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  • 1.1 Defini¸c˜ao de Medida
  • 1.2 Sistema de unidades
  • 1.3.1 Padr˜ao
  • 1.3.2 Aferi¸c˜ao
  • 1.3.3 Calibra¸c˜ao
  • 1.4.1 Erros Grosseiros
  • 1.4.2 Erros Sistem´aticos
  • 1.4.3 Erros Acidentais
  • 1.4.4 Erros Constantes
  • 1.4.5 Erros Peri´odicos
  • 1.4.6 Erros Aleat´orios
  • 1.5 Erros Absoluto e Relativo
  • 1.6.1 M´edia Aritm´etica
  • 1.6.2 Erro Padr˜ao ou Desvio Padr˜ao
  • 1.6.3 Erro Limite
  • 1.6.4 Determina¸c˜ao do valor mais prov´avel
  • 1.6.5 Intervalo de Confian¸ca
  • 1.7.1 Natureza do Instrumento
  • 1.7.2 Natureza do Conjugado Motor
  • 1.7.3 Calibre do Instrumento
  • 1.7.4 Discrepˆancia
  • 1.7.5 Sensibilidade
  • 1.7.6 Resolu¸c˜ao
  • 1.7.7 Mobilidade
  • 1.7.8 Perda Pr´opria
  • 1.7.9 Eficiˆencia
  • 1.7.10 Rigidez Diel´etrica
  • 1.7.11 Categoria de Medi¸c˜ao
  • 1.7.12 Exatid˜ao
  • 1.7.13 Repetibilidade (Precis˜ao)
  • 1.8.1 Generalidades sobre Instrumentos El´etricos de Medi¸c˜ao
  • 1.8.2 Amortecimento do Movimento do Conjunto M´ovel
  • 1.8.3 Suspens˜ao do Conjunto M´ovel
  • 1.8.4 Processos de Leitura
  • 1.9 Simbologia para Instrumentos de Medida
  • 1.10 Precau¸c˜oes na Utiliza¸c˜ao
  • 2.1.1 Erro Sistem´atico do Watt´ımetro
  • 2.1.2 Modo Pr´atico de Ligar o Watt´ımetro
  • 2.2.1 M´etodos para Medi¸c˜ao da Potˆencia Ativa
  • 2.2.2 Medi¸c˜ao da Potˆencia Reativa
  • 3.1 Introdu¸c˜ao
  • 3.2 Generalidades sobre Transformadores
  • 3.3.4 Diagrama Fasorial
  • 3.3.5 Erros do TP
  • 3.3.6 Classes de Exatid˜ao dos TPs
  • 3.3.7 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCTp) do TP
  • 3.3.8 Como Especificar um TP
  • 3.3.9 Transformador de Potencial Capacitivo (TPC)
  • 3.3.10 Resumo das Caracter´ısticas dos TPs
  • 3.4.4 Diagrama Fasorial
  • 3.4.5 Erros do TC
  • 3.4.6 Classes de Exatid˜ao dos TCs
  • 3.4.7 Influˆencia da Corrente de Excita¸c˜ao nos Erros do TC
  • 3.4.8 Influˆencia da Corrente Prim´aria nos Erros do TC
  • 3.4.9 Influˆencia da Carga Secund´aria do TC nos seus Erros
  • 3.4.10 O Secund´ario de um TC Nunca Deve Ficar Aberto
  • 3.4.11 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCTc) do TC
  • 3.4.12 Classifica¸c˜ao dos TCs
  • 3.4.14 TC de M´ultipla Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao
  • 3.4.15 Considera¸c˜oes Sobre os TCs com Deriva¸c˜ao no Secund´ario
  • 3.4.16 Como Especificar um TC para Medi¸c˜ao
  • 3.4.17 TCs para Prote¸c˜ao
  • 3.4.18 Resumo das Caracter´ısticas dos TCs
  • 3.5 Algumas Considera¸c˜oes Sobre TPs e TCs
  • 3.6.1 M´etodo dos Trˆes Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com
  • 3.6.2 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com
  • 3.6.3 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Reativa com
  • 3.6.4 C´alculo do Erro Introduzido pelos TPs e TCs na Indica¸c˜ao
  • 3.7.1 M´odulo 5520 Deep Sea Eletronics
  • 3.7.2 M´odulo 5510 Deep Sea Eletronics
  • 3.7.3 Multitransdutor Digital Kron MKM-D com Mem´oria de

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Centro de Tecnologia
Departamento de Engenharia El´etrica
Apostila de Medidas El´etricas
Marcus Vinicius Ara´ ujo Fernandes
Natal/RN - Brasil
Semestre 2008.1
Cap´ıtulo 1
Generalidades sobre os Instrumentos
de Medidas El´etricas
1.1 Defini¸c˜ao de Medida
Medida ´e um processo de compara¸c˜ao de grandezas de mesma esp´ecie, ou seja, que
possuem um padr˜ ao ´ unico e comum entre elas. Duas grandezas de mesma esp´ecie possuem
a mesma dimens˜ ao.
No processo de medida, a grande que serve de compara¸c˜ ao ´e denominada de “grandeza
unit´ aria”ou “padr˜ao unit´ario”.
As grandezas f´ısicas s˜ao englobadas em duas categorias:
a. Grandezas fundamentais (comprimento, tempo, etc.).
Grandezas Fundamentais
Grandeza Unidade Simbologia
Comprimento metro [m]
Massa quilograma [kg]
Tempo segundo [s]
Intensidade de Corrente amp´eres [A]
Temperatura Termodinˆ amica kelvin [K]
Quantidade de Mat´eria mole [mol]
Intensidade Luminosa candela [cd]
b. Grandezas derivadas (velocidade, acelera¸c˜ ao, etc.).
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 2
Grandezas El´etricas Derivadas
Grandeza Derivada Unidade Dimens˜ ao Simbologia
Carga coulomb [A · s] [C]
Energia joule [m
2
· kg · s
−2
] [J]
Potˆencia watt [m
2
· kg · s
−3
] [W]
Tens˜ao volt [m
2
· kg · s
−3
· A
−1
] [V ]
Resistˆencia ohm [m
2
· kg · s
−3
· A
−2
] [Ω]
Condutˆ ancia siemens [m
−2
· kg
−1
· s
3
· A
2
] [S]
Capacitˆ ancia farad [m
−2
· kg
−1
· s
4
· A
2
] [F]
Indutˆ ancia henri [m
2
· kg · s
−2
· A
−2
] [H]
Freq¨ uˆencia hertz [s
−1
] [Hz]
1.2 Sistema de unidades
´
E um conjunto de defini¸c˜ oes que re´ une de forma completa, coerente e concisa todas
as grandezas f´ısicas fundamentais e derivadas. Ao longo dos anos, os cientistas tentaram
estabelecer sistemas de unidades universais como, por exemplo, o CGS, MKS e o SI.
1.2.1 Sistema Internacional (SI)
´
E derivado do MKS e foi adotado internacionalmente a partir dos anos 60.
´
E o
padr˜ ao utilizado no mundo, mesmo que alguns pa´ıses ainda adotem algumas unidades
dos sistemas precedentes.
1.3 No¸c˜oes de Padr˜ao, Aferi¸c˜ao e Calibra¸c˜ao
1.3.1 Padr˜ao
Padr˜ ao ´e um elemento ou instrumento de medida destinado a definir, conservar e
reproduzir a unidade base de medida de uma determinada grandeza. Possui uma alta
estabilidade com o tempo e ´e mantido em um ambiente neutro e controlado (temperatura,
press˜ ao, umidade, etc. constantes).
Padr˜ oes de Grandezas El´etricas
Corrente El´etrica: O amp´ere ´e a corrente constante que, mantida entre dois condutores
paralelos de comprimento infinito e se¸c˜ ao transversal desprez´ıvel separados de 1m,
no v´acuo, produz uma for¸ ca entre os dois condutores de 2 · 10
−7
N/m. Na pr´ atica
s˜ ao utilizados instrumentos chamados “balan¸cas de corrente”, que medem a for¸ca
de atra¸c˜ ao entre duas bobinas idˆenticas e de eixos coincidentes.
Tens˜ao: O padr˜ ao do volt ´e baseado numa pilha eletroqu´ımica conhecida como “C´elula
Padr˜ ao de Weston”, constitu´ıda por cristais de sulfato de c´admio (CdSO
4
) e uma
pasta de sulfato de merc´ urio (HgSO
4
) imersos em uma solu¸c˜ ao saturada de sulfato
de c´ admio. Em uma concentra¸c˜ ao espec´ıfica da solu¸ c˜ao e temperatura de 20
o
C a
tens˜ ao medida ´e de 1, 01830V .
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 3
Resistˆencia: O padr˜ao do ohm ´e normalmente baseado num fio de manganina (84% Cu,
12% Mn e 4% Ni) enrolado sob a forma de bobina e imerso num banho de ´ oleo a
temperatura constante. A resistˆencia depende do comprimento e do diˆ ametro do
fio, possuindo valores nominais entre 10
−4
Ω e 10
6
Ω.
Capacitˆ ancia: O padr˜ao do farad ´e baseado no c´alculo de capacitores de geometria
precisa e bem definida com um diel´etrico de propriedades est´aveis e bem conhecidas.
Normalmente usam-se duas esferas ou 2 cilindros concˆentricos separados por um
diel´etrico gasoso.
Indutˆ ancia: O padr˜ao do henri ´e tamb´em baseado no c´ alculo de indutores sob a forma
de bobinas cil´ındricas e longas em rela¸c˜ ao ao diˆ ametro com uma ´ unica camada de
espiras.
1.3.2 Aferi¸c˜ao
Aferi¸c˜ ao ´e o procedimento de compara¸c˜ ao entre o valor lido por um instrumento e o
valor padr˜ao apropriado de mesma natureza. Apresenta car´ ater passivo, pois os erros s˜ao
determinados, mas n˜ao corrigidos.
1.3.3 Calibra¸c˜ao
Calibra¸c˜ ao ´e o procedimento que consiste em ajustar o valor lido por um instrumento
com o valor de mesma natureza. Apresenta car´ ater ativo, pois o erro, al´em de determi-
nado, ´e corrigido.
1.4 Classifica¸c˜ao dos Erros
De acordo com a causa, ou origem, dos erros cometidos nas medidas, estes podem
ser classificados em: grosseiros, sistem´ aticos e acidentais. E de acordo com suas carac-
ter´ısticas, estes podem ser classificados em: constantes, aleat´orios e peri´ odicos.
1.4.1 Erros Grosseiros
Estes erros s˜ao causados por falha do operador, como por exemplo, a troca da posi¸ c˜ao
dos algarismos ao escrever os resultados, os enganos nas opera¸c˜ oes elementares efetuadas,
ou o posicionamento incorreto da v´ırgula nos n´ umeros contendo decimais.
Estes erros podem ser evitados com a repeti¸ c˜ao dos ensaios pelo mesmo operador, ou
por outros operadores.
1.4.2 Erros Sistem´aticos
S˜ ao os ligados ` as deficiˆencias do m´etodo utilizado, do material empregado e da apre-
cia¸c˜ ao do experimentador.
a. A constru¸c˜ ao e aferi¸c˜ ao de um aparelho de medida nunca podem ser perfeitas. Por
outro lado, h´a sempre uma divergˆencia, embora pequena, entre a an´ alise te´ orica de
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 4
um circuito e o comportamento pr´atico deste circuito. As hip´oteses de base da teoria
n˜ ao s˜ ao inteiramente realiz´ aveis na pr´ atica. Basta mencionar, como exemplo, o
consumo de energia dos aparelhos de medida e as varia¸c˜ oes das caracter´ısticas f´ısicas
ou el´etricas dos elementos que constituem o circuito. Este conjunto de imperfei¸c˜ oes
constitui a deficiˆencia do m´etodo.
b. A pr´opria defini¸ c˜ao dos erros sistem´ aticos indica quais s˜ao os meios de limita¸c˜ao. O
material empregado deve ser aferido: medidores, pilhas, resistˆencias, capacitores,
etc. O seu controle deve ser peri´ odico. Um modo simples de verificar a presen¸ca
ou ausˆencia de erro sistem´ atico consiste na repeti¸c˜ao da mesma experiˆencia, substi-
tuindo os elementos iniciais por elementos teoricamente iguais. A identifica¸c˜ ao dos
resultados d´a como conclus˜ ao a ausˆencia do erro sistem´atico; por´em, a discordˆ ancia
indidca que h´a um erro, no m´etodo ou no material, sem identificar qual dos dois ´e
o respons´avel.
c. H´ a experimentadores que tˆem a peculiaridade de fazer a leitura maior do que a real,
enquanto outros a fazem menor. Este erro pode ser limitado tomando-se como
resultado a m´edia aritm´etica das leituras de v´ arias pessoas.
1.4.3 Erros Acidentais
A experiˆencia mostra que, a mesma pessoa, realizando os mesmos ensaios com os
mesmos elementos constitutivos de um circuito el´etrico, n˜ ao consegue obter, cada vez, o
mesmo resultado. A divergˆencia entre estes resultados ´e devida ` a existˆencia de um fator
incontrol´ avel, o “fator sorte”. Para usar uma terminologia mais cient´ıfica, diremos que
os erros acidentais s˜ ao a conseq¨ uˆencia do “imponder´ avel”. Como j´ a foi dito, s˜ao erros
essencialmente vari´ aveis e n˜ao suscet´ıveis de limita¸c˜ ao.
1.4.4 Erros Constantes
Erros invari´aveis em aplitude e polaridade devido a imprecis˜ oes instrumentais. Em
geral, podem ser facilmente corrigidos pela compara¸c˜ao com um padr˜ ao conhecido da
medida.
1.4.5 Erros Peri´ odicos
Erros vari´ aveis em amplitude e polaridade, mas que obedecem a uma certa lei (por
exemplo, a n˜ ao linearidade de um conversor A/D). Podem ser eliminados pela medi¸ c˜ao
repetitiva sob condi¸c˜ oes distintas e conhecidas.
1.4.6 Erros Aleat´ orios
Erros Aleat´ orios s˜ao todos os erros restantes, possuem amplitude e polaridade vari´aveis
e n˜ao seguem necessariamente uma lei sistem´ atica. S˜ ao em geral pequenos, mas n˜ ao est˜ao
presentes em qualquer medida, provenientes de sinais esp´ urios, condi¸c˜ oes vari´aveis de
observa¸c˜ao, ru´ıdos do pr´ oprio instrumento.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 5
Erros Aleat´orios: caracter´ısticas e limita¸c˜oes
- os valores lidos possuem uma distribui¸ c˜ao estat´ıstica;
- cada medida ´e independente das outras;
- erros pequenos ocorrem com maior probabilidade que os grandes;
- erros importantes s˜ ao aperi´ odicos;
- erros (+) e (−) possuem mesma amplitude e probabilidade de ocorrˆencia e freq¨ uˆencia.
1.5 Erros Absoluto e Relativo
A palavra “erro”designa a diferen¸ca alg´ebrica entre o valor medido V
m
de uma grandeza
e o seu valor verdadeiro, ou aceito como verdadeiro, V
e
:
∆V = V
m
−V
e
Assim, o valor verdadeiro V
e
da grandeza pode ser expresso da seguinte maneira:
V
m
−∆V ≤ V
e
≤ V
m
+ ∆V
O valor ∆V ´e chamado limite superior do erro absoluto, limite m´aximo do erro absoluto
ou simplesmente “erro absoluto”.
Quando o valor V
m
encontrado na medida ´e maior que o valor verdadeiro V
e
, diz-se que
o erro cometido ´e “por excesso”. Quando V
m
´e menor que V
e
, diz-se que o erro cometido
´e “por falta”.
O “erro relativo”ε ´e difinido como a rela¸c˜ ao entre o erro absoluto ∆V e o valor verda-
deiro V
e
da grandeza medida:
ε =
∆V
V
e
Para efeito de c´ alculo de ε pode-se, na maioria dos casos, considerar V
e
= V
m
tendo-se
em conta que estes valores s˜ ao muito aproximadamente iguais entre si.
O erro relativo percentual tem a forma:
ε =
∆V
V
e
· 100
1.6 Tratamento de erros em medidas
Com o intuito de minimizar e identificar os v´arios tipos de erros presentes numa
medida, um tratamento estat´ıstico pode ser aplicado num conjunto de dados obtidos em
condi¸c˜ oes idˆenticas e/ou conhecidas. Este tratamento estat´ıstico baseado na observa¸c˜ ao
repetitiva ´e eficaz na minimiza¸c˜ ao de erros peri´ odicos e aleat´orios.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 6
1.6.1 M´edia Aritm´etica
A m´edia aritm´etica ¯ x ´e dada a partir da equa¸c˜ ao a seguir.
¯ x =
n

i=1
x
i
n
onde x
i
s˜ ao os valores medidos e n ´e o n´ umero de medidas. O res´ıduo r ´e a diferen¸ca ente
a m´edia e cada uma das medidas r = (¯ x −x
i
).
1.6.2 Erro Padr˜ao ou Desvio Padr˜ao
O erro padr˜ao σ ´e encontrado a partir de uma s´erie de leituras e fornece uma estima-
tiva da amplitude do erro presente nestas medidas e consequentemente sua precis˜ ao. A
determina¸c˜ ao precisa do erro padr˜ao σ implica num grande n´ umero de leituras.
σ =

¸
r
2
n −1
sendo:
¸
r
2
= (¯ x −x
1
)
2
+ (¯ x −x
2
)
2
+. . . + (¯ x −x
i
)
2
Distibui¸c˜ao Normal ou Curva Gaussiana
y =
1

2πσ
2
· e

r
2

2
onde σ
2
´e a variˆ ancia, tp ´e o ponto de retorno (
dy
dx
= 0) e pi s˜ ao os pontos de inflex˜ ao
(
d
2
y
d
2
x
= 0).
A ´ area hachurada na curva representa 68, 3% da ´area total que equivale ao conjunto
de todas as medidas. O erro padr˜ao σ de uma s´erie de medidas indica ent˜ao uma proba-
bilidade de 68, 3% que o valor verdadeiro da medida esteja entre −σ e +σ do valor m´edio
¯ x do conjunto de dados. Consequentemente 2σ ⇒95, 4% e 3σ ⇒99, 7%.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 7
1.6.3 Erro Limite
O erro limite L ´e uma forma de indica¸c˜ao da margem de erro baseada nos valores
extremos (m´ aximo e m´ınimo) poss´ıveis. Em geral, ´e definido como uma porcentagem do
valor padr˜ ao ou fundo de escala. Sup˜oe uma probabilidade te´orica de 100% de que o valor
verdadeiro (y
v
) esteja no intervalo y ±L.
Apesar de menos rigorosa, esta medida de erro ´e mais popular que o erro padr˜ ao,
pois indica o erro de forma mais direta e facilmente compreens´ıvel por um leigo. Numa
avalia¸c˜ ao rigorosa de dados, sempre que poss´ıvel deve-se usar a defini¸c˜ ao de erro padr˜ ao.
Exemplo:
a. R = 10kΩ ±5%;
b. C = 10µF + 20%−10%;
c. Em um instrumento: “precis˜ ao”= 5% (o termo “precis˜ao”utilizado aqui deve ser
substitu´ıdo por “erro”).
1.6.4 Determina¸c˜ao do valor mais prov´avel
O valor verdadeiro x
v
da grandeza a ser medida ´e, em geral, desconhecido. Atrav´es
da teoria de erros pode-se determinar, com alto grau de exatid˜ao, o valor mais prov´ avel
x
p
e o quanto este valor ifere do valor verdadeiro.
Num conjunto de medidas onde os erros predominantes s˜ao aleat´orios, o valor mais
prov´ avel corresponde ` a m´edia aritm´etica x
p
≡ ¯ x.
1.6.5 Intervalo de Confian¸ca
Faixa de valores compreendida entre x
p
±σ (ou 2σ, 3σ, . . . ) ou x
p
±L. Considerando
um conjunto de medidas quaisquer, a probabilidade de que o valor verdadeiro x
v
esteja
presente em x
p
±σ ´e de 31, 7%.
1.7 Dados Caracter´ısticos dos Instrumentos El´etricos
de Medi¸c˜ao
S˜ ao indicados a seguir alguns dados caracter´ısticos essenciais dos instrumentos el´etricos
de medi¸c˜ ao, dados estes importantes na utiliza¸c˜ ao correta dos mesmos.
1.7.1 Natureza do Instrumento
Natureza do instrumento ´e a caracter´ıstica que o identifica de acordo com o tipo
de grandeza mensur´ avel pelo mesmo. Exemplo: amper´ımetro, volt´ımetro, watt´ımetro,
fas´ımetro, etc.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 8
1.7.2 Natureza do Conjugado Motor
A natureza do conjugado motor caracteriza o princ´ıpio f´ısico de funcionamento do
instrumento; caracteriza o efeito da corrente el´etrica aproveitado no mesmo. Exemplo:
eletrodinˆ amico - efeito de corrente el´etrica sobre corrente el´etrica; ferro-m´ ovel - efeito do
campo magn´etico da corrente el´etrica sobre pe¸ca de material ferromagn´etico; t´ermico -
efeito do aquecimento produzido pela corrente el´etrica ao percorrer um condutor, etc.
1.7.3 Calibre do Instrumento
O calibre do instrumento ´e o valor m´ aximo, da grandeza mensur´avel, que o isntrumento
´e capaz de medir. Exemplo: um volt´ımetro que pode medir no m´ aximo 200 volts, diz-se
que o seu calibre ´e de 200 volts. H´ a a considerar dois casos:
Instrumento de um s´ o calibre: o valor do calibre corresponde, normalmente, ao valor
marcado no fim de sua escala. Exemplo: a figura abaixo representa um volt´ımetro
de calibre ´ unico, 200 volts.
Instrumento de m´ ultiplo calibre: os valores dos respectivos calibres vˆem indicados nas
v´ arias posi¸c˜ oes da chave de comuta¸c˜ ao dos calibres, posi¸ c˜oes da chave de comuta;c˜ ao
dos calibres, podendo haver no mostrador apenas uma escala graduada. O valor de
uma grandeza medida num dos calibres ser´a obtido pela rela¸c˜ ao:
Valor da grandeza =
Calibre utilizado
Valor marcado no fim da escala
· Leitura
Exemplo: A figura abaixo representa um multivolt´ımetro cujos terminais 1 e 2 s˜ao
para liga¸ c˜ao do mesmo ao circuito el´etrico cuja tens˜ ao se deseja medir, sendo a sua
escala graduada em divis˜oes, de 0 a 200 divis˜ oes. Utilizando-se a chave de comuta¸c˜ ao
K no calibre de 300V , liga-se o volt´ımetro a um circuito el´etrico obtendo-se a leitura
de 148 divis˜ oes. Portanto, o valor medido V da tens˜ao ser´ a:
V =
300
200
· 148 = 222V
1.7.4 Discrepˆancia
Discrepˆ ancia ´e a diferen¸ca entre valores medidos para a mesma grandeza. Exemplo:
um volt´ımetro ´e empregado para medir a tens˜ao de uma fonte, dando como primeira
leitura 218V e como segunda leitura 220V . Diz-se ent˜ao que entre as duas medi¸c˜oes h´a
uma discrepˆancia de 2V .
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 9
1.7.5 Sensibilidade
Sensibilidade ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ ao que exprime a rela¸c˜ ao
entre o valor da grandeza medida e o deslocamento da indica¸ c˜ao. Exemplo: dois am-
per´ımetros s˜ ao postos em s´erie para medir uma mesma corrente I. No primeiro, observa-
se uma indica¸c˜ ao de x divis˜ oes na escala e no segundo, uma indica¸c˜ ao de 2x divis˜ oes.
Diz-se, ent˜ ao, que a sensibilidade do segundo amper´ımetro ´e o dobro da sensibilidade do
primeiro.
1.7.6 Resolu¸c˜ao
Resolu¸c˜ ao ´e o menor incremento que se pode assegurar na leitura de um instrumento,
o que corresponde ` a menor divis˜ ao marcada na escala do instrumento.
1.7.7 Mobilidade
Mobilidade ´e a menor varia¸c˜ ao da grandeza medida capaz de usar um deslocamento
percept´ıvel no ponteiro ou na imagem luminosa.
1.7.8 Perda Pr´ opria
Perda pr´opria ´e a potˆencia consumida pelo instrumento correspondente ` a indica¸c˜ ao
final da escala, correspondente ao calibre. Exemplo: um amper´ımetro de calibre 10A e
resistˆencia pr´opria 0, 2Ω tem uma perda pr´ opria de 20W.
´
E desej´ avel que os instrumentos
el´etricos de medi¸ c˜ao tenham a m´ınima perda pr´ opria a fim de que n˜ ao perturbem o circuito
em que est´a ligado, sobretudo este circuito trata-se de um circuito de pequena potˆencia.
Os instrumentos eletrˆonicos de medi¸c˜ ao s˜ ao considerados de perda pr´opria praticamente
nula.
1.7.9 Eficiˆencia
Eficiˆencia de um instrumento ´e a rela¸c˜ ao entre o seu calibre e a perda pr´ opria. Exem-
plo: levando em considera¸c˜ ao o exemplo do item anterior, a eficiˆencia do amper´ımetro
seria: 10A/20W = 0, 5A/W. No caso de volt´ımetro ´e usual exprimir a eficiˆencia em Ω/V ,
pois: V/W = RI/V I = R/V . Dois volt´ımetros, um de 800Ω/V e outro de 5000Ω/V , o
segundo tem melhor eficiˆencia que o primeiro.
1.7.10 Rigidez Diel´etrica
Rigidez diel´etrica caracteriza a isola¸c˜ ao entre a parte ativa e a carca¸ ca do instrumento.
A rigidez diel´etrica ´e expressa por um certo n´ umero de quilovolts, chamado de “tens˜ ao
de prova”ou “tens˜ ao de ensaio”, o qual representa a tens˜ ao m´ axima que se pode aplicar
entre a parte ativa e a carca¸ca do instrumento sem que lhe cause danos.
Estes valores s˜ ao representados nos instrumentos simbolicamente por uma estrela con-
tendo, ou n˜ ao, um n´ umero em seu interior.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 10
1.7.11 Categoria de Medi¸c˜ao
Definido pelos padr˜ oes internacionais, a categoria de medi¸c˜ ao define categorias de
I a IV, onde os sistemas s˜ ao divididos de acordo com a distribui¸c˜ ao de energia. Esta
divis˜ ao ´e baseada no fato de que um transiente perigoso de alta energia, como um raio,
ser´ a atenuado ou amortecido ` a medida que passa pela impedˆ ancia (resistˆencia CA) do
sistema.
1.7.12 Exatid˜ao
Exatid˜ ao ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ ao que exprime o afastamento
entre a medida nele efetuada e o valor de referˆencia aceito como verdadeiro. O valor da
exatid˜ ao de um instrumento de medi¸c˜ ao ou de um acess´ orio ´e definido pelos limites do
erro intr´ınseco e pelos limites da varia¸c˜ ao na indica¸ c˜ao.
Como se vˆe, a exatid˜ ao de um instrumento ´e considerada em rela¸c˜ao a um padr˜ ao, a um
valor aceito como verdadeiro. Pode-se dizer que a exatid˜ao est´ a diretamente relacionada
com as caracter´ısticas pr´ oprias do instrumento, a forma como foi projetado e constru´ıdo.
Os erros sistem´aticos ´e que definem se um instrumento ´e mais exato ou menos exato que
outro. A exatid˜ ao vem indicada nos instrumentos el´etricos de medi¸ c˜ao e nos acess´orios
atrav´es da sua “classe de exatid˜ ao”.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 11
Classe de Exatid˜ao do Instrumento
A classe de exatid˜ ao do instrumento representa o limite de erro, garantido pelo fa-
bricante do instrumento, que se pode cometer em qualquer medida efetuada com este
instrumento. A classe de exatid˜ao ´e representada pelo “´ındice de classe”, um n´ umero
abstrato, o qual deve ser tomado como uma percentagem do calibre do instrumento.
Exemplo: seja um volt´ımetro de calibre C = 300V e classe de exatid˜ ao 1, 5; o limite de
erro que se pode cometer em qualquer medida feita com este volt´ımetro ´e de 1, 5% de
300V , ou seja:
∆C =
300·1,5
100
= 4, 5V
Vˆe-se que o erro relativo percentual ´e
∆C
X
· 100 > 1, 5% para uma medi¸c˜ ao efetuada
de X volts. Isto mostra que o instrumento deve ser utilizado para medir grandezas de
valor o mais pr´ oximo poss´ıvel do ser calibre, onde teremos o erro relativo m´ınimo. Uma
pr´ atica usual ´e selecionar um instrumento de calibre tal que o calor medido se situe no
´ ultimo ter¸co da escala.
Um instrumento el´etrico de medi¸c˜ ao, quanto melhor ´e a sua classe de exatid˜ ao, mais
caro ele custa e mais cuidados ele requer na sua utiliza¸c˜ ao, com pessoal mais especializado.
Tendo em vista este fato ´e que os instrumentos el´etricos de medi¸ c˜ao podem ser classificados
em dois grupos:
Instrumentos de Laborat´orio: s˜ao medidas realizadas em ambientes e condi¸c˜ oes ideais,
distintos do ambiente industrial. S˜ ao medidas feitas para averiguar o funcionamento
dos dispositivos de medidas industriais, ou para o projeto de dispositivos e circuitos.
Devem ter uma maior precis˜ao e por isso s˜ao mais caros e delicados. Classe de
exatid˜ ao de 0, 1 a 1, 5;
Instrumentos de Servi¸co, Instrumentos Industriais: s˜ao aquelas medidas feitas direta-
mente sobre a montagem industrial ou instala¸c˜ ao el´etrica. S˜ao utilizados equipa-
mentos pr´ aticos tanto fixos como port´ ateis, classe de exatid˜ ao de 2 a 3, ou maior.
1.7.13 Repetibilidade (Precis˜ao)
No Vocabul´ario Internacional de Metrologia, o termo Precis˜ ao foi substitu´ıdo por
Repetibilidade. Neste texto adotaremos o termo Repetibilidade.
Repetibilidade ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ ao, determinada atrav´es
de um processo estat´ıstico de medi¸ c˜oes, que exprime o afastamento m´ utuo entre as diversas
medidas obtidas de uma grandeza dada, em rela¸c˜ ao `a m´edia aritm´etica dessas medidas.
Ou seja, repetibilidade ´e a propriedade de um instrumento de, em condi¸c˜oes idˆenticas,
indicar o mesmo valor para uma determinada grandeza medida.
Um instrumento preciso n˜ao ´e necessariamente exato, embora seja na maioria dos
casos. A repetibilidade est´a mais ligada `a opera¸c˜ ao, ao fato de medir a grandeza. Ou
seja, ´e o termo que est´a necessariamente ligado a uma avalia¸c˜ ao estat´ıstica sobre os valores
resultantes de uma medida. A precis˜ao exprime o grau de consistˆencia ou reprodu¸ c˜ao nas
indica¸c˜ oes de uma medida sob as mesmas condi¸c˜ oes. A repetibilidade n˜ ao vem indicada
nos intrumentos, pois ela resulta de uma an´ alise estat´ıstica.
A repetibilidade de uma medida se faz atrav´es do “´ındice de repetibilidade”, comu-
mente dado em fun¸c˜ao do desvio padr˜ao sobre a m´edia dos valores medidos. Assim,
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 12
quando se diz que determinado resultado tem uma repetibilidade de 0, 5% isto que dizer
que a rela¸ c˜ao σ/¯ x ≤ 0, 005, onde σ ´e o desvio padr˜ ao.
A repetibilidade ´e um pr´e-requisito da exatid˜ ao, mas a repetibilidade n˜ ao garante a
exatid˜ ao. As medidas efetuadas poder˜ ao ser t˜ ao mais precisas quanto mais exato for o
instrumento empregado.
Exemplo: Suponhamos um volt´ımetro, constru´ıdo com certa classe de exatid˜ ao, tem
sua resistˆencia original substitu´ıda por outra de maior valor. Este volt´ımetro continua a
fazer medidas com a mesma repetibilidade, entretanto a sua exatid˜ao pode estar muito
diferente daquela que ele tinha quando estava com a resistˆencia original. A exatid˜ao das
medidas somente pode ser comprovada atrav´es da compara¸c˜ ao do instrumento com um
padr˜ ao.
Exemplo: Suponhamos dois volt´ımetros de mesmo calibre, um de classe de exatid˜ ao
2 e outro de classe de exatid˜ ao 1. Os dois volt´ımetros poder˜ ao fazer medidas com a
mesma repetibilidade, por´em o segundo indicar´a valores mais exatos, pois estes estar˜ ao
mais pr´oximos do valor aceito como verdadeiro.
1.8 Princ´ıpios de Funcionamento de Instrumentos Ele-
tromecˆanicos
Os primeiros instrumentos utilizados para medidas de grandezas el´etricas eram ba-
seados na deflex˜ ao de um ponteiro acoplado a uma bobina m´ovel imersa em um campo
magn´etico. Uma corrente aplicada na bobina produz o seu deslocamento pela for¸ca de Lo-
rentz. Um mecanismo de contra-rea¸ c˜ao (em geral uma mola) produz uma for¸ca contr´aria
de modo que a deflex˜ao do ponteiro seja proporcional `a corrente na bobina.
Estes instrumentos anal´ogicos est˜ao em desuso em fun¸c˜ ao de suas qualidades inferiores
se comparadas ` as dos instrumentos digitais (imprecis˜ oes de leitura, fragilidade, desgaste
mecˆ anico, dif´ıcil automa¸c˜ ao de leitura, etc.).
Os instrumentos digitais atuais s˜ ao inteiramente eletrˆonicos, n˜ao possuindo partes
m´ oveis (exceto seletores de escala e teclas). S˜ao mais robustos, precisos, est´ aveis e
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 13
dur´ aveis. S˜ ao baseados em conversores anal´ ogico/digital (A/D) e s˜ ao facilmente adapt´ aveis
a uma leitura automatizada. Al´em disso, o custo dos instrumentos digitais ´e em geral
inferior (com exce¸c˜ao dos oscilosc´opios).
Contudo, iremos estudar os princ´ıpios gerais sobre instrumentos eletromecˆanicos de
medi¸c˜ ao para entendermos melhor o avan¸ co dos instrumentos digitais.
1.8.1 Generalidades sobre Instrumentos El´etricos de Medi¸c˜ao
Os instrumentos el´etricos empregados na medi¸c˜ ao das grandezas el´etricas tˆem sempre
um conjunto que ´e deslocado aproveitando um dos efeitos da corrente el´etrica: efeito
t´ermico, efeito magn´etico, efeito dinˆamico, etc. Preso ao conjunto m´ovel est´ a um ponteiro
que se desloca na frente de uma escala graduada em valores da grandeza a que se destina
o instrumento medir, como na figura abaixo.
A corrente el´etrica cont´ınua ao percorrer a bobina fica na presen¸ca do campo magn´etico
do im˜ a permanente. A intera¸c˜ ao entre a corrente e o campo magn´etico origina as for¸cas
aplicadas aos condutores da bobina, for¸cas estas que produzem um conjugado em rela¸ c˜ao
ao eixo de rota¸c˜ao do sistema, fazendo girar a bobina em torno deste eixo. Este conjunto
assim originado ´e chamado de “conjugado motor”.
Ao mesmo tempo as molas, com uma extremidade presa ao eixo da bobina e a outra `a
carca¸ca do instrumento, ficam sob tens˜ao mecˆanica e se op˜oem ao movimento de rota¸c˜ao
da bobina, originando um “conjugado antagonista”ou “conjugado restaurador”. Estas
molas, al´em da oposi¸c˜ ao ao deslocamento do conjunto m´ ovel, fazem-no voltar ` a posi¸c˜ ao
inicial (posi¸c˜ao de repouso) cessado o efeito do conjugado motor.
Para evitar as oscila¸c˜ oes do conjunto m´ ovel em torno da posi¸c˜ ao de equil´ıbrio, cria-
se um “conjugado de amortecimento”por meio de artif´ıcios externos ao sistema. Este
“conjugado de amortecimento”evita tamb´em os deslocamentos bruscos do conjunto m´ ovel
ao partir da posi¸c˜ ao de repouso, como ao voltar a ela cessado o efeito do conjugado motor.
O conjunto m´ovel dos instrumentos el´etricos ´e assim submetido a trˆes conjugados:
1. O motor produzido pela grandeza a medir, aproveitando um dos efeitos da corrente
el´etrica;
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 14
2. O antagonista produzido pelas molas;
3. O de amortecimento produzido por arranjos externos ao conjunto m´ovel.
1.8.2 Amortecimento do Movimento do Conjunto M´ovel
H´ a trˆes tipos principais de amortecimentos aplicados aos instrumentos el´etricos de
medi¸c˜ ao: amortecimento por correntes de Foucault, por atrito sobre o ar e por atrito
sobre l´ıquido.
Amortecimento por Correntes de Foucault
A figura acima mostra o princ´ıpio f´ısico em que se baseia este amortecimento. O
disco de alum´ınio ´e rigidamente solid´ ario ao eixo do conjunto m´ ovel. Quando este se
desloca, movido pelo conjugado motor, o disco corta as linhas de fluxo do entreferro do
im˜ a permanente. No disco s˜ao ent˜ao induzidas correntes de Foucault. Como elas est˜ao na
presen¸ca do campo magn´etico do mesmo im˜a permanente, a intera¸ c˜ao entre estas correntes
e o referido campo magn´etico dar´ a origem a uma for¸ca cujo sentido se op˜ oe ao movimento
do disco, produzindo assim um conjugado em rela¸ c˜ao ao eixo de rota¸c˜ao, conjugado este
que ´e de amortecimento, pois a sua existˆencia est´ a condicionada ao movimento do disco.
O conjugado de amortecimento ´e diretamente proporcional `a velocidade angular do disco.
Amortecimento por Atrito sobre o Ar
´
E provocado pela rea¸c˜ ao do ar sobre uma fina palheta met´alica presa ao eixo de rota¸c˜ ao
do conjunto m´ovel, ao qual est´a tamb´em preso o ponteiro.
A figura abaixo mostra o artif´ıcio mais empregado para este tipo de amortecimento.
Pode ser demonstrado que o conjugado de amortecimento ´e proporcional ` a velocidade
angular do conjunto m´ ovel.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 15
Amortecimento por Atrito sobre L´ıquido
O l´ıquido mais usado ´e o ´ oleo mineral, em virtude de suas caracter´ısticas, tamb´em
como isolante. A viscosidade do ´ oleo ´e escolhida de acordo com o mais intenso ou menos
intenso amortecimento que se queira dar ao movimento do conjunto m´ ovel. Demonstra-se
tamb´em em dinˆ amica dos l´ıquidos que o conjugado de amortecimento neste caso ´e ainda
proporcional `a velocidade angular do conjunto m´ ovel.
1.8.3 Suspens˜ao do Conjunto M´ovel
Esta ´e a parte mais delicada na constru¸c˜ ao dos instrumentos el´etricos de medi¸c˜ ao,
devendo a suspens˜ ao do conjunto m´ovel ser feita com tal perfei¸c˜ ao a proporcionar um
movimento sem nenhum atrito. H´a trˆes tipos de suspens˜ oes mais empregadas: suspens˜ ao
por fio, por eixo (instrumento de “pivot”) e suspens˜ ao magn´etica.
Suspens˜ao por Fio
Empregada, sobretudo, em instrumentos de alta sensibilidade, instrumentos de labo-
rat´ orio.
O fio de suspens˜ao mostrado na figura acima ´e, em geral, feito de uma liga f´ osforo-
bronze e tem trˆes finalidades: suportar o conjunto m´ovel; fornecer, por interm´edio da
tor¸c˜ ao, o conjugado antagonista; e servir como condutor para levar a corrente el´etrica `a
bobina.
A extremidade superior do fio ´e presa ` a carca¸ ca do instrumento e a sua por¸ c˜ao inferior
´e feita em forma de mola para permitir regular a tens˜ ao mecˆanica do fio e centralizar o
conjunto m´ ovel.
Suspens˜ao por Eixo
O eixo ´e feito de a¸co, tendo nas extremidades dois bicos pontudos de a¸co duro repou-
sando sobre dois apoios de rubi ou safira sint´etica.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 16
O eixo pode ser vertical ou horizontal, como na figura acima. Devido a este detalhe,
deve-se ter o cuidado de utilizar o instrumento na posi¸c˜ ao correta indicada pelo fabricante,
no mostrador, por s´ımbolos que podem ser vistos na sess˜ ao a seguir.
Suspens˜ao Magn´etica
´
E utilizada, sobretudo, nos instrumentos de eixo vertical. Dois pequenos im˜as per-
manentes s˜ao empregados: um preso ao eixo do conjunto m´ ovel e outro `a carca¸ca do
instrumento.
A suspens˜ ao magn´etica pode ser de dois tipos: repuls˜ ao, conforme a figura acima, em
que p´ olos de mesmo nome s˜ao colocados em presen¸ca na parte inferior do eixo; e atra¸c˜ ao,
conforme figura acima, em que p´ olos de nomes contr´ arios s˜ao colocados em presen¸ca na
parte superior do eixo.
O guia indicado nas figuras ´e feito de material n˜ ao magn´etico e serve para evitar que
o conjunto m´ovel fuja da posi¸ c˜ao correta em que deve trabalhar.
Esta suspens˜ao tem sido empregada com resultados satisfat´ orios nos medidores de
energia el´etrica, eliminando consideravelmente o atrito no apoio inferior, uma vez que
com este artif´ıcio o conjunto m´ ovel fica flutuando no ar. Isto fez com que a vida m´edia
destes medidores aumentasse de 15 para 30 anos.
1.8.4 Processos de Leitura
Os instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, conforme o modo de indica¸c˜ ao do valor das
grandezas medidas, podem ser classificados em trˆes tipos: indicadores, registradores e
acumuladores, ou totalizadores.
Instrumentos Indicadores
Sobre uma escala graduada, eles indicam o valor da grandeza a que se destinam medir.
Podem ser do tipo “ponteiro”para instrumentos anal´ ogicos de suspens˜ ao por eixo e do
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 17
tipo “feixe luminoso”ou “imagem luminosa”para instrumentos anal´ ogicos de suspens˜ao
por fio.
Os instrumentos digitais podem utilizar leds, displays, ou monitores independente dos
tipos de instrumento; podendo inclusive, atrav´es de uma rede, possibilitar uma indica¸c˜ao
remota .
Instrumentos Registradores
Em instrumentos anal´ ogicos, sobre um rolo de papel graduado, eles registram os valores
da grandeza a que se destinam medir. Depois, retirando-se o papel do instrumento, tem-
se uma id´eia da varia¸c˜ ao da grandeza medida durante o per´ıodo de tempo em que este
instrumento esteve ligado.
Em instrumentos digitais, o registro ´e realizado atrav´es de mem´ orias. O que facilita a
an´ alise e o armazenamento de dados. Al´em de, atrav´es de uma rede, possibilitar a an´ alise
de forma remota.
Acumuladores ou Totalizadores
O mostrador destes instrumentos indica o valor acumulado da grandeza medida, desde
o momento em que os mesmos foram instalados.
S˜ ao especialmente destinados ` a medi¸ c˜ao de energia el´etrica, levando em considera¸c˜ ao
a potˆencia el´etrica solicitada por uma carga e o tempo de utiliza¸ c˜ao da mesma. A quan-
tidade de energia el´etrica solicitada durante um certo per´ıodo, um mˆes por exemplo, ´e
obtida pela diferen¸ca entre a leitura no fim do per´ıodo, chamada “leitura atual”, e a
leitura que foi feita no in´ıcio do per´ıodo, chamada “leitura anterior”.
1.9 Simbologia para Instrumentos de Medida
A utiliza¸c˜ ao correta dos instrumentos de medidas el´etricas depende da escolha dos
instrumentos. Isto permite a medida correta das grandezas sem por em risco a vida
do operador e a integridade do equipamento. Para tanto, deve-se observar os s´ımbolos
gravados nos visores. As tabelas a seguir ilustram alguns dos s´ımbolos freq¨ uentemente
utilizados em medidas el´etricas e nos diagramas dos circuitos el´etricos.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 18
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 19
Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo:
Significa¸c˜ ao: instrumento de ferro m´ovel, para correntes cont´ınua e alternada, classe
de exatid˜ ao 1, deve ser utilizado com o mostrador na posi¸ c˜ao horizontal, tens˜ao de ensaio
2kV .
1.10 Precau¸c˜oes na Utiliza¸c˜ao
´
E aconselh´ avel que o operador somente utilize um instrumento el´etrico de medi¸c˜ao se
tiver real certeza de que o est´ a utilizando de modo correto. Esta precau¸ c˜ao faz evitar
acidentes para o operador e para o instrumento. Se o instrumento n˜ao ´e ainda conhecido
para o operador, antes de coloc´ a-lo em opera¸c˜ ao, devem ser lidos os manuais de instru¸c˜ oes
fornecidos pelo fabricante.
Para fazer a medida de uma grandeza el´etrica, ´e necess´ario selecionar o instrumento
adequado tendo em vista v´arias condi¸c˜ oes:
1. Natureza da grandeza que se quer medir: corrente, tens˜ ao, potˆencia, energia, etc., e
o seu tipo, isto ´e, grandeza cont´ınua ou alternada.
2. Valor aproximado da grandeza para que se possa fazer a sele¸c˜ ao do calibre adequado.
Na pr´ atica, isto ´e quase sempre poss´ıvel em virtude dos dados caracter´ısticos do
equipamento fornecidos na sua placa de identifica¸c˜ao. Por exemplo, deseja-se me-
dir a corrente solicitada por uma lˆ ampada de 200W, 220V , pode-se empregar um
amper´ımetro de calibre 1A, uma vez que, calculando a corrente solicitada por esta
lˆ ampada, se vˆe que ela ´e ligeiramente inferior a 1A.
Se n˜ ao h´a condi¸c˜ oes para determinar previamente o valor aproximado da grandeza,
ent˜ ao deve ser selecionado um instrumento de calibre o maior poss´ıvel. Verificado
assim desta forma o valor da grandeza, pode-se ent˜ ao selecionar um calibre mais
adequado, de tal modo que o valor medido se situe no ´ ultimo ter¸co da escala do
instrumento utilizado, obtendo-se assim melhor resultado na medida.
3. O instrumento deve ter uma classe de exatid˜ ao compat´ıvel com a qualidade da gran-
deza que se est´a medindo e com a precis˜ ao que se deseja nos resultados que ser˜ao
obtidos.
4. Em rela¸c˜ ao ` a potˆencia el´etrica da fonte que alimenta o circuito em que vai ser intro-
duzido o instrumento de medi¸c˜ ao, este deve ser selecionado com uma eficiˆencia a
melhor poss´ıvel a fim de que nenhuma influˆencia cause no referido circuito.
5.
´
E interessante analisar previamente a perturba¸c˜ao que pode causar um determinado
instrumento de medi¸c˜ ao ao ser inserido num circuito. Este fato ´e ressaltado com
o exemplo seguinte: corriqueiramente ´e dito que todo amper´ımetro tem resistˆencia
interna desprez´ıvel quando ´e utilizado para medir uma corrente el´etrica. Esta afirma-
tiva ´e precipitada!
´
E mais correto afirmar que a resistˆencia interna do amper´ımetro
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 20
´e pequena, mas n˜ao, desprez´ıvel. Poder´a ser desprez´ıvel se realmente for muito me-
nor do que a resistˆencia do circuito com a qual tenha sido posto em s´erie. Para fixar
a id´eia, suponhamos que uma fonte E = 10V alimenta uma resistˆencia R = 1Ω,
conforme a figura abaixo.
Ora, a corrente I que circula atrav´es de R ´e de 10A. Se for introduzido em s´erie
com R um amper´ımetro de resistˆencia interna R
a
= 1Ω, conforme a figura abaixo,
a corrente ser´a agora I = 5A.
Isto mostra que o amper´ımetro causou uma perturba¸c˜ao no circuito em virtude de
a sua resistˆencia ser consider´ avel, e n˜ ao desprez´ıvel, diante do valor da resistˆencia
R do circuito. Este exemplo ´e extensivo a todos os outros instrumentos el´etricos de
medi¸c˜ ao e serve de alerta aos seus manipuladores.
Cap´ıtulo 2
Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e
Reativa
2.1 Watt´ımetro Eletrodinˆamico
A figura a seguir esquematiza este instrumento que consta essencialmente das seguintes
partes, al´em das molas restauradoras:
a. Uma bobina fixa B
c
constitu´ıda de duas meias bobinas idˆenticas;
b. Uma bobina m´ ovel B
p
, ` a qual est´ a preso o ponteiro, colocada entre as duas meias
bobinas B
c
.
O movimento do conjunto m´ ovel, bobina B
p
, resulta da intera¸c˜ao entre o campo
eletromagn´etico, criado pela corrente i
c
, e a corrente i
p
da bobina B
p
. O seu funcionamento
´e assim idˆentico ao do instrumento de im˜ a fixo e bobina m´ ovel, sendo o im˜ a permanente
substitu´ıdo por B
c
, fazendo-se ressalva de que os eletrodinˆ amicos s˜ ao utiliz´aveis tanto em
corrente cont´ınua como em corrente alternada.
A nota¸c˜ ao B
c
e B
p
´e justificada pela utiliza¸c˜ ao destes instrumentos como watt´ımetro,
onde B
c
´e chamada bobina de corrente e B
p
, bobina de potencial ou bobina de tens˜ ao. E
ainda, L
c
´e o coeficiente de auto-indu¸ c˜ao de B
c
e L
p
, de B
p
.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 22
Consideremos uma carga Z submetida `a tens˜ ao v e percorrida pela corrente i. Ligando
B
c
em s´erie com esta carga e B
p
em paralelo, e considerando R
p
>> ωL
p
, temos que i
c
= i
e i
p
=
v
R
p
. O que nos d´ a a potˆencia ativa da carga Z em watt, de modo que a leitura do
valor da potˆencia ativa ´e feita diretamente.
2.1.1 Erro Sistem´atico do Watt´ımetro
Como mostram os dois esquemas seguintes ´e imposs´ıvel realizar, ao mesmo tempo, a
liga¸c˜ ao s´erie B
c
−carga e a liga¸c˜ ao paralela B
p
−carga. A medi¸c˜ ao, portanto, comporta um
erro sistem´atico: seja com a influˆencia da bobina B
c
na corrente i
c
antes da medi¸ c˜ao de
B
p
, ou na influˆencia da corrente i
p
da bobina B
p
fazendo que haja um desvio da corrente
total i = i
c
da carga e que ´e medida pela bobina B
c
.
No caso em que se deseje um valor preciso de potˆencia medida, ´e poss´ıvel determinar-se
o valor da potˆencia perdida para subtra´ı-lo da indica¸c˜ ao do watt´ımetro.
2.1.2 Modo Pr´atico de Ligar o Watt´ımetro
Antes de ligar um watt´ımetro, ´e preciso observar os valores m´ aximos de corrente
e tens˜ ao suport´ aveis por B
c
e B
p
, respectivamente. Estes valores est˜ ao indicados no
mostrador do instrumento, como por exemplo, na figura abaixo em que B
c
suporta no
m´ aximo 5A e B
p
, 300V .
Olhando para um watt´ımetro, facilmente identificamos os terminais das bobinas B
c
e
B
p
: os terminais de B
c
tˆem maior se¸ c˜ao que os de B
p
. Ou aqueles est˜ ao designados por
A
1
e A
2
, e estes por V
1
e V
2
.
Um terminal de B
c
, como tamb´em um de B
p
, est´ a marcado com um sinal ± ou com
um aster´ıstico ∗. Isto indica a entrada das bobinas B
c
e B
p
.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 23
Para que o watt´ımetro dˆe uma indica¸c˜ ao correta:
1. O terminal marcado de B
c
deve ser ligado `a fonte e o outro `a carga, como mostra a
figura acima.
2. O terminal marcado de B
p
deve ser ligado no condutor que est´a em s´erie com B
c
;
levando em conta o recomendado no item anterior, sua liga¸c˜ ao deve ser feita como
na figura acima, isto ´e, a bobina B
p
ligada depois da bobina de corrente.
3. O terminal n˜ao marcado de B
p
ser´ a ligado ao outro condutor, isto ´e, ligado ao ponto
B ou E ou D da figura acima.
4. O watt´ımetro pode dar indica¸c˜ ao para tr´ as desde que o ˆangulo θ, entre a tens˜ ao
aplicada a B
p
e a corrente que percorre B
c
, tenha cos θ < 0. Para dar indica¸c˜ ao para
frente, ´e preciso inverter uma de suas duas bobinas B
c
ou B
p
, conforme mostram as
figuras abaixo.
Observamos que o watt´ımetro d´ a um desvio proporcional ao produto V I cos θ, onde:
V ´e o valor eficaz da tens˜ao aplicada `a B
p
; I ´e o valor eficaz da corrente que percorre B
c
;
e θ ´e o ˆangulo de defasagem entre V e I.
Como a escala do instrumento j´a ´e graduada em valores de potˆencia, no caso em watts,
ent˜ ao a sua indica¸c˜ ao ser´ a:
W = V I · cos θ
Se as grandezas aplicadas ao watt´ımetro forem as mesmas aplicadas `a carga, ent˜ ao
ele indicar´ a a potˆencia ativa da carga, conforme a express˜ ao de W acima. Chamamos a
aten¸c˜ ao para este ponto porque pode acontecer de a carga ser alimentada com a tens˜ ao
V e percorrida pela corrente I, enquanto que o watt´ımetro tenha B
p
submetida ` a tens˜ ao
U, diferente de V , e B
c
percorrida pela mesma corrente I. A indica¸c˜ ao W do watt´ımetro
ser´ a neste caso:
W = UI · cos

