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Apostila
de

Curso de Design - UFSC Produção Gráfica I Coordenação e revisão: Berenice Santos Gonçalves Editoração e diagramação: Rafael de Queiroz Oliveira Colaboradores: Priscila Lopes
Rafael de Queiroz Olveira

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Serigrafia
Ano: 2006

durante a idade média. A cor passava através dos fios sendo aplicada com um pincel. A serigrafia é um processo relativamente barato. inserese a serigrafia. 2 . foram encontrados sinais de expressão gráfica usados como reprodução. porém com evolução e aplicações muito complexas. a reprodução de policromias² com meios-tons³ é possível. tamanho. cor e material.usfn Serigrafia Apostila de O que é Serigrafia? A serigrafia é um processo de impressão que utiliza como matriz uma malha fina esticada numa moldura (quadro). aliado à xilogravura. O resto do stencil impedirá a passagem de tinta. constituindo-se em um marco inicial da história da gravura. metal.organdi: tecido armado. O fato é contestado por alguns historiadores que afirmam que. Cento e cinqüenta anos mais tarde. É possível imprimir sobre substrato de qualquer forma. e. começa o emprego desenfreado da serigrafia no comércio ascendente americano. para a impressão foi usado um bloqueio – no caso. plásticos. Para a maior parte dos pesquisadores. A versatilidade é um dos pontos positivos do processo serigráfico. vidro.meio-tons: é o termo utilizado quando ocorre variações de valor (acrescentando mais preto ou branco) em uma imagem. Quanto à estamparia. Na Europa. como. o uso de pontes. ficando somente a tinta (terra) onde não havia bloqueio. eliminando. o processo atual de serigrafia é produto do nosso século. o  . nas ilhas Fidji. Já no caso do uso de tecidos. A serigrafia é geralmente utilizada em layouts a traço¹. Também os egípcios usaram máscaras vazadas em papiro para ornamentar seus ambientes. 4 . vermelho e preto. É uma técnica de base simples. A partir desse momento. tinta e tela diferentes. Durante as cruzadas. a serigrafia teve muito uso no início do século XX. Nos Estados Unidos. 5 . é o processo disponível que oferece melhor relação custo x beneficio para altas tiragens: ele é largamente utilizado para a produção de camisetas.layout a traço: basea-se em vetores para a criação de artes ou manchas gráficas. estampado a cores. 1 . pois jatos de terra colorida eram lançados sobre as mãos. Entretanto. São mãos impressas em ocre. esse método era utilizado para a impressão da cruz vermelha em escudos e uniformes. em 1907. No Japão. bem como para comunicação ligada à imagem. Samuel Simon registrou patente sob o título de “Melhoramentos em/ou referentes a stencis”. em que usava uma escova em lugar do rodo. Esse processo foi empregado em larga escala durante a Primeira Guerra Mundial. por exemplo: tecido. no qual a cada nova cor bloqueava-se mais um pouco a matriz. época em que iniciou o processo de película fotográfica.as áreas de impressão. A imagem impressa apresenta-se em negativo. porém com qualidade satisfatória apenas com a utilização de equipamentos automáticos para a impressão em altas tiragens. passou-se a usar crinas de cavalo para evitar o uso de pontes. cujos poros são vedados nas áreas chamadas de “não impressão” e deixados abertos nas partes em que deverá haver passagem de tinta . utilizou-se cabelo humano ou fios de seda para unir os bordos de dois papéis quando um deles era usado como uma ilha. de algodão. bonés e uniformes em grande escala.Stencil: molde de papel ou outro material em que se recortam e eliminam as áreas onde se deseja imprimir. adequado para tiragens pequenas ou médias sobre papel. conseqüentemente. madeira. papéis etc. usava-se o stencil de uma forma rústica. impressos com tintas vegetais. Em 1914.policromia: basea-se na justaposição de pontos das cores primárias do sistema de impressão (pigmento transparente) para a criação de uma gama de cores maior. as mãos. O processo espalhou-se primeiro pela Europa e depois pela Ásia. Histórico Já nas cavernas dos Pirineus. para imprimir naipes e estampas religiosas. 3 . dentro da qual. passou-se a utilizar um tecido de seda. uma vez que. O processo usado é semelhante ao da serigrafia. no século XVIII. porém sem a nitidez e a qualidade da tipografia e da litografia. 6 . Ideal para imagens com cores chapadas. muito leve e transparente.chita: tecido ordinário. assim. Também existem tipos variados de tintas que possibilitam diferentes acabamentos. os tecidos eram impressos utilizando-se stencil4 de folhas de plátano ou bananeira. Jonh Pilsworth inventou um método para imprimir várias cores. Mais tarde. Em qualquer dos dois processos. Francis Willete usou organdi5 sobre armação de madeira e um rodo de tábua revestido de chita6. cada cor no layout significa uma nova impressão.

