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PLANTAS MEDICINAIS

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  • INTRODUÇÃO
  • HISTÓRIA DAS PLANTAS MEDICINAIS
  • IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA
  • IDENTIFICAÇÃO POPULAR
  • CLASSIFICAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO CIENTÍFICA
  • CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA
  • IDENTIFICAÇÃO CIENTÍFICA
  • PRINCÍPIOS ATIVOS DOS VEGETAIS
  • FATORES QUE AFETAM OS TEORES DE PRINCÍPIOS ATIVOS
  • INFLUÊNCIA LUNAR
  • METODOLOGIA DE PESQUISA COM PLANTAS MEDICINAIS
  • ETNOBOTÂNICA
  • METODOLOGIA DA PESQUISA ETNOBOTÂNICA
  • FICHA DE CAMPO
  • CUIDADOS NO CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS
  • ESCOLHA DAS PLANTAS MEDICINAIS
  • Preparo do local de plantio
  • UM MODELO DE HORTA CASEIRA
  • COLETA DE PLANTAS MEDICINAIS
  • SECAGEM DAS PLANTAS MEDICINAIS
  • ARMAZENAMENTO E EMBALAGEM
  • MANIPULAÇÃO DAS ERVAS
  • Administração dos medicamentos à base de plantas
  • Medidas mais utilizadas
  • Cuidados no uso de plantas medicinais
  • A CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES
  • TERAPIAS COM PLANTAS MEDICINAIS
  • PROGRAMA DE MEDICINA NATURAL EM MATO GROSSO
  • PROGRAMA DE FITOTERAPIA E PLANTAS MEDICINAIS
  • PLANTAS PADRONIZADAS PARA UTILIZAÇÃO NO FITOVIVA
  • BIBLIOGRAFIA
  • Literatura recomendada
  • Espécies citadas

PLANTAS MEDICINAIS

COLETÂNEA DE SABERES

Schirlei da Silva Alves Jorge

Agradecimentos. Agradeço a todos que contribuíram para a realização deste trabalho. Em particular ao meu esposo, Alfredo Jorge, pelo incentivo e auxílio. Ao meu filho, Adriano, pela elaboração das ilustrações. Ao colega Paulo Eduardo O. Mattos pela foto da capa.

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“... E o seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio”. Velho Testamento - Ezequiel, 47:12.

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APRESENTAÇÃO

A idéia de organizar esta coletânea de saberes referentes às plantas medicinais vem de longa data. É um trabalho muito mais de pesquisa do que de criação. O tema é apaixonante e encontra-se disperso em vasta literatura, diante disto sentimos a necessidade de fornecer um material de apoio às pesquisas escolares, à comunidade em geral para que possa ser lido e lembrado em qualquer momento. Inúmeras fontes foram consultadas e nas bibliografias locais são encontradas diversas referências de trabalhos realizados nos diferentes biomas do Estado de Mato Grosso. Sem maiores aprofundamentos, procuramos levar ao amigo leitor informações sobre os vários temas que envolvem o estudo das plantas medicinais e da etnobotânica, disciplina científica, que estuda as interrelações estabelecidas entre o ser humano e as plantas em diferentes ambientes e através do tempo. Enfim, esperamos que o nosso trabalho venha contribuir tanto àqueles que pretendam ter uma pequena horta medicinal, quanto para incentivar novos pesquisadores.

“A árvore que plantas dar-te-á, talvez amanhã, o remédio que precises”. Emmanuel.

..................................65 1 .....38 ESCOLHA DAS PLANTAS MEDICINAIS .............................................3 HISTÓRIA DAS PLANTAS MEDICINAIS................................................................................42 COLETA DE PLANTAS MEDICINAIS ...............................................................16 FATORES QUE AFETAM OS TEORES DE PRINCÍPIOS ATIVOS ..................................22 METODOLOGIA DE PESQUISA COM PLANTAS MEDICINAIS...........................14 PLANTAS MEDICINAIS................................................................................................................................................3 INTRODUÇÃO .........................................SUMÁRIO PLANTAS MEDICINAIS...................................................................................................................................................................................................................................41 Preparo do local de plantio...................32 MANEIRAS ALTERNATIVAS DE CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS EM PLANTAS MEDICINAIS...........................................................................................................................27 FICHA DE CAMPO.................4 IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA.............................................................................................55 Administração dos medicamentos à base de plantas...................................................................................................................................................................................31 CUIDADOS NO CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS .............................................................................................................................................................................................14 CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA .........................21 INFLUÊNCIA LUNAR........................................................................54 MANIPULAÇÃO DAS ERVAS....................13 IDENTIFICAÇÃO POPULAR .....................................................................23 ETNOBOTÂNICA ..............................................41 UM MODELO DE HORTA CASEIRA .........................................................................................................................................13 CLASSIFICAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO CIENTÍFICA..........................................................................................................................................................14 IDENTIFICAÇÃO CIENTÍFICA .........16 PRINCÍPIOS ATIVOS DOS VEGETAIS ...............................................................................................................................................................................................62 Cuidados no uso de plantas medicinais ...........................................................51 ARMAZENAMENTO E EMBALAGEM.................................................................................62 Medidas mais utilizadas .................................................................................................25 METODOLOGIA DA PESQUISA ETNOBOTÂNICA ....................63 A CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES...............................................................................................................................................................................49 SECAGEM DAS PLANTAS MEDICINAIS .................................

...72 Literatura recomendada .....70 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................................................TERAPIAS COM PLANTAS MEDICINAIS.....................................77 GALERIA DE IMAGENS...........67 PROGRAMA DE FITOTERAPIA E PLANTAS MEDICINAIS..................................79 2 ..................................................66 PROGRAMA DE MEDICINA NATURAL EM MATO GROSSO ...........................75 Espécies citadas................................................................................................................................................................68 PLANTAS PADRONIZADAS PARA UTILIZAÇÃO NO FITOVIVA........................................................................................................................................................................................

O uso de plantas esteve muito tempo associado a práticas mágicas.PLANTAS MEDICINAIS INTRODUÇÃO Através da intuição. Conta uma lenda que um pastor de cabras verificou a excitação dos animais após o consumo do fruto do café (Coffea arabica). É provável que a utilização das plantas como medicamento seja tão antiga quanto o próprio homem. entre as quais um potente antibiótico. Sabemos que animais domésticos como o cão e o gato. para fins terapêuticos. procuram esvaziar seus estômagos consumindo ervas vomitativas. Se levarmos em conta que os animais são capazes de distinguir as plantas em espécies tóxicas e espécies alimentares. 3 . O conhecimento acumulado talvez seja a riqueza maior da humanidade. Recentemente foi relatada a seleção de espécies vegetais feita por chimpanzés. da superstição e da observação do comportamento animal o ser humano passou a conhecer as propriedades do reino vegetal. daí a dificuldade de delimitar com exatidão a evolução da arte de curar. das quais os estudos químicos e farmacológicos conseguiram isolar diversas substâncias. místicas e ritualísticas. Preparou uma bebida com esses frutos para manter-se acordado e conseguir fazer suas orações e leituras. a observação do comportamento desses animais representa fonte valiosa de informações sobre a potencialidade dos vegetais. enganando-se raramente.

sempre experimentando as ervas e tomando ginseng. Em seu "Cânone das Ervas" foram mencionados 252 plantas. Entre tantas destacou o uso da raiz de ginseng. verdadeira farmacopéia que englobava todo o saber relacionado com o uso de plantas como medicamentos. erva que nos dias atuais é muito utilizada para regeneração dos tecidos. dores de cabeça. Um antigo texto chinês extraído da Farmacopéia de Shen-Nung diz o seguinte sobre o ginseng: “Tem sabor adocicado e sua propriedade é ligeiramente refrescante. O Imperador Sheng-Nung utilizou uma série de plantas em seu próprio corpo. melhoria do funcionamento de algumas glândulas.C. remover substâncias tóxicas. para o rendimento físico e mental. como apoio no tratamento de grande número de doenças do coração. No século VII. Escreveu um tratado denominado PEN TSAO. 4 . formalizou a Teoria Médica no Nei Ching. têm-se informações que a China dedicava-se ao cultivo de plantas medicinais. amnésia. cresce nos desfiladeiros das montanhas. Uso contínuo dará vigor ao corpo e prolongará a vida”. abrir o coração e melhorar o pensamento. Em 2798 a. A história conta que o Imperador viveu 123 anos. harmonizar as energias. foi impressa e distribuída uma revisão do "Cânone de Ervas. anunciando ser a mais fabulosa das ervas e que favorecia a longevidade. fortalecer a alma. o Imperador Huang Ti. afastar o medo. dos rins e dos sistemas nervoso e circulatório. a brilhar os olhos. É usado para reparar as cinco vísceras. para saber o efeito que provocavam.C.. no governo da dinastia Tang.HISTÓRIA DAS PLANTAS MEDICINAIS Desde o ano 3000 a.

). a erva da longevidade. Por volta de 2. Também na arte de embalsamar os cadáveres para guardá-los da deterioração. O primeiro médico egípcio conhecido foi Imhotep ( 2980 a 2900 a. as plantas eram muitas vezes escolhidas por seu cheiro.C. egípcios.C. Diocles (400 a.C.000 a. acreditavam que certos aromas afugentavam os espíritos das enfermidades. Os hindus consideram as ervas como as "filhas prediletas dos deuses". de ginseng. com 1954 prescrições médicas. completou seu “Compêndio de Matéria Médica” onde reuniu todos os conhecimentos existentes no campo da farmacologia.) escreveu o primeiro livro sobre ervas conhecido no Ocidente.C. e ainda está em exibição no Museu de Leipzig ( são 125 plantas e 811 receitas). aconteceram às trocas com a China. Nesses tempos. registraram importações de ervas para a Babilônia. relacionando mais de 1000 drogas de origem vegetal. Placas de barro de 3.Li-Chi-Chen (1578). Os egípcios utilizavam além das plantas aromáticas. Essa crença continuou até a Idade Média...C. distribuídos em 16 capítulos. datando de 1550 a. Os Papiros de Ebers. Foram os gregos os primeiros a sistematizar os conhecimentos adquiridos até então. A farmacopéia babilônica abrangia 1400 plantas. do Egito. grande curandeiro. muitos outras com efeitos diversos. assírios e hebreus cultivavam diversas ervas e traziam tantas outras de suas expedições.C. experimentaram muitas plantas.000 a. Sabe-se que desde 2300 a. onde os médicos usavam no nariz um aparelho para perfumar o ar que respiravam. que utilizava ervas medicinais em seus preparados mágicos. Nessa mesma época os médicos indianos desenvolviam avançadas técnicas cirúrgicas e de diagnóstico e usavam centenas de ervas nos seus tratamentos. 5 . animal e mineral. foram um dos herbários mais antigos que se tem conhecimento.

grande conhecedor das ervas. segundo século depois de Cristo. em Epidauro.). século I a.C. No século XIII a. médico grego. no século I da Era Cristã. chás. em sua “História das Plantas”. concebe um sistema de cura. Egito e até na China. destacou-se o texto Vrikshayurveda. catalogou 500 espécimes vegetais. uso da música como terapia. com ilustrações.361 a. catalogou sua obra. foi o primeiro a tratar as cãibras com ruibarbo. reuniu em sua obra "Corpus Hipocratium" a síntese dos conhecimentos médicos de seu tempo. jogos e teatros. na Índia. Crateus. que também viveu no século I da nossa era. médico grego. Asclépio. incluindo mais de 600 espécies diferentes que constituíram referência por 15 séculos. Tales de Mileto e Pitágoras compilaram essas receitas (Oka. Teofrasto (372-285 a. erva importada da China. e em oito deles descreve o uso pelos romanos das espécies vegetais úteis à medicina. (também chamado de Esculápio de Cos) fundando o primeiro spa que se tem conhecimento. "De Materia Medica”. Colecionou e descreveu muitos medicamentos e fórmulas cujos métodos de preparação deram origem à “farmácia galênica”. mais de 500 plantas medicinais e seus usos. curandeiro grego. Outra preciosa contribução foi de Pelácius.C. Dioscórides. enumerou em seu tratado.0 Rhizotomikon sobre as plantas medicinais. autor de muitos livros. o Velho. “História Natural”. Babilônia. de Parasara. médico de Nero. que escreveu seus estudos sobre plantas medicinais. No início da era cristã. Plínio.. inclusive sobre plantas medicinais. 1998). O conhecimento grego sobre as ervas foi adquirido na Índia.C. em 37 volumes. 6 . publicou a primeira obra .Hipócrates (460.. jejum.). indicando para cada enfermidade o remédio vegetal e o tratamento. Era baseado em banhos. denominado “Pai da Medicina”. Galeno.C.

o estudo das plantas medicinais na Idade Média ficou estagnado por um longo período. contendo material descrito por Dioscórides. que praticamente era uma cópia dos escritos do século IV. Muitos escritos gregos foram esquecidos ou perdidos e recuperados em parte no início do século XVI. que data de 1542. A universidade de Salerno tem sua obra mais importante o “Regimen sanitatis salernitatum”. que trata das ervas medicinais. no qual misturava os conhecimentos escritos por Dioscórides. na Europa. Ocorreu ainda o triunfo da "Medicina dos Signos". descrevendo mais de 800 plantas. Em 1484 foi impresso o primeiro livro sobre cultivo de ervas medicinais. mantiveram a literatura medicinal e algumas mulheres de aldeias remotas. as universidades. considerado o documento médico mais importante até o aparecimento da obra de Leonardo Fuchs chamada “Historia stirpium”.Devido a eventos históricos como ascensão e queda do Império Romano e fortalecimento da Igreja Católica (que não via com bons olhos a aprendizagem científica e encarava a doença como um castigo). Durante o século X apareceu "The Leech Book of Bald and Cild". com os rituais que usavam na época e com receitas de magia e medicina provenientes do Oriente. a partir delas. Fora desses locais eram utilizadas em rituais mágicos. 7 . Apenas alguns mosteiros. abrindo para o leigo as portas do conhecimento até então reservado aos monges e religiosos.XIII) e. A cópia mais antiga dos escritos de Dioscórides é um manuscrito bizantino do século VI chamado “Codice vindobonensis”. A bd-Allah Ibn Al-Baitar. que postulava a cura de determinadas partes doentes do corpo por meio de plantas que lhe fossem semelhantes. Surgem as Escolas de Salerno e Montpellier (séc. no século XI. por meio de versão em árabe. escrito por um curandeiro anglo-saxão. que viveu no século XIII e foi o maior especialista árabe no campo da botânica aplicada à Medicina. produziu obra valiosa.