´

U

I

Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 24
2.2 Medi¸c˜ao de Potˆencia El´etrica em Corrente Alter-
nada
Para a medi¸ c˜ao da potˆencia el´etrica ativa solicitada por uma carga, empregamos o
watt´ımetro. O instrumento pode ser o mesmo, quer a fonte seja de corrente cont´ınua ou
de corrente alternada. Chamamos a aten¸c˜ao para o fato de que a indica¸c˜ ao do watt´ımetro
´e igual ao produto da tens˜ ao V aplicada ` a sua bobina de potencial B
p
pela corrente I que
percorre a sua bobina de corrente B
c
e pelo cosseno do ˆ angulo de defasagem entre V e I:
W = V I · cos

´

V

I

Se V for a mesma tens˜ ao aplicada `a carga e I a mesma corrente que percorre, ent˜ ao
a indica¸c˜ ao do watt´ımetro ser´a a potˆencia ativa absorvida pela carga.
Relembramos as express˜oes das potˆencias el´etricas em corrente alternada:
Potˆencia Aparente: S = V I expressa em volt-amp´ere (V A).
Potˆencia Ativa: P = V I · cos θ expressa em watt (W).
Potˆencia Reativa: Q = V I · sin θ expressa em var (var).
´
E preciso tamb´em n˜ ao esquecer a rela¸c˜ ao entre a tens˜ao composta U (tens˜ ao entre
fases) e a tens˜ao simples
¯
V (tens˜ ao entre fase e neutro) nos circuitos trif´asicos equilibrados:
U =

3 · V
Para os ciscuitos trif´ asicos equilibrados, as express˜ oes das potˆencias ficar˜ ao:
Potˆencia Aparente: S = 3V I =

3 · UI.
Potˆencia Ativa: P = 3V I · cos θ =

3 · UI cos θ.
Potˆencia Reativa: Q = 3V I · sin θ =

3 · UI sin θ.
2.2.1 M´etodos para Medi¸c˜ao da Potˆencia Ativa
Num circuito trif´ asico a potˆencia instantˆanea ´e dada pela rela¸c˜ ao:
p = v
1
i
1
+v
2
i
2
+v
3
i
3
onde: i
1
, i
2
e i
3
s˜ ao as correntes das fases 1, 2 e 3, respectivamente; v
1
, v
2
e v
3
s˜ ao as
respectivas tens˜ oes entre cada fase e o neutro.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 25
M´etodo dos Trˆes Watt´ımetros: Circuitos de 3 Fases e um Neutro
Este m´etodo ´e aplic´avel para os circuitos trif´asicos a quatro fios, equilibrados ou n˜ao,
sendo trˆes fios de fase e um fio de neutro. Temos ent˜ ao:
P = V
1
I
1
cos θ
1
+V
2
I
2
cos θ
2
+V
3
I
3
cos θ
3
Aplicando ent˜ ao trˆes watt´ımetros, como mostra a figura abaixo, temos que a soma das
suas indica¸c˜ oes respectivas representa a potˆencia ativa total absorvida pela carga Z.
As indica¸c˜ oes dos watt´ımetros ser˜ ao:
a. W = V
1
I
1
cos

¯

V
1

I
1

b. W = V
2
I
2
cos

¯

V
2

I
2

c. W = V
3
I
3
cos

¯

V
3

I
3

Levando em considera¸ c˜ao que a figura do diagrama fasorial corresponde ao esquema
da mesma figura, temos:
a. cos

¯

V
1

I
1

= cos θ
1
b. cos

¯

V
2

I
2

= cos θ
2
c. cos

¯

V
3

I
3

= cos θ
3
A indica¸c˜ ao total ser´ a: W = W
1
+ W
2
+ W
3
e a potˆencia ativa total: P = W. Se o
circuito ´e equilibrado, isto ´e, existem as igualdades:
a. V
1
= V
2
= V
3
= V
b. I
1
= I
2
= I
3
= I
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 26
c. θ
1
= θ
2
= θ
3
= θ
ent˜ ao, teremos:
P = 3V I cos θ
Para este caso podemos empregar apenas um watt´ımetro e multiplicar a sua indica¸c˜ ao
por 3 para termos a potˆencia ativa total P.
M´etodo dos Dois Watt´ımetros: Circuitos de 3 Fases
Este m´etodo ´e aplic´ avel para os circuitos trif´ asicos a trˆes fios, equilibrados ou n˜ao,
sendo todos os trˆes fios de fase. Poder´ a ser aplicado ao circuito de 4 fios se o mesmo for
equilibrado, o que significa n˜ ao circular corrente no neutro.
Nos circuitos trif´ asicos a trˆes fios, duas condi¸c˜ oes s˜ ao sempre satisfeitas:
1. A soma das correntes de linha ´e sempre zero:
i
1
+i
2
+i
3
= 0
Isto corresponde a:

I
1
+

I
2
+

I
3
= 0
2. A soma das tens˜oes compostas ´e sempre zero:
u
12
+u
23
+u
31
= 0
Isto corresponde a:

U
12
+

U
23
+

U
31
= 0
Explicitando i
3
na express˜ao acima e substituindo na express˜ ao de potˆencia ins-
tantˆ anea obtemos:
p = v
1
i
1
+v
2
i
2
−v
3
(i
1
+i
2
)
ou ainda:
p = (v
1
−v
3
) i
1
+ (v
2
−v
3
) i
2
Podemos ainda escrever as seguintes rela¸c˜ oes:

v
1
−v
3
= u
13
que ´e a tens˜ao composta entre as fases 1 e 3
v
2
−v
3
= u
23
que ´e a tens˜ao composta entre as fases 2 e 3
Ent˜ ao:
p = u
13
i
1
+u
23
i
2
E a potˆencia ativa total ser´ a:
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 27
P = U
13
I
1
· cos

U
13
,

I
1

+U
23
I
2
· cos

U
23
,

I
2

A figura acima indica a montagem a realizar com os dois watt´ımetros para a obten¸c˜ ao
de P. Cada watt´ımetro indicar´ a:
a. W
1
= U
13
I
1
· cos

U
13
,

I
1

b. W
2
= U
23
I
2
· cos

U
23
,

I
2

Se o circuito ´e equilibrado, temos do diagrama fasorial da figura acima:
a.

U
13
,

I
1
= 30
o
−θ
b.

U
23
,

I
2
= 30
o

Acarretando como conseq¨ uˆencia:
a. W
1
= UI · cos (30
o
−θ)
b. W
2
= UI · cos (30
o
+θ)
Sobre as express˜ oes acima faremos as seguintes observa¸c˜ oes:
1. θ < 60
o
acarreta cos θ > 0, 5
Neste caso temos W
1
e W
2
positivos, isto ´e, os dois watt´ımetros d˜ ao indica¸c˜ ao para
a frente.
2. θ > 60
o
acarreta cos θ < 0, 5
O primeiro watt´ımetro d´a indica¸ c˜ao para frente, mas o segundo d´a indica¸c˜ ao para
tr´ as.
3. θ = 60
o
acarreta cos θ = 0, 5
O primeiro watt´ımetro indica sozinho a potˆencia ativa total da carga, pois o segundo
indica W
2
= 0.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 28
Os dois watt´ımetros sempre dar˜ao indica¸c˜oes diferentes entre si. Somente para θ = 0
´e que teremos: W
1
= W
2
.
A potˆencia ativa total P = W
1
+W
2
´e assim a soma alg´ebrica das respectivas indica¸c˜ oes
dos dois watt´ımetros. Se acontecer o segundo caso num circuito, devemos inverter a bobina
de corrente B
c
do segundo watt´ımetro de modo que o mesmo dˆe uma indica¸c˜ ao para frente
e este valor ser´ a subtra´ıdo da indica¸ c˜ao do primeiro instrumento para termos a potˆencia
total P.
O fator de potˆencia da carga pode ser calculado a partir das express˜ oes:
cos θ =
W
1
+W
2

3·UI
; sin θ =
W
1
−W
2
UI
; tgθ =
W
1
+W
2
W
1
−W
2
·

3
Para este m´etodo, al´em da montagem da figura acima, pode ser realizadas as monta-
gens mostradas na figura abaixo, bastando para isto substituir na express˜ ao da corrente
os valores correspondentes:
i
1
= −(i
2
+i
3
) ou i
2
= −(i
1
+i
3
)
2.2.2 Medi¸c˜ao da Potˆencia Reativa
A potˆencia reativa solicitada por uma carga monof´ asica, de fator de potˆencia cos θ, ´e
expressa como:
Q = V I · sin θ
Para a carga trif´ asica esta potˆencia ser´ a:
Q = V
1
I
1
sin θ
1
+V
2
I
2
sin θ
2
+V
3
I
3
sin θ
3
Se a carga trif´ asica ´e equilibrada, esta express˜ ao, ficar´a:
Q = 3V I · sin θ
Embora existam instrumentos especiais para medi¸c˜ao de potˆencia reativa, eles s˜ ao
pouco empregados.Para os circuitos monof´ asicos emprega-se o watt´ımetro e mais um
volt´ımetro e um amper´ımetro, como mostra a figura abaixo.
Da´ı deduzimos: cos θ =
P
V I
e consequentemente sin θ e ainda: Q = V I · sin θ. Para
os circuitos trif´asicos empregamos o wattimetro tendo cuidado de alimentar a sua bobina
B
p
com uma tens˜ ao defasada de 90
o
em rela¸c˜ ao ` a tens˜ ao aplicada `a carga.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 29
Montagens para Medi¸c˜ao da Potˆencia Reativa em Circuitos Trif´asicos
O circuito trif´ asico pode ser a 3 ou 4 fios, equilibrado ou n˜ao, a montagem a realizar
´e a mostrada na figura abaixo. O fio neutro n˜ao ´e utilizado.
As indica¸c˜ oes dos watt´ımetros ser˜ ao:
a. W
1
= U
23
I
1
cos

U
23

I
1

b. W
2
= U
31
I
2
cos

U
31

I
2

c. W
3
= U
12
I
3
cos

U
12

I
3

Do diagrama fasorial correspondente, mostrado na figura acima, temos:
a. cos

U
23

I
1

= cos (90
o
−θ
1
) = sin θ
1
b. cos

U
31

I
2

= cos (90
o
−θ
2
) = sin θ
2
c. cos

U
12

I
3

= cos (90
o
−θ
3
) = sin θ
3
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 30
Assim, a soma das indica¸c˜ oes ser´ a:
W = U
23
I
1
sin θ
1
+U
31
I
2
sin θ
2
+U
12
I
3
sin θ
3
Como as tens˜ oes s˜ao supostas sempre equilibradas temos que:
|

U
23
| = |

U
31
| = |

U
12
| = U =

3 · V
Assim, a express˜ ao toma a forma:
W =

3 · (V I
1
sin θ
1
+V I
2
sin θ
2
+V I
3
sin θ
3
)
Comparando as equa¸c˜oes, conclui-se que:
W =

3 · Q ∴ Q =
W

3
Ou seja: a potˆencia reativa total Q da carga ´e igual ` a soma das indica¸c˜ oes dos trˆes
watt´ımetros dividida por

3. Sendo o circuito trif´ asico equilibrado, podemos empregar
apenas o primeiro watt´ımetro como mostra a figura abaixo. Desta se conclui:
W
1
= UI sin θ =

3 · V I sin θ
E neste caso para termos a potˆencia reativa total Q:
Q =

3 · W
1
ou seja: Q = 3V I sin θ
Costuma-se fazer a montagem da figura com trˆes watt´ımetros na pr´ atica para verificar
se o circuito trif´ asico ´e realmente equilibrado, pois em caso afirmativo todos os watt´ımetros
dar˜ ao a mesma indica¸c˜ ao:
W
1
= W
2
= W
3
Ainda para os circuitos trif´asicos equilibrados podemos empregar dois watt´ımetros
como na figura abaixo e teremos:
W = W
1
+W
2
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 31
Sequˆencia das Fases
Na medi¸c˜ ao da potˆencia ativa n˜ ao importa a seq¨ uˆencia das fases. Mas, na medi¸c˜ao da
potˆencia reativa ´e muito importante conhecer a seq¨ uˆencia das fases, pois se a liga¸ c˜ao de
B
p
n˜ ao for a correta, como a indicada nas montagens anteriores, o instrumento pode dar
indica¸c˜ ao incorreta, inclusive em sentido contr´ ario ao normal. A primeira vista parece que
´e bastante inverter a liga¸c˜ao de B
c
e teremos a indica¸c˜ao correta para a frente. Entretanto,
esta observa¸c˜ ao ´e feita para o fato da identifica¸ c˜ao da natureza da potˆencia reativa, isto ´e,
indutiva ou capacitiva. Se a potˆencia reativa for capacitiva, embora o instrumento esteja
com a liga¸ c˜ao correta, sua indica¸ c˜ao ser´ a para tr´as, como se pode ver na figura abaixo.
A indica¸c˜ ao do watt´ımetro:
W = U
23
I
1
· cos

U
23
,

I
1

Mas, do diagrama fasorial:
cos

U
23
,

I
1

= cos (90
o
+θ) = −sin θ
Donde concluimos:
W = −U
23
I
1
sin θ
Se a liga¸ c˜ao tivesse sido U
32
ter´ıamos que a indica¸c˜ ao do watt´ımetro seria:
W = U
32
I
1
sin θ
O m´ odulo seria o mesmo, mas dir´ıamos que a potˆencia reativa ´e indutiva, quando na
realidade ´e capacitiva.
Cap´ıtulo 3
Transformadores para Instrumentos
3.1 Introdu¸c˜ao
Os transformadores para instrumentos s˜ao equipamentos el´etricos projetados e cons-
tru´ıdos especificamente para alimentarem instrumentos el´etricos de medi¸ c˜ao, controle ou
prote¸c˜ ao. S˜ao dois os tipos de transformadores para instrumentos.
Transformador de Potencial (TP)
´
E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´ ario ´e ligado em de-
riva¸ c˜ao com um circuito el´etrico e cujo enrolamento secund´ ario se destina a alimentar
bobinas de potencial de instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, controle ou prote¸c˜ ao. Na
pr´ atica ´e considerado um “redutor de tens˜ ao”, pois a tens˜ ao no seu circuito secund´ario ´e
normalmente menor que a tens˜ ao no seu enrolamento prim´ario.
Transformador de Corrente (TC)
´
E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´ ario ´e ligado em s´erie
em um circuito el´etrico e cujo enrolamento secund´ ario se destina a alimentar bobinas de
corrente de instrumentos el´etricos de medi¸c˜ ao, controle ou prote¸c˜ ao. Na pr´ atica ´e consi-
derado um “redutor de corrente”, pois a corrente que percorre o seu circuito secund´ ario
´e normalmente menor que a corrente que percorre o seu enrolamento prim´ario.
3.2 Generalidades sobre Transformadores
O transformador ´e um equipamento el´etrico, est´ atico, que recebe energia el´etrica
e fornece energia el´etrica. Um transformador consta essencialmente de dois circuitos
el´etricos, acoplados atrav´es de um circuito magn´etico. Um dos circuitos el´etricos, cha-
mado “prim´ario”, recebe energia de uma fonte AC, e o outro, chamado “secund´ ario”,
fornece energia da mesma forma e freq¨ uˆencia, mas usualmente sob tens˜ ao diferente, a
uma carga M.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 33
Os circuitos prim´ ario e secund´ ario s˜ao bobinas de fios de cobre, em geral com n
1
= n
2
onde n
1
´e o n´ umero de espiras do prim´ ario e n
2
´e o n´ umero de espiras do secund´ ario.
O circuito magn´etico, chamado “n´ ucleo”, ´e de chapas de ferro-sil´ıcio justapostas, mas
isoladas umas das outras para reduzir as perdas por correntes de Foucault.
Admitindo que a potˆencia fornecida ao prim´ario ´e totalmente transferida ao secund´ario,
isto ´e, n˜ ao h´ a perdas, rendimento 100%, podemos escrever: U
1
I
1
= U
2
I
2
ou ainda:
U
1
U
2
=
I
2
I
1
=
n
1
n
2
Da express˜ao acima conclu´ımos: n
1
I
1
= n
2
I
2
, o que significa ser o n´ umero de amp´eres-
espiras do prim´ ario igual ao n´ umero de amp´eres-espiras do secund´ ario. Portanto:
I
1
=
n
2
n
1
· I
2
Como

I
1
e

I
2
tˆem sentidos opostos, a rela¸ c˜ao fasorial entre elas ser´ a:

I
1
= −
n
2
n
1
·

I
2
E como

E
1
deve equilibrar a tens˜ ao aplicada

U
1
, temos as sequintes rela¸ c˜oes fasoriais:

U
2
=

E
2
e

U
1
= −

E
1
Agora, consideraremos um transformador real com todos os seus elementos considera-
dos: resistˆencias dos enrolamentos prim´ ario r
1
e secund´ ario r
2
, corrente de excita¸ c˜ao

I
0
,
fluxo de dispers˜ ao representados pelas “reatˆ ancias de fuga”ou “reatˆancias de dispers˜ao”do
prim´ ario x
1
e secund´ario x
2
.
Desta forma, a express˜ ao do transformador ficar´ a:

U
1
= −

E
1
+r
1

I
1
+jx
1

I
1

U
2
=

E
2
−r
2

I
2
−jx
2

I
2
onde a corrente do prim´ ario com a corrente de excita¸ c˜ao ´e

I
1
= −
n
2
n
1
·

I
2
+

I
0
.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 34
3.3 Transformador de Potencial (TP)
A figura abaixo representa, esquematicamente, o transformador de potencial (TP). O
TP tem n
1
> n
2
dando assim uma tens˜ ao U
2
< U
1
, sendo por isto considerado na pr´atica
como um elemento “redutor de tens˜ao”, pois uma tens˜ao elevada U
1
´e transformada para
uma tens˜ao reduzida U
2
de valor suport´avel pelos instrumentos el´etricos usuais.
Os TPs s˜ ao projetados e constru´ıdos para uma tens˜ ao secund´aria nominal padronizada
em 115 volts, sendo a tens˜ao prim´ aria nominal estabelecida de acordo com a tens˜ao entre
fases do circuito em que o TP ser´ a ligado. Assim, s˜ ao encontrados no mercado TPs para:
2300/115V , 13800/115V , 69000/115V , etc., isto significa que:
a. Quando no prim´ ario se aplica a tens˜ ao nominal para o qual o TP foi constru´ıdo, no
secund´ ario tem-se 115 volts;
b. Quando no prim´ario se aplica um tens˜ ao menor ou maior do que a nominal, no
secund´ ario tem-se tamb´em uma tens˜ ao menor ou maior do que 115 volts, mas na
mesma propor¸c˜ ao das tens˜oes nominais do TP utilizado. Exemplo: num TP de
13800/115V , ao aplicar-se a tens˜ ao de 13400V no prim´ ario, tem-se no secund´ario
112V ; ao aplicar-se a tens˜ao de 14280V , tem-se no secund´ ario 119V .
Os TPs a serem ligados entre fase e neutro s˜ao constru´ıdos para terem como tens˜ao
prim´ aria nominal a tens˜ ao entre fases do circuito dividida por

3, e com tens˜ ao secund´ aria
nominal 115/

3 volts ou 115V aproximadamente, podendo ainda ter estas duas possibi-
lidades de tens˜ oes ao mesmo tempo por meio de uma deriva¸c˜ ao conforme mostra a figura
abaixo.
Assim, s˜ao tamb´em encontrados no mercado TPs, por exemplo, para:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 35
1. Tens˜ ao prim´aria nominal: 13800/

3 volts
Tens˜ao secund´aria nominal: 115/

3 volts, ou as duas tens˜oes: 115/

3V e 115V
aproximadamente.
2. Tens˜ao prim´aria nominal: 69000/

3 volts
Tens˜ao secund´aria nominal: 115/

3 volts, ou as duas tens˜oes: 115/

3V e 115V
aproximadamente.
O quadro abaixo mostra as tens˜ oes prim´ arias nominais e as rela¸c˜ oes nominais padro-
nizadas para os TPs fabricados normalmente no Brasil.
Os TPs s˜ ao projetados e constru´ıdos para suportarem uma sobre-tens˜ ao de at´e 10%
em regime permanente, sem que nenhum dano lhes seja causado. Como os TPs s˜ao
empregados para alimentar instrumentos de alta impedˆ ancia (volt´ımetros, bobinas de
potencial de watt´ımetros, bobinas de potencial de medidores de energia el´etrica, rel´es
de tens˜ao, etc.) a corrente secund´ aria I
2
´e muito pequena e por isto se diz que s˜ ao
transformadores de potˆencia que funcionam quase em vazio.
3.3.1 Rela¸c˜ao Nominal
U
1n
U
2n
= K
p
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 36
´
E a rela¸c˜ao entre os valores nominais U
1
n e U
2
n das tens˜oes prim´ aria e secund´ aria,
respectivamente, tens˜ oes estas para as quais o TP foi projetado e constru´ıdo. A “rela¸ c˜ao
nominal”´e a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸c˜ ao do TP.
´
E chamada tamb´em
de “rela¸c˜ao de transforma¸ c˜ao nominal”, ou simplesmente de “rela¸ c˜ao de transforma¸c˜ ao”,
sendo nas aplica¸c˜ oes pr´aticas considerada uma constante para cada TP. Ela ´e muito
aproximadamente igual ` a rela¸ c˜ao entre as espiras:
U
1n
U
2n
= K
p
=
n
1
n
2
3.3.2 Rela¸c˜ao Real
U
1
U
2
= K
r
´
E a rela¸c˜ ao entre o valor exato U
1
de uma tens˜ ao qualquer aplicada ao prim´ario do
TP e o correspondente valor exato U
2
verificado no secund´ ario dele. Em virtude de o TP
ser um equipamento eletromagn´etico, a cada U
1
corresponde um U
2
e como conseq¨ uˆencia,
um K
r
:
U
1
U
2
= K
r
;
U

1
U

2
= K

r
;
U

1
U

2
= K

r
Como tamb´em, para uma mesma tens˜ ao U
1
aplicada ao prim´ ario, a cada carga colocada
no secund´ ario do TP poder´a corresponder um valor da tens˜ao U
2
, e como conseq¨ uˆencia,
um K
r
:
U
1
U

2
= K

r
;
U
1
U

2
= K

r
; etc.
Estes valores de K
r
s˜ ao todos muito pr´oximos entre si e tamb´em de K
p
, pois os TPs s˜ao
projetados dentro de crit´erios especiais e s˜ao fabricados com materiais de boa qualidade
sob condi¸c˜ oes e cuidados tamb´em especiais.
Como n˜ ao ´e poss´ıvel medir U
2
e U
1
com volt´ımetros (U
1
tem normalmente valor ele-
vado), mede-se U
2
e chega-se ao valor exato U
1
atrav´es da constru¸c˜ ao do diagrama fasorial
do TP. Por isto ´e que a “rela¸c˜ ao real”aparece mais comumente indicada sob a forma se-
guinte:

U
1
U
2
= K
r
3.3.3 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao
K
r
K
p
= FCR
p
´
E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸c˜ ao de transforma¸ c˜ao”K
p
do TP para
se obter a sua rela¸c˜ao real K
r
.
De imediato vˆe-se que a cada K
r
de um TP corresponder´ a um FCR
p
. Em virtude
destas varia¸c˜ oes, determinam-se os valores limites inferior e superior do FCR
p
para cada
TP, sob condi¸c˜ oes especificadas, partindo-se da´ı para o estabelecimento da sua “classe de
exatid˜ ao”, conforme ser´ a visto a seguir.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 37
Na pr´ atica lemos o valor da tens˜ ao U
2
com um volt´ımetro ligado ao secund´ ario do TP
e multiplicamos este valor lido por K
p
para obtermos o valor da tens˜ ao prim´aria, valor
este que representa o “valor medido”desta tens˜ ao prim´ aria, e n˜ ao o seu valor exato U
1
.
Exemplo: um TP de 13800/115V tem o prim´ ario ligado entre as duas fases de um
circuito de alta tens˜ ao e o secund´ario alimentando um volt´ımetro onde se lˆe: U
2
= 113V .
Como a rela¸c˜ ao de transforma¸c˜ ao ´e neste caso K
p
= 120, considera-se que a tens˜ ao do
circuito ´e:
K
p
U
2
= 120 · 113 = 13560V
3.3.4 Diagrama Fasorial
O diagrama fasorial do TP, mostrado logo abaixo, ´e o mesmo do transformador geral.
A seguir ´e mostrado o racioc´ınio para sua constru¸c˜ao.
Vamos tra¸ car o diagrama fasorial do transformador considerando n
1
> n
2
. No se-
cund´ ario do transformador medem-se: U
2
, I
2
e θ
2
, grandezas estas que dependem do tipo
de carga que o transformador alimenta. Escolhendo-se uma escala conveniente para repre-
senta¸c˜ ao gr´ afica dos fasores, fixa-se a posi¸ c˜ao do fasor

I
2
em rela¸c˜ ao ao fasor

U
2
e adota-se
a seguinte seq¨ uˆencia:
a. A partir da extremidade de

U
2
, tra¸ca-se r
2

I
2
paralelo a

I
2
por representar a queda de
tens˜ ao na resistˆencia pr´ opria do enrolamento secund´ ario.
b. A partir da extremidade de r
2

I
2
tra¸ca-se x
2

I
2
adiantado de 90
o
em rela¸c˜ ao a

I
2
por
representar a queda de tens˜ ao na reatˆ ancia de dispers˜ ao do secund´ ario.
c. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade do fasor x
2

I
2
, determina-se o fasor

E
2
representa-
tivo da f.e.m. do enrolamento secund´ ario.
d. O fasor

E
1
est´ a em fase com

E
2
, sendo o seu m´odulo determinado pela seguinte
rela¸c˜ ao: E
1
=
n
1
n
2
· E
2
e. Adiantando-se de 90
o
em rela¸c˜ ao a

E
1
e

E
2
tra¸ca-se o fasor representativo do fluxo φ.
f. A corrente de excita¸ c˜ao I
0
, a qual ´e cerca de 1% da corrente nominal prim´ aria,
e o ˆ angulo θ
0
s˜ ao determinados por meio de um ensaio em vazio. No diagrama
fasorial

I
0
´e posicionado em rela¸c˜ao a −

E
1
uma vez que em vazio pode-se considerar:

U
1
= −

E
1
. Na figura, o fasor

I
0
n˜ ao est´ a em escala para possibilitar uma melhor
visualiza¸c˜ ao da figura.
g. A partir da extremidade de

I
0
tra¸ca-se um fasor paralelo a

I
2
, por´em de sentido
contr´ ario, de m´ odulo:
n
1
n
2
· I
2
.
h. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade do fasor acima, determina-se o fasor

I
1
.
i. A partir da extremidade de −

E
1
tra¸ca-se r
1

I
1
paralelo a

I
1
por representar a queda
de tens˜ao na resistˆencia pr´ opria do enrolamento prim´ ario.
j. A partir da extremidade de r
1

I
1
tra¸ca-se x
1

I
1
adiantado de 90
o
em rela¸ c˜ao `a

I
1
por
representar a queda de tens˜ ao na reatˆ ancia de dispers˜ ao do prim´ ario.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 38
k. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade de x
1

I
1
determina-se o fasor U
1
representativo da
tens˜ ao aplicada ao enrolamento prim´ario do transformador.
Se n˜ao houvesse a corrente

I
0
, a corrente

I
1
estaria defasada de exatamente 180
o
em
rela¸c˜ ao `a corrente

I
2
. Se o transformador fosse perfeito, isto ´e, sem perdas e sem fugas, a
tens˜ ao

U
1
estaria tamb´em defasada de 180
o
em rela¸c˜ ao ` a tens˜ ao

U
2
.
No exemplo citado anteriormente, o valor encontrado de 13560V ´e o valor medido da
tens˜ ao prim´ aria do TP. Para determinar o valor verdadeiro U
1
desta tens˜ao, ter-se-´ a de
construir o diagrama fasorial deste TP como aparece na figura acima. Assim, para fixar
a id´eia:
a. K
p
U
2
´e o valor medido da tens˜ ao prim´aria;
b. |

U
1
| = U
1
´e o valor verdadeiro ou exato da tens˜ao prim´ aria obtido no diagrama
fasorial, o qual pode diferir ligeiramente de K
p
U
2
.
Ainda na figura acima, pode ser visto que o inverso de

U
2
est´ a defasado de um ˆangulo
γ em rela¸c˜ ao ` a

U
1
. Num TP ideal este ˆangulo γ seria zero.
Estas considera¸c˜ oes levam a concluir que o TP, ao refletir no secund´ario o que se passa
no prim´ario, pode introduzir dois tipos de erros.
3.3.5 Erros do TP
Erro de Rela¸c˜ao ε
p
valor relativo: ε
p
=
K
p
U
2
−|

U
1
|
|

U
1
|
valor percentual: ε
%
p
=
K
p
U
2
−|

U
1
|
|

U
1
|
· 100
Quando ε
p
e FCR
p
est˜ ao expressos em valores percentuais, h´a o seguinte relaciona-
mento entre eles:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 39
ε
%
p
= 100 −FCR
%
p
Esta express˜ao mostra a equivalˆencia correta entre o erro de rela¸c˜ ao ε
p
e o fator de
corre¸c˜ ao de rela¸c˜ ao FCR
p
, cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜ ao est˜ao
perfeitamente coerentes com esta equivalˆencia.
Para fins de racioc´ınio, podem ser deduzidas as duas conclus˜oes seguintes:
1. K
p
< K
r
acarreta FCR
p
> 100% e ε
p
< 0:
Neste caso, o valor considerado K
p
U
2
para a tens˜ ao prim´ aria (chamado de valor
medido) ´e menor do que o seu valor verdadeiro U
1
; h´ a, portanto, um erro por falta;
2. K
p
> K
r
acarreta FCR
p
< 100% e ε
p
> 0:
Neste caso, o valor considerado K
p
U
2
para a tens˜ ao prim´ aria (chamado de valor
medido) ´e maior do que o seu valor verdadeiro U
1
; h´ a, portanto, um erro por excesso;
H´ a uma preferˆencia na pr´ atica em se trabalhar com o FCR
p
em lugar do ε
p
, pois
aquele fator ´e simplesmente um n´ umero abstrato, independente de sinal, e d´ a a entender
exatamente o que se quer em rela¸c˜ao ` a tens˜ ao prim´aria refletida no secund´ario, isto ´e, se
h´ a erro por falta ou por excesso no valor a ela atribu´ıdo.
Em termos pr´ aticos n˜ao ´e usual o levantamento do diagrama fasorial como m´etodo para
a determina¸c˜ ao dos erros de rela¸c˜ ao e de fase de um TP, em virtude dos inconvenientes e
dificuldades inerentes a este pretenso m´etodo.
Para se determinar estes erros, e consequentemente a classe de exatid˜ao de um TP,
prefere-se na pr´atica, por simplicidade, comparar o TP com um TP padr˜ ao idˆentico a ele,
de mesma rela¸ c˜ao de transforma¸c˜ ao nominal, por´em sem erros, ou de erros conhecidos.
Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo num´erico. Ao prim´ ario de um TP de
13800/115V , sob ensaio aplica-se uma certa tens˜ ao que faz surgir no secund´ ario a tens˜ao
de 114V , comprovada atrav´es de um volt´ımetro. Constata-se depois que a tens˜ ao prim´aria
fora de exatamente 13800V . Determinar: K
p
, K
r
, FCR
p
e ε
%
p
.
Rela¸c˜ ao de Transforma¸c˜ ao Nominal: K
p
= 13800/115 = 120
Rela¸c˜ ao Real: K
r
= 13800/114 = 121, 053
Fator de Corre¸c˜ ao de Rela¸c˜ ao: FCR
p
= 121, 053/120 = 1, 00877 ou FCR
p
= 100, 877%
Erro de Rela¸ c˜ao: ε
%
p
= 100 −100, 877 = −0, 877%
Sendo neste exemplo FCR
p
> 100% (ε
p
< 0), conclu´ı-se que o erro cometido em
rela¸c˜ ao `a tens˜ ao prim´ aria ´e por falta, pois a esta tens˜ ao seria atribu´ıdo o valor: U
1
=
120 · 114 ∴ U
1
= 13680V .
Erro de Fase ou
ˆ
Angulo de Fase
´
E o ˆ angulo de defasagem γ existente entre

U
1
e o inverso de

U
2
. Se o inverso de

U
2
´e
adiantado em rela¸c˜ ao a

U
1
, γ ´e positivo. Em caso contr´ario, ´e negativo.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 40
3.3.6 Classes de Exatid˜ao dos TPs
Do diagrama fasorial conclui-se de imediato que para um mesmo TP, submetido ` a uma
tens˜ ao prim´aria U
1
, os erros de rela¸c˜ ao e de fase variam com o tipo de carga utilizada no
seu secund´ ario, isto ´e, eles s˜ao fun¸c˜ ao de I
2
e θ
2
.
´
E desej´ avel na pr´atica que estes erros
sejam os menores poss´ıveis.
Em virtude deste fato, e com o objetivo de detectar a qualidade dos TPs e o seu
comportamento prov´ avel nas instala¸c˜ oes, as normas t´ecnicas estabelecem certas condi¸c˜ oes
sob as quais estes transformadores devem ser ensaiados, definindo a partir da´ı a “classe
de exatid˜ao”dos mesmos.
Os TPs s˜ao enquadrados em uma ou mais das trˆes seguintes classe de exatid˜ ao: classe
de exatid˜ ao 0, 3, 0, 6 e 1, 2. Considera-se que um TP est´a dentro de sua classe de exatid˜ ao
em condi¸ c˜oes especificadas quando, nestas condi¸c˜oes, o ponto determinado pelo erro de
rela¸c˜ ao ε
p
ou pelo fator de corre¸c˜ ao de rela¸ c˜ao FCR
p
e pelo ˆ angulo de fase γ estiver dentro
do “paralelogramo de exatid˜ ao”especificado na figura abaixo correspondente `a sua classe
de exatid˜ao.
Para se estabelecer a classe de exatid˜ ao dos TPs estes s˜ ao ensaiados em vazio e depois
com cargas padronizadas colocadas no seu secund´ario, uma de cada vez, sob as seguintes
condi¸c˜ oes de tens˜ ao: tens˜ao nominal, 90% da tens˜ ao nominal e 110% da tens˜ ao nominal.
Estas tens˜ oes de ensaio cobrem a faixa de tens˜ oes prov´ aveis das instala¸c˜oes em que os
TPs ser˜ao utilizados.
As cargas padronizadas, acima referidas, est˜ ao relacionadas no quadro abaixo.
´
E
interessante ressaltar que estas cargas n˜ ao foram “criadas”aleatoriamente, mas sim tendo
em vista os tipos de instrumentos el´etricos que s˜ ao usualmente empregados no secund´ario
dos TPs, instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ısticas
el´etricas.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 41
Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜ ao, suponhamos que um TP,
ensaiado com uma das cargas do quadro acima, apresentou:
erro de rela¸ c˜ao: ε
p
= −0, 2% o que corresponde ao FCR
p
= 100, 2%
ˆ angulo de fase: γ = 20

O ponto correspondente a estes valores fica for a dos paralelogramos representativos
das classes 0, 3 e 0, 6. Entretanto fica dentro do paralelogramo da classe 1, 2. Ent˜ao este
TP ser´ a considerado de classe de exatid˜ ao 1, 2 para a carga de ensaio, embora o erro de
rela¸c˜ ao tenha sido de apenas 0, 2%.
Se na placa de um TP est´ a indicado: 0, 3WXY ; 0, 6Z isto significa que:
1. o TP ensaiado com as cargas padronizadas W, X e Y tem classe de exatid˜ ao 0, 3, isto
´e, apresenta erro de rela¸c˜ ao −0, 3% ≤ ε
p
≤ 0, 3% e ˆ angulo de fase γ tal que o ponto
correspondente a estes erros fica dentro do paralelogramo de classe 0, 3%;
2. ensaiado com a carga padronizada Z tem classe de exatid˜ ao 0, 6.
Na designa¸c˜ ao da ABNT aquela indica¸ c˜ao na placa do TP seria representada por
0, 3 −P75; 0, 6 −P200 .
O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜ao adequada para um TP tendo em
vista a sua aplica¸c˜ ao nas diferentes categorias de medi¸c˜ oes.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 42
3.3.7 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCT
p
) do TP
´
E interessante observar que na medi¸c˜ao de tens˜ao, isto ´e, quando o TP est´ a alimen-
tando apenas volt´ımetro, o FCR
p
´e o ´ unico que tem efeito nos valores medidos. Mas,
quando o TP alimenta instrumento cuja indica¸c˜ ao depende dos respectivos m´ odulos da
tens˜ ao e da corrente a ele aplicadas e tamb´em do ˆ angulo de defasagem entre estas duas
grandezas, como no caso de watt´ımetros e medidos de energia el´etrica, ent˜ao o FCR
p
e o
ˆ angulo de fase γ tˆem efeito simultˆ aneo nos valores medidos, e por isto devem ser ambos
levados em considera¸c˜ ao na an´ alise dos resultados.
Com isto chega-se ao “fator de corre¸c˜ ao de transforma¸c˜ ao”FCT
p
que ´e definido da
seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ımetro,
ou por um medidor de energia el´etrica, cuja bobina de potencial ´e alimentada atrav´es do
referido TP, para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸c˜ ao de rela¸c˜ ao FCR
p
e do
ˆ angulo de fase γ.
A montagem da figura abaixo esquematiza o que foi dito acima.
As normas t´ecnicas definem o tra¸cado dos paralelogramos de exatid˜ ao baseando-se
no FCT
p
e na carga medida no prim´ ario do TP (carga M na figura acima), para o
qual estabelecem que o fator de potˆencia deve ser indutivo e ter um valor compreendido
entre 0, 6 e 1. Fica ent˜ao entendido que a exatid˜ ao do TP, indicada na sua placa de
identifica¸ c˜ao, somente ´e garantida para cargas medidas daquele tipo, isto ´e, com fator de
potˆencia indutivo entre 0, 6 e 1.
Para qualquer fator de corre¸c˜ao da rela¸ c˜ao (FCR
p
) conhecido de um TP, o valor limite
positivo ou negativo do ˆ angulo de fase (γ) em minutos ´e expresso por:
γ = 2600 (FCT
p
−FCR
p
)
onde o fator de corre¸c˜ ao da transforma¸c˜ ao (FCT
p
) deste TP assume os seus valores
m´ aximo e m´ınimo.
Justamente, a partir da express˜ao acima ´e que se constr´oi o paralelogramo de exatid˜ ao
correspondente a cada classe, pois, fixado um valor num´erico para o FCT
p
, vˆe-se que esta
express˜ ao representa a equa¸c˜ ao de uma reta. E de acordo com o que foi dito acima, o
FCT
p
pode ter dois valores em cada classe de exatid˜ao:
a. 1, 003 e 0, 997 na classe de exatid˜ao 0, 3
b. 1, 006 e 0, 994 na classe de exatid˜ao 0, 6
c. 1, 012 e 0, 988 na classe de exatid˜ao 1, 2
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 43
Para se tra¸car o paralelogramo referente a uma classe de exatid˜ ao, atribui-se ao FCT
p
o seu valor m´ aximo e faz-se variar o FCR
p
desde o seu limite superior at´e o limite inferior,
obtendo-se assim os valores positivos de γ, podendo-se ent˜ ao tra¸car um lado inclinado da
figura. Em seguida, atribui-se ao FCT
p
o seu valor m´ınimo e faz-se novamente o FCR
p
variar, obtendo-se agora os valores negativos de γ e conseq¨ uentemente o outro inclinado
da figura.
3.3.8 Como Especificar um TP
Para se especificar corretamente um TP, ´e necess´ ario antes de tudo saber-se qual
ser´ a a finalidade da sua aplica¸c˜ ao, pois isto definir´ a a classe de exatid˜ ao, conforme visto
anteriormente.
A potˆencia nominal do TP ser´ a estabelecida tendo em vista as caracter´ısticas (em
termos de perdas el´etricas internas) dos instrumentos el´etricos que ser˜ ao inseridos no
secund´ ario, caracter´ısticas estas que s˜ao normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou
poder˜ao ser determinadas em laborat´orio atrav´es de ensaios apropriados. O quadro da
figura abaixo indica, a t´ıtulo de referˆencia, a ordem de grandeza das perdas da bobina
de potencial de alguns instrumentos el´etricos que s˜ ao utilizados com TPs, em condi¸ c˜oes
de 115V , 60Hz.
´
E poss´ıvel, partindo da´ı, chegar-se ` as caracter´ısticas Z, R e L de cada
bobina, caso se deseje. Conv´em aqui lembrar que para a bobina de potencial dos medidores
de energia el´etrica, que as perdas n˜ ao dever˜ ao exceder 2W e 8V A. Os ensaios devem ser
feitos em condi¸ c˜oes nominais.
Para fixar id´eia na especifica¸c˜ao de TPs, vamos dar dois exemplos.
Exemplo 1
Especificar um TP para medi¸c˜ ao de energia el´etrica para faturamento a um consumidor
energizado em 69kV , em que ser˜ ao utilizados os seguintes instrumentos:
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´ axima tipo mecˆanico.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 44
b. Medidor de kvarh, espec´ıfico para energia reativa, sem indicador de demanda m´ axima.
Solu¸c˜ ao:
a. Classe de exatid˜ ao: o quadro de classe de exatid˜ ao indica 0, 3.
b. Potˆencia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ ao utilizados forne-
ceram o seguinte quadro de perdas em 115V , 60Hz:
Da´ı, chega-se a:
S =

