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O Absolutismo Monárquico

Absolutismo é uma teoria política que apregoa a centralização dos poderes numa
só pessoa (em geral, um monarca). Entende-se então por absolutismo o processo de
centralização política numa pessoa, que dispõe desta maneira de um poder absoluto.
A centralização política trouxe consequentemente o absolutismo monárquico,
passando o Rei a ser identificado como o próprio Estado e a constituir um dos
elementos de unidade nacional, enquanto a população incluindo a nobreza, assumia a
condição de fiéis súbditos de um monarca.
O Absolutismo monárquico caracteriza-se pela concentração de poderes no Rei.
Ou seja, o que caracterizava o absolutismo monárquico é o totalitarismo monárquico – o
poder sem limite, absoluto do Rei. É resultado da evolução política das Monarquias
Nacionais, que surgiram na Idade Média, fruto da aliança Rei – Burguesia.
O absolutismo monárquico surgiu assim na Europa no final da Idade Média.
Estendeu-se até à Idade Moderna. Na atmosfera política e cultural da Idade Moderna a
palavra do Rei era a palavra final, sem possibilidade de contestação. Um exemplo disso
é a famosa frase “O Estado Sou Eu”, proferida por Luís XIV.

Factores do Absolutismo Monárquico


Aliança Rei – Burguesia: O poder absoluto do monarca surgiu devido à aliança feita
entre os reis (que no período medieval não tinham força nenhuma) e a burguesia (a
quem interessava a centralização económica para melhorar o desenvolvimento das
actividades comerciais). A burguesia possuía um interesse económico na centralização
do poder político – a padronização monetária, dos pesos e das medidas. A adopção de
mecanismos proteccionistas garantia a expansão das actividades comerciais. A adopção
de incentivos comerciais contribuía para o enfraquecimento da nobreza feudal e este
enfraquecimento contribuía, em contrapartida, para a garantia da supremacia do Rei.

Reformas Religiosas: A decadência da Igreja Católica e a falência do poder papar


contribuíram para o fortalecimento do poder monárquico. Ao longo da Idade Média o
poder estava dividido em três esferas:

 Poder local, exercido pela nobreza medieval;


 Poder Nacional, exercido pela Monarquia;
 Poder Universal, exercido pelo Papado.

Assim, o processo de aliança entre o Rei e a burguesia auxiliou no


enfraquecimento do poder local e as reformas religiosas minaram o poder universal,
consolidando o poder real.

Elementos Culturais: O desenvolvimento do estudo do Direito nas universidades e a


preocupação em legitimar o poder real. Dá-se o renascimento cultural que contribuiu
para um retorno ao Direito Romano.

Mecanismos do Absolutismo Monárquico


Criação de um Exército Nacional: Instrumento principal da centralização do poder
político no Rei. É formado por mercenários que pretendem enfraquecer a nobreza e não
armar os camponeses.
Controlo do Poder Legislativo: Todas as decisões do reino estavam controladas,
directamente pelo Rei, que possuía o direito de criar e alterar leis.
Controlo do Poder Jurisdicional: Criação do Tribunal Real, sendo este superior aos
tribunais locais (que são controlados pelo senhor feudal).
Controlo Sobre as Finanças: Intervenção na economia, mediante o monopólio da
cunhagem de moeda, da padronização monetária, da cobrança de impostos, da criação
de companhias de comércio e da imposição dos monopólios.
Burocracia Estatal: Corpo de funcionário que auxilia na administração das obras
públicas, fortalecimento do controlo do Estado e consequentemente, do poder real.

Teóricos do Absolutismo Monárquico


Dentro do processo de centralização política, é possível encontrar as teorias que
justificam a necessidade de concentração de plenos poderes no rei. Quando se coloca
em prática uma política fundamentada, torna-se mais fácil a imposição e a estabilidade
do sistema. Alguns filósofos que legitimaram esta visão em sua obra:

Nicolau Maquiavel (1469-1527): Maquiavel foi o responsável pela secularização da


política, isto é, é o responsável pela separação entre a moral ou a ética cristã e a política,
sendo que a política assume o valor supremo. Esta separação fica clara na sua obra “O
Princípe” – segundo a qual os fins justificam os meios. Nicolau Maquiavel foi um
grande teórico do absolutismo. Maquiavel subordina o indivíduo ao Estado, justificando
o absolutismo ser necessário para a manutenção do Estado Forte.