No final do século XVI. português que viveu na Índia. Em 1563. John Parkinson escreve dois importantes livros sobre a botânica e seus usos medicinais: "Thetrum Botanicum" e "Paradisi in Sole Paradisus Terrestris". com ilustrações copiadas diretamente dos manuscritos da antiguidade. consideram as plantas por suas virtudes medicinais.Grande quantidade de livros começou a aparecer em toda Europa. A ascensão do prestígio da fitoterapia pode ser traduzida pela difusão da publicação de herbários como pela criação da primeira cátedra de botânica na Escola de Medicina de Pádua. Hipócrates. relaciona as virtudes das plantas com os planetas. uma lista de 300 espécies de plantas medicinais provenientes de todas as partes do mundo. Em 1551 foi escrito o primeiro texto em inglês "Nieuwe Herball". incansável viajante e grande coletor de plantas (Hoffmann et al. Quase no final deste século. Garcia da Orta. os tratados de Botânica. das Drogas e Cousas Medicinais da Índia. na Alemanha. 1992). No século XVII. em 1597. um trabalho inédito e bem ilustrado. Aristóteles. edita em Goa a obra Colóquios dos Simples. então denominados “herbários”. em 1533. John Gerard. o tratado “Herbário Completo”. plantas provenientes do Novo Mundo e preservou os conhecimentos botânicos dos monges medievais. Até o século XVI. já haviam sido organizados jardins botânicos em várias universidades. foi elaborada a primeira farmacopéia. Só em 1542. de William Turner. Durante o século XVIII. que aconselhava o tratamento das enfermidades com pequenas 8 . com a invenção da imprensa. Sir John Hill escreve "Virtudes de las Hierbas Britânicas". Samuel Hahnemann deu a conhecer sua teoria sobre a homeopatia. Em quase todos eram descritas partes das obras de Dioscórides. do inglês Nicolas Culpeper. incluiu em seu "Herbário" de 1600 páginas. Galeno.

Os alquimistas. do século XVI. que trata das propriedades medicinais. Ressaltavam a importância de seguir-se um ritual na preparação de ervas a serem utilizadas na terapêutica e que o médico deveria estimular a resistência do organismo. o uso das ervas ficou mais restrito e cresceu o uso dos medicamentos obtidos através de processos químicos industriais. Durante o século XIX. o herbário asteca. um tratado da inglesa M. para alívio de cólicas e diarréias. pelos animais. as quais eram ministradas aos pacientes como uma vacina. lançando as bases da medicina natural. o interesse pelas plantas medicinais voltou devido à necessidade de obter remédios eficazes para múltiplas enfermidades. bem como o cultivo e o modo de uso das ervas. o pajé ou feiticeiro utilizava plantas entorpecentes para sonhar com o espírito que lhe revelaria a erva ou o modo de curar o enfermo e também pela observação de animais que procuram certas plantas quando doentes. F.quantidades de substâncias derivadas das plantas. em Nahuatl. Entretanto. dentre eles Paracelso. Millspaugh. O Primeiro herbário das Américas é o Manuscrito Badanius. Apareceu. Nos anos que ocorreram as guerras mundiais.Gneve. africana e européia. C. o uso das plantas como medicamento teve influência das culturas indígena. Entre os índios. 9 . cosméticas e econômicas. nos Estados Unidos. além de muitas ervas nativas do Novo Mundo. um livro com as plantas européias cultivadas na América. No Brasil. culinárias. "Um Herbario Moderno". Um exemplo é o uso da raiz de ipecacuanha. impulsionaram a arte de curar com plantas. os livros sobre ervas continuaram aparecendo. no período entre guerras. visto que toda a economia dos países envolvidos na guerra estava destinada à produção de material bélico. publicou em 1887. usando remédios naturais e procurando atingir o máximo de capacidade de cura do próprio doente.

Os indígenas brasileiros acreditavam em fatores sobrenaturais. Os pajés associavam o uso de plantas a rituais de magia e seus tratamentos eram. quando alguém adoecia é porque estava possuído pelo espírito mau e um curandeiro se encarregava de expulsá-lo por meio de exorcismo e uso de drogas. onde os aborígenes narcotizavam os peixes com o uso de cipós. Segundo Camargo (1998). com suas plantas medicinais. quando se tratava de doenças sem causa externa identificável como ferimentos. como sucedia em São Vicente e São Paulo ao tempo da Conquista do Rio de Janeiro (1565). Foi o primeiro boticário ou farmacêutico da Companhia no Brasil. a princípio os medicamentos vinham do reino já preparados. em 1625. à base de plantas para o tratamento de doenças.As primeiras notificações fitológicas brasileiras são atribuídas ao padre José de Anchieta e a outros jesuítas. Deixou uma breve “Coleção de Receitas Medicinais” conhecida por Purchas. e cuja fórmula era mantida em segredo pelos jesuítas. a vinda dos navios de Portugal e era preciso reservar grandes provisões. Alguns manuscritos narravam “pescarias miraculosas”. os quais chegaram com Tomé de Souza para catequizar os índios. A necessidade local obrigou os jesuítas a terem provisão de medicamentos. como as do irmão Manuel Tristão. Mas as piratarias do século XVI e as dificuldades da navegação impediram. Para os africanos. transmitidos oralmente de uma geração a outra. em 1579. que aplicava em várias doenças. Ficou famosa a Triaga Brasílica. fraturas e envenenamento. A influência européia teve início no Brasil com a vinda dos primeiros padres da Companhia de Jesus chefiados por Nóbrega. assim. em 1625. Formularam receitas chamadas “Boticas dos Colégios”. com freqüência. e também logo a procurarem os que a terra podia dar. Informes sobre a medicina jesuítica nos primeiros séculos da nossa colonização mostram a importância das plantas como medicamento. que começaram estudar e utilizar em receitas próprias. 10 .

Frei Veloso faz um levantamento da capitania do Rio de Janeiro e arredores. da mente e do espírito. Os curandeiros (xamãs) entendem que a saúde depende do perfeito equilíbrio do corpo. chegou ao Brasil em 1817.Também Pedro Luiz Napoleão Chernoviz elaborou. Coletou cerca de 6500 espécies. Essas influências constituem a base da medicina popular que há algum tempo vem sendo retomada pela medicina natural. visando não só a cura de algumas doenças. e mais tarde os negros escravos. Entre 1779 e 1790. incluía um herbário de plantas medicinais (Historia Naturalis Brasiliae). Minas Gerais. 11 . um Formulário e um Dicionário. elaborada por Wilhem Pies e Georg Marcgraf. que se aclimataram muito bem. que passaram a ser os guias médicos dos lares brasileiros. Richard Schultes afirma que o conhecimento indígena do poder curativo das plantas é uma ciência muito antiga em que as doenças do corpo e da alma estão intimamente ligadas. Levaram tudo que podiam e trouxeram ervas. era uma verdadeira panacéia. Os europeus viram uma flora exuberante e perceberam que os índios sabiam fazer uso da mesma. viajou por vários estados brasileiros. A primeira história natural brasileira. como São Paulo. calêndula e alfazema. No mundo moderno. para que a energia possa fluir e obter resultados satisfatórios. como a camomila. Karl Friedrick Von Martius. mas restituir o homem à vida natural. Os paulistas com suas “Entradas e Bandeiras” foram os primeiros a utilizarem a medicina herbalista. Maranhão e Amazonas. A Revista do Arquivo Municipal de São Paulo cita que os índios utilizavam a batata-de-purga para limpar o aparelho digestivo e a ipecacuanha curava tudo. dos sentidos. surgindo daí sua obra “Flora Brasiliensis”. integrantes da comitiva de Maurício de Nassau. um de seus maiores botânicos. baseado em conhecimentos adquiridos e em publicações européias. resultando os livros “Plantas Fluminensis” e “O Fazendeiro do Brasil”.

12 .As plantas sempre estiveram ligadas ao homem e sempre estarão sendo utilizadas por ele. tanto na cura dos males como em outros múltiplos usos.

etc. O nome popular é fundamental no trabalho comunitário. IDENTIFICAÇÃO POPULAR Popularmente uma planta é identificada através dos sentidos e memorização de aspectos de importância na planta como: forma da planta. Para tentar resolver este problema os pesquisadores deram um nome oficial. plantio de espécie não adequada ao local. científico para classificar os vegetais. ácido. rasteiras.IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA Uma das fases mais importantes no uso de plantas medicinais é a identificação da espécie que possui a atividade terapêutica que necessitamos. domésticas. As confusões com relação à identificação de plantas podem trazer diversos problemas como: uso de forma errada. que podem variar conforme a região e a cultura do povo. de beira de estrada. sabor adocicado. amargo. O processo de identificação de uma planta exige uma classificação que pode ser em nível popular como em nível científico. de beira de rio. é através dele que se dá o reconhecimento popular das plantas. 13 . etc. etc. Uma planta pode ter um ou mais nomes populares. superfície lisa ou áspera. intoxicação com a planta errada. das folhas e flores. cheiro característico. Também podem dividir as plantas em grupos homogêneos como: plantas cheirosas. compra ou venda da planta errada.

são instituições. Rio de Janeiro (1831) Herbário da Escola de Farmácia de Ouro Preto. Ordem. As espécies que já possuem classificação definida são encontradas em coleções denominadas “Herbarium”. negrito ou grafado. A classificação botânica é feita por especialistas. No final do nome científico vem o nome do autor. destinados à exposição e ao estudo. secos. O nome científico vem grifado de forma diferente. isto é. em itálico. é atribuído um nome formado por duas palavras latinas. Divisão. Minas Gerais (1892) Herbário Paraense Emílio Goeldi (1895) Herbário do Instituto Florestal de São Paulo (1896) Atualmente – 113 Herbários ativos no Brasil 14 .CLASSIFICAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO CIENTÍFICA CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA Os critérios mais aceitos atualmente levam em consideração o grau de parentesco entre as espécies. geralmente associadas a institutos de pesquisa ou universidades. Família. produção de metabólitos secundários. HERBÁRIOS . através do processo de evolução. identificados e ordenados. Os vegetais são agrupados da seguinte forma: Reino. designando o gênero e a espécie acompanhados do nome do Autor (primeira pessoa que classifica a planta no sistema botânico). que abrigam coleções de materiais botânicos. Os primeiros herbários do Brasil são: • • • • • Herbário do Museu Nacional. Espécie. O parentesco é demonstrado através de características como a morfologia floral. Classe. Gênero. IDENTIFICAÇÃO CIENTÍFICA É feita através da comparação da planta em estudo com uma espécie já classificada. etc. O primeiro nome (gênero) inicia em maiúscula e o segundo em minúscula. A unidade fundamental do sistema de classificação botânica é a espécie.

25. Herbário Central (1983) acervo .cria. Técnica de coleta. cactos. Alta floresta Outra fonte de pesquisa é Flora Brasiliensis on line: florabrasiliensis.411 espécimes Único fiel depositário para manter plantas vivas do Estado de Mato Grosso (or- quídeas. contendo estruturas vegetativas e reprodutivas (flores e ou frutos). acompanhadas de etiqueta contendo informações sobre a planta. e preparar uma exsicata (partes vegetais retiradas da planta.Em Mato Grosso há os seguintes herbários: • UfMT. aráceas) • • Coleção Zoobotânica James Alexander Ratter (1997).org. de preferência florida. o local e a data de coleta). 15 . bromélias. Cada exsicata possui um número de registro.br Carl Friedrich Phillipp von Martius (1840 a 1906) Para fazer esta comparação é preciso coletar a planta. Uma boa fonte para completar este estudo é Fidalgo & Bononi. preservação e herborização de material botânico. Nova Xavantina Herbário da Amazônia Meridional (2007). prensadas e secas.

A planta medicinal constitui uma unidade terapêutica. Podem provocar reações nos organismos. Estas substâncias são denominadas princípios ativos. alguns podem ser tóxicos. PRINCÍPIOS ATIVOS DOS VEGETAIS São compostos químicos secundários sintetizados pelas plantas através dos nutrientes. hora de coleta. mas mesmo assim ela pode apresentar atividade medicinal satisfatória e ser usada.PLANTAS MEDICINAIS Uma planta é tida como medicinal por possuir substâncias que têm ação farmacológica (atuação dos componentes químicos das plantas no organismo). ramos. Têm a função de melhorar as condições de sobrevivência da planta. caules. este fitocomplexo representa a unidade farmacológica integral da planta medicinal. As diferenças existem inclusive em plantas cultivadas lado a lado. solo ou clima onde vive a planta. e o teor varia de acordo com a época do ano. sementes ou flores. Para que a planta medicinal tenha o máximo de efeito e propicie uma melhora rápida. Nem sempre os princípios ativos (Quadro I). Não são estáveis e nem se distribuem de maneira homogênea. rizomas. desde que não apresente efeitos tóxicos graves. todos os princípios ativos formam um fitocomplexo que interage entre si e com outras moléculas aparentemente inativas. de uma planta são conhecidos. da água e da luz que a planta recebe. dependendo da dosagem utilizada. Para as plantas estas substâncias estão relacionadas com atividades de proteção contra pragas e doenças e atração de polinizadores. Podem estar concentrados nas raízes. 16 . é preciso que seja colhida no momento em que haja maior quantidade de princípios ativos e na parte da planta em que esta concentração seja máxima. É preciso que a planta seja manipulada de forma a preservar esta quantidade de princípios ativos conferindo o máximo de eficácia. folhas.