(6, 0)
2
+ (19, 3)
2
∴ S = 20, 21V A
Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se
que o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´e a carga padronizada
para ensaio de exatid˜ao imediatamente superior a 20, 21V A. A especifica¸c˜ao deste
TP, do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ ao ter o seguinte enunciado: Transforma-
dor de potencial, tens˜ao prim´aria nominal 69000V , rela¸c˜ ao nominal 600 : 1, 60Hz,
carga nominal ABNT P25, classe de exatid˜ao ABNT 0, 3−P25 (ou ANSI 0, 3WX),
potˆencia t´ermica 1000V A, grupo de liga¸c˜ ao 1, para uso exterior (ou interior, con-
forme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ ao nominal 69kV , tens˜ ao m´axima de
opera¸c˜ ao 72, 5kV , tens˜ oes suport´ aveis nominais ` a freq¨ uˆencia industrial e de impulso
atmosf´erico: 140kV e 350kV , respectivamente.
Exemplo 2
Especificar um TP para medi¸c˜ ao de energia el´etrica e controle em 13, 8kV , sem fina-
lidade de faturamento, em que ser˜ao utilizados os seguintes instrumentos:
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´ axima tipo mecˆanico.
b. Medidor de kWh, sem indicador de demanda m´axima, acoplado a um autotransfor-
mador de defasamento, servindo assim para medir kvarh.
c. Watt´ımetro.
d. Var´ımetro.
e. Volt´ımetro.
f. Fas´ımetro.
Solu¸c˜ ao:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 45
a. Classe de exatid˜ ao: o quadro da classe de exatid˜ao indica 0, 6 ou 1, 2 (a optar pelo
comprador).
b. Potˆencia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ ao utilizados forne-
ceram o seguinte quadro de perdas:
Da´ı, chega-se a:
S =

(21, 9)
2
+ (30, 4)
2
∴ S = 37, 46V A
Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se que
o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 75V A que ´e a carga padronizada para
ensaio de exatid˜ ao imediatamente superior a 37, 46V A. A especifica¸c˜ ao deste TP,
do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ ao ter o seguinte enunciado: Transformador de
potencial, tens˜ao prim´ aria nominal 13800V , rela¸c˜ ao nominal 120 : 1, 60Hz, carga
nominal ABNT P75, classe de exatid˜ ao ABNT 0, 6 − P75 (ou ANSI 0, 6WXY ),
potˆencia t´ermica 400V A, grupo de liga¸c˜ ao 1, para uso exterior (ou interior, conforme
for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 13, 8kV , tens˜ ao m´ axima de opera¸c˜ ao
15kV , tens˜ oes suport´ aveis nominais `a freq¨ uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico:
36kV e 110kV , respectivamente.
Observa¸c˜ oes
1. Na constru¸ c˜ao dos TPs modernos, ´e normal conseguir-se a classe de exatid˜ ao ABNT
0, 3 − P200 (ou ANSI 0, 3WXY Z) sem alterar em muito o pre¸co do equipamento,
gra¸cas ` a evolu¸c˜ ao tecnol´ ogica dos tipos de materiais utilizados. Para que os TPs
citados nos exemplos 1 e 2 possam ser empregados em medi¸c˜ao para fins de fatu-
ramento, e tamb´em em medi¸c˜ ao para fins de controle, eles devem ser especificados,
quanto ` a exatid˜ ao, pelo menos como: ABNT 0, 6−P75; 0, 6−P25 (ou ANSI 0, 3WX;
0, 6Y ).
2. No dimensionamento da carga nominal de um TP a ser empregado numa instala¸c˜ ao,
n˜ ao h´ a necessidade de se considerar a resistˆencia el´etrica dos condutores que ligam
os instrumentos el´etricos ao TP. Como referˆencia, podemos tomar os dois exemplos
citados anteriormente. Supondo que os instrumentos ficar˜ao a 25m do TP e ser˜ ao
ligados a este por meio de fio de cobre n
o
12AWG (resistˆencia el´etrica: 5, 3Ω/km),
ter´ıamos como perdas nos condutores:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 46
No exemplo 1: 0, 0082W, o que ´e desprez´ıvel na frente da carga de 20, 21V A
imposta pelos instrumentos el´etricos ao TP.
No exemplo 2: 0, 028W, o que ´e tamb´em desprez´ıvel na frente da carga de 37, 46V A
imposta pelos instrumentos el´etricos ao TP.
3. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸c˜ ao de dimensi-
onamento. Para cada caso, devem considerados os valores corretos das perdas dos
instrumentos que ser˜ ao utilizados na medi¸c˜ ao, e n˜ ao ordem de grandeza dessas per-
das, pois h´ a uma variedade consider´avel de instrumentos e, em conseq¨ uˆencia, uma
faixa muito larga de diferentes valores de perdas.
3.3.9 Transformador de Potencial Capacitivo (TPC)
Em circuitos de alta tens˜ao e extra tens˜ ao, ´e mais conveniente e econˆ omico o emprego
dos TPs tipo capacitivo em lugar dos TPs tipo indu¸c˜ ao, analisados at´e agora.
A Figura abaixo mostra o esquema el´etrico b´ asico destes TPCs, onde se vˆe que o
prim´ ario, constitu´ıdo por um conjunto C
1
e C
2
de elementos capacitivos em s´erie, ´e ligado
entre fase e terra, havendo uma deriva¸c˜ ao intermedi´ aria B, correspondente a uma tens˜ ao U
da ordem de 5kV a 15kV , para alimentar o enrolamento prim´ ario de um TP tipo indu¸c˜ao
intermedi´ ario, o qual fornecer´ a a tens˜ ao U
2
aos instrumentos de medi¸c˜ ao e dispositivos de
prote¸c˜ ao ali inseridos.
Um reator, projetado e constru´ıdo pelo fabricante, ´e posto em s´erie com o prim´ ario
do TP intermedi´ ario de modo que o conjunto tenha uma reatˆancia Lω que satisfa¸ca a
seguinte igualdade:
Lω =
1
(C
1
+C
2
) ω
A partir da Figura acima se pode estabelecer a rela¸c˜ ao entre as tens˜oes prim´aria e
secund´ aria. Dela podemos deduzir as express˜ oes de U
1
e de U:
U
1
= −
j (I +I
1
)
C
1
ω

jI
C
2
ω
U = −
jI
C
2
ω
−jLωI
1
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 47
Levando em considera¸c˜ ao o valor de Lω, obtemos:
U = −
jI
1
C
2
ω

jI
1
(C
1
+C
2
) ω
Dividindo membro a membro temos:
U
1
U
=
C
1
+C
2
C
1
A express˜ao acima mostra que a rela¸ c˜ao entre as tens˜ oes U
1
e U independe da corrente.
Isto ´e verdade, pois em vazio, insto ´e, quando o TP intermedi´ ario n˜ao estiver ligado,
obt´em-se o mesmo valor que o obtido na equa¸c˜ao acima para a rela¸c˜ao entre U
1
e U.
Vejamos:

U
1
= −
j (I +I
1
)
C
1
ω

jI
C
2
ω
= −
jI
ω
¸
C
1
+C
2
C
1
C
2

U = −
jI
C
2
ω
Novamente, dividindo membro a membro, obtemos:
U
1
U
=
C
1
+C
2
C
1
Sendo o TP intermedi´ario constru´ıdo de tal modo que: U = KU
2
, a express˜ ao acima
toma forma:
U
1
U
2
= K ·
C
1
+C
2
C
1
O TPC sendo constru´ıdo para as tens˜ oes U
1
e U
2
tais que representem os valores
nominais, ent˜ao a express˜ao acima ´e o valor da rela¸c˜ ao de transforma¸ c˜ao nominal K
p
do
TPC:
U
1
n
U
2
n
= K
p
Onde K
p
equivale a:
K
p
= K ·
C
1
+C
2
C
1
Observa¸c˜oes:
1. Os TPCs s˜ ao constru´ıdos para tens˜oes prim´arias de 34, 5kV a 765kV , sendo a tens˜ao
intermedi´ aria de 5kV a 15kV e a tens˜ ao secund´aria de 115V e 115/

3V .
2. Os TPCs tˆem perdas bastante reduzidas e oferecem a possibilidade de acoplamento
para onda portadora de alta freq¨ uˆencia (telefonia). Sendo estas suas duas grandes
vantagens.
3. Apresentam, entretanto um grande inconveniente: a influˆencia acentuada que podem
sofrer por motivo da varia¸c˜ ao da freq¨ uˆencia.
4.
´
E aconselh´avel consultar a documenta¸c˜ ao fornecida juntamente aos TPCs pelos seus
fabricantes.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 48
3.3.10 Resumo das Caracter´ısticas dos TPs
1. Tens˜ ao secund´ aria: a tens˜ao secund´ aria nominal ´e 115V , ou aproximadamente 115V ,
havendo tamb´em a possibilidade de 115/

3V . Em TPs antigos podem ser encon-
tradas as tens˜ oes secund´arias nominais: 110V , 120V , e ` as vezes 125V .
2. Tens˜ ao prim´ aria: a tens˜ ao prim´ aria nominal depende da tens˜ ao entre fases, ou entre
fase e neutro, do circuito em que o TP vai ser utilizado.
3. Classe de exatid˜ ao: valor m´ aximo do erro, expresso em percentagem, que poder´a ser
introduzido pelo TP na indica¸c˜ ao de um watt´ımetro, ou no registro de um medidor
de energia el´etrica, em condi¸c˜oes especificadas. Pode ter os valores: 0, 3, 0, 6 e 1, 2.
4. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜ ao do TP.
5. Potˆencia t´ermica: maior potˆencia aparente que um TP pode fornecer em regime
permanente, sob tens˜ ao e freq¨ uˆencia nominais, sem exceder os limites de eleva¸c˜ ao de
temperatura especificados. Estes limites de eleva¸c˜ ao de temperatura est˜ao levando
em considera¸c˜ ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados
no TPs.
a. Para TPs pertencentes aos grupos de liga¸ c˜ao 1 e 2, a potˆencia t´ermica nominal
n˜ ao deve ser inferior a 1, 33 vezes a carga mais alta em volt-amp´eres, referente
` a exatid˜ ao do TP.
b. Para TPs pertencentes ao grupo de liga¸c˜ ao 3, a potˆencia t´ermica nominal n˜ao
deve ser inferior a 3, 6 vezes a carga mais alta em volt-amp´eres, referente ` a
exatid˜ ao do TP.
6. N´ıvel de isolamento: define a especifica¸ c˜ao do TP quanto ` as condi¸ c˜oes a que deve
satisfazer a sua isola¸ c˜ao em termos de tens˜ao suport´ avel. A padroniza¸ c˜ao das tens˜ oes
m´ aximas de opera¸c˜ ao dos TPs (tabela abaixo), como tamb´em os correspondentes
tipos e n´ıveis de tens˜oes a que devem ser submetidos por ocasi˜ao dos ensaios definem
desta maneira, a “tens˜ao m´ axima de opera¸c˜ ao de um equipamento”: m´ axima tens˜ ao
de linha (tens˜ ao entre fases) para o qual o equipamento ´e projetado, considerando-
se principalmente a sua isola¸c˜ao, bem como outras caracter´ısticas que podem ser
referidas a essa tens˜ao, na especifica¸c˜ ao do equipamento considerado. Em caso de
corrente alternada ´e sempre dada em valor eficaz. Essa tens˜ao n˜ ao ´e necessariamente
igual `a tens˜ ao m´ axima de opera¸c˜ ao do sistema ao qual o equipamento est´ a ligado.
Tens˜oes M´aximas de Opera¸c˜ao dos TPs (kV )
0, 6 25, 8 92, 4 362
1, 2 38 145 460
7, 2 48, 3 169 550
12 72, 5 242 765
15
Em termos pr´aticos, na especifica¸c˜ ao de um TP, a sua tens˜ ao m´ axima de opera¸ c˜ao
pode ser considerada como sendo a que consta do quadro da tabela acima imedia-
tamente superior a tens˜ ao do circuito em que o TP ser´a utilizado.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 49
7. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal X
1
do se-
cund´ ario tem a mesma polaridade do terminal H
1
do prim´ ario se, no mesmo instante,
H
1
e X
1
s˜ ao positivos (ou negativos) em rela¸ c˜ao `a H
2
e X
2
, respectivamente.
No caso do TP, a polaridade n˜ ao precisa ser levada em considera¸c˜ ao quando ele
alimenta somente volt´ımetros, rel´es de tens˜ao, etc. Mas, quando ele alimenta ins-
trumentos el´etricos cuja bobina de potencial ´e provida de polaridade relativa, como
watt´ımetros, medidores de energia el´etrica, fas´ımetros, etc., ent˜ ao ´e extremamente
importante a considera¸c˜ ao da polaridade do TP: a entrada da bobina de potencial
destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´ ario do TP que corresponde
ao seu terminal prim´ ario que est´ a ligado como entrada ao circuito principal.
Exemplo: Na figura acima, se o prim´ ario do TP for ligado ao circuito de modo que
H
1
seja entrada, ent˜ ao a entrada das bobinas de potencial dos instrumentos ser´ a
ligada ao terminal X
1
do secund´ ario. Da mesma forma, H
2
pode ser ligado como
entrada do prim´ario, e ent˜ao X
2
´e que ser´a utilizado como entrada das bobinas de
potencial daqueles instrumentos el´etricos.
Normalmente, os terminais dos enrolamentos prim´ ario e secund´ario dos TPs s˜ ao
dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes,
como mostra a figura ` a esquerda acima, e n˜ ao em diagonal como mostra a figura `a
direita acima.
8. Se um TP alimenta v´arios instrumentos el´etricos, estes devem ser ligados em paralelo
a fim de que todos eles fiquem submetidos ` a mesma tens˜ ao secund´aria do TP.
9. Estando um TP alimentado, e havendo necessidade de se retirar todos os instrumentos
el´etricos do seu secund´ ario, lembra-se aqui que este enrolamento deve ficar aberto.
O fechamento do secund´ ario de um TP atrav´es de um condutor de baixa impedˆ ancia
provocar´ a um curto-circuito, ou seja, uma corrente I
2
demasiadamente elevada, e
conseq¨ uentemente, tamb´em I
1
, provocando a danifica¸c˜ ao do TP e ainda uma poss´ıvel
perturba¸c˜ ao no sistema do circuito principal.
10. Quando se empregam TPs em medi¸c˜ao de energia el´etrica para fins de faturamento
a consumidor, ´e recomend´ avel que estes TPs sejam utilizados exclusivamente para
alimentar o medidor ou medidores de energia el´etrica da instala¸c˜ ao. N˜ ao deve ser
permitida a coloca¸c˜ ao de outros instrumentos ou dispositivos no secund´ario destes
TPs tais como volt´ımetros, rel´es, lˆ ampadas de sinaliza¸c˜ ao, etc.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 50
3.4 Transformador de Corrente (TC)
A figura abaixo representa, esquematicamente, o transformador de corrente. O TC
tem n
1
< n
2
dando assim uma corrente I
2
< I
1
, sendo por isto considerado na pr´ atica
como um elemento “redutor de corrente”, pois uma corrente elevada I
1
´e transformada
para uma corrente reduzida I
2
de valor suport´avel pelos instrumentos el´etricos usuais.
O enrolamento prim´ ario dos TCs ´e normalmente constitu´ıdo de poucas espiras (duas
ou trˆes espiras, por exemplo) feitas de condutor de cobre de grande se¸c˜ ao. H´ a TCs em que
o pr´oprio condutor do circuito principal serve como prim´ ario, sendo neste caso considerado
este enrolamento como tendo apenas uma espira.
Os TCs s˜ ao projetados e constru´ıdos para uma corrente secund´aria nominal estabele-
cida de acordo com a ordem de grandeza da corrente do circuito em que o TC ser´a ligado.
Assim, s˜ao encontrados no mercado TCs para: 200/5A, 1000/5A, etc., isto significando
que:
a. quando o prim´ ario ´e percorrido pela corrente nominal para a qual o TC foi constru´ıdo,
no secund´ario tem-se 5A;
b. quando o prim´ ario ´e percorrido por uma corrente menor ou maior do que a nominal,
no secund´ario tem-se tamb´em uma corrente menor ou maior do que 5A, mas na
mesma propor¸c˜ ao das correntes nominais do TC utilizado. Exemplo: se o prim´ario
de um TC de 100/5A ´e percorrido por uma corrente de 84A, tem-se no secund´ ario
4, 2A, se ´e percorrido por 106A, tem-se no secund´ ario 5, 3A.
O quadro da figura abaixo mostra as correntes prim´ arias nominais e as rela¸c˜oes nomi-
nais padronizadas pela ABNT para os TCs fabricados em linha normal no Brasil.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 51
Os TCs s˜ ao projetados e constru´ıdos para suportarem, em regime permanente, uma
corrente maior do que a corrente nominal, sem que nenhum dano lhes seja causado. A
rela¸c˜ ao entre a corrente m´ axima suport´ avel por um TC e a sua corrente nominal define o
“fator t´ermico”do TC.
Como os TCs s˜ ao empregados para alimentar instrumentos el´etricos de baixa im-
pedˆancia (amper´ımetros, bobinas de corrente de watt´ımetros, bobinas de corrente de
medidores de energia el´etrica, rel´es de corrente, etc.) diz-se que s˜ao transformadores de
for¸ca que funcionam quase em curto-circuito.
A corrente I
1
surge no prim´ario do transformador como uma conseq¨ uˆencia da corrente
I
2
originada por solicita¸c˜ ao da carga posta no secund´ ario dele. No transformador de
corrente, entretanto, a corrente I
1
´e originada diretamente por solicita¸c˜ ao da carga com
a qual o TC est´ a em s´erie, surgindo ent˜ao a corrente I
2
como uma conseq¨ uˆencia de I
1
,
independentemente do instrumento el´etrico que estiver no seu secund´ ario.
3.4.1 Rela¸c˜ao Nominal
I
1n
I
2n
= K
c
´
E a rela¸c˜ ao entre os valores nominais I
1
n e I
2
n das correntes prim´ aria e secund´aria,
respectivamente, correntes estas para as quais o TC foi projetado e constru´ıdo. A “rela¸ c˜ao
nominal”´e a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸c˜ao do TC.
´
E chamada tamb´em
de “rela¸c˜ao de transforma¸ c˜ao nominal”, ou simplesmente de “rela¸ c˜ao de transforma¸c˜ ao”,
sendo nas aplica¸c˜ oes pr´ aticas considerada uma constante para cada TC. Ela ´e muito
aproximadamente igual ` a rela¸ c˜ao entre as espiras:
I
1n
I
2n
= K
c
=
n
2
n
1
3.4.2 Rela¸c˜ao Real
I
1
I
2
= K
r
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 52
´
E a rela¸c˜ ao entre o valor exato I
1
de uma corrente qualquer aplicada ao prim´ario do
TC e o correspondente valor exato I
2
verificado no secund´ ario dele. Em virtude de o TC
ser um equipamento eletromagn´etico, a cada I
1
corresponde um I
2
e como conseq¨ uˆencia,
um K
r
:
I
1
I
2
= K
r
;
I

1
I

2
= K

r
;
I

1
I

2
= K

r
Como tamb´em, para uma mesma corrente I
1
que percorre o prim´ario, a cada carga
colocada no secund´ ario do TC poder´a corresponder um valor da corrente I
2
, e como
conseq¨ uˆencia, um K
r
:
I
1
I

2
= K

r
;
I
1
I

2
= K

r
; etc.
Estes valores de K
r
s˜ ao todos muito pr´ oximos entre si e tamb´em de K
c
, pois os TCs s˜ao
projetados dentro de crit´erios especiais e s˜ao fabricados com materiais de boa qualidade
sob condi¸c˜ oes e cuidados tamb´em especiais.
Como n˜ao ´e poss´ıvel medir I
2
e I
1
com amper´ımetros (I
1
tem normalmente valor
elevado), mede-se I
2
e chega-se ao valor exato I
1
atrav´es da constru¸ c˜ao do diagrama
fasorial do TC. Por isto ´e que a “rela¸c˜ ao real”aparece mais comumente indicada sob a
forma seguinte:

I
1
I
2
= K
r
3.4.3 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao
K
r
K
c
= FCR
c
´
E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”K
c
do TC para
se obter a sua rela¸c˜ao real K
r
.
De imediato vˆe-se que a cada K
r
de um TC corresponder´a um FCR
c
. Em virtude
destas varia¸c˜ oes, determinam-se os valores limites inferior e superior do FCR
c
para cada
TC, sob condi¸c˜ oes especificadas, partindo-se da´ı para o estabelecimento da sua “classe de
exatid˜ ao”, conforme ser´ a visto a seguir.
Na pr´ atica lemos o valor da tens˜ ao I
2
com um amper´ımetro ligado ao secund´ ario do
TC e multiplicamos este valor lido por K
c
para obtermos o valor da corrente prim´ aria,
valor este que representa o “valor medido”desta corrente prim´aria, e n˜ ao o seu valor exato
I
1
.
Exemplo: um TC de 200/5A tem o prim´ ario ligado em s´erie com uma carga e o
secund´ ario alimentando um amper´ımetro onde se lˆe: I
2
= 3, 8A. Como a rela¸c˜ ao de
transforma¸c˜ ao ´e neste caso K
c
= 40, considera-se que a corrente solicitada pela carga ´e:
K
c
I
2
= 40 · 3, 8 = 152A
3.4.4 Diagrama Fasorial
O diagrama fasorial do TC, mostrado na figura abaixo, ´e o mesmo do TP e segue
o mesmo racioc´ınio para a sua constru¸c˜ ao, havendo, entretanto, uma simplifica¸c˜ ao a ser
levada em conta: como o prim´ario do TC tem impedˆ ancia muito baixa, a queda de tens˜ ao
neste enrolamento pode ser considerada desprez´ıvel, n˜ ao aparecendo a sua representa¸c˜ ao
no diagrama fasorial:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 53
U
1
= E
1
= 0
No exemplo citado anteriormente, o valor encontrado de 152A ´e o valor medido da
corrente prim´aria do TC. Para determinar o valor verdadeiro I
1
desta corrente, ter-se-´ a
de construir o diagrama fasorial deste TC como aparece na figura acima. Assim, para
fixar a id´eia:
a. K
c
I
2
´e o valor medido da corrente prim´ aria;
b. |

I
1
| = I
1
´e o valor verdadeiro ou exato da corrente prim´ aria obtido no diagrama
fasorial, o qual pode diferir ligeiramente de K
c
I
2
.
Ainda na figura acima, pode ser visto que o inverso de

I
2
est´ a defasado de um ˆangulo
β em rela¸c˜ ao ` a

I
1
. Num TC ideal este ˆ angulo β seria zero.
Estas considera¸c˜ oes levam a concluir que o TC, ao refletir no secund´ario o que se passa
no prim´ario, pode introduzir dois tipos de erros.
3.4.5 Erros do TC
Erro de Rela¸c˜ao ε
c
valor relativo: ε
c
=
K
c
I
2
−|

I
1
|
|

I
1
|
valor percentual: ε
%
c
=
K
c
I
2
−|

I
1
|
|

I
1
|
· 100
Quando ε
c
e FCR
c
est˜ ao expressos em valores percentuais, h´ a o seguinte relaciona-
mento entre eles:
ε
%
c
= 100 −FCR
%
c
Da mesma forma que para o TP, os erros do TC s˜ao determinados na pr´ atica comparando-
o com um TC padr˜ ao idˆentico a ele, de mesma rela¸ c˜ao de transforma¸c˜ ao nominal K
c
,
por´em sem erros, ou de erros conhecidos.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 54
Esta express˜ ao mostra a equivalˆencia correta entre o erro de rela¸c˜ ao ε
c
e o fator de
corre¸c˜ ao de rela¸c˜ ao FCR
c
, cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜ao est˜ ao
perfeitamente coerentes com esta equivalˆencia.
Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo num´erico. O prim´ario de um TC de 200/5A,
sob ensaio ´e percorrido por uma certa corrente que faz surgir no secund´ario a corrente de
4, 96A. Constata-se depois que a tens˜ao prim´aria fora de exatamente 200A. Determinar:
K
c
, K
r
, FCR
c
e ε
%
c
.
Rela¸c˜ ao de Transforma¸c˜ ao Nominal: K
c
= 200/5 = 40
Rela¸c˜ ao Real: K
r
= 200/4, 96 = 40, 32
Fator de Corre¸c˜ ao de Rela¸c˜ ao: FCR
c
= 40, 32/40 = 1, 008 ou FCR
c
= 100, 8%
Erro de Rela¸ c˜ao: ε
%
c
= 100 −100, 8 = −0, 8%
Sendo neste caso FCR
c
> 100%, ent˜ ao o erro cometido em rela¸ c˜ao ` a corrente prim´aria
´e por falta. Observar que o erro ε
c
´e negativo, o que comprova esta conclus˜ao.
Erro de Fase ou
ˆ
Angulo de Fase
´
E o ˆ angulo de defasagem β existente entre

I
1
e o inverso de

I
2
. Se o inverso de

I
2
´e
adiantado em rela¸c˜ ao a

I
1
, β ´e positivo. Em caso contr´ario, ´e negativo.
3.4.6 Classes de Exatid˜ao dos TCs
Os erros de rela¸c˜ ao e de fase de um TC variam com a corrente prim´aria e com o tipo
de carga colocada no seu secund´ario, al´em de sofrerem influˆencia tamb´em das varia¸c˜ oes
da freq¨ uˆencia e da forma da onda, influˆencia esta que n˜ ao ser´a analisada em virtude de
estas duas grandezas serem praticamente invari´aveis nos sistemas el´etricos atuais.
Tendo em vista estas considera¸c˜ oes, as normas estabelecem certas condi¸c˜ oes sob as
quais os TCs devem ser ensaiados para que possam ser enquadrados em uma ou mais das
trˆes seguintes classes de exatid˜ao: classe de exatid˜ ao 0, 3, 0, 6 e 1, 2.
Considera-se que um TC para servi¸co de medi¸c˜ao est´ a dentro de sua classe de exatid˜ ao
em condi¸ c˜oes especificadas quando, nestas condi¸c˜ oes, o ponto determinado pelo erro de
rela¸c˜ ao ε
c
ou pelo fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ ao FCR
c
e pelo ˆ angulo de fase β estiver
dentro dos paralelogramos de exatid˜ ao especificados nas figuras a seguir correspondentes
` a sua classe de exatid˜ao, sendo que o paralelogramo interno (menor) refere-se a 100% da
corrente nominal, e o paralelogramo externo (maior) refere-se a 10% da corrente nominal.
No caso de TC com fator t´ermico nominal superior a 1, 0 o paralelogramo interno (menor)
refere-se tamb´em a 100% da corrente nominal multiplicada pelo fator t´ermica nominal.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 55
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 56
As cargas padronizadas, acima referidas, est˜ ao relacionadas no quadro abaixo.
´
E
interessante ressaltar que estas cargas n˜ ao foram “criadas”aleatoriamente, mas sim tendo
em vista os tipos de instrumentos el´etricos que s˜ ao usualmente empregados no secund´ario
dos TCs, instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ısticas
el´etricas.
Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜ao, suponhamos que um TC,
ensaiado com uma das cargas do quadro acima, apresentou:
a. com 100% da corrente nominal:
erro de rela¸ c˜ao: ε
c
= −0, 2% o que corresponde ao FCR
c
= 100, 2%
ˆ angulo de fase: β = 18

Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 57
b. com 10% da corrente nominal:
erro de rela¸ c˜ao: ε
c
= −0, 3% o que corresponde ao FCR
c
= 100, 3%
ˆ angulo de fase: γ = 30

O ponto determinado pelos dois erros de cada ensaio fica dentro do respectivo para-
lelogramo de 100% e 10% da corrente nominal, correspondente ` a classe de exatid˜ ao 0, 6.
Ent˜ ao este TC ser´a considerado de classe de exatid˜ ao 0, 6 para a carga de ensaio, embora
o erro de rela¸c˜ ao tenha sido de no m´ aximo 0, 3%.
Se na placa de um TC est´a indicado: 0, 3B −0, 1/B −0, 2/B −0, 5; 0, 6B −1 isto
significa que:
1. o TC ensaiado com as cargas padronizadas B − 0, 1, B − 0, 2 e B − 0, 5 tem classe
de exatid˜ ao 0, 3, isto ´e, apresenta erro de rela¸ c˜ao −0, 3% ≤ ε
c
≤ 0, 3% e ˆangulo de
fase β tal que o ponto correspondente a estes erros fica dentro dso paralelogramos
representativos da classe de exatid˜ ao 0, 3%;
2. ensaiado com a carga padronizada B −1 tem classe de exatid˜ao 0, 6.
Na designa¸c˜ao da ABNT aquela indica¸c˜ao na placa do TC seria representada por
0, 3 −C12, 5; 0, 6 −C25 .
O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜ao adequada para um TC tendo em
vista a sua aplica¸c˜ ao nas diferentes categorias de medi¸c˜ oes.
3.4.7 Influˆencia da Corrente de Excita¸c˜ao nos Erros do TC
Conforme pode ser visto no diagrama fasorial, a corrente de excita¸c˜ ao I
0
´e a causa
essencial dos erros de rela¸c˜ ao e de fase do TC. Se ela n˜ao existisse, caso de TC ideal, os
fasores

I
1
e −
n
2
n
1
·

I
2
seriam sempre coincidentes, em fase e em m´ odulo.
Na pr´atica, os fabricantes procuram reduzir ao m´ınimo poss´ıvel a corrente de excita¸c˜ ao
utilizando n´ ucleos de forma tor´ oidal sem entre-ferro (figura abaixo), feitos de ligas espe-
ciais de alta permeabilidade magn´etica e perdas reduzidas, projetados para trabalharem
sob densidade de fluxo muito baixa, cerca de 0, 1 tesla (1000 gauss), enquanto que nos
transformadores de for¸ca esta densidade atinge de 1, 2 a 1, 5 tesla (12000 a 15000 gauss).
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 58
Apesar destas providˆencias, quando o TC ´e posto em opera¸ c˜ao, a corrente de excita¸c˜ao
sofre varia¸c˜ oes por influˆencia das duas grandezas seguintes, causando em conseq¨ uˆencia
varia¸ c˜oes nos seus erros de rela¸c˜ ao e de fase: corrente prim´ aria e carga posta no secund´ario
do TC.
3.4.8 Influˆencia da Corrente Prim´aria nos Erros do TC
A corrente de excita¸c˜ao dos transformadores, inclusive dos TPs, ´e uma grandeza con-
siderada praticamente constante para cada transformador, desde vazio at´e plena carga,
sendo o seu m´ odulo I
0
e a sua dire¸c˜ ao θ
0
determinados atrav´es de um ensaio em vazio.
Nos transformadores de corrente isto n˜ao ocorre. A corrente de excita¸c˜ ao n˜ ao ´e cons-
tante para cada TC, nem em m´ odulo nem em dire¸c˜ ao, pois h´ a de se levar em conta, neste
tipo de transformador, a influˆencia importante que tem a n˜ ao linearidade magn´etica do
material de que s˜ ao feitos os n´ ucleos. A figura abaixo d´ a uma id´eia da correla¸c˜ ao entre
as varia¸c˜ oes das duas correntes, a prim´aria e a de excita¸c˜ ao, lembrando que a prim´ aria
depende da carga com a qual o TC est´ a ligado em s´erie:
a. quando a corrente prim´ aria ´e 100% da nominal, a de excita¸ c˜ao ´e cerca de 1% dela;
b. quando a corrente prim´ aria ´e 50% da nominal, a de excita¸c˜ ao ´e cerca de 0, 8% desta;
c. quando a corrente prim´ aria ´e de 10% da nominal, a de excita¸c˜ ao ´e cerca de 0, 3%desta;
e assim sucessivamente.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 59
Com estas aprecia¸c˜ oes, pode-se sentir no diagrama fasorial que, para valores meno-
res da corrente prim´ aria, a corrente de excita¸ c˜ao ter´a ent˜ao influˆencia mais acentuada
tornando maiores os erros de rela¸c˜ao e de fase.
Por isto ´e que as normas t´ecnicas permitem que, na determina¸c˜ao da classe de exa-
tid˜ ao de um TC, este apresente erros maiores quando ensaiado com 100% dela, conforme
mostram os paralelogramos de exatid˜ao. Os lados do paralelogramo externo (maior) po-
deriam ser admitidos como o triplo ou o qu´ adruplo ou o qu´ıntuplo, etc., respectivamente,
dos lados do paralelogramo interno (menor). Eles foram estabelecidos como o dobro a fim
de que os fabricantes se esmerem em fornecer produtos cada vez mais de melhor quali-
dade, de melhor desempenho quanto ` a exatid˜ ao, e os usu´ arios n˜ ao tenham incertezas nos
valores medidos, isto ´e, que os valores medidos sejam realmente corretos.
A rela¸c˜ ao nominal ou rela¸c˜ ao de transforma¸c˜ao dos TCs modernos ´e muito aproxima-
damente igual `a rela¸c˜ ao entre as espiras:
I
1n
I
2n
= K
c
=
n
2
n
1
As varia¸c˜ oes dos erros de rela¸c˜ao e de fase do TC em fun¸ c˜ao das varia¸ c˜oes da corrente
prim´ aria podem ser interpretadas matematicamente considerando a express˜ao acima como
correta.
Na figura abaixo, projetando todos os fasores sobre

I
1
:
|

I
1
| = K
c
|

I
2
| · cos β +|

I
0
| · cos [90 −(δ +α +β)]
Como o ˆangulo β ´e muito pequeno (no m´ aximo chega a 1
o
), pode ser considerado
desprez´ıvel diante dos outros valores, e a express˜ ao anterior toma a forma:
|

I
1
| = K
c
|

I
2
| +|

I
0
| · sin (δ +α)
Ou ainda:
K
c
|

I
2
| −|

I
1
|
|

I
1
|
= −
|

I
0
|
|

I
1
|
· sin (δ +α)
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 60
O primeiro membro da express˜ ao acima representa o erro relativo ε
c
, o qual ser´ a
considerado aqui em m´ odulo. E como os m´ odulos dos fasores indicados representam
realmente os valores eficazes das respectivas correntes podemos escrever:
ε
c
=
I
0
I
1
· sin (δ +α)
Do mesmo diagrama podemos escrever:
tgβ =
|

I
0
| · cos [90 −(δ +α +β)]
K
c
|

I
2
| cos β
Como β ´e pequeno, e tendo em vista o que foi dito acima, para efeito de c´alculo a
express˜ ao acima pode ser escrita na forma simplificada:
Para uma mesma carga posta no secund´ ario do TC e tendo em vista o que foi dito antes,
as express˜ oes desta sess˜ ao mostram que os erros ε
c
e β aumentam quando I
1
decresce.
Como exemplo elucidativo, vamos considerar dois valores para I
1
:
a. Para I
1
= I
1n
→I
0
= 0, 001I
1n
, ent˜ ao:

ε
c
= 0, 01 sin (δ +α)
β = 0, 01 cos (δ +α)
b. Para I
1
= 0, 1I
1n
→I
0
= 0, 003I
1n
, ent˜ao:

ε

c
= 0, 03 sin (δ +α)
β

= 0, 03 cos (δ +α)
Donde se conclui claramente que:

ε

> ε
c
β

> β
De tudo isto se conclui que ´e importante que o TC seja de corrente nominal o mais
pr´ oximo do valor da corrente da instala¸c˜ ao em que est´ a inserido. Se a corrente nominal
do TC ´e muito maior do que a corrente da instala¸ c˜ao, ele estar´a introduzindo tamb´em
uma incerteza muito maior nos valores medidos.
3.4.9 Influˆencia da Carga Secund´aria do TC nos seus Erros
J´ a foi dito anteriormente que a corrente secund´aria do TC depende unicamente da
corrente prim´aria, sendo independente da impedˆ ancia do instrumento el´etrico posto no
seu secund´ ario. Entretanto, se esta impedˆ ancia ultrapassa os valores permiss´ıveis, tendo
em vista a potˆencia m´ axima com a qual o TC teve a sua classe de exatid˜ao determinada,
ent˜ ao os erros introduzidos por ele poder˜ao ser bem mais elevados do que os levantados
nos ensaios e garantidos pelo fabricante.
Para se entender bem esta influˆencia, vamos considerar que o prim´ ario do TC seja
percorrido por uma corrente fixada I
1
nas trˆes situa¸c˜ oes que ser˜ ao analisadas abaixo:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 61
1. Para uma certa impedˆ ancia Z posta no secund´ario do TC, haver´a uma corrente I
2
e
os erros ε
c
e β correspondentes s˜ao indicados pelas express˜ oes da sess˜ ao anterior.
2. A impedˆ ancia Z aumenta em m´odulo para Z

, conservando o mesmo ˆ angulo de fase
θ
2
, conforme est´ a no diagrama fasorial da sess˜ao anterior: para que a corrente I
2
se mantenha a mesma (ou aproximadamente a mesma) a tens˜ ao secund´aria U
2
ter´ a
de aumentar para U

2
. Mas, para isto, E
2
ter´ a de aumentar para E

2
e o fluxo Φ
para Φ

. Como a corrente I
0
´e que origina o fluxo Φ, ent˜ ao tamb´em aumentar´ a para
I

0
. Em conseq¨ uˆencia, os erros ε
c
e β aumentar˜ ao, como mostram as express˜oes da
sess˜ ao anterior. Em resumo: os erros do TC aumentam quando a impedˆ ancia posta
no secund´ario aumenta.
3. A impedˆ ancia Z n˜ ao varia em m´odulo, por´em varia o seu ˆangulo de fase θ
2
: portanto,
a corrente I
0
n˜ ao sofrer´ a varia¸ c˜ao. Observando as express˜oes da sess˜ao passada,
vamos analisar as quatro possibilidades seguintes:
a. θ
2
tende para zero: ε
c
decresce e β cresce.
b. θ
2
tem um valor tal que δ +α = 90
o
: ε
c
atinge o m´ aximo valor e β ´e zero.
c. θ
2
tem um valor tal que δ = 90
o
: ε
c
´e positivo, mas β ´e negativo.
d. No caso particular de um TC muito bem projetado e constru´ıdo, tendo a
reatˆ ancia x
2
= 0, e sendo a impedˆancia Z um resistor, poder-se-´ a ter:
θ
2
= δ = 0
Ent˜ ao, as express˜ oes da sess˜ ao anterior tornar-se-iam:
ε
c
=
|

