“O coração de NA bate quando dois

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adictos partilha m sua recuper ação”.
Texto Básico
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Prefácio Os princípios espirituais de Narcóticos Anônimos estão no centro de nossa recuperação da doença da adicção. Os passos são “os princípios que tornam nossa recuperação possível”, mas não trabalhamos o programa de NA em isolamento. Apadrinhamento é a chave para trabalhar os passos – para compreender os princípios espirituais e praticá-los em todas nossas atividades. O foco deste livro é apadrinhamento em NA – suas recompensas e seus desafios, e seu lugar no dia-a-dia da nossa recuperação. Quando Serviços Mundiais perguntou à irmandade em 2000, o que ela gostaria de ver num livro sobre apadrinhamento, a resposta foi esmagadora. Milhares de páginas de experiência, opiniões e idéias chegaram numa enxurrada, e tornou-se claro imediatamente que apadrinhamento varia de país para país, região para região, e indivíduo para indivíduo. O livro que resultou reflete essa rica diversidade. Ele tenta apresentar um retrato de como nossa irmandade, em constante mudança, pratica o apadrinhamento hoje.

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Os outros livros de NA oferecem mais informação sobre o programa, incluindo os passos e tradições. O Livro Narcóticos Anônimos é o Texto Básico de nosso programa. Isso Resulta: Como e Porque discute os passos e tradições e o Guia para trabalhar os Passos de Narcótico Anônimos é seu livro companheiro sobre os passos. Só Por Hoje é nosso livro de meditações diárias. Alguns de nós pegaremos este livro com a esperança de que responderá definitivamente nossas perguntas: Tenho experiência o suficiente para ser um padrinho ou madrinha? Quantas pessoas devo apadrinhar? Meu padrinho/madrinha deverá ser do mesmo sexo que eu? O que devo fazer se não confio em meu padrinho/madrinha? E assim por diante. Mas isso não é um livro didático que dá um “Como fazer” de forma concreta para padrinhos e afilhados. É uma coleção de nossas experiências diversas sobre apadrinhamento, e sua leitura pode nos ajudar a chegar às nossas próprias conclusões sobre o que é certo para nós. Experiências de primeira mão aparecem ao longo do livro. As citações
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em primeira pessoa foram coletadas de membros de NA ao redor do mundo. Enquanto essas citações não representam, necessariamente, a opinião de NA como um todo, elas apresentam a cada um de nós, uma oportunidade para crescer e aprender se lermos com o coração e a mente abertos. Algumas coisas que leremos aqui poderão desafiar as crenças que sustentamos por muito tempo, mas, como numa reunião, podemos tirar proveito do que nos serve e largar o resto. Se fecharmos esse livro sentindo que ainda temos perguntas nãorespondidas sobre apadrinhamento, podemos seguir as sugestões que freqüentemente recebemos quando encaramos uma pergunta que não sabemos como responder: procuramos nos passos, rezamos e meditamos a respeito, ligamos para nosso padrinho/madrinha...

CAPÍTULO UM O QUE É APADRINHAMENTO?

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Uma pedra fundamental do programa de Narcóticos Anônimos Nenhuma crença ou filosofia, por si só, descreve ou define adequadamente o que é um padrinho ou o que faz um padrinho. Ao longo dos anos, apadrinhamento se tornou uma ferramenta básica e importante do programa de NA e é praticada de várias formas. O relacionamento de apadrinhamento, para muitos membros, é pessoal e privado. Um padrinho de NA é um membro experiente de Narcóticos Anônimos a quem procuramos para ajudar-nos em nosso programa de recuperação. Muitos membros acreditam que apadrinhamento é uma parte vital do processo de recuperação. Junto com os Doze Passos e as Doze Tradições, apadrinhamento é considerado uma das pedras angulares do programa e da maneira de viver de NA. O valor terapêutico de um adicto ajudando o outro é exemplificado neste relacionamento com um outro membro de NA. Antes de chegar às salas de NA, a maioria de nós estava vivendo à margem
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esse alguém foi meu primeiro padrinho. Ele foi alguém que me fez sentir parte de NA. Queríamos encontrar outro modo de viver. Ele foi alguém que me ajudou a continuar indo em frente quando não mais conseguia andar sozinho. meu relacionamento com meu padrinho se tornou (e ainda é) o primeiro relacionamento com outro ser humano que abriu meu coração à possibilidade de me tornar um membro da raça humana”. Ele era um rosto amigo num mundo de dor emocional. “Se precisei de alguém em minha vida. Uma das maiores dádivas de NA é ouvir 7 . afundando cada vez mais em medo. “Para mim. nossas vidas começam a mudar e percebemos a importância de procurar apoio.da humanidade. isolamento e desespero. Uma vez que começamos a assistir reuniões e aprender sobre o programa de Narcóticos Anônimos. mas a solução sempre nos iludiu.

expostos. sozinho. Porém. Enquanto nas garras de nossa doença. aceitação é uma das partes mais importantes do programa de NA. muitas vezes tememos rejeição e podemos experimentar ansiedade avassaladora com a idéia de nos aproximarmos de alguém e pedirmos que seja nosso padrinho/madrinha. nos sentimos vulneráveis. tínhamos percepções e pensamentos distorcidos. estava perdido. enquanto outros evitavam todo tipo de contato com as pessoas. machucado.a mensagem levada através do amor e bondade”. Precisamos de ajuda e queremos estender a mão para outro membro. “Para mim. vemos que um padrinho/madrinha pode nos ajudar a lidar com estes sentimentos. para que não precisemos fugir deles. Quando vim a essas salas. Durante esse tempo frágil em nossa recuperação. e indefesos. 8 . Alguns de nós acreditávamos que eram invencíveis e poderosos. Agora que nossas mentes começaram a clarear e acordamos de nossa névoa induzida por drogas.

9 . muito menos sobre pedir ajuda de um outro ser humano.e sentindo como se nada importava exceto a morte. Porém. Não sabia o que fazer dos Doze Passos. Mal conseguia juntar duas frases e tinha medo de tudo e todos. Eu me odiava tanto. Demorou um tempo para criar a coragem de pedir que alguém fosse meu padrinho”. poderia voltar a usar drogas de novo”. com meu problema com drogas. e especialmente. eu estava acabado. Era uma idéia assustadora – falar com um estranho – mas era mais assustador pensar que se eu não pedisse ajuda. ouvi dizer que era importante arrumar um padrinho. Estava quebrado e sentia que ninguém queria ter nada a ver comigo. Não confiava em ninguém nem acreditava em nada. “Quando fiquei limpo no início.

“Cheguei perto de uma mulher após uma reunião e esperei impacientemente para falar com ela. e nossa confiança cresce. Continuo aprendendo com ela até hoje. Estava nervosa. começamos a desenvolver relacionamentos com outros membros e nos envolvemos. mas ela me deu o telefone dela e me disse para ligar. Gaguejei e falei baixo. mesmo após anos e a distância de quilômetros que há entre nós. Não foi um sim firme. Se formos novos ao programa.Enquanto procuramos por um padrinho. Temos um relacionamento maravilhoso. e sei que nossos espíritos estarão sempre conectados”. começamos a acreditar que funcionará para nós também. o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. precisamos lembrar que ainda podemos trabalhar o programa de recuperação. Conforme vemos que o processo funciona para outros. 10 . mas liguei assim mesmo.

foi difícil achar coisas para partilhar sobre mim mesma. mas tudo que via era ela vivendo a vida como a vida é. Ela falava comigo sobre a vida dela. Se ficamos limpos em um centro de tratamento ou outra instituição. Eu buscava todas as respostas dela. Um padrinho pode nos oferecer um elo pessoal ao aprendizado do programa de recuperação de NA. podemos ter dúvidas a respeito da terminologia. 11 . Especialmente quando somos novos ao programa. e eventualmente eu consegui falar com ela sobre a minha vida também".“Meu relacionamento com minha madrinha foi muito desconfortável no início. formatos de reunião. e assim por diante. a estrutura de serviço. No início. literatura. Nossos padrinhos podem nos orientar ao partilharem sua experiência e conhecimento do programa de NA. um padrinho pode facilitar a transição para fora e esclarecer quaisquer dúvidas que possamos ter a respeito das diferenças entre tratamento e NA.

mas quando era nova no programa. “Sou uma pessoa inteligente. precisava de muita ajuda e precisava compreender o programa. Ele deu risada e disse ‘Oh não. Achei que um padrinho era o chefe de NA! Hoje percebo que um padrinho é um professor que ensina por exemplo e experiência”. Achava que era algum tipo de sociedade secreta. Ligava para minha madrinha e perguntava ‘O que significa impotência?’ ou ‘O que é ser um “membro produtivo da sociedade”?’ Essas ligações me ajudaram a desenvolver minha própria compreensão sobre os princípios de NA”.“Achei que precisava de um padrinho para entrar numa reunião fechada (somente para adictos). 12 . Eu liguei e perguntei para meu padrinho se isso era verdade. não tem problema’. tipo ‘ele está comigo’.

meu padrinho compreende o que eu preciso passar para ficar limpo.Apadrinhamento nos ajuda. “De conhecimento de primeira-mão de adicção e recuperação. Mesmo que estejamos em fases diferentes de nossa recuperação e trabalhando em nosso próprio ritmo. O sucesso de meu padrinho em ficar limpo serve como fonte de esperança para mim”. Uma das razões que o apadrinhamento funciona é que partilhamos a mesma doença. temos semelhanças. que uma nova maneira de viver é possível. independente de quanto tempo temos no programa. Membros que acumularam algum tempo limpo podem ser exemplos para recémchegados e membros com mais tempo. “Meu relacionamento com meu padrinho têm me ajudado a ficar mais honesto ao longo do tempo. e todos buscamos recuperação desta doença. Aprendemos a focar nossa atenção nas semelhanças ao invés das diferenças. Já que ele tem a 13 .

O espírito que energiza e enriquece Narcóticos Anônimos se encontra na nossa união através da diversidade. ele entende a minha maneira de pensar”. incluindo o conceito de apadrinhamento. boa vontade. No entusiasmo de nossa irmandade para assegurar que nossa mensagem é claramente compreendida – por adictos assim como por outros membros da sociedade – freqüentemente fazemos muito esforço para providenciar descrições definitivas de cada detalhe do programa de NA. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. e um compromisso para guiar e partilhar uma caminhada de recuperação através dos Doze Passos. Independente das diferenças entre nossas práticas. 14 . Definições totalmente diferentes do apadrinhamento existem em NA. o alicerce do apadrinhamento é um serviço abnegado.mesma doença que eu e tem tido muitas das mesmas experiências. A beleza de nosso programa é que cada um de nós pode ter uma compreensão pessoal do relacionamento de apadrinhamento.

mas também é alguém que me ajuda a ver como realmente sou e quem posso ser. Alguns adictos compreendem o apadrinhamento como um ato de amor incondicional. Outros colocam condições ou requisitos para aqueles a quem apadrinhamos. Não somos amiguinhas.“Meu padrinho não só é um guia através dos passos. Não saio com ela nem vou à casa dela toda hora. Ligo para ela regularmente. Alguns membros acreditam que a interação entre padrinho e afilhado deve ser um de não 15 . Meu padrinho parece saber meus motivos muitas vezes antes de eu saber realmente o que esses motivos são”. ouço-a e falo com ela”. “Minha madrinha faz uma coisa por mim que não confio em mais ninguém para fazer – ela simplesmente me guia através dos passos de Narcóticos Anônimos.

Eu fazia o 16 . Ela me deu a recuperação mastigadinha.julgamento. ir às reuniões. Quando fiquei limpo. “Meu padrinho foi uma das pessoas em NA que me amou até que eu pude amar a mim mesmo. Ela era durona e a força dela me assustava. mas eu queria o que ela tinha para oferecer”. trabalhar os passos. Tinha que ligar para ela todos os dias. Ela tinha uma lista de cinco coisas que eu tinha que fazer para que ela me apadrinhasse. Ela me dizia o que fazer. servir a irmandade. “Minha primeira madrinha foi ótima para mim quando eu era nova no programa. e rezar e meditar diariamente. enquanto outros buscam certos tipos de julgamento e direção de seus padrinhos. ele pediu que eu comesse uma fruta. Eu queria tanto ficar limpo. cereal ou qualquer coisa de café da manhã antes de começar meu dia.

“Meu padrinho é minha base de apoio. Independente dessas diferenças. apesar de não saber o que tinha isso a ver com ficar limpo. sentimentos e acontecimentos a ele. Não importa o quão traumático ou insignificante alguma coisa é. Posso receber suas sugestões e orientação através dos passos com mente aberta e coração confiante. muitos membros acreditam que cooperação. comecei a entender o que ele estava fazendo – ele estava me mostrando como me amar e cuidar de mim mesmo”. aceitação e responsabilidade são alguns 17 . Com a crescente diversidade de nossos membros. Logo. compaixão. o apadrinhamento pode tomar variadas formas que refletem nossa individualidade. posso depender dele e confiar meus pensamentos. Deixo que ele me conheça bem – provavelmente melhor do que eu mesmo me conheço”.que ele pedia.

Saber que sempre que eu precisar dela ela estará lá para me apoiar é um pensamento confortante. sobretudo. “Poder ter um padrinho é a maior dádiva que a recuperação oferece para mim. Ela é gentil. nem por tanto tempo”. simplesmente flutuava à deriva. Minha madrinha me ajudou a ver a razão e ofereceu um caminho de mudança para que eu não tivesse que doer tanto. carinhosa.dos princípios espirituais encontrados no apadrinhamento. Antes de ter uma madrinha. sem direção real. às vezes meu salvavidas. é minha amiga. Eu sentia dor o tempo todo e não sabia por que. Minha madrinha permite que eu cresça em meu próprio ritmo e progrida nos passos conforme minha prontidão”. mas. amorosa e me dá apoio. 18 . “Minha madrinha é meu mentor.

Mas a realidade é que sentia falta de alguém na minha vida que fosse ‘meu padrinho’”. e fiquei bem. o apadrinhamento pode nos dar apoio quando damos de cara com aqueles desafios que vêm de viver a vida. ou simplesmente não queria fazer muito esforço 19 . Isso não significa que somos “menos que” membros que têm um padrinho ou madrinha. há muitas vezes nas quais nos encontramos sem um padrinho ou madrinha. Durante esses momentos podemos buscar apoio no grupo e em nossos companheiros em recuperação. “Em minha recuperação houve vezes que eu não tinha uma madrinha. Continuei crescendo e trabalhando o programa. Acho que estava esperando que uma caísse do céu.Para muitos de nós. Entretanto. “Tive períodos em recuperação sem um padrinho. até que encontremos um padrinho novo.

dando boas vindas e encorajando os recémchegados.para achar uma. Qualquer que seja a razão. Pode ser que ninguém nos tenha pedido. apesar de todos nossos anos no programa. Trabalhando numa linha de ajuda. 20 . mais posso me beneficiar de sua experiência. ainda há muitas formas que podemos servir. Acredito que quanto mais esforço que coloco no meu relacionamento com minha madrinha. se não estamos apadrinhando alguém. por alguma razão. ou pode ser que. ou pegando um encargo em nosso grupo de escolha são algumas das maneiras que podemos levar a mensagem. Alguns de nós podemos estar sem afilhados. Depender de amigos não era a mesma coisa do que ter uma madrinha. levando uma reunião á uma instituição. escolhemos não apadrinhar outro adicto. Minha experiência mostra quer preciso de uma madrinha para trabalhar os passos com sucesso”. nem era ter uma madrinha só para dizer que tinha.

21 . e nosso talentos e habilidades estão em áreas diferentes. mas isso é me menosprezar e menosprezar o programa de NA. a quem amo”. Sou um fracasso? Minha recuperação é uma fachada por minha ‘inabilidade’ de preencher esse aspecto do programa ainda? Acho que não.“Estou em recuperação há 15 anos e nunca apadrinhei ninguém. aquelas mais em harmonia com minhas circunstâncias e aptidões naturais. Todos são diferentes. e tenho sido e continuo sendo aquela pessoa que ‘acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação’ para muitos amigos em NA. Dou livremente aquilo que me foi dado de outras formas. Eu brincava (mais ou menos) com um amigo que não me pedem para ser padrinho porque ninguém ‘quer o que eu tenho’. Faço muito serviço em NA.

Enquanto nossa irmandade se diversifica. Foi o melhor relacionamento ‘via correio’”. “Nos primeiros dias. confiei em alguém que viajava e me conhecia bem para achar uma madrinha para mim. “A mulher que pedi para me amadrinhar estava visitando meu país para a convenção anual. Ela trabalha os passos 22 . Em desespero.Narcóticos Anônimos continua a crescer e alcançar diversas comunidades ao redor do mundo. é importante permitirmos que membros adaptem o programa de NA para se encaixar em suas comunidades. outras podem ter dificuldades legais ou culturais para estabelecer reuniões ou com os princípios do programa. Funcionou! As cartas de minha madrinha sempre pareciam chegar quando eu mais precisava. Algumas dessas comunidades são geograficamente isoladas de comunidades já estabelecidas de NA. eu era a primeira mulher em recuperação no meu país.

Tenho trabalhado os passos com ela. Quando eu a visitei no ano passado. Eu leio 23 . Moramos em continentes diferentes. pessoas e em mim mesma. e eu a amo. Felizmente.de NA. falando a língua dela (toda minha recuperação é feita em outra língua). Escrevo os passos e os mando por correio. e na língua dela!” “Encontrei minha madrinha na Internet. segura de si. Agora estou fazendo o Sétimo Passo. e por uns oito meses eu acordava às 4:30 para ligar para ela. e eu tinha que me esforçar para ligar para alguém que não conhecia. conhecíamos alguém no programa que podia traduzir para nós. Iniciamos nosso relacionamento por e-mail. temos culturas diferentes. aprendido sua língua e praticado fé no Poder Superior. partilhei meu Quinto Passo com ela. Eu demorei a entendesse os horários dela. Ela é prática.

mas eu me permito. No entanto. Fica caro. Os altos e baixos do início da recuperação faziam com que eu ficasse perdido emocionalmente. muitos de nós encontram alívio do vazio criado pela nossa doença. e o 24 . Podemos tentar atravessar algumas de nossas dificuldades sozinhos. “Ao longo dos últimos oito anos de minha recuperação. No início. as ligações diárias me ajudaram a aprender como pedir ajuda. Com o tempo. Esse é o relacionamento mais enriquecedor que já tive com outra mulher”. apadrinhamento – tanto como afilhado quanto como padrinho – tem tido um papel importante em minha jornada. aceitação e união. através de amor incondicional. percebemos que a recuperação é um processo em evolução. O conceito de apadrinhamento tem ajudado a moldar o programa de Narcóticos Anônimos que conhecemos hoje.junto pelo telefone.

quando ela está tendo dificuldade. Às vezes nos encontramos só para nos divertirmos. Quando era nova e estava perdida. e mais tarde em minha recuperação. ela me liga para chorar”. 25 . Agora busco dela conselhos e encorajamento para continuar me arriscando e crescendo. ela foi carinhosa e falou que eu tinha feito um bom trabalho. Ela me apoiou quando mudei de carreira. minha madrinha me dava direções claras e muito amor. “Meu relacionamento de apadrinhamento mudou com o tempo.compromisso que eu fiz de ligar para meu padrinho diariamente. Quando ela ouviu meu Quinto Passo obsessivamente longo. Hoje. nos tornamos amigas. ajudou a tornar o passeio de montanha russa mais brando. Nenhuma outra coisa me fez sentir tão aceito e amado como o apoio de meu padrinho”.

Se quisermos melhorar. ódio próprio e desespero tornaram muitos de nós raivosos e desconfiados. Se fosse simples assim. “Não posso expressar a importância de meu primeiro 26 . freqüentemente.Um Adicto Ajudando ao Outro Apadrinhamento pode oferecer a ajuda que tão desesperadamente precisamos. Ficar limpo e freqüentar reuniões de NA não significa que nossas vidas se tornarão livres de dificuldades enquanto nossos problemas vão desaparecendo. mas temos medo de pedir quando primeiro ficamos limpos. e termos mente aberta e boa vontade. Trabalhar com um padrinho pode facilitar nosso aprendizado deste novo modo de vida. Recuperação é. um processo dolorosamente lento. Esses velhos hábitos não somem com um passe de mágica. precisamos fazer um esforço para sermos honestos. as salas de NA não poderiam conter a multidão de pessoas que buscariam recuperação! Os anos que passamos praticando comportamentos auto-destrutivos e vivendo em prisões auto-impostas de medo.

padrinho – aquela primeiríssima pessoa que estava preparada para me ouvir e me deixar chorar pelo telefone. “Sei que ter um padrinho ainda é vital para minha recuperação. Tenho certeza que meu padrinho não sabe de quantas formas e 27 . Foi muito importante que ele não me julgava. e que ele podia compreender como eu me sentia através da própria experiência dele. oferecendo uma mão que se estendia para dentro do meu inferno pessoal e me ajudou a ficar de pé sozinho novamente”. Tenho confiado em meu padrinho para me aconselhar e ajudar quando não sei o que fazer. Para mim. o maior benefício de ter um padrinho é que eu tenho a chance de aprender como viver a vida através dos Doze Passos. Lá estava alguém para me guiar na minha escuridão.

Aprendemos que é possível com a ajuda de outros. nos abrimos para outro adicto. amor e tolerância. o valor terapêutico de um adicto ajudando o outro. fazer o que não podíamos fazer sozinhos. Temos agora a oportunidade de experimentar.quantas vezes ele me ajudou ao longo dos anos”. Cuidadosamente baixando nossas defesas. “Sendo um adicto muito independente e autosuficiente. Meu padrinho tem me mostrado muita compaixão. por nós mesmos. tenho aprendido muito sobre a necessidade de usar meu padrinho e pedir ajuda.” 28 . e começamos a quebrar os padrões de isolamento emocional e falsa independência que marcaram nossas vidas por tanto tempo. mas eu o faço. e tento repassar esses princípio espirituais aos meus afilhados. Nem sempre é fácil.

enquanto outros constroem confiança através de empatia e amor incondicional. a confiar em alguém e honestamente falar 29 . pode ser nosso primeiro relacionamento que envolve confiança e intimidade – isto é. Alguns de nós sentimos um elo de confiança com nosso padrinho ou afilhados imediatamente.“O que foi mais importante para mim com meu primeiro padrinho foi. e com 42 anos. para muitos de nós. que pela primeira vez. eu podia ter um relacionamento íntimo com outro homem. para que ele pudesse me confrontar quando eu agia mal. Eu podia dizer que o amava e precisava dele em minha vida”. honestidade verdadeira e proximidade a outra pessoa. Apadrinhamento. “Trabalhar com meu padrinho me permitiu. pela primeira vez em minha vida. Esse elo pode ajudar a nos livrar do isolamento e da falta de confiança que fazem parte da enorme obsessão e compulsão da adicção ativa. Eu o deixei entrar em minha vida e me conhecer bem.

Minha madrinha não me culpava. e foi o primeiro passo para quebrar meu isolamento. comecei a ter objetividade e uma perspectiva equilibrada a respeito das situações em minha vida”. aprendi a confiar e aprendi a ser confiável”. Parei de me sentir sozinho. Nesse relacionamento. desesperançado e perdido. “A primeira vez que aprendi a desenvolver confiança em outra pessoa foi quando arrumei uma madrinha (me tornei madrinha).com outra pessoa sobre mim. Me senti apoiado. e ainda sinto”. ou me falava que eu estava errada. 30 . Conforme o tempo foi passando. “Partilhar meus segredos com meu padrinho foi a primeira ação de confiança e humildade por minha parte. nem me fazia sentir mal.

Quando a solidão e alienação da adicção começam a amenizar. companheirismo e responsabilidade que esse relacionamento geralmente oferece. e realizar sonhos perdidos. As habilidades que aprendemos no apadrinhamento podem nos dar a oportunidade de participar em nossas próprias vidas novamente. essa é a primeira vez que temos a oportunidade de nos tornarmos parte da sociedade. Podemos arranjar empregos. nos reunirmos com família e amigos. Escrever os passos tem sido uma parte muito importante da minha recuperação. Começamos a apreciar a generosidade. Experimentamos o amor incondicional e uma conexão com outras pessoas. muitos de nós começamos a encontrar conforto na identificação que achamos em Narcóticos Anônimos. “Hoje. e o amor e 31 . apadrinhamento evoluiu a um nível muito mais profundo do que eu jamais imaginei possível. voltar à escola. O relacionamento entre padrinho e afilhado pode se tornar um sistema de apoio mútuo. Para alguns de nós.

cuidado que meu padrinho demonstra quando falamos sobre o que eu escrevi têm me ajudado tremendamente nas áreas de honestidade e confiança. O elo que nós temos como resultado de trabalhar os passos tem sido extremamente poderoso”. “Quando primeiro cheguei a NA, senti que ninguém podia compreender os sentimentos intensos de desespero, falta de esperança e vergonha que eu sentia. Em minha primeira reunião, conheci um homem que logo se tornaria meu padrinho. Ele me deu um folheto e pediu que eu lesse a parte ‘Quem é um adicto?’. Conforme eu lia, comecei a sentir aquele medo que carregava por tanto tempo, se amenizar. A simples sugestão de um companheiro adicto foi o início de um relacionamento profundo e amoroso com respeito mútuo e partilhas honestas”.

