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BARROCO EM PORTUGAL

Também chamado de Seiscentismo, foi o estilo artístico dominante nas cortes européias do
século XVII e dos princípios do século XVIII. Em 1580, ano da morte de Camões, ocorre a
unificação ibérica, e Portugal torna-se domínio espanhol até 1640.

Características

• Antropocentrismo x teocentrismo

• Visão conflituosa do mundo

• Cultismo (forma)

• Conceptismo (conteúdo)

• Abundância de metáforas, antíteses, hipérboles

• Rigidez formal

• Razão x emoção

• Dualismo (tensão entre a herança medieval e a renascentista)

Obra e autores

• Padre Antônio Vieira:


-Sermões (15 volumes, 13 publicados entre 1679 e 1690, e 2 entre 1710 e 1718).
Destacam-se: Sermão da Sexagésima – sobre a arte de pregar; Sermão pelo Bom-sucesso
das Armas de Portugal contra as de Holanda, e Sermão de Santo Antônio (Sermão dos
Peixes) – que trata da questão da reação contra o invasor holandês; Rosa Mística – a
questão dos escravos; Sermão da Primeira Dominga da Quaresma e da Quinta Dominga da
Quaresma – sobre a questão indígena.
- Profecias: História do Futuro, Esperanças de Portugal e Clavis Prophetarum.

• D. Francisco Manuel de Melo:


- Poesia: Obras Métricas (1665)
- Teatro: Auto do Fidalgo Aprendiz
- Cartas: Cartas Familiares; Carta de Guia de Casados.

• Pe. Manuel Bernardes: Nova Floresta.

• Frei Luís de Sousa: Vida de D. Frei Bartolomeu dos Mártires.

ARCADISMO EM PORTUGAL

Também conhecido como Neoclassicismo ou Setecentismo, o Arcadismo é resultado de um


conjunto de transformações ocorridas na Europa no século XVIII: ascensão da burguesia e
decadência da aristocracia, ruptura com o mundo medieval e surgimento do Iluminismo.
Na tentativa de equiparar-se às grandes nações européias e satisfazer aos interesses da
burguesia, Portugal inicia diversas reformas econômicas, políticas, culturais e educacionais.

Em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana, inicia-se uma nova etapa da literatura.

Características

• Volta aos padrões clássicos

• Visão simples do mundo

• Presença da Natureza

• Vida bucólica

• Perfeição formal

• Predomínio da razão (objetivismo)

•Universalismo

•Tranqüilidade no relacionamento amoroso

Principais representantes
• Bocage (Manuel Maria Barbosa du Bocage). Usava o pseudônimo Elmano Sadino: Idílios
Marítimos, Rimas (três volumes, 1791) e Parnaso Bocagiano.

- Escreveu poesia lírica e satírica. Com o passar dos anos, afasta-se da estética árcade –
racional e pouco dramática – e envereda por uma linha confessional e dramática que o situa
como pré- romântico.

• Filinto Elísio - Versos (1797).

• Correia Garção - Obras Poéticas (1778); Teatro: Teatro Novo, Assembléia ou Partida.

O Maneirismo em português
Falar-se de Maneirismo é abordar um assunto que foi sempre objecto de polémica; até
algumas décadas, entendia-se que ao Renascimento Pleno se tinha seguido o
Renascimento Final, dominado por sucessores menos criativos dos grandes mestres da
geração anterior - Miguel Ângelo, Rafael, Leonardo, Ticiano e outros - até ao
aparecimento do Barroco no final do século XVI.

Actualmente a questão é encarada doutra maneira, e o período desde 1525 a 1600, entre
o Renascimento Pleno e o Barroco é visto como um tempo de crise generalizado por
toda a Europa, que originou várias tendências antagónicas, mais do que um ideal
predominante. Entre elas, particularmente na pintura italiana, destaca-se o Proto-
Barroco, o Realismo e o Maneirismo que foi sem dúvida a mais discutida. O próprio
título é algo ambíguo e no sentido original possuía uma carga pejorativa, advindo do
facto dos homens do Barroco acusarem os maneiristas de trabalharem " à maneira " dos
grandes mestres da geração anterior, já referidos. Na verdade, muitos artistas fizeram-
no, tomando por base originais ou livros de gravuras dos artistas já consagrados. Mas o
que é facto é que se houve quem fosse por essa via, a maior parte não foi.

