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Apostila
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Curso de Design - UFSC Produção Gráfica I Coordenação e revisão: Berenice Santos Gonçalves Editoração e diagramação: Rafael de Queiroz Oliveira Colaboradores: Priscila Lopes
Rafael de Queiroz Olveira

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Serigrafia
Ano: 2006

usfn Serigrafia Apostila de O que é Serigrafia? A serigrafia é um processo de impressão que utiliza como matriz uma malha fina esticada numa moldura (quadro). para a impressão foi usado um bloqueio – no caso. vidro. tamanho. tinta e tela diferentes. Esse processo foi empregado em larga escala durante a Primeira Guerra Mundial. São mãos impressas em ocre. Também os egípcios usaram máscaras vazadas em papiro para ornamentar seus ambientes. foram encontrados sinais de expressão gráfica usados como reprodução. a reprodução de policromias² com meios-tons³ é possível. É possível imprimir sobre substrato de qualquer forma.organdi: tecido armado. A cor passava através dos fios sendo aplicada com um pincel. o  . Jonh Pilsworth inventou um método para imprimir várias cores. passou-se a utilizar um tecido de seda. Samuel Simon registrou patente sob o título de “Melhoramentos em/ou referentes a stencis”. É uma técnica de base simples. Durante as cruzadas. Quanto à estamparia. Em qualquer dos dois processos. Cento e cinqüenta anos mais tarde. porém sem a nitidez e a qualidade da tipografia e da litografia. Também existem tipos variados de tintas que possibilitam diferentes acabamentos. a serigrafia teve muito uso no início do século XX. metal. Mais tarde. O fato é contestado por alguns historiadores que afirmam que. cor e material. 2 . adequado para tiragens pequenas ou médias sobre papel. de algodão. Entretanto. 6 . 5 . e. bonés e uniformes em grande escala. constituindo-se em um marco inicial da história da gravura. no qual a cada nova cor bloqueava-se mais um pouco a matriz.chita: tecido ordinário. O processo espalhou-se primeiro pela Europa e depois pela Ásia.as áreas de impressão. eliminando. A serigrafia é um processo relativamente barato. 4 . porém com evolução e aplicações muito complexas. 3 . Em 1914. muito leve e transparente. o uso de pontes. como. estampado a cores. papéis etc. em que usava uma escova em lugar do rodo. em 1907. dentro da qual. Na Europa. plásticos. Ideal para imagens com cores chapadas. ficando somente a tinta (terra) onde não havia bloqueio. é o processo disponível que oferece melhor relação custo x beneficio para altas tiragens: ele é largamente utilizado para a produção de camisetas. O resto do stencil impedirá a passagem de tinta.Stencil: molde de papel ou outro material em que se recortam e eliminam as áreas onde se deseja imprimir. esse método era utilizado para a impressão da cruz vermelha em escudos e uniformes. aliado à xilogravura. época em que iniciou o processo de película fotográfica. durante a idade média. Francis Willete usou organdi5 sobre armação de madeira e um rodo de tábua revestido de chita6. Para a maior parte dos pesquisadores. O processo usado é semelhante ao da serigrafia. o processo atual de serigrafia é produto do nosso século. vermelho e preto. nas ilhas Fidji. No Japão. assim. A serigrafia é geralmente utilizada em layouts a traço¹. impressos com tintas vegetais.policromia: basea-se na justaposição de pontos das cores primárias do sistema de impressão (pigmento transparente) para a criação de uma gama de cores maior. porém com qualidade satisfatória apenas com a utilização de equipamentos automáticos para a impressão em altas tiragens. conseqüentemente. A imagem impressa apresenta-se em negativo. pois jatos de terra colorida eram lançados sobre as mãos. começa o emprego desenfreado da serigrafia no comércio ascendente americano. 1 .layout a traço: basea-se em vetores para a criação de artes ou manchas gráficas. Já no caso do uso de tecidos. por exemplo: tecido.meio-tons: é o termo utilizado quando ocorre variações de valor (acrescentando mais preto ou branco) em uma imagem. inserese a serigrafia. cujos poros são vedados nas áreas chamadas de “não impressão” e deixados abertos nas partes em que deverá haver passagem de tinta . usava-se o stencil de uma forma rústica. Histórico Já nas cavernas dos Pirineus. utilizou-se cabelo humano ou fios de seda para unir os bordos de dois papéis quando um deles era usado como uma ilha. A versatilidade é um dos pontos positivos do processo serigráfico. para imprimir naipes e estampas religiosas. uma vez que. cada cor no layout significa uma nova impressão. no século XVIII. as mãos. bem como para comunicação ligada à imagem. Nos Estados Unidos. madeira. os tecidos eram impressos utilizando-se stencil4 de folhas de plátano ou bananeira. A partir desse momento. passou-se a usar crinas de cavalo para evitar o uso de pontes.