I
0
|
|

I
1
| · sin α
β =
|

I
0
|
|

I
1
| · cos α
Mas no diagrama fasorial, vˆe-se que:
|

I
0
| · sin α = |

I
p
| e |

I
0
| · cos α = |

I
µ
|
Assim, as express˜ oes anteriores tomam forma:
ε
c
=
|

I
p
|
|

I
1
|
e β =
|

I
µ
|
|

I
1
|
Em virtude da express˜ ao acima, diz-se na pr´atica que a componente de perdas
I
p
Da corrente de excita¸ c˜ao ´e a respons´ avel pelo erro de rela¸c˜ ao, e a componente
de magnetiza¸c˜ ao I
µ
´e a respons´avel pelo erro de fase.
Estas an´ alises sobre o comportamento do TC, em face da impedˆancia posta no
seu secund´ario, servem de alerta ao usu´ario quanto `a limita¸c˜ ao da resistˆencia
dos condutores el´etricos que s˜ao utilizados para liga¸c˜ao do secund´ ario do TC aos
instrumentos el´etricos que ele alimenta, sobretudo quando estes instrumentos
s˜ ao colocados a uma distˆ ancia consider´avel.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 62
3.4.10 O Secund´ario de um TC Nunca Deve Ficar Aberto
Quando o prim´ ario de um TC est´ a alimentado, o seu secund´ario nunca deve ficar
aberto. No caso de se necessitar retirar o instrumento do secund´ario do TC, este enrola-
mento deve ser curto-circuitado atrav´es de um fio condutor de baixa impedˆ ancia, um fio
de cobre por exemplo. Vejamos as raz˜ oes desta precau¸c˜ ao: como j´ a foi dito, a corrente
I
1
´e fixada pela carga ligada ao circuito externo; se I
2
= 0, isto ´e, secund´ ario aberto, n˜ ao
haver´ a o efeito desmagnetizante desta corrente e a corrente de excita¸c˜ ao I
0
passar´ a a ser
a pr´ opria corrente I
1
, originando em conseq¨ uˆencia um fluxo Φ muito elevado no n´ ucleo.
Conseq¨ uˆencias desta imprecau¸c˜ ao:
a. Aquecimento excessivo causando a destrui¸ c˜ao do isolamento, podendo provocar con-
tato do circuito prim´ ario com o secund´ ario e com a terra.
b. Uma f.e.m. induzida E
2
de valor elevado, com iminente perigo para o operador.
c. Mesmo que o TC n˜ ao se danifique, a este fluxo Φ elevado corresponder´ a uma mag-
netiza¸c˜ ao forte no n´ ucleo, o que alterar´a as suas caracter´ısticas de funcionamento e
precis˜ ao.
Por este motivo, nunca se usa fus´ıvel no secund´ ario dos TCs.
3.4.11 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCT
c
) do TC
Quando o TC est´a alimentando apenas amper´ımetro, o FCR
c
´e o ´ unico que tem efeito
nos valores medidos. Mas, quando o TC alimenta instrumentos cuja indica¸ c˜ao depende
dos respectivos m´ odulos da tens˜ ao e da corrente a ele aplicadas e tamb´em do ˆ angulo de
defasagem entre estas duas grandezas como no caso de watt´ımetros e medidores de energia
el´etrica, ent˜ao o FCR
c
e o ˆangulo de fase β tˆem efeito simultˆ aneo nos valores medidos, e
por isto devem ser ambos levados em considera¸ c˜ao na an´alise dos resultados.
Com isto chega-se ao “fator de corre¸c˜ ao de transforma¸c˜ao”FCT
c
que ´e definido da
seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ımetro,
ou por um medidor de energia el´etrica, cuja bobina de corrente ´e alimentada atrav´es do
referido TC, para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸c˜ ao de rela¸c˜ao FCR
c
e do
ˆ angulo de fase β.
A montagem da figura seguinte esquematiza o que acima foi dito.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 63
As normas t´ecnicas definem o tra¸cado dos paralelogramos de exatid˜ ao baseando-se
no FCT
c
e na carga medida no prim´ ario do TC (carga M na figura anterior), para a
qual estabelecem que o fator de potˆencia deve ser indutivo e ter um valor compreendido
entre 0, 6 e 1. Fica ent˜ ao entendido que a exatid˜ ao do TC, indicada na sua placa de
identifica¸ c˜ao, somente ´e garantida para cargas medidas daquele tipo, isto ´e, com fator de
potˆencia indutivo entre 0, 6 e 1.
Para qualquer fator de corre¸ c˜ao da rela¸c˜ ao FCR
c
conhecido de um TC, os valores
limites positivos e negativos do ˆangulo de fase β em minutos s˜ao expressos por:
β = 2600 (FCR
c
−FCT
c
)
onde o fator de corre¸c˜ ao da transforma¸c˜ ao FCT
c
deste TC assume os seus valores m´aximo
e m´ınimo.
Justamente, a partir da express˜ ao acima ´e que se constroem os dois paralelogramos
de exatid˜ ao correspondentes a cada classe, pois, fixado um valor num´erico para o FCT
c
,
vˆe-se que esta express˜ ao representa a equa¸c˜ ao de uma reta. O FCT
c
pode ter quatro
valores em cada classe de exatid˜ ao:
a. Na classe de exatid˜ao 0, 3:
a.1. 1, 003 e 0, 997 para 100% da corrente nominal
a.2. 1, 006 e 0, 994 para 10% da corrente nominal
b. Na classe de exatid˜ ao 0, 6:
b.1. 1, 006 e 0, 994 para 100% da corrente nominal
b.2. 1, 012 e 0, 988 para 10% da corrente nominal
c. Na classe de exatid˜ ao 1, 2:
c.1. 1, 012 e 0, 988 para 100% da corrente nominal
c.2. 1, 024 e 0, 976 para 10% da corrente nominal
Para se tra¸car os dois paralelogramos que definem a classe de exatid˜ ao de um TC,
procede-se da seguinte maneira:
Paralelogramo Menor: atribui-se ao FCT
c
o seu valor m´ aximo nesta classe de exatid˜ ao
correspondente a 100% da corrente nominal e faz-se variar o FCR
c
desde o seu
limite superior at´e o limite inferior, obtendo-se assim os valores negativos de β,
podendo-se ent˜ ao tra¸car um lado inclinado da figura. Em seguida, atribui-se ao
FCT
c
o seu valor m´ınimo e faz-se novamente o FCR
c
variar, obtendo-se agora os
valores positivos de β e conseq¨ uentemente o outro lado inclinado da figura.
Paralelogramo Maior: atribui-se ao FCT
c
o seu valor m´aximo nesta classe de exatid˜ao
correspondente a 10% da corrente nominal e repete-se o mesmo procedimento utili-
zado para o tra¸cado do paralelogramo menor.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 64
3.4.12 Classifica¸c˜ao dos TCs
Conforme a disposi¸c˜ao dos enrolamentos e do n´ ucleo, os TCs podem ser classificados
nos seguintes tipos:
TC tipo enrolado: TC cujo enrolamento prim´ ario constitu´ıdo de uma ou mais espiras,
envolve mecanicamente o n´ ucleo do transformador.
TC tipo barra: TC cujo prim´ario ´e constitu´ıdo por uma barra, montada permanente-
mente atrav´es do n´ ucleo do transformador.
TC tipo janela: TC sem prim´ ario pr´ oprio, constru´ıdo com uma abertura atrav´es do
n´ ucleo, por onde passar´a um condutor do circuito prim´ ario, formando uma ou mais
espiras.
TC tipo bucha: tipo especial de TC tipo janela, projetado para ser instalado sobre uma
bucha de um equipamento el´etrico, fazendo parte integrante deste.
TC de n´ ucleo dividido: tipo especial de TC tipo janela, em que parte do n´ ucleo ´e
separ´ avel ou basculante, para facilitar o enla¸camento do condutor prim´ario. O
amper´ımetro tipo “alicate”nada mais ´e do que um TC de n´ ucleo dividido, o qual
possibilita medir a corrente sem a necessidade de abrir o circuito para coloc´a-lo em
s´erie.
Conforme a finalidade de aplica¸c˜ao, os TCs podem ser classificados nos dois tipos
seguintes: TC para medi¸c˜ao e TC para prote¸c˜ ao.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 65
3.4.13 TC de V´arios N´ ucleos
´
E muito freq¨ uente na pr´ atica (sobretudo em circuitos de alta tens˜ ao) a utiliza¸ c˜ao de
TC de v´arios n´ ucleos. Trata-se de TC com v´ arios enrolamentos secund´arios isolados
separadamente e montados cada um em seu pr´ oprio n´ ucleo, formando um conjunto com
um ´ unico enrolamento prim´ario, cujas espiras (ou espira) enla¸cam todos os secund´ arios.
Um dos secund´ arios ´e destinado ` a medi¸c˜ ao e os outros (ou o outro) s˜ ao destinados `a
prote¸c˜ ao.
´
E importante observar que, neste tipo de TC, todos os secund´ arios que n˜ao estiverem
alimentando instrumentos el´etricos dever˜ ao permanecer curto-circuitados. O prim´ ario ´e
um elemento comum a todos os n´ ucleos. Mas cada n´ ucleo com o seu secund´ ario pr´ oprio
atua como um TC independente dos outros.
3.4.14 TC de M´ ultipla Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao
Os TCs podem ser constru´ıdos para uma ´ unica rela¸c˜ao de transforma¸c˜ ao ou para
m´ ultipla rela¸c˜ ao de transforma¸c˜ ao, existindo neste segundo caso quatro tipos de TCs que
passar˜ ao a ser analisados.
TC com v´arios enrolamentos no prim´ ario (liga¸c˜ ao s´erie/paralela no prim´ ario): A figura
abaixo mostra um TC deste tipo, em que o secund´ario tem um n´ umero fixo N
2
de espiras e o prim´ario ´e constitu´ıdo de v´ arias bobinas idˆenticas entre si, cada
uma tendo N espiras, as quais podem ser combinadas em s´erie ou em paralelo,
permitindo v´ arias rela¸c˜ oes de transforma¸c˜ ao. Por exemplo: consideremos que um
TC com a possibilidade de trˆes correntes prim´arias nominais: 50A, 100A e 200A.
Os esquemas abaixo mostram as combina¸c˜ oes que devem ser feitas no prim´ ario para
a obten¸c˜ ao das trˆes rela¸c˜ oes de transforma¸ c˜ao nominais. Como pode ser visto, o
n´ umero de amp´eres-espiras permanece constante em todas as corrente nominais.
Neste exemplo, temos 200N amp´eres-espiras: para 50/5A, para 100/5A e para
200/5A, nas condi¸c˜ oes nominais. Diz-se na pr´atica que estes TCs s˜ ao de rela¸c˜ oes
nominais m´ ultiplas com liga¸c˜ ao s´erie/paralela no enrolamento prim´ario.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 66
TC com v´ arias deriva¸c˜ oes no secund´ario: A figura abaixo mostra um TC deste tipo,
em que o prim´ ario ´e que tem agora um n´ umero fixo N de espiras e o secund´ ario
tem duas deriva¸c˜ oes que permitem utilizar o TC como 50/5A ou como 100/5A. A
se¸c˜ ao do condutor do prim´ ario ´e dimensionada tendo em vista a maior das correntes
para as quais um TC deste ´e projetado; no exemplo em tela: 100A. Como pode
ser visto, o n´ umero de amp´eres-espiras n˜ ao ´e o mesmo em todas as rela¸c˜ oes de
transforma¸c˜ ao nominais. Neste exemplo em discuss˜ao: na rela¸c˜ ao de 50/5A ter´ıamos
50N amp´eres-espiras e na rela¸c˜ao de 100/5A ter´ıamos 100N amp´eres-espiras, nas
condi¸c˜ oes nominais.
TC com v´ arios enrolamentos no prim´ario e v´ arias deriva¸ c˜oes no secund´ ario: Os dois
tipos de TCs discutidos anteriormente podem ser englobados neste terceiro tipo,
conseguindo-se com isto um TC de muitas possibilidades quanto a rela¸c˜ oes de trans-
forma¸c˜ ao. A figura abaixo mostra, esquematicamente, a disposi¸ c˜ao dos enrolamen-
tos de acordo com os TCs existentes na pr´ atica. Nos TCs com v´ arias deriva¸ c˜oes no
secund´ ario, n˜ ao podem ser utilizadas, ao mesmo tempo, duas ou mais deriva¸c˜ oes
para alimentarem instrumentos el´etricos. Somente pode ser utilizada uma das de-
riva¸ c˜oes, permanecendo as outras abertas (n˜ ao curto-circuitadas) a fim de que estas
n˜ ao interfiram nos resultados.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 67
TC com v´arios enrolamentos no secund´ ario (liga¸ c˜ao s´erie/paralela no secund´ario): Trata-
se de um TC especial (para fins de prote¸c˜ ao), e por isto constru´ıdo somente sob
solicita¸c˜ ao espec´ıfica do comprador interessado, o qual o aplicar´ a em circuitos bem
definidos da sua instala¸c˜ ao. A figura abaixo mostra um TC deste tipo em que o se-
cund´ ario tem dois enrolamentos com N
2
espiras, podendo isto permitir trˆes rela¸c˜ oes
de transforma¸c˜ao nominais. Para fixar id´eia, vamos supor que seja um TC para
100/5A, 100/2, 5A e 100/10A. Os esquemas abaixo mostram as respectivas liga¸c˜oes
para estas rela¸c˜oes. Na liga¸c˜ ao de 100/5A apenas um dos enrolamentos secund´ arios
deve ser utilizado na alimenta¸c˜ ao de instrumentos el´etricos permanecendo o ou-
tro (ou os outros) enrolamento aberto (n˜ao curto-circuitado) afim de n˜ ao produzir
interferˆencia na medi¸ c˜ao.
3.4.15 Considera¸c˜ oes Sobre os TCs com Deriva¸c˜ao no Secund´ario
e Liga¸c˜ao S´erie/Paralela no Prim´ario
Conforme foi visto na sess˜ ao anterior, a quantidade de amp´eres-espiras n˜ ao ´e cons-
tante num TC com deriva¸c˜ oes no secund´ario nas respectivas rela¸c˜ oes nominais. Em
conseq¨ uˆencia, a exatid˜ao do TC n˜ ao ´e garantida a mesma em todas as rela¸c˜oes nomi-
nais obtidas com as deriva¸c˜ oes. Normalmente, a classe de exatid˜ ao especificada pelo
comprador para TC com deriva¸ c˜oes no secund´ario ´e garantida pelo fabricante apenas no
funcionamento com o maior n´ umero de espiras. Os TCs destinados ` a prote¸ c˜ao podem ser
aceitos, e at´e especificados pelo usu´ario, tendo muitas deriva¸c˜ oes no secund´ario, pois, a
classe de exatid˜ao desses TCs ´e 10, isto ´e, o erro de rela¸c˜ao pode ser at´e 10%, n˜ao havendo
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 68
limite para o ˆ angulo de fase. Entretanto, os TCs para medi¸ c˜ao tˆem classes de exatid˜ ao
mais exigente e por isto duas considera¸c˜ oes ser˜ao feitas a seguir:
1. Em medi¸ c˜ao para fins de faturamento devem ser preferidos TCs com apenas uma
rela¸c˜ ao nominal, ou se desejar TCs com duas ou trˆes rela¸c˜oes nominais estes de-
vem ser especificados com liga¸c˜ao s´erie/paralela no prim´ ario (sem deriva¸c˜ ao no se-
cund´ ario) o que permitir´a exigir do fabricante a garantia da exatid˜ao em todas as
rela¸c˜ oes nominais.
2. Em medi¸ c˜ao de controle (sem finalidade de faturamento) podem ser empregados
TCs com deriva¸ c˜oes no secund´ ario, sendo aconselh´ avel que eles sejam especificados
de modo que as deriva¸c˜ oes extremas sejam tais que o quociente entre as rela¸c˜ oes
nominais com elas obtidas n˜ao seja superior a 2. Exemplo: um TC com deriva¸c˜ oes
no secund´ ario, cuja deriva¸c˜ao m´ınima permite a rela¸c˜ ao nominal 400/5A, deve ter
como deriva¸c˜ ao m´axima a que permite a rela¸c˜ ao nominal 800/5A, podendo entre
estas duas extremas existirem outras deriva¸c˜ oes tais como as correspondentes a
500/5A, 600/5A e 700/5A.
3.4.16 Como Especificar um TC para Medi¸c˜ao
Para especificar corretamente um TC, ´e necess´ario antes de tudo saber-se qual ser´ a a
finalidade da sua aplica¸c˜ ao, pois isto definir´ a a classe de exatid˜ao, conforme visto anteri-
ormente.
A carga nominal do TC ser´ a estabelecida tendo em vista as caracter´ısticas (em termos
de perdas el´etricas internas) dos instrumentos el´etricos que ser˜ ao inseridos no secund´ ario,
caracter´ısticas estas que s˜ ao normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou poder˜ ao ser
determinadas em laborat´orio atrav´es de ensaios apropriados. O quadro da figura abaixo
indica, a t´ıtulo de referˆencia, a ordem de grandeza das perdas da bobina de corrente de
alguns instrumentos el´etricos que s˜ ao utilizados com TCs, em condi¸c˜ oes de 5A, 60Hz.
´
E poss´ıvel, partindo da´ı, chegar-se ` as caracter´ısticas Z, R e L de cada bobina, caso se
deseje. Conv´em aqui lembrar que para a bobina de corrente dos medidores de energia
el´etrica, que as perdas n˜ ao dever˜ ao exceder 2W e 2, 5V A. Os ensaios devem ser feitos em
condi¸c˜ oes nominais.
Para fixar id´eia na especifica¸c˜ao de TCs, vamos dar dois exemplos.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 69
Exemplo 1
Especificar um TC para medi¸c˜ao de energia el´etrica para faturamento a um consumidor
energizado em 69kV , cuja corrente na linha chegar´ a a cerca de 80A no primeiro ano de
funcionamento, podendo atingir cerca de 160A a partir do segundo ano. Os instrumentos
el´etricos que ser˜ao empregados, abaixo indicados, ficar˜ ao a 25m do TC e ser˜ ao ligados ao
secund´ ario deste atrav´es de fio de cobre N
o
12AWG:
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´ axima tipo mecˆanico.
b. Medidor de kvar, espec´ıfico para energia reativa, sem indicador de demanda m´axima.
Solu¸c˜ ao:
a. Classe de exatid˜ ao: o quadro indica 0, 3.
b. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ ao utilizados
forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A, 60Hz:
Da´ı, chega-se a:
S =

(9, 4)
2
+ (1, 6)
2
∴ S = 9, 54V A
Com este resultado, e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se
que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 12, 5V A que ´e a carga pa-
dronizada imediatamente superior a 9, 54V A. A especifica¸c˜ ao deste TC, do ponto
de vista el´etrico, pode ent˜ ao ter seguinte enunciado: Transformador de corrente
para medi¸c˜ ao, correntes primarias nominais 100x200A (liga¸c˜ ao s´erie/paralela no
prim´ ario), rela¸c˜oes nominais 20x40 : 1, 60Hz, carga nominal ABNT C12, 5, classe
de exatid˜ao ABNT 0, 3−C12, 5 (ou ANSI 0, 3B−0, 1/B−0, 2/B−0, 5), fator t´ermico
1, 2, para uso exterior (ou interior, conforme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao
nominal 69kV , tens˜ ao m´ axima de opera¸c˜ ao 72, 5kV , tens˜ oes suport´ aveis nominais
` a freq¨ uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico: 140kV e 350kV , respectivamente.
Exemplo 2
Especificar um TC para medi¸ c˜ao de energia el´etrica e controle, sem finalidade de
faturamento, sabendo que a tens˜ao entre fases do circuito ´e 13, 8kV e que a corrente na
linha chegar´ a no m´ aximo a 80A. Os instrumentos el´etricos que ser˜ ao empregados, abaixo
indicados, ficar˜ ao a 25m do TC e ser˜ao ligados ao secund´ ario deste atrav´es de fio de cobre
N
o
12AWG:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 70
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´ axima.
b. Medidor de kWh, sem indicador de demanda m´axima, acoplado a um autotransfor-
mador de defasamento, servindo assim para medir kvarh.
c. Watt´ımetro.
d. Var´ımetro.
e. Amper´ımetro.
f. Fas´ımetro.
Solu¸c˜ ao:
a. Classe de exatid˜ ao: o quadro da classe de exatid˜ao indica 0, 6 ou 1, 2 (a optar pelo
comprador).
b. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ ao utilizados
forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A, 60Hz:
Da´ı, chega-se a:
S =

(14, 8)
2
+ (8, 3)
2
∴ S = 16, 97V A
Com este resultado, e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se
que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´e a carga padroni-
zada imediatamente superior a 16, 97V A. A especifica¸c˜ ao deste TC, do ponto de
vista el´etrico, pode ent˜ ao ter seguinte enunciado: Transformador de corrente para
medi¸c˜ ao, corrente primaria nominal 100A, rela¸ c˜ao nominal 20 : 1, 60Hz, carga no-
minal ABNT C25, classe de exatid˜ ao ABNT 0, 6 −C25 (ou ANSI 0, 6B −0, 1/B −
0, 2/B −0, 5/B −1), fator t´ermico 1, 5, para uso exterior (ou interior, conforme for
o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 13, 8kV , tens˜ ao m´ axima de opera¸c˜ ao
15kV , tens˜ oes suport´ aveis nominais `a freq¨ uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico:
36kV e 110kV , respectivamente.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 71
Observa¸c˜ oes
1. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸c˜ ao de dimensi-
onamento. Para cada caso, devem considerados os valores corretos das perdas dos
instrumentos e dos condutores que ser˜ao utilizados no secund´ario do TC.
2. Nos dois exemplos dados, pode-se observar que h´a uma influˆencia consider´ avel dos
fios de cobre que ligam os instrumentos ao secund´ario do TC, e isto deve ser bem
analisado nas instala¸ c˜oes reais. Se as perdas nestes fios n˜ ao tivessem sido levadas
em considera¸c˜ ao, a potˆencia no secund´ario do TC seria:
No exemplo 1: S =

(2, 8)
2
+ (1, 6)
2
∴ S = 3, 23V A e o TC seria especificado
ent˜ ao erradamente como 0, 3 −C5, 0 e n˜ ao como 0, 3 −C12, 5 que ´e o correto.
No exemplo 2: S =

(8, 2)
2
+ (8, 3)
2
∴ S = 11, 6V A e o TC seria especificado
ent˜ ao erradamente como 0, 6 −C12, 5 e n˜ ao como 0, 6 −C25 que ´e o correto.
3. Se h´ a possibilidade, no futuro, de coloca¸ c˜ao de mais outros instrumentos no secund´ario
do TC, ent˜ ao ´e aconselh´ avel superdimension´ a-lo um pouco. Assim, o TC do exemplo
1 passaria a ser 0, 3 −C25 e o do exemplo 2, 0, 6 −C50 a fim de que fosse poss´ıvel
utiliz´ a-lo tamb´em em medi¸c˜ ao para faturamento.
3.4.17 TCs para Prote¸c˜ao
Embora todos os TCs tenham o mesmo princ´ıpio f´ısico de funcionamento e sejam cons-
titu´ıdos basicamente dos mesmos elementos, h´ a a se levar em considera¸ c˜ao caracter´ısticas
bem marcantes que lhes s˜ao impostas no projeto e constru¸c˜ ao em termos de tipos de
n´ ucleos e tipos de enrolamentos prim´ ario e secund´ ario, as quais dividem os TCs em dois
grupos bem distintos quanto `a finalidade de utiliza¸c˜ ao adequada: TCs para medi¸ c˜ao e
TCs para prote¸ c˜ao (para servi¸co de rel´es).
Os TCs para medi¸c˜ ao n˜ ao devem ser utilizados para prote¸ c˜ao, como tamb´em os cons-
tru´ıdos para prote¸c˜ ao n˜ao devem ser utilizados para medi¸c˜ ao, sobretudo se esta medi¸c˜ao
´e de energia el´etrica para fins de faturamento a consumidor. Esta precau¸c˜ao ´e baseada
nas duas caracter´ısticas seguintes:
Classe de Exatid˜ ao: Os TCs para medi¸c˜ ao tˆem classe de exatid˜ ao 0, 3 −0, 6 −1, 2. Para
classific´ a-los, s˜ao considerados os erros de rela¸c˜ao e de fase levantados nos ensaios.
Os TCs para prote¸c˜ ao tˆem classe de exatid˜ ao 10, onde ´e levado em considera¸c˜ao
apenas o erro de rela¸ c˜ao, uma vez que, na prote¸c˜ao, o que interessa ´e o efeito
produzido nos rel´es pelo m´odulo da corrente secund´aria como fun¸c˜ ao do m´odulo da
corrente prim´ aria, n˜ ao tendo a´ı o erro de fase nenhuma influˆencia.
Considera-se que um TC para servi¸co de prote¸ c˜ao est´a dentro da sua classe de
exatid˜ ao, em condi¸c˜ oes especificadas, quando, nestas condi¸c˜ oes, o seu erro de rela¸c˜ ao
percentual n˜ ao for superior a 10%, desde a corrente nominal at´e uma corrente igual
a 20 vezes o valor da corrente nominal.
Circuito Magn´etico: O n´ ucleo dos TCs para medi¸c˜ao ´e feito de material de elevada
permeabilidade magn´etica (pequena corrente de excita¸c˜ ao, pequenas perdas, baixa
relutˆ ancia) trabalhando sob condi¸c˜oes de baixa indu¸c˜ ao magn´etica (cerca de 0, 1
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 72
tesla). Mas, eles entram em satura¸c˜ ao logo que a indu¸c˜ ao magn´etica cresce para
0, 4 a 0, 5 tesla, o que corresponde `a corrente prim´ aria crescer para cerca de quatro
vezes o seu valor nominal. Mesmo que a corrente prim´aria ultrapasse esta ordem
de grandeza e atinja valores excessivos, ela reflete no secund´ ario uma corrente que
chega no m´ aximo a cerca de quatro vezes o valor nominal desta, conforme mostra a
curva 1 da figura abaixo.
O n´ ucleo dos TCs para prote¸ c˜ao ´e feito de material que n˜ao tem a mesma permea-
bilidade magn´etica, por´em somente entra em satura¸c˜ ao para valores muito elevados
do fluxo (indu¸c˜ ao magn´etica elevada), correspondentes a uma corrente prim´ aria de
cerca de 20 vezes o valor nominal desta, conforme mostra a curva 2 da figura acima.
Nos instrumentos de medi¸ c˜ao uma corrente desta ordem de grandeza poderia dani-
fic´ a-los, enquanto que os rel´es podem perfeitamente suport´ a-la desde que s˜ao pre-
vistos para isto. Se um TC para medi¸ c˜ao ´e utilizado para alimentar rel´es, estes
muito certamente n˜ao entrar˜ao em funcionamento na ocasi˜ao necess´ aria (ocasi˜ao de
curto-circuito, por exemplo), pois entrando o TC em satura¸c˜ ao a corrente secund´ aria
poder´a n˜ ao ser suficiente para sensibiliz´a-los convenientemente.
Por exemplo: um rel´e a tempo inverso que deve funcionar num tempo t
1
(figura
abaixo) quando a corrente for 6 vezes a corrente nominal, ser´ a nestas condi¸c˜ oes
(quando alimentado atrav´es de TC para medi¸c˜ ao) sensibilizado como se a corrente
fosse cerca de 4 vezes a corrente nominal, mesmo que aquela corrente atingisse 5 ou
6 ou mais vezes a corrente nominal, entrando assim em funcionamento num tempo
t
2
> t
1
, o que afetaria sensivelmente a seletividade com outros rel´es da retaguarda,
comprometendo desta forma a prote¸c˜ ao de todo o sistema.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 73
Classifica¸c˜ao dos TCs para Prote¸c˜ao
Os TCs para prote¸c˜ao s˜ ao agrupados, tendo em vista a impedˆ ancia do enrolamento
secund´ ario, em duas classes:
Transformador de Corrente Classe B: TC que possui baixa impedˆ ancia interna, isto
´e, aquele cuja reatˆ ancia de dispers˜ao do enrolamento secund´ario possui valor des-
prez´ıvel. Constituem exemplos: os TCs de n´ ucleo tor´ oidal com enrolamento se-
cund´ ario uniformemente distribu´ıdo.
Transformador de Corrente Classe A: TC que possui alta impedˆancia interna, isto ´e,
aquele cuja reatˆ ancia de dispers˜ao do enrolamento secund´ ario possui valor apreci´ avel.
Nesta classe se enquadram todos os TCs exceto os que s˜ ao definidos como classe B.
Especifica¸c˜ao dos TCs para Prote¸c˜ao
No Brasil, os TCs para prote¸ c˜ao devem satisfazer `as duas condi¸c˜oes seguintes:
1. Somente devem entrar em satura¸c˜ ao para uma corrente de valor acima de 20 vezes a
sua corrente nominal.
2. Devem ser de classe de exatid˜ao 10, isto ´e, o erro de rela¸c˜ ao percentual n˜ao deve
exceder 10% para qualquer valor da corrente secund´ aria, desde 1 a 20 vezes a corrente
nominal, e qualquer carga igual ou inferior ` a nominal.
A primeira condi¸c˜ao leva ao estabelecimento da tens˜ ao secund´aria nominal, a qual
pode ser definida como sendo a tens˜ ao que aparece nos terminais da carga nominal posta
no secund´ario do TC para prote¸c˜ ao quando a corrente que a percorre ´e igual a 20 vezes
o valor da corrente secund´ aria nominal, ou seja, quando a corrente secund´ aria ´e 100A.
A cada carga nominal para TC padronizada pela ABNT corresponde ent˜ao uma tens˜ao
secund´ aria nominal para TC para prote¸c˜ ao, a qual ´e obtida multiplicando-se por 100 a
impedˆ ancia daquela carga nominal.
Na especifica¸c˜ao de um TC para prote¸c˜ ao ´e necess´ ario indicar se ele deve ser classe
A ou B, como tamb´em a tens˜ao secund´aria nominal que o usu´ ario deseja para ele. N˜ ao
´e necess´ ario citar a classe de exatid˜ ao, uma vez que no Brasil somente h´ a a classe de
exatid˜ ao 10.
Exemplo 1: Um TC para prote¸c˜ ao B200 significa:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 74
a. TC de classe de exatid˜ao 10.
b. TC de classe B, isto ´e, de baixa impedancia interna.
c. Tens˜ao secund´aria nominal 200V (est´ a implicito que a carga secund´aria nominal
deve ser C50 cuja impedˆ ancia ´e 2Ω, pois: V = 20 · 5 · 2 = 200V ).
Exemplo 2: Um TC para prote¸c˜ ao A400 significa:
a. TC de classe de exatid˜ao 10.
b. TC de classe A, isto ´e, de alta impedancia interna.
c. Tens˜ao secund´aria nominal 400V (est´ a implicito que a carga secund´aria nominal
deve ser C100 cuja impedˆ ancia ´e 4Ω, pois: V = 20 · 5 · 4 = 400V ).
Levando em conta o quadro de cargas nominais dos TCs, foi elaborado o quadro da fi-
gura abaixo onde s˜ ao mostrados os valores das tens˜oes secund´ arias nominais normalizadas
no Brasil, como tamb´em os v´ arios tipos de TCs para prote¸c˜ ao das classes A e B.
Deve ficar entendido que, quando se est´a especificando um TC para prote¸c˜ ao que vai
ser adquirido, o dimensionamento da sua tens˜ao secund´ aria nominal ´e feito tendo-se em
conta o valor da impedˆ ancia m´axima Z
m
que poder´ a vir a ser imposta ao seu secund´ ario
quando ele for utilizado na instala¸c˜ao:
Z
m
=

(R
r
+ 2r)
2
+ (X
r
)
2
onde se tem a considerar:
R
r
: resistˆencia pr´ opria do rel´e
X
r
: reatˆ ancia pr´ opria do rel´e
r: resistˆencia do condutor que liga o secund´ario do TC ao rel´e (2r ´e a resistˆencia total)
Esta impedˆ ancia m´axima Z
m
deve ser relacionada ` a impedˆ ancia nominal Z da carga
padronizada correspondente a tens˜ ao secund´aria nominal que ter´a de especificar:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 75
Z ≥ Z
m
Como tamb´em, ao se instalar um TC para prote¸ c˜ao, que j´a est´ a dispon´ıvel na con-
cession´ aria, os condutores secund´arios devem ser corretamente dimensionados, em termos
de resistˆencia m´axima r
m
permiss´ıvel, tendo em conta a impedˆancia Z padronizada cor-
respondente ` a tens˜ao secund´ aria nominal que est´a indicada na placa de identifica¸ c˜ao do
TC:
Z =

(R
r
+ 2r
m
)
2
+ (X
r
)
2
Exemplo: a impedˆ ancia m´ axima (incluindo a resistˆencia dos condutores) a ser imposta
ao secund´ario de um TC de prote¸c˜ ao ´e da ordem de grandeza de 2, 75Ω. Ent˜ao, este TC
seria especificado na “ordem de compra”como A400 ou B400.
3.4.18 Resumo das Caracter´ısticas dos TCs
1. Corrente secund´ aria: de modo geral a corrente nominal secund´ aria ´e de 5A. Em casos
especiais, em prote¸c˜ao pode haver TCs com corrente secund´aria nominal de 2, 5A.
2. Corrente prim´ aria: caracteriza o valor nominal de I
1
suport´ avel pelo TC. Na escolha
de um TC deve-se especific´ a-lo tendo em vista a corrente m´ aximo do circuito em
que o TC vai ser inserido.
3. Classe de exatid˜ ao: valor m´ aximo do erro, expresso em percentagem, que poder´a ser
introduzido pelo TC na indica¸c˜ao de um watt´ımetro, ou no registro de um medidor
de energia el´etrica, em condi¸c˜oes especificadas. Pode ter os valores: 0, 3, 0, 6 e 1, 2.
4. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜ ao do TC.
5. Fator t´ermico: fator pelo qual deve ser multiplicada a corrente prim´aria nominal
para se obter a corrente prim´ aria nominal para se obter a corrente prim´ aria m´axima
que um TC ´e capaz de conduzir em regime permanente, sob freq¨ uˆencia nominal,
sem exceder os limites de eleva¸ c˜ao de temperatura especificados e sem cair fora
da sua classe de exatid˜ ao. Os limites de eleva¸ c˜ao de temperatura levam em consi-
dera¸c˜ ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados nos TCs.
Especificam-se cinco fatores t´ermicos para TCs fabricados no Brasil: 1, 0; 1, 2; 1, 3;
1, 4; 1, 4; 1, 5 e 2, 0. J´a existem em outros pa´ıses TCs de fator t´ermico 4, 0. Se o
usu´ ario desejar fator t´ermico maior que 1, 0 em TCs nacionais, dever´ a explicit´a-lo
na sua especifica¸ c˜ao de compra. Os fabricantes garantem que, acima da corrente
nominal, o TC at´e que apresentam melhor exatid˜ ao, pois nestas condi¸c˜oes a corrente
de excita¸c˜ ao ser´ a muito pequena diante da corrente prim´aria.
6. N´ıvel de isolamento: define a especifica¸c˜ ao do TC quanto `as condi¸c˜ oes a que deve
satisfazer a sua isola¸ c˜ao em termos de tens˜ao suport´ avel. A padroniza¸ c˜ao das tens˜ oes
m´ aximas de opera¸c˜ ao dos TCs (tabela abaixo), como tamb´em os correspondentes
tipos e n´ıveis de tens˜oes a que devem ser submetidos por ocasi˜ao dos ensaios definem
desta maneira, a “tens˜ao m´ axima de opera¸c˜ ao de um equipamento”: m´ axima tens˜ ao
de linha (tens˜ ao entre fases) para o qual o equipamento ´e projetado, considerando-
se principalmente a sua isola¸c˜ao, bem como outras caracter´ısticas que podem ser
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 76
referidas a essa tens˜ao, na especifica¸c˜ ao do equipamento considerado. Em caso de
corrente alternada ´e sempre dada em valor eficaz. Essa tens˜ao n˜ ao ´e necessariamente
igual `a tens˜ ao m´ axima de opera¸c˜ ao do sistema ao qual o equipamento est´ a ligado.
Tens˜oes M´aximas de Opera¸c˜ao dos TCs (kV )
0, 6 25, 8 92, 4 362
1, 2 38 145 460
7, 2 48, 3 169 550
12 72, 5 242 765
15
Em termos pr´aticos, na especifica¸c˜ ao de um TC, a sua tens˜ ao m´ axima de opera¸c˜ao
pode ser considerada como sendo a que consta do quadro (mostrado anteriormente)
imediatamente superior `a tens˜ao nominal entre fases do circuito em que o TC ser´ a
utilizado.
7. Corrente t´ermica nominal: maior corrente prim´ aria que um TC ´e capaz de suportar
durante um segundo, com o enrolamento secund´ ario curto-circuitado, sem exceder,
em qualquer enrolamento, uma temperatura m´axima especificada. Somente h´a in-
teresse em se falar em corrente t´ermica para TCs a partir do n´ıvel de isolamento
correspondente ` a tens˜ ao nominal de 69kV . Como referˆencia, podemos dizer que a
corrente t´ermica ´e no m´ınimo 75 vezes e 45 vezes a corrente prim´ aria nominal para os
TCs imersos em ´ oleo mineral isolante e para os isolados em epoxy, respectivamente.
A corrente t´ermica tem tamb´em o nome de corrente de curta dura¸c˜ao.
8. Corrente dinˆamica nominal: valor de crista da corrente prim´aria que um TC ´e capaz
de suportar, durante o primeiro meio ciclo, com o enrolamento secund´ ario curto-
circuitado, sem danos el´etricos ou mecˆ anicos resultantes das for¸cas eletromagn´eticas.
A norma estabelece que o valor de crista ´e normalmente 2, 5 vezes o valor da corrente
t´ermica.
9. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal S
1
do secund´ ario
tem a mesma polaridade do terminal P
1
do prim´ario se, quando a corrente I
1
percorre
o enrolamento prim´ ario de P
1
para P
2
, no mesmo instante a corrente I
2
percorre
o instrumento A de S
1
para S
2
. Conseq¨ uentemente, diz-se tamb´em que S
2
tem a
mesma polaridade de P
2
.
Quando o TC alimenta somente amper´ımetros, rel´es de corrente, etc., a sua po-
laridade n˜ ao precisa ser levada em considera¸c˜ ao. Mas, quando ele alimenta ins-
trumentos el´etricos cuja bobina de corrente ´e provida de polaridade relativa, como
watt´ımetros, medidores de energia el´etrica, fas´ımetros, etc., ent˜ ao ´e extremamente
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 77
importante a considera¸c˜ ao da polaridade do TC: a entrada da bobina de corrente
destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´ ario do TC que corresponde
ao seu terminal prim´ ario que est´ a ligado como entrada ao circuito principal.
Exemplo: Na figura acima, se o prim´ ario do TC for ligado em s´erie com a carga
de modo que P
1
seja entrada, isto ´e, P
1
esteja ligado no lado da fonte e P
2
no
lado da carga, ent˜ao a entrada das bobinas de corrente dos instrumentos ser´ a ligada
ao terminal S
1
do secund´ario. Da mesma forma, se P
2
for ligado for ligado como
entrada, isto ´e P
2
no lado da fonte e P
1
no lado da carga, ent˜ao S
2
´e que ser´ a
utilizado como entrada das bobinas de corrente daqueles instrumentos el´etricos.
Normalmente, os terminais dos enrolamentos prim´ ario e secund´ario dos TCs s˜ ao
dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes,
como mostra a figura ` a esquerda acima, e n˜ ao em diagonal como mostra a figura `a
direita acima.
10. Se um TC alimenta v´ arios instrumentos el´etricos, Ester devem ser ligados em s´erie a
fim de que todos eles sejam percorridos pela mesma corrente do secund´ario do TC.
11. Quando se empregam TCs em medi¸c˜ao de energia el´etrica para fins de faturamento
a consumidor, ´e recomend´ avel que estes TCs sejam utilizados exclusivamente para
alimentar o medidor ou medidores de energia el´etrica da instala¸c˜ ao. N˜ ao deve ser
permitida a coloca¸c˜ao de outros instrumentos el´etricos no secund´ ario destes TCs,
tais como amper´ımetros, bobina de corrente de watt´ımetros, etc.
12. Damos a seguir uma ordem de grandeza para os TCs para medi¸c˜ao:
a. n
1
I
1
= 500 a 1000 amp´eres-espiras para I
1
nominal;
b. n
1
I
0
< 1% de n
1
I
1
, para I
1
nominal;
c. densidade de fluxo: B ≤ 1000 linhas/cm
2
(1000 Gauss ou 0, 1 tesla);
d. comprimento m´edio do circuito magn´etico: 40cm;
e. densidade de corrente: de 1A at´e 2A por mm
2
;
f. r
2
= 0, 5Ω;
2
= 15mH.
3.5 Algumas Considera¸c˜ oes Sobre TPs e TCs
1. Os TPs e TCs servem tamb´em como elementos de isolamento entre os instrumentos
ligados no secund´ario e o circuito de alta tens˜ ao, reduzindo assim o perigo para
o operador e tornando desnecess´ aria uma isola¸c˜ao especial para tais instrumentos.
Assim, ´e que h´a TCs de 5/5A, mas com n´ıvel de isolamento para alta tens˜ao.
2. Um mesmo instrumento el´etrico, utilizado com TCs e TPs de diferentes rela¸c˜ oes
nominais, pode servir para um campo muito largo de medi¸c˜ oes gra¸cas `a padroniza¸ c˜ao
dos valores secund´arios deles (5A para os TCs e 115V para os TPs).
3. Deve-se ter o cuidado de ligar ` a terra o secund´ ario e o n´ ucleo dos TCs e TPs por
medida de seguran¸ ca. Al´em disso, os TCs para alta tens˜ao (a partir de 69kV ) s˜ ao
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 78
constru´ıdos normalmente com camadas de material condutor (blindagem) envol-
vendo o enrolamento prim´ ario para uniformiza¸c˜ao da distribui¸ c˜ao dos potenciais.
Estas camadas s˜ao ligadas entre si e tamb´em a um terminal externo, o qual deve
ser ligado ` a terra.
4. Os TCs e TPs tˆem todos os terminais prim´ arios e secund´ arios providos de marcas
indel´eveis. Estas marcas permitem ao instalador a r´apida identifica¸c˜ ao dos terminais
de mesma polaridade. O instalador somente precisa se preocupar com a polaridade
no momento em que for ligar ao secund´ ario dos TCs ou TPs os instrumentos el´etricos
que tˆem bobinas providas de polaridade relativa: watt´ımetros, medidores de energia
el´etrica, fas´ımetros, etc. A entrada das bobinas destes instrumentos deve ser ligada
ao terminal secund´ ario do TC ou TP que corresponde ao terminal prim´ ario que foi
utilizado como entrada.
5.
´
E aconselh´ avel, antes de instalar os TCs e TPs, verificar pelo menos a rela¸c˜ ao de
transforma¸c˜ ao nominal e a polaridade. A figura abaixo mostra uma montagem sim-
ples para verificar a polaridade: a resistˆencia R ser´ a ajustada de modo a limitar a
corrente no milivolt´ımetro mV ; a pilha pode ser de apenas 3V ; ao fechar o inter-
ruptor K, se o ponteiro do milivolt´ımetro desviar para o positivo, ent˜ ao o terminal
marcado P do prim´ ario corresponde ao terminal marcado S no secund´ ario; observar
a maneira correta de ligar os p´olos positivo e negativo da pilha e do milivolt´ımetro,
conforme est´a na figura.
6. O n´ ucleo dos TPs e TCs ´e feito de chapas de ferro-sil´ıcio. Para os de melhor qualidade,
emprega-se ferro-sil´ıcio de gr˜ aos orientados, laminado a frio, conseguindo-se bons
resultados quanto ` a permeabilidade magn´etica e menores perdas. Os TCs especiais,
os que ser˜ao utilizados como padr˜ao, por exemplo, para os quais se exige excelente
classe de exatid˜ ao, tˆem o n´ ucleo feito de chapas de ligas especiais de ferro-n´ıquel.
Estas ligas tˆem alta permeabilidade magn´etica e perdas reduzidas, mas o seu custo ´e
bem maior que o custo dos n´ ucleos de ferro-sil´ıcio usuais. Como exemplo, citaremos
algumas destas ligas:
6.1. FERRO-MU ou MUMETAL: 77% de n´ıquel, 5% de cobre, 2% de cromo e 16%
de ferro. Para uma mesma densidade de fluxo, a corrente de excita¸c˜ ao para
esta liga ´e cerca de 1/4 da corrente de excita¸c˜ao para a liga de ferro-sil´ıcio.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 79
Entretanto, o pre¸co de um n´ ucleo de MUMETAL ´e cerca de 5 a 6 vezes o pre¸co
de um n´ ucleo de ferro-sil´ıcio.
6.2. PERMANDUR: 49% de ferro, 49% de cobalto e 2% de van´ adio.
6.3. MONIMAX: 47% de n´ıquel, 3% de molibdˆenio e 50% de ferro.
3.6 Emprego para os Transformadores de Instrumen-
tos na Medi¸c˜ao de Potˆencia Ativa e Reativa
No caso de tens˜ao elevada e corrente intensa, superiores `a tens˜ ao e `a corrente su-
port´aveis pelas bobinas B
p
e B
c
, respectivamente, faz-se necess´ario o emprego dos trans-
formadores para instrumentos, TPs e TCs. H´ a casos na pr´atica em que a tens˜ao da linha
´e suport´ avel por B
p
e, portanto, empregam-se apenas os TCs.
Duas precau¸c˜oes devemos tomar em rela¸c˜ ao aos transformadores para instrumentos:
observar a polaridade e aterrar o secund´ario e o n´ ucleo.
3.6.1 M´etodo dos Trˆes Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com
TPs e TCs
A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. Sendo K
c
a rela¸c˜ao nominal dos
TCs e K
p
a rela¸c˜ao nominal dos TPs, temos que a potˆencia ativa total P solicitada pela
carga Z ser´ a:
P = K
c
K
p
(W
1
+W
2
+W
3
)
3.6.2 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com
TPs e TCs
A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. Observamos que os transforma-
dores apenas s˜ao intercalados entre o circuito e os watt´ımetros, n˜ ao alterando o princ´ıpio
da liga¸c˜ ao dos dois watt´ımetros quando empregados sem transformadores. A potˆencia
total P:
P = K
c
K
p
(W
1
+W
2
)
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 80
3.6.3 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Reativa com
TPs e TCs
A montagem est´a indicada na Figura abaixo. A potˆencia reativa total Q ser´ a:
Q = K
c
K
p
(W
1
+W
2
)
2
·

3
3.6.4 C´alculo do Erro Introduzido pelos TPs e TCs na Indica¸c˜ao
do Watt´ımetro
Suponhamos uma carga Z, de fator de potˆencia indutivo cosθ submetida ` a tens˜ao U
1
e percorrida pela corrente I
1
, como na Figura abaixo.
A potˆencia ativa exata da carga ser´ a:
P = U
1
I
1
cos θ
Os transformadores introduzem erros de fase, respectivamente iguais a γ e β, e o
watt´ımetro W dar´ a a seguinte indica¸c˜ ao levando em conta a Figura abaixo:
W = U
2
I
2
cos θ

Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 81
O valor medido da potˆencia ativa ser´ a ent˜ ao:
P

= K
c
K
p
W ou
P

= K
p
K
c
U
2
I
2
cos θ

Dividindo membro a membro as express˜ oes acima:
P
P

=
U
1
I
1
cos θ
K
p
U
2
K
c
I
2
cos θ

Como U
1
= FCR
p
· K
p
U
2
e I
1
= FCR
c
· K
c
I
2
, temos que:
P = P

· FCR
p
FCR
c
·
cos θ
cos θ

Exemplo Num´erico
1. TC: 30/5A:
K
c
= 6; FCR
c
= 0, 998; β = 10

2. TP: 13800/115V :
K
p
= 120; FCR
p
= 0, 996; γ = −12

3. Indica¸c˜ ao do watt´ımetro: W = 300W
4. Valores lidos: U
2
= 115V e I
2
= 4A
Dos valores acima vˆe-se que:
P

= 300 · 6 · 120 = 216000W
cosθ

=
300
4 · 115
= 0, 652 ∴ θ

= 49
o
29

Da Figura acima vˆe-se que:
θ = 49
o
29

+ 10

+ 12

= 49
o
51

∴ cos θ = 0, 649
E ent˜ao a potˆencia ativa exata P ser´ a:
P = 216000 · 0, 998 · 0, 996 ·
0, 649
0, 652
P = 213717W
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 82
3.7 Emprego para os Transformadores de Instrumen-
tos no Controle e Supervis˜ao
Os instrumentos de controle e supervis˜ ao mostrados nesta sess˜ao foram utilizados
na pr´ atica e foram instalados pela TRANSNOR - Transformadores do Nordeste S.A. -
durante os meses de Agosto e Janeiro de 2006/2007.
3.7.1 M´odulo 5520 Deep Sea Eletronics
O modelo 5520 ´e um m´ odulo para controle autom´ atico de falha da rede. O m´odulo ´e
usado para monitorar a rede e automaticamente partir um gerador em espera. E quando
na presen¸ca de falhas, automaticamente desligando o gerador e indicando as mesmas por
meio do display. Com o 5520 pode-se ainda programar entradas do gerador em horas
predeterminadas, por exemplo, em hor´arios de pico para diminuir a demanda de carga da
rede, e assim, diminuir um poss´ıvel excesso na demanda contratada com o fornecedor de
energia el´etrica. Atrav´es de um computador e um software fornecido, pode-se monitorar
a opera¸c˜ ao do sistema localmente, ou remotamente. O acesso ao modulo ´e protegido por
um n´ umero PIN para prevenir acessos n˜ ao autorizados. A opera¸c˜ ao do m´ odulo ´e feita
atrav´es de bot˜ oes de controle localizados no painel, onde poder´ a se realizar as fun¸c˜ oes
como parar a m´ aquina, ligar, etc.
Este m´ odulo foi montado para operar no controle de um grupo gerador no hotel
Pirˆ amide, localizado na Via Costeira em Natal. O mesmo deve n˜ao s´ o monitorar a rede
para entrar em um caso de falha, como tamb´em entrar no hor´ ario de pico de tarifa¸c˜ao
da energia para diminuir o consumo. O mesmo entra sincronizado com a rede e a sua
entrada ´e quase impercept´ıvel aos usu´ arios. O gerador supre a carga em paralelo com a
rede, visto que o mesmo n˜ ao possui a potˆencia total necess´aria para substitu´ı-la.
O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸c˜ ao de tens˜ ao e corrente da sa´ıda do grupo
gerador. Para a configura¸c˜ ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo,
s˜ ao inseridas al´em da rela¸c˜ao nominal K
p
, os fatores de corre¸c˜ ao de rela¸c˜ ao FCR
p
e FCR
c
do TP e do TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ ao real K
r
para a medi¸c˜ao correta.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 83
3.7.2 M´odulo 5510 Deep Sea Eletronics
O modelo 5510 ´e um modulo para controle de m´aquinas el´etricas autom´atico. O
m´ odulo ´e usado para automaticamente acionar e parar a m´aquina, indicando as suas
caracter´ısticas de opera¸c˜ ao e condi¸c˜ oes de falta por meio de um display lcd e leds indica-
dores no painel. Seq¨ uˆencias de opera¸c˜ ao, temporizadores e alarmes podem ser alterados
pelo usu´ario. Atrav´es de um computador e um software fornecido, pode-se monitorar a
opera¸c˜ ao do sistema localmente, ou remotamente. O acesso ao modulo ´e protegido por
um n´ umero PIN para prevenir acessos n˜ ao autorizados. O 5510 tem a capacidade de
sincroniza¸c˜ ao e divis˜ao de carga. O m´ odulo 5510 possui sa´ıdas flex´ıveis que permitem a
conex˜ ao aos mais comuns reguladores autom´ aticos de tens˜ ao e controladores de veloci-
dade. A opera¸ c˜ao do m´ odulo ´e feita atrav´es de bot˜ oes de controle localizados no painel,
onde poder´ a se realizar as fun¸c˜ oes como parar a m´ aquina, ligar, etc.
O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸ c˜ao de tens˜ ao e corrente da sa´ıda da m´ aquina.
Para a configura¸c˜ ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo, s˜ao in-
seridas al´em da rela¸c˜ ao nominal K
p
, os fatores de corre¸c˜ao de rela¸c˜ ao FCR
p
e FCR
c
do
TP e do TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real K
r
para a medi¸ c˜ao correta.
A instala¸ c˜ao deste m´ odulo foi requisitada pela Petrobr´as para operar em plataforma.
Devido a isto, uma caracter´ıstica foi frisada quanto a liga¸c˜ ao do mesmo: a eletricidade na
plataforma trabalha com 3 fases - 3 fios, ou seja, com terra flutuante. Esta caracter´ıstica
impossibilitou a utiliza¸c˜ ao de TPs para leitura de tens˜ao, o motivo foi de uma configura¸ c˜ao
do m´odulo que n˜ao poderia ser alterada.
3.7.3 Multitransdutor Digital Kron MKM-D com Mem´ oria de
Massa
O multitransdutor digital da Kron MKM-D com Mem´ oria de Massa foi adquirido para
a montagem de um quadro para a UFPB - Universidade Federal da Para´ıba - que deveria
ler as medidas de tens˜ao, freq¨ uˆencia, fator de potˆencia, energia ativa e reativa e consumo
de energia de um grupo motor diesel convertido para g´ as e um gerador, devendo gravar
estes dados para an´alise na mem´ oria de massa. A montagem faz parte de um projeto
de Engenharia Mecˆanica para o estudo do g´as natural como combust´ıvel alternativo. A
carga do gerador ´e composta de um banco de resistˆencia.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 84
O mesmo pode utilizar de TPs e TCs para medi¸c˜ ao de tens˜ ao e corrente. Para a
configura¸c˜ ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´ odulo, s˜ao inseridas
al´em da rela¸c˜ ao nominal K
p
, os fatores de corre¸c˜ ao de rela¸ c˜ao FCR
p
e FCR
c
do TP e do
TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real K
r
para a medi¸ c˜ao correta.