que absorve muita água. 100 a 120T: Retículas até 20 linhas. Os importados propiciam uma melhor qualidade nos resultados impressos. Artisticamente. detalhes. já que apresenta uma descarga ideal de tinta e boa definição. Apresenta custo elevado e precisa de pintura para aumentar a resistência a produtos químicos e oxidação.usfn Serigrafia Apostila de A medida em que foi criada a película de recorte por Luis d’Autremont. O preço elevado é compensado pela sua leveza e pelo ótimo resultado. facilitando assim o seu comércio. Fio de grande resistência. pois não absorve a água como o nylon. Quanto aos tipos de fio. o  . pois apresenta baixo custo. bem como. onde era normal usá-la na representação da cultura urbana – irresistível para artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein. significa o número de fios por cm² para nylon ou poliéster. Nylon: É o tecido mais usado. 34 a 49T: Tecidos grossos 49 a 77 T: Superfícies grossas e absorventes. Lineatura O termo lineatura. HD – fio grosso: Proporciona maior descarga de tinta. 120 a 200T: Retículas finas. inclusive passando a contar com uma produção de tintas especiais para ela. madeira. A limpeza é feita com soda cáustica. Fio de baixa resistência. que a torna empenada e frágil. Metálica: São confeccionadas com fios de aço e inox. impressão detalhada. Possui boa resistência aos solventes e à abrasão mecânica. provocando instabilidade dimensional. tintas com pigmentos grossos. graças à depressão. Poliéster: Possui características parecidas ao nylon. a serigrafia cresceu assustadoramente. Também é usada na impressão de circuitos impressos. Além disso. tornou-se popular nos anos 30. bandeiras etc. Tipos de Malha Seda: Possui boa resistência aos solventes. pois era adquirida por preços módicos. Usada para impressões industriais à quente. Materiais Tipos de Quadro O quadro de madeira é o mais usado em serigrafia artesanal. logo superada pelo Nufilm de Joe Ulano. porém menor definição. sendo as melhores marcas de origem suíça. Existe também o quadro de ferro. depósito reduzido de tinta. tem baixa resistência à tensão. muito usado em casos de quadricromia ou impressos com alta definição. a malha pode ser: S – fio fino: Proporciona menor descarga de tinta. apesar de apresentar melhor estabilidade dimensional e melhor resistência à tensão e umidade. T – fio médio: A malha com esse tipo de fio é a que tem maior uso na serigrafia em geral. no âmbito da serigrafia. 77 a 100T: Letras grandes. nas quais a tela deve ser mantida aquecida durante a impressão. e uma ampla fonte de novas experiências artísticas. Deve ser impermeabilizado com laca especial porque o uso constante de líquidos altera as características da madeira. Por sua versatilidade a serigrafia tornou-se a mais popular forma de expressão da segunda metade do século XX. Sua ampla utilização ocorreu durante a pop art. letras finas. Tornou-se verdadeiramente aceita nos anos 50. Já o quadro de alumínio possui ótima precisão – pela estabilidade dimensional – e resistência a produtos químicos. porém maior definição. à tensão e à umidade. ou liga de fósforo e bronze. menos à soda cáustica e à água acima de 60°C. que possui excelente estabilidade dimensional devido ao grande peso. Usa-se cola para o tensionamento da tela.