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“Não conseguia entender porque meu padrinho era tão feliz e contente com todas as coisas pequenas em sua vida. Ele posteriormente me contou que é mais importante contribuir do que exigir. Depois, eu entendi que isso era a chave para me tornar parte da sociedade”. Nosso trabalho com padrinhos e afilhados freqüentemente ajuda a dar sentido para muitas das nossas experiências – passadas e presentes. “Me lembro do primeiro Quinto Passo que fiz com uma madrinha. Partilhei meus segredos mais profundos e sombrios. Achei que minha madrinha não ia querer mais nada comigo. Ela, no entanto, partilhou parte de seu passado comigo, e eu percebi que eu não era a pior pessoa na face da terra. Na verdade, minha madrinha me ajudou a ver que algumas coisas, das quais eu
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tinha mais vergonha – algumas das minha experiências sexuais – nem eram minha culpa”. Através do percurso de trabalhar e vivenciar os Doze Passos e as Doze Tradições, a ilusão de auto-suficiência pode ser suavemente quebrada, enquanto nos tornamos mais responsáveis por nossa própria recuperação. Ao partilhar honesta e abertamente, ambos o padrinho e o afilhado começam a aprender um com o outro. Percebemos que não mais estamos sós e não precisamos encarar o processo de recuperação sozinhos. “Meu padrinho é um professor, um exemplo, alguém em quem confio, um ouvinte, um confortador, um espelho, e dispensa a verdade que ele vê em mim. Ele é um barômetro para minha recuperação e, de acordo com o quanto eu permito, é a voz da razão quando estou tomando decisões difíceis e confusas”.
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“Apadrinhar outros reforça minha recuperação e mantém minha gratidão viva através da partilha de minha recuperação. Serviço abnegado é o antídoto para o egocentrismo, que é o centro de minha doença. Se eu sugerir que um afilhado vá a uma reunião ou escreva algum passo, é mais provável que eu faça o mesmo”. “Ter um padrinho me deu um senso de responsabilidade. Esse relacionamento tem ajudado a reconquistar a confiança em outros seres humanos. Tenho aprendido ao longo dos anos que posso falar com meu padrinho em completa confiança sobre qualquer coisa que eu pensar ou fizer. Ele mantém o anonimato que nós temos, e não me julga”. O relacionamento de apadrinhamento é humanidade em ação, providenciando compaixão e apoio, não

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importando as experiências de vida que cada membro pode estar atravessando. “Ainda preciso de uma madrinha após tantos anos no programa. Hoje os tópicos não são como ficar limpa, etc., mas mais os problemas cotidianos que aparecem como resultado de ficar limpa. Muitas vezes descubro que ainda acredito na ilusão de que ficar limpa significa automaticamente viver uma vida livre de problemas. E, na maioria das vezes, descubro através de partilhar com minha madrinha, que tenho uma vida normal, como qualquer outra pessoa que não usa drogas”. Durante nossa adicção ativa, o único compromisso que a maioria de nós tinha era o de conseguir e usar mais drogas. Em NA, muitos de nós assumimos o compromisso de trabalhar com um padrinho e, mais tarde, um afilhado. Não mais fugimos de nossas responsabilidades. Cumprir com nosso compromisso de apadrinhamento pode
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nos ajudar a sentir o valor próprio que vem de encararmos nossos medos.

“Pedir que alguém me apadrinhasse foi um grande compromisso para mim. Significa que eu ia ter que fazer mais do que falar sobre minha recuperação. Eu ia pedir que alguém se comprometesse comigo e isso era assustador. Tinha tanta dificuldade em confiar nos outros, mas no final percebi que meu grande problema era coragem”. “Meu compromisso com apadrinhamento ajudou a me tornar uma pessoa amorosa, digna de confiança e apoio. Antes de assumir a responsabilidade de ser uma madrinha, eu era egoísta, egocêntrica, e só pensava em mim. Como resultado do meu trabalho com minhas afilhadas, descobri o verdadeiro sentido de
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aceito e respeito-as exatamente como são. Porém. Mais importante é o meu compromisso em guiá-las através dos passos e apoiá-las em seus processos de recuperação”. a maioria de nós descobre que a “cura” emocional e espiritual que pode vir de partilhar com um padrinho/afilhado vale a pena o esforço. e sentimentos podem ser feridos. compartilho suas alegrias e tristezas. Hoje sou comprometida com minhas afilhadas. Por alguma razão. Às vezes. Alguém que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação Um padrinho/madrinha pode ser um mentor. amo incondicionalmente. professor e confidente. não só 38 .compromisso. o relacionamento padrinho/afilhado pode ser desafiador. Mal-entendidos podem surgir. ouço com mente aberta e coração aberto. podemos sentir que nossas necessidades não estão sendo atendidas.

Ela é meu banco de memória de experiências. e. perda.para aqueles que são novos no programa. que celebram nossa vida e nossa recuperação. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. detalhes e padrões. É importante ter alguém para 39 . “Para mim. minha madrinha foi a primeira pessoa que eu permiti que visse o verdadeiro eu. podemos todos concordar sobre uma coisa: um padrinho é “alguém que acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação”. e outras tribulações da vida. mas para membros com tempo limpo significante também. Outros membros procuram um padrinho estritamente para conhecimento sobre e orientação através dos Doze Passos. Não importa como entendemos o papel do padrinho. Um padrinho pode ainda participar em nossas experiências alegres. Apadrinhamento pode nos ajudar a aprender maneiras saudáveis de viver e oferecer um santuário de apoio e empatia durante tempos de luto. para alguns membros.

e senti que elas iam me 40 . Essas emoções se tornaram entidades vivas para mim. e ela os jogará de volta. Algumas das coisas que aprendo sobre mim mesmo me chocam. “Estava no início de minha recuperação quando meu pai morreu. Me vi frente a frente com muita dor e raiva. e preciso poder partilhar essas coisas e sentir-me confortável o suficiente para permitir que meu padrinho revele coisas para mim”. Eu o adorava. além de respeitálo – e isso é importante também. “Meu padrinho é alguém em quem confio. Estava desolada e me senti totalmente impotente. Ele era o mundo para mim. Meu padrinho é alguém com quem posso ser honesto e para quem posso me revelar. Dois corações são sempre melhores do que um só”.quem posso jogar minhas idéias e mudanças possíveis.

vemos que o apadrinhamento pode oferecer uma amizade e conexão espiritual com outros adictos. Esses sentimentos me fizeram sentir que eu não era importante. conforme cada membro pode partilhar e identificar-se com muitos dos mesmos sentimentos. não tinha a 41 .consumir. O elo que freqüentemente se forma entre um padrinho e afilhado pode ser poderoso. Eu não me valorizava. Mas. Quando começamos a viver sem o uso de drogas. minha madrinha me ouviu – a qualquer hora do dia. “Em recuperação eu tenho experimentado uma gama de sentimentos que eu me recusava a reconhecer. que podem ter experimentado muitas das mesmas emoções e circunstâncias que nós. e como resultado. era mais sobre ela estar lá e me ouvir e amar durante tudo isso”. Nem é que ela me disse alguma coisa profunda.

O que aprendi através do apadrinhamento não tem preço.habilidade de colocar limites. A atração inicial para mim era não ter que fazer tudo sozinho. e aprendi que não tinha problema não saber algumas coisas. mas falar com ela e escutar 42 . Através do amor e orientação do meu padrinho. e pedir ajuda. Meu padrinho me ajudou a expressar-me honestamente. e o que eu precisava para conseguir tudo isso. adquiri uma idéia de quem eu era. “Minha afilhada e eu passamos por divórcios na mesma época. e nosso relacionamento se tornou realmente uma via de mão dupla. Aquela época era um dos momentos mais difíceis de minha recuperação. que tipo de pessoas eu queria em minha vida. e a beleza verdadeira está em partilhar essas experiências com meus afilhados”. Eu tinha a amadrinhado por muitos anos.

ajudaram a amenizar. mas simplesmente a de um adicto partilhando de seu coração e levando a mensagem. Podemos discutir essa necessidade com nosso padrinho. ou médicos. advogados. Escolhemos um padrinho baseado em sua recuperação em NA. a responsabilidade de um padrinho não é a de um profissional. Às vezes precisamos buscar ajuda profissional de algum tipo. Alguns membros trabalham profissionalmente como terapeutas. que nos torna todos iguais em NA. No entanto. Temos que perceber que um padrinho é um adicto praticando serviço abnegado e não um profissional num emprego. Partilhávamos uma com a outra. 43 . chorávamos juntas. e dividimos insights e ferramentas”. por exemplo. mas não devemos esperar que nosso padrinho ou afilhado nos preste serviço profissional de qualquer tipo. Isso se baseia em nosso alicerce espiritual de anonimato.

mas não me envolvo em assuntos fora de NA nem faço favores especiais. e às vezes se aproximavam de mim para facilitar sua admissão a uma clínica de tratamento. ir a reuniões. e nutri nosso 44 . Quando permiti que um padrinho entrasse em minha vida. “Os benefícios de ser apadrinhado tem me servido bem nesse programa. mas eu ainda me sentia sozinho e vazio por dentro.“Membros da irmandade em minha área sabem que trabalho no setor de recuperação de dependência química. Isso torna nosso relacionamento na irmandade mais igual e menos aberto a complicações”. e participar em várias funções. Por muito tempo eu pude ficar limpo. me envolver em serviço. Digo a eles que estou em NA para me recuperar. posso apadrinhá-los. talvez. Eu deixo meus limites bem claros.

onde cada pessoa. É importante para padrinhos manterem sua própria identidade e serem responsáveis por sua própria recuperação.relacionamento como parte do meu processo. está recebendo o melhor que cada uma tem a oferecer. Apadrinhamento pode ser uma oportunidade para praticar os princípios do programa de NA em todas as nossas atividades. 45 . e minha recuperação deslanchou. e vice-versa. Muitas vezes dizemos “só podemos manter o que temos ao dar para outros”. da qual o Texto Básico fala me ajudou mais do que qualquer médico ou terapeuta poderia ter ajudado naquele ponto em minha vida”. Queremos nos assegurar que levamos a mensagem de recuperação aos nossos afilhados. e não a bagunça de nossa doença. idealmente. mas também é verdade que temos que ter nossa própria recuperação para poder “dar”. não as de seus afilhados. comecei a crescer e mudar. Acho que a linguagem sem palavras da empatia.

No final da ligação.“Se eu não cuidar de minha doença em minha própria recuperação. me senti menos estressada e não via a hora de chegar um intervalo nos meus estudos para falar com uma afilhada”. Estava apadrinhando várias pessoas. diminui minha freqüência a reuniões porque senti que estava muito ocupada. Engraçado com quando eu dediquei mais tempo à minha própria recuperação. nem lia muito. e sempre que alguma delas ligava. Não ligava para minha madrinha com muita freqüência. eu me sentia como se fosse um peso. “Quando voltei a estudar. eu estava estressada e sem energia. então estou passando minha doença aos meus afilhados”. O Décimo Segundo passo em ação Apadrinhamento muitas vezes se torna parte do serviço abnegado do qual 46 .

Parte disso envolve um compromisso de trabalhar com outros e providenciar um sentido de aceitação através de empatia e compreensão. não há pressão maior do que um afilhado dedicado que trabalha os passos com paixão. Sinto também. compaixão. O caminho que ele percorreu antes de mim me trouxe a ele nesse 47 . Sinto empatia pelos meus afilhados quando fazem tantas perguntas e se esforçam para aprender e entender o cominho de NA. Muitos membros acreditam que o apadrinhamento é uma oportunidade de levar a mensagem de recuperação e praticar os princípios encontrados no programa de NA. Me sinto obrigado a fazer o melhor que posso em minha própria recuperação. “Para mim. pois eu estava no lugar deles em algum momento de minha recuperação”.ouvimos no décimo segundo passo. “Meu padrinho cria uma atração para mim.

um programa sólido e trabalha conscientemente os Doze Passos. quero o que ele tem a oferecer”. Achando. Através da partilha de sua experiência. força e esperança. muitos de nós não sabiam quem eram ou como nos tornarmos membros produtivos da sociedade. um padrinho pode acalmar a confusão que muitos de nós experimentam quando ficam limpos.momento centrado. Um padrinho pode providenciar uma perspectiva mais objetiva sobre nossa realidade. Ele é sereno. padrinhos podem guiar afilhados na construção de um alicerce em recuperação. Simplesmente. e trabalhando com. Ele leva uma vida simples e calma. sólido e espiritualmente equilibrado. já que minha bagagem tende a 48 . Após passar muitos anos na adicção ativa. “Meu padrinho me dá uma perspectiva totalmente diferente da minha vida.

influenciar minha perspectiva e minha percepção”. como resultado de trabalhar os passos com ela. minha madrinha meio que me ‘falou um monte’. Finalmente. 49 . Aquela conversa foi um momento de virada. tinha uma ‘reputação’ por causa de meu comportamento com homens. comecei a sair com um homem ‘bom’ que não teria pensado em sair antes. e como resultado. Eu estava lhe contando como eu gostava dos ‘homens maus’ e ela sacudiu a cabeça. dizendo que o desejo dela para mim era que. eu aprenderia a parar de tomar decisões péssimas – que eu viria a apreciar o amor verdadeiro e o apoio que eu poderia vir a ter num relacionamento. ao longo do tempo. Estamos juntos a 16 anos”. “Cedo em minha recuperação. quando tinha alguns anos limpa.

O apadrinhamento é uma espécie de serviço abnegado. trabalhar com um padrinho pode começar a nos mostrar a importância do serviço. Apesar dela não ser mais minha madrinha. “Minha primeira madrinha foi a alma mais maravilhosa. e nesse relacionamento podemos a aprender como expressar nossa gratidão através do serviço seja ele formal ou informal. carinhosa e amorosa que sabia exatamente quando segurar minha mão e quando largá-la. Ela plantou em mim a importância de ‘devolver’ a NA através da estrutura de serviço.Além de nos ajudar a nos enxergarmos mais claramente. Ela me deu a base de compreensão de NA e os Passos. Tradições e Conceitos. outros simplesmente agem pelo poder de exemplo. Alguns padrinhos encorajam aqueles a quem apadrinham a se envolverem formalmente na estrutura de serviço de NA. dando deles mesmos e não esperando nada em troca. ainda é uma parte 50 .

é um relacionamento-em-progresso.ativa de minha recuperação e uma amiga querida”. Um padrinho é simplesmente um adicto em 51 . Agora faço bastante serviço formal. mas ele nunca perdeu a oportunidade de me encorajar a servir. mas ele me demonstrou que nunca era cedo demais para começar a ‘dar livremente’. meu padrinho perguntou ‘Você deu seu telefone àquele companheiro?’ Não achava que eu tinha muito a dar. mas sim com a boa vontade de dar”. Apadrinhamento. mas aprendi muito daquele primeiro padrinho sobre o espírito do serviço e como não tem a ver com um encargo específico. como muitas aspectos de nossa vida em recuperação. eu fui a uma reunião e um companheiro ingressou. Lembro quando eu era novo no programa. “Meu primeiro padrinho não estava muito envolvido na estrutura de serviço. Depois da reunião.

recuperação. Enquanto muitos de nós sentimos. confiança e esperança. adictos partilhando sua experiência. precisamos manter em mente que padrinhos não são Poderes Superiores. que não poderíamos ficar limpos sem a orientação e apoio de nosso padrinho. para ver outra pessoa ter dificuldades às vezes. como eu tenho. “Meu padrinho é um ser humano que tem alegrias e tristezas. Para mim. forças e fraqueza. às vezes. e defeitos de caráter com os quais ele tem dificuldades. e trabalhar para manter o foco na solução ao invés do problema”. mas sim. isso é uma grande lição. força e esperança. não um perito infalível. necessidades e sonhos. e ainda ter fé. É um presente maravilhoso poder ajudar aos outros e me abrir para que os outros possam ver quem eu sou. 52 . “Tenho tido afilhados ao longo de minha recuperação.

A simplicidade do relacionamento padrinho/afilhado – aquele de um adicto ajudando outro – pode ajudar ambos os membros a entrar em contato com sua própria humanidade enquanto passando pelas dificuldades da vida. em muitos casos o afilhado partilha insights e sabedoria. quando me perco em mim mesmo. Muitas vezes seus problemas são meus. A mensagem de recuperação não vem só do padrinho. juntos. Isso faz parte da via de mão dupla: o dar e receber que faz do Décimo Segundo 53 . É uma lição de humildade no serviço. Trabalhar os passos com eles é nada mais do que eu mesmo trabalhar os passos. meus afilhados me ajudam a sair disso. e suas soluções são minhas também.Freqüentemente. Eles me ensinam sobre confiança e compromisso. Tenho aprendido através deles que não sou o único que tem dificuldades ou o único que está perdido e tem medo”. Muitas vezes meus afilhados têm mais respostas do que eu.

Quando meus afilhados partilham os 54 . Levar a mensagem a outros adictos e dar livremente o que nos foi dado livremente não é só uma honra e privilégio.passo uma parte necessária do processo de recuperação. tento incorporar as coisas que aprendi sobre como eu gosto de ser apadrinhado em meu apadrinhamento. O quanto isso vale para o meu programa? Vale ouro”. é também essencial para enriquecer nossa condição espiritual. os Doze Passos e as Doze Tradições. Tenho que estar trabalhando meu programa pessoal para poder oferecer algo aos meus afilhados”. “A importância de apadrinhar outros é que me ajuda a me envolver mais com. “Recentemente tive um afilhado partilhar honestamente um assunto sobre o qual eu mesmo não tinha sido honesto. e conhecer mais sobre. “Quanto a ser um padrinho.

passos comigo. apadrinhamento. Preciso também ser humilde em relação a minhas afilhadas estando disponível e ouvindoas sem ser julgadora ou controladora. Aprofunda minha apreciação do que me foi dado”. é a coisa mais importante em NA. Acho que a lição mais valiosa que o apadrinhamento me dá é a oportunidade de praticar o amor incondicional. “Para mim. Uma das maiores dádivas em recuperação é encontrar as semelhanças em nossas jornadas e aprender sobre nossas diferenças. Minha madrinha e afilhadas têm me ensinado sobre a importância de ter relacionamentos com outras mulheres e como amar e ser 55 . Apadrinhamento me ensina humildade. junto com reuniões. Preciso ser humilde para ligar para minha madrinha e pedir ajuda. partilho minhas próprias experiências com passos também.

56 . Com isso.amada pelo meu próprio gênero. Muitas vezes ouvimos dizer que Narcóticos Anônimos é um programa “nós”. NA funciona por causa da ajuda que damos uns aos outros. e o apadrinhamento para muitos de nós. preocupados somente com nós mesmos. Nós. que passamos tanto tempo de nossa vida recebendo. E a melhor ajuda que um adicto pode receber vem de outro adicto em recuperação. acordamos para um mundo de possibilidades quando nos abrimos para as dádivas que o apadrinhamento pode nos dar. está no centro de um senso de comunidade e apoio mútuo. aprendi a me amar”.

Podemos não querer aprender a viver 57 . O programa de NA ensina conceitos e princípios dos quais a maioria de nos não tinha conhecimento durante nossa adicção ativa.CAPÍTULO DOIS PARA O AFILHADO Porque adictos buscam um padrinho Temos aprendido de nossa experiência como irmandade que precisamos fazer mais do que apenas assistir às reuniões de Narcóticos Anônimos. limpos e novos a NA. Sabemos que não será fácil parar de usar drogas. Agora. Ouvindo o que outros membros dizem sobre “trabalhar” e “praticar” os passos e tradições ou desenvolver contato consciente com um Poder Superior pode nos encher de confusão e suspeita. estamos em território desconhecido. Esses conceitos podem contrariar nossa maneira de encarar o mundo. mas não percebemos que viver uma vida em recuperação requereria tanto esforço.

“Quando cheguei a NA. E funcionou: tenho tido muito mais do que simples abstinência”. Tudo o que queremos é parar a dor e o ciclo horroroso de desespero e remorso causado por nossa doença. Foi difícil no início. me deram amor incondicional. A ultima coisa que muitos de nós esperam fazer ou saber fazer quando ficamos limpos é “trabalhar” nesta coisa chamada de recuperação. Mas. e partilharam sua compreensão do programa. Tudo o que queria era só parar de usar. mas meu padrinho. não tinha idéia do que era o programa. encorajamento. com o tempo.com integridade ou nos oferecermos em serviço abnegado a outros adictos. e fiz o mesmo com as tradições. Ter um padrinho ajuda muitos de nós a aprendermos sobre o programa de NA e adquirirmos “insights” sobre nós 58 . li os passos. trabalhei-os com um padrinho. tanto como outros adictos em recuperação que eu conheci.

’ quando nunca tinha feito nenhuma dessas coisas antes. que seria difícil fazermos sozinhos. Um padrinho é alguém com quem podemos partilhar nossos segredos profundos e escuros. fazendo algumas reparações ou entregando minha vida e minha vontade aos cuidados do meu Poder Superior. Precisava de alguém que estava do lado de fora do meu processo de tomada de decisões para me dar um empurrão que eu precisava na direção certa”. Mais importante para muitos de nós.. Isso é verdade tanto para aqueles de nós que são novos ao programa. “Não acordei um dia e disse: ‘Puxa. nosso padrinho/madrinha é a pessoa para quem podemos ligar quando temos vontade de usar.. como para o membro que já acumulou algum tempo limpo.mesmos. e ainda alguém que pode partilhar novas idéias conosco e nos oferecer direção quando pedimos. 59 . acho que gostaria de tornar minha vida muito melhor escrevendo um inventário.

um elo especial se forma. Precisava achar aquela pessoa em quem podia confiar 15 minutos antes de usar ou 15 minutos depois de ter usado. talvez é onde deveria estar. Freqüentemente. Ele me disse ‘Se é para você ir preso. permitindo que confiemos mais nas sugestões que eles oferecem. Podemos ter históricos ou outras características em comum.“Lembro quando escolhi meu primeiro padrinho. Muitos de nós escolhemos nossos padrinhos pela honestidade ou profundidade de suas partilhas. Precisava que ele me dissesse isso. Às vezes. Era exatamente o que eu buscava”. temos simplesmente um sentimento intuitivo que alguém é o padrinho certo para nós.’ Eu queria responder ‘Quem pediu a sua opinião’? mas pedi para que ele fosse meu padrinho. Era para eu ir preso por muito tempo. Em quem poderia confiar nesse nível? Não queria saber sobre os passos. que pode nos levar a ter uma 60 .

e ficamos conversando o final de semana inteiro. ela me desafiou abertamente quando deixei passar um comportamento inadequado que estava tolerando há tempos. Fiquei chocada! Ela mal me conhecia. Ela ainda é a mulher que quero ser quando eu crescer. Mas nunca quero me vestir como ela!” 61 . Ela pediu que ficasse junto com ela. na verdade.profunda conexão espiritual com nosso padrinho. Mas. Até o sábado de manhã. eu sabia que queria que essa pessoa me guiasse em minha recuperação. de um membro do meu grupo de apoio. Mais tarde naquela noite. ela me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa que eu tinha conhecido. “Acredito que minha madrinha hoje (e há sete anos) foi enviada por Deus! Nos conhecemos em uma convenção.

Não pensei em minha decisão antecipadamente. Mais uma vez. em busca de sua carreira. simplesmente perguntei se ela havia trabalhado os passos e 62 .“Para mim. mas quando preciso de atenção especial. Ela parecia segura e confortável. força e esperança da irmandade. meu padrinho é o adicto em recuperação especial enviado pelo Deus da minha compreensão”. “Alguns meses antes do meu terceiro ano limpa. tinha a tarefa de achar outra madrinha. Posso ir a reuniões e coletar experiência. meu padrinho é aquela pessoa a quem posso levar minhas perguntas pessoais – aquelas que poderiam me envergonhar ou aquelas de natureza muito particular. minha madrinha se mudou para outra cidade. Escolhi uma mulher que havia me confortado uma noite quando eu estava mal.

Só tínhamos sete reuniões naquela época. quando estamos prontos para aceitar certos compromissos. Era como uma família grande e no início me senti um estranho.depois pedi que fosse minha madrinha. “Fiquei limpo numa pequena área de NA. então muitos dos membros eram bem próximos. Ela ficou maravilhada’. Nosso padrinho pode nos apresentar a outros membros que têm mais tempo limpo ou que tiveram experiências de vida semelhantes. Desenvolver um relacionamento com um padrinho pode nos fazer sentir parte de algo maior do que nós. um padrinho pode facilitar o processo de ficarmos confortáveis com fazer parte da irmandade de NA. Quando chegamos ao programa. e assim por diante. Trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a entender aspectos do programa que podem ser confusos para nós: que tipo de coisas queremos partilhar nas reuniões e o que é melhor ser discutido particularmente. Meu 63 .

Foi a primeira vez que senti que pertencia”. “Quando eu era nova no programa. Foi tão confortante que logo comecei a me sentir parte do grupo. Apadrinhamento é tão vital para membros que estão na irmandade há vários anos quanto para aqueles que são 64 . como minha madrinha.padrinho me convidava para ir quando o grupo saia para tomar café ou comer. e logo. Senti que fazia parte da irmandade e aprendi muito a respeito”. Eu fui e descobri que gostei do serviço e das pessoas prestando o serviço. Me tornei membro regular. minha madrinha me convidou para uma das reuniões do comitê de serviço que traduzia literatura de NA para nossa língua. Aprendi a trabalhar com outros. Ele sempre me incluía nas conversas. muitas das pessoas no comitê se tornaram meus amigos.

Assim como nossa doença é progressiva. vim a acreditar que uma das minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação é crescer através do aprendizado de novas idéias e experimentando-as através de ação”. mais ferramentas teremos e mais rica nossa vida espiritual pode ser tornar. É como olhar as nuvens e vêlas se tornarem centenas de rostos e imagens. nossa recuperação também é. Vejo os passos assim – mudando conforme cresço e evoluo em minha recuperação.novos no programa. Estou 65 . “Continuando a ficar limpo em NA. Enquanto o programa de Narcóticos Anônimos pode ser simples. seus princípios têm uma riqueza que se aprofunda conforme nossa recuperação amadurece. Quanto mais tempo ficarmos limpos e trabalharmos o programa. “Quanto mais tempo fico limpa. mais mágicos e místicos os passos se tornam.

