Instituto Politécnico de Leiria

Escola Superior de Tecnologia e Gestão

Apontamentos Teóricos de Matemática Geral

Luís Cotrim Miguel Felgueiras Pedro Matos Departamento de Matemática
2009

Índice
Capítulo I. Lógica 1. Designações e proposições 2. Expressões designatórias e condições. 2.1. Expressões designatórias 2.2. Condições 2.3. Classificação de uma condição num dado universo 2.3.1. Condições impossíveis 2.3.2. Condições possíveis 2.3.3. Conjunto solução de uma condição numa variável 2.4. Equivalência de expressões com variáveis 2.4.1. Equivalência de expressões designatórias 2.5. Equivalência de condições 3. Operações entre condições e entre conjuntos 3.1. Disjunção de condições e reunião de conjuntos 3.2. Conjunção de condições e intersecção de conjuntos 3.3. Negação e complementação 4. Quantificadores e implicação formal 4.1. Quantificadores 4.2. Implicação 4.3. A equivalência como dupla implicação. 1 1 3 3 3 4 5 5 6 7 7 8 8 8 11 14 16 16 18 21

Capítulo II. Cálculo algébrico 1. Expressões algébricas. Polinómios. 1.1. Definições
iii

23 23 23

iv ÍNDICE 1. Decomposição de um polinómio em factores 1. Teorema do resto 1.2. Funções reais de uma variável real. Adição e subtração 1.2. Equações 3. 6. Definição 2. Classificação de funções reais de variável real. Operações com polinómios. Regra de Ruffini. 6.1. Propriedades Capítulo IV. Aplicações entre conjuntos.3.4. 1. Método dos coeficientes indeterminados 2. Função Módulo.6.1.3. 6.2. Divisão. Equações fraccionárias 3. Zero de um polinómio 1.2. 1. Funções sobrejectivas. Domínios. 3.2. Equações irracionais 4.2.1. Somatórios 1. Generalidades sobre funções. 6.2. 23 23 26 30 34 35 35 38 39 39 41 42 44 46 49 51 51 53 59 59 60 61 63 64 65 65 66 67 . 4. Simplificação 2.2. Gráfico de uma função. Funções bijectivas. Outras operações 3. 1.3.1. Inequações fraccionárias Capítulo III. Fracções algébricas 2. 2. Funções injectivas. Funções definidas por diferentes expressões analíticas 5.5. Multiplicação 1.

4.5. Funções polinomiais 11.1. 67 67 68 68 69 69 71 71 72 72 73 73 75 77 77 77 78 79 82 90 92 92 95 97 101 104 109 109 111 .1.6. Funções limitadas 8. Função identidade 10. Funções periódicas.1.2.3.6. Indeterminações quando x tende para +∞ ou −∞. Função afim 11. Propriedades dos limites de funções 12. Inequações do 2.1. Funções limitadas. 12.4.1.4. A função identidade e função inversa 10. Composição de funções 10. Produto de um escalar por uma função 9. Produto 9. Definição de limite de uma função 12. Limites laterais 12. Limites de funções reais de variável real.2.o grau 12. Funções monótonas 7. Soma 9. Quociente 9.ÍNDICE v 6.2. Indeterminações quando x tende para a (finito) 12. 6. Indeterminações 12. 7.5. Função inversa 11. Noções topológicas 12. Diferença 9. Monotonia. Funções pares e funções ímpares.2.1.3.5. Operações com funções 9. 7.3.2.6.3. Função quadrática 11. Zeros de uma função 9. Extensão da noção de limite 12.1.2.

1.2. O radiano 2. o co-seno. Fórmula fundamental da trigonometria 1.1.2.3. Razões trigonométricas de ângulos agudos 1. Sinal das razões trigonométricas 3. Propriedades das funções contínuas num ponto 13.1. Medidas de ângulos 2.1.4.1. Continuidade de funções reais de variável real. Trigonometria 1. Função contínua e função descontínua num ponto 13. Continuidade num intervalo 13.2. e 6 4 3 114 114 120 120 123 125 125 125 129 129 137 137 138 139 140 140 140 142 142 143 144 144 145 146 147 147 147 . Ângulo num referêncial 2. Generalização das razões trigonométricas 3. Sistema sexagesimal e sistema circular 3. Relação entre o seno.6. 90o . 13.1. Função logarítmica Capítulo VI. a tangente e co-tangente de um mesmo ângulo 2.3. Função exponencial 1. Continuidade da função composta Capítulo V.2. Razões trigonométricas de 0o .1. 80o e 270o π π π 3. Ângulos orientados. Funções transcendentes.5.2.3. Linhas trigonométricas 3. Enquadramento das razões trigonométricas 3. Ângulo orientado 2. A função exponencial de base e (número de Neper) 1. 1. Função exponencial e função logarítmica 1. Definições 3.vi ÍNDICE 13.5. Generalização da noção de ângulo 2.4.4. Razões trigonométricas de .

o quadrante 4. 2.1. Ângulos do 2. Relação entre as razões trigonométricas de α com 90o + α.o quadrante 4. Equações do tipo tan x = p e cot x = p 6.3. Cálculo diferencial em R 1. Ângulos do 4. Determinação dos extremos . 3. Equações do tipo sin x = p 5.3.ÍNDICE vii 4. Função co-seno 6. Ângulos do 3. Função tangente 6.1. Sentido de variação de uma função 11. Regra de Cauchy 10.2. Recta tangente a uma curva num dos seus pontos.o quadrante 4.o quadrante 4. Derivabilidade e continuidade 4. 148 148 149 149 150 151 151 151 153 155 156 156 158 160 162 163 163 164 169 171 172 181 185 188 189 190 192 194 5. Redução ao 1. Derivada da função exponencial e função logarítmica 8. Derivadas sucessivas 9. Função co-tangente Capítulo VII. Extremos relativos 11. Equações do tipo cos x = p 5.5.2. Derivada de uma função num ponto. Função seno 6. Derivadas das funções circulares 7.2.1.4. Regras de derivação 6. Ângulos complementares 4. Equações trigonométricas 5. Função derivada 5. Funções circulares directas 6.1.3. 270o − α. derivadas laterais. 270o + α.4.

viii ÍNDICE Bibliografia 199 .

3}. 2. 10. 2 + 3 × 4 = 20. (5) {1. 2. Portugal. (8. (8) m. nas expressões seguintes.d. (2) 6 + 24 = 30. / (7) m. carteira. Portugal é um país da Europa.c. 12) = 4. • Se duas designações são equivalentes escreve-se entre elas o sinal =.2. (6) 4 ∈ {1. as designações das proposições: (1) 6 + 24.c. Proposições são expressões acerca das quais faz sentido dizer se são verdadeiras ou falsas. Distinga. Exercício 1. 12) . • Duas designações dizem-se equivalentes ou sinónimas se representam o mesmo ser. 2. 3 + 2 = 5.1. 1 . {1. 3} . √ (3) 7. Designações e proposições Designações. Exemplo 1. nomes ou termos são expressões que representam seres existentes. 5 + 2.d.1.CAPÍTULO I Lógica 1. 3} . (8. √ (4) 7 > 7. Exemplo 1.

2. LÓGICA Exemplo 1. . Sejam p. q.3. 4. r. Considere as designações seguintes: • √ 22 + 32 • |5 − 52 | • m. s : 0 : 5 = 0. 52) • m.3. (2.c. (13.c. u: 8 : 4 = 4 : 8. (1) Indique. Exercício 1. s.4. 4 + 5 = 6 + 3 pois 4 + 5 e 6 + 3 representam o mesmo número. (2) 3 ∈ N é equivalente a 2 + 2 = 4 (são ambas proposições verdadeiras) . q: a subtracção é comutativa em R. 5) • √ ¢2 ¡√ 5 − 45 • (2−2 + 3−2 ) × 6−2 (1) Calcule o número designado por cada uma delas. (2) Haverá designações equivalentes? Quais? Exercício 1. t e u as proposições seguintes: p: a adição de números naturais tem elemento neutro. Exemplo 1. r: a multiplicação é distributiva em relação à adição. t: 5 : 1 = 5.m. Duas proposições dizem-se equivalentes se são ambas verdadeiras ou ambas falsas. Considere os seguintes pares de proposições equivalentes: (1) 4 + 10 : 2 = 7 é equivalente a 5 + 1 2 = 3 (são ambas proposições falsas) .d. justificando.2 I. as que são equivalentes. (2) Modifique as que são falsas de modo a que sejam verdadeiras.

em R : (a) x3 + 3 (de domínio R) . (2) A expressão x2 + 2xy + y 2 é uma expressão designatória de duas variáveis. y) com x ∈ R e y ∈ R. Exemplo 2. 2. (b) x2 + 2x + 1 (de domínio R) . EXPRESSÕES DESIGNATÓRIAS E CONDIÇÕES. Exemplo 2. as constantes são 2 e π e a variável é r. Seja A um conjunto qualquer. sendo o seu domínio o conjunto dos pares (x. √ (c) x − 3 (de domínio [3. • Ao conjunto A chama-se domínio da variável. (1) São expressões designatórias de uma variável. 3 2. • Expressão designatória é uma expressão com variáveis que se transforma numa designação quando as variáveis são substituídas por constantes (do domínio das variáveis).2. • Constante é um símbolo que representa um e um só elemento de A.2.2. Condições.1. Expressões designatórias. • Variável é um símbolo representativo de qualquer dos elementos de A. Uma condição é uma expressão com variáveis que se transforma numa proposição quando as variáveis são substituídas por constantes do seu domínio. • Domínio da expressão designatória é o conjunto dos valores da variável para as quais a expressão tem significado num dado universo. Expressões designatórias e condições. . Na fórmula que dá o perímetro de uma circunferência 2πr (em R) . 2.1. +∞[) .

as inequações. . (b) x = 2 transforma-se em 3 × 2 − 6 = 0. que é uma proposição verdadeira. indique as que são expressões designatórias e as que são condições. Classificação de uma condição num dado universo. Se concretizarmos a variável fazendo x = 1 obtemos uma proposição verdadeira 2 × 1 + 3 > 4. 3} . (4) 5x + 3. (7) x − 2 > 0. Com efeito. 2. Já o número 0 não é solução da condição. (6) x2 − 3x + 2. (1) As equações. Diz-se então que 1 é uma solução da condição. (8) a soma do dobro de x com a sua metade. (1) 3x + 4 = 0.3. Consideremos no universo dos números reais a condição 2x + 3 > 4. visto que se transforma numa proposição sempre que x é substituído por um número real. (5) |x − 2| − 3. os sistemas de equações e os sistemas de inequações são exemplos de condições. (2) o dobro de x. visto que 2 × 0 + 3 > 4. (3) |x − 2| < 3.4 I. LÓGICA Exemplo 2.1. x ∈ {1.3. Entre as expressões seguintes. Por exemplo: (a) x = 5 transforma-se em 3 × 5 − 6 = 0. que é uma proposição falsa . 2. . (2) Também são condições expressões do tipo x + 1 6= 3 Exercício 2. 3x−6 = 0 é uma condição na variável x.

em N.2. nos universos considerados. Uma condição diz-se possível num determinado universo se não for impossível.3. em N0 . em R. (3) x2 + 4x = 0. são impossíveis as condições: (1) x2 + 1 = 0. se para todas as concretizações das variáveis se transforma numa proposição falsa.4. as condições x2 + 1 > 0 e x2 − 1 = 0. 0} . em R. da equação pois 12 − 1 = 0 é uma proposição verdadeira.2. 2. x = 2 não é solução Exercício 2. Exemplo 2. Exercício 2. . (6) x > x + 1. (3) A condição x2 − 1 = 0 é possível mas não universal. em R. em N.2. −1.3. (2) A condição x2 + 1 > 0 é possível e universal. Justifique que. são universais as condições: (1) 2x > 1. em R. a condição 2x + 3 > 4 é impossível no universo {−2. (2) x2 − 2x = 0. em R. Uma condição diz-se impossível num dado universo.3. nos universos considerados. Condições possíveis. (2) x + 1 = 0. Condições impossíveis. Enquanto x = 1 é solução da equação uma vez que 22 − 1 = 0 é uma proposição falsa. em {0. (1) São possíveis. EXPRESSÕES DESIGNATÓRIAS E CONDIÇÕES. Justifique que. 2. Assim. pois origina proposições verdadeiras para qualquer concretização da variável (todos os números reais a verificam). (5) |2x + 3| + 1 < 0. 5 é uma proposição falsa.1. 2} . (4) |x| − 1 = −2.

cada uma das seguintes condições: (1) x2 > 0. Classifique. (3) |x| + 1 > 0. (8) (x + 1)2 > 0. Exercício 2. LÓGICA (3) −x2 − 1 ≤ 0. (12) |x + 3| > 0. isto é. . em Z.5. (5) x2 − x + 5 = 0. Chama-se conjunto solução de uma condição p(x). (11) − (x + 2)2 < 0. (2) x2 + y 2 ≤ 0. em N e em R. 5 (10) x2 + 4 6= 0.4. (6) x2 + 3x = 0. os valores que a transformam numa proposição verdadeira. (3) possível mas não universal. Conjunto solução de uma condição numa variável. Dada a condição x + 1 > 3 indique um universo em que a condição seja: (1) impossível. 2. Exercício 2. (9) (x + 1)3 < 0. (7) (x + 1)2 > 0. (4) |x + 1| + 3 = 0.3. (2) universal. ao conjunto dos valores do universo que são soluções da condição.3.6 I. num dado universo.

Como. +∞ .1. EXPRESSÕES DESIGNATÓRIAS E CONDIÇÕES. Exercício 2. Exemplo 2.2.6. Em N. (2) x2 − 3x = x(x − 3). 3.4. a condição x2 + 1 > 0 é universal. temos por exemplo: (1) (a + b)2 = a2 + 2ab + b2 . nas mesmas variáveis.6. Mostre que. 4} . 2. £ £ (2) Em R.4. o conjunto de solução da condição 3x − 4 > 0 é 4 . são equivalentes as seguintes expressões designatórias: (1) (x − 2)2 − 3 (x − 1) (x + 5) e 19 − 16x − 2x2 . 3 Evidentemente uma condição universal tem por conjunto solução o universo. em R. Tem-se como exemplos: (1) Em N. . em toda a concretização das variáveis. o conjunto de solução da condição |x − 2| < 3 é {1. escreve-se entre elas o sinal = (“é sempre igual a”) . Exemplo 2. Duas expressões designatórias. a condição 2x − 3 = 0 é impossível pelo que o seu conjunto solução é {x ∈ N : 2x − 3 = 0} = ∅. 7 Exemplo 2. Para exprimir que duas expressões designatórias são equivalentes. quando se transformam em designações equivalentes. dizem-se equivalentes num dado universo. Em R.5. em R. Equivalência de expressões com variáveis. o seu conjunto solução é R.7.8. enquanto que o conjunto solução de uma condição impossível é o conjunto vazio. Exemplo 2. 2. Equivalência de expressões designatórias. 2.

em R. Disjunção de condições e reunião de conjuntos. então o conjunto solução da condição p(x) ∨ q(x) é a reunião P ∪ Q. Se designarmos por P e Q o conjunto de solução de p(x) e q(x) respectivamente. quando se transformam em proposições equivalentes em toda a concretização das variáveis. que é verificada pelos valores que são soluções de pelo menos uma das condições. Equivalência de condições. √ (1) x e x2 não são equivalentes. (2) (x + 3)2 − 3 (x + 1)2 + 4 (x − 1) (x + 1) e 2x2 + 1. em R. Operações entre condições e entre conjuntos 3. em N.8. LÓGICA (2) 2 (x − y)2 − 2 (x − y) (x + y) e 4y 2 − 4xy.8 I.1. que duas condições são equivalentes num dado universo se tiverem o mesmo conjunto solução. Duas condições.5. escreve-se entre elas o sinal ⇐⇒. Resulta então do que se disse anteriormente. em R+ . q (2) (x2 + 1)2 e x2 + 1 são equivalentes. em R. nas mesmas variáveis. Mostre que as seguintes expressões são equivalentes e una-as com o sinal conveniente. (4) 4 − 2x < −3 e |2x| > 7. Mostre que. (1) 3x2 − 6x + 2 = 0 e x2 + x = 0. Exercício 2. em R. p(x) e q(x). à condição p(x) ∨ q(x) (“p(x) ou q(x)”) . (6) 3 (x − y)2 (x + y) − 3 (x + y)2 (x − y) e 6y 3 − 6x2 y. Chama-se disjunção de duas condições. (3) (2x − 3) (x − 1)2 − x2 (2x − 7) e 8x − 3. 2. num dado universo.7. dizem-se equivalentes. em R. (5) |x − 1| = 3 e x2 − 2x − 8 = 0. Para exprimir que duas condições são equivalentes. Exercício 2. 3. .

Exemplo 3. Em R. a disjunção das condições x ≤ 0 e x > 2 é a condição x ≤ 0 ∨ x > 2. +∞[ . utilizando intervalos de números reais. +∞[ ∪ ]7. a disjunção das condições x > 2 e x > 7 é a condição x > 2 ∨ x > 7. a disjunção das condições x > 2 e x ≤ 3 é a condição x > 2 ∨ x ≤ 3. (3) 8 − 2x < 0 ∨ x − 1 < 0. (5) |x − 1| > 2 ∨ x2 − 3x = 0. +∞[ . +∞[ = ]2. +∞[ ∪ ]−∞. +∞[ = R.3. (4) 2x > x ∨ |x| < 3. cujo conjunto solução é ]−∞.1. OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 9 Exemplo 3.1.3. (6) |x| > x ∨ x > 5. em R. Em R. o conjunto solução de cada uma das condições seguintes. Exercício 3. Determine. Exemplo 3. Em R. sempre que possível: (1) x > 2 ∨ x > 3. 0] ∪ [2. 3] = ]−∞. . cujo conjunto solução é ]2. cujo conjunto solução é ]2. (2) x < 1 ∨ x > 0.2.

2. (4) A ∪ B ∪ C.Tem-se assim: p(x) ∨ u(x) ⇐⇒ u(x) P ∪U = U (5) A disjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição impossível i(x) é equivalente à primeira condição. Propriedades da disjunção de condições e da reunião de conjuntos (1) Propriedade comutativa (a) Condições: p(x) ∨ q(x) ⇐⇒ q(x) ∨ p(x) (b) Conjuntos: P ∪ Q = Q ∪ P (2) Propriedade associativa (a) Condições: [p(x) ∨ q(x)] ∨ r(x) ⇐⇒ p(x) ∨ [q(x) ∨ r(x)] (b) Conjuntos: (P ∪ Q) ∪ R = P ∪ (Q ∪ R) (3) Idempotência (a) Condições: p(x) ∨ p(x) ⇐⇒ p(x) (b) Conjuntos: P ∪ P = P (4) A disjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição universal u(x) é equivalente a uma condição universal. a reunião de um conjunto qualquer P com o conjunto vazio é igual ao primeiro conjunto. Tem-se assim: p(x) ∨ i(x) ⇐⇒ p(x) P ∪∅ = P (2) B = {x ∈ N : |x| ≤ 3 ∨ |x| + 2 < 0} . cada um dos seguintes conjuntos: (1) A = {x ∈ N : 3x − 2 = 16 ∨ 12 − 2x = 0} .10 I. (3) C = {x ∈ N : x2 − 7x + 12 = 0 ∨ |x| − 2 < 0} . Em termos de conjuntos. Em termos de conjuntos. . LÓGICA Exercício 3. a reunião de um conjunto qualquer P com o universo U é igual ao universo. em extensão. Defina.

cujo conjunto de solução é [10. OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 11 Exemplo 3. é a condição x > 10 ∧ x ∈ {5. 30} . Exemplo 3. 3[ . Chama-se conjunção de duas condições. à condição p(x) ∧ q(x) (“p(x) e q(x)”). Simplifique as seguintes disjunções de condições: (1) x2 < −1 ∨ x > 5.5. (3) x2 + x + 3 = 0 ∨ x + 1 = x. temos por exemplo: (1) A conjunção das condições x > 10 e x ∈ {5. Em R. 3[ ∪ ∅ = ]−∞. 30} . (2) |x| + 2 > 0 ∨ x − 3 > 0. Considere as seguintes condições e conjuntos (1) x2 > 0 ∨ x > 3 ⇐⇒ x2 > 0 (Em R) R∪ ]3. +∞[ ∩ {5. (4) x2 + 2 6= 0 ∨ |x − 1| + 1 = 0. Exercício 3. +∞[ = R (2) x + 1 > x ∨ |x| < 0 ⇐⇒ x + 1 > x (Em R) R∪∅=R (3) x + 3 < 0 ∨ x + 1 < x ⇐⇒ x + 3 < 0 (Em R) ]−∞. que é verificada pelos elementos que são solução de ambas as condições.4.3. respectivamente. p(x) e q(x). 30} . 30} = {5. Se designarmos por P e Q o conjunto solução de p(x) e q(x). então o conjunto solução da condição p(x) ∧ q(x) é P ∩ Q.3. .2. 3. Conjunção de condições e intersecção de conjuntos.

em R. . (7) x > (8) |x + 1| = 0 ∨ (|x + 1| + 3 = 0 ∧ |x + 1| > 0) . LÓGICA (2) A conjunção das condições x > 1 e x ≤ 3. é a condição x > 1 ∧ x ≤ 3. R = {x ∈ R : x + 1 > 0} . Considere os conjuntos: P = {x ∈ R : x2 − 9 6= 0 ∧ 1 − 2x < 5} . (5) (3) x > −1 ∧ x > 1. (2) P ∩ Q. x−3 + x ≤ 0 ∧ |x + 1| > 2.12 I. (3) (P ∩ Q) ∪ R e P ∩ (Q ∪ R) . Determine sob a forma de intervalos de números reais os conjuntos: (1) P. o conjunto solução de cada uma das condições seguintes. Exercício 3. 3] . (4) |x| ≤ 2 ∧ 3x + 1 > 0. Q ∩ R e P ∩ Q ∩ R. Q e R. Determine.4. (2) x > 1 ∧ x ≤ −1.5. Exercício 3. Q = {x ∈ R : |x + 2| < 3} . 2 (6) x2 − 9 6= 0 ∧ x + 1 > x. 2 x ∧ x > 3x − 4 ∧ x2 + 1 6= 0. utilizando intervalos de números reais sempre que possível: (1) x > 2 ∧ x ≤ 3. cujo conjunto de solução é [1.

OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 13 Propriedades da conjunção de condições e da intersecção de conjuntos (1) Propriedade comutativa (a) Condições: p(x) ∧ q(x) ⇐⇒ q(x) ∧ p(x) (b) Conjuntos: P ∩ Q = Q ∩ P (2) Propriedade associativa (a) Condições: [p(x) ∧ q(x)] ∧ r(x) ⇐⇒ p(x) ∧ [q(x) ∧ r(x)] (b) Conjuntos: (P ∩ Q) ∩ R = P ∩ (Q ∩ R) (3) Idempotência (a) Condições: p(x) ∧ p(x) ⇐⇒ p(x) (b) Conjuntos: P ∩ P = P (4) A conjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição universal u(x) é equivalente a p(x).3. a intersecção de um conjunto qualquer P com o conjunto vazio é o conjunto vazio. Em termos de conjuntos. Em termos de conjuntos. Propriedades de ligação (1) Propriedade distributiva da disjunção relativamente à conjunção (a) Condições: p(x) ∨ [q(x) ∧ r(x)] ⇐⇒ [p(x) ∨ q(x)] ∧ [p(x) ∨ r(x)] (b) Conjuntos: P ∪ (Q ∩ R) = (P ∪ Q) ∩ (P ∪ R) (2) Propriedade distributiva da conjunção relativamente à disjunção (a) Condições: p(x) ∧ [q(x) ∨ r(x)] ⇐⇒ [p(x) ∧ q(x)] ∨ [p(x) ∧ r(x)] . Tem-se assim: p(x) ∧ u(x) ⇐⇒ p(x) P ∩U = P (5) A conjunção de uma condição qualquer p(x) com uma condição impossível i(x) é uma condição impossível. Tem-se assim: p(x) ∧ i(x) ⇐⇒ i(x) P ∩∅ = ∅. a intersecção de um conjunto qualquer P com o universo U é igual a P .

(c) |1 − x| > 3 ∧ x > x + 1. (3) x2 − x + 5 6= 0 ∧ x2 + 5 ≤ 0. defina os conjuntos correspondentes a cada uma das condições. (1) Simplifique as seguintes condições em R : (b) x + 3 > x ∧ |x| > 2. • A condição ∼ p(x) é verificada pelos elementos do universo que não são solução de p(x). Negação e complementação.7. . (4) x2 > 2 ∧ |x| + 1 > 0. (a) x2 + 1 > 0 ∨ x > 2.6.6. Temos como exemplos: (1) x = 2 ∧ |x| > 0 ⇐⇒ x = 2 ( em R) (2) x < 2 ∧ x2 < 0 ⇐⇒ x2 < 0 ( em R) ]−∞.14 I. Exercício 3. 3. a que se chama contrária da condição dada.3. • Antepondo à condição p(x) o sinal ∼ (“não é verdade que”) obtemos uma nova condição ∼ p(x). LÓGICA (b) Conjuntos: P ∩ (Q ∪ R) = (P ∩ Q) ∪ (P ∩ R) Exemplo 3. Simplifique as seguintes condições em R: (1) |x − 1| ≤ 0 ∧ x2 + 1 < 0. (2) Recorrendo a intervalos de números reais. {2} ∩ R = {2} (2) x2 > 0 ∧ x2 + 1 > 0. 2] ∩ ∅ =∅ Exercício 3.

9. Considere os conjuntos E = {x ∈ R: − 2 < x < 5} e F = {x ∈ R: |x| < 3} . 3} / Exercício 3. +∞ 3 ¸ ∙ 2 Conjunto solução : Q = −∞.3. os conjuntos E e F . Exemplo 3. P é o conjunto solução da condição ∼ p(x). (2) 3x − 2 = 0. 3 Conjunto solução : P = {3} Conjunto solução : P = R\ {3} Conjunto solução : R = {1. E e F .8. com intervalos de números reais. 3} Conjunto solução : R = R\ {1. se P é o conjunto solução da condição p(x). Considere em R as condições: 2 (1) q(x) : x > 3 ∼ q(x) : x < 2 3 ∙ 2 Conjunto solução : Q = . em compreensão. OPERAÇÕES ENTRE CONDIÇÕES E ENTRE CONJUNTOS 15 • Complementar de um conjunto P é o conjunto P dos elementos do universo que não pertencem a P . . / Assim. Exercício 3. isto é P = {x ∈ U : x ∈ P } . (4) x ∈ {x = 2n ∧ n ∈ N} . (3) 1 − x > 1. 3} ∙ (2) p(x) : x = 3 ∼ p(x) : x 6= 3 (3) r(x) : x ∈ {1. (2) Defina. Sem usar o símbolo ∼ escreva a negação de cada uma das condições. em R: (1) x + 3 < 0. (1) Represente. 3} ∼ r(x) : x ∈ {1.7.

x (1) ∀x ∈ R. Exercício 4.2. (4) (x + 1)2 = x2 + 2x + 1. então se escrevermos ∃x ∈ Z: x + 3 = 0. 2 x (2) ∀x ∈ N. dá origem a uma proposição verdadeira se a condição é possível e falsa se é impossível.16 I. ∀x ∈ R. dá origem a uma proposição verdadeira se a condição for universal e falsa nos outros casos. x > . (2) A proposição ∀x ∈ R. porque a condição x + 1 = 0 não é universal em R. (1) A condição x + 3 = 0 é possível em Z. aplicado a uma condição numa variável. (1) A condição x2 + 4 > 0 é universal em R.1.1. obtém-se uma proposição verdadeira se escrevermos ∀x ∈ R: x2 + 4 > 0 ou x2 + 4 > 0 : ∀x ∈ R. aplicado a uma condição numa variável. Exemplo 4. Indique se as proposições seguintes são verdadeiras ou falsas. Quantificadores. Chama-se quantificador de existência ao símbolo ∃ (lê-se: “existe pelo menos um” ou “há pelo menos um”) que. Chama-se quantificador universal ao símbolo ∀ (lê-se: “qualquer que seja” ou “para todo o”) que. Quantificadores e implicação formal 4.1. obtemos uma proposição verdadeira. ∀x ∈ N. . 2 2 2 (3) (x + 1) = x + 2x + 1. Exemplo 4. LÓGICA 4. x > . x + 1 = 0 é falsa.

(8) ∀x ∈ T. Em linguagem corrente. x não gosta de matemática.4. 1 (4) ∀x ∈ R. x gosta de matemática. estas proposições traduzem-se. (2) ∃x ∈ T. porque a condição 2x + 3 = 0 é impossível em Z. Exercício 4. x2 = x e 2 (1) Classifique cada uma delas. |x + 1| + 2 > 0 . em R. . vem: (7) ∃x ∈ T : x não fez os trabalhos de casa. x fez os trabalhos de casa)⇐⇒ ∃x ∈ T : x não fez os trabalhos de casa. QUANTIFICADORES E IMPLICAÇÃO FORMAL 17 (2) A proposição ∃x ∈ Z: 2x + 3 = 0 é falsa. x2 = x . Exemplo 4. respectivamente. A negação destas proposições em linguagem corrente é: (5) Nem todos aos alunos da turma fizeram os trabalhos de casa. 2 2 (6) ∃x ∈ R : x + 3 = 2. as proposições: (1) ∀x ∈ T. 2 1 (5) ∃x ∈ R : x2 = x. as condições: 1 |x + 1| + 2 > 0 . (6) Nenhum aluno da turma gosta de matemática. no conjunto T dos alunos da turma. (4) Há pelo menos um aluno na turma que gosta de matemática. x2 + 3 = 2.2. (2) Diga se são verdadeiras ou falsas as proposições: (3) ∀x ∈ R. x fez os trabalhos de casa. São dadas. Portanto: (9) ∼ (∀x ∈ T.3. por: (3) Todos aos alunos da turma fizeram os trabalhos de casa. Traduzindo em linguagem simbólica. Considere.