provocando uma segunda exposição na emulsão. Apresenta custo médio. Classificação quanto à dureza do material do rodo: Emulsão o 4 A emulsão fotográfica é um produto especial de consistência viscosa. Assim mesmo. O bicromato deve ser misturado à emulsão nas quantidades estabelecidas pelo fabricante. malhas fechadas e camadas finas de tinta. disponível nos seguintes materiais: Poliuretano: Ótima resistência mecânica e química. a emulsão se desprende da tela nos lugares onde se forma o desenho. exercendo-se certa pressão para baixo e no sentido do operador. O rodo. A emulsão. Apresenta custo reduzido. . Chanfrado: Usado principalmente em superfícies irregulares. seu uso é limitado pelo alto custo. As malhas coloridas apresentam a vantagem de evitar reflexão branca. De forma alguma deve ser usado em ângulo reto ou maior. possibilitando assim a reprodução da imagem. Existem dois tipos de emulsão: uma para trabalhos em que a tinta a ser utilizada é solúvel em água (como é o caso das tintas têxteis) e outra quando a tinta for solúvel em solvente. desenvolvida especialmente para gravar o desenho do diapositivo (fotolito) na matriz serigráfica. Redondo: Usado na impressão de tecidos e materiais muito porosos. Possui custo elevado. precisa ser lixado. Precisa ser lixado constantemente. Deve ser puxado sempre com firmeza. Após ser exposta à luz. madeira. acetato. Ex: vidros e cerâmicas. plásticos etc. No entanto. é de 9 partes de emulsão para 1 parte de sensibilizante (bicromato). ao puxar a tinta. Tipos de ângulo: Macio (60 a 75 Shore): Indicado para impressões serigráficas chapadas e superfícies vitrificadas. laranjas ou vermelhas. o que permite matrizes mais definidas e resistentes. Reto: Usado para impressões em papel. Médio (76 a 85 Shore): Indicado para a maioria das impressões manuais. Força a passagem de uma maior cobertura de tinta. Adequado para plastisóis. Duro (86 a 95 Shore): Indicado para impressões com traços finos. pode-se aumentar o tempo de exposição. amarelas. na maioria dos casos. as malhas dividem-se em brancas. Tipos de Rodo (Puxador) Rodo é o objeto usado para deslocar a tinta sobre a tela. Essa emulsão tem a característica de ficar insolúvel em água quando exposta à luz e de se manter solúvel em áreas não expostas. quando molhada. É isso que permite a gravação do desenho. e ainda a possibilidade de armazenar (somente em ambiente escuro) a tela emulsionada por até três semanas antes de ser exposta. Borracha Sintética: Resistência boa aos solventes. sem com isso prejudicar a definição. Borracha Natural: Possui baixa resistência mecânica e aos solventes. Com malhas coloridas. Não precisa ser lixado. que. chamado bicromato. Imprime-se no ângulo de 45°. deve ser preparada com um produto que lhe dará a sensibilidade à luz. Comparado ao bicromato. Outro sensibilizante muito empregado na serigrafia é o diazo. antes de aplicada na tela. o diazo apresenta algumas vanagens como: proporcionar maior definição e resistência. não deve exceder a inclinação de 50 graus para a frente.usfn Serigrafia Apostila de A regra geral referente à lineatura é a seguinte: Até 90 fios: tecido Acima de 81: papel Cor da Malha Quanto à cor.

