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História da educação especial

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HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL

«Durante longos milénios, a educação – que como processo de interacção social e socialização, sempre existiu – realizou-se quase sempre fora da escola. A família, a tribo ou o clã, as igrejas, a profissão e o meio social em geral assumiram a função de educar os jovens para a vida social.» Sousa Fernandes (1991) 1.1. Educação A educação é, pela sua origem, funções e objectivos, um facto social. Através dela transmite-se a cultura com uma unidade que faltaria se não existisse o processo homogeneizador da integração. Também é através da educação que se exerce o controlo social sobre os indivíduos. Assim sendo, é necessário compreender a educação, não somente como um processo de transmissão do conteúdo material e espiritual de um povo, mas também como a própria expressão do ideal deste povo, exprimindo os seus padrões de comportamento e a sua filosofia social, política, religiosa e económica. Juntamente com a família, a escola é uma das mais importantes instituições sociais que participam do processo de socialização da criança. Ela representa uma evolução do primeiro modelo de ensino, que é a transmissão oral de pais para filhos. A sua função é ensinar certos conhecimentos e competências que servirão não só para a preservação, como também para uma eficaz modificação da sociedade. De facto, a escola não existe apenas para reflectir e servir de intermediária da herança cultural de uma sociedade, mas também para ajudar na promoção da mudança e da reforma social. A própria escola pode ser considerada como uma sociedade em miniatura, reflectindo a heterogeneidade cultural e social, transmitindo conceitos, socializando o indivíduo e preparando-o para desempenhar um papel na comunidade. A educação representa assim um veículo privilegiado de transmissão de valores considerados comuns a uma dada sociedade, tanto morais, como ideológicos e culturais, estando intimamente ligada ao regime de estratificação social vigente. O sistema educacional está, pois, relacionado com outros aspectos da sociedade, como a função da educação na cultura, a sua relação com o processo de controlo social e o sistema

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as alterações que se foram verificando na sociedade. as suas vinculações com os grupos raciais. onde o conceito de deficiência se desenvolve perspectivado em função de uma sociedade que ideologicamente se afirma como sendo inclusiva – emancipação e integração. Podemos deste modo concluir que a escola acompanhou de perto. e finalmente a terceira. quando se orienta para cada estrato ou classe social.de poder. As oportunidades educacionais encontram-se necessariamente ligadas às condições familiares. Este carácter elitista da educação impediu que o conhecimento se alargasse a todos. a evolução do conceito de deficiência pode dividir-se em três épocas: a primeira considerada pré-histórica e que engloba as sociedades primitivas e se prolonga até à Idade Média – exclusão. 1. Segundo Jimenez (1997). De facto. correspondendo a época actual. Mas a expansão da escolarização. o seu papel no processo de mudança social e cultural e. como das condições culturais (aspirações dos pais em relação aos filhos.2. económicas e culturais. Educação Especial No decurso da história do homem. culturais e outros. ela tem contribuído para a amenização das desigualdades sociais. Assim. em que emerge a ideia de que os deficientes são pessoas a quem é preciso prestar assistência – protecção. a perspectiva social em relação aos portadores de deficiências nem sempre foi a mesma. 2 . meio social. apesar de incutir valores comuns. especialmente a partir da Revolução Industrial. no decorrer dos tempos. a escola constituiu sempre um instrumento de reforço da divisão social do trabalho. a segunda. tanto das condições materiais (alimentação. o aproveitamento escolar não pode ser dissociado. sofrendo alterações consoante a evolução das necessidades do ser humano e a própria organização das sociedades. não implica por si só uma igualdade de oportunidades. linguagem). de modo que. Quanto mais elevado é o grau de complexidade organizacional de uma sociedade. XX a escola abriu as suas portas às diversas classes sociais. De facto. actualmente. por fim. ela constitui também um agente de reforço da divisão social existente. As primeiras escolas nas civilizações antigas apenas educavam as minorias que deviam receber uma educação especializada. saúde). tanto mais formal se manifesta a sua educação escolar. e apenas nos princípios do séc.