Cap´ ıtulo 1 Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e
1.1 Defini¸˜o de Medida ca

Medida ´ um processo de compara¸˜o de grandezas de mesma esp´cie, ou seja, que e ca e possuem um padr˜o unico e comum entre elas. Duas grandezas de mesma esp´cie possuem a ´ e a mesma dimens˜o. a No processo de medida, a grande que serve de compara¸ao ´ denominada de “grandeza c˜ e unit´ria”ou “padr˜o unit´rio”. a a a As grandezas f´ ısicas s˜o englobadas em duas categorias: a a. Grandezas fundamentais (comprimento, tempo, etc.). Grandezas Fundamentais Grandeza Unidade Simbologia Comprimento metro [m] Massa quilograma [kg] Tempo segundo [s] Intensidade de Corrente amp´res e [A] Temperatura Termodinˆmica a kelvin [K] Quantidade de Mat´ria e mole [mol] Intensidade Luminosa candela [cd] b. Grandezas derivadas (velocidade, acelera¸ao, etc.). c˜

Cap´ ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e

2

Grandezas El´tricas Derivadas e Grandeza Derivada Unidade Dimens˜o a Carga coulomb [A · s] Energia joule [m2 · kg · s−2 ] Potˆncia e watt [m2 · kg · s−3 ] 2 Tens˜o a volt [m · kg · s−3 · A−1 ] Resistˆncia e ohm [m2 · kg · s−3 · A−2 ] Condutˆncia a siemens [m−2 · kg −1 · s3 · A2 ] Capacitˆncia a farad [m−2 · kg −1 · s4 · A2 ] Indutˆncia a henri [m2 · kg · s−2 · A−2 ] Freq¨ˆncia ue hertz [s−1 ]

Simbologia [C] [J] [W ] [V ] [Ω] [S] [F ] [H] [Hz]

1.2

Sistema de unidades

´ E um conjunto de defini¸oes que re´ne de forma completa, coerente e concisa todas c˜ u as grandezas f´ ısicas fundamentais e derivadas. Ao longo dos anos, os cientistas tentaram estabelecer sistemas de unidades universais como, por exemplo, o CGS, MKS e o SI.

1.2.1

Sistema Internacional (SI)

´ ´ E derivado do MKS e foi adotado internacionalmente a partir dos anos 60. E o padr˜o utilizado no mundo, mesmo que alguns pa´ a ıses ainda adotem algumas unidades dos sistemas precedentes.

1.3
1.3.1

No¸˜es de Padr˜o, Aferi¸˜o e Calibra¸˜o co a ca ca
Padr˜o a

Padr˜o ´ um elemento ou instrumento de medida destinado a definir, conservar e a e reproduzir a unidade base de medida de uma determinada grandeza. Possui uma alta estabilidade com o tempo e ´ mantido em um ambiente neutro e controlado (temperatura, e press˜o, umidade, etc. constantes). a Padr˜es de Grandezas El´tricas o e Corrente El´trica: O amp´re ´ a corrente constante que, mantida entre dois condutores e e e paralelos de comprimento infinito e se¸ao transversal desprez´ separados de 1m, c˜ ıvel no v´cuo, produz uma for¸a entre os dois condutores de 2 · 10−7 N/m. Na pr´tica a c a s˜o utilizados instrumentos chamados “balan¸as de corrente”, que medem a for¸a a c c de atra¸ao entre duas bobinas idˆnticas e de eixos coincidentes. c˜ e Tens˜o: O padr˜o do volt ´ baseado numa pilha eletroqu´ a a e ımica conhecida como “C´lula e Padr˜o de Weston”, constitu´ por cristais de sulfato de c´dmio (CdSO4 ) e uma a ıda a pasta de sulfato de merc´rio (HgSO4 ) imersos em uma solu¸ao saturada de sulfato u c˜ de c´dmio. Em uma concentra¸ao espec´ a c˜ ıfica da solu¸˜o e temperatura de 20o C a ca tens˜o medida ´ de 1, 01830V . a e

Cap´ ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e

3

Resistˆncia: O padr˜o do ohm ´ normalmente baseado num fio de manganina (84% Cu, e a e 12% M n e 4% N i) enrolado sob a forma de bobina e imerso num banho de oleo a ´ temperatura constante. A resistˆncia depende do comprimento e do diˆmetro do e a fio, possuindo valores nominais entre 10−4 Ω e 106 Ω. Capacitˆncia: O padr˜o do farad ´ baseado no c´lculo de capacitores de geometria a a e a precisa e bem definida com um diel´trico de propriedades est´veis e bem conhecidas. e a Normalmente usam-se duas esferas ou 2 cilindros concˆntricos separados por um e diel´trico gasoso. e Indutˆncia: O padr˜o do henri ´ tamb´m baseado no c´lculo de indutores sob a forma a a e e a de bobinas cil´ ındricas e longas em rela¸ao ao diˆmetro com uma unica camada de c˜ a ´ espiras.

1.3.2

Aferi¸˜o ca

Aferi¸ao ´ o procedimento de compara¸ao entre o valor lido por um instrumento e o c˜ e c˜ valor padr˜o apropriado de mesma natureza. Apresenta car´ter passivo, pois os erros s˜o a a a determinados, mas n˜o corrigidos. a

1.3.3

Calibra¸˜o ca

Calibra¸ao ´ o procedimento que consiste em ajustar o valor lido por um instrumento c˜ e com o valor de mesma natureza. Apresenta car´ter ativo, pois o erro, al´m de determia e nado, ´ corrigido. e

1.4

Classifica¸˜o dos Erros ca

De acordo com a causa, ou origem, dos erros cometidos nas medidas, estes podem ser classificados em: grosseiros, sistem´ticos e acidentais. E de acordo com suas caraca ter´ ısticas, estes podem ser classificados em: constantes, aleat´rios e peri´dicos. o o

1.4.1

Erros Grosseiros

Estes erros s˜o causados por falha do operador, como por exemplo, a troca da posi¸˜o a ca dos algarismos ao escrever os resultados, os enganos nas opera¸oes elementares efetuadas, c˜ ou o posicionamento incorreto da v´ ırgula nos n´meros contendo decimais. u Estes erros podem ser evitados com a repeti¸˜o dos ensaios pelo mesmo operador, ou ca por outros operadores.

1.4.2

Erros Sistem´ticos a

S˜o os ligados as deficiˆncias do m´todo utilizado, do material empregado e da aprea ` e e cia¸ao do experimentador. c˜ a. A constru¸ao e aferi¸ao de um aparelho de medida nunca podem ser perfeitas. Por c˜ c˜ outro lado, h´ sempre uma divergˆncia, embora pequena, entre a an´lise te´rica de a e a o

substie a ca e tuindo os elementos iniciais por elementos teoricamente iguais. cada vez. s˜o erros a ue a a a essencialmente vari´veis e n˜o suscet´ a a ıveis de limita¸ao.5 Erros Peri´dicos o Erros vari´veis em amplitude e polaridade.4. por´m. mas n˜o est˜o a a a a a presentes em qualquer medida. a n˜o linearidade de um conversor A/D). o a a a a consumo de energia dos aparelhos de medida e as varia¸oes das caracter´ c˜ ısticas f´ ısicas ou el´tricas dos elementos que constituem o circuito. Podem ser eliminados pela medi¸˜o a ca repetitiva sob condi¸oes distintas e conhecidas.4. a c. o “fator sorte”. ru´ ca ıdos do pr´prio instrumento.4 Erros Constantes Erros invari´veis em aplitude e polaridade devido a imprecis˜es instrumentais. A pr´pria defini¸˜o dos erros sistem´ticos indica quais s˜o os meios de limita¸˜o. capacitores. Basta mencionar. 1. Este conjunto de imperfei¸oes e c˜ constitui a deficiˆncia do m´todo. o . S˜o em geral pequenos. O o ca a a ca material empregado deve ser aferido: medidores. a mesma pessoa. diremos que os erros acidentais s˜o a conseq¨ˆncia do “imponder´vel”.6 Erros Aleat´rios o Erros Aleat´rios s˜o todos os erros restantes. resistˆncias.4. sem identificar qual dos dois ´ a e e o respons´vel. o e a mesmo resultado. a e enquanto outros a fazem menor. Em a o geral. Como j´ foi dito. e e a 1. pilhas. realizando os mesmos ensaios com os e mesmos elementos constitutivos de um circuito el´trico. e etc. As hip´teses de base da teoria a o n˜o s˜o inteiramente realiz´veis na pr´tica. O seu controle deve ser peri´dico. como exemplo.4. podem ser facilmente corrigidos pela compara¸˜o com um padr˜o conhecido da ca a medida. e e b. c˜ 1. mas que obedecem a uma certa lei (por a exemplo. c˜ 1. Para usar uma terminologia mais cient´ a ıfica. a discordˆncia a a e a e a indidca que h´ um erro. provenientes de sinais esp´rios. Este erro pode ser limitado tomando-se como resultado a m´dia aritm´tica das leituras de v´rias pessoas. Um modo simples de verificar a presen¸a o c ou ausˆncia de erro sistem´tico consiste na repeti¸˜o da mesma experiˆncia. condi¸oes vari´veis de u c˜ a observa¸˜o. possuem amplitude e polaridade vari´veis o a a e n˜o seguem necessariamente uma lei sistem´tica. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 4 um circuito e o comportamento pr´tico deste circuito. no m´todo ou no material. H´ experimentadores que tˆm a peculiaridade de fazer a leitura maior do que a real.3 Erros Acidentais A experiˆncia mostra que. A identifica¸ao dos c˜ resultados d´ como conclus˜o a ausˆncia do erro sistem´tico. n˜o consegue obter. A divergˆncia entre estes resultados ´ devida a existˆncia de um fator e e ` e incontrol´vel.Cap´ ıtulo 1.

6 Tratamento de erros em medidas Com o intuito de minimizar e identificar os v´rios tipos de erros presentes numa a medida.Cap´ ıtulo 1. Ve : ∆V = Vm − Ve Assim. diz-se que o erro cometido e e ´ “por falta”. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 5 Erros Aleat´rios: caracter´ o ısticas e limita¸˜es co . e ue 1. Este tratamento estat´ c˜ e ıstico baseado na observa¸ao c˜ repetitiva ´ eficaz na minimiza¸ao de erros peri´dicos e aleat´rios.cada medida ´ independente das outras. e . e c˜ o o . a O erro relativo percentual tem a forma: ε= ∆V Ve · 100 1. considerar Ve = Vm tendo-se a em conta que estes valores s˜o muito aproximadamente iguais entre si. na maioria dos casos. e O “erro relativo”ε ´ difinido como a rela¸ao entre o erro absoluto ∆V e o valor verdae c˜ deiro Ve da grandeza medida: ε= ∆V Ve Para efeito de c´lculo de ε pode-se. a o . Quando o valor Vm encontrado na medida ´ maior que o valor verdadeiro Ve .os valores lidos possuem uma distribui¸˜o estat´ ca ıstica. . Quando Vm ´ menor que Ve .5 Erros Absoluto e Relativo A palavra “erro”designa a diferen¸a alg´brica entre o valor medido Vm de uma grandeza c e e o seu valor verdadeiro.erros (+) e (−) possuem mesma amplitude e probabilidade de ocorrˆncia e freq¨ˆncia. limite m´ximo do erro absoluto e a ou simplesmente “erro absoluto”. o valor verdadeiro Ve da grandeza pode ser expresso da seguinte maneira: Vm − ∆V ≤ Ve ≤ Vm + ∆V O valor ∆V ´ chamado limite superior do erro absoluto.erros importantes s˜o aperi´dicos. um tratamento estat´ ıstico pode ser aplicado num conjunto de dados obtidos em condi¸oes idˆnticas e/ou conhecidas. diz-se que e o erro cometido ´ “por excesso”. ou aceito como verdadeiro. .erros pequenos ocorrem com maior probabilidade que os grandes.

Consequentemente 2σ ⇒ 95. 3% que o valor verdadeiro da medida esteja entre −σ e +σ do valor m´dio e x do conjunto de dados. e x 1.2 Erro Padr˜o ou Desvio Padr˜o a a O erro padr˜o σ ´ encontrado a partir de uma s´rie de leituras e fornece uma estimaa e e tiva da amplitude do erro presente nestas medidas e consequentemente sua precis˜o. tp ´ o ponto de retorno ( dx = 0) e pi s˜o os pontos de inflex˜o e a e a a d2 y ( d2 x = 0). c˜ a u σ= r2 sendo: n−1 r2 = (¯ − x1 )2 + (¯ − x2 )2 + . 7%. A a determina¸ao precisa do erro padr˜o σ implica num grande n´mero de leituras. 3% da ´rea total que equivale ao conjunto ´ a de todas as medidas. + (¯ − xi )2 x x x Distibui¸˜o Normal ou Curva Gaussiana ca y= √ 1 2πσ 2 · e− 2σ2 r2 dy onde σ 2 ´ a variˆncia. e e ¯e c˜ xi x= ¯ i=1 n onde xi s˜o os valores medidos e n ´ o n´mero de medidas. O erro padr˜o σ de uma s´rie de medidas indica ent˜o uma probaa e a bilidade de 68.6. ¯ .6. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 6 1.Cap´ ıtulo 1.1 M´dia Aritm´tica e e n A m´dia aritm´tica x ´ dada a partir da equa¸ao a seguir. A area hachurada na curva representa 68. 4% e 3σ ⇒ 99. . O res´ a e u ıduo r ´ a diferen¸a ente e c a m´dia e cada uma das medidas r = (¯ − xi ). .

C = 10µF + 20% − 10%. Considerando um conjunto de medidas quaisquer. R = 10kΩ ± 5%. sempre que poss´ deve-se usar a defini¸ao de erro padr˜o. ´ definido como uma porcentagem do e valor padr˜o ou fundo de escala. desconhecido. em geral. a probabilidade de que o valor verdadeiro xv esteja presente em xp ± σ ´ de 31. Em um instrumento: “precis˜o”= 5% (o termo “precis˜o”utilizado aqui deve ser a a substitu´ por “erro”). Atrav´s e e da teoria de erros pode-se determinar. . watt´ ımetro. e 1.4 Determina¸˜o do valor mais prov´vel ca a O valor verdadeiro xv da grandeza a ser medida ´. Sup˜e uma probabilidade te´rica de 100% de que o valor a o o verdadeiro (yv ) esteja no intervalo y ± L. volt´ ımetro.6. c˜ ıvel c˜ a Exemplo: a.5 Intervalo de Confian¸a c Faixa de valores compreendida entre xp ± σ (ou 2σ. c.6. esta medida de erro ´ mais popular que o erro padr˜o. com alto grau de exatid˜o.7. fas´ ımetro. 3σ. . etc. dados estes importantes na utiliza¸ao correta dos mesmos. Em geral. . c˜ c˜ 1.6.7 Dados Caracter´ ısticos dos Instrumentos El´tricos e de Medi¸˜o ca S˜o indicados a seguir alguns dados caracter´ a ısticos essenciais dos instrumentos el´tricos e de medi¸ao. ıdo 1.Cap´ ıtulo 1. Num conjunto de medidas onde os erros predominantes s˜o aleat´rios. b.3 Erro Limite O erro limite L ´ uma forma de indica¸˜o da margem de erro baseada nos valores e ca extremos (m´ximo e m´ a ınimo) poss´ ıveis.1 Natureza do Instrumento Natureza do instrumento ´ a caracter´ e ıstica que o identifica de acordo com o tipo de grandeza mensur´vel pelo mesmo. Apesar de menos rigorosa. a ` e e ¯ 1. Exemplo: amper´ a ımetro. 7%. ) ou xp ± L. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 7 1. . o valor mais prov´vel a a xp e o quanto este valor ifere do valor verdadeiro. Numa ıvel avalia¸ao rigorosa de dados. e a pois indica o erro de forma mais direta e facilmente compreens´ por um leigo. o valor mais a o prov´vel corresponde a m´dia aritm´tica xp ≡ x.

efeito de corrente el´trica sobre corrente el´trica. ao valor o marcado no fim de sua escala. diz-se a que o seu calibre ´ de 200 volts. sendo a sua ca e a escala graduada em divis˜es.7. Utilizando-se a chave de comuta¸ao o o c˜ K no calibre de 300V . H´ a considerar dois casos: e a Instrumento de um s´ calibre: o valor do calibre corresponde. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 8 1. ´ Instrumento de m´ltiplo calibre: os valores dos respectivos calibres vˆm indicados nas u e v´rias posi¸oes da chave de comuta¸ao dos calibres. Exemplo: a e c um volt´ ımetro ´ empregado para medir a tens˜o de uma fonte. Diz-se ent˜o que entre as duas medi¸˜es h´ a co a uma discrepˆncia de 2V . Exemplo: e eletrodinˆmico . Portanto. de 0 a 200 divis˜es. a . o valor medido V da tens˜o ser´: o a a Valor da grandeza = V = 300 200 · 148 = 222V 1.efeito do a e e o campo magn´tico da corrente el´trica sobre pe¸a de material ferromagn´tico. Exemplo: a figura abaixo representa um volt´ ımetro de calibre unico. que o isntrumento e a a ´ capaz de medir. caracteriza o efeito da corrente el´trica aproveitado no mesmo. liga-se o volt´ ımetro a um circuito el´trico obtendo-se a leitura e de 148 divis˜es. podendo haver no mostrador apenas uma escala graduada.7. da grandeza mensur´vel. dando como primeira e a leitura 218V e como segunda leitura 220V . ferro-m´vel .3 Calibre do Instrumento O calibre do instrumento ´ o valor m´ximo. Exemplo: um volt´ e ımetro que pode medir no m´ximo 200 volts. e 1.Cap´ ıtulo 1. normalmente.4 Discrepˆncia a Discrepˆncia ´ a diferen¸a entre valores medidos para a mesma grandeza.2 Natureza do Conjugado Motor A natureza do conjugado motor caracteriza o princ´ ıpio f´ ısico de funcionamento do instrumento. t´rmico e e c e e efeito do aquecimento produzido pela corrente el´trica ao percorrer um condutor. posi¸˜es da chave de comuta.7. 200 volts. etc. O valor de uma grandeza medida num dos calibres ser´ obtido pela rela¸ao: a c˜ Calibre utilizado · Leitura Valor marcado no fim da escala Exemplo: A figura abaixo representa um multivolt´ ımetro cujos terminais 1 e 2 s˜o a para liga¸˜o do mesmo ao circuito el´trico cuja tens˜o se deseja medir.c˜o a c˜ c˜ co a dos calibres.

5A/W . ` a 1.7. que a sensibilidade do segundo amper´ a ımetro ´ o dobro da sensibilidade do e primeiro. e e pois: V /W = RI/V I = R/V . c˜ o c˜ o Diz-se. Exemplo: dois amca per´ ımetros s˜o postos em s´rie para medir uma mesma corrente I.10 Rigidez Diel´trica e Rigidez diel´trica caracteriza a isola¸ao entre a parte ativa e a carca¸a do instrumento. 1. c˜ e o que corresponde a menor divis˜o marcada na escala do instrumento. ıvel 1.7. E desej´vel que os instrumentos e o o a el´tricos de medi¸˜o tenham a m´ e ca ınima perda pr´pria a fim de que n˜o perturbem o circuito o a em que est´ ligado.7. No caso de volt´ ımetro ´ usual exprimir a eficiˆncia em Ω/V . sobretudo este circuito trata-se de um circuito de pequena potˆncia.7. correspondente ao calibre. uma indica¸ao de 2x divis˜es. o segundo tem melhor eficiˆncia que o primeiro. o qual representa a tens˜o m´xima que se pode aplicar a a a entre a parte ativa e a carca¸a do instrumento sem que lhe cause danos.6 Resolu¸˜o ca Resolu¸ao ´ o menor incremento que se pode assegurar na leitura de um instrumento. um de 800Ω/V e outro de 5000Ω/V . a eficiˆncia do amper´ c˜ e ımetro seria: 10A/20W = 0.9 Eficiˆncia e Eficiˆncia de um instrumento ´ a rela¸ao entre o seu calibre e a perda pr´pria. Exeme e c˜ o plo: levando em considera¸ao o exemplo do item anterior. observaa e se uma indica¸ao de x divis˜es na escala e no segundo.7 Mobilidade Mobilidade ´ a menor varia¸ao da grandeza medida capaz de usar um deslocamento e c˜ percept´ no ponteiro ou na imagem luminosa.Cap´ ıtulo 1. No primeiro. a e Os instrumentos eletrˆnicos de medi¸ao s˜o considerados de perda pr´pria praticamente o c˜ a o nula.7. Exemplo: um amper´ ımetro de calibre 10A e ´ resistˆncia pr´pria 0.7. Dois volt´ ımetros. e c˜ c A rigidez diel´trica ´ expressa por um certo n´mero de quilovolts.5 Sensibilidade Sensibilidade ´ a caracter´ e ıstica de um instrumento de medi¸ao que exprime a rela¸ao c˜ c˜ entre o valor da grandeza medida e o deslocamento da indica¸˜o. 2Ω tem uma perda pr´pria de 20W . 1. ou n˜o. um n´mero em seu interior. c Estes valores s˜o representados nos instrumentos simbolicamente por uma estrela cona tendo. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 9 1. chamado de “tens˜o e e u a de prova”ou “tens˜o de ensaio”. e 1. a u .8 Perda Pr´pria o Perda pr´pria ´ a potˆncia consumida pelo instrumento correspondente a indica¸ao o e e ` c˜ final da escala. ent˜o.

e a . Os erros sistem´ticos ´ que definem se um instrumento ´ mais exato ou menos exato que a e e outro. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 10 1.11 Categoria de Medi¸˜o ca Definido pelos padr˜es internacionais. a categoria de medi¸ao define categorias de o c˜ I a IV. Pode-se dizer que a exatid˜o est´ diretamente relacionada a a com as caracter´ ısticas pr´prias do instrumento. O valor da e exatid˜o de um instrumento de medi¸ao ou de um acess´rio ´ definido pelos limites do a c˜ o e erro intr´ ınseco e pelos limites da varia¸ao na indica¸˜o.7. Esta a c˜ divis˜o ´ baseada no fato de que um transiente perigoso de alta energia. onde os sistemas s˜o divididos de acordo com a distribui¸ao de energia. a e ser´ atenuado ou amortecido a medida que passa pela impedˆncia (resistˆncia CA) do a ` a e sistema. a exatid˜o de um instrumento ´ considerada em rela¸˜o a um padr˜o.7. c˜ ca Como se vˆ.12 Exatid˜o a Exatid˜o ´ a caracter´ a e ıstica de um instrumento de medi¸ao que exprime o afastamento c˜ entre a medida nele efetuada e o valor de referˆncia aceito como verdadeiro. a um e a e ca a valor aceito como verdadeiro. 1. A exatid˜o vem indicada nos instrumentos el´tricos de medi¸˜o e nos acess´rios a e ca o atrav´s da sua “classe de exatid˜o”.Cap´ ıtulo 1. como um raio. a forma como foi projetado e constru´ o ıdo.

A classe de exatid˜o ´ representada pelo “´ a e ındice de classe”. 5. ou seja: ∆C = 300·1. e co e indicar o mesmo valor para uma determinada grandeza medida. ´ o termo que est´ necessariamente ligado a uma avalia¸ao estat´ e a c˜ ıstica sobre os valores resultantes de uma medida. S˜o utilizados equipac˜ e a mentos pr´ticos tanto fixos como port´teis. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 11 Classe de Exatid˜o do Instrumento a A classe de exatid˜o do instrumento representa o limite de erro. embora seja na maioria dos a e casos. 5% de e 300V . 5% para uma medi¸ao efetuada e e X c˜ de X volts. 5V Vˆ-se que o erro relativo percentual ´ ∆C · 100 > 1.13 Repetibilidade (Precis˜o) a No Vocabul´rio Internacional de Metrologia. ao fato de medir a grandeza. ´ c Um instrumento el´trico de medi¸ao. A repetibilidade est´ mais ligada ` opera¸ao. 5. com pessoal mais especializado. Exemplo: seja um volt´ ımetro de calibre C = 300V e classe de exatid˜o 1. a a a 1. a Instrumentos de Servi¸o. o limite de a erro que se pode cometer em qualquer medida feita com este volt´ ımetro ´ de 1. pois ela resulta de uma an´lise estat´ a ıstica. Devem ter uma maior precis˜o e por isso s˜o mais caros e delicados. o qual deve ser tomado como uma percentagem do calibre do instrumento. quanto melhor ´ a sua classe de exatid˜o. Assim. um n´mero u abstrato. Instrumentos Industriais: s˜o aquelas medidas feitas diretac a mente sobre a montagem industrial ou instala¸ao el´trica. A repetibilidade n˜o vem indicada c˜ c˜ a nos intrumentos. determinada atrav´s c˜ e de um processo estat´ ıstico de medi¸˜es. Uma pr´tica usual ´ selecionar um instrumento de calibre tal que o calor medido se situe no a e ultimo ter¸o da escala. onde teremos o erro relativo m´ o ıvel ınimo. Ou a a c˜ seja. que exprime o afastamento m´tuo entre as diversas co u medidas obtidas de uma grandeza dada. 1 a 1. ca a e . A precis˜o exprime o grau de consistˆncia ou reprodu¸˜o nas a e ca indica¸oes de uma medida sob as mesmas condi¸oes. Neste texto adotaremos o termo Repetibilidade.Cap´ ıtulo 1. Repetibilidade ´ a caracter´ e ıstica de um instrumento de medi¸ao. repetibilidade ´ a propriedade de um instrumento de. c˜ Tendo em vista este fato ´ que os instrumentos el´tricos de medi¸˜o podem ser classificados e e ca em dois grupos: Instrumentos de Laborat´rio: s˜o medidas realizadas em ambientes e condi¸oes ideais. ou para o projeto de dispositivos e circuitos.7. Isto mostra que o instrumento deve ser utilizado para medir grandezas de valor o mais pr´ximo poss´ do ser calibre. em rela¸ao ` m´dia aritm´tica dessas medidas. mais e c˜ e a caro ele custa e mais cuidados ele requer na sua utiliza¸ao. A repetibilidade de uma medida se faz atrav´s do “´ e ındice de repetibilidade”. em condi¸˜es idˆnticas. Um instrumento preciso n˜o ´ necessariamente exato. comumente dado em fun¸˜o do desvio padr˜o sobre a m´dia dos valores medidos. garantido pelo faa bricante do instrumento.5 100 = 4. que se pode cometer em qualquer medida efetuada com este instrumento. classe de exatid˜o de 2 a 3. S˜o medidas feitas para averiguar o funcionamento a dos dispositivos de medidas industriais. c˜ a e e Ou seja. Classe de a a exatid˜o de 0. o a c˜ distintos do ambiente industrial. ou maior. o termo Precis˜o foi substitu´ por a a ıdo Repetibilidade.

est´veis e o a a . Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 12 quando se diz que determinado resultado tem uma repetibilidade de 0. a Exemplo: Suponhamos dois volt´ ımetros de mesmo calibre. fragilidade. n˜o possuindo partes a o a m´veis (exceto seletores de escala e teclas). pois estes estar˜o e a a mais pr´ximos do valor aceito como verdadeiro. onde σ ´ o desvio padr˜o. desgaste ` o mecˆnico. As medidas efetuadas poder˜o ser t˜o mais precisas quanto mais exato for o a a a instrumento empregado. o 1. 005. ca x e a A repetibilidade ´ um pr´-requisito da exatid˜o. Uma corrente aplicada na bobina produz o seu deslocamento pela for¸a de Loe c rentz. por´m o segundo indicar´ valores mais exatos.8 Princ´ ıpios de Funcionamento de Instrumentos Eletromecˆnicos a Os primeiros instrumentos utilizados para medidas de grandezas el´tricas eram bae seados na deflex˜o de um ponteiro acoplado a uma bobina m´vel imersa em um campo a o magn´tico. mas a repetibilidade n˜o garante a e e a a exatid˜o. constru´ com certa classe de exatid˜o. A exatid˜o das e a medidas somente pode ser comprovada atrav´s da compara¸ao do instrumento com um e c˜ padr˜o. Um mecanismo de contra-rea¸˜o (em geral uma mola) produz uma for¸a contr´ria ca c a de modo que a deflex˜o do ponteiro seja proporcional ` corrente na bobina. entretanto a sua exatid˜o pode estar muito a diferente daquela que ele tinha quando estava com a resistˆncia original. Exemplo: Suponhamos um volt´ ımetro. a ıcil c˜ Os instrumentos digitais atuais s˜o inteiramente eletrˆnicos. precisos. S˜o mais robustos. dif´ automa¸ao de leitura.). um de classe de exatid˜o a 2 e outro de classe de exatid˜o 1. etc. 5% isto que dizer que a rela¸˜o σ/¯ ≤ 0. Os dois volt´ a ımetros poder˜o fazer medidas com a a mesma repetibilidade. Este volt´ e ıda ımetro continua a fazer medidas com a mesma repetibilidade. tem ıdo a sua resistˆncia original substitu´ por outra de maior valor. a a Estes instrumentos anal´gicos est˜o em desuso em fun¸ao de suas qualidades inferiores o a c˜ se comparadas as dos instrumentos digitais (imprecis˜es de leitura.Cap´ ıtulo 1.

1 Generalidades sobre Instrumentos El´tricos de Medi¸˜o e ca Os instrumentos el´tricos empregados na medi¸ao das grandezas el´tricas tˆm sempre e c˜ e e um conjunto que ´ deslocado aproveitando um dos efeitos da corrente el´trica: efeito e e t´rmico. O motor produzido pela grandeza a medir. fazendo girar a bobina em torno deste eixo. com uma extremidade presa ao eixo da bobina e a outra ` a carca¸a do instrumento. al´m da oposi¸ao ao deslocamento do conjunto m´vel. Este conjunto ca assim originado ´ chamado de “conjugado motor”. e Ao mesmo tempo as molas. c˜ O conjunto m´vel dos instrumentos el´tricos ´ assim submetido a trˆs conjugados: o e e e 1. etc. Estas molas. aproveitando um dos efeitos da corrente el´trica. Al´m disso. como na figura abaixo. A intera¸ao entre a corrente e o campo magn´tico origina as for¸as a c˜ e c aplicadas aos condutores da bobina. como ao voltar a ela cessado o efeito do conjugado motor. S˜o baseados em conversores anal´gico/digital (A/D) e s˜o facilmente adapt´veis a a o a a a uma leitura automatizada. ca Para evitar as oscila¸oes do conjunto m´vel em torno da posi¸ao de equil´ c˜ o c˜ ıbrio. efeito magn´tico. A corrente el´trica cont´ e ınua ao percorrer a bobina fica na presen¸a do campo magn´tico c e do im˜ permanente. e . efeito dinˆmico. originando um “conjugado antagonista”ou “conjugado restaurador”. fazem-no voltar a posi¸ao e c˜ o ` c˜ inicial (posi¸˜o de repouso) cessado o efeito do conjugado motor. ca o Contudo. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 13 dur´veis. ficam sob tens˜o mecˆnica e se op˜em ao movimento de rota¸˜o c a a o ca da bobina. Este “conjugado de amortecimento”evita tamb´m os deslocamentos bruscos do conjunto m´vel e o ao partir da posi¸ao de repouso. iremos estudar os princ´ ıpios gerais sobre instrumentos eletromecˆnicos de a medi¸ao para entendermos melhor o avan¸o dos instrumentos digitais. for¸as estas que produzem um conjugado em rela¸˜o c ca ao eixo de rota¸˜o do sistema.8.Cap´ ıtulo 1. Preso ao conjunto m´vel est´ um ponteiro e e a o a que se desloca na frente de uma escala graduada em valores da grandeza a que se destina o instrumento medir. criase um “conjugado de amortecimento”por meio de artif´ ıcios externos ao sistema. c˜ c 1. o custo dos instrumentos digitais ´ em geral e e inferior (com exce¸˜o dos oscilosc´pios).

ao qual est´ tamb´m preso o ponteiro. O antagonista produzido pelas molas. a intera¸˜o entre estas correntes c e a ca e o referido campo magn´tico dar´ origem a uma for¸a cujo sentido se op˜e ao movimento e a c o do disco. por atrito sobre o ar e por atrito c˜ sobre l´ ıquido. Amortecimento por Correntes de Foucault A figura acima mostra o princ´ ıpio f´ ısico em que se baseia este amortecimento. o 1. ıcio Pode ser demonstrado que o conjugado de amortecimento ´ proporcional a velocidade e ` angular do conjunto m´vel. pois a sua existˆncia est´ condicionada ao movimento do disco.Cap´ ıtulo 1. e e a O conjugado de amortecimento ´ diretamente proporcional ` velocidade angular do disco. Quando este se e a o desloca. 3. e a Amortecimento por Atrito sobre o Ar ´ E provocado pela rea¸ao do ar sobre uma fina palheta met´lica presa ao eixo de rota¸ao c˜ a c˜ do conjunto m´vel. o disco corta as linhas de fluxo do entreferro do im˜ permanente. movido pelo conjugado motor. o a e A figura abaixo mostra o artif´ mais empregado para este tipo de amortecimento. O de amortecimento produzido por arranjos externos ao conjunto m´vel. No disco s˜o ent˜o induzidas correntes de Foucault. o . produzindo assim um conjugado em rela¸˜o ao eixo de rota¸˜o. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 14 2.2 Amortecimento do Movimento do Conjunto M´vel o H´ trˆs tipos principais de amortecimentos aplicados aos instrumentos el´tricos de a e e medi¸ao: amortecimento por correntes de Foucault. conjugado este ca ca que ´ de amortecimento. Como elas est˜o na a a a a presen¸a do campo magn´tico do mesmo im˜ permanente.8. O disco de alum´ ınio ´ rigidamente solid´rio ao eixo do conjunto m´vel.

em virtude de suas caracter´ e ´ ısticas. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 15 Amortecimento por Atrito sobre L´ ıquido O l´ ıquido mais usado ´ o oleo mineral. o O fio de suspens˜o mostrado na figura acima ´. e . o Suspens˜o por Eixo a O eixo ´ feito de a¸o. a e Suspens˜o por Fio a Empregada. H´ trˆs tipos de suspens˜es mais empregadas: suspens˜o a e o a por fio. A viscosidade do oleo ´ escolhida de acordo com o mais intenso ou menos ´ e intenso amortecimento que se queira dar ao movimento do conjunto m´vel.Cap´ ıtulo 1. Demonstra-se o tamb´m em dinˆmica dos l´ e a ıquidos que o conjugado de amortecimento neste caso ´ ainda e proporcional ` velocidade angular do conjunto m´vel. e c˜ e c˜ devendo a suspens˜o do conjunto m´vel ser feita com tal perfei¸ao a proporcionar um a o c˜ movimento sem nenhum atrito. fornecer. instrumentos de laborat´rio. em geral. tendo nas extremidades dois bicos pontudos de a¸o duro repoue c c sando sobre dois apoios de rubi ou safira sint´tica. a o 1. o conjugado antagonista. sobretudo. feito de uma liga f´sforoa e o bronze e tem trˆs finalidades: suportar o conjunto m´vel.8. tamb´m e como isolante. em instrumentos de alta sensibilidade. A extremidade superior do fio ´ presa a carca¸a do instrumento e a sua por¸˜o inferior e ` c ca ´ feita em forma de mola para permitir regular a tens˜o mecˆnica do fio e centralizar o e a a conjunto m´vel. e servir como condutor para levar a corrente el´trica ` c˜ e a bobina. por interm´dio da e o e tor¸ao. por eixo (instrumento de “pivot”) e suspens˜o magn´tica.3 Suspens˜o do Conjunto M´vel a o Esta ´ a parte mais delicada na constru¸ao dos instrumentos el´tricos de medi¸ao.

podem ser classificados em trˆs tipos: indicadores. em a e a que p´los de mesmo nome s˜o colocados em presen¸a na parte inferior do eixo. nos instrumentos de eixo vertical. a Suspens˜o Magn´tica a e ´ E utilizada. como na figura acima. sobretudo. eliminando consideravelmente o atrito no apoio inferior. conforme a figura acima. ou totalizadores. 1. deve-se ter o cuidado de utilizar o instrumento na posi¸ao correta indicada pelo fabricante. eles indicam o valor da grandeza a que se destinam medir. O guia indicado nas figuras ´ feito de material n˜o magn´tico e serve para evitar que e a e o conjunto m´vel fuja da posi¸˜o correta em que deve trabalhar. Devido a este detalhe. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 16 O eixo pode ser vertical ou horizontal. Podem ser do tipo “ponteiro”para instrumentos anal´gicos de suspens˜o por eixo e do o a .4 Processos de Leitura Os instrumentos el´tricos de medi¸˜o. por s´ ımbolos que podem ser vistos na sess˜o a seguir.Cap´ ıtulo 1. Dois pequenos im˜s pera manentes s˜o empregados: um preso ao eixo do conjunto m´vel e outro ` carca¸a do a o a c instrumento. Isto fez com que a vida m´dia ıcio o e destes medidores aumentasse de 15 para 30 anos. conforme o modo de indica¸ao do valor das e ca c˜ grandezas medidas. o a c c˜ conforme figura acima. uma vez que e com este artif´ o conjunto m´vel fica flutuando no ar. em que p´los de nomes contr´rios s˜o colocados em presen¸a na o a a c parte superior do eixo. e atra¸ao. Instrumentos Indicadores Sobre uma escala graduada. A suspens˜o magn´tica pode ser de dois tipos: repuls˜o. o ca Esta suspens˜o tem sido empregada com resultados satisfat´rios nos medidores de a o energia el´trica. c˜ no mostrador. registradores e e acumuladores.8.

retirando-se o papel do instrumento. 1. Os instrumentos digitais podem utilizar leds. O que facilita a e e o an´lise e o armazenamento de dados. e a leitura que foi feita no in´ do per´ ıcio ıodo. Al´m de. temse uma id´ia da varia¸ao da grandeza medida durante o per´ e c˜ ıodo de tempo em que este instrumento esteve ligado. displays. o registro ´ realizado atrav´s de mem´rias. Acumuladores ou Totalizadores O mostrador destes instrumentos indica o valor acumulado da grandeza medida. possibilitar a an´lise a e e a de forma remota. atrav´s de uma rede.Cap´ ıtulo 1. Em instrumentos digitais. A quane e ca tidade de energia el´trica solicitada durante um certo per´ e ıodo. e e . Isto permite a medida correta das grandezas sem por em risco a vida do operador e a integridade do equipamento. As tabelas a seguir ilustram alguns dos s´ ımbolos freq¨entemente u utilizados em medidas el´tricas e nos diagramas dos circuitos el´tricos. chamada “leitura atual”. ou monitores independente dos tipos de instrumento. desde o momento em que os mesmos foram instalados. Instrumentos Registradores Em instrumentos anal´gicos. Para tanto. levando em considera¸ao a ` ca e c˜ a potˆncia el´trica solicitada por uma carga e o tempo de utiliza¸˜o da mesma. podendo inclusive. chamada “leitura anterior”. ´ e e obtida pela diferen¸a entre a leitura no fim do per´ c ıodo. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 17 tipo “feixe luminoso”ou “imagem luminosa”para instrumentos anal´gicos de suspens˜o o a por fio. Depois. S˜o especialmente destinados a medi¸˜o de energia el´trica. atrav´s de uma rede. eles registram os valores o da grandeza a que se destinam medir. deve-se observar os s´ ımbolos gravados nos visores. um mˆs por exemplo. sobre um rolo de papel graduado.9 Simbologia para Instrumentos de Medida A utiliza¸ao correta dos instrumentos de medidas el´tricas depende da escolha dos c˜ e instrumentos. possibilitar uma indica¸˜o e ca remota .

Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 18 .Cap´ ıtulo 1.

c˜ Na pr´tica. calculando a corrente solicitada por esta lˆmpada. etc. de tal modo que o valor medido se situe no ultimo ter¸o da escala do ´ c instrumento utilizado. tens˜o. tens˜o de ensaio a ca a 2kV . E interessante analisar previamente a perturba¸˜o que pode causar um determinado ca instrumento de medi¸ao ao ser inserido num circuito. Esta precau¸˜o faz evitar a ca acidentes para o operador e para o instrumento. ´ necess´rio selecionar o instrumento e e a adequado tendo em vista v´rias condi¸oes: a c˜ 1. 3. grandeza cont´ e ınua ou alternada.Cap´ ıtulo 1. 4. antes de coloc´-lo em opera¸ao. Valor aproximado da grandeza para que se possa fazer a sele¸ao do calibre adequado. potˆncia. para correntes cont´ c˜ o ınua e alternada. a a c˜ ent˜o deve ser selecionado um instrumento de calibre o maior poss´ a ıvel. classe de exatid˜o 1. a e e Se n˜o h´ condi¸oes para determinar previamente o valor aproximado da grandeza. Para fazer a medida de uma grandeza el´trica. 220V . 2. uma vez que. deseja-se meca dir a corrente solicitada por uma lˆmpada de 200W .10 Precau¸˜es na Utiliza¸˜o co ca ´ E aconselh´vel que o operador somente utilize um instrumento el´trico de medi¸˜o se a e ca tiver real certeza de que o est´ utilizando de modo correto. deve ser utilizado com o mostrador na posi¸˜o horizontal. este deve ser selecionado com uma eficiˆncia a c˜ e melhor poss´ a fim de que nenhuma influˆncia cause no referido circuito. ıvel e ´ 5. Natureza da grandeza que se quer medir: corrente. O instrumento deve ter uma classe de exatid˜o compat´ com a qualidade da grana ıvel deza que se est´ medindo e com a precis˜o que se deseja nos resultados que ser˜o a a a obtidos. Se o instrumento n˜o ´ ainda conhecido a e para o operador. 1. Verificado assim desta forma o valor da grandeza. energia. pode-se empregar um a amper´ ımetro de calibre 1A. e a e o seu tipo. obtendo-se assim melhor resultado na medida. Em rela¸ao a potˆncia el´trica da fonte que alimenta o circuito em que vai ser introc˜ ` e e duzido o instrumento de medi¸ao. devem ser lidos os manuais de instru¸oes a c˜ c˜ fornecidos pelo fabricante.. pode-se ent˜o selecionar um calibre mais a adequado. Por exemplo. se vˆ que ela ´ ligeiramente inferior a 1A. isto ´. Esta afirmaıvel e e ´ tiva ´ precipitada! E mais correto afirmar que a resistˆncia interna do amper´ e e ımetro . vamos dar um exemplo: e Significa¸ao: instrumento de ferro m´vel. Este fato ´ ressaltado com c˜ e o exemplo seguinte: corriqueiramente ´ dito que todo amper´ e ımetro tem resistˆncia e interna desprez´ quando ´ utilizado para medir uma corrente el´trica. isto ´ quase sempre poss´ a e ıvel em virtude dos dados caracter´ ısticos do equipamento fornecidos na sua placa de identifica¸˜o. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 19 Para fixar a id´ia.

e e conforme a figura abaixo.Cap´ ıtulo 1. a corrente I que circula atrav´s de R ´ de 10A. diante do valor da resistˆncia e R do circuito. Poder´ ser desprez´ se realmente for muito mea ıvel nor do que a resistˆncia do circuito com a qual tenha sido posto em s´rie. mas n˜o. desprez´ e a ıvel. a Isto mostra que o amper´ ımetro causou uma perturba¸˜o no circuito em virtude de ca a sua resistˆncia ser consider´vel. Para fixar e e a id´ia. Ora. conforme a figura abaixo. suponhamos que uma fonte E = 10V alimenta uma resistˆncia R = 1Ω. e n˜o desprez´ e a a ıvel. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´tricas e 20 ´ pequena. Este exemplo ´ extensivo a todos os outros instrumentos el´tricos de e e medi¸ao e serve de alerta aos seus manipuladores. Se for introduzido em s´rie e e e com R um amper´ ımetro de resistˆncia interna Ra = 1Ω. e a corrente ser´ agora I = 5A. c˜ .