Agora. pensava sobre mente-aberta somente em termos de meu sistema de crenças. 66 . Era um ateu evangelista. meus sonhos. o que quero para mim. e nada nela é como eu poderia ter imaginado ou sonhado para mim se eu não tivesse aprendido a me abrir a possibilidades novas”. e sei que será uma jornada emocionante.fazendo os passos novamente com minha nova madrinha. meu padrinho me ajudou a ver que mente aberta vai muito além de minhas idéias a respeito de Deus ou um Poder Superior. e tinha que trabalhar duro para ouvir com mente aberta o que os outros tinham a dizer em reuniões. e assim por diante. Rezo para que eu nunca veja os passos ou a mim mesma como um trabalho ‘completo’”. anos depois. Amo minha vida hoje. “Quando era novo em NA. englobando idéias sobre o que me faz feliz.

mas eu não tinha um padrinho. Tudo isso aconteceu com nove anos limpo. “Após sete anos sólidos de trabalhar o programa e os passos com um padrinho. estou num hotel em uma cidade conhecida por seu brilho e jogatina com estranhos que estão se drogando.mas eventualmente – parei de ligar para meu padrinho. Meu padrinho (hoje) partilhou 67 . Ter um padrinho durante tempos difíceis tem valor enorme. Tempo limpo não significa sempre que um membro entende facilmente os princípios do programa de NA. A próxima coisa que eu sei. Estava verdadeiramente perdido.Membros com tempo limpo razoável podem se ver tão vulneráveis quanto recém-chegados ao encarar certas incertezas em suas vidas. eu lentamente . e não somos libertados dos problemas da vida simplesmente porque estamos limpos há alguns anos. e obviamente não tinha um programa. Nossa doença não some.

comigo que meu Poder Superior me ama muito e que eu fui o cara mais sortudo por sobreviver a minha jogatina sem desastre!” “Houve épocas em recuperação onde me sentia perdida ou abandonada ou como se tivesse perdido minha conexão com Deus e NA. Acho que passei tanto tempo nos meus dias de uso me machucando que quando cheguei a NA totalmente quebrada e cabisbaixa. o que realmente precisava era me sentir amada e aceita independente de quem eu era ou o que tinha feito”. Mas eu fui ensinada que a porta está sempre aberta. Muitos membros olham ao padrinho para ajuda em aceitar os desafios e 68 . é uma madrinha ou um amigo muito próximo que estende a mão para mim e me leva de volta “para casa”. às vezes. Sempre reagi bem à amizade e carinho das pessoas. E.

mas quando eu ligava para ele parecia que ele estava ali ao meu lado. Moramos a 640 quilômetros um do outro. Meu padrinho escutou sobre minha dor e disponibilizou tempo para mim quando eu precisei.obstáculos que às vezes nos encaramos enquanto aprendemos a viver uma vida limpa. 69 . Ele apareceu de surpresa no funeral dela só para me apoiar. mas nunca encontrei as palavras para dizer o quanto significou para mim tê-lo perto naquele momento e quanto me ajudou a atravessar meu luto”. “Quando minha irmã morreu de overdose há cinco meses. estava arrasado pela perda. Sei que largar tudo e pegar um vôo para estar ali apoiando alguém não está na ‘descrição do encargo’ de um padrinho. Um padrinho pode oferecer sugestões sobre como lidar com “os destroços de nosso passado” e os desafios de nosso presente.

pode ajudar o afilhado a evitar algumas das armadilhas que o padrinho já experimentou. mas conhecia 70 . Meu padrinho me ajudou a reconhecer a importância de encarar o passado. fazer reparações com restituição financeira. e me tornar livre para o meu futuro”. por sua vez. Partilhar intimamente com outro membro igual a nós ressalta o fato de que os sentimentos e as experiências que temos não são tão únicos.“Estava à beira de um desastre financeiro quando minha ex-esposa me processou por pensão atrasada. Isso. Freqüentemente. um padrinho trilhou o mesmo caminho que um afilhado e pode partilhar seu conhecimento e experiência a respeito da situação. “Quando estava com dez anos limpa. estava passando por dificuldades da meia-idade em relação à minha sexualidade. Precisava de uma nova madrinha.

71 . Apadrinhamento pode ter um papel crucial no Segundo Passo. Isso pode ser um dos benefícios de ter o mesmo padrinho por um período longo de tempo. Então pedi a uma mulher que tinha um ano a menos em recuperação. muitos creditam o apadrinhamento como fator importante em vir a acreditar que podemos ser devolvidos à sanidade. conforme os anos vão passando.pouquíssimas pessoas que tinham passado por esses problemas e que tinham mais tempo limpas do que eu. mas tinha dez anos a mais de idade e tinha acabado de passar pela mesma coisa que eu. mas sim que o apadrinhamento nos guia nas nossas tomadas de decisão e auto-compreensão. Nossos padrinhos podem nos ajudar a obter uma perspectiva melhor sobre nós mesmos e nossas vidas. Isso não significa que um padrinho é como um Poder Superior. eles nos conhecem cada vez melhor. Ela tinha procurado por amor em todos os lugares errados e havia aprendido a amar com responsabilidade”.

mas também à maneira que eu me sentia. 72 . Achei que havia progredido além desse tipo de comportamento. sem pisar nos meus calos”. Ele me ouviu e me trouxe de vota aos passos. Ela fazia isso de forma amorosa. Me vi indo em direção à solução e não mais preso no problema”. “Após muitos anos limpo. eu entrei numa briga física e logo desenvolvi uma série de medos. Ela me ensinou a respeito de insanidade e me ajudou a ver onde eu estava tentando fazer as mesmas velhas (e ineficazes) coisas para resolver meus problemas.“Minha madrinha me ajudou a compreender que ‘incontrolável’ não se aplicava somente a coisas ‘externas’. Meu padrinho me lembrou que eu sou um trabalho em andamento.

Os princípios de nosso programa muitas vezes podem nos ajudar a encarar e ultrapassar nossos problemas de maneira produtiva e responsável. “Anonimato – a condição de não ter nome – é essencial nos meus relacionamentos de apadrinhamento.“Meu padrinho é aquele que ajuda a segurar a lanterna espiritual para mim”. diferentes de nossos relacionamentos fora do programa. Muitos de nós valorizamos nossos relacionamentos em NA. Uma sólida compreensão da Décima Segunda Tradição significa 73 . pelas formas nas quais eles são. As razões pelas quais adictos procuram padrinhos são inúmeras. porém. O princípio espiritual de anonimato assegura que somos todos iguais dentro das salas de NA. vemos que o que nos une é que todos buscamos recuperação. Podemos ficar unidos e saber que não temos que enfrentar os desafios sozinhos. às vezes. e particularmente os relacionamentos com nossos padrinhos.

Meu padrinho não é uma pessoa melhor ou um adicto melhor do que eu. é que somos todos. Como sabemos se alguém tem “o que nós queremos”? Narcóticos Anônimos não tem regras rígidas a respeito da seleção de um padrinho. Um é que não divulgamos os segredos dos outros. queremos manter em mente algumas qualidades básicas. ou até mais. Muitos membros procuram por um padrinho. iguais. Uma dessas é encontrar alguém com quem nos identificamos e que “tem o que nós queremos”. No entanto. é metade de nosso nome). para aprender de meus afilhados do que eles de mim”.compreender o anonimato em vários níveis (deve ser importante – não só é o alicerce espiritual de todas as nossa tradições. em alguns sentidos. que eles sentem que irão aceitá-los e respeitá-los não importando o que possam partilhar. 74 . mais importante para mim. Outro. tenho tanto quanto.

Como com qualquer outro elemento de nossa recuperação. “Não quero um padrinho que tem o que eu quero. mas também o que sentimos que precisamos. Aqueles que são novos no 75 . participa no serviço. Eles procuram alguém que vai às reuniões. quero um padrinho que tem o que eu tenho e sabe viver com isso”. O que buscamos num padrinho no início de recuperação pode ser diferente do que buscamos mais adiante em recuperação. enquanto outros tentam encontrar um padrinho que será seu companheiro e amigo. o relacionamento do padrinho em potencial com o programa é a consideração mais significativa. trabalha os passos. É importante nos perguntarmos não só o que queremos para nossa vida e recuperação. Para alguns. e é comprometido com o programa. Encontrar um padrinho com mais tempo limpo também é importante para muitas pessoas. tem um padrinho/madrinha.Alguns membros simplesmente querem um guia através dos passos. podemos sempre buscar orientação de nosso Poder Superior para tomar uma decisão.

podemos considerar outras qualidades pessoais. é claro. a não ser que não haja tais indivíduos em sua comunidade. Como determinamos exatamente quais características sentimos que são necessárias depende inteiramente de nós. mas que. Porque nosso padrinho é humano. Para alguns. e. ninguém terá todas essas qualidades. é o padrinho perfeito para nós. Outros explicam que achar alguém divertido é tão importante quanto o resto. provavelmente deveriam procurar por um membro mais experiente como padrinho.programa. independente disso. Alguns de nós podemos querer alguém que nos direciona firmemente. Uma lista das considerações poderia continuar interminavelmente. por exemplo. ele ou ela terá qualidades e defeitos. especialmente. Podemos achar alguém que tem apenas uma (ou nenhuma) dessas qualidades. 76 . Além de olhar o que as pessoas fazem por sua recuperação. e que tem mente aberta. é mais importante encontrar alguém amistoso e disponível que é respeitoso e confiável. Alguns procuram primeiramente por um membro que é honesto e íntegro.

No final. Queria alguém que fosse gay como eu. etc. pedi que ele fosse meu padrinho. Queria alguém que tinha lidado com os mesmos tipos de problemas que eu tinha. Escolher um padrinho é nossa decisão. Queria alguém que tinha mais tempo limpo do que eu. Enquanto essas expectativas não pareciam exorbitantes. Depois de vários meses. Quando somos novos. etc. e sem nem saber nada sobre ele. “Uma vez cheguei a um padrinho com uma lista de problemas que queria que meu padrinho abordasse. Queria alguém cuja visão do programa era semelhante à minha. 77 . etc. muitos pedimos à pessoa que nos faz sentir mais bem-vindo. conheci um cara numa reunião.enquanto outros podem procurar por alguém que nos deixará tomar nossos próprios tombos. não consegui encontrar ninguém que preenchia os requisitos.

“Eu já sou muito duro comigo mesmo. “Eu olhava bem as pessoas. Quando pedi que ele fosse meu padrinho. Ele tinha alguma coisa que eu gostava. Faço a mesma coisa hoje quando alguém me pede para ser seu padrinho”. ele disse que iria perguntar ao padrinho dele se ele devia me apadrinhar. então para mim.ele preenchia cada um dos meus requisitos prédeterminados. Tinha tanto medo de rejeição que tinha uma lista de três pessoas que eu poderia pedir caso uma me rejeitasse. Era mais uma ocasião que os planos de Deus eram melhores que os meus. pois às vezes o que elas dizem não combina com como elas vivem. a 78 . Eu tinha apenas que sair do caminho”. O companheiro que eu finalmente pedi tinha uma barba cinza e a aparência que eu achava que um padrinho deveria ter.

então tive que decidir o que era mais importante para mim e fazer concessões”. Simplesmente não tinha homens em minha área com mais tempo limpo. mentalmente. O único homem que preenchia essa descrição era. Examinar nossos motivos para considerar alguém na escolha de um padrinho também é uma boa idéia. estabilidade emocional e um bom senso de humor. meu afilhado.coisa mais importante tem sempre sido encontrar um padrinho gentil. estávamos quebrados fisicamente. ironicamente. Como recém-chegados ao programa de NA. Quando muitos de nós chegamos às portas do NA. e freqüentemente necessitados financeiramente. emocionalmente e espiritualmente. Nos primeiros dez anos de minha recuperação. não conseguia encontrar alguém que preenchia todos os ‘ideais’ em minha lista de padrinho ideal. podemos ser atraídos a outros membros por causa de 79 .

suas posses ou sua aparência. Podemos ver seu “dinheiro, propriedade e prestígio” como medida de seu status e sucesso em recuperação. Podemos não compreender inteiramente que o programa de NA é trabalho interior e suas recompensas têm mais a ver com crescimento espiritual e paz mental do que estilo de vida e bens materiais. “Minha primeira madrinha tinha um carro novo, se vestia bem, e tinha uma casa maravilhosa. Achei que ela me mostraria como conseguir todas essas coisas, mas ela me levou aos passos e um despertar do meu espírito”. “Procurava alguém que tinha o que eu queira: a maior quantidade de jóias, o melhor carro, e mais mulheres. Descobri depois que eu deveria arrumar um padrinho com o que eu precisava – aceitação!”. Alguns membros tem tido experiências de relacionamento difíceis
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com relacionamentos familiares, amorosos, no trabalho, e outros membros da sociedade antes de entrar em recuperação. Às vezes sentimentos como carência ou desespero podem nos tornar hesitantes a cometer os mesmos erros do passado, ou podem nos encorajar a desenvolver novos relacionamentos que parecem iguais aos antigos. Quando escolhemos um padrinho, podemos não identificar que tipo de relacionamento de apadrinhamento será melhor para nossa recuperação. “Meu primeiro padrinho era muito rígido, e pensei que isso tornaria mais fácil para eu introduzir disciplina em minha vida, como a criancinha que faz a coisa certa porque tem medo dos pais. Na verdade essa é a forma que eu fui criado, e estava acostumado ao abuso e ser forçado a me provar. Esse relacionamento durou dois encontros, e eu acabei chorando no meu grupo de escolha, me sentindo quebrado por causa de sua
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crítica severa e controle. Me senti rejeitado”. “A verdade é que, quando era nova no programa, queria uma madrinha para que as pessoas parassem de me dizer que eu precisava arrumar uma. A mulher que pedi para ser minha madrinha era, de muitas maneiras, meu oposto, e achei que era isso que eu deveria querer. Era baixinha, loira e estava sempre sorrindo. Eu gostava de seu namorado, que era médico. O cabelo dela nunca estava fora do lugar, e ela era muito determinada, que eu achava legal. E, ela tinha mais que cinco anos limpa e não me tratava come se fosse idiota. O problema é que éramos tão diferentes que nenhuma das duas conseguiu aprender a entender a outra. A frase que ela mais usava comigo era ‘Estou tentando te entender, realmente estou.’, frustrada. Mas ela nunca conseguia. E eu não lembro
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de ela ter mencionado os passos para mim, mas ela me deu um monte de sugestões práticas úteis – mais do que eu sabia na época”. Achar um padrinho pode ser um dos compromissos mais importantes que faremos em recuperação. Precisamos fazer todo esforço possível para olhar para dentro de nós mesmos, não importando a dificuldade de manter a objetividade. É claro, que porque essa escolha é tão pessoal e há tanta diversidade entre nossos membros, algumas considerações podem não ser tão importantes quanto outras para nós. Por outro lado, podemos sentir que certas características de personalidade, não mencionadas aqui, são cruciais. Independente, é importante lembrar que um padrinho é um ser humano que pode errar. “A tendência de colocar padrinhos, especialmente aqueles que apadrinham muitas outras pessoas, em pedestais, isola profundamente esses membros. A primeira vez que
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perguntei para uma pessoa como era ter muito tempo limpo, ele respondeu ‘solitário’”. “Eu escolhi minha madrinha porque ela partilhou sobre ser humana e cometer erros, e eu achei que isso significava que ela teria que ser gentil comigo se eu não fosse perfeita. Sua filha estava na adicção ativa, e a luta obsessiva de minha madrinha para administrá-la freqüentemente significava que ela não estaria emocionalmente disponível ou que ela não retornaria minhas ligações quando queria que o fizesse. Aprendi a depender de outras pessoas para me apoiarem nessas horas, pois ela era quem eu queria que fosse minha madrinha. Apesar de ser imperfeita, às vezes louca, em minha opinião ela era gentil e amorosa e era disso que eu precisava”. Muitos de nós achamos que ajuda ter um sentido de nossas próprias
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expectativas para o relacionamento de apadrinhamento e para ser direto a respeito dessas expectativas quando pedimos para alguém ser nosso padrinho. Para aqueles de nós que são novos no programa, isso pode ser mais difícil. Pode levar algum tempo no programa para desenvolver esse tipo de compreensão. No entanto, se, como um membro novo, precisamos de mais tempo e atenção de um padrinho, temos que aprender a pedir. Podemos querer perguntar a padrinhos em potencial se podemos ligar tarde à noite se queremos usar, e quais são suas expectativas se recairmos (eles ainda irão nos apadrinhar?). Aqueles de nós com algum tempo limpo estabelecido também têm que pedir o que precisamos. Se buscarmos ajuda com um passo ou tradição, como lidar com um encargo de serviço ou com uma situação de vida, podemos discutir essas necessidades com um padrinho em potencial. “Quando pedi que minha atual madrinha me apadrinhasse, falei com ela sobre confidência. Ela é a melhor amiga de minha chefa, e eu precisava saber
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podemos desenvolver a habilidade de expressar nossas necessidades. NA como um todo não tem opinião sobre muitos assuntos polêmicos a respeito de apadrinhamento. Ele deixou claras suas expectativas e também me explicou que só porque era minha madrinha. nos tornamos boas amigas (apesar de seu ‘aviso’)”. No final. não significava que seríamos melhores amigas. 86 .que poderia falar com ela sobre o trabalho com certeza de que minha confidência seria mantida. Nossa experiência tem mostrado Enquanto a maioria dos membros de nossa irmandade podem concordar entre si sobre vários aspectos de apadrinhamento. Isso é uma ferramenta que podemos usar em todos nossos relacionamentos ao crescermos em recuperação. e que ela se sentiria confortável com isso. Ao aprendermos a arriscar e superar nosso medo.

Entretanto. doença ou divórcio. Esses membros têm visto que ter um padrinho ajuda a manter as coisas simples e minimizar o risco de escolher entre várias respostas que recebemos. sentem que há uma maneira “correta” para abordar o apadrinhamento. 87 . como serviço. motivam membros a procurar alguém com experiência semelhante para apadrinhar ou guiá-los. Padrinhos múltiplos A maioria de nossos membros sente que é importante ter somente um padrinho. têm tido sucesso com mais de um padrinho. não façamos que qualquer grupo de membros se sinta excluído ou defender a idéia de que um método de praticar o princípio de apadrinhamento é melhor que outro. Às vezes circunstâncias especiais.Nossos membros individuais. um padrinho é como um “único ponto de decisão e responsabilidade” explicado no quinto conceito. freqüentemente desenvolvem crenças fortes e em muitos casos. além de seu padrinho de muito tempo. porém. no entanto. Alguns membros. como uma irmandade. é importante que nós.

e o outro queria que eu recomeçasse o Primeiro Passo”. o que era importante – honestidade. integridade. mas me ajudou a decidir o quão honesto eu realmente queria ser.“Não era para eu ter dois padrinhos. viver com princípios. Um queria que eu continuasse com o Quarto Passo. estou cuidando dessa parte com meu outro padrinho’. “Ter dois padrinhos era confuso no começo. tinha saídas com os dois – se um tentasse me confrontar sobre algum defeito e não estava pronto. e foi muito confuso. mas acho que o processo aconteceu no 88 . o que eu pensava. Os dois queriam que eu fizesse coisas opostas. No início. sentia. etc. eu diria ‘Ah. Demorou mais para eu me enxergar. Paguei o preço. acreditava. mas acabei nessa situação por uma semana.

que me guiou nessa área do meu programa. tinha que completar o encargo ou 89 .tempo de Deus. então arrumei uma ‘madrinha de serviço’. Estava sobrecarregada e queria desistir de tudo. tinha quatro encargos de serviço que tomavam todo meu tempo. Aprendi tanto por ter tido dois padrinhos que só posso dizer que foi positivo”. mas minha madrinha não tinha experiência nessa área. me interessei muito pelo serviço. Minha madrinha de serviço me ajudou muito. Quando completei três meses limpa. “Achei uma madrinha antes até de ficar limpa. Assim que fiquei limpa. e eu comecei a trabalhar os passos o melhor que podia. Ela disse que uma vez que tivesse me comprometido com o serviço. Ela me trouxe às reuniões.

o que estava ouvindo de meu padrinho do AA não condizia com o que ouvia do padrinho de NA. Se quiser aprender a consertar carros. Achei um substituto para uma de minhas posições. mas completei os outros encargos. preciso falar com um carpinteiro. mas sou amiga das duas. “Quando entrei em recuperação. Essa experiência realmente ajudou que eu me desenvolvesse na pessoa que sou hoje.achar um substituto. tinha um padrinho em NA e um em AA. Nenhuma dessas mulheres é minha madrinha hoje. larguei o padrinho de AA e só usei o de NA. Se quiser 90 . e sou grata pela orientação que elas me deram nas áreas diferentes”. A lição que aprendi era que se quero aprender carpintaria. Então. Logo. devo falar com um mecânico.

aprender como viver o programa de NA. uma prática denominada apadrinhamento “temporário” ou de “transição” é comum. Podemos também pedir que alguém seja nosso padrinho temporário quando temos uma circunstância impedindo que nosso padrinho esteja disponível por um período de tempo: se. especialmente para aqueles novos no programa. “Essa doença não é temporária”. eles explicam. preciso um padrinho de NA”. Às vezes instituições obrigam seus pacientes a arrumar um padrinho temporário. Apesar dessa pratica ser popular em algumas regiões. Um padrinho temporário ou de transição é alguém que pode trabalhar conosco até encontrarmos uma pessoa que sentimos que podemos pedir para ser nosso padrinho. ela é desencorajada em outras. Apadrinhamento temporário Em algumas regiões. nosso padrinho está doente ou temos que nos mudar por um período de tempo. 91 . por exemplo. Alguns membros sentem que ter um padrinho temporário indica falta de compromisso ou reservas.

“Meu primeiro padrinho temporário durou quatro anos”. “Tive relacionamentos temporários suficientes; é hora de aprender a ter relacionamentos permanentes”. “Meu centro de tratamento me obrigou a ter um padrinho, então pedi à primeira pessoa que encontrei numa reunião que fui quando internado. Ambos estávamos cientes que o acordo era temporário”. Gênero O gênero de nosso padrinho/madrinha – isso é, se eles deverão ser do mesmo sexo que nós - é outra área na qual opiniões variam de comunidade em comunidade e adicto para adicto. Muitos adictos sentem fervorosamente que um padrinho/madrinha do mesmo sexo pode melhor ajudá-los a trabalhar certas dificuldades e mais facilmente identificarse com eles e sentir empatia. Outros não
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vêem o sexo como um fator determinante em trabalhar as questões de recuperação ou estabelecer empatia. Em algumas comunidades pequenas de NA, o número de padrinhos locais em potencial pode ser limitado, influenciando as escolhas dos membros nesse sentido. Independente do que decidirmos a respeito do sexo de nosso padrinho ou madrinha, devemos tomar cuidado para que a atração sexual não se torne parte de nosso relacionamento de apadrinhamento. “Tenho um padrinho amoroso e bondoso do mesmo sexo porque só posso partilhar algumas das coisas em minha vida que dizem respeito ao sexo oposto com alguém que se identifica. Por exemplo, ele compreende minhas dificuldades de comunicação com minha ex-mulher. Ambos temos filhos que moram com nossas ex-mulheres, e ambos temo experiência com tentar fazer isso funcionar”. “Como homem gay, tenho tido alguns tipos diferentes de
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padrinhos. Fui apadrinhado por outro homem gay, uma mulher gay, um homem heterossexual, e uma mulher bissexual. Acredito que o sexo de meu padrinho só é importante no seguinte sentido: que ninguém deve ser apadrinhado por alguém, onde qualquer nível de tensão romântica ou sexual existe”. “Preciso de uma madrinha mulher não só por causa de dificuldades com atração sexual, mas principalmente para aprender a confiar, gostar de, e amar alguém do mesmo gênero que eu, e confiar em mim mesma como mulher”. “Sempre tive padrinhos do sexo oposto porque quando entrei em recuperação, a irmandade estava apenas começando no meu país, e não havia mulheres em recuperação. Acho que apadrinhamento pelo sexo oposto pode funcionar quando o único propósito é
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recuperação. Minha própria experiência é que eu me aproximei de um membro por quem eu sentia atração, com a intenção de pedir que ele fosse meu padrinho. Felizmente, ele me rejeitou, dizendo que sentia atração por mim e não seria meu padrinho. Sugeriu que eu procurasse outra pessoa. Me senti muito magoada pela rejeição; nenhum homem jamais me rejeitou antes, mas foi a primeira lição em dignidade que recebi nos grupos de Narcóticos Anônimos”. “Quando entrei em recuperação e procurava um padrinho, alguém explicou para mim que ‘Recuperação não e sexualmente transmitida’; não escolha alguém por quem sente atração’”. “Percebi que desde minha infância, homens eram competidores – por atenção, em esportes, por mulheres, no
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trabalho por uma posição, salário, etc. Agora, preciso vêlos com outros olhos. Preciso vê-los como amigos e confidentes em vez de competidores. Isso demorou um tempo. Mas uma vez que superei o medo de intimidade com um homem, minha recuperação deslanchou. Acredito que essa intimidade é muito importante para o relacionamento padrinho/afilhado”. “Quando tinha quatro meses limpa, pedi para um homem ser meu padrinho. Era minha forma de rebelar; afinal, homens e mulheres são iguais, disse a mim mesma. Achei que a sugestão de apadrinhamento do mesmo sexo só tinha a ver com sexo. Meu padrinho emprestava meu dinheiro e não me pagava depois. A gota d’água foi quando descobri que ele não pedia dinheiro a seus afilhados homens, e eu percebi que homens e
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mulheres se manipulam de várias outras formas além de sexualmente”. E se eu não puder achar um padrinho de NA? Às vezes não conseguimos achar um padrinho imediatamente. Especialmente em comunidades mais novas ou menores de NA, pode haver poucos membros com tempo limpo significante. Em tal situação, alguns membros tem tido que achar padrinhos em outras irmandades de Doze Passos ou pela Internet, e alguns têm usado co-apadrinhamento (uma situação na qual cada pessoa apadrinha a outra) para ajudá-los em sua recuperação. Alguns desses arranjos funcionam e duram por muitos anos. “Não tinha nenhuma outra mulher em recuperação com minha quantidade de tempo limpo, então procurei uma madrinha no exterior para trabalhar os passos tradições e conceitos. Quando pedi à mulher, ela disse que tinha o mesmo problema e sugeriu o co-apadrinhamento. Desde
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aí percebi que eu estava muito mais envolvida em trabalhar o programa do que ela. nos comunicamos via e-mail. “Como moro numa comunidade de NA pequena. “A maioria de minha comunicação com meu padrinho ocorre on-line. está funcionando”. Ela me ajudou com os passos e me amadrinhou por alguns anos. Mas. Percebi que tinha que encontrar outra madrinha.então. Por agora. e comecei a procurar em um país vizinho”. fui a outra irmandade buscar uma madrinha. Nos escrevemos regularmente. correio e telefone. Escrever nos dá tempo para pensar entre comentários e isso realmente dá bons resultados. mas escrever 98 . No telefone posso enrolar por horas dentro da minha doença. Ela também parou de ir às reuniões. onde não há mulheres com mais tempo do que eu.

não afetam seus direitos a ser membro de NA e status como adicto em recuperação. identidade sexual. alguns adictos se perguntam se eles deverão considerar estes fatores quando escolherem um padrinho. Claro. É importante que eu lembre que e-mail não é uma forma anônima ou confidencial de comunicação..? Em NA. aprendemos que as qualidades particulares ou filiações de nossos membros como indivíduos. meu serviço de e-mail é através do meu trabalho. então é uma dádiva e também uma dificuldade. há algumas coisas que simplesmente não posso discutir on-line”. idade. etc.me dá estímulo para ser mais preciso e mais direto. Independente de. E nós dois nos beneficiamos de ter nossas conversas por escrito.. Significa que meu chefe tem acesso a todas as conversas com meu padrinho. eles deverão 99 . Nosso Texto Básico explica que qualquer um pode ser membro de NA independente de sua raça. religião. No entanto.

e uma cultura ou passado semelhante? Enquanto alguns adictos procuram um padrinho que é igual a eles em algumas dessas características. Nos primeiros cinco anos. ou etnia e status sócio-econômico semelhante. “Conheci meu padrinho por sete anos antes de pedir que ele fosse meu padrinho. 100 . Sou grato por ter tomado conta do interior dele antes de o julgar por seu exterior”. e alguns. Não acredito que eu teria pedido para ser meu padrinho se soubesse de antemão sobre seu status econômico. na verdade. Ele já tinha me apadrinhado por mais de um ano antes de descobrir que ele era rico.procurar alguém com crenças políticas ou religiosas semelhantes. buscam alguém que não é semelhante a eles. dividimos o mesmo padrinho. muitos outros têm visto que esses aspectos quase não têm importância frente a trabalhar um programa espiritual.

