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TCC A MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA POTENCIALIZANDO O ACESSO AO ENSINO SUPERIOR - Diolene Machado

TCC A MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA POTENCIALIZANDO O ACESSO AO ENSINO SUPERIOR - Diolene Machado

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O ensino superior no Brasil passa por significativas mudanças, e a Educação a Distância (EAD) se configura na sociedade contemporânea como importante meio de inclusão nesse nível de ensino. Em vista disso, este trabalho pretende apresentar os resultados de uma investigação bibliográfica e de pesquisa realizada com alunos de graduação nessa modalidade. A fim de analisar como a mediação por meio das novas tecnologias de comunicação, como a internet, tem reconfigurado a educação, criando novas formas de ensino; já que os meios de comunicação possuem características distintas entre si, e dessa forma determinam as metodologias utilizadas. Além de verificar a relação dos alunos com essa modalidade e assim observar as potencialidades da EaD para a ampliação do acesso ao ensino superior.
O ensino superior no Brasil passa por significativas mudanças, e a Educação a Distância (EAD) se configura na sociedade contemporânea como importante meio de inclusão nesse nível de ensino. Em vista disso, este trabalho pretende apresentar os resultados de uma investigação bibliográfica e de pesquisa realizada com alunos de graduação nessa modalidade. A fim de analisar como a mediação por meio das novas tecnologias de comunicação, como a internet, tem reconfigurado a educação, criando novas formas de ensino; já que os meios de comunicação possuem características distintas entre si, e dessa forma determinam as metodologias utilizadas. Além de verificar a relação dos alunos com essa modalidade e assim observar as potencialidades da EaD para a ampliação do acesso ao ensino superior.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO COMUNICAÇÃO SOCIAL – HAB. JORNALISMO

DIOLENE BORGES MACHADO

A MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA POTENCIALIZANDO O ACESSO AO ENSINO SUPERIOR

BELÉM 2010

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DIOLENE BORGES MACHADO

A MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA POTENCIALIZANDO O ACESSO AO ENSINO SUPERIOR
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo, Faculdade de Comunicação, Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará. Orientadora: Profª Ms.Kelly Kalynka Damasceno Cruz.

BELÉM 2010

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Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)

Machado, Diolene Borges

A mediação tecnológica na Educação a Distância potencializando o acesso ao ensino superior / Diolene Borges Machado; orientadora, Kelly Kalynka Damasceno Cruz. Belém, 2010.

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade Federal do Pará, Instituto de Letras e Comunicação, Faculdade de Comunicação. Belém, 2010. 1. Ensino à distância. 2. Inclusão (Educação). 3. Ensino superior. 4. Tecnologias educacionais I. Cruz, Kelly Kalynka Damasceno. II. Universidade Federal do Pará. Instituto de Letras e Comunicação. Faculdade de Comunicação. III. Título.
CDD 22.ed. 371.35

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"Em algumas dezenas de anos, o ciberespaço será o mediador essencial da inteligência coletiva da humanidade(...) Qualquer política de educação terá que levar isso em conta." Cibercultura, Pierre Lévy

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AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus. Aos meus pais Nilda e Francisco pelos valores, apoio e dedicação em todos os momentos da minha vida. A minha mãe em especial por ser a mulher mais batalhadora e maravilhosa que conheço; um exemplo de vida e de pessoa, e por estar sempre ao meu lado e acreditar no meu potencial. Agradeço a todos das minhas duas amadas famílias por todo amor que me deram. Ao meu namorado Rafael Furtado, pela cumplicidade, companheirismo, apoio em todos os momentos e por encher minha vida de amor e felicidade. A minha amiga Luara Silva por me ajudar a me reerguer num momento muito difícil da minha vida e compartilhar momentos de felicidade. Aos meus irmãos Adriana, Ayrton e Elvis por encherem minha vida de alegria, em especial ao meu irmão Ayrton por estar ao meu lado nas noites que passei fazendo este TCC. À minha orientadora Kalynka Cruz, pelo apoio, paciência e por compartilhar seu conhecimento comigo. A Profª. Maria Ataíde pelas orientações e por me apresentar à EaD. Aos Líquidos mais do que um grupo de pesquisa, um grupo de amigos. Agradeço pelo que aprendi com vocês e pelo companheirismo. Aos meus amigos e colegas de curso Fabrício Queiroz, Suzana Lopes, Larissa Bezerra, Brena Freire e Raphael Freire, por tornarem a estada nesse curso mais agradável e feliz, e por compartilharem da realização de um sonho, estudar Jornalismo na UFPA. À Universidade Federal do Pará, pela estrutura acadêmica concedida durante minha formação. Agradeço a todos que acreditaram em mim e que me ajudaram a chegar até aqui.

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LISTA DE FIGURA
Figura 1 - Gráfico do percentual de domicílios com microcomputador e com acesso ........................................................................................................23 Figura 2 - Telecentro Digital de Cidadania.........................................................23
Figura 3 - Sala de Vídeo-conferência Universidade Estadual de Feira de Santana UEFS, na Bahia...................................................................................................................49 Figura 4 - Evolução da transição ensino médio para o ensino superior............................53

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LISTA DE GRÁFICO
Gráfico 1 - Cidade de moradia dos estudantes da UEPA.....................................................61 Gráfico 2 - Cidade de moradia dos estudantes da UNIUBE................................................61 Gráfico 3 - Gênero dos estudantes da UEPA........................................................................62 Gráfico 4 - Gênero dos estudantes da UNIUBE....................................................................63

Gráfico 5 - Faixa etária dos estudantes da UEPA...........................................63
Gráfico 6 - Faixa etária dos estudantes da UNIUBE.............................................................64 Gráfico 7 - Renda familiar dos estudantes da UEPA............................................................65 Gráfico 8 - Renda familiar dos estudantes da UNIUBE........................................................65 Gráfico 9 - Número de pessoas que moram na residência dos estudantes da UEPA ............................................................................................................................66 Gráfico 10 - Número de pessoas que moram na residência dos estudantes da UNIUBE ........................................................................................................................67

Gráfico 11 - Nível de escolaridade dos pais dos estudantes da UEPA.............68 Gráfico 12 - Nível de escolaridade das mães dos estudantes da UEPA...........68 Gráfico 13 - Nível de escolaridade dos pais dos estudantes da UNIUBE..........69
Gráfico 14 - Nível de escolaridade das mães dos estudantes da UNIUBE.......................69

Gráfico 15 - Estabelecimento de ensino em que os estudantes da EUPA cursaram o Ensino Fundamental...................................................................70 Gráfico 16 - Estabelecimento de ensino em que os estudantes da UEPA cursaram o Ensino Médio............................................................................70

Gráfico 17 - Estabelecimento de ensino em que os estudantes da UNIUBE cursaram o Ensino Fundamental.................................................71 Gráfico 18 - Estabelecimento de ensino em que os estudantes da UNIUBE cursaram o Ensino Médio..........................................................71

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Gráfico 19 - Número de computadores na residência dos estudantes da UEPA..74 Gráfico 20 - Número de computadores na residência dos estudantes da UNIUBE..74 Gráfico 21 - Acesso a internet na residência de estudantes da UEPA..................75 Gráfico 22 - Acesso a internet na residência de estudantes da UNIUBE...............75 Gráfico 23 - A quanto tempo os estudantes da UEPA usam a internet...............77 Gráfico 24 - A quanto tempo os estudantes da UNIUBE usam a internet................77 Gráfico 25 - Por quais outros meios os alunos da UEPA fariam curso a distância além da internet............................................................................79 Gráfico 26 - Por quais outros meios os alunos da UNIUBE fariam curso a distância além da internet..........................................................................80
Gráfico 27 - Número de estudantes da UEPA que sentem ou não dificuldade em estudar a distância.........................................................................................................86

Gráfico 28 - Número de estudantes da UNIUBE que sentem ou não dificuldade em estudar a distância.....................................................................86

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LISTA DE SIGLAS

ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem EaD - Educação a Distância IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IES - Instituições de Ensino superior INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

MEC - Ministério da Educação
NTICs - Novas Tecnologias de Informação e Comunicação ONGs - Organizações Não Governamentais OCDE - Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico PNAD - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios ProUni - Programa Universidade para todos REUNI - Reestruturação e Expansão das Universidades Federais SBTVD - Sistema Brasileiro de Televisão Digital TICs - Tecnologias de Informação e Comunicação TVDI - TV Digital UEPA - Universidade Estadual do Pará UNIUBE - Universidade de Uberaba

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RESUMO

O ensino superior no Brasil passa por significativas mudanças, e a Educação a Distância (EAD) se configura na sociedade contemporânea como importante meio de inclusão nesse nível de ensino. Em vista disso, este trabalho pretende apresentar os resultados de uma investigação bibliográfica e de pesquisa realizada com alunos de graduação nessa modalidade. A fim de analisar como a mediação por meio das novas tecnologias de comunicação, como a internet, tem reconfigurado a educação, criando novas formas de ensino; já que os meios de comunicação possuem características distintas entre si, e dessa forma determinam as metodologias utilizadas. Além de verificar a relação dos alunos com essa modalidade e assim observar as potencialidades da EaD para a ampliação do acesso ao ensino superior.

Palavras-Chave: Educação a Distância, Inclusão, Ensino Superior, Novas Tecnologias.

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SUMÁRIO
LISTA DE ILUSTRAÇÕES............................................................................................5 LISTA DE GRÁFICOS...................................................................................................6 LISTA DE SIGLAS.........................................................................................................8 RESUMO........................................................................................................................9 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................12 2 CIBERESPAÇO: INCLUSÃO DIGITAL E SOCIAL ...............................................14

2.1 INCLUSÃO DIGITAL PARA INCLUSÃO SOCIAL.................................17 2.2 A INTERNET COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO SOCIAL NO SUBÚRBIO.......................................................................................21
2.3 CIBERESPAÇO: UM ESPAÇO DEMOCRÁTICO..................................................25

3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: PARCERIA ENTRE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO ..............................................................................................................................28 3.1 MEIOS DE COMUNICAÇÃO TRADICIONAIS E NOVAS TECNOLOGIAS NA EAD........................................................................................................................30 3.2 Na ÉPOCA DA CORRESPONDÊNCIA ...............................................................31 3.3 EDUCAÇÃO PELAS ONDAS DO RÁDIO ............................................................33 3.4 A TV EDUCANDO: A ATUAÇÃO DO TELECURSO NA EDUCAÇÃO

BRASILEIRA ...........................................................................................................34 3.5 O POTENCIAL INTERATIVO DA TVDI: UM FUTURO PROXIMO…...................36 3.6 VIDEOCONFERENCIA : DA COORPORAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO..............39 3.7 E-LEARNING: POTENCIALIZANDO A EAD........................................................40 3.8 M-LEARNING: A SALA DE AULA NA PALMA DE MÃO......................................42 4 EAD: AS TECNOLOGIAS POSSIBILITANDO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR .................................................................................................................................44 4.1 EAD E A INCLUSÃO SOCIAL PELA EDUCAÇÃO ...............................................45 4.2 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL ........................................................................49 4.3 A EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR POR MEIO DA EAD ............................55 5 UEPA E UNIUBE: O PERFIL DOS ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM PÓLOS DE EAD DE BELÉM .....................................................................................................58

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5.1. ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA REALIZADA COM OS ALUNOS DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA DOS PÓLOS DE BELÉM DOS CURSOS DE CIÊNCIAS NATURAIS - FÍSICA DA UEPA E DE LICENCIATURA EM LETRAS – PORTUGUÊS/INGLÊS DA UNIUBE ..............................................................59 5.1.1 Marcador 1: características socioeconômicas..............................................60 5.1.2 Marcador 2: grau de escolaridade dos participantes da pesquisa e de seus familiares........................................................................................................67 5.1.3 Marcador 3: a relação dos alunos com as tecnologias de

comunicação..................................................................................................73 5.1.4 Marcador 4: A graduação a distância na UEPA e UNIUBE........................................................................................................................81 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................91 REFERÊNCIAS............................................................................................................94 APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO................................................................................91

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1 INTRODUÇÃO A educação brasileira tem profundos problemas que a impedem de contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento do país. Os índices de conclusão dos níveis fundamentais e médios são insatisfatórios, e as pessoas que conseguem chegar a concluir o Ensino Médio muitas vezes não têm a oportunidade de ingressar no Ensino superior, seja porque não foi preparado em outros níveis de ensino ou por não ter renda suficiente para pagar uma universidade particular. Fato é que o Brasil precisa criar e intensificar medidas para uma educação mais inclusiva. “Há ainda no país 1,5 milhão de analfabetos jovens (entre 15 a 29 anos), dos quais 44,8% freqüentaram a escola. Ou seja, emerge aqui o problema da baixa qualidade do ensino” (PASCOAL, 2010). A tecnologia pode ser uma importante ferramenta para a superação de problemas sociais, como a educação, por isso é necessário pensar formas de possibilitar o acesso a tecnologia para que ela realmente seja uma ferramenta de expansão da educação e de crescimento social para o país. Não só aproveitada para fins de entretenimento e comercialização. Assim, a Educação a Distância (EaD) poderia ser uma importante modalidade de expansão do ensino superior. Pensando nessas questões o presente trabalho analisou como a mediação tecnológica através das novas tecnologias de comunicação, como a internet, tem reconfigurado a educação, criando novas formas de ensino através da educação a distância, além de verificar as potencialidades desta para o crescimento do acesso ao ensino superior. Aprofundando-se nessas possibilidades de se ampliar o acesso ao ensino superior, este trabalho se divide em quatro capítulos: ciberespaço: inclusão digital e social; educação a distância: parceria entre tecnologia e educação; EaD: as tecnologias possibilitando acesso ao ensino superior; e UEPA e UNIUBE: o perfil dos alunos de graduação em pólos de EaD de Belém. O primeiro capítulo apresenta uma explanação sobre a relação entre inclusão social e digital. Expondo como o uso da tecnologia, em especial em subúrbios, para melhorar a educação de pessoas de baixa renda. Aborda ainda o ciberespaço como um espaço democrático, que possibilita a ampliação de práticas democráticas.

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O segundo capítulo explora as diferentes mídias usadas pela Educação a Distância, como a formação por correspondência, rádio, TV, Teleconferência, internet e por celular. O terceiro capítulo explana sobre o ensino superior no Brasil, abordando principalmente o acesso de pessoas de baixa renda e de idades acima das comuns a esse nível de ensino. A partir disso foi abordada a inserção de adultos nesse nível de ensino, e a apresentação da EaD como uma forma de ofertar a essas pessoas novas possibilidades para seu crescimento profissional. O quarto e último capítulo apresenta a pesquisa quantitativa-qualitativa realizada com 15 alunos da Universidade Estadual do Pará e 15 da Universidade de Uberaba, com questionário em que foram abordadas questões referentes a dados sócio-econômicos, escolaridade, a relação com as Tecnologias de Informação e Comunicação na EaD, e sobre o desenvolvimento dos seus respectivos cursos a distância. A partir da análise dos dados obtidos se pretendeu analisar as influências da EaD sobre o acesso ao ensino superior por meio das novas tecnologias e assim desenvolver esta análise no decorrer deste Trabalho de Conclusão de Curso.

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2 CIBERESPAÇO: INCLUSÃO DIGITAL E SOCIAL O Brasil é marcado pela desigualdade social. Tem a segunda pior distribuição de renda do mundo, segundo o índice de Gini, que mede o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita (RIBEIRO, 2005). As famílias de baixo poder aquisitivo são as que mais sofrem com a má distribuição de renda e os problemas sociais, como a falta de saneamento básico, desemprego, saúde e educação precárias. Os excluídos socialmente são pessoas que estão privadas de bens, dos quais, os chamados incluídos usufruem; essa conceituação só existe por causa dos privilégios das minorias incluídas. A própria existência dessas divisões já fere o conceito de democracia, já que todos deveriam possuir direitos iguais. Além disso, democracia se refere ao direito que as pessoas têm de participar da sociedade e usufruir de direitos e benefícios essenciais. O termo exclusão alude a não efetivação da cidadania
Apesar da legislação social e do esforço das políticas sociais, uma grande massa de indivíduos não logra pertencer efetivamente a uma comunidade política e social. Indivíduos que vivem no espaço de uma sociedade nacional aportam contribuições a essa sociedade, mas não têm acesso ao consumo dos bens e serviços de cidadania. Embora a lei lhes garanta direitos civis, políticos e sociais, tal garantia legal não se traduz em usufruto efetivo de tais direitos (REIS; SCHWARTZMAN, [200-], p.6).

Numa sociedade, na qual o não cumprimento da lei é recorrente, há que se implantar fiscalização e investir no cumprimento desta, posto que apenas criá-las não é suficiente para a resolução dos problemas sociais. “A inclusão de direitos nos textos legais tem o efeito prático de criar, para a sociedade, a percepção de que estes direitos existem e são legítimos; e, para os governos, a responsabilidade pelo seu atendimento” (REIS; SCHWARTZMAN, [200], p.8). Isso leva a questionar se a concepção de leis realmente tem um propósito positivo na sociedade, ou se a criação e investimentos em projetos não seriam mais eficazes. O que as Organizações Não Governamentais (ONGs), por exemplo, vem fazendo no Brasil, muitas vezes, tem uma ação mais significativa do que as medidas apresentadas pelo governo, pela natureza prática que essas organizações têm sobre a sociedade.

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A educação é uma importante correspondente da desigualdade de renda no Brasil, tão relevante quanto outros condicionantes, como a raça, o gênero ou a região de residência das pessoas. A educação apresenta duas funções sociais de naturezas opostas: a de ser um canal importante de ascensão e mobilidade social, ou um mecanismo de reprodução e consolidação das desigualdades sociais (REIS; SCHWARTZMAN, [200-]. E como ela vai se comportar depende da adequação social que se der a ela. A sociedade capitalista caminha naturalmente para sua natureza desigual, no Brasil há o incentivo a proliferação de escolas particulares, enquanto isso o ensino público fica defasado e não se amplificam medidas para melhorá-lo. E as famílias pressionadas a garantir educação de qualidade aos filhos, até mesmo para alcançar o desejo de levá-los à universidade, aceitam pagar as mensalidades em troca de uma educação que consideram mais qualificada.
O papel diferenciador e seletivo da educação se acentua pela grande heterogeneidade dos sistemas educacionais no país. Se todos os jovens tivessem acesso ao mesmo tipo de educação, e pudessem chegar à conclusão da educação secundária em igualdade de condições, teríamos uma situação de igualdade de oportunidades, mesmo com um mercado de trabalho restrito (REIS; SCHWARTZMAN, [200-], p.18)

Os autores denotam a diferença entre os níveis de educação brasileiros, que agem como principal ator na exclusão social, posto que mesmo um mercado de trabalho limitado poderia ser mais igualitário se houvesse condições melhores de ensino, principalmente nas escolas públicas – carentes de recursos que auxiliem no desenvolvimento do ensino-aprendizagem. Isso contribuiria para que os pais de família não procurassem as escolas particulares em busca de uma educação melhor para os filhos. O discurso no momento da eleição identifica a educação como um problema grave para a ascensão do país; em contrapartida, no decorrer do governo, novamente esta é colocada em posto de menor importância em relação a investimentos. Como construir um país desenvolvido se não se investe o suficiente em educação? Um exemplo da diferença do crescimento econômico do Brasil em relação a outros é o resultado de um estudo sócio-econômico realizado pelo Banco Mundial em 2006, em conjunto com a Organização de Cooperação e Desenvolvimento

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Econômico (OCDE). Esse estudo aponta que na questão educativa, o país estava em defasagem. O que explicaria o porquê da China ter obtido um crescimento de 9%, a Índia de 8% e o Brasil não chegar a 3%. O estudo argumenta que de acordo com as práticas de educação pública, enquanto a China investiu no ensino básico e técnico, a Índia desenvolveu um ensino superior de ponta para qualificação de mãode-obra especializada. (GONÇALVES, 2007) Passados três anos desde a pesquisa realizada pelo Banco Mundial, os índices apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2009 mostram que em 10 anos o sistema de ensino brasileiro cresceu. As estimativas comprovam que as desigualdades estão diminuindo no que diz respeito ao acesso ao sistema educacional, e que o nível do rendimento familiar ainda é uma fonte de desigualdade significativa, sobretudo nos ciclos de ensino não obrigatórios.
Entre 1999 e 2009, a educação infantil (0 a 5 anos de idade), foi o nível de ensino que mais cresceu em termos de freqüência (de 32,5% para 40,2%), mas, nessa faixa etária, apenas 30,9% das mais pobres freqüentavam creche ou pré-escola, com esse percentual aumentando para 55,2% entre os 20% mais ricos. Na faixa dos 6 a 14 anos, que corresponde ao ensino fundamental, o acesso à escola (97,8% em média) era praticamente igual em todos os níveis de rendimento. Na faixa de 15 a 17 anos (82,6% em média), a diferença entre os mais pobres (81,0%) e os 20% mais ricos (93,9%) chegava a quase 13 pontos percentuais. Para o grupo de 18 a 24 anos (31,3% em média), essa diferença era de 26 pontos percentuais e, mesmo entre os 20% mais ricos, metade dos jovens (49,6%) freqüentava estabelecimento de ensino (IBGE, 2010).

