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Sex, 23 de Maio de 2008 09:29

CONDOMÍNIO SEM BRIGAS E DESAVENÇAS

CONDOMÍNIOS: HORIZONTAL & VERTICAL


e sua lei 4.591/64 atualizada

SUMÁRIO
01 – CONSIDERAÇÕES
02 - DA DENOMINAÇÃO
03 - DA PROPRIEDADE COMUM
04 - CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS E VERTICAIS DE FATO E DE DIREITO
05 – OBJETO
06 - GARAGENS NOS EDIFÍCIOS DE APARTAMENTOS
07 - DESPESAS DOS CONDOMÍNIOS HORIZONTAIOS E VERTICAIS
08 - TRANFERÊNCIA OU ALIENAÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS
09 - VERBAS PARA AS DESPESAS CONDOMINIAIS
10 - DA PRESTAÇÃO DE CONTAS
11 - DA INSTITUIÇÃO DE CONDOMÍNIO
12 - DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO
13. - DO REGIMENTO INTERNO
14 - PROVIMENTO CG Nº 10/2004
15 - SEGURO OBRIGATÓRIO DOS CONDOMÍNIOS
16 - CONDOMÍNIOS E INCORPORAÇÕES
17 - INVASÃO DE ÁREA COMUM
18 - ALTERAÇÃO DA DESTINAÇÃO CONDOMINIAL
19 - HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
20 - DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS CONDÔMINOS
21 - TRANSPARÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO
22 - ASSEMBLÉIA GERAL
23 - NULIDADES DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS DOS CONDÔMINOS
24 - DO SÍNDICO - DO SUBSÍNDICO - DO ZELADOR
25 - UNIDADES CONTÍGUAS
26 - COLOCAÇÃO DE LETREIROS OU CARTAZES
27 - CONTRIBUIÇÕES PARA INOVAÇÕES
28 - MODIFICAÇÕES INTERNAS DE UNIDADES AUTÔNOMAS
29 - UTILIZAÇÃO DE ELEVADORES
30 - ANIMAIS DOMÉSTICOS
31 - OSUCAPIÃO DAS ÁREAS COMUNS
32 - INOVAÇÃO EM VAGA DE GARAGEM
33 - EXCLUSÃO DE CONDÔMINO
34 - APARELHOS ATMOSFÉRICOS E SEGURANÇA
35 - RESERVA DO INCORPORADOR PARA EXPLORAÇÃO DE ANÚNCIOS
36 - AQUISIÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS PELO CONDOMÍNIO
37 - FURTOS EM CONDOMÍNIOS
38 - VAGAS EM GARAGEM
39 - VAGAS INDETERMINADAS NAS GARAGENS
40 - COBRANÇAS CONDOMINIAIS ATRAVÉS DE TÍTULO
41 - DA PENHORA CONTRA OS CONDÔMINOS
42 - LIMITAÇÃO NAS ÁREAS DE LAZER DE VISITANTES E CONVIDADOS
43 - CONVENÇÃO E REGIMENTO INTERNO OMISSOS
44 - DESPESAS IRREGULARMENTE APROVADAS EM ASSEMBLÉIA
45 - INGRESSO DE AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS PELO CONDÔMINO
46 - DAS VOTAÇÕES EM ASSEMBLÉIAS
47 - ABONO OU PRÊMIO PONTUALIDADE
48 - PROCEDIMENTO NAS COBRANÇAS JUDICIAIS
49 - AUTO-ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO
50 - CLÁUSULA DE NÃO INDENIZAR
51 - SÍNDICO DE FATO E DE DIREITO E SEUS PODERES
52 - SEGURANÇA
53 - CORPO DE UM CONDOMÍNIO OU HIERAEQUIA CONDOMINIAL
54 - DADOS TÉCNICOS DE UM CONDOMÍNIO HORIZONTAL
55 - LEI FEDERAL Nº 4.591 DE 16 DE DEZEMBRO DE 1964

PREFÁCIO

CONDOMÍNIO HORIZONTAL
Alguns procuram tumultuar o entendimento da Lei Federal nº 4.591/64 , que em seu artigo 8º, letra
a) diz: "em relação às unidades autônomas que se constituírem em casas térreas ou assobradadas,
será discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação e também aquela eventualmente
reservada como utilização exclusiva dessas casas, como jardim e quintal, bem assim a fração ideal
do todo e de partes comuns, que corresponderá às unidades", portanto a unidade autônoma nos
condomínios horizontais corresponde aos lotes dos loteamentos;
CONDOMÍNIO VERTICAL
A Lei Federal nº 4.591/64, letra b) diz: "em relação as unidade autônomas que constituírem edifícios
de dois ou mais pavimentos, será discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação, aquela
que eventualmente for reservada como utilização exclusiva, correspondente às unidades autônomas
do edifício, e ainda a fração ideal do todo do terreno e de partes comuns, que corresponderá a cada
uma das unidades", portanto as unidades autônomas nos condomínios verticais correspondem aos
edifícios de apartamentos, conjuntos e edifícios garagens;
Um condomínio possui cinco etapas e fases importantes na sua constituição, conforme abaixo:
1ª - INSTITUIÇÃO DE CONDOMÍNIO
O artigo 7º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “O condomínio por unidades autônomas instituir-se-á
por ato entre vivos ou por testamento , com inscrição obrigatória, no Registro de imóveis, dele
constando: a individualização de cada unidade, sua identificação e descriminação, bem como a
fração ideal sobre o terreno e partes comuns, atribuída a cada unidade, dispensando-se a descrição
interna da unidade.”
A inscrição obrigatória no Registro de Imóveis, far-se-á conforme o Provimento CG nº 06/1977 de 23
de junho de 1977 da Corregedoria Geral da Justiça;

2ª - PROJETOS E MEMORIAIS
Os projetos e memoriais aprovados pelos órgãos públicos estaduais, federais e municipais, que
fiscalizam e autorizam a instalação do empreendimento, são partes integrantes da instituição de
condomínio acima referida, e nestes documentos estão na maioria das vezes os esclarecimentos das
dúvidas que surgem e provocam dissensões;

3ª - VENDA E COMPRA
Os proprietários, promitentes compradores, cessionários ou promitentes cessionários dos direitos
pertinentes à aquisição de unidades autônomas, em edificação a serem construídas, em construção
ou já construídas, quando da compra do imóvel deram suas formais e totais adesões, sem restrições
ou ressalvas, para nunca mais reclamar ou exigir, sobre a instituição de condomínio, os projetos e
memoriais do empreendimento;
OBSERVAÇÃO: A instituição de condomínio, os projetos e memoriais, tornam o condomínio ,
perpétuo, indivisível e indissolúvel sob o regime do Código Cível Brasileiro, para efeito de se
conciliar a perpetuidade, indissolubilidade e indivisibilidade do condomínio com as disposições do
Código Civil, obrigando a todos os co-proprietários de frações ideais como condição do negócio, a
manter o condomínio perpétuo, indivisível e indissolúvel;

4 – CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO
O artigo 9º da lei Federal nº 4.591/64, diz: “Os proprietários, promitentes compradores,
cessionários ou promitentes cessionários dos direitos pertinentes à aquisição de unidades
autônomas, em edificação a serem construídas, em construção ou já construídas, elaborarão, por
escrito, a Convenção de Condomínio, e deverão, também, por contrato ou por deliberação, em
assembléia, aprovar o Regimento Interno da edificação ou conjunto de edificações.”;
O artigo 9º, parágrafo 2º da lei Federal nº 4.591/64, diz: “Considera-se aprovada, e obrigatória para
os proprietários de unidades, promitentes compradores, cessionários ou promitentes cessionários,
atuais e futuros, como para qualquer ocupante, a Convenção que reúna as assinaturas de titulares
de direitos que representem, no mínimo, dois terços das frações ideais que compõem o
condomínio”;
OBSERVAÇÃO: A convenção de condomínio, para que seja um documento de fato e de direito, é
registrada no livro nº 03 do Cartório de Registro de Imóveis, conforme a Lei Federal nº 6.015/73,
artigo 178, inciso III. Na convenção de condomínio deve constar somente o que está exarado nas
letras a) a m) do parágrafo 3º, artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64, para não se entulhar a referida
convenção, sendo as demais regras e procedimentos do Regimento Interno;

5º - REGIMENTO INTERNO
O artigo 9º da lei Federal nº 4.591/64, diz: “Os proprietários, promitentes compradores,
cessionários ou promitentes cessionários dos direitos pertinentes à aquisição de unidades
autônomas, em edificação a serem construídas, em construção ou já construídas, elaborarão, por
escrito, a Convenção de Condomínio, e deverão, também, por contrato ou por deliberação, em
assembléia, aprovar o Regimento Interno da edificação ou conjunto de edificações.”;
A convenção de condomínio possui as regras básicas da convivência e procedimentos entre os
titulares condôminos, portanto as demais regras e procedimentos que não foram previstas na
convenção citada, devem fazer parte obrigatória do Regimento Interno;
Possui o regimento interno que é realizado por contrato ou deliberação em assembléia (2/3 da
massa condominial), poderes para impor multas e outras penalidades aos condôminos insurgentes,
ressalvando apenas as penalidades exaradas no artigo 12 da Lei Federal nº 4.591/64
(inadimplentes), cujas não podem se estender, para não ofender os direitos dos condôminos;
NOTAS: A língua portuguesa é muito rica sendo influenciada pelos que aqui estavam e vieram,
deixando terminologias com várias interpretações, e como consta do dicionário de Aurélio Buarque
de Holanda Ferreira, citamos algumas:
ÁREA – Superfície plana delimitada, extensão de um terreno e etc.;
COMUM – Pertence a todos ou a muitos, e etc.;
CONDOMÍNIO – Dono juntamente com outrem; co-proprietário e etc.;
CONVEÇÃO – Pacto; acordo; aquilo que só tem valor , sentido ou realidade mediante acordo
recíproco; tudo aquilo que é tacitamente aceito, por uso de geral consentimento, como norma de
proceder, de agir, no convívio social;
EDIFÍCIO – Construção de alvenaria, madeira e etc, de caráter mais ou menos permanente, que
ocupa certo espaço de terreno, são geralmente limitadas por paredes e teto, e serve de abrigo,
moradia; construções que resultam de um conjunto de planos sobrepostos e etc;
EMPREENDIMENTO – Pôr em execução os projetos e levar a cabo, e etc.;
FRAÇÃO – Número que representa uma ou mais partes da unidade que foi dividida, e etc;
HORIZONTAL – Paralelo ao horizonte; esticado; deitado; linha paralela ao horizonte e etc.;
IDEAL – Que existe somente na idéia, imaginário, fantástico, e etc.;
INSTITUIÇAO - Ato de instituir; organização estrutural decorrente de necessidades sociais básicas e
etc.;
ISOLADA – Individual, sem relação com pessoas ou coisas da mesma espécie e etc;
JARDIM – Área de estar de uma casa, e etc;
LOTE – Área pequena de terreno, urbano ou rural, destinada a construções ou pequena agricultura,
e etc;
LOTEAMENTO – Ato ou efeito de dividir em lotes (terrenos) para fins de construção ou de cultivo, e
etc.;
PARTE – Elemento ou porção de um todo, e etc.;
PAVIMENTO – O conjunto de dependências de um edifício situadas num mesmo nível, andar e etc.;
QUINTAL – Pequeno terreno, muitas vezes com jardim ou com horta, atrás da casa, e etc.;
QUOTA – De, ou em que número, subentendendo-se “parte”;
TERRENO – Porção de terra cultivável, campo, e etc;
UNIDADE – Qualidade, condição ou estado de único;
VERTICAL – Perpendicular ao plano horizontal; segue a direção do fio de prumo e etc.;
A Lei nº 4.591/64 “dispõe sobre os condomínios horizontais e verticais e suas incorporações”,
portanto regulamenta os loteamentos em condomínio (condomínio horizontal), os edifícios de
apartamentos (condomínio vertical), e os edifícios garagens (condomínio vertical), com suas
incorporações conforme o Título I e II da Lei acima citada de nº 4.591 de 16 de dezembro de 1964;
CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS - UNIDADES AUTÔNOMAS = LOTES
CONDOMÍNIOS VERTICAIS - UNIDADES AUTÔNOMAS = APARTAMENTOS, CONJUNTOS DE
ESCRITÓRIOS OU LOJAS, E VAGAS EM EDIFÍCIOS GARAGENS

01 – CONSIDERAÇÕES
01.1 - A Lei Federal nº 4.591/64, dispõe sobre os condomínios horizontais, relativos às unidades
autônomas “que se constituem em casas térreas ou assobradadas”, e sobre os condomínios
verticais, relativos às unidades autônomas “que se constituem em edifícios de dois ou mais
pavimentos” (apartamentos, conjuntos, salas, garagens), tudo conforme os artigos 1º e 8º, letras a),
b), c), e d) da Lei Federal nº 4.591/64 de 16 de dezembro de 1964;
01.2 - Existem conjuntos de casas (condomínios horizontais) constituídos de casas térreas ou
assobradadas que possuem jardim e quintal individualizados de utilização exclusiva destas casas,
conforme o artigo 8º, letra a) da Lei Federal nº 4.591/64, lembrando que apartamentos, conjuntos,
salas, vagas em garagens não possuem jardim e quintal. Tais unidades autônomas isoladas entre si
por área não construída, que não são apartamentos, conjuntos, salas, vagas em garagens perfazem
um conjunto de edificações, dentro de uma área ou terreno devidamente “instituído”, para
comportar tais casas térreas ou assobradadas. As unidades isoladas dos condomínios horizontais
estão situadas dentro de um lote de terreno, cujo lote está situado em um loteamento que foi
aprovado pelos órgãos competentes da Comarca e Estado, fundamentado em leis federais,
estaduais e municipais, cujos projetos aprovados são partes integrantes da “Instituição de
condomínio”. É importante se atentar para o Decreto-Lei Federal nº 271/67, artigo 3º, que na época
em que estava em pleno vigor, dizia: “Aplica-se aos loteamentos, a Lei nº 4.591, de 16 de dezembro
de 1964, equiparando-se o loteador ao incorporador, os compradores de lotes aos condôminos e as
obras de infra-estrutura à construção de edificação”. Portanto a área do lote corresponde à área da
unidade autônoma e não a área onde se situa a casa construída. Salientamos que tais loteamentos
(edificações isoladas entre si) possuem uma convenção de condomínio, e cada unidade autônoma
(lote) possui uma área comum, que somadas formam a fração ideal incidente sobre a área
"instituída” e que tais frações ideais na maioria quase absoluta dos casos dão origem às quotas-
partes para o rateio das despesas condominiais;
01.3 - Existem conjuntos de garagens em edificação (condomínios verticais), cujas unidades
autônomas (vagas), possuindo uma entrada comum para as vias públicas, rampas de acesso entre os
andares e elevadores. Tais edifícios estão dentro de terrenos ou áreas que foram devidamente
“Instituídas” para comportar o conjunto de vagas em edifícios. Alertamos que os projetos de
construção dos edifícios garagens e outros aprovados pelos órgãos competentes fazem parte
integrante da “Instituição de Condomínio”. Salientamos que o edifício possui suas unidades
autônomas (vagas), e que tais unidades autônomas (vagas) são somadas com as suas áreas comuns
perfazendo a fração ideal incidente sobre o terreno ou a área instituída, e que tais frações ideais
dão origem às quotas-partes para o rateio das despesas condominiais;
01.4 - Existem apartamentos, conjuntos de escritórios e salas em uma única edificação e outros em
mais de uma edificação (condomínios verticais), cujas unidades autônomas (apartamentos,
conjuntos, salas) são isoladas entre si por paredes, pisos e tetos, possuindo uma entrada comum
para as vias públicas, escadas, corredores e hall para entrada nas unidades autônomas. Tais edifícios
estão dentro de terrenos ou áreas que foram devidamente Instituídas para comportar o conjunto de
edifícios de apartamentos. Alertamos que os projetos de construção dos apartamentos e outros
aprovados pelos órgãos competentes fazem parte integrante da “Instituição de Condomínio”. Temos
que salientar que cada edifício possui suas unidades autônomas (apartamentos), e que tais
apartamentos possuem uma fração ideal incidente sobre a área instituída, e que tais frações ideais
dão origem às quotas-partes para o rateio das despesas condominiais;
01.5 - Para se instalar um condomínio vertical ou horizontal, é necessário pedir autorização ou
anuência escrita da Prefeitura Municipal, em cuja autorização ou anuência deve constar o tipo de
infra-estrutura que o local onde se situa a área ou terreno possui, desta forma se desenvolve o
anteprojeto e o planejamento da futura instalação;
01.6 - Alguns fazem confusão quanto às unidades isoladas entre si. Tecnicamente falando os
apartamentos ou residências possuem um entendimento diferente: os apartamentos são separados
por paredes pisos e tetos, sendo construções geminadas, pois possuem ligações entre si, que são as
respectivas paredes, pisos e tetos, portanto não são isoladas, mesmo que suas separações sejam
confeccionadas por materiais acústicos ou isolantes. As construções isoladas são aquelas que
possuem uma área não construída entre as unidades autônomas, portanto não são separadas por
paredes, pisos ou tetos, tanto que é que os riscos estimados no Seguro constante do Capítulo IV,
Título I da Lei Federal nº 4.591/64 são diferentes. Os chamados muros separam as unidades isoladas
(lotes) e são construídos nos limites dos respectivos onde se situam as residências;
01.7 - Os condomínios horizontais são loteamentos normais com base nas leis, e aprovados pelos
órgãos que fiscalizam tais empreendimentos, e se “Instituídos” destinam-se para construções de
residências térreas ou assobradadas em condomínio, pelas condições estabelecidas na Lei Federal
nº 4.591/64, Título II, Capítulo I, conforme Artigos 7º e 8º Letras a), b), c) e d), onde estão
caracterizadas as áreas de construções (lotes - casas térreas ou assobradadas - condomínio
horizontal), e os edifícios de dois ou mais pavimentos (condomínios verticais);

02 - DA DENOMINAÇÃO
02.1 - Os diversos autores dissentem quanto o instituto jurídico do condomínio. A Lei brasileira é
clara: Os condomínios verticais são constituídos de edifícios com dois ou mais pavimentos, cujas
unidades autônomas são separadas por paredes, pisos e tetos, conforme a Lei Federal nº 4.591/64,
artigo 8º, letra b), e não possuem jardim e quintal de uso exclusivo, bem como os edifícios garagens,
cujas vagas são as unidades autônomas. Os condomínios horizontais são constituídos por lotes onde
são erguidas as casas térreas ou assobradados, possuindo jardim e quintal de uso exclusivo,
portanto são isoladas entre si por área não construída, cujos lotes são separados por muros
construídos nos limites dos referidos, conforme a Lei Federal nº 4.591/64, artigo 8º, letra a) - {vide o
Provimento CG nº 10/2004 da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça}, sendo que nestes casos o lote
considerado como unidade autônoma;
02.2 - A diferença está no condomínio tradicional que não foi Instituído, desta forma a Lei deve
intervir para conciliar os interesses ofendidos, pois não existem parâmetros para base do negócio,
ou então não estão alicerçados em lei específica. E principalmente a lei obriga quando da venda de
sua fração ideal, a mesma seja oferecida aos demais condôminos por escrito, e não havendo
interesse dos referidos e transcorrido o prazo da lei, pode ser vendida à pessoa estranha ao
condomínio;
02.3 - O condomínio Instituído com base na Lei Federal nº 4.591/64, não admite que nenhum
condômino que não tenha sido compelido a comprar qualquer unidade do complexo, se insurja
contra a instituição na qual aprovou e deu sua formal adesão sem restrições ou ressalvas na sua
compra, desta forma a insurreição contra o que está instituído e registrado conforme a Lei Federal
nº 6.015/73, artigo 167, parágrafo I, item 17), não é admissível, portanto, cabe ao insurgente
despersonalizado retirar-se do condomínio;

03 - DA PROPRIEDADE COMUM
03.1 - Os condomínios são constituídos de propriedades de uso exclusivo e propriedades de uso
comum, existindo regras estabelecidas pela Lei conforme o Capítulo II, Título I da Lei Federal nº
4.591/64, cujas regras estabelecem o modo vivente no complexo condominial;
03.2 - Não existindo a CONVENÇAÕ DE CONDOMÍNIO registrado no Cartório Imobiliário, conforma a
Lei Federal nº 6.015/64, artigo 178, inciso III, não existe o condomínio, portanto trata-se de um
empreendimento que não pode ser chamado de condomínio, pois não possui as regras necessárias
para a boa convivência entre os condôminos. Não havendo registro da convenção citada, aparecem
os aproveitadores fazendo leis particulares e absurdas, transformando o empreendimento em uma
favela melhorada onde predominam interesses particulares de grupos;
03.3 - A Lei permite aos condôminos alterarem a convenção de condomínio conforme seus
interesses, quando reunidos em assembléia ordinária e com a assinatura de 2/3 dos titulares de
direitos, cujas determinações devem ser respeitadas por todos;
03.4 - Outro documento importante do complexo é o REGIMENTO INTERNO, elaborado da mesma
forma que a convenção de condomínio acima citada;

04 - CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS E VERTICAIS DE FATO E DE DIREITO


04.1 - São necessários (4) quatro os documentos básicos e fundamentais para se ter um condomínio
horizontal ou um condomínio vertical:
04.2 - A “Incorporação” e a “Instituição de Condomínio” elaborada pelos proprietários do terreno
ou área, registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de situação do imóvel, conforme
o artigo 167, inciso 17) e artigo 176 (livro 02) da Lei Federal nº 6.015/73;
04.3 - A “Convenção de Condomínio” que reúna as assinaturas de titulares de direitos que
representem , no mínimo, dois terços das frações ideais que compõem o condomínio, registrada no
Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de situação do imóvel, tudo conforme o artigo 178,
inciso III (livro 03) da Lei Federal nº 6.015/73. Ainda salientamos que a citada “Convenção de
Condomínio” pode ser realizada por requerimento solicitando a anuência do condômino na minuta
elaborada, bem como pode ser realizada a sua alteração pelo mesmo procedimento. Os
componentes da massa condominial devem responder sim o não no citado requerimento de
consulta da minuta de convenção como na alteração proposta;
04.4 - O “Regimento Interno” registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que reúna as
assinaturas de titulares de direitos que representem , no mínimo, dois terços das frações ideais que
compõem o condomínio, conforme o artigo 127, parágrafo único da Lei Federal nº 6.015/73;

05 - OBJETO
05.1 - A unidade estrutural da construção está presente nos condomínios verticais. Não existe
unidade estrutural das construções nos condomínio horizontais, pois são construções
individualizadas;
05.2 - O condomínio horizontal é primeiramente aprovado como loteamento, e as autoridades
reguladoras permitem o exame de cada caso, quando tais loteamentos são regulados pela Lei nº
4.591/64, portanto, o novo instituto não surgiu para permitir melhor e mais intenso aproveitamento
da área com menor dispêndio de dinheiro. Esta última colocação do novo instituto cabe aos
condomínios verticais;
05.3 - As áreas de uso exclusivo dos titulares condôminos nos condomínios horizontais são as áreas
das unidades autônomas (lotes);
05.4 - As áreas comuns dos condomínios horizontais são: ruas, vielas, praças, logradouros, áreas de
recreio, áreas de reflorestamento, área destinadas ao lazer, áreas institucionais, áreas destinadas a
serviços; cujo direito de gozo é comum entre todos os titulares de direito das unidades autônomas,
tanto é que a soma de tais áreas são dividas igualmente entre todos, pelo número de unidades
autônomas, e estas últimas possuem saída para a via pública diretamente conforme consta do
artigo 2º da Lei Federal nº 4.591/764, e com as áreas de uso exclusivo (lotes) formam a chamada
fração ideal;
05.5 - As áreas de uso exclusivo dos titulares condôminos nos condomínios verticais são as áreas das
unidades autônomas como: apartamentos, salas, conjuntos, lojas, e garagens cujas podem possuir
ou não saída diretamente para as vias públicas, e sim por processo de uso comum conforme consta
do artigo 2º da Lei Federal nº 4.591/64;
05.6 – As áreas comuns dos condomínios verticais são: jardins, piscinas, sala de jogos, sala de
recreação, pátios, elevadores, portaria, muros divisórios do terreno e etc., cujo direito de gozo é
comum entre todos os titulares de direito das unidades autônomas, tanto é que a soma de tais
áreas são dividas igualmente entre todos os condôminos, formando com as áreas de uso exclusivo a
chamada fração ideal;
05.7 - O artigo 2º da Lei Federal nº 4.591/64 trata de duas situações específicas:
05.7.1 - A 1ª (primeira) refere-se às unidades autônomas com saída para a via publica diretamente,
cujas características são as dos condomínios horizontais;
05.7.2 – A 2ª (segunda) - refere-se às unidades autônomas com o processo de passagem comum,
cujas características são dos condomínios verticais;

06 - GARAGENS NOS EDIFÍCIOS DE APARTAMENTOS


06.1 - Existem unidades autônomas em edifícios de apartamentos (condomínios) verticais, em cujos
projetos aprovados pelos órgãos responsáveis constam às unidades chamadas de vagas nas
garagens, portanto neste caso, as áreas ideais tipos de construções, são a soma da área do
apartamento com a área da vaga na garagem demarcada que pertence ao condômino titular de
direito da referida unidade autônoma, ficando claro nestes casos, que as vagas nas garagens não são
áreas comuns, são áreas de uso exclusivo, lembrando que as áreas de circulação das garagens
citadas, estas sim são áreas comuns;
06.2 - As garagens coletivas nos condomínios verticais, trazem dissensões entre os condôminos,
porem a convenção de condomínio nada pode fazer para mudar tal regra. As garagens coletivas são
citadas no projeto total aprovado pelos órgãos responsáveis, portanto é parte integrante da
"Instituição de Condomínio" do referido edifício (condomínio vertical). Alertamos que o condômino
insurgente deu sua formal adesão sem restrições ou ressalvas na instituição e no projeto aprovado
quando da compra efetuada, não sendo compelido a comprar, e o referido documento de compra
está registrado em Cartório Imobiliário, desta forma só cabe ao condômino insurgente retirar-se do
condomínio. Nestes casos nada é a convenção de condomínio ou a Justiça, para conciliarem
interesses de condôminos que não sabem o que querem. Pode o síndico consultar os órgãos que
aprovaram o projeto e solicitar a demarcação das vagas ou o aumento de tais vagas;
06.3 - As garagens no condomínio horizontal fazem parte da construção efetuada na unidade
autônoma (lote), portanto as vagas são critérios adotados por cada proprietário condômino, pois o
tamanho da construção não altera a fração ideal e muito menos a quota-parte;
06.4 - Nos edifícios garagens de dois ou mais pavimentos as vagas são consideradas como unidades
autônomas de uso exclusivo, com passagem por processo comum, sendo as demais áreas chamadas
de áreas comuns, que somadas com as vagas (unidades autônomas), constituem as frações ideais e
estas últimas às quotas partes no rateio das despesas condominiais;

07 - DESPESAS DOS CONDOMÍNIOS HORIZONTAIOS E VERTICAIS


07.1 - A Lei nº 4.591/764 faz total e completa justiça, quando em seu artigo 12 diz que as despesas
condominiais devem ser rateadas conforme a quota-parte que couber a cada unidade autônoma;
07.2 - Definidas as áreas comuns do condomínio, seja ele vertical ou horizontal, a soma das áreas
comuns é dividida pela quantidade de unidades autônomas, cujo resultado é somado com a área de
cada da unidade autônoma, resultando um número fracionário que é chamado de fração ideal, ou
porcentual que é chamado de quota-parte. As somas das frações ideais devem totalizar 1 (inteiro) e
as quotas-partes deve totalizar 100% do condomínio;
07.3 - As variações das frações ideais e quotas-partes, estão nas variações das áreas das unidades
autônomas (apartamentos, lotes ou vagas), quando umas forem maiores do que as outras e
evidentemente variam nestes casos os valores fracionários (fração ideal) e os porcentuais das
referidas quotas partes;

08 - TRANFERÊNCIA OU ALIENAÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS


08.1 - O artigo 4º da Lei 4.591/64 foi VETADO;
08.2 - Completado pelo Parágrafo único que diz: “A alienação ou transferência de direitos de que
trata este artigo dependerá de prova de quitação das obrigações do alienante com o respectivo
condomínio.”
08.3 - É conflitante tal artigo e parágrafo, pois se trata de uma unidade autônoma, cujos direitos e
obrigações estão perfeitamente caracterizados. Quem recebe créditos ou débitos de taxas
condominiais é a unidade autônoma perfeitamente qualificada conforme o parágrafo 1º, artigo 1º
da Lei nº 4.591/64, portanto tanto os créditos ou débitos da unidade autônoma são do condômino
titular de direitos na posse, e para este último devem ser creditados os valores que houverem ou
debitados os valores a serem cobrados. Alertamos que às vezes tais transferências são realizadas
por instrumentos particulares ou por decisões judiciais. O síndico diante a Lei não possui obrigação
de investigar tais casos, mesmo que a referida Lei lhe impute a obrigação de praticar os atos de
defesa dos interesses comuns;
08.4 – Concluindo, não importa quem é o proprietário titular condômino na posse, a este cabe a
obrigação de pagar, sendo que a lei lhe faculta o direito de cobrar do condômino antecessor pelo
ato recessivo, e mais, é obrigação do adquirente de uma unidade autônoma, verificar os possíveis
débitos que a mesma possua com impostos e taxas condominiais;

09 - VERBAS PARA AS DESPESAS CONDOMINIAIS


09.1 - O artigo 24 da Lei Federal nº 4.591/64 é muito claro, as verbas devem ser aprovadas em
Assembléia Geral Ordinária, cujas devem prever serviços e obras do ano que se avizinha, sendo
responsabilidade do síndico e dela não se deve declinar. Assume o representante passivo e ativo
toda a responsabilidade civil e criminal dos atos que pratica;
09.2 - Definida a verba anual a ser gasta, na conservação das áreas comuns do condomínio
horizontal ou vertical, a referida verba deve ser dividida em 12 (doze) parcelas rateadas conforme a
quota-parte que cabe a cada condômino;
09.3 - A verba anual referida trata-se do planejamento ideal da administração, onde deve estar
previsto o fundo de reserva, este último representado em 10% da taxa condominial paga
mensalmente, cujo é depositado conta poupança especial diferente e específica, desta forma não
haverá oscilação da taxa condominial mensal, e todos os condôminos sabem por antecedência os
valores a pagar mensalmente, e se evitarão surpresas desagradáveis para a massa condominial;
09.4 - O referido fundo de reserva está previsto na lei, para atender as dificuldades ou necessidades
financeiras urgentes e acidentais, onde a administração do condomínio se socorre para suprir tais
débitos de imediato. Como deve ser depositada em conta especial, a necessidade urgente é
atendida como empréstimo realizado ao fundo de reserva, e posteriormente deve ser pago ao
referido fundo o valor emprestado;
09.5 - Havendo necessidade de uma taxa complementar para os serviços aprovados em assembléia
que reúna 2/3 da massa condominial, tais despesas devem ser consideradas como taxa
complementar e sempre citada como tal, aprovada na assembléia que a originou;

10 - DA PRESTAÇÃO DE CONTAS
10.1 - A prestação de contas dos condomínios horizontais ou verticais devem ser realizadas
mensalmente, por balancetes que reúnam todos os recebimentos do mês como os pagamentos
efetuados no mês;
10.2 - As unidades autônomas devem ter uma ficha de créditos e débitos igual aos extratos
bancários, relatórios individualizados ou coletivos. Nos relatórios coletivos é maior e mais clara a
situação financeira do condomínio. Todos da massa condominial indistintamente teriam acesso à
situação financeira atualizada do condomínio, e desta forma se evitariam críticas à administração,
onde estaria claro o motivo da não realização dos serviços esperados, ou então definitivamente a
inoperância ou procedimento escuso do síndico;
10.3 - O relatório mensal (extrato coletivo) auxilia inclusive o controle da administração, onde
mensalmente são lançadas a débito as taxas de condomínio fixa e posteriormente lançados a
crédito o seu pagamento. O acumulativo mensal dos créditos e débitos permite a melhor
visualização e conferência pelo condômino, das taxas de condomínio pagas e dos débitos cobrados.
Na cópia do demonstrativo de taxas condominiais pagas e despesas rateadas, podem estar
presentes: o andar ou quadra, o nº do apartamento ou lote, o nome do condômino, o acumulado
mensal dos valores creditados, o acumulado mensal dos valores creditados, a área da unidade
autônoma, a área comum, a quota parte, a fração ideal, o nº de voto, cujo condômino pode
multiplicar a sua quota-parte pelo valor total das despesas constante do balancete mensal, e
conferir com o valor debitado no relatório;
10.4 - O extrato coletivo não provoca constrangimento ao condômino inadimplente, e não provoca
uma carga maior (críticas, fofocas e suspeição) para a administração do condomínio, portanto não
fere direitos aos que não os possui;
10.5 - Entende-se que o condômino inadimplente é uma fase temporária, ao contrário do
condômino inadimplente contumaz, sendo a justiça à forma de resolver o problema deste último. O
condômino inadimplente merece oportunidades, como por exemplo, à possibilidade de depositar
na conta bancária do condomínio valor menor do que a taxa cobrada, cuja cópia do depósito seria
entregue para a administração, que fará o lançamento a crédito, pois se entende que as multas e
juros devem ser lançados sobre o saldo devedor, situação permitida no extrato coletivo;
10.6 - Alertamos que os condôminos inadimplentes são expressamente punidos com multas e juros,
conforme consta da Lei nº 4.591/64, Título I, Capítulo III, não se admitindo interpretação extensiva,
por se tratar de norma restritiva de direitos, tudo conforme a Lei e a Revista dos Tribunais;
10.7 - Com o demonstrativo de taxas condominiais pagas e despesas condominiais rateadas, pode o
condomínio por intermédio de seu representante legal ou de sua administração eleita e autorizada
por assembléia específica, registrar em Cartório de Títulos e Documentos, o saldo negativo da
unidade autônoma em nome do titular de direitos na posse. Tal registro se tornado um título
executável, se o titular da unidade autônoma for avisado do registro. Tais procedimentos auxiliam as
cobranças judiciais, e se o condômino inadimplente for notificado com base o título acima, pode
ocorrer acordos que resultam em menores despesas para o condomínio. As despesas Cartorárias
correm por conta do condômino inadimplente, que nestes casos só lhe é permito a contestação dos
valores cobrados no saldo negativo da unidade autônoma;

11 - DA INSTITUIÇÃO DE CONDOMÍNIO
11.1 - A constituição dos condomínios horizontais e verticais é regida pelo artigo 7º da Lei Federal nº
4.591/64, que diz: “O condomínio por unidades autônomas instituir-se-á por ato entre vivos ou por
testamento, com inscrição obrigatória, no Registro de Imóveis, dele constando: a individualização de
cada unidade, sua descrição e discriminação, bem como a fração ideal sobre o terreno e partes
comuns, atribuída a cada unidade, dispensando-se a sua descrição interna da unidade” (vide o
Provimento CG nº 06/1977 de 23 de junho de 1977 da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça do
Estado de São Paulo - Registro);
11.2 – È parte integrante da Instituição de Condomínio o seu projeto licenciado e registrado pelos
órgãos competentes, bem como o relatório de suas frações ideais sobre o terreno ou área,
alertando que a fração ideal é a soma da área da unidade autônoma com a área comum que dela
faz parte, portanto faz parte da instituição o relatório das quotas-partes que lhe cabe no rateio das
despesas condominiais, que na maioria quase absoluta devem corresponder às suas frações ideais;
11.3 - Alertamos que posteriormente ao registro, as quotas-partes podem ser modificadas pela
Convenção de Condomínio;

12. - DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO


12.1 - Após a “Instituição de Condomínio” realizada pelo (s) proprietário (s) do terreno ou área, que
fornece ao empreendimento os preceitos jurídicos necessários para a boa convivência entre os
condôminos, faz-se literalmente com base no Capítulo II, Título I da Lei Federal nº 4.591/64, a
“Convenção de Condomínio”, onde constam os preceitos determinadas pela maioria, ou seja, pelos
2/3 da massa condominial que assinam a referida convenção de condomínio presentes na
assembléia devidamente e especialmente convocada para o fim;
12.2 - É importante “atentar” para o parágrafo 2º do artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64 que diz:
“Considera-se aprovada, e obrigatória para os proprietários de unidades, promitentes compradores
e promitentes cessionários, atuais e futuros, como para qualquer ocupante, a Convenção que reúna
as assinaturas’ de titulares de direitos que representem, no mínimo, dois terços das frações ideais
que compõem o condomínio”;
12.3 – Exige a Lei a Convenção de Condomínio escrita no livro de atas com as assinaturas de no
mínimo 2/3 da massa condominial, e após as referidas assinaturas o encerramento da ata da
assembléia específica que a convocou;
12.4 – Não pode ser de outra forma, porque pode representar a vontade de um único participante,
ou de um grupo deles, e se assim for, fica demonstrado a intenção escusa que induziu os leigos, e
com certeza haverá dificuldades para modificá-la;
12.5 – A melhor forma de se modificar a convenção de condomínio é o procedimento constante do
Provimento CG nº 10/2004 da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, ou seja, por requerimento
enviado aos condôminos, diante da dificuldade de se reunir os 2/3 requeridos pela Lei, com base
em uma minuta elaborada, e juntamente com esta citada minuta, em assembléia, devem ser
conferidas as respostas, para que a minuta e respostas sejam registradas juntamente;
12.6 – Conclusões:
12.6.1 - A Convenção de Condomínio quando realizada em assembléia especialmente convocada
para o fim, na ata da referida assembléia deve ser transcrito a convenção aprovada, e logo após a
transcrição deve ser assinada pelos condôminos que a aprovaram, sendo que os as unidades
autônomas dos titulares condôminos presentes devem ser perfeitamente qualificadas com o nome
do titular de direito, conforme o parágrafo 1º, artigo 1º da Lei Federal nº 4.591/64, ou não terá valor
jurídico algum, e será considerada vontade individual ou de grupos;
12.6.2 – Quando a convenção de condomínio for realizada por requerimento com resposta assinada,
onde deve constar também a unidade autônoma qualificada e com o nome do proprietário titular
de direitos (nunca assinado por procuradores ou terceiros), deve fazer parte da minuta que foi
aprovada, sendo registrada a minuta juntamente com as assinaturas dos que aprovaram a referida
convenção de condomínio;

13. - DO REGIMENTO INTERNO


13.1 - O “Regimento Interno” é realizado conforme a Lei Federal nº 4.591/64, artigo 9º, parágrafo
3º, letra m), e deve constar da Convenção de Condomínio aprovada, o quorum para aprovação do
referido regimento;
13.2 - O Regimento Interno é registrado no Cartório de Títulos e Documentos, com as assinaturas
dos proprietários titulares de direitos condôminos conforme o quorum previsto na Convenção de
Condomínio, pois é também um documento contratual, portanto deve conter as assinaturas dos
proprietários condomínios titulares de direitos o aprovou, conforme o artigo 127, parágrafo único
da Lei Federal nº 6.015/73 (Registro);
13.3 – Os mesmos procedimentos adotados nos itens 12.6.1 e 12.6.2, devem ser adotados na
confecção do Regimento Interno, pois não terá valor jurídico algum, e será considerada vontade
individual ou de grupos;
13.4 - Pelos procedimentos a serem adotados e requeridos pela lei, entende-se que a Convenção de
Condomínio e o Regimento Interno, são contratos e devem ser assinados pelos 2/3 dos
proprietários condôminos titulares de direitos que o aprovaram;

14 – PROVIMENTO CG nº 10/2004
14.1 - Os chamados condomínios horizontais irregulares por diversos motivos, receberam da Egrégia
Corregedoria Geral da Justiça mais uma oportunidade de buscarem a sua regularização, porem,
primeiramente necessitam enquadrarem a administração do condomínio perfeitamente na Federal
nº 4.591/64, antes de buscarem a sua regularização pelo Provimento CG nº 10/2004 de 27 de abril
de 2004, e submeterem-se ao exame dos órgãos constantes do referido Provimento por intermédio
da Corregedoria Permanente da Comarca de situação do empreendimento;

15 - SEGURO OBRIGATÓRIO DOS CONDOMÍNIOS


15.1 - Existem diferenças entre o condomínio horizontal e o condomínio vertical, pois a Lei Federal
nº 4.591/64, Título I, Capítulo IV, obriga a massa condominial a realizar o “seguro contra incêndio ou
outros sinistros, que causem a destruição no todo ou em parte, computando-se o prêmio nas
despesas ordinárias do condomínio”. Nos condomínios horizontais as unidades autônomas possuem
quintal e jardim, e são realmente isoladas sendo seu risco diferente. Nos condomínios verticais as
unidades autônomas são separadas por paredes, pisos ou tetos, se destruída a parede de um se
está destruindo a parede do outro e assim por diante, desta forma possui outro risco;
15.2 - Para que não se cometam injustiças, o referido prêmio deve ser rateado conforme o tamanho
da área ocupada pelo apartamento ou pela residência (unidades autônomas), atentando-se para a
fração ideal e a quota parte;
15.2.1 – O valor total do prêmio deve ser dividido pelo valor total das áreas construídas, onde
teremos o valor por m², que será multiplicado pelo valor da área construída de cada unidade
autônoma;
15.2.2 - Os prêmios das construções existentes nas áreas comuns são rateados pela fração ideal;
15.2.3 - Desta forma teremos com justiça o valor que deve ser pago pela unidade autônoma, sendo
a soma do item 15.2.1 com o item 15.2.2;

16 - CONDOMÍNIOS E INCORPORAÇÕES
16.1 – Em 16 de dezembro de 1964 entrou em vigor a Lei Federal nº 4.591, que “Dispõe sobre
condomínio em edificações e suas incorporações imobiliárias”;
16.2 – Em 28 de fevereiro de 1967 entrou em vigor o Decreto-Lei Federal n 271, que “Dispõe sobre
loteamento urbano, responsabilidade do loteador, concessão de uso e espaço aéreo e dá outras
providências”, sendo que em seu artigo 3º dizia: “Aplica-se aos loteamentos a Lei nº 4.591 de 16 de
dezembro de 1064, equiparando-se o loteador ao incorporador, os compradores de lotes aos
condôminos e as obras de infra-estrutura à construção da edificação.”;
16.3 – Em 19 de dezembro de 1979 entrou em vigor a Lei Federal nº 6.766, cancelando parte do
Decreto-Lei Federal nº 271, permanecendo os artigos 5º ao 8º;
16.4 – Os condomínios registrados até 18 de dezembro de 1979, que apresentaram problemas em
seus registros e foram cancelados, e atualmente são beneficiados pelo Provimento CG nº 10/2004;
16.5 – Portanto a Lei Federal nº 4.591/64 rege os condomínios horizontais e verticais com suas
incorporações, desta forma os projetos e memoriais que autorizaram as suas instalações, são parte
integrante da Instituição de Condomínio, cuja instituição não se pode mudar, se não houver provas
que os condôminos insurgentes foram compelidos a comprar. Alertamos que na compra deram sua
formal e total adesão sem restrições ou ressalvas na instituição registrada, portanto nada se pode
mudar com relação à instituição, aos projetos e memoriais, sem o consenso da massa condominial e
dos órgãos que aprovaram tais projetos e memoriais, fornecendo as licenças de instalações;

17 - INVASÃO DE ÁREA COMUM


17.1 – Qualquer condômino que invadir a área comum de um condomínio, para transformá-la em
caráter exclusivo, é motivo bastante para o síndico intentar uma ação de reintegração de posse em
nome do condomínio, sem receio, dó ou piedade, pois este tipo ou espécie de condômino, sempre
trará problemas para a massa condominial;
17.2 – A utilização de qualquer espaço comum mesmo em caráter provisório, ofende a Lei, a
instituição e a convenção de condomínio, cujas assembléias não possuem poderes para autorizar tal
diante a lei;

18 – ALTERAÇÃO DA DESTINAÇÃO CONDOMINIAL


18.1 – Os órgãos públicos que forneceram a licença de instalação do empreendimento, cujos
processos determinaram o uso do condomínio, portanto somente tais órgãos podem mudar a
destinação do condomínio, ou seja, o uso do referido, e não cabe a massa condominial decidir
mesmo que seja por unanimidade;
18.2 - Cabe sim ao representante legal do condomínio, quando houver unanimidade quanto ao seu
uso, contestar no órgão que expediu a licença de funcionamento o uso inadequado, como por
exemplo: o uso por bares ou boates;
18.3 – Se o uso pelo condômino ou locatários está causando transtornos aos demais da massa
condominial, deve o representante legal em Juízo promover uma ação com base no artigo 19 da Lei
Federal nº 4.591/64, pois o referido uso: não está de acordo com as normas de boa vizinhança, e
não está sendo usada a parte e coisa comum, de maneira a não causar dano ou incômodo aos
demais condôminos ou moradores, colocando obstáculos ou embaraços ao bom uso das mesmas
partes por todos;

19 - HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
19.1 – O horário de funcionamento de um condomínio é de 24 horas no dia, qualquer outro horário
tolhe a liberdade dos condôminos, desta forma, pode o Regimento Interno determinar o
fechamento das portas do condomínio, desde que o condomínio possua porteiros de plantão para
abri-las quando solicitado por condôminos residentes;

20 – DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS CONDÔMINOS


20.1 – Quando a massa condominial e seu representante legal respeitarem o artigo 24 da Lei
Federal nº 4.591/64, que diz: "Haverá, anualmente, uma assembléia geral ordinária dos
condôminos, convocada pelo síndico na forma prevista na Convenção, à qual compete, além das
demais matérias inscritas naordem do dia, aprovar, por maioria dos presentes, as verbas para as
despesas de condomínio, compreendendo as de conservação da edificação ou conjunto de
edificações, manutenção de seus serviços e correlatos.”, deve o condômino concorrer para as
despesas do condomínio, recolhendo, nos prazos previstos na Convenção, a sua quota-parte que lhe
couber no rateio das referidas despesas condominiais;
20.2 – O parágrafo 2º do artigo 1º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “A cada unidade caberá. Como
parte inseparável, uma fração ideal do terreno (área) e coisas comuns expressa sob a forma decimal
ou ordinária”, sendo que alguns autores que escrevem sobre a matéria concordam, inclusive com o
conteúdo do parágrafo 3º, artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64, portanto, se a quota-parte é a
fração ideal expressa em decimal, esta última faz parte integrante da Instituição de Condomínio,
projetos e memoriais, e nesta última os condôminos nas compras das unidades autônomas deram
suas formais adesões sem ressalvas ou restrições, e a Convenção de Condomínio não possui
competência para fixar a quota-parte no rateio das despesas condominiais de cada unidade
autônoma, se não houver consenso da maioria absoluta;
20.3 – Em caso de locação, no contrato da locação da unidade autônoma, deve constar quem
pagará as despesas condominiais, e assim está assegurado os direitos do locatário, desta forma os
recibos e taxas condominiais, devem ser sacadas em nome do locador condômino titular de direitos
da unidade autônoma, pois a responsabilidade condominial não pode ser transferida, mesmo com a
autorização do referido condômino titular de direitos;
20.4 – O artigo 19º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Cada condômino tem o direito de usar e fruir,
com exclusividade, de sua unidade autônoma, segundo suas conveniências e interesses,
condicionados, umas e outras, ás normas de boa vizinhança, e poderá usar as partes e coisas
comuns, de maneira a não causar dano ou incômodo aos demais condôminos ou moradores, nem
obstáculo ou embaraço ao bom uso das mesmas partes por todos”;
20.4.1 – As obras e serviços urgentes atinentes à segurança da edificação nos condomínios verticais,
devem ser realizadas pelo fundo de reserva, bem como as obras nas áreas comuns;
20.4.2 - Outras obras e serviços que envolvam a massa condominial principalmente nos edifícios de
apartamentos (condomínios verticais), devem ser aprovadas por unanimidade pela massa
condominial;
20.4.3 - As obras e serviços nas edificações das unidades autônomas (lotes) nos condomínios
horizontais, estruturais, internas e externas, são de responsabilidade e realizadas conforme a
conveniência do condômino titular de direitos, salvo as obras realizadas nas áreas comuns;
20.4.4 – Cabem responsabilidades civil e criminal de orientação e fiscalização na atuação do síndico,
nas obras e serviços comuns realizados no condomínio, ao Conselho Consultivo como expresso está
no artigo 23 da Lei Federal nº 4.591/64, que diz: “Será eleito, na forma prevista na Convenção, um
Conselho Consultivo, constituído de três condôminos, com mandatos que não poderão exceder de 2
(dois) anos, permitida a reeleição”. O referido Conselho Consultivo sem responsabilidades perante a
lei, o torna inoperante, inócuo, irresponsável, ficando a mercê de síndicos da mesma espécie,
caráter e formação, portanto, deve constar da convenção de condomínio as atribuições específicas
do Conselho Consultivo;

