direita) cortam as provas e colam-nas em folhas do (amanho das páginas do jornal. do tipo de dicionário que pretende. títulos e fotografias — e anúncios. levou 50 anos. Fazem-se primeiro fotocópias das páginas para serem aprovadas pelo editor de desporto. Da fotocomposição sai uma prova em papel fotográfico para ser montada em página de acordo com a maqueta previamente feita. de 1000 palavras. signi ficado. Às 20 horas. Pode dar muitos tipos rie informação acerca de cada entrada (grafia. o chefe de redacção-adjunto saberá qual o espaço de que dispõe. náo só porque são menos extensos como também porque os seus compiladores podem utilizar dicionários anteriores como fontes de informação. enquanto toma o seu pequeno-almoço. e nesta altura todos os textos para a primeira edição têm de ser compostos. entretanto. O chefe de redacção-adjunto pode chamar ao seu monitor uma imagem da página inteira tal como agora se encontra. Quanto mais perto do centro de impres são se encontram os revendedores. O redactor. Na Alemanha. Conforme acordado na reunião de editores. A velocidade. pede uma linha à telefonista do hotel e transmite a sua reportagem com mais pormenores de fundo e mais colorido que as notícias de primeira mão da televisão e ria rádio. Primeiro. com frequência. se os houver . o redactor prepara a reportagem definitiva. a reportagem constituirá o artigo principal das páginas de desporto Por outro lado. pois os jornais têm à sua espera as 80 carrinhas que os distribuirão pelos postos de venda. Embora a paginação possa ser feita di rectamente no computador. Urna nova edição de um "dicionário portátil" com nome já feito pode levar cerca de dois anos. Um pequeno dicionário especializado como um dicionário de abreviaturas — pode ser es crito apenas por uma pessoa. muitos jornais preferem ainda cortar as provas e colálas em folhas do tamanho da página método rápido quando executado por paginadores experientes. O chefe rie redacção-adjunto introduz a legenda da fotografia. pois. Pode incluir ilustrações e exemplos rio uso das palavras. transita então para um equipamento rie fotocomposição de alta velocidade. Notícia de primeira página Por volta das 21 horas. A maioria dos dicionários exige consideravelmente menos esforço e tempo. O chefe de redac çáo-adjunto certifica-se de que todos os artigos cabem nos espaços que lhes foram atribuídos e que náo surgiram enos antes ou durante a fotocomposição. relegando alguns artigos da primeira página para uma página interior. pelo chefe de redacção e. completado em 1928. reportagens de última hora re clamam espaço na primeira página. O leitor satisfeito Deste modo. está a acordar em Roma. a página completa é fotografada. fica pronto em menos de 30 segundos. ou conceito. aquele que o faz (o lexicógrafo) precisa de ter uma ideia. a ideia O dicionário pode incluir vocábulos de todos os tipos ou unicamente termos especializados (como num dicionário de química). Depois de o editor de fotografia e o editor de desporto lerem escolhido a fotografia que ilustrará a reportagem. escrita a partir da reportagem do enviado e que o chefe de redacção poderá ler no monitor. Depois de entrevistar os jogadores. imprimem o papel. o editor rie desporto chama a reportagem do ténis ao seu monitor.

os verbetes para anabolismo. como boleeiro. os soldados alemães. Fora o pior Inverno desde há 100 anos. Na elaboração das definições. Ioda a gente perceberá.guesas dados. ele terá eventualmente que saber explicar porque se diz quarto de ba- nho e sala de jantar. os vocábulos relacionados entre si. Um dicionário geral incluirá palavras recentes (como sida) e novos significados de palavras antigas (como monitor). entre Moscovo e Leninegrado. o mais frequente antes do menos frequente. Alguns termos técnicos podem ser mais fáceis de explicar do que muitas palavras do dia-a-dia. É possível que uma entrada seja produ to do trabalho de um único lexicógrafo. por exemplo. um terceiro para a eti mologia (a origem e a evolução do vocábulo ou da expressão). ao decidir-se quanto à quantidade de informações a incluir: deve rá a definição de água incluir a sua fórmula química (H^O) e os seus pontos cie conge lação e ebulição ao nível do mar-5 A importância dos dicionários Apesar de lodos os problemas. bem como um meio de acesso a essa cultura Há alguns anos. "'agarrar*' e de capulum. por exemplo. estudou durante seis meses dicionários de medicina para não ser enganada pela terminologia médica que seria utilizada no tribunal. "corda") cada um o seu ver bete próprio? E azul. fim. A organização do projecto Embora seja possível alguns dicionários serem obra de uma só pessoa. E ganhou a acção. que ordem dar às entradas: a mais antiga antes da mais recente. e os das francesas dados em português). substantivo. poderáo aparecer muito distanciados. que se transformou num rugido quando 20 aviões de transporte Jun kers Ju 52. Esta colectânea pode ser tão representativa do espectro da língua quanto o lexicógrafo o pretenda. que pode refleclirse na dimensão do dicionário. Assegurar-se-ia assim que não se perderiam empregos impor tantes das palavras pelo simples facto de serem demasiado vulgares para despertar a atenção do lexicógrafo. o geral antes do técnico? Exemplos e citações 0 ponto de partida para decidir aquilo que vá ser incluído são os conhecimentos do lexicógrafo acerca da língua e o modo corno a entende. Como se alimenta e abastece um exército na guerra Entre Janeiro e Maio de 1942. muitas pessoas lerão de pro curar a definição de decápode. Quando é que um vocábu lo deve constituir uma entrada principal ou uma subentrada? Deverá saca-rolhas. pode ainda ser preparado por outros especialistas. tendo conseguido definir distintamente quarto e sala. soalho e pavimento. ao fazê-lo. Este reportar se á ainda a outros dicio nários e outras obras e a artigos acerca da linguagem. como o facto de os ca marôes estarem relacionados com as lagostas e os caranguejos. uma mu lher que ficou parcialmente incapacitada devido a uma intervenção cirúrgica deci diu pedir uma indemnização. grande parte do trabalho pode ser realizado por computadores. por exemplo. graduação militar). Uma solução será chamar ao camarão "um animal decápode (com 10 patas)". podem mesmo ser recolhidos exemplos em trabalhos científicos e até em revistas humorísticas. Os lexicógrafos que têm a sorte de pos suir citações utilizam-nas na elaboração dos verbetes e organizam o seu trabalho por forma que. facilitar a revisão (fazendo lis tas de artigos previamente assinalados para potencial eliminação. enregelados. têm de se estabelecer critérios para a sua elaboração. São uma espécie de memória arquivada da cultura em que são produzidos. E. e decidir se todas estas locuções terão de constituir entradas no dicionário. ouviram o som distante de motores. É mais fácil. E tudo tem de ser verificado quanto ao sou rigor. cabo (chefe. "cabeça". Actualmente. Mas. se o classificarmos como um "decápode". Antes de o fazer. adjectivo (qualidade daquilo que tem a cor azul). Determinados vocábulos podem ser facilmente tabelados de "obsoletos" ou "arcaicos". o literal antes do figurado. porque não são usados nas zonas do pais com que o lexicógrafo está mais familiarizado — mas antes de os classificar como tais ele terá de saber se certas regiões os não utilizam ainda na sua fala normal. Subitamente. outro para a pronúncia. A elaboração do dicionário Num dicionário alfabético normal. e referirá vocábulos antigos. um para cada significado? Ou ainda entrarão os dois primeiros num único verbete por terem o mesmo étimo (latim caput. como chão. a mais frequente antes da mais rara ou o adjectivo antes do substantivo'. extremidade). cabo (do martelo.' Ainda quando uma palavra tem mais de um significado. Com -30°C. em que ordem devem aparecer esses significados: o mais antigo antes do mais recente. Assim. também eles decá podes. sobrado. por meio de computador. por exemplo. constituir uma entrada principal (como sacar e como rolba) ou unia subentrada — e neste caso dentro do verbete «sacar» ou dentro do verbete «rolha»? Capitáo-tenente será provavelmente uma entrada principal mas virá em capitão ou em tenente? Cabo (promontório. a fim de darem lugar a novos vocábulos e significados) e garantir um tratamento homogéneo (mas não o rigor nem a clareza). como devem ser tratados? E se uma palavra aparece mais de uma vez como entrada principal. encontrarão provavelmente outras informações úteis. a maioria representa esforços conjuntos. Têm igualmente de ser sopesadas considerações sobre o espaço e sobre o tipo de utilizadores da obra. de todos os exemplos de cada palavra nos textos escolhidos para investigação. Mas isso exige mais espaço. Material complementar. distinguir uma estalactite (que aponta para baixo) de uma estalagrnite (que aponta para cima) do que um quarto de uma sala. clareza e solidez. Pode ainda consultar os peritos sobre palavras especializadas e as pes soas vulgares sobre as suas predilecções e as suas reacções quanto à forma como as palavras são usadas. O critério Uma vez decidido o objectivo do dicionário. 5500 soldados alemães estiveram isolados pelo exército russo perlo da cidade de Kholm. mas o mais provável é que o seja de vários especialistas: um para o significado. caudilho. Pode fazer-se uma lista alfabética. Se dissermos que um camarão é um animal "com 10 patas". o léxico grafo deve tentar encontrar o equilíbrio entre a clareza e o esclarecimento ou a informação. "extremidade") e terão os outros dois (respectivamente de copio. que conseguem tratar grande quantidade de elementos. em Inglaterra. Mas os verbetes podem ser escritos ao mesmo tempo para garantir que os respectivos significados sejam devidamente comparados e que não faltem as referências cruzadas. dimi nuindo o número de entradas possíveis. catabolismo e metabolismo façam referências cruzadas entre si apesar de terem letras iniciais diferentes. c azul. em francês. ou ainda casa de banho e casa de jantar. o lexicógrafo pode consolar se com a ideia de que um dicionário pode ser um dos mais importantes instrumentos de auto-educaçâo. por exemplo. como fotogra fias ou mapas. escoltados por duas esquaríri- 59 . Mas lerá de interpretar com muito cui dado todos estes dados. Será ideal também que possua um vasto repositório de exemplos do emprego real dos vocábulos e das frases. amontoavam-se nos abrigos subterrâneos e rezavam para que viessem os socorros. recolhidos de escritos publicados c talvez de manuscritos e até discursos gravados. da vassoura) e cabo (corda) farão parte de um único verbete porque se escrevem do mesmo modo? Ou haverá quatro verbetes.

no Texas. como se constituíssem reforços aos seus colegas aliados no início de uma invasão soviética da Europa Ocidental Soldados e equipamento encontravam-se espalhados por mais de 30 estados Rações de combate. permitindo aos alemães sitiados repelir os ataques do Exército Vermelho. encontraram cadáveres de japoneses com ervas na boca. Estaline extinguiu esse sistema em 1943.a capacidade de abastecer uma força de combate com alimentos. um exército morre. em parte por não terem reabastecimentos. O céu encheu-se com riú zias rie pára-quedas com caixotes de alimentos. A incapacidade do Exército Vermelho para suster a invasão de Hitler em 1941 deveu se em parte a um sis tema de reabastecimentos inadequado. A Bolsa de Kholm sobrevivera graças a um bom apoio logístico. os US Army Rangers treinam-se no salto e/n páraquedus por detrás das linhas inimigas. Soldados de infantaria recolhem embalagens de refeições durante um exercício militar. Um tanque Shcridan de IS t é retirado de um aoiâo Hercules por pára quedas gigantes Esta técnica. Estes voos de abastecimento continuaram por mais de três meses. como se revelou em Setembro de 1987 durante as manobras militares Reforger 87. . O exercício envolveu a mais vasta movimentação ultramarina de forças norte- americanas em tempo de paz. lhas de caças Messerschmitt. Quando os Ingleses e os Indianos avançaram. A logística . A frase de Napoleão "Um exército marcha sobre o seu estômago" é tão verdadeira agora como era então. Movimento maciço de tropas norte-americanas Os problemas ligados ao reabastecimento são enormíssimos. E na guerra moderna um ataque ou uma defesa eficazes dependem cada vez mais de um reabastecimento rápido e continuado. transportando apenas provisões básicas. estaciona do em Fort I lood. permite a entrega de cargas pesadas na zona de combale sem que o avião lenha de aterrar.Força aerotransportada. Num exercício. Sem esse fluxo vital. lhes passaram por cima. Uma divisão pesada moderna com cerca de lfi 000 homens e 1000 veículos empe nhados em combate consome pelo menos 5000 t de munições e 2700 t de com bustíveis por dia. iriam ser enviados para a Alemanha Ocidental.ançainento de um tanque. [. Os Japoneses não conseguiram tomar Imphal c Kohima. em 1944. Km Maio. munições e equipamento foi sempre um elemento essencial das artes bélicas. na fronteira indo -birmanesa. As tropas das linhas da frente eram obrigadas a ir à retaguarda reabastecer-sc. os tanques alemães conseguiram abrir caminho até aos sitiados. extracção por pára quedas a baixa altitude. munições e medicamentos. Os 35 000 homens do III Corpo blindado.

Entretanto. água quente . Das 9 ao meio-dia: chegam os administrativos Quando diminui a azáfama das saídas da manhã e já foram servidos os últimos pequenos-almoços. Os 43 porteiros e mandaretes já verifica ram os seus registos de saídas e entradas. O turno da noite da manutenção é suhs tituído pelo da manhã. Os computadores transmitem os pedidos instantaneamente. marcados os quartos. Enquanto os cerca de 1250 empregados . Os res pousáveis pelo pessoal preparam-se para um dia que pode incluir admissões ou des pedimentos ou ficar se pela atençào dada às boas condições de trabalho dos empre gados. o ginásio. de telegramas. como disse o marechal Rokossovsky. Do meio-dia às 3: horas de almoço Nas cozinhas. a maioria dos cerca de 1000 hóspedes do Hotel Milton já está recolhida. A equipa de limpeza nocturna lava e limpa o equipamento da cozinha e areia os serviços do pequeno-almoço. contudo. refrigeração. Nos restaurantes.está empenhada nas suas tarefas nocturnas. cansados. a farmácia e o cabeleireiro estão já abertos. são substituídos pelos da equipa de dia. lorre de 25 andares de betão e vidro no sopé do Vic. Uma totalidade de 200 cozinheiros. estuda a melhor forma de fazer publicidade ao hotel. navios-lanques gigantes. Os empregados do serviço do quartos preparam os pedidos para o dia seguinte e estão atentos aos pedidos ocasionais dos que não conseguem dormir e que querem um comprimido para as dores de cabeça. Ao todo. cargueiros movidos a energia nuclear.toria Peak. Os empregados dos sectores administrativos há muito que terminaram o seu serviço. Na rouparia. enchem-se os últimos ces tos com as mudas de roupa de cama e as toalhas para os quartos. os funcionários do turno da noite. a equipa que trata da manutenção dos sistemas vitais do hotel ar condicionado. O chefe do pessoal das limpezas dá os loques finais aos arran jos para as funções especiais do dia. a equipa de relações pú blicas. Os exércitos modernos são cada vez mais complexos. Na cave. Estrategicamente. Os abastecimentos urgentes podem ser transportados por helicóptero ou por aparelhos STOL (short-take-off-and-landing.do direclor-geral para baixo — descansam. conferências. o pão e a pastelaria para os pequenos-almoços estão a ser c. para entrepostos onde lhes foram fornecidos equipamentos da NATO ou para portos onde receberam equipamento pesado que chegara de barco através do Atlântico. nada mudou. No entanto. 0 Corpo Blindado deslocou-se então para a sua zona do acção. No serviço de aprovisionamento.5 t de lixo. num dia de ponta gastam se 820 000 I de água e recolhem-se cerca de 4. Na recepção. Assim acontece no Milton. Ao lodo. submarinos de carga e até grandes aviões poderão aumentar os reaprovisio namentos convencionais por ar e por mar. o reabasteci mento incluiria igualmente munições). dá-so então início à limpeza e arruma çáo dos 750 quartos de cama. Fazem-se as reservas. as tropas não demoraram mais de uma semana. os empregados fazem uma verificação de existências de última hora para se assegurarem de que têm todos os alimentos e bebidas para o dia. a sauna. Dos aeroportos europeus foram levadas. incluindo a verificação da piscina e do equipamento da sauna e do ginásio — onde uma equipa de oito pessoas toma conta da sauna. Na zona da entrada. mas à retaguarda preocupar se com as tropas. distribuído o correio." não dormem: a frenética actividade organizada de ontem limita-se a dar lugar a uma curta noite de preparação para amanhã. onde chegam a trabalhar durante o dia 75 funcionários. 0 transporte em navios rápidos através do Atlântico leva mais quatro dias do que por ar. Distribuem se os jornais da manhã para entrega nos quartos e afixam-se no átrio principal os avisos sobre os acontecimentos do dia no hotel. onde têm de ser confeccionadas cerca de 3750 refeições durante as próximas 24 horas. A mudança é marcada pelo ajustamento do volume suave do sistema sonoro de comunicações para um nível que possa ser ouvido por sobre os ruídos do dia. No futuro. Os directores de vendas reúnem-se para decidir sobre estratégias e tácticas para o melhor aproveitamento do hoiel e das suas instalações não só o alojamento nocturno como exposições. As cerca de 60 lojas. recepções e banquetes. cada uma das duas divisões e as respectivas brigadas de apoio dirígiram-se a uma zona táctica de concentração ali próxima para reabastecimento de combustíveis e provisões (em situação de guerra. Complementando esse trabalho. A preparação dos almoços vai avançada. rio banho turco e das insta lações de massagem. serviços internacionais de entrega de documentos e uma biblioteca de livros de referência. venha a ser necessário o reabastecimento dos bufetes. Entretanto. Desde a altura em que foram convocados ate àquela em que se encontraram em posição de combate. O pessoal de noite do serviço de quartos retira se e entra o de dia. ajudantes de cozinha e empregados-de-mesa estarão envolvidos em preparar e servir as refeições. por volta da 1 hora. São organizadas as entradas e saídas. fax e telex durante 24 horas. por isso foi necessário ter material pré-armazenario para as primeiras tropas. por estrada ou caminho de ferro. o Business Centre também já abriu as portas: põe à disposição dos clientes um serviço de secretariado. ansiosos pelo pequeno-almoço c por mais um novo dia. um copo de whisky ou uma ceia inteira para si próprios e para os seus amigos. com cinco elementos. O pessoal de limpeza limpa as zonas de circulação e arranja as salas necessárias para funcionar durante a manhã. de onde voaram para a Europa. dois dias depois. "de aterragem e levantamento em curto espaço"). e. os serviços adminislrati vos do hotel começam os seus trabalhos. a quem entrega uma lista de trabalhos a fazer. Os sete restaurantes c dois bares do hotel fecharam. Atrás do iobby do rés-rio-chão. Das 7 às 9 da manhã: tudo em acção O hotel está agora bem acordado — como o estão muitos dos hóspedes. os cerca de 50 funcionários da noite preparam o hotel para o novo dia E esta a vida do hotel que os hóspedes não vêem. desapareceram já os últimos '"vestígios" dos pequenos-almoços. os campos de ténis e a piscina encontram-se desertos.americanos. os 62 técnicos da manutenção fazem a sua inspecção diária completa. Os empregados de serviço às salas de reuniões confirmam que estas foram convenientemente limpas. verificam-sc as horas do chegadas e parti das. luz eléctrica e força motriz. Da 1 às 7 da manhã: cozinhas e limpezas Nas cozinhas. As (ropas foram conduzidas para os aeroportos americanos. As luzes das zonas de convívio e dos corredores baixaram de intensidade. Os contabilistas sentam se em frente das suas calculadoras e computadores para examinar as finanças do hotel. embora. e a zona de lojas. os grandes hotéis • il . Daí. e é cada vez maior a necessidade de rapidez. o serviço de quartos prepara os tabulei Um dia num hotel de luxo Quando se aproxima a I hora de uma madrugada abafada de Hong Kong. famoso comandante da II Guerra Mundial: "Não compete às tropas preocuparein-se com a retaguarda. em reu niões de trabalho e negócios. as mesas estão postas e as reservas verificadas. perto de Miinster e Osnabruck. quase 550 pessoas trabalham na preparação c no serviço das comidas e bebidas no hotel. só ficaram os empregados da noite e uns quantos recepcionistas. fotocópias. procedendo a reparações e conservações de rotina.o zidos desde a meia noite.

Pelas 11 horas. Na recepção. no 25. rapidamente corrigida. Sáo-Ihes dadas as boas vindas por uma banda de jazz tocando músicas conhecidas. assim. E. Cada um dos 10 decks. os hóspedes começam a tomar o chá. embalados em contentores metálicos. Na recepção. Das 8 à meia-noite: o serviço de jantares A maioria dos 1500 hóspedes e visitantes que comem no hotel está a jantar. as provisões já foram embarcadas. e sào encaminhados para os seus camarotes por quase 80 criados e criadas. Os alimentos e bebidas serão suficientes para a travessia transatlântica de cinco dias. abrindo-lhes as porias com cartões de segurança computorizados. os pasteleiros de bordo produzem os 6000 bolos necessários para o lanche e os 5000 petits •fours para o buffet. Uma vez por semana. 0 pessoal do serviço de quartos retira das portas as encomendas para os peque nos almoços. os 14 padeiros come çam a sua longa jornada de trabalho nas três cozinhas principais. apresentam-se os novos hóspedes. ali mentos enlatados e carne e peixe congelados — é transportada em tapetes rolantes para 0 interior. No Res tauranle Ninho de Águia. os empregados preparam as fichas de registo para o dia seguinte.Nova Iorque sete horas depois. a orquestra inicia o seu trabalho e na cozi nha pensa se já nas encomendas de alimentos do dia que se aproxima. pelas 4 horas. e a maioria das provisões — incluindo frutas e vegetais. Alguns dos 90 contabilistas do hotel apuram a receita do dia anterior. Meia-noite: começa a noite de trabalho Chegou ao fim mais um dia.desde saunas ejacuzzis até filmes e um centro de com putadores. às 5 horas da ma nhã. na cozi nha. A lavandaria." andar. o jantar já está a fazer-se. enquanto gmpos de trabalhadores das docas começam a carregar alimentos frescos e outras provisões a bordo do Queeit EBzabeth 2 o maior navio da Cunard Line e o único navio de passageiros que atravessa regularmente o Atlântico. a maioria dos vinhos. os ele vadores e o sistema de comunicação sono ra. Qualquer coisa que tenha corrido mal nos quartos é. os 17 guardas de segurança do llilton au Um dia na vida de um transatlântico O sol da tarde banha o porto de Southampton. a fim de prepararem os mais de 3000 pãezinhos e croissants servidos ao peque no-almoçp. Pelas 7 da tarde. cerca de 23 000 contos. o pessoal da recepção examina os relatórios diários do departamento de quartos — o segundo maior do hotel. OU pavimentos. que podem ser roubadas e copiadas. as 72 empregadas de serviço aos quartos e os 14 empregados de limpeza das zonas de circulação e salas já completaram os respectivos serviços. com 217 empregados. através de quatro estreitas pranchas de embarque. prepara-se para fechar. Das 3 às 6 da tarde: o chá A medida que se esvaziam os restaurantes e os bares. de passageiros possui a sua própria cozi nha com despensa. depois do de alimentos e bebidas. em vez das chaves tradicionais. t está já em anda mento mais uma noite de preparativos. bebidas alcoólicas e refrescos. 0 pessoal de limpeza já aspirou uma área de alcatifas equivalente a 142 campos de ténis. Os mandaretes pegam nas bagagens e acompanham os hóspedes aos respectivos quartos. K 30 000 I de cerveja são bombeados directamente dos camióes-cisternas estacionados no cais para enormes depósitos de aço inoxidá vel que estão ligados por tubagens aos sete bares francos do navio. onde poderão aprender coisas novas como processamento de texto. A medida que os hóspedes se vão recolhendo. por volta das 3 da tarde. Não há tempo a perder. Nos bares. o que permite aos cria dos e criadas de bordo preparar e servir desde chávenas de chá ou café pela manhã até complicadas ceias à noite. as empregadas de quarto enchem os baldes de gelo nos quartos.ros e os carrinhos para os hóspedes que preferem almoçar no quarto. Entretanto. que lava diariamente. Tudo foi preparado para o bem-estar e o conforto dos passageiros . Entretanto. o dia de trabalho termina por volta das (i ho ras. é içada cuidadosa mente para bordo por gruas. Ao mesmo tempo. entre outros artigos. os 1000 tripulantes estão nos respectivos postos e a maioria dos cerca de 1800 passageiros já embarcou. 10 000 toalhas e 500 camisas. a lista de chegadas para ama nhã estará já pronta. 1.2 . quando muitos hóspedes começam a pensar nos cocktails e no jantar. mentam discretamente a sua vigilância. Uma vez no mar. Das 6 às 8 da noite: os "cocktails" Para a maioria do pessoal administrativo. os empregados-de-mesa e os bormen preparam tudo para a reabertura ao fim da tarde e. o turno de dia do pessoal de manutenção ensaia o alarme de incêndio. o hotel ajusta se gradualmente ao seu ritmo nocturno. Atracou à 1 hora da tarde e partirá para a viagem de regresso a .

Mexendo o caldeirão. A verificação dos diversos depósitos de água. ladeado por uma águia de gelo.4 preparação da sopa começa às 7 da manhã. A casa das máquinas contem ainda uma aparelhagem de dessalinização e purificação da água. Existe. São tratadas diariamente cerca de 480 t — o bastante para se encherem sete piscinas idênticas às do navio. a água é rapidamente redistribuída pelos outros depósitos. Como sede dos comandos do barco. alguns deles abandonam o trabalho assim que atracam. NOS seus camarins. se utilizou mais água de um dos lados do navio que do outro. Para a maioria. as bailarinos preparam-se para a exibição Trabalhos de reparação. o QE2. a temperatura de -10°C mataria quem quer que ai' ficasse fechado mais de 12 horas. incluindo um de cozinha kosher. Cada um dos nove motores tem o tamanho de um autocarro de dois andares. chegam os primeiros cozinheiros para preparar os ingredientes para as sopas e os estufados do dia. são entregues as folhas noticiosas. faz cruzeiros nos fiordes noruegueses.lodos homens.As 7 da manhã. Planeamento antecipado. Para reduzir ao mínimo os erros e as más interpreta ções. Nas despensas. abrangendo a altura de dois decks. que recolhe água do mar e a transforma em água potável. Numa pequena divisão. um sistema de prevenção de colisões. outros contêm a água para bet>er e a utilizada na lavagem da roupa.e. conservam-se centenas de produtos alimentares. com notícias de todo o Mundo recebidas a bordo. existe uma campainha de alarme dentro do cada armário-frigorífico. existe apenas uma escada que leva à pon te — e uma única porta de entrada que apetias pode ser aberta por dentro. Os motores gigantescos do QE2 estão instalados na casa das máquinas — diversas e extensas áreas de enorme pé direito. às vezes. a velocidade e a direcção de até 20 navios. além disso. o primeiro que se instalou num navio de passageiros. que mostra em cada momento o rumo. e os enormes ar mários frigoríficos das carnes estendem-so a quase toda a largura do navio 32 m. a partir de uma velocidade de 32. Chamada ao palco. Cruzeiro nos fiordes. trata se de uma forma cie ver o Mundo. Sentem -se frequentemente fatigados e com saudades de casa . um carpinteiro começa a consertar uma cama. Alguns destes depósitos destinam se a servir de lastro para regular o caimento do navio. começam a preparar os 2800 almoços e jantares. a equipa de ti pógrafos desempenha o seu papel na vida diária do navio. O rigor i\n leitura é inferior a 100 m. é entregue em todos os camarotes um pro grama impresso dos acontecimentos do dia seguinte. Ao fim de cada noite. Os 75 me. Existe também um sistema de navegação por satélite. serve os convivas. Na ponte. Os cerca de 60 ajudantes de cozinha chegam a trabalhar 12 horas por dia nas cozinhas abafadas e sem janelas. a ponte está em comunicação íntima com a casa das máquinas — por telefone directo — e com outras zonas vitais. Kste instrumento assinala a posição do QE2 a intervalos de 35 até 100 minutos. Para corrigir esta situação. um navegador marca a próxima rota 63 .stres-cozinheiros . No seu interior. Na oficina. numa distância de cerca de 1. Alem disso. enquanto a maioria dos passageiros termina os seus pequenos-almoços. para o caso de as portas serem fechadas por engano. este começa a inclinar-se. De manha cedo. Por razões de segurança. Para evitar tais acidentes. é da responsabilidade dos carpinteiros de bordo. quatro vaporizado res a vácuo produzem 250 I de água por dia. em 3 minutos e 39 segundos. Mas a roda do leme continua a ser habitualmente usada quando o tráfego é intenso ou quando o navio entra ou sai do porto. Além de navegar no Atlântico. Se. A ponte exibe o mais recente equipamento de navegação. na parte mais inferior do navio. Geram 130 000 cavalos e conseguem fazer parar completamente o navio. Um cozinheiro. contudo. de vez em quando. por qualquer motivo. via satélite.5 nós (60 km/h). incluindo o piloto automático. todos os dias. . em contacto com vários satélites cm órbita à volta da Terra. Centro nervoso O centro nervoso do transatlântico é a ponte de comando.25 milhas (2 km). as instruções importantes são transmitidas à casa das máquinas por meio de um painel de teclas etiquetadas: quando Pratos frio».

Quando chegarem a Nova Iorque. a tecla equivalente da secção de controle principal da casa das maquinas acende-se . Nos bares propriamente ditos. com 100 000 homens. em re presentação de 160 países. mal se sente. tiveram de dominar bandos de estudantes desordeiros. perfeitamente equipada. Canadá." Não fora pela determinação de Avery Brundage. Como Iodas as Olimpíadas modernas. bailarinas e cantores . 5000 kg de fnita fresca.pouco antes da primeira série de pequenos-almoços. Como se organiza o maior festival desportivo do Mundo Na manhã de 6 de Setembro de 1972. o pessoal terá aberto 6000 garrafas de cerveja e tirado 13 6501 de cerveja a copo. oito terroristas palestinianos tinham penetrado na Aldeia Olímpica. Os motores podem também ser comandados directamente a parlir da ponte. Usaram-se 25 000 copos. competindo em 237 provas que abrangeram 23 modali dades. E todos. E nomeia-se uru comité organizador para planear e supervisar toda a operação — fazendo relatórios periódicos para o COI. mas os nove foram mortos no tiroteio que se seguiu e em que cinco dos terroristas também morreram. A vida nocturna prolonga-se até de madrugada . os Jogos de Seul foram os maiores até à data — com mais de 9400 homens e mulheres. há sempre trabalho para a tripulação. 32 000 artigos de loiça. O COI escolhe o lugar dos Jogos e decide quais os desportos a incluir. em 1976. Antes de escolhida a cidade. os Jogos foram suspensos e o seu destino manteve-se in certo. 350 kg de lagosta. A escolha da cidade Unicamente cidades — e não países podem candidalar-se a organizar os Jogos. a influência dos governos. que escreveria mais tarde: "O horror dos assassínios na Aldeia Olímpica de Munique alterou totalmente o conceito de segurança.uma das teclas é pressionada na ponte. o Queen Elizubetfi 2 sai majestosamente do porto e dirige-se para o Atlântico. os criados terão servido 5600 kg de vaca.até à câmara escura. quando os criados já voltaram ao serviço e oferecem aos passa geiros o luxo do pequeno almoço na cama. eles e os barrnen terão aberto 000 garrafas de vinho c 500 de champanhe. em 1988. três enfermeiras e três paramédicos. Entre a tripulação. O presidente do Comité Olímpico Internacional era o irlandês Lord Killanin. numa cerimónia de homenagem celebrada ao ar livre c presenciada na televisão por 1000 milhões de espectadores. Comendo e bebendo Grande actividade espera a tripulação. No dia anterior. croupiers. afirmou: "Os Jogos têm de continuar — e nós temos de prosseguir no nosso esforço de os tornar claros e honestos e tentar alargar a outras áreas o espírito desportivo dos campos de atletismo. dirigiu-se a 75 000 pessoas reunidas no Estádio Olímpico de Munique. havia um estúdio de basebol (atrás) e edifícios com ringues e campos (à direita). a azáfama regressa ao começar um novo dia a bordo do mais luxuoso tran satlánlico do Mundo. o acontecimento foi da responsabili dade do Comité Olímpico Internacional (COI). tanto quanto possível. em que. Desde a ponte que funciona 24 horas por dia . Seja a que hora for e em qualquer parte do navio. Além disso. E assim. Uma zona de arrozais perto de Seul iransforruada num complexo desportivo de 55 ha para as Olimpíadas de 1988. desde um dente até uma operação ao apêndice. Coreia do Sul.. que podem tratar de tudo. as forças de segurança e antiterroristas.Seul. caviar. A ementa apresenta salmão fumado. nas semanas que antecederam os Jogos.proporcionam aos passageiros uma escolha variada de entretenimentos. O hospital de bordo fica situado a meia nau. por essa razão. Avery Brundage. Depois do jantar. Em número de competidores. 20 kg úepàté de foie-gras — além de cerca de 4800 potes de compotas e 100 garrafas de molhos e pickles. o que se destina a eliminar. Paisagem olímpica. o comité olímpico do país assegura se de que ela é capaz de providenciar todo o pessoal e instalações para o desenrolar dos Jogos. O pessoal do hospital é constituído por dois médicos. então com 84 anos. Quando a noite começa a cair sobre Southampton. 64 ." O número de tropas armadas e polícias superou os 6189 atletas c estabeleceu o critério para os Jogos futuros como os de . Suíça. lagosta e ostras — além de outros pratos requintados. os 60 animadores de bordo — músicos. Nas 34 horas seguintes. Avery Brundage. na sala de operações. próximo da linha de água. onde o fotógrafo revela as fotografias tiradas em acontecimentos como o cocktail do comandante. 500 de whisky. 300 de gin e 120 de brandy. onde o balanço do barco. que. foi uma das grandes prioridades nos Jogos de Montreal .e o maquinista sabe exactamente o que é que se lhe pede. às 8 da noite. Além do 'Estádio Olímpico (primeiro plano). com sede em Lausana. tomando como reféns nove atletas israelitas e matando outros dois. Cada edi ção dos Jogos Olímpicos demora seis anos a planear e organizar e já estavam em curso os preparativos para as Olimpíadas em Montreal. Atiradores especiais alemães acorreram a salvar os reféns. já todos os passageiros embarcaram e tudo se encontra a postos para uma nova travessia. são submetidos a exames médicos periódicos Quem tiver excesso de peso é enviado para terra até emagrecer. de manhã cedo. contam-se seis bailarinas.. com os seus 292 m de comprimento. Os empregados-de-mesa preparam se para servir o jantar nos quatro restaurantes do navio. 18 000 talheres e lavaram-se e pu seram-se nas mesas quase 3000 toalhas. presidente do Comité Olímpico Internacional. Mas depois. os Jogos Olímpicos de 1972 poderiam ter sido suspensos e o futuro das Olimpíadas posto em questão. do capitão para baixo.

Houve uma situação parecida em Seul. cujos movimentos estavam sincronizados com o ritmo da música. ã razão de 6000 por dia — não foram tão felizes. quase 30 000 sul-coreanos ofereceram-se para. Construíram•se também um novo terminal aéreo. sem qualquer remuneração. na Finlândia. em todos os Jogos Olímpicos Lima equipa internacional de meteorologistas emite diariamente boletins . um total de 1135 t de carne.da imprensa. incluindo as duas línguas oficiais do COI — francês e inglês. lojas.que chegam a 20 por dia. por vezes. Assim. Os empreiteiros privados aproveitaram a oportunidade para construir 178 blocos de apartamentos de luxo próximo dos dois centros olímpicos principais. recentemente construído. Além dos funcionários. Mas o número de cozinheiros (300 nos Jogos de Tóquio. no seu conjunto.Apresentação das bandeiras. uma estrada de acesso. Quase 1000 intérpretes. em ge- ti5 . Nas Olimpíadas de Seul. milhares de voluntários sul coreanos formaram as bandeiras dos 160 países representados. certas provas têm de mudar à pressa de horário. túneis e quilómetros de esgotos foram rapidamente construídos — e 22 artérias principais em mau estado foram alargadas e denominadas "estradas olímpicas". foi propositadamente construído um troço de monocarril entre o Aeroporto Hareda e o Estádio Nacional. Na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Seul. Enquanto se ouvia o hino de cada país. em 1960. Auio-cstradas. e são muçulmanos que se encarregam das cozinhas que fornecem alimentos aos atletas de religião muçulmana. urna equipa de 135 cozinheiros preparou diariamente cerca de 60 000 refeições. 5200 calorias por dia A alimentação dos atletas constitui outra grande responsabilidade dos comités organizadores. para as centenas de diplo matas e para os mais de 1000 jornalistas. K nas Olimpíadas de Los Angeles.que chegavam ao Aeroporto de Fiumicino. os participantes. estações de correios. teve de contar-se com a ameaça do frio e da neve. Os preços de venda dos apartamentos atingiram o equivalente a perto de 25 000 contos cada um. Em Los Angeles. em 1976. o que representou uma média diária de 3. por exemplo. bem como apartamentos e casas para albergar 35 000 atletas. Palavam-se mais de 30 línguas. onde em 19 meses milhares de hectares de campos de arroz foram transformados numa minicidade de betão que incluía o Parque e a Aldeia Olímpica. Contudo. Por isso. em 1964. um quadro de 1400 funcionários serviu. recrutados nos melhores hotéis japoneses) é grandemente ultrapassado pelo número de guias-intérpretes necessários para os Jogos. Mas as aldeias olímpicas são mais de que quartos de dormir e instalações de treino. durante o período olímpico de 16 dias. Um milhar de habitantes que falavam inglês recebia os visitantes estrangeiros no moderno Aeroporto de Seul . em 1984. Instalou-se mesmo um parque de campismo nos jardins da uilla do imperador Adriano. Os alimentos frescos eram entregues diariamente por mais de 100 fornecedores e incluíam 20 400 kg de carne todos os dias. por exemplo. Km Montreal. cinemas. discotecas. incluía-se servi rem de tradutores para os comités olímpicos nacionais. Entre as suas tarefas. 200 000 visitantes tiveram de ser alojados em hotéis ou apartamentos. tia colina do Tivoli. igrejas e sapateiros — que fazem bom negócio consertando os sapatos de corrida dos atletas. acompanharam os atletas de Tóquio. havia 5000 intérpretes. Tiveram de dormir em conventos. muitos dos 100 000 visitantes dos Jogos de Roma . e os novos proprietários alugaram-nos para os Jogos e só depois os foram habitar. servirem de guias. a modernização e.quando a União Soviética pela primeira vez tomou parte nos Jogos —. em )98B. O espaço vital era precioso nas Olimpía das de Roma. Para os Jogos de Tóquio. Além destes. prepara se comida kosher. e em Helsínquia. em 1984.5 kg e 5200 calorias por atida — servidas numa cafeteria aberta 24 horas por dia e maior que dois campos de futebol. a Avenida Olímpica. O clima desempenha frequentemente um papel importante. quando a Aldeia Olímpica foi construída numa área de 30 ha perto de um meandro do Tibre. arrumadores e vendedores de bilhetes. Para os atletas judeus. conhecedores da terminologia desportiva. jornalistas . por exemplo.muitos dos quais foram hóspedes destes voluntários durante os Jogos. em 1952 . que é o maior troço de monocarril do Mundo. mosteiros e dormitórios de co légios ou acampar nos parques e zonas verdes da cidade. formarem a respectiva bandeira. rádio e televisão — e funcionários. a alteração do aspecto da cidade candidata. peixe e legumes. Organizar os Jogos Olímpicos implica inevitavelmente a melhoria. Incluía um complexo de apartamentos com 4500 quar tos destinados a alojar 8000 atletas. uma ou outra prova esteve ocasionalmente prestes a não poder ser realizada devido ao nevoeiro cerrado (smog). erguiam cartões de diferentes cores para. em 1964. pois incluem também cabeleireiros.

Com os seus "elementos" . concentram-se no financiamento e na distribuição. o conceito é apresentado por escrito e descreve. a produção. em 10 minutos. deu luz verde ao argumentista Lorenzo Semple Jr. Como peça literária. um ou dois actores e o realizador —. conhecimentos e magia As grandes metragens de Hollywood nascem no caos da criatividade individual e vivem ou morrem ao capricho do público. que dirige os actores e que dá ao filme a sua forma artística. Anteriormente. oito anos depois. Querelas políticas e a complexidade do desenho atrasaram o início da montagem dos 11 770 elementos de betão armado do estádio. decompõe se nas seguintes fases principais: concepção. A montagem dos Jogos é uma tarefa altamente dispendiosa — custou 8000 milhões de dólares a dos Jogos Olímpicos de Moscovo. pré-produção.a ideia (ou. Muitas estrelas dependem da sua própria imagem e recusam-se a ser contratadas quando consideram que o papel não lhes é adequado. os grandes estúdios cinematográficos. o orçamento e os exteriores K." Geralmente. O argumento. aguaceiros ou granizo. O sector dos homens foi vendido ou arrendado para habitação. os artistas e os orçamentos. o francês barão Pierre de Coubertin. de greves de zelo e de absentismo quase fizeram parar os trabalhos. ou conceito. de donativos de empresas locais e das contribuições dos habitantes das cidades. a maior estrutura pré fabricada do Mundo — revelou-se um problema importante. de um filme provém muitas vezes de um livro. controlavam as ideias. Há dezenas de anos. é grandemente modificado uma vez conhecidos o elenco. por exemplo. Conseguida a viabilidade do acordo. A grande parte dos ganhos de Seul proveio da venda de direi tos de televisão . as grandes estrelas detêm um enorme poder e há sempre uns 15 actores importantes que Ioda a gente pretende. os projectos podem ser aprovados. ganhou 100 000 dólares por dia em A Bridge 7òo Far (lima Ponte Longe Demais) (1977). Alguns dos 355(1 trabalhadores tiveram de lutar contra rajadas de 100 km/h.das quais a criação ou a compra do argumento é uma das mais importantes. Como investimento. Pré-produçáo O período de pré-produçáo pode durar anos. O argumento-basc mantém o esqueleto do filme. por muito bem que os Jogos estejam organizados. são pagos em conformidade. começa a tarefa de desmontar as aldeias ou de convertê-las para outros fins proveitosos. arquivados ou rejeitados pelo estúdio. Diz o autor-realizador Steven Spielberg. 66 Os ingredientes de um filme de Hollywood: dinheiro. e pelo menos 12 homens perderam a vida em acidentes.ral para evitar que sejam afectadas por temporais. vai-se alterando com as filmagens até à sua forma definitiva. Nesta fase. Goldman recolheu dados para Butch Cassidy and the Sundance Kid (Dois Homens e Urn Destino) (1969) durante oito anos antes de começar a escrever o argumento. Em Munique. Hoje em dia. quando o filme está nas mãos dos técnicos. o produtor vende o conjunto a um grande estúdio para obter os fundos (à volta de 100 000 dólares) para o arranque da produção. de elaboração de orçamentos. James Caan c Warren Beatty todos recusaram 4 milhões de dólares para representar o Superman (1978). os artistas estavam total mente dependentes dos estúdios. Só então o produtor que recebe grande parte dos honorários quando se inicia a rodagem começa a fazer dinheiro. Os agentes transformam-se frequentemente em produtores independentes.só os EUA pagaram 325 milhões de dólares. Direitos de televisão Mas as compensações são igualmente impressionantes. Tempestades de neve e temperaturas baixíssimas . contendo pouco mais que 0 diálogo e instruções simples para sugerir o carácter do filme e o ambiente. produção e pós-produção. em geral. e "apenas" 850 milhões a dos de Seul.a conjugação vcnto-temperatura atingiu os 53°C negativos . ela irá dar urn bom filme. Como acarretam enormes rendimentos para os filmes. caso em que voltam a ser oferecidos ao mercado. Depois. urn para homens. Certas ideias avançam com espantosa facilidade. Os que dominam o acesso aos financiamentos de filmes — como os agentes e os managers — adquiriram enorme influência. As imagens apresentadas pelo argumento apenas tomam vida quando lha dá o realizador — a pessoa que escolhe os ângulos da fotografia. A primeira coisa essencial é "o acordo". e todos os outros elementos tem de ser coordenados pelo acordo. o enredo. com frequência. inclusiva mente aditamentos ou prorrogações do contrato. Se o estúdio aprovar o argumento. As negociações podem durar meses. o realizador.contri buíram também para que o trabalho fosse frequentemente interrompido. de procura de exteriores. de ensaios e de marcações das datas dos transportes e das filmagens. poder. Steve McQueen. é que existem regras definidas. Igualmente importantes são os "boletins desportivos". outro para mulheres.em 1976. quando o seu fundador. que dão a conhecer as classificações e os tempos. que recebeu 500 dólares pelo seu primeiro filme. Montreal foi um exemplo notório. Quando. em 1980. Robert Redford. Dirio de Laurentiis decidiu fazer nova versão do King Kong de 1933. por vezes. Os jogos de Seul tiveram um lucro recorde de quase 500 milhões de dólares — mais do dobro do apurado em Los Angeles em 1984. a Aldeia Olímpica estava dividida em dois sectores. O processo. o argumento). O conceito A ideia fundamental. entra-se na produção. no seu todo. mas para participar". que é citada na cerimónia de abertura de todos os Jogos. "Se urna pessoa consegue iransmitir-nie uma ideia em vinte e cinco palavras ou menos. Robert Redford. as personagens e o interesse da história. Agora. em 1961. Contudo. Em contrapartida. Muito do dinheiro provém dos governos interessados e de patrocinadores privados. com propostas e contrapropostas na casa dos milhões. que são as forças por detrás de alguns acordos de Hollywood. em poucas páginas. de desenho dos cenários. que utilizavam contratos de exclusividade para os obrigar àquilo que pretendiam. ou serviços computorizados de resultados. Wur Hunt. a MGM e a Twentieth Century-Fox. . mas pode ser apenas uma ideia expressa por um título ou pouco mais. Paul Newman. O Estádio Olímpico principal . Os Jogos Olímpicos da era moderna tiveram início em Atenas em 1896. o produtor pode pelo menos cobrir as suas despesas . durante os quais se discutem os contratos e se contactam os artistas e os realizadores. E o instrumento medidor dos tempos para as corridas estava ajustado ao milésimo de segundo. como a Paramount. Seguem-se meses de correcções do argumento. Só durante a produção. três meses de greves sindicais. e o das mulheres é utilizado como bloco residencial para estudantes. um filme é um jogo. Por tudo isso. criou a máxima "Não para ganhar. ainda se colocava relva no estádio na manhã da cerimónia inaugural. No Estádio de Tóquio o quadro electrónico de resultados podia mostrar até 500 caracteres luminosos simultaneamente. há sempre qualquer coisa que corre mal. é pouco deu so — cerca de 135 páginas é mais ou me nos o habitual -. o escritor W. Uma vez terminados os Jogos. em 1976.

As negociações são tão complicadas que dariam para um livro ou um filme. Atrás. % i X i Os exteriores de "Lord Jlm". descreveu o filme como "uma desgraça" e quase decidiu não o lançar. câmaras. As filmagens realizaram-se. tirado do best seller de Frederick Korsyth de 1974. De Waay decidiu-se finalmente por Belize. Os custos abone the Une . Mesmo filmes relativamente simples e já definidos podem levar anos a serem concretizados. que as filmagens fossem nas Seychelles. lais como os cenários e os técnicos — são calculados a partir do argumento. The Dogs of V/ar (Cães de Guerra).-. de 1964.* . Mas Gralfiti foi um êxito e ele aproveitou a sua nova posição para fazer um filme com a Twenlielh Century-Fox. Os custos behtv lhe Une . A Guerra das Estrelas (1977). O departamento de design de 2001: Odisseia no Espaço (1968). a Universal. o seu estúdio. Náo há dois iguais. ti- 67 . tanto para os produtores corno para o público. redigem-se os contratos. O produtor. em colaboração com o presidente do pais. realizador. e o filme foi lançado em 1980. Vê-se aqui a estrela do filme. Um dos mais caros filmes de todos os tempos foi Cleópatra (1963). um elemento da equipa de iluminação. e no topo do escadote. BI • • r • W'/ P r tó^' » > i! Jt * * * r »«ffl • 1. arte. iluminação.os directamente relacionados com o ofício de fazer filmes. Os orçamentos das grandes metragens são uma constante fonte de fascínio. M n tw? Y > • • r ••:•» SG ife . James Mancham. Produção Um filme de longa metragem exige um pequeno exército de departamentos especializados: som. Depois de os elementos estarem definidos c o acordo assente cm princípio. enquanto a acção se desenrola e a câmara filma. operação já de si épica. PeterOToole . A longa metragem Lord Jim. na América Central. Teve dois argumentistas e dois produtores antes de John Irvin ser contratado como realizador. Quando George Lucas fez American Gralfiti (Nova Geração) em 1973. está um grupo de operadores de câmara e técnicos de som. Mas ambos atingem os milhões. publicidade e argumento. de Stanley Kubrick. cabeleireiros e guarda-roupa. Um terceiro argumento serviu de base à procura dos locais para exteriores. que custou 44 milhões de dólares em 1962 e perdeu dinheiro nas bilheteiras. Larry de Waay. esteve seis anos em pré -produção. Os realizadores são também parte do chamado star syslem.de boné preto -.produlor. arlislas e escritor — são abertos a negociação. conseguira. Mas Mancham foi deposto por um golpe de Estado antes de iniciados os trabalhos. estas especializações têm a sua importância própria.. por baixo da "girafa" (para captação do som). caracterização. Conforme os filmes.rt>-' . foi filmado em cenários exteriores no Extremo Oriente.

e isto mais vezes do que suscitam ganhos. de 1975.nha três delineadores de produção e um cenógrafo-decorador para os cenários. Depois. escrevendo as orquestrações exigidas.o que mostra a inconstância do gosto do público. Há a música que precisa de ser composta. A perda de uma só das centenas de bobinas pode ser fatal para o filme. foi rejeitado por todos os grandes estúdios. "o facto mais importante de toda a indústria cinematográfica" é: NINGUÉM SABE NADA ou seja nada daquilo que o público vai querer no ano seguinte. Pós-produçáo A montagem fase cm que se corta a película para articular os planos e as sequências .2 milhões. 414). custou perto de 2 milhões de libras a montar em Londres. Apocalypse Now (1979). em Nova Iorque. que só pode ser escrita quando estiver praticamente com pleta a montagem do filme. Mas os efeitos especiais de hoje em dia requerem alta tecnologia (v. que tem de ser coreografada. às vezes durante anos a fio. Na primeira versão de Ben Hur (1925) morreram 100 cavalos. as cópias e a distribuição. 3. ainda não montadas. Lima grande fonte de stress para o realizador é o facto de muitas das pessoas sob as suas ordens tanto poderem fazer como destruir o filme. de Andrew JJoyd Webber. A Esfinge (1981). de que apenas foi utilizado cerca de 1%. fazendo lava com papa de aveia. dizen do que os rendimentos foram para fazer face aos ouerheads. As cenas terão sido filmadas de muitas formas diferentes para permitir uma escolha o mais ampla possível. Bakunas saltou de um edifício de 107 m para cima de uma enorme almofada de ar. o preço inicial de uma peça musical é de cerca de 7 milhões de dólares. Ser duplo é 68 urna ocupação perigosa e muito bem paga. o burburinho cessa e os espectadores recostam-se nas suas cadeiras. Stanley Kubrick impressionou mais de 300 km de película para The Shining (1980). homens mascarados roubaram de um estúdio de Boston 15 bobinas. mas as dificuldades inerentes aumentaram para 31 milhões de dólares o orçamento inicial de 13 milhões. I lá a dança. em Agosto de 1978. concluiu que não teria público e rejeitou o." Passageiro) (1979). mas esta tem muito mais dificuldades que lhe são específicas.horas de tédio interrompidas de vez em quando por momentos de puro terror. Com Alien (O 8. de Francis Ford Coppola. Os efeitos especiais e os duplos Os efeitos especiais constituem um campo de trabalho particularmente exigente. entra em acção outra grande máquina . o compositor trabalha ha bitualmente com assistentes. que lhe preenchem os esquemas musicais. Rccusam-se a declarar lucros. o técnico inglês de efeitos especiais Les Bowie criou o Mundo em seis dias por 1200 libras. Os riscos e as compensações de pôr em cena uma comédia musical A sala obscurece-se. começou a haver um controle mais rigoroso.15 milhões em publicidade e 3 milhões em exemplares do filmeanúncio para apresentação em mais de 2000 cinemas. Só então o filme propriamente dito fica pronto para exibir ao público. Só então o exército de pessoas envolvidas na sua feitura sabem se produziram algo de desastroso ou pura magia. por exemplo. Na década de 80. Encontros Imediatos do Terceiro Grau (1977) precisou de 60 projeclores de arco voltaico suspensos 24 m acima do solo. de 553 m. amortecendo a queda com um "cabo de desaceleração". o pano sobe para uma noite de música. com excepção da Paramount. O departamento de arte pode ter de resolver exigências como a de Franklin Schaffner para A Esfinge: apresentar um sarcófago egípcio com 800 a 900 peças de joalharia. exigiu um tubarão automático com 7. Devido aos limites de tempo. e o Ziegfeld. necessitou de dezenas de morcegos vivos. As capacidades e a competência necessárias para lançar uma peça de teatro do princípio ao fim desde o financiamento da produção ao ensaio dos artistas . A seguir à montagem. Os Salteadores da Arca Perdida (1982). Em Steel (Homens de Aço) (1979). O Tubarão. e esperam que o futuro seja como o passado. Mas o que é preciso para que uma peça musical chegue a ser apresentada? Nenhuma outra forma de espectáculo exige uma tão complexa mistura de capa cidades de criação e execução Iodas as noi tes. Uma questão particularmente controversa é a filmagem de cenas que provoquem danos em animais. uma sequência que mostrava asteróides em The Empire Strikes Back (O Império Contra-Alaca) necessitou de 40 captações. Em 1988. a força da queda rebentou a almofada e Bakunas morreu. Em 1966. um dos filmes com mais êxito de sempre. O índice normal dê aproveitamento situa-se entre os 10 e os 5%. que engloba a publicidade. Um motivo de peso para a mentalidade dos "sem-lucros" é que os filmes não só custam muitíssimo e rendem muitíssi mo como dão muitíssimo prejuízo. Os responsáveis pela escolha de exteriores têm um papel igualmente vital. Tudo isto faz das grandes peças musicais a forma mais dispendiosa de produção teatral. . O Fantasma da Ópera. Após a rodagem. Por exemplo. Provavelmente. 406). de The Brinks Job (A Grande Jogada) (1978) e pediram um resgate de 600 000 dólares (o resgate não foi pago: o filme foi montado sem aquelas bobinas e os prejuízos ascenderam a 9 milhões de dólares). Os cineastas não sabem realmente como se faz um filme de sucesso: sabem apenas que certos filmes tiveram êxito. Na Broadway. aos escritores.pode criar ou destruir o filme. Há o guarda roupa e os cenários. Dar Robinson recebeu 100 000 dólares para saltar da Torre CN em Toronto. algumas delas com 28 efeitos ópticos. A realização já foi comparada à guerra . em One Million Years BC (Quando o Mundo Nasceu). A.1. Em liighpoint (1984). Por exemplo. de Franklin Schaffner. p. só três em cada sete longas metragens lograram dinheiro . orquestrada e integrada no enredo. dependia cnicialmente da capacidade de Vittorio Storaro em controlar simultânea mente até 10 câmaras. aos produtores e aos realizadores qualquer parte dos seus lucros. o orçamento não permitirá a repetição da cena. frequentemente mais ricos que numa peça convencional. O próprio teatro tem de ser espaçoso e de natureza a acomodar o espectáculo — com boa acústica e lugar para a orquestra. e o realizador pode estar obrigado por contraio a pagar as despesas que excedam o referido orçamento. danças e canções. facto esse que é especialmente verdadeiro em relação ao operador de imagem. o Vietname foi recriado nas Filipinas. Porquê? Como escreve William Gold man no seu livro Aventuras no Mundo do Cinema. p. num total de 100 fragmentos de filme. as quantidades imensas de película têm de ser cuidadosamente reveladas.6 m. Para Apocalypse Now. . A rodagem de uma cena de batalha num filme de guerra pode custar milhões.são inerentes também à peça musical. Os duplos são importantes para os pro dulores de filmes (v. Uma das razões pelas quais as negociações são tão difíceis — e o dinheiro necessário à preparação do filme pode atingir montantes tão elevados é os estúdios serem notoriamente lentos a pagar aos artistas. Em consequência deste e de excessos semelhantes.a promoção —. a Fox despendeu mais de 18 milhões de dólares nos chama dos ouerheads . É preciso encontrar actores que saibam dançar e cantar. luz. A Columbia analisou o ET (O Extraterrestre) (1982). Falta ainda acrescentar um elemento fundamental: a música.

arranja os fundos e superintende a produção.a letra. o principal papel feminino de O Fantasma da Ópera. O álbum musical vendeu-se aos milhões. Com um argumento já existente. Lerner.o assassínio de um trabalhador dos bastidores. e outras recordações. as peças musicais de grande espectáculo são geralmente domínio dos empresários. ou libreto. e o seu projecto lerá de demonstrar boa promessa de rendimentos para que os financeiros o apoiem. S. O actor principal. como peça do teatro. Esteve no Thealre Royal de Stratford. Victor Hugo e Cervantes. Pensou também aproveitar música já composta. Eliot. os produtores estiveram envolvidos no espectáculo desde o início. pois torna-se assim mais fácil obter os fundos indispensáveis para iniciar a produ ção. Charles Harl. en tre cujos êxitos musicais se contam Um Violino no Telhado e Evita. Foi adaptado a filme três vezes.que também escreveu letras para as canções. de Beniard Shaw. Os actores principais permanecem geralmente num papel entre seis meses e um ano. Para simplificar o problema. e sabem à partida que o enredo já provou ter interesse para o público. Maqueta. depois de ouvirem trabalhos seus num concurso. foi escrito por Lloyd Webber para a soprano Sarah Brightman. o papel foi lho entregue. Para escrever as leiras das canções. A equipa criativa Em qualquer produção teatral. Les Misérables e Man from La Mancha foram adaptados de romances de Dickens. Car rie. Há dois tipos de produtor . pelos aspectos técnicos e artísticos da produção e pelo ensaio dos artistas e dos técnicos encarregados do som. na América e em mais oito países. cujo corpo aparece subitamente pendurado sobre o palco. cuja My Fair Lady figura entre os espectáculos musicais de maior êxito de sempre. O empresário tem de ser capaz de obter os fundos necessários. fechou ao fim de uma semana com um prejuízo de 7 milhões de dólares. Olioer. contra cerca de três meses no caso de uma peça de teatro declamado.o empre sário e o director. Cats. My Fair Lady derivou da peça teatral Pigmalião. Michael Crawford. pelo menos. que era então sua mulher e que não era ainda uma estrela de primeira grandeza. Cats teve origem em poemas ligeiros de T. particularmente na Broadway. os autores e os compositores têm em mãos um conceito que o produtor pode apreender facilmente. A atribuição dos papéis Nas produções importantes. o produtor lem voz decisiva sobre quem desempenha os papéis principais. das luzes e dos cenários. com música de Verdi e Offenbach. Lloyd Webber escolheu liai Prince. em 1984. 69 . porque em geral são criadas por. No entanto. E o diálogo. depois de ouvidas outras artistas. que trabalhara já para a English National Opera e a Royal Shakespeare Company.Para não perder dinheiro. A génese de O Fantasma da Ópera é um exemplo de como as diversas linhas de evolução de uma peça musical acabam por juntar-se. O homem do meio 0 risco e a responsabilidade de montar uma peça musical assentam no produtor. A escolha do espectáculo Uma peça musical envolve três linhas de desenvolvimento separadas . nomearam um jovem desconhecido. os papéis principais são atribuídos com um ano ou mais de antecedência. viu o seu Dance a Little Closer sair da cena antes da terceira noite. Andrew Lloyd Webber lembrou-se de fazer uma versão para o West End. Até Alan J. mas depois decidiu escrevê-la. da Royal Shakespeare Company. por sua vez tirada de uma antiga lenda grega. Por esta razão. É ele quem selecciona o espectáculo. de Lloyd Webber. o diálogo e a música. como T-shirts. e nomeou ce nógrafo-figurinista Maria Bjõrnson. deu 250 milhões de libras em três anos na década de 80. Christine. o director é uma figura-chave: é ele o responsável pela distribuição dos papéis. O director é em geral um empregado nomeado pela administração de determinado teatro para as suas próprias produções. O romance original foi escrito pelo jornalista francês Gaston Lcroux em 1911. Tem ampla liberdade de levar à cena aquilo que desejar. embora aceite a opinião do director. As exibições foram simultâneas em Inglaterra. O teatro pode ser privado ou do Estado. era de Lloyd Webber e Richard Slilgoe . As maquetas de Maria Bjõrnson para O Fantasma incluíam um dos seus efeitos mais dramáticos . The Really Useful Thealre Company. Raramente estão todas prontas quando o produtor começa a tomar decisões. onde e quando quiser. contribuíram para os lucros. O empresário opera com a sua organização de produção própria. muitos espectáculos musicais vão buscar o enredo a obras existentes sob outra forma. As verdadeiras restrições são de ordem financeira. O projecto encontrava-se ainda em fase de concepção quando Lloyd Webber contactou Cameron Mackintosh e. uma grande peça musical deverá ter casas cheias durante um ano. três pessoas diferentes. Mas igualmente importante é a existência de um compromisso por parte de um grande intérprete. assim. Kiss Me Kate e West Side Story inspiraram-se em obras de Shakespeare. Londres. Já têm também surgido formas de co-produção — tanto Cais como O Fantasma da Ópera foram apresentadas conjuntamente pelo empresário londrino Cameron Mackintosh e pelo grupo de Andrew Lloyd Webber. Mas as compensações pelo êxito podem ser fenomenais. Devido às grandes somas de dinheiro que implicam. 0 fracasso pode ser igualmente espectacular. era um nome muito conhecido em Inglaterra.

Outras. A angariação de fundos Enquanto o director reúne Iodas as componentes de uma produção. Anni Partridge. Conforme a natureza do espectáculo. que permaneceu muito tempo em cena no West End. a directora de cena-adjun ta. coordena no seu painel electrónico as gumento se encontra próximo da sua forma definitiva. O Fantasma da opero. são apenas parcialmente fixadas . Uma das prioridades do produtor será reservar um teatro e marcar a noite da estreia. O mesmo acontece com os libretistas e o compositor. Por luzes.o que lhes pennitiu despertarem a atenção do público. com enorme êxito na comédia musical Barnum. interessando uma editora discográfica nos direitos dos álbuns da peça e autorizando o comércio de artigos com ela relacionados. Algumas despesas estão ligadas aos rendimentos da produção como percentagens fixas. Quanto menos fundos o produtor necessitar de obter de fontes exteriores. Outros elementos-chave. que investem num espectáculo como po cliam investir em títulos na Bolsa. analisarem a sua reacção e angariarem fundos. Muito do seu esforço dirige-se às vendas adiantadas de bilhetes. seja em dinheiro. O produtor e os seus associados concentrai n-se nas questões económicas. seja em garantias pessoais aos financiadores. Os "anjos" não começam a ser reembolsados antes de estarem pagas as despesas iniciais. que serão necessários por todo o tempo que durar a exibição. As pessoas ligadas à produção dividem-se em dois grupos. terá de asCoordenadora da produção. Alguns produtores fazem uma experiência na província antes de trazerem a peça para um centro importante — para verificarem e corrigirem eventuais falhas antes da estreia de gala.deixarão de constituir custos quando o espectáculo encerrar. mais talvez uns 20% do rendimento da bilheteira até o espectáculo pagar o investimento e 12. trabalham com percentagens menores — cerca de 2%. por exemplo. Andrew Lloyd Web- . os cenários e o guarda-roupa. Primeiro. Mas poucos empresários desejam tomar os riscos exclusivamente sobre os próprios ombros. Todos os outros aspectos da produção ficam sob o controle do director. o produtor dá os toques finais nas questões financeiras.5% depois disso. Durante a representasegurar-se de que o texto do arção de O Fantasma da Opera. álbuns e vídeos antes da estreia da peça . Algumas despesas são fixadas desde o princípio — por exemplo. 0 seu orçamento discrimina todos os custos principais.foram pioneiros das técnicas de editarem discos singles. fazendo-o em percentagens que vão dos 10 aos 70%. Os produtores têm outras formas de obter fundos — por exemplo. o Leão. No ensaio geral (em baixo). como o ancndamenlo do leatro e os salários aos elementos de segunda linha da empresa. como o cenógrafo e o director musical. 0 Espantalho. tanto mais lucros pode arrecadar. o Homem de Lala e Dorothy ensaiam uma cena de 0 Feiticeiro cie Oz. os panos e os efeitos especiais. cobertura são empresas ou particulares. Em qualquer dos casos. Supersíar c Eoita . O actor ou actriz principal podem receber um honorário básico durante os ensaios. todas estas datas têm de estar previstas no calendário da produção. a estreia oficial pode ser daí a um ano ou mais. Muitos produtores têm listas de empresas e indivíduos — conhecidos por "anjos" — que são potenciais investidores. Outros fazem ante-estreias perante convidados. o som. mar cham pelo caminho de ladrilhos amarelos ao encontro do Feiticeiro. abriu em Nova Iorque com uma bilheteira previamente garantida de 19 milhões de dólares — o que lhe assegurava um êxito financeiro.Ao encontro do Feiticeiro. incluindo a publicidade e os anúncios. As fontes habituais para o restante da 70 ber e o autor de letras Tim Rice — que trabalharam juntos cm Jesus Cristo.

Uma equipa de salvamento no Bcn Neois . a briga da de socorros aéreos entrou em acção: telefonaram a Beal Perren. Dentro de minutos. um serviço comercial de helicópteros. fazem-se alterações até à noite da estreia ou mesmo depois dela. Um mestre carpinteiro e os seus assistentes trabalharão finalmente com o cenógrafo na montagem dos cenários. e os grilos e assobios desesperados foram ouvidos no vale de Bergell. Kstas leituras podem fazer-se em qualquer local. A orquestra está completa.o mais alto pico da Grã-Bretanha — salua um montanhista ferido. bem como para os secundários. em Agosto de 1975. Os dois Philippes treinavam-se para guias profissionais de montanha e tinham partido.5 m da face do penhasco. Os primeiros ensaios decorrem tanto com todo o conjunto da companhia como com alguns actores isolados ou grupos que precisem de instruções especiais para os seus papéis. caso surja alguma emergência. termos com chá. Os actores estão vestidos e caracterizados. o alemão Siegfried Stangier. De tempos a tempos. em que os actores se movimentam segundo as instruções de cena. por vezes. é necessária uma sala de ensaios ou um palco. desceram 40 m pelo cabo até a uma estreita plataforma rochosa sobre um precipício de 670 m a pique. O director musical orienta os cantores e os músicos. na fronteira da Suíça com a Itália. Resta apenas fazer pequeníssimas alterações antes de o teatro abrir as suas portas e o público e os críticos dizerem de sua justiça. e combinou-se que seria Philippe Berclaz o primeiro. Os montanhistas tinham chegado a 150 m do cume quando o céu se cobriu de nuvens e eles se viram no moio de uma tempestade de neve. Só podia ser içado um homem de cada vez. Os cenários poderão começar como maquetas pormenorizadas ou como desenhos e têm de ser aprovados nas várias fases pelo produtor e pelo director. os diversos elementos váo-se conjugando e torna-se essencial passar ao palco onde irá decorrer a representação. que ainda estava seguro à parede de montanha utiliSalvamento de avalanchas. Na madrugada do dia seguinte. carne seca e rebuçados com vitaminas e os montanhistas em breve se encontravam em contacto via rádio com os socorristas. quase vertical. que pode montá-la com a ajuda do compositor. organiza leituras com toda a companhia. Por isso. ele e o seu piloto. sível qualquer tentativa de salvamento. quando as condições melhoraram subitamente.vezes. Com o cenógrafo podem trabalhar alguns especialistas — para criarem a iluminação ou estudarem uma caracterização especial. Enquanto se montam os cenários. o temporal amainou. seria impos- Salvamento por maca. A perigosa tarefa de uma equipa de socorristas de montanha Aguilhoados por chuvas geladas. por exemplo. supervisar os arranjos para orquestra e prepará-la para o espectáculo. o cenógrafo e o figurinista trabalham nos cenários e no guarda-roupa. agarrando se como moscas à parede branca da vertente nordeste. que se ocupa de salvamentos na montanha. Berclaz des prendeu-se da parede e agarrou-se com força à volta da cintura de I léritier. à escalada da vertente nordeste. Impossibilitados de prosseguir até ao cume ou de voltar para baixo. vestuário quente. A música é da responsabilidade do director musical. como uma lâmina gigante. Na tarde do terceiro dia. Nessa noite. gritavam por socorro. chefe da Air Zermatt. Gradualmente. Socorristas de na neoe. descendo o de maca. e contrataram-no para tratar do salvamento. 0 ensaio dos actores Os actores começam a familiarizar-se com os textos do argumento. mas na fase seguinte. ou mestre de dança. Como em geral não há cenários. As canções. Na extremidade daquele ia urn saco contendo um walkie-talkie. montanha que se ergue a 3300 m. o director começa os seus trabalhos com o elenco. o director. zum sondas paru hn alizar vítimas soterradas 71 . Tem de assegurar-se de que tem substitutos para os primeiros papéis. E um outro técnico tem a seu cargo a obtenção de artigos. Simultaneamente. Mas nuvens e ventos atrasaram os trabalhos de salvamento até às 6 da tarde. os trabalhadores do palco vão adquirindo prática na mudança das cenas. Caía já a noite e o nevoeiro escondera o Piz Badile. voavam os 160 km até Piz Badile num potente helicóptero Lama equipado com um guincho. chicoteados por ventos fortíssimos e com pedaços de neve caindo-lhes em cima de minuto a minuto. os cenários nos seus lugares e a iluminação pronta a fundo nar. os bailarinos. tais como as mobílias de cena. mas o vento desviava os seus gritos. as posições destes são indicadas no chão com fitas de cores diversas. dois jovens montanhistas. tinham passado quatro dias encurralados numa minúscula plataforma rochosa a mais de 3000 m de altitude nos Alpes Suíços. indicando a cada um como pretende ver desempenhado o respectivo papel. as danças e outras passagens especiais váo-se integrando nos ensaios. Antes de começarem propriamente os ensaios. largou um cabo com 45 m até à plataforma. Entretanto. o coreógrafo. A chefe do guarda-roupa orienta a preparação dos trajes. Chegaram à montanha em uma hora e viram os dois montanhistas em apuros. Fortes rajadas de vento ameaçavam lançar o helicóptero de encontro à montanha. do Piz Badile. A fase final — talvez uma semana antes da primeira representação em público — ê o chamado ensaio geral. Cuidadosamente. Prenderam-se à face do granito com cordas e pitões e passaram assim os dois primeiros dias sob um frio agonizante. Stangier manobrou o helicóptero até as pás do rotor ficarem a 7. A notícia da sua situação foi dada aos Serviços de Socorros Aéreos em Zurique. Siegfried Stangier não conseguiu chegar tão perto dos dois homens quanto pretendia. Ensaiam-se as luzes e os efeitos. Philip pe Berclaz e Philippe Héritier.

Um cão. Mas depois. muitos dos quais querem trepar até ao cume. conforme a or dem de grandeza do acidente. por exemplo. Os elementos da equipa são quase sem pre peritos montanhistas da zona conhecedores do terreno e das condições clima téricas locais. Jet disparou por uma en costa íngreme. são considerados demasiado volumosos para trabalhar em terreno difícil). membro da SARDA (Search and Rescue Dog Association Associação de Buscas e Socorros com Cães).lei. Os cães têm uma temperatura do corpo superior à do homem. Berclaz foi conduzido a um abrigo de pedras no planalto por sobre a aldeia de Bondo. lutando contra o vento gelado. e em breve os seus elementos chegavam com sacos próprios para aquecer os monta nhistas enregelados. Cães treinados. granito. nas rochas e nas piores condições de tempo. disse Benbow mais tarde "A mais gelada era a jovem.até lugar seguro A capacidade de manobra e a velocidade do helicóptero são essenciais no transporte dos feridos graves para o hospital. com sofisticadas redes de coordenação de operações. São mais apropriados para salvamentos alpinos arriscados. Entretanto. Chegou o dia. a Cruz Vermelha e outros serviços médicos e com diversos especialistas de salvamentos. As equipas de salvamento empregam habitualmente cães treinados para localizar as vítimas que se perderam c para ajudar a libertar as que se encontram soterra das por avalanchas. no gelo. com o seu olfacto apuradíssimo. pico com 1000 m de altitude. São treinados para trabalhar na neve. as Montanhas Rochosas. ou controlador. neves abundantes e nuvens densas — além de que o ruído dos rotores pode desencadear avalanchas. levando o para lugar seguro. seguido pelo dono — que era guiado por uma luzinha verde na capa do cão. como os pastoresalemães. na América do Norte possuem equipas profissionais altamente treinadas. Atrai anualmente mais de 1 milhão de visitantes. conseguiu amarrar-se ao cabo de socorro à quarta tentativa. 72 No Monte Branco. por um chefe de brigada. Em Março de 1985. il O Jet já ia muito ã minha frente quando percebi pelo seu ladrar que tinha encon trado o grupo". pelo que são uma boa 'botija'. de helicóptero. em que o reabastecimento de combustível pode ser um problema. mas as es tâncias mais visitadas — os Alpes. Héritier ficou balouçando. Quase todas as regiões montanhosas têm o seu serviço de socorros. São caros e não conseguem operar com ventos muito fortes. a equipa pode subir a pé OU com raquetas ou esquis: pode deslocar-se a cavalo ou em veículos motorizados: pode usar trenós ou trenós motorizados. consegue fazer bus cas numa determinada área no mesmo tempo que 20 homens levariam a íazê lo. De repente. As 9 e meia dessa noite. onde auxiliares o guiaram até ao solo. As comunicações processam-se pela rádio ou por telefones portáteis. O Monte Branco. cleva-se a quase 4800 m nas fronteiras da França e da Itália. Benbow lançou-se através da escuridão gela da. a polícia local. As organizações de socorros de montanha trabalham em conjunto com as forças amuadas. Os cães — em geral. fazia monta nhismo no Pais de Gales quando ficou encurralado numa plataforma escorregadia a . bem como Philip Benbow. incluindo uma jovem do Wbmen's Royal Navy Service. arrastando o amigo para fora da platafor ma. Héritier. conseguiu içar se novamente para a plataforma. podem ser descidos de um helicóptero paru localizarem pessoas perdidas na neve. o seu iabrador preto. labradores e collies são ensinai los ri pro curar qualquer pessoa perdida na área em questão (os são-bemardos. Héritier agarrou o cabo com os dedos dormentes e enregelados e engatou o fecho no cinto de segurança do amigo. Desamparado. tradicionalmente associados aos salvamentos aipi nos. pelo que foi dado como desaparecido. suspenso do cabo e do pitão. Mas não são a solução perfeita.» Benbow contactou pelo seu rádio a equipa de socorros de montanha. o grupo não regressara ainda. e por tantos elementos quantos os necessários. chamando a si as últimas réstias de força e determinação. Conforme o terreno e o tempo. Berclaz foi levantado ao ar. Recebem instrução de primeiros socorros. e não para missões prolongadas e distantes. as Terras Altas da Escócia. embora as equipas maiores incluam médicos ou enfermeiros. Em 1987. balouçava a caminho da salvação Os meios terrestres Os helicópteros têm demonstrado ser o método mais eficaz para localizar as vítimas dos acidentes de montanha e de as transportar — e aos seus salvadores . em breve. e com ele um helicóptero da RAF que içou para bordo o grupo — incluindo Benbow e Jet -. equi pas de socorro terrestre participam em mais de 400 salvamentos por ano. como a Guarda Costeira e as brigadas de cães. Salvamento por cordas.Salvamento tom cães. pelo que a meti com Jet num saco cama para a aquecer. ou ser transportada 150 m do cume do Glyder Favvr. Mais tarde. morreram nele 44 pessoas e quase 300 ficaram feridas. De repente. pastores-alemães. Um monianhis la nos Alpes SUÍÇOS desce por uma corda para chegar a uma vitima encurralada numa fenda do gelo. um grupo de marinheiros ingleses. Por isso se empregam ainda os meios terrestres tradicionais no salvamento de pessoas presas nas montanhas ou soterradas por avalanchas. que dirige as operações de uma base fora da montanha. Uma equipa de socorros de montanha é constituída por um chefe de equipa. Com . o pico mais alto da Europa Ocidental. e. "Uma boa botija de água quente" Duas brigadas locais de socorros de montanha partiram para Glyder Fawr. que dirige a equipa durante as buscas e os socorros.

li f/l* '/*t<<ff* / ' r / i > //' *7y« 1 ' • " •-. .^ J* t-íe/t > '<<L 1 V C( éf < I ' . fazem-se esforços incessantes para se obter vantagem por meio do logro e se descobrir a verdade escondida sob as aparências.. rft* f f //> : • • </<'<T><< >/<'(u(< • • Fotografias que mentem. / / )-yi/t!<. p. • n '//< r t ri ' • • / ' • S' S / ' f ' '' / 7 / //V/f Vi. 81 Como funciona a camuflagem. 82. p. 76 ./ t e/ii > ci 7 (Tf/tUtU.Técnicas de logro e detecção Na guerra como na paz...** ' ]"* fiau. rUf • y.• -' • • » / • ' • • • ' . /"' //jtr/WÁ '" Como «e escrevem cartas com tinta Invisível. p. / / .

com o auxílio de um novo equipamento de radar pertencente aos mísseis terra-ar SA-2. teve de ejectar-se. como normalmente acontece. 24 000 m de altitude para se manterem fora do alcance da artilharia antiaérea. construídos de plástico e contraplacado. O programa Stealth tinha como objecti vo a criação de aviões militares incor- . pouco mais eraiTi do que planadores equipados com motores a jacto. o U2 não foi directamente atingido: urn míssil explodiu suficientemente perto para o lançar num mergulho descontrolado. mas des cobriu-se que o radar não os detectava Estes aviões extraordinários.o Stealth — para a criação de um avião militar indetectável pelo radar.O avião militar "invisível" ao radar Nos finais dos anos 50. Tinia absorvente do sinal de radar aplicada TtO bordo de ataque do bombardeiro americano de grande altitude B-2 Stealth permite torna lo praticamente invisível ao radar inimigo. As suas asas em leque não reflectem praticamente os sinais de radar. dos Estados Unidos. é que os Russos abateram um U2. Gaiy Powers. largavam as pequenas rodas estabilizadoras que se projectavam das extremidades das asas . por ordem da Central Intelligence Agency. A descolagem. mesmo assim.e aterravam com o trem principal de rodas retrácteis que tinham a meio da fuselagem. os "aviões-espiões" Lockheed U2 começaram a sobrevoar a União Soviética para obterem informações fotográficas. Só cm Maio de 1960. e o pilo to. depois de mais de quatro anos de sobrevoos. O U2 levou tanto tempo a ser detectado por ser construído com materiais não-mela licos que absorvem os sinas de radar. Os U2 voavam a Bombardeiro "Stealth". cm vez de os reflectirem para as estações de radar em terra. E. O êxito dos U2 levou a um programa de investigação altamente secreto nas EUA .

tornando obsoleta a maioria dos sistemas antiaéreos controlados por radar. No entanto. "Blackbird". A assistência foi mantida a distância deste avião. foi revelado a convidados e jornalistas na fábrica de montagem da empresa Northrop. Alvos-chave Desenvolvido no maior segredo. Para ajudar a conseguir a invisibilidade no radar. utilizado nos anos 60. os sistemas de defesa ao nível do . essa coníu são pode ser parcialmente evitada pelo emprego de sistemas de radar montados em aviões e que detectam outros voando abai xo deles. em Novembro de 1988. largando depois até 16 bombas nucleares sobre alvos •chave. um mínimo <le metais e um revestimento exterior em placas altamente absorventes. entre outras vantagens. onde existe uma grande quantidade de ecos de radar emiti dos por edifícios e outros objectos que vão . criar uma confusão nos écrans tios radares. o bordo de ataque do avião era revestido com uma tinta absorvente dos sinais emitidos pelo radar. que absorve eficazmente os sons e apenas reflecte uma parte ínfima da energia transmitida pelos detectores de sonar. o bombardeiro B-2 Slealth. em Palmdale. Os submarinos modernos são cobertos com uma espessa camada de uma resina altamente secreta.porando. A forma do avião es pião americano SR71.solo mais recentes e sofisticados conseguem distinguir entre essa confusão de ecos e os aviões inimigos. de alta tecnologia. Os aviões seriam quase invisíveis pelo radar. Uma tecnologia semelhante c utilizada debaixo de água para evitar a detecção por sonar. criado para penetrar nas defesas de radar inimigas sem ser detectado. Califórnia. Além disso. foi de pois aproveitada e melhora da no Slealth A "confusão" no radar Outra técnica usada pelos aviões para evitarem ser detectados pelo radar é voarem a altitudes muito baixas.

a fim de tornar os movimentos de tropas menos visíveis para os nativos. o comandante de uma divisão do exército inglês .um sobrevivente da Guerra dos Bóeres — disse aos seus homens para atarem ramos com folhas aos capacetes. disfarçarem os veículos com redes pardacentas e aproveitarem a Ilusão no deserto. O tigre é quasenais modernos. Pintado para se confundir com o terreno e não ser visto do alto. utilizando chá. 0 emprego deste género de camufla gem foi aperfeiçoado durante a Guerra do Afeganistão (1880). se pintada de inimigo. um Operação encandeamento. pelo menos do ar.ste artifício teve dos. nos finais do século xvm. As suas forças mais Mundial. Corno na I Guerra condidos que o inimigo nunca os encontrou. confunde-se com o céu durante a zados pelos navegadores dos bombardeiras noite. para se confundirem com o solo quando eram regadas com pó de carvão para evitar vistos do alto. nou indistinta completo com da paisagem furgões e vaque a rodeagões de carga va A ideia de e uma loco uma unidade motiva coninteira se povincente. rebentou a I Guerra Mundial. As riscas traçadas no casco deste torpedeiro americano duo a ilusão de o barco ter várias proas. Foram pintadas durante a II Guerra Mundial para enganar o inimigo quanto ao verdadeiro rumo do navio. as cores neutras como o caqui e o cinzento tomaram-se as cores habituais dos fardamentos. colocavam se delideiro é pintada de azul-claro. utili preto. Durante urnas manobras militares na Salisbury Plain. É importantes e os respecti foi largamente emprega uma lição sobre a arte da camu vos depostos de combus da como técnica de disfarttagem. construiupode ser distorcido com pinturas hábeis -se uma linha de caminho de ferro fictícia que lhe reduzem a silhueta e lhe dão até para dar a ideia de um novo ramal de abaste um aspecto menos ameaçador. Zonas de água como os canais. utilizado para arma importante nos arapoiar a ofensiva do geneDisfarce natural. as instalações vulneráveis. com der "diluir" na um velho fogão p a i s a g e m foi de campanha fuc o n s i d e r a d a de megando por uma tanto interesse pelos lamine de cartão. eram cobertas com redes para que. comandos militares Este logro desviava a que a camuflagem atenção do posto de passou a ser gradualabastecimentos verdamente aceite como uma deiro. talvez o de Messerschmitt Rf 109E alemão faz um voo rasante sobre o deserto da Líbia em 1941. Mundial. tive! estavam tão liem esce. permitindo aos solda dos de ambos os lados confundirem-se com o ambiente de combate.Camuflagem: como se esconde um navio de guerra? Durante a Guerra de Independência Ame rieana. o emprego de aviões de reconhecimento deixou as tropas no solo perigosa mente expostas. ções. confunde-se beradamente negaças para atraírem o fogo com o céu durante o dia. Quando. cobertura vegetal para se escimentos a um ponto de conconderem da aviação centração de blinda F. a camuflagem dem com O capim fulvo e alto. ao passo que o pardo da pele de gamo não era facilmente visível. JX 76 y + . A linha possuía tanto êxito que a inclusivamente um divisão se tor comboio falso. Mais afastadas. Os veteranos das lutas na índia . Mesmo as sim. Tinham descober to que o vermelho constituía um bom alvo para os atiradores americanos. Por isso se introduziram pouco a pouco as redes de camuflagem e a pintura de riscas nos equipamentos. tinham tingido de castanho os seus capacetes brancos sabiam que o não ser visto era uni faclor-chave para a sobrevivência. como A camuflagem é também utilizada para depósitos de combustíveis e paióis de munitornar menos visíveis aviões c navios. Da mesma forma. o perfil que brilhassem ao luar. se confundissem com o Quando a parte inferior de um bombarambiente. Adoptou se o uso generalizado de uma cor conhecida por caqui (que significa pó na língua urduj. ral Auchinleck contra Tb se invisível para a sua presa bruk em Novembro de Durante a 11 Guerra quando as suas riscas se confun1911. Durante a campanha beiíi conhecido de um barco de guerra do Norte de África de 1940-1943. em 1914.que. Alguns aviões são pintados por cima como pontos de referência durante a noite. alguns regimentos ingleses começaram a usar casacos de pele de gamo em vez das tradicionais casacas vermelhas.

são frequente mente utilizadas por empresários internacionais desejosos de proteger de concorrentes sem escrúpulos os seus segredos comerciais. a conversa não passa de um ruí do ininteligível para alguém que efective uma escuta. uma embaixada no estrangeiro. um emissor e um receptor. por exemplo. os scramblers são dispositivos electrónicos de cifra que misturam e invertem as frequências da voz humana. O primeiro converte a voz do quem fala numa versão incompreensível e envia a através 77 . deixava na pista um monte de terra circular. Só mais tarde se descobriu que todas as manhãs um grupo de recrutas. tornando-a ininteligível. em l!>82. Duranle a campa nha das Malvinas. Na realidade.Atirador camuflado. os irtstruendos são ensinados a confundirem-se com o fundo ambiente por forma semelhante à de muitos animais um cargueiro inofensivo. Coberto por folhagem artificial. um atirador do Carpo de Fuzileiros Americano rasteja pelo mulo ulé uo seu alvo. a coberto da noite. Km tempos. A tecnologia moderna reduziu as dimensões desses aparelhos às de uma caixa de fósforos. Dispositivo duplo Os scramblers são constituídos por duas unidades. aviões argentinos carregados. Outros escon dom a voz no meio de um fundo de ruído contínuo. e uma linha de água falsa pode fazer errar o cálculo da distância. «Scramblers» de voz: o envio de palavras ininteligíveis através de uma linha de telefones públicos Quando um funcionário governamental pretende fazer um telefonema confidencial para. osso monto do torra pare cia a cratera do uma bomba. As fotografias de reconhecimento mostravam o que parecia ser uma funda cratera atravessando a pista principal. Na sua maioria. os scramblers apenas eram fornecidos aos altos comandos militares que tinham de trocar informações melindrosas através de linhas telefónicas que poderiam estar sob escuta inimiga. todos os dias até à rendição aterraram ali. mais fáceis do obter. serve-se de um scrambler de voz. Ao percorrer a linha entre os dois telefones. Actualmente. equipados apenas com pás e carros de mão. os comandos britânicos foram avisados de que as forças argentinas sitiadas não podiam ser reabastecidas porque o único aeroporlo de Por! Stanley fora danificado pelas bombas da RAF. escapando se depois sem ser tíiStO. Uma onda de proa pintada no casco de um navio de guerra pode enganar o comandante do um submarino quanto à velocidade do seu alvo. As técnicas de camuflagem têm igual mente sido utilizadas para confundir o reconhecimento aéreo. Na Escola de Atiradores. Visto do ar.

se um livro de código cai nas mãos do inimigo. os códigos têm se tomado muito mais complicados e difíceis de decifrar. muitas das instruções mais melindrosas da Esquadra Alemã de Alto Mar foram lidas pelos Ingleses. O receptor inverte o processo para que a fala seja inteligível na outra extremidade do fio. avisou os diplomatas japoneses em todo o Mundo de que a guerra estava iminente. "Quadrante leste chuvoso. Os scramblers de voz não são de uma segurança absoluta no caso de técnicos de escutas competentes. Uma vez recebida e descodificada a mensagem. Em consequência disto. Mensagens semelhantes foram transmiti das pela BBC para a Resistência Francesa durante a II Guerra Mundial. Com o advento dos computadores. alguém que queira quebrar a cifra pode partir do princípio de que a letra que ocorre mais frequentemente representa um A. existem cerca de 3840 combinações possíveis. Na I Guerra Mundial. que depois são misturadas por meio de um complicado processo electrónico que as desloca e inverte. Por muitas vezes que fosse marcada determinada letra. por exemplo. o Governo Alemão utilizou uma máquina de cifra denominada Enigma. pelo que os misturadores proporcionam real mente uma protecção de curto prazo. escrevendo-a alternadamente cia es querda para a direita e da direita para a esquerda. por telégrafo ou por lâmpadas de sinais. é um único ponto. O seu trabalho desempenhou um papel importante na vitória ao fornecer ao Quartel General Aliado informações sempre actualizadas sobre os planos alemães para a campanha do Norte de África e a guerra aérea. Como se transmitem segredos por códigos e cifras Na véspera do ataque japonês a Pearl Harbor. números ou símbolos.apenas inteligíveis para aqueles que possam verificá-los no livro de código adequado. Códigos mais complexos substituem palavras ou frases por outras palavras ou frases. Ou podem utilizar-se grupos de le trás desconexas para criar todo um dicionário de palavras e frases. A mensagem "Tropas inimigas embarcam no sábado" pode ser 78 Bloco para uma só vez. As letras voltam depois a ser escritas em grupos de cinco. Todos os dias era estabelecida uma grelha diferente. seguindo um percurso em diagonal ao longo da grelha: T G A O S R I S N Á O P A S M I N I E M B A M A C R B A D O T G A O S R i S N Á O P A S M I N 1 E M B A M A C R B A D O Assim. e sem se conhecer a sequência das respectivas instruções levariam milha res de anos a descodificar. Longos relato rios militares podem ser transmitidos em grupos de cinco letras . Mas uma equipa de matemáticos e linguistas ingleses acabou por deslindar as cifras da Enigma em 1940. na realidade. seis colunas. Um outro método de se transmitirem informações secretas é por meio de cifras. O A. por exemplo. mas os misturadores normais utilizam 512 permutações. uma cifra que traduz as letras por combinações de sinais breves e longos que podem ser transmitidas por "bips" de rádio. Os aparelhos de escuta colocados na linha captam um ruído distorcido que mal se reconhece como fala humana. escrita numa grelha de. o recebedor e o emissário rasgam a página correspondente dos respectivos blocos. o criptograma a transmitir será: SA1AN POIBR OCMMR TIEAD AMSGA NBAOS. c a letra mais usada na língua portuguesa.de uma linha telefónica normal. utilizando letras e números. Os primeiros versos de um poema de Paul Verlaine ("Os longos soluços dos violinos do Outono") in formaram a Resistência de que os desembarques do Dia D iriam começar. em Dezembro de 1941. A pessoa que o recebe utiliza uma chave semelhante para o decifrar. Esta mensagem era uma das mais simples formas de código — uma mensagem preestabelecida com um significado especial para aqueles que a recebessem. que fora afundado. Os seus programas complexos utilizam milhares de cálculos. têm sido criadas pelos matemáticos cifras imensamente compli- cadas. Por isso. e assim sucessivamente. . pois as conversas podem acabar por ser descodificadas. Uma cifra substitui as letras do alfabeto por outras letras. quadrante norte nublado. exigindo o emprego de processadores de dados especialmente programados e de operadores extremamente bem preparados. segundo um calendário conhecido apenas dos Alemães. Mas o método é demasiado moroso. informações vitais podem ser interceptadas sem conhecimento daquele que as emitiu. Um ponto fraco deste sistema é o facto de a frequência das letras e das combinações de letras ser a mesma que na linguagem normal. No entanto. por exemplo. Outra forma de cifra utiliza uma grelha denominada chave. demorou semanas até dotar cada navio germânico com um novo código. Mesmo deixjis de o Almirantado Alemão ter descoberto a sua perda. enquanto o Q é representado por traço traço-ponto-traço ( ). Durante a II Guerra Mundial. Os espiões usam minúsculos blocos de cifras para descodificar as mensagens secretas dos seus chefes. uma previsão meteorológica aparentemente inocente. As instruções em código transmitidas pela rádio referem se a gnjfx>s de números de cinco algarismos de uma página determinada do bloco. a letra que lhe correspondia na cifra nunca era repetida. A letra E. quadrante oeste limpo". A maior parte dos scramblers funciona cortando o espectro da voz em cinco ban- das de frequência. o livro de código naval alemão foi recuperado do cruzador ligeiro Magdeburg. Ern teoria. Por isso. O alfabeto Morse é.

antigo ofi ciai da Marinha America na. Em 1951. Felfe foi condenado a 14 anos de prisão. Du rante 17 anos. Uma toupeira que espiou contra o seu próprio país. quando frequentavam ainda a Universidade de Cambridge nos anos 30. Cada um deles cultivou deliberadamen te amizades com pessoas em posições de influência que. Falsa i m a g e m . Blunt tomara se comunista nos anos 30 e trabalhara para os Serviços de Segurança Britânicos (MIS) durante a II Guerra. Quando pri meiro-secretário na Embaixada Britânica nos EUA. que decidiram. que atingiu uma posição de relevo na Agência Federal de Informação da Alemanha Ocidental durante os anos 50. Algumas toupeiras são recrutadas por especialistas dos serviços de informação. quando procurava emprego. pudessem ajuda los a encontrar um emprego útil. foi admitido na Agência federal de Informação. Começaram por ser recomendados por "caçadores de talentos". descobriu-se que as suas actividades tinham custado aos Alemães Ocidentais 94 contactos para lá da Cortina de Ferro. oferecendo os seus préstimos. trabalhar secretamente para a União Soviética. anunciou à Câmara dos Comuns que um dos homens mais respeitados no mundo da arte inglês. dando a este informações acerca da rede de espionagem alemã para lá da Cortina de Ferro Finalmente. Outras "recrutam-se" a si próprias. Morreu em 1983. Durante a década seguinte trabalhou como agente duplo. o qual lhes ensinou os rudimentos da espionagem e lhes recomendou que desistissem da sua filiação em grupos políticos radicais: tinham de tornar-se tanto quanto possível agradáveis aos olhos das organizações oficiais. Uma vez instalados nas organizações que escolheram. por motivos ideológicos. oador dos quadros da rainha e espião enganou todos com a sua posição social. foi Heinz Felfe. a toupeira é habitualmente alguém que. tornou se suspeito quando comprou uma casa demasiado cara para quem vivia de um único salário. Margaret Thatcher. Traidor. fornecendo aos Alemães "desinformação-' sobre o KGB e. Os seus chefes russos pagavam-Ihe 1000 dólares por se mana para que dirigisse uma associação famiiar de e s p i o n a g e m . Contrariamente ao espião mais conven cional. que passaram cada um deles a um especialista dos Servi ços Secretos Soviéticos. foi condena do a prisão perpétua por dirigir uma associação familiar de espionagem. 0 caso mais famoso desde a II Guerra Mundial é talvez o dos quatro espiões ingleses Blunt. ajudara dois outros espiões ingleses. Blunt era um exemplo do tipo de espião conhecido por "toupeira" — agentes pre parados para esperarem anos. Em 1986. Quando foi preso. Sir Anlhony Blunt.O mundo subterrâneo das "toupeiras" Em Novembro de 1979. em sua opinião. onde acabaram por morrer. Maclean (de laço) forneceu à URSS segredos americanos. John Walker (d(j barba).se numa posição em que produz os maiores estragos . Burgess. espiou para os Russos. a fugirem para a Rússia quando se tornaram suspeitos. Anlhony filnnl COflSer- Philby nos Serviços Secretos (MHi) e Blunt no Serviço de Contra-Espionagem (MI5). antigo of ciai da Marinha. O u t r o espião q u e operou nos EUA ate meados dos anos 80 foi John Walker. a primeira-ministra britânica. Guy Burgess e Donald Maclean. decidiu trabalhar para uma causa alheia. aceitou trabalhar para os Serviços Secretos Soviéticos (posteriormente. Burgess e Maclean conseguiram ser admitidos no Ministério dos Estrangeiros. recrutado pelo seu próprio país para desempenhar determinada missão no estrangeiro. Em 1951. conservador dos quadros da rainha. Família de e s p i õ e s . transmitindo segredos a Moscovo. Km 1963. Simultaneamente. os quatro homens progrediram até aos mais sensíveis níveis governamentais. 79 . consegue infiltrar-. em troca. Tomada essa decisão. unicamente por dinheiro. incluindo 46 agentes em actividade. até conseguirem acesso a informações vitais. em 1961. antigo oficial das SS alemãs. Maclean e Kim Philby. Blunt fez uma confissão completa aos Serviços de Segurança Ingleses e não foi pro cessado. linha trabalhado como espião a favor dos Russos. Burgess c Philby fugiram para Moscovo.e durante todo esse tempo age como se se tratasse de um patriota. KGB) por um salário de 1500 marcos mensais. ganhando acesso as informações mais secretas. Maclean. construindo a sua cobertura.

permitindo que se ouçam as conversas. Alemanha Oriental. e o marido. Renate Lutze foi condenada a seis anos por espionagem. Depois de passar três anos em prisão preventiva. Foram desmascarados e presos cm Junho de 1976. casou com Lothar Lutze. o casal forneceu informações vitais aos Alemães Orientais. detida em 1976. quando regressou a Moscovo. ele era negocian te de livros antigos que. utiliza se um cabo existente. Tudo funcionou perfeitamente. Em vez de se escapar do seu grupo. Este sistema tem uma variante que apenas penetra parte da parede. Estas informações são depois reconvertidas electronicamente em versão inteligível. nenhuma conversa no escritório ou em casa está a salvo das escutas. e. Estas concretizam-se geralmente pela instalação disfarçada numa divisão de um mi croíone pequeno mas sensível. e seu filho Michael. A secretária e espia alemã Renate Lutze na época em que operava para os Alemães Orientais. em 1960. com a mulher. Durante os quatro anos seguintes. incluindo planos da NATO. Quando não se consegue acesso a uma divisão. Penkovsky fingiu simplesmente que queria deitar-se cedo. apesar disso. Renate Ubclacker — seu nome de solteira arranjou lugar corno secretária no Ministério da Defesa da Alemanha federal em Bona o seu trabalho implicava lidar com documentos altamente secretos. Em Setembro de 1972. E activado por um sinal de rádio Que lhe é dirigido do exterior. capta todos OS sons na divisão do outro lado. na Virgínia. A instalação de um dispositivo de escuta numa divisão é difícil se os respectivos oeu pantes souberem que poderão ser espiados. O microfone pode ser disfarçado sob a forma de um artigo vulgar. Na verdade. Foca se um raio de laser sobre o vidro de uma janela. levava uma vida confortável em Ruislip. composta por seu irmão Artliur.500 m . Assim aconteceu em Moscovo em 1987. na zona oeste de Ixtndres. Por esse motivo. Penkovsky era já um agente conhecedor do seu ofício. c. e estes movimentos microscópicos podem ser detectados medindo as minúsculas variações no comprimento do raio de laser fixo. E a maioria das salas ou dos gabinetes já tem tantos fios instalados que mais um passará desperee bido. como uma lâmpada. As toupeiras mais eficientes são aquelas de quem ninguém suspeitaria. a 12 anos. Em geral. quando se descobriu que as vigas de aço fornecidas para a construção da Embaixada dos EUA eram ocas. Burgess fora educado em Elon. Desmascarada e. graduado da Marinha na reforma. cidadãos norte-ame- ricanos de origem polaca. Quando. ele tem a vantagem de não emitir sinais de rádio. Mas ás vezes a toupeira não lem possibilidade de ser treinada e pode ter de apren der as técnicas fundamentais enquanto vai actuando. pois não necessita de pilhas nem de manutenção. Uma das razões pelas quais os edifícios diplomáticos são tão apertadamente vigia dos durante a construção é o receio de que uma agência de espionagem estrangeira consiga incorporar na estrutura tubos para passagem de cabos. os Franceses mantêm uma escola numa região iso lada dos Alpes Marítimos. Um tipo de dispositivo de escuta utiliza um transmissor de rádio de baixa potência ligado a um microfone para enviar os sinais desle a um receptor a alguns metros de distância. mas. Quando ocorre uma conversa uo interior da sala. Philby entrara para o M16 vindo do jornal The Times. Algumas toupeiras recebem um peno do de instrução antes de entrarem em acção. um tenente-coronel russo. Desde que um posto de escuta possa ser instalado dentro de um raio razoável cerca de 1. na altura em que foi descoberto. o vidro vibra com as ondas sonoras das vozes. como uma linha telefónica desocupada.Livre e sorridente. no Sueste do país.ut/e eram toupeiras alemãs orientais actuando na Alemanha Ocidental até serem presos Nascida em Brandeburgo. Aparentemente. que consiste num simples microfone preso por uma ventosa à parede e ligado a um amplificador ou furar-se a parede a partir do exterior com um furo que na parte interior não seja maior que um bico de alfinete. Em Camp Peary. Peter e I lelen Kroger. começaram a explorar-se as capacidades do laser. Blunl fora nomeado conservador dos quadros da rainha no Palácio de Buckingham e recebera o título de sir. o pai de Maclean fora ministro do Estado. As suas actividades permitiram aos Soviéticos decifrar inúmeras comunica ções altamente secretas e receber mais de 1500 documentos secretos. Noutro tipo. controlados pelos Soviéticos. ensinaram-no a utilizar uma câmara miniatura e deram lhe noções sobre sistemas criptográficos. facilmente detectáveis. Sucedeu que os Ingleses e os Americanos tinham alugado todo o andar por cima do quarto do hotel de Londres onde Penkovsky se alojava e nele haviam instalado o equipamento ne cessário para as sessões de treino. Consiste numa cápsula com cerca de 25 mm de largura contendo uma antena muito sensível e um diafragma. ofereceu se aos Ingleses. Neste orifício coloca-sc um tubo com um microfone ligado a um gravador no exterior. Anthony Dispositivos de escuta: ouvir sem ser visto Actualmente. Renate conseguiu arranjar-lhe um emprego no Ministério da Defesa. fez parte de uma missão comercial soviéti ca em uma das raras visitas ao Ocidente. a cápsula trans forma-se então num transmissor de rádio que capta os sons da divisão. Embora o sistema dotado de cabo exija que este seja cuidadosamente escondido. marinheiro a bordo do porta-aviões USS Nimitz. em 1940. eram um casal deste tipo. seria libertada em 1981. como es pião. Ela foi libertada em Setembro de 1981. Rena te e Lothar l. Oleg Penkovsky. para a transmissão das vozes. Um tipo de toupeira diferente é aquele que entra num país estrangeiro com documentos falsos e se infiltra profundamente no tecido da sua sociedade adoptiva. a ligação do mi crofone ao receptor é feita por um cabo. Existe ainda um dispositivo sem fios que é talvez o dispositivo ideal. a CIA opera uma grande base de instrução sob o disfarce de instalações militares. o KGB prendeu o no ano seguinte e conde nou-o à morte. e o KGB possui centros de treino per to de Leninegrado. eles operavam com um emissor clandestino de rádio ligado ao KGB em Moscovo até serem presos. todas as palavras pronunciadas no compartimento sob observação serão transmitidas por fios. 80 . no ano seguinte. nessa altura espião por conta do Ministério para a Segurança do listado na Alemanha Oriental. pode colocar se no exterior de uma das paredes um estetoscópio. uma televisão ou um telefone. Mas a sua carreira de espião foi curta.