1[ . (3) ∀x ∈ R. 4. LÓGICA (10) ∼ (∃x ∈ T : x gosta de matemática)⇐⇒ ∀x ∈ T. Diz-se que uma condição p(x) implica outra condição q(x).4. ∀y ∈ R. +∞[ não está contido em ]−∞. (2) x > 3 ⇒ x < 1 (em R) É uma proposição falsa pois ]3. Tem-se por exemplo: (1) x é homem ⇒ x é mortal É uma proposição verdadeira.18 I. A negação transforma o quantificador de existência em quantificador universal seguido de negação: ∼ ∃ ⇐⇒ ∀ ∼ . (5) ∀x ∈ R. Conclusão: A negação transforma o quantificador universal em quantificador de existência seguido de negação: ∼ ∀ ⇐⇒ ∃ ∼ . Implicação. Exemplo 4.2. Negue cada uma das proposições seguintes: (1) ∀x ∈ R. (x > 2 ∧ x < 5) ∨ x > 3. (2) ∃x ∈ R : x > 5 ∧ x > 7. x não gosta de matemática. Exercício 4. 1 ≤ x ≤ 5.3. . Assim: p(x) ⇒ q(x) é uma proposição verdadeira se P ⊂ Q. (4) ∃x ∈ R. x − y = 2. x > 2 ∨ x = 3. se o conjunto solução P da primeira estiver contido no conjunto solução Q da segunda.

y 6= 0. (justifique) (4) x2 − x + 3 = 0 ⇒ x2 < 0 (em R) É uma proposição verdadeira. o valor lógico das proposições seguintes: (2) x = 2 =⇒ x2 − 2x = 0. Obviamente. (3) x2 − 9 = 0 ⇒ x = 3. em R. tem-se assim a lei de conversão (m(x) ⇒ p(x)) ⇐⇒ (∼ p(x) ⇒∼ m(x)) . inclusive nele próprio. pois o conjunto vazio está contido em qualquer outro conjunto. Então pela lei de conversão. Exercício 4.y = 0 =⇒ x = 0 ∨ y = 0 ( lei do anulamento do produto ) . Em R. Considere a proposição verdadeira “x é um rectângulo ⇒ x é um paralelogramo ”. (1) x < −4 ⇒ x < 1. vem ∼ (x = 0 ∨ y = 0) ⇒∼ (x.4. “se x não for um paralelogramo =⇒ x não é um rectângulo”. Se m(x) e p(x) designam duas condições.4. QUANTIFICADORES E IMPLICAÇÃO FORMAL 19 (3) n é múltiplo de 10 ⇒ n é par É uma proposição verdadeira.y = 0) . Indique. esta proposição é equivalente a “se x não for um paralelogramo então também não é rectângulo”. que podemos traduzir por “todo o rectângulo é um paralelogramo” . Exemplo 4.5. . ou seja x 6= 0 ∧ y 6= 0 ⇒ x. ou seja. x. (4) |x| < 1 =⇒ x + 3 > 0.

2 Para cada uma delas indique: (1) Se é verdadeira ou falsa. pode ser traduzido por “todo o rectângulo é um paralelogramo”. Note que ¡ ¢ ∼ x > 2 ⇒ x2 > 4 ⇐⇒ ∃x : x > 2 ∧ x2 ≤ 4. “∃x : x é rectângulo ∧ x não é paralelogramo”. LÓGICA Considere-se novamente a proposição verdadeira “x é um rectângulo ⇒ x é um paralelogramo ” que já vimos. Exemplo 4. A negação desta proposição será “existe pelo menos um rectângulo que não é um paralelogramo” ou seja.20 I. Exercício 4.6. Considere as seguintes proposições: • x > 2 ⇒ |x| > 2 (em R) 3x • |x − 4| > 4 ⇒ − > 0 (em R\ {0}) . (2) A negação (sem utilizar o sinal ∼). Assim a negação de p(x) ⇒ q(x) é ∃x : p(x)∧ ∼ q(x).5. .

Basta. . pelo que são equivalentes: x2 = 4 ⇐⇒ |x| = 2. (3) 6x = 0 ⇐⇒ (x2 − 1) 6x = 0. que x seja quadrado para ser rectângulo. A equivalência como dupla implicação. Como o conjunto solução de x2 = 4 está contido no conjunto solução de |x| = 2 (pois são idênticos) . e é necessário que x seja rectângulo para ser quadrado. De um modo geral. Considere as condições x2 = 4 e |x| = 2 (em R) . |x| = 2 =⇒ x2 = 4 também é uma proposição verdadeira. (1) 6x = 0 ⇐⇒ (x2 + 1) 6x = 0. Diga. Do mesmo modo. No conjunto dos paralelogramas. Ambas têm conjunto solução {−2. tem-se [p(x) ⇐⇒ q(x)] ⇐⇒ [p(x) ⇒ q(x) ∧ q(x) =⇒ p(x)] .6. tem-se x é quadrado =⇒ x é rectângulo. se p(x) e q(x) forem duas condições. 2} .3. Exercício 4. a proposição x2 = 4 =⇒ |x| = 2 é verdadeira . ou é suficiente. justificando. se são verdadeiras ou falsas as seguintes proposições (em R) : (2) 6x = 0 =⇒ (x2 − 1) 6x = 0.4. QUANTIFICADORES E IMPLICAÇÃO FORMAL 21 4. Tem-se assim que x2 = 4 ⇐⇒ |x| = 2 é equivalente a x2 = 4 =⇒ |x| = 2 ∧ |x| = 2 =⇒ x2 = 4.

Exercício 4. (2) Complete (a) p(x) é condição ______ para que se verifique q(x). em R.22 I. . que se p(x) ⇐⇒ q(x) então p(x) (respectivamente q(x)) é uma condição necessária e suficiente para que se verifique q(x) (respectivamente p(x)) . Obviamente.7. Considere. as condições: p(x) : x + 2 > 1 e q(x) : x2 − 4x + 3 = 0. (1) Determine o conjunto solução de cada uma das condições. LÓGICA Assim se p(x) ⇒ q(x) for uma proposição verdadeira. (b) q(x) é condição ______ para que se verifique p(x). diz-se que p(x) é uma condição suficiente para que se verifique q(x) e q(x) é uma condição necessária para que se verifique p(x). resulta do que se disse sobre a equivalência entre condições.

Resolução: A + B = (5x2 − 3x + 4) + (7 − 6x + 5x2 − x3 ) = 5x2 − 3x + 4 + 7 − 6x + 5x2 − x3 = −x3 + 10x2 − 9x + 11 23 . B = 7 − 6x + 5x2 − x3 e C = 2x2 − 3x3 + 1 : (1) Determinar A + B e A − B. com a0 . . Operações com polinómios. • Chama-se polinómio de grau n numa variável x a uma expressão algébrica do tipo a0 xn + a1 xn−1 + · · · + an .. Polinómios.1. Expressões algébricas. • Uma expressão numa variável diz-se algébrica quando sobre a variável não incidem outras operações além de adições. 1. multiplicações.2. Adição e subtração. • Chama-se domínio da expressão algébrica. Definições. an ∈ R ∧ a0 6= 0. divisões ou extracções de raiz. 1.1. Supondo que A = 5x2 − 3x + 4..2. 1. Exemplo 1.1. a1 . subtracções. ao conjunto dos números que substituidos no lugar da variável dão sentido à expressão.CAPÍTULO II Cálculo algébrico 1. e representa-se por D..

. tal que P − Q = 0. Exemplo 1. Resolução: A + (B − C) = (5x2 − 3x + 4) + [(7 − 6x + 5x2 − x3 ) − (2x2 − 3x3 + 1)] = 2x3 + 8x2 − 9x + 10. determine o valor de x. Resolução: P − Q = 0 ⇐⇒ (3x2 − 5x + 8) − (2x + 3x2 − 6) = 0 ⇐⇒ −7x + 14 = 0 ⇐⇒ x = 2.24 II. (3) Somar a A a diferença entre B e C. Supondo que P = 3x2 − 5x + 8 e Q = 2x + 3x2 − 6.2. CÁLCULO ALGÉBRICO e A − B = (5x2 − 3x + 4) − (7 − 6x + 5x2 − x3 ) = x3 + 3x − 3. Resolução: A + B − C = (−x3 + 10x2 − 9x + 11) − (2x2 − 3x3 + 1) = 2x3 + 8x2 − 9x + 10 e A − B − C = x3 + 3x − 3 − 2x2 + 3x3 − 1 = x3 + 3x − 3 − 2x2 + 3x3 − 1 = 4x3 − 2x2 + 3x − 4. = −x3 + 10x2 − 9x + 11 − 2x2 + 3x3 − 1 = 5x2 − 3x + 4 − 7 + 6x − 5x2 + x3 (2) Determinar A + B − C e A − B − C.

4) − (3. µ ¶ µ ¶ 2 5 2 7 1 1 2 2 (2) 3x − x + 2 − x − 0. Soluções: (1) 6x2 − 12x − 3. 5 3 2 Soluções: (1) 8x2 + x + 1. 8x − 1. (6) 9x − 4. 5x2 − 3x − 0. 9) . . Simplifique as expressões seguintes: (1) 8x2 − 1. (3) −x2 + 8x − 5. (3) A − B. Calcule: (1) (A + B) + C. 25 Exercício 1.1. (2) x2 − 0. 2x + 1. 5x2 − 0. 2x + − 3 x − . Considere os polinómios A = x2 − 4. (4) C − D. (2) 6x2 − 12x − 3. C = 3x2 − 4x e D = −x2 − x − 1. (5) 9x − 4. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. (4) 4x2 − 3x + 1. POLINÓMIOS. (5) A − (B + D) . 2x − 3.1. 5 + (3. (6) A − B − D. B = 2x2 − 8x + 1. (2) A + (B + C) . Exercício 1.2.

(B − C) = 24. Exemplo 1. tal que A. Resolução: A. a Nota: Se fosse a = 0. (2x − 3) = 2x2 − 5x + 3 = 2x2 − 3x − 2x + 3 logo A. B = 2x + 3 e C = 2x − 3. (2) O valor de x. a equação ficaria reduzida a 0x+2 = 0 e. A.C e A. CÁLCULO ALGÉBRICO 1. Resolução: a (2x + 3) = ax + 2 ⇐⇒ 2ax + 3a = ax + 2 ⇐⇒ 2ax − ax = 2 − 3a ⇐⇒ ax = 2 − 3a 1 ⇐⇒ x = (2 − 3a) .3.C = (2x2 + x − 3) − (2x2 − 5x + 3) = 6x − 6.4. Multiplicação. então. Exemplo 1.2. calcule. (1) Os valores de A. Resolução: A.B = (x − 1) .26 II.B − A.C = (x − 1) . Resolva em ordem a x a equação a (2x + 3) = ax + 2 com a 6= 0.B. .2. seria impossível.B − A.C. (B − C) = 24 ⇐⇒ 6x − 6 = 24 ⇐⇒ x = 5. (2x + 3) = 2x2 + x − 3 = 2x2 + 3x − 2x − 3 e A. Supondo que A = x − 1.

a fórmula conhecida por quadrado da soma (a + b)2 = a2 + 2ab + b2 . assim. (2) 2x (x2 − 4) . (1) −3x2 − 15x. Soluções: (2) 2x3 − 8x. (4) 4x (−x − 2) . 2 6 3 (6) (x2 − 4x + 4) 5x2 . (3) −2 (−3x + 8) . µ ¶ x x 4 2 (5) − 4x − + . (8) −2z 5 + 6z 3 − 18z 2 . (4) −4x2 − 8x. Obteve-se. POLINÓMIOS. x2 2 − x. 27 Exercício 1. (7) (x2 − 12x − 1) 6x2 . (7) 6x4 − 72x3 − 6x2 . (5) −2x3 + 12 3 (6) 5x4 − 20x3 + 20x2 . Calcule: (1) −3 (x2 + 5x) . Faz-se agora uma revisão dos casos notáveis da multiplicação de números reais. (8) (z 3 − 3z + 9) (−2z 2 ) . EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. (3) 6x − 16.3.1. . (1) Quadrado da soma Sendo a e b números reais temos (a + b)2 = (a + b) (a + b) = a2 + ab + ba + b2 = a2 + 2ab + b2 .

Exemplo 1. a fórmula conhecida por quadrado da diferença (a − b)2 = a2 − 2ab + b2 . (1) (x − 1)2 − 5 (x − 3) = (x + 5) (x − 5) .28 II. Simplifique as seguintes expressões.5. Resolução: (x + y)2 + (x − y)2 = (x2 + 2xy + y 2 ) + (x2 − 2xy + y 2 ) = 2x2 + 2y 2 . assim. CÁLCULO ALGÉBRICO (2) Quadrado da diferença Sendo a e b números reais temos (a − b)2 = (a − b) (a − b) = a2 − 2ab + b2 . (2) (x + y)2 − (x − y)2 . . = a2 − ab − ba + b2 Obteve-se.6. (3) Produto da diferença de dois termos pela sua soma Sendo a e b números reais temos (a − b) (a + b) = a2 + ab − ba − b2 = a2 − b2 . Resolução: (x + y)2 − (x − y)2 = (x2 + 2xy + y 2 ) − (x2 − 2xy + y 2 ) = 4xy. (1) (x + y)2 + (x − y)2 . Exemplo 1. Resolva as seguintes equações.

Soluções: (1) 8ab.4. (2) (3a − 2b)2 + (3a + 2b)2 . Resolução: 4 (x + 1)2 − (x − 1)2 − 3 (x − 2) (x + 2) = 0 ⇐⇒ 10x = −15 3 ⇐⇒ x = − . (6) 9 (x − 3)2 − 2 (x + 1)2 − (2x − 3)2 . (5) (m + n)2 − (m − n)2 + (m + n) (m − n) . (2) 18a2 + 8b2 . 2 Exercício 1. (4) (x − 3) (x + 2) − (x + 1) (x − 1) . POLINÓMIOS. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. Simplifique as seguintes expressões: (1) (a + 2b)2 − (a − 2b)2 . 2 .1. 7 (2) 4 (x + 1)2 − (x − 1)2 − 3 (x − 2) (x + 2) = 0. 2 (2) (2a)2 + (1 − a2 ) = (1 + a2 ) .5. 29 Resolução: (x − 1)2 − 5 (x − 3) = (x + 5) (x − 5) ⇐⇒ x2 − 2x + 1 − 5x + 15 = x2 − 25 ⇐⇒ −7x = −41 41 ⇐⇒ x = . Prove que as igualdades seguintes são verdadeiras: (1) (x + a)2 = (x − a)2 + 4ax. (6) 3x2 − 46x + 70. Exercício 1. (4) −x − 5. (5) m2 + 4mn − n2 . (3) (x − 3)2 − 3x (x − 2) . (3) −2x2 + 9.

Q(x) + R(x). Divisão. Soluções: (1) −2. Regra de Ruffini.de modo que A(x) = B(x). efectuar a divisão de um polinómio A(x) por um polinómio B(x) é determinar o quociente Q(x) e o resto R(x).3. sendo o grau de R(x) menor que o grau de B(x). Algoritmo da divisão de polinómios Em N. 5 (2) − .30 II.6.2. (3) 5 (x − 2) (x + 2) − 5 (x − 4) (x + 6) = 0. temos: 19 −18 1 3 6 logo 19 = 1 3×6+1 . CÁLCULO ALGÉBRICO Exercício 1. (2) (x + 2)2 + (x + 1)2 = x (2x − 7) . 1. < 3 Dividendo : 19 sendo que Divisor : 3 Quociente : 6 Resto : 1 Tal como em N. . 13 (3) 10. Resolva as seguintes equações: (1) (2x + 1) (2x − 1) = (4x + 5) (x − 3) . no conjunto dos polinómios. (4) 3. (4) (4x − 3)2 − (8x + 3) (2x − 3) = 0.

Resolução: • Ordenam-se os polinómios dividendo e divisor segundo as potências decrescentes de x: 4x3 − 9x2 − 6x + 4 x2 − 2x + 1 Determine o quociente e o resto da divisão de A(x) por B(x). obtendo-se o primeiro termo do quociente: 4x3 − 9x2 − 6x + 4 x2 − 2x + 1 4x • Multiplica-se 4x por cada um dos termos do divisor e subtrai-se do dividendo: 4x3 − 9x2 − 6x − 4x + 4 x2 − 2x + 1 4x −4x3 + 8x2 −x2 − 10x + 4 • Como o grau do resto ainda não é inferior ao do divisor. 31 Apresenta-se a seguir a divisão de dois polinómios. Exemplo 1.7. sendo A(x) = −9x2 + • Divide-se o primeiro termo do dividendo pelo primeiro do divisor. onde se mostra o procedimento a efectuar. 4 + 4x3 − 6x e B(x) = 1 − 2x + x2 . Tem-se: 4x3 − 9x2 − 6x − 4x + 4 x2 − 2x + 1 4x − 1 −4x3 + 8x2 −x2 − 10x + 4 . EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. divide-se o primeiro termo do resto pelo primeiro do quociente. POLINÓMIOS.1.

Quociente → x 1 x3 − x2 + − 3 9 3 Resto → − 10 7 x+ 9 3 : −12x + 5 Solução: Regra de Ruffini O método anterior permite determinar qualquer divisão de polinómios. Exercício 1. Apresenta-se a seguir um exemplo onde se mostra o procedimento a efectuar. Exemplo 1. . Caso o divisor seja uma expressão da forma x−α existe uma regra simples. Verifique este resultado. CÁLCULO ALGÉBRICO • Multiplica-se −1 por cada um dos termos do divisor e subtrai-se do dividendo: 4x3 −4x3 + 8x2 x2 − 9x2 − 6x − 4x − 2x + 4 x2 − 2x + 1 4x − 1 + 4 + 1 −x2 − 10x −12x + 5 A divisão terminou. Determine o quociente e o resto da divisão de A (x) = x4 −3x2 +x−3 por B (x) = x−2.7.8. Calcule ¢ ¡ ¢ ¡ −x + 3x4 − x5 + 2 : −3x2 + 1 . pois o grau do resto é inferior ao do divisor. a Regra de Ruffini. multiplicando o quociente pelo divisor e adicionando ao resto. para determinar o quociente e o resto da divisão.32 II. Tem-se: Quociente : 4x − 1 Resto Exercício 1.8.

o coeficiente e coloca-se a um nível inferior. em linha. POLINÓMIOS. 33 Resolução: • Escrevem-se os coeficientes do dividendo. ordenados segundo as potências decrescentes de x.o coeficiente com o produto determinado. • No canto esquerdo escreve-se o número 2 que anula o polinómio divisor. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. 0 2 2 −3 4 1 1 2 3 −3 6 3 0 2 2 −3 1 −3 0 −3 1 −3 . 1 2 1 • Multiplica-se o número 2 pelo 1.1. 1 2 0 −3 1 −3 • Copia-se o 1. (x − 2) . 1 2 1 • Repete-se o processo anterior 1 2 1 Temos então: • Q (x) = x3 + 2x2 + x + 3 • R (x) = 3 e consequentemente ¡ 4 ¢ x − 3x2 + x − 3 = (x − 2) (x3 + 2x2 + x + 3) + 3.o coeficiente e coloca-se o produto ao nível de 2 adicionando em seguida o 2.

x2 − 2x + 1 x − 2x + 1 38 5x4 − 2x2 − 1 = 5x2 + 13 + 2 . o valor que toma o dividendo quando se substitui x por α. 2−3 x x −3 19 x2 + 3x − 2 1 9 = x+ + 4 . efectue a operação indicada. 2 2x + 3 2x + 3 D = d.Q + R D R =Q+ d d (6) (x − 1) : (2x + 3) 1. x+1 x4 − 8 8 = x3 − 2x2 + 4x − 8 + . CÁLCULO ALGÉBRICO Observação: D R d Q grau de R < grau de d Exercício 1.9. Teorema 1.3. O resto da divisão de um polinómio P (x) por x − α é P (α). . 2x − 3 2 4 2x − 3 5 x−1 =1− 2 . Em cada um dos casos.34 II. isto é. Teorema do resto. d d (1) (x3 + 1) : (x + 1) (2) (x4 − 8) : (x + 2) (3) (3x3 − 2x + 1) : (x2 − 2x + 1) (4) (5x4 − 2x2 − 1) : (x2 − 3) (5) (x2 + 3x − 2) : (2x − 3) Soluções: (1) (2) (3) (4) (5) (6) x3 + 1 = x2 − x + 1. x+2 x+2 3x3 − 2x + 1 7x − 5 = 3x + 6 + 2 .1. e indique o resultado obtido na D R forma =Q+ .

Se um polinómio na variável x. αn . Temos que : P (−2) = (−2)3 − 2(−2)2 − 2 + 18 = 0 e P (1) = 1 − 2 + 1 + 18 = 18.. é em particular para α. O número real −2 é zero do polinómio enquanto que 1 não é zero do mesmo polinómio.. por exemplo..4.1. Seja Q(x) e R o quociente e o resto da divisão de P (x) por x − α. POLINÓMIOS. 1.. • Um número real α é zero ou raiz de um polinómio P (x) se e só se P (α) = 0. Solução: α = 2 e R = P (α) = P (2) = 23. a0 xn + a1 xn−1 + · · · + an admite n raízes.. pode escrever-se como um produto a0 (x − α1 ) (x − α2 ) . 35 Demonstração.Q(α) + R P (α) = R (R constante) .. α1 = α2 diz-se que a raiz α1 é dupla ou de multiplicidade 2. α1 . de grau n.10.. . Seja P (x) = x3 − 2x2 + x + 18.. α2. Se. triplas. vem P (α) = (α − α) Q(α) + R P (α) = 0. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. Como a igualdade anterior é válida para todo o x real. Determine o resto da divisão do polinómio P (x) = 3x2 + 3x + 5 por x − 2. (x − αn ) . a0 6= 0. Fazendo então x = α. • α é zero de um polinómio se e só se o polinómio é divísivel por x − α. Zero de um polinómio. Decomposição de um polinómio em factores. Tem-se : P (x) = (x − α)Q(x) + R. ¤ Exercício 1. 1. Um polinómio pode ter raízes duplas..5.

Sabendo que: a2 − b2 = (a − b) (a + b) vem 1 4x − = (2x)2 − 9 2 ¶µ ¶ µ ¶2 µ 1 1 1 2x + = 2x − 3 3 3 (3) x2 − 3x + 10. Tem-se: x − 3x + 10 = 0 ⇐⇒ x = 2 3± √ 9 − 40 2 (Impossível) . num produto de factores do 1. Vamos calcular as raízes do polinómio utilizando a fórmula resolvente. Como não existem raízes reais. Resolução. 9 Resolução. (1) 2x2 + 7x + 3. Decomponha. CÁLCULO ALGÉBRICO Exemplo 1.9. se possível. Vamos calcular as raízes. Resolução.o grau. Temse: 2x + 7x + 3 = 0 ⇐⇒ x = Temos então: ∙ µ ¶¸ 1 2x + 7x + 3 = 2 x − − [x − (−3)] 2 2 2 −7 ± √ 49 − 24 1 ⇐⇒ x = − ∨ x = −3. não é possível decompor em factores do 1. .36 II. 4 2 ou ¶ µ 1 (x + 3) 2x + 7x + 3 = 2 x + 2 2 1 (2) 4x2 − . cada um dos seguintes polinómios.o grau este polinómio.

o grau. Aqui a decomposição é imediata. sendo este. (x − 1) . Soluções: (1) (x − 2) (x − 3) . O resto da divisão do polinómio por x + 3 é zero. (3) x3 − x2 − 9x + 9. (4) x4 − 13x2 + 36. 3 −3 0 −1 0 −1 −3 3 0 Exercício 1. ¡ ¢¡ ¢ (2) 6x x + 1 x − 1 . Tem-se: (x − 1)2 − 3(x − 1) = (x − 1) [2 (x − 1) − 3] = (x − 1) (2x − 5) (5) x3 + 3x2 − x − 3. 37 (4) 2(x − 1)2 − 3(x − 1). num produto de factores do 1. pois existe um factor comum para pôr em evidência. . (4) (x + 2) (x − 2) (x + 3) (x − 3) .11. cada um dos seguintes polinómios: (1) x2 − 5x + 6. sabendo que admite a raíz −3. se possível. 2 3 (2) 6x3 + x2 − x. Resolução. (3) (x − 1) (x − 3) (x + 3) . POLINÓMIOS. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS. Resolução.1. Decomponha. Tem-se: 1 −3 1 Assim: ¡ ¢ x3 + 3x2 − x − 3 = (x + 3) x2 − 1 = (x + 3) (x − 1) (x + 1) .

Este método baseia-se no princípio de que dois polinómios são idênticos se os coeficientes dos termos do mesmo grau são iguais. d=0 Exemplo 1. Efectuando as operações. Exemplo 1. obtém-se o sistema ⎧ ⎧ ⎪ a=1 ⎪ a=1 ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎨ b=3 ⎨ −3a + b = 0 ⇐⇒ ⎪ c=1 ⎪ 2a − b + c = 0 ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ ⎩ d = 0. Igualando os coeficientes das mesmas potências de x. vem: x3 = ax (x2 − 3x + 2) + b (x2 − x) + cx + d x3 = ax3 − 3ax2 + 2ax + bx2 − bx + cx + d x3 = ax3 + (−3a + b) x2 + (2a − b + c) x + d.11. b. Determine a. Efectuando as operações. m e n ∈ R de modo que 4x2 + mx + n = (x − 1)2 + kx2 .6.38 II. Resolução. Resolução. Método dos coeficientes indeterminados. CÁLCULO ALGÉBRICO 1. . Determine k. vem: 4x2 + mx + n = x2 − 2x + 1 + kx2 4x2 + mx + n = (1 + k) x2 − 2x + 1. c e d ∈ R de modo que x3 = ax (x − 1) (x − 2) + bx (x − 1) + cx + d.10.

Simplifique as seguintes fracções: x+2 (1) 2 . FRACÇÕES ALGÉBRICAS 39 Igualando os coeficientes das mesmas potências de x. Exemplo 2. 2 = + 4 + 4x (x + 2) x+2 . x2 − 3 + 2x Resolução: (x − 1)2 x−1 x2 + 1 − 2x = = e D = R\ {−3. 1} . obtém-se o sistema ⎧ ⎧ ⎪ k=3 ⎪ 1+k =4 ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎨ ⎨ ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ m = −2 n=1 ⇐⇒ m = −2 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ n = 1. Simplificação.1. (x − 3)4 Resolução: (x − 3) (2x − 6 − 3) 2x − 9 2 (x − 3)2 − 3 (x − 3) = = e D = R\ {3} .2. Fracções algébricas 2.1. x + 4 + 4x Resolução: x2 (2) x2 + 1 − 2x . x2 − 3 + 2x (x − 1) (x + 3) x+3 (3) 2 (x − 3)2 − 3 (x − 3) . 4 4 (x − 3) (x − 3) (x − 3)3 x+2 x+2 1 = e D = R\ {−2} . Para simplificar uma fracção algébrica factoriza-se o numerador e o denominador e dividem-se os dois termos pelos factores comuns. não esquecendo o domínio em que a simplificação é válida. 2.

• O polinómio do denominador é do 3. Facilmente se verifica que os zeros do numerador são os valores 0 e -5. −2 Logo. a fracção não era simplificada. tem-se: −1 −5 −1 −6 5 −1 1 5 6 30 −30 . logo para determinarmos os seus zeros necessitamos de uma das suas raízes. Uma das suas raízes é um zero do numerador. −x3 − 6x2 + x + 30 Resolução: • x2 + 5x = x(x + 5). −x3 − 6x2 + x + 30 = − (x + 5) (x + 3) (x − 2) Assim. 0 Calculemos os restantes zeros do denominador √ 1 ± 1 + 24 2 −x − x + 6 = 0 ⇐⇒ x = ⇐⇒ x = −3 ∨ x = 2. x2 + 5x x(x + 5) −x = = e D = R\ {−5. pois se assim não fosse. −3. 2} . 3 − 6x2 + x + 30 −x − (x + 5) (x + 3) (x − 2) (x + 3) (x − 2) . Sendo −5 um zero do denominador (verifique).o grau. CÁLCULO ALGÉBRICO (4) x2 + 5x .40 II.

x x+2 x (x + 2) (x) Resolução: D = R\ {1} e x − (x−1) (3) x2 + 3x x + 2 × . Outras operações. −3. 2−x x+3 Resolução: D = R\ {−5. 0} e (2) x − 2x + 1 . x x+2 Resolução: D = R\ {−2. 1 x (1) + . 5} e x+5 x+3 x+3 x + 5 x2 − 25 : = × = . 2} e x2 + 3x x + 2 x (x + 3) (x + 2) x × = = . 2−x x+3 2 − x (x − 5) (x + 5) (2 − x) (x + 5) Nota: As operações com fracções algébricas efectuam-se de uma forma semelhante às operações com fracções onde não aparecem variáveis.2.2. x−1 x−1 (x) (x+2) 1 x x2 + x + 2 + = . 2−4 x x+3 (x − 2) (x + 3) (x + 2) x−2 (4) x + 5 x2 − 25 : . FRACÇÕES ALGÉBRICAS 41 2. Exemplo 2. x2 − 4 x+3 Resolução: D = R\ {−3. x−1 x2 − 3x − 1 2x + 1 = . 2. Efectue e simplifique. . −2.2.

(x − 2) (x + 5) = Temos que: 7 (A + B) x + 5A − 2B = . Determine A e B de modo que: 7 A B = + . (x − 2) (x + 5) x−2 x+5 3.42 II. (x − 2) (x + 5) x−2 x+5 Resolução: O método dos coeficientes indeterminados permite determinar A e B. (1) x3 = x. Resolva. em R. 7 A B = + (x − 2) (x + 5) x−2 x+5 = Ax + 5A + Bx − 2B (x − 2) (x + 5) (A + B) x + 5A − 2B . (x − 2) (x + 5) (x − 2) (x + 5) Então: ⎧ ⎧ ⎧ ⎨ A=1 ⎨ A = −B ⎨ 0=A+B .1. cada uma das seguintes equações. Exemplo 3. ⇐⇒ ⇐⇒ ⎩ B = −1 ⎩ 7 = −7B ⎩ 7 = 5A − 2B 7 1 1 = − . CÁLCULO ALGÉBRICO Exemplo 2. . Equações A decomposição de polinómios em factores e a lei do anulamento do produto permitem-nos resolver algumas equações. logo.3.