na Antiga Grécia.2. incluindo o infanticídio e extermínio de dos deficientes. por razões de natureza pragmática e religiosa (Fernandes. 2002). com a evolução social e a influência determinante da Igreja e das religiões monoteístas. no ano de 1260. passando a existir uma atitude orientada para o proteccionismo destes indivíduos (Lowenfeld. dentro de um modo de pensar mágico-religioso que concebia a diferença como uma ameaça. O primeiro hospício para deficientes foi fundado pelo rei S. sem qualquer perspectiva de modificar as condições dos indivíduos deficientes.1. Protecção Ainda Idade Média. vestidos e alimentados. Itália e Espanha. onde se colocavam os deficientes. Ao longo da História. protegendo-os da sociedade com o intuito de evitar que esta se confrontasse com a diferença. emergem novas perspectivas ideológicas que se vão reflectir nos conceitos de deficiência e modos de intervenção. 1977). prometendo a recompensa da graça divina se os deficientes fossem bem tratados. Com o advento do Renascimento. 1. Exclusão Nas sociedades primitivas. o indivíduo portador de deficiência era olhado com superstição e malignidade. Alemanha. idosos e cegos como merecedores de protecção. Esta era ainda uma concepção essencialmente assistencial. podemos encontrar práticas de exclusão social. viúvas.2. ou então eram associados a práticas de bruxaria. Os preceitos religiosos da caridade consideravam os órfãos. as crianças mal-formadas ou com deficiências físicas eram abandonadas ou simplesmente mortas. seguindo-se outros na Suíça. Por exemplo. julgamentos e execuções. necessitando de ser “exorcizados” e “esconjurados”. na cidade-estado de Esparta. Já no início da Idade Média. com as consequentes perseguições.1. eles eram acolhidos em instituições. Foi então que se fundaram asilos e hospitais. o infanticídio deixa de ser prática corrente e a concepção de deficiência sofre uma mudança. Luís em França. Aparecem obras de carácter médico orientadas para o estudo da deficiência. os indivíduos física e mentalmente diferentes passam a ser vistos como um produto de causas sobrenaturais ou tidos como criações diabólicas. Deste modo.2. dando lugar a uma outra maneira de encarar o 3 . e deste modo a sociedade não admitia a sua existência.

é na Igreja Católica que aparecem os primeiros serviços de educação para as pessoas com deficiência. Emancipação Com o advento do Iluminismo no séc. incluindo Portugal. Segundo Manjon e Vidal (1997). XVIII. A ideia de que todos os seres humanos. onde os deficientes passam a receber tratamento educativo especializado em instituições próprias. Impulsionar o desenvolvimento na área da educação dos problemas sensoriais. o conceito de educação especial começa a generalizar-se a muitos países europeus. podem e devem ser ensinados tem como consequência. cujo objectivo é não só a protecção do deficiente mas também a protecção da própria sociedade (Majon e Vidal. Possibilitar a educação de indivíduos com deficiência mental. em 1601. a “Poor Law” da rainha Isabel I de Inglaterra apontava a necessidade de que as crianças deficientes. são criados centros especializados no tratamento de diferentes tipos de deficiência. como a cegueira e a surdez. Assim. a concepção da educação como um direito de todos os cidadãos. essencialmente aquelas mais evidentes. desde a primeira metade do século XX. nomeadamente cegos. os coxos. esta visão estende-se até à actualidade e é caracterizada por: • • • Fazer a distinção entre as várias deficiências que até esta altura eram tratadas de forma igual. com a criação do primeiro alfabeto para ensinar a falar os surdos e que depois foi adaptado para o ensino dos invisuais. a partir da Revolução Francesa. irá emergir uma nova concepção de deficiência na qual se assume uma identidade de cidadania de pleno direito. 1997). na maioria dos países europeus. à excepção daqueles que de maneira nenhuma pudessem trabalhar.3. Nesta perspectiva pedagógica.2. de modo poderem ser integradas socialmente. surgindo as primeiras escolas para cegos e surdos. Mais tarde. 1. Inicia-se então uma nova etapa na educação especial. facilitou e tornou possível a organização de uma pedagogia especial. incluindo os deficientes. podendo desenvolver actividades com carácter utilitário.deficiente como sendo susceptível de treino e educação. O aparecimento de deficientes ilustres. 4 . os velhos e os cegos fossem colocados como aprendizes. Assim.