ou liga de fósforo e bronze. Fio de baixa resistência. provocando instabilidade dimensional. onde era normal usá-la na representação da cultura urbana – irresistível para artistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein. graças à depressão. que possui excelente estabilidade dimensional devido ao grande peso. Quanto aos tipos de fio. bem como. facilitando assim o seu comércio. no âmbito da serigrafia. O preço elevado é compensado pela sua leveza e pelo ótimo resultado. tintas com pigmentos grossos. Por sua versatilidade a serigrafia tornou-se a mais popular forma de expressão da segunda metade do século XX. significa o número de fios por cm² para nylon ou poliéster. Também é usada na impressão de circuitos impressos. Metálica: São confeccionadas com fios de aço e inox. Tipos de Malha Seda: Possui boa resistência aos solventes. A limpeza é feita com soda cáustica. já que apresenta uma descarga ideal de tinta e boa definição. sendo as melhores marcas de origem suíça. 100 a 120T: Retículas até 20 linhas. Artisticamente. depósito reduzido de tinta. e uma ampla fonte de novas experiências artísticas. Fio de grande resistência. 77 a 100T: Letras grandes. apesar de apresentar melhor estabilidade dimensional e melhor resistência à tensão e umidade. pois apresenta baixo custo. Possui boa resistência aos solventes e à abrasão mecânica. impressão detalhada. pois não absorve a água como o nylon. Tornou-se verdadeiramente aceita nos anos 50. porém maior definição. a malha pode ser: S – fio fino: Proporciona menor descarga de tinta. Já o quadro de alumínio possui ótima precisão – pela estabilidade dimensional – e resistência a produtos químicos. inclusive passando a contar com uma produção de tintas especiais para ela. tornou-se popular nos anos 30. que absorve muita água. letras finas. detalhes. porém menor definição. bandeiras etc. T – fio médio: A malha com esse tipo de fio é a que tem maior uso na serigrafia em geral. Usa-se cola para o tensionamento da tela. logo superada pelo Nufilm de Joe Ulano. muito usado em casos de quadricromia ou impressos com alta definição. Existe também o quadro de ferro. que a torna empenada e frágil. Sua ampla utilização ocorreu durante a pop art. o  . nas quais a tela deve ser mantida aquecida durante a impressão. pois era adquirida por preços módicos. madeira. 34 a 49T: Tecidos grossos 49 a 77 T: Superfícies grossas e absorventes. Apresenta custo elevado e precisa de pintura para aumentar a resistência a produtos químicos e oxidação. tem baixa resistência à tensão. Materiais Tipos de Quadro O quadro de madeira é o mais usado em serigrafia artesanal. à tensão e à umidade. menos à soda cáustica e à água acima de 60°C. a serigrafia cresceu assustadoramente. Além disso. Usada para impressões industriais à quente. Os importados propiciam uma melhor qualidade nos resultados impressos.usfn Serigrafia Apostila de A medida em que foi criada a película de recorte por Luis d’Autremont. Nylon: É o tecido mais usado. HD – fio grosso: Proporciona maior descarga de tinta. 120 a 200T: Retículas finas. Lineatura O termo lineatura. Poliéster: Possui características parecidas ao nylon. Deve ser impermeabilizado com laca especial porque o uso constante de líquidos altera as características da madeira.