3} . Resolução: 2x3 − 10x2 + 12x = 0 ⇐⇒ 2x (x2 − 5x + 6) = 0 ⇐⇒ 2x = 0 ∨ x2 − 5x + 6 = 0 √ 5 ± 25 − 24 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = 2 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = 2 ∨ x = 3 logo S = {0. 1} . sabendo que −2 é uma das raízes.3. 0. 2. (2) 2x3 − 10x2 + 12x = 0. EQUAÇÕES 43 Resolução: x3 = x ⇐⇒ x3 − x = 0 ⇐⇒ x (x2 − 1) = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x2 − 1 = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = −1 ∨ x = 1 logo S = {−1. (3) 2x3 + x2 − 5x + 2 = 0. Resolução: 2 −2 2 1 −4 −3 −5 6 1 2 −2 0 2x3 + x2 − 5x + 2 = 0 ⇐⇒ (x + 2) (2x2 − 3x + 1) = 0 √ 3± 9−8 ⇐⇒ x = −2 ∨ x = 4 ⇐⇒ x = −2 ∨ x = 1 2 ∨x=1 .

2} . A (2) Reduz-se a equação à forma = 0. tem-se: x + 4x = 0. B (3) Os zeros de A que pertencem ao domínio da equação são as soluções da equação dada. 2 3. Atendendo a que ambas pertencem ao domínio. em R.44 II. O domínio é R\ {0} . Equações fraccionárias. CÁLCULO ALGÉBRICO logo ½ ¾ 1 s = −2. Exemplo 3. Chama-se equação fraccionária a uma equação em que a incógnita figura no denominador.2. 3 S = {−4. |{z} C. Determine o conjunto solução. (2) A = 0. de cada uma das seguintes equações. 1 . x Resolução: já se encontra na forma Como: ¡ ¢ x3 + 4x = 0 ⇐⇒ x x2 + 4 = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x2 + 4 = 0 ⇐⇒ x = 0. Na resolução de uma equação fraccionária. 3x − 4 Resolução: ½ ¾ A 4 já se encontra na forma = 0. O domínio é R\ B 3 Como √ −2 ± 4 + 32 2 ⇐⇒ x = −4 ∨ x = 2.I. B . deve-se proceder do seguinte modo: (1) Determina-se o domínio da equação. (1) x2 + 2x − 8 = 0. x + 2x − 8 = 0 ⇐⇒ x = 2 as soluções possíveis são −4 e 2. .1.

x2 − 1 (x+1) 2 (x−1) (1) . x−1 6 (3) = 0. x−1 x+1 x −1 Resolução: A 1 1 2x2 começamos por reduzir à forma = 0 a equação + = . (1) x−3 2 x − 8x + 7 (2) = 0. Como 1 não pertence ao domínio.1. 1} .3. Atendendo a que 0 não pertence ao domínio. Temos: 1 1 2x2 1 1 2x2 + = 2 ⇐⇒ + − 2 =0 x−1 x+1 x −1 x−1 x+1 x −1 ⇐⇒ Como −2x2 + 2x = 0 ⇐⇒ x (−2x + 2) = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = 1. EQUAÇÕES 45 a solução possível é 0. x −1 x+1 1−x −2x + 2x = 0. vem S = {0} . Resolva cada uma das seguintes equações: (x − 3) (x + 1) = 0. (3) 1 1 2x2 + = 2 . Exercício 3. 2−x 6x x x (5) 2 + = . as soluções possíveis são 0 e 1. tem-se: S = ∅. x −9 3−x x+3 3 1 1 (6) 2 = − . x−1 3+x (4) = 5.O B x − 1 x + 1 x2 − 1 domínio da equação é R\ {−1.

2 Exercício 3. (3) S = ∅. são ou não são soluções de A = B.2. 5 5 (2) x = −3. já que A = B ⇒ A2 = B 2 . é necessário verificar se as soluções encontradas. isto é.46 II. Como A2 = B 2 ⇐⇒ A2 − B 2 = 0 ⇐⇒ (A − B) (A + B) = 0 ⇐⇒ A = B ∨ A = −B. x Soluções: 1 4 (1) A = . 6 (5) x = 0. . 3. Equações irracionais. 3 (6) x = .2. √ √ √ • 2x + 1 + x − 3 = 2 x. B = . (1) Determine A e B de modo que (x − 3) (x + 2) x−3 x+2 1 (2) Resolva a equação A (x) = . Considere a expressão A (x) = x+1 . Verifica-se que numa equação irracional a incógnita figura no radicando. as soluções de A2 = B 2 . 7 (4) x = . São exemplos de equações irracionais √ • x − 3 = 5. (x − 3) (x + 2) A B x+1 = + . (2) x = 7 . CÁLCULO ALGÉBRICO Soluções: (1) x = −1. As soluções destas equações conseguem-se por sucessivas elevações ao quadrado de ambos os membros.

EQUAÇÕES 47 Exemplo 3. Verifiquemos estas soluções: x=3: x = 11 : logo S = {3} . √ (1) 2x + 3 + x = 6. Resolução: √ 2x − 1 − x = −2 ⇐⇒ √ 2x − 1 = x − 2 ⇒ 2x − 1 = (x − 2)2 √ 6+3+3=6 √ 25 + 11 = 6 Proposição verdadeira Proposição falsa ⇐⇒ −x2 + 6x − 5 = 0 ⇐⇒ ⇐⇒ x = 5 ∨ x = 1. Verifiquemos estas soluções: x=5: x=1: logo S = {5} (3) √ √ √ x + 1 + 2x + 5 = x + 4. (2) √ 2x − 1 − x = −2. Resolução: √ 2x + 3 + x = 6 ⇐⇒ √ 2x + 3 = 6 − x =⇒ 2x + 3 = (6 − x)2 ⇐⇒ 2x + 3 = 36 − 12x + x2 ⇐⇒ x2 − 14x + 33 = 0 ⇐⇒ x = 3 ∨ x = 11.3. Considere as seguintes equações irracionais.3. √ 10 − 1 − 5 = −2 Proposição verdadeira Proposição falsa √ 2 − 1 − 5 = −2 .

Resolva cada uma das seguintes equações irracionais: √ 2x + 3 = x − 6. √ √ (4) x − 2 − 3x − 2 = 6. (1) Soluções: (1) x = 11. √ (3) 2 x2 − 16 = 4 − x.3.4. 3 (4) S = ∅. Exercício 3. (2) x = 5 ∨ x = 7. (3) x = − 20 ∨ x = 4. Das seguintes afirmações diga qual é verdadeira. √ √ √ 0+ 3= 3 ⇐⇒ x2 + 5x + 4 = 0 ¡√ ¢2 √ x + 1 + 2x + 5 = x + 4 ⇐⇒ ⇒ ⇐⇒ Proposição falsa Proposição verdadeira . Verifiquemos estas soluções: √ √ √ x = −4 : −3 + −3 = 0 x = −1 : logo S = {−1} . (2) Se A2 = B 2 então A = B. √ (2) x − 4 = 4x − 19. Exercício 3. CÁLCULO ALGÉBRICO Resolução: √ √ √ x + 1 + 2x + 5 = x + 4 =⇒ √ √ 2x2 + 7x + 5 = −x − 1 ⇐⇒ 2 2x2 + 7x + 5 = −2x − 2 ⇐⇒ ⇒ 2x2 + 7x + 5 = (−x − 1)2 ⇐⇒ x = −4 ∨ x = −1. (1) Se A = B então A2 = B 2 .48 II.

INEQUAÇÕES FRACCIONÁRIAS 49 4. o processo mais simples de resolução. +∞[ (2) 3 <1 x−1 Resolução: 3 x−1 −x + 4 3 3 < 1 ⇐⇒ < ⇐⇒ < 0. x−4 x+2 x De um modo geral.1. B(x) Exemplo 4.4. é construir um quadro depois de reduzir a inequação à forma A(x) ≶ 0. < 1 ⇐⇒ x−1 x − 1 (x−1) x−1 x−1 x−1 (1) x −x + 4 x−1 −x + 4 x−1 −∞ 1 + − − 4 +∞ − + − + + 0 0 + + ss + 0 . −3[ ∪ ]1. Inequações fraccionárias Numa inequação fracionária a incógnita figura no denominador. > 2. Considere as seguintes inequações: x−1 (1) >0 x+3 Resolução: x x−1 −∞ −3 − − 1 +∞ − 0 + x+3 − 0 + + + x−1 + ss − 0 + x+3 Olhando para a última linha do quadro verifica-se que a fracção é positiva se: x ∈ ]−∞. São exemplos de inequações fraccionárias: 3x 1 x+1 ≤0 .

50 II. . +∞[ . CÁLCULO ALGÉBRICO Verifica-se que a fracção é negativa se: x ∈ ]−∞. 1[ ∪ ]4.

2. que em cada concretização da variável k nos permita obter sucessivamente cada uma das parcelas. k ∈ Z e n ≥ p. que representa a soma dos quadrados dos primeiros 10 números naturais. 51 .letra sigma maiúscula do alfabeto grego. lê-se o somatório de uk desde p até n. 10 Assim. · · · . k=p (1.1) À letra k chama-se ´ndice da soma e aos números p e n. Definição Consideremos a soma: 12 + 22 + 32 + 42 + 52 + 62 + 72 + 82 + 92 + 102 .CAPÍTULO III Somatórios 1. K ⊂ Z. Como cada na expressão k2 . k=p uk . para representarmos uma soma com o símbolo identificar: P temos de • uma expressão designatória. onde a variável k toma os seus valores. n P Assim. limite ı inf erior e limite superior do somatório. • um conjunto K. uk . utilizando P o símbolo de somat´rio o . então podemos escrever de forma abreviada a soma anterior. 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 k=1 uma das parcelas desta soma se obtém dando a k sucessivamente os valores 1. no caso geral. isto é: n X uk = up + up+1 + · · · + un−1 + un . respectivamente. Temos assim: 10 X 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 = k2.

isto é. 3 P (3) (3p − 2) x3−p = −2x3 + x2 + 4x + 7. pode ser substituída por outra letra qualquer pois n X n X i=m n X n X uk = ui = uj = k=m j=m p=m up = um + um+1 + · · · + un−1 + un . • A variável k (índice da soma) é uma variável muda. 4 P (1) (2) (k2 + 1) = (12 + 1) + (22 + 1) + (32 + 1) + (42 + 1) = 2 + 5 + 10 + 17 = 34. no início do quarto ano pode ser representada por: 3 X i=0 (100 + i) . A despesa da empresa. todos os anos.1. • Sempre que os limites superior e inferior do somatório forem iguais a soma apenas tem uma parcela. p=0 k=1 3 P k=−1 Uma aplicação: Suponha que uma pequena empresa adquire uma máquina nova no início de cada ano. . (3 − 4k) = (3 − 4 · (−1))+(3 − 4 · 0)+(3 − 4 · 1)+(3 − 4 · 2)+(3 − 4 · 3) = = −5.m. k=n Exemplo 1. O custo de uma máquina nova no início do 1. na aquisição de máquinas. n X uk = un .) e o preço aumenta 5 u.52 III.1) tem exactamente n − p + 1 parcelas.m. isto é. SOMATÓRIOS Nota: • A soma (1.o ano é 100 unidades monetárias (u.

= k=m k=m ¤ Propriedade 2. k=1 k=1 Exercício 1. Soluções: (1) (2) 45 P 45 P (2k) . Escreva na forma de somatório a soma dos primeiros quarenta e cinco: (1) números pares.1 (Aditiva). (α constante real) . (2) números ímpares. PROPRIEDADES 53 Exercício 1. Propriedades Propriedade 2.2 (Homogénea).2.2. .1. (2k − 1) .0. n X αuk = α k=m k=m n X uk . Demonstração. n X k=m (uk + vk ) = (um + vm ) + (um+1 + vm+1 ) + · · · + (un + vn ) = (um + um+1 + · · · + un ) + (vm + vm+1 + · · · + vn ) = n n X X uk + vk . Escreva na forma de somatório a forma geral dos polinómio de grau n.0. n X (uk + vk ) = k=m k=m n X uk + k=m n X vk . 2. Solução: n P ak xk ou k=0 k=0 n P ak xn−k .

tendo em conta que estamos perante uma progressão geométrica2 de razão r.0. se (un ) é uma progressão aritmética de razão r. n X rk = k=m 1 − rn−m+1 m ·r . n X k=m αuk = αum + αum+1 + · · · + αun = α (um + um+1 + · · · + un ) = α k=m n X uk .0.54 III. então a soma dos p primeiros n 1 − rp termos é dada por S = · u1 . Uma vez que n X k=m k = m + (m + 1) + (m + 2) + · · · + (n − 1) + n. se (u ) é uma progressão geométrica de razão r.3. 2 Demonstração. | {z } (n−m+1) parcelas k=m n X k= m+n (n − m + 1) . é a soma1 de n − m + 1 termos de uma progressão aritmética de razão 1. Análoga à anterior. 1−r Demonstração. 1 = α(1 + 1 + · · · + 1) = α (n − m + 1) . ¤ Propriedade 2. 1Recorde ¤ que. ¤ Caso particular da propriedade anterior: n X α=α k=m k=m n X Propriedade 2. SOMATÓRIOS Demonstração. obtém-se o resultado pretendido. então a soma dos p primeiros termos u1 + up é dada por S = · p. 2 2Recorde que. 1−r .4.

¤ Propriedade 2.6. r X uk + k=m k=r+1 n X uk = um + um+1 + · · · + ur + ur+1 + · · · + un = = um + um+1 + · · · + un = n X uk . ¤ Propriedade 2.7. n+r X k=m+r uk = um+r + um+r+1 + · · · + un+r = k=m n X uk+r .0. −m X k=−n uk = u−n + u−n+1 + · · · + u−m−1 + u−m = = u−m + u−(m+1) + · · · + u−(n−1) + u−n = n X k=m u−k . ¤ k=m .0.2.0.5. PROPRIEDADES 55 Propriedade 2. r X uk + k=m k=r+1 n X uk = k=m n X uk . m ≤ r < n. Demonstração. n+r X uk = k=m+r k=m n X uk+r . Demonstração. −m X uk = k=−n k=m n X u−k . Demonstração.

1. Demonstração. SOMATÓRIOS Propriedade 2.56 III.0.8 (Telescópia). n X k=p (uk − uk−1 ) = un − up−1 . ¤ Exercícios 2. n X k=p (uk − uk−1 ) = up − up−1 + up+1 − up + up+2 − up−1 + · · · + un−1 −un−2+ un − un−1 = un − up−1 . (1) Calcule cada um dos somatórios: 7 P (a) 15 (150) k=−2 5 P (b) (c) (d) (e) (f) (g) (h) (i) (j) (3k) (45) (65) (2385) −3 P k=0 4 P (4j + 5) (2 + 5k) (5k 2 ) + k− 18 P j=0 30 P 10 P 15 P k=1 k=3 k=−10 (2k − 5k2 ) (−104) k (−42) (−876184) (1400) (10573) (15840) k=2 500 P k=5 k=5 4 P (1 − 7k) 100 (p + 1) (2i − 5) p=−2 105 P i=−3 100 P (3k + 7) k=2 .

PROPRIEDADES 57 (k) (l) n=−5 n=1 (2) Resolva em ordem a x cada uma das seguintes equações: 124 ¡ 71 ¢ P (k + x) = 12000 (a) 2 k=5 200 P 99 ¢ √ P ¡√ n− n+1 5 P 32+n ¡ 88573 ¢ 27 (−9) (b) 4 (k2 + 1) = 20x 23 P k=1 k=1 (c) 3 − x = (d) k=−26 −5 P k=3 k2 − k=1 2−k = k=2 26 ¢ P¡ 3x + 2k 20 P 200 P (k2 + 1) (k + 2)2 ¡ 28 ¢ − 75 ¡1¢ 5 (−526) .2.

CAPÍTULO IV

Generalidades sobre funções.
1. Aplicações entre conjuntos. Definição 1.1. Dados dois quaisquer conjuntos A e B, chama-se aplicação (função) de A em B a toda a correspondência que a cada elemento de A associa um e um só elemento de B. Se representarmos a aplicação por f e por x e y, respectivamente, as variáveis representativas dos elementos de A e de B, escreve-se f : A −→ B x −→ y = f (x). Observação: • À variável x dá-se o nome de variável independente e à variàvel y chama-se variável dependente . • Numa aplicação de A em B há sempre a considerar três conjuntos: — o domínio sendo o conjunto A, que se representa por Df ; — o conjunto de chegada sendo o conjunto B; — o contradomínio sendo o conjunto f (A) = {f (a) ∈ B : a ∈ A} , que habitualmente se representa por Df ou Im f . ´ “conjunto das imagens (transformados dos elementos de A por f )” • f e g são a mesma aplicação se e só se têm o mesmo domínio D, o mesmo conjunto de chegada e, para qualquer a ∈ D , f (a) = g(a).
59

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IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

• Se f e g são duas aplicações com o mesmo conjunto de chegada, se Df ⊆ Dg e se f (a) = g(a), qualquer que seja o elemento a ∈ Df , então diz-se que f é uma restrição de g ou que esta é uma extensão de f . 2. Funções reais de uma variável real. Domínios. Definição 2.1. Uma função real de variável real (f.r.v.r.) é uma aplicação de A em R, sendo A um subconjunto de R. f : A −→ R x Observações: • Por definição as f.r.v.r. têm conjunto de chegada R. • Para que sejam bem definidas é necessário indicar apenas o domínio e a chamada expressão analítica ou lei de transformação. Como as funções reais de variável real, são em geral definidas pela sua expressão analítica (expressão designatória), é necessário calcular nesses casos o domínio da expressão que a define. Exercício 2.1. Determine o domínio de cada uma das seguintes funções definidas por: (1) f (x) = x2 − 4x + 3; 4 (2) g(x) = 2 ; x +5 x+2 ; (3) f (x) = x+3 4 ; (4) h(x) = 2 x √ − 2x (5) t(x) = x − 4; √ 1− x−3 (6) j(x) = ; √x + 5 (7) m(x) = 3 x − 4; √ (8) p(x) = 4 x − 4. −→ y = f (x)

3. GRÁFICO DE UMA FUNÇÃO.

61

O domínio de cada uma destas funções é o conjunto dos valores reais da variável independente para os quais são possíveis em R as operações indicadas na expressão que a define. Temos assim as seguintes soluções: (1) Df = R; (2) Dg = {x ∈ R : x2 + 5 6= 0} = R; (3) Df = {x ∈ R : x + 3 6= 0} = RÂ {−3} ; (5) Dt = {x ∈ R : x − 4 > 0} = [4, +∞[ ; (4) Dh = {x ∈ R : x2 − 2x 6= 0} = RÂ {0, 2} ;

(6) Dj = {x ∈ R : x − 3 > 0 ∧ x + 5 6= 0} = [3, +∞[ ; (7) Dm = R; (8) Dp = {x ∈ R : x − 4 > 0} = [4, +∞[ . Observações: No cálculo dos domínios atrás, tiveram-se em atenção as seguintes situações: • Em R, a divisão só é possível se o divisor for diferente de zero. • Se o índice de uma raiz é ímpar, a radiciação é possível para todos os valores da variável independente que dão significado ao radicando. • Se o índice de uma raiz é par, a radiciação só é possível para os valores da variável independente que transformam o radicando num valor real nulo ou positivo, isto é, maior ou igual a zero.

3. Gráfico de uma função. Uma função f pode ser representada num plano, onde se fixe um sistema de eixos Oxy, por um conjunto de pontos o qual se diz gráfico ou imagem geométrica de f . © ª G = (x, y) ∈ R2 : x ∈ Df ∧ y = f (x) .

Exemplo 3.1.

Considere as funções f : R → R definidas pela fórmula f (x) = mx+b, em que m, b ∈ R. Funções deste tipo são representadas graficamente por uma linha recta; se m = 0, a

5 x -2 f (x) = 2 Refere-se que mais à frente voltamos à representação dos gráficos de algumas funções particulares de forma mais cuidada.5 1. f (x) = x + 1 g(x) = −2x + 3 y 2 y 1 4 3 2 -2 -1 -1 1 x 2 1 -0.0 1.5 -1 -2 0. Tem-se por exemplo: 1) 2) Observação: Justifique porque motivo os gráficos representados não representam funções . Apresentam-se de seguida alguns exemplos de gráficos que não representam funções.5 2. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.62 IV.0 2. função é constante e o gráfico é uma recta paralela ao eixo Ox.

por exemplo. f (5) ou f ( para x < 2.1. por exemplo. Para definir a função f é costume escrever-se ⎧ ⎪ 3x ⎨ se x > 2 x → f (x) = ⎪ ⎩ x + 1 se x < 2 ou x → f (x) = Exercício 4. Considere a função g definida.4. se x < 1 se x > 1. em R . f (0) ou f (−1) consideramos f (5) = 15 e f ( f (x) = x + 1. Funções definidas por diferentes expressões analíticas Consideremos a função definida em R da seguinte forma: x → 3x e x → x+1 Para calcular. para x>2 11 ) consideramos 3 f (x) = 3x. g(1) e g(3). Temos então: f (0) = 1 e f (−1) = 0. 3 Para calcular. Temos então: 11 ) = 11. g(0). por ⎧ ⎪ x−1 ⎨ g(x) = ⎪ ⎩ 3x − 2 (1) Calcule g(−2). FUNÇÕES DEFINIDAS POR DIFERENTES EXPRESSÕES ANALíTICAS 63 4. ⎧ ⎪ 3x ⎨ ⎪ ⎩ x+1 ⇐ ⇐= x > 2 x < 2. .

|x| = Assim. −1. Observação: Facilmente se verifica que o gráfico desta função é: ⎪ ⎩ −x y 4 3 2 1 -4 -3 -2 -1 1 2 3 x 4 . em R a função ⎪ ⎩ − x f (x) = |x| pode escrever-se f (x) = ⎧ ⎪ x ⎨ (função módulo) . 7. De um um modo geral tem-se: ⎧ ⎪ ⎨ x se se x>0 x < 0. 1. Soluções: (1) −3.64 IV. mostre que g(1 + h) + 3g(1 − h) = 1. |0| = 0 . 5. (2) Sendo h ∈ R+ . |−5| = 5 isto é |−5| = −(−5) = 5. Por exemplo: |5| = 5 . GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Função Módulo. se x > 0 se x < 0. (2) Ao cuidado do aluno.

1. Considere. Funções sobrejectivas. Verifica-se assim que uma função é sobrejectiva se e só se o seu contradomínio coincide com o conjunto de chegada. B ⊂ R é sobrejectiva se e só se o seu contradomínio for B. Classificação de funções reais de variável real. 65 Exemplo 5. g definida por: g(x) = |x − 4| . se x > 4 se x < 4. CLASSIFICAÇÃO DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. . Uma função real de variável real f : A −→ B. 6. Uma função real de variável real f : A −→ R (A ⊂ R) diz-se sobrejectiva se e só se o seu contradomínio for R. Definição 6.1. (1) Calcule g(0) e g(6). ⎪ ⎩ − (x − 4) ⎧ ⎪ x−4 ⎨ ⎪ ⎩ −x + 4 g(x) = 6. Resolução: g(0) = 4 e g(6) = 2. (2) Defina a função sem utilizar o símbolo || . a função real de variável real.1. Resolução: g(x) = isto é: ⎧ ⎪ x−4 ⎨ se x − 4 > 0 se x − 4 < 0. f é sobrejectiva ⇐⇒ ∀y ∈ R ∃x ∈ A : y = f (x). com A.6.

f (x1 ) = f (x2 ) =⇒ x1 = x2 . 1) 2) 3) y 10 y 5 4 2 y 20 -3 -3 -2 -1 0 1 2 -2 -1 -2 1 2 x 3 -4 -2 -20 2 x 4 x 3 -4 .2.66 IV. x1 6= x2 =⇒ f (x1 ) 6= f (x2 ). Exercício 6. diga justificando quais representam funções injectivas. diga justificando qual representa uma função sobrejectiva. 1) 2) y 4 2 y 10 -4 -2 -2 -4 2 x 4 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 x 4 6. esta definição pode tomar a forma f é injectiva ⇐⇒ ∀x1 . Funções injectivas. x2 ∈ Df . Dos seguintes gráficos de funções reais. Definição 6.1.2. de variável real. Recorrendo à lei de conversão. Uma aplicação diz-se injectiva se e só se quaisquer dois objectos diferentes têm imagens diferentes. Dos seguintes gráficos de funções reais. Exercício 6. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. x2 ∈ Df . de variável real. f é injectiva ⇐⇒ ∀x1 .2.

Funções periódicas.5. Isto verifica-se porque os valores da função são iguais quando os valores da variável independente x são simétricos.6. Significa isto que o gráfico da função tem a origem como centro de simetria. Dê um exemplo de um gráfico que represente uma função real. ∀x ∈ Df . Funções pares e funções ímpares.3. f é uma função par sse existem f (x) e f (−x) e f (−x) = f (x). Definição 6.3. Uma função é periódica se existe um número a tal que f (x + a) = f (x). ∀x ∈ Df Ao menor número positivo a que verifica a igualdade anterior chama-se período fundamental. Funções bijectivas. o seu gráfico é simétrico em relação ao eixo dos yy. os valores da função são simétricos. bijectiva. Uma aplicação diz-se bijectiva se e só se é injectiva e sobrejectiva.5. Do mesmo modo iremos verificar à frente que se uma função é ímpar. Definição 6. 6. 67 6. Exercício 6. são simétricos. quando os valores da variável independente x. Definição 6. 6.6. CLASSIFICAÇÃO DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL.4.3. Note que nesta situação. ∀x ∈ Df . de variável real. . Refere-se que mais à frente iremos verificar que se uma função é par.4. Definição 6. o gráfico é simétrico em relação à origem do referencial. f é uma função ímpar sse existem f (x) e f (−x) e f (−x) = −f (x).

vem α = 2π. Monotonia. Uma função f diz-se estritamente decrescente em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x.68 IV. y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) ≥ f (y). GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Definição 7. k ∈ Z. para k = 1. Funções monótonas. Uma função f diz-se crescente (sentido lato) em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x.1. Definição 7. y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) ≤ f (y).4. Funções limitadas. y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) > f (y).1. Uma função f diz-se estritamente crescente em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x.3.1. 7. Observação: Refere-se que estes conceitos serão utilizados na resolução de algumas inequações à frente. Logo. Definição 7. .2. α = 2kπ. Definição 7. Exemplo 6. Uma função f diz-se decrescente (sentido lato) em A ⊆ Df se e só se para quaisquer x. Com efeito: sin(x + α) = sin x. y = sin x é uma função peródica de período fundamental 2π. y ∈ A se tem x < y ⇒ f (x) < f (y). 7.

6 0. 1) 2) 3) y 0. Uma função limitada.2.1.1. Exercício 7. Zeros de uma função são os valores da variável x para os quais a função se anula.5. Dos seguintes gráficos de funções reais. um conjunto com majorantes e minorantes.8 0.6.8. A definição de função limitada em A é equivalente à afirmação de que existe um número real L tal que |f (x)| ≤ L. Zeros de uma função Definição 8. Um número real M é majorante (respectivamente m é minorante) de um conjunto A se e só se todos os elementos a ∈ A satisfazem a relação a ≤ M (respectivamente a ≥ m). é uma função cujo contradomínio é um conjunto limitado. ZEROS DE UMA FUNÇÃO 69 7. de variável real. Funções limitadas.0 y -2 1 y 20 2 4 -4 -2 -20 2 x x 4 x -1 8. Definição 7. x1 é zero de f ⇐⇒ f (x1 ) = 0. qualquer que seja x ∈ A.2 -4 -2 0 2 4 -4 1. Definição 7. . ou seja.4 0. diga justificando quais representam funções limitadas.

Resolução: f (x) = 0 ⇐⇒ 3x + 6 = 0 ⇐⇒ x = −2 (2) g(x) = x2 + 5. 1 e 4. Determine os zeros das seguintes funções. as soluções possíveis são −2 e 2. tem-se que ambas são soluções da equação. Resolução: f (x) = 0 ⇐⇒ (x − 1) . Como x2 − 4 = 0 ⇐⇒ x = −2 ∨ x = 2. (x2 − 16) = 0 logo o zero de f é −2. x−1 Resolução: Temos que resolver a equação fraccionária O domínio da equação é R Â {1} .70 IV. Exemplo 8.1. . (4) f (x) = x2 − 4 . Resolução: g(x) = 0 ⇐⇒ x2 + 5 = 0 ⇐⇒ x2 = −5 (Condição impossível) logo g não tem zeros. em R. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. (3) f (x) = (x − 1) . x−1 x2 − 4 = 0. (1) f (x) = 3x + 6. definidas. Atendendo a que ambas pertencem ao domímio. ⇐⇒ x − 1 = 0 ∨ x2 − 16 = 0 ⇐⇒ x = 1 ∨ x = −4 ∨ x = 4 logo os zeros de f são −4. (x2 − 16) . Assim os zeros de f são −2 e 2.

Soma.1. 2} −→ R x −→ 1 x + . 3−2 3 3 x x−2 e g(x) = 1 . Operações com funções 9. x . Exemplo 9. x−2 x 3 1 10 + = . chama-se soma de f com g à função que se representa por f + g e que tem por • domínio Df +g = Df ∩ Dg • expressão analítica (f + g) (x) = f (x) + g(x). Considere. Tem-se: (f + g) (x) = f (x) + g(x) = Assim: f + g : RÂ {0. Resolução: Df +g = Df ∩ Dg = RÂ {2} ∩ RÂ {0} = RÂ {0. OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 71 9. (2) Determine (f + g) (3) .1. as funções definidas por: f (x) = (1) Calcule Df +g . x−2 x 1 x + .9. Resolução: (f + g) (3) = f (3) + g(3) = (3) Defina f + g. Dadas duas funções reais de variável real f e g. Resolução: Resta determinar a expressão analítica de f + g. 2} . em R.

chama-se diferença de f com g à função que se representa por f − g e que tem por • domínio Df −g = Df ∩ Dg • expressão analítica (f − g) (x) = f (x) − g(x).2. Diferença. Dadas duas funções reais de variável real f e g. Produto. −→ 5 + x − √ 1 − x.1. chama-se produto de f com g à função que se representa por f. 9. 1] −→ R x (2) −3. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.72 IV.g e que tem por • domínio Df ×g = Df ∩ Dg • expressão analítica (f × g) (x) = f (x) × g(x). . 9. Sejam r e t duas funções reais de variável real definidas por: √ r(x) = 2 − 1 − x e t(x) = 3 + x. Dadas duas funções reais de variável real f e g. Soluções: (1) r + t : ]−∞. Exercício 9.3. (2) Calcule os zeros de r + t. (1) Defina r + t.