21 – TRANSPARÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO
21.1 – O condômino inadimplente está sujeito ao Capítulo III, Título I da Lei Federal nº 4.591/64,
cujas penalidades estão exaradas na referida lei, e a mesma não admite extensão das referidas
penalidades. O condômino inadimplente possui direitos e a sua inadimplência possui o porquê, que
deve ser esclarecido pelo Conselho Consultivo;
21.2 – As massas condominiais possuem direitos, que se somados superam os dos condôminos
inadimplentes, desta forma entendemos que nas prestações de contas mensais realizadas pelo
síndico ou administradora (autorizada pela assembléia que elegeu o referido síndico), deve emitir
relatórios mensais conjuntos de todas as unidades autônomas qualificadas com o nome do
condômino titular de direitos, para que se tenha a transparência tão desejada, onde deve constar a
soma dos créditos (taxas pagas), a soma dos débitos (rateio das despesas) e o saldo se negativo ou
positivo, pois os saldos negativos são receitas futuras, que cabe a massa condominial fiscalizar e
cobrar da administração as atitudes convenientes, ou então os condôminos ficarão aos critérios
estabelecidos pelos síndicos ou administradores, que normalmente deixam suspeitas;

22 – ASSEMBLÉIAS GERAIS
22.1 – O artigo 24 da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Haverá anualmente, uma assembléia geral
ordinária dos condôminos, convocada pelo síndico na forma prevista na Convenção, à qual compete,
além das demais matérias inscritas na ordem do dia, aprovar, por maioria dos presentes, as verbas
para as despesas de condomínio, compreendendo as de conservação da edificação o conjunto de
edificações, manutenção de seus serviços e correlatas”;
22.2 – Como se pode verificar existe detalhes a atentar importantes no que está exarado no artigo
24 da Lei Federal nº 4.591/64. Um dos detalhes importantes é o fato da obrigatoriedade da
Assembléia Geral Ordinária ser realizada 1 (uma) vez por ano, outro detalhe importante é a
convocação pelo síndico, que assume total e completa responsabilidade sobre a obrigatoriedade da
convocação, cujo deve assinar o edital de convocação, e ainda a Ordem do Dia, que em cuja deve
constar em 1º lugar: “aprovar, por maioria dos presentes, as verbas para as despesas de condomínio
(anual), compreendendo as de conservação da edificação ou conjunto de edificações, manutenção
de seus serviços e correlatas”. Os Editais de Convocação da Assembléia Geral Ordinária em pauta,
devem estar com os seus originais assinados pelo síndico, e as cópias distribuídas, afixadas e
publicadas conforme a convenção de condomínio. O não atendimento ao acima colocado é um ato
desastroso que traz conseqüências imprevisíveis para a massa condominial, cujo ato cabe recurso
para a assembléia, convocada pelo interessado, conforme parágrafo 3º do artigo 22 da Lei Federal
nº 4.591/64;
22.3 – Não havendo o Quorum estimado pela Convenção de Condomínio para a instalação da
referida Assembléia Geral Ordinária anual, não pode ser instalada ou transformada em Assembléia
Geral Extraordinária, por causa do Edital e da lei, nada poderá ser decidido nesta data em que
deveria ser realizada. Se a Assembléia Geral Ordinária não se instalar, a Ordem do Dia pode ser
consultada por escrito (requerimento), principalmente no que se refere às verbas para as despesas
anuais, com o retorno da aprovação ou não do condômino, alem do que o síndico pode e deve
buscar o artigo 27 da Lei Federal nº 4.591/64, que diz: “Se a assembléia não se reunir para exercer
qualquer dos poderes que lhe compete, 15 (quinze) dias após o pedido de convocação, o juiz
decidirá a respeito, mediante requerimento dos interessados”. Deve-se ficar alerta com algo
importante exarado no artigo 27 acima citado: “o artigo 27 da Lei federal nº 4.591/64, não fala na
proposição de uma ação e sim em requerimento dos interessados, que deve ser assinado e
protocolado na distribuição do Fórum, cujo procedimento é rápido e resolutivo”;
22.4 – “Nas Assembléias Gerais os votos serão proporcionais às frações ideais”, portanto o
proprietário condômino de duas ou mais unidades autônomas, terá direito a dois ou mais votos nas
assembléias. O proprietário condômino não terá direito a voto pela grandeza (tamanho) de sua
fração ideal, é por unidade autônoma, conforme o parágrafo 3º do artigo 24, da Lei nº 4.591/64;
22.5 – O artigo 25 da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Ressalvado o disposto no parágrafo 3º do artigo
22 da Lei Federal nº 4.591/64, poderá haver assembléias gerais extraordinárias, convocadas pelo
síndico ou por condôminos que representem um quarto, no mínimo, sempre que exigirem os
interesses gerais”;
22.6 – Não existe na Lei a instalação de Assembléias Gerais Extraordinárias com a presença de
qualquer número de condôminos. O quorum sempre será o da lei ou o que está estipulado na
Convenção de Condomínio registrada. O edital deve ser transcrito no livro ata integralmente na
forma que foi publicado. A ordem do dia (matérias) deverá ser seguida na assembléia conforme a
ordem que se apresenta no edital;
22.6 – Nula é a convocação (edital) que não comporte o dia, a hora da 1ª e 2ª convocação se houver
(quorum), o quorum de instalação da assembléia conforme a Convenção ou a lei e a ordem do dia
por descrição crescente;
22.7 – Como é curial, não pode nas Assembléias Gerais dos Condôminos conter em seu Edital de
Convocação a Ordem do Dia com “assuntos gerais”, pois os direitos dos condôminos não podem ser
surpreendidos com temas suscitados durante o transcorrer da assembléia, sem tempo para a
reflexão sobre os mesmos;
22.8 - Nas Assembléias Gerais dos Condôminos, só podem participar os proprietários condôminos
titulares de direito na posse da unidade autônoma, procuradores com procurações assinadas e
firma reconhecida do proprietário condômino titular de direitos na posse. Os inquilinos podem
participar se tiverem procuração assinada com firma reconhecida conforme acima, ou tal
autorização esteja exarada no contrato de locação;
22.9 – Os inadimplentes são obrigados pela lei a atender as imposições das Assembléias Gerais dos
Condôminos, portanto, a própria lei não permite que a massa condominial imponha restrições de
participação dos inadimplentes nas referidas Assembléias. O condomínio e seu representante legal
não podem impor ao condômino inadimplente a extensão das penalidades existentes no Capítulo
III, Título I da Lei Federal nº 4.591/64;
22.10 – As Assembléias Gerais dos Condôminos devem ser convocadas com um prazo mínimo de 60
dias a contar da distribuição, afixação e publicação dos editais, pois a massa condominial não pode
ser surpreendida com temas da Ordem do Dia, que exigem reflexão quando a sua aprovação ou
não;

23 – NULIDADES DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS DOS CONDÔMINOS


23.1 – Devem ser impugnadas as deliberações das Assembléias Gerais dos Condôminos, que
contiverem o que abaixo segue:
23.1.1 – Modificação do critério do rateio de despesas condominiais prevista na Lei ou na
Convenção, sem a concordância da maioria citada no artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64;
23.1.2 – Deliberações tomadas sem a convocação prévia dos condôminos, dentro do prazo legal;
23.1.3 – Deliberações que são ou se tornem lesivas aos direitos dos condôminos às coisas e serviços
comuns;
23.1.4 – Deliberações tomadas por maioria inferior à exigida em lei ou na convenção;
23.1.5 – Deliberações que não privem o direito do voto, mas impedem a intervenção do condômino
da discussão para expor suas opiniões sobre a matéria em pauta;
23.1.6 – Deliberações que exoneram condôminos de contribuir para as despesas relativas às coisas
comuns;
23.1.7 – Deliberações com mais de um sentido ou com falhas, faltas ou omissões;

24 DO SÍNDICO - DO SUBSÍNDICO - DO ZELADOR


24.1 – Possuindo o condomínio horizontal ou vertical, Instituição de Condomínio registrada no livro
02 do Cartório Imobiliário da Comarca de situação do imóvel, conforme o artigo 167, inciso I,
número 17) e artigo 176, da Lei Federal nº 6.015/73 e a Convenção de Condomínio registrada
conforme o artigo 178, inciso III da referida Lei, a Lei Federal nº 4.591/64, artigo 22 é clara e diz:
"Será eleito na forma prevista pela Convenção, um síndico do condomínio, cujo mandato não
poderá exceder a 2 (dois) anos, permitida a reeleição";
24.2 – Compete ao síndico eleito conforme acima colocado, o que consta das letras do parágrafo 1º,
artigo 22 da Lei 4.591/64, abaixo citadas:
a) representar, ativa e passivamente, o condomínio, em juízo ou fora dele, e praticar os atos de
defesa dos interesses comuns, nos limites da atribuições conferidas por esta Lei ou pela Convenção;
b) exercer a administração interna da edificação ou conjunto de edificações (áreas comuns), no que
respeita à vigilância, moralidade e segurança, bem como aos serviços que interessem a todos os
moradores;
c) praticar os atos que lhe atribuírem as Leis, a Convenção e o Regimento interno;
d) impor as multas estabelecidas na Lei, na Convenção ou no Regimento Interno;
e) cumprir e fazer cumprir a Convenção e o Regimento Interno, bem como executar e fazer executar
as deliberações da assembléia;
f) prestar contas à assembléia dos condôminos;
g) manter guardada durante o prazo de 5 (cinco) anos, para eventuais necessidades de verificação
contábil, toda a documentação relativa ao condomínio;
24.3 – A prestação de contas citada na letra f) do artigo 22 da Lei 4.591/64 acima citada com
referência a contábil, é desnecessária se a prestação de contas forem realizadas mensalmente por
intermédio de balancetes e anual por intermédio do seu balanço (resumo), evidentemente se
ratificada na assembléia;
24.4 – O subsíndico é eleito conforme o parágrafo 6º do artigo 22 da Lei nº 4.591/64, cujas
atribuições são fixadas pela Convenção, e ainda substitui o síndico no seu impedimento;
24.5 – O zelador é empregado contratado do condomínio, fiscaliza e orienta todos os serviços que
interessam à massa condominial, recebendo e atendendo os condôminos, os visitantes e as
autoridades em geral, está última atribuição é executa a pedido do síndico e na sua ausência;

25 – UNIDADES CONTÍGUAS
25.1 – Os proprietários condôminos titulares de direito de duas unidades autônomas contíguas de
um mesmo edifício, podem ligá-las, desde que sejam autorizados pelos órgãos que forneceram a
Licença de Instalação do empreendimento, e se tais ligações não comprometerem as estruturas do
edifício, porem, tais unidades autônomas permanecem com a mesma fração ideal e quotas-partes.
Os serviços devem ser autorizados pelos órgãos competentes que forneceram a Licença de
Instalação do referido empreendimento, e não pela massa condominial;

26 - COLOCAÇÃO DE LETREIROS OU CARTAZES


26.1 – As fachadas de um condomínio vertical pertencem à área comum, desta forma não pode ser
utilizada se não houver consenso da massa condominial. Este é um assunto que deve ser previsto no
Regimento Interno, no qual se constam as multas quando houver o abuso;

27 - CONTRIBUIÇÕES PARA INOVAÇÕES


27.1.As inovações nas áreas comuns de um condomínio horizontal ou vertical são onerosas, porém
em certos casos, podem trazer algum lucro que seria usado para abater despesas condominiais. As
inovações já existentes já foram examinadas pela 13ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça, conforme
consta da Apelação nº 249.604-2, cuja r. decisão deixa muito claro que deve prevalecer à vontade da
maioria e nunca à vontade de um ou da minoria. Consta também da r. decisão: “Quem deseja impor
regras ou não admite pequenos deslizes terá de morar em casa, de preferência bem isolada, pois a
convivência com terceiros será sempre difícil”;

28 – MODIFICAÇÕES INTERNAS DAS UNIDADES AUTÔNOMAS


28.1 – Nas unidades autônomas dos condomínios horizontais, já foi deixado muito claro que tais
unidades são os lotes, portanto as construções internas no lote, os jardins e quintais, são de
completa responsabilidade do condômino proprietário, o que não ocorre nos condomínios verticais.
Qualquer modificação da estrutura interna de uma unidade autônoma situada em um condomínio
vertical, deve ser aprovada pelos órgãos técnicos competentes que forneceram a licença de
instalação do edifício, mesmo como exemplo: transformação de teto em terraço de unidade situada
no último andar e outros;

29 – UTILIZAÇÃO DE ELEVADORES

29.1 – No condomínio vertical, os elevadores e as escadarias ligam áreas comuns situadas em


andares superiores ao térreo, e os elevadores são partes integrante de toda a estrutura, os
condôminos que possuem unidades autônomas situadas no térreo do edifício, não foram
compelidas a comprá-las no andar térreo, comprado-as deram suas formais adesões sem restrição
ou ressalvas ao que foi instituído e no seu projeto, portanto, não poderá ser dispensada a cobrança
da quota-parte das manutenções e de todas as despesas concernentes aos elevadores, porem, se
tal propositura for solicitada pelos condôminos proprietários de unidades autônomas situadas no
andar térreo, a decisão é da massa condominial, com a decisão assinada pelos 2/3 dos condôminos;

30 – ANIMAIS DOMÉSTICOS
30.2 – Os animais domésticos devem ser disciplinados pelo Regimento Interno, que tem poderes
para multar os abusados, sendo decisão soberana quando aprovado pela maioria. Existem órgãos
específicos na área de proteção dos animais e correlatos, que devem ser procurados pelo síndico,
quando este último não for omisso, e se não resolvido com o relatório ou cópia da multa ingressar
em Juízo. Quando a lei fala em tolerância, se refere a tolerar o próximo, relação de seres humanos
para com seres humanos e não seres humanos para com seres humanos intermediados por animais
domésticos;
30.2 – Os animais domésticos nos condomínios horizontais mantidos por alguns condôminos que
dizem amá-los, são toleráveis desde que o Regimento interno discipline a matéria, cujo
entendimento é variável de condomínio para condomínio. Sempre é bom salientar que, o
condômino que possui em sua unidade autônoma isolada animais domésticos porque os ama, deve
ter condições de mantê-los e principalmente amarem em primeiro lugar o ser humano seu vizinho,
não trazendo transtornos e muito menos provocando dissidências, como por exemplo: ama os cães
e não cuida dos mesmos, permitindo que defequem nas áreas comuns, e não se preocupam em
limpar, dizendo que a obrigação é do síndico, provocando que o referido procure os serviços
repreensivos da prefeitura. Ama os gatos e não cuida dos mesmos, permitindo que defequem nas
unidades autônomas vizinhas, e não se preocupam em limpar, provocando que o seu vizinho mal
amado procure os serviços repreensivos da prefeitura. Animais domésticos são problemas da à
saúde pública;
30.3 – Os animais domésticos nos condomínios verticais podem trazer ou trazem problemas de
saúde para os condôminos, perturbam o ambiente e provocam dissidências. Deve-se levar em conta
que os condomínios verticais (unidades autônomas - edifícios de apartamentos, edifícios comerciais,
edifícios garagens), são empreendimentos para o uso do ser humano, nas suas atividades comerciais
ou como residências e não são de uso misto ser humano com animais domésticos. O condômino
que compra uma unidade autônoma nos edifícios supra citados, as compra com um único objetivo,
que é o de residir e usar com seus familiares, desta forma, não é tolerável que venha a impor outra
destinação a compra efetuada, ou seja, o uso misto;

31 - O OSUCAPIÃO DAS ÁREAS COMUNS


31.1.- As áreas comuns existentes nos condomínios verticais e horizontais, pertencem conforme a
Lei 4.591/64 às unidades autônomas, e são partes integrantes das frações ideais do terreno ou área
em que se situam tais condomínios, sendo que as mesmas não possuem localização dentro do
terreno ou área. Não é matéria da Convenção de Condomínio, é matéria atinada a Instituição de
Condomínio, porem, a lei é clara na ação de usucapião de terras particulares: “O autor, expondo na
petição inicial o fundamento do pedido e juntando planta do imóvel, requererá a citação daquele
em cujo nome estiver registrado o imóvel usucapiendo, bem como dos confinantes e, por edital, dos
réus em lugar incerto e dos eventuais interessados, observando a determinação pelo juiz, do prazo,
que variará entre 20 (vinte) e 60 (sessenta) dias, correndo da data da primeira publicação”, portanto
se a área comum é de propriedade exclusiva de um condômino titular de direito da unidade
autônoma a que pertence, e tal área comum não possui localização específica, está diluída no total
da área comum do condomínio, não possuindo confrontantes, como será requerido a citação em
cujo nome estiver registrado o imóvel (área comum) ?
31.2 – È abuso de poder ou parcialidade?
31.3 – Deve o Juiz mandar citar toda a massa condominial individualmente, desta forma não
existem conflitos, só existe a necessidade de se respeitar às leis. Atentando-se que o condômino
possui uma área comum (porcentual ou fracionária), que foi somada a área da unidade autônoma, e
resultou na fração ideal, cuja área comum não possui confrontações ou delimitações;
31.2 – Alertamos os incautos, que os órgãos que autorizam e fiscalizam a instalação dos
condomínios horizontais, não expedem licenças de instalação de condomínios, como exemplo: a
licença de instalação de um condomínio horizontal, chama-se Licença de Instalação de Loteamento
que pode estar sob a égide ou não da Lei Federal nº 4.591/64, desde que no processo do órgão que
expediu exista o pedido e a autorização. Na referida licença constam às áreas comuns das frações
ideais, como: ruas, vielas, praças, logradouros públicos e etc., portanto as áreas comuns são
consideradas públicas, e quando do registro do empreendimento passam automaticamente para a
propriedade do município, pois são vias diretas de acesso público para as unidades autônomas
(lotes), portanto, o juiz além da citação individual de toda a massa condominial, deve citar a
Prefeitura Municipal de situação do imóvel. Como é curial a mesma situação se apresenta para os
condomínios verticais, pois ainda envolve a modificação do projeto aprovado e da licença expedida,
alertando que tal situação é matéria da Instituição de Condomínio no terreno ou área, e que o autor
quando da compra, deu sua total anuência sem restrições ou ressalvas sobre as condições expostas;
31.3 – Alertamos mais, sobre o que diz o artigo 3º da Lei Federal nº 4.591/64: “O terreno em que se
levantam a edificação ou conjunto de edificações e suas instalações, bem como as fundações,
paredes internas, o teto, as áreas internas de ventilação, e tudo o mais que sirva a qualquer
dependência de uso comum dos proprietários ou titulares de direito à aquisição de unidades ou
ocupantes, constituirão condomínio de todos, e serão insuscetíveis de utilização exclusiva por
qualquer condômino”;

32 – INOVAÇÕES EM VAGA DE GARAGEM


32.1 – Nos condomínios horizontais as garagens estão dentro das unidades autônomas (lotes), às
vezes na mesma estrutura da residência construída, ou então construídas separadamente nos
jardins ou quintais, portanto a unidade autônoma é o lote, e qualquer inovação dentro do lote
(unidade autônoma) é de conveniência do condômino titular de direitos;
32.2 – Nos condomínios verticais as garagens podem ser coletivas, e daí serem consideradas como
área comum, ou demarcadas e estarem ligadas à unidade autônoma, constante do projeto
aprovado e da escritura da referida unidade, possuindo demarcação e número de identificação;
32.3 – Nos edifícios garagens a vaga é considerada como unidade autônoma demarcada e
delimitada;
32.4 – As inovações devem ser matérias disciplinadas pelo Regimento Interno, e pela maioria da
massa condominial, pois tais inovações introduzidas são de caráter provisório, podendo ser
modificadas a qualquer tempo;

33 – EXCLUSÃO DE CONDÔMINO
33.1 – O condômino de comportamento censurável, quando não insuportável, cuja presença no
condomínio constitui sério entrave à tranqüilidade para a massa condominial, deve o síndico
registrar o Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia da Comarca e Bairro onde se situa o
condomínio, podendo prosseguir se a medida não surtiu efeito, requerendo em Juízo a interdição
do condômino;

34 – APARELHOS ATMOSFÉRICOS E SEGURANÇA


34.1 – Tais matérias são tratadas pelo Regimento Interno, onde se pode ter alterações mais
constantes conforme a vontade da massa condominial. A lei Federal nº 4.591/64 não permite a
alteração da fachada do edifício. Tais alterações podem ser realizadas na parte interior das portas e
janelas, porem se assim não for possível, quando o bem estar e a segurança exigirem a colocação de
aparelhos atmosféricos e peças de segurança, o síndico e o conselho consultivo, devem realizar
estudos e apresentá-los na assembléia geral dos condôminos competente para a aprovação ou não,
fundamentado com o pedido do condômino;
34.2 – Se o pedido do condômino for rejeitado pela Assembléia Geral dos Condôminos, pode o
condômino como recurso apelar para a Justiça, com base no estudo apresentado pelo síndico e
conselho consultivo;

35 – RESERVA DO INCORPORADOR PARA EXPLORAÇÃO DE


ANÚNCIOS COMERCIAIS
35.1 – A Lei Federal nº 4.591/64, artigo 3º é muito clara, quando diz: “O terreno em que se
levantam a edificação ou conjunto de edificações e suas instalações, bem como as fundações,
paredes internas, o teto, as áreas internas de ventilação, e tudo o mais que sirva a qualquer
dependência de uso comum dos proprietários ou titulares de direito à aquisição de unidades ou
ocupantes, constituirão condomínio de todos, e serão insuscetíveis de utilização exclusiva por
qualquer condômino”, portanto, qualquer inserção, em contrato ou na Convenção de Condomínio,
de cláusula de reserva para o incorporador, é nula de pleno direito;

36 – AQUISIÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS PELO CONDOMÍNIO


36.1 – Os condomínios horizontais e verticais, não são pessoas jurídicas: indústria, comércio ou
prestadores de serviços, não possui personalidade jurídica para adquirir unidades autônomas;
36.2 – O que consta no artigo 63, parágrafo 3º da Lei Federal nº 4.591/64, é referente ao Título II –
Das Incorporações da Lei acima citada, e especificamente do Capítulo IV - Das Infrações que são
aplicadas aos compradores de unidades autônomas quando da incorporação, e somente o
condomínio pode adquirir unidades autônomas na hipótese prevista no artigo 63 acima citado;
36.3 – Pode o condomínio comprar unidades autônomas na hipótese do parágrafo 3º, se houver
consenso da massa condominial em assembléia convocada para especificamente tal negócio;

37 – FURTOS EM CONDOMÍNIOS
37.1 – O condomínio, o síndico e os funcionários, não respondem por furtos praticados dentro do
terreno ou área dos referidos condomínios, porque, vivem em função das condições que lhes são
oferecidas pela massa condominial;
37.2 – São de responsabilidade do condomínio e do síndico, as obrigações exaradas no Capítulo IV,
Título I, da Lei Federal nº 4.591/64 – Seguro Obrigatório;
37.3 – Se a massa condominial estiver realmente preocupada com roubos dentro dos terrenos ou
áreas dos condomínios horizontais e verticais, deveria recorrer a seguros;
37.4 – Só assume o condomínio responsabilidade sobre os furtos, se ficar comprovado que o
funcionário cometeu erro ou desatenção em suas atividades, permitindo o roubo;
38 – VAGAS EM GARAGEM
38.1 – Nos edifícios de apartamentos, edifícios comerciais e edifício garagens, suas construções
foram aprovadas pelos órgãos públicos que autorizaram, orientaram e fiscalizaram tais
empreendimentos, desta forma nada é a convenção de condomínio para autorizar o uso da vaga por
mais de um veículo, pois a carga projetada sob o terreno e as estruturas são limitadas, portanto os
condôminos não possuem competência para autorizar ou permitir o uso da vaga da garagem por
mais de um veículo, mesmo sendo no andar térreo;

39 – VAGAS INDETERMINADAS NAS GARAGENS


39.1 – Nenhum órgão público que aprova e determina o uso da garagem, iriam deixar de colocar no
projeto ou memorial a quantidade de vagas de um espaço determinado em um edifício, ou então o
direito do uso da vaga consta do contrato de venda e compra ou da escritura, portanto, a convenção
de condomínio não possui competência para aumentar tais vagas, e muito menos usar o artifício da
utilização de rampas e corredores por manobristas contratados. Tal prática necessita de uma atitude
enérgica do síndico contra o manobrista, pois também nada é o manobrista para determinar vagas
em garagens;
39.2 – Diante do problema o juiz pode após ouvir os órgãos competentes que aprovaram a
edificação, e determinar a demarcação das vagas nas garagens, sem comprometer a edificação;

40 – COBRANÇAS CONDOMINIAIS ATRAVÉS DE TÍTULO


40.1 – A cobrança de dívidas condominiais, através de saque de letra de câmbio, contraria a lei
cambial, uma vez que não se cuida de dívida líquida e certa, mas passível de discussão em processo
regular de conhecimento;
40.2 – Alguns autores entendem que as dívidas condominiais podem ser em determinado tempo,
registradas em Cartório de Títulos e Documentos, com conhecimento do titular condômino, pois são
dívidas que recaem sobre a unidade autônoma, não importando no primeiro momento, quem seja o
titular condômino na posse e devedor, desta forma estará garantida por título executável a dívida da
unidade autônoma;
41 – DA PENHORA CONTRA OS CONDÔMINOS
41.1 – O condomínio não é pessoa jurídica, mas possui capacidade judiciária, desta forma, a
penhora nas ações de cobranças pode recair sobre o condomínio que está sendo executado por
credores, e quando houver a necessidade de penhorar bens para que a execução tenha curso
regular, a penhora recai sobre as reservas financeiras do condomínio, mas se elas se mostrarem
insuficientes, tal penhora deve recair sobre as unidades autônomas (Supremo Tribunal Federal – RE
70.581/64);

42 – LIMITAÇÕES NAS ÁREAS DE LAZER DE VISITANTES E CONVIDADOS


42.1 – A matéria deve ser regulamentada pelo Regimento Interno. A Convenção de Condomínio
limita-se a regulamentar a forma e o modo da boa convivência entre os condôminos nas letras do
parágrafo 3º, artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64, cuja não deve ser entulhada com matérias que
não as exaradas. O Regimento interno se registrado é do conhecimento de todos os condôminos,
pode aplicar multas aos abusados que extrapolam, prejudicando os direitos dos demais;

43 – CONVENÇÃO E REGIMENTO INTERNO OMISSOS


43.1 – A Convenção de Condomínio e o Regimento Interno possuem características contratuais, para
a vida em comum, e são documentos elaborados pelos condôminos, portanto tais documentos não
são omissos. Omissos são os condôminos que elaboraram e os que assumiram a Convenção de
Condomínio e o Regimento interno, desta forma indistintamente e sem privilégios nada se pode
fazer o que não esteja previsto nos documentos citados;
43.2 – O síndico dentro de suas atribuições, deve consultar a massa condominial, por assembléia
geral dos condôminos ou consulta por requerimento com retorno de aprovação ou não, inserindo
no Regimento Interno a matéria, ou então, torna-se conivente com o feito, podendo na omissão ou
aprovação sem a consulta, ser destituído conforme o parágrafo 5º, artigo 22 da Lei Federal nº
4.591/64.
43.3 – Quando os órgãos que autorizaram as instalações e edificações dos condomínios: a
instituição, os projetos, os memoriais aprovados, a convenção de condomínio e o regimento
interno, forem omissos sobre determinada matéria, a Lei Federal nº 4.591/64 e demais são
soberanas para dirimir dúvidas ou controvérsias;
43.4 – Como exemplo: “O artigo 3º da Lei 4.591/64 proíbe terminantemente que o condômino
instale qualquer tipo de antena no teto do edifício”. Nestes últimos casos existe a interferência das
ondas emitidas nos aparelhos domésticos, existindo órgãos que autorizam e controlam tais
instalações. Não se pode usar a coisa comum com exclusividade;

44 – DESPESAS IRREGULARMENTE APROVADAS EM ASSEMBLÉIA


44.1 – As despesas condominiais não aprovadas conforme o artigo 24 da Lei Federal nº 4.591/64,
torna lícito ao condômino recusar-se a pagar tais despesas;
44.1 – As decisões das assembléias dos condôminos irregulares, torna lícito ao condômino recusar-
se a pagar despesas aprovadas irregularmente, como consta da Apelação Cível nº 295.169 da 4ª
Câmara do Primeiro Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo;

45 – INGRESSO DE AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS PELO CONDÔMINO


45.1 – O parágrafo 1º, artigo 22 da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Compete ao síndico:" e em sua
letra f), diz: “prestar contas à Assembléia dos condôminos”;
45.2 – Somente a assembléia dos condôminos possui legitimidade diante da Lei, para solicitar a
prestação de contas, ou então, ¼ da massa condominial poderá convocar uma assembléia
extraordinária para tal prestação de contas, conforme artigo 25 da Lei Federal nº 4.591/64;
45.3 – Se a assembléia não se reunir para exercer seus poderes, 15 (quinze dias) após o pedido de
convocação, o juiz decidirá a respeito, mediante “requerimento” dos interessados;

46 – DAS VOTAÇÕES EM ASSEMBLÉIAS


46.1 – Os votos dos condôminos em assembléias gerais do condomínio, são proporcionais as suas
respectivas unidades autônomas, portanto se um condômino possuir 2 ou mais unidades
autônomas, a sua votação equivale a (2) dois ou mais votos, conforme o parágrafo 3º, artigo 24 da
Lei Federal nº 4.591/64;

47 – ABONO OU PRÊMIO PONTUALIDADE


47.1 – É o maior absurdo gerado por alguns. A Lei diz que o síndico deve aprovar as verbas para as
despesas anuais do condomínio na assembléia geral ordinária, que é obrigatória e anual, portanto é
um planejamento sob condições extremas, que não se comporta como flexível, desta forma, abonar
ou premiar os condôminos dando-lhes descontos nas contribuições mensais, às verbas aprovadas
pela assembléia geral ordinária dos condôminos vão para o espaço;
47.2 – O abono ou prêmio pontualidade é uma forma velada de se cobrar juros superiores aos da
Lei.. Condomínios não são lojas de conveniências;

48 – PROCEDIMENTOS NAS COBRANÇAS JUDICIAIS


48.1 – Nas cobranças das despesas condominiais em Juízo, representadas pelo síndico, são
realizadas pelo procedimento sumário referentes às causas, qualquer que seja o valor, de cobrança
ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condomínio;

49 – AUTO-ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO
49.1 – Todos sabem que um síndico deve possuir conhecimentos básicos de administração de um
condomínio, bem como da Lei Federal nº 4.591/64, para que não fique a mercê de administradoras,
de cujos procedimentos assumem total e completa responsabilidade civil e criminal, conforme
Artigo 22, Parágrafo 2º da Lei Federal nº 4.591/64, que diz “As funções administrativas podem ser
delegadas a pessoas de confiança do síndico, e sob a sua inteira responsabilidade, mediante
aprovação da assembléia geral dos condôminos”;
49.2 – Entende-se que quando da eleição do síndico o mesmo deve apresentar na assembléia que o
elegeu, quem fará a administração do condomínio, e se por ventura a administração anterior
prosseguir em seus trabalhos, deve ratificar tal administradora na referida assembléia;
49.3 – Quando o condomínio optar pela auto-administração, é aconselhável contratar um consultor
e adquirir programas específicos de administração condominial;
49.4 - No caso da opção pela auto-administração as reduções dos custos condominiais são de curto
prazo, desta forma, se adquire os conhecimentos básicos de administração, e então se pode
conseguir uma redução de custos em torno de 20% das taxas condominiais mensais;

50 – CLÁUSULA DE NÃO INDENIZAR


50.1 – Necessitamos de entendimentos e pelo jeito esta matéria só DEUS resolve. È o maior absurdo
inserir ou entulhar a Convenção de Condomínio com a invenção da chamada “cláusula de não
indenizar”, quando o CÓDIGO CIVIL – DOS ATOS ILÍCITOS, diz: “Aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a
reparar o dano.”, o que é o contrato ou a convenção de condomínio em relação uma Lei nacional;

51 – SÍNDICO DE FATO E DE DIREITO E SEUS PODERES


51.1 – Um síndico de fato e de direito é eleito conforme a Convenção de Condomínio, registrada no
Cartório de Registro de Imóveis da Comarca, de situação do condomínio, conforme a Lei Federal nº
6.015, artigo 178, inciso III;
51.2 – Os seus poderes estão exarados na Lei Federal nº 4.591/64 e na Convenção de Condomínio,
se esta última respeitar a Lei condominial citada;
51.3 – O seu mandato é emanado do desejo da massa condominial para administrar o condomínio,
e praticar os atos que lhe são atribuídos pela citada Lei e a Convenção de Condomínio;
51.4 – As unidades autônomas são de uso exclusivo dos proprietários condôminos, e só os referidos
possuem poderes sobre as mesmas, quando tais poderes não extrapolam os seus direitos em
detrimento dos direitos da massa condominial, portanto as funções do síndico se limitam às áreas
comuns;
51.5 – As áreas comuns pertencem com exclusividade aos proprietários que compõem a massa
condominial conforme suas fração ideais, são áreas que não possuem limites, não se sabendo onde
se situam, são áreas constantes das chamadas áreas comuns, dentro de um universo inseparável,
onde se elege um síndico para administrá-las, portanto o síndico é eleito apenas para administrar
tais áreas, não possuindo poderes para falar em qualquer juízo ou órgão quanto à propriedade
propriamente dita, não possuindo procuração para tal;
51.6 – O síndico não pode ingressar na unidade autônoma sem a devida autorização do proprietário
condômino, mesmo que os danos sejam provenientes da referida e esteja prejudicando outra ou a
área comum, portanto não possui poderes para invadir;
51.7 – Havendo negativa do condômino quando da necessidade do reparo ser executado pelo
interior da unidade autônoma, deve-se requerer por via judicial, na ocorrência de duas hipóteses:
51.7.1 – Problemas em uma unidade autônoma que está afetando outra unidade: é um problema
que deve ser resolvido entre os proprietários condôminos, e nunca pelo síndico;
51.7.2 – Problemas em uma unidade autônoma que está afetando a área comum: é um problema
que deve ser resolvido entre os proprietários condôminos e o síndico;
51.8 – O parágrafo 3º do artigo 22 da Lei nº 4.591/64, diz: “A Convenção poderá estipular que dos
atos do síndico caiba recurso para a assembléia, convocada pelo interessado”, e o parágrafo 5º, diz:
“O síndico poderá ser destituído pela forma e sob as condições previstas na Convenção, ou, no
silêncio desta, pelo voto de dois terços dos condôminos, presentes, em assembléia geral
especialmente convocada”;

52 - SEGURANÇA
52.1 – Um dos maiores problemas dos condomínios é a segurança, desta forma os serviços de
segurança devem ser tratados como o de uma empresa, de pequeno ou grande porte conforme a
área total onde se situa o empreendimento. Os limites da área onde se situa o condomínio é de
máxima importância, pois nestes limites podem estar o enfraquecimento dos referidos serviços;
52.2 – Aberturas nos limites de um condomínio se não bem estudadas e aprovadas pelos 2/3 da
massa condominial, podem descaracterizar os serviços. As decisões nesta área só podem prevalecer
se os estudos e os serviços forem aprovados pelos 2/3 da massa condominial. Nestes serviços não
podem prevalecer a desejo do síndico, da administradora ou de grupos, pois como a prática provou,
tais decisões minoritárias se tornaram ineficientes e irresponsáveis;
52.3 – Nos condomínios horizontais é normal se abrirem entradas nas cerdas das divisas,
principalmente nos chamados balões de retorno (finais de ruas). Isto enfraquece e descaracteriza o
condomínio horizontal. Os funcionários da segurança, por questões de responsabilidade, devem ser
específicos nas suas respectivas atividades, como exemplo: os porteiros e vigias, tanto é que devem
ser fiscalizados pelos condôminos, além das atribuições dos síndicos, dos conselhos consultivos;
52.4 – O custo do treinamento dos funcionários de segurança de um condomínio é caríssimo,
portanto são elementos específicos, diferentes dos demais funcionários. O plano de segurança de
um condomínio não pode ser mudado a cada nova administração, pois é aprovado pela maioria da
massa condominial, e não é o desejo de um síndico, de um conselho, de um administrador ou de
um grupinho privilegiado;

53 – CORPO DE UM CONDOMÍNIO OU HIERARQUIA CONDOMINIAL


53.1 – O corpo de um condomínio se divide em (3) três partes distintas:
1ª parte = CONDÔMINOS, 2ª parte = SÍNDICO - 3ª parte, CONSELHO CONSULTIVO
53.2 - O artigo 22, parágrafo 2º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: "As funções administrativas podem
ser delegadas a pessoas de confiança do síndico, e sob a sua inteira responsabilidade, mediante
aprovação da assembléia-geral dos condôminos".
53.3 – Se as funções administravas de um condomínio podem ser delegadas a pessoas de confiança
do síndico, é parte integrante da função de síndico e não do condomínio, e mais , sob a sua inteira
responsabilidade, mediante aprovação da assembléia, portanto a assembléia não elege, apenas
aprova;
53.4 – Quando da eleição ou reeleição de um síndico, deve a assembléia aprovar as pessoas de
confiança do síndico que farão à administração, ou quando permanecer a administração anterior
deve ratificar a aprovação na eleição ou reeleição;
53.5 – O síndico não deve satisfação quando destituir a administração, pois a mesma é de sua
confiança e responsabilidade, deve sim aprovar em assembléia a nova administração se houver;
53.6 – A Lei Federal nº 4.591/64, artigo 9º, parágrafo 3º, letra g) , e clara quando diz: "a definição da
natureza gratuita ou remunerada de suas funções (síndico), portanto, não fala da remuneração das
pessoas aprovadas para simplesmente administrar o condomínio;
53.7 – Desta forma, não pode constar das despesas condominiais, recibo das pessoas aprovadas em
assembléia para administrar o condomínio, pois são de confiança e de total responsabilidade do
síndico, sendo parte integrante de sua figura, deve sim constar recibo do síndico no total dos gastos
com a prestação de serviço recebida. As pessoas aprovadas para administrar devem dar recibo em
nome do síndico para o mesmo. Dos valores recebidos pelo síndico, serão repassados pelo mesmo,
os valores da prestação de serviço, executadas pelas pessoas aprovadas em assembléia para
administrar o condomínio;
53.8 - Os administradores não fazem parte do corpo condominial e muito menos da hierarquia
condominial, são apenas prestadores de serviços, de total e completa responsabilidade do síndico;
53.9 – Se as funções do Conselho Consultivo não forem definidas na Convenção de Condomínio, o
referido conselho se tornará apenas cargos políticos sem atribuições ou funções;

54 – DADOS TÉCNICOS DE UM CONDOMÍNIO HORIZONTAL


CONDOMÍNIO SANTA ISABEL
Estrada Prefeito Joaquim Simão, Km 70 - Bairro do Pouso Alegre - Santa Isabel - São Paulo
CEP 07500-000 - Fone (11) 4656 2543 - CNPJ nº 52.376.795/0001-30
Lei Federal nº 4.591/64 - Artigo 7º e 8º - Letra a) - Decreto-Lei Federal nº 271/67, Artigo 3º
Matrícula nº 6.374 de 16/02/1979 e derivadas (121 – fichas auxiliares) do Cartório de Registro de
Imóveis da Comarca de Santa Isabel
Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado de Santa Isabel Projeto de Lei nº 30/69, Artigo 28,
Parágrafo 3º e Artigo 57
Loteamento Cadastrado na Prefeitura Municipal de Santa Isabel sob o nº 069 Lei Municipal nº
1.339/85
Licença de Instalação de Loteamento nº 001153 de 15/01/1979 - Processo CETESB nº 01/3619/8
Implantado sob a égide do Decreto-Lei Federal nº 58/37, Decreto Federal nº 3.079/38 e
Decreto-Lei Federal 271/67, Artigo 3º
Condomínio Especial incidente nos Provimentos CG nº 10/2004 e Pareceres,
CG nº 19/2004 e CG nº 24/2005
Assembléias Gerais conforme a Lei a Lei Federal nº 4.591/64, Título I, Capítulo VII
Seguro Obrigatório conforme a Lei Federal nº 4.591/64, Título I, Capítulo IV e responsabilidade civil
Data Oficial de instalação: 16 de fevereiro de 1979
Levantamento Planialtimétrico: Engenheiro Toro Chinone - CREA nº 9.908/D - 6ª Região
Retificação de Área – Averbação 02 da Matrícula nº 6.374 de 07 de novembro de 1980
(Processo nº 1.195/78 da 1ª Vara Cível da Comarca)
Projeto de Loteamento: Engenheiro Marcelo Gomes da Silva - CREA nº 48.793/D - 6ª Região
Projeto de Elétrico: Engenheiro Julio dos Santos - CREA nº 4.726/D - 6ª Região
Processo CT/CESP/DLA/5186/78 (Rede Particular)
Projeto de Captação e Distribuição de Água Potável: Engenheiro Marcelo Gomes da Silva
CREA nº 48.793/D - 6ª Região (Rede Particular)
Esgotos: NORMA NB 41 DA ABNT - Processo nº 01/3619/8 da CETESB e
Licença de Instalação de Loteamento nº 001153

Proprietário Instituidor e Instalador: Antonio Louro


CARACTERISTICAS DO CONDOMÍNIO HORIZONTAL DE USO EXCLUSIVAMENTE RESIDENCIAL
ÁREAS DAS UNIDADES
AUTÔNOMAS................................................................................................164.411,27 m²........49,15
%
ÁREAS DAS VIAS
PÚBLICAS....................................................................................................................54.752,10
m²........16,37 %
ÁREAS
INSTITUCIONAIS...........................................................................................................................16.640
,00 m².........4,98 %
ÁREAS LIVRES (Praças, Logradouros Públicos, Áreas de Preservação dos Recursos Naturais,
Sistemas de Recreios)...............................................98.683,50 m²........29,50 %
ÁREA TOTAL DA
GLEBA.........................................................................................................................334.486,87
m².....100,00 %
NÚMERO DE UNIDADES AUTÔNOMAS (lotes)...............258
NÚMERO DE SETORRES RESIDENCIAIS (quadras)..........12

55 - LEI Nº 4.591, DE 16 DE DEZEMBRO DE 1964


DOU DE 21/12/64 - Lei do Condomínio

Dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias.

O Presidente de República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:

TÍTULO I

CAPÍTULO I

DO CONDOMÍNIO
Art. 1º. As edificações ou conjuntos de edificações, de um ou mais pavimentos, construídos sob a
forma de unidades isoladas entre si, destinadas a fins residenciais ou não-residenciais, poderão ser
alienados, no todo ou em parte, objetivamente considerados, e constituirá , cada unidade,
propriedade autônoma sujeita às limitações desta Lei.
Art. 2º. Cada unidade com saída para a via pública, diretamente ou por processo de passagem
comum, será sempre tratada como objeto de propriedade exclusiva, qualquer que seja o número de
suas peças e sua destinação, inclusive (VETADO) edifício-garagem, com ressalva das restrições que
se lhe imponham.
§ 1º O direito à guarda de veículos nas garagens ou locais a isso destinados nas edificações ou
conjuntos de edificações será tratado como objeto de propriedade exclusiva, com ressalva das
restrições que ao mesmo sejam impostas por instrumentos contratuais adequados, e será vinculada
à unidade habitacional a que corresponder, no caso de não lhe ser atribuída fração ideal específica
de terreno. (Parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 2º O direito de que trata o § 1º deste artigo poderá ser transferido a outro condômino,
independentemente da alienação da unidade a que corresponder, vedada sua transferência a
pessoas estranhas ao condomínio. (Parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 3º Nos edifícios-garagem, às vagas serão atribuídas frações ideais de terreno específicas.(Parágrafo
incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
Art. 3º. O terreno em que se levantam a edificação ou o conjunto de edificações e suas instalações,
bem como as fundações, paredes externas, o teto, as áreas internas de ventilação, e tudo o mais
que sirva a qualquer dependência de uso comum dos proprietários ou titulares de direito
constituirão condomínio de todos, e serão insuscetíveis de divisão, ou de alienação destacada da
respectiva unidade. Serão, também, insuscetíveis de utilização exclusiva por qualquer condômino
(VETADO)
Art. 4º. A alienação de cada unidade, a transferência de direitos pertinentes à sua aquisição e a
constituição de direitos reais sobre ela independerão do consentimento dos condôminos, (VETADO).
Parágrafo único - A alienação ou transferência de direitos de que trata este artigo dependerá de
prova de quitação das obrigações do alienante para com o respectivo condomínio. (Redação dada
pela Lei nº 7.182, de 27.3.1984)
Art. 5º. O condomínio por meação de parede, soalhos, e tetos das unidades isoladas, regular-se-á
pelo disposto no Código Civil, no que lhe for aplicável.
Art. 6º. Sem prejuízo do disposto nesta Lei, regular-se-á pelas disposições de direito comum o
condomínio por quota ideal de mais de uma pessoa sobre a mesma unidade autônoma.
Art. 7º. O condomínio por unidades autônomas instituir-se-á por ato entre vivos ou por testamento,
com inscrição obrigatória no registro de Imóveis, dele constando: a individualização de cada
unidade, sua identificação e discriminação, bem como a fração ideal sobre o terreno e partes
comuns, atribuída a cada unidade, dispensando-se a descrição interna da unidade.
Art. 8º. Quando, em terreno onde não houver edificação, o proprietário, o promitente comprador, o
cessionário deste ou o promitente cessionário sobre ele desejar erigir mais de uma edificação,
observar-se-á também o seguinte:
a) em relação às unidades autônomas que se constituírem em casa térreas ou assobradadas, será
discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação e também aquela eventualmente
reservada como de utilização exclusiva dessas casas, como jardim e quintal, bem assim a fração
ideal de todo o terreno e de partes comuns, que corresponderá às unidades;
b) em relação às unidades autônomas que constituírem edifícios de dois ou mais pavimentos, será
discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação, aquela que eventualmente for reservada
como de utilização exclusiva, correspondente às unidades do edifício, e ainda a fração ideal do todo
do terreno e de partes comuns, que corresponderá a cada uma das unidades;
c) serão discriminadas as partes do total do terreno que poderão ser utilizadas em comum pelos
titulares de direito sobre os vários tipos de unidades autônomas;
d) serão discriminadas as áreas que se constituírem em passagem comum para as vias públicas ou
para as unidades ente si.

