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pesquisa participante

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PESQUISA

PARTICIPANTE

MITO

E

REALIDADE

Pedro Demo

Brasília, 1982 UnB/INEP

(Versão Preliminar)

ÍNDICE

INTRODUÇÃO .................. ............................... p . CAPÍTULO I: O QUE É PESQUISA ................................ p. 1. Pesquisa Teórica .......................... p. 2. Pesquisa Metodológica ..................... p. 3. Pesquisa Empírica ......................... p. 4. Pesquisa Pratica .......................... p. 5. Conclusões Preliminares .................. p.

CAPÍTULO II: A DECEPÇÃO DA PESQUISA TRADICIONAL ............ 1. A repulsa por parte da PP ................ 2. Crítica à pesquisa tradicional ........... 3. Inutilidade relativa das ciências sociais

p. p. p. p.

CAPÍTULO III: ELEMENTOS METODOLÓGICOS DA PP ................ 1. Teoria e Prática ......................... 2. Postura dialética ........................ 3. Como se entende a PP .....................

p. p. p. p.

CAPÍTULO IV: USOS E ABUSOS DA PP ........................... p. 1. Validade da PP............................ p. 2. Algumas críticas e autocríticas........... p. 3. Precariedades teóricas e metodológicas .... p. 4 . Alguns abusos ............................ : p.

CONCLUSÃO ................................................... p.

Santiago. Europa. a obra mais conhecida ê certamente a de Carlos R. 6ss. foram levados a termo vários encontros internacionais. e ao da Iugoslávia em 1980. mas é comum às ciências sociais. 19 82. Evolución. .d. popular Knowledge and power: a personal reflection. 1981. cela GAJARDO. America Latina e América do Norte. o que motivou o surgimento de grupos mais ou menos organizados. XIV. (1) Cfr. Desde pelo menos 1975 alastrou-se pelo mundo das ciências sociais uma dedicação por vêzes intensa em torno do assunto. Ásia. p. FLACSO. Com a abertura democrática iniciada nos últimos anos da década passada começou a incrementar-se o interes_ se em torno de processos participativos da sociedade. In: Convergence. Ela determina um compromisso que subordina o próprio projeto científico de pesquisa ao projeto político dos grupos populares cuja situação de cias se. Apresenta-se um pequeno his_ tórico e a formação dos grupos principais da África. Ed.. bem como na linha da pesquisa participante.INTRODUÇÃO No Brasil o interesse pela pesquisa par ticipante esta com algum atraso. 12)'. s. do processo eleitoral. por razões históricas conhecidas. Ao mesmo tempo.). destacando-se sobretudo o americano (principalmente latino-americano). n9 3. Mar . a preocupação costuma nascer no âmbito da educação. cultura ou histórica se quer conhecer porque se quer agir" (p. mim. o asiático e o africano(l). (2) No Brasil. Brasiliense. "A participação não envolve uma atitude do cientista para conhecer melhor a cultura que pes_ quisa. seja na linha da organização da sociedade civil. Budd L. podendo-se talvez atribuir relevo maior ao de Cartagena (Colombia) em 1977. Pesquisa participante. A uma educação fortemente reprodutora do sistema e das desigualdades sociais pretende -se responder com outra comprometida com os oprimiddos(2). BRANDÃO (org. situación actual y perspec tivas de las' estrategias de investiagación participativa en America Latina. do planejamento participativo. Como de praxe. Participatory Research. HALL.

• Este trabalho nao reivindica de forma al guma. é preciso indagar até que ponto trata-se de pesquisa e até que ponto trata-se de participação. carecem geral. como. Dentro da universidade predomina geralmente a teoria sem prática. ao lado do natural entusiasmo pelo tema. Somos da opinião de que a pesquisa participante é uma maneira válida de pesquisar e. cremos que nossos exercício de reflexão crítica sobre a pesquisa participante pode ser iniciado.. o contexto concreto de realização da pesquisa participante se apresenta desfavorável. Dentro de instituições governamentais certamente prefere-se ã pes quisa clássica. uma visão exaustiva da questão. a produção vigente é bastante repetitiva. embora nao seja o conhecimento todo. embora tenhamos tido con_ tato com obras de/Veras fundamentais e conheçamos vários experimentos concretos que. pelo menos na intenção. que gostaríamos também de ressaltar. não somente por formação acadêmica. se querem participantes. mas igualmen te por temor a tudo que se chame participação. com vistas a chegarmos a uma posição que desejaríamos e-quilibrada.Num trajeto já relativamente longo é claro que ocorreram. que seriam assumidas como co-sujeitos da pesquisa. De modo geral. porém. se não fora por outra razão. Atendonos especificamente aos termos "pesquisa participante". mesmo porque não foi possível o acesso a produção já elaborada na sua extensão geral. o fato de ter colocado as ciências sociais em intenso debate do ponto de vista da prática política já basta ria para lhe garantir suficiente relevância. existem os exageros e abusos. Ao mesmo tempo. sem falarmos em que o pesquisador identificase com . bem como grandes ingenuidades. tam bem inúmeras críticas. qualquer processo participativo demanda muito tempo para amadurecer e solidificar-se. A 'prática é uma for ma de conhecimento. 0 enriquecimento real que a pesquisa pode obter atra vés de posturas participativas não pode obscurecer mediocridades metodológicas. As comunidades. As_ sim. Há os que nada vêem de aproveitável naqui_ lo que chamamos de pesquisa participante. Todavia. conservando sempre abertas as por tas para retomadas e revisões. mente de nível organizativo explícito. alem de um modismo va zio e de muita confusão metodológica. nao lemos tudo o que seria bom 1er.

June 1980._Juan D. mim. bem como há muito mais sofisticações participativos da do opressão que através reais de processos pretensamente Todavia. No encontro da Yugoslavia. 6. o traço fundamental do fenômeno participativo. Comunicação e Planejamento. também naquilo que chamamos de ciência. aperfeiçoar as possibilidades da democracia. Realiza-se. Pedro DEMO. p. superando as enganosas e irreais. de certo modo. Horacio M. admitia-se: "we still do not Know how to participate" (nao sabemos ainda como participar). porque no mínimo é um vento criativo que passa pelas ciências so-. 19 80. ciais. Olhando assim. é tão relevante como superar a pobreza mate rial. UnB/INEP. (3) De certo modo.grande. 17-25 May 1980. não escamoteála. 140 pp. é tão central quanto sobreviver. do que recuo(4). Ao mesmo tempo. . Por outro lado. são condições de seu possível êxito. BORDENAVE & Horacio M. N. hoje de modo geral apagadas e acomodadas. 1982. É o cerne da democracia. de CARVALHO. Cuidar que exista democracia. Department of Technucal Cooperation for Development. não deturpá-la. Hã muito menos participação do que boa vontade de fazê-la. A ideologia do planejamento participativo. UFCE. dentro de sistemas hoje já sem saída. mim.. este efeitos participativos. de CARVALHO. Poderá certamente arrefecer e banlizar- se. Mas o objetivo é reforçá-la . cuja importância está muito acima dos abusos. Fortaliza. Não banalizá-la. Tal persistência é uma prova concreta de participa ção. Embora nao seja nenhuma panacéia. Brasília. Paz e Terra. 1982. cfr. dificuldade com o oprimido(3). também porque vem sendo mantida sem maiores coberturas institucionais. trata-se da mesma dificuldade que cerca o "pla_ nejamento participativo". nem desacreditar de suas posbilidades. Yugoslavia. que é a conquista de si mesmo. o capitalismo e o socialismo. E tal vez uma saída. reconhecimento é muito mais sinal de bom nível e de realismo científico. REPORT OF THE INTERNATIONAL SEMINAR ON POPULAR PARTICIPATION. Ljubljana. é preciso regar esta plan tinha frágil que é a participação. mesmo porque a consciência critica é um de seus móveis fundamentais. York. Participa -ção é conquista . Criticá-la é essencial. United Na tons.noções de política social participativa. (4) Cfr. não deixa de impressionar a persistência com que se manteve a bandeira da pesquisa partici pante até hoje. CETREDE .. a pesquisa participante não pode morrer.

Já estamos consados de modismos. (5) Usaremos como referência científica nosso em livro: Pedro DEMO. acompanhanos sempre a pergunta. até que ponto o tratamento teórico e prático da realidade social está sendo levado em frente pela pesquisa participante. pela Ciências Sociais. DEMO. Cfr. Nenhum entusiasmo pode substituir sua devida funda mentação. a ciência nem de longe dá o que prome te. pelo menos tolerável. Inventar a democracia viável. Não há metodologia única ou obrigatória. tocaremos os seguintes pontos básicos: o que é pesquisa.parece -. inutilidade relativa das ciências sociais para a população. é mister desmascará-la(5). De modo geral. São tão inevitáveis. teoria e prática. mas delas partir. Por outro lado. também F. Metodologia 1980. S. para que cheguemos a uma sociedade. visão metodológica da pesquisa participante . quanto podem ser uma bela inspiração. não fazemos mais que oferecer um esquema possível de dis_ cussão fecunda. é tão essencial. Ê importante lembrar que o progresso em ciências sociais vive do ambiente aberto de crítica livre e fundamentada. Paulo. Nosso esforço aqui deverá caracteri -zarse pelo rigor metodológico. pelo aspecto de investigação científica. na devida profundidade. precisamos inda -gar. Sem descurar do aspecto participativo..Construindo Ciências Sociais. senão desejável. . quan to inventar suficiente comida. Introdução à Metodologia da Ciência . mito e realidade. Nem vamos camuflar ideologias.. dentro da ótica das ciências so ciais. Assim.Já é importante o brado de alerta con tra o excesso de opressão. Se a desigualdade social é inevitá -vel . a crítica ã pesquisa tradicio nal. a sair Atlas. é certamente evitável que seja tão exasperada . usos e abusos dela. Mais que venerá-la. ou também uma deturpação grosseira. Atlas. Por isto mesmo.

são nossos pressupostos metodológicos: a) Ao lado de coisas comuns. DEMO. Introdução a Metodologia da Ciência . existe o fenômeno fundamen -tal da geração do conhecimento"(1). pesquisa é somente isto. a fim de obtermos um qua dro de referência fundamentado para nossas análises e reflexões. Hans ALBERT. Capítulo Pesquisa. quanto a comunicabilidade salutar. valendo como paradigma praticamente indiscutível. Infelizmente. (2) Hilton JAPIASSU. Altas. o termo pesquisa está pro fundamente estereotipado por vezos consolidados academicamente . a muitos ilação ocorre que a de e ato intrinsecamente qualquer teórico. De geração qualidade de conhecimento lógica. (1) Pedro DEMO. e de absorvê-lo (discência). Esta afirmação pode estranhar. tanto propostas metodológicas próprias. Na verdade. 1975. Embora sejam muito intrincadas tais questões. p. . De um lado. Tratado da Razão crítica. 1930. ideológica distante pratica. Não defendemos a impermeabilidade dos dois cam pos. 13. em outras é cla ramente medíocre.CAPÍTULO I: O QUE É PESQUISA "A atividade básica da ciencia é a pesquisa. Tempo Brasileiro. seja apenas outro um de lado. P. Antes. mesmo porque entre as regras metodológicas mais cultivadas aparece sempre o distanciamento para com envolvimentos subjetivos(2). Sem podermos negar excelências reconhecidas nas ciências sociais nor te-americanas. segundo a qual pesqui sa significa o manejo de técnicas de coleta e tratamento de dados empíricos. porque temos muitas vezes a idéia de que a ciência se concentra na atividade de transmitir conhecimento (docência). Em muitos círculos universitários. não se alia a teoria ã prática. sobretudo no terreno da economia. 1977. Cfr. as ciên -cias sociais possuem paradigmas metodológicos próprios frente às ciências naturais. predomina a postura americana. o que permite. tal atividade é subsequente. é mister revê-las brevemente. Metodologia científica em Ciências Sociais. a sair pela Atlas. Antes de mais nada. Imago. mas uma relativa autonomia. Paulo. S. Ou seja. O Mito de Neutralidade científica.Construindo Ciências So ciais.

a montar a expectativa de que os dominantes o são por mérito. devendo ser tratada de modo unitá rio (conforme os parâmetros válidos para as ciências naturais). que aparece como instrumento essencial a serviço dos dominantes. ou no uso que dela se faz. contra a suposição oposta (e dominante) de que a realidade. ao contrário da ciência que teria como objetivo básico descobrir e manipular a realidade. por ser inevita velmente histórica e política. no f undo. é uma só. Simplificando muito as coisas. op. através das quais provoca sobretudo mentira. sem a usurpação. a deturpação da rea lidade. a realidade natural nao é ideológica. no sentido de que as ciências sociais sao intrinsecamente. Por isto a definimos como "um sistema teó ricoprático de justificação política das posições sociais"(3). cit. e até mesmo a considerado justificar privilégios ameaçados. desigualdades sociais aceitas produto incontestá vel da realidade. na medida que fornece crenças comuns em destinos po (3) P.Certamente nao é fácil montar a idéia de que as ciências sociais lidam com uma realidade relativamente autônoma. Des_ tina-se a motivar a obediência por parte dos dominador. mas no tratamento dado a ela. Para chegar a tanto. mas pode ser ideológico o uso que dela se faz. capítulo sobre I-deologia. altas sofisticações teóricas. manutenção e maximização das estruturas de poder provoca a necessidade da ideologia. apto pode a também buscar. a se atmosfera isto for de irretorquível. como nao seria possível descobrir ideologia na matemática. b) Ideologia é conseqüência necessária do fenômeno do poder. tornar as a camuflar as relações conflituosas como da sociedade. quando quer. a criar a convicção social de que a situação não deve ser contestada. a ideologia lança mão da ciência. DEM}. Também serve para gerar coe -são grupai. Intrinsecamente ideológico signifi ca que a ideologia existe na própria realidade. e as ciências naturais extrínsecamente ideológicas. alean çando. que é seu disfarce maior. com explicitação maior ou menor. extrínsecamente ideológico signi_ fica que a ideologia nao aparece na própria realidade.. . O movimento de legitimação. Assim. e assim por diante. diríamos que o divisor de águas poderia ser detectado ao nível da ideologia. acentuando seu traço político justificador. Intrudução à Metodologia da Ciência.

ainda realidade que social está marcada pela predominem fenômenos inconscien tes. S. 1980. mas que pode ser feita e pelo menos em parte conduzida. A realidade social é histórica. o que a faz sempre carente de superação histórica. é intrinsecamente conflituosa. Zahar. podemos também influir com nossas iniciativas próprias. (por é importante o etc). (4) CENTER FOR CONTEMPORARY CULTURAL STUDIES (org. nunca é completa. 1983. dade cfr. Entre os conflitos básicos estão a desigualdade social e a dominação. ao lado de condições objetivas. . DEMO. (5) Sobre a visão histórico-estrutural da dominação e da desigua]. está dada e feita. ou um mundo povoado de idéias. acir ramento dos conflitos. De outro. pode ser arma dos oprimidos contra os opressores. P. A consciência histórica. Hans FREYER. mas designa um campo específico das idéias. para a qual concor re também a figura do intelectual. a ideologia pode ter outra face. aquelas car regadas de justificação política no quadro da dominação vigente. mas está em constante devir. mas nao somente o o objetivo realidade pobreza exemplo. Na altura dos dominados. aparece como instrumento de opressão de cima para baixo. ou seja. Ideologia não é qualquer sistema de crenças. Ideologia na Ciencia Social. que é central tomar em conta. R. se houver condições históricas de gerar a contra-ideologia com vistas à transformação social aspecto da realidade. c) Ao lado do caráter ideológico. Paz e Terra. crescente material igualmente aspecto da mobilização política. BLACKBURN (org.). o que acarreta a crença de que. Buenos Aires .). o que significa principalmente que não somente aconte ce. De um lado. que são estruturas fundamentais da dinâ mica histórica(5). 1982. podemos acrescentar outras conotações que levariam a fundar a diferença entre ciências sociais e naturais. Da Ideólo già.líticos comuns (4). ou uma simples mundivisão. Sociologia ciencia de la realidad. Sociologia. De todos os modos. da a Neste contexto. Paulo. uma introdução crí tica a sair pela Atlas. 1944. imaginamos poder planejar a história.

d) cuição próxima ideológica. como se fosse a finalidade primei-ra da ciência. a detur pação é inevitável. exemplo. originais. procedimentos de manipulação exata as ou realidades as usuais sociais se maniPor festam sob formas mais qualitativas do que quantitativas. mas como reduzir ao mínimo pos_ sível a deturpação. De mo do geral. estudando sociedade. É importante esta colocação. ideologia. As ciências sociais não são objetivas e neutras. o fenômeno ideológico dificilmente se submete a mensurações. dificultando mensurações.é corriqueiros ideologia. ou seja. como. a teoria e a prática metodologicamente fundamen tadas. reclama-se entre sujeito e objeto interação dialética dinâmica. mas nem por isto é menos importante. Embora as ciências sociais contenham também justificações políticas. objetivantes. a questão não é simplesmente como não deturpar. embora devam distinguir. 0 controle da ideologia (não sua eliminação) está entre os compromissos metodológicos mais fundamentais das ciências sociais. porém. ou de mera estática lógica. pode-se mesmo dizer que em ciências sociais o mais re levante raramente coincide com o mais mensurável. para não recairmos na ideologia solta. entre o que a realidade é e o que gostaríamos que fosse. na medida do possível.Na identidade entre sujeito e realidade porque.-interessa a realidade. No mínimo. É inevitável e conseqüência necessária. apenas porque expedientes ideologia é montar um quadro de pretensa isenção ideológica. mas nem por isto sempre desejável. deve predominar nelas a argumen tação. . mas é importante que se atenham a parámetros da lógica. estudamos a nós mesmos. Claro. objeto. social há. rigorosas etc. Não conseguem ser uma expressão pura de lógica formal. não sua deturpação. Ao pretendermos isentá-la da Não há a já ciências demarcação que isto mais sociais seria sem imisvão a da realizarmos um dos científica. consistentes. ou de mero retrato. a no fundo. pelo menos até certo ponto. Enfim. que sejam coerentes. o que já eliminaria a possibilidade de mera descrição.

Ao contrário. (6) Sobre o problema da demarcação científica. 47 ss. Ainda. Se. a metodológica. etc. a sensibilidade. 13 ss. A expecta tiva de que o modo dito científico seja o preferencial e talvez "superior". discutível e histórico. p. a própria falta de prática possui significado ideológico. não há sentido só na teoria. ainda que predomine a crença da necessidade de isenção de envolvimentos pra ticos. mas na sua interação dinâmica. nao suposta. (6) . sempre superável.Ademais. O Novo Espírito Científico. CAN-GUILlllví. o contato ecológico simples. BACHELARD. Assim. linha. procuramos distinguir pelo comunicações de estilo religioso ou místico. Também o que chamamos ciência não passa de um dos modos possíveis de tratar a realidade social. a empírica e . Metodologia Cien tífica em Ciências Sociais. a ciência nao é a Ünica manei_ ra de conhecer. partimos de tratamento teórico e prático da realidade social. 1968. Tempo Brasileiro. A conjunção entre teoria e prática é essencial em ciências sociais. in: Epistemo logia. o cue nos remete a um conceito processual . por exemplo.. nem só na prática. de ciência. op. porém. a identificação com pretensas realidades extraterrenas menos quatro gêneros de pesquisa: a teórica. ou seja é uma das práticas e favorece a alguém. p. G. DEMO. Para aclararmos esta postura. Par timos da idéia de que a realidade nao pode. Sobre uma Epistemologia concordatária. ser totalmente desco -berta e esgotada. cit. lempo Brasileiro. N9 28. G. Só pode ser uma ideologia obtusa aquela que quer um modo único de pesquisa. embo ra sem confundi-las. É possível descobrir a realidade de mui tas maneiras. que nao aqueles certas definições básicas: Assumimos as ciências sociais como o gerados na universidade ou nas instituições de pesquisa. intrinsecamente dialético. que valorizem mais. a intuição. Nesta a prática. nao há como fabricar tal isenção. aceitamos que a realidade social é intrinseca -mente ideológica. reconhecendo-se que poderiam existir outros. precisa ser demonstrada. Pesquisa aparece no contexto da ciên -cia como seu movimento fundamental de descoberta da realidade. veja P. nossa ma neira de fazer ciência deveria ser chamada de "modo ocidental de produzir ciência". Existem outros saberes.

Aspectos deste extremo são. dominar realidade gostariam mesmo mãos com ticas concretas. somente realidade devotam co . no sentido de que. Pesquisa Teórica Admitimos que nao há ciencia sem o adequado movimento teorico. . não para fazer. porque já seria pura especulação. de a elaborarar em categorias mentais. cer prá como talvez fosse o caso da sociologia e da filosofia. que significa a ordenação da realidade ao nível mental. se colocam tantas questões teóricas prévias e precedentes. Não é diencontrarmos saberiam por sociólogos Podem que manipular aqueles a possuem teorias e de nhecimentos não desprezo teóricos. porque muitas vezes confundimos teoria com especulação.crítica nesta que a Existe pela exacerbação reflexiva. que sempre é possível mostrar que ainda não é tempo para entrar mos nas vias de fato. Ou seja. Nao há pesquisa apenas teórica. não chegam a ser resolvidos. ou a veneração dos clássicos. A ciência sempre é também uma forma de pensar a realidade.1. ou a tendência a simples crítica das propostas alheias. enquanto que a teoria produz a sensação de superioridade de quem nasceu para julgar . quando desanda num movimento subjetivista e alienado. deprezan-do-se por vezes olimpicamente a realidade concreta que nos cerca. sem apresentar contraproposta. por exem plo. . e assim por diante. como expediente para se evitar o encurralamento na prática. facilmente quase sobre até sujar as tendência. e somente é condenável quando passa a substituir a realidade. disciplinas a crítica. a. as discussões intermináveis em torno de problemas que. já que toda prática limita e compromete. Pode surpreender que consideremos a possibilidade e mesmo a necessidade da pesquisa teórica. ou o começo fatal de tudo por "Adão e Eva". antes de qualquer ação. de tal sorte que a realidade se reduza a mero jogo de idéias. mesmo a especulação pode ser criativa. ou a fuga teórica. Todavia. geralmente estran geiros. fícil mas to que mister recaem que evitar os extremos. É a indigestão Há teórica. à sombra dos quais se parasita tranquilamente. por isto mesmo.

Alguns momentos centrais dele serian: a) A elaboração de quadros de refe rancia toca a questão vital da sistematização da realidade em nossa mente. se o fenômeno coincidisse cem a essência da realidade. como teoria do conhecimento. como diria Bachelard. cit. Embo ra a teoria tenha sempre uma estrutura sistemática. porque é mis -ter teoria para negar a teoria(7). uma análise teorica -mente fundamentada seria aquela apresenta onde "amarrada". que. a "demissão teórica"-. sólida. CANGUILHEM.O outro extremo seria a negação teórica. ou. pura e simplesmente. é preciso reconhecer uma contradição básica nesta postura. 107. ninguém escapa em ciências sociais da validade histórica. contextuada no espaço e no tempo. POPPER. é uma das medidas que da nossa uma os capacidade estrutura enunciados de ção se compreensão do que se passa na realidade. Entre estes dois extremos. Assim. somos apenas cré dulos(8). seria a própria morte da pesquisa. Sem teoria. surpreendente que nenhum rea lismo. tôda teoria torna-se clás -sica. e sobretudo o realismo empírico. ou seja. Qualquer dado já é um produto teórico. e não somente facetas circustanciais. (7) Cfr. para fazermos justiça a seu conteúdo histórico. criativa e profunda. R. aliás. 1965. pois. consistente. não tem condições de perenidade explicativa. como acreditava Marx.K. où seja. p. signi-fica geralmente que seu autor foi genial. Talvez seja possível afirmar que a forma mais comum de mediocridade ci entífica é a falta de base teórica. 51-52. desdobram de forma concatenada. quando dizia que. Hutchinson of London. op. Todavia. mas precisa ser interpretada. desde que direcionado ã descoberta e discussão da realidade. não seria necessária a ciência. conseguiu a-tingir aprofundamentos estruturais da realidade. bem No fundo. G. The Logic of scientific discovery. Ao mesmo tempo. o trabalho teórico é fundamen tal ao processo científico. aos olhos de Bachelard.: "Nao é. Não-existe a evidência empírica. (8) Mesmo Popper reconheceria que todo enunciado observável já é uma "interpre taçao à luz de teorias" . encontre graças. é importante insistirmos na idéia do diálogo. coerente. podemos vislumbrar a teoria como nosso diálogo científico interminável com a realidade que não conseguimos nunca dominar de todo. Nao há real antes da ciência ou fora dela" . . se admitimos que a realidade não se dá. quer dizer. 0 fato de que usamos depois de muito tempo teorias passadas.p.

No entanto. a principais profundamente elaborada havidas e de temporal. parcialmente válidas. na acumulação de fatos e dados. do que o do discípulo fiel. ao mesmo tempo. tem sua forma própria de explicação. Traduzem acumulação conhecimento. nao transmissão ou repetição. o trajeto de amadurecimento do cientista. através da qual pode -mos nos armar básica com de alternativas cada as explicativas.O quadro teórico de referencia decide nossa capacidade explicativa. Por vezes. Sem quadro de referência. através do qual adquire solidez própria e apresenta-se como capaz de produção original. circunscrevem ainda cristalizam maneiras típicas de ver a realidade. o cientista não somente sabe explicar a realidade . na qualidade de receptor ou de discípulo. marcando já polêmicas algumas ainda pelo seu menos trajeto vigentes. Porquanto. acentua-se demais o respeito aos clássicos. Corrige e se corrige. tem mensagens próprias. A partir dele. mais que isto. o melhor discípulo é aquele . significa isto que construiu seu próprio lugar. as causas reais. emerge o repetidor. de forma geralmente empobrecida. O problema maior neste terreno é o mo do como se estudam os clássicos. ficamos na descrição. Significa. a estilo do discípulo que nada mais faz do que redizer. que se resolve no tirocínio árduo e profundo da pesquisa teórica. Diríamos sua que respeitar e os clássicos reduzi-los é a prinmera cipalmente revidar criatividade. na complexidade desencontrada. Não se contenta em constatar como as coisas acontecem. e assim por diante. Os clássicos significam a referência histórica disciplina. quando não deturpada. no sentido de apontar. e talvez ate alternativa. criativa. mas quer saber por que acontecem. o que o mestre já disse. de descobrir a dinamica dos processos nisto ricos. b) A compreensão dos clássicos é ou -tro campo importante da pesquisa teórica. elaborar quadro próprio teórico de referência é o desafio substancial da formação teórica. de superar a superfície para atingir dobras mais profun -das da realidade. Predomina certamente o estudo passivo. para os efei tos. No lado oposto. Quando se aceita alguém como "teórico" de certa disciplina. poucos fe nómenos são mais negativos dentro do processo científico. Consegue discordar e contrapropor. mas. Assim. de a in vestigar e sistematizar.

