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PANICO GENERALIZADO: MISTERIOS E SINTOMAS DA HISTERIA COLETIVA ainda cercat masturbacao CEREBRO EM Nos primeiros meses de vida JOGO DE CONTRASTES Luz e sombra revelam como funciona a visao Pros e Contras VERDADES E MITOS SOBRE O POTENCIAL TERAPEUTICO DA CANNABIS, SEUS MECANISMOS DE ACAO E SEUS EFEITOS NO CEREBRO (Ml i ESPECIAMS Conhecida ha 6 mil anos, até algumas décadas atras a maconha era a como ei ingrediente na 38° MENTESCEREBRO JANEIRO 2008 Nee ——— das ee Unidas (ONU) estima. hoes de pessoas usam maconha freaentemente, NO Bigs, a0 cerca de 5 miles cesses iris Pedtuisadores epresentintes da ONU, entiétanto regs difculdade de claborar estatisticas exatas. Como 0 consumo na maioria dos paises ¢ legal, as pessoas raramente 0 admitem Por caus dso, espeiistas abstham com estatistcas acerca daqueles que bused auxstio terapCutico —0 que os faz admitir que a quantidade de-usuarios sem tanta regularidade seja bem maior Um levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Informagies sobre Drogas Picotrépicas sobre uso de entorpecentes no Brasil revelou que 6,9% da populagéo |Aesperimentou maconha. O percentual parece ppequeno, mas impressiona quando transformado em riimeros: equivale a mais de 30 milhes de pessoas, com idade entre 18 € 24 anos ‘A maconha (palavra de origem angolana) é uma das drogas extras de planta hé mais tempo conhecidas pela humanidade. Os registros 80 remotos: em 4000 a.C.:resqutsios da planta foram encontrados no norte da China, Em 2723 a. ‘© uso terapéutico foi mencionado em registros farmacéuticos ne mesmo pais. Na Antigiiidade, \WWW.MENTECEREBRO.COM.BR (95 romanos valorizavam a planta principalmente por causa das resistentes cordas ¢ velas para navio produzidas com sua fibra. Chegot a Europa somente nos final do século XVIII ¢ foi difundida na Africae nas Américas. Até entdo, era utilizada principalmente por suas propriedades téxteis € medicinais. No século XIX comecou a ser usada por escritores artistas, mas seu consumo ainda se restringia a alguns circulos boémios dos centtos urbanos ¢ a colénias de imigrantes asiaticos ¢ africanos. Até os anos 40, constava da farmacopéia oficial de varios pases, e mesmo no Brasil era possivel encontrar medicamentos preparacos, com base na plantaEm meados do século XX, porém, os Centstasidentificaram os efcitos colaterais da maconha € seu uso foi proibido por lei em varios paises] O consumo voltou a ser disseminado oft 60, com a difusdo do rock ¢ do movimento hippie. Hoje, a polémica sobre benefcios ¢ prejuizos causados pela maconha esté em alta. Nos iltimos meses, as discussGes ganharam espaco com a exibigao de Tropa dedi, que aborda o tema, filme foi o mais assistido em 2007 no Brasil, com 2,3 milhies de espectadores até novembro. Nas préximas paginas, MentesCérebro apresenta visbes variadas —e as vezes antagénicas — da questo, Afinal de contas, maconha faz bem? MENTESCEREBRO 39 aya sa Ve) Efeitos mentais da maconha tr aspecto que distingue a 3 a medicinais é 0 conjunto de altcragées mentais ~ em geral prazerosas e transitorias ~ que cla provoca, Embora nao scja_ ag nente estudado por seu valor clinico, 0 "barato” da droga normal std associado a melhora do humor, redugio de ansiedade ¢ relaxamento ~ qualidades desejaveis no tratamento de diversas doengas. Se € certo que muitos dos efeitos estio dircta ou ndiretamente relacionados 20 seu uso terapéutico, também ¢ / verdade que o interesse humano por ela vai muito além da esfera medicinal. A maconha tem sido usada para finalidades religiosas, artistas ¢ recreativas em diferentes tempos ¢ culturas Os efeitos mentais da Caunabis variam conforme 0 contexto nsicolégico ¢ fisioldgico do usuario. Podem ser diferentes, ou até mesmo opostoy, conlorme seu estado de humor antes de consumir a droga. Isso se deve a variagdes na composi¢ao elativa dos diferentes componentes ativos da maconha (os canabindides) ¢ da forma como eles interagem com os cite neuronais, mas depende também da experiéneia anterior do ndividuo e da via de administragao da droga (que em geral é jumada, mas pode ser ingerida). E comum, por exemplo, que alteragGes mentais nao sejam sentidas nas primeiras ve seorréncia consciente seja Também é freatiente que a primeira lembrada como a mais forte de todas as ‘viagens’ 40 