e sim como um referencial para o segmento de estamparia têxtil. pois quanto maior for a temperatura. pois diferenças na espessura causam diferenças no depósito e na cobertura da tinta. Depois de aplicada. para desaparecerem as bolhas provenientes da mistura. Pode ser usada para dar fundos em estampas e rebaixar tons de outras cores através de mistura. Branco Super: Tinta pronta com alto poder de cobertura para tecidos escuros. Quando aplicado em tecidos escuros é necessário estampar o fundo em branco. trata-se de um tipo de tinta específica. O fato de ser conhecida como tinta a base de água não significa que. Alguns detalhes devem ser levados em conta durante a aplicação da emulsão. Deve ser aplicada em tecido branco para obter o resultado. Essas quatro cores irão resultar em todas as outras cores. pois excesso de pigmentação pode acarretar em desbotamento da estampa ou até descascar a tinta do tecido. Sua aplicação na tela é feita por meio de calhas especiais. Recomendase teste prévio em tecidos mistos ou sintéticos. formando impressão em alto relevo. Tintas De forma geral. Por este motivo. e depois as tintas de Cromia. com a necessidade de repiques. não deve ser utilizada água sobre a tinta de qualquer fabricante. disponível na cor ouro. Sua composição permite uma cobertura razoável em tecidos escuros. Por sua consistência é necessária uma porcentagem maior de pigmentação para atingir a cor desejada.O clear consiste em uma base incolor para pigmentação de no máximo 4% da tinta. podemos dizer que as titnas a base de água são utilizadas sobre tecidos.Consistência: A camada de emulsão tem que preencher totalmente as aberturas da malha. Clear: Tinta à base d’água para tecidos claros com composição 100% algodão. Eventuais bolsas de ar resultam em matrizes menos resistentes. considerando que uma camada de emulsão mais espessa requer um tempo de exposição mais longo. isentos de solventes. Possui aproximadamente 99% de partes não voláteis. Não seca . A pigmentação do puff transparente deve ser de até 5%. . de no máximo 8%. Perolado: Tinta que tem como principal característica seu acabamento metalizado. ciano e preto. Mesmo que não possamos considerar isto como uma regra definitiva. magenta. com pigmentação de no máximo 3%. pode-se concluir que uma camada de espessura variável sempre terá áreas subexpostas e superexpostas. a camada de emulsão deve ser bem lisa. o 5 Plastisol: Tinta derivada de resina PVC e plastificantes. Além disso. que consiste em quatro cores com uma seqüência universal de aplicação pela ordem amarelo. Pode ser usada em tecidos claros e escuros. no sentido de deixá-la mais líquida. a base seja somente água. a emulsão deve secar sob um ventilador ou uma estufa aquecida no máximo a 40°C. Os desníveis e irregularidades prejudicam a definição da imagem. pois a qualidade da superfície da matriz influencia na qualidade do trabalho final de serigrafia: . Não permite cobertura em tecidos escuros nem com repiques. existem agentes químicos específicos.Superfície lisa: No lado da tela que entra em contato com o substrato a ser impresso. menor será o tempo de secagem e vice-versa. prata e também incolor. mas recomenda-se que nestes seja feito um teste prévio. Neste caso. que também são reconhecidos como produtos auxiliares. água ou outros produtos que evaporam. ou pelo menos na área da imagem. possibilitando sua pigmentação para que se obtenham outras cores metalizadas. Puff: Tinta expansiva através de aquecimento.Espessura uniforme: a espessura deve ser uniforme em toda a extensão da matriz. Pode ser aplicada em tecidos 100% algodão ou mistos. que não deve ser confundida. . Essa variação de temperatura e tempo de secagem poderá alterar o tempo de exposição. que permitem uma aplicação uniforme da camada de emulsão.usfn Serigrafia Apostila de A emulsão deve ser preparada e deixada em repouso por algum tempo. Mix: Tinta à base d’água para tecidos 100% algodão e mistos. É importante secar a matriz em temperatura controlada. Clear Cromia: Tinta usada para quadricromia. em sua composição química.

