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Mensageira

do Senhor
O Ministério Profético de Ellen G. White

“Cedo, em minha juventude, foi-me perguntado

várias vezes: Você é uma profetisa? Tenho respondido

sempre: Sou a mensageira do Senhor. ... Meu Salvador

declarou-me ser eu Sua mensageira.”

– Mensagens Escolhidas, livro 1, pág. 32.

Herbert E. Douglass

Tradução
José Barbosa da Silva

Casa Publicadora Brasileira


Tatuí, São Paulo
Sumário
Prefácio ix
Agradecimentos xi
Apresentação xiii

SEÇÃO
CAPÍTULO O Sistema Divino de Comunicação

1 O Revelador e o Revelado 2
2 Deus Fala Pelos Profetas 8
3 Características dos Profetas 26

II

SEÇÃO
A Verdadeira Ellen White

4 A Pessoa e a sua Época 44


5 Mensageira, Esposa e Mãe 52
6 Saúde Física 62
7 Características Pessoais 68
8 Como Outros a Conheceram 80
9 Bom Humor, Bom Senso e Conselheira Prática 94
10 Pioneira Americana e Mulher Vitoriana 102
11 A Escritora Prolífica 108
12 A Oradora Solicitada 124

III
SEÇÃO
A Mensageira que Escuta

13 Transmitindo a Mensagem de Deus 134


14 Confirmando a Confiança 144
15 Instruções e Predições Oportunas 150
16 Percepção da Mensageira Sobre Si Mesma 170

v
IV
SEÇÃO
VII

SEÇÃO
CAPÍTULO
A Voz de um Movimento CAPÍTULO
Como Avaliar a Crítica
17 Organização e Desenvolvimento Institucional 182 41 A Verdade Ainda Liberta 468
18 Crises Teológicas 194 42 Crítica Sobre Relacionamentos Pessoais 478
43 Predições e Observações Científicas 486
19 Evangelismo Regional e Relações Raciais 210 44 A Porta Fechada – Estudo de um Caso 500
20 Mordomia e Relações Governamentais 220
21 Dissidentes, Dentro e Fora 228
21a Personalidades do Mundo Adventista de Ellen G. White (Seção de Fotos) 239

VIII

SEÇÃO
V
SEÇÃO

Relevância Permanente da Mensageira do Senhor


Promotora de Conceitos Inspirados 45 Preenche Ellen White as Condições? 514
46 Ela Ainda Fala 528
47 Mensageira e Mensagem Inseparáveis 534
22 O Tema Unificador 256
23 Esclarecimento Acerca das Principais Doutrinas 268
24 Princípios de Saúde/1: Surgimento de uma Mensagem de Saúde 278 Apêndice A Reuniões Campais no Início do Século Dezenove 542
25 Princípios de Saúde/2: Relação Entre Saúde e Missão Espiritual 288 Apêndice B Contexto da Troca de Correspondência Entre Tiago
26 Princípios de Saúde/3: Melhor Qualidade na Saúde Adventista 300 e Ellen White em 1874 543
27 Princípios de Saúde/4: Princípios e Práticas 310 Apêndice C Trechos do livro de Robert Louis Stevenson
28 Princípios de Saúde/5: Um Século de Princípios de Saúde 320 Across the Plains (1892) 544
29 Educação/1: Princípios e Filosofia 344 Apêndice D Lista Parcial das Visões de Ellen G. White 546
Apêndice E Pressuposições Básicas Compartilhadas Pela Maioria
30 Educação/2: Estabelecendo Instituições Educacionais 354
dos Críticos da Questão da Porta Fechada 549
31 Princípios Editoriais, Sociais e de Temperança 362
Apêndice F Condicionada Pelo Tempo ou Relacionada com o Tempo? 550
Apêndice G O Progresso de Ellen White na Compreensão das Próprias Visões 552
Apêndice H Ellen White Enriqueceu a Expressão “Porta Fechada” 554

VI
SEÇÃO

Apêndice I Ellen White Liderou o Desenvolvimento de uma


Mensagem Orientada Pela Bíblia 555
Como Escutar a Mensageira Apêndice J Resposta Quanto à Supressão da Expressão “Mundo Ímpio” 557
Apêndice K Por que Ellen White Parecia Alcançar Somente os Defensores
32 Hermenêutica/1: Princípios Básicos 372 da Porta Fechada 559
33 Hermenêutica/2: Regras Básicas de Interpretação – Internas 386 Apêndice L Principais Acusações Contra Ellen White Sobre a
34 Hermenêutica/3: Regras Básicas de Interpretação – Externas 394 Questão da Porta Fechada e Refutações Através dos Anos 560
35 Hermenêutica/4: Os Escritores Bíblicos e Ellen White 408 Apêndice M Carta de 13 de Julho de 1847 a José Bates 566
Apêndice N Última Vontade e Testamento de Ellen G. White 569
36 Hermenêutica/5: Autoridade e Relação com a Bíblia 416
Apêndice O Comentários de Líderes Nacionais, no Início da Década de 1860,
37 Hermenêutica/6: A Autoridade de Ellen White em sua Época 426
a Respeito da Crise Escravista 572
38 Hermenêutica/7: Congresso Bíblico em 1919 434 Apêndice P A Elipse da Verdade da Salvação 573
39 Como os Livros Foram Escritos 444 Bibliografia 576
40 Como os Livros Foram Preparados 456 Índice Geral 580

vi vii
M E N S A G E I R A D O S E N H O R
O ministério profético de Ellen G. White

Prefácio
E
m meados da década de 1950, T. Housel Jemison, um dos diretores associados do Pa-
trimônio Literário White, escreveu um livro intitulado A Prophet Among You. Essa
abrangente obra sobre o dom de profecia focalizou especificamente a vida e o minis-
tério de Ellen G. White e foi, durante muitos anos, utilizada nos colégios adventistas
como livro didático sobre o dom de profecia.
Em décadas recentes, porém, temos aprendido muita coisa a respeito de inspiração/revela-
ção. Foi isso o que levou os Depositários do Patrimônio Literário White em 1989 a autorizar
a produção de um novo livro. Entre os patrocinadores desse projeto, acham-se o Patrimônio
Literário White, e também o Departamento de Educação e o Conselho de Educação Supe-
rior da Associação Geral.
Herbert E. Douglass foi a pessoa escolhida para escrever este livro. O Dr. Douglass, pro-
fessor de Espírito de Profecia em seminários teológicos, também havia trabalhado como di-
retor de colégio, redator associado da Adventist Review e editor de livros da Pacific Press.
Ele começou a trabalhar no projeto imediatamente, fazendo uma pesquisa completa sobre
o assunto.
Embora as referências ao longo do livro reflitam a influência de uma plêiade de eruditos e
de idéias, o fato de um autor ser citado a respeito de determinado assunto não deve ser en-
tendido como endosso a ele nem a todas as idéias e posturas por ele defendidas.
Cremos que este livro apresenta o ministério profético de Ellen G. White de um modo que
o torna atrativo tanto para jovens como para idosos. Ao invés de abordar o assunto partindo do
abstrato para o pessoal, ele o faz do pessoal para o abstrato. Em resultado, os leitores vão conhe-
cer o dom de profecia à medida que obtiverem informações pessoais sobre a Sra. White. Além
disso, eles serão dirigidos para mais perto do Deus pessoal a quem ela servia; admirarão a ma-
neira sábia e cuidadosa como Ele transmitia Suas mensagens a Sua mensageira; e ficarão sur-
presos ao observarem o modo como Ele a guiou através dos campos minados da teologia, da
medicina e da sociologia de sua época.
Os leitores encontrarão no fim de cada capítulo uma série de perguntas que os levará a um
estudo mais avançado e profundo do assunto abrangido pelo capítulo. As perguntas podem
funcionar como uma recapitulação do capítulo e podem ser um estímulo à pesquisa, aumen-
tando a compreensão dos leitores sobre o tema apresentado.
Cremos que todos quantos lerem este livro compreenderão melhor a maneira como Deus
atua por meio de Seus profetas, e ficarão profundamente convictos de que Ellen White rece-
beu o chamado divino para o ofício profético. Enfrentarão o futuro com confiança renovada
e fé robustecida, exclamando juntamente com a mensageira de Deus: “Nada temos que re-
cear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado,
e os ensinos que nos ministrou no passado.” – Life Sketches, pág. 196 (ver Mensagens Escolhi-
das, livro 3, pág. 162).

Depositários do Patrimônio Literário White


Silver Spring, Maryland
ix
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O ministério profético de Ellen G. White

Agradecimentos
O
s livros não surgem do nada. Uma sões presentes no texto, muito contribuíram
vida toda de influências se derra- para o nível de exatidão deste livro. Além
ma na mente do escritor, e todas destes dois eruditos, sinto-me em grande dé-
aquelas pessoas, livros e professo- bito para com os Drs. Robert Olson e Roger
res do seu passado superlotam o ônibus cere- Coon, que, em anos anteriores, fizeram meti-
bral que o autor dirige na elaboração do seu culosa pesquisa sobre muitos dos temas trata-
manuscrito. Embora o escritor reconheça dos neste livro.
plenamente que foram outros que encheram Entre muitos outros que prestaram ajuda e
para ele este imenso reservatório, ser-lhe-ia forneceram sugestões oportunas, encontram-
impossível agradecer a todas essas contribui- se meu irmão Melvyn, que atuou como meu
ções, pois elas se transformaram em pensa- “navegador” no misterioso mundo da Inter-
mentos sem rosto. net, localizando em muitas ocasiões, quase
Contudo, na tarefa específica de atender à que instantaneamente, informações as mais
solicitação do Conselho de Educação Supe- vagas; os Drs. John Scharffenberg e Gary
rior da igreja e do Patrimônio Literário White, Fraser, que leram pacientemente os capítulos
o autor deseja reconhecer o mérito daqueles que sobre saúde e fizeram contribuições; o Dr. Ri-
tornaram possível a produção de um livro um chard Schwarz, que usou seu micrômetro his-
tanto técnico como este. toriográfico na revisão das últimas páginas; e
Sem a enorme visão e a habilidade edito- Francis Wernick, Neal Wilson e Rowena
rial de Kenneth H. Wood, este livro não te- Rick, membros da Comissão de Depositários
ria sido idealizado nem completado em seu do Patrimônio Literário White, que leram e
estado atual. Seu estímulo empático e suas criticaram o original.
percepções durante os mais de três anos de Desejo também expressar apreço especial
pesquisa e redação do material estabelece- a eruditos e especialistas capazes como P. Ge-
ram as condições de raciocínio em áreas que rard Damsteegt, Frizt Guy, Bert Haloviak,
muitos consideram nebulosas. Roland Hegstad, Robert Johnston, Mervyn
Os dois diretores do Patrimônio Literário Maxwell e Alden Thompson, os quais parti-
White – Paul Gordon e Juan Carlos Viera – lharam suas valiosas idéias sobre certos pon-
em cuja administração fui incumbido de es- tos do texto.
crever este livro e durante a qual o concluí Nenhum escritor pode ir muito longe sem
deram-me não somente estímulo, mas tam- uma editora que o compreenda e o estimule.
bém excelentes sugestões em pontos decisi- Robert Kyte e Russell Holt deram os reto-
vos. A incansável e eficiente diretora associa- ques necessários nos momentos exatos, o que
da, Norma Collins, inseriu pacientemente na conservou a janela para o futuro sempre
cópia final em computador as muitas suges- aberta e cheia de luz. Eles estavam resolvidos
tões e os comentários do autor, freqüente- a fazer do produto de suas mãos algo digno do
mente revisados. assunto deste livro.
O Patrimônio Literário White tem a sor- E a tudo isso acrescento a contribuição de
te de poder contar com dois experientes eru- minha compreensiva esposa, querida Norma,
ditos em suas especialidades particulares – que durante três anos e meio continuamente
Jim Nix em história e doutrinas adventistas, reajustou prioridades ao captar as dimensões
e Tim Poirier, arquivista e técnico perito dos desta tarefa. A Deus seja a glória!
materiais de Ellen White. Conquanto eles
não sejam responsáveis pelos erros ou omis- Herbert E. Douglass
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O ministério profético de Ellen G. White

Apresentação
pectos de seu longo ministério. Este livro

E
ste livro foi escrito com dois propósi-
tos em mente: (1) fornecer aos ad- apresenta abundantes razões que confirmam
ventistas do sétimo dia uma nova sua alegação de ser mensageira de Deus; for-
perspectiva da vida e do testemunho nece ampla evidência capaz de satisfazer a
de Ellen White e (2) fornecer para colégios e mente mais perspicaz.
universidades material de pesquisa sobre o
dom de profecia, especialmente conforme Convicção, Autoridade e Confiança

manifesto na vida e ministério desta inspira- A preocupação do autor é com a maneira pe-
la qual jovens e idosos adquirem convicção.
da mensageira de Deus.
Existe acaso alguma “autoridade”, em algum
Algumas pessoas, a quem falta clara com-
lugar, capaz de falar com tal clareza que satis-
preensão da maneira como funciona a reve-
faça tanto à mente como ao coração?
lação/inspiração, deixaram que “problemas”
Os adventistas do sétimo dia respondem:
e críticas enfraquecessem ou destruíssem sua
“Sim! Há uma Autoridade.” Apontamos pa-
confiança nos setenta anos do ministério
ra Aquele que nos fez, a quem chamamos
singular da Sra. White. Apesar disso, mi-
Deus – o Deus que Se comunica. Além dis-
lhões de pessoas ao redor do mundo conside-
so, Ele nos fez com a capacidade de respon-
ram Ellen White uma líder religiosa inspira-
der-Lhe. Que pensamento maravilhoso! Fo-
da que marcou época. Essas pessoas percebe-
mos feitos para escutar a nosso amigável
ram que o amor que sentiam por Jesus se
Criador! E quando escutamos, ouvimos a
aprofundou à medida que a escritora lhes di- verdade sobre quem somos, por que existi-
rigiu a mente para a Bíblia, sua principal mos e que espécie de futuro eterno Ele pla-
fonte de esclarecimento e alegria. Descobri- nejou para nós – se tão-somente continuar-
ram que os escritos dessa mulher fornecem mos a ouvi-Lo.
idéias claras, bastante nítidas e precisas, so- De que maneira Deus “fala” aos seres hu-
bre o viver saudável e disciplinado. Mais im- manos? “Muitas vezes e de muitas maneiras”,
portante ainda, descobriram nos escritos de- escreveu Paulo em Hebreus 1:1. Por exemplo:
la concepções coerentes com a história bí- • Por meio das obras criadas, que chama-
blica da salvação. mos “natureza”.
Deste modo, além dos dois propósitos • Por meio do Espírito Santo, que faz con-
mencionados acima, este livro foi escrito pa- tato com a consciência de cada pessoa.
ra, pelo menos, duas classes de pessoas: (1) as • Por meio de Jesus Cristo, que era o pró-
que são imensamente gratas pela produção li- prio Deus.
terária de Ellen White e desejam saber mais Mas Deus foi além. Ele sabia que milhares
sobre ela, e (2) as que possuem problemas de anos antes de Jesus vir como ser humano,
não resolvidos relativos a determinados as- homens e mulheres precisavam ouvir a Sua
xiii
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O ministério profético de Ellen G. White

versão da história do grande conflito entre o Esta visão bíblica geral ensina que nun- conflito a respeito da verdade, isto é, quem “boas novas” (o evangelho) da salvação. As
bem e o mal. ca foi desejo de Deus que homens e mu- está correto sobre a maneira como dirigir o “boas-novas” são a verdade sobre Deus e Seu
lheres ficassem na incerteza quanto ao Universo: Deus ou Satanás? A posição de modo de dirigir o Universo – um quadro em
Sistema Divino de Comunicação propósito da vida. Especialmente durante Deus é que a verdade não precisa de defesa. nítido contraste com as mentiras e calúnias
Limitado por Sua natureza humana, Jesus não o estresse sem paralelo dos últimos dias, Ela precisa apenas ser vista e demonstrada. de Satanás. Deus Se revela por meio de Jesus
podia estar em toda a parte ao mesmo tempo. Ele nos deu a certeza de que podíamos co- Satanás, que é “mentiroso e pai da mentira” Cristo, o Revelador. O Espírito Santo trans-
nhecer a verdade a respeito do futuro. (João 8:44), consegue o que quer por meio mite, por intermédio do “dom de profecia”, a
Foi assim que, para poder comunicar Sua
Sempre que homens e mulheres ouvem de engano. verdade tal qual revelada em Jesus.
mensagem, Deus acrescentou ao Seu sistema Questionador esperto e insinuador astuto, Os capítulos 4 a 12 focalizam primeira-
próprio de comunicação um plano de inter- cuidadosamente os profetas de Deus, eles
“reconhecem” que estão ouvindo a “ver- Satanás pede com instância que o “coração” mente a infância e adolescência de Ellen
mediação humana: Ele falou “muitas vezes e egocêntrico seja o árbitro final da “verdade”. Harmon. Depois, seu papel como a Sra. Ellen
de muitas maneiras... por meio dos profetas”. dade”. A verdade carrega consigo sua pró-
pria autoridade porque apela e satisfaz Uma de suas ferramentas mais eficazes é susci- G. White – esposa, mãe, vizinha, ganhadora
Heb. 1:1-3. tar dúvida, provocando hesitação e adiamento de almas e personalidade pública – exami-
nossa busca de convicção objetiva e subje-
Este sistema de comunicação “por meio de do compromisso espiritual. Por esta razão, per- nando sua vida a partir de seus escritos, bem
tiva – o vínculo entre a mente e o cora-
profetas” era bem conhecido durante os tem- verter a verdade seja da maneira que for, lan- como a partir do ponto de vista daqueles que
ção. Este livro ajudará a responder as se- çar sombras injustificadas sobre o que talvez melhor a conheceram. Pelo fato de o pensa-
pos bíblicos. O povo de Deus aprendeu por guintes perguntas: Preencheu Ellen White
experiência própria que estava na sua melhor não esteja inteiramente claro, é um ato imoral. mento e o temperamento de uma pessoa se-
as qualificações bíblicas de um profeta? É parte de uma conspiração cósmica para obs- rem grandemente determinados pelas in-
forma quando davam ouvidos aos profetas: Sob que base pode alguém considerá-la
“Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis se- curecer a verdade e frustrar os planos divinos. fluências sociais, econômicas e filosóficas do
uma autoridade em seu papel como men- Ellen White não podia ser mais clara do que seu tempo, chamaremos brevemente a aten-
guros; crede nos Seus profetas e prospera- sageira de Deus? Ao recapitular seu ativo quando pede encarecidamente para sermos ção para as circunstâncias predominantes no
reis.” II Crôn. 20:20. Além disso, eles sabiam ministério de setenta anos, que diferença francos e afastar o temor ao separar fatos de Nordeste dos Estados Unidos, e para os fato-
por experiência própria que Deus não lhes fez seu conselho na determinação do rumo opiniões. Ela sabia que a fé está em perigo toda res nacionais posteriores que provavelmente
permitiria penetrar cegamente pelo futuro. e desenvolvimento da igreja? Qual o efei- vez que impomos limites à pesquisa por temor mais influíram sobre ela enquanto ela amadu-
“Certamente, o Senhor Deus não fará coisa to de seus conselhos pessoais? Manifestou de que novas descobertas possam desestabilizar recia cumprindo a missão divina. Estudare-
alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo ela as características de coerência e de a fé. Muitas vezes, porém, ela torna evidente mos sua fascinante mistura de mulher vitoria-
aos Seus servos, os profetas.” Amós 3:7. confiabilidade e, por conseguinte, a prova que nossa fé também corre riscos quando per- na e vigorosa pioneira norte-americana.
A comunicação divina por meio dos profe- da autoridade? mitimos que a razão ou os sentimentos huma- Os capítulos 13 a 16 investigam a manei-
tas não ficou limitada aos tempos do Antigo Levaremos em conta “o peso da evidên- nos estabeleçam os limites da fé. Para ela, a ra como o dom profético atuava no ministé-
Testamento. Durante Suas últimas horas na cia”. Seu longo ministério e os frutos do seu verdade deve ser honrada, custe o que custar. rio de Ellen White. O pano de fundo históri-
Terra, nosso Senhor prometeu que esta linha trabalho são um livro aberto. Não é necessá- co das décadas de 1840 e 1850 nos ajudarão
ria nenhuma “evidência” ou “argumento” ar- Como o Livro Está Organizado a compreender o clima desfavorável que
de comunicação entre o Céu e a Terra seria
tificial para confirmar sua pretensão de ser a Este livro se divide em oito seções: existia para todo aquele que alegasse ter vi-
mantida sempre aberta – por meio do Espíri- I. O Sistema Divino de Comunicação sões. Apesar disso, o fenômeno visionário de
to Santo, o Espírito da verdade, Seu represen- mensageira de Deus.
O próprio princípio permanente empre- (capítulos 1 a 3). Ellen White proveu clareza e segurança
tante pessoal. Hoje, assim como nos tempos II. A Verdadeira Ellen White (capítulos 4 àqueles que desejavam uma explicação bíbli-
do Antigo Testamento, o Espírito Santo con- gado por Ellen White governará a viagem
que faremos juntos: “Os assuntos que apre- a 12). ca para a experiência de 1844.
tinua a falar, não apenas à consciência de ca- III. A Mensageira que Escuta (capítulos Estudaremos Ellen White como escritora
sentamos ao mundo devem ser para nós uma
da pessoa, mas por meio dos profetas: “Eu ro- 13 a 16) e oradora:
realidade viva. É importante que, ao defen-
garei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, IV. A Voz de um Movimento (capítulos • chamando a atenção para a evolução de
der as doutrinas que consideramos artigos
a fim de que esteja para sempre convosco o 17 a 21) seu estilo e conteúdo enquanto reagia às cir-
fundamentais da fé, nunca nos permitamos V. Promotora de Conceitos Inspirados cunstâncias em transição e a uma iluminação
Espírito da verdade.” João 14:16 e 17. “E Ele o emprego de argumentos que não sejam in-
mesmo concedeu uns para apóstolos, outros (capítulos 22 a 31) intensificada durante seus setenta anos de
teiramente retos. Eles podem fazer calar um VI. Como Escutar a Mensageira (capítu- ministério;
para profetas.” Efés. 4:11; ver I Cor. 12:28. adversário, mas não honram a verdade. De- los 32 a 40) • reconstituindo a maneira como, à seme-
O Espírito da verdade é também o Espíri- vemos apresentar argumentos legítimos, que VII. Como Avaliar a Crítica (capítulos 41 lhança de qualquer outro escritor, ela empre-
to de profecia! Isto significa que esses ho- não somente façam silenciar os oponentes, a 44) gou material de pesquisa para ampliar e tor-
mens e mulheres especialmente escolhidos mas que suportem a mais profunda e pers- VIII. Relevância Permanente da Mensa- nar mais específica a mensagem central que
“falaram da parte de Deus, movidos pelo Es- crutadora investigação.” – Obreiros Evangéli- geira do Senhor (capítulos 45 a 47) recebeu a missão de apresentar;
pírito Santo”. II Ped. 1:21. A igreja foi avisa- cos, pág. 299. Os capítulos 1 a 3 fazem uma breve análi- • chamando a atenção para a impressio-
da de que este sistema de comunicação da No coração do grande conflito entre Deus se do ensino bíblico relativo à maneira como nante receptividade que os não adventistas
verdade funcionaria até a volta de Jesus. e Satanás, entre o bem e o mal, acha-se o Deus tem revelado a homens e mulheres as davam a suas palavras faladas e escritas;
xiv xv
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O ministério profético de Ellen G. White

• analisando a capacidade incomum que dor agrupou os fatos de tal modo a proporcio- pode ser diferente ao seguirmos esta regra da exemplos dessa rejeição nas críticas feitas a
ela possuía de falar em meio a circunstâncias nar, em síntese, uma visão compreensiva do hermenêutica. Jesus, Jeremias, Paulo e Ellen White.
físicas que afligiriam as pessoas de seu tempo, assunto, ou resumiu convenientemente os Para entendermos Ellen White é funda- Esses capítulos não procuram contestar
ou mesmo alguém da atualidade. pormenores, suas palavras foram citadas tex- mental nossa necessidade maior de com- toda acusação ou crítica dirigida contra Ellen
Os capítulos 17 a 21 exploram o extraordi- tualmente; nalguns outros casos, porém, não preender como Deus comunica Suas men- White, mas chamar a atenção para as formas
nário relacionamento entre Ellen White e a se nomeou o autor, visto como as transcri- sagens a Seu povo por meio de Seus men- mais comuns. Depois de avaliar tais críticas,
igreja com a qual ela esteve tão intimamente ções não são feitas com o propósito de citar sageiros. Em anos passados, os adeptos da o leitor será capaz de estabelecer a diferença
ligada durante setenta anos. Nenhuma outra aquele escritor como autoridade, mas porque inspiração verbal ficaram grandemente entre a humanidade do vaso terreno e a au-
pessoa afetou de maneira tão direta o cresci- sua declaração provê uma apresentação do perturbados com o que parecia serem “er- toridade da mensagem transportada por esse
mento e a formação da Igreja Adventista do assunto, pronta e positiva. Narrando a expe- ros” e “contradições” bíblicas. Esta mesma vaso. (Ver II Cor. 4:7.)
Sétimo Dia, tanto teológica quanto institucio- riência e perspectivas dos que levam avante confusão entre a inspiração mecânica ou O capítulo 44 é um estudo da questão da
nalmente. Ela teve muito que ver com o pla- a obra da Reforma em nosso próprio tempo, na forma de ditado (cada palavra seria “porta fechada”, que foi, por mais de um sé-
nejamento estratégico da denominação. Da fez-se uso semelhante de suas obras publica- uma transcrição exata do que Deus falou culo, grande fonte de controvérsia.
Austrália até a Europa e através de toda a das.” – O Grande Conflito, pág. 7. ao profeta) e a inspiração do pensamento
América do Norte se buscava seu conselho a O princípio organizacional que, à seme- (Deus inspirou os profetas, não suas pala- Como Ellen Preenche as Condições
respeito do estabelecimento de escolas, insti- lhança de um ímã, reuniu este material é, em vras) tem perturbado muitas pessoas que Na última seção, “Relevância Permanente
tuições de saúde e casas editoras. Seus escritos sua síntese, o Tema do Grande Conflito. Pe- lêem os escritos de Ellen White. Mostrare- da Mensageira”, perguntamos: Preenche Ellen
tornaram-se faróis de luz a serem avidamente lo fato de ver a Bíblia como um todo e a re- mos como esta compreensão incorreta do White as condições de uma mensageira de
estudados pelas gerações posteriores. lação de suas partes, Ellen White esclareceu processo de revelação/inspiração levantou Deus nos tempos modernos? Seu ministério
Os capítulos 22 a 31 examinam o papel as questões básicas relativas ao caráter de dúvidas e críticas injustificadas contra de setenta anos estabelece suas credenciais
de Ellen White como educadora conceitual. Deus, a natureza do homem, o surgimento do Ellen White. como mensageira divina? Consideraremos
Ela possuía a capacidade singular de sinteti- pecado e a maneira como Deus planeja final- Uma questão igualmente importante é a a maneira como realizou seu trabalho, tan-
zar a clara mensagem profética com a expe- mente tratar com este planeta rebelde. relação existente entre os escritos de Ellen to em público como em particular, e reca-
riência humana e as idéias de outros. A par- A compreensão do Tema do Grande Con-
White e a Bíblia. Procuraremos entender ex- pitularemos a relação, por assim dizer, inse-
tir desta síntese desenvolveu, de maneira fir- flito por parte de Ellen White forneceu ex-
pressões como “níveis de inspiração”, “reve- parável que havia entre o seu ministério e
me e uniforme, um corpo de pensamento traordinária estabilidade e harmonia à Igreja
lação progressiva”, “autoridade canônica” e o desenvolvimento da Igreja Adventista do
distintamente integrado e coerente, com Adventista à medida que esta desenvolvia
“luz menor, luz maior”. Sétimo Dia.
fundamento bíblico firme e sólido. Esta inte- sua teologia e estrutura denominacional. Es-
Nos capítulos 39 e 40, examinaremos co- Os adventistas do sétimo dia geralmente
gração unificou sua vasta contribuição aos sa compreensão tornou-se o centro concei-
princípios práticos da educação, evangelis- tual que lhe permitiu proporcionar conforto mo Ellen White escrevia seus livros. Obser- têm crido que Ellen G. White foi a mensa-
mo, organização e saúde, pelos quais os ad- pessoal e correção teológica em situações em varemos como se relacionava com suas assis- geira de Deus. Por que os adventistas de sua
ventistas do sétimo dia se tornaram ampla- que outras organizações religiosas geralmen- tentes de redação e o papel que estas desem- época chegaram a tal conclusão, e por que,
mente conhecidos. te se fragmentam. penharam na produção dos livros Caminho a desde sua morte, os adventistas continuam
Na seção 6, “Como Escutar a Mensagei- Cristo, O Desejado de Todas as Nações e O chegando a esta mesma conclusão?
O Tema do Grande Conflito ra”, os capítulos 32 a 38 enfatizam a maneira Grande Conflito. Nas páginas de encerramento deste livro,
Analisaremos a maneira como usou ela deter- como homens e mulheres devem “ouvir” a Nos capítulos 41 a 43, faremos uma ava- perguntamos: Até que ponto Ellen White é re-
minados princípios de pesquisa à medida que mensagem de Ellen G. White. Qualquer es- liação das críticas em relação a Ellen White. levante para os dias atuais? Ela morreu em
processava e transmitia a verdade. Instrutiva tudo de documentos escritos, sejam eles so- Os profetas inevitavelmente serão criticados 1915. Será que ela é capaz de falar de modo
é sua introdução ao Grande Conflito: “Os netos shakespeareanos sejam trechos das Sa- por seus contemporâneos, principalmente significativo a um povoado global transistori-
grandes acontecimentos que assinalaram o gradas Escrituras, envolve “hermenêutica”, porque se encontram muito à frente na zado, onde a informação via Internet entre os
progresso da Reforma nas épocas passadas isto é, o emprego de princípios de interpreta- compreensão do conflito de Deus contra o computadores por todo o planeta é instantâ-
constituem assunto da História bastante co- ção que ajudam o leitor a entender o autor. mal. Nenhum profeta bíblico desfrutou de nea, onde a ciência parece ter sempre, “no mo-
nhecidos e universalmente reconhecidos pe- Examinaremos regras de interpretação que condições favoráveis ao cumprir a tarefa mento exato”, mais uma solução para as neces-
lo mundo protestante; são fatos que ninguém nos ajudarão a determinar o que Ellen White que lhe fora confiada. Este fato lastimável sidades do mundo? Embora as circunstâncias
pode negar. Esta história apresentei-a de ma- queria dizer para aqueles que a ouviam e o nos leva a refletir que uma geração mata tenham mudado drasticamente, e o mundo só-
neira breve, de acordo com o objetivo deste que esses mesmos escritos significam em seus profetas apenas para que a próxima cio-político seja extremamente diferente, per-
livro e com a brevidade que necessariamente tempos modernos. Uma das regras, por construa monumentos em honra deles. ceberemos que os escritos de Ellen White fa-
deveria ser observada, havendo os fatos sido exemplo, é levar em conta o tempo, o lugar Algumas críticas têm sua origem na rea- lam de maneira incisiva aos nossos dias, sendo
condensados no menor espaço compatível e as circunstâncias ao fazermos uma aplica- ção constante daqueles que se opõem à ver- neste tempo do fim cada vez mais relevantes.
com sua devida compreensão. ção atual de seu conselho. Os princípios são dade porque esta contraria inclinações pes-
“Em alguns casos em que algum historia- permanentes, mas a aplicação do princípio soais ou orgulho de opinião. Encontramos O Autor
xvi xvii
I

SEÇÃO
O Sistema Divino
de Comunicação

CAPÍTULO
1 O Revelador e o Revelado

2 Deus Fala Pelos Profetas

3 Características dos Profetas


M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I

1
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
O Sistema Divino de Comunicação
terminados homens e mulheres que logo co- sageiros do evangelho, que falaram pelo po-
municam a outros a verdade sobre Jesus. Eis a der do Espírito Santo mandado do Céu,
descrição da função do Espírito: “Falar a res- anunciaram a vocês essas verdades. Essas são
peito de” Jesus por meio de pessoas dotadas coisas que até os anjos gostariam de enten-
com o dom de profecia. Conhecer Jesus e

O Revelador
der.” I Ped. 1:8-12.
aquilo que Ele nos pode dizer sobre Deus é a Os profetas verdadeiros não são motivados
informação mais importante de que a família por recompensa ou capricho pessoal, mas pe-
humana necessita, pois “conhecer [Jesus] é la influência direta do Espírito de Cristo, o

e o Revelado vida eterna”. João 17:3.


No livro de Apocalipse, o profeta João
escreveu sobre a maneira como este dom
“Espírito Santo mandado do Céu”. Num sen-
tido, o “Espírito de Profecia” é o Espírito de
Cristo atuando por Seu Divino Auxiliador, o
atuava em sua própria vida: “Revelação de Espírito Santo, dado a conhecer a homens e
“Quando chegar o Auxiliador, o Espírito da verdade, que vem do Pai, Ele falará a respeito de Mim. Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mos- mulheres por meio do profeta humano. Nou-
E sou Eu quem enviará esse Auxiliador a vocês da parte do Pai.” João 15:26. trar... ao Seu servo João, o qual atestou a tro sentido, o “Espírito de Profecia” é tam-
palavra de Deus e o testemunho de Jesus bém o testemunho sobre Jesus, o alvo princi-
Cristo.” Apoc. 1:1 e 2. pal do dom de profecia.
Vemos aqui o sistema divino de comunica- Desde que Jesus voltou para o Céu, esta re-
ção em funcionamento. O Revelador atuan-

O
evangelho não é algo sobre Jesus; o tava bem claro, afirmou: “Quando chegar gra simples e de duplo aspecto tem constituí-
evangelho é Jesus e o que Ele ensi- o Auxiliador, o Espírito da verdade, que do por intermédio do Espírito para revelar a do uma das maneiras mais claras e seguras de
nou. Embora os ensinamentos sobre vem do Pai, Ele falará a respeito de Mim.” verdade sobre Deus por meio do Seu profeta. provar a autenticidade de alguém que alega
Jesus forneçam a estrutura para a procla- No capítulo 19, o anjo que visitava João lhe
João 15:26. ser “profeta”: Ele ou ela diz a verdade sobre
mação das “boas novas”, o próprio Jesus é fez lembrar que o “testemunho de Jesus é o
Jesus disse ainda: “Porém, quando o Espíri- Jesus? No espírito de Jesus?
as “boas novas”. Jesus e Seus ensinos não Espírito de Profecia”. Verso 10.
to da verdade vier, Ele ensinará toda a verda- Por que o simples nome de Jesus tem, atra-
são o prelúdio do evangelho; eles são o A finalidade do dom de profecia é contar
de [acerca de Deus] a vocês. O Espírito não vés dos anos, suavizado a voz e tranqüilizado o
evangelho!1 a história de Jesus. O Agente motivador que
falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que ou- coração de pessoas em todos os continentes?
As “boas novas” são que, na mente mara- inspira o profeta humano a contar a verdade
vilhosa de Deus, uma das pessoas da Divinda- viu e anunciará a vocês as coisas que estão sobre Jesus é o Espírito Santo. No fraseado Porque homens e mulheres lembram do ânimo
de decidiu vir a este planeta rebelde, de bra- para acontecer. Ele vai ficar sabendo o que curto e simplificado da Bíblia, o Espírito de que recobraram, da esperança que sentiram re-
ços abertos, convidando homens e mulheres tenho para dizer, e dirá a vocês, e assim Ele Profecia é “o testemunho de Jesus”. nascer dentro de si e da explosão de força que
de todos os lugares para retornarem à família trará glória para Mim. Tudo o que o Pai tem Pedro compreendia este sistema divino de receberam para tornar a enfrentar os desafios
de Deus. As “boas novas” são que o Deus- é Meu. Por isso Eu disse que o Espírito vai fi- comunicação: “Vocês O amam, mesmo sem da vida ao vir-lhes à memória o fato de que são
que-Se-fez-homem “deu-Se” para sempre à car sabendo o que Eu Lhe disser e vai anun- O terem visto, e crêem nEle, mesmo que não importantes para Jesus, o mesmo Jesus que dis-
família humana. E para quê? Para mostrar- ciar a vocês.” João 16:13-15. O estejam vendo agora. Assim vocês se ale- se pelo Espírito de Profecia: “Não temas, por-
nos como é Deus! (João 14:7.) gram com uma alegria tão grande e gloriosa, que Eu sou contigo.” Isa. 41:10. “De maneira
O Espírito Santo é o representante de
Conforme veremos, chamamos o Revela- que as palavras não podem descrever. Vocês alguma te deixarei, nunca jamais te abandona-
dor de “Jesus”; chamamos o Revelado de nosso Senhor. O Espírito dirá e fará exata-
têm essa alegria porque estão recebendo a sua rei.” Heb. 13:5. Essas pessoas aprenderam por
“Deus”; e a Pessoa pela qual a Divindade mente o que Jesus diria e faria se estivesse
salvação, que é o resultado da fé que pos- experiência própria o que Jesus queria dizer
acha conveniente “revelar” o Revelador à hoje na Terra! quando afirmou: “Não vos deixarei órfãos, vol-
Como tudo isso funciona? O Espírito San- suem. Foi a respeito dessa salvação que os
humanidade é o Espírito Santo. tarei para vós outros.” João 14:18.
profetas perguntaram e procuraram saber
Jesus tornou isto bem evidente poucas ho- to atribui a cada cristão algum dom especial:
com muito cuidado. Eles profetizaram a res-
ras antes do Getsêmani: “Eu pedirei ao Pai, e “Existem tipos diferentes de dons espirituais, Dizendo a Verdade Sobre Deus
Ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da peito da salvação que Deus ia dar a vocês e
mas é um só e o mesmo Espírito quem dá es- procuraram saber em que tempo e como essa Por que confiar tanto em um Homem chama-
verdade, para ficar com vocês para sempre.” ses dons. ... Para o bem de todos, Deus dá a salvação ia acontecer. O Espírito de Cristo, do Jesus, que viveu apenas trinta e três anos
João 14:16. “É o Espírito Santo, o Espírito cada um alguma prova da presença do Espíri-
que conduz a toda a verdade [acerca de que estava neles, indicava esse tempo, ao pre- na antiga Palestina? Porque homens e mulhe-
to Santo.” I Cor. 12:4 e 7. dizer os sofrimentos que Cristo teria de supor- res chegaram a conhecê-Lo como o Criador
Deus].” João 14:17. Mais adiante: “Mas o Au-
xiliador, o Espírito Santo, que o Pai vai en- tar e a glória que viria depois. Quando os pro- que Se fez homem. Por quê? Porque Ele era o
viar em Meu nome, ensinará a vocês todas as O Dom de Profecia fetas falaram a respeito das verdades que vo- único ser no Universo que poderia, convin-
coisas e fará com que lembrem de tudo o que Um desses dons especiais é o dom de “profe- cês têm ouvido agora, Deus revelou a eles que centemente, dizer a verdade sobre Deus –
Eu disse a vocês.” João 14:26. cia”. (I Cor. 12:10; Efés. 4:11.) Por meio do o trabalho que faziam não era para o benefí- Aquele que fora descrito de maneira tão des-
E para certificar-Se de que o assunto es- dom de profecia, o Espírito Santo liga-Se a de- cio deles, mas para o bem de vocês. Os men- virtuada pelo grande rebelde e por muitos dos
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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I
CAPÍTULO 1 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação O REVELADOR
E O REVELADO

mais ilustres pensadores do mundo. Deus não Que Ele Se encontra diante dos seres celes- Muitíssimas vezes, após contemplar a con- soa espiritual, cheia de apreço por seu Salva-
era ríspido, arbitrário e implacável, como fo- tiais e dos mundos não caídos como um Ho- descendência de Cristo na condição de Ho- dor e Senhor. Este senso pessoal da presença
ra retratado. Quando Ele pedia a homens e mem cuja alegre obediência provou que Deus mem perseguido e finalmente crucificado, os divina a colocou em comunicação direta com
mulheres que O servissem com lealdade vo- não havia sido injusto em pedir obediência crentes pensam que o “dom” com que Deus Deus, permitindo que Ele lhe revelasse muito
luntária, dava a conhecer que Ele mesmo, por voluntária dos seres criados. Satanás estava presenteou a Terra cessou na cruz. Mas Deus mais de Sua própria pessoa e dos Seus planos
natureza, também era um ser abnegado. Mos- errado! E eles vêem este heróico Vencedor, não deu “Seu único Filho” (João 3:16) numa para este mundo. A experiência pessoal por
trava-lhes que amar significa fazer pelos ou- que passou pela inexprimível angústia de ser espécie de empréstimo ou arrendamento tem- que ela passou quando reagiu favoravelmente
tros aquilo que eles não podem fazer por si o “Deus-desamparado” do Calvário, provar porário. O Criador das centenas de bilhões de à simplicidade do evangelho precedeu a teo-
mesmos ou que nem ao menos o merecem. que o próprio Deus realmente Se importava galáxias, Aquele que andou por entre as estre- logia. Jesus era o centro de interesse de todo
Como essas coisas foram reveladas? Paulo com Sua criação e que Ele era altruísta, a es- las e fez os universos gravitarem em órbitas, o seu pensamento teológico.
contemplou a magnífica revelação de Cristo sência do verdadeiro amor. Todo o Universo aprisionou-Se dentro de Sua própria criação, Eis um exemplo do tema que repassa toda
como um “esvaziamento” de Suas prerrogati- (além dos confins da Terra) vêem Jesus no não apenas por nove meses, não apenas por a sua obra – a exaltação de Jesus: “Será pro-
vas divinas ao entrar Ele para a família huma- Lugar Santíssimo do santuário celestial como trinta e três anos, mas para sempre! veitoso contemplar a condescendência, o sa-
na. (Filip. 2.) Não de maneira súbita como a resposta de Deus para as mentiras que Sata- Essa espécie de amor desperta amor. E crifício, a abnegação, a humilhação, a resis-
um príncipe valente empunhando a espada da nás inventou contra Ele. apreciação sincera. E compromisso profundo, tência divinas que o Filho de Deus enfrentou
justiça, mas, lentamente, a partir do ventre de E nós, o que vemos quando pensamos em acima dos apelos mais sedutores deste mun- ao realizar Sua obra em benefício do homem
uma mulher. Não para ser honrado como um Jesus como nosso Sumo Sacerdote? Vemo- do, para com Aquele que muito nos amou. caído. Bem podemos sair da contemplação
convidado especial, mas para ser mal com- Lo como o Mediador entre Deus e a huma- Antes de poder dizer a verdade sobre de Seus sofrimentos, exclamando: ‘Assom-
preendido e caluniado devido à Sua integrida- nidade pecadora. Vemo-Lo como nosso Ad- Deus, conforme revelada por Jesus, o profeta brosa condescendência!’ Os anjos se maravi-
de e maneira inequívoca de encarar as coisas. vogado, que une justiça e misericórdia ao re- deve conhecer Jesus pessoalmente. Discutir lham a observarem com intenso interesse o
Como é possível que a única esperança da bater todas as acusações contra Deus e con- teologia é coisa fácil; a experiência pessoal, Filho de Deus descendo passo a passo a sen-
Terra se tornasse o alvo dos maus-tratos humi- tra os crentes. (I João 2:1.) Ele é nosso Inter- porém, exige um preço. da da humilhação. Este é o mistério da pie-
lhantes deste planeta? “Veio para o que era Seu, cessor, o qual não só nos representa diante dade. É a glória de Deus ocultar a Sua Pessoa
e os Seus não O receberam.” João 1:11. Os cris- do Pai, senão que intervém entre nós e o A Dedicação de Ellen G. White a Jesus e os Seus caminhos, não para manter as pes-
tãos sentem-se não apenas horrorizados com es- mal. (Heb. 4:16.)5 Ellen White correspondeu a este amor de to- soas na ignorância da luz e conhecimento
sa monstruosa ingratidão, mas também movi- O apóstolo Paulo expressa isso nos seguin- do o seu coração e fez dele o tema principal celestiais, mas porque isso está para além da
dos de estranho pesar e resolvem acolhê-Lo afe- tes termos: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de de seus escritos. Não importa o lugar onde capacidade do conhecimento humano. Uma
tuosamente na própria vida. Os cristãos ficam Deus, como grande sumo sacerdote que pene- abramos os volumosos livros que ela escreveu compreensão parcial: isso é tudo o que o ser
admirados da condescendência do Deus-ho- trou os Céus, conservemos firmes a nossa ou as cartas que endereçou a familiares, ami- humano pode suportar. O amor de Cristo
mem, e esta admiração torna-se parte da razão confissão. Porque não temos sumo sacerdote gos e cooperadores, sempre encontramos evi- ‘excede todo o entendimento’. Filip. 4:7. O
diária para honrá-Lo em tudo quanto fazem. que não possa compadecer-se das nossas fra- dências da profunda afeição que ela dedicava mistério da redenção continuará a ser o mis-
quezas; antes, foi Ele tentado em todas as coi- ao Salvador. Muitos que entraram em conta- tério, a ciência inesgotável e o incessante
Tanto o Sacrifício Como o Sumo Sacerdote sas, à nossa semelhança, mas sem pecado. to pela primeira vez com os adventistas do sé- cântico da eternidade. A humanidade bem
Ao olharem para Jesus, vêem nEle tanto o Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, timo dia por meio dos escritos de Ellen White pode exclamar: ‘Quem pode conhecer a
Sacrifício como o Sumo Sacerdote.2 Ao der- junto ao trono da graça, a fim de recebermos ficaram admirados pela intuição e profunda Deus?’ Talvez possamos, como Elias, cingir-
rotar no Calvário o “salário do pecado”, Jesus misericórdia e acharmos graça para socorro apreciação manifestadas pela escritora ao tra- nos com nosso manto e procurar ouvir a voz
fez algo que mudou para sempre nossa relação em ocasião oportuna.” Heb. 4:14-16. tar das dimensões do “Dom” de Deus a este mansa e delicada de Deus.”7
com Deus: Ele morreu! Ele é a única Pessoa Esta é a espécie de intercessão de que to- planeta rebelde. Ellen White andou com Jesus na alegria e
que já morreu no verdadeiro sentido da pala- dos nós carecemos cada dia: a paz decorrente Suas percepções espirituais começaram ce- na tristeza. Escrevendo a seu filho William e
vra! Todos os outros homens e mulheres que do perdão e o poder proveniente da graça in- do. Logo nos primeiros anos de sua adoles- à jovem noiva dele, Mary, falou sobre o com-
“morreram” se acham agora dormindo,3 com tercessora. A presença poderosa de Cristo, cência, profundamente afetada pela pregação panheirismo que desfrutara com o marido
exceção daqueles poucos que ressurgiram ou por meio do Espírito Santo e dos anjos, esten- de Guilherme Miller, ela almejou por uma Tiago e da experiência que lhes era comum:
foram trasladados e agora estão no Céu.4 So- de-se a todos quantos com Ele estejam com- experiência religiosa mais profunda: “Ao “Estamos tentando seguir humildemente os
mente Jesus provou da “morte”, para que to- prometidos. Ele quebra o poder com que Sa- orar, o fardo e a agonia de alma que por tan- passos de nosso amado Salvador. Precisamos
dos quantos fazem dEle o Senhor de sua vida tanás mantinha as pessoas cativas. Comuni- to tempo eu havia experimentado deixaram- a cada hora de Seu Espírito e de Sua graça, do
jamais “morram”. “Porque o salário do peca- ca-Se com seu sistema nervoso. Robustece a me, e as bênçãos de Deus vieram sobre mim contrário cometeremos graves erros e causa-
do é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a força de vontade do crente. E está sempre como suave orvalho. Dei glória a Deus pelo remos dano.”8
vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” pronto para ajudar os seres humanos a resistir que eu sentia, mas ansiava mais. Eu não esta- Algumas semanas depois, durante uma
Rom. 6:23. E que dom! Por meio de Jesus, es- ao pecado, tanto o interno quanto o externo. ria satisfeita até que estivesse repleta da ple- viagem extremamente cansativa, do Texas
capamos daquilo que merecíamos! Jesus literalmente compartilha conosco o sis- nitude de Deus. Inexprimível amor por Jesus para Kansas, numa carruagem coberta, ela
Mas isso não é tudo! Agora Ele está vivo e tema de defesa que usou para vencer a tenta- encheu minha alma.”6 tornou a escrever para Mary: “Estou exausta.
é nosso Sumo Sacerdote. O que significa isso? ção. (Apoc. 3:21.) Ellen White era, acima de tudo, uma pes- Sinto-me como se tivesse 100 anos de idade.
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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I
CAPÍTULO 1 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação O REVELADOR
E O REVELADO

... Minha ambição acabou; minha força se nEle e Ele em nós, somos participantes de vina por parte dos corações abatidos e neces- White tem a marca inconfundível do “Espíri-
esgotou, mas isso não vai perdurar. ... Tenho Sua natureza divina e praticantes de Sua Pa- sitados. Para aqueles que a ouvem, Ellen to de Profecia”: Ela dá testemunho de Jesus.
esperança que, mediante a luz animadora da lavra. O amor de Jesus no coração levará à
face de meu Salvador, eu consiga recobrar obediência a todos os Seus mandamentos. Referências
as energias.”9 Mas o amor que não vai além dos lábios é
1. “O evangelho é glorioso porque é constituído da justiça de intercessão.” – Manuscrito 73, 1893, em SDABC, vol. 6, comen-
Enquanto aguardava o Natal de 1880, na uma ilusão; não salvará nenhuma alma. Mui- Cristo. O evangelho é Cristo revelado, e Cristo é o evangelho tários sobre Romanos 8:34, pág. 1.078; também Manuscript Re-
época com 53 anos de idade, ela escreveu a tos professam grande amor por Jesus, ao passo personificado. ... Não devemos exaltar o evangelho, mas a leases (MR), vol. 15, pág. 104.
Cristo. Não devemos adorar o evangelho, mas o Senhor do 6. Primeiros Escritos, pág. 12.
uma amiga: “Passarei o Natal pedindo a Je- que rejeitam as verdades da Bíblia. O apósto- evangelho.” – Manuscrito 44, 1898, citado em Seventh-day 7. Bible Echo, 30 de abril de 1894.
sus que seja o convidado de honra do meu lo João, porém, declara: ‘Aquele que diz: Eu Adventist Bible Commentary (SDABC), vol. 7, pág. 907. 8. Carta 18, 1879, citada em Arthur White, Ellen G. White Bio-
2. Atos dos Apóstolos, pág. 33.
coração. Sua presença dissipará todas as O conheço, e não guarda os Seus mandamen- 3. A Bíblia fala da primeira morte como um “sono”. (Ver João
graphy, vol. 3, (Washington, D.C.: Review and Herald Pu-
blishing Association, 1984), pág. 105. Daqui em diante as re-
sombras.”10 tos, é mentiroso, e nele não está a verdade.’ I 11:11-14; I Tess. 4:13-16; 5:10.) A segunda morte é reserva- ferências à biografia em seis volumes de Ellen White feita
Ellen White escreveu centenas de artigos João 2:4. Embora Jesus já tenha feito tudo no da aos pecadores que rejeitam o convite do evangelho. (Ver
por Arthur White serão indicadas apenas pela palavra Bio-
Apoc. 20:6 e 14; 21:8.)
para as revistas Review and Herald e Signs of que diz respeito ao mérito, temos algo que fa- graphy, seguida do número do volume e das páginas.
4. Enoque (Gên. 5:24), Elias (II Reis 2:11), Moisés (Jud. 9) e os
9. Carta 20, 1879, citado em Biography, pág. 117.
the Times. Quase todo artigo continha alguma zer no que diz respeito ao cumprimento das que ressurgiram com Jesus (Mat. 7:52 e 53).
10. Carta 51, 1880, citada em Biography, pág. 149.
5. “Todo aquele que se libertar do cativeiro e do serviço de Sata-
referência a seu Senhor, que Se tornara para condições.”13 nás e se colocar sob a bandeira ensangüentada do Príncipe 11. Review and Herald, 23 de junho de 1896.
12. Ver James Nix, “Oh, Jesus, How I Love You!”, Adventist Re-
ela não apenas a sua força, mas também a ale- Emanuel, será guardado pela intercessão de Cristo. Na quali-
view, 30 de maio de 1996, págs. 10-14.
dade de nosso Mediador, à destra do Pai, Cristo sempre nos
gria de sua vida. Aos 69 anos de idade, ela es- O Tema do Grande Conflito conserva debaixo de Suas vistas, pois é tão necessário que Ele 13. Historical Sketches of the Foreign Missions of the Seventh-day
creveu: “Gosto muito de falar sobre Jesus e O profundo discernimento manifesto por interceda por nós quanto o foi que nos redimisse pelo Seu san- Adventists (Basle, Suíça: Imprimerie Polyglotte, 1886), pág.
gue. Se Ele nos deixa escapar por um só momento a Seu con- 188; ver também Biography, vol. 3, pág. 320.
Seu incomparável amor. ... Sei que Ele é ca- Ellen White em sua instrução teológica sobre trole, Satanás está pronto para destruir. Aqueles a quem Cris- 14. Ver págs. 256-263.
paz de salvar perfeitamente todos os que se o tema preponderante da Bíblia – o Tema do to comprou por Seu sangue, a estes protege Ele agora por Sua 15. Signs of the Times, 1o de dezembro de 1890.
chegam a Ele. Seu precioso amor é para mim Grande Conflito14 – tornou clara a razão por
uma realidade, e as dúvidas expressas por que Jesus Se fez homem. Esta compreensão
aqueles que não conhecem a Jesus, nenhuma fundamental permeia todos os seus escritos.
influência exercem sobre mim. ... Crê você Por exemplo: “A fim de crescer na graça e no Perguntas Para Estudo
que Jesus é seu Salvador e que manifestou conhecimento de Cristo, é essencial que me-
Seu amor por você ao dar Sua preciosa vida ditem muito nos grandes temas da redenção. 1. Por que é errado fazer distinção entre Jesus e o evangelho?
para salvá-lo? Aceite a Jesus como seu Salva- Você deve perguntar-se por que Cristo assu-
miu a natureza humana, por que sofreu sobre 2. Se o Espírito Santo é a Pessoa que “revela” as mensagens de Deus aos profetas, por que se
dor pessoal. Venha a Ele exatamente como
fala de Jesus como o Revelador?
está. Entregue-se a Ele. Apodere-se de Sua a cruz, por que levou os pecados dos homens,
promessa com viva fé, e Ele lhe será tudo por que Se tornou pecado e justiça por nós.
3. Qual a principal finalidade do “dom de profecia”?
quanto você desejar.”11 Deve estudar para saber por que Ele ascendeu
Ellen White considerava Jesus seu Salva- ao Céu em natureza humana, e qual é Sua 4. Que textos do Novo Testamento ensinam que Deus continua a falar em tempos pós-
dor e melhor Amigo.12 Contudo, mais do que obra por nós hoje. ... Julgamos conhecer bem apostólicos?
isso, Ele era o seu Senhor. Disseram-lhe na o caráter de Cristo, e não compreendemos
Europa que as pessoas seriam mais receptivas claramente quanto se pode ganhar ao estu- 5. Que duplo papel desempenha Cristo como nosso Sumo Sacerdote?
à mensagem do advento “se falássemos mais darmos nosso esplêndido Modelo. Damos por
sobre o amor de Jesus”. Chamaram a atenção certo que sabemos tudo sobre Ele, embora 6. Escolha um capítulo do Caminho a Cristo ou de O Desejado de Todas as Nações, leia-o e fa-
para o “perigo de perder nossas congregações, não compreendamos Seu caráter nem Sua ça uma lista de algumas coisas que lhe falam sobre Jesus.
caso insistíssemos nas questões mais severas missão.”15
do dever e da lei de Deus”. “Escutar” Ellen White, página após pági-
Tendo ouvido esse tipo de comentário an- na, é como ouvir o “Messias” de Haendel. O
tes, ela escreveu em suas notas de viagem: “Espírito de Cristo” impregna seu ministério.
“Prevalece por toda parte uma experiência Harmonia, clareza e coerência caracterizam a
não genuína. Muitos dizem constantemente: dedicação que ela consagra a seu melhor
‘Tudo que precisamos fazer é crer em Cristo.’ Amigo. Mais do que tudo isso, é provável que
Afirmam que fé é tudo de que necessitamos. Ellen White ajude a satisfazer nosso anseio
Em seu sentido mais pleno, isto é verdade; humano por graça. Em cartas pessoais, artigos
mas eles não empregam a palavra no sentido de revista e apresentações diante de grandes
mais pleno. Crer em Jesus é aceitá-Lo como auditórios, suas mensagens direcionadas para
nosso redentor e modelo. Se permanecemos a graça aumentaram a aceitação da graça di-
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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I

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O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
O Sistema Divino de Comunicação
Como Deus Transpôs o Abismo do Pecado das pela luz que repousava sobre o Urim ou o
Como o abismo do pecado poderia ser trans- Tumim.5 Para uma nação jovem, recém-saída
posto? Deus sempre tem uma solução. Ele sa- do cativeiro e antes de existir a Palavra escri-
be como adaptar-Se a circunstâncias em mu- ta, esse método de comunicação era decisivo

Deus Fala Pelos tação. Por exemplo, em vez da comunicação


face a face, Ele “fala” a todos através da
“consciência”. (Ver João 1:9; Rom. 2:15.) De
uma forma significativa, o Espírito Santo pe-
e confirmatório.
Deus falou também por meio de sonhos.
Considere o significado do sonho profético
de José (Gên. 37), os sonhos do copeiro e do

Profetas de aos seres racionais que prefiram o certo ao


errado, seja qual for a situação. Além disso,
para aqueles que especificamente buscam o
padeiro de Faraó (Gên. 40), o sonho de Fa-
raó (Gên. 41), o sonho do soldado midiani-
ta (Juí. 7) e os sonhos de Nabucodonosor
“Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas.” Heb. auxílio divino, ainda que não conheçam (Dan. 2 e 4).
1:1. “Se entre vós há profeta, Eu, o Senhor, em visão a ele Me faço conhecer, ou falo com ele em muito a Deus, estende-se a todos a promessa: Não resta dúvida de que a revelação mais
sonhos.” Núm. 12:6. “Reconhece-O em todos os teus caminhos, e clara de Deus e de Sua vontade para homens
Ele endireitará as tuas veredas.” Prov. 3:6.2 e mulheres foi por intermédio de Jesus Cris-
Deus também Se revela por meio dos an- to: “Havendo Deus antigamente falado mui-
jos: “Não são todos eles espíritos ministrado- tas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pe-