CAPÍTULO II

DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO
Art. 9º Os proprietários, promitentes compradores, cessionários ou promitentes cessionários dos
direitos pertinentes à aquisição de unidades autônomas, em edificações a serem construídas, em
construção ou já construídas, elaborarão, por escrito, a Convenção de condomínio, e deverão,
também, por contrato ou por deliberação em assembléia, aprovar o Regimento Interno da
edificação ou conjunto de edificações.
§ 1º. Far-se-á o registro da Convenção no registro de Imóveis, bem como a averbação das suas
eventuais alterações.
§ 2º. Considera-se aprovada, e obrigatória para os proprietários de unidades, promitentes
compradores cessionários e promitentes cessionários atuais e futuros, como para qualquer
ocupante, a Convenção que reúna as assinaturas de titulares de direitos que representem, no
mínimo, 2/3 das frações ideais que compõem o condomínio.
§ 3º. Além de outras normas aprovadas pelos interessados, a Convenção deverá conter:
a) a discriminação das partes de propriedade exclusiva, e as de condomínio, com especificações das
diferentes áreas;
b) o destino das diferentes partes;
c) o modo de usar as coisas e serviços comuns;
d) encargos, forma e proporção das contribuições dos condôminos para as despesas de custeio e
para as extraordinárias;
e) o modo de escolher o síndico e o Conselho Consultivo;
f) as atribuições do síndico, além das legais;
g) a definição da natureza gratuita ou remunerada de suas funções;
h) o modo e o prazo de convocação das assembléias gerais dos condôminos;
i) o quorum para s diversos tipos de votações;
j) a forma de contribuição para constituição de fundo de reserva;
l) a forma e o quorum para as alterações de convenção;
m) a forma e o quorum para a aprovação do Regimento Interno quando não incluídos na própria
Convenção.
§ 4º No caso de conjunto de edificações, a que se refere o art. 8º, a convenção de condomínio fixará
os direitos e as relações de propriedade entre os condôminos das várias edificações, podendo
estipular formas pelas quais se possam desmembrar e alienar porções do terreno, inclusive as
edificadas. (Parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
Art. 10. É defeso a qualquer condômino:
I – alterar a forma externa da fachada;
II – decorar as partes e esquadrias externas com tonalidades ou cores diversas das empregadas no
conjunto da edificação;
III – destinar a unidade à utilização diversa de finalidade do prédio, ou usá-la de forma nociva ou
perigosa ao sossego, à salubridade e à segurança dos demais condôminos;
IV - embaraçar o uso das partes comuns.
§ 1º. O transgressor ficará sujeito ao pagamento de multa prevista na convenção ou no regulamento
do condomínio, além de ser compelido a desfazer a obra ou abster-se da prática do ato, cabendo, ao
síndico, com autorização judicial, mandas desmanchá-la, à custa do transgressor, se este não a
desfizer no prazo que lhe for estipulado.
§ 2º. O proprietário ou titular de direito à aquisição de unidade poderá fazer obra que ou modifique
sua fachada, se obtiver a aquiescência da unidade dos condôminos.
Art. 11. Para efeitos tributários, cada unidade autônoma será tratada como prédio isolado,
contribuindo o respectivo condômino, diretamente, com as importâncias relativas aos impostos e
taxas federais, estaduais e municipais, na forma dos respectivos lançamentos.

CAPÍTULO III

DAS DESPESAS DO CONDOMÍNIO


Art. 12. Cada condômino concorrerá nas despesas do condomínio, recolhendo, nos prazos previstos
na Convenção a quota-parte que lhe couber em rateio.
§ 1º. Salvo disposição em contrário na Convenção, a fixação da quota no rateio corresponderá à
fração ideal do terreno de cada unidade.
§ 2º. Cabe ao síndico arrecadar as contribuições competindo-lhe promover, por via executiva, a
cobrança judicial das quotas atrasadas.
§ 3º. O condômino que não pagar a sua contribuição no prazo fixado na Convenção fica sujeito ao
juro moratório de 1% ao mês, e multa de até 2% sobre o débito, que será atualizado, se o estipular a
Convenção, com a aplicação dos índices de correção monetária levantados pelo Conselho Nacional
de Economia, no caso da mora por período igual ou superior a seis meses.
§ 4º. As obras que interessarem a estrutura integral da edificação ou conjunto de edificações, ou ao
serviço comum, serão feitas com o concurso pecuniário de todos os proprietários ou titulares de
direito à aquisição de unidades, mediante orçamento prévio aprovado em assembléia-geral,
podendo incumbir-se de sua execução o síndico, ou outra pessoa com aprovação da assembléia.
§ 5º. A renúncia de qualquer condômino aos seus direitos, em caso algum valerá como escusa para
exonerá-lo de seus encargos.

CAPÍTULO IV

DO SEGURO, DO INCÊNDIO, DA DEMOLIÇÃO E DA RECONSTRUÇÃO OBRIGATÓRIA


Art. 13. Proceder-se-á ao seguro da edificação ou do conjunto de edificações, neste caso,
discriminadamente, abrangendo todas as unidades autônomas e partes comuns, contra incêndio ou
outro sinistro que cause destruição no todo ou em parte, computando-se o prêmio nas despesas
ordinárias do condomínio.
Parágrafo único. O seguro de que trata este artigo será obrigatoriamente feito dentro de 120 dias,
contados da data da concessão do “habite-se”, sob pena de ficar o condomínio sujeito à multa
mensal equivalente a 1/12 dos impostos prediais, cobráveis executivamente pala Municipalidade.
Art. 14. Na ocorrência de sinistro total, ou que destrua mais de dois terços de uma edificação, seus
condôminos reunir-se-ão em assembléia especial, e deliberarão sobre a sua reconstrução ou venda
do terreno e materiais, por quorum mínimo de votos que representem metade mais uma das
frações ideais do respectivo terreno.
§ 1º Rejeitada a proposta de reconstrução, a mesma assembléia, ou outra para este fim convocada,
decidirá, pelo mesmo quorum, do destino a ser dado ao terreno, e aprovará a partilha do valor do
seguro entre os condôminos, sem prejuízo do que receber cada um pelo seguro facultativo de sua
unidade.
§ 2º Aprovada, a reconstrução será feita, guardados, obrigatoriamente, o mesmo destino, a mesma
forma externa e a mesma disposição interna.
§ 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a minoria não poderá ser obrigada a contribuir para a
reedificação, caso em que a maioria poderá adquirir as partes dos dissidentes, mediante avaliação
judicial, feita em vistoria.
Art. 15. Na hipótese de que trata o § 3º do artigo antecedente, à maioria poderão ser adjudicadas,
por sentença, as frações ideais da minoria.
§ 1º Como condição para o exercício da ação prevista neste artigo, com a inicial, a maioria oferecerá
e depositará e depositará, à disposição do Juízo, as importância arbitradas na vistoria para avaliação,
prevalecendo as de eventual desempatador.
§ 2º Feito o depósito de que trata o parágrafo anterior, o Juiz, liminarmente, poderá autorizar a
adjudicação à maioria, e a minoria poderá levantar as importâncias depositadas; o Oficial de
Registro de Imóveis, nestes casos, fará constar do registro que a adjudicação foi resultante de
medida liminar.
§ 3º Feito o depósito, será expedido o mandado de citação, com o prazo de dez dias para a
contestação, VETADO.
§ 4º Se não contestado, o Juiz, imediatamente, julgará o pedido.
§ 5º Se contestado o pedido, seguirá o processo o rito ordinário.
§ 6º Se a sentença fixar o valor superior ao da avaliação feita na vistoria, o condomínio em execução
restituíra à minoria a respectiva diferença, acrescida de juros de mora à razão de 1% ao mês, desde
a data da concessão de eventual liminar, ou pagará o total devido, com os juros da mora a contar da
citação.
§ 7º Transitada em julgado a sentença servirá de título definitivo para a maioria, que deverá
registrá-la no Registro de Imóveis.
§ 8º A maioria poderá pagar e cobrar da minoria, em execução de sentença, encargos fiscais
necessários à adjudicação definitiva a cujo pagamento se recusar à minoria.
Art. 16. Em caso de sinistro que destrua menos de dois terços da edificação, o síndico promovera o
recebimento do seguro e a reconstrução ou os reparos nas partes danificadas.
Art. 17. Os condôminos que representem, pelo menos 2/3 (dois terços) do total de unidades
isoladas e frações ideais correspondentes a 80% (oitenta por cento) do terreno e coisas comuns
poderão decidir sobre a demolição e reconstrução do prédio, ou sua alienação, por motivos
urbanísticos ou arquitetônicos, ou, ainda, no caso de condenação do edifício pela autoridade
pública, em razão de sua insegurança ou insalubridade. (Redação dada pela Lei nº 6.709, de
31.10.1979).
§ 1º A minoria não fica obrigada a contribuir para as obras, mas assegura-se à maioria o direito de
adquirir as partes dos dissidentes, mediante avaliação judicial, aplicando-se o processo previsto no
art. 15.
§ 2º Ocorrendo desgaste, pela ação do tempo, das unidades habitacionais de uma edificação, que
deprecie seu valor unitário em relação ao valor global do terreno onde se acha construída, os
condôminos, pelo quorum mínimo de votos que representem 2/3 (dois terços) das unidades
isoladas e frações ideais correspondentes a 80% (oitenta por cento) do terreno e coisas comuns,
poderão decidir por sua alienação total, procedendo-se em relação à minoria na forma estabelecida
no art. 15, e seus parágrafos, desta Lei.
§ 3º Decidida por maioria à alienação do prédio, o valor atribuído à quota dos condôminos vencidos
será correspondente ao preço efetivo, e, no mínimo, à avaliação prevista no § 2º ou, a critério
desses, a imóvel localizado em área próxima ou adjacente com a mesma área útil de construção.
Art. 18. A aquisição parcial de uma edificação, ou de um conjunto de edificações, ainda que por
força de desapropriação, importará no ingresso do adquirente no condomínio, ficando sujeito às
disposições desta lei, bem assim às da convenção do condomínio e do regulamento interno.
(Redação dada pela Decreto-Lei nº 981, de 21.10.1969)

CAPÍTULO V

UTILIZAÇÃO DA EDIFICAÇÃO OU DO CONJUNTO DE EDIFICAÇÕES


Art. 19. Cada condômino tem direito de usar e fruir, com exclusividade, de sua unidade autônoma
segundo suas conveniências e interesses, condicionados, uma e outros, às normas de boa
vizinhança, e poderá usar as partes e coisas comuns de maneira a não causar dano ou incomodo aos
demais condôminos ou moradores, nem obstáculo ou embaraço ao bom uso das mesmas partes
por todos.
Parágrafo único. VETADO.
Art. 20. Aplicam-se ao ocupante do imóvel, a qualquer título, todas as obrigações referentes ao uso,
fruição e destino da unidade.
Art. 21. A violação de qualquer dos deveres estipulados na Convenção sujeitará o infrator à multa
fixada na própria Convenção ou no Regimento Interno, sem prejuízo da responsabilidade civil ou
criminal que, no caso, couber.
Parágrafo único. Compete ao síndico à iniciativa do processo e a cobrança da multa, por via
executiva, em benefício do condomínio, e, em caso de omitir-se ele, a qualquer condômino.

CAPÍTULO V

DA ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO
Art. 22. Será eleito, na forma prevista pela Convenção, um síndico do condomínio, cujo mandato
não poderá exceder de 2 anos, permitida a reeleição.
§ 1º Compete ao síndico:
a) representar, ativa e passivamente, o condomínio, em juízo ou fora dele, e praticar os atos de
defesa dos interesses comuns, nos limites das atribuições conferidas por esta Lei ou pela
Convenção;
b) exercer a administração interna da edificação ou do conjunto de edificação ou do conjunto de
edificações, no que respeita à sua vigilância, moralidade e segurança, bem como os serviços que
interessam a todos os moradores;
c) praticar os atos que lhe atribuírem as leis a Convenção e o Regimento Interno;
d) impor as multas estabelecidas na Lei, na Convenção ou no Regimento Interno;
e) cumprir e fazer cumprir a Convenção e o Regimento Interno, bem como executar e fazer executar
as deliberações da assembléia;
f) prestar contas à assembléia dos condôminos.
g) manter guardada durante o prazo de cinco anos para eventuais necessidade de verificação
contábil, toda a documentação relativa ao condomínio. (Alínea incluída pela Lei nº 6.434, de
15.7.1977)
§ 2º As funções administrativas podem ser delegadas a pessoas de confiança do síndico, e sob a sua
inteira responsabilidade, mediante aprovação da assembléia-geral dos condôminos.
§ 3º A Convenção poderá estipular que dos atos do síndico caiba recurso para a assembléia,
convocada pelo interessado.
§ 4º Ao síndico, que poderá ser condômino ou pessoa física ou jurídica estranha ao condomínio,
será fixada a remuneração pela mesma assembléia que o eleger, salvo se a Convenção dispuser
diferentemente.
§ 5º O síndico poderá ser destituído, pela forma e sob as condições previstas na Convenção ou, no
silêncio desta pelo voto de dois terços dos condôminos, presentes, em assembléia-geral
especialmente convocada.
§ 6º A Convenção poderá prever a eleição de subsíndicos, definindo-lhes atribuições e fixando-lhes
o mandato, que não poderá exceder de 2 anos, permitida a reeleição.
Art. 23. Será eleito, na forma prevista na Convenção, um Conselho Consultivo, constituído de três
condôminos, com mandatos que não poderão exceder de 2 anos, permitida a reeleição.
Parágrafo único. Funcionará o Conselho como órgão consultivo do síndico, para assessorá-lo na
solução dos problemas que digam respeito ao condomínio, podendo a Convenção definir suas
atribuições específicas.

CAPÍTULO VII

DA ASSEMBLÉIA GERAL
Art. 24. Haverá, anualmente, uma assembléia geral ordinária dos condôminos, convocada pelo
síndico na forma prevista na Convenção, à qual compete, além das demais matérias inscritas dos
presentes, as verbas para as despesas de condomínio, compreendendo as de conservação da
edificação ou conjunto de edificações, manutenção de seus serviços e correlatas.

§ 1º As decisões da assembléia, tomadas, em cada caso, pelo quorum que a Convenção fixar,
obrigam todos os condôminos.
§ 2º O síndico, nos oito dias subseqüentes à assembléia, comunicará aos condôminos o que tiver
sido deliberado, inclusive no tocante à previsão orçamentária, o rateio das despesas, e promoverá a
arrecadação, tudo na forma que a Convenção previr.
§ 3º Nas assembléias gerais, os votos serão proporcionais às frações ideais do terreno e partes
comuns, pertencentes a cada condômino, salvo disposição diversa da Convenção.
§ 4º Nas decisões da Assembléia que não envolvam despesas extraordinárias do condomínio, o
locatário poderá votar, caso o condômino-locador a ela não compareça. (Redação dada pela Lei nº
9.267, de 25.3.1996)
Art. 25. Ressalvado o disposto no § 3º do art. 22, poderá haver assembléias gerais extraordinárias,
convocadas pelo síndico ou por condôminos que representem um quarto, no mínimo do
condomínio, sempre que o exigirem os interesses gerais.
Parágrafo único. Salvo estipulação diversa da Convenção, está só poderá ser modificada em
assembléia geral extraordinária, pelo voto mínimo de condôminos que representem 2/3 do total das
frações ideais.
Art. 26. VETADO.
Art. 27. Se a Assembléia não se reunir para exercer qualquer dos poderes que lhe competem, 15
dias após o pedido de convocação, o Juiz decidirá a respeito, mediante requerimento dos
interessados.

TÍTULO II - DAS INCORPORAÇÕES

CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES GERAIS


Art. 28. As incorporações imobiliárias, em todo o território nacional, reger-se-ão pela presente Lei.;
Parágrafo único. Para efeito dessa Lei, considera-se incorporação imobiliária a atividade exercida
com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou
conjunto de edificações composta de unidades autônomas, VETADO.
Art. 29. Considera-se incorporador a pessoa física ou jurídica, comerciante ou não, que, embora não
efetuando a construção, compromisso ou efetive a venda de frações ideais de terreno objetivando a
vinculação de tais frações a unidades autônomas, VETADO em edificações a serem construídas ou
em construção sob regime condominial, ou que meramente aceite propostas para efetivação de tais
transações, coordenando e levando a termo a incorporação e responsabilizando-se, conforme o
caso, pela entrega, em certo prazo, preço e determinadas condições, das obras concluídas.
Parágrafo único. Presume-se a vinculação entre a alienação das trações do terreno e o negócio de
construção, se, ao se contratada a venda, ou promessa de venda ou de cessão das frações de
terreno, já houver sido aprovado e estiver em vigor, ou pender de aprovação de autoridade
administrativa, o respectivo projeto de construção, respondendo o alienante como incorporador.
Art. 30. Estende-se a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos
que contratem a construção de edifícios que se destinem à constituição em condomínio, sempre
que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras.
Art. 30-A. A critério do incorporador, a incorporação poderá ser submetida ao regime da afetação,
pelo qual o terreno e as acessões objeto de incorporação imobiliária, bem como os demais bens e
direitos a ela vinculados, manter-se-ão apartados do patrimônio do incorporador e constituirão
patrimônio de afetação, destinado à consecução da incorporação correspondente e à entrega das
unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes. (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE
4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 1º O patrimônio de afetação não se comunica com os demais bens, direitos e obrigações do
patrimônio geral do incorporador ou de outros patrimônios de afetação por ele constituídos e só
responde por dívidas e obrigações vinculadas à incorporação respectiva.
§ 2º O incorporador responde pelos prejuízos que causar ao patrimônio de afetação.
§ 3º Os bens e direitos integrantes do patrimônio de afetação somente poderão ser objeto de
garantia real em operação de crédito cujo produto seja integralmente destinado à consecução da
edificação correspondente e à entrega das unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes.

§ 4º No caso de cessão, plena ou fiduciária, de direitos creditórios oriundos da comercialização das


unidades imobiliárias componentes da incorporação, o produto da cessão também passará a
integrar o patrimônio de afetação, observado o disposto no § 6º.
§ 5º As quotas de construção correspondentes a acessões vinculadas a frações ideais serão pagas
pelo incorporador até que a responsabilidade pela sua construção tenha sido assumida por
terceiros, nos termos da parte final do § 6º do art. 35.
§ 6º Os recursos financeiros integrantes do patrimônio de afetação serão utilizados para pagamento
ou reembolso das despesas inerentes à incorporação.
§ 7º O reembolso do preço de aquisição do terreno somente poderá ser feito quando da alienação
das unidades autônomas, na proporção das respectivas frações ideais, considerando-se tão-
somente os valores efetivamente recebidos pela alienação.
§ 8º Excluem-se do patrimônio de afetação:
II - os recursos financeiros que excederem a importância necessária à conclusão da obra (art. 44),
considerando-se os valores a receber até sua conclusão e, bem assim, os recursos necessários à
quitação de financiamento para a construção, se houver; e
III - o valor referente ao preço de alienação da fração ideal de terreno de cada unidade vendida, no
caso de incorporação em que a construção seja contratada sob o regime de administração (art. 58).
§ 9º No caso de conjuntos de edificações de que trata o art. 8º, poderão ser constituídos
patrimônios de afetação separados, tantos quantos forem os:
II - subconjuntos de casas para as quais esteja prevista a mesma data de conclusão (art. 8º, alínea
"a"); e
III - edifícios de dois ou mais pavimentos (art. 8º, alínea "b").
§ 10. Nas incorporações objeto de financiamento, a comercialização das unidades deverá contar
com a anuência da instituição financiadora ou deverá ser a ela cientificada, conforme vier a ser
estabelecido no contrato de financiamento.
Art. 30-B. Considera-se constituído o patrimônio de afetação mediante averbação, a qualquer
tempo, no Registro de Imóveis, de termo firmado pelo incorporador e, quando for o caso, pelos
titulares de direitos reais de aquisição sobre o terreno; a averbação não será obstada pela existência
de ônus reais que tenham sido constituídos sobre o imóvel objeto da incorporação para garantia do
pagamento do preço de sua aquisição ou do cumprimento de obrigação de construir o
empreendimento. (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU
DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 1º Nas hipóteses em que não seja exigível o arquivamento do memorial de incorporação, a
afetação será definida, em qualquer fase da construção, em instrumento, público ou particular, de
instituição de condomínio, nos termos e com as discriminações de que tratam os arts. 7º e 8º,
considerando-se constituído o patrimônio de afetação mediante registro da instituição no Registro
de Imóveis competente.
§ 2º Havendo financiamento para construção, o patrimônio de afetação poderá ser aditado por
pessoa física ou jurídica legalmente habilitada, nomeada pela instituição financiadora da obra.
§ 3º As pessoas que, em decorrência do exercício da auditoria de que trata o § 2º deste artigo,
obtiverem acesso às informações comerciais, tributárias e de qualquer outra natureza referentes ao
patrimônio afetado responderão pela falta de zelo, dedicação e sigilo destas informações.
§ 4º O auditor nomeado pela instituição financiadora da obra deverá fornecer cópia de seu relatório
ou parecer à Comissão de Representantes, a requerimento desta, não constituindo esse
fornecimento quebra de sigilo de que trata o § 3º.
§ 5º Incumbe ao incorporador:
II - promover todos os atos necessários à boa administração e à preservação do patrimônio de
afetação, inclusive mediante adoção de medidas judiciais;
III - manter apartados os bens e direitos objeto de cada incorporação;
IIII - diligenciar a captação dos recursos necessários à incorporação e aplicá-los na forma prevista na
presente Lei, cuidando de preservar os recursos necessários à conclusão da obra;
IIV - entregar à Comissão de Representantes, no mínimo a cada três meses, demonstrativo do
estado da obra e de sua correspondência com o prazo pactuado ou com os recursos financeiros que
integrem o patrimônio de afetação recebidos no período, firmados por profissionais habilitados,
ressalvadas eventuais modificações sugeridas pelo incorporador e aprovadas pela Comissão de
Representantes;
V - manter e movimentar os recursos financeiros do patrimônio de afetação em conta de depósito
aberta especificamente para tal fim;
VI - entregar à Comissão de Representantes balancetes coincidentes com o trimestre civil, relativos
a cada patrimônio de afetação;
VII - assegurar a auditor, pessoa física ou jurídica, nomeado nos termos do § 2º, o livre acesso à
obra, bem como aos livros, contratos, movimentação da conta de depósito exclusiva referida no
inciso V deste parágrafo e quaisquer outros documentos relativos ao patrimônio de afetação; e
VIII - manter escrituração contábil completa, ainda que optantes pela tributação com base no lucro
presumido.
§ 6º Verificada alguma das hipóteses previstas no art. 43, incisos III e VI, a Comissão de
Representantes assumirá a administração da incorporação e promoverá a imediata realização de
assembléia geral, a esta competindo, por dois terços dos votos dos adquirentes, deliberar sobre o
prosseguimento da incorporação ou a liquidação do patrimônio de afetação, bem como sobre as
condições em que se promoverá uma ou outra.
§ 7º Na hipótese de que trata o parágrafo anterior, a Comissão de Representantes ficará investida de
mandato irrevogável, válido mesmo depois de concluída a obra, para, em nome do incorporador, do
titular do domínio e do titular dos direitos aquisitivos do imóvel objeto da incorporação, outorgar
aos adquirentes das unidades autônomas, por instrumento público ou particular, o contrato
definitivo a que o incorporador e os titulares de domínio e de direitos aquisitivos sobre o imóvel, em
decorrência de contratos preliminares, estiverem obrigados, podendo para esse fim transmitir
domínio, direito, posse e ação, manifestar a responsabilidade do alienante pela evicção, imitir os
adquirentes na posse das unidades respectivas, outorgando referidos contratos mesmo aos
adquirentes que tenham obrigações a cumprir perante o incorporador ou a instituição financiadora,
nestes casos desde que comprovadamente adimplentes, situação em que a outorga do contrato fica
condicionada à constituição de garantia real sobre o imóvel, para assegurar o pagamento do débito
remanescente.
§ 8º O patrimônio de afetação extinguir-se-á pela:
II - averbação da construção, registro dos títulos de domínio ou de direito de aquisição em nome
dos respectivos adquirentes e, quando for o caso, extinção das obrigações do incorporador perante
a instituição financiadora do empreendimento;
III - revogação em razão de denúncia da incorporação, depois de restituídas aos adquirentes às
quantias por esses pagas (art. 36), ou de outras hipóteses previstas em lei;
IIII - liquidação deliberada pela assembléia geral nos termos do § 7º.
Art. 30-C. A insolvência do incorporador não atingirá os patrimônios de afetação constituídos, não
integrando a massa concursal o terreno, as acessões e demais bens, direitos creditórios, obrigações
e encargos objeto da incorporação. (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE
SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 1º Nos sessenta dias que se seguirem à decretação da falência do incorporador, o condomínio dos
adquirentes, por convocação de sua Comissão de Representantes ou, na sua falta, de um sexto dos
titulares de frações ideais, ou, ainda, por determinação do juiz da falência, realizará assembléia
geral na qual, por maioria simples, ratificará o mandato da Comissão de Representantes ou elegerá
novos membros, e, por dois terços dos votos dos adquirentes, instituirá o condomínio da
construção, por instrumento público ou particular, e deliberará sobre os termos da continuação da
obra ou da liquidação do patrimônio de afetação (art. 43, inciso III); havendo financiamento para
construção, a convocação poderá ser feita pela instituição financiadora.
§ 2º Perde eficácia a deliberação pela continuação da obra a que se refere o § 1º caso não se
verifique o pagamento das obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas, vinculadas ao
respectivo patrimônio de afetação, cujos fatos geradores tenham ocorrido até a data da decretação
da falência, os quais deverão ser pagos pelos adquirentes no prazo de sessenta dias daquela
deliberação.
§ 3º Na hipótese em que assumam a administração da obra, os adquirentes responderão
solidariamente com o incorporador:
II - pelas obrigações previstas no § 2º, vinculadas a seu respectivo patrimônio de afetação, que
tenham sido objeto de lançamento de ofício ou cujo pagamento tenha sido determinado na forma
da legislação trabalhista, posteriormente àquela deliberação e até a extinção do patrimônio de
afetação na forma prevista no inciso I do § 8º do art. 30-B;
III - pelos tributos resultantes da diferença entre o custo orçado e o custo efetivo verificada até a
data da decretação da falência, correspondentes a seus respectivos empreendimentos imobiliários.
§ 4º Cada condômino responderá individualmente pelas obrigações na proporção dos coeficientes
de construção atribuíveis às respectivas unidades, se outra forma não for deliberada em assembléia
geral por dois terços dos votos dos adquirentes.
§ 5º As obrigações previstas nos §§ 2º e 3º serão arrecadadas à massa, sendo seus respectivos
valores depositados em conta-corrente bancária específica e destinados, exclusivamente, ao
pagamento de créditos privilegiados, observada a ordem de preferência estabelecida na legislação.
§ 6º As obrigações referidas no § 2º poderão ser pagas parceladamente, em até trinta meses,
observando-se que:
II - as parcelas serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e de Custódia (Selic), para títulos federal, acumulada mensalmente, calculados a partir
do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento da primeira parcela até o último dia do mês
anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento;
III - o síndico da massa falida deverá ser comunicado da opção pelo parcelamento das obrigações no
prazo previsto no § 2º.
§ 7º Os proprietários ou titulares de direitos aquisitivos sobre as unidades imobiliárias integrantes
do empreendimento, caso decidam pelo prosseguimento da obra, ficarão automaticamente sub-
rogados nos direitos, nas obrigações e nos encargos relativos à incorporação, inclusive aqueles
relativos ao contrato de financiamento da obra, se houver.
§ 8º Os condôminos responderão pelo saldo porventura existente entre o custo de conclusão da
obra e os recursos a receber e os disponíveis na conta a que se refere o inciso V do § 5º do art. 30-B,
na proporção dos coeficientes de construção atribuíveis às respectivas unidades, se outra forma não
for deliberada em assembléia geral por dois terços dos votos dos adquirentes.
§ 9º Para assegurar as medidas necessárias ao prosseguimento das obras ou à liquidação do
patrimônio de afetação, a Comissão de Representantes, no prazo de sessenta dias, a contar da data
de realização da assembléia geral de que trata o parágrafo anterior, promoverá, em público leilão,
com observância dos critérios estabelecidos pelo art. 63, a venda das frações ideais e respectivas
acessões que, até a data da decretação da falência, não tiverem sido alienadas pelo incorporador.
§ 10. Na hipótese de que trata o § 9º, o arrematante ficará sub-rogado, na proporção atribuível à
fração e acessões adquiridas, nos direitos e nas obrigações relativas ao empreendimento, inclusive
nas obrigações de eventual financiamento, e, em se tratando da hipótese do art. 39 desta Lei, nas
obrigações perante o proprietário do terreno.
§ 11. Dos documentos para anúncio da venda de que trata o § 7º e, bem assim, o inciso III do art.
43, constarão os valores das acessões não pagas pelo incorporador (art. 35, § 6º), e o preço da
fração ideal do terreno e das acessões (arts. 40 e 41).
§ 12. No processo de venda de que trata o § 10, serão asseguradas, sucessivamente, em igualdade
de condições com terceiros:
II - ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, a preferência para aquisição das acessões vinculadas à fração objeto da venda, a ser
exercida nas vinte e quatro horas seguintes à data designada para a venda;
III - ao condomínio, caso não exercida a preferência de que trata o inciso anterior, ou caso não haja
licitantes, a preferência para aquisição da fração ideal e acessões, desde que deliberada em
assembléia geral, pelo voto da maioria simples dos adquirentes presentes, e exercida no prazo de
quarenta e oito horas a contar da data designada para a venda.
§ 13. Realizada a venda, incumbirá à Comissão de Representantes, sucessivamente, nos cinco dias
que se seguirem ao recebimento do preço:
II - pagar as obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias, vinculadas ao respectivo
patrimônio de afetação a que se refere o § 2º , observada a ordem de preferência prevista na
legislação, em especial o disposto no art. 186 do Código Tributário Nacional;
III - reembolsar aos adquirentes as quantias que tenham adiantado, com recursos próprios, para
pagamento das obrigações referidas no inciso I;
IIII - reembolsar a instituição financiadora à quantia que esta tiver entregado para a construção,
salvo se outra forma não vier a ser convencionada entre as partes interessadas;
IIV - entregar ao condomínio o valor que este tiver desembolsado para construção das acessões de
responsabilidade do incorporador (§ 6º do art. 35 e § 5º do art. 30-A), na proporção do valor obtido
na venda;
V - entregar ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, o valor apurado na venda, em proporção ao valor atribuído à fração ideal;
VI - arrecadar a massa falida o saldo que porventura remanescer.
§ 14. Na hipótese dos §§ 2º a 6º:
II - os valores arrecadados à massa constituirão crédito privilegiado dos adquirentes;
III - a extinção do patrimônio de afetação prevista no inciso I do § 8º do art. 30-B não poderá ocorrer
enquanto não integralmente pagas as obrigações tributárias, trabalhistas e previdenciárias a ele
vinculadas.
Art. 30-D. Para efeito, exclusivamente, do disposto no § 2º do art. 30-C, a vinculação das obrigações
ali referidas, devidas pela pessoa jurídica, inclusive por equiparação, nos termos da legislação do
imposto de renda, dar-se-á pelo rateio: (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE
SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))

II - do total das obrigações da pessoa jurídica relativas ao imposto de renda e à contribuição social
sobre o lucro na proporção da receita bruta relativa a cada patrimônio de afetação em relação à
receita bruta total da pessoa jurídica, considerando-se receita bruta aquela definida na legislação do
imposto de renda;
III - do total das obrigações da pessoa jurídica relativas às Contribuições para os Programas de
Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e à Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) na proporção da receita bruta relativa a cada
patrimônio de afetação em relação à receita bruta total da pessoa jurídica, considerando-se receita
bruta aquela definida na legislação específica dessas contribuições;
§ 1º Na hipótese das demais obrigações trabalhistas, tributárias e previdenciárias, a vinculação dar-
se-á de forma direta, abrangendo tão-somente aquelas geradas no âmbito do próprio patrimônio de
afetação, na forma das respectivas legislações de regência.
§ 2º As demais obrigações trabalhistas, tributárias e previdenciárias comuns dos patrimônios de
afetação que não possam ser individualizadas a cada patrimônio serão rateadas na proporção do
respectivo custo do patrimônio de afetação em relação ao custo total dos patrimônios de afetação.
§ 3º As demais obrigações trabalhistas, tributárias e previdenciárias, não vinculadas exclusivamente
aos patrimônios de afetação, serão rateadas na proporção da receita bruta do respectivo patrimônio
em relação à receita bruta total da pessoa jurídica, considerando-se receita bruta aquela definida na
legislação do imposto de renda.
§ 4º Na impossibilidade de adoção do critério de rateio previsto no § 2º, em relação àquelas
obrigações utilizar-se-á o critério previsto no § 3º.
§ 5º As obrigações, as receitas brutas e os custos referidos no caput e §§ 1º a 3º são os
correspondentes aos respectivos períodos de apuração e serão considerados acumuladamente
entre a data de início do empreendimento e a data da extinção do patrimônio de afetação, nos
termos do § 8º do art. 30-B, ou da decretação da falência, se houver.
§ 6º Para os fins do disposto neste artigo, os patrimônios de afetação equiparam-se a
estabelecimentos filiais, cabendo aos órgãos encarregados pela administração dos impostos e
contribuições respectivos determinar as hipóteses em que o pagamento ou o recolhimento será
efetuado por estabelecimento filial.
§ 7º O disposto no § 6º não implica atribuir a condição de sujeito passivo ao patrimônio de afetação.
§ 8º O incorporador deve informar, no demonstrativo trimestral a que se refere o inciso IV do § 5º
do art. 30-B, a ser entregue à Comissão de Representantes, o montante das obrigações referidas no
§ 2º do art. 30-C vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação.
§ 9º O incorporador deve assegurar ao auditor, pessoa física ou jurídica, nomeado nos termos do §
2º do art. 30-B, bem assim à Comissão de Representantes ou à pessoa por ela designada, o acesso a
todas as informações necessárias à verificação do montante das obrigações referidas no § 2º do art.
30-C vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação.
Art. 30-E. O Poder Executivo poderá regulamentar o disposto nos arts. 30-C e 30-D, inclusive
estabelecer obrigações acessórias destinadas ao controle do cumprimento das respectivas normas.
(Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001
(Edição Extra))
Parágrafo único. O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas específicas para a
abertura e a movimentação da conta-corrente bancária a que se refere o § 4º do art. 30-C.
Art. 30-F. Serão dirimidos mediante arbitragem, nos termos do disposto na Lei nº 9.307, de 24 de
setembro de 1996, os litígios decorrentes de contratos de incorporação imobiliária: (Incluído pela
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
II - obrigatoriamente, quando relativos à vinculação de obrigações de que tratam o § 2º do art. 30-C
e o art. 30-D; e
III - facultativamente, nos demais casos.
Art. 30-G. O disposto nos arts. 30-C e 30-D aplica-se, exclusivamente, aos empreendimentos
imobiliários iniciados a partir de 5 de setembro de 2001 (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº
2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
Art. 31. A iniciativa e a responsabilidade das incorporações imobiliárias caberão ao incorporador,
que somente poderá ser:
a) o proprietário do terreno, o promitente comprador, o cessionário deste ou promitente
cessionário com título que satisfaça os requisitos da alínea a do art. 32;
b) o construtor (Decreto número 23.569, de 11/12/33 e 3.995, de 31 de dezembro de 1941, e
Decreto-Lei número 8.620, de 10 de janeiro de 1946) ou corretor de imóveis (Lei nº 4.116, de
27/08/62).
§ 1º No caso da alínea b, o incorporador será investido, pelo proprietário de terreno, o promitente
comprador, o cessionário deste ou promitente cessionário, de mandato outorgado por instrumento
público, onde se faça menção expressa desta Lei e se transcreva o disposto no § 4º do art. 35, para
concluir todos os negócios tendentes à alienação das frações ideais de terreno, mas obrigará
pessoalmente pelos atos que praticar na qualidade de incorporador.
§ 2º Nenhuma incorporação poderá ser proposta à venda sem a indicação expressa do incorporador,
devendo também seu nome permanecer indicado ostensivamente no local da construção.
§ 3º Toda e qualquer incorporação, independentemente da forma por que seja constituída, terá um
ou mais incorporadores solidariamente responsáveis, ainda que em fase subordinada a período de
carência, referido no art. 34.

"CAPÍTULO I-A"

DO PATRIMÔNIO DE AFETAÇÃO - (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)


Art. 31-A. A critério do incorporador, a incorporação poderá ser submetida ao regime da afetação,
pelo qual o terreno e as acessões objeto de incorporação imobiliária, bem como os demais bens e
direitos a ela vinculados, manter-se-ão apartados do patrimônio do incorporador e constituirão
patrimônio de afetação, destinado à consecução da incorporação correspondente e à entrega das
unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 1o O patrimônio de afetação não se comunica com os demais bens, direitos e obrigações do
patrimônio geral do incorporador ou de outros patrimônios de afetação por ele constituídos e só
responde por dívidas e obrigações vinculadas à incorporação respectiva.(Incluído pela Lei nº 10.931,
de 2004)
§ 2o O incorporador responde pelos prejuízos que causar ao patrimônio de afetação. (Incluído pela
Lei nº 10.931, de 2004)
§ 3o Os bens e direitos integrantes do patrimônio de afetação somente poderão ser objeto de
garantia real em operação de crédito cujo produto seja integralmente destinado à consecução da
edificação correspondente e à entrega das unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes.
(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 4o No caso de cessão, plena ou fiduciária, de direitos creditórios oriundos da comercialização das
unidades imobiliárias componentes da incorporação, o produto da cessão também passará a
integrar o patrimônio de afetação, observado o disposto no § 6o. (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
§ 5o As quotas de construção correspondentes a acessões vinculadas a frações ideais serão pagas
pelo incorporador até que a responsabilidade pela sua construção tenha sido assumida por
terceiros, nos termos da parte final do § 6o do art. 35.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 6o Os recursos financeiros integrantes do patrimônio de afetação serão utilizados para pagamento
ou reembolso das despesas inerentes à incorporação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 7o O reembolso do preço de aquisição do terreno somente poderá ser feito quando da alienação
das unidades autônomas, na proporção das respectivas frações ideais, considerando-se tão-
somente os valores efetivamente recebidos pela alienação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 8o Excluem-se do patrimônio de afetação:(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - os recursos financeiros que excederem a importância necessária à conclusão da obra (art. 44),
considerando-se os valores a receber até sua conclusão e, bem assim, os recursos necessários à
quitação de financiamento para a construção, se houver; e (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - o valor referente ao preço de alienação da fração ideal de terreno de cada unidade vendida, no
caso de incorporação em que a construção seja contratada sob o regime por empreitada (art. 55) ou
por administração (art. 58).(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 9o No caso de conjuntos de edificações de que trata o art. 8o, poderão ser constituídos
patrimônios de afetação separados, tantos quantos forem os: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - subconjuntos de casas para as quais esteja prevista a mesma data de conclusão (art. 8o, alínea
"a"); e (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - edifícios de dois ou mais pavimentos (art. 8o , alínea "b").(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 10. A constituição de patrimônios de afetação separados de que trata o § 9o deverá estar
declarada no memorial de incorporação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 11. Nas incorporações objeto de financiamento, a comercialização das unidades deverá contar
com a anuência da instituição financiadora ou deverá ser a ela cientificada, conforme vier a ser
estabelecido no contrato de financiamento.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 12. A contratação de financiamento e constituição de garantias, inclusive mediante transmissão,
para o credor, da propriedade fiduciária sobre as unidades imobiliárias integrantes da incorporação,
bem como a cessão, plena ou fiduciária, de direitos creditórios decorrentes da comercialização
dessas unidades, não implicam a transferência para o credor de nenhuma das obrigações ou
responsabilidades do cedente, do incorporador ou do construtor, permanecendo estes como únicos
responsáveis pelas obrigações e pelos deveres que lhes são imputáveis.(Incluído pela Lei nº 10.931,
de 2004)
Art. 31-B. Considera-se constituído o patrimônio de afetação mediante averbação, a qualquer
tempo, no Registro de Imóveis, de termo firmado pelo incorporador e, quando for o caso, também
pelos titulares de direitos reais de aquisição sobre o terreno.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Parágrafo único. A averbação não será obstada pela existência de ônus reais que tenham sido
constituídos sobre o imóvel objeto da incorporação para garantia do pagamento do preço de sua
aquisição ou do cumprimento de obrigação de construir o empreendimento.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
Art. 31-C. A Comissão de Representantes e a instituição financiadora da construção poderão
nomear, às suas expensas, pessoa física ou jurídica para fiscalizar e acompanhar o patrimônio de
afetação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 1o A nomeação a que se refere o caput não transfere para o nomeante qualquer responsabilidade
pela qualidade da obra, pelo prazo de entrega do imóvel ou por qualquer outra obrigação
decorrente da responsabilidade do incorporador ou do construtor, seja legal ou a oriunda dos
contratos de alienação das unidades imobiliárias, de construção e de outros contratos
eventualmente vinculados à incorporação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 2o A pessoa que, em decorrência do exercício da fiscalização de que trata o caput deste artigo,
obtiver acesso às informações comerciais, tributárias e de qualquer outra natureza referentes ao
patrimônio afetado responderá pela falta de zelo, dedicação e sigilo destas informações.(Incluído
pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 3o A pessoa nomeada pela instituição financiadora deverá fornecer cópia de seu relatório ou
parecer à Comissão de Representantes, a requerimento desta, não constituindo esse fornecimento
quebra de sigilo de que trata o § 2o deste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Art. 31-D. Incumbe ao incorporador: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - promover todos os atos necessários à boa administração e à preservação do patrimônio de
afetação, inclusive mediante adoção de medidas judiciais; (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - manter apartados os bens e direitos objeto de cada incorporação; (Incluído pela Lei nº 10.931,
de 2004)
III - diligenciar a captação dos recursos necessários à incorporação e aplicá-los na forma prevista
nesta Lei, cuidando de preservar os recursos necessários à conclusão da obra;(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
IV - entregar à Comissão de Representantes, no mínimo a cada três meses, demonstrativo do estado
da obra e de sua correspondência com o prazo pactuado ou com os recursos financeiros que
integrem o patrimônio de afetação recebidos no período, firmados por profissionais habilitados,
ressalvadas eventuais modificações sugeridas pelo incorporador e aprovadas pela Comissão de
Representantes;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
V - manter e movimentar os recursos financeiros do patrimônio de afetação em conta de depósito
aberta especificamente para tal fim;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
VI - entregar à Comissão de Representantes balancetes coincidentes com o trimestre civil, relativos
a cada patrimônio de afetação;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
VII - assegurar à pessoa nomeada nos termos do art. 31-C o livre acesso à obra, bem como aos
livros, contratos, movimentação da conta de depósito exclusiva referida no inciso V deste artigo e
quaisquer outros documentos relativos ao patrimônio de afetação; e (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
VIII - manter escrituração contábil completa, ainda que esteja desobrigado pela legislação tributária.
(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Art. 31-E. O patrimônio de afetação extinguir-se-á pela: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)