Com malhas coloridas. chamado bicromato. a emulsão se desprende da tela nos lugares onde se forma o desenho. Não precisa ser lixado. Redondo: Usado na impressão de tecidos e materiais muito porosos. precisa ser lixado. não deve exceder a inclinação de 50 graus para a frente. que. laranjas ou vermelhas. pode-se aumentar o tempo de exposição. seu uso é limitado pelo alto custo. Duro (86 a 95 Shore): Indicado para impressões com traços finos. . as malhas dividem-se em brancas. Essa emulsão tem a característica de ficar insolúvel em água quando exposta à luz e de se manter solúvel em áreas não expostas. Apresenta custo reduzido. antes de aplicada na tela. O bicromato deve ser misturado à emulsão nas quantidades estabelecidas pelo fabricante. Reto: Usado para impressões em papel. amarelas. Médio (76 a 85 Shore): Indicado para a maioria das impressões manuais. No entanto. na maioria dos casos. A emulsão. madeira. acetato. É isso que permite a gravação do desenho. Possui custo elevado. malhas fechadas e camadas finas de tinta. Tipos de ângulo: Macio (60 a 75 Shore): Indicado para impressões serigráficas chapadas e superfícies vitrificadas. exercendo-se certa pressão para baixo e no sentido do operador. Comparado ao bicromato. ao puxar a tinta. Deve ser puxado sempre com firmeza. o que permite matrizes mais definidas e resistentes. Borracha Sintética: Resistência boa aos solventes. As malhas coloridas apresentam a vantagem de evitar reflexão branca. Assim mesmo. desenvolvida especialmente para gravar o desenho do diapositivo (fotolito) na matriz serigráfica. Borracha Natural: Possui baixa resistência mecânica e aos solventes. deve ser preparada com um produto que lhe dará a sensibilidade à luz. Ex: vidros e cerâmicas. é de 9 partes de emulsão para 1 parte de sensibilizante (bicromato). O rodo. Classificação quanto à dureza do material do rodo: Emulsão o 4 A emulsão fotográfica é um produto especial de consistência viscosa. Apresenta custo médio. Após ser exposta à luz. provocando uma segunda exposição na emulsão. Tipos de Rodo (Puxador) Rodo é o objeto usado para deslocar a tinta sobre a tela. Existem dois tipos de emulsão: uma para trabalhos em que a tinta a ser utilizada é solúvel em água (como é o caso das tintas têxteis) e outra quando a tinta for solúvel em solvente. Força a passagem de uma maior cobertura de tinta. e ainda a possibilidade de armazenar (somente em ambiente escuro) a tela emulsionada por até três semanas antes de ser exposta. Imprime-se no ângulo de 45°. quando molhada. plásticos etc.usfn Serigrafia Apostila de A regra geral referente à lineatura é a seguinte: Até 90 fios: tecido Acima de 81: papel Cor da Malha Quanto à cor. Precisa ser lixado constantemente. Chanfrado: Usado principalmente em superfícies irregulares. sem com isso prejudicar a definição. o diazo apresenta algumas vanagens como: proporcionar maior definição e resistência. possibilitando assim a reprodução da imagem. Adequado para plastisóis. disponível nos seguintes materiais: Poliuretano: Ótima resistência mecânica e química. Outro sensibilizante muito empregado na serigrafia é o diazo. De forma alguma deve ser usado em ângulo reto ou maior.