Esses percentuais mostram um grande crescimento do ponto de vista quantitativo referentes à educação. No entanto, é necessário também focar sobre o caráter qualitativo desta, já que a educação é a principal responsável por mudanças profundas no desenvolvimento do país. É necessário saber se os estudantes além de estarem freqüentando os estabelecimentos de ensino citados acima, também estão tendo produtividade e condições de aprendizagem. Para ampliar o acesso à educação tanto do ponto de vista quantitativo quanto do qualitativo é necessário que se intensifiquem medidas para que esse crescimento continue. Melhorando a educação do país é possível diminuir a exclusão social.

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2.1 INCLUSÃO DIGITAL PARA INCLUSÃO SOCIAL Na relação entre inclusão digital e social a influência é mútua. Para haver inclusão digital é necessário que as pessoas estejam incluídas socialmente, e a primeira também contribui para a promoção da segunda. Incluir, no sentido de tornar todas as pessoas parte de um mesmo benefício, é palavra recorrente nos discursos democráticos, no entanto o que se vê são falas que não se concretizam e iniciativas de minorias para a promoção das inclusões. A exclusão social é determinante para que as pessoas não cheguem a usufruir dos benefícios das tecnologias comunicação, por isso transpor esse tipo de exclusão com políticas públicas de inclusão digital parece ser um caminho necessário ao desenvolvimento social.
Essa situação demanda uma inclusão das pessoas e das organizações em redes, mostrando que a questão da infoinclusão deve estar na pauta de promoção de inclusão social, como elemento essencial na implementação de estratégias, fundamental para a chamada Sociedade da Informação (SILVA; PALHARES; ROSA, 2005, p.3).

A maioria da população de diferentes faixas etárias, que estão excluídas dos processos de aprendizagem tradicionais, é também excluída por fatores como não saber ler e escrever e por não ter um conhecimento que dê suporte para um posicionamento crítico sobre a realidade. (SOARES, 2006) Na sociedade da informação, a exclusão social também pode significar a falta de leitura crítica e de letramento digital. O desconhecimento dos dispositivos de informação e comunicação mantém as dependências culturais, sociais e econômicas. “O não domínio dos saberes para utilizar as tecnologias em benefício pessoal e comunitário é a forma de opressão e de dominação na sociedade informatizada” (SOARES, 2006, p.149). A exclusão digital não se limita a não ter acesso ao computador, mas, a ausência da democratização da informação e do acesso por parte do cidadão. Para se incluir digitalmente faz-se necessário alfabetizar para uso das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs); preparar os indivíduos para os desafios tecnológicos; e educar para que o cidadão saiba discernir entre conteúdos relevantes ou não, além da busca por uma inteligência coletiva1. (SANTOS, 2008)
1

Lévy explica o conceito de inteligência coletiva como “uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências” (LEVY, 2003:28).

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A sociedade da informação incorporou o conceito de tecnologia aos meios de comunicação, como a TV e a internet, no entanto as ferramentas criadas pelo ser humano para seu uso, a exemplo de um sofá ou um carro, são tecnologias. Para se especificar melhor as tecnologias usadas para emitir informação ou trocá-las, essas tecnologias são chamadas por autores como Suanno de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs).
As NTICs são “os recursos tecnológicos que permitem o trânsito de informações, que podem advir de diferentes meios de comunicação, seja rádio, televisão, jornal, revista, livros, fotografia, computadores, gravação de áudio e vídeo, redes telemáticas, robótica, sistemas multimídias, dentre outros. O grande diferencial das tecnologias multimidiáticas é evidenciado pela interatividade, ou seja, a participação ativa do usuário e a capacidade de manipulação do conteúdo da informação (SUANNO, 2003, p.)

Se as tecnologias de informação como a TV ou rádio levam a informação de um emissor a um receptor, as novas tecnologias estão associadas à interatividade e a mudança do modelo unidirecional para o de todos para todos. As tecnologias de comunicação de massa eram principalmente de emissão de informação, no entanto essas novas permitem que o usuário troque informação, ou seja, são tanto de informação quanto de comunicação. Para CRUZ “é o conjunto de dispositivos individuais, como hardware, e software, telecomunicações ou qualquer outra tecnologia que faça parte ou gere tratamento da informação, ou ainda, que a contenha” (CRUZ apud BULHÕES, [200-]:
04).

A alfabetização tecnológica tem por objetivo preparar a sociedade para os novos desafios relativos a esse tipo de desenvolvimento. Ser excluído digitalmente não significa necessariamente não saber acessar a internet. Os excluídos digitais são pessoas que dependem de um local, como uma LAN house (centros comerciais de acesso a internet), com equipamentos prontos para o uso, e se limitam a executar tarefas diante do computador tais como entrar em portais, ou ver o perfil em redes sociais, não sabendo ao menos ligar e desligar o computador. Assim como o analfabeto se limita a assinar o próprio nome, o analfabeto digital se limita a executar apenas o que lhe foi ensinado. O que limita a inclusão digital, mais do que o acesso a internet, está ligado especificamente ao domínio do computador. Por isso, índices que indiquem o

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aumento do número de pessoas com acesso a internet não significa que essas pessoas possuam compreensão do uso adequado desta, ou que estejam incluídas digitalmente. Em 2009, a Pesquisa Nacional por Amostra de domicílios (PNAD) do IBGE demonstrou que o número de usuários de Internet mais que dobrou, aumentando de 31,9 milhões em 2005 para 67,9 milhões em 2009. Além disso, 35% dos domicílios investigados em todo o país (20,3 milhões) tinham microcomputador, frente a 31,2% em 2008, e 27,4% (16 milhões) também tinham acesso à Internet, contra 23,8% em 2008. Ainda em 2009, a PNAD registrou que 67,9 milhões de pessoas com 10 ou mais anos de idade declararam ter usado a Internet, o que representa um aumento de 12 milhões (21,5%) sobre 2008. Em 2005, a Internet tinha 31,9 milhões de usuários; o aumento no período foi de 112,9% e observado em todas as regiões. (IBGE, 2010) Os dados sobre o aumento do acesso de pessoas com 10 ou mais anos, demonstram que os jovens ainda são o principal público da internet e que aumentam os percentuais de usuários com esse perfil a cada dia.
Entre 2005 e 2009, o percentual de pessoas que utilizaram a Internet foi maior entre os jovens: 71,1% das pessoas de 15 a 17 anos acessavam a rede em 2009; em seguida vieram as pessoas de 18 ou 19 anos (68,7% de acessos). A faixa etária que menos utilizava a Internet foi a de 50 anos ou mais: 15,2%, mas esse contingente de usuários cresceu 138% no período (IBGE, 2010).

Esses dados mostram a inserção gradual da população quanto ao uso das TICs. O crescimento de 138% em quatro anos é um número bastante significativo, e indica o uso das tecnologias de informação e comunicação como um importante meio de inclusão digital e conseqüentemente, social. As tecnologias da informação expressam a essência da transformação tecnológica em suas relações com a economia e a sociedade. Essas tecnologias têm como matéria prima a informação e se desenvolvem para permitir que o homem atue sobre a informação propriamente dita. Esta é parte integrante de toda atividade humana, individual ou coletiva e, portanto todas essas atividades tendem a serem afetadas diretamente pelas novas tecnologias. (WERTHEIN, 2000) O surgimento das TICs transformou as relações político-econômicas e culturais, além disso, elas ligaram vários setores da sociedade permitindo que se comuniquem e se expandam. Hoje as empresas, por exemplo, podem se expor e

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expor seus produtos e contatos por meio de sites institucionais. Essas tecnologias facilitaram a comunicação e o contato com o público. No entanto, assim como as TICs tem esse potencial de integração, também tornaram as diferenças ainda maiores, principalmente porque as tecnologias estão em constante renovação, e quem está à margem dessas inovações vai ficando cada vez mais excluído.
Exclusão digital é o termo utilizado para sintetizar todo um contexto que impede a maior parte das pessoas de participar dos benefícios das novas tecnologias de informação. Digital também porque hoje as conseqüências da exclusão social acentuam a desigualdade tecnológica e o acesso ao conhecimento, aumentando o abismo entre ricos e pobres (SPAGNOLO apud SILVA; PALHARES; ROSA, 2005, p.5).

Na sociedade hiperconectada as exclusões digitais se ampliam com o passar do tempo. Esta, também é uma forma de exclusão social, cujos efeitos para a sociedade são de grande proporção. A inserção dessas tecnologias trouxe mais um tipo de exclusão à sociedade, propiciada não pelo advento desta em si, mas do seu uso inconseqüente pelo ser humano. O que resta a própria sociedade é buscar formas de diminuir esse impacto por meio de iniciativas de inclusão digital.
[...]é necessário aplicar uma política pública que seja eficiente na redução agressiva e consistente de mais esta forma de exclusão social – que é a impossibilidade de acesso à informação e a novas possibilidades de trabalho e renda -, é fundamental a instalação de laboratórios de informática com acesso à Internet nas escolas públicas, com uma estratégia de uso público fora dos horários das aulas, a instalação de pontos de acesso público à Internet nas bibliotecas públicas e uma política de fomentos para a proliferação de telecentros comunitários públicos e gratuitos, que atendam aos mais de seis mil municípios brasileiros (SILVA; PALHARES e ROSA, 2005, p.6).

Quanto maior o número de alfabetizados tecnologicamente mais se estará contribuindo para a criação de usuários capacitados para o desenvolvimento e manipulação de ferramentas tecnológicas. Por exemplo, se um grupo de pessoas que detém conhecimento sobre o uso essas tecnologias visitarem uma comunidade e ministrarem uma oficina sobre como fazer, editar e postar vídeos no youtube, mais tarde eles mesmos poderão estar retratando sua realidade ou criando novas formas de olhar o mundo a partir das suas vivências. Isso pode se tornar um ciclo que alimente essa mídia em grande expansão, que é a internet.

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Apesar de a exclusão social influenciar a exclusão digital do ponto de vista econômico, pelo impedimento de adquirir inovações tecnológicas, esta prescinde da primeira, posto que mesmo as pessoas de alto poder aquisitivo podem não se integrar tecnologicamente, por escolha ou porque não conseguem se inserir na lógica tecnológica.

2.2 A INTERNET COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO SOCIAL NO SUBÚRBIO Para uma rede de pessoas, formada pela internet, se unirem estando estas em quaisquer lugares, é necessário que a rede mundial de computadores seja acessada mesmo em locais distantes dos centros urbanos. O acesso às redes de relacionamento é intenso mesmo em bairros periféricos, possibilitado, sobretudo pelas LAN houses. Pagando um preço, determinado pelos microempresários, que corresponde ao tempo que se passa na internet, a juventude suburbana se conecta por minutos ou algumas horas. Nesses locais, mesmo os analfabetos tecnológicos podem ter acesso, porque não é necessário ter um curso de informática para acessar a internet. Em LAN houses geralmente há uma pessoa que liga os computadores e está lá presente para auxiliar na navegação pela internet em sites e redes sociais ou imprimir e salvar documentos. As redes sociais são as principais ferramentas que os jovens utilizam durante o acesso a internet. Construindo perfis em redes sociais os jovens estão construindo redes de comunicação e se unindo em tribos ciberespaciais. Uma vez criado esses laços virtuais, estes jovens sentem sempre a necessidade de estarem presentes no ciberespaço para estreitar o relacionamento iniciado. Como há interesse dessa parcela da população no acesso à internet, se implantado centros gratuitos para esse fim e se esses pólos forem utilizados para a educação isso poderá ser ainda mais benéfico para a expansão da educação. É nessa perspectiva que a criação de infocentros e projetos para alfabetização tecnológica tornam-se fundamentais para inclusão digital, em especial de moradores de periferias, os quais não possuem em sua maioria computadores e internet em casa. Essas medidas são cruciais para a ampliação do acesso dessas pessoas a internet, e mais do que isso, é necessário que esses espaços disponham

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de capacitação para o uso da internet, para que dessa forma essa inclusão sirva ao ideal de educação da população de baixa renda. A criação de infocentros é assunto recorrente quando se pensa em inclusão digital, posto que ainda é pequeno o número de pessoas que possuem acesso à internet em casa. Dados do IBGE apontam que em 2008, 17,95 milhões de domicílios brasileiros (31,2%) possuíam microcomputador, sendo 13,7 milhões (23,8%) com acesso à Internet. Mais da metade dos domicílios com computador (10,2 milhões) estavam no Sudeste, dos quais 7,98 milhões tinham acesso à Internet. Apesar da evolução em relação a 2007, o gráfico abaixo mostra que persiste a desigualdade regional quanto ao acesso à Internet.

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Figura 1. Gráfico do percentual de domicílios com microcomputador e com acesso.

A partir dessas estimativas pode-se perceber que há muito que fazer para aumentar o acesso à internet, e a criação de telecentros ainda são soluções em curto prazo. Esses telecentros são criados com o objetivo de atender as pessoas de todas as idades, principalmente as de baixa renda e sem condições de acesso a tecnologia.

Figura 2. Telecentro Digital de Cidadania.

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Os Telecentros Digitais de Cidadania são locais de livre acesso, equipados com microcomputadores e com uma série de softwares instalados, conectados à Internet. Esses centros digitais podem ser utilizados pelos usuários para acessar páginas da web, correio eletrônico, produzir trabalhos e documentos, desenvolver estudos e pesquisas, além de se capacitarem por meio de cursos e oficinas que podem ser oferecidos.
O governo federal vem implementando nos últimos quatro anos o maior programa de inclusão digital da América Latina. A ação vem sendo desenvolvida pelos ministérios das Comunicações, do Planejamento e da Ciência e Tecnologia. Em 2008, apenas o Ministério das Comunicações investiu R$ 134 milhões em projetos que incluem a implantação de Telecentros Comunitários em cidades espalhadas pelo país e, ainda, a operação do sistema de acesso à internet banda larga pelo Gesac (Ministério das Comunicações, [200]).

O programa Telecentros Comunitários foi criado pelo Governo Federal com o objetivo de diminuir o número de brasileiros que estão excluídos digitalmente, chegando a um grande alcance social. Até meados de 2009, 98,29% dos municípios brasileiros foram contemplados. Desde 2008 até de julho de 2009, foram

implantados 6.076 telecentros em 5.469 cidades brasileiras. Apenas 95 municípios não aderiram ao programa federal. A previsão é que, até outubro de 2009, todos os telecentros estejam conectados à internet via satélite. (Ministério das Comunicações, [200-]) Outra frente de promoção de políticas públicas para inclusão digital levou os Ministérios das Comunicações e da Educação a desenvolver uma estratégia para garantir banda larga nas escolas públicas. Em 2009, cerca de 30 mil escolas, de todo o país, estavam conectadas, ou seja, mais da metade do total dos estabelecimentos de ensino fundamental nas cidades do país. O programa Banda Larga nas Escolas tem previsão de duração até 2025. Iniciativas como essas estão incluindo digitalmente boa parte da população. Essa inclusão vai contribui principalmente para expansão da educação. As pessoas de baixo poder aquisitivo já se integram nos ambientes ciberespaciais por vontade de sociabilização ou por pressão das novas configurações sociais, dessa forma, pode-se supor que também haverá grande interesse da população no acesso a educação de qualidade e novas possibilidades de ascensões sociais por meio da internet.

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Se nos espaços presenciais os cidadãos se vêem muitas vezes censurados por sua condição social, nos espaços virtuais o que o individuo é ou onde mora não importa. É nesse novo ambiente que se dá a inserção de pessoas desfavorecidas. A internet garante mais facilidades, amplia o acesso a novas possibilidades de inserção social, seja com projetos que visem o esclarecimento sobre doenças ou na troca de informações com colegas da escola; fato, é que o ciberespaço tem esse potencial agregador e democrático.

2.3 CIBERESPAÇO: UM ESPAÇO DEMOCRÁTICO
O ciberespaço: nômade urbanístico, gênio informático, pontes e calçadas líquidas do Espaço do saber. Ele traz consigo maneiras de perceber, sentir, lembrar-se, trabalhar, jogar e estar junto. É uma arquitetura do interior, um sistema inacabado dos equipamentos coletivos da inteligência, uma estonteante cidade de tetos de signos. A administração do ciberespaço, o meio de comunicação dos grupos humanos, será uma das principais áreas de atuação estética e política do próximo século (LÉVY, 2003:105).

“A perspectiva da digitalização em geral das informações cria um canal de comunicação e suporte de memória em dados, que define o ciberespaço” (SOARES, 2006:56). Esse espaço é constituído por redes de computadores interligados,

veiculando informação passível de se tornar conhecimento. Os pesquisadores de diversas áreas se debruçam sobre esse tema para extrair daí uma forma de tornar esse espaço, paralelo e virtual, mais um ambiente de promoção de busca do conhecimento, característica determinante do ser humano. No ciberespaço a comunicação está unida por links:
[...]nós hipertextuais que promovem a leitura em ritmo de “ondas”, em que uma leva à outra, juntando novas configurações, sem seguir uma única trilha previsível, seqüencial, mas ramificando-se em diversos caminhos possíveis (SOARES, 2006, p.66).

O ciberespaço permite que as pessoas sintam-se à vontade para mostrar seus pensamentos ou se relacionar sem medo de sofrer preconceito. São espaços públicos em sua essência. Ele é uma mediação em si, e por isso tornou possível que pessoas se unam em prol de objetivos sem precisar necessariamente de uma pessoa eleita por elas para tornar isso possível. “Dar a uma coletividade o meio de proferir um discurso plural, sem passar por representantes, é o que está em jogo, do ponto de vista tecnopolítico, na democracia do ciberespaço” (LÉVY, 2003:64).