Thomas Hobbes (1588-1679): Segundo Hobbes, o homem no Estado de Natureza é


egoísta e mau. O Estado Natureza é, segundo Hobbes, um estado caótico, é a lei da
natureza (a lei do mais forte) no seu pior. Hobbes acredita que faz parte da natureza
humana agir sempre em função da satisfação dos seus desejos e da ganância. Como tal é
necessário um contrato social que vai instaurar um governo que absorva todos os
direitos e liberdades dos cidadãos. Thomas Hobbes desenvolveu a teoria de que os seres
humanos, em troca de segurança, haviam conferido toda a autoridade a um soberano – o Rei.

Jacques Bossuet (1627-1704): Defendeu a teoria da origem divina do poder real. O


poder do rei era absoluto porque provinha de Deus. Desenvolveu a doutrina do
absolutismo do direito divino – a autoridade real do Rei é concedida por Deus e os
súbditos devem-lhe total obediência.

Jean Bodin (1530-1596): Desenvolveu a teoria de que o rei detinha a soberania (isso é, o
poder de criar e revogar as leis) e no exercício dessa soberania, tinha o poder supremo
sobre os súbditos, sem nenhuma limitação.

Sociedade Estamental
Quando se deu a concentração de poderes no Rei, manteve-se como
compensação muitos dos privilégios da nobreza e do clero, além da separação rígida
entre diversos grupos sociais. Dessa forma, a sociedade permaneceu estamental.
Estamentos são grupos sociais definidos por relações de privilégios e de honra.
A nobreza era um estamento baseado em privilégios adquiridos por nascimento. Quem
nascia nobre nunca perdia essa condição. Da mesma forma, o camponês sempre seria
camponês, e jamais poderia ser um nobre. Não havia, portanto, mobilidade social na
sociedade estamental.
Na época da sociedade moderna, os estamentos eram chamados de Estados. O
primeiro Estado era formado pelo clero; o segundo Estado pela nobreza, e o terceiro
Estado era composto pela maioria da população: camponeses, artesãos, comerciantes,
trabalhadores remunerados. O terceiro Estado era desprovido de privilégios e não
tinham poder de decisão na vida pública.
Por mais que os monarcas procurassem aliar-se à burguesia e que a ideologia do
absolutismo os colocasse acima das classes sociais, eles estavam directamente ligados à
nobreza de origem feudal. A essa estrutura feudal absolutista, na qual se entrelaçam
antigas relações feudais e novas relações capitalistas de produção, dá-se o nome de
Ancien Régime.

O Absolutismo Monárquico na Península Ibérica


PORTUGAL- Primeiro país a organizar o Estado Moderno. Centralização política
precoce em virtude da Guerra de Reconquista cristã contra muçulmanos. A
centralização do Estado Português ocorreu em 1385, com a Revolução de Avis, onde o
Mestre da Ordem de Avis (D. João), com o apoio da burguesia mercantil consolidou o
centralismo político.

ESPANHA- O processo de centralização na Espanha também está relacionado com a


Guerra de Reconquista e foi fruto de uma aliança entre o Reino de Castela e o Reino de
Aragão, em 1469 e consolidado em 1492 - com a expulsão definitiva dos mouros da
península.

O Absolutismo Monárquico em França


A consolidação do absolutismo francês está relacionado com a Guerra dos Cem Anos;
com o enfraquecimento da nobreza feudal e o fortalecimento do poder real. A principal
dinastia do absolutismo francês foi a dos Bourbons:

Henrique IV (1593-1610) - precisou abandonar o protestantismo para ocupar o trono


real. Responsável pelo Édito de Nantes (1598 ) que concedeu liberdade religiosa aos
protestantes.

Luís XIII (1610-1643) - Em seu reinado, deu destaque à actuação de seu primeiro-
ministro o cardeal Richelieu. A política de Richelieu visava dois grandes objectivos: a
consolidação do absolutismo monárquico na França e estabelecer, no plano externo, a
supremacia francesa na Europa. Para conseguir este último objectivo, Richelieu
envolveu a França na guerra dos Trinta Anos (1618/1648), contra os Habsburgos
austríacos e espanhóis.