É assim possível transmitir mensagens pelo correio. Processos de depuração O medo das técnicas rie controle da mente manifestara-se pela primeira vez aquando dos célebres processos rie depuração de José Estaline na União Soviética e nos pai' ses do Bloco de Leste durante as décadas de 30 e 40. uma pequena quanti dade de sulfureto rie sódio dissolvido em água. AdminiStra-se uma dose potente da droga. surgiu uma mensagem secreta escrita com sumo de limão. "escritas". sem constrangimento. anfetaminas. O penlolal rie sódio. na sequência rie relatos acerca rie processos de interrogatórios com "lavagem ao cérebro" levados a cabo pelos Norte Coreanos e pelos Chineses em prisioneiros de guerra. A maioria das tintas invisíveis químicas precisa de um segundo líquido — o cha mado reagente para as tornar visíveis. uni relato rias suas actividades secretas.UA encetou um projecto de procura de um "soro da verdade" para que os pilotos americanos pudessem tomá-lo e treinarem se a resistir às lavagens ao cérebro. álcool e heroína. é frequentemente designado por soro da verdade. e o reagente. Neste contexto. A tinta água. A Força Aérea rios F. Com a pessoa semieons ciente. de olhos vidrados. Dá se -lhe depois uma injecção do estimulante benzedlina para a reanimar. . Este processo foi utilizado pelo espião checoslovaco F. Quando este método foi utilizado num soviético suspeito de espionagem na Ale manha Ocidental em 1955. 1 7f<~ > ' foè * ' V BI . Fizeram-se experiências com barbitúricos. é utilizado para promover a criação de um estado rie desorientação no qual a percepção rio ambiente por parte do indivíduo pode ser manipulada. Quando este recibo de uma consignação de arroz foi aquecido. Os estudos sobre as chamadas drogas da verdade iniciaram se no princípio da década de 50.r(c / • • ' / i . Desde 1975. A procura da droga da verdade perfeita O objectivo de uma droga da verdade é descontrair o espírito rie uma pessoa para que esta forneça respostas verdadeiras a todas as perguntas que lhe façam . a sua mente foi reconduziria a uma fase em que ele pensava estar a falar com a mulher em casa. . mas a maioria destas drogas limitou se a ajudar as pessoas a mentir com mais habilidade. A es crita é transferida para O papel rie baixo. 0 resultado é uma tinta negra. espionagem em Inglaterra. 0 espião coloca o papel químico sobre outra folha de papel e escreve a sua mensagem. Quando o papel é depois imerso numa solução fraca de carDonato de sódio e água ou de amoníaco e água. que em 1989 foi condenado a 10 anos de prisão por Palavras aquecidas. relata as actividades dos realistas em Paris durante a Revolução Francesa. confessando crimes que não ti nham hipótese de ter cometido. barbitúrico usado pelos anestesistas para descontrair os doentes antes de uma operação. A mensagem. mas só é revelada depois de tratada quimicamente. por exemplo.rwin van Haarlem. o que o fez ciar. Uma tinta química particularmente sensível usada pelos espiões alemães durante a II Guerra Mundial empregava produtos químicos utilizados em fotografia. que toma a pessoa inconsciente. nas páginas de uma revista. mas apenas parcialmente. Os réus apareciam em tribunal em estado de aparente confusão. As informações incluíam da dos sobre firmas britânicas que trabalhavam para o sistema defensivo americano Guerra rias Estrelas. a escrita aparece a azul. Uma das tintas mais vulgares é o sulfato rie cobre diluído em água. j ^ r/irtht\ .era uma solução rie nitrato rie chumbo e Tintas invisíveis para mensagens Uma forma moderna da tinta invisível é um tipo especial de papel químico.mesmo que isso signifique trair o seu pais. um psiquiatra pode empregar técnicas hipnóticas para modificar a sua per cepção daquilo que se passa em seu redor. transmitira cerca de 200 mensagens secretas aos seus chefes em Praga — muitas em tinta invisível. em letra miúda. i9 :/«'*•< t/o ':/'• l? » // ?/i( •/<%' V> ' c-ru ""?: /f.

Como as câmaras fotográficas podem enganar a visão Desde o dia em que as pessoas aprenderam a fotografar e a revelar as suas fotografias. Os fotógrafos sabem que podem fazer a fotografia de um objecto e sobrepor-lhe outro. tanto os leigos como os peritos. de objectos e pessoas em levitação. é mais fácil acreditarmos ou fazermos crer que tudo o que se vê nas imagens pode ter acontecido. aprenderam também a falsificá-las. ti* Aviáo em miniatura t* i Klk • tf L ^%5& Paisagem Vedação em primeiro plano . Fotografia do céu "Fotografias" de espíritos dos mortos. Quando se viu pela primeira vez numa chapa fotográfica uma exposição dupla . ficou demonstrada a possibilidade de se adicionarem imagens sobre imagens. mais sofisticadas se têm tornado as técnicas para fazerem as câmaras fotográficas "mentirem". ainda que temporariamente. de ovnis e até de fadas têm enganado. Com a fotografia cada vez mais na era dos computadores.provavelmente acidental —. expondo de novo a mesma película. Quando se desconhece o modo como as fotografias acontecem.

Combinando fotografias (página anterior) e reproduzindo-as. sobrepostas à fotografia do céu e colocadas com esta entre dois vidros para serem reproduzidas. o foto grafo londrino Chris Morris criou urna cena sugerindo a ameaça militar. A imagem principal. outra de uma vedação de arame foram sobrepostas em conjunto e reproduzidas numa película de grande formato a preto e branco. uma combinação de diversas fotografias. as figuras e o campo. Os dois aviões são fotografias de uma mesma miniatura feitas em estúdio de ân- gulos ligeiramente diferentes. A fotografia é urna imagem múltipla. As imagens do primeiro plano . A imagem foi composta por sobreposições diversas para a capa de um disco para a Quaker Feace Foundation. Foi imaginada e criada para a Quaker Peace Foundation pelo fotógrafo londrino Chris Morris para a capa de um disco. Juntou-se-lhes outra fotografia do céu para se obter a faixa mais clara junlo ao horizonte.uma de árvores e um portão. o céu e os jactos. as árvores e a vedação foram colocados uns sobre os outros e reproduzidos como uma só fotografia.caças a jacto e uma sebe de arame farpado -. poluída por imagens ameaçadoras . da mulher e da criança no prado. é uma vulgar fotografia a cores. não existe tal como a vemos. explica. Capa de disco. "Mas a cena nunca existiu como a vemos". Na última fase. .Seis fotografias numa só Esla cena rural.

As árvores teriam impedido a descolagem. acrescenta. 0 fotógrafo Chris Morris começou por fotografar a fachada da abadia por fora.pois. "Fiz apenas um ligeiro ajustamento no tripé". Mediu a distância entre a câmara e o edifício e marcou a mesma distância no interior. sendo depois sobreposta a uma fotografia da fachada. em Londres . fotografou a luz do Sol atravessando os vitrais da janela do lado oeste." Efeito luminoso. Depois." Devido ao cuidado posto nas medições.Encaixe perfeito "Super-realidade" foi o nomo dado pelo seu criador a esta imagem da Abadia de Westminster. Na realidade. O avião de Santos-Dumont foi fotografado quando este o suspendeu de um cabo para verificar o equilíbrio. em 23 de Outubro de 1906.S4 . que foi montada sobre uma outra de pessoas que observavam um balão — fazendo se em seguida uma reprodução da montagem. Falso voo. embora a colorida janela do vitral seja autêntica. um voo de 61 m. este efeito apenas é visível no interior. "para compensar o nível um pouco mais baixo do chão da abadia. Mas a verdade é que o brasileiro efectuou em Paris. diz. . recortou-se uma cópia. a fotografia interior da janela encaixou perfeitamente na outra quando ele as sobrepôs para as reproduzir em conjunto. 'efeito este que criei durante a sobreposição. ela apenas se vê neste esplendor quando é iluminada pela luz do dia que entra na abadia. Simulação de voo Esta fotografia do primeiro voo de Santos-Dumont na Europa é uma falsificação. onde a imagem foi fotografada. Esta fotogra fia da Abadia de Westminster dá-nos a ideia de que irradia dela urna luz interior. "Qualquer pequenina diferença no ajustamento foi disfarçada pela aura luminosa em volta da janela". Depois.

pelos chamados "fotógrafos de espíritos". d'Aute Hooper. pintado em 1879 sua dor e agarrando-se às mais pequenas Era uma técnica comummente utilizada por Charles T. pois sentia uma presença invisível. Botão '^voador". Roy Frieden. T. apagando-lhe o fundo. "Peguei na câmara fotográfica e. disse-lhe que via ao pé dele uma linda criança". antes de expor a chapa. morreu há trinta anos'. "O próprio homem levou a chapa para a câmara-escura e revelou-a. lhe pedira para fazer a fotografia. Clarke: "Talvez ele. na década de 80. Garland e usado no anúncio coisas. Quando o nina era a sua filha que tinha morrido? interesse pela fotografia de espíritos. que do sabonete Pears' no início do século. de pé em frente de um homem sentado à secretária. Era apresentada como prova de que a "fotografia de espíritos" era genuína. Mas quando o Dr. Este "ovni" quase convenceu os peritos. os peritos fotográficos convenceram-se de que a fotografia. de Birmingham.. fez notar que os contornos do "disco voador" estavam demasiado nítidos para se tratar de um objecto distante — e suspeitou de que a sombra no chão tinha sido acrescentada. Hooper. que tinha como hóspede." Fotografia falsa de um ovni Ao princípio. da Universidade do Arizona.Menina fantasma Durante cerca de 60 anos. na segunda fotografia fornecera o novo fundo.. escreveu o Dr. surgindo então a linda forma de Sobreposição. diversos livros e revistas publicaram esta fotografia de uma menina segurando um ramo de flores e um sobrescrito. ressurgiu o menina. Confessou que o ovni era a fotografia de um botão sobreposta à fotografia aérea e fotografada de novo. o Dr. de um suposto objecto voador não identificado era genuína..» Hooper preparara antecipadamente Mas por que razão o paciente de Hooper uma chapa em que fotografara o quadro da manifestara logo a impressão de que a meSó quando. que afirmou que um dos seus pacientes. «. . B. à direita. Foi feila por um piloto de avião comercial sobre a Venezuela em 1905. Apareceu pela primeira vez em 1919 e foi feila por um curandeiro e médium espírita. examinou a fotografia em 1971. Um engenheiro de Caracas admitiu então ter sido o falsifi cador. tenha sido vítima de uma ilusão. quadro chamado Para Ti. A exclamação do senhor foi: 'Céus! É a minha filha. alseu paciente revelou a fotografia que Hooguns investigadores "reconheceram" a Diz o investigador de fenómenos inexper lhe tirara com a mesma chapa. uma menina . Um anúncio dos finais do século xtx foi utilizado numa suposta "fotografia de espírito". esta menina da fotografia: ela aparecera num plicados Arthur C.

Conan Doyle publicou as fotografias na revista The Strand. qualquer componente de uma fotografia — um navio. no Yorkshire. No anúncio de uma revista. via-se Elsie com um gnomo alado que dançava. saltando e pousadas nos ramos. mostravam uma ou outra das duas raparigas juntamente com imagens daquilo que pareciam fadas dançando. se lhes referiu numa reunião em 1919. onde Doris. com 87. o carro pode ser transformado de um modelo de quatro portas num modelo de duas. de 10 anos. com 79 anos. A técnica implica o registo dos mais diminutos elementos da fotografia e a sua redisposição ou recomposição. Ao longo dos anos. Cada pixel é arquivado no computador sob a forma digital. que decompõe nos respectivos elementos básicos: vermelho. os pixels deste são removidos e substituídos por outros idênticos aos do empedrado. publicado dois anos antes de as fotografias se rem feitas. azul e preto." Malabarismos com a realidade: o arranjo de fotografias em computador Quando foi conjugada com a tecnologia dos computadores. No caso do barco que desaparece. uma câmara fotográfica de "caixote" — e foram brincar perto de um regato no vale. O processamento computorizado pode transplantar a sua imagem para um diapositivo do Canyon. Mas havia quem duvidasse dela. e em Novembro de 1920. Recortes de um Hum tornaram-se "fadas" investigadores psíquicos de todo o Mundo . O scanner electrónico percorre a fotografia e regista cada pixei. Conan Doyle. a mãe de Elsie. As fotografias Sonho de um dia de Verão Durante quase 70 anos. Também podem adicionar-se novas imagens. Foi em Julho de 1917 que Elsie Wright. E. Acabou por convencer-se da autenticidade destas. incumbiu Kdward Gardner. e a sua prima Francês Griffiths. Arthur Wright. o prestidigitador americano James Randi chamou a atenção para a semelhança entre as figuras de uma das fotografias e um desenho de fadas no Princess Mary's Gift Book. Durante esse tempo. Elsie desenhara e pintara as farias em cartolina e prendera-as nos ramos com alfinetes de chapéu. as duas raparigas mantiveram a sua história. por exemplo. a fotografia atingiu quase proporções de magia. o automóvel do último modelo parado à beira do Grand Canyon pode nunca ter saído do stand onde foi fotografado.Fantasia. as suas fotografias controver sas ganharam fama internacional e desconcertaram especialistas fotográficos e chegaram ao conhecimento de Conan Doyle através da Sociedade Teosófica. de analisar as fotografias. Elsie revelou ainda que o logro fora inicialmente planeado para que Francês não fosse castigada por ter caído no regato. duas primas guardaram o seu segredo das fadas que diziam ter fotografado num vale arboriza do de Cottingley. Elsie. Sherlock Holmes. O espaço em branco pode ser então preenchido. Os efeitos da sombra na pintura podem fazer-se condizer com os do Canyon. A fotografia pode então ser copiada com os pixels dispostos na ordem desejada. Por este processo pode "apagar-se" um barco de um cais (cm baixo). verde. espírita empenhado. o criador do mais famoso detective da ficção. O processamento computorizado de imagens pode eliminar ou acrescentar qualquer elemento fotográfico. Numa delas. Só em 1983 Elsie e Francês. que morreu dois anos depois. até uma pessoa — pode desaparecer electronicamente. 86 . disse ao Times de Londres: "A brincadeira devia durar duas horas e durou setenta anos. confessaram.incluindo Sir Arthur Conan Doyle. Francês morreu em 1986. então com 15 anos. nessa altura viúvas c idosas. fotógrafo e teosofista notável. pediram emprestada ao pai de Elsie. Em 1978. Quando as fotografias que fizeram nesse dia e nos seguintes foram reveladas. Graças ao processamento computorizado de imagens. Barco que se desvanece. através da redisposição dos elementos da fotografia (pixels).

Archibald Levey. passados mais de 60 anos sobre a invenção do detector de mentiras. do Conselho de Investigação Médica Inglês. Mais tarde. tem de ser registada com uma intensidade muito maior que as respostas de controle. Mas.a da condutibilidade eléctrica da pele. escreve no seu livro Uma Tremura no Sangue que o entrevistado poderia identificar as perguntas de controle durante a entrevista anterior ao teste. podia fazer força com o braço direito contra o braço ria cadeira ou contrair os músculos das nádegas. o pneumógrafo. o cardiosfigO detector de mentiras é um conjunto de mómetro." 0 Dr. da Universidade da Califórnia. Mas estas são a excepção. Uma tacha de desenho dentro da meia pode ser utilizada disfarçadamente para produzir uma boa reacção no polígrafo. detecta as variações na tensão três instrumentos diferentes. Poderia depois fazer qualquer coisa para identificar a sua resposta às perguntas de controle durante o teste . mento é o galvanómetro. Os resultados eram registados por três canetas sobre um rolo de papel contínuo. a fim de se obter uma resposta que proporcione curvas de referência no polígrafo. David Thoreson Lykken. Denominada polígrafo. Para que uma resposta seja classificada como sendo uma mentira. Ambas as acusações eram falsas. professor de Psicologia e Psiquiatria na Escola Médica da Universidade do Minnesota. A máquina de Larson registava simultaneamente a tensão arterial do indivíduo e os seus ritmos respiratório e da pulsação. Esta conduz melhor a peito da pessoa um tubo de borracha e os electricidade quando está húmida com a instrumentos medem as flutuações do votranspiração. "Após a primeira pergunta de controle. As verdades e as mentiras sao registadas como variações gráficas dos ritmos cardíaco e respiratório e da transpiração do indivíduo durante os testes. das pelas variações da respiração. Se a pessoa mente. respirando rapidamente pelo nariz. Um grande utilizador dos detectores de mentiras são as forças policiais. o seu uso mantém-se controverso. Estes efeitos podem ser detectados por instrumentos sensíveis. sagem de uma corrente eléctrica muito fraregista os padrões da respiração. poderia trincar a língua com força. O truque é fazer com que as respostas às perguntas de controle se pareçam tanto quanto possível com as respostas às perguntas verdadeiras. foi criado o primeiro detector de mentiras moderno com monitorização contínua pelo estudante de Medicina John COMO LUDIBRIAR O DETECTOR DE MENTIRAS Peritos médicos dos EUA e da Grá-Bretanha dizem ser perfeitamente possível unia pessoa suspeita ludibriar o detector de mentiras. o qual acelera os ritmos da pulsação e da respiração e provoca transpiração. Em 1921. O Dr. COMO UM DETECTOR DE MENTIRAS TRAÇA O SEU VEREDICTO O segundo instrumento. para não levantar suspeitas. que mede a pasUm dos instrumentos. Outras podem ter tanto domínio das suas emoções que coasigam mentir sem afectar as curvas do polígrafo. eu poderia suspender a respiração por uns segundos. diz ainda que podem utilizar-se técnicas de meditação para conseguir o efeito oposto baixando a intensidade de todas as respostas. o polígrafo transformou-se no aparelho actual pela adição de uma quarta medição . As informamações são transmitidas separadamente ções são captadas por uma manga de bor ao detector e registadas como curvas inderacha aplicada ao braço. Um inconveniente é o de certas pessoas ficarem tão nervosas que parecem estar a mentir ainda que digam a verdade. depois inspirar profundamente e suspirar. A. a máquina em breve foi alcunhada de detector de mentiras.Detecção de mentiras por meio de uma máquina No princípio da década de 80. que elaborou um relatório sobre detectores de mentiras para o Governo Inglês em 1988. Os testes de detecção de mentiras devem ser conduzidos em condições estritamente controladas. Quando fosse feita a segunda pergunta de controle. Durante a terceira pergunta de controle. O terceiro instru pendentes num gráfico. A primeira pessoa a usar aparelhos para detectar o stress através das variações do ritmo da pulsação e da tensão arterial foi o criminologista italiano Cesare Lombroso. candidatas a empregos) eram submetidas anualmente a testes de detecção de mentiras. em colaboração com a polícia local. Larson. Desde então.qualquer coisa sempre diferente. pelo menos 1 milháo de pessoas nos EUA (a maioria. Os eléctrodos aplicam-se ge lume de ar no interior desse tubo provocaralmente sobre as mãos com adesivo. Verdade Mentira Verdade Mentira Um processo controverso. as empresas americanas foram proibidas de utilizar estes testes nos exames de candidatos. o aparelho deve ser capaz de detectar as alterações causadas pelo stress da mentira e de as registar. Mas esses testes levaram certas pessoas a serem falsamente acusadas de desonestidade. cujas inforarterial e no ritmo da pulsação. na década de 1890. A pessoa testada é ligada à máquina e faz-se-lhe uma série de perguntas inocentes como: "O seu nome é José da Silva?" (que pode ou não ser). Ata-se ao ca através da pele. 87 . O aparelho funciona com base no princípio de que a pessoa que mente fica sob stress emocional. Uma dessas vítimas foi a estudante universitária Shama llolleman. que varia conforme a quantidade de transpiração. recusada por uma loja de Nova Iorque por o seu teste indicar que ela poderia ser vende dora de droga e já ter estado presa.

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as chamas tinham invadido todo o rés-do-châo e encurralado os hóspedes no último piso do edifício de 21 andares. o Du pont Plaza. fios queimados que indiquem uma ligação eléctrica defeituosa. Um varão de metal torce-se ou derrete-se conforme a proximidade a que está da parte mais quente do fogo. que foram condenados a penas de prisão entre os 75 e os 99 anos. O fogo consumiu quatro dos 62 andares da First Interstate Tower. Além dos 97 mortos.Em busca das causas de um incêndio Em 1966.a setu branca indica onde o fósforo penetrou — e depois pelo túnel da escada (em baixo).vt . os investigadores descobriram vestígios do álcool desnaturado e concluí ram que se tratara de fogo posto. Oito minutos depois de um fósforo pegar fogo ao óleo e COtâo por debaixo dos degraus (em cima). Em 15 minutos. Por outro lado. em baixo) indicou o percurso dos gases quentes até ao andar de cima. um incêndio malou 97 pessoas num hotel de Porto Rico. 0 investigador procurará indícios das cau- Inferno nas alturas. A segunda tarefa é localizar o ponto ou os pontos onde o fogo se declarou e onde ele foi mais intenso. de Los Angeles. Uma simulação (à direita. há que ter em conta os FOGO NO METROPOLITANO Depois do fogo do metropolitano de Londres. A densidade das rachas num vidro corresponde habitualmente à intensidade do calor. Latas de aerossol que explodem podem originar bolas de fogo com mais de 1 m de diâmetro. examinaram os restos calcinados do mobiliário da sala de baile. chaminés de ventilação e caixas de escadas produzem 0 chamado "efeito de chaminé". e dois deles usaram álcool desnaturado para incendiar urnas caixas de cartão e outro lixo numa sala de baile vazia. em San Juan. até 0 fragmento de um fósforo que descuida damente se deitou fora. Muitos dos 1400 ocupantes tiveram de ser salvos por helicópteros. estavam furiosos pela falia de um acordo salarial. demonstrou se como um fósforo aceso p<xlia incendiar uma escuda rolante. as chamas propagaram-se à madeira (à direita) . No fim. houve 140 feridos. sas — uma lata vazia de gasolina deixada pelo incendiário. transmitindo os gases aquecidos às partes superiores do edifício e criando novos focos de incêndio. Á\\\V^^ factores que ajudam o fogo a alastrar. em Maio de 1988. Quando. Os peritos em incêndios são das primeiras pessoas a chegarem ao local depois de extinto um fogo. o do Cinema Sta- . Caixas de elevadores. Pode dedu zir-se muito da observação dos vestígios do fumo e dos estragos causados aos materiais. posteriormente. Os empregados do hotel. na véspera cio Ano Novo. é evidente tratar-se de fogo posto quando se verificarem diversos focos simultâneos ou ai guém foi visto a fugir do local mesmo antes de se detectarem as chamas. A sua primeira tarefa é preservar e tomar nola dos materiais queimados. A dilatação dos metais também pode ser reveladora: uma viga de aço com 10 m aquecida a 500"C dilata-se 7 cm. Os peritos forenses são especialistas no exame dos fragmentos dos materiais queimados. lima pessoa morreu e 40 ficaram feridas neste incêndio. A altura de madeira ou alcatifa calcinada dá igualmen te indicações sobre a temperatura ou a du ração de um incêndio. foram presos três empregados. Chamou -se então o FBI para interrogar o pessoal do hotel. O investigador pode ser confundido por fogos provocados por ruptura de tubos do gás ou combustíveis armazenados. Depois de encontrar o foco do incêndio. É também necessário traçar o caminho percorrido pelo fogo. Depois de um dos maiores incêndios ocorridos em Itália. Por vezes.

de Millet. dois restauradores de arte de Glasgow . durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870-71. O grau de absorção depende do tipo de pigmentos: as tintas à base de chumbo e de cádmio. verificar que um dos cadáveres foi vítima de assassínio. restauradores de arte do Museu de Belas-Artes de Boston. foram condenados a penas de prisão entre os quatro e os oito anos. em 13 de Fevereiro de 1983. em que morreram 64 jovens. em Novembro de 1987. Quando a película é revelada. O comprimento de ondas dos raios X é utilizado. de Millet. sugerindo que foi incendiado primeiro. por exemplo. Para radiografar um quadro. Os investigadores concluíram que ele tivera origem no cotão e no óleo acumulados por debaixo da escada. "Os soldados empurram as mulheres judias com uma violência excessiva. que tinham afirmado que o cinema era seguro.ambos técnicos de raios X num hospital local — radiografaram O Homem da Armadura. e os seus restos podem dizer muito aos investigadores: o corpo pode ter ardido mais intensamente que os objectos em redor. ou podem verificar-se indícios de asfixia no tecido pulmonar. de Rembrandt. os peritos verificaram que tinha havido desrespeito pelos regulamentos italianos de segurança. o investigador pode. Pensa-se agora que Millet reutilizou a tela mais de 20 anos depois. por exemplo. aparece a imagem esbatida da pintura anterior. Como se radiografa um quadro A radiografia é o método mais usado para descobrir pinturas ocultas. Os críticos parisienses acharam que a superfície do quadro tinha uma camada de tinta muito espessa. tanto o público como a crítica foram muito duros nas suas apreciações. inicialmente tomado como fogo posto. descobriram-se fragmentos de fios velhos que tinham estado na origem do fogo. Massachusetts. Ao voltarem a radiografia. são mais absorventes do que as que contêm crómio ou cobalto. verificaram 90 . O incêndio que vitimou 31 pessoas na Estação de King's Cross do metropolitano de Londres. indicando que o incêndio terá sido ateado para encobrir o crime. de Turim. A radiografia mostrava a imagem do "desaparecido" e controverso Cativeiro. mas muitas pessoas acendiam os cigarros na escada rolante quando se dirigiam para a saída." O quadro desapareceu e os peritos de arte concluíram que Millet o destruíra. pois estes são facilmente absorvidos pelas tintas. E as camadas mais espessas absorvem mais do que as delgadas. Era proibido fumar nos comboios do metropolitano desde 1984. quando escasseava o material artístico. coloca-se por detrás dele uma película fotográfica e aplicam-se os raios X pela frente. 0 proprietário do cinema. Um corpo humano é muito difícil de queimar completamente. Como descobrir pinturas antigas sob novas pinturas Quando o quadro de Jean François Millet O Cativeiro dos Judeus na Babilónia foi apresentado no final da década de 1840.tuto. o que significa que a pessoa foi estrangulada. e descobriram o que parecia ser uma pluma branca inclinada na direcção errada a partir do topo do elmo. Não havendo causa aparente do incên- dio. declarou-se numa escada rolante e foi alimentado pela corrente do ar proveniente dos túneis. utilizaram raios X para revelar a presença de outra pintura por baixo da superfície do retrato de A Jovem Pastora. o supervisor dos trabalhos de decoração e dois bombeiros locais. Mas em 1983. quase certamente incendiados por um fósforo deita do fora. No princípio da década de 80. por exemplo. e um deles queixou-se da selvajaria desmesurada da cena. No exame forense.

foi observado aos ratos X. mudanças na inclinação da cabeça ou de um braço. A técnica tem sido utilizada pelo Museu Metropolitano de Nova Iorque para estudar os quadros da Renascença Flamenga. são reveladas pelos raios X e úteis para os historiadores e restauradores de arte. a fotografia por infravermelhos. pálida. O reflexo é fixado por uma máquina fotográfica. 0 uso de outra técnica. 6. Imagem tripla. num quadro do pintor quinhentista italiano Paris Bordone . Terceiro primário cinzento. O retrato perdido.) Traços de carváo A luz infravermelha também é utilizada para se descobrirem pinturas sob outras pinturas. descobriu se. De forma semelhante. Os peritos colheram amostras da tinta e fotografaram nas ao microscópio. Curnadura do segundo retrato. Sombra do maxilar do homem. Alterações da composição. Quando se fazem incidir raios infravermelhos sobre a pintura. de Karel du Jardin. 3. Os raios X são também utilizados para estudar o pentimento — as alterações que o artista faz enquanto produz uma obra. 7. Em alguns casos. Este quadro está também na Galeria de Glasgow. Jerónimo e Santo António Abade (0 Eremita. "arrepender-se". 5. (A palavra "pentimento" vem do italiano pentersi. revelando os traços de carvão do desenho preliminar do artista. do primeiro retrato.que a "pluma" era parte de um trabalho abandonado por Rembrandt: uma dama com um vestido branco e um toucado. 4. eles penetram as tintas da superfície e são reflectidos. Verificou-se assim que o corte da linha do maxilar marcada com um a continha sete camadas de tinta: 1. pintado por Goya. Primário cinzento. o Grande) Louvando Um Benfeitor — verificou-se aos raios X que tinha dois benfeitores. Carnaduru feminina. Quando o retrato de Dona Isabel de Porcel (à direita). o retrato de um homem desconhecido fã esquerda). Segundo primário cinzento. •n . um deles pintado por um artista desconhecido.S. por baixo. Três cabeças foram reveladas pelas radiografias do Retrato de l IH Jovem. 0 efeito deste processo é tornar transparentes as camadas delgadas c superficiais da tinia. revela pormenores não visíveis na pintura final e ajuda a compreender a técnica do artista. Base ocre vermelho-acastanhada 2. mostra o olho direito do homem (em cima). sugerindo uma mudança de ideias por parte do artista.

por forma a registar o desenho dos padrões da pele. da esquerda para a direita. pelo que adere às áreas cobertas de ouro. 0 processo. denominado metalização no vácuo. Plásticos e tintas As impressões digitais consistem em minúsculas quantidades de humidade. como sacos de plástico. Os padrões dactiloscópicos são decompostos em traços característicos "forquilhas". As impressões são normalmente invisíveis. que. e depois de encontro a um papel. "lagos". Uma fita gomada é então aplicada à marca. As partículas do pó aderem aos tractos de humidade. mas é absorvido pelas cristas de humidade que formam o padrão dactiloscópico. Na maioria dos países. rnostra-nos a impressão do polegar de um adulto. Este número varia conforme os países. 0 processo assemelha-se àqueles passatempos em que têm de descobrir se as diferenças entre dois desenhos aparentemente iguais. devido à gordura que se acumula na sua superfície. só se conservam as impressões dos criminosos condenados e as não identifi cadas recolhidas em casos ainda por resolver. criando o vácuo. o tribunal aceita menos características por dedo. Como cada indivíduo possui o seu conjunto único de impressões digitais. esta é com parada com as impressões digitais dos criminosos. Comparados entre si. o perito policial em dactiloscopia utiliza um pó muito fino (muitas vezes alumínio em pó) para cobrir as superfícies em que poderão existir impressões digitais. se coincidem com as de uma luva encontrada em poder de um suspeito. Uma vez obtida a fotografia. recebendo uma impressão que pode ser levada para fotografar. tornando-as mais contrastantes com as hn pressões não recobertas e permitindo que sejam fotografadas. como os plásticos e as superfícies pintadas. tomando-os visíveis. As impressões digitais sáo normalmente arquivadas por nomes. presilhas. A comparação das impressões A comparação das impressões digitais requer boa vista e concentração intensa. As fotografias pequenas apresentam. Alguns países mantêm um arquivo na- . camada de ouro. A maioria dos especialistas considera que a existência de mais de oito características é suficiente para confirmar uma identidade: embora tal não possa ser apresentado em tribunal. O processo consiste em colocar as pontas dos dedos sobre uma almofada de tinta. a azul. A tecnologia moderna auxilia agora a Polícia a conseguir impressões de superfícies das quais antigamente nada se obtinha. Estes são depois comparados com as impressões deixadas na superfície dos objectos na cena do crime. excepto se produzidas por tinta ou sangue. produzem padrões iguais aos "sulcos" e "cristas" existentes nos dedos e noutras zonas da mão. numa superfície. as impressões são mais nítidas que nos absorventes. As impressões de luvas podem igualmente ser reveladas por uma camada de pó e. é o bastante para se concentrar a investigação sobre determinado suspeito.As impressões digitais e os criminosos A Polícia pode querer lirar as impressões digitais de uma pessoa porque suspeita dela como criminosa ou porque quer identificar as impressões "inocentes". constituirão uma prova importante. os padrões podem ajudar a estabelecer a inocência ou a culpabilidade de um suspeito. quatro padrões de arcos. depois uma de zinco. "esporões" e "ilhas" Para que uma identificação possa ser apresentada em tribunal. Por este motivo. Nos materiais nào-absorventes. A fotografia grande. O ouro deposita se uniformemente. Impressões de luvas As luvas fornecem impressões distintas de modo muito semelhante à pele humana. fazendo pressão. é preciso que um certo número de características reconhecíveis das impressões de um único dedo correspondam ao mesmo número de características da impressão em arquivo. a técnica constitui um importante auxiliar na luta contra o crime. como os tecidos. consiste em colocar a superfície a examinar dentro de um recipiente ao qual se extrai o ar. Com a identificação das im pressões digitais sucede o inverso: o perito tem de procurar as semelhanças. oertkilos e compostos. Vapori za-se por sobre a superfície primeiro uma 92 >V Padrões indiciadores. Se as impressões forem de mais que um dedo. 0 zinco só se condensa sobre outro metal. mas pode chegar a 17.

espancado até à morte. o pequeno cofre em que o casal guardava as suas economias. Foi seguidamente comparada com a impressão digital do suspeito. O CASO ESPANTOSO DE QUATRO IRMÃOS A prova por impressões digitais conduziu. As suas ideias despertaram interesse em Inglaterra. A procura do arrombador de uma casa pode alargar-se a outros tipos potenciais de cri minosos. quando foi inspector-geral da Polícia de Bengala. foram executados por outros dois irmãos. que chegam a fazer 60 000 comparações por se gundo. executores públicos. ao único caso em que dois irmãos. por exemplo. provavelmente. em 1891. Alguns processos. Os peritos dactiloscopistas comparam ainda as impressões digitais de criminosos presos recentemente com marcas não identificadas obtidas durante a investigação de outros crimes. é considerado simplesmente como instru mento de recurso para utilização quando não se consegue identificar localmente uma marca. e implicava a medição dos braços e pernas do criminoso. compara-as com as impressões digitais de pessoas inocentes que possam ter deixado marcas na cena do crime membros da família ou polícias. Se procura um ladrão. No tabuleiro de metal do cofre. Cientistas de lodo o Mundo procuram desenvolver sistemas computorizados para arquivar e — o mais importante — comparar as impressões digitais e as mar cas recolhidas. no andar por cima da sua loja. vazio. em 23 de Maio de 1905. na índia. criaram-se processos electrónicos destinados a acelerá-lo. condenados junta mente por assassínio. As polícias secretas e as organizações de contra espionagem possuem igualmente os seus ficheiros com os indivíduos que consideram revolucionários ou agentes inimigos. Se estas não coincidem. Foram os dois considerados culpa dos e condenados à morte. Dependendo do tempo superiormente estabelecido para se dedicar às buscas. em Londres. No chão. criado pelo criminologista francês Alphonse Bertillon. Mantém-se também arquivos dos criminosos com especialidades conhecidas. No início da década de 80. Flngertipa". junto aos corpos. terá de fazer uma busca mais alargada e laboriosa. os peritos recolheram a impressão de um polegar suado ou sujo de óleo que não condizia com o dos mortos — nem com o do primeiro agente da Polícia que chegou ao local. feita com tinta. Reformou se o recebeu um título nobiliárquico em 1918 — mas ficou sempre conhecido por "Mr. bem como fotografias de frente e de perfil. devido ao tempo que as buscas podem demorar. Comparam igualmente as marcas não identificadas com as marcas novas para verem se determinados crimes constituem uma série interligada. Foram presos e julgados. A suspeita recaiu sobre os Strattons. 0 perito dactiloscopisla começa por examinar as marcas reveladas no local e decorar as respectivas características. Em 1905. A impressão do polegar constituiu a prova principal. graças aos trabalhos do dactiloscopista João Vucetich. A maior parte deste trabalho é manual e extremamente laborioso. ambos assaltantes conhecidos. Fingertips" ("Sr. Todas as marcas que coincidam com as impressões inocentes são postas de lado. verificando-se correspondência entre 12 características. Pontas-dos-Dedos"). mas podem trabalhar durante dias sem conseguirem uma identificação positiva. poderá prossegui las nos departamentos de dactiloscopia de outras forças policiais. Fazem diariamente dezenas de comparações. "Mr. por exemplo. Aí criou a primeira Secção de Impressões Digitais. Alfred e Albert Stratton foram acusados do assassínio de um casal idoso. começará por reler to dos os casos de furto na localidade. continua a ter de ser feita pelo perito dactiloscopista. como os arrombadores de cofres. Henry foi posteriormente comissário da Polícia Metropolitana. mas o perito pode achar que não vale 2 3 5 6 a pena debruçar-se sobre os passadores de cheques falsos. A compa ração visual. 93 . em 1901. Anteriormente. foi encontrado. Em seguida. e. como os ladrões de automóveis ou os carteiristas. que em seis meses procedeu a mais de 100 identificações bem-sucedidas. Estes sistemas podem ser ligados a sistemas idênticos de forças de investigação vizinhas ou mesmo aos arquivos nacionais para aumentar o potencial das buscas. O perito retira então do ficheiro todas as impressões dos suspeitos possíveis. sendo enforcados pelos irmãos John e William Billington. ou o "Senhor Pontas-dos-Dedos" A primeira identificação de um homicida pela comparação das impressões digitais com as dedadas deixadas no local do crime foi feita na Argentina. mas. estão já a ser utilizados por certos departamentos policiais de alguns países. apresentar-nos todas as impressões dos ladrões de automóveis conhecidos que vivam em determinada área e tenham menos de 30 anos. por forma que o premir um botão pode. Edward Henry foi nomeado responsável pelo Departa mento de Investigação Criminal ria Scotland Yard. na esperança de resolverem casos em suspenso. cujos nomes lhe foram indicados pelos detectives que investigam o caso. A marca deixada no local do crime (à esquerda) foi recolhi da por um perito policial.cional de impressões digilais. o método habitual de registo dos caracteres dos criminosos baseava-se no sistema antropomé Irico. seguindo depois para os das redondezas. por exemplo. contudo. O inglês Edward Henry interessou-se pelas impressões digitais na década de 1890. Marcas e impressões digitais. As impressões podem hoje ser arquivadas e procuradas em sistemas de indexação electrónica.

Para obter um espécime de ADN o cientista precisa apenas de uma amostra bioló gica contendo algumas células humanas . semelhante aos códigos de barras utilizados nas embalagens dos produtos. Um outro homem. se ela condiz. o preso está inocente.em geral.que produz animais enfraquecidos — seja evitado. Só o padrão imediatamente à esquerda condiz exactamente Os outros são semelhantes. consiste numa série de barras sobre uma película de raios X. Outra utilização é nos transplantes de medula óssea. sangue. Jeffreys descobriu que no interior da molécula de ADN existe uma sequência de informações genéticas que se repete muitas vezes ao longo da respectiva estrutura. Comparam as impressões gene ticas obtidas de animais para assegurar que o cruzamento consanguíneo nas espécies ameaçadas . O processo pode igualmente provar a paternidade de uma criança e controlar a criação de animais raros. o cientista pode afirmar com toda a segurança que os elementos da impressão genéti ca do filho que não condizem com os da mãe provêm do seu verdadeiro pai. determina as características de cada indivíduo. Fazia investigações sobre o ácido desoxirribonudeico (ADN). Não coincidindo. trata-se do ladrão. 0 Prol. mas nâo idênticos Pode assim determinar-se a culpabilidade de uma pessoa e a inocência de outras seis. como a cor dos olhos c do cabelo. extrai-lhe um pouco de sangue e compara a impressão genética com o que possui. a Polícia pode obter impressões de um grupo de pessoas fazendo colheitas de sangue. O criminoso foi encontrado quando um homem disse a alguém que um seu companheiro de trabalho lhe pedira que tomasse o seu lugar quando fossem feitas as recolhas. A estrutura do ADN é diferente de pessoa para pessoa. formando uma dupla espiral. anteriormente acusado de um dos crimes. o nume ro de vezes que ela se repete e a sua localização precisa dentro da cadeia do ADN são únicos em cada indivíduo. foi libertado porque a sua impressão genética não se ajustava às provas obtidas na cena do crime. 94 . A "dactiloscopia" genética pode também servir para resolver disputas de paternidade. A imagem final. descobriu a dactiloscopia genética em 1984. Os zoólogos podem utilizar a "dactilos copia" genética para controlar a criação de animais raros e a conservação de certas espécies. mas não um suspeito. O ladrão que parte uma janela pode deixar no vidro vestígios de sangue que servem para a criação de uma impressão genética. O padrõo de ADN (ao meio) obtido de uma mancha de sangue encontrada no local do crime é comparado com os de se/e suspeitos. 0 comprimento da sequência. Criou-se um processo de passagem destas sequências a registos visíveis.A "dactiloscopia" genética: processo de identificação que não falha A "dactiloscopia" genética alterou o curso da investigação criminal: é o método até hoje mais rigoroso para a identificação de um individuo. no inte rior de todas as células vivas. Quando a Polícia prende um suspeito. o transplante teve êxito e está a produzir leucócitos sãos. Os médicos verificam se a impressão genética do paciente após o transplante condiz com a do dador. Comparando as im pressões genéticas da mãe e do filho. quando se extraíram amostras de 5500 homens que viviam nos arredores de uma aldeia em que O ADN indica o culpado. Um filamento de ADN é igualmente constituído pelas características de ambos os progenitores. A "dactiloscopia" genética é tão impor tante no estabelecimento da inocência como da culpa. sémen ou cabelo em quantidades mínimas. duas jovens tinham sido violadas e mortas. se não. 0 inglês Alec Jeffreys. Quando possui uma impressão genética. o transplante não deu resultado. excepto nos gémeos idênticos. A primeira recolha de impressões genéticas de um número considerável de pessoas foi feita no Leicestershire em 1987. a "impressão digital" genética. Na afirmativa. 0 composto químico que. geneticista da Universidade de Leicester.

"estojo de identidade") — o que entre nós permite fazer o chamado retrato-robô.o primeiro criminoso do Mundo a ser apanhado graças a um retrato-robô. A face é montada folha a folha ou tira a tira. pede se a um de senhador da Polícia que retoque a ima gem: sobrepõe-se a esta urna folha de plástico transparente. desde 1970 que a Poli cia utiliza um sistema denominado Photo-FIT (facial Identification technique — técnica de identificação facial). quer o Idenlikit. com o filho. e serve-se de folhas de plástico com fotografias autênticas das diversas feições do rosto. Lamento que isto tivesse de acontecer. pois a capacidade de recordar começa a diminuir ao fim de uma semana acerca dos pormenores do rosto. No Reino Unido. barbas. mas preciso mui to de dinheiro e não podia arranjá-lo de outra maneira. Munin dose de cerca de 50 000 fotografias de rostos de pessoas. Em consequência da montagem de um retrato-robô em França. 105 bocas o 74 queixos e faces — o que permite biliões de combinações possíveis. como as sombras do cabelo. O sistema emprega também fotografias autênticas de pessoas "vulgares" montadas sobre delga das folhas de plástico. em Long Island. da Polícia do Condado de Los Angeles. Nos meados da década de 70. porque eu observo-a de perto. As componentes são cortadas por forma que o comprimento e a largura de uma face composta possa ser montada numa moldura que as mantém no lugar. passando depois à descrição genérica do suspeito ou suspeitos. que utilizou como a base do que chamou ldentikit (à letra. O kit básico é de rostos de raça branca. contendo as diversas folhas de Photo-FIT ou ldentikit. . Para se construir um retrato. Este processo utilizava fotografias de criminosos tiradas de frente e de perfil. os detectives começam por pedir às testemunhas que recordem os pormenores do crime em si. 0 processo fora concebido na década de 40 principalmente por Hugh C. Além disso. um queixo proeminente. as fotografias de criminosos capturados podem arquivar-se em computador. Não fale nisto a ninguém nem vá à Polícia. etc. orelhas salientes pudessem ser estudadas. O desenho é depois coberto por um fixador e assinado pela testemunha. havendo kits suplementares para os Ameríndios. de um mês. Tornava-se assim mais fácil para os agentes reconhecer na rua os criminosos que procuravam. McDonald. as manchas da pele. As testemunhas dos crimes são entrevistadas pela Polícia logo que possível. EUA. um ladrão armado assaltou uma loja no Sul da Califórnia e fugiu com o produto do roubo. Mrs. em cinco secções. cicatrizes. sobre a qual se acresceu Iam os pormenores. Folheiam álbuns. Quando voltou momentos depois. Obtém-se assim uma imagem que parece uma fotografia. muitas vezes.Vo mais recente processo computorizado de identificação. narizes. e o computador pode apresentar uma escolha das que mais se ajustem à descrição das testemunhas. Beatricc Weinbcrger regressou à sua casa de Westbury. funcionário policial do Departamen lo de Identificação de Los Angeles. Peter. que são habitualmente desenhados por artistas. bi godés. bigodes ou óculos. . Recentemente. O E-FTT. O emprego de fotografias ou de esboços desenhados para identificar e prender criminosos começou cm França na década de 1880. linhas de cabelo. Q descrição inicial da pessoa (1) pode alterar-se pela aplicação de um bigode (2). O conjunto básico. lábios. altura em que o criminologista Alphonse Bertillon criou um processo que chamou portrait parle (retrato falado). o carrinho estava vazio — e no lugar de Peter havia uma nota escrita. tem sido utilizada a tecnologia dos computadoras para realçar estes retratos. Não teria passado do típico crime menor. Indianos e Afro-Caribes Ainda não se criou um kit para os Orientais. o assassino foi identificado como um dos pO lícias que colaboravam nas investigações. São codificadas segundo as características físicas. a forma das sobrancelhas. funcionário da Real Polícia Montada do Canadá. podem ainda acreseentar-se barba. cortadas em secções e montadas por forma que certas feições — um nariz aquilino. uma descri ção pormenorizada do ladrão. excepto por um facto: o proprietário do armazém forneceu ao xerife Peter Pitchess. todos diferentes entre si. fazendo as suas escolhas. o que levou à identificação e prisão do larapio . 99 olhos o sobrancelhas. as diversas feições eram desenhadas em folhas de plástico transparente que se faziam combinar até se obter um retrato composto que se ajustasse às descrições testemunhais do indivíduo que se procurava. compõe-se de 195 liQuer se utilize o Photo-FIT. depois de um passeio. Ela permite que faces com aspecto extrcmamenle verdadeiro sejam desenhadas no écran segundo as descrições das testemunhas e que se lhes apliquem as mínimas alterações. surgiu na América do Norte um novo sistema de retrato-robô. sobrancelhas. Eram baixos e atarracados ou magros e altos? Que tipo de vestuário usavam? E que fizeram na verdade no local do crime? Só então as testemunhas são interrogadas Polícia assassino. cortou-as em 12 secções principais. Estou aterrorizado e mato o bebé se 95 Rosto por computador.Como se produz um retrato-robô de um criminoso Em Fevereiro de 1959. depois pela mudança do feitio do rosto (3) e peta colocação de uma cicatriz (4). Depois. 89 narizes. O ldentikit era formado por quase 400 pares de olhos. Foi aperfeiçoado por Pai Dun leavy. ou "atlas de feições". queixos. Além disso. o que permitiu à Polícia fazer um retrato muito parecido do homem que procurava Esse retrato foi posto a circular na zona. A nota dizia: "Atenção. Deixou o caninho no pátio e correu a buscar uma fralda. Como os peritos em escrita apanham um criminoso Na tarde de 4 de Julho de 195G. nhãs de cabelo.

nos escritórios. Pode de notar um indioiduo reservado e tímido. flexível e de bom contado. La Marca fora posto em liberdade condicional pelo fabrico ilegal de álcool.muitos deles autodidactas e cujas apreciações frequentemente se contradizem. Os grafólogos afirmam que a caligrafia é uma espécie de "escrita do cérebro" em que a mente inconsciente é conduzida aos dedos e se revela no papel. Foi chamado o FBI. nada havia que fizesse preferir qualquer deles . Mr. Sugere uma personalidade expansiva. cujos peritos em análise de escrita manual começaram a tentar encontrar a pista do criminoso. l. cujos tes tes já não são autorizados por lei. Os indivíduos com caligrafia estreita são habitualmente disciplina dos mas inibidos. Algum tempo antes. Os que escrevem com letra larga são normalmente desinibidos e gostam de viajar.pelo que os en trevistadores convocaram um grafólo go para avaliar o carácter e as potencialidades de cada um.*<. Long Island. a maioria dos grafólogos concorda em certos conceitos básicos corno a importância da apreciação rio carácter através ria conjugação rie LARGURA \\VJAOJUU. a grafologia tomou o lugar rio polígrafo. ou detector de mentiras. você fizer alguma coisa errada. Até que em meados de Agosto estas pe nosas tentativas trouxeram resultados. O ângulo com que a pessoa segura a caneta. A caligrafia de Angelo John La Marca.. . O seu autor gosta de se dar com as pessoas. A caligrafia do primeiro candidato era grande. Denota ambição ou espirito largo. Nos EUA.gMr-. La Marca foi mais tarde executado na Prisão de Sing Sing. çr\ Wu)t)er\ Estreita. encontraram apenas o cadáver ria criança. exactamen te ao meio dia. Escrita grande. Nessa altura. o espaço entre as pala vras. era inseguro e rígido. Segundo o grafólogo. Os apologistas do exame grafológico afirmam tratar-se de uma forma eficaz rie INCLINAÇÃO decidir se se pode confiar numa pessoa. 'São e Salvo'.arga. P<xlern ser impetuosos. um grande número rie empresas emprega grafólogos para anali sar as candidaturas a emprego. o uso ou abuso da pontuação tudo isto identifica uma pessoa. é provável que l. A selecção por polígrafo revelou-se de validade pouco segura. os pedidos de promoção e as sugestões recebidas pelo correio. deixarei o belx? na mesma esquina.. c Mrs. Tendo começado pelo registo automóvel da cidade de Nova Iorque. Mas o raptor não apareceu. fluida e arredondaria. (icjt nado Qusuuo Inclinação para a direita. Na Alemanha. —-— 9(1 . nos clubes e nas escolas Ao lodo foram examinadas visualmente e comparadas com as notas de resgaste mais de 2 milhões de assinaturas e de amostras de caligrafia. apeTAMANHO sar do seu estatuto social e profissional. . E os que criticam a grafologia acusam do mesmo os grafólogos . preocupados. a altura e o tamanho rias letras maiús cuias c minúsculas. os peritos passaram as seis semanas seguintes perscrutando os ficheiros locais na Polícia. Nos EUA onde as empresas perdem algo como 40 000 milhões rie dólares por ano devido a empregados desonestos .. de Plainview. Ponha 2000 dólares em notas pequenas num sobrescrito pardo e coloque-0 junto ao . No entanto. Se tudo correr bem. no entanto.a Marca tivesse sido apanhado. l3ode indicar modéstia e sentimentos de inferioridade. Escrita pequena. Por muito que se tente disfarçar as peculiaridades e as características da escrita ou adoptar a caligrafia de outra pessoa. confessou o rapto rie Peter. Encontra-se muitas vezes na caligrafia das pessoas do espectáculo. a primeira le tra rienotava uma pessoa autoconfiante. a Polícia achou que o bebé já estaria morto.- Prova escrita. A segun da. Não há desculpas. Inclinação para a esquerda.." Apesar do aviso rio raptor. Disse à Polícia que deixara o bebé vivo e são num parque próximo no dia a seguir ao rapto. era de alguém que. Mesmo que tivesse tentado disfarçar a letra. Faltou a dois "encontros" poste riores com os Weinbcrgcrs e deixou uma segunda nota assinada "o seu baby-sittef'. a "individualidade" de quem escreve vem sempre à superfície. Por isso. a do segundo era pequena. condizia com a do raptor especialmente no traçado pe culiar dos yy.->'• ' . Ao ser confrontado com as amostras de escrita. Apa rentemente. 80% das grandes empresas utilizam grafólogos na escolha do pessoal e esta prática está a espalhar-se pelo Mundo. Weinbcrger. em bora o autor possa ser objectivo e de espirito cientifico.M. brusca e angulosa. com tendência para esconder as suas emoções e manter uma atitude passiua. Um sobrescrito com papel de jornal cortado em pedaços foi colocado no local na manhã seguinte.semáforo na esquina da Albemarle Koad com Park Avenue exactamente às 10 horas da manhã de amanhã (quinta leira). I QUANDO UM NOVO EMPREGO DEPENDE DA SUA CALIGRAFIA Os candidatos ao lugar de assistente rio director rio pessoal de uma companhia de computadores tinham ficado reduzi dos a dois jovens com experiência. Afirmou ter agido num impulso rie momento para minorar as suas dificuldades financeiras. o lugar foi dado ao primeiro candidato. Em ambas as notas de resgate notou-se nos yy uma primeira perna invulgar em forma de z. capacidade e qualificações idênticas. a maneira como cruza os // ou põe o ponto nos ii. Podem ser igualmente mesquinhos e de vistas estreitas. Mas quando os agen tes acorreram ao local. nas fábricas. não posso esperar! O seu baby-sitler. contactaram a Polícia. A caligrafia nu nota de resgate coincidia com a de La Marca num impresso de liberdade condiciono!.

" Além rios seus conhecimentos. ao tomar notas e apontamentos no princípio dos anos 30. no princípio da dê cada de 80. chefe da secção de documentos do laboratório do FBI. Esta pode ser qualquer coisa que esse cão goste de fazer — uma luta amigável com o dono ou um jogo de escondidas. também interessada na sua publicação. antes de Hitler ser ditador.c^r^ Espaços apertados. é hoje utilizado nos principais aeroportos do Mundo. No total. ea zona intermédia. Bélgica. Kenneth Rendei!. equipamento de écran duplo para comparação entre documentos verdadeiros e duvidosos e instrumentos de grande ampliação da caligrafia para comparação entre as diversas formas de ligação das leiras. outro de 1945. uma zona inferior pequena sugere superficialidade. mas que escolhe indiscriminadamente os amigos. os colhes c osspaniels. provou se que a tinta era moderna. no seu esconderijo. Gary Herbertsoii. certos factores fundamentais. na Colômbia. Noruega e Inglaterra. porque os receptores olfactivos que possui são 100 vezes mais longos que os do homem. Espanha. mas o cheiro mantérn-se o mesmo. foi considerado culpado por um tribunal de Hamburgo e condenado a uma pena de prisão de quatro anos e meio. sensível aos vapores. O mais nolável caso dos últimos tempos diz respeito ã falsificação.Konrad Paul Kujau foi mais tarde preso com dois cúmplices e julgado por falsificação dos diários. Uma zona superior grande. em que estavam escritos os diários falsos. por exemplo. 97 ([j6 wduLMCÂQt Jnf^làJoa. Além disso. foram encontrados 16 kg ria droga nos discos e em sobrecapas de livras. O treino de um destes cães dura habitualmente cerca de 12 semanas. formarias pelas partes superiores e inferiores das maiúsculas e de outras letras. Ao princípio. Que Deus esteja do nosso lado. mas. e não de uma qualquer característica peculiar. odcog. O objecto utilizado no Ireino é mudado periodicamente. que imediatamente se mostrou desconfiado. indica uma pessoa aberta e alegre. Holanda. diz-se que por 6 milhões de marcos. afirmou: "Sempre que se tenta modificar a caligrafia. O cão tem um sentido de olfacto muito superior ao do homem. esse objecto é colocado à vista do cão. Quando se separa ram as camadas de vinilo dos discos. A Stem vendeu depois direitos subsidiários em França. mesmo assim. A publicação na Alemanha começou na Primavera de 1983 E dois dos diários — um de 1932. Estes cães são utilizados pelas polícias e alfândegas de todo o Mundo para de tectar drogas e explosivos. contendo as restantes leiras minúsculas.Em 1983. "tudo parecia errado. Notam-se fins e prin cípios dos traços bruscos ou embotados. e Hitler. pelo que não era crível que tivesse recorrido ao papel ordinário. fazem-sc coisas que não pare cem naturais. levantaram suspeitas no Aeroporto de Heathrow. os peritos em análise de escuta utilizam no seu trabalho instrumentos e aparelhos sofisticados. A escrita de um falsificador não tem a velocidade. Verificação de um saco. O cão aprende a reconhecer o cheiro do objecto de Ireino. "Mesmo à primeira vista". Os cães conduziram os homens da Alfândega a 20 discos LP em cada uma rias malas das mulheres. e uma zona intermédia de tamanho médio denota uma personalidade metódica e prática. quando Hitler. Para isso. da escrita natural. utiliza ra unicamente papel da melhor qualidade. de Boston. ano em que se suicidou — foram enviados à revista americana Newsweek. curvas mal desenhadas. H e K — e encontrou grandes discrepâncias e dissemelhanças entre eles — o que convenceu Rendcll de que os diários eram falsifica ções. Esta revista convocou um reputado perito em análise ric escrita. Os cães treinados para este trabalho incluem os cães de caça como os labradores. afirmou. o treinador esconde uma amostra do produto dentro de qualquer coisa que o cão consiga agarrar com a boca — um jornal enrolado. 0 cão começa por ser ensinado a reconhecer determinada droga ou explosivo. ligeiros tremores. um pedaço de cano. Em resultado desta denúncia. supostamente escrevera: "Começou a ofensiva há muito esperada. em Londres." Os 60 diários foram comprados pela re vista alemã Stem. trouxeram-se cães especialmente treina dos para examinar as respectivas bagagens." Utilizando um poderoso microscópio e exemplares autênticos da caligrafia de Hitler. Itália. . Este detector portátil de explosivos. Pequenos espa cos entre as palavras denotam uma pessoa gregária. é possível dizer se uma foi a escrita rapidamente e a outra cuidadosamente desenhada. que é na realidade o cheiro da droga ou do explosivo. em 1988. Como os cães e as máquinas farejam drogas e explosivos Quando cinco mulheres de Bogotá. interrupções inapropriadas. Serão as dimensões relativas das três zonas que revelarão a verdadeira personalidade do indivíduo. Em geral. ESPAÇAMENTO Grandes espaços. Incluíam uma referência ao ataque dos Russos a Berlim em Abril de 1945. descobriu-se cocaína escondida entre as duas metades. Massachusells. As pessoas que separam muito as palavras não se dão bem na companhia dos outros Podem ser reservadas e solitárias. a fluência. Duas letras podem ter a mesma forma. depois passa a ser escondido. comparou os dois conjuntos escritos — especialmente as letras E. a suavidade. um criminoso alemão já várias vezes condenado . dos "diários" de Adolf Hitler — nos quais o chefe nazi supostamente es crcvera os seus pensamentos mais íntimos numa caligrafia antiquada. pautado. As mulheres foram todas conde nadas a 14 anos de prisão. Em Julho de 1985. como ob. os grafólogos dividem a caligrafia em três "zonas": a zona superior e a inferior. um trapo Ordena-se ao cão que entregue esse objecto ao treinador e dá-se-lhe uma recompensa. que incluem scanners de infravermolhos e ultravioletas com os quais examinam rasuras e emendas.

Afirma se que podem ser identificados vestígios Ião diminutos como um Irilionésimo de grama. no Aeroporto de Heathrow. Mostram. Baseando-so apenas neste facto e na sua intuição.sinal de que deve começar a trabalhar. ou cuja respiração seja acelerada. Podem ainda esvaziar uma mala o pesá-la: se pesar mais do que o valor dado pelo fabricante. de aço. que transpire exageradamente (particularmente os homens. Quando se leva um cão para procurar drogas numa carrinha ou num armazém. cannabis (haxixe). Em i')SH. Estas máquinas detectam dinamite ou nitroglicerina. que coitos traficantes espalham para disfarçar o cheiro cias drogas. a Polícia Holandesa apareceu o prendeu os traficantes.com destino à Holanda. descobriu se lie roina escondida em paneis de caramelos.em geral. que foram julgados o condenados. foram instaladas máquinas "farejadoras". poderá ser revistada cm busca de drogas. O carregamento fora descido de um navio para se proceder a uma nova arruma Cão da carga. Cáo que fareja. cocaína. Cheiros como os do perfumes. Despertada a suspeita. fibras ópticas no interior do tubo transporiam a imagem até uma pequena ocular. onde um gru po de oito homens CO nieçou a cortar o tecto. Nossa altura. O navio continuou a sua viagem e o contentor foi descarregado no porto holan dés de Roterdão. por exem pio. pois os cadeados de um contentor cheio de ladri lhos cerâmicos pareciam ler sido forcados. que as decompõe nos seus componentes químicos o identifica os mais pequenos vesti gios de substâncias usadas nos explosivos ou nas drogas. de cocaína em 263 pequenos pacotes. Removeram o contentor para o examinar e dopa raram com um compartimento escondido. veste-se-lhe um "colete" especial . heroína o aiiíetaminas. o espectrómetro de massa.importante centro produtor do droga . através das quais podem transitar pessoas.Processos antigos e modernos de levar a melhor sobre os traficantes Os funcionários aduaneiros de Southamp lon estavam muito desconfiados de parte de um carregamento procedente da Co lômbia . conseguem ver o interior dos depósitos de ga solina ou os forros das portas dos automó- Olho que espreita. pesam as bagagens dos passageiros suspeitos e revistam nas se as acharem com poso a mais. Foi levado para um parque do caravanas. em Londres. Os funcionários sabem quanto posa uma mala media quando cheia. Um dos aparelhos mais úteis usados por estes funcionários é lambem um dos mais simples: a balança. por tráfico do cocaína. va lendo mais de 13 milhões de contos. Por isso. os funcionários aduaneiros servem-se de equipamento especial para aprofundar a busca. Com um espoei roscou i o — tubo comprido e delgado com uma lente na extremidade . Doce subterfúgio. Recolhem-se também amostras de ar de contentores c camiões onde se sus peita que possam estar escondidas drogas e matérias explosivas. Óculos escuros Todo o passageiro que chega do estrange ro e se mostra nervoso desperta a atenção do pessoal das alfândegas. os funcionários decidiram invés ligar. o cão fica agitado o excitado. for ros dos automóveis ou intervalos onlre paredes.utilizadas na detecção do drogas e explosivos aspiram ar por um tubo que pode sor introduzido em espaços escusos. Este está atonto a quem quer que se mostre demasiado agi tado que pisque os olhos mais vezes que as habituais. nas costas das mãos). com penas de até sois anos. Quando localiza um cheiro que sabe lhe trará uma recompensa. como depósitos de gasolina. O contentor foi novamente selado — lo vanrío sacos do grãos do cereais em vez da droga — o voltado a colocar a bordo sem que ninguém disso se apercebesse. entram os funcionários da Alfândega ou da Polícia.. ouro ou outro contra bando que esteja escondido em comparti mentos dentro do forro. Nossa altura. Uma funcionária adua neira do Aeroporto internacional de Miami dá instruções uo seu câo na incessante pro cura de drogas. Um funcionário adua neiro utiliza um espectroscópiò para obser uar um depósito de gasolina em busca de cannabis que ali possa estar escondida 98 . As amostras do ar são analisadas por um aparelho. Movimento de electrões Km alguns aeroportos internacionais incluindo o de Seul antes dos Jogos Olímpicos de 1988 -. diamantes. que enn tem um vapor que atrai electrões. Certas máquinas especiais de raios X fornecem imagens a coros o detectam o que quer que se encontre escondido don tro de um recipiente. Abríram-no com maçaricos de oxiaceti leno o descobriram uo seu interior 210 kg veis. com uma profundidade de 10 cru a todo o comprimento da parte superior. são igualmente utilizados para que o cão se habitue a elos. Um cão podo ser treinado a reagir a 12 tipos diferentes do explosivos e a •'! lipos diferentes de drogas . que uso óculos escuros para esconder estes sinais denunciadores. pelo que os funcionários tive ram de agir depressa e cm segredo. Amostras de ar As máquinas. Uma corrente eléctrica que atravessa a máquina detecta o movimento dos electrões. as dimensões o posições relativas dos objectos dentro do um saco.

o funcionário descobriu no seu heroína ligeiramente maior.e detêm no à passagem pelo pos to de controle. em Junho de 1988. Reconstituindo os últimos momentos de um desastre de avião O avião é normalmente um meio de transporte extremamente seguro. partiu uma perna. Virgínia. dentro de preservativos. No entanto. A queda verificouse quando o avião entrou por uma mata com áwores de 12 m de altura. Os funcionários aduaneiros aguardam que ela seja levantada pelo dono . A partir de então. dedicou-se do e acabara de chegar.contra 40 000 em acidentes de viação só nos EUA. Nos portos de ferry-boats e nas fronteiras terrestres. também es interior diversas pequenas embalagens. Em Julho de 1988. e os funcionáneiro do Aeroporto de Hanôver. Embalagens semelhantes fofora frustrado mais um engenhoso meio ram encontradas nos outros caracóis. continha um saco de plástico cheio de caracóis comestíveis vivos da espécie Duas semanas depois. heroína. foi apanhado Achalina fálica. seja um Jumbo transportando mais de 500 pessoas —. cerca de 1100 pessoas morrem no Mundo em acidentes aéreos . procede-so sempre a uma investigação cuidadosa sobre as causas do acidente para delas se po- Às vezes. tenente do Exército Americano. Três pessoas morreram num Airbus francês que caiu quando tomava parte num espectáculo aéreo perlo de Multtouse. estão atentos aos correios que transportam as drogas. 133 outros passageiros do Airbus sobreviveram à queda. Actualmente. na Ale rios aduaneiros de Hanôver transmitimanha. de fazer tráfico de droga. As estalísti cas mostram que. Selfridge. Partindo uma das no que tentava passar uma porção de cascas. no Leste de França. especial atenção aos passageiros vindos 0 saco foi aberto. quando um avião se despenha — seja um pequeno avião de dois passageiros. Em particular. uma peça de bagagem desembarcada de um avião pode ser "apontada" por uma máquina de raios X ou um cão treinado. condida em conchas de caracóis Achalicontendo cada uma cerca de 30 g de na. embora o avião tivesse ficado quase totalmente destruído. Os funcionários das alfândegas estão atentos aos passageiros provenientes de países conhecidos como exportadores de droga. um funcionário aduaO traficante foi preso. que engolem . mas muitas mais são devidas a horas de penoso trabalho de investigação. . seu passageiro. morreu quando o avião de Orville Wright caiu em Kort Myer. Miraculosamente. Wright. Graças à atenção de um funcionário. cuja casca é do tamano Aeroporto de Hanôver outro nigerianho de um punho. após se ter partido uma hélice de madeira.re- cuperando-os depois por ríefecação ou vómito — ou os introduzem nos orifícios do corpo. Selfridge. Tragédia no espectáculo aéreo. principalmente cocaína e heroína. O piloto foi despedido pela Air Frunce quando os registos de voo da caixa negra revelaram que ele não obedecera a avisos sonoros dos controles para que aumentasse a altitude. um dos pioneiros dos voos pilotados.O ESTRANHO CASO DOS CARACÓIS PORTADORES DE DROGA totalizando cerca de G00 g de droga. morreu quase instantaneamente. os condutores ou passageiros sem explicação adequada para a sua viagem. Thomas C. suspeitou de um passageiro ram o caso aos seus colegas por toda a que transportava um saco em mau estaAlemanha. desde os primórdios da aviação que os acidentes se verificam. Muitas capturas resultam de suspeitas surgidas no momento. 0 primeiro a ser registado deu-se em 1908. os que se mostrem tensos ou hesitantes ou uma pessoa mal vestida conduzindo um automóvel de luxo podem ser sujeitos a revista. verificando-se que da Nigéria. A descida do aparelho foi aparentemente amortecida pelas árvores sobre que aterrou. anualmente.

Os metais fendem ou fundem de maneira diferente. Dois meses depois do desastre da Air índia. Embora mais de 130 corpos e alguns destroços tenham sido rapidamente recuperados. a 2000 m de profundidade. Quer a causa suspeita seja uma bomba ou uma peça defeituosa. Embora não houvesse prova directa de uma bomba terrorista. e recolhem amostras de todos os destroços para o caso de alguma delas poder fornecer algum indício. julgou-se que os acidentes tinham sido causados por talhas mecânicas dos aviões. levou três meses a localizar e traçar um mapa do resto do avião. conforme os ti pos cie calor. Pode igualmente programar•se um visor de computador para que reproduza o mostrador dos instrumentos principais. Fazem um mapa da área em que se encontram os destroços. e pensa se que as explosões foram obra de terroristas sikhs. 113 km a norte de Tóquio. Os aparelhos de registo de elementos de voo podem gravar até 200 horas de tempo de voo. Os destroços que mais importa recuperar são os dois aparelhos de registo transportados a bordo dos aviões civis. Os quatro sobreviventes ocupavam. A cerca de 31 000 pés (9500 m. o avião desintegrou se e mergulhou no mar. contendo entre elas um material termoisolante. Devem ser capazes de suportar sem danos uma temperatura de 1I00"C durante 30 mi nutos. A princípio. Os peritos conseguiram também apontar exactamente os sítios onde os corpos AS MAQUINAS QUE REPRODUZEM A TRAGÉDIA Investigadores examinam o aparelho de registo de ooo de um avião da Air Florida que se despenhou no rio Potomac. o que tornara impossível o do rnínio do avião. Este inter valo expusera a junta a pressões que teriam levado ã sua ruptura. que matou dois bagageiros. ar rançando o leme de direcção e os de pro fundidade. 0 aparelho de registo de voo fornece uma cravação dos movimentos dos instrumentos principais. Estes aparelhos de registo estão insta lados na cauda do avião — a zona de maior probabilidade de sobrevivência à queda . recuperados tinham estado sentados e es tabeleceram os padrões de diferentes tipos de ferimentos. No entanto. en quanto outras se mantiveram intactas. a partir de barcos de recuperação trabalhando à superfície. os destro ços apresentavam sinais bastantes para a tornarem plausível. Funcionam em fita continua. desintegrando se quase completamente. ouviu-se um grande estampido na parte de trás da cabina. este sistema tem um ponto fraco: se com a queda o gravador não parar. quatro lugares no centro do aparelho. Foi localizado pelo emprego de equipamento de sonar e mini submarinos. o que apoiou a teoria de que 0 avião explodira no ar. Apenas A dos 528 passageiros se salvaram. quase à mesma hora em que ocorria o desastre do avião da Air índia. na Irlanda. A recolha e exame dos corpos orientados por peritos médicos podem determinar a altura e a causa da morte e contribuir assim para descobrir a origem do desastre. Os aparelhos de registo de vozes do cockpil gravam as conversas e outros sons da tripulação.) sobre o Atlântico Nor le. 100 . em que mais de 800 pessoas morreram em dois desastres com Jambos Boeing 7-17. Ambas as inalas foram identificadas como pertencentes a um mesmo homem de Vancouver. pelo que. estejam numa montanha ou no fundo do mar. mas ficou provado que esta ideia não linha fundamento. na qual a parte de trás do avião raspara na pista O exame dos destroços revelou que os mecânicos que procederam à reparação tinham deixado um pequeno espaço entre as chapas de reforço de uma junção rebita da num dos tabiques divisórios.numa caixa de paredes duplas de aço inoxidável. Os 32!) ocupantes morreram. Outro indicativo surgiu quando investi gadores canadianos descobriram que na carga figurava urna mala de um passageiro indiano que não embarcara Um conjunto de circunstâncias seme Ihanles rodeou a explosão de uma mala no Aeroporto de Narita. via Londres. depois de uma má aterragem em Osaka em 1978. Quando esta é passada. em Fevereiro de 1982. de pressão ou de explosão. Como consequência os cabos de controle hidráulico tinham rebentado.que regista em fita gravada OS sons no interior do cockpit foi posto a funcionar. seguido pela falha completa de todos os instrumentos. As informações são registadas sob a forma de impulsos electrónicos numa fita. Os assentos estavam queimados por baixo e a porta de carga de vante parecia ter sido atirada para fora. procedeu te de Vancouver. que dura 30 minutos. A gravação das conversas entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo revelou-se de pouco valor. em Tóquio. permitindo a passagem de ar da cabina para o sector da cauda. Os primeiros e mais importantes destroços a serem recuperados foram o aparelho de registo de voo e o gravador de vozes do cockpit (cabina de pilotagem). 0 ano mais fatídico em desastres de aviação foi o de 1985. O primeiro acidente deu-se com um 747 da Air índia que se dirigia a Deli. o que pode revelar a sequência da queda. Washington DC. pareceu aos investigadores terem ouvido c> som de uma explosão gravado no último milissegiindo de fita antes da desintegra çâo do avião. O gravador de vozes do cockpil (ã direita) registou as conversas da tripulação durante o ooo. um 747 das Linhas Aéreas Japonesas que voava entre Tóquio e Osaka despe nhou se contra o monte Osutaka. A tripulação lutou durante 32 minutos para manter o avião no ar. a oeste de Shannon. Mas a história do avião mostrou que este fora reparado pelos fabricantes. dando uma imagem mais realista. apagando a parte vital da informação. os princípios da investigação são os mesmos. a Boeing. em qualquer altura. apenas estão gravados os últimos 30 minutos. são habitualmente cor de laranja ou vermelhos para serem vistos mais facilmente. este continuará a funcionar. Bomba terrorista Quando o gravador de vozes da cabina . fornece um gráfico computorizado dos movimentos do avião. até que este se despenhou. juntos. Estes aparelhos são frequentemente apelidados de "caixas negras" mas. como os indicadores de velocidade e de altitude e as posições dos lemes e dos aHerons. Os investigadores de acidentes aéreos dirigem se ao local.derem tirar lições que evitem futuras tragedias. Alguns minutos depois de levantar voo. A maior parte encontrava-se no fundo do mar. Os primeiros passos incluem a recuperação dos destro ços. na realidade.

Ideias práticas e soluções engenhosas Fotografar uma bala em movimento. . converter o vento em energia eléctrica e transformar fibras em linha de coser — o homem descobre a resposta a numerosos problemas fascinantes.

O primeiro passo na obtenção do metal puro é separar o minério da terra e das pedras que com ele são escavadas.Como se obtêm os metais puros São poucos os melais que emergem da terra perfeitos e brilhantes. este líquido contém Ferro. carbono e outros elementos e formando minérios que. deve o nome à sua semelhança com sangue seco. . Caria metal exige o seu processo próprio. Às vezes. pouco diferem de rochas ou terra. uma pepita de ouro puro pesando quase 70 kg. foi encontrada em Vitória. Mas outros metais aparecem sob disfarces pouco vistosos. A hematite. um minério de ferro. As companhias mineiras de chumbo e cobre juntam os minérios a uni líquido sobre o qual se formou espuma por meio de borbulhamento por ar. des cobrem-se pepitas de ouro: em 1869. na Austrália. enxofre. combinados com oxigénio. no seu aspecto.

que dissolve o ouro. possui demasiado carbono para a maioria das utilizações. Para extrair o metal puro do minério. A maior dificuldade reside no ponto de fusão extremamente alto do óxido de alumínio — mais de 2000°C. o qual por sua vez se liberta. Os átomos de oxigénio desprendem-se do ferro e juntam-se ao carbono. Granulação d Gotas de ouro derretido são lançadas em águt fria (em cima). porque o metal. o ferro. A solução já contendo o ouro é filtrada para remoção das impurezas não dissolvidas. ao aquecer minérios num fogo de carvão. e o ouro é finalmente separado por precipitação. O processo utilizado é a electrólise. do corno -^ ^ • k * ! depósito o ^il. O minério. encontram-se ern oeios de De minério a ferro. Actualmente. O ferro assim produzido. 103 . No processo de fusão. triturado. para o qiie utilizavam bateias (espécie de pratos grandes). obtinha uma massa esponjosa que podia martelar para fabricar utensílios. 0 minério de ferro é constituído por óxido de ferro. 0 homem primitivo descobriu que. O ouro ocorre frequentemente sob a forma de escamas ou pequenos grãos no leito dos rios. O minério é transfor mado em ferro num alto-forno. Embora seja de todos o metal mais abundante. Os materiais valiosos são transportados pela espuma para serem recolhidos e secos. deixando depositado o ouro. mas ferro líquido que podia ser vazado em moldes.ainda um produto químico que se designa por colector e que faz com que as partículas minerais adiram à superfície das bolhas de ar. que baixa o ponto de fusão para 1000°C. onde reage com coque e calcário a uma temperatura de I600"C. em vez do carvão de madeira. foi utilizado o mesmo método para a produção de um metal más útil. deixan- Ouro. em tamanho natural) podem ser pesados com precisão quando adquiridos por um joalheiro. descobriu-se que o emprego de fornalhas com foles para insuflar o ar aumentava a temperatura do fogo. pelo que tem de ser convertido em aço pela remoção do carbono. Os depósitos de ouro. sendo menos densas. comparados com os 1600"C do ferro. A gusa (ferro fundido) é vazada em lingotes (em cima). enquanto o restante material se depo•. o óxido de ferro reage com o carbono obtido pela conversão da madeira em carvão. A versão moderna deste processo utiliza o co que. O problema resolve-se misturando o óxido de alumínio com um fundente. se encontra combinado com oxigénio. Na época medieval. utiliza-se muitas vezes o calor num processo de fusão. Os pesquisadores extraíam-no por uma operação puramente mecânica. mais tarde. mais denso. que. o que vai retirar o oxigénio e deixar um depósito de alumínio líquido. chamados filões. eram levadas pelas águas. usa-se um produto químico. Uma tonelada de minério produz cerca de 10 g de ouro. conseguiam separar as escamas de ouro das areias. 0 alumínio ocorre em combinação com o oxigénio no minério bauxite.T' ' ferro. é misturado com uma solução de cianeto de potássio. produzindo um gás. a gusa. 0 problema consiste em separar as diminutas quantidades de metal da massa de matérias inúteis (ganga). no estado natural. Os grãc que então se formam (à direita. obtendo-se não um pedaço informe de metal. 0 cobre era fundido por este processo no antigo Egipto e.* sita no fundo. O aço é a forma mais importante do ferro. neste caso um mineral chamado criolite (fluoreto duplo de sódio e alumínio). apenas começou a ser produzido em quantidades significativas no final do sé culo xix. Mergulhando as bateias no rio e agitando as em seguida. óxido de carbono. como fonte de carbono e tem lugar em enormes altos-fomos com capacidade para produzir diariamente milhares de toneladas de ferro. por requerer grande quantidade de energia para ser separado do oxigénio. Faz-se passar uma corrente eléctrica por um banho de óxido de alumínio fundido.

As janelas dos automóveis dos diplomatas podem ser feitas de vidro reforçado com folhas de plástico endurecido. Jactos de chama sáo projecta dos dus paredes do forno. porque c duro. vermelhos. pequenos glóbulos transparentes brilhando como jóias. FABRICO DE VIDRO NUM BANHO DE ESTANHO FUNDIDO Tremonha de . o vidro pode começar a cristalizar. Os grãos semitransparentes — e não pretos. mas as ligações entre cadeias sáo fracas. sob a forma de quartzo — sílica cristalizada —. submetidas a uma força suficiente.é um material amorfo muito transparente. é utilizado em peças de ir ao forno. Fornos de fusáo. Por arrefecimento lento ou tratamento térmico posterior. mantém uma estrutura desordenada. é combinada com estilhaços de oidro c sulfato de sódio impuro para ser aquecida no forno. A mistura contém sempre vi- VIDRO DURO . que. Vidros de ir ao forno e cristal de chumbo Outros materiais podem ser adicionados para dar cor ou melhorar a qualidade do vidro acabado. A sílica pura tem um ponto de fusão Ião elevado que o fogo de uma fogueira vulgar não a converte em vidro. e o plástico evita os estilhaços. é o mais abun dante de todos os minerais da Terra. A incorporação de óxido de chumbo produz um vidro pesado e brilhante o cristal de chumbo. As mate rias primas são fundidas ern fornos enormes. sobre a areia. Por isso. a areia é a principal fonte de sílica. tornando se translúcido._ Tremonha da frita estilhaços de vidro Vidro por flutuação. para fundir os ingredientes. baixando o ponto de fusão da sílica. coinbinam-se cal e soda com a sílica para produzir o vidro utilizado no fabrico de garrafas. Actualmente. Geralmente transparente ou de cor branco•leitosa. E como todas as praias do Mundo foram formadas por rochas que o mar desfez em minúsculas partículas. e por isso dura mais. vidraças e copos baratos. como que a do líquido congelada . nalguma praia do Médio Oriente. A soda actua corno fundente. que atinge a temperatura de I590"C. os pri meíros vidreiros do Médio Oriente devem ter feito a sua fogueira sobre areia impreg nada de soda (carbonato de sódio) deixa da pela evaporação da água de um lago ou do mar. o que torna os plásticos flexíveis. ama relos ou de outra cor bem definida — são grãos de quartzo. resistente a aquecimento ou arrefecimento súbitos. que. de um branco leitoso. Estas são enormes cadeias flexíveis constituídas por milhões de átomos. Quando arrefece c solidifica. insolúvel e não se decompõe. Os plásticos transparentes são polímeros formados por moléculas muito grandes. A areia contém outros minerais. o vidro não retoma uma estrutura cristalina como a do quartzo.PLÁSTICO MOLE 0 vidro é duro. As ligações entre estes são muito fortes. soda e cal. Vidro à prova de bala.Como se transforma areia em vidro Há 5000 anos. encontra-se em muitas rochas. 104 . examine um punhado de areia. A frita. A janela absorve a energia da bala. se quebram. mistura de areia. Como é que estas curiosidades se transformaram num dos mais importantes materiais do século xx o vidro9 A matéria prima para o fabrico do vi dro é a sílica. porque nele cada átomo está unido aos outros por ligações químicas muito rígidas. mas o quartzo é o seu componente principal. mas frágil. O vidro com 10 a 15% de ácido bórico. Na próxima vez que for à praia. A moderna chapa de vidro obtém se aquecendo os ingredientes em tanques compridos. alguém terá feito uma fogueira e encontrado depois. Os ingredientes. designadamente no granito.