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Lévy (2003) considera o ciberespaço como um lugar que poderia se tornar uma nova forma de democracia direta em grande escala. Um exemplo disso foi à manifestação de milhões de brasileiros para a criação do projeto Fixa Limpa2. Numa analogia com a ágora ateniense se cria a partir do ciberespaço a “ágora virtual”3. Este e as interações a partir dele, fizeram com os brasileiros se reunissem para tornar possível a luta contra a corrupção – um problema recorrente na sociedade brasileira. O ciberespaço abre possibilidades para o aprofundamento das práticas democráticas, nos resta saber se aprenderemos a utilizar essas novas

possibilidades, para construir uma sociedade mais igualitária. O ciberespaço é aquilo que se faz dele, atendendo a diferentes apelos e características sociais. Dependendo do indivíduo ou do grupo social que se valer desse lugar, esse maleável espaço se molda de acordo com os objetivos do piloto virtual. A internet, num espaço babélico e surpreendente, é uma via de acesso onde “diferentes idiomas e diversas culturas se cruzam entre sujeitos heterogêneos que se encontram lado a lado e incomensuravelmente distantes no ciberespaço, situando-se em lugar algum e em todos os lugares” (SOARES, 2006: p.36). É inegável que a internet pode possibilitar a inclusão social por meio da internet, no entanto, a falta de acesso a ela cria outro tipo de exclusão, a digital.
O acesso às tecnologias da informação e comunicação está diretamente relacionado, no mundo atual, aos direitos básicos à informação e à liberdade de opinião e expressão. A exclusão digital é mais uma das muitas formas de manifestação da exclusão social (CRUZ, 2008, p.155 e 156).

A tecnologia pode ajudar a superar a exclusão social, no entanto, é necessária a capacitação de pessoas para o uso dos recursos tecnológicos, não só de forma técnica, mas também com orientação para o uso da tecnologia como auxílio à obtenção de conhecimento (CRUZ, 2008).
Para a aprendizagem, o ciberespaço possibilita a organização de cenários pedagógicos segundo objetivos e modelos pretendidos, ou seja, a busca de informação e memorização em livros eletrônicos, a descoberta de micromundos e simulações, que vão das atividades repetitivas e de fixação, através de softwares didáticos e de
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Projeto de Lei de Iniciativa Popular com o objetivo de tornar mais rígidos os critérios de quem não pode se candidatar - critérios de inelegibilidades.
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Expressão utilizada por Pierre Levy em seu livro “A Inteligência Coletiva: por uma antropologia do ciberespaço”.

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entretenimento, à intencional (SOARES, 2006, p.89 - 90).

construção

do

conhecimento

O mercado da informação tem ampliado as diferenças entre ricos e pobres. “Pois, enquanto aqueles com acesso aos recursos tecnológicos desfrutam de ganhos de produtividade, os países e as pessoas sem acesso não têm nem por onde começar. Isso acaba gerando um desequilíbrio perverso, que tende ampliar a desigualdade” (CRUZ, 2008, p.163). Constantemente surgem novas tecnologias ou o aperfeiçoamento de outra que a pouco já foi reformulada. Elas precisam estar em constante ciclo de aprimoramento, isso faz parte de sua natureza. No entanto, essa expansão não acompanha as políticas de acesso as pessoas de menor poder aquisitivo. Por isso é necessário pensar em formas de possibilitar o acesso à tecnologia, para que ela realmente seja uma ferramenta de expansão da educação e de crescimento social para o país. Não somente aproveitada para fins de entretenimento e

comercialização. Dessa forma, a EaD poderia ser uma importante modalidade de expansão do ensino. A Educação a Distância para além de romper distâncias físicas, rompe distâncias sociais, pois não é somente o espaço físico que impossibilita o acesso a educação. Mesmo quem mora perto das Instituições de Ensino Superior (IES) pode não ter acesso a esse nível de ensino.

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3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - EAD: PARCERIA ENTRE TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO Tradicionalmente, a educação precisou, para existir, de professor, alunos e uma sala de aula: lugar de interação física entre os sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem e promoção da educação. Essa descrição caracteriza a educação presencial tradicional, que hoje está passando por modificações e alcançando outros patamares. A Educação a Distância é uma das reconfigurações pelas quais a educação está passando. O marco inicial, no Brasil, dessa modalidade de ensino, data de 1904 com o ensino por correspondência. Foi no século XX, que a EaD encontrou sua forma mais expandida e interativa, através da internet.
A presença de um ciberespaço que aloja informações das mais diversas ordens, passíveis de serem acessadas através das tecnologias informacionais, coloca em xeque a educação formal e seu domínio, durante quase dois séculos, das fontes e da transmissão de conhecimento (SOARES, 2006, p.60).

A própria atuação da Educação a Distância já influencia a educação presencial, já que as relações entre os atores do ensino-aprendizagem precisam se adequar a outro modelo de ensino; e o professor, a uma forma de ensinar da qual ele não é mais o sujeito principal do aprendizado, o tutor é um orientador e estimulador da busca pelo conhecimento. A EaD necessita de uma mediação tecnológica para existir. E os esforços humanos para tornar essa modalidade de ensino bem estruturada, e obter mais credibilidade, são expostos por meio da crescente criação de ambientes e ferramentas de aprendizagem. Se no ensino presencial o professor usa como ferramentas de ensino, caneta, caderno, livros, lousa, giz; na EaD esses instrumentos foram substituídos pelo login, computador, habilidade de navegação na internet, pesquisa e compartilhamento de arquivo, no que se refere à EaD. É uma nova realidade em que o professor está inserido, onde saber lidar com a tecnologia pode ser decisivo para o alcance de um bom resultado. Quanto ao aluno, seu papel ganhou ainda mais importância no ensino a distância. O aprendizado depende da capacidade não só de apreender o conteúdo indicado pelo professor, mas também da pesquisa aprofundada dos assuntos

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estudados, no compartilhamento e na construção do seu próprio conhecimento. No aprendizado a distância, faz se necessário método e disponibilidade para o aprofundamento do conteúdo aprendido com os encontros presenciais, ou por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)4. A EaD precisa de disciplina e determinação, caso contrário o estudo pode ser colocado em segundo plano, devido a não exigência da presença física, fator de participação obrigatória na modalidade presencial. Isso demonstra a particularidade desse modo de educar que, além do conhecimento do professor, depende da relação dos sujeitos envolvidos no processo educativo, com as tecnologias e seus avanços. A expectativa é que com a evolução da EaD as duas modalidades de ensino presencial e a distância co-existam e se complementem, se transformando numa forma mais desenvolvida do que hoje conhecemos como educação semipresencial. Nessa modalidade a presencialidade é um complemento à EaD, assim como as disciplinas a distância são para a modalidade presencial. Se no início dessa modalidade de ensino seu emprego era voltado principalmente à profissionalização, na atualidade, a EaD vem adquirindo credibilidade e ganhando espaço como uma forma de se capacitar e educar tal qual o ensino presencial. O diploma é um bom exemplo dessa valorização já que, independente da modalidade de ensino, o diploma não sofre modificações, nele não se pode identificar se o curso foi realizado no modelo presencial ou a distância, dessa forma se atribui o mesmo peso. Outro exemplo é a valorização do governo e apoio para a criação de cursos de graduação e pós-graduação no país. “O adjetivo presencial, a distância ou virtual, passa a ser necessário para caracterizar o tipo de ensino a partir da existência de novas possibilidades de aprendizagem no universo das telecomunicações e seus multimeios” (SOARES, 2006, p.58). O ambiente virtual não substitui o real e sim aumenta as possibilidades de atualizá-lo.
A perspectiva de uma comunicação democrática dos saberes tecnológicos projetadas na Educação a distância deve ser perseguida como objeto de estudo das ciências da informação, da
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Ambientes Virtuais de Aprendizagem são softwares que auxiliam na estrutura de cursos acessíveis pela Internet. Essas ferramentas da EAD, Ajudam os professores no gerenciamento de conteúdos para seus alunos e na administração do curso e são usados para complementar as aulas presenciais. O Moodle é um exemplo de AVA.

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informática, das ciências cognitivas, das ciências da informação, e da sociologia da educação como uma alavanca para a inovação pedagógica, num abandono das práticas tradicionais onde o conhecimento era guardado sob domínio do professor e nas torres de marfim das academias (SOARES, 2006, p.150).

3.1 MEIOS DE COMUNICAÇÃO TRADICIONAIS E NOVAS TECNOLOGIAS NA EAD Os meios de comunicação de massa foram os primeiros meios criados com o objetivo de estabelecer trocas de informação. São meios unidirecionais, ou seja, a mensagem percorre uma única direção, que vai do emissor ao receptor. Falta a eles o que comumente é chamado na atualidade de interatividade. A qual distingue os meios de comunicação de massa das tecnologias de informação e comunicação. Estas permitem o diálogo entre os dois pólos, emissor e receptor, de forma que ambos constroem a mensagem. As novas tecnologias propiciam à educação a distância mais dinamismo e a ampliação do diálogo entre as partes que compõe o aprendizado (tutor-aluno). A interatividade quebrou o monólogo imposto pela deficiência presente nos antigos meios, e configurou a EaD como forte agente de contribuição para a educação. A interatividade é tida como um processo de permuta contínua e complexa das funções de emissão de tecnologia digital, a qual criou as condições para esta interatividade reflexiva. A partir da evolução tecnológica, temos atualmente um maior número de interações. Passando a levar em consideração a possibilidade de imersão, navegação, exploração e conversação presentes nos suportes de comunicação em rede. “A interatividade pode então ser definida como a intersecção entre as práticas sociais de sujeitos engajados na resolução e compartilhamento de construção de conhecimento e de prática de vida compartilhada” (MATTA; CARVALHO, 2008).
[...]seja à distância via Internet, seja presencialmente, seja entre seres humanos pré-históricos aprendendo e pescar, seja em um ambiente em rede Internet onde se aprende a trabalhar com MSN, cada sujeito envolvido é parceiro e partilha a construção de todo processo, da concretude de seu contexto e ambiente mediador de vida cotidiana” (MATTA; CARVALHO, 2008, p.5)

Essa ampliação do contato de muitos para muitos torna o aprendizado multilinear e o conhecimento passa a depender principalmente do percurso traçado

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pelo aluno, e da sua troca com as diferentes ferramentas oferecidas por essas novas tecnologias, seja num bate-papo com o tutor ou na participação de um seminário por vídeo conferência. As novas tecnologias deram a esse estudante mais liberdade para trocar informações. Buscar e chegar ao conhecimento depende de uma atitude independente, de um aluno sujeito do seu aprendizado. Na contemporaneidade observam-se dois tipos de sociedade coexistentes: a sociedade midiática e a sociedade midiatizada. Na primeira o campo dos media atua como mobilizador do debate público e da produção de sentidos entre os demais campos sociais. Se na primeira a busca é pela visibilidade; na segunda, as tecnologias da comunicação trazem novas possibilidades sociais e técnicas que levam a presumir que, sob o ângulo da midiatização, que não basta para os sujeitos estarem visíveis, é preciso interagir por meio dos dispositivos, o que amplia a atuação dos sujeitos sobre a realidade. Assim ocorre uma configuração do espaço público em que predomina a cultura da convergência (STASIAK, 2010)
[...]a característica principal da era de convergência midiática seria o cruzamento de mídias alternativas e de massa e a hibridização de conteúdos de novas e velhas mídias que ocasionam outras formas de relações entre as tecnologias, indústria, mercados, gêneros e públicos (STASIAK, 2010, p.3).

3.2 NA ÉPOCA DA CORRESPONDÊNCIA Quando se fala na história da educação a distancia é comum falar sobre a época em que se faziam cursos por correspondência. É interessante observar que as fases da educação coexistem, porque mesmo a educação por correspondência, que iniciou o processo de EaD, co-existe com outras ainda que pouco utilizada atualmente. No curso por correspondência o conteúdo era disponibilizado em mídias impressas como jornais e revistas ou ofertados por centros de formação com material apostilado. Normalmente, eram cursos técnicos, definidos por temas, que tinham pouca ou nenhuma interação. As pessoas realizavam as atividades de avaliação propostas e as enviavam, via correio, à instituição. Esta encaminhava o fascículo seguinte aos que apresentassem rendimento satisfatório, ou solicitavam ao aluno que não havia atingido a média mínima que lesse novamente o fascículo e

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refizesse as atividades. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos teve importante contribuição nesse processo, pois atingia todo o território nacional. Se antes a relação entre o tutor e o aluno era mediada por correspondência, hoje se observam diferentes formas de mediar a educação, com o modelo por redes de computadores prevalecendo. As formas de se relacionar com o mundo sofreram grandes transformações, hoje é possível interagir e se comunicar tanto presencialmente quanto virtualmente. Essas duas dimensões da realidade são diferentes e ao mesmo tempo complementares. Na contemporaneidade a educação por correspondência é algo difícil de se conceber já que é um modelo de educação em que se leva muito tempo para obter resposta em um mundo assolado pela ansiedade da interatividade e pela informação instantânea. Não se espera mais pelo carteiro, para que ele simbolicamente traga as resposta para as questões. E sim para que a atualização do e-mail rapidamente leve o preenchimento da caixa de entrada. Esperamos pela ação da própria máquina. Palhares (2009) descreve como era o perfil dos alunos da EaD por correspondência como de maioria do sexo masculino com idade entre 25 e 28 anos.
O corpo discente era representado em sua grande maioria por homens (90 por cento) cuja idade média variava de 25 a 28 anos. Mais de 70 por cento tinham família constituída, em média por dois filhos, em uma demonstração clara de que se haviam casado cedo; 65 por cento deles estavam empregados e possuíam situação financeira estabilizada. A principal razão para buscar um curso profissional era a vontade de progredir, ter uma situação financeira melhor e, se possível, conquistar sua independência. O curso mais procurado na ocasião era o de técnico em rádio e televisão e, a seguir, os cursos na área de eletricidade (PALHARES, 2009, p.48).

Naquela época, a educação a distância era voltada primordialmente para os cursos técnicos e ainda não existiam cursos a distância no ensino superior, com uma educação que visava um aprendizado mais delimitado e pouco reflexivo para uma formação meramente técnica. Já no tocante a faixa etária, esta persiste, observa-se ainda que a maioria das pessoas que buscam a educação a distância está em idades acima das que normalmente se ingressam no ensino superior; isso coloca o ensino a distância como uma alternativa para quem em dado momento da vida não teve a oportunidade de ingressar nesse nível de ensino.

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3.3 EDUCAÇÃO PELAS ONDAS DO RÁDIO As tecnologias estão em constante atualização e se uma não acompanhar esse ritmo pode cair em desuso. Por isso, o rádio também está tentando acompanhar as mudanças tecnológicas e atuar em caráter digital, com o advento da rádio digital. As próprias rádios online são alternativas para o uso dessa mídia para educação. Entre as características que tornam esse suporte um importante instrumento para a Educação a Distância está o alcance em todos os segmentos sociais, a ampla cobertura geográfica e o baixo custo dos aparelhos (BIANCO, 2009).
Em função de características tecnológicas, a linguagem radiofônica tende a ser intimista, sugestiva, simples, objetiva, direta e agradável. Quando explorada de forma criativa e consistente, pode favorecer a captação direta e compreensível de conteúdos educativos (BIANCO, 2009, p.57).

A internet tem essa capacidade de agregar e de tornar a comunicação mais completa. Já se observam mídias tradicionais adentrando o ciberespaço, como as TV‟s Online e a rádio web ou rádio online. “As experiências de educação pelo rádio no Brasil desenvolvidas nos anos 60 e 70 tiveram caráter maciçamente instrucional, com oferta de cursos regulares destinados à alfabetização de adulto, educação supletiva e capacitação para o trabalho” (BIANCO, 2009, p.56). A EaD em seu inicio pode ser caracterizada como uma auxiliadora daqueles que não tiveram oportunidades maiores de estudo e que precisavam melhorar o posicionamento no mercado de trabalho ou pela busca de conhecimento. Além disso, Bianco (2009) explica que essa forma de educação pelo rádio, na época, não obteve sucesso, já que se tentou reproduzir o ambiente da sala de aula na produção de programas educativos, esquecendo-se das particularidades do veículo, deixando de explorar a linguagem expressiva do rádio e o caráter pessoal da comunicação expressada por ele. Entre as produções inovadoras no ramo do áudio estão os podcasts, programas gravados e disponibilizados na internet ou ainda usados para a produção de programas educativos. Um produto de áudio que experimenta tanto a linguagem simples e atrativa radiofônica quanto a aproximação jovem das novas tecnologias. Um exemplo de uso deste tipo de produção de áudio é o projeto PodEscola, que faz produções de áudio para educação, como formas de utilização e

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implementação de podcasts na educação pública, visando contribuir com a formação de um cidadão crítico e incluído sociodigitalmente (MENTA; BARROS, 2007). O rádio para a EaD precisa, assim como outras mídias, utilizar características próprias como a linguagem simples, mas também precisa buscar inovar e se adaptar as reconfigurações digitais pelas quais estão passando as tecnologias de comunicação. Hoje as expressões que demonstram o que há de mais jovem em ensino é o e-learning e já se fala até em t-learning e m-learning que seria o ensino por meio da TV e do celular, respectivamente. O ensino por meio da TV não é novidade, pois muito já se ouviu falar de telecursos que marcaram o ensino a distância nas décadas de 60 e 70. Mas as novas discussões estão em torno da implantação do sinal da TV Digital no Brasil.

3.4 A TV EDUCANDO: A ATUAÇÃO DO TELECURSO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Segundo Fisher (2003) “[...] a TV seria um lugar privilegiado de aprendizagens diversas; aprendemos com ela desde formas de olhar e tratar nosso próprio corpo até modos de estabelecer e de compreender diferenças de gênero”. A TV é, dessa forma, um lugar de cultura onde as pessoas têm contatos com formas de ver e pensar o mundo. A partir da relação com a TV as pessoas têm a oportunidade de participar da criação e da compreensão do outro, além de perceber a própria subjetividade, já que ela possibilita às pessoas entrarem em contato com elas mesmas e com as próprias escolhas. Devido a essa abrangência e possibilidade de manter contato quase que familiar, é que a TV tem que ser estudada com profundidade, para assim aproveitar seu potencial. A televisão tem adquirido um lugar de credibilidade, que pode ser conseqüência de instituições tradicionais, como a própria escola, estarem perdendo força como lugar de identificação e até de acolhida das pessoas (FICHER, 2003). A TV se potencializa como meio importante de conhecimento no Brasil, justamente por ser este um país em que a televisão é bastante difundida, chegando aos lugares mais remotos, o grande alcance desse meio é uma questão cultural e

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por isso é necessário investir também na TV como meio transmissor de produções educativas para a Educação a Distância. Uma das experiências que usaram a TV como instrumento para essa modalidade de ensino foi o “Projeto Saci‟, que “iniciou suas atividades no final da década de 60 e em 74 chegou a oferecer o antigo 1º grau, via satélite, a 16 mil alunos de 71 municípios do Rio Grande do Norte (BARRETO, 2009) Já o Telecurso, um dos programas de EaD pela TV mais conhecidos, foi uma ferramenta de aprendizagem que funcionou principalmente com viés

profissionalizante e para ampliação de conhecimentos fundamentais e de assuntos gerais tanto em telessalas quanto no canal da rede Globo, prática que perdura até a atualidade. Com um público que não havia terminado os níveis fundamental e médio de ensino. A Educação a Distância no Brasil só começou a alcançar grandes massas, em 1978, através do Telecurso II Grau, concessão ampliada para a o I Grau em 1981,
[...]sua implantação teleducativa decorre do apoio governamental e de entidades civis, os telecursos, envolvendo desde seu início a mídia televisiva comercial hegemônica com a EAD de massa mediante o seu programa televisivo, tinha como metas mais relevantes, elevar e estender o padrão educacional e suprir as deficiências de acesso ao ensino. No entanto, revelava-se meio alternativo (MOREIRA, 2006, p.14).