Luís XIV (1643-1715) – Luís XIV é o exemplo máximo do absolutismo francês,


denominado o "Rei-Sol". Organizou a administração do reino para melhorar o controlo
de todos os assuntos. Governava através de decretos e submeteu a nobreza feudal e a
burguesia mercantil. Levou ao extremo a ideia do absolutismo de direito divino. Um dos
principais nomes do seu governo foi o ministro Colbert, responsável pelas finanças e
pelos assuntos económicos. Durante o seu reinado a França inicia uma crise financeira,
na sua razão estão as sucessivas guerras empreendidas por Luís XIV. A crise será
acentuada com o Édito de Fontainebleau, decreto real que revogou o Édito de Nantes.
Com isto, muitos protestantes abandonam a França, contribuindo para uma diminuição
na arrecadação de impostos. A crise do absolutismo prossegue no reinado de Luís XV e
atingirá o ápice com Luís XVI e o processo da Revolução Francesa.

O Absolutismo Monárquico em Inglaterra

O Absolutismo na Inglaterra teve início após a Guerra das Duas Rosas. Essa
guerra foi uma luta entre duas famílias nobres – os Lancaster e os York -, apoiadas por
grupos rivais da nobreza. A guerra terminou com a ascensão de Henrique Tudor,
apoiado pela burguesia.
O novo monarca subiu ao trono com o nome de Henrique VII e fundou a dinastia
Tudor. Seu reinado foi de 1485 a 1509. Henrique VIII, segundo rei da dinastia,
governou até 1547 e conseguiu impor sua autoridade aos nobres, com o auxílio da
burguesia. Fundador do anglicanismo, seu rompimento com a Igreja católica permitiu
lhe assumir o controlo das propriedades eclesiásticas na Inglaterra.
A rainha Elizabeth I, que reinou de 1558 a 1603, conseguiu aumentar ainda mais
o poder real. Completou a obra de Henrique VIII, seu pai, consolidando a Igreja
anglicana e perseguindo os adeptos de outras religiões. Foi durante seu reinado que teve
início a colonização inglesa na América do Norte.  
Elizabeth morreu sem deixar herdeiros e, por isso, subiu ao trono seu primo
Jaime I, que deu início à dinastia Stuart. Durante seu reinado, que foi de 1603 a 1625,
continuou a perseguição aos adeptos de outras religiões, muitos dos quais acabaram por
emigrar para a América do Norte.
Carlos I, filho e sucessor de Jaime I, subiu ao trono em 1625. Seu reinado, do
mesmo modo que o de seu pai, caracterizou-se pelo absolutismo e pelas perseguições
religiosas. Em 1642, os parlamentares e os burgueses iniciaram uma guerra contra o rei.
Liderados por Oliver Cromwell, derrotaram Carlos I.
Cromwell assumiu o poder com o título de "Lorde Protector "e governou de
1649 a 1658. Em 1651, Cromwell lançou o Acto de Navegação, que limitava a entrada e
saída de mercadorias da Inglaterra aos navios ingleses e aos navios dos países
produtores ou consumidores; com isso, prejudicava o comércio intermediário praticado
pelos holandeses. A partir de então, a Inglaterra passou a ser a grande potência marítima
mundial, posição que manteve até o fim da Primeira Guerra Mundial, já no século XX.
Dois anos após a morte de Cromwell, ocorrida em 1658, o governo voltou às
mãos dos Stuart. Com isso, a Inglaterra teve mais dois soberanos de tendências
absolutistas: Carlos II, que reinou de 1660 a 1685 e Jaime II, de 1685 a 1688.
Além de Ter tendências absolutistas, Jaime II era católico declarado. E seria
substituído no trono pelo filho que tivera com sua segunda esposa, também católica.
Com a primeira esposa, que era protestante, Jaime II só tivera duas filhas. O
Parlamento, temendo a volta ao catolicismo e ao absolutismo, uniu-se e resolveu
"convidar" o príncipe holandês Guilherme d’Orange, casado com Maria Stuart, filha
mais velha de Jaime II, a invadir a Inglaterra e depor o rei, "a fim de restabelecer a
liberdade e proteger a religião protestante ".
Em Novembro de 1668, Guilherme desembarcou na Inglaterra com um exército
de 14.000 homens, marchou sobre Londres e ocupou-a sem disparar um só tiro. Jaime II
fugiu para a França, e Guilherme foi coroado rei com nome de Guilherme II. Essa
revolução, ocorrida sem derramamento de sangue, denominou-se Revolução Gloriosa.
O novo rei, ao ser coroado, teve de jurar a Declaração de Direitos, que
assegurava ao Parlamento o direito de aprovar ou rejeitar impostos, garantia a liberdade
individual e a propriedade privada. A Declaração de Direitos estabelecia também o
princípio da divisão de poderes. Com a revolução gloriosa, a burguesia, tendo o poder
nas mãos, passou a promover o desenvolvimento económico da Inglaterra.

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