é cortado em chapas e lavado com jactos de água. Depois de arrefecido. O arrefece até 600"C e solidifica. na outra extremidade entram as matérias-primas. São BANHO DE ESTANHO FUNDIDO CÂMARA DE TEMPERATURA CONTROLADA I Elementos de aquecimento Regulador de temperatura Queimador a gás * Rolos de transporte da fita de vidro * T T T/-. Fibras de vidro ligadas com plástico produzem um material resistente e elástico — o plástico reforçado com fibra de vidro. Uma fibra de vidro sem fissuras submetida a tracção longitudinal é cinco vezes mais resistente que o melhor aço. a superfície do vidro fica comprimida. era individualmente soprada por um artesão. Cada peça deste vidro. O vidro fundido escorre sobre a superfície de um .I I l i . O balão de vidro. Como só depois de superada esta compressão o vidro se quebrará. ia se alargando até formar um círculo de 1 a 2 m de diâmetro. ficando com uma superfície mais plana. especialmente destinadas às igrejas. Este processo de fabrico consistia em soprar o vidro por um tubo até formar um grande balão. quando se parte. Este mesmo vidro protege os pilotos de aviões militares contra as balas. temperaturas extremas e impactes de aves em voo. utilizado em cascos de barcos e carroçarias de automóveis. o vidro za em cilindros. Ao arrefecer e contrair-se antes da parte interior. em França. conforme o tamanho do balão inicial e a perícia do artesão. o vidro é aquecido até exactamente abaixo do seu ponto de fusão e depois arrefecido rapidamente com jactos de ar. conhecido como vidro coroa (crown glass). flutuando. Outro tipo de vidro de segurança é uma "sanduíche" de duas placas de vidro unidas por uma folha de plástico. em vez dos estilhaços perigosos do vidro vulgar. Vidro coroa. Mais forte que o aço Pensa-se que o vidro é um material fraco. Além disso. era a menos transparente. Uma pancada pode estilhaçar o vidro. Embora esta última possa ser muito delgada. desintegra se em fragmentos. I I » ^>» _ I Estanho líquido. A medida que avança. Na têmpera. A parte central do disco. 105 . que o operário fazia girar o mais rapidamente possível. o vidro sai do banho. 0 vidro de segurança obtém-se por dois processos: por têmpera e por laminaçáo. desli banho de estanho em fusão. achatado. Este era depois achatado e ligado a uma haste de ferro chamada pontel. Os pára-brisas de avião têm de ser capazes de suportar altas pressões. é resistente. As chapas circulares de vidro redondas e planas eram então cortadas para formar pequenas vidraças. Um soprador de vidro gira urna chapa de vidro num pontel. Um soprador experimentado fazia apenas cerca de 12 vidraças por dia. de forma a manter constante o nível do tanque. o que o torna apropriado para os pára-brisas de automóveis. formados por três ou quatro placas de vidro intercaladas com placas de polivinilo e são capazes de resistir ao choque de uma ave grande com o avião voando até 650 kuVh. Chapas de vidro. mas Fabrico de vidraças à antiga A técnica de fabricação de vidros para janelas foi aperfeiçoada no século xiv na Normandia. de grande espessura e rodeada por estrias circulares. contendo a zona de fixação ao pontel. mas na verdade ele é muito forte.dro partido. mas aproveitava-se dado o seu elevado preço. o vidro temperado suporta melhor a flexão e a percussão. não sol tando os estilhaços. Enquanto a chapa acabada sai de uma das extremidades do tanque. este continua a aderir ao plástico. vidro por flutuação tem espessura uniforme e é liso dos dois lados. que funde a temperatura inferior à dos outros materiais e os ajuda a combinarem-se mais completamente.

perdeu se muila desta subtileza. branqueado. As marcas de água são usadas desde há séculos para identificar os fabricantes de bom papel de carta. 0 antimó A nio. o cobre torna-o vermelho-rubi. A peça que estava a ser usada para espremer a água do papel molhado tinha um pequeno arame saliente. O papel ficou mais delgado no sítio em que o arame penetrou nele. criando uma marca de água decorativa. mas não se tratava de verdadeiro papel. onde se produz papel desde 1260. Lsles espaços podem ser ocupados por átomos de metais que afectam a forma como a luz é transmitida através do vidro. na República de Pádua. leito de pele de vilela. quem. ou em velino. azul. 106 . Cores intensas. Este princípio está na origem de uma das magnificências da catedral medie vai. As variações da espessura do vidro. R em 1282 nasceu a primeira marca deliberada — uma simples cruz. e o manganês. Quase qualquer material fibroso pode ser utilizado no fabrico de papel. Surgiu a ideia de se fazer um desenho completo de arame. o ferro. trapos e refugos de cânhamo. Até então. Tsai Lun. fazendo uma linha que podia ver-se colocando o papel contra a luz. A primeira marca de água apareceu por acaso na fábrica de papel Fabriano. como um monte de lijo los. o vitral. e não alinhados ordenadamente. tratado com uma cola para impedir demasiada absorção de tinta e finalmente prensado em folhas. proporcio nando subtis variações de tonalidade. representando as efígies de chefes de Estado ou de heróis nacionais. Este vitral de urna igre ja em França represento a coroação da Virgem. leito da pele de carneiros ou cabras. A diversidade dos azuis deoe-se às diferenças de espessura das peças de vidro. O papel molhado é prensado por um rolo com um desenho em relevo que produz a marca de água. fabrica do com fibras transformadas em pasta. Finalmente. Como se faz papel a partir das árvores? Foi uni funcionário ligado ã corte imperial chinesa. redes de pesca. O método actual é praticamente o mesmo. realçavam a beleza das janelas. Vidros do tamanho aproximado deste livro eram fabricados em diferentes cores e depois cortados com as formas requeridas. Metais diferentes absorvem luz de diferentes frequências. apesar de forte. púrpura. Para dificultar a falsificação das notas de banco. É triturado com água até ficar em pasta.Vitrais medievais estrutura do vidro. dando ao vidro que os contém uma cor característica. feito com fibras interiores do caule do papiro prensadas e setas. eram montados para formarem janelas completas. o cobalto. a maioria dos documentos fora escrita em pergaminho. amarelo. por volta do ano 105. como os tijolos numa parede. Os antigos egípcios tinham usado o papiro. verde. descobriu o processo de fazer papel. Quando se aperfeiçoaram as técnicas do fabrico de vidro. em Itália. Ts'ai Lun fabricou o seu papel com li bras de amoreira. Também na filatelia as marcas de água tem um papel importante. Até 1850. contém muitos espaços vazios porque os seus átomos estão aglomerados ao acaso. inevitáveis na tecnologia medieval. a matéria prima básica eram AS MARCAS DE AGUA NO PAPEL E NAS NOTAS DE BANCO Chama se marca de água a um sinal feito na própria contextura do papel cujo desenho só é visível em contraluz. usam-se marcas mais complexas. Quando adicionado ao vidro fundido.

são removidas. A madeira é em grande parte constituí da por celulose. como a resina e o pez. finalmente. Papel de jornal. para uma rede em movimento que permite que a água escorra. Uma roda de azenha de madeira acciona as hastes que trituram os Ira pos com a água numa grande celha. um derivado do leite. através de uma ranhura estreita. Este papel de textura áspera utiliza uma pasta de qualidade inferior tratada mecanicamente e amarelece em poucos dias se exposto ao sol. As folhas secas suo atadas em resmas e. As árvores abatidas são partidas em lascas. como as coníferas. O produto é medido e comprimido em tolhas. que produziam um papel excelente. Esta é introduzida em enormes recipientes os digestores ondeé misturada com produtos químicos (habitualmente. Papel «tissue». constituindo a estilha de madeira. Este papel de Qlta qualidade incorpora habitualmente unia parle de pasta de trapos.5 mm de comprimento. v?rib„„c Papel Bond. Fábrica de papel. Esta gravura alemã do século xvu mostra-nos uma fábrica de pu pel da época. 11)7 . Por fim. e a pasta é branqueada e misturada com produtos que lhe dão a cor pretendida ou a tornam mais branca ou com agentes ligantes que unem melhor as fibras. que depois se penduram em uarões de madeira para a secagem. o papel pode ser revestido com uma mistura de pigmentos.r^J *s i^ ást-sas^ JWM®5* % *M> . sulfato de sódio) e sujeita a temperatura e pressão elevadas. As impurezas. A mistura sai então de um grande reservatório. mas que retém a maioria das fibras. formando a pasta de papel. de carbonato de cálcio. É normalmente tratado com caseína. matéria orgânica formada por fibras resistentes com cerca de 2. A fita de pasta é prensada para se extrair mais água e secada ao passar por uma série de rolos aquecidos por vapor. Mas a procura crescia tão rapidamente que era necessária nova matéria prima — e a resposta foi a polpa de madeira. geralmente de arvores de madeira macia. Fibras achatadas e entre teadus sem compactação duo Hw textura macia e a pasta de madeira tratada com resinas vegetais temiam no mais absorvente. As fibras separam-se. os trapos de linho e algodão. caulinos ou dióxido de titânio para lhe melhorar a superfície. transpor ludas em burros até aos tipógrafos.

a empresa Sasol foi a pioneira de um processo de conversão do carvão em petróleo. o único processo é arrancar-lhes a encadernação e tratar as páginas uma a uma para eliminar os ácidos. onde uni tratamento químico ulterior determina o produto final.iMnluiua òittufl min fiujtnr afluir rtbfolmi filii fm. íum qui V >nntailfljratíniulniiifuttnitttl)' uafummrí(f>ulnlii(úiiiiimtciurr: por ano. que formam a base da indústria rios perfumes. A produção anual ultrapassa os II 000 milhões de litros e terá rie subir mais 2000 milhões para satisfazer a prtxjura. UxJ dwonuo with a u l l cima . está já a ficar amurelo. onde o carvão é abundante e de baixo preço. 1 (DUÒJM è CtmO Será o carvão a resposta a uma crise de petróleo? •Í-.. a produção de álcool anidro. 'á voraint qo nlnulii. São estes óleos essenciais naturais. aldeídos e cetonas. ainda em excelente estado. é impraticável para a totalidade dos livros. Mas para os arquivistas e bibliotecários significa que.u mi n m d or btart*hji|»xt pcua of }x* hultond Irart.I Papel que envelhece. Dois anos depois da crise do petróleo de 1973. pelo que é necessário concentrar a mistura por destilação . O carvão em combustão gera energia suficiente para decompor as moléculas de água do vapor em átomos de hidrogénio e de oxigénio.lVproíiunsatonran rçoaounulirathii[irotoa. juntamente com aromas produzidos sinteticamente. Pre sentemente. ceras. O problema está em que eles contêm produtos químicos. Captando a fragrância das flores Os aromas frescos de um jardim no Verão ou as fragrâncias tropicais de uma floresta equatorial são causados por minúsculas gotículas de líquidos oleosos produzidos pelas plantas. óleos. Os reactores podem produzir gasolina. Este é fornecido pelo vapor de água. Contudo. Pii* il. contrariamente ao pergaminho. Este gás tem de ser lavado com metanol para o libertar do enxofre o rie cianetos. Esta última fase. Actualmente. Para a maioria dos leitores. em papel de pasta de madeira. lais como álcoois. Inicialmente. A Bíblia de Gutenberg (à esquerda).^ >q< Bula a nu tt babo tibi çturo bmuitutnn tua: tt juffruí oiú tua tininoa tiw.ir. lodos os livros que se publicaram depois de 1850 poderão estar a autodestruir-se lentamente.«Uo. a produção de álcool no Brasil tem prosperado: mais de 80% dos automóveis vendidos no país consomem álcool puro ou com uma mistura de gasolina. incluindo ácidos do processo de branqueamento. gases de petróleo liquefeitos e outras substâncias químicas. o Bra sil lançou o seu programa rio álcool como reacção à subida dos custos rie importa çáo daquele produto. Mesmo assim. embora esle procedimento possa juslificar-se no caso de algumas primeiras edições valiosas. potencialmente. mas o processo é muito dispendioso.f RT" n »n<l i*J . acendido e submetido durante alguns minutos a um jacto de vapor de água e oxigénio a alta pressão. quer o produto final seja uma aguardente de qualidade ou um combustível para automóveis: o açúcar não refinado é misturado com água e levedura e fermentado em cubas até se transformar num líquido alcoó 108 lico — semelhante ao vinho ou à cerveja. quando se usa milho para produzir álcool.aquecimento rio líquido até à vaporização do álcool e condensação do vapor de forma a extrair o álcool e dei xar a água. impressa no século xv em papel pergaminho fino. e os custos do petróleo importado desceram cerca rie 2000 milhões de dólares Na Africa rio Sul. Converter plantas em gasolina Um dos mais antigos passatempos do homem é produzir bebidas alcoólicas com plantas fermentadas. Para combustível. DMb sn HOTMIIMI. O Departamento de Energia rios EUA verificou que. ao velino ou aos papéis à base de trapos. Uns . Nos EUA. usa-se álcool puro. Hnjtttmbiu ní ftiBlmaiu: i:r quabo iiatcatur inmi> luioipmunebtaiaiuSsA "íumir arítm tn tmut na tiuo: ttati amura qui ranhbuntin ro. porque já leram os livros muito antes de se tornar evidente o seu envelhecimento. TIC •«•mini li mtíirf WptOy.. com o petróleo a esgotar-se e o seu preço a subir. este problema pouco importa. tem de se adicionar hidrogénio ao gás de carvão. alguns fabricantes já estão a produzir papel com uma colagem neutra que lhe prolonga a vida. o álcool à base de milho é também produzido comercialmente e é habitualmente misturado à gasolina normal como antidetonante. O carvão é colocado em grandes recipientes. ao arder. O carvão. Mas. o papel fabricado com pasta de madeira tem uma vida limitada.POR QUE RAZÃO OS LIVROS E DOCUMENTOS ANTIGOS DURAM MAIS QUE OS MODERNOS? VIO intuo • tu: M boftir Qtmii tr. evitando o emprego de produtos que contêm chumbo. Os bibliotecários começam a aperceber-se de que os livros modernos se deterioram rapidamente. Os bibliotecários estão agora a procurar uma forma económica de tratar as suas enormes existências de livros. o processo é o mesmo. Este país utiliza uma matéria-prima de baixo valor comercial que produz em abundância — a cana-de -açúcar. são necessárias 109 unidades de energia para se obterem 100 de combustível. l.-liial io iW u n a íor & niuuta or tn iMS. O hidrogénio assim produzido dá ao gás o equilíbrio correcto entre este elemento e o carbono.*ntmu ngra inaUigur: mibtnuni 4 uioua-ri o mw *^ mutr tuio i muon: (t q írirattn fii tranoiT. produz grandes quantidades de gás rico em hidrogénio e carbono — elementos a partir dos quais se pode produzir petróleo. requer grande quantidade de energia e tem originado críticas no sentido de que a produção de combustível por esta forma pode consumir mais energia do que a que fornece. Não se sabe ao certo porque é que as plantas produzem óleos aromáticos. A descoberta de que podia fabricar-se papel a partir da madeira tornou possível a comercialização maciça de livros e jornais. No entanto. que contém ácidos. Como esle tem aproximadamente o dobro dos átomos de hidrogénio do carvão. O livro de receitas de 1914 (à direita). É depois transferido para reactores. que os corroem. o álcool feito a partir de plantas está a ter uma nova utilização — a de combustível para veículos. O maior produtor mundial de álcool vegetal para combustível é o Brasil.

as gorduras absorvem as essências das flores. O óleo obtido pela sua destilação e usado como ingre dienle em perfumes à base de flores. Flores de alfazema prontas u serem colhidas. contém habitualmente de 2 a 6% de essências dissolvidas em álcool. Em Grasse. o eastórico. Os antigos gregos e romanos faziam unguentos perfumados imergindo flores. e uma "nota de base".em ceras. en sopou com perfume as velas púrpuras da sua barca para o impressionar. Para aumentar a persistência dos perfumes. ainda se emprega para estes óleos delicados o método chamado enfleurage. estes provinham de produtos animais exóticos .O âmbar cinzento. Alguns perfumes chegam a conter 100 essências diferentes. de madeiras ou de couros. O vapor percorre um tubo de vidro arrefecido que provoca a condensação dos óleos. uma arte difícil e delicada Alguns perfumes leni características florais dominadas por aromas como a rosa OU a gardénia Outros são orientais. de ervas ou especiarias. A Bulgária é ainda responsável por 70% da produção mun dial de essência de rosas. dos intestinos do cachalote. As loções para depois de barbear contêm frequentemente aromas de especiarias. uma "nota média". esta é vendida sob uma variedade de fornias. São precisas mais de 2000 pétalas para cada grama do seu precioso óleo. identificada como Maria Madalena por alguns estudiosos. Ui" . que deitou unguentos sobre os pés de Jesus em casa de um fariseu. cenlro perfumeiro da Provença. Lucas conta nos a história de uma mu lher. depois aquecidas com vapor de água para obrigar os óleos voláteis a evaporarem se. no Sul de frança. As substâncias que produzem os aromas podem ser recriadas sinteticamente e os produtos obli dos utilizados nos casos em que um perfume convencional seria demasiado dispen dioso . que os vendem aos exportadores e estes aos perfumistas. contudo. produzindo o que se chama uma pomada. outros podem destinar se a afastar parasitas ou animais daninhos. pois as pétalas têm de ser apanhadas antes da aurora para que mantenham a íragrán cia. porque há certas fragrâncias que se deterioraram com o calor. Certos óleos são produzidos ao ritmo de apenas algumas toneladas por ano. Birmânia e Sri Lanka ou de noz-moscada da Indonésia e das índias Ocidentais. contendo óleos de canela da China. folhas e raízes em óleos gordos. outros. S. Nos vales inferiores dos Balcãs. de uma glândula do castor. Inicialmente. se mantém poderosíssima. Esses unguentos continham quase de certeza nardo. com 10 a 25% de essências também em solução alcoólica. mesmo numa solução de 100 para 1. Uma vez composta determinada fra grância. As essências separam se da gordura pela adição de álcool. Nem todos os perfumes são fabricados por métodos tradicionais. óleo aromático extraído da valcriana-da índia. e ainda hoje se utiliza um processo semelhante. formada pelos ingredientes mais voláteis e que criam 0 efeito imediato. Campos aromáticos. Os perfu mes são mais intensos. ou de toilet te.I poderão atrair os insectos. secreção do gato de-algália. usam-se fixadores. as fio res são colocadas sobre camadas de sebo e banha altamente purificados. mais duradoura e persistente. os fixadores são sintetizados quimicamente. As flores ou as folhas da planta aromática são esmagadas ou cortadas em pequenos pedaços. A destilação nem sempre pode ser usada. de uma glândula do almiscareiro macho. os cultivadores de rosas diri gem-se para os campos ainda de noite. Os óleos são comprados por corretores. desodorizantes do am biente. Deixadas num local fresco e escuro durante um a três dias. o almíscar. que compõem as suas pró prias fragrâncias. Dos muitos milhares de plantas do Mundo. apenas cerca de 200 produzem a diversidade de óleos essenciais utilizados pela indústria de perfumaria. As quantidades assim obtidas da maioria das plantas são mínimas. A água-dc-colónia. Mas a sua fragrância é Ião intensa que. usualmente inferiores a um milésimo de todo o material colhido. Quando Cleópatra saiu a cumprimentar Marco António. Mas todos eles têm três elementos em comum: uma 'nota alta". que modifica a impressão inicial e se destina a dar corpo ao perfume. que lhes extraíam os aromas. ou esficanardo Foram OS Árabes quem primeiro utilizou a técnica da destilação para extrair os óleos essenciais. que forma com aquelas uma solução alcoólica pronta a ser misturada As essências são muitas vezes produzi das em regiões remotas por empresas familiares cujos métodos se mantêm desde há centenas de anos. apenas algumas. o civete. desinfectantes ou champôs. Actualmente.

são penteadas para retirar as fiFardos de algodão. uma mulher conseguia fiar cerca de 500 m de fio de lã. o luso fazia torcer as fibras. processo efectuado mecanicamente pelos descaroçadores. As fibras de linho e de algodão também eram conhecidas no mundo antigo. pela qual as fibras são torcidas em conjunto para for marem o fio. EUA. este trabalho era feito num fuso. Só em 1707 o tecelão inglês James Hargreaves construiu a fiandeira rotativa de oito fusos. Em um dia. nenhuma destas fibras. um processo denominado fiação. e a tecelagem. A primeira roda de fiar . quando a fiação era toda manual. nas lonas e nos oleados. embrulhadas em lençóis de li nho com LÍ00 m de comprimento. contam-sc a juta. São muito mais curtas que as do linho.5 a 20 cm de comprimento. é suficientemente longa para ser transformada em tecido. em que dois fios são entrelaçados em ângulo recto para formar o tecido. Extrai-se abrindo o caule e mergulhando o em água para separar as fibras da matéria resinosa que as aglutina. As máquinas de liar obtêm mecanicamente o mesmo resultado.. j •mu . as máquinas de fiar foram sendo aperfeiçoa das. animais ou vegetais. Kntre outras fibras vegelais.onde a lã era considerada "impura" -. Originariamente. Para transformar em tecido fibras como a lã. C. as fibras têm de ser postas lado a lado e torcidas. Irabalhando-as entre duas superfícies paralelas em movimento dotadas de bicos aguçados. necessitava-se da produção de cinco a oito mulheres para ocupar um tecelão. suspenso das próprias fibras que a ele estavam presas. Em seguida. Como trabalha uma máquina de fiar Os princípios da fiação são hoje exactamente os mesmos que quando o trabalho era processado manualmente.que simplesmente fazia i>irar o fuso — foi introduzida na Europa. há cerca de 7000 anos. As fibras têm de ser retira das da cápsula e separadas das sementes. uma tarefa masculina. •iaáw >* *r * 110 . criando na indústria a possibilidade de produção em massa. provavelmente a partir da índia. Durante a Revolução Industrial. e em 1828 surgiu na América a antepassada de muitas das modernas máquinas de fiar a fiadoura de anéis. o segundo é a tecelagem. C. Como das fibras se produz fio Tal como existem. fabricado da cunnabis e utilizado nos panos de velas. AigtxJao aguardando embarque no Arizona. As fibras são primeiramente "cardadas" — dispôs tas paralelamente entre si —. No Egipto . são precisos dois processos: o primeiro é a fiação. Ao ser gira do entre o polegar e um dos outros dedos. A maioria das fibras de lá mede de 2. utilizada no fabrico de sacas e forros de tapetes. Antes da Revolução Industrial. O homem conseguiu assim a primeira alternativa ao vestuário de peles de animais. O algodão já se usava na índia em 3000 a. o algodão é comprimido em fardos de 180 kg. o linho e o algodão. Depois de colhido. C. e o cânhamo. cada um com mais de 0000 m de fio. a roca. formando fitas achatadas e retorcidas de 0. A fiação era tradicionalmente uma tarefa feminina. pequeno pau com uma extremidade pesada.Como se transformam produtos naturais em tecido A lã foi provavelmente a primeira fibra a ser transformada com êxito em tecido dnran te o Neolítico. que iam sendo retiradas de um outro pau. A fim de produzir um fio utilizável.3 a 0. As fibras têm de 15 cm a 1 m de comprimento. A mais importante rias fibras animais é a lá de ovelha. Uma fiadoura moderna pode chegar a ter 500 fusos. e foram encontrados no Peru tecidos de algodão datando de 2000 a.?•>". nos princípios do século xiv. As fibras de algodão desenvolvem-se nas cápsulas do algodoeiro.5 cm de comprimento. encontraram-se múmias de 3400 a. O linho é uma fibra que se obtém do caule da planta com o mesmo nome.

Os fios da teia correm no sentido do comprimento do pano. têm o corpo revestido por duas espécies de pêlos. é do mesmo tipo que o utilizado por Penélope enquanto aguarda va o regresso de Ulisses. FIBRAS VISTAS AO MICROSCÓPIO FIBRAS ANIMAIS O vestuário de caxemira é macio porque as fibras são arredondadas e lisas. Um casaco impermeável impede que o vestuário se molhe e perca as suas propriedades isolantes. O mohair tem uma textura áspera porque as fibras são espessas e grosseiras. e a trama. Nos teares tradicionais. o fio acabado é enrolado em bobinas. a lançadeira. os fios da teia saem de um cilindro ('"órgão") da largura com que irá ficar o tecido acabado. mas a decoração de um vaso do século vi a. mais compridos e rígidos. FIBRAS VEGETAIS As fibras de lã merino. pelo que uma camada de ar retida nos pêlos conserva o calor do corpo e mantém o animal quente em tem po frio. tem assim de recorrer ao vestuário. em geral. Na ai tura em que morreu o jovem faraó Tutankhamon. Os mamíferos. podem subir-se os olhais alternados. Finalmente. Por baixo destes encontra-se uma camada densa de pêlos macios. Uma fotografia através do microscópio mostra os espaços entre as fibras onde o ar fica retido. e correm. lã e poliéster. mas muitos teares modernos não possuem lançadeira. mais forte e espesso como na lã de tricotar de dois fios ou de três fios. ou jactos de ar ou água. Por simples acção mecânica. depois passam a máquinas providas de cilindros que repuxam as li bras. com cerca de 1. é indispensável um isolamento eficaz que impeça que o ca lor do corpo se escape. no poema de Homero. A Odisseia. utilizando uma vareta semelhante a um florete. tornando o fio mais fino c dando-lhes uma torcedura que as mantém unidas. Depois da sua "passagem" através da leia. o homem imita o comportamento dos animais. este fio é transportado num instrumento em forma de barco. por exemplo. armação de madeira ou metal que torna mais rápido o processo repetitivo de entrelaçar a trama na teia. O ar é mau condutor de calor. Os fios podem lambem ser torcidos em conjunto para produzirem um fio nuílli pio. uma simples sacudidela expele a água dos pêlos exteriores. A estrutura áspera de linho é produzida pelas fibras espessas e grosseiras da planta. tornam se erectos quando o animal eslá assustado ou zangado. Os da camada superior. espessas e menos redondas. alternadamente por cima e por baixo. Depois. Num tear mecânico simples. Os fios de fibras mistas resultam da fiação conjunto cie fibras de diferentes origens. A roupa junto à pele retém ar que se mantém quente pelo calor do corpo. As fibras de juta sáo duras e espessas. A tecelã gem faz-sc num tear. já se fabricavam tecidos muito complexos com padrões de cores diversas. C. o fio da trama é "batido" contra o fio anterior por uma armação chamada "pente". Não restam exemplares de tecidos gregos antigos. 0 algodão apresenta fi bras finas mas de forma irregular. Passam através de um conjunto de arames verticais (liços) que são movidos para baixo e para cima. a teia. como. que retêm o ar junto â pele. Aproveitando as qualidades da lá. seu marido. mas o homem não possui gorduras suficientes e tem poucos pêlos. resistência e faciliciado de lavagem. Os mais rápidos teares industriais ultrapassam largamente as 200 passagens por minuto. produzem tecidos duradouros. formando uma camada térmica em redor desle. no sentido da largura do tecido. para transporte do fio da trama. Os olhais que guiam o fio da leia são agora baixados. a lançadeira é virada ao contrário e faz-se uma segunda passagem através de um novo conjunto de fios. O tear. Os mamíferos possuem pêlos ou camadas de gordura como isoladores do corpo. os pêlos mais compridos formam uma camada impermeável que impede que a pele e os pêlos da camada inferior se molhem e percam as suas propriedades isolantes.5 m de altura. portanto. os da trama são entrelaçados perpendicularmente neles. Cada arame possui a meio um pequeno olhai através do qual passa o fio da teia. ou canelas. no século xiv a. A tecelagem emprega dois conjuntos de fio. Como se produz tecido a partir do fio Os povos primitivos teciam panos exactamente como ainda hoje o taxemos. 0 processo de tecelagem descrito produz um tecido de estrutura tafetá em que COMO E ÇjUE UMA CAMISOLA DE LÃ NOS MANTÉM QUENTES NUM DIA FRIO? Para nos mantermos quentes num clima frio. abrindo um espaço ("cala") através do qual passa o fio da trama. com uma textura muito aberta. ou urdidura. C.bras cúrias. Fio <le lã. a fim de se obter uma combinação mais perfeita de capacidade de aquecimento. Ill . Quando chove ou o animal entra na água. representa fiandeiros e tecelões.

e ainda hoje é o tecido mais precioso por unidade de peso. que descobrisse o que é que andava a comer as suas amoreiras: a imperatriz verificou tratar-se de umas lagartas brancas que teciam uns casulos lustrosos. Cada casulo produz cerca de 1. Deixando cair um destes casulos acidentalmente em água quente. Mulheres escolhem os casulos. Os fios de cores diferentes. O "pêlo" espesso do veludo forma-se aparando os fios da superfície depois de tecidos. Os bichos-da-seda criam se na Trimave DO CASULO ATE AO BORDADO AO MODO TRADICIONAL DA CHINA Selecção dos casulos. Com efeito. o tecido apresenta um brilho característico. causadas por compostos químicos segregados pelos bichos da-seda. nos jardins do imperador lluang Ti. Conseguem-se subtis variações de cores pela alternância da área com a teia ou a trama à superfície. 112 Dobagem do fio. a seda foi vendi da pelo Oriente ao Ocidente. São precisos 110 casulos para fazer uma gravata. Cada casulo é constituído por um único filamento que chega a atingir 1. a descoberta da seda deu se em 2640 a. por exemplo. as amoreiras são cultivadas em arbusto para que as folhas para alimentação dos bichos possam ser facilmente colhidas. Na China.Linho tecido. cada fio da trama passa alternadamente por cima c por baixo dos fios da teia.seda. Bombyx mori. Dobar a seda implica o aquecimento dos casulos já lanados e depois o puxar do fio.inas. No entanto. Outros tipos de estrutura incluem a sarja — utilizada na gabardina e nas sarjas propriamente ditas — e as estruturas com pêlo utilizadas no fabrico de bomba/. . Aqui.5 km de comprimento. Xi Lingshi. a criação do bicho-da-seda. são férvidos até ficarem brancos. retirando os que estiverem danificados. Tinha descoberto o processo de obter a seda. 0 damasco apresenta uma estrutura que é uma variante da estrutura cetim. a estruturo mais simples. processo esse que se manteve um bem guardado segredo chinês durante os 2000 anos seguintes. É uma fibra produzida pelo bicho-da. Segundo a tradição. Diz a lenda que Huang Ti pediu à esposa. peluche e veludos. os tecidos podem ter muitos outros tipos de estrutura: a estrutura cetim. A manufactura da soda tem quatro fa ses: o cultivo das amoreiras. para formar um casulo dentro do qual se transformará em borboleta. Dado que no direito do tecido predominam os chamados fios saltados (os que não foram entrelaçados pelo fio da trama). ela viu que era possível puxar um Ho finíssimo e enrolá-lo cm carrinhos. 030 para uma blusa e 3000 para um quimono. oblóm-se quando a teia c entrelaçada apenas por cada quarto OU quinto fio da trama. mas as folhas da amoreira são as que produzem a seda mais fina. a tafetá. as leis imperiais estabeleceram mesmo que quem quer que revelasse o segredo seria torturado até à morte. Os bichos-da-seda comem as folhas de uma diversidade de árvores —uma espó cie alimenta se de folhas de carvalho — . Seda: fibra fabricada por borboletas Durante milhares de anos.5 km de fio. a obtenção das fibras da seda a partir dos casulos e a tecelagem do pano. C. 0 linho é fiado e depois tecido.

apenas 0. entre cinco e oito. as mulheres que cuidam dos bi chos-da-seda estão proibidas de fumar.Casulos de seda. as lagartas iniciam o fabrico dos casulos.2% da produção total de fibras têxteis. estes constroem casulos gémeos. Os fios de cinco e oito casulos sào torcidos em conjunto para formarem um fio de espessura suficiente. A estrutura de fios múlti pios faz brilhar o tecido. como este. K levado a cabo mergulhando os casulos em água quente. têrn sido substituídos por máquinas. Esta mulher borda um desenho de flores com linha de seda. As duas glândulas seriagenas que têm ao longo do corpo começam então a segregar uma mistura semilíquida que emerge como um fio único formado pelos dois filamentos juntos. Ainda hoje. só assim acontece com alguns dos bichos. Primeiro. constroem lentamente um casulo impermeável que os envolve completamente. de lágrimas. deslocando a cabeça num movimento em forma de oito. frito. Km geral. gostavam de limpeza e detestavam a sujidade. para formar um fio de espessura suficiente. Nem mesmo a respiração interfere com a alimentação. Os o v o s . As meadas de seda sâo tingidas e utilizadas no fabrico de tecidos ou em bordados. Depois. de gritos. Os tradicionais aparelhos de madeira. Quando se juntam dois bichos-da-seda. 113 . do cheiro a peixe Fabrico do fio. na província chinesa de Zhejiang. gostavam de secura e detestavam a humidade. que dará para um quadrado de tecido de seda um pouco menor que esta fotografia. A construção de um casulo demora aproximadamente três dias. Bordado de seda. Para serem produtivos. A produção mundial de seda é cerca de 50 000 t por ano. Na prática. Dizia-se também que não gostavam de barulho. o seu peso aumenta 10 000 vezes. Se não houver qualquer interferência. dobam-se no mesmo aparelho os fios de vários casulos. Neste período de quatro semanas. ra. pintar-se ou comer alho. durante dois meses de actividade intensa. dizia-se que gostavam de calor e detestavam o frio. Fibras de seda. a lagarta lransforma-se em borboleta em cerca de duas semanas. a maioria do trabalho é feita em dobadouras automáticas. \ loje. reflectem a luz. nem de mulheres grávidas ou que tinham acabado de dar à luz. Evitando se que o casulo seja estragado pela borboleta que dele sai. Depois da quarta muda de pele. os restantes são mortos. A seda que deles se retira é chamada dupion. Na China. A sua textura brilhante deve-se às suas fibras triangulares. guardados em lugar fres co desde o ano anterior. que irão dar origem a novos bichos-da-seda. são i n c u b a d o s assim que as amoreiras começam a ler fo lhas. depois do que as lagartas se alimentam continuamente de folhas de amoreira durante um mês. que. durante os quais a lagarta moveu a cabeça cerca de 300 000 vezes. Casulos do bicho-da-seda em tamanho natural. O processo de obtenção deste fio chama-se dobagem. Produzirão cerca de 18 km de fio. segrega um enzima que enfraquece o casulo e emerge para Captando a luz. este é depois enrolado em meadas. Tem "nós" ao longo do fio e é empregada no fabrico de tecidos com variações de lexlura. visto respirarem através de orifícios que têm no corpo. Levam cerca de oito dias a chocar. consegue-se obter um fio contínuo. Esta micro fotografia mos tra Q forma e a proximidade das fibras. procurando a ponta do fio e enrolando-o numa dobadoura. os bichos-da-seda fazem uma fina rede. portanto. os bichos-da-seda têm de ser mimados. pôr os ovos.

que negociavam com a China por mar. As fibras artificiais podem ser combina das com as naturais. e em 29 de Abril de 1937.5 km. que o processo de polimerização era inibi do por gotículas de água contidas no composto. Delaware. Estava-se à volta do ano 550. Em 1931. Mas. obtida de bichos-da-seda que se alimentavam das folhas da ainoreira-branca. até ao Mediterrâneo Oriental. Era cada vez mais cara e difícil de obter. Carothers acreditava que se podia obter um novo material por meio da polimerização (combinação de moléculas pequenas para a formação de novos compostos com moléculas grandes). percorreram o longo caminho de regresso ao Ocidente com os preciosos ovos escondidos nos bastões. apoiando-se em fortes bastões de bambu. O segredo dos monges merecia bem a atenção de Justiniano: eles ofereciam-se para lhe ensinar o processo de fabricar seda à maneira dos Chineses. A sua ideia era criar um polímero com a estrutura da seda e que pudesse ser fabricado em massa. tendo viajado desde a China até Constantinopla (actual Istambul) para o revelar à corte. mas já não sucedia o mesmo com os minúsculos ovos. Afirmavam querer transmitir lhe um segredo valioso. com as suas fibras penugentas e finas. Como se transformam produtos químicos em vestuário Foi em 1935 que o americano Wallace Carothers inventou o nylon. iniciando-se assim uma indústria da seda. evaporando a água. 114 " / . Cerca de 30 g desses ovos bastariam para produzir 36 000 bichos-da-seria. pormenor das malhas. O acrílico. ensinaram os romanos do Oriente a criar os bichos-da-seda. Os monges eram persas que tinham pregado o cristianismo na China durante muitos anos e lá aprendido os segredos da sericicultura. Com a sua estrutura molecular forte mas elástica. Descobriu. Alguns foram reservados para criação. Ao chegarem. Os tecidos artificiais são mais fáceis de produzir em massa que a lã ou o algodão. professor de Química Orgânica. du Pont Nemours and Company. que tornam as meias de nylon macias e elas ricas. Os dois homens voltaram à China e adquiriram uma quantidade de ovos. depois. 20 dias após ler requerido a patente para o seu invento. Carothers pro- (luziu uma fibra muito resistente e elástica. usa-se no fabrico de tecidos felpudos ou de peles sintéticas. no rio Amarelo. suicidou-se. apesar dos esforços destes monges. Carothers sofria de depressão havia muitos anos. os quais foram utilizados no fabrico das primeiras serias finas da Europa. o que alinha as moléculas longas ao comprimento da fibra e dá ao nylon o seu brilho e transparência. as primeiras fibras que produziu ou fundiam a temperaturas baixas ou eram muito fracas. desde Luoyang. Carothers descobriu uma fibra mais fina e mais resistente que a seda. I. Algum deste magnífico tecido era então fabricado na pequena ilha grega de Cós. pelo que os tecidos que não precisam de ser passados a ferro podem mesmo assim parecer naturais. Obtêm-se assim fios resistentes que são transformados em tecido. entrelaçado em 3 milhões de malhas. Os tecidos produzidos com fibras artificiais conseguem já recriar a maioria das propriedades das fibras naturais. formando uma fibra com um quarto da espessura de um cabelo humano. a fim de inventar um novo material sintético.cada par de meias de nylon é feito com um único filamento de nylon com perlo de 6. pois a Rota da Seria atravessava terras devastarias pela guerra. Meias de "nylon". A viagem demorava oito meses. Mas não se comparava com a seda chinesa. e a Europa continua a importar da China uma parte ria sua seda crua. as lagartas da seda preferem ainda as folhas da amoreira-branca chinesa. No entanto. e foram necessários mais quatro anos para aperfei coar o "polímero 66". O nylon pode ser esticado até cerca de cinco vezes o seu comprimento original antes de as moléculas se alinharem e se interligarem resistindo a posteriores distensões. entretanto. a partir de bichos-da-seda selvagens que se alimentavam de folhas de carvalho. Ao chegar à Kuropa. e o imperador Justiniano I era o senhor do Império Romano do Oriente. produziu um composto viscoso com o qual era possível obter uma fibra delgada. Os fabricantes diziam que a nova fibra era "forte como o aço e delicada como uma teia de aranha". O projecto tomou quase II anos e custou 27 milhões de dólares.Como os segredos da seda foram trazidos da China O s dois monges insisliam muito: tinham de ver o imperador. A técnica de produção rias fibras sintéticas tem-se mantido quase inalterada. através da Ásia Central. e o fino jacto solidifica quase instantaneamente. e ainda bem . a seda valia literalmente o seu peso em ouro. Os romanos do Oriente compravam esta seda chinesa a mercadores que a transportavam durante mais de 4800 km ao longo da perigosa Rota da Seda. Nunca soube que a sua descoberta viria a chamar-se nylon e provavelmente nunca sonhou que iniciara uma "revolução dos materiais'*. Faziam agora uma proposta a Justiniano: era impossível manter vivos os bichos-da-seda durante tão longa jornada. Misturando ácido adípico e hexametilenodia mina. A actriz Betty Grable vendeu as suas meias para a campanha destinada a obter fundos para a guerra Em baixo. As meias cie nylon surgiram em 1938 e depressa tiveram enorme procura. fora convidado em 1927 para chefiar um grupo de investigação na K. em Wilmington. As fibras são esticadas. Carothers. o poliéster tem a capj &^Lú de retomar acidade a *\ forma inich sua ^ r o que evita que o vestuário se enrugue. Os polímeros em estado líquido são exlrudidos através de uma fieira. e Justiniano estava a tentar importá-la através dos mercadores etíopes. Justiniano encheu os monges de presentes e prometeu lhes consideráveis recompensas.

Muitos panos com padrões podem ser tecidos em máquinas mais simples.Do líquido ao tecido. Este tecido de algodão moderno foi estampado com um desenho do final do século xix. As fibras de nylon são obtidas forçando o polímero liquido através de orifícios. dava-se um quarto de volta ao bloco. trazendo ao seu lugar o cartão seguinte. Mesmo depois rios inventos do século xviii. utilizando fios de seda de muitas cores e estruturas complicadas para produzir brocados e tapeçarias. Ho Kuang. a inclusão de desenhos na tecelagem exigia habilidade e paciência consideráveis. Shunyu Yen. Depois de cada cartão ser usado na feitura de uma pequena área de desenho. "vinte e quatro rolos de brocado de seda com desenhos de uvas e vinte e cinco rolos de seda fina com um padrão entretecido de flores soltas". destinados a evitar que as tintas se misturassem umas com as outras. Os teares Jacquard ainda hoje se utilizam no fabrico de tecidos luxuosos. Com os teares primitivos. a mulher de um nobre chinês. o tecelão tinha de saber que fios da teia (os que correm ao comprimento do tear) tinham de ser levantados para produzir determinado desenho. Só onde havia furos é que os fios podiam ser apanhados por pequenos ganchos e ser tecidos. Os Chineses foram mestres na arle da tecelagem. 115 . Só no princípio do século xix o tecelão francês Joseph Jacquard descobriu uma maneira de fazer padrões minuciosos sem o auxílio de tecelões especializados. Prendia-se uma série de cartões perfurados a um bloco rotativo por cima do tear. Foram precisos 24 000 cartões para tecer em seda um retrato de Jacquard. tão perfeito que mal se distinguia de um retrato a Tecido estampado. o qual solidifica em fios. Só os fios levantados eram tecidos no desenho quando a lançadeira que transportava a trama (os fios atravessados no tear) era passada de um lado para o outro através da cala. óleo. A ampliação mostra os pequenos espaços entre as diferentes cores. Os clássicos padrões do tweed são ainda tecidos em teares manuais. deu a outra. Os cartões unidos formavam uma longa tira que passava lentamente por sobre o tear. A impressão directa de desenhos nos tecidos teve origem na índia. e as primeiras chitas estampadas foram trazidas para a Como se fazem tecidos com padrões Por volta do ano do nascimento de Cristo.

Este tear usa cartões perfurados para guiar os fios da trama (horizontais).Europa no século xvi. Podem chegar a usar-se 16 cilindros num só pano.mas o levantamento revelou que essa altura média era de 1. Pessoas invulgarmente grandes ou pequenas queixam-se de nunca encontrar nada que lhes sirva. inventado em França no século x/x. transferindo depois a tinta para o tecido. nas grandes empresas de vestuário um molde feito por um desenhador serve de base para um computador produzir uma gama de tamanhos que abranjam as variações normais da população. mas qual quer fibra ou combinação de fibras podem ser tecidas. Como se faz vestuário que sirva a quase todos 0 alfaiate tradicional toma em consideração uns braços compridos ou uma cintura grossa e consegue um falo que se ajusta bem. As peças de tecido são dispostas mecanicamente para que fiquem perfeitamente pia nas. A moderna estamparia têxtil emprega cilindros de metal em que está gravado o desenho. conduzidos pela lançadeira através dos fios da teia (verti cais) estendidos na moldura do tear. Os tecidos de decoração com desenhos complicados são ainda feitos nos teares Jacquard. Do vocábulo indiano tchàll veio o chintz. e têm razão: economicamente. Computadores estudam o plano de corte. A ampliação (à esquerda) mostra as variações na textura e na espessura dos fios. O passo seguinte é utilizar os moldes para cortar o tecido para o vestuário. sendo cada cor aplicada por um cilindro diferente. Centenas de camadas são estendidas umas sobre as outras para se poder cortar um grande número de peças de uma só vez. a disposição dos moldes sobre Tecido Jacquard. no princí pio da década de 50. para as mulheres. Hoje. Alguns tea res Jacquard são controlados electronicamente. palavra que ainda hoje usamos para designar tecidos estampados a que se dá um ligeiro brilho. Em Inglaterra. e a moderna indústria de confecções tem de pro duzír fatos prontos a vestir que sirvam sem grandes alterações à maioria das pessoas. passa por urna estufa de secagem. foram medidas 5000 mulheres com alguns resultados inesperados. Este tecido é fabricado com fio de algodão. recorre -se a sistemas de controle electrónico. 116 . As modernas máquinas podem estampar a 16 cores à velocidade de 180 m de tecido por minuto. de 1. Os cilindros passam por um banho de cor enquanto rodam. Para garantir que cada cilindro ajusta o seu desenho ao desenho anterior.60 rn. e não por cartões. Para tecer este padrão floral. não fazia sentido para os fabricantes produzi rem o número limitado de peças de vestuário que conseguiriam vender.68 m . Mas o vestuário feito por medida tem um preço cada vez mais elevado. As tabelas de tamanhos que existiam baseavam se na altura média. Quando o tecido sai do último cilindro. terão sido precisos cerca de 10 000 cartões. isto é. Um dos primeiros levantamentos das medidas das pessoas foi levado a cabo por ordem do Governo dos FAJÃ durante a 1 Guerra Mundial.

Uma costureira faz. traçar moldes paro todos os ta manhos normais. se transforma em água doce. processo pelo qual se retira o sal à água do mar. E depois conduzi da para uma câmara que se encontra a uma pressão inferior. Um alambique destes com uma área de 1 m^ deverá produzir cerca de 4. para que não ferva. como a abertura de casas. cosem-se as diversas peças cortadas. o tecido. em certas zonas de baixa pluviosidade. Cortadores a laser comandados por computador produzem cortes limpos. a partir de um único desenho. o vapor que se forma não transporta o sal. de modo a haver o mínimo de desperdício. ao condensar-se. o suprimento natural de água é insuficiente. Muitas operações. em visor. torna-se necessário um sistema de destilação muito maior. Utilizam se computadores para. 0 desenho em papel desses moldes é colocado sobre as camadas de tecido prontas para o corte. Corle com "laser". pelo que. Certos artigos não são cosidos da forma tradicional. onde parte da água DOIS PROCESSOS DE CORTAR TECIDO Corte com lâmina. faz um corte limpo muito mais rigoroso que o de qualquer lâmina. As peças de vestuário são então passadas a ferro para se lhes dar a forma adequada e se marcarem os vincos ou as pregas. 0 laser. Pode fazer-se um alambique solar rudimentar colocando uma campânula de vidro sobre uma poça de água salgada.Moldes por computador. são feitas automaticamente. escorrendo até se acumular em canais em redor dos bordos. Cada contorno colorido (à esquerda) representa uma perna de calça de tamanho diferente. A central de dessalinização mais simples é um alambique em que a água é fervida e o vapor condensado. ao ferver-se água salgada. um raio de luz intenso. mas colados a calor.5 1 de água doce por dia. Em seguida. Aristóteles fez notar que. Uma das soluções é a dessalinização. vaporiza se e depois condensa-se no vidro. Os compu tadores ajudam também a planear. em média. A água é aquecida pelo sol. o melhor aproveitamento do tecido (em cima). mas num recipiente sob pressão. 117 . Como se obtém água doce do mar O Mundo encontra-se perante uma crescente escassez de água e. A faca eléctrica de alta velocidade corta camadas de tecidos de três cores para fazer mangas de blusas. C. Para produzir quantidades significativas de água doce. A água é aquecida acima do seu ponto atmosférico de ebulição. 0 corte do tecido é efectuado por lâminas guiadas de cima ou por raios laser comandados por computador. cujas beiras não desfiam. No século iv a. 20 pontos por minuto — a maquinaria moderna pode chegar aos 7000 no mesmo intervalo de tempo.

Das paredes exteriores do tubo escorre água doce.DESSALINIZAÇAO POR SISTEMA DE CAMARÁS MÚLTIPLAS proveniente da central térmica O vapor aquece a água salgada dentro do tubo Água salgada do mar •••• Depósito de água doce Na primeira câmara. mas deste a maior parte é reciclável. A água do mar pode ser transformada em água potável pelo sistema de dessalinização em câmaras múltiplas. Apenas um quinto não é combustível. as quais serão transformadas cm adubos para a agricultura. A água do mar. aprooeilando o calor desperdiçado por uma centrai térmica. A água ferve em cada uma das câmaras. lixo que se transforma em electricidade e calor Os Americanos deitam fora 250 milhões de toneladas de detritos por ano. onde a pressáo é menor e onde parte da água se vaporiza instantaneamente. ria sua maioria. mas têm de ser tratados. Começam por ser peneirados através de uma rede vibratória para separar as partículas orgâ nicas mais pequenas. com uma produção diária de água doce superior a 54 milhões de litros. o que significa que a sua produção só se justifica para beber. Cerca de metade do desperdício do mestiço mundial é papel. Os lixos podem ser queimados nas fábricas em substituição do carvão ou de fuel. Estas membranas formam um tubo no interior do qual se introduz água salgada sob pressão. onde uma nova parte se evapora c condensa. e o vapor produzido acciona geradores eléctricos. queima cerca de 400 000 t de desperdícios por ano. para a indústria ou para sementeiras de alta rendibilidade. Contudo. passa para a segunda câmara. principalmente melais. A combustão dos lixos aquece água. que abriu em 1974. é mais rendível que o do des tilação acima descrito. usando o princípio da chamada osmose inversa. Calcula-se que os lixos da América poderiam gerar tanta energia como 100 milhões de toneladas de carvão. cada uma delas a pressáo sucessivamente inferior. o vapor condensa-se em contacto com o tubo condensador e pinga para uma tina. em Londres. o vapor produzido pela água em ebulição sobe e atravessa um desenevoador que lhe retira todas as goticulas de água salgada. A Central de Edinonton. as componentes mais pesadas do lixo. Em 1988. são enterrados e nunca utilizados. a fábrica economizou 1 milhão de toneladas de carvão. O sistema baseia-se no princípio de que a água feroe a uma temperatura inferior à normal quando o pressão atmosférica for também inferior à que se verifica ao nível do mar. A água dessalinizada é bombeada para um depósito e está pronta a ser bebida. têm de ser 118 . mas não o sal. A seguir. enquanto os restos de cozinha representam um quarto e os plásticos menos de um décimo. Um sistema de dessalinizacão mais moderno. Mas o custo desta água é elevado. Depois. A água salgada quente que não ferveu na primeira câmara passa para uma segunda câmara também com pressão ligeiramente inferior. O processo repete-se em 10 ou mais câmaras. A água aquecida passa através de uma série de câmaras que se encontram a pressão cada vez menor. estavam em laboração mais de 2200 centrais. e o vapor condensase em água doce. produzindo mais vapor. Este é seguidamente condensado por contacto com os tubos adutores da água fria do mar. Em 10 anos. se transforma instantaneamente em vapor. A Europa Ocidental possui mais de 200 centrais de queima de detritos para produção de electricidade. Utiliza membranas de plástico com orifícios minúsculos que deixam passar as moléculas de água. agora ligeiramente mais fria. Uma das maiores centrais de osmose inversa no Mundo foi construída no Barém.

resistência. os detritos libertam metano . que pode ser canalizado com muilo baixo custo e utilizado na produção de calor ou electricidade. cada uma das quais destinada a conferir à garrafa determinadas qualidades — forma. PRODUÇÃO DE BIOGAS NA ÍNDIA No Terceiro Mundo produz-se gás com es (rume e água armazenados em depósitos. cortada em pequenos pedaços e usada para encher almofadas ou isolar sacos-camas. ele. obter-se-ia uma quantidade máxima de gás. Uma mistura de detritos plásticos pode ser reciclada em "paus" plásticos e utilizada em vedações de longa duração. Introduzindo a melhor combinação de bactérias para determinado tipo de detritos. E. O gás metano — chamado biogás — é a principal fonte de combustível pura cozinha em zonas rurais da índia. economizando um total de pelo menos 82õ 0001 de carvão por ano. "semeando" neles certas estirpes de bactérias. como lambem é benéfica para o ambiente: reduz a poluição criada pelos detritos ou pela sua queima e economiza recursos valiosos O plástico é uma das substâncias de mais difícil reciclagem. por exemplo. Uma garrafa de ketchup feita de plástico. é constituída por seis camadas de plásticos diferentes. ficando papéis e têxteis — os quais são prensados sob a forma de cilindros e vendidos como combustível.retiradas. em vez de tentar ajustar-se a sua produção às exigências variáveis de uma fábrica. onde se aproveita o estrume dos gados. Uma tonelada de detritos pode produzir cerca de 230 m3 de metano. dado apresentar-se sob inúmeras formas. por enquanto. Novos bens a partir do lixo A reciclagem dos lixos não só faz sentido do ponto de vista económico. a produção de gás nos depósitos de lixo poderá ser aperfeiçoada. No futuro. Outras instalações utilizam o gás no próprio local para gerar electricidade. não existe nenhuma maneira fácil de transformar uma garrafa velha numa nova. flexibilidade. Há mais de 140 projectos deste tipo em laboração em 15 países.idêntico ao gás natural armazenado cm bolsas sob a crusta terrestre. 19 . todo o gás pode ser utilizado. Assim. Quando começam a decompor-se. Os plásticos só podem ser transformados em produtos de qualidade inferior uma garrafa de plástico poderia ser limpa. Até os lixos despejados na terra podem ser utilizados como fonte de combustível. dado o seu baixo valor como material reutilizável. Lixo para queimar. queimando-o em motores a gás simples. Lixos domésticos são retirados de enormes depósitos em Londres para serem queimados numa centro! termoeléctrica. Queimadores de gás feitos com argila são ligados a um tubo proveniente do depósito. Mas muitos desperdícios de plásticos ainda têm de ser deitados fora.

Cada automóvel que hoje anda na estrada é parcialmente constituído por carros antigos vendidos como sucata e reciclados em novos aços e outros materiais. Nos EUA. Quanto mais valioso o metal — como o ouro e a prata -. No caso do alumínio. us latas são prensadas e enfardadas. Este sistema de recuperação do vidro apoia-se na boa vontade das pessoas. de alumínio. 120 . são fundidas. Muitos países importam desperdício de papel em vez de pasta para as suas fábricas. Seis semanas depois.RECICLAGEM DO OURO DOS COMPUTADORES Reciclagem de latas. a energia utilizada no fabrico rio alumínio diminuiu de um quarto desde o princípio da década de 70. e. Cerca de metade é refundiria depois de usada. Nos EUA. Graças principalmente aos programas de reciclagem. tanto mais compensadora se torna a sua reciclagem. estão de uolta às prateleiras dos supermercados. O Japão fabrica agora metade do aei\ papel por reciclagem. c o seu êxito varia grandemente conforme os países. O vidro partido pode igualmente ser reciclado. O métorio mais sensato consiste em reutilizar as garrafas tantas vezes quanto possível. Muitos países têm hoje normas de depósitos de vasilhame obrigatórios para levar os consumidores a devolverem as garrafas às lojas. no espaço de seis semanas. pois o de cores misturadas só serve para fabricar vidro verde. Com os melais é diferente. vendem-se anualmente mais de 70 000 milhões de bebidas em latas feitas de alumínio. Na primeira fase da reciclagem. está de volta às prateleiras dos supermercados. Por exemplo. Este desperdício é transformado em pasta e em novo papel pelo mesmo processo que a pasta de madeira ou os trapos. e muitos países possuem "vidrões" em que podem ser deitadas as garrafas usadas. O Ouro impuro é refinado e depois novamente vazado em barras. cerca de metade das latas de bebidas. vale a pena recicla lo porque a sua extracção da bauxite consome enormes quantidades de electricidade. O vidro partido pode ser refundido em fornos e facilmente transformado noutros objectos. O vidro deve separar-se conforme as cores. os Suíços e os Holandeses recuperam 50% do seu vidro. calculou-se que em dois anos se teriam poupado 50 milhões de dólares em despesas de recolha de lixos e cerca de 75 milhões em custos de energia. Quando uma lei destas foi promulgada no estado de Nova Iorque em 1983. cheias e com novas etiquetas. Metade dos lixos do Mundo é papel. Também vale a pena recuperar o vidro.

É utilizado na investigação de substâncias artifi ciais que poderão fornecer mais energia que o urânio. E este o princípio das centrais nucleares. Os restantes sáo quase todos de urânio-238. O coração do átomo-o núcleo — necessita apetias de um minúsculo "empurrão" para que se dê a sua divisão — a chamada cisão ou fissão nuclear. começam a acumular-se subprodutos . EUA. chamadas isótopos. Mas é também o elemento mais venenoso Electricidade a partir do urânio Uma pequena mancheia de urânio fornece tanta energia eléctrica como 70 l de carvão ou 390 barris de petróleo. além dos dois núcleos formados. ao colidirem com o núcleo. e cada um dos seus átomos "balouça" à beira da instabilidade. 121 . Antes de estes se acumularem demasiado e de a água corroer as varetas. liberta uma enorme quantidade de energia. porque. uma é o urânio-235. de forma controlada. o levam a dividir-se. 0 urânio é um dos elementos mais densos.chamada reacção em cadeia. O combustível usado é levado para uma instalação especial onde é reproecssado. possa prosseguir quase indefinidamente até à exaustão dos átomos cindíveis. O plutónio pode ser usado como combustível em centrais de produção de energia. que permite que o processo de desintegração do urânio. Apenas sete de cada 1000 átomos de urânio que ocorrem na Natureza são de U-235. E quando um núcleo se divide. cujo nome se deve às 235 partículas (protões e neutrões) que compõem o seu núcleo. Estes são altamente radioactivos. Este reactor de água pressurizada em Biblis. que podem. 0 "empurrão" pode ser dado por neutrões. não se cinde com tanla facilida- Centrai de energia nuclear. Elemento de combustível a ser retirado da água no reactor de alto fluxo para produção de radioisótopos em Ouk Ridge. Quando o U-238 é bombardeado por neutrões.gases como o crípton. e assim sucessivamente — é a Reactor experimental. não podendo ser dispersos no ambiente. um elemento de combustível pode aí permanecer até três anos. os elementos de combustível sáo retirados. Elementos de combustível Os elementos de combustível — os componentes essenciais do núcleo de um reactor — sáo constituídos por pequenas pas tilhas de dióxido de urânio carregadas em varelas. Contudo. uma vez iniciado. mas cujos áto mos possuem núcleos com massas diferentes. provocar a cisão de novos núcleos de urânio. Destas formas diversas. sob pena de envenenamento maciço da biosfera. como o urânio. num reactor nuclear e ser utilizada para aquecer água cujo vapor acciona um gerador que produz electricidade. cada um com cerca de metade da massa do núcleo inicial. por sua vez. a fim de ser recuperado o urânio não "queimado" e o plutónio por separação química dos outros produtos residuais. O urânio ocorre sob diversas formas quimicamente idênticas. o estrôncio e o plutónio. os seus núcleos podem cindir-se e libertar energia. conhecido e o componente mais usado no fabrico de bombas nucleares. Uma vez colocado no reactor. No processo da cisão. liber tam-se novos neutroes. sem que seja consumido todo o urânio. agrupadas em feixes verticais sustentados por uma grelha. Tennessee. minúsculas partículas muito mono res que o átomo e que. sólidos como o césio. Alemanha. fornece electricidade às indústrias do vale do Reno. A energia da cisão nuclear pode ser libertada lentamente.

boro e outros ingredientes utilizados no fabrico de vidro. Alguns são modera dos por água (que evidentemente contém hidrogénio). a pressão mais baixa. produzindo vapor que vai accionar geradores que produzem electricidade. Um tipo importante de reactores. no entanto. mais pesado. A segunda forma é aproveitar da melhor maneira os neutrões disponíveis no interior do reactor.PRODUÇÃO DE ELECTRICIDADE NUM REACTOR DE AGUA PRESSURIZADA i Os reactores de água pressurizada são os que existem em maior número no Mundo. Os elementos leves actuam como "moderadores" a sua função é moderar a velocidade dos neutrões. formando cilindros de vidro que serão enterrados a grande profundidade. Alguns reactores usam água pura simultaneamente como moderador e refrigerante. diminuindo-lhes a velocidade. estes depósitos constituem uma solução provisória. despejados numa câmara vertical e aquecidos a 1500°G Emerge então do fundo uma corrente de vidro fundido. A água pesada na qual o hidrogénio normal é substituído por um isótopo mais pesado. enquanto a França utiliza sódio líquido como refrigerante nos seus reprodutores. O reactor é refrigerado a água a alia prés suo. A água passa por um permutador de calor. que será vazada em recipientes de aço inoxidável. mas pode ser convertido num elemento completamente novo. o volume de resíduos nucleares de alta actividade é reduzido. o gás junto às paredes acumula U-238. destruindo o reactor. Para que o líquido não entre em ebulição. o reactor nunca funcionará. Neste circuito. Armazenagem de resíduos nucleares A água pressurizada é aquecida no reactor e provoca a ebulição da água não pressurizada no gerador de vapor de como o U 235. o perigo é haver uma absorção exagerada de neutrões pelo U-238 antes de estes atingirem o U-235 e provocarem a reacção em cadeia. aumentar a fracção de U-235 no combustí vel do reactor de 7 para . Há duas formas de contornar o problema: uma é "enriquecer" o urânio. isto é. A maioria dos reactores modernos utili za simultaneamente combustível enriquecido e moderadores. se um reactor é concebido para utilizar urânio natural.30-40 átomos em cada 1000. Mas a maior parte é mergulhada em tanques especiais junto às instalações nucleares dentro das próprias varetas usadas e com as suas bainhas originais. onde fornece calor a um segundo circuito de água. o deulério — é usada cm reactores-reprodulores canadianos. enquanto o volume central se enriquece em U-235. Mas esta solução não é válida a longo prazo. Felizmente. Se esle for insuficiente. As reacções de cisão no núcleo de um reactor produzem grande quantidade de energia. a água ferve. O processo de desacelerar os neutrões consiste em fazê-los ricochetear em átomos leves de um elemento como o hidrogénio ou o carbono. utiliza este processo desde 1978. por absorção de um neutrão. o que lhes aumenta a probabilidade de provocarem cisões. enquanto outros são moderados por carbono sob a forma de grafite o material que constitui o bico dos lápis vulgares. Uma central de 1000 MW produz resíduos que encherão 122 . Uma central típica que produza 1000 MW de electricidade origina cerca de 2 m-1 de resíduos por ano. A melhor solução neste momento é fundir os resíduos. não moderados. O processo mais usado actualmente para este enriquecimento usa o princípio da centrifugação: o urânio. Utilizados há 40 anos. produzindo de facto mais combustível cindível do que o que gastam . não usa moderador.daí o nome de reprodutores por que são conhecidos. que por isso não ferve apesar de aquecida muito acima de 10O"C. á introduzido em tambores que giram a altíssima velocidade. Por isso. bombeia-se água fria através de serpentinas no interior dos tanques. Os resíduos altamente radioactivos são letais e mantêm-se perigosos durante milhares de anos. Uma instalação em Marcoule. Os lixos armazenados no estado líquido em depósitos de aço geram calor à medida que os átomos radioactivos se desintegram. que tem de ser retirada e transportada por um alto fluxo de refrigerante. Alguns resíduos tratados são guardados em depósitos de aço inoxidável de paredes duplas envolvidas por um revestimento de betão com 1 m de espessura. Nesse caso. o plutónio-239. que não só mantêm a reacção em cadeia como transformam com grande eficiência U-238 em plutónio. a temperatura do núcleo pode elevar-se. Os lixos radioactivos são secados e reduzidos a um resíduo sólido por aquecimento dentro de um tambor rotativo. São depois misturados com sílica. na França. provocando uma fuga radioactiva. sob a forma de um composto gasoso. pois são os neutrões rápidos.

Os resíduos radio aaiixis de alta actividade podem ser u Uri ficados e armazenados em contentores de aço inoxidável cujas tampas são soldadas. a água passa pelas turbinas. as tampas são soldadas. as comportas são fechadas e bombeia-se água do mar para o estuário. Uma vez descargada a água para o mar através das turbinas. tem a maior amplitude rie marés do Mundo. Na preia-mar. A quantidade de electricidade produzida depende da "queda" de água — a diferença entre os níveis da água a montante e a jusante das turbinas. Os especialistas pensam que. quando o mar volta a baixar. Na maré cheia. Os resíduos estarão seguros enquanto forem controlados. mandado construir em 1403 por Nuno Alvares Pereira. a costa da Europa encon trava-se semeada de moinhos de marés. Quando a maré volta a encher. mas a água bombeada gera bastante mais energia do que a consumiria pelas bombas. Construiu-se uma barragem no es tuário do rio Rance. dado o enorme custo da cons tmçáo das barragens e a escassez de locais adequados. se as cavernas estiverem bem situarias e à profundidade suficiente . em St. Depois de solidificado. na Bretanha. Cada contentor produz 1. Vazamento dos resíduos. e a única forma de a água se escoar com a vazante era accionando urna roda de pás. com 24 turbinas que podiam funcionar tanto na enchente como na vazante. em covas ou valas e cober los com betão ou uma argila. A dificuldade consiste em encontrar locais cujos habitantes concordem em armazenar resíduos nucleares.5 m enlre a altura da água de um lado e do outro. Uma das propostas prevê rodear os contentores com um invólucro de ferro ou cobre fundido e armazená-los em cavernas subterrâneas. a amplitude da maré foi aumentada. tomando o nível deste artificialmente baixo. o vidro é cotocodo num contentor Como as marés podem produzir electricidade No século xviii. que absorve os materiais radioactivos. a bentonite. Os resíduos ficariam isolados por detrás de tantas barreiras que não seria possível a sua fuga dentro de qualquer período de tempo significativo. Maio. Em 1984. Os recipientes devem durar pelo menos 1000 anos antes de serem corroídos e deixarem escapar radioactividade. ao subir. Vidro fundido contendo lixos nucleares é vazado de um cadinho de platina para um molde de aço inoxidável a uma temperatura de cerca de 590" C. as pás das turbinas são invertidas e a água volta a produzir electricidade.5 kW de calor e é refrigerado a ar. existem ainda vários moinhos de maré. As cavernas poderiam ser se ladas e esquecidas. accionando-as e gerando electricidade. para que nenhuma civilização futura.a diversas centenas de metros demoraria 1 milhão de anos até que algum material conseguisse infiltrar-se até à superfície. na Nova Escócia. maior a pressão da água. A bombagem consome electricidade. 15 destes tambores por ano. O projecto de La Rance tem tido poucos seguidores. esta terá baixado para um nível próximo do minério de urânio original. Quando a maré enche. deixa-se a água subir junto da barragem até haver uma di ferença de 1. o de Corroios. Após 500 anos. no estuário do Tejo. passava por comportas abertas e entrava num reservatório — a "caldeira". Em Portugal. nos quais a água. Quanto maior a queda. ao extrair esses minerais. Depois de o vidro solidificar. 123 . que assim acciona as turbinas com mais força. mas seria conveniente e desejável que pudessem ser guardados em locais que deixassem de exigir a intervenção do homem. foi construída uma cenlral-piloto numa reentrância dessa baía em Annapolis Royal. bombeia-se ainda mais água para fora do estuário. Este princípio foi também utilizado numa central eléctrica construída em França. Quando a maré começa a descer. As zonas escolhidas para os "despejos" nào deveriam conter minerais valiosos. as pás das turbinas são novamente invertidas. um dos quais. viesse a "tropeçar" nos resíduos. produziria 10 vezes mais electricidade rio que a capacidade de consumo local. Depois. O nível da água deste fica acima da marca da preia-mar e. fornecendo assim força motriz. a água entra no estuário e o ciclo reinicia-se. e nessa altura já praticamenle todo o lixo radioactivo se teria desintegrado. Os contentores são guardados em "poços" especiais num edifício vizinho em Mar coule. podendo atingir 18 m de diferença entre os níveis da preia-mar e da baixa-mar. Se a energia das marés em toda a extensão ria baia pudesse ser aproveitada.Resíduos vitrificados. se mantém em funcionamento. A baía de Fundy. as comportas eram fechadas.

seja directamente a favor. Mais importante ainda. o rotor está montado sobre uma plataforma giratória comandada por um motor eléctrico ligado a senso res que determinam a orientação. Por esta razão. Se duplicarmos o comprimento destas. E melhor conseguir-se urna produção uniforme com um largo espectro de condições do vento do que aproveitarem-se as poucas rajadas verdadeira mente fortes. Em geral. de forma a não haver uma acelera ção exagerada. Este problema da direcção do vento pode ser completamente evitado se as pás Quinta eólica.se esta for duas vezes maior. a potência quadruplica. 0 vento laz rodar todo o conjunto. Em 1988. Turbinas Darreius. Parecem-se mais com hélices gigan les com duas ou três pás . Contudo. o vento é mais forte à medida que a altura aumenta. Um estudo recentemente feito para a Comunidade Económica Europeia concluiu que existem locais suficientes na Europa para cerca de 400 000 grandes geradores . A dimensão das pás e a altura da torre determinam a quantidade de electricidade que a máquina é capaz de produzir. seja directamente contra o vento. Francisco. pois a potência que se pode obter aumenta com o cubo dessa velocidade .Como se obtém electricidade do vento O potencial de utilização do vento para produzir electricidade é enorme. Acima da força 10. Os rotores fazem girar um veio que acciona um gerador eléctrico. 124 . Esta e uma Quinta eólica perto de S.o bastante para suprir o triplo das actuais necessidades do continente. Na sua maioria. Os modernos geradores eólicos são muito diferentes dos antigos moinhos de vento. Estas máquinas têm lâminas em forma de arco ligadas a uma hQSte. A maioria das máquinas destina-se a operar a velocidades do vento entre a força 3 e a força 10 da escala de Beaufort — de 20 a um pouco menos de 100 km/h. Os geradores eólicos têm de estar orientados na direcção correcta. é a velocidade do vento. estas máquinas estão previstas para produzirem uma potência eléctrica quase constante ao longo de toda a sua zona de trabalho. as máquinas fecham-se automaticamente para evitar serem destruídas. os geradores eólicos não precisam de temporais. a Culifomiu possuiu Ib 000 turbinas eólicas. com as pás "fechando" automaticamente se o vento aumenta.os rotores — montadas no topo de altas torres de aço ou belão. a potência obtida é oito vezes maior. e a potência que é obtida é proporcional à área percorrida pelas pás.

rodeado por uma bobina fixa no interior do gerador. haveria os problemas da fixação e da transmissão da energia para terra. e. nas Filipinas.para arrancarem. o magneto provoca a passagem de uma corrente eléctrica através do fio da bobina. alternadamente fixas e móveis. onde o vapor se escapava do solo a temperaturas entre 140 e 260°C. também nesta ilha. Estas máquinas verticais. na Islândia. Reacções nucleares de decomposição de materiais radioactivos mantêm a 4000°C o núcleo em fusão. acciona um gerador. forem montadas num eixo vertical e não horizontal: neste caso. duas zonas de boas potencialidades geotérmicas são as ilhas vulcânicas dos Açores e a região transmontana de Chaves. Outra forma de aproveitar a energia geotérmica. Miguel. o que diminuiu em mais de três quartos os custos da electricidade produzida pelos motores a diesel.manual ou eléctrico . não apreciam ver geradores eólicos semeados no topo de cada colina. Instalaram um pequeno gerador eólico no princípio dos anos 80. Banhistas diuertem-se na quente lagoa Azul. Estudos gravimétricos e magnetotelúricos concluem que este campo terá provável mente capacidade para satisfazer as neces sidades energéticas totais da ilha de S. por exemplo. Arrancou já uma grande central eléctrica no Novo México. A primeira central eléctrica geotérmica foi construída em 1904 em Lardcrello. cujas águas provém da Central Geotérmica de Svartsengi. No entanto. Rochas quentes: uma fonte natural de energia Quanto mais nos aproximamos do centro da Terra. na maioria dos casos. Miguel. Nalguns locais. não importa a direcção do vento. nos granitos da Comualha. Ê por causa desta energia geotérmica que a temperatura no fundo de uma mina é alguns graus mais elevada do que à superfície. O rotor fica sujeito a menos esforços do que nos geradores de eixo horizontal. na Califórnia e no México têm sido construídas centrais eléctricas em locais onde o calor da Terra chega naturalmente à superfície. perto de Estrasburgo. a energia geotérmica tem de ser captada por perfuração. géiseres ou vapor de água que se escapa do solo. A hipótese de colocar os geradores no alto mar foi já encarada seriamente. recuperando-a à superfície sob a forma de vapor — que é então usado para accionar turbinas e gerar electricidade. O vapor foi directamente canalizado para turbinas que accionam geradores. Embora as pessoas gostem da ideia desle tipo de energia não poluente. está em execução um projecto conjunto franco-alemão. mais elevada é a temperatura. Nos Açores. Um técnico inspecciona as enormes pás de um dos turbo geradores de 660 MW numa central termoeléctrica do Yorkshire. Ao rodar. ao largo da costa setentrional da Escócia. Os habitantes da Fair Isle. é fácil aproveitá-las para produzir energia eléctrica. estão em curso estudos do aproveitamento de fontes termais artesianas com temperaturas superiores a 70°C. já fazem uso da energia do vento. denominadas turbinas de Darreius. Nestes casos. no Norte de Itália. Um inconveniente é necessitarem frequentemente de um impulso auxiliar . a exploração geotérmica iniciou-se em meados da década de 70. Pensa-se neste caso prioritariamente na sua utilização para o aquecimento de estufas e instalações de secagem. Na extremidade do veio encontra-se um grande magneto. uma central no vulcão de Agua de Pau. ao rodar. as rochas quentes encontram-se bastante perto da superfície. como. A posição e a forma das pás fixas é tal que o vapor sob pressão é dirigido para as pás móveis com a máxima força possível. Nalguns casos. água presente. apenas rochas quentes. que se espera venha a produzir 3 MW de energia eléctrica. produz 500 kW de energia eléctrica. As pás móveis estão montadas num veio que. têm outras vantagens. atingindo temperaturas de 240°C. cujo calor só pode ser utilizado se lhes injectarmos água. na Grã•Bretanha. As turbinas são constituídas por várias rodas de pás. Os pesados geradores que convertem a energia do vento em energia eléctrica podem ser colocados no solo em vez de no cimo de uma torre. foi feito em 1988 um furo com 2 km de profundidade. pode não haver 15 2 . na ilha de S. No campo da lagoa do Fogo. Na Nova Zelândia. Em Portugal. Mas. dando origem a fontes termais. Um dos problemas principais do emprego de geradores eólicos é am biental. Cada vez mais países procuram a energia geotérmica como alternativa aos combustíveis fósseis.COMO AS TURBINAS E OS GERADORES PRODUZEM ENERGIA ELÉCTRICA r ' Turbogerador. Na região transmontana de Chaves.

As velhas cantarias e outros ar na mentos de pedra são corroídos pelo ácido criado pelo dióxi do de enxofre libertado por combustíveis fósseis como o petró leo e o carvão. Chaminés altas enviam a poluição para muito longe. danifica os solos. na Escócia. Nem mesmo o Árctico está livre da poluição atmosférica que origina as chuvas ácidas. De onde provém esta acidez? Não restam dúvidas de que a maior parte provém das actividades do homem — dos auto móveis. O enxofre encontra-se no carvão e no petróleo. Embora os valores em Pillochry fossem excepcionalmente elevados. em 10 de Abril de 197-1. mas a acidez tem aumentado abruptamente nos últimos 200 anos. das fábricas e das centrais termoeléctricas. mais finos. o enxofre e o azoto. Mediu-se o grau de acidez em gelos formados antes da Revolução Industrial e aprisionados nos glaciares e verificou-se que eram apenas moderadamente ácidos. anteriores às chuvas mais ácidas. ela bateu o recorde do Mundo . 126 . que existe UMA DAS CAUSAS DAS CHUVAS ACIDAS E DOIS DOS SEUS EFEITOS A atrofia cio crescimento de um abeto da Floresta Negra revela-se na variação da espessura dos anéis do tronco. regulares e espessos. O azoto. em concordância com as suas origens naturais.não de volume. nos pântanos e do plâncton marítimo. produzindo ácido sulfúrico. A chuva que caiu nesse dia era quase sumo de limão e mais ácida do que vinagre. que se combina com as gotas de água das nuvens. A chuva ácida corrói os edifícios. A chuva torna-se ácida principalmente devido a dois elementos. transforma-se em dióxido de enxofre. Sempre houve alguma acidez na água das chuvas devido à actividade nos vulcões. contrastam com os do centro. mas de acidez. formados nos últimos 20 anos. Ao ser queimado. mata os peixes nos lagos e contribui para a destruição de árvores. em muitas localidades da Europa e América do Norte a chuva que cai é centenas de vezes mais ácida do que deveria ser. produzindo ácido sulfúrico.Como os cientistas descobrem a origem de uma chuva ácida Quando uma chuvada se abateu sobre Pitlochry. Os exteriores. O gás mistura-se com a água.

as florestas são por vezes pulverizadas com cal. 17 2 . nas regiões Um ácido forte torna este papel vermeindustriais lho. detectando com precisão a posição e evolução do "penacho" de gás marcado. reagindo depois com as moléculas da água para formar ácido nítrico. Estas células podem produzir grandes quantidades de energia eléctrica a partir da luz solar. libertando das respectivas chaminés um produto químico. Num dos voos. construído nos EUA. Uma parte destes ácidos cai localmente com as chuvas. continha menos de metade do enxofre e um quarto dos nitratos que ao longo da costa oriental: ao soprar sobre a Inglaterra. Um é Chuva extremamente ácido. nas últimas décadas. como o de tomassol. o efeito que tiveram foi espalhada com menor densidade. partieularmen te na Europa Oriental.3 Laranja Verde 5. Os Chuva normal líquidos altamente alcalinos tornam-no Água destilada púrpura. teve como resultado que regiões como a Escandinávia fossem afectadas pela poluição proveniente de fábricas em países a milhares de quilómetros de distância. Foi mesmo possível marcar as trajectórias da poluição originada cm determinada central térmica. a energia por unidade de área é bastante baixa pelo que qualquer utilização da radiação solar de potência razoável tem de cobrir uma grande área. especialmente das centrais térmicas.3 3. Com um painel de células so lares como fonte de energia. Para descobrirem se parte destas chuvas provinha da Inglaterra.3 4. a fim de neutralizar a acidez do solo e ajudar o crescimento das árvores. cobrindo 4800 km em 20 dias A energia que atinge a Terra sob a forma de luz solar é enormíssima mais de 12 000 vezes o consumo mundial de combustí veis.0 3. Outro problema é a irregularidade do seu fome Aplicação de cal. usa lentes para concentrarem a radiação solar nas células montadas nos cilindros. Os cientistas suecos estimam que 70% do enxofre da atmosfera sobre a Suécia provém da quei ma de combustível e que. Este facto. cientistas britânicos colheram amostras de ar por avião e analisaram-nas. no ar e nos próprios combustíveis. em óxido de azoto. São to dos solúveis em água. captara os poluentes que depois transportava para a Escandinávia. Embora a energia total seja colossal. o hexafluorcto de enxofe. A partir da década de 50. mas em maior área. COMO SE MEDE A ACIDEZ Os ácidos corroem gradualmente e desLIQUIDO troem quase tudo o que tocam. por combustão. transportado pelo ventos dominantes do Atlântico.0 Células fotovoltaicas. o Quiet Achiever atravessou a Austrália em 1984. 7 é neutro e 14 é de Pitlochry muito alcalino (o contrário de ácido). mas a restante pode ser transportada a milhares de quilómetros de distância. Este modelo. aliado ao grande aumento no volume da poluição. tem origem fora da Suécia. HT ^« i^^B l^írujH • Carro solar. Vinagre 0 pH de um líquido é medido por meio de um aparelho especial ou com Chuva papel indicador. Instrumenlos colocados a bordo do avião iam medindo o teor daquele composto na atmosfera. e a sua concentraÁcido sulfúrico ção é medida pelo seu pH (potência em concentrado hidrogénio). Na Europa. no entanto. na maior parte.0 a 5.0 2. começaram a construir-se chaminés com 150 m de altura para afastar a poluição das áreas urbanas.6 7. o que a encarece. COR DO INDICADOR Vermelho Vermelho Rosa Rosa Rosa ÍNDICE DE pH 1.r^^t^^^ÍLSI ^ H pi Captando a luz do Sol 1 1 ^m * TSJÍA Pj 1 li-'''. é transformado. verificou-se que o ar que chegava à costa ocidental da GrãBretanha. Sumo de limáo A escala de pll vai de I a 14. Mas captar e armazenar esta abundante provisão cie energia gratuita é difícil e caro. um líquido neutro lorna-o verde.

Desde 1085. em 1982. sobretudo.foi construída perto de Victorville. Utilizando uma câmara-escura. frequentemente de silício cristalino. a sua purificação e o processamento para se transformar em células fotovoltaicas sào. o que provocaria uma verdadeira revolução. ^u -^ . Urn módulo de células com 1 m2 de área. a luz cria no semicondutor cargas eléctricas que são colectadas pelas grelhas. que é utilizado para accionar geradores de electricidade. data do lançamento do satélite americano Vanguard. Um vasto círculo de espelhos capta os raios do Sol e reflecte-os para urna torre geradora de energia. Porque não se usam então células fotovoltaicas para produção de energia eléctrica em larga escala? Basicamente. situada no centro do círculo (à direita). ^ ^ ii 11 n » \T* v>* . exposto à luz directa do Sol. o diafragma da máquina pode deixar-se aberto e a película é exposta unicamente enquanto dura a faísca. Entretanto. Já em 1851 o pioneiro da fotografia Fox Talbot conseguiu fazer uma fotografia de alta velocidade: prendeu um exemplar do jornal The Times a uma roda. a chuva ácida ou o preço da gasolina. um positivo e o outro negativo. Mais interessante que a geração de energia eléctrica pela via térmica é a sua geração por acção directa da luz solar sobre dispositivos conhecidos pelo nome de células solares foto voltaicas. Embora o silício seja o elemento mais abundante da crusta terrestre depois do oxigénio — é o constituinte básico da areia e da maior parte das rochas — e de baixo preço. 0 calor produz vapor para gerar electricidade. a energia solar fotovoltaica tem-se implantado em áreas em que é já competitiva — satélites. As células fotovoltaicas são constituídas por uma delgada lâmina de semicondutor. Os sistemas domésticos de aquecimento de água à base de energia solar usam colectores (painéis) solares montados nos telhados e voltados para o Sol. do ponto de vista do utilizador. com incalculáveis repercussões em áreas tão diferentes como o efeito de estufa. as asas não passam de uma mancha. Califórnia. Para obtenção de temperaturas muito superiores à da ebulição da água. relativamente ao custo actual. Estes são simples caixas com uma cobertura de vidro ou plástico. Como se tiram fotografias de alta velocidade Para "parar" o bater de uma asa de insecto. sol alto ou baixo levam a enormes variações da quantidade de energia disponível. porque as células são ainda demasiado caras. estações retransmissoras de telecomunicações em zonas isoladas. sem poluição. o que complica a sua aplicação na Torra. sem peças que se gastem e. fê-la girar rapidamente e conseguiu tirar uma fotografia nítida iluminando a roda com uma faísca intensa que durou apenas 1/100 000 de segundo. São precisas exposições 10 ou 20 vezes mais curtas. necessita-se de um tempo de exposição muito menor do que o de uma máquina vulgar: mesmo a 1/1000 de segundo. de um factor de 2 a 4 seria suficiente para tomar competitiva a energia fotovoltaica para produção de energia para a rede. _ ^ <*• . que é suficiente para satisfazer as necessidades de uma pequena cidade. cimento: dia e noite. A primeira central helieléclrica de dimensões significativas — com urna produção de 1 MW . Quando a lâmina é iluminada. funcionando a célula.w^ ^ _^' ->- „„ Espelhos produzem electricidade para 20 000 pessoas. electrificação rural e bombeamento de água e pequenas aplicações. a luz do Sol é concentrada por meio de espelhos dispostos em semicírculo que reflectem a luz em direcção a uma "torre geradora de energia" de betão.IfífiffSM *&+*?*&& 4tA «f<ku f * * * * i *t ^ * * * tt* ^ 'U %A "S>. ao incidir sobre um receptor no cimo da torre. A água aquecida passa para um depósito termicamente bem isolado. com 128 grelhas de contactos eléctricos metálicos que conduzem a dois terminais. .-^ V» ' ^ . dentro das quais uma chapa de metal pintada de negro absorve a radiação solar e aquece a água que circula. quase todas as naves espaciais e todos os satélites usam células solares para obter energia eléctrica. pela técnica actual. céu limpo e encoberto. O esforço de investiga ção nos últimos 20 anos levou a uma melhoria notável das células e a um abai xamento do custo da energia por elas pro duzida de um factor superior a 20. demasiado dispendiosos para serem competitivos. como uma simples pilha. com a altura de 20 andares. estima-se que um abaixamento. produz vapor a alta pressão. A luz concentrada do Sol. produz tipicamente 100 W de energia eléctrica — quase sem manutenção. aquece um fluido que circula numa canalização. Se esse fluido for água. como nos relógios de pulso e nas calculadoras.

por exemplo. Habitualmente. Se algo corre mal. de 24 imagens por segundo. levantando uma coluna de água. Este tipo de fotografia exige uma preparação extremamente cuidada e equipamento muito fiável. um fino raio in fravermelho ou de luz focado sobre uma célula de reacção. As mais rápidas máquinas de filmar actuais fotografam 11 000 imagens por segundo. Neste caso. encontramos a fil A Natureza ao microscópio. conseguiu fotografar o impacte de uma gota de leite caindo numa tigela. florescer e morrer em poucos segundos: fixa-se a máquina fotográfica em posição e programa-se para tirar uma série de fotografias isoladas a intervalos de minutos ou de horas. a tocar a superfície e a mergulhar. o que interrompeu momentânea mente o raio de luz que incidia na objectiva. A película é depois projectada à velocidade normal para cinema. Esta técnica foi iniciada por um americano. com a respectiva bobina a fazer 33 000 rotações por minuto. mas o cenário do estúdio levou horas a construir. bastam velocidades muito menores: para mostrar os batimen- "PARANDO" UM PINGO DE AGUA A fotografia de alia velocidade regista o percurso dos pingos da água caindo sobre a superfície do liquido. numa fracção de segundo a máquina fica encravada e o filme inutilizado. e a sequência pode ficar completamente estragada se qualquer coisa obscurecer o objecto a ser filmado.Captar em filme a Natureza Os fotógrafos da Natureza conseguem captar a língua rapidíssima do camaleão que apanha um insecto ou acompanhar o crescimento de uma planta. a máquina foi disparada por uma célula fotoeléctrica. AMBIENTE NATURAL EM ESTÚDIO Esta fotografia de uma rã levou menos de um segundo a tirar. Harold Edgerton. A dificuldade consiste em fazer disparar o flasli exactamente quando o objecto estiver na posição certa. Pode utilizar-se uma série de flashes avançando o filme nos intervalos. acopla-se uma máquina fotográfica a um microscópio especial. constroem se cenários que parecem naturais (à direita). Corno é di fícil fotografar animais no seu habitat. activada pela rã quando saltou. apresentando a acção milhares de vezes mais rápida do que é na realidade. interrompendo. nos anos 30. A fotografia a intervalos faz com que uma planta pareça nascer do solo. magem de alta velocidade. O produto final é tão natural que é impoSSÍvel descobrir que foi feito em estúdio. Uma sequên cia rápida de flashes conseguiu fotografar o pingo a cair. . Pode levar semanas para se conseguir apenas uma porção boa de filme no último minuto. Muitas vezes. que afrouxa o desenrolar de uma acção rápida demais para os olhos humanos. a solução é fazer o próprio objecto — como a bala que atravessa uma maçã disparar o obturador ou o flash ou ambos. A rã é colocada nu pedra (foto grafia inserida) e fotografada. Para fotografar plantas e animais minúsculos. O filme passa diante da lente a quase 320 km/h. No outro extremo. Usando 10 flashes por segundo e sobrepondo todas as imagens na mesma película. comparadas com as 24 da projecção normal. como este plâncton.

Por exemplo. e não é prático filmá-los na Natureza. Por vezes. que uivem em águas quentes. O plástico degradável tem outros problemas. cerca de um quarto das juntas que seguram as lalas de cerveja nas embalagens de seis são feitas de um plástico chamado ecofyte. para que não se decomponham cedo demais. o que reduz muito a luz que impressiona o filme. frequentemente tirados de madrugada ou ao anoitecer. o que pode representar um inconveniente para o retalhista. têm sido estudadas diversas formas de plástico degradável. mesmo com intensificadores de imagem que os torna mais fáceis de ver. se não forem recolhidos. o espectador nunca se apercebe de que uma parte foi tirada no estúdio. O habitat de uma truta que desova num riacho de montanha. tos de asa das aves. só podem ser usados num país com uma insolação regular. como os insectos ou outros seres minúsculos. Alguns dos problemas mais difíceis relaeionam-se com a filmagem de formas de vida demasiado pequenas para serem visíveis a olho nu. Nos EUA. Cenas de pequenos animais dando à luz e criando os filhos conseguem-se construindo no estúdio ni130 nhos com janelas transparentes que permitem filmar as suas vidas privadas. os resultados não são muito bons. um insecto enquanto percorre o chão da floresta. 0 filme é depois tratado com filtros que nos dão a ideia de ser muito mais escuro. sacos e recipientes de plástico atulham o campo o as praias de todo o Mundo e. pelas bactérias ou por substâncias químicas. são suficientes 500 imagens por segundo. mas já são precisas 1000 imagens por segundo para captar o salto de uma pulga. Outro problema inerente à filmagem destes seres são as vibrações. na verdade. Por vezes. a câmara e o objecto vibram em uníssono e a focagem não é afectada. por exemplo. Um fotógrafo utiliza uma es pécie de periscópio invertido pura fotografar uma carauela-portuguesa (ú direita). possuem tentúculos urticantes que podem atingir os 9 m de comprimento. Estes animais. não pode ser reciclado porque não há processo de medir facilmente a sua vida residual. conseguem filmar de muito perto as aves que voam atrás deles. e estas passam a segui-los para onde quer que vão. as bactérias que se alimentam de amido irão decompondo-os gradualmente em fragmentos que desaparecerão sem dano no solo. por exemplo. os animais são fotografados a noite. Se um camião que passa provoca vibra ções. dos morcegos e insec tos. Esta difieuldade é ultrapassada recorrendo a um "banco óptico" . O animal pode ser seguido quando desaparece por detrás de uma folha ou mergulha na água. Para ultrapassar este problema. continuarão a acumular-se ano após ano. os filmes que mostram raposas caçando de noite são. As sim. As maiores velocidades são necessárias para acompanhar um pingo de água desintegrando-se sobre uma superfície. O mais pequenino movimento entre a objectiva e o objecto prejudica a focagem. mas. quando a luz natural é suficiente. para que se decomponham a um ritmo previsível. Muitos filmes de animais "selvagens" são feitos com animais semiamansados ou mesmo treinados. Alguns dos filmes mais interessantes conseguem-se utilizando um aparelho que parece um periscópio invertido e que permite filmar. Mas.plataforma com a má quina rigidamente fixada numa das extremidades e o objecto da fotografia na outra. é necessária uma iluminação adicional. Estes têm de ser filmados através do microscópio. Muitos animais são filmados em estúdio: alguns não podem ser treinados. uma bala a atravessar um vidro ou um golfista ao bater a bola. Também os medicamentos são muitas vezes embalados em cápsulas plásticas que se dissolvem lentamente. Os plásticos biodegradáveis podem conseguir-se pela adição de amido: se os plásticos foram enterrados. Duram entre um e Ires anos antes de se decomporem e se integrarem no solo. Quando o filme è montado e combinado com filme tirado no exterior. usam-se no campo tiras de plástico fotodegradável com cerca de 1 m de largura para reter o calor no solo e produzir colheitas têmporas. mas os cientistas japoneses pensam conseguir um plástico biodegra dável para diversos fins a custo muito mais baixo. . pode imitar-se num tanque de vidro. Filmar animais no estado selvagem é um mundo de problemas. o mesmo acontecendo para uma rã que salta. A maior desvantagem tem sido o seu custo de produção. inclinada ou movimentada para trás e para diante. que é fotodegradável.Fotografia subaquática. Montando a máquina numa camioneta ou num barco rápido. Alguns fotógrafos cuidam de aves desde o momento em que saem do ovo. O periscópio é suspenso de uma câmara montada sobre carris num cavalete por cima da cabeça do operador para poder ser focada enquanto é rodada. Os plásticos degradáveis quimicamente podem ser decompostos pulverizando-os com uma solução que provoca a sua disso lução em substâncias inócuas que podem ser despejadas para o esgoto. Uma das utilizações dos plásticos degra dáveis que teve maior êxito foi na cirurgia. Plástico que se autodestrói Uma das vantagens do plástico é não enferrujar nem se decompor. onde actualmente as costuras são feitas com plásticos que se dissolvem lentamente nos fluidos orgânicos. estas embalagens têm de ser armazenadas ao abrigo da luz solar directa. libertando o medicamento para o sangue a um determinado ritmo. Em França. Os plásticos foto de gradáveis contêm substâncias químicas que se desintegram lentamente quando expostas ã luz. mas há que tomar cuidado para que o calor em excesso não afecte os animais. Por exemplo. O segredo consiste em incorporar-lhe um produto químico atacável pela luz. No entanto. Mas esta vantagem pode constituir um problema: copos. os fotógrafos têm de servir-se de truques.

Uma vez que sáo à prova de água e não se decompõem. neve artificial e articulações protésicas. por sua vez formadas por moléculas mais pequenas unidas entre si em cadeias longas. O processo de ligação das moléculas pe quenas para formação das moléculas grandes. as cadeias mantêm-se intactas. o tabuleiro do gelo e o resistente capacete de protecção são apenas alguns exemplos. Uma vez arrefecido.Como o petróleo deu lugar à "revolução do plástico" PLÁSTICOS: OS MATERIAIS MAIS VERSÁTEIS Desde que os plásticos foram inventados nos finais do século xix que em lodo o Mundo ocorreu uma revolução de materiais. poder deslizante e flexibilidade. Deixaria com certeza de haver telefone. 1 . Hoje em dia. as cortinas. possivelmente. resistência ao calor. Há. alta fidelidade e televisão. Têm também a vantagem de poderem ser moldados praticamente na forma que se quiser. como tubagens de esgotos ou vasos de plantas. cartões de crédito.são aquecidos a cerca de 200"C. assim como muitas roupas e. as cadeiras. Adicionando-seIhes outros elementos ou produtos químicos. mas separam-se o suficiente para deslizarem umas sobre as outras. como maior rigidez. a polimerização. que restaria7 Muitas cozinhas ficariam quase nuas. Estas enredam-se. dando aos plásticos a sua resistência. Os plásticos são constituídos por moléculas grandes denominadas polímeros. l >. se mantêm duros e conservam a fornia ainda que reaqueci dos: são os duroplásticos. difere de plástico para Se retirássemos das nossas casas tudo aquilo que contém plástico. os plásticos são ideais para urtigos de exterior. Quando a maioria dos plásticos — os termoplásticos . rapidamente e corri pouco custo — a caixa amarela para a viola. o plástico conserva a nova forma e mantém a sua resistência. uma vez moldados. a maioria das carpetas e tapetes desaparece riam. contudo. a maioria dos brinquedos e dos artigos de desporto e muitos artigos domésticos contêm pelo menos um material plástico. Esta característi ca permite que os termoplásticos sejam repetidamente aquecidos e moldados em novas formas. O termo "plásticos" abrange uma extensa gama de materiais fabricados pelo homem a partir de dois elementos básicos: o carbono e o hidrogénio. os plásticos adquirem propriedades especiais. outros plásticos que.