A teleaula é uma forma de educação unidirecional, e impossibilita a interação com o professor através da TV. O aluno deve absorver conteúdo e estudar de forma independente. No entanto, não se pode afirmar que essa forma de ensino não seja eficaz, posto que a apelação visual e os recursos usado na construção das vídeosaula tornam o material atrativo para o aluno. A metodologia do telecurso se desenvolve da seguinte forma: o aluno acompanha a aula numa telessala com a presença de um professor, e o aluno pode concluir o curso de acordo com a disponibilidade de tempo que tem para os estudos. Além disso, é possível estudar de forma independente em casa, assistindo as aulas pela televisão e por meio de livros e posteriormente prestar exames da Secretaria de Educação de seu Estado.

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No Telecurso 2000 ocorreu uma revolução, já que este deixou apenas de veicular as aulas e distribuir livros, passando a ter uma modalidade presencial em redes de ensino pública ou privada.
Nasceu assim, a „telessala‟, local onde os alunos do telecurso se reuniam e, animados por um professor-orientador, eram contextualizados nas matérias por aulas transmitidas pela televisão e aprofundavam seu aprendizado por meio de livros e debates e salas de aula (BARRETO, 2009, p.451 - 452).

Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e a Fundação Roberto Marinho o Telecurso tem 27 mil telessalas implementadas em todo o país; já beneficiou diretamente 5 milhões de estudantes pelas telessalas; 30 mil professores foram capacitados; o projeto conta com a parceria de 1.500 instituições parceiras, e já distribuiu 24 milhões de livros (BARRETO, 2009).

3.5 O POTENCIAL INTERATIVO DA TVDI: UM FUTURO PRÓXIMO A TV Digital poderá ser um importante meio para alcançar os objetivos de inclusão digital, como explica Fernando Crocomo (2007):
Como a nova tecnologia vai chegar a quase toda a população, o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) foi criado com o objetivo de não fazer apenas troca de equipamentos, mas de garantir a inclusão digital através dos novos recursos potenciais de interatividade da TV Digital, e, inclusive, no futuro, o acesso a internet (CROCOMO, 2007, p.63).

A crença de que essas potencialidades podem se concretizar está na promessa de que o preço dos equipamentos tende a diminuir com a difusão. No item IV do Art. 1 DECRETO Nº 4.901 que Institui o Sistema Brasileiro de Televisão Digital – SBTVD, consta que é meta do governo “planejar o processo de transição da televisão analógica para a digital, de modo a garantir a gradual adesão de usuários a custos compatíveis com sua renda”. Além disso, o Art. 10. do DECRETO Nº 5.820, que dispõe sobre a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), define que “o período de transição do sistema de transmissão analógica para o SBTVD-T será de dez anos”, contados a partir da data de sua publicação que ocorreu em 2006. Esses decretos sinalizam para um comprometimento do governo, ao menos do ponto de vista legal, a fim de

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levar, mesmo às populações mais desfavorecidas economicamente, essa nova tecnologia. É necessário que as leis respaldem uma sociedade, no entanto se não houver fiscalização e cobrança da população a TV Digital não passará das melhorias de imagem. Se as políticas públicas não forem pensadas para promover a inclusão social, a evolução tecnológica não promoverá a inclusão digital. É necessário ser cauteloso para que a TVDI explore o seu potencial para além do que a analógica alcançou, a qual sinalizava para a promoção de melhorias sociais, inclusive na educação, mas não teve seus potenciais aproveitados. A TV Digital não é apenas uma evolução da analógica, e sim uma nova plataforma de comunicação (TEIXEIRA apud CROCOMO, 2007) que pretende contribuir com o desenvolvimento social, quer como facilitadora de acesso a serviços, quer como suporte à educação a distância. Para que essas potencialidades se desenvolvam é necessário a TVDI ser uma inovação tecnológica que também se volte para as questões educacionais, já que é possível utilizar os recursos interativos sem necessariamente diminuir diferenças sociais. A Educação a Distância começou por correspondência e já perpassou por várias mídias. A internet é o meio que tem tido mais êxito atualmente na corrida pela difusão do conhecimento. O Brasil está dando mais um passo no avanço tecnológico por meio da implantação da TV Digital. E essa nova ferramenta prevê também seu uso no auxilio a EaD. Se a TV Analógica já marca sua atuação no auxílio à educação, a TV em sua forma digital deve contribuir ainda mais. Seja como instrumento de auxílio na sala de aula ou como facilitadora no ensino a distância. E isso se amplia ainda mais quando se discute a interatividade. Crocomo (2007) explica que existem três tipos de interatividade:
[...] No primeiro, os dados transmitidos são armazenados no terminal de acesso. Ao acessar as informações disponíveis em hipertextos na tela, o usuário está na verdade “navegando” dentro dos dados armazenados no terminal. É também chamada “interatividade local”, ou interatividade nível 1. No segundo tipo, utiliza-se um canal de retorno, normalmente via rede telefônica. Aqui é possível retornar a mensagem, mas não necessariamente no mesmo momento, em tempo real. Na interatividade nível 3, é possível enviar e receber mensagens em tempo real, como nos chats (CROCOMO, 2007, p.82).

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A essa interatividade nível 3 é que a TV Digital pretende gradativamente atingir. E assim estabelecer um contato direto e instantâneo entre quem transmite a informação e quem assiste a essa transmissão. No entanto a tecnologia é uma possibilidade, que não ocorre isoladamente. Para José Manuel Moran (2007):
O problema do Brasil não é tecnológico, mas de desigualdade estrutural. A interatividade tem muito a ver com poder de compra, com educação de qualidade, com cultura empreendedora. A grande maioria das pessoas depende do modelo passivo de uma TV que dá tudo pronto, aparentemente de graça. Esse modelo fez sucesso. A interatividade pressupõe uma atitude de vida muito mais ativa, investigativa, inovadora (MORAN, 2007).

Ao longo da historia midiática o percurso da informação ia do centro para muitos, da emissora para os telespectadores, por exemplo. Na internet essa lógica se inverte e se modifica: são muitos enviando informações para muitos, e muitos para “locais” pontuais, sem excluir a lógica tradicional. A internet possui essa possibilidade tecnológica de interação que a TV analógica não possui, mas que a TV Digital poderá usufruir. É essa preocupação que ronda a problemática exposta por Moran, de que a TV acumulou espectadores acomodados, ele se questiona se este espectador fará com a TV o que o internauta fez com a internet: tomaram atitude, trocaram informações e aprendizados, aproveitaram o que um meio que flexibiliza a comunicação pode proporcionar. Essa tomada de atitude por parte dos usuários também é esperada pelos telespectadores da TV Digital. No início talvez com manifestações tímidas, mas aos poucos, com o conhecimento sobre as ferramentas, uma participação mais ativa. E até o uso destas para melhorar a educação brasileira.

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3.6 VIDEOCONFERENCIA : DA COORPORAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO

Figura 3. Sala de Vídeo-conferência Universidade Estadual de Feira de Santana UEFS, na Bahia

A videoconferência começou a ser usada como ferramenta de comunicação empresarial, principalmente em reuniões de negócio. Ainda hoje a video conferência é bastante utilizada no meio empresarial, mas já vem sendo inserida na atualidade, como ferramenta para a educação a distância. "Dentre as mídias aplicadas na EaD, é a que está mais próxima do presencial ao permitir que participantes situados em dois ou mais lugares geograficamente distantes possam realizar uma reunião sincrônica com imagem e som". Para que essa comunicação mais direta seja possivel, faz-se necessário um sistema digital de videoconferência, composto por uma videocâmera, um codificador/decodificador de sinais denominado Codec, um monitor de TV e uma unidade de áudio (CRUZ, 2009, p.87). Como os equipamentos são caros e complexos, essa ferramenta torna-se mais restrita apesar de mais próxima do presencial, posto que é necessário fazer a conexão entre as pessoas em lugares específicos, com uma infraestrutura adequada. Outro desafio para essa mídia, no que tange a EaD, é o fato de a televisão exigir uma postura estática do telespectador. As pessoas estão acostumadas a ver a televisão como algo contemplativo, não para interação. Para isso o professor precisa criar dinâmicas de ensino-aprendizagem que faça o aluno renovar seu olhar sobre esse meio e rompa a passividade, de forma que passe a interagir com o professor (CRUZ, 2009).

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"A situação de telepresença problematiza a mediação face a face, o „estar junto‟a um tempo e em um lugar que não são os tradicionais da co-presença" (CRUZ, 2009 : p. 88). Assim como em outros tipos de EaD, nesta também o professor precisa dominar as ferramentas específicas que envolvem a

videoconferência, para dessa forma garantir um melhor aprendizado.

3.7 E-LEARNING: POTENCIALIZANDO A EAD A internet em toda a sua conjuntura fluida e dinâmica produz a inteligência coletiva, a qual é composta por diferentes culturas e idéias que constitue o que conhecemos como ciberespaço. Processos comunicaionais que interrogam a educação formal e a sala de aula (SOARES, 2006). Cada mídia contribui para a expansão da EaD a partir de características próprias, mas foi na internet que ela encontrou sua forma mais interativa e rompeu a distâncias. O e-learning ou educação on-line, criou um ambiente paralelo em que a distância e o tempo de espaçamento entre a interação tutor-aluno quase inexiste. A plataforma permitiu a simulação da sala de aula presencial, em que todos se encontram com o objetivo de trocar conhecimento.
Nas ultimas três décadas o aumento da comunicação humana mediada pelo computador para fins educativos levou a uma proliferação de tecnologias com o propósito de oferecer ambientes educacionais on-line. Desde o e-mail até os chats e as plataformas de aprendizagens educacionais, a comunicação humana mediada pelo computador tem sido uma ferramenta de uso crescente no ensino superior (TELES, 2009, p. 72).

O ensino presencial e o ensino online necessitam de formas de ensinar diferentes, principalmente devido a nova noção entre tempo e espaço determinada pela mídia (TELES, 2009). Por isso, ferramentas estão sendo criadas para tornar a EaD ainda mais contundente, mais próxima de como são as salas de aulas tradicionais, não no sentido da rigidez e da forma de aprendizagem que sofre modificações com a educação a distância, mas no tocante a torná-la mais próxima de uma comunicação face a face. A Educação a Distância se mostrou uma nova forma de educar, e a educação online fez igual revolução com a EaD, tanto que é comum confundirem um termo

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com o outro. Isso se deve também a grande expansão que essa modalidade sofreu através da internet. Por não precisar de materiais impressos, nem de deslocamento, a educação mediada pelas rede de computadores além das diversas vantagens de interatividade torna-se barata e se potencializa como ferramenta de inclusão a pessoas de baixa renda. No entanto para se atender a essa parcela da população antes de se incluir socialmente, é necessário políticas de inclusão digital, como construção de infocentros e barateamento de computadores e de acesso à internet. As características inerentes ao ambiente online tornam o e-learning ainda mais potencial à expansão da Educação a Distância. O aluno pode ler e aprender de maneira alinear, pode construir sua própria forma e caminhos de aprendizagem, e a contribuição do tutor é uma ferramenta a mais a ser utilizada pelo aluno rumo ao conhecimento. “Ao saltar entre as informações e estabelecer suas próprias ligações e associações, o leitor interage com o hipertexto e pode assumir um papel mais ativo do que na leitura de um texto do espaço linear do material impresso” (ALMEIDA, 2003). Por isso, o termo autodidatismo é tão utilzado na educação a distancia, não com a conotação de aprender sem suporte, mas de aproveitar as ferramentas de ensino para construir o aprendizado de forma independente. Além da independência do aluno, a rede mundal de computadores trouxe à tona o sentido de colaboração como algo imprescindível e partilhar cohecimento faz parte da associação que se tem com a internet. Nos ambientes de aprendizagem a sala de aula online não é colaborativa, a colaboratividade depende de um agente disposto a tal tarefa, por isso é necessário que desde as primeiras séries do ensino o estudante seja preparado para a colaboratividade, necessidade vital à lógica da internet. Entre as características que demonstram o potencial colaborativo das salas de aula on-line estão : 1) Comunicação grupo a grupo, permitindo troca de conhecimentos; 2) Independência de lugar e tempo, que garante tempo para reflexão; 3) Interação mediada por computadores, que exige que o estudante se comunique de forma organizada para que o colega possa entender exercitando compreensão e compartihamento (TELES, 2009).

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São justamente essas características, como independência, colaboratividade e interatividade que fazem do e-learning uma das formas de Educação a Distancia que mais contempla essa modalidade de ensino.

3.8 M-LEARNING : A SALA DE AULA NA PALMA DE MÃO A EaD precisa chegar às pessoas mesmo nos lugares mais remotos, fato que o celular já está alcançado. Essa mídia alcançou tal expansão que já em 2010 95,92% dos brasileiros possuem celulares, segundo a Anatel – Agência Nacional de
Telecomunicações. É um número significativo que denota o potencial do celular para

inclusão digital, e se criada iniciativas, até mesmo como mediador de conteúdo educativo à população brasileira.
A progressiva miniaturização e integração das tecnologias, junto com o desenvolvimento de plataformas móveis e da conexão sem fio, permitirão que os alunos possam continuar avançando em sua formação tendo acesso, a qualquer momento, por meio de seu celular várias funções (COLL; MONEREO, 2010, p. 28).

Essa tecnologia de comunicação há muito tempo deixou de ser apenas um aparelho que realiza ligações de voz entre pessoas, em suas potencialidades o celular é usado de diferentes formas e congrega muitas funções. É tido como aparelho que irá promover a convergência digital. O acesso à telefonia teve expressiva evolução impulsionada pelo crescimento da telefonia móvel celular. De 2004 a 2009, os domicílios que tinham telefone passaram de 65,2% para 84,3% do total e o percentual dos domicílios que tinham somente telefone móvel celular aumentou quatro vezes, de 16,5% para 41,2%. Já o número de domicílios no país só com telefone fixo convencional caiu de 17,5% para 5,8% nesses cinco anos (IBGE, 2010). A convergência midiática já começou. No celular é possível ouvir rádio, assistir TV e ainda que pouco utilizado devido ao alto custo, usar a internet. A implantação de redes wireless poderá ser um importante investimento para o acesso à internet também pelo celular, além do barateamento de aparelhos que oferecem essa função. Se um aparelho portátil como celular pode congregar tantas formas de

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comunicação, por que não acreditar nessa mídia também como um recurso de promoção da EaD?
Em 2003 “os programas ProInfo e TV Escola, ambos da Secretaria de Educação a Distância do MEC, aproximam-se e realizam projetos que integram diferentes tecnologias na formação de educadores, na prática pedagógica e na gestão escolar, apontando uma tendência promissora de convergência entre mídias, linguagens e metodologias que deverá influir na disseminação da EaD nos próximos anos (ALMEIDA, 2003, p.1).

O celular pode ser usado para acesso a conteúdo de educação a distância tanto como difusor e facilitador de outros meios, além de serem desenvolvidas para ele interfaces educativas apropriadas para o aprendizado via celular. O móbile learning5 ou aprendizado móvel permite que o professor e os alunos se comuniquem de praticamente qualquer lugar. E a capacidade de transmissão de dados que o celular possui torna interessante seu uso para o m-lerning.
[...]o M-learning faz uso das tecnologias de redes sem fio, dos novos recursos fornecidos pela telefonia celular, da linguagem XML, da linguagem Java, do protocolo WAP, serviços de mensagens curtas (SMS), da capacidade de transmissão de fotos, serviços de e-mail, serviços de mensagem multimídia (MMS) (PELISSOLI; LOYOLLA, 2004, p.1).

A estratégia do móbile learning envolve e-learning em dispositivos móveis como celular micronotebooks e palmtops. O m-learning visa tornar os recursos acessíveis a qualquer momento e em qualquer lugar que o aluno esteja com recursos multimídia e conteúdo interativo que promoverá um aprendizado motivado (TAROUCO, et al., sem data). Além da mobilidade também é um ponto positivo o mercado da telefonia móvel estar em franca expansão e atingir diferentes perfis e faixas etárias.
A telefonia e o acesso à Internet foram os serviços que mais avançaram: de 2007 para 2008, 4,4 milhões de domicílios passaram a ter telefone, e aqueles ligados à Internet aumentaram de 20% para 23,8% do total, ainda que as desigualdades regionais de acesso se mantenham (IBGE, 2010).

4 EAD: AS TECNOLOGIAS POSSIBILITANDO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR
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A utilização de dispositivos móveis e portáteis quando usada para facilitar o acesso a informação em programas de ensino recebe o nome de "Mobile Learning (M-Learning).

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A educação tem grande relevância para a evolução de uma sociedade. Através dela ampliam-se tanto as possibilidades de combate aos índices de violência e criminalidade, quanto a expectativa de um futuro mais promissor. Essas expectativas se ampliam quando se discute o futuro dos jovens pertencentes a famílias de baixa renda6, freqüentemente retratados pela mídia como criminosos e postos às margens da sociedade. Essa educação além de preparar para o mercado de trabalho deve também ser formadora de futuros cidadãos, conscientes e críticos. Dessa forma ela poderá atuar como importante ferramenta de inclusão social. A garantia de uma educação de qualidade deve existir desde as primeiras séries do ensino fundamental. Uma boa formação nos ensinos fundamentais e médios pode garantir que alunos mesmo de escolas públicas adentrem a níveis de ensino mais elevados, em especial, o ingresso ao Ensino Superior. Este possui grande importância devido à possibilidade que ele permite de desenvolvimento e crescimento econômico para o país, já que a educação formal, em especial a de nível superior, é um indicador do nível de capital humano7.
O imediato reconhecimento da importância do Ensino Superior para o desenvolvimento econômico e social do Brasil poderia ter importante impacto positivo sobre as políticas destinadas ao Ensino Superior e assim aumentar a oferta de vagas (VIEIRA, 2008, p.23).

A educação tem importante papel para a mobilidade social, já que a ampliação das oportunidades de acesso ao ensino é um dos instrumentos mais importantes de mobilidade social “pois proporciona maiores oportunidades de ingresso no mercado de trabalho e constitui a base da participação das futuras gerações no desenvolvimento econômico, tecnológico e social do país” (SILVA; CARVALHO; AVENDAÑO, 2008, p.4).

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Segundo o IBGE (2004) as famílias de baixa renda possuem rendimento familiar mensal de até ¼ de salário mínimo por pessoa.
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“O capital humano, de acordo com Becker (1993) pode ser a escolarização formal, um simples curso de informática, gastos com serviços de saúde e até mesmo palestras informativas. Este tipo de capital é capaz de causar incrementos físicos, psicológicos e monetários que muito provavelmente terão algum impacto sobre a produtividade do trabalhador. A escolaridade, por exemplo, pode aumentar a remuneração dos indivíduos por fornecer conhecimento, certa habilidade e maior capacidade de analisar problemas (VIEIRA, 2008).

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A educação é reconhecidamente esse instrumento de mobidade social e por isso há que se buscar a sua atualização. As Tecnologias da Informação e Comunicação estão se firmando como importantes instrumentos para a educação em especial para a Educação a Distância. No entanto muitos profissionais da área educativa se recusam a reconhecer que essa forma de ensinar mediada por meios de comunicação é um fato, e que fazer dessas tecnologias objetos de aprendizagem ou na mediação da educação, como ocorre com a EaD, é mais do que necessário, é essencial.

4.1. EAD E A INCLUSÃO SOCIAL PELA EDUCAÇÃO
[...] Tratar de EaD implica não isolá-la da educação em geral. Sua preocupação fundamental é a democratização e o acesso ao saber escolarizado, para atender à demanda crescente a sociedade contemporânea, como uma das formas de superação dos processos de exclusão social [...] (ELIASQUEVICI; FONSECA, 2009, p.25).