+∞[ vem Dh×t = Dh ∩ Dt = [2. logo não são idênticas. Considere.9.3. Resolução: ¡√ ¢ ¡√ ¢ (h × t) (x) = h(x) × t(x) = x−2−2 × x−2+2 = ¢2 ¡√ x − 2 − 22 = x − 2 − 4 = x − 6. 9. +∞[ e Ds = R. Assim. h(x) = e t(x) = √ x − 2 + 2.2. verifica-se que têm a mesma expressão analítica mas não tem o mesmo domínio. o produto f × g tem por domínio Dg . representa-se por λg e a expressão analítica é dada por (λg) (x) = λg (x) . em R. por exemplo. ∀x ∈ Dg . pois Dh×t = [2. Produto de um escalar por uma função. Quociente. OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 73 Exemplo 9. O quociente de duas funções f e g. g .1.4. √ x−2−2 (1) Determine a expressão analítica que define h × t. Sendo f uma função constante. reais de variável real é uma função que tem por • domínio D f = Df ∩ Dg ∩ {x ∈ R : g(x) 6= 0} . Resolução: Dh = Dt = {x ∈ R : x − 2 > 0} = {x ∈ R : x > 2} = [2. f (x) = λ ∀x ∈ R. 9. = (2) A funcão definida em R por s(x) = x − 6 é idêntica a h × t? Justifique. +∞[ .

g g(x) Exemplo 9. • expressão analítica µ ¶ f f (x) (x) = . 0[ ∪ ]0. 2} −→ R g √ x+1 .3. x −→ 2 x − 2x = Df ∩ Dg ∩ {x ∈ R : g(x) 6= 0} = [−1. √ µ ¶ x+1 f (x) f (x) = = 2 g g(x) x − 2x implicando que f : [−1. +∞[ . GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.74 IV. +∞[ ∩ R ∩ RÂ {0. em R. 2} vem Df g = [−1. 2} = . 2[ ∪ ]2. (2) Expressão analítica. +∞[ Â {0. √ f Sendo f (x) = x + 1 e g(x) = x2 − 2x. +∞[ Dg = R e {x ∈ R : g(x) 6= 0} = © ª x ∈ R : x2 − 2x 6= 0 = {x ∈ R : x(x − 2) 6= 0} = = {x ∈ R : x 6= 0 ∧ x − 2 6= 0} = {x ∈ R : x 6= 0 ∧ x 6= 2} = = RÂ {0. defina . Sendo Df = {x ∈ R : x + 1 > 0 } = [−1. g Resolução: (1) Domínio.

Resolução: (1) Domínio. definidas por f (x) = 2x − 1 e g(x) = e caracterizemos f og.9. (f ◦ g) (x) = f [g(x)] = f implicando que µ x x−2 ¶ =2 x+2 x −1= x−2 x−2 f ◦ g : RÂ {2} −→ R x+2 . Composição de funções. define-se fog. Exemplo 9.4. Observação: Transformam-se por f os elementos do contradomínio da função g. Consideremos as funções reais de variável real. Sendo Df = R Dg = RÂ {2} . OPERAÇÕES COM FUNÇÕES 75 9.v. com domínios Df e Dg .r. vem Df ◦g ½ = {x ∈ R : x ∈ Dg ∧ g(x) ∈ Df } = x ∈ R : x 6= 2 ∧ ¾ x ∈R = x−2 x x−2 = {x ∈ R : x 6= 2 ∧ x 6= 2} = {x ∈ R : x 6= 2} = RÂ {2} (2) Expressão analítica. respectivamente.5.1. Definição 9.. fazendo (f ◦ g) (x) = f [g(x)] . Se f e g são f. x −→ x−2 . sendo o seu domínio o conjunto Df ◦g = {x ∈ R : x ∈ Dg ∧ g(x) ∈ Df } .r.

.76 IV. A função de domínio [−1. f e g . em R. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. é falsa a proposição: ∀ f. (2) Justifique porque não são idênticas as funções r ◦ s e t. Exercício 9. f ◦ g = g ◦ f . (1) Defina r ◦ s. dizem-se permutáveis se e só se f ◦ g = g ◦ f. g . 1] definida por y(x) = √ 1 − x2 pode ser vista como a composta das funções g(x) = 1 − x2 √ f (x) = x. as funções definidas por: r(x) = x2 + 1 √ x−5 s(x) = t(x) = x − 4. Duas funções. São dadas.5. Exemplo 9. Assim. obtivemos expressões diferentes f ◦ g e g ◦ f.2. Nota: No exemplo anterior. Note que y 6= g ◦ f que é a função de domínio R+ definida por 0 ¡√ ¢2 √ (g ◦ f ) (x) = g [f (x)] = g( x) = 1 − x = 1 − x. tendo-se y = f ◦ g.

chama-se função identidade à função f : A −→ A x −→ x. 10. Definição 10. pelo menos. mas os domínios são diferentes pois Dr◦s = [5.2. Sendo A ⊂ R.10. A função bijectiva de domínio R definida por f (x) = 2x + 5. 0 Sendo f uma função definida de Df em Df .1. Sendo f injectiva. +∞[ e Dt = R. para que a inversa f −1 esteja bem definida. 0 y = f (x). x ∈ Df ⇐⇒ x = f −1 (y).v. Para as f. injectiva. tem por inversa a função x−5 de domínio R definida por f −1 (x) = .r. o domínio é o contradomínio de f e não o conjunto de chegada. y ∈ Df Exemplo 10.1. Função identidade.r. 10.1. Função inversa. a função inversa de f designa-se por f −1 e tem-se. é usual e tem muito interesse definir-se a inversa de uma função que seja. Quando A = R o gráfico da função identidade é a bissectriz dos quadrantes ímpares. Definição 10. A FUNÇÃO IDENTIDADE E FUNÇÃO INVERSA 77 Soluções: (1) r ◦ s : [5.2. A função identidade e função inversa 10. 2 . +∞[ −→ R x −→ x − 4 (2) Têm a mesma expressão analítica.

78 IV. Como habitualmente. Note que se f e g são funções inversas.. Observação: Como uma função deste tipo está bem definida para todo o número x−5 . x ∈ R ⇐⇒ x = implicando que f −1 (y) = y−5 .1. 11. A uma função real de variável real. então (f ◦ g) (x) = x. Obtém-se a expressão designatória de f −1 resolvendo em ordem a x a equação y = 2x + 5. x2 + 4x + 1. que possa ser definida por um polinómio numa variável. designa-se os elementos do 2 domínio por x e os transformados por y. substituindo-se a letra y por x f −1 : R −→ R x −→ y = Nota: O gráfico de f −1 pode ser obtido do de f através duma simetria sobre a recta de equação y = x (bissectriz dos quadrantes ímpares). chama-se função polinomial. 2 y−5 . São exemplos de funções polinomiais. funções definidas por expressões do tipo: ¡ ¢ 2x + 1. y ∈ R. 2 real. . Funções polinomiais Definição 11. Tem-se: y = 2x + 5.. então o seu domínio é R. . (x + 1) 2x2 − 1 + 2x. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. ∀x ∈ Df . ∀x ∈ Dg e (g ◦ f ) (x) = x.

b ∈ R. o gráfico coincide com o eixo do xx.11. Chama-se função afim numa variável real x a toda a função do tipo f : R −→ R x −→ ax + b em que a e b são números reais.1. em R. • Se b = 0. Mostre que a função y definida. Exemplo 11. Propriedades Consideremos a função afim: y = ax + b com a. b) . FUNÇÕES POLINOMIAIS 79 11. • O seu gráfico é uma recta paralela ao eixo dos xx. y = b. Definição 11. Função afim. Resolução: (1) D=R (2) y = (2x − 3)2 − x (4x − 1) ⇐⇒ y = −11x + 9. por y = (2x − 3)2 − x (4x − 1) é uma função afim.1. Vamos analisar dois casos: a = 0 e a 6= 0. que intersecta o eixo dos yy no ponto (0. tem-se uma função constante. .2. (1) a = 0 • Neste caso.

GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. — é sobrejectiva. quaisquer dois objectos diferentes têm imagens diferentes. — é crescente. isto é Dy = R. — é injectiva. — é positiva se x > −3. isto é. ∀x1 . y 4 3 2 1 -4 -3 -2 -1 -1 1 2 3 x 4 • Do seu gráfico conclui-se: — tem um zero: x = −3. • A função não é injectiva pois quaisquer dois elementos diferentes têm imagens iguais (b). (2) a 6= 0 • A função y = x + 3 é deste tipo: a = 1 e b = 3. x2 ∈ R. a função não tem zeros. x1 6= x2 =⇒ y1 6= y2 . . — é negativa se x < −3. mas se b = 0 todos os números reais são zeros da função.80 IV. visto que o contradomínio é igual ao conjunto de 0 chegada. Verifica-se também que não é sobrejectiva visto o seu contradomínio ser {b} e o conjunto de chegada ser R. • Se b 6= 0.

y 6 4 2 -3 -2 -1 -2 1 2 3 4 x 5 • Do seu gráfico conclui-se: — tem um zero: x = 2. — é decrescente. FUNÇÕES POLINOMIAIS 81 • Consideremos agora a função afim y = −2x + 4 em que a = −2 e b = 4. x1 6= x2 =⇒ y1 6= y2 .11. isto é. — é injectiva. isto é Dy = R. — é sobrejectiva. — é negativa se x > 2. — é positiva se x < 2. Zeros y = 0 ⇐⇒ ax + b = 0 ⇐⇒ x = − Sinal Função positiva ax + b > 0 ⇐⇒ x > − ax + b > 0 ⇐⇒ x < − b a>0 a b a a<0 Função negativa ax + b < 0 ⇐⇒ x < − ax + b < 0 ⇐⇒ x > − b a b a b a . (3) Caso geral (y = ax + b) com a 6= 0. quaisquer dois objectos diferentes têm imagens diferentes. x2 ∈ R. ∀x1 . visto que o contradomínio é igual ao conjunto de 0 chegada.

pois invertendo a função tem-se: y = ax + b ⇐⇒ y − b = ax ⇐⇒ x = y−b .82 IV. • É injectiva. f : R −→ R x −→ ax2 + bx + c com a. Nesta situação. grau numa variável real. c ∈ R e a 6= 0. x2 ∈ R • é sobrejectiva. ∀x1 . independentemente de se conhecer o seu valor. é verdadeira a proposição x1 6= x2 =⇒ y1 6= y2 . 2a Refere-se. portanto o contradomínio da função é também R. que muitas vezes há interesse em saber se a função quadrática tem ou não zeros.2. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. a O domínio da função inversa é R. b. Função quadrática é toda a função que pode ser definida por um polinómio do 2o . Zeros Os zeros da função quadrática são as soluções da equação ax + bx + c = 0 ⇐⇒ x = 2 −b ± √ b2 − 4ac . isto é. calculando o sinal de b2 − 4ac . 11. Definição 11. Função quadrática. o que prova a sobrejectividade.3.

definidas em R. b 2a Exemplo 11. de modo que a expressão 2x2 −3x+k. Resolução h(x) = 0 ⇐⇒ x2 − 3x + 2 = 0 ⇐⇒ x = zeros : 1. defina uma função quadrática com: (1) dois zeros. Exemplo 11. Resolução f (x) = 0 ⇐⇒ 3x2 = 0 ⇐⇒ x = 0 (2) g(x) = 2x2 + 3.3. (1) f (x) = 3x2 . 2.11. FUNÇÕES POLINOMIAIS 83 que se chama “discriminante ” e representa-se por 4. ˜ Zero : 0.2. Resolução g(x) = 0 ⇐⇒ 2x2 + 3 = 0 ⇐⇒ x2 = − (3) h(x) = x2 − 3x + 2.2. 8 . Determine k. resolução 9 4 > 0 ⇐⇒ 9 − 4. 3± √ 9−8 ⇐⇒ x = 1 ∨ x = 2 2 3 2 N ao tem zeros. Calcule os zeros de cada uma das funções seguintes.k > 0 ⇐⇒ k < . tem-se: √ ⎧ −b − b2 − 4ac ⎪ ⎪ x1 = ⎨ 2a • 4 > 0 ⇒ há dois zeros reais : √ ⎪ 2 ⎪ ⎩ x = −b + b − 4ac 2 2a • 4 = 0 ⇒ há um zero real ( duplo): x1 = − • 4 < 0 ⇒ Não há zeros reais.

(−2. resolução 9 4 = 0 ⇐⇒ 9 − 4.84 IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. (0. (2. 8) Fazendo a marcação destes pontos e unindo-os de seguida por uma linha contínua obtém-se o gráfico de y = 2x2 . 8) . 2) .k = 0 ⇐⇒ k = . (1. comecemos por determinar alguns pontos.k < 0 ⇐⇒ k > . • Considerando um referencial cartesiano ortogonal e monométrico. a 6= 0 e b = c = 0. 0) . 8 (3) nenhum zero.2. resolução 9 4 < 0 ⇐⇒ 9 − 4. 8 Estudo gráfico da função quadrátrica Comecemos por representar o gráfico de funções do tipo x → y = ax2 . (−1. 2) . (1) a > 0 • Consideremos a função definida por y = 2x2 . y 15 10 5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 x 4 . • Se x = 0 • Se x = 1 • Se x = 2 • Se x = −1 • Se x = −2 vem vem vem vem vem y=0 y=2 y=8 y=2 y=8 . (2) um zero.2. cujo domínio é R.

−8) x 4 y -5 -10 -15 • Obteve-se assim uma parábola com: . — é uma função par (justifique). — tem a concavidade voltada para a parte positiva do eixo dos yy (para cima) . 0) . (2) a < 0 • Consideremos a função definida por y = −2x2 . • Tal como no exemplo anterior. +∞[ . +∞[ . (0. o ponto (0. • Se x = 0 • Se x = 1 • Se x = 2 • Se x = −1 • Se x = −2 Tem-se: -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 vem vem vem vem vem y=0 y = −2 y = −8 y = −2 y = −8 . — não é injectiva (justifique). Da observação do gráfico conclui-se ainda: — é decrescente no intervalo ]−∞. atribuímos diferentes valores a x e calculamos os correspondentes valores de y. 0) situado sobre este eixo é o vértice da parábola. FUNÇÕES POLINOMIAIS 85 Esta linha chama-se parábola e. tem como eixo de simetria o eixo dos yy. — não é sobrejectiva (justifique). 0[ e crescente no intervalo ]0.11. (2. (−2. — tem como contradomínio o intervalo [0. −2) . (1. −2) . (−1. −8) . cujo domínio é R.

c ∈ R e a 6= 0. y = ax2 + bx + c com a. — concavidade no sentido negativo do eixo dos yy (voltada para baixo) .86 IV. • concavidade voltada para baixo se a < 0. Nota: Uma parábola tem: • um eixo de simetria. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.4. +∞[ e crescente no intervalo ]−∞. ou melhor. — par (justifique). caso existam. — eixo de simetria coincidente com o eixo dos yy. b. 0] . — vértice na origem. • Coordenadas do vértice. • concavidade voltada para cima se a > 0. (1) f (x) = −2x2 + 8x + 10. basta determinar as coordenadas do vértice e os seus zeros. — contradomínio o intervalo ]−∞. — não injectiva (justifique). É facil de verificar que para obter o gráfico de uma função quadrática. • o vértice (ponto da parábola que pertence ao eixo de simetria) . Represente graficamente funções abaixo indicadas. 0[ . o vértice vai estar exactamente a meio dos zeros. Exemplo 11. — não sobrejectiva (justifique). Atendendo a que a parábola tem um eixo de simetria. • Zeros: f (x) = 0 ⇐⇒ −2x2 + 8x + 10 = 0 ⇐⇒ x = −1 ∨ x = 5. isto é. a abcissa do vértice é a média . Resolução. • E a função é: — decrescente no intervalo ]0. Vamos agora mostrar como representar o gráfico da função quadrática (caso geral) .

tendo-se: y 20 15 10 5 -2 -1 -5 1 2 3 4 5 x 6 (2) g(x) = x2 − 10x + 25. visto a parábola ser tangente ao eixo das abcissas. • Zeros: g(x) = 0 ⇐⇒ x2 − 10x + 25 = 0 ⇐⇒ x = 5. . podemos representar o gráfico da função. Neste caso o zero é o vértice da função. Atendendo a que a concavidade é virada para baixo (a = −2 < 0) . • Gráfico. • Gráfico. FUNÇÕES POLINOMIAIS 87 dos zeros da função. • Coordenadas do vértice.11. 18) . Resolução. obtendo-se V −→ (2. Assim a abcissa do vértice é xv = −1 + 5 =2 2 e a ordenada do vértice será yv = f (2) = −8 + 16 + 10 = 18.

Tem-se: h(x) = 5 ⇐⇒ x2 + 4x + 5 = 5 ⇐⇒ x2 + 4x = 0 ⇐⇒ 2 −4 ± √ 16 − 4 × 1 × 5 . O mais fácil nesta situação é procurar os objectos cuja imagem seja 5 porque a equação do 2o grau a resolver simplifica-se. Resolução. Como a função não tem zeros. • Zeros: h(x) = 0 ⇐⇒ x + 4x + 5 = 0 ⇐⇒ x = que é uma equação impossível em R. vem: y 10 5 -1 1 2 3 4 5 6 7 x 8 (3) h(x) = x2 + 4x + 5. • Coordenadas do vértice. A abcissa do vértice é a média destas duas abcissas: xv = A ordenada é yv = h(−2) = 4 − 8 + 5 = 1. 2 . O vértice ficará no meio deles dada a simetria da parábola. 2×1 ⇐⇒ x (x + 4) = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x + 4 = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = −4. vamos arranjar dois pontos com a mesma imagem. Sendo a = 1 > 0 (concavidade virada para cima) . 0 + (−4) = −2.88 IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

yv ) = − . Tem-se assim: µ ¶¶ µ b b V −→ (xv . 1) . podemos sempre seguir o método exposto no exemplo anterior para facilmente encontrar as coordenadas do vértice. Assim. 2a . f − . 2a 2a b . a = A abcissa do vértice é a média destes dois valores: xv = − A ordenada do vértice é yv = f (xv ) . a abcissa do vértice fica sempre a igual distância de dois objectos com a mesma imagem. FUNÇÕES POLINOMIAIS 89 Temos então que V −→ (−2. • Gráfico.11. Fazemos então: ax2 + bx + c c ⇐⇒ ax2 + bx = 0 ⇐⇒ x (ax + b) = 0 ⇐⇒ b ⇐⇒ x = 0 ∨ ax + b = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = − . Sendo a = 1 > 0 (concavidade virada para cima) vem: y 10 8 6 4 2 -5 -4 -3 -2 -1 1 x 2 Nota: Devido à simetria da parábola.

o grau na variável x a toda a condição que se possa reduzir à forma ax2 + bx + c > 0 ou ax2 + bx + c < 0 com a. Os zeros serão dados por x2 − 4x + 3 = 0 ⇐⇒ x = 1 ∨ x = 3.o .5. Nota: São ainda inequações do 2. grau as condições: ax2 + bx + c > 0 e ax2 + bx + c ≤ 0 com a. Resolução.90 IV. Chama-se inequação do 2. 1[ ∪ ]3. b e c ∈ R e a 6= 0. Para resolver inequações do 2. as seguintes inequações. e o sinal contrário ao de a. . b e c ∈ R e a 6= 0. +∞[ . Sabendo que a função f (x) = x2 −4x+3 toma o sinal contrário ao de a quando x pertence ao intervalo dos zeros e o sinal de a fora desse intervalo. Note que qualquer função quadrática toma o sinal de a. fora do intervalo dos zeros. 11. tem-se: x2 − 4x + 3 > 0 ⇐⇒ x ∈ ]−∞.4. Inequações do 2. (1) x2 − 4x + 3 > 0. dentro do intervalo dos zeros. em R.o grau.o grau basta estudar o sinal da função quadrática y = ax2 + bx + c. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Definição 11.3. Exemplo 11. Resolva.

x+2 1−x 2 x+2 2 ⇐⇒ − < 0 ⇐⇒ 2x + 1 1 − x 2x + 1 2x2 + 7x x (2x + 7) ⇐⇒ < 0 ⇐⇒ < 0. Os zeros serão dados por x − 3x + 4 = 0 ⇐⇒ x = 2 3± √ 9 − 16 (equacão ímpossivel em R) . (4) 2 x+2 < . a inequação é uma condição ímpossivel. Resolução. podemos recorrer a um quadro de sinais. 1 − x 2x + 1 Resolução. FUNÇÕES POLINOMIAIS 91 (2) 5x − 2x2 + 7 > 4. Temos então: . Os zeros serão dados por 1 −2x2 + 5x + 3 = 0 ⇐⇒ x = − ∨ x = 3. 5x − 2x2 + 7 > 4 ⇐⇒ −2x2 + 5x + 3 > 0. 3 . Resolução. toma sempre o sinal de a. 2 2 (3) x2 + 4 < 3x.11. 2 A função f (x) = x2 − 3x + 4 não tem zeros e. portanto. 2 Sabendo que a função f (x) = −2x2 + 5x + 3 toma o sinal contrário ao de a quando x pertence ao intervalo dos zeros e o sinal de a fora desse intervalo. (1 − x) (2x + 1) (1 − x) (2x + 1) < Para resolver a inequação. Assim. x2 + 4 < 3x ⇐⇒ x2 − 3x + 4 < 0 ⇐⇒ x ∈ ∅. tem-se: ¸ ∙ 1 −2x + 5x + 3 > 0 ⇐⇒ x ∈ − .

Resolução: d (2. ¡ ¡ ¢¯ ¯ ¯ ¢ ¯ Resolução: d − 1 . chama-se vizinhança . 2 2 12. Exemplo 12. 12. Sendo a um número real qualquer e δ um número real positivo.2. − 3 = ¯− 1 − − 3 ¯ = ¯ 1 ¯ = 1 . −3) = |0 − (−3)| = |3| = 3. (3) − 1 e − 3 2 4 Resolução: d (0. Limites de funções reais de variável real. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.92 IV. − ∪ − . (2) 0 e −3. Noções topológicas.1. +∞[ . y) = |x − y| .1. 0 ∪ ]1. 3) = |2 − 3| = |−1| = 1. Determine a distância entre os números reais: (1) 2 e 3. Definição 12. x 2x2 + 7x −2x2 + x + 1 2x2 + 7x −2x2 + x + 1 −∞ − 7 2 + − − 0 − 0 − − −1 2 − 0 0 − 0 1 + + +∞ + − + + + 0 + s/s − 0 + s/s − Verifica-se que as soluções da inequação são os valores de x tais que: ¸ ∙ ¸ ∙ 7 1 x ∈ −∞. chama-se distância de x a y ao valor absoluto da sua diferença: d (x. 2 4 2 4 4 4 Definição 12.1. Dados dois números reais x e y.

3.01 (0) = {x ∈ R : |x| < 0. (2) V0. O ponto 1. Diz-se que a é ponto interior de C se e só se existe pelo menos uma vizinhança de a contida em C.2. 1[ . 0. 01[ . . a é ponto interior de C ⇔ ∃δ ∈ R+ : Vδ (a) ⊂ C Ao conjunto de todos os pontos interiores de C chama-se interior de C e representa-se por int (C).1 (2) = {x ∈ R : |x − 2| < 0. Determine um valor de δ de modo que: (1) Vδ (3) ⊂ V0.1. 9. 6 é ponto interior de C. 2[ . 01. 3.1 (3) . Exemplo 12.3. Definição 12. Considere as seguintes vizinhanças: (1) V0. Exercício 12. (2) Vδ (3) ⊂ ]2. 02[ . LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. 2. Exemplo 12. Sejam C um subconjunto de R e a um elemento de C. porque V0.1 (1. Vδ (a) = {x ∈ R : |x − a| < δ} = ]a − δ. 1} = ]1. 01} = ]−0. a + δ[ . 6) ⊂ ]1. 2[ .12. (1) Seja C = ]1. 93 de centro a e raio δ ao conjunto dos números reais cuja distância a a é inferior a δ. 5.

Então. diz-se que d é ponto de acumulação . 3[ .2. Exercício 12. Relativamente ao conjunto ]1. Dê um exemplo de um conjunto que: (1) coincida com a sua fronteira.3. Vδ (b) ∩ C 6= ∅ ∧ Vδ (b) ∩ R\C 6= ∅ Ao conjunto de todos os pontos fronteiros de C chama-se fronteira de C e representa-se por F r(C).5. (2) coincida com o seu interior.4. 1 . Exercício 12. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. O interior de C é o próprio conjunto C.4. Sejam C um subconjunto de R e d um número real. 3] ∪ {5} . os pontos fronteiros são 1 e 2 e a fronteira é o conjunto {1. Definição 12. 5[ .5.94 IV. Seja B = ]−∞. Então F r(B) = {3. 2} . 2 (3) C = {x ∈ R : |x + 1| ≤ 3} . b é ponto fronteiro de C ⇔ ∀δ ∈ R+ . Determine o interior e a fronteira de cada um dos conjuntos de números reais: (1) A = {2. Já 2 não é ponto interior de C. 2[ . Exemplo 12. 2[ do exemplo anterior. Exemplo 12. 5} . ¤ £ (2) B = −3. int(B) = ]−∞. 3] ∪ {5} . b diz-se ponto fronteiro de C se e só se as intersecções de qualquer vizinhança de b com C e com o seu complementar forem ambas não vazias. Sejam C um subconjunto de R e b um número real. Definição 12. pois qualquer vizinhança de 2 possui pontos que não pertencem a ]1. 3} ∪ ]4. (2) Seja B = ]−∞.

2[ ∪ {3} .6. d é ponto de acumulação de C ⇔ ∀δ ∈ R+ .2. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. Diz-se que o limite de f quando x tende para a é o número real b se e só se para toda a vizinhança de b de raio ε existe uma vizinhança de a de raio δ tal que x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V ε (b) . 12. Chama-se ponto isolado de C a um elemento de C que não é ponto de acumulação. Tem-se A0 = [1. ∃a ∈ C : a 6= d ∧ a ∈ Vδ (d) O conjunto de todos os pontos de acumulação de um conjunto C chama-se derivado de C e representa-se por C’. Definição de limite de uma função. Definição 12. 95 de C se e só se em qualquer vizinhança de d existe pelo menos um elemento de C diferente de d. 3 é ponto isolado de A. Exemplo 12. isto é.7 (Limite de Cauchy). x→a lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ =⇒ |f (x) − b| < ε.12.6. . Definição 12. Seja A = ]1. Seja f uma função real de variável real e a ∈ R um ponto de acumulação do seu domínio. 2] .

• Em caso algum. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. b é um número real. Exemplo 12. • Para tal é necessário que f esteja definida numa vizinhança de a. x→a Resolução: Em primeiro lugar Df = R pelo que todos os pontos são de acumulação. • Se b é o limite de f quando x tende para a. daí que a definição exija que a seja um ponto de acumulação do domínio de f. esse limite é o único. represente-a graficamente e verifique ( graficamente) que lim f (x) = a. Dada a função definida por f (x) = x. Basta tomar δ = ε para ter a certeza que para todo o ε > 0 x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V ε (a) . • O limite de f quando x tende para a dá-nos o comportamento da função quando x é vizinho de a não havendo necessidade de f estar definida em a.7. excepto possivelmente em a. b é uma expressão com variáveis. . • A afirmação “b é o limite da função f ” não tem qualquer sentido se não indicar a condição “quando x tende para a”. Observações: • Se b é o limite de f quando x tende para a.96 IV.

o outro menor . Para tal é útil a introdução de dois números que não são números reais. 000 0001 f (x) = 0. Considere-se a função f definida em R\ {0} por f (x) = 1 . x = 0. x Vamos examinar o comportamento de f nas vizinhanças de zero. . f (x) = 0. 000 0001 x = 0. correspondem imagens f (x) “ muito grandes ” em módulo. Vamos agora estudar o caso geral das funções cujos valores se tomam arbitrariamente grandes numa vizinhança de um número a. Extensão da noção de limite. considerem-se os caso seguintes: x = 10 000 000 x = −10 000 000 x = 1 000 000 000 x = −1 000 000 000 nas em módulo. um que é maior que todos os números reais. Estudemos agora o comportamento de f para valores de x “ grandes ” em módulo. f (x) = 10 000 000 f (x) = −10 000 000 f (x) = 1 000 000 000 f (x) = −1 000 000 000 Estes exemplos mostram que. . 000 000 001 f (x) = −0. . .3. ou arbitrariamente próximos de um valor b para valores “grandes ”de x. . 000 000 001 A valores de x muito grandes em módulo correspondem imagens f (x) muito peque- . . 000 0001 f (x) = −0. Como no exemplo anterior. 000 000 001 x = −0. a valores de x “ muito pequenos ” em módulo. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. 97 12. 000 0001 x = −0.12. 000 000 001 .

verificando as seguintes condições: • +∞ ∈ R . x < +∞ . ¯x¯ ¯ ¯ • ∀x ∈ R\ {0} . V−A ) da forma ]A. Estas regras de cálculos foram estabelecidas de acordo com a noção intuitiva de número maior que todos os outros. que todos os números reais. − ∞) é qualquer intervalo VA (resp. • (+∞) × (+∞) = +∞. Nota: Insistimos sobre o facto que os seguintes elementos não estão definidos ∞ 0 em R : ∞ − ∞. −∞} munido com a adição e a multiplicação usuais completadas pelas condições que definem o cálculo para os elementos infinitos. x + ∞ = +∞ + x = +∞. • ∀x ∈ R . ]−∞.98 IV. −A[) . . +∞[ (resp. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. |x| × (+∞) = (+∞) × |x| = +∞. representados por +∞ (mais infinito) e −∞ (menos infinito) . ∀x ∈ R . −∞ < x. (−1) × (−∞) = +∞. . • ∀x ∈ R . 0 ∞ Uma vizinhança de +∞ (resp. Estes dois números correspondem às noções intuitivas de infinito positivo e infinito negativo. não reais. . / / • ∀x ∈ R . x − ∞ = −∞ + x = −∞. ¯ ¯ = +∞. ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ x ¯ ¯ x ¯ ¯ ¯ ¯ • ∀x ∈ R . • (+∞) + (+∞) = +∞ . onde A é um número real positivo. Considerem-se dois elementos. ¯ ¯ +∞ ¯ = ¯ −∞ ¯ = 0. −∞ ∈ R. 0 × ∞. (−∞) + (−∞) = −∞. 0 • (−1) × (+∞) = −∞ . Representa-se por R o conjunto R∪ {+∞. • ∀x ∈ R\ {0} .

