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APOSTILA-GESTÃO-PRODUÇÃO-OPERAÇÃO-I

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GESTÃO DE PRODUÇÃO E OPERAÇÃO I

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as Pirâmides no Egito. como a irrigação. requeriam um tipo rudimentar de gestão de operações. as Estradas no Império Romano e as grandes Catedrais foram exemplo de obras que. a transformação dos grandes projetos. quanto a sua natureza.Criação da primeira máquina a vapor na Inglaterra (1776). Ao longo do tempo. Histórico: as origens mais primárias da gestão de operações são difíceis de rastrear. tornando interessante o estabelecimento de “unidades fabris” 2 . de sua interação e dos processos que produzem e integram bens e serviços. certamente tiveram necessidade de um grande esforço de coordenação. As grandes obras realizadas em tempos passados da humanidade têm maior probabilidade de ter sido os primeiros tipos de processo produtivo a requerer técnicas gerenciais para suas operações. fez com que eventualmente a preocupação com o tempo e recursos mais escassos criasse as condições para o surgimento com a gestão dos projetos. Além disso. informacionais e outros). quando o homem se agrupou em sociedade e “deixou de ser apenas caçador” e passou a cultivar a terra. Avanços tecnológicos importantes facilitaram a substituição de mão-de-obra por capital e permitiram o desenvolvimento de economia de escala. a falta de sistemas de contabilidade formais e uma não premência de tempo parecem ter sido importantes fatores de alívio para pressão de eficiência e eficácia na gestão.HISTÓRICO PRODUÇÃO E CONCEITO BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO DA O que é gestão da Produção e Operações? É a atividade de gerenciamento estratégico dos recursos escassos (humanos. tecnológicos. visando a atender a necessidades e/ou desejos de qualidade. por James Watt – disparo para revolução industrial – saída forma manual para a forma mecanizada de produção. pois. A natureza religiosa e política dos projetos. Pode-se dizer que as ações envolvidas no cultivo da terra.revolução americana (1776 – independência dos Estados Unidos da Inglaterra) . tempo e custo de seus clientes. deve também compatibilizar este objetivo com as necessidades de eficiência no uso dos recursos que os objetivos estratégicos da organização requerem. Grandes obras da Antiguidade como a Grande Muralha da China. o ato de plantar sementes. Evolução histórica: Sistema Manufatura Inglesa e Americano no período pós. a colheita. de religiosa e política para empresarial.

Esta prática permitiu produzir um carro de baixo custo que foi chamado Modelo T e vendeu mais de 15 milhões e unidades entre 1908 e 1927. entre eles madeiras (dormentes) e aço (trilhos). chamado Modelo A que vendeu 1. 3 . A resposta do mercado foi favorável. considerando o estudo de tempos e métodos – denominados de administração cientifica. (página 233) Nasce a indústria automobilística – a colocação de motores de combustão interna em carruagens “veículos sem cavalos” criou as condições para surgimento de um setor industrial provavelmente o mais influente no desenvolvimento de técnicas de gestão de operações em todo o século XX: o setor automobilístico. o americano Eli Whitney. enquanto estações de trabalho com operários realizando tarefas específicas ficavam imóveis. Nesta oficina monta seu primeiro carro.Intercambialidade de peças. Henry Ford foi o criador da Linha de Montagem Móvel. A natureza não seria mais de coordenar os esforços de virtuosos individuais. escolha do trabalhador certo para o trabalho. Para sua construção e operação eram consumidas enormes quantidades de vários tipos de produtos. baseada no principio de que diferentes segmentos de mercado estariam dispostos a pagar diferentes preços por diferentes produtos. Eli Whitney redefiniu a natureza das tarefas de manufatura. Em 1888 começa suas experiências noturnas com motores. Por volta de 1901. para confecção de 10. Em 1906 produz seu primeiro carro escala industrial. e firma um contrato com o governo dos EUA em junho de 1798. As grandes ferrovias – outro aspecto importante na evolução de gestão de operações (até mesmo na gestão de empreendimentos).708 unidades. adicionando o princípio da intercambialidade de peças produzidas em grandes quantidades e acrescentou também a idéia de padronização e de fazer os componentes moverem-se. seguindo os princípios da administração científica de Frederick Taylor: divisão do trabalho. Henry Ford . um quadricilo que chega às ruas em 1896.Nasce em 1863 em Dearborn. usando processo de intercambialidade de peças. Operações ao longo do século XX – uma das grandes contribuições para a gestão fabril sistematizada veio da indústria da produção de aço. nos fundos de sua casa. penalizando a política fordista tradicional. Frederick Taylor sistematizou o estudo da análise do trabalho. inventa uma máquina revolucionaria de processar algodão. Organizando a fabrica para acomodar um processo regular de manufatura e construindo máquinas capazes de trabalhar dentro de limites estreitos de tolerâncias dimensionais. mas de resolver o problema técnico de organização do processo. numa oficina. Anos 20: Alfred Sloan ( CEO da General Motors): estrutura uma segmentação da oferta de seus veículos.000 mosquetes.