“Minha madrinha e eu éramos diferentes radicalmente em termos de cultura e morais. Então havia muitas coisinhas estranhas que não compreendíamos uma sobre a outra. Cheguei a esperar e até me divertir com a pergunta ‘Isso é uma diferença cultural ou um defeito de caráter?’ Falamos muito sobre a Quarta Tradição porque ser sua afilhada não significava que eu teria que me tornar igual a ela – significava que ela me 101 . minha intolerância foi substituída por amor. que em NA o espírito de anonimato poderia substituir todos os meus julgamentos. fui atraído por um padrinho ministro. Em recuperação.“Em minha adicção. Viemos de partes diferentes do país. religiões diferentes e classes sociais diferentes. paciência e tolerância”. por exemplo. fui ensinado a odiar todas as religiões e tons de pele que não fossem os meus. Ele me ensinou.

então porque minha recuperação devia ser?” “Se eu esperasse por um homem da mesma raça entrar nas salas para arrumar um padrinho. Só me lembro de sentir tanta dor e lutar tanto para não usar drogas. “Tive que trocar de madrinha. “Fiquei limpo na cidade. e esse adicto dizendo sim quando pedi que ele fosse meu padrinho. não confundir unidade com uniformidade”. 102 . estaria usando agora”. as drogas não foram impedidas pelas fronteiras da cor. Autonomia significava não ser igual.ajudaria a me tornar mais e mais como mim mesma. A raça do meu padrinho era diferente que a minha. Não enxergava cores nem bairros. pois a minha não conseguia me dar sugestões sem a influência de sua crença particular sobre Deus”. Como eu vejo.

Enquanto os princípios espirituais de unidade e anonimato expressados nas tradições enfatizam nosso elo comum como adictos em recuperação. valorizamos nossa unidade. membros individuais de NA. Meu relacionamento com ele é principalmente através da Internet. que protege nossa diversidade. Como cada um de nós encara essas várias diferenças não é certo nem errado. Tinha que superar meu julgamento. Em NA. é simplesmente como nós. também valorizamos o princípio espiritual da autonomia. encaramos essas diferenças. minha maior dificuldade foi pedir que meu atual padrinho norte americano me apadrinhasse. 103 . assim como barreiras de linguagem e distância. Aprendi que a linguagem do amor é mais forte do que qualquer barreira”.“Como afilhado. mas não buscamos uniformidade.

Eu era tímido e não teria pedido 104 . Eu disse que tudo bem e ele concordou. Nossa auto-estima pode ser tão baixa que acreditamos não ser merecedores de um padrinho. “Outra pessoa conseguiu meu primeiro padrinho para mim. Ela me disse que achava que ele seria um bom padrinho para mim. Por outro lado. Uma menina que conhecia na clínica me apresentou seu namorado numa reunião. nossa arrogância e auto-suficiência podem nos impedir de admitir que sequer precisamos de ajuda e.Estendendo a mão Pedir que alguém seja nosso padrinho pode ser assustador. Como membros novos. podemos resistir nos envolver com outro membro. Ele foi meu padrinho por dois anos. como conseqüência. podemos nos sentir amedrontados pelo tempo limpo de outro membro ou acreditar que de alguma forma somos mais doentes do que os outros.

Estava limpo há dois dias. “Conheci meu primeiro padrinho na minha primeira reunião. e morava num prédio abandonado. estava nervoso e duvidaria se ele teria tempo para mim. A resposta dele foi linda: ‘Não ouse tirar meu direito de devolver o que me foi dado. Eu era muito bravo e ‘durão’ nos primeiros dias. Ninguém 105 . O primeiro cara que pedi me rejeitou. sempre me sentia culpado quando pedia que passasse algum tempo comigo. Eu o via como o ‘grande Deus de NA!’ Como resultado. “Quando pedi que meu padrinho me apadrinhasse. Teria tentado fazer parte fingindo”.’ Essa única frase fez mais para fortalecer o elo entre mim e meu padrinho do que qualquer outro evento em nosso relacionamento”. Finalmente partilhei meus sentimentos de culpa sobre tomar seu tempo.sozinho.

Ele era meu afilhado irmão – isso é. podemos nos ver crescendo em direções diferentes. Conforme ficamos limpos e nos tornamos membros produtivos da sociedade. fiquei humilde o bastante para pedir a outra pessoa.queria muito a minha companhia. Meu atual padrinho é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Estamos juntos há 18 anos”. então fiquei na sala. Eventualmente. nossas vidas podem se transformar tremendamente. Recém-chegados não são os únicos que tem dificuldades em pedir que alguém os apadrinhe. tínhamos o mesmo padrinho. Podemos precisar achar um novo padrinho por inúmeras razões. Responsabilidades de trabalho ou oportunidades de carreira podem fazer com que seja necessária uma mudança da atual comunidade de NA – ou nossa ou de nosso padrinho. mas eu não tinha mais aonde ir. Após trabalhar com o mesmo padrinho há anos. Membros com bastante tempo limpo podem relutar em trocar de padrinho. Obrigações familiares podem encurtar o 106 .

podemos nos ver sem padrinho e saber que precisamos pedir a alguém. Muitos membros acham difícil a idéia de conhecer alguém novamente. Qualquer que seja a razão.tempo que nosso padrinho tem para dedicar a nós. Mas. mas pode ser especialmente difícil após estarmos limpos por algum tempo. “Trabalhei duro para construir um novo relacionamento com um novo padrinho. significa também que posso trabalhar muito mais conscientemente na 107 . Nossos padrinhos podem ficar doentes. apesar de estar em luto do último. morrer ou até recair. Não é fácil escolher um padrinho em quaisquer circunstâncias. Tenho uma idéia muito mais clara sobre quem eu sou e do que preciso (ou penso que preciso) agora do que quando era novo no programa e achei meu primeiro padrinho. Isso faz com que seja mais difícil lembrar que eu não posso apadrinhar a mim mesmo. num nível tão íntimo.

que se eu quisesse crescer em recuperação. Tinha medo de mudar de madrinha. Hoje. Sabemos que podemos encontrar aceitação nas reuniões de NA que freqüentamos. não devemos nos negar a possibilidade de participar em um relacionamento enriquecedor simplesmente por causa de nossos medos. porém. e senti que precisava de outra mulher para me guiar nos passos. estou trabalhando os 108 . Não estava crescendo. Podemos não querer perder aquela sensação de “fazer parte”. pois não queria perder sua amizade. “Com três anos limpa. Sabia. No entanto. mas alguns de nós evitamos pedir que outro membro nos apadrinhe por medo de rejeição. me vi estagnando em recuperação.construção desse relacionamento e que posso lidar com problemas no relacionamento muito melhor do que antes”. precisaria de outra madrinha.

Não precisamos estar no final de nossa corda para pedir ajuda. serviço. pegar o telefone deles e começar a ligar.passos e crescendo em recuperação com a orientação de minha nova madrinha”. Ao escolher um padrinho. Podemos ainda falar com outros membros para ver se eles podem sugerir alguém como padrinho em potencial. workshops. Podemos começar por ir às reuniões e ouvir aos membros presentes. na maioria das vezes. enquanto outros analisam e tomam essa decisão racionalmente. Se a partilha de alguém nos emociona. e outras atividades relacionadas a NA também são solo fértil para seleção. devemos chegar até eles. muitos de nós acham melhor usarmos nossa intuição. buscamos um padrinho de maneira semelhante. Isso é uma boa maneira de conhecer outro membro. Convenções. Podemos querer considerar ainda aqueles adictos que parecem estar interessados em nossa 109 . Independente do tempo que temos no programa. mesmo se nossa vida parece estar fluindo bem no momento e não temos nenhum problema a resolver.

Finalmente pedi a uma mulher que parecia saber como ter relacionamentos e pertencer a NA. “Pedi para cinco ou seis homens. que disseram não. e finalmente minha persistência deu frutos. pois era isso que eu queria – e ela disse sim. e quando a primeira mulher a quem pedi disse que não podia ser minha madrinha. Mas.recuperação. antes de meu primeiro padrinho aceitar. Tenho certeza que foi um Deus amoroso me guiando para o padrinho certo”. “Sou uma mulher muito orgulhosa. me senti sem valor nenhum e burra por ter pedido a ela. É importante lembrar de ir com calma. então continuamos nossa busca. serem meu padrinho. Se alguém que pedirmos disser não. Acredito que eu sou o tipo de pessoa que valoriza coisas difíceis de conseguir e provavelmente foi importante 110 . continuei pedindo às pessoas.

em uma convenção ou outra maneira similar. particularmente em comunidades pequenas de NA onde apadrinhamento à distância pode ser um elo vital para o resto da irmandade. podemos precisar buscar um padrinho à distância: alguém que conhecemos na Internet. Apadrinhamento à distância pode ser também uma solução para membros encarcerados ou aqueles de nós em hospitais ou instituições nas quais o contato pessoal é limitado. Nem todos os membros acreditam que essa opção funcionará para eles. “Conheci minha primeira madrinha nua reunião de serviço regional.para mim .ter que dar duro para achar uma madrinha. Em comunidades com poucos membros de NA. através do serviço. e apesar dela 111 . As outras coisas que minha experiência com persistência me ensinou é viver a vida como a vida se apresenta”. mas alguns de nós têm tido sucesso com tais relacionamentos.

convenções! Chamávamos de recuperação na estrada. reuniões de comitês de serviço e é claro. paciência.morar a mais de 100 quilômetros de distância. Sim. mas tenho um sistema de apoio maravilhoso onde moro. escrevo. uso o telefone. Sua 112 . eu queria o que ela tinha e estava disposta a fazer qualquer coisa para conseguir. A distância entre nós tornou ligar difícil às vezes. admito que há momentos em que gostaria de encontrar minha madrinha para tomar um café – NAQUELE MOMENTO! Mas. “A distância simplesmente desaparece quando ouço a voz de minha madrinha do outro lado do telefone. e dádivas demais para escrever todas aqui”. responsabilidades. e tenho aprendido aceitação. e vou a reuniões regularmente. e nós pudemos manter contato regular e trabalhar através de encontros em oficinas.

Desenvolvendo nosso afilhado/afilhada papel como Podemos tomar várias medidas para assegurar que nosso relacionamento com nosso padrinho é enriquecedor e satisfatório.experiência em viver o programa e os passos é o que eu quero dela. perdemos nosso egocentrismo e nos tornamos sensíveis às necessidades de nosso padrinho. A chave é ter outras mulheres à minha volta. Quando abrimos nossos corações e mentes e fazemos um compromisso de trabalhar com um padrinho. mulheres que podem me ajudar a viver princípios espirituais. temos a oportunidade de aprender muitas coisas novas e novas maneiras de pensar. e me dizer quando preciso ligar para minha madrinha”. Descobrimos como enxergar a vida através de uma outra perspectiva. Muitas vezes. Grande parte do quanto ganhamos com apadrinhamento depende de nossa boa-vontade em ser apadrinhado. Começamos a desenvolver 113 . me amar.

“Quando estou confuso e preciso de orientação. Continuei voltando. e ele pode me ajudar a limpar minha cabeça com uma ou duas sugestões.confiança conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento. Fiz os passos com minha nova madrinha. Quando encontrei minha atual madrinha. “Tinha cinco anos limpa. Ela pediu que eu ligasse todos os dias para ela. Muitos de nós aprendemos a desenvolver equilíbrio em nossas vidas. e minha madrinha abriu mão de mim porque não seguia suas sugestões. mas 114 . ligo para meu padrinho. Não confiava nela. A perspectiva dele sobre o assunto pode ser diferente. me sentia vazia e miserável. Eu odiava. Não acredito ter todas as respostas e experiências. Não confiava em ninguém. então mantenho meu ego no seu lugar seguindo meu padrinho”. Não usei.

Depois. Alguma coisa começou a acontecer. ficou estranho. As pessoas sentavam perto de mim nas reuniões e eu falava com elas. Trabalhar com uma madrinha e aprender a confiar nela tem feito uma diferença enorme em minha vida.ok . Meu telefone começou a tocar. me lembro de perguntar como ele está. A razão que eu sempre tinha amizades e relacionamentos amorosos insatisfatórios é que não deixava ninguém chegar perto de mim para me conhecer. “Cada vez que falo com meu padrinho. 115 . Acho que o que aconteceu é que eu fui forçada .para construir o primeiro relacionamento íntimo de minha recuperação e talvez de minha vida. não queria nem conseguia me conhecer. No início do relacionamento. E aí. talvez ‘direcionada’ é uma palavra melhor . Por conseguinte. nunca perguntava. Percebi que eu ria mais.o fazia.

tratar ou salvar. era a última coisa que perguntava antes de desligar o telefone. E para fazer essa parte. Temos que fazer nossa parte. e depois digo ‘E como está você?’ Sim. Quando escolhemos um padrinho. Ser um afilhado é uma ação. Agora quando ele pergunta ‘Como está?’ partilho o que está acontecendo. não estamos contratando um profissional para nos ensinar. recuperação é possível”. “Ter um padrinho é um lembrete de minha responsabilidade para comigo para progredir nos passos. analisar. Nosso padrinho simplesmente partilha sua experiência força e esperança conosco. Buscando apoio individual de outro adicto em recuperação nos ajuda a perceber que podemos fazer muito mais juntos do que jamais poderíamos fazer sozinhos. Ter um padrinho envolve mais do que conversa. temos que nos abrir.quando perguntava. somos responsáveis por nossa própria recuperação. no final. Ao 116 .

Ninguém nunca pediu comprovante de pagamento numa reunião de NA. sempre ligava para minha madrinha para pedir que ela me dissesse o que fazer em certas situações.partilhar esse processo com um padrinho. As quatro maiores diferenças na minha opinião: Apadrinhamento não custa dinheiro. “Demorou bastante para eu conseguir distinguir terapia de apadrinhamento. Não posso ligar para minha terapeuta todos os dias. 117 . meu relacionamento com meu padrinho me mantém honesto sobre meu progresso em recuperação”. “Quando entrei em recuperação. Desse modo. tenho uma testemunha sobre quanto trabalho estou fazendo e a velocidade na qual estou indo adiante com meu trabalho de passos. Minha madrinha nunca me disse que ‘O tempo acabou’ quando estava chorando”.

faço o mesmo com minhas afilhadas”. isso me frustrava enormemente.Ela sempre disse para rezar. Agora. Muitos dos princípios que aprendemos quando somos novos sobre como o programa de NA funciona são os mesmos para o membro com bastante tempo. na verdade – mas ela nunca dava. Lembro ter implorado que ela me desse direcionamento – ordens. comunicação tem um papel vital num relacionamento funcional de padrinho/afilhado. nos abrir e aprender a confiar. ‘Sou sua madrinha’. Quer sejamos novos ao programa ou tenhamos bastante tempo limpo. mas agora posso ver que ela não queria a responsabilidade que pertencia a mim. Se você não sabe o que fazer. Se sentirmos vontade de usar. precisamos fazer o esforço para fazê-lo. então espere’. devemos ligar para nosso padrinho e “nos dedurar”. Ao 118 . Temos que passar por nosso medo. Se nosso padrinho pede que liguemos regularmente. Na época. ela me dizia ‘não seu Poder Superior.

Éramos todos bastante novos em recuperação naquela época então apadrinhamento era muito via de mão-dupla. como foi sugerido que eu fizesse.partilhar honestamente com e ouvir ao nosso padrinho. “Eu me mudava tanto quando era criança que perdi a oportunidade de ter uma melhor amiga por muito tempo. Partilhar meus pensamentos mais 119 . e nos arriscarmos. Eu sabia e ela sabia. Lembro como minha madrinha era gentil e como ouvia com tanta paciência e um coração sábio. Quando finalmente cheguei a NA e arrumei uma madrinha. senti como se tivesse escolhido minha primeira melhor amiga. podemos freqüentemente aprender a ouvir sugestões. Ela é provavelmente a primeira pessoa que eu verdadeiramente deixei entrar no meu mundo. isso é empatia.

120 . A última foi a pior experiência de todas. instituições e morte’ não vinham necessariamente nessa ordem. Desespero me trouxe a rendição que eu precisava para seguir as sugestões do meu padrinho e fazer desse programa minha nova maneira de viver”. entreguei minha vida e minha vontade a ele e esse programa até que encontrasse meu próprio Poder Superior. Quando voltei entendi o que a ‘dádiva do desespero’ significava. Sabia que morreria se não estivesse disposto a fazer o que meu padrinho sugeria. De uma certa forma. e que ‘prisões. A última vez. e me desejou sorte. senti minha primeira conexão com ser um ser humano”.íntimos e segredos com ela. “Sempre recaía. liguei para meu padrinho e lhe disse que eu estava usando. Ele disse que era uma pena.

que ele se envolveria com muitas outras mulheres mesmo estando casado comigo. porque sofro.“Nunca pensei que teria que contar para alguém as coisas que fazia. consegui contar-lhe as terríveis coisas que pensava de meu marido. e outras coisas. sentia. Não posso ficar muito tempo sem contatá-la. percebi que era tudo paranóia. Sofria muito. selecionando as coisas que partilharia com minha madrinha. como nos ajudar. 121 . ou começar nosso inventário. ler literatura de NA regularmente. Depois de lhe contar tudo isso. Minha melhor experiência foi partilhar o Quinto Passo – minha confiança aumentou e hoje vivo muito mais feliz”. Desde aquela experiência de confiar em minha madrinha. tem sido mais fácil para mim hoje. Se nosso padrinho sugere que devemos ir a mais reuniões. Não queremos dizer ao adicto a quem pedimos ajuda. ou pensava. temos que fazer o esforço de fazê-lo. Um dia.

precisamos nos manter ensináveis. Estou trabalhando um programa que inclui a ajuda e sugestões dos outro. estava seriamente considerando a recaída.Quando pedimos ajuda. e os pensamentos de usar sumiram”. meus pensamentos então ficaram focados em todas as minhas novas associações. 122 . Fazer essas ligações tem me ajudado a ter uma melhor perspectiva sobre minha vida. meu padrinho não faria os passos comigo até que eu tivesse ligado para pelo menos cinco pessoas. Tinha a visão de um adicto a quem admirava. Em certo ponto de minha recuperação. cujas recuperações eu admirava. “Sempre relutei em ligar para outras pessoas em recuperação – até hoje. Porém. para perguntar sobre recuperação.

Mesmo assim. além de nosso padrinho. cada vez mais eu vejo que qualquer pessoa pode me dar melhor direção do que eu posso me dar”. Pode haver momentos nos quais nosso padrinho não estará disponível quando precisamos de ajuda.“Durante muito de minha recuperação. não acreditava verdadeiramente que as outras pessoas tinham idéias muito melhores que as minhas. Em algumas comunidades. é uma prática comum buscar ajuda de outros membros conectados a nós através de 123 . Com o tempo. Muitos de nós encontramos uma necessidade de criar uma rede de pessoas no programa para quem podemos pedir ajuda e apoio. conforme minha vida tem melhorado devido à minha abertura a sugestões. não estava disposto a seguir as sugestões de um padrinho – ou de mais ninguém – até que a agonia e solidão de fazer as coisas do meu jeito era tão grande que não tinha escolha se quisesse ficar limpo.

Independente da terminologia. podemos sempre ligar para alguém na nossa rede de apadrinhamento. Agora eu tenho tido uma madrinha em outro país há dois anos. “Em minha área. e 124 . isso é denominado “família de apadrinhamento”. SOMENTE queria trabalhar os passos com minha madrinha e receber sugestões dela. para alguns membros. “linha” ou “árvore” de apadrinhamento. em outros locais. Em alguns lugares. em vez de toda a social e viagens de longa distância necessárias em muitas das redes de apadrinhamento locais. fazer parte de uma rede desse tipo é importante e pode dar-lhes uma sensação de segurança e de pertencer a algo maior do que eles. Se não podemos falar com nosso padrinho. há poucas mulheres que tem madrinhas. e eu tive que ir a outra cidade onde a ‘família’ de apadrinhamento é a forma primária de apadrinhamento. Conhecer outros membros que também são afilhados de nossos padrinhos pode nos oferecer uma rede de segurança.apadrinhamento.

porém. Gostei tanto do companheirismo de fazer as coisas juntas que decidi voltar por seis meses e passar tempo com as afilhadas ‘irmãs’ porque quero”. “Participo em uma reunião mensal da minha linha de apadrinhamento. Para esses membros. já tenho um grupo de adictos em recuperação em quem posso confiar. de quem gosto e não tenho medo de intimidade”. com quem me identifico.viajei até lá para conhecê-la e minhas afilhadas ‘irmãs’. Alguns membros. ter esse tipo de rede anexada ao apadrinhamento pode parecer muito restringente ou que traz certas obrigações indesejadas. então se em algum momento eu precisar arrumar outro padrinho. consideram o apadrinhamento um relacionamento muito pessoal e não querem incluir nele uma “família” estendida. 125 .

Nada 126 . Felizmente. me identificar com dezenas de mulheres que são afilhadas da fulana ou afilhada das afilhadas dela. podemos ser tentados. ou nosso ego pode ficar inflado ao nos sentirmos o afilhado favorito.“Minha madrinha faz parte do que chamam aqui de ‘família de apadrinhamento’. mas não tenho interesse nisso. Penso que já tenho uma família disfuncional. Cada um tem seus próprios desafios e suas próprias dádivas. Mesmo se somos felizes em fazer parte de uma rede de apadrinhamento. às vezes. É importante reconhecermos que cada relacionamento de apadrinhamento é único. que nosso padrinho gosta mais de alguns afilhados do que de outros. a nos compararmos com os outros. ela não liga se eu vou ou não aos eventos. às vezes. Me parece que é como fazer parte de um rebanho. Não preciso de mais uma”. Nem gosto muito de algumas das outras pessoas em minha rede de apadrinhamento. Pode parecer.

Em vez de agir por emoção. Quando me sinto insegura ou desconfortável. Aprender a amar outras pessoas e não ter ciúmes tem sido um processo longo e doloroso para mim. Tenho quatro ‘irmãs’ agora. Eu as amo muito e estou honrada por tê-las em minha vida”. “Sempre tive necessidade de ser a ‘favorita’ em todas as situações. Fui a única afilhada de minha madrinha por mais de um ano. e elas todas são mulheres maravilhosas. Quer tenhamos ou não uma rede estendida de apadrinhamento. Construir 127 . e fiquei muito surpresa e insegura quando ela aceitou outra afilhada. falo com minha madrinha. podemos desenvolver uma rede de apoio sólida para que não precisemos depender unicamente de nosso padrinho. tento me aproximar das outras mulheres a quem ela apadrinha.ganhamos ao nos compararmos com outros.