+∞[ ⇐⇒ x > A x ∈ ]−∞. Vδ (a) dá lugar a VA e se b for infinito. A definição de Cauchy pode agora generalizar-se aos casos em que a e b não são finitos. −A[ ⇐⇒ x < −A. b ∈ R x→+∞ =⇒ f (x) < −B lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x ∈ VA =⇒ f (x) ∈ Vε (b) ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x > A =⇒ |f (x) − b| < ε (5) a = +∞ . LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. Vε (b) é substituída por VB . b = −∞ x→a lim f (x) = −∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V−B ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ (4) a = +∞ . b = +∞ x→a lim f (x) = +∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ VB ⇐⇒ ∀B > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ (3) =⇒ f (x) > B a ∈ R . 99 Tem-se x ∈ ]A.b∈R x→a lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃δ > 0 : x ∈ Vδ (a) \ {a} =⇒ f (x) ∈ V ε (b) ∀ε > 0 ∃δ > 0 : 0 < |x − a| < δ =⇒ |f (x) − b| < ε (2) a ∈ R . Temos assim: (1) a∈R. Se a for infinito.12. b = +∞ x→+∞ lim f (x) = +∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ VA =⇒ f (x) ∈ VB ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x > A =⇒ f (x) > B .

Isto ocorre pois quando x tende para zero e x é positivo. . tem-se: x .8. b = +∞ x→−∞ lim f (x) = +∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ V−A =⇒ f (x) ∈ VB ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x < −A =⇒ f (x) > B (9) a = −∞ . x→−∞ x→+∞ lim f (x) = 0 lim f (x) = 0. f (x) é arbitrariamente grande negativo. b = −∞ x→−∞ lim f (x) = −∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ V−A =⇒ f (x) ∈ V−B ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x < −A =⇒ f (x) < −B Exemplo 12. x→0 f (x) é arbitrariamente grande positivo. a imagem de f (x) não se aproxima de nenhum elemento de R pelo que não existe lim f (x). (6) a = +∞ . Dada a função f definida por f (x) = 1 . b = −∞ x→+∞ lim f (x) = −∞ ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x ∈ VA =⇒ f (x) ∈ V−B ⇐⇒ ∀B > 0 ∃A > 0 : x > A =⇒ f (x) < −B (7) a = −∞ . b ∈ R x→−∞ lim f (x) = b ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x ∈ V−A =⇒ f (x) ∈ Vε (b) ⇐⇒ ∀ε > 0 ∃A > 0 : x < −A =⇒ |f (x) − b| < ε (8) a = −∞ .100 IV. Quando x tende para zero. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. mas se x é negativo.

1[ . Diz-se que b é o limite de f à esquerda (resp.4. isto é. isto é x ∈ ]1. Seja f uma função real de variável real e a um ponto de acumulação do domínio de f . considerarmos apenas os valores de x inferiores a 1. Escreve-se: x→1+ lim f (x) = 3. 101 12. Considere-se a função f definida por ⎧ ⎨ 2x + 1 f (x) = ⎩ 2x − 3 se se x>1 x<1 . x ∈ ]1 − ε. então f (x) aproxima-se de 3. x > a) =⇒ f (x) ∈ Vε (b). • Se em vez de trabalharmos com Vε (1).8. direita) de a se para todo ε > 0 existir um δ > 0 tal que x ∈ Vδ (a) ∧ x < a ( resp.12. Observando o gráfico da função concluímos que: • Não existe lim f (x). Definição 12. 1 + ε[ . diremos que o limite da função à direita de 1 é 3. diremos que o limite de f à esquerda de 1 é igual a −1. Limites laterais. verificamos que f (x) tende para −1. 1 + ε[ . . considerarmos apenas os valores de x superiores a 1. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. Escreve-se: x→1− lim f (x) = −1. x→1 • Se em vez de trabalharmos com x ∈ ]1 − ε.

x→a x→a− x→a x→a− Observação: Resulta deste teorema que se lim+ f (x) 6= lim f (x) então não existe x→a lim f (x). + x→3 pelo que lim f (x) = 0. x→−1+ lim f (x) = 2. Teorema 12.9.102 IV. x→a lim f (x) = b ⇐⇒ lim+ f (x) = lim f (x) = b.Para b ∈ R. x→3 Note-se que 3 não é ponto do domínio mas é um ponto de acumulação do domínio. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. x→−1 Note-se que −1 não é ponto do domínio mas é um ponto de acumulação do domínio. Observe-se o seguinte gráfico de uma função f . ( com as devidas alterações caso b seja infinito). pelo que não existe lim f (x). Exemplo 12. • Tem-se: x→3− lim f (x) = 0 e lim f (x) = 0. .1. • Tem-se: x→−1− lim f (x) = 1 . Seja f uma função real de variável real e a um ponto de acumulação do domínio.

+ − x→0 x→0 (4) Existe lim t(x)? Justifique. Considere-se a função definida por f (x) = √ x − 2 cujo gráfico é o seguinte: Verifica-se que: • O domínio de f é Df = [2. Então: lim f (x) = lim f (x) = 0. x→0 Observação: Se a função está definida apenas à direita (resp. então o valor do limite de f quando x tende para a coincide com o limite à direita (resp. esquerda) de a. • O número 2 é ponto de acumulação do domínio mas só podemos considerar valores de x superiores a 2. esquerda) de a.10.12. se se x>0 x<0 . (1) O ponto 0 é ponto de acumulação de Dt ? Justifique. (justifique) x→4 ⎧ ⎨ x2 + 1 Seja t a função definida por t(x) = ⎩ −1 − x2 (2) Esboce o gráfico da função. determine lim t(x) e lim t(x). Exemplo 12.4. + x→2 x→2 . Exercício 12. (3) Graficamente. 103 • Finalmente lim f (x) = −2. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. +∞[ .

c ∈ R (caso b ou c sejam infinitos o raciocínio é semelhante) .1 (Unicidade do Limite). Suponhamos que x→a lim f (x) = b e limf (x) = c x→a com b. b = c. quer dizer . tem-se f (x) ∈ Vε (b) ∩ Vε (c). |f (x) − b| < ε e |f (x) − c| < ε. Tem-se pelas propriedades dos módulos. Propriedade 12. isto é. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Sendo ε arbitrário resulta que |b − c| = 0.104 IV. Então para x ∈ Vδ (a) \ {a} . Propriedades dos limites de funções. δ 1 } . |b − c| = |b − f (x) + f (x) − c| |b − c| = |b − f (x) + f (x) − c| ≤ |f (x) − b| + |f (x) − c| ≤ 2ε. 12. Então existem δ 1 e δ 2 tais que x ∈ Vδ1 (a) \ {a} ⇒ f (x) ∈ Vε (b) e x ∈ Vδ2 (a) \ {a} ⇒ f (x) ∈ Vε (c). Consequentemente lim f (x) é x→a único. este será único. Se existir o limite de f quando x tende para a ∈ R .5. As propriedades dos limites vão permitir-nos calcular limites sem recorrer à definição. Demonstração.5. Seja ε > 0 arbitrário. ¤ . Considere-se δ = min {δ 1 .

5. x→+∞ x→−∞ (3) lim 0.2 (Limite de Uma Constante). Exercício 12. Calcule lim (x + 3) . x→3 (2) lim (−4) . (exceptuando o caso em que b e c são ambos infinitos de sinais contrários) então a função f + g tende para b + c quando x tende para a.12.3 (Limite de uma Soma). Exemplo 12. Se f é uma constante então o limite de f quando x tende para a ∈ R é a própria constante.5. elementos de R. 105 Propriedade 12. x→2 x→2 . LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. Se f e g tendem para b e c. Propriedade 12. e tem que ser analisado caso a caso.11. vem x→2 lim (x + 3) = lim x + lim 3 = 2 + 3 = 5.5. Observação: O caso em que b e c são infinitos de sinais contrários. x→2 Resolução: Atendendo às propriedades dos limites. chama-se indeterminação ∞ − ∞. Determine : (1) lim 5. quando x tende para a ∈ R.

com b.g) (x) = b. 2 Exercício 12. x→1 (2) lim (3 − x) . exceptuando-se o caso b = ∞ e c = 0 (ou x→a x→a b = 0 e c = ∞). Propriedade 12. c ∈ R . Determine: (1) lim (x2 + 3x + 2) . Se lim f (x) = b e lim g(x) = c.8. (4) lim (2 − x) . Exercício 12.4 (Limite de um Produto). x→+∞ x→−∞ (3) lim (2x3 + 7) . GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.5. então x→a lim (f.f (x)] = k. Calcule lim (4x2 + 2x + 1) .106 IV. mais geralmente lim [f (x)]n = lim f (x) . x→−2 (2) lim (3x2 + 4) .c.6. Determine: (1) lim (x + 2) . . x→a x→a x→a x→a Exemplo 12. Utilize esta propriedade para justificar que: (1) lim [k.7. x→+∞ x→−∞ x→−∞ (3) lim (x + 5) . x→1 Resolução: x→1 ³ ´2 ¢ ¡ lim 4x2 + 2x + 1 = 4lim x2 + 2lim x + lim 1 = 4 lim x + 2 × 1 + 1 = x→1 x→1 x→1 x→1 = 4 × 1 + 2 + 1 = 7.lim f (x) (k constante) . x→a x→a h i2 h in (2) lim [f (x)]2 = lim f (x) . Exercício 12.12.

12. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL.

107

Propriedade 12.5.5 (Limite de um Quociente). Suponhamos que f e g tendem para b e c respectivamente quando x tende para a , f b exceptuando os casos de ambos serem nulos ou ambos infinitos, então tende para g c quando x tende para a. Exemplo 12.13. x Determine lim . x→2 x + 1 Resolução lim x x 2 2 x→2 = = = . x→2 x + 1 lim (x + 1) 2+1 3 lim
x→2

Exercício 12.9. Determine: (1) lim 5
x→+∞ x2

; 1 x;

x2 x +3 ; (3) lim x→0 x − 1 x . (4) lim − x→−1 x + 1
x→−∞ 2

(2) lim

2−

Propriedade 12.5.6 (Limite de uma Raiz). p √ Se lim f (x) = b e p ∈ N então lim p f (x) = p b, admitindo no caso de p ser par, que f (x) > 0 ∀x ∈ Df .
x→a x→a

Observação: Caso b seja infinito, Exemplo 12.14. 5x √ . Calcule lim x→8− 6 − 5x − 4 Resolução:

√ p b também será infinito.

5x √ = lim − x→8 6 − 5x − 4 =

x→8

lim 5x − ¢= ¡ x→8 √ lim 6 − 5x − 4 − q 40
x→8−

6−

lim (5x − 4)

=

40 = +∞. 0+

108

IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

Exercício 12.10. (1) Determine: √ (a) lim 3 10 + 5x − x3 ;
x→−2 x→0

(b) lim (3x2 + x) ; 4x − 3 ; x→−1 x + 1 4x − 3 (d) lim − ; x→−1 x + 1 x2 . (e) lim − x→−3 x − 3 (c) lim +

(2) Seja a função h definida, em R, por ⎧ ⎨ 2x se x > 3 h(x) = ⎩ x2 − 3 se x < 3 (a) Calcule lim h(x) e
x→5 x→−∞

.

lim h(x).

(b) Investigue se existe lim h(x) , calculando lim h(x) e lim h(x). + −
x→3 x→3 x→3

(3) Considere, em R , as funções f e g definidas por: ⎧ ⎧ ⎨ −x2 se x > 0 ⎨ x2 − x + 2 se x > 0 e g(x) = f (x) = ⎩ 1 − x se x < 0 ⎩ 2x + 1 se x < 0 (a) Mostrar que não existem lim f (x) nem lim g(x).
x→0 x→0 x→0

.

(b) Definir, em R , a função f + g e calcular, se existir, lim (f + g) (x) . (c) Calcular lim (f + g) (x) e
x→+∞ x→−∞

lim (f + g) (x) .

(4) Considere as funções reais , de variável real, definidas por: f (x) = x2 2 3 e g(x) = 1 − . +1 x

(a) Calcule lim f (x) e lim g(x).
x→+∞ x→+∞

(b) Determine lim

f (x) g(x) e lim . x→+∞ g(x) x→+∞ f (x)

12. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL.

109

(5) É dada a função t definida, em R ⎧ ⎪ −2x ⎪ ⎪ ⎨ t(x) = x2 + 1 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ 3x − 2 Investigue se existe: (a) lim t(x);
x→−1

, por: se x < −1

se −1 ≤ x < 2 . se x > 2

(b) lim t(x).
x→2

12.6. Indeterminações. Nas situações em que a aplicação das propriedades não permite chegar a um resultado, estamos em presença de operações não definidas em R, a que chamamos indeterminações. A resolução destas indeterminações deve ser feita caso a caso. Vamos aqui ver métodos de resolução para as indeterminações ∞ − ∞, 0 × ∞, 12.6.1. Indeterminações quando x tende para a (finito). 0 ∞ e . 0 ∞

Vamos verificar que todas as indeterminações deste tipo se podem reduzir à indeter0 minação . 0 (1) lim x3 − 3x2 + 4x − 2 x→1 x2 − 3x + 2

Resolução. Aplicando o teorema do limite do quociente obtemos

0 , o que 0 mostra que 1 anula os termos da fracção. Efectuando a divisão por, x − 1 pela regra de Ruffini vem: 1 1 1 −3 1 −2 4 −2 2 −2 2 0 1 1 1 −3 1 −2 2 −2 . 0

Então: x3 − 3x2 + 4x − 2 (x − 1) (x2 − 2x + 2) = lim . x→1 x→1 x2 − 3x + 2 (x − 1) (x − 2) lim

110

IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.

Como o limite se calcula quando x tende para 1 por valores diferentes de 1, vem x − 1 6= 0, e consequentemente x3 − 3x2 + 4x − 2 x2 − 2x + 2 lim = lim = −1. x→1 x→1 x2 − 3x + 2 x−2

√ x−3 (2) lim x→9 x − 9

0 Resolução. Aplicando os teoremas sobre limites obtemos . Vamos multiplicar 0 √ ambos os termos da fracção por x + 3, vem: √ √ √ x−3 ( x − 3) ( x + 3) √ = lim lim x→9 x − 9 x→9 (x − 9) ( x + 3) x−9 √ = lim x→9 (x − 9) ( x + 3) 1 1 = . = lim √ x→9 x + 3 6 ∙ 2 ¸ x −4 3x + 1 × (3) lim x→2+ x (x − 2)2 efectuarmos a multiplicação vem lim + (x2 − 4) (3x + 1) , x (x − 2)2

Resolução. Trata-se de uma indeterminação do tipo 0 × ∞ (porquê?) , mas se

x→2

0 que é uma indeterminação do tipo . Tem-se sucessivamente: 0 ∙ 2 ¸ (x2 − 4) (3x + 1) x −4 3x + 1 = lim × lim x→2+ x→2+ x (x − 2)2 x (x − 2)2 (x − 2) (x + 2) (3x + 1) = lim + x→2 x (x − 2)2 (x + 2) (3x + 1) = lim x→2+ x (x − 2) 4×7 = = +∞. 2 × 0+ 2x 2 (4) lim + x − 4 . 5 x→−2 x+2

Dividindo ambos os termos da fracção por x2 .2. Trata-se de uma indeterminação do tipo ∞ .12. Vem: 0 2x 2 lim + x − 4 5 x→−2 x+2 2x (x + 2) 5 (x2 − 4) = = x→−2 lim + (5) lim + x→−1 Resolução. ∞ De um modo geral as indeterminações reduzem-se ao tipo . x2 − 1 x + 1 2x (x + 2) x→−2 5 (x − 2) (x + 2) 2x 1 = lim + = . Se efectuarmos previ∞ 0 amente as operações indicadas obtém-se uma indeterminação do tipo . x→−2 5 (x − 2) 5 lim + = = x→−1 lim + −1 = +∞ 0− 12. Trata-se de uma indeterminação do tipo ∞ − ∞. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. = 8+0+0 4 6+ Resolução.6. Indeterminações quando x tende para +∞ ou −∞.. ∞ ³∞´ 2 6x + 7x + 3 (1) lim x→+∞ 8x2 + 6x + 1 ∞ 7 3 + 2 x x lim 1 6 x→+∞ 8+ + 2 x x 3 6+0+0 = . vem: 6x2 + 7x + 3 = lim x→+∞ 8x2 + 6x + 1 (2) lim 1√ 2 x +1 x→−∞ 2x (0 × ∞) . Efectuando a adição vem: µ ¶ 1 1 + = lim x→−1+ x2 − 1 x + 1 1 1 lim + + x→−1 (x + 1) (x − 1) x + 1 1 + (x − 1) = lim + x→−1 (x + 1) (x − 1) x (x + 1) (x − 1) ∙ ¸ µ ¶ 1 1 + . 111 Resolução.

Dividindo ambos os termos por da fracção por |x|. Resolução: ∙ µ ¶¸ 3 2 3 = +∞. µ ¶ 0 0 4x 2 lim x + 1 x→−∞ x2 2x4 + 1 4x (2x4 + 1) ³ ∞ ´ = lim x→−∞ (x2 + 1) x2 ∞ = 8x5 + 4x . lim (x − 3x + 2) = lim x 1 − 2 + 3 x→+∞ x→+∞ x x 3 (5) lim x→+∞ √ ¢ ¡√ x2 + x − x2 + 1 (∞ − ∞) . 0− 5 8+ (4) lim (x3 − 3x + 2) x→+∞ (∞ − ∞) . GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Resolução. vem: 4 8x + 4x x4 = lim lim 4 2 1 1 x→−∞ x + x x→−∞ + 3 x x 8+0 = = −∞. = −2 2 4x +1 (3) lim x→−∞ x2 2x4 + 1 x2 Resolução. x→−∞ x4 + x2 lim Dividindo ambos os termos da fracção por x5 . vem: 1√ 2 x +1 = lim x→−∞ 2x √ x2 + 1 lim x→−∞ q 2x 1 1 + x2 = lim 2x x→−∞ |x| √ 1+0 1 =− .112 IV.

(5) x→0 √x (4) lim + (R : + ∞) . x→0 x + 3x .11. =r x→+∞ x2 + x + 2 x2 + 1 1 1 1+ + 1+ 2 x x Exercício 12. x−1 (R : 2) . (3) x→−1 x + 1 x3 − 6x2 + 11x − 6 x→1 x3 + x2 − 5x + 3 x lim (R : 0) . x→−3 2 ∙ x+3 ¸ 3x + 2 (R : 10) . = lim √ x→+∞ x2 + x + x2 + 1 ∞ Dividindo ambos os termos da fracção por x. vem: √ √ ¢ ¡√ ¢ ¡√ √ ¢ ¡√ x2 + x − x2 + 1 x2 + x + x2 + 1 2+x− 2+1 √ √ lim x x = lim x→+∞ x→+∞ x2 + x + ¢ x2 + 1 ¢2 ¡√ ¡√ 2 x2 + x − x2 + 1 √ √ = lim x→+∞ x2 + x + x2 + 1 x2 + x − (x2 + 1) √ = lim √ x→+∞ x2 + x + x2 + 1 ³ ´ x−1 ∞ √ . (1) x→ 1 2x2 − 5x + 2 3 2 µ ¶ x3 − 5x2 + 8x − 4 2 (2) lim R: . vem: 1 1− x−1 1 x r √ lim √ = . (9) lim (x2 − 1) x→1 x¸− 1 ∙ 4x + 3 (10) lim x2 2 (R : 0) . x→2 x3 − 3x2 + 4 3 x3 + 1 lim (R : 3) . + x − x2 x→0 √ µ ¶ 1− x+4 1 (8) lim R: − . Multiplicando e dividindo ambos os termos da fracção por √ √ x2 + x + x2 + 1. Calcule cada um dos seguintes limites: µ ¶ 2x2 − 3x + 1 1 lim R: . 113 Resolução. (6) lim √ x→1 x − 1 √ x− x (7) lim 3 (R : + ∞) .12. LIMITES DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL.

x→+∞ 2 − x (R : 2) . (20) lim x→+∞ x2 + 1 µ ¶ µ ¶ x2 1 1 (21) lim R: .1. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. lim x x→0 2x + 1 x2 x µ ¶ 2 1−x lim R: − . Continuidade de funções reais de variável real. ¡√ √ ¢ x+3− x (R : 0) . x→−2+ 4 − x2 x + 2 3 + 7x lim (R : − 7) . (11) (12) x→−3 (13) (14) (15) (16) 2x2 + 5x (17) x→−∞ x2 + 3x + 2 lim (18) lim 1 (R : 10) . lim (x4 − 3x + 1) (R : + ∞) . x3 + 5x (R : − ∞) . Função contínua e função descontínua num ponto. x→+∞ x + 9 ∙ ¸ x (x + 3) (R : 1) . ∙ lim − (x + 3) 5 9 + x2 + 6x ¸ (R : − ∞) . x→−∞ 3x2 + 1 x 3 (22) x→−∞ x→−∞ lim (x3 − x) (R : − ∞) . x→1 x + 2 3 2 xµ− 1 ¶ 1 1 (R : − ∞) . − lim x→0+ x x2 µ ¶ 1 1 − lim (R : − ∞) . g. (24) lim x→+∞ ¡√ ¢ 1−x+x (R : − ∞) .114 IV. Considerem-se as funções f . . 13. (25) lim (23) x→−∞ 13. h e m reais de variável real definidas pelos seus gráficos. x→−∞ 7x2 − 3 x2 (19) lim 3 (R : 0) .

13. Observe-se que x→2 lim h(x) = 1 mas h(2) = 0. A função h não é contínua no ponto x = 2. . A função g não é contínua no ponto no ponto x = 0. de modo que o seu gráfico fosse uma parábola completa. nem à esquerda nem à direita. − x→0 Diremos que g é contínua à esquerda em x = 0 pois se restringíssemos o domínio de g a ]−∞. 115 Intuitivamente podemos afirmar que a função f é a única que é contínua em todos os pontos do seu domínio pois é a única cujo gráfico se pode desenhar sem levantar o lápis do papel. a função obtida seria contínua em x = 0. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. 0] . A função m não é contínua em x = 1. Tem-se: x→0+ lim g(x) = 1 e lim g(x) = 2 = g(0). daí a descontinuidade no ponto x = 2. ela seria contínua se a imagem do ponto 2 fosse 1. De facto não existe lim m(x) uma vez que os limites laterais são diferentes e além disso diferem x→1 ambos de m(1) que é igual a −2.

não existe lim f (x) e consequentemente f não é contínua em x = 1.1. Definição 13. esquerda ) de a se e só se x→a+ lim f (x) = f (a) ( resp. Seja a um ponto de acumulação do domínio de uma função real de variável real f . f é contínua à direita em x = 1. x→1 x→1− x→1− Como os limites laterais são diferentes. x→a Considere os seguintes casos: • Averiguar se a função f é contínua no ponto x = 1. Caso não exista lim f (x) ou este seja diferente de f (a). Como x→1 x→1 à direita e à esquerda de 1 a função está definida por expressões diferentes.116 IV. vamos determinar os limites laterais. Tem-se: x→1+ lim f (x) = lim f (x) = x→1+ lim (x + 1) = 2 lim x2 = 1. Diz-se que f é contínua no ponto a se e só se existe lim f (x) e x→a x→a lim f (x) = f (a). diremos que f é descontinua x→a em x = a. + x→1 . lim f (x) = f (a)). Observação: Como lim f (x) = f (1). − x→a Nota: Não faz qualquer sentido falar em continuidade ou em descontinuidade de uma função f num ponto a que não pertença ao domínio ( não existiria f (a)) ou num ponto isolado do domínio (não faria sentido falar em lim f (x)). f (x) = ⎩ x2 se x < 1 Resolução: f é contínua em x = 1 se e só se existir lim f (x) e lim f (x) = f (1). GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Diz-se que f é contínua à direita ( resp. sendo ⎧ ⎨ x + 1 se x > 1 .

13. ⎩ x+2 se x < 0 Vamos estudar a continuidade de h no ponto x = 0. x→0 Exercício 13.1. Tem-se: x→−2+ lim g(x) = lim g(x) = x→−2+ lim (x2 − 1) = 3 lim (x + 5) = 3. g(−2) = 1. Por outro lado. por ⎧ ⎨ x3 − 5x + 2 se x > 0 h(x) = . 117 • Seja g a função definida por ⎧ ⎪ x2 − 1 se x > −2 ⎪ ⎪ ⎨ 1 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ x+5 se x < −2 g(x) = se x = −2 . Resolução. . CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. x→−2− x→−2− Assim lim g(x) = 3. Resolva cada um dos seguintes exercícios: (1) Observe os seguintes gráficos e complete. Resolução. Vamos estudar a continuidade de g no ponto x = −2. • Seja h a função definida em R. Tem-se: x→0+ lim h(x) = lim h(x) = x→0+ lim (x3 − 5x + 2) = 2 lim (x + 2) = 2. x→0− x→0− Como h(0) = 2 resulta que lim h(x) = h(0) e a função h é contínua em x = 0. pelo que lim g(x) 6= g(−2) e x→−2 x→−2 a função g não é contínua no ponto x = −2.

.118 IV. ⎪ − =⇒ não existe lim f (x).. x→1 • f (1) = .. x→2 • f (2) = .... ... (b) • x→1 x→1 ⎫ ⎬ lim f (x) = . • f não é .. (1) (a) • lim f (x) = .. (c) • lim f (x) = ........... ⎪ + ⎭ lim f (x) = ... GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES..... no ponto x = 1... • f é contínua no ponto.. x→1 • f não é .

⎩ 0 se x = −1 ⎧ ⎨ Mostre que t não é contínua para x = −1. em que g(x) = |x − 3| + x. m definida por: ⎧ ⎨ x2 + 1 se x > 3 . de variável real. de variável real. de variável real. por: ⎧ ⎪ x2 − 3x + 1 se x > 0 ⎪ ⎪ ⎨ 2 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ x+1 se x < 0 t(x) = se x = 0 . (a) Escreva a expressão designatória da função sem utilizar o símbolo de módulo. (b) Averigue se é contínua no ponto x = 3. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. (3) Seja t a função definida. de variável real. t definida por: x se x 6= −1 |x + 1| t(x) = . (4) Seja g uma função real. 119 (2) Considere a função real. por: (6) Prove que é contínua à esquerda de 0 a função real. (5) Considere a função real. definida ⎧ ⎨ x + |x| se x 6= 0 x . m(x) = ⎩ 0 se x = 0 . em R. Averigue se é contínua em x = 0. m(x) = ⎩ 1 − 3x se x < 3 Estude a continuidade em x = 3.13.

Propriedades das funções contínuas num ponto. ¤ o que prova que f + g é contínua no ponto a. f. 13. x→a Assim: x→a lim (f + g) (x) = (f + g) (a) .2. Vejamos apenas o caso f + g.3. As demonstrações resultam imediatamente das propriedades dos limites e da definição de continuidade.g e f g (g (a) 6= 0) . • Uma função f diz-se contínua em [a. x→a x→a f − g. à direita de a e à esquerda de b.2. são contínuas no ponto a. também são contínuas em a as funções √ f p e p f (excepto se p par e f (x) < 0) . 13. Propriedade 13. b] se for contínua em ]a. Demonstração. Se p ∈ N e f é uma função contínua no ponto a.2.2. deixando os outros como exercício. b[ se for contínua em todos os pontos desse intervalo. • Uma função f diz-se contínua em ]a. Então: f + g. . Propriedade 13. Continuidade num intervalo. b[.120 IV. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES. Sendo f e g contínuas em a tem-se: lim (f + g) (x) = lim f (x) + lim g(x) = f (a) + g(a) = (f + g) (a) .1. Sejam f e g funções contínuas num ponto a pertencente a Df ∩ Dg e ponto de acumulação de Df ∩ Dg . • Uma função f diz-se contínua se e só se for contínua em todos os pontos do seu domínio.

Considere os seguintes exemplos: (1) Uma função constante é contínua. para ∀x ∈ Df . de variável real. (5) Uma função racional ( quociente de funções polinomiais ) é contínua no seu domínio. ∀a ∈ IR. Estude a continuidade da função f real. CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. se x < 2 . Se f (x) = x. Exemplo 13. vem x→a lim f (x) = f (a). (3) A função definida por y = x2 é contínua pois é o produto de duas funções contínuas. (4) Uma função polinomial f é contínua.. Verifica-se que f é a soma de produtos de funções contínuas. (2) A função identidade é contínua. definida por: ⎧ ⎪ x2 − 1 se x > 2 ⎪ ⎪ ⎨ f (x) = 3 ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ 7 se x = 2 .2. x→a lim f (x) = f (a) = k.1. 121 Exemplo 13. Seja: f (x) = a0 xn + a1 xn−1 + .13. De facto se f (x) = k (k constante) . sendo estas f (x) = x e g(x) = x. + an ..

é contínua no intervalo ]−∞. Para x > 2 a função é definida por um polinómio. Assim. GENERALIDADES SOBRE FUNÇÕES.3. o valor do limite não existe independentemente do valor de k. e x→2− x→2 lim f (x) = x→2− não existe lim f (x) e consequentemente f não é contínua em x = 2. tem-se: x→2+ lim g(x) = x→2+ lim (−x + 3) = 1 e x→2− lim g(x) = x→2 x→2− lim (2x2 ) = 8. Então f é contínua em R\ {2} . Exemplo 13. Como para x < 2 f é constante. Resta estudar a continuidade de f no ponto x = 2. então f é contínua no intervalo ]2. Resolução. de variável real: ⎧ ⎪ 2x2 ⎪ se x < 2 ⎪ ⎨ g(x) = k se x = 2 . Em x = 2. (2) Qual deve ser o valor de k de modo que a função g seja contínua à direita de 2? . o que significa que a função é sempre descontínua no ponto x = 2. 2[ e ]2.122 IV. Para cada número real k a expressão seguinte representa uma função real. Como: x→2+ lim f (x) = x→2+ lim (x2 − 1) = 3 lim 7 = 7. ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ −x + 3 se x > 2 (1) Mostrar que para qualquer valor de k a função tem um ponto de descontinuidade. 2[ . pelo que não existe lim g(x). +∞[ por ser representada por polinómios. Resolução. +∞[ . qualquer que seja k. A função é contínua em ]−∞.