começou a ser contestado o modelo clínico que tem como base a segregação dos deficientes em instituições especializadas. a legislação dinamarquesa consagra o princípio da “normalização”. 1. onde esses alunos seguiam currículos diferentes dos outros alunos. Em 1959. consequentemente. com o conceito de Necessidades Educativas Especiais (NEE). surgiram nos Estados Unidos e no Reino Unido leis fundamentais sobre a integração de crianças e jovens com deficiência. Isto implica uma nova concepção sobre as funções do professor.4. originando o aparecimento de outras formas de ensino como o semi-internato e a classe especial. sendo estes considerados capazes de aceder à educação no mesmo contexto de todos os alunos. Uma tal perspectiva sobre a deficiência conduz a uma modalidade de educação especial separada da educação regular e. Integração A partir dos anos 60. Este ensino integrado caracteriza-se da seguinte forma (Manjon e Vidal. o que realça a importância do diagnóstico médico. 1997): • • O aparecimento da educação especial nas escolas de ensino regular. O modelo segregacionista passou então a ser substituído pela integração educativa dos alunos portadores de deficiência nas escolas regulares. em regime de internato. surgindo ainda legislação especial orientada no sentido de defender os interesses das pessoas com deficiência. que passa a ser um ponto 5 . o professor de educação especial era visto como alguém que vai fazer a reeducação dos alunos agrupados segundo categorias de deficiência. Uma profunda mudança na concepção de deficiência e de educação especial.2. com a classificação dos vários tipos de deficiências físicas ou mentais. O conceito prevalecente é o da deficiência como algo de inato e imutável ao longo da vida. No decorrer da década de 70. ou «a possibilidade de o deficiente mental desenvolver um tipo de vida tão normal quanto possível». que conduzem a uma diferenciação cada vez maior de papéis entre o professor do ensino regular e o professor com funções mais específicas no ensino especial. em salas de apoio. com os pais e as famílias a organizar-se em associações. É também no início da segunda metade do século XX que surgem grandes modificações na área da Educação Especial. a um sistema educativo diferenciador entre ambas.As instituições especializadas que aparecem nesta fase criam a necessidade de seleccionar quem as vai frequentar. Assim.

livre e igualitária. na segunda metade do século XIX. que se foram acelerando após o 25 de Abril. Mudos e Cegos. É fundado o Asilo de Cegos de Nossa Senhora da Esperança. antes de mais. teve como princípio a defesa de que a escolarização dos alunos deficientes é. XVIII até hoje. Criação do Seminário da Caridade para os meninos órfãos. que visam integrar a criança “diferente” nas mesmas turmas dos seus colegas ditos normais. desde finais do séc. Criado o primeiro Seminário de Caridade para os rapazes perdidos. Contratação do sueco Aron Born para organizar o Instituto de Surdos. Ano 1772 1778 1779 1780 1822 1863 Acontecimento Reforma geral do Ensino em Portugal. com a criação dos primeiros estabelecimentos para atendimento de surdos e cegos. em Portugal. primeiro com professores em itinerância e mais tarde com a criação de Equipas de Educação Especial. desde o despiste das suas características até às necessidades educativas que têm num momento determinado. História da Educação Especial em Portugal Podemos situar o início da Educação Especial. em Castelo de 6 . o impulso de valorização da escola integradora. em Portugal. Este é o conceito de Escola Inclusiva ou para todos. mais tarde incorporado na Casa Pia de Lisboa. vão-se dando alguns passos no apoio ao Ensino Especial. que é o mais adequado aos princípios de uma sociedade democrática. Nesta altura.de referência para a escolarização dos alunos deficientes. A partir daí.3. 1. Começa-se a intervir na Educação Especial. A população escolar deve ser entendida como heterogénea. todos eles têm necessidades específicas. por Pina Manique. que se estendeu por quase todos os países da Europa. referem-se os marcos mais importantes da evolução do ensino para crianças com deficiência ou necessidades educativas especiais (NEE). e que vão exigir uma resposta da escola. No quadro seguinte. a escola não pode continuar estática nem vocacionada para um ensino de “massas”. com as concepções do saber e da cultura em constante transformação. um direito de cidadania e de que a segregação nos planos educativo e social era antinatural e indesejável. onde cada indivíduo é diferente do outro. Criada a instituição de caridade Casa Pia. ou seja. Na actualidade.