MENTE&CEREBRO JANEIRO 2008, A Cannabis altera a percepgao e a cognigao; pode aliviar o stress fisico e mental e levar 8 dependéncia psicolégica. Como remédio, tem beneficios e contra-indicagées, mas o estigma da ilegalidade nos impede de usufruir suas vantagens terapéuticas POR RENATO MALCHER-LOPES E SIDARTA RIBEIRO St = EFEITOS SENSORIAIS E COGNITIVOS dl planta parecem aliviaro stress efavorecer a cristividade, mas também causam confuséo mental Oalivio do stress mental ¢ fisico & tum dos efeitos imediatos mais mencio- nados pelos usutios. Esabido, porém, ‘que altas doses de maconha podem, ‘em contextos estressantes, amplificar a ansiedade, em vez de atenusla. Entre. tanto, de forma geral, a droga funciona como ansioltico, causando um relaxa: mento freqiientemente acompanhado de bem-estar ¢ euloria, multas vezes tevidenciados por longas gargalhadas. CONCEITOS-CHAVE _ HA maconha tem sido usada para tirade elon, atacs © recreativas em diferentes tempos © cultures: Sous efeitos mentais,embora Ino acjm normalmente estudados pelo vaibr clinic, produzem estados dereisamenta fica a pigico ow* Br Sirens doen, Os canabingides presentes na rmaconhsalteram 2 percepto sensorial e temporal toream® 9 Faclocinio mae ido e velar © rejusicam o processamento da imembyit de cuttopraso. Todos exes feos parecer ae transis, dlesaparecendo com a descontnuagao ‘do so da droga. Em pessoas __com predspasieao a transtornes paiqulatricos,porem,3 Cannabis pode ‘lua srios picoticos. m Diterentemente da cocaina e da heroina, s maconha no progiz epi a, forma semhante a dependencia de jogo, pode levar 3 dependenca picologies "aSindrome amotivacional nae € ata, ‘apecialmente em adolescentes. 42 MENTESCEREBRO Aumenta a sensagao de paz interior € ‘2 empatia, So comuns alteracées na percep do tempo, que parece passar mais lentamente Emocdes e percepgbes se inten sificam, aprofundando a apreciacio estética, kidica e sensual, Em muitos ‘casos, a percepgio visual se enriquece, ganha cores mais vibrantes, diferentes contornos e nuances que sc destacam com mais clarcza do fundo, variagbes mais nitidas de luz e sombra, real ando a tridimensionalidade. Assim, elementos visuais sutis adquirem vivacidade, permitindo a0 usuério cenxergar com clareza texturas, pa- JANEIRO 2008, ene aa tnemtoeat om taie nerenttinn cen rant A maconha esta condenada pela Convengio Unica de Entorpecentes da ONU, de 1961; nem mesmo 0 uso medicinal é aprovado EM LUGAR ERRADO semuido de agitagao, incoeréncia © | gppsicges a0 uso recreacional ea negagao das propriedades medicinais alucinagdes de todos os tipos. Tis | ga maconha comegaram a aparecer em paralelo & disseminaséo da | dias se passaram antes que 0 jove” | Janta, Algunsa consideram um habito de povos atrasados, iletracios ¢ | recuperasse sua calina habitual © 0 | jneuttos da Africa e Asia, ¢ portanto merecedor de desprezo dos povos | uso de sua capacidade de raciocinio” | agiantados. Além disso, inicia-se um forte movimento alegando que Ouscja, as alterages isicas devem ter | 4 maconha é uma droga criminégena, indutora de “loucura” ¢ capaz “Um delirio muito intenso aparece sido de pequena manta, tantoque nao | ge jevar os usuarios a degradasao fisico-mental. © governo egipcio, extremamente atuante nesse processo de “satanizacio” da maconha, emitiu relatérios tentando mostrar uma relacao direta entre pacientes: : internados nos sanatérios psiquidtricos egipcios e uso da planta. resringem& aquicaineahiperemia |", Condenagio inl da maconha dew Seem 1925, em uma cnfertnla da (vermethicto) dosothos. Ocoragiode | ga dae NagBes (predecessora da ONU), com paises presents, incuindo 6 Brasil. Da pauta dessa Segunda Conferéncia Internacional do Opio constavam apenas duas substancias: ipo e cocaina. As delegacoes de cada pais deveriam estar, portanto, preparadas para discutir apenas : tessas duas drogas. Surpreendentemente, a delegacio egipcia tentou mostra como esse efeito € mesmo incluir a maconha na agenda de discussao. Apés varios dias, 0 Egito evidente. Cada curva representa um conseguiu o apoio apenas da Grécia e Turquia. Foi quando o delegado: / jovem. Dosquatro, cadaum fumouum brasileiro interveio, afirmando tachativamente ser amaconha no Brasil . placebo (material sem nenhumaativ- | 139 maléfica ou pior que 0 dpio. E note-se que o pio nem era de uso dade