são mais seguros. 5 3 . Para a impressão. É fornecido em forma “Clear” para pigmentação (no máximo 12%) ou já pigmentado pronto para uso. após a colagem do tecido há uma perda de tensão. 4 Etapas 1 . Em seguida. No processo mecânico. é necessário o uso de um amaciante específico. No momento do acionamento. sempre no ângulo de 45°. sintéticos ou mistos. puxar e grampear um dos lados.Grampear todo o lado. ao mesmo . A tela deve estar muito bem esticada. puxar o lado restante e grampear. Sobre ela é colocado um cadarço que será grampeado posteriormente sobre o bastidor. A vantagem deste sistema é a possibilidade de se esticar várias telas ao mesmo tempo.usfn Serigrafia Apostila de 1 à temperatura ambiente. O tecido é tensionado através de barras e/ou garras que são acionadas mecanicamente. sobre o bastidor. A secagem da tinta deve ser feita primeiramente com Flash Cure ou outra fonte de calor. que proporcionam diferentes acabamentos. 7 8 Processo Pneumático o 6 Outro processo de esticagem à maquina é o pneumático. É importante ressaltar que esse processo manual apresenta falhas na tensão. que pode ser molhada.  Esticagem de Telas  Processo Manual A esticagem sem o auxílio de máquinas é muito usada nos pequenos ateliers pela sua simplicidade e pelo baixo custo dos materiais a serem empregados. revestir todo o bastidor com fita gomada. Pode ser aplicado úmido sobre úmido ou com secagens intermediares entre as cores. 5 . Pode ser aplicada em tecidos de algodão. 2 . quando se mostra necessário prender a tela por meio de cola. em equipamentos especiais. cobrir com verniz marítimo. que por sua vez prendem os tecidos. deve ser colocada em estufa à temperatura de 165 a 170° por 3 minutos. 8 .Fazendo forte tensão. por dentro e por fora. Processo Mecânico Os processos de esticagem à máquina. no qual os quadros são apoiados na base de pinças. recomenda-se o uso de um rodo de poliuretano de maior dureza. Esse processo não pode ser usado no caso de quadros de alumínio ou de ferro. 6 7 . Em seguida. A gravação da matriz deve ser feita com emulsão à base d’água. Coloca-se o primeiro grampo. A principal desvantagem é que como os quadros estão independentes do tecido. e sua limpeza com solvente sintético ou lava quadro.Com bastante força.Puxar a tela em diagonal para o ângulo ainda não grampeado. garantindo melhor tensão na tela. Existem plastisóis de diversos tipos.Grampear todo o lado.Colocar a tela.Esticar a tela para o lado menor do bastidor. 4 . puxar o cadarço sobre a tela e grampear. são colocados sobre uma mesa um ou mais quadros. inclusive avançando 1 cm sobre a tela. visto que o tecido tende a voltar ao seu estado natural e o quadro tende a vergar para dentro. Caso necessite diluição. por isso não é necessária a limpeza da matriz em horas paradas.Esticar o outro lado do ângulo e grampear a ponta. Uma vez acabado este processo. 6 . o que pode causar problemas no registro de cores.

bem como retoques.Fotolito: película transparente coberta por emulsão fotossensível. O filme de recorte é aplicado na parte exterior da tela. é recomendável o uso dos produtos desenvolvidos especificamente para a preparação de malhas serigráficas. Uma vez confeccionado. é necessário que se tenha um fotolito7 a ser reproduzido. impossibilitando assim um trabalho mais refinado.usfn Serigrafia Apostila de tempo em que o tecido é “puxado” para trás as pinças “empurram” os quadros para a frente. ou seja. sempre sobrepondo-se um pouco sobre o outro. penetra nas malhas da tela. É uma das técnicas mais primitivas. podese repetir o processo. proporcionando um trabalho rápido e de baixo padrão de qualidade. retira-se toda a laca das áreas a serem impressas. Proporciona