I - averbação da construção, registro dos títulos de domínio ou de direito de aquisição em nome dos
respectivos adquirentes e, quando for o caso, extinção das obrigações do incorporador perante a
instituição financiadora do empreendimento;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - revogação em razão de denúncia da incorporação, depois de restituídas aos adquirentes às
quantias por eles pagas (art. 36), ou de outras hipóteses previstas em lei; (Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
III - liquidação deliberada pela assembléia geral nos termos do art. 31-F, § 1o.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
Art. 31-F. Os efeitos da decretação da falência ou da insolvência civil do incorporador não atingem
os patrimônios de afetação constituídos, não integrando a massa concursal o terreno, as acessões e
demais bens, direitos creditórios, obrigações e encargos objeto da incorporação.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 1o Nos sessenta dias que se seguirem à decretação da falência ou da insolvência civil do
incorporador, o condomínio dos adquirentes, por convocação da sua Comissão de Representantes
ou, na sua falta, de um sexto dos titulares de frações ideais, ou, ainda, por determinação do juiz
prolator da decisão, realizará assembléia geral, na qual, por maioria simples, ratificará o mandato da
Comissão de Representantes ou elegerá novos membros, e, em primeira convocação, por dois
terços dos votos dos adquirentes ou, em segunda convocação, pela maioria absoluta desses votos,
instituirá o condomínio da construção, por instrumento público ou particular, e deliberará sobre os
termos da continuação da obra ou da liquidação do patrimônio de afetação (art. 43, inciso III);
havendo financiamento para construção, a convocação poderá ser feita pela instituição
financiadora.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 2o O disposto no § 1o aplica-se também à hipótese de paralisação das obras prevista no art. 43,
inciso VI.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 3o Na hipótese de que tratam os §§ 1o e 2o, a Comissão de Representantes ficará investida de
mandato irrevogável para firmar com os adquirentes das unidades autônomas o contrato definitivo
a que estiverem obrigados o incorporador, o titular do domínio e o titular dos direitos aquisitivos do
imóvel objeto da incorporação em decorrência de contratos preliminares.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 4o O mandato a que se refere o § 3o será válido mesmo depois de concluída a obra.(Incluído pela
Lei nº 10.931, de 2004)
§ 5o O mandato outorgado à Comissão de Representantes confere poderes para transmitir domínio,
direito, posse e ação, manifestar a responsabilidade do alienante pela evicção e imitir os
adquirentes na posse das unidades respectivas.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 6o Os contratos definitivos serão celebrados mesmo com os adquirentes que tenham obrigações a
cumprir perante o incorporador ou a instituição financiadora, desde que comprovadamente
adimplentes, situação em que a outorga do contrato fica condicionada à constituição de garantia
real sobre o imóvel, para assegurar o pagamento do débito remanescente.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 7o Ainda na hipótese dos §§ 1o e 2o, a Comissão de Representantes ficará investida de mandato
irrevogável para, em nome dos adquirentes, e em cumprimento da decisão da assembléia geral que
deliberar pela liquidação do patrimônio de afetação, efetivar a alienação do terreno e das acessões,
transmitindo posse, direito, domínio e ação, manifestar a responsabilidade pela evicção, imitir os
futuros adquirentes na posse do terreno e das acessões. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 8o Na hipótese do § 7o, será firmado o respectivo contrato de venda, promessa de venda ou outra
modalidade de contrato compatível com os direitos objeto da transmissão.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 9o A Comissão de Representantes cumprirá o mandato nos termos e nos limites estabelecidos
pela deliberação da assembléia geral e prestará contas aos adquirentes, entregando-lhes o produto
líquido da alienação, no prazo de cinco dias da data em que tiver recebido o preço ou cada parcela
do preço.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 10. Os valores pertencentes aos adquirentes não localizados deverão ser depositados em Juízo
pela Comissão de Representantes.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 11. Caso decidam pela continuação da obra, os adquirentes ficarão automaticamente sub-rogados
nos direitos, nas obrigações e nos encargos relativos à incorporação, inclusive aqueles relativos ao
contrato de financiamento da obra, se houver.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 12. Para os efeitos do § 11 deste artigo, cada adquirente responderá individualmente pelo saldo
porventura existente entre as receitas do empreendimento e o custo da conclusão da incorporação
na proporção dos coeficientes de construção atribuíveis às respectivas unidades, se outro critério de
rateio não for deliberado em assembléia geral por dois terços dos votos dos adquirentes, observado
o seguinte:(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - os saldos dos preços das frações ideais e acessões integrantes da incorporação que não tenham
sido pagos ao incorporador até a data da decretação da falência ou da insolvência civil passarão a
ser pagos à Comissão de Representantes, permanecendo o somatório desses recursos submetido à
afetação, nos termos do art. 31-A, até o limite necessário à conclusão da incorporação;(Incluído pela
Lei nº 10.931, de 2004)
II - para cumprimento do seu encargo de administradora da incorporação, a Comissão de
Representantes fica investida de mandato legal, em caráter irrevogável, para, em nome do
incorporador ou do condomínio de construção, conforme o caso, receber as parcelas do saldo do
preço e dar quitação, bem como promover as medidas extrajudiciais ou judiciais necessárias a esse
recebimento, praticando todos os atos relativos ao leilão de que trata o art. 63 ou os atos relativos à
consolidação da propriedade e ao leilão de que tratam os arts. 26 e 27 da Lei no 9.514, de 20 de
novembro de 1997, devendo realizar a garantia e aplicar na incorporação todo o produto do
recebimento do saldo do preço e do leilão;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
III - consideram-se receitas do empreendimento os valores das parcelas a receber, vincendas e
vencidas e ainda não pagas, de cada adquirente, correspondentes ao preço de aquisição das
respectivas unidades ou do preço de custeio de construção, bem como os recursos disponíveis
afetados; e (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
IV - compreendem-se no custo de conclusão da incorporação todo o custeio da construção do
edifício e a averbação da construção das edificações para efeito de individualização e discriminação
das unidades, nos termos do art. 44.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 13. Havendo saldo positivo entre as receitas da incorporação e o custo da conclusão da
incorporação, o valor correspondente a esse saldo deverá ser entregue à massa falida pela Comissão
de Representantes.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 14. Para assegurar as medidas necessárias ao prosseguimento das obras ou à liquidação do
patrimônio de afetação, a Comissão de Representantes, no prazo de sessenta dias, a contar da data
de realização da assembléia geral de que trata o § 1o, promoverá, em leilão público, com
observância dos critérios estabelecidos pelo art. 63, a venda das frações ideais e respectivas
acessões que, até a data da decretação da falência ou insolvência não tiverem sido alienadas pelo
incorporador.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 15. Na hipótese de que trata o § 14, o arrematante ficará sub-rogado, na proporção atribuível à
fração e acessões adquiridas, nos direitos e nas obrigações relativas ao empreendimento, inclusive
nas obrigações de eventual financiamento, e, em se tratando da hipótese do art. 39 desta Lei, nas
obrigações perante o proprietário do terreno. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 16. Dos documentos para anúncio da venda de que trata o § 14 e, bem assim, o inciso III do art.
43, constarão o valor das acessões não pagas pelo incorporador (art. 35, § 6o) e o preço da fração
ideal do terreno e das acessões (arts. 40 e 41). (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 17. No processo de venda de que trata o § 14, serão asseguradas, sucessivamente, em igualdade
de condições com terceiros: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, a preferência para aquisição das acessões vinculadas à fração objeto da venda, a ser
exercida nas vinte e quatro horas seguintes à data designada para a venda; e (Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
II - ao condomínio, caso não exercida a preferência de que trata o inciso I, ou caso não haja
licitantes, a preferência para aquisição da fração ideal e acessões, desde que deliberada em
assembléia geral, pelo voto da maioria simples dos adquirentes presentes, e exercida no prazo de
quarenta e oito horas a contar da data designada para a venda. (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
§ 18. Realizada a venda prevista no § 14, incumbirá à Comissão de Representantes, sucessivamente,
nos cinco dias que se seguirem ao recebimento do preço:(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - pagar as obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias, vinculadas ao respectivo
patrimônio de afetação, observada a ordem de preferência prevista na legislação, em especial o
disposto no art. 186 do Código Tributário Nacional;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - reembolsar aos adquirentes as quantias que tenham adiantado, com recursos próprios, para
pagamento das obrigações referidas no inciso I;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
III - reembolsar à instituição financiadora a quantia que esta tiver entregado para a construção,
salvo se outra forma for convencionada entre as partes interessadas; (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
IV - entregar ao condomínio o valor que este tiver desembolsado para construção das acessões de
responsabilidade do incorporador (§ 6o do art. 35 e § 5o do art. 31-A), na proporção do valor obtido
na venda; (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)

V - entregar ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, o valor apurado na venda, em proporção ao valor atribuído à fração ideal; e (Incluído
pela Lei nº 10.931, de 2004)
VI - entregar à massa falida o saldo que porventura remanescer. (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
§ 19. O incorporador deve assegurar à pessoa nomeada nos termos do art. 31-C, o acesso a todas as
informações necessárias à verificação do montante das obrigações referidas no § 12, inciso I, do art.
31-F vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 20. Ficam excluídas da responsabilidade dos adquirentes as obrigações relativas, de maneira direta
ou indireta, ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro, devidas pela pessoa jurídica
do incorporador, inclusive por equiparação, bem como as obrigações oriundas de outras atividades
do incorporador não relacionadas diretamente com as incorporações objeto de afetação. (Incluído
pela Lei nº 10.931, de 2004)

CAPÍTULO II

Das Obrigações e Direitos do Incorporador


Art. 32. O incorporador somente poderá negociar sobre unidades autônomas após ter arquivado, no
cartório competente de Registro de Imóveis, os seguintes documentos:
a) título de propriedade de terreno, ou de promessa irrevogável e irretratável de compra e venda ou
de cessão de direitos ou de permuta do qual conste cláusula de emissão na posse do imóvel, não
haja estipulações impeditivas de sua alienação em frações ideais e inclua consentimento para
demolição e construção, devidamente registrado;
b) certidões negativas de impostos federais, estaduais e municipais, de protesto de títulos de ações
cíveis e criminais e de ônus reais relativamente ao imóvel, aos alienantes do terreno e ao
incorporador;
c) histórico dos títulos de propriedade do imóvel, abrangendo os últimos 20 anos, acompanhado de
certidão dos respectivos registros;
d) projeto de construção devidamente aprovado pelas autoridades competentes;
e) cálculo das áreas das edificações, discriminando, além da global, a das partes comuns, e
indicando, cada tipo de unidade a respectiva metragem de área construída;
f) certidão negativa de débito para com a Previdência Social, quando o titular de direitos sobre o
terreno for responsável pela arrecadação da respectivas contribuições;
g) memorial descritivo das especificações da obra projetada, segundo modelo a que se refere o
inciso IV, do art. 53, desta Lei;
h) avaliação do custo global da obra, atualizada à data do arquivamento, calculada de acordo com a
norma do inciso III, do art. 53 com base nos custos unitários referidos no art. 54, discriminando-se,
também, o custo de construção de cada unidade, devidamente autenticada pelo profissional
responsável pela obra;
i) discriminação das frações ideais de terreno com as unidades autônomas que a elas
corresponderão;
j) minuta da fatura Convenção de condomínio que regerá a edificação ou o conjunto de edificações;
l) declaração em que se defina a parcela do preço de que trata o inciso II, do art. 39;
m) certidão do instrumento público de mandato, referido no § 1º do artigo 31;
n) declaração expressa em que se fixe, se houver, o prazo de carência (art. 34);
o) atestado de idoneidade financeira, fornecido por estabelecimento de crédito que opere no País
há mais de cinco anos.
p) declaração, acompanhada de plantas elucidativas, sobre o número de veículos que a garagem
comporta e os locais destinados à guarda dos mesmos. (Alínea incluída pela Lei nº 4.864, de
29.11.1965)
§ 1º A documentação referida neste artigo, após o exame do Oficial de Registro de Imóveis, será
arquivada em cartório, fazendo-se o competente registro.
§ 2º Os contratos de compra e venda, promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de
unidades autônomas são irretratáveis e, uma vez registrados, conferem direito real oponível a
terceiros, atribuindo direito à adjudicação compulsória perante o incorporador ou a quem o
suceder, inclusive na hipótese de insolvência posterior ao término da obra. (Alterado pela MEDIDA
PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 3º O número do registro referido no § 1º, bem como a indicação do cartório competente,
constará, obrigatoriamente, dos anúncios, impressos, publicações, propostas, contratos, publicações
ou definitivos, referentes à incorporação, salvo dos anúncios “classificados”.
§ 4º O Registro de Imóveis dará certidão ou fornecerá, a quem o solicitar, cópia fotostática,
heliográfica, termofar, microfilmagem ou outra equivalente, dos documentos especificados neste
artigo, ou autenticará cópia apresentada pela parte interessada.
§ 5º A existência de ônus fiscais ou reais, salvo os impeditivos de alienação, não impedem o registro,
que será feito com as devidas ressalvas, mencionando-se, em todos os documentos, extraídos do
registro, a existência e a extensão do ônus.
§ 6º Os Oficiais de Registro de Imóveis terão 15 dias para apresentar, por escrito, todas as exigências
que julgarem necessárias ao arquivamento, e, satisfeitas as referidas exigências, terão o prazo de 15
dias para fornecer certidão, relacionando a documentação apresentada, e devolver, autenticadas, as
segundas vias da mencionada documentação, com exceção dos documentos públicos. Em casos de
divergências, o Oficial levantará a dúvida segundo as normas processuais aplicáveis.
§ 7º Oficial de Registro de Imóveis responde, civil e criminalmente, se efetuar o arquivamento de
documentação contraveniente à lei ou der certidão VETADO ... sem o arquivamento de todos os
documentos exigidos.
§ 8º O Oficial do Registro de Imóveis, que não observar os prazos previstos no § 6º ficará sujeito à
penalidade imposta pela autoridade judiciária competente em montante igual ao dos emolumentos
devidos pelo registro de que trata este artigo, aplicável por quinzena ou fração de quinzena de
superação de cada um daqueles prazos. (parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 9º Oficial do Registro de Imóveis não responde pela exatidão dos documentos que lhe forem
apresentados para arquivamento em obediência ao disposto nas alíneas e, g, h, l, e p deste artigo,
desde que assinados pelo profissional responsável pela obra. (parágrafo incluído pela Lei nº 4.864,
de 29.11.1965)
§ 10 As plantas do projeto aprovado (alínea d deste artigo) poderão ser apresentadas em cópia
autenticada pelo profissional responsável pela obra, acompanhada de cópia da licença de
construção.(parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 11 Até 30 de junho de 1966 se, dentro de 15 (quinze) dias de entrega ao Cartório do Registro de
Imóveis da documentação completa prevista neste artigo, feita por carta enviada pelo Ofício de
Títulos e Documentos, não tiver o Cartório de Imóveis entregue a certidão de arquivamento e
registro, nem formulado, por escrito, as exigências previstas no § 6º, considerar-se-á de pleno
direito completado o registro provisório.(parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 12 O registro provisório previsto no parágrafo anterior autoriza o incorporador a negociar as
unidades da incorporação, indicando na sua publicação o número do Registro de Títulos e
Documentos referentes à remessa dos documentos ao Cartório de Imóveis, sem prejuízo, todavia,
da sua responsabilidade perante o adquirente da unidade e da obrigação de satisfazer as exigências
posteriormente formuladas pelo Cartório, bem como, de completar o registro definitivo. (parágrafo
incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
Art. 33. O registro da incorporação será válido pelo prazo de 120 dias, findo o qual, se ela ainda não
houver concretizado, o incorporador só poderá negociar unidades depois de atualizar a
documentação a que se refere o artigo anterior, revalidando o registro por igual prazo. (Vide Lei
4.864/65 que eleva para 180 (cento e oitenta) dias o prazo de validade de registro da incorporação)
Art. 34. O incorporador poderá fixar, para efetivação da incorporação, prazo de carência, dentro do
qual lhe é lícito desistir do empreendimento.
§ 1º A fixação do prazo de carência será feita pela declaração a que se refere à alínea “n”, do art. 32
onde se fixem às condições que autorizarão o incorporador a desistir do empreendimento.
§ 2º Em caso algum poderá o prazo de carência ultrapassar o termo final do prazo de validade do
registro ou, se for o caso, de sua revalidação.
§ 3º Os documentos preliminares de ajuste, se houver, mencionarão, obrigatoriamente, o prazo de
carência, inclusive, para efeitos do art. 45.
§ 4º A desistência da incorporação será denunciada, por escrito, ao Registro de Imóveis ...
VETADO ... e comunicada, por escrito, a cada um dos adquirentes ou candidatos à aquisição, sob
pena de responsabilidade civil e criminal do incorporador.
§ 5º Será averbada no registro da incorporação a desistência de que trata o parágrafo anterior
arquivando-se em cartório o respectivo documento.
§ 6º O prazo de carência é improrrogável.
Art. 35. O incorporador terá o prazo máximo de 45 anos, a contar do termo final do prazo de
carência, se houver, para promover a celebração do competente contrato relativo à fração ideal de
terreno, e, bem assim, do contrato de construção e da Convenção do condomínio, de acordo com
discriminação constante da alínea “i”, do art. 32. (Vide Lei nº 4.864/65 que altera o prazo máximo
concedido ao incorporador para 60 (sessenta) dias)
§ 1º No caso de não haver prazo de carência, o prazo acima se contará de carência, o prazo acima se
contará da data de qualquer documento de ajuste preliminar.
§ 2º Quando houver prazo de carência, a obrigação somente deixará de existir se o incorporador
tiver denunciado, dentro do mesmo prazo nas condições previamente estabelecidas, por escrito, ao
Registro de Imóveis, a não-concretização do empreendimento.
§ 3º Se, dentro do prazo de carência, o incorporador não denunciar a incorporação, embora não se
tenham reunido as condições a que se refere o § 1º o outorgante do mandato de que trata o § 1º,
do art. 31, poderá fazê-lo nos cinco dias subseqüentes ao prazo de carência, e nesse caso ficará
solidariamente responsável com o incorporador pela devolução das quantias que os adquirentes ou
candidatos à aquisição houverem entregado ao incorporador, resguardado o direito de regresso
sobre eles, dispensando-se, então, do cumprimento da obrigação fixada no caput deste artigo.
§ 4º Descumpridas pelo incorporador e pelo mandante de que trata o § 1º do art. 31 a obrigação da
outorga dos contratos referidos no caput deste artigo, nos prazos ora fixados, a carta-proposta ou o
documento de ajuste preliminar poderão ser averbados no Registro de Imóveis, averbação que
conferirá direito real oponível a terceiros, com o conseqüente direito à obtenção compulsória do
contrato correspondente.
§ 5º Na hipótese do parágrafo anterior, o incorporador incorrerá também na multa de 50% sobre a
quantia que efetivamente tiver recebido, cobrável por via executiva, em favor do adquirente ou
candidato à aquisição.
§ 6º Ressalvado o disposto no artigo 43, do contrato de construção deverá constar expressamente à
menção dos responsáveis pelo pagamento da construção de cada uma das unidades. O
incorporador responde em igualdade de condições com os demais contratantes, pelo pagamento da
construção das unidades que não tenham tido a responsabilidade pela sua construção assumida por
terceiros e até que o tenham.
Art. 36. No caso de denúncia de incorporação, nos termos do art. 34 se o incorporador, até 30 dias a
contar da denúncia, não restituir aos adquirentes as importâncias pagas, estes poderão cobrá-la por
via executiva, reajustado o seu valor a contar da data do recebimento, em função do índice geral de
preços mensalmente publicado pelo Conselho Nacional de Economia, que reflita as variações no
poder aquisitivo da moeda nacional, e acrescido de juros de 6% ao ano, sobre o total corrigido.
Art. 37. Se o imóvel estiver gravado de ônus real ou fiscal ou se contra os alienantes houver
qualquer ação que possa comprometê-lo, o fato será obrigatoriamente mencionado em todos os
documentos de ajuste, com a indicação de sua natureza e das condições de liberação.
Art. 38. Também constará, obrigatoriamente, dos documentos de ajuste, se for o caso, o fato de
encontrar-se ocupado o imóvel esclarecendo-se a que título se deve esta ocupação e quais as
condições de desocupação.
Art. 39. Nas incorporações em que a aquisição do terreno se der com pagamento total ou parcial em
unidades a serem construídas, deverão ser discriminadas em todos os documentos de ajuste:
I – a parcela que, se houver, será paga em dinheiro;
II – a quota-parte da área das unidades a serem entregues em pagamento do terreno que
corresponderá a cada uma das unidades, a qual deverá ser expressa em metros quadrados.
Parágrafo único. Deverá constar, também, de todos os documentos de ajuste, se alienante do
terreno ficou ou não sujeito a qualquer prestação ou encargo.
Art. 40. No caso de rescisão de contrato de alienação do terreno ou de fração ideal, ficarão
rescindidas as cessões ou promessas de cessão de direito correspondente à aquisição do terreno.
§ 1º Nesta hipótese, consolidar-se-á, no alienante em cujo favor se opera a resolução, o direito
sobre a construção porventura existente.
§ 2º No caso do parágrafo anterior, cada um dos ex-titulares de direito à aquisição de unidades
autônomas haverá do mencionado alienante o valor da parcela de construção que haja adicionado à
unidade, salvo se a rescisão houver sido causada pelo ex-titular.
§ 3º Na hipótese dos parágrafos anteriores, sob pena de nulidade, não poderá o alienante em cujo
favor se operou a resolução voltar a negociar seus direitos sobre a unidade autônoma, sem a prévia
indenização aos titulares, de que trata o § 2º.
§ 4º No caso do parágrafo anterior, se os ex-titulares tiverem de recorrer à cobrança judicial do que
lhes for devido, somente poderão garantir o seu pagamento a unidade e respectiva fração de
terreno objeto do presente artigo.
Art. 41. Quando as unidades imobiliárias forme contratadas pelo incorporador por preço global
compreendendo quotas de terreno e construção, inclusive com parte do pagamento após a entrega
da unidade, discriminar-se-ão, no contrato, o preço da quota de terreno e o da construção.

§ 1º Poder-se-á estipular que, na hipótese de o adquirente atrasar o pagamento de parcela relativa


à construção, os efeitos da mora recairão não apenas sobre a aquisição da parte construída, mas,
também, sobre a fração ideal de terreno, ainda que esta tenha sido totalmente paga.
§ 2º Poder-se-á também estipular que, na hipótese de o adquirente atrasar o pagamento da parcela
relativa à fração ideal do terreno, os efeitos da mora recairão não apenas sobre a aquisição da
fração ideal, mas, também, sobre a parte construída, ainda que totalmente paga.
Art. 42. No caso de rescisão do contrato relativo à fração ideal de terreno e parte comuns, a pessoa
em cujo favor se tenha operado a resolução sub-rogar-se-á nos direitos e obrigações
contratualmente atribuídos ao inadimplente, com relação à construção.
Art. 43. Quando o incorporador contratar a entrega da unidade a prazo e preços certos,
determinados ou determináveis, mesmo quando pessoa física, ser-lhe-ão impostas as seguintes
normas:
I – informar obrigatoriamente aos adquirentes, por escrito, no mínimo de seis em seis meses, o
estado da obra;
II – responder civilmente pela execução da incorporação devendo indenizar os adquirentes ou
compromissários, dos prejuízos que a estes advierem do fato de não se concluir a edificação ou de
se retardar injustificadamente a conclusão das obras, cabendo-lhe ação regressiva contra o
construtor, se for o caso e se a este couber a culpa;
III – em caso de falência do incorporador, pessoa física ou jurídica, e não ser possível à maioria
prosseguir na construção das edificações, os subscritores ou candidatos à aquisição de unidades
serão credores privilegiados pelas quantias que houverem pagado ao incorporador, respondendo
subsidiariamente os bens pessoais deste;
IV – é vedado ao incorporador alterar o projeto, especialmente no que se refere à unidade do
adquirente e às partes comuns, modificar as especificações, ou desviar-se do plano da construção,
salvo autorização unânime dos interessados ou exigência legal;
V – não poderá modificar as condições de pagamento nem reajustar o preço das unidades, ainda no
caso de elevação dos preços dos materiais e de mão-de-obra, salvo se tiver sido expressamente
ajustada à faculdade de reajustamento, procedendo-se, então, nas condições estipuladas.
VI – se o incorporador, sem justa causa devidamente comprovada, paralisar as obras por mais de 30
dias, ou retardar-lhes excessivamente o andamento poderá o Juiz notificá-lo para que no prazo
mínimo de 30 dias as reinicie ou torne a dar-lhes o andamento normal. Desatendida a notificação,
poderá o incorporador ser destituído pela maioria absoluta dos votos dos adquirentes, sem prejuízo
da responsabilidade civil ou penal que couber, sujeito à cobrança executiva das importância
comprovadamente devidas, facultando-se aos interessados prosseguir na obra (vetado).
VII - em caso de insolvência do incorporador que tiver optado pelo regime da afetação e não sendo
possível à maioria prosseguir na construção, a assembléia geral poderá, pelo voto de dois terços dos
adquirentes, deliberar pela venda do terreno, das acessões e demais bens e direitos integrantes do
patrimônio de afetação, mediante leilão ou outra forma que estabelecer, distribuindo entre si, na
proporção dos recursos que comprovadamente tiverem aportado, o resultado líquido da venda,
depois de pagas as dívidas do patrimônio de afetação e deduzido e entregue ao proprietário do
terreno a quantia que lhe couber, nos termos do art. 40; não se obtendo, na venda, a reposição dos
aportes efetivados pelos adquirentes, reajustada na forma da lei e de acordo com os critérios do
contrato celebrado com o incorporador, os adquirentes serão credores privilegiados pelos valores da
diferença não-reembolsada, respondendo subsidiariamente os bens pessoais do incorporador.
(Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001
(Edição Extra)) (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Art. 44. Após a concessão do “habite-se” pela autoridade administrativa, o incorporador deverá
requerer, (VETADO) a averbação da construção das edificações, para efeito de individualização e
discriminação das unidades, respondendo perante os adquirentes pelas perdas e danos que
resultem da demora no cumprimento dessa obrigação.
§ 1º Se o incorporador não requerer a averbação (VETADO) o construtor requerê-la-á (VETADO) sob
pena de ficar solidariamente responsável com o incorporador perante os adquirentes.
§ 2º Na omissão do incorporador e do construtor, a averbação poderá ser requerida por qualquer
dos adquirentes de unidade.
Art. 45. É lícito ao incorporador recolher o imposto do selo devido, mediante apresentação dos
contrato preliminares, até 10 dias a contar do vencimento do prazo de carência a que se refere o
art. 34, extinta a obrigação se dentro deste prazo, for denunciada a incorporação.
Art. 46. Quando o pagamento do imposto sobre o lucro imobiliário e respectivos acréscimos e
adicionais for de responsabilidade do vendedor do terreno, será lícito ao adquirente reter o
pagamento das últimas prestações anteriores à data-limite em que é lícito pagar, sem reajuste, o
referido imposto e os adicionais, caso o vendedor não apresente a quitação até 14 dias antes do
vencimento das prestações cujo pagamento torne inferior ao débito fiscal à parte do preço a ser
ainda paga até a referida data-limite.
Parágrafo único. No caso de retenção pelo adquirente, esse ficará responsável para todos os efeitos
perante o Fisco, pelo recolhimento do tributo, adicionais e acréscimos, inclusive pelos
reajustamentos que vier a sofrer o débito fiscal, (VETADO).
Art. 47. Quando se fixar no contrato que a obrigação do pagamento do imposto sobre lucro
imobiliário acréscimo e adicionais devidos, pelo alienante e transferida ao adquirente, dever-se-á
explicitar o montante que tal obrigação atingiria se sua satisfação se desse na data da escritura.
§ 1º Neste caso, o adquirente será tido, para todos os efeitos, como responsável perante o Fisco.
§ 2º Havendo parcela restituível, a restituição será feita ao adquirente e, se for o caso, em nome
deste serão emitidas as obrigações do Tesouro Nacional a que se refere o art. 4º da Lei nº 4.357, de
16/07/64.
§ 3º Para efeitos fiscais, não importará em aumento do preço de aquisição a circunstância de
obrigar-se o adquirente ao pagamento do imposto sobre o lucro mobiliário, seus acréscimos e
adicionais.
CAPÍTULO III

DA CONSTRUÇÃO DE EDIFICAÇÃO EM CONDOMÍNIO

SEÇÃO I - DA CONSTRUÇÃO EM GERAL


Art. 48. A construção de imóveis, objeto de incorporação nos moldes previstos nesta Lei poderá ser
contratada sob o regime da empreitada ou de administração conforme adiante definidos e poderá
estar incluída no contrato com o incorporador (VETADO), ou ser contratada diretamente entre os
adquirentes e o construtor.
§ 2º O projeto e o memorial descritivo das edificações farão parte integrante e complementar do
contrato.
§ 2º Do contrato deverá constar o prazo da entrega às obras e as condições e formas de sua
eventual prorrogação.
Art. 49. Os contratantes da construção, inclusive no caso do art. 43, para tratar de seus interesses,
com relação a ela, poderão reunir-se em assembléia, cujas deliberações, desde que aprovadas por
maioria simples dos votos presentes, serão válidas e obrigatórias para todos eles salvo no que afetar
ao direito de propriedade previsto na legislação.
§ 1º As assembléias serão convocadas, pelo menos, por 1/3 (um terço) dos votos dos contratantes
pelo incorporador ou pelo construtor, com menção expressa do assunto a tratar, sendo admitido
comparecimento de procurador bastante.
§ 2º A convocação da assembléia instalar-se-á, no mínimo, com metade dos contratantes, em
primeira convocação, e com qualquer número em segunda, sendo, porém, obrigatória à presença,
em qualquer caso do incorporador ou do construtor, quando convocados, e pelo menos, com
metade dos contratantes que a tenham convocado, se for o caso.
§ 4º Na assembléia, os votos dos contratantes serão proporcionais às respectivas frações ideais de
terreno.
Art. 50. Será designada no contrato de construção ou eleita em assembléia geral uma Comissão de
Representantes composta de três membros, pelo menos, escolhidos entre os adquirentes, para
representá-los perante o construtor ou, no caso do art. 43, ao incorporador, em tudo o que
interessar ao bom andamento da incorporação, e, em especial, perante terceiros, para praticar os
atos resultantes da aplicação dos arts. 30-A, 30-B, 30-C, e 30-D (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA
Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra)) (Redação dada pela Lei
10.931, de 2004)
§ 1º Uma vez eleita a Comissão, cuja constituição se comprovará com a ata da assembléia,
devidamente inscrita no Registro de Títulos e Documentos, esta ficará de pleno direito investida dos
poderes necessários para exercer todas as atribuições e praticar todos os atos que esta Lei e o
contrato de construção lhe deferirem, sem necessidade de instrumento especial outorgado pelos
contratantes ou se for caso, pelos que se sub-rogarem nos direitos e obrigações destes.
§ 2º A assembléia geral poderá, pela maioria absoluta dos votos dos adquirentes, alterar a
composição da Comissão de Representantes e revogar qualquer de suas decisões, ressalvados os
direitos de terceiros quanto aos efeitos já produzidos (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221,
DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra)) Redação dada pela Lei 10.931, de
2004)
§ 3º Respeitados os limites constantes desta Lei, o contrato poderá discriminar as atribuições da
Comissão e deverá dispor sobre os mandatos de seus membros, sua destituição e a forma de
preenchimento das vagas eventuais, sendo lícita à estipulação de que o mandado conferido a
qualquer membro no caso de sub-rogação de seu contrato a terceiros, se tenha por transferido, de
pleno direito, ao sub-rogado, salvo este não o aceitar.
§ 4º Nas incorporações em que o número de contratantes de unidades for igual ou inferior a 3 a
totalidade deles exercerá, em conjunto as atribuições que esta Lei confere a Comissão, aplicando-se
no que couber o disposto nos parágrafos anteriores.
Art. 51. Nos contratos de construção, seja qual for seu regime deverá constar expressamente a
quem caberão as despesas com ligações de serviços públicos, devidas ao Poder Público, bem como
as despesas indispensáveis à instalação, funcionamento e regulamentação do condomínio.
Parágrafo único. Quando o serviço público for explorado mediante concessão, os contratos de
construção deverão também especificar a quem caberão as despesas com as ligações que
incumbam às concessionárias no caso de não estarem elas obrigadas a fazê-la ou, em o estando, se
a isto se recusarem ou alegarem impossibilidade.
Art. 52. Cada contratante da construção só será emitido na posse de sua unidade se estiver em dia
com as obrigações assumidas, inclusive as relativas à construção exercendo o construtor e o
condomínio até então, o direito de retenção sobre a respectiva unidade; no caso do art. 43 este
direito será exercido pelo incorporador.
Art. 53. O Poder Executivo, através do Banco Nacional da Habitação, promoverá a celebração de
contratos com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (A.B.N.T.), no sentido de que esta, tendo
em vista o disposto na Lei nº 4.150, de novembro de 1962, prepare, no prazo máximo de 120 dias,
normas que estabeleçam, para cada tipo de prédio que padronizar:
I – critérios e normas para execução de orçamentos de custo de construção, para uso dos sindicatos,
na forma do art. 54;
II – critérios e normas para execução de orçamentos de custo de construção, para fins de disposto
no artigo 59;
III – critérios e norma para a avaliação de custo global de obra, para fins da alínea h, do art. 32;
IV – modelo de memorial descritivo dos acabamentos de edificação, para fins do disposto no art. 32.
V – critério para entrosamento entre o cronograma das obras e o pagamento das prestações, que
poderá ser introduzido nos contratos de incorporação, inclusive para o efeito de aplicação do
disposto no § 2º do art. 48. A construção de imóveis, objeto de incorporação nos moldes previstos
nesta Lei poderá ser contratada sob o regime de empreitada ou de administração conforme adiante
definidos e poderá estar incluída no contrato com o incorporador (VETADO), ou ser contratada
diretamente entre os adquirentes e o construtor.
§ 1º O número de tipos padronizados deverá ser reduzido e na fixação se atenderá
primordialmente:
a) o número de pavimentos e a existência de especiais (subsolo, pilotis, etc);
b) o padrão da construção (baixo, normal, alto), tendo em conta as condições de acabamento, a
qualidade dos materiais empregados, os equipamentos, o número de elevadores e as inovações de
conforto;
c) as áreas de construção.
§ 2º Para custear o serviço a ser feito pela A.B.N.T., definido neste artigo, fica autorizado o Poder
Executivo a abrir um crédito especial no valor Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), em
favor do Banco Nacional de Habitação, vinculado a este fim, podendo o Banco adiantar a
importância à A.B.N.T., se necessário.
§ 3º No contrato a ser celebrado com a A.B.N.T., estipular-se-á a atualização periódica das normas
previstas neste artigo, mediante remuneração razoável.
Art. 54. Os sindicatos estaduais da indústria da construção civil ficam obrigados a divulgar
mensalmente, até o dia 5 de cada mês, os custos unitários de construção a serem adotados nas
respectivas regiões jurisdicionais, calculados com observância dos critérios e normas a que se refere
o inciso I, do artigo anterior.
§ 1º O sindicato estadual que deixar de cumprir a obrigação prevista neste artigo deixará de receber
dos cofres públicos, enquanto perdurar a omissão qualquer subvenção ou auxílio que pleiteie ou a
que tenha direito.
§ 2º Na ocorrência de omissão de sindicato estadual, o construtor usará os índices fixados por outro
sindicato estadual, em cuja região os custos de construção mais lhe pareçam aproximados dos da
sua.
§ 3º Os orçamento ou estimativas baseados nos custos unitários a que se refere este artigo só
poderão ser considerados atualizados, em certo mês, para os efeitos desta Lei, se baseados em
custos unitários relativos ao próprio mês ou a um dos dois meses anteriores.

SEÇÃO II

DA CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA


Art. 55. Nas incorporações em que a construção seja feita pela regime de empreitada, esta poderá
ser a preço fixo, ou a preço reajustável por índices previamente determinados.
§ 1º Na empreitada a preço fixo o preço da construção será irreajustável, independentemente das
variações que sofrer o custo efetivo das obras e quaisquer que sejam suas causas.
§ 2º Na empreitada a preço reajustável, o preço fixado no contrato será reajustado na forma e nas
épocas nele expressamente previstas, em função da variação dos índices adotados, também
previstos obrigatoriamente no contrato.
§ 3º Nos contratos de construção por empreitada, a Comissão de Representantes fiscalizará o
andamento da obra e a obediência ao Projeto e às especificações exercendo as demais obrigações
referentes à sua função representativa dos contratantes e fiscalizadora da construção.
§ 4º Nos contratos de construção fixados sob regime de empreitada, reajustável, a Comissão de
Representantes fiscalizará, também, o cálculo do reajustamento.
§ 5º No contrato deverá ser mencionado o montante do orçamento atualizado da obra, calculado de
acordo com as normas do inciso III, do art. 53, com base nos custos unitários referidos no art. 54,
quando o preço estipulado for inferior ao mesmo.
§ 6º Na forma de expressa referência, os contratos de empreitada entendem-se como sendo a preço
fixo.
Art. 56. Em toda a publicidade ou propaganda escrita, destinada a promover a venda de
incorporação com construção pelo regime de empreitada reajustável, em que conste preço serão
discriminados, explicitamente o preço da fração ideal do terreno e o preço da construção, com
indicação expressa da reajustabilidade.
§ 1º As mesmas indicações deverão constar em todos os papéis utilizados para a realização da
incorporação, tais como cartas, propostas, escrituras, contratos e documentos semelhantes.
§ 2º Esta exigência será dispensada nos anúncios “classificados” dos jornais.
Art. 57. Ao construtor que contratar, por empreitada a preço fixo, uma obra de incorporação,
aplicar-se-á, no que couber, o disposto nos itens II, II, IV, (VETADO) e VI, do art. 43.

SEÇÃO III

DA CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO


Art. 58. Nas incorporações em que a construção for contratada pelo regime de administração,
também chamado “a preço de custo”, será de responsabilidade dos proprietários ou adquirentes o
pagamento do custo integral de obra, observadas as seguintes disposições:
I – todas as faturas, duplicatas, recibos e quaisquer documentos referentes às transações ou
aquisições para construção, serão emitidos em nome do condomínio dos contratantes da
construção;
II – todas as contribuições dos condomínios para qualquer fim relacionados com a construção serão
depositadas em conta abertas em nome do condomínio dos contratantes em estabelecimento
bancários, as quais, serão movimentadas pela forma que for fixada no contrato.
Art. 59. No regime de construção por administração, será obrigatório constar do respectivo contrato
o montante do orçamento do custo da obra, elaborado com estrita observância dos critérios e
normas referidos no inciso II, do art. 53 e a data em que se iniciará efetivamente a obra.
§ 1º Nos contratos lavrados até o término das fundações, este montante não poderá ser inferior ao
da estimativa, a que se refere o § 3º, do art. 54.
§ 2º Nos contratos celebrados após o término das fundações, este montante não poderá ser inferior
à última revisão efetivada na forma do artigo seguinte.
§ 3º As transferências e sub-rogações do contrato, em qualquer fase da obra, aplicar-se-á o disposto
neste artigo.
Art. 60. As revisões da estimativa de custo da obra serão efetuadas, pelo menos semestralmente,
em comum entre a Comissão de Representantes e o construtor. O contrato poderá estipular que,
em função das necessidades da obra sejam alteráveis os esquemas de contribuições quanto ao
total, ao número, ao valor e à distribuição no tempo das prestações.
Parágrafo único. Em caso de majoração de prestações, o novo esquema deverá ser comunicado aos
contratantes, com antecedência mínima de 45 dias da data em que deverão ser efetuados os
depósitos das primeiras prestações alteradas.
Art. 61. A Comissão de Representantes terá poderes para, em nome de todos os contratantes e na
forma prevista no contrato:
a) examinar os balancetes organizados pelos construtores, dos recebimentos e despesas do
condomínio dos contratantes, aprová-los ou impugná-los, examinando a documentação respectiva;
b) fiscalizar concorrências relativas às compras dos materiais necessários à obra ou aos serviços a
ela pertinentes;
c) contratar, em nome do condomínio, com qualquer condômino, modificações por ele solicitadas
em sua respectiva unidade, a serem administrados pelo construtor, desde que não prejudiquem
unidade de outro condômino e não estejam em desacordo com o parecer técnico do construtor;
d) fiscalizar a arrecadação das contribuições destinadas à construção;
e) exercer as demais obrigações inerentes a sua função representativa dos contratantes e
fiscalizadora da construção e praticar todos os atos necessários ao funcionamento regular do
condomínio.
Art. 62. Em toda publicidade ou propaganda escrita destinada a promover a venda de incorporação
com construção pelo regime de administração em que conste preço, serão discriminados
explicitamente o preço da fração ideal de terreno e o montante do orçamento atualizado do custo
da construção, na forma dos artigos 59 e 60, com a indicação do mês a que se refere o dito
orçamento e do tipo padronizado a que se vincule o mesmo.
§ 1º As mesmas indicações deverão constar em todos os papéis utilizados para a realização da
incorporação, tais como cartas, propostas, escrituras, contratos e documentos semelhantes.
§ 2º Esta exigência será dispensada nos anúncios “classificados” dos jornais.

CAPÍTULO IV

DAS INFRAÇÕES
Art. 63. É lícito estipular no contrato, sem prejuízo de outras sanções, que a falta de pagamento, por
parte do adquirente ou contratante, de 3 prestações do preço da construção, quer estabelecidas
inicialmente, quer alteradas ou criadas posteriormente, quando for o caso, depois de prévia
notificação com o prazo de 10 dias para purgação da mora, implique na rescisão do contrato,
conforme nele se fixar, ou que, na falta de pagamento, pelo débito respondem os direito à
respectiva fração ideal de terreno e à parte construída adicionada, na forma abaixo estabelecida, se
outra forma não fixar o contrato.
§ 1º Se o débito não for liquidado no prazo de 10 dias, após solicitação da Comissão de
Representantes, esta ficará, desde logo, de pleno direito, autorizada a efetuar, no prazo que fixar,
em público leilão anunciado pela forma que o contrato previr, a venda, promessa de venda ou de
cessão, ou acessão da quota de terreno e correspondente parte construída e direitos, bem como a
sub-rogação do contrato de construção.
§ 2º Se o maior lanço obtido for inferior ao desembolso efetuado pelo inadimplente, para a quota
do terreno e a construção, despesas acarretadas e as percentagens expressas no parágrafo seguinte
será realizada nova praça no prazo estipulado no contrato. Nesta segunda praça, será aceito o maior
lanço apurado, ainda que inferior aquele total, VETADO.
§ 3º No prazo de 24 horas após a realização do leilão final, o condomínio, por decisão unânime de
Assembléia-Geral em condições de igualdade com terceiros, terá preferência na aquisição dos bens,
caso em que serão adjudicados ao condomínio.
§ 4º Do preço que for apurado no leilão, serão deduzidas as quantias em débito, todas as despesas
ocorridas, inclusive honorário de advogado e anúncios, e mais 5% a título de comissão e 10% de
multa compensatória, que reverterão em benefício do condomínio de todos os contratantes, com
exceção do faltoso, ao qual será entregue o saldo, se houver.
§ 5º Para os fins das medidas estipuladas neste artigo, a Comissão de Representantes ficará
investida de mandato, irrevogável, isento do imposto de selo, na vigência do contrato geral de
construção da obra com poderes necessários para, em nome do condomínio inadimplente, efetuar
as citadas transações, podendo para este fim fixar preços, ajustar condições, sub-rogar o
arrematante nos direitos e obrigações decorrentes do contrato de construção e da quota de terreno
e construção; outorgar as competentes escrituras e contratos, receber preços, dar quitações; imitir
o arrematante na pose do imóvel; transmitir domínio, direito e ação; responder pela evicção;
receber citação, propor e variar de ações; e também dos poderes ad juditia, a serem
substabelecidos a advogado legalmente habilitado.
§ 6º A morte, falência ou concordata do condomínio ou sua dissolução, se tratar de sociedade, não
revogará o mandato de que trata o parágrafo anterior, o qual poderá ser exercido pela Comissão de
Representantes até a conclusão dos pagamentos devidos, ainda que a unidade pertença a menor de
idade.
§ 7º Os eventuais débitos, fiscais ou para a Previdência Social, não impedirão a alienação por leilão
público. Neste caso, ao condômino somente será entregue o saldo, se houver, desde que prove
estar quite com o Fisco e a Previdência Social, devendo a Comissão de Representantes, em caso
contrário, consignar judicialmente a importância equivalente aos débitos existentes dando ciência
ao fato à entidade credora.
§ 8º Independentemente das disposições deste artigo e seus parágrafos, e como penalidades
preliminares, poderá o contrato de construção estabelecer a incidência de multas e juros de mora
em caso de atraso no depósito de contribuição sem prejuízo do disposto no parágrafo seguinte.
§ 9º O contrato poderá dispor que o valor das prestações pagas com atraso, seja corrigível em
função da variação do índice geral de preços mensalmente publicado pelo Conselho Nacional de
Economia, que reflita as oscilações do poder aquisitivo da moeda nacional.
§ 10. O membro da Comissão de Representantes que incorrer na falta prevista neste artigo, estará
sujeito à perda automática do mandato e deverá ser substituído segundo dispuser o contrato.
Art. 64. Os órgãos de informação e publicidade que divulgarem publicidade sem os requisitos
exigidos pelo § 3º do artigo 32 e pelos artigos 56 e 62, desta Lei, sujeitar-se-ão à multa em
importância correspondente ao dobro do preço pago pelo anunciante, a qual reverterá em favor da
respectiva Municipalidade.
Art. 65. É crime contra a economia popular promover incorporação, fazendo, em proposta,
contratos, prospectos ou comunicação ao público ou aos interessados, afirmação falsa sobre a
constituição do condomínio, alienação da frações ideais do terreno ou sobre a construção das
edificações.
PENA – reclusão de um a quatro anos e multa de cinco a cinqüenta vezes o maior salário-mínimo
legal vigente no país.
§ 1º Incorrem na mesma pena:
I – o incorporador, o correto e o construtor, individuais, bem como os diretores ou gerentes de
empresa coletiva incorporadora, corretora ou construtora que, em proposta, contrato, publicidade,
prospecto, relatório parecer, balanço ou comunicação ao público ou aos condôminos, candidatos ou
subscritores de unidades, fizerem afirmação falsa sobre a constituição do condomínio, alienação das
frações ideais ou sobre a construção das edificações;
II – o incorporador, o corretor e o construtor individuais, bem como os diretores ou gerentes de
empresa coletiva, incorporadora, corretora ou construtora que usar, ainda que a título de
empréstimo, em proveito próprio ou de terceiros, bens ou haveres destinados à incorporação
contratada por administração, sem prévia autorização dos interessados.
§ 2º O julgamento destes crimes será de competência de Juízo singular, aplicando-se os artigos 5º,
6º e 7º da Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951.
Art. 66. São contravenções relativas à economia popular, puníveis na forma do artigo 10 da Lei nº
1.521, de 26 d dezembro de 1951:
I – negociar o incorporador frações ideais de terreno, sem previamente satisfazer ás exigências
constantes desta Lei;
II – omitir o incorporador, em qualquer documento de ajuste, as indicações a que se referem os
artigos 37 e 38, desta Lei;
III – deixar o incorporador, sem justa causa, no prazo do artigo 35 e ressalvada a hipótese de seus §§
2º e
3º, de promover a celebração do contrato relativo à fração ideal de terreno, do contrato de
construção ou da Convenção do condomínio;
IV – VETADO.
V – omitir o incorporador, no contrato, a indicação a que se refere o § 5º do artigo 55, desta Lei;
VI – paralisar o incorporador a obra, por mais de 30 dias, ou retarda-lhe excessivamente o
andamento sem justa causa
PENA – Multa de 5 a 20 vezes o maior salário-mínimo legal vigente do País.
Parágrafo único. No caso de contratos relativos a incorporações, de que não participe o
incorporador, responderão solidariamente pelas faltas capituladas neste artigo o construtor, o
corretor, o proprietário ou titular de direitos aquisitivos do terreno, desde que figurem no contrato,
com direito regressivo sobre o incorporador, se as faltas cometidas lhe forem imputáveis.

