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O coelhinho, para minha grande pena, foi levado para uma quinta enorme

onde se pensava que seria muito mais feliz e livre. Contudo, décadas mais tarde,

já eu era avô, decidi contar a seguinte história aos meus netos...

- Meus doces netos, não sei se sabem, mas quando eu era uma criança

mais ou menos da vossa idade, tive um coelhinho como animal de estimação. No

entanto, um amigo dos vossos bisavós, que tinha conhecimento desse meu

amigo, perguntou-lhes se podia levar o coelhinho para a sua quinta, pois aí o

bicho poderia ser livre e estar com os da sua espécie.

Os meus netos ficaram tristes por esta desgraça... Mas eu continuei:

- Fiquei desolado quando me apercebi que o meu companheiro tinha sido

levado para longe de mim...

- Mas avô, porque é que te levaram o teu melhor amigo? – disse o João –

deves ter ficado muito chateado com os bisavôs!

- E fiquei. Andei dias e dias muito triste...e perguntei-lhes várias vezes

porque me tinham tirado o meu amigo, mas não tive resposta.

- Então que fizeste avô? – disse a Rita.

- Meu anjo, quando somos assim tão novos como tu, não entendemos

muitas das decisões dos adultos. E foi o que me aconteceu. Mais, tarde, quando

era mais crescido e tinha outra compreensão do mundo e das coisas, os meus

pais explicaram-me porque tinham levado o coelhinho para a quinta – respondeu

o avô.

- Então, que aconteceu ao coelhinho? – inquiriu o João.

- Infelizmente não sei, mas... querem que invente umas aventuras para o

meu amigo peludo?

- Siiiiiiiiiiiiiim!!! – exclamaram os meus netos em coro.


- Então vamos imaginar que ele não gostou da quinta e fugiu, pode ser?

- Pode, mas fales do lobo mau – disse a Maria.

- Não há lobos maus nesta história. Não vos quero assustar! Vamos lá a

ver o que aconteceu ao meu amiguinho. Ora bem, certo dia, farto de estar na

quinta e sem amigos, o coelhinho decidiu fugir...

- Então??? – perguntou, curioso, o João.

- O que acontece, é que o coelho deu conta que o queriam engordar, para

depois o comerem!

- Que horror avô! - gritaram em coro, Rita e Maria.

Ri-me muito e disse:

- Claro que não meus anjos, estava a brincar com vocês.

- Então, que aconteceu avô? – perguntou a Maria.

- Primeiro, para sair da quinta teve que fazer umas quantas maluqueiras.

Como a rede era muito alta para saltar e ele não sabia escavar, porque esteve

toda a infância em minha casa e não podia escavar o chão, ele começou por pedir

ajuda a uns animais. Mas, infelizmente, como não existia ali nenhum cavalo ou

outro animal suficientemente alto para o fazer subir até ao topo da rede, teve de

fazer uma espécie de escada com os animais mais rasteiros. Por acaso, nesse dia,

estava lá uma ovelha que assentiu em ajudar e, assim, já só precisava de algum

animal que o ajudasse a subir para o dorso da ovelha. Encontrou um cordeirito

que o ajudou a trepar para a ovelha.

- Então para onde é que o coelho foi?

- Hum... ficou no prado ao pé da floresta...

- O lobo mau!!!! – exclamou a Maria.


- Não, sua tonta! O Cenouritas só foi algumas vezes à floresta... – abri a

boca de espanto, parvo comigo próprio – era esse o nome!!

- É um bom nome para um coelho – disse o João.

- Ele ficava no prado e só raramente é que ia às plantações buscar umas

cenouras. Durante esse tempo ele viveu bem, mas numa das suas escapadelas à

floresta...

- Encontrou uma coelhinha!!! – exclamou a Rita.

- Pode ser – concordei – mas, numa das suas escapadelas à floresta

encontrou uma coelhinha e...

- Pai!!! Já é hora de eles irem para a cama!!!

- Encontrou uma coelhinha e...

- Casaram-se e viveram felizes para sempre!! – gritou a Rita.

- Ohhh... isso não vale, esta é a minha história!! – brinquei – Vá, vão lá

para a cama, que amanhã é dia de escola....

- Ah!! Ah!! - gritou a Rita.

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