Em algumas espécies como o cedro. mas somente algumas espécies possuem aplicação terapêutica. dificilmente solúveis em água. a canela e o linho. São princípios ativos que protegem as mucosas contra os irritantes locais. Óleos essenciais – dos princípios ativos. A sensação travosa da boca. apresentamos a seguir um breve resumo dos principais princípios ativos. algumas vezes desagradável. raízes e folhas das plantas aromáticas. e possuem odor intenso. por isso diz-se que são plantas de uso industrial. São encontrados em frutos verdes. Mucilagens – são polissacarídeos complexos formados por açúcares simples e que incham quando em contato com a água proporcionando um líquido viscoso. Como exemplo de plantas produtoras de alcalóides. os óleos essenciais. Ocorrem em diversas plantas. pois entram na composição de inúmeros medicamentos. temos a coca e o tabaco. Os taninos podem provocar irritação gástrica. frutos. Plantas produtoras de alcalóides são potencialmente perigosas se consumidas sem orientação médica. São componentes vegetais extremamente voláteis. nogueira. cascas do caule e raiz de algumas espécies vegetais como: caju roxo. pó de banana verde. formigas ou cupins. é causada pela precipitação das proteínas na mucosa. Podem causar toxicidez mesmo quando usadas em pequenas doses. atenuando as inflamações. quando ingerimos planas contendo tanino. Alcalóides – formam um grupo economicamente importante. Taninos – são substâncias que protegem o vegetal do ataque de microorganismos. formam o grupo mais importante do ponto de vista econômico. São encontrados em maior quantidade nas sementes de 17 . aroeira. Podem estar contidos em flores. encontram-se na casca.Para melhor compreensão dos componentes vegetais e de suas ações.

cardiativos. como.tanchagem e malva. antraquinônicos. Em menor quantidade encontram-se nas raízes tuberosas. 1997). atrasa o envelhecimento celular. São os responsáveis pela coloração das flores. Flavonóides – formam um grupo muito extenso com propriedades físicas e químicas muito variáveis. diurética. As saponinas favorecem a ação dos demais princípios ativos da planta e em excesso podem causar irritação da mucosa intestinal e manifestações alérgicas. Apresentam ações e efeitos tão diversos que é difícil agrupa-los sob um conceito químico. Possuem propriedades antioxidante. quando agitada com água. Atualmente entram como emulsificantes na preparação de muitos cosméticos. ex: pulmonária (Pulmonária officinalis). ação em determinados distúrbios cardíacos e circulatórios e em casos de cólicas estomacais. goma arábica e algas marinhas. flavonóides e saponínicos (Fernandes. antifermentativa. Saponinas .seu nome provém da propriedade de formar espuma abundante. Tem ação antiespasmódica. São compostos que se concentram principalmente nas flores e frutos servindo de atrativo para insetos e animais dispersores. Os glicosídeos podem ser: alcalinos cianogênicos. Tem ação brandamente diurética. que lhes conferem sabor ácido e propriedades farmacêuticas características. Essas substâncias encontram-se em maior quantidade nos frutos cítricos e ácidos e nas verduras. folhas suculentas e plantas de clima árido. As plantas que contém saponinas são utilizadas também por sua ação expectorante. Glicosídeos – as plantas produtoras de glicosídeos são de uso industrial. Plantas ricas em ácidos orgânicos são muito utilizadas na fitocosmética. estimulante da respiração celular. pois seu uso sem orientação médica pode ser perigoso. frutos e algumas cascas. ação laxativa e refrescante. Ácidos Orgânicos – diversas plantas apresentam ácidos orgânicos. purgativa e depu18 .

Algumas espécies como: erva-mate. joazeiro. No Quadro I relacionamos. resumidamente. Princípios amargos – a propriedade do sabor amargo é encontrada em muitas espécies vegetais. suas funções. alguns dos principais princípios ativos. Alcachofra. chicória e boldo são espécies ricas em princípios amargos. como estimulantes biliares e preparam o aparelho digestivo para o aumento da produção de suco gástrico (aperitivo). Estes princípios têm funções estomacais. 19 . as saponinas são encontradas em maior quantidade. usos industriais e algumas espécies ricas nestas substâncias.rativa. pfaffia e salsaparrilha.

cidreira. Taninos Proteção contra Adstringente. Hortelãs. ver. Erva essenciais zação mífuga. Alfavacão 3. antiinflamatória Babosa. anti. circula.ALGUNS DOS PRINCIPAIS GRUPOS DE PRINCÍPIOS ATIVOS Grupo de Função Ação Espécie princípio atino vegetal farmacológica vo 1. Óleos Proteção. Espinheira-santa 5. calmante.Barbatimão. dis. nóides persão de frutos e fortalece os vasos Marcela. Arrução. anestési.Antiinflamatória. predação tamento de doen.Espirradeira.Bactericida. Jaborandi. stritora. Romã.chagem. momila. com modificações. Alcalóides Proteção contra Analgésica. Mandioca.QUADRO I . Borespasmódica. rias trizante vaso con. fungos e bactétidiarréica. curtume Farmacêutica Alimentícia. anti-séptica. Nozvômica 4. Glicosídeos Proteção contra Cardiotônica.ragem.da ti-reumático Fonte: Furlan( 1998). ças do coração. gomas. BioflavoPolinização. Cáscara sagrada 6. exemplo: resinas-ópio.lêndula. Uso na indústria Fabricação de geléias. Casementes capilares. Babosa. Guaraná. São im- 20 . Tanágua e nutrientes cicatrizante. tra. Farmacêutica. Quiaxante bo 2. hidratantes. la. cosmética Há outras substâncias classificadas como princípio ativo. Maracujá. Farmacêutica Farmacêutica. antiespasmódica. látex retirado das cápsulas imaturas da papoula.Pitangueira. cosmética. Caca. alimentícia. fé. Capredadores tésica. anes. Sálvia. cica. Camomila. polini.Alecrim. Mucilagens Translocação de Antiinflamatória.Goiabeira. coração.Beladona. As vitaminas e sais minerais encontrados nos vegetais também são exemplos de princípios ativos. an.Dedaleira. an.

FATORES QUE AFETAM OS TEORES DE PRINCÍPIOS ATIVOS Vários fatores. incidência de luz solar. ataque de pragas e condições edáficas.prescindíveis ao bom funcionamento do organismo. 21 . altitude. Quanto a fatores externos. temperatura. podendo resultar em plantas bem desenvolvidas. o estágio de desenvolvimento ou as diferenças que ocorrem quimicamente. fotoperíodo. condições nutricionais. reequilibrando as funções orgânicas. mas com pouco teor de princípios ativos. já existem pesquisas que atestam a influência nos teores das substâncias. auxiliando no tratamento de diversas patologias. Plantas geneticamente inferiores não produzirão com qualidade satisfatória mesmo que sejam dadas a elas as melhores condições durante o cultivo. podem interferir na quantidade de princípios ativos das plantas. Como exemplo de fatores internos pode ser citado o número cromossômico. tanto internos quanto externos. pois o seu código genético não lhes confere a capacidade de produzir determinado princípio ativo.

linfa. colheita – todas as medicinais Podas gerais Lua Crescente – seiva sobe para as folhas Colheita de folhas (medicinais) Colheita de cereais (pouco antes da lua cheia) Lua Cheia – seiva nas folhas – maior luminosidade lunar Geralmente acompanhada de tempo seco Muitos autores não a indicam 22 . Lua Minguante – a seiva está nas raízes Plantio/semeadura de tudo o que cresce abaixo da terra Semeadura.INFLUÊNCIA LUNAR De modo comparativo. líquidos seminais) e também determina o movimento da seiva nas plantas. plantio. a lua rege o fluxo e refluxo do nosso sistema aquoso (sangue. plantio. colheita – todas as medicinais Podas gerais Lua Nova – Semeadura/plantio – tudo o que cresce acima da terra Semeadura.

Para maiores interesses científicos. seja através de material bibliográfico ou obtendo informações das proximidades da comunidade em estudo. ecólogos. Para a coleta de informações várias técnicas são utilizadas. fracionamento. como: mapeamento dos locais de coleta de material botânico. Antes de o pesquisador introduzir-se no campo de pesquisa. botânicos. isolamento e purificação dos constituintes da espécie vegetal. a fim de que cada etapa do processo de extração. A maneira mais eficaz e promissora encontrada. devem ser depositadas em herbários. como: etnobotânicos. para identificação e coleta de outros dados. ter em mente aspectos antropológicos.METODOLOGIA DE PESQUISA COM PLANTAS MEDICINAIS A busca constante de novos medicamentos para a cura de inúmeras doenças que afetam a população tem sido realizada por diversas abordagens de estudo. observação participante. Além destes profissionais muitos outros são envolvidos. 23 . médicos e educadores. está na integração de vários profissionais. O pesquisador deve conhecer a sociedade. sobre o sentido social dos conhecimentos produzidos e as finalidades e perspectivas do fazer científico. Outra forma de se abordar o informante é levando as espécies vegetais até ele. entrevistas abertas e fechadas. que após preparação das exsicatas. seja mais criteriosa e eficaz. Esse procedimento é demorado e requer grande quantidade de materiais de teste. deve procurar conhecer melhor a região em que vai trabalhar. estruturadas e semi-estruturadas. história de vida. sociais. há a necessidade de profissionais que atuem na área de química de produtos naturais e farmacologistas. farmacêuticos. É um projeto viável somente através de interesses de pesquisadores que se desprendem do lado científico e atuam junto às necessidades das pequenas comunidades. para obtenção de alternativas de tratamento e até mesmo de curas. culturais e econômicos. agrônomos. O material botânico deve ser coletado em número de três a quatro amostras.

vai depender de uma avaliação estatística para determinar qual é a amostra que representa a população em estudo. pois devem ser analisadas as questões a quem se destina a pesquisa e a quem servem os conhecimentos produzidos. 24 . Não é tarefa fácil estabelecer uma metodologia para um trabalho etnobotânico.As exsicatas são instrumentos importantes para a identificação de plantas. este número é caracterizado pela importância do informante ou pelo número de vezes que a informação obtida aparece. com certeza os objetivos serão alcançados. Se a pesquisa é de caráter qualitativo. Armazenadas em locais apropriados permitem a utilização por pesquisadores sem haver necessidade de se deslocar até o local de coleta. Sendo o interesse das partes envolvidas em comum e voltadas para a melhoria das condições de vida da população. Podem ainda conter desenhos. Quando a pesquisa é de caráter quantitativo. Devem ter em primeiro plano as partes mais importantes da planta. O número de informantes vai depender do caráter da pesquisa. mapas. por isto não devem ser deixadas flores e frutos encobertos pelas folhas. fotografias e outras informações.

Registra as práticas de manejo ecológico de ecossistemas complexos. em termos práticos e biológicos. através dos quais faz-se um recorte especial para o estudo das plantas medicinais. Souza (1998) ressalta que a Etnobotânica 1.Evidencia as plantas úteis de determinada região e. ecológicas e filosóficas dão respaldo ao seu crescente progresso metodológico e conceitual (Jorge & Moraes. Suas implicações ideológicas. 5. 4. Para Albuquerque (2002). possibilita: 25 . biológicas. o acúmulo de conhecimento oriundo das pesquisas etnobotânicas. 6. a etnobotânica.Registra os conhecimentos populares sobre as plantas. cada qual refletindo a formação acadêmica dos pesquisadores envolvidos. no tempo e no espaço. vem ganhando prestígio cada vez maior nos últimos anos. o estudo das plantas e seus usos por diferentes grupos humanos passou a ter outra visão. 2.Restaura as práticas de etnomedicina sobre as espécies vegetais. 3.Descreve práticas de etnoagronomia e etnoagricultura desenvolvidas com as espécies domesticadas. Com isto.Revela a interação ser humano-planta no contexto da relação sociedadenatureza. O uso de espécies vegetais com fins de tratamento e cura de doenças e sintomas se perpetuou na história da civilização humana e chegou até os dias atuais. Com o desenvolvimento das ciências naturais e posteriormente da antropologia. 2003). inscreve-se o conhecimento relativo ao mundo vegetal. Nesse acervo.ETNOBOTÂNICA Toda a sociedade humana acumula um acervo de informações sobre o ambiente que a cerca. recebendo variados enfoques.

o desenvolvimento e as inter-relações dos estudos etnobotânicos. Para melhor entender a trajetória.• A descoberta de substâncias de origem vegetal com aplicações médicas e industriais. bem como a promoção de programas para o desenvolvimento e preservação dos recursos naturais dos ecossistemas tropicais. • O reconhecimento e preservação de plantas potencialmente importantes em seus respectivos ecossistemas. recomendamos a leitura de Albuquerque (2002) e Jorge (2003). • O estudo das drogas vegetais e seu efeito no comportamento individual e coletivo dos usuários frente a determinados estímulos culturais ou ambientais. 26 . • O conhecimento de novas aplicações para substâncias já conhecidas. devido ao crescente interesse pelos componentes químicos naturais. • O descobrimento de importantes cultivares manipulados tradicionalmente e por nossa ciência desconhecidos. • Documentação do conhecimento tradicional e dos complexos sistemas de manejo e conservação dos recursos naturais dos povos tradicionais.

Uma das formas mais básicas de obtenção de dados etnobotânicos. é a realização de entrevistas. interpreta e se relaciona com o mundo vegetal. os estudos etnobotânicos podem comparar e avaliar o significado das plantas para determinados grupos. qualitativa ou quantitativa. A integração com diversas disciplinas. procurando valorizar seus conhecimentos. Ming (1995) sugere um primeiro contato com o grupo a ser pesquisado. proporciona várias técnicas para a coleta de informações. na técnica qualitativa. a fim de que se elabore uma metodologia mais adequada. 27 . na Etnobotânica. é um trabalho integrado com outras disciplinas. Com a análise quantitativa. Cada abordagem. Para a coleta dos dados acima citados. deve-se desenvolver uma metodologia que dependerá das circunstâncias e dos objetivos propostos na pesquisa. contempla a realidade do cotidiano das etnias e grupos sociais. A análise qualitativa se preocupa em esclarecer como o homem compreende. as entrevistas podem ser estruturadas e semi-estruturadas. (Souza. 1998). diferindo em grau (mais ou menos dirigidos). Segundo De La Cruz Mota (1997).METODOLOGIA DA PESQUISA ETNOBOTÂNICA A pesquisa baseia-se em dois pontos principais: coleta de informações sobre o uso da planta e coleta da planta A pesquisa com plantas medicinais. tem suas vantagens e desvantagens. bem como fornecer dados para a conservação dos recursos naturais. nenhuma é melhor ou mais correta que a outra. obtendo melhores respostas às suas investigações. dentre elas citaremos: técnicas qualitativas e quantitativas. Cabe ao pesquisador buscar a integração entre ambas.

