Você está na página 1de 36

O ano 2008 foi um tempo decisivo para o sector florestal em Portugal.

Depois da aprovação da
Estratégia Nacional para as Florestas importava implementar todo um conjunto de reformas,
inovações legislativas e de reorganizações estruturais. Foi esse o trabalho desenvolvido pelo
Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas, em especial pela Secretaria de
Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas.
Mas o muito que se concretizou não seria possível sem o forte sentido de serviço público de todos
os colaboradores da nova Autoridade Florestal Nacional.
Para além das áreas de intervenção que este curto, mas significativo, documento comporta,
devemos dar relevância a momentos importantes que assinalaram a presença da administração
florestal.
Importa destacar o Dia Mundial da Floresta onde foi possível assumir uma outra relação com a
comunidade e a Semana Europeia da Floresta que nos permitiu, a todos, um conhecimento mais
profundo dos anseios e dos desafios de todos os agentes da fileira.
Interessa ainda destacar o lançamento do Prémio Nacional “Moreira da Silva” que, para além de
homenagear uma grande figura da silvicultura portuguesa, tem como objectivo destacar os
melhores trabalhos de final de curso de licenciados em Engenharia Florestal.
As dificuldades foram muitas. Mas 2008 foi um tempo em que a floresta se afirmou como espaço
de futuro.
A
AUTORIDADE FLORESTAL NACIONAL

Em 2008, o Governo criou a Autoridade Florestal Nacional que sucede à DGRF.


A AFN, entidade reguladora, promotora e prestadora, assume como negócios centrais as Fileiras
Florestais, a Gestão Florestal, a Defesa da Floresta e o universo dos Produtos e Recursos Silvestres,
seguindo as orientações da Estratégia Nacional para as Florestas.
Esta nova Autoridade tem uma direcção central composta por um Presidente, um Vice-Presidente
e três Directores Nacionais. Ao nível regional foram criadas cinco Direcções Regionais de
Florestas tendo como referência as NUTS II e cumprindo, assim, as orientações do Programa de
Reforma da Administração Central do Estado.
As áreas de intervenção têm centros de decisão e operação distintos. Assim, o universo das fileiras
tem o seu centro de decisão e operação situado na estrutura central e na Figueira da Foz; o
universo da gestão florestal é territorializado ao nível de espaços coincidentes com as DRF e com
os Planos Regionais de Ordenamento Florestal; o universo da defesa da floresta tem dois centros
de gestão em Lisboa e Porto, uma estrutura de decisão ao nível das regiões e de operação ao nível
distrital; o universo dos produtos e recursos da floresta que tem uma estrutura de decisão a nível
central e uma estrutura operativa ao nível regional.

• Decreto-Lei n.º 159/2008, de 8 de Agosto


• Portaria n.º 759/2008, de 26 de Agosto
• Portaria n.º 958/2008, de 26 de Agosto
• Portaria n.º 961/2008, de 26 de Agosto
• Despacho n.º 31745/2008, 12 de Dezembro
B
BALDIOS
Ciente da importância dos territórios baldios, o Governo criou a Comissão para a Valorização dos
Territórios Comunitários com o objectivo de concretizar um programa que olhe para o universo
dos baldios na perspectiva da valorização florestal, da qualificação da gestão, da certificação e da
incorporação das melhores práticas.
Essa Comissão apresentará um Programa de Acção que desenvolverá quatro componentes
centrais: 1ª Desenvolvimento e sustentabilidade florestal; 2ª Valorização da capacidade de gestão;
3ª Resiliência e combate à desertificação; 4º Valorização social das comunidades.
Ao mesmo tempo iniciou o processo de regularização dos Planos de Utilização de Baldios,
reconhecendo a importância fundamental que estes instrumentos têm para estabelecer as bases de
uma gestão correcta destes territórios.
A Administração Florestal iniciou a apreciação de 608 Plano de Utilização de Baldios com uma
área de 241.226 ha. Este esforço vai abrir a possibilidade de mais candidaturas ao PRODER
poderem ser apresentadas e aprovadas.
Foi ainda determinada a possibilidade de realização de abates especiais que possibilitem a
sustentabilidade dos conselhos directivos de baldios que gerem autonomamente os respectivos
territórios comunitários e que dispõem de equipas de sapadores florestais próprias.
Por último, os baldios passaram a constituir, para além de grupos de baldios, zonas de intervenção
florestal integrando territórios com mais de 5.000 ha.

• Despacho n.º 18 355/2008, de 9 de Julho


• Despacho n.º 22 922/2008, de 9 de Setembro
• Despacho n.º 2089/2009, de 15 de Janeiro
C
CONCESSÕES

A Autoridade Florestal Nacional iniciou um processo de gestão integrada dos territórios públicos.
Desde logo promoveu a devolução às autarquias locais de terrenos arrendados, há muitos anos, e
que serão melhor geridos pelos seus proprietários.
Depois, iniciou contactos e procedimentos no sentido de que todos os terrenos florestais perdidos
a favor do Estado, em sede de processo judicial, sejam integrados no Regime Florestal.
Para além disso, foram analisados os processos de externalização já concretizados com vista à
definição de um caminho que vise a concretização de “concessões”.
Nos últimos anos e por decreto do Governo foram desenvolvidas duas iniciativas que permitiram
a criação de entidades vocacionadas para a gestão e exploração dos Parques de Sintra “Monte da
Lua” e da Tapada de Mafra.
Está também em desenvolvimento a criação da Fundação da Mata do Bussaco, cujo processo
terminará no primeiro trimestre de 2009.
Por entender que estas experiências podem ser valorizadas e outras se podem desenvolver,
designadamente com empresas públicas e privadas, o Governo confiou à Autoridade Florestal
Nacional, na sua lei orgânica, a possibilidade de estabelecer contratos de concessão com terceiros
para assegurar a gestão do património e de atribuições que lhe estão cometidas.
Esta possibilidade, baseada na assumpção de existência de entidades melhor capacitadas para o
desempenho de determinadas tarefas do universo de competências da AFN, encontra vários
exemplos de aplicação na história recente dos serviços florestais, estando inclusivamente prevista
no Regime Florestal de 1901.
Com este pressuposto foi determinada a elaboração, pela Direcção Nacional de Gestão Florestal
da AFN, de um estudo comparado de todas as realidades existentes no universo da União
Europeia, relacionadas com a gestão de propriedades públicas por parte de entidades que não
sejam as administrações florestais públicas, devendo ainda ser estudados os processos em
desenvolvimento noutros continentes, designadamente nos Estados Unidos da América, no
Canadá e no Brasil, aos níveis federal e estadual. Este estudo, que deverá estar concluído até 30 de
Junho de 2009, deverá ponderar ainda as possibilidades de concessão da totalidade de gestão a
entidades públicas ou de direito público, de concessão da conservação a empresas públicas ou
participadas, e a concessão da manutenção dos espaços florestais e a exploração dos negócios
complementares a entidades privadas.