farmacolégica),ouduasamostas | Corrente no Brasil, o que evidencia o viés da delegacao brasileira. A de maconha aprecndidss pel politia | paconhafotinluida, naquela conven¢ao, entre as drogas que deveriam de Sdo Paulo, ou ainda recebeu uma Yer 0 uso protbid Tare Em 1945, a Liga das Na¢es da lugar a ONU, e nessa entidade inica- se um longo estudo sobre um futuro controle internacional das drogas ol indutoras de dependéncia ou “vcio”. Esse estudo culminou em 1961 com trésapresentaram nitido aumento no | aprovago da Convencéo Onica sobre Drogas Entorpecentes da ONU, niimero de batimentoscardacoso#0 | Sqr que a maconha junto com o Spi a coca, fc considerade droga sem apésterem fumado (aspiracao). Além | gutidade médica (ese uso é mesmo proibido) ede grande poder maléfico, ficando duplamente penalizada (tanto que est incluida nas Listas Ye IV daquela convencao). £ interessante lembrar que a maconha nao é uma droga entorpecente e, portanto, esta colocada inadequadamente na THC, representadaatémesmoemde- | Conyenetio Unica de Entorpecentes. -E. C. senhos populares, éum ‘andar bambo' (em medicina, uma ataxia). rmereceram atengio. Os principais efeitos fsicos agu dos produzidos pela maconha se quem fuma um cigarro ou toma uma dose de delta-9-THC fica acelerado, € a pessoa pode relatar uma "batedeira’ no peito. O grafico (réxima pagina) certa quantidade do principio ativo. Conforme se vé, com excecio da pessoa que fumowo placebo, os outros da hiperemia, outra alteragio clara no comportamento de quem esta sob 6 efeito da maconha ou do delta. | WWWMENTECEREBRO.COM.BR MENTEECEREBRO 53 34 [Numero de pulsagdes por minuto RITMO ACELERADO Estudo feito com quatro jovens mostra a acelerago do batimento cardiaco depois da ingestao de delta-9-THC (curva azul) ou consumo de duas amostras diferentes de cigarros de maconha (vermelha eroxa) apreendidas pela policia. O ritmo do coragao do jovem a quem fol dado ‘o placebo praticamente no registra alteracao (amarela). Taquicardia e hiperemia, ou vermelhidao dos olhos, sdo os prin efeitos fisicos da maconha. Outro efeito colateral inclui a ataxia, o popular “andar bambo’, além de falta e concentragao e confuséo no processamento de informagoes. Mesmo com 0 uso crdnico, a maconha nao € a pior das drogas. Parece certo que 0 fumar crénico pode levar a um prejufzo para a Arvore brOnquica (as ramificagdes de tecido dos pulmées), porque a fumaca da maconha tem centenas de substincias irvitantes que acabam por lesar a mucosa dos brdinquios Deve ser levado em conta também o possivel efeito cancerigeno, pois na cera que recobre as folhas das plantas j@ foram identificadas substancias cancerigenas, como 0 tabaco. De fato, uma experiéncia mostrou que se 0 "sarro" ou fuligem obtido da combustio da maconha ou do tabaco comum for passado por semanas na pele de camundongos, acabaré cau- sandlo tumores malignos. Mas nao ha provas em relagao ao homem. J osefeitos psiquicos da maconha so muito mais evidentes. Aguda- mente, quem fuma maconha pode MENTE&CEREBRO sentir desde euforia ou sonoléncia até delirios ¢ alucinagées, Estes tilt- mos podem variar, indo de efeitos de cunho agradavel, as “viagens boas’, a crises deangtistia avassaladora, vibes terificantes, levando 0 usuério a um estado de muito sofrimento psiqu co ("md viagem’ ou "bode". Mas ‘ocorrem também efeitos psiquicos ‘que nio so bem percebidos pelo fumante de maconha, Por exemplo, uma acentuada perda da capacidade de distinguir tempo e espaco; pessoas ‘que tém boa nocao do tempo antes de fumar maconha passam a errar _grossciramente apds 0 uso. Essa perda de discriminagio tem: poral (e espacial) acomete praticamen- te todos os usuarios de maconha “vio que essas pessoas correm perigo (c expoem outras a cle) no caso de ‘operar méquinas ou ditigir veiculos, Outro cfeito agudo tipico na érea psfquica refere-se 3 perda da memoria Podem surgir efeitos psiquicos como euforia ou sonoléncia, delirios e alucinagées, além de perda da nogao de tempo ‘chamada de curto prazo, 0 que pode prejudicar 0 rendimento escolar do jovem que fuma maconha Com 0 uso crénico, hi grandes discussoes Sobre se a maconha induz consesqiéncias graves, Fala-se muito de uma “rise amotivacional’, o que leva ria 05 usuérios a um grande prejuizo pessoal ¢ social. Mas nio ha provas ccabais sobre esse fato. Da mesma ma neira, existem