Nota: Pelo resultado anterior.1. Para termos uma descontinuidade bilateral. Teorema 13. 8} . CONTINUIDADE DE FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL. . são permutáveis o sinal lim e o x→a h i lim g [f (x)] = g lim f (x) . temos que ter: k 6= 1 (descontinuidade à direita) e k 6= 8 (descontinuidade à esquerda) . ou seja x→a lim g [f (x)] = g [f (a)] . A função será contínua à direita de 2 se lim g(x) = g(2). ou ainda x→a Quer dizer. x→a lim (gof ) (x) = (gof ) (a) . + x→2 (3) Indique os valores de k de modo que a função seja descontinua à esquerda e à direita no ponto x = 2 (descontinuidade bilateral). ou seja k = 1. 123 Resolução. nas condições referidas. Continuidade da função composta. x→a sinal da função g. Seja f uma função contínua num ponto a do seu domínio e g uma função contínua em b = f (a) então gof é contínua em a.13.4. 13. Logo k ∈ R\ {1. Resolução.

.

Assim. • O seu domínio é R. • x = 0 =⇒ ax = 1. • O seu contradomínio é R+ . • lim ax = +∞.1.1. Função exponencial e função logarítmica 1. Estudo da variação da função exponencial (1) a > 1 • x > 0 =⇒ ax > 1. ∀ x1 . • x < 0 =⇒ ax < 1. Propriedades 1. a função exponencial é injectiva.CAPÍTULO V Funções transcendentes. a ∈ R+ \{1}.1. x2 ∈ R (função estritamente crescente) • é contínua em todo o seu domínio. Chama-se função exponencial de base a à função real de variável real. x→+∞ x→−∞ • x1 < x2 ⇐⇒ ax1 < ax2 . 1. expa : R → R+ x 7→ y = ax .1. • o gráfico da função quando a > 1 é: 125 . • ax1 = ax2 =⇒ x1 = x2 . lim ax = 0. Definição 1. Função exponencial. x2 ∈ R. ∀ x1 .

x2 ∈ R (função estritamente decrescente) • é contínua em todo o seu domínio. em R. • o gráfico da função quando 0 < a < 1 é: y 30 20 10 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 x 5 Exemplo 1.126 V. FUNÇÕES TRANSCENDENTES.1. • x = 0 =⇒ ax = 1. • lim ax = 0. x→+∞ x→−∞ • x1 < x2 ⇐⇒ ax1 > ax2 . lim ax = +∞. • x < 0 =⇒ ax > 1. . y 15 10 5 -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 x 5 (2) a < 1 • x > 0 =⇒ ax < 1. o conjunto solução de cada uma das seguintes condições: (1) x2 × 3−x − 2 × 3−x = 0. Determine. ∀ x1 .

Resolução: (0. 5) x2 > (0. O conjunto solução é [0. O conjunto solução é ]−∞. 2 . a primeira equação. (3) 10x 2 −3x > 0.01 ⇐⇒ 10x > 10−2 . Atendendo a que a função exponencial de base maior que a unidade é crescente. 6] . 01. 2 8 2 2 Atendendo a que a função exponencial de base menor que a unidade é decrescente. +∞[ . 5)x > (0. 6] . O conjunto solução é n √ √ o − 2. (como a função exponencial não tem zeros.1. +∞[ . vem: x2 − 3x > −2 ⇐⇒ x2 − 3x + 2 > 0 ⇐⇒ x ∈ ]−∞. 125) 2x µ ¶x2 µ ¶2x µ ¶x2 µ ¶6x 1 1 1 1 ⇐⇒ > ⇐⇒ > . 1[ ∪ ]2. vem: x2 ≤ 6x ⇐⇒ x2 − 6x ≤ 0 ⇐⇒ x (x − 6) ≤ 0 ⇐⇒ x ∈ [0. 2 −3x 2 −3x Resolução: 10x > 0. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 127 Resolução: x2 × 3−x − 2 × 3−x = ¢ ¡ 0 ⇐⇒ 3−x x2 − 2 = 0 ⇐⇒ ⇐⇒ 3−x = 0 ∨ x2 − 2 = 0 ⇐⇒ x2 − 2 = 0 ⇐⇒ √ √ ⇐⇒ x = − 2 ∨ x = 2. isto é. 3−x = 0. 125)2x . . é impossível). 2 (2) (0. 1[ ∪ ]2.

Exercício 1. Considere as funções g e m. reais de variável real. (b) g(x) > 15.128 V. 9]. (2) [0. 1[. FUNÇÕES TRANSCENDENTES. (1) Determine o domínio e o contradomínio da função. 1 2 (2) 0.2. (b) f (x) > 0. o conjunto solução das inequações: (1) 5x−1 > 55−4x . definida por: f (x) = 1 − 72−x . (2) Calcule os zeros de g e os de m. (a) x = 2 .3. em R. definidas por: µ ¶x−4 1 2x+x2 g (x) = 4 − 1 e m (x) = + 2. 3 (1) Indique o domínio e o contradomínio de cada uma delas. +∞[. Exercício 1. de variável real. Exercício 1. Soluções (1) D = R e D0 =] − ∞.1. (3) Determine os valores de x tais que: (a) g(x) = g(1). +∞[. Determine. (b) ]2. Considere a função real. (2) Resolva cada uma das condições: (a) f (x) = f (2).5x ≥ ( )3x . . 8 Soluções: (1) ]6/5.

4 (2) g : {−2. Note-se que esta função tem todas as propriedades da função f (x) = ax . com a > 1 e ainda. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 129 (c) m(2x + 1) ≤ m(x). Dm = R.1. positiva e diferente de um. Função logarítmica. +∞[ . dá-se a definição de logaritmo de um número. (1) lim 3x x−→0 e −1 3 ex+1 − e (+∞). +∞ . −1 − 3 ∪ −1 + 3. Calcule cada um dos seguintes limites: µ ¶ 5 5x . seguida das propriedades operatórias dos logaritmos. x→0 x2 ln (1 + u) (1) . x→+∞ x lim Exercício 1. Dm = ]2. tem-se a função exponencial de base e (exp x) f (x) = ex . Definição 1. é o número . = − .1.2.2. A função exponencial de base e (número de Neper). 0 Dg Soluções (a) x = −3 ∨ x = 1. √ £ ¤ √ ¤ £ (b) x ∈ −∞.4. +∞ . ∙ ∙ 3 0 (1) Dg = R . 0}. (c) x ∈ [−1. 1. Como caso particular das funções exponenciais. p ∈ R . ex − 1 =1 x→0 x ex lim p = +∞. Logaritmo de um número positivo x na base a. (3) lim u−→0 u (2) lim − 1. +∞[ . Antes de apresentar a função logarítmica.1. m não tem zeros.

• O seu contradomínio é R.2.130 V. logb a. y → R x Propriedades 1. Quando a base é e omite-se o e e escreve-se ln x. • Tem um zero para x = 1. pois loga x = 0 ⇐⇒ x = a0 ⇐⇒ x = 1. ∀ p ∈ R. tem-se: • loga (x.3. • O seu domínio é R+ . loga x = y ⇐⇒ x = ay .2. • logb x = loga x. a ∈ R + \{1}. Podemos agora introduzir o conceito de função logarítmica. 7→ y = loga x ⇐⇒ x = ay . Sendo x e y números positivos e a e b números positivos diferentes de 1. ∀ n ∈ N (Caso particular da propriedade anterior). FUNÇÕES TRANSCENDENTES. . loga : R + x • loga ( x ) = loga x − loga y. Propriedades 1. em homenagem ao matemático inglês Neper.y) = loga x + loga y. • loga xp = p loga x.1. A estes logaritmos chamam-se neperianos. admite inversa. Definição 1.2. a que se deve elevar a base para obter x. loga ay = y. Desta equivalência resulta que x = aloga e que. Chama-se função logarítmica à sua inversa. Sendo a função exponencial uma função injectiva. √ 1 • loga n x = n loga x.

1. . ∀x1 . decrescente). Estudo da variação da função logarítmica (1) a > 1 • x > 1 =⇒ loga x > 0. • x < 1 =⇒ loga x > 0. • lim loga x = −∞. crescente). a função logarítmica é injectiva. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 131 • loga x1 = loga x2 =⇒ x1 = x. • o gráfico da função quando a > 1 é: y 2 1 -2 -1 -1 -2 1 2 3 4 x 5 (2) a < 1 • x > 1 =⇒ loga x < 0. + x→+∞ x→0 • x1 < x2 =⇒ loga x1 < loga x2 . • x < 1 =⇒ loga x < 0. lim loga x = −∞. ∀ x1 . + x→+∞ x→0 • x1 < x2 =⇒ loga x1 > loga x2 . • lim loga x = +∞. lim loga x = +∞. x2 ∈ R+ (função estritamente • é contínua em todo o seu domínio. Assim. • x = 1 =⇒ loga x = 0. • x = 1 =⇒ loga x = 0. x2 ∈ R+ . ∀ x1 . x2 ∈ R+ (função estritamente • é contínua em todo o seu domínio.

Resolução: ∙ ¸ 2 Df = {x ∈ R : 2 + 3x > 0} = − . o conjunto-solução de cada uma das condições: f (x) = f (0) e f (x) > 6. ⇐⇒ 2 = .132 V. obtém-se a função logaritmo natural que se representa por ln .2. Considere os seguintes exercícios: (1) Seja f a função real. • o gráfico da função quando é 0 < a < 1 é y 4 2 -2 -1 1 2 3 4 x 5 -2 Observação: No caso de a = e. em R. (b) Definir. Resolução: f (x) f (0) ⇐⇒ 5 − log3 (2 + 3x) = 5 − log3 2 ⇐⇒ 2 + 3x = log3 1 ⇐⇒ ⇐⇒ log3 (2 + 3x) − log3 2 = 0 ⇐⇒ log3 2 2 + 3x = 1 ⇐⇒ x = 0. de variável real. +∞ 3 0 Df = R. definida por: f (x) = 5 − log3 (2 + 3x) . Exemplo 1. FUNÇÕES TRANSCENDENTES. (a) Determinar o domínio e o contradomínio de f .

2 O conjunto solução é Podemos agora definir a inversa. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 133 Atendendo a que 0 ∈ Df . +∞ 2 0 Dy = R. 3 Como a base é maior que a unidade. ¸ Vamos agora determinar a expressão que define a inversa. tendo-se: ∙ ¸ 1 −1 . +∞ y : R→ 2 1 1 + × 72x−6 . 2 2 = 3+ 1 log7 (2x − 1) . 3 9 ¸ ∙ 2 5 − . 3 9 (2) Calcular o domínio. a função logarítmica é crescente e.− . Tem-se: y 1 1 log7 (2x − 1) ⇐⇒ y − 3 = log7 (2x − 1) ⇐⇒ 2 2 ⇐⇒ 2 (y − 3) = log7 (2x − 1) ⇐⇒ 2x − 1 = 72y−6 ⇐⇒ 1 1 ⇐⇒ x = + × 72y−6 . portanto: 2 + 3x < 1 5 ∧ x ∈ Df ⇐⇒ x < − x ∈ Df .1. então o conjunto solução da condição é {0} f (x) > 6 ⇐⇒ 5 − log3 (2 + 3x) > 6 ⇐⇒ − log3 (2 + 3x) > 1 ⇐⇒ 1 ⇐⇒ log3 (2 + 3x) < −1 ⇐⇒ log3 (2 + 3x) < log3 . x 7−→ 2 2 . o contradomínio e definir a função inversa da função definida por: y =3+ Resolução: ∙ 1 Dy = {x ∈ R : 2x − 1 > 0} = .

2 (3) p(x) = 5 − log10 (x + 5). (2) f (x) = 3 (3) 2. Determine: (1) O seu domínio. Caracterize a função inversa de cada uma das seguintes f.6. 3 Soluções.r. definida por: f (x) = 1 + ln(2 − 3x). Considere a função real. (2) Uma expressão designatória da sua inversa. FUNÇÕES TRANSCENDENTES. +∞[→ R x 7−→ 1 + log3 (x − 1) : (2) y −1 : R → ] − ∞. ¤ £ (1) Df = −∞. +∞[ 1 3 − 1 ( 1 )x : 3 2 x 7−→ −5 + 105−x .: (1) t(x) = 1 + 3x−1 . 2 .v. Exercício 1. µ ¶ 2−e (3) f .134 V. Exercício 1. .5. 1 [ 3 x 7−→ (3) y −1 : R → ] − 5. de variável real. Soluções: (1) y −1 : ]1.r. 3 2 − ex−1 −1 . (2) s(x) = log 1 (1 − 3x).

(1) ]e−1 .7. x. ln 7}. Exercício 1. Determine E.8. Soluções.1.y 2 . Determine o conjunto solução das condições: (1) 4(ln x)2 − 3 ln x − 7 < 0. FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 135 Exercício 1. 2 7 . 1 ln x + 2lny + 1. e 4 [. (2) ex + 7e−x = 8. (2) {0. sabendo que: ln E = √ Solução: E = e.

.

pois todos os triângulos rectângulos com um ângulo agudo de amplitude α são semelhantes. de um modo geral: sin α = medida do cateto oposto a α medida da hipotenusa medida do cateto adjacente a α medida da hipotenusa medida do cateto oposto a α medida do cateto adjacente a α medida do cateto adjacente a α .CAPÍTULO VI Trigonometria 1. Razões trigonométricas de ângulos agudos Para determinar as razões trigonométricas de um determinado ângulo agudo α. α Assim. medida do cateto oposto a α 137 cos α = tan α = cot α = . podemos recorrer a qualquer triângulo rectângulo que tenha esse ângulo α.

Fórmula fundamental da trigonometria.138 VI. Dividindo ambos os membros da igualdade anterior por c2 obtemos: (sin α)2 + (cos α)2 = 1. Consideremos o seguinte triângulo [ABC] . (c sin α)2 + (c cos α)2 = c2 ⇔ c2 (sin α)2 + c2 (cos α)2 = c2 . rectângulo em C. podemos escrever. B c a α C b A Temos que: a c b cos α = c sin α = Pelo Teorema de Pitágoras: a2 + b2 = c2 . a fórmula fundamental da trigonometria: sin2 α + cos2 α = 1. Então. de um modo mais simplificado.1. qualquer que seja o ângulo agudo α. . logo logo a = c sin α b = c cos α. TRIGONOMETRIA 1. Assim.

deduzem-se as seguintes fórmulas: sin2 α + cos2 α = 1 ⇔ 1 + tan2 α = 1 cos2 α 1 sin2 α + cos2 α = 1 ⇔ 1 + cot2 α = . Tendo em conta a fórmula: 1 + cot2 α = vem 1+ Exercício 1. 2 3 28 sin α √ 5. Sendo α um ângulo agudo. sin2 α sabendo que Solução: .1. a tangente e co-tangente de um mesmo ângulo. 1 + cos α sin α sin α 3 25 1 = ⇔ sin2 α = . sin2 α Exemplo 1. Determine sin2 α. RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS DE ÂNGULOS AGUDOS 139 1. calcule sin2 α + 2 cos2 α. deduzem-se as seguintes fórmulas: a a sin α tan α = = c = b b cos α c b cos α b c . o co-seno.1. √ 3 .1. Relação entre o seno.2. Partindo das definições das razões trigonométricas de um ângulo agudo α.2. cot α = = a = a sin α c Partindo da fórmula fundamental da trigonometria. tan α = 5 Resolução. 7 6 1 . mostre que: sin α 1 + cos α 2 + = . Sendo α um ângulo agudo e tan α = Exercício 1.

• o lado de origem do ângulo a coincidir com o semi-eixo positivo dos xx. Ângulos orientados.1. TRIGONOMETRIA 2. . • • O A B 2.140 VI. Ângulo num referêncial. Ângulo orientado.2. Representa-se um ângulo num referêncial quando de coloca: • o vértice na origem das coordenadas. Consideremos as semi-rectas OA e OB. obtém-se o ângulo positivo AOB. • • B O A Se a semi-recta OA fica fixa (lado de origem) e a semi-recta OB (lado de extremidade) vai rodar em torno da origem no sentido dos ponteiros do relógio obtém-se o ângulo negativo AOB. O A B • • Se a semi-recta OA ficar fixa (lado de origem) e a semi-recta OB (lado de extremidade) rodar em torno da origem no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Quando representamos um sistema de eixos ortogonais e monométricos ficamos com o plano dividido em quatro quadrantes. Medidas de ângulos 2.

2. • O ângulo β tem o lado de extremidade no 3.o quadrante.o quadrante.o quadrante. . Diz-se que β é um ângulo do 3.o quadrante. MEDIDAS DE ÂNGULOS 141 2º quadrante y 1º quadrante C + A x 3º quadrante 4º quadrante Consideremos a seguinte figura: y α x β • O ângulo α tem o lado de extremidade no 2. ÂNGULOS ORIENTADOS. Diz-se que α é um ângulo do 2.

· · · têm o mesmo lado de origem e o mesmo lado de extremidade. Na figura seguinte representou-se um arco AB cujo comprimento é igual ao raio da circunferência.3. 2. • Chama-se um radiano à amplitude de um ângulo ao centro cujo arco correspondente tem comprimento igual ao raio da circunferência. Generalização da noção de ângulo. Os ângulos: α. α − 360o . Consideremos a seguinte figura onde a semi-recta OB descreve o ângulo α. α − 2 × 360o . . k ∈ Z são também amplitudes de ângulos que têm o mesmo lado de origem e o mesmo lado de extremidade. TRIGONOMETRIA 2. temos que se α é uma das amplitudes de um ângulo orientado. α + 360o . y B • α O A x Imaginemos agora que a semi-recta OB vai dar voltas completas em ambos os sentidos. então α + k × 360o .142 VI. α + 2 × 360o . De um modo geral.4. O radiano.

O sistema sexagesimal já se usa desde a antiguidade.2. Assim.2. 150o a rad e −30o a − rad. é 2π. rad a 135o e 1 rad a 57o . Reduza a radianos os ângulos 45o . • Um minuto corresponde a 60 segundos (10 = 6000 ) . uma circunferência contém o seu raio 2π vezes. No sistema circular a medida fundamental é o radiano (rad).1. 2. 150o e −30o . Neste sistema a unidade fundamental é o grau. a medida em radianos. MEDIDAS DE ÂNGULOS 143 Como o perímetro de uma circunferência. 45o correspondem a rad. Reduza a graus 10 4 Resolução: π –– 180 π –– 180 3π π –– x –– y 10 4 x = 18 Assim. de raio r. do comprimento da circunferência. y = 135 π –– 180 1 –– z π 3π rad correspondem a 18o . 4 6 6 x= y= Exemplo 2. Tendo em conta que π = 3. Neste sistema temos: • Um ângulo giro corresponde a 360o . Sistema sexagesimal e sistema circular.5. 10 4 z ' 57 .π π ⇔y= z= ⇔z=− 180 6 180 6 π 5π π Assim.π π ⇔x= 180 4 180 –– π 150 –– y 180 –– π −30 –– z • Um grau corresponde 60 minutos (1o = 600 ) . 28 vezes. 150. 3π π rad. Resolução: 180 –– π 45 –– x 45. Exemplo 2. é igual a 2πr. ÂNGULOS ORIENTADOS. 14 · · · . uma circunferência contém o seu raio 6. rad e 1 rad.π 5π −30.

Generalização das razões trigonométricas 3. Definições. Na figura seguinte o lado de extremidade do ângulo α intersecta a circunferência de raio 1 e centro O no ponto P → (x. y) e a circunferência de raio r e centro O no ponto . Reduza a radianos cada uma das seguintes amplitudes: ´ ³π (1) 60o rad 3 (2) 90 o ³π 2 ´ rad (3) 180o (4) 270 o ( π rad) µ µ ¶ 3π rad 2 ¶ 7π rad 6 µ ¶ 7π − rad .1. 4 (5) 210 o (6) −315o Exercício 2.144 VI. Exprima no sistema sexagesimal: (1) − (2) π rad 3 (−60o ) 2π rad 3 5π rad 3 11π rad 12 (120o ) (3) (300o ) (4) (165o ) .2. TRIGONOMETRIA Exercício 2. 3.1.

Temos: sin α = b y = =y r 1 a x = =x r 1 b y = a x a x = .3. 3. b y cos α = tan α = cot α = Como o valor das razões trigonométricas não depedende do raio da circunferência vamos usar sempre o círculo de raio 1 e centro na origem a que se chama círculo trigonométrico. Na figura seguinte representamos um ângulo α do 1. GENERALIZAÇÃO DAS RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS 145 P1 → (a.o quadrante que intersecta uma . Linhas trigonométricas.2. b) .

A tangente e a co-tangente de um ângulo α podem ser um número real qualquer. TRIGONOMETRIA circunferência de raio 1 e centro O no ponto P → (x. sendo a ordenada do ponto P associado ao ângulo α do círculo trigonométrico. Da mesma forma verificamos que o co-seno de ângulo α. Facilmente verificamos que o seno do ângulo α. Enquadramento das razões trigonométricas. sendo a abcissa do ponto P associado ao ângulo α do círculo trigonométrico. Assim: −1 ≤ sin α ≤ 1. . y) . pode tomar qualquer valor entre −1 e 1. • Temos ainda a linha das tangentes e a linha das co-tangentes assinaladas na figura. • Ao eixo dos yy é usual chamar eixo dos senos (sin α = y) . Assim: −1 ≤ cos α ≤ 1.3. pode tomar qualquer valor entre −1 e 1. • Ao eixo dos xx é usual chamar eixo dos co-senos (cos α = x) . 3.146 VI.

3. 3. GENERALIZAÇÃO DAS RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS 147 3. 80o e 270o . e .6. Tendo em conta os conhecimentos anteriormente adquiridos podemos construir o seguinte quadro: α 0o (0) ³π ´ 90o 2 o 180 (π) µ ¶ 3π o 270 2 sin α cos α tan α cot α 0 1 0 −1 1 0 −1 0 0 − 0 − − 0 − 0 π π π . e . 90o .4. 6 4 3 π π π O cálculo das razões trigonométricas de . Razões trigonométricas de Exercício 3. Determine as razões trigonométricas de: . O sinal das razões trigonométricas depende somente do sinal das coordenadas do ponto P associado ao ângulo α do círculo trigonométrico. fica como exercício ao cuidado dos 6 4 3 alunos. Sinal das razões trigonométricas. Razões trigonométricas de 0o .1.5. 3.

o quadrante. . cos = .o quadrante sin 120o e cos 120o . temos: sin (180o − α) = sin α tan (180o − α) = tan α cos (180o − α) = − cos α cot (180o − α) = − cot α. tan = . cot = 3 2 3 2 3 3 3 4. TRIGONOMETRIA π (1) 6 π (2) 4 π (3) 3 √ √ 3 3 π 1 π π π √ Solução: sin = .o quadrantes existe um ângulo no 1. Redução ao 1. cot = 3 6 2 6 2√ 6 3 6 √ 2 2 π π π π Solução: sin = .o quadrante Nas tabelas trigonométricas apenas encontramos os valores das razões trigonométrih πi cas de ângulos do intervalo 0. cos = . cot = 1 4 2 4 2 4 4 √ √ π π 1 π √ π 3 3 Solução: sin = .o quadrante. Ângulos do 2. Temos: sin 120o = sin (180o − 60o ) = sin 60o cos 120o = cos (180o − 60o ) = − cos 60o .1. tan = 3. Vamos reduzir ao 1. 3. tan = 1. 4. Não é necessária mais informação pois para qualquer 2 ângulo no 2. De um modo geral. . cos = .o ou 4.o quadrante que tem em valor absoluto as mesmas razões trigonométricas.148 VI.

Vamos reduzir ao 1.2. Temos: sin 210o = sin (180o + 30o ) = − sin 30o cos 210o = cos (180o + 30o ) = − cos 30o .3. temos: sin (180o + α) = − sin α tan (180o + α) = tan α cos (180o + α) = − cos α cot (180o + α) = cot α.o QUADRANTE 149 4. De um modo geral. Temos: sin 330o = sin (360o − 30o ) = − sin 30o cos 330o = cos (360o − 30o ) = cos 30o .o quadrante. 4.o quadrante. Ângulos do 4. Ângulos do 3.4.o quadrante sin 210o e cos 210o . Vamos reduzir ao 1.o quadrante sin 330o e cos 330o . REDUÇÃO AO 1. .

.150 VI. Ângulos complementares. Resolução.1. sin (3π − α) + cos (α − 7π) + tan (4π − α) = sin α − cos α − tan α. TRIGONOMETRIA De um modo geral. podemos determinar as razões trigonométricas do seu complementar (figura ao cuidado dos alunos) . cos (360o − α) = cos α cot (360o − α) = − cot α. O ângulo de amplitude 60o é complementar do ângulo de amplitude 30o . Logo. o ângulo de amplitude α é complementar do ângulo de amplitude 90o − α. temos: sin (360o − α) = − sin α tan (360o − α) = − tan α Exemplo 4. Simplifique a expressão sin (3π − α) + cos (α − 7π) + tan (4π − α) . Temos: sin (3π − α) = sin (π − α) = sin α cos (α − 7π) = cos (π + α) = − cos α tan (4π − α) = tan (2π − α) = − tan α. 4. Conhecidas as razões trigonométricas de um ângulo α. Assim.4.

π[ . As figuras em cada um dos casos fica ao cuidado dos alunos. Relação entre as razões trigonométricas de α com 90o + α. 2π] e. se uma delas for α. temos: α e 90o + α sin (90o + α) = cos α cos (90o + α) = − sin α α e 270o − α α e 270o + α sin (270o − α) = − cos α sin (270o + α) = − cos α cos (270o − α) = − sin α cos (270o + α) = sin α tan (270o + α) = − cot α tan (90o + α) = − cot α tan (270o − α) = cot α cot (90o + α) = − tan α cot (270o − α) = tan α cot (270o + α) = − tan α Exercício 4. Equações trigonométricas 5. 4.5. mostre que: 2 2 2 tan (π − α) − sin (α − 9π) + cos 2 2 3 ³π ´ 3 − 2√3 −α = . 270o − α. 1[ . Equações do tipo sin x = p. . 2 18 Exercício 4.1. mostre que: 2 √ µ ¶ ³ 26 + 65 5π π´ + cos (π + β) − cot −β =− .1. temos: sin (90o − α) = cos α tan (90o − α) = cot α 270o + α. k ∈ Z. temos: sin x = sin α ⇔ x = α + 2kπ ∨ x = π − α + 2kπ. De um modo geral. • Quando p ∈ ]−1. ³ π ´ Sabendo que cot − − β = 5 e que β ∈ ]0. há duas soluções em [0.5.2. µ ¶ √ π 3π 3π Sabendo que < α < e tan − α = 2. cos (90o − α) = sin α cot (90o − α) = tan α.. sin −β − 2 2 13 5. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 151 De um modo geral. É ainda possível estabelecer as relações entre as razões trigonométricas de outros ângulos.

k ∈ Z 3 6 3 6 π π ⇔ x = − + kπ ∨ x = + kπ. as expressões gerais das soluções da equação podem tomar um aspecto mais simples: π sin x = −1 ⇔ x = − + 2kπ. • Se p ∈ R \ [−1. Exemplo 5. TRIGONOMETRIA • Nos casos de p ∈ {−1. 12 3 12 3 ¾ ½ 2 5π 2 π + kπ. k ∈ Z.152 VI. . a equação é impossível. 0. 3 2 Resolução: ³ π´ 1 sin 2x + = 3 2 π π π π ⇔ 2x + = + 2kπ ∨ 2x + = π − + 2kπ. k ∈ Z . 12 4 n o π π S = x ∈ R : x = − + kπ ∨ x = + kπ. k ∈ Z 2 sin x = 0 ⇔ x = kπ.2. k ∈ Z . ³ π´ 1 Resolva em R a equação sin 2x + = . S = x ∈ R : − + kπ ∨ x = 12 3 12 3 √ 2 + 2 sin (3x) = 0. k ∈ Z 2 π sin x = 1 ⇔ x = + 2kπ. Resolva em R a equação Resolução: √ 2 + 2 sin (3x) = 0 √ 2 ⇔ sin (3x) = − 2 π π ⇔ 3x = − + 2kπ ∨ 3x = π + + 2kπ. k ∈ Z. k ∈ Z 4 4 π 2 5π 2 ⇔ x = − + kπ ∨ x = + kπ. 1} . k ∈ Z. 12 4 Exemplo 5.1. 1].

k∈Z . + ∨x= + . (3) sin 2 2 21 7 21 7 S = {x ∈ R : x = kπ. k ∈ Z. k∈Z . 6 3 ½ ¾ π kπ 2 (6) sin (2x) − 1 = 0. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 153 Exemplo 5. se uma delas for α. 2π] e. 2 4 4 £ ¤ ⇔ sin (2x) sin2 (2x) − 1 = 0 ¾ ½ 3π π kπ ∨x= + kπ ∨ x = + kπ. S= x∈R:x= 15 5 15 5 ½ ¾ √ π 3π (2) 2 − 2 sin x = 0. Equações do tipo cos x = p. 1[ . . S = x ∈ R : x = 0 ∨ x = + kπ. S= x∈R:x= + .5. k∈Z . • Quando p ∈ ]−1. S= x∈R:x= 2 4 4 Exercício 5. k ∈ Z} ¾ ½ π 2 (5) x sin (3x) = x. S = x ∈ R : x = + 2kπ ∨ x = + 2kπ. há duas soluções em [0. Resolva em R a equação sin3 (2x) − sin (2x) = 0. Resolução: sin3 (2x) − sin (2x) = 0 ⇔ sin (2x) = 0 ∨ sin (2x) = −1 ∨ sin (2x) = 1 ⇔x= 3π π kπ ∨x= + kπ ∨ x = + kπ. S= x∈R:x=− + ∨x= + . k ∈ Z .2. 4 4 √ ½ ¾ 3 2π 4kπ 8π 4kπ 7x =− . k ∈ Z.1.3. temos: cos x = cos α ⇔ x = α + 2kπ ∨ x = −α + 2kπ. k ∈ Z . (4) sin2 x − 2 sin x = 0. 4 2 5. k ∈ Z . Resolva em R as seguintes equações: ¾ ½ √ 2kπ 2π 2kπ π (1) 2 sin (5x) = 3.