• Despacho n.º 3627/2009, de 28 de Janeiro


D
DISPOSITIVO INTEGRADO DE PREVENÇÃO ESTRUTURAL - DIPE
Ao longo dos últimos três anos e desde a aprovação da Estratégia Nacional para as Florestas, foi
desenvolvido um Sistema que tem como objectivo a defesa da floresta contra incêndios. Porém,
importa alargar o conceito de “defesa da floresta” ao combate a agentes bióticos e ter em atenção
que a montante da “defesa” deve estar sempre uma competente gestão florestal.
Dando continuidade à profunda reforma que o Sistema de Defesa da Floresta tem vindo a
verificar, o Governo elaborou uma cuidada estruturação e organização de um Dispositivo
Integrado de Prevenção Estrutural (DIPE).
O DIPE encontra a sua base orientadora de acção no Programa Nacional de Prevenção Estrutural,
documento que desenvolve a Estratégia Nacional para as Florestas e o Plano Nacional de Defesa
da Floresta Contra Incêndios, e é constituído por cinco unidades centrais:

Unidade de Coordenação e Planeamento,


Grupo de Analistas e Utilizadores de Fogo,
Grupo de Gestores de Fogo Técnico,
Corpo Nacional de Agentes Florestais,
Estrutura de sapadores florestais contratualizada.

Para uma actuação no universo dos agentes bióticos, as unidades centrais do DIPE articulam-se
ainda com o Corpo Nacional de Inspectores de Sanidade Florestal. Adicionalmente, o DIPE pode
incluir estruturas de entidades públicas ou privadas de forma permanente ou pontual. Também a
integração no âmbito das Directivas Operacionais, aprovadas pela Comissão Nacional de
Protecção Civil, passam a ter um novo enquadramento.
Ao DIPE compete o planeamento, a elaboração e a difusão de directivas operacionais e de
intervenção, bem como a gestão e o fluxo da informação técnica e operacional, competindo
igualmente a execução de acções cujo âmbito seja a gestão florestal, a defesa da floresta e a
salvaguarda do património florestal contra agentes bióticos e abióticos.
Tendo consciência que nenhum dispositivo pode funcionar sem uma estrutura de formação e
experimentação, DIPE integra a nova Rede Florestal – Experimentação e Formação Florestais,
entidade que sucede ao CENASEF, ao COTF e incorpora igualmente a Mata Nacional do
Escaroupim.
Este novo dispositivo tem, portanto, a incorporação da componente programática, estrutural,
experimental e formativa, que importa valorizar de forma conjunta e articulada.

• Portaria n.º 35/2009, de 16 de Janeiro


E
EUCALIPTO
A Autoridade Florestal Nacional através da Direcção Nacional das Fileiras Florestais iniciou o
processo de acompanhamento, através dos seus Gestores de Conta, dos investimentos em curso nas
fileiras silvo-industriais, em especial na fileira do Eucalipto.
Na área da defesa da floresta o universo empresarial, grande produtor a nível mundial de pasta
branqueada de eucalipto, investiu nos últimos dois anos um total de € 7,1 milhões em actividades
de prevenção e apoio ao combate aos incêndios.
O Grupo Portucel/Soporcel tem sob a sua gestão um património florestal de 120 mil hectares, de
Norte a Sul do País, onde o eucalipto ocupa 74% desta área, estando na sua maioria certificada
pelo FSC (Forest Stewardship Council).
Em 2008 o grupo Portucel Soporcel iniciou também o processo de construção de uma nova
fábrica de papel em Setúbal e de outros empreendimentos, num investimento superior a € 900
milhões.
Também na fileira do eucalipto a AFN tem acompanhado os relevantes investimentos da Altri,
SGPS, S.A. (CELBI) e as suas 3 fábricas de pasta de papel com capacidade instalada superior a 500
mil toneladas/ano de pasta de papel branqueada de eucalipto. A atenção vai especialmente para a
nova unidade da Figueira da Foz.
Para além dos avultados investimentos já descritos encontram-se ainda a ser acompanhados pela
AFN investimentos vários na ordem dos € 240 Milhões onde se destacam as iniciativas de reforço
da produção energética, com especial incidência no consumo de biomassa, em Setúbal, Cacia e
Figueira da Foz.
Tendo em conta que a grande “fatia” de investimento se situa na zona centro do país e
especialmente na Figueira da Foz, foi criado, nesta cidade, um Centro de Negócios da Direcção
Nacional de Fileiras Florestas que passará a acompanhar de perto os investimentos.

• Despacho n.º 2090/2009, de 15 de Janeiro


F
FUNDO FLORESTAL PERMANENTE
O Governo aprovou em Novembro uma mudança de paradigma no universo dos apoios do Fundo
Florestal Permanente.
O novo Regulamento, elaborado com o objectivo de consolidar o universo dos apoios e
simplificar procedimentos que, há muito, eram considerados inadequados, passou a integrar cinco
áreas de intervenção ao nível de apoios:
- Sensibilização;
- Dispositivo de Prevenção Estrutural;
- Planeamento, Gestão e Intervenção Florestal;
- Sustentabilidade da Floresta;
- Investigação e Assistência técnica;
Este novo Regulamento permitirá a adopção de procedimentos substancialmente mais ágeis e
simplificados, apresentando ainda novas áreas de intervenção, tais como o apoio ao combate a
pragas e doenças, a valorização dos Fundos de Investimento Imobiliário Florestais e o apoio à
valorização integrada das fileiras florestais.
O novo regime de apoios tem como beneficiários as Organizações de Produtores Florestais ou
Conselhos Directivos de Baldios, as entidades gestoras de territórios florestais públicos ou
comunitários, as entidades gestoras de Zonas de Intervenção Florestal, as entidades ligadas aos
aproveitamentos de biomassa e as entidades públicas de âmbito nacional, distrital e local.