trabalhos que procuram demonsirar que quem fuma maconha cronicamente tem maior possibili dade de desenvolver doenga mental Contudo, muitos autores negam essa possibilidade, ou seja, no aceitam ‘essa ‘psicose canaiea’. Na realidade, amaconha éa droga mais tilizada no mundo, ¢ nem por isso a humanidade esti cheia de loucos. Sabe-se, esto sim € aceito, quea substincia pode desen: ‘eadear crises de psicase em pessoas que jdsto doentes ou que ttm tendéncia a desenvolver doenca mental Existem varias preocupagdes an tigas quanto A droga que mio mais se justificam, O dano aos cromossomos, por exemplo, nio foi comprovado. ‘As aberracdes previamente obser vadas sio comuns a outras drogas amplamente utilizadas parecem nao ter significado clinico, A no- a0 da existéncia de uma possivel “psicose canabica” especifica nio cencontra evidéncias cientificas que a apdiem, Anormalidades endécrinas JANEIRO 2008, nos homens € nas mulheres foram previamente descritas, mas ainda no investigadas. Sua significancia clinica também & questiondvel. Efe tos adversos cardiovasculares podem estar limitados a ususrios mais idosos, ‘que jd posse doengas no coragao. Felizmente, esses ustdtios sio raros. Efeitos adversos no sistema imuno- logico nao aceleraram 0 progresso da Aids nem tiveram nenhuma outra FALTA DE CONCENTRACAO Entre 0s fatores que preocupam esto estes neurolisioldgicos ¢ cletroti- siolégicos sugerindo conlusao no processamento de informagoes, com cfeitos como inabilidade de concen- ar a atengio € ignorar estimulos inrelevantes. Nao se sabe ainda se cesses efeitos seriam irreversiveis, mas alguns estudos sugerem que podem ter longa duracao. Alem disso, nfo esté suliciente mente elaro ainda seo uso crénico da maconha pode preciptar um episédio de esquizofrenia em pessoas com pre disposigioa essamoléstia, Sabe-se hoje {que a0 menos essa suspeita tem de ser levadla a serio, Baseando-se no conhe- cimento presente, pessoascom histria de doenga mental pessoal ou familiar positiva deveriam ser desencorajadas a Em termos gerais, as alteragoes causadas pelo consumo sie muito menos procminentes do que as as sociadas com as drogas licitas social mente, tais como dleool e nicotina E importante lembrar que a ma bu substancialmente para a ocotréncia de acidentes automobilisticos. O al- cool, muito mais amplamente usado conha em si mesma nao cont permanece 0 campeao nas estatisticas ligadas a esse problema. Ainda assim, a orientagao “se beber, ndo ditja’ deve também ser aplicada a essa dro} Existem novos estudos mostrando | WWW.MENTECEREBRO.COM.BR um aumento de cinceres aerodigest vos (da boca a0 estémago) em usu: rios crénicos de maconha, & seme Ihanca do que jd loi relatado entre os fumantes de cigarro, Fumar maconha € tao prejudicial aos pulmées quanto fumar tabaco. Quanto ao uso da droga durante a gravidez, foi comprovado que a conseqiiéncia Sio wecém-nascidos de menor estatura, A observagio de mu danas comportamentais ¢ cognitivas nessa criangas a partir de 4 ou mais anos € rara. Além disso, também se discute a possibilidade de a maconha ser indutora de dependéncia. Existem «casos naliteratura descrevendo pessoas dependentes. Mas elas nao sao nume rosas € nem apresentam a seriedade da dependéncia induzida pelos bar bitiricos € opiiceos tante registrar que o ser humano € 20 lids, € impor peculiar que pode fiear dependente dle quase tudo. Fntre os casos mais estranhor, estao pessoas dependentes de cenoura, Ou sea, no consezuem deixar de comé-las, poissem aingestao regular desse legume podem apresen tar erises de abstinéncia Nio ha descrigio de casos de de pendéncia do delt-9-THC, apesar de se tratar de medicamento psicoativo, capaz de produzir os mesmos efeitos Psiquicos que a maconha, ¢ ja exist no comércio (embora controlado) de varios paises, como j vimos mo conclisdes, pode-se dizer que em certos casos de doencas a relagio riscorbeneficio para o delta-9 THC ¢ evidentemente positiva, 0 que justficaa presenga desse medicamento no arsenal terapéutico. A relagio risco*beneficio de fumar cigarros de maconha também parece ser positiva em casos especiticos de doenga, tanto frances do século XDK, em auto-retrato realizado sob eleito de haxixe assim que Varios paises devem aprovar cem breve a liberagio de cigarros de maconha como medicament, Em relacio a0 uso reereacional d droga, nio ha benelicio clinicoalgum, 4 que nao existe doenca a ser tratada pelo uso de maconlra coni am. As sim, a relagio riscorbeneficio do use Ou seja, fumar da maconha “para divertimento” no € aconselhavel do Eee as pe ‘Towards drugs derived from Cannabis. R. Mechot ym © E, A. Carlini, em Naturwissenschaften, vol. 65, pgs. 174-179. 