considerando que uma camada de emulsão mais espessa requer um tempo de exposição mais longo. isentos de solventes. Puff: Tinta expansiva através de aquecimento. É importante secar a matriz em temperatura controlada. e depois as tintas de Cromia. água ou outros produtos que evaporam. existem agentes químicos específicos. que também são reconhecidos como produtos auxiliares. formando impressão em alto relevo. Não seca . com pigmentação de no máximo 3%. Sua composição permite uma cobertura razoável em tecidos escuros. Os desníveis e irregularidades prejudicam a definição da imagem. mas recomenda-se que nestes seja feito um teste prévio. Eventuais bolsas de ar resultam em matrizes menos resistentes. Pode ser usada para dar fundos em estampas e rebaixar tons de outras cores através de mistura. Mix: Tinta à base d’água para tecidos 100% algodão e mistos.Espessura uniforme: a espessura deve ser uniforme em toda a extensão da matriz. Além disso. no sentido de deixá-la mais líquida. Clear: Tinta à base d’água para tecidos claros com composição 100% algodão. Alguns detalhes devem ser levados em conta durante a aplicação da emulsão. Perolado: Tinta que tem como principal característica seu acabamento metalizado. Tintas De forma geral. menor será o tempo de secagem e vice-versa. Depois de aplicada. não deve ser utilizada água sobre a tinta de qualquer fabricante. Pode ser usada em tecidos claros e escuros. podemos dizer que as titnas a base de água são utilizadas sobre tecidos.O clear consiste em uma base incolor para pigmentação de no máximo 4% da tinta. .usfn Serigrafia Apostila de A emulsão deve ser preparada e deixada em repouso por algum tempo. Essas quatro cores irão resultar em todas as outras cores. para desaparecerem as bolhas provenientes da mistura. a base seja somente água. ou pelo menos na área da imagem. Sua aplicação na tela é feita por meio de calhas especiais. Deve ser aplicada em tecido branco para obter o resultado. trata-se de um tipo de tinta específica. e sim como um referencial para o segmento de estamparia têxtil.Superfície lisa: No lado da tela que entra em contato com o substrato a ser impresso.Consistência: A camada de emulsão tem que preencher totalmente as aberturas da malha. o 5 Plastisol: Tinta derivada de resina PVC e plastificantes. O fato de ser conhecida como tinta a base de água não significa que. Neste caso. a emulsão deve secar sob um ventilador ou uma estufa aquecida no máximo a 40°C. possibilitando sua pigmentação para que se obtenham outras cores metalizadas. Pode ser aplicada em tecidos 100% algodão ou mistos. Possui aproximadamente 99% de partes não voláteis. magenta. com a necessidade de repiques. Por sua consistência é necessária uma porcentagem maior de pigmentação para atingir a cor desejada. Não permite cobertura em tecidos escuros nem com repiques. Recomendase teste prévio em tecidos mistos ou sintéticos. de no máximo 8%. pois diferenças na espessura causam diferenças no depósito e na cobertura da tinta. Essa variação de temperatura e tempo de secagem poderá alterar o tempo de exposição. ciano e preto. . que permitem uma aplicação uniforme da camada de emulsão. A pigmentação do puff transparente deve ser de até 5%. pois a qualidade da superfície da matriz influencia na qualidade do trabalho final de serigrafia: . pois quanto maior for a temperatura. Mesmo que não possamos considerar isto como uma regra definitiva. a camada de emulsão deve ser bem lisa. prata e também incolor. Quando aplicado em tecidos escuros é necessário estampar o fundo em branco. em sua composição química. que consiste em quatro cores com uma seqüência universal de aplicação pela ordem amarelo. Clear Cromia: Tinta usada para quadricromia. Por este motivo. disponível na cor ouro. Branco Super: Tinta pronta com alto poder de cobertura para tecidos escuros. pois excesso de pigmentação pode acarretar em desbotamento da estampa ou até descascar a tinta do tecido. pode-se concluir que uma camada de espessura variável sempre terá áreas subexpostas e superexpostas. que não deve ser confundida.