• Despacho Normativo n.º 21/2008, de 1 de Abril


• Portaria n.º 1338/2008, de 20 de Novembro
G
GESTÃO FLORESTAL
O ano de 2008 foi particularmente relevante para a área da gestão florestal. Em primeiro lugar, e
assumindo a extrema relevância da matéria, a nova estrutura da Autoridade Florestal Nacional
passou a compreender uma Direcção Nacional de Gestão Florestal com competências verticais ao
nível de todas as questões relacionadas com a gestão florestal, desde a gestão do património
público ao acompanhamento dos processos de constituição e funcionamento das ZIF e à
elaboração de normas e procedimentos técnicos para apoio à gestão florestal pública e privada.
O esforço empreendido nesta área de actuação pode ser aferido pelo aumento expressivo de todos
os indicadores de gestão florestal, nomeadamente o número de planos e áreas sujeitas a
planeamento de gestão, o número de zonas de intervenção florestal constituídas, ou o aumento da
expressão territorial das áreas abrangidas por sistemas de certificação florestal.
A revisão de instrumentos legais basilares no âmbito da gestão florestal foi também um dos
marcos de 2008, com a revisão do regime jurídico de criação, funcionamento e extinção das ZIF e
a criação do regime jurídico dos planos de ordenamento, gestão e intervenção florestal.
Em 2008 deu-se também início à publicação de normas para a elaboração e análise de PGF, já de
acordo com o novo sistema de planeamento florestal e, também, para o acompanhamento e
transposição das orientações de política florestal para os instrumentos de gestão territorial (PDM,
PROT, planos especiais).
Na prossecução da sua missão, a AFN continuou a garantir a integração da protecção e
salvaguarda dos recursos florestais no âmbito da sua participação nos processos de
avaliação de impacte ambiental em grandes obras públicas e noutros projectos de desenvolvimento
económico.
No âmbito da execução das orientações da Estratégia Florestal Nacional, foi ainda iniciada a
identificação dos principais indicadores de desenvolvimento do sector florestal, com vista à sua
integração no “1.º Relatório sobre o Estado das Florestas”.
Por fim, a Direcção Nacional de Gestão Florestal da AFN iniciou o acompanhamento directo da
aplicação do Projecto SINERGIC, garantindo a informação de base para o lançamento da
componente florestal do Projecto de elaboração do cadastro da propriedade, a qual se
desenvolverá por três regiões do país, tendo-se mantido o projecto em curso na AFN de
identificação e actualização dos limites das propriedades submetidas ao regime florestal.
H
HABITATS
2008 iniciou-se com a publicação do novo regime jurídico relativo à pesca em águas interiores que
visa o estabelecimento das bases do ordenamento e da gestão sustentável dos recursos aquícolas
das águas interiores.
Foi também um marco na cooperação entre Portugal e França em matérias relacionadas com a
caça, desenvolvimento sustentável e conservação dos recursos naturais. Em Novembro, a AFN e o
Office National de la Chasse et de la Faune Sauvage (ONCFS) celebraram um protocolo.
Este convénio tem por objectivo fomentar o intercâmbio de experiências e cooperação em diversas
áreas, como é o caso do acompanhamento e validação da formação de agentes responsáveis pela
vigilância de territórios rurais; a cooperação em matéria de análise socio-económica da fileira
caça/fauna selvagem; a criação de uma rede de excelência de territórios de caça onde se concilie a
actividade cinegética com outros usos do espaço, designadamente a exploração agrícola e florestal,
bem como outras valências como o turismo de natureza.
No ano de 2008 ocorreram ainda profundas alterações em matéria de fiscalização dos recursos
silvestres, e em particular os recursos cinegéticos, com a aprovação, há anos prevista, do regime
jurídico aplicável aos Guardas de Recursos Florestais. As iniciativas empreendidas visam dar
cumprimento cabal às funções que estão cometidas nesta matéria à AFN, para as quais a existência
dos Guardas dos Recursos Florestais é essencial. Por conseguinte, definiu-se o regime jurídico
aplicável ao exercício da sua actividade no qual se prevê que os GRF se mantenham como
trabalhadores das entidades privadas gestoras ou concessionárias de zonas de caça ou de pesca no
território continental, com as quais mantêm uma relação jurídica de emprego privado.

• Decreto-Lei n.º 9/2009, de 9 de Janeiro


• Lei n.º 7/2008, de 15 de Fevereiro
I
INCÊNDIOS FLORESTAIS
O Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios verificou, em 2008, a sua consolidação.
A revisão do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, permitiu evoluir e definiu e implementou
estruturas de coordenação e articulação estratégica distrital, que há muito eram reclamadas.
De igual forma, clarificou e racionalizou as normas aplicadas à edificação em zonas classificadas de
risco de incêndio elevado ou muito elevado.
Também as disposições relativas ao uso do fogo mereceram uma revisão profunda, adequando a
legislação de acordo com a experiência recolhida, e alargando as disposições de uso do fogo a
todas as acções de fogo técnico, permitindo assim a salvaguarda da segurança de todos os agentes.
2008 foi ainda um ano de incremento e de cumprimento com os objectivos traçados para os
trabalhos de Prevenção Estrutural, como se pode verificar:

Março 2005 Meta 2008 Resultado


Municípios com GTF 175 240 251
Comissões DFCI 0 250 274
PMDFCI 0 240 243
POM 0 145 254
Equipas de Sapadores Florestais 166 260 263
Gestão estratégica de combustível - 20.000 ha 24.700 ha
Fogo controlado 300 ha 1600 ha 1600 ha
Território de risco salvaguardado - 200.000 ha 250.000 ha
Beneficiação de caminhos florestais - 11.000 km 11.000 km
Beneficiação de pontos de água - 630 630
Sensibilização – acções contacto directo - 750.000 850.000