1978. ‘Mediicamentos esate. EA, Carlini, em Satideem Debates, vol. 5, pags. 21-25, 1977. MENTESCEREBRO 5S 56 La) 1.67 (MENTES&CEREBRO enddégena (Gina certa forma, todos nés produzimos nossa prépria maconha. A descoberta foi feita em 1992 pelo bioquimico Raphael ‘Mechoulam, da Universidade Hebraica em Jerusalém, ¢ desde entio muitas pesquisas vem desvendando o papel dos endocanabindides, substancias produzidas pelo cérebro, andlogas ao delta-9- tetrahidrocanabinol (THC), o principio ativo da Cannabis sation Deixando de lado a polémica associada as plantas psicoativas, pelo ‘menos temos de agradecer-thes 0s servigos prestados & farmacologia e & fisiologia, sempre nessa ordem, Assim como a morfina da papoula ajudou a revelar as endorfinas € os receptores 1 (que participam do controle da dor), a diamba, como a maconha era chamada antigamente, trouxe & tona os endocanabindides c seus receptores. Suas funcGes parecem ser importantes, jd que experimentos com animais geneticamente modificados para nao expressar essas moléculas resultam em individuos mais suscetiveis 4 dor, com dificuldade para controlar a ingestdo alimentar e a ansiedade ¢ para lidar com o stress, E por isso que pesquisadores de diversos paises procuram entender melhor o funcionamento do chamado sistema endocanabinéide: para ‘encontrar novas formas de aliviar a dor e a ansiedade, combater a obesidade ea dependéncia quimica e, quem sabe, tratar o stress ps- traumatico e a doenga de Parkinson — tudo isso sem as efeitos nocivos causados pela inalacio da fumaga da Can JANEIRO 2008, Descoberta dos endocanabindides na década de 90 fez muito mais do que explicar os efeitos mentais da maconha: abriu novas perspectivas para a compreensao dos mecanismos da dor, da meméria, da obesidade e do stress pés-traumatico POR ULRICH KRAFT CONCEITO: HAVE Até agora foram identificados dois coordena a atividade motora. Esses NCEITOS-CHAVE | receptors também sao abundantes no ‘endocanabindides. © primeira foi a iE Azpesauisas com os princpios | anandamida, um tipo de dcido grexo hipocampo importante paraaformagio. Tovaram' descobertade moleculas | descoberto par Mechoulam (amanda, da mern6rianaamigdala,relacionada as _Ereduzidas pete cerebro, | em sanscrito, significa (clicidade). De-emogiese dansiedade;enoneocsetex, | estte envolvidos numa ériede | pois, os farmacologistas Nephi Stella sede de funcBes cognitivas como a fala sis loates: |e Daniele Piomelli, da Universidade a integragio dos sentidos, Dadas as 1 Os endocnabingides atimacome | da Califia em Irvine, encontraram diferentes fungies dessas moléculss, é ae eee etilsossites | umasegunda moléeulacom caracterfs, fil entender os nas clissicos deal nenoso do excesso de exctiagaa elerica | ticas semelhantes, 02-AG. De alguma _guémqueestésob oefeto da maconha © daatuacio dos harmonies dose | forma o THC se parece com essa dias _comportamento calmo, coordenacio 1 Varios canabingidessinteticns estio | substanciasa ponto de ativar os recep-_motora rim, percepgbes sensoriais desetmbardregnsaletarconres | vores CBI e desencadear seus efeitos alteradas e, mais tarde, apetite intenso obesidode, blag ess posiraumatce, | yo crebro, ~a famosa larca ‘Soence de Alzheimer, entre outras eS OsreceptoresCB! nioestiounifor ——_Pesquisadores da dea fcaram sur- rmemente espalhados pelo cérebro, a0 _presos quando ficou claro que osendo- Rigorosamente falando, os en- — contrério, so encontrados em grandes canabindides atuam na comunicagio docanabinéides niio imitam a ago concentragies em alguns pontos espe- entre 0s neurdnios, nao da mesma a maconha, Ao contritio, éa droga cificos, ees distribuigio sugere que © maneiraque outros neurotransmissores, derivada da planta que mimetiza seus sistema canabindide humano cumpre mas na direcio contréria. De forma cfeitos no cérebro, Pouco mais de muiltiplas fungées (vr quad na fig. ao geral, quando um neurénio dispara, ele tuma década de estudo mostrou que o lado). Um mimero grande deles esté ibera neurotransmissores que