À medida que o furo se torna mais profundo. 132 Periodicamente. ou PTFE. a indústria cine matográfica nunca poderia ter nascido. chaminés de descarga quei marn os excessos de gás proveniente do depósito petrolífero submarino. O vencedor foi John Wesley Hyalt. é colo cada na extremidade de um forte tubo de aço chamado vara de perfuração. No processo da refinação rio petróleo bruto obtêm-se. que se ajusta a uma placa giratória no chão da torre de perfuração. químico belga a trabalhar na América. Oferecia-se um prémio de 10 000 dólares para quem descobrisse um substituto de baixo preço para as bolas de marfim. mas um dos átomos de hidrogénio foi substituído por um de cloro. Um deles é o etano (dois átomos de carbono e seis de hidrogénio). torna-se necessário substituir a broca. tubos e sacos de plástico. Este produto. Muitos polímeros têm sido fabricados em laboratório. Depressa se descobriram novos usos para o celulóide . O processo pode demorar até 10 horas. Quando finalmente a broca aparece e é substituída por uma nova. Fonte dupla. Esta pequena alteração torna o PVC "retardador do fogo". muitos hidrocarbonetos diferentes. obtém-se o politetrafluoretileno. porque a sua matéria-prima é a celulose que se encontra nas plantas. Na esteira desta descoberta de Baekeland. Leo Baekeland. que. Duas torres de perfuração de petróleo flanqueadas por guindastes. mas uma combinação de substâncias químicas e água que impele os fragmentos para a superfície e evita o sobreaquecimento da broca por fricção. esta é içada o suficiente para remoção do kelly. Os hidrocarbonetos vão desde moléculas simples como o metano (gás formado por um átomo de carbono combinado com quatro átomos de hidrogénio) até aos alcatrões e asfal- tos. vão desintegrando a rocha. O PVC — cloreto de polivinilo — é quimicamente semelhante ao polietileno. pára-brisas para os primeiros automóveis e películas fotográficas. De forma semelhante. este é revestido por pesados tubos de aço que são descidos à medida que a . ou de aço com ponta de diamante. como o poliestireno. Não é realmente lama. A broca de aço.O NASCIMENTO DE UMA A moderna indústria dos plásticos nasceu na América na década de 1860. que roda accionaria por uni motor à superfície ou por uma turbina no interior do furo. Para acrescentar um novo segmento à vara. só nos Estados Unidos. a vara tem de ser totalmente içada para o exterior e separada em stands de 27 m (cada um com três segmentos). Os átomos de carbono e de hidrogénio que constituem a base de todos os plásticos provêm do petróleo bruto. são produzidos industrialmente. Os fragmentos áe rocha são trazidos para a superfície pelo retorno da chamada "lama de perfuração". gás que pode ser convertido num outro. Sem o celulóide. com um concurso para se encontrar uma bola de bilhar de melhor qualidade. criou o primeiro material inteiramente sintético em 1907 combinando fenol (ácido carbólico) com o gás formaldeído e produzindo um plástico a que chamou baquelite. é usado nas frigi deiras não-aderenles e em chumaceiras. em geral com 9 m de comprimento. os catalisadores. Na extremidade superior da vara fica o kelly. que são amimados verticalmente na torre. Então. têm de acreseeniar-se novos segmentos de vara. Como se extrai petróleo do solo Como é que efectivamente se extrai petróleo do fundo do mar ou do solo? Os poços de petróleo são perfurados com brocas de perfuração. o PTFE e o nylon. Para que os lados do furo não se desmoronem. que fomentam a ligação das moléculas pequenas. rodando. plástico. O petróleo é constituído por hidrocarbonetos — átomos de carbono e de hidrogénio ligados entre si. mas só os de propriedades mais úteis. conhecido por íefíon. Mas envolve frequentemente pressões elevadas e o emprego de agentes especiais. Estes dois plásticos são usados para fabricar garrafas. o novo segmento é ligado à extremidade superior da vara antes de se repor o kelly — e a perfuração continua. pelo que é mais seguro para usar em casa. Mas ele próprio teria ficado admirado com o desenvolvimento da indústria. foram inventados muitos outros plásticos. o etileno. cabos de faca. que podem ter centenas de átomos. tem actualmente uma produção bruta superior a 100 biliões de dólares. o gás propano transforma-se em polipropileno. De cada lado. como subprodutos. que. Se em vez do átomo de cloro forem usados quatro átomos de flúor. a vara toma a ser montada e descida pelo poço.armações para óculos. que é injectada pelo interior da vara de perfuração. e depois polimerizado para fabricar polietileno. INDUSTRIA DE BILIÕES O celulóide não é uma substância inteiramente sintética. que fez uma bola de uma substância a que chamou celulóide.

para que toda a área seja explorada. constituído por uma válvula especial fixada no topo do tubo de revestimento. o primeiro passo é abrir diversos poços destinados a cobrir toda a extensão da jazida. A prospecção gravimétrica baseia se na Testes sísmicos. Quando estas matérias orgânicas se decompõem. No mar e em terrenos difíceis. Esta envia ao 133 . prospectores pesquisam petróleo P/O uocam explosões e medem as ondas de choque a fim de elaborarem uma carta das formações rochosas subterrâneas. mesmo com o auxílio destas técnicas. As informações colhidas são processa das em computador e interpretadas por geólogos. a fim de abrir fissuras na rocha e permitir que o petróleo entre nos poços. Um aparelho chamado gravírnetro consegue medir variações da aceleração da gravidade terres tre de uma parte em 100 milhões. para fazer leituras no mar. recorre-se a um avião que reboca sobre a zona um magnetómetro que mede o campo magnético. . raramente é possível extrair mais do que 30 a 50% do petróleo de um campo. estabilizada por um giroscópio. Como se sabe onde procurar petróleo Por volta do ano 2020. provavelmente em lugares cada vez mais inacessíveis. produzem petróleo e gás. Mas. conchas. Havendo uma camada de racha porosa. São preci sas três condições para que se forme uma jazida de petróleo: o tipo certo de rocha sedimentar para criar o petróleo. Um poço de 4500 m pode ler um tubo de revestimento com um diâmetro de 76 cm à superfície. mas existe um dispositivo de segurança adicional. e uma "tampa" de rocha impermeável para o reter. dando aos geólogos indicações sobre a estrutura e o tipo das rochas que se encontram sob o solo. A abertura destes poços pode fazer-se de uma única torre ou plataforma. Computadores fornecem o traçado de linhas de perfuração altematioas (representadas corno traços coloridos atravessando as diferentes camadas rochosas) depois de se ter procedido a testes sísmicos. será necessário encontrar novos campos petrolíferos. As variações do campo magnético ajudam a construir uma imagem da estrutura do solo sobrevoado. as reservas de petróleo conhecidas devem estar esgotadas. cada uma delas perfurando direccionalmenie segundo um plano prévio. uma camada de rocha porosa para o armazenar.Vo oasto deserto da Ara bia. Mais tarde. Outras indicações são dadas pelas densidades diversas das rochas. é preciso perfurar uma série de poços de produção para o trazer à superfície. a pressão pode ser mantida injectando-se água ou gás para empurrar o petróleo para os poços de produção. medição do campo gravítico para inferir conclusões quanto às densidades das rochas abaixo da superfície. Daqui ale lá. Podem assim saber se é ou não prouável encontrar -se petróleo num dado local. Se os resultados forem promete dores. Depois de perfurados e revestidos os poços de produção. As rochas sedimentares formam-se ao longo de milhões de anos a partir de sedimentos que contêm peixes. desde que a tampa tenha a forma adequada — idealmente. o peso da lama assegura que este não se escape. podem empregar-se bombas eléctricas ou mecâ nicas. Quando se encontra petróleo. Num campo muito vasto terão de usar-se várias torres de perfuração. as pesquisas prosseguem agora por meio da prospecção sísmica. Perfuração por computador. Uma camada de rocha impermeável sobre o petróleo irá retê-lo. 0 ritmo de perfuração de um poço depende da natureza da rocha. Enquanto o produto é extraído. diâmetro este que diminui escalonadamente até 18 cm no fundo. Há uma versão deste instrumento. ela impregna se de petróleo como uma esponja. dirigindo os furos para diversas partes do campo petrolífero.perfuração prossegue e fixados por betão. 0 revestimento vai-se estreitando gradual mente com a profundidade do poço. Para se encontrarem bacias sedimentares em que poderá ter ocorrido a formação de petróleo. To das as rochas são magnéticas. plâncton e plantas. Pode demorar tanto como 30 cm/h na rocha impermeável e compacta da abóbada ou ser tão rápido como 60 m/h nos arenitos. Na prospecção magnética. a de uma abóbada. mas o magnetismo varia ligeiramente de rocha para rocha. desce-se por eles um canhão de perfuração para impelir cargas explosivas até à rocha através da tubagem c cimento do revestimento. Se a broca encontra petróleo. fazem-se frequentemente estudos de magnetismo e de gravidade.

através de uma conduta flutuante. e as ostras en contravam-se contaminadas. com as superfícies tratadas por compostos quí- . desintegrando-se em resíduos inócuos — depois de ter causado enormes 134 Costa contaminada. mesmo que todos os dados obtidos o indiquem. os cientistas revelaram que naquele sector da costa os peixes ainda não se reproduziam como anteriormente. As praias negras da Bretanha (em cimo) depois de o petroleiro líbio Amoco Cadiz ler naufragado. Foram já criados diversos outros sistemas e dispositivos para aspirar o petróleo depois de circunscrito. em Março de 1978. Quase 10 anos depois de o Amoco Cadiz. Podem então usar se computadores para calcular as posições das camadas de rocha. Os resíduos que são bombeados para o mar podem ser consideráveis. encalhou num recife. Uma das razões principais é que os lençóis petrolíferos podem infiltrar se através de rochas porosas. leões-marinhos c aves. coloca-se em volta da mancha um grande dique flutuante de tubos cheios de ar. um derrame de petróleo acaba por se dispersar. Derramaram-se 45 milhões de litros de petróleo quando o Exxon Valdez. Mas também estes podem ter efeitos indesejáveis. Para esse efeito. As escumadeiras de absorção empregam cilindros. A contaminação dá-se muitas vezes quando os petroleiros lavam com água do mar os reservatórios vazios depois de uma entrega. Em 1989. com base no tempo entre a emissão das ondas e o seu retorno. Um enorme dique pneumático flutuante (à esquerda! foi utilizado para tentar represar a mancha de petróleo ao largo. A desintegração pode ser acelerada regando-se o petróleo com agentes químicos de dispersão. uma mancha gigante de petróleo no golfo do Príncipe William. destruindo os óleos naturais nas penas das aves marinhas e ríiminuindo-lhes a sua capacidade de flutuação. basicamente. ter naufragado ao largo da Bretanha. A limpeza de um grande derrame de petróleo 0 petróleo é o maior poluente dos oceanos e estuários da Terra . Este sistema pode recolher diariamente 15 000 t de mistura petróleo água. Mas os geólogos nunca podem ler a certeza da existência de petróleo em determinado local. A solha apresentava órgãos reprodutores anormais c defeituosos. As ondas viajam a velocidades diversas. as ondas são reflectidas e voltam à superfície. Se não forem tomadas quaisquer medidas. para um navio-lanque próximo. petroleiro líbio. detergentes. os maiores culpados. que o arrastam devagar sobre a água. entre os quais as escumadeiras de absorção e as escumadeiras de barragem. contaminou as zonas de reprodução de focas. capturando o petróleo. navio de 216 000 t. conforme o tipo de rocha em que se propagam. no Alasca. e desenhar um corte pormenorizado da zona. Ninguém sabe precisamente quanto petróleo é derramado acidentalmente e quanto é lançado deliberadamente ao mar em deslastragens de rotina. em 1!)78. que são.solo ondas de choque provocadas por explosões ou vibrações à superfície. As operações de limpeza junto à costa são frequentemente executadas por uoluntários usando simplesmente pás e baldes estragos na vida marinha. onde são captadas por microfones e registadas. As extremidades do dique são presas a navios. Um destes navios bombeia o produto.e os petroleiros gigantes. Quando atingem a interface entre duas rochas de natureza diferente. O ideal será circunscrever a mancha de óleo antes que alastre e depois remove la da superfície do mar por meio de bombas. Como o petróleo flutua na água. correias ou esfregões. o dique evita que ele alastre.

O nível do outro lado é mantido um pouco abaixo por bombagem. o petróleo assim escumado vai sendo transferido para um reservatório. O passo seguinte .que o fogo reduzira a 600 t de aço torcido — foi retirada do local. se náo fosse dominado. Mas a tarefa que linha em mãos era a sua preocupação principal. na gíria dos campos petrolíferos —. Mas a ameaça que pairava no espírito de todos os observadores era que bastaria uma simples faísca para fazer eclodir um inferno. Ainda náo havia chamas . lastrados com pedras e colocados em água tão pouco profunda que os bordos eslão imediatamente abaixo da superfície. Depois. Só em Abril de 1962 ele e a sua equipa se consideraram prontos para iniciar o trabalho. no deserto. tão rapidamente. ejectando a vara de perfuração. Adair rodeou se também de guardas armados de metralhadora para o protegerem e aos seus homens. a capital argelina. as chamas vermelho-aJaranjadas elevavam-se a 140 m de altura.micos sintéticos aos quais o petróleo adere e a água não. Nessa época. Os problemas tinham começado em Novembro de 1961. O cilindro ou a correia rodam sobre a mancha. Para o apagar — "matá-lo". a torre de perfuração de sete andares . a sueste de Argel. bombas e secções de tubagem. arrastada por uma enorme grua arrefecida a água e por um "ancinho" gigantesco. Diariamente. apercebeu-se de que o fogo. Uma lâmina semelhante a um limpa-pára-brisas vai raspando continuamente o petróleo. tinha de o privar de oxigénio. para o que detonaria junto à chama uma poderosa carga explosiva. precisava de água. A população inicial de 30 homens do campo crescera para se transformar num acampamento de 500 pessoas. chegavam camiões com bulido zers. O penacho era visível a mais de 150 km no céu da Argélia Central. o texano Red Adair. Revoluteando e torcendo-se. quando o gás do poço irrompera. a transportá-lo pelo ar para a Argélia e daí para o deserto.unicamente um fortíssimo jacto de gás. Os franceses proprietários do poço pediram ao "bombeiro" número um dos poços de petróleo e dos campos de gás. Além de contratar um intérprete francês. O petróleo flutuante entra nos tambores e pode ser bombeado para o exterior. na verdade.como foi apelidado o fogo no poço de petróleo — ardia há quase seis meses nas areias do interior do Sara. Antes de mais. O solo do deserto tremia e a areia crepitava.montar e detonar o explosivo — era muito mais complicado e 135 . até então quase invisível. A forma mais simplificada deste processo utiliza tambores de óleo sem tampa. a Argélia encontrava-se em plena guerra para se tornar independente da França. que obteve por meio de furos. se deu uma violenta explosão e a coluna de gás. a equipa de Adair bombeou lama para dentro do poço para tentar bloquear o gás que saía Até que. emprega-se maquinaria de remoção de terras ou cavam-se valas de drenagem. havia 24 que combatia fogos desta natureza. Levou cinco meses a juntar todo o equipamento de que precisava. Ao chegar ao local. O trabalho agora era para o próprio Red Adair. de modo que o petróleo passa sobre ele. As escumadeiras de barragem colocam um dique um pouco abaixo da superfície. O gás saía para o ar em quantidades que teriam chegado para satisfazer as necessidades energéticas de uma cidade como Paris. criando um reservatório que podia ser utilizado para regar as chamas sempre que necessário. serradura ou turfa podem ser utilizadas para a limpeza final. se incendiou. O ruído era um trovejar incessante. Com 47 anos. A origem esteve provavelmente numa faísca de electricidade estática criada pela areia que era constantemente ejectada. poderia arder sem cessar durante 100 anos. que acorresse à emergência Ocupado com um fogo no México. fazendo um penacho a que os ventos do deserto davam as mais fantásticas formas. em Fevereiro de 1962. limpando a correia ou cilindro para dentro de um contentor. Os derrames em terra ou o petróleo que o mar lançou à costa sáo difíceis de limpar. Palha. Durante sete dias. O gás irrompia de um tubo de 33 cm de diâmetro com uma velocidade superior à do som. Adair mandou imediatamente dois dos seus assistentes principais para o campo petrolífero de Gassi Touil. ao meio-dia de 13 de Novembro. e foi visto do espaço pelo astronauta americano John Glenn quando orbitava a Terra. apanhando o petróleo da superfície do mar. que as chamas só começavam a quase 10 m de altura. Como se apaga um fogo num poço de petróleo 0 Isqueiro do Diabo . Às vezes.

A seguir. trabalhava como operário num poço de petróleo quando uma válvula rebentou e ele foi atirado a 15 m. encontrava-se perto da plata forma o Tharos. A plataforma retorcida estava coberta de petróleo escorregadio e de destroços. Primeiro. no mar do Norte. A única maneira de trabalhar com um mínimo de segurança era debaixo de toneladas de água jorrando inces santemente de oito grandes agulhetas. Texas. Neste ano. O Isqueiro do Diabo fora apagado. outros em segundos. de onde seria provocada a explosão. gos desde o golfo do México . que — como o seu automóvel e o seu barco a motor — é encarnado como um carro de bombeiros. o assistente correu a abrigar-se na trincheira. Em seguida. Adair saltou do tractor e correu atrás dele. no Texas. havia uma série de pequenos fogos dispersos em volta da boca do poço que tinham de ser apaga dos. Pouco depois das 8 horas de uma ma nhã de sábado. a zona de trabalho era continuamente inundada de água. de bombeiros. depois. Um espesso fumo negro cobriu a cena. aos 23 anos. pois ele apagou fo. Red Adair chegou da América de avião. Lançou-se então fogo ao gás que saía das duas extremidades do tubo transversal e o maior incêndio que até então lavrara num campo petrolífero foi abafado. de polícias e de enfermeiros .e com dois helicópteros em alerta para levarem alguém ao hospital se algo corresse mal —. que pediu ao jovem Adair que o ajudasse num acidente em Alice. a grande cabeça de controle — um complicado conjunto de válvulas. Adair. Devido ao perigo que a utilização de uma grua poderia representar . sofreu o maior desastre da história do petróleo. Desenhado por Adair. lidou com mais de 1000 incêndios e explosões em poços de petróleo. preparou se para corta lo e aplicar-lhe a cabeça de controle contra a fortíssima pressão ascendente do gás. O fio conduzia a uma trincheira a 180 m do fogo. em 1941. Havia o perigo de se desmoronar completamente e de os poços incendiados explodirem. uma lança telescópica e 16 canhões de água. veio a tarefa de tapar o poço com um bloco de aço com 3 m de altura e o peso de 8 t. o navio tinha uma tripulação de 135 ho mens. Adair . entrando debaixo do chuveiro das oito agulhetas. ferreiro de Houston. Adair tomou os comandos e a máquina avançou como um monstro pré-histórico de longo pescoço. foi um grupo de 20 operários que içou a cabeça com cordas e a colocou sobre o poço. ruivo) devido à cor flame jante do seu cabelo — foi servir de fogueiro na forja do pai. em 1968. caía sobre os operários uma chuva de gasolina condensada do gás e que se espalhava num círculo a partir do poço. Duas imensas explosões envolveram a plataforma numa bola de fogo. navio de emergência de 30 000 I. Piper Alpha: bola de fogo assassina Em 6 de Julho de 1988. Por isso. a grande cabeça iria desviar o jacto de gás da área de perigo para um tubo transversal com 365 m de comprimento. Tinha preparado um tractor de lagartas com uma lança de 15 m a cuja extremidade estava soldado um tambor de ferro preto envolvi do em alumínio e amianto. alguns com mais de 20 t. Enquanto a cabeça estava a ser descida.perigoso. mas voltou a trabalhar com Kinley desde o fim da guerra até 1959. Enquanto todos corriam a abrigar-se. Este seria aceso nas extre midades e o poço ficaria sob controle. Multimilionário e avó.envergando um fato-macaco vermelho. Red — embora magoado e abalado — repôs calmamente a válvula em posição A sua coragem foi notada pelo pioneiro nos combates aos fogos de petróleo Myron Kinley. Antes de se tentar extinguir qualquer dos poços. um sino de mergulho e uma câmara de descompressão. Usando um cabo de aço RED ADAIR: O HOMEM E A LENDA 0 primeiro trabalho de Paul Neal Adair — alcunhado de Red (vermelho. "Nunca saber para onde vou quando toca o telefone — e não ser incomodado por angariadores de seguros de vida!" Bombeiro dos poços de petróleo. Nunca deixou de apagar um fogo — alguns em seis meses.e o rugido do fogo foi afogado pelo som de um poderoso "brrrrum". de manhã cedo. Adair sentiu-se aliviado ao verificar que o tubo estava intacto. chamado cabeça de controle. havia que retirar os destroços — mas a plataforma atingia uma temperatura muito acima dos 1000tJC e estava inclinada a 45°. O Isqueiro do Diabo Quando o tractor se aproximou do fogo. Em 1938. era preciso ter a certeza de que o tubo do poço estava intacto. Nos seus cinquenta e tal anos de combate ao fogo. Mas alguns dos feitos mais dramáticos de Adair estavam ainda para chegar. começou a carregar o tambor com 250 kg de dinamite. tornou-se especialista em desactivar bombas. na segunda-feira. Para apagar quaisquer faíscas. Depois de recolhidos os 63 sobreviventes. Com todos os fogos extintos e o poço arrefecido por um dilúvio constante de água. desfiado com 3000 m de comprimento. três gruas. flanges e torneiras . que prestou serviço no Pacífico. Observado por uma multidão de traba lhadores do campo petrolífero. Mas Adair decidiu esperar até à segunda-feira seguinte. Uma vez colocada. pelas 9 horas." Três anos depois. Lentamente. "1 lá duas coisas de que realmente gosto no meu trabalho". a 190 km ao largo da costa escocesa. a lança conduziu o tambor de explosivo até uns centímetros do ponto onde a coluna de gás se transformava em chama. a Companhia Red Adair de Controle de Fogos e Explosões em Poços de Petróleo. O trovejar do fogo foi substituído por um ruído agudo e sibilante do gás que se escapava. equipado com aparelhagem de combate aos fogos. Alguns destes foram usados para criar uma cortina de água para proteger o Tha- 136 . o êxito em Gassi Touil foi notícia no Mundo inteiro e a sua fama cresceu rapidamente. Depois. cortaram a parle do tubo que saía do solo. a plataforma petrolífera Piper Alpha. com a divisa: 'A todas as horas. Adair e o seu assistente subiram para o tractor. criou a sua própria empresa. Ligou depois os detonadores e o fio eléctrico ao tambor.foi levada para o local. Assim que os dois chegaram à trincheira. Felizmente. Red Adair trabalha a partir de um escritório em Houston. Red Adair. o assistente carregou no contador . Durante os dois dias seguintes. Adair e a sua equipa entraram em acção c colocaram os rebites com martelos de latão (menos propensos que os de aço a fazer faíscas). O sol estava já ardente quando.pois podia fazer faíscas enquanto trabalhava —. disse uma vez numa entrevista. o assistente saltou para o chão e guiou Adair fazendo sinais com as mãos. capacete de segurança também vermelho e botas de borracha vermelhas — estava pronto. Os dois homens trabalharam juntos até os Estados Unidos entrarem na II Guerra Mundial. matando 167 homens. Adair e a sua equipa trabalharam numa nuvem de gás altamente explosivo que em qual quer momento se podia incendiar e queima los vivos. as atenções centraram-se na extinção do fogo nos cinco poços em chamas. até ao mar do Norte. em todo o Mundo.

Mas as bocas dos poços continuavam a jorrar petróleo. corri 167 mortos. mas tal não chegou a ser necessário. Assim que a plataforma arrefeceu o suficiente. Enquanto a plataforma era limpa. bombeou-se água do mar para dentro dos poços. à esquerda) regaram os fogos que deflagraram após duas explosões que abalaram a plataforma. reduzindo-se assim o volume e a pressão no poço principal. Canhões de água (pormenor em cima. Red Adair. Alemanha. Imediatamente se injectou betão em cada poço. estas vál- vulas ficam frequentemente inutilizadas. 137 . A lança do Tharos é um braço mecânico telescópico que pode ser movimentado para baixo e para cima ou para os lados. Esta medida fora já prevista para o caso de o plano inicial para dominar a explosão da Pi per Alpha ter falhado: o aparelho de perfuração semi-submersível Kingsnorth começara já a perfurar outro poço até uma profundidade de 2600 m abaixo do fundo do mar. Mas depois de uma explosão. podendo estender-se quase 20 m para fora do barco. sob pressão muito elevada. Os restantes foram apontados aos fogos. dirige as operações para dominar uma fuga de metano perto de Franenthal. Cada fogo em poços de petróleo tem problemas próprios. nesta foto grafia. Após cinco tentativas. A força do jacto de petróleo era demasiada para ser dominada pela bombagem de água do mar. vcdando-os definitivamente. Uma simples faísca e o petróleo incendiar-se-ia. Homem de acção. o petróleo jorrou de um dos poços com uma enorme pressão e a uma temperatura de quase 100°. A equipa de Red Adair conseguiu tapar todos os poços. Inferno no mar do Norte. Depois de uma explosão na plataforma Ekofisk em 1977. Red Adair tentou utilizar dois macacos hidráulicos para comprimir dois semidiscos para cobrir o topo do poço. tiveram êxito. 0 mais simples é impedir se o fluxo de petróleo ou de gás pelo fecho das válvulas. O desastre na plataforma petrolífera Piper Alpha em 1988 foi o mais grave de sempre. Red Adair e a sua equipa limparam todos os destroços e dominaram os fogos dos poços em apenas 36 dias. sustendo-se assim a saída do petróleo. A ideia era vedar o poço com cimento a partir do fundo para impedir o fluxo do petróleo. A grua principal levantava os destroços da plataforma. os canhões regavam-na com milhões de litros de água do mar. que se deteve a 25 m da plataforma.ros. mas os processos de o extinguir são basicamente os mesmos. mas ajustá-los nessas condições não era fácil. e os fogos acabaram por extinguir-se. Outro processo consiste em perfurar poços de diversão para desviar o petróleo de um poço ou de um tubo. em 1980.

perpendicular do cume e à altitude da linha de base. Mede se urna tinha de base entre em Julho de 1986 . somaram-lhe 2 pés (0. ou sejam 8840 m. Sir George Everesl. incluindo Devadhunga (Trono dos Deuses) e Guarishankar (A Esplendorosa Noiva Branca de Xiva).Como se mede uma montanha? Em 1749. topógrafo-geral da índia. Ballard. olhando objecobter o ângulo y. A média dava exactamente 29 000 pés (8839 m). Foi designado por Pico XV. Esta afirmação era tão perturbadora que uma expedição italiana que se encon trava nos Himalaias em 1987 decidiu verificá-la. Colocaram-se receptores nas encostas do Evereste e do K-2 e empregaram-se sinais de Navstar (navegação electrónica por estrelas) para determinar as respectivas alturas e posições Esta medição era decisiva. Faz o mesmo a partir de B para oceano. Foram sugeridos diversos nomes para este pico. quais já tinham olhado pessoas. o l)r. brincado. Para calcular a altitude do Evereste. A equipa do geólogo Ardito Desio calculou então as alturas das duas montanhas utili zando teodolitos colocados nos locais em que se encontravam os receptores. Das 2200 pessoas a bordo salvaram-se apenas 705. quando George WallerStein. dois pontos (A <? Bj à mesma altitude O topógrafo coloca-se Ballard recorda: "Ali es em A e aponta o teodolito. que soma â altitude através de janelas pelas da linha de base para obter a altitude total da montanha. determina o ângulo z com um instrumento de nível. pois as discrepâncias nas altitudes das montanhas devem-se habitualmente a erros na altitude da linha de base sobre que se fundamentam os cálculos. que achou que o monte devia ter o nome do seu antecessor. utilizando um método diferente. o 'levantamento topográfico da índia" feito pelos Ingleses identificou um pico muito elevado nas montanhas dos Hi malaias. Obrigando o mar a devolver os seus tesouros No fundo do Atlântico.obtendo-se a distância da linha de base ao cume. poderia ter mais 11 m do que o Evereste. pelo homem para um Com a distância BD e sabendo que o triângulo BCD é recoutro mundo. Mas só em 1 de Setembro de 1985 — graças às modernas tecnologias o barco foi localizado por uma expedição conjunta franco-americana. da Universidade de Washington. e fizeram-se leituras para o cume com tcodoli los . Era como descer na superfície de Marte apenas para encontrar os restos de uma antiga civilização semelhante à nossa. Quando o levantamento terminou. confirmou-se que o Pico XV era o mais alto do Mundo. Ele e a restante tripulação do mini-submarino Aloin foram os primeiros homens a pôr a vista no gigante dos mares desde que esle foi afundado por um icebergue há quase 75 anos. primeiro para o cume C. obtendo o ângulo x. a 4 km de profundi dade. Cinco dus 4000 setas recuperadas do Mary Rose 01contrauam-se num suporte de cabedal ao lado de uma braçadeira e de uma bainha de cabedal. Olhava tângulo. mas. podem calcular-se os comprimentos dos outros lados . escreveu. diagrama). Os topógrafos mediram o Evereste a partir de seis pontos diferentes — o que produziu seis números entre 28 990 e 29 026 pés (8836 e 8847 m). dado que esta medida parecia tratar se de uma aproximação." O Titanic afundou se a cerca de 720 km ao sul da Terra Nova no dia 15 de Abril de 1912. Cálculos subsequentes dáo-nos então a altura (v. para quartos onde tinham dormi do. De um segundo mergulho — um dos nove efectuados pelo Aloin O que faz o topógrafo. para decks ao longo dos quais elas tinham passeado. Ainda criados e construídos em B.aparelhos que medem ângulos. erguia-se do fundo uma chapa de aço negro. amado.oDr. Robert Bailará viu à sua frente o vulto do navio de passageiros Titanic. 138 Apetrechos de um archeiro. empregaram-se os métodos clássicos de topografia. na tos que eu reconhecia. "Mesmo à nossa frente. mediu-se uma linha de base com vários quilómetros O cume da montanha era vi sível dos dois extremos dessa linha. Mas o nome aprovado foi o sugerido por Andrew Waugh. aparentemente interminável — o casco maciço do Titanic". Era a viagem inaugural do navio. . 256 ui superior à do K-2. encabeçada pelo Dr. em 1852. depois tava eu no fundo do para B. mas só em 1849 outra missão topográfica decidiu medir a sua altitude. A sua conclusão foi de que a altitude do Evereste era de 8872 m. a K-2. Conhecendo-se dois ângulos e o com primento de um dos lados de um triângulo. A posição do Evereste como a montanha mais alta do Mundo náo foi posta em causa até 1986.6 m) e emitiram a sua opinião abalizada: 29 002 pés. calcula o comprimento de h. afirmou que uma outra montanha dos Himalaias. No solo e a uma altitude conhecida. Calcula então a distância ao ponto D.

0 Mary Rose. 0 peso extra deve ter contribuído pura que o barco se virasse. afogando 650 homens. O Mary Rose virou-se. pentes e outros objectos indicam a presença de uma mulher. carregados de ouro.à vista de centenas de pessoas em terra. incluindo o próprio rei. O "Mary Rose". uma flauta.para uso de um cirurgião. dois dados e o esporão de um galo de combate. em 1545. Sobre um tabuleiro de jogos de madeira vêem-se uma capa cie ti vro. Os canhões partiram as Canhão de bronze. Um dos achados mais ricos foi o de uma flolilha de 10 barcos espanhóis ao largo da Florida. A sua posição era conhecida. um frasco de remédios e caixas . afundou-se em 1545 no Solenl com um mar relativamente Tempo de lazer. esmeraldas. Estes barcos partiram de Havana. fazendo mais peso a estibordo. uma bolsa de couro.nri que VIII tinha 40 m de comprimento. L só mais de 400 anos depois o navio pôde ser levantado. navio almirante do rei Henrique VIII de Inglaterra.Artigos pessoais. uma tigela de sangria e uma seringa. atravessando o convés. Cuba. 6 bastante simples. moedas de troca e marcas de jogo. um sapato. Estojo de cirurgião-barbeiro. adernou com o vento e a água entrou pelas janelas de tiro de estibordo.o que. de regresso à pátria. por forma a determinar com o possível rigor onde é que o navio se afundou . Encontra rum se. mas depois foi perdida ou esquecida. Este. pérolas e 2300 arcas de moedas acabadas de cunhar na Cidade do calmo . um almofariz. por vezes. 91 canhões e 415 tripulantes. 139 . Esta reconstituição artística mostra o Mary Rose antes de se virar. amarras e rolaram. 0 primeiro passo para se encontrar um navio naufragado perdido implica buscas meticulosas nos arquivos históricos. 0 orgulho da frota naval de He. Um conjunto de muni cura. canhão fazia parte da artilharia de reforço do Mary Rose. Quando se fazia de vela com uma frota de mais Sfl navios para enfrentar uma esquadra invasora francesa.

com as velas ainda nos mastros. Um tipo de sonar que detecta objectos afundados no lodo ou na areia produziu sinais que poderiam indicar a presença de uma elevação no fundo do mar — e algo de sólido no seu interior. Um ano depois. encontrou algumas moedas de prata na baía de Sebastian. a 104 m de profundidade sob o gelo. de bordo do submarino Alvin. via o barco com os seus próprios olhos. Os magnetómetros revelaram-se. mas voltaram no dia seguinte . ter percorrido a zona provável em todas as direcções. Mandou uma moeda para a Smithsonian Institution em Washington. Mas a redescoberta do Titanic deve considerar-se o mais notável achado do mar alto. O tesouro que acabou por recolher valeu mais de 5 milhões de dólares. Jacques Yves Cousteau e Emile Gagnan aperfeiçoaram o escafandro autónomo. inventado em 1865 por Roquayrol e Denayrouse. Wagner fez-se ao mar e começou a mergulhar para encontrar os despojos. infrutíferos na descoberta do Mary Rose. no Massachusetts. Três anos depois. "caçador de tesouros" nas praias. durante meses. O emprego do detector de minas por Wagner foi o começo da aplicação das modernas tecnologias à busca de barcos naufragados. desceu a Grande Escadaria. fotografando lustres ainda pendurados. e descobri lo na imensidade do Atlântico Norte com apenas uma ideia vaga da sua localização exigia capacidades especiais. Em 1943. Em 1970. No dia seguinte. leiloada por 50 000 dólares. mas os mergulhadores não encontravam quaisquer vestígios. descrevera em 1775 o local onde a frota se afundara e chegara a desenhar um mapa. Como funciona o escafandro autónomo? Desde o século xix que os cientistas vinham tentando inventar um aparelho de respiração eficaz e autónomo para os mergulhadores. Kip Kelso. relógios. o sonar emite sinais sonoros e regista os ecos reflectidos por objectos sólidos. Começou então a histórica recupera çáo — uma "cápsula do tempo" da vida a bordo de um navio de guerra do século xvi. por relatos da época. geólogo oceanográfico do Instituto Oceanográfico de Woods Hole. estava coberto de lodo e areia quando se iniciaram as buscas. Investigando a sua origem. O submarino pousou na proa e na ponte. pratas e os interiores dos camarotes. I In . que fizera a rota das Índias Orientais I lolandesas e se perdera ao largo das ilhas Scilly em 1743. confirmando a respectiva origem. continuaram a investigar por sua conta e descobriram que Bernard Romans. a Jason Júnior. Wagner fez buscas nas praias próximas da zona descrita — e encontrou um enorme tesouro de objectos valiosos. Uma câmara-robô submarina de controle remoto. Depois de. e um anel de brilhantes que valia 20 000. mas disseram-lhe que ela não podia pertencer àquela flotilha. as marés tinham retirado parte dos sedimentos do lado de bombordo do navio afundado e podiam verse algumas madeiras. Foram ainda encontradas mais de 35 000 moedas de prata com o valor de cerca de I milhão de libras. Embora este tivesse naufragado a poucas centenas de metros da costa. As imagens mostraram o navio. incluindo urna corrente de ouro com pin gente. um de cujos membros se sabia ter estado a bordo do Hollandia. México — tesouro que valeria pelo menos 50 milhões de dólares ao valor actual. Uma arca contendo moedas de prata fazia parte do tesouro descoberto perto dos destroços de um galeão espanhol afundado em 1622 ao largo da costa da Florida. quando procurava sobreviventes da expedição Franklin. o Dr.e descobriram canhões com o monograma da dependência em Amsterdão da Companhia Holandesa das índias Orientais. Ballard. Wagner e um amigo. a posição aproximada do naufrágio. o inglês Rex Cowan decidiu procurar o Hollandia. no mês de Setembro.Tesouro espanhol. Cousteau Imagens de sonar de um navio naufragado no Árctico. Criado para a guena submarina. o Dr. leu algo acerca da esquadra e convenceu-se de que tinha encontra do parte do seu tesouro. A solução veio de outro invento modern o — o sonar. Sabia. Na década de 50. 64 km a sul de Cabo Canaveral. como canhões. para três tripulantes. depois do qual as condições meteorológicas são geralmente desfavoráveis. que se tinha afundado 240 km mais a sul. Cowan e a sua equipa tiveram finalmente uma indicação alguns dias apenas antes de terminar a estação de mergulho. A equipa conjunta franco-americana utilizou um aparelho de sonar para grandes profundidades para esquadrinhar o fundo do mar e encontrar o navio naufragado — e uma máquina fotográfica submarina de comando remoto para colher as primeiras imagens. a dos Imhoff Bentinck. descobriram uma colher de prata com o brasão de uma família holandesa. Mergulharam. Kip Wagner. Não convencido. O navio Breadalbane perdeu-se em 1853 na Passagem do Noroeste. Cowan usou então um magnetometro — aparelho que se reboca de um barco e que detecta alterações do campo magnético provocadas por objectos de fer ro. no Canadá. porém. Encontra-se a uma profundidade excessiva para mergulhadores. nada encontraram. Equipado com um detector de minas comprado em se- gunda mão. Os navios foram apanhados por um tufão e afundaram-se a sul de Cabo Canaveral. cartógrafo inglês. Foi detectado em 1980 com o auxílio de rastreio por sonar.

abrindo uma válvula e deixando entrar o ar. ainda se dão avarias. que permitem aos operadores a bordo do navio de manutenção observar todos os pormenores do terreno. captando os fracos sinais de baixa frequência transmitidos através dele pela estação terminal em terra. uma membrana elástica no bocal cria uma depressão na câmara. sobe à superfície. Este baixa de pressão para igualar a que a água exerce sobre a face exterior da membrana. são comandados através de um cabo "umbilical" do navio e accionados por propulsores hidráulicos. Uma vez reparado. O segundo. a pressão é reduzida a cerca de 10 atmosferas acima da da água envolvente. o mergulhador tem de receber ar à mesma pressão que a da água que o rodeia. Os satélites de comunicações ainda não eliminaram a necessidade destes cabos submarinos . Quando o mergulhador pára de inspi rar. As grandes empresas de tclecomu nicaçóes possuem navios de manutenção em serviço permanente para efectuar as reparações. No primeiro. o ar que entra na câmara empurra a membrana elástica.até a "linha quente" entre Washington e Moscovo os utiliza. Se um cabo estiver partido. A pressão aumenta rapidamente com a profundidade. a fim de abrir a válvula e deixar penetrar o ar do tubo. Quando ela inspira. o cabo é descido de novo para O fundo. localizam a avaria e prendem linhas ao cabo avariado. O ar que esta mergulhadora respira do cilindro do seu escafandro aula no mo está regulado para igualar a pressão da água sobre o seu corpo. Usando as imagens como guia. pega num cabo de aço forte. O CIRRUS eslá equipado com luzes poderosas e câmaras de televisão. Recovery and Repair Underwater Subrnersible) e o seu sucessor. O ar chega ao mergulhador através de um regulador de dois andares. os operadores estendem poderosos braços articulados que agarram o cabo. que são descidos do navio de manutenção. deixando um rasto de bolhas. avariou-se poucas se manas depois. Mas que acontece quando um cabo se avaria? 0 primeiro cabo telegráfico transatlântico. o risco de avaria foi muito reduzido pelo emprego de um isolamento de polietileno e pela escolha de percursos que evitam as zonas de actividade vulcânica. Os pulmões humanos não são suíicien temente poderosos para se expandirem contra a pressão da água abaixo de cerca de 45 cm. o fluxo de ar. O primeiro trabalho de um submersível consiste em localizar a avaria. um aumento da pressão da água quando ele mergulha empurra a membrana para diante. a cores e a preto e branco. Respirar debaixo de água. o qual diminui de pressão quando entra.cerca de 2 kg/cm2. e a 10 m atinge já 2 atmosferas . O botão de purga do bocal pode ser accionado para deixar entrar ar ou expulsar água. Apesar destas precauções. Mesmo quando o mergulhador não esla a inspirar. Uma membrana elástica no bocal está em contacto com água num dos lados e com uma câmara-de-ar no outro. a água provoca um curto-circuito que irá estabelecer a ligação entre os fios que compõem o cabo. mergulham até ao fundo do mar. Hoje. fornece ao mergulhador ar à mesma pressão que a da água que o rodeia. Por isso. o ar que entra empurra a membro na. o ar está armazenado a alta pressão . fechando a válvula e. ainda mais sofisticado. Para respirar debaixo de água. os cabos são frequentemente enterrados. O trabalho é feito por submersíveis de comando à distância com o tamanho de uma furgoneta. esta alavanca faz abrir uma válvula que deixa entrar o ar do tubo. assente em 1858. Quando a inspiração termina. a membrana é puxada para dentro e empurra uma alavanca na câmara. O CIRRUS usa uma lâmina especial para cortar o cabo avariado e deixa no fundo do mar um «bip-bip» acústico para marcar o local. o submersível pousa no fundo do oceano e põe a visla o cabo avariado por meio de um poderoso jacto de água que expulsa a camada de areia e lodo. Membrana elástica Alavanca •* v—1= 'jt A—^~ ' Água Válvula Membrana elástica Alava |^- Agua Botão de purga Válvula Câmara-de-ar Regulador do bocal y< Inspiração Ar do ' cilindro Ar inspirado 1 Cámara-dc-iir ?tf Expiração * » Válvula de escape Ar "expirado ^_ Como sáo reparados os cabos de telefone submarinos? Um grande número de conversações telefónicas internacionais continua a ser feito através de cabos assentes no fundo do mar e que ligam entre si os continentes. correntes fortes ou os bancos de pesca. Ill . O ar expirado sai por válvulas de escape. o ROV128. No escafandro autónomo. que é então içado para a superfície. no bocal. o ar na câmara do bocal está sempre à mesma pressão que a da água envolvente.utilizou este escafandro para descer até 60 m de profundidade. Nas zonas pouco profundas. Quando o mergulhador inspira. O CIRRU5 (Cable Installation. Depois. Usa-se o mesmo processo para a outra extremidade do cabo. portanto. Kste é então puxado até à superfície e reparado a bordo. Quando o sinal de saparece. fechando a válvula e cortando o fluxo de ar. O submersível segue o percurso do cabo no fundo do mar. leva-o para o fundo e liga-o a uma extremidade do cabo telefóni co.alé 200 atmosferas — em cilindros atados às costas do mergulhador e ligados à boca por um tubo e um bocal.

Devido à dação em brilhante". O diamante lapidado em brilhante é que lhe dão o lustre nunca se gastam. Strong usara metais e ligas ferrosas como catalisadores. nenhum diamante se formou. o carbono foi submetido debaixo da crusta terrestre a temperaturas e pressões de tal modo elevadas que os seus átomos se rearranjaram. A equipa dos diamantes podia unicamente fornecer-lhe um de 22 quilates. a fim de produzirem pressões que podiam atingir as 100 000 atmosferas (103 500 kg/cm2). O diamante. em 15 de Dezembro de 1954. Entre as companhias que se têm dedicado a esta investigação. hoje. Os técnicos daquele departamento utilizaram esta roda para cortar e afiar as suas ferramentas. O brilho do diamante é igualmente devido ao facto de a luz que o penetra ser No final do século xvn. os inventores há muito que tentam reproduzir as condições que criam os diamantes no interior da Terra. prono Vincenti Peruzziot inventou a "lapiduzindo reflexos multicores. Faltava um catalisador para acelerar a reacção. de contorno redondo. Tanto os bicos de lápis como os diamantes são formas de carbono. Até que. A ideia de diamantes artificiais tem um atractivo evidente. mas sem sucesso. em 1957. Até hoje. um dos químicos. Os ângulos são calculados rigorosamente para que a luz que entra no diamante seja reflectida internamente e saia novamente por cima. PORQUE BRILHAM OS DIAMANTES parte superior e 25 na inferior. com a sua equipa. com o ponteiro a indicar perto de 100 000 atmosferas — e finalmente conseguiu. mas durante vários dias e noites os cientistas não conseguiram fazer mais diamantes. ficou desapontada com a sua falta de brilho e mandou tornar a lapidá-lo. Assim. Nova Iorque. mas com estruturas diferentes. não só pelo seu valor e fascínio como pedra preciosa. é apenas cerca de 50 cêntimos para o mesmo tipo de diamante . O maior desafio para os cientistas é. que já era suficiente para fazer uma roda de amolar. acorreu ao laboratório e começou a examinar as amostras. foi construído um forno eléctrico capaz de gerar uma temperatura de 2500"C. as facetas da. cores de um diamante bem lapidado. No entanto. um técnico do laboratório reparou. Dois tipos de carbono. a rainha Vitória foi presenteada com o diamante Koh-i-Nor. com uma lapidação corLapidação em brilhante. destaca-se a General Electric Company. os cientistas fizeram ensaios com muitos catalisadores diferentes. ainda hoje utilizaextrema dureza do diamante. O brilho dos diamantes è realçado pelo cinzento da grafite dos bicos de lápis. é 55% mais denso que a grafite. mas o seu preço é tão elevado como o dos verdadeiros porque são necessárias mais de duas semanas para obter um carate de boa qualidade. que algumas amostras produzidas pelo físico Herbert Strong tinham danificado a sua roda de polir. era 6 dólares por quilate. O seu preço tem descido com o aperfeiçoamento dos processos de fabrico. o carboneto de tungsténio. no princípio dos anos 50. oculta. depois de experiências metódicas. No interior da câmara de pressão. já se fabricaram mais diamantes sintéticos do que lodos os naturais extraídos ao longo de milhares de anos mais de 1000 t. toda a luz seja reflectida. branca e amarelo-canário. num teste de rotina.93 quilates.5 quilates. A General Electric acabou por inventar o melhor catalisador e. O departamento da General Electric que produzia ferramentas de corte fabricadas com um dos metais mais duros. Os diamantes artificiais podem ser feitos por encomenda e à medida. Durante três anos.a comparar com milhares de dólares por quilate por um bom diamante natural com qualidade de pedra preciosa. Usando grafite como material de base. Tracy Hall utilizou o seu aparelho à pressão máxima. O problema que agora se punha à equipa era como duplicar o processo que criara os diamantes. o joalheiro italiadecomposta nas cores do espectro. a substância de ocorrência natural mais dura que existe. Os diamantes naturais formam se a partir da grafite a mesma substância que é utilizada nos bicos dos lápis. Telefonou a Strong para se queixar — e este. temperatura e condições químicas. começou a comercializar diamantes sintéticos. conseguirem uma forma acessível de fabricar diamantes sintéticos de qualidade. O brilho e as recta. Tracy Hall. Quando. em 1850. Ficaram encantados . formou uma equipa de cientistas para trabalharem num laboratório de Schenectady. A General Electric já os produz nas cores azul. de 186. mas também porque tem muitas utilizações industriais. Quase desesperado. com 33 facetas na . formando uma nova estrutura cristalina mais compacta. o que os torna ideais para a indústria. verificou que a amostra que riscara a roda continha dois diamantes. em 1957. os investigadores utilizaram dois pistões trabalhando no inte142 A equipa preocupava-se agora em saber se os seus diamantes seriam tão bons como os naturais para o corte e a perfuração industriais. mas. pediu para ensaiar um exemplar de 25 quilates. ficando reduzido a 108.os diamantes artificiais cortavam melhor que os naturais e eram pelo menos tão duradouros. Uma lapidação de qua lidade menor estraga este efeito. no caso do diamante. Ambos sâo feitos de carbono. que. As experiências anteriores tinham provavelmente falhado por ter havido a combinação errada de pressão.Fabrico de diamantes em laboratório rior de cilindros de metal resistente. O alto índice de refracção do diamante—a medida em que ele desvia a trajectória de um raio da luz que o penetra faz com que. hoje.

Se tudo correr bem. A pedra é montaria numa haste e depois encostada a um disco de ferro imbuído de pó de diamante e óleo. CLIVAGEM DE UM DIAMANTE A pedra em bruto parece um pedaço de vidro. 0 resultado não é um único cristal de diamante. Uma vez clivada a pedra. com tin la-da-china. Os iões são átomos que ganharam ou perderam electrões. tem de arredondar-se ou desgastar-se a pedra com outro dia mante. em 1908 (v. Sobre este sulco. Assim. o diamante fracciona-se em dois. desgastando e polindo uma faceta de cada vez. Com urn diamante mais pequeno.Só um perito consegue distinguir um diamante artificial de um natural. outro diamante. Um novo método. Seguidamente. contra ele. p. A primeira operação consiste em mar cor na pedra a direcção de clivagem Um diamante lapidado em brilhante é geralmente serrado por um delgado disco metálico com pó de diamante no bordo. desenvolvido por cientistas no Instituto de Investigação Química em Kharkov. o primeiro passo consiste em fracturá-la ao longo dos planos naturais de clivagem da sua estrutura cristalina. A pedra é fixada em maxilas almofadadas ou num suporte de gesso. pois o diamante é a . é depois baixada até aos bordos de um disco finíssimo de fósforo-bronze. evita o uso de temperaturas e pressões extremas. O diamante é finalmente mergulhado em ácido sulfúrico em ebulição. Produz-se um feixe de iões de carbono que se faz incidir sobre uma superfície. esta é fixada num tomo de bruting e rodada a alta oeloci dade de encontro a outro diamante Sobre o sulco coloca-se uma lâmina de aço. utiliza-se uma serra para levar a cabo o resto do processo. uma liga metálica muito A pedra é fixa numa haste e faz-se um sulco ao longo da marca com um fragmento de diamante. os iões podem ser acelerados até grandes velocidades por campos eléctricos. A pedra final pesa geralmente um pouco menos de metade que a pedra original. para que mostre o seu fulgor e o seu brilho ele tem de ser cortado e facetado com rigor micrométrico. Como se cortam os diamantes à mão e à máquina Um diamante não lapidado. Uma pancada seca e o diamante fende-se ao longo do plano de clivagem. 143 . para o limpar. No caso de uma pedra grande. num processo chamado bruting. 0 lapidador calcula. mas perdese muito material porque o diamante tem de ser cortado de determinada maneira. Para tornar a pedra circular. esta parte é a mais arriscada de toda a operação. O disco roda entre 4000 e 6000 vezes por minuto e o seu bordo é revestido de uma mistura de pó de diamante e óleo. em Amsterdão. a partir da forma da pedra. Um diamante com o peso de um quilate (um quinto de grama) levará entre quatro e oito horas a cortar. e já foi sugerido que podia ser usado no fabrico de lâminas de barba que nunca perderiam o gume. Antes de clivar com êxito o enorme diamante Cullinan. é tão pouco impressionante como um pedaço amorfo de vidro baço. Um pequeno deslize e tê-la-ia transformado num monte de fragmentos. Já foi utilizado para tornar mais rijos os gumes das peças de corte das máquinas-ferramentas e os diafragmas de altifalantes de hi-fí. O disco gira a cerca de 2500 rotações por minuto. o diamante. dura e resistente. preso num grampo com um dado ângulo. a direcção correcta para o corte. pode desfazer-se em pedaços. faz-se um sulco ao longo dessa marca. Fixa-se um dos diamantes num torno e encosta-se. Se não. Como possuem carga eléctrica. A forma definitiva da pedra preciosa depende da sua forma original. Os minúsculos fragmentos de pó de diamante que saltam são cuidadosamente recolhidos para depois serrarem e polirem as pe- Para desgastar e polir as facetas. A energia com que eles colidem com a superfície é suficiente para os ligar entre si e formar diamante. A lapidação é um trabalho que exige muita perícia e paciência. que se bate com uma pancada seca. é encostado a um disco em rotação. que serra lentamente o diamante. A última fase é o corte e polimento das facetas que dão ao diamante o seu brilho. 144). dras. mas um material que se assemelha ao vidro. coloca-se uma lâmina forte de aço. a posição do corte. A sequência fotográfica à direita mostra como o lapidador marca na pedra. Joseph Asscher estudou a pedra durante várias semanas. por muito grande que seja.substância natural mais dura que se conhece.

Thomas Cullinan. Quando o viu pela primeira vez. Asscher decidiu cortá-la. juntamente com os restantes diamantes extraídos nessa semana.Joseph Asscher: o corte do diamante Cullinan Na tarde de 10 de Fevereiro de 1908. afirmando que. reparou em qualquer coisa "grande e brilhante" numa das paredes.e naquela tarde decisiva Asscher era observado por representantes do rei. pertencia ao rei Eduardo Vil de Inglaterra . superintendente da mina. Entretanto. A pedra. neTamanho natural. longe de desmaiar. por forma que os diamantes por eles produzidos pudessem vir a fazer parte das jóias da Coroa de Inglaterra. levantou a vara de metal e desceu-a com força sobre a lâmina. gou-o veementemente. o lapi dador Joseph Asscher preparou-se para cortar o maior e mais famoso diamante em bruto do Mundo. Com um peso bruto de 3106 quilates. Este. Até que. que. os jornais de todo o Mundo contavam aos leitores a história do que até ali se passara. Aí foi-lhe dado o nome do presidente da companhia. perto de Pretória. Mais tarde. A missão seguinte dos Asschers foi a rie (ornar a cortar e polir os dois pedaços.7 cm de largura. escreveu uma página na história do corte de diamantes. 6. ele festejara o acontecimento bebendo champanhe com os seus quatro irmãos e co directores da Joseph Asscher e Companhia de Amsterdão. Fas sou duas semanas à sua mesa de trabalho.dizem os boatos — Joseph Asscher desmaiou de alívio. A pedra fora vista pela primeira vez quando um operário que trabalhava tia Premier Mine. o Cullinan valia mais de três vezes o até então maior diamante A PREPARAÇÃO DA "GRANDE PANCADA" . tendo em conta a forma invul gar e a estrutura da pedra. não ficou muito contente por possuir a pedra preciosa. Joseph Asscher apoiou uma lâmina de aço nào afiada no sulco que fizera no diamante. Após meses de deliberação. a 80 km de distância.5 cm de altura — tinha o tamanho aproximado U R R de um punho de senhora. Asscher pediu outra lâmina. por sua vez. capital do Transval. Pesava cerca de 680 g e media cerca de 10 cm de comprimento. membros da imprensa e um grupo da sua própria empresa. porém. Em qualquer das hipóteses.5 cm de altura e 12. Frederick Wells. julgou ser vítima de uma partida — e que a grande pedra era feita de vidro. branco-azulada. Foi colocada no cofre da mina e levada mais tarde em cano de mulas até à sede da empresa. O diamante foi fixado num suporte. Joseph Asscher. abrindo um sulco na pedra com pedaços aguçados de diamante pois só o diamante corta o diamante. o Cullinan. e este retirou o «vidro» da parede com um canivete Mas breve se convenceu de que a pedra era autêntica. Frederick Wells. foi colocado numa abertura na parte da frente da caixa de clivagem. O dia rnante em bruto — com 10 cm de comprimento e 6. em Joanesburgo. havia o risco de a pedra se estilhaçar em fragmentos re lativamente pouco valiosos. no dia da 'grande pancada". Limpando a testa. e os seus sócios estudaram o diamante Cullinan — para decidirem se o clivaoam ou o serravam em dois. Os presentes sobressaltaram-se quando a lâmina de aço quebrou e o diamante ficou intacto. lapidador de Amsterdão. A pedra partiu-se em duas e . Chamou o superintendente da mina.

r U m a vez o d i a mante a salvo na sede da companhia. Dado o risco que o seu corte implicava. foi incrustada na Coroa Imperial do Estado Inglês. o general Louis Botha . Dois anos depois. Esta pedra é ainda o maior diamante lapidado do Mundo. o rei Eduardo convidou os irmãos Asschers — que em 1903 tinham com êxito cortado e polido o diamante Excelsior .o Cullinan II. Cullinan com vista a polirem o diamante. o Cullinan I. Duas das jóias foram aplicadas na própria coroa da rainha Mary. foto fotografia mostra as sete pecas maiores em que seguidamente a pedra foi cortada. o sindicato londrino que possuía o Excelsior não conseguira vendê-lo em bruto. pesando 530. era absolutamente pura. do Mundo. o seu diamante fosse ainda mais difícil de vender.O PROGRESSO DO CULUNAN DESDE PEDRA BRUTA A JÓIAS DA COROA Os primeiro» cortes. dado o seu tamanho sem precedentes. e a imprensa foi informada de que o diamante seria levado para a Holanda a bordo de um contratorpedeiro poderosamente guardado. foi montado no Ceptro com a Cruz. Decidiram que ela se integrava na categoria mais elevada de uma escala de nove cores que vai do branco-azulado no topo até ao amarelo. o Excelsior — descoberto noutra mina sul-africana. o Cullinan 11. o diamante maior. abai xo do rubi Príncipe Negro. Na realidade. O segundo em tamanho .2 quilates e com 74 facetas . pensava-se que o diamante era apenas uma parte de uma pedra muito maior. No ano seguinte. A pedra foi cortada em três peças. muler de Jorge V. ou Segunda Estrela de África. O rei concordou. Quando o corte histórico foi executado. Apesar do seu tamanho. A parte a mancha negra.que o deu de presente a Eduardo VII quando este fez 66 anos. Os dia mantes fazem parte das jóias da Coroa. com 317. Acabou por ser comprado pelo Governo do Transval por 150 000 libras. incluindo boatos de que se enviava uma imitação para afastar eventuais ladrões e de que a pedra verdadeira viria mais tarde. em forma de pêra. em 9 de Novembro de 1907. a Jagersfontein. as duas pedras principais foram sendo lapidadas e polidas até assumirem a sua forma definitiva. as duas partes do diamante foram novamente clivadas e divididas em 7 grandes pedras preciosas e 98 menores lapidadas em brilhante. 0 diamante embarcou para Inglaterra no meio de grande publicidade. O Cullinan teria de ir a Amsterdão para ser clivado e libertado da mancha. um dos irmãos Asschers — Abraham — limitou-se a meter a pedra na algibeira no Palácio de Bucking* ham e levá-la para casa por comboio e ferry-boat.4 i u i l a t e s e 66 facetas — foi incrustado na Coroa Imperial do Estado.a irem a Londres examinar o Glória régia. em 1893. Vinha a seguir a tarefa delicada de polir os diamantes. filho de Eduardo Vil. "^•Jfr/ir-V Os pedaços maiores. oval. a menor das duas pedras. Os restantes diamantes Cullinan vieram a ser adquiridos para a rainha Mary. A família Asscher espera que um dia a "parte que falta" desta maravilhosa Jóia seja encontrada numa mina sul-africana. As outras entraram na herança da família real e são carinho sãmente apelidadas de "as pedrinhas da avó" por Isabel II. Thomas Cullinan temia que. Em 1908. Após breve inspecção. os Asschers dedicaram-se ao estudo da grande pedra.foi colocada no Ceptro com a Cruz. Duas pedras preciosas gigantes. O presente foi considerado como um gesto de reconciliação definitiva a seguir à derrota dos colonos holandeses pelos Ingleses na Guerra dos Bóeres de 1899-1902 e o estabelecimento do Transval como colónia da Coroa Britânica. Marcas numa das suas faces sugeriam que ela fora "partida peia Natureza". os Asschers disseram ao rei que o que ele pretendia era impossível: o diamante era imperfeito de vido a uma grande mancha negra que se reflectiria através de todas as suas facetas. Gradualmente. ou Primeira Estrela de África. A maior das pedras acabadas — o Cullinan I. neta da rainha Mary. por sugestão do primeiro-ministro. 145 .

Os desenhadores de aviões ensaiam as formas que idealizam em computadores que simulam os fluxos do ar em volta do aparelho. usam um modelo à escala num túnel de vento. transportadas por foguetes ou mesmo libertadas ao nível do solo para que as correntes de ar que sobem as levem para cima. o vedor usa um pau em forquilha . Em terreno plano. os aviões de hoje viajam comummente a mais de 16 km de altitude e podem atingir a velocidade de uma bala de carabina. a forma toma-se uma característica cada vez mais importante. representa um ser humano usando aquilo que parece ser uma vara de vedor. As nuvens são formadas por biliões de partículas de água. Pensando na velocidade A medida que as velocidades aumentam. Schaefer e Longmuir provaram que pe querias partículas. vedor inglês. os varões rodam e cruzam-se. Uma das maneiras de as gotas aumentarem de tamanho é pela congelação. em que o ar é sugado e passa pelo modelo Como e que se consegue fazer chover? Enquanto os Hopi. adicionadas a nuvens sobrear refecidas podem criar cristais de gelo que crescem rapidamente Estas partículas têm sido lançadas de aviões. as gotas de água gelam e aumentam rapidamente de volume até o seu tamanho as fazer cair. Só quando essas gotas atingem um quarto de milímetro ou mais. e muitos encaram os resultados com cepticismo. habitualmente de iodeto de prata. materiais que (ornem o avião mais leve sem prejuízo da resistência e sem afectar os custos e motores que sejam de confiança e de manutenção fácil. se sintoniza com minúsculas flutuações provoca das pela água ou minerais subterrâneos. fundindo-se depois devido à temperatura mais elevada e chegando ao solo sob a forma de chuva. 146 . um galho de sabugueiro ou salgueiro em forma de Y. um em cada mão. Tradicionalmente. Em 1946. as companhias que constroem aviões têm por objectivo produzir aparelhos ainda mais rápidos. designado por método dos efeitos biofísicos. pensa que as aves em migração se orien tam pelo campo magnético da Terra. o que leva à formação de partículas de gelo. muitos vedores fazem descobertas que não podem ser unicamente atribuídas ao acaso. bem como de cursos de água subterrâneos. o Prof.em geral. Mas a água pode estar alguns graus abaixo desse ponto (sobrearrefeci da) sem chegar a gelar. Uma vez que a temperatura das nuvens está frequentemente abaixo do ponto de congelação. Numa nuvem que contenha partículas de gelo e gotas de água. assinalando os sítios onde sentiu novos sinais. Menos de 100 anos passados. foi a primeira pessoa que se sabe ter utilizado este sistema para pesquisar água. A bara nesa de Beausoleil. Frequentemente. Mas os primeiros vedores de que há notícia foram os mineiros medievais alemães dos campos carboníferos da Saxónia. até o galho ou os varões começarem a torcer-so. que provaram que as nuvens apropriadas podiam ser artificialmente levadas a produzir aguaceiros. Algumas empresas de engenharia civil recorrem a vedores para a localização de tubagens ou cabos subterrâneos quando fazem levantamentos dos locais das obras. Desde que as nuvens estejam sobrearrefecidas. procuram formas que reduzam o atrito. podia es- como se este estivesse a voar. Assim como se perar-se que as gotas de água congelassem facilmente. em Kittyhawk. índios do Sudoeste Americano. e os estudos feitos por diversos cientistas sugerem que assim possa ser. A forquilha é segura sob tensão. a puxar para baixo ou até a saltarem-lhe das mãos. França. acham que as varas do vedor são de maior confiança do que os modernos instrumentos de detecção. na Carolina do Norte. Nova Iorque. depois. Estes movimentos indicam o local onde se deve cavar para encontrar aquilo que se procurava Um bom vedor calculará a profundidade a que se encontra a nascente marcando o sítio onde o sinal foi mais forte e irradiando dai' em várias direcções. o primeiro aeroplano do Mundo voou a apenas alguns metros do solo e à velocidade de um cavalo de corrida. A ideia do galho é amplificar o movimento involuntário dos músculos da mão quando o vedor descobre água. No entanto. as partículas de gelo aumentam rapidamente de volume à medida que as gotas se evaporam e o vapor é transferido para o gelo. Yves Rocard. Se se lhe juntarem minúsculas partículas. da Escola Normal de Paris. mas produzam maior propulsão com menor dispêndio de combustível. uma vez que é impossível saber quanta chuva teria caído naturalmente. Ninguém consegue explicar cabalmen te como o fenómeno actua. a dobrar. seguros como pistolas apontadas para a frente. de Nice. no Norte de África. descreveu em 1977 como sentia choques eléctricos por todo o corpo quando se encontrava próximo de água subterrânea. Hoje. O mineralogista alemão Agrícola (George Bauer) des crevia no século xvi a forma como os mineiros se serviam de ramos de arvore em forquilha para localizar veios ocultos. Vincent Schaefer e Irving Longmuir iniciaram trabalhos nos Laboratórios de Investigação da General Electric em Schenectady. Robert Ashford. diz que um bom vedor tem menos resistência eléctrica entre as palmas das mãos do que um mau vedor. ainda hoje tentam fazer chover sacrificando animais. Cientistas na União Soviética há anos que têm vindo a utilizar o processo na pesquisa de jazigos de minérios e petróleo. Este fenómeno deve-se ao facto de a água das nuvens ser absolutamente pura. Por isso. mais fiáveis e mais económicos.Como é que um vedor encontra água ou minerais subterrâneos apenas com auxílio de uma vara? Uma pintura rupestre com 8000 anos nas montanhas do Atlas. assim os músculos do vedor podem reagir quando ele. Mas. é que elas se precipitam sob a forma de chuva miudinha. Um investigador. com um braço do Y em cada mão virado para cima e a haste apon tada para diante. Como se construirão os aviões do futuro? Em 1903. inconscientemente. O vedor avança lentamente. ainda há muitas interrogações quanto à viabilidade económica do processo. As gotículas mais pequenas evaporam-se antes de tocar o solo. outros adoptaram caminhos mais científicos. Quando o "alvo" é atingido. pois descreveu-o num estudo que data do século xvii. sem poeiras ou outros contaminantes que iriam constituir o centro de um cristal de gelo. Einstein admitia que a explicação residisse no electromagnetismo. demasiado pequenas para caírem sob a forma de chuva. Muitos vedores actuais preferem usar dois varões de metal dobrados em L. a técnica funciona — aumentando a pluviosidade até um quinto. a distância de cada um dos pontos exteriores ao centro representa a profundidade a que deve encontrar-se a água.

porque reduzem a fricção entre a água e a pele. mas suficientemente rígidos para náo vergarem com tis tensões do voo nem se deformarem quando sujeitos a compressão. o avião é experimentado em voo. As asas de geome iria oariáoel dào ao Panavia Tornado uma forma convencional. O iate americano que ganhou a Amcrica's Cup em 1987. Os testes têm lugar em fornos. Todas as partes do protótipo são testadas em terra quanto às respectivas reacções ao calor. Depois.mais rápido do que o que passa sob as asas . os custos operacionais durante os seus 20 anos de vida baixariam cerca de 4 milhões de dólares. as do Egrett são feitas de carbono e fibra de vidro.Estes ensaios proporcionam uma ideia do comportamento do avião verdadeiro. ao ruído e aos esforços. com um consumo racional de combustível a baixas velocidades (ã esquerda) e o perfil de uma seta (em cima). O choque é provocado pelo facto de o ar que passa na parte de cima das asas . São estrias como estas que contribuem para que os tubarões nadem com rapidez. Aliviando a carga Por cada quilograma poupado no peso de um grande avião comercial. Porque as asas compridas e estreitas são mais sujeitas a esforço que as curtas e largas. em câmaras acústicas e em estruturas de ensaio de carga em que as pressões são aplicadas hidraulicamente. raio de acção A34Q/330. Estes materiais foram criados para serem leves e resistentes. a resistência é causada por pequenos remoinhos que se formam quando o ar passa pelas superfícies da fuselagem. As asas inclinadas para trás foram inventadas para retardar a formação das ondas de choque que afectam os aviões de asas perpen diculares quando se aproximam da velocidade do som. Aqui. pelo que a NASA ensaiou em túneis aerodinâmicos a ideia das estrias aplicadas a aviões. com as asas puxa das para trás para voos supersónicos. Estes jactos terão também asas com pequenas saliências triangulares nas extremidades por cima e por baixo da ponta da asa. Nos aviões.entre 15 e 50 km de altitude. destruindo pequeninas correntes revessas que aumentariam a resistência ao movimento.atingir a velocidade do som. combinação que lhes permite terem um comprimento 20 vezes superior à largura. poupam-se cerca de 150 I de combustível durante um ano de voo. ângulo e espaçamento. Cada 1% da resistência que diminui representa 1% de combustível poupado. As saliências abrandam a velocidade do fluxo de ar e reduzem a resistência. Materiais mais leves. Rumo aos céus. foi criado para voar na estratosfera . o Stars and Stripes. isto é. Lm avião experimental alemão ocidental. A Airbus Industrie está a ensaiar as estrias em condições de voo na sua série de jactos de longo 147 . uma ideia retira da da Natureza. como a fibra de carbono. As asas de um avião convencional feitas de uma liga de alumínio não podem Superaerodinamismo Os jactos do futuro terão provavelmente uma espécie de estrias de secção triangular ao longo da fuselagem. Se um Jumbo Boeing 747 pesasse menos 10%. cerca de 1200 km/h ao nível do mar. tinha um revestimento com estrias deste tipo ao longo do fundo. previstos para entrada em serviço em 1992. Os ensaios no túnel aerodinâmico têm levado os desenhadores a criar novas formas para os aviões de alta velocidade. o ar a alta pressão que vem da parte de baixo da asa provoca turbulência ao subir. Verificaram que estas reduziam a resistência do ar em 8% desde que mantidas dentro de limites bem definidos de tamanho. o Egrett. estão por isso a entrar na constniçáo aeronáutica.

som e espaço parte posterior de um motor a jacto. As suas asas podem tomar uma posição praticamente perpendicular à fuselagem durante os voos a pequena velocidade ou inclinar-se para trás para as altas velocidades. e o avião e antiecouómico a baixas veloci dades. em Dezembro de 1986. Estes motores propfun demons paz de viajar a velocidades superiores à do traram produzir mais potência e gastar me som. ou seja 0 dobro da velocidade do som. a hélice está em azul e as de alta em agora a regressar. como os ílups e os aiierons. A hélice pode americanas como a Generá i 'olrar aos jactos ca ral Electric e a McDonnell merciais nos anos 90. economizará no peso devido ao emprego. do avião de passageido motor. bre terra firme tem de ser inferior á do som. o Boeing 7J7. Em sua substituição. sem escala nem reabastecimento. Os aviões projectados para os anos 90 escaparão ao problema da explosão sónica. A viagem dai ou nove dias. Douglas ensaiaram já a utilização de hélices curtas e largas ligadas á Velocidade. produz uma liga 8% mais leve que as outras ligas de alumínio. O Voyager. As tubagens e depósitos que até aqui têm alimentado o sistema hidráulico de comandos foram eliminados. A sua estrutura de fibra de carbono permitiu-lhe carregar quase cinco vezes o próprio peso em combustível. o Concorde gasta oito vezes mais combustível do que alguns aviões convencionais. As pás O focinho aguçado e as asas triangulares. mostrando as menos ruidosos do que os áreas de baixa pressão de há 10 anos. Fabricas castanho. Novos comandos Outro aperfeiçoamento de concepção que poupou peso e espaço foi a tecnologia de comando por computador. Este tipo de sistema de transmissão foi utilizado pela primeira vez nos aviões europeus de transporte Airbus da série A. que garante também que os comandos do aparelho não sejam forçados a operar para além dos limites da sua capacidade. I lm novo avião de passageiros. as superfícies de c o m a n d o .ler um comprimento que exceda cerca de oito vezes a largura Materiais leves mas rígidos. no seu histórico OOO a volta da Mundo. Os EIA têm em estudo um destes aviões. pelo que estas tem de ser muito rígidas. o avião pode cruzar a menos de 320 km/h ou acelerar para Mach 2 cerca de 2250 km/h. a velocidade de voo so res a jacto convencionais. avião americano de rotor basculante cm serviço desde 1988. possuem pequenos activadores hidráulicos ligados electricamente a um com putador e comandados por sinais electrónicos. da hélice aceleram o ar que passa em volta inclinadas para trás. aumentando assim a propulsão ros anglo-francês Concorde tornam-no ca do avião. na construção. Combinado com o alumínio. como a fibra de vidro. A velocidade de cruzeiro do Osprey é assim de 576 km/h. O metal mais leve que se conhece c o lítio.Í00. de concepção americana. projectado conjuntamente por empresas alemãs.voan do a 25 vezes a velocidade do som. assim. A 800 km/h. como o aparelho de intercepção e ataque Panaria Tornado. t . da liga de alu mínio-lítio e de fibra de carbono. Mas para evitar o ruído inaceitável da nos 40% de combustível do que os motoexplosão sónica. Um diagrama de tenham sido aperfeiçoados compa/ador assinalou 0 para serem mais seguros e fluxo do ar. Quando a força de sustentação já é suficiente. as hélices ínclinam-se 90" para diante para darem a propulsão para a frente. idêntica a de urn avião convencional. Uma das soluções para o problema da forma adequada tanto para baixas como para altas vel<xidades são os aviões de asas de geometria variável. O regresso. atravessando a atmosfera e entrando em órbita durante parte da viagem . cujos motores e hélices se situam na extremidade das asas curtas. como o rotor de um helicóptero. tornaram possível a criação do avião de rotor basculante — o aparelho que poderá substituir o helicóptero —. levanta com as suas hélices com três pás de 12 m rodando horizontalmente. 0 Bell-Boeing V22 Osprey. italianas e inglesas. quase o dobro da de um helicóptero. As asas tia fama. Cientistas Potência e hélices da NASA utilizaram estas Os motores representam 20 hélices paru aumentar Q a 30% do custo de um avião potência de um motor u Embora os motores a jacto jacto.

o Gossamer Condor. reSão milhares as histórias fabulosas de hoem linha recta. munidas de ailerons ajustáveis. Os pilotos deste primeiro voo à volta do Mundo sem reabastecimento foram Dick Rutan e Joana Yeager. Passou pela barrei Cready estava decidido a ganhar o Prémio O avião linha dois motores. arrefecido a líquido. de 24 anos. O cockpil na fuselagem central tinha aproximadaRecriando a lenda. Como é que voa um aeroplano accionado pelo homem? 149 . plano accionado pelo homem que percortrês dias: tinha cumprido a sua missão de resse um dado circuito. espuma de plástico e folha de plástiBryan Allen. foi possível graças à leveza do seu avião de fibra de carbono. ou X30.conhecido por avião espacial. se 250 horas . na telefónica. precisaria de uma potência constituiu a história de Dédalo. num voo ainda mais mandado por uma alavanca que torcia as espantoso. O da tross. A maioria do espaço no avião era ocupada pelos seus 17 tusiasta de ciclismo e de asa-delta Bryan Paul MacCready. na ilha voo falharam porque os materiais eram gue produzir mesmo durante poucos mide Creta. recriando a lenda de Dédalo. em Shafter. pelo que pôde carregar cinco vezes o próprio peso em combustível . instituído em 1949 pelo industrial extremidade da fuselagem central. consfactor de tal modo importante que. MacCready calculou que. reforenormes asas para obler a máxima força çadas com fibra de carbono e revestidas de sustentação a muito baixa velocidacom uma película de poliéster. As MacCready construiu o aparelho com sem manutenção. O combustível dos seus motores a jacto será provavelmente o hidrogénio. voando com asas feitas de cera e demasiado pesados para serem impulsionutos. e levantou voo.quase 10 vezes o tempo manho do seu predecessor. levando um poucies de voo. mas também de transportar rapidamente passageiros de Nova Iorque para Tóquio cm 2 horas em vez das actuais 14. mas era cons que um motor convencional funciona truído com materiais mais resistentes. Para o ganhar. por asas. muito pesado devido ao combustível. Os outros pequenas.5 segundos. atravessou o Canal à altitude co para fechar a cabina e forrar as superfímédia de apenas 75 cm. para voar 14 vezes campeão grego de ciclismo. o cartão canelado adiantadas em relação às asas principais. o fornecer potência adicional para a descoMacCready resolveu construir um aeroGossamer Condor tinha de fazer um oito lagem e enquanto o avião estava ainda plano mais sofisticado. A volta ao Mundo sem reabastecimento Um voo de nove dias sem escala à volta do Mundo. poupando assim meio quilo. pilotado por asas). O aparelho era accionado por co menos que três horas. O peso era um Allen. que fugiu de Creta com o auxílio de umas asas. o Voyager. As anteriores tentativas de próximo do limite que um homem consefugiram do labirinto do rei Minos. Esle avião de fuselagem tripla. co e campeão de voo em planador. O Gossamer Conmecanismo de comando mais aperfeiçoador foi construído com tubos de alumínio do e era manobrado por um par de asas ligados com cordas de piano. efectuado por dois aviadores americanos em 1986. trabalhou quacha. porto do condado de Kern. O da minutos e 22. engenheiro aeronáutidepósitos de combustível. Ca32 kg de peso. o Gossamer truiu um aeroplano com 9 m de comprivoo. Jeana Yeager cortou os seus cabelos Condor percorreu 9 m de pista do aeromento. um em cada ra dos 3 m e fez o percurso de 2 km em 7 Kremer. materiais foram a balsa. asas e a fuselagem eram de plástico. o Gossamer Alba entre duas colunas distanciadas de 800 m. Kaneilopoulos pedala no seu aeroplano a distância recorde de 120 km entre Creta e mente o tamanho de uma cabiSantorini. Kanellos Kaneilopoulos. mas a proeza real data de cerca de um terço de cavalo-vapor uma lenda grega. Este avião é capaz de levantar e aterrar em qualquer aeroporlo. (que formava os bordos de alaque das Em 12 de Junho de 1979. tinha uma envergadura superior à do Boeing 727. antes do Em 23 de Agosto de 1977. Possuía um de — cerca de 15 km/h. O avião tinha aproximadamente o tatura à partida e à chegada. uma corrente de bicicleta ligada a uma grande hélice por detrás da cabina e coEm Abril de 1988. Maclifórnia. ganhando o inglês 1 lenry Kremer para o primeiro aerofrente. e a propulsão no espaço será feita por foguetes. para voar os 37 km do canal da Mansobrevoando uma barreira com 3 m de alpopa. foi parado ao fim de avultado prémio. Segundo mens voadores. Dédalo e seu filho ícaro apenas de 1977. O aeroplano seria pilotado pelo enpenas. mas pesava menos de I t. Ícaro aproximou-so demasiado do nados pela força muscular do homem.cerca de 5600 I. 29 m de envergadura e apenas compridos. arrefecido a ar.

o avião é rebocado quase quatro horas de esforço. a uma distância mento. O avião. pois o seu objectivo é fazer aler contra o vento para aterrar em Sanlorini: as rosa desta pelo radar do avião ou por um rar um avião por minuto. Um jacto F-4 Phantom aterra no porta aviões Ark Royal. noutras esperas. A 800 m do navio. Kanellopoulos voou a radar emitidos pelo porta-aviões ou por de 90 a 135 m. sendo construído em fibra de num mar bravo. entra numa descida de aproximação de 3°. Recebe rá instruções para descer para 1500 pés (460 m). um pouco para a do Ar e do Espaço. Nesta altura. As nuvens o a chuva reduA salvo de volta à máe carbono e em keuiar. Dédalo conseguiu chegar à ilha de de luzes verdes. com vento a favor. controlado pelo radar. batendo o de cerca de 25 km do porta aviões. à rnédia de um avião avisador avançado. que lhe dá in formações sobre as condições do tempo à superfície. pelo que tem de regressar à avião prender-se á num dos quatro cabos 30 anos. O rumo é acertado por sinais de ram a cerca de 250 km/h e estacam ao fim estavam perfeitas. O piloto tem agora corno pontos de referência as luzes de tombadilho ria mãe e Aterragem no mar. 0 avião a mira de projectores — séestaca no espaço de 90 a 135 m. que os cientistas equipararam ao es cabos. onde lhe são travadas as rodas e nadar para terra. rança. e Kaesquerda. de aço que atravessam o tombadilho." Estas nellopoulos foi apoiado por 36 cientistas. Outros passados cabos que o prendem ao convés. recorde da distância de voo impulsionado aviões podem estar nessa altura a enirar Fim de manobra. além de uma sensação de segu tai foi de 1 milhão de dólares. Continuar. um material sintético zem a visibilidade. como o goso manobrar o avião num tombadilho no mar a poucos melros da costa. Kanelgação aérea táctica). o Dédaum oficial de segurança de alerragem. está O aeroplano de Kanellopoulos. detêm o avião num As condições meteorológicas atrasaram para a posição em que foi informado estar espaço notavelmente curto: os aviões atero voo por 25 dias. e o controlador avisa o piloto caso ele se desvie dela. obtém a posição rigoseguinte. O piloto desce e entra por um tractor especial para o estacionalopoulos conseguiu arrombar a cabina e numa órbita. o gancho da cauda do seu leve que a fibra de vidro. da Marinha Britânica. O custo loções vitais. Após TACAN (tactical air nauigation. mas em 23 de Abril a mãe. a tripulação do cerca de 6 m acima do mar. Quando o piloto chedor começa a orientar a descida do avião problemas até ele ter de virar o aparelho ga a 190 km da mãe. o piloto recebe instruções para voar à vista até aterrar. comandado pelo porta aviões. a "espera". pelo homem. mas todas estas se encon Como os aviões pousam num porta-aviões com mau tempo 150 . Mais potência. Com uma envergadura de 34 m (maior que a do Concorde).trarn a diferentes altitudes e distâncias da mãe. enviado por tombadilho entra em acção o o controla30 km/h. rie de luzes no porta-aviões que indicam a posição rio avião em relação Sol. 120 km a norte de Creia. o Dédalo pesava apeImagine se um porta-aviões balançando nas 32 kg. CoSanlorini. O voo não teve aquele em patrulha. em Washington. O primeiro avião é introduzido no controle de radar e dirigido para o sistema de aproximação. treinou-se durante meses para o «mãe» (porta-aviões). vermelhas e amarelas. foi projectado pelo Massachusetts Insliobserva a aproximação e transmite ao pilotute of Technology c pelo Museu Nacional to: "Ligeiramente alio. Um caça monolugar Desde que o piloto acate as correcções vicinco vezes mais forte que o aço e mais voa a 300 km de distância já com pouco suais e verbais. Estes voo. Esta é a faixa de aproximação ideal. as asas derreteram-se e ele caiu e morà descida de aproximação ideal por meio reu. locado junto à mira de projectores. Ordena-se ao piloto que faça as suas verifi cações prévias com o auxílio do controlador aéreo no porta aviões. quando o gancho da cauda se prende nos cabos de aço do convés. Kanellopoulos. que lo. correcções dão ao piloto do avião informaengenheiros e meteorologistas. chuva e turbulência. Como seria perivelas e a cauda partiram-se e o avião caiu auxiliar da navegação por rádio. de combustível. onde há ainda nuvens. os efeitos do balanço do tombadilho sedo modo mais eficiente e marca o rumo jam menos intensos. ou navemolhado c balouçante. colocados longe da popa para que O caça sobe para utilizar o combustível forço de duas maratonas. Voara 120 km. Recolha A mãe aponta entáo ao vento e começa a "recolha".

sofrendo apenas uma perda. p. a maioria dos aviões modernos não conseguiria descolar dos navios que os transportam. No seu interior. as forças combinadas da pressão do vapor e dos motores do avião rompem o elo fraco. Ser o primeiro a localizar o inimigo. A lançadeira volta depois à posição inicial para novo lançamento — um porta-aviões pode assim lançar um avião em cada dois minutos. o avião dirige-se à sua posição. Depois de a Marinha Americana a adoptar em 1954. os pilotos voam a rasar Guerra computorizada. quatro não chegam a ver os seus atacantes. mas quando a catapulta é disparada. Na invasão israelita do Líbano em 1982. Dois cilindros paralelos. conservando-se vivo. chamada holdback. Os actuais caças a jacto voam a mais de 2400 km/h. a argola tem no meio um elo fraco. onde uma argola. O vapor é fornecido aos cilindros pelas caldeiras do navio através de um acumulador de pressão. estão colocados debaixo do tombadilho. fazendo-os parar num pequeno espaço. Uma barra de reboque perto da roda da frente do avião é descida até uma "lançadeira". seja instalado a bordo de outros aviões. do avião à máxima potência. os modernos caças fazem parte de um complexo sistema de defesa que utiliza o radar (v. Por isso. o aparelho solta-se da lançadeira. A catapulta a vapor foi inventada por C. Mitchell. enviando sinais de radar para a sua base em terra até distâncias de quase 400 km. este avião foi tão eficaz na localização do inimigo (às vezes ainda antes de este descolar) que os Israelitas destruíram mais de 80 aparelhos sírios. Uma barra de reboque prende a frente do aoião ao mecanismo da catapulta a vapor. da Marinha Britânica. o avião é então atirado para a frente.5 km para fazer manobra idêntica. No final do percurso. e instalada para ensaios em 1949. Para evitarem a detecção pelos radares instalados em terra. é a primeira prioridade.Catapultas a vapor: lançamento de aviões de um navio Sem as catapultas a vapor. dependendo da altitude de voo. funcionam dois pistões presos à lançadeira. De cada cinco pilotos abatidos. As imagens permitem-lhe fixar o seu rumo sobre um aoião inimigo e abatê-lo. à frente do avião. atingindo a velocidade de 250 km/h em 45 m. 154) como primeiro alerta do um ataque seja radar instalado no solo. Os AWACS (designação por que são conhecidos os aviões do Airborne Warning and Control System. 0 avião mantém-se imobilizado pelo holdback. os portaaviões de todo o Mundo começaram a usá-la. Imagens computorizadas aparecem na linha de visão do piloto. Para descolar. O radar do avião tem um alcance até 640 km. ou Sistema Aéreo de Alerta e Controle) da NATO podem voar sem reabastecimento durante 10 horas. Um tipo de avião de primeiro alerta é o subsónico americano E-2C Hawkeye. embora ambos os lados utilizassem jactos supersónicos com velocidades de ponta semelhantes. . Um jacto F-4 Phantom preparase para levantar voo. O problema para todos os pilotos de caça rnantém-se o que era nos primeiros dias dos combates aéreos localizar e destruir o inimigo. C. lançando assim uni avião em cada 30 segundos. o piloto põe os motores Descolagem por catapulta. As tácticas dos modernos pilotos de caça O piloto de um Sopwith Camel voando a cerca de 160 km/h na I Guerra Mundial podia virar em pouco mais de 70 m para escapar às metralhadoras de um triplano alemão Fokker. Esta pressão varia conforme o peso do avião a lançar. usual mente delectando-o pelo radar. Os porta-aviões americanos podem ter até quatro catapultas. faz a ligação entre a cauda do aparelho e um ponlo fixo do convés. e os seus círculos de viragem são tão largos — perto de 25 km — que é difícil aos pilotos de ambos os lados chegarem sequer a verse. É a única parle da catapulta visível acima do tombadilho de voo. Sondas no topo dos pistões vão de encontro a um depósito de água. que prende o avião à catapulta com um mecanismo de engate. com pelo menos 45 m de comprimento. Em 1953. Em operação. Os computadores do avião podem detectar simul taneamente 500 aviões inimigos e transmitir instantaneamente informações às bases de comando em Inglaterra. um caça americano Sabre F-86 voando a 960 km/h na Guerra da Coreia precisava de mais de 2.

sendo o "chefe" protegido por um "asa". o cockpit. Ao eliminar um sector do círculo de voo. executa um tonneau para diminuir a velocidade. voarem o mais baixo possível. que se coloca em posição de ataque para o caso de o inimigo sobreviver e voltar ao combate. como também pode destruir aviões inimigos ainda no chão e dar apoio a forcas terrestres. 0 piloto atacante sobe quase a pique para uma posição acima do seu adversário e pica sobre ele vindo da direcção do Sol. às vezes. Se dois adversários se perseguem em círculo aproximadamente à mesma velocidade. quando ele dispara foguetes SNEB. Ainda hoje são ensinadas nalgumas forças aéreas tácticas de combate usadas na Guerra da Coreia. o Harrier. Depois. bombardeando um alvo inimigo em terra. Uma destas é o ioiô a alta velocidade. mas têm de estar preparados para. o que evita que ultrapasse o avião inimigo no final da picada. A técnica hoje ensinada pelas forças aéreas é a de atacar o inimigo tão rapidamente quanto possível. ele consegue aproximar-se o suficien- 152 . Chamas brilham sob as asas deste jacto de descolagem vertical. Assim que o avião inimigo é avistado. o atacante tenta aproximar-se dele o suficiente para captar na sua mira a parte mais vulnerável do outro avião. O Harrier pode transportar mais de 41 de armamento . a curvatura da Terra. Esta manobra é frequentemente executada em pares. mísseis. pelo que não só é muito V&sálll em combate aéreo. os montes e os edifícios escondem o aparelho dos sinais de radar Durante os treinos em tempo de paz. Voar em formação cerrada — em que. que não consegue distinguir o número de aviões da esquadrilha.Disparo de foguetes. durante apenas meio segundo — quanto basta para o abater. tomam então altura para obter espaço de manobra. numa guerra. o solo. os aparelhos estão separados por escassos metros — confunde também o radar inimigo. os pilotos aprendem estas tácticas voando a 75 m para evitar o incómodo do ruído. foguetes —. A este nível. Pica para o centro do círculo e sobe por baixo do adversário enquanto este continua a dar a volta. Se tiverem de entrar em combate.bombas. o agressor pode usar a táctica do ioiô baixo para se aproximar.

os ailerons e os lemes de direcção e de profundidade. 4. parece estar na posição de descolagem. Os mísseis inimigos são atraídos pelo calor dos foguetes. O piloto de um Tornado F-3 (à esquerda) demonstra uma táctica de combate aéreo utilizada desde a I Guerra Mundial. 153 . um Harrier (rosto azul) abale um caça inimigo mais rápido (rasto laranja). como o Sidewinder. O Harrier aponta para baixo as lubeiras dos seus jactos. Um princípio semelhante é usado no F/A-18 Hornet da Marinha Americana . agora na frente. A concepção revolucionária do Falcon proporciona-lhe um centro de gravidade tão recuado que o avião está sempre pesado de cauda e. Procedendo a uma manobra sem par. pelo que os pilotos do F-16 deram a esle avião a alcunha de o Jacto Eléctrico. seja automaticamente. O computador está continuamente a ajustar esses comandos com movimentos tão pequenos e rápidos que nenhum piloto conseguiria fazê-los por si. continuando com os motores à potência máxima. orientando as respectivas tubeiras de escape. O I larrier detecta o avião inimigo atrás de si. avião subsónico com uma impressionante capacidade de manobra. O ra dar e outros sensores localizam o alvo. sensível a alterações mínimas da pressão dos dedos do piloto. e o piloto pode alterar. como o F-16 Fighting Falcon americano. a vitória cabe ao avião mais rápido. os aviões inimigos são destruídos em combate por mísseis que buscam o calor. podendo então ser feito um disparo. As ver soes mais recentes projectam as informações sobre a viseira do capacete do piloto. 1. Ele sobe rapidamente acima do avião inimigo. Ameaçado por um atacante (em cima). o piloto de um F-16 Fighting Falcon americano dispara foguetes para desviar mísseis lerrnoguiados. tornase um ahx> fácil. como no caso do Harrier. Os computadores são também a chave do êxito nos combates a velocidades supersónicas. o ângulo de impulso dos motores. no solo. são construídos tendo em vista uma grande capacidade de manobra. As reacções rápidas. 0 inimigo está em posição de disparar. 2. que persegue o calor do escape do inimigo e pode ser disparado a uma distância de 18 km. Este avião pode aterrar e descolar na vertical. depois pica sobre este vindo da direcção do Sol para que o piloto inimigo fique encadeado.velocidade máxima. a experiência e a capacidade de decisão do piloto são ainda mais importantes que a electrónica do avião. permitindo lhe ler as informações sem desviar os olhos. Ataque e defesa. Pode ser colocado muito rapidamente em subida apertada. em apenas al- guns segundos é-lhe possível reduzir a veocidade horária em 320 km. O piloto utiliza-os para obter informações de pormenor sobre a altitude. Na maior parle. 1915 km/h -. Este sistema é conhecido por fly-by-wire (pilotagem por sinais eléctricos). mas nem sempre assim acontece. direcção e velocidade de aproximação do seu alvo. O piloto olha para o alvo ao longo da mira. Deste modo. caça polivalente com uma velocidade má xima de 2145 km/h.Manobra defensiva de um "Harrier". com écran transparente colocado à sua frente. como subir a pique com pouca velocidade. fixando-se depois nele ao premir um botão. seja pelo piloto. inicia um percurso em ziguezague ou lança foguetes para atrair e desviar o míssil. O manche. 3. te para disparar um canhão ou um míssil térmico. Quando um piloto se apercebe de que um míssel foi lançado contra ele. que actua igualmente como mira. envia mensagens electrónicas aos compu tadores. Sem os seus computadores. O outro caça. Os mais recentes jactos de combate. Os pormenores são apresentados na sua linha de visão num HUD (head up display). Em geral. avião cujos computadores se sobrepõem ao piloto caso este cometa um erro. mas precisa de um computador integrado para controlar as superfícies de comando de voo — os flaps. ele não conseguiria erguer-se do solo. durante o voo. perdendo subitamente velocidade e forçando o inimigo a ultrapassá-lo. que por sua vez as transmitem ao sistema hidráulico que controla as superfícies de comando de voo.

e os navios no alto mar arriscar-se-iam a colisões em tempo de nevoeiro ou à noite. o piloto pode inclinar o pesquisador para obter um mapa do terreno a sobrevoar. Pela ampli35 000 ciclos por segundo. detecção e telemetria por meio do som). ou iransponder (transmissor-respondedor). Os feixes de microondas de go têm frequências de 30 a 120 000 ciclos radar emitidos pelas naves ou satélites em por segundo. Os aviões de carreira estão equipados com um radar-farol. Por seu lado. levou os cientistas através da água e reflectidas para o navio a procurarem uma forma de detectar por qualquer obstáculo até uma distânobstáculos submersos. Defesa contra torpedos e mísseis Em Maio de 1987. na parte inferior. Tííanlc. Em casos de necessidade. Sem ele. O moderno radar é suficientemente sensível para localizar todos os aviões que se aproximam de um aeroporto movi mentado. que en via sinais em código ao transponder. e o secundário. Os sinais de rádio são transmitidos jecto que se move de um objecto estado por impulsos (disparos curtos) na frenário (como uma montanha) e calcular a quência das microondas. O radar é po que um sinal demora a voltar. A linha maior indica o rumo do petroleiro mações sobre a superfície do planeta destinadas aos cartógrafos. o qual informa o aeroporto da identidade e altitude do avião. Num petroleira. 0 radar deriva o seu nome de radio detection and ranging (detecção e telemetria por rádio). entre 1000 e direcção em que ele se desloca. ou apresentados num écran. O radar-farol reflecte ainda os sinais dos dois sistemas de radar do aeroporto: o primário. aos nésimos de segundo). um écran de radar contra da Terra empregam feixes colisões mostra os outros navios com pontos e a direcção com de radar para obter inforpequenas rectas. Os sinais de radar podem igualmente ser reflectidos pelas gotas de chuva. depois de o engenhei ro italiano Guglielmo Marconi (o pioneiro da rádio) ter sugerido a ideia em 1922. para que ele possa evitar as tempestades. a tripulação do Stark só se apercebeu rios mísseis poucos segundos antes de ser atingida. a não ser no seu écran de radar . foi criado pelo cientista francês 1500 m/s . Medindo-se o temgeólogos e aos oceanógrafos. torna-se igualmente utilizado para recolher dados possível calcular a distância ao alvo. O radar funciona de modo semelhante. Surgiu na Europa e na América durante os anos 30. de pesca para localizar os cardumes. Comdo sinal seguinte. permitindo aos controladores do tráfego aéreo mantê-los a altitudes diferentes enquanto organizam as rotas de aterragem.estava a cerca de 50 km quando os lançou. Se o objecto está em movimento. sobre a superfície de outros planetas. A primeira fornia de defesa contra ataques 154 . em 1912. Por este efeito. que avisa da aproximação e distância do avião. Os meteorologistas utilizam redes de radar para localizar as nuvens de chuva ou de neve. os operadoécran no qual são exibidos os sinais reflecres de radar conseguem distinguir um obtidos. Esta mudança na frequência é conhecida por efeito de O equipamento básico do radar consiste Doppler e é causada pela acumulação das num emissor para gerar os sinais de rádio. As naves espaciais e os satélites em órbita à volta Navios a vante. ondas de rádio quando um objecto se num pesquisador giratório — a antena aproxima ou pelo seu espaçamento quanque envia e recebe os sinais — e num do ele se afasta. O moderno socia de 10 km. Os aviões de carreira estão equipados no nariz com pesquisadores de radar que dão ao piloto um mapa do tempo que faz até 320 km à sua frente. O navio francês de passageiros Normandie — que em 1935 estabeleceu o recorde da travessia do Atlântico em pouco mais de quatro dias . Os sinais reflectidos sáo nar [sound detection and ranging. o complicado controle de tráfego aéreo e os sistemas avançados de alerta de mísseis seriam impossíveis de operar. que usa os ecos dos sons emitiO som propaga-se na água a cerca de dos. Este emite os seus sinais de radar para o solo e recebe-os reflectidos. dois mísseis Exocet atingiram a fragata americana Slark no golfo Pérsico. Como as ondas de rádio putadores analisam as diferentes intensise propagam à velocidade da luz.cerca de quatro vezes mais Paul Langevin. Em compara tude do efeito podem igualmente calcular ção.foi equipado com radar em 1936 para a detecção de icebergues. Os impulsos do radar estão órbita respondem diferentemente às situa sincronizadas por forma que um sinal atinções que encontram .florestas densas ja o alvo e regresse à fonte antes da emissão ou campos cultivados. e na navegação marítima para determinar o efeito de Doppler das ondas sonoras a profundidade da água e pelos barcos indica se o objecto está em movimento. Como acontece com o radar. as ondas sonoras dos sinais do morcea velocidade. devido à sua colisão geradas electronicamente. o que permite ao piloto conhecer a altitude a que voa. o sinal de retorno tem uma frequência ligeiraComo funciona o radar mente diferente do de saída. são emitidas com um icebergue. cerca de dades dos sinais de retorno e constroem 300 000 km/s. são medidos em microssegundos (milio- VENDO ATRAVÉS DA AGUA POR MEIO DE ECOS SONOROS bem como na investigação e na cartoO naufrágio do navio de passageiros grafia dos fundos. rápido que no ar. o processo é utilizado da a partir do tempo de retorno do eco. Pulsações sonoras. os intervalos das pulsações uma imagem da superfície. a distância ao obstáculo é calculaActualmente. por exemplo. matando 38 homens. O piloto ira quiano que disparou os mísseis nunca chegou a ver o alvo.IDEIAS PRÁTICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS Como os aviões e os navios "vêem" com o radar Os morcegos voam emitindo sons agudos que são reflectidos para os seus ouvidos quando encontram qualquer obstáculo. mas Utiliza sinais de rádio reflectidos para detectar objectos até 3200 km de distância.