o uso do gestual na técnica serigráfica. um seco e outro molhado em thinner. Filme de Recorte 7 . pois estes detritos prejudicam a aderência da emulsão na malha e diminuem o tempo de vida da matriz. tiragem e acabamento. onde se registra. O desenho que será reproduzido não deve possuir muitos detalhes pois deverá ser cortado com estilete (o filme). Processo Fotográfico o 7 Para esse processo. Este movimento faz com que haja uma compensação e que a força que o tecido faz para voltar ao seu estado natural seja neutralizada pela força que o quadro também faz para voltar ao seu estado natural. uma vez que a tinta passará onde não houver emulsão. preenchendo-se todas as áreas a serem impressas. com pressão moderada para que a base de acetato não seja danificada. tecido etc) a ser impresso e sobre ele é colocada a tela na qual ele grudará no momento em que a tinta for puxada com o rodo. cuidando para que o thinner não desmanche o filme. resultando numa tensão menos sujeita a variação. É feito um fotolito para cada cor. caso ocorra um pequeno erro de registro. sujeita contaminante e/ou oleosa. é a técnica mais expressiva da serigrafia. que pode ser . Com o estilete percorre-se todo o desenho.Como método alternativo. Possui a característica de um molde vazado. respingar ou desenhar diretamente sobre a tela (lado externo). a imagem (texto. pois não retiram a poeira e apenas espalham a gordura de um lado para o outro. Quando o filme cola (muda de cor). Constitui-se de uma base de acetato sobre a qual existe uma camada de goma laca. pegam-se dois pedaços de estopa. filme (positivo ou negativo)ou jogo de filmes que reproduz textos e ilustrações e server de matriz para gravação de chapas para impressão offset e de telas para impressão em serigrafia. Portanto. Uma vez seco o filme. Com pedaço o molhado pressiona-se levemente. Sabões também não servem pois deixam a superfície da malha muito alcalina. Sobre ele é colocado o lado exterior da tela. e em cima dele e prende-se o filme de recorte com o lado fosco para cima. Principais Técnicas de Serigrafia Estêncil Consiste em recortar um papel. apresenta uma cor laranja mais forte do que as regiões não coladas. retira-se o acetato. deixando ilesas as partes que não serão impressas. para evitar riscos brancos ou falhas. Coloca-se o filme sobre uma superfície lisa com o lado fosco para cima. por meios fotomecânicos. Fixa-se o desenho sobre uma base plana. etc. O filme deve ser um pouco maior que o desenho. Consiste em pincelar. o estêncil é colocado sobre o substrato (papel. podem ser feitos com emulsão sem o uso de sensibilizante. foto. As partes laterais da tela. A seguir. Deve-se tomar cuidado na sua confecção. e com o seco pressiona-se até o thinner seque. pode ser impresso em jato de tinta ou desenhado com nanquim. Álcool ou solventes não servem para a limpeza das malhas. É utilizado para obter-se um contorno nítido e perfeito. Emulsão Direta Praticamente restrita à serigrafia artística. Camadas finas podem ser feitas pelo lado interno. Feito isso. Havendo falhas na aderência. utilizando-se thinner especial. Desengraxe das Telas Uma vez tensionadas as telas devem ser desengraxadas e limpas para eliminar qualquer poeira. O filme é removido com thinner forte e a emulsão com água.) que se deseja imprimir.