Neste ano solidificou-se a actuação do Grupo de Analistas e Utilizadores de Fogo (GAUF) nos
grandes teatros de operações de incêndios florestais, com uma contribuição decisiva ao nível do
apoio à decisão, do apoio na gestão de meios, e na utilização de manobras com recurso ao fogo.
No último ano solidificou-se a actuação do Grupo de Analistas e Utilizadores de Fogo (GAUF)
nos grandes teatros de operações de incêndios florestais, com uma contribuição decisiva ao nível
do apoio à decisão, do apoio na gestão de meios, e na utilização de manobras com recurso ao fogo.
A interacção entre a monitorização aérea e as equipas GAUF no terreno foi igualmente uma mais
valia significativa para a prestação operacional da AFN nos incêndios florestais.
O esforço desenvolvido por todo o sistema, quer no âmbito da prevenção estrutural com fortes
incrementos por parte da AFN; especialmente dos sapadores florestais como acima se indicou, da
prevenção operacional com um novo sistema coordenado pelo SEPNA da GNR e no âmbito
combate, especialmente neste último, coordenado e impulsionado pela ANPC e pelos bombeiros
portugueses, permitiu registar em 2008 os valores mais baixos de área ardida e ocorrências da
última década (16.300 ha de área ardida e 13.400 ocorrências, num registo inferior em 144.255
ha e 12.090 ocorrências quando comparados com a média dos últimos 10 anos), acentuando a
tendência de redução destes indicadores para a média estabelecida no Plano Nacional de Defesa
da Floresta Contra Incêndios de uma área média ardida anual inferior a 100.000 hectares em
2012.

Área Ardida
€ 14.000 3,5
Milhões de euros

Milhões de toneladas
450
milhares de hectares

400 € 12.000 3,0

350
€ 10.000 2,5
300
€ 8.000 2,0
250

200 € 6.000 1,5

150
€ 4.000 1,0
100 Meta 2012
50 € 2.000 0,5
Meta 2018
0
€- 0,0
2003 2004 2005 2006 2007 2008
80

82

84

86

88

90

92

94

96

98

00

02

04

06

08
19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

20

20

20

20

20

P ND F C I
Também ao nível das perdas em produtos e serviços florestais se verificou uma redução
significativa, registando-se menos 3000 milhões de euros de perdas face à média desde 1980. Da
mesma forma e em termos ambientais se observou uma redução dos principais indicadores, com
um decréscimo de cerca de 750 mil toneladas de CO2 emitidas para a atmosfera em comparação
com a média desde 1980.
O sucesso na execução das metas estabelecidas e a prossecução dos objectivos estabelecidos nos
documentos estratégicos de base, determinam o crescimento do dispositivo de prevenção
estrutural para 2009 e 2010.

2008 2009 2010


Unidade de coordenação e planeamento 35 41 45
Grupo de Analistas e Utilizadores de Fogo 20 25 30
Grupo de Gestores de Fogo Técnico 40 60 70
Corpo Nacional de Agentes Florestais 105 105 105
Estrutura Sapadores Florestais contratualizada 1315 1510 1810
Corpo Nacional de Inspectores de Sanidade Florestal 15 20 25
Total 1530 1761 2085

• Decreto-Lei n.º 17/2009, de 14 de Janeiro


J
JUSTAPOSIÇÃO LEGISLATIVA NO ÂMBITO DO PLANEAMENTO FLORESTAL
O Governo aprovou, em 2008, um novo Regime Jurídico da Reserva Agrícola Nacional. Com as
alterações verificadas concretiza-se um anseio antigo do universo florestal de contemplar as
actividades silvícolas e relacionadas no universo da reserva agrícola, simplificando ainda
procedimentos quanto a novos sistemas culturais e de gestão.
No sentido de concretizar territorialmente as orientações constantes na Estratégia Nacional para
as Florestas, foi aprovado o regime jurídico dos planos de ordenamento, de gestão e de
intervenção de âmbito florestal.
O novo diploma veio simplificar e codificar a legislação aplicável neste domínio, visando agilizar o
processo de elaboração dos diferentes planos e facilitar a sua real agregação e implementação no
terreno.
Este novo regime de instrumentos de planeamento florestal teve assim por objectivo definir três
níveis de planeamento: um nível regional ou supra municipal, onde os PROF sejam elaborados de
forma mais articulada com outros instrumentos de planeamento territorial; um nível local e
enquadrador da gestão florestal, onde importa simplificar e agilizar a elaboração e
operacionalização dos PGF, consagrando nestes os Planos de Utilização de Baldios; e um nível
operacional e de resposta a constrangimentos específicos da gestão florestal, com a preparação de
planos específicos de intervenção florestal que permitam actuar em zonas de risco de incêndio,
perante pragas e doenças, ou outras situações como a recuperação de solos degradados ou obras de
correcção torrencial.
Para além deste exercício de estruturação da árvore de planeamento, e de definição dos conteúdos
exigidos para cada instrumento, foram ainda estabelecidos prazos para a análise e aprovação dos
planos, ultrapassando um problema recorrente do sector florestal.

• Decreto-Lei n.º 16/2009, de 14 de Janeiro


L
LICITAÇÃO DE MATERIAL LENHOSO

A comercialização de material lenhoso proveniente de territórios sob gestão da AFN sofreu em


2008 um processo de clarificação, após as indefinições relacionadas com alterações legislativas e
institucionais.
Assim, a comercialização do material lenhoso passará a fazer-se de forma a que as UGF indiquem
as áreas a abater e os preços históricos e as DRF assumam o lançamento dos concursos ou das
hastas públicas, as únicas modalidades permitidas.
Adicionalmente, com o objectivo de conferir maior clareza a todo o processo de comercialização
de material lenhoso, foi considerado que todos os procedimentos devem ser precedidos de
publicação de aviso em dois jornais de âmbito nacional ou regional, de acordo com o valor base,
indicando ainda as principais referências relativas ao procedimento.
A esse respeito importa considerar que todos os pagamentos a realizar, nos termos dos contratos,
passarão a ser centralizados nas Direcções Regionais de Florestas ou simplificados, através de
transferência ou depósito em conta própria da AFN.
Os abates extraordinários de valor até 300 m3 poderão ser realizados por utilização do regime de
venda directa previsto em Portaria específica, competindo aos DRF a sua autorização.
A AFN poderá ainda promover um concurso para a fiscalização de todas as operações de
exploração florestal desenvolvidas pelas Unidades de Gestão iniciando, assim, a aplicação a esta
área dos procedimentos verificados em muitos âmbitos de intervenção pública.