Neste caso. quando preenchido pelo entrevistado. para registro de todos os dados. Este tipo de abordagem limita as respostas do informante. é um tipo de entrevista totalmente fora do controle do pesquisador. o informante deve ser consultado antes. podemos fazer uso de formulário. deve haver uma estreita colaboração com os integrantes do local estudado ou dos informantes. Deve-se procurar pessoas idôneas e de preferência que já trabalhem há um bom tempo com as ervas. Hoje existe muito vendedor de ervas. permitindo maior liberdade ao entrevistado. o que é diferente dos chamados raizeiros. não estruturadas. e desta forma a conversa fluir livremente. o entrevistador guiará a entrevista de acordo com os interesses da pesquisa. É importante lembrar que. ou fechadas. Nas entrevistas semi-estruturadas as perguntas são parcialmente formuladas pelo pesquisador antes de ir ao campo. permitindo uma flexibilidade maior no aprofundamento dos dados que podem surgir durante a entrevista. Na realização do trabalho etnobotânico. Para as entrevistas do tipo semi-estruturadas e estruturadas. registrando todos os eventos observados e ouvidos durante o processo. estes além de deterem o conhecimento sobre a utilização da planta. modo de preparo e maneira 28 . As entrevistas estruturadas consistem em levar o entrevistado a responder perguntas previamente elaboradas. do tipo sim ou não ou de múltipla escolha. As entrevistas que discorrem de forma mais aberta. Durante as entrevistas torna-se imprescindível o uso do gravador. Para a abordagem informal é essencialmente que o pesquisador disponha de um diário de campo. são as não estruturadas. As questões formuladas podem ser abertas. ou de questionário quando preenchido pelo entrevistador. sem elaboração prévia.Albuquerque (2004) divide as entrevistas em estruturadas. para o uso do gravador. semi-estruturadas e informais.

grau de escolaridade. polinização. características da casca. a cor e odor. É um estudo temporário e analítico. etc. quanto micro de espécies. devem conter: nome popular da planta (se houver mais de um. Se for árvore. tempo que trabalha com as plantas. deve conter um número estabelecido pelo coletor e se forem coletadas mais de uma amostra da mesma planta. O Estado de Mato Grosso possui uma biodiversidade muito alta em nível macro de bioma. A primeira parte da ficha de campo deve conter os dados pessoais do informante. as amostras recebem o mesmo numero. sexo. que leva ao conhecimento das espécies que são utilizadas pela população matogrossense e serve de base para traçar estratégias de conservação e manejo da biodiversidade local. anotar) local de coleta (o mais completo possível). pode ser misturada com outras plantas e quais. nome do coletor e número da planta coletada. profissão. anotar altura. localidade. De uma forma geral. para que serve a planta. maiores são as chances de a pesquisa trazer subsídios de interesse para se avaliar a eficácia e a segurança do uso de plantas para fins terapêuticos. Uso local: qual a parte da planta a ser utilizada. como: idade. a época certa para coletar e quais as partes que devem ser coletadas. Cor e cheiro das flores. onde adquiriu conhecimento. diâmetro. Os dados sobre a espécie vegetal variam de acordo com a necessidade da pesquisa. tipo de solo. etc. dosagem. também conhecem o local onde coletar a planta. modo de preparo. Morais et al. Para que haja ordem no trabalho faz-se necessária a elaboração de fichas de campo. época da coleta. fizeram um levantamento das pesquisas regionais com informações sobre plantas medicinais nos diferentes biomas. dispersão do fruto. data de coleta. hábito da planta (erva. tempo que reside no local. frutos e folhas. A segunda parte da ficha deve conter os dados referentes à planta que será coletada. árvore. Se possui resina ou látex. além de proporcio29 .de uso. (2003). Observações ecológicas e biológicas – horário de abertura floral. arbusto. planta cultivada ou não. Quanto mais detalhadas forem as informações.). naturalidade.

a devolução elaborada dos dados oriundos da pesquisa etnobotânica às populações de origem pode contribuir para maior valorização do conhecimento tradicional local e também das espécies utilizadas e ou indicadas. : 30 .nar o desenvolvimento de políticas ambientais visando uma melhor qualidade de vida. os pesquisadores etnobotânicos preocupam-se com a necessidade do retorno das informações às comunidades usuárias e conhecedoras de plantas medicinais. Atualmente. com a busca cada vez maior pelos elementos naturais. Para De La Cruz Mota (1997).

FICHA DE CAMPO Data____________________ Ficha de campo n0 ____________ Pesquisa Etnobotânica sobre________________________________________ Coletor _________________________________________________________ Local __________________ Coordenadas_______________ 1 .Sobre o uso Qual parte da planta é utilizada? ___________________________________ Para que serve? __________________________________________________ Como prepara o remédio? __________________________________________ Qual a dosagem? Quantas vezes ao dia? ___________________________ Pode ser misturada a outras plantas? Sim ( ) não ( ) Quais? _________________________________________________________ Há contra indicação? ______________________________________________ 31 .Sobre o Informante Nome: ________________________________________Idade: _______anos Sexo: _________Profissão: _________________________________________ Naturalidade: ___________________________ Instrução: _______________ Tempo que reside no local: ____________anos Quanto tempo trabalha com plantas medicinais? ________________________ Com quem aprendeu sobre as plantas? ________________________________ 2 .Sobre a planta Nome(s) conhecido(s) _____________________________________________ Hábito: ______________________________Época de floração: ___________ Habitat: ___________________ Cor das flores: ______________ Época de coleta: __________________________________________________ Fruto: carnosos ( ) secos ( ) cor_______ odor__________________ Sementes: cor_____________ odor__________________ Possui: látex ( ) resina ( ) seiva ( ) cor__________________ Casca: espinhos ( ) acúleos ( ) protuberâncias ( ) 3 .

como: utilização de água sem poluentes e de preferência manter a terra sempre úmida. grande quantidade de massa verde e estão próximos uns dos outros. tornando-se indisponíveis às plantas. usar cobertura morta (restos vegetais secos) que impedem o ressecamento do solo pelos raios solares. a irrigação pode ser feita quando houver grande período de estiagem. 32 . e depois reduzir para as necessidades da planta. no início do desenvolvimento. Irrigação Deve-se tomar o cuidado para não fornecer água em excesso. Tanto o excesso quanto a escassez podem trazer prejuízos para o cultivo. A água é imprescindível para o desenvolvimento de qualquer vegetal. recomenda-se irrigar de manhã e à tarde. Sem a água os vegetais são conseguem absorver os nutrientes disponíveis no solo e indispensáveis ao crescimento.CUIDADOS NO CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS As plantas medicinais devem ser ricas em princípios ativos e para que isto ocorra alguns cuidados são essenciais. A água excessiva aumenta a incidência de doenças e impede o arejamento da terra. pode haver uma “lavagem do solo” e os nutrientes são arrastados pela água. principalmente daqueles que possuem crescimento rápido. Se houver abundancia de água. Nunca irrigue na hora do sol forte. Para espécies arbóreas.

Em locais de pouca água, utilize as seguintes dicas:

- a terra nos canteiros deve estar sempre bem solta; - cobertura com palha de arroz, serragem, etc. diminui a evaporação de água; - espécies sensíveis ao ataque de doenças não devem ser irrigadas por aspersão; - folhas de plantas sensíveis quando murchas ou caídas indicam necessidade de regas.

Solo

O tipo de solo pode influenciar a produção da biomassa (quantidade de matéria vegetal produzida após a colheita) e das substâncias medicinais. Geralmente, a origem da planta medicinal pode servir como indício de qual solo é o mais indicado para o plantio. Devem ser plantadas em solos mais soltos (mais arenosos e menos argilosos), as espécies que tem por objetivo a extração de raízes, como por exemplo: gengibre, curcuma e açafrão. Solos ricos em matéria orgânica são os preferidos pelas espécies que produzem muita massa foliar como: hortelãs, poejos, capim cidreira, erva-cidreira e carqueja. Poucas espécies como chapéu-de-couro, cavalinha e caninha do brejo preferem solos encharcados. Espécies suscetíveis às doenças, como as mentas e a tanchagem não deve ser plantadas em solos mais escuros, argilosos. Estes geralmente são mais férteis, menos ácidos, retém mais água, mas favorecem o aparecimento de doenças.

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O Quadro II apresenta algumas espécies medicinais selecionadas e o tipo de solo recomendado para o plantio. Nome popular Nome científico Tipo de solo Rosmarinus officinalis Alecrim Calcário e bem drenado Justicia pectoralis Anador Não exigente Aloe vera Babosa Leves, arenosos e bem drenados Plectranthu barbatus Boldo Secos, leves e bem drenados Cymbopogon citratus Capim-limâo Drenado, rico em matéria orgânica Alpinia zerumbet Colônia Boa retenção de água, sem encharcar Lippia alba Erva-cidreira Drenado, rico em matéria orgânica Mikania glomerata Guaco Rico em matéria orgânica Mentha x vilosa Hortelã rasteira Todo tipo, melhor no úmido argiloso Mentha pulegium Poejo Orgânicos com boa retenção de umidade Phyllantus niruri Quebra pedra Mais úmidos e sem encharcar Punica granatum Romã Todo tipo Sambucus australis Sabugueiro Todo tipo Para uma boa adubação é preciso antes analisar o solo e diagnosticar quais os nutrientes estão deficitários. Isto pode ser corrigido com o uso de produtos de origem química (adubos químicos, calcário, fosfatos, cinzas, etc.) e os de origem orgânica (estercos de animais, húmus de minhoca, adubo verde, composto orgânico, etc.). Esses corretivos devem ser colocados no solo na quantidade correta, para que não ocorra desequilíbrio e prejudique o desenvolvimento da planta. Os corretivos químicos devem ser usados somente com orientação técnica. Utilização de adubação adequada, a falta ou excesso de nutrientes podem aumentar ou diminuir a quantidade de princípios ativos na planta. Esta fica sujeita a ataques de pragas (ácaros, pulgões, cochonilhas, formigas, lagartas, lesmas, grilos) e microorganismos (fungos e bactérias). Os estercos de origem animal (bovino, aves)
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devem ser bem curtidos, caso contrário poderá haver queima da planta. Após curtido, o esterco deverá ser bem misturado com terra do canteiro e esperar 20 dias para o plantio. Retirar as plantas que brotarem nesses dias. Também podem ser adicionados restos vegetais como: folhas, ramos, bagaços, pó de café, chá ou resíduos secos de animais, como casca de ovo e ossos moídos. O preparo deste tipo de adubo chama-se compostagem e pode ser feito dentro de um caixote ou em um buraco no chão em camadas, onde: 1a camada - matéria orgânica de difícil fermentação (partes secas dos vegetais) 2a camada - uma camada fina de terra 3a camada - matéria orgânica de fácil fermentação (resíduos animais) 4a camada - uma camada fina de terra 5a camada - cal evita moscas e mau cheiro, diminui acidez do solo quando o composto for usado. 6a camada - manter a composteira sempre úmida, não encharcada e de preferência coberta com folhas de bananeira ou capim seco. No meio do composto atravesse-o com tubo grosso de pvc todo furado para que o ar possa penetrar e arejar o material. Após uma semana, retire o tubo do centro, revolva o composto e recoloque o tubo. Molhe o composto a cada 2 dias e revolva de 15 em 15 dias. A compostagem quando pronta fica de coloração escura, pastosa e com cheiro de floresta, em média após 60 dias a compostagem já está boa. A dose utilizada deste adubo deve ser de 3 a 5 kg por metro quadrado.

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A quantidade de adubo orgânico colocado normalmente numa horta é: Esterco de ave – 1,5 a 3,0 kg /m2 Húmus de minhoca – 1,5 a 3,0 kg/m2 Esterco de boi – 3,0 a 5,0 kg/m2

Não o utilize caso ainda estiver em processo de fermentação, pois queimará suas plantas. 800 C. Qualquer local em que incida pelo menos cinco horas de sol, as plantas crescem com vigor, preferencialmente se o solo tiver boa drenagem e for protegido de ventos frios e fortes. Em todo caso se não houver outro local para o cultivo, improvise quebraventos. Os ventos fortes derrubam as flores, impedindo a polinização e afugentam as abelhas e outros insetos. O local deve ser o mais plano possível, estar próximo à fonte de água para irrigação, ficar longe do solo muito argiloso. Os solos argilosos são mais compactos, menor drenagem e oferecem dificuldade no trabalho. Em locais onde a iluminação é deficiente (três a quatro horas de sol) pode-se plantar espécies como menta, melissa, poejo e hortelã em vasos. Além dos vasos, uma horta pode ser instalada em jardineiras, sacos de leite, garrafas pet, caixas de madeira, latas de 18 litros e caixa d’água, principalmente quando o cultivo for de condimento como alecrim orégano, cebolinha e salsinha. Esses recipientes devem estar bem limpos para não prejudicar o crescimento ou envenenamento da planta. Deve ter pelo menos 20 cm de profundidade, para plantas cuja altura não ultrapasse 50 cm (poejo, hortelã, anador). Para uma boa drenagem, no fundo dos recipientes, deve haver furos e uma camada de pedras. Plantas como boldo da terra, manjericão e alecrim, necessitam de maior profundidade e devem ficar nos vasos por um período menor e depois ser transplantado.
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Durante o processo de fermentação, a temperatura chega a atingir

e em locais de clima quente plante em abril ou maio as espécies de clima mais ameno. plante as espécies exigentes de clima mais quente apenas nos meses de setembro e outubro. boldo. guaco. A maioria das plantas que recebem nome indígena também preferem climas quentes como pariparoba. jaborandi. acerola e limão. estévia. marcela. catuaba. se colocar na face norte (oferece mais luz e calor) uma planta de maior tamanho. guaraná. calêndula. aos ventos frios como camomila. capim-limão. jaborandi. Em locais de clima ameno. poaia ( ipecacuanha). Plantas de clima quente: arruda. calêndula (flores) e bardana (raiz) preferem clima ameno.Como a maioria das plantas medicinais exige sol pleno. ela sombreará as de menor porte e que estão na face sul. açafrão. Espécies produtoras de raízes e flores como camomila. marcela. Alguns exemplos de espécies de clima mais ameno: camomila. Esta face é recomendada para espécies adaptadas a clima mais ameno. espinheira-santa. pois são originárias de regiões tropicais e subtropicais. bardana. Quase que a maioria das plantas que produzem frutos suculentos são adaptadas a clima mais quente como maracujá. guaco e epinheirasanta. 37 .