154

VI. TRIGONOMETRIA

• Nos casos de p ∈ {−1, 0, 1} as expressões gerais das soluções da equação podem tomar um aspecto mais simples: cos x = −1 ⇔ x = π + 2kπ, k ∈ Z cos x = 1 ⇔ x = 2kπ, k ∈ Z π cos x = 0 ⇔ x = + kπ, k ∈ Z. 2 • Se p ∈ R \ [−1, 1] , a equação é impossível. √ 2 Resolva em R a equação cos (3x) = . 2 Resolução: √ 2 cos (3x) = 2 π π ⇔ 3x = + 2kπ ∨ 3x = − + 2kπ, k ∈ Z 4 4 2kπ π 2kπ π + ∨x=− + , k ∈ Z. ⇔x= 12 3 12 3 ½ ¾ π 2kπ π 2kπ S= x∈R:x= + ∨x=− + , k∈Z . 12 3 12 3 ³ π´ Resolva em R a equação cos (5x) = − cos x + . 6 Resolução: ³ π´ [− cos γ = cos (π − γ)] cos (5x) = − cos x + 6 ³ π´ ⇔ cos (5x) = cos π − x − 6 5π 5π ⇔ 5x = − x + 2kπ ∨ 5x = − + x + 2kπ, k ∈ Z 6 6 5π kπ 5π kπ + ∨x=− + , k ∈ Z. ⇔x= 36 3 24 2 ¾ ½ 5π kπ 5π kπ + ∨x=− + , k∈Z . S= x∈R:x= 36 3 24 2 Exercício 5.2. Resolva em R as seguintes equações: Exemplo 5.5. Exemplo 5.4.

5. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

155

√ ³ n o 3 π´ π π (1) cos x + = ; S = x ∈ R : x = − + 2kπ ∨ x = − + 2kπ, k ∈ Z ; 3 √ 2 6 2 ½ ¾ 2 3π 2 3π 2 (2) cos (5x) = − ; S= x∈R:x= + kπ ∨ x = − + kπ, k ∈ Z ; 2 20 5 20 5 ½ ¾ ´ 1 ³ kπ π kπ π = ; S= x∈R:x= ∨x=− + , k∈Z ; (3) cos2 2x + 3 4 2 3 2 © ª (4) 4 cos2 x−12 cos x+5 = 0; S = x ∈ R : x = π + 2kπ ∨ x = − π + 2kπ, k ∈ Z ; 3 3 o n π 2 (5) sin x = − sin x cos x; S = x ∈ R : x = kπ ∨ x = − + kπ, k ∈ Z ; 4 n o π S = x ∈ R : x = + kπ ∨ x = π + 2kπ, k ∈ Z . (6) cos2 x + cos x = 0. 2 5.3. Equações do tipo tan x = p e cot x = p. Para qualquer valor real de p as equações têm sempre solução. Se uma das soluções da equações for α, vem: tan x = tan α ⇔ x = α + kπ, k ∈ Z cot x = cot α ⇔ x = α + kπ, k ∈ Z. Exemplo 5.6. Resolva em R a equação tan2 (2x) = 1. Resolução: tan2 (2x) = 1 ⇔ tan (2x) = ±1. tan (2x) = 1 π + kπ, k ∈ Z 4 π kπ , k∈Z ⇔x= + 8 2 ⇔ 2x = Assim, π kπ tan2 (2x) = 1 ⇔ x = ± + , k ∈ Z. 8 2 ¾ ½ π kπ , k∈Z . S= x∈R:x=± + 8 2 Exercício 5.3. Resolva em R as seguintes equações: ; π ⇔ 2x = − + kπ, k ∈ Z 4 π kπ ⇔x=− + , k ∈ Z. 8 2 tan (2x) = −1

156

VI. TRIGONOMETRIA

¾ ½ π kπ , k∈Z ; S= x∈R:x=− + 2 ½ 6 ¾ π 3π , . (2) cot x = cot (3x) , em [0, 2π] . S= 2 2 √ (1) tan (2x) = − 3; 6. Funções circulares directas 6.1. Função seno. Consideremos a função f: R→ [−1, 1]

x 7−→ f (x) = sin x. A sua representação gráfica é:

y

1.0 0.5

-10

-8

-6

-4

-2 -0.5

2

4

6

8

x

10

y = sin x Temos: • Df = R

-1.0

0 • Df = [−1, 1]

• A função seno é contínua em R • A função seno é limitada • sin (2π + x) = sin x (A função seno é periódica de período 2π) • sin (−x) = − sin x, ∀ x ∈ R (A função seno é uma função ímpar) π • A função seno tem máximos relativos para: x = + 2kπ, k ∈ Z 2 3π + 2kπ, k ∈ Z • A função seno tem mínimos relativos para: x = 2 • A função seno tem zeros para: x = kπ, k ∈ Z • A função seno não é injectiva: 0 6= π e sin (0) = sin π = 0 (por exemplo) • Não existe lim sin x.
x→±∞

6. FUNÇÕES CIRCULARES DIRECTAS

157

Exemplo 6.1. Determine o parâmetro real p, de modo que a expressão 3p − 5 2 possa representar o seno de um ângulo. Resolução: Como o seno de um ângulo varia entre −1 e 1, terá de ser −1 ≤ Então: −1 ≤ Assim, 7 3p − 5 ≤ 1 ⇔ −2 ≤ 3p − 5 ≤ 2 ⇔ 3 ≤ 3p ≤ 7 ⇔ 1 ≤ p ≤ . 2 3 ¸ ∙ 7 . p ∈ 1, 3 3p − 5 ≤ 1. 2

Exercício 6.1. Determine o domínio e o contradomínio das funções reais, de variável real, definidas por: ³ π´ (1) p (x) = 2 sin x + ; 3 (2) r (x) = −1 − sin2 (3x) .

0 Solução: Dp = R e Dp = [−2, 2] 0 Solução: Dr = R e Dr = [−2, −1]

Exercício 6.2. Considere a função real, de variável real, definida em [−π, π] por f (x) = 2 sin x. (1) Determine o contradomínio, os zeros e os intervalos em que a função é crescente e positiva. (2) Indique um ponto em que a função seja máxima. Soluções.
0 (1) (a) Df = [−2, 2] .

h π πi (c) A função é crescente em − , , e é positiva no 1.o e 2.o quadrantes. 2 2 ³π ´ ,2 . (2) S = 2

(b) Zeros: −π, 0 e π.

k ∈ Z π • A função co-seno tem zeros para: x = + kπ. TRIGONOMETRIA Exercício 6. Mostre que a função real. de variável real. A sua representação gráfica é: y 1.4. k ∈ Z 2 . (2) Represente graficamente a função. definida por f (x) = sin (2πx) .158 VI. Exercício 6.0 0. de variável real. 1] x 7−→ f (x) = cos x. Considere a função real. ∀ x ∈ R (A função co-seno é uma função par) • A função co-seno tem máximos relativos para: x = 2kπ.0 0 • Df = [−1. Consideremos a função f: R→ [−1. 1] • A função co-seno contínua em R • A função co-seno é limitada • cos (2π + x) = cos x (A função co-seno é periódica de período 2π) • cos (−x) = cos x. k ∈ Z • A função co-seno tem mínimos relativos para: x = π + 2kπ.3. 6. definida por f (x) = 2 sin (2x) é ímpar. (1) Mostre que o período da função é 1.5 2 4 6 8 x 10 y = cos x Temos: • Df = R -1. Função co-seno.2.5 -10 -8 -6 -4 -2 -0.

(2) os zeros e o sinal da função.2.5. de variável real.6. Df = [0. 2 . 2 .6.o quadrantes e decrescente nos 3. em R. 2π] . 5 ∙ ¸ 4 Solução: p ∈ − .o e 2. 1 − 3p (1) cos x = . 3 (2) Os zeros de f são todos os valores da forma 2kπ. definida por f (x) = 1 + cos (x − π) . Exercício 6.o quadrantes. 2] . . h √ √ i m2 ≥ 0 ∧ m2 − 2 ≤ 0 ⇔ m2 − 2 ≤ 0 ⇔ m ∈ − 2. Indique: (1) o domínio e o contradomínio de f . (3) os quadrantes onde a função é crescente e onde é decrescente. Resolução: Para que equação cos (x) = m2 − 1 seja possível é preciso que −1 ≤ m2 − 1 ≤ 1. FUNÇÕES CIRCULARES DIRECTAS 159 µ ¶ ³π ´ 3π 3π π 6= e sin = sin = 0 • A função co-seno não é injectiva: 2 2 2 2 (por exemplo) • Não existe lim cos x. cada uma das seguintes equações. x→±∞ Exemplo 6. Considere a função real. (3) A função é crescente nos 1. de modo que seja possível. k ∈ Z. Então. Determine os valores reais de m tais que a equação cos (x) + 1 − m2 = 0 tenha soluções em [−2π. Soluções: 0 (1) Df = R.o e 4. Exercício 6. Determine o parâmetro real p.

p . Solução: p ∈ 2 2 Considere a funções reais. de variável real. 6. Solução: 2π. Calcule o período da funções reais. (3) cos x = p2 − 3p + 2. Solução: 2π. (2) r 6 3 Exercício 6. Consideremos a função: f: R\ nπ 2 o + kπ. Função tangente. Exercício 6. de variável real.160 VI.8. Solução: 2. " √ # √ 3− 5 3+ 5 .3. Solução: . Determine.7. TRIGONOMETRIA (2) 3 cos x − 1 − p2 = 0. £ √ √ ¤ Solução: p ∈ − 2. 2 . ³π ´ ³π ´ ³π ´ (1) p +r −r . . 2 (2) g (x) = 4 + cos x. k ∈ Z −→ x R A sua representação gráfica é: 7−→ f (x) = tan x. y 10 5 -6 -4 -2 -5 2 4 6 x y = tan x -10 . Solução: 3. (3) h (x) = 4 cos x. definidas por: π (1) f (x) = cos (4x) . definidas por: p (x) = 1 − cos (3x) e r (x) = 1 + cos (2x) . 6 4 2 ³π ´ ³π ´ .

9. k ∈ Z • tan (π + x) = tan x. Determine: Considere a função real. Soluções: (1) −1. Indique: (1) o domínio e o contradomínio de f . k ∈ Z 4 3π ⇔ x = − + kπ. Df = R. (1) f 2 4 (2) o domínio e o contradomínio da função. (4) o período de f. definida por f (x) = tan 2 ³π ´ ³π ´ −f . definida por f (x) = −1+tan (x + π) . Considere a função real. de variável real. k ∈ Z . 0 (2) Df = {x ∈ R : x 6= kπ.6. ∀ x ∈ Df (A função tangente é uma função ímpar) • A função tangente tem zeros para: x = kπ.3. k ∈ Z} . k ∈ Z. n o n o π π (1) Df = x ∈ R : x + π 6= + kπ. Resolução. de variável real. (2) os zeros da função. k ∈ Z • A função tangente é crescente em todos os intervalos do domínio. ∀ x ∈ Df (A função tangente é periódica de período π) • tan (−x) = − tan (x) . (2) Os zeros da função f são as soluções da equação f (x) = 0. 4 ´ ³π − x . . f (x) = 0 ⇔ tan (x + π) = 1 π ⇔ x + π = + kπ. FUNÇÕES CIRCULARES DIRECTAS 161 Temos: • Df = R \ 0 • Df = R nπ 2 o + kπ. Exercício 6. 2 2 0 Df = R. (3) os seus zeros. k ∈ Z = x ∈ R : x 6= − + kπ. Exemplo 6.

4. ∀ x ∈ Df (A função co-tangente é periódica de período π) • cot (−x) = − cot x. 2 6. ∀ x ∈ Df (A função tangente é uma função ímpar) π • A função tangente tem zeros para: x = + kπ. k ∈ Z 2 • A função tangente é crescente em todos os intervalos do domínio. k ∈ Z} −→ x A sua representação gráfica é: R 7−→ f (x) = cot x. TRIGONOMETRIA (3) x = (4) π. k ∈ Z} 0 • Df = R • cot (π + x) = cot x. y 10 5 -6 -4 -2 -5 2 4 6 x 8 -10 y = cot x Temos: • Df = R \ {kπ. k ∈ Z. Consideremos a função: f : R \ {kπ.162 VI. . π + kπ. Função co-tangente.

(1) Determine o declive de uma recta: (a) que passe pelos pontos de coordenadas (0. (b) paralela ao vector (−1. x1 − x0 Exercício 1. y1 ) é igual a tg α = y1 − y0 . Seja M = (x.1. f (x0 )) um ponto do seu gráfico. y0 ) e M1 = (x1 . −1). Qual a sua inclinação? E o seu declive? Considerem-se uma função f e M0 = (x0 . f (x)) um qualquer ponto do gráfico distinto de M0 . Assim o declive de uma recta que passa pelos pontos M0 = (x0 . (2) Considere a recta de equação x = 1. 1) e (2. Recta tangente a uma curva num dos seus pontos. 163 . Recorda-se que a inclinação de uma recta é o ângulo que a recta faz com o semi-eixo positivo dos xx. 3) .CAPÍTULO VII Cálculo diferencial em R 1.

CÁLCULO DIFERENCIAL EM R A recta M0 M é secante à curva e tem por declive m= f (x) − f (x0 ) . as sucessivas secantes M0 M aproximam-se cada vez mais da posição da recta t. b[ se existir e for finito f (x) − f (x0 ) . Diz-se que f é derivável em x0 ∈ ]a. de variável real. f (x0 )) é igual a f (x) − f (x0 ) . a recta t é a recta que passa por M0 e tem por declive m = lim x→x0 f (x) − f (x0 ) . x − x0 Quando M se move sobre a curva aproximando-se de M0 . x − x0 2. Assim.164 VII. Derivada de uma função num ponto. x→x0 x − x0 lim a que se chama derivada de f em x0 . definida em ]a. derivadas laterais.1. x→x0 x − x0 lim Definição 2. Seja f uma função real. Vimos que o declive da recta tangente à curva de equação y = f (x) no ponto M0 = (x0 . caso exista. chamada recta tangente ao gráfico da função f no ponto M0 . Notação: Escrever-se-á f 0 (x0 ) para representar a derivada. . de f em x0 . b[ .

fazendo x = x0 + h x→x0 x − x0 vem x − x0 = h. f (x) − f (x0 ) . a função não é derivável em x0 . x→1 x→1 x→1 x−1 x − 1 x→1 x−1 lim Assim. De facto: x é derivável no x−1 f (x0 + h) − f (x0 ) . f é derivável em x = 1 e f 0 1) = 2. f não é derivável em x0 = 0. (1) Considere-se a função f real. DERIVADA DE UMA FUNÇÃO NUM PONTO. definida por f (x) = ponto x0 = 0. h→0 h→0 h→0 h − 1 h h √ 1 3 f (0 + h) − f (0) h h3 1 lim = lim = lim = lim 2 = +∞. Tem-se então Vimos anteriormente que f 0 (x0 ) = lim f 0 (x0 ) = lim Nota: Uma equação da recta tangente ao gráfico de f no ponto (x0 . Assim. 165 f (x) − f (x0 ) for infinito.2. definida por f (x) = x2 − 1. de variável real. . de variável real. DERIVADAS LATERAIS. Vamos verificar que esta função é derivável no ponto 1. Tem-se: f (x) − f (1) x2 − 1 − 0 (x − 1) (x + 1) = lim lim = lim (x + 1) = 2. não x→x0 x − x0 existindo f 0 (x0 ). h→0 h→0 h h→0 h h→0 h h3 Assim. √ (3) Sejam f definida por f (x) = 3 x e x0 = 0. Considere os seguintes exemplos: Exemplo 2. h→0 h Assim.1. Tem-se: h f (0 + h) − f (0) 1 lim = lim h − 1 = lim = −1. Tal corresponde a uma recta tangente à curva de f em x0 paralela ao Note-se que se lim eixo dos yy. pelo que quando x tende para x0 . f é derivável em x0 = 0 e f 0 (0) = −1. f (x0 )) pode representar-se por y − f (x0 ) = f 0 (x0 ) (x − x0 ) . (2) A função f real. h tende para 0.

(1) Utilize a definição para calcular a derivada das funções nos pontos indicados: (a) f (x) = x3 − 3x . Considere-se agora a função definida por f (x) = |x| .166 VII. x0 = 3 x +1 x−1 (c) h(x) = . Tem-se: ⎧ ⎨ x se x ≥ 0 f (x) = . x0 = 1 1 (b) g(x) = 2 . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exercício 2.1. . (3) Prove a partir da definição que sendo f (x) = xn . x0 = 0. mas existem lim + − x→0 x→0 x−0 x−0 Diremos que a derivada lateral à direita em x0 = 0 é igual a 1 e que a derivada lim lateral à esquerda em x0 = 0 é igual a −1. no entanto com declives diferentes. n ∈ N. • Não existe o número f (x) − f (0) x→0 x−0 f (x) − f (0) f (x) − f (0) (é igual a 1) e lim (é igual a −1). 0) mas existem a semi-tangente à esquerda e a semi-tangente à direita nesse ponto. x+1 (2) Determine uma equação da recta tangente ao gráfico de f definida por f (x) = √ x2 + 9 no ponto de abcissa 4. ⎩ −x se x < 0 y 4 2 -4 -2 0 2 4 x Verifica-se que: • Não existe recta tangente ao gráfico da função no ponto (0. se tem f 0 (1) = n.

Diz-se que f é derivável à esquerda de x0 se existir o número real lim− f (x) − f (x0 ) . DERIVADA DE UMA FUNÇÃO NUM PONTO. x − x0 x→x0 a que se chama derivada lateral à esquerda de x0 e se representa por f 0 (x− ) ou fe (x0 ). Neste caso 0 0 ¢ ¢ 0 0 ¡ 0 ¡ f (x0 ) = f x− = f x+ . 0 Obviamente a função f é derivável em x0 ∈ ]a. . h h→0 e h→0 lim + Geometricamente. DERIVADAS LATERAIS. 0 0 Observação: A partir da outra definição de derivada tem-se: ¡ ¢ f 0 x− = 0 ¡ ¢ f 0 x+ = 0 lim − f (x0 + h) − f (x0 ) h f (x0 + h) − f (x0 ) . 0 Diz-se que f é derivável à direita de x0 se existir o número real f (x) − f (x0 ) .2. 167 Definição 2. b[ ⊂ Df se e só se existem e forem ¡ ¢ ¡ ¢ iguais f 0 x− e f 0 x+ .2. x − x0 x→x0 lim+ a que chama derivada lateral à direita de x0 e se representa por f 0 (x+ ) ou fd (x0 ). Seja f uma função real de variável real e x0 ∈ Df . a derivada à esquerda de x0 representa o declive da semi-tangente à esquerda e a derivada à direita de x0 representa o declive da semi-tangente à direita.

definida em R por ⎧ ⎨ x2 + 1 se x<2 . (1) Verifique gráfica e analiticamente que a função f . lim + lim + f (x) − f (2) = x−2 = Assim f 0 (2+ ) = 1. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 2. Considere-se a função definida em R por ⎧ ⎨ −x2 + 7 f (x) = ⎩ x+1 se se x<2 x≥2 representada geometricamente abaixo. Exercício 2.2. Por outro lado. x→2 = −4.168 VII. Como f 0 (2+ ) 6= f 0 (2− ) não existe f 0 (2) . x+1−3 x→2 x−2 x−2 lim x→2+ x − 2 = 1.2. Tem-se : x→2 lim − f (x) − f (2) = x−2 −x2 + 7 − 3 x→2 x−2 − (x − 2) (x + 2) = lim x→2− x−2 = lim (−2 − x) − lim − x→2 Portanto f 0 (2− ) = −4. f (x) = ⎩ 3x − 1 se x≥2 .

DERIVABILIDADE E CONTINUIDADE 169 não é derivável no ponto x = 2. Suponhamos que f é derivável em x0 . isto é. Por exemplo. Há casos em que a existência da derivada num ponto depende apenas da existência de uma das derivadas laterais. seja f a função definida por ⎧ ⎨ x se f (x) = ⎩ 1 se 0≤x<1 x≥1 . g (x) = ⎩ 2x − 1 se x≥1 é derivável para x = 1. existe e é finito f (x) − f (x0 ) . Se uma função é derivável num ponto então é contínua nesse ponto. (2) Verifique gráfica e analiticamente que a função g. Derivabilidade e continuidade Teorema 3. x→x0 x − x0 lim Como f (x) − f (x0 ) = vem x→x0 f (x) − f (x0 ) (x − x0 ) .1. x 6= x0 x − x0 f (x) − f (x0 ) lim (x − x0 ) = f 0 (x0 ) × 0. + x→0 x−0 3. Demonstração. definida em R por ⎧ ⎨ x2 se x<1 . Tem-se ¡ ¢ f (x) − f (0) f 0 (0) = f 0 0+ = lim = 1. conclui-se que x→x0 lim [f (x) − f (x0 )] = 0 . x − x0 x→x0 lim [f (x) − f (x0 )] = lim x→x0 Como f 0 (x0 ) é um número real (finito).3.

Verifica-se que o recíproco do teorema anterior é falso. o facto de uma função ser contínua num ponto não garante que seja derivável nesse ponto.170 VII. 1] → R definida por ⎧ ⎨ 1 f (x) = ⎩ 0 se se x ∈ ]0. Assim. a função f : [0. Seja g a função definida em R por g(x) = |x + 1| . logo lim g (x) = lim + (x + 1) = 0 x→−1 . (1) Mostre que g é contínua em x0 = 1. Note que o teorema anterior é falso se admitirmos que as derivadas podem tomar valores infinitos. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R isto é x→x0 lim f (x) = f (x0 ) ¤ o que prova que f é contínua em x0 . Exemplo 3. x→−1− lim g (x) = lim − (−x − 1) = 0 x→−1 x→−1 (2) Averigue se existe g0 (1) . Resolução: g 0 (−1+ ) = lim + x→−1 Como g (−1) = 0 vem lim g (x) = g (−1) e portanto g é contínua em x0 = −1.1. g (x) − g (−1) x+1−0 = lim + =1 x→−1 x+1 x+1 . Resolução: ⎧ ⎨ x+1 g (x) = ⎩ −x − 1 x→−1+ se se x ≥ −1 x < −1 . g (x) − g (−1) −x − 1 − 0 = lim − = −1 x→−1 x+1 x+1 g 0 (−1− ) = lim − x→−1 Como g0 (−1+ ) 6= g 0 (−1− ) não existe g0 (−1) . 1] x=0 . isto é.

4. Exemplo 4. Diremos que f é derivável num intervalo I ⊂ Df se for derivável em todos os pontos de I. x→0+ x x−0 x→0 Exercício 3. de variável real. (b) A função é contínua no ponto 0? (2) Considere a função real. Determinar a função derivada da função definida em R por ⎧ ⎨ x+1 se x>2 . f (x) = ⎩ 3x2 se x<2 Resolução: . (a) Mostre que f é contínua para x = 3. A função que a cada ponto do domínio faz corresponder a derivada de f nesse ponto. (a) Aplicando a definição de derivada.1. Função derivada Definição 4. caso exista. Seja f uma função real.1. 4. (b) Calcule f 0 (3+ ) e f 0 (3− ) para verificar que não existe f 0 (3) . calcule m0 (0) . (1) A função m está definida por m(x) = √ x + 5. FUNÇÃO DERIVADA 171 não é contínua à direita no ponto 0 e lim + f (x) − f (0) 1−0 = lim = +∞.1. de variável real. f definida por f (x) = |x − 3| . chama-se função derivada de f e representar-se-á por f 0 .

f 0 (2− ) = lim h→0− h→0− h h f 0 (2+ ) = lim + • Não existe f 0 (2) pelo que a função derivada é f 0 : R\ {2} → x ⎧ ⎨ 1 → f 0 (x) = ⎩ 6x R se se x>2 x<2 . Tem-se: f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) 3 (x + h)2 − 3x2 = lim h→0 h→0 h h 3x2 + 6xh + 3h2 − 3x2 = lim = 6x. h→0 h • Determinação de f 0 (x) para x = 2. Regras de derivação (1) Derivada de uma função constante Se f (x) = c (c constante) para todo o x ∈ R então f 0 (x) = 0. h→0 h→0 h h→0 h h ¤ . Tem-se: 2+h+1−3 =1 h→0 h 2 3 (2 + h) − 3 12 + 12h + 3h2 − 3 = lim = −∞. para todo o x ∈ R. 5. h→0 h→0 h h • Determinação de f 0 (x) para x < 2. f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) c−c 0 = lim = lim = 0.172 VII. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R • Determinação de f 0 (x) para x > 2. Demonstração. Tem-se: f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) x+h+1−x−1 = lim = 1.

Exercício 5.1. b) s(x) = 5 4 c) t(x) = √ 2. (2) Derivada da função identidade Seja f a função definida em R por f (x) = x. Então f + g é derivável em x0 e (f + g)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) + g0 (x0 ). Tem-se: (f + g) (x) − (f + g) (x0 ) f (x) − f (x0 ) g(x) − g(x0 ) = lim + lim = x→x0 x→x0 x→x0 x − x0 x − x0 x − x0 = f 0 (x0 ) + g0 (x0 ).5. Tem-se: f 0 (x) = lim f (x + h) − f (x) x+h−x = lim = 1. (3) Derivada de uma soma de funções Sejam f e g deriváveis num intervalo I e x0 ∈ I. Indique a derivada das funções definidas por: a) r(x) = −4. lim . h→0 h→0 h h Assim. Demonstração. REGRAS DE DERIVAÇÃO 173 Observações: • A recta tangente em cada ponto coincide com a própria recta representativa da função. se f (x) = x então f 0 (x) = 1 para todo o x ∈ R. • O declive de uma recta horizontal é igual a zero.

0 ¶0 µ 1 b) − x .3. 3 d) (−3x)0 . Então fg é derivável em I e (fg)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) g (x0 ) + f (x0 ) g 0 (x0 ) . ¤ Exercício 5. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Assim f + g é derivável em x0 e (f + g)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) + g 0 (x0 ). λ ∈ R e x0 ∈ I.2. 3 ¶0 µ 1 c) 3 − x . Demonstração. Calcule: a) (2x) . Então a função λf é derivável em x0 e (λf )0 (x0 ) = λf 0 (x0 ) . .174 VII. (4) Derivada do produto de uma constante por uma função Sejam f derivável num intervalo I. Tem-se: x→x0 lim Logo λf é derivável em x0 e (λf ) (x) − (λf ) (x0 ) f (x) − f (x0 ) = λ lim = λf 0 (x0 ) . ¤ Exercício 5. Determine a derivada de cada uma das funções definidas por: (a) f (x) = x + 2. x→x0 x − x0 x − x0 (λf )0 (x0 ) = λf 0 (x0 ) . 4 √ (c) h(x) = x − 2. 3 (b) g(x) = + x. (5) Derivada de um produto de funções Sejam f e g deriváveis num intervalo I e x0 ∈ I.

(f g) (x) − (fg) (x0 ) f (x) − f (x0 ) g (x) − g (x0 ) = g (x) + f (x0 ) . Calcule a derivada da função definida por f (x) = (x − 1) (x − 3) . logo: (f g) (x) − (f g) (x0 ) f (x) − f (x0 ) g (x) − g (x0 ) = g (x0 ) lim + f (x0 ) lim x→x0 x→x0 x→x0 x − x0 x − x0 x − x0 0 0 = g (x0 ) f (x0 ) + f (x0 ) g (x0 ) .4. Exercício 5. n ∈ N é derivável em x0 e (f n )0 (x0 ) = nf n−1 (x0 ) f 0 (x0 ) . Consequência: “Derivada da potência de expoente natural” Sejam f derivável num intervalo I e x0 ∈ I. Tem-se: f (x) g (x) − f (x0 ) g (x0 ) (f g) (x) − (f g) (x0 ) = x − x0 x − x0 e somando e subtraindo f (x0 ) g (x) vem: Quando x → x0 . Calcule: a) (x3 ) . isto é: 0 (f1 f2 · · · fn )0 (x0 ) = f1 (x0 ) f2 (x0 ) · · · fn (x0 ) + 0 0 +f1 (x0 ) f2 (x0 ) · · · fn (x0 ) + f1 (x0 ) f2 (x0 ) · · · fn (x0 ) . .5. g (x) → g (x0 ) pois g é contínua (é derivável em x0 ). 0 £ ¤0 c) (x + 3)5 .5. REGRAS DE DERIVAÇÃO 175 Demonstração. lim Assim fg é derivável em x0 e (fg)0 (x0 ) = f 0 (x0 ) g (x0 ) + f (x0 ) g0 (x0 ) . Então f n . ¤ Nota: Esta propriedade verifica-se para um número n de funções deriváveis em I. 0 b) (3x2 − 5x + 1) . x − x0 x − x0 x − x0 Exercício 5.

g [g (x0 )]2 Então. x+3 µ 3x + 1 x2 − 8x ¶0 µ 3x2 + 4 x2 + 9 ¶0 "µ x−1 x+3 ¶3 #0 1 . lim x→x0 x − x0 [g (x0 )]2 Assim 1 é derivável em x0 e g µ ¶0 g 0 (x0 ) 1 (x0 ) = − . é derivável em x0 e tem-se g µ ¶0 f 0 (x0 ) g (x0 ) − f (x0 ) g 0 (x0 ) f (x0 ) = . d) . . g b) . atendendo ao que se disse para a derivada de um produto de funções. Calcule: ¶0 µ 1 a) . g [g (x0 )]2 Demonstração. f é derivável em x0 e g µ ¶0 µ ¶0 1 f 0 (x0 ) g (x0 ) − f (x0 ) g0 (x0 ) f (x0 ) = f (x0 ) = . g g [g (x0 )]2 ¤ Exercício 5. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R (6) Derivada de um quociente Sejam f e g funções deriváveis num intervalo I e x0 ∈ I.6. Vamos estudar em primeiro lugar a derivada de Tem-se: 1 1 1 1 − (x) − (x0 ) g (x) − g (x0 ) −1 g (x) g (x0 ) g g = = x − x0 x − x0 g (x) g (x0 ) x − x0 e portanto 1 1 (x) − (x0 ) g0 (x0 ) g g =− . c) .176 VII. f Se g (x0 ) 6= 0.

n ∈ N e x0 ∈ I. 2 − 3x (x − 1)4 (7) Derivada da função composta Seja f uma função definida sobre um intervalo I. e x0 ∈ I. b) (x − 3) =− . g uma função definida sobre o intervalo J contendo f (I). x→x0 x→x0 x − x0 x − x0 lim . Suponhamos que f (x0 ) 6= 0. ¡ −n ¢0 f = −nf −n−1 f 0 . REGRAS DE DERIVAÇÃO 177 Consequência: “Derivada de uma potência de expoente inteiro negativo” Então f −n é derivável em x0 e Seja f derivável num intervalo I . Exercício 5. Mostre que: −10 0 i0 h 10 8x −4 2 a) (x ) = − 11 .7. A demonstração fica como exercício.5. então g ◦ f é derivável em x0 e tem-se (g ◦ f )0 (x0 ) = g0 [f (x0 )] f 0 (x0 ). 2 − 3)5 x (x "µ ¶−3 #0 x−1 3 (2 − 3x)2 c) = . (g ◦ f ) (x) − (g ◦ f ) (x0 ) g [f (x)] − g [f (x0 )] = lim . Se f é derivável em x0 e g é derivável em f (x0 ). Isto significa que a fórmula de derivação para uma potência de expoente natural é válida para expoentes inteiros no pressuposto de que f (x0 ) 6= 0. Demonstração.