. domínio teórica.revisões de quadros em torno já de cristalizados atraente. o autor é é a elaboração convidado a constante dominar da a reflexão literatura circundante. a. espontâneo. na qualidade de convite perene à indagação incansável. polêmicas inventivas aspectos relevantes. construído rejeitamos propomos sentido.que supera o mestre. Esta nos desafia constantemente de a novas a idéias. de modo geral. sequer na pós-graduacão. A demasiada aceitação dos clássicos significa. chega-se cilmente ao marasmo ou às igrejinhas fechadas. provocan as do boas discussões. ao contrário. Assim. que a tanto chegou porque nao aceitou ser apenas discípulo. contrário. 0 processo de criação não é. atividade tionamos. de na tal qual cultivo. procedimento elaborada da básicas na gra é de . a debater-se com. nao aquele que as paraliza. uma das maneiras mais profícuas teórica. indicativo teórico discussão determinada disciplina. tal qual aconteceu com o próprio mestre. assim por este teórica categorias diante. no qual a fidelidade ideológica é preferida à construção de identidade teórica própria. drão lidade de pelo menos na de constante aceitamos. e neste relativo é através da da produção na ques O pa vita fa qual da especialidade própria. através qual inventamos Infelizmente privilegia duação e. de pesquisa é. Caso alternativas. a leitu ra assídua dos finalidade alternativas explicativas. mas. Precisa ser cultivado. dividindo os cientistas entre here-ges e asseclas. clássicos 0 bom não clássico tem como é aquele que continua emperrar. Ao aceitarmos que a atividade básica da ciência é a pesquisa. conflituosa e formação teórica. um tratamento subserviente. A produção vigente tem principalmen te a finalidade de recompor interminavelmente o contexto da criatividade científica sobre uma realidade entendida como inex gotável. de tal sorte que a vida continua. manter viva a luz da criati vidade. acadêmica outras não da e aprofundamos autores. referencia. estamos sugerindo que o cientista deveria ser fundamentalmente uma instância criativa. a formação visões reflexão teóricas. d) A um exercício fundamental conceitos. por vêzes. como sempre. c O ) vigente.

que precisa ser complementada com a capacidade prática. a dialética é tudo o que nós encontramos ao fim da analise dos meios do saber. Neste sentido. Os quadros de referência devem levar-nos à criatividade . monolitismos e maniqueismos. que nada mais seria do que controle de leitu ra. op-cit. pode ser ciência. Saber elaborar um trabalho teórico já é grande virtude. CANGUILHEM. Qualquer proposta alternativa alimen ta-se da vigilância crítica. porque ela não é uma conseqüência da ciência. é essencial trabalhar mos indagações teóricas com profundidade e rigor. A reali dade é mais importante que nossas classificações e sistematiza-ções. mas não sem paradoxo.G. a sistematizar pressupostos teóricos. também questão de coerência: se a realidade é crítica (conflituosa e dinâmica). Sem exagero. 51. Bache lard coloca na recusa a mola propulsora do conhecimento" . Isto é pouco. A capacidade crítica. precisa ser tratada critica-mente. Colabora pelo "achismo" ou pelo preconceito ideológico. reinventá-lo. porque mantém proces ser sualidade imorredoura. mas. desde que nao nos A crítica é ela teórica que sempre sua corre o risco da alienação prática. discordar dele. dificilmente poderia supervalorizada. nao vamos além da ficha bibliográfica. Ê preciso saber interpretar um autor. mas sua essência. A ruptura com o passado dos conceitos. nada tem a ver com procedimento uni versitário. p. não ao cárcere das próprias idéias. . Muitas vêzes. adequadamente conduzida. a estruturar explicações. A teoria crítica traduz a envergadura con -creta da capacidade de produção teórica e significa o grito de alerta contra dogmatismos. e) mesmo a alma da É em superar o ambiente frouxo das discussões marcadas pela falta de leitura prévia. sentido.propostas divergentes. •Neste refugiemos na mera especulação.. No fundo. apresen -tar alternativas explicativas. é o oxigê -nio da sobrevivência científica(9). dialogar com ele de igual para igual. que não nos permite degeneramos em fósseis acadêmicos. (9) "A má vontade crítica não é uma penosa necessidade da qual o sábio poderia desejar se ver dispensado. a polêmica. porquanto 1er um autor ê uma característica prévia. a formular posição própria etc. porque leva a ordenar idéias.

a cientificidade é sobretudo questão de método. A falta disto traduz o traço típico da mediocridade científica que não possui material de discus -sao. nao é necessário atribuir sentido pejo rativo a um trabalho teórico. acumula-se. A metodologia não diz respeito diretamente ã realidade. Exceto para o metodólogo. porque voltam sempre sobre si mesmas. o que poderiam dizer em menos. difusas e prolixas. Mas concisa e criativa.A sível. se complementam. Aí está um vício comum e lamentável. imaginando substituir a própria realidade. mas não se explica. mas igualmente de cientistas capazes de montar explicações teóricas sólidas. Muitas teorias são dispersas. Assim. inspirada e certamente provacante. Não há somente falta de pesquisadores que saibam ar rumar e interpretar dados. Talvez se possa dizer que é mais importante chegar ao "o que fazer". Dizem nu-ma infinidade de páginas. Descreve-se. se realizar a condição de instrumento de descoberta da realidade. seja produzido original -mente. São monótonas. repete-se. Pesquisa Metodológica Também pode surpreender a tentativa de considerar válida a pesquisa metodológica. mas de cultivar a formação de quadros criativos de referen cia e o espírito crítico. antes. o co levar nhecimento para frente e de desobstruir veredas emperradas da ciência. mas aos instrumentais de captação e manipulação dela. um não substitui o outro. Todavia. 0 abuso teórico não tolhe seu uso. A teoria provoca efeitos negativos somente quando se encerra em si mesma. muito embora um possa sentir-se mais vocacionado teoricamente e o outro mais empiricamente. 2. é uma disci plina instrumental. nao de criá-los. seja retirado de outros autores. mas necessaria. Nao se pesquisa trata de teorica nao o é somente pos_ es recompor extremo da peculação vazia ou de reimplantar a discussão teórica interminá vel. do que perder-se apenas no "como fazer". . São concéntricas. porque geralmente temos da metodologia a idéia vaga e superficial de aprender ins_ trumentos de pesquisa. existe capaz a de boa teoria.

Isto depende de um tipo especí- (10) Cfr. Nao se coloca o problemàtica problema de instrumental captar e é em si a manipular realidade. é certo afirmar que a metodologia é tendencialmente uma indagação de estilo teórico e varia de acordo com a visão teórica respectiva . há mesmo contraditórias. aquela é o modo de estruturação. pode-se entender a dialética como a metodologia própria das ciências sociais. .: "Elementos da metodologia dialética". A uma realidade entendida como intrinsecamente conflituo-sa. precisamente o método dialético. apenas uma dia letica. cabe uma metodologia inspirada nesta visão e que é a dialética. se não tivermos já uma noção previa do que é a reali dade. sobretudo com a lógica. acontece que dentro da ciência por nós praticada concebemos a realidade. Todavia.. identificam-se no substan tivo. DEMO. A lógica perpassa formal todas e a as metodologias dialética.A conséquente. P.cit. marxista(10). op. Por isto. Todavia. De todos os modos. por outra. nao há amadurecimento científico adequado sem amadurecimento metodológico. lógica Em todas há virtudes e defei -tos. também na diferenciarem no adjetivo. porque enquanto esta metodologia é a não é propriamente explicativa a da estruturação realidade. na verdade. Cremos que a realidade social é sufi cientemente específica pax"a merecer método próprio. que. que é dinâmica precisamente por causa de suas infindáveis contradições históricas. que não pre_ tende por isto mesmo explicar as ciências naturais. A teoria. que imaginamos poder explicá-la. Embora isto pudesse em tese ser objetado como vício da ciência ocidental. da antes ciência de se ocidental. é dentro de uma idéia que te -mos da realidade. Introdução a Metodologia da Ciência. sem com isto deixar de se aproveitar também dos métodos' das ciências natu rais. Para isto insiste-se na pesquisa me todológica. nem deixa de conviver frutuosamente com as metodologias outras. como logicamente tratável. cap. também a social. são lógicas. que há de significar a descoberta criativa e crítica de modos alternativos de dialogar com a realidade social. ou seja. aplicamos a uma realidade que cremos dialética. Nao existe.

condicionado. polêmica de Lévi-Strauss com Sartre. sistemismo . op. mesmo a maior transformação imaginável(11).fico de visão do mundo. ideológico. sobre as superações. porque seria im possivel fecharmola num resultado final. já para todos evidente. a discussão constante sobretudo com as metodologias adversárias é um expediente salutar para não se transformar questões de método em camisa de força. ou seja. Para as ciências sociais. cit. Seja como for. que substitui o argumento pela autoridade. que o entende no fundo ordenado.C. O Pensamento Selvagem. porque partese da visão de uma realidade única. Nas ciências sociais conhecemos uma certa profusão de metodologias. Alguns poderiam ser: a) A discussão das alternativas metodológicas favorece a visão ampla do processo de formação da ciência. estruturalismo. ou apenas de forma voluntarista. DEMO. cfr. porque privilegiam a persistência histórica. sem co tizar com ás outras. Sobre positivismo. Se aceitamos que nenhuma metodo logia é completa e final. capitulo IX. Sobretudo o sistemismo defende também a unicidade do método. na concepção de realidade que sub jaz a cada uma. Ademais. de qual -quer maneira. funcionalismo e dialética. empirismo. 0 positivismo e o estruturalismo se encontram na postura de unificação metodológica da ciência. momentos da pesquisa metodológica . o repto é curvar-se ao paradigma das ciências naturais. A propria mudança não se dá ao léu. Até para a história vale: tudo o que acontece na história é his toricamente explicável. 1970. não faz sentido optar por uma. mas condicionada. à base do conceito de sistema que se aplicaria a tôda a realidade. EDUSP. dentro da qual diferenças de caráter histórico. LEVI-STRAUSS. natural e social(12). o que já atestaria a influência ideológica na origem. Metodologia científica em Ciências Sociais. (11) (12) Cfr. ainda que dinâmica. causado. qualitativo etc são secundárias. Isto somente seria possivel no dogmatismo. P. O funcionalismo e o sistemismo asseme lham-se na ótica institucionalizante que emprestam às análises. permitindo o posicionamento aprofundado e a opção metodoló gica com conhecimento de causa. é fácil vermos que toda esta discussão é complexa e no fundo frágil. como se fora delas não existisse salvação.

própria imagina-se explicar tudo. a saber. Duro é criticar as "vacas sagradas". É por demais comum o vício da crítica unidirecionada. con tra o comodismo das leituras fáceis. aquilo que mais acha mos evidente e principalmente a nós mesmos. Quem nao padece de dúvidas. ao cientista como artista. e mesmo nos Estados Unidos. como seria talvez o caso de ciências sociais • na maioria dos países socialistas. Talvez se chegue ao idiota especializado/ não ao criador original. mesmo que sempre criticáveis. mas não constrói o pesquisador. Ou seja. b) principalmente uma perspectiva A formação do espírito através crítico da qual é se metodológica. não pode esquecer que a coerência da crítica está na auto critica. contra a superficialidade. Onde impera a evidência. contra os dogmatismos e fe chamentos ideológicos etc. não conhecemos tudo. contu do. mais importante que criticar os outros. não se cria mais nada. Não é façanha criticar adversa rios. contra o "argumento" de autoridade. contra o objeto da crítica. não tem o que pesquisar. A ciência por pacote facilita o término do curso. . Outra é a situação. até ao ponto de considerar ideologia simplesmente a opinião do adversário. onde existe fidelidade excessiva a certas posturas. é colocar-se como objeto da crítica.Ainda que possamos discordar. Mas a críti ca autocrítica é fonte de criatividade e abriga a condição fundamental da originalidade científica. Não falta da ver de nada preocupação de base da além metodológica Resta ótica a e falta teórica. porquanto pesquisamos porque temos dúvidas. que cultivam em excesso a monotonia empírica. porque se reduz tudo ao tamanho da própria visão. um. A causa a mesma mediocridade se consegue credulidade. precisamos reformular nossas explicações. A formação do espírito crítico. exerce a vigilância crítica sobre o que fazemos e acreditamos . É também a inspiração pr_i meira do pesquisador. Ê preciso sobretudo não fugir a pro postas alternativas. dos traços europeus importantes da formação científica é a discus -são metodológica e o ambiente de criatividade infindável nesta parte. A critica me ramente teórica é o refúgio de quem teme a prática. é a luta constante contra nossas tendências à credulidade.

predominar a argumentação sobre a justificação. A realidade precisa ser escavada. é possível à situação de presença controlada da ideologia. enquanto outros causam estranheza ou são coibidos. não se coloca mais a idéia ingênua e irreal de eliminação da ideologia. porque. Em determinado momento histórico. o que permitiria o fenômeno fun damental metodológico. mas a própria. O erro é companheiro solidário do científico. a primeira ideologia a ser detectada nao será a dos outros ou dos adversarios. deste ponto de vista. a . É simplesmente coerente para quem julga serem as ciên cias sociais intrinsecamente ideológicas. fácil. Partindo daí. c) fundamental inevitável e do processo de mesmo necessária O controle da ideologia a subverter é a um passo como pesquisa. a ideologia pode mesmo ser uma inspiração. seja porque nao chegam a preocupar-se com isto. sempre possível. busca-se então seu controle. Há cientistas que colocam sua ideologia mais ao alcance dos outros. E ainda há os que porque acham que somente os outros são ideológicos. e por ele que passa a chance de alternativa.Nisto a ciência é diferente do senso comum (embora nem sempre por isto superior:não crê em conhecimento imediato. até mesmo porque acreditam que o debate aberto é pre_ ferível. Se a credulidade dos outros é um problema. um tipo de ideologia pode ser colocado sem protestos. De outro. porque contêm sempre erros. Por isto diríamos que. de acordo com o cientista e com o momento histórico. Dentro da perspectiva do con trole. direto. muito maior problema é a nossa. não Reconhecer ideologia significa pretensão científica. A ideologia aparece de formas mais ou menos explícitas. De um lado. caminho virada pelo avesso. contornada de todos os lados. Para chegarmos ao controle da ideólo -già. admitir-se ideológico. Outros esparramam-na nas entrelinhas ou chegam mesmo não se dão conta. porque deve. As teorias sao sempre superáveis. o ponto de partida será o de se reconhecer ideológico. que será sempre apenas relativo. no sentido de conseguir detectar nossos apegos ideológicos e de conviver criativamente com eles. seja a ser subliminares. sob em pena bora de deva nao ser passarmos superado de simples que descrições e de fotografias passageiras." Assim. que é a predominância do argumento sobre a justificação.

esta preocupação para os cientistas é que A desejam a aproximação com os oprimidos. de absorção de ensinamentos. que metodológica e entre os as fundamental. Não são instâncias de criação de alternativas científicas. Insiste na objetividade e na neutralidade sobretudo por temor que a desmascarem. embora talvez às custas do povo. ã quebra de rotinas explicativas. não ternativas perceptíveis. £ decisivo armarmos o quadro metodológico que nos leve ã desinstabilização constante. Estamos mais transmi tindo. repetindo. coisa pesquisa participante. d) O cultivo da originalidade cientí fica Pouca novas é uma promessa acontece. o cien -tista vê na ciência a maneira de montar uma forma privilegiada de vida. as ciências sociais sao justificação política da sociedade em que se vi ve. participação pode ser real. mas é muito mais fácil ser uma farsa. lavrado sobre a distinção ex eludente entre trabalho intelectual e manual. Principalmente ideológica totalizante. Não é produzida pelo povo. que acontecem da principalmente talvez esteja há se a al tomarmos em conta o relativo marasmo atual das ciências sociais.pesquisa metodológica é algo vital. até a própria identifica ção metodológica vital. não há teorias abalem fundamentos muito ciência. Em tudo há pouco de arte criativa. ao protesto contra nossa própria me diocridade. Impera a máquina de moldagem. É profundamente um projeto pequeno-burguês. de instrução programada. Mais do que descobrir a realidade e de a manipular. resumindo e recompondo. Muito mais do que imaginamos. e muito mais ten -dente a identificar-se com os poderosos. São instâncias de aprendizagem. à som bra dos quais é geralmente produzida. do que de sua redução. Do ponto de vista ideológico. a ciência é uma história muito mal contada. Transparece aqui também o lado sociali zador da formação científica. Ê muito mais instrumento da desigualdade social. do que com os humildes. . De modo geral não há grandes autores. como qualquer processo pedagógico: mais domestica. do que educa. do que assume o risco da prática do oprimido. Justifica muito mais facilmente os poderosos.

constituindo-se hoje um legado importante. o que acarretaria não somente o traço de uma proposta testada. é o que esperamos da pesquisa. descobrir novos rumos. representa a sofreguidão pela alter nativa. porque operacionalmente traduzida. enquanto que também ofereceu base mais consis . Participa da visão. manipular estatísticas é uma virtude fun damental do cientista social. urge inventar coisas novas. cuanto à capacidade de resolver os problemas angustiantes do homem. De certa forma.Se olharmos também para o cansaço das ciências sociais. 3. AO mesmo tempo. na qualidade de instrumento de descoberta contante de uma realidade infindável. interpretar fatos. ainda que possa ser irrelevante do ponto de vista social. foi um "santo remédio" con tra a tendência especulativa de ciências sociais muito dadas a teorizaçoes mirabolantes e subjetivistas. Produzir dados. perdidas num patamar de relativa inutilidade. Caracteriza-se pela experimentação da influência deve-se também ao fato de ter sido adotada como paradig ma central das ciências sociais nos realidade. Privilegia processos de quantificação e de mensuração. construiram-se infindá veis técnicas de coleta e tratamento de dados. para termos o possivel. Sua Estados Unidos. Em ciências sociais passou praticamente a monopolizar o sentido de pesquisa. por mais cue possa exagerar sua promessa. está pelo menos dentro da realidade observável. recompor a esperança em nossa potencialidade. A pesquisa participante. O que se estuda empiri camente. num contexto de realidade tida por intolerável. que poce encontrar nisto instrumen tos de grande valor para suas análises. mas igualmente a capacidade de ser mais útil. O uso da estatística alargou muito o campo de trabalho. mensuração e manipulação de dados e fatos. Pesquisa empírica é a pesquisa mais usual. segundo a qual a demarcação científica passa pelo teste da realidade empírica observável. lançando mãe de todas as técnicas de coleta. como se fosse a única maneira de descobrir a realidade. como adequar o desejável dentro do viável. Em absoluto é possível negar os méritos da pesquisa empírica.

que viabilizam o acompanhamento de fenômenos ao longo do tempo sob for_ ma bastante controlada. porém. No mínimo traz a teo -ria ao terra à terra. não precisa ser funcionalista. educacionais (taxas de escolarização . A quantificação pode ser muito útil e tem sempre a vantagem de poder ser refeita por outros. O trato da realidade empírica enriqueceu imensamente o repertorio das analises. índice de Gini etc). Muitas críticas hoje feitas aquilo que se chama pesquisa clássica ou tradicional são certamente corretas. do teste etc só faz bem. Outras. traduzem o esforço de produção científica testada e replicável facilmente. 0 uso do computador permitiu grandes sofisticações. o que permite também o teste intersubjetivo. As_ sim. psicológicos (quociente de inteligência. espe -rança de vida etc) e assim por diante. desde comportamentos mais formais da observação seca e distancia -da. como indicadores econômicos (renda per capita. confundem pesquisa empírica com pesquisa empirista. que veremos adiante. trouxe a necessidade do contato direto entre sujeito e objeto. sem escon der a crítica contra analises feitas longe da realidade ou dema siadamente subjetivas. embora sempre frágeis e mutáveis. De qualquer forma. . da quantificação. São muito conhecidos indicadores de certas faces da realidade.tente para as afirmações e generalizações. que. Todavia. bem como a formação de bancos de dados. Hoje temos já indicadores consagrados em cada disciplina. até a observação participante. uma análise das funções da universida de na sociedade. por exemplo. a aplicação adequada da mensuração. O grande valor da pesquisa empírica é • a produção de análises empiricamente testadas. reduzindo-a à devida modéstia das afirmações fundamentadas. A pes quisa empírica somente é condenável quando acometida do vício empirista. sanitários (mortalidade infantil. tes -tes psicotécnicos etc). a idéia válida do teste empí rico foi freqüentemente abusada como forma única de conhecimento da realidade. de analfabetismo etc). da experimentação.

ainda que em doses pequenas e muitas vezes forçadas. . 0 exemplo do uso da vêzes renda exigimos per demais para da quano capita medir desenvolvimento dos países é ilustrativo. Em si. Em ciências sociais é assim que. torna-se ridícula. Certamente. é erro do analista. Para quem vive na sala de aulas. não da medida. Renda per capita significa tão somente uma relação entre o produto econômico gerado e a população e xistente. 13. mas não uma falha da própria medida. como a renda per capita. mas não pode medir sua distribuição inter na. DEMO. o que aconteceu foi muito mais um abuso da medida. E é isto que se interpreta. Brasília. 1980. segundo. uma falha dos intérpretes. no contato com a realidade descobrem-se coisas que a teoria sequer havia suspeitado. porque revela crescimento. não desenvolvimento (= crescimento participativamente distribuí do) .Muitas tificação. MEC. primeiro porque uma média não revela bem os extremos e. uma vez foi usual fazer este tipo de comparação. Série Planejamento 2. in: Indica dores educacionais no contexto do desenvolvimento so cial. Assim. Assim . oportunidade para se testar até que ponto o que se pensa ba_ te com a realidade. raramente o mais mensurável coincide com trouxe grande descrédito ã pesquisa empírica. cercado sem por intermináveis a empiria questiúncu-las significa uma metodológicas. porém. o que daria uma média de renda por habitante. A principalmente na atração de da pesquisa com empírica está a característica permitir facilidade descoberta da realidade. A partir de certo momento. não há nenhum demérito em formar uma medida. porque a realidade social é incrivelmente mais rica e exuberante do que as mensura ções que possamos Inventar(13). perdido numa ex trema indigestão teórica. O problema é como o mais relevante. p. Esta re lação mede apenas o crescimento do produto econômico relacionado com os habitantes. Notas gerais sobre Indicadores Sociais. como se existisse apenas para camuflar a realidade. ou seja. especulando parar. Exigir que esta medida reflita a distribuição do produto. (13) p. com razão a pesquisa participante se insurge contra isto. Quando unilateralizada . porque é uma grosseria amarrotar dimensões qualitativas em padrões rígidos quantitativos. impugnou -se a validade desta medida e passou-se a ver nela alguma "perversidade" intrínseca. Secretaria Geral. ss.

se de que prática poderia ser simples ativismo ou ou seja. A isto deu-se o no me de observação participante. a coisa é outra. a exas_ peração ideológica. Sem avançar outros componentes que serão posteriormente tratados. A pesquisa prática não substitui as outras. que. porque irreal. outra ê ir vê-los de perto e. metodológico e empí_ rico não lhe faz nenhum mal. que é sempre político-ideológico. No concreto. Pesquisa prática A pesquisa prática contém elementos da empírica. Descobre-se que o mundo teórico é por vezes muito ordenado. da ilusão da isenção ideológica. 0 contato com a realidade concreta fa cilmente cura o vedetismo teórico. Quando se mexe com a realidade concreta. do que incríveis teóricos. se possível. por que uma generalização excessiva retiraria sua especificidade. para lhe poder caber a marca de pesquisa. uma simples pessoa do povo opera melhor soluções viáveis. é preciso acentuar qua a prática é também uma forma de descobrir a realidade e de a manipular. nada tem a ver com a pesquisa participante. embora possa facilmente recair no extremo oposto. não se trata da pra tica do senso Tratacomum. cai a mascara da empáfia teórica. Por vezes. convive com as outras e pode ser unilate ralizada como as outras. outra é propor o viável. que assume compromisso com opções de ralização histórica." Em termos de planejamento. contenha o elemento da descoberta científica. mas a ultrapassa de longe com referência ao conceito de pra tica. uma coisa é imaginar o desejável. Trata-se da prática político-ideológica. O cuidado teórico. Ademais. todavia. científicamente contextuada. . A pesquisa empírica também serve como controle da ideologia. 4. mero que condicionamento externo e objetivo de nossas pretensões teóri -cas. Não se trata de qualquer prática. pelo menos no sentido do teste da realidade concre ta. Mais que isto.uma coisa é estudar os índios nos livros. até conviver com eles. a critica desenfreada.

isto que as ciencias sociais sejam que insao quer também significar necessariamente práticas. a questão do poder. sao marcadas pela problemática so cial em que são geradas e cultivadas. poder como intocáveis e me ritocráticas. Mas isto basta para incutir nas ciências sociais o gosto típico de proposta conservadora. historicamente condiciona dos.. da desigual dade e de outros conflitos estruturais. antagônica". entre outras coisas. porque esconde ou revela um tipo de opção política e o favorecimento de alguém. ou sobretudo quando. embora isto facilmente aconteça. As ciências sociais são produzidas por homens de carne e osso. Paulo. . Não é necessário perder o senso do controle ideológico. A postura prática assume uma opção teó rica e por isto coloca a questão ideológica de modo explícito . nem proletários. funcionalista também e passa sistêmica. sobretudo na quando estruturas vigentes de. postura "não estruturalista. ao la do dos traços epistemológicos. porque. como expressão social. a pintar sobre a dialética. Carregam a função fortemente legitimado ra dos grupos dominantes.Assumindo-se trinsecamente ideológicas. condensados na posição geralmente privilegiada dentro do sistema de produção e de poder(14). A omissão da prática passa a ser também uma espécie de pratica. que também são. Dentro da problemática social emerge. não através do distanciamento mas através do A cultivado como acontece nos outros tipos de pesquisa. Geralmente os cientistas são pequeno-burgueses. valem os condicionamentos objetivos. Por isto. Mas mesmo a dialética conhece versões amansadas. Aimed. nem burgueses. alocados concretamente na estrutura de poder. mesmo quando. maneira. (14) P. Intelectuais e Vivaldinos. As ciências sociais são necessariamente um fenômeno político. o que transparece já com suficiente clareza na predominância das metodologias positivista. mais que as intenções. S. 1982. O controle ê feito de outra engajamento declarado. DEMO. ne -guem isto. à medida que motivam a formação de uma elite intelectual capaz de produzir e manipular ideologias a ser viço dos poderosos. tendencialmente as ciências sociais escondem ou revelam uma proposta de estilo conservador .

pode facilmente haver. tanto no sentido de manter nele os poderosos vigentes. surgem as distorções usuais: deturpações grosseiras da realidade. ou seja. seja inconscientemente . Assim. e assim por diante. Mesmo quando se as explicitamente ideologia. condenação apressada de ou -tras posturas possíveis. ela quer conotar em si o intelectual que colabora na justificação do acesso ao poder. e é muito rara a prática revolucionária. A reacionária não é menos prática . nos cientistas que se iludem com a objetividade e com a naturali dade. Ao mesmo tempo. seja conscientemente. Se usarmos a figura do "intelectual organi co". Predomina geralemente o primeiro tipo. do ponto de vista de uma produção pequeno-burguesa á tendência é a contrária. Ao contrário. apenas está na direção Neste ideológica sentido. é de Muito mais a naturalmente compromete-se com os opressores. a ciência comprometida não precisa necessariamente sume comprometer-se a com a os oprimidos. mas não grante a direção da política e da ideologia. Para ser pesquisa e nao mera ideologização política. massacre do espírito crítico em nome de uma ideologia obtusa. ê contrária. quanto no sentido de mudar a estrutura de po der em favor dos "dominados. esta característica existe. mas de modo contido. Assim nao se pode chamar de pesquisa prática a qualquer ato político.ciência coloca-se ostensivamente a serviço de uma ideologia. unilateralização da pesquisa como se somente valesse a prática. Predomina a prática conservadora. é extremamente ingênuo imaginar que somente seja práti-ca a postura revolucionária. No caso geral. Cabe isto somente aos atos políticos fun damentados na postura da pesquisa científica. capazes de descobrir e manipular a realidade. no sentido pelo menos de ser uma ideologia cientificamente conduzida e fundamentada. Sem este cuidado. cultivo do dogmatismo e do "argumento" de autoridade. tendência predominar postura conservadora. . é mister que predomine o cuidado científico. embora na teoria o pesquisa dor aprecie fantasiar-se de transformador do mundo. há diversos níveis da prática. prática reformista e também reacionária. erro Prática supor significa que a opção política e ideológica. primário pesquisa prática tenha vocação natural a defender os oprimidos.

se o problema não é a promoção. não ganha apenas para reproduzir sua força de trabalho nem faz parte do exercito de reserva. Mesmo porque nao há condições reais. mistifica-se pelo menos em parte a questão da prática. pertence à elite intelectual. saia de cena. A pesquisa cabe torna-se instrumento no sentido com de a possibilitar comunidade. seja no sentido de esquecer o lado da pesquisa e fazer-se crítica. talvez fosse muito mais desejável que o pesquisador. mas a autoprono -ção. ainda. produzindo conhecimento. Ademais. e intervindo na realidade pró pria. a partir de certo momento. Não é menos participante a pesquisa i deologicamente identificada com os dominadores. a identificação ideológica é muito complexa e penosa. de modo geral. Aliás. a serviço da qual se coloca a pes_ . o compromis so admite gradações importantes. embora prefira-mos busca colocar a ambas como sinônimas. recaindo no ativismo sem reflexão objeto. porque se exclusiviza apenas um nível da prática. Nesta linha. ser proletario tí pico. A pesquisa participante pode ser aloca da dentro do espaço da pesquisa prática. seja no sentido de nao atentar para sua dificuldade real dentro dos conflitos concretos da sociedade. de tal sorte a eliminar a característica de objeto. ou seja.•como corrente especifica. de um pesquisador. à as comunidade assumir seu próprio destino.A pesquisa pràtica serve a incontáveis farsas. um dos vícios mais comuns é a banalização do fenômeno político-participativo. Ao pesquisador que vem de fora quisa. entre A pesquisa sujeito e participante identificação totalizante somente participação. A po pulação pesquisada é motivada a participar da pesquisa como agen te ativo. desde o pesquisador que gosta ria de se identificar com a comunidade de forma constante e defi nitiva. se tomarmos a sério a questão das diferenças de clas_ ses e considerarmos o pesquisador como pertencente geralmente ã pequena burguesia. A pesquisa parti cipante caracteriza-se pelo compromisso ideológico ostensivo. identificar-se ideologicamente sumindo sua proposta política. quando a comunidade anda pelas próprias per nas. mas que nao subtraem seu valor. mas não garante que seja de esquerda ou direita. a partir de baixo para cima. aquela de propensão transformadora. que tem formação superior. até aquele que faz este tipo de pesquisa intermitentemen te.

dis_ tinguindo-se por alguma acentuação específica no plano do conhe cimento e da intervenção na realidade. d) Não obstante. não só porque a prática é componente constituinte do processo de conhecimento. no partidarismo. tendemos a conride rar como pesquisa participante aquela que privilegia a relação prática com a realidade social. passando a instrumento importante na realização da proposta política do grupo estudado. fundamentação científica. de modo geral sao complementares. é uma forma válida de descobrir e manipular a realidade. em função do qual se desfaz a condição de objeto. buscando nisto uma via de descober ta e de manipulação da realidade.Por tais razões. O compromisso ostensivo com determinada ideologia pode também ser uma via de controle i Geológico. co mo tal nao substitui os outros. Também tem seus defeitos. Alguns passos iniciais sobre a pesquisa participante (PP) poderiam ser: a) A PP é um gênero de pesquisa. c) A P? acentua o lado da prática . ê possível preservar o lado da pesquisa. no sentido de recair facilmente no ati -vismo. mas não é con dição absoluta. Caracteriza-se pelo compromis so ostensivo ideologico-político com o objeto da pesquisa. Mesmo que pudéssemos mostrar que todo processo . é incorreto considerá-los excludentes ou inferores. mas igualmente porque o processo participativo admite. amadurecimento metodológico e uso conveniente de testes experimentais. b) Os outros gêneros de pesquisa . A pesquisa pode ser um instrumento relevante de processos participativos. e) Todavia. pesquisa teórica (PT). sem duvida. pelo menos no sentido de que é mais fácil controlar o jogo aberto. pesquisa metodológica (PM) e pesquisa (PE) têm sua razão de ser. não é qualquer processo participativo que merece o nome de PP. mas só tem a perder se não ostentar base teórica. e assim por diante. no dogmatismo. Assim. por mais que possa apontar defeitos neles e que certamente existem.