Outro desenvolvimento interessante que derivou do movimento de estabelecimento no pós-guerra da lógica de pesquisa operacional foi o estabelecimento de áreas como Planejamento. em diversas regiões do mundo. nas várias frentes de batalha. desde seu início. O ano de 1945 marca o fim da II GGM. A década dos anos 30. 4 . que praticamente ocorreu na Europa e no Japão. que passa a liderar o mercado na Europa. como peças sobressalentes de equipamentos e veículos de combate que fossem de forma eficiente. Motivação no trabalho Desse período datam as primeiras iniciativas das organizações de estabelecer caixas de sugestões. controle de estoques. programação e controle de produção. Áreas como logística. Estudiosos começaram a observar que a abordagem puramente técnica dada por Taylor para o trabalho não eram suficientes e necessitava de mais atenção para o aspecto social do trabalho. O ano de 1929 é o ano da grande quebra da bolsa de valores americana. disponibilizados. que é um mercado dito comprador – surge o nosso fusca. clubes de funcionários. alimentos e outros suprimentos. trouxe algumas turbulências para o mercado industrial americano. Surge a origem da pesquisa operacional. A área de gestão de operações recebeu a contribuição de uma importante área do conhecimento humano: a psicologia aplicada ao trabalho. Daí surge o mercado ofertante. muito mais atenção para o ambiente do trabalho e para os fatores motivacionais. previsões e outras correlatas. Em 1939 eclode a Segunda Grande Guerra Mundial. A logística ganha impulso Uma guerra em escala mundial requeria que munições. o que se vivia era uma “bolha de consumo”.Componente social do trabalho Com tempo constatou-se que as condições de trabalho defendidas por Ford e Taylor eram em geral repetitivas e tediosas e faziam com que os trabalhadores apresentassem níveis de alcoolismo cada vez mais alto. No final da guerra a capacidade produtiva mundial encontrava-se severamente deprimida. incentivos diferenciados. A demanda reprimida por muitos anos de guerra. A área que mais progrediu com a II GGM foi a do uso de técnicas de programação e análise matemática para identificação de pontos mais favoráveis a operação. o controle de qualidade e os métodos de produção mais eficientes acabaram por beneficiar-se desse esforço.

A manufatura merecia pela própria natureza um tratamento estratégico. Outro desenvolvimento de grande importância para a área de gestão de operações ocorrido nos anos 70 foi a atenção dos pesquisadores e práticos da área para as 5 . eliminação de desperdícios. Páginas 120 e 121). surge aí vários movimentos de contra reação. Deming e o movimento de qualidade no Japão Anos 50: Em paralelo aos desenvolvimentos referentes ao nascimento Just in Time. verifique e aja – trata-se do ciclo PDCA – melhoramento contínuo da qualidade. a indústria japonesa ganha níveis de competitividade sem precedentes na história. outro desenvolvimento estava ocorrendo no Japão – O controle estatístico de qualidade para as empresas japonesas – baseado em planeje. no Japão do pós Guerra O Just in Time é uma filosofia de produção desenvolvida na Toyota Moto Co. por um gerente de produção chamado Tahiichi Ohno. As indústrias japonesas destacam-se nos mercados mundiais Neste período. produção enxuta. Nos anos 70 a indústria ocidental passa a entender melhor o JIT e suas relações com o conceito de qualidade total. Nos anos 60. faça. Just in Time = produção sem estoque. O JIT continua a desenvolver-se como vantagens competitivas quase exclusivas das montadoras de veículos japonesas. Em certo momento de 1973 a indústria japonesa comina em torno de 20% do mercado doméstico americano. na Toyota. manufatura de fluxo contínuo e esforço contínuo na resolução de problemas. de fato alavancada pelo esforço de reconstrução do período pósguerra e pela crise do petróleo de 1973. Surgem as primeiras versões dos sistemas integrados de gestão ERP chamados de sistemas MRP (Cálculo de necessidade de materiais na rede de Operações). Gestão de operações deixa de ser meramente operacional para ser estratégica O objetivo da estratégia de operações é garantir que a função de gerenciar os processos de produção e a entrega de valor ao cliente seja totalmente alinhada com a intenção estratégica da empresa quanto aos mercados a que pretende servir. o mundo encontra-se com a capacidade de produção recuperada e a bolha de demanda reprimida durante a guerra havia sido atendida. Wickham Skinner – nascimento da estratégia da manufatura – o argumento principal é de que o tratamento dado ao setor de manufatura na indústria americana era excessivamente reativo e operacional.Nasce o Just in Time.