• Despacho n.º 3429-A/2009, de 26 de Janeiro


M
MONTADOS
2008 é também marcante para os montados de sobro e azinho. O reconhecimento da sua
importância económica e ambiental permitiu a consagração na nova orgânica da AFN de uma
Estrutura de Missão para a Valorização dos Montados sedeada em Portel, com competências
alargadas na participação e fomento de políticas para o sector, promoção da certificação dos
produtos do montado, avaliação das dinâmicas de produção e declínio, constituição de uma bolsa
de cortiça, entre outras atribuições neste domínio.
Foi ainda reconhecido pelo Governo o primeiro interprofissional do sector florestal, a FILCORK,
num processo ímpar e que permitirá agregar os interesses da fileira, desde a produção à
comercialização dos produtos.
Complementarmente à constituição da FILCORK, encontra-se em fase final de construção o
Observatório do Sobreiro e da Cortiça, em Coruche. O edifício, propriedade da Câmara de
Coruche, está dotado de um banco de dados, biblioteca e laboratórios e pretende constituir-se
como um "centro tecnológico", visando, nomeadamente, orientar a investigação feita em várias
instituições do país para a produção e contribuir para a promoção da qualidade da cortiça e cuja
actividade irá ser protocolada com a AFN.
O Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, encomendou ainda um
parecer técnico que permita a assumpção de diploma legislativo relativo à inclusão, em rótulo de
garrafa, de indicação da tipologia e rolha, valorizando, desta forma, a utilização de vedantes de
cortiça.
Em 2008 foi finalizado o estudo de caracterização do declínio do montado de sobro e azinho, com
o objectivo de perspectivar as politicas públicas neste universo. O estudo, desenvolvido pela
Universidade de Évora – ICAM, identificou 330 mil árvores mortas nos 721.000 hectares
ocupados pelo sobreiro e azinheira.

• Despacho n.º 24543/2008, de 1 de Outubro


N
NEMÁTODO

A doença do Nemátodo da Madeira do Pinheiro assistiu em 2008 a uma dispersão citável no


território continental, com a sua disseminação em escala à região centro do país. Este alargamento
da incidência da doença, e possíveis os impactos económicos, sociais e ao nível da floresta,
obrigaram o Governo a tomar medidas excepcionais de resposta ao NMP, de larga abrangência e
envolvendo um conjunto alargado de parceiros.
Com efeito, a detecção de novos focos de NMP na região centro, em Maio de 2008, determinaram
uma resposta pronta por parte do Ministério e da AFN. A Portaria n.º 553-B/2008, de 27 de
Junho, que estabelece todo o território continental como zona afectada, numa tentativa de
eliminação da distorção de preços da madeira entre regiões, define igualmente o Programa de
Acção Nacional para Controlo do Nemátodo da Madeira do Pinheiro, no qual se configura uma
nova estratégia, integrando um conjunto de acções específicas, baseadas no conhecimento
cientifico mais apurado para o controlo do NMP e enquadradas em quatro eixos estratégicos de
actuação:
i) Medidas Fitossanitárias e de Apoio à Investigação Científica;
ii) Medidas de Extensão Florestal;
iii) Medidas de Apoio à Indústria;
iv) Medidas de Apoio aos Proprietários e Produtores Florestais;

O cumprimento deste Programa de Acção obrigou a Autoridade Florestal Nacional e a Direcção-


Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural a um grande esforço no sentido de transpor para o
terreno as medidas preconizadas. Entre as acções mais relevantes levadas a cabo contam-se:
1- O reforço da estrutura da AFN, com a criação de uma Divisão de Sanidade Florestal e do
Corpo Nacional de Inspectores de Sanidade Florestal, com uma abrangência nacional;

2 – O reforço da relação de Portugal com os países com NMP, com a organização do Seminário
Internacional em Lisboa que reuniu os maiores peritos mundiais com o objectivo de perspectivar
novas formas de controlo do NMP;

3 – Uma nova relação com a Comissão Europeia, com um debate profundo de avaliação da
doença numa perspectiva do espaço comum;

4 – Um novo envolvimento dos agentes do sector florestal com a criação do Conselho Consultivo
para a Fitossanidade Florestal reunindo as entidades parceiras do sector;

5 – Uma maior monitorização do território, com a implementação de um plano de prospecção


intensivo que permitiu a realização de mais de 3000 amostras de material lenhoso;

6 - Uma maior atenção à fiscalização, com o envolvimento de mais de 1000 militares da Guarda
Nacional Republicana em acções de controlo dos fluxos de material;

7 – Uma intervenção musculada no terreno, erradicando todas as árvores sintomáticas no


território continental, celebrando para tal protocolos de colaboração com 38 OPF num valor
superior a 6,4 milhões de euros;
8 – Uma maior atenção à fileira, através da elaboração de um estudo com a AIMMP que permitirá
perspectivar as necessidades de reorganização e modernização da fileira do pinho;

9 – Uma nova garantia de certificação, com a criação de um novo registo nacional de empresas
que agrega já dois terços da capacidade instalada de produção de paletes, permitindo reforçar a
fiscalização às empresas punindo os infractores;

10 – Uma nova aposta na investigação e no conhecimento, com o desenvolvimento de um


programa de investigação com entidades do sistema científico e tecnológico, que conta com uma
dotação orçamental para 2008/2009 de 832 mil euros;

11 – Uma atenção especial à informação, com o desenvolvimento de um programa de informação


e sensibilização à escala nacional.
Portugal respondeu assim de forma rápida e prática, consciente da dimensão do problema,
determinando medidas de protecção fitossanitária destinadas ao controlo do NMP e envolvendo
diferentes agentes e organismos da Administração Pública, das estruturas de produtores, da
indústria e ainda da academia.