CAPÍTULO V

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS


Art. 67. Os contratos poderão consignar exclusivamente as cláusulas, termo ou condições variáveis
ou específicas.
§ 1º As cláusulas comuns a todos os adquirentes não precisarão figurar expressamente nos
respectivos contratos.
§ 2º Os contratos no entanto, consignarão obrigatoriamente que as partes contratantes, adotem e
se comprometam a cumprir as clausulas, termos e condições contratuais a que se refere o parágrafo
anterior, sempre transcritas, verbo ad verbum no respectivo cartório ou ofício, mencionando,
inclusive, o número do livro e das folhas do competente registro.
§ 3º Aos adquirentes, ao receberem os respectivos instrumentos, será obrigatoriamente entregue
cópia impressa ou mimeografada, autenticada do contrato-padrão, contendo as cláusulas, termos e
condições referidas no § 1º deste artigo.
§ 4º Os cartórios de Registro de Imóveis para os devidos efeitos, receberão dos incorporadores,
autenticamente, o instrumento a que se refere o parágrafo anterior.
Art. 68. Os proprietários ou titulares de direitos aquisitivos sobre as terras rurais ou os terrenos
onde pretendam construir ou mandar construir habitações isoladas para aliená-las antes de
concluídas, mediante pagamento do preço a prazo, deverão, previamente, satisfazer às exigências
constantes no art. 32, ficando sujeitos ao regime instituído nesta Lei para os incorporadores, no que
lhes for aplicável.
Art. 69. O Poder Executivo baixará, no prazo de 90 dias, regulamento sobre o registro no Registro de
Imóveis VETADO.
Art. 70. A presente lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogados o Decreto nº 5.481, de
25 de junho de 1928 e quaisquer disposições em contrário.
Brasília, 16 de dezembro de 1964; 143º da Independência e 76º da República.
H. Castello Branco
Milton Soares Campos

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abaixo
E-mail: antlou65@yahoo.com.br

CONDOMÍNIO SEM BRIGAS E DESAVENÇAS

CONDOMÍNIOS: HORIZONTAL & VERTICAL


e sua lei 4.591/64 atualizada

SUMÁRIO
01 – CONSIDERAÇÕES
02 - DA DENOMINAÇÃO
03 - DA PROPRIEDADE COMUM
04 - CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS E VERTICAIS DE FATO E DE DIREITO
05 – OBJETO
06 - GARAGENS NOS EDIFÍCIOS DE APARTAMENTOS
07 - DESPESAS DOS CONDOMÍNIOS HORIZONTAIOS E VERTICAIS
08 - TRANFERÊNCIA OU ALIENAÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS
09 - VERBAS PARA AS DESPESAS CONDOMINIAIS
10 - DA PRESTAÇÃO DE CONTAS
11 - DA INSTITUIÇÃO DE CONDOMÍNIO
12 - DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO
13. - DO REGIMENTO INTERNO
14 - PROVIMENTO CG Nº 10/2004
15 - SEGURO OBRIGATÓRIO DOS CONDOMÍNIOS
16 - CONDOMÍNIOS E INCORPORAÇÕES
17 - INVASÃO DE ÁREA COMUM
18 - ALTERAÇÃO DA DESTINAÇÃO CONDOMINIAL
19 - HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
20 - DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS CONDÔMINOS
21 - TRANSPARÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO
22 - ASSEMBLÉIA GERAL
23 - NULIDADES DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS DOS CONDÔMINOS
24 - DO SÍNDICO - DO SUBSÍNDICO - DO ZELADOR
25 - UNIDADES CONTÍGUAS
26 - COLOCAÇÃO DE LETREIROS OU CARTAZES
27 - CONTRIBUIÇÕES PARA INOVAÇÕES
28 - MODIFICAÇÕES INTERNAS DE UNIDADES AUTÔNOMAS
29 - UTILIZAÇÃO DE ELEVADORES
30 - ANIMAIS DOMÉSTICOS
31 - OSUCAPIÃO DAS ÁREAS COMUNS
32 - INOVAÇÃO EM VAGA DE GARAGEM
33 - EXCLUSÃO DE CONDÔMINO
34 - APARELHOS ATMOSFÉRICOS E SEGURANÇA
35 - RESERVA DO INCORPORADOR PARA EXPLORAÇÃO DE ANÚNCIOS
36 - AQUISIÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS PELO CONDOMÍNIO
37 - FURTOS EM CONDOMÍNIOS
38 - VAGAS EM GARAGEM
39 - VAGAS INDETERMINADAS NAS GARAGENS
40 - COBRANÇAS CONDOMINIAIS ATRAVÉS DE TÍTULO
41 - DA PENHORA CONTRA OS CONDÔMINOS
42 - LIMITAÇÃO NAS ÁREAS DE LAZER DE VISITANTES E CONVIDADOS
43 - CONVENÇÃO E REGIMENTO INTERNO OMISSOS
44 - DESPESAS IRREGULARMENTE APROVADAS EM ASSEMBLÉIA
45 - INGRESSO DE AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS PELO CONDÔMINO
46 - DAS VOTAÇÕES EM ASSEMBLÉIAS
47 - ABONO OU PRÊMIO PONTUALIDADE
48 - PROCEDIMENTO NAS COBRANÇAS JUDICIAIS
49 - AUTO-ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO
50 - CLÁUSULA DE NÃO INDENIZAR
51 - SÍNDICO DE FATO E DE DIREITO E SEUS PODERES
52 - SEGURANÇA
53 - CORPO DE UM CONDOMÍNIO OU HIERAEQUIA CONDOMINIAL
54 - DADOS TÉCNICOS DE UM CONDOMÍNIO HORIZONTAL
55 - LEI FEDERAL Nº 4.591 DE 16 DE DEZEMBRO DE 1964

PREFÁCIO

CONDOMÍNIO HORIZONTAL
Alguns procuram tumultuar o entendimento da Lei Federal nº 4.591/64 , que em seu artigo 8º, letra
a) diz: "em relação às unidades autônomas que se constituírem em casas térreas ou assobradadas,
será discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação e também aquela eventualmente
reservada como utilização exclusiva dessas casas, como jardim e quintal, bem assim a fração ideal
do todo e de partes comuns, que corresponderá às unidades", portanto a unidade autônoma nos
condomínios horizontais corresponde aos lotes dos loteamentos;
CONDOMÍNIO VERTICAL
A Lei Federal nº 4.591/64, letra b) diz: "em relação as unidade autônomas que constituírem edifícios
de dois ou mais pavimentos, será discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação, aquela
que eventualmente for reservada como utilização exclusiva, correspondente às unidades autônomas
do edifício, e ainda a fração ideal do todo do terreno e de partes comuns, que corresponderá a cada
uma das unidades", portanto as unidades autônomas nos condomínios verticais correspondem aos
edifícios de apartamentos, conjuntos e edifícios garagens;
Um condomínio possui cinco etapas e fases importantes na sua constituição, conforme abaixo:
1ª - INSTITUIÇÃO DE CONDOMÍNIO
O artigo 7º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “O condomínio por unidades autônomas instituir-se-á
por ato entre vivos ou por testamento , com inscrição obrigatória, no Registro de imóveis, dele
constando: a individualização de cada unidade, sua identificação e descriminação, bem como a
fração ideal sobre o terreno e partes comuns, atribuída a cada unidade, dispensando-se a descrição
interna da unidade.”
A inscrição obrigatória no Registro de Imóveis, far-se-á conforme o Provimento CG nº 06/1977 de 23
de junho de 1977 da Corregedoria Geral da Justiça;
2ª - PROJETOS E MEMORIAIS
Os projetos e memoriais aprovados pelos órgãos públicos estaduais, federais e municipais, que
fiscalizam e autorizam a instalação do empreendimento, são partes integrantes da instituição de
condomínio acima referida, e nestes documentos estão na maioria das vezes os esclarecimentos das
dúvidas que surgem e provocam dissensões;

3ª - VENDA E COMPRA
Os proprietários, promitentes compradores, cessionários ou promitentes cessionários dos direitos
pertinentes à aquisição de unidades autônomas, em edificação a serem construídas, em construção
ou já construídas, quando da compra do imóvel deram suas formais e totais adesões, sem restrições
ou ressalvas, para nunca mais reclamar ou exigir, sobre a instituição de condomínio, os projetos e
memoriais do empreendimento;
OBSERVAÇÃO: A instituição de condomínio, os projetos e memoriais, tornam o condomínio ,
perpétuo, indivisível e indissolúvel sob o regime do Código Cível Brasileiro, para efeito de se
conciliar a perpetuidade, indissolubilidade e indivisibilidade do condomínio com as disposições do
Código Civil, obrigando a todos os co-proprietários de frações ideais como condição do negócio, a
manter o condomínio perpétuo, indivisível e indissolúvel;

4 – CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO
O artigo 9º da lei Federal nº 4.591/64, diz: “Os proprietários, promitentes compradores,
cessionários ou promitentes cessionários dos direitos pertinentes à aquisição de unidades
autônomas, em edificação a serem construídas, em construção ou já construídas, elaborarão, por
escrito, a Convenção de Condomínio, e deverão, também, por contrato ou por deliberação, em
assembléia, aprovar o Regimento Interno da edificação ou conjunto de edificações.”;
O artigo 9º, parágrafo 2º da lei Federal nº 4.591/64, diz: “Considera-se aprovada, e obrigatória para
os proprietários de unidades, promitentes compradores, cessionários ou promitentes cessionários,
atuais e futuros, como para qualquer ocupante, a Convenção que reúna as assinaturas de titulares
de direitos que representem, no mínimo, dois terços das frações ideais que compõem o
condomínio”;
OBSERVAÇÃO: A convenção de condomínio, para que seja um documento de fato e de direito, é
registrada no livro nº 03 do Cartório de Registro de Imóveis, conforme a Lei Federal nº 6.015/73,
artigo 178, inciso III. Na convenção de condomínio deve constar somente o que está exarado nas
letras a) a m) do parágrafo 3º, artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64, para não se entulhar a referida
convenção, sendo as demais regras e procedimentos do Regimento Interno;

5º - REGIMENTO INTERNO
O artigo 9º da lei Federal nº 4.591/64, diz: “Os proprietários, promitentes compradores,
cessionários ou promitentes cessionários dos direitos pertinentes à aquisição de unidades
autônomas, em edificação a serem construídas, em construção ou já construídas, elaborarão, por
escrito, a Convenção de Condomínio, e deverão, também, por contrato ou por deliberação, em
assembléia, aprovar o Regimento Interno da edificação ou conjunto de edificações.”;
A convenção de condomínio possui as regras básicas da convivência e procedimentos entre os
titulares condôminos, portanto as demais regras e procedimentos que não foram previstas na
convenção citada, devem fazer parte obrigatória do Regimento Interno;
Possui o regimento interno que é realizado por contrato ou deliberação em assembléia (2/3 da
massa condominial), poderes para impor multas e outras penalidades aos condôminos insurgentes,
ressalvando apenas as penalidades exaradas no artigo 12 da Lei Federal nº 4.591/64
(inadimplentes), cujas não podem se estender, para não ofender os direitos dos condôminos;
NOTAS: A língua portuguesa é muito rica sendo influenciada pelos que aqui estavam e vieram,
deixando terminologias com várias interpretações, e como consta do dicionário de Aurélio Buarque
de Holanda Ferreira, citamos algumas:
ÁREA – Superfície plana delimitada, extensão de um terreno e etc.;
COMUM – Pertence a todos ou a muitos, e etc.;
CONDOMÍNIO – Dono juntamente com outrem; co-proprietário e etc.;
CONVEÇÃO – Pacto; acordo; aquilo que só tem valor , sentido ou realidade mediante acordo
recíproco; tudo aquilo que é tacitamente aceito, por uso de geral consentimento, como norma de
proceder, de agir, no convívio social;
EDIFÍCIO – Construção de alvenaria, madeira e etc, de caráter mais ou menos permanente, que
ocupa certo espaço de terreno, são geralmente limitadas por paredes e teto, e serve de abrigo,
moradia; construções que resultam de um conjunto de planos sobrepostos e etc;
EMPREENDIMENTO – Pôr em execução os projetos e levar a cabo, e etc.;
FRAÇÃO – Número que representa uma ou mais partes da unidade que foi dividida, e etc;
HORIZONTAL – Paralelo ao horizonte; esticado; deitado; linha paralela ao horizonte e etc.;
IDEAL – Que existe somente na idéia, imaginário, fantástico, e etc.;
INSTITUIÇAO - Ato de instituir; organização estrutural decorrente de necessidades sociais básicas e
etc.;
ISOLADA – Individual, sem relação com pessoas ou coisas da mesma espécie e etc;
JARDIM – Área de estar de uma casa, e etc;
LOTE – Área pequena de terreno, urbano ou rural, destinada a construções ou pequena agricultura,
e etc;
LOTEAMENTO – Ato ou efeito de dividir em lotes (terrenos) para fins de construção ou de cultivo, e
etc.;
PARTE – Elemento ou porção de um todo, e etc.;
PAVIMENTO – O conjunto de dependências de um edifício situadas num mesmo nível, andar e etc.;
QUINTAL – Pequeno terreno, muitas vezes com jardim ou com horta, atrás da casa, e etc.;
QUOTA – De, ou em que número, subentendendo-se “parte”;
TERRENO – Porção de terra cultivável, campo, e etc;
UNIDADE – Qualidade, condição ou estado de único;
VERTICAL – Perpendicular ao plano horizontal; segue a direção do fio de prumo e etc.;
A Lei nº 4.591/64 “dispõe sobre os condomínios horizontais e verticais e suas incorporações”,
portanto regulamenta os loteamentos em condomínio (condomínio horizontal), os edifícios de
apartamentos (condomínio vertical), e os edifícios garagens (condomínio vertical), com suas
incorporações conforme o Título I e II da Lei acima citada de nº 4.591 de 16 de dezembro de 1964;
CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS - UNIDADES AUTÔNOMAS = LOTES
CONDOMÍNIOS VERTICAIS - UNIDADES AUTÔNOMAS = APARTAMENTOS, CONJUNTOS DE
ESCRITÓRIOS OU LOJAS, E VAGAS EM EDIFÍCIOS GARAGENS

01 – CONSIDERAÇÕES
01.1 - A Lei Federal nº 4.591/64, dispõe sobre os condomínios horizontais, relativos às unidades
autônomas “que se constituem em casas térreas ou assobradadas”, e sobre os condomínios
verticais, relativos às unidades autônomas “que se constituem em edifícios de dois ou mais
pavimentos” (apartamentos, conjuntos, salas, garagens), tudo conforme os artigos 1º e 8º, letras a),
b), c), e d) da Lei Federal nº 4.591/64 de 16 de dezembro de 1964;
01.2 - Existem conjuntos de casas (condomínios horizontais) constituídos de casas térreas ou
assobradadas que possuem jardim e quintal individualizados de utilização exclusiva destas casas,
conforme o artigo 8º, letra a) da Lei Federal nº 4.591/64, lembrando que apartamentos, conjuntos,
salas, vagas em garagens não possuem jardim e quintal. Tais unidades autônomas isoladas entre si
por área não construída, que não são apartamentos, conjuntos, salas, vagas em garagens perfazem
um conjunto de edificações, dentro de uma área ou terreno devidamente “instituído”, para
comportar tais casas térreas ou assobradadas. As unidades isoladas dos condomínios horizontais
estão situadas dentro de um lote de terreno, cujo lote está situado em um loteamento que foi
aprovado pelos órgãos competentes da Comarca e Estado, fundamentado em leis federais,
estaduais e municipais, cujos projetos aprovados são partes integrantes da “Instituição de
condomínio”. É importante se atentar para o Decreto-Lei Federal nº 271/67, artigo 3º, que na época
em que estava em pleno vigor, dizia: “Aplica-se aos loteamentos, a Lei nº 4.591, de 16 de dezembro
de 1964, equiparando-se o loteador ao incorporador, os compradores de lotes aos condôminos e as
obras de infra-estrutura à construção de edificação”. Portanto a área do lote corresponde à área da
unidade autônoma e não a área onde se situa a casa construída. Salientamos que tais loteamentos
(edificações isoladas entre si) possuem uma convenção de condomínio, e cada unidade autônoma
(lote) possui uma área comum, que somadas formam a fração ideal incidente sobre a área
"instituída” e que tais frações ideais na maioria quase absoluta dos casos dão origem às quotas-
partes para o rateio das despesas condominiais;
01.3 - Existem conjuntos de garagens em edificação (condomínios verticais), cujas unidades
autônomas (vagas), possuindo uma entrada comum para as vias públicas, rampas de acesso entre os
andares e elevadores. Tais edifícios estão dentro de terrenos ou áreas que foram devidamente
“Instituídas” para comportar o conjunto de vagas em edifícios. Alertamos que os projetos de
construção dos edifícios garagens e outros aprovados pelos órgãos competentes fazem parte
integrante da “Instituição de Condomínio”. Salientamos que o edifício possui suas unidades
autônomas (vagas), e que tais unidades autônomas (vagas) são somadas com as suas áreas comuns
perfazendo a fração ideal incidente sobre o terreno ou a área instituída, e que tais frações ideais
dão origem às quotas-partes para o rateio das despesas condominiais;
01.4 - Existem apartamentos, conjuntos de escritórios e salas em uma única edificação e outros em
mais de uma edificação (condomínios verticais), cujas unidades autônomas (apartamentos,
conjuntos, salas) são isoladas entre si por paredes, pisos e tetos, possuindo uma entrada comum
para as vias públicas, escadas, corredores e hall para entrada nas unidades autônomas. Tais edifícios
estão dentro de terrenos ou áreas que foram devidamente Instituídas para comportar o conjunto de
edifícios de apartamentos. Alertamos que os projetos de construção dos apartamentos e outros
aprovados pelos órgãos competentes fazem parte integrante da “Instituição de Condomínio”. Temos
que salientar que cada edifício possui suas unidades autônomas (apartamentos), e que tais
apartamentos possuem uma fração ideal incidente sobre a área instituída, e que tais frações ideais
dão origem às quotas-partes para o rateio das despesas condominiais;
01.5 - Para se instalar um condomínio vertical ou horizontal, é necessário pedir autorização ou
anuência escrita da Prefeitura Municipal, em cuja autorização ou anuência deve constar o tipo de
infra-estrutura que o local onde se situa a área ou terreno possui, desta forma se desenvolve o
anteprojeto e o planejamento da futura instalação;
01.6 - Alguns fazem confusão quanto às unidades isoladas entre si. Tecnicamente falando os
apartamentos ou residências possuem um entendimento diferente: os apartamentos são separados
por paredes pisos e tetos, sendo construções geminadas, pois possuem ligações entre si, que são as
respectivas paredes, pisos e tetos, portanto não são isoladas, mesmo que suas separações sejam
confeccionadas por materiais acústicos ou isolantes. As construções isoladas são aquelas que
possuem uma área não construída entre as unidades autônomas, portanto não são separadas por
paredes, pisos ou tetos, tanto que é que os riscos estimados no Seguro constante do Capítulo IV,
Título I da Lei Federal nº 4.591/64 são diferentes. Os chamados muros separam as unidades isoladas
(lotes) e são construídos nos limites dos respectivos onde se situam as residências;
01.7 - Os condomínios horizontais são loteamentos normais com base nas leis, e aprovados pelos
órgãos que fiscalizam tais empreendimentos, e se “Instituídos” destinam-se para construções de
residências térreas ou assobradadas em condomínio, pelas condições estabelecidas na Lei Federal
nº 4.591/64, Título II, Capítulo I, conforme Artigos 7º e 8º Letras a), b), c) e d), onde estão
caracterizadas as áreas de construções (lotes - casas térreas ou assobradadas - condomínio
horizontal), e os edifícios de dois ou mais pavimentos (condomínios verticais);

02 - DA DENOMINAÇÃO
02.1 - Os diversos autores dissentem quanto o instituto jurídico do condomínio. A Lei brasileira é
clara: Os condomínios verticais são constituídos de edifícios com dois ou mais pavimentos, cujas
unidades autônomas são separadas por paredes, pisos e tetos, conforme a Lei Federal nº 4.591/64,
artigo 8º, letra b), e não possuem jardim e quintal de uso exclusivo, bem como os edifícios garagens,
cujas vagas são as unidades autônomas. Os condomínios horizontais são constituídos por lotes onde
são erguidas as casas térreas ou assobradados, possuindo jardim e quintal de uso exclusivo,
portanto são isoladas entre si por área não construída, cujos lotes são separados por muros
construídos nos limites dos referidos, conforme a Lei Federal nº 4.591/64, artigo 8º, letra a) - {vide o
Provimento CG nº 10/2004 da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça}, sendo que nestes casos o lote
considerado como unidade autônoma;
02.2 - A diferença está no condomínio tradicional que não foi Instituído, desta forma a Lei deve
intervir para conciliar os interesses ofendidos, pois não existem parâmetros para base do negócio,
ou então não estão alicerçados em lei específica. E principalmente a lei obriga quando da venda de
sua fração ideal, a mesma seja oferecida aos demais condôminos por escrito, e não havendo
interesse dos referidos e transcorrido o prazo da lei, pode ser vendida à pessoa estranha ao
condomínio;
02.3 - O condomínio Instituído com base na Lei Federal nº 4.591/64, não admite que nenhum
condômino que não tenha sido compelido a comprar qualquer unidade do complexo, se insurja
contra a instituição na qual aprovou e deu sua formal adesão sem restrições ou ressalvas na sua
compra, desta forma a insurreição contra o que está instituído e registrado conforme a Lei Federal
nº 6.015/73, artigo 167, parágrafo I, item 17), não é admissível, portanto, cabe ao insurgente
despersonalizado retirar-se do condomínio;

03 - DA PROPRIEDADE COMUM
03.1 - Os condomínios são constituídos de propriedades de uso exclusivo e propriedades de uso
comum, existindo regras estabelecidas pela Lei conforme o Capítulo II, Título I da Lei Federal nº
4.591/64, cujas regras estabelecem o modo vivente no complexo condominial;
03.2 - Não existindo a CONVENÇAÕ DE CONDOMÍNIO registrado no Cartório Imobiliário, conforma a
Lei Federal nº 6.015/64, artigo 178, inciso III, não existe o condomínio, portanto trata-se de um
empreendimento que não pode ser chamado de condomínio, pois não possui as regras necessárias
para a boa convivência entre os condôminos. Não havendo registro da convenção citada, aparecem
os aproveitadores fazendo leis particulares e absurdas, transformando o empreendimento em uma
favela melhorada onde predominam interesses particulares de grupos;
03.3 - A Lei permite aos condôminos alterarem a convenção de condomínio conforme seus
interesses, quando reunidos em assembléia ordinária e com a assinatura de 2/3 dos titulares de
direitos, cujas determinações devem ser respeitadas por todos;
03.4 - Outro documento importante do complexo é o REGIMENTO INTERNO, elaborado da mesma
forma que a convenção de condomínio acima citada;

04 - CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS E VERTICAIS DE FATO E DE DIREITO


04.1 - São necessários (4) quatro os documentos básicos e fundamentais para se ter um condomínio
horizontal ou um condomínio vertical:
04.2 - A “Incorporação” e a “Instituição de Condomínio” elaborada pelos proprietários do terreno
ou área, registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de situação do imóvel, conforme
o artigo 167, inciso 17) e artigo 176 (livro 02) da Lei Federal nº 6.015/73;
04.3 - A “Convenção de Condomínio” que reúna as assinaturas de titulares de direitos que
representem , no mínimo, dois terços das frações ideais que compõem o condomínio, registrada no
Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de situação do imóvel, tudo conforme o artigo 178,
inciso III (livro 03) da Lei Federal nº 6.015/73. Ainda salientamos que a citada “Convenção de
Condomínio” pode ser realizada por requerimento solicitando a anuência do condômino na minuta
elaborada, bem como pode ser realizada a sua alteração pelo mesmo procedimento. Os
componentes da massa condominial devem responder sim o não no citado requerimento de
consulta da minuta de convenção como na alteração proposta;
04.4 - O “Regimento Interno” registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que reúna as
assinaturas de titulares de direitos que representem , no mínimo, dois terços das frações ideais que
compõem o condomínio, conforme o artigo 127, parágrafo único da Lei Federal nº 6.015/73;

05 - OBJETO
05.1 - A unidade estrutural da construção está presente nos condomínios verticais. Não existe
unidade estrutural das construções nos condomínio horizontais, pois são construções
individualizadas;
05.2 - O condomínio horizontal é primeiramente aprovado como loteamento, e as autoridades
reguladoras permitem o exame de cada caso, quando tais loteamentos são regulados pela Lei nº
4.591/64, portanto, o novo instituto não surgiu para permitir melhor e mais intenso aproveitamento
da área com menor dispêndio de dinheiro. Esta última colocação do novo instituto cabe aos
condomínios verticais;
05.3 - As áreas de uso exclusivo dos titulares condôminos nos condomínios horizontais são as áreas
das unidades autônomas (lotes);
05.4 - As áreas comuns dos condomínios horizontais são: ruas, vielas, praças, logradouros, áreas de
recreio, áreas de reflorestamento, área destinadas ao lazer, áreas institucionais, áreas destinadas a
serviços; cujo direito de gozo é comum entre todos os titulares de direito das unidades autônomas,
tanto é que a soma de tais áreas são dividas igualmente entre todos, pelo número de unidades
autônomas, e estas últimas possuem saída para a via pública diretamente conforme consta do
artigo 2º da Lei Federal nº 4.591/764, e com as áreas de uso exclusivo (lotes) formam a chamada
fração ideal;
05.5 - As áreas de uso exclusivo dos titulares condôminos nos condomínios verticais são as áreas das
unidades autônomas como: apartamentos, salas, conjuntos, lojas, e garagens cujas podem possuir
ou não saída diretamente para as vias públicas, e sim por processo de uso comum conforme consta
do artigo 2º da Lei Federal nº 4.591/64;
05.6 – As áreas comuns dos condomínios verticais são: jardins, piscinas, sala de jogos, sala de
recreação, pátios, elevadores, portaria, muros divisórios do terreno e etc., cujo direito de gozo é
comum entre todos os titulares de direito das unidades autônomas, tanto é que a soma de tais
áreas são dividas igualmente entre todos os condôminos, formando com as áreas de uso exclusivo a
chamada fração ideal;
05.7 - O artigo 2º da Lei Federal nº 4.591/64 trata de duas situações específicas:
05.7.1 - A 1ª (primeira) refere-se às unidades autônomas com saída para a via publica diretamente,
cujas características são as dos condomínios horizontais;
05.7.2 – A 2ª (segunda) - refere-se às unidades autônomas com o processo de passagem comum,
cujas características são dos condomínios verticais;

06 - GARAGENS NOS EDIFÍCIOS DE APARTAMENTOS


06.1 - Existem unidades autônomas em edifícios de apartamentos (condomínios) verticais, em cujos
projetos aprovados pelos órgãos responsáveis constam às unidades chamadas de vagas nas
garagens, portanto neste caso, as áreas ideais tipos de construções, são a soma da área do
apartamento com a área da vaga na garagem demarcada que pertence ao condômino titular de
direito da referida unidade autônoma, ficando claro nestes casos, que as vagas nas garagens não são
áreas comuns, são áreas de uso exclusivo, lembrando que as áreas de circulação das garagens
citadas, estas sim são áreas comuns;
06.2 - As garagens coletivas nos condomínios verticais, trazem dissensões entre os condôminos,
porem a convenção de condomínio nada pode fazer para mudar tal regra. As garagens coletivas são
citadas no projeto total aprovado pelos órgãos responsáveis, portanto é parte integrante da
"Instituição de Condomínio" do referido edifício (condomínio vertical). Alertamos que o condômino
insurgente deu sua formal adesão sem restrições ou ressalvas na instituição e no projeto aprovado
quando da compra efetuada, não sendo compelido a comprar, e o referido documento de compra
está registrado em Cartório Imobiliário, desta forma só cabe ao condômino insurgente retirar-se do
condomínio. Nestes casos nada é a convenção de condomínio ou a Justiça, para conciliarem
interesses de condôminos que não sabem o que querem. Pode o síndico consultar os órgãos que
aprovaram o projeto e solicitar a demarcação das vagas ou o aumento de tais vagas;
06.3 - As garagens no condomínio horizontal fazem parte da construção efetuada na unidade
autônoma (lote), portanto as vagas são critérios adotados por cada proprietário condômino, pois o
tamanho da construção não altera a fração ideal e muito menos a quota-parte;
06.4 - Nos edifícios garagens de dois ou mais pavimentos as vagas são consideradas como unidades
autônomas de uso exclusivo, com passagem por processo comum, sendo as demais áreas chamadas
de áreas comuns, que somadas com as vagas (unidades autônomas), constituem as frações ideais e
estas últimas às quotas partes no rateio das despesas condominiais;

07 - DESPESAS DOS CONDOMÍNIOS HORIZONTAIOS E VERTICAIS


07.1 - A Lei nº 4.591/764 faz total e completa justiça, quando em seu artigo 12 diz que as despesas
condominiais devem ser rateadas conforme a quota-parte que couber a cada unidade autônoma;
07.2 - Definidas as áreas comuns do condomínio, seja ele vertical ou horizontal, a soma das áreas
comuns é dividida pela quantidade de unidades autônomas, cujo resultado é somado com a área de
cada da unidade autônoma, resultando um número fracionário que é chamado de fração ideal, ou
porcentual que é chamado de quota-parte. As somas das frações ideais devem totalizar 1 (inteiro) e
as quotas-partes deve totalizar 100% do condomínio;
07.3 - As variações das frações ideais e quotas-partes, estão nas variações das áreas das unidades
autônomas (apartamentos, lotes ou vagas), quando umas forem maiores do que as outras e
evidentemente variam nestes casos os valores fracionários (fração ideal) e os porcentuais das
referidas quotas partes;

08 - TRANFERÊNCIA OU ALIENAÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS


08.1 - O artigo 4º da Lei 4.591/64 foi VETADO;
08.2 - Completado pelo Parágrafo único que diz: “A alienação ou transferência de direitos de que
trata este artigo dependerá de prova de quitação das obrigações do alienante com o respectivo
condomínio.”
08.3 - É conflitante tal artigo e parágrafo, pois se trata de uma unidade autônoma, cujos direitos e
obrigações estão perfeitamente caracterizados. Quem recebe créditos ou débitos de taxas
condominiais é a unidade autônoma perfeitamente qualificada conforme o parágrafo 1º, artigo 1º
da Lei nº 4.591/64, portanto tanto os créditos ou débitos da unidade autônoma são do condômino
titular de direitos na posse, e para este último devem ser creditados os valores que houverem ou
debitados os valores a serem cobrados. Alertamos que às vezes tais transferências são realizadas
por instrumentos particulares ou por decisões judiciais. O síndico diante a Lei não possui obrigação
de investigar tais casos, mesmo que a referida Lei lhe impute a obrigação de praticar os atos de
defesa dos interesses comuns;
08.4 – Concluindo, não importa quem é o proprietário titular condômino na posse, a este cabe a
obrigação de pagar, sendo que a lei lhe faculta o direito de cobrar do condômino antecessor pelo
ato recessivo, e mais, é obrigação do adquirente de uma unidade autônoma, verificar os possíveis
débitos que a mesma possua com impostos e taxas condominiais;

09 - VERBAS PARA AS DESPESAS CONDOMINIAIS


09.1 - O artigo 24 da Lei Federal nº 4.591/64 é muito claro, as verbas devem ser aprovadas em
Assembléia Geral Ordinária, cujas devem prever serviços e obras do ano que se avizinha, sendo
responsabilidade do síndico e dela não se deve declinar. Assume o representante passivo e ativo
toda a responsabilidade civil e criminal dos atos que pratica;
09.2 - Definida a verba anual a ser gasta, na conservação das áreas comuns do condomínio
horizontal ou vertical, a referida verba deve ser dividida em 12 (doze) parcelas rateadas conforme a
quota-parte que cabe a cada condômino;
09.3 - A verba anual referida trata-se do planejamento ideal da administração, onde deve estar
previsto o fundo de reserva, este último representado em 10% da taxa condominial paga
mensalmente, cujo é depositado conta poupança especial diferente e específica, desta forma não
haverá oscilação da taxa condominial mensal, e todos os condôminos sabem por antecedência os
valores a pagar mensalmente, e se evitarão surpresas desagradáveis para a massa condominial;
09.4 - O referido fundo de reserva está previsto na lei, para atender as dificuldades ou necessidades
financeiras urgentes e acidentais, onde a administração do condomínio se socorre para suprir tais
débitos de imediato. Como deve ser depositada em conta especial, a necessidade urgente é
atendida como empréstimo realizado ao fundo de reserva, e posteriormente deve ser pago ao
referido fundo o valor emprestado;
09.5 - Havendo necessidade de uma taxa complementar para os serviços aprovados em assembléia
que reúna 2/3 da massa condominial, tais despesas devem ser consideradas como taxa
complementar e sempre citada como tal, aprovada na assembléia que a originou;

10 - DA PRESTAÇÃO DE CONTAS
10.1 - A prestação de contas dos condomínios horizontais ou verticais devem ser realizadas
mensalmente, por balancetes que reúnam todos os recebimentos do mês como os pagamentos
efetuados no mês;
10.2 - As unidades autônomas devem ter uma ficha de créditos e débitos igual aos extratos
bancários, relatórios individualizados ou coletivos. Nos relatórios coletivos é maior e mais clara a
situação financeira do condomínio. Todos da massa condominial indistintamente teriam acesso à
situação financeira atualizada do condomínio, e desta forma se evitariam críticas à administração,
onde estaria claro o motivo da não realização dos serviços esperados, ou então definitivamente a
inoperância ou procedimento escuso do síndico;
10.3 - O relatório mensal (extrato coletivo) auxilia inclusive o controle da administração, onde
mensalmente são lançadas a débito as taxas de condomínio fixa e posteriormente lançados a
crédito o seu pagamento. O acumulativo mensal dos créditos e débitos permite a melhor
visualização e conferência pelo condômino, das taxas de condomínio pagas e dos débitos cobrados.
Na cópia do demonstrativo de taxas condominiais pagas e despesas rateadas, podem estar
presentes: o andar ou quadra, o nº do apartamento ou lote, o nome do condômino, o acumulado
mensal dos valores creditados, o acumulado mensal dos valores creditados, a área da unidade
autônoma, a área comum, a quota parte, a fração ideal, o nº de voto, cujo condômino pode
multiplicar a sua quota-parte pelo valor total das despesas constante do balancete mensal, e
conferir com o valor debitado no relatório;
10.4 - O extrato coletivo não provoca constrangimento ao condômino inadimplente, e não provoca
uma carga maior (críticas, fofocas e suspeição) para a administração do condomínio, portanto não
fere direitos aos que não os possui;
10.5 - Entende-se que o condômino inadimplente é uma fase temporária, ao contrário do
condômino inadimplente contumaz, sendo a justiça à forma de resolver o problema deste último. O
condômino inadimplente merece oportunidades, como por exemplo, à possibilidade de depositar
na conta bancária do condomínio valor menor do que a taxa cobrada, cuja cópia do depósito seria
entregue para a administração, que fará o lançamento a crédito, pois se entende que as multas e
juros devem ser lançados sobre o saldo devedor, situação permitida no extrato coletivo;
10.6 - Alertamos que os condôminos inadimplentes são expressamente punidos com multas e juros,
conforme consta da Lei nº 4.591/64, Título I, Capítulo III, não se admitindo interpretação extensiva,
por se tratar de norma restritiva de direitos, tudo conforme a Lei e a Revista dos Tribunais;
10.7 - Com o demonstrativo de taxas condominiais pagas e despesas condominiais rateadas, pode o
condomínio por intermédio de seu representante legal ou de sua administração eleita e autorizada
por assembléia específica, registrar em Cartório de Títulos e Documentos, o saldo negativo da
unidade autônoma em nome do titular de direitos na posse. Tal registro se tornado um título
executável, se o titular da unidade autônoma for avisado do registro. Tais procedimentos auxiliam as
cobranças judiciais, e se o condômino inadimplente for notificado com base o título acima, pode
ocorrer acordos que resultam em menores despesas para o condomínio. As despesas Cartorárias
correm por conta do condômino inadimplente, que nestes casos só lhe é permito a contestação dos
valores cobrados no saldo negativo da unidade autônoma;

11 - DA INSTITUIÇÃO DE CONDOMÍNIO
11.1 - A constituição dos condomínios horizontais e verticais é regida pelo artigo 7º da Lei Federal nº
4.591/64, que diz: “O condomínio por unidades autônomas instituir-se-á por ato entre vivos ou por
testamento, com inscrição obrigatória, no Registro de Imóveis, dele constando: a individualização de
cada unidade, sua descrição e discriminação, bem como a fração ideal sobre o terreno e partes
comuns, atribuída a cada unidade, dispensando-se a sua descrição interna da unidade” (vide o
Provimento CG nº 06/1977 de 23 de junho de 1977 da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça do
Estado de São Paulo - Registro);
11.2 – È parte integrante da Instituição de Condomínio o seu projeto licenciado e registrado pelos
órgãos competentes, bem como o relatório de suas frações ideais sobre o terreno ou área,
alertando que a fração ideal é a soma da área da unidade autônoma com a área comum que dela
faz parte, portanto faz parte da instituição o relatório das quotas-partes que lhe cabe no rateio das
despesas condominiais, que na maioria quase absoluta devem corresponder às suas frações ideais;
11.3 - Alertamos que posteriormente ao registro, as quotas-partes podem ser modificadas pela
Convenção de Condomínio;

12. - DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO


12.1 - Após a “Instituição de Condomínio” realizada pelo (s) proprietário (s) do terreno ou área, que
fornece ao empreendimento os preceitos jurídicos necessários para a boa convivência entre os
condôminos, faz-se literalmente com base no Capítulo II, Título I da Lei Federal nº 4.591/64, a
“Convenção de Condomínio”, onde constam os preceitos determinadas pela maioria, ou seja, pelos
2/3 da massa condominial que assinam a referida convenção de condomínio presentes na
assembléia devidamente e especialmente convocada para o fim;
12.2 - É importante “atentar” para o parágrafo 2º do artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64 que diz:
“Considera-se aprovada, e obrigatória para os proprietários de unidades, promitentes compradores
e promitentes cessionários, atuais e futuros, como para qualquer ocupante, a Convenção que reúna
as assinaturas’ de titulares de direitos que representem, no mínimo, dois terços das frações ideais
que compõem o condomínio”;
12.3 – Exige a Lei a Convenção de Condomínio escrita no livro de atas com as assinaturas de no
mínimo 2/3 da massa condominial, e após as referidas assinaturas o encerramento da ata da
assembléia específica que a convocou;
12.4 – Não pode ser de outra forma, porque pode representar a vontade de um único participante,
ou de um grupo deles, e se assim for, fica demonstrado a intenção escusa que induziu os leigos, e
com certeza haverá dificuldades para modificá-la;
12.5 – A melhor forma de se modificar a convenção de condomínio é o procedimento constante do
Provimento CG nº 10/2004 da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, ou seja, por requerimento
enviado aos condôminos, diante da dificuldade de se reunir os 2/3 requeridos pela Lei, com base
em uma minuta elaborada, e juntamente com esta citada minuta, em assembléia, devem ser
conferidas as respostas, para que a minuta e respostas sejam registradas juntamente;
12.6 – Conclusões:
12.6.1 - A Convenção de Condomínio quando realizada em assembléia especialmente convocada
para o fim, na ata da referida assembléia deve ser transcrito a convenção aprovada, e logo após a
transcrição deve ser assinada pelos condôminos que a aprovaram, sendo que os as unidades
autônomas dos titulares condôminos presentes devem ser perfeitamente qualificadas com o nome
do titular de direito, conforme o parágrafo 1º, artigo 1º da Lei Federal nº 4.591/64, ou não terá valor
jurídico algum, e será considerada vontade individual ou de grupos;
12.6.2 – Quando a convenção de condomínio for realizada por requerimento com resposta assinada,
onde deve constar também a unidade autônoma qualificada e com o nome do proprietário titular
de direitos (nunca assinado por procuradores ou terceiros), deve fazer parte da minuta que foi
aprovada, sendo registrada a minuta juntamente com as assinaturas dos que aprovaram a referida
convenção de condomínio;

13. - DO REGIMENTO INTERNO


13.1 - O “Regimento Interno” é realizado conforme a Lei Federal nº 4.591/64, artigo 9º, parágrafo
3º, letra m), e deve constar da Convenção de Condomínio aprovada, o quorum para aprovação do
referido regimento;
13.2 - O Regimento Interno é registrado no Cartório de Títulos e Documentos, com as assinaturas
dos proprietários titulares de direitos condôminos conforme o quorum previsto na Convenção de
Condomínio, pois é também um documento contratual, portanto deve conter as assinaturas dos
proprietários condomínios titulares de direitos o aprovou, conforme o artigo 127, parágrafo único
da Lei Federal nº 6.015/73 (Registro);
13.3 – Os mesmos procedimentos adotados nos itens 12.6.1 e 12.6.2, devem ser adotados na
confecção do Regimento Interno, pois não terá valor jurídico algum, e será considerada vontade
individual ou de grupos;
13.4 - Pelos procedimentos a serem adotados e requeridos pela lei, entende-se que a Convenção de
Condomínio e o Regimento Interno, são contratos e devem ser assinados pelos 2/3 dos
proprietários condôminos titulares de direitos que o aprovaram;

14 – PROVIMENTO CG nº 10/2004
14.1 - Os chamados condomínios horizontais irregulares por diversos motivos, receberam da Egrégia
Corregedoria Geral da Justiça mais uma oportunidade de buscarem a sua regularização, porem,
primeiramente necessitam enquadrarem a administração do condomínio perfeitamente na Federal
nº 4.591/64, antes de buscarem a sua regularização pelo Provimento CG nº 10/2004 de 27 de abril
de 2004, e submeterem-se ao exame dos órgãos constantes do referido Provimento por intermédio
da Corregedoria Permanente da Comarca de situação do empreendimento;

15 - SEGURO OBRIGATÓRIO DOS CONDOMÍNIOS


15.1 - Existem diferenças entre o condomínio horizontal e o condomínio vertical, pois a Lei Federal
nº 4.591/64, Título I, Capítulo IV, obriga a massa condominial a realizar o “seguro contra incêndio ou
outros sinistros, que causem a destruição no todo ou em parte, computando-se o prêmio nas
despesas ordinárias do condomínio”. Nos condomínios horizontais as unidades autônomas possuem
quintal e jardim, e são realmente isoladas sendo seu risco diferente. Nos condomínios verticais as
unidades autônomas são separadas por paredes, pisos ou tetos, se destruída a parede de um se
está destruindo a parede do outro e assim por diante, desta forma possui outro risco;
15.2 - Para que não se cometam injustiças, o referido prêmio deve ser rateado conforme o tamanho
da área ocupada pelo apartamento ou pela residência (unidades autônomas), atentando-se para a
fração ideal e a quota parte;
15.2.1 – O valor total do prêmio deve ser dividido pelo valor total das áreas construídas, onde
teremos o valor por m², que será multiplicado pelo valor da área construída de cada unidade
autônoma;
15.2.2 - Os prêmios das construções existentes nas áreas comuns são rateados pela fração ideal;
15.2.3 - Desta forma teremos com justiça o valor que deve ser pago pela unidade autônoma, sendo
a soma do item 15.2.1 com o item 15.2.2;

16 - CONDOMÍNIOS E INCORPORAÇÕES
16.1 – Em 16 de dezembro de 1964 entrou em vigor a Lei Federal nº 4.591, que “Dispõe sobre
condomínio em edificações e suas incorporações imobiliárias”;
16.2 – Em 28 de fevereiro de 1967 entrou em vigor o Decreto-Lei Federal n 271, que “Dispõe sobre
loteamento urbano, responsabilidade do loteador, concessão de uso e espaço aéreo e dá outras
providências”, sendo que em seu artigo 3º dizia: “Aplica-se aos loteamentos a Lei nº 4.591 de 16 de
dezembro de 1064, equiparando-se o loteador ao incorporador, os compradores de lotes aos
condôminos e as obras de infra-estrutura à construção da edificação.”;
16.3 – Em 19 de dezembro de 1979 entrou em vigor a Lei Federal nº 6.766, cancelando parte do
Decreto-Lei Federal nº 271, permanecendo os artigos 5º ao 8º;
16.4 – Os condomínios registrados até 18 de dezembro de 1979, que apresentaram problemas em
seus registros e foram cancelados, e atualmente são beneficiados pelo Provimento CG nº 10/2004;
16.5 – Portanto a Lei Federal nº 4.591/64 rege os condomínios horizontais e verticais com suas
incorporações, desta forma os projetos e memoriais que autorizaram as suas instalações, são parte
integrante da Instituição de Condomínio, cuja instituição não se pode mudar, se não houver provas
que os condôminos insurgentes foram compelidos a comprar. Alertamos que na compra deram sua
formal e total adesão sem restrições ou ressalvas na instituição registrada, portanto nada se pode
mudar com relação à instituição, aos projetos e memoriais, sem o consenso da massa condominial e
dos órgãos que aprovaram tais projetos e memoriais, fornecendo as licenças de instalações;

17 - INVASÃO DE ÁREA COMUM


17.1 – Qualquer condômino que invadir a área comum de um condomínio, para transformá-la em
caráter exclusivo, é motivo bastante para o síndico intentar uma ação de reintegração de posse em
nome do condomínio, sem receio, dó ou piedade, pois este tipo ou espécie de condômino, sempre
trará problemas para a massa condominial;
17.2 – A utilização de qualquer espaço comum mesmo em caráter provisório, ofende a Lei, a
instituição e a convenção de condomínio, cujas assembléias não possuem poderes para autorizar tal
diante a lei;

18 – ALTERAÇÃO DA DESTINAÇÃO CONDOMINIAL


18.1 – Os órgãos públicos que forneceram a licença de instalação do empreendimento, cujos
processos determinaram o uso do condomínio, portanto somente tais órgãos podem mudar a
destinação do condomínio, ou seja, o uso do referido, e não cabe a massa condominial decidir
mesmo que seja por unanimidade;
18.2 - Cabe sim ao representante legal do condomínio, quando houver unanimidade quanto ao seu
uso, contestar no órgão que expediu a licença de funcionamento o uso inadequado, como por
exemplo: o uso por bares ou boates;
18.3 – Se o uso pelo condômino ou locatários está causando transtornos aos demais da massa
condominial, deve o representante legal em Juízo promover uma ação com base no artigo 19 da Lei
Federal nº 4.591/64, pois o referido uso: não está de acordo com as normas de boa vizinhança, e
não está sendo usada a parte e coisa comum, de maneira a não causar dano ou incômodo aos
demais condôminos ou moradores, colocando obstáculos ou embaraços ao bom uso das mesmas
partes por todos;

19 - HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
19.1 – O horário de funcionamento de um condomínio é de 24 horas no dia, qualquer outro horário
tolhe a liberdade dos condôminos, desta forma, pode o Regimento Interno determinar o
fechamento das portas do condomínio, desde que o condomínio possua porteiros de plantão para
abri-las quando solicitado por condôminos residentes;

20 – DEVERES E RESPONSABILIDADES DOS CONDÔMINOS


20.1 – Quando a massa condominial e seu representante legal respeitarem o artigo 24 da Lei
Federal nº 4.591/64, que diz: "Haverá, anualmente, uma assembléia geral ordinária dos
condôminos, convocada pelo síndico na forma prevista na Convenção, à qual compete, além das
demais matérias inscritas naordem do dia, aprovar, por maioria dos presentes, as verbas para as
despesas de condomínio, compreendendo as de conservação da edificação ou conjunto de
edificações, manutenção de seus serviços e correlatos.”, deve o condômino concorrer para as
despesas do condomínio, recolhendo, nos prazos previstos na Convenção, a sua quota-parte que lhe
couber no rateio das referidas despesas condominiais;
20.2 – O parágrafo 2º do artigo 1º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “A cada unidade caberá. Como
parte inseparável, uma fração ideal do terreno (área) e coisas comuns expressa sob a forma decimal
ou ordinária”, sendo que alguns autores que escrevem sobre a matéria concordam, inclusive com o
conteúdo do parágrafo 3º, artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64, portanto, se a quota-parte é a
fração ideal expressa em decimal, esta última faz parte integrante da Instituição de Condomínio,
projetos e memoriais, e nesta última os condôminos nas compras das unidades autônomas deram
suas formais adesões sem ressalvas ou restrições, e a Convenção de Condomínio não possui
competência para fixar a quota-parte no rateio das despesas condominiais de cada unidade
autônoma, se não houver consenso da maioria absoluta;
20.3 – Em caso de locação, no contrato da locação da unidade autônoma, deve constar quem
pagará as despesas condominiais, e assim está assegurado os direitos do locatário, desta forma os
recibos e taxas condominiais, devem ser sacadas em nome do locador condômino titular de direitos
da unidade autônoma, pois a responsabilidade condominial não pode ser transferida, mesmo com a
autorização do referido condômino titular de direitos;
20.4 – O artigo 19º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Cada condômino tem o direito de usar e fruir,
com exclusividade, de sua unidade autônoma, segundo suas conveniências e interesses,
condicionados, umas e outras, ás normas de boa vizinhança, e poderá usar as partes e coisas
comuns, de maneira a não causar dano ou incômodo aos demais condôminos ou moradores, nem
obstáculo ou embaraço ao bom uso das mesmas partes por todos”;
20.4.1 – As obras e serviços urgentes atinentes à segurança da edificação nos condomínios verticais,
devem ser realizadas pelo fundo de reserva, bem como as obras nas áreas comuns;
20.4.2 - Outras obras e serviços que envolvam a massa condominial principalmente nos edifícios de
apartamentos (condomínios verticais), devem ser aprovadas por unanimidade pela massa
condominial;
20.4.3 - As obras e serviços nas edificações das unidades autônomas (lotes) nos condomínios
horizontais, estruturais, internas e externas, são de responsabilidade e realizadas conforme a
conveniência do condômino titular de direitos, salvo as obras realizadas nas áreas comuns;
20.4.4 – Cabem responsabilidades civil e criminal de orientação e fiscalização na atuação do síndico,
nas obras e serviços comuns realizados no condomínio, ao Conselho Consultivo como expresso está
no artigo 23 da Lei Federal nº 4.591/64, que diz: “Será eleito, na forma prevista na Convenção, um
Conselho Consultivo, constituído de três condôminos, com mandatos que não poderão exceder de 2
(dois) anos, permitida a reeleição”. O referido Conselho Consultivo sem responsabilidades perante a
lei, o torna inoperante, inócuo, irresponsável, ficando a mercê de síndicos da mesma espécie,
caráter e formação, portanto, deve constar da convenção de condomínio as atribuições específicas
do Conselho Consultivo;