“A orientação suave que tenho recebido de meu padrinho tem dado resultados. Juntos. e graças a Deus por todos eles. Nossa recuperação pode ser uma jornada incrível através da autodescoberta e auto-aceitação.amizades com outros no programa e fortalecer nosso relacionamento com um Poder Superior pode nos ajudar a atravessar momentos nos quais nosso padrinho não está à nossa disposição. Mas passei por períodos em minha recuperação quando não tinha um padrinho e usava amigos próximos em recuperação como meus guias. com Narcóticos Anônimos. Ao longo dos anos. “Meu Deus está comigo sempre. Deus sempre colocou o professor em minha vida quando pedi”. às vezes meu padrinho não pode estar”. nosso Poder Superior e a ajuda de nosso padrinho. muitos de nós podemos alcançar uma 128 .

Se escolhermos. Muitos adictos acreditam que apadrinhar um companheiro membro de NA é a melhor maneira de experimentar e expressar gratidão pela dádiva de recuperação.sensação de liberdade e alegria de viver que não acreditávamos ser possível. 129 . Como padrinhos. e é uma das principais maneiras pelas quais levamos a mensagem de NA. como afilhados podemos absorver o conhecimento e sabedoria que nosso padrinho tem a oferecer a respeito do programa de NA. podemos devolver livremente o que nos foi dado tão livremente. É um relacionamento responsável e parte de como podemos oferecer serviço abnegado a outros. CAPITULO TRÊS PARA O PADRINHO Minha gratidão fala: Sobre ser um padrinho Apadrinhamento está no âmago do Décimo Segundo passo. Podemos aprender a viver sem o uso de drogas e vir a amar e apreciar nossa nova vida em recuperação.

e o afilhado adquire conhecimento da experiência do padrinho. estou em 130 . Hoje. é simplesmente uma questão de um adicto ajudando outro. Acredito que apadrinhamento seja uma via de mão dupla na qual o padrinho adquire insights sobre si mesmo. e eu queria ficar limpa. Era o que o programa dizia que eu deveria fazer para me manter limpa. não estaria limpo hoje’”. ajudamos a nós mesmos também. Muitas vezes eu tenho dito. não fosse pelo meu padrinho.Enquanto cada um de nós pode usar palavras diferentes para explicar nosso papel como padrinhos. Vemos que quando ajudamos outros. “Quando comecei a amadrinhar mulheres. preciso ser honesta e dizer que não achava tão grande coisa assim. ‘Em momentos de dificuldade. “Apadrinhamento é um dos relacionamentos mais importantes no programa de recuperação de NA.

e não consigo imaginar minha vida sem essas mulheres maravilhosas. compreendidos. Recebi tanto quanto dei. Essa partilha pode trazer a sensação de aproximação para ambos o padrinho e o afilhado. e assim mesmo permanecemos juntas. A experiência pessoal partilhada pelo padrinho pode fazer com que seus afilhados se sintam aceitos. e guiados através do programa. 131 . quer sejamos novos ao programa ou quer estejamos limpo a algum tempo. De fazer esse salto em fé para ‘devolver o que me foi dado tão livremente’ tenho relacionamentos ricos e profundos que não teriam entrado em minha vida de outra forma”. amenizando um pouco do isolamento emocional que muitos de nós sentimos.recuperação há algum tempo. Um padrinho freqüentemente oferece apoio e encorajamento ao afilhado. É como se tivéssemos crescido juntas. Vimos uma à outra em nossos piores momentos. e elas também.

“Ser uma madrinha tem me ajudado a sair da escuridão de minha auto-obsessão e entrar no mundo dos relacionamentos verdadeiros. Mesmo que a recuperação me mostrou que isso poderia mudar. quando comecei a ajudar meus afilhados e aprendi a dar sem esperar retorno. ainda não tinha experimentado uma mudança significativa até que tive que 132 . Todos os meus relacionamentos anteriores tinham sido baseados em conseguir o que eu queria. Para minha surpresa. comecei a me valorizar e aceitar mais”. eu não tinha idéia de quanta alegria e autoaceitação poderiam vir de amar e gostar de outra pessoa. repetitiva. e pequena. mas ainda me sentindo necessitado e não amável. a vida era chata.“Antes de ter apadrinhado outros. Quando só havia a mim mesma no mundo.

Eu entendia exatamente como ele se sentia. Ele se sentia só. tenho tentado ser exemplo do que ele me mostrou naquela época. Em várias outras formas no nosso relacionamento ele tornou claro que se eu quisesse 133 . amadrinhá-las me tem dado a oportunidade de ouvi-las. e quando saía do cinema às três da manhã saia desorientado. e abandonado. “Muito cedo em recuperação ouvi meu padrinho falando em uma reunião. perdido. Ele disse que sentia como se se escondia num cinema à noite. sem saber aonde ir. aprender com elas. amá-las e fazer parte da raça humana”. mas ao mesmo tempo tinha muito medo de deixar alguém saber que eu sentia a mesma solidão gélida.compreender e ter empatia com as vidas das mulheres a quem eu amadrinhava. Agora que estou limpo a algum tempo e estou apadrinhando outros membros.

Apadrinhar outros me põe em uma posição de responsabilidade onde é mais importante ser honesto do que ser gostado. 134 . Nesse relacionamento individual. Me tem ensinado a respeito dos meus motivos ao fazer as coisas. independente de seu tempo limpo. Quando aceitamos a responsabilidade de apadrinhar as pessoas. eu tinha que ter a coragem e fé para ser honesto e partilhar com outros adictos sobre meus pensamentos e medos. somos encorajados.aceitação de mim mesmo. “Meus três afilhados me dão a oportunidade de estar disponível incondicionalmente para as outras pessoas. tentamos trazer o melhor de nós ao relacionamento. e às vezes pessoalmente desafiados – a olhar para nós mesmos enquanto tentamos dar sugestões àqueles que apadrinhamos. e sobre como entregar”. Acho que comunico a mesma coisa a meus afilhados através de minhas palavras e ações”.

de como viver os princípios espirituais encontrados em Narcóticos Anônimos. Com o tempo. Não era justo insistir que eles agissem. Um padrinho pode guiar afilhados numa jornada espiritual e ensiná-los sobre o programa de NA. ou reagissem. Um padrinho pode ser um exemplo. também percebi – através de meus inventários – que nem todo adicto respondia bem àquelas coisas que me motivaram. mas eu tenho que merecer sua ajuda e respeito. 135 . Ensino o mesmo às minhas afilhadas. “Minha madrinha me ensinou que seu amor é incondicional. providenciando um modelo aos seus afilhados. como eu”. vim a entender mais profundamente que uma de minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação e padrinho é abrir minha mente a novas idéias e estar disposto a tentar novas coisas.“Conforme fui ficando limpo.

Meu trabalho como madrinha é liderar e guiar. “Acredito que seja minha responsabilidade preparar meu afilhado para ser um padrinho ao ajudá-lo a praticar os princípios espirituais encontrados nos Doze Passos”. mas posso apoiá-las enquanto trabalham o programa de NA em suas vidas. tento guiá-las para a construção de ferramentas de recuperação baseadas nos princípios espirituais do programa de NA”. “Minha abordagem ao apadrinhamento das mulheres em minha vida é encorajá-las a tomarem decisões sadias por si próprias. 136 .Contanto que vejo uma faísca de boa vontade de sua parte em continuar a jornada. não puxar e arrastar”. Em vez de tomar decisões por elas. Não posso estar em recuperação por elas. estarei ao seu lado.

não ditando cada passo que eles tomam. Uma das coisas ótimas que meu padrinho me dizia quando estava pensando se eu deveria 137 . Precisamos lembrar que estamos apenas partilhando nossa experiência força e esperança com nossos afilhados. Apenas partilhamos uma experiência similar se temos uma ou partilhamos o que podemos fazer ou sentir em situação similar. Tentamos manter uma perspectiva equilibrada a respeito de nossa vida e nossos relacionamentos com nossos afilhados. a recuperação de nossos afilhados é a responsabilidade deles. freqüentemente aprendemos sobre os princípios de rendição e tolerância. não nossa. “A filosofia que meu padrinho tem e que uso com meus afilhados é que raramente damos conselhos. Também não corremos atrás uns dos outros nem nos damos tarefas.Quando apadrinhamos. Enquanto podemos tentar prevenir que eles cometam os mesmos erros que nós cometemos.

“Apadrinhar me ajudou a compreender melhor minha impotência perante outras pessoas. Ser um 138 . me sentia responsável por seus sucessos ou falhas. Muitos adictos descobrem que ser um padrinho ou madrinha se torna parte significante de sua recuperação. A princípio.sair com uma mulher seria me perguntar ‘Estaria disposto a casar com esta mulher?’ Isso ajudou a me manter fora de muitos relacionamentos nocivos”. também não preciso me responsabilizar por suas recaídas”. mas logo percebi com a ajuda de meu padrinho. “Aprendi a amar e aceitar as pessoas que apadrinho por quem elas são – não pequenas imagens de mim ou de qualquer outra pessoa em recuperação”. que se eu não for responsável por seu sucesso em ficarem limpos.

Às 139 . podemos guiar nossos afilhados na prática dos Doze Passos de Narcótico Anônimos e mostrar-lhes o modo de vida de NA. As mulheres a quem amadrinho freqüentemente me ajudam e apóiam. Se estiver bem com meu Poder Superior. Como padrinhos. mas nem sempre sou bemvinda quando o faço. Cada um de nós leva consigo uma riqueza de experiência e como padrinhos podemos partilhar aquilo que funcionou e não funcionou para nós. Somos todas professoras e alunas.padrinho nos dá uma avenida espiritual para partilhar num nível mais profundo e íntimo e nos oferece a oportunidade de partilhar nossa recuperação com aqueles que querem e precisam. então saberei quando meu Poder Superior me toca com a luz da verdade. É minha responsabilidade dizer a verdade às minhas afilhadas. “Apadrinhamento tem sido um presente enorme em minha vida. É meu dever como madrinha dizer a verdade às minhas afilhadas.

No final de cada ligação com meu afilhado. mas primeiro te fará ficar com raiva’”. ele sempre diz ‘Obrigado por me ouvir’. “Ser um padrinho me tem dado uma oportunidade de ouvir sobre as vidas dos outros. corações fortes. Tem me ajudado a manter o contato com os passos. que preciso para manter minha recuperação na trilha certa. apadrinhamento está sendo uma via de mão dupla – eu recebo conforme eu dou”.vezes. especialmente recentemente. Para mim. “Minha experiência. e espíritos corajosos. Tenho aprendido a amar e 140 . é que meu papel como padrinho tem colocado o meu foco de volta no programa. Tenho testemunhado bravura profunda. Como diz o ditado: ‘a verdade te libertará. e eu sempre respondo ‘Obrigado por ligar’. me deparo com resistência e raiva.

Escapando do fardo do egocentrismo Apadrinhamento pode ajudar a contrabalançar o egocentrismo e encorajar generosidade de espírito entre nós. pessoas bem diferentes de nós mesmos. 141 . alguns de nós atingimos um novo nível de humildade ao percebermos nossos limites e forças. Esse relacionamento pode nos ajudar a colocar nossos próprios problemas em perspectiva conforme nos aproximamos de outras pessoas. Podemos aprender a dar carinho aos outros – em muitos casos. “Algumas das maiores coisas que aprendi sobre apadrinhamento são como levar a mensagem através do exemplo e como praticar honestidade de compaixão o melhor que posso.respeitar aos outros mais profundamente do que em qualquer outra experiência anterior”. Como padrinhos. presenciamos suas dificuldades. e aprendemos a amar e aceitá-los.

não conte’”. é difícil esquecer de onde viemos.Apadrinhamento me tem ensinado a necessidade de ‘mostre. quando uma pessoa aceita o desafio de ajudar a outra – profundamente e individualmente. Tenho uma chance de focar os passos novamente sempre que ajudo um afilhado a trabalhá-los. Apadrinhamento nos dá meios de lembrarmos de nossos desafios no início de recuperação. “Recuperação parece amadurecer com apadrinhamento. Apadrinhamento me dá uma lição sobre deixar outra pessoa crescer na direção que o Poder Superior escolhe para ela. Quando apadrinhamos alguém novo ao programa. Nos 142 . Sermos padrinhos pode nos manter focados em nossa própria recuperação. É uma lição em abrir mão do controle e não necessariamente forçar regras rígidas ou caminhos aos outros”.

Só posso manter o que tenho ao dá-lo para outros. muitas vezes. me mantém conectado com meu Poder Superior enquanto sirvo a outro ser humano. “Muitas. 143 . empatia. me peguei dizendo algo a um afilhado. Me ajuda a permanecer responsável por um relacionamento com compromisso”. carinho.tornarmos padrinho é normalmente uma afirmação de crescimento e pode enriquecer nossa recuperação. que eu mesmo precisava ouvir!” “Apadrinhar outros me mantém ciente de onde vim e o que me mantém indo adiante em minha recuperação. Muitos de nós encontramos dificuldades em sermos complacentes quando estamos ativamente apadrinhando outros adictos. Praticar os princípios de compaixão. bondade. e partilha.

“Ser padrinho sempre me traz de volta à minha própria recuperação e seu progresso”. De vez 144 . sei mais sobre passos e tradições. É um momento de paz para nós dois. Como padrinho. um de meus afilhados e eu vamos até o interior. Com freqüência. os meus tempos difíceis. Falamos sobre tempos difíceis dele. nossos afilhados começam a confiar em nós conforme expomos nossas fraquezas. Esse tipo de partilha honesta nos lembra ainda que somos meros mortais e não o Poder Superior da compreensão de nosso afilhado! “No final de cada semana. Partilhar nossas experiências com nossos afilhados pode ser curativo para ambos. mas isso não significa que não posso ter uma semana dura. contamos sobre nossos erros e somos honestos a respeito de nossos medos. como é o pôr-do-sol. Parece que estamos a milhões de quilômetros de distância de tudo e nada pode nos perturbar ou ferir. tudo.

‘um centavo a mais’. acredito que como padrinho.em quando sou eu que digo oi com um cumprimento ‘nãomuito-padrinho’: ‘Graças a Deus você está aqui’!” “Tento passar para minhas afilhadas que não importa como sentimos sobre nós mesmas. eu fui escolhido para ser o padrinho porque tenho mais experiência do que o afilhado. Quando posso oferecer minha experiência a afilhadas sem me sentir ou agir melhor ou pior do que elas. no mínimo. acredito que Deus nos ama a todos igualmente. Me parece que deveria ser pelo menos um relacionamento ‘51/49’”. mas adicionar. sinto como se estivesse cumprindo meu dever como madrinha”. minha responsabilidade é não só colocar tanto esforço no relacionamento quanto faz meu afilhado. “Pessoalmente. Afinal. 145 .

se eu deixá-lo falar o suficiente. “É importante para mim me desvencilhar de qualquer tentativa de controlar meu afilhado. o apadrinhamento nos ensina como desenvolver e manter relacionamentos sadios. É importante também. ia ao meu Poder Superior. pedindo ajuda.Com o tempo. Às vezes temia ouvir a voz dela do outro lado da linha. a solução sairá naturalmente após a partilha do problema”. fui 146 . A maioria do tempo. ser um padrinho pode nos ajudar a ouvir sem julgamento. De muitas maneiras. totalmente auto-centrada com um caso severo de ‘Eu-ismo’. Conforme o tempo foi passando. Imediatamente. ser um bom ouvinte e não cortar meu afilhado enquanto está falando ou colocar palavras em sua boca. aceitar sem condições e amar sem expectativas. “Eu tinha uma afilhada que era a rainha do drama.

Tenho certeza que sou uma pessoa melhor como resultado dela ter me ensinado muitas das lições da vida. Tenho me beneficiado de formas que são difíceis descrever. Mais importante. convidando o Poder Superior a me guiar na conversa. tolerância e amor incondicional. ainda sou madrinha da não-mais rainha do drama. me tornei mais dependente de meu Poder Superior quando interagia com qualquer uma de minhas afilhadas”.apesar de achar que a maioria das coisas que ela dizia pareciam loucas. que ainda sofre às vezes de ‘Eu-ismo’. Somente aprendi essas lições porque estava disposta a ouvir . Como saber se somos certos um para o outro? 147 .melhorando. Meu Poder Superior geralmente me dava mente aberta. Hoje.

queremos tomar um tempo para examinar nosso próprio sistema de valores e nos perguntar se podemos apadrinhar com aceitação. Fiquei surpresa e não achava que tinha o tempo para dar a ela. Quando estabelecemos parâmetros claros sobre o que podemos e não podemos dar. compaixão e compreensão. “Uma mulher que chegou à sala estava sempre brava. Nossa recuperação pessoal deve vir em primeiro lugar. e essa raiva a distanciava das outras pessoas. asseguramos que o relacionamento terá boas chances de sucesso. temos que ser claros sobre essas expectativas. então disse que não poderia.Como padrinho ou madrinha. Ao longo dos próximos anos ela me pediu algumas vezes novamente. Um dia. ela se aproximou de mim e perguntou se eu seria sua madrinha. Se tivermos expectativas quanto aos nossos afilhados. Fiquei emocionada com sua boa vontade e humildade que ela estava escondendo por trás de seu comportamento 148 .

Era sua boa vontade de continuar pedindo diversas vezes e encarar o que ela pode ter sentido como rejeição que me permitiu ver além da raiva que ela tinha usado para se proteger da vida”. Antes de nos comprometermos com um afilhado. Há momentos 149 . amoroso e repleto de confiança de minha vida. se estamos ou não disponíveis. se nós mesmos temos um padrinho ou madrinha. precisava ser sua madrinha. Esse relacionamento se tornou o mais íntimo. e se nossa situação de vida atual nos permitirá passar tempo adequado com nosso afilhado. podemos querer considerar quantos afilhados já temos. Decidi que independente de eu ter tempo ou não.raivoso. Tenho também uma vida cheia fora da sala. “Eu sou madrinha de várias mulheres em recuperação.

me relacionar com meus filhos e netos. A maioria do tempo.nos quais me pergunto se estou disponível o suficiente para suprir suas necessidades. as outras não precisam. Não acredito que tempo limpo é tão importante quanto a habilidade de ser honesto consigo mesmo”. as coisas se equilibram – quando algumas precisam de mais atenção. e é isso que sugiro às mulheres que amadrinho. e 150 . Preciso levar em consideração o tempo que preciso para trabalhar com minha madrinha. Eu também acredito que é importante que eu as ajude a desenvolverem relacionamentos com outras mulheres em recuperação para apoio”. “Tento não ter mais afilhadas do que minha agenda permite. “Me foi sugerido esperar até que fizesse um Quinto Passo antes de apadrinhar alguém.

Podemos querer considerar se trabalhamos ou não todos os passos e se estamos preparados para guiar alguém em seu trabalho. Se nunca apadrinhamos alguém antes.trabalhar. Cada uma é diferente. Três afilhadas é o máximo que consigo manejar. Bom. mas ela insistiu que eu podia ajudá-la. Só tinha feito os primeiros três passos e estava no quarto. não querendo negar um 151 . Porém. e suas necessidades também diferem”. sem dúvida teremos que nos perguntarmos se estamos prontos para fazê-lo. Muitos de nós pedimos orientação ao nosso Poder Superior e perguntam a nosso próprio padrinho ou madrinha se eles acham que estamos prontos para apadrinhar alguém. “Não tinha muito tempo no programa quando fui convidada a ser madrinha. Me senti extremamente inadequada. isso não constitui uma fórmula para julgar o número de afilhadas que posso apoiar confortavelmente.

Na verdade. eu me senti aliviada. Ela me ligava todos os dias. Depois disso. ou nossas situações de vida são radicalmente diferentes. Qualquer que seja a razão. comecei a amadrinhá-la. Ela se desculpou bastante e me agradeceu por todo meu tempo e esforço. devemos ser honestos sobre nossos sentimentos enquanto 152 . Há momentos que não nos sentimos “qualificados” para ajudar. esperei até estar mais tempo limpa e tinha trabalhado mais passos até amadrinhar outra pessoa”. e eu fiz o melhor que pude naquele momento. Talvez a pessoa pedindo que sejamos seu padrinho tenha mais tempo limpo que nós mesmos. Podemos ter dúvidas a respeito de apadrinhar certas pessoas. e ela conheceu uma mulher numa reunião de área com cinco anos limpa. Isso durou uns três ou quatro meses. Ela descobriu que tinha bastante em comum com essa mulher então ela abriu mão de mim.pedido de NA.

Eu me senti honrada que ela me considerou. e muito inferior por causa de sua última madrinha. e ainda sou sua madrinha. Talvez tudo que precisemos seja fé. A madrinha dela. Ela me falou que me escolheu por causa de minha conexão com um Deus amoroso. ela pegou sua ficha de 15 anos. É impressionante como funciona 153 .lembramos que nos pediram por alguma razão. há mais ou menos uma semana. e ela também tinha várias afilhadas. Isso já faz oito anos. Por sinal. Essa mulher tinha sido minha amiga durante os últimos cinco anos. Sua primeira madrinha e eu lhe demos um bolo. uma mulher com três meses a menos do que eu pediu que eu fosse sua madrinha. que era bem antiga no programa. tinha acabado de se mudar. Me perguntei o que eu teria a oferecer. “Quando eu tinha em torno de sete anos limpa.

Podemos querer falar com nosso próprio padrinho ou madrinha sobre a situação. força e esperança”. quem decide é o Poder Superior.o apadrinhamento: nós não decidimos o que temos a oferecer. colega de trabalho. alguém com quem tivemos um relacionamento prévio ou primário – como membros de nossa família. O que nós fazemos é partilhar nossa experiência. devemos pensar cuidadosamente se podemos apadrinhar essa pessoa de maneira eficaz. colega de cela ou amigo – pode nos pedir que o apadrinhemos. se 154 . É possível que nossas responsabilidades nesses papéis diferentes serão conflitantes (por exemplo. Às vezes. Em tal situação. como chefe e padrinho)? Seremos muito afetados pelo que já sabemos a respeito da pessoa para podermos apadrinhá-la? Poderemos “abrir mão” e deixar que eles cresçam em seu próprio ritmo? Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. Esses relacionamentos podem trazer desafios específicos devido aos nossos diferentes papéis nesses relacionamentos.

e foi uma experiência triste e importante para mim. nem ele foi frívolo ao pedir. O tempo mais longo que ele ficou limpo foi o tempo que nós tivemos contato mais intenso. Ele pediu que eu fosse seu padrinho. eu sabia que era impotente. e às vezes eu o dava sugestões que ele nunca seguia. “Eu apadrinhei meu cunhado.decidirmos aceitar. comunicação é a chave para trabalharmos bem juntos. Infelizmente. Nós nos encontrávamos nas reuniões e em casa. mas sempre o aceitei como afilhado”. Estava com raiva dele como parente. as amizades podem às vezes ter um impacto sobre minha 155 . e eu não tomei isso como um pedido frívolo. Quando ele recaiu. “Eu desenvolvi amizades muito próximas com mulheres que amadrinhei ao longo dos últimos 13 anos.

opiniões individuais. A intimidade do relacionamento tem a capacidade de distorcer minha visão. e isso começa com honestidade”. Ainda. Narcóticos Anônimos tem experimentado crescimento incrível. Quero dar a elas tudo que esse programa de recuperação tem a oferecer. em membros e países ao redor do mundo. e outras circunstâncias específicas têm levantado uma gama de opiniões a respeito do apadrinhamento. Comunidades de NA ao redor do mundo usam praticas variadas de apadrinhamento.eficácia como madrinha se eu não tomar cuidado. Então tenho que rezar muito nesses relacionamentos para que eu não prejudique minha amiga e afilhada. Muitas dessas práticas são adaptadas à cultura daquela 156 . Nossa experiência tem mostrado Ao longo dos anos. diferenças culturais. às vezes tenho medo de confrontá-las a respeito de suas ‘coisas’ porque não quero que a amizade seja ameaçada.

comunidade em particular. Os seguintes tópicos podem apresentar desafios específicos para nossa adicção a respeito de apadrinhar alguém. no entanto. Diretrizes definitivas provavelmente seriam muito rígidas para a diversidade de NA hoje. 157 . Alguns membros sentem que a irmandade que o membro freqüenta é menos importante do que a vontade do afilhado em seguir sugestões e praticar os princípios do programa de NA. “Me arrependo das oportunidades que neguei por causa de minha visão ‘somente NA’ – oportunidades de adicionar idéias novas e perspectivas frescas à nossa comunidade e modo de vida. seremos afetados por nossa decisão em apadrinhar alguém que freqüenta outras irmandades além de NA. Devemos. como padrinhos. Freqüentar outras irmandades Muitos membros acreditam que podemos melhor apadrinhar aqueles membros que freqüentam somente reuniões de NA. considerar como nós.

tive um afilhado que sentiu que precisava ir a outras irmandades por razões que ele não compreendia muito bem. raiva. “Como padrinho. e baixa auto-estima. Imediatamente senti medo. Senti como se eu estivesse fazendo algo errado no meu apadrinhamento desse homem. Após dar uma olhada em mim mesmo e sentir o que estava acontecendo comigo. Após dois meses de estar dividido entre as duas irmandades. acho que se alguém demonstra que quer o que NA tem a oferecer. pois não tinha familiaridade com o material deles. tomei a decisão que eu continuaria a amar e apadrinhá-lo. eu não poderia ser seu guia. ele decidiu que Narcóticos Anônimos supria todas as 158 . Eu disse que se eles quisesse continuar a trabalhar com a literatura da outra irmandade.Hoje. eu não julgo o quanto eu acho que ele quer”.

Respeito suas decisões. “As mulheres que eu amadrinho são todas pessoas individuais especiais. Ele ficou muito grato pela liberdade e amor que ele teve para tomar sua própria decisão”. Não funciona para mim. mas isso é minha experiência. e faço o que posso para não julgar. bom. Eu abriria mão da nossa história maravilhosa por essa razão? Absolutamente não”. Tenho apadrinhado uma mulher há 14 anos. é isso que funciona para ela. Cada uma tem sua própria visão sobre recuperação e como ela mentem sua recuperação. e ela ocasionalmente freqüenta outra irmandade. Se parte disso envolve ir a reuniões de outra irmandade. Gênero 159 .suas necessidades de recuperação. e minha experiência é realmente tudo o que tenho para partilhar.