• Despacho n.º 15752/2008, de 12 de Maio


• Portaria n.º 358/2008, de 12 de Maio
• Portaria n.º 553-B/2008 de 27 de Junho
• Portaria n.º 1339-A/2008, de 20 de Novembro
• Decreto-Lei n.º 4/2009, de 5 de Janeiro
O
ORGANIZAÇÕES DE PRODUTORES FLORESTAIS E ORGANIZAÇÕES DA CAÇA
Em 2008 foi determinado o enquadramento institucional e de apoio às Organizações de
Produtores Florestais reconhecendo nestas o papel fundamental que têm tido nas últimas duas
décadas e constituindo-as como um elemento essencial para a prossecução de uma política
florestal que permita aos proprietários, principalmente nas zonas de minifúndio, exercerem a
gestão florestal de forma sustentável e economicamente viável.
As estruturas associativas passam assim a organizar-se em OPF de âmbito nacional, OPF de âmbito
regional, OPF de âmbito supra-municipal, municipal ou local, e em OPF de natureza
complementar, sendo criado um registo nacional, na AFN, que permitirá o reconhecimento e
acompanhamento da sua actividade.
Esta portaria define ainda o regime de participação das OPF em órgãos nacionais, bem como o
formato em que se processa a credenciação, estabelecimento de protocolos de gestão e apoios
financeiros às OPF no âmbito da prossecução das atribuições da AFN.
Também o enquadramento do sector da caça sofreu uma profunda alteração que faz com que
caminhe, a passos largos, para a auto-regulação e para a afirmação de um princípio de inter-
profissionalismo num sector que representa, actualmente, cerca de 340 milhões de euros.
A política do Governo consagra as Organizações do Sector da Caça como parceiros centrais na
determinação de orientações para o sector e considera que muitas áreas de actividade que são,
actualmente desempenhadas pelos serviços públicos, podem, com vantagem, ser executadas pelas
OSC.
Por isso, foi aprovado em 2008 o Regulamento de enquadramento e financiamento das
Organizações do Sector da Caça, para efeitos do seu envolvimento nas actividades que sejam
matéria de protocolo de gestão e de enquadramento das actividades que sejam objecto de
credenciação. Neste regulamento foi também criada a Comissão Científica e Técnica da Caça que
tem como objectivo primordial o acompanhamento dos processos de credenciação e dos
protocolos entre a AFN e as OSC e a sua adequação à realidade da caça, bem como propor
medidas de intervenção. A CCTC tem ainda como função o estudo de orientações técnicas e de
comportamentos cinegéticos a observar por entidades gestoras de zonas de caça e pelos caçadores.
Regulamentou-se e densificou-se a actividade de homologação de troféus.

• Portaria n.º 11/2009, de 7 de Janeiro


• Portaria n.º 118-A/2009, de 29 de Janeiro
P
PINHO
O ano de 2008 foi um período particularmente sensível para a floresta portuguesa, e em particular
a fileira do Pinho. Ciente desta realidade o Ministério da Agricultura e a Autoridade Florestal
Nacional apostaram no aprofundamento de conhecimento sobre o estado actual da fileira,
encomendando um estudo à AIMMP, o “Plano Estratégico de Reestruturação e Modernização das
Indústrias de Primeira Transformação de Madeira em Portugal”, que permitirá conhecer com
detalhe a organização do sector industrial, conhecer as suas necessidades e sustentar as medidas de
acção política para o futuro da fileira.
Este estudo, que estará pronto no primeiro semestre de 2009 e que, para além de propor um
programa prospectivo, proporá igualmente um Plano de Consumo de Madeira de Pinho a Longo
Prazo da Indústria de Primeira Transformação.
O mês de Novembro de 2008 assistiu igualmente à criação de um novo registo das empresas
transformadoras de material lenhoso, no âmbito das medidas de controlo do NMP, com a
publicação da Portaria n.º 1339-A/2008, de 20 de Novembro.
Este novo registo, criado com o objectivo de tornar o processo de tratamento do material lenhoso
mais exigente e totalmente em conformidade com os parâmetros definidos pelas normas
fitossanitárias da FAO permitiu, até ao final do ano, a certificação de 65 unidades industriais, que
correspondem a cerca de 60% da produção nacional de paletes de pinho, gerando um volume de
negócios superior a 125 milhões de euros e empregando cerca de 2700 trabalhadores.

• Portaria n.º 1339-A/2008, de 20 de Novembro


Q
QUADRO ESTRATÉGICO - PRODER

O PRODER é o instrumento estratégico e financeiro de apoio ao desenvolvimento rural do


continente para o período 2007-2013. A componente florestal do PRODER encontra-se vertida
nos eixos 1 e 2.
No eixo 1, a medida “Promoção da competitividade florestal” visa o incremento da
competitividade da fileira florestal com ênfase nas sub-fileiras de expressão nacional. Em Agosto
de 2008 foram publicadas as três portarias que regulamentam o acesso aos apoios previstos nas
acções - “Melhoria produtiva dos povoamentos”, “Gestão multifuncional” e “Modernização e
capacitação das empresas florestais”, dando-se início ao processo de apresentação de candidaturas,
com uma dotação de 20 milhões de euros para os primeiros concursos.
No eixo 2, a medida “Gestão do espaço florestal e agro-florestal” visa a promoção da melhoria da
gestão activa dos espaços, nomeadamente no âmbito dos incêndios e dos agentes bióticos nocivos.
Esta medida inclui três acções de intervenção sectorial: “Minimização dos riscos”, “Ordenamento
e recuperação de povoamentos” e “Valorização ambiental dos espaços florestais”.
As portarias que regulamentam estas acções foram publicadas no início de Outubro e estão
abertos os respectivos concursos com um orçamento total de 41 milhões de euros.
O PRODER contempla para a floresta portuguesa, no âmbito das duas medidas, um investimento
superior a 400 milhões de euros de fundos públicos até 2013, tendo sido abertos, em 2008,
concursos no valor de 61 milhões de euros.