D
eus tem-Se comunicado com os seres vas e a suprir as próprias necessidades como res, enviados para serviço a favor dos que hão los profetas, nestes últimos dias a nós nos fa-
humanos desde que criou Adão e mordomos deste fantástico paraíso chamado de herdar a salvação?” Heb. 1:14.3 lou pelo Filho.” Heb. 1:1 e 2. Jesus foi explí-
Eva.1 Os seres humanos foram criados planeta Terra. É possível que todo dia, ao Embora desfigurado pelos resultados do cito: “Quem Me vê a Mim vê o Pai.” João
à semelhança de Deus, feitos “à Sua ima- pôr-do-sol, eles realizassem um culto a Deus pecado, o mundo físico ainda revela muita 14:9. Mas Cristo não chamou a atenção para
gem”. Gên. 1:27. Ele os fez responsáveis, isto “na parte fresca do dia”. Gên. 3:8. Eles sa- coisa sobre a natureza e o caráter de Deus: Deus como todos os profetas vinham fazen-
é, capazes de responder a Deus e às outras biam que nem tudo era seguro, nem mesmo “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim do; Ele era Aquele para quem eles chama-
pessoas. Deus proveu todas as coisas imaginá- no Éden! O mal se emboscava na sombra da o Seu eterno poder, como também a Sua pró- vam a atenção.
veis para a felicidade de nossos primeiros “árvore do conhecimento do bem e do mal”. pria divindade, claramente se reconhecem,
pais. “Plantou... um jardim” (Gên. 2:8) já flo- Gên. 2:17.
desde o princípio do mundo, sendo percebi- A Forma Mais Reconhecida de Revelação Divina
rido, cheio de plantas comestíveis. O primei- Terríveis mudanças ocorreram quando
dos por meio das coisas que foram criadas. Embora Deus tenha empregado muitos mé-
ro casal não precisava passar por dificuldade, Adão e Eva pecaram. Já não conseguiam falar
nem lutar pela sobrevivência. com Deus face a face. Não porque Deus hou- Tais homens são, por isso, indesculpáveis.” todos, o “profeta” foi a forma mais reco-
Além disso, Deus fez homens e mulheres vesse mudado, mas porque o primeiro casal Rom. 1:20. Pessoas de todos os continentes e nhecida de comunicação divina. Os sacer-
com capacidade de gerar filhos à imagem de- mudara – o pecado reconfigurou-lhes a men- através da História têm associado Deus a dotes de Israel eram os representantes do
les, assim como criara Adão e Eva à Sua ima- te e as emoções. Isaías descreveu essa nova si- “atributos” como ordem, beleza, previsibili- povo perante Deus; os profetas eram os re-
gem. Nada foi omitido. Tudo o que homens tuação em suas verdadeiras cores: “As vossas dade e desígnio, vistos nos corpos celestes ou presentantes oficiais de Deus perante Seu
e mulheres precisavam estava no lugar apro- iniqüidades fazem separação entre vós e o nas maravilhas terrenas, tanto as animadas povo. O chamado do sacerdote era heredi-
priado – a espécie correta de alimento, a ale- vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o como as inanimadas.4 tário; o profeta era especificamente chama-
gria do trabalho, a contemplação diária de Seu rosto de vós.” Isa. 59:2. Antes que Moisés guiasse os israelitas para do por Deus.6
um deslumbrante jardim de flores, sem chu- O pecado danifica a trajetória dos nervos. fora do Egito, Deus havia Se comunicado Os profetas têm sido os canais mais visí-
va e ferrugem, bem como o perfeito compa- Pessoa alguma continua a mesma depois de com homens e mulheres por meio dos pa- veis no sistema divino de comunicação.
nheirismo de um com o outro e com o pró- pecar. Formam-se novas ligações nos prolon- triarcas Noé (Gên. 5-9), Abraão (Gên. 12- “Certamente o Senhor Deus não fará coisa
prio Deus. O plano de Deus para nossos pri- gamentos nervosos tornando mais fácil a re- 24), Isaque (Gên. 26:2-5) e Jacó (Gên. alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo
meiros pais ainda hoje continua a ser um petição do pecado. O pensar claramente de 32:24-30). Moisés foi o ilustre exemplo de aos Seus servos, os profetas.” Amós 3:7. “O
projeto realizável para nós que buscamos paz novo requer o auxílio especial de Deus. As- um ser humano com quem Deus conversava Senhor, Deus de seus pais, começando de ma-
e saúde em meio à ruína lastimável daquilo sim, quando nossos primeiros pais pecaram, (Êxo. 3, etc.). drugada, falou-lhes por intermédio dos Seus
que o Senhor tinha em vista em relação à fa- Deus teve que mudar Seu sistema de comuni-
Com referência à nação de Israel em seus mensageiros, porque Se compadecera do Seu
mília humana. cação com os seres humanos. Nem todos os
deploráveis resultados do pecado sobrevieram primeiros anos, Deus “falava” por Urim e Tu- povo.” II Crôn. 36:15.
Comunicação Antes do Pecado a Adão e Eva imediatamente, mas a triste de- mim, duas pedras preciosas engastadas no Deus foi bastante explícito quando disse
Antes de pecarem, nossos primeiros pais generação da humanidade começou no dia peitoral (éfode) do sumo sacerdote israelita. que, se o povo não desse ouvido a Seus profe-
desfrutavam constante comunhão com Deus em que eles condescenderam com “a con- Quando os líderes da nação queriam conhecer tas, Ele não teria outro remédio para ajudá-lo
e com Seus anjos. Foi dessa maneira que cupiscência da carne, a concupiscência dos a vontade de Deus, o sumo sacerdote fazia as a superar seus problemas pessoais ou nacio-
aprenderam a cuidar de todas as criaturas vi- olhos e a soberba da vida”. I João 2:16. perguntas específicas, e estas eram respondi- nais: “Eles, porém, zombavam dos mensa-
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SEÇÃO I
CAPÍTULO 2 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação DEUS FALA
PELOS PROFETAS
geiros de Deus, desprezavam as Suas palavras gem pela palavra falada ou escrita. Em I Sa- mas faltavam homens e mulheres pelos quais aprazível se deviam à liderança profética de
e mofavam dos Seus profetas, até que... não muel 9:9, percebe-se ambos os papéis: “Anti- pudesse, de maneira segura, comunicar Sua Samuel.
houve remédio algum.” II Crôn. 36:16. gamente em Israel, indo alguém consultar a palavra. Quando as visões não eram freqüen- Deus advertiu os líderes de que um rei tra-
No livro A Prophet Among You,7 T. Housel Deus, dizia assim: Vinde, vamos ao vidente tes, a situação espiritual e política de Israel ria provas e dificuldades a seu país – mas eles
Jemison alistou oito razões por que Deus usou [ro’eh]; porque ao profeta [nabi] de hoje, ou- tornava-se embaraçosa. Israel só recuperava persistiram: “Para que sejamos também como
profetas em vez de alguns recursos dramáticos trora se chamava vidente [ro’eh].” seu bem-estar quando o ofício profético era todas as nações; o nosso rei poderá governar-
e espetaculares tais como escrever Sua vonta- Chozeh, derivada da mesma raiz da qual re- restaurado. nos, sair adiante de nós e fazer as nossas guer-
de nas nuvens ou proferi-la como trovão no cebemos a palavra portuguesa visão, salienta Exemplo: a restauração de Israel como ras.” Verso 20.
amanhecer de cada dia: o fato de que o profeta recebe mensagens por uma nação livre e abençoada coincidiu exa- Embora Israel tenha rejeitado o plano de
1. Os profetas prepararam o caminho para meio de visões dadas por ministração divina. tamente com o ministério profético de Sa- Deus governar Seu povo (teocracia), Deus,
o primeiro advento de Cristo. Cada um dos três termos hebraicos para muel. A longa vida deste profeta é um relato porém, não rejeitou a Israel. Não retirou o
“profeta” sublinha o ofício profético como o la- surpreendente da maneira como um só ho- dom profético. Desde o tempo de Saul, o pri-
2. Como representantes do Senhor, os pro-
do humano do plano divino de comunicação. mem pode alterar o curso de toda uma nação. meiro rei de Israel, até os dias da desolação
fetas mostraram ao povo que Deus valorizava
No Novo Testamento, a palavra grega Os primeiros anos de sua vida, depois de sua em que tanto Israel como Judá foram levados
os seres humanos a ponto de escolher dentre
prophetes, equivalente a nabi do Antigo Tes- mãe o haver entregue ao Senhor, são bem co- cativos para Assíria e para Babilônia, trinta
eles homens e mulheres para representá-Lo. tamento, é transliterada como “profeta”. nhecidos: “E o menino Samuel ia crescendo profetas são mencionados pelo nome na Bí-
3. Os profetas eram um lembrete constan- Seu sentido básico é “falar em nome de”. O em estatura e em graça diante do Senhor, co- blia. Além deles, houve profetas anônimos,
te da proximidade e disponibilidade da ins- verdadeiro “profeta” é aquele que fala em mo também diante dos homens”. I Sam. 2:26. junto com os “filhos dos profetas”.
trução divina. nome de Deus. À medida que Samuel amadurecia, sua lide-
4. As mensagens comunicadas pelos profe- rança espiritual se tornava manifesta: “Cres- Pouco Sucesso
tas cumpriam o mesmo propósito que uma Longa Linhagem de Esplendor cia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhu- Quanto sucesso obtiveram os profetas? Bem
comunicação pessoal do Criador. O primeiro (tanto quanto sabemos) desta ma de todas as suas palavras deixou cair em pouco, em grande parte devido aos líderes na-
5. Os profetas eram uma manifestação do surpreendente linhagem de corajosos, fiéis e terra. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, co- cionais que os rejeitaram. Repare Jeoaquim
que a comunhão com Deus e a transformado- ilustres profetas por intermédio dos quais nheceu que Samuel estava confirmado como (Jer. 36), para quem o profeta Jeremias rece-
ra graça do Espírito Santo podia realizar na Deus disse o que pensava foi “Enoque, o séti- profeta do Senhor.” I Sam. 3:19 e 20. Poste- beu ordens de Deus de enviar palavras de
vida humana. mo depois de Adão”. Jud. 14. Depois veio riormente, o “Senhor apareceu a Samuel em condenação e esperança. Baruque, o assisten-
6. A presença dos profetas punha o po- Abraão (Gên. 20:7) e Moisés (Deut. 18:15). Siló. ... E veio a palavra de Samuel a todo o te de redação de Jeremias, leu a mensagem
vo à prova no tocante à atitude deles para Miriã foi a primeira mulher a ser chamada de Israel.” I Sam. 3:21-4:1. “diante de todo o povo”. Verso 10. O rolo
com Deus. profetisa (Êxo. 15:20). A fidelidade de Samuel como mensageiro caiu sem demora nas mãos dos conselheiros
7. Os profetas tomaram parte no plano da Com o passar do tempo, a nação de Israel de Deus tornou possível a Deus inverter a da corte, os quais também ficaram grande-
salvação, pois Deus tem coerentemente em- perdeu seu enfoque espiritual e tornou-se desgraça de Israel. O exemplo espiritual, a mente impressionados. Eles insistiram com o
pregado uma combinação do humano e do igual a seus vizinhos na adoração de outros exortação e a liderança nacional do profeta rei Jeoaquim para que também lesse a mensa-
divino como o meio mais eficaz de alcançar a deuses. Durante o longo e sombrio período foram tão eficientes que o relato declara: gem de Jeremias. O rei pediu a Jeudi que o
humanidade perdida. dos juízes, Israel foi oprimido e humilhado “Assim, os filisteus foram abatidos e nunca lesse em voz alta.
8. O resultado mais notável da atividade dos pelas nações vizinhas. Quando Samuel rece- mais vieram ao território de Israel, porquan- Mas, tendo o ministro de confiança do rei
beu o chamado para seu papel profético, os fi- to foi a mão do Senhor contra eles todos os lido apenas “três ou quatro folhas do livro,
profetas é sua contribuição à Palavra Escrita.
listeus exerciam implacável domínio sobre Is- dias de Samuel.” I Sam. 7:13. cortou-o o rei com um canivete de escrivão e
rael. Eli, o sumo sacerdote, era homem idoso A vida de Samuel é uma ilustração clara e o lançou no fogo que havia no braseiro, e, as-
A Obra dos Profetas
e ineficiente. Seus dois filhos, Hofni e Fi- profunda de como o Espírito de Profecia po- sim, todo o rolo se consumiu no fogo que es-
Dupla era a obra dos profetas: receber a mensa-
néias, embora responsáveis pela liderança do de ser eficiente no estabelecimento do pro- tava no braseiro. Não se atemorizaram, não
gem divina e transmiti-la fielmente. Esses as-
governo e do sacerdócio, “eram homens ím- grama de Deus na Terra. Quem pode imagi- rasgaram as vestes”. Jer. 36:23 e 24.
pectos se refletem nas três palavras hebraicas pios; não conheciam ao Senhor”. I Sam. Lamentavelmente, Jeoaquim era o tipo de
nar o que será possível realizar nestes últimos
para “profeta”. Para ressaltar o papel dos profe- 2:12. Não é de admirar que “naqueles dias, a dias se dermos ouvido ao Espírito de Profecia! muitos líderes espirituais, até mesmo de líde-
tas em ouvir a vontade de Deus conforme lhe palavra do Senhor era mui rara; as visões não Tendo Samuel idade avançada, algo quase res cristãos de nossa época, que destruiriam
era revelada, o escritor hebraico usava chozeh eram freqüentes”. I Sam. 3:1.8 inexplicável aconteceu. Os líderes israelitas completamente, se pudessem, a mensagem
ou ro’eh, que traduzido significa “vidente”. A A “palavra do Senhor era mui rara” em Is- vieram ter com ele pedindo que lhes consti- de Deus e Seus mensageiros. Muitos têm pro-
palavra hebraica nabi (a palavra hebraica mais rael porque raros eram os homens e mulheres tuíssem “um rei..., para que nos governe, co- curado, através dos anos, seja com o “canive-
freqüentemente usada para profeta) descreve a quem se podia confiar as mensagens celes- mo o têm todas as nações”. I Sam. 8:4. Esque- te de escrivão”, seja com benigna negligên-
os profetas enquanto transmitem sua mensa- tiais. Deus estava disposto a guiar Seu povo, ceram que sua soberania restaurada e situação cia, anular a eficácia de um profeta.
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CAPÍTULO 2 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação DEUS FALA
PELOS PROFETAS
A mensagem de Deus, porém, sobrevive em te de Deus falaram movidos pelo Espírito anúncios oficiais feitos por reis a seus súditos. Além de seus deveres públicos e oficiais,
benefício daqueles que buscam conhecer Sua Santo.” II Ped. 1:21. Alguns dos inspirados escritos proféticos nem os profetas escreviam cartas particulares às
vontade. Considere a experiência de Saul: “Che- mesmo foram escritos pelos profetas. pessoas que tinham necessidades específicas.
Davi é outro exemplo de líder israelita que gando eles a Gibeá, eis que um grupo de pro- Das abundantes mensagens proféticas Escrito. As mensagens escritas apresentam
recebeu uma mensagem de reprovação da par- fetas lhes saiu ao encontro; o Espírito de Deus apresentadas através de vários milhares de vantagens sobre as outras formas de comuni-
te de um profeta. Mas o resultado foi o opos- se apossou de Saul, e ele profetizou no meio anos, Deus supervisionou uma compilação cação. Podem ser lidas e relidas. Comparadas
to da experiência de Jeoaquim. Depois de o deles.” I Sam. 10:10. que chamamos de Bíblia. Esta amostragem foi com a apresentação oral, elas são menos su-
preservada para um propósito: “Estas coisas jeitas a interpretações errôneas. O Senhor or-
rei Davi ter mandado assassinar Urias para Ezequiel referiu-se muitas vezes à presença
lhes sobrevieram como exemplos e foram es- denou a Jeremias que escrevesse um livro
poder casar-se com Bate-Seba, a esposa de do Espírito Santo: “Então, entrou em mim o
critas para advertência nossa, de nós outros contendo as palavras que Ele lhe daria. Jere-
Urias, Deus enviou o profeta Natã a Davi. Espírito, quando falava comigo, e me pôs em sobre quem os fins dos séculos têm chegado.” mias pediu a Baruque para ser seu assistente
Sem procurar evasivas com palavras de com- pé, e ouvi o que me falava.” Ezeq. 2:2. (Ver I Cor. 10:11. de redação, e o livro finalmente foi lido pe-
paixão ou favor, Natã apontou o dedo para também 3:12, 14 e 24; 8:3; 11:5; 37:1.) rante o povo de Jerusalém e perante o rei.
Davi e proferiu a palavra de condenação: “Tu De que modo o profeta reconhecia a pre- Como os Profetas Transmitiam as Mensagens Anos depois, o profeta Daniel (9:2) declara
és o homem!” II Sam. 12:7. Davi aceitou a pa- sença e o poder do Espírito Santo? Por meio Através da História, o Espírito de Profecia haver lido as mensagens de Jeremias, nas
lavra do Senhor – e rendeu-se: “Pequei contra de visões e sonhos fora do comum, acompa- tem usado três métodos para apresentar as quais este profeta prometia libertação para o
o Senhor.” II Sam. 12:13. (Ver também Sal. nhados de fenômenos físicos. Muitos viram o mensagens de Deus: Oral, Escrito e Dra- povo de Deus após setenta anos de cativeiro.
51.) Davi é um dos mais admiráveis exemplos cumprimento da promessa de Deus: “Se entre matizado. O próprio Daniel recebeu instruções para es-
daqueles que, atendendo às palavras condena- vós houver profeta, Eu, o Senhor, a ele Me fa- Oral. A apresentação sob a forma de ser- crever um livro dirigido especificamente
tórias do Senhor, mudaram seu futuro para rei conhecer em visão, em sonhos falarei com mão normal talvez seja a modalidade mais àqueles que viveriam no “tempo do fim”.
melhor. Seu exemplo tem sido muitas vezes ele.” Núm. 12:6. (A Bíblia não faz distinção conhecida da obra de um profeta. Pensamos Dan. 12:4.
mencionado na história da igreja. clara entre visão profética e sonho profético. imediatamente em Jesus proferindo Seu ser- O apóstolo Paulo escreveu catorze livros
Os termos parecem ser usados de maneira mão no Monte das Bem-aventuranças (Mat. do Novo Testamento, sendo todos, exceto
Nomes Aplicados às Mensagens Proféticas permutável.) 5-7) ou do sermão de Pedro no dia de Pente- um, cartas para várias igrejas ou seus pastores.
Diversos termos são empregados na Bíblia pa- costes (Atos 2). Todo o livro de Deuteronô- Algumas de suas cartas não foram incluídas
Em Daniel 10, o profeta descreve alguns
mio foi um discurso oral em que Moisés pas- na Bíblia, como é o caso da carta à igreja de
ra descrever as mensagens apresentadas pelos dos fenômenos físicos que acompanharam
sou em revista os quarenta anos da história is- Laodicéia (Col. 4:16).
profetas: conselho (Isa. 44:26); mensagem do “esta grande visão”. Verso 8. Embora ele ti- raelita. Muitos dos profetas menores apresen- Pedro também escreveu cartas a vários
Senhor (Ageu 1:13); profecia ou profecias (II vesse caído “sem sentidos, rosto em terra”, taram primeiramente suas mensagens sob a grupos de igreja: “Amados, esta é, agora, a se-
Crôn. 9:29; 15:8; I Cor. 13:8); testemunhos conseguiu ouvir “a voz das suas palavras”. forma oral. gunda epístola que vos escrevo; em ambas,
(I Reis 2:3; II Reis 11:12; 17:15; 23:3; muitos Verso 9. Havia outras pessoas com Daniel du- Além dessas apresentações de caráter mais procuro despertar com lembranças a vossa
versos do Sal. 119) e Palavra de Deus (I Sam. rante a visão, mas só ele teve “aquela visão”. formal, os profetas também registraram por mente esclarecida.” II Ped. 3:1. Ele também
9:27; I Reis 12:22). Verso 7. escrito os conselhos dados anteriormente a lí- escreveu cartas particulares, como a que foi
Cada termo, apesar de facilmente inter- Daniel sofria alterações físicas enquanto deres ou grupos. Isaías registrou sua entrevis- endereçada a Silvano (I Ped. 5:12).
cambiável, enfatiza determinado aspecto do se achava em visão: “Não ficou força em ta com Ezequias (Isa. 37). A maior parte do João escreveu pelo menos três cartas, além
sistema divino de comunicação. “Testemu- mim; e transmudou-se em mim a minha for- livro de Jeremias é um resumo escrito de suas do Evangelho e do livro de Apocalipse: “Es-
nhos”, por exemplo, sugere “mensagens”. O mosura em desmaio, e não retive força algu- mensagens públicas. Ezequiel transcreveu tas coisas, pois, vos escrevemos para que a
pensamento incluso na expressão “testemu- ma.” Verso 8. suas primeiras conversas com os líderes de Is- nossa alegria seja completa.” I João 1:4.
nho de Jesus” (Apoc. 12:17 e 19:10) é que as Quaisquer que possam ter sido os fenôme- rael. Por exemplo: “No sexto ano, no sexto
mensagens ou a vontade de Jesus são revela- nos específicos que acompanhavam uma vi- mês, aos cinco dias do mês, estando eu senta- Cartas Cheias de Autoridade
das quando um profeta fala ou escreve. do em minha casa, e os anciãos de Judá, as- As cartas dos profetas encerravam a mesma
são ou sonho, os profetas sabiam que Deus
sentados diante de mim, sucedeu que ali a autoridade que seus sermões convencionais.
lhes falava.
mão do Senhor Deus caiu sobre mim.” Ezeq. Em alguns casos, as cartas eram mais úteis do
Como Deus e os Profetas Interagem O que sabemos sobre as mensagens dos 8:1. (Ver 20:1.) que um sermão, pois eram escritas a pessoas
Os profetas reconhecem claramente a pre- profetas e a maneira como estas foram profe- Algumas entrevistas particulares, como a específicas com problemas específicos. As
sença e o poder do Espírito Santo no papel ridas acha-se registrado na Bíblia. A princí- de Natã com Davi (II Sam. 12:1-7), a de Je- cartas endereçadas a uma pessoa ou a uma
que desempenham como mensageiros de pio nem todas as mensagens que temos hoje remias com Zedequias (Jer. 38:14-19), e a de igreja tornaram-se igualmente benéficas a ou-
Deus. Pedro compreendia bem essa relação: estavam na forma escrita. Algumas eram ser- Jesus com Nicodemos (João 3), foram tam- tras, à medida que essas cartas (e sermões)
“Porque a profecia nunca foi produzida por mões públicos, outras eram cartas a amigos bém consideradas pelo Espírito de Profecia eram copiadas e amplamente distribuídas.
vontade dos homens, mas os homens da par- ou a grupos congregacionais; algumas eram como dignas de uma aplicação mais ampla. Pessoas de todos os lugares, através dos tem-
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SEÇÃO I
CAPÍTULO 2 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação DEUS FALA
PELOS PROFETAS
pos, têm-se identificado com essas inspiradas Jeremias explicou a maneira como utilizava Paulo utilizou diversos assistentes literários vesse mais experiência de redigir em grego (I
e práticas aplicações dos princípios divinos às Baruque como seu assistente de redação: “En- com variados talentos de redação.10 Pedro). Esse assistente podia então ter regis-
particularidades da vida. tão Jeremias chamou a Baruque, filho de Ne- Pedro se referia a seu assistente de redação trado as idéias de Pedro em seu estilo, efe-
Dramatização. A apresentação de parábo- rias; e escreveu Baruque, no rolo dum livro, pelo nome de Silvano (Silas), “nosso fiel ir- tuando depois as alterações sugeridas por Pe-
las por palavras ou ações é um recurso de en- enquanto Jeremias lhas ditava, todas as pala- mão”. I Ped. 5:12. Por que Pedro precisaria de dro. As duas cartas difeririam assim em esti-
sino muito empregado pela Bíblia. Jesus fez vras que o Senhor lhe havia falado.” Jer. 36:4. auxílio em redação? Por várias razões: além lo, mas, sob a orientação do Espírito Santo,
uso abundante de parábolas para tornar claro Quando os oficiais do rei ouviram Baruque de não ter recebido instrução acadêmica, Pe- expressariam o pensamento de Pedro como
o valor dos princípios divinos. ler essas mensagens, perguntaram: “Declara- dro passava pelas mesmas restrições carcerá- se ele houvesse verdadeiramente ditado cada
O ministério de Jeremias utilizou muitas nos, como escreveste isto? Acaso, te ditou o rias de Paulo; e visto que sua língua materna palavra. João Calvino defendia esse ponto de
vezes a parábola da ação e do exemplo. Deus profeta todas estas palavras?” Baruque lhes era o aramaico, ele provavelmente não era vista, embora não tivesse dúvidas de que am-
lhe pediu que não se casasse (Jer. 16:1 e 2) a respondeu: “Ditava-me pessoalmente todas fluente no grego. A primeira epístola de Pe- bas apresentavam com exatidão o pensa-
fim de tornar-se para os judeus um lembrete estas palavras, e eu as escrevia no livro com dro é escrita em grego elegante e de alto ní- mento de Pedro.”13
vivo da experiência penosa por que estavam tinta.” Jer. 36:17 e 18. vel, sinal de uma mente culta que reflete a as- Ao comparar o Evangelho de João com o
prestes a passar durante a destruição de Jeru- Baruque, conhecido como escrivão sistência de Silvano. A segunda epístola de
salém. Pense nos recursos audiovisuais da (36:26), ao que parece era bastante culto. Je- livro de Apocalipse, vemos novamente esti-
Pedro, no entanto, é escrita num estilo literá- los literários surpreendentemente diferentes.
“botija de oleiro” (Jer. 19), quebrada como si- remias utilizava as habilidades literárias deste rio rudimentar, embora a verdade resplande-
nal da queda de Jerusalém; ou das “correias e homem a fim de preparar a forma escrita das As evidências parecem indicar que o apósto-
ça de maneira notável. Obviamente, Silvano lo João escreveu ambos os livros, ainda que o
canzis” (Jer. 27) que pressagiavam o iminen- mensagens que comunicava oralmente: “To- não estava disponível a curto prazo, e Pedro
te jugo de Babilônia. mou, pois, Jeremias outro rolo e o deu a Ba- estilo literário seja muito dessemelhante. O
escreveu-a ele mesmo ou contratou outro es-
À semelhança de Jeremias, Ezequiel mui- ruque, filho de Nerias, o escrivão, o qual es- livro de Apocalipse é geralmente construído
criba sem o talento literário de Silvano.11
tas vezes exprimiu suas mensagens proféticas creveu nele, ditado por Jeremias, todas as pa- numa estrutura grega frouxa (ver pág. 541),
sob a forma de parábolas. Os exemplos in- lavras do livro que Jeoaquim, rei de Judá, enquanto o Evangelho de João se conforma
Diferenças Óbvias Entre I e II Pedro
cluem o rolo que ele deveria comer (Ezeq. queimara; e ainda se lhes acrescentaram mui- A diferença entre a primeira epístola de Pe- aos padrões literários clássicos – uma indica-
3:1-3); a espada afiada que usou como nava- tas palavras semelhantes.” Jer. 36:32. dro e a segunda é tão óbvia que a autoria de ção clara de que os escribas eram pessoas di-
lha de barbeiro na cabeça e na barba (Ezeq. Pedro, de uma ou mesmo de ambas as cartas, ferentes.14 Parte da diferença pode ser atri-
5:1); o caldeirão com comida (Ezeq. 24:3 e Diversos Assistentes de Paulo buída ao fato de João estar em idade avança-
tem sido questionada. Allan A. McRae ob-
4); e o vale de ossos secos (Ezeq. 37). As No Novo Testamento, Paulo utilizou diversos da quando escreveu o Apocalipse.
servou: “Não podemos descartar a idéia de
mensagens veiculadas por meio de parábolas assistentes de redação. Tércio ajudou-o a pre-
que um escritor possa, ocasionalmente, haver
captavam a atenção e eram mais facilmente parar o original da epístola aos Romanos Como o Evangelho de Lucas Foi Escrito
transmitido a um assistente a idéia geral do
relembradas. (16:22). Ao que parece, Sóstenes o ajudou na Outro modo de encarar a assistência editorial
que ele queria, dizendo-lhe para colocar isto
Ao examinar esses vários métodos de cap- escrita da primeira carta aos Coríntios (1:1). no preparo do material bíblico é fornecido
Na prisão romana, Paulo ditou sua segunda na forma escrita.12 Nesse caso, ele teria veri-
tar a atenção, ficamos impressionados ao pela análise de como e por que o livro de Lu-
carta a Timóteo; e Lucas, seu médico, a prepa- ficado o original para ter a certeza de que o
constatar o fato de que Deus selecionava o cas foi preparado. Lucas não foi uma testemu-
método que melhor se adaptasse à ocasião. rou na forma escrita.9 Paulo tinha excelentes texto representava o que ele havia querido
dizer e, portanto, ele podia verdadeiramente nha ocular do ministério de Cristo. Provavel-
Deus Se adapta com facilidade e é persisten- conhecimentos de grego, conforme o atesta- mente ele nunca ouvira Jesus falar. Contudo,
te. Todos os métodos são autênticos, pois pro- vam os líderes judeus. Mas havia justas razões ser chamado seu autor. O Espírito Santo teria
guiado todo o processo para que a redação de- o Evangelho de Lucas pode ser comparado ao
cedem da mesma Fonte. O sermão deutero- para que ele empregasse assistentes de reda-
finitiva exprimisse as idéias que Deus deseja- de Mateus, Marcos e João no que se refere à
nômico de Moisés, as entrevistas pessoais de ção. Na prisão, sua capacidade de escrever fi-
va transmitir a Seu povo. fidelidade com que palavras e atos de Jesus
Isaías, os sermões transcritos de Jeremias, as cara extremamente reduzida, mas os assisten-
cartas de Paulo, as dramatizações parabólicas tes podiam tomar seus pensamentos e registrá-los “É provável que Paulo raramente seguisse foram registrados.
de Ezequiel, os livros de Daniel, o sermão de da maneira mais conveniente. Alguns acham este último procedimento, visto ser bastante Como Lucas fez isto? Obtendo de testemu-
Pedro no Pentecostes, a entrevista de Jesus que seu “espinho na carne” era uma vista fra- culto e ter confiança em sua capacidade de nhas oculares os relatos mais válidos e apre-
com Nicodemos – tudo foi inspirado pelo Es- ca (I Cor. 12:7-9; Gál. 4:15). Seja qual for o expressar-se em grego. Mas a situação pode sentando-os de maneira coerente.15
pírito. “Homens santos de Deus falaram ins- método que Paulo tenha empregado na escri- ter sido diferente no caso de Pedro e João. O Lucas diz isso da seguinte maneira: “Visto
pirados pelo Espírito Santo.” II Ped. 1:21. ta de suas epístolas, aqueles que liam essas car- estilo da primeira epístola de Pedro difere que muitos houve que empreenderam uma
tas (ou as ouviam ser lidas) sabiam que esta- tanto do da segunda que alguns críticos suge- narração coordenada dos fatos que entre nós
Assistentes de Redação vam escutando mensagens inspiradas. riram uma fraude. Contudo, Pedro podia se realizaram, conforme nos transmitiram os
Sabemos bem pouco sobre a maneira como os A diferença significativa no estilo grego muito bem ter ele mesmo escrito um livro que desde o princípio foram deles testemu-
autores bíblicos preparavam seus materiais. (não necessariamente no conteúdo) de cada em grego (II Pedro?) e expresso seu pensa- nhas oculares e ministros da palavra, igual-
Sabemos apenas o que nos contaram. uma de suas cartas sugere nitidamente que mento em aramaico a um assistente que ti- mente a mim me pareceu bem, depois de pro-
14 15
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SEÇÃO I
CAPÍTULO 2 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação DEUS FALA
PELOS PROFETAS
funda investigação de tudo desde sua origem, em vez de a Zacarias (11:12) como fonte do da a Escritura é inspirada por Deus”. II Tim. te e inspirado. Algumas mensagens, porém,
dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, Antigo Testamento para uma profecia mes- 3:16. A palavra grega usada por Paulo para eram de interesse local. Algumas já estavam
uma exposição em ordem, para que tenhas siânica. Isso pode ter sido um erro do copista. “inspiração” é theopneustos, uma contração de inclusas em outras mensagens que foram pre-
plena certeza das verdades em que foste ins- Mas se o erro foi do próprio Mateus, é um duas palavras: “Soprado por Deus.” Isso é servadas. Sem dúvida, a maior quantidade de
truído.” Luc. 1:1-4. equívoco humano que qualquer professor ou mais descritivo do que uma simples impressão mensagens proféticas, incluindo as palavras
Deus comunicou Sua mensagem não por pastor pode cometer, um equívoco que não poética. Quando Daniel, por exemplo, estava de Jesus, não foi preservada.
meio de transcrição mecânica, mas pelos atos causa problema para os defensores da inspira-
e palavras que homens e mulheres podiam em visão, ele literalmente não conseguia res- Pode-se classificar os profetas bíblicos em
ção de pensamento. Por quê? Porque os de-
entender. Os profetas que ouviram Deus lhes fensores da inspiração de pensamento enten- pirar (Dan. 10:17)! quatro grupos:21
falar diretamente comunicaram essas mensa- dem o que Mateus queria dizer! Pedro disse que os profetas eram “movidos 1. Profetas que escreveram uma parte da Bí-
gens usando os processos mentais de sua épo- Ou, o que Pilatos realmente escreveu na pelo Espírito Santo”. II Ped. 1:21. A palavra blia, tais como Moisés, Jeremias, Paulo e João.
ca e os idiomas e analogias que seus ouvintes inscrição posta sobre a cruz de Cristo? Mateus grega para “movidos” é pheromeni, a mesma 2. Profetas que não escreveram nada da
seriam capazes de entender. 27:37, Marcos 15:26, Lucas 23:38 e João palavra que Lucas usou (Atos 27:17 e 27) pa- Bíblia, mas cujas mensagens e ministérios são
Compreender corretamente o processo de 19:19 registram a inscrição de modo diferen- ra descrever a maneira como o barco em que amplamente descritos na Bíblia, tais como
revelação/inspiração evita as angustiosas in- te. Para os defensores da inspiração de pensa- ele se encontrava estava sendo “impelido” Enoque, Elias e Eliseu.
quietações que as pessoas sentem quando mento, a mensagem é clara; para os propo- por uma terrível tempestade através do Mar 3. Profetas que deram testemunho oral
vêem nos Evangelhos claras diferenças entre nentes da inspiração verbal, é um problema!
os relatos do mesmo acontecimento ou até Mediterrâneo. Os profetas não confundiam o (talvez até mesmo escrito), mas cujas pala-
mesmo nas mensagens de Jesus. Nada pertur- “movimento” do Espírito com as emoções vras não foram preservadas. Através de todo
Os Profetas São Inspirados, não as Palavras
ba mais alguns estudantes sinceros do que ob- normais. Eles sabiam quando o Senhor lhes o Antigo Testamento, há muitos profetas
Para os que crêem na inspiração de pensa-
servar as formas diferentes como os escritores falava. Eles eram inspirados! anônimos, incluindo os setenta anciãos, que
mento, Deus inspira o profeta, não suas pala-
bíblicos descrevem o mesmo acontecimento, vras.16 Os defensores da inspiração de pensa- Outra palavra bastante usada para descre- receberam o Espírito Santo e profetizaram
“citam” o mesmo diálogo ou narram as pará- mento lêem a Bíblia e vêem Deus atuando ver o sistema divino de comunicação é ilumi- (Núm. 11:24 e 25), o grupo que se uniu a
bolas de Jesus. Ter duas versões da Oração do por intermédio de seres humanos com suas nação. Quando os profetas proferem suas Saul depois que ele se tornou rei (I Sam.
Senhor, conforme registradas em Mateus 6 e características individuais. Deus comunica os mensagens, como homens e mulheres reco- 10:5, 6 e 10) e aqueles que Obadias escondeu
Lucas 11, desconcerta aqueles que acreditam em cavernas (I Reis 18:4 e 13). No Novo Tes-
pensamentos; e os profetas, ao transmitirem a nhecem que essas mensagens são autênticas?
erroneamente que os escritores bíblicos es-
mensagem divina, usam toda a capacidade li- O mesmo Espírito que fala por meio dos pro- tamento, por exemplo, as quatro filhas de Fi-
creveram, palavra por palavra, o que o Espíri-
terária que possuem.17 Especialistas universi- fetas fala àqueles que ouvem ou lêem a men- lipe profetizavam, mas suas mensagens não
to Santo lhes ditava.
tários relatarão uma mensagem ou descreve- sagem do profeta. O ouvinte ou leitor é “ilu- foram registradas (Atos 21:9).
Inspiração Verbal ou de Pensamento rão um acontecimento de forma muito dife- minado” (mas não inspirado). Além disso, o 4. Profetas que escreveram livros que não
A inspiração verbal e isenta de erro faz supor rente da de um pastor de ovelhas. Mas se am- foram preservados. Entre esses estavam Natã
Espírito Santo capacita o crente sincero a
que o profeta é um aparelho de gravação, que bos foram inspirados por Deus, a verdade
entender a mensagem e fazer dela uma apli- (I Crôn. 29:29), Gade (I Crôn. 29:29), Se-
transmite de maneira mecânica e infalível a será ouvida igualmente tanto por instruídos
como por iletrados. Essa é a maneira como a cação pessoal.19 maías (II Crôn. 12:15), o autor do Livro dos
mensagem de Deus. A crença numa inspira- A maneira como o processo de revela- Justos (Jos. 10:13; II Sam. 1:18), Ido (II
ção mecânica não concebe diferenças no re- Bíblia foi escrita, todos os escritores usando
as melhores palavras para expressar fielmente ção/inspiração atuou no ministério de Ellen Crôn. 12:15; 9:29), Odede (II Crôn. 28:9),
gistro de uma mensagem ou acontecimento.
a mensagem que haviam recebido do Senhor. White será discutida no capítulo 13. Feliz- Aías (II Crôn. 9:29) e Jeú (II Crôn. 20:34).
A inspiração verbal requer profetas que
transmitam as palavras exatas fornecidas pe- No processo de revelação/inspiração, a re- mente, a Sra. White falou convincente e cla- O que foi preservado na Bíblia é a essência
lo Guia celestial assim como um escrivão re- velação enfatiza a ação divina que comunica ramente sobre como funcionava esse proces- da gloriosa linhagem de esplendor pela qual
gistra tudo quanto é dito pelas testemunhas informação. Os adventistas do sétimo dia so tanto nos tempos bíblicos como em seu Deus falou a homens e mulheres, “muitas ve-
num tribunal. Não se dá aos profetas nenhu- crêem que a mensagem, ou conteúdo, divina- ministério. zes e de muitas maneiras”. Heb. 1:1. O propó-
ma oportunidade para usarem sua própria in- mente revelada é infalível e autorizada. sito dos escritos bíblicos não é escrever a his-
dividualidade (e limitações) na expressão das “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra, e Mensagens Proféticas não Preservadas tória completa de tudo o que aconteceu ao
verdades que lhe foram reveladas. luz para os meus caminhos.” Sal. 119:105.18 A Bíblia não contém tudo quanto os profetas povo de Deus no Antigo e no Novo Testa-
Um dos problemas óbvios enfrentados pe- Já a inspiração se refere ao processo pelo
falaram ou escreveram. Não dispomos, por mentos. O objetivo principal da Bíblia é dar
los que crêem na inspiração verbal é o que fa- qual Deus habilita uma pessoa para ser Sua
mensageira. Esse tipo de inspiração é diferen- exemplo, de tudo o que Jesus disse ou fez.20 aos leitores uma compreensão clara do plano
zer ao traduzir a Bíblia, do hebraico ou ara-
maico do Antigo Testamento ou do grego do te do uso coloquial da palavra quando descre- Significa isso que as mensagens não pre- da salvação e os melhores lances do grande
Novo Testamento, para outras línguas. vemos algum poeta ou cantor talentoso como servadas eram menos importantes ou menos conflito entre Cristo e Satanás. Além disso,
Outro problema é Mateus 27:9 e 10, onde sendo “inspirado”. inspiradas do que as que foram registradas na Paulo escreveu que a Bíblia fornece “exem-
o evangelista faz uma referência a Jeremias Paulo escreveu ao jovem Timóteo que “to- Bíblia? Não! Tudo o que Deus diz é importan- plos” do que é certo e do que é errado, da ver-
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SEÇÃO I
CAPÍTULO 2 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação DEUS FALA
PELOS PROFETAS
dade e do erro, advertindo os leitores a não derança espiritual deles, e não uma conspira- Isaías se referiu à própria mulher como “a do o Israel durante a época do regresso do
caírem (I Cor. 10:12). ção ambiciosa ou pessoal. Afinal de contas, profetisa” (8:3) por ocasião do nascimento de exílio babilônico.
como poderia ele reunir 10.000 homens para seu filho, e em nenhum momento mais. Mas será que Deus retirou o “dom de pro-
Deus não Faz Discriminação de Sexo lutar contra um exército adestrado e que pos- Quando José e Maria levaram o menino fecia” durante esse período? Ellen White faz
A Bíblia faz referência a muitas profetisas. suía “novecentos carros de ferro” (Juí. 4:3), a Jesus ao Templo para dedicação, encontra- um interessante comentário sobre esse longo
Moisés considerava sua irmã Miriã uma pro- menos que todos eles estivessem convencidos ram duas pessoas interessantes, além do sa- período entre os profetas bíblicos: “Fora da
fetisa (Êxo. 15:20 e 21). Permanecendo ao la- de que Deus estava na liderança do plano? O cerdote que realizava a cerimônia. (Ver Luc. nação judaica houve homens que predisse-
do dele desde os seus primeiros anos, ela foi relato de Débora como juíza fiel foi tão con- 2.) Simeão “homem justo e temente a Deus”, ram o aparecimento de um instrutor [divi-
uma fiel porta-voz de Deus. Através dos sé- vincente que seu conselho a respeito do que esperava o Libertador de Israel, e ele mesmo no]... e foi-lhes comunicado o Espírito de ins-
culos, Israel teve por ela grande considera- parecia ser uma empresa impossível foi aceito fizera várias predições comoventes acerca do piração.”23
ção, e a incluiu como um dos três que haviam como a vontade de Deus. Ela falou a palavra ministério do Salvador. Achava-se no Tem- Durante esse período intertestamentário
sido enviados “adiante de ti” (Miq. 6:4) para do Senhor com autoridade, e colocou em ris-
plo naquele dia Ana, uma profetisa (verso (entre o tempo de Malaquias e o de Mateus),
fundar a nação israelita após o Êxodo. A cer- co a própria vida ao liderar seus compatriotas
ta altura, sua natureza humana fez com que 36) que também reconheceu o menino Jesus mestres “pagãos” estudaram as Escrituras he-
por preceito e por exemplo rumo ao futuro.
ela se rebelasse contra Moisés (Núm. 12), como o Messias. Devido a sua clara com- braicas (talvez traduzidas para a sua própria
Outras mulheres através da História assu-
mas este ato infeliz não colocou em risco seu miram pesada responsabilidade profética. Fi- preensão das Escrituras, ela entendeu a im- língua). A estes Deus falou enquanto busca-
cargo de profetisa verdadeira. ca bastante claro que Deus não levava em portância da criança; e assim “falou a respei- vam a verdade.24
Débora foi juíza durante um longo e som- conta o sexo quando escolhia uma pessoa pa- to do menino a todos os que esperavam a re- Os “magos” que vieram do Oriente (Mat.
brio período da história de Israel. Repare co- ra representá-Lo. denção de Jerusalém”. Verso 38. 2:1) eram, sem dúvida, exemplos daqueles
mo essa época foi desoladora: “Foi também Hulda foi profetisa durante um grande pe- Mais de trinta e três anos depois, a jovem que, em terras gentias, “predisseram o apare-
congregada a seus pais toda aquela geração; e ríodo de mudanças quando o jovem rei Josias igreja cristã crescia rapidamente em número cimento de um instrutor [divino]” e foram
outra geração após eles se levantou, que não se comprometeu, ele e sua nação, a promover e influência. A presença de homens e mulhe- dotados com o “Espírito de inspiração”. Eles
conhecia o Senhor, nem tampouco as obras uma profunda reforma espiritual. No processo res piedosos mediante os quais Deus revelava sabiam o tempo e o lugar do nascimento do
que fizera a Israel. Então, fizeram os filhos de de “limpeza” do Templo, os obreiros encontra- Seu conselho era uma das razões para esse fe- Messias. Deus falou diretamente a esses ho-
Israel o que era mau perante o Senhor; pois ram um exemplar do que podia ser Deutero- nômeno religioso.22 mens sinceros, instando com eles para que re-
serviram aos baalins. Deixaram o Senhor, nômio – um livro que fora estranhamente ne- A descrição bíblica do sistema divino de gressassem a sua terra sem entrar em contato
Deus de seus pais. ... Pelo que a ira do Senhor gligenciado pelos líderes religiosos da nação. comunicação inclui tanto homens como mu- com o perverso Herodes.
se acendeu contra Israel e os deu na mão dos Josias, sentindo a necessidade de saber lheres. Embora mencionadas menos vezes Cumpre-nos meditar bem neste incidente
espoliadores, que os pilharam; e os entregou mais sobre aquela descoberta, ordenou a seus que os homens, as mulheres profetisas foram e nesta verdade geral: “Deus não faz acepção
na mão dos seus inimigos ao redor; e não mais conselheiros: “Ide, consultai ao Senhor por reconhecidas por seus contemporâneos como de pessoas.” Atos 10:34. Toda geração possui,
puderam resistir a eles. ... Suscitou o Senhor mim, e pelo povo, e por todo o Judá, acerca autênticas mensageiras do Senhor. Elas expli- em algum lugar, homens e mulheres, judeus
juízes, que os livraram da mão dos que os pi- das palavras deste livro que se achou.” II Reis caram as Escrituras, aconselharam líderes e fi- ou gentios, que são testemunhas divinamen-
lharam. ... Quando o Senhor lhes suscitava 22:13. Com quem foram ter o sacerdote e os zeram importantes predições. te inspiradas. Seus nomes talvez não constem
juízes, o Senhor era com o juiz e os livrava da principais conselheiros? Com a “profetisa nas Escrituras Sagradas, mas seu testemunho
mão dos seus inimigos, todos os dias daquele Hulda, mulher de Salum”. Verso 14. Fazia Abismo Entre Malaquias e João Batista existe, mantendo acesa a chama da verdade.
juiz.” Juí. 2:10-18. cinco anos que Jeremias vivia em Jerusalém O registro da ilustre linhagem dos profetas e Malaquias, o último profeta do Antigo
(compare II Reis 22:3 com Jer. 1:2), mas foi profetisas contido no Antigo Testamento en-
Débora Era Mais que uma Juíza Testamento, encerrou suas mensagens com a
de Hulda que se valeram em busca de orien- cerra-se com Malaquias, que viveu na última
Débora não foi apenas uma juíza; ela foi a tação espiritual! predição: “Eis que Eu vos enviarei o profeta
única juíza a ser chamada também de profeti- metade do século quinto a.C. Ficou o sistema Elias, antes que venha o grande e terrível dia
Seja qual for a razão, Hulda havia ganha-
sa. (Juí. 4:4.) Foi uma líder espiritual tão con- divino de comunicação fora do ar por mais de do Senhor.” Mal. 4:5.
do o respeito e a confiança de seus contempo-
vincente que, quando Baraque, seu general, quatro séculos?
râneos. Recorriam a ela quando queriam uma
foi convidado a liderar um exército contra os palavra do Senhor. Ela os ajudava a entender
Ao que parece, Israel não recebeu mais o O Primeiro Século da Era Cristã 25
cananeus opressores, ele não quis ir sem a mais claramente o significado dos escritos de benefício dos profetas nacionais durante esse Falando a respeito de João Batista, disse Je-
companhia dela. Israel havia reconhecido a Moisés. Elucidava a Palavra escrita e fazia período. Em compensação, as Escrituras (o sus: “Mas para que saístes? Para ver um profe-
liderança espiritual dela, e Baraque queria predições específicas. Suas percepções e pre- registro profético) foram grandemente valori- ta? Sim, Eu vos digo, e muito mais que profe-
que a nação soubesse que o que ele tinha si- dições bíblicas eram aceitas como divina- zadas. Tornaram-se o centro da adoração nas ta. Este é de quem está escrito: Eis aí Eu en-
do convidado a fazer era um chamado da li- mente inspiradas. sinagogas, recentemente construídas por to- vio diante da Tua face o Meu mensageiro, o
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CAPÍTULO 2 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação DEUS FALA
PELOS PROFETAS
qual preparará o Teu caminho diante de Ti.” Pela primeira vez na história do mundo, evangelistas, pastores e mestres serão neces- que é bom.” I Tess. 5:19-21. O bem-estar dos
Mat. 11:9 e 10. veio um profeta que não apontou para outro. sários. membros da igreja que aguardam o Advento
Mesmo antes de seu nascimento, João Ba- O Profeta Jesus disse a respeito de Si mesmo: Paulo relembra a seus irmãos coríntios que dependerá da maneira como eles aceitam o
tista estava destinado a ser porta-voz de Deus. “A obra de Deus é esta: que creiais nAquele “em tudo fostes enriquecidos nEle, em toda conselho dos profetas verdadeiros, especial-
O anjo dissera a Zacarias, seu pai: “Zacarias, que por Ele foi enviado. ... Em verdade, em palavra e em todo o conhecimento, assim co- mente da capacidade de discernir o verdadei-
não temas, porque a tua oração foi ouvida; e verdade vos digo: não foi Moisés quem vos mo o testemunho de Cristo tem sido confir- ro do falso.
Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, a deu o pão do Céu; o verdadeiro pão do Céu é mado em vós”. I Cor. 1:5 e 6. Ou seja, eles
quem darás o nome de João. ... Ele será gran- Meu Pai quem vos dá. Porque o pão de Deus haviam crescido espiritualmente e continua- Desde os Tempos Apostólicos
de diante do Senhor. ... Converterá muitos é o que desce do Céu e dá vida ao mundo. ... ram a amadurecer até o ponto de continua- Vimos no último capítulo que os escritores do
dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. E irá Eu sou o pão da vida.” João 6:29-35. rem a ouvir com atenção as mensagens dos Novo Testamento esperavam que o dom pro-
adiante do Senhor no espírito e poder de Como no caso de todos os profetas verda- profetas, conhecidas como o “testemunho de fético continuasse até o Segundo Advento.
Elias, para... habilitar para o Senhor um povo deiros, o principal alvo de Jesus era dizer a Cristo”. Como vimos na página 3, “o teste- Vimos também que o dom profético seria par-
preparado.” Luc. 1:13-17. verdade sobre Deus e indicar a maneira pela munho de Jesus [ou Cristo]” (Apoc. 12:17) é ticularmente notório no tempo do fim.
João encaminhou homens e mulheres para qual homens e mulheres podem unir-se outra o “espírito de profecia”. Apoc. 19:10. (Apoc. 12:17; 19:10.) Mas por que o eviden-
Deus. Não se transformou num guru com se- vez à família celeste: “E a vida eterna é esta: Mais adiante Paulo declarou que, enquanto te silêncio, a ausência de voz profética, logo
guidores a sua volta. Mais do que todos os ou- que Te conheçam a Ti, o único Deus verda- a igreja aguardasse a manifestação de nosso Se- após a morte de João?
deiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu Te nhor Jesus Cristo, “nenhum dom” lhe faltaria Os historiadores dividem-se quanto à pre-
tros profetas, antes e depois dele, João tinha
glorifiquei na Terra, consumando a obra que (I Cor. 1:7). Talvez seja significativo o fato de sença profética durante os últimos 2.000
a honrosa missão de indicar pessoalmente o
Me confiaste para fazer.” João 17:3 e 4. Paulo haver escolhido o “dom de profecia” ao anos. Em termos gerais, a maioria dos escrito-
Cristo vivo. O momento mais sublime de sua
Antes de voltar para o Céu, Jesus tomou enfatizar que a igreja não ficaria desprovida de res crê que a iluminação profética cessou lo-
vida foi quando afirmou: “Convém que Ele
providências para que o ofício profético con- qualquer dom até a vinda de Jesus. Provavel- go após o segundo século da era cristã. Paul
cresça e que eu diminua.” João 3:30.
tinuasse até Sua vinda. Seria preciso conti- mente nenhum dom seria mais necessário pa- K. Jewett escreveu: “Com a morte dos após-
Nem todos pensam em Jesus como profe-
nuar proclamando as mesmas boas novas ra o tempo do fim do que o dom de profecia. tolos, que não tiveram sucessores, gradual-
ta. Mas Ele de fato o era: “E a multidão dizia: acerca de Deus. As mesmas boas novas sobre Mais tarde, na mesma carta, Paulo forneceu
Este é Jesus, o Profeta de Nazaré da Galiléia.” mente os que possuíam o dom de profecia
a maneira como rebeldes podem ser transfor- pormenores sobre a maneira como os dons
Mat. 21:11; Luc. 7:16. também desapareceram, de modo que, do ter-
mados em crentes felizes e obedientes. Esta atuariam nas atividades da igreja (I Cor. 12).
ceiro século em diante, da tríade original de
provisão profética seria uma das principais Embora cada dom tivesse sua obra específica,
O Profeta Jesus apóstolos, profetas e mestres, ficaram apenas
responsabilidades do Espírito Santo, que con- todos os dons serviriam para o propósito co-
Os doze discípulos consideravam Seu Mestre os mestres. ... Com o advento do montanis-
cederia “dons aos homens”. Efés. 4:8. mum de ajudar homens e mulheres a “crescer”.
um profeta: “O que aconteceu a Jesus, o Na- mo no segundo século, pretendendo novas
O início da igreja cristã coincide com a re- Evidentemente, os dons espirituais são con-
zareno, que era varão profeta, poderoso em novação dos dons espirituais: “E Ele mesmo cedidos pelo Espírito (I Cor. 12:7). Eles não concepções proféticas que não correspon-
obras e palavras, diante de Deus e de todo o [Jesus] concedeu uns para apóstolos, outros são habilidades adquiridas por meio de instru- diam à tradição recebida dos apóstolos, a
povo.” Luc. 24:19.26 para profetas, outros para evangelistas e ou- ção nem de honras conferidas por seres huma- igreja começou a fazer distinção entre essas
Jesus Se referia a Si mesmo como profeta: tros para pastores e mestres.” Versos 11 e 12. nos. O “fruto do Espírito” (Gál. 5:22) deve ser profecias e as profecias verdadeiras contidas
“E escandalizavam-se nEle. Jesus, porém, lhes Esses dons não foram atribuídos apenas à buscado por todos, mas os “dons do Espírito” nas Escrituras. Desse tempo em diante, o dom
disse: Não há profeta sem honra, senão na igreja cristã; eles deviam permanecer na igre- são distribuídos “como Lhe apraz, a cada um, profético aparece aqui e ali, mas vai dando
sua terra e na sua casa. E não fez ali muitos ja até o fim: “Até que todos cheguemos à uni- individualmente”. I Cor. 12:11. Se alguém foi cada vez mais lugar ao ensino. Ao tempo de
milagres, por causa da incredulidade deles.” dade da fé e do pleno conhecimento do Filho dotado com um dom específico não se deve fa- Hipólito (235 d.C.) e Orígenes (250 d.C.), a
Mat. 13:57 e 58. de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da zer disso uma prova de comunhão cristã, por- palavra ‘profecia’ se limita às porções proféti-
Jesus sentiu o aço frio da ingratidão e da estatura da plenitude de Cristo, para que não que ninguém possui todos os dons. cas das Escrituras. No lugar do profeta encon-
rejeição que a maioria dos profetas e profeti- mais sejamos como meninos, agitados de um A permanência desses dons espirituais, em tra-se o mestre, em especial o catequista e o
sas suportaram. Pessoa alguma apresentou lado para outro e levados ao redor por todo especial do dom de profecia, é pressuposta na apologista, que se opõem a toda doutrina fal-
melhores credenciais pessoais ou vida mais vento de doutrina.” Versos 13 e 14. Por quan- instrução apostólica. Recordando o conselho sa e procuram apoiar a exposição que fazem
impecável e coerente do que Ele, mas os pro- to tempo? Enquanto a igreja existir; enquan- de Cristo, de que surgiriam “falsos profetas” da doutrina verdadeira apelando à autorizada
fetas geralmente não são pessoas benquistas to homens e mulheres imperfeitos e imaturos no tempo do fim (Mat. 24:24), Paulo adver- palavra da Escritura.”28
pelo fato de falarem em nome de Deus e não precisarem de tempo para “crescer” até à tiu: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis Justino Mártir, um ilustre filósofo pagão do
apoiarem os desejos do coração humano.27 “medida... de Cristo”, apóstolos, profetas, as profecias; julgai todas as coisas, retende o segundo século, uniu-se aos cristãos depois
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SEÇÃO I
CAPÍTULO 2 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação DO MUNDO ADVENTISTA
DE ELLEN G. WHITE

de estudar a vida de Jesus. Uma de suas defe- pectiva mostrando que, depois de Cristo, entre Deus e a humanidade) e a instituciona- sobre este período relativamente silencioso
sas e apelos a seus amigos não cristãos é co- “nenhum profeta se levantou mais dentre lização dos “santos” canonizados suplantaram em relação ao dom de profecia pode ser o fato
nhecida hoje como Diálogo com Trifo, um Ju- vós” (isto é, dentre a nação judaica), Justino a voz do profeta como um elemento visível de os escritores da igreja institucionalizada
deu. Inclusa nesse longo colóquio encontra- Mártir explica o motivo. Os dons espirituais na vida da igreja.34 haverem rejeitado os dons espirituais e perse-
se a seguinte referência aos dons espirituais, seriam concedidos novamente “pela graça do Contudo, apesar de a igreja institucionali- guido aqueles que os recebiam. Não existe,
em especial o espírito de profecia: poder do Seu Espírito... àqueles que crêem zada ter deslizado para a escuridão da Idade porém, registro daquele longo período: “A
Média, os dons espirituais se fizeram presentes história do povo de Deus durante os séculos
“Diariamente alguns (de vocês) estão-se em Jesus, de acordo como Ele avalia cada ho-
onde quer que o evangelho fosse fielmente de trevas que se seguiram à supremacia de Ro-
tornando discípulos no nome de Jesus e mem. ... Ora, é possível ver entre nós ho- proclamado. Eles não cessaram totalmente. ma está escrita no Céu, mas pouco espaço
abandonando o caminho do erro. Estão rece- mens e mulheres que possuem os dons do Es- Uma das razões por que sabemos tão pouco ocupa nos registros humanos.”35
bendo dons, cada um conforme seu mérito, pírito de Deus.”31
iluminado pelo nome deste Cristo. Pois um Todos os apóstolos estavam mortos. Cris-
recebe o espírito de entendimento, outro de to estava no Céu. O Espírito Santo fazia Sua Referências
conselho, outro de fortaleza, outro de cura, prometida obra de conceder a homens e mu- 1. Para uma pesquisa mais extensa sobre os profetas e profetisas de Pedro, mas o estilo é o estilo de Silvano.” – William Bar-
outro de presciência, outro de ensino e outro lheres “dons” para a proclamação do evange- desde os tempos patriarcais até o Novo Testamento, leia de A. clay, The Letters of James and Peter (Philadelphia: The Wes-
G. Daniells, The Abiding Gift of Prophecy (Mountain View, tminster Press, edição revisada, 1976), pág. 144.
de temor a Deus. lho, sempre que lhe parecia sábio. Eusébio, CA; Pacific Press Publishing Association, 1936), págs. 36-172. .
12 . Certa ocasião quando Ellen White estava doente, ela resu-
“A isto Trifo me disse: ‘Queria que você bispo da igreja em Cesaréia (Palestina), é re- 2. Ver também Isa. 30:21; Mat. 10:19 e 20. miu seus pensamentos a Marion Davis e esta os escreveu em
3. Ver também Gên. 19:15; Juí. 6:11-14; Sal. 34:7; Mat. 1:18-25. uma carta a Uriah Smith e George Tenney. A Sra. White as-
soubesse que está fora de si, falando destes conhecido como respeitável fonte de histó- 4. Ver também Atos 14:17 e Sal. 19:1-2. sinou a carta. (Carta 96, 1896, 8 de junho de 1896.) Ver
sentimentos.’ ria cristã do segundo e terceiro séculos. Em 5. Ver Êxo. 28:30; Lev. 8:8; Núm. 27:21; I Sam. 22:10; 28:6. 1888 Materials, pág. 1574, e Mensagens Escolhidas, livro 1,
6. Repare na diferença entre os deveres do sacerdote e do pro- págs. 254 e 255.
“E eu lhe disse: ‘Escute, ó amigo, pois não sua História Eclesiástica, ele registra os nomes feta: “O sacerdote ocupava-se das cerimônias e rituais do san- 13. “The Ups and Downs of Higher Criticism”, Christianity To-
sou louco nem estou fora de mim; mas foi de vários líderes cristãos que, segundo ele, tuário, os quais se centralizavam no culto público, na media- day, 10 de outubro de 1980, pág. 34. A seqüência imaginária
profetizado que, após a ascensão de Cristo ao ção do perdão de pecados e na manutenção ritual das corre- de McRae não descreve a maneira como Ellen White escre-
foram dotados com os dons espirituais, inclu- tas relações entre Deus e Seu povo. O profeta era principal- via. Ver págs. 108-121.
Céu, Ele nos libertaria do erro e nos concede- sive o dom de profecia. Concluindo, ele diz: mente um mestre de justiça, espiritualidade e conduta ética; 14. “Não é difícil entender as diferenças lingüísticas existentes en-
ria dons. As palavras são estas: ‘Subindo ao “Ouvimos falar que muitos dos irmãos da um reformador moral que apresentava mensagens de instru- tre o Apocalipse, escrito provavelmente quando João estava
ção, conselho, admoestação e advertência e cuja obra incluía sozinho em Patmos, e o Evangelho, escrito com a ajuda de um
alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos igreja possuem dons proféticos, e falam em muitas vezes a predição de acontecimentos futuros.” – Sieg- ou mais correligionários em Éfeso.” – SDABC, vol. 7, pág. 720.
homens.’ Em conformidade com isto, nós que todas as línguas através do Espírito, e tam- fried Horn, Seventh-day Adventist Bible Dictionary (SDABD 15. Ver George E. Rice, Luke, a Plagiarist? (Mountain View, CA:
Revised Edition), (Washington, D.C.: Review and Herald Pacific Press Publishing Association, 1983).
recebemos os dons de Cristo, que subiu ao al- bém trazem à luz as coisas ocultas dos ho- Publishing Association, 1979), pág. 903. 16. “A Bíblia foi escrita por homens inspirados, mas não é a
to, provamos pelas palavras da profecia que mens para o benefício deles, e os quais ex- 7. T. Housel Jemison, A Prophet Among You (Mountain View, maneira de pensar e exprimir-se de Deus. Esta é da huma-
CA: Pacific Press Publishing Association, 1955), págs. 24-28. nidade. Deus, como escritor, não Se acha representado. Os
vocês, os ‘sábios em si mesmos e entendidos a põem os mistérios de Deus.”32 8. A expressão “as visões não eram freqüentes” é a tradução de homens dirão muitas vezes que tal expressão não é própria
seus próprios olhos’, são tolos, e honram a Existem alguns fatores que se desenvolve- duas palavras hebraicas: paras (“manifestar-se”) e chazon (“vi- de Deus. Ele, porém, não Se pôs à prova na Bíblia em pala-
são”). No que diz respeito à nação israelita, nenhuma “pala- vras, em lógica, em retórica. Os escritores da Bíblia foram
Deus e a Seu Cristo somente de lábios. Mas ram na igreja cristã capazes de nos ajudar a vra do Senhor” estava-se “manifestando”. Este é o primeiro os instrumentos de Deus, não Sua pena. Olhem os diversos
nós, que somos instruídos em toda a verdade, explicar por que o “dom de profecia” não era emprego de chazon no Antigo Testamento. A palavra usada escritores.
honramos a Eles tanto em atos, como em co- com maior freqüência para “visão” é mar’ah, mensagens de “Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os
mais um fator proeminente? Percebemos que Deus quer em sonhos quer em encontros pessoais. O signifi- homens é que o foram. A inspiração não atua nas palavras do
nhecimento e de coração até a morte.”29 desde cedo o ensino tomou o lugar da profe- cado básico de chazon é “perceber com visão interior”, en- homem ou em suas expressões, mas no próprio homem que,
Mais adiante no diálogo, Justino Mártir quanto mar’ah deriva de uma raiz que significa “ver visual- sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamen-
cia, mas por quê? mente”. tos. As palavras, porém, recebem o cunho da mente indivi-
continua: “Pois os dons proféticos permane- 9. Testemunhos Para a Igreja, vol. 4, pág. 353. dual. A mente divina é difusa. A mente divina, bem como
cem conosco até hoje. Portanto, você deve O Ensino Substituiu a Profecia 10. Ao compararmos as diversas cartas de Paulo, percebemos no- Sua vontade, é combinada com a mente e a vontade huma-
tável diferença de estilo literário. As cartas pastorais (Primei- nas; assim as declarações do homem são a Palavra de Deus.”
entender que (os dons), anteriormente entre Pode-se apresentar pelo menos duas respostas ra e Segunda a Timóteo e Tito), por exemplo, usam um vo- – Mensagens Escolhidas, livro 1, pág. 21. Em outras palavras,
sua nação, foram transferidos para nós. E as- razoáveis: cabulário extremamente diferente das outras cartas de Paulo. Deus inspira profetas, não palavras. Compare a síntese do
Há nas cartas pastorais 902 palavras diferentes; dessas, 206 Sermão da Montanha feita por Mateus (Mat. 5-7) com a for-
sim como houve falsos profetas no tempo dos 1. O excesso de montanistas na última não ocorrem nas outras cartas paulinas. Das 112 partículas ma mais condensada de Lucas (Luc. 6).
santos profetas, assim existem agora falsos metade do segundo século d.C., que come- não traduzíveis (vocábulos enclíticos) presentes em outras 17. Comentando sobre Gênesis 9:11-16, onde Deus é menciona-
cartas paulinas, nenhuma é encontrada nas epístolas pasto- do como dizendo (ao referir-Se à promessa do arco-íris): “E
mestres entre nós, dos quais o Senhor nos çaram bem repreendendo as igrejas por sua rais. Ver William Barclay, The Letters to Timothy, Titus, and Eu o verei, para Me lembrar do concerto eterno entre Deus e
avisou de antemão para deles nos acautelar- falta de rigor e de zelo, mas que se tornaram Philemom (Philadelphia: The Westminster Press, 1975, edi- toda a alma vivente”, Ellen White escreveu que Deus não es-
ção revisada), págs. 8 e 9. tá sugerindo “que houvesse de esquecer-Se, Ele, porém, fala-
mos; para que em nenhum aspecto sejamos “desordenados” em suas interpretações pro- 11. “Ele [Silvano] pode ter corrigido e polido necessariamente o nos em nossa linguagem para que melhor O possamos com-
deficientes, uma vez que sabemos que Ele féticas: “Logo os profetas cristãos deixaram grego inadequado de Pedro ou, sendo Silvano homem de tal preender”. – Patriarcas e Profetas, pág. 106.
predisse tudo quanto ia acontecer conosco eminência, pode ter-se dado o caso de Pedro lhe haver dito o 18. Ver Raoul Dederen, “The Revelation-inspiration Phenome-
de existir como classe distinta na organiza- que queria dizer e permitido que ele o dissesse, aprovando de- non According to the Bibles Writers”, Frank Holbrook e Leo
após Sua ressurreição dos mortos e ascensão ção da igreja.”33 pois o resultado, e acrescentado ao texto o último parágrafo Van Dolson, Issues in Revelation and Inspiration (Berrien
para o Céu.”30 2. O surgimento do sacerdotalismo (o ad- pessoal. ... Quando Pedro diz que Silvano foi seu instrumen- Springs, MI: Adventist Theological Society Publications,
to ou agente na escrita desta carta, apresenta-nos a solução 1992), págs. 9-29.
Depois de apresentar a Trifo uma retros- vento do sacerdócio como o principal mediador para a excelência do grego. O pensamento é o pensamento 19. João 14:26; João 16:13; I João 3:24; 4:6 e 13; 5:6.

22 23
SEÇÃO I
CAPÍTULO 2
O Sistema Divino de Comunicação DEUS FALA
PELOS PROFETAS

20. “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas 26. Veja também Jaroslav Pelikan, Jesus Through the Centuries
elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mun- (New Haven, CT: Yale University Press, 1985), págs. 14-17.
do inteiro caberiam os livros que seriam escritos.” João 21:25. 27. “Todo o ministério público de nosso Senhor foi o de um pro-
21. Ver Jemison, A Prophet Among You, pág. 73. “Nem todos os feta. Ele era muito mais do que isso. Mas foi como profeta que
profetas receberam a mesma missão, nem realizaram a mes- Ele agiu e falou. Foi isso que Lhe deu autoridade sobre a men-
ma espécie de trabalho, mas todos falaram em nome de te da nação. Ele entrou, como era natural, num ofício vago,
Deus. Todos comunicaram mensagens inspiradas pelo Céu. mas que já existia. Todos os Seus discursos eram, no mais ele-
Alguns profetas apresentaram padrões divinos para a con- vado sentido da palavra, ‘profecias’.” – Deão Arthur P. Stan-
duta humana; alguns revelaram os propósitos de Deus para ley, History of the Jewish Church, volume III (New York: Char-
indivíduos e nações; alguns protestaram contra os males les Scribner’s Son, 1880), pág. 379.
prevalecentes; alguns estimularam o povo à fidelidade; al- 28. Artigo sobre “Prophecy” em The New International Dictionary
guns fortaleceram e guiaram governantes nacionais; alguns of the Christian Church, J. D. Douglas, editor geral (Grand Ra-
dirigiram construções e outros tipos de atividades; alguns pids, MI: Zondervan Publishing House, 1974), págs. 806 e 807.
trabalharam como mestres. No transcurso de sua obra, al- 29. The Ante-Nicene Fathers (Grand Rapids, MI: William B.
guns realizaram milagres, alguns escreveram livros. Em cada Eerdmans Publishing Company, 1981), vol. I, cap. 39,
caso, os verdadeiros profetas serviram a uma classe de pes- pág. 214.
soas como porta-vozes de Deus; eles não foram meramente 30. Ibidem, cap. 82, pág. 240.
instruídos por Deus no nível pessoal ou familiar.” – Ken- 31. Ibidem, cap. 87, pág. 243.
neth H. Wood, “Toward an Understanding of the Prophe- 32. The Ecclesiastical History of Eusebius Pamphilus, traduzido do
tic Office.” – Journal of the Adventist Theological Society, pri- grego por C. F. Cruse, A.M., (Londres: George Bell and
mavera de 1991, pág. 24. Sons, 1879), Livro III, cap. 38, págs. 111 e 112; Livro V, cap.
22. Lucas menciona as quatro filhas de Filipe, “que profetiza- 7, pág. 175.
vam”. Atos 21:9. 33. Artigo “Prophet” na Encyclopedia Britannica, 14ª edição, vol.
23. O Desejado de Todas as Nações, pág. 33. XVIII.
24. Ibidem. 34. Artigo “Prophet” na Encyclopedia Britannica, 11ª edição, vol.
25. Embora as designações A.E.C. (Antes da Era Cristã) e D.E.C. XXII. Artigo “Prophecy” no Westminster Dictionary of Chris-
(Depois da Era Cristã) sejam populares hoje em dia, este li- tian Theology, editado por Alan Richardson e John Bowden
vro emprega a.C. (Antes de Cristo) e d.C. (Depois de Cris- (Philadelphia: The Westminster Press, 1983), pág. 474.
to) por serem as de uso mais antigo. 35. O Grande Conflito, pág. 61.

Perguntas Para Estudo

1. Quais são alguns dos meios (Heb. 1:1) usados por Deus para comunicar-Se com os seres
humanos?

2. Por que Deus escolheu profetas e profetisas como Seu principal método de comunicar
Suas mensagens?

3. De que três maneiras gerais os profetas e profetisas transmitiam suas mensagens?

4. Que evidência temos de que os escritores bíblicos usavam assistentes de redação?

5. Qual a diferença básica entre inspiração verbal e inspiração de pensamento?

6. Na sua opinião, por que o dom de profecia é o método mais eficaz de Deus comunicar-
Se com a família humana?

7. Quais são alguns riscos que Deus assume ao falar por meio de profetas e profetisas?

24
M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I

3
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
O Sistema Divino de Comunicação
tiva. Primeiro, suas visões públicas: “Só eu, Não sabemos o motivo por que os profe-
Daniel, tive aquela visão; os homens que esta- tas/profetisas tinham tanto visões públicas
vam comigo nada viram [os outros não viram (ou em lugares abertos) como visões notur-
o que Daniel viu]; não obstante, caiu sobre nas ou sonhos. Sabemos, porém, que os pro-

Características eles grande temor, e fugiram e se esconderam.


“Fiquei, pois, eu só e contemplei esta gran-
de visão, e não restou força em mim; o meu
fetas/profetisas não faziam distinção entre
elas no que diz respeito a seu significado e
autoridade.2

dos Profetas rosto mudou de cor e se desfigurou, e não re-


tive força alguma. [Os outros viam como o fe-
nômeno afetava Daniel.]
Ezequiel provavelmente fornece mais in-
formação sobre a maneira como as visões afe-
tam os profetas e profetisas do que qualquer
outro escritor bíblico. De vez em quando, ele
“Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e,
ouvindo-a, caí sem sentidos, rosto em terra. era arrebatado para lugares distantes embora
“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são seu corpo físico não “viajasse”. Durante o
lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis.” Mat. 7:15 e 16. “Não apagueis o Espírito. Não [Daniel experimentou o que parecia ser um pro-
desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom.” I Tess. 5:19-21. fundo sono enquanto estava prostrado no solo.] tempo da visão em que era transportado para
“Eis que certa mão me tocou, sacudiu-me lugares longínquos, o que ele via era tão vívi-
e me pôs sobre os meus joelhos e as palmas do e real como se ele estivesse presente fisica-
das minhas mãos. Ele me disse: Daniel, ho- mente nesses lugares.
mem muito amado, está atento às palavras Embora Ezequiel vivesse em Babilônia,

P
or muitas razões cada profeta é “único”. entenderemos a sua mensagem. Mas a preo- Deus lhe mostrou as condições deploráveis de
que te vou dizer; levanta-te sobre os pés, por-
As experiências de vida e sua própria cupação prioritária deve ser o conteúdo da Jerusalém: “A mão do Senhor Deus caiu so-
que eis que te sou enviado. Ao falar ele comi-
missão específica num tempo específico contribuição do profeta, não o vaso em que a bre mim. ... [Ele] estendeu uma semelhança
da História conferem ao produto uma confi- mensagem está contida. go esta palavra, eu me pus em pé, tremendo.
de mão e me tomou pelos cachos da cabeça;
guração não repetível de aptidões físicas, [Daniel estava cônscio de que um Ser Divino
o Espírito me levantou entre a terra e o céu e
mentais, emocionais e espirituais. Desta ma- Profetas Compartilham lhe falava]. ...
me levou a Jerusalém em visões de Deus, até
neira, mesmo os profetas podem olhar para Características Comuns “Ao falar ele comigo estas palavras, dirigi
à entrada da porta do pátio de dentro, que
seu chamado profético num sentido diferente Os profetas assumem seus deveres proféticos o olhar para a terra e calei. E eis que uma co-
olha para o norte, onde estava colocada a
de outros profetas. Kenneth H. Wood descre- com uma mistura única de experiências de vi- mo semelhança dos filhos dos homens me to- imagem dos ciúmes, que provoca o ciúme de
veu isso muito bem: “Fazer dois biscoitos exa- da reunidas em uma personalidade individua- cou os lábios; então, passei a falar e disse
tamente iguais é uma coisa; fazer dois profe- lizada modelada por limitações físicas e men- Deus. Eis que a glória do Deus de Israel esta-
àquele que estava diante de mim: meu se- va ali, como a glória que eu vira no vale.”
tas justamente iguais é outra coisa bastante tais. No entanto, quando em visão, todos eles nhor, por causa da visão me sobrevieram do-
diferente. Ao fazer um profeta, Deus toma a entram em um estado “antinatural”. O que Ezeq. 8:1-4.
res, e não me ficou força alguma. Como, pois, Mais adiante no capítulo, Ezequiel descre-
pessoa inteira – corpo, alma, espírito, inteli- sabemos sobre as alterações das característi-
gência, personalidade, fraquezas, forças, edu- cas de um profeta ou profetisa em visão? pode o servo do meu senhor falar com o meu ve com forte realismo as condições prevale-
cação, características individuais – e depois Apesar de suas graves dificuldades espiri- senhor? [Daniel falou com o Ser Divino.] centes no complexo do Templo em Jerusalém.
procura por meio dessa pessoa proclamar Sua tuais, Balaão foi usado por Deus em benefício “Porque, quanto a mim, não me resta já Se bem que ele ainda estivesse em Babilônia,
mensagem e realizar uma missão especial.”1 de Israel. Sua experiência em visão é esclare- força alguma, nem fôlego ficou em mim [Da- ele caminhou em visão pelo pátio do Templo,
Devido a essas diferenças individuais e pe- cedora: “E, levantando Balaão os olhos, viu a niel não conseguia respirar]. cavou na parede do Templo, ouviu as conver-
lo fato de cada profeta ser chamado a dirigir- Israel que se achava acampado segundo as “Então, me tornou a tocar aquele seme- sas e viu diversos grupos em abominável ido-
se a determinado público em um momento suas tribos; e veio sobre ele o Espírito de Deus. lhante a um homem e me fortaleceu.” Dan. latria. No capítulo nove, ele chega mesmo a
específico da História (a maior parte da qual Então proferiu Balaão a sua parábola, dizendo: 10:7-11, 15-18. contemplar acontecimentos futuros, em espe-
é difícil, se não impossível, de reconstruir), Daniel também teve visões noturnas ou cial a iminente destruição de Jerusalém.
não existe nada melhor para o leitor da Bíblia “‘Palavra de Balaão, filho de Beor;
sonhos: “No primeiro ano de Belsazar, rei Zacarias, o pai de João Batista, recebeu
e dos escritos de Ellen G. White fazer do que palavra do homem de olhos abertos;
palavra daquele que ouve os ditos de Deus, da Babilônia, teve Daniel um sonho e vi- uma visão que fornece compreensão adicio-
procurar concentrar a atenção mais na men-
sagem do que no mensageiro. o que tem a visão do Todo-poderoso, sões ante seus olhos, quando estava no seu nal sobre o estado de um profeta em visão: “E
A autoridade da revelação encontra-se na E prostra-se, porém, de olhos abertos.’” leito; escreveu logo o sonho e relatou a su- eis que lhe apareceu um anjo do Senhor, em
mensagem, não no mensageiro. Isso não deve Núm. 24:2-4. ma de todas as coisas.” Dan. 7:1. Daniel re- pé, à direita do altar do incenso. Vendo-o,
diminuir o valor do estudo da vida do profe- cebeu um comunicado divino enquanto Zacarias turbou-se, e apoderou-se dele o te-
ta. Quanto mais soubermos sobre ele, melhor A experiência de Daniel também é instru- dormia. mor. Disse-lhe, porém, o anjo: Zacarias, não
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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I
CAPÍTULO 3 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação CARACTERÍSTICAS
DOS PROFETAS

temas, porque a tua oração foi ouvida; e Isa- O que esses exemplos nos ensinam sobre Quando colocamos à prova as reivindica- recepção, o que devem esperar homens e mu-
bel, tua mulher, te dará à luz um filho, a os profetas durante suas experiências em ções de um profeta, fica muito mais fácil for- lheres menos importantes que possuem o
quem darás o nome de João. ... Então, per- visão? mar um juízo crítico depois de haver passado dom profético? Causa admiração o fato de al-
guntou Zacarias ao anjo: Como saberei isto? 1. Os profetas têm consciência de que tempo suficiente para o amadurecimento do guém aceitar a responsabilidade quando ser
Pois eu sou velho, e minha mulher, avança- uma Pessoa sobrenatural com eles Se comu- fruto do seu ministério. Talvez tenha sido es- ouvido imparcialmente era algo tão difícil!
da em dias. [Zacarias conversou com o ser ce- nica; eles sentem um senso de indignidade. ta a razão por que os conselheiros de Josias re- Mas alguns creram! Por quê? Em que base
lestial.] Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Ga- 2. Os profetas freqüentemente perdem as correram à experiente Hulda em vez de ao jo- racional alguns contemporâneos de Jeremias
briel, que assisto diante de Deus, e fui envia- forças. vem Jeremias (ver páginas 18 e 19). Pode-se ficaram gradualmente convencidos de que
do para falar-te e trazer-te estas boas novas. 3. Os profetas às vezes caem por terra em apenas imaginar o cuidado quanto à credibi- ele era um profeta verdadeiro? Pelo fato de
Todavia, ficarás mudo e não poderás falar até profundo sono. lidade requerida pelas pessoas que viveram existirem na sua época muitos pretensos pro-
ao dia em que estas coisas venham a realizar- 4. Os profetas ouvem e vêem aconteci- durante o tempo em que os profetas estavam fetas, que pretendiam estar revestidos da mes-
se; porquanto não acreditaste nas minhas pa- mentos em lugares remotos, como se estives- estabelecendo seu ofício profético. Portanto, ma autoridade, eram necessárias algumas di-
lavras, as quais, a seu tempo, se cumprirão. O sem realmente presentes.
as primeiras testemunhas da credibilidade ou retrizes definidas. Escute o Senhor descrever
povo estava esperando a Zacarias e admira- 5. Os profetas às vezes não conseguem fa-
não de um profeta devem ser a afirmação dos esta estranha situação: “Os profetas profeti-
va-se de que tanto se demorasse no santuá- lar, mas, quando seus lábios são tocados, eles
rio. Mas, saindo ele, não lhes podia falar; en- conseguem fazê-lo. contemporâneos que conheciam o profeta e zam mentiras em Meu nome, nunca os en-
tão, entenderam que tivera uma visão no 6. Os profetas muitas vezes não respiram. seu ministério. viei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; vi-
santuário. E expressava-se por acenos e per- 7. Os profetas não têm consciência do Mas em que contemporâneos devemos são falsa, adivinhação, vaidade e o engano do
manecia mudo.” Luc. 1:11-13, 18-22. Zaca- que acontece ao seu redor, ainda que tenham crer? Considere a experiência de Cristo. seu íntimo são o que eles vos profetizam.” Jer.
rias foi fisicamente afetado por sua experiên- os olhos abertos. Quantos líderes religiosos e intelectuais O 14:14. (Ver também 5:13 e 31; 14:18; 23:21.)
cia em visão. 8. Os profetas às vezes recebem força su- aceitaram? Alguns chegaram mesmo a dizer Toda geração tem a mesma responsabilida-
Quando Saulo teve o encontro com o Se- plementar durante a visão. que Ele realizava milagres pelo “poder de de: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis
nhor na estrada para Damasco, toda a sua vi- 9. Os profetas recebem força e alento re- Belzebu, maioral dos demônios”. Mat. 12:24. as profecias; julgai todas as coisas, retende o
da foi mudada assim como foi mudado o seu novados quando a visão termina. Seus irmãos, que por muitos anos convive- que é bom.” I Tess. 5:19-21.
nome. Analise as circunstâncias envolvidas 10. Os profetas ocasionalmente sofrem al- ram com Ele, a princípio não creram nEle
nesta visão à beira do caminho: “E, indo no gum tipo de lesão física temporária como se- (João 7:5). Seus discípulos muitas vezes 1. A Prova das Predições Cumpridas3
caminho, aconteceu que, chegando perto de qüela da visão. “murmuravam” a respeito de Seus ensinos Os que viveram na época de Jeremias foram
Damasco, subitamente o cercou um resplen- Nem todas essas características físicas (João 6:61) e O abandonaram depois do instruídos a usar o critério das “predições
dor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu acompanham cada visão. Por este motivo, os Getsêmani (Mar. 14:50). cumpridas” como uma das provas do profeta
uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que fenômenos físicos não devem ser usados co- Jesus advertiu Seus contemporâneos de verdadeiro: “O profeta que profetizar paz, só
Me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? mo evidência única ao colocar-se à prova a que eles corriam o risco de repetir o erro das ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido
E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu per- autenticidade de um profeta. Mesmo porque gerações anteriores: “Infelizes de vocês! Pois como profeta, de fato, enviado do Senhor.”
segues. Duro é para ti recalcitrar contra os elas podem ser facilmente falsificadas. As Es- fazem túmulos bonitos para os profetas, os Jer. 28:9.4
aguilhões. E ele, tremendo e atônito, disse: crituras não as apresentam como provas. No mesmos profetas que os antepassados de vo- Fazer predições, ou prenunciar, é apenas
Senhor, que queres que faça? E disse-lhe o Se- entanto, a presença de tais caraterísticas de- cês mataram. Com isso vocês mostram que um dos aspectos da obra de um profeta. De fa-
nhor: Levanta-te e entra na cidade, e lá te se- vem ser consideradas normais naqueles que concordam com o que os seus antepassados to, pode ser até a faceta menos importante.
rá dito o que te convém fazer. E os varões, que pretendem “falar em nome de Deus”. Embora fizeram, pois eles mataram os profetas, e vo- Pensamos muitas vezes em Daniel e João o
iam com ele, pararam espantados, ouvindo a os aspectos físicos sejam úteis ao levarmos em cês fazem túmulos para eles. Por isso a Sabe- Revelador em função de suas profecias. Con-
voz, mas não vendo ninguém.” Atos 9:3-7. consideração as credenciais de um profeta,
doria de Deus disse: ‘Mandarei para eles pro- tudo, a obra que eles fizeram proclamando a
Saulo, também, após conversar com o Ser Di- outros critérios são muito mais confiáveis,
fetas e mensageiros, e eles matarão alguns e mensagem de Deus foi mais importante do
vino, foi fisicamente afetado por sua expe- conforme veremos agora.
riência em visão. perseguirão outros.’ Por causa disso esta gen- que a obra que fizeram predizendo. Tanto
Posteriormente, ele comenta o fato de ter Provas de um Profeta Verdadeiro te de hoje será castigada pela morte de todos João Batista como Moisés foram “grandes”
sido “arrebatado até ao terceiro Céu... ao Pa- Ao colocarmos tudo “à prova”, conforme os profetas assassinados desde a criação do profetas, não pelo cumprimento de suas pro-
raíso e ... [ter ouvido] palavras inefáveis”. II Paulo nos aconselha, devemos lembrar-nos mundo. ... Quando Jesus saiu dali, os profes- fecias mas por outras razões.
Cor. 12:2-4. da advertência de Cristo: “Acautelai-vos dos sores da Lei e os fariseus começaram a criticá- Ao considerarmos as “predições cumpri-
O apóstolo João registrou uma de suas vi- falsos profetas, que se vos apresentam disfar- Lo com raiva e a Lhe fazer perguntas sobre das”, devemos também entender o princípio
sões e a maneira como esta o afetou fisica- çados em ovelhas, mas por dentro são lobos muitos assuntos.” Luc. 11:47-54. da profecia condicional. Jeremias nos ajuda a
mente: “Quando o vi, caí a seus pés como roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis.” Se Jesus, o Homem irrepreensível, para- entender este princípio quando relata a con-
morto.” Apoc. 1:17. Mat. 7:15. digma da virtude, enfrentou essa espécie de versa do Senhor com ele: “No momento em
28 29
M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I
CAPÍTULO 3 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação CARACTERÍSTICAS
DOS PROFETAS

que Eu falar acerca de uma nação ou de um de Josias estava dirigindo o Egito a batalhar critura é inspirada por Deus e útil para o en- exemplificado pelos profetas bíblicos e pelo
reino para o arrancar, derribar e destruir, se a contra Babilônia: “Deus está comigo; por- sino, para a repreensão, para a correção, para próprio Senhor? Na maioria das vezes, essa
tal nação se converter da maldade contra a tanto, se você lutar contra Deus, Ele o des- a educação na justiça, a fim de que o homem prova classifica rapidamente esses auto-
qual Eu falei, também Eu Me arrependerei do truirá.” II Crôn. 35:21. de Deus seja perfeito e perfeitamente habili- intitulados “profetas” como impostores.
mal que pensava fazer-lhe. E, no momento O jovem Josias devia ter obedecido a Deus tado para toda boa obra.” II Tim. 3:16 e 17. Diferentemente das duas primeiras provas,
em que Eu falar acerca de uma nação ou de e dado ouvidos à voz confirmatória do rei do Essa segunda prova da autenticidade de a prova dos frutos muitas vezes leva tempo. O
um reino, para o edificar e plantar, se ele fizer Egito. Mas não; ele se disfarçou e liderou seu um profeta é clara e não podemos dela esca- “fruto” se desenvolve lentamente. Contudo,
o que é mal perante Mim e não der ouvidos à exército na Batalha de Carquêmis (605 a.C.), par. Embora os profetas posteriores revelem a cuidadosa avaliação dos resultados do mi-
Minha voz, então, Me arrependerei do bem na qual foi morto. A promessa divina de que aspectos adicionais aos pensamentos de Deus nistério do “profeta” é tão necessária quanto
que houvera dito lhe faria.” Jer. 18:7-10. Josias teria morte pacífica era condicional à acerca do plano da salvação, eles não contra- as duas primeiras provas. O que aparenta ser
A profecia condicional, ou incerteza con- obediência constante. Quando líderes fiéis dizem os conceitos básicos já apresentados. bíblico e o que talvez se afirme ser “predições
trolada, é um princípio bíblico aplicado a de- vão contra o conselho divino, escolhendo se- cumpridas” pode, a longo prazo, evidenciar-
clarações de natureza preditiva que dizem guir a inclinação pessoal, Deus não poupa os 3. A Prova dos Frutos se outra coisa. A prova mais válida da auten-
respeito ou envolvem as reações dos seres hu- obstinados das conseqüências de seus atos. O cenário para a prova dos frutos encontra-se ticidade de um profeta são os resultados de
manos. Sempre que o desenrolar de um acon- no Sermão da Montanha, que trata especifi- seus ensinos. Dirige ele a mente e a conduta
tecimento depende da escolha humana, 2. A Prova da Harmonia com a Bíblia camente dos “falsos profetas”: “Acautelai-vos para Deus de modo que o padrão de vida re-
determinados aspectos do cumprimento pro- É óbvio que Deus não coloca contradições dos falsos profetas, que se vos apresentam dis- flita o espírito e a prática de Jesus? Demons-
fético são necessariamente condicionais. conceituais dentro de Seu sistema de comu- farçados em ovelhas, mas por dentro são lo- tram seus ensinos teológicos simplicidade
Um profeta anônimo enfatizou este prin- nicação. Nem dá aos profetas posteriores um bos roubadores. Pelos seus frutos os conhece- ainda que conservando a plenitude da Pala-
cípio ao idoso Eli: “Portanto, diz o Senhor, botão para “cancelar” ou “apagar”. A imuta- reis. Colhem-se, porventura, uvas dos espi- vra escrita? Ou, criam seus ensinos “novas”
Deus de Israel: Na verdade, dissera Eu que a bilidade de Deus se refletirá nas Suas revela- nheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda ár- doutrinas não alicerçadas nas Escrituras?
tua casa e a casa de teu pai andariam diante ções a homens e mulheres.5 vore boa produz bons frutos, porém a árvore Não resta dúvida de que os profetas são
de Mim perpetuamente; porém, agora, diz o Isaías chama a atenção para o fato de que má produz frutos maus. Não pode a árvore humanos. Moisés era um profeta que falava
Senhor: Longe de Mim tal coisa, porque aos os profetas verdadeiros serão provados por boa produzir frutos maus, nem a árvore má com Deus “face a face” (Êxo. 33:11), mas seu
que Me honram, honrarei, porém os que Me sua fidelidade às revelações anteriormente es- produzir frutos bons. ... Assim, pois, pelos dom profético não era garantia de que ele
desprezam serão desmerecidos. Eis que vêm critas: “À lei e ao testemunho! Se eles não fa- seus frutos os conhecereis.” Mat. 7:15-20. não cometesse erros. Devido à sua falta de pa-
dias em que cortarei o teu braço e o braço da larem segundo esta palavra, é porque não há Que espécie de pessoa os contemporâneos ciência, ele não teve permissão de entrar na
casa de teu pai, para que não haja mais velho luz neles.” Isa. 8:20. do profeta vêem e ouvem? Qual o sentido ge- Terra Prometida, o merecido prêmio por sua
nenhum em tua casa.” I Sam. 2:30 e 31. Muitas são as tentativas, em cada geração, ral de sua vida? Confiável ou volúvel? Mun- longa e corajosa liderança.
Jonas teve que aprender essa lição de de definir a “verdade” sobre a origem e desti- dano ou piedoso? Fiel ou infiel aos compro- Poderíamos citar muitos outros exemplos
condicionalidade pelo método difícil: “Viu no do homem. Abundantes são os empreen- missos? Seus ensinos exaltam a Palavra escri- bíblicos para mostrar que o recipiente profé-
Deus o que fizeram, como se converteram do dimentos intelectuais que se arriscam a esti- ta, ou criam novos e exóticos caminhos sem tico, às vezes, está sujeito às fraquezas da na-
seu mau caminho; e Deus Se arrependeu do pular o que é certo e o que é errado para a fundamento na Palavra? Acima de tudo isso, tureza humana. Mas o conteúdo é superior ao
mal que tinha dito lhes faria e não o fez.” Jo- conduta humana. A Bíblia, porém, tem atra- reflete o profeta com exatidão a clara e coe- recipiente. A mensagem profética traz em si
nas 3:10. vessado os séculos, sendo para homens e mu- rente mensagem bíblica? Qual o resultado da mesma o selo de sua autenticidade; o mensa-
A experiência do jovem rei Josias, embo- lheres de todos os lugares e de todas as condi- liderança do profeta? Sob a sua orientação, geiro é apreciado, mas não canonizado.
ra triste, é outro exemplo de profecia condi- ções a grande prova no que diz respeito à ver- tem a obra de Deus prosperado de modo que Além do mais, mesmo que a mensagem do
cional. Ele havia promovido notável reforma dade sobre a origem e moralidade humanas. cumpra melhor a missão evangélica? Vêem os profeta consista exatamente naquilo que
entre seu povo (II Crôn. 34). Por causa de A Bíblia não é apenas a verdade inspirada, é outros coerência na maneira como o profeta Deus deseja comunicar, é possível que o mi-
sua fidelidade, o Senhor prometeu: “Pelo que também a norma decisiva de qualquer pre- anda com Deus? Encontram os pecadores o nistério desse profeta pareça não causar im-
Eu te reunirei a teus pais, e tu serás recolhi- tensão à inspiração. Senhor por meio de seus escritos? pacto positivo. Pense nos heróicos, mas
do em paz à tua sepultura.” Verso 28. Mas Jo- Todo profeta que sucedia a outro, nos tem- Através dos anos muitas pessoas lamenta- “infrutíferos” ministérios de Jeremias e Isaías.
sias não morreu em paz; morreu em uma ba- pos do Antigo ou do Novo Testamento, fazia velmente têm seguido homens e mulheres Esses homens parecem haver fracassado na
talha! O que houve de errado? Ele não obe- de todos os escritos proféticos anteriores a eufóricos e carismáticos que assumem as cre- época em que viveram. Mas não hoje!
deceu à instrução divina. Deus não lhe deu norma de comparação para seu ministério. denciais de um profeta. Arrecadam-se vulto- Pense na situação desagradável de Eze-
ordens para atacar o Egito. Na realidade, o Cada qual foi, em certo sentido, uma luz me- sas somas de dinheiro e criam-se poderosos quiel: “Quanto a ti, ó filho do homem, os fi-
rei do Egito enviou uma mensagem especial nor que apontava para a luz maior. Paulo faz impérios religiosos. Devemos, porém, per- lhos do teu povo falam de ti junto aos muros
para Josias, realçando o fato de que o Deus um breve resumo desta relação: “Toda a Es- guntar: Reflete o líder o estilo de vida simples e nas portas das casas; fala um com o outro,
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CAPÍTULO 3 O ministério profético de Ellen G. White
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DOS PROFETAS

cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço- te em o profeta concordar que Jesus de Naza- cidido a invadir Israel. Ele armou ciladas aqui de Jesus, da razão de Sua vinda e de Sua obra
vos, e ouvi qual é a palavra que procede do ré algum dia viveu na Terra. A maioria dos e ali. Mas Eliseu mantinha o rei informado atual.
Senhor. Eles vêm a ti, como o povo costuma cristãos crê assim, ainda que muitos não dessas ciladas, e o registro diz que o rei de Is- Uma característica de muitos falsos pro-
vir, e se assentam diante de ti como Meu po- creiam que Ele é Deus encarnado. Muitos ou- rael “assim, se salvou, não uma nem duas ve- fetas é seu apelo ao mistério e ao fascínio
vo, e ouvem as tuas palavras, mas não as tros crêem que Ele é de fato Deus em carne, zes”. Verso 10. por novidade. De algum modo, as pessoas
põem por obra; pois, com a boca, professam mas não que Ele Se tornou verdadeiramente O rei sírio ficou exasperado e desconfiou são propensas a seguir líderes religiosos
muito amor, mas o coração só ambiciona lu- homem, um homem “em carne”. que havia espiões entre seus conselheiros, que as atraem com interpretações proféti-
cro. Eis que tu és para eles como quem canta João percebeu o problema em seus dias, pois suas estratégias mais secretas vazavam cas imaginárias ou envolventes fantasias
canções de amor, que tem voz suave e tange e sua advertência é hoje ainda mais rele- quase que imediatamente para seu inimigo. teológicas.
bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não vante. Toda a verdade sobre a razão da vin- Um de seus conselheiros, porém, sabendo o Mas o profeta verdadeiro fala ao povo “co-
as põem por obra. Mas, quando vier isto, e aí da de Jesus, a razão por que Ele Se tornou que acontecia, explicou-lhe: “O profeta Eli- mum”, a pessoas com problemas práticos que
vem, então saberão que houve no meio deles nosso Salvador e Exemplo, por que morreu seu, que está em Israel, faz saber ao rei de Is- precisam de soluções práticas e conforto. Sem
um profeta.” Ezeq. 33:30-33. e agora oficia como nosso Sumo Sacerdote rael as palavras que falas na tua câmara de essa ênfase, faltam ao “profeta” as credenciais
Ezequiel foi saudado e louvado, mas rara- – tudo isso está envolvido na prova de um dormir.” Verso 12. divinas.
mente seguido. Foi por culpa do profeta que profeta verdadeiro. Este reconhecimento Para os contemporâneos de um profeta, a
seus contemporâneos não se uniram a ele nu- de que Jesus veio “em carne” é mais do que rápida e precisa intervenção dele mediante O Peso da Evidência
ma reforma genuína? Mostra essa “falha” que um assentimento intelectual. Jesus não é presença pessoal ou comunicação escrita é Em resumo, quando uma pessoa apresenta to-
as conseqüências de seu ministério foram ne- nosso Senhor se não nos submetermos ao uma afirmação convincente de suas creden- das as características acima e passa nas pro-
gativas e infrutíferas? Qual teria sido o fruto Seu senhorio. Jesus não é nosso Salvador ciais divinas. vas, o “peso da evidência” parece convincen-
de seu ministério se seus ouvintes tivessem se não permitirmos que Ele nos salve de te, adequado e inevitável. Ao considerar to-
Testemunho Ousado e Inequívoco das as provas observáveis, contudo, a prova
seguido seu conselho? nossos pecados. (Mat. 1:21.) As ações reve-
Numerosos são os exemplos bíblicos de intrépi- suprema das credenciais de um profeta é a sua
Muitos homens e mulheres piedosos, coe- lam a autenticidade de nosso comprometi-
do testemunho por parte de profetas fiéis e ver- mensagem: conforma-se ela com todas as
rentes e fiéis a seu chamado e às mais eleva- mento pessoal. E a correta compreensão
dadeiros. Natã proferiu pesada sentença conde- mensagens proféticas anteriores quando fala
das normas bíblicas, foram líderes de igreja nos ajuda a fazer compromissos de qualida-
natória contra Davi, seu rei. (II Sam. 12.) talvez em termos mais amplos à urgência da
através dos séculos. Mas sua vida frutífera não de que nos capacitem a praticar ações que
Elias confrontou Acabe, seu rei (o que não época do profeta?
prova que eles eram profetas. As provas de honrem a Deus.
foi tarefa fácil). Repare na resposta que ele
um profeta são cumulativas no sentido de que Eis, portanto, a prova: Ensina o profeta to- deu à pergunta de Acabe: “És tu, ó perturba- Podem Todos Ser Profetas?
todas as provas devem ser aplicáveis; mas sem da a verdade sobre o propósito da vinda de dor de Israel?” I Reis 18:17. Resposta: “Eu O chamado profético não é uma profissão pa-
a prova do “bom fruto”, todas as outras pro- Cristo “em carne”? não tenho perturbado a Israel, mas tu e a ca- ra a qual uma pessoa pode estudar, tal como o
vas devem ser suspeitas. sa de teu pai, porque deixastes os mandamen- magistério do ensino fundamental ou a práti-
Manifestações Físicas tos do Senhor e seguistes os baalins.” Verso ca da advocacia. Os profetas são escolhidos
4. Testemunho Inequívoco da Natureza Conforme observamos anteriormente (pág. 18. Oportuna e corajosa! por Deus. Homens e mulheres devem buscar
Divino-Humana de Jesus Cristo 28), determinados fenômenos físicos acom- Associado às outras provas, o testemunho o fruto do Espírito, mas os dons do Espírito
João apresenta mais uma prova de um profe- panham os profetas bíblicos enquanto em vi- inequívoco é parte essencial do ministério de são exatamente isto: dons.6
ta verdadeiro: “Amados, não deis crédito a são. Embora essas manifestações possam ser um profeta verdadeiro. Apesar disso, a Bíblia também se refere
qualquer espírito; antes, provai os espíritos se imitadas pelo “espírito” errado, quando com- aos “filhos dos profetas” e ao “grupo dos pro-
procedem de Deus, porque muitos falsos pro- binadas com as provas precedentes, elas for- Conselho Prático, não Abstrações, fetas”, especialmente nos dias de Samuel,
fetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reco- talecem a evidência de que um profeta é ver- Caracterizam o Ministério Deles Elias e Eliseu.7 Parece que Samuel inaugu-
nheceis o Espírito de Deus: todo espírito que dadeiro. Os escritos dos profetas verdadeiros são rou a “escola dos profetas” com o objetivo
confessa que Jesus Cristo veio em carne é de conhecidos por sua grande praticidade. de formar professores que ajudassem os pais
Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus Oportunidade das Mensagens do Profeta Considere o Sermão da Montanha de Cristo a educar os filhos para uma vida inteira de
não procede de Deus.” I João 4:1-3. Já vimos que o “fruto” do ministério do pro- ou quaisquer das cartas de Paulo às novas utilidade e serviço. Embora não fossem dire-
Conforme dissemos no primeiro capítu- feta muitas vezes leva tempo para “amadure- igrejas. Comparada com os escritos religiosos tamente inspirados como Samuel, os jovens
lo, o Evangelho não é algo sobre Jesus; o cer”. No entanto, muitas foram as ocasiões em geral, a Bíblia é inigualável. Não apenas dessas escolas eram “divinamente chamados
Evangelho é Jesus. Mas durante os últimos em que o profeta mudou o curso da História por causa do seu assunto, mas porque os para instruir o povo nas palavras e caminhos
vinte séculos raramente o mundo tem ouvi- sendo a pessoa certa para o tempo certo, no profetas bíblicos falam ao ser humano. de Deus”.8
do a verdade sobre Jesus. Daí um evangelho lugar certo e com a mensagem certa. Eles não apresentavam admoestações teóri- A pergunta sobre a possibilidade de todos
vago e confuso. Pense em Eliseu e o rei da Síria, conforme cas, mas práticas, mesmo quando discorriam poderem ser profetas torna-se extremamente
A prova de João não consiste simplesmen- registrado em II Reis 6. O rei sírio estava de- sobre os aspectos teológicos da natureza prática. Em determinada ocasião, pergunta-
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CAPÍTULO 3 O ministério profético de Ellen G. White
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ram a Ellen White: “Acha a irmã que deve- algumas vezes de “forma extraordinária” e até a caverna do Horebe. (I Reis 18 e 19.) Mas Josafá pressentiu que alguma coisa
mos entender a verdade por nós mesmos? Por outras vezes “de forma um tanto comum, Isaías tinha apenas uma pálida idéia de como não estava certa. Ele sabia que esses 400 ho-
que não podemos apanhar as verdades que tais como pensamentos, impressões e intui- e quando os terríveis dias que ele predisse mens eram profetas palacianos. Por isso per-
outros reuniram e crer nelas porque eles in- ções, percebidas pelo profeta como influên- sobreviriam a Israel e Judá. Jeremias viu mui- guntou: “Não há aqui ainda algum profeta do
vestigaram os assuntos e depois ficarmos li- cia do Espírito”.10 to mais claramente aquilo sobre o que Isaías Senhor para o consultarmos?” Verso 7.
vres para prosseguir...? Não acha a irmã que Alguns têm defendido o ponto de vista de havia escrito. Respondeu Acabe: “Há um ainda... porém
esses homens do passado que descobriram a que todos os crentes possuem o dom de pro- Não sendo oniscientes, os profetas às vezes eu o aborreço, porque nunca profetiza de
verdade foram inspirados por Deus?” fecia no sentido de que todo crente tem a cometem erros de julgamento e precisam mu- mim o que é bom, mas somente o que é mau.
Sua resposta é instrutiva: “Não me atrevo capacidade de distinguir entre escritos inspi- dar seu conselho. O rei Davi consultou o pro- Este é Micaías.” Verso 8.
a dizer que eles não foram guiados por Deus, rados e não inspirados, ou seja, seu julga- feta Natã sobre a construção de um templo Quando levaram Micaías para se unir aos
pois Cristo guia a toda a verdade. Mas em se mento determina o que é inspirado e o que apropriado em Jerusalém, e Natã replicou: 400 que continuavam insistindo na idéia de
tratando da inspiração no pleno sentido da não é, quando lê as pretensões de um profe- “Faze tudo quanto está no teu coração, por- que o Senhor entregaria os sírios nas mãos
palavra, minha resposta é não.”9 ta verdadeiro. Este ponto de vista não é en- que Deus é contigo.” I Crôn. 17:2. Natã, po- deles, o profeta respondeu: “Tão certo como
A questão não diz respeito à guia pessoal sinado na Bíblia. rém, teve que mudar seu testemunho: “Po- vive o Senhor, o que o Senhor me disser, isso
do Espírito Santo que todos os crentes com- rém, naquela mesma noite, veio o Senhor a falarei.” Verso 14. Acabe perguntou a Mi-
prometidos experimentam diariamente. Profetas nem Sempre Natã, dizendo: Vai e dize a Meu servo Davi: caías se eles deviam sair a pelejar contra o rei
Paulo, que enfrentou questão semelhante Conscientes do Pleno Sentido Assim diz o Senhor: Tu não edificarás casa da Síria. Numa disfarçada ironia, ele lhe res-
em I Coríntios 12, pergunta: “Porventura, Pedro observou que os profetas nem sem- para Minha habitação.” Versos 3 e 4. O fato pondeu: “Sobe e triunfarás, porque o Senhor
são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São pre entendiam o sentido total de seus pró- a entregará nas mãos do rei!” Verso 15.
de um profeta poder mudar sua mente em re-
todos mestres?” Verso 29. A resposta implí- prios escritos, especialmente aqueles que Acabe, percebendo o tom sarcástico, lhe
lação ao testemunho do Senhor deixa claro
se relacionavam com acontecimentos futu- disse: “Quantas vezes te conjurarei, que não
cita era “não”. que alguém que verdadeiramente busca a
ros: “Foi a respeito desta salvação que os
Em tempos modernos, entende-se muitas vontade de Deus deve olhar para todo o qua- me fales senão a verdade em nome do Se-
profetas indagaram e inquiriram, os quais
vezes a “pregação profética” em função de al- dro e não rejeitar uma mensagem devido à nhor?” Verso 16.
profetizaram acerca da graça a vós outros
guém que procura interpretar e proclamar a humanidade do profeta. O resto da história (versos 24-28) é um pa-
destinada, investigando, atentamente,
Palavra de Deus, especialmente no que diz radigma de como os profetas verdadeiros são
qual a ocasião ou quais as circunstâncias
respeito a questões sociais. Se essa pregação Contraste Entre o Falso e o Verdadeiro atacados e ridicularizados por aqueles que
oportunas, indicadas pelo Espírito de Cris-
ou escrita é feita com ímpeto e dramatismo Em vista do grande conflito entre Cristo e não querem ouvir a verdade. Pouco depois,
to, que neles estava, ao dar de antemão
fora do comum, descreve-se o esforço como Satanás, era previsível que Satanás usasse sua Acabe morreu em combate, exatamente da
testemunho sobre os sofrimentos referen-
feito em tom profético. Contudo, seria errado mente brilhante para arruinar o sistema divi- forma como Micaías havia predito.
tes a Cristo e sobre as glórias que os segui-
afirmar que tal proclamação é evidência de riam. A eles foi revelado que, não para si no de comunicação com homens e mulheres. Esse episódio evidencia que mentir e enga-
que a pessoa tem o dom do Espírito de profe- mesmos, mas para vós outros, ministravam Isto ele tem feito. E os falsos profetas se tor- nar são ferramentas do ofício de Satanás. Ele
cia. Devem-se aplicar todas as provas do pro- as coisas que, agora, vos foram anunciadas narão mais abundantes nos últimos dias da investiga os desejos de homens e mulheres
feta verdadeiro. por aqueles que, pelo Espírito Santo envia- crise final.11 para depois produzir o que parece ser a con-
Jack Provonsha, por muito tempo profes- do do Céu, vos pregaram o evangelho, coi- Um incidente registrado em I Reis 22 ilus- firmação religiosa de seus desejos. Em outras
sor de Ética Cristã na Universidade de Lo- sas essas que anjos anelam perscrutar.” I tra determinadas estratégias que Satanás em- palavras, as pessoas geralmente encontram a
ma Linda, salientou três maneiras pelas Ped. 1:10-12. prega para tentar subverter a obra dos profetas mensagem “profética” que seu coração dese-
quais os profetas diferem das pessoas co- Os profetas não são oniscientes. Sua com- verdadeiros. Acabe, rei de Israel, havia pedido ja. De um modo ou de outro, elas receberão
muns do povo de Deus: (1) Os profetas são preensão da verdade e do dever podem de- a Josafá, do reino do sul, para unir forças com algum tipo de confirmação “espiritual” daqui-
escolhidos, “não porque sua compreensão e senvolver-se à medida que lhes for revelada. ele contra o rei da Síria. Josafá concordou en- lo que realmente querem fazer. Se os desejos
transmissão seria perfeita, mas porque eles A menos, porém, que recebam ajuda divina, tusiasticamente, mas depois pensou uma se- de uma pessoa não podem ser facilmente ra-
são os melhores veículos” disponíveis. Suas mesmo aquilo que é revelado só será entendi- gunda vez. Sentindo a necessidade da confir- tificados por aqueles que falam em nome de
percepções, por exemplo, “são menos dis- do dentro do limitado contexto das próprias mação do Senhor, perguntou a Acabe onde po- Deus, homens e mulheres egocêntricos e obs-
torcidas pelo caráter e experiência que ou- circunstâncias e experiência. deria consultar um profeta sobre o assunto. tinados ridicularizarão e/ou atacarão o profe-
tros”. (2) Uma voz é dada aos profetas por- O princípio da revelação progressiva (ver Acabe estava preparado com seus próprios pro- ta verdadeiro.
que eles “exigem atenção”; seus contempo- página 422) funciona na vida de cada profeta fetas, “cerca de quatrocentos homens, e lhes Josafá desejava sinceramente ouvir a men-
râneos “vêem neles alguém especial, alguém e de cada geração. Elias continuou a aprender disse: Irei à peleja contra Ramote-Gileade ou sagem do profeta verdadeiro em meio a todas
diferente do comum”. (3) São dadas aos sobre o caráter de Deus enquanto passava pe- deixarei de ir? Eles disseram: Sobe, porque o as outras vozes religiosas de seus dias. Micaías
profetas “comunicações especiais” de Deus, la experiência do Monte Carmelo e viajava Senhor a entregará nas mãos do rei”. Verso 6. preferiu sofrer os maus-tratos da prisão a mu-

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CAPÍTULO 3 O ministério profético de Ellen G. White
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DOS PROFETAS

dar seu testemunho. Mas os acontecimentos dos ficaram cheios do Espírito Santo e passa- 1840” é que muito do interesse “ficou fora J. V. Himes disse em 1845 na reunião dos
provaram que ele estava com a razão. ram a falar em outras línguas, segundo o Espí- dos limites da religião convencional”.14 Uma líderes mileritas em Albany: “O movimento
Como Josafá, os cristãos de hoje devem rito lhes concedia que falassem.” Atos 2:2-4. das vozes mais destacadas dessa efervescência do sétimo mês produziu mesmerismo a sete
discernir o ar de engano e ilegitimidade ao Com o passar do tempo, os fenômenos fí- religiosa foi a da expectação do milênio.15 pés de profundidade.”19 Os líderes mileritas,
ouvirem a mensagem daqueles que falsamen- sicos tornaram-se cada vez menos freqüentes, Durante uma década ou mais, a América na mesma reunião, votaram a seguinte reso-
te pretendem falar em nome de Deus. Devem pois haviam alcançado seu intento: a igreja do Norte esteve ouvindo muitas vozes, no lução, conforme relatada em The Advent
saber como aplicar rapidamente as provas de cristã havia tido seu dramático início. Essas púlpito e na imprensa, anunciando que esta- Herald, 21 de maio de 1845: “Fica resolvido
um profeta verdadeiro. Pessoa alguma deve exibições maravilhosas haviam dado credibi- va próximo o Segundo Advento. Mas a maior que não depositamos nenhuma confiança
ficar confusa com a maneira de decidir se um lidade àqueles que viram e ouviram. Os fenô- parte do mundo cristão cria que Jesus só vol- em quaisquer novas mensagens, visões, so-
profeta é falso ou verdadeiro.12 menos públicos cessaram quando havia taria depois que o mundo estivesse converti- nhos, línguas, milagres, dons extraordiná-
passado tempo suficiente para o fruto da do ao cristianismo. Chamados pós-milenistas rios, revelações, impressões, discernimento
Os Fenômenos Físicos Fornecem mensagem cristã ter-se estabelecido. (o Segundo Advento ocorre depois dos 1.000 de espíritos, ou ensinos, etc., etc., que não
Muitas Vezes Evidência Convincente De muitas formas os dias iniciais do movi- anos de Apocalipse 20), esses líderes cristãos estejam de acordo com a não adulterada Pa-
Antes de passar tempo suficiente para ser julga- mento adventista foram uma réplica dos pri- olhavam com desdém para os pré-milenistas lavra de Deus.”
do pelos “frutos” do Seu ministério, Jesus mos- mitivos dias da igreja cristã. De que outra ma- (o Segundo Advento ocorre antes do período Além disso, seguindo em grande parte pa-
trou a João Batista as manifestações físicas que neira poderiam poucos crentes chamar a de mil anos) que prediziam o retorno de Jesus ralelamente ao surgimento da Igreja Adven-
acompanharam Seu ministério. João, na pri- atenção de pessoas suficientes para desenca- para 1843-1844.16 tista do Sétimo Dia, houve o desenvolvimen-
são, à beira da dúvida mandou um recado a seu dear um movimento destinado a circundar o to dos shakers, o da Igreja Mórmon e o da
Entre os muitos acontecimentos fascinan-
primo, Jesus: “És Tu Aquele que estava para vir mundo? De que outra maneira poderia um Ciência Cristã, bem como o advento do espi-
tes da década de 1840, estava também o sur-
ou havemos de esperar outro?” Mat. 11:3. profeta receber a atenção que sua mensagem ritualismo.20
gimento de várias pessoas que afirmavam
Jesus não lhe enviou um simples “Eu sou”. merecia, a menos que Deus fizesse as visões É digno de nota que cada um desses movi-
possuir o dom profético. Nem todas essas pes-
O Batista precisava de algo mais do que pala- serem apoiadas por fenômenos físicos? mentos religiosos modernos tenha sido con-
soas eram pré-milenistas; algumas desenvol-
vras. Jesus instruiu os discípulos de João a Os fenômenos físicos que atraíram a aten- cebido por líderes carismáticos que afirma-
viam “novas” religiões; algumas se concen-
anunciarem a “João o que estais ouvindo e ção no dia de Pentecostes não eram a mensa- vam possuir o dom de profecia. Jemina Wil-
vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os le- travam em experiências sociais. Devido aos
gem cristã, mas foram eles que levaram as kinson e Ann Lee foram as primeiras profeti-
prosos são purificados, os surdos ouvem, os acontecimentos bizarros que muitas vezes sas norte-americanas. Lee, mais conhecida
pessoas a ouvirem mais atentamente à men-
mortos são ressuscitados, e aos pobres está acompanhavam essas experiências religiosas por ser a “mãe” dos shakers, passou pela expe-
sagem. Do mesmo modo, os fenômenos visí-
sendo pregado o evangelho. E bem-aventura- e sociais, muitos contemporâneos eram hostis riência do que parecia ser “transes e visões
veis (curas divinas, fenômenos relacionados
do é aquele que não achar em Mim motivo de com visões públicas, etc.) associados ao mi- a fenômenos carismáticos.17 nas quais lhe foi revelado que a raiz e o fun-
tropeço”. Versos 4-6. nistério inicial de Ellen White não eram, e Olhando para esse período do ponto de vis- damento da corrupção humana e fonte de to-
Alguns anos mais tarde, após a ascensão nem são, a mensagem dela. Nem são necessa- ta de Satanás, à luz do Tema do Grande Con- do mal era o ato sexual. ... Durante os quatro
de Cristo, chegou outro momento importan- riamente provas de suas credenciais divinas. flito (ver págs. 256-263), não era de se esperar últimos anos de sua vida, relata-se que a Mãe
te no plano de Deus: Como poderiam as boas Mas os fenômenos físicos captaram a atenção que ele confundisse de tal modo os aconteci- Ann realizou milagres capazes de convencer
novas de Jesus Cristo despertar atenção favo- de seus contemporâneos, atenção que ela mentos a fim de tornar mais difícil a aceitação a seus seguidores de que ela era o Cristo em
rável e satisfatória? Bastaria um simples deba- conservou até muitos se convencerem de que de um profeta verdadeiro? O livro de Apoca- sua ‘segunda vinda”’.21
te ou seria necessário algo mais? Deus resol- sua mensagem era uma palavra de Deus. Com lipse deixa claro que Satanás está ciente da li- O jovem Joseph Smith ficou muito pertur-
veu que seria algo mais. o passar do tempo, depois que milhares se ha- nha profética do tempo e o projetado fim de bado com a mixórdia de escolhas religiosas:
No dia de Pentecostes, os discípulos se viam convencido do fruto de suas mensagens, seu tempo no Universo. À medida que ocor- “‘No meio desta guerra de palavras e tumulto
reuniram para orar como havia sido seu cos- as visões públicas, acompanhadas de fenôme- rem os acontecimentos divinamente preditos, de opiniões’, eu dizia muitas vezes para mim
tume desde que Cristo ascendera ao Céu. nos físicos, tornaram-se menos freqüentes. “o diabo” terá “grande ira, pois sabe que pouco mesmo: ‘Que devo fazer? Qual desses grupos
(Atos 1:14; 2:1.) Embora não tivessem cons- Apesar disso, Deus continuou a falar a Sua tempo lhe resta”. Apoc. 12:12. tem razão? Ou estão todos errados?’”
ciência disto, o Senhor estava pronto para es- profetisa por meio de visões noturnas. A qua- O extremo fanatismo e as manifestações Logo sua oração foi respondida pela
tabelecer a igreja cristã. Como Ele o faria? lidade do conselho permaneceu a mesma, estranhas associadas com os falsos profetas fi- “aparição” tanto do Pai como do Filho. Se-
Enviando fenômenos físicos com a palavra mas sem os fenômenos físicos.13 zeram homens e mulheres equilibrados olha- gundo ele conta, Pai e Filho lhe disseram
profética. “De repente, veio do céu um som, rem com aversão qualquer pessoa que preten- que ele não devia ingressar em denomina-
como de um vento impetuoso, e encheu toda Década de 1840 – um Período desse falar em nome de Deus. Tanto os pós- ção nenhuma, pois todas eram corruptas.
a casa onde estavam assentados. E aparece- Turbulento Para Reivindicações Proféticas milenistas quanto os pré-milenistas conside- Depois de um período adicional de estudo,
ram, distribuídas entre eles, línguas, como de Um dos aspectos mais destacados da agitação ravam com desdém as manifestações do dom ele relatou que o anjo Morôni lhe aparece-
fogo, e pousou uma sobre cada um deles. To- religiosa das turbulentas décadas de 1830 e de profecia.18 ra e o conduzira às “placas de ouro que con-
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CAPÍTULO 3 O ministério profético de Ellen G. White
O Sistema Divino de Comunicação CARACTERÍSTICAS
DOS PROFETAS

tam a história da última tribo perdida de Is- ficou fascinado com o que ela dizia. Deixou- Finalmente pareceu-lhe ouvir uma voz Emaús, caminhando à sombra misteriosa de
rael, que havia séculos antes habitado o con- se levar pelo entusiasmo e empolgação que que dizia: “Entristeceste o Espírito do uma crucifixão. (Ver Lucas 24.) O Senhor,
tinente americano”. Posteriormente, em acompanharam a apresentação dela. Ela falou Senhor.” porém, conhecia seu desespero e aproximou-
1830, Smith publicou o Livro do Mórmon. das coisas celestiais – de orientações, luzes, Apavorado com essa possibilidade, ele Se deles. Ele sabia que havia permitido lhes
Esta nova Bíblia se tornou a autoridade imagens – coisas familiares a Foy. ... Arreba- convocou uma reunião para relatar a visão. sobreviesse aquela tristeza. Ele não os desam-
dos mórmons na maioria das questões. Ela de- tado pela alegria do momento, ele não pôde Mas, depois de fazer várias tentativas mal-su- pararia em seu pesar e confusão.
clarava que “quem quer que negue ‘as revela- mais se conter. De súbito, no meio da apre- cedidas de relembrá-la, declarou: “Foi-se de Como Jesus Se revelou? Primeiro, diri-
ções de Deus ou diga que elas cessaram e que sentação de Ellen, Foy bradou de júbilo, er- mim. Não consigo dizer nada. O Espírito de gindo a mente deles para as Escrituras. Ele
guendo-se sobre os pés e ‘saltou inflamada- Deus me abandonou.” Alguns que ali estive- os ajudou a investigar a verdade que eles
não há mais revelações, nem profecias, nem
mente para baixo e para cima’. Segundo Ellen ram presentes descreveram aquela reunião haviam apenas compreendido vagamente.
dons, nem falar em línguas nem interpreta- como “a mais terrível reunião em que já ha- Esse tipo de estudo bíblico forneceu àqueles
ção de línguas’, revela sua ignorância e nega se lembra: ‘Oh! Ele louvou o Senhor, ele lou-
vou o Senhor.’ viam estado”. primeiros discípulos maior estabilidade e
‘o evangelho de Cristo’”.22 Depois dessa experiência, Hazen encon- compreensão bíblica do que a realização de
O espiritismo, ou espiritualismo, encontra “Ele repetiu várias vezes que a visão dela
trou-se com Ellen em Poland, Maine. Embo- um milagre.
suas raízes teológicas na predominante dou- era justamente a que ele tinha visto. Ele sabia
ra tivesse sido convidado para a reunião, ele Na década de 1840, ocorreu outro mo-
trina cristã do estado consciente dos mortos, que não havia como falsificar tal experiência. permaneceu do lado de fora da porta fechada, mento notável no plano divino da salvação.
no Céu ou no inferno. A moderna ressurrei- A dela era legítima.”25 embora próximo o bastante para entreouvir a O fim da mais longa profecia bíblica relacio-
ção deste antigo paganismo é atribuída a An- Em 1906 Ellen White lembrou-se de suas mensagem dela. No dia seguinte, ele contou nada com tempo estava próximo (Dan.
drew Jackson Davis (1826-1910), o “Vidente conversas com William Foy. Ela recordou a Ellen: “O Senhor me deu uma mensagem 8:14). A ocasião era tremenda – aproxima-
de Poughkeepsie”, e aos fenômenos audíveis que ele tivera quatro visões, todas antes da para apresentar a Seu povo. E eu recusei, de- va-se o advento. Contudo, embora a maioria
na casa das irmãs Fox, perto de Rochester, primeira visão dela: “Elas foram escritas e pois de saber das conseqüências. Fui orgulho- do mundo tivesse ouvido a autêntica mensa-
publicadas, e é [estranho] que eu não consi- so; estava inconformado com o desaponta- gem do advento, o tempo do advento se ba-
Nova Iorque, em 1848. Davis é mencionado
ga encontrá-las em nenhum de meus livros. mento. ... Ouvi sua palestra de ontem à noi- seava numa interpretação errônea da profe-
como aquele que introduziu o “espiritualismo
Mas nós nos emocionamos tantas vezes.” E te. Creio que as visões foram retiradas de cia de Daniel.
intelectual”, e Katie Fox como a introdutora
depois ela fez um elogio muito significativo mim e dadas a você. Não recuse obedecer a Durante a confusão e o desespero que se
do “espiritualismo fenomenal”.23
a Foy: “Foram notáveis os testemunhos que Deus, pois será perigoso para sua alma. Sou seguiram ao dia 22 de outubro de 1844, Deus
ele deu.”26 um homem perdido. Você é a escolhida de Se aproximou de Seu povo. Por meio de uma
William Foy e Hazen Foss
Hazen Foss encontrou-se com Ellen Har- Deus. Seja fiel em fazer a sua obra, e a coroa adolescente, Ele o animou a reestudar a Bí-
Mais relevante para os primeiros adventis- que eu poderia ter tido, você receberá.”28 blia29 e o instruiu a ouvir Seu conforto e for-
mon em janeiro de 1845, em uma reunião em
tas do sétimo dia são as experiências de talecimento. Por meio da jovem Ellen Har-
Poland, Maine. Ellen fora para ali, convidada
William Foy e Hazen Foss. Ambos tiveram Deus Se Revela em Tempos mon a perplexidade e a tristeza que envolve-
por Mary Foss, para relatar sua primeira visão
visões similares à primeira visão de Ellen de um mês antes.27 de Crise por Meio dos Profetas ram o Grande Desapontamento de 22 de ou-
Harmon. William Ellis Foy (c. 1818-1893), Hazen, o cunhado de Mary [Mary era mu- Deus é muito compassivo e solícito com Seu tubro logo se mudaram em esperança e âni-
um negro norte-americano na faixa dos vin- lher de Samuel Foss], é lembrado “como um povo, especialmente quando Ele Se revela mo. Assim como os discípulos a caminho de
te anos de idade, recebeu diversas visões homem de boa aparência, boas maneiras e em períodos de crise. O aparecimento dos Emaús voltaram para Jerusalém com a alegria
dramáticas em 1842, vários anos antes da- educado”. Antes de 22 de outubro de 1844, profetas muitas vezes se acha ligado a grandes da verdade presente, assim aqueles primeiros
quelas recebidas por Hazen Foss e Ellen ele teve uma visão descrevendo a viagem dos crises. Assim quando surge um profeta, deve- adventistas enfrentaram o mundo novamen-
Harmon. A primeira (18 de janeiro) durou mos examinar a natureza da crise. E ao estu- te com a alegria da verdade presente.
adventistas (mileritas) à cidade de Deus. Ele
duas horas e meia, e a segunda (4 de feve- darmos a crise, devemos olhar para a mensa-
foi instruído a tornar conhecida essa visão
reiro) vinte horas e meia! Seu estado duran- gem do profeta. Pense no Dilúvio, e Noé vi- Ellen White Surgiu no Tempo de Maior Aflição
juntamente com mensagens específicas de rá à sua mente. Israel no cativeiro egípcio – Ellen White teve que lutar contra o senti-
te as visões assemelhava-se ao estado de advertência, mas recusou.
transe de Daniel.24 Moisés. Terrível opressão – Débora e, mais mento prevalecente entre os líderes mileri-
Depois do dia 22 de outubro, ele sentiu tarde, Samuel. Terrível apostasia – Elias. Trá- tas de que todos os fenômenos carismáticos,
Algumas vezes antes de 22 de outubro de que havia ficado confuso quanto à sua pri- gica decadência nacional – Isaías e Jeremias. tais como visões e transes, deviam ser rejei-
1844, Ellen Harmon ouviu Foy pregar no Sa- meira visão. Em sua segunda visão, foi adver- Cativeiro sombrio – Daniel e Ezequiel. Nas- tados.30
lão Beethoven em Portland, Maine. Algumas tido de que, se não fosse fiel em relatar a pri- cimento da igreja cristã – Pedro e Paulo. Res- Igualmente perturbadoras foram as am-
semanas depois, pouco antes da primeira vi- meira visão, a visão e a responsabilidade se- tauração das verdades especiais para os últi- plas divisões e espantosos fanatismos surgi-
são dela em dezembro de 1844, Foy estava riam retiradas dele e dadas a outra pessoa com mos dias – Ellen White. dos entre os mileritas depois de 22 de outu-
presente numa reunião realizada perto de Ca- muito poucas qualificações. Ele continuou a Essa mesma espécie de preocupação divina bro de 1844.31
pe Elizabeth, Maine, durante a qual ela falou temer pela possibilidade de ser ridicularizado fica evidente no domingo da ressurreição. Talvez mais opressivo ainda foi o escárnio
da primeira visão. “Quando ela começou, Foy e rejeitado por seus companheiros mileritas. Dois discípulos derrotados arrastavam-se para daqueles que haviam rejeitado os mileritas
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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO I
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DOS PROFETAS

antes do Desapontamento ao observarem a Harmon em ser uma mensageira de Deus nos Referências
humilhação dos desapontados.32 tempos mais sombrios se tornou o centro de
Além disso, a jovem Ellen era apenas uma reanimação para sinceros estudantes da Bí- 1. Kenneth H. Wood, “Toward an Understanding of the Pro- zendo! Sou contra os profetas que contam sonhos cheios de
phetic Office”, Journal of the Adventist Theological Society, pri- mentiras. ... Eu não os enviei, nem os mandei ir, e eles não
adolescente, uma garota tão fraca que mal blia que queriam saber o que estava certo e o mavera de 1991, pág. 21. ajudam o Meu povo em nada. Eu, o Deus Eterno, falei.” Jer.
conseguia falar acima de um sussuro. Mas, em que estava errado com respeito a 22 de outu- 2. Moisés registrou as palavras de Deus com respeito ao sistema 23:11-32, BLH; ver também cap. 28; 29:8, 15-19 e 31.
dezembro de 1844, Deus lhe deu uma visão. bro de 1844. Assim como na estrada de profético, usando visões e sonhos de maneira intercambiável: 13. Escrevendo mais tarde, Ellen White referiu-se aos fenômenos
“Ouvi agora as Minhas palavras: se entre vós houver profeta, físicos, que desempenharam papel importante com relação a
Quem a ouviria, “a mais fraca das fracas”? Emaús, Jesus Se aproximou dos crentes since- Eu, o Senhor, a ele Me farei conhecer em visão, em sonhos seu ministério: “Algumas das instruções que se encontram
À medida que o tempo passava, a relutan- ros mas perplexos nos meses que se seguiram falarei com ele.” Núm. 12:6. nestas páginas foram dadas em circunstâncias tão notáveis
te, modesta e inabalável lealdade de Ellen ao “grande desapontamento”.33 3. T. H. Jemison foi um dos primeiros a categorizar essas quatro que evidenciam o prodigioso poder de Deus em favor de Sua
provas no livro A Prophet Among You, (Mountain View, CA: verdade. ... Essas mensagens eram dadas desse modo para
Pacific Press Publishing Association, 1955), págs. 100-112. confirmar a fé de todos, a fim de que nestes últimos dias te-
4. Neste exemplo Jeremias falava em tom irônico com o falso nhamos confiança no Espírito de Profecia.” – Review and
Nota profeta Hananias. O princípio, contudo, permanece. Herald, 14 de junho de 1906 (Mensagens Escolhidas, livro 3,
5. Ver Mal. 3:6; Tia. 1:17. Revelação progressiva (ver página págs. 38 e 39). Ver pág. 28.
422) é o termo que descreve o plano divino de “educação 14. Winthrop S. Hudson, “A Time of Religious Ferment”, The
Às vezes se faz uma comparação entre a his- do “tamanho de crianças de dez anos de ida- contínua”. Ela se baseia na revelação anterior; não remove Rise of Adventism, ed. Edwin S. Gaustad, (New York: Harper
tória da vida e visões de William Foy e Ellen de” e que cantavam um “cântico que os san- nem contradiz a revelação anterior. & Row, 1974), pág. 8.
6. Ver págs. 2 e 3. 15. Ernest R. Sandeen escreveu que a América [do Norte] “esta-
Harmon. Ambos passaram por conflitos espi- tos e os anjos não podiam cantar”. Para Ellen 7. Ver I Sam. 10:5 e 10; I Reis 20:35; II Reis 2:3 e 5; 4:38; va embriagada com o milênio”. Citado por Ernest Dick, “The
rituais perturbadores antes das visões, ambos White: “Ali sobre o mar de vidro, os 144.000 5:22; 6:1. Millerite Movement”, Adventism in America, ed. Gary Land
8. Educação, pág. 46. (Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company,
sentiram grande aversão em relatar as visões ficaram em quadrado perfeito.” 9. Review and Herald, 25 de março de 1890. Ver também Men- 1986), pág. 3. Ver também Ernest R. Sandeen, “Millennia-
publicamente. Ocasionalmente, ambos usa- No entanto, se as visões de Foy foram au- sagens Escolhidas, livro 3, pág. 341, onde Ellen White teve lism”, em The Rise of Adventism, ed. Edwin S. Gaustad (New
ram expressões comuns da época, como tênticas e fielmente reveladas, não devíamos oportunidade de esclarecer o papel de um profeta dotado: York: Harper & Row, 1974), págs. 104-118; George R.
“Não hesito em dizer que teria sido melhor se essas idéias em Knight, Millennial Fever (Boise, ID: Pacific Press Publishing
“confortar os santos”. esperar semelhanças e paralelos, pelo menos relação ao ato de profetizar nunca houvessem sido expressas. Association, 1993), págs. 1-384.
Embora existam alguns paralelos verbais até certo ponto? Mas o conteúdo conceitual Tais declarações preparam o caminho para um estado de coi- 16. A maioria dos cristãos eram “pós-milenistas”, que criam que
sas que Satanás certamente aproveitará para introduzir ativi- Jesus voltaria após o período de mil anos de Apocalipse 20.
entre as visões de Foy e as de Ellen Harmon, geral das visões publicadas de Foy não corres- dades falsas. Há o perigo não somente de que mentes dese- O principal argumento deles era que Satanás seria preso na
existem importantes diferenças no conteúdo. ponde ao das visões de Ellen White.34 quilibradas sejam induzidas ao fanatismo, mas também de Terra pelo avanço do cristianismo através do mundo e que o
Ao descrever a viagem de alguém que havia Existem algumas questões relativas aos que pessoas ardilosas se aproveitem dessa agitação para pro- bem venceria o mal à medida que o mundo se tornasse mais
mover seus desígnios egoístas.” iluminado pelo evangelho. Ver Ernest R. Sandeen, “Millen-
acabado de morrer como indo para o Céu em Pearson (John Pearson, Jr., e C. H. Pearson) 10. Jack Provonsha, A Remnant in Crisis (Hagerstown, MD: Re- nialism”, Gaustad, The Rise of Adventism, págs. 10-118.
uma carruagem, Foy não menciona a ressur- que publicaram o folheto de Foy, The Chris- view and Herald Publishing Association, 1993), págs. 57 e 17. Harold Bloom, The American Religion (New York: Simon &
reição no Segundo Advento, pois cria na 58. Aplicando esses princípios a Ellen White, Provonsha es- Schuster, 1933), págs. 21-75; Hudson, “A time of Religious
tian Experience, e o “Pai” Pearson, menciona- Ferment”, em Gaustad, The Rise of Adventism, págs. 1-17;
creve: “Pelo visto, Ellen White ‘ouviu’ muitas vezes a voz de
imortalidade da alma. Foy vê uma montanha do em Life Sketches, págs. 70 e 71 e em Teste- Deus lhe falando enquanto ela escrevia livros em sua biblio- William G. McLoughlin, “Revivalism”, em Gaustad, The Ri-
na qual estava impresso em letras de ouro: “O munhos Para a Igreja, vol. 1, pág. 64. teca. Uma pessoa que passou toda uma vida sendo mensagei- se of Adventism, págs. 119-150.
ra de Deus desenvolveu certamente uma sensibilidade fora 18. “Declaration of Principles” no periódico de Carlos Fitch, The
Pai e o Filho”, fornecendo um pano de fundo “Pai Pearson”, um antigo líder do peque- do comum a essas intuições e é bastante compreensível que Second Advent of Christ (Cleveland, Ohio, 21 de junho de
para a cena do juízo. Nada semelhante é en- no grupo dos crentes de Portland, Maine, ela empregasse, às vezes, as próprias palavras dos autores pe- 1843): “Não confiamos de maneira alguma em visões, sonhos
contrado nos registros das visões de Ellen opunha-se aos que afirmavam estar “pros- los quais essas intuições lhe foram apresentadas à mente, com ou revelações particulares. ‘Que tem a palha com o trigo? Diz
ou sem aspas.” – Ibidem, págs. 58 e 59 o Senhor.’ Repudiamos todo fanatismo e tudo quanto tende
Harmon. trados” pelo Espírito de Deus – até que ele 11. Ver as predições de Cristo em Mat. 24:11. a extravagância, excesso e imoralidade, para que não seja
Tanto Foy quanto Harmon (White) des- e sua família passaram pela “experiência”.35 12. Jeremias registra o que o Senhor disse sobre os “falsos profe- censurado o nosso bem.”
tas”: “Os profetas e os sacerdotes são ímpios; Eu os peguei fa- 19. Tiago White, “The Gifts of the Gospel Church”, em Review
crevem a árvore da vida empregando pala- Tiago White havia trabalhado com o filho zendo o mal no próprio Templo. ... Vejo que os profetas de Je- and Herald, 21 de abril de 1851.
vras comuns tais como “o fruto parecia ca- do “Pai” Pearson, John Pearson Júnior, em rusalém... cometem adultério, dizem mentiras, ajudam os ou- 20. Hudson, “A Time of Religious Ferment”, em Gaustad, The
chos de uvas em painéis de puro ouro” (Foy) 1843 e depois disso. John, o filho, junta- tros a fazerem o mal, e assim ninguém pára de fazer o que é Rise of Adventism, págs. 9-17.
errado... ; eles estão iludindo vocês com falsas esperanças. Di- 21. Ibidem, pág. 10.
e “o fruto era esplêndido; tinha o aspecto de mente com Joseph Turner, editava Hope of zem coisas que eles mesmos inventam e não aquilo que Eu fa- 22. Ibidem, pág. 13; H. Shelton Smith, Robert T. Hardy, Lefferts
ouro misturado com prata” (White). Falando Israel, um periódico do Advento, e publi- lei. ... Qual desses profetas algum dia conheceu os pensamen- A. Loetscher, American Christianity: An Historical Interpreta-
tos secretos do Eterno? Será que algum deles viu e ouviu a pa- tion With Documents (New York: Charles Scribner’s Sons,
sobre comer o fruto, Foy se lembrou: “O guia cou o folheto de William Foy em princípios 1963), págs. 80-84.
lavra do Eterno? Qual deles deu atenção à sua mensagem e
então me falou dizendo: ‘Os que comem do de 1845. obedeceu?... Eu não enviei esses profetas, nem lhes dei ne- 23. Citado em LeRoy Edwin Froom, The Conditionalist Faith of
fruto desta árvore não voltam mais para a Parece evidente que, se as visões de Ellen nhuma mensagem. Mas assim mesmo eles saíram correndo e Our Fathers, vol. 2 (Washington, D.C.: Review and Herald
falaram em Meu nome. ... Eu sei o que têm dito esses profe- Publishing Association, 1965), pág. 1.069.
Terra.’” White escreveu: “Pedi a Jesus que Harmon não passassem de cópia das primei- tas que falam mentiras em Meu nome e afirmam que lhes dei 24. O relato é de que ele não respirava, apresentava considerável
me deixasse comer do fruto. Ele disse: ‘Ago- ras visões de Foy, os Pearson teriam sido os Minhas mensagens nos seus sonhos. Por quanto tempo ainda perda de força, não conseguia falar, etc. Informações adicio-
ra não. Os que comem do fruto deste país primeiros a perceber a fraude, especialmente esses profetas vão enganar o Meu povo com as mentiras que nais sobre William Foy podem ser encontradas em The Unk-
inventam?... O profeta que teve um sonho devia contá-lo co- nown Prophet (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing
não voltam mais para a Terra.’” As desseme- considerando que o Pai Pearson era tão sen- mo um simples sonho. Mas o profeta que ouviu a Minha Association, 1987), de Delbert W. Baker. Pastor batista vo-
lhanças contextuais saltam aos olhos. sível e desconfiado de visões e outras chama- mensagem devia anunciá-la fielmente. ... Eu sou contra esses luntário de talentos extraordinários, sua primeira visão foi re-
profetas que roubam as palavras uns dos outros e as anunciam latada a uma congregação metodista. Depois desta visão, sua
Ambos se referem a um grande grupo de das manifestações do Espírito. O Pai Pearson como se fossem a Minha mensagem. Também sou contra es- pregação, cheia de zelo e vigor, passou a centralizar-se na pro-
remidos formando um “quadrado perfeito”. creu na autenticidade de William e conti- ses profetas que falam as suas próprias palavras e afirmam que ximidade do Advento e na preparação para o acontecimen-
Foy escreveu que as pessoas desse grupo eram nuou a apoiar solidamente Ellen Harmon. elas vieram de Mim. Escutem o que Eu, o Eterno, estou di- to. Baker não concorda com a opinião popular de que

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II

SEÇÃO
SEÇÃO I
CAPÍTULO 3
O Sistema Divino de Comunicação CARACTERÍSTICAS
DOS PROFETAS

Ellen Harmon mais tarde preencheu a responsabilidade atri- 27. Ver Robinson, James White, pág. 28; ver também Biography,
buída primeiramente a Foy. vol. 1, pág. 71.
“William Foy trabalhou como porta-voz de Deus para o 28. “Hazen Foss”, em Seventh-day Adventist Encyclopedia
movimento do Advento no período do pré-desapontamento, (SDAE), ed. Don. F. Neufeld, segunda edição revisada A Verdadeira Ellen White
enquanto Ellen White se tornou a profetisa do pós-desapon- (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Associa-
tamento. Foy falou aos primeiros adventistas, assegurando- tion, 1996), vol. 2, pág. 562.
lhes o interesse pessoal de Deus e estimulando-lhes a um 29. Considere os estudos bíblicos de Hiram Edson, O. R. L. Cro-
maior reavivamento e reforma. Ele trouxe à luz oportunas
zier e F. B. Hahn em fins de 1844 e princípio de 1845. Ver
verdades que, se compreendidas, teriam posteriormente pou-
Schwarz, Light Bearers, págs. 60-63.
pado o povo de Deus do grande Desapontamento ou pelo
30. Knight, Millennial Fever, pág. 273.
menos tê-lo-iam preparado para ele. Foy recebeu um núme-
ro limitado de visões com um objetivo definido. Ele nunca 31. Everett N. Dick, “The Millerite Movement, 1830-1845”, em
sugeriu que seu papel profético se estenderia além de 1844, Adventism in America, ed. Gary Land (Grand Rapids, MI:
ou que receberia outras visões. William B. Eerdmans Publishing Company, 1986), págs. 31-
“Uma desencaminhadora generalização que muitas vezes 35; Knight, Millennial Fever, págs. 245-293; R. W. Schwarz,
se faz é a de que, se Foy for aceito como profeta verdadeiro Light Bearers to the Remnant (Boise, ID: Pacific Press Publis-
do movimento do Advento (pré-adventista do sétimo dia), hing Association, 1979), págs. 56-58.
ele também deve ser profeta do movimento adventista do sé- 32. Land, Adventism in America, págs. 29-30; Schwarz, Light Bea-
CAPÍTULO
timo dia por todo o tempo restante. Esta crença, embora rers to the Remnant, pág. 53; Biography, vol. 1, pág. 54.
compreensível, não encontra base real.” – Delbert Baker, 33. Ver C. Mervyn Maxwell, Magnificent Disappointment (Boise, 4 A Pessoa e a sua Época
“William Foy, Messenger to the Advent Believers”, Adven- ID: Pacific Press Publishing Association, 1994).
tist Review, 14 de janeiro de 1988. 34. Foy continuou a pregar para os Batistas do Livre-Arbítrio.
25. Baker, The Unknown Prophet, págs. 143 e 144. Ver nota no Na década de 1860 ele se estabeleceu nas proximidades de
5 Mensageira, Esposa e Mãe
fim do capítulo. East Sullivan, Maine, onde pastoreava uma igreja e traba-
26. Ellen White, “William Foy”, Depositários do Patrimônio
Literário White, Arquivo Documental 231. Apenas duas
lhava em sua pequena fazenda. “‘O Pastor Foy’, conforme 6 Saúde Física
o chamavam, era grandemente estimado e amado naquela
das visões de Foy foram publicadas em seu livro The Chris-
região. A tradição oral afirma que ele era amistoso e amá-
tian Experience of William E. Foy Together With the Two Vi-
vel, embora de fortes convicções. A história local afirma 7 Características Pessoais
sions He Received in the Months of January and February,
1842 (Portland, ME: The Pearson Brothers, 1845). A ter- que Foy era excelente pregador e pastor experiente.” – Ba-
ceira é resumida por J. N. Loughborough em Rise and Pro- ker, The Unknown Prophet, pág. 158. Ele morreu aos 75 8 Como Outros a Conheceram
gress of the Seventh-Day Adventists (RPSDA) (Reimpresso anos de idade e foi enterrado perto de Ellsworth, Maine,
por Payson, AZ: Leaves-of-Autumn Books, 1988), pág. 71. onde seu túmulo pode ser encontrado no Birch Tree Ce-
Não se dispõe de nenhuma informação sobre o conteúdo da metery. 9 Bom Humor, Bom Senso e uma Conselheira Prática
quarta visão. 35. Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, págs. 47 e 64.
10 A Pioneira Americana e a Mulher Vitoriana

Perguntas Para Estudo 11 A Escritora Prolífica

1. Que exemplos bíblicos ilustram o princípio da profecia condicional? 12 A Oradora Solicitada

2. Por que nem todos os crentes possuem o dom profético?

3. Quais algumas das características comuns compartilhadas pelos profetas em suas expe-
riências em visões?

4. Quais as melhores provas de um profeta ou profetisa verdadeiro(a)?

5. Cite algumas circunstâncias existentes em 1845 que tornavam difícil para Ellen Harmon
ser ouvida.

6. Por que nossa atitude para com os profetas é uma indicação de nossa atitude para com
Deus?

7. Na sua opinião, por que os fenômenos físicos acompanham as visões em determinados


períodos mais do que em outros?

42
M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO II

4
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
lher que fora apresentada ao público sob um falso notoriamente agradáveis; e os invernos, rigo-
prisma com o objetivo de tornar inoperante a ver- rosos, com temperaturas muitas vezes abaixo
dade de Deus.”4 de zero, chegando mesmo a atingir a marca
Mais adiante, naquela carta, ela escreveu: dos 31° C negativos (1o de fevereiro de 1826).
“Ninguém é obrigado a crer. Deus fornece evi- Freqüentemente o porto ficava coberto de ge-

A Pessoa e sua Época dência suficiente para que todos se decidam


sob o peso da evidência, mas Ele nunca remo-
ve nem jamais removerá toda chance [oportu-
nidade] para a dúvida; nunca forçará a fé.”
lo durante dias ou até mesmo semanas, en-
quanto o campo, geralmente coberto de neve,
tornava ideal a viagem de trenó.7
Portland tinha “um sistema escolar progres-
Citando um velho provérbio de lenhado- sista” para estudantes entre os quatro e os 21
“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a Palavra de Deus; e considerando atentamen- res, Carl Sandburg intitulou o penúltimo ca- anos de idade. Depois da escola primária bási-
te o fim da sua vida, imita a fé que tiveram.” Heb. 13:7. pítulo de sua biografia de Lincoln em seis vo- ca [4 anos de estudo], o estudante podia entrar
lumes: “Uma árvore é melhor avaliada depois para a escola primária superior [4 anos de estu-
que cai.”5 Enquanto vivo, nenhum homem ou do], chamada grammar school, após um exame
mulher pode ser avaliado completamente. público. A educação gratuita para as meninas,
Nunca foi isto mais verdadeiro do que com a contudo, acabava na escola primária superior,

C
omo alguém pode saber quem foi de ção abalada começou a apreciar o que ele de- vida de Cristo. Somente com o passar do tem- enquanto os meninos podiam prosseguir na es-
verdade Abraão Lincoln, Florence fendia. Uma nação triste mas agradecida en- po pode a vida de alguém ser apropriadamen- cola secundária [4 anos de estudo], que se es-
Nightingale ou Booker T. Washington? tesourou seus discursos e escritos profundos, te avaliada. Tanto o louvor afetado dos baju- pecializava no ensino avançado do inglês, de-
Em parte, pela leitura do que eles escreveram. tais como o “Discurso de Gettysburg” e seu ladores como o desdém sarcástico dos adver- pois de passar noutro exame público.8
Mas para ganhar objetividade, é preciso ouvir “Segundo Discurso Inaugural”. A enorme sários são mais bem medidos e reconsiderados Pelo fato de em Portland não haver hospi-
o que os outros dizem sobre eles. Convém re- contribuição de Abraão Lincoln só pode ser quando se levam em conta os resultados dura- tal até 1855, os doentes eram tratados em ca-
correr às pessoas que viveram na mesma épo- vista em sua verdadeira perspectiva com o douros das palavras e atos de uma pessoa. sa ou no consultório de algum médico. Um
ca e analisar como foram elas afetadas ou in- passar do tempo e depois de calma reflexão. Em grande parte, somos todos filhos do nos- doutoramento em medicina podia ser obtido
fluenciadas por essas pessoas extraordinárias. Enquanto aguardava ansiosamente pela so tempo. Ellen Harmon nasceu num mundo no Bowdoin College, em Brunswick (cerca de
Observe uma nação em pranto por oca- visita de Ellen White à Austrália em 1891, em enorme efervescência e rápidas mudanças. 42 quilômetros de Portland), após três meses
sião da morte de Lincoln. Enquanto o trem G. C. Tenney, primeiro presidente da Asso- Para ajudar-nos a compreender os assuntos so- de aulas expositivas, uma tese escrita e um
funerário que levava seu féretro se movia ciação Australiana, escreveu na revista da bre os quais ela falou ou escreveu, mesmo as exame final diante do corpo docente do de-
lentamente rumo ao oeste, levando o cor- igreja: “Quase não preciso dizer que este expressões que ela usou, bem como a espécie partamento de medicina (equivalente às me-
po para seu lugar de repouso, em Spring- acontecimento é aguardado com grande inte- de vida diária que viveu, vamos mencionar lhores escolas norte-americanas de medicina
field, Illinois, milhares de pessoas perfila- resse por todos nós. Creio que é bastante brevemente os fatores geográficos, políticos, da época).9
vam-se na linha férrea, chorando copiosa- oportuno. A posição que a irmã White e sua econômicos, sociais e religiosos capazes de ha- A estatística da cidade enumera uma am-
mente. Ricos e pobres, brancos e negros, obra ocupam em relação a nossa causa torna ver influenciado seu maduro ministério. pla relação de causas mortis, indo “desde
doutos e analfabetos – o pesar se abateu imperativo que nosso povo a conheça pes- uma extensa variedade de febres (tifóide, ti-
por toda uma união de Estados agora qua- soalmente, tanto quanto possível. Ambiente Geográfico fo, ‘febre pútrida’) e doenças comuns da épo-
se em paz. Depois de sua morte, mesmo “As evidências, do ponto de vista bíblico, Portland, Maine, a maior cidade mais próxima ca (cólera e sarampo) até algumas designa-
seus inimigos aplaudiram sua grandeza de da autenticidade da obra do Espírito de Pro- de Ellen durante seus primeiros vinte anos de ções hoje consideradas estranhas ou arcaicas
espírito e transparente altruísmo.1 Para fecia em relação à última igreja são todo-sufi- vida, era também a maior do Estado em 1840, (escrófula, ‘súbita’ e gravela). De longe, a
milhões que o chamavam de “Pai Abraão”, cientes, mas parece ser necessário um conhe- com uma população de 15.218 habitantes. mais comum causa de óbito era a tísica pul-
sua morte prematura foi como a morte de cimento mais meticuloso da obra da irmã Embora esse número hoje pareça pequeno, na monar (tuberculose), seguida por ‘febres’, hi-
um dos pais. Quando os Estados Unidos White a fim de satisfazer o indagador sincero década de 1840 Portland superava em tama- dropisia, ‘distúrbios intestinais’ e outras
construíram sua primeira auto-estrada de que essa obra preenche os requisitos da Pa- nho as cidades de New Haven e Hartford, doenças que haviam atingido proporções
transcontinental, que ia de Jersey City, lavra de Deus.”3 Connecticut; e Savanah, Geórgia. Portland, epidêmicas (como o sarampo em 1835 e es-
New Jersey, até São Francisco, Califórnia, Como Lincoln, Ellen White foi muitas vezes um movimentado porto, colocava o Maine em carlatina em 1842).
o Presidente Taft sentiu que dar a essa no- caluniada. Ela enfrentou mentiras, de “absoluta terceiro lugar no total de carregamentos, atrás “Os jovens eram os mais gravemente atin-
va estrada o nome de “Rodovia Lincoln” malícia e inimizade” e “pura invenção de malda- apenas de Massachusetts e Nova Iorque. O gidos; os de 10 anos para baixo constituíam
promoveria unidade nacional.2 de”. Escrevendo de Greenville, Michigan, quan- transporte em vapores regulares para Boston muitas vezes cerca de 50% das mortes anuais
No entanto, enquanto em vida, o Presi- do tinha 41 anos de idade, ela refletiu: “Não du- freqüentemente sofria guerra de preços, e o (sem contar os natimortos). Em outras pala-
dente Lincoln foi alvo de imensa ridiculariza- vido, por um só momento, que o Senhor me en- custo da passagem chegava a cair para apenas vras, a expectativa de vida média em 1840
ção e sarcástica rejeição por parte de muitos viara para que as almas sinceras que haviam sido 50 centavos cada viagem em 1841.6 era de 22,6 anos, a qual, segundo pretendia o
líderes nacionais, de seus seguidores e da im- enganadas tivessem a oportunidade de ver e de No tempo de Ellen White, assim como nos Advertiser, demonstrava o ‘nível superior de
prensa. Mas depois que ele morreu, uma na- ouvir por si mesmas de que espírito era essa mu- dias de hoje, os verões daquela região eram saúde desfrutado em Portland’.”10
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 4 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A PESSOA
ESUA ÉPOCA

Frederick Hoyt, historiador adventista, re- tões políticas nos Estados “livres” da escravi- 11,3 litros em 1800 para 15,1 litros em “Revivamentistas e milenistas, comunitá-
sumiu assim o impacto de crescer nos arredo- dão. A questão escravista aumentou progressi- 1830.16 rios e utopistas, espiritualistas e prognostica-
res de Portland, Maine, nas décadas de 1830 vamente através da primeira metade do século Perto de 1839, a Sociedade Norte-Ameri- dores, celibatários e polígamos, perfeccionis-
e 1840: “Este foi, pois, o ambiente que ajudou dezenove, culminando em uma nação polari- cana de Temperança, por intermédio de suas tas e transcendentalistas” – todos adiciona-
a desenvolver o corpo, a mente e a alma da zada e na Guerra Civil que abalou e debilitou mais de 8.000 sociedades locais, havia con- vam tempero ao cenário religioso anterior-
jovem Ellen Gould Harmon. De muitas ma- a União. Enquanto a jovem nação cambalea- vencido 350.000 pessoas a assinar um voto de mente dominado pelas organizações religio-
neiras aquele era um ambiente difícil que, va rumo à escura noite do conflito civil, mui- abstinência total – sendo o “total” um grande sas convencionais.22
quando não enfraquecesse o caráter, só podia tos abolicionistas brancos arriscaram a própria passo, mesmo para os defensores da temperan- Igrejas oficiais foram desfeitas pelo confli-
fortalecê-lo. Nas palavras do historiador nor- vida, falando abertamente contra a escravidão ça. A União Feminina de Temperança Cristã, to, especialmente os calvinistas da antiga e
te-americano James Truslow Adams, neste e a favor de sua imediata extinção.13 organizada em 18 de novembro de 1874, era da nova escola. A ênfase wesleyana sobre a
ambiente, ‘as cartilagens da consciência, do particularmente eficaz em nível regional.17 graça livre fomentou impressionantemente a
trabalho, da simplicidade, da perspicácia e do Ambiente Social “preeminência da experiência religiosa”. Sur-
A última metade do ministério de Ellen
dever tornavam-se ossos’. Outras palavras po- Os meados do século dezenove abalaram a di-
White coincidiu com o surgimento fenome- giam novos grupos religiosos com estrondoso
deriam ser empregadas para caracterizar os nâmica das mudanças sociais, principalmente
nal das cidades industrializadas e urbanizadas. sucesso, mas “em nenhum lugar eles prospe-
habitantes da Nova Inglaterra: fervor religio- as dirigidas pela expansão do individualismo.
so, veemente busca pela verdade, obstinada Durante a presidência de Andrew Jackson a A nação que havia nascido na fazenda se mu- ravam em maior variedade que no cálido vi-
independência, austeridade espartana, de- porta foi aberta para que o “homem comum” dara para as cidades. “O número de norte- veiro do norte do Estado de Nova Iorque”.23
sembaraço, simplicidade, resoluta autonomia se libertasse daquele estado de coisas. Parecia americanos que viviam em centros com mais As reuniões campais, principalmente me-
e uma propensão para aderir a causas impo- que toda questão de reforma concebível era de 2.500 habitantes havia crescido de 19 por todistas, eram estufas espirituais onde emer-
pulares e por elas lutar.”11 iniciada. cento em 1860 para 39 por cento em 1900 e giam diversos estágios de exuberância com o
Liceus e, mais tarde, o circuito Chautau- 52 por cento em 1920.”18 senso de “nova revelação”, a possibilidade
Ambiente Político qua (ver pág. 541), atraíam milhões de pes- A mudança de ritmo natural, tradicional, da de santidade imediata e a consciência de
É provável que não tenha havido nem uma soas para ouvir palestras sobre temas tão di- fazenda para a vida artificial da cidade exigiu participar no cumprimento de “antigas espe-
outra década no século dezenove que tenha versos como escravatura, fourierismo (peque- muitos novos e difíceis ajustes. “A América do ranças mileniais”.24 Os gritos dos aflitos mis-
testemunhado crescimento mais rápido e nas comunidades cooperativas), não-violên- Norte rural tinha seus defeitos, mas nenhum pa- turavam-se aos brados de louvor e glória. O
acontecimentos mais momentosos do que as cia, reforma agrária, perfeccionismo, mesme- recia tão clamoroso como os da metrópole.” Pa- cair por terra, o convulsionar-se, o clamar,
décadas de 1830 e 1840. Os Estados Unidos rismo (hipnotismo), pão integral e todos os ra a maioria dos protestantes, a cidade era sím- mesmo o rastejar pelo solo, o rolar pelo
se unificaram de costa a costa. Durante essas aspectos da saúde. E as publicações dessas “re- bolo de tudo quanto não prestava – “um mundo chão, o dançar celestial, o gargalhar e o bra-
duas décadas, sete Estados se uniram à União, formas” inundavam o mercado. “Há periódi- estranho e hostil desesperadamente impregnado dar de milhares de pessoas ao mesmo tempo,
juntamente com a Califórnia, que, em 1850, cos sobre temperança. ... Há numerosas revis- de aguardente e catolicismo romano”.19 “criando um estardalhaço capaz de ser ouvi-
se tornou o trigésimo primeiro Estado. A tas dedicadas ao espiritualismo, socialismo, Outro fator que polarizava as cidades do a quilômetros de distância” – tudo se tor-
guerra contra o México acabou com grandes frenologia, homeopatia, hidroterapia, antiar- eram os conflitos de classe – ricos ilustres nava a característica marcante dos “mortos
anexações territoriais. A população dos Esta- rendamento, bloomerismo, direitos femini- sendo invejados pelos que trabalhavam nas pelo Espírito”.25
dos Unidos elevou-se de cerca de 5 milhões nos, sociedade secreta Odd Fellows, maçona- fábricas, constituídos em sua maioria de imi- O “espírito” da reunião campal era levado
em 1800 para mais de 20 milhões em 1850. ria, antimaçonaria e todos os conceitos, mo- grantes estereotipados com seu jeito não para os cultos semanais das igrejas e para os
Ondas crescentes de imigrantes alteraram vimentos e sensações de uma comunidade de convencional e isolado. Pela primeira vez, a tabernáculos evangélicos da cidade. Evange-
a estrutura das cidades, de um minúsculo file- mente extremamente dinâmica.”14 listas profissionais davam continuidade ao le-
América do Norte ouvia o termo “operaria-
te de água de 150.000 imigrantes na década A jovem América do Norte também era gado das reuniões campais com pregações de
do sindicalizado”.20
de 1820... para uma caudalosa corrente de um caldeirão de polarizações sociais. As rela-
O ministério de Ellen White correu parale- alta voltagem. O respeito pela “religião do
dois milhões e meio na década de 1850. Em- ções raciais assustavam a maior parte das co-
lamente a uma época turbulenta de grandes tempo antigo” refletia-se nos cânticos das reu-
bora eles trouxessem “vigor e variedade”, tra- munidades em cada Estado. Grupos étnicos,
ziam também “temor, suspeitas e hostilidade”. que incluíam determinados europeus, orien- mudanças sociais. Ela escreveu muito sobre os niões campais, realizadas até o dia de hoje.
Os católicos romanos, vindos da Irlanda, Itá- tais, hispânicos, negros e índios norte-ameri- tenebrosos anos da Guerra Civil e a situação Como era de se esperar, os primeiros ad-
lia e outros países europeus despertaram res- canos, tinham que enfrentar o preconceito difícil dos escravos, o impacto do êxodo rural, ventistas (muitos deles ex-metodistas) fre-
sentimento não só porque a sua totalidade cego que afetava tanto o local de trabalho co- as implicações óbvias do consumo exagerado qüentemente expressavam seus sentimentos
inundou o mercado com mão-de-obra barata, mo a vizinhança.15 de álcool e a luta de classe entre ricos e pobres. espirituais como os outros protestantes evan-
mas também porque sua homogeneidade reli- O consumo de bebidas alcoólicas também gélicos. “Bradar” por algum tempo era prova-
giosa era uma ameaça à uniformidade anterior era uma preocupação nacional. Certo histo- Ambiente Religioso velmente o modo mais característico de ex-
de uma América protestante.12 riador descreveu os Estados Unidos como Seria difícil encontrar na história dos EUA pressão pública.26
Embora fossem um fenômeno social, as re- uma “república de alcoólatras”. O consumo um período que se aproximasse da efervescên- A notável coincidência do florescimento
lações raciais influíram grandemente nas ques- de álcool anual per capita havia subido de cia religiosa de meados do século dezenove.21 do mormonismo, ciência cristã e espiritualis-
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CAPÍTULO 4 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A PESSOA
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mo moderno com o surgimento da Igreja Adven- favor dos negros nos Estados sulistas foi ini- transpiração, e ela ficava fraca e desmaiava. Depois que o Pastor Stockman ouviu a his-
tista do Sétimo na primeira metade do século de- gualável. Sua oficina gráfica deu origem à an- Foi assim que, com a idade de nove anos, es- tória dos seus dois sonhos e o relato dos seus
zenove já foi mencionado no capítulo anterior. tiga Southern Publishing Association.31 ta brilhante estudante teve que, a contragos- temores, ele disse: “Ellen, você é tão criança!
Cedo ainda se reconheceu na vida de to, abandonar seu preparo acadêmico, para Sua experiência é muitíssimo singular, numa
Árvore Genealógica William Clarence (1854-1937) a capacidade nunca mais voltar à educação formal – a pri- idade tenra como a sua. Jesus deve estar pre-
Fazendeiro e chapeleiro abastado, o pai de Ellen, administrativa. Foi eleito para diversas e pe- meira das duas grandes decepções sofridas no parando-a para algum trabalho especial.”
Robert F. Harmon Sr. (1786-1866), foi ex- sadas responsabilidades na liderança da igre- início de sua vida. Sua mãe ficou sendo sua Em seguida, o perceptivo pastor deu-lhe
cluído da comunhão da Igreja Episcopal Me- ja. Depois da morte de seu pai, ele se tornou professora; e os campos ao redor de Portland, uma visão mais clara de Deus conforme reve-
todista de Portland em 1843 por abraçar a companheiro de viagem e conselheiro de seu laboratório.36 lado em Jesus. Escrevendo posteriormente,
mensagem milerita.27 confiança de sua mãe. Logo que a mãe mor- Ellen, porém, sentiu suas esperanças se re- Ellen confessou: “Durante os poucos minutos
Eunice Gould Harmon (1787-1863) foi reu em 1915, ele foi nomeado secretário do novarem em 1840, quando Guilherme Miller que passei recebendo instrução do Pastor
mãe de dois filhos e seis filhas, dos quais Ellen Patrimônio Literário White e supervisionou deixou seus ouvintes de Portland, Maine, fas- Stockman, obtive mais conhecimento sobre
e sua irmã gêmea, Elizabeth, foram as últimas. suas atividades por mais de duas décadas. cinados ao delinear as profecias que pareciam o assunto do amor de Deus e de Sua compas-
O relato menciona que ela fora professora John Herbert, nascido em 1860, morreu indicar a proximidade da volta de Jesus. Esta siva ternura do que de todos os sermões e
primária antes de se casar. Tornou-se mais três meses depois, de erisipela.32 nova compreensão, desconhecida (e, portan- exortações que já ouvira.”37
tarde uma laboriosa dona de casa, no tempo to, controversa) para a maioria dos religiosos A compreensão recém-encontrada – de
de lamparinas a óleo de baleia e fogões à le- Vida Anterior a 184533 daquela época, afetou-a profundamente pelo que Deus é como Jesus, seu melhor Amigo –
nha, e uma renda familiar imprevisível. Os Três principais acontecimentos ou circuns- resto da vida. estimulou-a a compartilhar suas descobertas e
pais dela descendiam de antepassados de tâncias ocorridos nos primeiros anos de Ellen As questões espirituais sempre foram im- gratidão com outros: “Enquanto relatava mi-
muitos recursos. Haviam lutado nas primeiras White afetaram diretamente o resto de sua portantes para a jovem Ellen. Mas o que a nha experiência, pressenti que ninguém po-
guerras, a começar com a Guerra do Rei vida e serviram de ponto de convergência pa- motivava era principalmente o medo – o me- deria resistir à evidência do amor perdoador
Philips (1675). Alguns haviam sido empresá- ra ela: a lesão física que ela sofreu com a ida- do de não estar preparada quando Jesus vol- de Deus que em mim realizara uma mudança
rios. O trisavô de Ellen construiu um moinho de de nove anos; a pregação de Guilherme tasse, o medo de fracassar devido à sua instru- tão maravilhosa. A realidade da verdadeira
à beira do rio em Scarboro, Maine, conheci- Miller; e sua profunda experiência religiosa. ção limitada e debilidade física e o medo de conversão parecia-me tão evidente, que eu
do como o “Moinho dos Harmon”.28 Em 1836, enquanto a juvenil Ellen cami-
que Deus de algum modo a houvesse castiga- desejava ajudar minhas jovens amigas a vi-
Quatro dos oito filhos da família Harmon nhava com um grupo de colegas de classe,
do com aquela terrível aflição física. Tudo is- rem para a luz, valendo-me de toda oportuni-
tornaram-se observadores do sábado – Ellen, uma garota mais velha começou a persegui-
so se tornou a “angústia secreta” que ela fe- dade para exercer minha influência nesse
suas irmãs Mary e Sarah (respectivamente las com ameaças. Assim que Ellen se virou, a
seis e cinco anos mais velhas que Ellen) e Ro- garota mais velha atirou uma pedra que lhe chava a sete chaves em seu coração solitário. sentido.”38
bert. A filha de Caroline (1811-1883), Mary, atingiu violentamente o rosto, deixando-a Anos escutando sermões sobre um “inferno de
trabalhou por breve período de tempo como inconsciente. Durante três semanas Ellen fi- fogo” gravaram-lhe na alma uma falsa imagem Nova Concepção de Deus
assistente literária de Ellen (1876-77). Ro- cou praticamente em estado de coma. de Deus. O Deus de Ellen era o Governante Essa nova concepção de Deus, aliada a sua
bert Jr. morreu em 1853 de tuberculose, com Dias mais tarde, quando o pai dela voltou celestial, mas será que era seu Amigo? profunda convicção de que Jesus estava pres-
a idade de 27 anos. Tanto o pai como a mãe de uma viagem de negócios, Ellen ficou ain- Dois sonhos e um conselho pastoral dado tes a voltar, era também compartilhada por
de Ellen White posteriormente se tornaram da mais constrangida – o próprio pai não a re- na hora certa tornaram-se na vida da jovem seu irmão Robert. Ele meditava com ela sobre
adventistas observadores do sábado. conheceu. “Cada traço” do seu rosto parecia Ellen o terceiro momento decisivo que esta- o que esses novas descobertas lhes tinham
Pouco antes de seu pai morrer (e depois de alterado. Mais do que isso, a perda de sangue beleceu o curso do resto de sua vida. Pelos feito: “Cada árvore é conhecida pelos seus
Ellen haver visitado suas irmãs mais uma vez), havia afetado gravemente o seu sistema respi- próximos 75 anos, sua missão mais urgente frutos. O que tem feito por nós essa crença?
ela escreveu: “Embora, no que diz respeito ao ratório, uma debilidade que ela carregou con- era dizer a verdade sobre o caráter de Deus. Convenceu-nos de que não estávamos prepa-
dever religioso, não concordássemos em todos sigo pelo resto da vida. Além disso, pelo fato Um desses sonhos retratava uma visita rados para a vinda do Senhor; de que deve-
os pontos, era um o nosso coração.”29 de ter ficado com mãos “trêmulas”, fez “pou- ao templo celestial; o outro, um encontro mos tornar-nos puros de coração, do contrá-
Do casamento de Ellen com Tiago White, co progresso na escrita”.34 Ao fazer uma re- com Jesus. Com um sorriso, Jesus parecia rio não poderemos encontrar em paz o nosso
em 30 de agosto de 1846, nasceram quatro fi- trospectiva de sua vida, quase cinqüenta anos tocar-lhe a cabeça dizendo: “Não temas.” Salvador. Despertou-nos para procurar nova
lhos. Destes, somente dois sobreviveram até a depois, ela escreveu: “O golpe cruel que des- Ele lhe deu um fio verde, que representava força e graça divinas.
idade adulta. truiu para mim as alegrias da Terra foi o meio a fé, levando-a a declarar: “A beleza e sim- “‘O que fez ela por você, Ellen? Você seria
O primeiro filho que lhes nasceu, Henry de dirigir meus olhos para o Céu. Talvez eu plicidade de confiar em Deus começaram a o que agora é se não tivesse ouvido a doutri-
Nichols (1847-1863), um jovem feliz, morreu jamais tivesse conhecido a Jesus, se não fosse raiar na minha alma.” Ellen agora se sentia na da breve vinda de Cristo? Que esperança
de pneumonia aos 16 anos de idade.30 James a tristeza que, nublando meus primeiros anos, livre para discutir seus temores com sua ela lhe inspirou ao coração? Que paz, alegria
Edson (1849-1929) aprendeu com o pai o ofí- me levou a buscar nEle o conforto.”35 mãe. Com rápida percepção e encorajamen- e amor ela lhe proporcionou? Para mim fez
cio de impressor quando tinha 14 anos. Tor- Estudar tornou-se uma impossibilidade. As to, sua mãe lhe sugeriu que fizesse uma visi- tudo. Amo a Jesus e a todos os cristãos. Apre-
nou-se um popular escritor e compositor ad- letras do alfabeto em seus livros confundiam- ta ao jovem Levi Stockman, na casa dos cio a reunião de oração. Tenho grande alegria
ventista. O trabalho pertinaz que realizou em se, seu olhos ficavam turvos, sobrevinha trinta anos de idade. na leitura da Bíblia e na oração.’”39
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A Verdadeira Ellen White A PESSOA
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É muito provável que, se Ellen não tives- tã do Advento, hoje o maior remanescente Referências
se tido esse relacionamento com seu Senhor, não observador do sábado, proveniente do
nou-se mais evidente que o protestantismo estava perdendo
ela não teria ficado preparada para o profun- adventismo milerita. (3) Centralizado ao 1. Ver Carl Sandburg, Abraham Lincoln (New York: Charles seus membros da classe operária. A íntima aliança entre o
Scribner’s Sons, 1939), vol. 6, págs. 387-413.
do desapontamento de 22 de outubro de redor de Rochester, Nova Iorque, outro 2. “Lincoln, Abraham”, The World Book Encyclopedia (Chicago:
protestantismo e a riqueza, bem como a atitude dos clérigos
protestantes para com as lutas de classe, não passaram desper-
1844. Ela relembrou: “Foi amargo o desapon- grupo via o milênio como estando ainda no Field Enterprises Educational Corporation, 1960), pág. 287. cebidas pelos trabalhadores. ... Para muitos adoradores prove-
3. Review and Herald, 17 de novembro de 1891.
tamento que atingiu o pequeno rebanho, futuro – durante o qual os judeus voltariam 4. Biography, vol. 2, pág. 276.
nientes da classe trabalhadora ficava cada vez mais difícil en-
contrar uma igreja protestante para freqüentar. Como a igre-
cuja fé tinha sido tão forte, e tão elevada a para a Palestina. Tenazmente contrários à 5. Sandburg, Abraham Lincoln, págs. 387-413. ja adotara uma postura cada vez mais burguesa, ela não
6. Frederick Hoyt, “Ellen White’s Hometown: Portland, Maine,
esperança. Estávamos, porém, surpresos de organização formal da igreja, esses adven- 1827-1846”, ed. Gary Land, The World of Ellen G. White
apenas se indispôs com muitos trabalhadores, mas também
encontrou fortes razões para abandonar fisicamente as vizi-
que nos sentíssemos tão livres no Senhor, e tistas da “Era Vindoura” nunca se tornaram (Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Associa- nhanças da classe trabalhadora da metrópole e fugir para as
tion, 1987), págs. 14, 15, 30 e 31.
tão fortemente fôssemos amparados por Sua fortes nem unidos. 7. Ibidem, pág. 14.
zonas suburbanas ou rurais.” – Land, The World of Ellen G.
White, págs. 91-93.
força e graça. ... Ficamos desapontados, mas (4) O quarto grupo ficou conhecido co- 8. Ibidem, pág. 16. 21. K. S. Latourette, A History of the Expansion of Christianity
não desanimados.”40 mo os adventistas do “Sábado e da Porta Fe- 9. Ibidem, págs. 26 e 27. (New York: Harper & Brothers, 1941), vol. VI, págs. 442,
10. Ibidem, pág. 27. 443 e 450; VII, pág. 450.
Assim, no fim de 1844, Ellen estava pre- chada”. Por meio de oração, estudo da Bíblia 11. Ibidem, pág. 31. 22. Edwin S. Gaustad, “Introduction”, Gaustad, The Rise of Ad-
parada para seu imprevisto futuro. Inteira- e confirmação divina, eles desenvolveram 12. Ibidem, pág. xii; Ronald E. Osborn, The Spirit of Americam ventism, pág. xv.
Christianity (New York: Harper & Brothers, 1958), págs. 18-21. 23. Winthrop S. Hudson, “A Time of Religious Ferment”, Gaus-
mente cônscia de sua fragilidade física, ca- uma base lógica para os acontecimentos 13. H. Shelton Smith, et al., American Christianity: An Historical tad, The Rise of Adventism, pág. 7.
tivada pela nova e atrativa concepção de centralizados em 22 de outubro de 1844. Es- Interpretation with Documents, págs. 167-212. 24. Ibidem, pág. 9.
14. Thomas Low Nichols, Forty Years of American Life: 1821- 25. Charles A. Johnson, The Frontier Camp Meeting (Dallas:
Deus como seu Amigo celestial e concen- te grupo disperso finalmente encontrou sua 1861 (New York: Stackpole Sons, 1937), pág. 208. Southern Methodist University Press, 1955), págs. 52-64.
trada na absorvente verdade da iminente unidade e missão, vindo a chamar-se Ad- 15. “Dentro da estrutura da história norte-americana, o período Ver Apêndice A para a descrição de uma testemunha ocular
mais decisivo quanto às relações raciais foi provavelmente o
volta de Jesus, ela estava pronta para sua ventistas do Sétimo Dia, a maior corporação século dezenove. As questões raciais eram manchetes nos jor-
de uma reunião campal em princípios da década de 1800.
26. Malcom Bull e Keith Lockhart, Seeking a Sanctuary (San
primeira visão. Ela a recebeu assim que de mileritas hoje existente. Eles criam que nais sempre que norte-americanos brancos adotavam um
ponto de vista de conflito ou concessão para com grupos ét- Francisco: Harper & Row, 1989), pág. 152.
completou 17 anos. alguma coisa havia acontecido em 22 de ou- nicos como os negros, os nativos norte-americanos (índios), 27. Biography, vol. 1, págs. 43 e 44.
os hispânicos, os orientais e os europeus. Em cada choque a 28. Ver a árvore genealógica de Ellen Harmon em Biography, vol.
Nem todos os mileritas, porém, tinham o tubro, mas o quê?43 maioria caucasiana tinha que enfrentar seus próprios temores 1, pág. 487.
mesmo parecer depois do Grande Desapon- Deus entendeu a dor e a confusão, exa- em relação aos grupos minoritários e os preconceitos que ali- 29. Review and Herald, 21 de abril de 1868.
mentavam contra eles. Muitas vezes o preconceito puro e ce- 30. Biography, vol. 2, págs. 70-72.
tamento. Nem todos podiam dizer que esta- tamente como entendera o abatimento go ditava a maneira como as minorias deviam ser tratadas até 31. SDAE, vol. 11, pág. 888.
vam “desapontados, mas não desanimados”. dos dois discípulos caminhando penosa- que maior contato modificasse os pontos de vista mais extre- 32. Biography, vol. 1, pág. 430.
mos. ... O contato e a exposição entre as raças pouco fizeram 33. O relato mais completo sobre os primeiros anos de Ellen Har-
Por um lado, idéias radicais geraram compor- mente para Emaús, “entristecidos” (Luc. para modificar os estereótipos atribuídos aos grupos minori- mon encontra-se em Ellen G. White: The Early Years, o pri-
tamento radical. Alguns antigos líderes, 24:17) depois da crucifixão. Há 2.000 tários. Em tais situações, os relacionamentos complexos tan- meiro volume de sua biografia em seis volumes escrita por
to sociológicos como psicológicos militavam contra qualquer Arthur L. White, vol. 1: 1827-1862 (Washington, D.C.: Re-
crendo que Cristo havia vindo de fato espiri- anos Jesus não permitiu que Seus desalen- harmonia ou entendimento racial efetivo. Isto foi especial- view and Herald Publishing Association, 1985), págs. 15-71.
tualmente, adotaram “as núpcias espirituais”, tados discípulos sucumbissem sem uma ex- mente verdadeiro no caso dos afro-americanos.” – Norman 34. Ellen White, Spiritual Gifts, vol. 2, págs. 7-11, citado em Bio-
K. Miles, “Tension Between the Races”, em Land, The World graphy, vol. 1, págs. 28-31.
através das quais renunciavam ao casamento plicação – e Ele não esqueceu Seus crentes of Ellen G. White, pág. 47. 35. Review and Herald, 25 de novembro de 1884.
e formavam novas uniões “espirituais”, desti- no fim de 1844. 16. Jerome L. Clark, “The Crusade Against Alcohol”, em Land, 36. Charles Dickens e Mark Twain, entre outros escritores, não es-
The World of Ellen G. White, pág. 131. tudaram o equivalente ao ensino secundário. – Antony Smith,
tuídas de sexo, com novos parceiros. Outros, Jesus, pois, fez-Se presente naquela ma- 17. Ibidem, págs. 132 e 138. The Mind (New York: The Viking Press, 1984), pág. 208.
crendo que o sábado milenar havia começa- nhã de dezembro de 1844, quando um pe- 18. Carlos A. Schwantes, “The Rise of Urban-Industrial Ameri- 37. Life Sketches, pág. 37 (parte em Vida e Ensinos, pág. 28); Max-
ca”, em Land, The World of Ellen G. White, pág. 47. well, Tell It to the World, pág. 56; ver também Biography, vol.
do naquela época, e para mostrar sua fé nes- queno grupo de mulheres adventistas em 19. Land, The World of Ellen G. White, págs. 84 e 85; Osborn, 1, págs. 38-49.
sa crença, não faziam mais nenhuma espécie Portland, Maine, uniram-se em oração e es- The Spirit of American Christianity, págs. 16-18; Winthrop S. 38. Life Sketches, pág. 41 (parte em Vida e Ensinos, pág. 33).
de trabalho secular.41 Hudson, The Great Tradition of American Churches (New 39. Ibidem, pág. 45 (Vida e Ensinos, págs. 36 e 37).
tudo da Bíblia – recorrendo a Deus e uma à York: Harper & Row, 1963), págs. 110-136. 40. Ibidem, pág. 61 (Vida e Ensinos, pág. 54).
Por outro lado, diferenças doutrinárias outra em busca de encorajamento e com- 20. “No fim do século dezenove, as pessoas muitas vezes se refe- 41. Schwarz, Light Bearers to the Remnant, pág. 56. Ver pág. 559.
começaram a separar os seguidores de Mil- preensão. Fazia alguns dias que a macilenta riam às corporações como ‘trustes’, ‘monopólios’, ‘máquinas 42. Ver pág. 134.
desalmadas’ ou ‘polvos’ cujos tentáculos gananciosos se es- 43. Ibidem, págs. 56-58
ler.42 Eles logo se dividiram em pelo menos Ellen estava na casa dos Haines, dando à sua tendiam por todos os lugares. As associações sindicais eram 44. Ibidem, págs. 55 e 56; Maxwell, Tell It to the World, pág. 58;
quatro grupos: (1) Os conhecidos como mãe necessário repouso. O médico e os ami- chamadas de ‘comunistas’ ou ‘anti-americanas’. Das duas for- Spiritual Gifts, vol. 2, págs. 30 e 31; J. N. Loughborough, The
mas de organização, os sindicatos pareciam a maior ameaça. Great Second Advent Movement (GSAM) (Washington, D.C.:
adventistas evangélicos abandonaram os gos haviam-na desenganado para morrer de ... À medida que o século dezenove chegava a seu termo, tor- Review and Herald Publishing Association, 1905), pág. 202.
ensinos proféticos de Miller e foram absor- tuberculose. Enquanto as mulheres estavam
vidos em outros grupos protestantes ao tor- orando, esta adolescente de dezessete anos Perguntas Para Estudo
nar-se evidente que quase nada os separa- perdeu a noção de onde estava, e Deus lhe 1. Como sabemos que Ellen Harmon era uma jovem de inclinação religiosa antes de 1844?
va. (2) Outro grupo cria que o milênio ha- deu a espécie de encorajamento que aqueles
via ficado no passado, que os mortos agora crentes perturbados tanto precisavam. Teve 2. Que compreensão errônea da verdade bíblica levou Ellen Harmon a ter concepção errô-
“dormiam” esperando a ressurreição e que início assim um ministério de setenta anos, nea sobre o caráter de Deus?
os ímpios seriam aniquilados. Por fim, esses que se tornou mais significativo à medida
se tornaram conhecidos como a Igreja Cris- que o tempo passava.44 3. Que temores assaltavam a jovem Ellen e como foram eles dissipados?
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SEÇÃO II