estavam THC se liga a0 receptor canabindide situado, por exemplo, no hipotélamo, _armazenadosproximo.extremidade de do tipo | (CB!) o mesmo, ais, 20 que desempenha papel crucial no seu axbnio. Esas substincias cnizam a qual se ligam os cadocanabindides. controle do apetite; eno cerebelo, que _fenda sngpticae se igamaosreceptores LOCALIZACAO ANATOMICA E EFEITOS MENTAIS Receptores endocanabindides podem serencontradosem os efeitos cléssicos da maconha quanto os possivels bene- diversas regides do cérebro, o que ajuda aexplicar tanto ficios do uso de drogas que interajam com esse sistema. AMICDALA. Relaonad 3 rogben 3 fnstdadee20 medo ‘HIPOTALAMO- NEOCORTEX: reer sees ieee i eae epee ca ( ee ee ear oe ee GANGLIOS DA BASE Peep mecceear ase oe reaee (ij a pocamPo ie nl ce itty De ceseaienet ii - ceeseio Centro de controle ‘Seoordenagio dos ‘momentos ‘TRONCO ENCEFALICO E MEDULA ESPINHAL Inpetante no raflens ce vn ena senearso de dor 58 MENTEGCEREBRO JANEIRO 2008 Os endocanabindides participam da exting&o de memérias negativas; deficiéncias na regulac&o deste sistema poderiam resultar em fobias COMUNICACAO EM SENTIDO CONTRARIO. Em uma snaps tip, a extremidode de um axdnio seceta neurotransmis- ee) tetera cited (eae) Eeat cial 9. amcor eee es eect a sere ee eseisicices | 5 encocanabinsides sed o contrro, Hess prodizidos na membrana do neurdnio seguinte,o que pode tanta diminuir (se for um neurotransmissor inibitsrio) quanto aumentarsua chance de dsparar (se for excitat6rio} Com os endocanabindides a 16- sca € diferente. Eles sdo sintetizados rapidamente na membrana celular do neurénio pxis-sindptico, cruzando a fenda em sentido conirério até se ligar ao receptor CBI do ax6nio (oer {advo acina), Poucos anos atrés os nneuracientistas achavam que esse tipo de sinalizagio retrégrada s6 ocortia _ fisiologista Beat Lutz, da Universidade cérebro dos animais tratados com durante 0 desenvolvimento embrio- de Mainz, Alemanha, Na iminéncia canabindides era muito semethante nério. Experimentos com animais, no de uma tempestade neuronal, os en- ao dos animais saudaveis’, afirma cntanto, mostraram as vantagens dessa docanabinéides sio liberados para Giuffrida. Atualmente sua pesquisa es ‘comunicagao retrégrada. "Os endoca- blogued-la. "Quando o cérebro passa focada na identificagao de drogas que nabindides participam de um cireuito’ poralgum stress, parece prodluzir mais detenham a destruigao dos neurdnios de realimentacio inibitério’, explica _ endocanabindides’, diz Lutz dopaminérgicos econtrolem a doenga ‘0 neurobidlogo Andreas Zimmer, da © farmacologista Andrea Giu- de Parkinson Universidade de Bonn, Alemannha. firida, da Universidade do Texas em Os efeitos inibitérios do haxixe (a San Antonio, confirmou essa teoria EXTINCAO DO MEDO resina extraida da maconha, também —trabalhando com pacientes com Pa- _Alguns efeitos mentais da maconha ricaemTHC)erambemconhecidosna —rkinson, doenca neurodegenerativa _comegam a ser mais bem explicados Bagdé doséculo XV, segundo octonista em que neurdnios dopamingrgicos de Pesquisadores treinaram roedores para rabe Ibn Al Badti, que telatou o uso da certas regides do cérebro morrem, 0 temer certos estimulos, em seguida droga para cessaras crises epiléticas do queresultaem tremoresincontroliveis, os retreinaram para aprender que os filho do califa. As convulsdes surgem Cruffrida injetou uma toxina que des- estimulos nao cram mais uma ameaca quando os neurdnios disparam de ma-_tréiscletivamente esses neurBniosem — — um modelo de extingio gradual da célula pés-sindptica e dali atravessam a fenda sindptica para encontrar 60s receptores CBI no neurdnio pré-singptico. Quando essa ligaco ocorre, a _mensagem transmitida é inibitoria, isto & sinaiza a0 neurdnio pré-sinaptico {que deve cessara liberaco de glutamato. Os endocanabinéides tém, portanto, ‘uma acao inibitoria, protegendo 0s neuronios da superexcitacao, neira dessincronizadaenenfuma influ: camundongos alguns minutos depois do medo, Os animais geneticamente énciainbitéria €capaz de deté-os, de administrarneles um canabingide moificados para no expressarem os Mais recentemente as pesquisas —sintético, Resultado: a droga evitou receptores CI, no entanto, continua- vémapontando parao fatode osendo- 0s efeitos destrutivos da toxina. "Oram medrosos. Ao que parece, os en- ‘eanabinéides