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METROLOGIA APLICADA – MASSA

PESO – É a “força” de atração gravitacional que é exercida sobre um corpo. O peso é


determinado com o produto da massa desse corpo pela aceleração da gravidade que é
exercida sobre ele. P = m x g . A unidade de medida do Peso no Sistema Internacional de
Unidades, (SI) é o Newton, (N) , onde N = kg.m/s2.
O peso de um corpo não é constante, depende do local em que se encontra, aumenta no
Pólo Norte devido ao aumento da força gravitacional, ocorrendo o contrário na Lua onde a
aceleração da gravidade é aproximadamente seis vezes menor que na superfície terrestre.

MASSA – Em linguagem não científica entende-se vagamente algo que é proporcional ao


peso e também à quantidade de matéria de que o objeto é composto. Toda matéria que se
apresente, em qualquer estado, (sólido, líquido ou gasoso), possui massa, portanto é a
quantidade de matéria que preenche um certo objeto. É uma grandeza física. Podemos
ainda dizer que “massa” é a medida de inércia; a relutância de um corpo em modificar seu
movimento. A força necessária para um corpo ser acelerado é proporcional a sua massa.
Como conceito intuitivo sabemos que a massa é grande se uma força provocar-lhe uma
aceleração pequena, se a mesma força provocar uma aceleração grande, então a massa é
pequena. Sua unidade de medida é o quilograma, (kg) . O Sistema Internacional de
Unidades (SI) adota como inicio de multiplicação e divisão o seu submúltiplo grama (g) .
Admite-se o uso no Brasil, da unidade tonelada (t) que corresponde a megagrama (Mg), ou
seja 1000 kg, e ainda a unidade quilate (ct), utilizada no comércio de ouro e pedras
preciosas, correspondente a 200mg .

MASSA ESPECÍFICA - A massa específica de um corpo homogêneo, é igual a razão


entre a massa considerada e seu volume. µ = m / V , onde m = massa e V = volume;
Sua unidade de medida é kg/m3

PESO ESPECÍFICO - O peso específico de um corpo homogêneo é a razão entre seu


peso e o seu volume correspondente. ϕ = P / V , onde P = peso e V = volume;
Sua unidade de medida é N/m3

PADRÃO DE MASSA: Medida materializada, destinada a conservar ou reproduzir a


unidade de medida da massa, o quilograma, (kg).

HIERARQUIA DOS PADRÕES DE MASSA :


PADRÃO INTERNACIONAL: Chamado de “Protótipo Internacional do Quilograma”. É
um bloco maciço, cilíndrico, com diâmetro e altura iguais a 39mm sem cavidade ou partes
removíveis, de Platina iridiada a 10% de irídio, massa específica de 21,5 g/cm3 ; polimento
especular, conservado no Bureau Internacional de Pesos e Medidas em Sèvre – França.
(BIPM).
PADRÃO PRIMÁRIO: Com características semelhantes ao Padrão Internacional, é a
referência da rastreabilidade dos padrões nacionais dos países que integram a Convenção
do Metro.

PADRÃO NACIONAL: O Padrão Nacional, com características semelhantes ao Padrão


Primário, é rastreado pelo Padrão Nacional do Instituto Federal Físico Técnico da
Alemanha ( Phisikalish Technische Bundesanstalt – PTB ), referência brasileira de massa,
conservado no Laboratório do CMCI – INMETRO .

DEFINIÇÕES
PESO: Medida materializada de massa regulamentada em suas características de
construção e metrológicas.

VALOR NOMINAL: O valor nominal de um peso é o valor da massa que ele representa.
O valor marcado no peso. É o valor verdadeiro convencional da grandeza que ele
representa. O valor nominal da massa dos pesos deve ser igual a 1x10n kg; 2x10n kg ou
5x10n kg; onde “n” representa zero ou um número inteiro, positivo ou negativo.

VALOR REAL: O valor real de um peso é o valor que sua massa efetivamente possui e
que pode ser determinada.

VALOR VERDADEIRO DE UMA GRANDEZA: É um conceito abstrato e não pode ser


determinado. É um valor que seria obtido pôr uma medição perfeita.

COLEÇÃO DE PESOS: É uma série de pesos, usualmente apresentada em uma caixa ou


estojo, de modo a permitir qualquer pesagem de cargas compreendidas entre a massa do
peso de menor valor nominal e a soma das massas de todos os padrões da série, com uma
progressão na qual a massa do peso de menor valor nominal constitui o menor incremento
da série.
EXIGÊNCIAS METROLÓGICAS – (OIML R-111)

Classes dos pesos em ordem decrescente de exatidão: E1, E2, F1, F2, M1, M2, M3 . A
rastreabilidade de cada classe deve ser assegurada sempre com padrões de classe de
exatidão superior a rastreada.