5
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
O público considerava Ellen a evangeliza- É provável, contudo, que Tiago White
dora e Tiago, o organizador. “Como marido e não fosse hoje tão vividamente admirado e
mulher, eles formavam uma equipe evange- relembrado se ele não se tivesse associado a
lística sólida e inigualável. Seu método e di- alguém que possuísse o Espírito de profecia.
visão de trabalho eram perfeitos. Os adven- L. H. Christian escreveu: “Por maior que

Mensageira, Esposa tistas nunca mais tiveram algo parecido.”6


Mesmo antes de casar-se, Tiago reconhe-
cia as extraordinárias habilidades de Ellen
tenha sido o serviço de liderança que o Pas-
tor White prestou à causa do advento, seu
maior préstimo foi a fé duradoura que de-

e Mãe como pregadora: “Embora tivesse apenas de-


zesseis anos de idade, ela trabalhava esforça-
damente na causa de Cristo, tanto em públi-
co como de casa em casa. Adventista resolu-
positou no Espírito de profecia e a defesa
dele. O fato de ele – um decidido homem
de negócios, absolutamente livre de fana-
tismo, sempre contrário às manifestações
“Mulher virtuosa, quem a achará? ... O coração do seu marido confia nela. ... A força e a dignida- ta, possuía experiência tão rica e testemunho falsificadas da religião e conhecedor íntimo
de são os seus vestidos; ri-se do dia futuro. ... Levantam-se os seus filhos, e lhe chamam bem-aven- tão poderoso que pastores e líderes de diver- da mensageira como sua esposa – apoiar
turada; o seu marido também, e a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas sas igrejas buscavam contratar seus serviços sempre o chamado e a obra da Sra. White
tu a todas és superior.” Prov. 31:10, 11, 25, 28 e 29. como exortadora em suas diversas congrega- como mensageira de Deus deu a nossos
ções. Naquele tempo, porém, ela era uma membros grande confiança nos testemu-
pessoa muito tímida, e mal lhe ocorria que nhos dela. ... Ele achava que a missão de

D
urante o ano de 1845, Ellen Harmon Ellen lembrou disso depois da morte de ela precisava colocar-se perante o público pa- sua vida era ser um instrumento para tornar
foi convidada para relatar suas pri- Tiago: “Pouco antes de haver completado um ra falar a milhares de pessoas.”7 conhecidas à igreja as visões que o Senhor
meiras visões a grupos adventistas no ano, Tiago White discutiu o assunto comigo. Conhecido por sua persistência e são juí- concedia à sua companheira. Esses teste-
Maine, New Hampshire e Massachusetts. Disse que haviam surgido alguns comentá- zo, Tiago era considerado um líder de con- munhos também o instruíam e reprovavam
Um jovem pregador, seis anos mais velho que rios, e que ele devia ou ir embora me deixan- fiança por parte dos seus irmãos adventistas como o faziam com outras pessoas, mas ele
Ellen, convenceu-se de que as visões dela do livre para seguir meu caminho, ou deve- do sétimo dia. Era não apenas um estrategis- os aceitava e seguia implicitamente como
eram verdadeiras e que a mensagem de forta- ríamos casar-nos. Disse que alguma coisa ta, mas lutava como um guerreiro no campo se fossem a luz do Céu.”10
lecimento que ela apresentava era necessária. precisava ser feita. Então nós nos casamos, e de batalha. Ele iniciou a obra de publicações Mensageira e mestre-de-obras, profetisa e
Foi assim que Tiago White entrou na vida da permanecemos casados desde então. Embora da igreja a partir do zero, fomentou a organi- apóstolo, “Tiago e Ellen White formaram
jovem Ellen, e não com pensamentos român- esteja morto, sinto que ele é o melhor ho- zação da igreja e desenvolveu o sistema edu- uma equipe inestimável. Ellen compartilhava
ticos – pelo menos a princípio. mem que já pôs os pés em sapatos de couro.”3 cacional quando outros viam nisso apenas com Tiago sua sabedoria baseada em suas re-
Na verdade, durante alguns meses subse- Tiago considerava Ellen sua “coroa de um sonho. Sua robusta fé e contagiosa ale- velações; ele agia vigorosamente para imple-
qüentes ao dia 22 de outubro, ele e muitos glória”.4 gria comoviam o público ouvinte. Fundos e mentar o que ela aconselhava e o que a ele
outros pertencentes ao quarto grupo de mile- L. H. Christian, antigo líder da igreja, apoio apareciam. Seu extraordinário talento parecia sensato.”11
ritas mencionado no último capítulo encara- menciona uma conversa com uma senhora comercial salvou a denominação de muitas O papel de Ellen White como esposa
vam o casamento como uma negação de sua que, na tenra juventude, havia brincado dificuldades.8 amorosa e leal está bem documentado. Em
fé na breve volta de Cristo. Em Day Star, Tia- junto com a jovem Ellen e se lembrava de Quando Tiago White morreu, o redator do 1876, enquanto estabelecia seu lar em Oa-
go condenou um casal que, ao anunciar seu seu lastimável acidente. Quando Christian Battle Creek Journal (que acompanhara de kland, Califórnia, Ellen, na época com 49
casamento prestes a ocorrer, havia “negado perguntou do que se lembrava sobre Ellen perto muitos dos empreendimentos do Pastor anos de idade, sentiu a necessidade de con-
sua fé ao ser proclamado seu casamento, e to- como jovem, ela respondeu com um sorriso: White) escreveu: “Ele foi um homem da têm- centrar-se na finalização do segundo volume
dos nós consideramos isto uma artimanha do “Bem, essa é uma história interessante que pera dos patriarcas, um homem cujo caráter da série The Spirit of Prophecy, que enfatiza-
diabo. Os irmãos firmes do Maine, que estão tenho prazer em contar. Tiago era mais ve- foi modelado no cadinho dos heróis. Se pos- va a vida e a obra de Cristo. Tiago partiu so-
aguardando a vinda de Cristo, não comun- lho do que Ellen cerca de seis anos. Éramos suir clareza lógica para formular um credo; se zinho para Battle Creek a fim de participar
gam com semelhante atitude”.1 jovens e andávamos juntos. A amizade deles possuir poder para contagiar a outros com o de uma assembléia extraordinária da Asso-
Mas a realidade e o bom senso prevalece- era um modelo e uma inspiração para todos próprio zelo e impressioná-los com as pró- ciação Geral.
ram. Tiago descobriu que o amor estava se nós, e o casamento deles foi uma cerimônia prias convicções; se possuir capacidade exe- Em um bilhete típico, escrito dois dias de-
tornando mais do que um princípio! Depois muito bela e feliz.”5 cutiva para estabelecer um grupo religioso e pois da partida dele, ela diz (24 de março):
de perceber que seu ministério conjunto com Assim começou um notável casamento de imprimir-lhe forma e estabilidade; se possuir “Estamos tão bem como de costume. Demora
a jovem Ellen, apesar de contar sempre com 35 anos, alicerçado em amor mútuo e na con- capacidade para moldar e dirigir o destino de um pouco acostumar-se com a emoção de sua
a companhia de sua irmã Sara ou outras fiéis vicção de que as visões de Ellen eram de ori- grandes comunidades; se tudo isso é a marca partida. Pode estar certo de que sentimos sua
amigas, estava gerando mexericos, ele lhe gem divina. Ellen Gould Harmon tornou-se a da verdadeira grandeza, o Pastor White tem falta. Sentimos principalmente a perda de sua
propôs casamento. Ellen aceitou a proposta, e Sra. Ellen G. White, nome pelo qual se tor- com certeza o direito a esse nome, pois ele companhia quando nos reunimos à noitinha
um juiz de paz realizou a cerimônia em Por- nou conhecida como profetisa/mensageira da não possuía apenas uma dessas qualidades, junto à lareira. Sentimos sua ausência quan-
tland, Maine, em 30 de agosto de 1846.2 Igreja Adventista do Sétimo Dia. mas todas elas em assinalado grau.”9 do nos sentamos à mesa social [mesa de jan-
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 5 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White MENSAGEIRA,
ESPOSA E MÃE

tar]. Mas logo ficamos mais acostumados a is- madores transpareciam nas cartas que envia- dem como lidar com suas próprias tensões e “E apesar desta grande obra, a Sra. White
so. Hoje estivemos escrevendo.”12 va a sua esposa. conflitos. Essas cartas têm-se tornado uma acha-se, em seu qüinquagésimo aniversário,
Algumas semanas depois, ela escreveu Em 12 de maio de 1876, Ellen White, aos fonte de esperança e força para muitos casa- tão ativa como nos primeiros tempos de sua
uma carta que revelava mais do seu humor 48 anos, respondeu a uma dessas cartas: mentos modernos.17 vida, e mais eficiente em suas tarefas. Desfru-
bem como de seu amoroso relacionamento “Com respeito à minha independência, não A fidelidade mútua do casal superou, por- ta saúde excelente, tanto que, durante a reu-
com Tiago. Parte da carta reza: “Escrevi-lhe tenho tido mais do que devia ter na questão, ventura, os solitários momentos de incom- nião campal da última estação, conseguiu
uma carta bastante longa na noite passada, dadas as circunstâncias. Não recebo [aceito] preensão? Sem dúvida. Os anos futuros reve- realizar tanto trabalho de pregação, exorta-
mas a tinta entornou deixando uma feia seus pontos de vista nem interpretação dos ção e oração, como dois de nossos pastores
laram um amor persistente e tenaz. Um ano
mancha e eu não a enviei. Recebemos ontem meus sentimentos nessa questão. Eu entendo
depois, a saúde de Tiago começou a decair mais capazes. ...
à noite em um cartão postal suas breves pala- a mim mesma muito melhor do que você. As-
vras: ‘Battle Creek, 11 de abril. Faz dois dias sim, porém, deve ser, e não direi mais nada novamente. No fim de outubro de 1877, “A Sra. White entra na segunda metade
que não recebo uma carta sua. Tiago White.’ com respeito a esse assunto. Alegro-me de Ellen escreveu a seu filho William, e a Mary, do século de sua vida com a confiante expec-
“Esta longa carta foi escrita por você mes- que eu esteja livre e feliz. Regozijo-me de que esposa dele, em Battle Creek: tativa de passar a maior parte dele na praia
mo. Obrigada por sabermos que você está vi- Deus me haja abençoado com liberdade, paz, “Queridos filhos: Esta noite estou cansada. perene.”19
vo. Nenhuma carta de Tiago White antes alegria e coragem. ... Recorrerei a Deus em Estou tentando escrever uma matéria para a Essas são palavras de um marido amoroso e
desta, desde 6 de abril de 1876. Estamos mui- busca de orientação e procurarei agir na me- revista [Health] Reformer. É difícil escrever agradecido.
to gratos por ter recebido no dia 9 de abril al- dida em que Ele me conduzir.”15 muito, pois papai está tão solitário que eu te- O serviço zeloso e dedicado de Ellen como
gumas linhas da irmã Hall, falando a seu res- Quatro dias depois, ela escreveu: “Lamen- nho de sair com ele e dedicar bastante tempo companheira de Tiago, especialmente em
peito. Tenho esperado ansiosamente alguma to haver dito ou escrito algo que o magoou. em sua companhia. Ele está bem disposto, tempos de doença e desânimo, é extraordiná-
coisa para responder.” Perdoe-me, e serei cautelosa em não iniciar mas fala pouco. Temos desfrutado alguns mo- rio. No entanto, em certa ocasião em 1878,
Segue depois uma extensa descrição das nenhum assunto que o aborreça ou aflija. Es- mentos de oração muito preciosos. Cremos Tiago, na época com 58 anos de idade, embo-
atividades do dia anterior navegando na Baía tamos vivendo num tempo muito solene e que Deus vai melhorar a saúde dele. Estamos ra tentando manter um rigoroso programa de
de São Francisco, cujas ondas encapeladas a não podemos permitir que, em nossa velhice, com bom ânimo.”18 produção literária, não experimentou melho-
fizeram lembrar dos discípulos no tempestuo- existam entre nós diferenças que alienem ra física. Ellen escreveu a Mary, esposa de
so Mar da Galiléia. Algumas linhas depois: nossos sentimentos. Talvez eu não consiga O Aniversário de Cinqüenta William: “Sou a constante companheira dele
“Eu escreverei cada manhã. ... Você fará o ver as coisas como você vê, mas não creio ser
Anos de Ellen White nos passeios e junto à lareira. Se eu saísse, me
mesmo?”13 minha função ou dever procurar fazer você
Tiago ainda conseguia escrever, se bem fechasse em um quarto e o deixasse inativo,
Vários dias depois, ela colocou por escrito ver como eu vejo ou sentir como eu sinto.
a afeição que sentia por Tiago e a solidão que Onde agi assim, lamento. que falasse pouco em público. Em home- ele ficaria nervoso e desassossegado. ... Ele
sentia quando ele estava fora: “Vamos todos “Desejo ter um coração humilde e um es- nagem ao aniversário de cinqüenta anos depende de mim, e eu não o abandonarei em
bem e estamos alegres. Cada dia sentimos de- pírito manso e tranqüilo. Em qualquer oca- de Ellen, ele escreveu estas palavras em sua debilidade.”20
sejo mais intenso de ter maior proximidade sião em que eu tenha permitido que meus Signs of the Times: Na noite do dia 4 de abril, Ellen recebeu
com Deus. Esta é minha oração, quando me sentimentos se exaltassem, errei. ... “Hoje, 26 de novembro, a Sra. White uma visão em que lhe foi mostrado o verdadei-
deito, quando desperto à noite e quando me “Desejo ter minha personalidade escondi- completa 50 anos de idade. Ela se tornou uma ro estado de seu marido, visão cujos detalhes
levanto de manhã: Mais perto de Ti, meu da em Jesus. Desejo que o próprio eu seja cru- cristã dedicada com a tenra idade de 12 anos ela passou para o papel na manhã seguinte:
Deus, mais perto de Ti.”14 cificado. Não reivindico infalibilidade nem e imediatamente uma obreira em prol de ou- “Querido esposo: Sonhei ontem à noite
Como a maioria das esposas maduras des- mesmo a perfeição do caráter cristão. Não es- tras jovens, sendo bem-sucedida em ganhá- que um médico afamado entrava no quarto
cobrem mais cedo ou mais tarde, no casa- tou isenta de erros e equívocos em minha vi- las para Cristo. onde estávamos orando por você. Ele disse:
mento há também momentos de tensão. Em da. Tivesse eu seguido a meu Salvador mais “Com a prematura idade de 17 anos, tor- ‘Orar é bom, mas viver de acordo com a ora-
1876, Tiago, com 55 anos de idade, assumia de perto, e não teria que lastimar tanto mi- nou-se poderosa oradora, capaz de prender a ção é melhor. Sua fé deve ser mantida pelas
responsabilidades extremamente pesadas co- nha dessemelhança com Sua querida ima- atenção de grandes auditórios por uma hora suas obras, do contrário é uma fé morta. ...
mo presidente da Associação Geral e cons- gem. ... Nunca mais escreverei em minhas ou mais. Ela tem viajado e falado a grandes “‘Você não é valente em Deus. Se há algu-
tante conselheiro da obra de publicações. cartas uma linha ou expressão para o angus- auditórios, alguns com até vinte mil pessoas ma inconveniência, em vez de acomodar-se
Uma de suas maiores preocupações era a de tiar. Outra vez, lhe peço, perdoe-me, cada pa-
[sic], desde o Atlântico até o Pacífico, em de- às circunstâncias, ficará com o assunto (por
que poucos colegas eram tão veementes e co- lavra ou ato que o magoou.”16
rajosos ante os desafios como ele. Sendo um Tiago e Ellen escreveram suas tocantes zoito Estados, além do Canadá. Seus traba- pequeno que seja) em sua mente até que se
homem de ação, Tiago tinha a tendência de cartas pessoais sem sequer imaginar que al- lhos públicos perfazem trinta anos. satisfaça. Você não trabalha, portanto, pela
tornar-se ditatorial e exigente. Às vezes ele se gum dia elas seriam lidas por outras pessoas. “Além desta grande obra, ela tem escrito fé. Ainda não tem fé verdadeira. Não faz mais
sentia pouco apreciado. Ao experimentar os Obtemos nessas cartas discernimento inco- bastante. Seus livros impressos atingem não que suspirar pela vitória. Quando sua fé for
efeitos de diversos derrames e o avanço da mum sobre a maneira como cristãos compro- menos que a soma de cinco mil páginas, sem aperfeiçoada pelas obras, deixará de prestar
idade, pensamentos de desânimo e ressenti- metidos resolvem sua tensão conjugal e por contar os milhares de páginas de matéria atenção em você mesmo e deixará seu caso
mentos o assaltavam. Pensamentos desani- meio delas outros maridos e mulheres apren- epistolar endereçadas a igrejas e indivíduos. nas mãos de Deus, tolerando e suportando
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CAPÍTULO 5 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White MENSAGEIRA,
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qualquer coisa, não exatamente de acordo mente o mesmo em quase todas as coisas. Ele do”. A esposa mensageira fez uma retrospec- que precisasse de um pernoite. Se relembrar-
com os seus sentimentos. está sempre bem disposto.”23 tiva da vida que tiveram em comum: “Agora, mos o modo como conquistou o respeito de
‘“Todos os poderes da Terra não poderiam Devido aos compromissos no Leste, Ellen que aquele de cuja afeição generosa eu de- seus contemporâneos, ao combinar seu papel
ajudá-lo a menos que você trabalhe em har- White não permaneceu muito tempo no Co- pendera e com quem trabalhara por 36 anos, de mãe com seus deveres públicos, isto nos
monia, exercitando a razão e o juízo e deixan- lorado. Informando a Tiago e aos filhos dos fora arrebatado, a única coisa que pude fazer ajudará a apreciar mais plenamente seu con-
do de lado seus sentimentos e tendências. acontecimentos de Battle Creek, ela escreveu foi pousar minha mão sobre seus olhos e di- selho para as mães e os pais de hoje em dia.
Você se encontra em um estado crítico.’” com entusiasmo e sabedoria de esposa e mãe: zer: Confio-Te, ó Senhor, meu tesouro até a Mas que sucedia a seus filhos enquanto di-
Depois o “médico afamado” foi mais espe- “Não considerem este tempo de recreação manhã da ressurreição.”27 vidiam a mãe atarefada com outros que exi-
cífico: ‘“Seus próprios hábitos desordenados como obrigação ou trabalho penoso. Esque- Alguns dias depois do funeral, Ellen Whi- giam cada vez mais de seu tempo e energias?
estão mantendo não somente você, mas tam- çam o trabalho. Abandonem a escrita. Vão te escreveu a amigos íntimos: “A luz do meu Conforme mencionamos anteriormen-
bém sua esposa afastados da obra para a qual ao parque e vejam tudo quanto possam. ... Li- lar se apagou e daqui por diante devo amá-lo te, Tiago e Ellen tiveram quatro filhos, to-
Deus os chamou. ... vrem-se das preocupações, e voltem a ser ga- [o lar deles] em consideração a ele [Tiago] que dos homens: Henry, nascido em 26 de
“‘Você se sente tão temeroso de ter seu rotos livres de inquietações. ... Papai precisa
lhe dava tanta importância. ... Ele satisfazia agosto de 1847; Edson, nascido em 28 de
vigor diminuído que come mais do que o ser um menino novamente. Caminhem a es-
seu gosto. Mas como posso considerá-lo como julho de 1849; William, nascido em 29 de
necessário, colocando no estômago quanti- mo pelos arredores. Subam uma montanha
dade maior do que o organismo poderia su- íngreme. Montem a cavalo. Encontrem cada faria se ele estivesse vivo?”28 agosto de 1854; e John Herbert, em 20 de
portar. Deve tomar alimento sólido e [deve] dia uma coisa nova para ver e desfrutar. Isto Quem quer que examine o relato de sua setembro de 1860.
dedicar mais tempo à mastigação. Coma de- favorecerá a saúde de papai. Não desperdi- vida de casados há de concluir que este era Herbert morreu com apenas três meses de
vagar e em quantidade muito menor. Dois cem nenhum pensamento ansioso a meu res- um relacionamento extraordinário de duas vida, vítima de erisipela. A mãe de 33 anos
ou três alimentos em uma refeição é tudo o peito. Vocês verão como estarei bem depois pessoas extraordinárias. Cada um tinha uma de idade relembrou essa dolorosa experiên-
que deve ser colocado no estômago. ... Vo- da reunião campal. ... Esforcem-se por fazer vida pública, apesar de sua afeição fluir por cia: “Grande foi o sofrimento de meu querido
cê está morrendo por capricho e contudo uns aos outros felizes.”24 meio de suas mensagens e ações de um para o bebê. Vinte e quatro dias e vinte e quatro
não emprega suficientes esforços para efe- Perto de 1880, o corpo cansado de Tiago outro. Embora vivendo no “Período Vitoria- noites cuidamos dele com ansiedade, empre-
tuar uma mudança radical. ... Sua vida seria pedia descanso ainda que sua cabeça conti- no”, a dedicação cálida e perseverante de El- gando todos os remédios possíveis para seu
mais confiante se você fosse mais altruísta. nuasse a planejar novas campanhas. Outros len ao marido estava muito distante de ser restabelecimento e apresentando fervorosa-
Deus tem uma obra para você e sua esposa assumiram as principais responsabilidades de- platônica. O apreço que ele tinha por ela era mente seu caso ao Senhor. Às vezes eu não
realizarem. Satanás diz: ‘Se eu tiver poder le, embora a retirada não fosse fácil para o ge- notório, apreço cuja profundidade qualquer conseguia dominar minhas emoções ao teste-
para dominar a mente, você não realizará a neral. Numa carta a Ellen, datada de 18 de mulher ficaria contente em experimentar. munhar seu sofrimento. A maior parte do
obra. Posso dominar tudo e amarrar a ambos abril, ele escreveu: “Estou pensando nessas Depois de ser liberada de suas responsabi- tempo passei-o em lágrimas e humildes súpli-
com grilhões de ferro.’ ... Você tem condi- coisas com muito cuidado. Seja o que for que lidades de esposa, Ellen passou a viajar cada cas a Deus.”30
ções de levantar-se. Você pode lançar fora o Senhor lhe tenha mostrado a respeito do vez mais extensamente. Sua produtividade li- Ela descreveu as horas finais da criança:
essa invalidez.’”21 meu dever, tome tempo para passar isso cui- terária aumentou, não apenas em quantida- “Meu bebê piorou. Ao ouvir-lhe a respira-
O conselho funcionou. Ele se sentiu enco- dadosamente para o papel e me dar uma idéia de, mas também na profundidade de seus li- ção difícil e sentir-lhe o pulso fraquíssimo,
rajado com a promessa: “Você tem condições completa. ... Nós ambos vemos quanta coisa vros maiores. Tiago havia sido seu útil editor; soube que ele iria morrer. Aquela foi uma
de levantar-se. Você pode lançar fora essa in- precisa ser feita no ramo literário, e nossos ir- ele jamais foi a fonte das mensagens dela. hora de angústia para mim. A mão gelada
validez.” O estressado Presidente da Associa- mãos insistem constantemente conosco que da morte já repousava sobre ele. Observa-
ção Geral concordou em ir a Battle Creek e saiamos a pregar. No temor de Deus, devemos Mãe Mensageira mos-lhe a respiração fraca e arquejante até
colocar-se sob os cuidados do Dr. John Har- tomar essa questão em nossas próprias mãos e Débora talvez seja a profetisa bíblica mais co- que ela cessasse, e pude apenas sentir-me
vey Kellogg. Em 24 de junho, Tiago escreveu ser nossos próprios juízes quanto ao que deve-
nhecida. Sua reputação era tão grande, seu grata pelo fim de seus sofrimentos. Quando
para Ellen: “Estou escrevendo para dizer que mos fazer e quanto.”25
julgamento e conselho tão respeitados, que meu filho estava morrendo, não consegui
estou bem melhor.” Parte de sua alegria era o Em 6 de agosto de 1881, o “cansado
resultado de haver encontrado um homem guerreiro” morreu. A notícia abalou os ad- até sua residência recebia o nome de “palmei- chorar. No funeral, desmaiei. Embora meu
que podia taquigrafar, capacitando-o assim a ventistas desde o Atlântico até o Pacífico. ra de Débora, entre Ramá e Betel”. Juí. 4:5. coração doesse como se fosse quebrar-se,
fazer em “dois dias... trabalho que tomaria to- Ninguém podia passar em revista o desen- Ela era, porém, mais do que uma sábia juíza. não consegui derramar uma lágrima. ... De-
da uma semana”.22 volvimento da Igreja Adventista sem pen- Seus contemporâneos confiavam nela como pois que voltamos do sepultamento, minha
Em princípios de julho, Tiago saiu com sar em Tiago White. As honras póstumas, “mãe em Israel”. Juí. 5:7. (Ver pág. 18.) casa parecia solitária. Senti-me conformada
destino a sua cabana no Colorado juntamen- mesmo daqueles de quem ele diferia, colo- Semelhantemente, os contemporâneos de com a vontade de Deus, apesar do abati-
te com Dudley Canright e Mary White cavam o valoroso líder da igreja na devida Ellen White a consideravam como “mãe em mento e pesar que sentia.”31
(William foi depois). Quando Ellen se juntou perspectiva.26 Israel”.29 Conheciam-na como esposa e mãe O primogênito de Ellen White, Henry,
a eles em agosto, escreveu: “Encontrei o pa- Embora extremamente doente, Ellen incrivelmente atarefada, uma dona de casa morreu com a idade de 16 anos. Ele havia se
pai melhor, sob todos os aspectos. O clima White ergueu-se de seu leito de enfermidade que, como é sabido de todos, abria as portas de tornado o deleite dos pais bem como o de um
aqui está sempre fresco. ... O papai é nova- para enaltecer seu “forte, bravo e nobre mari- seu lar aos necessitados, órfãos e a quem quer grande número de amigos. Sua nobre voz em
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 5 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White MENSAGEIRA,
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cântico era bem conhecida entre os colegas queno livro, An Appeal to the Youth. Escreveu eles com muita severidade, mesmo perante vezes linguagem que mais se parecia a taqui-
de trabalho da editora Review. No fim de no- ela: “Elas [as cartas da Sra. White aos filhos] outros, o que destrói seus sentimentos e torna grafia teológica, especialmente quando ela
vembro de 1863, ele apanhou um resfriado foram escritas apressadamente, destinadas coisa comum receber censura por insignifi- escreveu que o Senhor ama as crianças “que
que se transformou em pneumonia. Foi trata- apenas aos filhos, sem o pensamento de se- câncias e equívocos, e coloca acidentes e lap- procuram agir corretamente”, mas “as crian-
do com drogas venenosas – a sabedoria da rem publicadas. Isto as torna ainda mais dig- sos no mesmo nível que pecados e erros de ças más Deus não ama”.40
medicina convencional. Ellen e Tiago ha- nas de publicação, na medida em que reve- verdade. Sua disposição se torna amarga e Exatamente assim como devemos exami-
viam pouco tempo antes naquele ano utiliza- lam mais claramente as verdadeiras emoções cortamos o cordão que nos une a eles e nos nar alguns textos bíblicos difíceis dentro do
do a hidroterapia para ajudar dois de seus fi- e sentimentos de uma piedosa mãe.”35 dão influência sobre eles. ... Temos estado em contexto bíblico total, o mesmo deve ser fei-
lhos na luta contra a difteria, mas eles ainda Ao ler essas cartas de família, particulares perigo de esperar que nossos filhos tenham to com Ellen White. Em Deuteronômio 7:9 e
não tinham consciência do valor dela no tra- e íntimas, estamos lendo o coração de uma uma experiência mais perfeita do que sua ida- 10, por exemplo, percebemos que Deus “retri-
tamento da pneumonia. jovem mãe, e depois de uma mãe amadureci- de permite esperar. ... bui diretamente aos que O odeiam, para os
Como era esperado, Henry piorou rapida- da, raramente revelado a outros. “Nossos filhos nos amam e se renderão à destruir; não será remisso para quem O odeia,
mente. Ele e seus pais falaram abertamente Como era de se esperar, os filhos dos Whi- razão, e a bondade terá influência mais pode- diretamente lhe retribuirá. Guardarás, pois, os
sobre a morte. Ele confessou livremente seus te desenvolviam-se como todas as outras rosa do que a reprovação insensível. O espíri- mandamentos, os estatutos e os preceitos que
pecados. Sua fé tornou-se mais forte e sua crianças. Precisavam aprender pela experiên-
confiança na vida eterna mais brilhante. Cer- to e a influência que têm circundado nossos Eu hoje te ordeno, para os cumprires.” Isto
cia e conselho paterno como todas as outras filhos exige que nós os restrinjamos, os afas- parece cruel, mas quando colocado no con-
ta manhã, ele disse: “Prometa-me, mamãe, crianças. Além disso, Tiago e Ellen precisa-
que se eu morrer serei levado para Battle temos das companhias jovens e lhe neguemos texto de toda a Bíblia (assim como Isa. 1:18-
vam aprender como ser pais à medida que os os privilégios que os filhos geralmente desfru- 20; Jer. 31:3; João 3:16 e 17; João 14-17), seu
Creek e sepultado ao lado de meu irmãozinho filhos se desenvolviam.
John Herbert, para que possamos erguer-nos tam. Se adotarmos em relação a essas coisas a verdadeiro sentido se torna claro.
juntos na manhã da ressurreição.”32 conduta que devemos adotar, devemos sem- Observe o contexto maior do conselho de
Conselho Dado por Meio de uma Visão
Mais tarde, ele disse para o pai: “Pai, o se- pre manter palavras e ações perfeitamente ra- Ellen White aos pais (1892): “Jesus desejaria
Em 1862, Ellen, na época com 35 anos de ida-
nhor está perdendo seu filho. O senhor sen- zoáveis diante das crianças, para que sua re- que os pais e mães ensinassem a seus filhos...
de, e Tiago, com 41, procuravam empenhada-
tirá minha falta, mas não chore. É melhor flexão não fique amargurada com palavras ru- que Deus os ama, que a natureza deles pode
mente equilibrar as responsabilidades deles na
para mim. Escaparei ao alistamento [para a des ou pronunciadas de maneira ríspida. Isto ser transformada e posta em harmonia com
igreja com o cuidado de seus três filhos, então
Guerra Civil], e não testemunharei as sete deixa no espírito uma ferida ou aguilhão que Deus. Não ensinem a seus filhos que Deus
com 15, 13 e 8 anos. Em uma visão, Deus in-
últimas pragas. Morrer feliz assim é um pri- lhes destrói o amor pelos pais e a influência não os ama quando procedem erroneamen-
terveio para dar aos pais alguns conselhos ne-
vilégio.”33 que estes teriam sobre eles.”36 te; ensinem-os que Ele os ama tanto que Seu
cessários: “Foi-me mostrado com respeito a
Durante suas horas finais, ele ditou mensa- Para Ellen White, seus filhos eram priori- terno Espírito Se entristece quando os vê
nossa família que temos falhado em nosso de-
gens de admoestação e segurança a seus jo- dade máxima.37 Seus apontamentos de diá- em transgressão, porque Ele sabe que eles es-
vens amigos de Battle Creek. Adélia Patten, ver. Não os temos restringido. Temos sido de-
masiado complacentes com eles, temos tolera- rio, cartas a outros e aos filhos, tudo indica tão prejudicando a própria alma. Não ater-
uma amiga íntima da família e uma das auxi- sua interminável preocupação por eles, espe- rorizem seus filhos falando-lhes da ira de
liares de Ellen White, registrou-lhe os últi- do que sigam suas próprias inclinações e dese-
jos e permitido suas tolices. ... Temos ficado cialmente pelo seu crescimento espiritual.38 Deus, antes busquem impressioná-los com
mos momentos: “‘Mãe, eu vou encontrar vo- Ela levava os defeitos deles bem como os de- Seu inexprimível amor e bondade, permi-
cê no Céu na manhã da ressurreição, pois eu tão separados deles que, quando estamos em
sua companhia, devemos trabalhar perseve- la própria muito a sério. Depois de um encon- tindo assim que lhes seja revelada a glória
sei que você vai estar ali.’ Então ele chamou tro difícil com o jovem Edson, ela escreveu do Senhor.”41
seus irmãos, pais e amigos e deu em todos um rantemente para ligar seu coração a nós a fim
de que, quando estivermos ausentes, possamos em seu diário: “Tive uma conversa com Ed- Em outras circunstâncias, ela tornou bem
beijo de despedida, após o que apontou para
ter influência sobre eles. Vi que devemos ins- son. Senti-me excessivamente aflita, achan- clara a diferença entre Deus amar uma pessoa
cima e sussurrou: ‘O Céu é doce.’ Essas foram
suas últimas palavras.”34 truí-los com austeridade, e no entanto com do que isto não estava sendo conduzido de e aprovar o que a pessoa faz.42
Depois da morte de Henry, publicou-se um bondade e paciência; tomando uma atitude maneira sábia.”39 Em claros termos teológicos, ela expôs o
pequeno livro que incluía o sermão fúnebre fei- serena. Satanás é diligente em tentar nossos Algumas pessoas tem achado estranhas de- fato de que o caráter determina o destino.
to por Uriah Smith, uma breve biografia, e mui- filhos e levá-los a ser esquecidos e a condes- terminadas expressões empregadas por Ellen Mesmo um Deus amoroso não remodelará o
tas das freqüentes cartas que Ellen White en- cender com tolices que podem deixar-nos de- White em algumas cartas endereçadas aos fi- caráter das pessoas após a morte delas a fim
viava a ele e a seus irmãos, especialmente quan- salentados, pesarosos e depois fazer-nos tomar lhos em princípios dos anos 1860. Em seu ter- de redimi-las.43
do ela estava viajando a serviço da igreja. Essas uma atitude de censurá-los e criticá-los num no amor, ela apelava à alma deles de muitas Apesar disso, quanta teologia uma criança
cartas deixam claro o motivo por que Henry pô- espírito que somente causa danos e os desani- maneiras. Em 1860, ela falava a filhos com de seis anos é capaz de entender? Deus enca-
de morrer com essa paz e confiança em Jesus. ma, em vez de ajudá-los. idades entre 6 e 13 anos. Procurando tornar rou o mesmo desafio quando instruiu os israe-
Adélia Patten, que vivera no lar dos White “Vi que é um erro rir de suas expressões e claro o grande quadro, em linguagem simples, litas recém-libertados depois da saída do Egi-
por quase dois anos, ajudou a montar esse pe- feitos e então, quando erram, lançar-se sobre esta mãe de 33 anos de idade empregava às to. Ele empregou linguagem e métodos em
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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO II
CAPÍTULO 5 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White MENSAGEIRA,
ESPOSA E MÃE

nível do jardim de infância – inclusive a ilus- vel atmosfera em que os filhos devem desen- 30. Spiritual Gifts, vol. 2, pág. 296, citado em Biography, vol. 1, que o Senhor está vendo e não o amará se você agir errado.
pág. 430. Quando você faz o que é correto e domina esses sentimentos
tração da caixa de areia no ritual do santuá- volver-se. Os livros O Lar Adventista e Orien- 31. Ibidem. errôneos, o Senhor sorri para você.
rio no deserto. Afinal, este era o único nível tação da Criança (compilações de centenas de 32. An Appeal to the Youth, pág. 26, citado em Biography, vol. 2, pág. 71. “Embora Ele esteja no Céu, e você não consiga vê-Lo,
de linguagem que eles conseguiam entender. páginas de seu diário, manuscritos e sermões) 33. Appeal, pág. 29, citado em Biography, pág. 72. mesmo assim Ele o ama quando você faz o que é certo, e re-
34. Appeal, pág. 31, citado em Biography, pág. 71. gistra isso no Seu livro. Mas quando você faz coisas erradas,
Algumas vezes a ameaça de desaprovação e têm sido estudados com apreço por milhares 35. Appeal, pág. 19, citado em Biography, pág. 62. Ele coloca uma marca negra contra você. Por isso, querido
castigo pode captar a atenção de uma criança de homens e mulheres. É difícil encontrar ou- 36. Manuscrito 8, 1862. Willie, procure fazer sempre o que é correto, e nenhuma
de seis anos, bem como a dos israelitas recen- tro escritor que tenha focalizado tão claramen- 37. “Apesar de as ansiedades decorrentes da obra de publicações marca negra será registrada contra você. E quando Jesus vol-
e de outros ramos da causa me acarretarem grande perplexi- tar, Ele vai chamar o bom menino Willie White e vai colo-
temente libertados, quando a “linguagem do te ou de maneira tão vívida a elevada vocação dade, o maior sacrifício que fui chamada a fazer relativamen- car sobre sua cabeça uma coroa de ouro, vai-lhe entregar
amor” não surte efeito. de mães e de pais cristãos. Seus claros apelos a te ao trabalho foi ter que deixar meus filhos freqüentemente uma pequena harpa para que você possa tocá-la e extrair de-
Ellen White empregou ambos os métodos todos os pais para que compreendam a enorme aos cuidados de outrem.” – Life Sketches, pág. 165. la bela música. Você nunca mais ficará doente, nunca mais
38. Ver Jerry Allen Moon, W. C. White and Ellen G. White (Berrien será tentado a fazer o que é errado. Ao contrário, será feliz
ao tratar com seus garotos, evidentemente responsabilidade que têm em conduzir os fi- Springs, MI: Andrews University Press, 1993), págs. 34-42. para sempre; comerá saborosos frutos e colherá lindas flores.
com bons resultados.44 O registro contém nu- lhos rumo ao Céu são notáveis. 39. Manuscrito 12, 1868. Por isso, querido filho, procure ser bom. Sua afeiçoada mãe.”
merosos exemplos em que ela falou aos filhos Ellen White dava conselhos somente de- 40. Um exemplo das cartas de Ellen White endereçadas ao pe- – Ellen White, An Appeal, págs. 62 e 63.
queno William de 6 anos de idade revela a tentativa mater- Uma olhada cuidadosa em toda a carta (e a maioria dos
de um Deus amistoso, orando com eles em pois de ela mesma os haver praticado. Por na de dirigir-lhe a atenção para a obediência prazenteira: escritos sobre orientação de filhos) sugere fortemente que ao
muitas ocasiões a respeito de seu crescimento exemplo: “‘Oh’, dizem algumas mães, ‘meus “Você deve ser um garotinho doce e bom, e deve gostar de escrever a frase “crianças más, Deus não ama”, ela queria
espiritual. Se a jovem Ellen fosse confronta- filhos me atrapalham quando procuram aju- obedecer a Jenny [Fraser] e Lucinda [Hall]. Submeta sua von- realmente dizer que as crianças que continuarem a ser “más”
tade, e quando tiver muita vontade de fazer algo, pergunte: não serão levadas para o Céu.
da com a possível má interpretação de suas dar-me.’ Assim faziam os meus, mas vocês su- Será que isso não é egoísta? Você deve aprender a ceder sua 41. Signs of the Times, 15 de fevereiro de 1892: “Seu coração [de
palavras, ela diria rapidamente, em essência, põem que eu permitia que eles o soubessem? própria vontade e caminho. Será uma lição dura para meu Jesus] estende-se, não somente para as crianças bem-compor-
o que escreveu depois de maneira mais com- Elogiem seus filhos. Ensinem-nos, manda- menininho aprender, mas no fim lhe será mais valiosa do que tadas, mas para as que têm, por herança, traços objetáveis de
ouro.” [“Pela bênção de Deus e as instruções de sua mãe, caráter. Muitos pais não compreendem quanto são responsá-
pleta: “O que quero dizer – e que creio que os mento sobre mandamento, regra sobre regra. Willie venceu o espírito impaciente que algumas vezes mani- veis por esses traços em seus filhos. ... Mas Jesus olha essas
garotos entenderam – era que Deus não per- Isto é melhor que ler novelas, que fazer visi- festava quando jovem, possuindo agora uma disposição bas- crianças com piedade. Ele segue da causa para o efeito.” – O
tante carinhosa, amigável e obediente.” – A. P. P.] “Apren- Desejado de Todas as Nações, pág. 517.
doa a desobediência, ainda que Ele sempre tas, que seguir as modas do mundo.”46 da, meu querido Willie, a ser paciente, a esperar pelo tempo 42. Ver nos Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, págs. 558-565, uma
ame os meninos e as meninas, bons ou maus. Embora a Sra. White seja melhor conheci- e conveniência dos outros; então você não mais ficará impa- impressionante carta a uma adolescente mimada.
A desobediência traz conseqüências desastro- da como importante figura pública, para ciente nem irritável. O Senhor ama as criancinhas que pro- 43. Parábolas de Jesus, págs. 74, 84 e 123; Testemunhos Para a Igre-
curam fazer o que é certo. Ele promete que elas estarão em ja, vol. 2, págs. 355 e 356.
sas; e Deus, em Seu amor, não quer que as aqueles que melhor a conheceram, ela era Seu reino. Mas as crianças más, Deus não ama. Ele não as le- 44. Observe a atitude do primogênito para com os pais e para
pessoas sofram por causa da desobediência.”45 uma esposa e mãe cristã coerente, que manti- vará para a bela Cidade, pois ali só entram as crianças boas, com a própria morte – página 58.
Grande parte do conselho de Ellen White à nha íntimo e terno relacionamento com seu obedientes e pacientes. Uma criança irritada e desobediente 45. Ver notas anteriores citando Signs, 15 de fevereiro de 1892, e
estragaria toda a harmonia do Céu. Quando você se sentir O Desejado de Todas as Nações, pág. 517.
igreja focaliza a importância do lar e a inegá- marido e filhos. tentado a falar de modo impaciente e irritado, lembre-se de 46. Lar Adventista, pág. 289.

Referências
Perguntas Para Estudo
1. Day Star, de 11 de outubro de 1845, citado em Charles W. 10. Christian, The Fruitage of Spiritual Gifts, pág. 111.
Teel, Jr., ed., Remnant & Republic (Loma Linda, CA.: Center 11. Emmett K. VandeVere, “Years of Expansion, 1865-1885”,
for Christian Bioethics, 1995), pág. 148. Ver também The Day Land, The World of Ellen G. White, pág. 67. 1. Que evidência temos de que Ellen White foi uma dedicada esposa, sempre leal ao ma-
Star, 11 de outubro de 1845, pág. 47. 12. Carta 1a, 1876, citada em Biography, vol. 3, pág. 23. rido Tiago?
2. Ronald Graybill, “The Courtship of Ellen Harmon”, Insight 13. Carta 5, 1876, citada em Biography, pág. 26.
(Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Associa- 14. Carta 6, 1876, citada em Biography, págs. 27 e 28.
tion), 23 de janeiro de 1973, págs. 4-7; Virgil Robinson, James 15. Carta 25, 1876, citada em Biography, pág. 34. 2. Que circunstâncias podem ter levado Tiago White a lutar contra o desânimo no fim da
White (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing As- 16. Ibidem. vida?
sociation, 1976), págs. 33-39; Schwarz, Light Bearers to the 17. Ver Apêndice B para troca de correspondência em 1874, que
Remnant, pág. 66; Biography, vol. 1, págs. 110-112. revela tensão conjugal, que ambos superaram juntos na base
3. Arquivo de Documento 733-c, do Patrimônio Literário do amor mútuo e da sua confiança em Deus. 3. Que tensões óbvias surgiriam hoje em uma família, se a esposa tivesse que assumir mui-
White, citado em Biography, vol. 1, pág. 84. 18. Carta 25, 1877, citada em Biography, vol. 3, pág. 73. tas responsabilidades públicas e fosse mais popular que o marido?
4. Life Sketches, Ancestry, Early Life, Christian Experiences, and 19. Signs of the Times, 6 de dezembro de 1877, citado em Biography, pág. 76.
Extensive Labors of Elder James White, and his Wife, Mrs. Ellen 20. Carta 4d, 1878, citada em Biography, pág. 81.
G. White (Battle Creek, MI.: Seventh-day Adventist 21. Carta 22, 1878, citada em Biography, págs. 82 e 83. 4. Que papel, se é que existe algum, Tiago White desempenhou em ajudar a preparar os
Publishing Association, 1888), págs. 131 e 132. 22. Ibidem, pág. 90. livros de sua esposa para publicação?
5. Lewis Harrison Christian, The Fruitage of Spiritual Gifts 23. Ibidem, pág. 93.
(Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Associa- 24. Carta 1, 1878, Biography, págs. 94 e 95.
tion, 1947), pág. 50. 25. Biography, pág. 193. 5. Cite algumas das experiências que demonstram a íntima relação de trabalho existente
6. Ibidem, pág. 98. 26. Ver o sermão fúnebre de Uriah Smith, citado em Biography, entre Tiago e Ellen White.
7. James White, Life Sketches, pág. 126. págs. 174 e 175.
8. Christian, The Fruitage of Spiritual Gifts, pág. 99; Robinson, 27. Ibidem.
James White, págs. 111-115, 151-163, 207-218, 226-231; Spal- 28. Carta 9, 1881, citado em Biography, pág. 177. 6. Que se pode aprender da educação que Ellen White deu aos filhos na qualidade de mãe
ding, Origin and History, vol. 1, págs. 43-55. 29. Uma carta dos adventistas noruegueses a Ellen White em seu que trabalhava fora?
9. George Willard, em Memoriam, A Sketch of the Last Sickness 85o aniversário, assim começava: “Querida Mãe em Israel e
and Death of Elder J. White (Battle Creek, MI: Review and He- Serva do Senhor!” – D. A. Delafield, Ellen G. White in Euro-
rald Press, 1881), pág. 10, citado em Robinson, James pe (Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Asso-
White, pág. 302. ciation, 1975), pág. 319.

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SEÇÃO II

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O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
parciais complexas. Depois de cuidadosa aná- da com dores de cabeça, inflamação dos
lise do material biográfico e autobiográfico olhos e debilidade respiratória. A tuberculo-
disponível, levando-se em conta o conheci- se a debilitou, e os médicos não lhe deram
mento atual deste tipo de desordem convulsi- nenhuma esperança, a não ser de uma mor-

Saúde Física va, é nossa opinião que: (1) Não há evidên-


cias convincentes de que Ellen G. White so-
fria desta espécie de epilepsia. (2) Não há
possibilidade de que crises parciais complexas
te prematura. Hidropisia, uma afecção car-
díaca, acometeu-a na maior parte de sua vi-
da. Quando ela recebeu sua primeira visão,
em dezembro de 1844, teve que ser transpor-
“Busquei o Senhor, e Ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores.” Sal. 34:4. tenham sido as responsáveis pelas visões da tada numa cadeira de rodas para a casa de
Sra. White ou seu papel no desenvolvimento Elizabeth Haines. Não conseguia falar além
da Igreja Adventista do Sétimo Dia.”5 de um sussuro.8
Donald I. Peterson, M.D., autor de mais Ao ser convidada para relatar sua visão de
de sessenta artigos no campo da neurologia dezembro em Poland, Maine, no fim de ja-
em revistas científicas, professor de neurolo- neiro de 1845, estava afônica. Contudo, logo
gia da Escola de Medicina da Universidade que começou a falar, todas as promessas que
de Loma Linda e chefe de neurologia do Hos- Deus lhe fizera de ser sempre a sua força se
pital Geral de Riverside, Califórnia, apresen- cumpriram. Ela falou em alto e bom som por
tou uma resposta mais ampliada. No livro Vi- aproximadamente duas horas, e sem fatigar-

E
llen White não era uma supermulher, lam eles, ocasionou-lhe uma espécie de epi- sions or Seizures: Was Ellen White the Victim of se.9 Esta experiência de forças restauradas no
embora seu programa de atividades e lepsia conhecida como crise parcial comple- Epilepsy?,6 ele examina determinadas afirma- púlpito diante dos olhos daqueles que viram
suas realizações pareçam indicar que xa. Por sua vez, alegam que as visões de Ellen ções de que Ellen Harmon sofrera severos da- a maravilhosa transformação da fraqueza pa-
sim. Imagine alguém atravessar os Estados White eram devidas à epilepsia no lobo tem- nos cerebrais, de que suas “visões” eram típi- ra o poder se repetiu muitas vezes em toda a
Unidos vinte e quatro vezes por volta de poral, e não à revelação divina. cas das crises parciais complexas, de que suas extensão de seu longo ministério.
1885, apenas 16 anos depois de as estradas de Em resposta à acusação de que ela sofria de feições durante as “visões” eram típicas do Em princípios do verão de 1845, a debili-
ferro Union Pacific e Central Pacific se en- epilepsia do lobo temporal, oito professores
distúrbio de crise parcial complexa (“automa- tada jovem Ellen teve uma visão extraordiná-
contrarem perto de Ogden, Utah, em 1869!1 da Escola de Medicina e Enfermagem na
tismos”), etc. ria: “Até essa época eu não conseguia escre-
Lembre-se então que esta líder de igreja iti- Universidade de Loma Linda, incluindo três
nerante falava a grupos grandes e pequenos neurologistas, mais um psiquiatra do Norte ver. Minha mão trêmula era incapaz de segu-
aonde quer que fosse. E escrevia! Quando ela da Califórnia, estudaram as evidências dispo- Nenhuma Forma de Incapacidade Mental rar a pena com firmeza. Estando em visão, um
morreu, deixou cerca de 100.000 páginas de níveis. Em 1984 eles escreveram um relatório Depois de examinar os aspectos técnicos das anjo me ordenou que eu escrevesse a visão.
material publicado e não publicado, tudo es- intitulado: “Sofria Ellen White de Crises Par- alegações, à luz dos conhecimentos médicos Tentei, e escrevi facilmente. Meus nervos se
crito à mão. Supõe-se que ela seja “o terceiro ciais Complexas?”4 mais recentes, o Dr. Peterson negou taxativa- fortaleceram, e minha mão ficou firme.”10
escritor mais traduzido na história da literatu- O relatório afirmava: “Diagnosticar um mente a existência de qualquer correlação do Em 1854, grávida do terceiro filho, Ellen
ra, a escritora mais traduzida e, dentre os es- distúrbio de crise parcial complexa (epilepsia estado de Ellen White durante as visões ou White, na época com 26 anos de idade, lu-
critores norte-americanos de ambos os sexos, psicomotora ou do lobo temporal) não é algo sua prolífica capacidade literária (hipergra- tava contra problemas de saúde. Ela relem-
também a mais traduzida”.2 muito fácil, mesmo com a ajuda de técnicas fia) com qualquer indicação que sugerisse da- bra: “Eu tinha dificuldades de respirar quan-
Aqueles, porém, que a conheceram viam modernas como a eletroencefalografia e a no cerebral e o resultante distúrbio de crise do deitada e não conseguia dormir a não ser
nela algo mais do que uma oradora pública de gravação em vídeo. Portanto, o estabeleci- parcial complexa. Concluindo, ele diz: “Um que ficasse em posição quase sentada. Surgi-
1,57m de altura e uma escritora prodigiosa, mento de um diagnóstico dessa natureza, re- exame cuidadoso de[ssas] teorias, à luz do re- ra sobre a minha pálpebra esquerda um tu-
incansável em sua dedicação vitalícia a cau- troativo a uma pessoa falecida há quase 70 gistro histórico, mostra que elas não conse- mor que parecia câncer. Fazia mais de um
sas nobres. Conforme já observamos, ela era anos e, levando-se em conta que não existem guiram provar que a ‘doença’ de Ellen White ano que ele vinha crescendo gradualmente a
uma dona de casa ativa, esposa leal e mãe registros médicos, só pode ser, na melhor das consistia numa grave contusão do lobo tem- ponto de tornar-se bastante doloroso e afe-
amorosa. hipóteses, especulativo, vago e controverso. poral ou que os fenômenos associados a suas tar-me a vista.”11
Como tudo isso seria possível, se com a “Os recentes artigos e apresentações suge-
visões fossem conseqüência da afecção de Um “célebre médico de Rochester” forne-
idade de nove anos os médicos lhe deram rindo que as visões e escritos de Ellen White
apenas alguns meses de vida, depois de com- eram resultado de um distúrbio de crise par- ataque parcial complexo. ... É a convicção ceu-lhe um “colírio” depois de lhe dizer que,
plicações decorrentes de um golpe fatídico no cial complexa contêm muitas inexatidões. deste pesquisador que se trata de uma mani- segundo seu prognóstico, o tumor era cance-
rosto?3 Raciocínio ambíguo e aplicação errônea dos festação de verdadeiro dom profético, e não roso. Mas depois de verificar seu pulso, ele
Alguns têm sugerido que o traumatismo fatos levaram a conclusões equivocadas. de alguma forma de epilepsia.”7 afirmou que ela morreria de apoplexia antes
sofrido no início da sua vida atingiu o lobo “Esta comissão foi apontada para avaliar a Depois do acidente ocorrido aos nove que o câncer se desenvolvesse! Disse ele:
temporal de seu cérebro. Esta lesão, especu- hipótese de que Ellen White sofria de crises anos de idade, Ellen passou a ser incomoda- “Você está com uma grave afecção cardíaca.”
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 6 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White SAÚDE FÍSICA

Algumas semanas depois, ela teve um der- da primavera de Iowa, e pregou muitas vezes gratíssima por haver passado por essa expe- tem sido uma sólida rocha para milhões. Seu
rame cerebral, que deixou o seu braço e lado nas reuniões. riência porque me tornei mais familiarizada livro A Ciência do Bom Viver, além de muitas
esquerdo inertes e sua língua dormente. Fize- Depois do nascimento de John Herbert, ela com meu precioso Senhor e Salvador. ... centenas de cartas a pessoas que também pas-
ram-se orações por toda parte, mas a cura não começou lentamente a recobrar as forças. Seis “Senti a princípio que não seria capaz de su- saram por grandes padecimentos físicos, ja-
veio. Não obstante, ela manteve sua confian- semanas depois do parto, ela comentou em portar esta inatividade. Eu achava que me afli- mais teria sido escrito se sua experiência pes-
ça no amor de Deus. Sussurrou para Tiago: uma carta endereçada a Lucinda Hall que esta- giria por causa disso e às vezes as trevas me ro- soal não tivesse provido o ambiente humano
deavam. Essa falta de conformação existiu no para os princípios divinos básicos.
“‘Creio que vou me recuperar.’ Ele respon- va tão fraca que subia as escadas de joelhos e
começo de meu sofrimento e desamparo, mas Uma coisa é certa: Ellen White nunca se va-
deu: ‘Gostaria de poder acreditar nisso.’ Re- que desabafava “de vez em quando em um bom não demorou muito e vi que o padecimento fí- leu do fato de sofrer muitas enfermidades físicas
colhi-me naquela noite sem nenhum alívio, choro” e achava que “isto me faz bem”. Mal sico era parte do plano de Deus. Fiz uma cui- como meio para obter a piedade alheia. Ao
mas depositando minha firme confiança nas completara três meses de idade, o bebê morreu. dadosa retrospectiva da história dos anos pas- contrário, quando outros a viam, com espírito
promessas de Deus. Não pude dormir, mas Os anos que Ellen White passou na Aus- sados e da obra que o Senhor me havia confia- alegre e resoluta determinação, enfrentar inten-
continuei orando em silêncio. Pouco antes trália foram os mais produtivos, não somente do. Nenhuma vez Ele havia falhado comigo. sas adversidades físicas, cobravam ânimo.15
do amanhecer, adormeci.” por haver ajudado a estabelecer um sólido Muitas vezes Se manifestara de maneira notá- Sua vida de produção literária e ministério
Quando ela despertou, seu marido “mal programa educacional e evangelístico naque- vel. Nada encontrei no passado de que me pu- pessoal, mais suas extensas viagens públicas,
pôde compreender a princípio, mas quando le país novo, mas por haver escrito O Deseja- desse queixar. Compreendi que, qual fios de são um forte argumento de como a vontade
me levantei, vesti-me e caminhei pela casa, do de Todas as Nações, além de milhares de pá- ouro, coisas preciosas haviam se entretecido humana pode triunfar sobre as dificuldades fí-
ele testemunhou a mudança do meu sem- ginas de cartas oportunas. Mas isso teve um em todas estas penosas experiências. sicas na busca do plano de Deus para nossa vi-
blante e glorificou a Deus junto comigo. Meu preço! Suas enfermidades na Austrália foram “Então passei a orar fervorosamente e sem- da. Em 1915, alcançar 87 anos de idade não
pre obtive o doce conforto nas promessas de era comum! Seu último escrito conhecido,
olho doente não doía mais. Em poucos dias o devastadoras: “Fiz a longa viagem e participei
Deus: ‘Chegai-vos a Deus, e Ele Se chegará a uma carta (14 de junho de 1914), transborda
câncer desapareceu, e minha vista foi total- da assembléia realizada em Melbourne. ... vós.’ ‘Vindo o inimigo como uma corrente de de esperança e alegria cristãs.16 A causa de sua
mente restaurada. A obra fora completa.” Pouco antes do término da reunião fui acome- águas, o Espírito do Senhor arvorará contra morte, conforme se registrou tanto no seu
Seu médico declarou posteriormente que tida de uma grave doença. Durante onze me- ele a sua bandeira.’”14 atestado de óbito como no registro do coveiro
havia ocorrido uma “completa” mudança – ses sofri de malária e inflamação reumática. Por razões que somente Deus pode expli- do cemitério, foi: “Miocardite crônica; (Fator
um mistério além de sua compreensão.12 Durante esse período passei pelos sofrimentos car, Ellen White sofreu muito na vida. Ape- concorrente primário) Astenia resultante da
mais terríveis de toda a minha vida. Não con- sar disso, ela foi uma mulher extraordinaria- fratura intracapsular do fêmur esquerdo (13
Reumatismo nos Tornozelos seguia erguer os pés acima do solo sem sofrer mente produtiva e diligente, e de seu sofri- de fevereiro de 1915); (Fator concorrente se-
Dois anos depois, Ellen White escorregou no grande dor. Meu braço direito, do cotovelo mento veio uma filosofia de sofrimento que cundário) arteriosclerose.”
gelo, torcendo gravemente o tornozelo, e te- para baixo, era a única parte do corpo livre de
ve que andar de muletas durante seis sema- dor. Os quadris e a espinha doíam constante- Referências
nas. O reumatismo acabou lhe atacando am- mente. Eu não conseguia ficar deitada em mi- 1. Manuscrito 16, 1885, citado em D. A. Delafield, Ellen G. 6. Boise, ID: Pacific Press Publishing Association, 1988.
bos os tornozelos, importunando-a cruelmen- nha cama de lona por mais do que duas horas White In Europe, pág. 25. Ver págs. 104 e 105. 7. Ibidem, págs. 26 e 27.
te até o dia da sua morte. de cada vez, embora eu estivesse deitada sobre 2. Roger Coon, A Gift of Light (Washington, D.C.: Review and 8. Spiritual Gifts, vol. 2, pág. 30; Arquivo de Documento No 230
Herald Publishing Association, 1983), pág. 21. (Patrimônio Literário White), J. N. Loughborough, “Some
Aos três meses de gravidez, em março de almofadas de borracha. Eu me arrastava para 3. Ao tratar do nariz quebrado e da hemorragia, Ellen White re- Individual Experiences”, pág. 44.
1860, ela, juntamente com Tiago, estava se uma outra cama semelhante para mudar mi- latou: “Os médicos acharam que era possível enfiar um fio de 9. Spiritual Gifts, vol. 2, pág. 38.
prata em meu nariz para manter sua forma [evidentemente 10. Ibidem, pág. 60. Anos mais tarde, ela refletiu: “O Senhor me
dirigindo para Iowa. O relato de Tiago na nha posição. Assim passavam as noites. ... Os sem anestesia], mas me disseram que isso seria de pouca utili- disse: ‘Escreve as coisas que Eu te disser.’ Quando comecei a
Review (6 de março) era convincentemente médicos diziam que eu jamais voltaria a andar, dade. Disseram que eu havia perdido tanto sangue e sofrera fazer essa obra, eu era muito jovem. Minha mão, que era dé-
abalo nervoso tão grande que meu restabelecimento era mui- bil e trêmula devido às enfermidades, tornava-se firme assim
realista: “Deixamos Battle Creek às 15h, mu- e eu receava que minha vida se tornasse uma to improvável; disseram também que, ainda que eu melhoras- que eu apanhava a pena, e desde aqueles primeiros escritos,
damos de trem em Chicago à meia-noite, luta interminável contra o sofrimento.”13 se, não conseguiria viver muito tempo. Fiquei quase reduzida tenho tido condições de escrever. ... Essa mão direita dificil-
chegamos ao rio Mississippi às 7h da manhã, Como se arranjou ela? Aqueles que a aju- a um esqueleto.” – Spiritual Gifts, vol. 2, pág. 9. No fim de mente tem sensação desagradável. Ela nunca se cansa.” –
1840, ela ainda não havia melhorado: “Minha saúde decaiu Ellen White, Manuscrito 88a, 1900, citado em Biography,
atravessamos o gelo a pé, andando atrás da daram puderam com gratidão confirmar suas rapidamente. Eu só conseguia falar em sussurros ou num tom vol. 1, págs. 91 e 92.
bagagem que estava sobre um trenó puxado reflexões posteriores: “Mas em tudo isto hou- de voz baixo. Certo médico disse que minha doença era uma 11. Life Sketches, pág. 151.
tuberculose hidrópica; que meu pulmão direito estava perdido, 12. Biography, vol. 1, págs. 292 e 293.
por quatro homens, visto que a camada de ve um lado positivo. Meu Salvador parecia e o meu esquerdo afetado. Seu prognóstico era o de que eu não 13. Biography, vol. 4, págs. 31 e 32.
água congelada era fina demais para suportar estar bem perto de mim. Eu sentia Sua santa viveria muito tempo, podendo até morrer subitamente. Eu 14. Manuscrito 75, 1893, citado em Biography, vol. 4, pág. 33.
sentia grande dificuldade em respirar deitada. Passava as noi- 15. Poder-se-iam citar numerosas ocasiões para indicar os di-
o peso dos cavalos. Fiquei aliviado quando pi- presença em meu coração, e ficava agradeci- tes apoiada em um travesseiro, numa posição quase sentada. versos problemas físicos que Ellen White suportou sem
samos o solo de Iowa.” da. Esses meses de sofrimento foram os meses Despertava muitas vezes com a boca cheia de sangue.” – Ibi- queixas. Enquanto esteve na Nova Zelândia em 1893, por
Na primeira noite em Iowa, Ellen White mais felizes de minha vida por causa da com- dem, pág. 30. exemplo, ela teve problemas com abcesso nos dentes. Ela
4. Ministry, agosto de 1984, e referida em Advent Review, 6 de sabia por experiência própria que era alérgica a analgésicos.
ficou gravemente enferma, com vômitos e panhia de meu Salvador. Ele era minha espe- agosto de 1984. Colhemos a história do seu diário de 5 de julho: “A irmã
hemorragia. Mas prosseguiu, através da lama rança e minha coroa de regozijo. Sinto-me 5. Ibidem. Caro [dentista] chegou à noite; está aqui em casa. Encon-

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SEÇÃO II
CAPÍTULO 6
A Verdadeira Ellen White SAÚDE FÍSICA

trei-me com ela de manhã à mesa do desjejum. Ela pergun- “Depois que os dentes foram extraídos, a irmã Caro tre-
tou: ‘A irmã está triste em me ver?’ Respondi: ‘É claro que mia como uma folha de álamo. Suas mãos estavam trêmulas,
é um prazer para mim encontrar a irmã Caro. Não tenho, e ela sentia dores. ... Ela receava causar dor à irmã White. ...
porém, tanta certeza quanto a encontrar a senhora doutora Mas ela sabia que devia fazer essa intervenção e prosseguiu.”
Caro, dentista.’
O diário conclui com a paciente tornando-se atendente,
“Às dez horas eu estava na cadeira, e em pouco tempo oi-
to dentes foram arrancados. Fiquei contente de que o trabalho quando Ellen White levou a Dra. Caro para uma cadeira e
tivesse terminado. Não recuei nem gemi. ... Eu havia pedido providenciou algo para refrescá-la. – Manuscrito 81, 1893,
ao Senhor que me fortalecesse e me desse graça para suportar citado em Biography, vol. 4, pág. 98.
o doloroso processo, e sei que o Senhor ouviu minha oração. 16. Testemunhos Para Ministros, págs. 516-520.

Perguntas Para Estudos

1. Que dificuldades a longo prazo Ellen White teve que enfrentar em resultado da lesão fa-
cial que sofreu com a idade de nove anos?

2. Se Ellen White foi chamada por Deus para ser Sua mensageira especial, por que Ele lhe
permitiu passar por tantas dificuldades físicas e emocionais?

3. A julgar pelo relatório médico de 1844 sobre Ellen White, quais são, para você, as mais
fortes evidências que rebatem a acusação de que ela sofria de ataque parcial complexo?