A redução de gastos públicos com educação não pode ser o principal motivo para o investimento em Educação a Distância. Segundo RODRIGUES JR. (2008, p. 52) “o custo dos estudantes nas instituições públicas no Brasil é um dos mais caros do mundo: apenas as instituições federais consomem 9,9 bilhões de reais por ano”. A EaD pode auxiliar o governo a atingir a meta de ampliação do alcance da educação superior no país, no entanto, isso não pode ser a única preocupação no momento de decidir sobre qual modalidade de ensino se irá seguir. O objetivo é aliar quantidade à qualidade, que se torne possível com a diminuição dos custos. Há que se falar em uma educação a distância que seja oferecida gratuitamente, se não em sua totalidade, mas em sua maioria, para não perder sua participação na promoção da inclusão social. Já que instituições particulares estão aumentando com rapidez, e se expandindo também nessa modalidade. A EaD assim como todas as demais formas de educação, deve ser pensada e desenvolvida levando em conta o contexto socioeconômico, político e cultural onde será inserida. Além disso, é uma alternativa pedagógica muito procurada porque atende necessidades educativas como o direito à educação; a pressão pela formação profissional e a necessidade de atualização permanente (ELIASQUEVICI; FONSECA, 2009)

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A Educação a Distância seria dessa forma mais uma modalidade de ensino, que se estabelece como ferramenta que possibilita acesso ao nível superior. Não apenas a educação que rompe fronteiras físicas, que leva conhecimento às pessoas que estão afastadas dos centros universitários, mas também a que rompe fronteiras sociais. Em lugares de difícil acesso, muitas vezes, as pessoas estão submetidas a uma profissionalização precária, baseada em métodos ultrapassados, defasagem ocasionada pela falta de atualização profissional. Dessa forma:
A possibilidade de atualização permanente de conteúdos e transporte imediato pela internet salta como solução ainda que parcial para a precariedade da educação numa perspectiva democrática e contextualizada num Brasil dividido socialmente, ao mesmo tempo em que equipado, embora mal distribuído, tecnologicamente (SOARES, 2006, p.42)

A inclusão social por meio da EaD e a responsabilidade pelo aprendizado recaem principalmente no aluno, já que este é o principal responsável pelo aprendizado, a capacidade de aprender de forma independente, tendo o professor apenas como um esclarecedor é fator determinante no ensino a distância.
A educação a distância na sociedade do conhecimento e da informação apóia-se fortemente na idéia de inclusão social e vale-se da rede de computadores, que agrega, por sua vez, outras mídias para auxiliar o processo formativo. Na educação a distância, o processo centra-se no aluno enquanto sujeito que assume, em grande parte, a responsabilidade pelo processo de sua aprendizagem (LEITE; BERTOLO. 2008, p.284).

Um diferencial dessa modalidade é o comportamento dos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem: de um lado um sujeito autônomo que busca dentro de si a motivação para o aprendizado; de outro um modelo de estudo “respaldado por um projeto didático pedagógico e suportado por uma estrutura tecnológica mediatizante” (RODRIGUES JR, 2008:42). Incluindo a isso a figura do tutor, que não cumpre mais o papel de sábio que passa seu saber, e sim de apoio ao aluno, para que este construa seu próprio conhecimento. Entre as características da EaD estão a separação entre professor e aluno, a utilização de multimeios, respeito ao ritmo de aprendizagem, organização de apoiotutoria e aprendizagem independente. Isso faz parte de uma nova forma de aprender e de ensinar, por isso se faz necessário ensinar o sujeito que pretende ingressar na

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educação a distância como e onde ele pode encontrar suportes midiáticos e conteúdos para superar dificuldades de aprendizagem. Há que se pensar metodologias para manter esse telespectador-aluno, que está propenso à dispersão, de forma a manter a concentração necessária ao aprendizado. (ELIASQUEVICI; FONSECA, 2009) Os usuários da internet estão vivendo uma nova forma de interação com a tecnologia. São pessoas em estado de imersão em seu próprio devaneio diante dos caminhos disponíveis na internet. São páginas virtuais, textos e hipertextos que traçam várias opções sem, no entanto dizerem onde terminam, os pensamentos ficam flutuantes em meio a tantos links. Estes “são portas que se abrem num percurso novo, indicando passos, caminhos e cenários também entrecortados de outros links” (SOARES, 2006, p.123) São corpos descorporificados diante da tela do computador. O estado de imersão já era experimentado nas leituras ou ao assistir a TV, mas a internet elevou o estado de interação cerebral, visto que toda mente está envolvida em atividades intensas, enquanto o corpo relaxa. O estado descorporificado, é quando nosso pensamento se direciona de tal forma que esquecemos o que estávamos fazendo até aquele momento em que começamos a ação. É esse aluno imerso no ciberespaço que está inserido na educação mediada pela internet. São alunos que se inserem no ambiente virtual de aprendizagem e nele podem além de absorver o conteúdo exposto também seguir caminhos que o conteúdo interativo oferece. A aprendizagem online requer disciplina, posto que o aluno também está na internet e diante de uma imensidão de opções que podem levá-lo a dispersar durante o estudo. A modalidade de ensino a distância tem tido grande crescimento, Gallo (2009) destaca que “apenas entre 2007 e 2008, o número de alunos quase dobrou; saiu de 397 mil para 761 mil - a participação dessa modalidade no ensino superior saltou de 4,2% para 7,5%”. Isso demonstra o potencial que a EaD tem para expandir o ensino superior. Mas assim como pode multiplicar o número de acesso também conta com o número elevado de evasão, atingindo a porcentagem de 70% dos ingressantes, em alguns casos. Para permanecer nessa modalidade o aluno precisa desenvolver as características de organização, disciplina e concentração, além de estudar em casa e até no trabalho. Apesar do conforto de estudar em qualquer lugar com

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acesso a internet, o aluno precisa estudar mais que no presencial já que o professor apenas esclarece dúvidas que surgirem a partir do estudo de cada aluno. A Educação a Distância atinge principalmente “um público mais velho do que o do vestibular de cursos convencionais. Cerca de 68% dos alunos têm a partir de 25 anos, aponta censo de 2008 da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância) (GALLO, 2009). A EaD também é formada fortemente por pessoas que não tem tempo de estudar nos horários rígidos do ensino presencial. Tanto de pessoas que chefiam família quanto com os jovens de baixa renda que precisam desde cedo trabalhar para se manter e ajudar nas despesas familiares. Por ter uma metodologia que exige grande independência e por flexibilizar a aprendizagem, a Educação a Distância atrai esse público adulto, que a princípio já teria uma autodisciplina maior que um adolescente, por exemplo. Uma das formas de ampliar o contato dos estudantes com as ferramentas de aprendizagem, mesmo que a distância, é a criação ou aumento das potencialidades dos meios de comunicação utilizados para essa modalidade de ensino. A Educação a Distância que começou por correspondência já perpassou por várias mídias. A internet é o meio que tem tido mais êxito atualmente na corrida pela difusão do conhecimento. Para isso, os meios de comunicação tem se aperfeiçoado também em prol das melhorias sociais. A sociedade se mobiliza em busca de:
Uma cidadania participativa dos problemas que migram do particular para o planetário e dele para o individual num movimento dialético, requer o desenvolvimento de novas atitudes e de competências e habilidades flexíveis e permanentemente móveis, parte de um novo paradigma educacional emergente no contexto da sociedade tecnológica (SOARES, 2006, p.98).

Essa modalidade de ensino tem alcançado diferentes camadas sociais, isso é demonstrado pelos diferentes públicos atingidos pela EaD. Entre eles estão as pessoas que moram em localidades distantes dos centros; os que são cobrados a se atualizarem profissionalmente; os que buscam facilidade de acesso ao ensino sem perda de rotinas pessoais; as que estão impossibilitadas de se afastarem das funções profissionais por longos períodos como nos cursos presenciais que precisam de 75% de freqüência; ou o próprio interesse pessoal por atualização (SOARES, 2006).

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Espera-se que dessa forma a Educação a Distância realmente possa atingir pessoas afastadas dos centros urbanos, como no seu objetivo inicial, até aqueles que mesmo perto e inseridos nesses centros não consegue alcançar níveis mais elevados de ensino, cheguem ao nível superior.

4.2 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL Ao longo da história da educação brasileira observa-se que houve expansão nos diferentes níveis de ensino, no entanto a ampliação do número de vagas não é quesito suficiente para garantir igual crescimento na qualidade educacional de um país.
Assim como nos Ensinos Médio e Fundamental, no Ensino Superior a expansão não foi criteriosa. Além de ter sido ainda insuficiente com relação ao aumento do número de vagas ofertadas, esta expansão deteriorou a qualidade do Ensino Superior brasileiro. Por isso, hoje, com relativamente poucas exceções, a maioria das IES estão muito aquém do grau de qualidade necessário para formar profissionais de qualidade e com significativo censo crítico (VIEIRA, 2008, p.3)

Atualmente vivemos situação semelhante de ampliação de vagas no ensino superior por meio da criação do REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). No entanto este pretende ir além do aumento quantitativo dos cursos de graduação já que suas ações devem ampliar “a oferta de cursos noturnos, a promoção de inovações pedagógicas e o combate à evasão, entre outras metas que têm o propósito de diminuir as desigualdades sociais no país” (REUNI, 2010). O cumprimento dessas ações é necessário, já que a ampliação no número de vagas não é suficiente para o aumento do número de pessoas contempladas com a oportunidade de cursar o ensino superior. Quais medidas podem contribuir para atingir esse objetivo? Entre as políticas públicas para avanços na probabilidade de ingressar neste nível de ensino estão:
[...]a implantação de universidades nas áreas rurais, melhoras na renda per capita tanto no aumento geral quanto na distribuição, e reformas no sistema de ensino que facilitem a participação dos indivíduos ocupados que normalmente têm restrição de tempo para se dedicar a cursos superiores”. (VIEIRA, 2008, p.22)

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Dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD), realizada nos anos de 1981 e 2004, fornecidas pelo IBGE, demonstram um percentual elevado de alunos que passaram da idade comum de ingresso no ensino superior. Aproximadamente 40% dos alunos têm mais de 25 anos e 53,7% dos universitários trabalham em tempo integral, fato que compromete o tempo de dedicação ao estudo. O fator alvo de políticas públicas é a evasão em diferentes níveis de ensino. No ensino superior ela chega a 18,5%, em parâmetros nacionais. Nas instituições públicas a média de evasão é de 12,4%, enquanto que nas instituições privadas este número chega a 25,1%. As taxas mais elevadas de evasão, nas instituições privadas, podem decorrer da impossibilidade de o aluno continuar pagando as mensalidades dos cursos, que geralmente tem um custo bastante elevado. Dos 3,5 milhões de alunos matriculados no ensino privado, ou seja, 8% têm financiamento reembolsável do curso e 30% algum tipo de bolsa institucional; e cerca de 145 mil alunos estão matriculados em cursos superiores subsidiados pelo Programa Universidade para todos – ProUni8 (FRANCO, 2008). O governo do presidente Lula criou em 2004, e está em execução desde 2005, o ProUni (Programa Universidade para todos) anunciado pelo governo como carro-chefe na democratização da educação superior brasileira. Os autores Caôn e Frizzo [200-] percebem o ProUni como problemático, já que segundo eles, este fere o artigo 213 da Constituição Federal de 1988, pois não é permitida a destinação de recursos públicos para instituições com fins lucrativos e apenas admite bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio e, neste caso, para as instituições sem fins lucrativos. Programas como esse são contraditórios, já que as universidades públicas surgiram para possibilitar o acesso a quem não pode pagar. No entanto se observa que a maioria dos estudantes dessas instituições tem renda elevada e são oriundos de escolas particulares.
De acordo com os estudos do INEP, por volta de 50% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos de famílias com renda familiar superior
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“Este programa concede bolsas integrais de 100% da mensalidade a estudantes com renda familiar, por pessoa, de até um salário mínimo e meio; e bolsas parciais de 50% da mensalidade a estudantes com renda familiar, por pessoa, de até três salários mínimos” (CAÔN; FRIZZO, [200-]:7 e 8).

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a cinco salários mínimos, estão no ensino superior, enquanto que os estudantes oriundos do extrato de famílias com até três salários mínimos ficam abaixo de 12%, conforme matéria da Revista Ensino Superior (FRANCO, 2008, p.9).

Os dados mostram os estudantes que estão no ensino superior oriundos de famílias de baixa renda são minoria nas universidades, muitos jovens dessa faixa monetária nem mesmo conseguem chegar ao ensino superior na idade em que terminam o Ensino Médio. Isso ocorre muitas vezes porque não são devidamente preparados para os processos seletivos e o número pequeno de vagas torna isso ainda mais difícil. E se não alcançam as universidades públicas, não podem recorrer às particulares, por não possuírem fonte de renda suficiente para manter curso superior nessas instituições, perdendo as perspectivas de ingressar nesse nível de ensino.
[...]os alunos que concluem o ensino médio não demonstram o domínio satisfatório dos conteúdos elementares da escola básica, de competências fundamentais para o prosseguimento exitoso dos estudos e nem tampouco a fluência na escrita e produção de texto. Embora o fato seja mais agravante nos egressos da rede pública, o cenário não é tão diferenciado para aqueles que provêm da rede privada (FRANCO, 2008, p.8).

Os índices do IBGE referentes a 2009 mostram que ainda que de forma lenta a educação está atingindo cada vez mais a população brasileira. Enquanto que em 2004, 33,6% da população tinham pelo menos o ensino médio completo, esse número cresceu para 41,2% em 2008, chegando a 43,1% em 2009. O crescimento no ensino embora sensível demonstra que em pouco tempo já se pode perceber a inserção da população brasileira num nível de grande dificuldades para ingresso; em 2004 8,1% dos trabalhadores tinham nível superior completo, em 2008, 10,3%, chegando a 11,1% do total em 2009 (IBGE, 2010).
Em 2009, a população com curso superior completo chegou a 10,6%, 2,5 pontos percentuais acima de 2004. Entre os que haviam concluído o nível médio, houve um aumento de 18,4% para 23% no mesmo período. Pouco mais de 78% dos 55,2 milhões de estudantes brasileiros freqüentavam a rede pública de ensino, percentual superior a 81% nas regiões Norte e Nordeste. Apenas no nível superior a rede privada atendia mais estudantes (76,6%) (IBGE, 2010).

O fato de aproximadamente 80% dos estudantes do ensino superior estarem em instituições particulares pode indicar que os alunos estão migrando para essas

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instituições para alcançar a expectativa de cursar o ensino superior, por estarem intimidados pelos vestibulares muito concorridos das universidades públicas. Esse receio é fundamentado pela falta de preparo para os processos seletivos, ocasionada por ensinos fundamentais e médios, precários. Quando se considera a probabilidade de ingresso no Ensino Superior varias características podem ser determinantes.
[...]as características sociais mostram que as mulheres têm 23% a mais de chance do que os homens de entrar no Ensino Superior, os brancos e amarelos têm 45% a mais de chance de entrar no Ensino Superior que os negros, pardos e indígenas e os indivíduos que são filhos têm 168% a mais de chance que os demais. (...) Com relação à localização dos indivíduos, aqueles que habitam na zona urbana têm 145% a mais de chance que aqueles que habitam na zona rural, os que habitam na região metropolitana têm 32% a mais de chance que aqueles que habitam em região não metropolitana e os que habitam em municípios médios têm 44% a mais de chance do que aqueles que habitam em municípios que não são médios (VIEIRA, [2008?], p.18).

A partir da pesquisa realizada por Fabiana de Fatiam Vieira, no que diz respeito à renda, “o aumento de R$ 100,00 na renda per capita faz com que o indivíduo tenha 10% a mais de chance de entrar no Ensino Superior” (VIEIRA, 2008:20). Sendo que para os filhos, esse acréscimo aumenta a chance de entrar no Ensino Superior em 17%. Dados que colocam as políticas de auxilio às famílias de baixa renda, como o programa Bolsa Família9, como fatores que influenciam positivamente a educação do país. Um dado da pesquisa referida conta negativamente do ponto de vista estatístico para os filhos de famílias de baixa renda, já que segundo ela cada ano a mais de escolaridade do chefe do domicílio a chance do indivíduo que é filho entrar no Ensino Superior aumenta 15%. Dado que esses chefes possuem muitas vezes apenas o ensino fundamental e em contrapartida os chefes de família de alta renda possuem até mesmo ensino superior, a diferença de capital intelectual segundo a estatística tornaria essa porcentagem bastante desigual (VIEIRA, 2008). A passagem da terceira série do Ensino Médio para a primeira série do Ensino Superior corresponde a um enorme hiato entre o número de concluintes do
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Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome “O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades, que beneficiam famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza”.

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nível Médio e o número de matriculados na primeira série do Ensino Superior (VIEIRA). Na tabela baixo pode-se observar a variação entre o número de concluintes do Ensino Médio e os ingressantes no Ensino Superior:

Figura 4 – Evolução da transição ensino médio para o ensino superior

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Em 2008, cerca de 25 milhões de jovens entre 18 e 24 aos, ou seja, em idade de educação superior ainda não tinham tido a oportunidade de realizá-la, mesmo já tendo concluído há anos ou sem ter alcançado a escolarização média (FRANCO, 2008). Nesse mesmo ano, 19% dos alunos matriculados em cursos superiores no país tinham entre 25 e 29 anos, ou seja, faziam parte do grupo etário que foi, em algum momento de sua vida, excluído da progressão dos estudos e hoje retoma o percurso. Isso explica a porcentagem de 38% da população acadêmica no Brasil, estar acima dos 25 anos de idade naquele ano (FRANCO, 2008). Esse elevado número de pessoas acima da faixa etária comum de ingresso no Ensino Superior pode significar que esse grupo, por não estar preparado assim que saiu do ensino médio, ingressou no mercado de trabalho, até mesmo no mercado informal. Em dado momento essas pessoas sentiram a necessidade de qualificação e hoje conciliam trabalho e estudo para melhorar a posição profissional. Para diminuir esse quadro, e ampliar o acesso ao Ensino Superior duas questões são muito importantes: o aumento da qualidade no ensino fundamental e médio, e a garantia da permanência na educação superior. As diferenças sociais já excluem antes mesmo da escolha do curso:

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FRANCO, A. P. Ensino Superior no Brasil: cenário, avanços e contradições. 2008. p.6.

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[...]os estudantes de baixa renda econômica geralmente escolhem por cursos menos concorridos, avaliando suas condições de formação básica. “A origem social exerce forte influência no acesso às carreiras mais prestigiosas, pois a ela estão associados os antecedentes escolares e outros tickets de entrada (ZAGO, 2006, p.232).