ERROS MÁXIMOS PERMITIDOS EM PESOS (mg)


VALOR CLASSE
NOMINAL E1 E2 F1 F2 M1 M2 M3
50kg 25 75 250 750 2500 7500 25000
20kg 10 30 100 300 1000 3000 10000
10kg 5 15 50 150 500 1500 5000
5kg 2,5 7,5 25 75 250 750 2500
2kg 1,0 3,0 10 3 100 300 1000
1kg 0,5 1,5 5 15 50 150 500
500g 0,25 0,75 2,5 7,5 25 75 250
200g 0,10 0,30 1,0 3,0 10 30 100
100g 0,050 0,15 0,5 1,5 5 15 50
50g 0,030 0,10 0,3 1,0 3 10 30
20g 0,025 0,08 0,25 0,8 2,5 8 25
10g 0,020 0,06 0,20 0,6 2,0 6 20
5g 0,015 0,05 0,15 0,5 1,5 5 15
2g 0,012 0,04 0,12 0,4 1,2 4 12
1g 0,010 0,03 0,10 0,3 1,0 3 10
500mg 0,008 0,025 0,08 0,25 0,8 2,5
200mg 0,006 0,020 0,06 0,20 0,6 2,0
100mg 0,005 0,015 0,05 0,15 0,5 1,5
50mg 0,004 0,012 0,04 0,12 0,4
20mg 0,003 0,010 0,03 0,10 0,3
10mg 0,002 0,008 0,025 0,08 0,25
5mg 0,002 0,006 0,020 0,06 0,20
2mg 0,002 0,006 0,020 0,06 0,20
1mg 0,002 0,006 0,020 0,06 0,20

FORMA: -Formato geométrico simples, para facilitar sua manufatura.


-Superfície externa isenta de defeitos de fabricação, rebarbas, porosidade, caroços
ou outras falhas que sejam incompatíveis com a classe de exatidão.
-Pesos de uma determinada série devem ter o mesmo formato, exceto pesos de
um grama ou menos.
-Pesos com menos de 1g devem ser de lâminas poligonais ou fios metálicos, com
forma apropriada e que permitam distinguir facilmente seus diversos valores nominais.
-Pesos de 1 grama podem ter a forma dos seus múltiplos ou dos seus
submúltiplos, (podem ser de lâminas poligonais ou fios metálicos).
-O formato dos pesos não marcados com seu valor nominal devem estar de
acordo com a tabela 2 abaixo:
tabela 2.
FORMATO DOS PESOS DE 1g ou MENOS
Valor nominal (mg) Lâmina Poligonal Fios
5; 50; e 500 Pentágono Pentágono ou 5 segmentos
2; 20; e 200 Quadrado Quadrado ou 2 segmentos
1; 10; 100; e 1000 Triângulo Triângulo ou 1 segmento

Pesos de valor nominal de 1g à 50kg : As dimensões externas conforme Anexo A, da


Recomendação Internacional nº 111/94 da OIML .
-Corpo cilíndrico ou ligeiramente tronco-cônico. A altura do corpo deve ser
aproximadamente igual ao diâmetro médio; a altura deve estar compreendida entre ¾ e 5/4
do diâmetro.
-Podem ser providos com uma pega, a qual tem altura entre o diâmetro médio e o semi-
diâmetro do corpo.
-Podem dispor de dispositivo fundido com o peso, tais como eixo, pega ou dispositivos
similares.

CONSTRUÇÃO: Específico a cada classe de exatidão.

MATERIAL: Devem ser resistentes à corrosão. A qualidade do material deve ser tal que a
alteração da massa dos pesos deve ser desprezível em relação aos erros máximos
permitidos para sua classe exatidão, sob condições normais de uso em razão de sua
finalidade.

MASSA ESPECÍFICA: A massa específica do material constitutivo do peso deve ser tal
que um desvio de 10% na massa especifica do ar (1,2kg/m3) provoque, no máximo, um erro
de ¼ do erro máximo permitido.

CONDIÇÕES DAS SUPERFÍCIES: Sob as condições normais de utilização, a qualidade


das superfícies deve ser tal que a alteração da massa dos pesos seja desprezível com relação
ao erro máximo permitido.
As superfícies dos pesos (incluindo a base e arestas) quando visualmente examinadas
devem estar isentas de asperezas e as arestas devem ser arredondadas.

AJUSTES: Específico a cada classe de exatidão.


MARCAÇÃO: Os exemplares de pesos em duplicatas ou triplicatas, em uma série, devem
ser claramente distinguidos por um ou dois asteriscos ou pontos no centro da superfície,
exceto para pesos em fios que devem ser distinguidos por um ou dois colchetes.
Os pesos em lâminas ou fios de 1mg à 1g não portam indicações do valor nominal ou classe
de referência.