21 – TRANSPARÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO
21.1 – O condômino inadimplente está sujeito ao Capítulo III, Título I da Lei Federal nº 4.591/64,
cujas penalidades estão exaradas na referida lei, e a mesma não admite extensão das referidas
penalidades. O condômino inadimplente possui direitos e a sua inadimplência possui o porquê, que
deve ser esclarecido pelo Conselho Consultivo;
21.2 – As massas condominiais possuem direitos, que se somados superam os dos condôminos
inadimplentes, desta forma entendemos que nas prestações de contas mensais realizadas pelo
síndico ou administradora (autorizada pela assembléia que elegeu o referido síndico), deve emitir
relatórios mensais conjuntos de todas as unidades autônomas qualificadas com o nome do
condômino titular de direitos, para que se tenha a transparência tão desejada, onde deve constar a
soma dos créditos (taxas pagas), a soma dos débitos (rateio das despesas) e o saldo se negativo ou
positivo, pois os saldos negativos são receitas futuras, que cabe a massa condominial fiscalizar e
cobrar da administração as atitudes convenientes, ou então os condôminos ficarão aos critérios
estabelecidos pelos síndicos ou administradores, que normalmente deixam suspeitas;

22 – ASSEMBLÉIAS GERAIS
22.1 – O artigo 24 da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Haverá anualmente, uma assembléia geral
ordinária dos condôminos, convocada pelo síndico na forma prevista na Convenção, à qual compete,
além das demais matérias inscritas na ordem do dia, aprovar, por maioria dos presentes, as verbas
para as despesas de condomínio, compreendendo as de conservação da edificação o conjunto de
edificações, manutenção de seus serviços e correlatas”;
22.2 – Como se pode verificar existe detalhes a atentar importantes no que está exarado no artigo
24 da Lei Federal nº 4.591/64. Um dos detalhes importantes é o fato da obrigatoriedade da
Assembléia Geral Ordinária ser realizada 1 (uma) vez por ano, outro detalhe importante é a
convocação pelo síndico, que assume total e completa responsabilidade sobre a obrigatoriedade da
convocação, cujo deve assinar o edital de convocação, e ainda a Ordem do Dia, que em cuja deve
constar em 1º lugar: “aprovar, por maioria dos presentes, as verbas para as despesas de condomínio
(anual), compreendendo as de conservação da edificação ou conjunto de edificações, manutenção
de seus serviços e correlatas”. Os Editais de Convocação da Assembléia Geral Ordinária em pauta,
devem estar com os seus originais assinados pelo síndico, e as cópias distribuídas, afixadas e
publicadas conforme a convenção de condomínio. O não atendimento ao acima colocado é um ato
desastroso que traz conseqüências imprevisíveis para a massa condominial, cujo ato cabe recurso
para a assembléia, convocada pelo interessado, conforme parágrafo 3º do artigo 22 da Lei Federal
nº 4.591/64;
22.3 – Não havendo o Quorum estimado pela Convenção de Condomínio para a instalação da
referida Assembléia Geral Ordinária anual, não pode ser instalada ou transformada em Assembléia
Geral Extraordinária, por causa do Edital e da lei, nada poderá ser decidido nesta data em que
deveria ser realizada. Se a Assembléia Geral Ordinária não se instalar, a Ordem do Dia pode ser
consultada por escrito (requerimento), principalmente no que se refere às verbas para as despesas
anuais, com o retorno da aprovação ou não do condômino, alem do que o síndico pode e deve
buscar o artigo 27 da Lei Federal nº 4.591/64, que diz: “Se a assembléia não se reunir para exercer
qualquer dos poderes que lhe compete, 15 (quinze) dias após o pedido de convocação, o juiz
decidirá a respeito, mediante requerimento dos interessados”. Deve-se ficar alerta com algo
importante exarado no artigo 27 acima citado: “o artigo 27 da Lei federal nº 4.591/64, não fala na
proposição de uma ação e sim em requerimento dos interessados, que deve ser assinado e
protocolado na distribuição do Fórum, cujo procedimento é rápido e resolutivo”;
22.4 – “Nas Assembléias Gerais os votos serão proporcionais às frações ideais”, portanto o
proprietário condômino de duas ou mais unidades autônomas, terá direito a dois ou mais votos nas
assembléias. O proprietário condômino não terá direito a voto pela grandeza (tamanho) de sua
fração ideal, é por unidade autônoma, conforme o parágrafo 3º do artigo 24, da Lei nº 4.591/64;
22.5 – O artigo 25 da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Ressalvado o disposto no parágrafo 3º do artigo
22 da Lei Federal nº 4.591/64, poderá haver assembléias gerais extraordinárias, convocadas pelo
síndico ou por condôminos que representem um quarto, no mínimo, sempre que exigirem os
interesses gerais”;
22.6 – Não existe na Lei a instalação de Assembléias Gerais Extraordinárias com a presença de
qualquer número de condôminos. O quorum sempre será o da lei ou o que está estipulado na
Convenção de Condomínio registrada. O edital deve ser transcrito no livro ata integralmente na
forma que foi publicado. A ordem do dia (matérias) deverá ser seguida na assembléia conforme a
ordem que se apresenta no edital;
22.6 – Nula é a convocação (edital) que não comporte o dia, a hora da 1ª e 2ª convocação se houver
(quorum), o quorum de instalação da assembléia conforme a Convenção ou a lei e a ordem do dia
por descrição crescente;
22.7 – Como é curial, não pode nas Assembléias Gerais dos Condôminos conter em seu Edital de
Convocação a Ordem do Dia com “assuntos gerais”, pois os direitos dos condôminos não podem ser
surpreendidos com temas suscitados durante o transcorrer da assembléia, sem tempo para a
reflexão sobre os mesmos;
22.8 - Nas Assembléias Gerais dos Condôminos, só podem participar os proprietários condôminos
titulares de direito na posse da unidade autônoma, procuradores com procurações assinadas e
firma reconhecida do proprietário condômino titular de direitos na posse. Os inquilinos podem
participar se tiverem procuração assinada com firma reconhecida conforme acima, ou tal
autorização esteja exarada no contrato de locação;
22.9 – Os inadimplentes são obrigados pela lei a atender as imposições das Assembléias Gerais dos
Condôminos, portanto, a própria lei não permite que a massa condominial imponha restrições de
participação dos inadimplentes nas referidas Assembléias. O condomínio e seu representante legal
não podem impor ao condômino inadimplente a extensão das penalidades existentes no Capítulo
III, Título I da Lei Federal nº 4.591/64;
22.10 – As Assembléias Gerais dos Condôminos devem ser convocadas com um prazo mínimo de 60
dias a contar da distribuição, afixação e publicação dos editais, pois a massa condominial não pode
ser surpreendida com temas da Ordem do Dia, que exigem reflexão quando a sua aprovação ou
não;

23 – NULIDADES DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS DOS CONDÔMINOS


23.1 – Devem ser impugnadas as deliberações das Assembléias Gerais dos Condôminos, que
contiverem o que abaixo segue:
23.1.1 – Modificação do critério do rateio de despesas condominiais prevista na Lei ou na
Convenção, sem a concordância da maioria citada no artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64;
23.1.2 – Deliberações tomadas sem a convocação prévia dos condôminos, dentro do prazo legal;
23.1.3 – Deliberações que são ou se tornem lesivas aos direitos dos condôminos às coisas e serviços
comuns;
23.1.4 – Deliberações tomadas por maioria inferior à exigida em lei ou na convenção;
23.1.5 – Deliberações que não privem o direito do voto, mas impedem a intervenção do condômino
da discussão para expor suas opiniões sobre a matéria em pauta;
23.1.6 – Deliberações que exoneram condôminos de contribuir para as despesas relativas às coisas
comuns;
23.1.7 – Deliberações com mais de um sentido ou com falhas, faltas ou omissões;

24 DO SÍNDICO - DO SUBSÍNDICO - DO ZELADOR


24.1 – Possuindo o condomínio horizontal ou vertical, Instituição de Condomínio registrada no livro
02 do Cartório Imobiliário da Comarca de situação do imóvel, conforme o artigo 167, inciso I,
número 17) e artigo 176, da Lei Federal nº 6.015/73 e a Convenção de Condomínio registrada
conforme o artigo 178, inciso III da referida Lei, a Lei Federal nº 4.591/64, artigo 22 é clara e diz:
"Será eleito na forma prevista pela Convenção, um síndico do condomínio, cujo mandato não
poderá exceder a 2 (dois) anos, permitida a reeleição";
24.2 – Compete ao síndico eleito conforme acima colocado, o que consta das letras do parágrafo 1º,
artigo 22 da Lei 4.591/64, abaixo citadas:
a) representar, ativa e passivamente, o condomínio, em juízo ou fora dele, e praticar os atos de
defesa dos interesses comuns, nos limites da atribuições conferidas por esta Lei ou pela Convenção;
b) exercer a administração interna da edificação ou conjunto de edificações (áreas comuns), no que
respeita à vigilância, moralidade e segurança, bem como aos serviços que interessem a todos os
moradores;
c) praticar os atos que lhe atribuírem as Leis, a Convenção e o Regimento interno;
d) impor as multas estabelecidas na Lei, na Convenção ou no Regimento Interno;
e) cumprir e fazer cumprir a Convenção e o Regimento Interno, bem como executar e fazer executar
as deliberações da assembléia;
f) prestar contas à assembléia dos condôminos;
g) manter guardada durante o prazo de 5 (cinco) anos, para eventuais necessidades de verificação
contábil, toda a documentação relativa ao condomínio;
24.3 – A prestação de contas citada na letra f) do artigo 22 da Lei 4.591/64 acima citada com
referência a contábil, é desnecessária se a prestação de contas forem realizadas mensalmente por
intermédio de balancetes e anual por intermédio do seu balanço (resumo), evidentemente se
ratificada na assembléia;
24.4 – O subsíndico é eleito conforme o parágrafo 6º do artigo 22 da Lei nº 4.591/64, cujas
atribuições são fixadas pela Convenção, e ainda substitui o síndico no seu impedimento;
24.5 – O zelador é empregado contratado do condomínio, fiscaliza e orienta todos os serviços que
interessam à massa condominial, recebendo e atendendo os condôminos, os visitantes e as
autoridades em geral, está última atribuição é executa a pedido do síndico e na sua ausência;

25 – UNIDADES CONTÍGUAS
25.1 – Os proprietários condôminos titulares de direito de duas unidades autônomas contíguas de
um mesmo edifício, podem ligá-las, desde que sejam autorizados pelos órgãos que forneceram a
Licença de Instalação do empreendimento, e se tais ligações não comprometerem as estruturas do
edifício, porem, tais unidades autônomas permanecem com a mesma fração ideal e quotas-partes.
Os serviços devem ser autorizados pelos órgãos competentes que forneceram a Licença de
Instalação do referido empreendimento, e não pela massa condominial;

26 - COLOCAÇÃO DE LETREIROS OU CARTAZES


26.1 – As fachadas de um condomínio vertical pertencem à área comum, desta forma não pode ser
utilizada se não houver consenso da massa condominial. Este é um assunto que deve ser previsto no
Regimento Interno, no qual se constam as multas quando houver o abuso;

27 - CONTRIBUIÇÕES PARA INOVAÇÕES


27.1.As inovações nas áreas comuns de um condomínio horizontal ou vertical são onerosas, porém
em certos casos, podem trazer algum lucro que seria usado para abater despesas condominiais. As
inovações já existentes já foram examinadas pela 13ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça, conforme
consta da Apelação nº 249.604-2, cuja r. decisão deixa muito claro que deve prevalecer à vontade da
maioria e nunca à vontade de um ou da minoria. Consta também da r. decisão: “Quem deseja impor
regras ou não admite pequenos deslizes terá de morar em casa, de preferência bem isolada, pois a
convivência com terceiros será sempre difícil”;

28 – MODIFICAÇÕES INTERNAS DAS UNIDADES AUTÔNOMAS


28.1 – Nas unidades autônomas dos condomínios horizontais, já foi deixado muito claro que tais
unidades são os lotes, portanto as construções internas no lote, os jardins e quintais, são de
completa responsabilidade do condômino proprietário, o que não ocorre nos condomínios verticais.
Qualquer modificação da estrutura interna de uma unidade autônoma situada em um condomínio
vertical, deve ser aprovada pelos órgãos técnicos competentes que forneceram a licença de
instalação do edifício, mesmo como exemplo: transformação de teto em terraço de unidade situada
no último andar e outros;

29 – UTILIZAÇÃO DE ELEVADORES

29.1 – No condomínio vertical, os elevadores e as escadarias ligam áreas comuns situadas em


andares superiores ao térreo, e os elevadores são partes integrante de toda a estrutura, os
condôminos que possuem unidades autônomas situadas no térreo do edifício, não foram
compelidas a comprá-las no andar térreo, comprado-as deram suas formais adesões sem restrição
ou ressalvas ao que foi instituído e no seu projeto, portanto, não poderá ser dispensada a cobrança
da quota-parte das manutenções e de todas as despesas concernentes aos elevadores, porem, se
tal propositura for solicitada pelos condôminos proprietários de unidades autônomas situadas no
andar térreo, a decisão é da massa condominial, com a decisão assinada pelos 2/3 dos condôminos;
30 – ANIMAIS DOMÉSTICOS
30.2 – Os animais domésticos devem ser disciplinados pelo Regimento Interno, que tem poderes
para multar os abusados, sendo decisão soberana quando aprovado pela maioria. Existem órgãos
específicos na área de proteção dos animais e correlatos, que devem ser procurados pelo síndico,
quando este último não for omisso, e se não resolvido com o relatório ou cópia da multa ingressar
em Juízo. Quando a lei fala em tolerância, se refere a tolerar o próximo, relação de seres humanos
para com seres humanos e não seres humanos para com seres humanos intermediados por animais
domésticos;
30.2 – Os animais domésticos nos condomínios horizontais mantidos por alguns condôminos que
dizem amá-los, são toleráveis desde que o Regimento interno discipline a matéria, cujo
entendimento é variável de condomínio para condomínio. Sempre é bom salientar que, o
condômino que possui em sua unidade autônoma isolada animais domésticos porque os ama, deve
ter condições de mantê-los e principalmente amarem em primeiro lugar o ser humano seu vizinho,
não trazendo transtornos e muito menos provocando dissidências, como por exemplo: ama os cães
e não cuida dos mesmos, permitindo que defequem nas áreas comuns, e não se preocupam em
limpar, dizendo que a obrigação é do síndico, provocando que o referido procure os serviços
repreensivos da prefeitura. Ama os gatos e não cuida dos mesmos, permitindo que defequem nas
unidades autônomas vizinhas, e não se preocupam em limpar, provocando que o seu vizinho mal
amado procure os serviços repreensivos da prefeitura. Animais domésticos são problemas da à
saúde pública;
30.3 – Os animais domésticos nos condomínios verticais podem trazer ou trazem problemas de
saúde para os condôminos, perturbam o ambiente e provocam dissidências. Deve-se levar em conta
que os condomínios verticais (unidades autônomas - edifícios de apartamentos, edifícios comerciais,
edifícios garagens), são empreendimentos para o uso do ser humano, nas suas atividades comerciais
ou como residências e não são de uso misto ser humano com animais domésticos. O condômino
que compra uma unidade autônoma nos edifícios supra citados, as compra com um único objetivo,
que é o de residir e usar com seus familiares, desta forma, não é tolerável que venha a impor outra
destinação a compra efetuada, ou seja, o uso misto;

31 - O OSUCAPIÃO DAS ÁREAS COMUNS


31.1.- As áreas comuns existentes nos condomínios verticais e horizontais, pertencem conforme a
Lei 4.591/64 às unidades autônomas, e são partes integrantes das frações ideais do terreno ou área
em que se situam tais condomínios, sendo que as mesmas não possuem localização dentro do
terreno ou área. Não é matéria da Convenção de Condomínio, é matéria atinada a Instituição de
Condomínio, porem, a lei é clara na ação de usucapião de terras particulares: “O autor, expondo na
petição inicial o fundamento do pedido e juntando planta do imóvel, requererá a citação daquele
em cujo nome estiver registrado o imóvel usucapiendo, bem como dos confinantes e, por edital, dos
réus em lugar incerto e dos eventuais interessados, observando a determinação pelo juiz, do prazo,
que variará entre 20 (vinte) e 60 (sessenta) dias, correndo da data da primeira publicação”, portanto
se a área comum é de propriedade exclusiva de um condômino titular de direito da unidade
autônoma a que pertence, e tal área comum não possui localização específica, está diluída no total
da área comum do condomínio, não possuindo confrontantes, como será requerido a citação em
cujo nome estiver registrado o imóvel (área comum) ?
31.2 – È abuso de poder ou parcialidade?
31.3 – Deve o Juiz mandar citar toda a massa condominial individualmente, desta forma não
existem conflitos, só existe a necessidade de se respeitar às leis. Atentando-se que o condômino
possui uma área comum (porcentual ou fracionária), que foi somada a área da unidade autônoma, e
resultou na fração ideal, cuja área comum não possui confrontações ou delimitações;
31.2 – Alertamos os incautos, que os órgãos que autorizam e fiscalizam a instalação dos
condomínios horizontais, não expedem licenças de instalação de condomínios, como exemplo: a
licença de instalação de um condomínio horizontal, chama-se Licença de Instalação de Loteamento
que pode estar sob a égide ou não da Lei Federal nº 4.591/64, desde que no processo do órgão que
expediu exista o pedido e a autorização. Na referida licença constam às áreas comuns das frações
ideais, como: ruas, vielas, praças, logradouros públicos e etc., portanto as áreas comuns são
consideradas públicas, e quando do registro do empreendimento passam automaticamente para a
propriedade do município, pois são vias diretas de acesso público para as unidades autônomas
(lotes), portanto, o juiz além da citação individual de toda a massa condominial, deve citar a
Prefeitura Municipal de situação do imóvel. Como é curial a mesma situação se apresenta para os
condomínios verticais, pois ainda envolve a modificação do projeto aprovado e da licença expedida,
alertando que tal situação é matéria da Instituição de Condomínio no terreno ou área, e que o autor
quando da compra, deu sua total anuência sem restrições ou ressalvas sobre as condições expostas;
31.3 – Alertamos mais, sobre o que diz o artigo 3º da Lei Federal nº 4.591/64: “O terreno em que se
levantam a edificação ou conjunto de edificações e suas instalações, bem como as fundações,
paredes internas, o teto, as áreas internas de ventilação, e tudo o mais que sirva a qualquer
dependência de uso comum dos proprietários ou titulares de direito à aquisição de unidades ou
ocupantes, constituirão condomínio de todos, e serão insuscetíveis de utilização exclusiva por
qualquer condômino”;

32 – INOVAÇÕES EM VAGA DE GARAGEM


32.1 – Nos condomínios horizontais as garagens estão dentro das unidades autônomas (lotes), às
vezes na mesma estrutura da residência construída, ou então construídas separadamente nos
jardins ou quintais, portanto a unidade autônoma é o lote, e qualquer inovação dentro do lote
(unidade autônoma) é de conveniência do condômino titular de direitos;
32.2 – Nos condomínios verticais as garagens podem ser coletivas, e daí serem consideradas como
área comum, ou demarcadas e estarem ligadas à unidade autônoma, constante do projeto
aprovado e da escritura da referida unidade, possuindo demarcação e número de identificação;
32.3 – Nos edifícios garagens a vaga é considerada como unidade autônoma demarcada e
delimitada;
32.4 – As inovações devem ser matérias disciplinadas pelo Regimento Interno, e pela maioria da
massa condominial, pois tais inovações introduzidas são de caráter provisório, podendo ser
modificadas a qualquer tempo;

33 – EXCLUSÃO DE CONDÔMINO
33.1 – O condômino de comportamento censurável, quando não insuportável, cuja presença no
condomínio constitui sério entrave à tranqüilidade para a massa condominial, deve o síndico
registrar o Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia da Comarca e Bairro onde se situa o
condomínio, podendo prosseguir se a medida não surtiu efeito, requerendo em Juízo a interdição
do condômino;
34 – APARELHOS ATMOSFÉRICOS E SEGURANÇA
34.1 – Tais matérias são tratadas pelo Regimento Interno, onde se pode ter alterações mais
constantes conforme a vontade da massa condominial. A lei Federal nº 4.591/64 não permite a
alteração da fachada do edifício. Tais alterações podem ser realizadas na parte interior das portas e
janelas, porem se assim não for possível, quando o bem estar e a segurança exigirem a colocação de
aparelhos atmosféricos e peças de segurança, o síndico e o conselho consultivo, devem realizar
estudos e apresentá-los na assembléia geral dos condôminos competente para a aprovação ou não,
fundamentado com o pedido do condômino;
34.2 – Se o pedido do condômino for rejeitado pela Assembléia Geral dos Condôminos, pode o
condômino como recurso apelar para a Justiça, com base no estudo apresentado pelo síndico e
conselho consultivo;

35 – RESERVA DO INCORPORADOR PARA EXPLORAÇÃO DE


ANÚNCIOS COMERCIAIS
35.1 – A Lei Federal nº 4.591/64, artigo 3º é muito clara, quando diz: “O terreno em que se
levantam a edificação ou conjunto de edificações e suas instalações, bem como as fundações,
paredes internas, o teto, as áreas internas de ventilação, e tudo o mais que sirva a qualquer
dependência de uso comum dos proprietários ou titulares de direito à aquisição de unidades ou
ocupantes, constituirão condomínio de todos, e serão insuscetíveis de utilização exclusiva por
qualquer condômino”, portanto, qualquer inserção, em contrato ou na Convenção de Condomínio,
de cláusula de reserva para o incorporador, é nula de pleno direito;

36 – AQUISIÇÃO DE UNIDADES AUTÔNOMAS PELO CONDOMÍNIO


36.1 – Os condomínios horizontais e verticais, não são pessoas jurídicas: indústria, comércio ou
prestadores de serviços, não possui personalidade jurídica para adquirir unidades autônomas;
36.2 – O que consta no artigo 63, parágrafo 3º da Lei Federal nº 4.591/64, é referente ao Título II –
Das Incorporações da Lei acima citada, e especificamente do Capítulo IV - Das Infrações que são
aplicadas aos compradores de unidades autônomas quando da incorporação, e somente o
condomínio pode adquirir unidades autônomas na hipótese prevista no artigo 63 acima citado;
36.3 – Pode o condomínio comprar unidades autônomas na hipótese do parágrafo 3º, se houver
consenso da massa condominial em assembléia convocada para especificamente tal negócio;

37 – FURTOS EM CONDOMÍNIOS
37.1 – O condomínio, o síndico e os funcionários, não respondem por furtos praticados dentro do
terreno ou área dos referidos condomínios, porque, vivem em função das condições que lhes são
oferecidas pela massa condominial;
37.2 – São de responsabilidade do condomínio e do síndico, as obrigações exaradas no Capítulo IV,
Título I, da Lei Federal nº 4.591/64 – Seguro Obrigatório;
37.3 – Se a massa condominial estiver realmente preocupada com roubos dentro dos terrenos ou
áreas dos condomínios horizontais e verticais, deveria recorrer a seguros;
37.4 – Só assume o condomínio responsabilidade sobre os furtos, se ficar comprovado que o
funcionário cometeu erro ou desatenção em suas atividades, permitindo o roubo;

38 – VAGAS EM GARAGEM
38.1 – Nos edifícios de apartamentos, edifícios comerciais e edifício garagens, suas construções
foram aprovadas pelos órgãos públicos que autorizaram, orientaram e fiscalizaram tais
empreendimentos, desta forma nada é a convenção de condomínio para autorizar o uso da vaga por
mais de um veículo, pois a carga projetada sob o terreno e as estruturas são limitadas, portanto os
condôminos não possuem competência para autorizar ou permitir o uso da vaga da garagem por
mais de um veículo, mesmo sendo no andar térreo;

39 – VAGAS INDETERMINADAS NAS GARAGENS


39.1 – Nenhum órgão público que aprova e determina o uso da garagem, iriam deixar de colocar no
projeto ou memorial a quantidade de vagas de um espaço determinado em um edifício, ou então o
direito do uso da vaga consta do contrato de venda e compra ou da escritura, portanto, a convenção
de condomínio não possui competência para aumentar tais vagas, e muito menos usar o artifício da
utilização de rampas e corredores por manobristas contratados. Tal prática necessita de uma atitude
enérgica do síndico contra o manobrista, pois também nada é o manobrista para determinar vagas
em garagens;
39.2 – Diante do problema o juiz pode após ouvir os órgãos competentes que aprovaram a
edificação, e determinar a demarcação das vagas nas garagens, sem comprometer a edificação;

40 – COBRANÇAS CONDOMINIAIS ATRAVÉS DE TÍTULO


40.1 – A cobrança de dívidas condominiais, através de saque de letra de câmbio, contraria a lei
cambial, uma vez que não se cuida de dívida líquida e certa, mas passível de discussão em processo
regular de conhecimento;
40.2 – Alguns autores entendem que as dívidas condominiais podem ser em determinado tempo,
registradas em Cartório de Títulos e Documentos, com conhecimento do titular condômino, pois são
dívidas que recaem sobre a unidade autônoma, não importando no primeiro momento, quem seja o
titular condômino na posse e devedor, desta forma estará garantida por título executável a dívida da
unidade autônoma;
41 – DA PENHORA CONTRA OS CONDÔMINOS
41.1 – O condomínio não é pessoa jurídica, mas possui capacidade judiciária, desta forma, a
penhora nas ações de cobranças pode recair sobre o condomínio que está sendo executado por
credores, e quando houver a necessidade de penhorar bens para que a execução tenha curso
regular, a penhora recai sobre as reservas financeiras do condomínio, mas se elas se mostrarem
insuficientes, tal penhora deve recair sobre as unidades autônomas (Supremo Tribunal Federal – RE
70.581/64);

42 – LIMITAÇÕES NAS ÁREAS DE LAZER DE VISITANTES E CONVIDADOS


42.1 – A matéria deve ser regulamentada pelo Regimento Interno. A Convenção de Condomínio
limita-se a regulamentar a forma e o modo da boa convivência entre os condôminos nas letras do
parágrafo 3º, artigo 9º da Lei Federal nº 4.591/64, cuja não deve ser entulhada com matérias que
não as exaradas. O Regimento interno se registrado é do conhecimento de todos os condôminos,
pode aplicar multas aos abusados que extrapolam, prejudicando os direitos dos demais;

43 – CONVENÇÃO E REGIMENTO INTERNO OMISSOS


43.1 – A Convenção de Condomínio e o Regimento Interno possuem características contratuais, para
a vida em comum, e são documentos elaborados pelos condôminos, portanto tais documentos não
são omissos. Omissos são os condôminos que elaboraram e os que assumiram a Convenção de
Condomínio e o Regimento interno, desta forma indistintamente e sem privilégios nada se pode
fazer o que não esteja previsto nos documentos citados;
43.2 – O síndico dentro de suas atribuições, deve consultar a massa condominial, por assembléia
geral dos condôminos ou consulta por requerimento com retorno de aprovação ou não, inserindo
no Regimento Interno a matéria, ou então, torna-se conivente com o feito, podendo na omissão ou
aprovação sem a consulta, ser destituído conforme o parágrafo 5º, artigo 22 da Lei Federal nº
4.591/64.
43.3 – Quando os órgãos que autorizaram as instalações e edificações dos condomínios: a
instituição, os projetos, os memoriais aprovados, a convenção de condomínio e o regimento
interno, forem omissos sobre determinada matéria, a Lei Federal nº 4.591/64 e demais são
soberanas para dirimir dúvidas ou controvérsias;
43.4 – Como exemplo: “O artigo 3º da Lei 4.591/64 proíbe terminantemente que o condômino
instale qualquer tipo de antena no teto do edifício”. Nestes últimos casos existe a interferência das
ondas emitidas nos aparelhos domésticos, existindo órgãos que autorizam e controlam tais
instalações. Não se pode usar a coisa comum com exclusividade;

44 – DESPESAS IRREGULARMENTE APROVADAS EM ASSEMBLÉIA


44.1 – As despesas condominiais não aprovadas conforme o artigo 24 da Lei Federal nº 4.591/64,
torna lícito ao condômino recusar-se a pagar tais despesas;
44.1 – As decisões das assembléias dos condôminos irregulares, torna lícito ao condômino recusar-
se a pagar despesas aprovadas irregularmente, como consta da Apelação Cível nº 295.169 da 4ª
Câmara do Primeiro Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo;

45 – INGRESSO DE AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS PELO CONDÔMINO


45.1 – O parágrafo 1º, artigo 22 da Lei Federal nº 4.591/64, diz: “Compete ao síndico:" e em sua
letra f), diz: “prestar contas à Assembléia dos condôminos”;
45.2 – Somente a assembléia dos condôminos possui legitimidade diante da Lei, para solicitar a
prestação de contas, ou então, ¼ da massa condominial poderá convocar uma assembléia
extraordinária para tal prestação de contas, conforme artigo 25 da Lei Federal nº 4.591/64;
45.3 – Se a assembléia não se reunir para exercer seus poderes, 15 (quinze dias) após o pedido de
convocação, o juiz decidirá a respeito, mediante “requerimento” dos interessados;

46 – DAS VOTAÇÕES EM ASSEMBLÉIAS


46.1 – Os votos dos condôminos em assembléias gerais do condomínio, são proporcionais as suas
respectivas unidades autônomas, portanto se um condômino possuir 2 ou mais unidades
autônomas, a sua votação equivale a (2) dois ou mais votos, conforme o parágrafo 3º, artigo 24 da
Lei Federal nº 4.591/64;

47 – ABONO OU PRÊMIO PONTUALIDADE


47.1 – É o maior absurdo gerado por alguns. A Lei diz que o síndico deve aprovar as verbas para as
despesas anuais do condomínio na assembléia geral ordinária, que é obrigatória e anual, portanto é
um planejamento sob condições extremas, que não se comporta como flexível, desta forma, abonar
ou premiar os condôminos dando-lhes descontos nas contribuições mensais, às verbas aprovadas
pela assembléia geral ordinária dos condôminos vão para o espaço;
47.2 – O abono ou prêmio pontualidade é uma forma velada de se cobrar juros superiores aos da
Lei.. Condomínios não são lojas de conveniências;

48 – PROCEDIMENTOS NAS COBRANÇAS JUDICIAIS


48.1 – Nas cobranças das despesas condominiais em Juízo, representadas pelo síndico, são
realizadas pelo procedimento sumário referentes às causas, qualquer que seja o valor, de cobrança
ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condomínio;

49 – AUTO-ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO
49.1 – Todos sabem que um síndico deve possuir conhecimentos básicos de administração de um
condomínio, bem como da Lei Federal nº 4.591/64, para que não fique a mercê de administradoras,
de cujos procedimentos assumem total e completa responsabilidade civil e criminal, conforme
Artigo 22, Parágrafo 2º da Lei Federal nº 4.591/64, que diz “As funções administrativas podem ser
delegadas a pessoas de confiança do síndico, e sob a sua inteira responsabilidade, mediante
aprovação da assembléia geral dos condôminos”;
49.2 – Entende-se que quando da eleição do síndico o mesmo deve apresentar na assembléia que o
elegeu, quem fará a administração do condomínio, e se por ventura a administração anterior
prosseguir em seus trabalhos, deve ratificar tal administradora na referida assembléia;
49.3 – Quando o condomínio optar pela auto-administração, é aconselhável contratar um consultor
e adquirir programas específicos de administração condominial;
49.4 - No caso da opção pela auto-administração as reduções dos custos condominiais são de curto
prazo, desta forma, se adquire os conhecimentos básicos de administração, e então se pode
conseguir uma redução de custos em torno de 20% das taxas condominiais mensais;

50 – CLÁUSULA DE NÃO INDENIZAR


50.1 – Necessitamos de entendimentos e pelo jeito esta matéria só DEUS resolve. È o maior absurdo
inserir ou entulhar a Convenção de Condomínio com a invenção da chamada “cláusula de não
indenizar”, quando o CÓDIGO CIVIL – DOS ATOS ILÍCITOS, diz: “Aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a
reparar o dano.”, o que é o contrato ou a convenção de condomínio em relação uma Lei nacional;

51 – SÍNDICO DE FATO E DE DIREITO E SEUS PODERES


51.1 – Um síndico de fato e de direito é eleito conforme a Convenção de Condomínio, registrada no
Cartório de Registro de Imóveis da Comarca, de situação do condomínio, conforme a Lei Federal nº
6.015, artigo 178, inciso III;
51.2 – Os seus poderes estão exarados na Lei Federal nº 4.591/64 e na Convenção de Condomínio,
se esta última respeitar a Lei condominial citada;
51.3 – O seu mandato é emanado do desejo da massa condominial para administrar o condomínio,
e praticar os atos que lhe são atribuídos pela citada Lei e a Convenção de Condomínio;
51.4 – As unidades autônomas são de uso exclusivo dos proprietários condôminos, e só os referidos
possuem poderes sobre as mesmas, quando tais poderes não extrapolam os seus direitos em
detrimento dos direitos da massa condominial, portanto as funções do síndico se limitam às áreas
comuns;
51.5 – As áreas comuns pertencem com exclusividade aos proprietários que compõem a massa
condominial conforme suas fração ideais, são áreas que não possuem limites, não se sabendo onde
se situam, são áreas constantes das chamadas áreas comuns, dentro de um universo inseparável,
onde se elege um síndico para administrá-las, portanto o síndico é eleito apenas para administrar
tais áreas, não possuindo poderes para falar em qualquer juízo ou órgão quanto à propriedade
propriamente dita, não possuindo procuração para tal;
51.6 – O síndico não pode ingressar na unidade autônoma sem a devida autorização do proprietário
condômino, mesmo que os danos sejam provenientes da referida e esteja prejudicando outra ou a
área comum, portanto não possui poderes para invadir;
51.7 – Havendo negativa do condômino quando da necessidade do reparo ser executado pelo
interior da unidade autônoma, deve-se requerer por via judicial, na ocorrência de duas hipóteses:
51.7.1 – Problemas em uma unidade autônoma que está afetando outra unidade: é um problema
que deve ser resolvido entre os proprietários condôminos, e nunca pelo síndico;
51.7.2 – Problemas em uma unidade autônoma que está afetando a área comum: é um problema
que deve ser resolvido entre os proprietários condôminos e o síndico;
51.8 – O parágrafo 3º do artigo 22 da Lei nº 4.591/64, diz: “A Convenção poderá estipular que dos
atos do síndico caiba recurso para a assembléia, convocada pelo interessado”, e o parágrafo 5º, diz:
“O síndico poderá ser destituído pela forma e sob as condições previstas na Convenção, ou, no
silêncio desta, pelo voto de dois terços dos condôminos, presentes, em assembléia geral
especialmente convocada”;

52 - SEGURANÇA
52.1 – Um dos maiores problemas dos condomínios é a segurança, desta forma os serviços de
segurança devem ser tratados como o de uma empresa, de pequeno ou grande porte conforme a
área total onde se situa o empreendimento. Os limites da área onde se situa o condomínio é de
máxima importância, pois nestes limites podem estar o enfraquecimento dos referidos serviços;
52.2 – Aberturas nos limites de um condomínio se não bem estudadas e aprovadas pelos 2/3 da
massa condominial, podem descaracterizar os serviços. As decisões nesta área só podem prevalecer
se os estudos e os serviços forem aprovados pelos 2/3 da massa condominial. Nestes serviços não
podem prevalecer a desejo do síndico, da administradora ou de grupos, pois como a prática provou,
tais decisões minoritárias se tornaram ineficientes e irresponsáveis;
52.3 – Nos condomínios horizontais é normal se abrirem entradas nas cerdas das divisas,
principalmente nos chamados balões de retorno (finais de ruas). Isto enfraquece e descaracteriza o
condomínio horizontal. Os funcionários da segurança, por questões de responsabilidade, devem ser
específicos nas suas respectivas atividades, como exemplo: os porteiros e vigias, tanto é que devem
ser fiscalizados pelos condôminos, além das atribuições dos síndicos, dos conselhos consultivos;
52.4 – O custo do treinamento dos funcionários de segurança de um condomínio é caríssimo,
portanto são elementos específicos, diferentes dos demais funcionários. O plano de segurança de
um condomínio não pode ser mudado a cada nova administração, pois é aprovado pela maioria da
massa condominial, e não é o desejo de um síndico, de um conselho, de um administrador ou de
um grupinho privilegiado;

53 – CORPO DE UM CONDOMÍNIO OU HIERARQUIA CONDOMINIAL


53.1 – O corpo de um condomínio se divide em (3) três partes distintas:
1ª parte = CONDÔMINOS, 2ª parte = SÍNDICO - 3ª parte, CONSELHO CONSULTIVO
53.2 - O artigo 22, parágrafo 2º da Lei Federal nº 4.591/64, diz: "As funções administrativas podem
ser delegadas a pessoas de confiança do síndico, e sob a sua inteira responsabilidade, mediante
aprovação da assembléia-geral dos condôminos".
53.3 – Se as funções administravas de um condomínio podem ser delegadas a pessoas de confiança
do síndico, é parte integrante da função de síndico e não do condomínio, e mais , sob a sua inteira
responsabilidade, mediante aprovação da assembléia, portanto a assembléia não elege, apenas
aprova;
53.4 – Quando da eleição ou reeleição de um síndico, deve a assembléia aprovar as pessoas de
confiança do síndico que farão à administração, ou quando permanecer a administração anterior
deve ratificar a aprovação na eleição ou reeleição;
53.5 – O síndico não deve satisfação quando destituir a administração, pois a mesma é de sua
confiança e responsabilidade, deve sim aprovar em assembléia a nova administração se houver;
53.6 – A Lei Federal nº 4.591/64, artigo 9º, parágrafo 3º, letra g) , e clara quando diz: "a definição da
natureza gratuita ou remunerada de suas funções (síndico), portanto, não fala da remuneração das
pessoas aprovadas para simplesmente administrar o condomínio;
53.7 – Desta forma, não pode constar das despesas condominiais, recibo das pessoas aprovadas em
assembléia para administrar o condomínio, pois são de confiança e de total responsabilidade do
síndico, sendo parte integrante de sua figura, deve sim constar recibo do síndico no total dos gastos
com a prestação de serviço recebida. As pessoas aprovadas para administrar devem dar recibo em
nome do síndico para o mesmo. Dos valores recebidos pelo síndico, serão repassados pelo mesmo,
os valores da prestação de serviço, executadas pelas pessoas aprovadas em assembléia para
administrar o condomínio;
53.8 - Os administradores não fazem parte do corpo condominial e muito menos da hierarquia
condominial, são apenas prestadores de serviços, de total e completa responsabilidade do síndico;
53.9 – Se as funções do Conselho Consultivo não forem definidas na Convenção de Condomínio, o
referido conselho se tornará apenas cargos políticos sem atribuições ou funções;

54 – DADOS TÉCNICOS DE UM CONDOMÍNIO HORIZONTAL


CONDOMÍNIO SANTA ISABEL
Estrada Prefeito Joaquim Simão, Km 70 - Bairro do Pouso Alegre - Santa Isabel - São Paulo
CEP 07500-000 - Fone (11) 4656 2543 - CNPJ nº 52.376.795/0001-30
Lei Federal nº 4.591/64 - Artigo 7º e 8º - Letra a) - Decreto-Lei Federal nº 271/67, Artigo 3º
Matrícula nº 6.374 de 16/02/1979 e derivadas (121 – fichas auxiliares) do Cartório de Registro de
Imóveis da Comarca de Santa Isabel
Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado de Santa Isabel Projeto de Lei nº 30/69, Artigo 28,
Parágrafo 3º e Artigo 57
Loteamento Cadastrado na Prefeitura Municipal de Santa Isabel sob o nº 069 Lei Municipal nº
1.339/85
Licença de Instalação de Loteamento nº 001153 de 15/01/1979 - Processo CETESB nº 01/3619/8
Implantado sob a égide do Decreto-Lei Federal nº 58/37, Decreto Federal nº 3.079/38 e
Decreto-Lei Federal 271/67, Artigo 3º
Condomínio Especial incidente nos Provimentos CG nº 10/2004 e Pareceres,
CG nº 19/2004 e CG nº 24/2005
Assembléias Gerais conforme a Lei a Lei Federal nº 4.591/64, Título I, Capítulo VII
Seguro Obrigatório conforme a Lei Federal nº 4.591/64, Título I, Capítulo IV e responsabilidade civil
Data Oficial de instalação: 16 de fevereiro de 1979
Levantamento Planialtimétrico: Engenheiro Toro Chinone - CREA nº 9.908/D - 6ª Região
Retificação de Área – Averbação 02 da Matrícula nº 6.374 de 07 de novembro de 1980
(Processo nº 1.195/78 da 1ª Vara Cível da Comarca)
Projeto de Loteamento: Engenheiro Marcelo Gomes da Silva - CREA nº 48.793/D - 6ª Região
Projeto de Elétrico: Engenheiro Julio dos Santos - CREA nº 4.726/D - 6ª Região
Processo CT/CESP/DLA/5186/78 (Rede Particular)
Projeto de Captação e Distribuição de Água Potável: Engenheiro Marcelo Gomes da Silva
CREA nº 48.793/D - 6ª Região (Rede Particular)
Esgotos: NORMA NB 41 DA ABNT - Processo nº 01/3619/8 da CETESB e
Licença de Instalação de Loteamento nº 001153

Proprietário Instituidor e Instalador: Antonio Louro


CARACTERISTICAS DO CONDOMÍNIO HORIZONTAL DE USO EXCLUSIVAMENTE RESIDENCIAL
ÁREAS DAS UNIDADES
AUTÔNOMAS................................................................................................164.411,27 m²........49,15
%
ÁREAS DAS VIAS
PÚBLICAS....................................................................................................................54.752,10
m²........16,37 %
ÁREAS
INSTITUCIONAIS...........................................................................................................................16.640
,00 m².........4,98 %
ÁREAS LIVRES (Praças, Logradouros Públicos, Áreas de Preservação dos Recursos Naturais,
Sistemas de Recreios)...............................................98.683,50 m²........29,50 %
ÁREA TOTAL DA
GLEBA.........................................................................................................................334.486,87
m².....100,00 %
NÚMERO DE UNIDADES AUTÔNOMAS (lotes)...............258
NÚMERO DE SETORRES RESIDENCIAIS (quadras)..........12

55 - LEI Nº 4.591, DE 16 DE DEZEMBRO DE 1964


DOU DE 21/12/64 - Lei do Condomínio

Dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias.

O Presidente de República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:

TÍTULO I

CAPÍTULO I

DO CONDOMÍNIO

Art. 1º. As edificações ou conjuntos de edificações, de um ou mais pavimentos, construídos sob a


forma de unidades isoladas entre si, destinadas a fins residenciais ou não-residenciais, poderão ser
alienados, no todo ou em parte, objetivamente considerados, e constituirá , cada unidade,
propriedade autônoma sujeita às limitações desta Lei.
Art. 2º. Cada unidade com saída para a via pública, diretamente ou por processo de passagem
comum, será sempre tratada como objeto de propriedade exclusiva, qualquer que seja o número de
suas peças e sua destinação, inclusive (VETADO) edifício-garagem, com ressalva das restrições que
se lhe imponham.
§ 1º O direito à guarda de veículos nas garagens ou locais a isso destinados nas edificações ou
conjuntos de edificações será tratado como objeto de propriedade exclusiva, com ressalva das
restrições que ao mesmo sejam impostas por instrumentos contratuais adequados, e será vinculada
à unidade habitacional a que corresponder, no caso de não lhe ser atribuída fração ideal específica
de terreno. (Parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 2º O direito de que trata o § 1º deste artigo poderá ser transferido a outro condômino,
independentemente da alienação da unidade a que corresponder, vedada sua transferência a
pessoas estranhas ao condomínio. (Parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 3º Nos edifícios-garagem, às vagas serão atribuídas frações ideais de terreno específicas.(Parágrafo
incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
Art. 3º. O terreno em que se levantam a edificação ou o conjunto de edificações e suas instalações,
bem como as fundações, paredes externas, o teto, as áreas internas de ventilação, e tudo o mais
que sirva a qualquer dependência de uso comum dos proprietários ou titulares de direito
constituirão condomínio de todos, e serão insuscetíveis de divisão, ou de alienação destacada da
respectiva unidade. Serão, também, insuscetíveis de utilização exclusiva por qualquer condômino
(VETADO)
Art. 4º. A alienação de cada unidade, a transferência de direitos pertinentes à sua aquisição e a
constituição de direitos reais sobre ela independerão do consentimento dos condôminos, (VETADO).
Parágrafo único - A alienação ou transferência de direitos de que trata este artigo dependerá de
prova de quitação das obrigações do alienante para com o respectivo condomínio. (Redação dada
pela Lei nº 7.182, de 27.3.1984)
Art. 5º. O condomínio por meação de parede, soalhos, e tetos das unidades isoladas, regular-se-á
pelo disposto no Código Civil, no que lhe for aplicável.
Art. 6º. Sem prejuízo do disposto nesta Lei, regular-se-á pelas disposições de direito comum o
condomínio por quota ideal de mais de uma pessoa sobre a mesma unidade autônoma.
Art. 7º. O condomínio por unidades autônomas instituir-se-á por ato entre vivos ou por testamento,
com inscrição obrigatória no registro de Imóveis, dele constando: a individualização de cada
unidade, sua identificação e discriminação, bem como a fração ideal sobre o terreno e partes
comuns, atribuída a cada unidade, dispensando-se a descrição interna da unidade.
Art. 8º. Quando, em terreno onde não houver edificação, o proprietário, o promitente comprador, o
cessionário deste ou o promitente cessionário sobre ele desejar erigir mais de uma edificação,
observar-se-á também o seguinte:
a) em relação às unidades autônomas que se constituírem em casa térreas ou assobradadas, será
discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação e também aquela eventualmente
reservada como de utilização exclusiva dessas casas, como jardim e quintal, bem assim a fração
ideal de todo o terreno e de partes comuns, que corresponderá às unidades;
b) em relação às unidades autônomas que constituírem edifícios de dois ou mais pavimentos, será
discriminada a parte do terreno ocupada pela edificação, aquela que eventualmente for reservada
como de utilização exclusiva, correspondente às unidades do edifício, e ainda a fração ideal do todo
do terreno e de partes comuns, que corresponderá a cada uma das unidades;
c) serão discriminadas as partes do total do terreno que poderão ser utilizadas em comum pelos
titulares de direito sobre os vários tipos de unidades autônomas;
d) serão discriminadas as áreas que se constituírem em passagem comum para as vias públicas ou
para as unidades ente si.