E vale o no reverso: sentido seja nem. desde que nao se conceba exclusiva e substitutiva dos outros generos de pesquisa. pesquisa é muito mais que isto. Nisto a FT trouxe uma colaboração inestimável. sem base teorica e metodológica. com vistas momentos em que o distanciamento ideológico (nao sua elimina ção). políticas. e sem condições de conduzir o mínimo teste empírico. Quando o científico é reduzido ao observável e mensurável. Isto já vale muito a A organização proposta do espaço da pesquisa é certamente tentativa. muitas vezes um péssimo subterfúgio para pesquisadores mal formados. g) O mérito da PP nao está só em re colocar o âmbito da prática. nao responderemos com a banaliza ção da PP. conota medíocre e superficial. Assim. mas estão longe de serem decisivos. 5. aos excessos da PE. tôda pesquisa precisa Have a rá uma acarretar ate por participação. mas também de trazer os ventos pena. crité -rios quantitativos podem ajudar muito. propomos através de algumas características da pesquisa: o seguinte esquenta instrumental. que tenta contrapor os quatro neros . Conclusões preliminares da alternativa na esfera das ciências sociais. intervenção mais fundamentada na realidade. Tem como finalidade principal mostrar que é incorreto prender a pesquisa ao espaço empírica . razões ideológico-político. desejável. f) Nao se há de responder a um erro. com o erro oposto. as dimensões qualitativas são essenciais.participativo traz alguma descoberta da realidade. A título de ilustração. que facilmente : . recai quase sempre na superficialidade e na irrelevância. Em ciên cias sociais.

Não insistimos em tais categorizações. PP opção política ci entificamente fun dada . da realidade. formulação a-tém-se de descritiva registro. La Epistemología de la investigación-acción. (15) Paul OQUIST. para além de servi_ rem de esclarecimento explicativo. no sentido nomotético.siste indireta Descoberta matização categorial. A de relações de necessárias entre os fenômenos. 5-6. teórica. sistematização Realidade instrumental. por exemplo. lógico-experimental critério da prática É sempre possivel inventar outros es quemas. mono ação(15). E a pesquisa/ação coincide com a partici pante.teste direta .PT PM quadro de refe -rência. p. opção metodoló sistematização teorica. Naciones Unidas. e teor analíti formulação políticas conota a pesquisa no contexto do planejamento político. adequação insDemarcação científica coerência e obtrumental à predomi -nante jetivação realidade Quanto a Preduto científico PE experimentação . identidade relativa Relação Sujei(objetivação) to/Objeto dialogal indireta .pratica experrimen tal. baseando-se pesquisa políticas. Teoria e Pra tica explic. instru mentos teor. predominância prática experimentação e política teste. qualitativa ostensiva através da opção clara. A mono dirige-se isto de estabelecimento co. mas contida através da cri tica através da criti ca Controle ideologi metodol. teó rica. . identidade totalizante distanciamento fusão direta . 1978. ao propõe lógica. política. Oquist. Ideologi a inerente. no sentido aqui atribuído. A a distinção de entre de ao descritiva. instrumentos quantitativos. através da experimentação. geralmente quantitativo. co. predominância teórica • instrumental de explicação teórica. Quito. gica. lógica é por e em de Guttman.

Quanto ao controle ideológico. através da crítica metodológica a ser viço da processualidade científica. a PE geralmente insiste mais na necessidade do tende à fusão. enquanto que as outras à identidade relativa. obtida geralmente através de instrumentos quantitativos. na PE. no caso da PP. . a PT organiza quadros teóricos de referência e amarra sistematizações teóricas. A PT persegue a realidade através da sistematização categorial. A PT volta-se a explicações de base teórica.Voltando ao esquema proposto acima. a PE produz a experimentação. A PT e a distanciamento. as PT e PM são predominantemente teóricas. na PP. contra dogmatismos e relati vismos. a PM leva a amadurecer opções metodológicas e a fundamentar por que cremos que aquilo que fazemos deva ser reconhecido como científico. No que tange a relação sujeito/objeto. é entendida como fenômeno inerente nas PT. levando à elaboração de instrumentos teóricos de explicação da reali dade. a PP funda cientificamente. na PT através da crítica teórica vigilante. a fim de que predomine o argumento sobre a justifi cação. No que se refere à ideologia. a P? propende à identidade tatalizante. PM e PE. a ideologia é ostensiva e assumida. a PE à constituição de condições experimentais e de teste. no que se refere ao produto científico. quantitativamente con trolada. a PE através dotaste experimental. através da experimentação. a PM através da sistematização instrumental. A descoberta ce realidade é indireta nas PT e PM. que são importantes para qualquer intento explicativo. na PM.. No que se refere à relação entre teoria e prática. e é direta nas outras duas. uma opção política e trabalha com pertinácia componentes qualitativos da realidade. embora se insista em contê-la. é obtido. enguanto que as PE e PP sao predominantemente práticas. no sentido da objetivação. enquanto que a PP PM trabalham um relacionamento dialogal. a PM a produção de instrumental de explicação teórica. através da opção clara. e a PP através da prática política. e a PP ao compromisso político.

e a realidade funda-se no criterio da pratica. a ser captada e manipulada. e a PP .No plano da demarcação científica pre dominante. a PM busca a adequação entre instrumentos de captação e manipulação. a PT age com base na coerência lógica e no esforço de objetivação ao construir seu objeto. a PE atém-se ao padrão lógico-experi mental.

Intelectuais e Vivaldinos. propende a justificar seus privilégios e usa para tanto. isto é muito dificil de mostrar. Mas nao saiu de objeto.in: Pobreza sócio-econômica e política. nasce e se sustenta sob o signo da decepção com respeito à pesquisa tradicional. Por outro lado. das estratégias de sor revivencia. certamente. Por pesquisa tradicional podemos entender tocos os gêneros. da pobreza crítica. tendente a desprezar os que a ela não têm acesso.CAPÍTULO II: A DECEPÇÃO DA PESQUISA TRADICIONAL Não será incorreto afirmar que a PP. Nao se enfrenta a realidade e ensaia-se na sala de aulas um teatro artificial. é o caso do tema do mercado informal. da política social em geral: sao chances renovadas de pesquisa. esta decepção estende-se às ciências sociais como tais. Aimed. Pobreza tornou-se um objeto interessante e promissor de estudo. Se debulhássemos algumas iniciativas ti picas dos últimos tempos. Feder. Ao mesmo tempo. Apobreza também te charme. Aí revela-se marca fundamental da pertença de classe: o privilegiado. profundamente elitista e capaz de justificar qualquer ideologia. das necessidades básicas. se preciso for. 1982. no sent: que sao em grande parte inúteis para resolver os grandes problemas da sociedade. mas seriam incapazes de assumir a pra tica coerente. porque nela se cultiva um grupo ensimesmado. Id. que nao a própria PP. o quanto a pes quisa está a serviço do próprio pesquisador e do grupo social a que pertence ou ao qual se subordina. . em parte. a própria linguagem contra os privilégios(1). desde que bem paga. Embora o diapasão do discurso possa vibrar desde a máxima (1) Pedro DEMO. A alienação da universidade faz eco a esta mesma decepção. 1980. mas que tenham real -mente diminuído a pobreza dos marginalizados. de Santa Catarina. muitos pesquisadores enfeitam-se com um discurso progressista sobre a pobreza. da Univ. Florianópolis. talvez ficasse patente. que enquadra o mundo dentro das quatro paredes.. Edit. mas refere-se principal-ite à PE. Muitas vezes foi vasculhada sem tejo en todos os ángulos imagináveis.

animal.esquerda até à máxima direita. entre a profusão de recomendações pedagógicas e a implantação da educação. Hall. etc. as instituições internacionais. sampling strategies. em esta 1975. p. my trai-ning in educational research was based on what might be called a classical approach to social science research. imputando-lhes o tra ço pejorativo frequente de "receitas culinárias"(2): (2) Budd L. praticamente todos se encontram no mesmo clube de conservadores da pequena burguesia iluminada. a OIT etc. Deba tese a miséria até cansar. Participatory Research: an approach for change. chegaram talvez ao fim de suas potencialidades. VIII. the methods natural scientists use to study plant. HALL. The essentials of most research courses cover such subjects as hypothesis construction. instrument design (almost always some form of questionnaire) . porque a questão não é propriamente técnica. E força política elas não têm. Estão cansadas nossas ciências sociais. entre a avalanche de teorias sociológicas sobre a desigualdade social e a diminuição das discriminações classistas. a CEPAL. por exemplo. mas política. . como a UNESCO. a monta -nha de estudos econômicos e a efetiva realização do desenvolvimen to. 24: "Like most of us. Nao há a mínima proporcionalidade adequada entre. written rather as cookbooks. talvez apontava seja a repetida. 1975. Mas nao se consegue assumir uma prati ca de redução efetiva. in: Convergence. quatro principais defeitos da pesquisa tradicional. of sociologists and psychologists to develop an approach to understanding human behavior as much as possible like. such 'orthodox social science research methodology is based on the attempts . entre a massa de discussões psicológicas e a efetivação da felicidade humana. and interpretation. São dispensáveis? Tal vez. A repulsa por parte da PP Na cantilena mais literatura Budd sobre já PP. em si dedicadas ao fomento destes objetivos caros à socieda de. chemical and physical properties. to guide the novice through this process and into the work of 'science'". 1. There are many thorough textbooks. Ao mesmo tempo. data analysis (aggregation of individual data into group statistics).

a) a PE simplifica em excesso a realidade., tornando-se contêm ção de pessoas duzem imprecisa; os Instrumentos informa as e promais a forçar, arbitrariedades, indivíduos a meras selecionar extraem

isolados,

respostas,

descrições

estáticas;

que descobrir a realidade, enquadra-a em sistematizações artificiais; deturpam dialética da vida social real; b) a PE muitas vezes se apresenta alienan te, dominadora ou opressiva, porque, ao buscar isenção ideológica, e sociais pratica favorável o e é vedado uma ss con o ideologia trole dela subrepticia é

discriminações

vigentes;

unilateral

acesso por parte do pesquisado; c a PE nao facilita a ligação com a ação ) subsequente, principalmente por causa do distanciamento intencional com rela_ ção ao objeto; d) a PE usa métodos inconsistentes com cer. tas características da população estuda da, porque esta pode de fato colaborar como sujeito. em 1978 acentuava Hall, ao lado das preca riedades acima levantadas, três inspirações básicas do movimente da PP: a) cs métodos quantitativos não estão ofe recendo compreensão adequada da realidade; b) o desejo de uma pesquisa que leve a pra ticas alternativas, capazes de sedimentar o desenvolvimento, a justiça social e a autopromoção;

c) a vontade de repor o humanismo no terreno da ciincia(3). é preciso desmascarar ou "desindotrinar" a influência ideológica opressora das pesquisas tradicionais, por — que acabam produzindo um efeito conservador com respeite à ordem vigente. Quanto mais se apresentam objetivas, neutras, rigorosas, mais sao capazes de exercer o papel de reprodução do sistema(4). A tendência quantitativa é preciso opor a valorização das dimensões qualitativas da realidade(5). Segundo Tandon, duas foram as idéias-força que motivaram de o surgimento da PP. "A primeira diz respeito acharam ao o do desconforto paradigma alguns pesquisadores ênfase na profissionais, neutralidade que

paradigma da pesquisa clássica insuficiente, bem como opressivo. O clássico põe axiológica pesquisador; faz da objetividade a marca do processo de pesquisa; sugere completo controle unilateral pelo pesquisador sobre os pro cessos inteiros de pesquisa; trata a população como objeto, do qual se espera apenas que responda às questões do pesquisador; e pretende estudar a população e os fenômenos sociais como o fazem as ciências naturais. Muito tem sido escrito sobre estes aspec -tos e as limitações do paradigma clássico de pesquisa. 0 ponto importante aqui é que a PP é uma expressão, pelo menos em parte, contra as limitações do paradigma dominante"(6).

(3) Budd HALL, La Creación de Conocimiento: la ruptura del monopo lio, métodos de investigación, participación y desarro -llo, in: Crítica y Política en Ciencias Sociales, Simposio Mundial de Cartagena, Ed. Punta de Lanza, Bogotá, vol. I, 1978, p. 1. (4) Bude L. HALL, Participatory Research, Popular Knowledge and Power: a personal reflection, in: Convergence, XIV, Nº 3 1:31, p. 13. (5) M. PILSWORTH & R. RUDDOCK, Some Criticisms of Survey Research Methods in Adult Education, in: Convergence, VIII, 1975, p. 37. (6) Rajesh TANDON, Participatory Research in the Empowerment People, in: Convergence, XIV, Nº 3, 19 81, p. 21. of

A segunda idéia-força, a PP participante a retira da crescente marginalização da população majoritária, apoiada pelo acesso ao saber, que é "uma fonte de poder" (7). 0 paradigma clássico produz uma socialização conservadora dos pesquisadores profissionais, através da qual emergem como baluar tes ideológicos da ordem vigente. A inculcação de premissas valo rativas da neutralidade e da objetividade leva o pesquisador a "considerar-se acima da ideologia e, de fato, faz tentativas na maioria das vezes sem êxito - de remover a ideologia da pesquisa. 0 pesquisador mostra 'o que é', 'como é', mas raramente mostra 'por que é', porque isto poderia revelar a ideologia do pesquisador"(8). Ao mesmo tempo, monta-se a idéia de que a pesquisa é coisa de perito profissional; como tais peritos provêm da parte privilegiada da sociedade, as pesquisas tendem a servir à manutenção dos privilegiados e de seus privilégios. "A es sência do nosso argumento é que a PP é uma tentativa de insti -tuir uma alternativa ao paradigma dominante de pesquisa, bem co mo de providenciar acesso ao saber por parte dos marginalizados. distingue de outras modas e novas técnicas"(9).
E

esta dupla ênfase na PP que a

a torna algo mais que um conjunto de

'(7) Id. , ib. : "The second motive force for Participatory Research has emanated from the continued and ever-increasing exploitation and oppression of a large majority of people. In many ways, the power of the oppressors is derived from their superior knowledge about legal rights of a sharecropper or land-holding patterns to a landless labourer or the balance sheet of a corporation to a contract labourer are some of the comemon place illustrations or the same.. Knowledge has been and will continue to be a source of power. Participa tory research has been an attempt to shift this balance of power in favour of the have-nots" (p. 21). (8) Id., ib. (9) Id., ib., p. 22.

. p. desconhecendo-a na maioria das vêzes. ao insistir na neutralidade(10). que passa a peculiaridade da elite.Para Salinas. o pesquisador executa de forma autônoma. a pesquisa clàssica no máximo informa a população pesquisada dos resultados da pesquisa. não democratiza o saber. Korten faz interessante distinção entre conhecimento científico e conhecimento social. estática. quer o envolvimento participativo na produção do conheci -mento coler ivo. encerra a questão no âmbito fechado dos especialistas. La Encuesta-Participación.visão mecânica e determinista. Lima. SALINAS. baseia-se em processo organizacional. (10) Willy E. e os resultados acabam interessando somente aos pesquisadores e contratantes(11). Asociación de Asistentes Sociales del Peru. in: Public Administration Peview. 0 "conhecimento social". KOI-fT'EN. e limitando a invés tigação àqueles efeitos observáveis e mensuráveis(12). Le Broterf também estigmatiza a pesquisa clássica como passiva. não leva a popula -ção a responder ativamente. colocando o pesquisador no papel de observador objetivo. The Management of Social Transformation. o que a reduz a baixo. p. mim. 1981. numa atitude distanciada de estudo. 6. tendendo a conservadora e a uma percepção segmentada. mero objeto. separando-o de qualquer ação. da postura coercitiva e alienante. Pro-jecto PNUD/UNESCO. Brasilia. acaba disfarçando sua ideologia . Descripción del Metodo de "Encuesta-Participativa" utilizada. não busca isolar variáveis e controlar o saber a partir do centro. por sua vez. possíveis propostas são lançadas de cima para uma postura o que a torna fator de dominação e de alienação. p. da. isolando a causalidade ¿tra vés de métodos experimentais e quasiexperimentais. 613. Nov. 1977. diz que "os métodos da moderna ciência ocidental têm sido baseados num processo de reducionismo analítico que procede pela redução de problemas complexos em partes componentes para estudo individual. (12) David C. Una Investigacion sobre Necesidades Educativas Básicas de la población de seis comunidades rurales en el área centroamericana.. (31) Guy Le BROTEKF. O "conhecimento científico" marca-se pela ordem./Dac. Todas es tas precariedades levariam a motivar traços negativos da manipu lação comportamental.3-5. não em métodos analíticos. Falando do conhecimento científico (que se aproxima do que se está chamando paradigma tradicional). 1979.

Semelhantemente. duas outras aceitam a PP: e pragmatismo. manipulação externa e controle. Pesquisa Participante. (13) (14) (15) Id. para o qual a ciência tem sua própria prática teórica. Orlando FALS BORDA. do proletariado. 42 ss. sugerindo ênfase substancial no re forço a sistemas de informação que provêem realimentação do nível de desempenho local"(13). dentro do modelo lógico-formal. E é claro que por baixo de tuco isto lateja forte crítica aos métodos tradicionais. e o materialis_ mo dialético. independente da prática política. p. 1982. Id. esconde um planejamento prévio. Em contraposição. • Para Oquist. deveriam encorajar a inicia tiva local e o autocontrole. Quito. o desempenho acompanhado e autocorrigido sobre o planejamento prévio. Vol. imposto de fora. Paul OQUIST. grande propulsor na Colômbia da PP. a posição de Fals Borda. 7-16. mesmo no sentido comum.1. deturpantes e.. no fundo. Aspectos Teóricos da Pesquisa Participante: considerações sobre o significado e o papel da ciencia na participação popular. "Os métodos de promoção do aprendizado social devem enfatizar a tolerância central sobre o controle central. Naciones Unidas. Insiste no valor do saber popular. opressores(15). Punta de Lanza. dentro da concepção de que o único fim do conhecimento é a solução de problemas. o positivismo lógico. Simposio Mundial de Cartagena. . p. Ê muito conhecida também. pelo menos em parte. alienantes. in: Critítica y Política en Ciencias Sociales. Brasilienbe. tornando-se a interpretação humana fonte de erro. in: Carlos Rodrigues Brandão (org. La Epistemología de la Investigación-Acción. p. 0 "conhecimento social" aproxima-se do caótico. 1978. . ideologicamente comprometidos com a ordem vigente.) . para quem a observação é a medida do conhecimento. que constrói o conheci -mento através de operações ativas. 13 ss. Por la Praxis: el problema de como investigar la realidad para transformaria. que não aceita confundir teoria científica com prática científica. Ed. e refletir a tolerância pela ambigüidade e incerteza inerentes no processo de aprendizagem social.precisão. convive com o erro e ê imprevisível. o estruturalismo. três posturas epistemológicas são contrárias à PP: o empirismo. ib. Bogotá. que estabelece a interação necessária entre teoria e prática(14). e chega à idéia discutí vel de ciência. 1978.

divergente do enfoque empírico usual. no fundo é uma "ciência oculta". Investigación-Acción y Realidad. 1978. p. sempre ou o por saber deve o uso por pelo os de estudo tôda pesquisador opromidos aqueles e ser a não o que poder va parte. (17) (18) . sem comprometer-se com mudanças sociais. instrumentos científicos.S. decidem da identificados. Situación actual y Perspectivas de las estrategias de investigación participativa en America Latina. assim. vol. La Investigación-Acción como nuevo paradigma en las Cien_ cias Sociales. 'observados' nenhum poder sobre uma pesquisa que é feita sobre eles e nunca (16) D. Evolución. KUHN. sobre os paradigmas da produção científica. cujos resulta dos são insatisfatórios(17). Marcela GAJARDO. nem aceri tua o conhecimento como gerador de consciência crítica. porque seu acesso é reservado e vem elaborada numa linguagem inteligível somente a iniciados. A estrutura das revolluções científicas. "As riam um os dos cial nam que e relação segundo mesmo ao cada de de que de o o o sempre padrão objeto temáticas que é são adotado são objeto mas. quantifica representam. ORNAUER. 117 ss. questionando o modelo tradicional de' pesquisa e conhecimento. Ed. 3. 1975. ser têm determi feito unilateralmente como pesquisado resultados pesquisa. satisfaz-se com resultados tidos por científicos . e vê na PP um novo paradigma. ilude-se com "a objetividade.. 1. H. Heinz MOSER. destino Os a pelo que dos e ser grupos sócio-político pesquisa: comportamento contestários programados São com sobre que. KRAMER. a atividade acadêmica tradicional não assume nem explicita suas opções frente à sociedade e aos grupos que beneficia. em e o so e dos com. como aponta Marcela Gajardo . Ou. Punta de Lanza.Kramer e outros acentuam igualmente a busca de alternativa em ciências sociais. S. Siiriposio Mundial de Cartagena. falta a ligação entre teoria e pratica. p. T. opressor detêm quando dado ou analisados. Perspectiva. Bogotá. mascarando compromissos muito cla_ ros(16). in: ib. LEHMANN Y H. contexto sua são fora aqueles auxilio que. p. KRAMER. FLACSO Santiago. 146-148. Colocam a pesquisa tradicional como um trabalho em colaboração com os poderosos ou a seu pedido. compreende pouco a realidade(18). insiste na distância entre pesquisador e pesquisado e na comunicação estereotipada. e. in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. Moser retoma a idéia conhecida de Kuhn.

in: Carlos Rodrigues Brandão (org. em meros instrumentos de controle social"(19). a crítica estende-se também vigente de ciência com os social. Na verdade. Por outro lado. "Na verdade. ou precisamente por causa dela. não só os mistifica. aquele que sai da norma: o delinquente. 18-19. individualizar e anatamatizar o 'marginal1. Pesquisa Participante. e da própria essência de uma sociedade de massas domesticadas uniformizadas a produção de seus 'marginais'. Nesta visão. tais grupos sao simples objetos de estudo e pouco se lhe importa que os dados e respostas colhidos du rante a pesquisa possam ser utilizados pelos que financiam o seu trabalho para melhor controlar os grupos que ameaçam a coesão so cial. as dos que detêm as rédeas da sociedade. como sobretudo envolve-se com possibilidade sempre aberta de manipulação por parte dos poderosos. A ciência social que nega suas mascara a e não tem condições de as controlar. É esta população em si mesma que é percebida e estudada como um problema social do ponto de vista dos que estão no poder. de OLIVEIRA. assim. o louco. Em defesa do conformismo social ameaçado por estes comportamentos anômalos. . As ciências trans formam-se.. É sobretudo uma técnica de controle social. ele cumpre o seu papel de assustar os bons cidadãos. Ao modelo do e bom cidadão vai se contrapor o do marginal. 1982. os cientistas sociais contribuíram para a implantação gradual de tôda uma série de instituições de controle social .). Brasiliense. Empregados por agências governameli tais. Exposto à exe cração pública. Ao rejeitar envolvimentos políticos. Fara o pesquisador. poderosos. esta ciência que se queria neutra. entendido a comprometido revelia ao próprio modelo como da profundamente pretensa ob- jetividade. o grevista. os problemas estudados nao são nunca os proble mas vividos e sentidos pela população pesquisada.eles. apolitica e descomprometida acabou sendo utilizada cada vez mais como uma fer ramenta de engenharia social. as ciências sociais têm sido mobilizadas para identifi car. Pesquisa Social e Ação Educativa: conhecer a realidade para poder transformá-la. através da qual um conhecimento inocentemente neutro serve à manipulação dos dominados por parte vinculaçoes ideológicas ou com elas nao se preocupa. o subversivo. o agitador. (19) Rosiska D. de OLIVEIRA & Miguel D.desde a escola e o hospital até o asilo psiquiátrico e a prisão cuja finalidade ê modelar o comportamento de todos pelos padrões de normalidade definidos pelos donos do poder. p.

KLEES & P. idealizada . (22) Id. O conhecimento aí gerado é insatisfatório. este excurso basta para caracte rizar a marca típica de crítica ao modelo chamado tradicional ou clássico de pesquisa e de ciências sociais. p. S. que podem compensar a imprecisão estatística e o envolvimento sub jetivo com aprofundamentos muito mais reais. Sem buscar aqui uma revisão exaustiva da literatura em torno da PP.34 ss (21) J. E xatamente por causa disto. não é causação. que isto: mascaram a ideo-logia mais banal de sustentação da ordem vigente. ESMANHOTO. ê preciso recompor a potencialidade e a possibilidade dos métodos qualitativos. sobra a impressão de que. O que quer precisamente dizer: são descrições.. Setembro de 1982. que busca medir impactos causais. é no so mente funciona naquela situação fundo inviável.. p. . o 'marginal* entra no circuito destas instituições que vão curá-lo de sua marginalidade de modo a eliminar a causa da desordem e restabelecer a paz social"(20). fragmentário. nao valem a pena. mas não vai alem da associação delas. p. ib. do que vem antes ou depois. além de não levar a mudanças sociais importantes. porque .WERTHEIN. Educational Evaluation: trends towards more participatory approaches. ( 2 0 ) I d . e muito mais ainda o controle das variáveis componentes.. e sempre interminável a discussão era torno do que causa o que. não explicações. só pode ser seletivo e fragmentário. in: ib. Mesmo a analise de regressão múltipla. Brasilia. ou mero condicionamento etc(22). se é somente isto que as ciências sociais produzem.na qual todas as variáveis componentes estariam especificadas. p.e impossível . Criando Métodos de Pesquisa Alternativa: aprendendo a fazê-la melhor através da ação. Associação. Em vista disto. 7. E mai?. . De modo geral. ib. Num trabalho de grande densidade sobre avaliação participativa no contexto de projetos e programas Werthein e outros falam da "crise na metodologia "quantitativa"(21) A redução da realidade às manifestações de ordem quantitativa já é um problema. determinação do que determina ou é determinado. IICA. in: A proposal for research on participatory evaluation strategies for rural education systems in Brazil. pequeno. porém.. também Paulo FREIRE. O recurso à estatística proporciona um domínio maior do campo das varia veis. Cfr. 8-11.Rejeitado pelos 'normais'. se é causa. 23.

ou no simples uso de dados. outra é a empirista. nao na simples estatística. uma coisa é a pesquisa empírica. 0 dado empírico nao tem "culpa". em última instância. como se fosse de antemão fadada a mistificar a realidade e a fundar uma postura política conservadora. mas na altura do intérprete quando reduz tudo a um gênero só de pesquisa. pela PP é caracde distorções. Assim como seria absurdo ima ginar que a dialética seja adversária da lógica. o problema está aqui. £ importante compor um quadro pelo menos inicial da crítica possivel à pesquisa tradicional. como se a manipular a realidade fosse a versão única maneira de descobrir e em pírica. ao contrário. A pesquisa teórica nao precisa ser mera especulação . e disto não está isenta inclusive a PP. ou quando cultiva os vícios metodológicos de cada gênero. o problema não se encentra ao nível dos meros instrumentos. dando a impressão que tratamento empírico e empirista devesse sera mesma coisa. Geralmente. Qualquer gênero de pesquisa po de ser proposto e praticado sob forma viciada. Ver na montagem estatística algum demo nio escondido. Critica a pesquisa tradicional A terística. . é uma visão alu cinada aquela que imagina a PP como incompatível com a experimen tação operacional. além autovalorizações exageradas. nem a metodológica moralismo instrumental barato. que tem produzido muito menos do que prometia e se esperava. Se nao fizermos tais distinções recai-mos em posturas que já vêem empirismo na mera feitura de uma tabe]a. é mister re- conhecer que a crítica oriunda do campo da PP contém muitas vezes a tendenciosidade de ver a pesquisa tradicional sob o ângulo de seus vícios metodológicos. a substituição de um possível dogmatismo pelo oposto. pode ser um instrumento fecundo. a PE não precisa ferir nenhum princípio da dialética.2. embora contenha repulsa claros manifestada excessos. é incrí vel falta de espírito crítico e. Pode-se fazer uma análise funcional sem ser funcio nalista. como c dado empírico nao fala por si. mas através de um quadro teórico de referência. Assim. Para começo de discussão.