 Esticagem de Telas  Processo Manual A esticagem sem o auxílio de máquinas é muito usada nos pequenos ateliers pela sua simplicidade e pelo baixo custo dos materiais a serem empregados. É importante ressaltar que esse processo manual apresenta falhas na tensão. 4 Etapas 1 . recomenda-se o uso de um rodo de poliuretano de maior dureza. revestir todo o bastidor com fita gomada. e sua limpeza com solvente sintético ou lava quadro. após a colagem do tecido há uma perda de tensão.Com bastante força. Caso necessite diluição. No processo mecânico. Pode ser aplicada em tecidos de algodão. Coloca-se o primeiro grampo.Colocar a tela. 4 . 7 8 Processo Pneumático o 6 Outro processo de esticagem à maquina é o pneumático. por dentro e por fora. puxar o cadarço sobre a tela e grampear. puxar e grampear um dos lados. visto que o tecido tende a voltar ao seu estado natural e o quadro tende a vergar para dentro. A secagem da tinta deve ser feita primeiramente com Flash Cure ou outra fonte de calor.Esticar a tela para o lado menor do bastidor. Pode ser aplicado úmido sobre úmido ou com secagens intermediares entre as cores. O tecido é tensionado através de barras e/ou garras que são acionadas mecanicamente.usfn Serigrafia Apostila de 1 à temperatura ambiente.Grampear todo o lado. Em seguida. 2 . A gravação da matriz deve ser feita com emulsão à base d’água. A vantagem deste sistema é a possibilidade de se esticar várias telas ao mesmo tempo. que pode ser molhada. A tela deve estar muito bem esticada. em equipamentos especiais. Sobre ela é colocado um cadarço que será grampeado posteriormente sobre o bastidor. 8 . sempre no ângulo de 45°. É fornecido em forma “Clear” para pigmentação (no máximo 12%) ou já pigmentado pronto para uso. que proporcionam diferentes acabamentos.Grampear todo o lado. 5 . é necessário o uso de um amaciante específico. Uma vez acabado este processo. no qual os quadros são apoiados na base de pinças. que por sua vez prendem os tecidos. Processo Mecânico Os processos de esticagem à máquina. sobre o bastidor. deve ser colocada em estufa à temperatura de 165 a 170° por 3 minutos. Esse processo não pode ser usado no caso de quadros de alumínio ou de ferro. No momento do acionamento. ao mesmo . Existem plastisóis de diversos tipos. 6 .Esticar o outro lado do ângulo e grampear a ponta. são mais seguros.Puxar a tela em diagonal para o ângulo ainda não grampeado. quando se mostra necessário prender a tela por meio de cola. por isso não é necessária a limpeza da matriz em horas paradas. 6 7 . Em seguida. garantindo melhor tensão na tela. cobrir com verniz marítimo. sintéticos ou mistos. são colocados sobre uma mesa um ou mais quadros.Fazendo forte tensão. o que pode causar problemas no registro de cores. 5 3 . A principal desvantagem é que como os quadros estão independentes do tecido. puxar o lado restante e grampear. Para a impressão. inclusive avançando 1 cm sobre a tela.

sujeita contaminante e/ou oleosa. caso ocorra um pequeno erro de registro. é necessário que se tenha um fotolito7 a ser reproduzido. um seco e outro molhado em thinner. Sobre ele é colocado o lado exterior da tela. É utilizado para obter-se um contorno nítido e perfeito. é a técnica mais expressiva da serigrafia. Desengraxe das Telas Uma vez tensionadas as telas devem ser desengraxadas e limpas para eliminar qualquer poeira. Possui a característica de um molde vazado. pode ser impresso em jato de tinta ou desenhado com nanquim. Quando o filme cola (muda de cor). Sabões também não servem pois deixam a superfície da malha muito alcalina. Feito isso. a imagem (texto. Uma vez seco o filme. Proporciona o uso do gestual na técnica serigráfica. O desenho que