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c No alto do tricentésimo quinto andar Gautama Zohar olhava sua barriga.

Estava
preocupado. Ela parecia aumentar constantemente nos últimos tempos. Melhor dizendo,
nos últimos quatro meses. Seu umbigo cada vez mais estava ficando uma cratera em sua
barriga. Pensou se não estaria, sem querer, se transformando em Buda. Até que seria
alguma coisa interessante. Quem sabe assim poderia comer muitas mulheres. Oi, Sabe,
nirvana, etc. e tal. Meu nome? Gautama. Pois, é não é um nome comum, que coisa
interessante, não é. A gente nunca sabe do destino. Aparentemente meu nome é uma
mistura do nome do meu pai e da minha mãe: Gaurimar e Tamaris, etc. e tal (nunca se
saberá se isso é verdade). Mas não será que o fato de que eles tenham se conhecido não
fazia parte de uma ordem bem mais superior e inacessível. Eles nunca tinha ouvido falar
em Buda. Os dois moravam no interior de Bituvinha de Baixo.

Huau!! 2031!!!! Quem diria. As coisas evoluem muito rápido. Mas eu fui sortudo. Ou
melhor, meu pai foi sortudo. Quando e tinha doze anos ele ganhou a mega-super-hiper-
mega-sena de 2016. Ele teve a honradez de deixar dez mil milhões de Zirgus para mim
e para a minha mãe. Com os outros cento e trinta e dois milhões ele, além de comprar
uma ilha na melanésia e arrecadar trinta e oito nepalesas cegas vendidas em um leilão
de escravas sexuais na Birmânia, acabou por ficar louco, não se sabe se por excesso de
riqueza ou se por ter mediar as infinitas discussões de suas escravas sobre qual
ordenação em que deveriam dormir com ele.

Meu pai era um homem simples. Mas coisas se sucedem muito rapidamente. Até
ganhar a mega-super-hiper-mega-sena ele plantava feijão e milho e adorava dirigir um
trator. Nós eramos felizes, creio, a não ser por algumas lembranças de minha mãe
chamar meu pai de cagão e dele chamar a ela de bostona de merda. Acho que eu não
entendia bem o significado destas palavras; creio mesmo que ficava meio confuso, pois
achava estas palavras até bonitas, mas não o tom de voz em que eram ditas. Minha mãe
chorava e deixava suas lagrimas sempre correrem por sobre um vasinho de violetas.
Meu pai saia e voltava bêbado e jogava o vasinho de violetas e as lagrimas de minha
mãe pela janela. Isso acontecia pelo menos umas três vezes por semana. Quando isto
acontecia eu sempre ia na casa do Nicolau e comprava outro vasinho de violetas. No
outro dia ele não se lembrava de nada mesmo.

Mas mesmo assim tudo ia bem até o meu pai ganhar a mega-super-hiper-mega-
sena. A primeira coisa que fez foi alugar um apartamento na cidade, mas so para ele .
Eu e minha Mãe ficamos em Bituvinha de baixo. Ele não falou para ninguém que havia
ganhado a mega-super-hiper-mega-sena, mas matriculou-se em um curso de inglês. O
problema era quando chegava bêbado no curso de inglês e jogava o vaso de violetas que
ficava na sacada sobre a cabeça de mulheres idosas e encurvadas.