se o interesse está na descoberta e manipulação de dimensões qualitativas da realidade social. É verdade que a pesquisa tradicional não pode produção e uso de métodos que sucedem ser impugnada pela sua ser. o que pode ser perseguido em estudos posteriores é a prevalência geral das falhas" (23) . porém. mais criativa e nao oferece. no que a PP pode estar com intei ra razão e trazer importantes contribuições ao processo cientí fico. comete um abuso da técnica. do qual a técnica não tem "culpa". in: convergence. Por exemplo. Se alguém procurar estabelecer causas sociais através da análise de regressão. que a pos_ sível prevalência geral das falhas está mais nos abusos. cremos. Todavia. por vezes. os métodos empíricos quantitativos não serão os mais indicados. Trata-se. 53. tecnicamente inapropriados ou inefectivos. dentro de seu âmbito próprio. a PE pode ser muito adequada e produzir o que se espera. porque isto não está dentro de suas propriedades. Quando. mas do analista. não é defeito de les. 1981. reco nhecem os excessos da crítica. que podem aparecer em qualquer de pesquisa. "Deve-se admitir que as formulações primeiras da PP estavam. pois. porque os efeitos apontados necessários. Alguns vícios que merecem a preocupação crítica poderiam ser: (23) G. . dependerá de alguma clarificação dos termos. talvez. Se estas ou outras críticas da pesquisa tra dicional se sustentam ou não. em trabalho de 1981.O aspecto mais correto da crítica oriunda da PP parece-nos ser a idéia de que a pesquisa tradicional não pode ser considerada como a forma exclusiva de pesquisar. nem de longe. mas gênero na pesquisa tradicional nao são inerentes e vícios metodológicos. sem subvalorizar ou su pervalorizar. de criticar possíveis ví_ cios da pesquisa tradicional. preocupadas em demasia em atacar a fraqueza do levantamento empírico e de outros métodos específicos da pes -quisa tradicional. de novo. uma análise de regressão dá somente possíveis associações entre variáveis. Todavia. XIV. CÓNCHELOS & Y. Cónchelos e Kassam. Muitas vezes usa-se o instrumento inadequado para a finalidade prevista. p. Exigir isto deles. Tal vez nao seja a os resultados imaginados no aspecto específico do domínio da realidade. o fato de nao dar causas. se busca uma análise quan_ titativa. Todavia. KASSAM. nº 3. Não é defeito. do que em qualquer vício inato. A brief Review of critical opinions and responses on issues facing participatory research.

mas os fatos. porque. Dizemos que o vício principal. nao quer dizer que o in vente. que a ciência propõe como real. mas no quadro de referência em que é colhido. Atlas. não somente que existem saberes fora da ciência . por que sequer sabe disto. A realidade. por A parte realidade postura do não vai de encontro à visão empi do se rista.a) A ciência nao trabalha diretamente com a realidade. empirismo seja a demissão teórica. (24) Sobre estas questões. no sentido da construção coletiva. 30% diz apenas que estamos a 70 pontos de 100 e a 30 de zero. a realidade que se manipula e aquela cientificamente ela borada. assim como imaginamos que realmente seja(24). o que significa dizer que a ciência é um modo de interpretar a realidade. Esta interpretação. as idéias. para existir. pode explicar. interpreta. ao imaginar-se do uma fórmula teoricamente não interpretativa da realidade. as intenções. de pes cons quisada precisa truirmos ou ser a manipulada. cfr. Qualquer tipo de sujeito se acarretaria mas deturpações se descreve. que busca a intervenção na rea lidade. mas igualmente que dentro da ciência proliferam variedades per vezes até contraditórias de se construir a explicação da realida de. mas com uma construção dela. Esta envolvimento conhecimento. 1980. A idéia do objeto cons truído. talvez. não está no número 30. Todavia. levanta. O dado não fala por si. 0 dado empírico ê visto como algo que fa la por si. existir produção científica. construída. não depende Mas para Destarte. O que importa não são as teorias. nem que a realidade exista por causa da ciência. pesquisa forma realidade. que nao precisa ferir a pretensão de tornar a população estudada sujeito da pesquisa. . Mesmo na PP. mascara sua própria interpretação. DEMO. em a nada de como é que seja uma pensada. Ao afirmarmos que a ciência manipula um objeto construído. se analisa. P. uma estatística diz somente uma relação numérica: por exemplo. parte introdutória. é péssima. porém. segundo a qual a realidade se impõe ao sujeito. Metodologia científica em ciências sociais. no sentido de possuir nele mesmo informação objetiva e prévia. o que quer isto dizer.

que podem sempre variar. na atitude preconizada para o pesquisador. que vai optar entre fazer perguntas secas. não passa de uma proposta de interpretação do fenomeno. ou aber tas. possivelmente mais real. que existe com ou sem economia. Se o dado fosse evidente em si e se impusesse ao sujeito. nem será a puramente real. teria mos a mesma análise em todos os analistas. O caso dos dados sobre inflação pode ser ilustrativo. A inflação como o Governo a mede. Quando montamos um questionário. o aspecto da construção interpretativa aparece em inúmeros momentos : na seleção das perguntas. A própria formação de um índice de inflação escancara a problemática teórico-interpretativa de fundo : que componentes são colocados para agregar a medida. de percurso. como são mensurados. na exclusão de coisas que não achamos importante saber. por isto diz-se inflação segundo os dados oficiais. como são coletados. e tanto é assim que sua determinação teórica e empírica é sempre questionável. por causa da discriminação crescente social.Por isto. Os dados que obtivermos através do questionário sao. porque julgamos não poder perguntar de mais. e assim por diante. ou livres etc. pois. Se ria extrema ingenuidade assumir que o índice traduz a realidade exatamente assim como ela é. porque elas não existem por aí já dadas. Ha verdade. está marca da pela maneira oficial de a construir. construídos e alguns até in ventados. nem de menos. . talvez até necessários para depois atingirmos os patamares da distribuição mais equitativa. e assim por diante. o mesmo dado pode ser utilizado para explicações até mesmo contraditórias. que dependerá de seu quadro teórico de referência. mas outra maneira de a construir. Mas na economia temos dela uma visão construída. no número de perguntas. nas definições operacionais do que vamos medir. dificilmente há de coincidir com a oficial. quantos . sobra o problema da análise posterior. Os altos índices de Gini no Brasil mostrariam para os adversários do sistema sua inviabilidade. para os adeptos do sistema sao acidentes na fase de acumulação. Se os operários organizarem sua medida da inflação. no sentido de que o crescimento nao seria capaz de alcançar seu desenvolvimento. A inflação é um fenômeno real. Ademais.

Por conseguinte. codificada. Todavia evidência nao é do dado e do fato. o mero levantamento estatistico. Não será injusto constatar que em muitas pesquisas experimentais a descoberta nova da realidade e a possibilidade de a usar para a intervenção prática são muito menores que toda a parafernália utilizada para sua construção. quanto mais aquelas análises de su. bem . tamanha gritante de dados e fatos. A empiria nao substitui a interpretação teórica. ao con trário. quer irmos além da cros ta externa e dizer. Nao faz sentido discutir sua eliminação. Em tudo já existem produtos teóricos prévios. e que é a desconfian-ça entranhada contra análises superficiais. e mal podemos acreditar que possam e xistir percebam tal evidência. Por -tanto. b) A sombra desta problemática. como a realidade aparace. E neste sentido que é possível afirmar que o empirismo é a versão metodológica mais miserável.Muitas outras pessoas que nao vezes temos a sensação de evidência . mas o que ela de fato é. ou seja. Não interessa propriamente o fenômeno. é instrumento de melhoria de sua qualidade. Não existe a mera descrição. a mera acumulação inocente de dados. não é não in -terpretar. ou seja. porque pode não passar de uma edição mais sofisticada do senso comum. a ingenuidade crédula. mas do quadro teórico explicativo que usamos. mas como interpretar.• perfide. mesmo as explicações mais profundas deixam a desejar. bem ordenada. É uma balela pretender que a experimentação elimine a incerteza de nossas explicações da realidade. é um erro metodológico fa_ tal imaginar o envolvimento teórico-interpretativo como espúreo em ciência. Trata-se . para explicarmos a realidade é mister penetrarmos no seu interior. A questão. o empirismo tropeça precisamente naquilo que gostaria de superar. crue Há mais irrelevãncia bem tratada. Sao inúmeros os casos em que o esforço de levantamento de dados não ultrapas-sa aquilo que se considera "óbvio". Nisto o empirismo vai não de encontro a uma tradição salutar da ciência. que se poderia saber sem a pesquisa. Conside rando-se esta como inesgotável em si. *A realidade se dá à primeira vista. na verdade. porque é extremamente simplório acre ditar em evidências empíricas dadas. concomitantes e conseqüentes. é de sua qualidade. pois.

procurando-se encurralar qualquer envolvimento humano na análise da realidade como fator de influência negativa. por exemplo. abordagens de teor mais qualitativo. nem explicamos a realidade . o positivismo e o estruturalismo. Não se reconhecem especificidades próprias da realidade social. como vício metodologico. não daquilo que nos parece duvidoso. corresponde as pretensões sobretudo de . já nao se pesquisa. mas não questionamos. como. como se a maneira científica carapuça já empírica. quando visualizada posturas tais como o empirismo. poderíamos dizer que é a maior "in justiça" que se faz contra a realidade. impera a evidencia. não podemos afirmar que a quantificação seja em si um equívoco. O mal esta na imitação empobrecida. Em termos antropomórficos. Defende-se a unicidade do método. dentro do modelo das ciências naturais. A questão ideológica e valorativa é considerada espúrea em ciên cia. única quantificáveis no que de e é um acessível diálogo fosse à experimentação com as empírica. mas principalmente daquilo que mais nos parece evidente. Se acreditamos piamente nos fatos e nos dados. o que faz do esforço científico muito mais uma busca desafiante do que um achado.conhecimento realmente novo e útil. A quantificação. a demarcação científica é de tendência lógico-experimental. O uso que as ciências sociais fazem disto pode ser estabelecem ser importante vestir a ciências naturais. Ao mesmo tempo. Para estas. Esta se esconde atrás das aparências. O mais da dúvida. apenas constatamos. da processo científico da indagação alimenta-se incessante. c) Possui conseqüências também fatais a tendência a reduzir a realidade e sua face quantificável. pois o tratamiento que se lhe reserva não é compatível com aquilo que imaginamos ser sua natureza real. muito Onde incerteza. acumulamos e descrevemos. que recomendassem tratamentos também específicos. A realidade social possui dimensões fecundo. logicamente formalizado e empiricamen te testado. É preciso duvidar . no sentido da objetividade e da neutralidade.

É neste sentido que podemos afir mar que as ciências sociais podem de fato beneficiar-se dos métodos quantitativos. porque neles geralmente há mais imitação que potencialidade. Dificilmente se poderia ver alguma identidade. Não se pode negar que este é um . que seus conhecimentos são usados preferencial. incluída a natural. mas utilizada concretamente por determinada so ciedade. pura. entre sujei to e objeto. a ciência A de modo geral. munido de todo um processo de treinamento metodológico. não a encontramos em si. na teoria. assim colocada. por exem plo. mas faz-se um uso extremamente ideológico dela. a tecnologia. porém. Somente no uso que se faz dos conhecimentos adquiridos aparece a ideologia. A questão. ou. certamente pode não estar fazendo política. permite tanto que se faça a distinção necessária.De fato. Mesmo assim. não precisa ser. como é uma sociedade de desiguais. Num espaço des de o início polarizado. a física não é em si ideo lógica. isto funda uma diferença im portante na linha da síntese qualitativa. Não se concebe interventor. por exemplo. usada preferentemente para fins de dominação e destruição. Não • há por que ver ideologia em fórmulas matemáticas ou ensacá-las em dialéticas holistas. a distinção faz sentido. corresponde também a um projeto social de dominação da natureza igualmente i-deológicos. ela nao parece intrinsecamente ideológica. face à análise quantitativa. para não haver influências estranhas nos resultados. neutra. Quando um cientista manipula uma molécula de água e descobre sua constituição interna. a manipulação ideológica fica ainda mais visível. pelo menos. ciência absolutamente inocente. Assim. Na realidade. Se esta utilização propènde visivelmente a um uso preferencial. quanto o mútuo aproveita mento de figuras metodológicas. embora dificilmente sejam os mais criativos. mente para fins destrutivos e dominadores. é tão rara quanto a sociedade pura. destinado a controlar o experimento e a si mesmo. absolutamente inocente. a ma nipulação ideológica é inevitável. 0 cientista aparece como observador. se o modelo for a realidade natural. Assim. pelo menos relativa. A análise significa o processo de decomposição da realidade em suas partes componentes. para fins Certamente. na medi-da. co mo seria o caso da tecnologia. Ao mesmo tempo. é em si. na realidade.

tiu muito nesta propriedade metodológica. Quando olhamos para a natureza. na qual se supera a complexi_ dade superficial e através da qual podemos montar nossos modelos explicativos. outra é reduzir a realidade a ele. no sentido de que propende a pinçar na realidade aquilo que se traduz mais facilmente em dimensões mensuráveis e testáveis. Facilmente chega as dimensões qualitativas. Na linha da análise. não vemos o todo. não vemos i-deoiogiàs. onde apa_ rece mais simples e manipulável. quer apenas dizer que o mé todo de pesquisa não capta a dimensão qualitativa. nem intenções. mas nem por isto mito é feijão. o que aparece empiricamente. exarando a necessidade da explicação pela subjacência. Este foi o caminho de todas as ciências naturais. para o índio produzir seus mitos. é mister decompô-la nas partes. a que se atribuiria a propriedade grupai. Geralmente é assim que a primeira visão das coisas traduz um panorama complexo. mal podemos imaginar que é composta dos elementos básicos que a física acabou descobrindo. Por isto é a metodologia prefe_ rencial das ciências sociais. porque acredita ser algo mais que a soma das partes. Para se conhecer uma realidade. mas um substrato material decomponível Um grupo. Tais considerações permitem aproximar a análise da quantificação. O fato de que. decomposto em seus indivíduos. mas apenas massa orgânica. porquanto estão eivadas de fenôme nos qualitativos. Decompondo a matéria orgânica cerebral. humano. mas jamais quer dizer que não exista. nao conseguiu sair da síntese embaralhada superficial. Por outra. tendo em vista que uma coisa é aceitar o condicionamento material. Cremos que a idéia de que todo fenômeno quali_ tativo se reduz. precisava co mer. não encontremos mito. O estruturalismo francês insis. analisando o cérebro de um índio em observação microscópica. a uma base material física. Certamente. é materialismo crasso. só é diretamente tes_ tável. Enquanto a física nao encontrou seus elementos fundamentais da matéria. em nenhum lugar se perceberia algo diferente. . mas as partes. em última instância.roteiro dos mais clássicos de obtenção de conhecimento. a síntese faz o jogo inverso . só aparece como quantidade isolada.

seus hábitos. Fazemos. se o fenômeno e a essência coincidissem. em ciências interessante aparece à primeira vista é geralmente superficial. corresponde a este simplismo: negamos a exis -tência daquilo que não conseguimos captar empiricamente. ou seja. quando possível. como já dizia Marx.Aí reduzir a realidade está às uma"deturpação suas dimensões monumental possível: quan- social possivelmente tificáveis. A falha está. chegarmos às dobras ín_ limas da personalidade. porque não se trata de reduzir uma à outra. sacrificando . naquilo que não a embo se ra vê. Explicar significa buscar profundidade complexa. não na realidade. Muitas vezes confundimos as duas coisas: de um Jado. Na verdade. pois. e assim por diante. outra qualitativas. tende privilegiar dimensões titativas. a revelia das aparências. seria enorme superficialidade reduzir a pessoa aquilo que podemos observar. é pre_ ciso descermos à profundidade de seu ser. deixarmos o consciente para penetrarmos o inconsciente. não há análise sem visão de conjunto. Todavia . Se partimos da idéia de qua a realidade so- . Raramente o mensurável coincide com o relevante em ciências sociais. de outro. Para entendermos uma pessoa. O que conseguimos quantificar é geral mente superficial. quando lhe negamos a dimensão qualitativa. uma realidade dialética sociais além de o precisa mais ser tratada está dialeticamente. etc.a no altar do método. a afirmação que ainda se faz muito de que o inconsciente ê somente uma suposição ou um constructo. Apenas. mais exuberante. com ele não vamos descrições. lançar mão da quantificação. O que mais conseguimos controlar empiricamente na pessoa é seu comportamento externo. Por trás desta casca há muita realidade outra. mas de preservar a especificidade de cada uma. sua aparência. considerar conhecimento válido semente aquele extraído da quantificação. Na verdade. "injustiça" à realidade social. porque. não era necessária a ciência. complexa e difusa. no método. e nao uma há sintese a sem noção de par tes quan constituintes. externo e secundário. sua manifestação visível. possa O que aproveitar-se com êxito das quantificações. simplesmente. No fundo. O behaviorismo cometeu precisamente este equívoco. Não precisamos também opor síntese e análise.

mas também da PT e da PM. quando selecionamos somente aspectos empiri -cos. que aparece com . insatisfatórias. Não há aprofundamento adequado da explicação . É muito difícil captar todas estas dimensões. Trata-se.e em grande parte inútil . quando entramos na esfera qualitativa. É neste sentido.' d) A pesquisa tradicional não é composta so mente da PE. como já repisávamos. ou seja. são gêneros vali dos de pesquisa.com objetividade. com ideologias. Embora na explicação simplifiquemos a realidade. se nelas somente ficarmos. a redução da realidade à sua face men surável é uma deturpação grosseira. Assim sendo. de produ -zir suas ideologias justificadoras. Nem por isto o homem deixará de filosofar. A princi pal talvez seja o distanciamento excessivo entre teoria e prática freqüência na PT e na PH. não vamos além disto. É claro que. de modo geral. com expectativas. Se esta problemática já determina deturpações em nossas explica -ções. no fundo. à luz da PP. Contudo. porquanto. achamos um procedimento válido. quanto mais isto não acontece. Nao é possível dominarmos todas as variáveis componentes. Assim. inadaptado à realidade . é problema do pesquisador. pode-se apre sentar insatisfações várias com respeito a elas também. de privilegiar certas dimensões que julgamos as principais . Mas deturpa menos. não nelas. com teste etc. de intervir na historia subjetivamente. em que pese o cuidado possível . Choca mo-nos com subjetivismos. está no método de captação. com conflitos e outras "filosofias". lançamos mão da expectativa de manipular pelo menos as variáveis principais. mas seletivamente. de estigmati-zar os vícios e as limitações. em si. mas não há realidade social que se esgote na face mensurável. com intenções. No fundo.cial é inesgotável. com quantificação. se alguma falha existiria nisto tudo. Que não consigamos descobrir esta realidade eston -teante de modo satisfatório. que podemos dizer que as análises empíricas sao. não da realidade. como tentativa estratégica. porque ela também explica seletivamente. porque não explicamos tudo. porque a simplificação recolhe a relevância maior. Não é assim que a dialética nao deturpe. Podem servir como aproximação inicial. muito parciais e. como exploração primeira. entramos num pantanal praticamente indevassável. teremos dela sempre apenas uma explicação se letiva.

não finalidade da ciência. nao temos um objeto construído. demasiadamente manipulado em termos subjetivos. pela visão subjetiva pessoal. esta tendência foi cu nhada como hegeliana. Assim. preferir a arrumação mental ao con fronto com os problemas concretos. De certa ma neira. no extremo. mas já inventado. Isto faz parte indispensável da construção científica do objeto. temos ciências sociais medio cratizadas. que uma precisamos ca onde de a defender técni arte. trocar a análise dos condicionamentos objetivos . A ciência é. na pista de Feuerbach. Sem reflexão crítica. sem quadros teóri cos rigorosos de referência. descoberta manipulação criatividade conta muito mais que a especialização. alguém poderia querer conhecer pelo conhecer. Historicamente. ciência. Todavia. porque crédulas. mais é realidade. a PP aponta sobretudo dois caminhos de crítica à pesquisa tradicional: com respeito à PE. No do fundo. com respeito à PT a à PM. É por isto talvez que a excessiva formalização em ciências sociais as torna um es quema empobrecido de captação da realidade. mesmo que a ciência não tivesse utilidade alguma. ao mesmo tempo. o vício de Hegel: substituir o mundo real pelo mun do das idéias. porque acredita que a potencialidade se desdobra em ambiente de liberdade de criação. Em si. de que a da superficiais. o rigor lógi co não faz mal a ninguém. Poderíamos talvez apelar para um exemplo: a formação superior na universi- . Mas é instrumento. 3. a idéia e miméticas. ê ate uma necessidade do ponto de vista da captação das dimensões qualitativas. a verve teorica das ciências sociais não precisa em absoluto ser um vício. porque Marx assim interpretava. sua pos sível futilidade. instrumen to fim.sem cuidado teórico e metodológico. A arte tem como característica a insubmis-são a esquemas rígidos. sem discussão das opções metodológicas e sua adequação à realidade. Inutilidade relativa das ciências sociais É sempre um risco colocar a utilidade prática de algo como critério de sua vigência. O critério da utili dade instrumentaliza as coisas e pode distorcer profundamente a questão das finalidades. sua possível aliena ção da prática. especulado. No extremo. Todavia.

o que de fato ela também é. que somente poderia ser resolvido após grandes investimentos em pesquisa. na qualidade de reprodução de uma elite especifica da sociedade. e assim por diante. a taxa de rendimento do 19 grau era de somente 20% na oitava série. ou seja. não é uma questão tão científica. O que faz mais sentido é esperar que tenham utilidade prática. Mas. Seja como for. Aparece presença no da domínio da natureza. . quanto política. Aí a pergun ta: as ciências sociais têm utilidade prática para os dominados? * Insistentemente a PP se coloca esta pergun -ta. que dificilmente têm acesso à ciência. faz pouco sentido imaginar uma finalidade em si. colocar todas as crianças em idade escolar na esco la. não é nenhum enigma técnico. se. Do ponto de vista destas. por hipótese. há muita verdade aí. a função de formação à cidadania é mais importante. Esta ótica se coloca como instrumento de ascen sao social através da conquista de um emprego. que perderiam seus empregos e sua pose. o fato de não termos resolvido isto relativamente. Mas. a nível de aumentar os conhecimentos. exemplo. nao resta dúvida que a formação superior é igual -mente finalidade em si.dade é muitas vezes julgada através da inserção no mercado de tra balho dos egressos. teceria mundo? Provavelmente nada. a não ser os problemas típi cos para os sociólogos. o que acon na medicina. analfabetos de 15 anos e mais de idade eram mais de 25%. Qual é a função precípua da educação: inserir no mercado de traba_ lho ou formar o cidadão? Sem desmerecer a função de instrumentali zar a inserção no mercado de trabalho. (25) Segundo o Censo de 1980. uma das perplexidades importantes é a di cotomia fácil entre conhecer a realidade e nela intervir. ao na comunicação. o fato de termos ainda uma realidade so cial incrivelmente distanciada da realização das expectativas edu cacionais da sociedade(25). nao se resolve pela pesquisa clássica. Ao contrário. A utilidade prática das ciências naturais é. principalmente quando falamos de populações marginalizadas. existe também o aspecto ins trumental. muito maior. Universalizar a educação bá sica. a taxa de escolarização obrigatória atingia somente 67%. Embora tal postura seja certamente exagera -da. O mesmo vale para a educação como tal. apagássemos a sociologia. por na agricultura. Voltando ao exemplo da educação. no transporte etc. Havia Estados em que mais da metade da população escolarizável estava fora rias escolas. de modo geral .

sabemos muito mais da realidade. mas somente uma inutilidade relativa da pesquisa. é difícil de entender a falta de soluções mi_ nimas para problemas corriqueiros como a inflação. Apenas acumular pesquisas tradicionais. no sentido de a reduzir substancialmente. a inutilidade pura e simples. A negação de utilidade prática ê a própria utilidade dela. poder. Nao defendemos. que nao devem apenas ser estudados. há os que dizem ser a desilusão um enga no. mas resolvidos. na situação em que se encontram.Diante da pobreza. a concentra -ção da renda. Ao lado de tanta sabedo ria de sociologica. do que a conseguimos resolver. A própria idéia de que a ciência nada tem a ver com a solução dos problemas reve la que esta postura serve a alguém: aqueles que não têm os problemas e os solucionam às custas dos outros. A desilusão é imensa. mas mistificação dos comprometimentos concretos. Nao é pela pesquisa comum que obteremos possíveis solu çoes. Porquanto. Sua tendência será sempre . a dependência é externa etc. A pesquisa ajuda. que envolve milhares de inteligências privilegiadas. a consideração é semelhante. pois. Todavia. certamente traz benefícios cla ros ao pesquisador. e é necessária. Ao lado de tanta produção econômica acadêmica. mas. estão no mínimo se mascaram as coisas. se podemos constatar que os problemas existem e talvez se deteriorem e a ciência nada pode fazer. É por isto que podemos di zer que as ciências sociais. porque não há a mínima pro porcionalidade entre o que já conhecemos dos problemas e a capacidade de os enfrentar na prática. Já não é questão de isenção ideológica. além de pouco ou nada resolver. pode ter o impacto de mascaramento dos problemas reais. sao extremamente passivas e ineficientes. porque não é competência da ciência solucionar problemas sociais. pelo próprio fato de que a realidade nunca esta esgotada. "uma ciência que se se limita presta à previsão a e elaboração todo tipo de de resultados utilizáveis facilmente difícil entender nossa incapacidade histórica instaurar pelo menos os primórdios da democracia e do controle do manipulação por parte dos que contro lam os centros de decisão e de poder. aumentando a dose de conhecimento.

. Nao se deve misturar ciência com política. Para nao cair em armadilhas deste tipo. "Isto sao problemas que escapam da esfera própria da ciência e que devem ser tratados por quem de direito. ou como privilegiado. Mas há também os que dizem ser a desilusão ingênua. isto é. op. . de OLIVEIRA & Miguel D. porque servem a alguém. de repente. Nao sao jamais inúteis. se nos conscientizarmos que as ciências sociais são um produto social geralmente de origem pequeno-burguesa. então. Ê uma polarização constante e processual. p. porque era esparada. opressão. hierarquizada e autoritária. objetividade com emoção. mas carregado historicamente com as cores próprias de um projeto de sociedade. A missão do cientista é constatar o que existe. a realidade. Para os dominadores são pelo menos técnica de controle social. as ciên -cias sociais não são um fenômeno inocente. uma bela autodefesa. o que existe hoje é o único real possivel. Desfaz-se a necessidade do compromisso político. sem querer remexer ou desenterrar sonhos. Mas não apaga a decepção dian te de resultados miseráveis. pouco importa. 2324. de OLIVEIRA. Assim. São inúteis apenas à solução dos problemas dos dominados. estudar o que é imediatamente visível e quantificável. mais vale. os políticos. hoje. estudo sério com jornalismo impressionista. A realidade social nao é algo neutro . A redução do complexo ao simples e do dinâmico ao estático são típicas do pensamento conservador : sob esta ótica. (26) Rosiska D. Isto é verdade. sem se aventurar pelo terreno arriscado e imprevisível dos julgamentos de valor que podem. Se a sociedade é desigual. racionalidade com impulsos é ticos. esperanças e ilusões que podem revelar o desejo reprimido de mudança e des velar um outro real possível" (26) . Nao há como ser mero expectador. A dimensão política é parte componente inevitável. A insistência sobre a objetividade e o distancioamento é. a não ser por. nos colocar em oposição ao que é. no fundo. cit. bem como congelar o dinamismo social numa fotografia está tica.reduzir a complexidade do real a uma visão simplista e superficial.

avalia. Tôda esta fome interessa. a alguém. Nao é sem razão que paira intensa dúvida sobre a conveniência dos gastos em instituições de estudo e planejamento. pelo menos in_ conscientemente. estão gerando re sultados muito menores do que se poderia imaginar. sem unilateralizar o sentido prá tico das ciências sociais. é mister exigi-lo. Se o estudo dos problemas sociais leva siste maticamente a nao resolvê-los. . Porque o estudo da pobreza que nao se compromete com sua redução. faz política. não como compromisso de solução relativa. para a própria so brevivência delas. teria "sido melhor. a formulação de programas que a querem enfrentar. Poderíamos aduzir o exemplo da supera -ção da fome. que se sentem i-núteis.Assim. se o dinheiro fosse dado ao pobre diretamente. até c excesso de produção. o planeja mento social que os propõe. Em certos ca sos. esta próximo da chacota ou do sarcasmo. a não-soluçao faz parte deste pro jeto de estudo. Persistentemente a pobreza aparece como objeto de estudo. porque nao há correspondência entre o que se invés te e o que se produz. Cientificamente estamos aparelhados para produzir qualquer quantidade de alimentos. E isto provoca o vazio árido tipi co de instituições de pesquisa e planejamento. • A própria formação do pesquisador e do técnico leva ao distancia mento entre teoria e pratica. por vezes macabra. Se a fome persite. acompanha. Quando a ciência se isenta do proble ma político. não sera por falta de pesquisa. Particularmente os estudos sobre a pobreza. Mas certamente por questões políticas.

ou seja.. A farsa não seria. de que nenhuma sociedade sobrevive e se organiza sem estruturas de poder. peculiaridade de instituições oficiais ou governamentais. no sentido de elaborar algumas referências fundamentais para se constituir como genero de pesquisa. pode refinar os controles sociais vigentes e. Nas existem posturas igualmente meramente serias ativistas fragilidades que metodológicas. transformando-o numa "receita culinária". por exemplo.des não só a de a de pretensão vã de se constituir na unica forma válida de pesquisa. com que dominados. mas busca uma alternativa democrática dele. mas também a idéia de participação. porque na verdade não pos_ suem fogo. precisamente naquilo que se rejeitava na pesquisa tradicional. precisamente aqueles pesquisado res alimentam esperança reconhecidos pela fumaça que levantam. até banalizam. até que ponto é mais participação do que pesquisa e em que medida participação pode ser uma maneira descobrir a realidade e de a manipular. esconder um "pre sente grego". idéia pesquisa. Diríamos que. mais do entusiasmo. entre outras coisas. a mesmo de tempo. mas nao refletem sobre a questão vital. de modo algum. num pacote bonito.CAPÍTULO III: ELEMENTOS METODOLÓGICOS DA PP Tentaremos fazer uma aproximação metodo lotica da PP. não problematizam mal formados identidade medíocres. serem banqueteiam-se na PP. Outros manipulam a idéia vaga de que as estruturas de poder precisam ser superadas. de . a PP ainda vive. por vêzes. Preocupa na PP. A PP tem tudo para ser apenas a próxima farsa. A participação nao elimina o poder. existe na PP uma contrapropos_ ta. Em vez de superar a decepção histórica com respeito à uti lidade das ciências sociais para os dominados. A critica feita aos métodos tradicionais de pesquisa deve vir acompanhada de uma contraproposta. tendo em vista a presença maciça de marginalizados. do que da fundamentação teórica. quando. Alguns simplesmente se refugiam no materialismo histórico. de modo geral. Ademais. sempre muito comprometi das com a ordem vigente. sua e Ela não é menos os possível entre Ao os pes quisadores que se querem de "esquerda". pelo menos sob forma latente.

sua adequação histórica e assim por diante. No entanto. como sua solidez teórica e lógica. porque opcional. para estabelecermos a verdade . Da mesma bíblia produzem-se muitas seitas. a não ser sob o peso do dogmatismo e do fanatismo. porque o simples fato de uma teoria Ê a um critério che gar à prática nao a faz necessariamente verdadeira. Nao é possível imaginar que de uma mesma teoria se derive uma úni ca orática. fora da qual nao há salvação. de uma mesma teoria podemos deduzir várias práticas opcionais. ao contrário da teoria.sempre relativa . op. Mas. mesmo porque esta é uma marca própria (1) P. E ê neste sentido que muitos diriam ser a prática o critério da verdade teorica"(1). é correto afirmar que.cap. pura e simplesmente. nunca foi sequer teoria. DEMO. Aí já temos uma característica fundamental da prática: é sempre uma opção da teoria que a funda -menta por trás. 1.cit. nao se pode dizer que prática seja o critério da verdade. de outro mundo. Nao podemos elementos levantar alguns metodológicos. que é generalizante. A partir daí. se uma teoria nao leva a prática. outra característica da prática é seu traço concreto. mas versões concretas dela. e se a mera prática as tornasse a todas verdadeiras."Teoria e Prática" . para aclarar a problemática. Porquanto. O fanatismo é precisamente isto: parte da necessidade de in -terpretação única. Assim. Neste sentido. o que quer também dizer que a prática ten de a ser exclusivista. precisamos de outros critérios mais. da verdade. inclusive contraditórias.As questões pretender exauri-las. Introdução à Metodologia da Ciência. até mesmo contraditórias. porque será um discurso irreal ou alienante. teríamos verdades contraditórias. Teoria e Prática "Para as ciências sociais uma teoria desligada da prática nao chega sequer a ser uma teoria.de uma teoria. sua capacidade de objetivação. Assim. da qual derivam uma prática exclusiva. A teoria usa concei -tos universalisantes. mas tão somente são inúmeras. da teoria marxista existem muitas práticas. não se pratica toda a teoria.