“Isso reforça a auto-exclusão vivida por alunos do ensino público, que pela baixa auto-estima desistem de entrar na universidade antes mesmo de tentarem o vestibular.” (CAÔN; FRIZZO, [200-], p.10 - 11). Essa faixa da população tem muitas vezes receio das possíveis violências simbólicas11 que podem vir a sofrer em um meio altamente diverso, como é a universidade. Esta teoricamente é um lugar democrático, público, mas que se revela em sua natureza como um espaço segregador, definindo quem pode ou não ter acesso. A carga simbólica que esse lugar carrega já intimida seus futuros pretendentes a vaga, e isso pode ser ainda mais presente quando esse pretendente sabe que não teve a mesma preparação educacional que outrem de classe social com maior renda. Com tantos fatores contrários aos ingressos desses estudantes nas universidades se entende a freqüente desistência. “Segundo os dados do INEP, de 2007, os índices de não conclusão permanecem em torno dos 21%, ou seja, não houve uma melhoria representativa nos mecanismos que pudessem reduzir a evasão” (FRANCO, 2008, p.9). Mesmo quando pessoas de baixa renda adentram as universidades públicas, outros fatores também podem interferir para que o aluno prossiga seus estudos, principalmente porque essas famílias não têm condições financeiras de ajudar a mantê-los na universidade. “Muitos destes alunos precisam estudar e trabalhar para se manter, ficam privados de contato social, além da percepção da diferença cultural e educacional que sentem ao ingressarem na universidade” (CAÔN; FRIZZO [200-],
p.12). Além das limitações financeiras e da moradia em subúrbios, favelas ou periferias, são características conhecidas de grupos sociais populares a premente necessidade de trabalho remunerado e a
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As violências simbólicas são dispositivos de controle criados para garantir a reprodução social, é um tipo de violência que é exercida em parte com o consentimento de quem a sofre, já que é aceito para assegurar sua posição social ou evitar atritos. Uma dessas violências mais freqüentes é o preconceito, e nem todos têm coragem para enfrentar as situações constrangedoras que estarão submetidos se decidirem mudar sua condição social, esse é um dos fatores que resulta na reprodução social.

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defasagem de conteúdos e vivências culturais e educacionais, entre outras. Não obstante, a organização de grades curriculares e horários de cursos, o atendimento às demandas por assistência estudantil (transporte, restaurante e residência universitária), por acesso a internet, uso de bibliotecas, laboratórios e instrumental técnico raramente levam em conta a realidade desses grupos sociais presentes na universidade (SILVA; CARVALHO; AVENDAÑO, 2008, p.8)

A EaD pode ser uma alternativa de inserção dessa parcela da população no ensino superior, por meio da criação de cursos a distância e de incentivos do governo essa alternativa de educação pode se tornar uma modalidade ensino tal qual a presencial é atualmente, e de uma forma mais democrática.

4.3. A EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR POR MEIO DA EAD O governo Brasileiro tem incentivado políticas e criação de cursos de EaD desde que esses ofereçam condições reais para o ensino. As iniciativas, por meio do MEC, estão incentivando a EaD no país, em vista da democratização do acesso à formação escolar em todos os níveis. A portaria nº 2.253, de 18 de outubro de 2001, regulamenta a Oferta de Disciplinas Não-Presenciais em Cursos Reconhecidos nas instituições de Ensino Superior. “Dessa forma, as disciplinas integrantes do currículo de cada curso superior reconhecido poderão utilizar o método não presencial de até 20% de sua carga horária” (SOARES, 200, p.102). A educação a Distância entrou no Brasil no início do século XX, mas foi em 1990 que despertou para essa modalidade, a partir da disseminação das Tecnologias de Informação e Comunicação. A intensificação de medidas para a ampliação da EaD ocorreu principalmente a partir do momento em que o governo a colocou em sua agenda de políticas de públicas e incentivo as Instituições de Ensino superior (IES) a participarem dessa expansão (KIPNIS, 2009). Atualmente a EaD está passando por uma fase de consolidação no Brasil especialmente no Ensino Superior.
A educação a distância é política pública, com forte apoio governamental, o que não acontecia no início. Criou-se em 2005 a UAB - órgão do MEC - que gerencia as iniciativas do EAD nas universidades públicas. Consolida-se uma política mais reguladora no MEC, com decretos e portarias que definem claramente o que é válido ou não. Por exemplo, na graduação é fundamental ter polos

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perto do aluno, com infraestrutura bem definida e apoio de tutoria presencial (MORAN, 2010, p.3).

A EaD ganha direcionamento e apoio a partir da implantação da Universidade Aberta do Brasil (UAB), em 2005 pelo Governo Federal. A UAB não se constitui na criação de uma nova universidade para ofertar cursos a distância, e sim na articulação e auxilio de cursos já existentes.
A idéia é de que, nos municípios onde a oferta de cursos ocorre, deve ser criado em pólo presencial, equipado com laboratórios de informática, biologia, química e física, além de uma biblioteca e apoio tutorial, nos quais o estudante possa encontrar apoio ao seu aprendizado a distância. Dessa ampliação de esforços, universidades e pólos municipais, espera-se a ampliação expressiva do número de vagas para acesso (KIPNIS, 2009, p.213).

Como expresso na citação acima, a partir da EaD pretende-se ampliar o acesso ao ensino superior, em especial nos interiores, nas regiões afastadas dos grandes centros urbanos, onde geralmente estão localizadas as Instituições de Ensino Superior. As IES públicas que oferecem graduação a distância utilizam praticamente um mesmo modelo de ensino, com seguintes características: os cursos são semipresenciais; o conteúdo do curso é impresso e entregue aos alunos e a Internet é utilizada como forma de interação aluno-professor durante a semana.
A legislação atual no Brasil privilegia o modelo semipresencial, com acompanhamento dos alunos perto de onde moram (em polos) e mostra desconfiança pelo modelo de acompanhamento online, principalmente em cursos de graduação (MORAN, 2010, p.2).

Quanto às tecnologias fundamentalmente, vigoram três modelos principais de EAD no Ensino Superior no Brasil, com algumas variáveis e combinações: o modelo teleaula, o modelo videoaula e o modelo mediado pela internet. Este último é o qual tem permeado a maioria dos cursos. Essa modalidade tem um público mais específico, em especial por ser ainda recente no Brasil. A Educação a Distância exige mais independência do aluno e em conseqüência mais maturidade deste. Por isso é necessário que este tenha habilidade de buscar o próprio caminho na construção do conhecimento. Nesse sentido, a EaD será mais bem desenvolvida para níveis de ensino mais elevados, em que os alunos já não dependem tanto do professor para aprender. E o ensino superior é um terreno fértil para isso.

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A sociedade atual encontra-se em ritmo acelerado, as pessoas estão sempre alegando falta de tempo para tudo, o mercado de trabalho acelerado e expansivo atropela rotinas deixando as pessoas reféns de seu próprio desenvolvimento. Ao mesmo tempo os valores de busca de conhecimento têm aumentado e elas precisam estudar mais para galgar ascensões sociais e profissionais. A modalidade a distância além de levar o Ensino superior a quem está afastado dos centros urbanos, também está incluindo pessoas que saíram do Ensino Médio e não conseguiram entrar logo em seguida no nível superior. A EaD mais do que ser apenas mais uma forma de ensino é para essas pessoas a única alternativa de se adentrar a níveis mais elevados de ensino, já que boa parte destes já estão no mercado de trabalho e não tem tempo de freqüentar o ensino regular. “Segundo os últimos dados do censo da educação superior, referente ao ano de 2006, a oferta de cursos superiores na modalidade de EAD cresceu 571 por cento entre 2003 e 2006, passando de 52 para 349 cursos” (KIPNIS, 2009, p.210), esses dados correspondem à crescente demanda de alunos que viram nessa modalidade uma forma de ingressar no ensino superior, o que justifica o aumento de alunos dessa modalidade correspondente a 315% em quatro anos. A educação a distância está em expansão e a partir dela a sociedade percebe mais alternativa de expansão da educação, em especial para o ingresso no ensino superior, já que a demanda está crescendo e o ensino presencial não comporta todos. Essa modalidade vem dessa forma, incluir quem não pode frequentar o ensino regular, e romper as distâncias físicas e sociais para quem está distante das universidades.

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5 UEPA E UNIUBE: O PERFIL DOS ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM PÓLOS DE EAD DE BELÉM Neste trabalho partimos do pressuposto de que a Educação a Distância é uma significativa possibilidade para a expansão da educação e de inserção no Ensino Superior. Para verificação desta afirmativa foi desenvolvida uma pesquisa quantitativa-qualitativa com alunos de graduação na modalidade a distância de Belém. A população desta pesquisa foram alunos de graduação na modalidade a distância de pólos de Belém. Essa escolha se deu para entender o porquê da procura de um curso a distância na capital do Estado do Pará, uma vez que há muitas universidades presenciais. Para ter mais clareza do perfil dos estudantes de EaD desses pólos, a pesquisa optou por ouvir alunos que cursam o Ensino Superior tanto em universidades públicas quanto particulares. A única universidade pública que oferece ensino à distância, a nível de graduação, com pólo em Belém é a Universidade Estadual do Pará - UEPA. A Universidade de Uberaba (UNIUBE) foi a única particular entre as procuradas que se mostrou disposta a colaborar com a pesquisa. A Universidade Estadual do Pará - UEPA em parceria com a Universidade Aberta do Brasil ampliou a oferta de ensino, pesquisa e extensão e atualmente oferece os cursos de Pedagogia; Matemática; Ciências Naturais nas habilitações Biologia, Fisica e Quimica; e Letras, na modalidade à distância. A UEPA oferece esses cursos em 12 minicípios: Altamira, Belém, Barcarena, Bragança, Cachoeira do Arari, Igarapé Miri, Itaituba, Jacundá, Marabá, Pacajá, Ponta de Pedras, São Sebastião da Boa vista. No pólo Belém são oferecidos os cursos de Pedagogia e Ciências Naturais com habilitação em Física. Este último foi escolhido para esta análise aleatoriamente. O curso de Graduação em Ciências Naturais – Física iniciou sua primeira turma no Polo Belém no ano de 2010, com 45 alunos. Destes, apenas 23 freqüentam os encontros presenciais. A Universidade de Uberaba (UNUBE) iniciou suas atividades acadêmicas em Belém no ano de 2007. Inicialmente foram oferecidos os cursos de Pedagogia; Administração; Ciências Contábeis e Letras Português e Inglês – todos na modalidade a distância, amparados pela Portaria Ministerial de número 1.871/05.

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Segundo informações da UNIUBE, esta é a única Instituição de Ensino Superior (IES) no Brasil a trabalhar a EaD com as mídias impressa, virtual e com a presença do preceptor – profissional disponível de 2ª a 6ª Feira no Pólo de Apoio Presencial para atender o alunado, tirando dúvidas, orientando, motivando e acompanhando toda a trajetória acadêmica do aluno. No Pará, está presente nas cidades de Barcarena, Belém, Parauapebas, Santarém e Tucuruí. Ao contrário da UEPA, em que é freqüente a reclamação dos alunos da falta de professores até mesmo em encontros presenciais, na UNIUBE a figura do preceptor, está sempre presente para tirar dúvidas e auxiliar o aprendizado. Isso demonstra também que a UNIUBE está preparando o aluno para lidar com a EaD, já que a maioria ainda é inexperiente e sentem dificuldades em estudar sozinhos. Quanto à estrutural da UNIUBE em Belém, é de responsabilidade da Microlins (rede de ensino profissionalizante), e a parte pedagógica é de inteira e completa responsabilidade da Universidade de Uberaba, desenvolvida por meio de seu Coordenador Pedagógico Regional. Atualmente a UNIUBE tem aproximadamente 1.000 alunos no polo Belém, com as graduações: Administração, Ciências Contábeis, Licenciatura Plena em Letras Português/Inglês, Geografia. E outros cursos que se encontram em fase final de matrículas. São 42 alunos matriculados Licenciatura em Letras - Português e Inglês na turma de 2010, que ingressaram no segundo semestre desse ano. No entanto, apenas 33 estão frequentando.

5.1 ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA REALIZADA COM OS ALUNOS DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA DOS PÓLOS DE BELÉM DOS CURSOS DE CIÊNCIAS NATURAIS - FÍSICA DA UEPA E DE LICENCIATURA EM LETRAS – PORTUGUÊS/INGLÊS DA UNIUBE A pesquisa contou com a participação voluntária de 15 alunos da UEPA, aproximadamente 66% dos alunos que estão freqüentando o curso da UEPA, e de 15 alunos da UNIUBE (aproximadamente 46% dos alunos que estão frequentando o curso), os quais compõem a amostra desta pesquisa. O questionário foi aplicado de forma igual para ambas as universidades e constituído por questões que envolvem quatro marcadores: socioeconômico, escolaridade, Tecnologias de Informação e Comunicação, e Educação a Distância.

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5.1.1 Marcador 1: características socioeconômicas Neste marcador, procurou-se perceber a localização de moradia dos alunos da UEPA e UNIUBE, número de pessoas na mesma residência e dados sobre renda familiar. Essa abordagem é fundamental para melhor entender a relação das pessoas com as Tecnologias de Informação e Comunicação e a EaD. O resultado da amostra revelou que dos 15 voluntários da pesquisa realizada na UEPA, 11 pessoas moram em Belém e a maioria mora em bairros próximos ao centro. Dos alunos voluntários da UNIUBE, 14 moram na cidade de Belém. Apenas uma pessoa mora fora de Belém, na cidade de Breves. Dos que moram naquela cidade a maioria mora em bairros afastados do centro como Distrito de Icoaraci, Tapanã e Val-de-Cans.
O curso no qual eu estou interessado (Letras Inglês) não está disponível aqui em Breves e em nenhuma cidade ao redor por isso estou fazendo em Belém (Marcos Chaves, 42 anos, professor e estudantes da UNIUBE).

Os dados referentes à cidade de moradia da amostra não surpreenderam a pesquisa, já que a maioria dos alunos das duas universidades moram na cidade onde se localiza o pólo.

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Gráfico 1. Cidade de moradia dos estudantes da UEPA

Gráfico 2. Cidade de moradia dos estudantes da UNIUBE

A maioria dos alunos não vem de outras cidades para fazer um curso em Belém, mas os que vêm o fazem porque é apenas uma vez por semana, e porque não teriam tempo para fazê-lo nesta cidade na modalidade presencial. Assim como os alunos da UEPA, os da UNIUBE também residem na cidade onde se localiza o pólo, mas os números foram superiores aos daquela

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universidade, atingindo a marca de quase 100%. Esses dados revelam também que havia demanda para cursos a distância em Belém, já que a maioria mora na cidade. Sobre o gênero dos 15 voluntários da UEPA, 11 são do gênero masculino e quatro do gênero feminino. Esses números podem ser decorrentes da própria natureza do curso de Ciências Naturais - Física, procurado mesmo em cursos presencias, em sua maioria, por homens. O grupo pesquisado pela UNIUBE tem 11 pessoas do gênero feminino e 4 do gênero masculino. Os números desta universidade, nessa questão, se deram exatamente contrários aos da UEPA, com a maioria é do sexo feminino. Isso pode ser em decorrência das características do curso de letras, mais procurado por mulheres tanto em cursos presenciais quanto a distância.

Gráfico 3. Gênero dos estudantes da UEPA

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Gráfico 4. Gênero dos estudantes da UNIUBE

Dentro da amostra da UEPA, 14 pessoas responderam sobre sua idade, 65% estão com idade acima das comuns de se estar cursando o ensino superior, o que ocorre geralmente entre 18 e 25 anos. Assim como foi explanado no decorrer do trabalho isso é recorrente nessa modalidade, os dados vêm confirmar o que fora apresentado. Assim como na UEPA a maioria da amostra dos estudantes da Universidade de Uberaba também está acima da idade comum para ingresso no ensino superior.

Gráfico 5. Faixa etária dos estudantes da UEPA

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Gráfico 6. Faixa etária dos estudantes da UNIUBE

É uma característica comum dos alunos de EaD estarem em idade acima dos 25 anos. Essa modalidade de ensino se põe como uma alternativa de continuidade de estudo para pessoas que saíram do Ensino Médio e não ingressaram logo em seguida no Ensino Superior. Essa necessidade é decorrente devido ao ingresso no mercado de trabalho; e a falta de tempo se torna um empecilho para a continuação dos estudos. E a EaD figura como uma importante possibilidade de retorno aos estudos, já que por meio dela se pode ter domínio sobre o tempo das atividades diárias e ir apenas um dia da semana para os encontros presenciais. Sobre a renda líquida mensal da família dos estudantes da UEPA, Aproximadamente 55% dos alunos são de família baixa renda, destes, dois recebem benefícios, uma recebe Bolsa Família, e outra recebe Pensão. O número de pessoas que possuem baixa renda é quase o mesmo dos que tem renda média ou alta, o que demonstra equilibro entre classes sociais nessa amostra. Quanto a renda da família dos alunos da UNIUBE, Sete pessoas, possuem baixa renda, com renda líquida mensal de sua família de 2 a 3 salários mínimos. E ninguém recebe benefício.

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Gráfico7. Renda familiar dos estudantes da UEPA

Gráfico 8. Renda familiar dos estudantes da UNIUBE

Apesar de não ser a maioria, já que a diferença é sensível, o número de pessoas com baixa renda na UNIUBE é significativo já que estas fazem um curso superior numa universidade particular, isso demonstra que mesmo comprometendo

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suas rendas, para ter a oportunidade de cursar o ensino superior, essa faixa dos estudantes está pagando para ter acesso. Num comparativo com a UEPA, o número é quase o mesmo, já que nela são 8 pessoas de baixa renda, o que mostra que não há muita diferença entre as universidades sobre a renda econômica no que tange a essa amostra. Isso contraria o que se espera, que as pessoas de baixo poder aquisitivo adentrem universidades públicas e as de alto às particulares, mas quando se trata de ensino superior, tanto no presencial quanto o a distância a lógica não prevalece. Enquanto a renda não difere tanto entre os alunos das duas universidades, o número de pessoas que constituem a família dos estudantes pesquisados é menor para os alunos da UNIUBE, dos 15, a maioria é composta por até três pessoas; já as famílias da UEPA são mais numerosas, do total, oito moram com famílias com mais de quatro pessoas,

Gráfico 9. Número de pessoas que moram na residência dos estudantes da UEPA

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Gráfico 10. Número de pessoas que moram na residência dos estudantes da UNIUBE

5.1.2 Marcador 2: Grau de escolaridade dos participantes da pesquisa e de seus familiares Esse marcador é necessário para entendermos como se constituiu a educação de pais e parentes dos voluntários e dos alunos, e dessa forma, compreender de que forma isso pode ter influenciado a relação dos participantes da pesquisa com a educação, e até mesmo na sua inserção no ensino superior na modalidade a distância. Para isso, o questionário apresentou perguntas sobre a escolaridade do pai, mãe, parentes e a do próprio aluno. Foi abordado o nível de instrução de pais e mães para compreender como se deu a formação destes e de que forma isso pode ter influenciado no ingresso destes estudantes no Ensino superior. A pesquisa constatou que tanto para os alunos da UEPA quanto da UNIUBE, a maioria, dos pais e mães dos alunos, não tem nível superior.

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Gráfico 11. Nível de escolaridade dos pais dos estudantes da UEPA

Gráfico 12. Nível de escolaridade das mães dos estudantes da UEPA

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Gráfico 13. Nível de escolaridade dos pais dos estudantes da UNIUBE

Gráfico 14. Nível de escolaridade das mães dos estudantes da UNIUBE

Os dados demonstram que mesmo os pais tendo baixo nível de escolaridade, esses alunos estão buscando níveis mais elevados de ensino, ainda que tenham que pagar por esse acesso no caso da UNIUBE. Por meio da Educação a Distância essas pessoas estão conseguindo chegar a um nível de educação acadêmica que os pais não chegaram, tendo mais possibilidades de um futuro profissional promissor. Além disso, a maioria tem pessoas da família que cursam ou cursaram o

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Ensino Superior, o que também pode ser um fator que incentivou esses alunos a buscarem um curso superior. Sobre o tipo de estabelecimento em que o aluno cursou o ensino fundamental e médio, a maioria tanto de alunos da UEPA quanto da UNIUBE cursaram todo em escola pública.