Eles sentem que pode haver falta de atenção e empatia entre membros do sexo oposto. Nunca poderia ter partilhado minha experiência sexual e de relacionamentos com um homem.Apesar de todos nós estarmos em recuperação para atingir a mesma meta. “Quando comecei a freqüentar reuniões. e eu estava interessada em ser cuidada. Portanto. Isso foi um conselho ótimo. e eu precisava 160 . Ele parecia a boa figura paterna. considerei pedir que um dos homens mais velhos me apadrinhasse. esses membros estão firmes em suas crenças a respeito de apadrinhamento do mesmo sexo. Uma das mulheres me explicou que é fortemente sugerido que mulheres busquem apadrinhamento de outras mulheres. esses assuntos são ligados a muita vergonha. No meu caso. muitos membros acreditam que o processo interno para se alcançar esta meta é diferente para homens e mulheres.

um homem pediu que eu fosse sua madrinha. Ele disse que eu tinha o tipo de recuperação que ele queria e ele não se identificava com nenhum dos homens em 161 . mas definitivamente somos diferentes”.partilhá-los com alguém que realmente compreendia como era para uma mulher ter que se comprometer para sobreviver como adicta na ativa”. há igualdade entre homens e mulheres. Porém. e trabalhamos os primeiros três passos juntos. mas mais cedo em recuperação. ele foi trabalhar com um padrinho homem quando chegou no Quarto Passo. “Amadrinhei um jovem rapaz (sou mulher) por um longo período de tempo. Não acredito que seja fácil se identificar completamente com um padrinho ou afilhado do sexo oposto. “Eu só amadrinho mulheres agora. Afinal.

Mas esse relacionamento trouxe à tona toda a raiva que eu tinha escondido em relação aos homens. eu co confrontava mais do que confrontava as mulheres. Se eles estão interessados em trabalhar sua 162 . Gostava muito dele. e fiquei frustrada com seu progresso. “Como homem gay. não gostei então eu disse a ele que achava que ele precisava trabalhar com homens.nossa pequena comunidade de NA. Eu lhe dava mais tarefas do que jamais tinha dado às mulheres. Acredito que me senti lisonjeada. Quando reconheci que estava me comportando desta forma. sempre falo com afilhados em potencial sobre o fato que sou gay. mas senti que não podia dar o amor incondicional que é preciso no relacionamento de apadrinhamento”. e porque não havia nenhuma química sexual entre nós eu achei que não teria problema.

“Acho importante ter um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. Apadrinhamento é sobre os princípios de NA. Sou um homem. Alguns membros têm tido sucesso com apadrinhamento do sexo oposto. Tenho que ser perfeitamente honesto e dizer que a energia sexual e desejo por essa mulher eram os mesmos para mim se ela fosse uma mulher heterossexual. Não havia atração sexual. e uma vez apadrinhei uma mulher gay. 163 . Foi uma verdadeira experiência de aprendizado para mim”.sexualidade. eles precisam ir a outro lugar. e sou grato que não agi nem machuquei nenhum de nós dois. mas ainda havia diferenças o suficiente para tomar a decisão de dizer não a pedidos futuros”. Algumas mulheres me pediram para apadrinhá-las já que sou gay. Eu a apadrinhei por mais ou menos uma semana.

Em algumas comunidades de NA. e o relacionamento funciona bem. Me vi dizendo ‘sim’ para amadrinhar homens. Por outro lado. sem maiores complicações. mas não acho que seja saudável para nenhum dos dois. e se conseguirmos manter nosso relacionamento focado em recuperação. “Sou mulher em uma comunidade onde eu era um dos primeiros membros limpos. já que não havia outra pessoa naquela época. Aqui membros de NA exercitam sua criatividade em fazer seu melhor para assegurar que estão levando a mensagem de NA.Ambos os membros permanecem focados em sua recuperação. sinto que esses homens me vêem com respeito. pode não haver uma proporção equilibrada entre homens e mulheres dos quais poderão selecionar um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. tudo estará bem”. acho que isso é um programa espiritual. De minha experiência. 164 .

Busquei orientação de meu padrinho e ele me deu algumas regras para apadrinhamento. tenho tido que trabalhar alguns assuntos para poder me manter responsável com meu compromisso.“Como homem que tem apadrinhado. apadrinhamento é platônico. e ainda apadrinha. (Isso era em meados da década de oitenta. é 165 . apadrinhamento não é um serviço de namoro. Finalmente. Primeiro. um partido político ou psicanálise. mulheres. Segundo. A primeira mulher que pediu que eu a apadrinhasse já tinha sido afilhada das três mulheres em NA em nossa área que tinham mais tempo limpas do que ela. Assegurar que ele se mantenha assim requer que o padrinho trabalhe um programa ativo que inclui fazer inventário de intenções regularmente. e éramos uma área nova). com as quais concordei e continuo a honrar hoje.

Eu me pergunto. Graças aos conselhos de meu padrinho. se sugerimos que heterossexuais tenham padrinhos do mesmo sexo. ainda sou padrinho daquela mulher e nosso relacionamento funciona”. então como aplicar esse 166 . minha primeira intenção era dizer não. Quando ele me pediu. também conhecida como Poder Superior. já que nossa literatura no passado tem sugerido que tenhamos padrinhos e madrinhas do mesmo gênero. Mas eu sou grata por ter seguido minha ‘intuição’.essencial permitir que afilhados cheguem a suas próprias compreensões de uma forma que funciona para eles. “Eu tenho apadrinhado um homem gay (sou mulher) por aproximadamente oito anos. já que esse relacionamento tem sido um dos mais recompensadores que eu já tive em apadrinhamento.

que façamos todos os esforços possíveis para distinguir entre atração romântica ou sexual e o desejo sincero de nosso afilhado de buscar conhecimento sobre o programa de NA. como padrinhos. na qual intimidade é baseada em parceiros do mesmo sexo”? Se membros do sexo oposto nos pedem para lhes apadrinhar. É imprescindível. estarmos cientes do potencial para atração sexual. Sentimentos românticos ou atrações por parte de qualquer um dos dois membros podem não ser óbvios. em apadrinhamento do sexo oposto. é nossa responsabilidade examinarmos nossos motivos assim como os motivos do afilhado em potencial.mesmo conjunto de normas à comunidade homossexual. Temos que ter certeza que levamos a mensagem de NA e não abrigamos desejos secretos em relação a nossos afilhados. Esses tipos de sentimentos normalmente resultam em um relacionamento arriscado para ambos os membros. 167 . O potencial se aplica aos dois membros envolvidos no relacionamento de apadrinhamento. Se parecer que o afilhado tem segundas intenções. então cabe a nós.

“Sou uma pessoa transexual. Agora. um homem me apadrinhou. posso ser mais útil para os 168 . Rezo para ser guiada e peço que a atração sexual. mas acho que poderia apadrinhar um homem gay”. seja revelada se houver. o único homem que apadrinho é gay”. e tenho sido bem sucedida apadrinhando homens em meu papel como mulher. “Eu sou um homem que não apadrinhará mulheres nesse ponto em minha recuperação. por menor que seja. tenho possibilidades de relacionamento românticas com pessoas de ambos os sexos. Porém. Durante minha transição. uma vez que minha transição estava bem avançada. Dessa forma. Acredito que eu perderia a objetividade. “Como mulher bissexual. tive que mudar para uma madrinha.

em uma instituição ou encarcerado. NA é um programa 169 . normalmente apadrinho mulheres heterossexuais e homens gays. dizendo ‘sim’ para aqueles que vejo verdadeiramente como irmã ou irmão em recuperação e ‘não’ a qualquer um que eu possa ver como namorado/a em potencial. Apadrinhar membros em prisões e instituições A maioria dos comitês de serviço que leva reuniões a adictos em instituições pede que seus membros não participem em apadrinhamento quando conduzem apresentações. Amo a mim e aos meus companheiros o suficiente para honrar a intenção do relacionamento padrinho/afilhado”.dois. Para esse fim. alguns membros de NA acham padrinhos e afilhados em situações institucionais. Temos que tomar cuidado especial quando consideramos se devemos apadrinhar ou não um membro que ainda está em tratamento. No entanto.

Qualquer que seja nossa decisão.espiritual que pode ser trabalhado em qualquer lugar. muitas instituições têm seu próprio conjunto de regras que pode afetar nossa interação com um membro residindo lá. Essas circunstâncias. tanto como quanto tempo podemos dar. Alguns de nós podemos dar mais do que outros. temos que considerar quanto esforço estamos prontos a fazer. Enquanto os princípios do apadrinhamento são iguais para membros nessas circunstâncias especiais. porém. Não é como apadrinhamento normal. 170 . Se formos incapazes de estarmos presentes para nós mesmos. podem afetar nossa decisão em aceitar tal afilhado. e alguns de nós sentem que as demandas de nosso tempo e energia podem ser demais. sem dúvida. então seremos incapazes de estarmos presentes para outra pessoa. devemos nos proteger de nossas vidas se tornarem incontroláveis como resultado dessa decisão. “Sou madrinha de uma mulher que conheci quando fui fazer um painel institucional.

Eles já têm muitas tarefas escritas para fazerem. dou leitura e tarefas para ela fazer. “Quando me pedem para apadrinhar alguém em tratamento. “Dou meu telefone a adictos em tratamento e peço que eles mantenham contato comigo até que eles saiam do tratamento.Ela não tem meu telefone. quando vou visitar. No mês seguinte. Peço que eles leiam o Primeiro Passo todos os dias. grifando palavras e frases que tenham especial significado para eles. não peço que eles escrevam nada. e eu respondo quaisquer perguntas que ela possa ter”. Cada mês. sinto que 171 . Acredito que me colocar à disposição para recém chegados é uma parte importante da minha recuperação”. Nos encontramos semanalmente e falamos sobre os passos. Dessa forma. revisamos o que ela escreveu.

Trabalhamos os passos via correio e telefone. Qualquer informação que era incriminadora ou sensível. É difícil nos comunicarmos. e uma vez por mês nos encontramos na sala de visitas.e até agora tem sido uma bênção enorme para nós dois”. só para lembrarmos do que se tratava. Ambos estávamos comprometidos e dispostos a fazer esse relacionamento funcionar – dentro das paredes . 172 . funcionou bem. estou apadrinhando alguém que está em uma instituição. pudemos falar mais a fundo em particular. pois paredes e cercas nos separam. escrevíamos em código. Quando chegou a hora de ouvir o Quinto Passo dele. “No momento.estamos construindo nosso relacionamento”. Posteriormente.

Apadrinhar membros com experiências de vida diferentes e históricos familiares diferentes pode ser desafiador. mas os passos e tradições são princípios universais que podemos partilhar não importando de onde viemos. Qualquer adicto disposto a trabalhar o programa de NA pode encontrar recuperação. Ela nos prende independente de nossa família. a recuperação também não. Assim como a doença não diferencia. raça.Apadrinhar membros com culturas diferentes A doença da adicção não discrimina. Fazemos o possível para apadrinhar sem discriminação. “‘Como esses princípios podem funcionar para mim quando NA é sobre unidade e minha religião é sobre nós como um povo escolhido?’ uma afilhada com muitos anos limpa me perguntou. 173 . religião ou falta de religião. classe social. Tive a oportunidade de olhar para como as tradições poderiam funcionar na vida dela.

sai que algumas pessoas me chamariam de uma adicta que teve um fundo de poço ‘alto’. e ajudá-las a alcançarem uma compreensão de nossos princípios que podem funcionar com suas outras crenças. independente de sua religião. Hoje. Parte de meu dever como madrinha é levar a sério as dificuldades de minhas afilhadas com as Tradições. com seus firmes direcionamentos contra misturar NA com outros sistemas de crenças ou estruturas de serviço. tenho um 174 . As tradições. Cresci numa família de classe média e fiquei limpa relativamente jovem. “Mesmo com o caos e miséria em minha vida quando cheguei a NA. tornam claro que tal reconciliação é possível”.Acredito que muitos de nós que saem pelas portas pelo zelo religioso o fazem porque não conseguem conciliar recuperação com religião.

ela perdeu a guarda de seus filhos. mas minha comunidade local de NA não reflete essa diversidade. Me preocupei que não teria nada a oferecer para ela. após ser presa. então 175 . Temos essas coisas em comum.diploma avançado e um estilo de vida confortável. Recentemente. e acho que isso provavelmente é mais importante do que ter a mesma história”. ao longo dos meses que a amadrinhei. Ela não tem dinheiro. Acho que minha recuperação pessoal é fortalecida por variedade e diversidade. Sinto tanto amor e respeito por ela. arrumei uma afilhada nova que vem a NA por ordem judicial. nem emprego e tem um carro quebrado. Nunca tive filhos. como saberia com é perdê-los? Porém. pude falar com ela a respeito de perda e aceitação e impotência. “Moro numa área repleta de imigrantes. Em cima de tudo isso.

fiz um compromisso com me tornar disponível como padrinho a pessoas desses grupos. assim como espero que eles respeitem minha escolha. meditar e manter contato consciente com seus Poderes Superiores. Tendo a liberdade de escolher. Os adictos a quem apadrinho têm suas próprias compreensões de um Poder Superior. mas estou feliz por ver mais desses adictos em nossas salas hoje”. como ateu. Eu os encorajo a rezar. fique aqui e me beneficie desse programa de recuperação. Para mim. Respeito isso. “Uma das razões que acredito que NA pode alcançar uma população tão diversa é a liberdade de escolha que nos é dada. especialmente meu Poder Superior. tem permitido que eu. os passos oferecem verdades universais que atravessam as barreiras de 176 . Não tenho certeza se isso fez alguma diferença.

‘idade. podemos ajudar ao 177 . tanto como a nosso afilhado em potencial. Como padrinho temporário. raça. com o que aprendemos em NA e de nosso padrinho ou madrinha. compreenderemos que não tem problema dizermos não. identidade sexual. Por outro lado. podemos ajudar a um afilhado com sua recuperação por um período curto. e às vezes essa decisão pode incluir dizer não quando nos pedem para apadrinhar alguém. Não temos que acreditar no mesmo Poder Superior para trabalharmos os passos juntos”. religião ou falta de religião’. podemos sentir que entrar em um relacionamento temporário ou de transição pode nos beneficiar. credo. Dessa forma. até que ele ou ela ache alguém com quem se sentem mais confortável. Alguns padrinhos pedem a um afilhado ou outro membro se eles gostariam de ter um afilhado ao invés de simplesmente falar não. Idealmente. Tomando a decisão Queremos tomar a melhor decisão que podemos.

por qualquer razão. Acho que é só jogo de 178 . Por que estragar um relacionamento maravilhoso”? “Quando alguém me pede e eu preciso dizer não. “Não sei qual é o problema em ter padrinhos temporários – parece uma opção viável para mim. Às vezes digo que se sentem atraídos por minha recuperação. para que não se sintam rejeitados. “Sou o padrinho temporário de um companheiro há quase doze anos. não queremos que adictos buscando recuperação se sintam sozinhos ou que não pertencem aqui.afilhado em potencial a conseguir o apoio e orientação de um padrinho. normalmente pego seu telefone e ligo para eles. ambos temos uma saída – eu posso encaminhá-los a outro. Daí. e eles não se sentem rejeitados”. Não importando quais são as circunstâncias. talvez eles se sintam atraídos por um de meus afilhados.

Muitos de nós sabemos como confiança.palavras de qualquer forma. O que é temporário? Um dia? Uma semana? Um mês? Acho que é melhor ter um padrinho por um tempo do que nenhum padrinho”. enquanto outros apadrinham da forma que gostaríamos de ter sido apadrinhado. Independentemente. Alguns acreditam que não há regras para apadrinhamento a não ser oferecimento de amor e aceitação incondicionais. os princípios espirituais nas tradições – incluindo anonimato. O espírito de apadrinhamento pode ser encontrado no fato de ajudarmos aos outros e dar a eles o que nos foi dado. 179 . Alguns de nós apadrinhamos da forma que fomos apadrinhados. não-profissionalismo e serviço – providenciam uma pedra fundamental em comum para todos os relacionamentos de apadrinhamento. Desenvolvendo nosso papel como padrinho Métodos de apadrinhamento diferem de adicto para adicto.

mas por serem jovens experimentando algumas situações de vida. Eles precisavam viver seu momento de cabeça-dura. Sinto que o contato mais forte com meu Poder Superior vem quando estou ativamente levando a mensagem”. “Acredito que o propósito dos passos é ter um despertar espiritual. não só por serem recém chegados.fé e honestidade podem providenciar o alicerce necessário para ambos o padrinho e afilhado trabalharem na construção de seu relacionamento. e é meu papel como padrinho guiar meus afilhados pelos passos até o Deus de sua compreensão. “É difícil apadrinhar alguém sem trabalhar o programa 180 . às vezes pela primeira vez”. “Meu maior desafio como padrinho foi desenvolver paciência e rendição quando apadrinhei dois adictos muito jovens.

“Meu primeiro padrinho me levou pelo exemplo. Relutei e disse que já tinha trabalhado os passos. mas acabou sendo a melhor 181 . Ele queria que eu os trabalhasse com ele sobre assuntos da vida.diretamente. Ele me levou a diversas reuniões e me envolver com H&I. Após dez anos. ele se mudou e eu tive que achar outro padrinho. não só drogas. Eu trabalhei os passos com ele. Foi muito difícil conseguir aquela intimidade e confiança com outro padrinho. então isso me encoraja a trabalhar os passos com meu padrinho. Meu padrinho novo me disse para começar no primeiro passo – impotência. Depois. Desenvolvo mais habilidades com os dos passos através de ajudar outros a encontrarem seu caminho na mesma estrada”. ele se tornou um amigo em quem podia confiar completamente com qualquer coisa.

Me sentia muito inseguro com o direcionamento que eu dava. um novo desafio. Como resultado. Muitos de nós começamos seguindo o exemplo de nossos próprios padrinhos. Apadrinhar alguém pela primeira vez pode parecer demais para nós. A experiência coletada conforme passamos pelos Doze Passos juntos nos ensina como ser um padrinho. Cada vez que desligava o telefone com um afilhado. ganhamos um sentido sobre o que funciona melhor para nós e para cada um dos nossos relacionamentos de apadrinhamento. nosso relacionamento com nosso próprio padrinho ou madrinha pode crescer e mudar.coisa que podia ter acontecido: uma nova perspectiva. uma voz nova. Ir mais a fundo do que anteriormente tem sido recompensador”. Com o tempo. “Eu nunca tive que ligar tanto para meu padrinho na minha recuperação inteira. 182 . quanto quando comecei a apadrinhar pessoas.

No entanto. Hoje meu padrinho e eu nem sempre concordamos sobre as sugestões que dou aos meus afilhados. Aceitei que não sou exatamente como meu padrinho e que tenho minha própria abordagem. Mas. Podemos nem perceber que estamos engajando nesse tipo de comportamento. afilhados precisam aprender a tomar suas próprias 183 . eles me escolheram porque eu sou a pessoa a quem eles querem pedir ajuda para trabalhar os passos”. então eu ligava para meu afilhado para revisar minha sugestão.ligava para meu padrinho para dizer o que tinha falado ao meu afilhado. controlar ou consertar a vida e recuperação de nosso afilhado ou afilhada. Algumas vezes aprendemos lições dolorosas quando tentamos administrar. teriam pedido a ele. Tiveram muitas vezes quando meu padrinho me dizia algo completamente diferente. Se meus afilhados quisessem alguém exatamente igual ao meu padrinho.

Tentei. Não só escrevemos a respeito deles. Fiz algumas ligações. ao invés de um que está morto”.decisões. mas sentia que tinha que fazer alguma coisa. estou feliz por ter um ex-afilhado que está vivo. Apesar de eu ter um pouco de vergonha. não aquelas que nós queremos que eles tomem. sem sucesso. encaminhá-lo a um profissional para ajudá-lo. “Uma vez apadrinhei um adicto que manifestou tendências suicidas. Ele se sentiu traído e abriu mão de mim como padrinho. e ele foi hospitalizado contra sua vontade. tentamos praticar os princípios em nossas vidas diárias. “Meu foco principal com meus afilhados é o trabalho de passos e tradições. Parte de meu dever como padrinho é ajudar meus afilhados a definirem seus 184 . Não sabia o que fazer.

próprios valores e não copiar os meus”. Precisamos ser vigilantes conosco mesmos para permitirmos que nossos afilhados cresçam em seu próprio ritmo. deixamos os resultados nas mãos do Poder Superior e apoiamos nossos afilhados durante suas dificuldades. Alguns de nós deixam seus afilhados tropeçarem e crescerem conforme tomam 185 . Isso não significa que ignoraremos uma ação em particular. Enquanto queremos oferecer orientação com amor. “Fui ensinado a não apadrinhar até que tivesse feito o Quinto Passo. Na verdade. Foi quando aprendi o que significa ter um relacionamento sadio e que eu precisava resistir tentar controlar meus afilhados”. Desde então aprendi que não me tornei um bom padrinho até trabalhar o Nono Passo. é também importante deixar que afilhados sofram as conseqüências de suas próprias ações. nem que abandonaremos ou viraremos nossas costas para eles.

recebemos uma chance de aprender sobre impotência perante nossos afilhados e sua doença. Infelizmente. Eu acredito 186 . Eu lhe falei que escrever os passos não tem fundamento nenhum se ela não incorporar aqueles princípios em sua vida e fazer mudanças sadias. Praticamos o princípio de rendição e tentamos nos lembrar que recuperação é um processo. Hoje ela ainda paga restituição por seu crime.suas próprias decisões. ela se justificou até a prisão. “Minha afilhada estava determinada a continuar praticando comportamentos que estavam em conflito com os princípios que ela estava aprendendo através dos passos. Outros podem usar um enfoque mais didático. Conforme experimentamos o quão recompensador é ver alguém crescer. Ela sentia que roubar de um provedor de serviços públicos era justificado porque eles cobravam demais de seus clientes.

cada adicto é diferente e segue a estrada de recuperação em seu próprio ritmo. não atraso. Só posso amá-los incondicionalmente enquanto eles experimentam a vida. Acredito que uma das maiores responsabilidades de ser um padrinho é encorajar avanço. eu posso diminuí-lo. e 187 . enquanto não posso fazer muito (se é que posso fazer alguma coisa) para aumentálo.que o adicto que não muda usará novamente. Mas uma regra geral a respeito do ritmo é que. Eu a amei e apoiei ao longo das conseqüências de suas ações. Deixo bem claro que estou apoiando a elas. “Sim. Tento pegar cada oportunidade que posso para ajudar meus afilhados rumo ao despertar espiritual que eu. Nunca tive que dizer ‘não falei?’ Não posso negar meus afilhados a dor de suas conseqüências. e não seu comportamento”.

Como padrinho ou madrinha. Às vezes nosso papel mais importante como padrinho é de ouvinte. “Uma das coisas mais legais sobre apadrinhamento é que me lembra de praticar as Tradições de NA – nãoorganização e nãoprofissionalismo. Idealmente. ajuda a esclarecer a diferença entre apadrinhamento e terapia. força e esperança ao invés de teoria. Outros membros preferem partilhar pouco de sua experiência pessoal e depender mais de literatura de NA para explicar como usar as ferramentas do programa. Alguns de nossos afilhados podem precisar mais do que qualquer outra coisa. precisamos estar cientes dos recursos que nós temos e o que temos a oferecer.outros adictos. tem tido como resultados desses passos”. Queremos ter certeza de que levamos a mensagem de esperança e não o desespero de nossa doença. sentir que alguém os ouve. é um relacionamento 188 . Alguns membros acreditam que a partilha de experiência.

Faço o melhor que posso para guiá-los aos passos para obterem respostas e orientação em seus problemas. carreiras. Encorajo meus afilhados a falarem sobre as coisas comigo. Meu papel como padrinho é falar sobre ficar limpo em NA. e se torna o que os dois indivíduos querem que se torne”.totalmente informal. 189 . Também acho útil falar sobre a Décima Tradição – não tendo opiniões sobre assuntos alheios – especialmente ao lidar com assuntos como remédio. sugiro procurar ajuda profissional”. Para esses e outros assuntos. “Normalmente digo aos meus afilhados no começo de nosso relacionamento que não sou conselheiro ou terapeuta. mas não tento dar as soluções. Acredito que as respostas se encontram nos passos e nas tradições. relacionamentos com família. etc.

A confiança 190 . talvez precisemos criar alguma espécie de relacionamento com seus pais. Isso parece ser menos intimidador ou sobrecarregador e os acostuma com os básicos – particularmente quando são novos e estão confusos”. Em quaisquer circunstâncias. Se apadrinharmos um menor de idade.“Antes de pedir para um afilhado novo ler ou trabalhar no Texto Básico. Enquanto todo relacionamento é diferente. por exemplo. somos confrontados por membros da família. ou Só Por Hoje. Isso Resulta: Como e Porque. precisamos ser vigilantes em manter nossas responsabilidades perante aqueles que apadrinhamos. sugiro que eles leiam nossos folhetos. Isso pode apresentar desafios se. e como padrinhos devemos ter a capacidade de manter as confidências das pessoas a quem apadrinhamos. Apadrinhamento depende de confiança. alguns dos fatores fundamentais que tornam um relacionamento saudável e produtivo são constantes. ou cônjuges de nossos afilhados.

mas ela começou a confiar em mim porque eu tomava o tempo para explicar o processo de recuperação a ela. Hoje. claro. limpo há 5 anos. assegurando que ele se sentia confortável e seguro com isso. “Um dos aspectos mais difíceis de apadrinhar alguém menor de 18 anos é que às vezes você tem que criar um relacionamento com o pai ou responsável do afilhado. tinha que falar com meu afilhado o tempo todo sobre minhas conversas com sua mãe. às vezes tinha que ligar para a mãe dele e explicar as coisas para ela. E. Quando apadrinhei um recém chegado de 15 anos. como o fato de que eu tinha falado ao meu afilhado que ele deveria ir a reuniões todos os dias. Ela aprendeu que 191 . Demorou.de nosso afilhado ou afilhada é uma dádiva preciosa. e devemos honrá-la. tem um relacionamento incrível com sua mãe. meu afilhado de 19 anos.