6 . . nota-se que as operações individuais não estão isoladas. Nos anos 80 as empresas ocidentais passaram a perceber que a qualidade seria condição de permanência e não mais vantagem competitiva nos mercados mundiais. Notem-se como os quase 200 anos de desenvolvimento de técnicas de gestão de operações narradas até o momento. isso sinalizava para a necessidade de colocar alguma atenção no melhoramento operacional da produção de serviços. Isso deu oportunidade a grande desenvolvimento de técnicas de gestão de redes de suprimentos. Corrêa. Ainda nos anos 80. Corrêa – São Paulo:Atlas.geração de serviços. que se ocupa da análise não de empresas isoladas.. Escopo: incorpora serviços. Surge ai a gestão de redes de suprimento. Ocupavam-se de melhorar os desempenhos de operações em particular. torna-se estratégico e vai à rede.sai do gerenciamento de unidades de operações para o reconhecimento de uma visão sistêmica – interação entre as várias unidades operacionais. se passa a ter uma perspectiva mais ampla. Trabalham para operações–clientes e há operações-fornecedoras que para eles trabalham. Henrique L. Quando. na qual esteja presente um decisor. foram com raras exceções voltadas para melhorias de desempenho dentro das empresas. surge um desenvolvimento importante das áreas de gestão de operações – as chamadas redes de suprimentos. Administração de produção e de operações: manufatura e serviços: uma abordagem estratégica/Henrique L.Tratar a gestão de operações reconhecendo que ela pertence a uma rede de operações que deve interagir para que o grande sistema que atende ao cliente usuário final do “ pacote de valor”.operações de serviço. Bibliografia: Corrêa. . . seja bem atendido. 2005. . A ideia geral passou a ser a TQM (gerenciamento de qualidade total) e secundadas por abordagens com base em certificações como a ISO 9000. . que passam a permitir uma gestão com fluidez de informações sem precedentes entre empresas. Carlos A.Tratar a gestão de operações para gerar um “pacote de valor” ao cliente. Nos anos 90 testemunhamos o aparecimento de uma evolução acelerada de ferramentas de telecomunicações.Abordagem de estratégia de operações não de forma isolada.sai de uma preocupação “micro” para uma preocupação “macro” ou “sistêmica” – observando o impacto das decisões e ações no desempenho global da organização. . mas de redes empresas. mas uma visão de impacto estratégico. Serviço passa a ser visto tão importante quanto processo de manufatura para a maioria dos economistas.

Melhoria e desempenho da produção: 7 . serviços e processos. o aspecto e a composição física de produtos. Também envolve reconciliação das frequentes pressões dos requisitos conflitantes do mercado com as capacitações dos recursos de produção. Isso é uma estratégia de produção. Responsabilidades diretas da administração da produção. assim. confiabilidade. • Responsabilidade direta por algumas atividades. • Responsabilidade indireta por outras atividades. Isso significa uma visão clara de como essa função deve contribuir para o atingimento dos objetivos organizacionais em longo prazo. Em função disso. Também significa a tradução dos objetivos organizacionais em termos de implicações para objetivos de desempenho da produção: qualidade. • Responsabilidade ampla para reagir aos desafios emergentes em administração da produção. assegurando. a execução do que foi previsto. velocidade.RESPOSANBILIDADES PRODUÇÃO E ATIVIDADES DA ADMINISTRAÇÃO DA Atividade da administração da produção: Os gerentes de produção possuem alguma responsabilidade por todas as atividades da organização que contribuem para a produção efetiva de bens e serviços. Projetos dos produtos. Objetivos estratégicos da produção: primeiramente. deve-se saber o que está se tentando atingir. Desenvolvimento de uma estratégia de produção para a organização: A administração da produção é uma ocupação que envolve centenas de decisões minuto a minuto. Envolve a habilidade de colocar a estratégia de produção na estratégia geral da organização. flexibilidade e custo. serviços e processo de produção: Projeto é a atividade de definir a forma física. Está correlacionada a forma escolhida pela organização para definir as fronteiras da função produção. é vital que os gerentes de produção tenham um conjunto de princípios gerais que possa orientar a tomada de decisão em direção aos objetivos em longo prazo da organização. Planejamento e controle de produção: Planejamento e controle é a atividade de decidir sobre o melhor emprego dos recursos de produção.