Que cada democracia em particular levante a pretensão de ser a única possivel. ou do capitalismo liberal. nao praticamos a democracia. É comum ouvirmos que na prática a teoria é outra. Quando. em pessoa. Assim. chegue ao governo. já que na prática. pretensamente. outra é a realidade como se dá efetivamente no mundo real. mas não se esgota nos momentos particulares subsumidos. . Toda prática apequena a teoria. aos quais imaginamos poder ajustar seu conteúdo teórico. a versão grega. £ uma abstração e que. pois. buscando manter-se e impor-se. no sentido de que não consegue esgotar teoria contém geralmente elementos utópicos.de qualquer conceito em sentido logico. a democracia nao é governo do povo. Quando dizemos que a "governo do povo. toda prática. suissa. optamos pela democracia." ao mesmo todas as potencialidades teóricas. também a limita. pelo povo e para o povo". quer dizer. Na prática. aparece outra que é o caráter limitante da prática. A democracia é o uma tempo que realiza a teoria. ou seja. E é neste sentido que a prática sempre também trai a teoria. não se constata que o povo. trata-se de afirmação teórica. pois isto seria mera abstração ou fuga teórica. Assim. mas nao é em particular nenhum deles. brasileira. O conceito de democracia aplica-se a todos os casos concretos históricos. o que introduz inúmeras limitações conhecidas dos processos democráticos. porém. ou outra qualquer. podemos dizer que a democracia americana é tao somente um caso possível do conceito geral de democracia. Seria obtuso pretender mostrar que o caso concreto da democracia americana esgote a potencialidade do conceito ge ral de democracia. irrealizáveis historicamente. diz respeito a todos os casos concretos cobertos por ele. mas de seus possíveis represen tantes. porquanto nao ultrapassa a condi ção histórica de uma versão dela. e assim por diante. isto já é uma questão ideológica de autojustificação . por isto mesmo. mas uma versão historicamente condicionada dela. uma coisa é a realidade teoricamente es_ truturada e sistematizada. à sombra desta característica. Chega somente através de representan -tes que. o representam. face à teoria.

o partido deveria ser apenas órgão da massa. outra coisa é o so cialismo como é viável na pratica. Embora faça parte do projeto de sociedade. A idéia de que a única interpretação possível do socialismo deva ser a soviética. Por isto é um traço típico das ciências sociais. por esta ótica. à superação das necessidades materiais através da produção ilimitada deveria ser condição prévia e assim por diante. que possivelmente não se aplica nas ciências naturais. Ademais. para tomarmos outro exemplo. A ideologia não aparece somente na opção de tratamento científico dado social. Nao é que a teoria nao seja também ideológica. É interessante notar. Nao é somente dada. o socialismo soviético é somente uma versão possível. tôda prática é necessariamente ideológica. conflituosa e poten -cial. Em teoria.ob jetiva. porque está inevitavelmente polarizada entre opções históricas e políticas possíveis. A ditadura do proletariado nao passou até hoje de uma pretensão teórica. A física. Na prática. própria constituição da realidade social.uma coisa. mas e na por isto intrinsecamente ideológica. porquanto o próprio distanciamento para com a prática significa um tipo de compro -misso ideológico. na pratica a dita_ dura é do partido. enquanto que a prática sequer se realiza sem a imiscui-ção ideológica. como a realidade fisica é. Mas a teoria pode imaginar-se pura. . a evolução do socialismo ao tempo de Lenin. Ao passe que a realidade social é fundamentalmente à realidade prática. Lenin introduziu a modificação do "socialismo num só país". porque realiza-se dentre de uma opção política. por exemplo. tem o problema de sua utilização social. não ne la mesma. Por isto mesmo. com Rosa Luxemburg) e teve que virar-se num país subdesenvolvido. interpretada. assume diretamente a ideologia e é a realização de uma ideologia. isenta. seria o socialismo como se deseja na teoria. Na verdade. a ideologia aparece no tratamento dado à realidade física. por exemplo. . porque é um produto também social. é dogmatismo primário e excrescencia ideológica. abandonou a idéia de espontaneidade da massa (desenten -deuse. é também produzida. mas não é uma prática intrínseca. o socialismo deveria ser universal.

Tôda prática histórica pode ser condenada. é um produto histórico. Porque não há outra maneira de se fazer história. tôda história é in -trinsecamente defeituosa . mas a realiza relativamente. Somente era teoria podemos imaginar uma ciência totalmente evidente . Quer dizer. utópica. mas uma versão dela. se for prática. criativa. De um lado temos a propensão absolutizante da teoria. ou seja. universal. acabada. Todavia.A prática é condição de historicidade da teoria. o que possibilita um relacionamento dinâmico. infindável. abstrata. os compromissos históricos possuem consequentemente defeitos. Aí está toda a grande za da prática: de ser realização histórica concreta. relativo. nova porque é contraditória. realizada. particular. a prática. do compromisso a tacável. Dizemos que é mister "sujar as mãos com a prática". A tradução mais concreta desta incompleição é o conflito. porém. limitado. mas cada um possui den sidade própria. enten dido como fenômeno intrínseco e normal. Porquanto a prática nao esgota a história. porque tem medo da condenação histórica. um não existe sem o outro. numa identidade de contrarios. nao acontece. pois não representara a perfei ção histórica. sem traições e sem deturpações. caso contrario. a não ser comprometendo-se com opções políticas concretas. porque tôda proposta. Na prática. A teoria po de ser absoluta. Prefere criticar a propor. O factual nunca esgota o possível. nao há "historia real precisamente sem limi tações. A mera teoria é uma fuga da realidade. 0 teórico foge muitas vezes da prática.e é por isto que se mantera históri ca -. é característica da historicidade dialética. é relativa. 0 conteúdo fundamental da história é sua incompleição. Mas isto não é um defeito. Mesmo que a prática limite a teoria. é também atacável. por sua vez. verdadeira. a traia e a deturpe. Ambos os termos se necessitam e se repelem. porque usa-se a idéia de que a prática nos le va a compromissos atacáveis. Recompõe-se nisto a gualidade diale -tica do relacionamento entre teoria e prática. produtiva. O realizado não consome a utopia. diante de outras opções adversas. A história é dinâmica. processual. mas como marca própria. concreta. não como defeito. a fuga da prátic . como.

superável. gostamos a de tomar escamoteamos lar. para a declarar superável. o proletariado perfaz a maioria da sociedade. A prática. sa-craliza-se uma situação dada. A discussão em torno da consciência verdadeira coloca adequadamente este problema. mas uma consciência relativamente verdadeira. e vice-versa. sem o qual nos satisfaríamos com os produtos relativos. mais útil. ou que nao um tipo de compromisso quando revê cons político. assim como a teo ria. ou por do ciência compromissos escusos chegamos compromisso latente que é a falta de compromisso. uma pratica. é quem representa a contradição da sociedade capitalista e a potencialidaaos . Na pra tica. embora não tenha a posse da produção. Assim. nao é historicamente realizável. dentro do espaço e do tempo em consideração. geralmente conservador. mas há os relativos. que argumentos se usam? Esta questão não tem solução fechada. Para nao recairmos no simplismo de que uma determinada versão ci entífica se erija em parâmetro final. ao querermos não sujar as mãos. É pre cisamente este o papel da utopia. não é inutilidade vazia. por ser uma construção abstrata. é mister voltar à teo ria. mas faz parte da histeria. que. quer dizer. por estar exposta a todas as fragilidades históricas naturais. Onde não há utopia. nem a prática em nome da teoria. é relativa. como sabemos < que uma consciência é ou não verdadeira? Por exemplo. e quando por nao malandragem. e burgueses consciência falsa. sujamo-las inocência ainda. Nem por isto o conceito de verdade absoluta perde seu sentido. nao deixa de ser importante. faz parte integrante do processo científico. Não temos argu mentos cabais. encontra sempre sufici entes defeitos históricos. Na da faz tão bem à teoria como sua prática. Por exemplo. como se já nao houvesse alterna va. ao atribuirmos ao proletariado consciência verdadeira. • Assim. é quem realmente produz. Nao existe verdade absoluta. histórica. nao podemos sacrificar a teo ria em nome da prática. Ao contrario. porque na prática não existe a consciência absolutamente verdadeira.é. à revelia. em sua pretensão absoluta.

in tiliza sua passagem pela historia. e assim por diante. porque o burguês também pode apreender criticamente a realidade. Tudo isto nao é argumento cabal. Por medo do compromisso. ou o povo contrário à condução par tidária?. quem tem cons -ciência verdadeira. No caso da Polônia. os defeitos da prática. Tudo isto é simplesmente histérico. praticamos nossa ideologia. sobretudo nome dele que se chega a dar a vida por aquelas mais ostensivas e contestatórias. nao faz historia. exclui mos as demais. Quando se assume uma prática. que a define em seu conteúdo concreto. Assim. jamais chegará à prática. a busca de autodefesa. Tal característica pode facilmente ser apreendida nos momentos em que se põe em questão a condição do partido como representante legitimo do proletariado. porque os marginalizados também sofrem de alienação social. perde-se a tônica do argumento e passa-se à submissão à autoridade. na prática. no sentido de autodefesa i deolégica. não há somente argumentos. fica patente que tôda prática possui tendência exclusivista. de novo. Mas é claro que prevalece o "argumento" de autoridade.uma teoria não precisa ser verdadeira. porque a maioria não precisa ter razão. porque é uma marca própria da ide ologia. Quem não tiver coragem de as sumir também. Isto pode ser justifica -do. Duas dimensões são aqui vitais: em teoria defendemos facilmente o pluralismo ideológico. Mas sao argumentos relativamente válidos e que pos_ suem sua verdade histérica.de da mudança.etc. o partido. ou seja. Por outra. para enaltecer as virtudes e para encobrir os defeitos. Quera passa a vida "encima do muro". Se a questão for fechada. b) não se define a consciência verdadeira fora de uma prática ideológica. porque é em um projeto político determinado. seria indiferente qualquer prática. são os excluídos do processo. em nome de uma prática histérica. ou e tragado por ela. Lança-se mão da ideologia para justificar a prática. Assim. ou serve a compromissos escuses. parece claro que: a) pelo simples fato de ser prática. fazer história que nao há como . não há decisão histérica prática. atribui-se normalmente consciência verdadeira ao partido. No socialismo. mas opções políticas concretas. caso contrário. com vir tudes e defeitos. Isto significa. Por ser opção política. sem pelo menos um pouco de fanatismo. opta-se por ela.

porque não nos serve na manipulação da realidade. sentido. recebe_ mos uma formação alienada. Em primeiro lugar. já não levantamos a pretensão tola tipo de compromisso vamos justificar? Ao mesmo tempo. nem temos noção clara daquilo que é viável. a dialética entre teoria e prática é condição fundamental da pesquisa e da intervenção na realidade social. e pas_ sa a condenar tudo que não esteja de acordo com sua teoria ou com sua prática.sem "sujar-se" com ela. daqui lo que é possivel. a prática é elemento me todológico integrante do processo científico. Sem o componente da prática. discutir qual é a preferencial. porque . se for o caso. na medida que também fazemos parte da realidade social. por causa disto. montamos a farsa de espectadores de um estranho circo. nossa teo ria não fica histórica. contudo. A prática traz novas dimensões na ao co- nhecimento científico social. para aprender de outras práticas. até mudar de prática. Em ciências sociais. tanto no servir de constante teste para a validade da teoria. a prática é uma forma de conhecimento. A título de rigor lógico e de objetividade . obriga à revisão teórica. de ver o mundo através da sala de aulas. 0 senso de relativa inutilidade que as_ sola hoje as ciências sociais se deriva em grande parte do ab-senteismo prático. e para. Não adianta escamotear a ideologia. é importante demais sempre voltar à teoria. Todavia. Assim. E somos melhor necessariamente atores. Ao mesmo tempo. bem como dialogamos dinamicamente • com a realidade e conosco mesmos. do qual. porque através dela testamos conhecimento vi gente e produzimos novo. deixa de ser crítico e autocrítico. que são essenciais para sua construção. daquilo que é realizável. de quanto no sentido de isentar-se de qualquer compromisso. submergindo no ativismo fechado e obtuso. para aperceber-se do fanatismo. mas vamos logo àquilo de que se trata de fato: que de assumir que a própria pesquisa é uma intervenção na realidade. Quem nao volta à teoria. em ciências sociais. produzimos a típica alienação acadêmica. Se admitimos que estamos de qualquer maneira comprometidos.

até onde possível. mas que. Por isto estamos imersos na pratica. que erra. ou seja. de vigilância indomável contra as desigualdades sociais. nossa própria história. Não consegui mos ser meros observadores de uma trama que é necessariamente nossa. gente que deturpa. ou pelo menos tole rada. nos colocar fora de história. as sume a opção ideológica e pratica a decência de se submeter ao julgamento histórico aberto. mas pode. .pratica tôda teoria é outra. Em terceiro lugar. ser conduzida. sabe disto. para que o projeto po litico seja expressão da sociedade desejada. leva o cientista a "sujar" as mãos. que humana Nao esgotamos a realidade. que pouco tem a ver com uma visão muito arrumada e estereotipada da realidade social. Em segundo lugar. porque a obriga a adequar-se a uma realidade processual. mas é péssima. influenciada. que duvida. uma coisa é o discurso. torna a teoria muito mais produtiva. nem temos somos apenas pesquisadores. também quando desejássemos fazer pura teoria. ao mesmo tempo aproveitável e condenável. de salvaguarda da democracia. porque sequer. redirecionada. a prática traz a oportunidade histórica de construirmos. toda a verdade na mão. imaginando que isto nos daria condições melhores de a conhecer. Nos mesmos somos produto histórico. inquieta. ou seja. outra é a prática. quer Em sétimo lugar. leva ao questionamento constante da formação académica. mas que não consegue tornar as ciências sociais baluartes concretos de realização . Em sexto lugar. acima dela. pode colaborar no controle ideológico. Não conseguimos. a pretexto de objetividade e isenção analítica. Porquanto a alienação é uma maneira de fazer história. sabendo disto. pelo menos em parte. tornando-o concretamente histórico. irrelevâncias. Em quinto lugar. centrada em superficialidades e divertem a alienação universitária. reduzir o desacerto. Em quarto lugar. por que em contato com a realidade concreta e política descobre-se facilmente que. repõe a importância do componente político da realidade. submete a. na medida que não se dá ao escamoteamento de suas justificações políticas. que não somente acontece. ou ao lada dela. teoria ao teste saudável da modéstia. Em oitavo lugar. conflituosa.

Por outro lado, a pratica não pode ser a porta escancarada da devassidão ideológica. Se for prática no contexto científico, há de "predominar o argumento sobre a ideologia. Ao dizermos que a prática é necessariamente ideológica , nao quer dizer que Se seja nao só ideologia o cientificamente apreendida e contralada. perdermos relacionamento dialético entre

teoria e prática, fica mais fácil evitarmos o ativismo e o fana tismo de uma prática que já desfez a sensibilidade pela teoria crítica(2). 2. Postura dialética é praticamente impossível a PP fora de uma postura dialética. Sua forte crítica à pesquisa tradicional acaba coincidindo com a reivindicação de uma metodologia própria para as ciências sociais, que nao tenta imitar tacanhamente as ciências naturais. Tal postura pode vir maculada pelos ex cessos mais ingênuos, desde imaginar que a dialética acabe com a lógica e a experimentação, até imaginar que a dialética seja a tábua de salvação das ciências sociais e da humanidade(3). De todos os modos, é preciso visuali -zar algo da dialética para entender muitas das pretensões da PP. Todavia, temos aqui um problema logo de partida: a dialética: co mo qualquer outra metodologia', nao é unitária. É um erro primário supor que a única dialética possível ou aceitável seja o ma terialismo dialético. Por isto, torna-se difícil compor elementos gerais da dialética, no sentido de serem bem comum de todas as versões praticadas, mesmo porque há as antagônicas. Seja como for, levantamos aqui alguns elementos para início de discussão e que são necessários para apreendermos certos rumos da PP.

(2) A.S. VASQUEZ, Filosofia da Praxis, Paz e Terra, 1977. F. CHATELF.T, Logos e Praxis, Paz e Terra, 1972. K. KOSIK, Dia letica do Concreto, Paz e Terra, 1976. (3) H. LEFEBVRE, Lógica formal/lógica dialética, Civilização Bra sileira, 1975. J.P. SARTRE, Questão de método, Difel, 1972. M. HARNECKER, Los conceptos elementales del materialismo his_ tórico, Siglo 21, 1972. A. CHEPTULIN. A dialética Materialis ta, Ed. Alfa-Omega, 1982. E.M. LAKATOS & M. de A. MARCONI, Metodologia Científica, Atlas, 1982.

Num primeiro momento, vale dizer que a dialética é vista como a metodologia própria das ciências sociais. Isto não precisa coincidir com exclusivismos, como se as ciências sociais não pudessem lançar mão das metodologias das ciências naturais. Porquanto não há pureza metodológica, mas relativa especifidade. 0 que permite uma definição própria, mas igualmente a convivência com outras, ainda que conflitos também. Não é fácil mostrar que as ciências sociais trabalham com uma realidade tão específica, que merecem ser tratadas especificamente do ponto de vista metodológico. Mas nao é problema muito diferente aceitar que a realidade é unitá ria, devendo-se pois aplicar a ela metodologia unitária, retira da dos cânones das ciências naturais. Na verdade, isto depende da concepção de realidade, que pode ser explicitada, mas não propriamente demonstrada. Nao dá para mostrar dialeticamente que' a realidade é dialética. Temos, pois, aí um ponto de partida, já que não há partida sem ponto, mas que é um pressuposto no sentido lídimo do termo: supomos que seja assim, pelo menos como hipótese de trabalho. Em todo ocaso, a PP supõe que assim seja e por isto lança mão da metodologia dialética (4). Ao mesmo tempo, desiste-se da idéia de que a dialética seja metodologia unitária para todas as rea lidades. Ela serve para captar fenômenos históricos, caracteri zados pelo constante devir, não para captar fenômenos naturais, que são dados(5). Caracteriza profundamente a dialética a idéia de que tôda formação social é suficientemente contradi-tória, para ser historicamente superável. Embora nem todas a-ceitem isto, serve como ponto de partida. Privilegia-se na rea lidade seu lado conflituoso, não como defeito, mas como característica histórica natural. No fundo, entende-se o histórico como conflituoso. A superação histórica é um fenômeno natural, porque predominam conflitos, não somente conflitos de menor porte, mas igualmente conflitos que não conseguimos resolver e que decretam o término de um sistema dado. Tais contradições nao são extrínsecas, embora as possa haver; são intrínsecas , (4) H. MARCUSE, Zum Problema der Dialektik, in: Die Gesellschaft 7 (1930). H. FREYER, Sociologia ciencia de la realidad, B. Aires, 1944. (5) Assim, a idéia clássica de Engels de construir uma "dialética da natureza" estaria em decadência. A natureza possui talvez cronologia, mas não propria mente história; está estruturalmente dada, e por isto nao é propriamente produzida na e pela história.

no sentido de que fazem parte constituinte da realidade. A história é irriquieta, incabada, supe rável, porque é contraditória. uma história não contraditória coincidiria com uma história parada, tranquila, onde já nada acontece. Ou seja, não é um fenômeno histórico. A pedra de toque da dialética é o conceito de antítese. Do seu entendimento surgem De de as mais variadas versões dialéticas, a inclu vigência i-dentidade sive de de contraditórias. num todo só modo geral, antítese o que significa resulta na

contradições dentro de determinada formação social, ou seja, a convivência polos contrários, contrários..Se a antítese for radical, leva à superação do sistema, porque reflete um conflito que o sistema já não consegue absorver ou resolver. Se a antítese não for radical, deter mina a manutenção do sistema, ainda que introduza modificações internas. Simplificando as coisa, as superações históricas-são trabalhadas por antíteses radicais que levam a mu -danças do sistema. Antíteses não readicais induzem mudanças dentro do sistema ou a relativa manutenção da situação dada. De todos os modos, a realidade histórica é uma polarização intrínseca e nisto exercita sua dinâmica própria de uma totalidade em infindável processo de mudança. A história é uma sucessão de fases. O conceito de fase introduz cs dois movimentos típicos da antítese: existe a persistência histórica relativa sem a qual a fase não se institucionaliza; mas nao passa de fase, ou seja, é provisória, porque na história tudo nasce, cresce, vive e morre. Embora seja correto que a dialética pri vilegia o fenômeno da transição histórica, ela faz parte da visão metodológica da ciência ocidental, ou seja, também é nomotética Concebe-se como esquema explicativo de mudanças históricas, desaparecimento dos sistemas. Contém, acontecer. Ao aplicarmos mas nao desaparece com o pois, formalizações e é, no fundo,

um tipo de lógica. Elabora, senão leis do devir, pelo menos regularidades do a certo tipo de fenômeno histórico o conceito de revolução, supomos que embora se trate de mudanças radicais, muita coisa aí se repete, tanto que se aplica o mesmo conceito.

ou totalmente subjetiva. Decididamente.Ao mesmo tempo. do que acontecida objetivamente. se aceitamos que a história pode também ser feita e planejada. porque acentuam os condicionamentos objetivos. nao sabemos trabalhar com uma realidade que fosse irregular. Nao cai do céu. é uma das opções políticas caso do materialismo humana. nao apenas fisicamente dada. Há também um modo próprio de ver o rela_ cionamento entre sujeito e objeto. derivado da concepção específica de realidade social. o que permite desfazer a idéia de objeto. mas também construída na história. para ser previsível e manipulável. nem imposição evidente por parte do segundo. do tipo hegeliano. mas interação dinâmica e dialética. mas também construída socialmente. mas é condicionada. sobretu do quando os objetos são sujeitos sociais também. que nunca é apenas dada objetivamente. isto somente é possível se a admitimos pelo menos regular. o que determina a ideologia intrínseca da rea lidade social. Entre sujeito e objeto não há mera observação por parte do primeiro. Colocados tais elementos esparsos. A consciência histórica e a possibilidade de intervenção humana são constituintes centrais deste processo. admite a intervenção É O da maneira que aí está. Embora objetivamente condicionada. E outras procuram um meio termo. imprevisível. o fato de que nossa história se desenrole possíveis. sur gem já algumas divergências. Outras são mais subjetivistas. Acabam-se identificando. dentro do quadro da teo ria e da prática. Algumas dialéticas sao mais "objetivistas". definido como a participação e intervenção do homem nos acontecí mentos históricos. de tal sorte que tudo o que acontece na história é historicamente explicável. em na que prática. admite-se como central o componente político . Ao mesmo tempo. nem é puramente decidido pela vontade humana. Mesmo a história não acontece de qualquer maneira . atribuindo ao elemento político o . que vêem a his_ tória mais feita pelo homem. caótica. o que ocasiona versões diversificadas histórico. foi causado por fatores antecedentes. Pelo menos um laivo de determinismo é típico" de nosso modo de fa zer ciência. que caberia somente em ciências natu rais. Por mais que o salto seja qua litativo e radical. mas política determinada ultima instância pela infra-estrutura econômica .

também superável? Se superarmos o conflito de classes capitalista. também con flituosa. produziriam as condições suficientes do reino da liberdade. Ademais. a visão da antítese histórica é variada. que baseia a idéia constante de entender a história até ao capitalismo como préhistória. ser já nao depois mais do capitalismo porque -ria teríamos não até con ao radical. as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa. traditória. A idéia de que toda formação social seria suficientemente contraditória para historicamente superável. MARX. mas de urna contradição que nasce das condições de existencia social dos in divíduos. porque tende a. capazes de satisfazer a todas as necessidades materiais. mas não se supera a característica específica conflituosa da história. . contradi tória nao no sentido de uma contradição individual. 1973. Estampa. Parece muito discutível esta postura . Contribuição para a Crítica da Economia Política. outra ótica da antítese. Certamente não apre (6) K. assim. com esta organização social termina. apresentaria o conflito de classes. antigo. No entanto. superando o reino da necessidade. que história seria esta já sem contradições radicais? Neste uma situação histórica já sem desdobramento. criam ao mesmo tempo as condições materiais para resolver esta contradição. a pré-história ca sociedade humana"(6). Não seria o socialismo simplesmente uma fase histórica como qualquer outra. correspondente precisa -mente a radicais. ou de qualquer fase que venha após o capitalismo. Destarte. radicalmente diverso. os modos de produção asiático. feudal e burguês moderno podem ser qualificados como épocas progressivas da formação econô mica da sociedade. 28-29. É incisivo este texto da Contribuição à Crítica da Economia Política: "A traços largos. No materialismo histórico predomina a tendencia de considerar o capitalismo o último modo contraditório de produ -ção. Se o dinamismo dela provêm de suas contradições. As relações de produção burguesas são a últi ma forma contraditória do processo de produção social.mesmo peso dos elementos ditos infra-estruturais. conflitos os soviéticos porque innão ventaram a "dialética não antagônica". P. As condições econômicas novas. camuflar os conflitos de socialismo. superamos tao somente a maneira histórica própria do capitalismo de o conflito acontecer. vale capitalismo.

continua histórica. inquieta. ou seja. DEMO. como a própria infra-estrutura econômica. por ser histórica. por causa desta característica. 1983. que é um conflito tipica_ conseguimos sociedade eliminar. .senta o conflito de classes como no capitalismo. Por isso mesmo. (8) Cfr. porém. nao é um problema capitalista. é pro -blema do capitalismo o conflito de classes. teoricamente considerado . a desigualdade social é uma estrutura histórica. BETTELHEM. perável. problemática. 19-76. Rororo. nao esfriam a história. sobre a questão histórico-estrutural. históricas não se concentram Por causa su- sobre a questão da desigualdade social. ao mesmo tempo. a "desgraça" e o dinamismo histórico. (7) Ch. E mais: são históricas. R. mas pelo acesso à elite burocratica e partidária. insuperável: continua a superações reduzir. precária. 0 fenômeno da desigualdade seria. P. Sociologia uma introdução crítica. Por mais que a sociedade possa sonhar com a utopia da igualdade. no sentido de que não há história que não contenha esta característica. Tais estruturas. dos meios de inspro trumentalizado posse não-posse dução. conflituosa e superável (7). e uma outras polêmica ditas forte en marxista histórico- estruturais. BAHRO. nao Mas mais apresenta pela o conflito ou da desigualdade. As mente dela. Sobretudo. a sair pela Atlas. como no caso da metodologia estrutu ralista. O conflito. mas são precisamente a fonte do dinamismo histórico(8).Zur Kritik des real existierenden Sozialásimis*. Trava-se. a realidade. mas da história como tal. assim. porque nao exis_ tiria mais-valia. Paz e Terra. A Luta de Classes na União Soviética. 1970. porém. tre dialéticas de inspiração então. somente. Die Alternative . realiza formas concre tas de desigualdade. Estas admitem que a história tenha estruturas dadas.

ih. . ENGELS. Por estas razões.. é preciso. MARX. não se poderá julgar uma tal época de transformação pela sua consciência de si. também é válida e tem a seu favor a história conhecida. ima_ gina uma historia posterior nao contraditória. cit. consideradas praticamente inesgotáveis e nunca total mente conhecidas. 1972: "0 governo sobre as pessoas é substituído pela adminis tração das coisas e pela direção dos processos de produção. uma organização social nunca desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que ela é capaz de conter. nunca rela ções de produção novas e superiores se lhe substituem antes que às condições materiais de existência destas relações se produzam no próprio selo da velha sociedade. Estampa. É por isto que a humanidade só levanta os problemas que é capaz de resolver e assim. de que a desigualdade social é estrutural e disto a história retira seu dinamismo próprio social. Do socialismo utópico ao Socialismo científico. diz ele: "Assim como não se julga um indivíduo pela idéia de que ele faz de si próprio. op. extingue-se" . 98. apelando-se para as potencialidades históricas. Não parece possível defender a revolução total. numa ob servação atenta. é permitido levantar a hipótese de uma histó -ria profundamente diferente da conhecida. sem a "dominação do homem pelo homem". de aparecer"(10). Pode-se perguntar: como pode uma história contraditória gerar outra não contraditória? É claro que. Retomando o texto anteriormente citado de Marx. pelo contrário. (9) Visão típica de F. Mas a hipótese contrária. do que a segunda. descobrir-se-a que o próprio problema só surgiu quando as condições materiais para o resolver já existiam ou estavam. O Estado não sera 'abolido1. existem divergências sobre a profundidade das superações históricas. (10) K. embora persistam conflitos. pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção. pelo menos. explicar esta consciência pelas contradições da vida material. no sentido de que o consequen-te já não seria explicável pelo antecedente. em vias. por conter a noção de que a historia contraditória vai até ao capitalismo. Mesmo porque a história passada não é parâmetro definitivo para a futura. seriam não anta gónicos(9).p. A hipótese anterior está mais próxima do mito. Já não se colocaria a superação histórica.O materialismo histórico.