será reproduzido não deve possuir muitos detalhes pois deverá ser cortado com estilete (o filme). apresenta uma cor laranja mais forte do que as regiões não coladas. pegam-se dois pedaços de estopa. podem ser feitos com emulsão sem o uso de sensibilizante. cuidando para que o thinner não desmanche o filme. foto. Principais Técnicas de Serigrafia Estêncil Consiste em recortar um papel.) que se deseja imprimir. preenchendo-se todas as áreas a serem impressas. pois estes detritos prejudicam a aderência da emulsão na malha e diminuem o tempo de vida da matriz. As partes laterais da tela. Coloca-se o filme sobre uma superfície lisa com o lado fosco para cima. O filme de recorte é aplicado na parte exterior da tela. resultando numa tensão menos sujeita a variação. O filme deve ser um pouco maior que o desenho. O filme é removido com thinner forte e a emulsão com água. impossibilitando assim um trabalho mais refinado. Constitui-se de uma base de acetato sobre a qual existe uma camada de goma laca. Portanto. Emulsão Direta Praticamente restrita à serigrafia artística. Deve-se tomar cuidado na sua confecção.Fotolito: película transparente coberta por emulsão fotossensível. com pressão moderada para que a base de acetato não seja danificada. Fixa-se o desenho sobre uma base plana. bem como retoques. Álcool ou solventes não servem para a limpeza das malhas. A seguir. Filme de Recorte 7 .Como método alternativo. pois não retiram a poeira e apenas espalham a gordura de um lado para o outro. penetra nas malhas da tela. Consiste em pincelar. Com pedaço o molhado pressiona-se levemente. Havendo falhas na aderência. retira-se toda a laca das áreas a serem impressas. Com o estilete percorre-se todo o desenho. retira-se o acetato. É uma das técnicas mais primitivas. proporcionando um trabalho rápido e de baixo padrão de qualidade. Camadas finas podem ser feitas pelo lado interno. por meios fotomecânicos. é recomendável o uso dos produtos desenvolvidos especificamente para a preparação de malhas serigráficas. o estêncil é colocado sobre o substrato (papel. e com o seco pressiona-se até o thinner seque. etc. Processo Fotográfico o 7 Para esse processo. que pode ser . deixando ilesas as partes que não serão impressas. filme (positivo ou negativo)ou jogo de filmes que reproduz textos e ilustrações e server de matriz para gravação de chapas para impressão offset e de telas para impressão em serigrafia. e em cima dele e prende-se o filme de recorte com o lado fosco para cima. uma vez que a tinta passará onde não houver emulsão. onde se registra.usfn Serigrafia Apostila de tempo em que o tecido é “puxado” para trás as pinças “empurram” os quadros para a frente. É feito um fotolito para cada cor. para evitar riscos brancos ou falhas. tiragem e acabamento. sempre sobrepondo-se um pouco sobre o outro. ou seja. tecido etc) a ser impresso e sobre ele é colocada a tela na qual ele grudará no momento em que a tinta for puxada com o rodo. Uma vez confeccionado. respingar ou desenhar diretamente sobre a tela (lado externo). podese repetir o processo. utilizando-se thinner especial. Este movimento faz com que haja uma compensação e que a força que o tecido faz para voltar ao seu estado natural seja neutralizada pela força que o quadro também faz para voltar ao seu estado natural.