Então f −1 é derivável em f (x0 ) e tem . f −1 : J → I é contínua em y0 = f (x0 ) . Então quando x tende para x0 . calcule: a) (f ◦ g) (1) . (8) Derivada da função inversa Suponhamos que f é derivável em x0 com f 0 (x0 ) 6= 0 e que a sua inversa por derivada ¡ −1 ¢0 [f (x0 )] = f f0 1 .178 VII.8. (x0 ) Sejam f uma aplicação bijectiva de um intervalo I num intervalo J e x0 ∈ I. Logo g ◦ f é derivável em x0 e (g ◦ f )0 (x0 ) = g0 [f (x0 )] f 0 (x0 ). y tende para y0 uma vez que f é contínua em x0 (por ser diferenciável) pelo que (g ◦ f ) (x) − (g ◦ f ) (x0 ) = lim x→x0 x − x0 ¸ g (y) − g (y0 ) y − y0 lim × x→x0 y − y0 x − x0 g (y) − g (y0 ) f (x) − f (x0 ) = lim lim y→y0 x→x0 y − y0 x − x0 0 0 = g (y0 ) f (x0 ) ∙ = g 0 [f (x0 )] f 0 (x0 ). ¤ Exercício 5. b) (f ◦ g)0 (1) . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Represente-se f (x) por y e f (x0 ) por y0 . Sendo f (x) = 2x − 3 e sabendo que g (1) = 4 e g0 (1) = 2.

pelo que para todo x em I vem 1 √ . −1 (y) − f (y0 ) (f ) (y0 ) y − y0 f0 1 . Tem-se ¡ −1 ¢0 (y) = g 1 nxn−1 g0 (x) = nxn−1 . Consequência: “ Derivada da raiz ” √ Suponhamos que f (x) = n x com n ∈ N e seja I um qualquer intervalo contido em Df tal que 0 ∈ I. x→x0 x→x0 x − x0 x→x0 0 x − x0 y − y0 Quando x tende para x0 . pelo que se g(x) = xn então g −1 (y) = n y.9. y tende para y0 pois f é contínua em x0 (por ser derivável em x0 ). Se y = xn então x = √ √ n y. (x0 ) ¤ ¡ −1 ¢0 (y0 ) = f Exercício 5. logo f 0 (x0 ) = 1 x − x0 . lim y→y0 y − y0 Como x = f −1 (y) e x0 = f −1 (y0 ) vem f 0 (x0 ) = y→y0 lim f −1 ou seja 1 1 = −1 0 . n n xn−1 0 . Então f é derivável em todo x ∈ I e / f 0 (x) = Demonstração.5. REGRAS DE DERIVAÇÃO 179 Demonstração. Seja y = f (x). vem: f 0 (x0 ) = lim f (x) − f (x0 ) y − y0 1 = lim = lim x − x . Sendo g uma função real de variável real invertível tal que g(2) = 10 e g0 (2) = 4. calcule (g−1 ) (10) . Por definição.

180 VII. n ∈ N pelo que podemos escrever ³ 1 ´0 1 f 0 (x0 ) f n (x0 ) = = nf n −1 (x0 ) f 0 (x0 ). µr 3 Calcule 3−x x−1 ¶0 indicando o domínio de validade do resultado.11. n n xn−1 ¤ Exercício 5. . e tal que f (x0 ) 6= 0. Exercício 5. Mais geralmente. a) t(x) = 3 x. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R onde y = xn .12. Derive cada uma das funções definidas por: √ √ b) u(x) = 10 x. como consequência do resultado sobre a derivada da função composta vem: Seja f uma função real de variável real definida num intervalo I. n n f n−1 (x0 ) Exercício 5. 1 n (f n−1 ) n (x0 ) e a fórmula de derivação de uma potência de expoente inteiro pode generalizarse para um expoente racional nas condições acima indicadas. derivável em √ x0 ∈ I. Daqui resulta ¡ −1 ¢0 g (y) = f 0 (x) = 1 p n n y n−1 o que é equivalente a 1 √ .10. Então n f é derivável em x0 e ³ p ´0 f 0 (x0 ) n f (x0 ) = p . h i 3 0 Determine (x2 + 3x + 1) 4 . Observação: √ 1 Tem-se n f = f n .

cos x = cos x h→0 h→0 h h→0 h 2 2 Assim a função seno é derivável e (sen x)0 = cos x. com x ∈ R. DERIVADAS DAS FUNÇÕES CIRCULARES 181 6. vem h ¶¸ µ sen ∙ sen (x + h) − sen x 2 cos lim x + h lim = lim = 1. resulta do que se disse sobre a derivada da função composta que a função sen f é derivável em todos os pontos de I. = lim h→0 h h→0 2 2 Como a função co-seno é contínua. ¤ p−q p+q cos 2 2 . tendo-se: (sen f )0 = f 0 cos f. Mais geralmente.6. Derivadas das funções circulares (1) Derivada da função seno A função seno é derivável em R e (sen x)0 = cos x. Demonstração. Atendendo a que sen p − sen q = 2 sen tem-se µ ¶ h h 2 sen cos x + sen (x + h) − sen x 2 2 = lim = lim h→0 h→0 h h h ∙ µ ¶¸ sen 2 lim cos x + h . sendo f derivável num intervalo I.

Mais geralmente. Considere os seguintes exemplos: (a) Sendo y = sen (2x + 3) . Exercício 6. cos f é derivável em todos os pontos de I e (cos f )0 = −f 0 sen f. vem: d) y = sen3 (x3 ) . temos: y 0 = (2x + 3)0 cos (2x + 3) = 2 cos (2x + 3) . (2) Derivada da função co-seno A função co-seno é derivável em R e (cos x)0 = − sen x. Demonstração. 2 ³π ´0 ´ − x cos − x = − sen x.182 VII. Considere os seguintes exemplos: (a) (x cos x)0 = (x)0 cos x + x (cos x)0 = cos x − x sen x.2. Tem-se: y 0 = 4 sen3 (3x) [sen (3x)]0 = 4 sen3 (3x) (3x)0 cos (3x) = 12 sen3 (3x) cos (3x) . c) y = x sen x2 + 3 sen (2x) .1.1. 2 2 . (b) Seja y = sen4 (3x) . b) y = sen5 (5x) . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 6. Atendendo a que cos x = sen (cos x)0 = ³π ³π ´ − x . sendo f derivável num intervalo I. x ∈ R. ¤ Exemplo 6. Calcule a derivada de cada uma das funções seguintes: a) y = sen (2x + 1) .

em o nπ + kπ. Determine a derivada de cada uma das funções definidas por: a) y = cos (3x2 − x) − x.2. então tg f é derivável em todos os pontos de I. cos2 f ¤ Exemplo 6. d) y = sen x cos x. DERIVADAS DAS FUNÇÕES CIRCULARES 0 0 183 (b) [cos (x2 + 3) + cos5 (2x)] = − (x2 + 3) sen (x2 + 3)+5 cos4 (2x) [cos (2x)]0 = = −2x sen (x2 + 3) − 10 cos4 (2x) sen (2x). k ∈ Z R\ 2 (tg x)0 = Demonstração. cos2 x cos2 x 1 = 1 + tg2 x = sec2 x. b) y = 2 cos3 (1 − x) .3.6. (tg x)0 = ³ sen x ´0 cos x 1 cos2 x − sen x (− sen x) = . cos2 x tendo-se = Sendo f uma função derivável em I tal que f (I) ⊂ D. tendo-se: (tg f )0 = f0 = f 0 sec2 f. Considere os seguintes exemplos: (a) √ √ 0 √ 0 [ x tg (2x + 3)] = ( x) tg (2x + 3) + x [tg (2x + 3)]0 √ 1 2 = √ tg (2x + 3) + x 2 . c) y = cos x + x cos2 (x2 ) . 2 x √ cos (2x + 3) tg (2x + 3) 2 x √ = + 2 (2x + 3) cos 2 x . Exercício 6. (3) Derivada da função tangente A função tangente é derivável no seu domínio. isto é.

Exercício 6. k ∈ Z. se f é uma função derivável num intervalo I tal que f (I) ⊂ D. (cotg x) = tg x tg x sen x ¤ Mais geralmente.3.4. Calcule a derivada de cada uma das funções definidas por: µ ¶ 1 a) y = tg . (4) Derivada da função co-tangente A função co-tangente é derivável no seu domínio. 1 Como cotg x = . x+3 √ c) y = cos2 x + tg (x sen2 x) . d) y = tg2 x2 + 1 + tg (cos x) . x 6= kπ. Exercício 6. Considere a função real de variável real definida por: f (x) = 4 tg (4x) . vem: tg x ¶0 µ 1 1 (tg x)0 0 =− 2 =− 2 . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R (b) [tg3 (sen x + 1)] 0 = 3 tg2 (sen x + 1) [tg(sen x + 1)]0 = 3 tg2 (sen x + 1) cos x sec2 (sen x + 1) . Em vários pontos do gráfico de f o declive da recta tangente é 16. b) y = tg2 (x2 + 1) . isto é. Escreva uma equação de uma dessas tangentes. tendo-se: (cotg f )0 = − f0 = −f 0 cosec2 f. sen2 x Demonstração. em {x ∈ R : x 6= kπ. sen2 f . k ∈ Z} tendo-se (cotg x)0 = − 1 = −1 − cotg2 x = − cosec2 x. então cotg f é derivável em todos os pontos de I.184 VII.

4. x ∈ R. ¤ . 2 µ 7. = cos x cotg x − √ 2 x sen2 x Exercício 6. c) y = tg (sen x) + cotg (cos x) . b) y = 1 + cotg x d) y = cotg2 x2 + sen2 x2 . Tem-se ¢ ¡ ex eh − 1 ex+h − ex eh − 1 lim = lim = ex lim = ex . Demonstração.7. Derivada da função exponencial e função logarítmica (1) Derivada da função exponencial de base e A função exponencial de base e é derivável em R e (ex )0 = ex .1 = ex . Derive cada uma das funções seguintes: a) y = cotg (3x + 2x) . 3 (b) ¶ 1 √ + x . h→0 h→0 h→0 h h h Mais geralmente se f é derivável em I então ef é derivável em I e ¡ f ¢0 e = ef f 0 . DERIVADA DA FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 185 Exemplo 6. Considere os seguintes exemplos: (a) £ ¡ ¢¤0 ¡ ¢0 ¢ ¢ ¡ ¡ cotg π − 3x = − π − 3x cosec2 π − 3x = 3 cosec2 π − 3x 3 3 3 3 ¡ ¡ √ ¢0 √ √ ¢0 sen x cotg x = (sen x)0 cotg x + sen x cotg x = √ 1 √ = = cos x cotg x − sen x √ 2 x sen2 x √ sen x √ .5.

af é derivável em I e ¡ f ¢0 a = af f 0 ln a. ¡ ¢0 (b) esin(3x) = [sin (3x)]0 esin(3x) = 3 cos (3x) esin(3x) Exercício 7. Uma vez que ax = ex ln a . (b) Calcule a derivada de cada uma das funções definidas por: (i) y = e− 2 . tem-se: (ax )0 = ax ln a. Escreva uma equação da tangente ao gráfico de f no ponto de abcissa 2. Considere os seguintes exemplos: (a) (e3x+1 ) = (3x + 1)0 e3x+1 = 3e3x+1 . (ii) y = (x − 1)2 − e−x . 1 x 0 (2) Derivada da função exponencial de base a A função exponencial de base a (a > 0) é derivável em R e para todo o x ∈ R. ¤ Exemplo 7.1. vem (ax )0 = (x ln a)0 ex ln a = ln aex ln a = ln a ax . Resolva cada um dos seguintes exercícios. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 7. Mais geralmente se f é derivável em I. ´0 ³ 2 +3x 2 2 0 = (x2 + 3x) 2x +3x ln 2 = (2x + 3) 2x +3x ln 2. (iii) y = ex sin x + e x .2. Demonstração.1. (a) Seja f a função real de variável real definida por f (x) = e2x+5 . 2x .186 VII.

7. Resolva cada um dos seguintes exercícios: (a) A recta da equação y = 2x ln 2 + 1 é tangente ao gráfico da função real de variável real definida por t (x) = 22x . (3) Derivada da função logarítmica de base a A função logarítmica de base a (a ∈ R+ \ {1}) é derivável em R+ e (loga x)0 = Demonstração. 1 − 3x (ii) y = . DERIVADA DA FUNÇÃO EXPONENCIAL E FUNÇÃO LOGARíTMICA 187 Exercício 7.2. h0 (x) = 1 1 1 = y = . (iv) y = e √ 3x + 5cos x . x ∈ R+ . Então h é derivável em R+ e para todo o x > 0. Determine as coordenadas do ponto de tangência. x ln a g : R → R+ y → x = ay . (b) Derive as funções definidas por: (i) y = 2tg x . A função h : R+ → R x é a função inversa da função → y = loga x 1 . tendo-se: (loga f )0 = ¤ . cos x √ (iii) y = e 3x + 5cos x . f ln a Se f é derivável em I e f (I) ⊂ R+ então loga f é derivável em I. g 0 (y) a ln a x ln a f0 .

4 x x5 . definem-se as derivadas sucessivas de f : f (n) é a derivada da derivada de ordem (n − 1) de f .3. c) y = log2 [tg (ex + x)] . f 00 (x) = − 1 x2 . f (5) (x) = . ¢0 ¡ f (n) = f (n−1) . e) y = ln (x2 + 1) . g) y = ln (sen x) . [log2 (3x + 1)]0 = 3 (3x + 1)0 = . (3x + 1) ln 2 (3x + 1) ln 2 Caso particular: Se a = e (número de Neper) vem (ln x)0 = Exercício 7.3. f 000 (x) = 2 x3 Convencionamos que a derivada de ordem 0 é a própria função. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R Exemplo 7. b) y = log2 [tg (ex + x)] . f (0) = f. isto é. Resolução: f 0 (x) = 1 x . f) y = ln (e3x + x2 ) . Calcule a derivada de cada uma das funções definidas por: a) y = log3 (x2 + 1) . Exemplo 8. f (4) (x) = −3 × 2 4×3×2 . 1 x e (ln f )0 = f0 . Se a função f 0 admitir por sua vez uma função derivada. esta é dita segunda derivada ou derivada de segunda ordem de f e representa- se por f 00 . Suponhamos que f (x) = ln x e procuremos uma expressão da derivada de ordem n.1. 8. f função f 0 também definida em I. Derivadas sucessivas Seja f uma função real de variável real definida em I ⊂ R cuja derivada é uma d) y = log7 (sen x2 ) . isto é. Do mesmo modo.188 VII.

9. xn x→a e se existir f 0 (x) f (x) f 0 (x) . então. conclui-se que f (n) (x) = Exercício 8. x→±∞ g (x) x→±∞ g (x) lim • É igualmente aplicável no levantamento de indeterminações do tipo a finito ou infinito. e se lim f (x) = lim g (x) = 0 x→a (−1)n+1 (n − 1)! .9. Sendo g(x) = e5x−1 . f (x) f 0 (x) = lim 0 . seja ∞ . REGRA DE CAUCHY 189 Observando as sucessivas derivadas. Sendo y = sin (4x) . Regra de Cauchy Se as funções f e g admitem derivada numa vizinhança de um ponto a. + x sen x x→0 2 x3 + x2 b) lim = 0. mostre que y 000 + y 00 + 16y 0 + 16y = 0.1. x→+∞ x ex − x 1 ex − x − 1 c) lim = . lim = lim 0 . Exercício 9. determine g (n) (x) .1. Mostre que: 1 cos x − 1 a) lim =− .2. x→0 xex − x 2 ∞ . x→a g 0 (x) x→a g (x) x→a g (x) lim Observações: • A regra de Cauchy é aplicável quando a é (+∞ ou − ∞) . Exercício 8.

b[ . os pontos onde a tangente à curva é horizontal têm de ser pontos isolados. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R 10. Para que tal ocorra. Se a derivada for negativa em todos os pontos de ]a. . b[ . b[ e que a função é estritamente crescente em ]a.190 VII. Sentido de variação de uma função Vamos analisar os seguintes gráficos Gráfico1 Gráfico2 Gráfico3 Gráfico 4 Verifica-se (gráfico 1) que a derivada é positiva em qualquer ponto de ]a. b[ a derivada é nula então a função é constante nesse intervalo (gráfico 3). Note-se que a derivada pode ser nula num ponto de ]a. Finalmente se em qualquer ponto de ]a. a função será decrescente nesse intervalo (gráfico 2). b[ (gráfico 4 ) mantendo-se a função estritamente crescente.

. Exemplo 10. d) g (x) = x2 − 4 .1. (2) Se para todo o x ∈ ]a. f 0 (x) é positiva então f é estritamente crescente em ]a. x b) q (x) = x−1 . x−6 c) r (x) = 1 . Seja f derivável num intervalo ]a. b[. −1[ ∪ ]−1. 1[ ∪ ]1. Estude a monotonia das funções definidas em R por: a) p (x) = 1 − x − 4x3 . Exercício 10. b[. Determinar os intervalos de monotonia da função definida por x2 + 1 .1. b[ . h (x) = 2 x −1 Resolução: Tem-se h0 (x) = e h0 (x) = 0 ⇔ x = 0 ∧ x 6= 1 ∧ x 6= −1. (3) Se para todo o x ∈ ]a. 0[ e decrescente em ]0. f 0 (x) é negativa então f é estritamente decrescente em ]a. b[ . b[ . +∞[ . f 0 (x) é nula então f é constante em ]a. b[.10. b[ . x e) m (x) = (2x2 + 3) e−x . SENTIDO DE VARIAÇÃO DE UMA FUNÇÃO 191 Teorema 10. x −∞ −1 s/s + % 0 0 − 1 +∞ −4x (x2 − 1)2 h0 (x) + h(x) s/s − s/s % 0 & s/s & Portanto h é crescente em ]−∞. (1) Se para todo o x ∈ ]a.1.

f (x) ≤ f (x0 ) (respectivamente f (x) ≥ f (x0 )) . se existir uma vizinhança V de a tal que x ∈ V ∧ x ≥ a =⇒ f (x) ≤ f (a) (respectivamente f (x) ≥ f (a)) . b] e x0 ∈ ]a. b[ . se existir uma vizinhança V de x0 tal que para todo o x ∈ V.192 VII. Extremos relativos Definição 11. • um máximo (respectivamente um mínimo) relativo ou local em b ou que f (b) é um máximo (respectivamente um mínimo) local de f . Diz-se que f atinge: • um máximo (respectivamente um mínimo) relativo ou local em x0 ou que f (x0 ) é um máximo (respectivamente um mínimo) relativo de f . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R 11. Sejam f uma função definida num intervalo [a. se existir uma vizinhança V de b tal que x ∈ V ∧ x ≤ b =⇒ f (x) ≤ f (b) (respectivamente f (x) ≥ f (b)) . . • um máximo (respectivamente um mínimo) relativo ou local em a ou que f (a) é um máximo (respectivamente um mínimo) relativo de f .1. Nota: Um extremo (máximo ou mínimo) f (x0 ) é absoluto se para todo o x ∈ Df se verificar f (x) ≤ f (x0 ) (máximo) ou f (x) ≥ f (x0 ) (mínimo).

0 0 para f . EXTREMOS RELATIVOS 193 Exercício 11.11. x→x0 x − x0 x>x0 ¡ ¢ f (x) − f (x0 ) f 0 x− = lim ≥ 0. Como f (x) ≤ f (x0 ) 0 0 para todo o x numa vizinhança de x0 . 0 x→x0 x − x0 x<x 0 ¡ ¢ ¡ ¢ donde f 0 (x0 ) = f 0 x+ = f 0 x− = 0. que f (x0 ) é um máximo. então f 0 (x0 ) = 0. temos ¡ ¢ f 0 x+ = 0 lim f (x) − f (x0 ) ≤ 0. ¤ Um ponto x0 ∈ ]a. b[ e se f 0 (x0 ) existe. por exemplo. Demonstração. b[ tal que f 0 (x0 ) = 0 chama-se ponto crítico ou estacionário . Suponhamos. Se f tem um extremo em x0 ∈ ]a.1. A existência de f 0 (x0 ) implica a ¡ ¢ ¡ ¢ existência e a igualdade das derivadas laterais f 0 x+ e f 0 x− .1. Indique os extremos relativos e absolutos das funções cujos gráficos são: Teorema 11.

194

VII. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R

A recíproca do teorema anterior é falsa: Se f 0 (x0 ) = 0, f não tem necessariamente um extremo relativo em x0 . É por exemplo o caso da função f definida por f (x) = x3 no ponto 0.

y

8 6 4 2

-2

-1

-2 -4 -6 -8

1

2

x

Vimos que f pode ter extremos em pontos críticos. No entanto uma função pode admitir um extremo em x0 sem ser derivável em x0 (diz-se então que x0 é um ponto singular para f ): A função definida por f (x) = |x| tem um mínimo no ponto x0 = 0 mas não é derivável nesse ponto. Podemos resumir da seguinte forma: Uma função definida num intervalo só pode atingir um extremo num ponto crítico, num ponto singular ou nas extremidades do intervalo. 11.1. Determinação dos extremos. (1) Suponhamos que x0 é um ponto crítico para f Teste da primeira derivada x f 0 (x) − f (x) x0 0 + ; x f 0 (x) + f (x) x0 0 −

& Min. %

% Máx. &

• Se no ponto x0 a derivada passa de negativa a positiva então f tem um mínimo local em x0 . • Se no ponto x0 a derivada passa de positiva a negativa então f tem um máximo local em x0 .

11. EXTREMOS RELATIVOS

195

Em alternativa ao teste da primeira derivada pode usar-se o teste da segunda derivada. Teste da segunda derivada • Se f 00 (x0 ) > 0 ou lim relativo em x0 . relativo em x0 . zero no ponto x0 . — Se m é par e f (m) (x0 ) > 0 ou lim f (m−1) (x) − f (m−1) (x0 ) = +∞, x→x0 x − x0 f atinge um mínimo relativo em x0 . f (m−1) (x) − f (m−1) (x0 ) = −∞, x→x0 x − x0 f atinge um máximo relativo em x0 . f 0 (x) − f 0 (x0 ) = +∞ então f atinge um mínimo x→x0 x − x0 f 0 (x) − f 0 (x0 ) = −∞ então f atinge um máximo x→x0 x − x0

• Se f 00 (x0 ) < 0 ou lim

• Se f 00 (x0 ) = 0, seja m a ordem da primeira derivada que é diferente de

— Se m é par e f (m) (x0 ) < 0 ou lim

— Se m é ímpar, f não tem extremo em x0 .

Exemplo 11.1. Determinar os extremos relativos da função definida em R por g (x) = 2x4 − 12x2 + 10. Resolução: (a) Dg = R e g0 (x) = 8x3 − 24x, pelo que g só poderá ter extremos em pontos críticos.

g 0 (x) = 0 ⇐⇒ 8x (x2 − 3) = 0 √ √ ⇐⇒ x = 0 ∨ x = − 3 ∨ x = 3. √ √ Assim os pontos críticos são − 3, 0 e 3.

196

VII. CÁLCULO DIFERENCIAL EM R

(b) Teste da primeira derivada x 8x g 0 (x) g(x) −∞ − − & √ − 3 − 0 0 − − + 0 0 − 0 + − − √ 3 + 0 0 +∞ + + +

x2 − 3 +

−8 (Min.) % 10 ( Máx.) & −8 (Min.) %

A função tem um máximo relativo igual a 10 para x = 0 e mínimos √ √ relativos iguais a −8 para x = − 3 e x = 3. (c) Podemos usar, em alternativa, o teste da segunda derivada. Tem-se: g 00 (x) = 24x2 − 24

• g00 (0) = −24 < 0, g tem um máximo relativo para x = 0 igual a

g (0) = 10. √ ¡ √ ¢ ¡√ ¢ • g00 − 3 = g 00 3 > 0, g tem mínimos relativos para x = − 3 √ ¡√ ¢ ¡ √ ¢ e x = 3, iguais a g 3 = g − 3 = −8. Exercício 11.2. Determine, se existirem, os extremos relativos de cada uma das seguintes funções definidas em R por: a) h (x) = x3 − 3x; b) m (x) = x4 − 2x3 + 2; c) n (x) = 2x ; +4

x2

d) p (x) = log2 |16 − x2 | . (2) Suponhamos que x0 é um ponto singular para f Teste para pontos singulares Neste caso não existe ou é infinito lim f (x) − f (x0 ) . x − x0

x→x0

f (x) − f (x0 ) x − x0 quando x tende para x0 , e estes sejam de sinais contrários, então f tem um Caso existam as derivadas laterais ou os limites laterais de

11. EXTREMOS RELATIVOS

197

extremo relativo em x0 . Concretamente:

¡ ¢ ¡ ¢ f (x) − f (x0 ) • Se f 0 x+ < 0 (ou lim+ = −∞ ) e f 0 x− > 0 (ou 0 0 x − x0 x→x0 f (x) − f (x0 ) = +∞), então f atinge um máximo em x0 . lim− x − x0 x→x0 ¡ ¢ ¡ ¢ f (x) − f (x0 ) = +∞ ) e f 0 x− < 0 (ou • Se f 0 x+ > 0 (ou lim+ 0 0 x − x0 x→x0 f (x) − f (x0 ) = −∞), então f atinge um mínimo em x0 . lim− x − x0 x→x0 Exemplo 11.2. Mostrar que a função definida em R por ⎧ ⎨ |x + 1| se h (x) = ⎩ 3−x se

x≤1 x>1

tem um máximo igual a 2 para x = 1 e um mínimo igual a 0 para x = −1. Resolução: Desdobrando a expressão |x + 1| vem: ⎧ ⎪ −x − 1 ⎪ se x < −1 ⎪ ⎨ h (x) = x+1 se −1 ≤ x ≤ 1 . ⎪ ⎪ ⎪ ⎩ 3−x se x>1 −x − 1 − 0 = −1 x→−1 x+1 x+1−0 =1 (b) h0 (−1+ ) = lim + x→−1 x+1 x+1−2 (c) h0 (1− ) = lim =1 − x→1 x−1 (a) h0 (−1− ) = lim −

Para caracterizarmos a função derivada necessitamos das derivadas laterais nos pontos −1 e 1.

198 VII. h tem um mínimo que tem o valor h (−1) = −1 + 1 = 0 e tem um máximo para x = 1 e o seu valor é h (1) = 1 + 1 = 2. x = 1 e x = −1. x→1 x−1 A função derivada tem domínio R\ {−1. 3−x−2 = −1. onde as derivadas laterais têm sinais contrários. Logo para x = −1. 1} e é definida por ⎧ ⎨ −1 se x < −1 ∨ x > 1 0 h (x) = . CÁLCULO DIFERENCIAL EM R (d) h0 (1+ ) = lim + Assim não há ponto crítico e há dois pontos singulares. ⎩ 1 se −1 < x < 1 .

Volume I. (1979). E. (1990). Administração. [11] Neves. Porto Editora. [8] Lima. Porto Editora. J. IST. J. (2000). (1992). (2001). (1978). (1990). M. Acesso ao Ensino Superior. Livro de Texto de Matemática 11. Fundação Calouste Gulbenkian.. H.. Curso de Análise Matemática. GEP. Volume I e II. [5] Ferreira. [10] Neves. [6] Guerreiro. Lopes da Silva. IMPA. [14] Silva. Cálculo.o Ano. [3] Câmera.. J.Bibliografia [1] Apostol. Â. Reynolds. (1993). [4] Ferreira. Porto Editora. (2002). Economia e Ciências Sociais e Biológicas. M.. McGraw-Hill. Vieira. Elementos de Lógica Matemática e Teoria dos Conjuntos. Compêndio de Matemática e Guia para a sua utilização. Introdução à Análise Matemática.o Ano. [9] Machado. Livraria Escolar Editora.. Volume I. Alves. A. Introdução à Lógica Matemática. N.. A. J. [13] Piskounov. Alves. M. M. Rumo. S. Matemática Aplicada. M. 199 . (1973). (1991). (1993). Vieira. T. Bookman. Volume I. Cálculo Diferencial e Integral. [2] Anton. Calculus. Matemática 12. A. Fundação Calouste Gulbenkian. M.o Ano. Livro de Texto de Matemática 12. Vieira. [7] Harshbarger. (2006). Curso de Matemáticas Gerais. J. (1990). Wiley. [12] Neves.

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