Gráfico 15. Estabelecimento de ensino em que os estudantes da UEPA cursaram o Ensino Fundamental

Gráfico 16. Estabelecimento de ensino em que os estudantes da UEPA cursaram o Ensino Médio

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Gráfico 17. Estabelecimento de ensino em que os estudantes da UNIUBE cursaram o Ensino Fundamental

Gráfico 18. Estabelecimento de ensino em que os estudantes da UNIUBE cursaram o Ensino Médio

A maioria dos participantes da pesquisa da UEPA estudou em escolas públicas nos ensinos fundamentais e médios, continuando também o ensino superior numa universidade pública. Se na UEPA o elevado número de aluno que estudaram tanto no Ensino Fundamental quanto Médio era um reflexo de continuidade de outros níveis de ensino, ao estudar no Ensino Superior numa universidade pública, para a UNIUBE o resultado surpreende, já que são alunos que estudaram sempre

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em escola pública em sua maioria, e talvez por não terem conseguido entrar na presencial, foram levados a pagar um curso superior, ou porque acharam neste curso uma abordagem metodológica que condiz com suas rotinas.
Estou fazendo esse curso a distância na UNIUBE porque gostei do que a faculdade me ofereceu (Glenda, 23 anos, estudante da UNIUBE e nunca fez curso superior). Estou fazendo curso na UNIUBE por não ter conseguido passar em outras faculdades, também (Ana Carla, 26 anos, professora e estudante da UNIUBE, e que nunca fez um curso superior). Optei por fazer um curso a distância nessa universidade porque minha mãe é preceptora da UNIUBE, e ela indicou que eu fizesse o curso (Danielly Valéria, 17 anos, estudante da UNIUBE, está fazendo também um curso superior presencial).

Dos 15 participantes, oito pessoas declararam não terem cursado um curso superior presencial na UEPA, e as outras sete já cursaram ou estão cursando. Esses números são equilibrados, o que demonstra que a Educação a Distância nessa instituição tanto está inserindo as pessoas nesse nível de ensino como ampliando a formação de pessoas que já haviam feito o curso na modalidade presencial.
Optei por fazer vestibular tanto no curso presencial quanto a distância, mas só consegui passar no curso a distância (Paulo Ronam, 23 anos, estudante da UEPA, e não havia cursado Ensino Superior a Distância). Tenho graduação em letras no presencial pela UFPA. Já fiz o curso de especialização em Mídias na Educação da UFPA, e estou fazendo esse curso porque na cidade onde moro, Cachoeira do Arari, não há universidade e nem professor de Física (Valena Regina, 33 anos, professora e estudante da UEPA, e já tem curso superior).

Para ambos a Educação a Distância foi determinante para estarem fazendo um curso superior na área que desejavam. No primeiro caso, porque o estudante não conseguiu ingressar no presencial e no segundo, porque há uma demanda de professor para a disciplina “Física” no município onde mora, e a EaD tornou possível que esta professora se capacite para melhor exercer a profissão. Sobre essa questão, a maioria dos estudantes da UNIUBE está fazendo um curso superior pela primeira vez, no entanto, assim como na UEPA o número é equilibrado. A EaD está inserindo pessoas nesse nível de ensino e também ampliando a qualificação profissional de quem já tem curso superior.

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Já fiz outros cursos presenciais, mas o curso a distância é uma forma de atender meus interesses pessoais (Ava, 48 anos, estudante da UNIUBE e secretária, já fez curso superior).

5.1.3 Marcador 3: A relação dos alunos com as tecnologias de Comunicação Esse marcador é necessário tanto para entender a relação que os alunos tem com a ferramentas que estão usando para seu aprendizado na Educação a Distância mediada pela internet, quanto para perceber seu conhecimento e expectativas em relação a EaD mediada por outras tecnologias. Sobre o acesso a computador e conexão com a internet, importantes ferramentas para o desenvolvimento do Ensino a Distância, quase 100% da amostra da UEPA tem computador, sendo que a maioria tem apenas um. Das 14 pessoas que responderam sobre conexão com a internet, também quase 100% tem conexão em casa. A única pessoa que não possui conexão com a internet, acessa na casa de familiares. Os dados acima revelam que os alunos do curso de Física na modalidade a distância em quase sua totalidade tem computadores com acesso a internet em casa, o que facilita o desenvolvimento do curso. Isso é ainda mais positivo já que a falta de infraestrutura é uma das reclamações mais freqüentes dos alunos da UEPA, como poderá ser visto nas próximas páginas. Os dados da UNIUBE revelam que a maioria das pessoas tem computador em casa, mas ainda assim algumas não têm internet. O número de pessoas que não tem internet na amostra é significativo, já que os alunos precisam desta para estudar durante a semana para o desenvolvimento das atividades a distância, estes acessam a internet em LAN houses, e/ou na casa de parentes e amigos. O resultado surpreende em relação à UEPA, já que nessa Instituição o numero de pessoas conectadas a internet nas próprias casas chegou a quase 100%. A maioria dos participantes da pesquisa de ambas as universidades possui computadores e internet em suas casas, como pode ser visto no gráfico abaixo.

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Gráfico 19. Número de computadores na residência dos estudantes da UEPA

Gráfico 20. Número de computadores na residência dos estudantes da UNIUBE

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Gráfico 21. Acesso a internet na residência de estudantes da UEPA

Gráfico 22. Acesso a internet na residência de estudantes da UNIUBE

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Os voluntários foram questionados em relação ao tempo que usavam a internet: Como a maioria dos estudantes pesquisados da UEPA já utiliza a internet a mais de três anos, há mais intimidade destes com o manuseio da internet para seu aprendizado. Isso pode estar ligado ao fato de 100% dos voluntários consideram que a internet além de dar suporte para a universidade o auxilia em seu aprendizado. Os alunos consideram que ela complementa o aprendizado, através de pesquisa, fonte informação, para se capacitarem ou para auxiliar no trabalho.

Faço cursos de capacitação pela internet (Valena Regina, 33 anos, estudante da UEPA e professora). Não tem professor sempre para tirar dúvidas, então quando precisamos quem socorre é a internet (Dalton, 19 anos estudante da UEPA).

Dos alunos da Universidade de Uberaba, duas pessoas usam a menos de um ano; assim como os alunos da UEPA, a maioria dos voluntários já usa a internet a mais de três anos, por isso se pode afirmar que há mais conhecimento do manuseio desta para seu aprendizado. Isso pode estar ligado com o fato de 100% dos voluntários consideram que a internet além de dar suporte para a universidade proporciona o auxilio em seu aprendizado. Os alunos consideram que a internet complementa o aprendizado por meio de pesquisas, com informações e com ambientes virtuais que os auxilie como sites e bibliotecas virtuais.

Através da internet posso me aperfeiçoar, pesquisas, tirar dúvidas, fazer amigos e reencontrar amigos (Carolina, 26 anos, estudante da UNIUBE e Gestora em turismo). Na internet encontro livros, os sites da universidade que sempre são atualizados para que assim possamos mostrar que estamos ao nível de qualquer outra universidade (Glenda Valéria, 23 anos, estudante da UNIUBE).

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Gráfico 23. A quanto tempo os estudantes da UEPA usam a internet

Gráfico 24. A quanto tempo os estudantes da UNIUBE usam a internet

Os estudantes pesquisados foram questionados se fariam um curso a distância por qual ou quais outros meios além da internet. Foram dadas as seguintes opções: Correspondência, Rádio, TV, Teleconferência, ou se não faria por outro meio de comunicação. A Teleconferência figurou como maioria das respostas dos

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estudantes da UEPA; a opção de que não fariam por outro meio de comunicação além da internet também se destacou. Das quatro pessoas que escolheram a opção de que não faria por outro meio de comunicação, duas justificaram com os seguintes motivos: por não conhecer o método aplicado nos outros meios e porque o ensino a distância depende muito do próprio aluno e da capacidade de aprendizagem. O resultado demonstrou que, dentro da amostra estudada, aproximadamente 67% se não fizessem um curso pela internet fariam por Teleconferência, entre as principais justificativas estavam fatores como considerarem mais próximo do presencial e principalmente pela interatividade.
A teleconferência tem um pouco de presencial, assim como o online (Valena Regina, 33 anos, estudante da UEPA e professora). Faria por teleconferência por causa da interação em tempo real (Maria Aureni, 32 anos, estudante da UEPA e professora). “Por teleconferência podemos interagir com os tutores”. (Marconi, estudante da UEPA e professora).

Nessa questão a maioria dos estudantes da UNIUBE não faria por outro meio de comunicação além da internet, mas é significativo também o número de pessoas que fariam por Teleconferência. Novamente, assim como na UEPA, essa opção figura como uma alternativa para EaD além da internet. Entre os que estudariam por teleconferência, na maioria das respostas figura questões como ser mais próxima do presencial e pela proximidade com o professor. As pessoas que estudariam por correspondência, justificaram da seguinte forma: falta de tempo para o presencial, e porque daria para conciliar com as outras atividades que desenvolvem.
Faria por teleconferência por falta de tempo, e porque não precisaria ir todos os dias à faculdade, podendo estudar no meu tempo livre (Glenda, 23 anos, estudante UNIUBE). A teleconferência dá a oportunidade de um contato mais direto (Marco Antônio, 42 anos, estudante UNIUBE e professor). Resolvi fazer por teleconferência porque meu filho já fez e gostou muito (Ava, 48 anos, estudante UNIUBE e secretária).

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Faria por ser um curso mais próximo do presencial (Marcos, 42 anos, estudante UNIUBE e professor). Através da teleconferência, posso tirar dúvidas de algum assunto em tempo real (Carolina, 26 anos, estudante UNIUBE e Gestora de Turismo).

Dos sete que não faria por outro meio de comunicação além da internet, somente quatro justificaram. Estavam presente na maioria das respostas o desconhecimento de como funciona a EaD através de outras mídias, e acham que não se adaptariam a essas outras formas de ensino mediada por mídias como correspondência e rádio, já pouco utilizadas na atualidade.
Não faria por outro meio porque não estou certa de que outros meios sejam realmente eficientes (Maria Regina, 33 anos, estudante da UNIUBE e Telefonista). Ainda não posso escolher outro meio porque ainda estou conhecendo essas novas formas de estudo (Valdirene, 43 anos, estudante da UNIUBE e Professora). Só faria pela internet porque é muito importante o contato com o professor, além de ser importante o visual do material, não somente ouvir (Rosemary, 45 anos, estudante da UNIUBE e Professora).

Gráfico 25. Por quais outros meios os alunos da UEPA fariam curso a distância além da internet

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Gráfico 26. Por quais outros meios os alunos da UNIUBE fariam curso a distância além da internet

Entre

os

meios

de

comunicação

enumerados

pela

pesquisa

(Correspondência, Rádio; TV, Internet e Teleconferência) 100% dos alunos pesquisados da UEPA consideraram a internet o meio mais eficiente. 12 justificaram, entre as respostas, foram mais recorrentes respostas que colocavam a internet como uma mídia com a qual se tem acesso mais rápido e cômodo, e pela quantidade de informação encontrada na mesma.

Considero a internet mais eficiente porque com ela o aluno tem acesso a vários tipos de textos e pesquisas, bem como o aluno pode dialogar em tempo real ou não com o professor e os colegas (Valena Regina, 33 anos, estudante da UEPA e professora).

Dentre os estudantes da Universidade de Uberaba, a maioria considera a internet a mais eficiente, e os outros apontaram a Teleconferência. Dos que consideram mais eficiente a EaD por teleconferência 3 justificaram: devido a comunicação mais direta; ser mais direto e próximo ao curso presencial; e por ser um meio de comunicação que facilitam a vida profissional do aluno. Dos acham mais eficiente a EaD pela internet, 7 justificaram, entre as principais características que determinaram essa escolha seria a rapidez e

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eficiência, e por outras.

considerarem a internet uma mídia até mais completa que as

Tenho um leque de opções muito maior com o uso da internet (Danielly Valéria, 17 anos, estudante da UNIUBE e vendedora). Pela internet podemos acessar todo o tipo de assunto que queremos saber (Rosemary, 45 anos, estudante da UNIUBE e professora).

5.1.4 Marcador 4: A graduação a distância na UEPA e UNIUBE Este marcador é o principal a ser analisado na pesquisa desta amostra, ele é permeado pelos marcadores anteriores, e a partir dele se torna mais clara a abordagem da Educação a Distância na graduação pesquisada. As questões apresentadas nesse marcador visam entender como se dá a EaD na Instituição e a avaliação que os alunos tem dessa modalidade de ensino. Em vista do polo de EaD analisado estar em uma capital do Estado, onde existem muitas universidades que oferecem cursos presenciais, a pesquisa questionou os alunos do porquê de fazerem um curso superior a distância mediado pela internet se em Belém há universidades com cursos presenciais. Tanto os alunos da UEPA quanto da UNIUBE, entre as respostas mais recorrentes estão a falta de tempo para freqüentar todos os dias a universidade presencial, e fatores como poder conciliar estudo e trabalho, bem como a questão da espacialidade, já que há alunos que moram em outras cidades. Além disso, esteve presente entre as justificativas a comodidade de poder ter acesso ao ambiente de estudo da própria casa.

Sou do interior e esse curso a distância por ser só aos sábados facilitou, pois posso conciliar trabalho e estudo (Denise, 30 anos, estudante da UEPA e professora, mora em Bujarú). Não tenho parentes em Belém e no curso a distância eu preciso vir só uma vez por semana (Marconi,estudante da UEPA e professor, mora em Capanema). Sempre quis fazer o curso de física, eu prestei vestibular para o presencial e não consegui passar, e a distância dá pra conciliar com o curso de zootecnia que faço na UFRA na modalidade presencial (Samuel, 20 anos, estudante da UEPA).

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O curso superior pela internet diminui a distância territorial e intelectual, além disso, foca conteúdos atualizados e contextualizados (Valena Regina, 33 anos, estudante da UEPA e professora).

Como fora explanado a falta de tempo para o ensino presidencial é o principal fator que leva uma pessoa ingressar no Ensino Superior a Distância, contribuindo para uma educação mais inclusiva. A indisponibilidade de tempo para conciliar trabalho e estudo ou mesmo poder estudar em casa são fatores recorrentes tanto como pontos positivos da EaD como são pontos decisivos pela escolha da modalidade. Para algumas pessoas fazer um curso superior só é possível a distância, principalmente por causa do trabalho, como apontado por muitos.

Já tentei três vezes concluir o curso superior no presencial, mas devido minha profissão, em que sou transferido para outros lugares, nunca consegui concluir nenhum, vou tentar a distancia, de repente eu consigo (Leandro, 38 anos, estudante da UEPA e militar). Com a EaD posso conciliar estudo, trabalho e família (Denise, 30 anos, estudante da UEPA e professora). Não fiz um curso presencial devido o tempo parado sem estudar, e falta de tempo para preparatório (Marco Antônio, 42 anos, estudante da UNIUBE e professor). Estou fazendo curso a distância por motivo de tempo, já que as universidades não nos dá condições boas para estudar e trabalhar ao mesmo tempo (Marcos, 42 anos, estudante da UNIUBE e professor). Trabalho no interior do estado, na zona, rural, e não tenho como estar em Belém todos os dias (Kelly Lúcia, 25 anos, estudante da estudante da UNIUBE e professora). Não fiz vestibular para o presencial por causa da atual estrutura famigerada para ingresso nessas universidades, que não observam a perda que cada ser humano tem. Essas universidades não priorizam o conhecimento (Wilson Carlos, 47 anos, estudante da UNIUBE e militar). Não fiz presencial porque o acesso a uma universidade pública é difícil e as outras são caras (Rosemary, 45 anos, estudante da UNIUBE e professora).

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Não faço na modalidade presencial devido à incompatibilidade de horário, no meu trabalho estou sempre viajando, e é impossível fazer um curso superior presencial (Carolina, 26 anos, estudante da UNIUBE e Gestora de Turismo).

Os alunos da EaD geralmente não dispõem de tempo para freqüentar as aulas presenciais e por isso recorreram a uma alternativa mais flexível em que pudessem decidir o melhor horário para suas atividades. Para algumas pessoas a EaD é a única alternativa para seu aprimoramento.

Hoje o mundo é muito corrido. Não tenho tempo para fazer um curso presencial, é o jeito que tenho para fazer um curso superior (André Luiz, 21 anos, estudante da UNIUBE). Com o curso pela internet posso estudar em casa e nas horas livres (Glenda, 23 anos, estudante da UNIUBE).

Os alunos também foram questionados sobre os pontos positivos e negativos que a Educação a Distância tem em relação à modalidade presencial. Do total de pesquisados da UEPA, todos responderam os pontos positivos e apenas um não quis ou não soube opinar sobre os pontos negativos. Os alunos da UEPA apontaram como os principais pontos positivos questões relacionadas a autonomia sobre o seu aprendizado e sobre o tempo para administrálo de forma que seja possível conciliar trabalho e estudo. Já entre os pontos negativos figuram principalmente a falta de infraestrutura adequada por parte instituições de ensino, tanto física quanto pedagógica, já que a falta de professores especializados e que não tratem a EaD como a presencial é um problema para o desenvolvimento do curso.

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Pontos positivos
- Escolher o melhorar horário para estudar; - Conciliar trabalho e estudo; - A facilidade de estudar em casa;

Pontos negativos
- Faltam professores específicos para cada disciplina nos encontros presenciais na UEPA; - “Na Educação a Distância o aluno aprende pouco”;

- Material de estudo “muito bom, claro - “Só podem fazer esse curso à distância objetivo”; pessoas que saibam usar a internet e computador”; - “O aluno se torna autônomo e responsável pelo próprio aprendizado”; - A biblioteca e o laboratório de informática do Polo de Belém da UEPA estão sempre - Não tem limitação territorial; fechados nas aulas presenciais; - Curso dinâmico e contextualizado; - Interatividade; - Maior autonomia; - Poder fazer outros cursos; - Falta professor na sala de aula; - O moodle as vezes não funciona; - O suporte técnico; - Os professores tentam avaliar os alunos como na modalidade presencial;

- O aluno sempre tem que buscar algo mais, - O método de ensino dificulta o aprendizado por isso ele terá que estudar realmente; e para entender o assunto é necessário - O curso a distância dá oportunidade a pesquisar muito; quem não tem graduação em sua cidade; - Poder passar mais tempo em sala - Faltam profissionais preparados especializados para ministrar cursos (ambiente virtual de aula). distância; e a

- Por ser uma modalidade nova de ensino é necessária melhoria com relação à estrutura física das instituições ensino.