Para marcar o registro diretamente na tela. Quando dois ou mais fotolitos forem gravados na mesma tela. Para facilitar a impressão. coloca-se a tela voltada com a face externa para baixo. para que a emulsão percorra igualmente sobre a sua superfície. Atrás da tela. repete-se a operação. alinhando as matrizes pelo que foi impresso. ou seja. pois pontos de sujeira impedem a passagem da luz. para posterior refile. . O tempo irá variar conforme o tipo de lâmpada. Deve-se vedar com fite crepe as áreas próximas à moldura. falta de emulsão. deixa-se 5 cm de cada lado da tela. Em cima de tudo vai uma superfície regular de vidro ou madeira. Deve-se isolar com fita o desenho a ser impresso posteriormente. umidade atmosférica etc. ficando resistente à água.usfn Serigrafia Apostila de um fotolito normal em Kodalite ou preparado artesanalmente sobre acetato. Insere-se também. logo a impressão de cada matriz deve estar alinhada à das outras. ocorrerá vazamento de tinta por estes locais.Gravação: expõe-se à luz de lâmpada foto-flood ou ultravioleta. utilize a própria emulsão sensibilizada e vede as falhas com um pincel. coloca-se a tela sob um jato de água. o que quase sempre se faz necessário. a distância da tela à fonte de luz. coloca-se um papel preto. mas. sobretudo. duas marcas de registro* ( ) . deve-se deixar um espaço de 6 a 7 cm entre eles para facilitar a posterior impressão. a espessura da camada de emulsão (quanto mais grossa. O desenho gravado ficará todo aberto. a uma distância de 50 cm. acima e abaixo do grafismo a ser gravado. O registro na estamparia têxtil é feito por meio de encosto dos parafusos no trilho. já as retículas conseguidas com o giz de cera no papel vegetal. Esta mistura pode ser preservada por até 90 dias. Quando a emulsão estiver seca. Caso contrário. Coloca-se o fotolito sobre a mesa na posição como irá ser impresso.também conhecidas como cruz de registro ou mosca. o que possibilitará a passagem da tinta no momento da impressão. cuidando para não amolecer a primeira camada. deve-se olhar contra a luz vermelha para ver se há alguma falha. A lâmpada não pode permanecer ligada todo o tempo de secagem. nos cantos da peça gráfica. . adiciona-se. centralizando-os verticalmente.Revelação: após a exposição à luz. eliminando a possibilidade da tela ficar aberta nas partes de névoa escura que fica em volta das retículas. fazendo a emulsão abrir onde não deve. pois pode criar luz branca ao refletir na parede branca. papel vegetal ou poliéster. A segunda camada deve ser de uma passada precisa. passa-se outra camada de emulsão. Deve ser verificado se o vidro da mesa de gravação está bem limpo. pois a emulsão só endurece nas partes que receberam luz. Se o problema insistir. É aplicada pelo lado externo da tela com uma régua ou calha completamente lisos e de tamanho inferior a um dos lados da tela. cada cor exige uma matriz específica. Para corrigir. A imagem gravada começará a aparecer no momento em que a emulsão começar a soltar. as quais definem a área de refile. . Para retocar a matriz. e sobre ele é posta uma camada de esponja. é indispensável conferir as condições da matriz que será usada. mais tempo de exposição). devem ficar mais tempo na mesa de luz para que ocorra uma seleção de retículas. *Marcas de registro Registro **Marcas de corte o 8 O registro pode ser definido como a coincidência de impressões sucessivas. . Os retoques podem ser feitos com emulsão com ou sem sensibilizante.Preparação da matriz: a emulsão a ser usada deve ser preparada na proporção de 9 partes para uma de sensibilizante. sobreposta por pesos regulares para que o fotolito tenha perfeito contato com a tela. Impressão Retoque da Matriz Antes de se iniciar a impressão. marcas de corte** ( ) . No processo de serigrafia. Sobre ele. numa temperatura de aproximadamente 15°C e longe da luz. varia conforme o desenho a ser gravado – linhas mais finas devem ficar menos tempo em exposição. A tela deve ser seca (com um ventilador ou estufa) em câmara escura. suportando apenas lâmpada vermelha ou amarela. à cada uma delas.