• Portarias n.º 828/2008 e nº 821/2008, de 8 de Agosto


• Portaria n.º 846/2008, de 12 de Agosto
• Portaria n.º 1137-B/2008, nº 1137-C/2008 e nº 1137-D/2008, de 9 de Outubro
R
RECURSOS HUMANOS E FINANCEIROS
Tal como previsto na lei orgânica da Autoridade Florestal Nacional foi introduzido, em 2008, um
conjunto de inovações ao nível da gestão dos recursos humanos e financeiros para o desempenho
das atribuições que estão entregues a este serviço da administração central do Estado.
No âmbito da gestão dos recursos humanos, a AFN deu sequência ao seu processo de
reestruturação com a elaboração das listas de actividades e procedimentos a assegurar para a
prossecução e o exercício das suas atribuições e competências e para a realização dos seus
objectivos, assim como a lista dos postos de trabalho necessários para os mesmos fins.
O exercício descrito foi orientado por princípios de eficiência, de racionalidade de gestão e de
contenção de recursos, procurando-se a simplificação e modernização administrativas e o
incremento de eficácia, no quadro da política de boa gestão financeira e de adequação de recursos
humanos definida pelo Governo para os serviços do Ministério da Agricultura, do
Desenvolvimento Rural e das Pescas.
Deste modo, em 2008 a AFN consolidou o seu quadro de pessoal em 925 funcionários.
No final do mesmo ano procedeu-se ainda à reclassificação de 19 funcionários da AFN,
respondendo assim às expectativas e anseios destes nossos colaboradores.
Na esfera da gestão financeira foram criados centros de custos no âmbito da gestão das matas
públicas e dos perímetros florestais.
Os termos em que se procede à criação dos centros de custos, bem como as regras a que estes
devem obedecer, foram definidos para que a partir de 1 de Janeiro de 2009 cada “mata pública”
ou “perímetro florestal” passem a ser considerados, nos instrumentos de gestão da Autoridade
Florestal Nacional, como centro de custos autónomo organizado e gerido no âmbito das Direcções
Regionais de Florestas. Foi ainda definido que estes novos instrumentos de gestão incorporarão o
universo das receitas e custos imputáveis à gestão dos espaços florestais em questão, competindo às
Direcções de Unidade de Gestão Florestal e de Recursos Administrativos, Financeiros e
Informacionais a criação de um manual adequado e a formação dos funcionários e agentes, das
estruturas centrais e regionais, encarregues de promover a criação e gestão do sistema de suporte.
Ainda no âmbito da gestão dos recursos financeiros foi identificada a existência de um
significativo número de taxas que se encontravam plasmadas em diferentes diplomas. Num
processo de consolidação, simplificação e clarificação, foram definidos os montantes a cobrar
pelos bens e serviços prestados pela AFN, estabelecidas as regras de cobrança e a forma da sua
actualização anual. Com esta finalidade foram publicados dois novos diplomas relativos aos
serviços prestados pela AFN e pela comercialização de diversos produtos e a taxas diversas
cobradas pela AFN no âmbito das competências que lhe estão atribuídas.

• Portaria n.º 1136/2008 de 9 de Outubro


• Portaria n.º 1405/2008 de 4 de Dezembro
• Despacho n.º 22 176/2008, de 27 de Agosto
• Despacho n.º 32 735-A/2008, de 30 de Dezembro
• Despacho (extracto) n.º 22 566/2008, de 2 de Setembro
• Despacho (extracto) n.º 28 169/2008, de 3 de Novembro
S
SIMPLEX
A renovação das licenças de caça e pesca através da rede de caixas Multibanco encontra-se
disponível desde os dias 1 de Junho e 1 de Setembro de 2008, respectivamente.
As medidas, que se inserem no programa de modernização administrativa Simplex, vêm assim
simplificar o processo anual de licenciamento que até agora tinha de ser realizado nos balcões da
Autoridade Florestal Nacional ou nas Organizações do Sector da Caça.
Para o licenciamento nas caixas Multibanco basta que os caçadores e pescadores estejam munidos
da sua carta de caçador/pescador e do número de contribuinte, sendo possível a emissão imediata
de uma licença nacional ou regional.
Até 31 de Dezembro de 2008 foram emitidas, através das caixas multibanco 122.224 licenças de
caça e 3.367 licenças de pesca.
De notar que o sistema relativo à caça entrou em funcionamento no início da época venatória
enquanto que o sistema relativo à pesca lúdica entrou em funcionamento experimental no final
da época.
Estas inovações permitiram à AFN apresentar-se na 7ª Edição do Prémio Boas Práticas no Sector
Público como candidata ao Prémio Serviço ao Cidadão.

• Despacho n.º 32 762-A/2008, de 31 de Dezembro


T
TERRITÓRIO
2008 assistiu a uma clarificação das competências da administração local, bem como a um
aprofundamento da articulação entre esta, os governos civis e a administração central.
A transferência de competências para as autarquias em matéria de constituição e funcionamento
dos gabinetes técnicos florestais municipais, permitiu clarificar as atribuições e o posicionamento
destas estruturas, potenciando a sua agregação ao território, com o alargamento a todos os
concelhos do continente, estendendo o seu âmbito de actuação a outras valências da defesa da
floresta, bem como ao acompanhamento das políticas de fomento florestal.
Com a alteração do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, foram criadas estruturas de
coordenação e articulação estratégica regional, ao nível distrital, presididas pelos Governadores
Civis.
Estas Comissões Distritais integram assim representantes de todos os agentes sendo responsáveis
pela articulação e acompanhamento dos trabalhos de Defesa da Floresta ao nível distrital, em
todas as suas componentes, desde a defesa da floresta contra incêndios ao controlo e erradicação
de agentes bióticos nocivos.
Ao nível da presença da Autoridade Florestal Nacional foi determinado o mapa de serviços que
esta mesma entidade passará a ter. Assim, para além das estruturas situadas na sede nacional e nas
sedes regionais há ainda 24 Serviços Técnicos, 16 Pontos Focais também destinados a informação
e atendimento, e 13 Postos de Suporte de apoio à intervenção floresta, passando também a
determinar-se as unidades de formação, experimentação e operação que a AFN disporá.