protegerem os neur6nios daatwidade excess, ‘O cérebro ction tum tipo de freio de emergéncia’ diz 0 ULRICH KRAFT é jornalista cientfico, ~ Tradugio de lio de Olivera WWI. MENTECEREBRO.COM.BR MENTES&CEREBRO 59 A PROTEGAO DO CEREBRO CONTRA A DOENCA DE ALZHEIMER THC, principio atlvo damaconha, tal vex possaajudar a combater a doenca de Alzheimer. As pesquisas nessa érea ainda esto bem no comego, mas ji despertaram o interesse das indstrias farmacéuticas, vidas por encontrar ‘drogas que possam prevenir ou retardar ‘desenvolvimento das placas amiloides mais de um século pelo médico alemao Alois Alzheimer (1864-1915). ‘As placas amiléides tipicas do Al zheimer matam rapidamente os neu- ronios colinérgicos, isto é, aqueles que ina como transmissora A primeira droga para combater essa degeneracio, lancada em 1997, fol o tacrina (comercializado como Cognex), um inibidor da enzima colinesterase, que degrada a acetilcolina. Ao aumen- tar os nivels desse neurotransmissor, a droga, portant, retarda aformagao de ides. O representante da ACUMULO PROGRESSIVO de placa amides, pico da doenga de Alz segunda geracio desses medicamentos € © donepezil, comercializaclo como ‘Aricept. No entanto, varios estuclos ‘vem mostrando que osbeneficios desse tipo de droga € muito limitado. Uma metanalise publicada em 2008 no British ‘Mecca! eural concuiu que,“devido a problemas metodoligicos e beneficios clinicos modestos, abase centifiea para recomendagio dos inibidores de col- esterase no tratamento do Alzheimer é questionsve”. De fato, muitos neurotogistas ja estéo convencidos de que essas dro- gasagem tarde demais. No momento do diagnéstico, muitos neurénios jé foram destruidos, e aumentar a con- centragao de aceticolina nao parece ser 0 suficiente — & como colocar um curativo simples num ferimento que precsa de sutura. € por isso que deter 2 progressao do Alzheimer ainda nos cestagios iniciais € tao importante, e af do tecido nervoso, como mostra esta tomografia de um pacente em estado avancado 60 MENTE&CEREBRO er, causa atofia entra o principio ativo da maconha, Segundo 0 farmacologista kim D. Janda, do Instituto de Pesquisa Scripps ‘em La olla, Calférnia, oTHC previnea’ degradacSo da acetilcolina da mesma forma que 0 Cognex eo Aricept, mas, além disso, parece capaz de bloquear as proteinas t6xicas que formam as placas amides. “Nos descobrimos esse mecanismo ‘enquanto estavamos tentando encon- trar uma ‘vacina’ contra a maconha’, Janda. Com a ajuda de modelos computacionals, ele estuda algumas rminisculas moléculas sintéticas que funcionam como se fossem “cartes ddevido a0 seu formato “plano”. Se- undo 0 pesquisador, 0 THC & capaz de se inserir entre a acetilolina a acetilcolinesterase, impedindo sua interagio. Em 2006, Janda e sua equi: pe publicaram um artigo no Molecular Pharmaceutics demonstrando que 0 principio ative da Cannabis se liga a ‘um lugar especifico da acetilcolines- terase. “Se vocé imaginar a enzima como uma rosquinha, as drogas como Cognex e Aricept se prendem no ori clo dela, mas 0 THC blogueia o acesso a esse orifcio, © que interrompe a atividade da aceticolinesterase de forma muito mais eficaz. ‘Os anabindides, como échamada a classe de drogas a qual pertence 0 THC, podem oferecer outros beneficios 20s pacientes com Alzheimer. Segundo 2 neurologista Maria de Ceballos, do Instituto Cajal em Madi eles previnem 2 inflamaco causada pela hiperati- Vidadle dos astrécitos das células da microglia Essas células tem a funcao de proteger 0 tecido corebral, mas para Isso secretam substancias, como © 6xido nitrico eo fator alfa de necro- se tumoral, que acabam ajudando a estruir mais neurénios. JANEIRO 2008, ‘Tanto as microglias quantos os astré- expressam receptorescanabindides tipo CBI. Segundo Ceballos, oTHC se ‘a esses receptores, prevenindo que 5 células protetoras secretem Sxido ¢ fator alfa de necrose tumoral. Jema é que, coma progressio da 12, ela destréi os neurénios onde io ancoradios os receptores CB1, deixando alvo sobre 0s quais os indides possam agit. “Por isso a ja tem de ser usada precocemente", 1 Ceballos. ‘A idéia de drogas canabindides para fratamento do Alzheimer tem seus icos € um deles 6 o neurologista nce Honig, da Universidade Co- Segundo ele, ainda ha poucas ncias de que a acetilcolinesterase sj envolvida na agregacdo das fibras ilbides ede que