APRESENTAÇÃO: Específico as classes de exatidão.

INCERTEZAS PARA PESOS


O valor da incerteza global, U, deve incluir todos os componentes das incertezas
provenientes dos padrões utilizados, do processo de pesagem, e do empuxo do ar. O
método para combinar os diferentes componentes deve ser especificado e deve ser baseado
em Recomendação Internacional apropriada ou em Norma Internacional reconhecida.
O estabelecimento do valor da incerteza deve estar fundamentado numa relação completa
dos componentes considerados, especificando para cada componente o método utilizado.
Para os componentes da incerteza que são avaliados por métodos estatísticos, a relação
entre a incerteza citada e o desvio padrão (valor σ da média) deve ser mencionada (pode
ser utilizada o fator t de Student).

PESOS ACIMA DE 50kg: Os erros máximos permitidos para pesos de grande porte,
(acima de 50kg), encontram-se como recomendação na OIML R 47 .

PROCESSO DE CALIBRAÇÃO

Utilizar: P = Peso Padrão e O = Objeto, (peso), a ser calibrado.

Definir o método, conforme o instrumento a ser utilizado:


O método será (P O O P) para instrumento com desvio padrão no máximo igual a 1/10 do
erro máximo permitido para o peso a ser ensaiado.
O método será (P O P O P O P O P O) para instrumento com desvio padrão de no máximo
1/3 do erro máximo permitido para o peso a ser ensaiado.
EXEMPLO: (Roteiro de calibração)

1-Supondo a aplicação do método (P O P O P O P O P O). Cada P desta série significa uma


indicação no instrumento, (balança), relativo a colocação do Peso Padrão no dispositivo
receptor de carga. Como são cinco pesagens, denominaremos: P1, P2, P3, P4 e P5

2-Repete-se a situação acima com relação ao Objeto, (peso), a ser calibrado. Desta forma
teremos as indicações: O1, O2, O3, O4 e O5

3-Anotam-se os resultados acima na tabela abaixo:


P1 O1 P2 O2 P3 O3 P4 O4 P5 O5

4-Calculam-se as médias aritméticas das indicações P1, P2, P3, P4 e P5, obtendo-se PM e a
média aritmética das indicações do Objeto O1, O2, O3, O4 e O5, obtendo-se OM.

5-Determinar Ci (valor corrigido): a diferença entre o valor Real do Padrão (VP),


(fornecido em seu Laudo de Rastreabilidade) e o valor da média do Padrão (PM),
(calculado com as indicações no instrumento).

6-O valor rastreado do Objeto (Vr), é a soma algébrica da média do Objeto (OM),
(calculado com as indicações no instrumento) com o valor corrigido (Ci), encontrado
acima.

7-CÁLCULO DA INCERTEZA: U
2 2
U = u A + uB ×k
Considerando uA e uB incertezas padrões das categorias A e B respectivamente, temos:

uB (Incerteza do Padrão) = É o Qüociente da Incerteza do padrão utilizado, (fornecido em


seu Laudo de Rastreabilidade) pelo fator k=2.

uA (Incerteza no Processo de Pesagem) = Pressupondo uma distribuição estatística


retangular dos valores determinados temos que é o qüociente de aw pela raíz quadrada de 3
aw
3

aw = Uma estimativa de variação máxima igual ao maior dos valores seguintes;


A metade da faixa da variação observada: (Pmáx – Pmin) / 2 ou
O intervalo da balança utilizada, (valor de divisão do instrumento): d.

k = 2 para um nível de confiança de 95%


Alguns exemplos de calibração:
Realizar a calibração e cálculos, preenchendo o roteiro, (exemplo), abaixo;

ROTEIRO DE CALIBRAÇÃO EM PESOS

01.DETENTOR
Proprietário: ______________________________________________________
Utilização do Objeto:_______________________________________________

02.DESCRIÇÃO DA BALANÇA UTILIZADA


Marca:_________________________ Nº Série: ____________________
Máx: __________________ Min: ______________ e: __________ d: _______

03.DESCRIÇÃO DO PADRÃO UTILIZADO


Identificação: _____________________________ Classe: _________________
Valor Rastreado (VP): ______________ ___________ Incerteza (Up): ± _______

04.RESULTADOS
Temperatura: _____ºC Umidade: __________%

P1 O1 P2 O2 P3 O3 P4 O4 P5 O5

Média do valor indicado, Padrão (PM): _______________________


Média do valor indicado, Objeto (OM): _______________________
Correção do Instrumento (VP – PM) = Ci: _______________________

Valor Real do Objeto (OM + Ci) = Vr: ________________


Incerteza do Resultado: ______________

05.OBJETO
Identificação: _________________________ Valor Nominal: _____________
Valor Rastreado: _________________ __________ Incerteza: ____________

06.EXECUTOR 07.LOCAL E DATA