Uma bobina m´vel Bp . O seu funcionamento e ´ assim idˆntico ao do instrumento de im˜ fixo e bobina m´vel. E e a ainda. onde Bc ´ chamada bobina de corrente e Bp . fazendo-se ressalva de que os eletrodinˆmicos s˜o utiliz´veis tanto em ıdo a a a corrente cont´ ınua como em corrente alternada. sendo o im˜ permanente e e a o a substitu´ por Bc . A nota¸ao Bc e Bp ´ justificada pela utiliza¸ao destes instrumentos como watt´ c˜ e c˜ ımetro. Uma bobina fixa Bc constitu´ de duas meias bobinas idˆnticas. criado pela corrente ic . e ca .Cap´ ıtulo 2 Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e ca e Reativa 2. a qual est´ preso o ponteiro.1 Watt´ ımetro Eletrodinˆmico a A figura a seguir esquematiza este instrumento que consta essencialmente das seguintes partes. bobina de potencial ou bobina de tens˜o. Lc ´ o coeficiente de auto-indu¸˜o de Bc e Lp . de Bp . colocada entre as duas meias o ` a bobinas Bc . resulta da intera¸˜o entre o campo o ca eletromagn´tico. O movimento do conjunto m´vel. al´m das molas restauradoras: e a. bobina Bp . ıda e b. e a corrente ip da bobina Bp .

2. como por exemplo. e No caso em que se deseje um valor preciso de potˆncia medida. . A medi¸ao. facilmente identificamos os terminais das bobinas Bc e Bp : os terminais de Bc tˆm maior se¸˜o que os de Bp . Isto indica a entrada das bobinas Bc e Bp . respectivamente. ou na influˆncia da corrente ip da bobina Bp fazendo que haja um desvio da corrente e total i = ic da carga e que ´ medida pela bobina Bc . temos que ic = i e v a e e ip = Rp .1.1 Erro Sistem´tico do Watt´ a ımetro Como mostram os dois esquemas seguintes ´ imposs´ realizar. na figura abaixo em que Bc suporta no m´ximo 5A e Bp .2 Modo Pr´tico de Ligar o Watt´ a ımetro Antes de ligar um watt´ ımetro. ´ poss´ determinar-se e e ıvel o valor da potˆncia perdida para subtra´ da indica¸ao do watt´ e ı-lo c˜ ımetro. ao mesmo tempo. portanto. comporta um c˜ e c˜ c˜ erro sistem´tico: seja com a influˆncia da bobina Bc na corrente ic antes da medi¸˜o de a e ca Bp . Um terminal de Bc . ´ preciso observar os valores m´ximos de corrente e a e tens˜o suport´veis por Bc e Bp . a Olhando para um watt´ ımetro.1. Ou aqueles est˜o designados por e ca a A1 e A2 . como tamb´m um de Bp . O que nos d´ a potˆncia ativa da carga Z em watt. e estes por V1 e V2 .Cap´ ıtulo 2. e e 2. est´ marcado com um sinal ± ou com e a um aster´ ıstico ∗. de modo que a leitura do valor da potˆncia ativa ´ feita diretamente. a e ıvel liga¸ao s´rie Bc −carga e a liga¸ao paralela Bp −carga. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 22 Consideremos uma carga Z submetida ` tens˜o v e percorrida pela corrente i. Estes valores est˜o indicados no a a a mostrador do instrumento. e considerando Rp >> ωLp . Ligando a a Bc em s´rie com esta carga e Bp em paralelo. 300V .

onde: a V ´ o valor eficaz da tens˜o aplicada ` Bp . diferente de V . e 3. conforme mostram as e figuras abaixo. tenha cos θ < 0. ´ preciso inverter uma de suas duas bobinas Bc ou Bp . Para dar indica¸ao para c˜ frente. a bobina Bp ligada depois da bobina de corrente. I ´ o valor eficaz da corrente que percorre Bc . O terminal marcado de Bc deve ser ligado ` fonte e o outro ` carga. Observamos que o watt´ ımetro d´ um desvio proporcional ao produto V I cos θ.Cap´ ıtulo 2. A indica¸ao W do watt´ c˜ ımetro ser´ neste caso: a W = U I · cos U I . sua liga¸ao deve ser feita como c˜ na figura acima. O terminal marcado de Bp deve ser ligado no condutor que est´ em s´rie com Bc . a e levando em conta o recomendado no item anterior. e a Como a escala do instrumento j´ ´ graduada em valores de potˆncia. e a a e e θ ´ o ˆngulo de defasagem entre V e I. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 23 Para que o watt´ ımetro dˆ uma indica¸ao correta: e c˜ 1. 4. O terminal n˜o marcado de Bp ser´ ligado ao outro condutor. conforme a express˜o de W acima. como mostra a a a figura acima. no caso em watts. O watt´ ımetro pode dar indica¸ao para tr´s desde que o ˆngulo θ. ent˜o a a ele indicar´ a potˆncia ativa da carga. ae e ent˜o a sua indica¸ao ser´: a c˜ a W = V I · cos θ Se as grandezas aplicadas ao watt´ ımetro forem as mesmas aplicadas ` carga. 2. e Bc percorrida pela mesma corrente I. isto ´. isto ´. Chamamos a a e a aten¸ao para este ponto porque pode acontecer de a carga ser alimentada com a tens˜o c˜ a V e percorrida pela corrente I. ligado ao ponto a a e B ou E ou D da figura acima. entre a tens˜o c˜ a a a aplicada a Bp e a corrente que percorre Bc . enquanto que o watt´ ımetro tenha Bp submetida a tens˜o ` a U .

empregamos o ca e e watt´ ımetro. as express˜es das potˆncias ficar˜o: a o e a √ Potˆncia Aparente: S = 3V I = 3 · U I. O instrumento pode ser o mesmo.Cap´ ıtulo 2. v1 . e Potˆncia Reativa: Q = V I · sin θ expressa em var (var). v2 e v3 s˜o as a a respectivas tens˜es entre cada fase e o neutro. e √ Potˆncia Ativa: P = 3V I · cos θ = 3 · U I cos θ. 2 e 3. e 2. respectivamente. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 24 2. o . i2 e i3 s˜o as correntes das fases 1. a e Relembramos as express˜es das potˆncias el´tricas em corrente alternada: o e e Potˆncia Aparente: S = V I expressa em volt-amp´re (V A).1 M´todos para Medi¸˜o da Potˆncia Ativa e ca e Num circuito trif´sico a potˆncia instantˆnea ´ dada pela rela¸ao: a e a e c˜ p = v1 i1 + v2 i2 + v3 i3 onde: i1 . quer a fonte seja de corrente cont´ ınua ou de corrente alternada. ent˜o a a a a indica¸ao do watt´ c˜ ımetro ser´ a potˆncia ativa absorvida pela carga.2. Chamamos a aten¸˜o para o fato de que a indica¸ao do watt´ ca c˜ ımetro ´ igual ao produto da tens˜o V aplicada a sua bobina de potencial Bp pela corrente I que e a ` percorre a sua bobina de corrente Bc e pelo cosseno do angulo de defasagem entre V e I: ˆ W = V I · cos V I Se V for a mesma tens˜o aplicada ` carga e I a mesma corrente que percorre.2 Medi¸˜o de Potˆncia El´trica em Corrente Alterca e e nada Para a medi¸˜o da potˆncia el´trica ativa solicitada por uma carga. e e Potˆncia Ativa: P = V I · cos θ expressa em watt (W ). e √ Potˆncia Reativa: Q = 3V I · sin θ = 3 · U I sin θ. e ´ E preciso tamb´m n˜o esquecer a rela¸ao entre a tens˜o composta U (tens˜o entre e a c˜ a a ¯ (tens˜o entre fase e neutro) nos circuitos trif´sicos equilibrados: fases) e a tens˜o simples V a a a U= √ 3·V Para os ciscuitos trif´sicos equilibrados.

Cap´ ıtulo 2. isto ´. e e a a a sendo trˆs fios de fase e um fio de neutro. temos: a. existem as igualdades: e e a. cos V2 I2 c. W = V1 I1 cos V1 I1 b. cos V3 I3 = cos θ1 = cos θ2 = cos θ3 A indica¸ao total ser´: W = W1 + W2 + W3 e a potˆncia ativa total: P = W . temos que a soma das suas indica¸oes respectivas representa a potˆncia ativa total absorvida pela carga Z. equilibrados ou n˜o. Temos ent˜o: e a P = V1 I1 cos θ1 + V2 I2 cos θ2 + V3 I3 cos θ3 Aplicando ent˜o trˆs watt´ a e ımetros. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 25 M´todo dos Trˆs Watt´ e e ımetros: Circuitos de 3 Fases e um Neutro Este m´todo ´ aplic´vel para os circuitos trif´sicos a quatro fios. como mostra a figura abaixo. I1 = I2 = I3 = I . W = V3 I3 cos V3 I3 Levando em considera¸˜o que a figura do diagrama fasorial corresponde ao esquema ca da mesma figura. W = V2 I2 cos V2 I2 c. V1 = V2 = V3 = V b. Se o c˜ a e circuito ´ equilibrado. c˜ e As indica¸oes dos watt´ c˜ ımetros ser˜o: a a. cos V1 I1 b.

A soma das correntes de linha ´ sempre zero: e i1 + i2 + i 3 = 0 Isto corresponde a: I1 + I2 + I3 = 0 2. e e a a e a sendo todos os trˆs fios de fase. teremos: a P = 3V I cos θ Para este caso podemos empregar apenas um watt´ ımetro e multiplicar a sua indica¸ao c˜ por 3 para termos a potˆncia ativa total P . a Nos circuitos trif´sicos a trˆs fios. A soma das tens˜es compostas ´ sempre zero: o e u12 + u23 + u31 = 0 Isto corresponde a: U12 + U23 + U31 = 0 Explicitando i3 na express˜o acima e substituindo na express˜o de potˆncia insa a e tantˆnea obtemos: a p = v1 i1 + v2 i2 − v3 (i1 + i2 ) ou ainda: p = (v1 − v3 ) i1 + (v2 − v3 ) i2 Podemos ainda escrever as seguintes rela¸oes: c˜ v1 − v3 = u13 que ´ a tens˜o composta entre as fases 1 e 3 e a v2 − v3 = u23 que ´ a tens˜o composta entre as fases 2 e 3 e a Ent˜o: a p = u13 i1 + u23 i2 E a potˆncia ativa total ser´: e a . e M´todo dos Dois Watt´ e ımetros: Circuitos de 3 Fases Este m´todo ´ aplic´vel para os circuitos trif´sicos a trˆs fios.Cap´ ıtulo 2. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 26 c. o que significa n˜o circular corrente no neutro. Poder´ ser aplicado ao circuito de 4 fios se o mesmo for e a equilibrado. duas condi¸oes s˜o sempre satisfeitas: a e c˜ a 1. θ1 = θ2 = θ3 = θ ent˜o. equilibrados ou n˜o.

5 O primeiro watt´ ımetro d´ indica¸˜o para frente. I1 = 30o − θ b. . θ > 60o acarreta cos θ < 0. I1 + U23 I2 · cos U23 . 5 O primeiro watt´ ımetro indica sozinho a potˆncia ativa total da carga. θ = 60o acarreta cos θ = 0.Cap´ ıtulo 2. os dois watt´ e ımetros d˜o indica¸ao para a c˜ a frente. W1 = U I · cos (30o − θ) b. U13 . I2 Se o circuito ´ equilibrado. U23 . 2. I1 b. Cada watt´ ımetro indicar´: a a. W2 = U23 I2 · cos U23 . temos do diagrama fasorial da figura acima: e a. pois o segundo e indica W2 = 0. W2 = U I · cos (30o + θ) Sobre as express˜es acima faremos as seguintes observa¸oes: o c˜ 1. isto ´. 5 Neste caso temos W1 e W2 positivos. I2 A figura acima indica a montagem a realizar com os dois watt´ ımetros para a obten¸ao c˜ de P . W1 = U13 I1 · cos U13 . I2 = 30o + θ Acarretando como conseq¨ˆncia: ue a. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 27 P = U13 I1 · cos U13 . mas o segundo d´ indica¸ao para a ca a c˜ tr´s. θ < 60o acarreta cos θ > 0. a 3.

Para os circuitos monof´sicos emprega-se o watt´ a ımetro e mais um volt´ ımetro e um amper´ ımetro. ´ e a e e expressa como: Q = V I · sin θ Para a carga trif´sica esta potˆncia ser´: a e a Q = V1 I1 sin θ1 + V2 I2 sin θ2 + V3 I3 sin θ3 Se a carga trif´sica ´ equilibrada. e A potˆncia ativa total P = W1 +W2 ´ assim a soma alg´brica das respectivas indica¸oes e e e c˜ dos dois watt´ ımetros. de fator de potˆncia cos θ. Para ı os circuitos trif´sicos empregamos o wattimetro tendo cuidado de alimentar a sua bobina a Bp com uma tens˜o defasada de 90o em rela¸ao a tens˜o aplicada ` carga.Cap´ ıtulo 2. como mostra a figura abaixo. sin θ = U I Para este m´todo. al´m da montagem da figura acima. esta express˜o. a c˜ ` a a .2 Medi¸˜o da Potˆncia Reativa ca e A potˆncia reativa solicitada por uma carga monof´sica. ficar´: a e a a Q = 3V I · sin θ Embora existam instrumentos especiais para medi¸˜o de potˆncia reativa. eles s˜o ca e a pouco empregados. O fator de potˆncia da carga pode ser calculado a partir das express˜es: e o √ W1 −W2 W1 +W2 W1 +W2 . bastando para isto substituir na express˜o da corrente a os valores correspondentes: i1 = − (i2 + i3 ) ou i2 = − (i1 + i3 ) 2. pode ser realizadas as montae e gens mostradas na figura abaixo. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 28 Os dois watt´ ımetros sempre dar˜o indica¸˜es diferentes entre si. Somente para θ = 0 a co ´ que teremos: W1 = W2 . tgθ = W1 −W2 · 3 cos θ = √3·U I . devemos inverter a bobina de corrente Bc do segundo watt´ ımetro de modo que o mesmo dˆ uma indica¸ao para frente e c˜ e este valor ser´ subtra´ da indica¸˜o do primeiro instrumento para termos a potˆncia a ıdo ca e total P . P Da´ deduzimos: cos θ = V I e consequentemente sin θ e ainda: Q = V I · sin θ.2. Se acontecer o segundo caso num circuito.

W3 = U12 I3 cos U12 I3 Do diagrama fasorial correspondente.Cap´ ıtulo 2. mostrado na figura acima. equilibrado ou n˜o. cos U12 I3 = cos (90o − θ1 ) = sin θ1 = cos (90o − θ2 ) = sin θ2 = cos (90o − θ3 ) = sin θ3 . e a e As indica¸oes dos watt´ c˜ ımetros ser˜o: a a. a montagem a realizar a a ´ a mostrada na figura abaixo. W1 = U23 I1 cos U23 I1 b. W2 = U31 I2 cos U31 I2 c. temos: a. cos U23 I1 b. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 29 Montagens para Medi¸˜o da Potˆncia Reativa em Circuitos Trif´sicos ca e a O circuito trif´sico pode ser a 3 ou 4 fios. cos U31 I2 c. O fio neutro n˜o ´ utilizado.

Cap´ ıtulo 2. Desta se conclui: √ W1 = U I sin θ = 3 · V I sin θ E neste caso para termos a potˆncia reativa total Q: e √ Q = 3 · W1 ou seja: Q = 3V I sin θ Costuma-se fazer a montagem da figura com trˆs watt´ e ımetros na pr´tica para verificar a se o circuito trif´sico ´ realmente equilibrado. conclui-se que: co √ W = 3·Q ∴ Q= W √ 3 Ou seja: a potˆncia reativa total Q da carga ´ igual a soma das indica¸oes dos trˆs e e ` c˜ e √ watt´ ımetros dividida por 3. a express˜o toma a forma: a √ W = 3 · (V I1 sin θ1 + V I2 sin θ2 + V I3 sin θ3 ) Comparando as equa¸˜es. Sendo o circuito trif´sico equilibrado. Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 30 Assim. pois em caso afirmativo todos os watt´ a e ımetros dar˜o a mesma indica¸ao: a c˜ W1 = W2 = W3 Ainda para os circuitos trif´sicos equilibrados podemos empregar dois watt´ a ımetros como na figura abaixo e teremos: W = W1 + W2 . podemos empregar a apenas o primeiro watt´ ımetro como mostra a figura abaixo. a soma das indica¸oes ser´: c˜ a W = U23 I1 sin θ1 + U31 I2 sin θ2 + U12 I3 sin θ3 Como as tens˜es s˜o supostas sempre equilibradas temos que: o a √ |U23 | = |U31 | = |U12 | = U = 3 · V Assim.

mas dir´ o ıamos que a potˆncia reativa ´ indutiva. isto ´. o instrumento pode dar a indica¸ao incorreta. Entretanto. do diagrama fasorial: cos U23 . c˜ e ca e e indutiva ou capacitiva. ca ca a a A indica¸ao do watt´ c˜ ımetro: W = U23 I1 · cos U23 . embora o instrumento esteja e com a liga¸˜o correta.Cap´ ıtulo 2. como se pode ver na figura abaixo. Se a potˆncia reativa for capacitiva. A primeira vista parece que c˜ a ´ bastante inverter a liga¸˜o de Bc e teremos a indica¸˜o correta para a frente. sua indica¸˜o ser´ para tr´s. quando na e e realidade ´ capacitiva. I1 Mas. e ca ca esta observa¸ao ´ feita para o fato da identifica¸˜o da natureza da potˆncia reativa. I1 Donde concluimos: W = −U23 I1 sin θ Se a liga¸˜o tivesse sido U32 ter´ ca ıamos que a indica¸ao do watt´ c˜ ımetro seria: W = U32 I1 sin θ O m´dulo seria o mesmo. inclusive em sentido contr´rio ao normal. Mas. e = cos (90o + θ) = − sin θ . Medi¸˜o de Potˆncias Ativa e Reativa ca e 31 Sequˆncia das Fases e Na medi¸ao da potˆncia ativa n˜o importa a seq¨ˆncia das fases. pois se a liga¸˜o de e e ue ca Bp n˜o for a correta. na medi¸˜o da c˜ e a ue ca potˆncia reativa ´ muito importante conhecer a seq¨ˆncia das fases. como a indicada nas montagens anteriores.

. chae e e e mado “prim´rio”. a a fornece energia da mesma forma e freq¨ˆncia. est´tico.Cap´ ıtulo 3 Transformadores para Instrumentos 3. a ue a uma carga M . Um dos circuitos el´tricos. mas usualmente sob tens˜o diferente. Um transformador consta essencialmente de dois circuitos e el´tricos. c˜ a Transformador de Potencial (TP) ´ E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´rio ´ ligado em dea e riva¸˜o com um circuito el´trico e cujo enrolamento secund´rio se destina a alimentar ca e a bobinas de potencial de instrumentos el´tricos de medi¸˜o. e a 3. Na pr´tica ´ consie c˜ c˜ a e derado um “redutor de corrente”. e o outro. pois a corrente que percorre o seu circuito secund´rio a ´ normalmente menor que a corrente que percorre o seu enrolamento prim´rio. controle ou prote¸ao. que recebe energia el´trica e e a e e fornece energia el´trica.1 Introdu¸˜o ca Os transformadores para instrumentos s˜o equipamentos el´tricos projetados e consa e tru´ ıdos especificamente para alimentarem instrumentos el´tricos de medi¸˜o. recebe energia de uma fonte AC. a a Transformador de Corrente (TC) ´ E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´rio ´ ligado em s´rie a e e em um circuito el´trico e cujo enrolamento secund´rio se destina a alimentar bobinas de e a corrente de instrumentos el´tricos de medi¸ao. acoplados atrav´s de um circuito magn´tico. chamado “secund´rio”. controle ou prote¸ao. pois a tens˜o no seu circuito secund´rio ´ a e a a a e normalmente menor que a tens˜o no seu enrolamento prim´rio. controle ou e ca prote¸ao. S˜o dois os tipos de transformadores para instrumentos. Na e ca c˜ pr´tica ´ considerado um “redutor de tens˜o”.2 Generalidades sobre Transformadores O transformador ´ um equipamento el´trico.

Portanto: a u e a I1 = n2 n1 · I2 Como I1 e I2 tˆm sentidos opostos. n˜o h´ perdas. a express˜o do transformador ficar´: a a U1 = −E1 + r1 I1 + jx1 I1 U2 = E2 − r2 I2 − jx2 I2 n2 onde a corrente do prim´rio com a corrente de excita¸˜o ´ I1 = − n1 · I2 + I0 . e a e a isto ´. Transformadores para Instrumentos 33 Os circuitos prim´rio e secund´rio s˜o bobinas de fios de cobre. a ca e . temos as sequintes rela¸˜es fasoriais: a co U2 = E2 e U1 = −E1 Agora. e u a e u a O circuito magn´tico. e a a ca fluxo de dispers˜o representados pelas “reatˆncias de fuga”ou “reatˆncias de dispers˜o”do a a a a prim´rio x1 e secund´rio x2 . consideraremos um transformador real com todos os seus elementos considerados: resistˆncias dos enrolamentos prim´rio r1 e secund´rio r2 . Admitindo que a potˆncia fornecida ao prim´rio ´ totalmente transferida ao secund´rio. chamado “n´cleo”. ´ de chapas de ferro-sil´ e u e ıcio justapostas. em geral com n1 = n2 a a a onde n1 ´ o n´mero de espiras do prim´rio e n2 ´ o n´mero de espiras do secund´rio. corrente de excita¸˜o I0 . podemos escrever: U1 I1 = U2 I2 ou ainda: e a a U1 U2 = I2 I1 = n1 n2 Da express˜o acima conclu´ a ımos: n1 I1 = n2 I2 .Cap´ ıtulo 3. rendimento 100%. mas isoladas umas das outras para reduzir as perdas por correntes de Foucault. o que significa ser o n´mero de amp´resu e espiras do prim´rio igual ao n´mero de amp´res-espiras do secund´rio. a a Desta forma. a rela¸˜o fasorial entre elas ser´: e ca a n2 I1 = − n1 · I2 E como E1 deve equilibrar a tens˜o aplicada U1 .

Assim. Assim. 69000/115V . s˜o encontrados no mercado TPs para: a a 2300/115V . ao aplicar-se a tens˜o de 14280V . tem-se no secund´rio a a a 112V . mas na a e a mesma propor¸ao das tens˜es nominais do TP utilizado. tem-se no secund´rio 119V . Quando no prim´rio se aplica a tens˜o nominal para o qual o TP foi constru´ a a ıdo. 13800/115V . sendo a tens˜o prim´ria nominal estabelecida de acordo com a tens˜o entre a a a fases do circuito em que o TP ser´ ligado. Transformadores para Instrumentos 34 3. a b. o transformador de potencial (TP). Quando no prim´rio se aplica um tens˜o menor ou maior do que a nominal.3 Transformador de Potencial (TP) A figura abaixo representa. para: a e . ao aplicar-se a tens˜o de 13400V no prim´rio. sendo por isto considerado na pr´tica a a como um elemento “redutor de tens˜o”. a a e Os TPs s˜o projetados e constru´ a ıdos para uma tens˜o secund´ria nominal padronizada a a em 115 volts. e com tens˜o secund´ria a a √ nominal 115/ 3 volts ou 115V aproximadamente. O TP tem n1 > n2 dando assim uma tens˜o U2 < U1 . s˜o tamb´m encontrados no mercado TPs. no a a secund´rio tem-se tamb´m uma tens˜o menor ou maior do que 115 volts. etc. esquematicamente.. Exemplo: num TP de c˜ o 13800/115V . podendo ainda ter estas duas possibilidades de tens˜es ao mesmo tempo por meio de uma deriva¸ao conforme mostra a figura o c˜ abaixo.Cap´ ıtulo 3. por exemplo. no secund´rio tem-se 115 volts. pois uma tens˜o elevada U1 ´ transformada para a a e uma tens˜o reduzida U2 de valor suport´vel pelos instrumentos el´tricos usuais. isto significa que: a. a a Os TPs a serem ligados entre fase e neutro s˜o constru´ √ para terem como tens˜o a ıdos a a a prim´ria nominal a tens˜o entre fases do circuito dividida por 3.

O quadro abaixo mostra as tens˜es prim´rias nominais e as rela¸oes nominais padroo a c˜ nizadas para os TPs fabricados normalmente no Brasil. sem que nenhum dano lhes seja causado. Os TPs s˜o projetados e constru´ a ıdos para suportarem uma sobre-tens˜o de at´ 10% a e em regime permanente. ou as duas tens˜es: 115/ 3V e 115V a a aproximadamente. ou as duas tens˜es: 115/ 3V e 115V a a aproximadamente. e 3. Tens˜o prim´ria nominal: 13800/ 3 volts a a √ √ o Tens˜o secund´ria nominal: 115/ 3 volts. bobinas de potencial de watt´ ımetros. bobinas de potencial de medidores de energia el´trica.) a corrente secund´ria I2 ´ muito pequena e por isto se diz que s˜o a a e a transformadores de potˆncia que funcionam quase em vazio. Transformadores para Instrumentos 35 √ 1. Tens˜o prim´ria nominal: 69000/ 3 volts a a √ √ o Tens˜o secund´ria nominal: 115/ 3 volts.1 Rela¸˜o Nominal ca U1n U2n = Kp .3. √ 2. etc. rel´s e e de tens˜o. Como os TPs s˜o a empregados para alimentar instrumentos de alta impedˆncia (volt´ a ımetros.Cap´ ıtulo 3.

Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos

36

´ E a rela¸˜o entre os valores nominais U1 n e U2 n das tens˜es prim´ria e secund´ria, ca o a a respectivamente, tens˜es estas para as quais o TP foi projetado e constru´ o ıdo. A “rela¸˜o ca ´ chamada tamb´m nominal”´ a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸ao do TP. E e c˜ e de “rela¸˜o de transforma¸˜o nominal”, ou simplesmente de “rela¸˜o de transforma¸ao”, ca ca ca c˜ sendo nas aplica¸oes pr´ticas considerada uma constante para cada TP. Ela ´ muito c˜ a e aproximadamente igual a rela¸˜o entre as espiras: ` ca
U1n U2n

= Kp =

n1 n2

3.3.2

Rela¸˜o Real ca
U1 U2

= Kr

´ E a rela¸ao entre o valor exato U1 de uma tens˜o qualquer aplicada ao prim´rio do c˜ a a TP e o correspondente valor exato U2 verificado no secund´rio dele. Em virtude de o TP a ser um equipamento eletromagn´tico, a cada U1 corresponde um U2 e como conseq¨ˆncia, e ue um Kr :
U1 U2

= Kr

;

U1 U2

= Kr

;

U1 U2

= Kr

Como tamb´m, para uma mesma tens˜o U1 aplicada ao prim´rio, a cada carga colocada e a a no secund´rio do TP poder´ corresponder um valor da tens˜o U2 , e como conseq¨ˆncia, a a a ue um Kr :
U1 U2

= Kr

;

U1 U2

= Kr

;

etc.

Estes valores de Kr s˜o todos muito pr´ximos entre si e tamb´m de Kp , pois os TPs s˜o a o e a projetados dentro de crit´rios especiais e s˜o fabricados com materiais de boa qualidade e a sob condi¸oes e cuidados tamb´m especiais. c˜ e Como n˜o ´ poss´ medir U2 e U1 com volt´ a e ıvel ımetros (U1 tem normalmente valor elevado), mede-se U2 e chega-se ao valor exato U1 atrav´s da constru¸ao do diagrama fasorial e c˜ do TP. Por isto ´ que a “rela¸ao real”aparece mais comumente indicada sob a forma see c˜ guinte:
U1 U2

= Kr

3.3.3

Fator de Corre¸˜o de Rela¸˜o ca ca
Kr Kp

= F CRp

´ E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸ao de transforma¸˜o”Kp do TP para c˜ ca se obter a sua rela¸˜o real Kr . ca De imediato vˆ-se que a cada Kr de um TP corresponder´ um F CRp . Em virtude e a destas varia¸oes, determinam-se os valores limites inferior e superior do F CRp para cada c˜ TP, sob condi¸oes especificadas, partindo-se da´ para o estabelecimento da sua “classe de c˜ ı exatid˜o”, conforme ser´ visto a seguir. a a

Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos

37

Na pr´tica lemos o valor da tens˜o U2 com um volt´ a a ımetro ligado ao secund´rio do TP a e multiplicamos este valor lido por Kp para obtermos o valor da tens˜o prim´ria, valor a a este que representa o “valor medido”desta tens˜o prim´ria, e n˜o o seu valor exato U1 . a a a Exemplo: um TP de 13800/115V tem o prim´rio ligado entre as duas fases de um a circuito de alta tens˜o e o secund´rio alimentando um volt´ a a ımetro onde se lˆ: U2 = 113V . e Como a rela¸ao de transforma¸ao ´ neste caso Kp = 120, considera-se que a tens˜o do c˜ c˜ e a circuito ´: e Kp U2 = 120 · 113 = 13560V

3.3.4

Diagrama Fasorial

O diagrama fasorial do TP, mostrado logo abaixo, ´ o mesmo do transformador geral. e A seguir ´ mostrado o racioc´ e ınio para sua constru¸˜o. ca Vamos tra¸ar o diagrama fasorial do transformador considerando n1 > n2 . No sec cund´rio do transformador medem-se: U2 , I2 e θ2 , grandezas estas que dependem do tipo a de carga que o transformador alimenta. Escolhendo-se uma escala conveniente para representa¸ao gr´fica dos fasores, fixa-se a posi¸˜o do fasor I2 em rela¸ao ao fasor U2 e adota-se c˜ a ca c˜ a seguinte seq¨ˆncia: ue a. A partir da extremidade de U2 , tra¸a-se r2 I2 paralelo a I2 por representar a queda de c tens˜o na resistˆncia pr´pria do enrolamento secund´rio. a e o a b. A partir da extremidade de r2 I2 tra¸a-se x2 I2 adiantado de 90o em rela¸ao a I2 por c c˜ representar a queda de tens˜o na reatˆncia de dispers˜o do secund´rio. a a a a c. Unindo-se o ponto 0 ` extremidade do fasor x2 I2 , determina-se o fasor E2 representaa tivo da f.e.m. do enrolamento secund´rio. a d. O fasor E1 est´ em fase com E2 , sendo o seu m´dulo determinado pela seguinte a o n1 rela¸ao: E1 = n2 · E2 c˜ e. Adiantando-se de 90o em rela¸ao a E1 e E2 tra¸a-se o fasor representativo do fluxo φ. c˜ c f. A corrente de excita¸˜o I0 , a qual ´ cerca de 1% da corrente nominal prim´ria, ca e a e o angulo θ0 s˜o determinados por meio de um ensaio em vazio. No diagrama ˆ a fasorial I0 ´ posicionado em rela¸˜o a −E1 uma vez que em vazio pode-se considerar: e ca U1 = −E1 . Na figura, o fasor I0 n˜o est´ em escala para possibilitar uma melhor a a visualiza¸ao da figura. c˜ g. A partir da extremidade de I0 tra¸a-se um fasor paralelo a I2 , por´m de sentido c e n1 contr´rio, de m´dulo: n2 · I2 . a o h. Unindo-se o ponto 0 ` extremidade do fasor acima, determina-se o fasor I1 . a i. A partir da extremidade de −E1 tra¸a-se r1 I1 paralelo a I1 por representar a queda c de tens˜o na resistˆncia pr´pria do enrolamento prim´rio. a e o a j. A partir da extremidade de r1 I1 tra¸a-se x1 I1 adiantado de 90o em rela¸˜o ` I1 por c ca a representar a queda de tens˜o na reatˆncia de dispers˜o do prim´rio. a a a a

Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos

38

k. Unindo-se o ponto 0 ` extremidade de x1 I1 determina-se o fasor U1 representativo da a tens˜o aplicada ao enrolamento prim´rio do transformador. a a Se n˜o houvesse a corrente I0 , a corrente I1 estaria defasada de exatamente 180o em a rela¸ao ` corrente I2 . Se o transformador fosse perfeito, isto ´, sem perdas e sem fugas, a c˜ a e tens˜o U1 estaria tamb´m defasada de 180o em rela¸ao a tens˜o U2 . a e c˜ ` a

No exemplo citado anteriormente, o valor encontrado de 13560V ´ o valor medido da e tens˜o prim´ria do TP. Para determinar o valor verdadeiro U1 desta tens˜o, ter-se-´ de a a a a construir o diagrama fasorial deste TP como aparece na figura acima. Assim, para fixar a id´ia: e a. Kp U2 ´ o valor medido da tens˜o prim´ria; e a a b. |U1 | = U1 ´ o valor verdadeiro ou exato da tens˜o prim´ria obtido no diagrama e a a fasorial, o qual pode diferir ligeiramente de Kp U2 . Ainda na figura acima, pode ser visto que o inverso de U2 est´ defasado de um ˆngulo a a γ em rela¸ao a U1 . Num TP ideal este ˆngulo γ seria zero. c˜ ` a Estas considera¸oes levam a concluir que o TP, ao refletir no secund´rio o que se passa c˜ a no prim´rio, pode introduzir dois tipos de erros. a

3.3.5

Erros do TP

Erro de Rela¸˜o εp ca valor relativo: εp =
Kp U2 −|U1 | |U 1 | Kp U2 −|U1 | |U 1 |

valor percentual: ε% = p

· 100

Quando εp e F CRp est˜o expressos em valores percentuais, h´ o seguinte relacionaa a mento entre eles:

Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos

39

% ε% = 100 − F CRp p

Esta express˜o mostra a equivalˆncia correta entre o erro de rela¸ao εp e o fator de a e c˜ corre¸ao de rela¸ao F CRp , cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜o est˜o c˜ c˜ a a perfeitamente coerentes com esta equivalˆncia. e Para fins de racioc´ ınio, podem ser deduzidas as duas conclus˜es seguintes: o 1. Kp < Kr acarreta F CRp > 100% e εp < 0: Neste caso, o valor considerado Kp U2 para a tens˜o prim´ria (chamado de valor a a medido) ´ menor do que o seu valor verdadeiro U1 ; h´, portanto, um erro por falta; e a 2. Kp > Kr acarreta F CRp < 100% e εp > 0: Neste caso, o valor considerado Kp U2 para a tens˜o prim´ria (chamado de valor a a medido) ´ maior do que o seu valor verdadeiro U1 ; h´, portanto, um erro por excesso; e a H´ uma preferˆncia na pr´tica em se trabalhar com o F CRp em lugar do εp , pois a e a aquele fator ´ simplesmente um n´mero abstrato, independente de sinal, e d´ a entender e u a exatamente o que se quer em rela¸˜o a tens˜o prim´ria refletida no secund´rio, isto ´, se ca ` a a a e h´ erro por falta ou por excesso no valor a ela atribu´ a ıdo. Em termos pr´ticos n˜o ´ usual o levantamento do diagrama fasorial como m´todo para a a e e a determina¸ao dos erros de rela¸ao e de fase de um TP, em virtude dos inconvenientes e c˜ c˜ dificuldades inerentes a este pretenso m´todo. e Para se determinar estes erros, e consequentemente a classe de exatid˜o de um TP, a prefere-se na pr´tica, por simplicidade, comparar o TP com um TP padr˜o idˆntico a ele, a a e de mesma rela¸˜o de transforma¸ao nominal, por´m sem erros, ou de erros conhecidos. ca c˜ e Para fixar a id´ia, vamos dar um exemplo num´rico. Ao prim´rio de um TP de e e a 13800/115V , sob ensaio aplica-se uma certa tens˜o que faz surgir no secund´rio a tens˜o a a a de 114V , comprovada atrav´s de um volt´ e ımetro. Constata-se depois que a tens˜o prim´ria a a fora de exatamente 13800V . Determinar: Kp , Kr , F CRp e ε% . p Rela¸ao de Transforma¸ao Nominal: Kp = 13800/115 = 120 c˜ c˜ Rela¸ao Real: Kr = 13800/114 = 121, 053 c˜ Fator de Corre¸ao de Rela¸ao: F CRp = 121, 053/120 = 1, 00877 ou F CRp = 100, 877% c˜ c˜ Erro de Rela¸˜o: ε% = 100 − 100, 877 = −0, 877% ca p Sendo neste exemplo F CRp > 100% (εp < 0), conclu´ que o erro cometido em ı-se rela¸ao ` tens˜o prim´ria ´ por falta, pois a esta tens˜o seria atribu´ o valor: U1 = c˜ a a a e a ıdo 120 · 114 ∴ U1 = 13680V . ˆ Erro de Fase ou Angulo de Fase ´ ˆ E o angulo de defasagem γ existente entre U1 e o inverso de U2 . Se o inverso de U2 ´ e adiantado em rela¸ao a U1 , γ ´ positivo. Em caso contr´rio, ´ negativo. c˜ e a e

instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ ısticas el´tricas. 0. 6 e 1. a ´ As cargas padronizadas. E a interessante ressaltar que estas cargas n˜o foram “criadas”aleatoriamente. sob as seguintes a condi¸oes de tens˜o: tens˜o nominal. Considera-se que um TP est´ dentro de sua classe de exatid˜o a a a em condi¸˜es especificadas quando. mas sim tendo a em vista os tipos de instrumentos el´tricos que s˜o usualmente empregados no secund´rio e a a dos TPs. submetido a uma ` tens˜o prim´ria U1 . 2. nestas condi¸˜es.3. E desej´vel na pr´tica que estes erros a e a c˜ a a sejam os menores poss´ ıveis. c˜ a a a a Estas tens˜es de ensaio cobrem a faixa de tens˜es prov´veis das instala¸˜es em que os o o a co TPs ser˜o utilizados. definindo a partir da´ a “classe ı de exatid˜o”dos mesmos. a Para se estabelecer a classe de exatid˜o dos TPs estes s˜o ensaiados em vazio e depois a a com cargas padronizadas colocadas no seu secund´rio. os erros de rela¸ao e de fase variam com o tipo de carga utilizada no a a c˜ ´ seu secund´rio. e . acima referidas. e com o objetivo de detectar a qualidade dos TPs e o seu comportamento prov´vel nas instala¸oes. uma de cada vez. 90% da tens˜o nominal e 110% da tens˜o nominal. eles s˜o fun¸ao de I2 e θ2 . isto ´. 3. as normas t´cnicas estabelecem certas condi¸oes a c˜ e c˜ sob as quais estes transformadores devem ser ensaiados. a Os TPs s˜o enquadrados em uma ou mais das trˆs seguintes classe de exatid˜o: classe a e a de exatid˜o 0.6 Classes de Exatid˜o dos TPs a Do diagrama fasorial conclui-se de imediato que para um mesmo TP. Em virtude deste fato.Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 40 3. o ponto determinado pelo erro de co co rela¸ao εp ou pelo fator de corre¸ao de rela¸˜o F CRp e pelo angulo de fase γ estiver dentro c˜ c˜ ca ˆ do “paralelogramo de exatid˜o”especificado na figura abaixo correspondente ` sua classe a a de exatid˜o. est˜o relacionadas no quadro abaixo.

Transformadores para Instrumentos 41 Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜o. 2% o que corresponde ao F CRp = 100. 0. a ensaiado com uma das cargas do quadro acima. O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜o adequada para um TP tendo em a vista a sua aplica¸ao nas diferentes categorias de medi¸oes. 3% e angulo de fase γ tal que o ponto e c˜ ˆ correspondente a estes erros fica dentro do paralelogramo de classe 0. 2. 6Z isto significa que: a 1. 3 e 0. c˜ c˜ . a Na designa¸ao da ABNT aquela indica¸˜o na placa do TP seria representada por c˜ ca 0. 3% ≤ εp ≤ 0. 6 − P 200 . apresenta erro de rela¸ao −0. 3W XY . X e Y tem classe de exatid˜o 0. Ent˜o este a TP ser´ considerado de classe de exatid˜o 1. 2%. isto a ´. apresentou: erro de rela¸˜o: εp = −0. suponhamos que um TP. 6. embora o erro de a a rela¸ao tenha sido de apenas 0. 0. Entretanto fica dentro do paralelogramo da classe 1. 6. c˜ Se na placa de um TP est´ indicado: 0. ensaiado com a carga padronizada Z tem classe de exatid˜o 0. 3%. 2% ca angulo de fase: γ = 20 ˆ O ponto correspondente a estes valores fica for a dos paralelogramos representativos das classes 0.Cap´ ıtulo 3. 2 para a carga de ensaio. o TP ensaiado com as cargas padronizadas W . 2. 3. 3 − P 75.

997 na classe de exatid˜o 0. o valor limite ca ca positivo ou negativo do angulo de fase (γ) em minutos ´ expresso por: ˆ e γ = 2600 (F CTp − F CRp ) onde o fator de corre¸ao da transforma¸ao (F CTp ) deste TP assume os seus valores c˜ c˜ m´ximo e m´ a ınimo.3. vˆ-se que esta e e express˜o representa a equa¸ao de uma reta. 1. 2 a . para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸ao de rela¸ao F CRp e do c˜ c˜ angulo de fase γ. 003 e 0. e por isto devem ser ambos ˆ e a levados em considera¸ao na an´lise dos resultados. As normas t´cnicas definem o tra¸ado dos paralelogramos de exatid˜o baseando-se e c a no F CTp e na carga medida no prim´rio do TP (carga M na figura acima). 6 e 1. 6 a c. 1. ˆ A montagem da figura abaixo esquematiza o que foi dito acima. isto ´. 006 e 0. e Para qualquer fator de corre¸˜o da rela¸˜o (F CRp ) conhecido de um TP. isto ´. 994 na classe de exatid˜o 0. Justamente.7 Fator de Corre¸˜o de Transforma¸˜o (F CTp ) do TP ca ca ´ E interessante observar que na medi¸˜o de tens˜o. ou por um medidor de energia el´trica. indicada na sua placa de a a identifica¸˜o. quando o TP est´ alimenca a e a tando apenas volt´ ımetro.Cap´ ıtulo 3. 988 na classe de exatid˜o 1. c˜ a Com isto chega-se ao “fator de corre¸ao de transforma¸ao”F CTp que ´ definido da c˜ c˜ e seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ ımetro. somente ´ garantida para cargas medidas daquele tipo. Mas. cuja bobina de potencial ´ alimentada atrav´s do e e e referido TP. fixado um valor num´rico para o F CTp . pois. E de acordo com o que foi dito acima. e ´ quando o TP alimenta instrumento cuja indica¸ao depende dos respectivos m´dulos da c˜ o tens˜o e da corrente a ele aplicadas e tamb´m do angulo de defasagem entre estas duas a e ˆ grandezas. o F CRp ´ o unico que tem efeito nos valores medidos. a partir da express˜o acima ´ que se constr´i o paralelogramo de exatid˜o a e o a correspondente a cada classe. 6 e 1. Transformadores para Instrumentos 42 3. 1. para o a qual estabelecem que o fator de potˆncia deve ser indutivo e ter um valor compreendido e entre 0. 012 e 0. 3 a b. com fator de ca e e potˆncia indutivo entre 0. como no caso de watt´ ımetros e medidos de energia el´trica. Fica ent˜o entendido que a exatid˜o do TP. ent˜o o F CRp e o e a angulo de fase γ tˆm efeito simultˆneo nos valores medidos. o a c˜ F CTp pode ter dois valores em cada classe de exatid˜o: a a.

em condi¸˜es e a co ´ poss´ de 115V . que as perdas n˜o dever˜o exceder 2W e 8V A. vamos dar dois exemplos. conforme visto a c˜ a a anteriormente. O quadro da a o e figura abaixo indica.Cap´ ıtulo 3. obtendo-se agora os valores negativos de γ e conseq¨entemente o outro inclinado u da figura. ´ necess´rio antes de tudo saber-se qual e a ser´ a finalidade da sua aplica¸ao.3. atribui-se ao F CTp c a o seu valor m´ximo e faz-se variar o F CRp desde o seu limite superior at´ o limite inferior. Transformadores para Instrumentos 43 Para se tra¸ar o paralelogramo referente a uma classe de exatid˜o. atribui-se ao F CTp o seu valor m´ ınimo e faz-se novamente o F CRp variar. A potˆncia nominal do TP ser´ estabelecida tendo em vista as caracter´ e a ısticas (em termos de perdas el´tricas internas) dos instrumentos el´tricos que ser˜o inseridos no e e a secund´rio. Os ensaios devem ser e a a feitos em condi¸˜es nominais. em que ser˜o utilizados os seguintes instrumentos: a a. Em seguida. a ordem de grandeza das perdas da bobina e de potencial de alguns instrumentos el´tricos que s˜o utilizados com TPs. ` ısticas Z. podendo-se ent˜o tra¸ar um lado inclinado da a c figura. a e obtendo-se assim os valores positivos de γ. partindo da´ chegar-se as caracter´ ı. Medidor de kW h com indicador de demanda m´xima tipo mecˆnico. a t´ ıtulo de referˆncia. a a . pois isto definir´ a classe de exatid˜o. 60Hz. caracter´ a ısticas estas que s˜o normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou a poder˜o ser determinadas em laborat´rio atrav´s de ensaios apropriados. E ıvel.8 Como Especificar um TP Para se especificar corretamente um TP. caso se deseje. 3. R e L de cada bobina. e ca Exemplo 1 Especificar um TP para medi¸ao de energia el´trica para faturamento a um consumidor c˜ e energizado em 69kV . co Para fixar id´ia na especifica¸˜o de TPs. Conv´m aqui lembrar que para a bobina de potencial dos medidores e de energia el´trica.