Do total de alunos pesquisados na UNIUBE, 14 pessoas responderam sobre os pontos positivos e apenas 12 quiseram opinar sobre os pontos negativos. Quanto aos pontos positivos assim como na UEPA a maioria aponta a disponibilidade de poder conciliar tempo, trabalho e família é um fator importante proporcionado por essa modalidade; já nos pontos negativos problemas com infraestrutura não foram citados, mas a dificuldade de estudar sem o professor é o principal fator, enquanto os alunos da UEPA reclamaram da falta de professores especializados, para os

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alunos da UNIUBE ainda é uma dificuldade estudar sem a presença deles, por isso percebe-se a deficiência maior da inexperiência em estudar a distância ou de ainda não estarem acostumados a esse método de ensino. Pontos positivos
- A questão do tempo; - Estímulo a pesquisa e disciplina; – Fazer o horário de estudo; – Conteúdo programático, flexibilidade de dias, maior prazo para entrega de trabalhos; - “A EaD proporciona o ingresso à universidade de pessoas que trabalham e realmente não tem tempo de cursar uma faculdade regular”; - Tempo e aprendizado; - “As aulas são boas aprendemos bastante as horas são bem aproveitadas quando estamos com preceptores”; - Poder trabalhar, cuidar da família e estudar; - Organização das aulas; - Incentivo a pesquisa e a leitura; - “Qualquer pessoa pode fazer um curso, tendo organização no seu horário e flexibilidade”; - Não é necessário estar sempre na faculdade; - Disponibilidade de tempo - Adequação aos horários de cada um;

Pontos negativos
- O acompanhamento; - A dificuldade de um contato mais direto com os professores para tirar dúvidas; - “Falta mais o presencial para podermos tirar dúvidas com mais freqüência; - Não tem sempre o professor para auxiliar nas tarefas e atividades; - “Não ter a presença do educador sempre que estivermos estudando para tirarmos as duvidas”; - “Quando estamos em casa e queremos tirar nossas dúvidas”; - “Somente pessoas metódicas, conseguem levar a serio os estudos”; - Pouco contato com professor; - Faltam explicações mais detalhadas - Pouca orientação mestre-aluno

Sobre as dificuldades em estudar a distância, entre os alunos da Universidade Estadual do Pará dez não sentiram dificuldades em estudar a distância. Entre as cinco pessoas que sentiram dificuldades apontaram como motivo: a falta de um professor (tutor) presencial específico para cada disciplina; a falta apoio presencial; a falta de material didático em sala de aula; e a dificuldade de se comunicar com o

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professor. Entre os 15 participantes, 12 deles sentem-se familiarizados com os ambientes virtuais de aprendizagem, isso é um dos fatores que explicam a maioria não ter tido dificuldade em estudar a distância.

Gráfico 27. Número de estudantes da UEPA que sentem ou não dificuldade em estudar a distância

Gráfico 28. Número de estudantes da UNIUBE que sentem ou não dificuldade em estudar a distância

Como fora explanado pelos depoimentos dos estudantes da UNIUBE se percebe a dificuldade que eles tem em relação a EaD, o gráfico abaixo demonstra

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que o número dos que declaram ter dificuldade é equilibrado em relação aos que não sentiram.

As que afirmaram ter sentido dificuldade, entre as principais respostas estão a dificuldade de adaptação a essa nova forma de ensino-aprendizagem que requer um método de estudo diferente dos que as pessoas estão acostumadas, já que não foram preparadas desde as primeiras séries do ensino para a EaD.

Sinto dificuldade pela questão da adaptação ao sistema de ensino, que para mim é algo novo (Valdirene, 43 anos, estudante da UNIUBE e professora). Fiz uma graduação presencial, e estou me adaptando as novas formas de ensino (Carolina, 26 anos estudante da UNIUBE e Gestora de Turismo). Ainda me sinto perdida, pois estou aprendendo a organizar o meu horário para estudar, além da dificuldade que tenho com a informática (Jórgea, 40 anos, estudante da UNIUBE e professora).

Entre os 15 participantes da pesquisa, apenas duas pessoas se sentem familiarizadas com os ambientes virtuais de aprendizagem e 13 não. Ao contrário do resultado encontrado na UEPA, a maioria dos voluntários da UNIUBE sente dificuldades, isso pode ser justificado pelo fato dessa turma ter iniciado no segundo semestre de 2010, enquanto a da UEPA iniciou no início do mesmo ano. Os alunos daquela universidade ainda estão se adaptando. Do total de participantes realizada com alunos da UEPA e da UNIUBE, em ambas as universidades a maioria se sentiu incluída socialmente após ingressar no ensino superior. Isso demonstra que o ingresso das pessoas no ensino superior está aumentando a inclusão social dessas pessoas, inclusão esta, possibilitada pela EaD. Quando perguntados sobre porque sentiram necessidade de fazer um curso superior, a maioria dos alunos da UEPA decidiu fazer um curso superior por questões ligadas ao mercado de trabalho, como por exemplo, para crescer profissionalmente e para adquirir mais conhecimento, reflexão, habilidades profissionais. Do total da amostra, apenas quatro pessoas recorreram ao ensino a distância por ter tido dificuldade para ingressar no ensino superior presencial. “Estou
fazendo ensino superior para ingressar no mercado de trabalho” (Glaucia, Estudante de

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18 anos). “Ingressei no ensino superior para iniciar uma nova carreira” (Camilo, Estudante da UEPA e Bancário, 50 anos). O comparativo entre as idades, acima exemplificado pelas respostas dos alunos de graduação da UEPA, demonstra que mesmo com idades tão diferentes, as expectativas que o ensino superior representa para essas pessoas são similares, tanto para o ingresso no mercado de trabalho, quanto para melhorar a qualificação profissional. Nessa questão, a maioria dos estudantes da UNIUBE decidiu fazer um curso superior por questões ligadas ao mercado de trabalho como o aumento da renda e para obter um diploma; ou ainda para se aprimorar buscando mais conhecimento. Do total, a maioria, 13 pessoas, responderam que não tiveram dificuldade para ingressar no ensino presencial e por isso recorreram ao ensino a distância, Das que responderam de forma afirmativa, apenas uma justificou dizendo nunca ter tentado o vestibular para o presencial e que considera difícil.
Vivemos em uma sociedade onde poucos têm privilégios, e um curso superior te dá várias oportunidades (Jórgea, 40 anos, estudante da UNIUBE e professora). 90% por das pessoas de meu currículo social os têm (Wilson Carlos, 47 anos, estudante da UNIUBE e militar). Hoje em dia você precisa de um curso superior para se encaixar no mercado de trabalho (Glenda, 23 anos, estudante da UNIUBE). Procurei fazer um curso superior para adquirir mais conhecimento, sempre buscando me atualizar (Valdirene, 43 anos, estudante da UNIUBE e professora).

Da amostra total da UEPA, 12 pessoas consideram que a interatividade proporcionada pela internet por meio de ferramentas como chats e fóruns de discussão) aumenta, e três pessoas acham que diminui seu contato com o curso. Dos três que acham que a interatividade diminui o contato com o curso, dois justificaram da seguinte forma: que nem os alunos nem os tutores a distancia se encontram diariamente nos chats, e porque nem sempre é possível participar. Entre os que responderam que a interatividade aumenta o contato com o curso, 9 justificaram. A maioria das respostas apontou as ferramentas da internet como chats e fóruns como fator de aproximação entre aluno/aluno e aluno/tutor, além de ajudar a tirar dúvidas.

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Só através da utilização dessas ferramentas podemos construir um aprendizado participativo (Camilo, 50 anos, estudante da UEPA e Bancário, utiliza internet a 5 anos). Com essas ferramentas você consigo tirar dúvidas ou fazer questionamentos aos colegas e tutores (Leandro, 38 anos, estudante da UEPA e militar, utiliza internet a 5 anos). Essas ferramentas aumentam a participação do curso porque faz com que haja uma maior aproximação da turma com os professores (Samuel, 20 anos, estudante da UEPA, usa a mais de 5 anos).

No que tange a interatividade, 100% da amostra da UNIUBE considera que a interatividade proporcionada pela internet por meio de ferramentas como chats e fóruns de discussão) aumenta o contato deles com o curso. Entre os participantes da pesquisa, 11 pessoas justificaram, e a maioria apresentou essas ferramentas como um suporte a mais para estudar, que facilita o conhecimento, usada também para tirar dúvidas e para que os alunos e professores debatam pontos de vistas.
Sempre é bom a interatividade para poder se aprender uns com os outros (Rosemary, 45 anos, estudante da UNIUBE Professora). Através de chats e fóruns o aluno pode tirar dúvidas, esclarecer suas dúvidas e perguntar assuntos direcionados ao curso (Carolina, Gestora de Turismo, 26 anos). O fórum aumenta nossos conhecimentos através da abordagem de alguns temas interessantes (Ana Carla, 26 anos, estudante da UNIUBE e professora).

Os alunos forram questionados se consideram positivo ou negativo o método de ensino a distância precisar de um grau maior de independência do aluno. A grande maioria dos alunos da UEPA, 13 pessoas, considera positivo e apenas duas pessoas consideram negativo. Entre as que consideram negativo justificaram da seguinte forma: “Porque o aluno precisa de orientação qualificada” e porque “é necessário que o aluno seja responsável, pois com a ausência do professor dificulta a aprendizagem”. Entre os que acham positivo a EaD necessitar de maior independência do aluno, a maioria das respostas tenderam para o aumento da autonomia destes, e de que esse tipo de ensino requer que o aluno busque seu próprio aprendizado e isso contribui para que ele estude mais e se torne mais independente das aulas presenciais.

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Essa maior independência torna o aluno um ser pesquisador e sedento de conhecimento (Wilson Carlos, 47 anos, estudante da UEPA e militar). O método da EaD contribui para um maior aprendizado, já que o aluno tem que estudar muito mais que os alunos do ensino presencial, devido ao pequeno contato com os professores (Samuel, 20 anos, estudante da UEPA). O aluno se torna autodidata, mais reflexivo, independente e criativo (Valena Regina, 33 anos, estudante da UEPA e professora). Não fico dependente ou restrito ao que vejo nas aulas presenciais (Camilo, 50 anos, estudante da UEPA e Bancário).

Nessa questão, 100% dos estudantes pesquisados da UNIUBE consideram positivo para o aprendizado deles, dentre estes, 12 pessoas justificaram e entre as principais respostas estava: entre os pontos positivos, a independência do aluno, maior interesse, e que a EaD ensina o aluno a buscar seu próprio caminho em direção ao conhecimento.
A gente aprende a viver em comunidade (Danielly Valéria, 17 anos, estudante da UNIUBE e vendedora) Você se esforça mais para aprender (Glenda, 23 anos, estudante da UNIUBE). Requer do aluno mais interesse, e estudar mais a distância (André Luiz, 21 anos, estudante da UNIUBE). O aluno se torna independente e começa a direcionar seu aprendizado (Carolina, 26 anos, estudante da UNIUBE e Gestora de Turismo). Assim aumento minha responsabilidade na aprendizagem (Ana Carla, 26 anos, estudante da UNIUBE e professora).

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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS – PENSANDO NO FUTURO
O Brasil ainda enfrenta sérios problemas de desigualdade social, por isso se fazem necessárias medidas para amenizar esse problema, e a educação também é reflexo dessa desigualdade. Aquela pode contribuir positivamente ou não para a inclusão social, dependendo de seu uso pela sociedade. A Educação está passando por profundas transformações, entre elas a consolidação da Educação a Distância. Esta possibilita o acesso à educação por pessoas que por algum motivo estiveram impossibilitadas de acessar o Ensino Superior, seja por estarem distantes dos centros urbanos, por não poderem cursar o ensino presencial por causa da atuação profissional, por não terem tido uma educação básica que as preparassem para o processo seletivo de ingresso nesse nível de ensino, entre outros motivos. Já que a EaD é uma forma de expansão da educação, então por que não se tomar medidas para a ampliação dessa modalidade? É preciso que se prepare tanto o aluno quanto o educador. A preparação daquele deve ocorrer desde os primeiros anos de ensino para conhecerem a dinâmica do curso a distância e se no futuro, estes decidirem fazer um curso nessa modalidade, não terem dificuldades de utilização das ferramentas presentes nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), por exemplo. Os alunos já se reúnem virtualmente para fazer trabalhos escolares, e nesse processo eles experimentam várias conveniências que ocorrem pela simultaneidade e pela troca de conhecimentos. A escola tradicional muitas vezes não se utiliza destas e nem prepara o aluno para acessar e produzir conteúdos para ambientes virtuais. No entanto, mesmo que essa escola não auxilie o uso dessas ferramentas de forma benéfica para a educação, o aluno vai a LAN houses ou acessa a internet de casa e muitas vezes não a aproveita de forma utilitária. Para Spyer (2007), isso ocorre porque a internet confronta a idéia de que o professor sabe mais. No entanto o que se observa é que:
Independente de ser usada nas escolas, a internet é uma ferramenta de aprendizado na medida em que seu combustível são as trocas de informação e conhecimento. Isso justifica o apoio a políticas de inclusão digital e investimentos para permitir o acesso à rede nas instituições de ensino (SPYER, 2007, p.168).

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Os ensinos fundamentais e médios brasileiros se comportam como parte separada do ensino superior. Muitas vezes o aluno chega ao ensino superior e começa uma fase de aprendizagem bastante diferente da que estavam acostumados. Isso acontece porque a universidade exige independência e produção de conhecimento. Essa deficiência é ainda mais perceptível quando os ingressantes vêm de escolas mal estruturadas, como ocorre com freqüência com as pessoas de baixa renda que estão submetidas a um sistema público de ensino defasado. Por meio dos dados da pesquisa realizada com alunos de EaD foi possível entender e melhor respaldar questões acerca da Educação a Distância. Sobre a amostra dessa pesquisa se pôde aferir que a maioria dos alunos está na faixa etária a partir de 25 anos, idade acima da media ideal para ingresso no ensino superior, que seria de 18 a 24 anos. São pessoas que já ingressaram no mercado de trabalho e tem a EaD, muitas vezes, como única alternativa para o ingresso no Ensino Superior. Ao contrário das expectativas iniciais deste trabalho que esperava aferir um bom índice sobre a contribuição dessa modalidade de ensino para a inserção de pessoas de baixa renda, a pesquisa surpreendeu, já que a faixa de renda teve grande variedade incluindo não apenas aqueles de classes menos privilegiadas, mas uma variedade. Ou seja, a EaD insere tanto pessoas de baixa renda quanto quem tem um alto poder aquisitivo. A pesquisa demonstrou que mesmo os centros urbanos possuem demanda para a EaD o que pode respaldar as afirmações de que esta não é apenas para quem está afastado dos grandes centros urbanos, mas também para quem, por algum motivo, não pode frequentar o ensino presencial. Os alunos das universidades UEPA e UNIUBE utilizam a internet como meio de comunicação mediador dos cursos. A pesquisa percebeu que no que tange aos meios usados como mediador desta modalidade, foi percebido certo

desconhecimento de outras tecnologias como educação por correspondência ou rádio, e por isso estas não foram apontadas pelos alunos como alternativas; e também uma preferência pela internet e pela teleconferência como eficazes alternativas para a EaD. A pesquisa bibliográfica e a pesquisa quantitativa-qualitativa realizada com alunos de Educação a Distância de duas universidades do Pará, trouxeram a

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discussão de uma educação apoiada em tecnologias de comunicação, formando assim a EaD. Uma educação, mais do que redutora de distâncias, em que o aluno é sujeito de seu próprio aprendizado. Este trabalho veio ainda discutir como essa modalidade de ensino está contribuindo para a expansão do ingresso no Ensino Superior.

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APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Pesquisa “EaD e TICs na graduação: Por uma educação mais inclusiva”

DADOS PESSOAIS Nome Completo: Endereço: Cidade/UF: E-Mail: Tel.: Data de Nascimento: Estado civil: Profissão: Escolaridade: Bairro: Cep: Cel.: RG: Idade:

/

/

Sexo:

1 - Em que tipo de estabelecimento você cursou o ensino fundamental? ( ( ( ( ( ( ) Todo em escola pública ) Todo em escola particular sem bolsa ) Todo em escola particular com bolsa ) Maior parte em escola pública ) Maior parte em escola particular sem bolsa ) Maior parte em escola particular com bolsa

2 - Em que tipo de estabelecimento você cursou o ensino médio? ( ( ( ( ( ( ) Todo em escola pública ) Todo em escola particular sem bolsa ) Todo em escola particular com bolsa ) Maior parte em escola pública ) Maior parte em escola particular sem bolsa ) Maior parte em escola particular com bolsa

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3 - Cursou ou cursa um curso superior presencial? ( ) Sim ( ) Não 4 – Possui filhos? ( ) Sim ( ) Não 5 - Qual a renda líquida mensal de sua família? ( ( ( ( ( ( ( ) Até 1 salário mínimo ) de 2 a 3 salários mínimos ) de 4 a 5 salários mínimos ) de 6 a 7 salários mínimos ) de 8 a 9 salários mínimos ) 10 salários mínimos ) mais de 10 salários mínimos

6 - Recebe algum tipo de benefício? ( ( ( ( ( ) não ) sim. Bolsa família ) sim. Aposentadoria ) sim. Pensão ) outro. Qual?

7 - Quantas pessoas moram em sua casa, contando você? Uma ( ) Duas ( ) três ( ) Quatro ( ) Cinco ( ) Mais de cinco ( ) 8- Qual a atual situação de seu pai ou responsável? ( ) sou o responsável ( ) está empregado ( ) está desempregado 9 - Qual o nível de instrução de seu pai ou responsável? ( ( ( ( ( ( ) Não sabe ler nem escrever (analfabeto) ) Alfabetizado ) Ensino Fundamental Incompleto ) Ensino Fundamental Completo ) Ensino Médio Incompleto ) Ensino Médio Completo

100

( ( ( (

) Ensino Superior Incompleto ) Ensino Superior Completo ) Pós-Graduação Incompleta ) Pós-Graduação Completa

10 - Qual o nível de instrução de sua mãe ou responsável? ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Não sabe ler nem escrever (analfabeto) ) Alfabetizado ) Ensino Fundamental Incompleto ) Ensino Fundamental Completo ) Ensino Médio Incompleto ) Ensino Médio Completo ) Ensino Superior Incompleto ) Ensino Superior Completo ) Pós-Graduação Incompleta ) Pós-Graduação Completa

11 - Quantas pessoas de sua família possuem diploma de nível superior ou estão cursando o ensino superior? ,s, ( ) Nenhuma ( ) Uma ( ) Duas ( ) Três ( ) Quatro ( ) Cinco ( ) Seis ( ) Sete ( ) Mais de sete 12 - Quantos computadores há em sua casa? ( ( ( ( ( ( ( ) Nenhum ) Um ) Dois ) Três ) Quatro ) Cinco ) Mais de cinco

13- Possui conexão com internet em casa? ( ) Sim ( ) Não Se não, onde acessa?

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14 - Há quantos anos e/ou meses você usa internet?

15 - A internet além de dar suporte para a universidade o auxilia em seu aprendizado? ( ) Sim ( ) Não Se sim, de que forma: 16 - Você faria um curso a distância por qual ou quais outros meios além da internet? ( ( ( ( ( ) Correspondência ) Rádio ) TV ) Teleconferência ) Não faria por outro meio de comunicação Por que escolheu essa(s) opção(ões)?

17 - Por que escolheu estudar a distância?

18 - O que a Educação a Distância tem de positivo e de negativo em relação à presencial? P:

N:

19- Porque fazer um curso a distância se em Belém há várias universidades com cursos presenciais?

20 - Você sentiu dificuldades em estudar a distância?

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( ) Sim ( ) Não Se sim quais:

21- O ensino superior a distância tem melhorado a sua atuação profissional? ( ) Sim ( ) Não Se sim, como?

22- Você se sente familiarizado com os ambientes virtuais de aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não 23 - Você teve dificuldade para ingressar no ensino presencial e por isso recorreu ao ensino a distância? ( ) Sim ( ) Não 24- Você sentiu incluído socialmente após ingressar no ensino superior? ( ) Sim ( ) Não 25 - Por que você sentiu necessidade de fazer um curso superior?

26 - A interatividade proporcionada pela internet aumenta ou diminui seu contato com o curso? ( ) Aumenta ( ) Diminui Por quê?

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27 - O método de ensino a distância precisa de um grau maior de independência do aluno. Isso é positivo ou negativo para seu aprendizado? ( ) Positivo ( ) Negativo Por quê?

28 - Qual desses meios de comunicação você considera mais eficaz para a EaD? ( ( ( ( ( ) Correspondência ) Rádio ) TV ) Internet ) Teleconferência Por quê?

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