para terem seu acabamento perfeito. descasca. o registro é ajudado com o apoio do corpo do próprio estampador. Em máquinas automáticas. principalmente onde são necessários os repiques. com extrema fidelidade. necessitam de dois repiques. 70 a 80°C. Nas mesas de berços ou mesas térmicas o movimento é o mesmo. Já nos quadros de formato grande. exercendo pressão no quadro do outro lado da mesa. Quando isso não ocorre. mas não como polimerizadores. não precisa ficar pendurado para secar. Por isso. Em qualquer caso é importante que o estampador mantenha o quadro no registro preciso durante a estampagem. que pode ser evitado na quadricromia através das inclinações corretas para as retículas em serigrafia. o registro é obtido por dois movimentos: o movimento de encosto do quadro no trilho e o movimento de encosto no morcete. é recomendável esperar cerca de 72 horas antes de lavar a estampa impressa. um desenho. Mesmo as tintas que secam ao ar precisam de tempo para a cura completa. É preciso esclarecer que isso é apenas um repique e não dois como se costuma indicar. ou seja. o produto esfarela. com a outra. no mínimo 120°C. As mesas térmicas também ajudam bastante na aceleração do trabalho. Já o termo policromia significa a reprodução de qualquer original com mais de uma cor. inicia-se a escala industrial de produção. na estampagem de um artigo. Repique O repique acontece quando. não tem solidez. os registros são obtidos nos “raports” após leitura feita pelas fotocélulas e transferidos eletricamente para o conjunto pneumático. pode-se obter o indesejado efeito de moirè. O puff realmente levanta em temperaturas baixas. Estufas Têm circulação de ar quente. Nos casos de mesas térmicas ou mesas de berços. Outros equipamentos são funcionais para alguns artigos estampados. não aconteça o arraste. repete-se a cobertura. magenta. seja ele uma foto. amarelo e preto (CMYK). Secagem Devem-se observar as especificações de cada tipo de tinta. por meio de apenas quatro cores básicas: ciano. apesar de parecerem secas ao toque rapidamente.usfn Serigrafia Apostila de O quadro deve ser encostado e seguro para que. nos quadros de pequeno tamanho o estampador auxilia o registro com uma das mãos enquanto que. uma pintura etc. de qualquer tipo de original. dependendo da inclinação das retículas. O Processo de Quadricromia A quadricromia consiste na técnica que permite a reprodução. por dois minutos. e. Normalmente. Por isso. o 9 . pois o tecido após estampagem. Em mesas tradicionais. e o seu interior atinge as temperaturas e tempos de permanência do tecido estampado exigidos para cada tinta ou processo. não se deve usar o termo policromia para a reprodução de quadricromia. São de grande utilidade para diminuir os espaços ocupados pelas estamparias de mesas comuns. Os mix e brancos são produtos que. que são diferentes dos outros processos. após a secagem. muitos utilizam recursos de auxílio de pressão por meio de bastão. podendo ser empilhado. Mesas Térmicas Foram inicialmente desenvolvidas para aumentar a produção. no sentido contrário. mas não fixa sobre tecidos. como secadores. Inclinação das Retículas Ao colocar um reticulado sobre o outro. Em seguida. ele estampa. ou seja. dá-se a cobertura. Muitas estamparias costumam levantar o puff com secadores ou ferro de passar. efeito provocado pelo movimento do quadro durante o processo. A temperatura de fixação é de. no entanto. pois os morcetes se encontram sobre trilhos do lado de cima da mesa. na estampagem.

James. O critério de impressão da quadricromia é mais apurado do que a impressão com cores aplicadas. Preparação e Fechamento e Arquivos para Birôs. São Paulo: Nobel. São Paulo: Global.COLLARO. Produção Gráfica. Rio de Janeiro:2AB. 1997. A.OLIVEIRA.BAER. irregularidade na impressão ou mesmo na camada de tinta. . . P. Apostila Abitser de Tecnologia Serigráfica. Papel. 1997. São Paulo. 2005.PINTO. tinta.HORIE. 2003. Na impressão devem-se controlar alguns fatores fundamentais para a obtenção de bons resultados. São Paulo: Summus. São Paulo: Érica.Associação dos Designers Gráficos. São Paulo. Ricardo Minoru. Produção Gráfica.2001. o 10 . .1999. Produção Visual e Gráfica. deve-se controlar três aspectos de máxima importância com relação ao rodo: velocidade. Marina.NETO. Produção Gráfica I e II.usfn Serigrafia Apostila de Ciano: 105° Amarelo: 90° Magenta: 45° Preto: 75° Malha esticada: 90°. . proporciona diferença nas cores finais. impressão e acabamento. pois. como é o caso do poliuretano. apresenta melhores resultados. Produção Gráfica para designers. em se tratando de tintas transparentes. . Glossário de termos e verbetes utilizados em design gráfico. Lorenzo. . qualquer respingo. Sâo Paulo: SENAC. inclinação e pressão. Antônio Celso. Mário Carramillo. O uso de borrachas mais duras e precisas. ABC da ADG.CRAIG. Bibliografia Consultada: . Na impressão propriamente dita. .ADG .