CAPÍTULO II

DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO
Art. 9º Os proprietários, promitentes compradores, cessionários ou promitentes cessionários dos
direitos pertinentes à aquisição de unidades autônomas, em edificações a serem construídas, em
construção ou já construídas, elaborarão, por escrito, a Convenção de condomínio, e deverão,
também, por contrato ou por deliberação em assembléia, aprovar o Regimento Interno da
edificação ou conjunto de edificações.
§ 1º. Far-se-á o registro da Convenção no registro de Imóveis, bem como a averbação das suas
eventuais alterações.
§ 2º. Considera-se aprovada, e obrigatória para os proprietários de unidades, promitentes
compradores cessionários e promitentes cessionários atuais e futuros, como para qualquer
ocupante, a Convenção que reúna as assinaturas de titulares de direitos que representem, no
mínimo, 2/3 das frações ideais que compõem o condomínio.
§ 3º. Além de outras normas aprovadas pelos interessados, a Convenção deverá conter:
a) a discriminação das partes de propriedade exclusiva, e as de condomínio, com especificações das
diferentes áreas;
b) o destino das diferentes partes;
c) o modo de usar as coisas e serviços comuns;
d) encargos, forma e proporção das contribuições dos condôminos para as despesas de custeio e
para as extraordinárias;
e) o modo de escolher o síndico e o Conselho Consultivo;
f) as atribuições do síndico, além das legais;
g) a definição da natureza gratuita ou remunerada de suas funções;
h) o modo e o prazo de convocação das assembléias gerais dos condôminos;
i) o quorum para s diversos tipos de votações;
j) a forma de contribuição para constituição de fundo de reserva;
l) a forma e o quorum para as alterações de convenção;
m) a forma e o quorum para a aprovação do Regimento Interno quando não incluídos na própria
Convenção.
§ 4º No caso de conjunto de edificações, a que se refere o art. 8º, a convenção de condomínio fixará
os direitos e as relações de propriedade entre os condôminos das várias edificações, podendo
estipular formas pelas quais se possam desmembrar e alienar porções do terreno, inclusive as
edificadas. (Parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
Art. 10. É defeso a qualquer condômino:
I – alterar a forma externa da fachada;
II – decorar as partes e esquadrias externas com tonalidades ou cores diversas das empregadas no
conjunto da edificação;
III – destinar a unidade à utilização diversa de finalidade do prédio, ou usá-la de forma nociva ou
perigosa ao sossego, à salubridade e à segurança dos demais condôminos;
IV - embaraçar o uso das partes comuns.
§ 1º. O transgressor ficará sujeito ao pagamento de multa prevista na convenção ou no regulamento
do condomínio, além de ser compelido a desfazer a obra ou abster-se da prática do ato, cabendo, ao
síndico, com autorização judicial, mandas desmanchá-la, à custa do transgressor, se este não a
desfizer no prazo que lhe for estipulado.
§ 2º. O proprietário ou titular de direito à aquisição de unidade poderá fazer obra que ou modifique
sua fachada, se obtiver a aquiescência da unidade dos condôminos.
Art. 11. Para efeitos tributários, cada unidade autônoma será tratada como prédio isolado,
contribuindo o respectivo condômino, diretamente, com as importâncias relativas aos impostos e
taxas federais, estaduais e municipais, na forma dos respectivos lançamentos.

CAPÍTULO III

DAS DESPESAS DO CONDOMÍNIO


Art. 12. Cada condômino concorrerá nas despesas do condomínio, recolhendo, nos prazos previstos
na Convenção a quota-parte que lhe couber em rateio.
§ 1º. Salvo disposição em contrário na Convenção, a fixação da quota no rateio corresponderá à
fração ideal do terreno de cada unidade.
§ 2º. Cabe ao síndico arrecadar as contribuições competindo-lhe promover, por via executiva, a
cobrança judicial das quotas atrasadas.
§ 3º. O condômino que não pagar a sua contribuição no prazo fixado na Convenção fica sujeito ao
juro moratório de 1% ao mês, e multa de até 2% sobre o débito, que será atualizado, se o estipular a
Convenção, com a aplicação dos índices de correção monetária levantados pelo Conselho Nacional
de Economia, no caso da mora por período igual ou superior a seis meses.
§ 4º. As obras que interessarem a estrutura integral da edificação ou conjunto de edificações, ou ao
serviço comum, serão feitas com o concurso pecuniário de todos os proprietários ou titulares de
direito à aquisição de unidades, mediante orçamento prévio aprovado em assembléia-geral,
podendo incumbir-se de sua execução o síndico, ou outra pessoa com aprovação da assembléia.
§ 5º. A renúncia de qualquer condômino aos seus direitos, em caso algum valerá como escusa para
exonerá-lo de seus encargos.

CAPÍTULO IV

DO SEGURO, DO INCÊNDIO, DA DEMOLIÇÃO E DA RECONSTRUÇÃO OBRIGATÓRIA


Art. 13. Proceder-se-á ao seguro da edificação ou do conjunto de edificações, neste caso,
discriminadamente, abrangendo todas as unidades autônomas e partes comuns, contra incêndio ou
outro sinistro que cause destruição no todo ou em parte, computando-se o prêmio nas despesas
ordinárias do condomínio.
Parágrafo único. O seguro de que trata este artigo será obrigatoriamente feito dentro de 120 dias,
contados da data da concessão do “habite-se”, sob pena de ficar o condomínio sujeito à multa
mensal equivalente a 1/12 dos impostos prediais, cobráveis executivamente pala Municipalidade.

Art. 14. Na ocorrência de sinistro total, ou que destrua mais de dois terços de uma edificação, seus
condôminos reunir-se-ão em assembléia especial, e deliberarão sobre a sua reconstrução ou venda
do terreno e materiais, por quorum mínimo de votos que representem metade mais uma das
frações ideais do respectivo terreno.
§ 1º Rejeitada a proposta de reconstrução, a mesma assembléia, ou outra para este fim convocada,
decidirá, pelo mesmo quorum, do destino a ser dado ao terreno, e aprovará a partilha do valor do
seguro entre os condôminos, sem prejuízo do que receber cada um pelo seguro facultativo de sua
unidade.
§ 2º Aprovada, a reconstrução será feita, guardados, obrigatoriamente, o mesmo destino, a mesma
forma externa e a mesma disposição interna.
§ 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a minoria não poderá ser obrigada a contribuir para a
reedificação, caso em que a maioria poderá adquirir as partes dos dissidentes, mediante avaliação
judicial, feita em vistoria.
Art. 15. Na hipótese de que trata o § 3º do artigo antecedente, à maioria poderão ser adjudicadas,
por sentença, as frações ideais da minoria.
§ 1º Como condição para o exercício da ação prevista neste artigo, com a inicial, a maioria oferecerá
e depositará e depositará, à disposição do Juízo, as importância arbitradas na vistoria para avaliação,
prevalecendo as de eventual desempatador.
§ 2º Feito o depósito de que trata o parágrafo anterior, o Juiz, liminarmente, poderá autorizar a
adjudicação à maioria, e a minoria poderá levantar as importâncias depositadas; o Oficial de
Registro de Imóveis, nestes casos, fará constar do registro que a adjudicação foi resultante de
medida liminar.
§ 3º Feito o depósito, será expedido o mandado de citação, com o prazo de dez dias para a
contestação, VETADO.
§ 4º Se não contestado, o Juiz, imediatamente, julgará o pedido.
§ 5º Se contestado o pedido, seguirá o processo o rito ordinário.
§ 6º Se a sentença fixar o valor superior ao da avaliação feita na vistoria, o condomínio em execução
restituíra à minoria a respectiva diferença, acrescida de juros de mora à razão de 1% ao mês, desde
a data da concessão de eventual liminar, ou pagará o total devido, com os juros da mora a contar da
citação.
§ 7º Transitada em julgado a sentença servirá de título definitivo para a maioria, que deverá
registrá-la no Registro de Imóveis.
§ 8º A maioria poderá pagar e cobrar da minoria, em execução de sentença, encargos fiscais
necessários à adjudicação definitiva a cujo pagamento se recusar à minoria.
Art. 16. Em caso de sinistro que destrua menos de dois terços da edificação, o síndico promovera o
recebimento do seguro e a reconstrução ou os reparos nas partes danificadas.
Art. 17. Os condôminos que representem, pelo menos 2/3 (dois terços) do total de unidades
isoladas e frações ideais correspondentes a 80% (oitenta por cento) do terreno e coisas comuns
poderão decidir sobre a demolição e reconstrução do prédio, ou sua alienação, por motivos
urbanísticos ou arquitetônicos, ou, ainda, no caso de condenação do edifício pela autoridade
pública, em razão de sua insegurança ou insalubridade. (Redação dada pela Lei nº 6.709, de
31.10.1979).
§ 1º A minoria não fica obrigada a contribuir para as obras, mas assegura-se à maioria o direito de
adquirir as partes dos dissidentes, mediante avaliação judicial, aplicando-se o processo previsto no
art. 15.
§ 2º Ocorrendo desgaste, pela ação do tempo, das unidades habitacionais de uma edificação, que
deprecie seu valor unitário em relação ao valor global do terreno onde se acha construída, os
condôminos, pelo quorum mínimo de votos que representem 2/3 (dois terços) das unidades
isoladas e frações ideais correspondentes a 80% (oitenta por cento) do terreno e coisas comuns,
poderão decidir por sua alienação total, procedendo-se em relação à minoria na forma estabelecida
no art. 15, e seus parágrafos, desta Lei.
§ 3º Decidida por maioria à alienação do prédio, o valor atribuído à quota dos condôminos vencidos
será correspondente ao preço efetivo, e, no mínimo, à avaliação prevista no § 2º ou, a critério
desses, a imóvel localizado em área próxima ou adjacente com a mesma área útil de construção.
Art. 18. A aquisição parcial de uma edificação, ou de um conjunto de edificações, ainda que por
força de desapropriação, importará no ingresso do adquirente no condomínio, ficando sujeito às
disposições desta lei, bem assim às da convenção do condomínio e do regulamento interno.
(Redação dada pela Decreto-Lei nº 981, de 21.10.1969)

CAPÍTULO V

UTILIZAÇÃO DA EDIFICAÇÃO OU DO CONJUNTO DE EDIFICAÇÕES


Art. 19. Cada condômino tem direito de usar e fruir, com exclusividade, de sua unidade autônoma
segundo suas conveniências e interesses, condicionados, uma e outros, às normas de boa
vizinhança, e poderá usar as partes e coisas comuns de maneira a não causar dano ou incomodo aos
demais condôminos ou moradores, nem obstáculo ou embaraço ao bom uso das mesmas partes
por todos.
Parágrafo único. VETADO.
Art. 20. Aplicam-se ao ocupante do imóvel, a qualquer título, todas as obrigações referentes ao uso,
fruição e destino da unidade.
Art. 21. A violação de qualquer dos deveres estipulados na Convenção sujeitará o infrator à multa
fixada na própria Convenção ou no Regimento Interno, sem prejuízo da responsabilidade civil ou
criminal que, no caso, couber.
Parágrafo único. Compete ao síndico à iniciativa do processo e a cobrança da multa, por via
executiva, em benefício do condomínio, e, em caso de omitir-se ele, a qualquer condômino.

CAPÍTULO V

DA ADMINISTRAÇÃO DO CONDOMÍNIO
Art. 22. Será eleito, na forma prevista pela Convenção, um síndico do condomínio, cujo mandato
não poderá exceder de 2 anos, permitida a reeleição.
§ 1º Compete ao síndico:
a) representar, ativa e passivamente, o condomínio, em juízo ou fora dele, e praticar os atos de
defesa dos interesses comuns, nos limites das atribuições conferidas por esta Lei ou pela
Convenção;
b) exercer a administração interna da edificação ou do conjunto de edificação ou do conjunto de
edificações, no que respeita à sua vigilância, moralidade e segurança, bem como os serviços que
interessam a todos os moradores;
c) praticar os atos que lhe atribuírem as leis a Convenção e o Regimento Interno;
d) impor as multas estabelecidas na Lei, na Convenção ou no Regimento Interno;
e) cumprir e fazer cumprir a Convenção e o Regimento Interno, bem como executar e fazer executar
as deliberações da assembléia;
f) prestar contas à assembléia dos condôminos.
g) manter guardada durante o prazo de cinco anos para eventuais necessidade de verificação
contábil, toda a documentação relativa ao condomínio. (Alínea incluída pela Lei nº 6.434, de
15.7.1977)
§ 2º As funções administrativas podem ser delegadas a pessoas de confiança do síndico, e sob a sua
inteira responsabilidade, mediante aprovação da assembléia-geral dos condôminos.
§ 3º A Convenção poderá estipular que dos atos do síndico caiba recurso para a assembléia,
convocada pelo interessado.
§ 4º Ao síndico, que poderá ser condômino ou pessoa física ou jurídica estranha ao condomínio,
será fixada a remuneração pela mesma assembléia que o eleger, salvo se a Convenção dispuser
diferentemente.
§ 5º O síndico poderá ser destituído, pela forma e sob as condições previstas na Convenção ou, no
silêncio desta pelo voto de dois terços dos condôminos, presentes, em assembléia-geral
especialmente convocada.
§ 6º A Convenção poderá prever a eleição de subsíndicos, definindo-lhes atribuições e fixando-lhes
o mandato, que não poderá exceder de 2 anos, permitida a reeleição.
Art. 23. Será eleito, na forma prevista na Convenção, um Conselho Consultivo, constituído de três
condôminos, com mandatos que não poderão exceder de 2 anos, permitida a reeleição.
Parágrafo único. Funcionará o Conselho como órgão consultivo do síndico, para assessorá-lo na
solução dos problemas que digam respeito ao condomínio, podendo a Convenção definir suas
atribuições específicas.

CAPÍTULO VII

DA ASSEMBLÉIA GERAL
Art. 24. Haverá, anualmente, uma assembléia geral ordinária dos condôminos, convocada pelo
síndico na forma prevista na Convenção, à qual compete, além das demais matérias inscritas dos
presentes, as verbas para as despesas de condomínio, compreendendo as de conservação da
edificação ou conjunto de edificações, manutenção de seus serviços e correlatas.

§ 1º As decisões da assembléia, tomadas, em cada caso, pelo quorum que a Convenção fixar,
obrigam todos os condôminos.
§ 2º O síndico, nos oito dias subseqüentes à assembléia, comunicará aos condôminos o que tiver
sido deliberado, inclusive no tocante à previsão orçamentária, o rateio das despesas, e promoverá a
arrecadação, tudo na forma que a Convenção previr.
§ 3º Nas assembléias gerais, os votos serão proporcionais às frações ideais do terreno e partes
comuns, pertencentes a cada condômino, salvo disposição diversa da Convenção.
§ 4º Nas decisões da Assembléia que não envolvam despesas extraordinárias do condomínio, o
locatário poderá votar, caso o condômino-locador a ela não compareça. (Redação dada pela Lei nº
9.267, de 25.3.1996)
Art. 25. Ressalvado o disposto no § 3º do art. 22, poderá haver assembléias gerais extraordinárias,
convocadas pelo síndico ou por condôminos que representem um quarto, no mínimo do
condomínio, sempre que o exigirem os interesses gerais.
Parágrafo único. Salvo estipulação diversa da Convenção, está só poderá ser modificada em
assembléia geral extraordinária, pelo voto mínimo de condôminos que representem 2/3 do total das
frações ideais.
Art. 26. VETADO.
Art. 27. Se a Assembléia não se reunir para exercer qualquer dos poderes que lhe competem, 15
dias após o pedido de convocação, o Juiz decidirá a respeito, mediante requerimento dos
interessados.

TÍTULO II - DAS INCORPORAÇÕES

CAPÍTULO I - DISPOSIÇÕES GERAIS


Art. 28. As incorporações imobiliárias, em todo o território nacional, reger-se-ão pela presente Lei.;
Parágrafo único. Para efeito dessa Lei, considera-se incorporação imobiliária a atividade exercida
com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou
conjunto de edificações composta de unidades autônomas, VETADO.
Art. 29. Considera-se incorporador a pessoa física ou jurídica, comerciante ou não, que, embora não
efetuando a construção, compromisso ou efetive a venda de frações ideais de terreno objetivando a
vinculação de tais frações a unidades autônomas, VETADO em edificações a serem construídas ou
em construção sob regime condominial, ou que meramente aceite propostas para efetivação de tais
transações, coordenando e levando a termo a incorporação e responsabilizando-se, conforme o
caso, pela entrega, em certo prazo, preço e determinadas condições, das obras concluídas.
Parágrafo único. Presume-se a vinculação entre a alienação das trações do terreno e o negócio de
construção, se, ao se contratada a venda, ou promessa de venda ou de cessão das frações de
terreno, já houver sido aprovado e estiver em vigor, ou pender de aprovação de autoridade
administrativa, o respectivo projeto de construção, respondendo o alienante como incorporador.
Art. 30. Estende-se a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos
que contratem a construção de edifícios que se destinem à constituição em condomínio, sempre
que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras.
Art. 30-A. A critério do incorporador, a incorporação poderá ser submetida ao regime da afetação,
pelo qual o terreno e as acessões objeto de incorporação imobiliária, bem como os demais bens e
direitos a ela vinculados, manter-se-ão apartados do patrimônio do incorporador e constituirão
patrimônio de afetação, destinado à consecução da incorporação correspondente e à entrega das
unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes. (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE
4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 1º O patrimônio de afetação não se comunica com os demais bens, direitos e obrigações do
patrimônio geral do incorporador ou de outros patrimônios de afetação por ele constituídos e só
responde por dívidas e obrigações vinculadas à incorporação respectiva.
§ 2º O incorporador responde pelos prejuízos que causar ao patrimônio de afetação.
§ 3º Os bens e direitos integrantes do patrimônio de afetação somente poderão ser objeto de
garantia real em operação de crédito cujo produto seja integralmente destinado à consecução da
edificação correspondente e à entrega das unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes.

§ 4º No caso de cessão, plena ou fiduciária, de direitos creditórios oriundos da comercialização das


unidades imobiliárias componentes da incorporação, o produto da cessão também passará a
integrar o patrimônio de afetação, observado o disposto no § 6º.
§ 5º As quotas de construção correspondentes a acessões vinculadas a frações ideais serão pagas
pelo incorporador até que a responsabilidade pela sua construção tenha sido assumida por
terceiros, nos termos da parte final do § 6º do art. 35.
§ 6º Os recursos financeiros integrantes do patrimônio de afetação serão utilizados para pagamento
ou reembolso das despesas inerentes à incorporação.
§ 7º O reembolso do preço de aquisição do terreno somente poderá ser feito quando da alienação
das unidades autônomas, na proporção das respectivas frações ideais, considerando-se tão-
somente os valores efetivamente recebidos pela alienação.
§ 8º Excluem-se do patrimônio de afetação:
II - os recursos financeiros que excederem a importância necessária à conclusão da obra (art. 44),
considerando-se os valores a receber até sua conclusão e, bem assim, os recursos necessários à
quitação de financiamento para a construção, se houver; e
III - o valor referente ao preço de alienação da fração ideal de terreno de cada unidade vendida, no
caso de incorporação em que a construção seja contratada sob o regime de administração (art. 58).
§ 9º No caso de conjuntos de edificações de que trata o art. 8º, poderão ser constituídos
patrimônios de afetação separados, tantos quantos forem os:
II - subconjuntos de casas para as quais esteja prevista a mesma data de conclusão (art. 8º, alínea
"a"); e
III - edifícios de dois ou mais pavimentos (art. 8º, alínea "b").
§ 10. Nas incorporações objeto de financiamento, a comercialização das unidades deverá contar
com a anuência da instituição financiadora ou deverá ser a ela cientificada, conforme vier a ser
estabelecido no contrato de financiamento.
Art. 30-B. Considera-se constituído o patrimônio de afetação mediante averbação, a qualquer
tempo, no Registro de Imóveis, de termo firmado pelo incorporador e, quando for o caso, pelos
titulares de direitos reais de aquisição sobre o terreno; a averbação não será obstada pela existência
de ônus reais que tenham sido constituídos sobre o imóvel objeto da incorporação para garantia do
pagamento do preço de sua aquisição ou do cumprimento de obrigação de construir o
empreendimento. (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU
DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 1º Nas hipóteses em que não seja exigível o arquivamento do memorial de incorporação, a
afetação será definida, em qualquer fase da construção, em instrumento, público ou particular, de
instituição de condomínio, nos termos e com as discriminações de que tratam os arts. 7º e 8º,
considerando-se constituído o patrimônio de afetação mediante registro da instituição no Registro
de Imóveis competente.
§ 2º Havendo financiamento para construção, o patrimônio de afetação poderá ser aditado por
pessoa física ou jurídica legalmente habilitada, nomeada pela instituição financiadora da obra.
§ 3º As pessoas que, em decorrência do exercício da auditoria de que trata o § 2º deste artigo,
obtiverem acesso às informações comerciais, tributárias e de qualquer outra natureza referentes ao
patrimônio afetado responderão pela falta de zelo, dedicação e sigilo destas informações.
§ 4º O auditor nomeado pela instituição financiadora da obra deverá fornecer cópia de seu relatório
ou parecer à Comissão de Representantes, a requerimento desta, não constituindo esse
fornecimento quebra de sigilo de que trata o § 3º.
§ 5º Incumbe ao incorporador:
II - promover todos os atos necessários à boa administração e à preservação do patrimônio de
afetação, inclusive mediante adoção de medidas judiciais;
III - manter apartados os bens e direitos objeto de cada incorporação;
IIII - diligenciar a captação dos recursos necessários à incorporação e aplicá-los na forma prevista na
presente Lei, cuidando de preservar os recursos necessários à conclusão da obra;
IIV - entregar à Comissão de Representantes, no mínimo a cada três meses, demonstrativo do
estado da obra e de sua correspondência com o prazo pactuado ou com os recursos financeiros que
integrem o patrimônio de afetação recebidos no período, firmados por profissionais habilitados,
ressalvadas eventuais modificações sugeridas pelo incorporador e aprovadas pela Comissão de
Representantes;
V - manter e movimentar os recursos financeiros do patrimônio de afetação em conta de depósito
aberta especificamente para tal fim;
VI - entregar à Comissão de Representantes balancetes coincidentes com o trimestre civil, relativos
a cada patrimônio de afetação;
VII - assegurar a auditor, pessoa física ou jurídica, nomeado nos termos do § 2º, o livre acesso à
obra, bem como aos livros, contratos, movimentação da conta de depósito exclusiva referida no
inciso V deste parágrafo e quaisquer outros documentos relativos ao patrimônio de afetação; e
VIII - manter escrituração contábil completa, ainda que optantes pela tributação com base no lucro
presumido.
§ 6º Verificada alguma das hipóteses previstas no art. 43, incisos III e VI, a Comissão de
Representantes assumirá a administração da incorporação e promoverá a imediata realização de
assembléia geral, a esta competindo, por dois terços dos votos dos adquirentes, deliberar sobre o
prosseguimento da incorporação ou a liquidação do patrimônio de afetação, bem como sobre as
condições em que se promoverá uma ou outra.
§ 7º Na hipótese de que trata o parágrafo anterior, a Comissão de Representantes ficará investida de
mandato irrevogável, válido mesmo depois de concluída a obra, para, em nome do incorporador, do
titular do domínio e do titular dos direitos aquisitivos do imóvel objeto da incorporação, outorgar
aos adquirentes das unidades autônomas, por instrumento público ou particular, o contrato
definitivo a que o incorporador e os titulares de domínio e de direitos aquisitivos sobre o imóvel, em
decorrência de contratos preliminares, estiverem obrigados, podendo para esse fim transmitir
domínio, direito, posse e ação, manifestar a responsabilidade do alienante pela evicção, imitir os
adquirentes na posse das unidades respectivas, outorgando referidos contratos mesmo aos
adquirentes que tenham obrigações a cumprir perante o incorporador ou a instituição financiadora,
nestes casos desde que comprovadamente adimplentes, situação em que a outorga do contrato fica
condicionada à constituição de garantia real sobre o imóvel, para assegurar o pagamento do débito
remanescente.
§ 8º O patrimônio de afetação extinguir-se-á pela:
II - averbação da construção, registro dos títulos de domínio ou de direito de aquisição em nome
dos respectivos adquirentes e, quando for o caso, extinção das obrigações do incorporador perante
a instituição financiadora do empreendimento;
III - revogação em razão de denúncia da incorporação, depois de restituídas aos adquirentes às
quantias por esses pagas (art. 36), ou de outras hipóteses previstas em lei;
IIII - liquidação deliberada pela assembléia geral nos termos do § 7º.
Art. 30-C. A insolvência do incorporador não atingirá os patrimônios de afetação constituídos, não
integrando a massa concursal o terreno, as acessões e demais bens, direitos creditórios, obrigações
e encargos objeto da incorporação. (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE
SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 1º Nos sessenta dias que se seguirem à decretação da falência do incorporador, o condomínio dos
adquirentes, por convocação de sua Comissão de Representantes ou, na sua falta, de um sexto dos
titulares de frações ideais, ou, ainda, por determinação do juiz da falência, realizará assembléia
geral na qual, por maioria simples, ratificará o mandato da Comissão de Representantes ou elegerá
novos membros, e, por dois terços dos votos dos adquirentes, instituirá o condomínio da
construção, por instrumento público ou particular, e deliberará sobre os termos da continuação da
obra ou da liquidação do patrimônio de afetação (art. 43, inciso III); havendo financiamento para
construção, a convocação poderá ser feita pela instituição financiadora.
§ 2º Perde eficácia a deliberação pela continuação da obra a que se refere o § 1º caso não se
verifique o pagamento das obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas, vinculadas ao
respectivo patrimônio de afetação, cujos fatos geradores tenham ocorrido até a data da decretação
da falência, os quais deverão ser pagos pelos adquirentes no prazo de sessenta dias daquela
deliberação.
§ 3º Na hipótese em que assumam a administração da obra, os adquirentes responderão
solidariamente com o incorporador:
II - pelas obrigações previstas no § 2º, vinculadas a seu respectivo patrimônio de afetação, que
tenham sido objeto de lançamento de ofício ou cujo pagamento tenha sido determinado na forma
da legislação trabalhista, posteriormente àquela deliberação e até a extinção do patrimônio de
afetação na forma prevista no inciso I do § 8º do art. 30-B;
III - pelos tributos resultantes da diferença entre o custo orçado e o custo efetivo verificada até a
data da decretação da falência, correspondentes a seus respectivos empreendimentos imobiliários.
§ 4º Cada condômino responderá individualmente pelas obrigações na proporção dos coeficientes
de construção atribuíveis às respectivas unidades, se outra forma não for deliberada em assembléia
geral por dois terços dos votos dos adquirentes.
§ 5º As obrigações previstas nos §§ 2º e 3º serão arrecadadas à massa, sendo seus respectivos
valores depositados em conta-corrente bancária específica e destinados, exclusivamente, ao
pagamento de créditos privilegiados, observada a ordem de preferência estabelecida na legislação.
§ 6º As obrigações referidas no § 2º poderão ser pagas parceladamente, em até trinta meses,
observando-se que:
II - as parcelas serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e de Custódia (Selic), para títulos federal, acumulada mensalmente, calculados a partir
do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento da primeira parcela até o último dia do mês
anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento;
III - o síndico da massa falida deverá ser comunicado da opção pelo parcelamento das obrigações no
prazo previsto no § 2º.
§ 7º Os proprietários ou titulares de direitos aquisitivos sobre as unidades imobiliárias integrantes
do empreendimento, caso decidam pelo prosseguimento da obra, ficarão automaticamente sub-
rogados nos direitos, nas obrigações e nos encargos relativos à incorporação, inclusive aqueles
relativos ao contrato de financiamento da obra, se houver.
§ 8º Os condôminos responderão pelo saldo porventura existente entre o custo de conclusão da
obra e os recursos a receber e os disponíveis na conta a que se refere o inciso V do § 5º do art. 30-B,
na proporção dos coeficientes de construção atribuíveis às respectivas unidades, se outra forma não
for deliberada em assembléia geral por dois terços dos votos dos adquirentes.
§ 9º Para assegurar as medidas necessárias ao prosseguimento das obras ou à liquidação do
patrimônio de afetação, a Comissão de Representantes, no prazo de sessenta dias, a contar da data
de realização da assembléia geral de que trata o parágrafo anterior, promoverá, em público leilão,
com observância dos critérios estabelecidos pelo art. 63, a venda das frações ideais e respectivas
acessões que, até a data da decretação da falência, não tiverem sido alienadas pelo incorporador.
§ 10. Na hipótese de que trata o § 9º, o arrematante ficará sub-rogado, na proporção atribuível à
fração e acessões adquiridas, nos direitos e nas obrigações relativas ao empreendimento, inclusive
nas obrigações de eventual financiamento, e, em se tratando da hipótese do art. 39 desta Lei, nas
obrigações perante o proprietário do terreno.
§ 11. Dos documentos para anúncio da venda de que trata o § 7º e, bem assim, o inciso III do art.
43, constarão os valores das acessões não pagas pelo incorporador (art. 35, § 6º), e o preço da
fração ideal do terreno e das acessões (arts. 40 e 41).
§ 12. No processo de venda de que trata o § 10, serão asseguradas, sucessivamente, em igualdade
de condições com terceiros:
II - ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, a preferência para aquisição das acessões vinculadas à fração objeto da venda, a ser
exercida nas vinte e quatro horas seguintes à data designada para a venda;
III - ao condomínio, caso não exercida a preferência de que trata o inciso anterior, ou caso não haja
licitantes, a preferência para aquisição da fração ideal e acessões, desde que deliberada em
assembléia geral, pelo voto da maioria simples dos adquirentes presentes, e exercida no prazo de
quarenta e oito horas a contar da data designada para a venda.
§ 13. Realizada a venda, incumbirá à Comissão de Representantes, sucessivamente, nos cinco dias
que se seguirem ao recebimento do preço:
II - pagar as obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias, vinculadas ao respectivo
patrimônio de afetação a que se refere o § 2º , observada a ordem de preferência prevista na
legislação, em especial o disposto no art. 186 do Código Tributário Nacional;
III - reembolsar aos adquirentes as quantias que tenham adiantado, com recursos próprios, para
pagamento das obrigações referidas no inciso I;
IIII - reembolsar a instituição financiadora à quantia que esta tiver entregado para a construção,
salvo se outra forma não vier a ser convencionada entre as partes interessadas;
IIV - entregar ao condomínio o valor que este tiver desembolsado para construção das acessões de
responsabilidade do incorporador (§ 6º do art. 35 e § 5º do art. 30-A), na proporção do valor obtido
na venda;
V - entregar ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, o valor apurado na venda, em proporção ao valor atribuído à fração ideal;
VI - arrecadar a massa falida o saldo que porventura remanescer.
§ 14. Na hipótese dos §§ 2º a 6º:
II - os valores arrecadados à massa constituirão crédito privilegiado dos adquirentes;
III - a extinção do patrimônio de afetação prevista no inciso I do § 8º do art. 30-B não poderá ocorrer
enquanto não integralmente pagas as obrigações tributárias, trabalhistas e previdenciárias a ele
vinculadas.
Art. 30-D. Para efeito, exclusivamente, do disposto no § 2º do art. 30-C, a vinculação das obrigações
ali referidas, devidas pela pessoa jurídica, inclusive por equiparação, nos termos da legislação do
imposto de renda, dar-se-á pelo rateio: (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE
SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))

II - do total das obrigações da pessoa jurídica relativas ao imposto de renda e à contribuição social
sobre o lucro na proporção da receita bruta relativa a cada patrimônio de afetação em relação à
receita bruta total da pessoa jurídica, considerando-se receita bruta aquela definida na legislação do
imposto de renda;
III - do total das obrigações da pessoa jurídica relativas às Contribuições para os Programas de
Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e à Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) na proporção da receita bruta relativa a cada
patrimônio de afetação em relação à receita bruta total da pessoa jurídica, considerando-se receita
bruta aquela definida na legislação específica dessas contribuições;
§ 1º Na hipótese das demais obrigações trabalhistas, tributárias e previdenciárias, a vinculação dar-
se-á de forma direta, abrangendo tão-somente aquelas geradas no âmbito do próprio patrimônio de
afetação, na forma das respectivas legislações de regência.
§ 2º As demais obrigações trabalhistas, tributárias e previdenciárias comuns dos patrimônios de
afetação que não possam ser individualizadas a cada patrimônio serão rateadas na proporção do
respectivo custo do patrimônio de afetação em relação ao custo total dos patrimônios de afetação.
§ 3º As demais obrigações trabalhistas, tributárias e previdenciárias, não vinculadas exclusivamente
aos patrimônios de afetação, serão rateadas na proporção da receita bruta do respectivo patrimônio
em relação à receita bruta total da pessoa jurídica, considerando-se receita bruta aquela definida na
legislação do imposto de renda.
§ 4º Na impossibilidade de adoção do critério de rateio previsto no § 2º, em relação àquelas
obrigações utilizar-se-á o critério previsto no § 3º.
§ 5º As obrigações, as receitas brutas e os custos referidos no caput e §§ 1º a 3º são os
correspondentes aos respectivos períodos de apuração e serão considerados acumuladamente
entre a data de início do empreendimento e a data da extinção do patrimônio de afetação, nos
termos do § 8º do art. 30-B, ou da decretação da falência, se houver.
§ 6º Para os fins do disposto neste artigo, os patrimônios de afetação equiparam-se a
estabelecimentos filiais, cabendo aos órgãos encarregados pela administração dos impostos e
contribuições respectivos determinar as hipóteses em que o pagamento ou o recolhimento será
efetuado por estabelecimento filial.
§ 7º O disposto no § 6º não implica atribuir a condição de sujeito passivo ao patrimônio de afetação.
§ 8º O incorporador deve informar, no demonstrativo trimestral a que se refere o inciso IV do § 5º
do art. 30-B, a ser entregue à Comissão de Representantes, o montante das obrigações referidas no
§ 2º do art. 30-C vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação.
§ 9º O incorporador deve assegurar ao auditor, pessoa física ou jurídica, nomeado nos termos do §
2º do art. 30-B, bem assim à Comissão de Representantes ou à pessoa por ela designada, o acesso a
todas as informações necessárias à verificação do montante das obrigações referidas no § 2º do art.
30-C vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação.
Art. 30-E. O Poder Executivo poderá regulamentar o disposto nos arts. 30-C e 30-D, inclusive
estabelecer obrigações acessórias destinadas ao controle do cumprimento das respectivas normas.
(Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001
(Edição Extra))
Parágrafo único. O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas específicas para a
abertura e a movimentação da conta-corrente bancária a que se refere o § 4º do art. 30-C.
Art. 30-F. Serão dirimidos mediante arbitragem, nos termos do disposto na Lei nº 9.307, de 24 de
setembro de 1996, os litígios decorrentes de contratos de incorporação imobiliária: (Incluído pela
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
II - obrigatoriamente, quando relativos à vinculação de obrigações de que tratam o § 2º do art. 30-C
e o art. 30-D; e
III - facultativamente, nos demais casos.
Art. 30-G. O disposto nos arts. 30-C e 30-D aplica-se, exclusivamente, aos empreendimentos
imobiliários iniciados a partir de 5 de setembro de 2001 (Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº
2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
Art. 31. A iniciativa e a responsabilidade das incorporações imobiliárias caberão ao incorporador,
que somente poderá ser:
a) o proprietário do terreno, o promitente comprador, o cessionário deste ou promitente
cessionário com título que satisfaça os requisitos da alínea a do art. 32;
b) o construtor (Decreto número 23.569, de 11/12/33 e 3.995, de 31 de dezembro de 1941, e
Decreto-Lei número 8.620, de 10 de janeiro de 1946) ou corretor de imóveis (Lei nº 4.116, de
27/08/62).
§ 1º No caso da alínea b, o incorporador será investido, pelo proprietário de terreno, o promitente
comprador, o cessionário deste ou promitente cessionário, de mandato outorgado por instrumento
público, onde se faça menção expressa desta Lei e se transcreva o disposto no § 4º do art. 35, para
concluir todos os negócios tendentes à alienação das frações ideais de terreno, mas obrigará
pessoalmente pelos atos que praticar na qualidade de incorporador.
§ 2º Nenhuma incorporação poderá ser proposta à venda sem a indicação expressa do incorporador,
devendo também seu nome permanecer indicado ostensivamente no local da construção.
§ 3º Toda e qualquer incorporação, independentemente da forma por que seja constituída, terá um
ou mais incorporadores solidariamente responsáveis, ainda que em fase subordinada a período de
carência, referido no art. 34.

"CAPÍTULO I-A"

DO PATRIMÔNIO DE AFETAÇÃO - (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)


Art. 31-A. A critério do incorporador, a incorporação poderá ser submetida ao regime da afetação,
pelo qual o terreno e as acessões objeto de incorporação imobiliária, bem como os demais bens e
direitos a ela vinculados, manter-se-ão apartados do patrimônio do incorporador e constituirão
patrimônio de afetação, destinado à consecução da incorporação correspondente e à entrega das
unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 1o O patrimônio de afetação não se comunica com os demais bens, direitos e obrigações do
patrimônio geral do incorporador ou de outros patrimônios de afetação por ele constituídos e só
responde por dívidas e obrigações vinculadas à incorporação respectiva.(Incluído pela Lei nº 10.931,
de 2004)
§ 2o O incorporador responde pelos prejuízos que causar ao patrimônio de afetação. (Incluído pela
Lei nº 10.931, de 2004)
§ 3o Os bens e direitos integrantes do patrimônio de afetação somente poderão ser objeto de
garantia real em operação de crédito cujo produto seja integralmente destinado à consecução da
edificação correspondente e à entrega das unidades imobiliárias aos respectivos adquirentes.
(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 4o No caso de cessão, plena ou fiduciária, de direitos creditórios oriundos da comercialização das
unidades imobiliárias componentes da incorporação, o produto da cessão também passará a
integrar o patrimônio de afetação, observado o disposto no § 6o. (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
§ 5o As quotas de construção correspondentes a acessões vinculadas a frações ideais serão pagas
pelo incorporador até que a responsabilidade pela sua construção tenha sido assumida por
terceiros, nos termos da parte final do § 6o do art. 35.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 6o Os recursos financeiros integrantes do patrimônio de afetação serão utilizados para pagamento
ou reembolso das despesas inerentes à incorporação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 7o O reembolso do preço de aquisição do terreno somente poderá ser feito quando da alienação
das unidades autônomas, na proporção das respectivas frações ideais, considerando-se tão-
somente os valores efetivamente recebidos pela alienação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 8o Excluem-se do patrimônio de afetação:(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - os recursos financeiros que excederem a importância necessária à conclusão da obra (art. 44),
considerando-se os valores a receber até sua conclusão e, bem assim, os recursos necessários à
quitação de financiamento para a construção, se houver; e (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - o valor referente ao preço de alienação da fração ideal de terreno de cada unidade vendida, no
caso de incorporação em que a construção seja contratada sob o regime por empreitada (art. 55) ou
por administração (art. 58).(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 9o No caso de conjuntos de edificações de que trata o art. 8o, poderão ser constituídos
patrimônios de afetação separados, tantos quantos forem os: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - subconjuntos de casas para as quais esteja prevista a mesma data de conclusão (art. 8o, alínea
"a"); e (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - edifícios de dois ou mais pavimentos (art. 8o , alínea "b").(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 10. A constituição de patrimônios de afetação separados de que trata o § 9o deverá estar
declarada no memorial de incorporação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 11. Nas incorporações objeto de financiamento, a comercialização das unidades deverá contar
com a anuência da instituição financiadora ou deverá ser a ela cientificada, conforme vier a ser
estabelecido no contrato de financiamento.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 12. A contratação de financiamento e constituição de garantias, inclusive mediante transmissão,
para o credor, da propriedade fiduciária sobre as unidades imobiliárias integrantes da incorporação,
bem como a cessão, plena ou fiduciária, de direitos creditórios decorrentes da comercialização
dessas unidades, não implicam a transferência para o credor de nenhuma das obrigações ou
responsabilidades do cedente, do incorporador ou do construtor, permanecendo estes como únicos
responsáveis pelas obrigações e pelos deveres que lhes são imputáveis.(Incluído pela Lei nº 10.931,
de 2004)
Art. 31-B. Considera-se constituído o patrimônio de afetação mediante averbação, a qualquer
tempo, no Registro de Imóveis, de termo firmado pelo incorporador e, quando for o caso, também
pelos titulares de direitos reais de aquisição sobre o terreno.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Parágrafo único. A averbação não será obstada pela existência de ônus reais que tenham sido
constituídos sobre o imóvel objeto da incorporação para garantia do pagamento do preço de sua
aquisição ou do cumprimento de obrigação de construir o empreendimento.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
Art. 31-C. A Comissão de Representantes e a instituição financiadora da construção poderão
nomear, às suas expensas, pessoa física ou jurídica para fiscalizar e acompanhar o patrimônio de
afetação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 1o A nomeação a que se refere o caput não transfere para o nomeante qualquer responsabilidade
pela qualidade da obra, pelo prazo de entrega do imóvel ou por qualquer outra obrigação
decorrente da responsabilidade do incorporador ou do construtor, seja legal ou a oriunda dos
contratos de alienação das unidades imobiliárias, de construção e de outros contratos
eventualmente vinculados à incorporação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 2o A pessoa que, em decorrência do exercício da fiscalização de que trata o caput deste artigo,
obtiver acesso às informações comerciais, tributárias e de qualquer outra natureza referentes ao
patrimônio afetado responderá pela falta de zelo, dedicação e sigilo destas informações.(Incluído
pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 3o A pessoa nomeada pela instituição financiadora deverá fornecer cópia de seu relatório ou
parecer à Comissão de Representantes, a requerimento desta, não constituindo esse fornecimento
quebra de sigilo de que trata o § 2o deste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Art. 31-D. Incumbe ao incorporador: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - promover todos os atos necessários à boa administração e à preservação do patrimônio de
afetação, inclusive mediante adoção de medidas judiciais; (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - manter apartados os bens e direitos objeto de cada incorporação; (Incluído pela Lei nº 10.931,
de 2004)
III - diligenciar a captação dos recursos necessários à incorporação e aplicá-los na forma prevista
nesta Lei, cuidando de preservar os recursos necessários à conclusão da obra;(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
IV - entregar à Comissão de Representantes, no mínimo a cada três meses, demonstrativo do estado
da obra e de sua correspondência com o prazo pactuado ou com os recursos financeiros que
integrem o patrimônio de afetação recebidos no período, firmados por profissionais habilitados,
ressalvadas eventuais modificações sugeridas pelo incorporador e aprovadas pela Comissão de
Representantes;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
V - manter e movimentar os recursos financeiros do patrimônio de afetação em conta de depósito
aberta especificamente para tal fim;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
VI - entregar à Comissão de Representantes balancetes coincidentes com o trimestre civil, relativos
a cada patrimônio de afetação;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
VII - assegurar à pessoa nomeada nos termos do art. 31-C o livre acesso à obra, bem como aos
livros, contratos, movimentação da conta de depósito exclusiva referida no inciso V deste artigo e
quaisquer outros documentos relativos ao patrimônio de afetação; e (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
VIII - manter escrituração contábil completa, ainda que esteja desobrigado pela legislação tributária.
(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Art. 31-E. O patrimônio de afetação extinguir-se-á pela: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)