Assim.manter o solo em boas condições. evitando plantar em anos consecutivos uma mesma espécie ou da mesma familia. Em áreas cultivadas.adquirir mudas sadias . . como solo quase sem matéria e microflora.MANEIRAS ALTERNATIVAS DE CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS EM PLANTAS MEDICINAIS Como toda cultura.plantar espécies resistentes e adaptadas ao local e à época.realizar a rotação de cultura. doenças e plantas concorrentes. Depois. pois a umidade e temperaturas altas tornam o ambiente propício ao ataque de doenças.). Plantas para uso in natura devem ser tratadas com defensivos agrícolas que não sejam naturais. Desinfeccione o material de colheita ou poda. Plantas para uso industrial não terão problemas de contaminação residual. retirar a parte infectada (folha. Procure sempre uma orientação técnica e tome alguns cuidados: . uma vez que seus princípios ativos serão isolados através de processos químicos. quase todos relacionados à desequilibrio ecológico. etc. ramo. Para o controle de pragas e doenças em cultivos de plantas medicinais. . . com acidez elevada. pois absorvem o mesmo nutriente do solo e a planta fica vulnerável ao ataque de pragas e doenças. plante outra espécie de família diferente. 38 . ou até mesmo a planta inteira e queime-a para que não haja contaminação. os cultivos de plantas medicinais podem também ser atacados por insetos e agentes patogênicos de maneira tão intensa a ponto de comprometer o seu sucesso. apesar da maioria das plantas medicinais cultivadas serem de domesticação recente e possuir ainda uma rusticidade que as torna naturalmente mais resistentes ao ataque de doenças e pragas. o cultivo de plantas medicinais sofre com o ataque de pragas.em caso de infecção. deve-se levar em consideração a finalidade da planta. muitos fatores influenciam o ataque de pragas e doenças.

também os ácaros. plante em volta de seu canteiro. hortelã (Mentha sp. Infusão de losna – controla lagartas e lesmas. Espécies como a catinga de mulata (Tanacetum vulgare) e/ou gergelim (Sesamum indicum). a lagarta das folhas. pulgões. espécies que repelem alguns insetos como: cravo de defunto ou tagetes (Tagetes glandulifera).) que afugenta formigas e arruda (Ruta graveolens). forma jovem do besouro. causando 39 . tripes e lagartas. apresenta manchas redondas que soltam pó. Macerado de urtiga – controla lagartas. manejo inadequado da cultura e má drenagem do solo. Solução de sabão – controla pulgões e ácaros. ácaros. que evita lesmas. Outros defensivos naturais Calda de fumo – controla cochonilhas. os caramujos. Outra doença detectada em plantas medicinais é a ferrugem.. em folhas. Doenças As doenças mais frequentes são causadas por fungos e os sintomas das plantas atacadas. As condições para que ocorra esta doença é a má nutrição. frutos. parentes das aranhas e carrapatos. que mantêm os pulgões longe. formigas e lemas. ramos e botões. as cochonilhas. as parquinhas. Além dos purgões. são repelentes para formigas. os grilos e a lagarta-rosa são pragas que atacam as plantas medicinais. geralmente são manchas de tamanho e formas variadas como a antracnose. a broca.contra certas pragas.

Frequente no período chuvoso.queda dos frutos e grande perda de produção. 40 . fazer o sistema de rotação de culturas e evitar o plantio em solo de adubação inadequada. Para prevenção. ocorrendo nas fases próximas ao florescimento e frutificação.

use-as para problemas simples e com auxílio de um médico. Procure plantar espécies que auxiliem o usuário. retirar as pedras e entulhos. Os canteiros devem ser marcados com estacas de madeira e barbante bem esticado. bambu. em função das doenças que ocorrem nas pessoas da casa ou parentes. é aconselhável cercar a área com tela. Coloque cartaz alertando. milho e chapéu-de-couro. podem causar algum dano ao seu organismo. Plantas indesejáveis e as mais rasteiras devem ser retiradas de modo a arrancar também as raízes. Não as utilize em excesso.20 m de largura e o comprimento pode variar.ESCOLHA DAS PLANTAS MEDICINAIS Para uma produção caseira deve-se levar em conta algumas considerações. Preparo do local de plantio Após a escolha do local. se for plantar espécies tóxicas que pode causar danos à saúde. capim-limão. Se a planta não se adaptar ao local ou for muito atacada por doenças é preferível que se escolha outra espécie. 41 . Não há planta medicinal que não faça mal em doses elevadas. isto é. por exemplo só diurética: cavalinha. alfavaca. Para evitar invasão de animais. etc. Se não tiver experiência. como hortelã. erva cidreira. cana-do-brejo. As espécies de pequeno porte são cultivadas em canteiros. boldo. plante espécies fáceis de cultivar. Cada canteiro deve ter no máximo 1.

como confrei. no chão. Faça a marcação. estacas de madeira ou bambu. uma espiral de ervas que pode acomodar plantas medicinais e condimentares. plante ervas com folhagens verdes. Após misture terra. No local intermediário. terra e húmus ou compostos. babosa. Os materiais necessários para a construção da horta caseira em espiral são pedras.Deixar 1 m de distância do muro ou cerca e corredores de 40 a 50 cm entre os canteiros. se necessário utilize estacas para a condução e fixação das mesmas. 42 . evitando áreas sombreadas. O espaçamento entre as covas deve respeitar o porte da planta. como alecrim. mudas de diferentes plantas medicinais e palha. da espiral e comece a erguê-la amontoando as pedras. entre outras. Se o solo for do tipo argiloso. coloque no fundo da espiral os cacos de tijolos ou telhas e adicione a mistura de compostos preparados anteriormente ou húmus na última camada. O local onde será construído a espiral deve estar previamente nivelado. tanchagem. Na parte superior da espiral. alfavaca. Para uma boa drenagem. As espécies maiores como árvores e arbustos devem ser cultivadas em covas preparadas com adubação correta e mudas pré-formadas. areia e compostos até obter um solo rico em nutrientes. o centro da espiral deve ser mais elevado para facilitar a drenagem. O círculo tem cerca de 1.6 m de diâmetro na base e cerca de 1 a 1. geralmente o local mais seco e com maior luminosidade. Não utilize cimento para fixar as pedras. plante as ervas ricas em óleos essenciais ou suculentas.3 m de altura. UM MODELO DE HORTA CASEIRA Bieski (2005) idealiza um modelo de horta caseira (figura 1). pedaços de tijolos e telhas (entulho).

Para proteger a horta em espiral de insetos como formigas. Deve-se escolher um ramo novo com 5 a 10 cm sem sinais de doenças. Cortar as estacas de ramo com tesoura de poda. simplicidade e rapidez. divisão de touceiras e sementes viáveis. As estacas devem ser 43 . produzindo mais rápido e indivíduos semelhantes à planta mãe. após o plantio é recomendado o uso de cobertura vegetal. Para melhor propagação destas espécies.Na parte mais baixa e próxima ao solo. É reprodução de vegetal a partir da planta matriz. como palha. Não deve possuir botões florais. a parte que será enterrada em forma inclinada (bisel) e o ápice reto. A estaquia (ramo) é o processo vegetativo mais usado devido a sua eficiência. dos pingos d’água e reter a umidade. Deve-se manter na horta um pequeno viveiro e uma sementeira. As mudas de plantas medicinais podem ser obtidas por estaquia. plante ervas como hortelã. local mais úmido. Figura 1: Horta de plantas medicinais em espiral Obtenção de mudas Cada planta possui forma particular de propagação e por isto há diversos modos de obterem-se mudas.

mas em alguns casos não pode ser usado porque há espécies que não produzem sementes. húmus e areia. mergulhadas em solução fungicida por alguns minutos. que são brotos que se desenvolvem a partir do caule da planta mãe. como a curcuma (Curcuma longa). ou as sementes não são viáveis ou então espécies de domesticação que se reproduzem por fecundação cruzada. estaquia de raízes e rizomas – confrei As estacas assim preparadas devem ser em seguida desinfetadas. Plantas como a babosa (Aloe vera) podem ser propagadas pela divisão de filhotes. estaquia de caules e galhos – boldo. e a concentração empregada dependerá da forma de apresentação do produto e do tipo de estaca a ser enraizado. Também para estimular o enraizamento podem ser usadas substâncias promotoras da multiplicação celular. o gengibre (Zingiber officinale) e a zedoária (Curcuma zedoaria). como por exemplo: o capim cidreira (Cymbopogon citratus). barato e rápido.plantadas em saquinhos plásticos com substrato preparado. os fito-hormônioa. Sementes é o método mais prático. Outra maneira de ser feita a reprodução vegetativa é por meio de divisão de touceira. alfavaca. 44 . A divisão de rizoma é outro método usado para plantas da família das zingiberaceas. Exemplo de espécies para: estaquia da folha . deixando apenas um par de folhas no final do ramo. mistura de partes iguais de terra comum.saião.ou capim limão e mil folhas. ou seja. O fim da primavera é a época melhor para fazerem mudas. se for por imersão ou contato. A maneira como devem ser empregados. a depender do tipo de estaca e do fungicida empregado. Devem-se retirar as folhas da estaca. erva doce.

Regar de manhã e à tarde. são plantadas diretamente em semeadura à lanço (espalhadas no terreno). no período de final da tarde quando o sol estiver mais fraco. primeiramente molhar bem a sementeira e retirar as mudas com cuidado para não danificar as raízes. A parte enterrada formará raízes. Fatores como temperatura e luminosidade têm papel importante na germinação de sementes. originando uma nova muda. deve ser cortada da planta mãe. É feito induzindo à formação de raízes num ramo. embora ocorra na natureza com freqüência em algumas espécies. As sementeiras podem ser realizadas em caixotes ou canteiros bem adubados e umedecidos. Cuidado para não distribuir as sementes em excesso. a alfavaca. Os canteiros devem ter sulcos distanciados 15cm e com 2cm de profundidade. fazer as covas de 30x30x30cm ou 60x60x60cm (altura. respeitando a distância indicada. desde que seja retirado o excesso de plantas. a camomila. enterrando uma parte desse ramo enquanto ainda se encontra ligado à planta mãe. até que a mudinha tenha cinco folhinhas. a calêndula. Alporquia é um método utilizado em determinadas plantas arbustivas ou arbóreas que não possuem ramos flexíveis o bastante para se fazer a mergulhia. deixando-se a sua ponta sem enterrar. a hortelã e a manjerona também podem ser semeadas em sulcos. o funcho. De acordo com a altura da planta.Para maior segurança na germinação da maioria das plantas medicinais há necessidade de serem plantadas em sementeiras. Algumas espécies como a camomila. A losna. Para transplantar as mudas para os canteiros. Sementes muito pequenas como as de alecrim. comprimento e largura). devem ser muito bem misturadas com areia e depois distribuídas. Mergulhia é um processo pouco usado comercialmente. Para 45 .

parte utilizada e forma de uso. solo. O ramo deverá ser cortado abaixo das raízes e plantado sem o plástico em local adequado para que termine o seu desenvolvimento. Amarra-se com barbante um pedaço de plástico transparente em baixo do corte. deixando-se a parte interna exposta. Mergulhia Alporquia Diante da variedade de plantas indicadas como medicinais. areia ou terra. de modo a formar uma bolsa. propagação. colheita. distante 1 cm uma da outra. No caso do sabugueiro (Sambucus nigra). retirando-se a casca entre estes dois anéis. Este saco é preenchido com algum tipo de substrato onde as raízes possam se desenvolver. Isto é chamado de anelamento. 46 . como musgo. o tempo deste processo é de 60 dias. no Quadro III selecionamos algumas espécies e suas recomendações para o plantio.este processo deve ser escolhido um ramo com ótima aparência e com no mínimo 30 cm de comprimento. Faz-se duas incisões em forma de anel. Depois de algumas semanas haverá formação de raízes no interior do plástico.

A partir do Folhas Babosa Aloe vera Evitar solos Chuvas cataplasma.(outubro) compressa. só Mato dos.meses após Maria um ambrosipressa. compressa Seis meses Folhas Chá (infuAno todo Sementes Alfavaca Ocimum sp. não (outubro) bochecho.Infusão limão gon citratus touceiras após planto. Quatro Erva de Santa Chenopodifolha. ou estacas 1. em viveiro Maceração. propagação. Brotos dire. época de colheita. divisão de orgânica banho touceira Ano todo Estacas em Três meses Parte aérea Infusão. Estaca de Três meses Hortelã vick Mentha x Solo rico Ano todo inalação. Estaca de Seis meses Guaco Mikania solo com Ano todo xarope folhas. de galho em acidez gargarejo. parte utilizada e forma de uso Espécie Nome Solo Época de Modo de Época de Parte Forma de Científico Plantio Propagação Colheita Utilizada Uso Seis meses Rizoma Chá (infuAçafrão Curcuma Não Ano todo Rizomas. em pressa. repelente Folhas Infusão. comrizoma.banho.QuadroIII – Algumas espécies medicinais e suas recomendações de plantio. boviveiro checho Após 1 a Folha Chá (infuSementes Alecrim Rosmarinus Bem drena. compor semen. plantio tes oides cataplasma. infusão pectoralis exigente estacas de após plantio galho. Estacas em Quatro Erva Lippia alba Não Chuvas inalação viveiro meses após cidreira exigente (outubro) plantio em Mato Grosso Ramos Sumo da Todo tipo Ano todo No campo. se. são). gargalonga argiloso estacas de após plantio rejo. viveiro compressa Seis meses Folhas Xarope. ano todo. solos em pó da folha as folhas leves e Grosso crescidas arenosos Infusão. galho ou arvensis em matéria compressa.banho. ou estacas após plantio qanto a bochecho.Mentha x Melhor viveiro folhas fresra vilosa úmido e cas argiloso 47 . em Mato viveiro drenados na medida Grosso da necessidade Capim CymbopoTodo tipo Ano todo Divisão de Quarto mês Folha. Hortelã rastei. Anador Justicia Não Ano todo Sementes.Chuvas são). zoma duas vezes ao ano Folha Infusão.Chuvas maceração galho. merglomerata bom teor de gulhia matéria orgânica Parte aérea Infusão. Estacas de Quando a Folha Boldo Plectrathus Leves. chá. o (suco) mal drena. em planta estibarbatus cos e bem (outubro) ver cheia. ri. to no campo 1° ano. Corrigido são).5 anos officinalis do. em viveiros ácido gargarejo.