Computadores enviam depois instruções por rádio até ao míssil. Na orientação passiva. um míssil de cruzeiro americano Tomahawk atinge uma edificação na ilha de San Clemente.Como os mísseis são guiados até ao alvo Teste de um míssil de cruzeiro. o qual. O Rapier tem um alcance de cerca de 6. Os mísseis estão munidos de sistemas de navegação por inércia.5 km. A ligação por fio é simples e. inglês. . utilizados no final da II Guerra Mundial. sinais de radar ou térmicos. que apuram constantemente a posição exacta do míssil. em certa medida. rosando a água a cerca de 2. Os mísseis antinavios. ao contrário de um sinal de rádio. Esles mísseis têm um alcance de cerca de 50 km. A resposta consiste num míssil autoguiado equipado com um computador que substitui o ope rador humano. o AT-3 Sag ger. Os mísseis americanos Sidewinder ar-ar c Stinger terra-ar detectam as radiações infravermelhas do escape dos aviões. francoalemão. Lançado de um submarino a 640 km de distância e guiado por uni computador que monitoriza o terreno que sobrevoa.5 m. Quan Mísseis antinavios. um míssil antkarro Milan procura o aluo. são mísseis de "lançar-e-esquecer". possuem um fio delgado que os liga ao joyStick miniatura manejado pelo apontador. Desde os anos 40. Ligado por fio ao lançador c guiado por um operador humano. ajusta pequenas aletas que o devolvem ao rumo correcto. enquanto o do Roland é de 6 krn. como o Milan. são apontados automaticamente pela inlroduçáo da posição do alvo num computador de lançamento. ou o Roland. Todas estas alterações são monitorizadas por um computador exis tente no míssil. Os mísseis anticarros. franco-alemáo. Um radiultinie tro a bordo do míssil mede e controla a sua passagem por cima das ondas. a sua velocidade. a necessidade de o ter restringe o alcance do míssil e. Um míssil Exocet lun çado de um auião dirige se ao alvo. que usam radar no solo ou sistemas ópticos para detectar o alvo e seguir o míssil depois de lançado. Para atacar aviões é necessário um sistema de orientação diferente. ou o Swingfire. como o Exocet criado pelos Franceses. São conduzidos por um computador integrado que acciona pequenas aletas na parle da frente e. o míssil é guiado por sinais vindos do próprio alvo — em geral. possuíam um sistema de orientação bastante primitivo e eram pouco certeiros. se verifica que este se afasta do alvo devido a ventos fortes ou por oulros motivos. 0 sistema de orientação mais simples é o olho humano. A sua fornia de orientação pode ser activa ou passiva. como o Rapier. não sofre interíerên cias. Outras armas que empregam orientação activa são os mísseis terra-ar (SAMs). pois a rapidez com que o fio pode desenrolar-se tem limites. foram criados muitos sistemas de orientação de precisão para todos os lipos de míssil. inglês. o operador nada mais lem a fazer. Dirigidos por fios. dirigindo o até ao alvo. uma vez lançados. detectando todas as alterações da direcção e velocidade desde o momento do lançamento. soviético. Os mísseis guiados por fio são apenas eficazes contra tanques ou outros alvos relativamente lentos que podem manter-se visíveis durante todo o trajecto da arma. No entanto. na Califórnia Os fogueies alemães V-2.

transformado numa imagem e apresentado num écran. os seus altímetros medem rigorosamente os contornos do terreno em baixo. atravessando blindagens que teriam detido as balas de chumbo macio. a criação de invólucros de metal para conter a carga rietonan te levou às espingardas rie carregamento pela culatra. a bala vai em linha recta — mas como é que isso foi conseguido? As bolas de mosquete entravam à vontade no cano. Estas miras são utilizadas como rotina nas operações de reconhecimento As câmaras de infravermelhos detectam igualmente o calor do corpo de um soldado inimigo. com o alcance de I km. finalmente. Ao serem disparadas. de onde saíam com uma direcção imprevisível.do o computador de bordo calcula que o míssil está a 15 km do alvo. pois amplifica a luz do luar e das estrelas. Não havendo o mínimo de luz _^^ das estrelas. Mesmo numa noite sem Lua e dentro de um bosque. À mediria que o míssil avança. são usadas em peças de artilharia. põe em funcionamento um scanner de radar que detecta o navio. Depois de um voo de mais de 2500 km.podem ser detectados de urna distân cia de vários quilómetros. Em 1847. que era liso. Já em 1500 surgiu uma solução para estes problemas: primeiro. Visão nocturna.aviões. Mesmo que uma dessas bolas estivesse bem apontada ao alvo. em substituição das de carre gar pela boca. as bolas tinham se já transformado na bala com a forma que é hoje vulgar alongada com ponta cónica. pois qualquer tendência para se desviar num sentido é contrabalançada quando a bola gira e tenta desviar-se no sentido oposto. Os instrumentos localizam lambem o alvo e fixam nele o seu rumo. os seus movimentos são facilmente detectáveis. Em comparação com estes. Nos computadores de bordo do míssil existe um modelo tridimensional do terreno que ele sobrevoará. a nightsight de um soldado detecta um terrorista a 80 rn de distância (em cima). Versões mais potentes. a noite em dia. há alguma luz. O computador calcula então o caminho percorrido pelo alvo desde que o Exocel foi lançado e ajusta o novo rumo. Com uma nightsight. escapes de mísseis. para um soldado. fogueiras de acampamentos. o que significa que a escuridão deixou de ser um refúgio para as tropas inimigas. Disparavam bolas de chumbo que eram carregadas pela boca do cano. utilizam o seu sistema de navegação por inércia a fim de estabelecerem o rumo. tornando prático o uso de armas estriadas na guerra Foram pela primeira vez usadas em larga escala na Guerra da Crimeia (1853-56) e na Guerra Civil Americana (1861-65). Nessas condições. a base de chumbo macio expandia-se para se ajustar à estria. Por volta de 1840. passaram a fazer se entalhes em espiral no interior do cano. depois. por exem pio . 157 Como um soldado consegue "ver" na escuridão A nightsight (mira de visão nocturna) transforma. Primeiro. Quando a nightsight fizer parte do equipamento de todos os soldados. Aproveitando a iluminação de rua e a luz geral da cidade. a fim de manter o rumo do míssil. o míssil atinge o alvo com uma margem de erro de 15 m. Mesmo numa noite que a maioria das pessoas classificaria de escura como breu. helicópteros e aviões. mas depois voam como um dardo — caindo no solo num local determinado pela sua velocidade inicial. Além disso. capitão do Exército Francês. Lima bola que gira mantém a sua trajectória no ar. Ao serem lança dos. tanques. Cada ponto do solo é registado segundo um conjunto de números indicando a sua posição e a altura a que o míssil o sobrevoa. corno numa câmara de televisão. expondo-os a fogo seguro. que detecta o ca lor em vez ria luz. comparando-os com as informações contidas no computador. uma célula fotoeléctrica de grande sensibilidade converte a imagem num sinal eléctrico. os mísseis balísticos intercontinentais são relativa mente pouco certeiros. a luz das estrelas ilumina esle alvo a 30 m. o que. o TERCOM {terrain contourmatching ou comparação topográfica). Claudc-Eticnne Minié. Na década de 1870. ao sair do cano riesviava-se frequentemente. os Minuteman III. qualquer irregularidade de forma fazia-as oscilar em voo. direcção e elevação. dada a enorme potência das suas ogivas nucleares. Tinham uma penetração considerável. Balas revestidas de bronze ou de bronze maciço foram produzidas para as armas de carregamento pela culatra em 1886. utiliza-se um aparelho diferente uma câmara de infravermelhos. será possível combater durante 24 horas por dia. as bolas passaram a ajustar-se bem aos canos para evitar o efeito de ressalto. Os mísseis de cruzeiro de longo alcance utilizam o mais sofisticado de todos os sistemas de orientação. as estrias. batiam de um lado e outro no interior do cilindro. I loje em dia. A nightsight assemelha-se a uma mira telescópica grande e permite ao soldado ver claramente em qualquer noite (excep to as demasiado escuras). O seu melhor aerodinamismo aumentou-lhes o alcance e a precisão. que obrigavam a bola a girar ao longo do percurso. Os mais certeiros mísseis americanos. Objectos que geram calor . um soldado consegue apontar correctamente a um alvo a mais de 350 m. . ainda que só a das estrelas. Estes mísseis voam a alturas entre 15 e 90 m. mas ainda eram difíceis de carregar. têm uma margem de erro de 220 m do seu alvo. Porque é que uma bala de carabina faz um percurso rectilíneo? Os antigos mosquetes e espingardas eram pouco certeiros. Depois. Estas balas podiam ser introduzidas no cano fácil e rapidamente. esse sinal eléctrico é ampliado por circuitos semelhantes aos de um amplificador de som e. inventou uma bala de chumbo com a base ligeiramente côncava Quando a bala era disparada. tanques e aviões. é suficientemente perto.

As modernas carabinas de guerra dispa ram balas a cerca de 3600 km/h e conseguem acertar repetidamente num alvo de 10 cm de uma distância de 90 m. Além de reduzirem a sujidade do cano. Nagasaki foi desunida em 9 de Agosto por uma bomba de plutónio. mas. com uma liber tacão brutal de energia uma explosão nuclear. A fusão é o opôs to a combinação de dois núcleos atómicos para formarem um núcleo maior. qualquer massa superior à crítica pode sustentar uma reacção em cadeia crescente — e portanto dar origem a uma explosão nuclear. vulgar mente conhecida pelo nome de bomba atómica. uma bala de calibre . o que torna o tiro mais preciso. Como cada neulrâo libertado leva apenas cerca de um centésimo milionésimo de segundo a provocar nova cisão. A fusão nuclear é também a fonte da energia do Sol. os neutrões. A cisão. ou fissão.30 rasga uma carta Sào ciara mente visíveis na bala as marcas feitas pelas estrias do interior do cano. o que é adequado à maioria dos objectivos militares. Tanto o urânio como o plutónio são elementos cindíveis — os seus núcleos podem ser fragmentados por partículas subatómicas denominadas neutrões. as melhores carabinas de tiro de precisão acertam num alvo de 6 mm. A massa de material tal que uma geração de neutrões dá origem. A "Little Boy" ("O Menino"). Na bomba de Hiroshima foi empregada uma carga explosiva convencional para impelir unia porção de urânio ao longo de um tubo até outra porção de urânio. ou bomba A. Carga mortal. e a reacção em cadeia diz-sc controlada. são libertados pelo menos dois novos neutrões. e assim sucessivamente: é uma reacção em cadeia. na sua maioria. provoca rem duas novas cisões. no entanto. (Os com plicados controles de um reactor nuclear destinam-se a mantê-lo exactamente crítico. ultrapassaram a massa crítica e explodiram com a potência de 12 a 13 0001 de TNT. também as cargas detonantes "sem fumo" substituíram as de pól vora negra. em média. em con junto. perder se ão inofensivamente no ar sem provocar novas ci- sões. as balas tornaram -se muito mais pontiagudas. As cinco ogivas nucleares do míssil intercontinental americano MX •'Peacekeepcr" estão programadas para atingir simultaneamente alvos diferentes.) A massa crítica de plutónio ou de urânio-235 corresponde a uma esfera do tamanho de uma toranja. Quando um núcleo destes se cinde. 158 . Voando a 3383 hmih. A bomba de Nagasaki aproveitou o facto de a massa crítica poder reduzir-sc se o A bomba A de Hiroshima. pesava 4100 kg. Por essa altura. a um número igual de neutrões na geração seguinte chama-se massa crítica. As bombas de cisão têm de possuir um de dois ingredientes . Estes tem a possibilidade de. Este processo liberta quantidades de energia ainda maiores que a cisão. t uma carga mais pequena provoca um recuo menor. Separadas. chocando com dois outros núcleos. Como se constroem as armas nucleares? As armas nucleares tem mantido o Mundo num equilíbrio instável entre a paz e o terror desde que as duas únicas até agora utili zadas forçaram a rendição do Japão. Há igualmen te tendência para que as balas sejam menores do que antigamente. nem uma nem outra eram suficientemente grandes para explodirem. mas linha a potência de 12 a 13 0001 de TNT.Mesmo a meio. tendo o cuidado de nunca se juntar uma massa crítica antes do momento da explosão. eram mais potentes: a velocidade da bala passou de 1600 para 2600 km/h. a energia libertada é então constante ao longo do tempo. Durante o século xx. a reacção auto-extingue-se — não há possibilidade de explosão. ou bomba H. em 2 de Setembro de 1945. Há que garantir que a explosão não ocorra acidentalmente. e está na base da bomba de hidrogénio. Uma bala pe quena e leve vai mais longe c mais depressa do que uma grande disparada por carga idêntica.o urânio ou o plutónio. Se. é o processo pelo qual um núcleo atómico se divide e constitui a base da bomba nuclear de cisão. terminando a II Guerra Mundial O poder terrível destas ar mas provém da libertação de quantidades imensas de energia pelos núcleos dos áto mos durante reacções de cisão ou de fusão. Aquela distância. também conhecida por bomba termonuclear. A maioria das armas nucleares modernas utiliza os dois pro cesso s. bomba nuclear que {leras toa litroshima em 1945. rapidamente se atinge uma taxa de cisões catastrófica. tivermos apenas uma pequena porção de material cindível. originando quatro neutrões. A que foi largada sobre Hiroshima em 6 rie Agosto de 1945 usou urânio.

e a maior é de 2 milhões de toneladas. são necessárias temperaturas comparáveis à do centro do Sol — 14 milhões de graus centígrados. o plutónio) for comprimido para aumentar a sua densidade. capacidade destrutiva. Um pouco mais de um terço da energia toma a forma de calor. As armas práticas são. A bomba de maior potência que jamais se fez explodir foi detonada em Nova Zernbla. constituindo a chamada chuva nuclear (fallout. A "Fat Man" ("Homem Gordo") de Nagasaki tinha 3. Para se protegerem. 229) que destruam os mísseis inimigos nos cinco minutos após o lançamento. Depois desse período. as bombas com este peso têm uma potên cia 600 vezes superior. um míssil Titan I (ú esquerda! foi o aluo de um laser químico. As primeiras armas nucleares eram volumosas. comprimiram o plutónio. Rodcou-se urna massa suberítica de plutónio com cargas explosivas convencionais. A primeira bomba termonuclear . muito menos potentes. pode ser transportada às costas de um soldado.material cindível (neste caso. As modernas têm dispositivos de armação e detonação controlados por código. A mais pequena bomba nuclear do arsenal dos EUA é a W-54.5 km. em 30 de Outubro de 1961. O destruidor invisível. resumindo-se a um selo de arame. a hm de se avaliar a sua precisão e. pois a bomba não estaria armada: só os explosivos químicos usados para disparar a bomba nuclear poderiam explodir. A bomba nuclear mais pequena. a defesa torna-se mui159 . em Novembro de 1952. Todas as armas americanas (das soviéticas pouco se sabe) contêm instrumentos de segurança que impedem a sua detonação não autorizada ou acidental. Armas termonucleares Para fabricar bombas ainda mais potentes. A única forma de se conseguir esta temperatura á por meio de uma bomba de cisão nuclear. Após uma explosão nu clear. Os cálculos situam a sua potência entre os 57 e os 90 milhões de toneladas de TNT. a arma trava-se e neutraliza-sc a si própria. milhões de pequenas partículas radioactivas caem para o solo. Quando os núcleos destes elementos se combinam. um interruptor e um lecho. que se tornou supererítieo e produziu uma explosão idêntica à de 22 000 t de TNT.5 km/s a caminho dos alvos. Assim. com uma potência de 250 t. os Ame ricanos têm vindo a desenvolver o seu programa de Iniciativa de Defesa Estratégica (SDl) ou ''Guerra das Estreias". Nas bombas de fusão empregam-se duas formas de hidrogénio . é necessário recorrer à fusão nuclear. A energia restante é libertada sob a forma de radiações energéticas — sobretudo raios gama c raios X. Se um avião que transportasse uma bomba nuclear caísse e se incendiasse. Se se introduzirem diversas vezes números errados. deslruiu o míssil (ã direita! Investigação do programa SDI. envolveria possivelmente centenas de mísseis transportando milhares de ogivas nucleares.6 m de comprimento e pesava 4900 kg. Cerca de metade da energia libertada numa explosão nuclear típica é gasta na onda de choque — uma bomba equivalente a 20 000 t de TNT destrói edifícios num raio de 800 m. Quando estas foram detonadas. não haveria perigo de uma explosão nuclear. as medidas de segurança eram relativamente simples. grande ilha ao largo da costa norte da Rússia. cada um viajando a velocidades de até 6. o que torna impossível detona las sem se conhecerem complexos códigos que todos os dias são alterados. ou "Guerra das Estrelas". Actualmente. no entanto. Uma parte importante deste programa consiste no aperfeiçoamento de lasers (v. de tal modo que só poderá ser disparada depois de uma reparação. Mas para que se dê a sua fusão. destinada à destruição de pontes e outras estruturas. em inglês). Num ensaio experimental. no Pacífico. dá-se uma enorme libertação de energia. a W-54. as bombas de hidrogénio baseiam-se simul taneamenle nas reacções de fusão e decisão. Nas primeiras armas. Como se poderiam usar os raios de "laser" no espaço Se um ataque nuclear fosse lançado contra a América. que atingiriam 30 minutos depois do lançamento. Segundos depois de o laser ser activado. tão intenso que incendeia todas as matérias combustíveis num raio de 6.ou de hidrogénio — foi construída nos EUA Tinha a potência de cerca de 10 milhões de toneladas de TNT (10 MD e foi detonada no atol de Eniwetak. p.o deutério e o trítio. e a sua onda de choque deu três voltas à Terra. Dois raios de laser químicos convergentes são apor/lados a um aluo de ouro 00 tamanho de um ponto final.

nunca chegou a pegar fogo. aumentando grandemente o número de alvos que têm de ser atingidos. O laser é focado e apontado por meio de prismas e espelhos. mas por processos diferentes. com fatos que os prote giam da radioactividade. tornando aquele trabalho extremamente perigoso. pelo que os lasers baseados em terra teriam de ser realmente muito potentes: cerca de 400 MW cada um — potência idêntica à do consumo da electricidade de uma cidade de tamanho médio e 1000 vezes superior à de qualquer laser hoje existente. o inimigo poderia ainda derrotar o laser montando um escudo térmico em volta do míssil ou imprimindo um movimento de rotação ao míssil para que o feixe não estivesse focado sobre o mesmo ponto o tempo suficiente para abrir um orifício. Irrompeu em chamas quando um operador cometeu um erro. mas. Os Americanos estão a estudar um laser químico que usa a reacção do flúor com o hidrogénio para originar uma poderosa emissão de raios infravermelhos. Os bombeiros. Como se extingue um letal incêndio nuclear? Desde os primórdios da indústria nuclear. haveria o inconveniente de a atmosfera dispersar o feixe. Uma espessa muralha de betão. O reactor que sobreaqueceu em Three Mile Island. não explode como uma bomba nuclear. Apenas um décimo da potência do laser atingiria o alvo. Estes raios são emitidos numa única pulsação em vez de num feixe contínuo. A ideia não é estacionar permanentemente os lasers no espaço. e em Chernobyl. O mais simples processo de destruição consiste em focar sobre o míssil um feixe de radiações infravermelhas que abra um orifício na blindagem. começaram por pulverizar o fogo com dióxido de carbono. na Ucrânia. iniciada em 1986 (ao alto). tinham também de ser disparados do espaço. Dado que os raios X são rapidamente absorvidos pela atmosfera. de onde seriam automaticamente disparados. foi construída para conter a saída das radiações do reactor destruído em Chernobyl (em cima). Os espelhos teriam de manter o laser apontado durante vários segundos para o míssil antes de este ser destruído. A fonte dos raios X é urna pequena explosão nuclear. Estes dois incêndios foram extintos. em Março de 1979. Os lasers de raios X seriam lançados de submarinos e então rápida mente colocados em órbita. o que permitiu que a temperatura do núcleo subisse excessivamente. Quando um reactor nuclear se incendeia. Umu fotografia ao acidente de Chernobyl tirada pelo satélite americano Landsat revelou duas fontes de calor (as pequenas manchas azuis). mas registaram-se incêndios graves em Windscale. houve três acidentes importantes. em meados da década de 50. mas o processo falhou. Os lasers atacariam os seus alvos a partir de estações militares espaciais a algumas centenas de quilómetros da Terra Contudo. Um laser químico de potência suficiente (25 MW ou mais) poderá destruir um míssil à distância de quase 3200 km. houve fuga de radioactividade. quando lanto o laser como o míssil que aquele atacaria tivessem subido acima da atmosfera — pelo menos a 80 km da Terra. em Abril de 1986. em 1957. O reactor de Windscale foi construído para produzir plutónio para as armas nucleares britânicas. provocando fuga de combustível ou destruindo o sistema electrónico de orientação. dado que cada míssil chega a largar 10 ogivas e muilas negaças. o que sugeriu a alguns observadores americanos que um segundo reactor nuclear estava à beira de se fundir hipótese que de facto não se confirmou. O resultado foi um incêndio que durou quase dois dias até ser dominado. O Programa Guerra das Estrelas tem igualmente vindo a desenvolver lasers que emitem raios X em vez de um feixe de lux.lo mais difícil. esperando abafá-lo por falta de oxigénio. Só o flúor e o hidrogénio necessários para alimentar os lasers pesariam perto de 2000 t. mas urna série de explosões menores ou o próprio incêndio podem destruir o reactor e libertar para a atmosfera enormes quantidades de materiais radioactivos altamente perigosos. Durante todo o tempo em que se combateram os fogos de Chernobyl e Windscale. Mesmo que tal se conseguisse. no Noroeste de Inglaterra. iTuv \S• • A sepultura da unidade 4. Filadélfia. neste caso. Não tinham queri- O centro do calor. mas lançá-los unicamente quando as observações por satélite revelassem que estava já em progresso um ataque inimigo. Uma alternativa seria ter os lasers basea dos em terra. 160 . seriam precisas cem dessas estações para conferir à América uma protecção completa e pô-las em Órbita seria uma tarefa que tomaria insignificante qualquer dos projectos espaciais até aqui levados a cabo.

em Milão. dá-se u m a d i m i n u i ç ã o d a pressão — p o r q u e . Assim. No entanto. Em 1652. inundaram o reactor c o m u m a enorme quantidade de água. A cobertura do reactor foi destruída. evitaria que o fogo irrompesse de novo. C o m o auxilio de u m a es quadrilha de helicópteros. A força do vento é assim decomposta n u m a força que faz o barco an dar para a frente e noutra que o faz inclinar-se para sotavento — força esta que o tripulante tenta vencer projectando se para fora da borda do lado contrário. O u t r o s estragos o c o r r e r a m e m 1796. convertendo parte da suecuo em movimento para diunle.o que implicou o corte dos pés de Cristo No século XVIII. Muitas outras poderão vir a morrer de cancro no futuro. decidiram ampliar u m a porta . ainda muitos habitantes <\à região não po d i a m regressar às suas casas por os níveis de radiação serem ainda demasiado altos. não consegue um ângulo melhor que 10 a 15". Quatro anos após o acidente. assaltaram aquele inferno e e x t i n g u i r a m q u a n t o puderam do incêndio c o m o auxílio de mangueiras vulgares. sofreu provavelmente mais danos do que qualquer outro grande trabalho. lançaram-se sobre o reactor mais de 5000 t de argila seca e areia para tentar abafar o fogo.do utilizar água. Os soldados apedrejavam os Apóstolos e chefiavam a subir as escadas para lhes raspar OS olhos. cria uma forçu de suecuo une forca o barco para o lado Mas a quilha con traria este movimento. perderam o controle do reactor. a baixa pressão no lado de sota vento suga a vela para si c o m o d o b r o da força c o m que na outra face de barlav e n t o . este c o m e ç o u a arder violentamente. A dada altura. foi construído em volta do reactor um 161 . Dcitou-se ainda c h u m b o para absorver calor ao fundir e para selar o reactor q u a n d o arrefecesse e solidificasse. temendo que esta reagisse com a grafite em combustão. 0 incêndio de Chernobyl foi muito mais grave. q u a n d o as tropas de Napoleão usaram o refeitório c o m o arsenal. com o auxílio de mangueiras. de Leonardo da Vinci. Despejou-se t a m b é m cal em pó para produzir dióxido de c a r b o n o . f o r a m precisas duas semanas de voos quase c o n t í n u o s . Km Ião incompetente que se pagou a outro pintor. A humidade. o método utilizado na ex tinção do incêndio só foi possível porque 0 acidente fora suficientemente grave para destruir a cobertura do reactor. 16-t neutrões e impedir que o reactor explodis se novamente. Giuseppe Mazza. depois de duas fortes explosões. envolvendo o núcleo do reactor. escorria pela parede. q u a n t o mais rapidam e n t e o ar se m o v e .tr Continuo no p. Em 1587. lales luzem um bordo contra um vento forte Direcção do vento Movimento para diante A maior velocidade do vento redui a pressão Quilha Vela Força lateral A f o r ç a do v e n t o . para rasp. Corno o vento pussu mais rapidamente ao longo da a ima exte rior da vela. devido à exposição a elevados níveis de radiação. e não pela primeira vez. mas o processo resul tou . Esta é a sétima tentativa desde 1726. c r i a n d o um p o d e r o s o efeito de sucção — isto é. o barco tem de navegar n u m a série de zigue zagues. c o m imensa cora gem e sem vestuário protector. A vela de um barco assemelha-se à asa de um avião em posição vertical. Os primeiros a chegar ao local foram os bombeiros locais. Contudo. os frades dominicanos de Santa Maria delle Grazie. Bombardeamento por helicópteros Para combater o fogo foi utilizado um processo inédito.s e a i n d a perante um problema terrível . E quando a velocidade do ven t o a u m e n t a . Q u a n d o um f l u x o de ar é c o m p r i m i d o . Mas os Russos e n c o n t r a v a m . c o m 3. e. embora depois de se t e r e m escapado quantidades substanciais de radioactiviriade. Na face exterior — de sotavento —. Por este motivo. c o m o pode este navegar c o n tra c l e ? Por extraordinário q u e pareça. matando 31 pessoas. que. 0 reactor inutilizado foi depois enchido com betão e abandonado. a pintura mural está a ser restaurada. Ironicamente. o vento tem de c o n t o r n a r a vela. i n c l u i n d o 6 b o m b e i r o s . incendiando o edifício da central eléctrica c ameaçando um reactor p r ó x i m o . O t i m o n e i r o pode andar mais depressa fazendo ziguezagues a um ângulo mais aberto em relação ao vento mas o trajecto percorrido passa a ser maior. puxando a vela para si. Velejar contra o vento Se o vento é a única força que impele um barco á vela. acabaram por decidir arris car e. a pintu ra foi considerada " m e i o arruinada". expondo-o ao ar livre. Regateando contra o vento. ou bordos. impedida de se evaporar. Quando os índices de radiação f i n a l m e n t e d i m i n u í rain.60 m de altura. N e n h u m b a r c o navega d i r e c t a m e n t e contra o v e n t o . o vento força o barco a andar de lado. O efeito de sucção c um dos fenómenos da aerodinâmica: o ar que é desvia do por u m a vela curva c o m p r i m e se para p o d e r passar.um iate da classe "12 metros". e 20 anos depois a tinta estava já a soltar-se. q u e . em cujo refeitório Leonardo pintara a sua obra pri ma. u m a das grandes obras de arte do m u n d o oci dental. foi terminado no fim da década de 1490. Teve início depois de os operadores terem "passado por c i m a " de u m a série de sistemas de segurança a fim de verificarem por quanto t e m p o as turbinas c o n t i n u a riam a gerar electricidade depois de a fonte de vapor ter sido fechada. Resultou e o fogo apagou-se. Para avançar para a direcção da qual o vento sopra. O mural. a quilha — ou o patilhão do barco contraria este movi mento lateral. a força mais i m p o r t a n t e que faz um barco andai contra o vento é a sucção. por e x e m p l o . produzindo hidrogénio que poderia explodir e destruir completamente o reactor. a sua velocidade aumenta a corrente de ar por baixo de u m a porta p o d e ser s u r p r e e n d e n t e m e n t e forte por este motivo. Agora.o incêndio mortífero de Chernobyl foi e x t i n t o e d e t i d a a l i b e r t a ç ã o de ra diação. sepultando o para sempre. Partículas ao rubro branco de combustível radioactivo começaram a ser projectadas. a sua a c ç ã o quase certamente salvou o reactor vizinho e evitou um desastre ainda maior. O restauro de uma obra de arte A Ultima Ceia.o v e n t o a e m p u r r a no m e s m o sentido. Adicionouse ainda carboneto de boro para absorver sarcófago de betão c o m 1 m de espessura. Quanto mais apertadamente o barco anda contra o vento. quando um pintor de n o m e Michelangelo Bellotli foi con tratado para restaurar totalmente o quadro. E em 1943 u m a b o m b a d o s A l i a d o s esteve a l ou 2 m de completar a destruição. incandescente e expelindo para o ar quantidades imensas de substâncias radioactivas. E m b o r a m u i t o s destes homens t e n h a m m o r r i d o .um reactor destruído e sem cobertura. menor será a sua velocidade. O desastre de C h e r n o b y l foi o pior de sempre na indústria nuclear. puseram u m a cortina em frente do mural. m e n o s m o l é c u l a s existem por unidade rio volume.

Alguns andaimes (na fotografia em baixo.. ao longo de quatro anos e meio. a meio caminho da sua tarefa ciclópica. rotos e cheios de argamassa. Qualquer erro significava inutilizar a argamassa e recomeçar do princípio. pintava a partir do desenho. sibilas (antigas profetisas). véspera do Dia de Todos os Santos. A criação do Universo por Deus é apresentada por Miguel Ângelo numa série de nove painéis no tecto da Capela Sistina do Vaticano. pois não acho que o meu trabalho prossiga de forma a merecê-lo. o papa Sisto IV. Chegaram mesmo a trocar palavras azedas. em Roma. 1 lomem vigoroso. à medida que o trabalho progredia. Sofria física e mentalmente. O seu projecto era cobrir a abóbada com frescos . com 66 anos. mais de 1000 m2 de área pintada. a cabeça andava-lhe à roda e temia cegar. O papa franziu o sobrolho e disse lhe acerbamente: "E nós queremos que nos satisfaças. os fatos. a capela foi oficialmente reaberta para a consagração pelo papa. criando manchas de bolor nas pinturas." O papa partilhava das apreensões de Miguel Ângelo e visitava periodicamente a capela. subindo a escada até ao cimo do andaime para inspeccionar as pinturas. . As suas pare des estavam cobertas por quadros magníficos de mestres como Botticelli e Perugi no. à esquerda) dão uma ideia das dimensões da capela. Miguel Ângelo começou a trabalhar no Verão de 1508 com a ajuda de seis assistentes — que lhe misturavam as tintas. de ombros largos e meão na altura. cujo tecto se eleva a 21 me mede 40 m de comprimento por 13 de largura. às vezes improvisando e compondo à medida que a confiança aumentava. por Piermatteo d'Amelia. Posteriormente. este busto de bronze de Miguel Ângelo. O andaime e as coberturas foram retirados. Miguel Ângelo não assistiu às cerimónias: estava ansioso por regressar às suas esculturas. colocava o papel 162 de encontro ao teclo e passava carvão em pó através dos orifícios para registar o desenho no preparo húmido. um escultor de mármore — e não tinha boa opinião das suas faculdades como pintor. A princípio. desenhava as figuras numa folha de papel e perfurava os contornos com um estilete. furioso. e imitou-o: "Quando estiver pronto! Quando Génio solitário. e em Janeiro de 1509 escreveu ao pai. e escreveu ao pai: "Terminei a capela que estava a pintar. "Quando ele me satisfizer como artista". ameaçou mandar atirar o artista do andaime abaixo se não trabalhasse mais depressa. despediu quase todos os assistentes.pintura a água sobre a argamassa ainda fresca —. no estúdio anexo.. Nascido em 1475 — filho do presidente do Município de Caprese (hoje. Para alcançar o tecto. muito alto. enquanto o preparo estava húmido. muitos julga vam-no "louco" e troçavam dele quando passava. expressões e atitudes -. Primeiro. trabalhava 30 dias seguidos. com a cabeça e os ombros inclinados para trás. Isto não só pela dificuldade da tarefa corno também por não se tratar da minha profissão. respondeu Miguel Ângelo. mais uma vez. desenhou um andaime de madeira móvel que lhe permitia pintar de pé se quisesse e ainda andar de um lado para o outro. para quem fora construída entre 1473 e 1481. Às vezes. por cima do altar.Miguel Ângelo: a pintura da Capela Sistina Sentado na parte mais alta do andaime de madeira. Ao todo.. replicou laconicamente Miguel Ângelo. Comia enquanto trabalhava . quando o tra balho já ia a meio. a sueste de Florença —. dizendo: "Nada peço ao papa. Trabalhando sozinho e sem interrup çáo. Mesmo assim. Nas ruas. Depois. que exaltam a perfeição da beleza humana) e cenas repre sentando a salvação da Humanidade. a tinta escorrendo lhe pela face e os olhos a arder. perguntou Júlio II. mostra a solidão de um homem cuja vida foi inteiramente dedicada ao seu trabalho. os dois homens fizeram as pazes e Miguel Ângelo voltou ao trabalho até ao Outono. as pessoas que trabalha vam no Vaticano já se tinham acostumado à estranha figura de Miguel Ângelo. terminando-o rapidamente!" Noutra ocasião. O papa ficou muito satisfeito . suportou resolutamente os rigores do inverno romano — quando o frio vento de norte soprava pela capela c a chuva entrava pelo tecto. O cabelo e a barba estavam sujos de tintas. faltou o dinheiro para continuar o trabalho.quase sempre pedaços de pão — e a noite dormia. os nus masculinos (/ Nudi." As obras de Deus e do homem. O papa enrubesceu-se. vestido e calçado. Em seguida. o papa Júlio pretendia que Miguel Ângelo — que aceitara o encargo com relutância . Gradualmente. Miguel Ângelo só teve de o fazer uma vez. No Verão de 1510. zangado. por sobre a entrada. Em volta. criou cerca de 300 figuras do Velho e do Novo Testamento . mas no tecto havia uma pintura relativamente insignificante de um céu estrelado. antes de mais. por exemplo. Em 1510. "Quando é que tudo estará pronto?". com os olhos a poucos centímetros do tecto. Perco infrutiferamente o meu tempo. Que Deus me ajude.cada uma com as suas próprias feições. Por essa altura. andava de cabeça baixa porque a luz do exterior lhe feria os olhos. As nove cenas da criação do Universo sucediam-se alinhadas sobre a sua cabeça. o que tinha de ser feito muito rapidamente. "Quando estiver pronto". ele achou-o dolorosamente limitativo — especialmente depois de ter acrescentado uma rampa à plataforma superior para po der trabalhar nos pormenores. Mas o artista considerava o tema bastante pobre e decidiu cobrir a superfície com a sua concepção da criação do Universo.. Esta capela recebera o nome do tio de Júlio II. pintou profetas. altura em que. o papa Júlio quis saber quando estaria terminado o resto do tecto. Caprese Michelangelo). só em Fevereiro de 1511 pôde prosseguir a obra. bateu com ela no ombro do artista. Miguel Ângelo (Michelangelo Buonarroti) considerava-se. No dia seguinte. Sentia-se mal com dores. tinha 33 anos quando o papa Júlio II o chamou a Roma e lhe deu o encargo de repintar o tecto da Capela Sistina.decorasse o tecto abobadado com retratos dos 12 Apóstolos. escreveu: "Estou no lugar errado — e não sou um pintor!" Na verdade. Iam desde a Separação da Luz e das Trevas (a Criação). estiver pronto!" E erguendo a bengala. e por entre os grandes frescos. com dores no pescoço. obra do seu amigo Daniele da Volterra. afirmando que lhes faltava inspiração. até à Embriaguez de Noé (mostrando o homem distanciado de Deus). completou a sua extensa obra no Outono de 1512 — quase quatro anos e meio depois de ter assinado o contrato com o papa. o papa. prepa ravam a argamassa e às vezes colaboravam mesmo na pintura. Feito em 1565. e Júlio II e a sua corte viram o tecto em 31 de Outubro. os antepassados de Cristo. Miguel Ângelo trabalhava de sol a sol nos seus frescos para o tecto da Capela Sistina do Vaticano.

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cola o suporte solto injectando uma emulsão de resina acrílica. que Judas recebeu um aspecto muito mais sinistro do que Leonardo pretendia. O tecto. As cores vivas que Leonardo usava começam lentamente a ser reveladas à medida que as pinturas sobrepostas e escurecidas vão sendo retiradas. é aplicada em tiras de papel poroso que se comprimem sobre o fresco. embora o agente de limpeza fique no tecto durante apenas três minutos até ser removido. foram aparecendo pormenores delicados — uma imagem anteriormente obscura provou ser o refle xo de uma rodela de limão num prato de estanho. Muitos outros peritos não são desta opinião. Grande parte do quadro está irremediavelmente perdida." Pinin Brambilla Barcilon. de tão escuro que se tornara. situada à direita.«i4 Última Ceia». Estuda uma pequena área de cada vez. A restauradora. O processo é repetido 24 horas depois. a máquinas iguais às que a NASA emprega para melhorar as fotografias do espaço. Cada vez se utilizam técnicas mais sofisticadas no restauro de quadros. Deixará para futuras gerações a responsabilidade de re pintarem essas áreas e tentarem captar a visão original de Leonardo. se deixam ficar durante cerca de 10 minutos e se retiram depois como um penso adesivo.a Brambilla aplicava um diluente preparado para o efeito. depois enxugava-o an tes que ele atingisse e danificasse as cores originais de Leonardo. Demora uma semana a limpar uma área do tamanho de um selo. Alguns pe ritos usam reflectografia infravermelha para "espreitar" por debaixo da superfície das pinturas e revelar os desenhos feitos pelo artista antes de pintar o quadro.d Brambilla preenche as áreas vazias com uma aguada neutra. 164 .'1 Brambilla ter começado o seu trabalho. A empresa química italiana Montedison inventou uma espécie de cataplasma para limpar frescos. A Dr. tem sido um processo tento. Este processo tinha de ser repetido diversas vezes. O restauro da pintura murai de Leonardo da Vinci em Milão. e a tarefa principal é a sua limpeza. Ao longo de quase 500 anos. por exemplo. examinando-a ao microscópio com uma ampliação de 40 vezes. Alguns dos restauradores alteraram consideravelmente o trabalho original. precisava de 30 000 W de lâmpadas do halogéneo para o tornarem visível. que acham que o restauro vai retirar todas as pequenas áreas de tinta que o artista acrescentou a seco (depois de a argamassa secar) e que a parte do tecto já limpa tem um aspecto duro e pouco subtil. criada há 500 anos. Mas esta raspagem foi mais prejudicial que benéfica. porque certas cores alteram-se rnuito mais rapidamente que outras e certos pigmentos podem ter sido afectados pelo verniz. levando consigo a sujidade. muito pouco de A Ultima Ceia tinha verdadeiras semelhanças com o original de Leo nardo antes de a Dr. Na Capela Sistina tem sido utilizada uma técnica semelhante. tal como estava. bem como os vernizes e ca madas de tinta dos restauros anteriores. tudo o que BelloUi fizera. passou três anos a examinar o quadro e a parede em que ele foi pintado. espessa e de cheiro desagradável. a fim de levantar as camadas de sujidade e verniz. dizem os críticos. a fim de adquirir um conhecimento pormenorizado dos pro blemas existentes. Mas. o restauro do tecto tem dado azo a controvérsia. O tecto restaurado é agora fácil mente visível à luz normal. O computador considera muitos factores. em Tebas. Outro restauro igualmente importante está a ser levado a cabo em Roma o do tecto da Capela Sistina do Vaticano. por exemplo. A pouco e pouco. e a Dr. A pasta. o fresco enegreceu gradualmente pelo arder das velas e das braseiras de carvão usadas pelos padres para iluminar e aquecer a capela. Um técnico de restauro trabalhando no túmulo da rainha Nefertite. As cores muito vivas que emergem não são as que Miguel Angelo pretendia. Os peritos pensam. O tecto encontrasse em muito melhor eslado que 4 Última Ceia. Na verdade. Usam-se computadores para calcular o grau de alteração sofrido pelos pigmentos de uma pintura e produzir uma imagem do quadra com as cores corrigidas. A primeira tareia era limpar a sujidade de 500 anos. e foram necessários seis anos para restaurar a quarta parle. Para realçar as imagens. recorrendo. a Dr. facilmente removível. pinta do entre 1508 e 1512 por Miguel Ângelo. utilizam-se outros métodos. Túmulo com 3200 anos. O restauro mais recente iniciou-se em 1977 e ainda continua.

os astrónomos criam instrumentos potentes que lhes permitem procurar os limites do Universo.A exploração do Universo Enquanto os astronautas tentam os seus primeiros passos na imensidão do espaço. .

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o princípio é o mesmo. em conjunto. ascendente. o fogueie é desenhado para manter um rumo estável. Mas. o princípio básico do seu funcionamento é o mesmo de um balão que dispara pelo ar quando lhe abrimos o pipo: é o princípio da acção e reacção. o Columbia. 100 t de combustível por minuto. Ao contrário do balão. Mas. o foguete c impelido para diante pela reacção igual e de sentido oposto ao dos gases libertados.pelo que a reacção ascendente global do vaivém é superior a 30001. uma vez produzido o gás. Os três motores de propulsante líquido do Columbia. ape sar da aparente complexidade do vaivém.uma "reacção". subiu de Cabo Cana veral. que consomem. mas fabrica gás. é a reacção igual e oposta ao jacto de ar que se escapa que empurra o balão para a frente. Uma vez no espa ço. a fim de serem reutilizados. A primeira nave espacial reutilizável Expelindo chamas € nuvens de fumo. o foguete não contém um gás comprimido. a reacção é suficiente para a elevar do solo e a acelerar cm direcção ao espaço. Quando os gases quentes do escape são expelidos pela sua parte posterior.A força que impele um foguete Em 12 de Abril de 1981. separam se da tiave ao fim de dois minutos e coitam à Terra por meio de pára quedas. o primeiro vaivém espacial. contrariamente ao balão que voa em todas as direcções. Os gases dos dois foguetes auxiliares de combustível sólido produzem uma reacção de 2400 t . O vaivém regressa. de 640 t . o vaivém espado! Columbia sobe para o espaço numa das suas muitas uiagens. quando se larga o pipo de um balão cheio e o ar é expelido pela abertura. Era accionado por três motores de combustível líquido e um par de foguetes auxiliares de lançamento de propulsanle sólido e comandado por cinco computadores sofisticados interligados. Os seus dois foguetes auxiliares de lançamento. Como a nave completamente carregada de combustível pesa apenas 2000 t. presos ao grande depósito de combustível. O depósito grande é largado seis minutos depois e desintegra se na sua queda atraias da atmosfera. produzem uma corrente descendente de gases que provoca uma força oposta. No século XVII. aterrando numa pista de aviação 167 . o vaivém entra na sua órbita preestabe lecida em torno da Terra. Newton resumiu uma das regras fundamentais do Universo na frase "A cada acção opõe-se uma reacção igual de sentido contrário": por exemplo. Contudo. queimando propulsanles.

os radio telescópios na Terra computavam exactamente a direcção da nave. Se os sinais de rádio e a navegação por inércia mostras sem que havia ligeiros desvios. Se uma fonte de ondas de rádio se encontra em moviuien to. Este sistema contém dois ins Irumentos: um é um conjunto de giroscópios que permite monitorizar o rumo efec tivo do foguete. em cada instante e com rigor. os foguetes lançados para o espaço transportam um sisto ma de navegação por inércia que funciona independentemente de sinais exteriores ao aparelho. mesmo depois de a nave ter percorrido 4954 milhões de quilómetros. 300 000 km/s).spacial Europeia. Um deles capta a direcção do Sol. compu tadores em terra dão instruções ao próprio computador da nave para ligar os foguetes de impulsão para corrigir a órbita da nave. no caso da Voyager I. Agarrando se ao satélite. estes sinais permitiam aos controladores calcular a distância da Terra ixApulh. fotografando osle planeta gigante e as suas luas. As últimas naves tripuladas americanas. no da Voyager 2. os controla dores de terra davam instruções aos astronautas para accionarem pequenos moto res a jacto para alterar a velocidade da nave e a recolocar na rota correcta. os controladores da missão em terra tinham de saber exactamente onde se encontrava a Voyager . Pessoal de manutenção. tanto maior a alteração nos comprimentos de onda. Para navegar no espaço. Os engenheiros espaciais tem muitas maneiras de conseguir estas proezas de navegação. As sondas espaciais não tripuladas possuem auxiliares de navegação incorporados. Por exemplo.e conseguiram computar a sua posição com uma margem de erro de 100 km. Entretanto. Além disso. a nave não tripulada Voyager 2 passou ao lado de Urano. uma sonda espacial tem de fixar a sua posição em três eixos diferentes.Como os astronautas navegam no espaço Em Janeiro de 1986. dependendo da velocidade da fonte emissora. A alteração na frequência da Apollo era de cerca de 0. os vaivéns. a Canopus. Quanto mais rapidamente a nave se desloca. Durante os voos da Apollo à Lua. A fim de obterem as melhores loto grafias possíveis. Paru reparar o satélite de comunicações Westar VI. No caso das Voyagers. o outro "fixa-se" numa estrela brilhante — a Regulus. podendo assim calcular. um dos eixos é a direcção em relação à Terra As duas outras referências consistem em fotossensores. os controladores cal CUlavam a posição em que se encontrava. o seu companheiro Allen deslocou-se até ao satélite apoiado num IMJÇO•robô extensível. a direcção real c a velocidade. É um exemplo do efeito de Doppler. Antes de cada voo. os controladores de terra seguiam também o percurso da nave por meio do sistema de comunicações com os astronautas. Um estudo dos sinais revelava-lhes tain bém a velocidade da nave. Outra sonda espacial que exigiu a marcação de uma rota exacta foi a GiottO. ou unidade tripulada de manobra). Mediam o tempo que os sinais de rádio demoravam a chegar à Apollo o a regressar à Terra e dividiam-no pela velocidade tio sinal (igual à da luz. da Agência F. Este recolheu os astronautas e o satélite e trouxe os para o vaiuém. as frequências c o comprimento dessas ondas são alterados em certa medida. A partir dos sinais de rádio quo captavam. A frequência das ondas aumenta ou diminui conforme a nave espacial se aproxima ou se afasia da Terra. Gardner accionou os jactos da MMIJ para parar o Weslar. Quando a sua direcção precisa de ser alterada. seguem órbitas mais próximas da Terra do que a Apollo.ões na direcção e na velocidade do foguete. o astronauta americano Gardner (à esquerda) saiu do ixtioém Discovery para o espaço com o auxílio de uma "mochila" a jacto — uma MMU fmanncd manoeuvering unit. a distância percorri da. Conhecendo a direcção e a distância à nave.01% da velocidade da luz. O outro é um conjunto de acelerómelros que medem a sua aceleração ou desaceleração. Esta sonda foi 168 . Um computador a bordo regista continuamente todas as alto rac. eram calculados o percurso e a velocidade que os astronautas da Apollo deveriam cumprir.

os controladores de terra davam instruções aos foguetes de impulsão de bordo para corrigir a orientação da Giotto. mais o corpo é afectado. No espaço. ro dam eles também. Dá-se ainda uma perda progressiva rios glóbulos vermelhos do sangue. A comida tem de ser colocada na boca com cuidado: uma vez na boca. espargos e pudins de caramelo — tudo comido com talheres e servido em tabuleiros. por exemplo. bifes. houve urna notável colaboração interna dona). em forma de batata. 0 núcleo do cometa de Halley ia sua parte interior densa. A navegação correcta ria Giotto era simples. Poderia o seu corpo resistir às forças esmagadoras criadas pelo foguete rie lançamento — forças que tornavam 0 ho mem seis vezes mais pesado? Poderia o seu corpo adaptar se imediatamente a seguir ao estado de gravidade zero? K seriam os astronautas capazes de comer e beber sem a gravidade para lhes "puxar" os alimentos e bebidas para o tubo digestivo? Hoje. Duas sondas soviéticas de nome Vega chegaram ao cometa cerca de uma perda de cálcio. Utilizando radiolelescópios espalhados por todo o Mundo. afirmativa. os cientistas america nos sintonizaram as rariiotransmissões soviéticas a fim de calcularem exactamente onde estavam as Vega A partir destas posições e das fotografias das Vega. que mostraram a posi cão do núcleo em relação às duas naves Vega. uma vez que no espaço não há "baixo" nem "cima". Na era do vaivém espacial. 3000 calorias por dia O leque de alimentos oferecidos aos astro nautas do vaivém é amplo. que espremiam para a boca por meio de bisnagas como as das pastas de dentes. O oxigénio é obtido de reservatórios rie oxigénio líquido transportados a bordo. Refeições numa nave espacial Durante os primeiros voos espaciais. o que parece muito para a vida num ambiente fechado em que não há gravidade Mas os astronautas despendem grandes quantidades de energia na exe cução rias tarefas mais simples. O ar viciado e os odores são eliminados pela circulação rio ar atra vós de absorvedores rie dióxido de carbono e de filtros rie carvão. obtiveram as primeiras. Antes de Yuri Gagarin. . as bebidas têm de ser esguichadas para dentro da boca por meio de uma espécie rie pistola de água ou ser sugadas do frasco com uma palhinha. que provoca uma diminui çáo marcada ria massa e resistência dos ossos. que se tornou o primeiro astronauta em 12 de Abril de 1961. Se. Se a trajectória aparente de uma estrela estava incorrecta. As refeições são planeadas para fornecer aos astronautas uma média rie 3000 calo rias riiárias. figura a programada para se encontrar com o co meta rio Halley em Março de 1986 e enviar para a Terra fotografias pormenorizarias do núcleo sólido no centro do corneta. ainda que longínquas. localizar o núcleo rio cometa era uma tarefa mais difícil. e existe a maior preocupação em que sejam apetecíveis à vista e ao olfacto. 0 encontrar formas invulgares de executar essas simples tarefas gasta o excesso de calorias. podem já desfrutar de refeições apetitosas. Ksla infor mação permitiu aos Europeus guiarem a Giotto até à distância correcta do núcleo. tentam rociar um manipulo. porque se serve da pressão do ar para ele var o líquido na palhinha. A Gioíto possuía sensores referenciados à Terra e ao Sol. sem gravidade contra a qual lutar. nos anos 60. Não se sabe o que provoca estes efeitos. A maneira de comer e beber no espaço é diferente da na Terra. os astronautas vivem encerrados numa at mosfera de azoto e oxigénio à pressão normal do nível do mar c numa temperatura agradável. pois o reflexo da deglutição encarrega-se de empurrar a comida para baixo embora "baixo" não seja a palavra adequada. que incluem ovos mexidos. que emitia géiseres de gases e vapores de uni branco -brilhante até à distância de 1G00 km. Os músculos do coração. Quanto mais demorado o voo. formada de partículas de gelo c rochas) revelou se um objecto negro corno carvão. porque fora concebida para girar continuamente. c a humidade é cuidadosamente regulada. Po deria sacudir-sc o sumo para dentro do copo só que o líquido saltaria. O sugar funciona tão bem no espaço como na Terra. os astronautas alimentavam se com pastas de aspecto pouco apetecível. fornecida pelo sistema rie apoio vital da sua nave. mas não podia fixar se em determinaria estrela para o seu terceiro eixo.lá o beber apresenta problemas: não se pode encher um copo rie sumo rie laranja. neste caso. ninguém sabia em que medida o ser humano suportaria os rigores do voo no espaço. Quando este passou pela nave a 605 km de distância. com 16 km de comprimento e 8 de largura. porque o sumo não sai rio recipiente. A dieta espacial é francamente diferente da terrestre. a resposta a estas perguntas é. começam a atrofiar líi1) . Mas.semana antes da Giotto. a Giotto conseguiu tirar fotografias que surpreenderam os astrónomos. Por isso. Se se dobram para atar um sapato. Passando pelo co meta à distância rie 8000 km. fotogra fias do seu núcleo. os Soviéticos puderam determinar com rigor qual a posição do núcleo rio cometa. pois tenta compensar as alte rações que se dão no organismo durante o voo espacial Estas alterações iníciam-se assim que os astronautas entram no espaço e são bem notórias logo ao fim de uma semana. Km vez riisso. a Giotto tinha um sistema que computava as posi çòes de todas as estrelas mais brilhantes. começam às cambalhotas. a falta de peso não tem significa rio. espalhando se em glóbulos por toda a parle. O azoto para o sistema de pressurização de ar é fornecido por depósitos à pressão. mas a resposta terá rie ser conhecida para que as viagens espaciais de longa duração se possam considerar realmente seguras. Entre as alterações mais graves. com certas reservas. contudo.

O cozinheiro re-hidrata os alimentos varem os alimentos em estufas a bordo. zidos para um contentor por uma corrente pacidade de resistência humana no espa de ar que sai logo abaixo do assento e são ÇO. Mas se o liquido. ardeu. A ausência de peso pode originar refeições divertidas. O pão é cortado em fatias estão a fazer planos para uma missão tri e conservado por irradiação. Almoço: carne de conserva com espargos. Em geral. As refeições do vaivém são embaladas individualmente e preparadas pelo "coziAlimentar a tripulação numa missão nheiro de serviço" na cozinha de bordo. pois esta é subproduto o conteúdo é lançado para o exterior. Três meses depois. o que lhes próximo século. de conservação. Sentem náuseas e dores de cabeça. A eliminação das excreções do organismo Durante os primeiros dias de um voo espacial. mas equipada com alças para os pés e um "cintêm sido usadas as mais recentes técnicas não tanto quanto os médicos do espaço to de segurança". Mas os astronautas têm de comer devagar e evitando movimentos bruscos para não "soltar" a comida. morangos e uma barra de chocolate e amêndoa. despensa e bica de Uma das soluções seria os tripulantes cultiágua. os satélites não desafiam realmente a gravidade: de facto. com os pés em estribos para evitar que Em \ de Outubro de 1957. pulada a Marte. Coloca depois os pratos em tabuleiros individuais com o auxilio de imanes. então. uma vez que os alimentos também se agarram aos talheres. Apesar das aparências. outros planetas nas primeiras décadas do gos são secos por congelação. Mas no vaivém eles dispõem de sível em órbita. Os morantrazidos de volta à Terra. põe no forno aqueles que A ementa diária da tripulação de um vaivém A ementa típica de um dia para os astronautas do vaivém seria: Pequeno-almoço: pêssegos. for sacudi espaço quando deixam o corpo. O mesmo acontece aos músculos cias nados. o satélite manteve-se perto da Terra. que. duzir a extensão destas alterações. os astronautas fixavam sacos às partes apropria -se. equipada com forno. Podem ser novamente hidratados com água ou na Tanto os Americanos como os Russos boca com saliva. o ovo mexido é desidratado A desidrapara contrariar a atrofia dos músculos o é O tubo para a urina é flexível e possui tação ajuda a reduzir o peso. tal como a maçã que Newton viu cair 170 . A eliminação dos sacos de vomitado tem de ser feita higienicamente. E uma forma aguda do enjoo de movimento de que certas pessoas sofrem na Terra. pudim de caramelo e ponche tropi das do COipo. então o homem poderá visitar caramelo encontra se em latas. O pudim de to ao vácuo do espaço. que. transpiram e vomitam. Mas era uma operação desapernas. Os alisoes de G a 12 meses nas estações espaciais por pessoas de ambos os sexos. pois os germes poderiam propagar-se rapidamente no espaço fechado cm que se vive. como esta constitui um enorme problema. Existem a bordo alimengradável. Comer com faca. do. Os astronautas seguram os tabuleiros à mesa de refeição portátil ou a qualquer sítio conveniente. ementas diferentes durante seis dias sucesciona com ar—. existindo um tubo separa sivos. A urina é mentos desidratados têm de ser mistura russas Salyut e Mir. garfo c colher apresenta poucas dificuldades. Periodicamente. comem em pé. como este sumo de laranja. farelos. onde para Marte? abundante das pilhas de combustível que se evapora. que confunde os órgãos do equilíbrio no ouvido interno. quase 50% dos astronautas sofrem de enjoo do espaço. flutua no ar com a forma de uma bola. uma vez que o caminhar é imposcal (sem álcool). essas excreções ficam a boiar no pode ser bebido por uma palhinha. Tal como muitos alimendesejariam. são manente. Curiosamente. retirada pelo tubo por meio de sucção de dos com água antes de se poderem consuar e armazenada num reservatório com mir. um foguete so viético lançou para o espaço o Spulnik I. onde não há nada que tos alternativos suficientes para fornecer uma retrete com autoclismo que funmantenha os pés no chão. Os detritos sólidos são conduAinda ninguém conhece os limites da cafornecem electricidade à nave. a tensão superficial de um líquido mantém no no seu recipiente. A eliminação das excreções do organismo em condições de ausência de peso é Bola de sumo de laranja. factor funda vital cm voos prolongados como as mis um adaptador que permite a sua utilização mental em todas as naves espaciais. brócolos gratitêm de ser aquecidos e introduz palhinhas nos recipientes de bebidas. não há falta de água a outras águas de despejos. flutuaria por toda a cabina."voem" descontrolados. No um espaço. Cultivar alimentos numa viagem bordo do vaivém. A sanita está Para manter os alimentos apetecíveis. Como os satélites giram em órbita em torno da Terra que o exijam. bife. Se os astronautas puderem suportar 0 bife é pré-cozinhado e vem apresenta secos quando o contentor é depois ex[K>s mais de dois anos de gravidade zero per do em embalagens estanques. Nas primeiras naves espaciais. incluindo a viagem de ida e volta. e ele problema: uma vez que não existe gravidade. ovos mexidos e cacau. e é causada pela falta de peso. Jantar: cocktail de camarão. demoraria cerca de dois anos. estão continuamente a cair em direcção à Terra. Em seguida. Uma dieta rica em minerais ajuda a redo para a remoção da urina. fechos velcro ou fita go mada para os manter no lugar. normalmente. preserva a forma e a textura. Aparentemente desafiando a gravidade. 0 exercício contribui também tos.

o vaivém Discovcry lançou no espaço um satélite de cornai li cações." órbita. Mas a gravidade do nosso planeta nunca deixa de se exercer sobre o satélite. na sua 34 981.laboratório espacial gigante. Em Abril de 1984. portanto. Lm órbita a 435 km da Terra. ao completar uma órbita. humoristicamente. Quando um foguete lança um satélite. e. Consequentemente. cair na atmosfera e arder. pelo que este acaba por desacelerar e começar a cair em direcção à Terra. a maçã não se aproxima da Terra . Em Agosto de 1985. o astronuuta George Nelson — na sua unidade tripulada de manobra (em baixo. Suponha agora que atira a maçã em direcção ao horizonte: ela cairá. a estação espacial Skylab levou a cabo experiências de fisiologia e física. A força cinética do satélite no sentido hori zonlal faz com que ele não "acerte" na Terra. Se pegar numa maçã e a largar. percorrem órbitas circulares sobre o equador a uma altitude de 35 800 km. 0 atrito da atmosfera fé la desacelerar. a sua velocidade é novamente bastante para o tornar a afastar da Terra e iniciar uma segunda órbita elíptica. As empresas de comunicação preferem estes satélites "geocstacionários". intitularam se. a superfície curva da Terra foge lhe de debaixo no mesmo ritmo: assim. maior a órbita. ele afasta se da curvatura da Terra. tem. que recebem ou retransmilem mensagens telefónicas e de televisão. pelo que.saiu do ixâoém Challenger a fim de recuperar o Solar Max. desde a circular à Reparação de satélites. a Lançamento de satélites a p a r t i r do espaço. mais elíptica será a órbita.está em órbita. a atmosfera que ainda existe a essa altitude provo ca atrito no satélite. Assim embora o satélite caia em direcção à Terra. trajectória descendente da sua queda será paralela à curva da superfície da Terra. a superfície do planeia afasta-sc dele pela sua curvatura — pelo que ele nunca chega realmente a aproximar se. Embora em teoria um satélite em órbita devesse permanecei eternamente m i es paço. que repararam o satélite. a Companhia Ás de Reparações de Satélites. lançado em 1980 para observação do Sol. Escolhendo a combinação adequada de impulsão de baixo para cima e na hori zonlal. quanto mais forte a impulsão horizontal. porque podem usar antenas fixas para enviar sinais de e para os satélites em vez de seguirem alvos que se movimentam no espaço. Se ela for lançada com velocidade suficientemente grande. K na queda ele adquire novamente velocidade. Um satélite nesta órbita desloca-se à mesma velocidade que a Terra. Para colocar um satélite em órbita elípti ca. os controladores de missão podem colocar um satélite numa órbita de quais quer dimensões e forma. a estacão caiu e ardeu sobre a Austrália Ocidental. Os astronautas. que lhe imprimir suficiente velocidade horizontal para que a sua Ira jectória de queda nunca toque na Terra. Quanto mais for te a impulsão vertical. ã direitaj . este é lançado da Terra com velocidade suficiente para contrariar a força da gravidade. Se a sua órbita o faz aproximar ate algumas centenas de quilómetros da Terra. Quase todos os satélites de comunica coes. Km bora a maçã esteja continuamente em queda. Trata-se de um satélite geoestacionário que mantém em órbita coordenadas permanentes em relação à Tetra elíptica muito excênlrica. tal não acontece frequentemente. ela cai na vertical. mas segundo uma trajectória curva. A diferença fundamental entre a maça e o satélite é que esle desloca se a cerca de 30 000 knVh c a muito maior altitude. Imagine-se numa montanha a 150 km acima da superfície da Terra. levando o a perder ve locidade. pelo que as suas coordenadas se mantêm fixas em relação ao solo. 171 . e que o levou à descoberta das leis da gravidade.

Sob muitos aspectos. a outra aponta para o exterior. Para poderem receber com clareza as instruções da Terra. o segundo. colhendo dados científicos e fotografias que transmitiu para a Terra. os controlado- A "Voyager 2" visita os planetas.70 m de diâmetro. por forma que permanentemente pelo menos uma an tena possa estar em contacto com uma sonda espacial. A diferença de temperatura entre as duas extremidades dos termopares origina a passagem de uma corrente eléctrica. esta energia diminui 7 W por ano. Quando as duas sondas Voyager fo ram lançadas em lí)77.Como são controladas as sondas espaciais Os astrónomos têm hoje muitos conheci mentos acerca do sistema solar graças às informações colhidas por naves espaciais não tripuladas comandadas da Terra. . 475 W de energia eléctrica. Júpiter. tem um diâmetro de 64 m. Os pratos das Pioneers têm 2. para se enviarem instruções às sondas espaciais. res enviam instruções. os electrões livres deslocam-se em direcção ao gennânio. A Voyager fotografou também a superfície coberta de gretas e crateras de Enceladus (à direita). Califórnia Daqui. uma substância radioactiva O núcleo de cada cilindro é envolvi do por centenas de termopares -circuitos eléctricos em miniatura consistindo numa peça de silício e outra de germânio. onde é descodificado. em conjunto. Uma das extremidades de cada lermopar é aquecida pelo plutónio em desintegração. para o espaço frio. os cientistas conseguem observar mais facilmente as faixas da atmosfera que rodeiam o planeta. Urano c Neptuno. Quando os electrões do silício são perturbados pelo aquecimento.70 m. Assim. os cilindros produziam. a NASA. Nu imagem. Saturno e o ú/timo. cada um com 43 cm de compri mento por 33 de largura. ao prato conveniente da DSN. ligados pelas extremidades e contendo dióxido de plutónio. uma das muitas luas de Saturno. c os das Voyagers. Mas com a desintegração do plutónio. O prato transmite o sinal a um computador a bordo da sonda. via rádio. montaram-se à volta do Mundo enormes antenas e pratos parabólicos. o terceiro.lado). A sala de comandos das sondas ameri canas fica no Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a . O computador dá então as instruções necessárias. mas a distâncias Ião grandes os sinais de rádio tornam•se demasiado fracos. Saturno. comandar uma destas naves é como dirigir um robô por controle remoto. Um potente transmissor remete depois essa mensagem à sonda espacial. Espanha e Austrália. contam se três construídos pela Agência Espacial NortcAmericana. Entre eles. Realçando as fotografias tiradas pela Voyager com cores falsas. O próximo planeta será Neptuno. gerando uma corrente. que tanto podem ser ordens para que um jacto auxiliar comece a funcionar a fim de alterar o rumo Saturno. Desde o seu lançamento eni 20 de Agosto de 1977. a Voyager 2 já passou por Júpiter. Cada prato da sua Deep Space Network. o circulo interior representa a Temi. A única forma de mandar sinais através do espaço é por rádio. a DSN (Rede de Comunicação do Espaço Distante). de uma distância de 118 400 km. em Pa sadena. estas antenas das sondas são tão grandes que pode até dizer-se que algumas sondas são construídas sobre o dorso das antenas. 3. Urano. Situam-sc na Califór nia. que a capta por meio da sua antena parabólica. 172 OS GERADORES DE ENERGIA DAS "VOYAGERS" Cada sonda Voyager recebe a sua energia eléctrica de um gerador nuclear mi niatura formado por três cilindros metálicos.

c o n t u d o . O seu sinal vai-se tornando cada vez mais fraco. Mas. os sinais de televisão da Voyager levaram duas tioras e meia a chegar à Terra. os controladores da missão puderam apenas esperar e fazer figas. Q u a n d o a s o n d a passou então por Urano. se assemelha à da Lua. Felizmente. A medida que a sonda espacial se afasta. esta va a cerca de 4800 milhões de quilómetros de distância. Outros transportam dados científicos. Outro problema nas comunicações c o m as sondas distantes é o tempo que os sinais de rádio emitidos da Terra demoram a atingi las. EstQ fotografia revelou que a superfície do planeta. Mas u m a s o n d a c u j a rola seja m u i t o distante do Sol necessita de pequenos geradores nucleares (v. tais c o m o fotografias do planeta. a Voyager I está para a l é m do planeta Plutão. e a Vaya ger enviou para a Terra 700 fotografias pormenorizadas de Urano e dos seus satélites. Se está destinada a passar perto do Sol. a cerca de 4800 milhões de q u i l ó m e t r o s da Terra Apesai das e n o r m e s d i m e n s õ e s d e u m a antena DSN. Mesmo pro pagando -se a ve locidade da luz.M e r c ú r i o . por exemplo. o que sugere que os dois lenham aproximadamente a mes ma idade peio menos 4000 milhões de anos.sonda espacial c o m o para que a câmara inicie uma série de fotografias. q u e as g u a r d o u nos seus dois c o m p u t a d o r e s . Esta demora de cinco horas significa que Iodas as instruções tiveram que ser programadas meses antes do encontro c o m Urano. a Mariner 10 tirou uma sequência de mais de 200 fotografias de Mercúrio. A sonda. IV:Í . Jiipiler e as suas luas. Em 197:3. estará equipada c o m painéis solares q u e c o n v e r t e m a energia solar em e l e c t r i c i d a d e . a antena conse gue que eles sejam recebidos corri nitidez no Jet Propulsion Laboratory. Em 1976. que depois foram reunidas num mosaico para dar a imagem completo. Nenhum foi encontrado. A sonda t a m b é m envia sinais para a Ter ra. da . ampliando os sinais. sendo preciso o mesmo tempo para um sinal ir da Terra ã sonda. o menor do sistema solar. Nesta altura. O pequeno disco sobre a superfície do planeia é Europa. um pequeno módulo de aterragem destacado da Viking 1 recolheu porções do solo rochoso avermelhado de Marte e procurou nele vestígios de organis mos vivos. sen do depois transmitidas antecipadamente â Voyager. possui urna quantidade limitada de energia para transmitir os seus sinais. a energia total que ela consegue captar da Voyager é apenas de alguns milioné sirnos de m i l i o n é s i m o d a q u e l a q u e faz funcionar um relógio de pulso electrónico. todos os sistemas funcionaram de acordo c o m o planeado. M a r t e . Em 1979. Quando a Voyager2 passou por Ura no em Janeiro de 1986. a Voyager 2 fotografou o planeta Júpiter e algumas das suas luas. e a gravura pequena (em baixo) mostra o satélite fo. Alguns são simples "recados" que informam os controladores de que todos os sistemas da nave estão a funcionar correcta mente. caixa).

o verde é reslol/io c 0 azul são terrenos de pousio. A imagem à direita.Sol é boa para determinados fins — por exemplo. entro eles os ria série americana Landsal e o francês SPOT. Os tons rio vermelho em cada campo ou piau tacão correspondem às diferentes formas por que as diversas plantas reflectem as radiações infravermelhas. As cores das fotografias são. o que permite aos cientistas identificarem com rigor as diversas espécies vegetais. porque as Colhas das plantas são boas reflectoras dos infravermelhos. invisíveis aos olhos humanos. Dentro de certa medida. O que tornou possível a identificação das culturas foram as fotografias tiradas por um satélite que passara sobre o vale à altitude de 920 km. Os contrastes entre os diferentes tipos de vegetação são mais destacados com raios infravermelhos rio que com as fre- quências visíveis. têm um verde mais azulado que as de uma caducifólia. por consequência. para ajudar os cartógrafos a fazerem mapas mais rigorosos. é possível fazê-lo à vista desarmada: as folhas de uma conífera. 0 esquema habitual é colorir de encarnado a imagem infravermelha. Os satélites que utilizam a fotografia por infravermelhos ajudam também a identificar o grau de secura de uma região. por exemplo. a vegetação apresenta se vermelha. Os cientistas podem assim verificar se as plantas sofrem de falta de água. um grupo de cientistas americanos identificou 25 tipos de cultura em quase 9000 campos do Imperial Vallcv. alteradas para que a radiação infravermelha. Diversos satélites. obtida pelo Landsal em 1981. um satélite Landsal fotografou o vaie utilizando diferentes comprimentos de onda de luz. sem sequer se terem aproximado deste vate. que é mais vívida se se observar sob certos comprimentos de onda e mais escura se sob outros. Uma vez colorida uma imagem com es tas cores falsas. Floresta tropical em regressão. 0 açafrão-bústardo. de verde a imagem normalmente vermelha e de azul a imagem verde. os outros quatro são as ondas infravermelhas ou quase infravermelhas. O vermelho representa o algodão. verde e vermelho. o amarelo. A quantidade de água nas folhas de uma planta determina a quantidade de radiação infravermelha que a planta reflecte. A clareira (a azul) resulta da penetração progressiva das culturas. A fotografia à luz normal do .Fotografias por satélite para prever as secas ou descobrir petróleo Na década de 70. em 1975. seja apresentada como uma cor visível. Mas esta comparação envolve apenas os comprimentos de onda azul e verde. ria Califórnia (em cima).loa quin. Também os geólogos utilizam as imagens do Landsal para prever onde pode- Culturas de algodão codificadas por cores. £ . regista a desflorestaçâo ocorrida na selva amazónica. Estas diferentes faixas de cor permitem aos cientistas distinguir entre diversos terrenos ou coberturas vegetais. O Landsal tira fotografias rio solo com sete comprimentos de onda diferentes. da Califórnia. permitindo aos lavradores controlar as regas e prever as secas. conseguem detectar uma "impressão digital" distinta para cada tipo de planta. Quando os cientistas do Landsal observam todas as faixas de cores. Mas os cientistas conseguem obter muito mais informações quando tiram fotografias sob um largo espectro de comprimento de onda. foram lançados com a única finalidade de fotografar a Terra. Os primeiros LandSatS descobriram que as cartas rio Pacífico tinham marcadas certas pequenas ilhas com erros até 16 km das suas posições reais. Três são visíveis: azul. normalmente invisível. A fim de se conhecer a distribuição dos campos de algodão no oaie de San .

lai como a vegetação. ou "laçada". que depois é ejectada e penetra na atmosfera terrestre. O filme exposto é colocado numa de seis cápsulas de reentrada. Cientistas do laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. transmitem as suas fotografias por meio das técnicas de televisão. Torna se assim possível identificar os tipos de rocha que contêm. a cor das rochas descobertas pode dar uma indicação sobre a sua composição: as gredas e o calcário são brancos. Mas a fotografia por satélite tem outros fins. numa imagem que abranja uma área de 100 km. os granitos são geralmente claros. conseguir-se-ia distinguir o Arco do Triunfo. em Pasadena. os geólogos podem concluir a localização provável de veios de minério ou jazidas de petróleo. Os geólogos soviéticos têm obtido inúmeras informações de câmaras instaladas nas suas estações espaciais tripuladas das séries Salyut e Mir. Califórnia. onde estúOQ em construção o primeiro porta-aviões nuclear russo. Numa fotografia a cores reais. O satélite mais avançado do Mundo para pesquisas do solo. As fotografias por satélite revelam falhas nas rochas. um satélite americano tirou esta fotografia do Estaleiro de Nikolaiev. e os resultados já conduziram à descoberta de novos campos gasíferos e petrolíferos. Quando se utilizam filmes ou películas. os basaltos escuros. a cápsula é recolhida. Por isso. Como é que as fotografias por satélite chegam à Terra? No espaço. se conseguem ver objectos com 10 m. de páraquedas. câmaras fotográficas gigantes que orbitam a Terra conseguem distinguir no solo objectos com apenas 30 cm de diâmetro. por exemplo. transportam os filmes consigo. os Americanos e os Russos — e mais recentemente os Chineses — já construíram satélites que devol vem automaticamente os filmes à Terra. Desta forma. transmite G000 linhas por imagem. os da série KH 11. Mas as imagens televisivas não são tão nítidas como as registadas em filme de 16 mm ou de 35 mm. Espião aéreo.tirada de 920 km de altitude. vendo-se a proa e a popa. precisam de fotografias detalhadas que lhes permitam conhecer o número de soldados num campo de bata lha ou identificar aviões ou navios. das por satélites. Os mais recentes "satélites-espiões" americanos. Os satélites futuros levarão mais longe estas possibilidades.ráo sor encontrados petróleo e minérios. Mas. sol) o pórtico. O espectrómetro gráfico aerotransportado mede 128 faixas na banda dos infravermelhos. listão instaladas em satélites do tamanho de um autocarro de 15 m de com primento e ocupam metade da sua área. os cosmonautas. Os comandos militares utilizam-nas como "espiões aéreos". Se as fotogra fias são tiradas de uma nave espacial tripulada. lado a lado. manga nés ou crómio. Os satélites americanos Big Bird aperfeiçoaram esta técnica. estudos pormenorizados das plantas serão indispensáveis para os pesquisado res de minério. estes lêm de ser enviados fisicamente para a Terra. os diferentes tipos de rocha têm "impressões digitais'* distintas quando observados sob a radiação infravermelha. Numa fotografia de toda a cidade de Paris. Todos os dias o boletim meteorológico da televisão nos mostra fotografias tira- 15 7 . Os geólogos e os econo mistas analisam fotografias tiradas do espaço que mostram as rochas c as culturas do solo. o que é obviamente impossível no caso de naves não tripuladas. listas máquinas tiram seis fotografias simultâneas nas frequências visíveis e infravermelhas. além de abóbadas e inclina ções nos estratos rochosos. por um laço de arame rebocado por um avião de transporte C-130 Hercules. e o seu sucessor abrangerá 224. por exemplo. A qualidade dos pormenores que conseguem distinguir se depende do espaçamento entre as linhas que formam a imagem: quanto mais linhas. o SPOT francês. Os peritos de informações militares pretendem geralmente distinguir pormenores ainda mais diminutos. Quando cai. Fazendo mapas destas características. E os astrónomos observam as es trelas e galáxias distantes sem serem afectadas pela atmosfera terrestre. que poderão não ser evidentes a observadores no solo. Ao acompanharem uma guerra. têm aperfeiçoado instrumentos capazes de pesquisar o solo a muito mais numerosas frequências que as câmaras soviéticas em simultâneo. mais por menores se obtêm. Estes novos instrumentos serão capazes de distinguir plantas que tenham absorvido do solo elementos não habituais. Mas como é que estas imagens chegam até nós? O processo mais vulgar da transmissão de fotografias a partir do espaço é utilizar as ondas de rádio e emitir as imagens para a Terra do mesmo modo que se faz com a televisão. Em U)84. ao regressarem. na URSS. O navio está em duas partes. Isto significa que.

Ulm. com bombas atómicas sobre as cidades japoneespecial atracção por Mozart. Einstein renunciou ao pacifismo em que até aí vivera. mas era e destruições maciças. Einstein demitiu se do Departamento de Patentes e passou ai guns anos ensinando Física Teórica nas Universidades de Berna. e ele decidiu divulgar os seus trabalhos. Além de abrir o caminho para a bomba atómica. aquilo que chamou "uma carta de consciência". Einstein origem à lenda de que fora mau aluno. no Havai. Passou os anos seguintes viajando pelo Mundo.incluindo a primeira parte da sua revolucionária teoria da relatividade. onde o pai e um tio abriram Urânio.a teoria geral. Depois do seu aviso ra-se fascinado pelo facto de a agulha inicial. Após um curto período como professor de Matemática em Zurique. ataque japonês à base naval americana de quando estava doente na cama. publicou quatro importantes estudos . com efeitos devastadores. Era muito sas de Hiroshima e Nagasaki. "Uma única bomba desAcademia das Ciências de Berlim. que foi ensaiada com que virasse a bússola. Einstein trabalhava na mães. "a assobiar a minha música da relatividade". finalmente. (oi admitido pelo Departamento de Patentes Suíço. se necessário. "No decurso dos últimos quatro meses.devido aos seus trabalhos sobre o efeito fotoeléctrico. do a mãe o iniciou na música. levou à invenção da bomba atómica. o que geraria enormíssimas quanti dades de energia e novos elementos semelhantes ao rádio. Ambos os processos consistem em reacções nucleares. foi aconselhado a continuar a estudar noutro local e tomar a candidatar-se dali a cerca de um ano. criaram-se todas as condições . Em 1895 — aos 16 anos —. ob- Einsteln na velhice. Andou nas parangonas dos jornais ao afirmar: "Deus náo joga aos dados com o Universo" — manei- 176 . enquanto ali trabalhava. na de Berlim. como "técnico estagiário de terceira". ex p r i m i n d o esta noção na sua fórmula E=mc2. "Certos aspectos da situação que agora se vive exigem que a Administração esteja atenta e. para se conseguir provocar uma reacção nuclear em cadeia numa grande massa de urânio. Em 1905. Roosevelt. facto que atormentou a consciência de Einstein durante os últimos 20 anos da sua vida.Albert Einstein: "Deus náo joga aos dados com o Universo" Em 2 de Agosto de 1939. o físico Albert Einstein enviou ao presidente dos Estados Unidos. Franklin D. Morreu aos 76 anos. esta teoria revelou o segredo do Sol. que lançou a Améri -lhe uma bússola para brincar. como a idade normal de admissão era aos 18 anos. em Berna. mais tarde um violinista entusiástico. Munido de um diploma geral. Em 19/6. mas em "corpúsculos ondulatórios" denominados fotões. transportada de barco e que a gravidade não era uma força directa. teve então entrada automática no instituto. o seu mau francês fez com que reprovasse no exame de admissão ao afamado Instituto Técnico Federal de Zurique. tornou-se cidadão suíço e. E=mc2 (em que E é a energia. Em 1909. Nesse ano sugeriu te tipo. a teoria restrita (v. Zurique e Praga e. Entre outras consequências. tome acções imediatas". pouco depois do do da física despertou nele aos 4 anos. O pai dera Pearl Harbor. mostrando que uma pequena massa podia ser convertida numa enorme quantidade de energia. Einstein não tomou qualquer parte apontar sempre para o norte. A sua teoria da relatividade tinha-se revelado demasiado controversa para a comissão do Prémio Nobel. Contudo. que demonstrou que a luz não se propaga num fluxo contínuo. onde passou os quatro anos seguintes estudando matemática e física. grego e francês. mas a consedeflagrada num porto. podia quência de uma curvatura do espaço. na Alemanha. perfeitamente destruir a totalidade do porto e parte do território em reEinstein nasceu na cidade industrial de dor". em 14 de Março de Ao receber a carta. O interesse de Albert pelo munem Dezembro de 1941. Alarmado com a ascensão da Alemanha nazi . No ano seguinte. divulgou a fórmula. Mas quando Einstein soube das mortes também latim. em 1914.e temendo que Hitler viesse em breve a possuir a bomba atómica —. Tinha 6 anos quanêxito em Julho de 1945. Em 1921. m a massa e c a velocidade da luz). e na velhice mostrou náo ter "respeito" pelas pessoas — especialmente por aquelas que O fotografavam nos seus dias de anos. ficou desesperado. por muito na criação da bomba. caixa). publicou a segunda parte da sua teoria da relatividade . Roosevelt criou ime1879. Einstein foi galardoado com o Prémio Nobel da Física . escreveu Einstein com um grupo de outros cientistas. a meio da I Guerra Mundial. Dois anos depois.. surpreendentemente fraco nesta última disciplina — o que posteriormente deu Em 1905 — com 26 anos —." Alertou para o facto de novas bombas "extremamente potentes" poderem em breve ser fabricadas pelos físicos aleEinstein em Berlim. a família mudou-se diatamente uma Comissão Consultiva do para Munique.. nas quais quantidades diminutas de massa nuclear são libertadas sob a forma de luz e calor (energia). e ele sentica na II Guerra Mundial. No mês seguinte. Mas a decisão de se fabricar uma uma pequena oficina de mecânica e elecbomba atómica americana só foi tomada tricidade. e tomou-se foram lançadas. e pelos 11 anos estu: bardeamentos obrigaram o Japão a render dava física ao nível universitário. Estudou se. Deduziu também matematicamente que massa e energia são intermutáveis. Estes bom bom em matemática. afirmou. em 1902. de aspecto tão simples.

Afirmou ate que Einstein roubara a ideia de uns papéis encontrados no cadáver de um oficial alemão morto na I Guerra Mundial. pois que. "Se tivesse sabido que as minhas teorias levariam a tais destruições".seguindoque seja o movimento deste. 10 anos. uma minúscula fracção — o tempo pasEinstein afirmou que todo o movimento sara mais devagar a bordo do satélite. e a sua massa aumentaria. convertida em energia. Einstein decidiu fixar-se nos EUA Tomou-se cidadão americano em 1941. Einstein afirmou única propriedade física constante no que um raio de luz seria deflectido pela Universo. outra estrela situada atrás da Terra. as outras propriedades físicas gravidade ao passar por uma estrela. os reló gios foram comparados com outro relógio semelhante e verificou-se que os relógios do satélite se tinham atrasado 177 . afirmou uma vez. nada existe em referência fica que a massa de um objecto pode ao qual ele possa ser medido. igualmente que a velocidade da luz Chegou a esta fórmula partindo da afir— cerca de 300 000 km/s — é constante mação de que a massa de um objecto em relação a um observador. Afirmou efectivamente ser. V ff) si A teoria do tempo de Einstein foi comprovada em Julho de 1977. necessitaria de uma força infinita A teoria restrita conduz ao "paradoxo dos gémeos". trocou a Alemanha pelos EUA i 1 ÍU '1 1 et h c { cif ZT *tt r \ j C\-/ • K. não se sentirá diferente do outro gémeo que ficou na Terra. a distância mais Calculou que o tempo passaria mais lentamente numa nave espacial viajando a uma velocidade aproximada da da luz do que para uma pessoa que se mantivesse estacionária em relação à nave. em 1931. O devem ser diferentes para pessoas que campo gravitacional da estrela forçaria viajem em diferentes direcções e a velocio raio de luz a curvar-se para "dentro" — dades diferentes. a questão é descobri-los. Esta também pareceria mais curta vista pelo observador estacionário. perto de Berlim (onde se dedicava a andar de barco à vela). a sua teoria foi comprovada por uma equipa de astrónomos britânicos que fotografaram um eclipse total do Sol — altura em que é possível fotografar estrelas perto do Sol. quando se colocaram num satélite americano e se puseram em órbita relógios atómicos extremamente precisos. Nova Jérsia. enquanto Einstein se encontrava nos Estados Unidos. para o fazer." OS PARADOXOS EINSTEINIANOS DO TEMPO E DO Na sua teoria restrita da relatividade. Contudo. e. quando regressar será apenas cinco anos mais velho — enquanto o seu gémeo terá envelhecido 10 anos. No regresso.ra curiosa de dizer que o Universo tem padrões. pilharam a sua casa à beira do rio. "antes queria ter sido um fabricante de relógios. Se urn dos gémeos viaja no espaço a uma velocidade aproximada da da luz. tropas de assalto queimaram-lhe os livros. e até ao fim da vida abominou o terrível meio de aniquilação que os físicos nucleares tinham posto à solta no Mundo. quando. ainda A energia adicional é igual ao aumento da que esta se aproxime de uma estrela e se massa rrfultiplicado pelo quadrado da veafaste da outra a 29 000 km/h. Por isso. em certo sentido. Hitler subiu ao poder na Alemanha. curvaria o próprio espaço. e confiscaram-lhe a conta bancária e o conteúdo do cofre da sua mulher. Mas no final desse ano. digamos. afirmando ser "muito ingénuo" para político. do Universo é relativo. no vazio A fórmula de Einstein E = me2 signido espaço. locidade da luz. Concluiu que a velocidade da luz é a Na sua teoria geral. o tempo a bordo da sua nave poderá passar. Na ausência de Einstein. a sua massa seria infinita. se o astronauta estiver longe da Terra durante. Estes cálculos foram feitos por Einstein num quadro preto durante uma palestra na Universidade de Oxford. por exemplo. Morreu em Princeton. ESPAÇO curta entre dois pontos seria uma linha curva Em 1919. As posições diferentes das es trelas nas duas fotografias mostraram que a luz emitida por elas fora deflectida pelo Sol segundo o ângulo previsto por Einstein. Os nazis também detestavam Einstein de- vido ao seu muito apregoado apoio ao sionismo. O Fúhrer não podia acreditar que "um mero judeu" pudesse ter elaborado a teoria da relatividade. o físico ali esteve como professor visitante. Em 1933. em Abril de 1955. pelo que nenhum objecto pode atingir essa velocidade. e 11 anos depois recusou a presidência de Israel. quando Hitler se tornou chanceler. À velocidade da luz. Queria com -se daí que a sua energia tem igualmente isto significar que a luz emanada de uma de aumentar. qualquer aumenta com a velocidade . Por isso. pois. Dois anos depois. duas vezes mais lentamente do que na Terra. As fotografias foram comparadas com outras das mesmas estrelas quando o Sol não se encontrava perto delas. Elsa. pois um objecto mais pesa estrela situada à frente da Terra é recebida do contém mais energia que um outro nesta ao mesmo tempo que a de uma mais leve viajando à mesma velocidade. movimento que procurava instaurar na Palestina um estado judaico de governo independente. Notas de uma palestra.

apesar de distar de nos 22 milhões de anos-luz.Uma fita métrica sobre o Universo Uma vista de olhos sobre o imenso vazio.4 galáxia de Andrómeda pode ser vista a olho nu como uma ténue mancha no céu. Estu distância representa cerca de um vigésimo milésimo do diâmetro do unioerso risível. 178 . .

Multipli cam então o tempo de ida o volta do raio pela velocidade da luz e dividem o resultado por dois para achar a distância da Terra à Lua. Utilizando esta loi. e a acumulação de água das marés oceânicas puxa a Lua para diante na sua órbita. chamado o ângulo de paralaxe. para o que utilizam o método da pa ralaxe ou o radar. Ti ram-se fotografias do céu. Vénus e Marte -. DISTAMCIAS PF. que não reflectem o radar. As estrelas próximas As estrelas situam-se a distâncias milhões do vozes superiores à do Sol. ou 1. Os astróno mos. ou LIA. na Terra.20 anos luz. os as trónomos podem calcular a distunaa à estrela recorrendo à trigonometria O ângulo do paralaxe é medido em segundos de arco. entre 1969 c 1972. os astrónomos examinam duas fotografias tiradas do mesmo observa tório com o intervalo de seis meses (A). Assim. sen em se do método du paralaxe. ob servada de dois pontos diferentes da órbita terrestre. O resultado é-nos dado em parsecs. que envolve a medição do ângulo entre duas direcções do posi ções aparentes do uma estrela e o seu relacionamento com a órbita da Terra. na realidade. os astrónomos baseiam os seus cálculos na lei do movi mento planetário a terceira lei exposta pelo astrónomo Kopler em 1618. a galáxia de Andrómeda o mais distante objecto que se consegue ver a olho nu: a sua luz demora 2. A distância Terra-Sol é definida como uma unidade a que se chamou unidade astronómica. Estas mostram que certas estrelas se mantém "li xas" enquanto outras parecem "mooer-se". A 179 . A intersecção das duas linhas é o vértice do ângulo do movimento aparente (D). unidade do distância que corresponde à paralaxe de um segundo de arco. a Lua está gradualmente a afastar-se da Terra. podemos definir as distancias referenciando as ao tempo que a luz de unia estrela ou de outro corpo ceies te leva a chegar à Torra. e cerca de dois segundos e meio depois os seus telescópios captam um ligeiro clarão quando o feixe regressa â Terra.2 milhões do anos a chegar até nós. A estrela mais perto do Sol. Então. Para o compreender. Quando os astronautas da missão Apollo visitaram a Lua. por exemplo. semelhantes aos que existem na par te traseira de um automóvel. Os radioastrónomos conseguiram reflexos de radar de todos os planetas rochosos Mercúrio. que é medido em segundos de arco Conhecendo o diâmetro da órbita da Terra e a medida do ângulo do movimento. à distância média de 384 -100 km. Esta distância varia ligeira mente. pelo que o cálculo é idêntico ao efectuado com a medição da distância â Lua. Verificando as constante mente. os astrónomos puderam computar a distância media da Ter ra ao S o l . Usando este método. Os planetas No caso dos planetas do sistema solar. A Lua A Lua ó o objecto do Universo mais pró ximo da Terra. Por meio do radar. fazendo a perder energia. e tanto mais quanto mais perto estiver da cara.A PARALAXE O Sol O radar também não pode sor utilizado para se calcular a distância ao Sol. Mas os astro nomos sabem lambem que Vénus demo ra 224. Agora. Antes de este existir. em relação a estrelas muito longfnquas. pelo que empregam o radar. A mais importante é o método da paralaxe. pois estes são formados por gases. os astrónomos en contraram já as distâncias de centenas das estrelas mais próximas. abra esse olho o feche o outro: o dedo pároco ter-se movido. sempre do mes mo loculdu Terra. ou cerca de 1/2000 do diâmetro da Lua. tracam-se duas linhas entre a estrela e os extremos desta linha de base (C). feche um olho e marque a posição do dedo cru relação a um fundo. Os astrónomos utilizam esta unidade na deter minaçáo das distâncias dos outros planetas ao Sol. Por isso. utilizavam a velocidade da luz e o método da paralaxe para calcular as distâncias aos planetas. os cientistas descobriram que a Lua está agora cerca de 30 cm mais distan te da Terra do que quando os astronautas da Apollo a visitaram A Lua e a Torra estão a afastar se porque a fricção entro o fundo dos oceanos e a água que se acumula com as marés está a afrouxar gradualmente a rotação da Terra. Como os astrónomos não podem utilizar o radar pura calcular a distância de uma estre la.2 parsecs. cuja distância está a ser medida. As ondas de rádio propa gam-se à velocidade da luz. segundo a lei de Keplcr. e conhecendo o diâmetro da órbita da Terra. As medições desta distância têm uma margem de erro de apenas alguns centímetros. porque este não é sólido.615 do ano) a completar uma revolução em forno do Sol. Em astronomia. DF/TERMINAÇÃO DF.615 de um ano é igual ao cubo do 0. que fica a 4. As que aparentam movimento risível estão mais próximas da Terra do que as outras.7 dias (0. por isso os asfrónomos utilizam técnicas diferentes para as calcular.22 anos luz. Os cientistas exprimem as distâncias no espaço com base no que de mais rápido existe no Universo a lux Um raio de luz propaga se a 94ri0 biliões de quilómetros num ano. têm primeiro que conhecer a distância da Terra ao planeta. porque a sua órbita é elíptica. que se sabe hoje ser de 149 597 870 km. levante um dedo em frente da cara. A distância a uma estrela. Por isso. descrevendo uma órbita alargada. contudo.Um observador no hemisfério norte que olhe para o céu numa noite dos últimos meses do ano conseguirá distinguir uma ténue mancha de luz na constelação de Andrómeda. os astrónomos não possuem reflectores que lhes devolvam os raios de luz. Para acharem a distância de ama estrela que se "move". é uma estrela pouco luminosa chamada Próxima Centauri. dirigem a estes relrorreíloctores um potente feixe do raios laser. a distância de Vénus ao Sol é do 0. os asfrónomos calculam a distância. o dedo é a estrela mais próxima. durante lodo O ano. mas não podem receber um oco de radar de Saturno ou de Júpiter. Diz essa lei que o quadrado do tempo da revolução orbital de um planeta em torno do Sol é directamente proporcional ao cubo da respectiva distância média ao Sol. Os astrónomos registam a sua posição.72 UA (pois que 0. Hoje. Para o fazerem. emitem ondas rádio em direcção ao planeta e aguardam que o sou eco débil regresse à fonte depois de reflectidas as ondas pela superfície rochosa do planeta. em anos-luz. deixa ram no planeia pequenos "retrorreílcctores". Utilizando como linha de base o diâmetro da órbitu terrestre (li).20 dividido pelo sou ângulo de paralaxe. é 3.I. ou 3. Medindo o ângulo do movimen to aparente da estrela entre estas duas posições. Um segundo de arco é 1/3600 de um grau no firmamento. Estas distâncias são expressas em anos luz. c possível saber que a distância de Vénus à Terra quando os dois se encontram mais próximos entre si é de 42 milhões de quilómetros.72 UA). Esta mancha é. um aglomerado de estrelas. fazendo-a ga nhar energia.