Gostaria de dizer que lidei com isso de forma madura. vindo dela e de meu parente. mas sim agradecer a Narcóticos Anônimos”. Eu tinha informação que eu não queria. O tempo passou e seu relacionamento foi ficando mais sério. mas na verdade eu lutei com isso até que tudo explodiu numa grande briga e nós quebramos a confidência uma da outra. Disse a ela para não me agradecer.ela podia ser somente sua mãe e não tinha que estar envolvida em seu relacionamento de apadrinhamento. “Em um momento de minha recuperação. Depois que as 192 . Nos feriados eles me convidavam para a casa deles e tudo o que ela podia fazer era me agradecer por devolver seu filho a ela. e foi ficando mais difícil para eu ser sua quaseparente e sua madrinha. fui madrinha de uma mulher que estava saindo com um de meus parentes.

Por mais que tentemos resistir ficarmos confiantes e egoísticos demais. Quando somos pedidos para apadrinhar alguém. Nós concordamos que ela estaria melhor com outra madrinha. às vezes ficamos entusiasmados demais em mostrar nosso conhecimento do programa. Quanto mais pessoas procuram respostas em nós. somos amigas e eu aprendi minha lição e não apadrinho mais pessoas que estão envolvidas em minha vida dessa forma”. Hoje.coisas se acalmaram. Eu não posso ignorar ninguém nem nada que é dito em uma reunião. especialmente se vários membros nos pedem. mais fácil é para nos enchermos de auto-importância. conversamos a respeito do que aconteceu. podemos nos ver caindo na armadilha do “superpadrinho” – pensando que sabemos tudo e somos infalíveis! “Você nunca sabe quem vai dar certo nessa irmandade. já que aquela pessoa 193 .

194 . Mas meu padrinho disse ‘Não ache que você é tão importante’”. Apadrinhamento permite que cresçamos por experimentarmos nossas limitações.ou o que ela disse pode ser exatamente o que eu preciso em algum momento do futuro”. Nos mantendo cientes de nossas limitações e continuando a fazer nosso inventário pessoal pode impedir que entremos no pensamento de “melhor que”. fortalecemos o elo entre nós. Ao admitirmos essas limitações e sermos honestos com nossos afilhados. “Como um padrinho com bastante tempo limpo. deve ainda haver mais para eu aprender!” “Eu fiquei muito julgador a respeito de meus afilhados com nove ou dez anos em recuperação. percebi que já que eu nunca fui a uma formatura do NA. que não me ligavam mais tanto.

Era eu quem tinha mais tempo daquela área. mas sim falar sobre o que eu fiz em situação similar. força e esperança. Se não tive nenhuma experiência. Significa que sou um bom padrinho que leva recuperação a sério”. Isso não significa que sou um ‘mau’ padrinho. 195 . mas estava com medo de partilhar como estava sentindo em meu grupo de escolha. Tinha ouvido que eu não posso salvar minha pele e meu ego ao mesmo tempo. O que exatamente isso significa? Significa não falar sobre o que eu faria se estivesse naquela situação.“O negócio é partilhar experiência. e vários afilhados também freqüentavam aquele grupo. “Me lembro de ter 21 anos limpo e querendo simplesmente morrer. Estava sentindo tamanha dor emocional. acredito que não tenha problema indicar alguém que tenha tido.

podemos buscar ajuda de outros sobre como lidar com as coisas. podemos lhes oferecer um ombro amigo e 196 . Não queremos oferecer orientação a respeito daquilo que não temos experiência. Oferecer sugestões aos nossos afilhados sobre onde eles poderão encontrar ajuda não significa que falhamos como padrinhos. Enquanto podemos nem sempre saber o que é melhor para nossos afilhados. Sabia que meus afilhados iam ficar envergonhados e me largar como seu padrinho. Significa o oposto. tendo certeza de manter a confidencia e anonimato de nosso afilhado ou afilhada. Pelo contrário. também. Talvez tenhamos que dizer “Não sei” ou encaminhar nossos afilhados a outros que podem ajudar quando nós não podemos. na verdade. arrumei mais dois afilhados que queriam o que eu tinha.Finalmente deixei o ego de lado e partilhei como estava realmente sentindo. Vai entender!” Haverá momentos nos quais nossa experiência não se aplica ao momento de um afilhado ou ele ou ela está com algum problema além de nosso conhecimento. Nós.

não estou em base firme. e que se meu afilhado fizer o que eu fiz. mas partilhar minha experiência. Sei que estou sendo honesto. eu seria responsável. “Quando digo ‘sim’ a alguém que pede que eu seja seu padrinho. Vejo meu papel não como dar conselhos.assegurar-lhes sozinhos. Se eu der conselhos. Se meu afilhado segue meus conselhos e acaba usando ou experimentando conseqüências desfavoráveis. força e esperança num nível mais 197 . que eles não estão “Partilhando somente minha experiência. Deixo os conselhos para os profissionais que sabem lidar com essas conseqüências”. assim como com minha recuperação em geral. ele pode ficar limpo. estou me comprometendo com outra pessoa e comigo mesmo. estou em solo firme.

Devemos estar cientes que nosso papel como padrinho não é proteger nossos afilhados da vida. Não estamos a sós nos nosso processos de tomada de decisões. mas ajudá-los a usar os princípios do programa para viver a vida plenamente. Nem sempre 198 . É como remover as rodinhas da bicicleta. Na maioria dos casos.íntimo. Aqui. podemos perguntar a nosso padrinho. muitos de nós descobrimos que nosso padrinho tem a resposta exata que estamos precisando. Um dos maiores desafios como padrinho pode ser o desejo de protegermos nossos afilhados das situações avassaladoras em suas vidas. a corrente de recuperação pode ser vista em sua mais pura forma – um adicto ajudando outro a ajudar a outro. Se não temos certeza sobre como encarar uma pergunta ou pedido de nosso afilhado ou afilhada. Isso começa por ouvir”. “Falo para meus afilhados que crescimento pode ser doloroso e solitário às vezes.

e aprofundarmos nossa intimidade. “Para mim. e freqüentemente uma amizade profunda. a servirmos. talvez. Cada relacionamento é especial de seu próprio jeito. Temos a oportunidade de compartilhar o despertar espiritual em outro membro. meu afilhado irá aprender tanto com seus próprios erros quanto com seu padrinho!” Para a maioria de nós. Podemos nos sentir mais próximos a algumas pessoas que apadrinhamos do que 199 . Tudo o que posso fazer é estar lá para te ajudar a levantar e te estimular para tentar novamente. È uma forma de nos mantermos conectados a NA. até que você aprenda a andar.posso correr do lado da bicicleta para impedir que você caia. Apadrinhamento pode se tornar um relacionamento saudável e respeitoso. apadrinhamento oferece muitas vantagens e dádivas. ser um bom padrinho significa que. Aqueles cortes e hematomas vão compensar bastante no futuro”.

“Muitos dos relacionamentos que entrei como padrinho me deram grandes amigos”. conselheiro profissional. É importante que eles saibam que meu único interesse é sua recuperação.outras. mas tentamos dar o melhor de nós em cada relacionamento e assegurarmos que estamos igualmente disponíveis e receptivos a todos os nossos afilhados. não como melhores amigos. Também. banco. 200 . “Eu não me aproximo muito dos meus afilhados por algumas razões que acho importantes. acreditando que meu único interesse é sua recuperação lhes dá a habilidade de ouvir o que digo sobre certos assuntos”. Isso lhes dá a oportunidade de serem honestos comigo e não enfeitar nada por medo que eu os julgue ou desaprove. etc. Eu trabalho com eles somente em recuperação. conselheiro matrimonial.

e outros são emocionalmente distantes. assim como individualmente. estamos todos buscando o mesmo destino em recuperação. Alguns são meus ‘melhores amigos’. aprendemos a ser consistentes e termos boa vontade para praticarmos os princípios espirituais. Através de trabalhar os passos e tradições com nossos afilhados. Tento não pré-julgar que tipo de relacionamento deveria ter com um afilhado. Usamos o novo guia para trabalhar os passos. “Trabalho com meus afilhados num grupo de estudo de passos. Enquanto nossa jornada através do apadrinhamento irá variar de membro para membro e comunidade para comunidade. alguns são mais como ‘negócios’.“Tenho muitos tipos de relacionamento com as pessoas que apadrinho. permitindo que o relacionamento cresça e mude naturalmente”. junto com o Texto 201 .

Após trabalharmos o passo. Peço sabedoria.Básico e Isso Resulta: como e porque. “Antes de trabalhar com minhas afilhadas. e poucos são novos ao programa. e coragem para ver a verdade e significados dos passos para que mais cura possa ocorrer. Também enfoco as tradições e fortemente encorajo adesão à Décima Segunda Tradição”. rezo e convido Deus para a experiência. rezamos e agradecemos a Deus por mais uma oportunidade de nos curarmos aplicando os princípios. conhecimento. A maioria dos companheiros que apadrinho têm múltiplos anos limpos. É incrível a distância que podemos percorrer com os Doze Passos!” “As tarefas que dou aos meus afilhados dependem de seu 202 . Precisamos lembrar que Deus é o poder maior.

203 . não empresto dinheiro. Digo a todos os recém-chegados: ligue para mim todos os dias e deixe um recado se eu não estiver em casa. posso ajudar. Dou sugestões diferentes a afilhados com mais tempo limpo. não sou conselheiro. se você quer ficar limpo. se você mentir não posso te ajudar.tempo limpo. é para nós nos conhecermos melhor e criarmos um elo”. Quando eles ligam. vá a 90 reuniões em 90 dias e começaremos a trabalhar o Primeiro Passo juntos. então por favor não minta. não posso te fazer bem nenhum. mas se não vai fazer nenhum esforço. se você tiver vontade de usar. nem conselheiro matrimonial nem alguém que vai ser facilitador. trato todos os meus afilhados com o mesmo respeito e amor. Mas independente das tarefas diferentes. me ligue antes de fazê-lo.

e podemos aprender a não nos levarmos tão a sério. felicidade e depressão. Apadrinhamento abre a porta para nossos próprios corações. Elas acham motivador fazer isso. 204 . Através da simplicidade do programa de Narcóticos Anônimos. Conforme completam o passo. e dizem que isso ajuda a criar relacionamento mais fortes. nascimento e morte. escolhem partilhá-lo comigo”. Partilhamos as realidades da vida com nosso afilhado ou afilhada – alegria e tristeza.“Algumas de minhas afilhadas se encontram com mulheres com o mesmo tempo limpo para trabalhar nos guias dos passos juntas. coragem e medo. é possível partilharmos uma vida de liberdade além dos nossos mais incríveis sonhos. verdade e decepção.

A maioria das pessoas acha difícil ser vulnerável. freqüentemente nos fechando para aqueles que mais se importavam conosco.CAPÍTULO QUATRO O RELACIONAMENTO DE APADRINHAMENTO: DESENVOLVENDO E SUSTENTANDOO Desenvolvendo e sustentando o relacionamento de apadrinhamento Relacionamentos requerem trabalho. e gostar uns dos outros. No apadrinhamento. O apadrinhamento nos mostra como trabalhar com os outros enquanto nos 205 . essas coisas são especialmente difíceis. e se comprometer. corremos de intimidade. ensinar uns aos outros. Muitos de nós não tivemos exemplos ótimos no que diz respeito a respeito mútuo e carinho. Para adictos. temos a oportunidade rara para aprendermos uns dos outros. aprender a confiar e a ser confiável. Em nossa adicção.

Podemos aprender a confiar. vim a entender que tenho a capacidade de gostar e até amar outras pessoas. ficar com companheiros. podemos aprender a viver mais plenamente. Naturalmente. Sei agora que tenho algo a dar: minha experiência de recuperação em NA. Tenho orgulho disso.conhecemos. Mas nos tornamos dispostos a arriscar e encarar aqueles medos que nos impedem de experimentar relacionamentos ricos e significativos. Através do apadrinhamento. poderia continuar com minha vida sem nem trabalhar em mim. e ir para 206 . Nem precisaria de ajuda. o relacionamento nem sempre será fácil. Iremos cometer alguns erros. Fui forçado a ver que elas precisam de mim. Elas em escolheram para guiá-las através dos passos. Poderia somente ir às reuniões.” “Se estar em recuperação significasse somente ir às reuniões. “Ao apadrinhar outros adictos.

Sem seu percebimento.casa. Meu relacionamento com minha madrinha é precioso 207 . provavelmente eu não iria tão a fundo quanto poderia ir.” “Estou ciente de quem eu era antes de ter uma madrinha: uma pessoa solitária e isolada. Preciso trabalhar em meus relacionamentos – a maneira que meus defeitos de caráter. Mas essa não é a realidade. Se eu fizer isso sem a orientação e o apoio de meu padrinho. minhas dificuldade se minhas crenças afetam a maneira que lido com as outras pessoas. Preciso fazer bastante para me tornar a pessoa que quero ser. através dos quais eu tenho aprendido a lidar com meus comportamentos adictivos. Minha madrinha me tem ajudado a construir um relacionamento forte com meu Poder Superior e ao trabalhar os Doze Passos. não crescerei tanto.

Contato freqüente com nosso padrinho ou afilhado pode nos ajudar a abrir nossos corações e permitir que intimidade se desenvolva. Às vezes o relacionamento de apadrinhamento de desenvolve com facilidade desde o começo. Às vezes me 208 . Autorevelação honesta e respeito mútuo podem providenciar um alicerce sólido sobre o qual pode-se construir esse relacionamento excepcional. Tenho trabalhado com uma afilhada há 15 anos. Outras vezes. cuja visão para ela mesma tem sempre sido igual à minha. Aprender a comunicar bem é um dos desafios que encaramos ao longo da nossa caminhada em recuperação.para mim. fazer o esforço de conhecer outra pessoa pode parecer difícil ou quase impossível. Sou grata por sua presença em minha vida”. “Tenho descoberto que às vezes apadrinhamento é fácil. e o relacionamento precisa de pouco trabalho. Ambos os membros se sentem confortáveis um com o outro quase imediatamente e partilham com entusiasmo.

energia e oração. É como ter uma melhor amiga. que paz de espírito é possível. podemos partilhar sobre tudo. que eu nunca tive no passado. E sabe o que? Após anos de dramas girando em torno das drogas. e relacionamentos que são fáceis são preciosos”. aprendi que a vida nem sempre é uma luta. e dificuldades. Ter uma madrinha me fez pensar em outra pessoa em me tem dado ferramentas para construir um relacionamento duradouro. Hoje. pois não confiava em mulheres. mas sei que 209 . “No início. eu e minha madrinha trabalhamos somente os passos e meus problemas.pergunto se o trabalho que fazemos juntas é tão importante espiritualmente quanto aquele que faço com pessoas que requerem bastante tempo. Às vezes ainda é difícil pedir ajuda. porque nos conhecemos tão bem (durante os últimos 16 anos).

Esses desejos não são errados ou prejudiciais. Podemos querer ser o afilhado preferido fazendo a coisa certa. Muitos de nós temos expectativas irrealistas sobre o que um relacionamento de apadrinhamento deve ser. mas impor condições para o que queremos ou o que achamos que queremos. Ficar limpo e manter a mente aberta muitas vezes traz dádivas muito além do que imaginamos para nós mesmos. Depois de achar um 210 . Podemos sempre querer ter as respostas certas para aquelas perguntas difíceis que os afilhados fazem. as recompensas são maiores do que jamais imaginei”.quando peço. sempre. achei que um padrinho era um super-herói ou cavaleiro de armadura brilhante que sempre viria me salvar. Alguns de nós enxergarão o apadrinhamento como a forma de ter o melhor amigo que nunca tivemos nossa vida inteira. limita nossas possibilidades e pode atrasar nosso crescimento. “Quando cheguei ao programa.

Podemos até trocar palavras ásperas ou dizer coisas das quais depois nos arrependeremos. Nosso padrinho poderá nos desafiar. querendo algo mais ou diferente do que estamos recebendo. Às vezes a reação inicial de qualquer uma das partes é defensiva. a coragem e humildade necessária para resolver essas questões freqüentemente levam o relacionamento de apadrinhamento a níveis mais profundos.padrinho. enquanto meu padrinho me dava enorme conforto em momentos de dificuldade. Um elo dinâmico e significativo entre um padrinho e afilhado depende de um alicerce sólido de boa vontade. na verdade ele está lá para me ajudar a trabalhar os passos”. Isso inclui a boa vontade para passar por dificuldades sem deixar medo ou raiva destruírem o relacionamento. ou talvez desafiemos nosso padrinho. percebi que. pedindo que olhemos para algo desconfortável. Como em qualquer relacionamento. “Não estava muito preparado para o fato de quanto apadrinhamento iria me 211 .

admitindo que cometo erros e sou totalmente humano. Vim a enxergar esses momentos de dor e conflito como oportunidades de ganhar habilidades básicas de 212 . que eu levo ao meu Décimo Passo.desafiar a me estender e crescer. Em outros momentos. Eu convido abertamente os companheiros que apadrinho a me confrontarem livremente. mas quando eles fazem exatamente isso. E talvez em outros momentos não estou tão amoroso e centrado. sou eu quem diz algo que acredito que precisa ser dito. Pensava que como o padrinho era eu quem ia desafiar os afilhados. ou raiva. mas às vezes a coisa que precisa ser dita não é muito gostosa. minha primeira reação instintiva é defensiva. Tento sempre ser sensível e respeitoso. e digo alguma coisa que machuca. ou dor. e eles se tornam magoados ou defensivos.

nós saímos das coisas com um elo maior de confiança e respeito mútuo do que entramos. com meus filhos ou em qualquer outro lugar. Aprendi não só a não ter medo desses momentos desafiadores. se eu ficar ali com amor e respeito. às vezes dolorosamente. mas a aceitá-los de braços abertos 213 . que conflito e raiva entre as pessoas não tem que significar rejeição ou abandono. Em quase todos os casos. O relacionamento de apadrinhamento tem sido a oficina onde tenho aprendido a confiar no amor e compromisso de outros homens em recuperação o suficiente para ficar e ter conversas difíceis. e se eu me manter focado em princípios. Vivi com muito medo desses momentos de desconforto interpessoal antes de encontrar NA. Tive que aprender.relacionamento que posso aplicar posteriormente em meu casamento.

Com a orientação do Poder Superior e um sincero desejo de ajuda a outro adicto. comprometidos com sua própria recuperação. Partilhar algumas de minhas 214 . Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. esse relacionamento providencia um dos nossos elos mais básicos ao programa de Narcóticos Anônimos e pode nos mostrar como viver as soluções que os passos têm a nos oferecer. Entrar no apadrinhamento é arriscado.como os momentos chave para o aprofundamento do relacionamento”. Ambos os membros devem estar motivados a trabalharem um com o outro. “É imperativo que eu examine meus motivos quando concordo em apadrinhar alguém. posso construir um relacionamento baseado em amor incondicional e compromisso. Ego não tem lugar em meu processo de tomada de decisão. e dispostos a aprender mais a respeito dos princípios espirituais de NA.

Porém. Após o longo silêncio. confio que meu Poder Superior está no meio do relacionamento e me ajudará a partilhar livremente. e depois me ligue. Quanto mais dou. mais confiança se desenvolve.verdades mais íntimas pode se assustador. Verdade cria confiança. eu dizia ‘Exatamente! Escreva o passo e depois me 215 . trabalhe seu passo. “Porque é que afilhados sempre parecem ter uma ‘crise’ durante meus exames finais na escola? Minha solução no último semestre foi deixar uma mensagem simples de NA em minha caixa postal: ‘Se isso for um afilhado.’ Quando eles queriam me contar tudo sobre o drama em suas vidas eu simplesmente perguntei onde estavam com o passo atual. e quanto mais verdades partilhamos. vá a uma reunião. e esse processo ajuda a manter um relacionamento duradouro”. mais recebo.

Sei que preciso fazer minha parte. Preciso ir a reuniões regularmente. e trabalhar os passos. Não quero ir à minha próxima reunião só para pegar uma 216 . mas parece ter funcionado bem com meus afilhados. Tenho certeza que essa abordagem não funcionaria com todo mundo. Depois de estar limpa por mais de 20 anos. e comigo”. às vezes me torno complacente e muito confortável.ligue’. Às vezes essas coisas são difíceis de fazer. “Como uma afilhada que acabou de começar a trabalhar com outra madrinha. Esses são os momentos que preciso voltar aos básicos – aquelas coisas que eu fazia sem perguntar quando comecei a ficar limpa. estou aprendendo tudo novamente sobre compromisso. As desculpas que estou muito cansada para ir a uma reunião ou que está muito tarde para ligar podem me meter em grandes encrencas.

mas a questão não é realmente essa? O Texto Básico diz: ‘tempo limpo não é igual a recuperação’. Temos uma conexão que nos mantém unidos: compartilhamos a recuperação de uma doença devastadora. Ficarmos limpos. Somos todos sobreviventes. Sei que isso parece dramático. trabalharmos os passos e trabalharmos com nossos padrinhos não nos isentam das realidades de viver a vida. Encontramos dádivas aqui em NA que a maioria das pessoas nunca experimenta em sua vida. Nossos relacionamentos como padrinhos e afilhados podem oferecer o apoio e compreensão que precisamos para continuar indo em frente. Às vezes nos vemos frente às circunstâncias mais difíceis da vida.ficha branca. Medo e 217 . “Fui recentemente diagnosticado com uma doença que os médicos dizem irá tomar minha vida em mais ou menos um ano. e tentamos fazer o melhor que podemos.

sempre achei que eu seria um daqueles velhinhos que levanta numa convenção com 50 anos limpo.. e começamos a fazer o que fazemos há anos juntos. e confiando no meu Poder Superior amoroso. agora pode começar a usar drogas de novo porque você está morrendo’. Imediatamente liguei para meu padrinho! Nós conversamos. dizendo para mim ‘Ei. choramos.pânico me envolveram no início. Sabia no fundo do meu coração que não queria passar meus últimos dias na terra preso nos horrores da adicção. Sabe.. Encaro minha mortalidade diariamente indo a reuniões. da adicção. mas percebo agora que tenho a dádiva de 218 . mas aí senti uma estranha sensação de calma. falando com meus afilhados e padrinho. praticamos os princípios espirituais desse lindo programa. trabalhando os passos. Percebi que a calma era minha doença.

com muita tristeza para nós duas. “Quando estava usando. Sua partilha honesta foi a conexão de volta para uma vida emocional para mim. Isso mudou para mim quando ouvia o Quinto Passo de minha afilhada. Ela partilhou sobre ser espancada por seu padrasto. eu via seu corpinho sendo machucado por ele. e duvidava que iria fazê-lo novamente.estar limpo só por hoje. e não me sinto só. e enquanto falava. Enquanto eu chorava. Ela só tinha seis meses limpa – o tempo do despertar emocional dela estava por vir”. e meu coração se partiu. Tinha feito e visto tanto que não conseguia mais chorar ou sentir. me lembrei de ter apanhado do meu pai. É daí que vem a minha liberdade”. os olhos dela permaneciam sem lágrimas. parecia que meu coração tinha virado pedra. Imediatamente. 219 .

Minha própria confiança em Deus e no poder do Terceiro Passo foi imensamente melhorado por essa experiência”. não importando como isso sentia. Estava preocupado que ele não ia conseguir sair dessa limpo ou vivo.“Meu afilhado estava no Terceiro Passo quando sua namorada o largou de repente para ficar com outro membro de NA com muito mais tempo limpo que ele. Ele ficou arrasado e sentiu muita dor por muito tempo. Para minha surpresa. ele finalmente alcançou aceitação da situação. Tudo o que conseguia dizer a ele era para continuar tentando entregar sua vida e vontade ao Poder Superior de sua compreensão. nos tornamos cientes do impacto de trabalharmos com os princípios de NA. Ele confiou que a vontade do Poder Superior dele era o melhor para ele. 220 . Conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento.

Começamos a ver os resultados de aplicarmos os passos e tradições em nossas vidas diárias. mesmo quando estou falando com alguém que pode se tornar defensivo. Aprendi como defender minhas crenças e praticar os princípios espirituais que NA me ensinou. raivoso ou hostil. Posso me sentir mais confortável sendo honesto. e em como enxergamos nosso lugar no mundo. sempre procurando 221 . mas logo começamos a entender que crescer em recuperação vai muito além de simplesmente não usar. NA nos ajuda a nos libertarmos das drogas. Com isso não quero dizer que me tornei menos gentil ou amoroso. que eu abri mão de minhas tendências de agradar o outro. Agora tenho mais experiência para dar orientação e direcionamento a afilhados. nas vidas daqueles à nossa volta. mas sim. “Me tornei menos e menos motivado pela necessidade dos meus afilhados gostarem de mim.

usar os Doze Passos como base da solução. com maior habilidade para confiar no meu padrinho e revelar o que está realmente acontecendo em minha cabeça e coração. Hoje confio que meu padrinho me ama incondicionalmente e verdadeiramente me compreende com o coração cheio de empatia e ajuda”. descobrimos que. com a mente aberta. Isso. tem me ajudado a ser um afilhado com mais mente aberta. por sua vez. sugestões e aquelas velhas verdades que tenho dificuldade de enxergar sem a ajuda de outro. com cada adicto ajudando ao outro. Através do processo de trabalhar os passos juntos. com uma pessoa dando toda a ajuda. o que pode iniciar como um relacionamento desbalanceado. aprendi a confiar mais nos outros. Posso ouvir críticas construtivas. se desenvolve em uma “via de mão dupla” que tanto ouvimos falar. 222 . Já que confio mais em mim.