Medidor de kvarh. 0)2 + (19. em que ser˜o utilizados os seguintes instrumentos: a a. a a b.Cap´ ıtulo 3. pode ent˜o ter o seguinte enunciado: Transformae a dor de potencial. a Solu¸ao: c˜ a. 3)2 ∴ S = 20. sem indicador de demanda m´xima. e. vˆ-se e que o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´ a carga padronizada e para ensaio de exatid˜o imediatamente superior a 20. cone e c˜ forme for o caso). acoplado a um autotransfora mador de defasamento. Medidor de kW h com indicador de demanda m´xima tipo mecˆnico. Fas´ ımetro. S= (6. c. 3W X). 21V A Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais. para uso exterior (ou interior. 21V A. Transformadores para Instrumentos 44 b. 8kV . f. 3 − P 25 (ou ANSI 0. rela¸ao nominal 600 : 1. sem indicador de demanda m´xima. Watt´ ımetro. d. Var´ ımetro. Solu¸ao: c˜ . n´ ıvel de isolamento: tens˜o nominal 69kV . espec´ ıfico para energia reativa. Classe de exatid˜o: o quadro de classe de exatid˜o indica 0. a a b. 5kV . respectivamente. a a c˜ carga nominal ABNT P 25. e Exemplo 2 Especificar um TP para medi¸ao de energia el´trica e controle em 13. Volt´ ımetro. tens˜o m´xima de a a a opera¸ao 72. 60Hz. 60Hz: Da´ chega-se a: ı. classe de exatid˜o ABNT 0. grupo de liga¸ao 1. sem finac˜ e lidade de faturamento. 3. a potˆncia t´rmica 1000V A. tens˜es suport´veis nominais a freq¨ˆncia industrial e de impulso c˜ o a ` ue atmosf´rico: 140kV e 350kV . A especifica¸˜o deste a ca TP. servindo assim para medir kvarh. Medidor de kW h. tens˜o prim´ria nominal 69000V . Potˆncia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´tricos que ser˜o utilizados fornee e a ceram o seguinte quadro de perdas em 115V . do ponto de vista el´trico.

No dimensionamento da carga nominal de um TP a ser empregado numa instala¸ao. Na constru¸˜o dos TPs modernos. Transformadores para Instrumentos 45 a. 2. tens˜es suport´veis nominais ` freq¨ˆncia industrial e de impulso atmosf´rico: o a a ue e 36kV e 110kV . 6−P 25 (ou ANSI 0. classe de exatid˜o ABNT 0. 6−P 75. 0. e e ter´ ıamos como perdas nos condutores: . b. A especifica¸ao deste TP. pode ent˜o ter o seguinte enunciado: Transformador de e a potencial. 3W X. rela¸ao nominal 120 : 1. a potˆncia t´rmica 400V A. 46V A Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais. c gra¸as a evolu¸ao tecnol´gica dos tipos de materiais utilizados. 3Ω/km). 6 ou 1. vˆ-se que e o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 75V A que ´ a carga padronizada para e ensaio de exatid˜o imediatamente superior a 37. 60Hz. grupo de liga¸ao 1. Supondo que os instrumentos ficar˜o a 25m do TP e ser˜o a a o ligados a este por meio de fio de cobre n 12AW G (resistˆncia el´trica: 5. Como referˆncia. tens˜o prim´ria nominal 13800V . 3 − P 200 (ou ANSI 0. 6 − P 75 (ou ANSI 0. ` a 0. 4)2 ∴ S = 37. 8kV . c˜ n˜o h´ necessidade de se considerar a resistˆncia el´trica dos condutores que ligam a a e e os instrumentos el´tricos ao TP. tens˜o m´xima de opera¸ao ıvel a a a c˜ 15kV . 46V A. 6W XY ). carga a a c˜ nominal ABNT P 75. Potˆncia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´tricos que ser˜o utilizados fornee e a ceram o seguinte quadro de perdas: Da´ chega-se a: ı. n´ de isolamento: tens˜o nominal 13. podemos tomar os dois exemplos e e citados anteriormente.Cap´ ıtulo 3. S= (21. a c˜ do ponto de vista el´trico. 3W XY Z) sem alterar em muito o pre¸o do equipamento. para uso exterior (ou interior. pelo menos como: ABNT 0. Classe de exatid˜o: o quadro da classe de exatid˜o indica 0. e c˜ quanto a exatid˜o. e tamb´m em medi¸ao para fins de controle. 2 (a optar pelo a a comprador). Observa¸oes c˜ 1. eles devem ser especificados. respectivamente. 9)2 + (30. Para que os TPs c ` c˜ o citados nos exemplos 1 e 2 possam ser empregados em medi¸˜o para fins de fatuca ramento. conforme e e c˜ for o caso). ´ normal conseguir-se a classe de exatid˜o ABNT ca e a 0. 6Y ).

Para cada caso. devem considerados os valores corretos das perdas dos instrumentos que ser˜o utilizados na medi¸ao. c˜ Um reator. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸ao de dimensic˜ onamento. 3. c˜ e A Figura abaixo mostra o esquema el´trico b´sico destes TPCs. ´ posto em s´rie com o prim´rio ıdo e e a do TP intermedi´rio de modo que o conjunto tenha uma reatˆncia Lω que satisfa¸a a a a c seguinte igualdade: Lω = 1 (C1 + C2 ) ω A partir da Figura acima se pode estabelecer a rela¸ao entre as tens˜es prim´ria e c˜ o a secund´ria.9 Transformador de Potencial Capacitivo (TPC) Em circuitos de alta tens˜o e extra tens˜o. o qual fornecer´ a tens˜o U2 aos instrumentos de medi¸ao e dispositivos de a a a c˜ prote¸ao ali inseridos.3. uma a a ue faixa muito larga de diferentes valores de perdas.Cap´ ıtulo 3. em conseq¨ˆncia. o que ´ tamb´m desprez´ na frente da carga de 37. e n˜o ordem de grandeza dessas pera c˜ a das. projetado e constru´ pelo fabricante. pois h´ uma variedade consider´vel de instrumentos e. Transformadores para Instrumentos 46 No exemplo 1: 0. havendo uma deriva¸ao intermedi´ria B. para alimentar o enrolamento prim´rio de um TP tipo indu¸˜o a ca intermedi´rio. ´ ligado a ıdo e e entre fase e terra. constitu´ por um conjunto C1 e C2 de elementos capacitivos em s´rie. 028W . onde se vˆ que o e a e prim´rio. correspondente a uma tens˜o U c˜ a a da ordem de 5kV a 15kV . e No exemplo 2: 0. Dela podemos deduzir as express˜es de U1 e de U : a o U1 = − j (I + I1 ) jI − C1 ω C2 ω jI U =− − jLωI1 C2 ω . e 3. o que ´ desprez´ e ıvel na frente da carga de 20. analisados at´ agora. 0082W . 21V A imposta pelos instrumentos el´tricos ao TP. ´ mais conveniente e econˆmico o emprego a a e o dos TPs tipo capacitivo em lugar dos TPs tipo indu¸ao. 46V A e e ıvel imposta pelos instrumentos el´tricos ao TP.

Apresentam. e e a a obt´m-se o mesmo valor que o obtido na equa¸˜o acima para a rela¸˜o entre U1 e U . 3. insto ´. Transformadores para Instrumentos 47 Levando em considera¸ao o valor de Lω. dividindo membro a membro. quando o TP intermedi´rio n˜o estiver ligado. ent˜o a express˜o acima ´ o valor da rela¸ao de transforma¸˜o nominal Kp do a a e c˜ ca TPC: U1 n = Kp U2 n Onde Kp equivale a: Kp = K · Observa¸˜es: co 1. a a a 2. Os TPCs s˜o constru´ a ıdos para tens˜es prim´rias de 34. √ o a sendo a tens˜o a intermedi´ria de 5kV a 15kV e a tens˜o secund´ria de 115V e 115/ 3V . Os TPCs tˆm perdas bastante reduzidas e oferecem a possibilidade de acoplamento e para onda portadora de alta freq¨ˆncia (telefonia). pois em vazio. a ca o Isto ´ verdade. obtemos: c˜ U =− jI1 jI1 − C2 ω (C1 + C2 ) ω Dividindo membro a membro temos: U1 C1 + C2 = U C1 A express˜o acima mostra que a rela¸˜o entre as tens˜es U1 e U independe da corrente. 5kV a 765kV . obtemos: U1 C1 + C2 = U C1 Sendo o TP intermedi´rio constru´ de tal modo que: U = KU2 . c˜ ue ´ 4. entretanto um grande inconveniente: a influˆncia acentuada que podem e sofrer por motivo da varia¸ao da freq¨ˆncia. e ca ca Vejamos:   U = − j (I + I1 ) − jI = − jI C1 + C2  1 C1 ω C2 ω ω C1 C2 jI   U =− C2 ω Novamente. E aconselh´vel consultar a documenta¸ao fornecida juntamente aos TPCs pelos seus a c˜ fabricantes. C1 + C2 C1 .Cap´ ıtulo 3. a express˜o acima a ıdo a toma forma: U1 C1 + C2 =K· U2 C1 O TPC sendo constru´ para as tens˜es U1 e U2 tais que representem os valores ıdo o nominais. Sendo estas suas duas grandes ue vantagens.

2 38 145 460 7. 6 e 1. ou aproximadamente 115V . em condi¸˜es especificadas. referente a e ` exatid˜o do TP. e as vezes 125V . do circuito em que o TP vai ser utilizado. Em TPs antigos podem ser encone tradas as tens˜es secund´rias nominais: 110V . bem como outras caracter´ ca ısticas que podem ser referidas a essa tens˜o. a potˆncia t´rmica nominal ca e e n˜o deve ser inferior a 1. a 5. sem exceder os limites de eleva¸ao de a ue c˜ temperatura especificados. 4 362 1. Tens˜o prim´ria: a tens˜o prim´ria nominal depende da tens˜o entre fases. Em caso de a c˜ corrente alternada ´ sempre dada em valor eficaz. expresso em percentagem. 2. na especifica¸ao de um TP. Estes limites de eleva¸ao de temperatura est˜o levando c˜ a em considera¸ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados c˜ no TPs. e co 4. a a . a. ou entre a a a a a fase e neutro. N´ de isolamento: define a especifica¸˜o do TP quanto as condi¸˜es a que deve ıvel ca ` co satisfazer a sua isola¸˜o em termos de tens˜o suport´vel. 3. 3. 6 vezes a carga mais alta em volt-amp´res. referente a e a exatid˜o do TP. 0.10 Resumo das Caracter´ ısticas dos TPs 1. Classe de exatid˜o: valor m´ximo do erro. Para TPs pertencentes ao grupo de liga¸ao 3. ou no registro de um medidor de energia el´trica. sob tens˜o e freq¨ˆncia nominais. Pode ter os valores: 0. como tamb´m os correspondentes a c˜ e tipos e n´ ıveis de tens˜es a que devem ser submetidos por ocasi˜o dos ensaios definem o a desta maneira. a “tens˜o m´xima de opera¸ao de um equipamento”: m´xima tens˜o a a c˜ a a de linha (tens˜o entre fases) para o qual o equipamento ´ projetado. ` a b. 120V . a a a c˜ a Tens˜es M´ximas de Opera¸˜o dos TPs (kV ) o a ca 0. que poder´ ser a a a introduzido pelo TP na indica¸ao de um watt´ c˜ ımetro. Tens˜o secund´ria: a tens˜o secund´ria nominal ´ 115V . Para TPs pertencentes aos grupos de liga¸˜o 1 e 2. Potˆncia t´rmica: maior potˆncia aparente que um TP pode fornecer em regime e e e permanente. na especifica¸ao do equipamento considerado. 3 169 550 12 72.Cap´ ıtulo 3. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜o do TP. considerandoa e se principalmente a sua isola¸˜o. a potˆncia t´rmica nominal n˜o c˜ e e a deve ser inferior a 3. 8 92. 2 48. 6 25. a sua tens˜o m´xima de opera¸˜o a c˜ a a ca pode ser considerada como sendo a que consta do quadro da tabela acima imediatamente superior a tens˜o do circuito em que o TP ser´ utilizado. a a a a e √ havendo tamb´m a possibilidade de 115/ 3V . 33 vezes a carga mais alta em volt-amp´res. a 6. 5 242 765 15 Em termos pr´ticos. A padroniza¸˜o das tens˜es ca a a ca o m´ximas de opera¸ao dos TPs (tabela abaixo). Transformadores para Instrumentos 48 3. Essa tens˜o n˜o ´ necessariamente e a a e igual ` tens˜o m´xima de opera¸ao do sistema ao qual o equipamento est´ ligado. o a ` 2.3.

uma corrente I2 demasiadamente elevada. ent˜o a entrada das bobinas de potencial dos instrumentos ser´ a a ligada ao terminal X1 do secund´rio. etc. e n˜o em diagonal como mostra a figura ` ` a a direita acima. e havendo necessidade de se retirar todos os instrumentos el´tricos do seu secund´rio. Quando se empregam TPs em medi¸˜o de energia el´trica para fins de faturamento ca e a consumidor. N˜o deve ser e c˜ a permitida a coloca¸ao de outros instrumentos ou dispositivos no secund´rio destes c˜ a TPs tais como volt´ ımetros. etc. e Normalmente. quando ele alimenta inse a trumentos el´tricos cuja bobina de potencial ´ provida de polaridade relativa. a polaridade n˜o precisa ser levada em considera¸ao quando ele a c˜ alimenta somente volt´ ımetros. estes devem ser ligados em paralelo a e a fim de que todos eles fiquem submetidos a mesma tens˜o secund´ria do TP. ` a a 9. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal X1 do secund´rio tem a mesma polaridade do terminal H1 do prim´rio se. e a conseq¨entemente.. H2 pode ser ligado como a entrada do prim´rio. Transformadores para Instrumentos 49 7. a a Exemplo: Na figura acima. Estando um TP alimentado. e a O fechamento do secund´rio de um TP atrav´s de um condutor de baixa impedˆncia a e a provocar´ um curto-circuito. lˆmpadas de sinaliza¸ao. e a c˜ . a a H1 e X1 s˜o positivos (ou negativos) em rela¸˜o ` H2 e X2 . fas´ e ımetros. c˜ 10. como mostra a figura a esquerda acima. lembra-se aqui que este enrolamento deve ficar aberto. rel´s. a ca a No caso do TP. como e e watt´ ımetros. Se um TP alimenta v´rios instrumentos el´tricos. rel´s de tens˜o.Cap´ ıtulo 3. respectivamente. se o prim´rio do TP for ligado ao circuito de modo que a H1 seja entrada. ou seja. 8. ´ recomend´vel que estes TPs sejam utilizados exclusivamente para e a alimentar o medidor ou medidores de energia el´trica da instala¸ao. os terminais dos enrolamentos prim´rio e secund´rio dos TPs s˜o a a a dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes. tamb´m I1 . no mesmo instante. medidores de energia el´trica. ent˜o ´ extremamente a e importante a considera¸ao da polaridade do TP: a entrada da bobina de potencial c˜ destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´rio do TP que corresponde a ao seu terminal prim´rio que est´ ligado como entrada ao circuito principal. Mas. e ent˜o X2 ´ que ser´ utilizado como entrada das bobinas de a a e a potencial daqueles instrumentos el´tricos. provocando a danifica¸ao do TP e ainda uma poss´ u e c˜ ıvel perturba¸ao no sistema do circuito principal. Da mesma forma. etc.

mas na a e mesma propor¸ao das correntes nominais do TC utilizado. a Assim. 3A. e a O quadro da figura abaixo mostra as correntes prim´rias nominais e as rela¸˜es nomia co nais padronizadas pela ABNT para os TCs fabricados em linha normal no Brasil. o transformador de corrente. a e O enrolamento prim´rio dos TCs ´ normalmente constitu´ de poucas espiras (duas a e ıdo ou trˆs espiras. sendo por isto considerado na pr´tica a como um elemento “redutor de corrente”. a b. se ´ percorrido por 106A. Transformadores para Instrumentos 50 3. isto significando a que: a. H´ TCs em que e c˜ a o pr´prio condutor do circuito principal serve como prim´rio. por exemplo) feitas de condutor de cobre de grande se¸ao. . sendo neste caso considerado o a este enrolamento como tendo apenas uma espira. tem-se no secund´rio e a 4.. quando o prim´rio ´ percorrido pela corrente nominal para a qual o TC foi constru´ a e ıdo. tem-se no secund´rio 5. no secund´rio tem-se 5A. Os TCs s˜o projetados e constru´ a ıdos para uma corrente secund´ria nominal estabelea cida de acordo com a ordem de grandeza da corrente do circuito em que o TC ser´ ligado. O TC tem n1 < n2 dando assim uma corrente I2 < I1 . 1000/5A.Cap´ ıtulo 3.4 Transformador de Corrente (TC) A figura abaixo representa. etc. quando o prim´rio ´ percorrido por uma corrente menor ou maior do que a nominal. 2A. a e no secund´rio tem-se tamb´m uma corrente menor ou maior do que 5A. s˜o encontrados no mercado TCs para: 200/5A. Exemplo: se o prim´rio c˜ a de um TC de 100/5A ´ percorrido por uma corrente de 84A. esquematicamente. pois uma corrente elevada I1 ´ transformada e para uma corrente reduzida I2 de valor suport´vel pelos instrumentos el´tricos usuais.

entretanto. c˜ a a respectivamente.1 Rela¸˜o Nominal ca I1n I2n = Kc ´ E a rela¸ao entre os valores nominais I1 n e I2 n das correntes prim´ria e secund´ria. E chamada tamb´m e ca e de “rela¸˜o de transforma¸˜o nominal”. ca ca ca c˜ sendo nas aplica¸oes pr´ticas considerada uma constante para cada TC.4.2 Rela¸˜o Real ca I1 I2 = Kr . surgindo ent˜o a corrente I2 como uma conseq¨ˆncia de I1 . No transformador de c˜ a corrente. Transformadores para Instrumentos 51 Os TCs s˜o projetados e constru´ a ıdos para suportarem. A rela¸ao entre a corrente m´xima suport´vel por um TC e a sua corrente nominal define o c˜ a a “fator t´rmico”do TC. e Como os TCs s˜o empregados para alimentar instrumentos el´tricos de baixa ima e pedˆncia (amper´ a ımetros. a corrente I1 ´ originada diretamente por solicita¸ao da carga com e c˜ a qual o TC est´ em s´rie. Ela ´ muito c˜ a e aproximadamente igual a rela¸˜o entre as espiras: ` ca I1n I2n = Kc = n2 n1 3. uma corrente maior do que a corrente nominal. a e a ue independentemente do instrumento el´trico que estiver no seu secund´rio. em regime permanente. bobinas de corrente de medidores de energia el´trica. bobinas de corrente de watt´ ımetros. e a 3. correntes estas para as quais o TC foi projetado e constru´ ıdo. rel´s de corrente. A “rela¸˜o ca ´ nominal”´ a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸˜o do TC.4. c A corrente I1 surge no prim´rio do transformador como uma conseq¨ˆncia da corrente a ue I2 originada por solicita¸ao da carga posta no secund´rio dele. etc.) diz-se que s˜o transformadores de e e a for¸a que funcionam quase em curto-circuito.Cap´ ıtulo 3. ou simplesmente de “rela¸˜o de transforma¸ao”. sem que nenhum dano lhes seja causado.

4 Diagrama Fasorial O diagrama fasorial do TC. havendo. etc. I1 I2 = Kr Como tamb´m. c˜ e Como n˜o ´ poss´ a e ıvel medir I2 e I1 com amper´ ımetros (I1 tem normalmente valor elevado). para uma mesma corrente I1 que percorre o prim´rio. ´ o mesmo do TP e segue e o mesmo racioc´ ınio para a sua constru¸ao. e ue um Kr : I1 I2 = Kr . considera-se que a corrente solicitada pela carga ´: c˜ e e Kc I2 = 40 · 3. e como a a conseq¨ˆncia. a cada carga e a colocada no secund´rio do TC poder´ corresponder um valor da corrente I2 . Transformadores para Instrumentos 52 ´ E a rela¸ao entre o valor exato I1 de uma corrente qualquer aplicada ao prim´rio do c˜ a TC e o correspondente valor exato I2 verificado no secund´rio dele.4. a valor este que representa o “valor medido”desta corrente prim´ria. mostrado na figura abaixo. partindo-se da´ para o estabelecimento da sua “classe de c˜ ı exatid˜o”. a a Na pr´tica lemos o valor da tens˜o I2 com um amper´ a a ımetro ligado ao secund´rio do a TC e multiplicamos este valor lido por Kc para obtermos o valor da corrente prim´ria. mede-se I2 e chega-se ao valor exato I1 atrav´s da constru¸˜o do diagrama e ca fasorial do TC. I1 I2 = Kr . I1 I2 = Kr . ca De imediato vˆ-se que a cada Kr de um TC corresponder´ um F CRc . Em virtude e a destas varia¸oes. Por isto ´ que a “rela¸ao real”aparece mais comumente indicada sob a e c˜ forma seguinte: I1 I2 = Kr 3. 8 = 152A 3. pois os TCs s˜o a o e a projetados dentro de crit´rios especiais e s˜o fabricados com materiais de boa qualidade e a sob condi¸oes e cuidados tamb´m especiais. a queda de tens˜o a a a neste enrolamento pode ser considerada desprez´ ıvel. Exemplo: um TC de 200/5A tem o prim´rio ligado em s´rie com uma carga e o a e secund´rio alimentando um amper´ a ımetro onde se lˆ: I2 = 3. Em virtude de o TC a ser um equipamento eletromagn´tico.Cap´ ıtulo 3. um Kr : ue I1 I2 = Kr .4. conforme ser´ visto a seguir. determinam-se os valores limites inferior e superior do F CRc para cada c˜ TC. e n˜o o seu valor exato a a I1 . 8A. sob condi¸oes especificadas. entretanto. uma simplifica¸ao a ser c˜ c˜ levada em conta: como o prim´rio do TC tem impedˆncia muito baixa. a cada I1 corresponde um I2 e como conseq¨ˆncia. n˜o aparecendo a sua representa¸ao a c˜ no diagrama fasorial: . Estes valores de Kr s˜o todos muito pr´ximos entre si e tamb´m de Kc . Como a rela¸ao de e c˜ transforma¸ao ´ neste caso Kc = 40.3 Fator de Corre¸˜o de Rela¸˜o ca ca Kr Kc = F CRc ´ E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸˜o de transforma¸˜o”Kc do TC para ca ca se obter a sua rela¸˜o real Kr .

Ainda na figura acima. Transformadores para Instrumentos 53 U1 = E1 = 0 No exemplo citado anteriormente. de mesma rela¸˜o de transforma¸ao nominal Kc . ao refletir no secund´rio o que se passa c˜ a no prim´rio. o qual pode diferir ligeiramente de Kc I2 . para fixar a id´ia: e a. Kc I2 ´ o valor medido da corrente prim´ria. e . Para determinar o valor verdadeiro I1 desta corrente. o valor encontrado de 152A ´ o valor medido da e corrente prim´ria do TC. a 3. e a b. |I1 | = I1 ´ o valor verdadeiro ou exato da corrente prim´ria obtido no diagrama e a fasorial. pode introduzir dois tipos de erros. pode ser visto que o inverso de I2 est´ defasado de um ˆngulo a a β em rela¸ao a I1 .Cap´ ıtulo 3. h´ o seguinte relacionaa a mento entre eles: % ε% = 100 − F CRc c Da mesma forma que para o TP. ter-se-´ a a de construir o diagrama fasorial deste TC como aparece na figura acima.5 Erros do TC Kc I2 −|I1 | |I1 | Kc I2 −|I1 | |I1 | Erro de Rela¸˜o εc ca valor relativo: εc = valor percentual: ε% = c · 100 Quando εc e F CRc est˜o expressos em valores percentuais. os erros do TC s˜o determinados na pr´tica comparandoa a o com um TC padr˜o idˆntico a ele. a e ca c˜ por´m sem erros. ou de erros conhecidos. Num TC ideal este angulo β seria zero. c˜ ` ˆ Estas considera¸oes levam a concluir que o TC.4. Assim.

e e . e o paralelogramo externo (maior) refere-se a 10% da corrente nominal. Transformadores para Instrumentos 54 Esta express˜o mostra a equivalˆncia correta entre o erro de rela¸ao εc e o fator de a e c˜ corre¸ao de rela¸ao F CRc . 8% ca c Sendo neste caso F CRc > 100%. Observar que o erro εc ´ negativo. Kr . 008 ou F CRc = 100. 96 = 40. No caso de TC com fator t´rmico nominal superior a 1. c˜ e a e 3. 0. 3. ´ negativo. vamos dar um exemplo num´rico. e a a Considera-se que um TC para servi¸o de medi¸˜o est´ dentro de sua classe de exatid˜o c ca a a em condi¸˜es especificadas quando. 96A. e e a ˆ Erro de Fase ou Angulo de Fase ´ ˆ E o angulo de defasagem β existente entre I1 e o inverso de I2 . cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜o est˜o c˜ c˜ a a perfeitamente coerentes com esta equivalˆncia. F CRc e ε% . a e Tendo em vista estas considera¸oes. e Para fixar a id´ia. β ´ positivo. c Rela¸ao de Transforma¸ao Nominal: Kc = 200/5 = 40 c˜ c˜ Rela¸ao Real: Kr = 200/4. Se o inverso de I2 ´ e adiantado em rela¸ao a I1 . al´m de sofrerem influˆncia tamb´m das varia¸oes a e e e c˜ da freq¨ˆncia e da forma da onda. o que comprova esta conclus˜o. 8 = −0. Em caso contr´rio. 6 e 1. nestas condi¸oes. Constata-se depois que a tens˜o prim´ria fora de exatamente 200A. sendo que o paralelogramo interno (menor) refere-se a 100% da ` a corrente nominal. 32 c˜ Fator de Corre¸ao de Rela¸ao: F CRc = 40.4.Cap´ ıtulo 3. as normas estabelecem certas condi¸oes sob as c˜ c˜ quais os TCs devem ser ensaiados para que possam ser enquadrados em uma ou mais das trˆs seguintes classes de exatid˜o: classe de exatid˜o 0. Determinar: a a Kc . 32/40 = 1. 8% c˜ c˜ Erro de Rela¸˜o: ε% = 100 − 100. 2. e e a sob ensaio ´ percorrido por uma certa corrente que faz surgir no secund´rio a corrente de e a 4. o ponto determinado pelo erro de co c˜ rela¸ao εc ou pelo fator de corre¸˜o de rela¸ao F CRc e pelo angulo de fase β estiver c˜ ca c˜ ˆ dentro dos paralelogramos de exatid˜o especificados nas figuras a seguir correspondentes a a sua classe de exatid˜o. ent˜o o erro cometido em rela¸˜o a corrente prim´ria a ca ` a ´ por falta.6 Classes de Exatid˜o dos TCs a Os erros de rela¸ao e de fase de um TC variam com a corrente prim´ria e com o tipo c˜ a de carga colocada no seu secund´rio. O prim´rio de um TC de 200/5A. 0 o paralelogramo interno (menor) e refere-se tamb´m a 100% da corrente nominal multiplicada pelo fator t´rmica nominal. influˆncia esta que n˜o ser´ analisada em virtude de ue e a a estas duas grandezas serem praticamente invari´veis nos sistemas el´tricos atuais.

Transformadores para Instrumentos 55 .Cap´ ıtulo 3.

a ensaiado com uma das cargas do quadro acima. mas sim tendo a em vista os tipos de instrumentos el´tricos que s˜o usualmente empregados no secund´rio e a a dos TCs. com 100% da corrente nominal: erro de rela¸˜o: εc = −0. apresentou: a.Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 56 ´ As cargas padronizadas. est˜o relacionadas no quadro abaixo. e Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜o. 2% ca angulo de fase: β = 18 ˆ . E a interessante ressaltar que estas cargas n˜o foram “criadas”aleatoriamente. suponhamos que um TC. acima referidas. instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ ısticas el´tricas. 2% o que corresponde ao F CRc = 100.

3% o que corresponde ao F CRc = 100. 3% e ˆngulo de a e ca a fase β tal que o ponto correspondente a estes erros fica dentro dso paralelogramos representativos da classe de exatid˜o 0. 3. projetados para trabalharem e sob densidade de fluxo muito baixa. a corrente de excita¸ao I0 ´ a causa c˜ e essencial dos erros de rela¸ao e de fase do TC. B − 0. 3% ca angulo de fase: γ = 30 ˆ O ponto determinado pelos dois erros de cada ensaio fica dentro do respectivo paralelogramo de 100% e 10% da corrente nominal. em fase e em m´dulo. 5. isto ´. 6 para a carga de ensaio. 2 a 1. 3%. Se ela n˜o existisse. 3B − 0.4. 6B − 1 isto a significa que: 1. 0. 1 tesla (1000 gauss). 6. 6. c˜ a Se na placa de um TC est´ indicado: 0. ` a Ent˜o este TC ser´ considerado de classe de exatid˜o 0. cerca de 0. enquanto que nos transformadores de for¸a esta densidade atinge de 1. 0. O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜o adequada para um TC tendo em a vista a sua aplica¸ao nas diferentes categorias de medi¸oes. Transformadores para Instrumentos 57 b. 1/B − 0. 6 − C25 . apresenta erro de rela¸˜o −0. o TC ensaiado com as cargas padronizadas B − 0. 3%. feitos de ligas espeu o ciais de alta permeabilidade magn´tica e perdas reduzidas. a Na designa¸˜o da ABNT aquela indica¸˜o na placa do TC seria representada por ca ca 0. embora a a a o erro de rela¸ao tenha sido de no m´ximo 0. 3 − C12. 2/B − 0. correspondente a classe de exatid˜o 0. c˜ c˜ 3. 1.Cap´ ıtulo 3. os fabricantes procuram reduzir ao m´ a ınimo poss´ a corrente de excita¸ao ıvel c˜ utilizando n´cleos de forma tor´idal sem entre-ferro (figura abaixo). 3% ≤ εc ≤ 0. ensaiado com a carga padronizada B − 1 tem classe de exatid˜o 0. os c˜ a n2 fasores I1 e − · I2 seriam sempre coincidentes. 5. 5 tem classe de exatid˜o 0. com 10% da corrente nominal: erro de rela¸˜o: εc = −0. o n1 Na pr´tica.7 Influˆncia da Corrente de Excita¸˜o nos Erros do TC e ca Conforme pode ser visto no diagrama fasorial. a 2. c . caso de TC ideal. 5 tesla (12000 a 15000 gauss). 2 e B − 0.

a e c˜ e e assim sucessivamente. ´ uma grandeza conca e siderada praticamente constante para cada transformador. quando a corrente prim´ria ´ 50% da nominal. 3%desta. quando a corrente prim´ria ´ 100% da nominal. 8% desta. causando em conseq¨ˆncia c˜ e ue varia¸˜es nos seus erros de rela¸ao e de fase: corrente prim´ria e carga posta no secund´rio co c˜ a a do TC. inclusive dos TPs. quando o TC ´ posto em opera¸˜o. A figura abaixo d´ uma id´ia da correla¸ao entre a u a e c˜ as varia¸oes das duas correntes. a influˆncia importante que tem a n˜o linearidade magn´tica do e a e material de que s˜o feitos os n´cleos. e sendo o seu m´dulo I0 e a sua dire¸ao θ0 determinados atrav´s de um ensaio em vazio. Transformadores para Instrumentos 58 Apesar destas providˆncias. a de excita¸˜o ´ cerca de 1% dela. a e c˜ e c. pois h´ de se levar em conta. 3. a prim´ria e a de excita¸ao. o c˜ e Nos transformadores de corrente isto n˜o ocorre.8 Influˆncia da Corrente Prim´ria nos Erros do TC e a A corrente de excita¸˜o dos transformadores. quando a corrente prim´ria ´ de 10% da nominal. a de excita¸ao ´ cerca de 0. a corrente de excita¸˜o e e ca ca sofre varia¸oes por influˆncia das duas grandezas seguintes. nem em m´dulo nem em dire¸ao. a de excita¸ao ´ cerca de 0. neste o c˜ a tipo de transformador. A corrente de excita¸ao n˜o ´ consa c˜ a e tante para cada TC. desde vazio at´ plena carga. a e ca e b. lembrando que a prim´ria c˜ a c˜ a depende da carga com a qual o TC est´ ligado em s´rie: a e a.4.Cap´ ıtulo 3. .

a corrente de excita¸˜o ter´ ent˜o influˆncia mais acentuada a ca a a e tornando maiores os erros de rela¸˜o e de fase. e os usu´rios n˜o tenham incertezas nos ` a a a valores medidos. e a express˜o anterior toma a forma: ıvel a |I1 | = Kc |I2 | + |I0 | · sin (δ + α) Ou ainda: Kc |I2 | − |I1 | |I1 | =− |I0 | |I1 | · sin (δ + α) .Cap´ ıtulo 3. etc. que os valores medidos sejam realmente corretos. dos lados do paralelogramo interno (menor). Na figura abaixo. isto ´. e A rela¸ao nominal ou rela¸ao de transforma¸˜o dos TCs modernos ´ muito aproximac˜ c˜ ca e damente igual ` rela¸ao entre as espiras: a c˜ I1n n2 = Kc = I2n n1 As varia¸oes dos erros de rela¸˜o e de fase do TC em fun¸˜o das varia¸˜es da corrente c˜ ca ca co prim´ria podem ser interpretadas matematicamente considerando a express˜o acima como a a correta. este apresente erros maiores quando ensaiado com 100% dela. pode-se sentir no diagrama fasorial que. projetando todos os fasores sobre I1 : |I1 | = Kc |I2 | · cos β + |I0 | · cos [90 − (δ + α + β)] Como o ˆngulo β ´ muito pequeno (no m´ximo chega a 1o ). de melhor desempenho quanto a exatid˜o. Os lados do paralelogramo externo (maior) poa deriam ser admitidos como o triplo ou o qu´druplo ou o qu´ a ıntuplo. para valores menoc˜ res da corrente prim´ria. Eles foram estabelecidos como o dobro a fim de que os fabricantes se esmerem em fornecer produtos cada vez mais de melhor qualidade. respectivamente. na determina¸˜o da classe de exae e ca tid˜o de um TC. conforme a mostram os paralelogramos de exatid˜o. pode ser considerado a e a desprez´ diante dos outros valores. Transformadores para Instrumentos 59 Com estas aprecia¸oes. ca Por isto ´ que as normas t´cnicas permitem que..

sendo independente da impedˆncia do instrumento el´trico posto no a a e seu secund´rio. se esta impedˆncia ultrapassa os valores permiss´ a a ıveis. Para I1 = I1n → I0 = 0. 03 sin (δ + α) β = 0. ele estar´ introduzindo tamb´m e ca a e uma incerteza muito maior nos valores medidos. 01 cos (δ + α) b.4. ent˜o: a εc = 0. 3. Para se entender bem esta influˆncia. ent˜o: a εc = 0. 001I1n . 01 sin (δ + α) β = 0. e a a ent˜o os erros introduzidos por ele poder˜o ser bem mais elevados do que os levantados a a nos ensaios e garantidos pelo fabricante. Entretanto. para efeito de c´lculo a e a express˜o acima pode ser escrita na forma simplificada: a Para uma mesma carga posta no secund´rio do TC e tendo em vista o que foi dito antes.9 Influˆncia da Carga Secund´ria do TC nos seus Erros e a J´ foi dito anteriormente que a corrente secund´ria do TC depende unicamente da a a corrente prim´ria. vamos considerar dois valores para I1 : a. a as express˜es desta sess˜o mostram que os erros εc e β aumentam quando I1 decresce. 003I1n . tendo em vista a potˆncia m´xima com a qual o TC teve a sua classe de exatid˜o determinada. e tendo em vista o que foi dito acima.Cap´ ıtulo 3. o qual ser´ a a considerado aqui em m´dulo. Para I1 = 0. vamos considerar que o prim´rio do TC seja e a percorrido por uma corrente fixada I1 nas trˆs situa¸oes que ser˜o analisadas abaixo: e c˜ a . Transformadores para Instrumentos 60 O primeiro membro da express˜o acima representa o erro relativo εc . Se a corrente nominal o c˜ a do TC ´ muito maior do que a corrente da instala¸˜o. 1I1n → I0 = 0. 03 cos (δ + α) Donde se conclui claramente que: ε > εc β >β De tudo isto se conclui que ´ importante que o TC seja de corrente nominal o mais e pr´ximo do valor da corrente da instala¸ao em que est´ inserido. E como os m´dulos dos fasores indicados representam o o realmente os valores eficazes das respectivas correntes podemos escrever: εc = I0 · sin (δ + α) I1 Do mesmo diagrama podemos escrever: tgβ = |I0 | · cos [90 − (δ + α + β)] Kc |I2 | cos β Como β ´ pequeno. o a Como exemplo elucidativo.

θ2 tende para zero: εc decresce e β cresce. por´m varia o seu ˆngulo de fase θ2 : portanto. e sendo a impedˆncia Z um resistor. haver´ uma corrente I2 e a a a os erros εc e β correspondentes s˜o indicados pelas express˜es da sess˜o anterior. No caso particular de um TC muito bem projetado e constru´ ıdo. c˜ e a Estas an´lises sobre o comportamento do TC. Como a corrente I0 ´ que origina o fluxo Φ. a a ca o a vamos analisar as quatro possibilidades seguintes: a. A impedˆncia Z aumenta em m´dulo para Z .Cap´ ıtulo 3. a a o e a a corrente I0 n˜o sofrer´ varia¸˜o. Mas. vˆ-se que: e |I0 | · sin α = |Ip | e |I0 | · cos α = |Iµ | Assim. Transformadores para Instrumentos 61 1. θ2 tem um valor tal que δ + α = 90o : εc atinge o m´ximo valor e β ´ zero. poder-se-´ ter: a a a θ2 = δ = 0 Ent˜o. b. tendo a reatˆncia x2 = 0. ent˜o tamb´m aumentar´ para e a e a I0 . conservando o mesmo angulo de fase a o ˆ θ2 . a o a 2. Em conseq¨ˆncia. como mostram as express˜es da ue a o sess˜o anterior. Observando as express˜es da sess˜o passada. Em resumo: os erros do TC aumentam quando a impedˆncia posta a a no secund´rio aumenta. os erros εc e β aumentar˜o. as express˜es anteriores tomam forma: o εc = |Ip | |I1 | e β= |Iµ | |I1 | Em virtude da express˜o acima. A impedˆncia Z n˜o varia em m´dulo. mas β ´ negativo. as express˜es da sess˜o anterior tornar-se-iam: a o a εc = |I0 | |I1 | · sin α β= |I0 | |I1 | · cos α Mas no diagrama fasorial. E2 ter´ de aumentar para E2 e o fluxo Φ a para Φ . em face da impedˆncia posta no a a seu secund´rio. e e d. e a componente ca e a c˜ de magnetiza¸ao Iµ ´ a respons´vel pelo erro de fase. conforme est´ no diagrama fasorial da sess˜o anterior: para que a corrente I2 a a se mantenha a mesma (ou aproximadamente a mesma) a tens˜o secund´ria U2 ter´ a a a de aumentar para U2 . sobretudo quando estes instrumentos e s˜o colocados a uma distˆncia consider´vel. θ2 tem um valor tal que δ = 90o : εc ´ positivo. para isto. a 3. a e c. servem de alerta ao usu´rio quanto ` limita¸ao da resistˆncia a a a c˜ e dos condutores el´tricos que s˜o utilizados para liga¸˜o do secund´rio do TC aos e a ca a instrumentos el´tricos que ele alimenta. a a a . diz-se na pr´tica que a componente de perdas a a Ip Da corrente de excita¸˜o ´ a respons´vel pelo erro de rela¸ao. Para uma certa impedˆncia Z posta no secund´rio do TC.

n˜o e e a a haver´ o efeito desmagnetizante desta corrente e a corrente de excita¸ao I0 passar´ a ser a c˜ a a pr´pria corrente I1 . este enrolaa mento deve ser curto-circuitado atrav´s de um fio condutor de baixa impedˆncia. com iminente perigo para o operador. Mesmo que o TC n˜o se danifique. ent˜o o F CRc e o ˆngulo de fase β tˆm efeito simultˆneo nos valores medidos. ou por um medidor de energia el´trica. Aquecimento excessivo causando a destrui¸˜o do isolamento. a corrente o c˜ a I1 ´ fixada pela carga ligada ao circuito externo. . se I2 = 0. ıvel a 3. a este fluxo Φ elevado corresponder´ uma maga a netiza¸ao forte no n´cleo. a a b. um fio e a de cobre por exemplo. o que alterar´ as suas caracter´ c˜ u a ısticas de funcionamento e precis˜o.e. podendo provocar conca tato do circuito prim´rio com o secund´rio e com a terra. secund´rio aberto. cuja bobina de corrente ´ alimentada atrav´s do e e e referido TC. originando em conseq¨ˆncia um fluxo Φ muito elevado no n´cleo. o F CRc ´ o unico que tem efeito e ´ nos valores medidos. nunca se usa fus´ no secund´rio dos TCs. Uma f. para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸ao de rela¸˜o F CRc e do c˜ ca angulo de fase β. isto ´.10 O Secund´rio de um TC Nunca Deve Ficar Aberto a Quando o prim´rio de um TC est´ alimentado. c. quando o TC alimenta instrumentos cuja indica¸˜o depende ca dos respectivos m´dulos da tens˜o e da corrente a ele aplicadas e tamb´m do angulo de o a e ˆ defasagem entre estas duas grandezas como no caso de watt´ ımetros e medidores de energia el´trica. No caso de se necessitar retirar o instrumento do secund´rio do TC. o ue u Conseq¨ˆncias desta imprecau¸ao: ue c˜ a.4.Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 62 3. a Por este motivo.4. o seu secund´rio nunca deve ficar a a a aberto. ˆ A montagem da figura seguinte esquematiza o que acima foi dito.m. Vejamos as raz˜es desta precau¸ao: como j´ foi dito.11 Fator de Corre¸˜o de Transforma¸˜o (F CTc ) do TC ca ca Quando o TC est´ alimentando apenas amper´ a ımetro. induzida E2 de valor elevado. e e a a e a por isto devem ser ambos levados em considera¸˜o na an´lise dos resultados. ca a Com isto chega-se ao “fator de corre¸ao de transforma¸˜o”F CTc que ´ definido da c˜ ca e seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ ımetro. Mas.

fixado um valor num´rico para o F CTc . Na classe de exatid˜o 0. Fica ent˜o entendido que a exatid˜o do TC. 994 para 100% da corrente nominal b. isto ´. 994 para 10% da corrente nominal b. os valores ca c˜ limites positivos e negativos do ˆngulo de fase β em minutos s˜o expressos por: a a β = 2600 (F CRc − F CTc ) onde o fator de corre¸ao da transforma¸ao F CTc deste TC assume os seus valores m´ximo c˜ c˜ a e m´ ınimo. atribui-se ao a c F CTc o seu valor m´ ınimo e faz-se novamente o F CRc variar. u Paralelogramo Maior: atribui-se ao F CTc o seu valor m´ximo nesta classe de exatid˜o a a correspondente a 10% da corrente nominal e repete-se o mesmo procedimento utilizado para o tra¸ado do paralelogramo menor. 997 para 100% da corrente nominal a. 988 para 10% da corrente nominal c. 024 e 0. e Para qualquer fator de corre¸˜o da rela¸ao F CRc conhecido de um TC. O F CTc pode ter quatro e a c˜ valores em cada classe de exatid˜o: a a. Justamente. 003 e 0.2.1. somente ´ garantida para cargas medidas daquele tipo. indicada na sua placa de a a identifica¸˜o. pois. c . 2: a c. obtendo-se agora os valores positivos de β e conseq¨entemente o outro lado inclinado da figura. 1. Na classe de exatid˜o 0. c a procede-se da seguinte maneira: Paralelogramo Menor: atribui-se ao F CTc o seu valor m´ximo nesta classe de exatid˜o a a correspondente a 100% da corrente nominal e faz-se variar o F CRc desde o seu limite superior at´ o limite inferior. com fator de ca e e potˆncia indutivo entre 0. 012 e 0. para a a qual estabelecem que o fator de potˆncia deve ser indutivo e ter um valor compreendido e entre 0. Transformadores para Instrumentos 63 As normas t´cnicas definem o tra¸ado dos paralelogramos de exatid˜o baseando-se e c a no F CTc e na carga medida no prim´rio do TC (carga M na figura anterior). 3: a a. 1. 1. e podendo-se ent˜o tra¸ar um lado inclinado da figura. 1. 976 para 10% da corrente nominal Para se tra¸ar os dois paralelogramos que definem a classe de exatid˜o de um TC.1. 6: a b. a e vˆ-se que esta express˜o representa a equa¸ao de uma reta. 1. 006 e 0.Cap´ ıtulo 3. Em seguida. 006 e 0. 988 para 100% da corrente nominal c. 6 e 1. Na classe de exatid˜o 1.1. a partir da express˜o acima ´ que se constroem os dois paralelogramos a e de exatid˜o correspondentes a cada classe. 6 e 1.2.2. 1. obtendo-se assim os valores negativos de β. 012 e 0.

Transformadores para Instrumentos 64 3. a ıdo envolve mecanicamente o n´cleo do transformador. montada permanentea e ıdo mente atrav´s do n´cleo do transformador. e TC de n´cleo dividido: tipo especial de TC tipo janela. u TC tipo barra: TC cujo prim´rio ´ constitu´ por uma barra. constru´ com uma abertura atrav´s do a o ıdo e n´cleo. O a c a amper´ ımetro tipo “alicate”nada mais ´ do que um TC de n´cleo dividido. ca c˜ . para facilitar o enla¸amento do condutor prim´rio. fazendo parte integrante deste.Cap´ ıtulo 3. e u TC tipo janela: TC sem prim´rio pr´prio. formando uma ou mais u a a espiras. em que parte do n´cleo ´ u u e separ´vel ou basculante. projetado para ser instalado sobre uma bucha de um equipamento el´trico.4.12 Classifica¸˜o dos TCs ca Conforme a disposi¸˜o dos enrolamentos e do n´cleo. o qual e u possibilita medir a corrente sem a necessidade de abrir o circuito para coloc´-lo em a s´rie. por onde passar´ um condutor do circuito prim´rio. e Conforme a finalidade de aplica¸˜o. TC tipo bucha: tipo especial de TC tipo janela. os TCs podem ser classificados nos dois tipos ca seguintes: TC para medi¸˜o e TC para prote¸ao. os TCs podem ser classificados ca u nos seguintes tipos: TC tipo enrolado: TC cujo enrolamento prim´rio constitu´ de uma ou mais espiras.