Depois de medirem o brilho dessas estrelas. a 3.QUAL O TAMANHO DO UNIVERSO? Muitos astrónomos pensam que ele é ilimitado. uma estre la branca ou amarela tem uma temperatura média.se com um aglomc rado de estrelas do que com uma estrela só. O ângulo de convergência das suas trajectórias aparentes traduz a direcção em que os aglomerados se movem no espaço — em direcção à Terra. E possível medir a velocidade de uma galáxia observando o seu espectro de luz e verificando a alteração do comprimento de onda das riscas espectrais de acordo com o efeito de Doppler. mais vermelha se ela se afasta —. é muito mais fácil trabalhar-. se tra balharmos em quilómetros/hora anos-luz) pela velocidade da galáxia. Muitas estrelas pertencem a aglomerados. medir o diâmetro do universo observável. As cefeides mais brilhantes pulsam mais lentamente que as de menor brilho. é 40 vezes mais brilhante que o Sol (cuja temperatura é de 5500''O. até onde podemos observar. e o fenómeno dá-se porque o Universo está em expansão. pelo que. se se en contrai uma estrela com 10 000"C. Uma delas im plica conhecer a direcção em que a estrela está a deslocar-se e a que velocidade. uma vez determinado o período de uma cefeide. Combinando o ritmo da alteração no espectro da estrela com a direcção de des locação do aglomerado. Espelho gigante para explorar os céus Para obter uma imagem bem focada de urna estrela ou de um planeta. aproximando-a ou afastando a da Terra. eles podem determinar a distância a que estas se encontram. e assim por diante. a um ângulo de 45". os astrónomos podem calcular a sua velocidade real atra vés do espaço e portanto calcular a distância da Terra ao aglomerado.6 anos-luz de distância. Para se determinar a direcção. os astrónomos servem -se de elementos como a temperatura e o brilho.cerca de 3000"C. Antes de utilizarem este método relativamente simples. A medição do brilho das estrelas permite aos astrónomos medir a distância a qualquer estrela da Via Láctea. Os limites do Universo Na década de 20. podem então servir-se dos dados que já conhecem para apurar o brilho relativo de estrelas mais dis tantes. Se uma cefeide tem. Kste intervalo denomina-se o período. eles podem calcular que ela se encontra a 40 milhões de anos-luz. O movimento da estrela. primeiramente. por exemplo. Mas é possível calcular a distância entre os objectos mais afastados que se conhecem em todas as direcções — por outras palavras. Estudando o aparente brilho ténue de cefeides em galáxias distantes. ou 2. o chamado efeito de Doppler. está a 8. é de 40 milhões de milhões anos-luz. Todos os materiais estrela mais brilhante do céu. A lei de Hubble permite aos astrónomos calcular a distância com base na velocidade. no caso de estrelas próximas. um período de duas semanas. formados por milhares de estrelas movendo se no espaço. o astrónomo americano Hubble fez uma espantosa descoberta acerca das galáxias: elas afastam-se iodas da Terra a velocidades que dependem das respectivas distâncias — quanto mais distantes.2 milhões de quilómetros por hora. altera os comprimentos da onda da luz que aquela emite — a luz torna se mais azul se a estrela se aproxima. Quanto mais quente é uma estrela. o diâmetro do Universo. A perspectiva faz com que as es trelas de cada aglomerado pareçam convergir. digamos. Uma estrela com a temperatura de 10 000"C. se uma galáxia distante se afasta. cujo brilho se altera de modo regular. Assim. ela deverá estar a uma distância muito grande. Galáxias próximas Há um tipo de estrelas que funciona como padrão de medição das distâncias a que se encontram as galáxias mais próximas: são as chamadas "variáveis cefeides". A luz das galáxias mais distantes levou 15 a 20 milhões de milhões de anos para chegar à Terra. utilizam métodos como o da paralaxe. algumas delas a 100 000 anos-luz da Terra. por exemplo. maior é o seu brilho. o que significa que todas as galáxias se afastam rapidamente umas das outras. A velocidade de uma estrela deduz-se da sua luz. Estrelas distantes Para estrelas situadas a distâncias superio res a 300 anos-luz. os astrónomos têm de conhecer a relação entre o brilho e a temperatura e a distância à Terra. os espelhos dos telescópios têm de ter a forma correcta e manté-la. ou "cúmulos estelares". Por isso. É a chamada lei de Hubble. Um dos grandes problemas a enfrentar é a variação de temperatura durante a noite. 180 . A medição da temperatura de uma estrela é muito fácil: uma estrela azulada é quente. ou 385 milhões de milhões de triliões de quilómetros. as estrelas alaranjadas ou verme lhas são "frias" . Silius. mas muito pouco brilhante. os astrónomos precisam de técnicas diferentes.5. É por isso que. do brilho máximo ao brilho mínimo e o regresso ao máximo. multiplicando a constante de Hubble (12. os astrónomos poderão dizer que ela é 4000 vezes mais brilhante que o Sol. afastando se da Terra. Os astrónomos medem o tempo que uma cefeide leva na pulsação. mais rapidamente se afastam. As estrelas mais longínquas Para calcular a distância a estrelas ainda mais longínquas. pode deduzir se a sua luminosidade.64 parsecs. com cerca de 20 000nC. pelo que o seu tamanho real não pode ser medido. Assim.

de diâmetro adequado ao telescópio. o fabricante funde a matéria -prima de vidro o cerâmica num molde circular ligeiramente côncavo. na maioria. com um espelho de 5 m feito de pyrex. o maior telescópio de então — o do monte Paloma/. Par. a superfície da Um olho sobre o Universo. Depois. lornou-se possí- vel construir. os espelhos de telescópio são fabricados com uma mistura de vidro e cerâmica que quase náo se expande. é um dos maiores do Mundo Com o seu espelho de -12 m. o que assegura a não-criaçáo de tensões que mais tarde iriam distorcer o espelho. Com a invenção do vidro pyrex. Até há pouco tempo. Para lazer o espelho. nas ilhas Canárias. para que a curvatura parabólica seja a correcta. seria capaz de detectar u chama de uma vela a 160 000 km de distância ou quasares a milhões de anos luz. A peça é depois afeiçoada até ã sua forma final. num processo controlado por computador.'.comummente utilizados. os espelhos dos telescópios eram feitos de vidro vulgar. no Sul da Califórnia. esta zona arrefece mais depressa e contrai-se mais do que a coroa exterior. o que significava maior grau de distorção. Actualmente. em La Palma. fazer um vulgar espelho de telescópio. que se expande e contrai apenas um terço do vidro vulgar. 0 telescópio Wiltiam Herschel. A superfície é revestida por uma camada de alumínio reflector. a peça-base do es pelho é arrefecida com extrema lentidão ao longo de semanas. Mas os astrónomos pediam espelhos cada vez maiores. expandem-se ou contraem-se com as variações da temperatura Como a espessura do espelho de um telescópio é menor no centro. o que distorce a forma do espelho e a imagem que elo reflecte. incluindo o vi dro vulgar. em 1948. .

Os telescópios modernos utilizam também espelhos para captar a luz. Nos meados da década de 90. formando uma rede de paredes finas muito semelhantes ã estrutura de cera dos favos das colmeias. e com o auxilio de um telescópio com uma lente de 7. colocam se dentro do molde blocos hexagonais de cimento. o Very Large Telescope será 10 vezes mais potente que o mais potente dos telescópios actuais. organização a que Portugal acaba de aderir (1990) . Uma oficina do Tucson. Como se contam as estrelas? Olhe para o céu numa noite límpida."> cm. os construtores montam entre os espelhos 168 sensores que informam sempre que os lados adjacentes de dois espelhos se desalinham — quando o telescó pio é inclinado.situar-seá em La Silla. no Arizona. escorre por entre os blocos. Por exemplo.destinado ao projecto do Observatório Astral Euro peu (ESO). trabalhando assim em conjunto como uma única óptica. Newton desenhou um telescópio de reflexão que captava e focava a luz por meio de dois espelhos (feitos de uma liga de estanho e cobre conhecida por metal speculum). Hoje. se possa varrer o cimento quebradiço (o "mel") com jactos de água. no Chile. Os astrónomos europeus empenhados na construção do maior telescópio do PORQUE OS TELESCÓPIOS USAM ESPELHOS EM VEZ DE LENTES No século xvii. Ainda antes da invenção do telescópio. A sua lista continha 458 000 estrelas. por volta de 1(360. deixando um conjunto de favos de vidro vazio. tirando fotografias com gran des telescópios. Mas os astrónomos não se limitam a contá-las . Quando 0 raio laser passa pela imagem escura de uma nos ver estrelas muito menos brilhantes. porque têm diferentes comprimentos. os lasers e os computadores são auxiliares preciosos para acelerar consideravelmente o processo. por exemplo. Como a chapa é um negativo fotográfico. Assim. por exemplo. como capta mais luz do que a vista desarmada. Neste caso. Este espelho em favo tem apenas um quarto do peso de um espelho maciço da mesma dimensão. Cada fotografia apresenta mais de 1 milhão de imagens. 0 computador vai registando estas mudanças de luminosidade do lasei e tomando nota da posição exacta de cada estrela. cada um dos quais com um espelho de 8 m de diâmetro. quando todo o conjunto tiver arrefecido. e um astro nomo levaria meses a registar a posição das estrelas de uma só dessas fotografias. Em resultado disso. estão a construir uma grande superfície reflectora constituída por 36 espelhos hexagonais mais pequenos. é desviada (ou retractada) em ângulo mais agudo que a luz vermelha. os astrónomos tiram fotografias através do telescópio e observam as posições das estrelas nas chapai fotográficas. Também o resto do telescópio teria de ser proporcionalmente maior.arge Telescope (Telescó pio Muito Grande). O astrónomo inglês Edward Kibblewhite construiu om Cambridge uni sistema fotográfico de registo automático que "lê'" uma lotografia em uma hora. que tem ondas cur tas. trazia certos problemas. o que os nossos olhos nos mostram não são mais que cerca de 6000. permitelistas. e por isso fixava a luz como uma lente. Um telescópio não só amplia cada objecto que vemos no céu.pretendem saber exactamente qual a posição de cada estrela no céu para poder regista la num catálogo de estrelas. são desviadas segundo ângulos diferentes. mas os engenheiros estão agora a projectar ( i construção de telescópios muito maiores. quando a máquina tiver analisado as fotografias de todo o céu. Todas estas in formações são registadas em fita magnética. 182 . a ser colocado numa montanha do Havai. realinhando a sequência dos espelhos. Na verdade. estreitando o feixe até um círculo muito diminuto que varre toda a chapa. Na década de 1860. criou um forno rotativo tendo em mente espelhos grandes mas leves. assim. em vez de as contarem olhando por um telescópio. Astrónomos argentinos registaram as estrelas demasiado a sul para poderem ser vistas da Alemanha e quase triplicaram a lista para 1 072 000 es trelas. como as de uma espingarda. Os maiores telescópios actuais eonse guem revelar 1000 estrelas menos brilhantes por cada uma das registadas naquelas estrela. cujos espelhos seriam extrema mente pesados se produzidos ã maneira tradicional. Telescópios de espelhos múltiplos Os astrónomos que estão a construir o telescópio Keck. que media 2. o líquido é empurrado para a periferia e sobe pela parede do balde. EUA. a informação acumulada referir se á a mais de 1000 milhões de estrelas. Mundo. e a sensação que tem é de que vê milhões de estrelas. bem como do respectivo brilho. além de mostrar muito mais estrelas. que se juntarão entre si como ladrilhos para formarem a superfície. o físico inglês Sir Isaac Newton apercebeu-se de que o tradicio nal telescópio de refracção. 0 astrónomo prussiano Friedrich Argelan der registou a posição das estrelas que conseguia observar de Bona. quando um feixe de luz é desviado ao atravessar o vidro.5 cm de diâmetro. A placa inferior é perfurada para que. Estas técnicas de fabrico têm resultado. com maior comprimento de onda. as estrelas aparecem como pontos negros contra um fundo claro. um espelho de 8 m para um telescópio de concepção idêntica ao do monte Palomar (que mede 5 m) pesaria quatro vezes mais. as respectivas ondas. Assim. embora em tamanho já nada tenham a ver com o de Newton. Mas.peça-base é então revestida pela camada reflectora: coloca-se numa câmara de vácuo. pensam que será demasiado difícil construir um único espelho com esse diâmetro. \ow computadores verificam os sinais emitidos pe los sensores c enviam instruções a 108 parafusos de precisão ligados â face posterior dos segmentos. Quando estiver completado. as lentes produziam franjas de cores falsas em torno das estrelas. a superfície torna-se côncava. o Véry l. dificultando a respectiva mecânica e encare cendo todo o projecto. Os parafusos rociam em resposta às ordens recebidas. que utilizava lentes de vidro para focar a luz das estrelas. A luz azul. servindo se de simples miras. Antes de se deitarem os pedaços de vidro. o o metal condensa se em tina camada sobre a lace da peça-base. a sua luminosidade diminui. Quando o vidro funde. Com efeito. Este fenómeno ocorre porque. de 10 m. A face dos espe lhos que recebia a luz era côncava como um espelho da barba. 0 aparelho de Kibblewhite foca um feixe de raios laser de hélio-néon sobre a chapa fotográfica. onde fio de alumínio e vaporizado por calor. para obter as melhores imagens do céu meridional e será formado por quatro telescópios adjacentes. A estrutura de vidro resultante compôe-se de 'células" hexagonais tapadas em cima e em baixo por uma placa de vidro. já os astrónomos tinham registado as posições de todas as estrelas visíveis. equivalente a um telescópio de 16 m de diâmetro. Pequenos espelhos farão convergir a luz dos quatro telescópios sobre o mesmo foco. Para que esta mantenha a sua forma correcta. atacam o problema de outra maneira: o telescópio . Mas como pode uma estrutura em favo ser esmerilada para se tornar curva? Não 0 é: se fizermos girar rapidamente um balde de líquido segundo um eixo vertical. os astrónomos conseguem contar milhões de estrelas.

Assim. fazer parar a expansão do Universo e aproximar entre si as galáxias no Big Crunch. Uma parle da matéria que anteriormente constituía a estrela comprime-se pela sua própria gravidade até um volume ínfimo. mas que. em particular os cúmulos globulares. transformando-se em gigantes vermelhas. A teoria afirma. ele será inexoravelmente puxado para o seu interior e esmagado na singularidade. os astrónomos têm medido as idades dos cúmulos estelares. menos aceite. A matéria concentrada poderá explodir novamente como um Big Bang. Neste caso. Neste Universo "aber to". Desde que um objecto se aproxime de um buraco negro. Dentro de cerca de 100 000 milhões de anos. com o diâmetro de alguns quilómetros. Devido à sua enorme compressão. de momento. é finito. constitui o buraco negro. Na sua maioria. Este tipo de aglomerado é como que um enxame gigante de cerca de 1 milhão de estrelas.Como acabará o Universo? Há 15 000 milhões de anos. os astrónomos procuram as estrelas vulgares mais volumosas que estejam prestes a transformar-se em gigantes vermelhas. mesmo assim. o Universo começou subitamente a sua existência por meio de urna tremenda explosão — o Big Bang. e continuará para sempre a expandir-se. as galáxias chocarão entre si e esmagar-se-ão conjuntamente num ponto. ao passo que uma estrela de uma massa 20 vezes maior se transformará numa gigante vermelha daqui a apenas 20 milhões de anos. os astrónomos calculam a idade de todo o cúmulo. Uma é a de que ele se encurva em redor de si próprio. algumas "envelheceram" mais rapidamente que outras. produzindo o nascimento de outro universo. a sua gravidade fará encurvar o espaço. Conquanto os astrónomos estejam de acordo no que se refere ao nascimento do Universo. «Vendo» o invisível buraco negro Quando uma estrela morre. Os radiotelescópios captam um ligeiro ruído de fundo em todo o Universo. Os estudos modernos sobre o Universo baseiam-se na teoria geral da relatividade. em comparação. os cosmólogos aceitam igualmente uma última pre- . incluindo a estrela Sol e o planeta Terra. Ao testarem os efeitos da teoria geral. provavelmente. Além disso. Os gases que se expandiram do centro da explosão acabaram por transformar-se em galáxias. a gravidade será suficientemente forte para. Dentro de cada cúmulo. ou estrelas de neutrões. viverá 10 000 milhões de anos. num fenómeno a que dão o nome de Big Crunch. (O Sol. encontraríamos sempre novas regiões. por exemplo. como se constituíssem os estilhaços de uma explosão cósmica gigante. depois em anãs brancas.12 000 a 14 000 milhões de anos. pelo cjue não pode ser observado por qualquer espécie de telescópio. em teoria. Dividindo as distâncias a que se encontravam pelas respectivas velocidades. Na zona que circunda imediatamente a singularidade. Esta teoria é. pode deixar atrás de si o objecto mais escuro e mais destrutivo do Universo — um buraco negro. muito persuasivo. por isso. a gravidade é absolutamente irresistível. O Universo começará então a contrair-se.cerca de 70 milhões de anos. Estrelas de diferentes massas evoluem a ritmos diferentes. inferior ao do núcleo de um simples átomo e denominado uma singularidade. tem 5000 milhões de anos. Há duas possibilidades. Por outro lado.que o Universo não tem limites. As estrelas mudam de cor e dimensão à medida que envelhecem. A energia do Big Bang pode ser suficiente para manter as galáxias indefinidamente em movimento. não nos revela quando ocorreu. a força da gravidade entre as galáxias poderá afrouxar o ímpeto do Bing Bang e começar novamente a fazer aproximar entre si as galáxias. por meio dele. Esperam. Num futuro de 1 milhão de milhões de anos. A resposta (segundo as mais recentes e rigorosas observações) é: há 15 000 milhões de anos. como a superfície de um planeta: embora não tenha limites. não o estão quanto à forma como ele acabará. Para confirmarem este resultado. As estrelas de cada galáxia chegarão ao fim das respectivas vidas sob a forma de buracos negros ou objectos sóli dos e escuros chamados anãs negras. Se os buracos negros não podem ser vistos. finalmente. ninguém espera ver os limites do Universo. corno sabemos que existem? Um dos processos apoia-se na detecção dos seus efeitos sobre as estrelas próximas. o que sugere que este tenha ocorrido há 15 000 milhões de anos Há ainda um elemento de prova. Este não emite luz nem qualquer outra radiação. Koram talvez as primeiras estrelas a formar-se a partir dos gases do Big Bang. Hubble pôde calcular quando teve lugar esta explosão. de que existiu um Big Bang. e o Universo será fechado. O que acontecerá a seguir é menos certo. as estrelas possuem uma compa nheira (o Sol faz parte da minoria) e as duas estrelas giram em torno uma da outra Se 183 Em busca dos limites do Universo Os astrónomos europeus estão empenhados na construção de um telescópio 10 vezes mais potente que qualquer dos existentes: o Very Large Telescope. por muito longe que viajássemos. Pelas massas das estrelas que estão prestes a transformar-se em gigantes vermelhas. visão da teoria de Einstein . a gravidade da matéria deflecte a luz.) Muitos são muito mais velhos. no entanto. Mas como se pode calcular quando tudo se deu? Nos anos 20. mesmo que todas as estrelas de um mesmo cúmulo (aglomerado) tenham nascido ao mesmo tempo. sem limite. Esta zona. A outra teoria é a de o Universo ser infini to. estrelas e planetas. na realidade. Os cálculos mais recentes sobre a quantidade de matéria indicam que esta não é suficiente para "fechar" o Universo. de Einstein. de dimensões infinitas. Sabem. mas. A explicação mais provável é que se deva a ondas electromagnéticas emanadas dos gases quentes do Big Bang e que ainda hoje pulsam através do Universo. Aceitando que a teoria possa ser aplica da ao Universo como um todo. O buraco negro são os restos colapsados de uma estrela velha. Qual das duas hipóteses é a correcta depende da quantidade de matéria que compõe o Universo Se existir matéria suficiente. o Universo acabará por morrer simplesmente. a gravidade desta matéria é imensamente forte. mas alguns astrónomos calculam as suas consequências se ela for verdadeira. os cientistas verificaram que ela explica o movimento rios planetas em volta do Sol e das estrelas girando em tomo de outras estrelas. que existem duas possibilidades para o Universo. este será. O espaço prolongar-se infinitamente em todas as direcções. o astrónomo americano Edwin Hubble descobriu que as galáxias se afastam umas das outras e que as mais distantes se deslocam a velocidades maiores que as mais próximas. Os astrónomos descobriram que as estrelas que compõem estes cúmulos são muito antigas . ver mais do Universo do que jamais foi visto. Um viajante espacial que partisse numa determinada direcção e nunca alte rasse o seu rumo regressaria ao ponto de partida É um universo "fechado". o tempo que uma estrela vive antes dessa transformação: o Sol. Alguns cúmulos estelares são bastante jovens à escala cósmica . Esta teoria diz que a matéria possui um campo gravitacional que distorce o espaço c o tempo — o espaço encurva-se e o tempo passa mais depressa ou mais devagar.

os outros planetas do sistema. A HDE 226 868 é trapolada proporcionalmente. C. Um gás a esta temperatura produz abundantes quantidades de raios X. As cores desta fotografia indicam a crescente acumulação de estrelas da periferia para o centro. que começa a atrair os gases periféricos. As regiões exte riores desta estrela que aumentou aproximarn-se perigosamente do buraco negro. os astrónomos A serpente que voltou do espaço Em 16 de Outubro de 1982. que recebeu o nome do cientista britânico do século xvn Edmond Hallev Este cientista. Descobriram que Cisne X-l pesava tanto como 10 sóis. À medida que a companheira envelhe ce. a um sem número de receios. o mais antigo registo da observação deste cometa. que os torna extremamente quentes. Ao observarem o écran de televisão que transmitia a imagem captada através do telescópio do monte Palornar. no passado. que se encontra a (iOOO anos-luz da Terra.o cometa de Hallev. o satélite de raios X americano Uhuru conseguiu localizar uma poderosa fonte de raios X na constelação do Cisne. era uma estrela chamada HDE 226 868. centenas de vezes maior que 0 Sol. os astrónomos assestaram o maior teles copio do Mundo sobre determinado ponto da constelação do Cão Menor. que provou que os cometas percorrem órbitas que podem ser calculadas. A observarão dos cometas deu origem. mum. uma delas morro e colapsa. Os astrónomos descobriram então que essa fonte. Logo se suspeitou de que esta última seria um buraco negro. mas não caem ali directamente: eles começam por girar à superfície do buraco. Na constelação da Virgem encontra-se u radioguluxiu M-87. Uma supergigante azul é cerca para exercer a atracção gravitacional nede 20 vezes mais "pesada" que o Sol. na Califórnia. serpentes sequiosas de sangue enviadas para devorar os ho mens e mensageiros de doenças. o buraco negro que dela resulta e a estrela companheira continuam a girar em torno um do outro. Data de 240 a. feras de chumbo de massas conhecidas. Esta experiência pode ser exmassa daquela estrela. Experiências em lalíbrio natural que permite aos astrónoboratório demonstraram qual a atracmos "pesar" as estrelas. Por isso. Pode então dedulómetros. logo Cisne X-l deve ser um buraco negro. As estrelas que circundam o centro da galáxia estão tão juntas e deslocam se tão rapidamente em direcção ao centro que se pensa que ali exista um buraco negro O jacto azul emitido do centro negro da galáxia é um feixe de electrões resultante da energia produzitla pelo buraco negro. por foruma estrela do tipo supergigante azul. Os astrónomos usam o Sol como peso -padrão. observou o cometa em 1682 e previu que ele regressaria cm 1758. tem metade dessa torno do seu centro de gravidade comassa. O aparecimento de um cometa deve se ao tacto de estes astros se deslocarem em COMO OS ASTRÓNOMOS PESAM AS ESTRELAS As estrelas de um sistema binário.O coraçãozinho negro. Quando investigaram esta estrela. o buraco a Cisne X-l e a I IDE 226 8(i8. Pensava se que eles eram horri veis visitantes da Terra. Se a massa das estrelas é igual. o cometa de Hallev estava na sua rola prevista. aqueles descobriram que o centro de Esta força depende cm parte da massa gravidade ficava tão próximo desta que a das esferas c cm parle da distância que sua companheira deveria ter metade da as separa. Estudando o ção gravitacional entre duas grandes es movimento da estrela HDE 226 868. Cs raios X tinham de provir de gases que se dirigiam em vórtice para a companheira invisível. Cisne X-l. ou seja 1989 milhões de milhões tância entre as duas. fica mais de milhões de milhões de toneladas. Uma forma de afastar a possibilidade de uma estrela de neutroes é verificar o seu peso. descobriram que ela descrevia uma órbita de seis dias em torno de uma companheira invisível. tem 20 vezes a massa do Sol. colapsa e lorna-se num buraco negro. Estes acabam por entrar no buraco negro. O Sol "pesa" 0 equivalente a 300 000 esse centro de gravidade fica a meia dis Terras. Mas os astróno mos tinham primeiro que investigar a hi pótesc de se tratar de uma estrela de neuIroes. Estas estrelas são Ião pouco lumino sas que não podem ser vistas quando próximas de uma outra como a 1 IDE 226 8(>8. os astrónomos viram subitamente um pequenino ponto luminoso. um sistema binário forma um equi teoria da gravitação. o que procuram os buracos negros começam por percorrer o céu com telescópios de raios X em busca desses raios. deve "pesar" tanto como 10 sóis. Km 1971. Assim. e o seu brilho é 50 000 vezes o zir-se qual a massa que o Sol tem de ter do Sol. perto da estrela com maior massa. ma que a distância entre as esferas passe Tem um diâmetro de 32 milhões de quia ser a da Terra ao Sol. o que é muito para uma estrela de neutroes. corno se a sua companheira invisível. Isto cessária para manter em órbita a Terra e é. Estavam na pista de um objecto que não era visto havia mais de 70 anos e se previa que fizes se nova visita ao sistema solar interior . Se não. aumenta de volume para se tornar uma estrela gigante ou supergigante. giram em negro Cisne X-l. AsEsle número é calculado com base na sim. 184 . Quando uma estrela de neutroes se torna mais pesada que três sóis. com temperaturas que atingem o milhar de milhões de graus centígrados.

a hipotética posição do novo planeta. o que sugere que os planetas o tenham feito afrouxar. totalmente acidental. a sua gravidade puxa o cometa para diante e acelera-o. Donald Yeomans. Até 1781 ninguém suspeitava da existência de planetas para além de Saturno. Quando três matemáticos franceses predisseram o regresso do cometa de Halley em 1759. Este é formado por gelo. do Laboratório de Propulsão a Jacto. portanto. Em 1986. de 15 de Junho de 1911. os planetas provocaram um aumento da sua velocidade. Vénus. Esta suspeita foi reforçada pelo facto de terem descoberto que Urano não percorria a sua órbita em redor do Sol a ritmo constante: parecia que sofria o efeito da força de gravitação de um planeta mais distante e desconhecido. Júpi ter e Saturno são Ião luminosos que os astrónomos sabem da sua existência há milhares de anos.5 anos. Enfrentando uma furiosa tempestade de poeira que ameaçaoa destrui-la. na Califórnia. Seria assim se ele sofresse unicamente a influência gravitacional do Sol. descobriu Urano. o cometa de Halley passou pelo Sol com um erro de poucas horas sobre o previsto por Yeomans — depois de ter estado escondido durante sete décadas. pelo que ele regres sou em Abril de 1910. os astrónomos concluíram que tinha de ser um planeta. tudo pode ser feito por um computador em apenas alguns minutos. Vale Colina Eixo de rotação Limite dia-noite Sol O núcleo do cometa. Quando o cometa de Halley se encontra no ponto mais afastado da sua órbita. Sc o cometa se afasia rio planeta. rochas e pedras e por um composto orgânico desconhecido resistente ao calor. traçando o mesmo percurso em volta do Sol. E. Esperar-se-ia. Nessa altura. efeitos de lodos os planetas sobre o cometa de 1911 até meados da década de 80. especialmente pelos gigantes . os cometas seguem percursos alongados. a força gravitacional deste puxá-lo-á para trás. Na década de 70.Cadeia de colinas Mancha luminosa . na realidade. A órbita mais rápida do cometa de Hal ley durou apenas 74. ele pode lornar-se — durante uns meses — um objecto brilhante nos nossos céus. levando seis meses a completar o trabalho. onde esta fotografia foi tirada. os astrónomos começaram a pensar se poderia existir um outro planeta ainda mais distante. Enquanto a órbita de um planeta em tomo do Sol é relativamente circular. Sabia não se tratar de uma estrela por ter um disco visível. 0 período orbital do cometa de Halley é de 76 anos. e o francês Urbain Leverrier — calcularam. Mas os cálculos são muito longos e fastidiosos. Depois desta descoberta. Nep tuno e Plutão. mesmo para o maior telescópio. a sonda espacial Giotto passou a algumas centenas de quilómetros do cometa de Halley e fotografou o núcleo. Foi mais claramente oisioel na Austrália. Passou a 150 milhões de quilómetros da Terra em 15 de Março de 1986. afrouxando lhe a velocidade. ao tentar encontrar estrelas duplas. separadamente. de Cambridge. está 35 vezes mais afastado do Sol do que a Terra. o astrónomo amador William Herschel. revelam que ele levou 79 anos a completar uma órbita. Depois. os cometas são também afectados pelos planetas do sistema solar. até à fotografia mais recente. Mas as observações da sua órbita entre os anos 451 e 530. Leverrier enviou os seus cálculos 185 . por meio de extensas divisões e multiplicações. pelo que. Actual mente. ao registarem os seus movimentos. registadas por astrónomos chineses e japoneses. Depois de este corneta passar pelo Sol em Novembro de 1835. mais distantes e menos luminosos: Urano. No entanto. volta do Sol em órbitas governadas pela gravidade. Um cometa visto de perto.lií piter e Saturno. Dois matemáticos — Coueh Adams. é invisível. Tem montes e depressões e expele jactos de gás e poeira. Mas durante os últimos 20(1 anos eles descobriram outros três. utilizou uni computador para calcular os Descobrindo planetas Os planeias Mercúrio. vê-lo reaparecer regularmente. O núcleo do cometa de Halley tem a forma de um amendoim e mede 16x8x8 km. em 13 de Março desse ano. tiveram de o calcular à mão. ninguém os procurava Até que. Mas no ponto mais próximo do Sol o cometa passa por dentro da órbita da Terra. Como os astrónomos conhecem as posições e a força gravitacional de cada pia neta. Obteve as sim informações sobre a forma como o cometa se deslocava. E existem indicações de um décimo planeta para além de Plutão. A maior parte da sua superfície é coberta por uma crusta espessa e escura de composição desconhecida. Quando o Sol o aquece e o núcleo gelado fica rodeado por uma enorme nuvem de gases e poeiras. começou a coligir todas as observações sobre o cometa cie Halley. podem calcular o efeito que elas terão sobre os cometas. Marte. Quando um planeta está aproximadamente na frente de um cometa. Em 31 de Agosto de 1846. tal corno o da Lua quando cheia.

Em busca de vida no espaço Sempre houve pessoas que acreditaram existir vida inteligente em outros mundos do espaço. do Observatório Naval dos Kstados Unidos. Em vez da placa. a Pioneer 10 e a Pioneer II. construíram um dispositivo que consegue sintonizar simultaneamente 8 milhões de frequências diferentes. existem dois radiotelescópios norte americanos. e a resposta parece ser um grande planeta situado nos limites do sistema solar. o mesmo pode ter ocorrido em milhões de outros planetas com condi ções semelhantes. hoje conhecido por Neptuno. de estar sintonizados nu comprimento de onda correcto. A busca de mensagens do espaço Em vez de esperarem.se. Mas como poderemos nós. a população da Terra e a posição desta dentro do sistema solar. emergiria dos pontos e traços determinado padrão que revelaria os elementos químicos que compõem a vida. que trabalhava no observatório fundado por Lowell. Os resultados deste levantamento foram registados em 100 km de fita de computador. ainda nenhuma mensagem foi captada. A primeira busca iniciou-se em 1960. Km 1978. contactar com outros seres que vivam cm outro qualquer lugar na vastidão do Universo? Na realidade. desde Bach a Chuck Berry. além disso. que nesta altura estão prestes a deixar 0 sistema solar. Desta vez foi um astrónomo americano. se isso acontecesse. o "cartão de visita" apenas poderia ser respondido se se procurasse a Terra. Harrington conta com as sondas espaciais. mas de brilho muito mais ténue do que este previra. no Massachusetts. e os astrónomos debruçam-se sobre esta vasta colectânea de dados. As mensagens consistem numa chapa de ouro com 15x23 cm que tem gravado um mapa com a localização do sistema solar em re lação a pulsares próximos (os pulsares são emissores naturais de feixes de rádio que OS futuros viajantes do espaço poderão utilizar como faróis cósmicos). Computadores monitorizam todas estas frequências para procurarem sinais que não lhes pareçam naturais. em Porto Rico. Percival Lowell. para um cúmulo estelar. Algumas das estrias são imagens codificadas em ondas sonoras. completo com agulha e com símbolos indicando a forma de O to car. A resposta. Em 16 de Novembro de 1974. Infelizmente. que perscrutam permanentemente o espaço em busca de mensagens de rádio. Com fundos cedidos por Sleven Spíel berg. deverá igualmente afectar os percursos dos três veículos espaciais Pioneer 10. mas muitos pensam que. Recebeu o nome de Plutão. Bob Harrington. quem calculou onde deveria encontrar-se esse "Planeta X". na esperança de encontrar quaisquer seres inteligentes que possa haver "por lá". O homem tem o braço levantado num gesto de saudação. Este aglomerado contém 300 000 estrelas e é provável que tenha também inúmeros planetas. Existirá um Planeta 10? Os astrónomos interrogam se agora sobre o que poderá estar a atrair Urano e Neptuno. os Americanos lançaram duas sondas espaciais. investigadores do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence. Há também um desenho da nave e de um homem e de uma mulher. Nos finais do século passado. Outros astrónomos não estão convencidos com os cálculos já efectuados: pen sam que 0 Planeta 10 poderia situar se em qualquer posição do céu. para o caso de serem encontradas por uma civilização extraterrestre. os astrónomos enviaram a primeira mensagem de rádio do Observatório Radioastronómico de Arccibo. Existe outro problema: Messier 13 está tão distante que a mensagem demorará 25 000 anos a chegar. saudações em dezenas de línguas e cantos de baleias. Os planetas omitem grandes quantidades de radiações infravermelhas. um telescópio na Nova Zelândia tira fotografias a esta parte do céu Nas suas investigações.ao Observatório de Berlim. Se um ser a captar e enviar uma resposta. 0 movimento desta lua revelou a gravidade de Plutão demasiado fraca para exercer qualquer efeito sobre Urano e Neptuno. eles teriam de o ter apontado à Terra no preciso momento em que as pulsações eram emitidas. a forma e tamanho de um ser humano médio. esses esforços aumentam constantemente. e assim atacam o problema por outra forma. detectou um pe quenino ponto luminoso que mudava de posição todas as noites. os cientistas americanos lançaram outras duas naves espaciais que irão para além do sistema solar a Voyager I e a Voyager 2. Se um extraterrestre dispusesse os sinais num rectângulo de 23 por 73 pulsações. cada nave leva consigo um disco de longa duração. No entanto. A sua viagem continuará para além do sistema solar. programadas para passarem por Júpiter (e também Saturno. torna-se necessário outro meio de comunicação. alguns astrónomos perscrutam já os céus para ver se outras civilizações estarão a enviar mensagens à Terra. Pioneer II e Voyager I —. calculou que este pia neta se encontra actualmente na parte meridional do céu. o Infrared Astronómica! Satellite (Satélite Astronómico de Infravermelhos) pesquisou a totalidade do céu em busca de objectos do Universo emissores de radiações infravermelhas. assim como se verificaram na Terra as condições adequadas para a evolução de vida avançada. esta levará o mesmo lempo a chegar a Terra pelo que temos de esperar 50 000 anos para a receber. Apesar de todos estes esforços. é muito improvável a recepção de uma mensagem como esta. mas. 186 . Sc o Planeta 10 exerce influência sobre Urano e Neptuno. E pouco prova vel que descubram outra raça inteligente no Universo. Mesmo que o fos. Os astrónomos sabem hoje que não existe vida nos outros planetas do sistema solar. Tratava se efectivamente de um planeta. o satélite té lo á prova velmente detectado. Para se estabelecer uma conversa com outra civilização. o Messier 13. suspeitou-se de que tanto Urano como Neptuno sofriam influências da gravidade de outro planeta ainda mais distante. onde os astro nomos identificaram uma "estrela" como sendo esse novo planeta. os astrónomos do Observatório Naval dos Kstados Unidos descobriram um satélite em torno de Plutão. Em 1930. E muito pouco provável que uma destas minúsculas naves espaciais seja alguma vez encontrada na imensidão do espaço. As ondas de rádio viajam livremen- te pelo espaço e qualquer ser com um aparelho receptor sensível poderá captar programas de rádio e TV emitidos pela Terra. Em 1972 e 1973. Clyde Tombaugh. Os cientistas estão a seguir os movimentos dessas sondas para verificarem se o Planeta 10 estará a desvia las das suas rotas. Actualmente. como cada vez há mais astrónomos coo perando com o SETI. é simples — 0 rádio. realizador do filme ET. onde poucas pessoas pro curaram planetas. se ria um dos mais importantes acontecimentos na história da Humanidade. Este LP dos "sons da Terra" inclui música. Se o Planeta 10 existir. e desde então muitas outras têm sido conduzidas na procura de sinais inteligentes vindos do espaço. provavelmente. Com intervalos de algumas semanas. por muito sofisticada que seja: caso existam em Messier 13 seres inteligentes com um receptor de rádio sensível. algumas mensagens idas da Terra estão agora a caminho. no caso da Pioneer II) e tirarem fotografias. no Ohfcj e no Massachusetts. Em 1983. ou Pesquisa de Inteligência Extraterrestre) no Observatório de Oak Ridge. Cinco anos mais tarde. Mas. que vão cie um pôr de: sol até a um supermercado. na Terra. muitos astrónomos consideram Plutão demasiado pequeno para afectar os gigantes Urano e Neptuno. A mensagem de Arecibo consiste numa série de 1679 pulsações de rádio que lembram o alfabeto Morse. Teriam. Cada Pioneer tem um "cartão-de-visita" da Humanidade fixado à sua blinda gem. mostrando imagens da Terra.

204 #JS35S- . o Mundo penetrou no desconhecido. prevemos uma época em que talvez seja possível recriar criaturas extintas e produzir máquinas que pensam. p. Agora.Maravilhas da ciência Quando os cientistas cindiram o átomo. Como os cientistas tentam orever os terramotos.

é possível loriiecer-lhe um património novo. o objectivo é copiar milhares de vezes uma variedade que seja mais produtiva ou decorativa. obtendo se vitelas gémeas idênticas (em baixo i. O meio inclui hormonas do crescimento que estimulam a divisão das células. pois embriões criados noutros países seriam congelados e transpor tados para depois serem implantados. Com o auxílio de minúsculos instrumentos cirúrgicos. Em determinada altura. Por este processo podem também con trolar-se doenças virais das plantas que. Criação de supcrvacas. O núcleo de uma célula contem toda a informação genética a partir da qual o organismo se desenvolve. Nos animais. Uma técnica designada por transferência nuclear permite a produção simultânea de até 32 clones. em cima) contêm. um caldo de nutrientes químicos que lhe fornece lodos os elementos necessários. Os animais podem igualmente ser clonados. estão a produzir uma cópia geneticamente tos brancos globulares designados por embrióides. Com o auxilio de um miuoruanipuiador. 0 processo poderia ser particularmente importante no caso de países em desenvolvimento. o embrião não possui nenhum património genético. Mas a sua viabilidade foi comprovada em ratos. óleo da mesma qualidade e em quantidade idêntica. um embrião de vaca. Quando o núcleo é retirado. Para se atingir esle estado. Quando se fazem clones a partir de plantas. Para a obtenção de quantidades verdadeiramente significativas. é preciso combina las com embriões unicelulares da mesma espécie aos quais foi retirado o núcleo. esta massa de células começa a produzir pequenos pon- dera vir a ser utilizado brevemente na produção de manadas de vacas em que todas atinjam elevados níveis de produção de leite ou carne de sabor e textura uniformes. Se todas as 32 forem usadas da mesma forma. O processo inicia-se com um pequeno fragmento da planta escolhida. obter st? ão 32 embriões com informação genética idêntica. No entanto. são transmitidas de geração em gera cão através das sementes. Em devido tempo. lodos os clones rebentam e crescem ao mesmo ritmo. os embriões são divididos numa fase precoce do seu desenvolvimento (à direilu. Dina planta sã pode utilizar se na produção de milhares de clones igualmente sãos. Quando plantados simulta ncamenle. A Plantas-proveta. O processo po idêntica um clone. denominado cultura de tecidos. Hoje em dia. fundindo a célula anuclea da com uma das 32 retiradas do embrião em desenvolvimento. é possível fazer cópias de espé cies de plantas que não pegam de estaca. Para que estas se desenvolvam com êxito. Os tubos de ensaio coloridos (à direita. em geral. Cada um deles pode ser implantado no útero de uma mãe "de empréstimo" para produzir 32 indivíduos idênticos. Esse fragmento é colocado num meio de cultura. 0 processo. pode demorar até 18 meses. contudo. os embriões produzidos por este processo teriam eles próprios de ser repetidamente clonados. as plântulas crescerão como cópias exactas da planla-mãe. o processo é mais complexo e de uso ainda não generalizado. sua produtividade é 30% mais elevada que a das plantas produzidas a partir da sémen le. Os embriões divididos são depois implantados. . A cultura de tecidos produz plantas a partir de urna célula única. que apresentam grandes variações nas suas características. pois todas as suas células contém a informação genética a partir da qual se pode reconstruir uma planta completa. Transplantadas cuidadosamente para a mistura apropriada. Seria assim possível encurtar o demorado processo de aperfeiçoamento de raças de gado por reprodução selectiva. em baixo). Às modernas técnicas cientificas aumentaram muito o âmbito da clonagem. sendo a descendência réplica exacta de um único progenitor. Poderiam então ser congela dos para armazenagem e finalmente implantados no útero de mães de emprés timo. produzindo. na mesma altura. estes de senvolvem raízes ou produzem rebentos e começam a parecer-se com pequeninas plantas. cada um. frag mento esse que pode ser retira do de qualquer parte da planta. o que leva â formação de uma massa de células vegetais que duplica de lama nho aproximadamente de seis em seis semanas (callus).Como se obtêm clones de plantas e animais De cada vez que os jardineiros cortam uma estaca de uma planta e a colocam cm terra para que se desenvolva uma nova planta. em carneiros e em vitelos. um embrião que já se desenvolveu até à fase das 32 células é dividido em 32 células intlivi duais.

os biólogos descobriram que as células eram as unidades básicas da vida. como as bactérias. formando a placa equatorial. mas de dois. Na profase (à direita). que permite à célula funcionar bem e reproduzir se. Existem células de tipos muito diferentes. 1500 vezes. como carbono e oxigénio. utiliza um feixe de electrões. que já são perfeitamente visíveis na interfase (em baixo. Estas fotografias mostram uma célula dividindo se em duas. os cromossomas separam se. Centrifugando este líquido a velocidades ainda maiores. em média. INTERIOR DE UMA CÉLULA Esta fotografia mostra o interior de uma cé lula vegetal. já duplicados. reage a mensagens das outras células e transmite-lhes mensagens. Todas as células possuem um núcleo rodeado de um fluido (citoplasma). ou divisão celular. Na anafa se (em baixo. formando dois grupos idênticos. As funções de alguns dos componentes celulares podem ser inferidas da sua apa rência. os cientistas descobriram que um dos principais constituintes do núcleo é o ácido nucleico. Alirnenta-se. "respira" e reproduz-se. o ácido ribonucleico (ARN) e o ácido desoxirribonucleico (ADN). conseguem separar se os componentes de peso cada vez menor. Posteriormente. verificou-se não se tratar de um ácido. são unicelulares.Descobrindo os segredos das células Todos os seres vivos são formados por unidades microscópicas chamadas células. utilizando técnicas semelhantes. aqui representada a amarelo. Este contém a informação genética que transmite os caracteres hereditários de pais para filhos. os cromossomas encontram-se no centro. além de outros elementos mais comuns. encontram se aglomerados no centro. mas o seu estudo detalhado obriga à separação das diferentes cstniluras. a esquer da). Posteriormente. têm sido identificadas as actividades de todos os componentes da célula. 0 corpo humano possui mais de 50 milhões de milhões de células. à direita). Um dos mais importantes é o núcleo. Cada célula tem funções especializadas e colabora no funcionamento de todo o organismo: é uma unidade viva em miniatura. As formas mais simples. de um centésimo de milímetro. Uma das formas de o conseguir consiste em homogeneizar as células num misturador semelhante aos que se usam na cozinha e depois separar os componentes por centrifugação: os mais pesados precipitam no fundo do tubo que gira a grande velocidade e formam um sedimento sob um líquido transparente. cujas dimensões são. Na metafase (em baixo. A célula foi descoberta em 1665 por Robert Hooke. O sedimento pode então ser estudado. descobriu que o núcleo continha fósforo. As células podem ser visualizadas com mais pormenor com o emprego de um microscópio electrónico que. que observava ao microscópio lâminas de cortiça e descobriu uma série de pequenos compartimentos que comparou às celas de um convento. que. ao centro). mas todas estão envolvidas por uma membrana e têm um núcleo central rodeado por um fluido denominado citoplasma. cada um dos quais se torna o núcleo das duas novas células. Com os microscópios electrónicos descobriram-se estruturas minúsculas da célula. os cromossomas. enquanto os microscópios ópticos têm um limite de DIVISÃO DE UMA CÉLULA ANIMAL As células vegetais e algumas animais reproduzem-se por um processo chamado mitose. ao dissolver células em pepsina (um enzima digestivo). mas a célula vegetal tem ainda uma parede bem definida. Este tipo de microscópio permite uma ampliação superior a 500 000 vezes. em vez de luz. ^vftgsre Núcleo contendo "cromossomas 189 . A natureza química do núcleo foi estudada pela primeira vez em 1869 pelo bioquímico suíço Friedrich Micscher. Mais tarde. Pouco a pouco. portador da informação genética.

são tratados duz a produção. As técnicas tradicionais de criação de plantas e animais implicam o cruzamento de variedades diferentes. A espécie modificada produzirá então melhores frutos. como o feijão e o Ire vo. a bactéria. introduziram um outro gene está já a ter resultados extraordinários. o ção Genética. Na fusão celular retiram se as mem branas exteriores do espermatozóide e do óvulo com o auxílio de determinados en/. Nestas experiências. pro utilizaram a hacléria Ag/obacmovendo a fusão. As plantas lêm sido manipuladas com igual êxito no sentido de se obterem produções elevadas de cereais. O gene foi separado por meio de um enzima de restriNo entanto. Esta cresceu e produziu leite contendo o factor VIII. Uma delas. e nunca semelhantes aos pais. além de plantas decorativas mais bom tas que as do mundo natural. o homem produ ziu centenas de raças de cães. nascido em Cambridge em 1982 em resultado do cruzamento de cabras (goat) com carneiros (slieepj. postos em contacto. até então. que se traduz na possibilidade de se desenvolverem com êxito sem necessitarem de gran des quantidades de fertilizantes azotados. os filhos são sempre ou ovelhas ou cabras. se conseguisse conferir esta qualidade aos cereais utilizados na alimentação. poupar se-iam anualmente enormes quantidades de dinheiro e reduzir-so ia a poluição dos rios e ribeiros pelos nitratos. A fotografia mostra os núcleos unidos de duas células de folha de tabaco. uma cenoura com uma couve. Embora os geeps possam procriar normalmente entre si. que não são capazes do mosaico do tabaco. que foi também utilizado para cortar o retiraram-lhe os genes causadores dos tuADN de uma bactéria.elevada produtividade de um progenitor. fusão ce lular. removeram-no e inseriram-no no local correcto entre os genes do um embrião de ovelha. na EsRoundup. Ao seleccionar as características desejáveis e ao fazer criações para as conseguir. o qual pode ser extraído e utilizado no tratamento dos hemofílicos. As características de uma dada espécie sào transportadas. O resultado pode ser a criação do um novo organismo que recebe características de ambos os progenitores No caso do geep. a com insulina assim produzida. Utilizando enzimas de reslrição que cortam a cadeia de ADN em sequências nucleotídicas determinadas. em código. como o trigo. Escherichia coli. frulos e verduras. produziu o geep. Assim. perlo de Kdimburgo.s no ADN de outra espécie — planta. pelos meios convencionais. podem isolar-se segmentos responsáveis por determinada função (genes). por exemplo. Os cientistas isolaram o gene responsável pela produção do factor VIII em seres humanos normais. a cevada e o arroz. no sangue humano normal. no. a técnica Em seguida. Esta modificação é feita recorrendo à engenharia genética. Mas estes programas de apuramento desenrolam se ao longo de várias gerações e apenas po dom ser efectuados entre variedades da mesma espécie: não conseguimos criar uma nova super-hortaliça cruzando. os nucloótidos. pastam ovelhas de aspecto normal. Ao multiplicar se. Plantas mais fortes. que são depois reinserido. foram produzidos desta forma seus produtos normais. Um grande progresso seria os cereais. Um dos primeiros exemplos foi o isolamento da parle do ADN responsável pela produção de insulina no pâncreas humano c a sua inserção numa bactéria. Algumas plantas. as células combinadas foram implantadas no útero de uma ovelha e assim nasceu uma combinação das duas espécies — um animal com chifres o o corpo revestido de lá de ovelha c pêlo de cabra. as ervas daninhas que cócia. ção. que se encontra no núcleo de Iodas as células vivas. possuem esla capacidade. Existe já um processo do tor nar as plantas resistentes a certas doenças. As células nestas condições são denominadas protoplastos. Aquelas ficam assim unicamente protegidas por uma delicada membrana interna. além de leite. nas mores e substituíram-nos por genes úteis. animal ou mesmo bactéria. e ao vírus do que os dialxíticos. elas foram transformadas em fábricas ambulantes de medicamentos pela reprogramação do seu código geuéli co. A ciência desenvolveu técnicas de criação revolucionárias. de forma a. leite mais rico ou até algum produto inteiramente estranho à sua natureza normal. Melhoramento de plantas e animais para alimentação Aplicada as plantas. No que tornou os lomaleiros resistentes a um Instituto de Fisiologia Animal o Investiga dos herbicidas da própria Monsanto. consegue-se por vozes fazê los lundir-se. Usou-se um 1!K) . Se. Cientistas que trabalham para a firma Monsanto composto químico para destruir a parede celular. além dos Em 1983.i mas. habitualmente com o auxilio de compostos químicos ou de vírus. produzirem um factor de coagulação encontrado uni camente. uma doença que reproduzir insulina suficiente. teriam lumefaàens. elevada resistência à doença do outro. que dita a forma como se desenvolverá cada parte da planta ou do animal. produção de tomate subiu de 20 para 3 N 0 Aplicada a plantas e a animais. recorrendo à engenharia genética. a engenharia genética oferece enormes possibilidades. em mole cuias longas e sinuosas de ADN (ácido de soxirribonucleico}. mesmas sequências. na esperança de se combinarem as melhores características do cada uma . E a ordem destes nucleótidos ao longo da cadeia que constitui a informação necessária para as células funcionarem e se reproduzirem. situação patológica em que o sangue não coagula. poderem uli lizar o azolo do ar. que pode ser extraída. Engenharia genética Outra técnica consiste em reprogramar o material genético. cuja au séneia no sangue de certos indivíduos pro voei a hemofilia. consoante as células que formaram os órgãos reprodutores. Desde 1982 tabaco. que nor malmente provoca tumores nas plantas. e o fragmento de As plantas infectadas com a bactéria assim gene humano loi inserido no ADN bactéria modificada podem adquirir genes úteis. a fim de se criar uma planta híbrida. E o chamado factor VIII.Criação de "geeps" e outros animais e plantas Todas as raças de cães do Mundo derivam originariamente do lobo. As cadeias de ADN são formadas por apenas quatro unidades básicas. uma praga comum. produz insulina tomateiros resistentes ao ancilóstomo do humana.

a fim de tornar mais objectiva a avaliação clínica da eficácia. poderia nunca ter sido comercializada se tivesse sido inicialmente ensaiada em cobaias. Cientistas ingleses estão a aperfeiçoar uma estirpe resistente ao sal. As substâncias químicas nem sempre afectam da mesma forma os animais e os homens. foi o primeiro medicamento eficaz contra uma doença que até então era incurável. A primeira é isolar ou imitar compostos naturais que se sabe possuí rem propriedades medicinais. mas sofriam de artrite. Começou por examinar os reagentes de coloração das bactérias que não coram as outras células. A penicilina. os médicos continuam atentos a quaisquer efeitos secundários náo aparentes nos testes anteriores. Em 1986. ou não produzem quaisquer efeitos ou apresentam uma tal toxicidade que deixam de poder ser considerados medicamentos. mas deixasse incólumes as restantes células do doente. continua em observação. a fim de se ter a certeza de que a substância não prejudica o seu crescimento. Fazem-se ainda ensaios mais apurados com doses menores em animais jovens. descobriu que o composto 606. que o levou a investigar no campo certo. As futuras experiências terão de contornar este problema. estes compostos. Criaram porcos com o gene que leva à produção da hormona de crescimento humana para os tornar maiores e a sua carne menos gorda.TRIGO QUE CRESCE COM SAL A engenharia genética eslá a ser utilizada para criar uma variedade de trigo que cresça em solos salgados. pois não seria ético e. mas de melhores medicamen- tos. como sobre outras. poderão ser inseridos nos animais úteis ao homem genes responsa veis por toda uma série de características. pois basta uma pequena dose para as matar. efeitos secundários perniciosos. Por exemplo. na sua maioria. o processo foi adaptado à pecuária. raciocinando que um produto que reagisse mais fortemente com as bactérias do que com as outras células poderia também eliminá-las. Vastas áreas das terras irrigadas no Mundo tomaram-se salgadas. modificando-o ligeiramente. um discípulo japonês de Ehrlich. Apesar de lodos estes ensaios. O êxito de Ehrlich baseou-se na sua intuição. Ehrlich pretendia uma "bala mágica" que fosse capaz de destruir as bactérias responsáveis por doenças como a tuberculose e a difteria. na ideia de que a modificação de um produto podia aumentar a respectiva eficácia e na verificação minuciosa dos efeitos dos produtos não só sobre a doença em que estava interessado. em certas circunstâncias. Esta gramínea tolera solos salgados porque discrimina diversos produtos químicos. sem prejudicar os tomateiros. Em 1982. era fatal para a bactéria causa dora da sífilis. Ensaiados em animais. O primeiro medicamento sintético foi produzido pelo alemão Paul Ehrlich em 1910. Se a substância em estudo não produz. encorajou os laboratórios de produtos farmacêuticos a investirem grandemente na investigação. legal produzir artificialmente uma espécie que seria forçada a viver em sofrimento apenas para produzir mais carne. A segunda é copiar um medicamento já existente. Sahachiro Hata.que têm sido produzidos pelos químicos e experimentá-los em animais. absorvendo menos sódio do sal do que as outras plantas. algumas terras aráveis tornaram-se tão salgadas que actualmente náo podem ser utilizadas para a cultura do trigo. organismos responsáveis pela doença do sono. 288). com frequência. Os ensaios de toxicidade são altamente complexos e demoram.os que contêm carbono . Todos estes processos têm tido os seus êxitos. que promoveu a cura deste. Durante os ensaios clínicos. e nem estes nem os médicos são informados de quem tomou o quê. para se verificar se as crias não são afectadas. Assim. No vale do Indo. O resultado foi uma raça a que deram o nome de "super rato". na esperança de o tornar mais eficaz. que tem salvo milhões de vidas humanas. Este composto. cientistas americanos inseriram em ratos o gene que produz a hormona de crescimento das ratazanas. Produziu uma grande quantidade de derivados arsenicais do vermelho de tripano e começou a ensaiá-los. Ehrlich dedicou-se então à investigação das possibilidades dos compostos de arsénico. e náo as resistências naturais do doente. e em fêmeas grávidas. mais de dois anos a completar. Noutros animais observa-se com atenção a ocorrência de erupções cutâ neas ou de comportamentos anormais. que destruía os tripanossomas. transferindo para o trigo células de uma gramínea que cresce nas areias salgadas. p. No futuro. porque a água dos rios utilizada na sua irrigação deixa vestígios de sal que se acumulam de ano para ano. Como se criam novos medicamentos? Muitos dos triunfos da medicina moderna são resultado não de melhores técnicas médicas. que não tinha qualquer efeito contra os tripa nossomas. ao qual posterior mente foi dado o nome de vermelho de triparto. A terceira é escolher ao acaso entre os milhões de compostos orgânicos . O gene estranho fizera algo mais que aumentar-lhes o tamanho. Eram de facto grandes. A quarta maneira consiste em tentar compreender o funcionamento do organismo humano e criar medicamentos a partir de princípios científicos. Muitos medicamentos novos são submetidos a ensaios com "ocultação dupla": metade dos doentes toma um placebo (produto que não contém a substância activa) de aspecto idêntico. os cientistas envolvidos na pesquisa de novos medicamentos procedem mais ou menos da mesma forma. Náo pode haver dúvidas de que foi o próprio medicamento. 0 laboratório farmacêutico faz o relatório das suas verificações. Esta característica é transmitida ao trigo híbrido pela transferência dos genes. crescem em redor das plantas podem ser destruídas pulverizando-as com Roundup. observam-se habitualmente entre 5000 e 15 000 pessoas antes de se enviar os resultados rios testes para a entidade encarregada da concessão de licenças de comercialização. Há quatro maneiras principais de abordar o problema. 191 . desde a resistência às doenças até ao número de crias das ninhadas. na esperança de encontrar outros produtos igualmente eficazes. nos EUA. aparentemente. que têm salvo milhões de vidas. o êxito dos antibióticos (v. pois cresceram muito mais que o normal. Ehrlich descobriu assim um corante. e a carne continha 5% de gordura em vez dos habituais 25%. Ensaios de segurança Os químicos têm meios de produzir uma enorme quantidade de compostos orgânicos. a que posteriormente foi dado o nome de Salvarsan. Mesmo depois de um medicamento passar nos testes clínicos e ser comercializado. Ainda hoje. esta substância não era clinicamente satisfatória por ser muito pe queria a margem entre uma dose curativa e uma dose perigosa. e se este é aprova do. na esperança de descobrir um com propriedades úteis. no Paquistão. os resultados ainda podem conduzir a conclusões incorrectas. Na América. Os resultados têm de ser suficientemente convincentes para que o medicamento passe nos ensaios clínicos. os médicos que o receitam e o restante pes soai de saúde a quem os doentes se queixam devem informar as autoridades medi cas e farmacêuticas de quaisquer reacções adversas manifestadas pelos seus doentes. o medicamento é então sujeito a ensaios clínicos em doentes para avaliação da sua eficácia. Contudo. Em 1909. O passo seguinte é testar essas substâncias em voluntários humanos saudáveis com vista a detectar possíveis efeitos secundários. o grupo de voluntários é alargado.

Outros métodos implicavam o premir de diferentes teclas num computador para transmitir palavras ou frases. propriamente. Mas será algum dia possível às pessoas comunicarem com os animais através da linguagem normal? Desde há alguns a n o s que se fazem grandes esforços para comunicar com gol finhos. indicando alarme. falar. dis- . Como não possuem as mesmas cordas vocais que o homem. O psicólogo Dr. pois. Encorajados por este lacto. além de res ponderem a ordens simples. Lucy olha atentamente quando Olhar q u e i x o s o . lembraram se de ensinar a um deles a linguagem dos sinais. São ainda capazes de emitir uma grande variedade de sons.. Nova Iorque. entre outras coisas. 0 cão interpreta Ião liem os desejos do dono que por vezes parece possuir um sexto sentido. As tentativas de interpretação desta linguagem não têm sido bem sucedidas Mas os cientistas demonstraram que estes animais. muitas vezes. De olhos baixos. Além disso. da Univer sidade da Califórnia. gemidos. consegue retirar do seu tanque apenas o objecto que lhe for pedido. espalha pela piscina até uma dúzia de brinquedos . e a otária acerta 5)5% das vezes.Como se ensinam os animais a comunicar com as pessoas 0 entendimento que se pode criar entre as pessoas e os animais é. objectos como maçãs ou o nome do instrutor. usavam na para pedir coisas. orangolangos e outros macacos. sendo recompensada quando agia correc lamente. Em 1967. são capazes de compreender linguagem gestual e reagir correctamente. Lucy faz o sinal de dedos-à boca que o Dr. Washoe aprendeu depressa. inventando o seu termo próprio para "pato". Hoje. chamado Washoe. descobriu que a o r d e m das palavras era fortuita: pode reagir às indicações mais subtis. foi-lhe ensinado o significa d o d e o r d e n s muito mais c o m p l e x a s . uma chimpunzé de seis anos e um dos membros da colónia de primatas da Universidade de ()klaho/na. da Universidade de Colúmbia. e até 1071 ensina ram lhe a Linguagem de Sinais Americana. pedindo-lhe que recolha determinado brinque do. o método utilizado pelos surdos nos Estados Unidos. ameaça e reconhecimento. tal como as otárias. Chegou a saber usar 150 gestos. Roger Fouts ensina a linguagem de sinais a Lucy. Estes mamíferos possuem cérebros de tamanho semelhante ao do cere bro humano e parecem muito inteligentes. uma otária de 13 anos do Long Marine Laboratory. os macacos não poderão. Por isso. O seu instrutor. con seguiram um chimpanzé fêmea com um ano. aquilo?" "Pássaro água".bolas. Linguagem de sinais para os chimpanzés Têm se feito experiências s e m e l h a n t e s com chimpanzés. Rocky. garrafas. Ron Scliustennan. da Universidade do Nevada. diques. respondeu Washoe. e em breve conhecia um grande número de palavras. Al gnns implicavam a identificação de formas de plástico que simbolizavam. o dono apontou para um pato e perguntou lhe em linguagem de sinais: "O que é A aprendizagem He Lucy. Califórnia. na verdade. Quando analisou todas as frases de duas palavras de Washoe. O índice de êxito das suas respostas a estas instruções é de apenas 40%. utilizando urna série de diferentes métodos de comunicação. Fouts lhe ensinou para Doer". latidos e assobios. foi treinada para identificar objectos. quase misterioso. Passeando uma vez junto a um lago. Ilerbert Terrace. Mostravam lhe os sinais repetidamente e recompensavam-na com uma festa ou com comida quando ela respondia correctamente. como 0 demonstram os complexos movi mentos da dressage. outros cientistas americanos começaram a trei nar chimpanzés. o Prof. dominar uma "linguagem". em Santa Cru/. Também o cavalo cos. Um assistente sentado na borda da piscina faz sinais a Rocky. lançou um balde de água Iria sobre estes resultados. etc. c o m o "Leva a bola ao disco'* ou "Leva o disco preto pequeno à garrafa". Allen e Beatrice Gardner. incluindo chios. Os resultados pareceram demonstrar que os chimpanzés conseguiam. Mais tarde.

ler dito "água pássaro". o Dr. Os fragmentos do ADN recuperados têm fornecido uma fracção insuficiente da informação genética total. Utiliza o teclado para comunicar com outros chimpanzés pigmeus que são objecto do mesmo treino — dizendo a um. Kanzi adormeceu contente. ADN dela extraído. Oliver Kyder. da Universidade de Upsa la. Terrace descobriu ainda que. da Universidade da Califórnia. Mais recentemente. Igualmente — pelo menos em teoria . e mostraram-lhe um vídeo em que aparecia Austin. grupo esse que se dirigiu à Reserva Natural de Ktosha. cloná-la e inseri-la depois no embrião de um elefante. ave que não voava. marcou no seu teclado os símbolos de "Austin" e de '"IV". mas estudar o ADN* e tentar obter novos conhecimentos através dele.ficaram congelados nos solos da Sibéria. A cuaga. e parece ter aprendido ao observá-la. E nem mesmo esta ínfima possibilidade se verifica para animais que apenas existem sob a forma de fósseis. uma espécie de zebra. Ao serem desenterrados. a hipótese de os dinossauros virem um dia novamente a pisar a Terra permanecerá. os cientistas teriam de obter uma amostra de material contendo a informação genética necessária para se recriar um animal completo. por exem pio. do South African Mu seum. O primeiro passo para se reproduzir um espécime vivo seria extrair o ADN e copiá-lo. As mãos juntos indicam u palavra "livro". O poder das palavras. do Jardim Zoológico de San Diego. Múmia de um bebé A múmia — a de um bebé do sexo mas culino que contava menos de um ano quando morreu . e o Dr. orangotangos e chimpanzés vulgares. Depois de algumas noites. Inserido no ADN de uma bactéria. os cientistas procederão à reprodução selectiva destas zebras.poderia fazer-se o mesmo com os genes da cuaga. extraiu uma pequena amostra da parte inferior da perna esquerda e clonou com êxito. sofriam de doenças genéticas ou se manifestavam sinais de casamentos consanguíneos. Reinhold Rau. As suas frases representam também a sua reacção a uma situação. entrou em declínio quando os colonos começaram a vedar lhe o território e a introduzir o seu próprio gado. Alemanha. Assim. um chimpanzé pigmeu. do Laboratório Wallenberg. por exemplo. Alguns macacos adquiriram vocabulários extensos. de qualquer modo. Para o conseguirem. o ADN do animal extinto pôde ser copiado. Esta infor mação está contida no ácido desoxirribonucleico (ADN) das células do animal mas só pode ser obtida de um tecido que. comenta as suas acções c descreve aos instrutores aquelas que tenciona executar.faz parte da colecção do Museu Egípcio de Berlim. Kanzi. reuniu um grupo de pessoas empenhadas em conserva cão das espécies. O cientista sueco Svante Paibo. Reconstituir qualquer ser a partir de tão pequena amostra é impossível.Washoe poderia. como "metade zebra. metade cavalo". eslão extintos. lima vez que da maioria das espécies extintas apenas restam fósseis. Mas o fragmento de ADN era apenas cerca de um vigésimo do ADN total que uma pessoa possui. em 1985. os chimpanzés não aumentavam gradualmente a complexidade das suas "frases". Kanzi senliu-se aparentemente sozinho. Ainda bebé. Comunicando a solidão Os instrutores de Kanzi não afirmam que ele construa frases gramaticais. muito provavelmente. onde capturou oito zebras com poucas riscas nos quartos traseiros como a cuaga. estes trabalhos poderão vir a responder a algumas perguntas acerca dos antigos egípcios: se. tentando igua lar os padrões encontrados nas peles das cuagas conservadas no Museu de Mainz. em Berkeley. até que o último espécime morreu de morte natural no Zoo de Amsterdão em 1893. A sua habilidade para captar os elementos da linguagem parece demons trar que os chimpanzés pigmeus têm um potencial intelectual superior ao dos gori las. na Cidade do Cabo. incluindo o mamute e a cuaga. Os mamutes voltarão a existir? O mamute lanudo. um dia.um parente peludo do elefante que se extinguiu há cerca de 12 000 anos . dos quais foi possível extrair porções do ADN da cuaga. mas a verdade é que produz asserções de duas e três palavras que parecem espontâneas. do Alasca e do Norte do Canadá. ao ser privado da companhia de oulro chimpanzé chamado Austin. com a mesma facilidade. do dodó ou até dos antigos egípcios. Foram também estudadas amostras de ADN de uma múmia egípcia conservada há mais de 2400 anos e de um bretão que viveu há cerca de 2000 anos e cujo corpo foi encontrado em bom estado de conser vaçáo numa turfeira do Cheshire em 198-1. No entanto. contrariamente aos bebés humanos quando aprendem a falar. na Geórgia. A caça incontrolada matou os últimos exemplares em estado selvagem. Russell I luguchi. sem a habitual visita do amigo à hora de deitar. que faça cócegas ao outro. Por exemplo. Kanzi começou a usar correctamente os símbolos aos dois anos e meio. embora a cuaga tenha perdurado nalguns jardins zoológicos. tia actual Namíbia. Cada tecla está marcada com um símbolo geométrico que representa uma palavra. Mas alguns animais como o mamute . Mas as modernas técnicas de engenharia genética tornaram possível estudar a sua estmtura genética — ou até pôr a hipótese de lhes dar vida de novo. no campo da ficção científica. a sua carne ainda continha vestígios de ADN. metade cavalo Pedaços de pele de cuaga conservados no Museu de História Natural de Mainz. Kanzi tem um teclado ligado a um computador. descrita pelos primeiros viajantes da província do Cabo. A finalidade destas expe riências não era reconstituir os animais. Esta ideia levou a uma tentativa de reconstituição da cuaga através de criação selecti va. esta daria à luz um mamute. forneceram ADN para a clonagem feita por dois cientistas da Califórnia. pois passou a fazer parte do material genético daquela. e aos três tinha adquirido aptidões que os chimpanzés vulgares não tinham aos sete anos. tenha sido preservado desde que o animal se extinguiu. Depois disso. Kanzi vive no Centro de Es ludos de Linguagem. Alemanha. e reconstituir o restante parece impossível. m . Trala-se ainda de uma possibilidade teórica. Os laxidennis las que embalsamaram o exemplar de Mainz deixaram na pele fragmentos de músculo e gordura. O ADN revelou que a cuaga era real mente uma subespécie da zebra e veio criar a ideia de que as suas características talvez pudessem ainda existir em popula ções selvagens de zebras das-planícies. Se o embrião fosse recolocado no útero da mãe elefante. na Africa do Sul. não existem quaisquer vestígios de tecido preservado. o que já foi feito com algumas espécies extintas. e a cuaga. Durante os próximos 10 anos. o dodó. Para surpresa dos cientistas. perto de Atlanta. Será possível. Kanzi brincava no laboratório enquanto a mãe era ensinada a usar o teclado. reconstituir um animal completo? Suponhamos que se conseguia recuperar a informação genéti ca total de um mamute preservado no permafrosl. Metade zebra. veio reavivar o interesse por estes estudos.

o seu esqueleto fossilizado sugeria que ele caminhava inclinado para a frente. na reconstituição. Também aqui é muito útil o conhecimento pormenorizado da anatomia dos animais actuais. Um osso que parecia p r o p o r c i o n a r uma ideia mais clara do seu aspecto assemelhava-se a um chifre de rinoceronte e assim. se verificou que os iguanoriontes eram afinal herbívoros gigantes de duas pernas e 5 m de altura. o primeiro esqueleto completo descoberto em Neandertal foi o de urn homem que sofrera de osteoartrite grave. Os erros de reconstituição são comuns. E em breve esta figura trôpega e carrancuda foi aceite como protótipo do homem primitivo. Uma vez desembalados. na Alemanha. como as iguanas actuais. Resta-nos compará-la com a dos répteis actuais. no caso dos dinossauros — para se certificarem de que os ossos são colocados na posição correcta. Devido a uma pouca sorte extraordinária. Os diversos exemplares de esqueleto do diplodoco. que pode ser pardacenta para proporcionar camuflagem. os paleontologistas são confrontados com uma confusão de ossos lascados. os homens de Neandertal andavam tão direitos como os de hoje e possuíam um cérebro até um pouco maior que o nosso. foi feito um modelo em tamanho natural deste pesado quadrúpede e colocado nos jardins do Palácio de Cristal. em 1856. tudo é cuidadosamente embalado. inaugurado em Londres em 1851. Contudo. maior é a exactidão com que o animal pode ser reconstituído. frequentemente em gesso ou em es puma de poliuretano. Depois. espalhados e incompletos. foi colocado sobre o nariz do animal. andaria sobre as quatro patas. Uma vez completado o esqueleto. Cada fragmento é numerado e etiquetado. em 1822. que serviria para defesa ou para arrancar as plantas de que o iguanodonte se alimentava. permitiram aos cientistas saberem exactamente o lugar de cada um dos ossos deste gigante de 9 m. num monte de pedras à beira de um caminho no Sussex. A ideia de que os iguanodontes eram quadrúpe des com um chifre. não só porque os restos fósseis são escassos. em 1877. por exemplo. são encontrados espécimes pré-históricos intactos. Imagem errónea. Pensa-se que estes gigantes vaguearam por aqueles campos há cerca de 120 milhões de anos. Mas qual o seu aspecto? Provavelmente. mas também porque os cientistas os interpretam de forma diferente. Só passados mais de 20 anos. frequentemente. O que fora tomado por um chifre verificou-se ser um espigão. Mas uma coisa ficará para sempre na dúvida: a cor da pele do dinossauro. Gideon Mantell. Quanto mais ossos existirem num achado. revelou se errada. foi encontrada uma manada inteira destes animais. e conforme revelaram descobertas posteriores. Por seu lado. viva para atrair os companheiras ou afugentar os predadores. como os mamutes preservados por congelação no permafrost siberiano e insectos extintos há milhões de anos que não sofreram qualquer deterioração no interior de gotas de resina vegetal fossilizada. que lhe deformara as costas e lhe dera o andar inclinado. como surge nestes modelos (em cima). resta ainda um problema: como cobrir esse esqueleto com "carne". Na verdade. na pata dianteira. chamou um iguanodonte. a senhora Mary Ann Mantell encontrou os primeiros vestígios daquilo que seu marido. O segredo de uma reconstituição correcta é tomar notas rigorosas das posições dos ossos na altura em que são descobertos. Mas. Um dos dentes daquele animal gigante assemelhava-se ao de um lagarto actual. Os cientistas têm de detectar as minúsculas irregularidades a que se encontravam originariamente ligados os músculos e os ligamentos e comparar depois a estrutura com a dos esqueletos dos animais de hoje — répteis. com os joelhos dobrados e os nós dos dedos das mãos quase tocando o solo. na Bélgica. quando no fundo de uma mina de carvão em Bemissart. esta ideia estava totalmente errada. ou até variável como a do camaleão.Reconstituir um ser pré-histórico a partir de alguns ossos Quando o primeiro exemplar do homem de Neandertal foi descoberto no vale do rio Neânder. A reconstituição de uma espécie extinta é um trabalho difícil. Trata-se de um trabalho especializado. Em Inglaterra. Ocasionalmente. os ossos podem ser montados numa estrutura metálica. A reconstituição do homem primitivo continua a suscitar muita discussão. o Dr. de onde a designação iguanodonte ("iguana-dente"). permitiu uma reconstituição mais rigorosa (à esquerda) 194 . Em 1854. semelhante a uni polegar. a pele pode ser deduzida de impressões fossilizadas que se formaram no caso de dinossauros que morreram no lodo. Uma descoberta de esqueletos na Bélgica.

variegadas ou até variáveis. o animal viveu na China há 150 milhões de anos. na Ásia Central. obtém-se um modelo em fibra de vidro laminada. à esquerda). constituindo de certo modo um guia para a textura da pele. Dese nha-se então o esqueleto à escala (centro). há 70 milhões de anos. um galimimo. O esqueleto reconstituído de um tuojiangossauro esta seguro por meio de uma estrutura de metal e plástico. mostrando a postura do animal De pois. vivas. do qual se tira o molde. A partir deste. Dinossauro chinês. CONSTRUÇÃO DE UM MODELO 0 primeiro passo na construção de um dinossauro em miniatura é a medição dos ossos (em cima. é o local onde foram descoberlos mais fósseis de homens primitivos. na Etiópia.O vale de Orno. O animal aqui modelado. Embora se tenham descoberto impressões fossilizadas em lodos. Com 7 m de comprimento. Aqueles que estudam o homem primitivo lançam frequentemente teorias com base em metade de um maxilar . . viveu na Mongólia. as cores poderão ter sido pardas. É raro aparecer um esqueleto completo ou mesmo parcial. mas mesmo assim calcula-se que por cada milhão de pessoas que ali viveram só três fossilizaram. pronto para ser pintado.com consequentes discussões sobre o curso preciso da evolução humana. faz se um modelo com arame e barro.

uma rede neural capaz de pronunciar correctamente palavras inglesas que eram escritas no teclado. é muito superior no reconhecimento de padrões e na aprendizagem . Como é que um computador traduz? É fácil para um computador traduzir pala vras isoladas ou pequenas frases. a IBM apresentou o primeiro programa de tradução. Imagine-se a confusão de um engenheiro cujo manual falasse ern "planta de coca" como tradução de coke plant (fábrica de carvão de coque)! Em I9S4. com as suas tentativas a serem corrigidas até saírem correctas. produzem novas demonstrações de problemas matemáticos. Contudo. francês. era capaz de olhar para caras que nunca lhe tinham sido apresentadas e informar. possuem milhões de circuitos lógicos individuais. por muito complexa. O Systran é utilizado pela General Motors e pela Aerospatiale para traduzir os manuais de instruções. e os textos necessitam de cuidadosas revisões por tradutores profissionais. Uma das dificuldades é a organização diferente do cérebro e do computador. sue co. A Força Aérea Americana. como no cérebro. está perto de conseguir abranger o campo vastíssimo do pensamento humano. O Servi ço Meteorológico Canadiano uliliza-o na tradução das informações meteorológicas para francês. . Terrence Sejnowski construiu. rnas estão ligados de forma diferente. o Dr. em 1988 já tinham sido criados sistemas com 96% dos lermos correctos — urna taxa de erras de 4% —. alemão e espanhol. Apesar destas dificuldades. Os circuitos do computador trabalham muito mais depressa do que os neurónios. Os computadores. O Prof. pretendendo conhecer as emissões russas referentes ao programa espacial. como "a gasolina é produzida por processos químicos a partir do petróleo bmto". os cientistas pensam que é esta a forma de o conseguir. inlrodu zem-sc termos técnicos no programa e o computador verifica os significados ambíguos e escolhe a palavra correcta. ser ambígua. como acontece entre os neurónios do cérebro. O Systran traduz 360 000 palavras numa hora. Possuem na memória extensos dicionários das línguas que traduzem — até 100 000 palavras e frases nos sistemas mais avançados. Contém entre 10 e 100 biliões de neurónios. Por muito pouco elegante que seja a linguagem. um computador poderia fazer essa tradução e imprimi-la em cerca de 20 minutos. Igor Aleksander. De pois. o que foi conseguido tornando o computador mais apto a fazer remissões entre as palavras e traduzindo frases inteiras. cada um deles ligado com cerca de outros 10 000. o computador é superior . nos anos 80. o cérebro. em Baltimore. Os seus elementos-base são circuitos electrónicos exactamente como os dos computadores vulgares. Um tradutor profissional faz depois a revisão para aperfeiçoar o texto. Estes computadores tomam o nome de redes neurais. no écran. Foi ensinada por meio da apresentação de uma série de fotografias. que convertia em inglês frases russas simples. os progra mas de tradução por computador há já algum tempo que são usados nas empresas. A tradução é muito mais que uma simples substituição de palavras: a maioria das línguas contém inú meras ambiguidades e termos que só são compreendidos no respectivo contexto. Os computadores já conseguem traduzir com rapidez — é essa a sua principal vantagem. São usados para procurar e aplicar a palavra que mais se aproxima do termo correcto da outra língua. Ainda ninguém construiu uma máquina que seja capaz de aprender uma língua . O computador transforma o que o seu interlocutor diz nas palavras apropriadas da outra língua.processo que pode ter algo a ver com o aumento da densidade de conexões entre os neurónios enquanto essa aprendizagem tem lugar. por seu lado. e todos funcionando ao mesmo tempo. Os computadores não são programados da maneira habitual pela introdução de um conjunto de instruções: sofrem um processo de aprendizagem no qual as informações lhes são introduzidas juntamente com exemplos das conclusões a que o computador deveria chegar ou com feedback sobre a qualidade do respectivo progresso. um sintetizador de voz passa ao ouvinte a mensagem na língua própria deste. outras sem. e a construção de uma frase pode. Mas fazia muitos erros e transformava frases correntes em expressões sem nexo. Esta rede neural aprendeu exactamente como uma criança. com um rigor de 80%. criou em 1981 uma rede neural chamada Wisard que conseguia reconhecer um sorriso humano — uma das primeiras coisas que um bebé aprende. posição e alterações na escala. e. Na Universidade Johns Hopkins. A organização emissora japonesa NHK tem urna rede neural que consegue identificar caracteres japoneses escritos à mão com 95% de rigor. Mas nenhuma máquina. As in formações que fluem através do computador percorrem um caminho único em vez de serem distribuídas por todo ele. Mas a simples substituição de palavras conduz a muitos erros.algo que uma criança domina nos seus primeiros anos de vida. com os seus neurónios relativamente lentos. Dezenas de palavras têm dois ou três significados. podendo então ser duplicado por meios electrónicos. O sistema de tradução mecânica mais avançado do mundo é o Eurotra. tem de agir rapidamente. Quando necessário. independentemente do respectivo tamanho. criou em 1970 o tradutor Systran. Se uma empresa pretende apresentar uma proposta. umas com sorrisos. destinado a auxiliar a Comunidade Europeia no Luxemburgo e em Bruxelas a traduzir quase 1 milhão de páginas por ano. mas. Foi tam bém aumentada a rapidez da tradução. Termos co loquiais ou técnicos dificultam ainda mais a questão. por exemplo. Os cientistas que trabalham nesta área pensam que um dia o funcionamento do cérebro será compreendido em toda a sua extensão. O cérebro consiste numa rede de células chamadas neurónios. mas a proposta pode ter centenas de páginas.Em busca da máquina pensadora Hoje em dia. nos EUA e na Europa trabalha em computadores que procuram copiar a arquitectura do cérebro. Esta pode demorar meio dia para traduzir 1000 palavras de uma língua europeia para outra. um número cada vez maior de cientistas no Japão. Actualmente. O processo é semelhante ao 196 que é utilizado no ensino de uma criança. os computadores já jogam xadrez. A British Telecom está a aperfeiçoar um sistema de tradução automática pelo telefone em cinco línguas: inglês. que foi posteriormente adaptado a outras línguas europeias. além das palavras isoladas. cada um deles ligado a apenas um outro e funcionando em sequência. lêem e traduzem. além disso. com muitas interconexões. que afirmam que este trabalho de revisão leva quase tanto tempo como uma tradução do texto a partir do original. mas não tão fácil traduzir textos. se elas estavam ou não a sorrir. do Imperial College de Londres. As redes neurais estão ainda num estado muito incipiente. No entanto. em certas tarefas.nos cálculos matemáticos extensos e complexos. A partir daqui. um computador consegue traduzi-la mais depressa que uma pessoa. se algum computador vier algum dia a ser verdadeiramente inteligente.

Nos EUA. Outro processo consiste no emprego de um sen sor electrónico que detecta os movimentos do olho para introduzir as instruções. na de um innão ou irmã da criança. O SINTETIZADOR . E também utilizado em sistemas C*«W -Harmr*r de segurança de edifícios. Nos EUA. 0 primeiro passo para se conseguir que um computador fale é introduzir na sua memória os sons comuns da fala . um sensor ligado à sobrancelha actua como ojoystick. Os computadores que "ouvem" são programados com um sistema semelhante para permitir que um receptor reconheça os fonemas.MAKAVlLHAà UA UfclNUA Computadores que nos ouvem e falam connosco Conversar com um computador — fazendo-lhe perguntas e obtendo as respostas — já não é urna fantasia da Ficção cientí fica: é já uma realidade. O potencial dos computadores falantes é grande. código pessoal e uma palavra senha. São programados com uma voz tanto quanto possível natural.os fonemas. e trabalha-se já na criação de sistemas rápidos com vocabulários extensos. e diz-lhe o seu nome. 7 ms$&&: 197 . fornecer pormenores sobre o último movimento. e alguns compreendem até mais do que uma língua. pagar facturas e confirmar requisições de livros de cheques ou de extractos de conta. corno os de compra e venda do mercado de títulos. O cliente telefona para um número especial. Investigadores holandeses têm tentado resolver este problema combinando os sons da fala em fragmentos menores e agrupando-os de modo a produzirem palavras com entoa ções mais humanas. nas reservas de passagens aéreas e na segurança e prevenção de acesso a edifícios e a Ficheiros de computador. utilizando umjoystick para indicar as respectivas imagens. A voz emitida pelo computador não soa como a voz humana: os computadores que falam emitem sons sacudidos e mecânicos porque pronunciam cada som ria fala de uma forma idêntica e neutra. as companhias de telefones usam uma voz computorizada quando precisam de dizer às pessoas que o número que marcaram foi alterado. o computador não pensa. impedindo outra pessoa de ligar o mesmo número e usar a conta Quando o computador aceita a chamada e identifica a pessoa. a criança escolhe as palavras que quer. 0 computador falante introduzido nos sistemas de horne banking foi criado pela British Telecom e entrou em fase de expe riências no princípio de 1988.COMPUTADOR QUE GRAVA E RECONSTRÓI A FALA A impressão vocal da ooz de uma mulher que pronuncia a palavra "baby" é reproduzi da por um sintetizador e apresentada num écran. atendido pelo computador. Uma criança mais velha ou um adulto dactilografam as frases num teclado. Nos paralíticos. por exemplo. Ele pode. enunciadas segundo uma ordem predeterminada ou por uma voz previamente introduzida. cada uma das quais representa um som diferente. A voz diz então qual é o novo número. pelo que não sustenta uma conversa propriamente dita. O teclado e o uisor de um sintetizador da fala (à direita) estão ligados a um computador que reconhece e interpreta a fala humana 0 sistema é utiliza dono estudo da fala e para fazer os computadores "conversar". o japonês utilizará uma máquina semelhante. Muitos dos sistemas de computadores falantes são utiliza dos nos telefones. Estudos em curso nos EUA e em França têm por objectivo criar uma lista telefónica computorizada que responderá às nossas buscas com o número correcto. em serviços de informações. No entanto. como combinações de 0 e 1. deve possuir um vocabulário adequadamente restrito. dar o saldo da conta. O computador faz urna "impressão vocal" dos padrões da fala que funciona como uma assinatura. por exemplo. já foram construídos sintetizadores de fala computorizados destinados a dar voz a algumas crianças que a não possuem. A maioria dos computadores apenas interpreta certas palavras. por exemplo. baseada em geral. aparelhos portáteis permiti rão provavelmente a uma pessoa que fala inglês fazer perguntas simples que serão traduzidas num écran para japonês. Um sintetizador para uma criança mui- to jovem. mas os sistemas mais avançados conseguem hoje reconhecer e responder a qual quer voz humana. Eles são já utilizados em trabalhos de tradução. Estes computadores não podem "ouvir" uma pergunta e respondem simplesmente aos números incorrectamente marcados. Estes são armazenados sob forma digital. sen do estas depois articuladas pelo sintetizador. Para responder. No futuro. O computador está programado para agrupar os fonemas em palavras ou frases — sintetizar — e utiliza um altifalante para nos "dizer" o que queremos saber. sem as entoações diversas ria fala humana. de 4 anos. reconhecerá depois uma série de instruções verbais às quais responderá em inglês.

ao ser bombardeado por um neutráo (partícula semelhante ao protão. libertando uma enorme quantidade de energia c dois ou mais neutrões que poderiam. Em 1932. base da bomba atómica e dos reactores nucleares. Para o confirmar. Cockcroft e Walton substituíram as partículas alfa por protões. o que era explicável pela capacidade da folha de metal c destes gases de pararem as partículas alfa.I I r t J Ut\ \. "que o átomo de azoto é desintegrado. contavam se de (acto muito menos cintilações. Até que. responsáveis pelo excesso de cintilações. o novo núcleo é instável. Rutherford demonstrou peia primeira vez a possibilidade de os átomos se "partirem". Uma partícula alfa. Os núcleos resultantes desta desintegração são de um elemento totalmente diferente. o átomo foi fragmentado pela primeira vez num laboratório da Universidade de Manchester.o mais pesado dos elementos naturais —. O outro extremo do tubo foi vedado com um delgado disco de metal por detrás do qual havia um écran de sulfureto de zinco. RUTHERFORD CINDE O ÁTOMO Folha de metal _Ent /saídas de 08869 M Disco revestido com rádio Haste Partículas alfa emitidas O rádio emitia partículas alta. das quais muito poucas — só as mais energéticas . Em Janeiro de 1939. Em 1928. Rutherford empregou azoto puro. O tubo podia ser enchido com diversos gases.só poderia dever-se à presença do azoto. em Cambridge. Este êxito levou a uma série de experiências em que se usaram vários tipos de partículas para bombardear diversos "alvos". Quando o gás no tubo era oxigénio ou dióxido de carbono. m . Neste tubo. Este acontecimento. desintegrando-se logo a seguir. da Universidade de McGill. escreveu. cada um com cerca de metade da massa rio de urânio. o oxigénio. para acelerarem estas partículas. Eram estes protões que Rutherford via no seu écran. Usaram um aparelho chamado multipli- cador de voltagem. os filósofos gregos avançaram a teoria de que toda a matéria era constituída por partículas indivisíveis. quando dispararam estes protões acelerados sobre ato mos de lítio. combina-se com ele. provocar a cisão de outros átomos: era o prin cípio da reacção em cadeia. O original está no Museu Cuoendish. Pela extremidade de um tubo com cerca de 20 cm de comprimento. o número de cintila ções aumentava inexplicavelmente . o número de cintilações era maior: Rutherford concluiu que da colisão das particulus alfa com os átomos de azoto resultavam protões com alta energia.ICIN«. Rutherford transmutara um elemento. se dividia em dois átomos. Desintegrara o átomo de azoto.deveriam atingir o alvo: quando o tubo continha ar. noutro. culminou as experiências de Ernest Rutherford. Quando uma destas partículas embatia no sulfureto de zinco. com emissão de um protão. que amplia enormemente a tensão eléctrica. a frequência das centelhas era baixa. 0 disco de metal fino barrava o caminho da maioria das partículas alfa emitidas pelo rádio. que nos lançou na era nuclear. que vinha investigando as velozes partículas alfa libertadas pelo elemento radioactivo rádio. obtiveram dois átomos de hélio por cada átomo deste metal. em 1919. por sua vez.. 0 seu conceito do átomo c o m o o mais p e q u e n o componente existente na Natureza foi aceite durante mais de 2000 anos.lVim\/AVIL. Rutherford veio a chamá-los protões.o que permitia contá-las. em vez de ar. observava-se um excesso de cintilações Folha de meta Disco revestido com rádio ndro As cintilações diminuem- Hasle Os átomos do gás ajudam a parar as partículas ntrodução de oxigénio ou dióxido de carbono Quando. Mas quaisquer partículas de alta energia (longo alcance) que se formassem pela acção das partículas alfa sobre os átomos de gás no interior do tubo atravessariam o disco. "Temos de concluir". Otto Hahn e Lise Meitner. em Cambridge. o tubo continha oxigénio ou dióxido de carbono. Concluiu que as partículas alfa desintegravam os átomos de azoto.lrt Como se cindem os átomos? Já no século v a. Mas quando se utilizava ar. o oxigénio." Experiências posteriores confirmaram as conclusões de Rutherford. C. ao colidir com um núcleo de azoto. o azoto. em Toronto. Rutherford introduziu uma haste em cuja ponta havia um disco de latão revestido de rádio. comunicando-lhes uma grande energia. com produção de núcleos de hidrogénio de alta energia que atravessavam o disco metálico. Quebra-átomos. mas sem carga eléctrica). Folha de meta As cintilações aumentam porque os protões penetram a folha Partículas alfa desintegram átomos de azoto Disco revestido com rádio Haste Quando o tubo continha azoto puro. concluíram que um átomo de urânio . Em breve se descobriram processos mais eficazes para cindir os átomos.. este emitia uma centelha de luz esverdeada .

o físico neozelandês Ernest Rutherford tinha já demonstrado. registada pelo físico inglês C T R. Ocupará 405 ha e custará 4400 milhões de dólares Deverá estar pronto em 1996. o Super Collider. Mas pouco tempo depois. Ainda mais extraordinário é que é possível estudar a estrutura de cada um dos componen tes atómicos e. Mas em Cambridge. Trajectória em espiral de um elecsico Joseph John Thomson destrão no CQmpQ magnético de uma câmara de bolhas. Inicialmente. será construído em túneis subterrâneos. tirava as primeiras fotografias de colisões de partículas que originavam transmutações. que colidem produz novos dados que têm de ser explicados. Para o conseorbitam electrões . na qual as partículas deixam num meio líquido um rasto de bolhas. Os traços sâo as trajectórias de partículas em hidrogénio líquido numa câmara de bolhas. que praticamente toda a massa atómica se encontrava concentrada num núcleo pequeníssimo. por exemplo. O maior de todos será construído na ci dade de Waxahachie. Califórnia. por exemplo. forátomo defronlam-se imediatamente com mando uma névoa. Verificou-se que os átomos simples imaginados por J. sólida e uniforme. J. demonstrar que os núcleos são formados por partículas ainda menores. Inglaterra. Quando a pressão no interior do recipiente era subitamente redu400 000 trajectórias de partículas alfa Só em 1925. houve que criar aceleradores cada vez maiores. Em redor dele partícula alfa na sua câmara. desde então. o núcleo não passaria de uma cabeça de alfinete. O conceito inicial de átomo era o de uma partícula dura. Wilson na câmara que inventou e que recebeu o seu nome. têm sido.I l/V) Lírt «_IClNV_lrt Explorando o interior do átomo Os cientistas que exploram a estrutura do zida. Colisões a alta energia A medida que as velocidades das partículas em colisão eram aumentadas por máquinas cada vez mais potentes. Em 1950. O processo de condenum problema: os átomos são demasiado sação podia ser desencadeado pela passa pequenos para que os seus pormenores gem de partículas subatómicas com cargas possam ser vistos por qualquer microscóeléctricas: tal como os aviões voando alto pio. O diâmetro de um átomo típico é de na atmosfera deixam rastos de gotículas de cerca de 20 milionésimos de milímetro vapor condensado. que ocupa menos de tegração do núcleo por colisão com uma 1/100 000 do volume total. tografada no Laboratório Lawrence Berkeley. xavam rastos na câmara de Wilson. e não dispersada pelo volume atómico. no Texas. Como a cabeça de um alfinete Por volta de 1911. a câmara de bolhas. Espera-se que seja confirmada a existência de uma série de partículas hipotéticas com nomes como o bosão de Higg ou o top quark. com nomes como ciclotrão e sincrotrão. Thomson e Ernest Rutherford eram na realidade muito complexos. instrumentos fundamentais para os físicos das partículas. do tamanho de uma casa. No centro do átomo encontra-se o Blackett registou efectivamente a desinseu denso núcleo. que começou as suas investigações por volta de 1919. posteriormente. por observação do ricochete de partículas alfa ao colidirem com os átomos. Este acelerador. A câmara de Wilson e. todos estes dados foram aceites em teoria. Mas como podem os dentistas saber tudo isto se não conseguem ver as partículas? Os factos são o resultado de uma longa série de experiências nas quais gerações de cientistas fragmentaram átomos com o auxilio de aparelhos complexos chamados aceleradores de partículas. pois não havia processo de observar as partículas individualmente. e em 1964 esse total aumentara para mais de 80. Trajectória de colisão. Mas para atingir estas energias mais elevadas. foram sendo descobertas mais partículas subatómicas. Se um átomo fosse. \\)\) . Focobriu o minúsculo electrão. em 1897. Cada aumento da energia das partículas Primeira* prova». Utilizou um aparelho chamado câmara de nevoeiro. ou de Wilson um recipiente de vidro contendo ar húmido. seis anos após ter iniciado os trabalhos.partículas su bato miguir. o físico britânico Patrick Blackett. que se pensa tenham existido apenas momentaneamente durante o nascimento do Universo. conseguiu ter registadas oito trajectórias ramificadas. mostrando a desintegração de um núcleo atómico. Será um anel tubular gigante com o perímetro de 85 km.IVI/MYAVVIL. o fí Electrão em espiral. Trajectória de urna par tícula alfa ao colidir com átomos. conheciam-se pelo menos 14 partículas elementares. o vapor de água condensava-se. Dois feixes de protões circularão no seu interior em sentidos opostos. Electroímanes superpotentes guiarão os feixes de protões enquanto são acelerados por campos eléctricos até quase atingirem a velocidade da luz e colidirem. assim as partículas deie quase todo o seu volume é espaço vazio. tirou 23 000 fotografias que mostravam cas muito mais leves que o núcleo e com carga eléctrica negativa que contrabalançam a carga positiva do núcleo.