O materialismo histórico pode igual -mente exceder-se em sua acentuação objetivista. Não se trata. Por isto. parece claro que a superação histórica nao produz o novo total. secundarizando o lado da intervenção humana. tanto porque supervalorizamos a importan cia apenas relativa de uma fase histórica. embora seja facilmente condicionada pela infra-es_ trutura material. nos pare ce uma expectativa possivel. a capacidade de assumir. que não se contenta em esperar. . na mesma importância. Dificilmente a mudança nas estruturas da desigualdade se fazem sem a intervenção dos de desiguais. a idéia de que a história futura. Seria uma colocação a -histórica aquela que previsse um salto de tal ordem. no fundo. predomina o novo sobre o velho. Nossa posição tenderia a ver os dois fatores no mesmo pé de igualdade. "objetivismo" excessivo acaba desestimulando. como porque facilmente isentamos fases posteriores da crítica. Para a PP. uma questão capitalista e que. seu destino histórico. como se fossem necessariamente melhores. 0 equilíbrio entre o objetivo material e Não cremos que a questão do poder se ja o subjetivo político é complicado. su pera-se o problema do poder. e. já não seria antagônica. de privile -giar aspectos políticos da intervenção humana na história sobre condições materiais. pós-capitalista. 0 lado material circunscreve precisa -mente os limites e possibilidades da ação humana. que já nao fosse historicamente explicável. mas praticamente" infundada.à luz deste texto. mas é preciso obtê-lo. é a fonte da energia humana. ou seja. é outra coisa. superando-se o capitalismo. que mais pareça conveniente à comunidade. na ordem da utopia. uma concessão mítica. mesmo porque não há revolução sem ideologia revolucionária. que o insiste muito nesta possibilidade participação histórica. não revelia. em observar. Concretamente falando: mera conscientização política não adianta. Todavia. A questão do poder não nos parece su pra-esturural. É mister a produção. em parte. mas o novo relativo. e muito Porquanto história humana é aquela feita aquela que acontece à sua pelo homem a serviço do homem. porque pelo menos não interessa mera pobreza participada. é uma visão curta descrever o capitalismo como o re sumo de todos os males. por outra. O fato de podermos considerar o capitalismo como a fase histórica mais perversa jamais conhecida. elaborando' a opção política menos em se conformar.

07.1970. WEGGEL. Se conser -vássemos a linguagem da infra-estrutura. comunidades e socieda des. embora não possuíssem um modo organizado de produção. míticas. de estilo histórico-estrutural. Em nossa concepção. ma instância. fica superado o esquema tendencialmen te monocausal de uma única infra-estrutura que determina em ülti. pudéssemos dominar os condicionamentos objetivos da desigualdade. E é uma pena que a PP nao a tome a serio. mas o acesso ao poder era instrumentalizado fundamentalmente pelas crenças. (11) 0. supondo-se muitas vezes ingenuamente dialéti ca. que é certamente condicionada pe lo econômico.. mas que existe em qualquer sociedade.Temos de reconhecer a complexidade desta discussão. ao aceitar-se uma revolução cultural e nao somente ao nível da mu dança do modo de produção. 11. não para substituir o econômico. por hipótese. e que é a mais próxima das pretenções da PP (11). Der ideologis. Em primeiro lugar. restariam ain du os subjetivos. Ao mesmo tempo. e não apenas no relacionamento dos homens com sua realidade externa. ou imaginando que a unica dialética possivel seja a versão do materialismo histórico. B 28/70. Ela existe na carestia e na abundância. preferimos uma vi são de tipo maoista.che Konflikt zwischen Moskau und Pe king. nela colocaríamos pelo menos mais a questão do poder. . Abre-se o espaço para o político. não é possí vel imaginar que a desigualdade política possa ser extinta pela superação da carestia material. É claro que havia o condicionamento da sobrevivência mate rial. mesmo quando não havia um modo organizado de produção (12). bem como seus reflexos ideológicos. (12) As sociedades ditas "primitivas" conheciam o fenômeno do po der. porque possui raízes no próprio relacionamento social entre os homens. grupos. mas na mesma ordem de importância. Beilage zur Wochenzeitung "Das Parlament". Assim. se.

Por exemplo. 3. de tempos em tempos.Ao mesmo tempo. Se chegar ao poder. Esta ótica.' se 0 conceito mas de também antitese institucionalização ao mesmo as tempo duas previ histórica. mas simplesmente sociedade der grupo caracteriza-se e maioria principalmente pela desigualdade entre dominante dominada. conclamar uma revolução para res tabelecer a oportunidade dos dominados e submeter a seu juízo o processo social. que esperamos seja prefe rível. É fácil demais mos trar que o revolucionário de hoje poderá ser o reacionário de amanhã. quando não produz efeitos conservadores e até reacionários. Nao é uma problemática ca pitalista. E ' isto e profundamente histórico. e procurará instaurar uma ordem social.. movimento radical que leva à transição histórica e o movimento não antagônico que pro duz a permanência histórica. é uma ótica apressada imaginar que a PP deva somente-produzir efeitos transformadores. se realiza modalidades: uma e o revolução envelhece. Para recompor a transição na rota de uma organização cada vez mais democrática da sociedade . monta-se a idéia mais realista de que é preciso abalar a história de forma permanente. . Assim. parece-nos muito mais realista. já que nao existe uma historia nao antagônica.. verá a sociedade de cima para baixo. porque pode produ_ zir efeitos reformistas.o histórico. de tempos em tempos. que pode ferir crenças do materialis_ . Depende da ideologia política. é estrutural na história a tendência do partido social: de em distanciar-se tôda da massa existe e po de tornar-se e ele uma burocracia privilegiada. para posteriormente avaliarmos sua ade -quação como pesquisa. más será certamente uma ordem institucionalizada. que insti-tucionaliza. porque não há somente transição. é preciso. ao aceitar-se a revolução permanente. como se entende a PP Tentaremos agora fazer um rápido percurso sobre a auto definição da PP.

Segundo Hall. são participantes comprometidos e aprendizes num processo que conduz . Os beneficiarios sao os trabalhadores ou o povo atingido. c) A PP envolve o povo no local de trabalho ou a imunidade no controle do processo inteiro de pesquisa. "a PP é descrita de modo mais comum como uma atividade e integrada ação. populações indígenas. d) A ênfase da PP esta no trabalho com uma larga camada de grupos explorados ou oprimidos: migrantes. b) A finalidade ultima da pesquisa é a transformação estrutural fundamental e a melhoria de vida dos envolvidos.* g) Embora aqueles com saber/treinamento espe - cializado muitas vezes provenham de fora da situação. e é central para a PP o papel de reforço 'à cons ) cientização no povo de suas próprias habilidades e recursos. e o apoio à mobilização e à organização. num trabalho processo educacional combinação elementos interrelacionado ocasionou tanto estímulo. A que combina investigação destes social. Al gumas das características do processo incluem: a) o problema se origina na comunidade ou no pró prio local de trabalho. trabalhadores. como aqueles com treinamento especializado. quanto dificuldade para quem se engajou na PP ou experimentou entende-la. mulheres. f 0 ) termo "pesquisador" pode referir-se tanto à comunidade ou às pessoas envolvidas no local de trabalho.

"A PP . p. para respeitar a criatividade própria da PP. na idéia de "transferir poder ao povo através do processo de conhecimento"(14). Daí a importância da criação do poder popular. é clara a insistência sobre o problema do poder. p. que pode ser gerada dentro de outras versões dialéticas. TANDON. 13. acentuando o que é típico . HALL. por que procura combinar o problema da participação com o da pesqui_ sa. Participatory Research in the Empowerment of People. por exemplo. 1980. "Knowledge. no sentido do com -promisso transformador. e ainda usando outros métodos possíveis. Science and the Common People. ib. XIV. 14. L. p. Participatory Research.. Mas existe consciên -cia da descoberta da realidade. que Fais Borda chega a denominar "ciência do povo"(17). (15) R. International Forum on Participatory Research. Rajesh TANDON. FALS BORDA. Nº 3. Este texto é bastante ilustrativo. (17) Id. 21. ib.. reconhecendo sua utilização possivel. mas de forma não dogmatica. op. in: Convergence. cit. ib. Participatory research has been an attempt to shift this balance of power in favour of the have-nots" -p. dentro de um novo paradigma de conhecimento. HALL.o compromisso político talvez mais do que o compromisso com a pesquisa. Yugoslavia . Todavia. 19 81. in: Convergence. o que colaboraria no projeto de de (13) (14) Budd.pode semente ser julgada a longo prazo se ou não possui a habilidade de servir aos interesses es pecíficos e reais da classe trabalhadora ou das populações oprimidas" (16) . Id. porque acredita-se que o domínio do saber é uma fonte de poder. p. Nº 3. Assim. o que podeser visto.mais a militância. 0.. cujos traços poderiam ser: um dos objetivos da PP. has been and will continue to be . (16) B. Hall reflete uma posição crítica face ao materialismo histórico. do que ao distanciamento"(13). criar saber popular é transformação social(15). . Ao mesmo tempo...a source of power. usa-se o termo "empowerment of people". a PP significa a repulsa contra a manipulação das comunidades . 7-8. Popular Knowledge and Power: a personal reflection.. preocupando-se muito com o problema que o pesquisador treinado nao substitua o povo. 11. 1981. buscando produzir o saber através da analise coletiva e mantendo o controle nas suas mios. XIV.

os princípios da PP seriam: todos os métodos de pesquisa estão impregnados de implicações ideológicas. HALL. e nao como um desenho estático a partir de um ponto no tempo". de c) popularizar técnicas de pesquisa. Hall desenvolveu uma série de pontos. deve ter alguma utilidade pratica social. 1975. um processo aumentar conscientização e o compromisso dentro da comunidade". g) aprender a escutar"(18). diálogo através do tempe. p. "o processo de pesquisa deveria ser visto como parte de uma as experiên cia educacional des visto da como total.a) "Retornar a informação ao povo na linguagem e na forma cultural na qual foi originada. Em trabalho anterior. se a meta é mudança . o processo de pesquisa não pode esgotar-se num produto acadêmico. d) integrar a informação como base do 'intelectual orgânico'. . "o processo deveria dialético. a meta é a liberação do potencial criativo e a mobilização no sentido de resolver os problemas(19). 28-31. f) reconhecer a ciência como parte do dia a dia de toda a população. p. e) manter um esforço consciente no rit mo ação/reflexão do trabalho. b)" estabelecer o controle do trabalho pelo povo e pelos movimentos base.. Participatory Research: an approach for change. ou seja. cit. a comunidade ou a população deve ser envolvida no processo inteiro. deve haver envolvimento de todos os interessados nela. 14: (19) B. L. que e serve para a um estabelecer de pesquisa necessida ser comunidade. in: Convergence. Segundo sua visão. HALL. VIII. mas representar beneficio direto e imediato à comunidade. (18) D. na ótica da pesquisa. op. até à busca de soluções e à interpretação dos achados.

(20) B. 1978. ainda começando pelo perito. a população participa do processo inteiro: proposta de pesquisa. 6. Bogotá. vol. Id. e a seu ponto mais radical de diferença tanto dos enfoques ortodoxos de pesquisa. métodos do investigación. a) É um processo de "conhecer e agir. acentuava. 23-26. Tandon constrói as seguintes características da PP. A população engajada na PP simulta neamente aumenta seu entendimento e conhecimento de uma situação par ticular. coleta de dados. p. A realidade se descreve mediante o processo pelo qual uma comunidade desenvolve suas próprias teorias e soluções sobre si mes ma"(20). in: International Development Review 1977/4. a própria população inicia o processo e pode até mesmo dis_ pensar o perito externo. Participatory Research: expanding the base of analysis. participación y desarrollo. Simposio Mundial de Cartagena. 0 processo investigativo deve estar baseado em um sis_ tema de discussão. como dos enfoques teóricos melhorados. análise. HALL.. b) E iniciada na realidade concreta que os marginalizados pretendem mu dar. Caso haja consciência su fidente. ao falar do envolvimento da comunidade: "Aqui chegamos"ao princípio fundamental talvez da PP. As teorias nao se desenvolvem de antemão para serem comprovadas nem esboçadas pelo investigador a partir de seu contacto com a realidade. p. .Mas. e intervenção na realidade. o envolvimento da população é essencial. planejamento.. in: Crítica y Políti. No caso ideal. I. em que os investigados formam parte do processo ao mesmo nível do investigador. Gira em torno de um problema existente. La Creación de Conocimiento: la ruptura del monopolio.. bem como parte para uma ação de mudança em seu benefício". c) Variam a extensão e a natureza da participação. ca en Ciencias Sociales.Em outro momento. Ed. investigação e análise. Punta de Lanza.

. elaboração hipóteses). uma experiencia educativa(21). e a comunicação interpessoal. XIV. p. nº 3. 1981. 2. A PP utiliza-se destes passes. Research and New Alliances. o que é denominado frequentemente de retroalimentação. p. A Citizens Research Project in Appalachia. um ele mento constante(24). op. (25) o termo "exploração" significa levantamento exploratório. . que traz o subtítulo: "An International Journal of Adult Education". dos dados. Popular Participation. (afinação. p. (23) Brian MACCALL. e) Tenta-se eliminar ou pelo menos reduzir as limitações da pesquisa tradicional. e por isto colocamos entre aspas. mas enfatiza posturas quali-tativas e hermenêuticas. principalmente no campo da educação de adultos(22). MacCall une a trilogia: pesquisa. e é construída em três fases: a ) 1ª fase: "exploração" geral da comunida -de(25) 1. cit. O elemento educativo é muito acentuado. fixação dos objetivos seleção de variáveis e dos instrumentos de pesquisa. in: Convergence XIV. Nº 3. USA. tal vez porque o movimento da PP tenha sido profundamente marcado por educadores. 1981. Po de empregar métodos tradicionais na coleta de dados. o que na verdade enfatiza a ligação entre teoria e prática. in: Convergence. transfor mação) de uma nova problemática. f ) g ) E E um processo coletivo. objetivos. entre pensar e intervir(23). e organização. escolha das variáveis a observar e dos instrumentos de pesquisa.d) A população deve ter o controle do proces_ so. Le Broterf visualiza a PP ligada a certo "processo ex perimental". (22) um dos veículos mais importantes de divulgação tem sido a revista Convergencia. 35 ss. Também o retorno da pesquisa ao povo é. 24-26. 66-70. que é assim montado: observação formulação das varia da problemática análise provisória e síntese (conceitos. (21) Rajesh TANTON. entre conhecer e agir. -veis. (24) John GAVENTA. educação/treinamento.

para se chegar à ação é preciso a participação do interessado. reações. a população tem expectativas. Neste processo de três fases há também momentos de retroalimentação: ao terminar a primeira fase. Une pesquisa. p. e na altura da discussão com a população da terceira fase. b) realização da pesquisa síntese 2. recursos. 5 execução. com este processo consegue-se: identificar as necessidades. 1978. realização 4. partir para soluções(27). 4. análise e síntese dos c ) 3. é pesquisa e é ação. porque se refere a um projeto educacional. Descripción del Método de "encuesta partici pativa" utilizada: Una Investigación sobre Necesidades Edu cativas Básicas de la población de seis comunidades rurales en el área centroamericana. (26) 0 autor fala de necessidades educativas básicas (NEB).fase: elaboração de uma estratégia educativa 1 elaboração de estratégias hipotéti cas . 4 comunidade assume estratégia . Le Broterf é dos autores que mais caracterizam o aspecto de pesquisa da PP. com formação e ação.fase: identificação das necessidades básicas(26).3. 3 discussão com a população . elaboração da problemática da pesquisa nova seleção das variáveis e instrumentos 3. Guy Le BROTERF. mas poderia ser apli cado a qualquer projeto sobre necessidades básicas. encima de alguns postulados: potencialidade do. ao terminar a segunda fase. Projeto PNUD/UNESCO. o técnico é educador. Brasília. formular estratégia de ataque. é necessária a confrontação crítica com os resultados (retroalimentação). . 12-15. grupo. 2. levantar os recursos disponíveis. 2 elaboração de dispositivo de compro vação . (27) . 1.

(30) Michael ETHERTON. in: Convergence IX. com vistas a promover uma transformação social em benefício dos participantes. Nº 4. discussão da informação entre atores. educacional e orientada para a ação". (29) Nat J. .Num encontro em "Toronto. de 1977. 1975. 20. ação social. 1976. são dotadas de criatividade. Nº 3 . in: Conver gence. fundamentar a idéia de que o "conhecimento não produzido através de um processo compartido por todas as partes. pertencem a diferentes finalidades do mesmo contínuo"(30). p. GROSSI. VIII. p. "Em certa medida. entre intelectuais e trabalhado- Busca-se. e entre atores e pesquisadores. conota a PP "como uma combinação inseparável de teoria . p. 44. Portan to. pesquisa e prática. para clarificar problemas e intenções. a PP constitui-se num ato de fé na potencialidade da comunidade. in: Convergence. COLETTA. Himmeslstrand. ademais. Peasants and Intellectuals: an essay review. iluminando os atores. Por mais pobres que possam ser as comunidades e ainda que nunca tenham todos que as torna con-vém(29). foi for_ mulada uma definição de PP. 43. e pesquisadores. 1981. Embora com possíveis exageros. XIV.44 ss. in: Convergence. ao lado de críticas relê vantes. University of Uppsala. Marja L. Innovative Processes in Social Change: theory. V. Socio-political Implications of Participatory Research. mas o mundo 'acadêmico' e o 'irreal'. Es te três passos são vistos. que sao oprimidos. 43 ss. é socialmente os recursos necessários. organiza três passos da PP: coleta de informação no contexto da ação. Retomando um esquema de Moser. method and social practice. in: Sociology: the state of the art. é uma atividade de pesquisa. bem como os pesquisadores a cerca do significado da ação pretendida. "Não há diferença qualitativa entre conhecimento teorico e prático. p. e para trabalhar diretivas da ação social. caracterizadas pelo diálogo entre atores. entre res. Nº 3. entre ciência e vida"(28). capazes de visualizar o desenvolvimento que lhes nasce nos cérebros de uma parte da sociedade. e resultando eventual mente numa autonomia aumentada dós atores em relação aos pesquisadores e à emancipação de crenças questionáveis e restritivas na inevitabilidade da ordem dada das coisas"(31). SWANTZ. que Grossi assim expressa: "é um pro cesso de pesquisa no qual a comunidade participa na análise de sua própria realidade. onde cita Swantz. XIV. Research as an educational Tool for Development. 1981. Participatory Research or Participatory putdown? Reflec tions on the reserch phase of an Indonesian experiment in non-formal education. a tentativa da PP foi vista como uma abordagem que poderia resolver a tensão contínua entre o processo de geração do conhecimento e o uso deste conhecimento. (31) Ulf HITMMELSTRAND. p. dentro da circularidade sis(28) F. ademais.

in: Educação e participação: Alternativas Me todológicas. Portanto. HIMMELSTRAND. Werthein & M. p. a sair p. "Em seus traços gerais. Heinz MOSER. "primeira fase de um trabalho de educação participativa". o paradigma cientifico tradicional pre ocupa-se mais em "entender como somos produzidos pela sociedade. se sustenta sobre uma horizontalidade e diálogo entre os que parti cipam do ato de aprender. Investigación-Acción y Ciencia Social apli cada: valor científico. La Investigación-Acción como nuevo paradigma en las ciencias sociales. Da ótica do educador. prevalece o primeiro.. Gajardo (orgs. 19. A postura mais interessante. seja a apreensão de que a PP une os enfoques objetivista e hermenêutico.117 ss. Punta de Lanza. esquece que para o materialismo histórico clássico. vivências. (34) Marcela GAJARDO & Jorge WERTHEIN. tal estratégia se desenvolve com base na realidade. cit. "a retro-alimentação no processo de (32) Id.. Emergem. in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. 1978. p.I. talvez.. 174-175.enfoques. Entende que o materialismo histórico per faz esta combinação: "o enfoque objetivista indaga pelas características objetivas inerentes aos diferentes modos de produção. . por mais que se unam os. recolocando a importância da participação política humana na história. ib. beneficios prácticos y abusos. 1982. op. se vincula estreitamente com as ações que têm por objetivo estabelecer linhas de trabalho e organização que redundem em benefício coletivo"(34). Bogotá. mas tem pouco ou nada a dizer como produzimos ou poderíamos pro duzir a sociedade"(32). in: Crítica y Po litica en Ciencias Sociales. Mas é pertinente a idéia em si: a PP combina o tratamento de condições objetivas dadas com nossa capacidade histórica de intervir nelas. já que a determinação e conômica é mais fundamental. (33) U.). assim. já que O terceiro passo pode engatar no primeiro. acentua-se persistentemente a idéia de "aprendizagem coletiva". e o enfoque hermenêutico ilumina as implicações destas caracterís_ ticas objetivas para a formação da consciência de classe e para a auto-realização humana"(33). Simposio Mundial de Cartagena. vol. Educação Participativaalternativas metodológicas. por outra. experiências e interesses dos membros de um grupo. Por vezes parece que Himmelstrand confunde o enfoque objetivista com a pesquisa tradicional e.têmica da retro-alimentação. três passos fundamen tais: o diagnóstico comunitário. Paz e Terra. 60. se operacionaliza através de métodos de trabalho grupai e aprendizagem coletiva e se orienta para o fortalecimento organizacional dos grupos menos privilegiados. De certa forma. P. J. Ed.

p. 1980: "The key to changing this unsatisfactory situation is for government to . op. ou seja. GAJARDO. (39) M. p. e a organização de grupos instrumentais que assumem a ação (?5). (36) Grace HUDSON. De modo geral o diagnóstico inicial prevê três coisas importantes : o levantamento dos principais problemas que a comunidade enfrenta. (38) F. é seja utilizada no a expressão de "observação" do ou sentido distinguir conceito clássico de "observação participante". reconhecer que as comunidades podem assumir E mister de e responsabilida desejam isto. 1978. reavaliação do diagnóstico prévio da realidade social" (38) . Participatory Research by Indian Women in Northern Ontario Remote Communities. Situación actual y Perspectivas de las estrategias de investigación participativa en America Latina. ao mesmo tempo que se constata que a ação ex elusiva do Governo não resolve os problemas (36). May 1981. in: Internatio nal Council for Adult Education. mobilização coletiva para a transformação social. artigo da revista publicada pelo Institut d'Action Culturelle. 21. a análise dos dados com participação comunitária". Santiago. Suissa. Também "pesquisa militante". p. Yugoslavia. tais como: "crítica da realidade social vigente. (37) M. recognize that Indian people and communities have the capacity and the de ¿ire to provide for their own needs. ao qual se liga o nome de Paulo Freire.p. FLACSO. Inclui pessoas. 25. GROSSI. p. 20 ss.mas que significa somente a convivência1 de perto com o objeto de pes quisa. 20. and to make available the necessary responsability and resources so that Indian people are free to develop and provide the services that they themselves choose" . OBSERVAÇÃO MILITANTE. típico da antropologia. ou da insistência sobre o aspecto do envolvi mento político. cit. Trinidad.PP. a detecção de componentes organizacionais for mais e não formais já existentes para a solução de problemas (37). (35) Id. GAJARDO & Jorge WERTHEIN. Também na ótica do educador.. Popular Education: concept and implications. F. . mim. replanejamento da ação futura . Nº 5. seja sobretudo no sentido de "instrumento e estratégia da pesquisaação" (39).. a especifica ção dos recursos humanos e materiais disponíveis e o provimento de outros possiveis. acentua-se com força o objetivo da conscientização. revi são crítica da ação implementada. in: Forum of Participatory Research. ib. Evolución. 71.

pois autêntico conhecimento e autêntica ação. 0 conhecimento nao é mera contemplação. todavia. a preocupação com o aspecto da pesquisa mantém-se vivo. o envolvimento comunitário. característicos. porque é a que assume o contexto histórico. que. a metodologia que cabe à PP é certamente a dialética. propugna a transição histórica e acredita no fator humano como capaz de interferir em condições objetivas dadas. se não se expressam numa permanente inter-relação' unitária" (40) . dos oprimidos. a idéia de superação dos procedimentos tradicionais de conhecimento. A autodefinição da PP insiste em certos traços que são. Não há.da atividade humana. avaliações. Sobre el Sentido y Uso de la Investigación-Acción in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. dos carentes. mesmo no maior ativismo. tratando-se já de questões mais propria -mente educativas e participativas. Porquanto.. não seria possível negar que a prática é componente essencial também do processo de conhecimento e de intervenção na realidade. a união en tre teoria e prática. privilegia a apreensão e o tratamento dos conflitos sociais .A tònica bàsica. Ao mesmo tempo. do ponto de vista metodológico é a união entre conhecimento e ação. 3. ten demos a estigmatizar como impotentes. sempre resta pelo menos interesse em diagnósticos. e. (4 0) Luis RIGAL. op. É essencial à PP o reencontro com a capacidade criativa humana. Se aceitarmos o relacionamento dialético entre teoria e prática. Mas é patente igualmente que a teoria é frequentemente sacrificada em favor da prática. de modo geral não chega a ser abandonado.le vantamento de dados pré-existentes etc. p. separada da teoria. sobretudo dos humildes. à primeira vista. Em certos autores. se parada da pratica. a prática não é mais que um ativismo inconducente. ao longo desta sumária revisão. cit. . é patente a filiação educativa. do que de pesquisa. planejamento. a opção crítica e política. a teoria se reduz a meros enunciados verbais . "Conhecimento e ação são dois aspectos inseparáveis. nem a prática mera atividade.