4. Descreva o estado físico de Ellen Harmon no fim de 1844.

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SEÇÃO II

7
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
... Quem dera eu pudesse impressionar a to- Religião prática (teologia aplicada). A reli-
dos com a importância de exercer fé momen- gião prática era outro tema sempre presente
to após momento, hora após hora!... Se cre- nos sermões e escritos de Ellen White. Para
mos em Deus, estamos armados da justiça de ela, religião era mais do que uma fonte de
Cristo; apossamo-nos de Sua fortaleza. ... sentimento. Se a religião não motiva uma
Características Queremos falar com nosso Salvador como se
Ele estivesse justamente ao nosso lado.”6
Grandiosos assuntos como a justiça pela
pessoa a estender a mão para ajudar os outros,
sem esperança de lucrar alguma coisa, não
vale nada. Se a religião não transforma a pes-

Pessoais fé, a importância da razão convicta e desapai-


xonada na reação do cristão ao evangelho e a
responsabilidade de um “povo preparado” pa-
soa de modo que ela produza o “fruto do Es-
pírito” (Gál. 5:22) e reflita o caráter de Jesus,
seu professo cristianismo não tem nenhum
ra cumprir a comissão evangélica nos últimos sentido.
“Confia no Senhor e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade. Agrada-te do Senhor,
e Ele satisfará os desejos do teu coração.” Sal. 37:3 e 4. dias foram claramente definidos em publica- Para Ellen White, o cristianismo prático
ções e assimilados na própria necessidade diá- não era algo opcional; tinha tudo que ver
ria que ela sentia de perdão e poder.7 com nossa preparação para a vida eterna. Es-
Confiança quando o futuro era incerto. Ellen crevendo a uma mulher que possuía graves
White foi o exemplo de alguém que confiava defeitos, ela declarou: “A menos que isto seja
em Deus mesmo quando as circunstâncias ex- vencido agora, jamais o será; e a irmã King
ternas pareciam sombrias. Típica de centenas não terá parte com o povo de Deus, nem um
de cartas e de seus muitos livros é uma passa- lar no Seu reino eterno. Deus não pode levá-

A
principal ênfase na vida de Ellen sem ser influenciada pelas falsas concepções
White, nascida de sua própria expe- prevalecentes nas igrejas de sua época, a ver- gem de uma carta a Tiago, seu marido, data- la para o Céu como se encontra. Você estra-
riência e ampliada em suas visões, foi dade sobre Deus se tornou cada vez mais cla- da de Washington, Iowa, 2 de julho de 1874: garia aquele lugar pacífico e feliz.
obter e pintar um quadro preciso do caráter ra. Seus escritos logo focalizaram a questão “Somos justificados em andar pela vista en- “Que se pode fazer a seu favor? Pretende
de Deus. Ela viu corretamente que as grandes principal do grande conflito entre Deus e Sa- quanto isto é possível, mas quando não pode- esperar até que Jesus volte nas nuvens do
divisões religiosas através do tempo e espe- tanás: Como Deus realmente é?4 Em quem se mos mais ver o caminho claramente, então Céu? Será que Ele vai reformá-la inteiramen-
cialmente dentro da cristandade haviam de- pode confiar – em Deus, ou em Satanás? precisamos colocar nossa mão na mão de nos- te quando vier? Oh, não. Aquela ocasião não
senvolvido uma compreensão inadequada da Uma clara representação do caráter de so Pai celestial e deixar que Ele nos guie. Há, será para isso. O preparo deve ser feito aqui;
Divindade. Deus. Junto com a teologia que captou o na vida de todas as pessoas, emergências nas toda a lapidação e polimento do caráter deve
principal tema da Bíblia, veio uma nova e quais não se pode nem seguir a vista nem ser feito na Terra, nas horas de graça. Você
Consciência Espiritual cativante representação de Deus, que a confiar na memória ou experiência. Tudo que deve preparar-se aqui; aqui devem ser dados
No início de sua vida, ela foi vítima dos erros atraiu a um profundo e dinâmico relaciona- podemos fazer é simplesmente confiar e espe- os últimos retoques.”10
predominantes que se haviam alastrado por mento com seu amorável, misericordioso e rar. Honramos a Deus quando confiamos nE- Relação entre religião e saúde. Ellen White
diversas igrejas dentro do protestantismo. A amigável Senhor.5 le, pois Ele é nosso Pai celestial.”8 compreendeu bem a relação existente entre
má compreensão do caráter de Deus, por Durante o terceiro Concílio Missionário Amor, seu princípio motivador. A clara a religião e a saúde da mente e do corpo,
exemplo, bem como do plano da salvação, es- Europeu, em Basiléia, Suíça, em 22 de setem- compreensão que Ellen White possuía do que o bem-estar de um afeta diretamente o
tava por trás de sua confusão juvenil “sobre bro de 1885, ela apresentou aos obreiros uma amor a tornou diferente da maior parte dos estado do outro. Suas percepções específi-
justificação e santificação”.1 de suas típicas palestras: “Sinto-me tão grata outros escritores religiosos anteriores ou pos- cas sobre este tema foram muito além do
Posteriormente, tendo sido ensinada que a esta manhã de podermos confiar a guarda de pensamento convencional. Por exemplo:
teriores à sua época. O amor (ágape) como
soberania e justiça de Deus eram os temas nossa alma a Deus como nosso fiel Criador.
um princípio, não um sentimento motivado “A religião pura e imaculada não é um sen-
centrais do cristianismo, ela desfrutava pouca Algumas vezes o inimigo me assedia pertinaz-
por esperança de recompensa ou favor, per- timento, mas a prática de obras de miseri-
paz e quase total falta de percepção de um mente com suas tentações e trevas quando es-
Deus amigo.2 tou prestes a falar ao povo. Sobrevém-me ta- meava seus escritos. Por exemplo: “O amor é córdia e amor. Tal religião é necessária à
A doutrina do castigo eterno, produto do manha sensação de fraqueza que me parece um princípio ativo; conserva continuamente saúde e felicidade. Ela penetra no poluído
pensamento calvinista, que focalizava a sobe- impossível permanecer diante da congrega- diante de nós o bem dos outros, refreando- templo da alma e com um açoite expulsa os
rania de Deus em detrimento da responsabi- ção. Mas se eu me entregasse a esses senti- nos de praticar atos desatenciosos, a fim de pecaminosos intrusos. ... Com isso vem a
lidade humana, lançou sobre a jovem Ellen mentos e dissesse que não conseguiria falar, o não falharmos em nosso objetivo de ganhar serenidade e calma. Aumenta a força física,
uma profunda angústia, tal como faz alguém inimigo alcançaria a vitória. Não ouso proce- almas para Cristo. O amor não busca seus mental e moral, porque a atmosfera do
que se espanta ante a idéia de um Deus que der assim. Vou em frente, ocupo meu lugar no próprios interesses. Não levará os homens a ir Céu, como um agente vivo, atuante, enche
castiga pecadores para sempre.3 púlpito, e digo: ‘Jesus, apóio em Ti a minha após seu bem-estar e a satisfação do próprio a alma.”11
Uma teologia claramente posta em evidência. alma desamparada; Tu não permitirás que eu eu. É o respeito que prestamos ao eu que tan- Muitos identificam o capítulo “A Cura da
Quando a luz divina lhe ajudou a ler a Bíblia seja confundida’, e o Senhor me dá a vitória. tas vezes estorva o crescimento do amor.”9 Mente” no livro A Ciência do Bom Viver co-
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 7 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White CARACTERÍSTICAS
PESSOAIS

mo abrindo novo território. O capítulo ini- Seus ensinos a respeito da causa da morte, se viu como uma “escritora em torre de mar- niões campais, de costa a costa, tornaram-se
cia-se com o seguinte parágrafo: “Muito ínti- bem como do sofrimento, fluíram do quadro fim”, distante do mundo onde se travavam tradicionais. Em 1884, por exemplo, com a
ma é a relação que existe entre a mente e o geral do grande conflito entre Deus e Sata- as batalhas espirituais a respeito das quais idade de 56 anos, ela falou em quatro reu-
corpo. Quando um é afetado, o outro se res- nás: “É verdade que todo sofrimento é resul- ela escrevia. niões campais. Sobre a reunião em Jackson,
sente. O estado da mente atua muito mais na tado da transgressão da lei divina, mas esta Jovens e idosos encontraram a Jesus por Michigan, o redator Uriah Smith relatou na
saúde do que muitos julgam. Muitas das verdade fora pervertida. Satanás, o autor do meio de seu ministério pessoal. Um de seus Review que em várias ocasiões entre 200 e
doenças sofridas pelos homens são resultado pecado e de todas as suas conseqüências, le- contemporâneos escreveu: “Minhas lembran- 350 pessoas atenderam ao apelo da Sra. White
de depressão mental. Desgosto, ansiedade, vara os homens a considerarem a doença e a ças da irmã White é que jamais em minha vi- de irem à frente para orações. “Havia profun-
descontentamento, remorso, culpa, descon- morte como procedentes de Deus – como cas- da conheci uma mulher que parecesse tão da emoção e, embora sem agitação ou fanatis-
fiança, todos tendem a consumir as forças vi- tigos arbitrariamente infligidos por causa do completamente consagrada ao Senhor Jesus. mo, visível atuação do Espírito de Deus no
tais, e a convidar a decadência e a morte.”12 pecado.”16 Ele parecia ser para ela um amigo pessoal, que coração”, escreveu Smith.20
ela conhecia, amava e em quem confiava. Ela Durante sua visita à Inglaterra em 1885,
Sua compreensão da causa do sofrimento e da Rápida em reconhecer os próprios erros.
encontrava grande alegria em falar sobre Je- Ellen White foi convidada a falar para um
morte. Os conselhos de Ellen White a respeito Ellen White era bastante rápida em confes-
sus; e todas as pessoas mais jovens concordam auditório de 1.200 pessoas na prefeitura de
da causa do sofrimento e da morte não foram sar seus erros e buscar perdão. Ela conhecia
que houve, pelo menos, uma jovem que vi- Grimsby. Seu tema foi “O Amor de Deus”.
apenas profundos; eles têm resistido à prova de muito bem a paz decorrente do perdão e era veu muito próximo do Senhor e que, de ma-
um século como um fiel reflexo da mente de rápida em aliviar os outros do peso do remor- Mais tarde, ela escreveu: “Procurei apresentar
neira sincera e prática, procurou de todo o as coisas excelentes de Deus de maneira a di-
Deus. Ela afirmava que “doença, sofrimento e so e da culpa. Baseado em sua própria expe- seu coração seguir a Jesus.”18
morte são obra de um poder antagônico. Sata- riência e refletindo a instrução divina, deu rigir-lhes a mente da Terra para o Céu. Mas
Uma viagem a Vergennes, Michigan, em pude apenas admoestar e rogar, e exaltar Je-
nás é o destruidor; Deus, o restaurador”.13 ela este conselho: “Não é louvável falar de junho de 1853, é lembrada por algo mais do
Qual é, pois, a causa da enfermidade? Uma nossa fraqueza e desânimo. Que cada qual di- sus como o centro de atração, e um Céu de
que ficar “perdido” numa estrada bastante bem-aventurança como a recompensa eterna
resposta era: as leis de Deus foram violadas ga: ‘Aflige-me ter cedido à tentação, e que conhecida pelo condutor da carruagem. Per- do vencedor.”21
por nossos antepassados ou por nós mesmos. minhas orações sejam tão débeis, minha fé to da noitinha, depois de um longo dia de
Em 1885, Cecile Dahl, uma norueguesa,
Ela era inequívoca: “Quando Cristo curava a tão fraca. Não tenho desculpa a apresentar jornada sem água e sem alimento, Tiago e El-
serviu como intérprete da Sra. White en-
doença, advertia a muitos dos enfermos: ‘Não por ser anão em minha vida religiosa. Mas len White ficaram muito contentes em en-
quanto ambas faziam uma excursão de seis se-
peques mais, para que te não suceda alguma estou procurando obter a plenitude do cará- contrar uma solitária cabana feita de troncos
manas pela Alemanha e países escandinavos.
coisa pior.’ João 5:14. Assim Ele ensinava que ter de Cristo. Tenho pecado, e todavia amo a e, nela, a dona da casa. Enquanto refazia as
A Srta. Dahl era uma das muitas pessoas que
haviam trazido sobre si mesmos a doença Jesus. Tenho caído muitas vezes, e no entan- suas forças, a Sra. White falou com a hospi-
a oradora levara para o Senhor.
transgredindo as leis de Deus, e que a saúde to Ele me estendeu a mão para salvar-me. taleira anfitriã a respeito de Jesus e lhe deu
de presente um exemplar de seu primeiro li- Ellen White estava sempre pronta a com-
podia ser preservada unicamente pela obe- Contei-Lhe tudo acerca de meus erros. Te- partilhar a verdade sobre Deus e a salvação,
diência.”14 nho confessado com tristeza e vergonha tê- vro Experience and Views. Durante anos, os
acontecimentos desse dia não pareciam ape- mesmo quando isso exigia uma reação agres-
O sofrimento, além da doença devida à Lo desonrado. Tenho olhado a cruz, dizendo: siva. Em uma viagem por mar, costa acima,
negligência das leis físicas, também é causado Tudo isso Ele sofreu por mim. O Espírito nas estafantes mas sem sentido. Mas em
1876, numa reunião campal realizada em de São Francisco a Portland, em junho de
por Satanás e não pela deliberada interven- Santo me mostrou minha ingratidão, meu 1878, ela entreoviu um passageiro, um pastor,
ção de Deus. Em muitas ocasiões ela reforçou pecado em expor Cristo à ignomínia. Aque- Lansing, Michigan, a dona de casa daquela
cabana, mais de vinte anos antes, apertou a dizendo que “era humanamente impossível
o ensino de Jesus sobre este ponto. Em 1883, le que não conhece pecado perdoou o meu guardar a lei de Deus; que o homem nunca a
mão de Ellen White e relembrou o primeiro
ela escreveu a respeito de um pequeno grupo pecado. Ele me chama para uma vida mais guardou e jamais conseguiria guardá-la. ...
encontro de ambas. Em seguida, ela apresen-
de novos crentes em Ukiah, Califórnia: alta, mais nobre, e eu prossigo para as coisas Pessoa alguma iria para o Céu guardando a
tou a Sra. White a um grupo de adventistas
“Nosso coração se alegra ao vermos este pe- que diante de mim estão.’”17 lei. Para a Sra. White tudo é lei, lei; ela crê
do sétimo dia, os quais haviam começado sua
queno centro de conversos à verdade avan- Incansável ganhadora de almas. Os contem- nova comunhão com o Senhor depois da lei- que devemos ser salvos pela lei, e ninguém
çando passo a passo, tornando-se mais forte porâneos de Ellen White sabiam que ela era tura de Experience and Views. A dona de ca- pode ser salvo a menos que guarde a lei.”
em meio à oposição. Eles estão se tornando uma incansável ganhadora de almas. Eles ob- sa havia contado aos vizinhos dispersos sobre Ressentida com a maneira injusta como
mais familiarizados com o aspecto do sofri- servavam sua vida diária; recebiam suas car- esta senhora viajante que lhe “falara de Jesus era acusada, Ellen White achou que o grupo
mento na religião. Nosso Salvador advertiu a tas fervorosas. Seus vizinhos e companheiros e das belezas do Céu, e as palavras tinham que ouvia esse pastor devia ouvir as correções
Seus discípulos que eles seriam desprezados de viagem eram abençoados por suas úteis tanto fervor que ela ficou encantada e jamais necessárias. Encontrando um momento apro-
por causa do Seu nome. ‘Bem-aventurado iniciativas. Na verdade, a constante e presti- as esqueceu”.19 priado, disse ao pastor: “Esta é uma falsa afir-
sois quando, por Minha causa, vos injuriarem mosa preocupação que ela sentia pelo bem- mação. A Sra. White nunca viu as coisas des-
e vos perseguirem, e, mentindo, disserem to- estar espiritual dos outros se tornaram uma Apelos em Reuniões Campais se modo.”
do mal contra vós.’”15 característica definida de sua vida. Ela nunca Os apelos que Ellen White fazia em reu- Então desenvolveu a história bíblica da lei
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 7 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White CARACTERÍSTICAS
PESSOAIS

como o espelho que mostra o pecado e Jesus dos seus oitenta anos (proeza pouco comum sou aceita pelo Senhor. ... Tenho sentido ser redator da Review and Herald, terminava de
como o Advogado que nos perdoa. “Pastor no início da década de 1900), Ellen White imperioso que a verdade se manifeste em mi- ler os periódicos que vinham para seu escritó-
Brown, tenha a bondade de nunca mais tor- continuava a tomar parte ativa na elabora- nha vida, e que meu testemunho seja dirigido rio, ele os passava para ela a fim de mantê-la
nar a fazer as afirmações errôneas de que não ção de livros. Andava livremente por sua ca- ao povo. Quero que faça o que estiver ao seu informada a respeito da marcha dos aconteci-
confiamos em Cristo para a salvação, mas sa em Elmshaven, sendo capaz de subir e des- alcance para que meus escritos sejam postos mentos religiosos e políticos.37
confiamos na lei para ser salvos. Jamais escre- cer escadas sem a ajuda de ninguém. Podia- nas mãos do povo nas terras estrangeiras. ... A completa magnitude de sua produção li-
vemos uma palavra sequer nesse sentido, se muitas vezes ouvi-la cantar um antigo Tenho a impressão de ser meu dever especial terária, aliada às centenas de sermões que fo-
tampouco ensinamos semelhante teoria. Cre- hino adventista, “Uma Pátria Melhor”, es- dizer essas coisas.”32 ram transcritos, indica capacidade mental ex-
mos que nenhum pecador pode ser salvo em crito por William H. Hyde. A letra do hino
Alguns dias antes de sua morte, uma ami- traordinária. Apesar de na maioria das vezes
seus pecados (e pecado é a transgressão da foi composta depois que Hyde ouviu a irmã
lei), enquanto vocês ensinam que o pecador White descrever sua primeira visão na pri- ga comentou sua alegria. Ela replicou: “Fico estar com extrema falta de tempo e em cir-
pode ser salvo enquanto transgride conscien- mavera de 1845. Muitas vezes ela se demora- feliz de que você me tenha encontrado assim. cunstâncias desfavoráveis, ela ainda era capaz
temente a lei de Deus.” va na última parte: Não tenho tido muitos dias tristes. ... O Se- de apresentar pessoalmente ou por escrito
Recapitulando este incidente em um arti- nhor tomou providências e dirigiu todas essas mensagens convincentes e interessantes.
go de Signs, Ellen White fez referência às pa- “Dentro em breve estaremos ali, coisas para mim, e estou confiante nEle. Ele
lavras de Cristo em Seu Sermão da Monta- Reunidos aos puros, no gozo; sabe quando tudo isto acabará.” Experiências Comoventes
nha: “Cristo mostra aqui o objetivo de Sua Palmas, vestes, coroas teremos “Sim”, disse a visitante, “vai acabar logo, Ellen White era uma mulher extraordinaria-
missão: mostrar por Seu exemplo ao homem E pra sempre o eterno repouso.”30 e nós vamos encontrar você no reino de mente sensível, aberta a todas as emoções hu-
que Ele era capaz de ser inteiramente obe- Deus e ‘falarmos sobre tudo o que passamos’, manas. A capacidade que ela possuía de ver-
diente à lei moral e regular Sua vida por seus Em 13 de fevereiro, Ellen White tropeçou como você escreveu em uma de suas últimas balizar suas diversas experiências indica uma
preceitos. Essa lei foi exaltada e honrada por e caiu ao entrar em seu escritório. Os raios X cartas.” aptidão incomum para a empatia, quer a ex-
Jesus Cristo.”22 revelaram uma “fratura intracapsular do fê- Ao que ela replicou: “Oh, sim, parece bom periência fosse triste, quer alegre.
Dois dias depois de seu sexagésimo oitavo mur esquerdo na junção entre a cabeça e o demais para ser verdade, mas é verdade!” Sempre uma amante do belo, sua reação
aniversário, em 1895, Ellen White falava a colo do osso”, uma lesão dolorosíssima, espe- Suas últimas palavras ao filho e a Sara, sua emocional aos espetaculares Alpes, às Mon-
um auditório numa reunião campal em Ho- cialmente sem os modernos medicamentos enfermeira, foram: “Eu ‘sei em quem tenho tanhas Rochosas do Colorado, a um pôr-do-
bart, Tasmânia, e estava terminando um de que suprimem a dor. Quando lhe pergunta-
crido’.”33 sol na Noruega ou à Catedral de Milão reve-
seus sermões com um chamado ao altar. ram se sentia dor, ela respondeu: “Não é tão
la uma profundidade de apreciação do belo
Grande parte do auditório veio à frente. Mas doloroso, mas não posso dizer que seja con-
ela não ficou satisfeita. Ela buscava almas. fortável.” Semanas depois, quando tornaram Capacidade Mental que permeia seus escritos.
Descendo da plataforma, dirigiu-se aos ban- a lhe perguntar como se sentia, ela replicou: Embora não fosse mulher de instrução for- No verão de 1873, por exemplo, os White
cos de trás onde cinco jovens estavam senta- “Sinto-me bem... em alguns aspectos.” Seu mal, Ellen White era uma pessoa que apro- foram ao Colorado para umas férias bastante
dos. Com sua maneira tranqüila, ela os con- longo hábito de andar com o Senhor fazia to- veitava toda oportunidade para aumentar seu atrasadas. Ela relembra: “Gosto muito das co-
vidou a entregarem o coração a Jesus. Todos da a diferença.31 banco de informações e discernimento. Já fi- linas, das montanhas e das luxuriantes flores-
os cinco o fizeram, e diversos outros jovens se zemos menção ao traumatismo que deixou tas de pinheiros. Gosto muito dos regatos, das
uniram a eles enquanto eles se encaminha- A Última Visão seu rosto marcado (págs. 48, 62 e 63), inci- correntes velozes de água que se precipitam,
vam para a frente em sua decisão de fazer de Ellen White teve sua última visão no dia 3 de dente que, conforme ela confessou depois, borbulhantes, sobre as rochas por entre os
Jesus o seu Mestre.23 março de 1915. Fazendo um resumo da visão, “iria afetar toda a minha vida”.34 Ela nunca desfiladeiros, junto às encostas das monta-
Claras prioridades. As pessoas podem ser ela disse ao filho William C. White: “Há li- mais pôde voltar a freqüentar a escola, contu- nhas, como se estivessem a cantar um alegre
julgadas pelos seus “desejos”. Ellen White re- vros de vital importância que não são olhados do sua busca inata de conhecimento a levou hino de louvor a Deus. ...
petia muitas vezes sua “lista de desejos”: “De- por nossos jovens. São negligenciados por a reunir uma biblioteca pessoal e profissional “Aqui nas montanhas avistamos os cre-
sejo ser semelhante a Ele. Desejo praticar não lhes parecerem tão interessantes como que, ao tempo de sua morte, totalizava mais púsculos mais magníficos, mais repousantes e
Suas virtudes.”24 “Desejo achar-me entre certas leituras leves. ... Devemos escolher li- de 800 volumes.35 Quando ela vivia em Bat- agradavelmente coloridos que já tivemos o
aqueles que terão seu nome escrito no livro e vros que os estimulem à sinceridade de vida, tle Creek, utilizava livremente a biblioteca privilégio de contemplar. O imponente qua-
serão libertados. Desejo a recompensa do e os levem a abrir a Palavra. ... Não espero vi-
da Review and Herald Publishing Company. dro do pôr-do-sol, pintado pelo grande Artis-
vencedor.”25 “Desejo meu tesouro no Céu.”26 ver muito. Minha obra está quase concluída.
“Desejo ser semelhante a Ele. Desejo estar Diga aos nossos jovens que eu quero que mi- Na qualidade de mãe e esposa, ela e seu ta-Mestre, sobre a tela cambiante e matizada
com Ele pelos intermináveis séculos da eter- nhas palavras os animem naquela maneira de marido leram livros edificantes um para o ou- do firmamento, desperta em nosso coração
nidade.”27 “Desejo conhecer cada vez mais a viver que mais atrativa será aos seres celestes, tro ou para os filhos, como, por exemplo, A amor e a mais profunda reverência a Deus.”38
Palavra de Deus e as Suas obras.”28 “Desejo e que sua influência sobre os outros seja eno- História da Reforma do Século Dezesseis, de Depois de um pôr-do-sol no início do in-
ter um lar junto aos remidos, e desejo que vo- brecedora. D’Aubigné.36 verno na Noruega, ela escreveu: “Fôramos fa-
cê tenha um lar ali.”29 “Não tenho nenhuma certeza de que mi- Ellen era uma ávida leitora de revistas re- vorecidos com o cenário do mais deslum-
Confiança permanente. Na última parte nha vida se prolongue muito, mas sinto que ligiosas. Depois que Uriah Smith, veterano brante pôr-do-sol que tive o privilégio de ver.
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 7 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White CARACTERÍSTICAS
PESSOAIS

A linguagem é inadequada para pintar sua be- nha saúde está ótima, no que me diz respeito”. Mediante o relato dessa experiência, obte- ríamos ter tremido; mas ela estava nas mãos
leza. Os últimos raios do sol poente, na colora- Depois, ela abriu o coração: “Tenho passado mos um vislumbre da maneira como se er- dAquele que diz: ‘Ninguém pode arrebatá-las
ção de prata e ouro, púrpura, âmbar e carme- por muitas dificuldades ultimamente; o desâ- gueu ela desse profundo poço de desânimo. das mãos de Meu Pai.’ Jesus vive e reina.”44
sim, espalhavam seu esplendor pelo Céu, sem- nimo às vezes se apossa de mim com tal firme- Ela se arrependeu de ter ficado tão desalenta- Nas semanas que precederam à assembléia
pre mais brilhante, elevando-se mais e mais za que parece impossível livrar-me dele. Mas da. Lembrou-se de que seu primeiro desejo da Associação Geral realizada em Mineápo-
até dar a impressão de que os portais da cidade graças a Deus, Satanás não obteve ainda vitó- era “seguir a Cristo e ser semelhante a Ele. lis, em 1888, Ellen White ficou apreensiva
de Deus tivessem sido deixados semi-abertos e ria sobre mim e, pela graça de Deus, jamais a Algumas vezes, porém, desfalecemos sob as com a “incredulidade e resistência à reprova-
esplendores da glória interior brilhassem atra- obterá. Eu conheço e sinto a minha fraqueza, aflições e nos distanciamos dEle. Os sofri- ção” que predominava contra seu ministério,
vés deles.” Esta magnífica experiência precisou mas tenho me agarrado ao braço poderoso de mentos e as provações nos aproximam de Je- em grande parte desenvolvida enquanto ela
de duas páginas para ser registrada.39 Jeová, e hoje posso dizer que meu Redentor sus. A fornalha consome a escória, fazendo estava na Europa, entre 1885 e 1887: “Os ir-
vive, e se Ele vive, eu também viverei.”42 reluzir o ouro.”43 mãos parecem não ver além do instrumento.
Conheceu o Desânimo Dificuldades? Poucas pessoas conheceram Em Rochester, Nova Iorque, no fim de ... Também me fora dito [em visão] que o tes-
Ao cumprir seu papel como mensageira de os tempos trabalhosos como os enfrentados 1854, a Sra. White estava grávida de sete me- temunho que Deus me havia dado não seria
Deus, Ellen White conheceu a desolação que pelos White. Esses líderes-servos haviam si- ses de seu terceiro filho. Mas outros proble- recebido porque o coração daqueles que ha-
acompanha o desânimo. Por toda a sua vida, o do incumbidos de uma missão e não ousa- mas a defrontavam diariamente. Obreiros viam sido reprovados não se encontrava em
desânimo, de vez em quando, agitava com de- vam voltar-se para uma vida de ocupações preeminentes de Rochester estavam morren- estado de humildade capaz de ser corrigido e
pressão temporária. Não resta dúvida de que sua habituais. do de tísica pulmonar (tuberculose). O mari- receber reprovação.”
debilidade física, sua afecção cardíaca e proble- Considere, porém, que ali estava uma jo- do Tiago parecia estar desfalecendo também, O desânimo parecia esmagá-la, e ela ficou
mas respiratórios a tornaram suscetível ao desâ- vem família no inverno de 1847-1848 não só devido aos sintomas da tísica pulmo- muito doente. Relembrando o acontecimen-
nimo. O fato de ser uma mensageira do Senhor, (Henry nascera em 26 de agosto de 1847) nar, mas também devido à falta de compreen- to, ela escreveu: “Eu não sentia desejo de res-
que lutava no campo de batalha do conflito procurando falar e escrever à medida que são dos colegas de trabalho, além do esforço tabelecer-me. Não tinha forças sequer para
cósmico em posto mais avançado que seus con- Deus abria o caminho, e no entanto resolvi- excessivo de suas costumeiras viagens, prega- orar, nem tinha vontade de viver. Descansar,
temporâneos, também provocava os constantes da a ser financeiramente independente. Tia- ções e produção literária. Procure imaginar a apenas descansar, era meu desejo, aquietar-
ataques de Satanás. Como se relacionava ela go, aos 26 anos de idade, transportava pedras ampla gama de preocupações que enfrentava me e descansar. Enquanto permaneci durante
com essa negra sombra experimentada por tan- num túnel ferroviário que estava sendo esca- essa jovem mãe e esposa! duas semanas em depressão nervosa, eu tinha
tas pessoas, desde o princípio do tempo? O con- vado perto de Brunswick, Maine, até ficar “As provas se intensificaram ao nosso re- esperança de que ninguém suplicasse ao tro-
selho que ela dá a outros que estão desanimados com as mãos em carne viva, e também corta- dor. Grande era a nossa preocupação. Os tra- no da graça em meu favor. Quando veio a cri-
ou mesmo deprimidos recebe a influência de va madeira para lenha em longas jornadas de balhadores do escritório hospedavam-se co- se, a impressão era a de que eu morreria, e as-
suas próprias dificuldades pessoais. trabalho a 50 centavos por dia. Com um “or- nosco, e nossa família cresceu de quinze para sim também pensava eu. Mas esta não era a
Durante todo o seu ministério, Ellen White çamento” limitado como esse, Ellen, então vinte pessoas. As grandes assembléias e as vontade de meu Pai celestial. Minha obra
enfrentou tanto o fogo do fanatismo como o com 20 anos de idade, só conseguia adquirir reuniões de sábado eram realizadas em nossa ainda não estava concluída.”
gelo da indiferença.40 Suas palavras de conse- para si e para o filho pouco mais de meio li- casa. Não tínhamos sábados tranqüilos, pois
lho, muitas vezes de reprovação, eram freqüen- tro de leite. Assim sendo, para poder comprar algumas das irmãs geralmente ficavam todo o Reagindo ao Desânimo
temente contrapostas com fofocas e calúnias. uma peça de tecido a fim de fazer uma roupa dia com suas crianças. Nossos irmãos e irmãs De que modo Ellen White reagiu ao opressi-
Isso a afetava fisicamente. A respeito de algo simples para Henry, ela era obrigada a cortar geralmente não tomavam em consideração a vo desânimo? Do modo como fizera muitas
por que passou quando contava apenas 18 anos o suprimento de leite por três dias. inconveniência, preocupações e despesas ex- vezes no passado: “Andar pela fé contra toda
de idade e ainda estava fisicamente debilitada, Chegou o dia em que se esgotaram as suas tras que nos acarretavam. Visto que os traba- as aparências era exatamente o que o Senhor
ela relatou: “O desânimo produziu sobre mim provisões. Tiago caminhou quase cinco quilô- lhadores do escritório, um atrás do outro, vol- exigia que eu fizesse.”45
tão forte impressão, e o estado do povo de Deus metros tanto na ida como na volta, debaixo de tavam para casa doentes, precisando de aten- “Andar pela fé contra todas as aparên-
me encheu de tanta angústia que fiquei pros- chuva, em busca do patrão para receber seu sa- ção extra, eu receava sucumbir de ansiedade cias.” Este era o conselho que ela procurou
trada com uma doença por duas semanas.”41 lário ou os mantimentos necessários. Ao voltar ou preocupação. Pensei muitas vezes que não seguir durante toda a sua vida e era muitas
Os leitores de suas cartas e dos apontamen- ele com um saco de provisões, Ellen relembra: conseguiria mais suportar; apesar disso as pro- vezes o conselho que ela dava aos outros. Em
tos de seu diário têm o privilégio de quase “Quando ele entrou em casa, muito vações aumentavam.” uma palestra matutina proferida na Assem-
“ouvir” o coração dela bater à medida que re- cansado, meu coração desfaleceu dentro de Que faz uma jovem mãe de dois filhos e bléia de Mineápolis, em 19 de outubro de
lata suas reações àqueles momentos de desâni- mim. Minha primeira impressão foi a de que grávida de sete meses, em tais circunstâncias? 1888, ela falou de comprovada experiência:
mo provenientes de diversas causas. A manei- Deus nos havia abandonado. Disse a meu mari- “Descobri com surpresa que não fôramos es- “Vocês dizem: ‘Como posso falar de fé, como
ra como repelia as “sombras infernais” do mal do: A que ponto chegamos? Abandonou-nos o magados. Aprendemos a lição de que se pode posso ter fé, quando as nuvens e as trevas, e o
talvez seja justamente a compreensão de que Senhor? Não pude conter as lágrimas e levantei suportar muito mais sofrimento e provação desânimo se apoderam de minha mente? Eu
alguns leitores precisam hoje! a voz em choro durante horas até desmaiar.” do que se julgava possível. Os olhos vigilan- não sinto como se eu pudesse falar de fé; eu
Embora estivesse no oitavo mês de gravi- Em outras palavras: “Senhor, por que a vi- tes de Deus estavam sobre nós, providencian- não sinto possuir nenhuma fé sobre a qual fa-
dez em 1847, ela escreveu uma carta bem-hu- da é tão dura quando nós nos dedicamos sem do para que não fôssemos destruídos. ... Se a lar.’ Mas por que se sentem dessa maneira? É
morada a José Bates, mencionando que “mi- reservas à Tua causa?” causa de Deus fosse unicamente nossa, pode- porque permitem que Satanás lance negras
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CAPÍTULO 7 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White CARACTERÍSTICAS
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sombras ao longo de seu caminho, e não po- todo empreendimento da igreja desde o seu plo, que colhessem as rosas e ignorassem os es- faz um servo tímido, covarde; que segue a Je-
dem ver a luz que Jesus derrama em seu cami- início requeria uma força emocional enorme, pinhos.51 Na revista da igreja, ela escreveu: sus de longe. O serviço feito de boa vontade
nho. Outros, porém, dizem: ‘Sou muito fran- força que poucas pessoas possuem. Liderar um “Vamos representar a vida cristã como é na e de coração a Jesus produz uma religião re-
co. Digo somente o que sinto, falo somente o grupo de homens e mulheres obstinados pelos realidade. Vamos tornar o caminho alegre, fulgente. Os que seguem a Cristo bem de per-
que penso.’ Será que esta é a melhor maneira novos caminhos da organização da igreja, de- convidativo e interessante. Podemos fazer isto, to não se têm mostrado sombrios.”53
de agir? Não. Deus quer que nos eduquemos senvolver sólidas instituições médicas e edu- se quisermos. Podemos encher nossa própria As pessoas podem ser felizes ainda que so-
para falar palavras corretas, palavras que se- mente com quadros vívidos das coisas espiri- litárias. A capacidade que Ellen White pos-
cacionais e ajudar a pilotar toda uma deno-
jam uma bênção aos outros e que lhes derra- tuais e eternas e, assim fazendo, ajudar a torná- suía de manifestar esta verdade permeia o re-
minação através de difíceis conflitos teológi- los uma realidade para outras mentes.”52 gistro histórico e dá garantia pessoal à decla-
mem raios de luz sobre a alma.”46 cos – tudo isto provocava mal-entendidos e Solidão, até mesmo frustração e desânimo, ração que ela fez em Great Grimsby, Inglater-
Alguém poderia questionar se, após longos desavenças. não precisam interromper a atividade de um ra, em 1886:
anos de serviço e confiança em Deus, os cris- Assim, somos capazes de entender Ellen cristão bem disposto. Durante um período di- “Eu não espero o fim para desfrutar toda
tãos ficam fora do alcance dos momentos de White quando ela escreveu em 1902: “Tenho fícil da década de 1860, em que os White es- felicidade; eu desfruto felicidade enquanto
trevas em que eles vêem mais nuvens do que estado sozinha nesta questão, rigorosamente tavam em Dansville, Nova Iorque, procuran- vou caminhando. Não obstante ter provas e
sol. Pense em Jesus no Getsêmani. Ou na vi- sozinha, com todas as dificuldades e com to- do ajuda para os problemas físicos de Tiago, aflições, olho para Jesus. É nas situações difí-
da dos santos. O que eles aprenderam através das as provações relacionadas com a obra. Só Ellen registrou em seu diário uma conversa ceis, árduas, que Ele está bem ao nosso lado,
dos anos foi como lutar contra as sombras in- Deus pode ajudar-me.”48 anterior: “É a falta da genuína religião que e podemos comungar com Ele, depor todos
fernais do diabo. No octagésimo sétimo ano Na Europa, aos 59 anos de idade, viúva produz acabrunhamento, desalento, tristeza. os nossos fardos sobre o Portador de Fardos,
de vida de Ellen White, C. C. Crisler, um dos havia cinco anos, ela procurava ativamente ... Um serviço dividido, amando o mundo, e dizer: ‘Eis, Senhor, não posso mais levar es-
seus secretários, escreveu ao filho dela, amando o eu, amando divertimentos frívolos, ses fardos.’”54
colocar o programa europeu sobre um sólido
William: “Ela diz que não deseja fazer ne- e unificado fundamento. Aí estava um desa-
nhum estardalhaço sobre o fato de estar sem- fio que amedrontaria, e amedrontou, até os lí-
Referências
pre animada, embora ela sempre esteja. E deres mais fortes. Em uma carta ao presiden- 1. “Minhas idéias sobre justificação e santificação eram confusas. pósito de Satanás representar mal o caráter de Deus, e provo-
acrescenta que o próprio fato de os membros te da Associação Geral, ela escreveu: “Afir- Esses dois assuntos me foram apresentados à mente como algo car a rebelião contra a Sua lei; e esta obra parece ser coroada
da família despertarem, de vez em quando, mo-lhe que esses pontos difíceis em minha
distinto e separado um do outro. Apesar disso, eu não conse- de êxito. As multidões dão ouvidos aos enganos de Satanás, e
guia compreender a diferença nem entender o significado dos dispõem-se contra Deus. Mas, em meio da atuação do mal, os
ouvindo-a repetir as promessas de Deus e rei- experiência me fizeram desejar o clima da termos, de modo que todas as explicações dos pregadores só propósitos de Deus avançam perseverantemente ao seu cum-
vindicando-as como suas próprias é prova de contribuíam para aumentar as minhas dificuldades. Eu era in- primento; a todos os seres criados está Ele a tornar manifestas
Califórnia, e o refúgio de um lar. Mas será capaz de implorar a bênção para mim mesma e perguntava-me Sua justiça e benevolência.” – Patriarcas e Profetas, pág. 338.
que ela ainda tem suas próprias batalhas a
que eu tenho um lar? Onde está ele?”49 se não devia permanecer apenas entre os metodistas, e se, ao “Os esforços de Satanás para representar de maneira falsa o
travar contra Satanás.”47 freqüentar as reuniões do advento, não me estaria excluindo caráter de Deus, para fazer com que os homens nutram um con-
Em resultado da Assembléia da Associa- daquilo que mais desejava nesta vida: o santificador Espírito ceito errôneo do Criador, e assim O considerem com temor e
ção Geral de Mineápolis em 1888, Ellen de Deus. Observei, no entanto, que alguns daqueles que pre- ódio em vez de amor; seu empenho para pôr de parte a lei divi-
Uma Senda Solitária tendiam estar santificados manifestavam espírito amargo na, levando o povo a julgar-se livre de suas reivindicações e sua
Era, porém, a solidão, e não o desânimo, a White experimentou sua solidão mais pro- quando o assunto da breve volta de Jesus era apresentado. Is- perseguição aos que ousam resistir a seus enganos, têm sido
companhia freqüente da escritora, se bem funda. Escrevendo veementemente a Uriah to que eles professavam não me parecia uma demonstração de prosseguidos com persistência em todos os séculos. Podem ser
Smith, ela declarou: “Meus irmãos têm con- santidade.” – Life Sketches, págs. 28 e 29. observados na história dos patriarcas, profetas e apóstolos, már-
que tal solidão não fosse freqüente, nem ne- 2. “[Os pastores] ensinavam que Deus não Se propunha salvar tires e reformadores.” – O Grande Conflito, pág. 12.
cessariamente acompanhada pelo desânimo. testado, criticado, comentado, rebaixado e pessoa alguma, a não ser as santificadas; ensinavam que os “Deus deseja de todas as Suas criaturas serviço de amor –
A natureza de sua tarefa divina parecia tornar selecionado tanto meus testemunhos até que olhos do Senhor estavam sempre sobre nós; que o próprio homenagem que brote de uma apreciação inteligente de Seu
Deus, com a precisão de Sua infinita sabedoria, fazia a escritu- caráter.” – Ibidem, pág. 493.
inevitável que Ellen White palmilhasse sozi- não signifiquem nada para eles. Dão-lhes a ração dos livros; e que cada pecado que cometíamos era ali “O inimigo do bem cegou o entendimento dos homens, de
nha a sua senda. O que espanta é que ela nem interpretação que desejam em seu julgamen- fielmente registrado contra nós para que nos fosse aplicado o maneira que foram levados a olhar a Deus com medo, consi-
to finito e ficam satisfeitos. Se eu tivesse ou- justo castigo. ... Se houvessem enfatizado mais o amor de Deus derando-O severo e inflexível. Satanás levou as pessoas a
por isso era conhecida como uma sombria e menos Sua justiça implacável, a beleza e a glória de Seu ca- imaginar Deus como um Ser cujo principal atributo fosse a
eremita. Sua família a considerava a alegria sado, teria desistido deste campo de conflito ráter ter-me-iam inspirado profundo e fervoroso amor por meu justiça sem misericórdia, um rigoroso juiz, um credor exigen-
há muito tempo, mas alguma coisa tem me Criador.” – Ibidem, págs. 30 e 31. te e cruel. Retratou o Criador como alguém que fica esprei-
da casa; seus vizinhos e colaboradores lem- 3. “Em minha mente, a justiça de Deus eclipsava Sua misericór- tando desconfiado, procurando sempre descobrir os erros e
bram-se dela como sua fonte de estímulo. sustentado. Deixo tudo isso, porém, nas mãos dia e amor. A angústia mental por que passei nesta época foi pecados dos homens, para castigá-los com Seus juízos. Foi pa-
Os profetas, pela própria natureza da tare- de Deus. Sinto o afastamento de muitos dos enorme. Eu fora ensinada a crer num inferno que arde eterna- ra apagar essa negra sombra, revelando ao mundo o infinito
mente; e, ao pensar no estado miserável dos pecadores sem amor de Deus, que Jesus veio viver entre os seres humanos.”
fa que realizam, proferem mais reprovação do meus irmãos. Eles não me compreendem, Deus e sem esperança, emergia em profundo desespero. Eu ti- – Caminho a Cristo, págs. 10 e 11.
que elogio. Isso também era verdadeiro no nem a minha missão nem a minha obra; pois nha medo de me perder e ficar durante toda a eternidade so- Desse modo, Ellen White deixou claro que o tema princi-
frendo uma morte em vida. Achava-se continuamente diante pal, o princípio que compeliria e organizaria a mensagem do
que diz respeito à Sra. White. E nem todos os se o compreendessem, jamais teriam adotado de mim o horrendo pensamento de que meus pecados eram evangelho eterno da igreja nos últimos dias, seria um reco-
destinatários aceitam de bom grado as men- este modo de agir.”50 grandes demais para serem perdoados, e que eu deveria estar nhecimento do foco principal do Tema do Grande Conflito:
Através de tudo isso, Ellen White sabia o perdida para sempre.” – Ibidem, pág. 29. “A escuridão do falso conceito acerca de Deus é que está en-
sagens de correção e censura. Devem-se espe- 4. De muitas maneiras Ellen White desenvolveu o foco central volvendo o mundo. Os homens estão perdendo o conheci-
rar mal-entendidos e ressentimento. que era alegria e felicidade interior. Ela insis- do tema bíblico do grande conflito. Ver págs. 256-266. Por mento do Seu caráter. Este tem sido mal compreendido e mal
Além disso, estar na vanguarda de quase tia com os outros, por preceito e por exem- exemplo: “Desde o início do grande conflito, tem sido o pro- interpretado. Neste tempo deve ser proclamada uma mensagem de

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CAPÍTULO 7 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White CARACTERÍSTICAS
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Deus, uma mensagem de influência iluminante e capacidade tes. Achamo-nos agora na oficina de Deus. Muitos de nós so- gorosos em Cristo Jesus.” – Fé e Obras, pág. 68. Repare que 49. Biography, vol. 3, pág. 354.
salvadora. O caráter de Deus deve tornar-se notório. Deve ser mos pedras rústicas da pedreira. Ao apoderar-nos, porém, da noutras vezes, quando fisica e emocionalmente exausta, 50. Ibidem, pág. 471.
difundida nas trevas do mundo a luz de Sua glória, a luz da verdade de Deus, sua influência nos afeta. Eleva-nos, e tira de Ellen White prosseguiu com fé, falando de fé e levando este 51. Caminho a Cristo, pág. 117.
Sua benignidade, misericórdia e verdade. ... Os que aguardam nós toda imperfeição e pecado, seja de que natureza for. As- conceito a outros; na Austrália, por exemplo, em 1895, cita- 52. Review and Herald, 29 de janeiro de 1884.
a vinda do Esposo devem dizer ao povo: ‘Eis aqui está o vosso sim estamos preparados para ver o Rei em Sua beleza, e unir- do em Biography, vol. 4, pág. 228. 53. Biography, vol. 2, pág. 122 (O Lar Adventista, pág. 431).
Deus.’ Os últimos raios da luz misericordiosa, a última mensa- nos afinal com os puros anjos celestes no reino da glória.” 47. Biography, vol. 6, págs. 413 e 414. 54. Life Sketches, pág. 292 (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2,
gem de graça a ser dada ao mundo, é uma revelação do cará- 11. Mente, Caráter e Personalidade, vol. 1, pág. 27. “A saúde do 48. Mensagens Escolhidas, livro 3, pág. 67. pág. 556).
ter do amor divino.” – Parábolas de Jesus, pág. 415. corpo depende em grande parte da saúde da alma; portanto,
5. Ver pág. 5. quer comais, quer bebais, o que quer que façais, fazei tudo pa-
6. Historical Sketches, págs. 130 e 133. ra glória de Deus. A religião pessoal revela-se pelo compor-
7. Para uma análise típica da maneira como Ellen White com- tamento, pelas palavras e atos. Produz crescimento, até que Perguntas Para Estudo
preendia a “justiça que provém da fé”, ver Fé e Obras, págs. 15- afinal a perfeição reivindica o elogio do Senhor: ‘Estais per-
122; Mensagens Escolhidas, livro 1, págs. 350-400; Parábolas de feitos nEle!’ Col. 2:10.” – Ibidem. Ver também págs. 291-294.
Jesus, págs. 307-319. Para a opinião dela sobre a experiência 12. A Ciência do Bom Viver, pág. 241.
religiosa dinâmica, ver O Grande Conflito, págs. 461-478. Pa- 13. Ibidem, pág. 113.
1. Quais foram os passos no pensamento de Ellen White que a levaram à correta represen-
ra os ensinos dela sobre um “povo preparado”, ver Parábolas de 14. Ibidem. tação de Deus como seu amigo?
Jesus, págs. 405-421; O Grande Conflito, págs. 582-634. 15. Manuscrito 5, 1882, citado em Biography, vol. 3, pág. 220.
8. Biography, vol. 2, págs. 432 e 433. Ver Caminho a Cristo, págs. 16. O Desejado de Todas as Nações, pág. 471.
96 e 104. 17. Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, pág. 777.
2. Como Ellen White associava a crença teológica com a vida pessoal do crente?
9. Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, pág. 124 (Mente, Caráter e Per- 18. Christian, Fruitage of Spiritual Gifts, pág. 50.
sonalidade, vol. 1, págs. 240 e 241). “O amor é poder. Neste prin- 19. Biography, vol. 1, págs. 278 e 279. 3. Como você expressaria a compreensão de Ellen White sobre a relação existente entre
cípio acha-se envolvida força intelectual e moral, e dele não se 20. Review and Herald, 7 de outubro de 1884.
podem separar. O poder da riqueza tem a tendência de corrom- 21. Historical Sketches, págs. 162 e 163.
a saúde e a vida espiritual?
per e destruir; o poder da força é potente para causar dano; a ex- 22. Signs of the Times, 18 de julho de 1878; ver também 23 de se-
celência e o valor do amor puro, porém, consistem em sua efi- tembro de 1889. 4. Que percepções tinha Ellen White sobre a causa do sofrimento e da morte?
ciência para fazer bem, e nada senão o bem. Tudo quanto é fei- 23. Biography, vol. 4, pág. 235.
to por puro amor, por mais pequenino ou desprezível que seja 24. Manuscrito 12, 1894, citado em Sermons and Talks, vol. 1,
aos olhos dos homens, é inteiramente frutífero; pois Deus olha pág. 246. 5. A que você atribuiria a notável carreira literária de Ellen White, levando em conta o
mais a quantidade de amor com que alguém trabalha do que à 25. Review and Herald, 26 de março de 1889. fato de que sua educação formal acabou aos nove anos de idade?
porção de trabalho que realiza. O amor é de Deus. O coração 26. Signs of the Times, 14 de outubro de 1889.
não convertido é incapaz de originar ou produzir esta planta de 27. Review and Herald, 16 de julho de 1889.
procedência celeste, que só vive e floresce onde Cristo reina. 28. Review and Herald, 27 de setembro de 1892.
“O amor não pode viver sem ação, e cada ato aumenta-o, 29. General Conference Bulletin, 3 de abril de 1901.
robustece-o, expande-o. O amor obterá a vitória onde o argu- 30. James Nix, Early Advent Singing (Hagerstown, MD: Review
mento e a autoridade são impotentes. O amor não trabalha and Herald Publishing Association, 1994), págs. 141-144.
pelo proveito nem pela recompensa; todavia foi ordenado por William H. Hyde tinha apenas 17 anos quando escreveu es-
Deus que grande ganho acompanhe seguramente toda a obra te hino. Seu pai, William Hyde, foi destacado editor em Por-
de amor. ... O amor puro é simples em suas maneiras de agir, tland, Maine.
e distingue-se de qualquer outro princípio de ação. O amor da 31. Biography, vol. 6, págs. 423 e 424.
influência e o desejo de desfrutar a estima dos outros talvez 32. Fundamentos da Educação Cristã, págs. 547-549, e Mensagens
produzam uma vida bem-ordenada e, freqüentemente, uma aos Jovens, págs. 287 e 289.
conduta irrepreensível. O respeito de nós mesmos nos pode 33. Biography, vol. 6, págs. 430 e 431.
levar a evitar a aparência do mal. Um coração egoísta pode 34. Life Sketches, pág. 72.
praticar ações generosas, reconhecer a verdade presente, e ex- 35. Ver Libraries, a Bibliography of E. G. White’s Private and Offi-
primir humildade e afeição de maneira exterior, não obstante ce Libraries (por ocasião de sua morte em 1915). Este docu-
os motivos podem ser enganosos e impuros; as ações origina- mento está disponível em qualquer um dos Centros de Pes-
das de um coração assim podem ser destituídas do sabor da vi- quisa White.
da, dos frutos de verdadeira santidade, dos princípios do amor 36. Mensagens Escolhidas, livro 3, pág. 437.
puro.” – Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, págs. 135 e 136 37. Ibidem, pág. 463.
(Testemunhos Seletos, vol. 1, págs. 209-211). 38. Health Reformer, agosto de 1873.
10. Carta 3, 1863, citado em Biography, vol. 2, pág. 95. Ver tam- 39. Historical Sketches, pág. 220 (Minha Consagração Hoje, pág.
bém Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, pág. 355: “Quando Ele 337). Para a descrição feita por Ellen White de sua visita à
vier, não nos purificará de nossos pecados, para remover de Catedral de Milão e da viagem pelos magníficos Alpes em
nós os defeitos de caráter, nem para curar-nos das fraquezas 1886, ver Arthur Delafield, Ellen G. White in Europe, págs.
de nosso temperamento e disposição. Se acaso esta obra hou- 175, 176 e 181-183.
ver de ser efetuada em nós, sê-lo-á totalmente antes daquela 40. Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, pág. 644; ibidem, vol. 1, pág.
ocasião. Quando o Senhor vier, os que são santos serão san- 502; Review and Herald, 12 de fevereiro de 1901.
tos ainda. Os que houverem conservado o corpo e o espírito 41. Biography, vol. 1, pág. 88. Mais tarde ela veio a compreender
em santidade, em santificação e honra, receberão então o to- que o sofrimento mental afeta diretamente a saúde do corpo.
que final da imortalidade. ... Nenhuma obra se fará então por Ver págs. 330-332.
eles para lhes remover os defeitos, e dar-lhes um caráter san- 42. Ibidem, pág. 131.
to. Então o Refinador não Se assentará para prosseguir em 43. Ibidem, págs. 134 e 135.
Seu processo de purificação, e para remover-lhes os pecados 44. Ibidem, págs. 304-306.
e a corrupção. Tudo isto deve ser feito nestas horas de graça. 45. Ibidem, vol. 3, págs. 385 e 386.
É agora que esta obra deve ser feita por nós. 46. Signs of the Times, 11 de novembro de 1889. Alguns meses
“Abraçamos a verdade de Deus com nossas faculdades di- depois, em uma reunião campal realizada em Ottawa, Kan-
versas, e ao chegarmos sob a influência dessa verdade, ela rea- sas, ela disse: “Vocês têm de falar de fé, têm de viver pela fé,
lizará por nós a obra necessária a fim de dar-nos aptidão mo- têm de agir pela fé, para que tenham um aumento de fé.
ral para o reino da glória, e para a sociedade dos anjos celes- Exercendo essa fé viva, tornar-se-ão homens e mulheres vi-

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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO II

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O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
Tiago levou para casa seis cadeiras velhas, quero escrever e exercitar-me com prudência
dentre as quais não havia duas iguais. Pouco fora de casa, ao ar livre.”
tempo depois adquiriu mais quatro, sem os Mais tarde, ela escreveu: “Estou ficando mui-
tampos. Ellen fez os assentos. to cansada de mudanças. Aborrece-me ter que
Batatas e manteiga custavam muito caro. arrumar e desarrumar coisas, recolher manuscri-

Como Outros As primeiras refeições eram servidas numa tá-


bua posta sobre duas barricas de trigo. Ellen co-
mentou: “Estamos dispostos a suportar priva-
tos e espalhá-los, e recolhê-los novamente.”
Pouco depois ela se mudou para um subúr-
bio de Sydney. “Descobrimos que há muitas

a Conheceram ções para que a obra de Deus possa progredir.”4


As circunstâncias domésticas melhoraram
com o passar do tempo. Tanto Tiago como
Ellen eram especialistas em viver com os
maneiras de gastar dinheiro e muitas manei-
ras de economizá-lo. Temos uma armação de
guarda-roupa com duas colunas perpendicu-
lares e peças transversais afixadas a estas com
“O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos poucos recursos disponíveis, ou mesmo sem uma prateleira em cima. Um laço muito sim-
outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No zelo não sejais remissos: se- nada. Apesar disso, Tiago sabia que muitas ples de cambraia barata azul ou vermelha foi
de fervorosos de espírito, servindo ao Senhor; regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribula- vezes Ellen faria sacrifícios excessivos. Em preso no alto e por trás da prateleira. A parte
ção, na oração perseverantes; compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade; ... 1874, ele escreveu ao filho William, que esta- posterior está presa às laterais da cabeceira da
se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.” Rom. 12:9-13 e 18. va com a mãe em Battle Creek: “Fiquei mui- cama.” A maior parte do restante da mobília
to contente em saber que você está em com- foi comprada em leilões.8
panhia de sua mãe. Exerça com sua querida Em uma viagem de Melbourne a Geelong,

E
llen White praticava aquilo que prega- Em pleno inverno de 1851, os White fo- mãe o mais terno cuidado. Se ela quiser par- mais de 64 quilômetros rumo ao sul, o grupo
va? Sim. Outros a conheciam como ram convidados a pregar numa assembléia ticipar das reuniões campais do Leste, tenha apanhou o barco lento que cobrava dezoito
uma líder cristã bem equilibrada e ex- em Waterbury, Vermont. Eles já haviam em- a bondade de ir junto com ela. Procure uma centavos por pessoa pela viagem de ida e vol-
traordinária. Embora sujeita a fraquezas hu- prestado Charlie, seu fiel cavalo, e a carrua- tenda que seja apropriada para vocês; pegue ta, em vez de o trem que cobrava oito xelins
manas, ela era respeitada como alguém que gem a S. W. Rhodes e J. N. Andrews para tudo do bom e do melhor sob a forma de mo- por pessoa (40 centavos). Escrevendo depois,
praticava as idéias progressistas, inteiramente que esses dois pregadores pudessem atender chilas, cobertores, cadeira portátil para ma- a Sra. White declara: “Um centavo poupado
abrangentes e sempre em expansão que lhe compromissos no Canadá e no Norte de Ver- mãe, mas não consinta com as idéias econô- equivale a um centavo ganho.”9
eram constantemente reveladas. mont. Pelo caminho os White encontraram micas dela, pois levarão vocês a privações.”5
um crente pobre a quem incentivaram a par- Ellen White ensinou na Europa pelo pró- Generosidade
Simplicidade ticipar da assembléia. Para tornar isso possí- prio exemplo. Depois de desembarcar em Ca- Ellen White era econômica porque desejava
Ela aprendeu como suportar e superar dificul- vel, eles lhe deram o valor correspondente às lais, França, ela e suas companheiras de via- contribuir tanto quanto possível com as pes-
dades financeiras. São bem conhecidos os suas passagens de trem para ajudá-lo a com- gem souberam que uma cabine-leito no trem soas muito carentes de dinheiro e as crescen-
seus hábitos de prudência. prar um cavalo, a fim de que todos os três para Basiléia custava 11 dólares por pessoa. tes necessidades da recentemente formada
Os White começaram a vida doméstica na fossem juntos de trenó. Logo encontraram Sempre econômicas, elas resolveram conten- Igreja Adventista do Sétimo Dia.10
pobreza. Em 1848, deixaram a família Howland, outro crente e lhe deram cinco dólares para tar-se com os assentos. Ellen comentou: “Fi- “Compartilhar” parece ter sido seu segun-
em Topsham, Maine, onde haviam residido nos pagar a passagem de trem. Os White prosse- zeram-me uma cama entre os assentos em ci- do nome. Compartilhar seu lar com colabora-
compartimentos do andar superior, com o obje- guiram pelo frio Vermont num trenó aberto, ma de mochilas e caixas. Descansei um pou- dores e pastores que estavam viajando, sem
tivo de participar de uma assembléia dos adven- sem cobertor de lã ou manta de pele de búfa- co, mas não dormi o suficiente. ... Não la- saber muitas vezes quantos apareceriam na
tistas observadores do sábado em Rocky Hill, lo. Ellen White escreveu: “Nós sofremos mentamos que a noite houvesse passado.”6 hora das refeições, revela um espírito predo-
Connecticut, a primeira de muitas que se segui- muito.”2 De Dansville, Nova Iorque, em 1865, a Sra. minantemente generoso. Depois de inspirar e
riam. Como planejaram pagar sua passagem? No verão de 1852, o escritório de publica- White escreveu aos filhos a respeito de roupas pa- desafiar outros a construir igrejas, casas edito-
Tiago havia ganhado dez dólares cortando le- ções estabeleceu-se em Rochester, Nova Ior- ra Edson: “Se um alfaiate fizer esses casacos, sua ras, instalações de saúde e escolas, ela mesma
nha. Metade desse dinheiro foi gasto em prepa- que. Todo o equipamento gráfico, além da es- confecção vai custar muito caro. Caso encontrem saía à frente contribuindo com vultosas doa-
rar a jovem família de três membros para a via- cassa mobília doméstica, foi enviado do Mai- uma costureira confiável, contratem-na para fazer ções, muitas vezes emprestadas de outros e
gem, e a outra metade, para pagar o transporte ne para o Oeste, com dinheiro emprestado. ambos os casacos, se ela não cobrar muito.”7 que ela pagava com juro. Em 1888, em um
até Boston e daí para a casa de Otis Nichols. Os White montaram a editora na sua própria Na Austrália, em 1894, Ellen White estava encontro realizado em Oakland, Califórnia,
Embora não tenham dito uma só palavra sobre casa, acomodando não somente o equipa- agora com 66 anos de idade. A Austrália pas- talvez ela tenha erguido as sobrancelhas, sur-
sua situação financeira, a Sra. Mary Nichols mentos gráfico, mas também alojando todos sava por problemas econômicos, com tempos presa ao perceber que ela e o marido, em re-
lhes deu cinco dólares. Depois de comprarem os obreiros. Fora o mestre gráfico não adven- piores por vir. E a Sra. White se sentia cansa- sultado de suas pequenas economias e sábios
passagens ferroviárias para Middletown, Con- tista, ninguém recebia pagamento, com exce- da por muitas razões. Enquanto estava em investimentos, haviam contribuído com
necticut, restaram-lhes 50 centavos. Eles tive- ção de uma pequena quantia destinada a ves- Melbourne escreveu: “Estou cansada, cansada “30.000 dólares” para com a causa de Deus.11
ram que enfrentar semelhantes desafios econô- tuário e outras despesas “consideradas absolu- o tempo todo, e devo o quanto antes conse- Em um sermão proferido na assembléia da
micos muitas vezes nos anos que se seguiram.1 tamente necessárias”.3 guir um lugar tranqüilo no campo. ... Este ano Associação Geral de 1891, dez anos depois
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 8 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White COMO OUTROS A
CONHECERAM

da morte de Tiago, ela escreveu: “Durante rante seus períodos de dolorosa enfermidade. doado os salários que deviam ter sido pagos vros como A Ciência do Bom Viver e muitos
anos não recebemos pagamento algum, a não Mas ela imediatamente colocou a quantia no a elas. Quando foi feita a última convoca- dos Testemunhos sobre nosso dever para com
ser o que mal dava para prover-nos do mais fundo de construção de Parramatta, explican- ção, pela primeira vez meu nome não apare- os necessitados e doentes foi exemplificado
simples em alimentação e vestuário. Alegrá- do a seus atenciosos amigos que desejava sen- ceu na lista. ... Não há nada que eu possa fa- muito belamente em sua própria vida. Este
vamo-nos de usar roupas de segunda mão, e tir que eles também haviam investido alguma zer a não ser permanecer aqui até que a obra capítulo ficaria longo demais se eu fosse
às vezes quase não tínhamos comida para nos coisa na Austrália.16 seja consolidada.”18 contar novamente todas as coisas que esses
sustentar as forças. Tudo o mais era aplicado Ellen White permaneceu no centro do Ao término da última década do século velhos conhecidos dizem da irmã White. Ja-
na obra.”12 mundo adventista na Austrália, não apenas dezenove, a denominação achava-se em pe- mais ouvi, de maneira alguma, um deles cri-
O altruísmo que ela demonstrava em rela- por causa de seu estímulo, mas também por sados débitos, em grande parte por ignorarem ticá-la.”20
ção a seu tempo e escassos recursos tornou-se causa dos levantamentos de fundos. Uma car- o conselho de Ellen White. Embora tivesse
um modelo para todos. John O. Corliss ta de 1896, endereçada ao Dr. J. H. Kellogg, deixado muito claro aos líderes da igreja seu Compromisso com o Dever
(1845-1923), que viveu na casa dos White fornece um vislumbre do andamento, ano ponto de vista quanto às razões de evitar-se Muitas foram as nobres virtudes que carateri-
por diversos anos antes de seu batismo em após ano, da luta na Austrália: “Tenho agido dívidas gigantescas, ela não se queixou nem zaram a vida extraordinária de Ellen White,
1868,13 escreveu a respeito do íntimo conví- como um banco que patrocina, empresta e fez críticas. Ao invés disso, apresentou um mas o compromisso com o dever parece sa-
vio que tivera com a Sra. White através dos adianta dinheiro. Eu tenho me empenhado e plano. Dispôs-se a dar os direitos autorais do lientar-se sobre as demais. Para onde quer
anos: “Ela era muito escrupulosa em cumprir me esforçado de todas as maneiras para fazer livro Parábolas de Jesus (prestes a ser publica- que olhemos em sua longa vida, o compro-
na própria conduta aquilo que ensinava aos a obra. Outros farão algo quando virem que do em 1900) para ajudar a saldar as dívidas misso para com a missão que Deus lhe confia-
outros. Por exemplo, ela freqüentemente in- eu tenho fé para tomar a iniciativa e fazer das escolas denominacionais. Com a coope- ra recebe a mais elevada prioridade.
sistia em suas palestras públicas sobre o dever doações. Aqui estão todos os nossos obreiros ração dos membros da igreja por toda a Amé- Quando contava apenas 22 anos de idade,
de cuidar das viúvas e dos órfãos, dirigindo a que devem ser pagos. Estou muito endividada rica do Norte, aquela doação rendeu mais de com um bebê no colo, ela escreveu esta carta
atenção de seus ouvintes para Isaías 58:7-10, neste país para com pessoas de outros países. 300.000 dólares. em 10 de fevereiro de 1850: “Devíamos ter
e exemplificava essas exortações levando pa- Devo mil e oitocentos dólares a uma pessoa; Quando os fundos da igreja diminuíram escrito para você antes, mas não tínhamos lu-
ra casa os necessitados a fim de acolhê-los, esse dinheiro já se esgotou. Quinhentos dóla- em 1906, ela doou os direitos autorais do seu gar definido para morar. Viajávamos de um
alimentá-los e vesti-los. Lembro-me muito res a outra pessoa na África, que é um em- livro A Ciência do Bom Viver (vendido no lugar para outro, sob chuva, neve e vendaval,
bem de ela ter, em certa ocasião, como mem- préstimo e tem sido aplicado de diversas ma-
Leste dos Estados Unidos) para a construção com a criança. Eu não conseguia encontrar
bro de sua família um menino, uma menina e neiras que exigem meios para promover a
do Washington Sanitarium (atualmente tempo para responder nenhuma carta, e Tia-
uma viúva com as duas filhas. Sei, além disso, obra. Eu ajo por fé.”17
Hospital Adventista de Washington) em Ta- go passava todo o seu tempo escrevendo para
que ela distribuía para os pobres roupas no Em 1899, G. A. Irwin, presidente da Asso-
koma Park, Maryland.19 Todos os direitos au- a revista e preparando o hinário. Não dispú-
valor de centenas de dólares, que comprava ciação Geral, convidou a Sra. White para vol-
torais do livro A Ciência do Bom Viver foram nhamos de muitos momentos de folga.”21
para esse propósito.”14 tar para a América do Norte e participar da
Não é possível recapitular a história da próxima assembléia da Associação Geral em utilizados para diminuir o endividamento das Em Battle Creek, em 1865, Ellen White
Igreja Adventista na Austrália sem mencio- South Lancaster, Massachusetts. Ela respon- instituições médicas da igreja. sentiu a frieza mesmo de amigos. Ser uma fiel
nar que Ellen White era uma pessoa bastante deu: “Completei 71 anos de idade no dia 26 De 1914 a 1918, L. H. Christian foi o presi- mensageira de Deus é sempre uma coisa difí-
generosa. Em 1892, a Austrália estava mergu- de novembro. Este, porém, não é o motivo dente da Associação de Lake Union, que en- cil, mas viver próximo daqueles que recebem
lhada numa depressão econômica. Eram me- por que peço que me desculpe por não compa- globava Wisconsin, Illinois, Indiana e Michi- os testemunhos pessoais torna a vida bem
nos de 1.000 os crentes adventistas. Contu- recer à assembléia. ... Temos avançado lenta- gan. Muitos adventistas antigos desses Estados, mais difícil. Deus lhe dera a visão especial da
do, o constante lema da Sra. White era mente, erguendo o estandarte da verdade em os quais haviam conservado na memória as videira murcha que recebia suporte especial.
“avante!”, o que a princípio significava uma todo lugar possível. Mas a escassez de recursos lembranças de Tiago e Ellen White, o impres- Isto representava a força que ela devia espe-
escola nas proximidades de Melbourne. Não tem sido um grave obstáculo. ... Não me atre- sionaram. Eles contaram como os White foram rar receber de Deus à medida que continuas-
existiam fundos, mas ela resolveu usar 1.000 vo a mostrar nenhuma partícula de increduli- amáveis e prestativos para com os pobres num se cumprindo seu dever: “Desde esse tempo
dólares provenientes dos direitos autorais de dade. Avançamos somente até o ponto em tempo em que os primeiros colonizadores fui confirmada quanto a meu dever e nunca
seus livros publicados no exterior e vendidos que podemos ver, e depois um pouco além da necessitam muitas vezes de alimento e abrigo. mais me esquivei de apresentar meu testemu-
na América do Norte, fundos que já estavam vista, agindo pela fé. ... Os homens gostavam de recordar a convincen- nho ao povo.”22
comprometidos em outro lugar.15 “Esvaziamo-nos de tudo que nos foi possí- te liderança de Tiago e da maneira como ele di- Como compreendia ela seu dever? Em
Enquanto se levantavam fundos em Parra- vel poupar no que se refere a dinheiro, pois zia para a esposa: “Ellen, falar é fácil. O que 1873, Tiago White estava sofrendo as conse-
matta para o primeiro prédio de igreja de pro- muitas são as oportunidades, mas grandes as conta é o que você e eu podemos doar. É bom qüências de diversos derrames, quando a obra
priedade dos adventistas do sétimo dia na necessidades. Temos aplicado dinheiro até o ter compaixão dessa gente, mas o resultado de em Battle Creek precisou de sua sólida visão
Austrália continental, enviaram para Ellen ponto de ser compelida a dizer: Não posso nossa compaixão é determinado pela profundi- administrativa. A esposa Ellen, sabendo que
White, da Califórnia, uma doação de 45 dó- doar mais. Minhas obreiras são as melhores, dade com que abrimos nossas carteiras.” era preciso tomar decisões imediatas, convo-
lares. Seus amigos desejavam que ela possuís- mais fiéis e dedicadas jovens que eu pude en- Em seu livro The Fruitage of Spiritual Gifts, cou os líderes da obra para orarem. No apon-
se uma cadeira confortável para sentar-se du- contrar. A fim de promover a obra, tenho Christian relatou: “O que ela escreve em li- tamento do dia 5 de julho do seu diário, ela
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 8 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White COMO OUTROS A
CONHECERAM

escreveu: “Meu marido passou mal. Tivemos ver, “tendo oferecido, com forte clamor e lá- a premonição para mudar de vagão (o primei- transportados de nossa casa de Greenville, no
um período de oração em nosso quarto. Reu- grimas, orações e súplicas a quem O podia li- ro vagão ficou “bastante destruído”). Condado de Montcalm. Este lugar parece um
nimos os irmãos e tivemos um período de vrar da morte, e tendo sido ouvido por causa Mas eles voltaram a tempo para uma con- lar. Aqui encontramos repouso na verdadeira
oração em busca de mais clara compreensão da Sua piedade”. Heb. 5:7. ferência de quatro dias em seu lar, com repre- acepção da palavra. Estávamos cansados de
do dever. Senti que era meu dever ir para a As decisões tomadas no desempenho do sentantes vindos do oeste de Nova Iorque, reuniões, viagens, pregações, visitações e cui-
reunião campal de Iowa. Tivemos duas ses- dever são muitas vezes confirmadas de formas Pensilvânia e Canadá. Ellen White suspira- dados de negócios decorrentes da ausência do
sões de oração. Resolvemos finalmente pros- convincentes. No úmido calor de julho do va: “Voltamos... muito cansados, desejando lar, vivendo, por assim dizer, quase um terço
seguir no trem da manhã.” ano de 1881, em Battle Creek, Ellen White repouso. ... Mas sem descanso fomos obriga- do ano com nossas malas arrumadas. Encon-
No local do acampamento em Iowa, que sentiu a necessidade de passar mais tempo no dos a tomar parte na reunião.”28 tramos aqui tranqüilidade para o presente.”
ficava próximo da casa de refúgio do casal em Colorado, onde conseguiria escrever em me- Apesar de sua grande agenda de constan- Mais adiante no artigo, ele mencionou que
Washington, Iowa, Tiago falou quatro vezes e lhores condições. Mas as necessidades de Bat- tes palestras, viagens e trabalhos literários, sessenta cartas os aguardavam, todas para se-
Ellen, cinco. Ambos ficaram reanimados, tle Creek, particularmente da juventude, a Ellen White também supervisionava uma so- rem abertas e respondidas!30
brecarregada agenda doméstica. Conforme
embora cansados. As quatro reuniões cam- impressionaram e ela resolveu permanecer
mencionamos anteriormente (pág. 75), ela Sucessivas Reuniões Campais
pais da distante região ocidental dos EUA es- ali. Uriah Smith escreveu sobre esse inciden-
geralmente contava com mais hóspedes do Para Tiago e Ellen White, as reuniões cam-
tavam à espera deles. Que fazer agora? te: “Ao tomar esta decisão, ela sentiu imedia- que membros da família. Um apontamento pais pareciam suceder-se uma após a outra,
Eles saíram para o pomar e oraram. Ao rela- tamente lhe voltarem o vigor físico e mental, de diário do dia 28 de janeiro de 1868, escri- quase que ininterruptamente. Um exemplo
tar esta experiência, a Sra. White continuou: dando-lhe evidência de que esta resolução es- to em sua casa em Greenville, Michigan, é tí- disso foi a reunião campal de Kansas, realiza-
“Sentimo-nos muito ansiosos por conhecer tava em harmonia com o seu dever.”25 pico: “O irmão [J. O.] Corliss [um jovem con- da no fim de maio de 1876, onde Ellen devia
nosso dever. Não queremos tomar nenhuma Algumas de suas últimas palavras a uma vertido] ajudou-me a preparar o desjejum. encontrar Tiago. Ela vinha da Costa Oeste,
atitude errada. Precisamos de discernimento assembléia da Associação Geral (1913) resu- Tudo quanto tocamos estava congelado. Tu- ocupando todo o seu tempo na escrita do pri-
santificado e sabedoria celestial para agir se- mem sua própria vida de compromisso com o do em nosso porão estava congelado. Prepa- meiro volume da vida de Cristo. O trem em
gundo o conselho de Deus. Clamamos a Deus dever: “Quando o Senhor põe a mão para ramos nabos e batatas congeladas. Depois de que ela viajava, em vez de chegar na sexta-
por luz e graça. Precisamos do auxílio de Deus, preparar o caminho diante de Seus ministros, orarmos, o irmão Corliss embrenhou-se no feira, após seis dias de espera, estava atrasado.
do contrário pereceremos. Nossa mais ferven- é dever deles seguir aonde Ele os dirija. Ele bosque perto da casa de Thomas Wilson para Ela chegou no local do acampamento na ma-
te súplica é pela orientação do Santo Espírito nunca abandona ou deixa em incerteza os apanhar lenha. Tiago, acompanhado pelo ir- drugada de sábado, depois de percorrer quase
de Deus. Não nos atrevemos a caminhar em que Lhe seguem a guia com inteiro propósito mão [J. N.] Andrews, foi para Orleans, espe- 34 quilômetros de estradas acidentadas numa
qualquer direção sem clara luz.”23 de coração.”26 rando voltar para o almoço. carroça de fazenda. Tiago escreveu em Signs
Em South Lancaster, Massachusetts, em “Assei oito formas de biscoitos, varri os of the Times: “Cansada, evidentemente, sem
1889, assuntos de imensa importância preci- Extenuante Agenda de Atividades quartos, lavei os pratos e ajudei Willie [13 dormir e tremendo com dor de cabeça de ner-
savam ser tratados, especialmente no que di- Sua sobrecarregada agenda de atividades era anos de idade] a colocar neve na caldeira, o vosismo, ela subiu ao púlpito às 10h30 da ma-
zia respeito à compreensão da maneira como árdua mesmo para homens vigorosos. Já men- que requer muitos baldes. Não dispomos de nhã, sendo maravilhosamente amparada em
homens e mulheres se tornam justos e perma- cionamos seus exaustivos preparativos de via- água de poço nem cisterna. Arrumei minhas seu esforço.”
necem justos diante de Deus. Em um relato gem sob terríveis condições meteorológicas. prateleiras [armário] de roupas. Senti-me can- Ellen falou diversas vezes nas reuniões no-
para a Review and Herald, ela escreveu: “É pri- Naqueles primeiros dias, Ellen e Tiago White sada; descansei alguns minutos. Servi o almo- turnas, e na terça-feira levantou-se às quatro
vilégio de toda pessoa dizer: ‘Executarei as or- ficavam acordados até depois da meia-noite, ço para Willie e para mim. Justamente na ho- da madrugada para uma “preciosa reunião so-
dens do meu Comandante ao pé da letra, lendo provas e dobrando revistas para depois ra em que íamos comer, meu marido e o irmão cial de despedida”.31
enfrentar os deveres intermináveis de cada Andrews chegaram. Não haviam almoçado. Até 4 de julho, os White haviam pregado
com vontade ou sem vontade. Não esperarei
Comecei a cozinhar de novo. Dentro de pou- muitas vezes em seis reuniões campais! Antes
por uma sensação feliz, por um misterioso im- novo dia.27
co tempo lhes dei algo que comer. Passei qua- de prosseguir para a reunião campal de Ohio,
pulso.’ Direi: ‘Quais são as minhas ordens? Como um exemplo dos deveres da igreja
se todo o dia assim – nenhuma linha escrita. passaram rapidamente em casa, em Battle
Qual é meu ramo de dever? Que diz o Mestre que se amontoavam sobre Ellen White como Sinto-me triste por isso. Estou extremamente Creek, para tomar fôlego. Ellen escreveu a
para mim? Encontra-se aberta a linha de co- telhas de madeira em um telhado, podemos fatigada. Minha cabeça está cansada.”29 William e Mary (casados no início daquele
municação entre Deus e minha alma? Qual é citar o dia 23 de junho de 1854. Na época Enquanto a nova casa deles estava sendo ano) descrevendo a celebração de Quatro de
a minha posição diante de Deus?’ Tão logo com sete meses de gravidez, ela e o marido construída em Battle Creek no fim de 1868, Julho: “Algumas coisas são realmente inte-
entremos na correta relação com Deus, en- voltaram para seu lar em Rochester depois de os White cumpriam compromissos nos Esta- ressantes e outras, ridículas, mas não consigo
tenderemos nosso dever e o cumpriremos. uma atarefada turnê de sete semanas através dos do Leste. Tiago contou aos leitores da escrever. Fiquei tanto tempo sob tensão que
Não pensaremos nas boas coisas que faremos de Ohio, Michigan e Wisconsin. A viagem Review and Herald do alívio que sentiu depois só agora estou me reencontrando e não sou
para termos direito à salvação.”24 incluiu muitos compromissos de pregação, de voltar para casa em 30 de dezembro de muito inteligente. Não podemos, nem papai,
Na maioria das situações, os profetas des- aconselhamento com evangelistas a respeito 1868: “Encontramos uma casa cômoda e con- nem Mary [Clough], nem eu mesma, fazer na-
cobrem seu dever como todos os outros filhos de melhores métodos, viagens noturnas de fortável construída em Battle Creek para nós, da agora. Estamos debilitados e exaustos co-
de Deus. Até mesmo Jesus descobriu Seu de- trem e um acidente ferroviário que envolveu e parcialmente mobiliada com os móveis mo um velho relógio.”32
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 8 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White COMO OUTROS A
CONHECERAM