época de colheita. chá major em viveiro meses Fonte: Bieski (2005). parte utilizada e forma de uso Espécie Nome Solo Época de Modo de Época de Parte Forma de Científico Plantio Propagação Colheita Utilizada Uso Sementes Um ano Folhas Suco do Maracujá Passiflora Solo corri. com modificações. Ano todo ou muda meses niruri bem drenacoletada no do mato Romã Punica Todo tipo Ano todo Sementes Dois a três Frutos Decocção granatum em viveiro anos casca do fruto. bochecho. gargarejo Tanchagem Plantago Úmido Ano todo Sementes Quatro Folhas Banho. argiloso Parte aérea Chá Estaca de Três meses Poejo Mentha Mais orgâ.QuadroIII – Algumas espécies medicinais e suas recomendações de plantio. propagação. infualata gido de chuvosas são das acordo com folhas análise.Épocas fruto.Ano todo ramo em pulegium nico e com viveiro boa retenção de umidade Quatro Parte aérea Chá Sementes Quebra pedra Phyllantus Solo úmido. 48 .

com raras exceções.antes da planta brotar.sem o pecíolo. Caules lenhosos . Em algumas espécies. Sementes – início da queda de algumas sementes. início da formação de flores. obedece à seguinte regra para coleta: Coletar em dias secos e ensolarados. onde há o uso da raiz. curcuma. Flores e sumidades florais .maduros. A colheita não deve ser feita com as partes sobre as águas. Frutos . quando algumas flores já estiverem abertas mas a maioria ainda estiver em botão. Cada parte da planta. no inverno ou outono. 49 . limpe-a um dia antes da coleta. Para as raízes. alguns quando verdes. quando a planta não está vegetando.inicio da floração. Folhas .fim outono. por exemplo: com o orvalho da manhã e nunca em dia nublado ou chuvoso. início da primavera. por exemplo. rizomas. Se a planta estiver muito suja. Este momento tem variações estacionais (época do ano) e diárias. Raízes. Devem-se retirar as flores para aumentar a massa foliar.COLETA DE PLANTAS MEDICINAIS Existe um momento certo para a colheita que varia de espécie para espécie de planta. bulbos .quando perdem as folhas. procurar as mais próximas da superfície. a parte aérea murcha na época adequada à colheita. antes que se abram totalmente. Parte aérea da planta – a planta deve ser colhida em início de florescimento . quando estiverem bem maduras. primavera. exemplos: manjericões e boldo da terra. Cascas do caule . As partes aéreas devem ser colhidas pela manhã (após secar o orvalho) e as raízes no final da tarde. Evitar retirada de todas as folhas de um ramo. tubérculos. o seu metabolismo é mais lento ou dormente e as substâncias produzidas pela parte aérea está armazenada na raiz.

A chuva influencia os teores de princípios ativos contidos nas plantas. o teor de princípios ativos varia. Exceção é a camomila que atinge uma maior quantidade e melhor qualidade de óleo à noite. represas ou lagos que estejam recebendo descarga de poluentes. a colheita é feita no início da floração. Em nosso clima é fundamental observar o comportamento das espécies medicinais em relação ao período chuvoso e ao período de estiagem. nem tampouco coletas feitas à beira de córregos. Conforme o período do dia. Para as plantas aromáticas. Após uma chuva a quantidade de alcalóides diminui e a de óleos essenciais aumenta.Plantas herbáceas – na altura das primeiras folhas Não devem ser coletadas plantas que receberam aplicação de agrotóxicos. por apresentarem maior teor de óleo essencial. os glicosídeos atingem sua maior concentração na parte da tarde. Após períodos de estiagem a quantidade de óleos essenciais diminui. 50 . e os óleos essenciais por volta do meio-dia.

por isso procedese à secagem.secar o mais rapidamente possível.não apertar ou machucar a planta. a oxidação.colocar o material em local sombreado e arejado.escolher as partes vistosas. além da degradação por processos metabólicos como a respiração.eliminar outras plantas que se misturem às desejadas. Retirando-se a água das plantas estes processos cessam. .dividir ao máximo a planta em pedaços pequenos e homogêneos.evitar que as partes colhidas fiquem sujas de terra. . . . . decomposição enzimática. . o calor. evitando assim que ela murche.SECAGEM DAS PLANTAS MEDICINAIS PÓS COLHEITA Etapa crucial para se ter uma boa quantidade e qualidade de princípio ativo. Deve-se: .verificar se não há larvas e insetos. É necessário realizar o mais breve possível para que não haja muita perda de princípios ativos. que não estão atacadas por pragas. inteiras. a decomposição pela luz. a toxicidade pode ocorrer por contato. limpas. outros fatores como a hidrólise.ter cuidado com as plantas tóxicas. a volatilização dos óleos e a contaminação por fungos e bactérias devem ser considerados.evitar o revolvimento das camadas de folhas e flores. . a fermentação. . As perdas de princípios ativos se devem a várias razões. . que pode ser: 51 .evitar a contaminação pela poeira. .

compreende dois tipos de secagem: secadores de temperatura e umidade controlada.Secagem natural . local ventilado. A temperatura utilizada varia de 35 a 450C. onde as folhas mais suculentas levam cerca de 3 minutos. na secagem e as ervas com folhas pequenas. não chuvosas. deixar secar revolvendo se necessário.processo lento. mostrando assim que algumas regiões permitem a secagem natural somente em certas épocas do ano. Ou ainda. onde o material é espalhado em finas camadas permitindo a circulação do ar. havendo retenção de água no interior do vegetal. são as estufas (manejo feito por um termômetro e por um higrômetro dentro da estufa). além de descolorir a planta. temperatura alta danifica os órgãos vegetais e seu conteúdo. cobrir com papel de embrulho o fundo de uma bandeja qualquer. 52 . Este tipo de secagem só é viável em regiões onde a umidade é baixa.utilizam métodos especiais para determinadas espécies vegetais. Os ramos longos podem ser amarrados em pequenos maços e pendurados em varal não muito próximo uns dos outros. levam apenas 1 minuto. É recomendada para locais de clima frio e chuvoso. mais secas. espalhar o material. sem poeira e livre de insetos e outros animais. Secagem ao sol . feito à sombra. Secagem artificial . Preserva a cor e o aroma.provoca perda de óleos essenciais e ocorre o endurecimento da camada superficial da célula. Podem ainda ser utilizadas bandejas com lateral de madeira e fundo telado. As raízes e ramos devem ser picados em pedaços antes da secagem. secadores especiais . Um exemplo caseiro seria a utilização do forno microondas.

Pode-se colocar várias amostras. 53 . as amostras são colocadas individualmente em jornais ou papel Kraft e intercaladas com folhas de papelão ondulado. o material já está seco. com cordas ou cintas. Após. Dependendo da quantidade de plantas prensadas leva mais de 36 h para secar. e dentro desses limites a conservação das plantas não é prejudicada. É normal que as plantas mantenham uma porcentagem de água entre 9 e 12%. umas sobre as outras e depois amarrar nas prensas de madeira treliçadas. de modo que o ar quente passe pelos espaços do papelão ondulado. goma e resina até 800C. são levadas ao secador dispostas em pé. plantas com mucilagem. Para o preparo de exsicatas. plantas com alcalóides até 800C. emitindo som característico. este é chamado de “ponto de feno”.A temperatura ideal de secagem varia de acordo com a planta e o seu princípio ativo. As plantas nunca secam totalmente. formando um volume que deve ser comprimido. caso contrário deve retornar à estufa sem apertar muito a prensa. Esta porcentagem varia de acordo com a umidade relativa do ar... de uma maneira geral plantas com óleos essenciais até 450C. Pressionando com cuidado uma folha após a secagem e verificando se está quebradiça.

Em boas condições de conservação. Pequenas quantidades podem ser armazenadas em potes de vidro hermeticamente fechados. O material da embalagem deve ser inerte. ver se a planta não apanhou umidade. (principalmente as aromáticas) ou depositar sobre o piso (dependurar ou colocar sobre estrados próprios). se há presença de insetos e fungos. insetos e roedores. sacos de plásticos. veículo. O tempo de armazenamento deve ser o menor possível. Não é recomendado colocar embalagens de espécies diferentes próximas. Lembrar que a planta dessecada sofre perda de água e com isto eleva o seu poder medicamentoso. Grandes quantidades de materiais podem ser guardados em tonéis de madeira não aromática. sem poeira. seco e arejado. caso ocorra o ataque deve-se eliminar o material. papelão ou madeira que permitem boa conservação por um período grande de tempo. O material embalado deve conter um rótulo com: nome da planta. O uso de sacos de juta ou nylon trançado é recomendado para produções maiores com fins comerciais em curto prazo. O local deve ser escuro. Esta inspeção deve ser repetida com freqüência. utilização. data de validade. data do término da secagem e o nome do produtor. Para o armazenamento do medicamento é preciso etiquetar com os seguintes dados: nome do medicamento. composição. não sofrendo alterações e nem reagindo com o produto embalado. onde o produto é conservado por muito tempo. parte colhida.ARMAZENAMENTO E EMBALAGEM É bom sempre dar uma examinada. devem ser observados os seguintes prazos de validade: 54 . espécie da planta. para evitar a perda dos princípios ativos. data de fabricação. data de colheita.

MANIPULAÇÃO DAS ERVAS Uma planta possui diferentes formas de manipulação. como: ausência de aroma. O tempo de contato entre a planta e a água influi sobremaneira na cor. com modificações. precipitação acentuada de material no fundo do frasco. turvamento. Decocto Óleos Xarope Pomada Pomada aquosa Vinho medicinal Garrafada Validade Um ano Seis meses Um ano 24 horas Um ano Um mês Seis meses Uma semana Um ano Um ano Conservação Embalagem Fechado Frasco escuro Em geladeira ou local fresco Temperatura ambiente Temperatura ambiente Em geladeira Em geladeira Temperatura ambiente Temperatura ambiente Fonte: Cardozo. mofo. em casos espe55 . Jr. insetos. no sabor e na atividade do infuso. deixá-las repousar abafadas por 5 a 10 minutos. A forma mais conhecida é o chá e. ranço. recomenda-se a não utilização do medicamento. por infusão ou decocção de uma ou mais espécies vegetais. Quando ocorrem alterações nos produtos fitoterápicos citados acima. fungos. suas propriedades medicinais já estão afetadas. aroma e sabor desagradáveis. possui formas diferentes de preparo. manchas. fermentação. 1999. Chá – uso externo e interno.Preparação Fitoterápica Planta seca e estabilizada Pó Tintura (700 GL) Infuso. Isto para evitar que o vapor se perca e os princípios ativos voláteis também. aroma de vinagre. utilização e as partes vegetais empregadas são específicas para cada forma de preparo. infusão . dependendo da parte vegetal utilizada. Geralmente deve ser consumido logo após sua preparação.ferver a água e despejar sobre as ervas. coloração enfraquecida.

etc. Coar. após o tempo recomendado de espera. Isto é maceração a frio em água. Maceração – uso interno e externo consiste em deixar as partes da planta (folhas. A maceração a frio é indicada quando o chá é tóxico.ferver as partes da planta juntamente com a água. o alho.) e plantas que possuem princípios ativos voláteis (óleo essencial) ou alteráveis pelo efeito do calor intenso e prolongado. por mais ou menos 15 a 30 minutos. O infuso é utilizado para plantas de tecido delicado (flor. rizomas) e plantas que possuem princípios ativos resistentes à ação do calor. deve ser coado. Preparado que pode ser de uso interno e externo (banhos e compressas). por um período máximo de 24 horas. brotação. pode ser conservado em lugar fresco ou geladeira. O preparado geralmente é para uso interno. após acrescenta-se mais água e realizase nova decocção. Pode-se efetuar a maceração em vinho. folha. álcool ou em medicamento industrializado como é o caso do Biotônico Fontoura.ciais. Pode ocorrer dupla extração onde o primeiro cozimento é reservado. em dose única. para extrair o máximo de princípios ativos. devido à ação do calor 56 . É um processo de extração de princípios ativos muito demorado e a extração é incompleta. como por exemplo. lenho. É utilizado para plantas que possuem grande quantidade de princípios voláteis que podem evaporar se utilizarmos o calor. Chá Serenado – preparado geralmente com plantas verdes que ficam macerando em água por um período de 8 a 10 horas. - decocção . casca. flores e sementes são os mais indicados) num líquido durante um período de 10 a 12 horas. É utilizado para vegetais com material consistente (raiz. a quantidade da planta utilizada é maior e não é aromática. Geralmente é preparado durante a noite para ser ingerido logo ao amanhecer.

amassar as ervas frescas e bem limpas e aplicá-las diretamente sobre a parte afetada (dolorida. reduzi-las a pó. que deve ser coada e misturada na água do banho. formando uma papa que se coloca sobre a parte afetada. tintura da planta dissolvida em água.utilizado na preparação do mesmo. 57 . É utilizado várias vezes por dia. de 22 a 24 horas. Os banhos podem ser parciais ou de corpo inteiro. envoltas em pano fino sobre a região afetada. com proteção de panos. Ocorre perda dos princípios ativos com a fervura prolongada. Compressas – uso externo. cascas e raízes mais duros. Termo também empregado quando socam-se as plantas. ou os ramos. inchada ou ferida). Como as raízes. cascas e raízes picadas.uso externo. ramos e cascas necessitam de maior tempo de cozimento não é recomendado o preparo junto com as folhas e flores. decocto. Os talos. chás ou outras preparações e aplicá-las. é uma preparação de uso local. misturá-las em água. Banhos – uso externo faz-se uma infusão ou decocção mais concentrada. que pode alterar as propriedades medicinais da planta. Pode ser usada fria ou quente. Este método oferece a vantagem que os sais minerais e as vitaminas das ervas são totalmente aproveitados. durante um período de tempo prolongado. Cataplasma e Emplastro . utilizam-se panos. por decocção de ervas. O cozimento leva 20 a 40 minutos. Gargarejo – uso interno. prepara-se um chá. chumaços de algodão ou gazes embebidos em uma infusão. de 16 a 18 horas.