É criada a Associação Portuguesa para Protecção de Crianças Autistas. no Porto. que passou também a ter funções de formação técnica. pela Liga Portuguesa de Deficientes Motores. Mais tarde. sendo frequentado mais tarde só por raparigas. Lei da Educação Especial (nunca regulamentada). 1979 É publicada a Lei 66/79. É criado. permite 1946 1955 1960 1962 1964 1970 1971 1973 1975 1975 1976 1977 condições especiais de matrícula e de avaliação a alunos com deficiência. É criada a primeira classe especial junto das escolas primárias. para crianças de ambos os sexos. Manuel.1888 1893 1900 1903 1916 1930 1945 Vide. É criada. O Instituto de Assistência a Menores cria os Serviços de Educação de Deficientes. José Cândido Branco Rodrigues funda. 7 . assinada em Nova Iorque. a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral. José Cândido Branco Rodrigues funda. São criados Centros de Educação Especial para apoio a alunos com deficiências sensoriais ou motoras. É criado o Centro Infantil Hellen Keller. um Instituto de Cegos a que deu o seu nome. São criados os serviços de Educação Especial e surgem as classes especiais anexadas às escolas primárias oficiais. Criação das Equipas de Educação 1989 1990 Especial – EEE. o Instituto S. Aparecem as primeiras Escolas Especiais das CERCI – Cooperativas para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas (deficientes mentais). O Decreto-Lei n. é transferido para o Estoril. O Decreto Lei nº 174/77.º 45/73 cria a Divisão do Ensino Especial. É criado o Instituto António Aurélio da Costa Ferreira para ensinar crianças com deficiência mental e problemas de linguagem. em Lisboa. o Centro de Paralisia Cerebral. Madame Sigaud cria o Asilo-Escola António Feliciano de Castilho. Publicação da Lei de Bases da Prevenção e da Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência. para cegos idosos e que mais tarde passa a receber crianças e adolescentes. mas com capacidade para acompanharem os currículos comuns nas escolas regulares. 1988 Publicação do Despacho 36/SEAM/SERE. José Rodrigues Araújo Porto funda o Instituto de Surdos no Porto. É criada a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral no Porto. aplicado ao Ensino Preparatório e Secundário. em Coimbra. 1981-82 Inicia-se o apoio integrado a alunos com problemas cognitivos. É criada a Associação Portuguesa de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais (APPACDM). em Lisboa. Resolução da Assembleia da República aprovando a ratificação da Convenção sobre os Direitos da Criança. Foi reestruturado o Instituto António Aurélio da Costa Ferreira e criado o Dispensário de Higiene Mental Infantil. em Lisboa.

Concepção actual da Educação Especial Segundo Hallahan e Kauffman (1997) (citados em Fernandes. À utilização de técnicas de reforço como recompensa do comportamento desejado. À organização do meio ambiente como condutor da criança para as aprendizagens. nº 40. vocacionada para a criança a quem era diagnosticada uma deficiência. 2002). tendo a “escola da discriminação” dado lugar à “escola da integração”. Publicação da Decreto-Lei (?) 1. porém. A Educação Especial decorre agora pelas mesmas vias que a Educação Regular. À promoção da autonomia e independência da criança tornando-se o ensino também funcional. O termo Educação Especial tem sido tradicionalmente utilizado para designar um tipo de educação diferente da praticada no ensino regular e que se desenrolaria paralelamente a esta. Parecer 3/99 do Conselho Nacional de Educação.4. o pensamento da pedagogia especial caracteriza-se pelo recurso: • • • • • • À individualização do ensino: é a criança que determina as técnicas de ensino. 8 . R. Actualmente. publicado no D. por aclamação. da Declaração de Salamanca. Publicação do Despacho 22/SERE/96 – Viabilidade de formar turmas só com alunos repetentes ou com NEE. À estimulação sensorial com o objectivo de tornar a criança mais capaz de responder a estímulos.E. II Série. sendo então direccionada para uma unidade ou centro educativo especializado. incapacidade ou diminuição física ou cognitiva. A uma perspectiva desenvolvimentista da organização das tarefas: das mais simples às mais complexas.E. Publicação do Despacho Conjunto nº 105/97 – Enquadramento normativo dos Apoios Educativos.1991 1994 1996 1997 1999 2004 2005 Publicação do Decreto-Lei nº 319/91 – Nova Regulamentação da Integração. Publicação da Lei de Bases da pessoa com deficiência (38/2004). Aprovação. implicando uma concepção e práticas diferentes das que vigoravam até há poucas dezenas de anos atrás. sobre o atendimento às crianças e jovens com N. a normalização de serviços no âmbito educativo pressupõe a plena integração escolar de todos os alunos.