Atrás da tela. alinhando as matrizes pelo que foi impresso. Se o problema insistir. a espessura da camada de emulsão (quanto mais grossa. pois pode criar luz branca ao refletir na parede branca. é indispensável conferir as condições da matriz que será usada. É aplicada pelo lado externo da tela com uma régua ou calha completamente lisos e de tamanho inferior a um dos lados da tela. O desenho gravado ficará todo aberto. O tempo irá variar conforme o tipo de lâmpada. mais tempo de exposição). Impressão Retoque da Matriz Antes de se iniciar a impressão. centralizando-os verticalmente. acima e abaixo do grafismo a ser gravado. as quais definem a área de refile. devem ficar mais tempo na mesa de luz para que ocorra uma seleção de retículas. passa-se outra camada de emulsão. deve-se olhar contra a luz vermelha para ver se há alguma falha. repete-se a operação. nos cantos da peça gráfica. o que possibilitará a passagem da tinta no momento da impressão. Quando dois ou mais fotolitos forem gravados na mesma tela. . a distância da tela à fonte de luz. ficando resistente à água. duas marcas de registro* ( ) . Coloca-se o fotolito sobre a mesa na posição como irá ser impresso. Esta mistura pode ser preservada por até 90 dias. deixa-se 5 cm de cada lado da tela. . *Marcas de registro Registro **Marcas de corte o 8 O registro pode ser definido como a coincidência de impressões sucessivas. logo a impressão de cada matriz deve estar alinhada à das outras. numa temperatura de aproximadamente 15°C e longe da luz. Sobre ele. suportando apenas lâmpada vermelha ou amarela.Gravação: expõe-se à luz de lâmpada foto-flood ou ultravioleta.também conhecidas como cruz de registro ou mosca. a uma distância de 50 cm. Para marcar o registro diretamente na tela. . . cuidando para não amolecer a primeira camada. pois a emulsão só endurece nas partes que receberam luz. coloca-se um papel preto. coloca-se a tela sob um jato de água. Quando a emulsão estiver seca. Deve ser verificado se o vidro da mesa de gravação está bem limpo. varia conforme o desenho a ser gravado – linhas mais finas devem ficar menos tempo em exposição. sobretudo. A tela deve ser seca (com um ventilador ou estufa) em câmara escura. Para retocar a matriz. Em cima de tudo vai uma superfície regular de vidro ou madeira. sobreposta por pesos regulares para que o fotolito tenha perfeito contato com a tela. já as retículas conseguidas com o giz de cera no papel vegetal.Preparação da matriz: a emulsão a ser usada deve ser preparada na proporção de 9 partes para uma de sensibilizante. deve-se deixar um espaço de 6 a 7 cm entre eles para facilitar a posterior impressão. A segunda camada deve ser de uma passada precisa. eliminando a possibilidade da tela ficar aberta nas partes de névoa escura que fica em volta das retículas. A imagem gravada começará a aparecer no momento em que a emulsão começar a soltar. ocorrerá vazamento de tinta por estes locais. mas. utilize a própria emulsão sensibilizada e vede as falhas com um pincel. Deve-se vedar com fite crepe as áreas próximas à moldura. coloca-se a tela voltada com a face externa para baixo. umidade atmosférica etc. Os retoques podem ser feitos com emulsão com ou sem sensibilizante. No processo de serigrafia. fazendo a emulsão abrir onde não deve.usfn Serigrafia Apostila de um fotolito normal em Kodalite ou preparado artesanalmente sobre acetato. à cada uma delas. para que a emulsão percorra igualmente sobre a sua superfície. Caso contrário. e sobre ele é posta uma camada de esponja. ou seja. cada cor exige uma matriz específica. A lâmpada não pode permanecer ligada todo o tempo de secagem. O registro na estamparia têxtil é feito por meio de encosto dos parafusos no trilho. Para corrigir. o que quase sempre se faz necessário. para posterior refile.Revelação: após a exposição à luz. falta de emulsão. Deve-se isolar com fita o desenho a ser impresso posteriormente. Para facilitar a impressão. papel vegetal ou poliéster. marcas de corte** ( ) . Insere-se também. pois pontos de sujeira impedem a passagem da luz. adiciona-se.