. No caso da raiz do carapiá. para facilitar a inalação do vapor que contém os princípios ativos. em pó. do oxigênio e da umidade. como: de oliva. Para uso externo. girassol ou milho (uso interno). onde utiliza-se 1 ou mais plantas aromáticas na forma de chá. Usa-se um funil de cartolina ou uma toalha sobre os ombros. Este é o processo chamado Digestão. por um período de 1 a 3 horas. ramos e ralar as raízes e cascas. Podem ser misturadas: folhas. é usada como rapé (inalação). só que a quantidade de matéria vegetal é pequena. Os pós são muito sensíveis à ação da luz. Filtrar. pode-se utilizar em infusões ou decocções. Coloca-se a erva a ser usada em uma vasilha com água fervente. pode-se adicionar ao leite.Inalação – uso interno. como absorvente. Hoje é comum o encapsulamento de plantas finamente trituradas. ou misturar com alimento. havendo necessidade de consumo de várias cápsulas por dia. após secar a planta o suficiente para permitir a trituração das folhas. em fricções e massagens utiliza-se o óleo de amêndoas ou o óleo de coco. As ervas secas (moídas) ou as verdes (picadas) são colocadas em frasco transparentes. O uso externo presta-se a afecções dermatológicas. ficam macerando por um período de 10 a 30 dias. sementes e flores a óleos. Pó – uso interno. ao mel. Também pode-se fazer a decocção em óleo de origem animal ou vegetal quente. Ao final. em temperatura ambiente. onde a planta é misturada ao óleo aquecido de 40-600 C. deixa-se esfriar e filtra-se o preparado. Óleos – uso interno e externo. normalmente recomendada para problemas do aparelho respiratório. a cabeça e a vasilha. ao suco. 58 . O uso em feridas abertas pode causar irritação pelo contato de substâncias irritantes com o tecido. em local escuro. protetivo. isto é maceração a frio. na proporção de uma colher (sopa) de erva fresca ou seca em 1/2 l de água.

como o óleo de copaíba e o óleo de mamona. onde as partes de uma ou mais espécies são trituradas e ficam macerando por um período de 8 a 15 dias. Suco ou Sumo – uso interno. fica em maceração por um período determinado. dá-se preferência ao álcool de cereal para as tinturas de uso interno. O material vegetal pode ser seco ou verde. É uma maceração especial a frio. nunca com antecedência. O tempo de armazenamento de uma tintura pode ser de um ano. Os sucos são sempre preparados no momento em que se tomam. o que diferencia da maioria das tinturas que possuem grau alcoólico entre 50-700 GL. Alcoolatura – processo semelhante à tintura. Garrafada – preparação popularizada semelhante à tintura. diferencia-se no fato de utilizar planta verde como matéria prima. ao abrigo da luz e à temperatura ambiente. espreme-se o fruto ou tritura-se a planta fresca num pilão ou em um liquidificador. Deve-se agitar 1 ou 2 vezes ao dia. O material vegetal a ser utilizado deve estar seco. Quando usar plantas verdes deve-se descontar a quantidade de água existente no material verde da quantidade de água utilizada para graduar o álcool. 59 . Esta possui baixo grau alcoólico (40-45º GL. em recipiente de vidro. num líquido que geralmente é a cachaça.Pode ser um produto extrativo da planta. desde que seja conservado ao abrigo da luz e umidade. Tintura .modo de conservar por mais tempo os princípios ativos de muitas plantas medicinais. Por ser um preparado de origem popular. deve-se filtrar o preparado.). coa-se. Ao final. Ao usar o álcool. guardar ao abrigo da luz. não existe relação fixa entre a quantidade de material vegetal e a quantidade de líquido.

por um período de 10 a 15 dias e deve-se agitar 1 ou 2 vezes ao dia. O vinho permanece em maceração. O xarope pode ser guardado por até 15 dias na geladeira. Adicionam-se as plantas de preferência frescas e picadas. Veículo emulsionante ou hidrofílico – lanolina (pomada aquosa). manteiga de cacau. sumo. A quantidade de planta a ser adicionada em cada xarope é variável de acordo com a espécie vegetal. dissolvido num veículo gorduroso (base). A 60 . de oliva. O vinho tinto é usado para drogas adstringentes e tânicas. Se quiser utilizar mel em substituição ao açúcar não deve aquecer. óleo de coco. de amêndoas. pois este apresenta baixo teor alcoólico. Filtra-se o preparado. Geralmente utilizam-se plantas secas na preparação do vinho medicinal. cera de abelha. há variações na forma de preparo. dores de garganta e bronquite. pois em temperatura ambiente ocorre fácil contaminação. em fogo baixo. Os produtos mais utilizados como bases na preparação de pomadas são divididos em dois grupos: Veículo oleoso ou lipofílico – parafina. cuja ação vem potencializada pelo tanino do vinho.Unguento e Pomada . O xarope com mel é preparado pela adição de produtos extrativos da planta (látex. Xarope – uso interno. seiva e óleo) ao mel. gordura animal e vaselina.podem ser preparados com o sumo da erva ou chá mais concentrado. para 1 xícara de água. Coar e guardar em frasco de vidro. Inicialmente é feita uma calda com açúcar ou rapadura ralada. Se a planta for muito suculenta não é adicionada água ao preparado do xarope. As pomadas e os unguentos permanecem por mais tempo sobre a pele. Vinho . são utilizados nos casos de tosse. devem ser usados a frio e renovados mais de uma vez ao dia. bem tampado e em local escuro. mexendo por 3 a 5 minutos. O vinho branco possui baixo teor natural de tanino e é utilizado para extração de princípios ativos que poderiam precipitar pela ação do ácido tânico.deve-se utilizar vinho branco ou tinto com graduação alcoólica de aproximadamente 110. que facilita a alteração por microorganismos.

Quando soltar do local a peça já colou. utilizado para substituir o gesso em caso de imobilização. Neste caso a planta fresca é aplicada diretamente sobre a pele.água é liberada pelo aquecimento e junto ao açúcar dá ao líquido a consistência de xarope. Sopas e guisados . Cascas de árvores indicadas são cortadas e colocadas em tacho com 20 L. a planta é geralmente usada como condimento ou alimento. extrato de própolis ou cravo da índia. adicionando três partes de calda de açúcar com uma parte de tintura. coa-se. Melote – uso externo. salsa.é ótimo usar ervas medicinais em forma de saladas cruas. ocorre endurecimento à medida que esfria. Gases e faixas são embebidos no melado quente e a região afetada é enfaixada. No uso interno. A este resíduo que sobrou junta-se mais água e após a fervura. língua-de-vaca. A queimada é feita pela caramelização do açúcar juntamente com a planta e após adiciona-se Água Inglesa ou cachaça. 61 . Também pode ser feito o xarope a partir de tinturas. Saladas . Planta in natura – uso interno e externo. guisados. Coar. de água. Para auxiliar a conservação do xarope é possível adicionar algumas gotas de álcool de cereais. cominho. Só servem os brotos e as folhas tenras.muitas ervas também podem ser preparadas em forma de sopas. etc. Como exemplo: misturar hortelã. deixando ferver até reduzir a metade. etc. junta-se os 2 líquidos que devem ser fervidos até adquirir consistência xaroposa.

etc. Jr. carminativo e antifermentativo Antitussígeno.Administração dos medicamentos à base de plantas De acordo com a medicina popular. Utilização Despertar o apetite. Horário Antes das refeições Após as refeições Manhã em jejum e/ou entre as refeições Medidas mais utilizadas Medida Popular 1 punhado 1 colher pequena (sobremesa) 1 colher pequena (sobremesa) 1 colher grande (sopa) 1 colher grande (sopa) 1 pitada Fonte: Cardozo. tônico. laxativo. Fonte: Cardozo. Sistema Métrico 20-30 g de planta seca e triturada 4-5 g de raízes secas e trituradas 1-3 g de folhas secas e trituradas 8-10 g de raízes secas e trituradas 3-5 g de folhas secas e trituradas 1-2 g de flores ou sementes 62 . Jr. diurético. anti-reumático. aperitivo e protetor do fígado Digestivo. é importante obedecer alguns itens como o horário e a dose recomendada para cada fitoterápico. emenagogo. vermífugo. 1999. expectorante. febrífugo. depurativo. calmante. 1999.

Plantas com efeito tóxico retardado – certas plantas possuem substâncias químicas que provocam intoxicação quando ingeridas por tempo prolongado. na maioria das vezes. possuem uma dose terapêutica distante da dose tóxica. Plantas mofadas e mal conservadas – devem ser desprezadas. Os medicamentos de origem vegetal. As substâncias tóxicas produzidas por alguns fungos podem causar câncer hepático. por isto é importante saber a procedência da indicação. Mesmo após suspender o uso da planta os sintomas de intoxicação podem ocorrer. Plantas alergênicas – a alergia pode ocorrer através de irritação da pele que ocorre pelo contato da pele com partes do vegetal ou pela ação do sumo de algumas plantas que tornam a pele sensível aos raios do sol. mal também não”. Plantas trocadas e utilizadas erroneamente. Essa afirmação é totalmente errônea. rinite e enxaqueca. 63 . pois todo medicamento quer seja de origem química ou natural possui efeitos positivos e também negativos ao organismo. Pessoas que trabalham diretamente com estas plantas. sendo o efeito tóxico atingido somente com grande consumo. Pode haver várias causas de intoxicação por plantas medicinais como: Plantas com efeito tóxico imediato – mesmo em pequenas doses causam intoxicação. urticária.Cuidados no uso de plantas medicinais Popularmente diz-se que o uso das plantas medicinais “se bem não faz. ou o consumo prolongado podem causar perturbações digestivas. ver realmente quem é raizeiro e quem é vendedor de plantas medicinais.

cada um. dependendo do tipo. no preparo de qualquer alimento ou remédio. caules e raízes de uma planta podem ter. Exemplo: uma colher de sopa de folhas verdes pesa aproximadamente 5g e uma colher de sopa de folhas secas pesa aproximadamente 2g. sejam panelas. Não use utensílios de alumínio. Ao preparar um remédio. Com o tempo as ervas também perdem a força e devem ser descartadas depois de 12 ou 15 meses. É aconselhável começar com uma quantidade menor e aumentá-la aos poucos. flores. certifique-se que esteja usando a parte certa da planta. Há muitas divergências quanto à dosagem das plantas enquanto verde ou seca. que se acumula no fígado. sofrem mudança química e absorvem minúsculas partículas desse metal. frigideiras ou recipientes para armazenagem. Caso não possua balança use uma colher de sopa como medida. colhida e armazenada é mais potente. baço e rins. dia a dia. propriedades diferentes. Os preparados com plantas não devem ser usados por tempo prolongado. Quando a água ou o alimento entram em contato com o alumínio. 64 . As folhas. acabam perdendo o efeito ou causando efeitos colaterais. Na planta seca os princípios ativos ficam mais concentrados e por isto deve ser usada a metade da quantidade da planta verde. Exemplo: se usarmos 20g de folhas verdes utilizaremos 10g de folhas secas.Uma planta quando corretamente cultivada. "A diferença entre o remédio e o veneno está na dose".

A recuperação dessas informações é importante.A CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES Em 1988 foi aprovado o Capítulo do Meio Ambiente do título VIII da Constituição Brasileira. pode determinar a conservação cultural e ambiental das plantas medicinais. da qual a maios parte envolve o uso de extratos ou seus princípios ativos. chácaras. ou levar ao extermínio dos ecossistemas naturais e das formas tradicionais de manejo dos recursos vegetais. Em outras regiões brasileiras a fisionomia vegetal foi bastante modificada. jardins botânicos. verifica-se a importância da prática do cultivo dessas espécies em quintais. 1983). O desenvolvimento adotado pela política local. O Estado de Mato Grosso vem sofrendo acelerado processo de alteração em sua fisionomia vegetal daí. pois serve de subsídios para o conhecimento do potencial medicinal da flora nacional. 1996). o não conhecimento do ciclo biológico de muitas espécies e o uso indiscriminado faz com que muitas delas sejam levadas a um processo de extinção. que são progressivamente desprezadas por formas modernas altamente destrutivas e orientadas à produção para o mercado capitalista (CABALLERO. Segundo a OMS. como é o caso da poaia ou ipecacuanha (Cephäelis ipecacuanha Rich). mostrando a necessidade de controle do Uso e da Conservação de Recursos Naturais e de resgatar conhecimento junto às diversas comunidades sobre as potencialidades e usos das plantas medicinais. hortos. que trata da Conservação da Natureza. planta usada pelos índios com emética e antidisentérica. aproximadamente 80% da população dos países em desenvolvimento utilizam para atendimento primário da saúde a medicina tradicional. calcula-se que menos de 5% dessas plantas foram objetos de algum tipo de estudos localizado e pontual. (GUARIM NETO. 65 . Das 25 mil plantas usadas na preparação de remédios em todo o mundo. etc. Passou a ser divulgado maior número de resultados de estudos e pesquisas.

de forma complementar. (D. juntamente com a decisão de cultiválas comercialmente. fitoterápico manipulado e fitoterápico industrializado. 1995). o Decreto n° 5. uma estabelece que deverão ser adotadas medidas que possibilitem tornar disponíveis plantas medicinais e ou fitoterápicos nas unidades de saúde. O Ministério da Saúde aprovou no dia 03 de maio de 2006. TERAPIAS COM PLANTAS MEDICINAIS Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 80% da população mundial faz uso de algum tipo de planta na busca de alívio de sintomas dolorosos ou desagradáveis. (AKERELE. estabelecer prioridades e monitoramento da situação. que devem ser observadas de acordo com as características regionais. O. uma nova legislação. para identificar as ameaças. 813 aprovou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e instituiu o Grupo de Trabalho (GT) para elaborar o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.A investigação. de 04 de maio de 2006). O desenvolvimento de políticas para a conservação requer a ordenação dos valores relativos e importância das espécies. sob Portaria n° 971. Entre as várias diretrizes do decreto. nº 84. como perspectivas de melhor qualidade de vida e terapia curativa para diversos males. Os chazinhos da vovó . feitos de ervas. 1991 apud MING. a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS). planta medicinal seca (droga vegetal). utilizando um ou mais dos seguintes produtos: planta medicinal in natura. No dia 23 de julho deste ano. utilização e exploração de plantas medicinais por um país devem incluir medidas para a sua conservação. voltam a ganhar respeito. 66 . Uma política de conservação abrangeria estudos na área de levantamentos etnobotânicos de plantas medicinais. estudos farmacológicos e clínicos para testar sua segurança e eficácia terapêutica.