é preciso entender que a PE. pesquisa. Assim. muitas vezes brilhante. embora devendo-se reconhecer que a PP seja um gênero valido de pesquisa. ou pesquisadores marcados. frequentemente o equívoco de querer superar um erro com o erro oposto. potencial e promissor. é o que veremos no capítulo seguinte. A crítica. pela ilusão ou pela saturação teórica desvalorização Cremos que vai atividade nisto ativismo. es_ tá cercada de banalizações excessivas. pode-se igualmente concluir que a fundamentação empírica de dialética estilo mesmo da PP é incipiente. que o simples entusiasmo não pode superar. criativo. não resta dú vida de que c discurso sobre quantificação está mais adiantado que o discurso sobre propostas qualitativas. ou do pela Isto já denota da que é e impulsionada por acadêmica. tem elaborado uma fundamentação extensiva e fruti ficou uma plêiade de técnicas dignas de nota. É disto que resulta a constante insinuação de que a PP já seria o único gênero valido de . Assim. contra a ciên -cia clássica não é seguida da necessaria fundamentação do novo pa radigma. tradicional.Do que foi visto. Nestas prolifera ain da a "conversa fiada". por maiores limita -ções que tenha. por vezes como refúgio de pesquisadores que não teriam condições de enfrentar o mínimo rigor lógico e empiri co.

a revisão de nossos paradigmas usuais a que somos obrigados por ela já seria uma justificativa ponderável. possui virtudes e defeitos. No calor da batalha. Paulo. para que seja possível preferir fundamentações a imposições. ou seja. já permite alguma avaliação de sua potencialidade.da crítica acrítica Aimed. Intelectuais e vivaldinos . como veremos a seguir. Levada a sério é uma promessa importante. na prática. Mas não é somente isto. ou seja.".isto sim .Em bora o movimento seja relativamente recente. a discussão se complica por esta razão já que não seria possivel . co é de vida ou morte. Mas precisamente por causa disto é preciso sempre voltar à teoria. facilamente esquecemos nossos compromissos teóricos com o pluralismo ideológico.consigo mesmos. lidimente autocrítica (1). DEMO.13 A preocupação da autocrítica está algo desenvolvida em: • P. mas nao crítica era primeiro lugar contra os outros •• os adversários. nao pode levantar idéias exclusivistas de único gênero válido. Por ser ainda teorica e metodologicamente pouco fundada. Qundo nao fosse por outras razões. Pode-se perfeitamente praticar a vigilância cri tica. sobretudo quando o projeto politi. Todavia. que discutem suas duvidas com a maior liberdade possivel. crítica . . há outros pesquisadores incri velmente abertos. Embora haja os dogmáticos inacessíveis. Sendo uma forma de pesquisa que assume ideologia explícita. à discussão tranquila impiedosamen te crítica . é especificamente um gênero válido de pesquisa. 0 que salva aí é a crítica e a autocrítica abertas. não quer dizer que nao o possa ser . Felizmente. não falta o espirito crítico entre os defensores da PP.se quisermos ser coerentes . Apesar da a-titude necessariamente critica. Pode ser usada e abusada.CAPÍTULO IV: USOS E ABUSOS DA PP O abuso nao tolhe o uso. mesmo quando enterrados na ação comprometida. Porquanto é difícil imaginarmos a PP como processo educativo naquele pesqui . S. 1982. nossa atitude é francamente favorável a PP.fazer uma crítica nao ideológica à ideologia. como qualquer forma de pes quisa.(.

é preciso reconhecer igualmente as limitações da prática. sem sujar as mãos. no contexto de uma ciência social bastante inútil em termos práticos. que se sentem vazias e inúteis. É sempre ideológica sobremaneira. Neste sentido. mas é possível fazê-lo. porque não precisa "afogar a teoria. assim como as há na teoria. a ação que destròi a teoria é suici da. realizado. Ela não esgota a poten cialidade teórica. 1. fora do envolvimento com opções históricas políticas. Assim como podemos certamente afirmar que o surgimento da PE foi um santo remédio. mas são contornáveis. O conhecimento torna-se útil. escondem um compromisso ainda maior com a opção vigente dos dominadores. Em grande parte o drama das ciências sociais. por-se a reduzi-la. no contexto de uma ciência excessivamente marcada pelo discurso especulativo e irreal. É muito possível manter a propriedade de cada polo. se for prático.. e isto a justifica . e estabelecer entre eles a contrariedade dialética típica cri ativa. há banalizações quanto à pesquisa e quanto à participação. mas sobretudo realizan do e explicitando a opção política e ideologica contida. se resume nisto: nao detêm um papel relevante na história. Não se faz historia fora da ideologia. não somente testando-a com a realidade concreta. é sempre também atacável por opções adversárias. Validade da PP A PP não é somente possível. Ainda que e comprometida. E pior que isto: assim fazendo. produz o efeito substancial de "acontecer na história". a partir daí. Assim como a te oria que mata a ação é vazia. podemos igualmente di zer que a PP é um santo remédio. Falta maior substrato teòrico e metodologico. mas necessaria . a PP raliza as marcas típicas deste relacionamento dialético: traduz a teoria numa opção concreta. é preciso assumir-se como tal. histórico.sador que já nao-admite mais aprender de ninguém.•• para repormos a inter-relação dinâmica entre teoria e pratica. Constrói ura contexto adequado em termos do relacionamento dialético entre teoria e prática.' sobre teoria e pratica. Se voltarmos aos passos do capítulo anterior. e. Ao mesmo tempo. não a influenciam. não são decisivas. Mas é histórica. Para enfrentar a condição de instrumento tendencial de controle social. não escamoteiar esta propensão histórica.

porquanto qualquer contato com a realidade pode produzir sua descoberta. Neste sentido. Caso contrário. devendo ser criticada e a partir de certo momento superada. procurando superar o marasmo mimético da simples transmissão das lorotas consadas. já não se ilude com discursos infinitos. Nao atrapalha a posi são de instrumento. na medida que a ideologia for explícita. Nao se pode dispensar • a PP do rigor lógico. pesquisa participante pode ser vista como participação baseada na pesquisa. Se quiséssemos aguar os termos. Todavia. banaliza-se o termo pesquisa e já não poderia ser considerado um gênero válido de pesquisa. já e alguma realização. da ação acrítica etc. Força à criativida de. mas é preciso colocar claramen. esta fundamentação científica deve sempre exis -tir. nao há realização que satisfaça em tu do. a PP não precisa perder a noção de pesquisa. porque o exclusivismo dogmático é cer tamente mais possível. porque a realidade é finita. caso este componente não exis_ ta. não é qualquer experiência participativa que se pode denominar PP. também do modo como estamos constituindo as ciências sociais e a forma como é reproduzida na Universidade. Embora se possa querer conhecer por conhecer. No fundo. é possível ver pesquisa também no mero ativismo. da predominância ideo lógica. bem como da base empírica. se não quisermos a disper_ são incontrolável ao nível do senso comum. Assim. Portanto. . É difícil conseguir um meio termo visível. Assim. sempre que possível. Ao mesmo tempo. em ciências sociais esta postura é muito discutível. porque não faríamos a pesquisa pela pesquisa. Nao é um efeito necessário. Mais que o desejável. poderíamos dizer que o específico da PP é a fundamentação científica da opção histórica política. é mister realizar o possivel. Mas é de todos os modos coerente não es-camoteiar pretensões ideológicas. é possível concorrer para um con trole ideologico maior. porque na sociedade concreta o conhecimento nao pode ser inocente.realizasse pouco.te que já não se trata de pesquisa. Embora sempre ligada ao elemento participativo. exceto como exercício acadêmico. da fundamentação teórica e metodológica. obriga à revisão teórica.

sem conceder a nenhum lado determinação ma ior. Mesmo que tivéssemos que aceitar que a determinação de fato res objetivos é muito maior que fatores subjetivos. une-se o enfoque obje-tivista com o hermenêutico. de sua manipulação mais adequa A ciência perde a postura de finalidade em si. quando viciados. polarizado e produtivo. No fundo. pelo menos em parte. Somos da opinião de que não existe uma solução objetiva para esta circunstância. sua propriedade dialética. O fato de podermos constata uma capacidade ainda mui-to limitada de intervenção na realidade objetiva. em que pesem todas as determinações objetivas. nas quais. restaura a presença do homem na história. não significa im portância menor.A fundamentação científica da opção polí. colocando de partida uma decisão metodológica importante. que se sustenta em teoria e se comprova na pratica. e torna-se útil. Encaixa-se adequadamente o quadro contraditório na da dimensão histórica Não o e reflete vê como realidade. se não acreditássemos que as pudéssemos tomar. voltamo-nos precisamente para a bus_ . e isto é em grande parte participação. Precisamente busca-se. o homem não vai desistir de influenciar seu destino. bem como entre pesquisador/comunidade e a reali_ dade circundante. e assim por diante. Para visões outras. aparece como algo espúreo. sujeito e objeto se identificam. A prática da PP reforça. mas como atora comprometida. sámente porque a realidade social é intrinsecamente ideológica. Não haveria sequer possibilidade de discutir opções históricas. em ultima instância. Ademais. Na linguagem já proposta. ao contrário métodos clássicos. expectadora. Visualiza a relação entre sujeito e objeto na maneira conveniente às ciências sociais. é uma opção metodológica. equilibra a relação entre o economico e o político. é sempre dinâmico . tica é que salvaguarda o efeito de pesquisa ou de descoberta da. embora também submetida ao veredicto históri co. que a PP funde a pratica possibilite a realização histórica pela qual gostaríamos de da dos e optar. preci. realidade. cer tamente. de seu questionamento. Ao mesmo tempo. o relacionamento entre pesquisadores e ato res da comunidade. a PP realiza-se no contex to dialético. cons -truída por nós. de deleite acadêmi co. geralmente filiadas ao paradigma das ciências naturais. mas é igualmente. que nao somente é tangida por fatores objetivos dados. Ao contrário. A dialética não é evidente.

A formação universitária é caricatural. No caso da pesquisa da pobreza. KORTEN. Constatou que a pes quisa. pelo próprio fato de estarem sobrevivendo a um processo duro de opressão. superar as carências materiais. um dos resultados típicos desta situação é a convivência tranquila en_ tre discurso radical e prática conservadora. seu destino. dominar os A PP esta fazendo descobertas em si óbvias. de modo geral. que as capacitam a assumir. Departament of Tecnical Co-operation for Develop mente. United Nations. Em termos de redução do problema. é mister também produzir. muito pouca coisa aconteceu.cfr. formulação de políticas e planejamento e implementação dos programas de desenvolvimento econòmico e social". pelo menos parcialmente. não interessa miséria par ticipada. Nao quer dizer que a simples conscientização política resolva a. mas nem por isso menos monumentais. crescer. mas mera repetição de conhecimento importado e inadequado. inter alia. Yugoslavia. a arrastar-se nas migalhas dos outros( 2 ) . realizando o que é objetivo pelo menos implícito da ciência: fatores em nosso benefício. 17-25 May 1980. York. Cfr. favorece ao pesquisador. há recursos. REPORT OF THE INTER NATIONAL SEMINAR ON POPULAR PARTICIPATION. Descobriu que as populações carentes possuem reais potencialidades. na base de sua participação plena no processo de desenvolvimento e de uma distribuição honesta dos benefícios aí gerados" . Em muitos momentos não existe sequer produção acadêmica. June 1980. também David C.ca de influência maior. (2) O encontro da Yugoslavia apelava para revisões importantes: A definição de participação "apela. há disposição. porque a falta de prática leva no máximo à indigestão teórica. cujo produto acadêmico nao a relativa inutilidade tem proporção com a capacidade de enfrentar os problemas e arran -jar soluções reais. que nós memos podemos construir e pagar. dentro do mundo cultural"pró prio. A arrogância da formação acadêmica tende a impedir que aprendamos delas. N. esta ainda não emergiu da condição de objeto e está servindo como campo proveitoso de realização profissional. Há energias. Mas é muito preferível sustentar o desenvolvimento possível. Elas não são tabula rasa. p. Caracterizou das ciências sociais atuais. Ljubljana. Communi- . "0 objetivo fundamental do desenvolvimento é o incremento sustentado do bem-estar da população total. 4 e 5. participando de modo equânime nos benefícios daí derivados. questão? ao contrário. e na tomada de decisão com respeito à fixação de metas. porque isto seria considerado humilhante. para o envolvimento da população na contribuição ao esforço de desenvolvimento.

7. pode avaliar o pes_ quisador. como (3) realização comunitária . in: Carlos R. 'no qual a ciência se regenera como arte.) . in: Public Administration Review. ty Organization and Rural Development: a learning process ap-proach. redirecioná-las. Criando métodos de pesquisa alternativa: aprendendo a fazê-la melhor através da ação. (2) Continuação da pagina anterior. sobre tudo por pesquisadores que se definen como educadores: "Na perspectiva li bertadora em que me situo. 1980 . como sujeitos. passou-se a entender para que existe ciência. 15-18. Do lado do pesquisador perito passou-se a valorizar o respeito pe la comunidade. Quanto mais. o ato de conhecimento de si em suas relações com a sua realidade. a modéstia de quem também vai aprender e de quem er ra. influir nas propostas. Voltando à área para por em prática os resultados da pesquisa não estou somente educando ou sendo educado: estou pesquisando ou tra vez. No sentido aqui pesquisar e educar se identificam em um permanente e dinâmico movimento" . J. EDUCAÇÃO RURAL INTEGRADA. P. que sempre e lembrado neste contexto. 1979/3. de um lado. Brasiliense. fazendo pesquisa. The Sarvodaya Experience.. A experiência de pesquisa e planejamento participativos no Ceará. a realidade concreta. e assim por diante. a preocupação em tor no da seriedade de um processo extremamente complicado e frágil.experiências do IDAC em educação popular. FREIRE. como ato de conheci mento. Brasiliense. Sep. min. Abril de 1982. a pesquisa. procurando ba sear cientificamente a opção histórica política."a-distribuição de comida é muito mais rápida do que ensinar as pessoas a produzi-la" . Nat. Viven do e Aprendendo . COLLETTA. os grupos populares e. Brandão (org. em uma tal forma de conceber-se prática a pesquisa. pode ser um fenômeno de grande densidade humana./Oct.O diálogo com as comunidades pobres foi aperfeiçoa do. pelo contrário. Do lado da comunidade. ao mesmo tempo que sentiu-se envolvida no processo de definição e tratamento das necessidades básicas. o que faz de bom a universidade. como estética. educo e estou me educando com os grupos populares. . (3) Na linguagem de Paulo Freire. de outro. como co. Se bem possa ha ver aí muita farsa. 1982.. o que resultou em mudanças perceptíveis de grande envergadura. como objeto a ser desvelado. 35-36. IICA/Se -cretaria de Educação do Ceará. o cuidado em nao impor ou em impor menos. in: International Development Review. para que serve uma pesquisa.p. Pesquisa Participante. tanto mais vão po dendo superar ou vão superando o conhecimento anterior em seus aspectos mais ingênuos. p.su jeito do processo de tratamento da realidade. p. os pesquisadores profis sionais. Deste modo.P. tem como sujeitos cognoscentes. '. os grupos populares vão aprofundando. 1980. FREIRE e o.

que. . A PP é. entre pesquisadores e "comunitarios. Se o saber é fonte de poder. é preferível discutir um compromisso social mais aceitável. Mais que isto. pode ser igualmente uma grande opção. mas de envolvimentos pre ferenciais. Se as ciências sociais foram até hoje sobretudo técni ca de controle social era favor dos dominantes. sem duvida. investe-se na sua redução ao mínimo possivel. porque é um gênero válido de pesquisa. Mas não é somente uma via de tratamento do saber já acumulado. ainda que complicada e arriscada. a par de poder ser uma grande mentira. no calor das contradições sociais. no repto da potencialidade humana. em vez de escamo -tear este compromisso"histórico cuidadosamente conservado oculto sob a capa da objetividade cientifica. Esta oprimidos tenham aces so ao postura justifica a identificação ideológica. Nao se trata de distanciamento. Principalmente gera saber dialético. gera saber. é preciso que os poder. Se pudéssemos simplificar as coisas.Descobriu-se também que nao existe a isenção ideo lógica. aquele construído na turbina da história. diríamos que a PP traz o desafio essencial de conclamar as ciências sociais a serem uma salvaguarda teórica e pratica da democracia. e se se trata de atin gir estruturas de poder. Mesmo que não se destrua a estrutura de dominação. uma rota de democratização do saber. Aí nasce a "opção pelos pobres".

não traduzia maior profundidade. Na verdade. levanta características qualitativas mais difíceis de manipular. A "ob servação participante" dedica-se somente a pequenos grupos. Guiados por esta percepção.p-43 ss . não só da pesquisa. passasse a viver algum tempo numa determinada tribo ou em estreito contato com ela. Desde muito tempo as ciências sociais praticam a observação participante. um dos maiores riscos da PP é a banalização. Grossi aceita que muitas PP não vão alem disto. da pergunta e da resposta estereotipada. trata-se de um tema muito importante que não desdobrare mos neste momento. 0 questionário formalizado permitia tratamento estatístico mais adequado . Algumas criticas e autocríticas uma das autocríticas mais interessantes pede ser encontrada em Grossi. pede ser muito demorada.2. mas posteriormente. Constatando que o questionário seco e formal. dedicado a entender a vida dos índios . Em outras áreas das ciências sociais aconteceu algo semelhante. introduzida geralmente pelos antropólogos. tornou-se comum que o antropólogo. a abordagem manipulativa. Todavia. para fins de um conhecimento mais aprofundado. 19 81. onde reconhece sobretudo três problemas possíveis: a redução da PP à partici pação formal. começou-se a praticar um relacionamento mais direto e dinâmico. mas. Supunha apenas proximidade de convivência. A participação formal significa confundir "observação participante" com PP. in: Convergence XIV. (4) Francisco V. é mais profunda. num trabalho de 1981. e o ativismo de aproxima ções ingênuas (4). em compensação. Nº 3. Socio-political Implications of Partici patory Research. GROSSI. ate ao convívio com o objeto da pesquisa. aplicava-se a grandes números e tinha manipulação facilitada. a "observação participante" não supunha identidade ideológica com o grupo estudado. que descobriram a utilidade de o pesquisador conviver com seu objeto. mas também da participação.

uma transferência sibilina das idéias do pesquisador. "Fazer com que o objeto acredite que ela ou ele é um sujeito. o intento é imposição e dominação a-través de idéias e conceitos não bem entendidos pelos seus objetos" (5) . dentro de um pacote sabiamente rotu lado de participativo. Grossi estigmati za a possibilidade de vender sob o discurso participativo nova prática de manipulação. so cial ou político. ib. Pode esconder-se. uma alternativa ao materialismo histórico. o entusiasmo pela PP levou a muita ingenuidade. pois. (6) Id. "A PP não é. a . p. rejeitando-se o positivismo lógico. nem nunca quis ser um novo sistema ideológico científico de caráter holístico. incorporando o ponto do povo. a PP mostra por vezes posições confusas. Nada impede que uma pratica reacionária se ja enfeitada por um discurso revolucionário.. não para enfrentá-los. Ademais. Nunca foi imaginado ser um compêndio completo de respostas finais ou 'instruções' permanentes para a ação. De novo. seja qual for o contexto regional. Nao somente implantamos uma reavaliação do saber a_ de saber e popular até ao científico". A transformação social pretendida não decorre de meras intenções. a dependência e a expio ração. Ao contrário. Enfim. conotação de muitas ambigüidades teóricas e práticas". é um modo de ver a realidade com vistas transformá-la"(6). O materialismo histórico foi instuído como um método de investigar a realidade com vistas a revelar as principais tendências de mudança para orientar a ação. é clara a intenção de "abolir a distância tradicio nal entre objeto e sujeito da pesquisa. com o de vista intuito de contribuir a um tipo de trans formação social que elimine a pobreza. Sob á. também para contornar conflitos. 44. a parti-pação pode ser usada em muitos sentidos. e De um lado.À sombra deste desafio. (5) Id. busca começar a pesquisa a partir da realidade concreta e específica. más estabelecemos também que o processo geração do conhecimento poderia ser um continuo desde o científico... p. 45-46. é uma nova e mais sofisticada maneira de manipulação. ib. entre saber popular cumulado do povo.. Esta asserção requer ulterior análise de seus componentes.

Mas é defeituosa. para nao lhe atribuir dogmatismo. sem a qual não se pode conduzir e controlar o processo. que leva à mudança social estrutural"(8). De um lado. Ademais. ib. Se assim fosse. o com ponente 'participativo' contribui para realizar este começo a par_ tir do ponto de vista do povo ou do estágio de desenvolvimento . p. identifica dialética com materialismo histórico. Neste sentido. são essenciais. a crítica de Grossi é correta apenas' em parte. no fundo.. escamoteando o conceito de classes. 47. Mas. "Não é qualquer ação. por outro lado. .. quando pede que se distinga entre ações transformadoras e não transformadoras. o investigativo e o PP do mesmo modo que o pesquisador não as tem. é incrivelmente complicada a relação entre pesquisador e população. Ele tende fortemente a falar pela comunidade. "O aspecto 'investigativo' da colabora na aplicação do método a uma realidade específica. O pesquisador não é povo e não deve escamotear isto(9). (8) Id... mas simplifica a identificação com a comu nidade. sem condi -ções de se expressar e de assumir a co-autoria da pesquisa. como se fosse expressão exclusiva da metodologia dialética. entre trabalho intelectual e manual. ib. Também o conceito de transformação social precisa ser aprofundado. não haveria participativo. quando pretende exclusivi zar a PP na rota da superação estrutural. (9) "This dynamic will also teach that. p. Sobre este assunto há muito que discutir. a new right will emerge for the 'researcher': to speak for the community"-in: Id. porque a comunidade não tem todas as respostas. 46. mas somente aquela que se liga especificamente a atividade. tanto quanto possível"(7). acaba designando como participativa a consulta esporádica a um grupo humano disperso.. (7) Id. ib. De outro. Aponta ainda algumas dificuldades relvan tes no processo da PP. Falta aqui fundamentação teórica. relativiza sua presença. ela pressupõe a existência da organização popular. porque o efeito participativo não precisa ser somente revolucionário. . "a sabedoria popular nao deve ser idolatrada". in due time.É interessante notar que Grossi. necessidade da PP. Quem esquece disto. Também aqui a problematização de Grossi é meritoria. o que revela que não se apagou a distinção entre sujeito e objeto. Ambos os aspectos. de certa maneira.

Since Eurepean contact our people have lived in conditions of poverty and powerlessness". Sabemos que temos duas alternativas principais: ou continuar debatendo sobre reformas estruturais. dispense o pesquisador. antes mais cedo do que mais tarde. Mathod and Social Practice. in: Sociology: the state of the art. Id. 18 a 21 de outubro de 1982. Semina • rio de Políticas Agrícolas. . Grace HUDSON. ou agir coletivamente sobre a realidade. de que dentro do sistema é impossível praticar a participação.. fazendo uma breve revi são de críticas recebidas. Id. Maceió. que mostra bem que pairam ainda muitas imprecisões teóricas "Parece difícil para nós ir além dos limites que decre vi aqui. com vistas a com pletar. Burocracia. É também questionável a suposição de que não haja antagonismo en -tre os comunitários sobre as opções políticas possíveis/ Dialeti camente falando. Recife. University of Uppsala. 24: "Government welfare and social programs have never been adequate to raise our standard of living to that of southern Canadians of European descent. a vitória final"(10). Participação". A pesquisa aparece quando muito incidentalmente(11). Novembro de 1982. poderíamos supor muito mais que se encontrem con flitos de liderança. p. como se estivéssemos demostrando que o saber por si mesmo é capaz de transformar a rea lidade. E termina com uma consideração. 1981. como outros. p. Seria mui to imaginável que a comunidade. se for capaz de suficiente autono mia. Innovative Processes in Social Change: Theory. mesmo porque também há contradições possíveis no grupo dominante. muitas vezes espalhada. levantam alguns pontos pertinentes: (10) Id. O que seria vitória final? uma realidade social sem oprimidos? Sem contradição? Existe vitória final? Himmelstrand preocupa-se. As ambigui dades da comunicação participatoria: notas para um debate. 1980. Yugoslavia. conflitos entre influências externas (pes -quisadores do Governo. Cfr.Rejeita ainda a idéia. (11) Ulf HIMMELSTRAND. e também conflitos entre a comunidade e os pesquisadores.. Seminário "Estado. e chega a conceder que muitos movimentos chamados PP nada mais sao que processos políticos de mobilização da base. in: International Forum on Partici patory Research. Planejamanto e ' Estado nas sociedades capitalistas. A ideologia do planejamento participativo. 50. também Horacio M. mim. fazendo uso de sua potencialidade e superando suas limitações. 44. Outubro de 1982. com o aspecto investigativo. Conchelos e Kassam. de CARVALHO. Participatory Research by Indian Women in Northern Ontario Remote Communities.. Há sempre alguma margem de manobra. da Igreja etc). de partidos da oposição. p. Cfr.

Vol. & KASSAM. a PP e "um tipo de pesquisa"(14). d) de todos os modos. Nº 3. 56. Simposio Mundial de Cartagena. Sobre Cuestiones de Objeto y Método en la investigación militante: notas para discusión. teoría y la práctica del partido político. há abusos claros nesta parte. en gran medida.. pode-se Problematizar a participação dos comunitários e do pesquisador. 61-62.Cfr. também Guilhermo BRIO NES. el límite impuesto por sus concepciones y acciones individualistas. p. . Id. . p. uma mudança dentro do sistema não precisa levar a uma mudan ça do sistema(15). ademais. Ed. cit. encuentra. outros não. (13) (14) (15) (16) CONCHELOS Id. 50. la investigación militante así como ha sido presentada hasta hoy. p. Punta de Lanza.. Leve-se. op. 162: "como la teoría y la prác tica política son. para muitos nao passa de ativismo sol to sob a máscara de pesquisa(12). ib. contudo em conta que a visão de Briones é althusseriana. f) enfim. ib. Aliando-se a Grossi . ib. A Brief Review of Critical Opi nios and Responses on Issues Facing Participatory Research.1981. a meros processos de aprendi zagem(13). afirma que nenhum método vigente (mes mo o materialismo histórico) deve ser assumido como único. c) há quem diga que a PP contrabandeia e lementos estranhos ao conceito de pes_ quisa e dá o nome de pesquisa. in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. I. b) alguns querem que o materialismo histórico seja a metodologia própria da PP. este nem sempre se compromete indefinidamente. in: Convergence XIV. p.a) há críticas sobre se a PP é pesquisa. a poco de avanzar. 1978.. Id. por exemplo. e) a mera intenção nao garante participa ção efetiva... p. aqueles dificilmente chegam ao controle real do processo(16) (12) Greg CONCHELOS & Yussuf KASSAM. 59. Bogotá. 61 p.. con la correspondiente desviación voluntarista".

Investigaciónacción: investigación social y realidad. in: Internacional Council for Adult Education. é muito autêntica a autocrí_ tica do encontro de Yugólávia em 1980. pressos e grupos marginalizados são reduzi das. Talvez seja pessimista es ta postura. e nao mais entre sujeito e objeto não deve nos enganar sobre o fato de que as possibilidades das ciências sociais.Esta ùltima preocupação encontra-se viva mente formulada em Kramer e outros. . 1976. Bogotá. quando admitiu que o avan ço em matéria de participação foi pouco. a educação pode agir nos dois lados: matendo ou superando o status quo(20). GROSSI. No fundo. numa experiência na Indonèsia. ORNAUER. (18) REPORT OF THE INTERNATIONAL SEMINAR ON POPULAR PARTICIPATION. relações "Agentes sua externos autoridade em de e pro desenvolvimento dominação incrementam criando ilusão participativas cessos de desenvolvimento?"(19). se pergunta. que geralmente é ignorada. 1978. quando coloca entre as lições aprendidas no processo de pesquisa.. Oque (17. in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. Simposio Mundial de Cartagena.n ã o sabemos ainda como parti cipar' Chega a ser veemente a preocupação de Colletta. S. 6. 149.Pun ta de Lanza. p. Participatory research or participation putdown? Reflections on the research phase of an Indosnesian experiment in non-formal education. E voltando a Grossi. KRAMER. vol. in: Convergence IX. Nº 3. cit. p. p. 44. r. May 1981. 70. (19) Nat J. "we still do not know how to participate"(18) . é preciso reconhecer que. Meeting of Trini -dad. op. Popular Education: concept and implications.V. KRAMER/ H. para melhorar a situação de vida dos homens.1. LEHMANN y H. "O investigador segue sendo investigador e suas possibilidades de introduzir mudanças na vi da diária de jovens. a consciência aguda de que o perito externo exerce influência sobre a comunidade. Nesta linha. O fato de que se produza uma relação no transcurso da in -vestigação entre sujeito e sujeito. COLLETTA. concebendo-se a PP como processo educativo. são sumamente limitadas"(17). se isto foi participação atualmente uma ou nao de imposição. p. (20) F. mas fundamentaria que há uma diferença de classe en tre pesquisadores e comunitários.) D. Ed.