I - averbação da construção, registro dos títulos de domínio ou de direito de aquisição em nome dos
respectivos adquirentes e, quando for o caso, extinção das obrigações do incorporador perante a
instituição financiadora do empreendimento;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - revogação em razão de denúncia da incorporação, depois de restituídas aos adquirentes às
quantias por eles pagas (art. 36), ou de outras hipóteses previstas em lei; (Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
III - liquidação deliberada pela assembléia geral nos termos do art. 31-F, § 1o.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
Art. 31-F. Os efeitos da decretação da falência ou da insolvência civil do incorporador não atingem
os patrimônios de afetação constituídos, não integrando a massa concursal o terreno, as acessões e
demais bens, direitos creditórios, obrigações e encargos objeto da incorporação.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 1o Nos sessenta dias que se seguirem à decretação da falência ou da insolvência civil do
incorporador, o condomínio dos adquirentes, por convocação da sua Comissão de Representantes
ou, na sua falta, de um sexto dos titulares de frações ideais, ou, ainda, por determinação do juiz
prolator da decisão, realizará assembléia geral, na qual, por maioria simples, ratificará o mandato da
Comissão de Representantes ou elegerá novos membros, e, em primeira convocação, por dois
terços dos votos dos adquirentes ou, em segunda convocação, pela maioria absoluta desses votos,
instituirá o condomínio da construção, por instrumento público ou particular, e deliberará sobre os
termos da continuação da obra ou da liquidação do patrimônio de afetação (art. 43, inciso III);
havendo financiamento para construção, a convocação poderá ser feita pela instituição
financiadora.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 2o O disposto no § 1o aplica-se também à hipótese de paralisação das obras prevista no art. 43,
inciso VI.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 3o Na hipótese de que tratam os §§ 1o e 2o, a Comissão de Representantes ficará investida de
mandato irrevogável para firmar com os adquirentes das unidades autônomas o contrato definitivo
a que estiverem obrigados o incorporador, o titular do domínio e o titular dos direitos aquisitivos do
imóvel objeto da incorporação em decorrência de contratos preliminares.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 4o O mandato a que se refere o § 3o será válido mesmo depois de concluída a obra.(Incluído pela
Lei nº 10.931, de 2004)
§ 5o O mandato outorgado à Comissão de Representantes confere poderes para transmitir domínio,
direito, posse e ação, manifestar a responsabilidade do alienante pela evicção e imitir os
adquirentes na posse das unidades respectivas.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 6o Os contratos definitivos serão celebrados mesmo com os adquirentes que tenham obrigações a
cumprir perante o incorporador ou a instituição financiadora, desde que comprovadamente
adimplentes, situação em que a outorga do contrato fica condicionada à constituição de garantia
real sobre o imóvel, para assegurar o pagamento do débito remanescente.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 7o Ainda na hipótese dos §§ 1o e 2o, a Comissão de Representantes ficará investida de mandato
irrevogável para, em nome dos adquirentes, e em cumprimento da decisão da assembléia geral que
deliberar pela liquidação do patrimônio de afetação, efetivar a alienação do terreno e das acessões,
transmitindo posse, direito, domínio e ação, manifestar a responsabilidade pela evicção, imitir os
futuros adquirentes na posse do terreno e das acessões. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 8o Na hipótese do § 7o, será firmado o respectivo contrato de venda, promessa de venda ou outra
modalidade de contrato compatível com os direitos objeto da transmissão.(Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
§ 9o A Comissão de Representantes cumprirá o mandato nos termos e nos limites estabelecidos
pela deliberação da assembléia geral e prestará contas aos adquirentes, entregando-lhes o produto
líquido da alienação, no prazo de cinco dias da data em que tiver recebido o preço ou cada parcela
do preço.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 10. Os valores pertencentes aos adquirentes não localizados deverão ser depositados em Juízo
pela Comissão de Representantes.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 11. Caso decidam pela continuação da obra, os adquirentes ficarão automaticamente sub-rogados
nos direitos, nas obrigações e nos encargos relativos à incorporação, inclusive aqueles relativos ao
contrato de financiamento da obra, se houver.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 12. Para os efeitos do § 11 deste artigo, cada adquirente responderá individualmente pelo saldo
porventura existente entre as receitas do empreendimento e o custo da conclusão da incorporação
na proporção dos coeficientes de construção atribuíveis às respectivas unidades, se outro critério de
rateio não for deliberado em assembléia geral por dois terços dos votos dos adquirentes, observado
o seguinte:(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - os saldos dos preços das frações ideais e acessões integrantes da incorporação que não tenham
sido pagos ao incorporador até a data da decretação da falência ou da insolvência civil passarão a
ser pagos à Comissão de Representantes, permanecendo o somatório desses recursos submetido à
afetação, nos termos do art. 31-A, até o limite necessário à conclusão da incorporação;(Incluído pela
Lei nº 10.931, de 2004)
II - para cumprimento do seu encargo de administradora da incorporação, a Comissão de
Representantes fica investida de mandato legal, em caráter irrevogável, para, em nome do
incorporador ou do condomínio de construção, conforme o caso, receber as parcelas do saldo do
preço e dar quitação, bem como promover as medidas extrajudiciais ou judiciais necessárias a esse
recebimento, praticando todos os atos relativos ao leilão de que trata o art. 63 ou os atos relativos à
consolidação da propriedade e ao leilão de que tratam os arts. 26 e 27 da Lei no 9.514, de 20 de
novembro de 1997, devendo realizar a garantia e aplicar na incorporação todo o produto do
recebimento do saldo do preço e do leilão;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
III - consideram-se receitas do empreendimento os valores das parcelas a receber, vincendas e
vencidas e ainda não pagas, de cada adquirente, correspondentes ao preço de aquisição das
respectivas unidades ou do preço de custeio de construção, bem como os recursos disponíveis
afetados; e (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
IV - compreendem-se no custo de conclusão da incorporação todo o custeio da construção do
edifício e a averbação da construção das edificações para efeito de individualização e discriminação
das unidades, nos termos do art. 44.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 13. Havendo saldo positivo entre as receitas da incorporação e o custo da conclusão da
incorporação, o valor correspondente a esse saldo deverá ser entregue à massa falida pela Comissão
de Representantes.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 14. Para assegurar as medidas necessárias ao prosseguimento das obras ou à liquidação do
patrimônio de afetação, a Comissão de Representantes, no prazo de sessenta dias, a contar da data
de realização da assembléia geral de que trata o § 1o, promoverá, em leilão público, com
observância dos critérios estabelecidos pelo art. 63, a venda das frações ideais e respectivas
acessões que, até a data da decretação da falência ou insolvência não tiverem sido alienadas pelo
incorporador.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 15. Na hipótese de que trata o § 14, o arrematante ficará sub-rogado, na proporção atribuível à
fração e acessões adquiridas, nos direitos e nas obrigações relativas ao empreendimento, inclusive
nas obrigações de eventual financiamento, e, em se tratando da hipótese do art. 39 desta Lei, nas
obrigações perante o proprietário do terreno. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 16. Dos documentos para anúncio da venda de que trata o § 14 e, bem assim, o inciso III do art.
43, constarão o valor das acessões não pagas pelo incorporador (art. 35, § 6o) e o preço da fração
ideal do terreno e das acessões (arts. 40 e 41). (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 17. No processo de venda de que trata o § 14, serão asseguradas, sucessivamente, em igualdade
de condições com terceiros: (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, a preferência para aquisição das acessões vinculadas à fração objeto da venda, a ser
exercida nas vinte e quatro horas seguintes à data designada para a venda; e (Incluído pela Lei nº
10.931, de 2004)
II - ao condomínio, caso não exercida a preferência de que trata o inciso I, ou caso não haja
licitantes, a preferência para aquisição da fração ideal e acessões, desde que deliberada em
assembléia geral, pelo voto da maioria simples dos adquirentes presentes, e exercida no prazo de
quarenta e oito horas a contar da data designada para a venda. (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
§ 18. Realizada a venda prevista no § 14, incumbirá à Comissão de Representantes, sucessivamente,
nos cinco dias que se seguirem ao recebimento do preço:(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
I - pagar as obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias, vinculadas ao respectivo
patrimônio de afetação, observada a ordem de preferência prevista na legislação, em especial o
disposto no art. 186 do Código Tributário Nacional;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
II - reembolsar aos adquirentes as quantias que tenham adiantado, com recursos próprios, para
pagamento das obrigações referidas no inciso I;(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
III - reembolsar à instituição financiadora a quantia que esta tiver entregado para a construção,
salvo se outra forma for convencionada entre as partes interessadas; (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
IV - entregar ao condomínio o valor que este tiver desembolsado para construção das acessões de
responsabilidade do incorporador (§ 6o do art. 35 e § 5o do art. 31-A), na proporção do valor obtido
na venda; (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)

V - entregar ao proprietário do terreno, nas hipóteses em que este seja pessoa distinta da pessoa do
incorporador, o valor apurado na venda, em proporção ao valor atribuído à fração ideal; e (Incluído
pela Lei nº 10.931, de 2004)
VI - entregar à massa falida o saldo que porventura remanescer. (Incluído pela Lei nº 10.931, de
2004)
§ 19. O incorporador deve assegurar à pessoa nomeada nos termos do art. 31-C, o acesso a todas as
informações necessárias à verificação do montante das obrigações referidas no § 12, inciso I, do art.
31-F vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação.(Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
§ 20. Ficam excluídas da responsabilidade dos adquirentes as obrigações relativas, de maneira direta
ou indireta, ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro, devidas pela pessoa jurídica
do incorporador, inclusive por equiparação, bem como as obrigações oriundas de outras atividades
do incorporador não relacionadas diretamente com as incorporações objeto de afetação. (Incluído
pela Lei nº 10.931, de 2004)

CAPÍTULO II

Das Obrigações e Direitos do Incorporador


Art. 32. O incorporador somente poderá negociar sobre unidades autônomas após ter arquivado, no
cartório competente de Registro de Imóveis, os seguintes documentos:
a) título de propriedade de terreno, ou de promessa irrevogável e irretratável de compra e venda ou
de cessão de direitos ou de permuta do qual conste cláusula de emissão na posse do imóvel, não
haja estipulações impeditivas de sua alienação em frações ideais e inclua consentimento para
demolição e construção, devidamente registrado;
b) certidões negativas de impostos federais, estaduais e municipais, de protesto de títulos de ações
cíveis e criminais e de ônus reais relativamente ao imóvel, aos alienantes do terreno e ao
incorporador;
c) histórico dos títulos de propriedade do imóvel, abrangendo os últimos 20 anos, acompanhado de
certidão dos respectivos registros;
d) projeto de construção devidamente aprovado pelas autoridades competentes;
e) cálculo das áreas das edificações, discriminando, além da global, a das partes comuns, e
indicando, cada tipo de unidade a respectiva metragem de área construída;
f) certidão negativa de débito para com a Previdência Social, quando o titular de direitos sobre o
terreno for responsável pela arrecadação da respectivas contribuições;
g) memorial descritivo das especificações da obra projetada, segundo modelo a que se refere o
inciso IV, do art. 53, desta Lei;
h) avaliação do custo global da obra, atualizada à data do arquivamento, calculada de acordo com a
norma do inciso III, do art. 53 com base nos custos unitários referidos no art. 54, discriminando-se,
também, o custo de construção de cada unidade, devidamente autenticada pelo profissional
responsável pela obra;
i) discriminação das frações ideais de terreno com as unidades autônomas que a elas
corresponderão;
j) minuta da fatura Convenção de condomínio que regerá a edificação ou o conjunto de edificações;
l) declaração em que se defina a parcela do preço de que trata o inciso II, do art. 39;
m) certidão do instrumento público de mandato, referido no § 1º do artigo 31;
n) declaração expressa em que se fixe, se houver, o prazo de carência (art. 34);
o) atestado de idoneidade financeira, fornecido por estabelecimento de crédito que opere no País
há mais de cinco anos.
p) declaração, acompanhada de plantas elucidativas, sobre o número de veículos que a garagem
comporta e os locais destinados à guarda dos mesmos. (Alínea incluída pela Lei nº 4.864, de
29.11.1965)
§ 1º A documentação referida neste artigo, após o exame do Oficial de Registro de Imóveis, será
arquivada em cartório, fazendo-se o competente registro.
§ 2º Os contratos de compra e venda, promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de
unidades autônomas são irretratáveis e, uma vez registrados, conferem direito real oponível a
terceiros, atribuindo direito à adjudicação compulsória perante o incorporador ou a quem o
suceder, inclusive na hipótese de insolvência posterior ao término da obra. (Alterado pela MEDIDA
PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra))
§ 3º O número do registro referido no § 1º, bem como a indicação do cartório competente,
constará, obrigatoriamente, dos anúncios, impressos, publicações, propostas, contratos, publicações
ou definitivos, referentes à incorporação, salvo dos anúncios “classificados”.
§ 4º O Registro de Imóveis dará certidão ou fornecerá, a quem o solicitar, cópia fotostática,
heliográfica, termofar, microfilmagem ou outra equivalente, dos documentos especificados neste
artigo, ou autenticará cópia apresentada pela parte interessada.
§ 5º A existência de ônus fiscais ou reais, salvo os impeditivos de alienação, não impedem o registro,
que será feito com as devidas ressalvas, mencionando-se, em todos os documentos, extraídos do
registro, a existência e a extensão do ônus.
§ 6º Os Oficiais de Registro de Imóveis terão 15 dias para apresentar, por escrito, todas as exigências
que julgarem necessárias ao arquivamento, e, satisfeitas as referidas exigências, terão o prazo de 15
dias para fornecer certidão, relacionando a documentação apresentada, e devolver, autenticadas, as
segundas vias da mencionada documentação, com exceção dos documentos públicos. Em casos de
divergências, o Oficial levantará a dúvida segundo as normas processuais aplicáveis.
§ 7º Oficial de Registro de Imóveis responde, civil e criminalmente, se efetuar o arquivamento de
documentação contraveniente à lei ou der certidão VETADO ... sem o arquivamento de todos os
documentos exigidos.
§ 8º O Oficial do Registro de Imóveis, que não observar os prazos previstos no § 6º ficará sujeito à
penalidade imposta pela autoridade judiciária competente em montante igual ao dos emolumentos
devidos pelo registro de que trata este artigo, aplicável por quinzena ou fração de quinzena de
superação de cada um daqueles prazos. (parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 9º Oficial do Registro de Imóveis não responde pela exatidão dos documentos que lhe forem
apresentados para arquivamento em obediência ao disposto nas alíneas e, g, h, l, e p deste artigo,
desde que assinados pelo profissional responsável pela obra. (parágrafo incluído pela Lei nº 4.864,
de 29.11.1965)
§ 10 As plantas do projeto aprovado (alínea d deste artigo) poderão ser apresentadas em cópia
autenticada pelo profissional responsável pela obra, acompanhada de cópia da licença de
construção.(parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 11 Até 30 de junho de 1966 se, dentro de 15 (quinze) dias de entrega ao Cartório do Registro de
Imóveis da documentação completa prevista neste artigo, feita por carta enviada pelo Ofício de
Títulos e Documentos, não tiver o Cartório de Imóveis entregue a certidão de arquivamento e
registro, nem formulado, por escrito, as exigências previstas no § 6º, considerar-se-á de pleno
direito completado o registro provisório.(parágrafo incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
§ 12 O registro provisório previsto no parágrafo anterior autoriza o incorporador a negociar as
unidades da incorporação, indicando na sua publicação o número do Registro de Títulos e
Documentos referentes à remessa dos documentos ao Cartório de Imóveis, sem prejuízo, todavia,
da sua responsabilidade perante o adquirente da unidade e da obrigação de satisfazer as exigências
posteriormente formuladas pelo Cartório, bem como, de completar o registro definitivo. (parágrafo
incluído pela Lei nº 4.864, de 29.11.1965)
Art. 33. O registro da incorporação será válido pelo prazo de 120 dias, findo o qual, se ela ainda não
houver concretizado, o incorporador só poderá negociar unidades depois de atualizar a
documentação a que se refere o artigo anterior, revalidando o registro por igual prazo. (Vide Lei
4.864/65 que eleva para 180 (cento e oitenta) dias o prazo de validade de registro da incorporação)
Art. 34. O incorporador poderá fixar, para efetivação da incorporação, prazo de carência, dentro do
qual lhe é lícito desistir do empreendimento.
§ 1º A fixação do prazo de carência será feita pela declaração a que se refere à alínea “n”, do art. 32
onde se fixem às condições que autorizarão o incorporador a desistir do empreendimento.
§ 2º Em caso algum poderá o prazo de carência ultrapassar o termo final do prazo de validade do
registro ou, se for o caso, de sua revalidação.
§ 3º Os documentos preliminares de ajuste, se houver, mencionarão, obrigatoriamente, o prazo de
carência, inclusive, para efeitos do art. 45.
§ 4º A desistência da incorporação será denunciada, por escrito, ao Registro de Imóveis ...
VETADO ... e comunicada, por escrito, a cada um dos adquirentes ou candidatos à aquisição, sob
pena de responsabilidade civil e criminal do incorporador.
§ 5º Será averbada no registro da incorporação a desistência de que trata o parágrafo anterior
arquivando-se em cartório o respectivo documento.
§ 6º O prazo de carência é improrrogável.
Art. 35. O incorporador terá o prazo máximo de 45 anos, a contar do termo final do prazo de
carência, se houver, para promover a celebração do competente contrato relativo à fração ideal de
terreno, e, bem assim, do contrato de construção e da Convenção do condomínio, de acordo com
discriminação constante da alínea “i”, do art. 32. (Vide Lei nº 4.864/65 que altera o prazo máximo
concedido ao incorporador para 60 (sessenta) dias)
§ 1º No caso de não haver prazo de carência, o prazo acima se contará de carência, o prazo acima se
contará da data de qualquer documento de ajuste preliminar.
§ 2º Quando houver prazo de carência, a obrigação somente deixará de existir se o incorporador
tiver denunciado, dentro do mesmo prazo nas condições previamente estabelecidas, por escrito, ao
Registro de Imóveis, a não-concretização do empreendimento.
§ 3º Se, dentro do prazo de carência, o incorporador não denunciar a incorporação, embora não se
tenham reunido as condições a que se refere o § 1º o outorgante do mandato de que trata o § 1º,
do art. 31, poderá fazê-lo nos cinco dias subseqüentes ao prazo de carência, e nesse caso ficará
solidariamente responsável com o incorporador pela devolução das quantias que os adquirentes ou
candidatos à aquisição houverem entregado ao incorporador, resguardado o direito de regresso
sobre eles, dispensando-se, então, do cumprimento da obrigação fixada no caput deste artigo.
§ 4º Descumpridas pelo incorporador e pelo mandante de que trata o § 1º do art. 31 a obrigação da
outorga dos contratos referidos no caput deste artigo, nos prazos ora fixados, a carta-proposta ou o
documento de ajuste preliminar poderão ser averbados no Registro de Imóveis, averbação que
conferirá direito real oponível a terceiros, com o conseqüente direito à obtenção compulsória do
contrato correspondente.
§ 5º Na hipótese do parágrafo anterior, o incorporador incorrerá também na multa de 50% sobre a
quantia que efetivamente tiver recebido, cobrável por via executiva, em favor do adquirente ou
candidato à aquisição.
§ 6º Ressalvado o disposto no artigo 43, do contrato de construção deverá constar expressamente à
menção dos responsáveis pelo pagamento da construção de cada uma das unidades. O
incorporador responde em igualdade de condições com os demais contratantes, pelo pagamento da
construção das unidades que não tenham tido a responsabilidade pela sua construção assumida por
terceiros e até que o tenham.
Art. 36. No caso de denúncia de incorporação, nos termos do art. 34 se o incorporador, até 30 dias a
contar da denúncia, não restituir aos adquirentes as importâncias pagas, estes poderão cobrá-la por
via executiva, reajustado o seu valor a contar da data do recebimento, em função do índice geral de
preços mensalmente publicado pelo Conselho Nacional de Economia, que reflita as variações no
poder aquisitivo da moeda nacional, e acrescido de juros de 6% ao ano, sobre o total corrigido.
Art. 37. Se o imóvel estiver gravado de ônus real ou fiscal ou se contra os alienantes houver
qualquer ação que possa comprometê-lo, o fato será obrigatoriamente mencionado em todos os
documentos de ajuste, com a indicação de sua natureza e das condições de liberação.
Art. 38. Também constará, obrigatoriamente, dos documentos de ajuste, se for o caso, o fato de
encontrar-se ocupado o imóvel esclarecendo-se a que título se deve esta ocupação e quais as
condições de desocupação.
Art. 39. Nas incorporações em que a aquisição do terreno se der com pagamento total ou parcial em
unidades a serem construídas, deverão ser discriminadas em todos os documentos de ajuste:
I – a parcela que, se houver, será paga em dinheiro;
II – a quota-parte da área das unidades a serem entregues em pagamento do terreno que
corresponderá a cada uma das unidades, a qual deverá ser expressa em metros quadrados.
Parágrafo único. Deverá constar, também, de todos os documentos de ajuste, se alienante do
terreno ficou ou não sujeito a qualquer prestação ou encargo.
Art. 40. No caso de rescisão de contrato de alienação do terreno ou de fração ideal, ficarão
rescindidas as cessões ou promessas de cessão de direito correspondente à aquisição do terreno.
§ 1º Nesta hipótese, consolidar-se-á, no alienante em cujo favor se opera a resolução, o direito
sobre a construção porventura existente.
§ 2º No caso do parágrafo anterior, cada um dos ex-titulares de direito à aquisição de unidades
autônomas haverá do mencionado alienante o valor da parcela de construção que haja adicionado à
unidade, salvo se a rescisão houver sido causada pelo ex-titular.
§ 3º Na hipótese dos parágrafos anteriores, sob pena de nulidade, não poderá o alienante em cujo
favor se operou a resolução voltar a negociar seus direitos sobre a unidade autônoma, sem a prévia
indenização aos titulares, de que trata o § 2º.
§ 4º No caso do parágrafo anterior, se os ex-titulares tiverem de recorrer à cobrança judicial do que
lhes for devido, somente poderão garantir o seu pagamento a unidade e respectiva fração de
terreno objeto do presente artigo.
Art. 41. Quando as unidades imobiliárias forme contratadas pelo incorporador por preço global
compreendendo quotas de terreno e construção, inclusive com parte do pagamento após a entrega
da unidade, discriminar-se-ão, no contrato, o preço da quota de terreno e o da construção.

§ 1º Poder-se-á estipular que, na hipótese de o adquirente atrasar o pagamento de parcela relativa


à construção, os efeitos da mora recairão não apenas sobre a aquisição da parte construída, mas,
também, sobre a fração ideal de terreno, ainda que esta tenha sido totalmente paga.
§ 2º Poder-se-á também estipular que, na hipótese de o adquirente atrasar o pagamento da parcela
relativa à fração ideal do terreno, os efeitos da mora recairão não apenas sobre a aquisição da
fração ideal, mas, também, sobre a parte construída, ainda que totalmente paga.
Art. 42. No caso de rescisão do contrato relativo à fração ideal de terreno e parte comuns, a pessoa
em cujo favor se tenha operado a resolução sub-rogar-se-á nos direitos e obrigações
contratualmente atribuídos ao inadimplente, com relação à construção.
Art. 43. Quando o incorporador contratar a entrega da unidade a prazo e preços certos,
determinados ou determináveis, mesmo quando pessoa física, ser-lhe-ão impostas as seguintes
normas:
I – informar obrigatoriamente aos adquirentes, por escrito, no mínimo de seis em seis meses, o
estado da obra;
II – responder civilmente pela execução da incorporação devendo indenizar os adquirentes ou
compromissários, dos prejuízos que a estes advierem do fato de não se concluir a edificação ou de
se retardar injustificadamente a conclusão das obras, cabendo-lhe ação regressiva contra o
construtor, se for o caso e se a este couber a culpa;
III – em caso de falência do incorporador, pessoa física ou jurídica, e não ser possível à maioria
prosseguir na construção das edificações, os subscritores ou candidatos à aquisição de unidades
serão credores privilegiados pelas quantias que houverem pagado ao incorporador, respondendo
subsidiariamente os bens pessoais deste;
IV – é vedado ao incorporador alterar o projeto, especialmente no que se refere à unidade do
adquirente e às partes comuns, modificar as especificações, ou desviar-se do plano da construção,
salvo autorização unânime dos interessados ou exigência legal;
V – não poderá modificar as condições de pagamento nem reajustar o preço das unidades, ainda no
caso de elevação dos preços dos materiais e de mão-de-obra, salvo se tiver sido expressamente
ajustada à faculdade de reajustamento, procedendo-se, então, nas condições estipuladas.
VI – se o incorporador, sem justa causa devidamente comprovada, paralisar as obras por mais de 30
dias, ou retardar-lhes excessivamente o andamento poderá o Juiz notificá-lo para que no prazo
mínimo de 30 dias as reinicie ou torne a dar-lhes o andamento normal. Desatendida a notificação,
poderá o incorporador ser destituído pela maioria absoluta dos votos dos adquirentes, sem prejuízo
da responsabilidade civil ou penal que couber, sujeito à cobrança executiva das importância
comprovadamente devidas, facultando-se aos interessados prosseguir na obra (vetado).
VII - em caso de insolvência do incorporador que tiver optado pelo regime da afetação e não sendo
possível à maioria prosseguir na construção, a assembléia geral poderá, pelo voto de dois terços dos
adquirentes, deliberar pela venda do terreno, das acessões e demais bens e direitos integrantes do
patrimônio de afetação, mediante leilão ou outra forma que estabelecer, distribuindo entre si, na
proporção dos recursos que comprovadamente tiverem aportado, o resultado líquido da venda,
depois de pagas as dívidas do patrimônio de afetação e deduzido e entregue ao proprietário do
terreno a quantia que lhe couber, nos termos do art. 40; não se obtendo, na venda, a reposição dos
aportes efetivados pelos adquirentes, reajustada na forma da lei e de acordo com os critérios do
contrato celebrado com o incorporador, os adquirentes serão credores privilegiados pelos valores da
diferença não-reembolsada, respondendo subsidiariamente os bens pessoais do incorporador.
(Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001
(Edição Extra)) (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Art. 44. Após a concessão do “habite-se” pela autoridade administrativa, o incorporador deverá
requerer, (VETADO) a averbação da construção das edificações, para efeito de individualização e
discriminação das unidades, respondendo perante os adquirentes pelas perdas e danos que
resultem da demora no cumprimento dessa obrigação.
§ 1º Se o incorporador não requerer a averbação (VETADO) o construtor requerê-la-á (VETADO) sob
pena de ficar solidariamente responsável com o incorporador perante os adquirentes.
§ 2º Na omissão do incorporador e do construtor, a averbação poderá ser requerida por qualquer
dos adquirentes de unidade.
Art. 45. É lícito ao incorporador recolher o imposto do selo devido, mediante apresentação dos
contrato preliminares, até 10 dias a contar do vencimento do prazo de carência a que se refere o
art. 34, extinta a obrigação se dentro deste prazo, for denunciada a incorporação.
Art. 46. Quando o pagamento do imposto sobre o lucro imobiliário e respectivos acréscimos e
adicionais for de responsabilidade do vendedor do terreno, será lícito ao adquirente reter o
pagamento das últimas prestações anteriores à data-limite em que é lícito pagar, sem reajuste, o
referido imposto e os adicionais, caso o vendedor não apresente a quitação até 14 dias antes do
vencimento das prestações cujo pagamento torne inferior ao débito fiscal à parte do preço a ser
ainda paga até a referida data-limite.
Parágrafo único. No caso de retenção pelo adquirente, esse ficará responsável para todos os efeitos
perante o Fisco, pelo recolhimento do tributo, adicionais e acréscimos, inclusive pelos
reajustamentos que vier a sofrer o débito fiscal, (VETADO).
Art. 47. Quando se fixar no contrato que a obrigação do pagamento do imposto sobre lucro
imobiliário acréscimo e adicionais devidos, pelo alienante e transferida ao adquirente, dever-se-á
explicitar o montante que tal obrigação atingiria se sua satisfação se desse na data da escritura.
§ 1º Neste caso, o adquirente será tido, para todos os efeitos, como responsável perante o Fisco.
§ 2º Havendo parcela restituível, a restituição será feita ao adquirente e, se for o caso, em nome
deste serão emitidas as obrigações do Tesouro Nacional a que se refere o art. 4º da Lei nº 4.357, de
16/07/64.
§ 3º Para efeitos fiscais, não importará em aumento do preço de aquisição a circunstância de
obrigar-se o adquirente ao pagamento do imposto sobre o lucro mobiliário, seus acréscimos e
adicionais.
CAPÍTULO III

DA CONSTRUÇÃO DE EDIFICAÇÃO EM CONDOMÍNIO

SEÇÃO I - DA CONSTRUÇÃO EM GERAL


Art. 48. A construção de imóveis, objeto de incorporação nos moldes previstos nesta Lei poderá ser
contratada sob o regime da empreitada ou de administração conforme adiante definidos e poderá
estar incluída no contrato com o incorporador (VETADO), ou ser contratada diretamente entre os
adquirentes e o construtor.
§ 2º O projeto e o memorial descritivo das edificações farão parte integrante e complementar do
contrato.
§ 2º Do contrato deverá constar o prazo da entrega às obras e as condições e formas de sua
eventual prorrogação.
Art. 49. Os contratantes da construção, inclusive no caso do art. 43, para tratar de seus interesses,
com relação a ela, poderão reunir-se em assembléia, cujas deliberações, desde que aprovadas por
maioria simples dos votos presentes, serão válidas e obrigatórias para todos eles salvo no que afetar
ao direito de propriedade previsto na legislação.
§ 1º As assembléias serão convocadas, pelo menos, por 1/3 (um terço) dos votos dos contratantes
pelo incorporador ou pelo construtor, com menção expressa do assunto a tratar, sendo admitido
comparecimento de procurador bastante.
§ 2º A convocação da assembléia instalar-se-á, no mínimo, com metade dos contratantes, em
primeira convocação, e com qualquer número em segunda, sendo, porém, obrigatória à presença,
em qualquer caso do incorporador ou do construtor, quando convocados, e pelo menos, com
metade dos contratantes que a tenham convocado, se for o caso.
§ 4º Na assembléia, os votos dos contratantes serão proporcionais às respectivas frações ideais de
terreno.
Art. 50. Será designada no contrato de construção ou eleita em assembléia geral uma Comissão de
Representantes composta de três membros, pelo menos, escolhidos entre os adquirentes, para
representá-los perante o construtor ou, no caso do art. 43, ao incorporador, em tudo o que
interessar ao bom andamento da incorporação, e, em especial, perante terceiros, para praticar os
atos resultantes da aplicação dos arts. 30-A, 30-B, 30-C, e 30-D (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA
Nº 2.221, DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra)) (Redação dada pela Lei
10.931, de 2004)
§ 1º Uma vez eleita a Comissão, cuja constituição se comprovará com a ata da assembléia,
devidamente inscrita no Registro de Títulos e Documentos, esta ficará de pleno direito investida dos
poderes necessários para exercer todas as atribuições e praticar todos os atos que esta Lei e o
contrato de construção lhe deferirem, sem necessidade de instrumento especial outorgado pelos
contratantes ou se for caso, pelos que se sub-rogarem nos direitos e obrigações destes.
§ 2º A assembléia geral poderá, pela maioria absoluta dos votos dos adquirentes, alterar a
composição da Comissão de Representantes e revogar qualquer de suas decisões, ressalvados os
direitos de terceiros quanto aos efeitos já produzidos (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.221,
DE 4 DE SETEMBRO DE 2001 - DOU DE 050/9/2001 (Edição Extra)) Redação dada pela Lei 10.931, de
2004)
§ 3º Respeitados os limites constantes desta Lei, o contrato poderá discriminar as atribuições da
Comissão e deverá dispor sobre os mandatos de seus membros, sua destituição e a forma de
preenchimento das vagas eventuais, sendo lícita à estipulação de que o mandado conferido a
qualquer membro no caso de sub-rogação de seu contrato a terceiros, se tenha por transferido, de
pleno direito, ao sub-rogado, salvo este não o aceitar.
§ 4º Nas incorporações em que o número de contratantes de unidades for igual ou inferior a 3 a
totalidade deles exercerá, em conjunto as atribuições que esta Lei confere a Comissão, aplicando-se
no que couber o disposto nos parágrafos anteriores.
Art. 51. Nos contratos de construção, seja qual for seu regime deverá constar expressamente a
quem caberão as despesas com ligações de serviços públicos, devidas ao Poder Público, bem como
as despesas indispensáveis à instalação, funcionamento e regulamentação do condomínio.
Parágrafo único. Quando o serviço público for explorado mediante concessão, os contratos de
construção deverão também especificar a quem caberão as despesas com as ligações que
incumbam às concessionárias no caso de não estarem elas obrigadas a fazê-la ou, em o estando, se
a isto se recusarem ou alegarem impossibilidade.
Art. 52. Cada contratante da construção só será emitido na posse de sua unidade se estiver em dia
com as obrigações assumidas, inclusive as relativas à construção exercendo o construtor e o
condomínio até então, o direito de retenção sobre a respectiva unidade; no caso do art. 43 este
direito será exercido pelo incorporador.
Art. 53. O Poder Executivo, através do Banco Nacional da Habitação, promoverá a celebração de
contratos com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (A.B.N.T.), no sentido de que esta, tendo
em vista o disposto na Lei nº 4.150, de novembro de 1962, prepare, no prazo máximo de 120 dias,
normas que estabeleçam, para cada tipo de prédio que padronizar:
I – critérios e normas para execução de orçamentos de custo de construção, para uso dos sindicatos,
na forma do art. 54;
II – critérios e normas para execução de orçamentos de custo de construção, para fins de disposto
no artigo 59;
III – critérios e norma para a avaliação de custo global de obra, para fins da alínea h, do art. 32;
IV – modelo de memorial descritivo dos acabamentos de edificação, para fins do disposto no art. 32.
V – critério para entrosamento entre o cronograma das obras e o pagamento das prestações, que
poderá ser introduzido nos contratos de incorporação, inclusive para o efeito de aplicação do
disposto no § 2º do art. 48. A construção de imóveis, objeto de incorporação nos moldes previstos
nesta Lei poderá ser contratada sob o regime de empreitada ou de administração conforme adiante
definidos e poderá estar incluída no contrato com o incorporador (VETADO), ou ser contratada
diretamente entre os adquirentes e o construtor.
§ 1º O número de tipos padronizados deverá ser reduzido e na fixação se atenderá
primordialmente:
a) o número de pavimentos e a existência de especiais (subsolo, pilotis, etc);
b) o padrão da construção (baixo, normal, alto), tendo em conta as condições de acabamento, a
qualidade dos materiais empregados, os equipamentos, o número de elevadores e as inovações de
conforto;
c) as áreas de construção.
§ 2º Para custear o serviço a ser feito pela A.B.N.T., definido neste artigo, fica autorizado o Poder
Executivo a abrir um crédito especial no valor Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), em
favor do Banco Nacional de Habitação, vinculado a este fim, podendo o Banco adiantar a
importância à A.B.N.T., se necessário.
§ 3º No contrato a ser celebrado com a A.B.N.T., estipular-se-á a atualização periódica das normas
previstas neste artigo, mediante remuneração razoável.
Art. 54. Os sindicatos estaduais da indústria da construção civil ficam obrigados a divulgar
mensalmente, até o dia 5 de cada mês, os custos unitários de construção a serem adotados nas
respectivas regiões jurisdicionais, calculados com observância dos critérios e normas a que se refere
o inciso I, do artigo anterior.
§ 1º O sindicato estadual que deixar de cumprir a obrigação prevista neste artigo deixará de receber
dos cofres públicos, enquanto perdurar a omissão qualquer subvenção ou auxílio que pleiteie ou a
que tenha direito.
§ 2º Na ocorrência de omissão de sindicato estadual, o construtor usará os índices fixados por outro
sindicato estadual, em cuja região os custos de construção mais lhe pareçam aproximados dos da
sua.
§ 3º Os orçamento ou estimativas baseados nos custos unitários a que se refere este artigo só
poderão ser considerados atualizados, em certo mês, para os efeitos desta Lei, se baseados em
custos unitários relativos ao próprio mês ou a um dos dois meses anteriores.

SEÇÃO II

DA CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA


Art. 55. Nas incorporações em que a construção seja feita pela regime de empreitada, esta poderá
ser a preço fixo, ou a preço reajustável por índices previamente determinados.
§ 1º Na empreitada a preço fixo o preço da construção será irreajustável, independentemente das
variações que sofrer o custo efetivo das obras e quaisquer que sejam suas causas.
§ 2º Na empreitada a preço reajustável, o preço fixado no contrato será reajustado na forma e nas
épocas nele expressamente previstas, em função da variação dos índices adotados, também
previstos obrigatoriamente no contrato.
§ 3º Nos contratos de construção por empreitada, a Comissão de Representantes fiscalizará o
andamento da obra e a obediência ao Projeto e às especificações exercendo as demais obrigações
referentes à sua função representativa dos contratantes e fiscalizadora da construção.
§ 4º Nos contratos de construção fixados sob regime de empreitada, reajustável, a Comissão de
Representantes fiscalizará, também, o cálculo do reajustamento.
§ 5º No contrato deverá ser mencionado o montante do orçamento atualizado da obra, calculado de
acordo com as normas do inciso III, do art. 53, com base nos custos unitários referidos no art. 54,
quando o preço estipulado for inferior ao mesmo.
§ 6º Na forma de expressa referência, os contratos de empreitada entendem-se como sendo a preço
fixo.
Art. 56. Em toda a publicidade ou propaganda escrita, destinada a promover a venda de
incorporação com construção pelo regime de empreitada reajustável, em que conste preço serão
discriminados, explicitamente o preço da fração ideal do terreno e o preço da construção, com
indicação expressa da reajustabilidade.
§ 1º As mesmas indicações deverão constar em todos os papéis utilizados para a realização da
incorporação, tais como cartas, propostas, escrituras, contratos e documentos semelhantes.
§ 2º Esta exigência será dispensada nos anúncios “classificados” dos jornais.
Art. 57. Ao construtor que contratar, por empreitada a preço fixo, uma obra de incorporação,
aplicar-se-á, no que couber, o disposto nos itens II, II, IV, (VETADO) e VI, do art. 43.

SEÇÃO III

DA CONSTRUÇÃO POR ADMINISTRAÇÃO


Art. 58. Nas incorporações em que a construção for contratada pelo regime de administração,
também chamado “a preço de custo”, será de responsabilidade dos proprietários ou adquirentes o
pagamento do custo integral de obra, observadas as seguintes disposições:
I – todas as faturas, duplicatas, recibos e quaisquer documentos referentes às transações ou
aquisições para construção, serão emitidos em nome do condomínio dos contratantes da
construção;
II – todas as contribuições dos condomínios para qualquer fim relacionados com a construção serão
depositadas em conta abertas em nome do condomínio dos contratantes em estabelecimento
bancários, as quais, serão movimentadas pela forma que for fixada no contrato.
Art. 59. No regime de construção por administração, será obrigatório constar do respectivo contrato
o montante do orçamento do custo da obra, elaborado com estrita observância dos critérios e
normas referidos no inciso II, do art. 53 e a data em que se iniciará efetivamente a obra.
§ 1º Nos contratos lavrados até o término das fundações, este montante não poderá ser inferior ao
da estimativa, a que se refere o § 3º, do art. 54.
§ 2º Nos contratos celebrados após o término das fundações, este montante não poderá ser inferior
à última revisão efetivada na forma do artigo seguinte.
§ 3º As transferências e sub-rogações do contrato, em qualquer fase da obra, aplicar-se-á o disposto
neste artigo.
Art. 60. As revisões da estimativa de custo da obra serão efetuadas, pelo menos semestralmente,
em comum entre a Comissão de Representantes e o construtor. O contrato poderá estipular que,
em função das necessidades da obra sejam alteráveis os esquemas de contribuições quanto ao
total, ao número, ao valor e à distribuição no tempo das prestações.
Parágrafo único. Em caso de majoração de prestações, o novo esquema deverá ser comunicado aos
contratantes, com antecedência mínima de 45 dias da data em que deverão ser efetuados os
depósitos das primeiras prestações alteradas.
Art. 61. A Comissão de Representantes terá poderes para, em nome de todos os contratantes e na
forma prevista no contrato:
a) examinar os balancetes organizados pelos construtores, dos recebimentos e despesas do
condomínio dos contratantes, aprová-los ou impugná-los, examinando a documentação respectiva;
b) fiscalizar concorrências relativas às compras dos materiais necessários à obra ou aos serviços a
ela pertinentes;
c) contratar, em nome do condomínio, com qualquer condômino, modificações por ele solicitadas
em sua respectiva unidade, a serem administrados pelo construtor, desde que não prejudiquem
unidade de outro condômino e não estejam em desacordo com o parecer técnico do construtor;
d) fiscalizar a arrecadação das contribuições destinadas à construção;
e) exercer as demais obrigações inerentes a sua função representativa dos contratantes e
fiscalizadora da construção e praticar todos os atos necessários ao funcionamento regular do
condomínio.
Art. 62. Em toda publicidade ou propaganda escrita destinada a promover a venda de incorporação
com construção pelo regime de administração em que conste preço, serão discriminados
explicitamente o preço da fração ideal de terreno e o montante do orçamento atualizado do custo
da construção, na forma dos artigos 59 e 60, com a indicação do mês a que se refere o dito
orçamento e do tipo padronizado a que se vincule o mesmo.
§ 1º As mesmas indicações deverão constar em todos os papéis utilizados para a realização da
incorporação, tais como cartas, propostas, escrituras, contratos e documentos semelhantes.
§ 2º Esta exigência será dispensada nos anúncios “classificados” dos jornais.

CAPÍTULO IV

DAS INFRAÇÕES
Art. 63. É lícito estipular no contrato, sem prejuízo de outras sanções, que a falta de pagamento, por
parte do adquirente ou contratante, de 3 prestações do preço da construção, quer estabelecidas
inicialmente, quer alteradas ou criadas posteriormente, quando for o caso, depois de prévia
notificação com o prazo de 10 dias para purgação da mora, implique na rescisão do contrato,
conforme nele se fixar, ou que, na falta de pagamento, pelo débito respondem os direito à
respectiva fração ideal de terreno e à parte construída adicionada, na forma abaixo estabelecida, se
outra forma não fixar o contrato.
§ 1º Se o débito não for liquidado no prazo de 10 dias, após solicitação da Comissão de
Representantes, esta ficará, desde logo, de pleno direito, autorizada a efetuar, no prazo que fixar,
em público leilão anunciado pela forma que o contrato previr, a venda, promessa de venda ou de
cessão, ou acessão da quota de terreno e correspondente parte construída e direitos, bem como a
sub-rogação do contrato de construção.
§ 2º Se o maior lanço obtido for inferior ao desembolso efetuado pelo inadimplente, para a quota
do terreno e a construção, despesas acarretadas e as percentagens expressas no parágrafo seguinte
será realizada nova praça no prazo estipulado no contrato. Nesta segunda praça, será aceito o maior
lanço apurado, ainda que inferior aquele total, VETADO.
§ 3º No prazo de 24 horas após a realização do leilão final, o condomínio, por decisão unânime de
Assembléia-Geral em condições de igualdade com terceiros, terá preferência na aquisição dos bens,
caso em que serão adjudicados ao condomínio.
§ 4º Do preço que for apurado no leilão, serão deduzidas as quantias em débito, todas as despesas
ocorridas, inclusive honorário de advogado e anúncios, e mais 5% a título de comissão e 10% de
multa compensatória, que reverterão em benefício do condomínio de todos os contratantes, com
exceção do faltoso, ao qual será entregue o saldo, se houver.
§ 5º Para os fins das medidas estipuladas neste artigo, a Comissão de Representantes ficará
investida de mandato, irrevogável, isento do imposto de selo, na vigência do contrato geral de
construção da obra com poderes necessários para, em nome do condomínio inadimplente, efetuar
as citadas transações, podendo para este fim fixar preços, ajustar condições, sub-rogar o
arrematante nos direitos e obrigações decorrentes do contrato de construção e da quota de terreno
e construção; outorgar as competentes escrituras e contratos, receber preços, dar quitações; imitir
o arrematante na pose do imóvel; transmitir domínio, direito e ação; responder pela evicção;
receber citação, propor e variar de ações; e também dos poderes ad juditia, a serem
substabelecidos a advogado legalmente habilitado.
§ 6º A morte, falência ou concordata do condomínio ou sua dissolução, se tratar de sociedade, não
revogará o mandato de que trata o parágrafo anterior, o qual poderá ser exercido pela Comissão de
Representantes até a conclusão dos pagamentos devidos, ainda que a unidade pertença a menor de
idade.
§ 7º Os eventuais débitos, fiscais ou para a Previdência Social, não impedirão a alienação por leilão
público. Neste caso, ao condômino somente será entregue o saldo, se houver, desde que prove
estar quite com o Fisco e a Previdência Social, devendo a Comissão de Representantes, em caso
contrário, consignar judicialmente a importância equivalente aos débitos existentes dando ciência
ao fato à entidade credora.
§ 8º Independentemente das disposições deste artigo e seus parágrafos, e como penalidades
preliminares, poderá o contrato de construção estabelecer a incidência de multas e juros de mora
em caso de atraso no depósito de contribuição sem prejuízo do disposto no parágrafo seguinte.
§ 9º O contrato poderá dispor que o valor das prestações pagas com atraso, seja corrigível em
função da variação do índice geral de preços mensalmente publicado pelo Conselho Nacional de
Economia, que reflita as oscilações do poder aquisitivo da moeda nacional.
§ 10. O membro da Comissão de Representantes que incorrer na falta prevista neste artigo, estará
sujeito à perda automática do mandato e deverá ser substituído segundo dispuser o contrato.
Art. 64. Os órgãos de informação e publicidade que divulgarem publicidade sem os requisitos
exigidos pelo § 3º do artigo 32 e pelos artigos 56 e 62, desta Lei, sujeitar-se-ão à multa em
importância correspondente ao dobro do preço pago pelo anunciante, a qual reverterá em favor da
respectiva Municipalidade.
Art. 65. É crime contra a economia popular promover incorporação, fazendo, em proposta,
contratos, prospectos ou comunicação ao público ou aos interessados, afirmação falsa sobre a
constituição do condomínio, alienação da frações ideais do terreno ou sobre a construção das
edificações.
PENA – reclusão de um a quatro anos e multa de cinco a cinqüenta vezes o maior salário-mínimo
legal vigente no país.
§ 1º Incorrem na mesma pena:
I – o incorporador, o correto e o construtor, individuais, bem como os diretores ou gerentes de
empresa coletiva incorporadora, corretora ou construtora que, em proposta, contrato, publicidade,
prospecto, relatório parecer, balanço ou comunicação ao público ou aos condôminos, candidatos ou
subscritores de unidades, fizerem afirmação falsa sobre a constituição do condomínio, alienação das
frações ideais ou sobre a construção das edificações;
II – o incorporador, o corretor e o construtor individuais, bem como os diretores ou gerentes de
empresa coletiva, incorporadora, corretora ou construtora que usar, ainda que a título de
empréstimo, em proveito próprio ou de terceiros, bens ou haveres destinados à incorporação
contratada por administração, sem prévia autorização dos interessados.
§ 2º O julgamento destes crimes será de competência de Juízo singular, aplicando-se os artigos 5º,
6º e 7º da Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951.
Art. 66. São contravenções relativas à economia popular, puníveis na forma do artigo 10 da Lei nº
1.521, de 26 d dezembro de 1951:
I – negociar o incorporador frações ideais de terreno, sem previamente satisfazer ás exigências
constantes desta Lei;
II – omitir o incorporador, em qualquer documento de ajuste, as indicações a que se referem os
artigos 37 e 38, desta Lei;
III – deixar o incorporador, sem justa causa, no prazo do artigo 35 e ressalvada a hipótese de seus §§
2º e
3º, de promover a celebração do contrato relativo à fração ideal de terreno, do contrato de
construção ou da Convenção do condomínio;
IV – VETADO.
V – omitir o incorporador, no contrato, a indicação a que se refere o § 5º do artigo 55, desta Lei;
VI – paralisar o incorporador a obra, por mais de 30 dias, ou retarda-lhe excessivamente o
andamento sem justa causa
PENA – Multa de 5 a 20 vezes o maior salário-mínimo legal vigente do País.
Parágrafo único. No caso de contratos relativos a incorporações, de que não participe o
incorporador, responderão solidariamente pelas faltas capituladas neste artigo o construtor, o
corretor, o proprietário ou titular de direitos aquisitivos do terreno, desde que figurem no contrato,
com direito regressivo sobre o incorporador, se as faltas cometidas lhe forem imputáveis.

CAPÍTULO V

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS


Art. 67. Os contratos poderão consignar exclusivamente as cláusulas, termo ou condições variáveis
ou específicas.
§ 1º As cláusulas comuns a todos os adquirentes não precisarão figurar expressamente nos
respectivos contratos.
§ 2º Os contratos no entanto, consignarão obrigatoriamente que as partes contratantes, adotem e
se comprometam a cumprir as clausulas, termos e condições contratuais a que se refere o parágrafo
anterior, sempre transcritas, verbo ad verbum no respectivo cartório ou ofício, mencionando,
inclusive, o número do livro e das folhas do competente registro.
§ 3º Aos adquirentes, ao receberem os respectivos instrumentos, será obrigatoriamente entregue
cópia impressa ou mimeografada, autenticada do contrato-padrão, contendo as cláusulas, termos e
condições referidas no § 1º deste artigo.
§ 4º Os cartórios de Registro de Imóveis para os devidos efeitos, receberão dos incorporadores,
autenticamente, o instrumento a que se refere o parágrafo anterior.
Art. 68. Os proprietários ou titulares de direitos aquisitivos sobre as terras rurais ou os terrenos
onde pretendam construir ou mandar construir habitações isoladas para aliená-las antes de
concluídas, mediante pagamento do preço a prazo, deverão, previamente, satisfazer às exigências
constantes no art. 32, ficando sujeitos ao regime instituído nesta Lei para os incorporadores, no que
lhes for aplicável.
Art. 69. O Poder Executivo baixará, no prazo de 90 dias, regulamento sobre o registro no Registro de
Imóveis VETADO.
Art. 70. A presente lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogados o Decreto nº 5.481, de
25 de junho de 1928 e quaisquer disposições em contrário.
Brasília, 16 de dezembro de 1964; 143º da Independência e 76º da República.
H. Castello Branco
Milton Soares Campos

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