Alguns dias depois, eles partiram rumo ao de três a cinco dias, mas sempre aos sábados e Coragem e Perserverança peuta natural e nutricionista do marido, a
Leste para a próxima série de reuniões cam- domingos. Tudo isso, não em automóveis se Deus pode conceder mensagens a uma pes- Sra. White cumpria uma agenda sobrecarre-
pais. Em Norwalk, Ohio, havia 2.000 pes- deslocando sobre rodovias asfaltadas, mas na- soa, mas os profetas devem ter coragem e per- gada de compromissos de pregação e trabalho
soas; em Groveland, Massachusetts, um pú- queles primitivos trens e outros veículos can- severança para cumprir sua tarefa. Pense nes- literário. Sobre essa corajosa mulher no nor-
blico estimado em 20.000 pessoas (o maior sativos – um feito que extenuaria o mais te- sa garota de 17 anos de idade, frágil e maci- te de Michigan repousava o futuro da Igreja
auditório a que Ellen White já se dirigiu). naz viajante de hoje, ainda que em carros e lenta, pobre e gravemente enferma, mas que Adventista do Sétimo Dia (conforme hoje a
Escrevendo a William durante essa turnê, ela ônibus bastante confortáveis.34 enfrentou o chamado divino para falar em conhecemos).
comentou maternalmente: “Seu pai e sua Durante todos esses anos atarefados, Ellen nome de Deus. A idéia parecia absurda para a Ao mesmo tempo, porém, circulavam em
mãe estão esgotados. Estou parecendo velha White abastecia a Review and Herald e Signs maioria dos adultos de sua época! Nos anos Battle Creek acusações distorcidas e infunda-
e abatida, pelo simples fato de não termos of the Times com grande quantidade anual de seguintes, ela cumpriu satisfatoriamente o das, boatos que teriam abalado profundamen-
descanso. Trabalhamos com afinco. Seu pai artigos. A escrita do volume 4 de The Spirit of papel de mãe e esposa, e, acima de tudo, en- te qualquer outra pessoa. Os White, especial-
realiza o trabalho de três homens em todas Prophecy (O Grande Conflito), embora retar- caminhou-se com resolução para a senda do mente Ellen, enfrentaram a todos corajosa-
essas reuniões. Jamais vi um homem traba- dada devido a seus muitos compromissos de dever, senda que muitas vezes a levaria para mente. Agindo assim, ela e Tiago obtiveram
lhar de maneira tão enérgica e decidida co- pregação, estava sempre em sua mente. longe de seus amigos mais íntimos. Não ad- profundo respeito e gratidão da maioria das
mo seu pai. Deus lhe concede energia mais Em princípios de 1884, contudo, ela deci- mira que ela tenha escrito: “Eu desejava a pessoas envolvidas.42 Poucas personalidades
que humana. Se há algum lugar difícil, seu diu concluir este original urgentemente: morte como uma forma de fugir às responsa- públicas tiveram que suportar calúnias com
pai o assume.”33 “Todo dia eu escrevo. Pretendo terminar bilidades que sobre mim se amontoavam.”39 tanta freqüência como Tiago e Ellen White.
Este programa de atividades de 1876 não meu livro no mês que vem. Tenho me aplica- Somente uma pessoa corajosa e perseverante Mais de uma vez, os White foram acusa-
era incomum. Típica também era a agenda de do tanto nesta tarefa que mal consigo escre- poderia imergir nesse tipo de missão na vida dos de tirar proveito indevido de suas mui-
pregação de 1880. Tiago não estava bem; o ver uma carta.”35 – e ser bem-sucedida. tas transações comerciais. Com que rapidez
excesso de trabalho havia lhe ocasionado di- Escrevendo para Harriet Smith, esposa de A preocupação de Ellen White com o ma- foi esquecida a inigualável destinação de
versos derrames. Sua vontade era envelhecer Uriah, ela deu este toque pessoal: “Ao escre- rido, Tiago, vítima de esgotamento nervoso fundos que eles haviam feito para novos
galhardamente, coisa mais fácil de dizer do ver meu livro, sinto-me intensamente como- durante 1866/1867, é assombrosa. Levar um projetos, que incluíam desde construções de
que fazer. As circunstâncias pareciam desper- vida. Quero vê-lo sair o mais depressa possí- marido de 45 anos de idade, cansado, para o igrejas, instituições de saúde e casas edito-
tar pensamentos e palavras cruéis e insensí- vel, pois nosso povo necessita tanto dele!
norte de Michigan em pleno inverno parecia ras até o mais recente estabelecimento de
veis. O velho guerreiro continuava a luta, de- Pretendo terminá-lo no mês que vem, caso o
loucura para todos, mesmo para o médico da ensino! Grande parte do ministério de El-
sejando que outros levassem o fardo de ma- Senhor me conceda saúde como tem feito.
família e para os pais de Tiago, que agora mo- len White não era assalariado. Durante
neira mais eficiente. Tem-me sido impossível dormir por noites,
ravam em Battle Creek. Todos acharam que muitos anos, os White arcaram com suas
Enquanto atendia compromissos de reu- pensando nas importantes coisas que irão
niões campais na Costa Oeste, Ellen White ocorrer. Três horas, por vezes cinco, é o máxi- ela, na época com quase 39 anos de idade, es- próprias despesas de viagem. Eram eles que
recebeu um telegrama de Tiago pedindo que mo de sono que obtenho. Meu espírito está tava sacrificando a vida, e que, por amor aos pagavam os salários das empregadas domés-
ela o ajudasse a atender aos chamados “do tão profundamente agitado que não posso re- filhos e à causa de Deus, devia deixar a natu- ticas contratadas para ajudar a cuidar dos
Maine a Dakota, e de Michigan a Kentucky”. pousar. Sinto que preciso escrever, escrever, reza seguir seu curso. Todos acreditavam que seus muitos hóspedes e visitantes. Além dis-
Apesar de seu extenso programa literário, ela escrever, e não demorar.” Tiago jamais se recuperaria.40 so, pagavam seus assistentes de redação com
e Lucinda Hall apanharam o “trem vagaroso” Antes que ela pudesse concluí-lo, teve de Mas a coragem e a perseverança levaram- seus recursos pessoais.43
para o Leste no dia 26 de julho. O “trem va- atender ainda três compromissos de reuniões na a responder: “Enquanto ele e eu viver- Já se fizeram freqüentes referências aos de-
garoso” custava menos, mas, em compensa- campais. Durante as últimas poucas semanas, mos, farei todo esforço em favor dele. Aque- safios físicos que Ellen White teve que en-
ção, levou nove dias! Elas chegaram a Battle ela escreveu a William pedindo que lhe levasse le cérebro, aquela mente nobre e magistral, frentar quase que constantemente por toda a
Creek ao meio-dia de quarta-feira. Às oito da “outra boa caneta-tinteiro”.36 não será deixado em ruínas. Deus cuidará de- sua vida. Um exemplo de sua coragem sob
noite, ela e Tiago tomaram o trem para uma Somente a profunda dedicação ao dever e le, de mim e de meus filhos. ... Vocês ainda condições difíceis ocorreu em Basiléia, Suíça,
viagem de duas horas até Jackson. Depois de a energia concedida por Deus, ano após ano, vão nos ver, ombro a ombro, no púlpito sa- em 15 de junho de 1886, enquanto ela se pre-
passar a noite com os amigos, saíram no dia podem explicar setenta anos de surpreenden- grado, pregando as palavras da verdade para parava para partir com destino à Suécia. Na
seguinte com destino a Alma, aonde chega- tes realizações sob condições as mais exte- a vida eterna.”41 época, ela lutava dolorosamente contra a
ram pouco antes de escurecer, no momento nuantes.37 A assombrosa estratégia e esforço de Ellen pleurisia. Num artigo da Review and Herald,
preciso de ela pregar na reunião da noite. White para restaurar a saúde física e mental ela comentou: “Cada respiração era dolorosa.
De Alma, eles passaram os dois meses se- Escrupulosa no Exemplo Pessoal do marido tornou-se desde então um modelo Parecia-me impossível viajar, especialmente
guintes viajando, semana após semana, para Enquanto Ellen White esteve na Europa para muitos. Coragem, perseverança e eterno à noite. Tomar um carro-leito, ainda que so-
reuniões campais. Essas reuniões incluíam (1885), alguém lhe presenteou com um reló- amor alcançaram a vitória, e Tiago voltou pa- mente por uma noite, envolveria despesas ex-
Maine, Massachusetts, Vermont, Nova Ior- gio de ouro. Isso, no entanto, virou tema de ra iniciar o que talvez tenham sido as suas tras no montante de dez a doze dólares, e isto
que, Ohio, Indiana e a reunião campal nacio- conversa, de sorte que, para não ser mal com- maiores realizações em prol do crescimento estava fora de cogitação. Precisávamos, no
nal em Battle Creek, Michigan, entre 2 e 9 preendida ou tornar-se uma pedra de tropeço, da igreja. Durante todo esse período extraor- entanto, partir de Basiléia naquela noite para
de outubro. Na maior parte delas eles ficaram ela o vendeu.38 dinário como enfermeira, confidente, tera- podermos chegar em Orebro [Suécia] antes
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 8 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White COMO OUTROS A
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do sábado.” Elas acabaram embarcando num deira prova de força veio, porém, de um passado por circunstâncias semelhantes: “Por sua vida e são transparentes o bastante para
vagão de segunda classe, chegando à Suécia acontecimento-surpresa. Por volta de maio, que as pessoas sempre levam as coisas a extre- todas as pessoas de seu tempo confiarem em
na manhã de sexta-feira. ela foi tão criticada em Battle Creek que mes- mo? Não conseguem parar quando já foram seus motivos é que podem enfrentar dilemas
Esse tipo de coragem e perseverança de- mo seus amigos mais chegados a tratavam suficientemente longe, mas, se a conduta de de maneira tão corajosa como o fez Ellen
monstrava a verdade de suas palavras escritas com crescente frieza. Qual a crítica? A pala- um é questionada, não se satisfazem enquan- White em Battle Creek, em julho de 1881.
vários meses antes: “Eu posso fazer pratica- vra dela não podia ser confiável porque ela to não o esmagam. ...
mente tudo, quando tenho de fazê-lo.”44 era manipulada pelos outros! Como podia ser “As próprias pessoas que o [Tiago White] Tato
Um exemplo interessante da perseverança isto? Logo ela soube da tensão existente entre condenariam por usar palavras ríspidas, ser do- Mary e John Loughborough foram amigos
de Ellen White ocorreu quando seu filho seu marido e o Dr. Kellogg. minador e autoritário são dez vezes piores do íntimos dos White, ambas as famílias intei-
Willie tinha vinte meses de idade. O peque- Em seus sombrios momentos de depres- que ele, quando se atrevem a sê-lo. ... Durante ramente comprometidas com a missão ad-
no Willie brincava com um “barco” na cozi- são e paranóia, Tiago usava os escritos dela meses me senti aflita e com o coração partido, ventista. Ambas haviam perdido um filho
nha, perto de um grande balde de água de es- para questionar a liderança do presidente e mas lancei meu fardo sobre meu Salvador e já em princípios da década de 1860. As duas
fregão. Sua babá saiu do compartimento por do secretário da Associação Geral (G. I. não sou como a cana quebrada. Na força de Je- jovens mães muitas vezes trocavam pensa-
um instante a fim de pegar lenha para o fogo. Butler e S. N. Haskell, respectivamente). sus eu afirmo a minha liberdade. …” mentos e sentimentos. Em junho de 1861,
Quando ela voltou, só viu um pezinho estira- Do outro lado, J. H. Kellogg atacava Tiago A carta continuava, mencionando que Mary (na casa dos vinte) havia escrito para
do para fora da água suja. Ela puxou o meni- White, e Tiago revidava. De que maneira sua preocupação mais profunda era a de que Ellen (na época com 33), pedindo sua opi-
no para fora do balde, e então gritou para a ocorriam todas essas investidas desagradá- a contenda entre os principais líderes lanças- nião sobre a última moda – usar saias-balão.
mãe que o filho se afogara. veis? Cada um citava as palavras de Ellen se uma sombra sobre a validade de seu minis- Depois de apresentar seu conselho, Ellen
Mandaram chamar Tiago e também um White para provar suas acusações mútuas, tério profético: “Estive em constante temor aproveitou a oportunidade para dizer algo
médico. Mas Ellen estava ocupada fazendo enquanto alegava que as “citações” empre- de que os equívocos e erros de meu marido que não era fácil dizer: “Querida Mary, que
William rolar sobre a grama e tentando ex- gadas pelo oponente não eram palavras vá- sejam classificados junto com os testemu- sua influência fale em favor de Deus. Você
trair a água de seu corpo. Um vizinho insistiu lidas “vindas do Senhor”! Embora cada qual nhos do Espírito de Deus, e minha influência precisa adotar uma atitude que exerça in-
estivesse tentando destruir a influência do seja grandemente prejudicada. Se eu apre- fluência sobre outros no sentido de elevar-
com Tiago: “Retire o bebê morto das mãos
sentasse um claro testemunho contra erros lhes a espiritualidade. ...
daquela mulher.” outro, a verdadeira prejudicada nisso tudo
existentes, eles diriam: ‘Ela se molda pelos “E Mary, tolera-me um pouco sobre este
“Não”, replicou ele, “é filho dela, e nin- estava sendo Ellen White.
sentimentos e pontos de vista do marido.’ Se assunto. Desejo, com toda bondade de irmã
guém vai tirá-lo de seus braços.” Vinte minu- No dia 14 de julho, ela escreveu a William
eu reprovasse meu marido, ele acharia que e de mãe, amigavelmente advertir você so-
tos se passaram. Então Ellen viu um movi- e a Mary, que estavam na Pacific Press, em
fui severa e que outros me induziram a ter bre outro assunto: Tenho notado muitas ve-
mento rápido da pálpebra e uma leve contra- Oakland, Califórnia: “Esta falta de harmonia zes a maneira como você fala com John
preconceito contra ele.”
ção nos lábios do menino. Logo ele estava em está me matando. Tenho que manter meu Então ela apresentou um resumo da ma- diante de outras pessoas, de um modo um
seu berço, agasalhado com roupas quentes. A conselho, mas não tenho confiança em nin- neira como avaliara essas duas reuniões: “Eu tanto dominador e em um tom de voz que
mãe não desistira. Anos depois, ela disse a guém [de Battle Creek].… Pois bem, estava desolada [em espírito], mas não devia soa impaciente. Mary, os outros percebem
respeito de Willie que Deus lhe havia mostra- William, estou lhe escrevendo de maneira es- mais continuar assim. Eu devia agir com ple- isso e têm comentado comigo. Isto prejudi-
do que ele nascera para ser o auxiliar dela pontânea e confidencial. Espero que o Se- na liberdade. Eles podiam pensar de mim o ca sua influência. ...
quando o pai dele morresse. E isso aconteceu nhor conserve você bem equilibrado. Espero que quisessem. Eu lhes daria a reprovação, “Talvez eu tenha falado sobre esse assunto
realmente.45 que você não vá a extremos em nada... nem advertência e estímulo da forma como o Se- mais do que o necessário. Por favor tome cui-
se deixe moldar por nenhuma influência, a nhor me concedesse. O fardo de seus questio- dado nesse ponto. Não estou reprovando vo-
Coragem Quando Sozinha não ser a do Espírito de Deus.”47 namentos e dúvidas não deveria mais afligir- cê, lembre-se disso, mas apenas aconselhando
Em 1881, Tiago White enfraquecia rapidamen- Durante o sábado, 16 de julho, Ellen Whi- me nem fechar-me os lábios. Eu devia cum- cautela. Jamais fale com John como se ele
te. Mais de quatro derrames o haviam deixado te, com coragem e sinceridade, estava pronta prir meu dever no temor de Deus e, se eles fosse um menino. Respeite-o, e os outros as-
fisicamente e emocionalmente fraco, e o exces- para aliviar a tensão. Ela pediu ao marido e fossem tentados [por dúvidas sobre ‘influên- sumirão uma atitude mental mais elevada,
so de trabalho consumiu-lhe o restante das for- ao Dr. Kellogg que se encontrassem com ela cia’], eu não seria responsável por isto. Eu me Mary, e você elevará a outros.
ças. A Sra. White escreveu em 6 de janeiro que em particular. Leu para eles “uma grande defenderia no temor de Deus.”48 “Procure ser mais espiritual. Estamos fa-
não sabia mais o que fazer para ajudar o marido: quantidade de páginas”. Na terça-feira se- Uriah Smith, colega de trabalho de Tiago zendo uma obra para a eternidade. Mary,
“Papai apresenta um estado mental que receio guinte, à noitinha, ela convocou os líderes White por trinta anos, resumiu a notável procure ser um exemplo. Nós a amamos co-
perca ele a razão. Mas ele acaba de suspender as denominacionais de Battle Creek e leu para ocasião com um relatório: “Oh, que todos se- mo se você fosse um de nossos filhos, e dese-
responsabilidades dos assuntos do escritório eles as mesmas páginas lidas para Tiago e o jam capazes de atender às boas palavras de jo muito que você e John consigam prospe-
e vai escrever. Espero que ele faça isso. ... Às ve- Dr. Kellogg. conselho e admoestação! Então o espírito de rar. ... Escreva-me, por favor, Mary, tudo.
zes fico tão perplexa e mentalmente aflita Os resultados foram os mais positivos. A religião reviveria no coração de todos, e a Conte-me todas as suas alegrias, provas, de-
que desejo a aposentadoria ou a morte, mas carta seguinte enviada a William e Mary era causa de Cristo floresceria em nosso meio.”49 cepções, etc. Com muito amor, Ellen G.
depois eu torno a cobrar ânimo.”46 Sua verda- alegre, esclarecedora e útil a quantos tenham Somente os que estão seguros da missão de White.”50
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CAPÍTULO 8 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White COMO OUTROS A
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Acabamos de observar um belo exemplo ajudar Tiago a recuperar a saúde. Ao preparar ter instrução cristã em Battle Creek College. lestial inclinando-Se sobre você com amor; e
de como a Sra. White mostrava tato, en- a horta da casa, a Sra. White pediu ao filho A Sra. White imediatamente sugeriu que se pudesse ouvir-Lhe a voz, ela seria em tons
quanto cuidava de seu marido no norte de William que comprasse três enxadas e três Edith voltasse com ela para a Califórnia e de compaixão por você que está abatido pelo
Michigan, em 1866/1867. Tiago estava imer- ancinhos. Tiago não quis tomar sua enxada e depois continuassem para Michigan. Em sofrimento e aflição. Fique firme em Sua for-
so em profunda depressão acompanhada de seu ancinho, mas ela tomou os seus instru- uma carta endereçada ao marido Tiago, ela ça; há descanso para você.”56
grave esgotamento nervoso causado pelo ex- mentos e começou a trabalhar, fazendo bo- deu mostras de seu bondoso coração. Descre- O Dr. John Harvey Kellogg era como um
cesso de trabalho. Ele achava que não ia du- lhas nas mãos. Relutantemente, Tiago foi vendo Edith como “uma garota muito pro- filho para Ellen White. Os White ajudaram-
rar muito. Ellen, contrariando a opinião de atrás, movendo-se. Logo ele estava arreando missora”, ela escreveu: “Eu a quero como no a pagar seu curso de medicina e lhe pres-
todos, inclusive dos médicos, cria que a con- os cavalos e comprando materiais domésti- nossa hóspede e que ela receba todas as aten- taram grande ajuda no desenvolvimento da
fiança em Deus, o exercício e um regime ali- cos. Ela relatou que ele dormia bem à noite e ções de que precisa.”54
mentar apropriado dariam a seu marido as acordava refeito toda manhã. O planejamen- obra de saúde em Battle Creek.57 Mas em
Ellen White recebeu muitas cartas daque- 1904 ele adotou uma conduta que podia po-
melhores oportunidades de restabelecimento. to, a perseverança e o tato da fiel esposa fun- les que padeciam de doenças ou estavam cho-
Todo dia eles faziam uma longa caminhada cionavam, ainda que lentamente. tencialmente ter dividido a igreja. Em uma
rando a perda de entes queridos. Quando a
até que chegou a primeira nevada mais forte. Quando chegou o mês de julho, o feno es- mensagem que devia ser apresentada durante
Associação Geral enviou J. N. Andrews à Eu-
Tiago aproveitou os flocos de neve como pre- tava pronto para ser cortado. Tiago combi- a reunião da comissão de nomeações da Lake
ropa como o primeiro missionário oficial da
texto para parar de caminhar! nou com os vizinhos para estes cortarem o fe- denominação, enviou um homem que já ha- Union no fim de maio daquele ano, 1904,
Não por muito tempo. Ellen White foi ter no, e esperava que eles voltassem para ajun- via perdido a esposa e dois filhos bebês por Ellen White falou de sua simpatia por seu ve-
com o irmão Root, na casa de quem estavam tá-lo em montões para o inverno. Sua esposa, doença. Ele partiu dos Estados Unidos com lho amigo, mas “a menos que ele mude de ati-
hospedados, e lhe pediu emprestado um par porém, tinha um plano melhor. Ela foi ter Mary, sua filha de doze anos de idade, e Char- tude, e tome um rumo totalmente diferente
de botas. Depois, ela andou com dificuldade com alguns desses vizinhos e lhes pediu para les, de 16 anos. Quatro anos depois, em 1878, estará perdido para a causa de Deus. ... Tenho
mais ou menos quatrocentos metros sobre declinarem do compromisso, o que eles resis- Mary morreu de tuberculose. Junto com a ficado acordada noite após noite, procurando
neve profunda. Ao voltar, pediu ao marido tiram a princípio. morte prematura da esposa e agora a de Mary, um jeito de ajudar o Dr. Kellogg. ... Tenho
para fazerem sua costumeira caminhada. Ele Quando Tiago pediu que o ajudassem, to- Andrews sentiu que estava agarrado a Deus passado quase noites inteiras orando por ele.”
objetou que não conseguiria caminhar com dos os vizinhos se desculparam como se esti- Ela fazia o possível para promover união
“com mão insensível”.55
aquele tempo. vessem muito atarefados. Tiago ficou muito entre o Dr. Kellogg e os líderes da igreja. Ela
“Oh, sim. Você pode”, replicou Ellen. “Por decepcionado, mas Ellen, com sua típica ani-
Uma de Suas Cartas Mais Afáveis escreveu aos Pastores A. G. Daniells e W. W.
certo você pode seguir minhas pegadas.” mação, sugeriu que ela e Willie ajuntariam o
Ellen White escreveu a seu amigo de longa Prescott, informando-os de que fora notifica-
Tiago, um homem que tinha grande respei- feno e o carregariam com o forcado até junto
data uma de suas cartas mais afáveis, a qual da por meio de uma visão que “agora é o tem-
to às mulheres, viu as pegadas dela – e naque- da carroça se Tiago pusesse a carga sobre a
la manhã “fez sua costumeira caminhada”.51 carroça e guiasse os cavalos. Mas como se fa- incluía as seguintes palavras: “Temos bebido po de salvar o Dr. Kellogg”.
Ellen White percebeu que seu marido riam os fardos? do mesmo cálice de aflição, mas foi mistura- Ela insistiu em seu propósito, nascido de
também precisava exercitar o cérebro. Mas Os vizinhos ficaram surpresos ao verem do com alegria, descanso e paz em Jesus. um coração bondoso: “Nenhum de nós está
ele não queria falar com ninguém exceto os aquela pequena mulher de 1,57m pisando e [Ellen White perdeu dois filhos por doença.] acima da tentação. Existe uma obra para a
de casa. Assim, com muito tato ela arquite- fazendo os fardos enquanto seu marido des- ... A nuvem da misericórdia paira sobre a sua qual o Dr. Kellogg está preparado a realizar
tou um plano. Quando chegava um visitante carregava a carroça. cabeça, mesmo na hora mais escura. Os bene- como nenhuma outra pessoa em nossas filei-
com perguntas inquietantes, ela rapidamente Que aconteceu a Tiago? Ele relatou aos fícios de Deus a nós são numerosos como as ras o pode fazer. ... Devemos empregar todas
o convidava a entrar antes que Tiago pudesse leitores da Review: “Tenho trabalhado de seis gotas de chuva que caem das nuvens sobre a as nossas forças, não fazendo acusações nem
desculpar-se. Então ela dizia: “Marido, está a doze horas por dia, e tenho desfrutado de terra ressequida. ... A misericórdia divina re- prescrevendo o que ele deve fazer, mas dei-
aqui um irmão que veio para fazer uma per- um abençoado sono de seis a nove horas toda pousa sobre você.
xando que ele reconheça que não queremos
gunta, e como você sabe responder melhor do noite. ... Meu trabalho tem sido preparar o fe- “Mary, querida e preciosa criança, repousa.
que ninguém pereça.” Então ela perguntou:
que eu, eu o trouxe aqui.” no, cultivar a terra, aplainar o terreno em Ela foi a companheira de suas tristezas e espe-
“Isto não vale a pena?”58
Tiago permanecia na sala tempo suficien- volta de casa, capinar e colocar os tapetes.”53 ranças frustradas. Não mais terá tristeza, nem
necessidade nem preocupações. Pelos olhos As coisas não saíram como Ellen White
te para responder a pergunta. Essa tática fazia O tato, a coragem e o espírito resoluto de esperara. As expectativas de unidade eram
com que ele exercitasse a mente, e lentamen- Ellen estimularam Tiago a recuperar a saúde. da fé, você pode antecipar em meio às má-
goas, tristezas e perplexidades sua Mary junto desalentadoras. Apesar disso, ela escreveu pa-
te ele melhorava. Quando se precisou de lide-
rança espiritual em Wright, Michigan, a igre- Bondade com a mãe e os outros membros de sua famí- ra o Pastor Daniells: “Se pudermos de algum
ja local dos White, Ellen forneceu muito Muitas foram as ocasiões em que Ellen Whi- lia atendendo ao chamado do Doador da vi- modo fazer-lhe [a Kellogg] bem, vamos mos-
conselho, mas “tomava o cuidado de deixar te mostrou profundo interesse pelos jovens. da e saindo de sua prisão, triunfantes sobre a trar que não queremos prejudicá-lo, mas aju-
que o marido tomasse a dianteira”.52 Ela encontrou, por exemplo, uma nova famí- morte e a sepultura. ... Se você for fiel, den- dá-lo. Evitemos tudo quanto provocaria reta-
Tempos depois, em 1867, a família White lia adventista na reunião campal de Oregon tro em pouco estará caminhando com eles liação. Não demos margem para contenda.”59
mudou-se para sua fazenda em Greenville, no fim de junho de 1878. A filha adolescen- pelas ruas da Nova Jerusalém. ... Se seus Anteriormente, durante os tenebrosos dias
Michigan, novamente com o propósito de te, Edith Donaldson, estava ansiosa por ob- olhos pudessem ser abertos, veria seu Pai ce- da Guerra Civil, os adventistas andavam às
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CAPÍTULO 8 O ministério profético de Ellen G. White
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apalpadelas quanto à questão da não-comba- ja de Battle Creek, pelo voto unânime da Perguntas Para Estudo
tência. Embora os diversos governos esta- igreja em 4 de março de 1865”. Quando Ellen
duais bem como o federal tivessem reconhe- White soube desse voto, reagiu com aquela
cido os adventistas do sétimo dia como não- atitude bondosa que caracterizava seu minis- 1. A que você atribui a notável confiança que homens obstinados depositaram tão cedo no
combatentes, a questão ainda estava longe tério. Ela expressou sua convicção de que o ministério de Ellen White?
de ficar esclarecida entre os comandantes jovem não deveria ter sido excluído por se-
dos campos de batalha e muitos jovens ad- guir sua consciência e atender o chamado de 2. Como você reagiria à sugestão de que Ellen White não vivia o que pregava?
ventistas. seu país. Resultado: a exclusão foi anulada e
Enoch Hayes, que havia ingressado no o jovem permaneceu como membro “regular 3. Analise os acontecimentos que estimularam a notável generosidade e simplicidade de
exército, foi excluído da “comunhão da igre- e idôneo”. A bondade prevaleceu.60 Ellen White.

Referências 4. Que exemplos você daria para ilustrar a coragem e perseverança de Ellen White?

1. No verão de 1848, Tiago ganhou 40 dólares cortando feno e 23. Biography, vol. 2, págs. 383 e 384. 5. Como Ellen White empregou coragem e bom senso na reabilitação do marido Tiago, no
gastou parte do dinheiro em roupa e o restante em viagem 24. Ibidem, vol. 3, págs. 425 e 426. inverno de 1866-1867?
para atender compromissos de pregação. – Biography, vol. 1, 25. Ibidem, pág. 164.
pág. 140. 26. Ibidem, vol. 6, pág. 389 (Mensagens Escolhidas, livro 2,
2. Ibidem, pág. 205. pág. 401).
3. Virgil Robinson, James White (Washington, D.C.: Review 27. Ibidem, vol. 1, págs. 205.
28. Ibidem, págs. 205 e 301.
and Herald Publishing Association, 1976), págs. 81-87; W.
29. Ibidem, vol. 2, págs. 225 e 226.
C. White, “Sketches and Memories of James and Ellen G.
30. Ibidem, pág. 252.
White, XXIV – Settling in Battle Creek”, Review and Herald,
31. Ibidem, vol. 3, págs. 36 e 37.
22 de agosto de 1935. 32. Ibidem, pág. 42.
4. Biography, vol. 1, pág. 230. 33. Ibidem, pág. 44.
5. Ibidem, vol. 2, págs. 439 e 440. 34. Ibidem, págs. 142 e 143. Ver também pág. 104.
6. Ibidem, vol. 3, pág. 293. Na Assembléia de Mineápolis, em 35. Ibidem, pág. 241.
1888, os oficiais haviam alugado dois quartos elegantes e 36. Ibidem, pág. 242 (Mensagens Escolhidas, livro 3, pág. 109).
suntuosamente mobiliados. Ellen White objetou e encon- 37. Os dois anos que Ellen White passou na Europa foram de tão
trou na pensão outro quarto modestamente mobiliado. – Ibi- prodigiosa atividade em escritos, pregações e viagens, muitas
dem, pág. 390. vezes sob as condições mais difíceis, que parecem superar
7. Manuscript Releases, vol. 10, pág. 27 (daqui por diante, MR). mesmo seu programa de atividades na América do Norte.
8. Biography, vol. 4, págs. 138-140. Ver Delafield, Ellen G. White in Europe.
38. Historical Sketches, pág. 123.
9. Ibidem, pág. 343.
39. Life Sketches, pág. 70.
10. Emmett K. VandeVere, “Years of Expansion, 1865-1885”, em
40. Ver págs. 89 e 90.
Land, Adventism in America, pág. 67.
41. Biography, vol. 2, págs. 157 e 159.
11. Manuscrito 3, 1888, citado em Arthur White, Ellen G.
42. Ibidem, págs. 160-170.
White, Mensageira da Igreja Remanescente, 2ª ed. (Tatuí, SP: 43. Ver Biography, págs. 277-284, para a maneira como essas
Casa Publicadora Brasileira, 1993), pág. 371. acusações foram tratadas em Battle Creek em 1870.
12. General Conference Bulletin, 20 de março de 1891, pág. 184 44. Ibidem, vol. 3, págs. 344 e 345.
(Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 189). 45. Ibidem, vol. 1, pág. 337.
13. SDAE, vol. 10, 1996, pág. 410. 46. Carta 1a, 1881.
14. Review and Herald, 30 de agosto de 1923. Ver também 26 de 47. Carta 5a, 1881.
julho de 1906, para o relato de Ellen White sobre o minis- 48. Carta 8a, 1881.
tério que ela desenvolvia em seu lar para com os órfãos e ou- 49. Review and Herald, 19 de julho de 1881.
tros. 50. Biography, vol. 1, págs. 468 e 469.
15. Biography, vol. 4, pág. 44. 51. Ibidem, vol. 2, pág. 161 (Mensagens Escolhidas, livro 2, pág. 307).
52. Ibidem, págs. 162 e 165.
16. Ibidem, pág. 69.
53. Ibidem, págs. 188 e 189.
17. Ibidem, pág. 266.
54. Biography, vol. 3, págs. 88 e 89.
18. Ibidem, pág. 371.
55. Maxwell, Tell It to the World, págs. 171-173.
19. Schwarz, Light Bearers to the Remnant, pág. 311. 56. Nos Lugares Celestiais, pág. 272.
20. Christian, Fruitage of Spiritual Gifts, pág. 49. 57. Richard W. Schwarz, John Harvey Kellogg, M.D. (Nashville,
21. Carta 4, 1850, MR, vol. 1, pág. 31. TN: Southern Publishing Association, 1970), pág. 30.
22. Para o histórico desta experiência e a maneira como Ellen 58. Biography, vol. 5, págs. 331-333.
White se referiu a seu dever específico de comunicar as 59. Ibidem, pág. 339.
mensagens divinas, ver Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, 60. George R. Knight, “1862-1865: Adventists at War”, Advent
págs. 583-585. Review, 4 de abril de 1991.

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SEÇÃO II

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O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
do Tabernáculo de Battle Creek fosse preser- tencia a escola de Santa Helena, Califórnia,
vada,10 ela recebeu uma carta de A. T. Jones tinha um problema. Alguns achavam que
pedindo que ela lhe fornecesse os nomes dos não deveriam ser feitas provisões para crian-
envolvidos na tentativa de assumir o contro- ças abaixo de dez anos. Por quê? Porque a
le da propriedade. Compreendendo a verda- Sra. White alguns anos antes havia dado o
Bom Humor, deira intenção do pedido, Ellen White repli-
cou a sua secretária, Dores Robinson, que “se
ela tivesse mesmo que escrever para o irmão
conselho de que os “pais devem ser os únicos
mestres dos filhos até que eles cheguem à
idade de oito ou dez anos”.15 Outros acha-

Bom Senso e Jones, dissesse para ele que tudo está escrito
nos livros do Céu, mas que esses livros não
estavam à disposição dela para serem envia-
vam que para algumas crianças seria melhor
ficarem na escola do que perambulando pelo
povoado enquanto os pais trabalhavam no

Conselheira Prática dos a ele”.11


A Sra. White sabia como lidar com situa-
ção pública potencialmente embaraçosa. Seu
filho William muitas vezes acompanhava a
hospital ou por outras razões não podiam su-
pervisionar os filhos.
O problema não se restringia a Santa He-
lena. Escolas de igreja estavam sendo estabe-
“Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.”
Rom. 14:19. mãe em seus trajetos de pregação. Durante lecidas ao redor do mundo onde quer que os
um sermão de sábado em Santa Helena, Ca- adventistas fundassem igrejas. A questão,
lifórnia, William sentou na plataforma en- portanto, era: Que faremos com o conselho
quanto a mãe falava. Percebendo uma onda da Sra. White a respeito da época apropriada

E
llen White tem sido estereotipada por dele como “uma grande coleção de armas
pessoas desinformadas como uma amar- de brinquedo”. 4 de riso reprimido na congregação, a Sra. para escolarizar as crianças?
ga e implacável desmancha-prazeres. Alguns meses depois, ainda na Itália, ela White virou-se e encontrou o filho cochilan- Ellen White se achava presente naquela
Nada mais longe da verdade! L. H. Christian desfrutou de alguns dias ensolarados após um do. Ela pediu desculpas com um toque de hu- reunião da junta escolar de Santa Helena
relatou as memórias da mãe de sua esposa que período chuvoso e escreveu em seu diário: mor: “Quando William era um bebê, eu cos- (realizada em sua casa em Elmshaven) e to-
viveu no lar dos White enquanto era secretá- “Nós viajamos bem devagar, pois o cavalo, tumava trazê-lo para a plataforma e deixá-lo mou a iniciativa de resolver o impasse. Ela re-
ria de Ellen White. Ela lembra em especial “o embora forte, não desejava prejudicar sua dormindo numa cesta embaixo do púlpito, e capitulou o conselho que tantas vezes enfati-
espírito ensolarado daquela casa” e do “bon- constituição.”5 ele nunca perdeu o hábito.”12 zara sobre a responsabilidade dos pais e a fir-
doso humor e bom senso” de Ellen White.1 Depois de um viagem de barco, ela escre- Em seus últimos anos em Elmshaven, me disciplina no lar. Depois ressaltou que
veu: “Quando desci do barco e caminhei rua Ellen White recebia tratamentos de fricção também havia observado negligência dos
Bom Humor acima, parecia como se eu ainda estivesse no com luvas frias. Isso significava ficar dentro pais, com determinadas crianças que corriam
Os escritos de Ellen White revelam muitas barco e dava passos tão alterados que as pessoas de uma banheira enquanto alguém lhe apli- soltas (especialmente na área do instituto de
vezes um toque de humor. Em 1882, ela havia devem ter pensado que eu estava bêbada.”6 cava água fria e depois a friccionava com lu- saúde), “de olhar penetrante, com olhos de
acabado de fazer sua mudança de Oakland pa- O irmão mais velho de Ellen White, John, vas para aumentar a circulação. Duas vezes lince, vagueando de um lugar para outro, sem
ra Healdsburg. Aos 55 anos de idade, ela se di- ao que parece, não gostava muito de respon- por semana ela recebia uma fricção com sal ter o que fazer, fazendo travessuras” – não a
vertiu comprando cereais e feno, uma vaca der cartas. Em 21 de janeiro de 1873, numa (“fomentação salina”). melhor recomendação do decoro adventista
com seu bezerro e cavalos para o transporte e carta endereçada a ele, Ellen, de maneira Certo dia, sentindo diferença no líquido, perante os hóspedes do instituto de saúde!
trabalho da fazenda. Um de seus cavalos se gentil e bem-humorada, o censurou: “Queri- molhou o dedo e o levou aos lábios. A enfer- Sob tais circunstâncias, ela disse: “A me-
chamava Dolly, uma égua que parecia alérgi- do John: Escrevi-lhe diversas cartas, mas não lhor coisa que pode ser feita é ter uma esco-
meira havia usado açúcar por engano! Com
ca a trabalho. Ellen White escreveu: “Ela fica recebi sequer uma palavra sua. Concluímos
bom humor, Ellen fez a seguinte observação: la... [para os que devem] estar sob a influên-
olhando as montanhas e as colinas como se que você devia estar morto, mas depois pen-
“Estava tentando me adoçar, hein?”13 cia refreadora que o professor deve exercer.”
fosse um turista contemplando a paisagem.”2 samos que, se isso fosse verdade, seus filhos
Em 1855, ela estava por viajar para a Eu- nos teriam escrito.”7 Depois ela explicou sua afirmação anterior
ropa a bordo do S. S. Cephalonia que devia Ela demonstrou seu humor e propensão Sensata Intérprete da Verdade quanto a manter as crianças fora da escola até
zarpar no sábado. Seu grupo fez os preparati- prática quando escreveu sobre a maneira des- Um dos princípios mais sólidos na formação os dez anos – um ensino que alguns estavam
vos para embarcar na sexta-feira à tarde a fim mazelada de vestir de certas mulheres: “Suas de uma imagem de Ellen White (bem como procurando seguir fielmente. Ela falou clara-
de no sábado já estarem acomodados. Ela roupas sempre parecem que vieram voando e do propósito de seus escritos) é estudar o tem- mente: “Eu quis dizer-lhes que não havia uma
anotou em seu diário: “Quase conseguimos.”3 pousaram sobre seu corpo.”8 Ou: “As irmãs po, o lugar e as circunstâncias que regiam aqui- escola na qual se observasse o sábado quando
Enquanto esteve na Itália, ela escreveu não devem, quando no trabalho, usar vesti- lo que ela escrevia.14 me foi dada a luz de que as crianças não de-
sobre a equipe ministerial de Torre Pelli- dos que as façam parecer espantalhos para Em outras palavras, o que Ellen White pe- viam freqüentar a escola até que tivessem
ce. O pastor encarregado era ótimo em afugentar os pássaros-pretos do milharal.”9 diu encarecidamente durante todo o seu mi- idade suficiente para ser instruídas. Elas de-
termos de planejamento, mas realizava No tempo em que Ellen White estava en- nistério foi bom senso. Em 1904, por exem- viam ser educadas em casa para saber quais
pouco. Ellen White descreveu os esforços viando advertências para que a propriedade plo, o grupo de membros da igreja à qual per- eram as maneiras apropriadas quando fossem
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 9 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White BOM HUMOR, BOM SENSO
ECONSELHEIRA PRÁTICA

à escola, e para não ser desencaminhadas. A ções ao dia, quando duas seria mais condizen- carecidamente aos pastores que estudassem pios de saúde. Vistam-se nossas irmãs com
iniqüidade que se espalha pelas escolas co- te com a saúde física e espiritual.”20 Mas ela a “maneira mais sábia” de usar os órgãos vo- simplicidade, como muitas fazem, tendo as
muns é quase inconcebível. É assim que é.” também escreveu: “O costume de comer ape- cais “pelo exercício de um pouco de bom vestes de material bom e durável, apropriado
Ela foi mais fundo ao expressar sua preocu- nas duas vezes por dia, em geral, demonstra- senso”.28 para esta época, e não permitam que a ques-
pação com aqueles que faziam uma aplicação se benéfico à saúde; todavia, sob certas cir- Ellen White preocupava-se com a manei- tão do vestuário lhes encha a mente.”33
irrazoável de seus escritos: “Meu espírito tem cunstâncias, talvez algumas pessoas tenham ra como a juventude estava sendo instruída Em Christiana (Oslo), Noruega, em 1885,
sido muito agitado quanto à idéia: ‘Ora, a ir- necessidade de uma terceira refeição.”21 para o mundo real. Ninguém parecia mais Ellen White aconselhou cerca de 120 novos
mã White disse assim e assim, ... portanto, Revelando também seu bom senso, ela es- otimista quanto às possibilidades abertas a jo- adventistas, alguns dos quais precisavam de
procederemos exatamente de acordo com is- creveu em 1903: “Eu tomo apenas duas refei- vens laboriosos e dedicados. Ao mesmo tem- orientação sobre a freqüência dos filhos às es-
so.’ Deus quer que todos nós tenhamos bom ções ao dia. Não penso, porém, que o núme- po, ela se preocupava com aqueles que “são colas públicas no sábado e sobre transações
senso, e deseja que raciocinemos movidos pe- ro de refeições deva ser um teste. Se há os que simplesmente criaturas inúteis, que servem comerciais no sábado. Alguns, contudo, “fa-
lo bom senso. As circunstâncias alteram as desfrutam melhor saúde tomando três refei- apenas para respirar, comer, vestir, e dizer to- ziam da questão do vestuário a coisa de suma
condições. As circunstâncias modificam a re- ções, é direito seu tomarem três.”22 lices. ... Poucas jovens, porém, mostram real importância, criticando peças de vestuário
lação das coisas.”16 discernimento e bom senso. Vivem uma vida usadas por outros, e sempre prontos a conde-
Junto com as palavras-chaves que melhor Sempre o Melhor de borboletas, sem objetivo especial.”29 nar todo aquele que não satisfizesse exata-
descrevem a verdadeira Ellen White, deve- O princípio do que é melhor sob todas as cir- Muitas vezes ela escreveu que o ensino mente suas idéias. Alguns condenavam as
mos incluir “bom senso”. Os princípios que cunstâncias, não meramente o que é bom, de- manual bem como o preparo prático para a gravuras, insistindo em que são proibidas pe-
ela revelou eram claros, oportunos e perenes. ve ser o ponto de referência do cristão. De- vida devem ser parte da educação cristã. Tal lo segundo mandamento, e que tudo dessa es-
Mas aplicá-los exigia santificado bom senso. masiadas vezes, o bom é inimigo do melhor. ensino tornaria a pessoa que se prepara para pécie fosse destruído.”34
Ellen White compreendia muito bem a Em outras áreas do viver saudável, o con- as diversas profissões científicas e acadêmicas Que problema pressentia ela? Temia que os
omissão da verdade.17 Ela sabia que teologia selho de Ellen White também foi benéfico bem mais habilitada para o cumprimento de “descrentes” tivessem a impressão de que os
sem bom senso e um estilo de vida correspon- para milhões de pessoas. Por quê? Por causa seus deveres: “A educação tirada principal- adventistas “eram um grupo de fanáticos e ex-
dente criaria preconceito contra o evange- do seu princípio de bom senso, por exemplo, mente dos livros conduz a um modo superfi- tremistas, e que sua fé singular os tornava des-
lho. Através de todos os seus escritos ela en- na área da combinação dos alimentos23 ou cial de pensar. O trabalho prático provoca a corteses e mesmo de caráter não cristão”. Mais
fatiza que palavra e ação, doutrina e vida ja- na recomendação das mesmas práticas de observação minuciosa e pensamento inde- adiante: “Um só fanático, de espírito forte e
mais devem ser separados.18 saúde para todos.24 Diferentemente das pes- pendente. Efetuado convenientemente, ten- idéias radicais, que oprima a consciência dos
Exercer bom senso não é negar o conselho soas de seu tempo, ela via a íntima ligação de a desenvolver aquela sabedoria prática a que querem proceder direito, fará grande da-
bíblico. O bom senso santificado aplica ver- existente entre a vitalidade, o estado geral que chamamos de bom senso.”30 no.”35 À medida que o tempo passava, agrada-
dades imutáveis à situação humana, levando de boa saúde e o exercício físico. Não ape- Depois de assistir a cultos religiosos em al- va-lhe saber que o bom senso prevalecia.
em conta todas as circunstâncias. O bom nas exercitar-se, mas ter a atitude correta gumas igrejas, a Sra. White observou: “Às ve- Em seus sermões e em muitas cartas ende-
senso não rebaixa as instruções divinas com quando em exercício! Tudo era uma questão zes é mais difícil disciplinar os cantores e man- reçadas a jovens que ela conhecia muito bem,
respeito ao pensamento e comportamento de bom senso.25 tê-los em forma ordeira do que desenvolver a Sra. White enfatizava a necessidade de bom
humanos; eleva as pessoas a elas, dentro das Ao dirigir a obra pública, principalmente hábitos de oração e exortação. Muitos querem senso ao fazer-se a escolha do companheiro
capacidades e possibilidades do tempo, do lu- em nossas instituições de saúde, Ellen White fazer as coisas à sua maneira. Não concordam da vida.36
gar e da circunstância. Os princípios são pe- admoestou: “Ajam de tal maneira que os pa- com as deliberações, e são impacientes sob a Seu conselho de longo alcance incluía
renes, mas aplicá-los exige bom senso. Em cientes vejam que os adventistas do sétimo liderança de alguém. No serviço de Deus se re- orientação direta e franca aos membros casa-
certa ocasião, ao ser interrogada sobre deter- dia são um povo dotado de bom senso.”26 querem planos bem amadurecidos. O bom dos da igreja. Ela mostrava que as tensões do-
minadas práticas da Escola Sabatina, Ellen Além disso, os obreiros adventistas das senso é coisa excelente no culto do Senhor.”31 mésticas muitas vezes eram causadas por irres-
White respondeu: “Exatamente: não é esse o áreas médica e ministerial não devem dar a Esse princípio de bom senso deve ser apli- ponsabilidade conjugal e falta de bom senso.37
lugar para isso. Isso deve ser feito, mas tem impressão, como outros grupos cristãos têm cado a todas as áreas da vida cristã, como
seu tempo e lugar.”19 feito, de que os doentes podem ser curados por exemplo no tipo de roupa que alguém Conselheira Prática
Por exemplo, ela escreveu bastante sobre somente pela oração. Novamente, Ellen deve usar.32 A religião prática era, ao que parece, o tema
princípios de saúde. Apresentou claramente White apela para o bom senso.27 De tempos em tempos, as pessoas introdu- harmonizador através de todos os escritos de
algumas práticas de saúde bastante avançadas Ao que parece, ela dispunha de um conse- ziam o assunto do vestuário em um debate na Ellen White. Ela via uma relação direta entre
para o pensamento convencional de sua épo- lho sensato para todas as áreas. Alguns pasto- igreja. Aqui novamente Ellen White usou o fazer o trabalho da igreja e representar apro-
ca. Mas esses princípios devem ser compreen- res estavam sendo vítimas da moda de dicção bom senso e deu um conselho prático: “A priadamente o caráter de Deus. Quando a no-
didos e aplicados utilizando-se o bom senso. predominante de pregar num tom de voz an- questão do vestuário não deve ser nossa ver- va casa editora australiana estava prestes a fa-
Com respeito a tomar duas refeições por tinatural, longe do estilo coloquial que me- dade presente.” “Sigam costumes no vestir lir, ela indicou os problemas: os orçamentos
dia, ela escreveu: “Alguns ingerem três refei- lhor reflete o raciocínio calmo. Ela pediu en- até onde eles se conformem com os princí- de serviços eram muito baixos, faltava ge-
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 9 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White BOM HUMOR, BOM SENSO
ECONSELHEIRA PRÁTICA

renciamento no controle de custos e as des- terras: “O cultivo de nossas terras requer o vem enfermeira que possuía apenas algu- mo dissera para diversas mulheres, que ela
pesas gerais com o escritório eram elevadas exercício de toda energia cerebral e tato mas roupas, e por isso vovó lhe deu três devia ter pelo menos um vestido verme-
demais. Então ela escreveu: “Foi-me mostra- que possuímos. As terras ao nosso redor tes- cortes de fazenda suficientes para fazer três lho.”43 Ellen White jamais perdeu a capaci-
do que esta não era a maneira de lidar com o tificam da indolência do homem. ... Espera- vestidos: um vermelho, um azul e um cor de dade de relacionar-se com as pessoas de
negócio. Não é da vontade de nosso Pai ce- mos ver fazendeiros inteligentes, que sejam ouro. Ela disse para aquela jovem, assim co- maneira prática.
lestial que Sua obra deva ser dirigida de mo- recompensados por seu ardoroso trabalho.
do a ser uma constante dificuldade. ... Al- ... Se fizermos isto, teremos feito uma boa Referências
guns dos obreiros não estão dispostos a aju- obra missionária.”41
1. Christian, Fruitage of Spiritual Gifts, pág. 48. mos o efeito que determinadas combinações exercem sobre
dar nem a instruir seus colegas de trabalho. 2. Biography, vol. 3, pág. 195. nós. Não somos máquinas; somos seres humanos, inteli-
... Os obreiros da Editora Echo tinham pou- A Cura de Herbert Lacey 3. Ibidem, pág. 290. gentes; e devemos exercer nosso bom senso. Podemos ten-
quíssima compreensão dos métodos corretos Precisava-se muitas vezes de conselho práti- 4. Delafield, Ellen G. White in Europe, pág. 174. tar diferentes combinações de alimento.” – The Kress Col-
5. Ibidem, pág. 177. lection, pág. 144.
de obter sucesso.” co no tratamento dos doentes. O Prof. Her- 6. Manuscrito 4, 1878, citado em MR, vol. 5, pág. 178. 24. “Há verdadeiro bom senso na reforma do regime. O assunto
Ela concluiu seu conselho com estas pala- bert Lacey, que liderava em 1897 o progra- 7. Glen Baker, “The Humor of Ellen White”, Adventist Review, deve ser larga e profundamente estudado, e ninguém devia
30 de abril de 1987. criticar outros porque não estejam, em todas as coisas, agin-
vras: “Irmãos e irmãs ligados ao trabalho da ma escolar em Avondale, foi afligido repen- 8. Orientação da Criança, pág. 415. do em harmonia com seu ponto de vista. É impossível esta-
Editora Echo, estas palavras que eu escrevi tinamente por uma febre tifóide. Em apenas 9. Tetemunhos Para a Igreja, vol. 1, pág. 464 (O Lar Adventista, belecer uma regra fixa para regular os hábitos de cada um, e
foram proferidas por meu guia.”38 uma semana ele perdeu nove quilos; sua vi- págs. 252 e 253). ninguém se deve considerar critério para todos. Nem todos
10. Biography, vol. 6, págs. 124-129. podem comer as mesmas coisas. Comidas apetecíveis e sãs
Durante aqueles dias difíceis, quando o talidade estava baixa e sua febre, alta. Con- 11. D. E. Robinson a W. C. White, 30 de setembro de 1906. para uma pessoa podem ser desagradáveis e mesmo nocivas
futuro de um colégio na Austrália parecia victos do sucesso do Dr. Kellogg com a hi- 12. Baker, “The Humor of Ellen White”. para outra. Alguns não podem usar leite, ao passo que outros
droterapia, a equipe médica aplicou gelo pa- 13. Ibidem.
incerto, Ellen White confiava que um terre- 14. Ver pág. 395. “Quanto aos testemunhos, coisa alguma é ig-
tiram bom proveito dele. Pessoas há que não conseguem di-
gerir ervilhas e feijão; para outros, eles são saudáveis. Para
no comprado “a baixo preço” atenderia efe- ra baixar a febre e restaurar a circulação de norada; coisa alguma é rejeitada; o tempo e o lugar, porém, uns as preparações de cereais integrais são boas, enquanto
tivamente às necessidades de uma futura es- “seus intestinos”. Ao ouvir isso, Ellen Whi- têm que ser considerados. Coisa alguma deve ser feita impor- outros não as podem ingerir.” – A Ciência do Bom Viver, págs.
tunamente. Alguns assuntos precisam ser retidos porque al-
cola. Nenhum membro da comissão, porém, te enviou rapidamente um telegrama para os gumas pessoas fariam uso impróprio do esclarecimento dado.
319 e 320.
“Não fazemos da reforma de saúde um leito de Procusto,*
estava convencido a respeito do que lhe fo- médicos: “Não usem gelo, mas aplicações Todo jota e til é essencial e precisa aparecer em tempo opor- cortando as pessoas quando o ultrapassam ou esticando-as até
ra mostrado. Ela ficou angustiada com a quentes.” tuno. No passado, os testemunhos eram cuidadosamente pre- que atinjam as dimensões. Uma só pessoa não pode servir de
parados antes de serem enviados para publicação. E todo as- norma para todas as outras. O que queremos é uma pequena
“precaução não santificada” demonstrada Por que ela fez isso, e o fez com tanta rapi- sunto é ainda cuidadosamente estudado depois de ser escrito pitada de bom senso. Não sejam extremistas. No caso de ha-
por eles.39 dez? Ela viu muitíssimas pessoas morrendo de pela primeira vez.” – Mensagens Escolhidas, livro 1, pág. 57. ver erro, é melhor errar do lado das pessoas do que do lado em
15. Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, pág. 137 (Fundamentos da
Em uma carta a Marian Davis, sua confi- tifo, em grande parte devido às drogas con- Educação Cristã, pág. 21).
que não se pode alcançá-las. Não sejam diferentes simples-
dente e eficiente auxiliar na confecção de li- vencionais que destruíam a capacidade de o mente por querer ser diferentes. Fora com o bolo. As pessoas
16. Biography, vol. 5, págs. 312-315 (Mensagens Escolhidas, vol.
podem matar-se com doces. Os doces são mais prejudiciais às
vros, a Sra. White usou sua imaginação práti- paciente vencer o enfraquecimento causado 3, págs. 216 e 217). Leia toda a seção, págs. 315-317, para co-
crianças do que qualquer outra coisa.” – Sermons and Talks,
mentários adicionais que mostram os claros princípios de
ca a respeito de Avondale e, baseada no con- pelas drogas. Mas ela sabia também que a hi- Ellen White relativos à educação infantil, a quem e como de-
vol. 1, pág. 12.
25. “O mundo está cheio de mulheres com baixa vitalidade e
selho de seu Guia, escreveu: “Planejei o que droterapia devia ser usada sabiamente. Apli- via ser ministrada.
pouco bom senso. A sociedade precisa muito de mulheres
pode ser cultivado em diversos lugares. Disse car gelo sobre a cabeça e o corpo de Lacey, 17. Ver Apêndice P.
18. “Precisamos ser guiados pela genuína teologia e o bom senso. saudáveis e sensatas, que não temam trabalhar nem sujar as
eu: ‘Aqui pode ser uma plantação de alfafa; que estava com baixa vitalidade, iria enfra- Nossa alma necessita estar rodeada pela atmosfera do Céu. mãos. Deus lhes deu mãos para usarem no trabalho útil. Deus
não lhes deu a maravilhosa máquina do corpo humano para
ali, de morangos; acolá, de milho doce e mi- quecê-lo ainda mais. Homens e mulheres devem vigiar-se a si mesmos; estar de
ficar paralisada por inatividade. Era propósito de Deus que a
contínuo em guarda, não permitindo palavra ou ação que ve-
lho comum. Este solo produzirá boas batatas, Tempos depois, a Sra. White escreveu a nha fazer com que seja vituperado o seu bem. (Rom. 14:16.) maquinaria viva estivesse empenhada em atividade diária,
enquanto aquele produzirá boas frutas de to- respeito desse grave acontecimento: “Eu não O que professa ser seguidor de Cristo tem de vigiar-se a si pois é esta atividade ou movimento o que lhe conserva o vi-
mesmo, conservando-se puro e incontaminado em pensa- gor. O trabalho manual acelera a circulação do sangue.
das as espécies.”40 ia ser tão delicada com o médico a ponto de Quanto mais ativa for a circulação do sangue, mais livre será
mento, palavra e ação. Sua influência sobre os outros deve
Parte do problema daqueles dias iniciais permitir que a vida de Herbert Lacey fosse jo- ser de molde a elevar. Sua vida deve refletir os brilhantes o sangue de obstruções e impurezas. O sangue nutre o corpo.
na Austrália era que não se havia feito mui- gada fora. ... Pode haver casos em que as apli- raios do Sol da Justiça.” – Conselhos aos Professores, Pais e Es- A saúde do corpo depende da saudável circulação do sangue.
tudantes, págs. 257 e 258. Ver págs. 305-307, 311, 326, 400- Se a obra é realizada sem o coração estar nela, não passa de
ta coisa no ramo da agricultura científica. cações de gelo funcionem bem. Mas os livros 402 e 436 para outros exemplos de Ellen White apelando pa- trabalho enfadonho, e não se obtém o benefício que deveria
Ellen White sabia que, se Avondale mos- de prescrições que são seguidos à risca no que ra o bom senso. resultar do exercício.” – Signs of the Times, 29 de abril de
diz respeito às aplicações de gelo devem ter 1885.
trasse o caminho no adequado gerencia- 19. Conselhos Sobre a Escola Sabatina, pág. 186.
26. Evangelismo, pág. 540.
20. Testemunhos Para a Igreja, vol. 4, págs. 416 e 417 (Conselhos
mento do solo, o beneficiado não seria so- explicações adicionais, para que as pessoas Sobre o Regime Alimentar, pág. 141). 27. “Não permitam que prevaleça a idéia de que o Retiro de Saú-
mente o colégio. Ela sabia que a pobreza da- com baixa vitalidade usem o quente em lugar 21. A Ciência do Bom Viver, pág. 321. Ver também Educação, de é um lugar onde os doentes são curados pela oração da fé.
pág. 205. Haverá ocasiões em que isto será feito, e precisamos constan-
quela região da Austrália seria grandemen- do frio. ... Fazer apenas o que o livro do Dr. temente ter fé em Deus. Ninguém pense, porém, que aqueles
22. Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 178.
te reduzida quando o povo reconhecesse Kellogg recomenda sem refletir sobre o as- 23. “No uso dos alimentos, devemos exercer discernimento e que maltrataram a si mesmos e não cuidaram de si mesmos de
que era capaz de produzir com êxito o pró- sunto é simplesmente loucura.”42 bom senso. Ao percebermos que alguma coisa nos faz mal,
não precisamos escrever cartas de consulta [a Ellen White] * Leito de ferro onde, segundo a mitologia grega, Procus-
prio alimento. Em uma carta endereçada a A respeito do espírito prático e do bom para saber a causa do distúrbio. Usemos nosso raciocínio. to, famigerado ladrão, estendia suas vítimas, cortando-lhes os
Edson, ela enfatizou o que havia exemplifi- senso de Ellen White, sua neta Grace White Mudem o regime; usem menor quantidade de alguns ali- pés quando ultrapassavam, ou esticando-os quando não al-
cado no pomar da escola e em suas próprias Jacques disse certa vez: “Lembro de uma jo- mentos; experimentem outras preparações. Logo sabere- cançavam o tamanho do leito.

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SEÇÃO II
CAPÍTULO 9
A Verdadeira Ellen White BOM HUMOR, BOM SENSO
ECONSELHEIRA PRÁTICA

maneira inteligente podem vir para o Retiro de Saúde e ser devem seguir a Cristo e fazer seus vestidos em conformidade
curados pela oração da fé, pois isto é presunção. Eu vejo meus com a Palavra de Deus. Devem evitar os extremos. Devem
irmãos exercendo tão pouca sabedoria e tão pouco bom senso elas adotar humildemente uma conduta reta, apegando-se ao
que meu coração fica pesaroso, dolorido e angustiado. Eles não direito por ser direito, sem se preocupar com aplausos ou cen-
têm idéias sensatas nem honram a Deus. Precisam do toque di- suras.” – Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, págs. 458 e 459
vino. Se predominar a idéia de que os doentes devem vir ao (Mensagens Escolhidas, vol. 2, págs. 476 e 477).
Instituto para serem curados pela oração da fé, vocês terão um 33. Para a citação completa, Manuscrito 167 (1897), onde Ellen
estado de coisas que nem imaginam, ainda que eu lhes descre- White apresenta princípios orientadores sobre a reforma do
vesse isso usando os melhores recursos da língua inglesa que eu vestuário, ver o Apêndice em D. E. Robinson, The Story of
fosse capaz de dominar.” – MR, vol. 7, pág. 370 (1886). Our Health Message, terceira edição (Nashville: Southern
28. “Foi-me mostrado que nossos pastores estão causando grande Publishing Association, 1965), págs. 441-445. (Orientação da
prejuízo a si mesmos pelo descuido no uso dos órgãos vocais. Criança, pág. 414.)
Chamamos-lhes a atenção para este importante assunto e de- 34. Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 319.
mos, por intermédio do Espírito de Deus, advertências e ins- 35. Ibidem.
truções. Era dever deles aprender a maneira mais sábia de 36. “A juventude confia demais no impulso. Não deve entregar-
usar esses órgãos. A voz, este dom do Céu, é uma poderosa fa- se demasiado facilmente, nem deixar-se cativar muito de-
culdade para o bem e, caso não seja pervertida, glorificará a pressa pelo atraente exterior do pretendente. ... Se há algo
Deus. Tudo o que era essencial era estudar e seguir conscien- em que seja preciso o bom senso, é este; mas o fato é que ele
ciosamente algumas regras simples. Mas em vez de educarem- é pouco empregado neste assunto.” – Review and Herald, 26
se, como deviam ter feito pelo exercício de um pouco de bom de janeiro de 1886 (Mensagens aos Jovens, pág. 450).
senso, contrataram um professor de técnica vocal.” – Teste- 37. Fazendo um apelo a uma esposa egocêntrica, Ellen White es-
munhos Para a Igreja, vol. 4, pág. 604. Ver também Medicina creveu: “Você acha que não é decepcionante para seu mari-
e Salvação, págs. 264 e 265. do constatar que você é o que Deus me mostrou que você é?
29. Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, pág. 394. Será que ele casou com você com a expectativa de que você
30. Educação, pág. 220. não assumiria responsabilidades, não compartilharia perple-
31. Evangelismo, pág. 505. xidades nem exerceria abnegação? Esperava ele que você não
32. “As mulheres cristãs não se devem dar a trabalhos para se tor- se sentiria na obrigação de exercer domínio próprio, ser ale-
narem objeto de ridículo por vestir diferentemente do mun- gre, bondosa, paciente e sensata?” – MR, vol. 16, pág. 310.
do. Mas, se seguindo suas convicções de dever a respeito do 38. Biography, vol. 4, págs. 26 e 27.
vestir modesta e saudavelmente, elas se acham fora da moda, 39. Ibidem, pág. 215.
não devem mudar de vestuário a fim de ser semelhantes ao 40. Ibidem, pág. 154. Para leitura adicional sobre o desenvolvimen-
mundo; porém devem manifestar nobre independência e co- to divinamente orientado de Avondale College, ver pág. 355.
ragem moral para ser corretas, ainda que o mundo inteiro de- 41. Ibidem, pág. 224 (Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evan-
las difira. Caso o mundo introduza um modo de vestir decen- gélicos, págs. 243 e 244).
te, conveniente e saudável, que esteja em harmonia com a 42. Ibidem, págs. 292 e 293.
Bíblia, não muda nossa relação para com Deus ou para com 43. “My ‘Special’ Grandmother”, The Youth’s Instructor, 5 de de-
o mundo o adotar tal estilo de vestuário. As mulheres cristãs zembro de 1961.

Perguntas Para Estudo

1. Se você tivesse que explicar o valor do “bom senso”, como você começaria, à vista do
fato de que a Palavra de Deus, não nossa opinião pessoal, é a prova da verdade?

2. Como refutaria a acusação de que Ellen White era uma “desmancha-prazer” e uma “san-
ta” mal-humorada?

3. Qual o princípio fundamental que decide como aplicar o bom senso em todos os aspec-
tos da vida?

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M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO II

10
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
Compradora Excelente rainhas-do-prado acabam de desabrochar, bem
Em determinado momento de seu movimen- como as campânulas de Baltimore. As peônias
tado programa de atividades na Europa, Ellen têm estado muito belas e perfumadas, mas es-
White sentiu a necessidade de diminuir um tão começando a murchar rapidamente. Faz
pouco o ritmo inflexível de suas atividades li- vários dias que estamos comendo morangos.”11

A Pioneira Americana e terárias e compromissos de pregação. Como


forma de distração, ela e Sara McEnterfer, sua
companheira de viagem, faziam trabalhos de
Praticar jardinagem significava para Ellen
White trabalho, mas trabalho prazeroso. Es-
crevendo de Oakland, Califórnia, para o ma-

a Mulher Vitoriana costura para si mesmas e para os outros. Al-


gumas mulheres, percebendo que ela mani-
festava bom gosto e economia quando com-
prava, freqüentemente queriam a ajuda dela
rido em Battle Creek, mencionou uma nova
amiga que repartiu plantas para o seu jardim:
“Organizei minhas coisas no jardim de minha
nova casa à luz da lua e com a ajuda de meu
“Ela se levantou do leito de enfermidade e deu os primeiros, débeis e hesitantes passos para tornar- ao fazerem suas compras.8 lampião. As duas Marys tentaram fazer com
se uma mulher vitoriana e uma profetisa adventista.”1 Em todas as coisas, porém, até mesmo na que eu esperasse até o amanhecer, mas eu não
costura, ela recomendava o equilíbrio e insis- lhes dei ouvido. Tivemos um belo aguaceiro
tia em que fossem mantidas as prioridades na noite passada. Fiquei contente em ter in-
corretas. Falando a respeito das mães, escre- sistido em arrumar minhas plantas.”12

D
e todas as líderes femininas de grupos veram, assim como a maioria das outras fa- veu: “Mantenha-se ela bem-humorada e ale- Em 1881, os White tinham voltado a mo-
sociais ou religiosos do século dezeno- mílias dotadas com o espírito pioneiro do sé- gre. Em vez de passar todos os momentos rar em Battle Creek. Desta vez, escrevendo a
ve, Ellen White foi, por assim dizer, culo dezenove. Durante a maior parte de sua num costurar sem fim, faça do serão um apra- Mary, sua nora, Ellen White pediu mudas do
única. Ela combinava as vigorosas caracterís- longa vida, Ellen White fez suas próprias zível período social, uma reunião de família jardim que plantara em Oakland: “Quero lhe
ticas de pioneira norte-americana com as vir- costuras. Certa vez, ela escreveu: “Os len- depois dos deveres do dia.”9 pedir um favor. Pegue uma caixa pequena e
tudes da típica mulher vitoriana. çóis, as fronhas e as minhas roupas estão em coloque nela pequenas raízes e mudas de cra-
boa ordem.”5 Entusiasta Horticultora vos, alguns galhos de rosas seletas, brincos-
À Vontade com Cavalos Em um dos últimos dias de novembro de Ellen White era uma horticultora entusiástica, de-princesa e gerânios e os envie para mim.”
Eis uma mulher de 1,57m de altura, outrora 1865, em Rochester, Nova Iorque, ela escre- não apenas para atender suas necessidades do- Alguns dias depois, ela escreveu: “Nossa ca-
frágil, que podia arrear e montar cavalos tão veu uma cartinha para Tiago: “A noite passa- mésticas de vegetais e frutas, mas também para sa em Michigan está linda. ... Estive plantando
bem quanto a maioria dos homens.2 Além da foi uma noite fria. Eu receava dormir sozi- embelezar o lar com flores frescas. A primave- arbustos e flores até formar um bom jardim. Te-
disso, baseada na própria experiência, insistia nha num quarto frio, mas minha bonita e ra em Battle Creek (1859) mexeu com a veia nho um grande número de peônias; espero con-
fortemente em que os rapazes deviam apren- quente camisola ficou pronta. Eu a vesti e fi- de jardineira desta atarefada mãe de 31 anos de seguir cravos da Califórnia. Quero adquirir um
der, em casa ou na escola, como “fazer a cama cou realmente confortável. ... Estou me sain- idade e três filhos. A respeito de um 24 de mar- pouco daquelas folhagens verdes para bordas de
e arranjar o quarto, lavar a louça, preparar a do muito bem como costureira, e sem ficar ço frio e ventoso, o diário dela diz: “Levantei canteiro que conseguimos com a irmã Rollin. ...
comida, lavar e consertar a própria roupa”. sobrecarregada.”6 cedo. Ajudei meu marido e o irmão Richard Desejo ter algumas sementes da Califórnia.”13
As jovens deviam aprender a “arrear, caval- [Godsmark] a transportar uma muda de grose- Esse grande e ávido interesse em jardim e
gar, usar a serra e o martelo, assim como o an- Um Dia Típico lheira para plantar em nosso quintal.” pomar preparou-a para o desafio na Austrália
cinho e a enxada”.3 Ao lermos os diários e cartas de Ellen Whi- No dia 30 de março, o tempo ficou mais na década de 1890. Ao perceber que a maior
te, podemos ter uma idéia de como era sua quente, e eis o que ela fez: “Plantei framboe- parte do incentivo que dera à expansão do de-
Habituada a Dificuldades vida diária. Numa carta de 1873, endereça- seiras. Fui à loja Manchester buscar mudas de senvolvimento da agricultura caíra em ouvi-
Ellen White é com muita freqüência lembra- da ao Pastor D. M. Canright e esposa, ela morangos. Adquiri algumas groselheiras. En- dos pessimistas, declarou ousadamente que os
da como oradora convincente e escritora pro- escreveu, em parte: “Faz algum tempo que viei três cartas.” homens da região estavam equivocados. Para
lífica, mas as pessoas de seu tempo também a sinto o dever de escrever para os irmãos, No dia seguinte, ela plantou “um canteiro dizer a verdade, ela afirmou que eles estavam
conheceram como dona de casa competente mas não tenho encontrado tempo. Levan- de morangos”. Duas semanas depois escreveu: levantando “falso testemunho” contra a terra.
e mãe bem-disposta. Tudo isso não era fácil tei às cinco e meia da manhã, ajudei Lucin- “Passei a maior parte do dia fazendo um jar- Pelo exemplo e pela exortação visionária,
numa época em que não havia eletricidade da a lavar os pratos, escrevi até o escurecer, dim para meus filhos. Estou disposta a tornar- ela mostrou o caminho. O resultado foi reca-
nem sistema de abastecimento de água. Não depois fiz algumas costuras necessárias e fi- lhes o lar tão agradável quanto me for possí- pitulado em carta escrita em 3 de fevereiro de
era fácil também porque ela e o marido pas- quei sentada até perto da meia-noite. Ape- vel, para que o lar seja para eles o lugar mais 1896: “Tenho a prova de que, se cuidarmos
savam anos sem nenhuma renda regular. Não sar disso não fiquei doente. Depois de ter- agradável de todos.”10 das árvores e hortaliças na estação seca, tere-
ter um “lugar fixo para morar” tornava a vida minar as atividades literárias do dia, tenho De seu pequeno lar em Washington, Iowa, mos bons resultados. Nossas árvores estão in-
completamente difícil.4 lavado a roupa da família. Muitas vezes ela escreveu para Edson: “Estamos cercados de do bem . ... Posso afirmar, por experiência
fico tão cansada que cambaleio como bêba- flores de quase todas as espécies, mas o mais be- própria, que disseram falso testemunho con-
Habilidosa na Costura da, mas louvo ao Senhor porque tenho sido lo de tudo é estar rodeados de rosas por todos tra esta terra. No terreno da escola, temos to-
Mas os White e dois de seus filhos sobrevi- sustentada.”7 os lados, rosas perfumosas de todas as cores. As mates, abóboras, batatas e melões. ... Sabe-
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 10 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A PIONEIRA AMERICANA
EA MULHER VITORIANA

mos que, com o devido cuidado, a terra irá ferro parada devido à crise financeira de 1873, do o trem não pôde mais prosseguir, essas nidade, tarefas domésticas) e a resposta a seu
prosperar.” os gafanhotos atacaram comendo tudo o que duas mulheres alugaram uma carruagem. chamado profético. “Sua fragilidade, as visões
Alguns dias depois, escreveu em seu diário crescia desde as fronteiras do Canadá até o nor- Quando a carruagem foi obrigada a parar, elas sobre as quais não tinha controle, sua relutân-
que havia levantado às 4h30 e, antes das 5h, te do Texas. Um trem da Union Pacific em puseram-se a caminhar, perfazendo os últi- cia, particularmente nos primeiros anos, em
estava no jardim “cavando a terra com a pá e Kearney [Nebraska] entravou em um monte de mos 64 quilômetros em quatro dias. aceitar posição de liderança que exigia dela
preparando-a para plantar minhas flores”. De- gafanhotos de quase um metro de altura.”18 Essa viagem fenomenal é descrita por Ellen ser mais do que uma amanuense de Deus, re-
pois, com a ajuda de duas pessoas, ela plantou Em 1876, o tempo convencional de via- White na Review and Herald de 30 de julho de velam um padrão particularmente feminino
vinte e oito tomateiros. Na manhã seguinte foi gem entre a costa do Pacífico e Nova Iorque 1889: “Fomos obrigadas a caminhar quilôme- de profecia religiosa. Era um padrão que aten-
ao pomar “amarrar as árvores. Coloquei um tu- era de sete dias e sete noites, com baldeações tros nesta viagem, e pareceu maravilhoso que dia a necessidade de as mulheres serem mais
fo de grama entre a estaca e as árvores para que em Omaha e Chicago.19 eu conseguisse suportar o percurso como o fiz. servas do que mestras, e servia para reforçar a
as árvores não fossem prejudicadas”.14 Por três vezes Ellen White empreendeu a Fazia anos que eu quebrara os tornozelos, e percepção confortável das mulheres como va-
arriscada viagem marítima para Oregon desde então eles haviam ficado fracos. Antes sos passivos por meio dos quais Deus e os ho-
Viajante Intrépida (1878, 1880 e 1884), numa época em que os de partir de Battle Creek para Kansas, eu ha- mens realizam grandes obras. Ao adotar esse
O espírito pioneiro de Ellen White foi prova- recursos ainda eram primitivos. A respeito de via torcido um tornozelo, ficando confinada a padrão, Ellen White tornou-se o tipo de mu-
velmente mais bem manifestado no seu ex- uma visita que recebeu de Ellen White em muletas por algum tempo; mas, nesta emer- lher profetisa que a América [do Norte] vito-
traordinário itinerário de viagem. Até 1885 1878, quando ela contava 50 anos de idade, a gência, não senti fraqueza nem desconforto. riana era capaz de tolerar.”25
ela havia atravessado os Estados Unidos de esposa de um obreiro relatou: “Ao contemplar Viajei com confiança sobre rochas acidenta- A Sra. White manifestou uma de suas mui-
trem, da Califórnia a Michigan, cerca de vin- a obra que devia ser feita, a irmã White empe- das e escorregadias.”22 Na reunião campal de tas características do modelo vitoriano pelo
te e quatro vezes, apenas dezesseis anos depois nhou-se tanto quando aqui esteve, que lhe pa- Williamsport, ela pregou treze vezes, inclusive uso freqüente de eufemismos. Por exemplo, ao
de a conexão transcontinental ter sido cons- receu realmente esquecer sua idade. Sua visi- em todas as reuniões realizadas de manhãzi- referir-se à relação sexual, ela usava frases co-
truída em Promintory, Utah! Obviamente, es- ta a Oregon foi o mais valioso benefício para nha – e isso sem nenhum sistema de som! mo: “privilégio das relações conjugais,”26
sas viagens não eram nada parecidas com o a Verdade Presente nesta região.”20 Esse espírito perseverante, bem-disposto e “privilégios matrimoniais”27 e “privacidade e
que as pessoas de hoje imaginam nem tinham Em 1852, os White saíram de Rochester, pioneiro manifestou-se, como sempre, quan- os privilégios da relação de família”.28
semelhança alguma com as idéias românticas Nova Iorque, para uma viagem de dois meses do os White atravessaram o rio Mississippi Os eufemismos vitorianos que ela empre-
que as pessoas atribuem ao viajar por via fér- à Nova Inglaterra a cavalo e de carruagem. em 1857. Trinta centímetros de água corria gava não eram meramente recato exagerado.
rea na primeira metade do século vinte.15 Tiago organizou o itinerário e informou os por sobre o gelo, e outras parelhas de animais Ela foi uma devotada e amorosa esposa que
Os vagões de passageiros, feitos de madeira adventistas pela revista da igreja sobre o tem- com carroças haviam recuado, mas o grupo conquistou e conservou a admiração do mari-
e suscetíveis a acidentes, estavam na ordem po e o lugar por onde os White passariam. O dos White seguiram adiante. Em Iowa, em do até o dia em que ele morreu. Mas enten-
do dia, não sendo substituídos pelos vagões de programa de atividades era extenuante; foi meio a ventos frios e intensos, com os cava- dia de saúde mental e a maneira como se de-
aço inteiriço a não ser em 1907. “Os assentos planejado percorrer um trecho de aproxima- los abrindo caminho através da neve alta, vem estabelecer as prioridades conjugais. Seu
tinha espaldares retos e eram forrados com um damente 160 quilômetros em apenas dois eles finalmente chegaram a seu destino.23 conselho freqüente a outros a respeito de re-
estofamento fino, se é que eram. Um forno a dias! Mas com o bom tempo e a ausência de lações conjugais desenvolveu-se não apenas
carvão provia o único aquecimento; velas e transtornos, eles conseguiram atender seus A Mulher Vitoriana por meio da inspiração divina, mas também
lampiões forneciam a iluminação. Os espaços compromissos. Enquanto andavam aos sola- Contudo, apesar do valoroso exemplo de vigo- por sua própria experiência pessoal. Defendia
abertos das plataformas ofereciam pouca pro- vancos sobre uma carruagem aberta, Tiago rosa mulher pioneira do século dezenove, a civilidade e a modéstia cristã não apenas
teção contra o tempo quando se caminhava pensava sobre o que escreveria para a Review Ellen White revelava as características da mu- verbalmente, mas as colocava em prática
de uma composição para outra.”16 O maqui- e Youth’s Instructor. Quando paravam para lher vitoriana. A pesquisadora Kathleen Joyce com um marido que a adorava.
nista “podia ser identificado por seu cheiro de alimentar Charlie, seu cavalo, Tiago escrevia chamou a atenção para uma passagem larga- Repare, por exemplo, em um conselho
uísque tão prontamente como o caixeiro-via- os artigos “sobre a tampa de nossa caixa de mente citada por Bárbara Welter, que alistava particular dado a Daniel T. Bordeau, um ten-
jante por sua pasta de amostras”.17 alimentos ou a copa de seu chapéu”.21 quatro virtudes pelas quais se julgava uma mu- so jovem de 26 anos de idade. Ordenado com
Os primeiros quarenta anos de viagem por A experiência de Ellen White em tentar lher vitoriana: “Piedade, pureza, submissão e a idade de 23 anos, fazia três anos que Bor-
via férrea rumo ao oeste foram “o apogeu do chegar a um compromisso na reunião campal domesticidade. Misture tudo e elas formarão as deau buscava uma esposa. Em 1861 ele casou-
mineiro, do caubói, dos assaltantes de trem e de Williamsport, Pensilvânia, em princípios palavras mãe, filha, irmã, esposa – mulher. se com Marion Saxby em Bakersfield, Ver-
das pessoas de má fama; você poderia encon- de junho de 1889, ilustra bem seu espírito Sem elas, não importava a fama, a realização mont, em uma cerimônia oficiada por Tiago
trar um ou todos eles viajando em bancos esto- perseverante e pioneiro. Este foi o ano da ou a riqueza, tudo são cinzas. Com elas, havia White numa casa particular. Tiago tinha 40
fados ou de ripas dos trens a vapor”. A região chuva torrencial e da inundação de Johns- a promessa de felicidade e poder.”24 anos e Ellen, 33, uma mulher ainda jovem.
que se estendia rumo ao oeste “era descalvada town. Muitas estradas e pontes haviam sido Joyce acrescentou a área da “saúde e dos Pelo fato de a cerimônia ter sido no fim do
e agreste, açoitada por ventos cruéis e queima- destruídas. O trem partiu lentamente de Bat- cuidados médicos femininos” como uma outra dia, os recém-casados aceitaram o convite
da por tórridos verões. A chuva, quando apare- tle Creek. Quando eles chegaram a Elmira, característica específica da mulher vitoriana. dos anfitriãos para passarem a noite na casa
cia, era uma torrente destrutiva. As estiagens Nova Iorque, foram aconselhados a voltar pa- Observou que a carreira de Ellen White foi deles. Os White também ficaram como con-
aconteciam a intervalos regulares. ... Em 1874, ra casa. Mas a Sra. White (na época com 61 um equilíbrio constante entre o cumprimento vidados da família.
com a maior parte da construção da estrada de anos) e Sara McEnterfer continuaram. Quan- das obrigações vitorianas (casamento, mater- Quando Ellen White subiu as escadas para
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 10 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A PIONEIRA AMERICANA
EA MULHER VITORIANA

recolher-se, topou com um jovem muito ner- riana ao marido nem se conformava às ex- discutido e usado como um exemplo a seguir, mas jamais con- vol. 8 (1966), pág. 151, citado no original inédito de Kathleen
siderado coisa extraordinária”. – The Fruitage of Spiritual Joyce, “An Ambiguous Woman: Victorian Womanhood and Re-
voso andando de um lado para outro em fren- pectativas sociais (apenas para obter a apro- Gifts, pág. 152. ligious Prophecy in the Life of Ellen Gould White”, 1991.
te à porta fechada do quarto. Ela suspeitou vação masculina) ou à domesticidade vito- 23. Biography, vol. 1, págs. 346-349. Ver também pág. 431. Para 25. Joyce, ibidem, pág. 24.
que havia problema. Delicadamente disse ao riana (para aumentar o prestígio entre ou- outro exemplo da vida emocionante mas rigorosa dos pionei- 26. Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, pág. 380.
ros, examine os meses passados no Texas durante o inverno 27. Ibidem, pág. 391.
jovem noivo (conforme a noiva citou poste- tras mulheres). Ao desempenhar seu papel de 1878-79 e a experiência penosa sofrida em um comboio de 28. Ibidem, pág. 90.
riormente ao narrar o incidente com o mari- profético, essas “virtudes” vitorianas assumi- carruagens na primavera de 1879. – Ibidem, págs. 98-120. 29. Roger W. Coon, “Counsel to a Nervous Bridegroom”, Adven-
do): “Daniel, dentro deste quarto, sobre a ca- ram um novo significado. A fragilidade físi- 24. “The Cult of True Womanhood: 1820-1860”, American Quartely, tist Heritage, verão de 1990, págs. 17-22.
ma, encontra-se uma jovem apavorada, petri- ca tornou-se um desafio para vencer a fra-
ficada de medo. Pois bem, agora vá até ela, queza pela graça de Deus, um feito que lhe
ame-a e conforte-a. E, Daniel, trate-a com deu maior força e resistência à medida que Perguntas Para Estudo
delicadeza, com ternura e com amor. Isso fa- envelhecia.
rá bem a ela.” Embora a submissão ao marido e o atendi- 1. Quais as características distintivas da mulher “vitoriana”?
Depois ela acrescentou: “Daniel, isso tam- mento das necessidades da família fossem im-
bém lhe fará bem!”29 Eis uma mulher vitoria- portantes, a responsabilidade profética de Ellen 2. De que maneiras interessantes foi Ellen White uma mulher pioneira exemplar?
na que tinha as prioridades certas. Aquele jo- White era a coisa mais importante de sua vida.
vem casal ficou eternamente grato. Ela mostrava a todos que as responsabilidades 3. Na sua opinião, como a aptidão para jardinagem ajudou Ellen White em sua produção
Em alguns outros aspectos, Ellen White religiosas não reduziam as responsabilidades literária? Dê alguns exemplos.
era bastante diferente da típica mulher vito- domésticas. A vida, para ela, não era dividida
riana. Ela não se valia de sua fragilidade pa- em compartimentos, quer como profetisa, quer 4. Poderia uma mulher do mundo de hoje ser tanto “vitoriana” quanto uma pioneira
ra obter vantagens pessoais ou atenção espe- como dona de casa. Encarava a vida como um norte-americana?
cial, mas sobrepôs-se a isso para o espanto de todo. Para cumprir suas responsabilidades reli-
seus contemporâneos. Embora respeitasse giosas, não precisava diminuir suas responsabi-
Tiago, não possuía a típica submissão vito- lidades como esposa, mãe ou vizinha.