• Despacho n.º 2596/2009, de 20 de Janeiro


U
UNIDADES DE GESTÃO FLORESTAL

A administração florestal é tanto melhor quanto melhor for a relação com os seus clientes ao nível
do território.
Consciente dessa realidade a nova LO da AFN criou as Unidades de Gestão Florestal como
estruturas correspondentes aos territórios PROF.
Estas constituem-se como centros de decisão e operação no âmbito da gestão florestal, dirigidas
por um Gestor Florestal e possuindo ainda atribuições no âmbito da articulação das políticas
florestais com outras políticas públicas, da gestão dos territórios submetidos ao regime florestal da
responsabilidade da AFN, da execução de acções de prevenção estrutural e de combate a agentes
bióticos em articulação com a estrutura de defesa da floresta, da garantia do cumprimento da
legislação florestal, do acompanhamento e fiscalização dos contratos de concessão das matas
públicas, entre outras.

• Portaria n.º 961/2008, de 26 de Agosto


V
VALOR

A floresta e a indústria florestal têm sido a base de um sector da economia que contribui
fortemente para a produção industrial e para as exportações nacionais, com grande destaque para
as principais fileiras silvo-industriais – cortiça, eucalipto e pinho.
Os dados do INE referem que a fileira florestal corresponde a 3,2% do PIB nacional e 12% do
PIB Industrial, que representa 11% das exportações portuguesas e que gera cerca de 260.000
postos de trabalho directos e indirectos.
Além destas, o sector apresenta uma grande diversidade de produtos e recursos que valorizam os
territórios, como sejam a caça, a pesca desportiva, a silvo-pastoricia, os cogumelos, os frutos secos e
silvestres, as plantas aromáticas e medicinais, o mel, o turismo de natureza, ou ainda
externalidades que são socialmente valorizadas e que podem ser internalizadas constituindo novas
áreas de negócio como o sequestro de carbono. Ora, estas áreas não têm sido incorporadas na
avaliação do sector. Só o sector da caça, em valores estimados pelo MADRP e pelas OSC em
2007/2008, tem um impacto económico anual superior a 340 milhões de euros.
Face à capacidade de criação de valor, ao crescimento verificado, sobretudo, no investimento nas
fileiras silvo-industriais e à emergência de novas áreas de negócio, acentua-se a importância do
apuramento actualizado do valor dos recursos florestais. Este motivo levou a que fosse
determinada, à Direcção Nacional de Fileiras Florestais, a quantificação sustentada dos bens e
serviços prestados pelos espaços florestais e actualizados os valores que estiveram na base da
elaboração da Estratégia Nacional para as Florestas, trabalho que deverá estar cumprido até ao
final do primeiro semestre de 2009.

• Despacho n.º 2088/2009, de 15 de Janeiro


X
XADREZ FLORESTAL

A AFN criou, com apoio de instituições internacionais e nacionais, o programa “Rede de


Salvaguarda do Território Florestal a desenvolver pela Direcção Nacional de Defesa da Floresta em
conjunto com as entidades distritais e municipais.
Os trabalhos de execução da Rede de Salvaguarda do Território Florestal foram iniciados em
2008, abrangendo 34 concelhos e 6 distritos da Região Centro do país, numa área total de
800.000 ha de território, com 570.000 ha de espaços florestais dos quais 116.000 ha insertos em
Regime Florestal.
A Rede de Salvaguarda do Território Florestal tem por objectivo defender os espaços rurais dos
incêndios florestais, planeando e executando para o efeito um conjunto de infra-estruturas para
apoio ao combate, de pontos de água, de rede viária, bem como faixas e parcelas de gestão de
combustível.
A execução destes trabalhos, orçamentada em 1,2 milhões de euros, compreende ainda uma
componente de formação, divulgação e sensibilização fundamentais para complementar a eficácia
das infraestruturas construídas no terreno.
Depois da concretização de programa semelhante na Região Sul pretende-se agora consolidar uma
rede primária que proteja os territórios dos incêndios florestais na Região Centro do país.
Z
ZIF’S

O regime jurídico das Zonas de Intervenção Florestal, reivindicado há décadas e previsto na Lei de
Bases de Política Florestal, é um instrumento do maior relevo para o futuro do espaço agro-silvo-
pastoril português.
2008 foi um ano de afirmação do universo das Zonas de Intervenção Florestal.
Foram criadas 36 ZIF correspondentes a uma área de 230.804,73 ha, um valor sem paralelo desde
a criação do regime jurídico das ZIF.
O ano terminou assim com uma área total coberta por zonas de intervenção florestal de
278.044,73 ha.
300.000,00

250.000,00

200.000,00
hectares

150.000,00

100.000,00

50.000,00

0,00
8
7

08
07

8
7

08
07

8
7
6

-0

-0
l- 0

l- 0
-0

-0
-0

-0
-0

t-

t-
n-

n-
ai

ai
ar

ar
ov

ov
ov

Ju

Ju
Se

Se
Ja

Ja
M

M
M

M
N

N
N
Este aumento extraordinário no número e área coberta por zonas de intervenção florestal, que
actualmente se cifra em 48, é a demonstração da excepcional adesão que este modelo de agregação
da gestão florestal tem assistido no terreno, e a evidência das razões pelas quais o Governo definiu
as ZIF com grande aposta para a gestão dos territórios florestais.
Não obstante o tremendo movimento de envolvimento por parte dos proprietários e produtores
florestais a este modelo, em 2008 o Governo aprovou uma alteração ao regime de criação e
funcionamento das ZIF, com o objectivo de agilizar os processos de constituição e os
procedimentos de funcionamento, reforçando ao mesmo tempo as competências das entidades
gestoras e as suas obrigações, tornando-as mais fortes e transparentes. Contudo, a alteração que
terá mais impacto no território é a possibilidade das novas ZIF poderem exercer a gestão total do
seu território, ou seja, é possibilitada a gestão integrada das componentes agro-silvo-pastoris das
áreas rurais de intervenção das ZIF.

• Decreto-Lei n.º 15/2009, de 14 de Janeiro


Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas
Autoridade Florestal Nacional
31 de Janeiro de 2009