usfn Serigrafia Apostila de O quadro deve ser encostado e seguro para que. descasca. Mesas Térmicas Foram inicialmente desenvolvidas para aumentar a produção. muitos utilizam recursos de auxílio de pressão por meio de bastão. magenta. mas não como polimerizadores. Outros equipamentos são funcionais para alguns artigos estampados. de qualquer tipo de original. Por isso. Repique O repique acontece quando. após a secagem. no sentido contrário. Secagem Devem-se observar as especificações de cada tipo de tinta. É preciso esclarecer que isso é apenas um repique e não dois como se costuma indicar. mas não fixa sobre tecidos. com a outra. na estampagem. Nos casos de mesas térmicas ou mesas de berços. por dois minutos. apesar de parecerem secas ao toque rapidamente. o registro é obtido por dois movimentos: o movimento de encosto do quadro no trilho e o movimento de encosto no morcete. O Processo de Quadricromia A quadricromia consiste na técnica que permite a reprodução. principalmente onde são necessários os repiques. não precisa ficar pendurado para secar. um desenho. Em seguida. o 9 . para terem seu acabamento perfeito. não tem solidez. Nas mesas de berços ou mesas térmicas o movimento é o mesmo. São de grande utilidade para diminuir os espaços ocupados pelas estamparias de mesas comuns. na estampagem de um artigo. pois o tecido após estampagem. O puff realmente levanta em temperaturas baixas. Já nos quadros de formato grande. que pode ser evitado na quadricromia através das inclinações corretas para as retículas em serigrafia. que são diferentes dos outros processos. Inclinação das Retículas Ao colocar um reticulado sobre o outro. necessitam de dois repiques. no entanto. Os mix e brancos são produtos que. uma pintura etc. Normalmente. com extrema fidelidade. exercendo pressão no quadro do outro lado da mesa. e. inicia-se a escala industrial de produção. 70 a 80°C. seja ele uma foto. Em mesas tradicionais. Mesmo as tintas que secam ao ar precisam de tempo para a cura completa. o produto esfarela. repete-se a cobertura. Por isso. ou seja. Em máquinas automáticas. Em qualquer caso é importante que o estampador mantenha o quadro no registro preciso durante a estampagem. ele estampa. é recomendável esperar cerca de 72 horas antes de lavar a estampa impressa. Estufas Têm circulação de ar quente. não se deve usar o termo policromia para a reprodução de quadricromia. pois os morcetes se encontram sobre trilhos do lado de cima da mesa. ou seja. Quando isso não ocorre. e o seu interior atinge as temperaturas e tempos de permanência do tecido estampado exigidos para cada tinta ou processo. não aconteça o arraste. os registros são obtidos nos “raports” após leitura feita pelas fotocélulas e transferidos eletricamente para o conjunto pneumático. podendo ser empilhado. por meio de apenas quatro cores básicas: ciano. A temperatura de fixação é de. Muitas estamparias costumam levantar o puff com secadores ou ferro de passar. nos quadros de pequeno tamanho o estampador auxilia o registro com uma das mãos enquanto que. Já o termo policromia significa a reprodução de qualquer original com mais de uma cor. dependendo da inclinação das retículas. pode-se obter o indesejado efeito de moirè. no mínimo 120°C. As mesas térmicas também ajudam bastante na aceleração do trabalho. o registro é ajudado com o apoio do corpo do próprio estampador. amarelo e preto (CMYK). dá-se a cobertura. efeito provocado pelo movimento do quadro durante o processo. como secadores.

Papel. . Produção Gráfica. São Paulo: Érica. Mário Carramillo.OLIVEIRA. o 10 .NETO.ADG . em se tratando de tintas transparentes.usfn Serigrafia Apostila de Ciano: 105° Amarelo: 90° Magenta: 45° Preto: 75° Malha esticada: 90°. qualquer respingo. Antônio Celso. Bibliografia Consultada: . Glossário de termos e verbetes utilizados em design gráfico. Rio de Janeiro:2AB. 2005. Ricardo Minoru. São Paulo.CRAIG. São Paulo: Nobel.COLLARO. . deve-se controlar três aspectos de máxima importância com relação ao rodo: velocidade. Produção Gráfica para designers. 1997.1999. Na impressão propriamente dita.PINTO. Preparação e Fechamento e Arquivos para Birôs. Apostila Abitser de Tecnologia Serigráfica. . A. O critério de impressão da quadricromia é mais apurado do que a impressão com cores aplicadas. . tinta. Sâo Paulo: SENAC. . ABC da ADG. Na impressão devem-se controlar alguns fatores fundamentais para a obtenção de bons resultados. . São Paulo: Summus. impressão e acabamento. proporciona diferença nas cores finais.Associação dos Designers Gráficos.BAER. irregularidade na impressão ou mesmo na camada de tinta. O uso de borrachas mais duras e precisas. Produção Gráfica. Marina. 2003. Produção Visual e Gráfica. Produção Gráfica I e II.HORIE. pois. São Paulo. Lorenzo. São Paulo: Global. inclinação e pressão. P.2001. apresenta melhores resultados. 1997. . como é o caso do poliuretano. James.

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