Referências
1. Jonathan Butler, “Prophecy, Gender and Culture: Ellen pany, 1975), pág. 123. Ver Apêndice C para trechos do rela-
Gould Harmon [White] and the Roots of Seventh-day Ad- to de Robert Louis Stevenson de seu percurso de trem em
ventism”, Religion and American Culture: A Jornal of Interpre- 1879 rumo ao oeste.
tation, vol. 1 (inverno de 1991), págs. 3-29. 19. Lucius Beebe, The Age of Steam, pág. 161. Em 1848 ninguém
2. Algumas referências descrevem seus passeios a cavalo nas ainda havia viajado num veículo à velocidade de 1,6 quilô-
montanhas do Colorado, tanto por prazer como para propó- metro por minuto. O Presidente Washington fora informado
sitos de viagem. Ver MR, vol. 3, págs. 158, 163 e 170; vol. pelos principais médicos “que uma diligência que desenvol-
8, pág. 121; vol. 20, pág. 208. vesse velocidade de 24km/h certamente ocasionaria a morte
3. Educação, pág. 216. de quem nela estivesse, pois isto faria com que todo o sangue
4. Life Sketches, pág. 105. Ver pág. 80. do corpo afluísse para a cabeça.” – Lucius Beebe, High Iron
5. MR, vol. 5, pág. 430 (1874). (New York: D. Appleton-Century Company, 1938), pág. 55.
6. Ibidem, vol. 10, pág. 27. No capítulo “Overland by Rail, 1869-1890”, em Gary Land,
7. Ibidem, vol. 15, pág. 231. The World of Ellen G. White, págs. 63-76, Randall R. Butler
8. Delafield, Ellen G. White in Europe, pág. 200. Willie, viajan- II escreveu que, antes de 1880, os trens da Union Pacific e
do com a mãe, escreveu para sua esposa Mary, em Basilésia: da Central Pacific faziam a média de 35,4 quilômetros por
“Mamãe e Sara continuam apresentando ótimo desempe- hora. Depois de 1880 as velocidades médias dobraram, mas,
nho na costura. Se você alugar uma loja, acho que elas se- devido às mais de duzentas paradas em estações e tanques de
rão capazes de formar um estoque com bom sortimento de água, as horas totais gastas na travessia do país continuavam
confecções.” as mesmas. Concluindo este capítulo, Butler escreveu: “An-
9. A Ciência do Bom Viver, pág. 294. tes do meio da manhã, os trens que viajavam para o ociden-
10. Biography, vol. 1, pág. 400. te chegavam ao terminal de Oakland. Os passageiros, cansa-
11. Ibidem, vol. 2, pág. 340. dos e fatigados, geralmente se alegravam com o término da
12. Ibidem, vol. 3, pág. 24. viagem. Eram quatro dias e meio, longos e penosos, desde
13. Ibidem, pág. 158. Omaha, e a maioria dos passageiros que havia começado sua
14. Ibidem, vol. 4, págs. 261-262. viagem ainda tinham pela frente de um a três dias rumo ao
15. Ver págs. 84-86. leste ou ao sul. Após uma semana de barulho, poeira e fuma-
16. Overland Route (No. Highlands, California: History West, ça de locomotiva e de fumo, os passageiros que desembarca-
1981), pág. 17. vam queriam apenas um banho quente e repouso tranqüilo.”
17. Lucius Beebe e Charles Clegg, The Age of Steam (New York: 20. Citado em Land, The World of Ellen G. White, pág. 83. Para
Rinehart & Company, s.d.), pág. 17. Um caixeiro-viajante compreensão das dificuldades enfrentadas pelos primeiros
era um vendedor itinerante. obreiros adventistas, ver ibidem, págs. 74-80.
18. Oliver O. Jensen, The American Heritage History of Railroads 21. Biography, vol. 1, págs. 232-234.
in America (New York: American Heritage Publishing Com- 22. L. H. Christian lembra que “este artigo da Review foi lido,

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SEÇÃO II

11
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
família alguns trechos interessantes daquilo voz. Saí da cama e escrevi durante cinco ho-
que escrevera. ras, tão rápido quanto a pena podia traçar as
“Papai algumas vezes nos falava sobre o linhas. Depois, descansei na cama por uma
trabalho em que estava empenhado ou nos hora, e dormi parte do tempo.
relatava incidentes interessantes relaciona- “Coloquei a matéria nas mãos de minha

A Escritora dos com o progresso da causa, no Leste e no


Oeste. Às sete horas todos se reuniam na sa-
la de visitas para o culto matutino...
copista e, na segunda-feira de manhã, ela
me esperava, tendo sido colocada no meu
escritório no domingo à noite. Havia qua-

Prolífica “Depois que papai saía de casa, mamãe


gostava de passar meia hora em seu jardim de
flores durante essas partes do ano em que as
tro artigos prontos para eu reler e fazer
quaisquer correções necessárias. A matéria
está pronta agora, e parte dela seguirá hoje
flores podem ser cultivadas. Nisto seus filhos para o correio.
era estimulados a trabalhar com ela. Depois “Eis o ramo de trabalho que estou levando
“De boas palavras transborda o meu coração: Ao Rei consagro o que compus: a minha pena é co- ela costumava dedicar três ou quatro horas à avante. Faço a maior parte de meus escritos
mo a pena de habilidoso escritor.” Sal. 45:1.
escrita. Suas tardes eram geralmente ocupa- enquanto os outros membros da família dor-
das em várias atividades: costurar, remendar, mem. Acendo meu fogo, e depois escrevo
tricotar, cerzir e trabalhar em seu jardim de ininterruptamente, às vezes por horas.”9
flores, com ocasionais viagens à cidade para

S
upõe-se que Ellen White seja o terceiro Ellen Harmon, trêmula de fraqueza, era inca- fazer compras ou visitar doentes.”5 Assistentes de Redação
escritor mais traduzido da História e o paz de escrever. Mas numa visão lhe foi dito Muitas vezes ela costumava escrever en- A fim de atender à incessante demanda por
escritor ou escritora norte-americana que escrevesse o que via. Pela primeira vez, quanto viajava. No apontamento de seu diá- artigos e livros, Ellen White desenvolveu por
mais traduzida de todos os tempos. Tanto sua “mão ficou firme”. Muitos anos depois ela rio de 18 de agosto de 1859 está registrado: fim uma eficiente organização de assistentes
quanto sabemos, ela escreveu e publicou relembrou essa experiência: “O Senhor disse: “Acordei pouco depois das duas da madruga- de redação voluntárias e remuneradas. Nos
mais livros, em maior quantidade de línguas ‘Escreva as coisas que Eu vou lhe transmitir.’ da. Tomei o trem às quatro. Sentia-me muito primeiros anos, Tiago ajudou-a, de maneira
e com maior circulação do que as obras escri- Comecei a fazer esta obra quando era muito perspicaz e desembaraçada, a preparar o ma-
deprimida. Escrevi o dia todo. ... Nossa via-
tas por qualquer outra mulher na História. jovem. A mão, que era fraca e tremia por cau-
gem de trem terminou às seis da tarde.”6 terial para publicação.10
Perto do encerramento do seu ministério sa de enfermidades, ficava firme logo que eu
Naquela mesma viagem, no apontamento A própria idéia de um profeta precisar de
septuagenário, sua produção literária totali- empunhava a pena, e desde as primeiras vezes
de seu diário de 10 de outubro, ela falou so- “assistência” redacional pode parecer nova
zava aproximadamente 100.000 páginas, ou tenho sido capaz de escrever. Deus tem-me
bre seu atarefado programa de atividades en- para algumas pessoas em anos recentes. Mas
o equivalente a 25 milhões de palavras, in- dado habilidade para escrever. ... A mão di-
cluindo cartas, diários, artigos para periódi- reita dificilmente tem sensação desagradável. quanto permanecia na casa de um membro aqueles que viveram na época de Ellen White
cos, folhetos e livros.1 Nunca se cansa. Raramente treme (1900).”3 da igreja: “A casa está cheia de gente. ... Não sabiam como ajudantes literários eram neces-
Na época em que a Sra. White faleceu Ellen White escrevia em papel de carta, tive tempo para conversar com eles. Encer- sários, levando-se em conta o volume de ma-
(1915), havia vinte e quatro livros seus publi- folhas encorpadas e em cadernos de folhas rei-me no quarto para escrever.”7 terial que ela era incumbida de escrever.11
cados, mais dois nas mãos de editores aguar- pautadas, quase sempre utilizando uma pena. Após uma turnê de três meses pelos Esta- Muitas vezes as pessoas que ficam pertur-
dando publicação. Na década de 1990, 128 Depois de meados da década de 1880, suas as- dos do Leste em 1891, pouco antes de partir badas ante a idéia de um profeta usar assis-
livros publicados levavam o nome de Ellen sistentes datilografavam seus manuscritos.4 com destino à Austrália, ela escreveu: “Falei tentes não compreendem direito a maneira
White, inclusive compilações de seus pensa- Ela escrevia em todas as ocasiões, dia e cinqüenta e cinco vezes, e escrevi trezentas como Deus fala aos seres humanos. Crêem
mentos sobre diversos assuntos.2 noite, e em circunstâncias que intimidariam páginas. ... O Senhor é que me tem fortaleci- que as pessoas inspiradas, inclusive a Sra.
Como tudo isso começou? Ela não era uma a outros. Seu filho W. C. White recordou um do e abençoado e sustido por Seu Espírito.”8 White, escreviam de maneira mecânica, re-
estudante brilhante, de formação universitá- típico programa de atividades na época em Encontramos em uma carta que Ellen gistrando exatamente tudo quanto Deus lhes
ria nem uma escritora talentosa ou publica- que os White se encontravam em casa, em White escreveu a G. W. Amadon em 1906 falava ou revelava, palavra por palavra.12 Al-
da! Seria difícil dizer que a extraordinária Battle Creek: “Com bem pouca variação, o vislumbres sobre a maneira como suas assis- guns supõem que Ellen White seja infalível,
obra literária de Ellen White é produto ape- programa diário da família White era algo pa- tentes a ajudavam: “Recolhi-me à noitinha, da mesma forma como o fazem em relação
nas da inteligência e invenção humanas. recido com isto: Às seis horas todos se levan- depois do sábado, e repousei bem sem dor ou aos escritores bíblicos. A compreensão que a
Seus contemporâneos, conhecedores de sua tavam. Muitas vezes mamãe estivera escre- incômodo até as dez e meia. Não consegui própria Sra. White tinha sobre a maneira co-
formação e educação mínima, também esta- vendo durante duas ou três horas, e a cozi- dormir. Eu havia recebido instruções [do mo a inspiração/revelação funciona será dis-
vam convencidos de que uma sabedoria mais nheira estivera ocupada na cozinha desde às Guia celestial], e raramente fico na cama de- cutida na página 421.
do que humana era responsável pela incisiva cinco. Por volta das seis e meia o desjejum es- pois de tais instruções me sobrevirem. Havia Ellen White utilizava assistentes literárias
e impressionante eloqüência demonstrada tava pronto. Mamãe costumava mencionar à um grupo reunido em ______, e Alguém que pelas mesmas razões que os escritores bíblicos
por ela tanto no prelo como no púlpito. mesa do desjejum que havia escrito seis, oito estava em nosso meio deu-me instruções que o faziam. Ela reconhecia as suas limitações de
No fim da primavera de 1845, a mão de ou mais páginas e, algumas vezes, lia para a eu devia repetir e repetir pela pena e pela tempo e aptidões literárias. Em 1873 escre-
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CAPÍTULO 11 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A ESCRITORA PROLÍFICA

veu em seu diário: “Meu espírito está chegan- visar todos os documentos antes de serem pu- Prophecy] à apreciação e crítica da comissão sua mãe lia muitas revistas religiosas à procura
do a conclusões estranhas. Estou pensando blicados, a menos que desse, quando necessá- editorial. Pus também esses originais nas de histórias com ensinamentos morais, que
que preciso deixar de lado os meus escritos em rio, permissão específica para um redator de mãos de alguns de nossos pastores para que os pudessem ser apropriadas em especial para se-
que tenho tido tanto prazer, e ver se posso tor- periódico fazer abreviações por economia de examinassem. Quanto mais os criticarem, rem lidas no sábado. Recortava os artigos pro-
nar-me uma pessoa erudita. Não sou uma pes- espaço. O registro mostra que eles fizeram tanto melhor para a obra.”20 veitosos e os colava em cadernos de recortes.24
soa versada em gramática. Procurarei, se o Se- poucas alterações. Quando ela escrevia sobre assuntos médi- Na década de 1870, muitos desses artigos
nhor me ajudar, aos quarenta e cinco anos de Desenvolveu-se uma “hierarquia de res- cos, suas ajudantes de escritório pediam a es- foram classificados em livros para diferentes
idade, tornar-me versada nessa ciência. Deus ponsabilidade”. Em se tratando de trabalhos pecialistas em medicina que revisassem os faixas etárias. A primeira destas coleções,
me auxiliará. Creio que Ele o fará.”13 editoriais de menor importância, por exem- originais atentamente: “Desejo que em tudo Sabbath Readings, Moral and Religious Lessons
Ela era muitas vezes interrompida en- plo, Marian Davis recebeu autorização para quanto lêem, vocês reparem nos lugares onde for Youth and Children, continha 154 histórias
quanto escrevia, e isto deixava o manuscrito resolver as questões por si mesma; questões o pensamento é expresso de maneira a rece- paginadas separadamente.25 Sabbath Readings
emaranhado. Comentando sobre a necessi- maiores deviam ser submetidas a W. C. ber a crítica específica de médicos e bondosa- for the Home Circle, uma coleção de histórias
mente nos dêem o benefício do seu conheci- em quatro volumes, apareceu mais tarde em
dade de ajuda redacional neste particular, ela White. Depois de William e Marian terem
mento quanto à forma de expressar o mesmo numerosas edições.26 Na virada do século, a
escreveu: “Escrevendo tanto como eu escre- feito seu trabalho, caberia a Ellen White to-
pensamento de maneira mais precisa.”21 Pacific Press Publishing Association publicou
vo, não admira que eu deixe tantas frases mar as últimas decisões relativas a modifica- Independentemente da pessoa de quem Golden Grains, uma série de dez brochuras,
inacabadas.”14 ções editoriais.17 recebia ajuda redacional, Ellen White fazia cada uma contendo 72 páginas.27 Publicou-se
Em uma carta a G. A. Irwin, presidente da Marian Davis teve oportunidades para sempre uma leitura do texto em sua forma fi- também uma coleção, sem data, de histórias
Associação Geral, Willie White mostrou que descrever seu trabalho, conforme ela o via: nal: “Encontro de manhã sob minha porta infantis intitulada Sunshine Series, a primeira
sua mãe procurava ajuda literária porque re- “Procuro iniciar tanto os capítulos quanto os vários artigos copiados pelas irmãs Peck, tinha dez brochuras de 16 páginas, e a segun-
conhecia a qualidade inconstante de seus es- parágrafos com frases curtas e simplificar real- Maggie Hare e Minnie Hawkins. Compete- da, 20 brochuras de 16 páginas cada.28
critos: “Algumas vezes quando a mente de mente onde for possível, retirar toda palavra me fazer uma leitura crítica de todos. ... Todo Em princípios de 1900, enquanto estava na
mamãe está descansada e livre, os pensamen- desnecessária e tornar a obra, conforme te- artigo que escrevo para ser preparado por mi- Austrália, Ellen White escreveu ao filho Ed-
tos são apresentados em uma linguagem que nho dito, mais compacta e vigorosa.”18 nhas obreiras, tenho sempre que lê-lo antes son, pedindo que ele lhe remetesse determina-
é não apenas clara e forte, mas também bela Os editores esperavam manter Ellen den- de ele ser enviado para publicação.”22 dos livros da sua [dela] biblioteca: “Envie pelo
e correta. Quando, porém, está cansada e tro do cronograma deles, o que não foi fácil correio os quatro ou cinco grandes volumes
oprimida com pesados fardos de ansiedade ou durante o tempo de árduos deveres na Aus- O Realce do Século Dezenove das notas de Barnes sobre a Bíblia. Acho que
quando o assunto é difícil de ser descrito, trália. Marian escreveu a Willie: “A irmã À semelhança dos profetas que escreveram a estão em Battle Creek, em minha casa agora
aparecem repetições e frases incorretas.” White é constantemente importunada com Bíblia, Ellen White escreveu inserida no con- vendida, em algum lugar junto com meus li-
Mais adiante ele descreveu as diretrizes se- o pensamento de que o original deveria ser texto literário, histórico, social e religioso de vros. Espero que você tome providências para
guidas pela mãe com relação às assistentes enviado imediatamente para impressão. ... A seu tempo. Escreveu não apenas com realce que meus pertences, se é que ainda tenho al-
literárias: “As copistas de mamãe são encarre- irmã White parece propensa a escrever, e humano, mas também com o realce e as for- gum, sejam cuidados e não se espalhem por to-
gadas de corrigir os erros gramaticais, de eli- não tenho dúvida de que ela trará à luz coi- mas de pensar do século dezenove. da parte como se fossem de domínio público. É
minar as repetições desnecessárias e de agru- sas de grande valor. Espero que seja possível À semelhança do que acontecia com os pro- possível que eu não volte mais para a América
par parágrafos e seções na melhor ordem. ... inseri-las no livro. Existe, porém, uma coisa fetas da antigüidade, as questões da época mui- do Norte, e meus melhores livros devem ser-
As obreiras experientes de mamãe, como as que nem o mais competente redator conse- tas vezes determinavam a ênfase e a freqüência me remetidos quando for conveniente.”29
irmãs Davis, Burnham, Bolton, Peck e Hare, guiria fazer – preparar um original antes de sobre o que ela escrevia. Ao chamar a atenção Em 1920, E. E. Andross, presidente da Di-
que estão acostumadas com os escritos dela, ele ser escrito.”19 para o movimento da lei dominical, ela via, por visão Norte-Americana, pediu que lhe expli-
são autorizadas a retirar uma frase, parágrafo exemplo, profundas implicações na compreen- cassem a maneira como Ellen White utiliza-
De vez em quando Ellen White procurava
são dos acontecimentos dos últimos dias.23 va o material encontrado em suas leituras. W.
ou seção de um original e incorporá-lo a ou- ajuda além de seus auxiliares imediatos. Ela
Apesar de falarem sobre as questões existentes C. White respondeu: “Logo que começou a
tro original onde o mesmo pensamento era explicou este procedimento a W. H. Little- em sua época, tanto os profetas bíblicos como trabalhar, mamãe recebeu a promessa de que
expresso, mas não de maneira tão clara. Ne- john em 1894: “Examino detidamente mi- Ellen White nos forneceram princípios sem li- seria dotada de sabedoria ao fazer seleções dos
nhuma obreira de mamãe, porém, está auto- nhas publicações. Desejo que nada seja im- mites de duração, que se aplicam a nós hoje. escritos de outras pessoas e de que isto a ca-
rizada a fazer acréscimos aos originais, intro- presso sem minucioso exame. Obviamente eu pacitaria a escolher as gemas da verdade den-
duzindo pensamentos seus próprios.”15 não desejaria que pessoas sem experiência Amplos Hábitos de Leitura tre o lixo do erro. Todos temos visto o cum-
Até 1881 Willie trabalhou como coorde- cristã e aptidão para apreciar o mérito literá- Os amplos hábitos de leitura de Ellen White primento disto, e contudo quando ela me
nador editorial dos assistentes literários da rio fossem colocadas como juízes daquilo que ajudaram-na a preencher a vasta estrutura contou isso, me advertiu para que eu não o
mãe.16 Pelo fato de Ellen White passar a é necessário ser posto perante o povo, como conceitual com o pano de fundo histórico e contasse aos outros. Nunca soube o motivo
maior parte do tempo viajando ou escreven- forragem limpa, totalmente peneirada. Sub- as novas maneiras de declarar suas criteriosas dessa restrição, mas agora estou propenso a
do material novo, preferia não envolver-se meti todos os meus originais do Patriarcas e percepções. acreditar que ela via como isso poderia levar
em detalhes editoriais. Sabia que deveria re- Profetas e o volume quatro [de The Spirit of Quando os filhos dos White eram jovens, alguns de seus irmãos a reivindicar desca-
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CAPÍTULO 11 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A ESCRITORA PROLÍFICA

bidamente que os escritos dela servissem co- Mentalmente equipada com o inspirado es- “Isso não foi omitido por ser menos verídi- contribuíram para a riqueza de seu pensa-
mo norma para corrigir historiadores.”30 boço da verdade, sua leitura abrangente mui- co em 1888 do que em 1885, mas porque mi- mento. Depois de passar um dia num veleiro
Em 1911, W. C. White escreveu à Comis- tas vezes lhe ajudava a preencher os detalhes nha mãe achou que não era prudente dizer na Baía de São Francisco (1876), por exem-
são de Publicações da Pacific Press: “Admi- com o fundo histórico apropriado e com as essas coisas às multidões a quem o livro seria plo, ela escreveu sobre a vida de Cristo. O as-
te-se geralmente que, nas palestras da irmã adaptações literárias que tornariam seus es- vendido em anos futuros. ... sunto daquele dia foi Cristo andando sobre o
White ao povo, ela usa grande liberdade e critos convincentes, agradáveis e criativos. “Com referência a estes e outros trechos Mar da Galiléia, e, em sua mente, ela viu os
sabedoria na seleção de provas e ilustrações, de seus escritos que foram omitidos em edi- discípulos avançando com dificuldade atra-
Escrevendo Para o Público em Geral ções posteriores, ela disse muitas vezes: ‘Essas vés da noite tempestuosa. Em uma carta ao
a fim de tornar clara e eficaz a apresentação
Quando seus livros tiveram de ser publica- declarações são corretas, e são úteis para o marido, ela continuou: “Pode você surpreen-
das verdades que lhe foram reveladas em vi- der-se que eu fiquei em silêncio e feliz com
são. Admite-se também que ela seleciona es- dos posteriormente para não adventistas, nosso povo; mas para o público em geral, pa-
ra quem agora está sendo preparado este li- esses grandiosos temas de contemplação? Es-
ses fatos e argumentos na medida em que se ela autorizou as revisões que eliminariam tou contente por ter estado sobre as águas.
possíveis equívocos. Mais do que apenas au- vro, são inoportunas. Cristo disse aos
adaptam ao auditório a que ela se dirige. Isto Agora posso escrever melhor do que antes.”35
próprios discípulos: ‘Tenho ainda muito que
é essencial à obtenção dos melhores resulta- torizar, ela estimulava entusiasticamente Em 1886, enquanto realizava reuniões
vos dizer, mas vós não o podeis suportar ago-
dos de suas palestras. Ela sempre achou e en- tais revisões. em Valença, França, ela visitou a Catedral
ra.’ João 16:12. E Cristo ensinou Seus discí-
sinou que era seu dever empregar na seleção Por exemplo, o capítulo “Educação Apro- de Santo Apolinário, onde observou um
pulos a ser ‘prudentes como as serpentes e
de matéria para seus livros a mesma sabedo- priada”, que se encontra agora em Testemu- símplices como as pombas’. Mat. 10:16. Por- impressionante culto católico. Os padres
ria que emprega na seleção de matéria para nhos Para a Igreja, vol. 3, págs. 131-138, tam- tanto, como é provável que mais almas sejam oficiavam com suas batinas brancas, tendo
suas palestras.”31 bém foi publicado em Health Reformer, de se- ganhas para Cristo pelo livro sem esta passa- por cima estolas de veludo preto guarneci-
Com a mente e o coração transbordando tembro de 1872, embora com algumas dife- gem do que com ela, omiti-a. das por um trançado dourado. Essa expe-
de amor a Deus, Ellen White foi contempla- renças nas palavras, já que a revista se desti- “Quanto às modificações nas formas de ex- riência ajudou-a posteriormente a descrever
da com o grande quadro do plano divino pa- nava especialmente ao público em geral. pressão, mamãe disse muitas vezes: ‘As verda- em O Grande Conflito a imponência do cul-
ra solucionar o problema do pecado. Compe- Sarah Peck, uma especialista em educa- to católico.36
des essenciais precisam ser ditas com franqueza;
tia a ela encontrar a melhor maneira de co- ção, passou a fazer parte do grupo de trabalho Enquanto esteve em Zurique, Suíça, visitou
mas, na medida do possível, devem ser ditas em
de Ellen White na virada do século. Uma de a igreja Gross Munster, onde Zwinglio pregara
municar isso a outros. Na introdução de The uma linguagem que atraia, e não ofenda.’”34
durante a Reforma Protestante. Ela ficou in-
Great Teacher – livro que Ellen White tanto suas tarefas consistia em reunir os escritos da Os sermões de Ellen White eram muitas
tensamente interessada em ver a Bíblia de
apreciava – John Harris escreveu: “Suponha, Sra. White que tratavam de princípios de vezes publicados sob a forma de artigos em
Zwinglio, e sua estátua em tamanho natural
por exemplo, que fosse necessário surgir hoje educação. A Srta. Peck logo percebeu que es- Signs of the Times ou na Review and Herald. onde “uma das mãos repousa sobre o cabo da
na igreja um profeta inspirado, para fazer um sas matérias podiam ser divididas em dois Apesar disso, preparar artigos para a Review espada, enquanto a outra segura uma Bíblia”.37
acréscimo aos livros canônicos. Que confu- grupos. Os mais apropriados para a igreja apa- era mais fácil do que prepará-los para a revis- À vista do fato de que ela estava, na épo-
são de opiniões ele encontraria em quase to- recem agora em determinadas seções dos Tes- ta Signs. Por quê? Porque os leitores da Re- ca, fazendo acréscimos ao livro O Grande
do assunto teológico! É bastante provável temunhos Para a Igreja, vol. 6 (1900), e Con- view eram principalmente adventistas do sé- Conflito, especialmente na parte que tratava
que seu ministério consistiria, ou pareceria selhos aos Pais, Professores e Estudantes timo dia, enquanto os da revista Signs eram do período da Reforma Protestante, os co-
consistir, apenas em meramente selecionar e (1913); os adequados para o público em geral sobretudo o público em geral. mentários de Ellen White sobre a excursão
ratificar dentre essas opiniões as que se har- encontram-se no livro Educação (1903). que fez por aquela cidade são compreensíveis:
Experiências Pessoais Enriqueceram “Coletamos muitos itens de interesse, os
monizassem com a mente de Deus. A origina- Enquanto ajudava a mãe a preparar a edi-
sua Produção Literária quais utilizaremos.”38
lidade absoluta pareceria quase impossível. A ção de 1911 de O Grande Conflito, W. C.
Os pregadores criativos possuem “predisposi-
inventiva mente humana já esboçou mental- White escreveu à Comissão de Publicações:
ção homilética”, isto é, a tendência de apro- Variedade de Cartas Pessoais
mente quase todas as formas concebíveis de “Em O Grande Conflito, vol. 4, publicado em veitar em seus sermões futuros dados colhidos
opiniões especulativas, antecipando e rou- 1885, no capítulo ‘Os Ardis de Satanás’, há Ellen White jamais esperou que suas cartas
em todas as suas leituras e experiências pes- pessoais fossem divulgadas ao público, exceto
bando o futuro de sua justa proporção de no- três ou mais páginas de matéria que não fo- soais. Essas experiências enriquecem os temas aquelas porções que ela mesma empregava
vidades e deixando, mesmo para um mensa- ram empregadas em edições mais recentes, sacros, aumentando o interesse dos ouvintes. mais tarde na elaboração de um artigo para
geiro divino, pouco mais que o ofício de apa- adaptadas para ser vendidas às multidões por Ninguém em tempo algum começa a pensar a periódico ou em cartas que julgava serem de
nhar algumas dessas opiniões e imprimir nossos colportores. É a mais excelente e inte- partir de uma mente vazia. Na mente dos interesse geral. Como se sentiriam as pessoas
nelas o selo do Céu.”32 ressante leitura para os observadores do sába- pensadores criativos o pensamento é a soma de hoje se sua correspondência pessoal, de re-
Essas palavras poderiam ser aplicadas a do, pois indica a obra que Satanás fará em total de tudo quanto já leram ou experimen- pente, caísse em domínio público? Principal-
Ellen White. Sua capacidade de ler muito e persuadir pastores e igrejas populares a exal- taram. mente a correspondência escrita quarenta
fazer cuidadosas seleções lhe forneceram as tar o descanso dominical e perseguir os obser- Além de tudo o que Ellen White estava anos atrás? Especialmente cartas confiden-
ferramentas que sua missão profética exigia. vadores do sábado.”33 lendo, suas muitas experiências de viagem ciais endereçadas a membros da família?
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Ou cartas de reprovação a líderes preeminen- uma carta familiar ocasional que hoje parece pensou em casamento, sua mãe lhe escreveu Eli e seus filhos devido à complacência do pai
tes da igreja ou às esposas deles? dura e insensível é a reação dos filhos e mari- uma de suas cartas mais francas. Nela, cha- com o pecado dos filhos, e não queria cair em
Devemos, porém, ser realistas. Boa parte do a essas cartas através dos anos. Os filhos mou a atenção para seu intelecto brilhante, erro semelhante.47
da correspondência particular e confidencial amavam sua mãe ternamente e foram benefi- “capaz de fazer dele um médico ou um execu- Com esses antecedentes, pode-se com-
de Ellen White (cartas que ela jamais publi- ciados pelo conselho dela. Tiago adorava a es- tivo”, mas o acusou de ser um “esbanjador”. preender melhor as cartas que ela escreveu a
cou) tornou-se pública. Como isso veio a posa, mesmo durante os dias sombrios de Faltava-lhe domínio próprio. “Papai chora Edson, como a seguinte (na qual estava assina-
acontecer? Examinemos as diversas maneiras. doença e depressão por que ele passou.41 pelo seu caso. Nós temos o mesmo parecer. lada “Leia isto sozinho. Particular”): “Meu que-
Devido à posição única que Ellen ocupava Em 1876, Tiago White estava preparando Por enquanto você não está em condições de rido filho Edson [15 anos de idade]: Quando fo-
dentro da igreja, os destinatários passaram a uma biografia da esposa. Pelo fato de as cartas constituir família, pois no juízo e no domínio mos para Monterey no último verão, por
guardar as cartas como preciosidade. Os dela serem vistas como a mais “frutífera fonte” de si mesmo ainda é uma criança. Não tem exemplo, você entrou no rio quatro vezes e não
membros mais antigos as legaram aos filhos para acompanhar o desenvolvimento de seu força para resistir à tentação, embora ceden- apenas nos desobedeceu, mas ainda por cima
ou as entregaram ao cuidado de pastores ou extraordinário ministério, ele notificou na do a ela você traga vergonha sobre nós e vo- levou Willie à desobediência. Desde aquele
estudantes. Logo eles fizeram uma aplicação contracapa da edição da revista Signs de 10 de cê mesmo e desonre a Deus. Não suporta o tempo, ao convencer-me de que você não era
delas à própria vida, geralmente sem os ante- fevereiro que os amigos de sua esposa deviam jugo na sua juventude. Ama o ócio e a des- confiável, um espinho ficou cravado em meu
cedentes de tempo, lugar ou circunstâncias “enviar todas as cartas que tivessem em mãos”. preocupação.”44 coração. ... Uma tristeza inexplicável amorta-
que forneceriam o contexto para o significa- Típica de centenas de cartas encorajadoras é Durante sua juventude, Edson entrou em lha nossa mente com relação à sua influência
do e propósito de cada carta. aquela enviada por Ellen White a duas jovens conflito com o pai. Mamãe Ellen procurou sobre Willie. Você o leva a hábitos de desobe-
Essa falta de contexto, evidentemente, não famílias, os Robinson e os Boyd, quando eles muitas vezes manter a paz, o que talvez não diência, dissimulação e mentira. Vemos que es-
tinha importância para aqueles que, de algu- partiram do Quinto Conselho Europeu, realiza- tenha sido plenamente apreciado por ambos. ta influência tem afetado nosso Willie, que é
ma forma, criam na inspiração verbal!39 Para do em Moss, Noruega, em junho de 1887, para Tiago cria que a esposa favorecia Edson du- veraz e nobre de coração. ... Você raciocina, fa-
muita gente, cada palavra dessas cartas se tor- dar início à obra missionária na África do Sul. rante a fase em que ele e o filho tinham difi- la e faz as coisas parecerem todas inofensivas
nava muitas vezes a “palavra final” sobre qual- Durante essa reunião, a Sra. White havia pre- culdade em comunicar-se. Se ela assim proce- para ele, quando ele não consegue enxergar o
quer assunto. O uso da expressão “a irmã gado sermões evangelísticos ao público em ge- dia, era talvez porque compreendesse melhor resultado das coisas. Ele adota seu ponto de vis-
White diz...”, na base dessas muitas cartas par- ral e sermões pastorais aos membros da igreja, do que ninguém as circunstâncias especiais ta a respeito disto e corre o risco de perder sua
ticulares, freqüentemente obstruiu mais ainda dado conselhos em reuniões de negócios e par-
que envolveram Edson durante seus primei- candura e sinceridade. ... Você teve tão pouco
o pensamento, trazendo perplexidade desne- tilhado experiências pioneiras com outros
ros dias de vida, tais como uma gestação ten- senso do verdadeiro valor do caráter. Parecia
cessária às discussões da igreja. Nos capítulos obreiros. Ao chegar, porém, a tarde de sábado,
sa e influências pré-natais desfavoráveis; seu agradar-se tanto com a companhia de Marcus
sobre “Hermenêutica” (32-34) discutiremos ela percebeu que seu trabalho ainda não estava
estado de saúde precário quando bebê; e des- Ashley como com a de seu inocente irmão
os problemas que surgem quando os escritos concluído. Ela e a Sra. Ings caminharam até o
de Ellen White, principalmente suas cartas, bosque, estenderam uma manta e, em vez de de cedo as freqüentes separações enquanto os Willie. Você nunca o prezou como ele merecia.
são usados de maneira imprópria. repousar, escreveram uma carta de dez páginas pais viajavam de um Estado a outro promo- Ele é um tesouro, amado por Deus, mas receio
Outra forma pela qual as cartas da Sra. de conselho e encorajamento aos jovens obrei- vendo a união dos primeiros adventistas do que sua influência o arruíne.”48
White vieram a ser publicadas foi a liberação ros que estavam prontos para partir para o cam- sétimo dia. Essas foram as circunstâncias a Temos nesta carta a típica sinceridade de
delas a pesquisadores por parte do Patrimônio po missionário. Aquela carta, agora conhecida que ela (na época com 50 anos de idade) se uma mãe que prezava a sinceridade nos fi-
Literário White. Depois que os pesquisadores como Carta 14, 1887, foi citada e publicada referiu quando escreveu a William em 1878: lhos. Em sua tentativa de despertar a cons-
utilizaram as cartas, o Patrimônio Literário muitas vezes. Suas valiosas concepções têm, “As circunstâncias do nascimento dele [em ciência de Edson e tornar mais fácil para ele
White as disponibilizou nos 21 volumes dos durante todos esses anos, servido de orientação 1849] foram completamente diferentes das o cumprimento das expectativas paternas,
Manuscript Releases. Outras cartas completas para muitos obreiros.42 do seu nascimento. Embora ninguém saiba, utilizou o jovem Willie (cinco anos mais no-
se encontram nos quatro volumes do 1888 Às vezes, Ellen White era clara e direta em mamãe sabe.”45 vo) como modelo para Edson. Anos depois
Materials. Todas elas se acham disponíveis em cartas confidenciais endereçadas a seus filhos Durante os anos de formação dos filhos, admitiu que essa espécie de comparação en-
CD-ROM [em inglês]. bem como a coobreiros. Suas cartas pessoais a Ellen White cria que ela e Tiago haviam “fa- tre irmãos não era o melhor método, ainda
Muitas cartas de Ellen White foram envia- Edson parecem francas e até mesmo rudes, es- lhado” em restringir os filhos de seguir “suas que ambas as crianças tivessem provas abun-
das a membros de sua própria família, inclusi- pecialmente quando se ignora o contexto his- próprias inclinações e desejos”, mas que ao dantes do amor materno. Ela mantinha sem-
ve colaboradores mais próximos. Numerosas tórico. Não foi senão aos 44 anos de idade que mesmo tempo os havia censurado e criticado pre em mente os interesses eternos dos filhos,
são as cartas de afeto endereçadas a Tiago e Edson se revelou como pregador e educador “em um espírito que somente os machucará e e simplesmente não queria que seu amor fos-
aos filhos. Conforme já observamos40, algu- comprometido. Em anos posteriores, ele foi o desanimará em vez de ajudá-los”.46 Tiago e se confundido com condescendência.
mas dessas cartas podem parecer rudes e de- primeiro a promover a obra adventista no Sul Ellen White passaram pelas “dores do cresci-
fensivas. Ao levar em consideração o tempo, dos Estados Unidos após a Guerra Civil. Quan- mento” que a maioria dos pais sérios e com- Como se Desenvolveram
o lugar e a circunstância, o leitor de hoje po- do era mais jovem, porém, relutava em assumir prometidos passam em seu elevado objetivo as Categorias de Produção Literária
derá facilmente ter empatia com uma esposa e responsabilidade quanto a decisões financeiras de ser responsáveis pelos filhos perante Deus. Durante seus anos mais produtivos, princi-
mãe atarefada, intensamente comprometida e e quanto a sua conduta.43 Não bastasse isso, ela recebera esclarecimen- palmente após 1881, Ellen White manteve
algumas vezes cansada. A verdadeira prova de Quando Edson, com a idade de vinte anos, to divino sobre a maldição que sobreveio a uma torrente constante de cartas, sermões,
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CAPÍTULO 11 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A ESCRITORA PROLÍFICA

artigos para periódicos e livros. Esses mate- White dava permissão para os redatores da cortes de revistas, de meia dúzia de volumes para periódicos previamente publicados fo-
riais foram posteriormente adaptados em ou- Review e de Signs apanharem os originais da- encadernados [E. G. White] e cinqüenta ram finalmente reunidos em nove volumes
tras formas para publicação, por suas assisten- tilografados e os prepararem conforme suas manuscritos, todos abrangendo milhares de conhecidos como Testemunhos Para a Igreja.
tes literárias. Sermões tornaram-se artigos pa- necessidades específicas. Ao proceder assim, páginas.”54 Esses “testemunhos” eram escritos sempre
ra periódicos, e cartas, sermões e artigos eles deviam “suprimir os assuntos pessoais da Mas Marian não redigia nada. Quando que Ellen White dispunha de tempo e opor-
foram muitas vezes reunidos sob a forma de matéria e torná-la genérica, empregando-a Marian morreu em 1904, Ellen White recor- tunidade para escrever as revelações recebi-
livro. O resultado era prodigioso, conforme as como julgassem melhor para os interesses da dou sua companheira íntima com grande das, seja por meio de sonhos noturnos, seja
revistas Review e Signs o atestam, além dos li- causa de Deus”.50 apreciação: “Estivemos lado a lado na obra, e por meio de visões diurnas. Uma oportunida-
vros que surgiram de sua pena durante os úl- Embora os redatores houvessem ganho tal em perfeita harmonia nessa obra. E quando de interessante ocorreu em Adams Center,
timos trinta e cinco anos de sua vida. confiança, mudavam o menor número possível juntava os preciosos fragmentos que tinham Nova Iorque, no começo de novembro de
Diários. O Patrimônio Literário White de palavras e frases para ajustar o texto a sua aparecido em revistas e livros e os apresenta- 1863. Quase toda uma Igreja Batista do Séti-
possui cerca de 60 diários pertencentes a necessidade. Atribui-se a isso as pequenas dife- va a mim, ela dizia: ‘Agora está faltando al- mo Dia se havia convertido à mensagem ad-
Ellen White que remontam a 1859. Alguns renças entre os artigos para periódicos e o mes- guma coisa. Eu não posso supri-la.’ Eu exa- ventista. Tiago e Ellen pregaram diversas ve-
registram acontecimentos do dia-a-dia, iguais mo material usado posteriormente num livro. minava o que era, e num momento conse- zes, como o fizera J. N. Andrews.
aos diários como os conhecemos hoje; outros Livros (com exceção de Testemunhos Para a guia achar o fio da meada. Trabalhamos jun-
são simplesmente livros de folhas pautadas Igreja). Durante a década de 1890, diversos Na tarde de domingo, enquanto Andrews
tas, sim trabalhamos juntas em perfeita har- pregava, a Sra. White escreveu seis páginas
usados para escrever cartas ou manuscritos de livros estavam sendo processados simultanea- monia durante todo esse tempo.”55 Outros,
natureza geral. Não é incomum encontrar mente, inclusive Obreiros Evangélicos, Cami- durante o sermão, e isto a apenas a um metro
inclusive Mary White, J. H. Waggoner, W. e meio do púlpito, usando a Bíblia como su-
uma série de escritos de diversos anos num nho a Cristo51 e O Desejado de Todas as Na- W. Prescott e J. H. Kellogg, também ajuda-
único diário, anos que poderiam sobrepor-se ções52 – sendo o primeiro uma compilação porte. Quando o sermão terminou, ela se le-
ram W. C. White e Marian Davis na elabo- vantou e se dirigiu à congregação. Certo
aos escritos de outros diários. Isso se deve ao completa, e os dois últimos, a maior parte ração dos livros.
fato de que ela regularmente passava esses li- compilação e reorganização de matéria escri- membro da igreja relatou na Review que “as
O Dr. Kellogg auxiliou na publicação de palavras dela eram suficientes para derreter
vros para suas secretárias copiarem. Assim, ta anteriormente. Christian Temperance and Bible Hygiene. Es-
vários livros podiam estar em uso ao mesmo um coração de pedra”. A capacidade de con-
crevendo a introdução do livro, chamou a
tempo, alguns nas mãos de copistas, enquan- Marian Davis, centração que ela possuía é bem ilustrada pe-
atenção para a maneira como o livro foi ela-
to ela continuava a escrever em outro diário “Minha Compiladora de Livros” la maneira como reagiu mais tarde no mesmo
borado: “Este livro não consiste numa nova
disponível. Em uma carta datada de 1900 e endereçada a dia ao ser interpelada por alguém que queria
apresentação... mas é apenas uma compilação
Cartas. Editar as cartas de Ellen White an- G. A. Irwin, Ellen White chamou Marian saber o que ela achava de Andrews como
e, em alguns aspectos, um sumário dos diver-
tes de enviá-las pelo correio envolvia mais do Davis de “minha compiladora de livros”. Na pregador. Ela respondeu que “não podia di-
que datilografar seus originais manuscritos. mesma carta, ela descreveu como Marian tra- sos escritos da Sra. White a respeito deste as-
sunto, ao qual se acrescentou diversos artigos zer, visto fazer muito tempo que o havia es-
W. C. White observou o processo numa car- balhava: “Toma meus artigos que são publica- cutado pregar”.57
ta endereçada à mãe, depois de receber uma dos nas revistas e cola-os em livros em bran- do Pastor Tiago White, esclarecendo os mes-
mos princípios e a experiência pessoal do Muitas das mensagens originais e pessoais
longa carta dela para A. C. Bordeau (4.000 co. Também possui uma cópia de todas as de Ellen White foram posteriormente reco-
palavras). Ele conta que sua esposa, Mary, cartas que escrevo. Ao preparar um capítulo Pastores J. N. Andrews e José Bates, dois dos
pioneiros do movimento da saúde entre os nhecidas como tendo valor também para ou-
“procurava corrigi-las conforme suas for- para um livro, Marian se lembra de que eu es- tras pessoas. Atendendo a solicitações, os
ças”.49 “Corrigi-las” significava que ajustes crevi alguma coisa sobre esse ponto especial, adventistas do sétimo dia. O trabalho de
compilação foi feito sob a supervisão da Sra. White providenciaram para imprimi-las em
gramaticais eram esperados. Esse tipo de as- que talvez torne o assunto mais convincente. forma de brochura. Os dez primeiros desses
sistência redacional pode ser visto facilmente Ela começa a procurá-lo, e se, ao encontrá-lo, White por uma comissão que ela designou
para este propósito, e o original foi cuidado- Testemunhos, entre 1855-1864, continham de
quando se compara matérias apressadamente percebe que isso tornará o capítulo mais cla-
samente examinado por ela.”56 16 a 240 páginas cada um, publicados em for-
escritas à mão com as cópias editadas e dati- ro, acrescenta-o a ele.
Testemunhos. O termo “testemunhos” logo mato de bolso. Em 1874 os dez primeiros fo-
lografadas. “Os livros não são produções de Marian,
Sermões e Artigos Para Periódicos. Muitos porém minhas, tirados de todos os meus escri- se tornou bem conhecido entre os adventis- ram reimpressos na forma de livro. (Obvia-
dos sermões de Ellen White foram estenogra- tos. Marian tem vasto campo de que colher, e tas do sétimo por três razões: (1) os adventis- mente, após dez anos, os originais, não em
fados. Mary K. White e Mary Clough, além sua habilidade em arranjar matéria é de gran- tas que no passado haviam sido metodistas forma permanente, não eram facilmente
de outras, muitas vezes prepararam sermões de valor para mim. Ela me poupa o ficar aten- estavam acostumados com reuniões “sociais” acessíveis.)
para publicação. Ambas as revistas da igreja ta a uma massa de escritos, o que não tenho e reuniões de “testemunho”, onde os mem- Contudo, a revisão feita em 1881-1883
buscavam esses artigos regularmente. Em vir- tempo de fazer.”53 bros relatavam experiências pessoais e seus dos Testemunhos publicados anteriormente,
tude das interrupções de viagem e outros pra- Marian escreveu a Willie expressando o compromissos de fé; (2) as mensagens que 1-28, tornou-se um projeto de maior enver-
zos literários de urgência, não era fácil man- peso do trabalho dela: “Talvez você possa Ellen White apresentava a outros, quer oral- gadura. O fato de os escritos públicos de
ter a agenda de trabalho. Para facilitar as coi- imaginar a dificuldade que é procurar reunir mente, quer por escrito, tornaram-se conhe- uma mensageira poderem ou deverem ser
sas para todos os envolvidos, principalmente pontos relacionados a um assunto, quando es- cidas como “testemunhos”; (3) as compila- “revisados” trouxe novo enfoque sobre a
para suas assistentes sob grande pressão, Ellen ses devem ser coligidos de trinta álbuns de re- ções publicadas de cartas, originais e artigos maneira como Deus atua por meio de Sua
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A Verdadeira Ellen White A ESCRITORA PROLÍFICA

mensageira. Para muitas pessoas, isso parecia não havia salvação em erros gramaticais, etc. visão, que estava quase concluído: “Foram censurável. Onde a linguagem usada não é a
ser uma nova concepção. Um pensamento expresso gramaticalmente recebidas informações provenientes de Bat- melhor, quero que a tornem correta e gra-
Em 1878, a Associação Geral votou que correto é tão bom para alcançar o coração tle Creek de que a obra relacionada com os matical, como creio que devia ser em todo
todos os Testemunhos anteriores fossem reim- duro e pecaminoso quanto o expresso incor- Testemunhos não está sendo aceita. Desejo caso em que for possível, sem destruir o sen-
pressos de forma permanente. A reimpressão retamente.”60 declarar algumas coisas, com as quais poderá tido. Este trabalho está sendo adiado, o que
implicou uma completa recomposição dos ti- Os temores vinham de duas direções: os lí- fazer o que lhe aprouver. Já me ouviu fazer não me apraz. ...
pos, criando um novo formato de página e deres sabiam (1) que os críticos da denomina- essas declarações antes – que me foi mostra- “Meu espírito tem-se concentrado na
fornecendo paginação consecutiva. ção aproveitariam sofregamente a oportuni- do anos atrás que não devíamos adiar a pu- questão dos Testemunhos que foram revisados.
Ellen White e seus assistentes mais próxi- dade para mostrar que a “profetisa” adventis- blicação da importante luz que me foi dada Nós os examinamos de maneira mais criterio-
mos (W. C. e Mary White, Marian Davis, Eli- ta não era confiável, que era manipulada pe- porque não pude preparar o assunto com per- sa. Não posso ver a questão como meus ir-
za Burnham e J. H. Waggoner) viram tal so- las circunstâncias e por outras pessoas; (2) feição. Meu marido às vezes estava muito mãos a vêem. Penso que as modificações me-
licitação como uma oportunidade para me- que alterar o que havia sido publicado deses- doente, incapaz de prestar-me a ajuda que eu lhorarão o livro. Se nossos inimigos o manu-
lhorar imperfeições gramaticais e tornar mais tabilizaria alguns adventistas, fazendo-os crer deveria ter e que ele me poderia haver con- searem, que o façam. ...
claras algumas expressões. O alvo dela conti- que haviam sido desencaminhados e que cedido caso estivesse com saúde. Por este “Acho que tudo que for publicado será cri-
nuava sendo apresentar a verdade da manei- Ellen White não era um guia seguro. motivo demorei a pôr diante do povo aquilo ticado, torcido, deturpado e enlameado, mas
ra mais clara possível. Eram esses temores justificados? Sim e que me fora dado em visão. devemos avançar com a consciência limpa,
não. Os temores eram justificados quando os “Mostrou-se-me, porém, que devia apre- fazendo o que podemos e deixando o resulta-
Por que as Revisões Foram Necessárias líderes observaram que muitas pessoas, tanto sentar ao povo, da melhor maneira possível, do com Deus. Não devemos adiar a obra por
Em 1883, uma resolução da Associação Geral adventistas quanto não adventistas, adota- a luz recebida; então, à medida que recebesse mais tempo.
endossa o voto de 1878, chamando a atenção vam um ponto de vista inadequado sobre a maior luz e usasse o talento que Deus me deu, “Agora, meus irmãos, que pretendem fa-
para as circunstâncias em que os Testemunhos maneira como Deus fala a Seus mensageiros teria crescente habilidade para usar em escre- zer? Não quero que este trabalho se prolon-
haviam sido escritos: “Muitos desses testemu- humanos. Eles criam que Deus ditava as pala- ver e falar. Eu devia melhorar tudo, condu- gue mais ainda. Quero que se faça alguma
nhos foram escritos sob as mais desfavoráveis vras exatas que os profetas empregavam em zindo-o tão perto da perfeição quanto fosse coisa, e que se faça agora.”63
circunstâncias, achando-se a autora demasia- revelar as mensagens divinas. Contudo, os te- possível, para que pudesse ser aceito por men- Mas a carta de Ellen White a Uriah Smith
do premida de ansiedade e trabalho para dar mores eram desnecessários sempre que as pes-
tes inteligentes. não foi suficientemente forte. Prevaleceram
atenção à perfeição gramatical dos escritos, e soas entendiam que Deus inspirava o mensa-
“Tanto quanto possível, todo defeito de- os temores de que as modificações destrui-
os mesmos foram impressos tão apressada- geiro com pensamentos, e não com palavras.
via ser removido de todas as nossas publica- riam a confiança nos escritos dela. “Uriah
mente que deixaram passar tais imperfeições Em 1883, a resolução da Associação Geral
sem serem corrigidas; etc.”58 ções. À medida que se desdobrasse a verdade Smith enfrentou uma saraivada de oposição
esclareceu da melhor maneira possível a ver-
Os redatores levaram a sério essa tarefa de dade sobre a natureza da revelação/inspira- e se tornasse mais difundida, devia ser exer- por parte dos crentes de Battle Creek. Nin-
revisão. Mary escreveu ao marido W. C. ção: “Cremos que Deus dá a Seus servos a luz cido todo cuidado para aperfeiçoar as obras guém iria tocar nos Testemunhos deles!”64
White: “Com respeito às modificações, pro- mediante a iluminação da mente, comuni- publicadas. Mas a Sra. White, com bom senso e discerni-
curaremos aproveitar as suas sugestões. Perse- cando assim os pensamentos e não (a não ser “Com respeito à History of the Sabbath, do mento, reconheceu os temores da liderança e
gue-me dia e noite o receio de fazer altera- em raros casos) as próprias palavras em que as irmão Andrews, vi que ele adiou a obra por fez seus assistentes “revisarem outra vez” o
ções excessivas ou de alguma maneira mudar idéias devem ser expressas; portanto, muito tempo. Obras errôneas estavam ocu- projeto, de modo que somente as imperfei-
o sentido.”59 “Fica resolvido que se façam na reedição pando o terreno e obstruindo o caminho, pa- ções mais gritantes fossem alteradas. William
Mas nem todos estavam entusiasmados desses volumes as modificações verbais ne- ra que as mentes fossem imbuídas de precon- explicou tudo isso a O. A. Olsen: “Recoloca-
com a revisão dos Testemunhos publicados. cessárias à remoção das mencionadas imper- ceitos pelos elementos oponentes. Vi que as- mos muitas páginas referentes àquilo que ha-
Surgiram no coração da liderança da igreja feições, o quanto possível, sem qualquer alte- sim se perderia muita coisa. Depois que se es- via sido criticado em Battle Creek e fizemos
sombrios temores. Da Assembléia da Asso- ração do pensamento.”61 gotasse a primeira edição, ele poderia fazer centenas de modificações nas chapas para le-
ciação Geral em 1882, W. C. White escreveu A resolução da Associação Geral tornou- melhoramentos; mas ele estava se esforçando var a fraseologia da nova edição tão próxima
à esposa Mary informando-a da resistência: se uma referência para a compreensão adven- demais para chegar à perfeição. Essa demora quanto possível da fraseologia da antiga sem
“Butler e Haskell não encontram falhas gra- tista do processo revelação/inspiração.62 não era o que Deus desejava. tornar as expressões deselegantes e a gramáti-
ves nas provas do Testemunho, mas dizem “Pois bem, irmão Smith, tenho feito cui- ca incorreta.”65
que não vêem nenhum benefício em aproxi- Oposição às Revisões dadoso exame crítico do trabalho efetuado Os primeiros quatro volumes dos Testemu-
madamente um terço das alterações. Eles Os temores, porém, não se dissiparam. Uriah nos Testemunhos, e vejo algumas coisas que nhos Para a Igreja, conforme os temos hoje,
desejam que você vá com eles às reuniões e Smith, redator da revista da igreja, como penso deverem ser corrigidas na questão conserva as correções da impressão de 1885.
veja homens como Mooney [polemista anti- muitos outros, opôs-se às revisões, mesmo de- apresentada à sua pessoa e a outros na Asso-
adventista] apresentar uma edição e depois pois de a resolução ter sido aprovada. Três ciação Geral [novembro de 1883]. No en- Experiência da Revisão Ensina Lições
outra, mostrar as alterações e tentar chamar a meses depois da assembléia, Ellen White es- tanto, ao examinar o assunto com mais O que aprendemos dessa experiência de revi-
atenção especial para isso. Eu argumentei que creveu a Smith, defendendo o projeto de re- atenção, vejo cada vez menos algo que seja são? 1. Temos uma compreensão “oficial”
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do que os adventistas crêem sobre revelação/ins- aos quatro volumes, deve haver 63.720 alte- terem sido claramente instruídos, continuam da liderança, tal como a que W. C. White
piração. Os adventistas defendem a inspiração rações. a sentir-se mais seguros com algumas formas procurou comunicar, cai geralmente em ou-
do pensamento, não a inspiração verbal. “Levando-se, depois, em conta as palavras de inspiração verbal. A instrução cautelosa vidos moucos.70
2. Temos um exemplo dos problemas que que foram postas por seu marido, pela copis-
surgem quando as pessoas adotam uma concep- ta, pelo filho, pelos redatores e as que ela co- Referências
ção errada do processo de revelação/inspiração. piou de outros autores, abrangem provavel-
A compreensão incorreta da maneira como os mente de um décimo a um quarto de todos os 1. Uma pesquisa de Roger Coon (a partir de 1983) feita na mensagens que escrevo, não são reais.” – Mensagens Escolhi-
pensamentos de Deus se convertem nas pala- seus livros. Que bela inspiração!”66 Biblioteca do Congresso, Washington, D.C., revelou os se- das, livro 3, pág. 89.
vras de um mensageiro inspirado afeta direta- Embora Canright tenha exagerado bastan- guintes dez escritores modernos mais traduzidos: “1. Vladi- 11. As páginas 14-16 tratam dos ajudantes literários dos escrito-
mir I. Lenin, líder comunista russo – 222 línguas; 2. Geor- res bíblicos.
mente a maneira como a pessoa lê a Bíblia bem te na quantidade de revisões efetuadas, ele ges Simenon, escritor franco-belga de romance policial – 12. As páginas 16, 120, 173, 375, 376 e 421 tratam da diferença
como os escritos de Ellen White. A compreen- não estava sozinho em seu desassossego em 143 línguas; 3. León Tolstoy, romancista russo – 122 lín- entre inspiração verbal e inspiração do pensamento.
são equivocada deste assunto cria problemas na relação às revisões das obras publicadas de guas; 4. Ellen G. White, co-fundadora norte-americana 13. Mensagens Escolhidas, livro 3, pág. 90.
dos ASD – 117 línguas [mais de 140 a partir de 1996 tor- 14. Carta 103, 1895, a Marian Davis, citada em “The Fannie
compreensão da verdade, podendo finalmente Ellen White. Líderes como W. W. Prescott, S. nam Ellen White possivelmente a segunda escritora mais Bolton Story” (Washington, D.C.: Patrimônio Literário
destruir a confiança tanto na Bíblia como nos N. Haskell e Milton Wilcox (redator da re- traduzida de todos os tempos]; 5. Karl Marx, filósofo socia- White, 1982), pág. 49.
lista alemão – 114 línguas; 6. William Shakespeare, dra- 15. W. C. White a G. A. Irwin, 7 de maio de 1900. Poerion ci-
escritos da Sra. White quando se descobrem vista Signs of the Times) defendiam alguma maturgo inglês – 111 línguas; 7. Agatha Christie, escrito- tado em Moon, W. C. White and Ellen White, pág. 115. Tim
imperfeições de linguagem. forma de inspiração verbal que, por sua vez, ra inglesa de romances de mistério – 99 línguas; 8. Jakob e Poirier descreve “dois níveis” de edição entre o original de
3. A publicação dos Testemunhos conforme influiu sobre as atitudes que adotaram poste- Wilhelm Grimm, organizadores alemães de numerosos Ellen White, documentos manuscritos, e suas formas atuais
contos de fada – 97 línguas; 9. Ian Fleming, criador britâ- conforme referidas em 7 de maio de 1900, em uma Carta a
revisados em 1885 foi usada por críticos dos riormente em relação a determinadas ques- nico dos romances policiais de James Bond – 95 línguas; G. A. Irwin. O Nível Um refere-se a “corrigir erros gramati-
adventistas para atacar a inspiração de Ellen tões doutrinárias. Prescott, particularmente, 10. Ernest Hemingway, romancista norte-americano – 91 cais, eliminar repetições desnecessárias, etc.” As mais expe-
White. Pelo fato de muitos críticos crerem parecia ter sofrido a influência de um livro de línguas.” – A Gift of Light (Washington, D.C.: Review and rientes assistentes de Nível Dois iam além do nível de apre-
Herald Publishing Association, 1983), págs. 30 e 31. Na- sentar o material na forma gramatical desejada; elas reorga-
que as verdadeiras mensagens proféticas são ampla circulação de autoria de Louis Gaus- turalmente, os escritores bíblicos têm sido mais traduzidos nizavam, reuniam e compilavam o material datilografado do
verbalmente inspiradas, eles ficam grande- sen, Theopneustia (1841), que era uma clara do que quaisquer outros. Nível Um num novo documento literário (“incluía-o em ou-
mente perturbados quando aquelas palavras defesa da infalibilidade bíblica.67 2. Pode-se obter uma lista completa de todos livros e folhetos tro original”), como um artigo para periódico ou um livro
publicados por Ellen G. White em Ellen G. White Estate (por exemplo, o Caminho a Cristo e O Desejado de Todas as
são alteradas ou contestadas. Neste sentido, Gaussen e, tempos depois, Prescott vive- (Patrimônio Literário White), 12501 Old Columbia Pike, Nações). As fotocópias de como esses dois níveis se desenvol-
as modificações nos escritos da Sra. White ram em uma época de grande reviravolta teo- Silver Spring, Maryland 20904-6600, USA. veram em diversos estágios dos materiais de Ellen White en-
são, para eles, evidências claras de que esses lógica. Racionalistas ingleses, místicos ale- 3. Biography, vol. 1, págs. 91 e 92. contram-se em “Exhibits Regarding the Work of Ellen
4. “Nós usamos o dactilógrafo [máquina de escrever] com bons White’s Literary Assistants”, 1990, de Tim Poirier, disponí-
escritos não foram inspirados por Deus. mães e incipientes liberais norte-americanos resultados.” – Manuscrito 16a, 1885, citado em Biography, veis nos Centros de Pesquisa ASD Ellen G. White.
Em sua carta a Uriah Smith, Ellen White combinavam métodos da alta crítica em seu vol. 3, pág. 291. A máquina de escrever, apesar de ter sido in- 16. A princípio, Mary K. White e Marian Davis eram as princi-
escreveu que sabia que “inimigos” usariam a frontal ataque contra a integridade da Bíblia. ventada em 1843, recebeu numerosos melhoramentos até pais assistentes. “Entre as que ajudaram Ellen White a prepa-
1883, quando Remington vendeu 3.000 máquinas contendo rar seus escritos para publicação através dos anos encontram-
revisão para zombar dos adventistas, mas ela Gaussen e outros eram líderes que defendiam teclas que possibilitavam o uso de caixa alta e caixa baixa. se Tiago White, Mary Kelsey-White, Lucinda Abbey-Hall,
disse: “Deixem que façam isso.” Ela não faria os princípios cristãos fundamentais, embora a Em 1894, Underwood produziu uma máquina datilográfica Adelia Paten-Van Horn, Anna Driscol-Loughborough, Ad-
a verdade silenciar apenas para evitar ataques maior parte dessa defesa estivesse entrinchei- que permitia ao datilógrafo ver o que estava sendo escrito. – die Howe-Cogshall, Annie Hale-Royce, Emma Sturgess-
James Trager, The People’s Chronology (New York: Henry Prescott, Mary Clough-Watson, Sra. J. I. Ings, Sra. B. L.
injustos e inescrupulosos fundamentados nu- rada por detrás do fosso da infalibilidade bí- Holt and Company, 1992), págs. 435, 548, 566 e 612. Whitney, Eliza Burnham, Fannie Bolton, Marian Davis, C.
ma compreensão errônea da maneira como a blica, a qual, para eles, significava alguma 5. William C. White, “Sketches and Memories of James and C. Crisler, Minnie Hawkins-Crisler, Maggie Hare, Sarah
Ellen White”, Review and Herald, 13 de fevereiro de 1936. Peck e D. E. Robinson.” – Robert W. Olson, One Hundred
inspiração funciona. forma de inspiração verbal. Eles criam que 6. Citado em Arthur White, Ellen G. White, Mensageira da Igre- and One Questions (Washington, D.C.: Patrimônio Literário
Não decorreu muito tempo, e D. M. Can- era uma guerra de um contra o outro: ou a al- ja Remanescente, 2ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora White, 1981), pág. 87.
right “usou” a revisão! Em 1889, esse ex-pre- ta crítica ou a inspiração verbal. Querendo Brasileira, 1993), pág. 331. 17. Moon, W. C. White and Ellen G. White, pág. 114.
7. Ibidem. 18. Carta de Marian Davis a W. C. White, 11 de abril de 1897.
gador adventista, que havia entrado e saído defender a elevada concepção da Escritura, 8. Manuscrito 4, 1891, citado em ibidem. Em uma Carta de Marian Davis a G. A. Irwin: “Faz mais de
do ministério pelo menos quatro vezes, escre- empregavam um ponto de vista de inspiração 9. Carta 28, 1906, citado em ibidem, pág. 332. vinte anos que estou ligada à obra da irmã White. Durante
veu em seu livro mordaz Seventh-day Adven- verbal indefensável. Gaussen, por exemplo, 10. “Enquanto meu marido viveu, desempenhou o papel de aju- este tempo jamais ela me pediu para transcrever um testemu-
dador e conselheiro no envio das mensagens que me eram nho a partir de instrução oral, ou inserir informações em ma-
tism Renounced: “Em 1885 todos os ‘testemu- cria que as palavras do profeta eram inspira- dadas. Viajávamos longamente. Por vezes eram-me concedi- térias já escritas.” – Anexada à Carta 61a, 1900, de Ellen
nhos’ dela foram republicados em quatro vo- das, e não o profeta: “Se as palavras do livro dos esclarecimentos durante a noite, outras, de dia, perante White endereçada a G. A. Irwin.
lumes, sob as vistas do próprio filho e de um são ditadas por Deus, que me importam os grandes congregações. As instruções recebidas em visão 19. Marian Davis a W. C. White, 9 de agosto de 1897, citado em
eram fielmente escritas por mim, segundo eu tinha tempo e Robert W. Olson, How The Desire of Ages Was Written, pág. 34.
redator crítico. Abrindo aleatoriamente o pensamentos do escritor?”68 força para a obra. Posteriormente examinávamos juntos o as- 20. MR, vol. 10, pág. 12. Enquanto Tiago White estava na Cos-
volume um em quatro diferentes páginas, li- Com o passar dos anos, a confusão anterior sunto, meu marido corrigia os erros gramaticais e eliminava ta Oeste lançando as primeiras edições de Signs of the Times
as e comparei-as com a publicação original de Prescott, junto com a de outros líderes, as repetições desnecessárias. Então elas eram cuidadosamen- (1874), sua esposa escreveu de Battle Creek: “Acabamos de
te copiadas para a pessoa a quem se dirigiam, ou para o pre- concluir Sufferings of Christ. Willie me ajudou, e agora nós o
que possuo. Encontrei em média vinte e qua- contribuiu para expectativas desnecessárias e lo. À medida que a obra aumentou, outros me auxiliaram no levamos à editora para que Uriah [Smith] o critique. Acho
tro alterações de palavras em cada página! As inexeqüíveis com relação aos escritos de preparo da matéria para a publicação. Depois da morte de que dará um folheto de 32 páginas.” – Cartas, 11 e 17 de ju-
palavras dela foram removidas e substituídas Ellen White. Essa confusão irrompeu de tem- meu marido, juntaram-se a mim fiéis auxiliares, que traba- lho de 1874.
lharam infatigavelmente em copiar os testemunhos e prepa- 21. W. C. White a David Paulson, sobre o original do livro A
por outras, e outras modificações, em alguns pos em tempos, especialmente na Assembléia rar os artigos para serem publicados. As notícias que têm cir- Ciência do Bom Viver, 15 de fevereiro de 1905. (WEDF 140-a.)
casos tantas que foi difícil confrontar as duas Bíblica de 1919, e, depois, na década de 1970.69 culado, porém, de que qualquer de minhas auxiliares tenha 22. Carta 84, 1898: “Leio do princípio ao fim tudo que é copia-
edições. Se aplicarmos essa mesma proporção Muitos pastores e leigos, pelo fato de não permissão de acrescentar matéria ou mudar o sentido das do, para ver que tudo esteja como deve estar. Leio todos os

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SEÇÃO II
CAPÍTULO 11 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A ESCRITORA PROLÍFICA

originais dos livros antes de serem enviados para o prelo. Po- a nova edição destinava-se à circulação mundial.” – Ibidem, 54. Marian Davis a W. C. White, 29 de março de 1893, citado Pastor Haskell, resultou na introdução em nossa obra de
dem ver, portanto, que meu tempo precisa ser muito bem págs. 435-438. em Biography, vol. 4, pág. 383. questões e perplexidades sem fim, e em constante aumento.”
aproveitado.” – Carta 133, 1902, citado em Mensagens Esco- 35. Carta 5, 1876, citado em Biography, vol. 3, pág. 27. 55. Manuscrito 95, 1904, citado em ibidem (Mensagens Escolhi- – Mensagens Escolhidas, livro 3, pág. 454.
lhidas, livro 3, pág. 90. “Desejo escrever palavras que remo- 36. Ibidem, págs. 566 e 567. das, livro 3, pág. 93). 63. Carta 11, 1884, citada em Mensagens Escolhidas, livro 3, págs.
vam da mente de qualquer dos meus irmãos a impressão de 37. Manuscrito 29, 1887, citado em Delafield, Ellen G. White in 56. Biography, vol. 3, págs. 446 e 447. Ver J. H. Kellogg, prefácio 96-98.
que não li, antes de sua publicação, as páginas de Testemu- Europe, pág. 273. de Christian Temperance and Bible Hygiene, de E. G. White e 64. Alden Thompson, “Improving the Testimonies Through Re-
nhos Para a Igreja, vol. 9, que falam sobre o trabalho no do- 38. Manuscrito 29, 1887, citado em Biography, vol. 3, pág. 363. Tiago White (Battle Creek, MI: Good Health, 1890), pág. iv. visions”, Adventist Review, 12 de setembro de 1985, pág. 14.
mingo. Li esta matéria antes de ela ser enviada para o prelo, Repare no comentário de W. C. White sobre a visita de sua 57. Biography, vol. 2, págs. 68 e 69. 65. 11 de julho de 1885, citada em Moon, W. C. White and Ellen
e já li o livro diversas vezes, e não consegui ver nele nada que mãe a Basiléia: “Durante os seus dois anos de residência em 58. Review and Herald, 27 de novembro de 1883, Resolução No G. White, pág. 128.
dê a alguém razão para dizer que ali é ensinada a observância Basiléia, ela visitou muitos lugares em que ocorreram acon- 33, 741 (Nota de Mensagens Escolhidas, livro 3, pág. 96). 66. D. M. Canright, Seventh-day Adventism Renounced (New
do domingo. O conselho apresentado neste livro não contra- tecimentos de especial importância nos dias da Reforma. Is- 59. Biography, vol. 3, pág. 218. York, Fleming H. Revell Company, 1889), pág. 141. W. H.
diz a Bíblia nem meus testemunhos anteriores.” – Carta 94, to avivou-lhe a lembrança do que lhe fora mostrado e con- 60. W. C. White a M. K. White, 31 de dezembro de 1882, cita- Branson escreveu uma réplica de 395 páginas a Canright, In
1910, citada em MR, vol. 8, pág. 21. duziu a importante ampliação das partes do livro que trata- do em Moon, W. C. White and Ellen G. White, pág. 124. Defense of the Faith (Washington, D.C.: Review and Herald,
23. Eventos Finais, págs. 123-142. vam do tempo da Reforma.” – Mensagens Escolhidas, livro 3, 61. Biography, vol. 3, pág. 219 (Nota de Mensagens Escolhidas, li- 1933).
24. Esses cadernos de folhas pautadas estão expostos no escri- pág. 465. vro 3, pág. 96). 67. François Samuel Louis Gaussen (1790-1863), um pastor suí-
tório do Patrimônio Literário White, em Silver Spring, 39. Ver págs. 16, 20, 173, 375, 376 e 421. 62. Esta declaração sobre revelação/inspiração não era nenhuma ço reformado, foi o autor de muitas obras calvinistas, embo-
Maryland. 40. Ver pág. 54. novidade para os adventistas do sétimo dia. Em carta a L. E. ra a mais conhecida seja Theopneustia. – J. D. Douglas, edi-
25. Battle Creek, MI: Steam Press of the Seventh-day Adventist 41. Quando a Sra. White ainda se recuperava do nascimento de Froom, W. C. White escreveu: “Essa declaração feita pela As- tor, The New International Dictionary of the Christian Church
Publishing Association, 1863. seu quarto filho, John Herbert, ocorrido em 20 de setembro sociação Geral em 1883 estava em perfeita harmonia com as (Grand Rapids, MI: Zondervan Publishing House, 1974),
26. Oakland, CA: The Pacific Press, 1877, 1878, 1881; Nashvil- de 1860, Tiago teve que ficar ausente por seis semanas. Ele crenças e posições dos pioneiros desta Causa, e era, penso eu, pág. 402.
le, TN: M. A. Vroman, editor, 1905. lhe escreveu um bilhete que terminava com estas palavras: a única posição adotada por todos os nossos pastores e profes- 68. F. S. L. Gaussen, The Plenary Inspiration of the Holy Scriptures
27. Data desconhecida. “Não lhe peço para cansar-se com cartas longas. Grande é a sores até que o Prof. [W. W.] Prescott, presidente do Colégio (London: Samuel Bagster, tradução inglesa, 1841), pág. 304.
28. Em 1881, Tiago White escreveu: “A Sra. White é grande lei- preocupação que você tem por mim. Que Deus ajude você e de Battle Creek, apresentou de maneira muito vigorosa um 69. Ver págs. 439 e 440.
tora, e em nossas longas viagens ela tem reunido grande as crianças.” – Citado em Biography, vol. 1, pág. 429. Tempos outro conceito – o conceito mantido e defendido pelo Prof. 70. Ver o artigo em quatro partes de Alden Thompson, “Adven-
quantidade de livros e revistas infantis dos quais seleciona li- depois, meses antes de Tiago morrer, ela sentiu que chegara Gausen [Gaussen]. A aceitação desse conceito pelos estudan- tists and Inspiration”, Adventist Review, 5, 12, 19 e 26 de se-
ções morais e religiosas a fim de lê-las para seus próprios e o tempo de suspender as pesadas responsabilidades da lide- tes do Colégio de Battle Creek e muitos outros, incluindo o tembro de 1985.
queridos filhos. Faz quase trinta anos que ela começou a fazer rança da igreja, mas isso era difícil. Alguns dias antes do seu
isto. Compramos todas as séries de livros para crianças e jo- falecimento, ele escreveu ao filho Willie: “Onde eu errei,
vens, impressos na América do Norte e na Europa em língua ajude-me a corrigir-me. Reconheço meus erros e estou ten-
inglesa que chegou ao nosso conhecimento, e adquirimos, tando refazer-me. Preciso de sua ajuda, e da ajuda de mamãe Perguntas Para Estudo
tomamos emprestado e solicitamos uma quantidade quase in- e de Haskell.” – Ibidem, vol. 3, pág. 145.
contável de diversos livros dessa categoria. ... Publicamos ali 42. Ver Evangelismo, págs. 89-91, 94, 97, 132, 142, 248 e 553.
a Sunshine Series, uma coleção de pequenos livros para 43. Para antecedentes gerais sobre Edson White, ver Alta Ro- 1. Qual a diferença entre a responsabilidade de Marian Davis e a de outras assistentes de
crianças de 5 a 10 anos de idade; a série Golden Grains, pa- binson, “James Edson White: Innovator”, em Early Adventist
ra crianças de 10 a 15 anos, e os volumes de Sabbath Readings Educators, ed. George R. Knight (Berrien Springs, MI: An- redação de Ellen White?
for the Home Circle para leitores mais avançados. ... Que li- drews University, 1983), págs. 137-158; Virgil Robinson, Ja-
vros valiosos! Os compiladores passaram anos lendo e rejei- mes White (Nashville, TN: Southern Publishing Association, 2. Que significa escrever com “realce humano”?
tando noventa e nove partes e aceitando uma. Livros precio- 1959), págs. 135-144; Jerry Allen Moon, W. C. White and El-
sos, de fato, para jovens preciosos.” – Review and Herald, 21 len G. White (Berrien Springs, MI: Andrews University,
de junho de 1881. 1993), págs. 42-54. 3. Na sua opinião, por que um profeta deve ser um grande leitor?
29. Carta 189, 1900, citado em Biography, vol. 4, pág. 448. 44. Carta 6, 1869.
30. Arquivo de Correspondência do Patrimônio Literário Whi- 45. Carta 12, 1878. Em 1899, quando Edson tinha quinze anos
te, citado por Robert W. Olson, “Ellen G. White’s Use of de idade, Ellen White escreveu a W. C.: “Eu... sou mais com- 4. Por que Ellen White escrevia de um modo para o público em geral e de outro para os
Historical Sources in The Great Controversy”, Adventist Re- passiva com Edson do que com você porque as circunstâncias adventistas? Forneça exemplos.
view, 23 de fevereiro de 1984. do nascimento dele foram especialmente desfavoráveis a seu
31. Mensagens Escolhidas, livro 3, pág. 441. cunho de caráter. Meu relacionamento com outras pessoas
32. The Great Teacher, páginas xxxiii, xxxiv. enquanto eu o esperava, as experiências singulares pelas 5. Que problema subjacente gerou um conflito na década de 1880, ao tentar empreender-
33. Estas páginas se encontram em Testemunhos Para Ministros, quais fui obrigada a passar foram muito desagradáveis e extre- se uma nova edição dos Testemunhos Para a Igreja?
págs. 472-475. mamente penosas. Durante anos, após o nascimento dele, is-
34. Mensagens Escolhidas, livro 3, págs. 443 e 444. Numa decla- to não abrandou. Foi completamente diferente no seu caso.”
ração feita por W. C. White ao Concílio da Associação Ge- – E. G. White a W. C. White, Carta 12, 1899. Esta carta en-
ral, em 30 de outubro de 1911, ele disse (a respeito das mu- dereçada a Willie era franca e direta como as que ela enviou
danças feitas na edição de 1911 de O Grande Conflito): “Em para Edson.
vários lugares, houve modificação na forma das expressões, a 46. Manuscrito 8, 1862.
fim de evitar desnecessária ofensa. Um exemplo disto é a mu- 47. Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, págs. 118-120, 216-220.
dança da palavra ‘Romish’ [romanista, papista] para ‘romano’ 48. Carta 4, 1865, de E. G. White a Edson.
ou ‘católico romano’. Em dois lugares a expressão ‘divinity of 49. W. C. White a E. G. White, 22 de novembro de 1886, cita-
Christ’ é mudada para ‘deity of Christ’ [divindade de Cristo do em Moon, W. C. White and Ellen G. White, pág. 116.
– em português não há diferença]. E as palavras ‘tolerância 50. E. G. White a Uriah Smith, 19 de setembro de 1892, citado
religiosa’ foram mudadas para ‘liberdade religiosa.’ ... O con- em Moon, ibidem, pág. 118.
tato de minha mãe com o povo europeu trouxe-lhe à mente 51. Ver págs. 444 e 445.
uma porção de coisas que lhe haviam sido apresentadas em 52. Ver pág. 450.
visão durante os anos passados, algumas delas duas ou três ve- 53. Mensagens Escolhidas, livro 3, págs. 91 e 92. “Sinto-me mui-
zes, e outras cenas muitas vezes. Sua contemplação de luga- to grata pela ajuda da irmã Marian Davis na produção de
res históricos e seu contato com o povo reavivaram-lhe a me- meus livros. Ela colhe materiais de meus diários, de minhas
mória no tocante a essas coisas, e assim ela desejou acrescen- cartas e dos artigos publicados nas revistas. Aprecio grande-
tar muito material ao livro. ... Após o nosso regresso à Amé- mente seu fiel serviço. Ela está comigo há vinte e cinco
rica [do Norte], saiu uma nova edição mais ampla. Nessa edi- anos, e constantemente tem adquirido maior habilidade pa-
ção omitiu-se alguma matéria usada na primeira edição em ra o trabalho de classificar e agrupar meus escritos.” – Ibi-
inglês. A razão para essas modificações estava no fato de que dem, pág. 93.

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SEÇÃO II

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O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Verdadeira Ellen White
minha última palestra. Eu devia fazer meu da e caminhei para a parte detrás da tenda e,
discurso de despedida. ... De repente senti so- quando entrei e me detive por trás da grande
brevir-me um poder, como um choque elétri- multidão, pude ouvir cada palavra e quase to-
co. Perpassou-me o corpo e subiu em direção da sílaba de cada palavra de maneira tão cla-
à cabeça. As pessoas dizem ter visto clara- ra como eu ouvira da frente.