Assim. afectivo e psicomotor. (. os defensores da perspectiva segregada de ensino argumentam que a aceitação e compreensão de deficientes não acontece só porque existe uma oportunidade de interacção com indivíduos.. sobretudo. Além disso. nomeadamente a frequência de uma instituição de educação especial».) tais características individuais e necessidades específicas 9 . pois na prática corrente o grande número de alunos por grupo e a sua heterogeneidade não favorece o professor a obedecer a esses princípios. o facto de a criança estar sujeita ao impacto do isolamento e afirmam que a permanência constante em ambientes protegidos não favorece a aceitação de si própria e a integração social. a polémica da educação em escolas de ensino especial ou educação integrada continua aberta. frequentando classes regulares. Aliás. e outros consideram preferível a preparação independente destas crianças nas escolas de ensino especial. Criticam. quando é confrontado com o problema de respeitar as necessidades individuais a nível cognitivo. em alguns casos mantém-se a necessidade de uma certa institucionalização. Correia (1999:34) afirma que «o princípio da inclusão não deve ser tido como um conceito inflexível. crianças com graves dificuldades de aprendizagem resultado de lesões cerebrais ou graves problemas emocionais e comportamentais. incluindo as áreas de socialização e emocional.. coexistindo duas perspectivas na forma de entendimento em educação especial. Os defensores da integração escolar consideram que existe a necessidade de promover a individualização do ensino em todas as fases da educação e dar uma maior atenção ao desenvolvimento da criança na sua totalidade. Por sua vez. Neste sentido. mas com participação activa na vida social. propor o encaminhamento apropriado. uns defendem a plena integração de crianças deficientes no sistema normal de ensino. tais como: crianças com graves e complexas incapacidades que requerem cuidados médicos. crianças com severas incapacidades ou desajustes onde os pais não lhe podem dar a devida atenção.No entanto. mas deve permitir que um conjunto de opções seja considerado sempre que a situação o exija. em colaboração com os serviços de saúde escolar. esta possibilidade estava já salvaguardada no Decreto-Lei 319/91: «Nos casos em que a aplicação das medidas previstas nos artigos anteriores se revele comprovadamente insuficiente em função do tipo e grau de deficiência do aluno devem os serviços de psicologia e orientação.

» (Fonseca. assim como também não são convenientes os ambientes segregadores e excessivamente fechados. ainda não parece possível um ambiente completamente natural para todos.podem fazer com que a sua permanência a tempo inteiro na classe regular não seja a modalidade de atendimento mais eficaz. A própria noção de dificuldades de aprendizagem tem vindo a mudar. é necessário dar-se a «integração do deficiente. 1980). não estando já centrada exclusivamente no aluno. Surge assim um novo modelo de Educação Especial em que emerge o conceito de Necessidades Educativas Especiais (NEE). independentemente das condições.» Deste modo. 10 . Idealmente. limitações ou dificuldades que o ser humano manifeste. conferindo-lhe as mesmas condições de realização e de aprendizagem sociocultural. pois hoje considera-se que a Escola tem a obrigação de adaptar o ensino às necessidades de cada criança.

São Paulo: Mestre Jou. LOWENFELD. 11 . S. (2002) Educação especial – Integração das Crianças e Adaptação das Estruturas de Educação. R. Braga: APPACDM. Lisboa: Dinalivro.). (1977) A criança e sua arte. (1999) Alunos com Necessidades Educativas Especiais nas classes regulares. Madrid: Editoral EOS. D. V. Necessidades Educativas Especiais. (1997). In BAUTISTA. (1997). L. J. MANJÓN. G. Porto: Porto Editora.BIBLIOGRAFIA CORREIA. Lisboa: Moraes Editores. R. FONSECA. (1980) Reflexões sobre a Educação Especial em Portugal. “Educação Especial e Reforma Educativa”. JIMÉNEZ. VIDAL. Educación Especial – Temario de Oposiciones – Vol II.. FERNANDES. H. G. B. M. V. (Coord.

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