Hoje entende-se o Maneirismo como derivado duma série de factores que marcaram o
contexto económico, religioso e social do século XVI europeu: a partir de 1525 passa-se
a viver um clima de instabilidade (ao contrário da época feliz do Renascimento)
provocado por inquietações económicas e religiosas; de facto a prata e ouro espanhóis
levam à subida dos preços e por outro lado está-se em plena Reforma Protestante.
Consequentemente, o nível de encomendas eclesiásticas desce, uma vez que a Igreja se
encontra dividida: será legitimo o luxo e as imagens nas igrejas? Ao mesmo tempo, é
nesta época que o artista toma consciência do seu valor tendo orgulho na sua profissão e
querendo diferenciar-se dos demais. Importa referir que é neste período que aparecem
as primeiras Academias de Belas Artes onde a formação do artista era teórica
colocando-o ao nível do poeta, do filósofo e libertando-o da condição de artífice. É
também nesta altura que uma burguesia cada vez mais rica entra na cultura aumentando
o nível das encomendas; as obras maneiristas perdem o carácter utilitário das obras da
Idade Média (eram a Bíblia dos pobres) para passarem a ser objectos de luxo.

O que distinguiu o Maneirismo dos restantes estilos e em particular na pintura foi uma
deliberada revolta dos artistas contra o equílibrio clássico do Renascimento, explicando-
se como uma atitude de modernidade anticlássica e antiacadémica , criando um estilo,
nas palavras de H. W. Janson "perturbador, voluntarioso, visionário que denuncia uma
profunda ansiedade interior". Assiste-se ao aparecimento das figuras alongadas,
retorcidas, em posições afectadas e teatrais, numa busca de movimento nas composições
às vezes desiquilibradas; as cores usadas são exageradas sem correspondência com as
naturais; os enquadramentos são invulgares em que a cena é vista de cima ou de lado e
verifica-se uma certa ambiguidade na perspectiva: por vezes aparecem mais do que um
ponto de fuga o que dificulta a leitura do quadro, já que não se percebe o que é mais
importante. Enfim, parece ao observador que o pintor teve a intenção de o impedir de
avaliar o que está representado pelos padrões da experiência comum.

Estas características começam a manifestar-se em pintores florentinos como Rosso e


Pontormo, que correspondem à primeira geração do maneirismo italiano. Segue-se-lhes
a fase elegante de Parmigianino e Bronzino, um pouco menos "tenebrosa" mas
igualmente anti-renascentista. Outros pintores de renome foram Tintoretto e El Greco,
ambos saídos da Escola Veneziana.

Em Portugal...

Enquanto que em Itália, se passou do Renascimento Pleno ao Maneirismo e depois ao


Barroco, em Portugal o Renascimento chegou tarde, já que estivémos durante muito
tempo vinculados ao vocabulário Gótico de influência flamenga. Por isso aquele não se
desenvolveu como um estilo autónomo, tendo as suas obras um carácter mais de
experimentação.

Pelo contrário, as soluções maneiristas triunfam em Portugal, em vários domínios como


na arquitectura , na escultura , na literatura (Camões), na música polifónica e na teoria
estética pela mão do polivalente Francisco de Holanda, que da sua estadia em Itália
entre 1538-40, traz experiência e documentos dos mais avançados da actualidade
artística de então, introduzindo a arte e teorias maneiristas no nosso país.

No entanto, foi no âmbito da pintura que mais profundamente se fizeram sentir os


valores estéticos do novo estilo. Autores como António Campelo, Diogo de Contreiras,
Francisco Venegas, Fernão Gomes, Gaspar Dias, Diogo Teixeira entre outros, souberam
assumir-se em termos duma modernidade possível, alinhando pelos programas e
soluções "italianizantes", respondendo formalmente contra as estruturas normativas do
Renascimento Clássico mas duma forma mais discreta e austera que os pintores
florentinos e romanos, a qual estaria mais de acordo com a nossa sociedade que aderira
à Contra-Reforma; o Concílio de Trento tinha sido em 1563 donde saíra uma Igreja
mais forte que nunca, com um espirito que proíbia os aspectos heréticos ou impuros que
permanecendo na obra de arte pudessem sugerir " interpretações perigosamente erradas
junto daqueles menos eruditos ". É esta atitude de rigidez e intolerância que explica que
a pintura maneirista portuguesa fosse mais comedida e restrita de soluções que noutros
centros europeus, onde tais entraves ideológicos não existiam.

De qualquer modo, é de todo o interesse e da maior importância conhecer a obra dos


pintores atrás mencionados, rebilitando a memória destes representantes da pintura
maneirista portuguesa, injustamenta deixados no esquecimento comum.