A Oradora mente o sangue subindo a meus lábios, ouvi-


dos, face e testa.”
Um comerciante da cidade, ficando de pé,
“Com seu magnífico dom de pregar e sua
aptidão para dirigir auditórios, induzindo-os
quer para o raciocínio sólido quer para a mais

Solicitada exclamou: “Está-se realizando um milagre dian-


te dos nossos olhos. A Sra. White está curada!”
O Pastor Waggoner, o pregador que falara
antes dela naquele dia, escreveu em seu rela-
profunda emoção, ela parecia bastante segura
de si como mensageira do Senhor e contudo
não chamava a atenção para si mesma nem
enaltecia a própria autoridade. A única coisa
tório na revista Signs: “Sua voz e aparência se que fazia era colocar-se como porta-voz de
“Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o modificaram, e ela falou durante algum tem- Deus, pensando somente em Sua Palavra e
que se lia.” Nee. 8:8. “Animem todos a usar linguagem simples, pura e elevada. Fala, pronúncia e po com clareza e energia. Depois convidou os
voz – cultivem esses talentos, não sob a orientação de qualquer grande retórico do mundo, mas sob procurando exaltar somente a Jesus, a fim de
que desejavam dar o primeiro passo no servi- que pudéssemos contemplar somente a Ele.”9
o poder do Espírito Santo de Deus.”1 ço de Deus e os que se haviam apostatado pa- Para os estudantes de oratória e persuasão,
ra irem à frente, e um número expressivo o estilo de homilética de Ellen White era um
atendeu o apelo.”7 depósito de riquezas de onde se extraíam

P
rovavelmente nenhum orador público gem. Cada vez que a “restauração” de sua for- exemplos ininterruptos de clareza, vigor e be-
teve começo mais impróprio do que ça e desenvoltura vocal se repetia, ela ficava Estilo de Oratória leza. “Ela atingia a clareza escolhendo pala-
Ellen Harmon, mas no fim de 1844 ela mais convicta de estar seguindo o caminho As características vocais de Ellen White eram vras e frases descomplicadas, que se caracteri-
ouviu o convite: “Torne conhecido a outros o do dever. consideradas extraordinariamente agradáveis zavam pela objetividade e pela improbabili-
que lhe revelei.” Coisa alguma lhe causou A partir daquele começo pouco promissor, e persuasivas. Um pastor, relatando a expe- dade de serem mal compreendidas. Imprimia
mais desespero do que isso. Ela orou para ser os setenta anos de trabalho público de Ellen riência por que passara em 1874 no Instituto
força por meio da reiteração, de vínculos re-
desobrigada dessa responsabilidade; ela até White revelam um registro surpreendente e Bíblico de Battle Creek, escreveu sobre Tiago
petitivos, do clímax, da anáfora, dos desafios
“desejava a morte”.2 imprevisto. Ela se tornou uma oradora bastan- e Ellen White: “Eu me aventuro a afirmar que
e do imperativo. Atingia os elevados píncaros
Será que ela estava meramente sendo mo- te solicitada tanto por adventistas quanto por nenhuma pessoa de mente sã pode ouvir um
desta? Era sua relutância motivada pela hu- não adventistas. Durante muitas décadas foi deles e não ter a certeza de que Deus está com da beleza em suas imagens descritivas por
mildade cristã? De certo modo, a resposta é uma das principais oradoras das assembléias da eles. O estilo e linguagem da irmã White são, meio de tropos e figuras que, apesar de fami-
“sim” para ambas as perguntas, embora tam- Associação Geral e possivelmente a oradora em geral, solenes e impressionantes, e exer- liares e comuns, mantinham-se em equilíbrio
bém fosse uma atitude realista dela e de outros mais concorrida nas reuniões campais de uma cem sobre a congregação influência indescri- com os seus temas. Havia muitas vezes, no
que conheciam aquela frágil jovem de dezes- costa a outra dos Estados Unidos. Não adven- tível e sempre na direção do Céu.”8 ritmo de sua prosa, uma cadência agradável
sete anos de idade, pesando pouco mais de 36 tistas aos milhares (os auditórios variavam de L. H. Christian ouviu Ellen White pela que relembrava muito de perto a linguagem
quilos. Contemporâneos não esperavam que 20 a 20.000 pessoas) ouviam com grande apre- primeira vez em Mineápolis em 1888. Basea- das Escrituras.”10
ela vivesse; seus problemas respiratórios pare- ço seus sermões evangelísticos, muito antes de do nessa experiência, ele escreveu: “Ela co- O médico S. P. S. Edwards lembrou que
ciam terminais. Segundo ela mesma conta, existirem equipamentos de som.5 meçou a falar com sua voz baixa, afável, me- Ellen White possuía uma voz que servia tan-
“[eu] era tão desabituada à sociedade e de na- Como conseguiu ela isso? Sem dúvida, Deus lodiosa... agradavelmente natural. Poder-se- to “para conversar” como “para falar em pú-
tureza tão tímida e retraída, que me era dolo- lhe deu especial auxílio quando em 1845 ela ia pensar que ela falava a pessoas à distância blico”. Na conversação, ela era um “mezzo so-
roso enfrentar pessoas desconhecidas”.3 prosseguiu pela fé. Outras experiências foram de um metro e meio de onde ela estava. Eu ti- prano”, um “tom doce, não monótono, mas
O que aconteceu quando Ellen Harmon semelhantes à que se seguiu à reunião campal nha curiosidade em saber se as outras pessoas especialmente evidente por causa do meigo
aceitou o primeiro convite para relatar sua realizada em Healdsburg, Califórnia, em outu- podiam ouvi-la. Tempos depois, na assem- sorriso e o toque pessoal que ela punha na-
visão em Poland, Maine? Movida pelo senso bro de 1882. Durante o verão, ela se esgotou bléia de 1905 em Takoma Park, Washington, quilo que dizia”.
do dever, capaz de falar apenas sussurrando, em numerosas viagens, muita pregação e gran- D.C., depois de haver ingressado no ministé-
ela começou a tornar “conhecido a outros” o de produção literária.6 Embora confinada ao rio, tive a oportunidade de testar sua voz. Ela “Voz de Diafragma”
que Deus lhe havia revelado. Depois de cin- leito, pediu para ser levada à grande tenda pa- estava de pé, bem à frente, sobre uma grande Ao pregar, a “voz de diafragma” de Ellen
co minutos, sua “voz ficou clara e forte”, e ela ra ficar sentada num sofá. Depois que J. H. plataforma, dirigindo-se a um auditório de White como Edwards a descreveu, era um
falou “com toda a facilidade” por quase duas Waggoner terminou seu sermão, ela pediu ao cinco mil pessoas, algumas das quais se acha- “contralto profundo com maravilhoso poder
horas “com plena desenvoltura”.4 Terminada filho para ajudá-la a chegar até o púlpito. vam na parte mais posterior da grande tenda. de repercussão. ... Podíamos sempre escutá-
a mensagem, seus problemas vocais reapare- Relembrando posteriormente o episódio, Sentado na frente, eu disse para mim mesmo: la. ... Não estou certo se era a voz que reper-
ceram até a próxima vez em que se colocou escreveu: “Durante cinco minutos fiquei de Essas pessoas da parte de trás jamais irão sa- cutia ou o poder das palavras que ela profe-
perante o público para apresentar sua mensa- pé tentando falar e pensando que aquela seria ber o que ela está dizendo. Dei uma escapuli- ria. ... Todos podiam escutá-la sempre...
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 12 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A ORADORA SOLICITADA

quer fossem 10.000 pessoas ao ar livre ou um eram uma “corrente de ouro para relógio” os ministros do evangelho: “Os que conside- A pregação de Ellen White se baseava
coração solitário na privacidade do próprio com um “relógio de prata no bolso e um bro- ram coisa de pouca importância falar com muito freqüentemente em Isaías, no Antigo
aposento.”11 che simples”. dicção perfeita desonram a Deus.”16 “Façam Testamento, e em João, no Novo. Os capítu-
Em 1957-1959, Horace Shaw, que foi du- As centenas de entrevistados relembraram os estudantes em preparo para o serviço do los do Novo Testamento mais usados por ela
rante muito tempo professor de oratória do igualmente que a Sra. White usava poucos Mestre decididos esforços para aprender a fa- eram João 15 (“Eu sou a Videira...”), II Pedro
Emmanuel Missionary College (atualmente gestos, não balançava os braços nem as mãos lar corretamente, com vigor, de modo que, 1 (a escada do crescimento cristão) e I João 3
Andrews University), elaborou uma lista de – “porte natural e gentil e maneiras afáveis”. quando em conversa com outros acerca da (“Que grande amor...”).21
366 pessoas que tinham ouvido Ellen White Na maioria das vezes, ela pregava sem au- verdade, ou quando empenhados em ministé- Os pastores observaram que as mensagens
pregar. Pediu-lhes que procurassem lembrar o xílio de anotações, embora em algumas oca- rio público, possam apresentar pela devida dela sobre os temas bíblicos mais simples, co-
modo como se comportava ela na plataforma, siões lesse um manuscrito. Com a Bíblia aber- maneira as verdades de origem celeste.”17 mo a conversão, a obra do Espírito Santo e o
se o acontecimento era público ou particular, ta, falava com tal poder e lógica que cativava Para Ellen White, os métodos errados de amor de Deus, tornavam-se raros momentos
o que os havia impressionado mais e o que
seus auditórios.13 Observando um dos ser- falar afetavam diretamente a saúde do orador: de exame do coração que lhes animavam o
lembravam da mensagem. Também lhes pe-
mões pregados por Ellen White, um repórter “Seu uso excessivo [dos órgãos vocais]... caso espírito com coragem e perspectivas mais
diu para descreverem a influência que a pre-
do Detroit Post descreveu-o como uma expe- isto se repita muitas vezes, há de não somen- profundas. Na última assembléia da Associa-
gação dela exercia sobre o auditório.12
Tendo em vista que esses “ouvintes” fo- riência “extraordinária e emocionante”: te prejudicar os órgãos vocais, mas ocasionar ção Geral de que participou (1909), na épo-
ram entrevistados perto do fim da vida, ob- “Embora seus dotes de eloqüência e persuasão indevida tensão em todo o sistema nervoso. ca com 81 anos de idade, ela pediu para falar
viamente tiveram a oportunidade de obser- fossem bem conhecidos do auditório, ainda ... A educação da voz ocupa lugar importante aos pastores. Eles podiam pensar em muitos
var a Sra. White em seus últimos anos. As assim os ouvintes estavam despreparados pa- na cultura física, visto que ela tende a expan- assuntos sobre os quais queriam ouvir a opi-
frases típicas incluíam “aos 82 anos, curvada ra o apelo poderoso e irrefutável que ela fez. dir e fortalecer os pulmões, e desta maneira nião dela.
pela idade”, “pequena e frágil”, “estrutural- Ela parecia realmente quase inspirada quan- afastar as moléstias.”18 L. H. Christian relatou que ela escolheu
mente baixa... de compleição um tanto ro- do rogou aos pecadores que fugissem dos seus Através dos anos, estudantes sérios têm João 3:1-5 como seu texto, concentrando-se
busta, mas não obesa”. [deles] pecados. O efeito de sua oratória e ma- sido gratos ao conselho de Ellen White sobre em “Importa-vos nascer de novo”. Os pasto-
A respeito do semblante, o rosto é o que neira magnéticas foi extraordinário.”14 o falar em público. Sua própria experiência, res ficaram desapontados, achando que o te-
foi lembrado por mais tempo – “feições arre- Obviamente, a Sra. White via e ouvia es- que começou com um sussurro rouco e se de- ma não era apropriado; queriam alguma coisa
dondadas e cheias”, “deixava escapar de vez ses comentários sobre sua notável competên- senvolveu até tornar-se uma oradora muito mais sólida.
em quando um sorriso dulcíssimo”, “repara- cia em oratória. Ela dava glória a Deus, mas solicitada, deu profunda autenticidade a seus Contudo, após dois minutos, Christian es-
vam no seu nariz, mas logo o esqueciam, nem sempre achava o fenômeno miraculoso. princípios. Esses princípios expressos em tó- tava dizendo para si mesmo: “Isso é algo no-
achando que ela era realmente bela, digna” e Aprendera a falar em público estudando os picos como “Atitudes Cristãs no Falar”, vo. É mais profundo, elevado e sublime do
“o rosto parecia iluminar-se”. princípios da projeção da voz. Além disso, “Cultura da Voz”, “Métodos Eficazes de Falar que qualquer coisa que eu já li ou ouvi sobre
escrevera muito conselho geral sobre a comu- em Público”, “Conteúdo de Nossas Pales- o tema do novo nascimento como experiên-
Linguagem dos Olhos nicação oral eficiente e, muitas vezes, especi- tras” e “Uso da Voz ao Cantar” foram reuni- cia diária para o pregador.”
Seus olhos – “belos olhos castanhos e olhar ficamente aos pastores que estavam arruinan- dos no volume intitulado The Voice in Speech Depois, ele registrou seus pensamentos
distante”, “olhar leal”, “olhar penetrante”, do não somente sua voz, mas também a and Song.19 adicionais: “Eu nunca havia ouvido nem te-
“seus olhos eram grandes e ficavam maiores saúde, por hábitos impróprios de falar. nho ouvido desde então exposição tão bela
ainda quando ficava séria ou emocionada e Ela defendia o apoio do diafragma e a Temas Gerais sobre a obra do Espírito Santo em transfor-
diminuíam quando ela sorria”. mar vidas humanas à gloriosa semelhança de
respiração profunda: “O falar da garganta, Quais eram os temas gerais da Sra. White?
Havia unanimidade sobre o cabelo de
fazendo a voz sair da parte superior dos ór- Suas mensagens públicas, de acordo com os Cristo conforme ela nos apresentou. ...
Ellen White: “usava uma rede sobre o cabe-
gãos vocais, forçando-os e irritando-os con- ouvintes, concentravam-se na alegria, na Quando ela terminou de falar (isso durou
lo bem arrumado”, “estilo simples de pen-
teado”, “cabelo escuro e sempre partido e tinuamente, não é a melhor maneira de animação dos desalentados e na apresentação menos de trinta minutos), nós pregadores
penteado para trás, terminando em uma proteger a saúde ou aumentar a eficácia des- dos encantos de um amorável Senhor. A con- dissemos: ‘Foi a melhor coisa para a nossa al-
trança em formato de coque na parte poste- ses órgãos. ... Caso deixem que suas palavras clusão de um sermão típico seria: “Esta vida é ma que já ouvimos.’ Não foi crítico, nem de-
rior do pescoço”. venham do profundo, exercitando os mús- um conflito, e temos um adversário que nun- sanimador; não nos condenou; mas nos deu
Vinte e nove pessoas referiram-se ao teci- culos abdominais, podem falar a milhares ca dorme, e que está em constante vigilância um vislumbre das alturas da excelência espi-
do de sua roupa, descrevendo-o como “velu- de pessoas com a mesma facilidade com que para destruir nossa mente e, seduzindo-nos, ritual que somos capazes de alcançar e à qual
do ou seda preta”, “uma roupa de duas peças”; o fariam a dez.”15 afastar-nos de nosso precioso Salvador, que nos devemos apegar se formos realmente ser-
“o vestido não parecia adorná-la; ela parecia A instrução de Ellen White sobre falar em por nós deu a vida. Tomaremos a cruz que nos vos de Cristo ao levar as pessoas a uma viva
adornar o vestido”. Para acentuar o preto, a público envolvia mais do que a capacidade de foi dada? Ou continuaremos em satisfação fé no Senhor Jesus.”22
Sra. White usava muitas vezes punhos e golas falar a milhares de pessoas. Era, acima de tu- egoísta e perderemos a eternidade de bem- Ocorria muitas vezes interessante fenôme-
brancas. Outros acessórios mencionados do, um assunto espiritual, especialmente para aventurança?...”20 no quando Ellen White estava no púlpito. De
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 12 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A ORADORA SOLICITADA

vez em quando, ela parava a mensagem que apreciação. Um repórter de jornal noticiou ve a ocasião em que ouviu Ellen White falar uma classe de pessoas excelentes. ... Tive
havia preparado e reconhecia no auditório uma palestra que ela apresentou em Battle pela primeira vez: “Durante toda a minha vi- grande liberdade em apresentar-lhes o amor
pessoas que não havia visto antes, exceto Creek, Michigan, em 1887: da ouvira falar desta mulher, e desejava ouvi- de Deus evidenciado ao ser humano no dom
em visão. Em Bushnell, Michigan, em 20 “Esteve presente à palestra da Sra. Ellen la e vê-la por mim mesmo. ... Tenho escuta- de Seu Filho. Todos ouviram com o mais pro-
de julho de 1867, Ellen e Tiago White en- G. White, realizada ontem à noite, no Ta- do seus críticos declararem que os escritos fundo interesse. O pastor batista levantou-se
contraram, do lado de fora, debaixo de ár- bernáculo, uma assistência considerável, dela são, em grande parte, produto de suas se- e disse que tínhamos ouvido o evangelho na-
vores, um grupo espiritualmente pouco inclusive grande número das pessoas mais cretárias. Observei, porém, que em sua pales- quela noite e ele esperava que todos atentas-
promissor. Tiago relatou que logo depois ilustres de nossa cidade. Esta senhora apre- tra improvisada seu enunciado estava cheio sem para as palavras proferidas.”29
que sua esposa começou a falar, ela colocou sentou aos ouvintes uma palestra bastante de expressões exatamente idênticas àquelas Os líderes adventistas reconheciam a con-
a Bíblia de lado e começou a dirigir-se aos eloqüente, que foi ouvida com assinalado que eu havia lido tantas vezes em seus escri- tribuição inigualável dos White a suas diver-
recém-batizados. Pelo fato de não os ter interesse e atenção. Sua exposição foi en- tos. ... Ao relatar suas várias experiências... sas reuniões. Uriah Smith apresentou um re-
visto antes, a não ser em visão, “dirigiu-se a tremeada de fatos instrutivos coletados por ela deu-me a impressão de ser alguém que ti- latório sobre a reunião campal de Sparta,
cada irmão e irmã por sua localização, co- ela mesma em sua recente visita a terras es- nha satisfação em compartilhar com outros a Wisconsin, em 1876: “Aqui, como em Iowa,
mo um que estava perto daquela árvore ou trangeiras, o que demonstrou que, além de riqueza e a bênção que recebera.”26 a presença do irmão e da irmã White consti-
outro sentado perto daquele irmão ou irmã muitas outras raras qualificações, essa mu- Os comentários do mundo jornalístico tuiu, em grande parte, a vida da reunião. Seus
da igreja de Greenville ou de Orleans, a lher talentosa possui grande faculdade de não se limitavam à “talentosa” habilidade conselhos e trabalhos deram significado aos
quem ela conhecia pessoalmente e a quem atenta e cuidadosa observação e extraordi- que Ellen White possuía ao usar a tribuna. cultos e progresso da obra. Freqüentemente a
chamava pelo nome”. nária memória para detalhes. Isto, aliado à Incluíam também sua mensagem honesta: irmã White fazia apelos impressionantes e as
Durante uma hora, ela passou em revista sua magnífica forma de falar e a faculdade “Gostaria que todas as outras crenças reli- mais convincentes descrições de cenas da vi-
os casos, um por um, declarando que o Se- de revestir suas idéias com linguagem sele- giosas de Battle Creek fossem tão fiéis aos da de Cristo das quais se podem extrair lições
nhor havia mostrado a condição deles dois ta, elegante e apropriada, tornou sua pales- princípios morais como a Sra. White e seus aplicáveis à experiência cristã diária. Isso foi
anos antes; que, enquanto ela estava lendo tra uma das melhores que já foi pronuncia- adeptos. Então não teríamos vergonhosos de total interesse para toda a congregação.
textos da Bíblia, as necessidades individuais da por qualquer mulher em nossa cidade. antros de vícios, bares, tabacarias, casas de Esses servos da igreja, embora já tenham lon-
deles foram esclarecidas “como um súbito re- Que ela possa em breve brindar nossa co-
jogos nem a atmosfera poluída dos vapores ga e larga experiência, apesar de todas as suas
lâmpago em uma noite escura revelando cada munidade com outra palestra, é o sincero
do rum e desse cruel destruidor de homens cansativas atividades, continuam a crescer
objeto ao redor”. desejo de todos quantos a ouviram na noite
chamado fumo.”27 em força mental e espiritual.”30
Qual foi a reação? Cada pessoa, ao ser passada, e se ela assim o fizer, será uma reu-
A Sra. White gostava de aceitar convites
mencionada, levantava-se e “dava teste- nião muito concorrida.”25
Alguns têm afirmado às vezes que a beleza, de igrejas não adventistas. Em 1880, depois Uma das Mais Capazes Oradoras de Tribuna
munho de que seu caso havia sido descrito
a força e o poder dos escritos de Ellen White de ouvi-la pregar na reunião campal de Sa- Quando Tiago morreu em 1881, diversos jor-
melhor do que eles conseguiriam fazer por
si mesmos”. Erros foram corrigidos e efe- se deviam a seus assistentes de redação. Mas lém, Oregon (realizada numa praça munici- nais registraram as contribuições que ele dera
tuou-se uma reforma que os tornou uma quem eram os assistentes de redação que se pal), alguns metodistas ficaram impressio- à causa. Esses esboços biográficos e elogios in-
igreja forte.23 interpunham entre ela e seus auditórios? Não nados. Os líderes da igreja pediram que ela cluíam comentários sobre a Sra. White e sua
Algumas vezes Ellen White foi tomada em havia nenhuma assistente literária ao seu la- pregasse para eles no domingo seguinte. obra pública: “Ele recebeu, em seus trabalhos
visão enquanto pregava. Em Lovett’s Grove, do, “polindo” sua gramática, “corrigindo” Numa carta endereçada a Tiago, ela descre- ministeriais e educacionais, a inestimável
Ohio, em meados de março de 1858, após seu seus detalhes, etc., quando ela usava “lingua- veu o acontecimento: “No domingo à noite ajuda de sua esposa, Ellen G. White, uma das
marido ter pregado um sermão fúnebre, ela gem seleta, elegante e apropriada”. a Igreja Metodista, um majestoso edifício, mais competentes oradoras de tribuna e escri-
apresentou seu testemunho sobre a conforta- Essa “mulher talentosa” e dotada de “ex- ficou completamente lotado. Falei para toras do Oeste.”31
dora esperança do Segundo Advento. Escre- traordinária memória para detalhes” demons- aproximadamente setecentas pessoas, que “Em 1846, ele se casou com Ellen G. Har-
vendo posteriormente, ela disse: “Fui arreba- trava, como é verdade para muitas pessoas ouviram com profundo interesse. O pastor mon, mulher de talentos extraordinários, que
tada numa visão da glória de Deus.” Durante públicas, que o dom de oratória é freqüente- metodista agradeceu-me pelo sermão. A es- foi uma colaboradora em toda sua obra e con-
as duas horas que se seguiram, ela permane- mente diferente das técnicas de redação. Os posa do pastor metodista e todos pareceram tribuiu grandemente para o sucesso dele por
ceu em visão naquele prédio escolar lotado hábitos de escrita revelam muitas vezes que a muito satisfeitos.”28 seus dotes como escritora e principalmente
que a observava com ávido interesse. Aquela mente do escritor corre mais rápido do que a Naquela extraordinária viagem de com- como persuasiva oradora pública.”32
visão de Lovett’s Grove veio a ser conhecida pena é capaz de escrever; independente disso, boio de carroções, realizada em 1879, Tiago e Em 1878, com a idade de 50 anos, Ellen
como “a visão do grande conflito”.24 o escritor sabe que o produto final é o que Ellen White pregaram quase todas as noites White foi incluída na obra de referência
realmente importa, não as técnicas rápidas para “os viajantes” e os que se achavam ao American Biographical History of Eminent and
Auditórios Não Adventistas que o escritor emprega para colocar o pensa- longo do caminho. Escrevendo a respeito de Self-Made Men of the State of Michigan, Third
Auditórios não adventistas ouviam-lhe as mento no papel. certa experiência, ela disse: “Na noite passa- Congressional District, pág. 108, nos seguintes
mensagens, que demoravam muitas vezes Clifton L. Taylor, que durante muitos anos da preguei para cem pessoas reunidas numa termos: “A Sra. White é uma mulher de
mais de uma hora, enlevados e com grata foi professor de Bíblia em faculdades, descre- respeitável casa de culto. Encontramos ali mentalidade singularmente bem equilibrada.
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SEÇÃO II
CAPÍTULO 12 O ministério profético de Ellen G. White
A Verdadeira Ellen White A ORADORA SOLICITADA

Seus traços predominantes são a benevolên- livre, ela tem sido com freqüência distinta- todos os lugares do país, sendo grande parte de seu tempo de- Ellen White apresentou doze mensagens evangelísticas consecu-
cia, a espiritualidade, a conscienciosidade e o mente ouvida a quilômetro e meio de distân- dicado a esta obra.” tivas, dez das quais dispomos hoje. Os textos e temas que ela usa-
26. Review and Herald, 25 de setembro de 1958, pág. 3. va revelam a ênfase cristocêntrica de seus sermões. Ver também
idealismo. Suas qualidades pessoais são de cia. Sua linguagem, conquanto simples, é 27. Lansing [Michigan] Republican, 7 de janeiro de 1880, citado Delafield, Ellen G. White in Europe, págs. 239 e 240.
molde a granjear-lhe as mais calorosas amiza- sempre elegante e convincente. Quando ins- em Biography, vol. 3, pág. 131. 30. Review and Herald, 29 de junho de 1876, pág. 4.
des entre todos com quem se põe em contato pirada pelo assunto, é muitas vezes maravi- 28. Carta 33a, 1880, citada em Biography, vol. 3, pág. 142; mais 31. Lansing [Michigan] Republican, 9 de agosto de 1881, citado
adiante na carta ela mencionou: “Um dos pastores metodis- em Nichol, Ellen G. White and Her Critics, pág. 475.
e a inspirar-lhes a maior confiança em sua lhosamente eloqüente, mantendo os maiores tas disse para o irmão Levitt que ele lamentava que a Sra. 32. The Echo [Detroit], 10 de agosto de 1881, citado em Nichol,
sinceridade. ... Não obstante, seus muitos auditórios fascinados por horas, sem um sinal White não fosse uma sólida metodista, porque eles a ordena- ibidem, pág. 475.
anos de trabalhos públicos, tem conservado de impaciência nem fadiga. riam episcopisa imediatamente; ela faria justiça a esse cargo.” 33. Citado em Shaw, “A Rethorical Analysis of the Speaking of
Ver também Ibidem, pág. 88. Mrs. Ellen G. White”, págs. 28 e 29, e em Arthur White, Men-
toda a simplicidade e honestidade que lhe ca- “O tema de suas palestras é sempre de na- 29. Carta 36, 1879, citado em ibidem, pág. 111. Em outubro de 1886, sageira da Igreja Remanescente, segunda edição, págs. 348 e 349.
racterizaram o princípio da vida. tureza prática, tratando principalmente dos
“Como oradora, a Sra. White é uma das deveres domésticos, da educação religiosa
mais bem-sucedidas entre as poucas mulheres das crianças, da temperança e assuntos con- Perguntas Para Estudo
que se têm distinguido como conferencistas gêneres. Nas ocasiões de reavivamento, é
neste país, durante os últimos vinte anos. O ela sempre a oradora de maior êxito. Tem
contínuo uso lhe tem por tal forma fortaleci- falado freqüentemente sobre seus temas fa- 1. Quais as principais características do estilo de oratória de Ellen White?
do os órgãos vocais, que lhe dão à voz rara voritos, a auditórios imensos, nas maiores
profundidade e potência. A clareza e força de cidades, sendo sempre recebida com grande 2. Como o falar corretamente ajuda na saúde física?
articulação são tão grandes que, falando ao ar simpatia.”33
3. Que passagens bíblicas Ellen White citava com maior freqüência?
Referências
4. Quais eram os temas favoritos de Ellen White, aqueles que ela enfatizou durante todo o
1. The Voice in Speech and Song, pág. 15. “A irmã White falou um pouco sobre a grande importância da
seu ministério? Consulte o CD-ROM contendo os escritos publicados de Ellen White
2. Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, pág. 62; Life Sketches, pág. 70. Escola Sabatina, daquele seu jeito convincente e eloqüente.” para encontrar pistas.
3. Life Sketches, págs. 69 e 70. – Review and Herald, 4 de setembro de 1879, pág. 85.
4. Ibidem, pág. 72. 9. Christian, Fruitage of Spiritual Gifts, págs. 45 e 46.
5. A presença de aproximadamente 20.000 pessoas na reunião 10. Horace Shaw, “A Rhetorical Analysis of the Speaking of
5. Do ponto de vista da persuasão, como Ellen White usa a linguagem para captar clara e
campal de Groveland, na cidade do mesmo nome, Massachu- Mrs. Ellen G. White, A Pioneer Leader and Spokeswoman favoravelmente a atenção? Pense em exemplos que reflitam simplicidade, propriedade,
setts, de 25 a 30 de agosto de 1876, alcançou o recorde máxi- of Seventh-day Adventist Church” (Michigan State Uni- ilustrações, etc.
mo das reuniões campais adventistas. Segundo um repórter, versity, 1959, dissertação de doutorado), pág. 282.
muito mais gente teve seu acesso negado às reuniões porque 11. Ibidem, pág. 514.
todos os serviços de transporte, inclusive trens, barcos flu- 12. Ibidem, págs. 502-510, 606-644.
viais, barcas, etc., estavam lotados além da sua capacidade de 13. “Quando estou falando ao povo, digo muita coisa que de for-
acomodar todos quantos desejavam comparecer ao evento. – ma alguma premeditei. O Espírito do Senhor freqüentemen-
Review and Herald, 7 de setembro de 1876, pág. 84. Assim que te vem sobre mim. Parece-me que sou levada para fora de
a reunião se encerrou, Ellen White foi convidada pelo Clube mim mesma e a vida e o caráter de diferentes pessoas me são
da Reforma da Temperança de Haverhill para pregar na noite claramente apresentados. Vejo seus erros e perigos que cor-
seguinte. Ela relatou: “A Rainha da Inglaterra não poderia ter rem. Sinto-me então compelida a falar do que me tem sido
sido mais honrada. ... Estavam diante de mim mil das pessoas mostrado.” – Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, pág. 678.
mais finas e seletas da cidade. Parei várias vezes ante os aplau- 14. Citado em Review and Herald, 18 de agosto de 1874, pág. 68.
sos e as batidas dos pés. ... Nunca antes testemunhei tanto en- 15. Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, pág. 616 (Evangelismo, pág.
tusiasmo como o que essas nobres pessoas que lideravam a re- 669). “O devido uso dos músculos abdominais no ler e falar
forma da temperança demonstraram em relação à minha pa- mostrar-se-á remédio para muitas anomalias da voz e do tó-
lestra sobre temperança. Era algo novo para eles. Falei do je- rax, e meio de prolongar a vida.” – Conselhos aos Pais, Pro-
jum de Cristo no deserto e seu objetivo. Falei contra o fumo. fessores e Estudantes, pág. 297.
Depois da reunião, fui cercada e elogiada, e insistiram comigo 16. Evangelismo, pág. 665.
para que, se eu voltasse a Haverhill, falasse para eles nova- 17. Ibidem, pág. 666.
mente.” – Carta 42, 1876, citado em Biography, vol. 3, pág. 18. Ibidem, págs. 667 e 669.
46; ver Uriah Smith, “Grand Rally in New England”, Review 19. Pacific Press Publishing Association, 1988.
and Herald, 7 de setembro de 1876, pág. 84. 20. Life Sketches, págs. 291 e 292.
6. Em julho ela havia escrito quinhentas páginas de manuscrito. 21. Shaw, “A Rethorical Analysis of the Speaking of Mrs. Ellen
Ver Biography, vol. 3, pág. 202. G. White”, pág. 355.
7. Biography, vol. 3, pág. 204; ver também pág. 158. Refletindo 22. Christian, Fruitage of Spiritual Gifts, pág. 47.
sobre este fenômeno acontecido repetidas vezes, Mervyn 23. Signs of the Times, 29 de agosto de 1878, pág. 260.
Maxwell sugere que “Deus poderia tê-la curado completamen- 24. Ver capítulo 22; Biography, vol. 1, págs. 368-375.
te, mas é evidente que preferiu apresentar esta prova de Sua 25. “Mr. Ellen G. White’s Able Address. A Characteristic and
proximidade quando ela se levantava para pregar.” – Maxwell, Eloquent Discourse by This Remarkable Lady”, Battle Creek
Tell It to the World, pág. 197. Daily Journal, 5 de outubro de 1887. O editor do Free Press
8. Review and Herald, 8 de janeiro de 1875, pág. 14. Em outra de Newton (Iowa) dedicou amplo espaço à reunião campal
ocasião, J. N. Loughborough observou: “A irmã White apre- adventista realizada naquela cidade no começo de julho de
sentou duas palestras profundas, práticas e convincentes.” – 1875. Entre outras observações, ele diz: “A Sra. White é uma
Signs of the Times, 11 de janeiro de 1877, pág. 24. D. M. Can- pregadora de grande talento e eficácia, muito solicitada co-
right, na época presidente da Associação de Ohio, escreveu: mo conferencista das reuniões campais da denominação de

130 131
III

SEÇÃO
A Mensageira que Escuta

CAPÍTULO

13 Transmitindo a Mensagem de Deus

14 Confirmando a Confiança

15 Instruções e Predições Oportunas

16 Percepção da Mensageira Sobre si Mesma


M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO III

13
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Mensageira que Escuta
naram-se o centro confirmador, corretor e chegar até vocês por meio de testemunhos
confortador para o surgimento da plataforma simples e diretos.”9
bíblica integrada do terceiro grupo.6 Somente quando seus propósitos forem
claramente compreendidos é que os escritos

Transmitindo a Propósito das Visões


Pessoa alguma é capaz de estender-se muito
na leitura dos escritos da Sra. White sem fi-
car consciente de sua profunda veneração
de Ellen White serão devidamente aprecia-
dos. Ela explicou por que Deus viu a neces-
sidade de falar por meio dela: “Chamar... a
atenção de Seu povo para a Sua Palavra”,10

Mensagem de Deus pela Bíblia. Ela era uma defensora do estu-


do da Bíblia, e recomendava com grande
insistência o estudo bíblico coerente e me-
simplificar “importantes verdades já revela-
das”;11 chamar a atenção para os princípios
bíblicos “para a formação de hábitos corre-
ticuloso.7 tos de vida”;12 especificar “os deveres do ho-
“Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me fala- Na verdade, um dos sinais dos falsos profe- mem para com Deus e seu semelhante”;13 e
va.” Ezeq. 2:2. tas é procurarem anular a obra dos profetas “animar os abatidos”.14
anteriores (Isa. 8:20). Um dos principais si- Em essência, as mensagens de Ellen
nais dos profetas verdadeiros é fazerem cons- White foram dadas “não para uma nova re-
tante referência aos profetas anteriores. A gra de fé, mas para conforto do Seu povo e

O
s mileritas, em princípios da década No fim da década de 1840, os mileritas coerência e a unidade da Bíblia repousam para corrigir os que se desviam da verdade
de 1840, com suas expectativas mile- desapontados dividiram-se em diversos gru- neste simples fato, confirmado através dos bíblica”.15
niais, estavam “predispostos... ao po- pos principais de acordo com suas crenças
anos. Uma das observações comuns feitas a
deroso derramamento de predições carismáti- sobre o que acontecera em 1844: (1) aqueles O Fenômeno das Visões
cas, línguas, curas e outros ‘sinais e maravi- que continuavam a crer que a volta de Jesus respeito de Ellen White é que ela empregou
extensivamente as Escrituras em seus sermões Ellen Harmon/White partilhava com os
lhas’, que cumpririam a promessa bíblica era iminente e que seu erro consistira na fi- profetas bíblicos características físicas se-
para os ‘últimos dias.’... Suas assembléias es- xação de uma data errada; este grupo incluía e volumosos escritos.
melhantes enquanto em visão pública ou
tremeciam com brados, louvores, pranto e os principais líderes mileritas (Miller, Bliss, Mas se a Bíblia é “o único guia verdadei-
em lugar aberto.16 Em 1868, Tiago White
‘períodos enternecedores de oração’.” Hale e Himes); (2) aqueles que criam que na ro em todos os assuntos de fé e prática”8,
fez a seguinte descrição abrangente da espo-
Embora líderes mileritas como o próprio realidade Jesus tinha vindo, mas não como por que as mensagens de Ellen White foram
Miller, Carlos Fitch e Josué V. Himes se opu- um acontecimento físico; a experiência es- sa em visão:
necessárias? Qual o propósito de seu papel
sessem aos “fenômenos carismáticos”, o mo- piritual por que os crentes passaram se tor- “1. Ela fica inteiramente inconsciente de
profético?
vimento era “normalmente criticado” por es- nou para eles a “segunda vinda”, e assim fo- tudo quanto ocorre ao seu redor, como se tem
Ela explicou por que sua mensagem era demonstrado pelas mais rigorosas provas, po-
ses “fanatismos” como curas, falar em línguas, ram rotulados de “espiritualizadores”; (3) necessária: “Tomei a preciosa Bíblia, e
visões e profecias. Diversas mulheres mileri- aqueles que acreditavam que a data estava rém se vê a si mesma como afastada deste
agrupei em torno dela os diferentes Teste- mundo, e na presença de seres celestiais.
tas tiveram suas “visões” noticiadas pela im- correta, mas que o acontecimento ocorrera
prensa.1 no Céu assinalando o início da ministração munhos Para a Igreja, dados ao povo de “2. Ela não respira. Durante todo o perío-
Depois do dia 22 de outubro de 1844, para sumo sacerdotal de Cristo no “lugar santíssi- Deus. Aqui, disse eu, se encontram os casos do de sua visão que, em diferentes ocasiões,
a maioria dos mileritas e para o mundo reli- mo”, dos quais surgiu a Igreja Adventista do de quase todos. Os pecados que devem evi- tem variado de quinze minutos a três horas,
gioso zombador em geral, os fenômenos caris- Sétimo Dia.4 tar estão neles apontados. Os conselhos não há nenhuma respiração, como se tem
máticos como visões eram altamente suspei- Ellen White tornou-se a única voz clara que desejam, dados em outros casos que de- comprovado repetidas vezes ao fazer-lhe
tos. Os mileritas, ofendidos por serem rotula- que reanimou o terceiro grupo, o qual acredi- finem situações semelhantes às deles mes- pressão sobre o tórax, e fechar-lhe a boca e
dos de fanáticos, ficaram bastante desconfia- tava que a data de 22 de outubro de 1844 en- mos, podem ser encontrados aqui. Aprouve as narinas.
dos de quem quer que afirmasse ter visões.2 cerrava um importante significado cósmico.5 a Deus dar-lhes ‘preceito sobre preceito’ e “3. Imediatamente depois de entrar em vi-
Dois outros “mileritas” (William Foy e Ela ajudou a dirigir o grupo de estudantes da ‘regra sobre regra’. Mas poucos entre vocês são, seus músculos se tornam rígidos, e as jun-
Hazen Foss) haviam sentido a oposição às vi- Bíblia por entre o fanatismo dos “espirituali- sabem realmente o que está contido nos tas fixas, no que respeita à influência de qual-
sões. Foy teve quatro visões, embora não te- zadores” à esquerda e os adventistas do pri- Testemunhos. Não estão familiarizados com
nha recebido mais nenhuma depois de 1844. meiro dia à direita, os quais repudiavam tan- quer força exterior sobre eles. Ao mesmo
as Escrituras. Se tivessem feito da Bíblia o tempo, seus movimentos e gestos, que são fre-
Relatava-as às pessoas sempre que encontra- to o significado do dia 22 de outubro como os
va ouvintes interessados. “dons espirituais”. A confusão e a rejeição objeto de seus estudos, com o propósito de qüentes, são livres e graciosos, e não podem
Foss nunca revelou suas visões a outros, predominavam em ambos os lados dos primi- atingir o padrão bíblico e a perfeição cristã, ser impedidos nem controlados mesmo pela
mas reconheceu a autenticidade de Ellen tivos adventistas sabatistas. As visões de não necessitariam dos Testemunhos. É por- pessoa mais forte.
Harmon quando ouviu as explicações das vi- Ellen Harmon (antes de seu casamento, que negligenciaram familiarizar-se com o “4. Ao sair da visão, seja durante o dia ou
sões dela.3 1844-1846; Ellen White depois de 1846) tor- Livro inspirado de Deus que Ele procurou num aposento bem iluminado à noite, tudo
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SEÇÃO III
CAPÍTULO 13 O ministério profético de Ellen G. White
A Mensageira que Escuta TRANSMITINDO A MENSAGEM
DEDEUS

lhe é completa escuridão. Sua capacidade de Pesava, na época, pouco mais de 36 quilos. Ellen White recebia mensagens de Deus de diversos modos, como, por exemplo, “no
distinguir mesmo os objetos mais brilhantes, Seu estado nervoso era tal que ela não con- de diferentes maneiras. As mensagens recebi- início do sábado eu adormeci e algumas
segurados a pouco centímetros de seus seguia escrever e dependia de que alguém das durante as horas em que ela estava acor- coisas me foram claramente apresenta-
olhos, só volta gradualmente, às vezes não sentasse à mesa ao seu lado até mesmo para dada chamavam-se visões “abertas” ou públi- das”.26 Centenas de cartas contêm a ex-
sendo restabelecida senão depois de três ho- despejar sua bebida na xícara. E apesar de cas, enquanto as que ocorriam durante o so- pressão “no período da noite”, no qual ela
ras. Isso tem acontecido durante os últimos suas ansiedades e aflições mentais, resultan- no se chamavam sonhos. A duração das vi- ouvia ou via uma mensagem que devia ser
vinte anos; contudo sua vista não sofre o mí- tes do dever de apresentar ao público suas sões variava desde menos de um minuto até comunicada a alguma pessoa ou grupo em
nimo prejuízo. Pouca gente tem a vista tão visões, suas atividades na pregação pública e mais de uma hora, havendo uma ocasião em particular, como uma igreja, reunião cam-
boa quanto ela. em questões gerais da igreja, suas fatigantes que durou quase quatro horas. Às vezes as vi- pal ou reunião de oficiais. Às vezes a ex-
“Provavelmente, durante os últimos vinte viagens e trabalhos e preocupações domésti- sões aconteciam “[mostrando] como que num pressão “no período da noite” podia estar
e três anos, ela teve de cem a duzentas visões. cas, sua saúde e força física e mental têm relâmpago certas situações ou condições. Em ausente, mas a ocasião era óbvia: “Não
Estas foram dadas sob quase toda sorte de cir- melhorado desde o dia que ela teve sua pri- tais casos, a visão relacionava-se em geral consigo dormir. Levantei à uma hora da
apenas a um assunto, ou a um aspecto do as- madrugada. Fiquei ouvindo uma mensagem
cunstâncias, mantendo, não obstante, admi- meira visão.”17
sunto, ao passo que as visões mais prolonga- destinada a você.”27
rável semelhança. A mudança mais visível é Mas as visões não podem ser explicadas ou
das incluíam muitos, muitos assuntos, ou li- As visões noturnas ou sonhos tornaram-se
que nos últimos anos elas se têm tornado me- autenticadas apenas pelas características físi- davam com acontecimentos que ocorriam
nos freqüentes, porém mais abrangentes. Ela cas. Muitas vezes, especialmente durante as mais rotineiros à medida que as visões abertas
durante longo período de tempo.”22 se tornaram menos freqüentes.
tem sido arrebatada em visão com maior fre- visões/sonhos da noite, Ellen White não As visões públicas podiam acontecer em
qüência quando em oração. apresentava as típicas caraterísticas físicas. Reconhecendo que surgiriam perguntas a
quase qualquer ocasião. Às vezes, enquanto respeito da natureza particular dos “sonhos” e
“Diversas vezes, enquanto se dirigia à Os fenômenos físicos não eram prova das cre- anotava no diário acontecimentos do dia, so-
congregação, de maneira inesperada para denciais divinas.18 de sua autenticidade como revelações, Ellen
brevinham pensamentos aplicáveis ao assun- White escreveu: “Grande número de sonhos
ela mesma ou para os que estavam à sua Além disso, como Arthur G. Daniells to “como jatos de luz... de maneira tão distin-
volta, era tomada instantaneamente em escreveu, “aqueles que aceitam esses fenô- [sonhos comuns] origina-se das coisas co-
ta [que] eu escrevia durante muito tempo”.23
visão. Foi isto o que aconteceu em 12 de menos físicos como evidência determi- muns da vida, com as quais o Espírito de Deus
Enquanto um grupo de crente estava reu-
junho de 1868, na presença de nada me- nante podem ser enganados, pois o inimi- nada tem a ver. Há também falsos sonhos,
nido em oração familiar numa manhã de sá-
bem como falsas visões que são inspirados por
nos que duzentos observadores do sábado, go da justiça é capaz de produzir condi- bado, Ellen White deu aquele ressonante bra-
Satanás. Mas os sonhos provenientes do Se-
na casa de culto em Battle Creek, Michi- ções similares em pessoas sujeitas a seu do de “Glória! Glória! Glória!” (a que os es-
pectadores haviam se acostumado através dos nhor estão classificados na Palavra de Deus
gan. Ao ser batizada por mim, num perío- domínio.” 19 Ellen White advertiu: “Have-
anos), e seu marido Tiago se ergueu infor- com visões, e são tão verdadeiramente frutos
do inicial de sua experiência, enquanto eu rá pessoas que pretendem ter visões.
mando aos presentes que sua esposa estava do Espírito de Profecia como as visões. Tais
a emergia da água, ela imediatamente en- Quando Deus der clara evidência de que
em visão.24 sonhos, levando-se em conta as pessoas que
trou em visão. Diversas vezes, acamada essas visões são dEle, vocês podem aceitá-
Com freqüência ela recebia visões em os têm e as circunstâncias sob as quais foram
por doença, foi ela restaurada em resposta las; mas não as aceitem mediante nenhu- dados, contêm suas próprias provas de genui-
à oração da fé e arrebatada em visão. Nes- ma outra prova; pois o povo será mais e cultos na igreja. A visão de Parkville, Mi-
chigan, em 12 janeiro de 1861, na qual des- nidade.”28
sas ocasiões a restauração de sua saúde foi mais extraviado nos países estrangeiros e
miraculosa. na América [do Norte]. O Senhor quer creveu os fatos e horrores da Guerra Civil,
aconteceu na igreja depois que ela concluiu Mensagens Recebidas de Formas Diferentes
“De outra vez, enquanto caminhava com que Seu povo proceda como homens e Variedade é uma palavra que descreve bem a
amigas, conversando sobre as glórias do rei- mulheres sensatos.” 20 sua poderosa exortação e se assentou. A vi-
são durou aproximadamente vinte minutos. maneira pela qual a Sra. White recebia visões
no de Deus, passando ela pelo portão da ca- Por que, então, os fenômenos físicos e sonhos. A maneira como comunicava ela as
Depois que ela voltou a respirar, falou breve-
sa de seu pai, o Espírito de Deus veio sobre acompanhavam as visões dadas aos profetas mensagens a outros variava tanto quanto a
mente sobre o que lhe fora revelado, em es-
ela, que foi instantaneamente tomada em bíblicos? Por que as manifestações físicas fo- pecial sobre determinados pontos direta- maneira como recebia as visões.
visão. E o que pode ser importante, para ram tão extraordinárias e tão amplamente mente relacionados com aquele auditório As visões e sonhos de Ellen White eram
aqueles que julgam as visões resultado de documentadas durante as visões públicas de intensamente interessado. apresentados em pelo menos nove manei-
mesmerismo, ela foi muitas vezes arrebatada Ellen White? Ao que parece, assim como nos A última visão pública de Ellen White, da ras diferentes.29 As visões referidas neste
em visão quando orava sozinha no bosque tempos bíblicos, Deus Se serviu das coisas qual dispomos de informações detalhadas, livro podem ser classificadas sob estas no-
ou no quarto. prodigiosas para chamar e conservar a aten- ocorreu em Battle Creek em 3 de janeiro de ve categorias:
“É bem possível falar a respeito do efeito ção das pessoas tempo suficiente para que ou- 1875. Contudo, J. N. Loughborough (que tes- 1. Às vezes, ela parecia estar presente e
das visões sobre sua constituição ou força. vissem a mensagem do profeta. A mensagem temunhou pessoalmente “cerca de cinqüenta” participar nos acontecimentos da visão.30
Quando ela teve sua primeira visão, era uma em si mesma levava as credenciais divinas; os visões) declara que sua última visão pública foi 2. Algumas visões eram panorâmicas, com
doente macilenta, desenganada pelos ami- fenômenos físicos demonstravam a presença a da reunião campal de Oregon em 1884.25 cenas que abrangiam o passado, o presente e
gos e médicos para morrer de tuberculose. do sobrenatural.21 As visões da noite, ou sonhos, aconteciam o futuro.31
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SEÇÃO III
CAPÍTULO 13 O ministério profético de Ellen G. White
A Mensageira que Escuta TRANSMITINDO A MENSAGEM
DEDEUS

3. Um anjo (ou algum outro ser celestial, Ela via em visão pessoas e acontecimentos o orgulho foi terrivelmente magoado. Nós verão de 1881, Tiago e Ellen White estavam
como “meu Guia”, etc.) costumava observar que outros não conseguiam ver em seu verda- conversamos por um instante, e ambos fica- cansados. Ela estava doente. Contudo, sentia
o acontecimento com ela e dar-lhe uma in- deiro aspecto. Quando essas pessoas resistiam ram maravilhosamente calmos e disseram uma “profunda impressão” de que deveriam
terpretação.32 ao conselho, ignorando a reprovação que fo- que agora viam diferentemente as coisas.”42 partir da reunião campal de Michigan e ir
4. Ocasionalmente ela via edifícios ainda por ra enviada em caráter particular, ela se sentia As visões muitas vezes se referiam a acon- para a reunião campal de Iowa, a iniciar-se
construir e recebia instruções a respeito do papel em débito para com toda a igreja. Seu Guia tecimentos específicos capazes de convencer dentro de dois dias. Ao chegarem em Des
que ela desempenharia na instrução dos que de- celestial lhe dizia que a igreja não devia con- não adventistas de que Ellen White era uma Moines, ela disse para um pastor: “Bem, esta-
tinuar a padecer por causa daqueles que recu- autêntica mensageira do Senhor. Em 1850 mos aqui conforme a ordem do Senhor, para
viam trabalhar naquela futura edificação.33
os White estavam em Oswego, Nova Iorque, um propósito especial, que ainda não sabe-
5. Seu Guia explicava as representações savam a correção: “Fui tomada em visão e vi
empenhados no costumeiro trabalho de es- mos qual é, mas que sem dúvida o saberemos
simbólicas ou o significado delas era eviden- os erros de certas pessoas os quais estavam crever e pregar. O tesoureiro do município, no decorrer da reunião.”
te por si mesmo.34 afetando a causa. Não me atrevo a ocultar da que também era pregador leigo da igreja me- Os White pregaram bastante. No do-
6. Ela muitas vezes “visitava” diversas ins- igreja esse testemunho para poupar os senti- todista local, havia desenvolvido intenso mingo à noite, depois que a Sra. White se
tituições, reuniões de comissão, famílias em mentos de indivíduos.”40 interesse entre o povo da cidade. Dois jo- havia recolhido, a comissão conduzia uma
seus lares e pessoas que pensavam não estar Que acontecia depois que ela divulgava vens, Hiram Patch e sua noiva, haviam as- reunião de negócios sobre o assunto de vo-
sendo observadas por “ninguém”.35 esses testemunhos pela imprensa, muitas ve- sistido tanto às reuniões metodistas quanto tação, especialmente com respeito à tem-
7. Algumas vezes lhe eram mostrados des- zes identificando seus colegas de trabalho pe- às adventistas, e estavam indecisos quanto a perança e à lei seca. Pouco depois chegou a
dobramentos contrastantes: um seria a conse- las iniciais? Na Review and Herald dos meses que grupo deviam unir-se. O casal presen- mensagem de que o grupo desejava o con-
qüência de não seguir o conselho inspirado; o seguintes, a maioria daqueles que haviam si- ciou Ellen White tendo uma visão, após o selho dela. G. B. Starr lembrou posterior-
outro, o resultado de seguir o conselho dela.36 do identificados reconhecia a veracidade des- que lhe perguntaram: “O que a irmã acha do mente que Ellen White relatou um sonho
8. Freqüentemente ela dispunha de infor- ses testemunhos e confessava seus erros. Dez irmão M [tesoureiro do município]? A Sra. que descrevia a situação de Iowa e que o
mações específicas para benefício do marido, anos depois, quando esses testemunhos foram White (conforme o Sr. Patch recordou), de- porta-voz celeste havia dito: “Deus preten-
para eles mesmos como pais e para os compa- reimpressos, ela substituiu as iniciais por es- pois de chamar a atenção para Oséias 5:6 e de ajudar as pessoas num grande movimen-
paços vazios. As referências às pessoas foram 7, respondeu: “Foi-me dito [em visão] para to sobre este assunto. É Seu propósito tam-
nheiros que trabalhavam na liderança da
retiradas, mas os princípios continuaram os eu lhes dizer que a declaração do texto vai bém que vocês, como um povo, sejam a ca-
igreja e de suas instituições.37 cumprir-se literalmente neste caso. Esperem beça e não a cauda do movimento; mas por
9. Muitas vezes lhe eram mostrados princí- mesmos.
um mês, e conhecerão por si mesmos o cará- enquanto a posição que vocês ocupam é a
pios abrangentes que integrariam algumas Em outras ocasiões, ela reprovou homens e ter das pessoas envolvidas neste reaviva- de cauda.”
opiniões avançadas de seu tempo com idéias mulheres abertamente em reuniões públicas. mento e que professam ter grande preocupa- Na reunião, perguntaram à Sra. White se
adicionais sobre assuntos como saúde, educa- Em seu diário, por exemplo, ao descrever uma ção pelos pecadores.”43 os adventistas de Iowa deviam votar a favor
ção e temperança.38 reunião de sábado em 1868 em Tuscola, Mi- Pouco tempo depois dessa conversa, o te- da lei seca. Sua resposta foi rápida: “Sim, to-
chigan, ela registrou que havia pregado du- soureiro do município rompeu um vaso san- dos à uma e em toda a parte, e talvez eu cho-
Mensagens Amplas e Diversificadas rante uma hora, reprovando erros indivi- güíneo e ficou em casa em “estado debilita- casse alguns de vocês se dissesse que, se fosse
Ellen White recebia mensagens para indiví- duais: “Alguns ficaram extremamente cons- do”. O delegado de polícia e seu assistente, necessário, votassem mesmo no dia de sábado
duos e grupos que abrangiam ampla variedade trangidos de que eu revelasse esses casos pe- depois de se encarregarem das finanças mu- a favor da lei seca, caso não pudessem fazer is-
de assuntos. Homens e mulheres recebiam ad- rante outros. Eu lamento ver este espírito.”41 nicipais, encontraram um rombo de 1.000 so noutro dia.”
moestação, encorajamento e reprovação no Numa carta endereçada a Edson, seu filho, dólares. Quando confrontado em sua casa, o Escrevendo posteriormente, Starr enfati-
que dizia respeito à sua vida pessoal e influên- explicou que esses testemunhos públicos fo- tesoureiro alegou ignorância. Mas o subdele- zou: “Posso testificar que o efeito do relato
cia cristã. Indivíduos e grupos recebiam con- calizavam “os pecados do falar precipitado, da gado entrou trazendo consigo o dinheiro daquele sonho sobre a assembléia foi elétrico.
cepções, avisos e instrução sobre idéias gerais, zombaria, da frivolidade e da ridicularização” que faltava em uma sacola que a esposa do Um poder convincente acompanhou-a, e vi
– todos manifestações bastante públicas. tesoureiro havia tentado esconder num pela primeira vez o poder unificador do dom
que incluíam educação, saúde, métodos admi-
Mas um casal ficou seriamente ofendido. monte de neve. de profecia na igreja.”45
nistrativos, princípios de evangelismo e de Encerraram-se as reuniões evangelísticas Algumas vezes transmitir um testemunho
publicações, e finanças da igreja.39 A esposa veio junto com o marido lamentan-
do tesoureiro, e os dois jovens decidiram era algo extraordinariamente dramático. Em
do: “Você me destruiu; você me destruiu unir-se aos adventistas. Eles haviam sido tes- maio de 1853, em Vergennes, Michigan,
Variadas Maneiras de Transmitir completamente.” Na carta enviada a Edson, temunhas da clara evidência da autenticida- aconteceu um incidente que aumentou gran-
as Mensagens Ellen prosseguiu: “Descobri que a maior difi- de e da utilidade das visões de Ellen White.44 demente a confiança nas visões de Ellen
A maneira de transmitir a informação recebida culdade deles consistiu em ter sido o testemu- Uma visão (ou um sonho) fez muitas ve- White. O primeiro dizia respeito à Sra. Al-
em visão era variada e imprevisível. Às vezes, nho apresentado diante dos outros. Se eu zes um grupo mudar de decisões apressadas cott, mulher que professara grande santidade
Ellen White era instruída a “tornar públicos” houvesse enviado o testemunho só para eles, para um modo de agir correto a ser melhor e agora estava se insinuando entre os novos
testemunhos pessoais. Como podia ser isto? teria sido bem recebido. O orgulho foi ferido, compreendido com o passar do tempo. No crentes. A Sra. White havia tido antes, em
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CAPÍTULO 13 O ministério profético de Ellen G. White
A Mensageira que Escuta TRANSMITINDO A MENSAGEM
DEDEUS

Tyrone, Michigan, uma visão a respeito do ção.’ Aquilo foi tudo quanto ela disse, e as- aconselhando, reprovando, animando, guma teria a possibilidade de conhecer os
verdadeiro estado espiritual dessa mulher e sentou-se. Fora exatamente aquilo que o qualquer que fosse a necessidade. Em todos fatos da situação a menos que o Espírito de
pôs por escrito alguns detalhes. Dois pasto- Senhor lhe havia mostrado (28 de maio) os exemplos, tanto os destinatários quantos Deus houvesse inspirado Seu mensageiro
res, M. E. Cornell e J. N. Loughborough, es- que a mulher diria. Em 11 de junho ela fez os observadores perceberam que pessoa al- humano.”49
tavam a par dos detalhes escritos e disseram: precisamente como fora dito que faria, e
“Ora, vamos esperar para ver como o caso se disse as mesmas palavras preditas ao ser re- Referências
desenrola.”46 provada, e nada mais.”
1. Jonathan Butler, “The Making of a New Order”, em Ro- não piscar, o médico afirmou: “Isso estabelece definitivamen-
Chegando finalmente a Vergennes, na Que dizer do rapaz? Algumas semanas de- nald L. Numbers e Jonathan M. Butler, editors, The Disap- te que não há respiração em seu corpo.” – Biography, vol. 1,
companhia de Loughborough e Cornell, a pois, antes de voltar para o Canadá, ao ser pointed (Bloomington, IN: Indiana University Press, 1987), págs. 302 e 303; ver também pág. 351 para um acontecimen-
Sra. White disse ao marido na frente da ca- perguntado sobre a visão de Ellen White, pág. 196. to em Hillsdale, Michigan, em 12-15 de fevereiro de 1857.
2. Ver págs. 36 e 37. Winthrop S. Hudson, “A Time of Reli- 18. Ver págs. 28 e 32.
sa onde deveriam permanecer que deviam ele respondeu: “Aquela visão era a mais pu- gious Ferment”, em Rise of Adventism, págs. 8-10; Knight, 19. The Abiding Gift of Prophecy, pág. 273. “Não nutra ninguém
encontrar a igreja onde “vive aquela mulher ra verdade.”47 Millennial Fever, págs. 267-293 e 303. a idéia de que providências especiais ou manifestações mira-
3. Ver págs. 38-40; Baker, The Unknow Prophet, pág. 130. culosas devam ser a prova da genuinidade de sua obra ou das
que eu vi na visão de Tyrone”. Ela também Talvez o incidente mais dramático – que 4. Ver Knight, Millennial Fever, págs. 245-300; Schwarz, Light idéias que defende. Caso conservemos essas coisas diante do
mencionou o fato de que o casal que os re- poderia ser o mais desventurado se as visões Bearers to the Remnant, págs. 56-58. povo, produzirão efeito nocivo, uma emoção que não é sau-
cepcionava conhecia essa mulher. A esposa 5. Ver págs. 40 e 41. dável. ... Encontraremos falsas pretensões; erguer-se-ão falsos
de Ellen White não fossem exatas – aconte- 6. Ver págs. 182-238 para a contribuição de Ellen White para a profetas; haverá falsos sonhos e visões falsas; preguem, po-
não confiava na Sra. Alcott, mas o marido ceu na reunião campal de Wisconsin em elaboração da doutrina adventista do sétimo dia e, desse mo- rém, a Palavra, não se desviem da voz de Deus em Sua Pala-
“pensa que ela é de bem”. (Não tinha havi- princípios da década de 1870. O orador já do, para a estabilidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia. vra. Coisa alguma distraia a mente. Será representado e apre-
7. Ver Parábolas de Jesus, págs. 109-114; Conselhos aos Pais, sentado o admirável, o maravilhoso. Mediante enganos satâ-
do ainda nenhuma conversa entre o casal e havia começado a pregar quando os White Professores e Estudantes, págs. 138 e 139; Educação, págs. nicos, maravilhosos milagres, serão instantemente recomen-
os White.) chegaram. Ellen e Tiago White pararam en- 185-192; Fundamentos da Educação Cristã, pág. 187; Mensa- dadas as pretensões dos instrumentos humanos. Acautelem-
gens Escolhidas, livro 1, págs. 15-18, 242-245; Testemunhos se de tudo isso.” – Mensagens Escolhidas, livro 2, págs. 48 e 49.
Logo uma carruagem encostou, e Ellen quanto ela disse para Tiago algo que os seus Para a Igreja, vol. 2, pág. 694; Testemunhos Para Ministros, 20. Evangelismo, pág. 610.
White disse que ninguém naquele veículo observadores não escutaram. Mas aqueles págs. 105-111. 21. Ver “Physical Phenomena Often Provide Coercive Eviden-
confiava nas “pretensões daquela mulher”. que estavam mais próximos ouviram Tiago 8. Review and Herald, 4 de janeiro de 1881, pág. 3 (Mente, Ca- ce”, pág. 36.
ráter e Personalidade, livro 1, pág. 89). 22. Arthur White, Ellen G. White, Mensageira da Igreja Remanes-
Quando a próxima carruagem chegou, ela dizer: “Tudo bem!” Eles caminharam pelo 9. Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, págs. 664 e 665 (Testemu- cente, segunda edição, pág. 19.
disse que os passageiros estavam divididos. corredor central, mas Ellen White não se as- nhos Seletos, vol. 2, pág. 280). 23. Biography, vol. 4, pág. 359.
10. Ibidem, pág. 663 (Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 278). 24. Ibidem, vol. 1, pág. 275.
No terceiro grupo, os passageiros estavam sentou. Olhou diretamente para o pregador 11. Ibidem, pág. 665 (Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 280). 25. Ibidem, vol. 2, pág. 462.
“todos sob a influência da mulher”. Então ela e, apontando o dedo para ele, disse: “Irmão, 12. Ibidem, págs. 663 e 664 (Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 26. Ibidem, vol. 4, pág. 424.
disse: “Esta deve ser a igreja onde essa mulher ouvi sua voz em visão e, ao entrar nesta ten- 279). 27. Carta 21a, 1895, citado em Biography, vol. 4, pág. 251.
13. Ibidem, pág. 665 (Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 280). 28. Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, págs. 569 e 570 (1867); re-
vive; pois vi todas essas pessoas relacionadas da nesta manhã, reconheci essa voz. O Se- 14. Review and Herald, 10 de janeiro de 1856, pág. 118. Leia Tes- petido em ibidem, vol. 5, pág. 658 (Testemunhos Seletos, vol.
com aquele caso.” nhor me disse que, quando eu ouvisse essa temunhos Para a Igreja, vol. 5, págs. 654-696 (Testemunhos Se- 2, pág. 274).
letos, vol. 2, págs. 270-302), para o contexto completo. 29. Arthur White, Ellen G. White: Mensageira da Igreja Remanes-
No sábado, enquanto Tiago White prega- voz, eu olhasse direto para o dono dela e co- 15. Primeiros Escritos, pág. 78; ver págs. 170-172. cente, segunda edição, págs. 9-11.
va, um homem idoso, um jovem e uma mu- municasse a mensagem que Ele me deu para 16. Ver págs. 26-40. 30. Primeiros Escritos, pág. 14.
lher entraram, mas a mulher ficou junto à ele e eu terei que fazê-lo.” 17. Tiago White, Life Incidents in Connection With the Great Ad- 31. O Grande Conflito, págs. 12 e 13. As duas visões sobre a
vent Movement, págs. 272 e 273, citado em F. D. Nichol, El- Guerra Civil são reexaminadas em Roger Coon, The Great
porta. Quando Tiago concluiu o sermão, O pregador parou. Ellen White continuou: len G. White and Her Critics (Washington D.C.: Review and Visions of Ellen G. White (Hagerstown, MD: Review and He-
Ellen White levantou-se para dizer algumas “Irmão, conheço na Pennsylvania uma mu- Herald Publishing Association, 1951), págs. 52 e 53. Presen- rald Publishing Association, 1992), págs. 76-89.
te na visão recebida em 12 de janeiro de 1861 em Parkville, 32. Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, págs. 92 e 93.
palavras sobre o cuidado que os pastores de- lher com dois filhos. Aquela mulher chama Michigan, estava um médico espiritualista que anteriormen- 33. Carta 135, 1903, citada em Biography, vol. 6, págs. 96 e 97.
vem tomar em seu trabalho. Para chegar ao você de marido e aquelas crianças chamam te se havia vangloriado de ser capaz de tirar Ellen White de 34. “Fazer um grande trem subir uma ladeira íngreme.” – MR,
ponto desejado, ela se referiu àquela “mulher você de pai, e embora andem à sua procura seus transes “hipnóticos” em um minuto. Ao ser lembrado de vol. 1, pág. 26. “Satanás... o condutor do trem.” – Primeiros
sua pretensão, ele adiantou-se para começar seu exame. Su- Escritos, págs. 88 e 89. “Um gigantesco iceberg... ‘enfrentem-
que acaba de assentar-se junto à porta. ... por toda a parte, não o conseguem encontrar. bitamente “ele se virou mortalmente pálido, e tremendo co- no!’” – Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 205.
Deus me mostrou que ela e este jovem viola- Não sabem onde você está. Há neste acampa- mo uma folha de faia. O Pastor White perguntou: ‘Então, 35. Carta 1, 1893, em MR, vol. 20, págs. 51 e 52.
doutor, que diz do estado dela?’ Ele respondeu: ‘Ela não res- 36. Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, págs. 28 e 29.
ram o sétimo mandamento”. Loughborough mento outra mulher com seis filhos pendura- pira’, e dirigiu-se rapidamente para a porta. Os que estavam 37. Ver págs. 114 e 115.
comentou: “Todos naquele barracão sabiam dos na saia, que chama você de marido, e eles junto à porta e sabiam de sua arrogância disseram: ‘Volte e fa- 38. Ver págs. 278-369.
que a irmã White jamais havia visto essas chamam você de pai. Irmão, você não tem o ça como o senhor disse que faria. Tire essa mulher da visão.’ 39. Para uma amostra de alguns desses variados testemunhos, re-
Em grande agitação, ele agarrou a maçaneta da porta, mas pare: “Em 5 de novembro de 1862, vi a condição do irmão
pessoas até o momento em que entraram na- direito de estar nesse púlpito.” não lhe permitiram abri-la enquanto os que estavam junto à Hull. Ele se encontrava em estado alarmante.” – Testemunhos
quele local. Seu reconhecimento das pessoas O pregador precipitou-se pela porta da porta não lhe fizeram a pergunta: ‘Doutor, que é isto?’ Ele res- Para a Igreja, vol. 1, pág. 426. “Em 5 de junho de 1863, foi-
pondeu: ‘Só Deus sabe! Deixem-me sair desta casa.’” – J. N. me mostrado que Satanás está sempre trabalhando para desa-
e a descrição dos casos tinham peso em favor tenda e desapareceu. O irmão dele, que esta- Loughborough, GSAM, págs. 210 e 211. Em 26 de junho de lentar e desencaminhar os pastores. ... O modo mais eficaz
de sua visão.” va assentado no auditório, levantou-se de um 1854, três pessoas relembraram como dois médicos examina- por ele [Satanás] empregado é mediante as influências do-
Qual foi a reação da Sra. Alcott? Lough- salto e falou para os pasmos ouvintes: “O pior, ram Ellen White quando ela se achava em visão. Um deles mésticas, através de companheiras não consagradas.” – Ibi-
colocou um espelho próximo da boca da Sra. White e decla- dem, pág. 449. “Foi-me mostrado que os observadores do sá-
borough escreveu: “Ela se pôs em pé lenta- irmãos, é que tudo isso é verdade.”48 rou: “Ela não respira.” Depois de examiná-la, continuou a bado, como um povo, trabalham demasiado e arduamente
mente, lançou um olhar de santarrona e Muitas foram as experiências de toda espé- não encontrar evidências de respiração. Posteriormente, de- sem se permitirem mudanças ou períodos de repouso.” – Ibi-
pois de colocar uma vela acesa perto dos lábios dela e a luz dem, pág. 514. “Na visão que me foi dada em Rochester, No-
disse: ‘Deus... conhece... o... meu... cora- cie com as quais Ellen White lidou, sempre
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CAPÍTULO 13 O ministério profético de Ellen G. White
A Mensageira que Escuta TRANSMITINDO A MENSAGEM
DEDEUS

va Iorque, em 25 de dezembro de 1865, foi-me mostrado que Depois, para tornar a história ainda mais dramática, apontou
Perguntas Para Estudo
nosso povo, os observadores do sábado têm sido negligentes... para a mãe que havia sido enganada pelo marido bígamo: na-
com respeito à reforma de saúde.” – Ibidem, pág. 485. quele dia ela estava na igreja visitando a filha, uma dentre os
40. Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, pág. 210. “Foram-me mos- seis filhos. – DF 496-d.
1. Qual a compreensão de Ellen White sobre suas exatas responsabilidades como mensa-
trados indivíduos que haviam evitado o testemunho direto. 49. Para uma lista parcial de outros acontecimentos nos quais o
olho e o dedo profético de Ellen White conduziram as pes-
geira do Senhor?
Vi a influência de seus ensinos sobre o povo de Deus.” – Ibi-
dem, pág. 248. Ver Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, págs. soas rumo ao Céu, atente para o seguinte: (1) O gerente fi-
210-252 para uma visão geral de como Ellen White tornava nanceiro do St. Helena Sanitarium (1887), cuja infidelida- 2. Como você descreveria as características de uma visão pública?
públicas mensagens dadas previamente em caráter particular. de moral foi revelada a Ellen White enquanto ela estava na
Em uma mensagem anterior ela escreveu: “Meu caminho Europa e trazida à atenção dele mediante as cartas que ela 3. Quais as variadas formas empregadas por Ellen White para comunicar a outros mensa-
agora está livre para não mais prejudicar a igreja. Se as repro- lhe escreveu, agradeceu por fim o confronto persistente de gens recebidas em visão?
vações são dadas, não ouso apresentá-las sozinha às pessoas Ellen White e a maneira como lidara com ele. – Roger
para que as enterrem, mas leio perante as pessoas de expe- Coon, A Gift of Light (Hagerstown, MD: Review and He-
rald Publishing Association), 1983, págs. 34 e 35. (2) Elbe
4. De que diferentes maneiras Ellen White recebia visões e sonhos?
riência da igreja o que o Senhor achou conveniente me con-
ceder, e se o caso exigir, levo-o perante toda a igreja.” – Spi- (Sam) Hamilton, um jovem moribundo diagnosticado por
ritual Gifts, vol. 2, págs. 293 e 294. Em 1868, ela continuou Ellen White como acometido de triquinose, aprendeu a co- 5. Que Ellen White quer dizer quando afirma que seus testemunhos não seriam necessários
a instruir os outros acerca de divulgar testemunhos particula- zinhar e a comer adequadamente em sua própria cozinha. se os membros da igreja tivessem sido diligentes estudantes da Bíblia?
res: “Ao repreender os erros de uma [pessoa], Ele pretende Anos depois, ela levou Sam até o Paradise Valley Sanita-
rium, onde ele testemunhou a existência do famoso poço es- 6. Pode Satanás causar confusão imitando as características físicas das visões públicas de
corrigir a muitas. Se estas, porém, deixam de tomar para si a
cavado conforme as surpreendentes predições dela. – Ibidem,
repreensão, lisonjeando-se de que Deus passa por alto os seus um profeta? Qual o perigo de depositar confiança em uma pessoa, baseando-se apenas
págs. 35-38. (3) Nathaniel Davis, redator da revista Signs of
erros porque não os aponta individualmente, elas enganam a
the Times na Austrália que passava por graves problemas fi-
nas características extraordinárias de uma visão pública?
si mesmas e se afundam em trevas, sendo abandonadas aos
nanceiros, morais e envolvimento com espiritualismo, foi
próprios caminhos para seguirem ‘as imaginações de seu co-
exposto numa reunião pública, mas depois ficou extrema-
ração’.” – Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, págs. 112 e 113.
mente grato pela persistência de Ellen White. – Ibidem,
41. Manuscrito 13, 1868, citado em Biography, vol. 2, pág. 228.
págs. 38-41. (4) No fim de 1851 em Johnson, Vermont, o ir-
42. Carta 6, 1868, citado em Biography, vol. 2, págs. 228 e 229.
mão Baker e outros estavam tendo diferenças doutrinárias
Mais tarde, na página de seu diário referente àquele dia, ela
que levavam a discussões extremamente acaloradas. As vi-
concluiu: “Não aliviemos o fardo, pois tudo o que aconteceu
sões de Ellen White durante um período de vários dias trou-
demonstrou apenas o quanto ela precisava de reprovação.” –
xeram clareza e calma. Baker voltou ao ponto de partida,
Ibidem, pág. 229.
confessando que “toda palavra da visão relatada pela manhã
43. Loughborough, GSAM, pág. 231, citado em Biography, vol.
a seu respeito era, literalmente, verdadeira e exata”. – Bio-
1, pág. 175. graphy, vol. 1, págs. 220 e 221. (5) Em Vergennes, Vermont,
44. Ibidem, págs. 175 e 176. pouco depois da experiência de Baker em 1851, Ellen Whi-
45. Biography, vol. 3, págs. 158-160. Ellen White endossou o re- te, por meio de uma visão, ajudou um membro da igreja que
latório de G. B. Starr. estava confuso com respeito ao erro da “era vindoura”. “De-
46. Ibidem, vol. 1, pág. 277. Loughborough escreveu: “Na descri- pois que eu tive a visão e a contei, o irmão Everts começou
ção por escrito que a irmã White fez da mulher, ela não ape- a fazer confissão e a humilhar-se na presença de Deus. Re-
nas relatou seu modo de agir, mas também o fato de que, ao nunciou à ‘era vindoura’ e sentiu a necessidade de conservar
ser reprovada, ela lançaria ‘um olhar de santarrona e diria: a mente de todos na mensagem do terceiro anjo.” – Ibidem,
Deus... conhece... o... meu... coração.’ Ela disse que essa págs. 222 e 223. (6) Ellen White relatou uma visão incluin-
mulher viajava de um lado para outro do país na companhia do um pregador (que ela não conhecia) que estava ausente
de um rapaz, enquanto seu marido, um homem de mais ida- de casa num itinerário de pregação, e no entanto violando o
de, ficava em casa trabalhando para sustentá-los. A irmã sétimo mandamento. Seis semanas depois, ela encontrou-se
White disse que o Senhor lhe havia mostrado que ‘com to- com o homem na presença de outras pessoas e disse: ‘Tu és o
das as pretensões de santidade dessa mulher, ela era culpada homem.’ Ele confessou tudo imediatamente, confirmando
de violar o sétimo mandamento’.” – Loughborough, Review uma visão dada a mais de oito quilômetros de distância. –
and Herald, 6 de maio de 1884, pág. 299. Loughborough, Review and Herald, 4 de março de 1884. Ver
47. Ibidem, págs. 279-281. também Loughborough, GSAM, págs. 319 e 320. (7) Em ju-
48. O Pastor Armitage contou essa história em princípios de nho de 1853, uma visão de Ellen White ajudou a encerrar
1931, na igreja de Redlands, Califórnia, onde G. B. Starr era uma áspera disputa sobre “quem disse o que”, a qual dividia
pastor. Tempos depois, naquele mesmo ano, na reunião cam- a igreja de Jackson, Michigan. Mas o incidente também for-
pal de Oakland, Califórnia, no dia 30 de junho, Starr recon- neceu ambiente para o primeiro movimento dissidente en-
tou a história. O fato interessante que acompanha esse rela- tre os adventistas observadores do sábado, conhecido como
to é que, quando o Pastor Armitage o contou em Redlands, o Grupo Messenger. – Biography, vol. 1, págs. 276 e 277. (8)
ele também disse que, quando sua mãe morreu, seu pai casou Victor Jones, um jovem de Monterey, Michigan, tinha uma
com a irmã daquela mulher de Wisconsin, que tinha seis fi- luta com o apetite. Ellen White escreveu-lhe um testemu-
lhos. Todos os seis eram membros da igreja, um deles “ocu- nho baseado numa visão, um apelo eloqüente. – Carta 1,
pando lugar muito importante no Loma Linda Sanitarium”. 1861, citado em Biography, vol. 1, pág. 465.

142 143
M E N S A G E I R A D O S E N H O R
SEÇÃO II
III

14
O ministério profético de Ellen G. White

CAPÍTULO
A Mensageira que Escuta
Bates parecia ter compreendido dos breves O jovem Daniel Bourdeau, com a idade de
comentários feitos por ela. Os telescópios de vinte anos, fazia trabalho missionário para a
hoje revelam muito mais sobre os planetas, o Igreja Batista no Canadá quando soube que
número de suas luas e outros fenômenos side- seus pais e seu irmão mais velho (Augustin

Confirmando rais que Bates sequer sonharia. Mas o que


realmente o deixou surpreso não foi a descri-
ção dos “planetas”, mas a descrição que a Sra.
C.) haviam se tornado membros dos adven-
tistas sabatistas no Norte de Vermont. Na
tentativa de dissuadi-los, descobriu que eles o
haviam persuadido com respeito ao sábado e
a Confiança White fez da “abertura no céu”, uma referên-
cia ao assim chamado “espaço aberto em
Órion”. Relatou-se que ele teria dito que a
descrição dela “superava em muito qualquer
a outras doutrinas.
Mas Daniel ainda era um “descrente nas vi-
sões” – até a manhã de domingo do dia 21 de
relato da abertura do céu que ele já havia li- junho de 1857, quando ele observou Ellen
“E eles, tendo partido, pregaram em toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a White em visão em Buck’s Bridge, Nova Ior-
Palavra por meio de sinais, que se seguiam.” Mar. 16:20. do de qualquer autor”.6
que. Disseram que ele podia examiná-la du-
Não uma Lição de Astronomia rante a visão. Em suas palavras, “para satisfazer
O assunto parece claro: a visão não era uma minha mente com respeito a se ela respirava
lição de astronomia com pretensões de ser ou não, pus a mão no seu tórax tempo sufi-
confirmada pelos telescópios modernos. Ao ciente para verificar que não havia mais eleva-
ção dos pulmões do que haveria se ela fosse um

A
s visões nem sempre envolviam dra- sões de Ellen White, Bates não estava con- contrário, por meio de uma jovem inteira-
máticas revelações ou instruções es- vencido de que as visões dela “eram de mente desconhecedora de astronomia, forne- cadáver. Depois coloquei a mão em cima de
petaculares durante deliberações da Deus”.3 Naquele tempo, as visões eram con- ceu informação capaz de se conformar ao li- sua boca, apertando-lhe as narinas entre o po-
igreja. Algumas visões tratavam sobre ques- fundidas com sessões espíritas ou mesmeris- legar e o indicador, de modo que lhe era im-
mitado conhecimento que Bates, um astrô-
tões comuns do dia-a-dia. mo. Bates pensava que as visões não passa- possível inalar ou exalar ar, ainda que o dese-
nomo amador, possuía em 1847.7 Se Ellen
Em 1850, os membros da igreja de Sutton, vam “do produto de um estado debilitado do jasse fazer. Fiquei com a mão nessa posi