A responsabilidade da administração da produção é explorar as possíveis consequências dos planos de propaganda preparados pela função marketing. Responsabilidades amplas dos gerentes de produção: Tanto as responsabilidades diretas como indiretas da administração da produção focalizam largamente as questões que dão benefícios claros e imediatos para a própria organização. A ideia de melhoria é a administração da qualidade total (TQM). cada vez mais. algumas são responsabilidades com o ambiente no qual o negócio opera e outras são responsabilidades em relação ao bem estar das pessoas que trabalham na empresa. assim. A função produção é claramente o maior consumidor interno. tem-se reconhecido que todos os negócios. Diferentes negócios vão interpretar essas responsabilidades mais amplas de formas diferentes. Aqui identificamos cinco responsabilidades que são de importância geral para os gerentes de produção e já são questões importantes no início do século XXI. deixar claro para os gerentes de marketing o que podem e não podem fazer em resposta a qualquer mudança de demanda e trabalhar em conjunto com a função marketing para encontrar formas que lhes permitam atender ou administrar as necessidades do mercado. Como os gerentes de produção lidam com esse conjunto expandido de oportunidades? Proteção ambiental: os gerentes de produção não podem evitar a responsabilidade pelo desempenho de sua organização em face do meio ambiente. Os gerentes de produção devem entender o impacto desses planos sobre a produção. dando. Responsabilidades indiretas dos gerentes de produção. incluindo seus gerentes de produção. muito poucas operações não compram ou vendem para mercados estrangeiros. Algumas dessas dizem respeito a interesses de mais longo prazo do negócio. A responsabilidade da administração da produção em relação às funções de apoio é primordialmente certificar-se de que elas compreendam as necessidades da produção e colaborem para satisfazê-las. possuem um conjunto de responsabilidades mais amplas. É trabalhando junto com outras partes da organização que se forma as responsabilidades indiretas mais importantes da administração da produção. Todavia.A responsabilidade permanente de todo gerente de produção é melhorar o desempenho de suas operações. comparadas com as outras funções centrais. Outra forma de melhorar a produção é evitar que os erros ocorram. condições para que a produção trabalhe eficiente e eficazmente. • 8 . • Globalização: o mundo parece um lugar menor. Note-se que as funções de apoio possuem relacionamentos diferentes com a produção.

Henrique L. Consciência tecnológica: tecnologia sempre foi parte central das preocupações da administração de produção. sobre os indivíduos que trabalham para seus fornecedores. 2002. os grupos que representam os interesses dos empregados e a comunidade local onde está inserida a organização. 9 . revisão técnica Henrique Luiz Corrêa. os gerentes de produção têm a responsabilidade de compreender as implicações até mesmo de tecnologias que parecem não ser diretamente relacionadas com suas atividades. Essa é a razão pela qual os gerentes de produção possuem a responsabilidade particular de contribuir para a construção dos estoques de conhecimento da organização por meio de processo de aprendizado que deveriam acompanhar suas atividades em andamento. Administração da produção/Nigel Slack. Corrêa – São Paulo: Atlas. Entretanto. Fábio Alher. Quantas operações em 1995. experiência. Administração de produção e de Operações: manufatura e serviços: uma abordagem estratégica/ Henrique L. Nigel. Conhecimento é adquirido por meio de experiência. – São Paulo: Atlas.• • • Responsabilidade social: a forma como uma operação é administrada tem impacto significativo sobre os indivíduos que ali trabalham. Gestão do conhecimento: cada vez mais é reconhecido que o recurso chave em negócios é o conhecimento que se detém. entendiam completamente o impacto que as tecnologias da internet teriam em quase todos os tipos de operações. Robert Johnston. 2ª. em tempo de mudanças particularmente rápidas de tecnologia. 2005. Stuart Chambers. e atividade (fazer coisas) do que trata a administração de produção. Carlos A. tradução Maria Teresa Corrêa de Oliveira. Corrêa. Ed. Bibliografia: Corrêa. por meio de atividade. por exemplo. Slack.

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