Mueller injectou hélio numa câmara de vácuo onde havia uma ponta metálica extremamente fina. As linhas são fiadas de átomos. As moléculas de benzeno da imagem encontramse adsorvidas na superfície de um crista! daí a suo arrumação regular. em Cambridge. 200 . jornais e relatórios. Tem cerca de um milionésimo do tamanho normal. A primeiro imo gem visual de como os átomos eslão dispostos numa molécula de benzeno foi obti da por investigadores em Zurique. eslima-se que o Museu Britânico acrescenta às prateleiras da sua biblioteca 13 km de livros anualmente. ESCREVER NUM MUNDO MICROSCÓPICO A armazenagem miniaturizada de informações será uma benesse para instituições como as bibliotecas.MARAVILHAS DA ULNCIA Ver os átomos As primeiras imagens de átomos. os constituintes básicos de toda a matéria. da Universidade Estadual da Pensilvânia. foram produzidas cm 1956 pelo físico Krwin W1 lhem Mueller. Cientistas do Laboratório Cavendish. Os átomos de hélio. perdiam uma parte da sua "nuvem" de electrões: transformavam-se em iões de hélio positivos (um ião é um átomo com carga eléctrica). Utilizou-se um feixe de electrões para reduzir o tipo escrito até 10 milhões de palavras por milímetro quadrado. Este desenho de um pisco foi produzido por um feixe electrónico que faz padrões de furos.à qual eslava aplicada uma elevada tensão eléctrica positiva -. ao fim de 20 anos de experiências com microscópios especiais. que têm de guardar grandes quantidades de volumosos livros. Padrão de pontos. por acaso. que. utilizaram um feixe de electrões para produzir padrões de pontos formando imagens e escrita microscópicas em fluoreto de alumínio. O mais pequeno cartão. Os iões eram aceleraAtomos em formatura. O furo cavado por um feixe de electrões em fluoreto de alumínio mede pouco mais que a distância entre dois átomos. tocavam na ponta . Por este processo conseguem reduzir a escrita a uma densidade de 10 milhões de palavras por milímetro quadrado. Dimensões quase atómicas. Por exemplo.

foram produzidas imagens de átomos muito mais espectaculares com o microscópio de efeito de túnel (STM . o espelho rotativo tinha rodado um pequeno ângulo. O resultado é uma imagem extraordinária. No início da experiência. fazendo com que a pena voltasse à sua posição inicial. produziam uma imagem rigorosa da ponta metálica ampliada 5 milhões de vezes. tinha duas posições possíveis de contacto com o cilindro — uma com a corrente ligada. era reflectido para o espelho fixo. diagrama). Quando se corre a ponta paralelamente à superfície. no qual uma pena desenhava um traço. físico do Observatório de Paris. Era comandada por dois circuitos. Servindo se do desvio do raio para medir o ângulo de que o espelho se deslocara e conhecendo a velocidade de rotação. O trovão ouve-se quase sempre alguns segundos depois do relâmpago que o pro vocou: numa tempestade a I km de distância. Como foi medida a velocidade da luz? Nos meados do século xix. As medições das variações de resistência utilizam •se para desenhar um mapa de curvas de nível. dependente da rapidez da reacção humana. A pena. As posições dos átomos apareciam como pontinhos brilhantes.SCarming (unnelling microscope). Mas o resultado seria apenas uma aproximação. ligava-se a corrente. outro através de um diafragma sensível ao som junto ao cilindro. A velocidade exacta de propagação do som confundiu os cientistas até há cerca de 100 anos.. lhe bata com um martelo. Quando o canhão disparava. Ao chocarem com o écran. Uma maneira óbvia de medir a velocida de do som é verificar o tempo que ele leva a percorrer uma distância conhecida — por exemplo. Uma agulha. o salto na linha registava o tempo que 0 som levara entre o canhão e o diafragma. o químico e físico francês llenri Victor Reg nault imaginou em 1864 um aparelho que fazia as medições automaticamente. que enviou a luz ao longo de um tubo evacuado com 1. As medições mais recentes conduziram a 299 793 km/s. O cilindro rodava e a pena traçava uma linha. A fim de ultrapassar estes problemas. utilizando dois espelhos afastados 20 m entre si. O STM tem a vantagem de. Desde o tempo de Regnault. Foucault pôde calcular o tempo que a luz levara no seu percurso e a sua velocidade. Tratava se de um cilindro rotativo revés tido a papel. mostrando as posições dos átomos individuais. cujo comportamento é determinado pelo rigor na colocação de camadas de átomos diferentes. um defronte da boca de um canhão a uma distância considerável. revelando átomos individuais ou os sítios onde faltam átomos (lacunas) e quaisquer defeitos na estrutura cristalina. Jean Foucault. O resultado final apresentado por Koucault em 1862 foi de 300 900 km/s. Uma diferença de potencial entre a ponta e a amostra produz uma corrente eléctrica. Um dos espelhos era fixo. é colocada a aiguns átomos de distância da superfície da amostra a estudar. os cientistas demonstraram que o som se propaga na água a cerca de quatro vezes a sua velo cidade no ar e a mais de dez vezes através de um sólido. cortava o primeiro circuito. contrariamente ao microscópio electrónico. provocando uma explosão numa colina distante. inventado era 1981 nos laboratórios da IBM em Zurique. outra com a corrente desligada. a resistência ã corrente varia ao passar sobre sucessivos áloinos. No tempo que levava a viagem de ida e volta entre os espelhos. Resultado: o som do tiro propagava se a cerca de 1200 km/h. mostrando os átomos ligados entre si como num modelo de laboratório. ligada a um dispositivo eléctrico. que recebe o som através do ar. entre as reflexões eram vitais para os cálculos de Foucault. que voltava a fechar o circuito. ou seja 340 m/s. Como a velocidade de rotação do cilindro era conhecida. obrigando a pena a saltar para a segunda posição.ivmrmviuiAO UM C I L I C I A dos segundo trajectórias rectilíneas — atraídos por um écran fluorescente com carga negativa. Jean Foucault (1X196H) passou 12 anos nas suas experiências sobre A velocidade de um espelho rotativo e o seu movimento angular a velocidade da luz. O aparelho produz a imagem da superfície de uma amostra como um mapa de curvas de nível.Pode efectuar se uma experiência relativamente simples que prova esta afirmação: pegue-se numa barra ou varão de ferro comprido e direito. Ouvir-se-áo dois sons distintos: o ouvido encostado ao ferro ouvirá o som uma fracção de segundo antes do outro ouvido. aguçada quimicamente por forma que na sua ponta haja um único átomo. o som de um bate estacas chegados atrasado em relação à respectiva imagem: o som é comparativamente lento.se para o rotativo e deste para a fonte (v. Como foi medida a velocidade do som? Conforme notam todos aqueles que observam um estaleiro de construção a certa dis tância. Se um raio de luz atingia o espelho quando este se encontrava exactamente no ângulo certo. o som do tiro chegava ao diafragma. pondo o cronometro a trabalhar quando se vê o clarão e pa rando-o quando se ouve o som. Deve vir a revelar-se valiosíssimo na criação de novos dispositi vos microelectrónicos.6 km de comprimento para eliminar os efeitos do ar sobre a sua velocidade. o outro girava a 800 rotações por segundo. 201 . A EXPERIÊNCIA DE FOUCAULT Cilindro rotativo Pequeno ângulo percorrido pelo espelho rotativo Fisco do Observatório de Paris. Durante os anos 80. mediu a velocidade da luz com uma aproximação notável. Um ou dois segundos depois. O método utilizado por Koucault foi aper feiçoado na década de 1920 pelo físico ame ricano Alberl Michelson. voltava a rc flcclir-. E há 100 anos nenhum relógio conseguia medir centésimos de segundo. a certa distância. o intervalo é de cerca de três segundos. de modo que o raio que era devolvido à fonte se desviava ligeiramente da sua trajectória inicial. não danificar a amostra em estudo. encostese-lhe o ouvido c peça-se a alguém que.

Charles "Chuck" Yeager. Está-se a ser enregelado pelas centenas de litros de oxiPassagem da barreira.' A velocidade de um avião comparada com a de propagação do som no meio vizinho é conhecida como o número de . entrei no X-l e fizemos uma expe' riência. Fizera já uma série de voos de ensaio no avião com propulsão por foguetes e tinha como objectivo ser o primeiro homem a ultrapassar a velocidade do som — cerca de 1220 km/h ao nível do mar (quanto maior é a altitude. Empurrou a escada de alumínio pelos carris c deixou-se escorregar para dentro do cockpit do X-l. consegui fechá-la. "Chuck" Yeager (à esquerda) deu ao avião o nome da sua mulher. Na manhã seguinte. de 24 anos. Quando o B-29 se aproximou dos 7000 pés (2100 m). recordava depois. só há que bater os dentes . Yeager usava um grande capacete de râguebi.. teve uma ideia brilhante: o piloto poderia manobrar um pau com a rnão esquerda para levantar o manipulo da porta e fechá-la. "Peguei no cabo da vassoura e o manipulo rodou para a posição de fechado.ocicet aircraf» S í ^ n e n. génio líquido armazenados no tanque de combustível directamente por trás do assento. • uvs "Chuck" Yeager: o homem que passou a barreira do som Dois dias antes da sua tentativa de passar a barreira do som. Funcionou perfeitamente. "Jack serrou-lhe 25 cm do cabo. Se um avião não é desenhado para o -voo supersónico.'"itJOrity. de couro. partiu duas costelas num acidente quando corria a cavalo. Yeager tinha de a fechar pelo lado direito — coisa simples quando não se tem duas costelas partidas e o braço direito imobilizado. "Chuck" não conseguia mexer o braço direito devido às dores. Yeager avançou para o compartimento das bombas. levantando o manipulo com o pau da vassoura. Apesar das dores que sentia. fortes ondas de choque atingcm-lhe as asas e a fuselagem quando ele se aproxima de Mach 1. A porta do cockpit tinha então de ser baixada por um cabo a partir do compartimento das bombas. projectada secretamente para 14 de Outubro de 1947. com o seu nariz aerodinâmico e as suas linhas suaves. seria largado do compartimento das bombas de um Boeing B-29 e. Depois. não seria afectado. é como tentar concentrarmo-nos no trabalho dentro de um frigorífico. O fluxo do ar em redor do aparelho torna-se instável. Yeager estava optimista. no deserto do Mojave.5 m de envergadura. a transpiração de Yeager acrescentara mais uma ca- 202 . Yeager tinha de descer por uma pequena escada. o B-29 largou da Base Aérea de Muroc. causando intensas vibrações irregulares que provocam perda do domínio de voo. "Descer o diabo da escada fez-me doer". Yeager planeava voar a cerca de 700 milhas/hora (1126 km/h) a uma altitude de cerca de 40 000 pés (12 200 m) acima do nível do mar. um médico local ligou-lhe o tronco. no deserto do Mojave. mais lentamente o som se propaga). Um avião que se desloca à velocidade do som diz-se que vai a Mach 1.JI çedurei . o avião a foguetes passou a barreira do som a 1126 km/h. tinha o mau costume de sacudir o piloto dentro do apertado cockpit com tanta força que o poderia fazer perder os sentidos. se houvesse notícias do seu estado. lembrava.. a 182vC negativos. Ò Bell X-1 tinha apenas 9. as entidades superiores adiariam a tentativa.nome do físico Emst Mach (18381916). com a sua mulher. a partir do qual desciam uns carris até ao X-l. "Procurámos pelo hangar e encontrámos uma vassoura".5 m de comprimento e 8. o X-l. teve de haver-se com o ambiente gelado do cockpit. capitão da Força Aérea dos EUA. Pilotado pelo capitão "Chuck" Yeager. Para se proteger. accionado por foguetes e pintado de cor de laranja. Uma vez colocada a porta. Para passar do B-29 para o minúsculo cockpit do X-l (também conhecido por XS-1). o seu mecânico de voo. Jack Ridley. Glennis (à direita)." Depois. Contudo. Na sua tentativa. começaria a subir quando Yeager pusesse a funcionar em rápida sequência os quatro foguetes. "bate-se as palmas com as mãos enluvadas e coloca-se a máscara de oxigénio no avião mais frio que jamais voou. Mach . Ele encostou a porta ao caixilho e eu. ' u." Por volta das 8 da manhã de 14 de Outubro. Recorte de jornal com a notícia (ao alto'). Então. W Air Force . mesmo assim. que se ajustava perfeitamente ao manipulo.e an !>y an /eed.r cra Avião mais rápido que o som. recordou depois Yeager. por cima do seu capacete de voo. MARAVILHAS DA CIÊNCIA p ROM U Chi to SÍ v." Durante os voos de ensaio. Sabia que.Mr.»«_• an nouncerf Sr°> Sec-. O avião Bell X-l. Durante os próximos 15 minutos. Teoricamente. "A tremer". mas. Yeager viajava por enquanto no bombardeiro — que levava o X-l encaixado na barriga. depois de uma curta planagem sem motor.

Finalmente." Os dois aviões. cinco .. de nariz para cima A queda durou cerca de 150 m.. ainda engatados um no outro. "Estávamos a andar mais depressa que o som!". naquele dia f fui um herói". "E o voo era tão suave como a pele de um bebé: a minha avó podia ir ali sentada e a beber limo nada Levantei em seguida o nariz do avião para o afrouxar.92. afirmou Yeager. major Bob Cardenas. quatro .96 e continuou a acelerar. o X-1 estava entregue a si próprio e caindo pelo espaço. um . "aquilo funcionou como um eficaz dispositivo ahticongelante. os bombeiros acorreram e apanhei boleia até ao hangar. e o avião e n d i r e i t o u -se a 36 000 pés (11 000 m). o X-1 foi largado como uma bomba." Para eliminar o risco de explosão quando o X-1 aterrasse. Ele sabia que o combustível podia "explodir com uma pequena faís- ca de um interruptor de ignição e espalhar os meus pedaços por uma série de conda dos". mada de gelo ao vidro da frente. O sol quente do deserto sabia-me maravilhosamente. Yeager puxou imediatamente o botão do e s t a b i l i z a d o r .. Yeager largou o resto do combustível e sete minutos depois o avião pousava em segurança. De novo voltou à horizontal . vi que ultrapassar a baneira do som era como andar numa pista perfeitamente alcatroada.. "E assim. enquanto Yeager lutava desesperadamente com os comandos.. Depois de todas. com um sacão.desta vez a 42 000 pés (12 800 m). O X-l subiu ã velocidade de Mach 0. Para contrariar este efeito. "Por qualquer razão desconhecida".Ã boleia. dois . Para conservar a sua carga de combustível de 2700 I de oxigénio liquido e álcool. Voltou a acender o foguete n.. Desligou duas das câmaras de foguetes . Para iniciar o seu voo. afirmou. "Como de costume. Mas tudo correu de acordo com os planos.. disse com simpli cidade." f t yr /• ^ 203 . baixou o nariz do avião e acendeu as quatro câmaras dos foguetes. iniciou a contagem decrescente "... o mecânico-chefe tinha posto um pouco de champô para o cabelo no vidro.88 e começou a oscilar violentamente. o X-1 foi transportado no compartimento das bombas de uma superiortaleza B-29 até aos Ç000 m de altitude.. Aos 20 000 pés (6100 m) o piloto do B-29.. e continuámos a usá-lo mesmo depois de o Governo ter comprado um produto químico especial a 18 dólares por garrafa.e a 40 000 pés (12 200 m) estava a subir a Mach 0. três .° 3 — e instantaneamente chegou a Mach 0. LARGA!" Premiu o botão e. as ansiedades.. voavam a cerca de 15 000 pés (4570 m) e continuavam a subir.

30 da tarde. Em Novembro de 1974. mas.atrauessa o Sul da Califórnia e a península de S. as pressões exercidas sobre as rochas alteram a forma de propagação das ondas de choque. E o quarto são as mudanças no comportamento eléctrico ou magnético das rochas nos momentos em que elas se aproximam do seu ponto de fractura antes do abalo. Actualmente. dias ou meses (embora ocorram grandes terramotos sem abalos preliminares e outras vezes os pequenos abalos não tenham sequência). uma previsão. Por outro lado. As pessoas foram aconselhadas a pennanecer fora de casa. como a população se tinha mantido ao ar livre. no Centro da Califórnia. verificou-se um forte sismo. Contudo. Francisco no sem ido noroeste-sudeste. Estas medições já permitiram. O terceiro é a emissão de maiores quantidades de rádon. do US 204 . No mesmo dia. que se eleva muito ligeiramente com o aumento da pressão no interior. cientistas americanos detectaram alterações magnéticas. poucas pessoas ficaram feridas. Mas os métodos utilizados falharam posteriormente na previsão de terramotos mais graves . gás inerte. Com efeito. Os modernos esforços científicos para a previsão sísmica concentram se na observação de uma série de modificações verificadas na crusta terrestre antes de um grande sismo. para voltar a aumentar imediatamente antes de um abalo Pequenas explosões e abalos preliminares podem ser analisados para revelar essas alte rações. comportamento anómalo dos animais. Um deles. A falho de Santo André — uma das fracturas mais importantes da crusta terrestre . foi a observação destes indícios nos EUA em 1974 e na China em 1975 e 1976 que permitiu minorar as con sequências de fortes abalos que se verificaram pela adopção de medidas preventivas adequadas. Quando as tensões subterrâneas se acumulam. mas cuja concentração parece aumentar antes de um terramoto. subiu 40 cm em 20 anos. John Healy. na Manchúria. Uma zona da região da falha de Santo André. algumas previsões têm dado origem a falsos alarmes.como o catastrófico que. A velocidade destas parece diminuir. no ano seguinte. emitiram um aviso urgente de que estava prestes a ocorrer um tremor de terra. consideram-se como indícios de um sismo iminente: ocorrência de pequenos sismos (premonitórios) durante horas. funcionários da província chinesa de Liaoning. na Califórnia. Centenas de casas ruíram.MAKAVILHAS DA CIÊNCIA Como os cientistas tentam prever os sismos Em 4 de Fevereiro de 1975. abaixamento do nível da água nos poços e subida da sua temperatura. O segundo indicador envolve alterações no nível da superfície topográfica. Assim. na China Oriental. os sismólogos procuram aperfeiçoar as suas previsões com base em quatro indicadores principais: o primeiro é a velocidade a que as ondas de choque se propagam através da crusta. matou mais de 240 000 pessoas em Tangshan. embora não exista qualquer indicador único de confiança. radioactivo. Este foi um dos primeiros casos conhecidos em que um terramoto foi correctamente previsto. ainda que fosse Inverno e estivesse muito frio. Urna série rie pequenos abalos nessa manhã parecia avisar da iminência de uma catástrofe. mudanças de velocidade das ondas de choque perto de Hollister. e resultou de um programa iniciado pelo Governo Chinês em 1965 para tentar diminuir a terrível mortalidade provocada por abalos sísmicos. que se liberta permanentemente através do solo. de certo modo. pouco passava das 7. aquele êxito tornou evidente o valor que poderá ter a previsão correcta dos tremores de terra. inclinações do solo e Linha de falha. e de um ponto de vista empírico.

pelo que nada se fez.6 8.7 7.7 7. EUA Itália China Japão China Nova Zelândia China Paquistão Califórnia. de cidades inteiras. em princípio. Geológica] Survey.3 7.7 8. a previsão evitaria.5 7. Empresas e pessoas podem fazer seguros contra sismos.7 7. um sismo de magnitude 5 abalou Hollister. mas não contra as consequências de um alarme falso que provoque a evacuação.9 Desconh. a actividade sísmica no Imperial Valley.0 50-70 000 242 000 15 000 600 35 000 3000 2500 58 1 300 177 4 287 25 000 Medindo a intensidade das ondas de choque de um sismo. na Califórnia. fez desalinhar filas de árvores deste pomar.7 7. ou hipocentro.a do Pacifico e a da América do Norte.3 7. O rio percorre agora uma parte desta e retoma o seu curso do outro lado. Desalinhadas.9 7. em pânico.4 8. 205 .4 83 180 99 200 70 20-60 4-5 12 700 000 000 000 000 255 000 000 11 000 178 000 1970 1976 1978 1979 1980 1980 1981 1983 1983 1985 1985 1988 Peru China Irão Equador Argélia Itália Irão Japão Turquia Chile México URSS (Arménia) 7. Um único rebate falso poderia levar a que uma previsão genuína fosse ignorada. EUA Chile Alasca Irão 8. etc.3 7. 7.3 8. No dia seguinte. Francisco. A escala é logarítmica: um a balo de magnitude 8 é 10 vezes maior que um de magnitude 7.5 8.^ UA UtINUA Mudança de curso.8 7. garantindo assim a ocorrência da catástrofe que.2 7. Em 1940. argumentava que os sinais eram suficientemente claros para se emitir um aviso. 100 i ezes maior que um de 6.'ta é medida na escala de Richter — de 1 a 10. Este movimento alterou o curso de um rio (topo direi to da fotografia) que em tempos atravessava a falha.5 8. plantado sobre o percurso de uma falha OS GRANDES TERRAMOTOS DO SÉCULO XX DATA LOCAL MAGNITUDE MORTOS DATA LOCAL MAGNITUDE MORTOS 1906 1908 1920 1923 1927 1931 1932 1935 1952 1962 1964 1968 S.MAKAVILhA.1 7. os a 'ntistas determinam a sua magnitude» . A falha de Santo André resulta do movimento de duas das maiores placas crustais da Terra .a quantidade de energia libertada no foco. criada pelo sismóiogo c aliforniano Charles Richter em 1935.5 7.1 7. E. no seu leito original (em baixo. mas os colegas discordaram. à esquerda).

o contratorpcdeiro britânico Sheffield foi atingido em 4 de Maio por um míssil Exocet. com certeza. operando em conjunto com navios à superfície. combale e ataque aguardam. no tombadilho. . Quando os aviões de apoio a uma esquadra não conseguem evitar um ataque.Sc os mísseis penetram um anel de navios de guerra que detectem Não existem sistemas semelhantes para as defesas de um navio. não foi detecAlvo atingido. Por dos por canhões como o Phalanx i do 15 5 . permitindo aos mísseis de voo rasante aproximarem-se muito do seu alvo antes de serem detectados. Os helicópteros reboMesmo que a artilharia falhe. pois o tiro é comannos inimigos ou helicópteros equipados dado pelo radar. Dois F18 de vios de guerra obtêm alguma protecção de quer míssil que atinjam. o navio consegue esgueirar-se ou holandês Goalkeeper utiliza canhões Maumesmo escapar-se de um torpedo. Outras nações utilizam projécteis maiores .constantemente em patrulha na intenção de evitar que a aviação inimiga se aproxime o suficiente para lançar os seus mísseis. Os aviões de defesa podem transportar mísseis antimísseis como o Phoenix americano. que pode ser lançado a mais de 400 km do alvo. e os navios soviéticos têm os sistemas SA-N-3 (Goblet) e SA-N-4. que podem disparar uma cortina de fogo tão densa que alguns dos projécteis atingirão. As ondas do mar provocam frequente mente interferências no radar do navio. mínio que produzem centenas de ima gens ("neve"). A fragata americana Stark. os contratorpedeiros por ta-helicópteros canadianos da classe "City" possuem os Sea Sparrows. o sistema cam detectores sonar dentro de água para de radar do míssil (ou do avião que o lanlocalizarem os submarinos inimigos. submarinos como o Sturgeon americano. tornando impossível distinOs porta aviões são alvos fáceis para os guir o alvo. perto da água e disparar de mais de 30 km de distância. por exemplo. em 1982. podem ser destruíe destruam os submarinos inimigos. que defende os navios dos EUA. o míssil que se aproxima. com sonar. Estas são constituídas por mísseis antimísseis como o Aegis. que ça) pode ser anulado pelo disparo de pedepois são atacados por mísseis ar-superfíças Chaff. um Super Elendard. a destruição de torpedos submarinos. As peças americanas Phalanx disparam projécteis de 20 mm ao ritmo de 3000 por minuto. torpedos. Estes projécteis de chumbo com núcleo de urânio são suficientemente peMísseis antimísseis. mas as ser de 30 mm. O avião argentino atacante. Durante a Guerra das Malvinas. que criam nuvens de fitas de alu cie ou por cargas de profundidade. atingida nas águas do golfo Pérsico por dois tado pelo radar do navio por voar muito mísseis Exocet iraquianos disparados de um avião Mirage FI-EQS. a protecção de último recurso do navio é-lhe dada pelos seus canhões. prontos. Os nasados para deterem qualmísseis para se defender dos ataques inimigos. capazes de disparar 300 proúnicas defesas eficazes são submarinos jécteis por minuto. Um pona-aoiôes lança aviões portaSubmarino caça-submarinos. A forma de os proteger é com O último recurso. Quando os mísseis atacantes escapam a todas as outras barreiras. mas não podem garantir a destruição de um míssil em voo. os navios lém de recorrer às suas próprias defesas.IDEIAS PRATICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS desta natureza é o domínio do ar proporcionado por aviões — com base em porta-aviões . As peças são de uma que perseguem e torpedeiam os submariprecisão considerável.o sistema germano/ vezes. Mas este tipo de defesa é difícil no caso do míssil soviético SS-N-3 "Shaddock".

No entanto. que tinha por objectivo penetrar para além do ponto em que a crusta contacta com o manto. Califórnia. p. 206 Um creepmeter é formado por um arame esticado que atravessa urna falha e por um instrumento que mede a sua tensão. é proporcionalmente tão fina como a casca de uma maçã. Variando entre 10 e 65 km de profundidade. depois de se terem realizado alguns furos prelimi- Um tensímetro — instrumento que regista a expansão e 0 contracção das rochas — é verificado por um cientista de Parkfield. é menos espessa no leito dos oceanos mais profundos e mais espessa nos continentes. fronteira denominada descontinuidade de Mohorovicic (v. 210). Situa-se em Parkfield.MARAVILHAS DA CIÊNCIA IRES FORMAS DE DETECTAR SISMOS Esta casa abriga um laser e instrumentos electrónicos que registam os sismos da falha de Santo André. camada dura e rugosa que constitui toda a superfície da Terra. Um furo para atravessar a crusta terrestre Os geólogos sabem mais acerca das rochas da superfície da Lua do que das que se situam 15 km abaixo dos seus pés. . A primeira tentativa para perfurar a crusta terrestre foi lançada no final da década de 50 com o projecto Mohole. A crusta.

no poço de Kola a broca é rodada por uma turbina fixada ao tubo de perfuração próximo do fundo do furo. tendo-se depois afastado. em princípio. ferro. Se pudessem Juntar-se. que. além disso. os quais sugeriam que elas teriam estado juntas no passado. para além dos 8 km. como o titânio. encontrado em ambos os continentes. nunca poderia ter atravessado o oceano. pela primeira vez. Verificaram também um aumento de temperatura inesperadamente rápido. e não a 100°. Mas foram provas de natureza mais prática que convenceram os cépticos. A ajustabilidade entre os dois continentes é bastante perfeita. À profundidade de 10 km a rocha estava à temperatura de 180°C. a Pangeia ("todas as terras ) (em cima). Para atingir a sua profundidade recorde. tais como rochas de tipo e idades semelhantes. Mas com o seu objectivo de atingir 15 km ficará ainda a meio caminho do manto. muitos peixes de água doce da América do Sul são parentes próximos de espécies africanas. principalmente no limite das plataformas continentais — melhor do que nas linhas de costa. Mas. Mas as temperaturas criariam um problema: as ligas utilizadas no tubo de perfuração enfraquecem a temperaturas superiores a 230°C. A perfuração convencional utiliza um motor à superfície para fazer rodar o tubo de perfuração. os continentes forma vam um único supercontinenie. Nos finais da década de 80 já tinha 13 km de profundidade e foi o primeiro furo a atingir a crusta inferior. o projecto foi abandonado devido ao seu elevado custo. A turbina é accionada por lamas bombeadas para o interior do furo sob grande pressão e faz rodar a broca por meio de uma caixa de velocidades. diminuindo para metade o peso que tem de ser suportado pelo derrick (torre de sondagem). com a respectiva broca na extremidade. Há cerca de 250 milhões de anos. 207 . Por este motivo. os Russos iniciaram os trabalhos de execução do mais profundo furo do Mundo para estudo da geologia da crusta terrestre. Quando a broca é içada para substituição. podem retirar-se para estudo amostras de rocha. como se pensava. provavelmente formados a partir de elementos transportados por fluidos profundos através das fissuras da rocha.MARAVILHAS DA CIÊNCIA nares a partir de um navio ao largo da costa da Califórnia cm 1960. Animal de água doce que viveu há 280 milhões de anos. técnicas especiais aperfeiçoadas pela indústria petrolífera. utilizaram-se. a costa ocidental da África ajustar-se-ia à costa oriental da América do Sul. pode ser fabricado com ligas leves de alumínio em vez de aço. que atinge a altura de um edifício de 30 andares. pelo que seria necessário um material muito caro. Disposição actual dos continentes (ã esquerda). tornar possível atravessar. cobalto e zinco. figuram características geológicas comuns. cuja forma é continuamente modificada pela erosão marinha. a crusta terrestre. Há 100 milhões de anos os continentes estavam já separados (em baixo). no interior do círculo árctico. Por exemplo. a perfuração leria de ser feita no oceano profundo. situado neste local à profundidade de cerca de 30 km. têm de rodar rapidamente. Mas o contorno dos continentes a uma profundidade de cerca de 900 m mostra que a faixa de ma justaposição não ultrapassa em média os 80 km. Amos A Terra em transformação. Em 1912. para se encontrar a zona da crusta menos espessa. no poço de Kola. o meteorologista alemão Alfred Wegener argumentou em favor dessa teoria. Outras provas da deriva dos continentes são-nos dadas por fósseis como o mesassauro. Em 1970. Um "puzzle". Os cientistas russos descobriram veios com ouro. Entre outras provas de que os continentes já estiveram ligados. ou também muitas plantas e animais que parecem ter origem comum. as tensões na extremidade superior do tubo tornam-se demasiado fortes devido ao peso dos tubos de perfuração. Mas ela só foi comprovada satisfatoriamente para a maioria dos geólogos na década de 60. e é difícil aceitar que tenham atravessado o oceano Atlântico. Como se prova a deriva dos continentes? Já em 1620 o filósofo inglês Francis Bacon se referia aos contornos das costas da América do Sul e da África. perfurando as rochas da península de Kola. Os processos russos poderiam. o que aumentaria ainda mais as dificuldades. a leste da Finlândia. Por outro lado. Uma vez que o tubo de perfuração não tem de transmitir forças de rotação.

As cristas oceânicas forniam-se quando a rocha em fusão sobe à superfície. "congelam" em si a orientação do campo magnético da Terra: as minúsculas partículas ferromagnéticas de rocha orientam a sua magnetização segundo o campo terrestre na altura da sua formação — e esta orienta ção permanecerá fixa para sempre. De ambos os lados de uma crista que se alonga a meio do Atlântico — a dorsal mé _'(»* .PLANETA EM ACTIVIDADE Placas crustais Dorsal média atlântica A rocha em fusão sobe.suo afastados. e vice-versa. As amostras de rochas colhidas no fundo do Atlântico revelaram que em muitas épocas do passado o campo magnético se tinha invertido. revelaram um padrão curioso. o Glornar Chaltenger. tornando-sc o norte em sul. empurrando as placas lateralmente. Os geólogos colheram as amostras perfurando o leito do oceano até à profundidade de 5. desde que a rocha não volte a ser aquecida a alias temperaturas. Quando as rochas arrefecem. Ajrefece e conslitui nooa crusta e os continentes .5 km. no fim dos anos f>0. Iras da crusta terrestre retiradas do fundo do mar por um navio hidrográfico americano. A deriva dos fundos oceânicos.

ou "fontes de ondas de rádio quase estelares" . o que sugere que o fundo do mar estava a expandir se a partir do centro. o Atlântico Norle tinha 3600 m de profundidade e 050 km de largura Então. Os cientistas aceitam agora que a crusta terrestre solidificou há cerca de 4700 milhões de anos. afastando se lentamente até formar o oceano hoje existente. mas foi suficiente para criar todo o oceano Atlântico numa era geológica comparativamente recente. Deduz-se daí que a Europa e a América se afastaram à média de 20 km em cada milhão de anos. é fácil calcular essa velocidade. ao forçarem o seu caminho para a superfície. Como se calcula a idade da Terra? Só com a descoberta da radioactividade pelo físico francês Antoine Henri Becquerel. se tornou possível uma noção exacta da idade da Terra. empurravam lateralmente as mais antigas. começou a formar se o Atlântico Sul à medida que a América do Sul se separava da África. bam o mesmo sinal. Quando se comparam os sinais registados. possibilitando a sua utilização num sistema de triangulação sofísti cado idêntico ao empregado pelos topógrafos. de grande precisão. ficam retidos no seu interior elementos radioactivos.parecenvse com estrelas. . Embora os telescópios rece Raios reflectidos. Outro processo de medição contínua. tendo sido deslocados pos teriormonle pela deriva continental para as suas actuais posições setentrionais. os cálculos são simples: conhecendo-se a largura do Atlântico. A crista situa-se justamente a meio do oceano Atlântico Norte e Sul. dia atlântica — foram identificados os mesmos padrões de inversão. A medida que novas rochas se formavam. As cadeias montanhosas são formadas quando as placas em que os continentes "flutuam" se comprimem umas contra as outras. Neste caso.5 cm por ano. Raios laser apontados de dois continentes diferentes são reflecti dos por um satélite. passados os primeiros 40 milhões. Esta velocidade pode parecer muito reduzida. Estes elementos decompõem209 . utiliza raios laser. e o tempo que levou a formar-se. Ao expandir se lateralmente em ambos os sentidos. por triangulação. como uma fila de gravação geológica. a distância entre os observatórios. Comparações poste riores detectam quaisquer ligeiras alterações nas posições dos telescópios o método de triangulação é tão sensível que consegue detectar diferenças de apenas 13 mm. quando os dentistas aperfeiçoaram uma técnica sofisticada baseada em estranhos corpos celestes distanciados da Terra muitos milhões de anos-luz. o que dá uma média de 2 cm por ano.4 Islândia faz par te da dorsal média atlântica onde esta se ergue acima da superfície oceânica. Origem dos sismos Os cientistas concluíram que as jazidas de petróleo do Alasca e os depósitos de carvão do Norte da Europa se formaram nos trópicos. Quando as rochas se formam. na década de 60. Estes corpos — os quasares. os cientistas começaram a especular sobre a velocidade da sua deslocação. por exemplo. A Terra em convulsão. pode medir-se a distância entre os telescópios. Mas com que velocidade se movem as placas na actualidade7 A medição de tão imperceptíveis movimentos só se tomou possível nos anos 80. que separam a Europa da América do Norte e a África da América do Sul. fornecendo as coordenadas que possibilitam medir a distância entre eles. que tiram coordenadas angulares de um ponto a partir de dois outros fixos para calcularem as respectivas distâncias. Verificações periódicas detectam quaisquer movimentos das massas continentais. Verificações periódicas revela rào quaisquer alterações dessas posições. Só uma explicação se ajustava a estes factos: novas rochas eram continuamente produzidas por baixo da linha média do fundo do oceano e. registando. em 1896. e. Em certo sentido.CALCULO DA VELOCIDADE DE DERIVA DOS CONTINENTES Uma vez aceite a ideia da deriva dos continentes. O Atlântico começou a formar-se há 165 milhões de anos. o processo das inversões periódicas. Os raios reflectidos são usados para calcular. utilizam-se radiotelescópios em vários continentes. dois (ou mais) dos quais apontam para um quasar e gravam os seus sinais em fita magnética. o fundo do mar transportou consigo os quatro continentes à velocidade de cerca de 2. elas adoptavam o campo magnético que se verificava na altura. 0 padrão das inversões para leste da dorsal média atlântica é a imagem simétrica do padrão para oeste. Este cálculo foi possível através do estudo da desintegração de vários minerais radioactivos. mas emitem mais energia do que as galáxias. o que é também a origem dos sismos. pelo anc feciuienlo e solidificação da lava vulcânica. não o gravam da mesma forma devido à distância que os separa. Os quasares situam-se a uma tal distância que podem ser tratados corno pontos fixos. Dois observatórios em continentes diferentes apontam lasers ao mesmo satélite reflector. Um uulcanólogo estuda uma erupção do Kra fia. um dos seus oulcôes.

tanto menos matéria radioactiva contém e maior será a proporção dos produtos resultantes da sua desintegração. pelas rochas mais leves da crusta. suficientemenciais. para atém destes.8 vezes a da to da onda — ondas S (secundae). enquanto as ondas transversais ape210 nas se propagam através dos sólidos. o ferro e o níquel são mantidos no estado sólido pela enorme pressão da Terra em seu redor. Determinaram.595x xlO24 kg) e a sua densidade média é 5. dividindo a crusta em pelo menos duas camadas e o manto em três. cerca de 32 km abaixo da superfície. O que é importante é a relação entre a quantidade de matéria radioactiva e o elemento no qual esta se transforma por desintegração. mo de grande intensidade. Como os cientistas imaginam o centro da Terra 0 mais profundo furo feito pelo homem gam por milhares de quilómetros através penetra mais de 13 km através da gelada do interior do planeta. por serem as primeiras a cie da Terra: para atingir o centro do planeta. penetrando 200 km no manto. o geólogo britânico R. porque essa depende da quantidade que havia originalmente. constituía a separação entre o manto e a crusta terrestres. D. ao fim do qual se desintegrou já metade rios átomos radioactivos inicialmente presentes. se conhecem teria de se continuar por cerca de 6377 km. com 1350 km de diâmetro. Por baixo da crusta ficam A massa da Terra é de 6595 os mantos superior e inferior e. possível mente. os geólogos concluíram que a Terra possui uma pequena região sólida no centro rodeada por um núcleo líquido. Trabalhos posteriores sugeriram que o núcleo central da Terra era sólido. 4500 milhões de anos) é também utilizada. Em 1906. ou península de Kola. a natureza das rochas mudavam abruptamente. as ondas S desaparecem ou são reflectidas para a superfície. Ele descobrira o valor da constante de gravitação. pode calcular a massa da Terra servindo-se daquela constante. por exemplo. semelhantes às ondas sonoPor muito fundo que nos pareça. Calcula-se que a temperatura do núcleo interior seja de cerca de 3850°C. que não só o manto como também o núcleo variam de espessura de região para região. Um deles é a desintegração do elemento radioactivo potássio-40. por um manto denso c. Os estudos do interior da Terra só comeAs ondas de compressão (ondas P) proçaram após a descoberta de que as vibrapagam-se igualmente nos sólidos e líquições provocadas pelos sismos se propados. que são as caute denso para compensar a diferença e que sadoras das maiores destruições num sisé também encontrado nos meteoritos.522 sais. Concluiu que esta fronteira. a força com que os corpos celestes se atraem mutuamente. Assim. são de dois tipos: ondas de compressão. . Sugeriu que esta profundidade assinalava a fronteira entre um manto sólido (região exterior) e um núcleo líquido (descontinuidade de Gutenberg). na Lapónia (v. atingir a superfície terrestre. No entanto. que provocam vibrações formando vezes a da água. Mas na década de 80 os computadores analisaram as ondas sísmicas e produziram uma imagem muito mais clara. As primeiras estimativas da massa da Terra foram efectuadas por Henry Cavendish em 1798. Mesmo no centro. Pensam que o seu núcleo. p. Estudos detalhados permitiram determinar os períodos de semitransformação dos diferentes elementos.ivirti\MV IL. Uma sismologia mais sofisticada acrescentou pormenores a esta imagem. constituídos por ferro e níquel. Três anos depois. ondas sísmicas. o processo de desintegração pode ser usado como se fosse um relógio que tivesse ini- ciario a contagem quando a rocha se formou. e as minas são mais quentes no fundo que à superfície. o sismólogo jugoslavo Andrija Mohorovicic descobriu uma segunda fronteira.J irto ut\ v^itiiiv^in -se a um ritmo preciso. medido pelo chamado "período de semitransformação". geram as ondas superficentro é formada por ferro. por ondas P (primae). ou ondas L (longae). ou núcleo interno. 207). Para sua surpresa. Quanto mais antiga for a rocha. ou semivida. cujo período de semitransformação é de 11 900 milhões de anos. cerca de metade do seu urânio original transformou-se já em chumbo — por isso a idade do planeta é aproximadamente a mesma que o período de semitransformação do urânio. muito está por conhecer acerca da Terra. agora chamada descontinuidade de Mohorovicic. A velocidade das ondas depende da densidade do meio em que se propagam. lhões de toneladas (6. Este modelo assenta parcialmente na relação entre a massa aparente da Terra e o seu tamanho. é essencialmente formado por ferro e níquel aquecidos a 3800"C. A discrepância pode ser explicada se dois tipos de ondas interiores. Estas vibrações. finalmente. Sabe-se que o centro é quente devido ao calor que dele constantemente se liberta. O que importa não é a quantidade precisa do elemento radioactivo que ficou. com um diâmetro de 2100 km. Oldham descobriu que as ondas P afrouxam a partir de certa profundidade e que. ao chegasupusermos que uma grande parte do rem à superfície. que provocam a vibração longitudinal passa de uma picada de alfinete na superfídas rochas e que. a essa mesma profundidade. Mostraram também que os continentes têm "raízes" frias profundas. os geólogos conseguem fazer uma ideia de como é o intePLANETA DE MUITAS CAMADAS rior da Terra. No caso da Terra. Estes água. Medindo a quantidade de um determinado elemento radioactivo numa amostra de rocha. mas desconhece-se a fonte desse calor. Podem utilizar-se diversos sistemas de datação. concluiu que ela pesava o dobro do que se esperaria com base na densidade das rochas da superfície. e ondas transverNo entanto. onde a densidade e. não ras. Mas a densidade das roângulo recto com a direcção do movimenchas superficiais é apenas 2. Pelo estudo da órbita da Lua. Dos vulcões irrompe lava em fusão. como acontece com a crusta. os milhões de milhões de minúcleos exterior e interior. A transmutação de urânio em chumbo (período de semitransfor mação. A Terra tem muitas camadas.

222 . p. p. Como um disco produz música.Como funciona? Como é que um raio laser produz música? Como é que um cartão nos paga as contas? Porque é tão preciso um relógio atómico? Os últimos anos do século xx estão repletos de exemplos espantosos de tecnologia em funcionamento.v>• Como os robôs estão a substituir as pessoas. 245 'm . m * Tf . 246 s ^ ™ •4 &jmà*mAWmi Como o microscópio electrónico perscruta o espaço Interior. p.

o telefone revolucionou as comunicações mundiais. estão em órbita cerca de 130 satélites. inclusivamente. pelo que os satélites parecem estar imóveis (são os chamados satélites geoestacionários). o primeiro satélite comercial. Estas enor mes antenas parabólicas em Raisting. Em pouco mais de 100 anos — desde que o escocês Alexander Graham Bell patenteou o primeiro telefone. foi lançado em 1965 pela International Telecommunications Satellite Organisation (INTELSAT). Hoje. Satélites. microelectrónica e "lasers" Entre os modernos inventos que possibilitaram esta revolução. isto é. aé reos e submarinos.Como é possível telefonar para o outro lado do Mundo Existem mais de 500 milhões de telefones em serviço em todo o Mundo. Early Bird. entre torres localizadas. os circuitos integrados e os lasers. ondas de rádio de frequências extremamente altas (v. Ligações à escala mundial. Hoje. em 1876 —. algumas com 30 m de diâmetro. incluem-se os satéli tes artificiais. As companhias multinacionais podem. fazer reuniões em que os executivos em várias partes do Mundo conversam entre si através de écrans de televisão. de forma a assegurar trajectórias livres de obstáculos. As chamadas intercontinentais podem fazer-se com menos de um segundo de demora na ligação e sem dificuldades de escuta. são enviadas para os satélites as microondas portadoras das mensagens. pertencem a uma das muitas estu ções terrestres da rede internacional de comunicações via satélite e estabelecem liga ções entre todas as partes do Mundo a qualquer hora do dia ou da noite. p. Ale manha. A partir das estações terrestres com as suas enormes antenas parabólicas. 216). Estas antenas são comandadas por computador para estarem por manentemente apontadas ao satélite. As microondas não servem unicamente as li gações via satélite . Iransmitindo men sagens em microondas entre as diversas estações terrestres. As suas órbitas situam-se a cerca de 36 000 km acima do equador e completam-se em 24 horas. em linha recta. e através do ar por feixes hertzianos de microondas. as redes telefónicas transmitem não só vozes como imagens e informações escritas por cabos subterrâneos.antenas parabólicas enviam igualmente mensagens à superfí cie da Terra. 212 .

L U M U rUINV-IUINAÍ .

Estes colaboram também na obtenção de comunicações mais claras e velozes ao permitirem as rápidas comutações eléctricas necessárias ao envio de mensagens telefónicas por transmissão digital. A corrente copia portan to o padrão das ondas de pressão do som. Se cada chamada precisasse de um par de fios para a sua transmissão através da rede telefónica. uma corrente eléctrica passa pelos grânulos de carvão ou pelos electroímanes do microfone (os telefones modernos já não utilizam microfones de carvão). os sinais transmitidos são ampliados por circuitos microelectróniCOS. mais corrente deixam passar. Quando se levanta o auscultador. Na maioria. A corrente faz corn que o iman atraia ou solte o diafragma. contam-se o fax. mas. as diversas portadoras são separadas e os sinais são separa dos das portadoras por um processo chamado desmodulaçáo e depois filtrados para os respectivos receptores. Em vez de um par de fios. Amplificadores incorporados ampliam os sinais a intervalos aproximados de 2 km. tem de haver uma desruultiflexagem. a corrente que atravessa o microfone varia. MICROFONE Quando o diafragma vibra. os telefones para automóvel e até para avião. e as vibrações deste produzem ondas sonoras idênticas às que entraram no microfone. as linhas entre as centrais telefónicas são hoje constituídas por cabos coaxiais. Baixa Alta Onda sonora AUSCULTADOR Onda son 4lMJM|r^ 4^ Corrente eléctrica AI1. Nos satélites. As operações que permitem juntar vários sinais numa só linha dizem-se de multiflexagem. cada cabo coaxial tem um fio de cobre central. porque quanto mais comprimidos são os grânulos. CENTRAL TELEFÓNICA As ondas sonoras da voz fazem delgado diafragma de metal no e é precisamente esta vibração siona com mais ou menos força los de carvão. tal como na rádio. Apoia-se num interruptor de descanso ligado à central. os sinais eléctricos correspondentes às ondas sonoras da fala são modulados — isto é. combinados com uma onda portadora electromagnética. o sinal dispersa-se e perde a intensidade. se não se usar um tipo diferente de cabo. junto como uma manga. um microfone de carvão) no bocal e um receptor (ultila lante) no auscultador. Certos cabos têm milhares de pares de fios. O cabo coaxial permite o uso de altas frequências e o transporte de milhares de chamadas simultâneas. que permitem aos passageiros fazer chamadas durante o voo.UJVIU r UINV-IUINA: BOCAL COMO FUNCIONA UM TELEFONE 0 "auscultador" do telefone incorpora um emissor (tradicionalmente. vibrar um microfone que presos grânu- Cada telefone está ligado a uma central telefónica local por um par de fios.1 Baixa . Os circuitos são independentes da rede eléctrica nacional. um isolador que o cobre e um condutor de cobre exterior que envolve o con- 0$ sinais recebidos alimentam um electro íman junto a um diafragma. ou condutores. pois os cabos destinam-se a correntes de baixa frequência. os bieepers. e a corrente que neles flui é muito mais fraca um par de fios. que canaliza cada sinal para o receptor correcto. na recepção. Entre os serviços de telecomunicações actualmente disponíveis. Um par de fios de cobre vulgar consegue transmitir apenas um número limitado de chamadas simultâneas. Utilizando a técnica da multiflexagem em frequência. nos quais o sinal é confinado a fim de impedir perdas de intensidade e interferências. a transmissão simultânea de milhares de chamadas de uma central para outra seria impraticável. os telefones sem cabo. é necessário 214 . As frequências mais altas permitiriam maior número de chamadas simultâneas e portanto maior capacidade do cabo. E os lasers tornaram possível o emprego de cabos de fibras ópticas — fios de vidro que transportam mensagens digitais à velocidade da luz com uma tal capacidade que milhares de conversas telefónicas podem ser transmitidas simultaneamente por uma só fibra. Na central receptora. Através de um mesmo par de condutores.L. é depois enviada uma série de ondas portadoras de diferentes frequências. O transporte da corrente Para completar o circuito entre o transmissor e o receptor telefónicos. e as cen trais estão ligadas entre si através de cabos.

que são ampliados e introduzidos num modulador — aparelho que os usa para "modular". que era possível transmitir energia eléctrica através do ar. que introduzem ruído que pode afectar a compreensão das vozes. a antena da célula mais próxima capta os respectivos sinais c encaminha a chamada. As radioemissões regulares começaram em 1920. Cada célula tem o seu transmissor central de baixa potência ligado à rede telefónica. as ondas sonoras provocam a vibração de um diafragma. e cada célula de um grupo tem uma frequência diferente. ouvimos a música antes de algumas pessoas presentes na sala do concerto. passagem da corrente para um 1. desde a Cornualha até S. o sistema analógico começou a ser substituído por um sistema digital que elimina a maior parte das interferências e da distorção. a fim de se obter a melhor recepção. depois da invenção do thodo pelo america no Lee de Korest em 1907. Telefonia antiga. Para tal. os aparelhos tinham de ser ligados. Pode utilizar-se num grupo adjacente o mesmo conjunto de frequências sem causar interferências. A corrente oscila rapidamente na antena radiando ondas electromagnéticas como o filamento de uma lâmpada radia luz eléctrica. O processo tomou o nome de "rádio". na realidade. A rádio: transmissão de sons à velocidade da luz Quando escutamos um concerto ao vivo através da rádio. isto é. Em 1901. Esta técnica de multiplexagem no tempo que se usa para sinais digitais permite a transmissão simultânea de 32 chamadas por um único par de condutores ou de milhares de mensagens ao longo de um cabo coaxial. válvulas diódicas e circuitos electrónicos mais potentes. São os chamados sinais analógicos. que se propaga pelo espaço ã velocidade da luz. Como cada impulso é muito curto. nos EUA. em 1936. cinco minutos antes de o programa começar. porque o alcance de cada transmissor é restrito. ouvida por navios a 100 milhas (160 km) de distância — na véspera de Natal de 1906. Entre 1894 e 18%. os impulsos de uma chamada podem ser intercalados com os impulsos de outras. o cientista Gu glielmo Marconi aperfeiçoou um processo de utilizar as ondas hertzianas no envio de sinais em código Morse — método que ficou conhecido por telegrafia sem fios. Estes vieram a dar lugar aos apare- lhos com altifalante. Este fenómeno espantoso deve-se ao facto de as ondas de rádio transpor tarem o som até nossa casa à velocidade da luz. a maioria das chamadas telefónicas era transmitida sob a forma de sinais eléctricos que . que utilizavam cristais de galena para captar as ondas de rádio. que a emite sob a forma de uma onda de rádio. De sons a sinais eléctricos Quando um som entra no microfone. interrupção da corrente para cada 0. As ondas sonoras (devidas à vibração das vozes e instrumentos) levam mais tempo a atravessar a sala. alterar a amplitude ou a frequência de uma onda de alta frequência gerada por um oscilador. e^sgj Sf^p^ 215 . não são direccionais: as ondas.COMO FUNCIONA? Transmissão de vozes por meio de números Até à década de 70. rádios ligados à rede telefónica normal. Edwin II. Da galena ao transístor O físico alemão Heinrich Hertz demonstrou. 'í 4| m L-ái * vi 4 Emissáo histórica. para casar com "a mulher que ama" — a americana Wallis Simpson. que transfere de uma célula para outra a informação da posição do carro à medida que este anda. Telefonar em viagem Os telefones móveis instalados nos carros são. 241) nos circuitos electró nicos da central e transmitidos numa forma codificada. Muitos terão ouvido os primeiros programas de rádio num receptor deste tipo. Os transmissores das células eslão ligados por cabo a um computador central. que descobrira a maneira de combinar os sinais de um microfone corn uma onda electromagnética. A emlssáo rios sinais através rio ar As antenas emissoras de radiodifusão são constituídas por uma espira ou por um varão de metal com uma dimensão que de pende da frequência a ser transmitida. para aquecerem. As vibrações são converti das em sinais eléctricos. Um conjunto de células constitui um grupo. de difusão para toda uma área. ou PCM). Ao princípio. Eduardo VIU de Inglaterra abdica. propagam-se em todas as direcções a partir da torre. os ouvintes tinham auscultadores ligados aos receptores. o valor do sinal eléctrico analógico gerado pelo microfone é medido milhares de vezes em cada segundo. Esta onda modulada é enviada por cabo para uma antena.seguem as vibrações da voz. João da Terra Nova Dm engenheiro canadiano fez a primeira emissão radiofónica pública do Mundo do Massachusetts. onda electromag nética. Cada medida é expressa por um número binário uma sequência dos algarismos 1 e 0 representada por uma série de impulsos —. Quando se faz uma chamada telefónica para um carro. a partir de emissoras em Pittsburgh e Detroit. Era Reginald Aubrey Fessenden. A transmissão dos sinais sob esta forma é sensível a interferências eléctricas. A rede de radiotelefones é operada num sistema de células o terri tório abrangido é dividido em pequenas áreas. e no final dos anos 50 já os pequenos Iransístores substituíam as volumosas válvulas. ou células. que transportam os sinais. É a chamada modulação por impulsos (puise-code rnodulation. Com as primei ras válvulas (que serviam para ampliar os sinais). o computador comuta a ligação do telefone para o transmissor celular mais próximo. p. a chamada onda portadora. em 1888. Após os anos 70. Os sinais eléctricos analógicos provenientes do microfone são convertidos em números binários (v. Armstrong aperfeiçoou o receptor em 1924. já Marconi aperfeiçoara por tal forma o seu sistema que conseguiu enviar sinais de telegrafia sem fios através do Atlântico. com cerca de 5 km de diâmetro. Quando a chamada é feita do carro. por serem de estrutura semelhante à do som. Estas antenas.

0 sinal assim seleccionado é amplifica do. ou seja quanto menor o seu comprimento de onda. MODULAÇÃO DE UMA ONDA PORTADORA DE RÁDIO Portadora. ecos surgem num écran. separado da portadora por um desmodulador. Muitos programas de de rádio transportam sinais de sinais na banda das rádio são emitidos em ondas para o comando â distância longas e médias. Sinal de áudio. está ligada a um sintonizador. AS ONDAS DpCÇfiPECTRO ELEC As fontes naOrais orenergia radi te. situadas a altitudes de mais de 100 km. é a própria frequência do oscilador que gera a portadora. Nas utilizações como o rádio ou os raios X são geradas ondas artificiais com o comprimento de onda adequado. Quanto mais curta a onda. que constituem a chamada ionosfera. pelos táxis e pelos radioamadores. devido ao facto de serem reflectidas tanto pelo solo como pelas camadas ionizadas da atmosfera superior. que capta estas ondas. dos 450 aos 855 MHz. As ondas navegam com emissão Rádio. O topo desta banda pode também ser usado para emissões de televisão.COMO FUNCIONA' A captação dos sinais No espaço à nossa volta. c o m frequências de 87 a 108 MHz (v. entrecruzam-se as ondas de milhares de radioemissões si multâneas. à direita). As ondas de rádio de comprimento inferior a 300 mm são as microondas. que varia de acordo com o sinal (v. aproveitando o seu enorme alcance. dão facilmente a volta ao Globo. em 1938. de II G.de forma a ser transportado com ela. Os barcos remoto. reflectem os sinais. Cada uma delas tem. Estas altas frequências não são já reflectidas pela ionosfera. a amplitude de oscilação da portadora é amplificada ou reduzida de um factor proporcional ao próprio sinal. quadro). Modulação de amplitude. Wells. a amplitude de oscilação penna nece constante. eos de cairos ou aviões. As bandas de KM são normalmente em VIIF (uery high frequeney. Há duas formas de o fazer: a modulação de amplitude (AM) e a modulação de frequência (KM). Onda gerada por um osci lador eléctrico. cornOjOrSol. cmiteui ondas o ^comprjwÊntos de ondavdesde Ojíis <m até menos de xjJMjíliési mo" de milionésimo de milímetro. Os astronautas na Lua em 1969 foram vistos por milhões. AMe FM A onda portadora oscila com uma frequência e uma amplitude constantes. Os obstáculos por exemplo. diferente de todas as outras. As ondas destas bandas destinam se à difusão radiofónica para regiões muito grandes. de forma que um emissor só é captado se directamente "visível" pela antena receptora Destinam-se portanto a emissões locais. reproduzindo o mesmo som que foi captado pelo microfone da estação emissora. que é feita variar de acordo com o sinal. A banda de VHF é também a utilizada pela Polícia. ou frequência muito alta).modulá-la . na das ondas médias (677 a 187 m) e na das ondas curtas (100 a 10 rn). mas actualmente quase todos os canais de televisão europeus usam a banda de UHF [ultra high frequeney. maior a sua frequência. Estes têm a função inversa da dos microfones: transformam um sinal eléctrico em ondas sonoras. A frequência do oscilador gera a onda portadora. Os radares e as comunicações por satélite utilizam as microondas nas frequências superaltas de 3 a 30 GHz. circuito electrónico que aceita apenas uma frequência: sintonizar um receptor é ajustar exactamente a frequência que ele aceita à frequência da emissora pretendida. Corrente eléctrica saída de um microfone de forma variável. A modulação de amplitude é normalmente utilizada nas três bandas de mais baixa frequência (maior comprimento de onda): na banda das ondas longas (comprimentos de onda de 2000 a 1000 m). Controle Televisão. de modelos transmite A Guerra dos Mundos. uma frequência de onda portadora única. novamente amplificado (regulado pelo botão de "volume") e conduzido aos altifalantes. A antena de um receptor. O sinal vai modificá-la . ou frequência ultra alta). reflcctindo-se sucessivamente no céu e na Terra. no entanto. Em AM. A intensidade da radiação t pode ser traia computador: grafias detetíi ui trites ou canc 216 . A amplitude da oscilação da portadora é amplificada ou reduzida Modulação de f r e q u ê n c i a . FREQUÊNCIAS 1 milhão de ciclos por segundo 1000 milhões de ciclos por segundo 10 000 milhões de ciclos por segundo 100 biliões de ciclos por segundo -'Umx Infravermel Radar. Orson Welles microondas. Em FM. Os sinais de 7V são transportados por ondas de frequência ultra-alta.

estas ondas podem produzir fotografias. As ondas de rádio geradas electricamente para transmitir os sons sob a forma de sinais são semelhantes em estrutura às ondas de rádio que ocorrem na Natureza. A altura da onda — metade da distar] cia entre a crista e o mínimo . Os campos propagam-se um pouco como no movimento de uma corda cuja extremidade é sacudi da. isto é. milhares de milhões de hertz). os seus raios são desviados . o número de cristas que passa por dado ponto em um segundo.a distância entre duas cristas consecutivas — obtcmse dividindo a velocidade da onda (a da luz) pela sua frequência. . 300 000 km/s. tanto menor a frequência. Wfe 100 triliões de ciclos por segundo 1000 biliões de ciclos por segundo 1 trilião de ciclos por segundo 10 000 triliões de ciclos por segundo Luz do Sol. Quando a luz do Sol incide em gotículas na atmosfera. Durante a sua desintegração. do nome do ale mão Heinrich Hertz. Os raios UVda luz do Sol são uma fonte de oitamina D. Ondas de diferentes frequências sofrem desvios e chegam. a que corresponde um comprimento de onda inferior a um milésimo de milímetro. Raios X. milhares de hertz). As frequências medem-se em ciclos por segundo. Atravessam rnais facilmente a carne que os ossos ou os metais. As radiações visíveis (a luz) têm frequências extremamente elevadas. Mas as ondas de rádio utilizadas nas comunicações vão desde cerca de 1 mm até aos 30 km. a vermelha. As ondas de luz constituem apenas uma parcela das ondas electromagnéticas que nos chegam vindas do Sol c.as sete cores do arco-íris. Distância entre duas cristãs (máximos) consecutivas. mas à velocidade da luz. que.num arco-íris. talvez de supernovas que exf>lodirarn. A luz é composta por uma banda de frequências diferentes . Portanto. Velocidade. Metade da diferença entre o máximo e o mínimo da oscilação. Comprimento de onda. dernonstrou que os sinais eléctricos podiam ser enviados através do ar. a J luz branca aparece nos decomposta nas . Raios cósmicos. uma tensão eléctrica suficiente para produzir também uma pequena faísca. Raios gama. estamos a ver as diferentes ondas electromagnéticas da banda visível emitidas pelo Sol.é chama da amplitude. O valor do comprimento de onda . As ondas sonoras são ondas de pressão. Número de cristas que passam por um ponto em cada segundo. aos nossos olhos de direcções um pouco diferentes . As frequências elevadas das ondas de rádio são geralmente expressas em kilo-hertz (kHz. Frequência. produzindo na nossa retina a impressão a que chamamos "luz branca". A exposição excessiva ao sol pode causar cancro da pele. portanto.COMO FUNCIONA? AS ONDAS QUE NOS CHEGAM PROVENIENTES DO ESPAÇO Quando vemos um arco-íris. em 1888. os átomos radioactivos emitem raios gama. Como a luz. de I outros corpos celestes. A de me nor frequência. Amplitude. mega-hertz (MHz. Hertz fez saltar uma faísca entre duas esferas de metal ligadas por uma espira de arame e verificou que isto induzia. Chamam-se electromagnéticas porque são formadas por campos eléctricos e campos magnéticos que vibram perpendicularmente entre si. Radiação ultravioleta.Suas ondas de diferentes frequências. Outra característica muito importante de uma onda é a sua frequência. porque na água se propagam a uma velocidade menor que no ar. Estas ondas de origem ainda misteriosa provêm do espaço exterior. vibra a cerca de 400 milhões de mega-hertz. ou hertz. Medir o comprimento de onda Todas as ondas electromagnéticas se propagam à velocidade da luz. quanto maior o comprimento da onda. milhões de hertz) ou giga-hertz (GHz. O 'olho humano atribui às frequências mais • baixas a cor vermelha e às mais altas a cor [violeta. não electro magnéticas. Este emite simultaneamente em todas as frequências desta banda. Distância percorrida por uma dada crista num segundo. num dispositivo semelhante colocado a certa distância.refractados —. com frequências entre 30 GHz e 10 kl Iz.

que são transmitidos por ondas de rádio à velocidade da luz. a conversão da imagem era feita quase exclusivamente em tubos especiais de raios catódicos. cria nele uma carga eléctrica proporcional â intensidade luminosa. que se deixa atravessar por correntes eléctricas tanto mais facilmente quanto mais iluminada. em cada ponto de uma linha. E o CCD (charge coupled devicej. 625 dão melhor definição e c o sistema da Europa. Em cada tubo. Quase todas as tonalidades se obtêm pela sua mistura em proporções diversas. tal l COMO A IMAGEM DE TELEVISÃO VIAJA DESDE A CAMARÁ AO "ÉCRAN' C A M A R Á DE TELEVISÃO Emissor Antena d e T V doméstica RECEPTOR DE TELEVISÃO C a n h õ e s de electrões •Os sinais de TV sáo e m i t i d o s por u m a antena s o b a f o r m a de ondas de rádio de ultra-alta frequência (UHF) Amarelo Vermelho As cores num écran de TV são pnxlu zidas pelas misturas de sinais de luz verdes. notar-se-ia um acender e apagar da imagem no écran. Misturados aos pares.A televisão: imagens ao vivo transmitidas por ondas de rádio Quando ligamos o aparelho de televisão. o verde e o azul dão ciano.aquelas com que se formam todas as outras . Todas as cores misturadas produzem branco. à velocidade referida. Feixes de electrões traduzem as cargas em sinais eléctricos. Até há poucos anos. 0 olho humano retém cada imagem durante esse espaço de tempo. que são envia dos para um posto emissor. vermelhos e azuis. depois as pares -. lê-se uma intensidade luminosa — Obtém-se um sinal eléctrico proporcional ao fluxo luminoso no ponto. produzindo uma imagem completa em cada 1/25 de segundo. linha a linha. i _ Um feixe de electrões varre a parte de trás do écran de cima para baixo — segundo linhas. uma simples bolacha de silício dividida em centenas de milhares de minúsculos dispositivos pelas técnicas da microelectrónica. surgiu um novo dispositivo de captação da imagem. Este "entrelaçamento" produz uma imagem completa em 1/25 de segundo. depois nas linhas pares. As cores de um écran de televisão são produzidas pela mistura de diferentes proporções de luz de apenas três cores. Um jogo de futebol.são o vermelho. 0 princípio é muito simples: a imagem "lê-se" como a página de um livro. a totalidade do campo. as trás cores primárias . deste modo. e a acção seria sacudida. 0 sistema de 525 linhas é usado na maior parle das Américas do Norte e do Sul e no Japão. Uma pequena parte da imagem é mostrada ã esquerda em tamanha natural. Esta carga é em seguida passada ao longo de uma fila. A câmara de televisão decompõe a luz proveniente da cena nas três cores primárias e dirige cada uma destas para um dispositivo que converte as imagens em sequências de sinais eléctricos. por exemplo. 218 . isto é. surge à sua superfície um padrão de cargas eléctricas que reproduz a imagem. o verde e o azul. Quando a luz de um ponto da imagem incide num destes dispositivos. a luz cria minúsculas cor gas eléctricas. O varrimento é feito em duas etapas. de dispositivo em dispositivo. ligados em filas — as linhas. Revestimento fluorescente no écran de TV A lente de uma câmara a cores foca a imagem que está a captar através de um separador de cores — prismas de vidro que dirigem a luz de cada uma das três cores primárias para um tubo electrónico diferente. em vez de uma letra. o azul e o vermelho dão magenta e o vermelho e o verde dão amarelo. de grande parte da Ásia e da Austrália. que é acumulada num minúsculo "poço de potencial". pelo que uma série de imagens passadas a essa velocidade apa renta ser uma imagem contínua. primeiro nas linhas ímpares. A câmara de televisão converte a imagem que capta em sinais eléctricos. Se fossem passadas mais lentamente. conforme o sistema utilizado. primeiro as impares. Em televisão. Este écran é feito de uma substância fotocondulora. Os sinais incidem sobre um revestimento químico na parte de trás do écran (amplia ção à direita). Os feixes de electrões fazem o varrimento da imagem em 625 ou 525 linhas. As cores da luz não se misturam como as Untas. O varrimento faz-se de cada vez em metade do "campo" — isto é. porque há dificuldades técnicas em explorar de uma só vez. A imagem é focada num écran que reveste o vidro do tubo do lado interior. a imagem que vemos é criada por um pa drão de luz formado por sinais eléctricos. Esse padrão é "lido" sequencialmente por um feixe focado de electrões (raios catódicos) que varre o écran linha a linha. aparece-nos no écran praticamente na mesma altura em que decorre a acção. Há alguns anos.

Em 1906. A televisão por cabo surgiu nos Estados Unidos nos anos 50.' como uma cadeia de bombeiros passando baldes de água mais ou menos cheios. fechamos um circuito do mecanismo selector. e a emissão directa por satélite (DBS) para pequenas antenas parabólicas. de varrimento mecânico por disco. Depois. por isso. e a forma de decompor uma imagem e reconstituí-la depois foi sugerida por Paul Nipkowem 1884. de modo que as antenas receptoras têm de estar apontadas directamente à estação emissora. foi o seu baixo custo que abriu o mercado das câmaras para amadores. são desmodulados (separados da portadora) e conduzidos ao tubo de raios catódicos para reprodução da imagem. televisão por satélite. a televisão por cabo é também. normalmente na banda de UHF (ou das microondas. foi ultrapassado pela câmara electrónica. convertendo os sinais eléctricos num padrão de luz colorida. o que sintoniza electricamente o receptor para a frequência correcta para a recepção. em 1912. Cada canhão electrónico destina se a reproduzir uma cor primária e dispara um feixe de electrões. pelo que invadiram rapidamente o mercado rias câmaras de vídeo. que abriu o primeiro estúdio de televisão em 1929 e utilizou discos de Nipkow para o varrimento. e a RCA iniciou as transmissões na América em 1939. o cientista russo Boris Ho sing conjugou o princípio de varrimento do disco de Nipkow e as possibilida des de formar imagens do tubo de raios catódicos . verde e azul. 219 . a luminosidade do material fluorescente . inventada pelo russo Vladimir Zworykin. 0 sinal de vídeo gerado pela câmara é usado para modular uma onda portadora. O tubo de raios catódicos é ainda hoje 0 componente fundamental da televisão. a televisão de alta definição (HDTV). de facto. A pintura (em baixo) representa o naufrágio do Titanic. empresa alemã por que Baird se interessara. sendo os programas retransmilidos por satélite até às antenas parabólicas das empresas numa estação central e daí. Na Europa. portanto. que produziu. no caso dos satélites) e radiodifundido a partir de uma antena emissora. Entoe outros sistemas televisivos introduzidos ou em estudo final no fim da década de 80. porque não também imagens? Cedo se compreendeu que as imagens não podiam ser transmitidas como um todo. para o telespectador. Os destroços foram en contractos a 4000 m de profundidade em 1985 por uma expedição. em 1931. sistema de televisão. os sinais não são reflectidos. Recepção de imagem Quando premimos o botão do canal que pretendemos. que utiliza mais de 1200 linhas de varrimento. Os sinais provenientes da antena são muito fracos e têm de ser ampliados. Nipkow utilizou discos giratórios perfurados para dissecar e em seguida recompor uma imagem a preto e branco. que emitem luz quando bombardeados pelos electrões). A BBC Britânica inaugurou o primeiro serviço público de alta defini çáo em 1936. As emissões experimentais começaram na América em 1928. Em países com populações dispersas ou com montanhas e edifícios que interfiram na recepção. Poucos anos depois. Para antenas emissoras ter restres. o sistema de Baird. alternando as cores vermelha. obtém-se um sinal eléctrico proporcional à carga gerada ponto a ponto.daí resultando a reprodução. A face interior do écran está revestida com faixas verticais de materiais fluorescentes (isto é. pelo que se utiliza uma rede de emissores.) foram apresentadas na televisão. Dos discos giratórios aos satélites espaciais A s primeiras ideias sobre a transmissão de imagens à distância surgiram a seguirá introdução do telefone. se podiam ser enviadas vozes a grandes distâncias. exactamente como a imagem na câmara foi "lida". As emissões a cores começaram experimentalmente nos EUA em 1951. conta-se a televisão por microondas. com capacidade de até 60 canais para curtas distâncias. estas redes apresentam problemas. Imagens corno as da proa (à esq. na saída do circuito. Às vezes. com empresas comerciais enviando os seus programas aos subscritores através de cabos. o primeiro modelo prático. utilizando-os como relés dos sinais. e rudimentar. Os sinais da emissão são captados do espaço pela nossa antena de televisão. Este sistema permite a existência de mais canais que a transmissão por rádio. O primeiro serviço regular (três dias por semana) de televisão começou em Berlim em 1985.inventado por Kerdinandi Braun em 1897 — e criou o primeiro. isto limita o seu raio de acção a cerca de 65 km. tanto no emissor como no receptor. sem obstáculos pelo caminho. Numa das ex tremidades estão três canhões electrónicos. da imagem original captada pela câmara. A marcha do tempo. no écran. as empresas de televisão cada vez se voltam mais para os satélites de comunicação. a televisão por cabo só apareceu na década de 80. As empresas emissoras codificam os sinais de forma que possam ser recebidos unicamente pelos assinantes com telerreceptores munidos de descodificadores. fazendo variar a intensidade dos feixes emitidos e. por cabo. operado pela Fernseh. parcialmente. Os feixes de electrões varrem o écran linha a linha. mas o primeiro sistema prático foi instalado em 1-ondres pelo escocês John Logic Baird. Por detrás do écran.L U M U l-UINUUINA. Os sinais de vídeo são aplicados a um eléctrodo dos canhões de electrões. Este tem a função inversa da de uma câmara. uma grelha com frestas verticais ali nhada com as faixas permite que o feixe de uma cor incida unicamente sobre o material que fluoresce com essa mesma cor. na outra o écran. A estas altas frequências. que depois (irou fotografias por meio de um robô guiado a partir de um submarino. Os CCD's são de baixo preço e têm alta sensibilidade.

216). de qual quer ponto nas imediações. Os sinais de imagem são gravados na zona central como uma série de pislas inclinadas. baseado em números binários (v. amplificados e introduzidos noutro chip de silício. pode abrir portas de garagem munidas de um receptor. por sua vez. mas as fitas VHS gravam mais tempo até quatro horas. Como o gravador de vídeo está mcnle ligado à antena. de que foi precursora a JVC (Japan Victor Company) em 1976. mudar de canais ou aumentar o volume. Tanto cassetes como gravadores são diferentes nos dois sistemas. Para abrir e fechar portas de garagem. Um radiocomando portátil é um emissor em miniatura que. p. É um chip de silício que constitui o coração do aparelho de comando dos vulgares televisores. A fita passa depois em volta de um tambor rotativo que contém as cabeças de gravação Os sinais de imagem são gravados como uma série de pistas oblí. Os dois principais sistemas de videocassetes existentes são o Betamax. uma cabeça de apagamento anula tudo o que estiver gravado na fita da cassete. Este. o feixe codificado é recebido por um dispositivo sensível às ondas infravermelhas. E têm de funcionar em linha recta com as portas. 241). é sobreposto ao feixe tal como um sinal de rádio é sobreposto à onda portadora. Isto introduz os sinais de imagem e de som no televisor. O feixe transporta um sinal codificado. Estes abrem e fecham a válvula reguladora do motor. Esta necessidade conduziu à actual era da microelec trónica. Os sinais de som são gravados longitudinalmente num dos bordos da fita. Esles são introduzidos em motores eléctricos. O código. envia sinais a um motor eléctrico que opera as portas. capta emissões de televisão quando está em funcionamento. o chip activa a emissão de um feixe de infravermelhos (v. em cujo écran a gravação é recriada. As cabeças de gravação da imagem. e o VHS (vídeo horne system. os sinais armazenados na fita magnélica produzem sinais eléctricos na cabeça de reprodução. no qual são formados os circuitos microelectrónicos. de magem Fita magnética 220 . duas em geral. O VHS acabou por se tomar o mais difundi do dos dois sistemas. ou sistema de vídeo doméstico). utilizam-se os telecomandos ultra-sónicos. Quando premimos um botão no controle remoto. o vídeo armazena-as em fita magnética._| quas.t U M U rUNVIUINAÍ Controle remoto: a operação de comutadores à distância O advento do computador e a exploração do espaço criaram a necessidade de comandos operados à distância. A reprodução é a inversão do processo de gravação. que identifica o código. introduzido pela empresa japonesa Sony em 1975. iniciada nos anos 50 com o transíslor e o chip de silício — pequeno cristal de silício obtido por divisão de uma "bolacha". Quando a fita é passada em frente das cabeças de gravação. Quando se introduz a cassete e se carrega na tecla de gravação. e os sinais sonoros que os acompanham são gravados como pistas longitudinais ao longo de um dos bordos da fita. os servomecanismos. Um receptor no modelo descodifica os sinais. e imprimem os sinais na fita enquanto vão rodando com o tambor. cada uma destas grava nela os sinais que recebe através da corrente. Aquele remete então o sinal a um comutador electrónico que executa a instrução dada. variando o código conforme o botão que se prime ligar. No televisor. Mas. O Betamax produz imagens de quali dade ligeiramente superior. COMO O VÍDEO GRAVA IMAGENS DE TV A fita de vídeo é magnética Cada cabeça de gravação é um electroiman que magnetiza as partículas metálicas da fita segundo o padrão determinado pelos sinais de TV. Os sinais são recebidos. Como a transmissão de imagens exige uma quantidade de sinais muito maior que o som. pelo que hoje se usa mais o radiocomando. levantam e baixam o trem de aterragem e accionam as superfícies de comando como os a/terons e o leme. a máquina de vídeo puxa uma alça da fita de entre as duas bobinas da cassete. Televisão e gravador de vídeo O gravador de vídeo está ligado Quando se carrega na tecla "gravar". da mesma forma que um gravador de som armazena sinais sonoros. Quando a fita está gravada e rebobinada e se carrega no botão de play. Cabeças de gravação da imagem à antena deTVe capta o programa que decorre no canal para o qual foi sintonizado. que emitem ondas sonoras de alta frequência dirigidas a um microfone receptor. O sistema de radiocontrole dos modelos de aviões c barcos é mais complexo. quer a televisão o esteja ou não. estão montadas no lambor. directa: Gravação e reprodução Ao carregar no botão de gravar. por exemplo. p. O sinal de rádio liga o molor que acciona as portas. a máquina puxa uma alça de fita de entre as duas bobinas da cassete e passa-a em volta de um lambor rotativo accionado por um molor eléctrico. O emissor manual emite sinais de rádio codificados. e o novo Super VHS tem imagens de melhor qualidade que qualquer dos dois sistemas normais. A fita passa pelo lambor obliquamente. As cabeças são pequenos electroímanes e funcionam do mesmo modo que na gravação da fita sonora. em vez de converter esses sinais directamente em imagens. a fita de vídeo é geralmente mais larga e é passada com mais velocidade que uma fita de cassete para som. O vídeo: gravação de imagens em fita magnética Um gravador de vídeo capta sinais eléctricos da estação de televisão ao mesmo tem po que o nosso televisor. voltadas para fora. Podem os dois estar sintonizados para captarem simultaneamente programas diferentes.

As partículas da f ta magnética são pequenos imanes que se orientam s e g u n d o padrões i m p o s t o s pelos pólos da cabeça de gravação. na qual não se nota com a vantagem de se poder ligar ou magnetismo. Foi assim que. Este sistema é mais preciso e produz uma gravação mais fiel. o que é efectuado por uma cabeça de apagamento. na reprodução. os quais produzem ondas c pressão que fazem vibrar os tím panos do ouvido como o som original. Quando a fita passa pela cabeça de gravação. surge alinhados entre si. os sinais eléctricos do microfone são convertidos em números binários (v. e n q u a n t o d u r a r o m o v i m e n t o do de domínio para domínio. que lhes aumenta a intensidade. a direcção da íman. usa-se o sistema Dolby (do nome do seu inventor). mas por reorientação da sua magnetização. aproximação de um íman ou da pasconhecidas pelo nome de ferromagnétisagem de corrente eléctrica por uma cas. 221 . Na maioria. em 1831. mais notório durante as passagens silenciosas — devido à magnetização residual sempre pre sente numa distribuição aleatória de parti cuias. Fita de gravação Os sinais eléctricos utilizados na formação do padrão podem provir de um microfone ou de um rádio. 223). Corrente eléctrica sinal A s s i m c o m o u m i m a n atrai limalha de ferro através de um papel. o MAGNETISMO E ELECTRICIDADE no entanto.náo por movimentação das partículas. em truído o primeiro gerador eléctrico média. 0 que se passa é que no desligar. seu padrão magnético induz uma corrente eléctrica na cabeça de leitura. ro.*_A_*IVH_/ l U i l V . onde as suas ondas de pressão são convertidas em fra cos sinais eléctricos variáveis. A fita grava apenas u m a face Por c a d a " l a d o " são g r a v a d a s d u a s pistas — a esquerda e a direita do s o m estereofónico. a fita tem de ser limpa de todos os padrões anteriores antes de chegar à cabeça de gravação. desde um cantor até uma orquestra. Cada partícula da fita é um minúsculo íman cuja magnetização tende a alinhar-se segundo a direcção do campo magnético aplicado . electroíman alimentado por uma corrente de alta frequência. produ zindo um campo magnético. Também quando se desloca ferro os imanes atómicos estão de facto um íman junto a uma bobina. não se notam pólos à superfície. óxi dos de ferro e de crómio) aplicada numa fita de poliéster. que dura quenas extensões chamadas domínios. pelo que. o campo magnético alinhará a magnetização das partículas consoante a sua intensidade. os elect r o í m a n e s o r i e n t a m a magnetização das p a r t í c u l a s da fita de g r a v a ç ã o . os gravadores modernos utilizam a mesma cabeça para a gravação e a reprodução. Daí pode remente magnetizado. Os gravadores em fita funcionam de maneira semelhante — marcam sobre uma fita coberta de minúsculas partículas magnetizadas um padrão que corresponde aos sons que estão a ser gravados. p. foi consmagnetização é diferente. Esta cabeça é ligada automaticamente quando se carrega na tecla de gravação. hoje em dia. que estão fixas. para o ferro se tornar fortetodos na mesma direcção. p. As fitas. Aqui. as suas acções se compensam e por Michael Faraday. Estes passam por um amplificador. Para gravar seja o que for. I V ^ I I r t : Gravação em fita: armazenar sons como padrões magnéticos Muitos de nós desenhámos padrões com limalha de ferro sobre uma folha de papel fazendo deslocar um íman debaixo dela. são gravadas em estéreo (v. passam pelo enrolamento do electroíman. Com uma corsultar um íman. A corrente vai alimentar um amplificador e seguidamente os altifalantes. antes de actuarem na cabeça de gravação. a influência de um campo Os átomos de muitos metais são imanes magnético. Para reproduzir uma gravação. Para ser gravada. A cabeça de gravação que cria os padrões é um minúsculo electroíman.porção de substância ferromagnética c o m um e n r o l a m e n t o de fio eléctrico (bobina). Eliminação dos ruídos de fundo Um dos problemas da reprodução de som por fita é o silvo de fundo. daí resultando um íman m u i t o Mas pode resultar também uma subsmais poderoso que os naturais — e tância como o ferro. os sinais são reduzidos até à sua intensidade normal antes da entrada nos altifalantes. A fita é constituída por uma fina camada de partículas magnéticas finas como pó (em geral. basta inverter o processo. circuitos electrónicos reforçam os sinais antes de estes atingirem a cabeça de gravação. No sistema DAT (digital áudio lapej. quando a fita passa. alinham os seus pólos magnéticos bobina. o som é dirigido a um micro fone. 0 silvo é reduzido na mes ma proporção e toma se inaudível. Basta. de um giradiscos ou de um gravador de fita. Nas passagens silenciosas. com os seus pólos norte rente eléctrica forte. 241). formando assim como que um códi go magnético do som original. c o m o o que resulta da minúsculos que em certas substancias. GRAVAÇÃO DE SONS NUMA FITA MAGNÉTICA A gravação e a r e p r o d u ç ã o são feitas por um m e s m o electroíman . mas apenas em penesta uma corrente eléctrica. consegue-se um e sul resultando da cooperação dos mialinhamento total dos átomos de fer núsculos pólos atómicos. Para o eliminar.

O disco é rodado a precisamente 33 '/j rotações por minuto (rpm) para produzir um disco de longa duração. por exemplo. O registo fazia-se sobre urna folha de estanho enrolada num tambor com um sulco em espiral na superfície. e uma passagem com som mais forte precisa de O que é o fonógrafo O s primeiros sons foram registados e reproduzidos por Thornas Alva Edison em 1877. servindo simultaneamente de microfone e de altifalante. O mecanismo do prato giratório tinha de ser accionado à mão para cada disco que se graoaoa. O disco de 78 rpm de Berliner era feito de goma-laca. e os sinais eléctricos são registados em pistas separadas (de 2 a 48) em fita magnética. No aparelho de gravação do disco. 0 disco-matriz é então gravado por meio de si- Os sinais eléctricos produzidos pelo mi crofone são intensificados por um amplificador. as vibrações do estilete (agulha) reproduzem os sinais eléctricos. Quando a agulha era pousa da no disco. e os sons que entravam pela corneta faziam vibrar a agulha. o tambor era rodado por uma manivela. mas existem diversos outros dispositivos para converter as vibrações em corrente eléctrica. um estilete em forma de buril vibra e escava um sulco ondulado na superfície de grava cão (em geral. as gravações em multipistas são misturadas para produzirem uma fita-matriz de duas pistas em que os sons foram misturados e equilibrados de modo a produzirem os melhores efeitos nos canais estereofónicos esquerdo e direito (página seguinte). produzindo sons que saíam pela corneta. que indentava a folha de estanho à medida que r se deslocava ao longo do sulco em espiral. nais eléctricos provenientes da fita-matriz. uma camada de massa virgem sobre um disco plano de alumínio) segundo uma espiral a partir do bordo para o centro. os executantes. Quando alguém falava para a corneta. mas a velocidade da cabeça de gravação em direcção ao centro varia de acordo com a intensidade do sinal. o som é captado por uma série de microfones. O equipamento pura a gravação estava montado sobre um bloco de betão isolado para que outras vibrações . dispostos em redor da corne ta. Anteriormente. Quando tocamos um disco (réplica do disco-matriz). Quatro anos depois. o tambor era rodado novamente e a agulha. As vibrações são convertidas em fracos sinais eléctricos variáveis. começavam a locar. Pode chegar a haver 140 sulcos por centímetro — o seu número varia com a velocidade da cabeça de gravação. O disco era tocado numa placa giratória. A fabricação de um disco-matriz Na fabricação de um disco-matriz para reprodução.i w i i r t : Como a agulha de gira-discos lê o som O processo de armazenagem inicia-se quando a música entra num microfone e faz com que o seu diafragma vibre exactamente como uni tímpano humano. sendo maior quando o som é mais forte. 214). foi o pioneiro da cópia de discos pelos processos de electroplastia e estampagem. empregando o mesmo tipo de corneta e de agulha que o fonógrafo. Os sinais estereofónicos obrigam a agulha a vibrar de forma a gravar em cada parede do sulco em V um padrão diferente. numa "maquineta" que depois aperfeiçoou e comercializou com o nome de fonógrafo ("escrevedor de sons"). No principio do século. Todos os microfones possuem um diafragma que funciona segundo o mesmo principio que o do boca] do telefone (v. 222 . trabalhando nos EUA deu um passo decisivo na gravação de sons ao introduzir o disco em 1888.além das ondas sonoras provenientes da execução .não fos sem afectar a agulha durante as gravações. a tecnologia da fabricação de discos-matrizes estava na infância.WIYIW i u i i v . Desta forma.V-. A fita é então montada num complicado misturador electrónico. Para a gravação. ao seguir os altos e baixos feitos na folha de estanho. os discos ou cilindros tinham de ser gravados um a um. O alemão Emile Berliner. As paredes do sulco estão a 45° em relação à superfície do disco e a 90" uma da outra. o diafragma — c uma agulha de aço que lhe estava ligada — vibrava para cima e para baixo. Utilizava uma corneta com um diafragma na abertura mais estreita. ••>• r > á *s ! # Sá 4-1 L _ *r t •«• V » ** jy* i > 1 y "ff jj AJI * A ^1 »' " Iftfcí* * \ m It^H Sessão ao vivo. ou a 45 rpm para um pequeno single. e os altifalantes reconvertem nos nos sons originais. Na reprodução. Estas utiliza vam um cilindro de cera (em cima) e Unham de ser produzidas individualmente. fazia vibrar o diafragma. 0 produtor pode desejar aumentar o volume de determinado instrumento. gravados em fita e passados a um buril de gravação que produz um disco-matriz. o que permite que o técnico de gravação modifique a qualidade tonal e a intensidade de cada pista. p.

os movimentos do íman. Os discos que se compram são moldados em PVC (cloreto de polivinilo). cada uma delas sentindo as vibrações de cada pista estereofónica e produzindo corrente para os sinais de saída esquerdos ou direitos. Uns destes circuitos controla o volume. Quando se ouve uma orquestra a tocar através da rádio. 0 programa é gravado com o emprego de uma série de microfones. mais espaço porque a agulha vibra mais. pelo que produz sulcos mais separados e portanto em menor número. onde um electroíman faz vibrar um diafragma em forma de cone a fim de converter novamente os sinais em ondas sonoras Um altifalante simples possui um único cone. Quando a agulha vibra. a agulha está ligada a um íman. o transdutor é magnético — a agulha. por exemplo. só a bobina correspondente ao altifalante direito produzirá corrente. { induz corrente ^ na bobina direita Sinais para o altifalante esquerdo U>!<\í '7 )) Sinal na parede rior 0 magnete móvel induz sinais diferentes em cada enrolamento (bobina). A agulha vibra enquanto per corre estas paredes irregulares. outra para os da esquerda. A agulha tem a ponta arredondada e é habitualmente feita de safira ou diamante sintéticos. COMO A AGULHA REPRODUZ O SOM A agulha é uma safira ou diamante artificiai com urna ponta arredou dada ou elíptica. separados e de tamanhos diferentes. induzindo neste uma corrente eléctrica. Os sinais gerados pela cabeça de capta ção (pick-up) são muito fracos. Os sulcos (aqui ampliados 1000 uezes) têm pare des de feitio diferente — uma para os sinais estereofónicos da direita. Se só a parede exterior contém sinais. outros a tonalidade e outros o equilíbrio (balance) entre os canais esquerdo e direito. só o altifalante esquerdo receberá corrente. Sons de duas direcções O som estereofónico proporciona uma sensação de direcção e de profundidade à audição de rádio ou de gravações. que é o molde para a produção dos discos para venda. A partir do amplificador. maior a frequência da vibração). Sulco no disco Parede interior do sulco Parede exterior do sulco Altifalante esquerdo Altifalante direito Sinais para o altifalante direito 0 magnete. ou magnete.. O gira-discos e os altifalantes Nos bons sistemas de alta fidelidade. Os sinais são ampliados e depois convertidos em sons por cones (diafragmas) vibrados por electroímanes nos altifalantes Numa cabeça de captação (pick-up) de magnete móvel. pelo que têm de ser amplificados nos circuitos electrónicos de um amplificador. Está aplicada a uma cabeça de captação na qual um transdutor electromecânico converte as vibrações da agulha — causadas pela sua deslocação ao longo da espira do disco — em sinais eléctricos. o disco-matriz é niquelado electroliticamente e processado para dar um disco de níquel muito delgado e de imagem negativa. os sinais intensificados vão alimentar os altifalantes. mas os dos sistemas de alta fidelidade têm dois ou três. Estes sinais são réplicas daqueles que fizeram funcionar o estilele durante a gravação do disco-matriz. Este possui um descodificador que separa o conjunto codificado em sinais do canal esquerdo e sinais do canal direito. Depois de o sulco ter sido gravado na massa virgem. Muitos programas de rádio em VIIF são actualmente transmitidos em som estereofónico. e os sons misturados de forma a produzirem-se em pistas separadas os sons da esquerda e da direita do estúdio de emissão. movimenta um íman no interior de bobinas de fio condutor. o prato é pesado e geralmente accionado por correia de transmissão a fim de o isolar das vibrações do motor. induzem correntes eléctricas em dois enrolamentos de fio. o outro transporta sinais codificados para um receptor estéreo. Grânulos de PVC são simultaneamente prensados e aquecidos entre duas matrizes gravadas em separado — uma para cada lado do disco — e depois arrefecidos. se só a parede interior contém sinais. denominado a matriz. pode saber-se onde estão os diversos instrumentos. os quais são amplificados separadamente e vão alimentar cada um dos altifalantes esquerdo e direito. 0 emissor envia para o ar dois conjuntos de sinais de rádio: um transporta a saída conjunta dos microfones para que possa ser captado pelos receptores mono. criando os sinais que alimentam os dois altifalantes. Habitualmente. pois cada tamanho é adequado à reprodução de uma gama de sons (ou frequências — quanto mais alto o som. provocando sinais eléctricos na cabeça de captação. Usam se duas bobinas. ao fazer o seu percurso. Cada prensagem de um disco de longa duração demora cerca de 25 segundos. 223 .