D. é mister reconhecer que o movimen to internacional organizado da PP tem mesmo. e mesmo reacionária (21). mas a pos tura é muito simplificada. (21) Michael ETHERTON. African Regional Workshop on Participatory Research. citando Bryceson. . bem co mo de pesquisa. Mzumbe. um mérito inconteste: ajudas ao lado os de ter-se por si embora com várias. que resume tudo. Participatory Research: redefining the relationship between theory and practice. Mzum be. sobretudo se pensarmos que se remete frequentemente ao materialismo histórico. sem falarmos nos trabalhos de Fals Borda e outros . in: Convergence XIV. pode ser reformista. D. o que já é garantia de um processo válido. Tanzania. Y. KASSAM. MUSTAFA. Peasants and Intellectuals: an essay review. L. refletem intenso espírito crítico. sobretudo do encontro de Cartage na e da Yugoslavia. BRYCESON. uma postura típica pode ser considerada a de Tandon. (22) Rajesh TANDON. Nesta breve seqüência de críticas e auto críticas nota-se que existe suficiente vitalidade no movimento da PP. para não se sucuni bir ao pragmatismo. p. Continua pequeno o amadurecimento teorico e metodoló gico e há fortes banalizações do conceito de participação. on Participatory Research. p. num contex to de constante busca e de vigilância teórica-sobre a prática. inci pientemente. encontros constantes traduzem a busca de reflexão teórica.20.leva a refletir com Etherton. 21-22. que passaremos a aprofundar. XIV. 1979. MANICOM. in: Convergence. que a mudança social pretendida nao precisa ser necessariamente revolucionária . Tanzania. muito rapidamente na discriminação en tre os que possuem e os que não possuem (entre "the haves and the havenots)(22). Nº 3. African Regional VJorkshop. .O. Participatory Research in the Empowerment of Peo pie. The methodology of the Participatory Research Approach. 1981. que precisamos levantar. Mas há visíveis precariedades". Precariedades teóricas e metodológicas a) Seria certamente injusto supor uma ex cessiva destituição teórica na PP. Em última instância. Nº 3. 1979. Mas não se esconde que existem muitos problemas. Os produtos. cremos que a posição é corre ta e acaba coincidindo com a visão histórico-estrutural. BRYCESON & K. Todavia. às propostas de Paulo Freire. 3. 1981.

Afinal. Cremos que a transformação social é possí -vel. percebe-se com suficiente realismo o núcleo da questão. entre outras coisas. De outro lado. Em termos práticos isto redunda facilmente na ilusão que se transmite sobre os resultados da participação ou na camuflação de imposições sofis_ ticadas. esquecendo-se completamente que a transformação so cial. Se a comunidade antes oprimida chegar ao poder. para não ficar apenas no jogo de palavras ou na dispersão mítica. é simplesmente passo normal da his tória.Tal simplificação pode ser percebida. De modo geral. e. quando fantasiamos sociedades futuras destituídas de contradição. ela supõe a mudança de modo de produção. até que ponto a PP. Seria inclusive uma contradição no materialismo histórico. Ademais. necessita a seguir de institucionalização . geralmente feita em comunidades restritas e carentes. E mais que isto: o elemento participativo não provoca sozinho tamanho efeito. pelo conceito muito fluido de transformação so ciai. poderá instaurar uma ordem social mais justa . é possível aceitar que a PP pode estar entre estas condições. se bem sucedida. A reflexão em torno deste ponto deixa a desejar. Se fôssemos pela via marxista. mesmo que alguém acredite nu ma ordem histórica totalmente nova. Aí volta a questão do poder. é preciso discutir o tipo de a história a relação entre dominan tes e transfor mação imaginado. precisa explicitar teoricamente isto. a pesquisa tradicional propende a proteger o grupo dominante. embora nao seja jamais suficien te sozinha. trata-se de demo cratização do poder. Todavia. gerado sobre a figura do poder: um grupo dominante mino ritário e um grupo dominado majoritário. mas não se pode escamotear que se faz mis ter poder para organizar tal sociedade. Facilmente comete-se a simplificação implícita de que a PP levaria a destruir dominados. Ademais. Mas não acontece por entusiasmo. Seja como for. De um lado. mais que a consciência política. Pergunta-se. que privilegiaria os condicionamentos objetivos. dialeticamente falando. ou de eliminação do poder? .e é o que ardentemente esperamos -. se coloca este objetivo de forma realista. há um fenômeno fundamental de desigualdade. geralmente sucede que perdemos o fio da história concreta. não se reflete com a necessária profundidade sobre as condições de trans_ formação desta realidade.

que é a elite intelectual. 0 reacionário não se compróme-te menos e pode ser muito explícito. bem como da participação. pelo menos até hoje. Mas que seja de direi ta ou de esquerda. encontra-se em todas as socieda des. é outra questão. A opressão como tal nao é um fenômeno capitalista. com demasiada pressa. enquanto que a prática é outra. 0 perito pertence a uma das elites sociais. A é a parte dominada da sociedade. que consideramos central: a banalização da posição de classe. O envolvimento político é inevitável. E se a prática dos socialismos vigentes insinua al guma coisa. Do mesmo nem o modo. nao de é sustentável pesqui à sa. Assume-se. E isto leva a outra precarieda_ de. Apenas é preciso reclamar das simplificações excessivas que pululam social. como se somente fosse PP aquela que gere transformação Porquanto. Reconhecendo isto. na PP.Ao mesmo tempo. Certamente é possível construir a visão . que. mas que nao substitui o senso crítico de considerá-lo simplesmente uma fase. lança-se sobre o capitalis mo uma condenação histórica que certamente merece. Todavia. certamente insinua que é contraditória. o perito não é povo. Se fôssemos rigorosos. Entre intelectuais é fenômeno comum: a maioria se diz revolucionária em teoria. Esta problemática está extremamente escamoteada na PP. É um fenômeno social. participação necessariamente ligados transformação descoberta da. sem precisar mudar a prática.realidade pode ser instrumen tada em favor do reacionarismo. diríamos até que está servindo de autodefesa para pesquisadores que vendem. Trata-se da mesma simplificação que espera do compromisso político que seja sempre de esquerda. a possibilidade de indentificação entre pesquisador perito e a comunidade . a prática sobretudo vai demonstrar se esta expectativa teóri ca faz sentido. Não vamos aqui defender explicitamente esta ou aquela posição. depois viria uma história nao contraditória. como sem -pre. Bem como pode haver revolução apenas no plano das expectativas e das idéias. com isto. a PP o assume explicitamente. se aceitarmos que povo importante. fechá-la nem o na ótica de A revolucionária. segundo a qual a história contraditória vai até ao capitalismo . estão conceito conceito social. embora nao à mais . na prática uma ínfima minoria é revo lucionária efetivamente. Em primeiro lugar. uma face char mosa.

Mas isto não desfaz sua carac teristica de pequeno sistema. sua identificação com os proletários é de extrema dificuldade. é muito problematica. mas reconhecendo-a criticamente e pondo-se a enfrentála. conta mais a posição objetiva no sistema sócio-econômi co. a pequena burguesia pertence ao setor privilegiado da sociedade e ideologicamente tende a identificar-se mui to mais com a burguesia. nem a supe ração da condição de objeto por parte da comunidade. até chegar a tal situa -ção. De todos os modos. torna realista o relacionamento e não escamoteado. Por mais que a comunidade seja alçada à condição de sujeito da pesquisa. Cremos ser extrema mistificação. no sentido de que o perito assume na pratica o •projeto político da comunidade. Apenas . De modo geral. Inte lectuais e Vivaldinos. DEMO.pròpria formação superior o impede de se identificar materialmente com a classe baixa. Se a posição do pequeno burguês não é de proletario. (23) Sobre o conceito de pequena burguesia. nem a situação de exercito de reserva. Aimed. nem classe baixa. 1982. que é de fato fonte de poder. do que a intenção e a consciência. não terá tendencialmente consciên cia de proletario. Marx deu. se no for identificação . p. ven derse à comunidade como proletário. da qual depende em seus privilégios . 42 ss: O intelec -tual como pequeno-burguês. Por isto mesmo. Mas é porquanto suficiente continua a intelectual ideo e privilegiado lógica. burguês. do que com probletariado(23). prática. Não é impossível. mas isto não é o caso geral. por isto mesmo. acontece a identifica ção ideologica. que não é classe alta . porque já não lhe cabe a situação de pro letário que vive de um salário de estrita sobrevivência. Não é pelo escamoteamento que se reduz a desigualdade. segundo o materialismo his- tórico. sempre há diferença entrepe rito e comunitários. Isto não coibe a participação. mas. importância ao conceito de pequena burguesia. Mas certamente subestimou-se a força do saber especializado na sociedade. No processo histórico esperava-se sua queda na classe baixa. é claro que pode ocorrer um processo de empobrecimento do perito. Ademais. veja P.

mas E identificação pelo que prática ao PP. Existe somente na medida de sua conquista. nem outorgada.noções de política social participativa. Em lugar. DEMO. controle sobretudo por isto julgamento há mais dela. Quando distin güimos a sociedade entre os que possuem e os que nao possuem. se não houver algum nível de organização da comunidade. assessora. mais do que entre as vítimas. no máximo a motiva. do que dos apoios. A consciência pesada nao cura o problema. o pesquisador não traz participação. que muito poucos sabem fazer(24). Não há participação dada. incrível que não se tome a sério a questão prática da dominação.Esta problemática é a fonte principal das farsas típicas da PP. a prática será ou ingênua. 1982. nunca pode substituir o oprimido. Assim. que não passa apenas pelo ou vir a comunidade. a nao ser a identificação ideológica prática. auto justificação. nem consciência política suficien te. apoia. está mais na ordem dos obstáculos. ou maliciosa. segundo não acontece a processo participativo. dominantes e Se partimos da e crua discriminação dominandos. Quando em teoria se brinca de partici pação. é grande banalização supor processos dureza participativos da com tamanha entre facilidade. 0 pesquisador. a identificação i-deológica prática é uma árdua conquista. ideológica submeter-se em muitas Não exis_ supõe e tem uma ao representantes legítimos. do que uma proposta fundamentada. participação de vez em com consulta vai à quando. do que participação. nem pré-existente. comunidade e busca legitimar seu trabalho ouvindo algumas pessoas. Se for coerente com este esquema. mim. Em primeiro lugar. Participação é Conquista . . Confunde-se intermitente às bases. (24) P. Por outra. o pesquisador nao está no segundo caso. E mais: não tem nenhuma condição de ser pesquisador participante aquêle" que não se reconhece opressor. dedicação profunda e exigente. Cremos que participação é um processo histórico de conquista. Neste sentido. muito mais um desejo. Também não há parti cipação suficiente. Brasília. o pesquisador deverá reco nhecerse entre as causas da desigualdade. Tendencialmente. UnB/INEP. embora possa possuir pouco. de sentido dialético. Participação permanece um conceito vago.

da posição de pequeno burguês. Vale aqui também: somente torna-se educador participativo quem souber passar pela dura ascese de se assumir.Se libertação dos dominados. como opressor. a ótica constestadora do oprimido. nem pré-existe. mas pode igualmente ser banalizada. torna-se do mesmo modo unilateral o enfoque exclu sivo da transformação social em educação. . o pesquisa -dor propende mais para o outro lado. Se o enfoque da reprodução foi unilateral. Coisa semelhante ocorre com a expectativa de efeitos participativos por parte da educação. nem é dada ou outorgada. A insistência sobre a educação comunitário-participativa pode muito bem ser formulada. a uni -versidade constitui-se numa das instituições mais reacionárias do sistema e as ciências sociais são relativamente inúteis aos pobres. ou seja. participação não é de graça. b) Em termos metodológicos a PP pare ce mais amadurecida. porque na dialética do poder existe igual mente o outro lado da medalha. mas é essencialmente conquista. Todavia presistem notáveis pre_ cariedades. mesmo porque o debate sobre as deficiên -cias da pesquisa tradicional. O fato de que exis_ ta um movimento explícito em favor de uma PP ligada ao destino dos oprimidos. passase a admitir um compromisso exclusivo com os pobres. E extrema banalização imaginar que o pesquisador que se diz participante tenha algo que pudesse ser chamado de vocação para se identificar com o pobre. Por isto mesmo. embora muito úteis aos dominantes. Ela assim pode olharmos as coisas. Porquanto. em primeiro lugar. e a seguir conquistar a identificação ideológica com o oprimido. nao esgota o conteúdo histórico do que chamamos PP. e é o que mais sucede. após anos de ênfase sobre a propensão da educação em ser reprodução do sistema. clássica ou ortodoxa clarificou muitos componentes importantes. A vocação tendencial é precisamente a contrária. podemos dos perceber que a PP nao pode ser identificada apenas como instrij mento de colocar-se à dipo-siçao dominantes. Mesmo porque. E mais: a existência de um tal movimento nao garante que a PP seja de fato participante e opte definitivamente pelo pobre. De um momento para outro.

Em algumas chega-se a ter muita dificuldade em sur preender o que haveria propriamente de pesquisa. 1982. a fundamentação científica como do sob forma compromisso quebra-se a no qual o elemento ideológico-político. se lesiona o De outro. É direito preciso entender que tôda crítica ideológica é também ideológica. persiste certa tendência a con siderar a PP cómo gênero único. S. Pelo menos dois componentes precisam ser constatados. sacralizando comprimissos escusos (25) J. . se não quisermos re cair na isenção de compromisso. mesmo que seja usando técnicas tradicionais.• Todavia. realidade intrinsecamente ideológica. pesquisa aparece somente na medida da necessidade. o que certamente é substituir uma ingenuidade por outra. . senão como salvação da humanidade. ESMANHOTO. onde mais se transmite do que se produz conhecimento. é bem concebida esta colocação e pode dar muitos frutos. Educational Evaluation: trends towards more participatory approaches. IICA. sobretudo dialética entre teoria e prática. Sep. a PP está tirando aqui alguns frutos naturais da prática e monstrando no concreto que a prática pode ser forma vá lida de pesquisa. quando prevalece o ativismo. Seja como for. nao somente aspecto inves-t-igativó. emerge uma precariedade Quem assume muito que típica. p. bem montados e criativos. Esquemas como o de Le Bro-terf e de outros são elucidativos. KLEES & P. ou de mobilização parti cipativa. in: A proposal for research on participatory evaluation strategies for rural education systems in Brazil. Nes_ te particular. a com respei social to é à manipulação pessoal. De um lado. 11 ss: "The resurgence of qualitative methods". é importante fixar a PP como gênero vá lido de pesquisa. Houve já um cuidado específico em torno de como construir os passos da PP. Embora a penetração na esfera qualitativa(25) ainda seja incipiente. Deste modo. Brasilia. não pode estabelecer isto apenas co mo negando-o aos outros.WERTHEIN. a preocupação com a descoberta e com o tratamento da realidade social.É muitas PP o componente de preciso de partida de reconhecer forma que em e pesquisa aparece esporádica intermitente. porquanto trata_ -se simplesmente de um processo de aprendizagem. mas participada. ideológica.

Los conceptos elementales del materialismo histórico. Pelo menos em teo ria. como também destruiria a característica central de descoberta da realidade social e de manipulação cientificamente fundamentada-dela. E um componente relevante e criativo a acentuação da capacidade histórica de intervenção humana na realidade. já que isto sacrificaria a teoria no altar da prática. mas de equilibrar os dois componentes em patamares iguais. porque já argumento sobre a justificação. Se a PP significar devassidão ideológica. é uma decor_ rência necessária da participação democrática. para nao sucumbirmos ao dogmatismo sectário. Siglo 21. e não apenas suposto. perde sua característica de pesquisa científica. ao lado da exacerbação política. (26) A título de mero exemplo. Para não recair no erro vituperado em outros métodos. Aí coloca-se igualmente a necessidade do controle ideológico. mas isto precisa ser explici tamente feito. como se sabe(26). " A pesquisa nao nao predomina o pode ser reduzida a mero nao somente instrumento de autojustificação política. Ademais. HARNECKER. Não obstante isto. M. parece-nos por vezes precário o uso do materialismo histórico. porque isto ape -nas mostra que o compromisso político é para valer. os condi -cionamentosobjetivos sobre os subjetivos. embora não devesse existir em qualquer postura. Po de-se certamente redefinir o materialismo histórico. 1972. porque não se trata de substituir a infra-estrutura econômica por uma pretensa infra-estrutura política. A exacerbação política torna-se aí ainda mais incompreensível. o materia lismo histórico ortodoxo privilegia. puxando-o para tendências de caráter maoista. E isto decreta a importância vital de voltarmos sempre à teoria. Todavia. o direito ao engajamento ideológico que defendemos para nós é o mesmo que o adversário pode defender para si mesmo.É um efeito natural que a prática polí tica tenda ao exclusivismo e até ao fanatismo. é necessário defendê-lo. Por mais que seja difícil realizar o pluralismo ideológico. cfr. . a PP precisa instaurar como passo metodológico insubstituível o agar-ramento à postura crítica e autocrítica.

mas uma estraté -gia geral de pesquisa. ainda que estas sejam privilegiadas em nome do fenômeno basico da transição his tórica. O conceito de antí tese inclui nao somente transformações sociais. dizem Parlett e Hamilton: "Avaliação iluminativa não é um pacote metodológico estandardizado. Pertence ao caráter histórico da transfor mação social que ela se institucionalize.Em deficiente a postura. da PT e da PM. provindo de pesquisadores. muitas ações sao. do diálogo aberto entre pesquisador e comunidade. Ademais. por exemplo. A transformação social pode ser obtida dentro de um trajeto crescente de refor mas sempre mais profundas. Talvez tenha sido muito importante a fase inicial em que a PP esforçou-se em mostrar-se alternativa com relação à pesquisa tradicional. mais terá conseqüência revolucionária. mas igualmente as persitências históricas. até mesmo porque são usados. consideradas em si reformistas. e assim por diante. A PP nada tem a perder se usar com criatividade (sem mimetismo) ás facetas muito aproveitáveis da PE. como a avaliação através da expressão crítica da comunidade. Geralmente aparece. se é geralmente o ma porque facilmente sacraliza terialismo histórico como forma única de dialética. A partir de certa altura . Ao contrário. aprofundar facetas consideradas próprias. produz muito mais atitudes reformistas. algum momento em que a PP lança mão de levantamentos empíricos. além do mais. da redução de formalizações desnecessárias. ou conservadoras. mas alcançam impacto revolucionário a longo prazo. É preciso. de testes experimentais. Mas há muito mais o que fazer. Quanto mais o movimento é sustentado pelos oprimidos. ou mesmo reacionárias. que certamen te sao reais também. seja termos de dialética. de mensurações estatísticas. uma das sugestões interessantes passa pela idéia de pesquisa "iluminativa". seja por -que se usa dentro de uma terminologia vaga. Falando de avaliação "iluminativa". no entanto.. A intervenção na realidade não preci sa somente produzir revoluções. por exemplo. como o aprofundamento qualitati vo da realidade social. Já existem muitas idéias interessantes. Busca ser simultaneamente adaptável e . do aumento de controle do process so de investigação por parte da comunidade. é mais importante o diálogo crítico com os outros métodos.

17. é muito importante superar o pacote estandardizado. não ha estratégia! Ao mesmo. é difícil manter a posição de que o problema faz o metodo. uma "receita". PARLETT & D. 207 ss. M. de outros achados tentativos" (27) . mas das decisões em cada caso no sentido das técnicas mais adequadas: o problema define o método usado . não é método nenhum. London. BORDEN AVE & H.). nisto mesmo. a antimetodologia é essencialmente a busca de uma metodologia alterna_ tiva. S. técnicas diferentes são combinadas para lançar luz sobre um pro blema comum. WERTHEIN.mas contém impropriedades metodológicas flagrantes. Ha -milton et al. Por exemplo. é falta de método. Comunicação e Planejamento Paz e Terra. A alternativa. Cfr. Sem um mínimo dela. D. in: D. Igualmente. tomando-se ao pé da letra. mas ecleticista. cit. A questão não é receita ou não-receita. mas a qua lidade da receita(28). porque já não se trata de uma visão eclética. A escolha das táticas de pesquisa decorre. CARVALHO. 1980. Bem como. . Assim. (eds. (2 8) J.. op. "Planejamento sem plano" não significa falta de planejamen to. esta abordagem "triangulada também facilita o te cruzado. veja "Planejamento sem Plano". 19 77. (27) M. p. Macmillan. Evaluation as Illumination: a new approach to the study of innovatory programmes. p.para método pré-concebido. Beyond the numbers game: a reader in educational evaluation. mas mesmo uma estratégia geral contém diretrizes de pesquisa. sugere. Esta proposta é muito interessante. mas uma postura alternativa de planejamento. nenhum método (com suas limitações de coisa pré-fabricada) é usado exclusivamente ou isoladamente. tempo. No fundo. Nao se pode desconhecer que estamos buscando alternativas metodológicas. uma ciência "sem receitas". não de uma doutrina da pesquisa. a idéia de que o problema faz o método é redondamente empirista. e não acabar com a metodolo gia. nao vice-versa. tam -bém J. KLEES & P. HAMILTON.eclético. ESMANHOTO. Além de visualizar o problema a partir de um núme ro de ângulos.

o problema-da avaliação. No caso da ingenuidade. da execução de políticas. se alguém constrói a visão teórica da impossibilidade total de políticas realmente favorá -veis aos oprimidos e por eles conquistadas. Ao lado do componente pesquisa. o ativismo. se pode igualar a PP com mobilização social participativa. a PP aproxima-se da banalização da pesqui sa. outra coisa nao acontece com a prática sem teoria. como já se ve rificou anteriormente. sem interesse pela reflexão crítica. exis tem outros problemas de igual envergadura: a organização da comu nidade. segundo a qual não poderia haver planejamento e pesquisa participativas dentro do capitalismo. é mister considerar uma questão sempre crucial nesta discussão. Encontra-se esta crença mesmo entre técnicos de Governo. do acompanhamento. Posturas que se querem marxistas assumem facilmente e compreensivelmente esta tendência.4 . é difícil aceitar . tornando-se facilmente armadilha da ingenuidade ou da malandragem. os canais de reivindicação e de influência para fo ra. etc. sob a capa da participação. trata-se do posicionamento ideo-lõgico-práticc apressado. Em outras palavras. No caso da malandragem. . a formação da representatividade legítima. Ademais. os exercícios democráticos. Nao se há de responder a uma mediocridade com outra. em detrimento do com ponente científico. Nem tôda participação é pesquisa. Se a teoria sem prática claudica e é insatisfató ria. a PP entra aí como passo pos_ sível e desejável. agregamos ainda algumas idéias referentes a certos posicio namentos precários. O abuso mais típico da PP será. do planejamento. trata-se do escamoteamen-to do controle social sofisticado. Nao. quanto que se possa continuar dentro do sistema. . Nem toda pesquisa é participante. a exacerbação política e ideológica. tanto que possam ser propostas e executadas. e que é a atividade sistêmica. Todavia . é comum a postura. sem dú vida. De fato. como componente. Alguns Abusos Mais no intuito de resumir a problemática. imaginando que a consciência substitua fatores objetivos da realidade social. com refe rência ao problema da participação.

são sistêmicas. c a idéia de que não exista espaço al. o capitalismo também se rã superado. porém. não é dialética. b) dentro diverso como de do capitalismo outros o problema precisa da ser participação nao se coloca de modo totalmente sistemas: avesso à a conquistada. porque somente fa vorece a manutenção da ordem vigente. o exemplo da educa - . o capitalismo pode ser qualificado profundamente participação econòmica. consideradas em si. por acaso. porque. a posição adversa do capitalismo não é tanto problema. mas por conquista. foi o que aconteceu na Europa. que. mas consideradas na trajetória histórica. e) sobretudo técnicos de Governo não vão além de ações reformistas. d) ademais. como qualquer sistema. quando necessari rio. podem levar ao amadurecimen to do sistema. não.pode-se ponderar o seguinte: a é excessivamente moralista a visão ) conspiratôria do capitalismo. para também ceder. gum de ) participação ou que não possa ser construído. a atitude de que nada se pode fazer de decente é profundamen te contraditória. quanto ponto de par tida. além de dispensar o crítico da ação pratica. porque supõe uma história totalmente fechada. mas se admitimos que • participação é conquistada. possui suficiente farò pela sobrevivência.

assim como a PE pode tripudiar so bre a virtuosidade estatística. AÍ. sobre engajamento político. pode acontecer. pode tornar-se ridículo porque não estabele causalida des explicativas nem transforma um dado mal coletado em bom. o entreguismo. O discurso sobre dia]ética. f por fim. mas distanciamento instituições maior. partido de oposição é tam bem sistêmico e produz tendencial-mente reformas. a PP pode abusar da aura qua_ litativa de seu campo de ação. porém. não está lon ge da "conversa fiada". g) coisa semelhante vale para o inte lectual possui ma das da universidade publica.pela universalização do 1º Grau é uma proposta reformista em si. na PP o excesso de zelo pela prática e a dispersão qualitativa serão a mesma vingança metodológica: assim como na PE o excesso de zelo estatístico . sobre al_ ternativa histórica. sobre ideologia. é a co-optação. o problema não é Governo.ção é claro: lutar. quando se quer vituperar Contra a a conivência. sobretudo válida reforçar a luta pela democratização do poder. segundo a qual tudo no Governo é indecência. no máximo. é preciso tomar critica ) mente a idéia de estar fora do sistema. Por outra. na teoria e na prática. A crítica. mas sua qualidade. mais não deve esconder que trabalha nu reacioná rias do sistema e ainda é pago pe lo Governo. é pertinente. não é coerente a crítica do intelectual de oposição. sobre qualidade. mas pode plantar a transformação social no tempo. com vistas É a válida tecnocracia. porque retira seu próprio tapete se chegar ao Governo. Nisto a PP tem seu mérito inconteste. ademais. sobre reinvenção da humanidade. mutatis mutandis.

. porque é a expressão mais concreta do mimetismo parasitario. a PP já está se tornando uma cantilena monótona. Logo mais. diríamos: o resto é papo. herméticas e inúteis. a PP deve precaver-se do discípulo fiel. Por isto. Se rá implacavelmente julgada pela redução da opressão cientificamente fundada. A PP tem. Isto não espanta. como se a perspicácia histórc hb tse smne atn ad ds oet cm rmt d d r a i a aia s o et ed a ecbr a opo eia a elidade. compreensivelmente. os traços de moda. como se o simples desprezo por outros gêneros de pesquisa fosse condição de criatividade alternativa.será mo nôtona. Em ciência somente sobrevive a engenhosidade crítica. tanto quanto um relatório repleto de quantificações sofis_ ticadas. Não fora do óbvio exagero. Mas não deve ceder a modismos.como se o entusiasmo substituisse o aprofundamento cientí-fico .testados precisamente pela prática e pela qualidade do enfoque. Sem dúvida. mesmo porque é conseqüência natural de fenômenos dotados de capacidade política.

Seria mais importante. Se não for brincadeira. acabamos nos contentando com muito pouco. a utopia da sociedade é a comunidade. principalmente na versão do Terceiro Mundo. não servem como parâmetro nem o capitalismo nem o socialismo. se a meta deva ser alternativa. A capacidade de manejar conflitos foi refinada. Faz parte do sinal dos tempos. espera a transformação social. De des culpa em desculpa. seria preferível recompor o espaço possível para a experiência humana comunitária de sentido profundamente democrático. autogestão. igualdade de oportunidade. para extrairmos a proposta de um rela-cionamento alternativo entre dominantes e dominados. Nisto ficaram muito mais argutos. não vele. Mas carregam . Em vez de "grande vitória". Mesmo que pudéssemos mostrar que os socialismos reais são preferíveis ao capitalismo. é um sistema ex- cessivamente desigual para ser tolerado.Conclusão Não será errado afirmar que a PP. que não passa de resposta mítica a outros mitos. Isto é em si reformista. Para onde iríamos? Os sistemas se defendem fortemente. mas também na prá-tica. Assim. é pre ciso analisar o socialismo. não satisfaz trocar "roto" pelo "rasgado". no sentido de aperceber-se da necessidade de transição histórica estrutural. se for permitido propor. As melhores idéiias da humanidade. Sempre é possível dizer que este que aí está. Porque é no pequeno que funciona a comunidade. Investiu-se muito na comprovação de que o capitalismo. cremos que espe-riências comunitárias participativas precisam inventar outras saí-das. As ações comunitárias não sacodem o mundo. não funcionam em patamares demasiadamente complexos de sua organização. são pequenas. a não ser por cataclismas nucleares e outras violências físicas. autopromoção. não presta. Todavia. como democracia. Funcionam propriamente na comunidade. não só em teoria. Embora não seja o resumo de todos os males. comuna. E o espaço da mudança estrutural parece difícil. tentar elaborar alternativas para além do que existe e já experimentamos. de forma correta ou incorreta. ainda que seja na sua pequenez. com que analisamos o capitalismo. Com o mesmo espírito crítico.

Não inventamos do começo. não está nas coisas que. Nelas mesmas não dizem muito. quanto for experimentada comunitariamente. é o ritmo que a comunidade pode cristalizar. nem o socialismo nos garantem.em si a potencialidade de alternativa. por isto que pretendemos pressentir que a rota comuni-tária deve estar correta. A transformação social que desejamos não pode ser igual a nada do que está por aí. E é. lento e profundo. de tão grandes. Mas basta de imitação. A sociedade desejável não está na rota do sistemas vigentes. porque nossa história é contraditória. Estas ações são pequenas. Mas será tanto mais su-portável. Pouco e bom. mas naquilo que cabe na palma da mão. porque este é o tamanho do ho-mem. nos descaracterizam. inocentes. porque não saímos da história. mais que todas as outras propostas qualidade da história está na realização comunitária. porque tudo saiu da mesma forja. Quem Quer novidade. Há mais sabedoria em experiências co-munitárias por vezes simples. ingenuas. A democra-cia mais profunda é a pequena. Não se doma de todo a desigualdade. A . coisas que nem o capitalismo. a PP é uma colaboração válida trabalhadas na megalomania do progresso. Traz o vício de origem. Neste sentido. é o que há de mais transformador. do que no torvelinho do progresso planetário. não busca nesta velharia. Mas na tragetória histórica. E se é possível falar em felicidade. denso e qualitativo.

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