os receptores CB1 sao para a prevengo da inflamaco hiperatividade das glas. Ceballos e Janda acreditam que haja jpouco de preconceito de outros pes- xdores em relacao a seus estudos por do estigma associado a uma droga al. “Obviamente nésnao defenddemos as pessoas com casos de Alzheimer familia devam simplesmente furmar conha como método preventivo”, a Janda. Ceballos explica que, 1do for possivel desenvolver uma ‘eficaz, muito provavelmente ela 4 administrada em comprimidose nao répromoveros efeitos psicoativos da ha. Enquanto isso, a pesquisadora planejando um estudo para investi- um grupo da Holanda, pais onde 0 \éa Cannabisé legalizado desde 1976. objetivo € testar a hipdtese de que a valencia de Alzheimer & menor entre usuérios regulares da erva. Resultados iinares s6 em 2009, IDREW KLEIN 6 jornalstacientifico. Tradigdo de jlo de Olvera \WWW.MENTECEREBRO.COM.BR docanabindides so fundamentais para climinar memérias negativas. E possivel ue este sistema esteja menos ativo nas Fobias € no stress pés-traumatico (Os endocanabin6ides jé desperta ram interesse das inckistrias farmacéu ticas.A empresa francesa Sanofi-Aventis salu na frente € colocou no mercado © rimonabanto, um bloqueador dos recepiores CBI. Aprovada no Brasil desde abril de 2007, a droga ¢ indicada para o tratamento de pacientes obesos coutcom sobrepesoecom fatores de isco como diabetes tipo 2 ou dislipideria, "Oscanabindidesestimulam oapeti te, provavelmente por meio do sistema de recompensa’, explica Zimmer. Por se ligar aos receptores normalmente usados por esas moléculas endégenas, ‘orimonabanto écapazde nib o deseo por comida. Além disso, 0 uso da me- dicagio std associado a menor isco de inforio e acidente vascular cerebral. © principal eleito adverso 60 enj6o,casos de diaréa, tontura € vomitos 0 mais raros. A droga € contra-indicada para pessoas com hist6rica de depressio ‘SENSACAO DE EUFORIA ‘Masha quem desconfe, como Lutz, que as vantagens do rimonabanto rio sao resultado apenas de sua influéncia no cérebro. O pesquisadoractedita que boa parte dos eeitos metabslicos do medi- camento se deva a sua agio petiférca, poisha grande quantidade de receptores CBI em outa partes do organismo. Comer nao € a Gnica atividade que mobiliza o sistema de recompen- sa cerebral. Muitas substancias que ‘causam dependéncia fazem 0 mesmo, a nicotina, por exemplo, estimula a liberacio dedopamina, proporcionando uma sensacio de satisfacio euforia. WecNoen anne Bloquear os receptores endocanabi- néides poderia neutralizar esse efeito, tomando o cigarro "sem graca’ para (5 fumanies. Apesar deste © de outros possiveisbeneficios,virios especialistas semostram cautelososquando o assunto 6 interferir no sistema endocanabindi- de. O cérebro mantém um delicado equilibrio entre forgas excitatérias ¢ inibit6rias, que envolvem vérios outros neurotransmissores. Nao sabemos exatamente 0 que pode acontecer se alterarmosessaselagdes’, pondera Lt Zimmer tem a mesma opinio fo temos idéia do que itd acontecer alongo prazo se inibirmos o sistema en- docanabindide’ diz. Sua convicgao esté baseada em experimentosrealizadosnos tltimosanos com camundongos geneti- ‘camente modificados para nio express rem os receptores CBI. Quando jovens, cosanimaistiveram melhor desempenho ‘em testes de aprendizado comparados a camundongos-controle. Mas com a idade de 3 a 5 meses (a maturidade dacs pécie), osanimaismodificadosapresen tavam resultados t3o ruins quanto seus semelhantes com 18 meses, j6 idosos Outros estudos, em que os animais cconsumiam maconha regularmente, revelaram lesoes no tecido cerebral, particularmente no hipocampo, onde se processa a meméria, Camundongos desprovidos dos receptores CB1, 0 entanto, perderam mais neurdnios hipocampais que os animais de contro- le, Segundo Zimmer, a morte celular prematura talvez se deva 3 perda da neuroprotegio exercida pelos endoca nabinGides. ‘Precisamos avancar com ‘muito cuidado para termos certeza de que a inibigio farmacolégica dos re- ceptores CB1 nao vai causar problemas a longo prazo’, diz, mex Endocannabinoid signaling in the brain. 8. |. Wilson e R.A. Nicoll, em Science, ‘vol. 296, pags. 678-682, 2002. Early age-related cognitive impairment in mice lacking cannabinoid CBI receptors. A. Bilkel-Gorzo etl, em PNAS, vol, 102, n° 43, pags. 15.670-15.675, 2005. MENTE&CEREBRO 6