implantação de hortas medicinais em regiões mais carentes. pela Lei nº 6. No site www. E em Programa Nacional de Plantas Medicinal e Fitoterápico (Brasília. barro.pdf.saude.saude. etc. 67 . onde vê-se que as plantas medicinais despertam cada vez mais o interesse da comunidade científica. valorização do “saber popular” no tocante à utilização de plantas medicinais. O Programa MEDNATURAL teve como objetivos principais: . Informações mais detalhadas sobre a Fitoterapia no SUS e o Programa de Pesquisas com Plantas Medicinais da Central de Medicamentos (Brasília. PROGRAMA DE MEDICINA NATURAL EM MATO GROSSO Em 07 dedezembro de 1993.gov. http://portal. 2006) pode ser encontrada em: http://bvsms. etc. criada pelo deputado Paulo Moura e sancionada pelo governador Jayme Veríssimo de Campos. sob a coordenação da Secretaria de Estado de Saúde. barro.aproveitamento da matéria-prima (plantas medicinais. a de número 12 estipula “promover o uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios derivados do uso dos conhecimentos tradicionais associados e do patrimônio genético”. difusão sobre o uso e vantagens da Medicina Natural.há inúmeros trabalhos.com.gov.Entre as diretrizes expostas no documento.345. pdf.ambientebrasil.br .br/bvs/publicacoes/fitoterapia_ no_ sus.). de diferentes áreas do conhecimento. foi instituido o Programa de Medicina Natural – MEDNATURAL. 2007).br/portal/arquivos/pdf/ politica_plantas_ medicinais_ fitoterapia.

foi criado o Programa de Fitoterapia e Plantas Medicinais FITOVIVA. sempre considerando as possibilidades de uma melhor qualidade de vida dos pacientes. um modelo de prática farmacêutica voltado ao paciente.053. em 27/07/2004. Ver galeria de imagens. O Programa tem por objetivo ampliar o desenvolvimento das atividades intersetoriais voltadas às plantas medicinais e Fitoterapia. Através da Lei nº 5. contemplando 23 unidades federadas. O Programa padronizou 20 espécies de plantas medicinais para serem cultivadas nas Farmácias Fitoviva. no âmbito do Município de Cuiabá. com 68 .188. Seu objetivo é implantar serviços de plantas medicinais. com a prática do uso racional de plantas medicinais. no Ceará. programa referência no País. estimulando o desenvolvimento de pesquisas e atividades intersetoriais e multidisciplinares contribuindo para o controle social em saúde e para a promoção e assistência à saúde. É um programa que se insere na assistência farmacêutica. Em Cuiabá. através do decreto municipal nº 4. como uma forma responsável de prover farmacoterapia.PROGRAMA DE FITOTERAPIA E PLANTAS MEDICINAIS No Brasil existem Programas de Plantas Medicinais em 117 Municípios brasileiros. que serão implantadas na rede SUS. Mato Grosso. Plantas Medicinais e Aromáticas FITOPLAMA de Mato Grosso. baseadas no modelo “Farmácias Vivas” criadas pelo Professor Matos. foi estruturado o Programa de Fitoterapia e Plantas Medicinais “ FITOVIVA” do Município de Cuiabá. prevenção e assistência à saúde e à estruturação da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos. estimulando o desenvolvimento de ações voltadas à promoção. em consonância com o Programa Estadual de Fitoterapia. de 28 de dezembro de 2007.

o Fitoviva.resumonline. Jardim Imperial. E. entre os dias 21 e 24 de agosto de 2008. Há três anos. Atualmente esse trabalho está sendo desenvolvido nos bairros Ribeirão da Ponte. Residencial Coxipó. para discutir os novos rumos das políticas de incentivo aos fitoterápicos no país. o Programa de Plantas Medicinais e Fitoterapia da Secretaria Municipal de Saúde. CPA IV. Realizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). Despraiado. utiliza ervas e plantas como opção terapêutica e oferece cursos intensivos sobre o tema à população nos Programa de Saúde da Família (PSF). E Cuiabá é um deles.br) 69 . apenas cinco prosperaram. no Centro de Eventos do Pantanal. Pedra 90 II e adjacências.alternativa de atenção à saúde e de geração de emprego e renda para a população de baixa renda. Dos 176 programas de todo o país que receberam recursos do Ministério da Saúde para a implementação de ações em prol das plantas medicinais e fitoterápicos. Doutor Fábio.com. (www. Jardim Florianópolis. Cuiabá foi escolhida para ser a sede do 1º Simpósio de Assistência Farmacêutica em Plantas Medicinais e Fitoterápicos no SUS. Jardim Araçá. Jardim Vitória.

erisipela. banhos Chá (infusão) Chá (infusão. diurético. digestivo. machucado. Alpinia zerumbet (Pers. diurético. enxaqueca. banho. cólicas. contusão. banho). bronquite. Flor 70 . furúnculo Laxativa. macerado) Chá (infusão. Solidago chilensis Aloe vera L. Acanthaceae Asteraceae Liliaceae Folhas. digestão. banho. Gramineae (Poaceae) Folha Cavalinha Colônia Erva cidreira Erva de bicho Erva de Santa Maria Equisetum arvence L.E. macerado em vinho. compressas.) Stapf.K. relaxante muscular Preparo Chá (infusão. dor de estômago. febre. cabelo Azia. digestão Insônia. tosse. hemorróida. gargarejo. Chenopodium ambrosioides L. tosse Resfriado. dores em geral Contusão. compressa) Chá (infusão. flores Planta toda Anador Arnica Babosa Justicia pectoralis L. gastrite. cicatrizante Pressão alta. compressa.B. vermífugo.) N. cólica intestinal. mádigestão. vômitos Hemorróidas. tintura oleosa Chá (infusão. tintura Chá (infusão. banho) Parte usada Folhas. banho. decocção. reumatismo Bronquite. garrafada. ramos Folha. cataplasma Macerado. cataplasma. xarope Tintura. Ocimum basilicum L. banho). Lippia alba (Mill. raiz Toda palnta Folha.) Sm. sumo (compressa) Hastes( partes aéreas) Folha Folha. supositório. digestivo. compressa) Chá. cicatrizante Vermes. sumidades florais Folha (mucilagem) Boldo Camomila Plectranthus barbatus Andrews Matricaria recutita L. cicatrizante. gargarejo. Família Labiatae (Lamiaceae) Labiatae Indicação Dores reumáticas. reumatismo. traumatismo. compressa) Chá (macerado). problemas respiratórios. dor de cabeça. Labiatae Asteraceae Folha Flores Capim limão Cymbopogon citratus (DC. Br Polygonum acre H. gases. hipertensão Osteoporose. hemorróidas Gases intestinais. Equisetaceae Zingiberaceae Verbenaceae Polygonaceae Chenopodiaceae Chá (infusão. cicatrização de feridas Amigdalite. shampoo Chá (infusão. diurética.PLANTAS PADRONIZADAS PARA UTILIZAÇÃO NO FITOVIVA Nome popular Alecrim Alfavaca Nome científico Rosmarinus officinalis L.

suco. compressa) Chá (infusão). banho) Folha Folha Hortelã rasteira Hortelã vick Maracujá Quebra pedra Tanchagem Mentha X villosa Huds Mentha arvensis L. flores. tônico cardíaco Diurético. sumo Chá (infusão). Labiatae Labiatae Passifloraceae Euphorbiaceae Plantaginaceae Vermes. gargarejo inalação). xarope. gripe. bronquite Chá (infusão). gases. coceiras. dor de barriga Coceiras. hipertensão. cistite. sudorífero Resfriado. Phyllanthus niruri Muell. inalação. tintura Chá (infusão decocção) Chá (decocção. Plectranthus amboinicus Lour (Spr. vômito Calmante. infecções da pele.) Myrtaceae Labiatae Afecções respiratórias. suco. Diarréia. banho. Plantago major L. expectorante. resfriado. xarope Chá (infusão. antiinflamatório. hemorróida.Nome popular Nome científico Família Indicação Preparo Parte usada Guaco Hortelã graúda Mikania glomerata Spreng. Passiflora edulis Sims. irritação de pele. bochecho. diurético. sementes 71 . problemas renais Folha Toda planta Folha Toda planta Folha. salada Chá (infusão. Arg.

87p.V. magia.. Plantas Medicnais Antidiabéticas: uma abordagem multidisciplinar. Plantas Medicinais: do cultivo à terapêutica. 246p. Bontempo. Menos Hospitais. Xalapa: Instituto Nacional de Investigaciones sobre recursos bióticos. P.htm [capturado em 20 de junho de 1999]. P. G. E. p. São Paulo. G. L. I. Bragança. Corrêa. FAMEV/UFMT. RJ. Cuiabá. 1998. 2005. L. 510p. 2004. As Ervas Do Sítio: história. A. F.25-28. R. manejo e uso. Siqueira Batista.. L. T. P. 208p. de A. Recife. U.). J.. Oasis S. M. EDUFF.dejore.L. Plantas Medicinais e Aromáticas. Quintais Medicinais. Vol. Petrópolis. Barcelona. M. 12. Ícone. São Paulo. Métodos e técnicas na pesquisa Etnobotânica. & Lucena. BEI Comunicação. . R. Mais Saúde. Introdução à Etnobotânica. 72 . Cuiabá. 2002. ed. 1998. 1998. Perspectiva para el quehacer etnobotânico em México: In: Barrera. E. P. A.. Livro Rápido/NUPEA. Plantas Medicinais. Aromáticas e Codimentares: cultivo. Balbach. D. C. Bornhausen. 1° Fórum Estadual de Fitoterápico. 189p. U. [on line]. São Paulo. L. Plantas Medicianis e de Rituais Afro-Brasileiros II: estudo etnofarmacobotânico. 1999 (Apostila de Cursos de Extensão). Cuerpomente 95 p. II. Niterói. Bieski. Camargo. Cardoso Jr. La etnobotânica: três puntos de vista e una perspectiva. R. M. & Quintas. & De La Cruz. Albuquerque. M. 1994 Conocer Ias Plantas Medicinales. 232p.BIBLIOGRAFIA Albuquerque. culinária e cosmética.. R. Manual da Medicina Integral. 1996. Bagaço. 1983. 45p. Vozes. L. Ed. A Flora Nacional na Medicina Doméstica. 300p. A.com. (Ed. saúde. Recife. M.br/ervas/ginseng. Caballero. A. Disponível: http://www.

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Calendula officinalis Matricaria chamomila L. Cynara scolymus Rosmarinus officinalis L. Allium sativum L. Digitalis purpurea Pimpinella anisum Lippia alba Brown. Maytenus ilicifolia Nerium oleander 77 . L. Echinodorus macrophyllus Kuntze Chicorium intybus Erythroxylon coca Alpinia zerumbet (pers. Rhamnus frangula Tanacetum vulgare Anemopaegma mirandum Equisetum spp.K.sp. Ocimum. Cinnamomum zeylanicum Breyn Cymbopogon citratus (DC. Myracrodruon urundeuva Engl.B. Malpighia glabra L. Ilex paraguariensis Chenopodium ambrosioides L. Stryphnodendon adstringens Aloe vera L.) Stapf.) Sm.Espécies citadas Açafrão Acerola Alcachofra Alecrim Alfavaca Alfavacão Alho Anador Arnica Aroeira Barbatimão Babosa Bardana Beladona Boldo Borragem Café Caiapiá Caju roxo Calêndula Camomila Cana-do-brejo Canela Capim limão Cáscara sagrada Catinga-de-mulata Catuaba Cavalinha Cedro Chapéu-de-couro Chicória Coca Colônia Confrei Copaíba Dedaleira Erva doce Erva cidreira Erva de bicho Erva mate Erva de Santa Maria Espinheira santa Espirradeira Curcuma longa L. Justicia pectoralis L. basilicum L Ocimum. Solidago chilensis/Solidago microglossa DC./Matricaria recutita L Costus spicatus Rosc. Symphytum officinale Copaifera langsdorffii Desf. Polygonum acre H. Cedrela odorata C. Aratium lappa Atropa belladona Plectranthus barbatus Andrews Borrago officinalis Coffea arabica Dorstenia asaroides Gardner Anacardium sp.

Kalanchoe gastonis Bonnieri Smilax japecanga Salvia officinalis Nicotiana tabacum L. Plantago major L.Estévia Funcho Gergelim Goiabeira Guaco Guaraná Hortelã graúda Hortelã rasteira Hortelã vick Jaborandi Joazeiro Limão Linho Losna Malva Mamona Mandioca Manjerona Maracujá Marcela Mil folhas Milho Nogueira Noz vômica Pariparoba Pfaffia Pitangueira Poaia Quebra pedra Quiabo Romã Saião Salsaparrilha Sálvia Tabaco Tanchagem Stevia rebaudiana Foeniculum vulgare Sesamum indicum Psidium guajava L. Glechon alata Benth. Ottonia corcovadensis Miq. Passiflora edulis Sims. Cephaelis ipecacuanha Rich. Phyllanthus niruri Muell. Potomorphe umbellata (L. Zizyphus joazeiro Citrus limmonum L. Zea mays Juglans regia Artemísia absinthium L. Mikania glomerata Spreng.) Mentha X villosa Huds Mentha arvensis L. Mg. Ricinus communis Manihot esculenta L. Punica granatum L. Paullinia cupana HBK. Achillea millefolium L. Linum usitatissimum Artemísia absinthium L. Hibiscus esculentus L. Eugenia uniflora L. Achyrocline satureoides DC. 78 . Waltheria americana L. Pfaffia sp. Plectranthus amboinicus Lour (Spr.) Miq.

chambá (Justicia pectoralis Jacq. Anador. Caferana. Boldo (Plectranthus barbatus Andrews).). Babosa (Aloe vera L. 79 .).).). Colônia (Alpinia speciosa Schum).boldo baiano (Vernonia condensata Backer).). Imagens Google. Quebra-pedra (Phyllanthus niruri L.).GALERIA DE IMAGENS Açafrão (Curcuma longa L. Capim-limão (Cymbopogon citratus Stapf.). Alfavaca cravo (Ocimum gratissimum L. Alho ( Allium sativum L). Carqueja (Baccharis trimera Less. Erva-cidreira (Lippia alba Mill.).

Imagens Google. 80 . Guaco(Mykania glomerata Spreng.).).GALERIA DE IMAGENS Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia Reissek). L.). Hortelâ (Mentha spp. Erva-de-santa maria (Chenopodium ambrosioides L.

Imagens Google. Mentrasto (Ageratum conyzoides L.).).GALERIA DE IMAGENS Maracujá (Passiflora edulis Sims). Tanchagem (Plantago major L. Urucum (Bixa orellana L. 81 .).

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