14 TC de M´ ltipla Rela¸˜o de Transforma¸˜o u ca ca Os TCs podem ser constru´ ıdos para uma unica rela¸˜o de transforma¸ao ou para ´ ca c˜ m´ltipla rela¸ao de transforma¸ao. a TC com v´rios enrolamentos no prim´rio (liga¸ao s´rie/paralela no prim´rio): A figura a a c˜ e a abaixo mostra um TC deste tipo. 3. o c˜ e c˜ ca n´mero de amp´res-espiras permanece constante em todas as corrente nominais. u c˜ e a . formando um conjunto com o u um unico enrolamento prim´rio. e permitindo v´rias rela¸oes de transforma¸ao. em que o secund´rio tem um n´mero fixo N2 a u de espiras e o prim´rio ´ constitu´ de v´rias bobinas idˆnticas entre si.4. nas condi¸oes nominais. Transformadores para Instrumentos 65 3. e a Os esquemas abaixo mostram as combina¸oes que devem ser feitas no prim´rio para c˜ a a obten¸ao das trˆs rela¸oes de transforma¸˜o nominais. u e Neste exemplo. ´ a c a Um dos secund´rios ´ destinado a medi¸ao e os outros (ou o outro) s˜o destinados ` a e ` c˜ a a prote¸ao. as quais podem ser combinadas em s´rie ou em paralelo. temos 200N amp´res-espiras: para 50/5A.Cap´ ıtulo 3. c˜ ´ E importante observar que. O prim´rio ´ e a a e um elemento comum a todos os n´cleos.13 TC de V´rios N´ cleos a u ´ E muito freq¨ente na pr´tica (sobretudo em circuitos de alta tens˜o) a utiliza¸˜o de u a a ca TC de v´rios n´cleos. Trata-se de TC com v´rios enrolamentos secund´rios isolados a u a a separadamente e montados cada um em seu pr´prio n´cleo. neste tipo de TC. Mas cada n´cleo com o seu secund´rio pr´prio u u a o atua como um TC independente dos outros. cada a e ıdo a e uma tendo N espiras. todos os secund´rios que n˜o estiverem a a alimentando instrumentos el´tricos dever˜o permanecer curto-circuitados.4. Por exemplo: consideremos que um a c˜ c˜ TC com a possibilidade de trˆs correntes prim´rias nominais: 50A. para 100/5A e para e 200/5A. 100A e 200A. Diz-se na pr´tica que estes TCs s˜o de rela¸oes c˜ a a c˜ nominais m´ltiplas com liga¸ao s´rie/paralela no enrolamento prim´rio. Como pode ser visto. cujas espiras (ou espira) enla¸am todos os secund´rios. existindo neste segundo caso quatro tipos de TCs que u c˜ c˜ passar˜o a ser analisados.

ao mesmo tempo. Nos TCs com v´rias deriva¸˜es no a a co secund´rio. Somente pode ser utilizada uma das dee riva¸˜es. conseguindo-se com isto um TC de muitas possibilidades quanto a rela¸oes de transc˜ forma¸ao. n˜o podem ser utilizadas. no exemplo em tela: 100A. nas e condi¸oes nominais. A c˜ se¸ao do condutor do prim´rio ´ dimensionada tendo em vista a maior das correntes c˜ a e para as quais um TC deste ´ projetado. esquematicamente. Neste exemplo em discuss˜o: na rela¸ao de 50/5A ter´ c˜ a c˜ ıamos 50N amp´res-espiras e na rela¸˜o de 100/5A ter´ e ca ıamos 100N amp´res-espiras. o n´mero de amp´res-espiras n˜o ´ o mesmo em todas as rela¸oes de u e a e c˜ transforma¸ao nominais. duas ou mais deriva¸oes a a c˜ para alimentarem instrumentos el´tricos. Como pode e ser visto. a . A figura abaixo mostra. permanecendo as outras abertas (n˜o curto-circuitadas) a fim de que estas co a n˜o interfiram nos resultados. a c˜ a em que o prim´rio ´ que tem agora um n´mero fixo N de espiras e o secund´rio a e u a tem duas deriva¸oes que permitem utilizar o TC como 50/5A ou como 100/5A. c˜ TC com v´rios enrolamentos no prim´rio e v´rias deriva¸˜es no secund´rio: Os dois a a a co a tipos de TCs discutidos anteriormente podem ser englobados neste terceiro tipo. a disposi¸˜o dos enrolamenc˜ ca tos de acordo com os TCs existentes na pr´tica. Transformadores para Instrumentos 66 TC com v´rias deriva¸oes no secund´rio: A figura abaixo mostra um TC deste tipo.Cap´ ıtulo 3.

Os esquemas abaixo mostram as respectivas liga¸˜es co para estas rela¸˜es. podendo isto permitir trˆs rela¸oes a e c˜ de transforma¸˜o nominais. Normalmente. o erro de rela¸˜o pode ser at´ 10%. Os TCs destinados a prote¸˜o podem ser u ` ca aceitos. n˜o havendo a e e ca e a .Cap´ ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 67 TC com v´rios enrolamentos no secund´rio (liga¸˜o s´rie/paralela no secund´rio): Trataa a ca e a se de um TC especial (para fins de prote¸ao).4. 5A e 100/10A. tendo muitas deriva¸oes no secund´rio.15 Considera¸oes Sobre os TCs com Deriva¸˜o no Secund´rio c˜ ca a e Liga¸˜o S´rie/Paralela no Prim´rio ca e a Conforme foi visto na sess˜o anterior. a e a c˜ a classe de exatid˜o desses TCs ´ 10. e at´ especificados pelo usu´rio. a classe de exatid˜o especificada pelo c˜ a comprador para TC com deriva¸˜es no secund´rio ´ garantida pelo fabricante apenas no co a e funcionamento com o maior n´mero de espiras. Em c˜ a c˜ conseq¨ˆncia. isto ´. e ca 3. pois. 100/2. a exatid˜o do TC n˜o ´ garantida a mesma em todas as rela¸˜es nomiue a a e co nais obtidas com as deriva¸oes. Na liga¸ao de 100/5A apenas um dos enrolamentos secund´rios co c˜ a deve ser utilizado na alimenta¸ao de instrumentos el´tricos permanecendo o ouc˜ e tro (ou os outros) enrolamento aberto (n˜o curto-circuitado) afim de n˜o produzir a a interferˆncia na medi¸˜o. vamos supor que seja um TC para ca e 100/5A. Para fixar id´ia. A figura abaixo mostra um TC deste tipo em que o sec˜ cund´rio tem dois enrolamentos com N2 espiras. a quantidade de amp´res-espiras n˜o ´ consa e a e tante num TC com deriva¸oes no secund´rio nas respectivas rela¸oes nominais. o qual o aplicar´ em circuitos bem a definidos da sua instala¸ao. e por isto constru´ somente sob c˜ ıdo solicita¸ao espec´ c˜ ıfica do comprador interessado.

sendo aconselh´vel que eles sejam especificados co a a de modo que as deriva¸oes extremas sejam tais que o quociente entre as rela¸oes c˜ c˜ nominais com elas obtidas n˜o seja superior a 2. 60Hz. 600/5A e 700/5A. 5V A. pois isto definir´ a classe de exatid˜o. ou se desejar TCs com duas ou trˆs rela¸˜es nominais estes dec˜ e co vem ser especificados com liga¸˜o s´rie/paralela no prim´rio (sem deriva¸ao no seca e a c˜ cund´rio) o que permitir´ exigir do fabricante a garantia da exatid˜o em todas as a a a rela¸oes nominais.4. caso se deseje. os TCs para medi¸˜o tˆm classes de exatid˜o ˆ ca e a mais exigente e por isto duas considera¸oes ser˜o feitas a seguir: c˜ a 1. a t´ ıtulo de referˆncia. e e a a caracter´ ısticas estas que s˜o normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou poder˜o ser a a determinadas em laborat´rio atrav´s de ensaios apropriados. podendo entre c˜ a c˜ estas duas extremas existirem outras deriva¸oes tais como as correspondentes a c˜ 500/5A. 3. c˜ Para fixar id´ia na especifica¸˜o de TCs. deve ter c˜ como deriva¸ao m´xima a que permite a rela¸ao nominal 800/5A. Os ensaios devem ser feitos em e a a condi¸oes nominais. Em medi¸˜o para fins de faturamento devem ser preferidos TCs com apenas uma ca rela¸ao nominal. que as perdas n˜o dever˜o exceder 2W e 2. e a c˜ ´ poss´ E ıvel. Entretanto. cuja deriva¸˜o m´ a ca ınima permite a rela¸ao nominal 400/5A. Transformadores para Instrumentos 68 limite para o angulo de fase. Em medi¸˜o de controle (sem finalidade de faturamento) podem ser empregados ca TCs com deriva¸˜es no secund´rio. R e L de cada bobina. c˜ 2. A carga nominal do TC ser´ estabelecida tendo em vista as caracter´ a ısticas (em termos de perdas el´tricas internas) dos instrumentos el´tricos que ser˜o inseridos no secund´rio. em condi¸oes de 5A. Exemplo: um TC com deriva¸oes a c˜ no secund´rio.16 Como Especificar um TC para Medi¸˜o ca Para especificar corretamente um TC. conforme visto anteric˜ a a ormente. e ca . a ordem de grandeza das perdas da bobina de corrente de e alguns instrumentos el´tricos que s˜o utilizados com TCs. O quadro da figura abaixo o e indica. ´ necess´rio antes de tudo saber-se qual ser´ a e a a finalidade da sua aplica¸ao. ` ısticas Z.Cap´ ıtulo 3. partindo da´ chegar-se as caracter´ ı. Conv´m aqui lembrar que para a bobina de corrente dos medidores de energia e el´trica. vamos dar dois exemplos.

3−C12. tens˜o m´xima de opera¸ao 72. sabendo que a tens˜o entre fases do circuito ´ 13. Os instrumentos el´tricos que ser˜o empregados. podendo atingir cerca de 160A a partir do segundo ano. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´tricos que ser˜o utilizados e a forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A. n´ de isolamento: tens˜o ıvel a nominal 69kV . S= (9. 6)2 ∴ S = 9. 3B−0. fator t´rmico a e 1. vˆ-se e que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 12. cuja corrente na linha chegar´ a cerca de 80A no primeiro ano de a funcionamento. tens˜es suport´veis nominais a a c˜ o a a freq¨ˆncia industrial e de impulso atmosf´rico: 140kV e 350kV . ` ue e Exemplo 2 Especificar um TC para medi¸˜o de energia el´trica e controle. a b. carga nominal ABNT C12. 2. 5V A que ´ a carga pae dronizada imediatamente superior a 9. abaixo indicados. Medidor de kW h com indicador de demanda m´xima tipo mecˆnico. abaixo a a e a indicados. 3. classe a co de exatid˜o ABNT 0. sem finalidade de ca e faturamento. Classe de exatid˜o: o quadro indica 0. respectivamente. 60Hz: Da´ chega-se a: ı. 8kV e que a corrente na a e linha chegar´ no m´ximo a 80A. espec´ ıfico para energia reativa. do ponto c˜ de vista el´trico. 5kV . A especifica¸ao deste TC. a a b. Medidor de kvar. 5. Os instrumentos el´tricos que ser˜o empregados. rela¸˜es nominais 20x40 : 1. a Solu¸ao: c˜ a. 2/B−0. 54V A Com este resultado. Transformadores para Instrumentos 69 Exemplo 1 Especificar um TC para medi¸˜o de energia el´trica para faturamento a um consumidor ca e energizado em 69kV . para uso exterior (ou interior. 4)2 + (1. 54V A.Cap´ ıtulo 3. ficar˜o a 25m do TC e ser˜o ligados ao e a a a secund´rio deste atrav´s de fio de cobre N o 12AW G: a e a. conforme for o caso). pode ent˜o ter seguinte enunciado: Transformador de corrente e a para medi¸ao. correntes primarias nominais 100x200A (liga¸ao s´rie/paralela no c˜ c˜ e prim´rio). 5 (ou ANSI 0. ficar˜o a 25m do TC e ser˜o ligados ao secund´rio deste atrav´s de fio de cobre a a a e N o 12AW G: . e consultando o quadro da figura de cargas nominais. 5). 1/B−0. 60Hz. sem indicador de demanda m´xima.

f. tens˜es suport´veis nominais ` freq¨ˆncia industrial e de impulso atmosf´rico: o a a ue e 36kV e 110kV . A especifica¸ao deste TC. Medidor de kW h. 6 − C25 (ou ANSI 0. Medidor de kW h com indicador de demanda m´xima. c. 5. Watt´ ımetro. 97V A. conforme for e o caso). 2/B − 0. 60Hz. Amper´ ımetro. classe de exatid˜o ABNT 0. 6B − 0. fator t´rmico 1. 1/B − a 0. Fas´ ımetro. e. rela¸˜o nominal 20 : 1. corrente primaria nominal 100A. 2 (a optar pelo a a comprador). n´ de isolamento: tens˜o nominal 13. 8)2 + (8. para uso exterior (ou interior. S= (14. Classe de exatid˜o: o quadro da classe de exatid˜o indica 0. Solu¸ao: c˜ a. carga noc˜ ca minal ABNT C25. 8kV . . acoplado a um autotransfora mador de defasamento. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´tricos que ser˜o utilizados e a forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A. d. Var´ ımetro. do ponto de c˜ vista el´trico. 6 ou 1. vˆ-se e que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´ a carga padronie zada imediatamente superior a 16. 97V A Com este resultado. pode ent˜o ter seguinte enunciado: Transformador de corrente para e a medi¸ao. servindo assim para medir kvarh. Transformadores para Instrumentos 70 a. 60Hz: Da´ chega-se a: ı. b. 5/B − 1). sem indicador de demanda m´xima. tens˜o m´xima de opera¸ao ıvel a a a c˜ 15kV . e consultando o quadro da figura de cargas nominais. respectivamente.Cap´ ıtulo 3. a b. 3)2 ∴ S = 16.

onde ´ levado em considera¸˜o c˜ e a e ca apenas o erro de rela¸˜o. na prote¸˜o.Cap´ ıtulo 3. 6 − C25 que ´ o correto. 0 e n˜o como 0. 6)2 ∴ S = 3. 5 que ´ o correto. 3)2 ∴ S = 11. Esta precau¸˜o ´ baseada e e ca e nas duas caracter´ ısticas seguintes: Classe de Exatid˜o: Os TCs para medi¸ao tˆm classe de exatid˜o 0. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸ao de dimensic˜ onamento. o seu erro de rela¸ao a c˜ c˜ c˜ percentual n˜o for superior a 10%. h´ a se levar em considera¸˜o caracter´ a ca ısticas bem marcantes que lhes s˜o impostas no projeto e constru¸ao em termos de tipos de a c˜ n´cleos e tipos de enrolamentos prim´rio e secund´rio. a a 2. Transformadores para Instrumentos 71 Observa¸oes c˜ 1. Para a c˜ e a classific´-los. sobretudo se esta medi¸˜o c˜ a c˜ ca ´ de energia el´trica para fins de faturamento a consumidor. o TC do exemplo a e a a 1 passaria a ser 0. a a ca Os TCs para prote¸ao tˆm classe de exatid˜o 10. s˜o considerados os erros de rela¸˜o e de fase levantados nos ensaios. 6 − C50 a fim de que fosse poss´ ıvel utiliz´-lo tamb´m em medi¸ao para faturamento. devem considerados os valores corretos das perdas dos instrumentos e dos condutores que ser˜o utilizados no secund´rio do TC.17 TCs para Prote¸˜o ca Embora todos os TCs tenham o mesmo princ´ f´ ıpio ısico de funcionamento e sejam constitu´ ıdos basicamente dos mesmos elementos. a e c˜ 3. nestas condi¸oes. n˜o tendo a´ o erro de fase nenhuma influˆncia. como tamb´m os consc˜ a ca e tru´ ıdos para prote¸ao n˜o devem ser utilizados para medi¸ao. Para cada caso. 3 − C25 e o do exemplo 2. 23V A e o TC seria especificado ent˜o erradamente como 0. o que interessa ´ o efeito ca ca e produzido nos rel´s pelo m´dulo da corrente secund´ria como fun¸ao do m´dulo da e o a c˜ o corrente prim´ria.4. a a e No exemplo 2: S = (8. a a e 3. 6 − 1. 1 a co c˜ e . 3 − C12. quando. 2. baixa e c˜ relutˆncia) trabalhando sob condi¸˜es de baixa indu¸ao magn´tica (cerca de 0. 5 e n˜o como 0. 8)2 + (1. pequenas perdas. a a ı e Considera-se que um TC para servi¸o de prote¸˜o est´ dentro da sua classe de c ca a exatid˜o. 2)2 + (8. 3 − 0. a potˆncia no secund´rio do TC seria: c˜ e a No exemplo 1: S = (2. ent˜o ´ aconselh´vel superdimension´-lo um pouco. desde a corrente nominal at´ uma corrente igual a e a 20 vezes o valor da corrente nominal. ca c e Os TCs para medi¸ao n˜o devem ser utilizados para prote¸˜o. pode-se observar que h´ uma influˆncia consider´vel dos a e a fios de cobre que ligam os instrumentos ao secund´rio do TC. 6 − C12. 0. em condi¸oes especificadas. 3 − C5. Se as perdas nestes fios n˜o tivessem sido levadas co a em considera¸ao. no futuro. uma vez que. 6V A e o TC seria especificado ent˜o erradamente como 0. Assim. Se h´ possibilidade. as quais dividem os TCs em dois u a a grupos bem distintos quanto ` finalidade de utiliza¸ao adequada: TCs para medi¸˜o e a c˜ ca TCs para prote¸˜o (para servi¸o de rel´s). Nos dois exemplos dados. Circuito Magn´tico: O n´cleo dos TCs para medi¸˜o ´ feito de material de elevada e u ca e permeabilidade magn´tica (pequena corrente de excita¸ao. e isto deve ser bem a analisado nas instala¸˜es reais. de coloca¸˜o de mais outros instrumentos no secund´rio a ca a do TC.

o que corresponde ` corrente prim´ria crescer para cerca de quatro a a vezes o seu valor nominal. o que afetaria sensivelmente a seletividade com outros rel´s da retaguarda. e comprometendo desta forma a prote¸ao de todo o sistema. 5 tesla. pois entrando o TC em satura¸ao a corrente secund´ria c˜ a poder´ n˜o ser suficiente para sensibiliz´-los convenientemente. ela reflete no secund´rio uma corrente que a chega no m´ximo a cerca de quatro vezes o valor nominal desta. ser´ nestas condi¸oes a c˜ (quando alimentado atrav´s de TC para medi¸ao) sensibilizado como se a corrente e c˜ fosse cerca de 4 vezes a corrente nominal.Cap´ ıtulo 3. Mas. conforme mostra a a curva 1 da figura abaixo. eles entram em satura¸ao logo que a indu¸ao magn´tica cresce para c˜ c˜ e 0. por´m somente entra em satura¸ao para valores muito elevados e e c˜ do fluxo (indu¸ao magn´tica elevada). Transformadores para Instrumentos 72 tesla). mesmo que aquela corrente atingisse 5 ou 6 ou mais vezes a corrente nominal. a a a Por exemplo: um rel´ a tempo inverso que deve funcionar num tempo t1 (figura e abaixo) quando a corrente for 6 vezes a corrente nominal. entrando assim em funcionamento num tempo t2 > t1 . conforme mostra a curva 2 da figura acima. Se um TC para medi¸˜o ´ utilizado para alimentar rel´s. c˜ . enquanto que os rel´s podem perfeitamente suport´-la desde que s˜o prea e a a vistos para isto. Nos instrumentos de medi¸˜o uma corrente desta ordem de grandeza poderia danica fic´-los. estes ca e e muito certamente n˜o entrar˜o em funcionamento na ocasi˜o necess´ria (ocasi˜o de a a a a a curto-circuito. 4 a 0. Mesmo que a corrente prim´ria ultrapasse esta ordem a de grandeza e atinja valores excessivos. correspondentes a uma corrente prim´ria de c˜ e a cerca de 20 vezes o valor nominal desta. por exemplo). O n´cleo dos TCs para prote¸˜o ´ feito de material que n˜o tem a mesma permeau ca e a bilidade magn´tica.

Transformadores para Instrumentos 73 Classifica¸˜o dos TCs para Prote¸˜o ca ca Os TCs para prote¸˜o s˜o agrupados. uma vez que no Brasil somente h´ a classe de e a a a exatid˜o 10. a a e A cada carga nominal para TC padronizada pela ABNT corresponde ent˜o uma tens˜o a a secund´ria nominal para TC para prote¸ao. a Especifica¸˜o dos TCs para Prote¸˜o ca ca No Brasil. tendo em vista a impedˆncia do enrolamento ca a a secund´rio. a Exemplo 1: Um TC para prote¸ao B200 significa: c˜ . Somente devem entrar em satura¸ao para uma corrente de valor acima de 20 vezes a c˜ sua corrente nominal. desde 1 a 20 vezes a corrente a nominal. Constituem exemplos: os TCs de n´cleo tor´idal com enrolamento seu o cund´rio uniformemente distribu´ a ıdo. isto ´. a qual ´ obtida multiplicando-se por 100 a a c˜ e impedˆncia daquela carga nominal. ou seja. em duas classes: a Transformador de Corrente Classe B: TC que possui baixa impedˆncia interna. o erro de rela¸ao percentual n˜o deve a e c˜ a exceder 10% para qualquer valor da corrente secund´ria.Cap´ ıtulo 3. a Na especifica¸˜o de um TC para prote¸ao ´ necess´rio indicar se ele deve ser classe ca c˜ e a A ou B. isto ´. quando a corrente secund´ria ´ 100A. a a a a Nesta classe se enquadram todos os TCs exceto os que s˜o definidos como classe B. os TCs para prote¸˜o devem satisfazer `s duas condi¸˜es seguintes: ca a co 1. N˜o e a a a a ´ necess´rio citar a classe de exatid˜o. e qualquer carga igual ou inferior a nominal. isto a ´. a qual ca a a pode ser definida como sendo a tens˜o que aparece nos terminais da carga nominal posta a no secund´rio do TC para prote¸ao quando a corrente que a percorre ´ igual a 20 vezes a c˜ e o valor da corrente secund´ria nominal. aquele cuja reatˆncia de dispers˜o do enrolamento secund´rio possui valor dese a a a prez´ ıvel. Transformador de Corrente Classe A: TC que possui alta impedˆncia interna. ` A primeira condi¸˜o leva ao estabelecimento da tens˜o secund´ria nominal. 2. Devem ser de classe de exatid˜o 10. como tamb´m a tens˜o secund´ria nominal que o usu´rio deseja para ele. a e aquele cuja reatˆncia de dispers˜o do enrolamento secund´rio possui valor apreci´vel.

TC de classe de exatid˜o 10. isto ´. isto ´. quando se est´ especificando um TC para prote¸ao que vai a c˜ ser adquirido. TC de classe de exatid˜o 10. e c. Tens˜o secund´ria nominal 400V (est´ implicito que a carga secund´ria nominal a a a a deve ser C100 cuja impedˆncia ´ 4Ω. a b. a b. como tamb´m os v´rios tipos de TCs para prote¸ao das classes A e B. TC de classe A. e c. a e Exemplo 2: Um TC para prote¸ao A400 significa: c˜ a. e a c˜ Deve ficar entendido que. Transformadores para Instrumentos 74 a. o dimensionamento da sua tens˜o secund´ria nominal ´ feito tendo-se em a a e conta o valor da impedˆncia m´xima Zm que poder´ vir a ser imposta ao seu secund´rio a a a a quando ele for utilizado na instala¸˜o: ca Zm = onde se tem a considerar: Rr : resistˆncia pr´pria do rel´ e o e Xr : reatˆncia pr´pria do rel´ a o e r: resistˆncia do condutor que liga o secund´rio do TC ao rel´ (2r ´ a resistˆncia total) e a e e e Esta impedˆncia m´xima Zm deve ser relacionada a impedˆncia nominal Z da carga a a ` a padronizada correspondente a tens˜o secund´ria nominal que ter´ de especificar: a a a (Rr + 2r)2 + (Xr )2 .Cap´ ıtulo 3. pois: V = 20 · 5 · 4 = 400V ). de alta impedancia interna. de baixa impedancia interna. pois: V = 20 · 5 · 2 = 200V ). Tens˜o secund´ria nominal 200V (est´ implicito que a carga secund´ria nominal a a a a deve ser C50 cuja impedˆncia ´ 2Ω. TC de classe B. a e Levando em conta o quadro de cargas nominais dos TCs. foi elaborado o quadro da figura abaixo onde s˜o mostrados os valores das tens˜es secund´rias nominais normalizadas a o a no Brasil.

N´ de isolamento: define a especifica¸ao do TC quanto `s condi¸oes a que deve ıvel c˜ a c˜ satisfazer a sua isola¸˜o em termos de tens˜o suport´vel. 0. Os fabricantes garantem que. bem como outras caracter´ ca ısticas que podem ser . a “tens˜o m´xima de opera¸ao de um equipamento”: m´xima tens˜o a a c˜ a a de linha (tens˜o entre fases) para o qual o equipamento ´ projetado. 4. J´ existem em outros pa´ TCs de fator t´rmico 4. 4.4. acima da corrente ca nominal. a 5.18 Resumo das Caracter´ ısticas dos TCs 1. este TC a c˜ e a seria especificado na “ordem de compra”como A400 ou B400. Ent˜o. 0. em prote¸˜o pode haver TCs com corrente secund´ria nominal de 2. ao se instalar um TC para prote¸˜o. 1. 0. em condi¸˜es especificadas. Na escolha a a de um TC deve-se especific´-lo tendo em vista a corrente m´ximo do circuito em a a que o TC vai ser inserido. considerandoa e se principalmente a sua isola¸˜o. pois nestas condi¸˜es a corrente e a co de excita¸ao ser´ muito pequena diante da corrente prim´ria. Em casos a a e especiais. Fator t´rmico: fator pelo qual deve ser multiplicada a corrente prim´ria nominal e a para se obter a corrente prim´ria nominal para se obter a corrente prim´ria m´xima a a a que um TC ´ capaz de conduzir em regime permanente. Corrente prim´ria: caracteriza o valor nominal de I1 suport´vel pelo TC. 1. ca a 2. 5 e 2. tendo em conta a impedˆncia Z padronizada cora respondente a tens˜o secund´ria nominal que est´ indicada na placa de identifica¸˜o do ` a a a ca TC: Z= (Rr + 2rm )2 + (Xr )2 Exemplo: a impedˆncia m´xima (incluindo a resistˆncia dos condutores) a ser imposta a a e ao secund´rio de um TC de prote¸ao ´ da ordem de grandeza de 2. ou no registro de um medidor de energia el´trica. A padroniza¸˜o das tens˜es ca a a ca o m´ximas de opera¸ao dos TCs (tabela abaixo). 3. 2. 0 em TCs nacionais. sob freq¨ˆncia nominal. 3. que poder´ ser a a a introduzido pelo TC na indica¸˜o de um watt´ ca ımetro. 6 e 1. c˜ Especificam-se cinco fatores t´rmicos para TCs fabricados no Brasil: 1. Corrente secund´ria: de modo geral a corrente nominal secund´ria ´ de 5A. Classe de exatid˜o: valor m´ximo do erro. 5A. Se o a ıses e usu´rio desejar fator t´rmico maior que 1. expresso em percentagem. 2. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜o do TC. 3. e 1. 75Ω. os condutores secund´rios devem ser corretamente dimensionados. Transformadores para Instrumentos 75 Z ≥ Zm Como tamb´m. Pode ter os valores: 0. e ue sem exceder os limites de eleva¸˜o de temperatura especificados e sem cair fora ca da sua classe de exatid˜o. em termos a a de resistˆncia m´xima rm permiss´ e a ıvel. que j´ est´ dispon´ na cone ca a a ıvel cession´ria.Cap´ ıtulo 3. c˜ a a 6. 1. como tamb´m os correspondentes a c˜ e tipos e n´ ıveis de tens˜es a que devem ser submetidos por ocasi˜o dos ensaios definem o a desta maneira. o TC at´ que apresentam melhor exatid˜o. Os limites de eleva¸˜o de temperatura levam em consia ca dera¸ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados nos TCs. e co 4. 1. 0. dever´ explicit´-lo a e a a na sua especifica¸˜o de compra. 3.

. 5 vezes o valor da corrente e t´rmica. quando ele alimenta insa c˜ trumentos el´tricos cuja bobina de corrente ´ provida de polaridade relativa. fas´ e ımetros. 2 48. sem danos el´tricos ou mecˆnicos resultantes das for¸as eletromagn´ticas. Quando o TC alimenta somente amper´ ımetros. 4 362 1. Essa tens˜o n˜o ´ necessariamente e a a e igual ` tens˜o m´xima de opera¸ao do sistema ao qual o equipamento est´ ligado. ent˜o ´ extremamente a e . 2 38 145 460 7. 6 25. durante o primeiro meio ciclo. Como referˆncia. 8 92. respectivamente. etc. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal S1 do secund´rio a tem a mesma polaridade do terminal P1 do prim´rio se. e a c e A norma estabelece que o valor de crista ´ normalmente 2. com o enrolamento secund´rio curtoa circuitado. e e ca 8. etc. Transformadores para Instrumentos 76 referidas a essa tens˜o. a em qualquer enrolamento. Somente h´ ina a teresse em se falar em corrente t´rmica para TCs a partir do n´ de isolamento e ıvel correspondente a tens˜o nominal de 69kV . na especifica¸ao de um TC. uma temperatura m´xima especificada. medidores de energia el´trica. no mesmo instante a corrente I2 percorre a o instrumento A de S1 para S2 . a sua poe laridade n˜o precisa ser levada em considera¸ao. a sua tens˜o m´xima de opera¸˜o a c˜ a a ca pode ser considerada como sendo a que consta do quadro (mostrado anteriormente) imediatamente superior ` tens˜o nominal entre fases do circuito em que o TC ser´ a a a utilizado. Conseq¨entemente. Mas. 7. Em caso de a c˜ corrente alternada ´ sempre dada em valor eficaz. rel´s de corrente. na especifica¸ao do equipamento considerado. como e e watt´ ımetros. Corrente t´rmica nominal: maior corrente prim´ria que um TC ´ capaz de suportar e a e durante um segundo. e 9. 3 169 550 12 72. Corrente dinˆmica nominal: valor de crista da corrente prim´ria que um TC ´ capaz a a e de suportar. diz-se tamb´m que S2 tem a u e mesma polaridade de P2 . sem exceder. podemos dizer que a ` a e corrente t´rmica ´ no m´ e e ınimo 75 vezes e 45 vezes a corrente prim´ria nominal para os a TCs imersos em oleo mineral isolante e para os isolados em epoxy.Cap´ ıtulo 3. a a a c˜ a Tens˜es M´ximas de Opera¸˜o dos TCs (kV ) o a ca 0. ´ A corrente t´rmica tem tamb´m o nome de corrente de curta dura¸˜o. com o enrolamento secund´rio curto-circuitado.. 5 242 765 15 Em termos pr´ticos. quando a corrente I1 percorre a o enrolamento prim´rio de P1 para P2 .

isto ´ P2 no lado da fonte e P1 no lado da carga. N˜o deve ser e c˜ a permitida a coloca¸˜o de outros instrumentos el´tricos no secund´rio destes TCs. densidade de corrente: de 1A at´ 2A por mm2 . a 11. ´ recomend´vel que estes TCs sejam utilizados exclusivamente para e a alimentar o medidor ou medidores de energia el´trica da instala¸ao. Os TPs e TCs servem tamb´m como elementos de isolamento entre os instrumentos e ligados no secund´rio e o circuito de alta tens˜o. Deve-se ter o cuidado de ligar a terra o secund´rio e o n´cleo dos TCs e TPs por ` a u medida de seguran¸a. se P2 for ligado for ligado como a entrada. ´ que h´ TCs de 5/5A. e b. Damos a seguir uma ordem de grandeza para os TCs para medi¸˜o: ca a. e Normalmente. ent˜o S2 ´ que ser´ e a e a utilizado como entrada das bobinas de corrente daqueles instrumentos el´tricos. c. Um mesmo instrumento el´trico. P1 esteja ligado no lado da fonte e P2 no e lado da carga. e e e. Se um TC alimenta v´rios instrumentos el´tricos. ent˜o a entrada das bobinas de corrente dos instrumentos ser´ ligada a a ao terminal S1 do secund´rio. densidade de fluxo: B ≤ 1000 linhas/cm2 (1000 Gauss ou 0. e f. se o prim´rio do TC for ligado em s´rie com a carga a e de modo que P1 seja entrada. utilizado com TCs e TPs de diferentes rela¸oes e c˜ nominais. e n˜o em diagonal como mostra a figura ` ` a a direita acima. como mostra a figura a esquerda acima. a a Exemplo: Na figura acima. 3. pode servir para um campo muito largo de medi¸oes gra¸as ` padroniza¸˜o c˜ c a ca dos valores secund´rios deles (5A para os TCs e 115V para os TPs). para I1 nominal. n1 I0 < 1% de n1 I1 . etc. r2 = 0. mas com n´ de isolamento para alta tens˜o. os terminais dos enrolamentos prim´rio e secund´rio dos TCs s˜o a a a dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes. Da mesma forma. ca e a tais como amper´ ımetros.Cap´ ıtulo 3. 2 = 15mH. isto ´. Quando se empregam TCs em medi¸˜o de energia el´trica para fins de faturamento ca e a consumidor. n1 I1 = 500 a 1000 amp´res-espiras para I1 nominal. d. 10. 12. reduzindo assim o perigo para a a o operador e tornando desnecess´ria uma isola¸˜o especial para tais instrumentos. e a ıvel a 2. Al´m disso. 1 tesla).5 Algumas Considera¸oes Sobre TPs e TCs c˜ 1. 5Ω. Ester devem ser ligados em s´rie a a e e fim de que todos eles sejam percorridos pela mesma corrente do secund´rio do TC. comprimento m´dio do circuito magn´tico: 40cm. Transformadores para Instrumentos 77 importante a considera¸ao da polaridade do TC: a entrada da bobina de corrente c˜ destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´rio do TC que corresponde a ao seu terminal prim´rio que est´ ligado como entrada ao circuito principal. a 3. os TCs para alta tens˜o (a partir de 69kV ) s˜o c e a a . a ca Assim. bobina de corrente de watt´ ımetros.

Para uma mesma densidade de fluxo. Estas ligas tˆm alta permeabilidade magn´tica e perdas reduzidas. ` 4. ´ 5. Para os de melhor qualidade. Estas marcas permitem ao instalador a r´pida identifica¸ao dos terminais e a c˜ de mesma polaridade. se o ponteiro do milivolt´ ımetro desviar para o positivo. a ca ca Estas camadas s˜o ligadas entre si e tamb´m a um terminal externo. ` e os que ser˜o utilizados como padr˜o. verificar pelo menos a rela¸ao de a c˜ transforma¸ao nominal e a polaridade. O instalador somente precisa se preocupar com a polaridade no momento em que for ligar ao secund´rio dos TCs ou TPs os instrumentos el´tricos a e que tˆm bobinas providas de polaridade relativa: watt´ e ımetros. ao fechar o interruptor K. conforme est´ na figura. por exemplo. para os quais se exige excelente a a classe de exatid˜o. E aconselh´vel. 5% de cobre. O n´cleo dos TPs e TCs ´ feito de chapas de ferro-sil´ u e ıcio. laminado a frio. A entrada das bobinas destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´rio do TC ou TP que corresponde ao terminal prim´rio que foi a a utilizado como entrada. fas´ e ımetros. emprega-se ferro-sil´ de gr˜os orientados.Cap´ ıtulo 3. citaremos u ıcio algumas destas ligas: 6. 2% de cromo e 16% de ferro. tˆm o n´cleo feito de chapas de ligas especiais de ferro-n´ a e u ıquel. conseguindo-se bons ıcio a resultados quanto a permeabilidade magn´tica e menores perdas. mas o seu custo ´ e e e bem maior que o custo dos n´cleos de ferro-sil´ usuais. medidores de energia el´trica. a corrente de excita¸ao para c˜ esta liga ´ cerca de 1/4 da corrente de excita¸˜o para a liga de ferro-sil´ e ca ıcio. Como exemplo. Os TCs e TPs tˆm todos os terminais prim´rios e secund´rios providos de marcas e a a indel´veis.1. ent˜o o terminal a marcado P do prim´rio corresponde ao terminal marcado S no secund´rio. o qual deve a e ser ligado a terra. Os TCs especiais. a 6. a pilha pode ser de apenas 3V . . A figura abaixo mostra uma montagem simc˜ ples para verificar a polaridade: a resistˆncia R ser´ ajustada de modo a limitar a e a corrente no milivolt´ ımetro mV . antes de instalar os TCs e TPs. etc. FERRO-MU ou MUMETAL: 77% de n´ ıquel. Transformadores para Instrumentos 78 constru´ ıdos normalmente com camadas de material condutor (blindagem) envolvendo o enrolamento prim´rio para uniformiza¸˜o da distribui¸˜o dos potenciais. observar a a a maneira correta de ligar os p´los positivo e negativo da pilha e do milivolt´ o ımetro.

6 Emprego para os Transformadores de Instrumentos na Medi¸˜o de Potˆncia Ativa e Reativa ca e No caso de tens˜o elevada e corrente intensa. a u 3. e 3.6. A potˆncia e total P : P = Kc Kp (W1 + W2 ) . MONIMAX: 47% de n´ ıquel. Observamos que os transformadores apenas s˜o intercalados entre o circuito e os watt´ a ımetros.Cap´ ıtulo 3. o pre¸o de um n´cleo de MUMETAL ´ cerca de 5 a 6 vezes o pre¸o c u e c de um n´cleo de ferro-sil´ u ıcio. PERMANDUR: 49% de ferro. 3% de molibdˆnio e 50% de ferro.2. H´ casos na pr´tica em que a tens˜o da linha a a a ´ suport´vel por Bp e.3. 6. Transformadores para Instrumentos 79 Entretanto. 49% de cobalto e 2% de van´dio. respectivamente. a 6.2 M´todo dos Dois Watt´ e ımetros para Potˆncia Ativa com e TPs e TCs A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. n˜o alterando o princ´ a ıpio da liga¸ao dos dois watt´ c˜ ımetros quando empregados sem transformadores. TPs e TCs. temos que a potˆncia ativa total P solicitada pela ca e carga Z ser´: a P = Kc Kp (W1 + W2 + W3 ) 3.1 M´todo dos Trˆs Watt´ e e ımetros para Potˆncia Ativa com e TPs e TCs A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. e a Duas precau¸˜es devemos tomar em rela¸ao aos transformadores para instrumentos: co c˜ observar a polaridade e aterrar o secund´rio e o n´cleo. superiores ` tens˜o e ` corrente sua a a a port´veis pelas bobinas Bp e Bc . empregam-se apenas os TCs.6. Sendo Kc a rela¸˜o nominal dos ca TCs e Kp a rela¸˜o nominal dos TPs. portanto. faz-se necess´rio o emprego dos transa a formadores para instrumentos.

6.Cap´ ıtulo 3. A potˆncia ativa exata da carga ser´: e a P = U1 I1 cos θ Os transformadores introduzem erros de fase. A potˆncia reativa total Q ser´: a e a Q = K c Kp 3.6.4 C´lculo do Erro Introduzido pelos TPs e TCs na Indica¸˜o a ca do Watt´ ımetro Suponhamos uma carga Z. de fator de potˆncia indutivo cosθ submetida a tens˜o U1 e ` a e percorrida pela corrente I1 . Transformadores para Instrumentos 80 3.3 M´todo dos Dois Watt´ e ımetros para Potˆncia Reativa com e TPs e TCs (W1 + W2 ) √ · 3 2 A montagem est´ indicada na Figura abaixo. como na Figura abaixo. e o watt´ ımetro W dar´ a seguinte indica¸ao levando em conta a Figura abaixo: a c˜ W = U2 I2 cos θ . respectivamente iguais a γ e β.

998 · 0. 996 · 0. FCRc = 0. 649 E ent˜o a potˆncia ativa exata P ser´: a e a 0. 652 ∴ θ = 49o 29 4 · 115 Da Figura acima vˆ-se que: e o θ = 49 29 + 10 + 12 = 49o 51 ∴ cos θ = 0. 998. TP: 13800/115V : Kp = 120. TC: 30/5A: Kc = 6. γ = −12 3. 652 P = 213717W cos θ cos θ . 649 P = 216000 · 0. Indica¸ao do watt´ c˜ ımetro: W = 300W 4. temos que: P = P · FCRp FCRc · Exemplo Num´rico e 1. FCRp = 0. 996.Cap´ ıtulo 3. Valores lidos: U2 = 115V e I2 = 4A Dos valores acima vˆ-se que: e P = 300 · 6 · 120 = 216000W 300 cosθ = = 0. Transformadores para Instrumentos 81 O valor medido da potˆncia ativa ser´ ent˜o: e a a P = Kc Kp W ou P = Kp Kc U2 I2 cos θ Dividindo membro a membro as express˜es acima: o P U1 I1 cos θ = P Kp U2 Kc I2 cos θ Como U1 = FCRp · Kp U2 e I1 = FCRc · Kc I2 . β = 10 2.

ligar.7 Emprego para os Transformadores de Instrumentos no Controle e Supervis˜o a Os instrumentos de controle e supervis˜o mostrados nesta sess˜o foram utilizados a a na pr´tica e foram instalados pela TRANSNOR . 3. Para a configura¸ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´dulo. visto que o mesmo n˜o possui a potˆncia total necess´ria para substitu´ a e a ı-la. respectivamente.Transformadores do Nordeste S. ou remotamente.1 M´dulo 5520 Deep Sea Eletronics o O modelo 5520 ´ um m´dulo para controle autom´tico de falha da rede. a durante os meses de Agosto e Janeiro de 2006/2007. O acesso ao modulo ´ protegido por c˜ e um n´mero PIN para prevenir acessos n˜o autorizados. O gerador supre a carga em paralelo com a e ıvel a rede. O mesmo deve n˜o s´ monitorar a rede a a o para entrar em um caso de falha. A opera¸ao do m´dulo ´ feita u a c˜ o e atrav´s de bot˜es de controle localizados no painel. etc.A. c˜ o s˜o inseridas al´m da rela¸˜o nominal Kp . O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸ao de tens˜o e corrente da sa´ do grupo c˜ a ıda gerador. O mesmo entra sincronizado com a rede e a sua entrada ´ quase impercept´ aos usu´rios. pode-se monitorar e e a opera¸ao do sistema localmente. a Este m´dulo foi montado para operar no controle de um grupo gerador no hotel o Pirˆmide. Transformadores para Instrumentos 82 3. os fatores de corre¸ao de rela¸ao F CRp e F CRc a e ca c˜ c˜ do TP e do TC. em hor´rios de pico para diminuir a demanda de carga da a rede. por exemplo. E quando na presen¸a de falhas. como tamb´m entrar no hor´rio de pico de tarifa¸˜o e a ca da energia para diminuir o consumo.Cap´ ıtulo 3. e assim.7. O m´dulo ´ e o a o e usado para monitorar a rede e automaticamente partir um gerador em espera. onde poder´ se realizar as fun¸oes e o a c˜ como parar a m´quina. localizado na Via Costeira em Natal. automaticamente desligando o gerador e indicando as mesmas por c meio do display. Atrav´s de um computador e um software fornecido. c˜ ca . diminuir um poss´ excesso na demanda contratada com o fornecedor de ıvel energia el´trica. Com o 5520 pode-se ainda programar entradas do gerador em horas predeterminadas. calculando-se a rela¸ao real Kr para a medi¸˜o correta.

Transformadores para Instrumentos 83 3. ou remotamente. A opera¸˜o do m´dulo ´ feita atrav´s de bot˜es de controle localizados no painel. devendo gravar a estes dados para an´lise na mem´ria de massa. ou seja.3 fios. a c˜ a O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸˜o de tens˜o e corrente da sa´ da m´quina. O e a e a m´dulo ´ usado para automaticamente acionar e parar a m´quina. com terra flutuante. o a 3. calculando-se a rela¸˜o real Kr para a medi¸˜o correta. freq¨ˆncia. os fatores de corre¸˜o de rela¸ao F CRp e F CRc do e c˜ ca c˜ TP e do TC.7. e e . temporizadores e alarmes podem ser alterados ue c˜ pelo usu´rio. O 5510 tem a capacidade de u a sincroniza¸ao e divis˜o de carga. Atrav´s de um computador e um software fornecido. A montagem faz parte de um projeto a o de Engenharia Mecˆnica para o estudo do g´s natural como combust´ alternativo.Cap´ ıtulo 3. ca o e e o onde poder´ se realizar as fun¸oes como parar a m´quina. etc. O acesso ao modulo ´ protegido por c˜ e um n´mero PIN para prevenir acessos n˜o autorizados.7. respectivamente. uma caracter´ ıstica foi frisada quanto a liga¸ao do mesmo: a eletricidade na c˜ plataforma trabalha com 3 fases .que deveria ıba ler as medidas de tens˜o. s˜o inc˜ o a seridas al´m da rela¸ao nominal Kp . Esta caracter´ ıstica impossibilitou a utiliza¸ao de TPs para leitura de tens˜o. fator de potˆncia. ligar. o motivo foi de uma configura¸˜o c˜ a ca do m´dulo que n˜o poderia ser alterada. indicando as suas o e a caracter´ ısticas de opera¸ao e condi¸oes de falta por meio de um display lcd e leds indicac˜ c˜ dores no painel.3 Multitransdutor Digital Kron MKM-D com Mem´ria de o Massa O multitransdutor digital da Kron MKM-D com Mem´ria de Massa foi adquirido para o a montagem de um quadro para a UFPB . pode-se monitorar a a e opera¸ao do sistema localmente. Seq¨ˆncias de opera¸ao. ca o a Devido a isto. energia ativa e reativa e consumo a ue e de energia de um grupo motor diesel convertido para g´s e um gerador. A a a ıvel carga do gerador ´ composta de um banco de resistˆncia. ca a ıda a Para a configura¸ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´dulo. ca ca A instala¸˜o deste m´dulo foi requisitada pela Petrobr´s para operar em plataforma.2 M´dulo 5510 Deep Sea Eletronics o O modelo 5510 ´ um modulo para controle de m´quinas el´tricas autom´tico.Universidade Federal da Para´ . O m´dulo 5510 possui sa´ c˜ a o ıdas flex´ ıveis que permitem a conex˜o aos mais comuns reguladores autom´ticos de tens˜o e controladores de velocia a a dade.

os fatores de corre¸ao de rela¸˜o F CRp e F CRc do TP e do e c˜ c˜ ca TC. calculando-se a rela¸˜o real Kr para a medi¸˜o correta. Transformadores para Instrumentos 84 O mesmo pode utilizar de TPs e TCs para medi¸ao de tens˜o e corrente. s˜o inseridas c˜ o a al´m da rela¸ao nominal Kp . ca ca .Cap´ ıtulo 3. respectivamente. Para a c˜ a configura¸ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´dulo.

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