0 ir Ft ' • te L Lc Ch to si ccdure & an ord s t íij ' ""-(. Na sua tentativa. "Chuck" não conseguia mexer o braço direito devido as dores. "Procurámos pelo hangar e encontrámos uma vassoura". a transpira ção de Yeager acrescentara mais uma ca- 202 . seria largado do compartimento das bombas de um Boeing B-29 e. Ele encostou a porta ao caixilho e eu. projectada secretamente para 14 de Outubro de 1947. recordou depois Yeager. A porta do çockpit tinha então de ser baixada por um cabo a partir do compartimento das bombas. Teoricamente. Uma vez colocada a porta. génio líquido armazenados no tanque de combustível directamente por trás do assento. a 182íJC negativos. de couro. começaria a subir quando Yeager pusesse a funcionar em rápida sequência os quatro foguetes. recordava depois. Apesar das dores que sentia. Yeager tinha de a fechar pelo lado direito — coisa simples quando não se tem duas costelas partidas e o braço direito imobilizado. Contudo. levantando o manipulo com o pau da vassoura. •'Chuck" Yeager (à esquerda) deu ao avião o nome da sua mulher. mas. lembrava. Jus* . Clennis (à direita). "bate-se as palmas com as mãos enluvadas e coloca-se a máscara de oxigénio no aviáo mais frio que jamais voou. Jack Ridley. teve de haver-se com o ambiente gelado do cockpit "A tremer"." Durante os voos de ensaio. Está-se a ser enregelado pelas centenas de litros de oxiPassagem da barreira. com o seu nariz aerodinâmico e as suas linhas suaves. o seu mecânico de voo. fortes ondas de choque atingem-lhe as asas e a fuselagem quando ele se aproxima de Mach 1. O avião Bell X-l.norne do físico Ernst Mach (18381916).. "Descer o diabo da escada fez-me doer". com a sua mulher. se houvesse notícias do seu estado.que levava o X-l encaixado na barriga. Yeager planeava voar a cerca de 700 milhas/hora (1126 km/h) a uma altitude de cerca de 40 000 pés (12 200 m) acima do nível do mar. O fluxo do ar em redor do aparelho torna-se instável. A velocidade de um avião comparada com a de propagação do som no meio vizinho é conhecida como o número de > ' > Foro. Durante os próxi mos 15 minutos. Recorte de jornal com a notícia (ao alto'). Funcionou perfeitamente. é como tentar concentrarmo-nos no trabalho dentro de um frigorífico. no deserto do Mojave. Na manhã seguinte. SB Quando o B-29 se aproximou dos 7000 pés (2100 m). o B-29 largou da Base Aérea de Muroc. Yeager avançou para o compartimento das bombas. por cima do seu capacete de voo. Yeager usava um grande capacete de râguebi. partiu duas costelas num acidente quando corria a cavalo.. Yeager viajava por enquanto no bombardeiro .5 m de envergadura." Depois. Sabia que. teve uma ideia brilhante: o piloto poderia manobrar um pau com a mão esquerda para levantar o manipulo da porta e fechá-la. a partir do qual desciam uns carris até ao X-l. só há que bater os dentes . Se um avião não é desenhado para o • voo supersónico. consegui fechá-la. Mach . Fizera já uma série de voos de ensaio no avião com propulsão por foguetes e tinha como objectivo ser o primeiro homem a ultrapassar a velocidade do som — cerca de 1220 km/h ao nível do mar (quanto maior é a altitude. entrei no X-l e fizemos uma expe-' riência. o avião a foguetes passou a barreira do som a 1126 km/fr. * ? _ " S y m / „ „ * G T ° » . Um avião que se desloca à velocidade do som diz-se que vai a Mach 1. Depois. não seria afectado. Charles "Chuck" Yeager. tinha o mau costume de sacudir o piloto dentro do apertado cockpit com tanta força que o poderia fazer perder os sentidos Para se proteger. mais lentamente o som se propaga).MARAVILHAS DA CIÊNCIA fROM Vi °VV\ "Chuck" Yeager: o homem que passou a barreira do som Dois dias antes da sua tentativa de passar a barreira do som. O Bell X-l tinha apenas 9." Por volta das 8 da manhã de 14 de Outubro. mesmo assim. "Jack serrou-lhe 25 cm do cabo. causando intensas vibrações irregulares que provocam perda do domínio de voo. Empurrou a escada de alumínio pelos carris e deixou-se escorregar para dentro do cockpit do X-l. que se ajustava perfeitamente ao manipulo. capitão da Força Aérea dos EUA. Yeager tinha de descer por uma pequena escada. Pilotado pelo capitão "Chuck" Yeager. Então.5 m de comprimento e 8. Para passar do B-29 para o minúsculo cockpit do X-l (também conhecido por XS-I). de 24 anos. o X-l.Ta Aviáo mais rápido que o som. accionado por foguetes e pintado de cor de laranja. no deserto do Mojave. depois de uma curta planagem sem motor. as entidades superiores adiariam a tentativa. um médico local ligou-lhe o tronco. "Peguei no cabo da vassoura e o manipulo rodou para a posição de fechado. Yeager estava optimista.

construiu um laboratório modesto num vagão de bagagens. Foi a Sr/' Edison quem encorajou o interesse crescente do jovem pelas ciências.. Nos meses precedentes. quando o mestre-escola da aldeia o expulsou como atrasado mental. Edison e os outros directores da Edison Electric Light Company tinham-se juntado no escritório de um dos seus principais apoiantes. o Grund Trunk Herald. trabalhando como distribuidor de jornais e vendedor de rebuçados no comboio entre Port Huron e Michigan. através dos estados do Centro-Oeste e do Sul. Cerca de 3000 espectadores assistiram a esta demonstração de génio do chamado '"feiticeiro de Menlo Park". para Port Huron. Pouco tempo depois. quando começou a escurecer. o milionário J. a criança sofria de surdez parcial resultante de ter tido escarlatina. fio de cobre. das caixas de derivação. por ser a zona fi nanceira da cidade e ele querer impressionar potenciais patrocinadores. a luz eléctrica fez o seu impacte nos escritórios do New York Times. em que quase desaparecia. Edison apresentou a sua invenção ao público na véspera de Natal de 1879. onde produzia a sua corrente eléctrica própria a partir de pilhas voltaicas e operava um telégrafo primitivo. Ohio. material fotográfico. Pierpont Mor gan. onde se dedicou à sua vida de inventor-a-tempo-inteiro. dos fusíveis e dos candeeiros. de maior fiabilidade — que vendeu à Western Union por 40 000 dólares. produziu finalmente uma lâmpada eléctrica prática. as vibrações sonoras da voz humana eram convertidas directamente em impulsos eléctricos. Em Agosto de 1883. E pelas 7 horas. Nova Jérsia . ali próximo. o inventor Thomas Alva Edison. dos quadros. no Michigan. Edison utilizou este dinheiro para abrir e equipar a sua primeira oficina verdadeira — em Newark. Telegrafista vagabundo Entre os 1G e 21 anos. Nascido em Milan. designadamente pelas máquinas a vapor e pelas forças mecânicas. uma forja. bobinas de indução e aparelhos de medida. após laboriosas tentativas. Um dia. dos contadores. como um electrómetro e um gal vanómetro. Em 1876. então com 35 anos. Thomas Alva Edison linha 7 anos quando a família se mudou para norte. Instalou igualmente uma prensa de tipografia em segunda mão. Reparou-o ali mesmo e foi admitido na empresa. criou um novo microfone para o telefone de Alexander Graham Bell No aparelho de Bell. quando. e tratara da instalação da rede. estava em Nova Iorque. Pusera em prática este princípio em Maio de 1876. em 11 de Fevereiro de 1847. O gerador de Edison está ligado por correias e roldanas ao seu dinamómetro — que media a potência fornecida peias máquinas a vapor. o inventor e o seu grupo tentavam aperfeiçoar a lâmpada de incandescência — na qual vinham a trabalhar desde a década de 1830. segundo as suas próprias palavras. abrira um novo laboratório — ou "fábrica de inventos" — na pequena povoação de Menlo Park. Nova Jérsia. juntamente com 20 "amigos e colegas de traba lho" escolhidos. lojas e escritórios da zona resplandeceram com a luz de 400 lâmpadas incandescentes. O microfone de Edison utilizava pedaços de carvão para conseguir um contacto cuja resistência era modificada pela p r e s s ã o das ondas sonoras. Ao tempo. Estava equipado com uma máquina a vapor. ali próximo. iluminando a estrada. Edison for mou a Edison Electric Light Company. na Wall Street. No ano seguinte. quando o indicador telegráfico dos preços do ouro se avariou. Na realidade. Isto controlava a O nascimento da luz eléctrica. Tom instalou um pequeno laboratório de química na cave da casa dos Edisons. Ohio. dormindo numa cave na Wall Street. para ser vendido no comboio. 224 . Organizara um levantamento da zona. nos princípios da década de 1870.e 85 casas. Em 1809. Os trabalhos de Edison sobre a electricidade demonstravam a sua política de inventar apenas coisas que as pessoas pudessem querer e que viessem a facilitar-lhes a vida. Em 1878. mas foi só no fim do ano seguinte que. i u i i A : \ Thomas Edison: o "feiticeiro" que iluminou o Mundo Precisamente às 3 horas da tarde de 4 de Setembro de 1882. encontrava-se por acaso nos escritórios da Gold Indicator Company. onde fabricou o primeiro telégrafo impressor de fita. o laboratório e a biblioteca de Menlo Park com o emprego de um dínamo e de aproximadamente 40 lâmpadas. baterias de acumuladores. A sua educação oficial terminou ao fim de três meses. na Pearl Street . Criou depois a Edison Universal Stock Printer. trabalhou como "telegrafista vagabundo". casa a casa.V_V_MVIVJ r u i v v . especialmente a grandes distâncias. A fábrica era urn edifício de madeira de dois andares situado em ricos terrenos de cultivo. A gravura mostra a sua "fábrica de inventos" de Menlo Park em 1879 — ano em que produziu a sua lâmpada de incandescência (à direita). Escolhera o local para a central perto do East River. lançou-se naquilo a que chamou "a maior aventura da minha vida". Edison tinha superintendido o início da conversão da iluminação de Nova Iorque de gás para electricidade. e tornou-se efectivamente o primeiro laboratório de investigação industrial do Mundo. O escritório de Morgan figurava entre os que seriam iluminados naquela tarde de Outono. Mas a reprodução dos sons era débil. na qual editava um semanário. mudou-se para a referida povoação de Menlo Park. Foi ligada a energia na primeira central geradora de Nova Iorque. mais de 430 edifícios da cidade estavam a ser iluminados por 10 000 lâmpadas.

recitar o poema infantil «Mary hari a little lamb.. e serão imediatamente destaca dos para o trabalho tantos trabalhadores quantos o possam ser em benefício da obra. ou máquina de imagens em movimento. Finalmente. o kinetoscópio. afirmou Edison. este foi um dos mais longos filmes feitos até então e constituiu o seu último grande triunfo. faziam-se aperfeiçoamentos.dando assim a ilusão de imagens em movimento. e mais tarde. Edison dedicou-se à invenção do fonógrafo — antepassado do gramofone e do moderno gira-discos. ela era levada para outra oficina para ser reproduzida. acabadas. era construída c ensaiada a máquina ou aparelho completo. O seu kinetoscópio fornecia a ilusão de movimento ao projectar uma série de fotografias sobre um écran. Edison afirmou Kr trabalhado cinco dias sem dormir no modelo aperfeiçoado do seu fonógrafo (à esquerda).. longínqua e em tons agudos. Edison separou o emissor do receptor. em 15)03." Depois. "Serão lançadas invenções de magnitude suficiente . Nessa altura. Em seguida. Depois dos filmes curiós sobre bailarinos e boxeurs. ^ o s corrente proveniente de uma bateria c permitia a emissão de sinais eléctricos muito mais fortes rio que os do telefone de Bell. para constituírem as bases de indústrias independentes". e desde que fosse ao encontro rias expectativas de Edison.enlre os quais O Grande Roubo do Comboio. Chegou a empregar 5000 trabalhadores. . nesse mesmo dia. produzido nos estúdios de Edison. ou mesmo das peças Imagens em movimento. Nova Jérsia.V y Cinco dias sem dormir. Entre estas. Edison dedicou se aos filmes de grande metragem . preparavam-se desenhos de execução e criavam-se os moldes necessários. A voz do interlocutor podia ser ouvida a muito maior distância. da arte e do desporto. 0 kinetoscópio de Edison projectava num écran uma série de fotografias de uma fita de película continua . Com um tempo de exibi çáo de 10 minutos. Edison descreveu uma vez os seus métodos de trabalho a uni redactor do Sàentifie American: "Desenhos rudimentares serão fornecidos aos fabricantes de mode los. pelo que quem o utilizava tinha de falar c escutar alternadamente da mesma campânula.. o bocal servia também de auscultador. Patenteou o fonógrafo em Fevereiro de 1878. tomando muito mais fácil o uso do telefone.. iria trazer ao homem e mulher da rua os mundos da política. e nove anos depois mudou-se para uma nova casa. As fotografias eram observadas através de um visor no topo da máquina que funcionava por moedas Os "filmes" duravam apenas 15 segun dos. em West Orange. espaçosa e dotada de laboratório de investigação. e deste modo o protótipo funcional será produzido em muito pouco tempo. que se servirão das vastas existências de materiais para fazerem protótipos das peças necessárias. Em Dezembro de 1877. obteve 1093 patentes de invenção. Era quase madrugada do dia !6 de Junho de 1888. Enquanto o tambor do fonógrafo rodava lentamente. Depois de aperfei coar o "telefone que falava alto". em tamanho definitivo. em 1889. No telefone rie Bell. ele foi fotografado com elementos da sua equipa (em baixo) e um ar menos despenteado. que. desde uma caneta eléctrica até casas de baixo custo em betão moldado). fez uma demonstração da máquina aos seus empregados de Menlo Park. já tinha ganho com os seus inventos uma soma que se calcula em 1 milhão de dólares (ao todo. its fleeee as white as snow» . em West Orange. concluía o artigo. figurou. ouviu se a sua voz.

um feixe de luz proveniente de um laser de baixa potência lê o disco pela parte de baixo. a luz reflectida é lida como "ligada'' ou "desligada". i L j - *— i corrente eléctrica representa os dígitos binários (á direita. Um feixe de laser varre as covas e os planos. no início da cadeia. O laser emite-os como impulsos de luz que produzem o padrão de covas no revestimento padrão que aparece quando o revestimento é revelado quimicamente. feita durante a gravação 44 100 vezes em cada segundo. mas contém 5 km de pista de música e loca durante perto de uma hora. revestido de uma resina fotossensível. Km vez dela. A voltagem desses sinais ó medida dezenas de milhares de vezes por segundo e codificada electronicamente sob a forma de números binários (v. Cada valor numérico é uma medida da intensidade da corrente. Os CDs (compact discs) são tocados numa só face e não se riscam nem se gastam ao tocar. Pista codificada. é transformada em ondas de som que reproduzem a gravação 226 . Enquanto um disco de vidro. 0 padrão da luz reflectida forma uma cadeia de impulsos eléctricos. levaram à criação das covas e dos planos. com a sua cobertura de plástico repuxada para trás. p. Quando o raio laser varre o disco que roda. porque não existe qualquer agulha em contacto com a sua superfície. O disco-matriz fornece um molde para reprodução. com uma ampliação de 930 vezes. Os códigos binários são padrões de apenas dois dígitos . reflecle-se diferentemente conforme incide sobre uma cova ou uma área plana. que a converte em sinais eléctricos. Gravação do código no disco 0 processo que leva a um disco compacto inicia-se quando um microfone converte as ondas sonoras em sinais eléctricos. A luz reflectida vai incidir sobre um dispositivo fotossensível chamado fotodíodo. Todo o som incluído no âmbito do ouvido humano é fielmente reproduzi do ao ser descodificado.CDs: música com um raio "laser" Um disco compacto tem apenas 12 cm de diâmetro. Altifalante Onda sonora Corrente eléctrica O som. os quais reproduzem ondas sonoras idênticas às que. Sinais codificados. Com eles é possível compilar um código que representa uma diversidade infinita de padrões e de sons. Quando a corrente eléctrica variável é amplificada e introduzida no altifalante. Estes são novamente codificados a fim de se juntarem os dois canais estereofónicos numa via de impulsos única e prevê nir os danos causados aos sinais por riscos ou dedadas que podem ocorrer durante o manuseamento. interpretando as minúsculas covas e áreas planas da pista de gravação. c girado sob um raio laser.o 0 e o I. os sinais codificados são fornecidos a este sob a forma de impulsos eléctricos. O código binário permite 65 535 níveis possíveis de som em cada medida. na fotografia ampliada de um disco (à direita). Estas constituem um código bina rio que é interpretado sob a forma de som. — I — ' i . Estes sinais são descodificados electronicamente. virgem. 241). e seguidamente amplificados e introduzidos nos altifalantes. Esta 0 1 1 0 1 1 1 0 1 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 IBI Til 1 i wm m 1 * — | . Cada disco é revestido com uma fina camada de alumínio que o torna altamente reflector e seguida mente com uma camada protectora. que evolui em espiral a partir do centro. resultando numa corrente eléctrica variável. Música compacta As covas e áreas planas que formam o código do som de um disco compacto vêem-se. e representa rigorosamente os sons originais. em cima) que vão servir para sintetizar uma corrente eléctrica analógica 3 5 6 6 4 2 1 2 ou seja com uma forma contínua análoga à das ondas sonoras Sinais descodificados.

que produzem os sons fundamentais e muitos harmónicos Utilizam se diversos circuitos filtrantes para modelar melhor as ondas de vibra ção. processo seme lhante à modulação de ondas de rádio. Nos anos GO. criando a qualidade que o distingue. Alguns sintetizadores digitais têm computadores incorporados e conseguem produzir sons harmónicos complexos. a microfones e a outros sintetizadores ou tocados por um gravador de fita ou um computador. A banda sonora do filme Koyaanisqatsi (1982) incluía música electrónica de Philip Glass. Um som pode ser introduzido subitamente e por pouco tempo ou feito apare cer e desaparecer gradualmente. mas cada metade e cada quarto da corda vibram também. um oboé e uma trombeta locam a mesma nota. podem introduzir-se sons que são reproduzidos em qualquer tonalidade no teclado. todos eles pro duzem uma vibração fundamental da mesma frequência. o tocador pode introduzir sons de diversos instrumentos ou de outro computador ou sintetizador para obter uma diversidade de efeitos. a "música" era locada movendo as mãos em torno das antenas. No gerador. foi inven tada pelo Dr. que utilizava motores eléctricos e receptores de telefone para prcxluzir sons. usa-se uma on dulaçáo regular . Entre outros. 227 . os filtros e os amplificadores. interruptores e cursores comandam os percursos através dos diversos circuitos. Com um aparelho electrónico digital chamado sampler. O que lorna diferentes os sons dos instrumentos são os sons harmónicos . Os Filtros deixam passar unicamente determinadas frequências e bloqueiam as restantes. uma corda de violino vibra ao longo de todo o comprimento para produzir o tom fundamental. com o seu fairlighl computer musical instrumenl (CMI). mas sem muito su cesso. base dos sintetizadores digitais da década de 80. A síntese em TM. falta lhe habitualmente a mesma riqueza de qualidade — mas os modelos modernos aproximam-se bastante. As notas de um trecho de música são aqui representadas por siri ais electrónicos verdes vibrando nurn écran. em 1953.Como o sintetizador produz música electrónica Quando um violino. Nos sintetizadores que utilizam um sis tema de ligação ao computador chamado MIDI (musical instrumenl digital interface). O desenvolvimento posterior no campo da electrónica permitiu o moderno sintetizador portátil.uma onda sinusoidal. produzindo os sons harmónicos. A amplificação dos sons obtém-se pelo aumento da volta gem nos circuitos dos altifalantes.OS sons com frequência múltipla da fundamental. Km 1920. fil trá-la e amplificá-la. ele inventou um instrumento cha mado telarmónio. A modelação do» sons electrónicos Há três fases principais na produção de música electrónica — gerar a corrente. e Stockhausen é um dos primeiros compositores de música electrónica. O ritmo de vibração (a frequência) é comandado fa zendo variar a voltagem dos circuitos geradores. Para alterar a intensidade e a persistên cia de um som. Por exemplo. para estudos de acústica. O sintetizador tem um teclado como o do piano. Chowning.variáveis segundo a posição das mãos — emitidos pelos altifalantes. IY>dem ser ligados Som visível. A ideia da amostragem. Alguns usam síntese de FM (frequência modulada). produzindo assim sons de altura diferente. Os sintetizadores são também utilizados na composição de música electrónica. o que alterava a sintonização dos circuitos e produzia sons . A onda mais regular de som fundamental pode verse por baixo dos harmónicos irregulares. Como utilizava válvulas termiónicas — tubos de vácuo electrónicos -. Um sintetizador electrónico produz música ao gerar uma corrente eléctrica sobre um largo espectro de frequências. na Califórnia. Outros botões. cujo código de furos accionava os geradores de sons. con tam-se as ondas quadradas e as ondas em dente de serra. era tão volumoso que enchia uma sala. Km 1906. o cientista russo Leon Theremin produziu sons electrónicos utilizando dois osciladores de ondas de rádio. Como um sintetizador raramente consegue simular todos os sons harmónicos. na Alemanha. Alteram a qualidade cio som e criam diferenles efeitos. contam se os americanos Milton Babbit e Morton Subolnik. Nova Jérsia. Os instrumentos dão nos diferentes misturas de sons harmónicos se gundo as respectivas formas e materiais de que são feitos e o modo como as vibrações ressoam no corpo do instnimento. O progresso do som electrónico A primeira pessoa que tentou obter sons electronicamente foi o inventor americano Thaddeus Cahill. da Universidade de Stanford. Os sintetizadores são utilizados pelos músicos pop em conjunto com instrumentos convencionais para fazerem música electrónica "ao vivo". Kra alimentado por fila theremin. John M. Para um som puro. Ilerberl Kimcrt c Karlheinz Stockhausen instalaram o primeiro estúdio de música electrónica em Colónia. que altera a forma por que a voltagem é aplicada a diversos circuitos simultaneamente. são simulados os sons fundamentais e os harmónicos de qualquer tipo de insIrumenlo. Entre outras formas de onda geradas. o físico americano Robert Moog criou o sintetizador Moog com circuitos à base de transístores. Alguns podem ser alimentados por patches (discos ou placas com programas de computador) que criam sons diferentes. além de muitos outros efeitos sonoros. Quando a corrente vai alimentar um altifalante. de um instrumento tocado convencionalmente. mas as teclas limitam se a alterar a voltagem da corrente enviada ao circuito gerador. O instrumento chamava-se O antepassado dos sintetizadores modernos foi construído em 1955 pela Radio Corporation of America (RCA) em Princeton. foi introduzida pelos australianos Peter Vogel. A música era gravada em fita. um aparelho denominado oscilador dá à corrente a sua forma de onda vibratória. na qual se baseia a maioria dos modernos sintetizadores. em constante mutação. perfurada. Kim Ryrie e Tony Furse. o tocador acciona um comando chamado envelope generator.

ela é reflectida interna mente muitas vezes cerca de 15 000 vezes por metro. fax e dados de computadores. Os emissores c os receptores caberiam ambos numa caixa de fósforos. A perda de luz através das fibras era inicialmente demasiado grande para quaisquer outros usos. quase não há perda de luz através das paredes. polo que 0 cabo precisa de menos amplifi cadores de sinais intermédios. te. pequenas dimensões e ausência de interferências eléctricas.telex. Nas fibras mais espessas. C o m o sáo t r a n s m i t i d a s as mensagens Num sistema telefónico de fibras ópticas. é uma série de uns e zeros a que corresponde uma série de impulsos de corrente — um sinal digital. e os lasers não são maiores do que grãos de sal. Os sinais eléctricos acendem e apagam rapidamente o laser. estão a tomar o lugar do fio de cobre nos cabos utilizados na transmissão de sinais de telefone e de televisão. alguns deles 10 vezes mais finos que um cabelo humano. encaixadas umas nas outras. Na extremidade receptora do cabo de fibras. Os cabos de fibras ópticas estão a substituir gradualmente os de cobre entre as centrais. Estes cabos de fibras ópticas podem transportar mais informações que os fios de cobre. ~ 0 1 |o I 1 0 1 1 0 < \f Impulsos/-"'LI de luz <T _ J luminosa 1 I" I < I Mensagens a alta velocidade As mensagens telefónicas são transmitidas pelos cabos de fibras Ópticos como séries de uns e zeros (código digital). que os reconverte em sinais eléctricos e os introduz num descodificador que reconstitui o padrão da corren te eléctrica saída pelo bocal do telefone. as multímodas. enviam se em conjunto muitas chamadas. e os sinais luminosos podem "viajar" quase 200 km sem serem reinten sifícados. iniciou o serviço em 1988. representados pela luz acesa (ON) para o I e apagada (OFF) para o 0. e os sinais não se atenuam tão rapidamente como no fio de cobre. a empresa americana Corning Glass produzia já fibras ópticas de qualidade suficiente para transmitir sinais telefónicos. O primeiro cabo de fibras ópticas transatlântico. a corrente eléctrica produzida pelo telefone em resposta às vibrações da voz começa por ser introduzida num codificador. o oalor de cada medida é transmitido em muito menos que 1/8000 s. Os cabos de fibras ópticas. Mas em 1966 os Drs. Isto é o que se chama mulliplexagem (no tempo). Charles Kao e George Hockham. Como p<xlem ser enviados milhares de milhões de dígitos por segundo. as monómo das. Como cada fibra possui um núcleo interior que canaliza a luz ao longo dela e um revestimento exterior que a reflecte novamente para o núcleo. o TAT-8. que trabalhavam em Inglaterra nos Standard Telecommunications Laboratories. imagens e informações computorizadas podem ser transmitidos pelo mesmo cabo. A REVOLUÇÃO DAS FIBRAS ÓPTICAS A quantidade de informação actualmente transmitida . são a chave para um novo desenvolvimento. O valor de cada medida. e os sinais têm de ser reintensificados a intervalos de 15 km. Esta. descobriram que tais perdas se deviam às impurezas do vidro. Pelo menos 2400 milhões de bits (dígitos binários) podem Iransmitir-se por segundo através de uma só fibra. até 1000 padrões de ondas (modos) dife rentes. produzindo impulsos de luz codificados digitalmente que pe netram na fibra óptica através de uma lenCódigo S Fibras ópticas: o transporte de sons por raios de luz Fios do mais puro vidro. além das chamadas telefónicas — vinha esforçando até aos limites o sistema baseado no cabo de cobre. Tempo correspondente a uma das 8000 medidas por segundo Fibra óptica reflectindo raios luminosos 228 . para iluminar o interior do organismo. Como há intervalos entre os sinais de uma chamada. os impulsos da luz são captados por um fotodetector. Em 1970. Este mede a intensidade da corrente cerca de 8000 vezes por segundo. mas perde-se sempre um pouco de luz. O tipo usado na transmissão por fibras ópticas é um laser de semicondutor que produz luz infravermelha invisível. a diferentes intervalos. A luz c gerada por lasers. A sua capacidade de perto de 40 000 chamadas telefónicas simultâneas é tripla da dos sete cabos de cobre hoje existentes em conjunto.V_WIVIV/ i u n v ^ i u i i n : I Há dois tipos principais de fibras: as mais finas. podem ser transmitidos. transmitem a luz sob a forma de uma única onda ou modo -. pode transportar muito mais informação. Quando se faz incidir luz sobre uma ex tremidade da fibra. Sons. peto que há muito tempo livre para nele se intercalarem os sinais de muitas outras chamadas. em código binário. tendo uma frequência muito mais alta que a corrente eléctrica. A primeira utilização das fibras ópti cas deu-se em 1955 no campo da medicina. de elevada capacidade. transmitindo-as sob a forma de impulsos de luz — e ocupam apenas cerca de um décimo do espaço dos cabos de cobre.

que é registado na chapa fotográfica. Quando se projecta luz de laser através do holograma já revelado sob o mesmo ângulo que o do feixe de referência inicial. o feixe do objecto. No entanto.podem ser focados num ponto de uma mesma superfície. é dirigida ao objecto através de uma ranhura horizontal. Hologramas: imagens tridimensionais A holografia é um processo de produzir imagens a três dimensões. pequenos movimentos da cabeça e um complexo processamento da informação pelo cere bro que inclui experiências anteriores de outros sentidos. Um dos primeiros tipos de laser foi o de rubi. Uma lâmpada tubular de flash electrónico montada em espiral em redor do cilindro emite intensas pulsações de luz que excitam os átomos de cró mio de um estado de energia baixo para um estado de energia alto. Um feixe. ao reflectir-se de um objecto. contém mais informação que a cor e o contraste claro escuro que os nos sos olhos ou a fotografia captam. criando um padrão de interferência. emitindo espontaneamente um pacote de energia denominado fotáo. vemos diariamente. imagem adequada à gravação em relevo. O holograma é usado nos cartões de crédito e nas etiquetas de vestuário como instrumento Gravação em relevo de imagens 3 . Os dois feixes coincidem. Quando um fotáo encontra outro átomo de crómio ainda no estado de energia elevado. cada uma delas mais fina que um cabelo humano. Para este. O poder do laser reside na sua concentração. O feixe é perfeitamente rectilíneo. é por este que sai o feixe de laser. e à medida que se propagam pelo cristal mais e mais fotões idênticos se lhes juntam por estimulação. No entanto. ao ser processado. ultrafina. Os mais pequenos lasers actualmente em uso são os lasers de semicondutor. mas produz um efeito de arco-íris quando os olhos do observador se movi menlam no sentido vertical. e os fotões todos com o mes mo comprimento de onda . um impulso com triliões de fotões vermelhos em uníssono. A imagem final é diferente se observada de posições horizontais diferentes. ou amplificação da luz pela emissão estimulada de radiação. Fazem-se holograma. A imagem num só olho. um deles só parcialmente espelhado. Um 'guia de imagens" de fibras ópticas é semelhante ao olho de uma abelha. A luz do laser. o que limita as frentes de ondas. 0 Prof. QUE E UM «LASER»? A palavra "laser" é formada pelas ini ciais das palavras que descrevem o seu processo: light amplification by slimulated emission of radiation. O padrão de referência das ondas luminosas. e as ondas de luz reflectidas inci dem sobre uma chapa fotográfica placa de vidro com uma face revestida por uma emulsão fotossensível. 0 caminho é artificialmente alongado por espelhos nas extremidades do rubi. durando um milissegundo. O guia é um cabo com cerca de 27 000 fibras de vidro. Este holograma projecta um modemensões por um processo mislo do futuro Museu da Ciência e Tecnologia da cidade de to. criando uma imagem projectada do objecto em três dimensões suspensa no espaço como um fantasma. que emitem um feixe infravermelho invisível. que significam "mensagem total". ou holograma arco íris. Outros lasers emitem urn feixe contínuo em vez de pulsado. O outro feixe. Lsta limitação facilita a visão da ima gem tridimensional com luz normal. visto à luz normal reflecte a luz bran ca segundo as cores que a compõem — como se tivesse passado através de um prisma. Após alguns milésimos de segundo. derivou o nome das palavras gregas holos e gramma. Os médicos empregam os "guias de imagens" em sondas para exames internos ou na cirurgia.a for ma como se sobrepõem e reforçam ou anulam mutuamente dependem do espaço por elas percorrido. a chapa fotográfica tem logramas dos pneus novos antes e depois um revestimento que. tal como uma fotografia. Os átomos de crómio no rubi eram estimulados e emitiam um feixe de luz de laser. porque num holograma pode verse o objecto de qualquer ângulo. cujo meio activo é um cristal cilíndrico de rubi artificial. só em 1961 dois cientistas americanos — Emmet Leith e Júris Upatnieks — produziram o tipo de hologra ma do qual evoluiu a moderna holografia. proporcionando a vista do objecto a partir de uma "latitude" fixa. que inclui a visão de dois Paris. for examinada ao microscópio. mas permitindo uma visão total na horizontal. 229 . Vemos os objectos em três di Ciência ilustrada. pontos de vista (os dois olhos). é essencialmente bidimensional. é feito incidir directamente sobre a chapa fotográfica. que lhes fornecia a luz intensa e pura que era requerida. que oê uma imagem inteira atraués de cerca de 9000 minúsculas lentes. Utilizaram um laser. da ção dos dois revela as mínimas ralhas. no segundo holograma. Se esta. de os submeterem a esforços: a sobreposidá uma superfície em relevo. Os dois fotões idênticos deslocam-se na mesma direcção e exactamente à mesma cadência. que é o padrão de interferência. o padrão dispersa a luz. inventor da holografia. o feixe de referência. Como se faz um holograma Um dos tipos mais simples de holograma é obtido dividindo o feixe de laser em dois com um vidro parcialmente espelhado. e os engenheiros para verem O interior dos motores.Ver em linha curva. usa-se a imagem "fanÉ também utilizado no ensaio de pnxlutasma'1 corno objecto de um segundo holos como os pneus de avião.D de segurança. a luz. Dennis Gabor. eslimula-o a emitir novo fotâo idêntico. depois de revelada. A holografia capta também a profundidade ao medir a distância que a luz percorreu desde o objecto. O holograma gravado. como o tacto. apresentará uma confusão de linhas sem significado.. ilumina o objecto. os átomos regressam ao seu estado normal. mas no sentido oposto. pois é quase impossível de Para as reproduções tridimensionais que falsificar.

Quando os sinais chegam ao receptor telefónico. Actualmente. He lens. 0 modem verifica também a qualidade da linha telefónica antes de enviar os sinais. As ampliações mostram o facsímile.4 . mas o material pode ser enviado com muito mais rapidez do que se fosse ditado. Estes sinais digitais vão alimentar um modem (modulador/ desmodulador) que os combina com uma onda portadora. Os aquecedores fundem a tinta da folha e esta adere ao papel normal. Mais tarde. St.t U M U hUNUUNAf "Fax": fotocópias pelo telefone Com uma máquina de fax ligada à rede telefónica. Os aparelhos mais recentes retransmitem elementos em mau estado até que a transmissão deixe de conter erros: é o chamado ECM {error correctíng mode. constituído por pontinhos minúsculos. um exemplar completo. 218). o utilizador coloca-o na máquina e marca o número no teclado. ou modo de correcção de erros). em geral uma lâmpada fluorescente. Em certos aparelhos.e introduzidos numa impressora. produzindo uma imagem a prelo que seca imediatamente. Podem utilizar uma impressora a laser ou utilizar a transferência térmica. são desmodulados —separados da onda portadora. Assim. Em 1959. . Esta é digitalizada. Os aparelhos disponíveis na década de 90 codificarão e transmitirão digitalmente. As máquinas automáticas recebem mensagens a qualquer hora e po dem ser programadas para emitir documentação depois do escritório fechado. Em segundos. dá um sinal que informa o utilizador de que deve tornar a enviar o documento. a cópia exacta de um documento ou de uma foto grafia. diminuindo para quatro ou cinco segundos o tempo de transmissão de uma folha A-4. data em que uma fotografia foi transmitida por fios de Paris para o Daily Mirrar. aproveitando as tarifas telefónicas mais baixas. Codificam a informação digitalmente. via satélite. As transmissões por fax são debitadas ao mesmo preço que as das chamadas te lefónicas normais. p. em poucos segundos. o aparelho não faz a transmissão. e as máquinas modernas levam menos de 30 segundos. pode mandar-se através do Mundo. que são codificados sob a forma de sinais digitais e enviados por telefone. mas capazes de reproduções de boa qualidade. Os jornais não são os únicos utilizadores: também as polícias transmitem entre si cópias de impressões digitais e retratos-robõs. 0 documento ou imagem a transmitir é passado em frente de uma fonte de luz. que ali é impresso para venda na Europa. semelhante mas mais simples que os das câmaras de vídeo — v. ou seja convertida numa série de impulsos eléctricos repre sentando uns ou zeros. em Tóquio. Certos aparelhos imprimem em papel normal. Imprimem em papel térmico. para uma tipografia em Sapporo. A luz reflectida pelo documento é dirigida por espelhos e através de uma lente para um dispositivo chamado CCD (charged coupled device. em que uma folha de tinta é interposta entre a cabeça da impressão térmica e o papel nor mal. A máquina encarrega-se do resto e dá sinal quando a sua missão foi cumprida. a fim de os transmitir ao longo das linhas telefónicas. o qual possui um revestimento químico que enegrece quando atacado pelo calor. Se a qualidade não for suficientemente boa. possuindo uma cabeça de impressão térmica constituída por centenas de pontas metálicas aquecidas que funcionam em padrões de conjunto. As primeiras máquinas de fax demoravam cerca de seis minutos a transmitir um documento em A . A maioria das máquinas de fax utiliza a impressão térmica. 0 fax (abreviatura de transmissão em fac-símile) é hoje utilizado em toda a parte. Para transmitir um documento ou uma imagem. o mesmo documento pode ser enviado sucessivamente a muitos terminais diferentes — a chamada transmissão sequencial. Televisão. o tempo foi reduzido a metade. o jornal japonês Asahi Shimbun (Sol da Manhã) mandava páginas inteiras da sua sede. a 960 km de distância. embora ela seja transmitida por sinais analógicos. nos EUA. Os progressos tecnológicos têm dado origem a máquinas de menor preço. pois a informação sairia confusa. vantajoso porque permite uma armazenagem mais demorada sem se estragar. que recria o documento em cadeias horizontais de pontinhos linha a linha. Após a erupção do monte. que converte a imagem recebida ponto a ponto numa corrente eléctrica. este oficial de uma equipa de soco/ ro foi fotografado. O «FAX» TORNA-SE MAIS RÁPIDO Os jornais utilizam máquinas de facsírnile para o envio de fotografias (telefotos) desde 1907. envia diariamente para Londres. em Londres.

um rolo aquecido Toner : Tambor ^fc ff Sensibilizador 231 . poderão significar "fale para o escritório". por exemplo. o toner. 0 avisador de algibeira. Quatro "bips" prolongados. fazer cópias de um documento ou de um desenho envolvia a fotografia ou a preparação de uma matriz em estêncil destinada a um copiador munido de uma almofada de tinta. seja simultaneamente. a imagem é impressa em quatro fases — primeiro as áreas com amarelo. depois as áreas com magenta. bem como os bombeiros em serviço podem receber um alarme de fogo. e mais escuras ou mais claras que o original. num sensibilizador de alta voltagem. As copiadoras electrostáticas actuais descendem de uma máquina inventada em 1938. que que correspondem às é fundido sobre ele por áreas negras do original. em grupo.' O "bip" que nos chama Os executivos e os técnicos atarefados podem usar consigo o seu sinal eléctrico pessoal — como se fosse uma campainha de algibeira— que os avisa de que alguém os está a procurar. 0 "bip-bip" mais simples pode emitir vários sinais diferentes.i pretas O toner projectado sobre O\Jpapel.áreasjjrctux uu f%o uivu. Como sucede na impressão a cores. é um radiorreceptor em miniatura alimentado por pilhas e sintonizado com uma estação. do grego "escrita a seco". Uma rede pequena pode chamar até 100 receptores. Fotocopiadoras — imprimir sem tinta Até à década de 40. Estes são gerados nos circuitos electrónicos do aparelho e desencadeados por um sinal de rádio activado pelo carregar de um botão na unidade central. a seguir as áreas com anil e finalmente as áreas com negro. As modernas fotocopiadoras utilizam a electricidade estática . A imagem original. projectando a imagem sobre um tambor ro tativo carregado com electrici dade estática. um espe lho que se desloca. As mais recentes copiadoras a laser conseguem uma reprodução a cores mais precisa. Onqinjl Nas copiadoras antigas. 0 raio de acção varia conforme a potência do emissor. o original é "varrido" três vezes e exposto sobre o tambor através de três filtros que o separam nas três intensidades diferentes das três cores primárias da luz — vermelho. pelo que a carga eléctrica é retirada. em geral ao redor da banda dos 27 MHz. O tambor tem um fino revestimento de semicondutor que conduz a electricidade quando iluminado (fotocondutor) e que é inicialmente carregado com electricidade estática. ou "bip-bip". A maioria das actuais fotocopiadoras utiliza também um tambor rotativo. Os serviços de paging a longa distância são operados por empresas comerciais que transmitem mensagens aos "bipbips" dos seus assinantes a partir de uma sala de comando.IUUÍJ . mas é a imagem do documento a copiar que é projec tada neste por meio de espelhos e lentes. Os tipos mais sofisticados podem dar pequenos recados ou arquivar mensagens. sendo-lhes atribuída uma frequência.e do preto. ntrni no Innpr ri suas áreas mrroanrin^ atrai toner. As cores são recriadas na cópia pelo emprego de loners das três cores secundárias . que a converte em sinais eléctricos.magenta. Os espaços em branco do original reflectem a luz para o tambor. varrida três vezes. é projectada sobre um painel de elementos fotossensíveis. podem fa zer cópias de ambos os lados da folha.tíjuicr fmuvi. podem ser chamados a determinada enfermaria. noln que íttJO lAm I119 pelo niie estática ao passar a carga se mantém. chamado CCD (charge•coupled deuices). entre os 50 e os 65 km. Com a pressão de uma tecla que comanda um microprocessador electrónico. azul e verde. Sensibilizador Luz reflectida. e o controlador faz o contacto transmitindo esse número seguido da mensagem desejada. do original As.sem o emprego de tintas. aplicava-se o estêncil em volta de um tambor rotativo. É este sistema óptico que permite a alteração das dimensões da imagem. O IUIUUUI c carregado da \s tambor ê i u ( / t x u u u com electricidade imagem sobre o tambor OKtAtífn nn nnw/ir não têm luz.lUINA. carregado \s l i m e i //H/J^Í. c t / » » l ' o tambor é atraído pelas electricamente cimv /irc/iv carregadas. 0 sistema é conhecido por radio paging. como é conhecido devido ao som que emite. deixando assim a carga sobre o tambor. anil e amarelo . corno os pontos e traços do alfabeto Morse.l . bem como cópias reduzidas ou ampliadas. O "bip" é dado por um pequenino cristal que vibra e produz som quando atravessado por sinais eléctricos. As áreas pretas do original não reflectem a luz. Todos os sistemas têm de ser autorizados. O tambor está revestido de uma substância que conduz electricidade quando sobre ela incide luz. em geral. Numa copiadora a cores. Os médicos durante as suas visitas num hospital. Carlson chamou ao seu processo xerografia. Os sinais vão alimentar um laser que os transmite como sinais luminosos e constrói a imagem linha a linha sobre um tambor fotocondutor electrificado. por exemplo. COMO FUNCIONA UMA FOTOCOPIADORA Original Tambor Tambor Cópia — A luz de uma lâmpada flúores cente ou de halogéneo varre o original por meio de. U M U lUm. Podem produzir até 135 cópias a preto e branco por minuto. seja separadamente. Cada receptor tem um número. que vai formar a imagem sobre o papel da cópia. Estas áreas carregadas atraem um fino pó negro. mas situa se.

o pia no de foco. as lentes que as constituem têm uma forma tal que raios lurni nosos paralelos reflectidos pelo assunto que fotografámos vão convergir para um plano . ajustam os próprios comandos e fazem avançar o filme depois de cada disparo. do obturador durante um momento muito breve e a luz passa através da objectiva para o interior da camera obscura até chegar à película. ou seja do lado oposto à objectiva. A impressão sobre papel completa o ciclo que nos permite obter a fotografia 232 A câmara fotográfica A objectiva de vidro é o olho da máquina. Quando os raios de luz atravessam o vidro. Existem.CUMU KUNUUNAY Como a câmara fotográfica regista o instante fugidio Máquina gigante. Esta câmara fotográfica linha 4 m de comprimento e registaua fotografias do tamanho de uma porta. e todos esses raios (menos os que incidem no vidro a 90") são desviados. 0 processamento químico da película completa as reacções físico químicas que se iniciaram quando da incidência dos raios luminosos sobre ela. Os raios luminosos. A Iconologia eliminou grande parte do ele menlo "incerteza" no momento de fotografar. . transformando a imagem latente em imagem visível. ou lamelas. ou refractados. ao atravessarem a lente. . Nas objectivas fotográficas. Todas as câmaras fotográficas funcionam segundo o mesmo princípio. hoje em dia. dos EUA. utilizou esta câmara para fotografar uni comboio de luxo em IÍMX) . afrouxam porque o vidro 6 mais denso que o ar. que obviamente se encontra na parte posterior da câmara fotográfica. o da comera obscura: quando pressionamos o disparador.4 Chicago Railmay Company. câmaras auto máticas computorizadas que focam por si. invertem-se e produzem uma imagem da cena real que fotografámos. accionam-se as cortinas. imprimindo se sobre a pelícuia fotossensível.era a única forma possível de o registar por inteiro.

O obturador. A distância adequada depende da objectiva utilizada. Nalguns modelos de câmaras.que eliminam as distorções inevitavelmente verificadas numa objectiva de lente única. A película está revestida por uma emulsão que é quimicamente afectada pela luz. deve mos estar à distância certa do objecto para que os raios luminosos que penetram na nossa câmara se foquem sobre a película. Muitas câmaras permitem acoplar objectivas intermutáveis com diferentes distâncias focais ou então objectivas "zoom" com distância focal ajustável pelo fotógrafo (variável). de segun dos. A rapidez da película vem indicada na caixa e no rolo pelo seu valor ISO. COMO A CAMARÁ UTILIZA A LUZ Quando se faz uma fotografia. 133 . mais rápido o tempo de exposição. ou seja autofocam-se. 0 lapso de tempo em que se mantém aberto ehama-se tem po de obturação ou de exposição. geralmente a escala de números f varia entre f/22. a distância focal da objectiva chamada " n o r m a l " ronda os 50 mm.6. conforme se avança ou recua na escala por exemplo. Para que uma fotografia não fique nem "clara" nem "escura". a fim de podermos "congelar" o movimento para que a imagem não fique "tremida". a luz que passa através de #5. que se abre para deixar chegar a luz a película. 4. no qual os seus valores são indicados pelos chamados números /. As câmaras modernas têm objectivas compostas — conjuntos de lentes de vidros e formas diferentes .2 e 1. ou telémetro. um indicador de distâncias. Quanto menor for a fenda. podemos obter mais ou menos nitidez para lá e para cá do plano que optámos por focar: é o que se chama profundidade de campo. 5. Em função do diafragma escolhido. maior a sensibilidade da película. minutos ou mais. a película deve sofrer uma exposição adequada à luz. A exposição adequada é encontrada através do foto metro e controlada em simultâneo pela relação diafragma e obturador. Quanto mais alto esse número.16. em geral. e a que passa através de f/U corresponderia a metade da que passaria através de f/S. Algumas câmaras automáticas focam-se a si próprias. forman do uma fenda que expõe a película. etc. As películas "rápidas" são mais sensíveis à luz do que as "lentas".4. dando uma imagem nítida. Os tempos de exposição rápidos são indispensáveis nas fotografias de acção rápida. Uma abertura maior deixa entrar mais luz na câmara.*_\_>jvn_/ rui'i\-. O diafragma possui lâminas sobreponioeis que formam uma abertura de tamanho regulável em íris. noutros modelos fica situado junto à película. Cada abertura permite a passagem de metade ou rio dobro da luz Visot do número / anterior. e o respectivo "ângulo de cobertura" é de cerca de 45°.ivjiirt: Ao prepararmos uma fotografia.8. Na câmara comum de 35 mm — que corresponde à largura da película —.6 corresponde ao dobro da que passaria através de f/S. 2. Usam se películas rápidas (de grande sensibilidade à luz) em conjunto com as exposições muito rápidas para se aproveitar ao máximo a pouca quantidade de luz que entra na câmara. A câmara tem. e pode ir desde as obturações muito rápidas de 1/4000 de segundo até às lentas. fica entre a objectiva e a película. pelo que podem ser utilizadas em condições de menor iluminação. O diafragma encontra-se dentro das objectivas e geralmente concêntrico com elas e é constituído por lâminas.11. fica situado na própria objectiva logo atrás do diafragma. A maioria das câmaras manuais possui um regulador de focagem que desloca a objectiva para permitir fotografar objectos a distâncias diferentes. Nas objectivas mais usuais. Número de exposições Sensibilidade ^ — da película (norma ISO) Largura da película j ^ A objectiva da máquina faz convergir a luz emitida pelo objecto a fotografar e projecta a sua imagem invertida sobre a película (na parte de trás da câmara). 8. produzindo uma abertura maior ou menor. Objectiva Película m Objecto Pequena abertura (do diafragma) Grande abertura (do diafragma) Um obturador comum é constituído por duas "cortinas" que se abrem. por exemplo de 35 até 70 mm ou de 28 até 150 mm. o objecto que se vê através do visor é registado na película durante o breve momento em que o obturador se abre e deixa passar luz através da objectiva. O número f é tanlo maior quanto menor é a abertura. O diâmetro da abertura é regulado por um anel exterior na objectiva.

As vezes.6. As três secções deste nc gativo foram expostas a f/5. o contrário de tudo o que foi dito também pode ser válido. obteve se uma fotografia com três exposições diferentes. dando cada vez menos tempo para a luz actuar na película. Um tempo efe obturação lento forneceu luz suficiente paru registar a cena nocturna ern cima. Com as aberturas e os tempos de obturarão mostrados ã esquerda. em que o obturador pode ser fixado na abertura desejada durante quanto tempo se quiser. 234 . No enlanto. Este negativo foi exposto durante 1/15. À direita. Por exemplo. Tempo de exposição. Resultado final. cada posi çâo deixando entrar menos luz. Os faróis dos auto móveis apresentam se como longas fitas brancas. 0 melhor resultado foi obtido com 1/60 de segundo e Vil. desde a sobrexposiçào à Subexposiçâo. 1/60 e 1/250 de segundo. transformando-os em "formas Abertura do diafragma. imagine-se a fotografia de um objecto em movimento c o m a câmara a acompanhar o movimento do mesmo.Os tempos de exposição ou ob luração mais lentos são adequados à fotografia de cenas pouco iluminadas em que não haja movimen lo. VII e í/22. geralmente superiores ao segundo. um saltador à vara foi congelado" em seis posições. mas com um tempo de obturação relativa mente longo. muntendo-se o obtura dor aberto durante o solto e i/umiriando-o seis vezes com um flash estroboscópico de alta velocidade de reciclagem. Algumas câmaras têm uma posição B no obturador para exposições prolongadas. escolhem-se tempos de exposição longos para "tremer" deliberadamente objectos em movi mento. Efeitos do obturador.

ou principais: azul. devido à pouca luz existente ou à pouca sensibilidade das películas que estamos a usar ou porque pretendemos determinados resultados mesmo com luz ambiente . verde e azul. cada uma delas sensível a uma cor pri mária. As cores primárias. As coies emitidas pelo objecto aungem a película. A copia. em baixo): magenta mais amarelo dá vermelho. transformando se em prata. verde e vermelho (à esquerda). ou seja qualquer cor adicionada à sua oposta produz o branco ou neutro. As películas com grão maior (mais sensível à luz) são mais rápidas a reagir e são conhecidas por películas rápidas. também com perda de pormenores por a fotografia ficar clara demais. as películas lentas têm o grão pequeno e necessitam de mais luz para uma mesma exposi ção correcta.I. Algumas câmaras têm o flash incorporado. Quando se faz uma fotografia. Por vezes. ou Organização Internacional de Normalização). com as imagens nas cores complementares das reais.LUMU KUNUUNA? abstractas". obtêm se novamente as primárias. com diferentes combinações de valores de diafragma e de obturador Por exemplo: como o r75. ciano mais amarelo dá verde. em cima. as tintas do negativo bloqueiam as cores complementares. Obtêm-se as mesmas exposições. Camadas expostas Camada sensível ao . noutras existe uma sapata de aplicação para um flash independente. Combinando purés de secundárias (em butxo). tem de se regular a quantidade de luz conforme a indicação do fotómelro. essa sincronização faz-se a 1/60 de segundo.-. Como reage e funciona a película A película que regista os raios luminosos é mais uma fita transparente de poliéster ou triacetato coberta por um revestimento fo tossensível de sais de prata ou halogenetos microscópicos numa suspensão gelatinosa A exposição à luz provoca uma reacção latente nos halogenetos. a tinta amarela bloqueia os raios azuis. ou seja a mesma quantidade de luz a chegar à película. produz a cópia em baixo. Combinadas duas a duas. amarelo (verde e vermelho) e ciano (verde e azul). mas deixa passar os vermelhos e os verdes. voltam a reproduzir-se as cores primárias (à esquerda. duas a duas. mais sensível a película. cada camada reage a uma cor primária e forma a imagem em tinta da cor complementar. a combinação de ciano e magenta aparece azul. Ao olharmos para a fotografia. que nos dão as combinações correctas de diafragma e obturador possíveis de utilizar em relação à sensibilidade da película e à reflexão lumínica do assunto a fotografar. o azul e o amarelo são "complementares". A fotografia feita com 1/250 e /'5. Todas as cores podem obter-se a partir de diferentes misturas daquelas.através do negativo até ao papel •-••ri cima]. no entanto a sua profundidade de campo será menor. produzem as cores secundárias magenta. A sensibilidade das películas está geralmente indicada nas normas ISO (valor de sensibilidade da International Standards Organisation.G ficará mais "congelada". porque a fotografia — ou o diapositivo — fica demasiado escura. luz a mais PROPRIEDADES DA LUZ QUE DÃO UMA COPIA A CORES A luz solar é composta pelas três cores primárias.ii Mudança de cores.suficiente. As cores que se opõem chamam se complementares. um objecto azul é registado pela cama da sensível ao azul em linta amarela O negativo é então impresso na câmara escura sobre um papel que con tém camadas fotossensíveis semelhantes. KODAK 5095 Composição da luz. que no processa mento químico se decompõem. ciano mais magenta dá azul. noutras a 1/125 ou 1/250 e nas câmaras com obturador do tipo "central" qualquer obturação está sincronizada com o flash. usar a abertura /?5. Camadas não expostas As camadas não expostas são fixadas e lavadas. O relâmpago do flash tem de ser sincronizado com a abertura do obturador Na maioria das câmaras. A maioria das câmaras tem medidores de exposição incorporados. A luz "branca" natural contém três cores primarias oer melho. como o são o verde e o magenta. outras ainda permitem o uso do flash separado da câmara por meio de cabo conector. os fotóme tros.6 deixa entrar o dobro da luz do f/H. Registo da luz sobre papel I Camada • sensível O negativo. amarelo e ciano. Quanto maior for o número ISO. produzem as cores secundárias: magenta (azul e vermelho). Para se obter o melhor resultado. tanto mais escura quanto mais luz tenham recebido. senão: luz a menos resulta em subexposição sem pormenores. por exemplo. necessitamos de utilizar o flash electrónico.6 à velocidade de 1/250 de segundo é o mesmo que usar f/S a 1/125 de segundo. Juntando aos pares as cores secundárias. O negativo a cores. Ao passar I. 0 papel regista o vermelho e o verde como tintas ciano e magenta.-i. Quando a luz normal atravessa o objecto azul do negativo. a qual é sensível. " mn"iun ninii"iuii • « HHPUUI resulta numa sobrexposição. As tintas nas camadas expostas recriam as cores originais Tinta amarela . A película a cores tem três camadas.

O ângulo de visão é de 45". Esta vista do Sunset Bouleuard (à direita) foi feita com uma objectioa tipo grande angular de 24 mm de distância focal. As grandes-angulares sáo frequen temente usadas na obtenção de efeitos especiais. permitindo-nos incluir. 180 mm 50 mm '2>\ mm Sunset Boulevard. O ângulo grande faz com que a estátua e os edifícios distantes pareçam mais pequenos do que se estivéssemos a ver a cena à vista desarmada. A fotografia do centro representa a mesma cena fei la com uma objectioa de 50 mm de distância focal. 236 • . As teleobjectivas podem ter dl versas distâncias focais e ângulos de visão. mas produz uma imagem aproximada. o que cobre uma parte maior da cena. Uma objectioa com grande ângulo de cobertura abarca um campo mais alargado do que a percepção do olho humano. utili zando-se diferentes lentes. A avenida principal de Hollywood foi fotografada de cerca de 65 m. a partir de um único ponto.Vista ampla. A fo tografia de cima foi feita com uma teleobjectiva com 180 mm de distância focal. Uma das utilizações da objectiva grande-angular poderá ser a fotografia de interior em que a objectiva "normal" não CO briria a cena total que pretendemos registar — embora os assuntos fotografados de muito perto apareçam distorcidos. diferentes porções da mesma cena. A teleobjectiva tem urn campo de visão mui to estreito (esta cobre apenas 14°). com um ângulo de visão de 84". apraximadamen te o da percepção do olho humano.

Entre o revelador e o fixador. Antes de a película revelada poder ser manipulada à luz. Em certas câmaras. O obturador é então accionado automaticamente. a maioria das compactas possui apenas uma única objectiva incorporada. calcula a distância ao objecto. Com o visor independente. ficando gravado no negativo ou no slide. logo dando maior definição. não transformados em prata. Quando se carrega no botão disparador. introduz-se a película num composto. a câmara automática rnede a distância entre a objectiva e o assunto e regula a objectiva para se obter uma focagem nítida. onde um sensor pára o emissor quando o sinal mais forte lhe indica que a lente está focada. Primeiro. tanto mais negra quanto mais luz tenham recebido. coloca-se o mesmo num ampliador. As câmaras SLR podem ser programadas para exposição automática de diversas formas . aumenta as reacções químicas iniciadas com a incidência da luz. eon- A DATAÇÃO DA FOTOGRAFIA É fácil esquecermo-nos de quando fizemos determinada fotografia. r Emissor de infravermelhos Obiecto "'' J» ^ Sensor de infravermelhos Fotografia a cores As películas a cores seguem um processo semelhante. caixa). Câmaras de focagem automática Na fracção de segundo entre o premir do botão do obturador e a sua abertura. permitindo que a luz da imagem incida sobre a película. que precisarão de menor ampliação. no qual a luz que entra na objectiva é separada em duas imagens. lavada e seca. Ambas usam película de 35 mm. que se desloca para a frente ou para Irás quando o leixe explora a posição do alvo. Para se transfomiar o negativo em cópia positiva da cena original. Feixe reflectido de infraA objectiva vermelhos move-se até se ajustar a focagem Varrimento por infravermelhos. Um sensor mede a distância entre as duas imagens. A compacta é geralmente mais peque ua que a SLR e é mais "fácil" de manejar. enquanto na SLR se pode aplicar uma diversidade de objectivas intermutáveis. O papel retém a imagem da mesma forma que a película. que se encontram separadas por determinada distância quando a objectiva está lo cada. como o hipossulfito de sódio ou equivalente. Existem em dois tipos diferentes. urn feixe de infruvermelhos reflecte se no objecto e acciona o obturador quan do a objectiva se encontra na posição correcta 237 . conforme o seu tipo. uma objectiva "zoom" e um motor para avançar e rebobinar a película. revestido também com haiogenetos de prata. consequente mente. Os dois tipos de câmara diferem principalmente em dois aspectos. a cópia é revelada. resultam de duas fases: primeiro obtemos um negativo a cores. transformando a imagem latente inicial em imagem visível por decomposição e transformação dos sais de prata em prata negra. As máquinas SLR com autofocagem usam um sistema electrónico de detecção de fase. o sensor faz com que um motor desloque a objectiva para trás ou para a frente. A peça tem um relógio incorporado que mostra a data através de um LED (díodo emissor de luz). O pen- taprisma inverte a imagem do espelho e aprosenta-a "direita" no visor. mas como as áreas mais escuras do negati vo deixaram passar menos luz. Algumas câmaras possuem focagem por ultra-sons — um disco revestido a ouro (o transdutor) emite "chilreios" demasiado altos para serem ouvidos pelo homem com a duração de 1/1000 de segundo cada um. porque a luz que atravessa a objectiva da câmara é reflectida por um espelho para um pentaprisma até chegar à ocular do visor. O disco recebe os ecos do chilreio pro venientes do objecto. focando o sobre papel fotográfico. Os modelos mais recentes de SLR têm microprocessadores incorporados que comandam a autofocagem. o fotómetro tem um indicador no visor que mostra as combina ções de abertura e tempo de exposição que podem ser usadas.por exemplo. ou câmara da reflexão por lente única). Frequentemente. a vista do fotógrafo não coincide exactamente com a da objectiva. Depois. o qual pode ser simultaneamente fotografado na película ou nela impresso por meio de um pequenino flash interno. e expõe o papel à luz. a compacta tem um visor geralmente independente da objectiva. que depois é impresso em papel (v. nas fotografias a curta distância. Se a distância não está correcta.Revelação a preto e branco A primeira fase do processamento da película. o espelho sobe. entre elas a Hassel blad. a auto-exposição e o enrolamento automático da película. a chamada revelação. ao passo que a SLR tem um visor com reflector por espelho que "lê" através da objectiva da máquina. Após a exposição. é preciso compensar este erro de visão. A maioria das câmaras compactas tem um pequeno motor eléctrico para accio nar um emissor de radiação infravermelha. As do tipo cópias a cores. Os modelos mais caros podem ter focagem automática. em papel. exposição automática. tem de ser estabilizada. quando se acciona o balão disparador. Com o visor por reflexão. conhecido por banho de paragem. O feixe de raios infravermelhos c reflectido do objec to até à câmara. A transparência (diapositivo. mas uma câmara dotada de uma peça especial marca automaticamente a data nas fotografias. ou slide) dá-nos a imagem directa e positiva para ser projectada num écran ou vista num visor. geralmente designado por fixador. e um microcomputador incorporado mede o tempo que cada chilreio demora a ir e voltar. isto é. usem rolos 120 . O emissor está ligado à objectiva. pelo que. ou "fixada". o fotógrafo "vê" exactamente a imagem que irá impressionar a película. parada e fi xada. qualquer material fotossensível que se esteja a processar deverá passar por um banbo ácido. A partir daqui. ampliando a para as dimensões por nós desejadas. para tal. quanto algumas SLRs. O ampliador projecta a imagem negativa sobre o papel. para um tempo de exposição escolhido manualmente a abertura do dia fragma "correcta" é feita automaticamente.com 60 mm de largura -. o padrão de luz original é agora recriado. têm de ser removidos os sais de prata não expostos e. Dois tipos de câmara Duas das câmaras fotográficas mais utilizadas são a compacta e a SLR {single-lens reflex.

A maioria dos circuitos integrados são feitos de silício. Estes electrões livres transportam a corrente eléctrica. um microchip com um emissor de infravermelhos. assim. Um chip é um cristal per feito de silício. O transístor é "desligado" quando se retira a voltagem da porta. no qual são introduzidos dopantes dos dois tipos. Os circuitos integrados de relógio fornecem a cronometria necessária para que todos os circuitos do computador processem os sinais eléctricos na sequência correcta. Aplica-se a abelhas captura das. estão sob a vigilância de um laboratório americano. Sem a ponte entre as ilhas. basta que lhe acrescentemos pequeníssimas quantidades de certas impurezas. No entanto. se incorporar no silício um pouco de boro.microchip . p. dopante trivalente. um semicondutor do tipo o pode passar a isolador ou mesmo a tipo n por aplicação de um sinal eléctrico positivo. Esse cristal de silício . Como funciona um transístor Os transístores. um quadradinho de silício chega a conter 450 000 componentes electrónicos. Se. conseguem fazer até 250 milhões de cálculos por segundo. formando uma fina região tipo //. Cada um deles está ligado a um cristal de quartzo que vibra a uma frequência precisa. os circuitos que constituem um microchip não são espe cialmente complexos — é o seu tamanho minúsculo que permite aos sinais através sarem-nos à velocidade do relâmpago: por isso. Os diagramas dos circuitos são preparados em computador. depois reduzidos à escala do chip e aplicados lado a lado sobre uma chapa de vidro chamada a máscara. O fabrico de um "microchip" Os chips são produzidos às centenas de (vida vez sobre uma bolacha (wafer) de cristal de silício artificial ultrapuro e ultraperfeito. com- Rastreio de uma abelha. Electronicamente. Como o silício conduz a electricidade 0 silício é um semicondutor conduz electricidade melhor que os isoladores. Cientistas captam as transmissões e estudam os movimentos das abelhas. ao silício "dopado" com fósforo chama-se si lício do tipo n (negativo). os componentes mais vulgares de um circuito integrado. esta "falta de um electrão". As "abelhas assassinas" do Brasil.é o fruto das técnicas da microelectrónica. em vez do fósforo. que formam os dispositivos electrónicos que fazem funcionar desde os computadores às câmaras de vídeo (v. 218). Percebe se. para que se torne um bom condutor. porla-se cm tudo como um portador com carga positiva. O transístor é "ligado" quando se aplica uma voltagem de um circuito separado de baixa potência a uma porta de alumínio por cima da base/). deixando passar a corrente para representar o binário 1 ou interrompendo-a para o 0.desde que se começou a dominar as técnicas de crescimento de cristais puros e perfeitos e da sua dopagem. Traduzem igualmente os sinais de saída em números ou palavras para o écran do monitor. chamada "buraco". juntamente com camadas de óxido isolador e pistas de metal. portanto. dos transístores aos microprocessadores . faz-se uma máscara 238 . chamadas dopai ites. tentando controlar a migração. mas pior que os condutores Quando puro. Os electrões formam então uma ponte entre as duas ilhas /7. que depois se soltam. são principalmente usados como interruptores. fornecendo uma passagem para a corrente atra vés do circuito em que o interruptor está a operar. cada átomo desta impureza dá à rede cristalina três electrões. como é que os semicondutores (e nunca os metais) puderam permitir o delicado controle da corrente essencial aos dispositivos electrónicos. Como os dispositivos como os transístores são construídos em camadas sucessivas do chip. O número e o tipo de portadores (electrões ou buracos) podem ser também alte rados por potenciais eléctricos. a conente não pode passar. de forma que os circuitos electrónicos possam trata los. Um microprocessador pode ser um computador ou o centro nervoso de um computador maior. que destroem as ubelhas domésticas. A razão disto é que cada átomo da impureza vai soltar na rede cristalina do silício um electrão livre — se se tratar de uma impureza pentavalente como o fósforo. são as áreas de diferente dopagem do cristal.O cristal de silício Do tamanho de um botão cie camisa. os electrões livres das camadas n não conseguem passar através da camada/). é praticamente um isolador. 241). mas alguns são de arsenieto de gálio. porque contém muito poucos portadores de carga eléctrica livres. Os de interface traduzem os sinais que chegam ao microprocessador do exterior em código binário (v. Um tipo de transístor utilizado é constituído por duas ilhas de semicondutor n numa base maior do tipo p. p. Por isso. um a menos que os quatro do átomo de silício que substitui. "Chips" para tudo Há vários tipos de circuitos integrados. Os de memória armazenam informações nos computadores em conjuntos de circuitos idênticos . o silício com muitos buracos diz-se do tipo p (positivo). Enquanto o transístor está "desligado".permanente ou tem porariamente. com uma espessura de décimos de milímetro. como têm carga negativa. Esta diferença de potencial atrai os electrões li vres da basep para a poria. que produzem circuitos integrados com uma densidade de componentes crescente.

Antes do advento do chip de silício. As informações são depois introduzidas através do teclado. usadas nos problemas científicos e mate 239 .o dissolução química das partes não desejadas. ou Código de Instruções Polivalentes para o Principiante). Certas partes. possuem memórias capazes de armazenar quantidades incríveis de informação e podem ser programados para "pensar". terminando com a sua dissolução nas zonas em que não deve existir. ou "raciocina". porque os seus interruptores eram milhares de válvulas volumosas. ao escolher continuamente entre duas alternativas para chegar a uma decisão logica. são feitas em tamanho muito maior que o do chip e reduzidas depois fotograficamente. Os interruptores electrónicos e condutores que ^JL—ãã aqui se mostram estão ampliados 4000 vezes. As máscaras para cobertura das áreas não funcionais cm coda camada do chip são feitas com o emprego de um negativo mestre (à direita. que tapam as partes não desejadas. ou Tradução de Fórmulas). 241). estas máquinas eram muito maiores e mais lentas. Os chips bons são montados numa base que se encapsula em plástico. que fazem a ligação ao circuito externo. Funcionamento do computador O computador pessoal típico parece um aparelho de televisão com um teclado por baixo do écran. mas actualmente. consegue apreciar enormes quantidades de informações com muito mais rapidez que o cérebro humano. Embora apenas possa raciocinar dentro dos limites do seu programa. Os modernos computadores são do tamanho de uma pequena mala e executam milhões de operações por segundo. o COBOL (Cornmon Business Oriented Language. a bolacha é cortada ao microscópio em chips individuais. ou Linguagem Vulgar de Aplicação Comercial) e o FORTRAN (FORmula TRANslation. em cima). ^ Linhas de memória. com os progressos da ciência. Isto execula-se tratando a camada com um revestimento sensível às radiações ultravioletas e expondo-a aos raios ultravioletas através da máscara. são depositadas por condensação de vapor do metal. Todos os circuitos integrados formados em cada chip de uma bolacha são testados. está habitualmente contido hum disco magnético que é introduzido na máquina. i . "artigos macios").Desenhando um "chip". ficando apenas nas regiões onde forma pistas de interligação dos circuitos e nas sapatas de contado nos bordos do chip. O alumínio é depois sujeito ao processo acima descrito. 0negativo é reduzido fotograficamente e depois impresso sobre o silício. Os programas são escritos em diversas linguagens de computador. Para desenhar o plano de todos os árcui tos electrónicos. como os contactos de alumínio. que é uma lista de instruções ao computador por cada tarefa a cumprir. O computador "pensa". em baixo) cerca de 250 vezes maior que o chip. na década de 70. 0 computador canaliza as informações fazendo passar correntes eléctricas por diversos circuitos. Fazem parte de um circui to integrado de memória capaz de armazenar 256 000 dígitos binários. Os chips são construídos pela formação de cada camada — camadas tipo p ou tipo n ou camadas isoladoras de dióxido de silício . p. Outro factor que contribuiu para a rapi dez de operação dos computadores foi a utilização dos números binários (v. As sapatas de contacto sào ligadas a terminais de metal por fios de ouro e os terminais são ligados a pernas de contacto salientes. O teclado. mais parecidas com lâmpadas eléctricas. o écran e as partes funcionais do computador são designados por hardware ("artigos duros"). Os programas são denominados software (literalmente. Após os ensaios. Computadores: máquinas com memória Os computadores começaram por ser máquinas de somar. como o BASIC (Beginner's Ali pur pose Instruction Code . para cada operação. O programa. utiliza-se um computador Um desenhador altera a imagem no écran por meio de uma "caneta" de luz (em cima) e verifica o plano global num print-out (à direita. As máscaras.

Os bits (sinais eléctricos) deixam a memória e dirigem-se à unidade de processamento por um sistema de transferência denominado data bus. Os supercom putadores com processadores (à direita) podem executar biliões de cálculos com suficiente rapi dez para construir as imagens das condições atmosféricas em alteração que sáo necessárias pura as previsões meteorológicas 240 . Por isso. tais como a linguagem da máquina e os programas incor porados. Kmbora não seja maior que um botão de camisa. A memória principal armazena temporariamente aquilo que eslá a ser processado e é designada por RAM (Random Access Memory.K significa quilo e repre senta 1024. ras de escaninhos. com fileiras e íileiAviáo garrido. Esta memória é apagada uma vez executado o trabalho e desligado o computador. que constitui o armazém do computador e cujo conteúdo não se perde {[liando aquele é desligado. Foi utilizada para cálculo das pressões ã superfície. Kxístem actualmente chips que podem armazenar até 1 048 576 dígitos binários {bits. Um chip de relógio sincroniza todas as operações e um outro chip interface converte os números binários em números ou letras normais para serem lidos no écran. o chip de memória contém cerca de 450 000 peças electrónicas ligadas por circuitos Ião finos que seriam precisos quase 24 milhões para preencher urna espessura de 1 cm. A memória O c o m p u t a d o r tem duas memórias incorporadas. ou Memória de Acesso Não Sequencial). contudo. As informações da memória ROM. de binary digits). O ritmo de trabalho de um bilião de operações por segundo é tal que gera calor suficiente para derreter a má quina. Esta imagem codificada a cores no écran de um supercomputador Cray mostra a pressão do ar sobre um vaivém espacial. Levou 20 horas a tratar os dados para o lançamento do vaivém (ao alto). ambas formadas por micfochips. As linguagens consistem em palavras c abreviaturas simples e têm de ser compatíveis com o código do computador em que são utilizadas (página seguinte). Os computadores possuem também uma armazenagem de apoio (back-up) Trabalho quente. envia uma mensagem ao escaninho adequado. tipicamente de S ou 1C. Na gíria dos computadores. os escani nhos onde as cargas estão armazenadas são aparelhos semicondutores denomina dos díodos — que permitem a passagem da correme num único sentido. Na memória ROM. Krn ambas as memórias os escaninhos estão agrupa dos para armazenagem de bytes — unida des de dígitos binários. a sua capacidade será de 1024-K . A segunda memória é a ROM (Read Only Memory. As informações processadas podem ser impressas em papel. A memória apresenta se mais ou menos como um dos velhos armários de separação do correio.máticos. Possui um comando leitura/escrita que permite ao utilizador não só ler as informações como alterá-las. esta é regada com um liquido refrigerante enquanto trabalha. Cada escaninho da memória RAM é um interruptor de transístor e um capacitador que contém uma carga de sinal único. que possui uma roda ou uma corrente que imprime os caracte res sobre o papel linha a linha ao ritmo de cerca de 2000 caracteres por minuto. cm geral por uma impressora linear. Supersimulador. Mais de 200 000 microchips funcionam no processador do supercomputador (em cima). O coração do computador é um chip microprocessador que comanda as operações da memória e a unidade de aritmética e lógica que processa a informação. ou Memória Somen te de Leitura). não podem ser alteradas. Quando o computador recebe as suas instruções.

Estas portas funcionam de acordo com a álgebra de Boole. no sistema binário os dígitos 1-1-0 equivalem a 6 (0+2+4).1 sai Porta N Ã O Entra 1 sai 0 Entra 0 sai 1 No computador. os quais sâo processados como no primeiro half adder. A calculadora utiliza três tipos funda mentais de porta lógica para avaliar cada passo dos seus cálculos como I ou como 0 equivalente ao "verdadeiro" ou "falso". As suas noções essenciais são a de que toda a afirmação ou é verdadeira ou é falsa e a de que. esta envia um sinal aos circuitos de comando noutra parte do chip. 3 2 8 0 0 4 0 0 1 2 11 10 0 1 1 (2+1) (2+0) (4+1) Dígitos a serem somados Porta E Entram 0. 16. COMO AS PORTAS IOGICAS SOMAM 3 COM 2 o Somar 3 mais 2 em números binários pode demonstrar-se no papel como segue: Valor do digito Número binário Número binário Resultado etc.1 sai Entram 1. tsta envia os números através dos seus circuitos por meio de interruptores. A primeira porta E produz o bit de "uai um". 1 =5 241 . 2. a palavra LOAD ("carregue" ou "armazene") poderia ser processada assim: BASIC L 0 A D Número binário (51 0 H H^ Bit de "vai u m " NÃO H 7 ^z. e o número 110 é como se mostra em baixo. Como os programas. Quando se pressiona uma tecla de função. e o resultado. feitos de metal. criada pelo inglês Georges Boole na década de 1840. Por isso. O sistema binário usa apenas dois dígitos — o 0 e o 1.' QUE SÃO NÚMEROS BINÁRIOS? É natural que o computador conte em conjuntos de dois.LUIVIU rUIN^IUINA.1 sai 0 Entram 1. mas são de preço mais elevado. Por isso. O número 110. porque representa 2 + 2 em números de todos os dias. •\ Em qualquer soma binária há quatro resultados possíveis: 0 + 0 = 0 (e vai nada) 0 + 1 = 1 1 + 0 = 1 (e vai nada) (e vai nada) 100 1 100 1001111 1000001 1000 100 1 + 1 = 0 (e vai 1) Resultadc para infonnações extras.0 sai 0 Entram 0. A fita magnética também pode ser utilizada como grande armazém de dados de computador. Há dois tipos de discos — os discos du ros (hard disc). e os discos moles (floppy discs). Partindo da direita. Número decimal 110 em sistema binário Valores binários 128 64 | 32 | 16 | 8 | 4 | 2 | 1 | Dígitos binários | 0 I 1 | 1 Cálculo 64 + 32 + 0 + 8 + 4 + 2 + 0 = 110 0 Como as calculadoras fazem somas As espantosas capacidades da calculadora dependem de um chip de silício c o m 6 mm de lado capaz de processar cerca de meio milhão de sinais electrónicos que representam os números envolvidos nos cálculos. ela é habitualmente contida em discos magnéticos que são introduzidos na máquina. e assim por diante. Os discos duros têm 10 a 30 vezes mais capacidade de armazenagem de informa ção que os outros e respondem cerca de 100 vezes mais rapidamente. 8. 1 + + 1 = 0 . O segundo half adder recebe o bit de "uai um" e o resultado do primeiro half adder. na coluna dois da soma acima. cada dígito dobra de valor: 1. Quando se carrega numa tecla marcada com um dos dígitos entre 0 e 9. é a soma de uma centena mais uma dezena mais zero unidades. São possíveis até 400 000 operações por segundo. para a resposta. e o compu tador lê o disco ou escreve nele por meio de uma cabeça electromagnética.1 sai 1 Porta OU Entram 0. as palavras são armazenadas sob a forma de números binários. Os números são lidos da direita para a esquerda e baseiam-se nas potências de 2. é transportado para a terceira coluna. 1 0 3+ 2 Segundos -. São constituídos por dois half adders e uma porta OU adicional que transpor ta os dígitos para a coluna seguinte. Km linguagem BASIC. como a "mais". feitos de plástico. As informações codificam-sc segundo um padrão magnético. ou as duas são verdadeiras ou uma ou ambas são falsas. que "ligam" para 1 e "desligam" para 0. por exemplo. OU e NÃO com destino a uma porta E. Nos números de todos os dias. que procede aos cálculos. pura serem somados. passa pelas portas lógicas E. designados por portas lógicas. a porta K e a porta OU. "Half adder". 4. Cada par de dígitos. Carregar na tecla "igual". Duas das portas. uma vez que tem de decidir entre sim e não para cada passo dos seus processamentos. temos de a percorrer toda desde o principio.0 sai 0 Entram 0. reguladas por um relógio de cristal de quartzo que c ligado ao mesmo tempo que a calculadora. half adders e portas OU adicionais «Fuli adders». As teclas dos números enviam impulsos electrónicos a uma parte do chip chamada registo para armazenagem temporária. quando duas afirmações se combinam. os dígitos de 0 a 9 são lidos da esquerda para a direita e baseiam-se nas potências de 10. 4. mas as informações obtêm-se mais lentamente. faz com que os circuitos de comando enviem os sinais que representam os nume ros a unidade aritmética e lógica. Se queremos a informação contida no fim da fita. os circuitos convertem-no automaticamente em números binários.

COMO FUNCIONA?

recebem cada uma dois dígitos e transmitem um. A porta F. só deixa passar 1 se receber dois uns, a porta OU deixa passar 1 se houver um I no par recebido. A terceira, a porta NÂO, só recebe um dígito, que faz passar invertido. Estas três portas em conjunto são capa zes de fazer somas, que são a base de todos os cálculos — a subtracção é uma soma negativa, a multiplicação é uma soma repelida e a divisão é uma subtracção repetida. As portas lógicas estão em unidades chamadas half udders, ligadas em Conjunto para formar full udders. Processando os sinais através destas adders, a calculadora é capaz das mais complicadas somas.

Como os bancos guardam o dinheiro em segurança
A vida está cada vez mais dura para os arrombadores, pois os cofres modernos estão preparados para resislir-lhes. O corpo do cofre é formado por uma "sanduíche" resistente com espessuras até 12 cm, constituída por chapas de duro aço liga soldadas entre si, com um enchimento de materiais cerâmicos ou betão especial. Pode ainda haver camadas de material resistente ao fogo ligadas à parte interior das chapas de aço, e o enchimento pode ser reforçado com rede de arame de aço ao carbono. Contém ainda, por vezes, blocos de um material cerâmico muito duro destinado a embolar as brocas. A porta do cofre não é apenas fechada à chave, mas possui fortes ferrolhos de aço que penetram nos quatro lados da moldura da porta. Esles ferrolhos são corridos por meio de urn manipulo que só funciona quando a porta não está fechada à chave. Alguns cofres estão ainda equipados com um mecanismo que desliga os ferroIhos do manipulo assim que a porta é fechada à chave. Muitos cofres têm um dispositivo antiex plosivos. Se alguém tenta abri-los por meio de explosão, esse dispositivo dispara imediatamente um mecanismo que bloqueia os ferrolhos por forma que não possam ser retirados. Há dois tipos de dispositivos: um tem de ser armado de cada vez que a porta é fechada; o outro não — só funciona por explosão ou calor. Com chave e fechadura Os cofres são geralmente fechados com fechaduras de segredo porque as chaves são fáceis de duplicar e as fechaduras de chave são mais fáceis de abrir com gazua. Além disso, os buracos de fechadura são bons sítios para colocar explosivos. Alguns cofres têm fechaduras de chave e de segredo. A maioria tem um segredo de quatro rodas com 100 números em cada roda. A marcação dos números correctos no con junto das rodas faz alinhar reentrâncias que permitem que o ferrolho corra na fechadura. O número do segredo pode ser mudado à vontade e escolhido entre os 100 milhões de comhinações possíveis. As casas-fortes dos bancos possuem ge ralmenle fechaduras de segredo com um sistema de abertura programada: nem mesmo a combinação certa abre a port a — a não ser às horas marcadas na fechadura de relógio.

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— De seixos a "chips" —
ábaco, provavelmente aparecido na China há milhares de anos, foi a primeira calculadora. A contagem é feita pela movimentação de contas ao longo de uma armação de arame. 0 nome deriva de abax, que significa "laje" em grego, provavelmente porque contar se fazia em tempos com seixos colocados em concavidades sobre uma laje ou no chão. A régua de cálculo, inventada por volta de 1620 pelo matemático inglês William Oughtred, utiliza os logaritmos que tinham sido inventados por John Napier anteriormente, mas já no século xvii. O francês Blaise Pascal patenteou a primeira calculadora mecânica em 1647, quando tinha apenas 24 anos. Tinha um sistema de engrenagens de rodas dentadas. Ootlfried l.eibniz, alemão, aperfeiçoou esta máquina em 1673. A mais perfeita máquina de calcular seria o engenho analítico de Charles Babbage, projectado na década de 1830, mas nunca construído. A sua máquina poderia, teoricamente, executar qualquer tipo de cálculo matemático, e, em 1843, Lady Ada Lovelace publicou programas para a sua utilização. Seria a precursora dos computadores actuais. Fazendo as contas. Esta gravura do século m mostro um cambista utilizando um ábaco

0

Missáo quase impossível. Esta pesada porta de aço inoxidáoel guarda importantes valores. Os ferrolhos que correm para o interior da moldura da porta são perfeitamente visíveis. A grade por detrás da porta destina -se a proteger o pessoal que trabalha na casa-forte quando a porta está aberta.

Como os cartões de plástico dão dinheiro e crédito
Quando se introduz o cartão de plástico numa caixa automática, um dispositivo de pesquisa — uma cabeça electromagnética de gravação e apagamento - verifica a tarja castanho-escura da parte de trás do cartão. Esta tarja é uma fita magnética semelhante à utilizada nos gravadores de som e contém três pistas que podem armazenar até 226 leiras ou algarismos. Uma pista tem o número da conta, outra o limite de crédito e a terceira verifica se o PIN (personal Identification number), o código pessoal secreto, está certo. Quando se marca nas teclas o código pessoal correcto, a máquina, que está ligada ao computador do banco, verifica se o limite de crédito não foi excedido, se a con ta tem provisão e se não há indicações de o cartão ler sido perdido ou roubado. Se tudo estiver em ordem, subtrai ao saldo existente o montante pedido e inscreve o novo saldo antes de entregar o dinheiro. Os cartões "credifone" trabalham de for-

dobrável.

C U M U rum.iuiNttí

ma quase idêntica —um scanner no telefo ne analisa as pistas do cartão para verificar se este possui unidades por utilizar. Quando se faz uma chamada, são apagadas unidades na quantidade correspondente. Transferência electrónica de fundos Os cartões de crédito modernos têm o nome do utente, o número da conta e o prazo de validade. Quando o cartão c passado na máquina do vendedor, esta transmite os respectivos elementos ao computador da instituição do cartão de crédito, que demora cerca de 15 segundos a verifi car se não houve queixa de perda ou roubo do cartão e se o limite de crédito foi respei lado. Se tudo estiver em ordem, o computador autoriza a transacção e a máquina apresenta um recibo para ser assinado pelo utente. Este processamento por meio de car toes de crédito é designado por EftPos {electronk funds transfer ai poirtí of sale, ou seja transferência electrónica de fundos no local da venda). Estes sistemas aceitam também cartões de débito — cartões bancários que podem ser utilizados em pagamentos cm vez de cheques e que debitam instantaneamente a conta bancária do utente. Antes de existir a transferência elec Irónica, os elementos dos cartões de crédito tinham de ser verificados por telefone sempre que as compras excedessem certo limite. 0 sistema da transferência electrónica diminui o número de fraudes com cartões de crédito, pois o computador pode

cancelar futuras transacções imediata mente após o anúncio da perda de um cartão, e não aceita um cartão falsificado. No entanto. OS cartões de tarja magnética estão a ceder o lugar aos chamados cartões "inteligentes" (smart cards). Estes cartões incorporam cérebros electrónicos miniaturizados. Foram inventados em 1974 por um francês. Rolaiid Mo remo. O cérebro do cartão inteligente é um minúsculo chip de silício ullrafino (v. p. 238) que contém um registo do limite de crédito do utente e pormenores sobre transacções anteriores. Quando se faz um pagamento com o cartão, o retalhista fá-lo passar por um ler minai existente no balcão e o cérebro do cartão procede às suas próprias verifica ções — não precisa de se servir do computador da empresa emissora do cartão. O terminal do balcão tem registos dos car toes perdidos e roubados; por isso, se um cartão dessa lista é introduzido como pagamento, a transacção é automaticamente cancelada e o cartão inutilizado para que não possa servir novamente. O terminal do balcão transmite ao computador da empresa informações sobre a transacção. Embora estes cartões contenham todos os elementos sobre as transacções do titular, este não tem forma de os consultar, excepto numa máquina especial. O cartão supersmart ultrapassa esta dificuldade — ele tem um pequeno visor e um teclado no qual o utente pode verificar as transacções e o saldo da sua conta.

Como as caixas dos supermercados lêem os códigos de barras
Todo o lojista tem de saber quais OS artigos que estão a vender-se bem o quais os que saem com lentidão para poder gerir as suas existências. Nas lojas pequenas, urna contabilidade cuidada e um olhar às prateleiras podem chegar para colher todas as informações necessárias. Mas os supermercados e outras grandes lojas precisam de registos rápidos e seguros de um fluxo de mercadorias muito maior. É por isso que utilizam os códigos de barras que se encontram impressos nas embalagens. O código de barras é lido por um scanner de laser, que o transmite a um computador. Este fornece os pormenores e o preço dos artigos, apura o total das contas e envia estas informações à caixa registadora, que imprime um recibo. O computador regista ainda a venda para efeito de gestão de stocks. Os códigos de barras mais vulgares são o EAN (Kuropcan Article Numbers, ou seja números de artigos europeus), baseado num número com 13 algarismos, e o UPC (Universal Product Code, ou Código Universal de Produtos), baseado num número de 12 algarismos. Cada algarismo é representado por uma série de segmentos de recta paralelos e de espaços brancos. O scanner de laser traduz a informação em sinais dígitos binários (p. 241), que introduz no computador. O código dá ao fabricante pormenores sobre o produto e o tamanho da embalagem e inclui um código de segurança que evita que alguém o altere ou que o scanner o leia erradamente. O computador dá o preço a partir da tabela respectiva, pelo que a única maneira de alterar o preço de um artigo é alterá-lo no computador. O laser lê o código de barras por meio de um feixe de luz que o varre de um lado ao outro. É sensível para ler da esquerda para a direita ou vice-versa. Embora os códigos de barras sejam geralmente impressos em preto sobre fundo branco, este pode ser de qualquer cor clara ou pastel, e o laser pode ler um código impresso em qualquer cor escura menos o vermelho. O sistema de códigos de barras é mais rápido e seguro do que os outros. O erro humano é limitado porque o pessoal não tem de marcar o preço em cada artigo, e os caixas não têm de os marcar nos seus teclados. 243

CARTÕES COM REGISTOS DA NOSSA SAÚDE - E DO QUE SE QUISER a ser usado ainda na presente década. A era do cartão de crédito alvoreceu em 1950 com a introdução do cartão do DiExistem ainda os cartões laser, crianers Club pelo empresário americano dos na Califórnia, EUA. Não são tão "inPrank McNamara. A ideia surgiu-lhe ao teligentes" (smart) como os cartões descobrir, depois de jantar num restausmart, mas podem conter muito maior rante de Nova Iorque, que tinha perdido quantidade de informações pessoais a carteira. O cartão do Diners Club não é sob a fonna de minúsculos furos - com estritamente um cartão de crédito, poro diâmetro de apenas um milésimo de que o total da conta tem de ser pago milímetro —sobre uma tarja fotossensíquando se recebe a factura — grande vel. Os furos, como as concavidades e os parte dos outros cartões permitem que planos de um disco compacto, podem o utente mantenha um saldo devedor. ser lidos por um scanner de laser num terminal especial. Hoje em dia, há milhares de milhões O cartão pode arquivar pormenores de cartões de crédito em uso no Mundo. de identificação codificados, incluindo No fim da década de 80, certas autoriimpressões digitais, assinatura, impresdades médicas da Europa, dos EUA e do são vocal e mesmo uma fotografia, além Japão começaram a experimentar a utide diversos códigos de segurança secrelização de cartões de identidade méditos que o tomam praticamente impossí cos - cartões smart (inteligentes) convel de falsificar. O seu espaço de armazetendo a história clínica do titular. Estes nagem de informações é tão vasto que cartões poupam tempo e burocracia, sobra ainda muito para contas bancápois podem ser consultados pelos médirias, história clínica e habilitações literácos e pelos farmacêuticos nos terminais rias. As informações são arquivadas no de computador actualizados de cada cartão sob códigos de acesso separa vez que o paciente é examinado. Os prodos, de modo que o banco, por exemgramas de ensaio europeus têm como plo, só pode ler dados financeiros, e o objectivo um cartão smart normalizado médico, dados clínicos. dentro da CEE, para assistência e saúde,

Como funciona o relógio de quartzo
Um cristal de quartzo vibra a uma frequência inalterável quando é atravessado por uma corrente eléctrica. Os cristais de quartzo artificiais utilizados nos relógios são fabricados para vibrar 32 768 vezes por segundo ao serem excitados pela corrente de uma pilha. Estas vibrações produzem impulsos eléctricos cujo ritmo à medida que eles percorrem os circuitos electrónicos do microchip é sucessivamente reduzido a metade ao longo do uma série de 15 passos, terminando no ritmo de um impulso por segundo. Cada impulso de um segundo provoca no chip o envio de sinais ao mostrador digital para que avance os números lambem um segundo. Muitos relógios de quartzo mostram as horas em dígitos num mostrador de cristal líquido. Este está contido entre duas placas cie vidro, uma camada inferior reflectora e uma camada superior de vidro polariza dor, e dividido em segmentos por condutores eléctricos transparentes. Cada algarismo é constituído por segmentos — em geral sete, sendo os sete utilizados na formarão do número 8. Os cristais líquidos dispõem as suas moléculas conforme o estado eléctrico em que se encontram. Nos condutores cm que não há carga, a luz que incide no mostrador é novamente reflectida para o exterior - o mostrador fica TUDO POR MEIO DE CRISTAIS em claro. Quando os condutores estão carregados devido ao impulso eléctrico, as moléculas dos segmentos afectados realinham-se, fa zendo com que os segmentos apareçam escuros. 0 cristal de quartzo afará por acçõú de urna corrente eléctrica fornecida por uma pilha. Um microchip converte as vibrações em impulsos de um segundo que fazem avançar a hora num mostrador de cristal líquido.

QUANTO DURA UM SEGUNDO? Desde 19(>7 que a definição internacional normalizada de um segundo, estalxileci da pelo Sistema Internacional de Unidades (Sistema SI), se baseia na frequência da radiação de um átomo de césio - ou seja 9 192 631 770 Hz (ciclos por segun do). Esta frequência é medida por um relógio de césio que regula um relógio de quartzo. Os relógios atómicos-padrão de cada país são aferidos e sincronizados através do Departamento Internacional do Tempo, de Paris.

Circuito electrónico de redução do ritmo - Pilha

Relógios atómicos — a perfeição
Segundo parece, nenhum relógio conse gue ser o cronometro perfeito. Os melhores relógios mecânicos adiantam se ou atrasam-sc cerca de quatro segundos por ano, c até os modernos relógios de quartzo não conseguem margem de erro inferior a um segundo em 10 anos. Mas ealcula-se que um relógio atómico seja exacto até um segundo em pelo menos 1000 anos. Qualquer relógio mede o tempo contando as vibrações regulares de alguma coisa. Os primeiros utilizavam o movimen lo de um pêndulo, e os relógios de pulso ou de bolso, a oscilação de uma roda de balanço. Os relógios de quart/.o tem cristais que vibram â frequência da ordem de 11)0 000 ciclos por segundo quando se lhes aplica uma corrente eléctrica. Os relógios atómicos registam o tempo pelas vibrações dos seus átomos - mais de 9000 milhões de vibrações por segundo nos de tipo mais utilizado, os de átomo de césio. E. contrariamente aos relógios mecânicos, que são afectados por factores como a temperatura e o atrito, os relógios atómicos são praticamente "imunes" às condições externas. Não possuem qualquer espécie de mostrador em que possa mos ver as horas a sua função é regular relógios de quartzo, mai lendo-os altamente precisos. A parte principal de um relógio de césio é um tubo de vácuo com um pequeno forno eléctrico numa extremidade, no qual uma porção de césio é fundida c transformada em vapor. 0 césio é um metal hranco-pra teado semelhante ao sódio, com um ponto de fusão de 28,5"C, baixíssi mo se comparado com os I535°C do ferro. Peça de museu. O relógio atómico de césio usado no Observatório de Greenwich até 1962 era exacto a menos de um segundo em .'iOO anos. Hoje. encontra•se no Museu da Ciência, em Londres.

Como todos os átomos, o do césio é constituído por um núcleo e por electrões que formam uma nuvem cm tomo daquele. Estes electrões podem absorver energia electromagnética, ficando num estado excitado, ou de alta energia; ao desexcitarem-se, radiam este excesso de energia sob a forma de uma onda electromagnética com uma frequência absolutamente constante. O césio vaporizado é submetido a um campo electromagnético no interior de um ressoador, originando vibrações com unia frequência precisa de 9 192 631 770 Hz (ciclos por segundo), exactamente a frequência a que os átomos mudam o seu estado de energia. O relógio de quartzo é utilizado para manter o ressoador vibrando a esta frequência, sendo a frequência normal do seu quartzo, de 100 000 Hz, multiplicada electronicamente. Desde que 0 relógio de quartzo esteja exacto, os átomos de césio ressoam todos uniformemente. São focados sobre um sensor que detecta qualquer alteração da respectiva concentração de energia. Se houver uma alteração, este sensor envia ao relógio de quartzo, através do circuito, um sinal de "erro". Com este feedback, o reló gio de quartzo é ajustado electronicamente para corrigir as vibrações do ressoador.

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UUMU KUNUUNA?

Para que se utilizam os relógios atómicos Os relógios atómicos são utilizados para acertar outros relógios e para investigações cientificas em observatórios e labora tórios espaciais e também nos aviões de alta velocidade para sincronização com os sinais de navegação de radiofrequência.

Nos relógios atómicos podem empregar se outras substâncias além do césio. No primeiro relógio atómico, construído em 1947 no National Bureau of Standards, EUA, do Washington, DC, foi utilizado o amoníaco. Os relógios atómicos mais precisos usam actualmente o hidrogénio, cuja fre-

quência de radiação é superior a 1420 mi lhares de milhões de hertz. Diz-se que a sua margem de erro é de cerca de um se gunrio em 2 milhões de anos. F. os cientistas americanos têm em estudo um relógio atómico de mercúrio cuja margem de erro será, assim o esperam, inferior a um segundo em 10 000 milhões de anos!

O microscópio utilizado na exploração do espaço interior
0 microscópio vulgar, ou microscópio ópservação de células cancetico, amplia graças à refracção dos raios rosas e fibras de vestuário. luminosos por meio de lentes. Mas o miDada a sua grande profundicroscópio óptico não consegue distinguir dade de campo, este micros pormenores distanciados menos de metacopio consegue "observar" de rio comprimento da onda da luz — isto em três dimensões. é, cerca de 0,00 025 mm. Os melhores miUm feixe de electrões não croscópios ópticos não ampliam mais de é visível aos olhos humanos, 2500 vezes, o que é insuficiente para determas a imagem é projectaria minados estudos científicos. sobre um visor fluorescente, semelhante a um écran de O microscópio electrónico pode amtelevisão, que brilha nos pliar um objecto até 1 milhão de vezes, perpontos em que é atingido mitindo aos cientistas estudar as próprias pelos electrões. A imagem moléculas que constituem o Universo. produzida pode ser registaFunciona pela emissão de um feixe de da em película fotográfica. electrões a partir de um canhão de electrões. Os electrões são acelerados através de um potente Vendo o invisível. Os espécimes observacampo eléctrico (vários mi dos pelo microscópio electrónico podem Ihões de volts nos microscóser fotografados quando aparecem no vipios mais aperfeiçoados) e fosor. Os dois espécimes aqui apresentados cados num feixe por meio de foram codificados por meio de cores falsas enrolamentos magnéticos, para facilitar a sua observação. Um gorgudenominados lentes magnélho emergindo de um grão de trigo (à direi ticas. O feixe tem de viajar ta) é visto através de um microscópio elecatravés do vácuo, pois as motrónico com uma ampliação de cerca de 32 léculas do ar provocar lhevezes. Uma pequena porção da bainha de iam interferências. um nervo humano (em baixo) foi observada através de um microscópio electrónico Há dois tipos de microscóde transmissão e tem uma ampliação de pio e l e c t r ó n i c o . O T E M 250 000 vezes. (iransmission elecíron microscope, ou microscópio electrónico de transmissão) transmite o feixe através de uma delgada lâmina rio material em estudo. Este tipo, usado em trabalhos como a observação de cortes de células ou tecidos, pode ampliar até 1 milhão de vezes. No SEM (scanning elecíron microscope, ou microscópio electrónico de varrimento), o feixe de electrões varre, isto é, percorre toda a superfície do objecto em observação ponto por ponto. A imagem é construída ponto por ponto, mais clara ou mais escura conforme mais ou menos electrões são reflecti rios. Pode ampliar até cerca de 200 000 vezes, e entre as suas utilizações figuram a ob-

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^UIVIVJ r U I N V I W I N / V '

Como funcionam os cérebros electrónicos dos robôs?
A noção mais corrente de robô é a de u m a máquina que age c o m o um ser h u m a n o e se parece c o m ele. Mas os robôs actuais quase nada têm de h u m a n o . Os robôs que m a n i p u l a m pistolas de soldar nas linhas de produção das fábricas de automóveis assemelham-se a guindas tes. Os robôs portáteis usados pelos pique tes de d e s a r m a d i l h a g e m de b o m b a s no Exército parecem carros de m ã o sobre carris. E um robô portátil utilizado nas escolas para e n s i n a r p r o g r a m a ç ã o d e c o m p u tadores a crianças já foi c o m p a r a d o p o r algumas a um e n o r m e rebuçado. Os robôs, contudo, assemelham-sc realmente a seres h u m a n o s na versatilidade das funções que d e s e m p e n h a m . Em vez d e repetirem c o n t i n u a m e n t e u m a ú n i c a acção, c o m o as máquinas automáticas, os robôs p o d e m executar u m a série de acções diferentes. Os seus m o v i m e n t o s são controlados hidraulicamente ou p n e u m a ticamente (por pressão de ó l e o ou de ar) ou por um motor eléctrico. O seu cérebro c u m pequeno c o m p u t a d o r que c o m a n d a os seus movimentos. A memória do c o m p u t a d o r c o n t é m instruções para o d e s e m p e n h o de u m a tarefa - pegar em chocolates de um recipiente e colocá-los no sítio certo de u m a caixa, por e x e m p l o . Alterando o programa, é possíve