Independente de como nosso relacionamento de apadrinhamento se desenvolve. tenho novas revelações. Às vezes e como se eu nunca tivesse visto certos trechos. “O processo de trabalhar os passos com meus afilhados nunca pára de me surpreender. As palavras nas paginas de nossa literatura parecem ganhar vida e falar comigo como nunca antes. Continuo crescendo em minha recuperação pessoal por causa da perspectiva nova que suas interpretações dos passos oferece. Cada vez que eu sento com um afilhado para trabalhar os passos. fazemos nosso melhor para ajudarmos um ao outro. enquanto outros o verão em termos da instrução ou até disciplina que ele pode providenciar. Agradeço a Deus e a meus 223 . ou ouvido certo conceito ou principio antes.Alguns membros experimentam o apadrinhamento como um elo amoroso e incondicional.

ate que ele pediu que eu fizesse um inventario sobre ele.afilhados por suas contribuições a minha recuperação”. nos encontramos e discutimos o inventario de forma amorosa e madura. Depois. o que ele fazia que me deixava com raiva. Ficava dizendo isso a ele varias vezes. Ao me tornar honesto com ele. e que ele fez a mesma coisa. Eu não mais me sentia frustrado e sozinho. Foi um processo incrível para mim. nosso 224 . Escrevi sobre tudo – porque eu o escolhi e continuei com ele. o que gostava nele. o que funcionava e o que não estava funcionando. Ele partilhou que esteve numa situação similar com um padrinho. “Fiquei muito chateado com meu padrinho quando senti que ele estava fazendo corpo mole com o compromisso dele comigo.

Nossa habilidade para partilhar nossos pensamentos sobre princípios espirituais com outra pessoa é um presente poderoso de recuperação. Ela me ajudou com minha decisão de me distanciar de romance ate que tenha meu Poder Superior como meu primeiro 225 . Ajudarmos nossos afilhados a trabalharem os passos enriquece nossa própria espiritualidade. “Minha madrinha tem me ajudado a ver que relacionamentos com homens me causaram muitos problemas no passado.relacionamento pode continuar a evoluir”. nós mesmos e outro ser humano. esses princípios são elementos básicos para estabelecermos e mantermos relacionamentos saudáveis – com nosso Poder Superior. aprendemos a trilhar um caminho espiritual. Em muitas formas. Como trabalhamos os passos Quando trabalhamos os Doze Passos.

Eu entendi e segui em frente. frustrado e sozinho.e mais importante relacionamento”. 226 . qual era a alternativa. ele me avisaria. e sei hoje que nunca estou só. a não ser que eu queira estar”. “Em um determinado momento de minha jornada. meu padrinho me assegurou que se ele acreditasse que a solução para minha insanidade fosse outra coisa senão os Doze Passos de NA. Após ouvir a leitura e me deixar partilhar do coração. Estava julgando o meu interior pelo exterior dos outros. e doeu por aqueles sentimentos para fora. Isso foi ha quatro anos. e muito bem. Sabia. estava me sentindo espiritualmente inadequado. Me encontrei com meu padrinho e li o que eu tinha escrito nos últimos dias. Foi intenso. e sabia disso.

As palavras que minha madrinha usou ainda estão na minha cabeça: ‘Largue a velha você.“Trabalhar o Quarto e Quinto passo com minha nova madrinha foi assustador no início. tive que depender de minha nova madrinha para me dar apoio. Quando estava escrevendo meu Quarto Passo usando o guia. Mas minha vida ainda estava sendo regida por um desejo de aceitação social no programa. Você precisa do espaço porque a 227 . mas de maneiras novas e antes desconhecidas. empatia. Já tinha feito os passos com duas madrinhas anteriores e tinha recebido uma sensação de liberdade duradoura. e meus muros de defesa ainda me bloqueavam da intimidade. Minha doença ainda estava ativa em minha vida. e amor incondicional par que pudesse fazer o inventario profundo.

Alguns de nós usam dicionários. Se estamos dispostos a nos esforçarmos. como o Texto Básico. Isso Resulta: Como e Porque. Há. também. então podemos encontrar uma maneira de trabalharmos os passos e compreendermos o programa de NA. Recuperação é uma experiência altamente pessoal. e os Guias para Trabalhar os Passos em Narcóticos Anônimos. Como padrinhos. Podemos pedir que afilhados escrevam a respeito de certas partes desses textos e outra literatura de NA. “Quando apadrinho alguém que não lê ou escreve. versões em áudio da literatura de NA para ajudar aqueles de nós com deficiências físicas ou que não têm habilidades literárias fortes. Muitos dos textos e panfletos de NA são publicados em um grande número de línguas. assim como as diversas ferramentas do programa.nova você esta se mudando para cá’”. 228 . cada um de nós tem desenvolvido sus própria maneira de trabalhar os passos com afilhados.

gravo como eu quero que minha afilhada faça a tarefa.dependo do uso de fitas cassete. gravando seus passos na fita. e por essa razão gravo a tarefa no inicio da fita”. Dou a fita a ela. Ela esta aberta a aprofundar sua própria experiência de 229 .” “Minha madrinha me ensina como trabalhar os passos. Ela pode sempre rebobinar a fita e voltar ao começo se precisar lembrar como fazer a tarefa. Acredito que e essencial para sua recuperação e seu bemestar. Depois. peço para minha afilhada ouvir a versão áudio do texto básico. Primeiro. “Somente apadrinho adictos que estão dispostos a continuarem indo em frente com os passos. Ela aprende a fazer isso através de escrever os passos com sua madrinha. para que complete.

Estamos juntas ha dez anos. Minha madrinha tem uma mente de recém chegado e ver sua boa vontade me inspira a ter a mesma atitude. mesmo estando 24 anos limpa. A autorevelação honesta de um padrinho pode ajudar o afilhado a ganhar confiança na direção do padrinho. Eu tenho visto ela continuar a mudar e crescer ao longo dos anos. Alguns de nós temos visto que a chave para construir confiança é partilha aberta e íntima entre padrinho e afilhado. O processo de trabalhar os passos juntos pode tornar mais fácil o desenvolvimento da confiança. Isso me da esperança de que eu também posso. 230 . Tento repassar os conceitos que aprendi dela as minhas afilhadas”.recuperação e não age como se ela tivesse ‘conseguido’ a recuperação e não precisa mais crescer.

e aprendi que ao trabalhar os Doze Passos. Achava que tinha que ser perfeito sempre.“Antigamente achava difícil falar aos meus afilhados que eu tinha experimentado o mesmo medo e vergonha que eles estavam sentindo. me vi me tornando mais e mais confortável com ela. Foi somente ao falar com meu padrinho que eu aprendi que podia ter a humildade e honestidade de ser quem sou e partilhar isso com meus afilhados. ajuda aos dois desenvolverem e aprofundarem nossa compreensão e confiança”. “Uma vez que eu pude falar sobre coisas pessoais com minha madrinha. dos pontos de vista tanto do afilhado quanto do padrinho. Ser vulnerável envolve um certo risco. Foi somente depois que comecei a confiar nela que 231 .

. confie no processo!” Outros de nós descobriram que revelar muitos detalhes pessoais quando ajudamos nossos afilhados a trabalharem os passos pode causar incerteza a respeito do papel do padrinho. Não queremos jogar todos os nossos problemas para aqueles a quem apadrinhamos. Queria escolher o passo no qual iria trabalhar. “No começo. Ele disse que eu tinha que parar de tentar ser meu próprio padrinho e parar de controlar o processo de trabalhar os passos. questionava meu padrinho quando ele me dava direcionamentos sobre trabalho de passos. podemos tirar o foco dos nossos 232 . e quando fazê-lo.. Depois ele disse que havia uma razão pela qual os passos estão enumerados de um a doze. Se passarmos muito tempo falando apenas sobre nós mesmos.pude começar o processo de escrever os passos”. nem queremos dominar a conversa.

ligava para minha madrinha pedindo apoio e ela passava tanto tempo falando dela que não tinha a oportunidade de expressar 233 . Houve vezes que parecia que eu estava arrancando dentes. Mas.afilhados. individualmente. Encorajar meus afilhados a partilhar honesta e livremente tem às vezes sido desafiador. “Desenvolver novos relacionamentos de apadrinhamento não tem sido sempre fácil para mim. Cada relacionamento de apadrinhamento é único. “Como recém chegado. e devemos descobrir o que funcionará melhor. tempo e experiência me tem ensinado que paciência e encorajamento amoroso são as chaves que destravam os lábios e o coração”. Parte de desenvolver um relacionamento de apadrinhamento é encorajar nossos afilhados a partilharem suas experiências.

pedindo que o afilhado escreva extensamente a respeito de cada passo e princípio. não tinha guia para trabalhar os passos. “Quando cheguei.minhas necessidades ou adquirir a orientação que queria nos passos. É importante lembrar que não temos todos a mesma abordagem em ralação aos passos. cada padrinho e madrinha 234 . Meu único remorso e que não falei com ela sobre a frustração naquele momento”. Fiquei impaciente e achei outra madrinha. alguns membros usarão dicionários para esclarecer certos princípios e conceitos. Muitos de nós temos orações que dizemos antes e após o trabalho com os passos. Naquela época. Vários de nós desenvolveram métodos específicos que usamos ao guiar afilhados pelos passos. Conforme comentado anteriormente. enquanto outros não têm uma abordagem tão estruturada. Alguns favorecem um processo metódico e detalhado.

tinha um jeito diferente de trabalhar os passos. Porem. e se ainda quero tudo isso preciso estar disposto a aprender sobre mim mesmo 235 . me foi mostrado uma maneira diferente de trabalhar os passos Dez a Doze diariamente e como incorporá-los em minha vida. que pediu que eu começasse no inicio do Guia Para Trabalhar os Passos de NA. eu aprendi que esse programa e sobre mudança. Quando terminei os passos. Senti que algumas das perguntas eram repetitivas. Recentemente. comecei a ficar com ressentimento. Conforme comecei a fazer os primeiros passos. arrumei um padrinho novo. e me preocupava que usar um guia iria tirar um pouco da orientação pessoal que tanto valorizo no processo de apadrinhamento. Cada dois anos eu fazia um novo Quarto Passo. como se fosse uma revisão.

Lhes falo sobre os sentimentos que passei ao partilhar minhas experiências intimas pela primeira vez. “Eu ajudo meus afilhados com o Quinto Passo. às vezes pego o que escreveu e leio para ele. Antes do afilhado começar a ler o 236 . Quando chega a hora de nos encontrarmos e revisarmos o passo.e meu relacionamento com Deus e outros nesse novo processo”. sempre fazendo uma oração antes de começarmos e depois falado de minha experiência do Quinto passo com meu padrinho. “Quando trabalho com meus afilhados. Isso nos da uma perspectiva bastante diferente e tem provado ser uma forma eficaz e poderosa de partilharmos nossa experiência e aprofundar nosso relacionamento”. eu peco que escrevam sobre cada passo.

Quinto Passo. Depois. peco que meus afilhados façam uma lista das pessoas a quem causaram danos. pergunto quais os seus sentimentos naquele exato momento. Olhamos as reparações que podem ser feitas imediatamente. as restituições financeiras. falamos sobre todos os cartões. peco que coloquem os nomes em cartões com uma breve descrição do dano causado. Isso parece relaxá-los. Ai. Procuramos por padrões repetitivos e danos pelos quais eles possam estar se atribuindo muita responsabilidade. 237 . mas que podem ter prejudicado. Tento ser tão honesto e aberto com meus afilhados quanto quero que sejam comigo”. “No Oitavo Passo. tirada de seu inventario do Quarto Passo e adicionando qualquer pessoa que não esteja no inventario.

e meus defeitos 238 . Falamos sobre elas detalhadamente e sempre lembramos que um Poder Superior nos ajudara ao fazer essas reparações”. Estava trabalhando lá há três anos. “Quando estava limpa mais ou menos nove anos. ficamos inspirados. Explicar os princípios do programam nos ajuda com nossa maior compreensão desses princípios. Quando assistimos ao crescimento de um afilhado. Uma das dádivas que a recuperação oferece é uma nova perspectiva sobre os outros e nós mesmos através de nossa experiência partilhada com os passos.qualquer reparação que não pode ser feita. me vi em tumulto no meu emprego – um dos melhores empregos que já tinha tido. e as que precisam ser adiadas. Nos dispomos a mudar e começamos a ver que se não mudarmos nossa recuperação irá estagnar. Aprendemos a confiar mais num Poder Superior.

e comecei a ver como poderia me modificar 239 . mas era hora de fazê-los de novo – desta vez focando meus relacionamentos no trabalho. percebi que tinha que mudar alguma coisa ou perderia meu emprego. ficava com raiva quando alguém pedia que eu lhes ajudasse. Ela amorosamente me guiou a observar meus defeitos de caráter. e depois fiz os Quinto. Estava com ressentimento de meu chefe e meus colegas. Depois de vários desentendimentos com meu chefe. Fiz um Quarto Passo sobre minha historia profissional. Sexto e Sétimo Passos com minha madrinha. e estava começando a expressar essa raiva de forma inadequada. Tinha trabalhado os passos varias vezes em meus nove anos limpa.de caráter estavam vindo à tona claramente.

Pude enxergar claramente minha parte e iniciar o processo de mudança. as coisas no trabalho melhoraram muito. teria sido mais um emprego do qual pedi demissão. Nunca tinha trabalhado os passos numa situação de trabalho como aquela antes. e mais uma 240 . Estou feliz em poder dizer que após mais ou menos um mês. meu chefe estava honestamente triste em me ver partir. Ela estava feliz por mim e disse que tinha visto muita mudança em mim. Quando finalmente sai daquele emprego por uma posição num setor que sempre sonhei trabalhar. Que milagre! Se a ajuda da opinião imparcial de minha madrinha. mais uma situação desconfortável da qual fugi.com a ajuda do meu Poder Superior.

Às vezes ficar limpo significa que estamos inteiramente presentes aos obstáculos que encaramos. temos diferenças que podem apresentar dificuldades em nosso relacionamento de apadrinhamento. Nossa diversidade é nossa força Enquanto o princípio de anonimato nos torna todos iguais. NA nos oferece somente uma promessa – liberdade da adicção ativa. religião (ou 241 . idade. Somos provenientes de diversos históricos étnicos. Afinal. educacionais e profissionais.oportunidade para me ver como péssima profissional”. Recuperação significa encarar o que a vida apresentar e tentar enxergar nossas circunstâncias como oportunidades em vez de obstáculos. Nossa diversidade se estende para credo. Mas recuperação é muito mais do que simplesmente parar de usar drogas. Oportunidades contínuo para crescimento Chegamos a NA para aprendermos como parar de usar drogas e nos recuperarmos da doença da adicção.

Podemos todos falar a mesma língua de recuperação. Também era mias velho do que a maioria dos membros no grupo. quando fiquei limpo. As diferenças entre nós oferecem inúmeras oportunidades para crescermos conforme trabalhamos juntos como padrinho e afilhado. aprendi que cor. Crescer com as crenças e cultura de minha família. raça ou proveniência não importa e que somos todos adictos recuperando da mesma doença. Porem. 242 . especialmente pessoas de outra cultura. e além.falta de religião). não estava acostumado a partilhar o que estava acontecendo em minha vida com ninguém. mas seria impossível todos aprendermos essa linguagem da mesma forma. “Hoje. entrei em uma comunidade de NA que era composta por praticamente todos membros de uma cultura diferente da minha.

e pude fazer uma conexão com ele. Quando ele partilhou que estava morando a uma quadra de onde eu comprava drogas e que ele estava limpo há seis anos. Ambos tínhamos a mesma proveniência. e esse crescimento tem me ajudado a entender que outras pessoas também podem me ajudar”. “Meu maior desafio tem sido apadrinhar um adolescente. e eu uns 16 anos limpo! Tenho muito cuidado com o que digo porque sei 243 . Cresci em todas as áreas por causa de sua ajuda. no inicio. acreditei que ele era o único que podia me ajudar a ficar limpo e trabalhar os passos. Finalmente conheci o membro que tinha atendido minha ligação à linha de ajuda.Não confiava em muitas pessoas no programa. ele tinha uns 16 anos. Quando comecei a apadrinhar esse companheiro.

Penso nele como se fosse o filho que nunca tive. Adoro que temos um relacionamento tão honesto”. Ele me da muita esperança. Ele agora tem pouco mais de um ano limpo e é uma inspiração para mim. especialmente como trabalha os passos. Não tenho que ser outra pessoa com ele.que ele esta ainda aprendendo sobre a vida. Ele escreve os passos tão bem. que muitas vezes preciso pedir que ele não escreva como se estivesse escrevendo um livro! Ele me liga quase todos os dias e me lembra de como eu era no inicio de minha recuperação e como eu deveria tentar ser novamente. alguns de nós sofremos conseqüências físicas que continuam 244 . Necessidades adicionais Como resultado de nossa adicção ativa.

nem todas as necessidades adicionais de nossos membros são relacionados à doença da adicção. temos que lidar com os mesmos desafios físicos que afetam a população geral: deficiências físicas e problemas congênitos. mas ele o faria – mesmo se não conseguisse entender aquilo 245 .conosco em recuperação. e os resultados de acidentes e doenças. nossa saúde sofreu danos irreparáveis devido ao uso de drogas ou nos colocarmos em situações de risco para alimentarmos nossa adicção. eu pedia a meus afilhados fizessem o que meu padrinho fazia comigo. Em muitos casos. descobri que poderia levá-lo de 20 a 30 horas de esforço para aquela pagina. Claro. “No inicio de minha recuperação. Mas quando comecei a trabalhar com um companheiro que tinha lesão cerebral devido a um acidente de motocicleta. Se eu pedisse que ele escrevesse uma pagina sobre algum tópico. tive que repensar.

tive que começar a tomar um medicamento para uma doença que contraí como resultado direto de minha adicção. Então agora falamos muito sobre os passos e como ele pode aplicá-los em sua vida diária”.que tinha acabado de escrever. etc. me levando a reuniões. Foram pacientes e compreensivas do fato que eu não poderia estar disponível tanto quanto estive no passado. me dando injeções quando precisava. “Cinco anos atrás. indo ao médico comigo. e eu dormia umas doze horas por dia. Acabou com minha energia. Na verdade. Só faltei em 246 . Os efeitos colaterais eram horríveis. Minhas afilhadas realmente me ajudaram em meu momento de necessidade. estavam disponíveis para mim: fazendo tarefas para mim.

Ela me encorajou e me ajudou a aplicar os princípios do programa. Mais e mais de nossos membros estão acumulando tempo limpo no programa. à situação pela qual estava passando. aceitação. e humildade. temos crescido em NA. muitos de nós vivemos tempo suficiente para encararmos problemas de saúde que vêm com o passar dos anos. Nunca esquecerei a amizade e amor que me foi mostrado durante um dos momentos mais difíceis de minha recuperação”. E. Ela me ligava todos os dias. especialmente gratidão. Com a ajuda de nossos padrinhos e o apoio de nossos afilhados. e agora estamos envelhecendo.três reuniões do meu grupo de escolha aquele ano inteiro. fazemos as mudanças possíveis e aceitamos o que precisamos 247 . e falávamos por horas. Como adictos em recuperação. minha madrinha foi incrível. Realmente me mostrou que isso é um programa ‘nós’.

apesar da diferença de 40 anos em nossas idades. A resposta dele foi ‘O consultório do meu medico’. Graças a Deus ele precisava de mim para ajudá-lo porque me deu 248 . “Uma das coisas que queria de um padrinho era alguém que me daria algum tempo toda semana. Esteja aqui sábado de manha. Ele continuou me dando tempo toda semana.. dirigindo.aceitar. Quando cheguei a sua casa aquela manha. e crescemos e prosperamos como resultado. Às vezes somos forçados a pedir ajuda. Estava muito animado.. Achei que ele realmente amava ficar comigo. sabendo que ia ser algum lugar muito espiritual. Meu padrinho disse ‘Sem problemas. indo a reuniões comigo. já não gostava mais tanto de dirigir. perguntei aonde íamos. descobri que já que ele foi ficando mais velho.

e às vezes evitaremos escrever os passos. eu lia. Fui dado a oportunidade de ajudar alguém que tem me dado muito”. etc.tanto tempo com ele e tornou nosso relacionamento incrível. No inicio. com compreensão limitada do material. e tentava ler em voz alta para mim. Eu a encorajei-a e desafiei-a a escrever sobre 249 . palavras e parágrafos. Como resultado. ela me fazia perguntas. podemos nos sentir inadequados. Nos encontrávamos cinco ou seis vezes por mês para ler os passos. Muitos de nós não escrevemos bem. parando para explicar o que significavam as frases. me falava quando não tinha entendido. “Fui madrinha de uma mulher que lia muito pouco. ou podemos ter dificuldades para ler. Uma vez que ela começou a confiar mais em mim.

cada passo. podemos ajudá-los a perceber o que o NA tem a oferecer. Após o Terceiro Passo concordamos que ela tentaria gravar o Quarto. qualquer coisa para conseguir fazê-lo. Então. Ela deixou a fita no meu trabalho. desenhar símbolos ou figuras. Minha paciência. tolerância e auto estima foram levantados. alguns de nós lutamos com completar tarefas diárias que são fáceis e naturais para outros. e ela estava florescendo em sua nova vida”. Por uma variedade de razões. mas eu não quis ouvir desta maneira. Se apadrinhamos membros com necessidades adicionais. parando para que ela partilhasse o que ela sentia ao longo do processo. Muitas de nossas reuniões têm acesso para cadeiras de rodas. Isso foi para mim uma renovação dos passos. ouvimos a fita juntas. e 250 . e me ajudou a aumentar minha compreensão deles.

e normalmente nos comunicavam através de um sistema de intermédio. Enquanto muitos membros acreditam que a melhor maneira de fazer os passos é por escrito. “Morava em uma cidade onde havia um centro de tratamento de longo prazo que se especializava em tratar adictos surdos. Eu tinha dificuldade 251 . e eu me tornei seu padrinho temporário enquanto morasse lá.algumas têm até interpretes para aqueles com dificuldades auditivas. Há um número de versões áudio dos textos de NA e panfletos assim como literatura em Braille e fonte grande. Isso foi bem antes de e-mail e chats online. não há nenhuma regra rígida que se encaixe para todos os membros da irmandade. Um dos pacientes tinha vindo de outro estado para se tratar. Ele digitava para um operador que lia a mensagem para mim. Podemos ainda trabalhar os passos com afilhados simplesmente com partilha individual.

mas ai tudo 252 . Podia me identificar com o nível de boa vontade dele. e começamos a falar mais livremente após o despertar por minha parte”. Isso foi uma reversão total para mim. Tinha sido um servidor em Narcóticos Anônimos por décadas e estava no serviço mundial ha anos. Amava servir em todos os níveis. Me vi fisicamente dependente de outros para fazer minhas tarefas diárias. tive uma serie de doenças debilitantes.com o esquema no inicio. Ele me explicou que isso e o que ele precisava para ficar limpo. e isso me endireitou rapidinho. “Alguns anos atrás. Eu era sempre a pessoa que estava a disposição para ajudar os outros. pois ficava um pouco envergonhado com alguns dos detalhes pessoais que ele estava revelando a um estranho (o operador).

família e amigos. Sempre foi mais fácil para mim. dar do que receber. Como afilhados e padrinhos. a oportunidade de me ajudarem. padrinho. se tivermos boa vontade para fazermos um esforço. Independente dos desafios que nos confrontam. Como resultado. usando os meios possíveis. encontraremos uma maneira de trabalharmos juntos. especialmente com meu Poder Superior”. Tive que me render ao fato de que eu tinha que praticar o que tinha aprendido a respeito do principio espiritual de receber. tenho experimentado um sentido mais profundo de amor e intimidade nos meus relacionamentos. Prisões e instituições 253 .mudou. Uma das maiores dádivas da minha doença e que deu a meus afilhados. é nossa responsabilidade trabalharmos os passos da melhor maneira possível.

Dependendo da situação específica. talvez não possamos ver nosso afilhado padrinho regularmente. e funciona. mas pode funcionar. num centro de tratamento ou outra instituição na qual está confinado. Nunca 254 . A necessidade de manter o foco na recuperação e trabalhar os passos será especialmente importante durante esse tempo.Estar num relacionamento de apadrinhamento enquanto preso. só estava limpo há 11 dias. Se nosso padrinho ou afilhado está encarcerado. quer seja nosso afilhado ou padrinho que está na instituição. Ambos os membros terão que manter a mente muito aberta e ter boa vontade excepcional para que esse relacionamento seja eficaz. oferece um grupo diferente de desafios. Pode funcionar como apadrinhamento à distância. teremos que levar em conta as regras do local e como essas regras afetarão nossa habilidade de comunicarmos com alguém “dentro”. “Quando fui preso. Talvez tenhamos que depender de comunicação via telefone ou cartas.

Havia uma reunião de NA que vinha a cada duas semanas para a cadeia onde eu estava. e ele concordou em se corresponder comigo. mas gosto de pensar que sim.saberei se eu teria ficado limpo se não tivesse sido preso. mas quando o vi comecei a chorar – na frente de todos. e ele me ajudou a começar os passos. Li o Texto Básico de capa a capa e comecei o Quarto Passo. Puxa. Em todo caso. como eu estava feliz em vê-lo! Eu era o traficante durão. Acabei fazendo meu Quinto Passo com um ministro porque o meu padrinho só podia me visitar 255 . Nos escrevemos algumas vezes. Não queria mais carregar aquelas coisas comigo mais. Conhecia um dos caras porque tínhamos nos conhecido em reuniões antes de eu ser preso. pedi para ele ser meu padrinho. Acredito que estar limpo e ter alguma experiência em NA naquela época foram grandes dádivas naquela época.

O tempo passou. Com o tempo. cumpri minha pena e sai. como eu. estava limpo antes de ser preso. fui trancado em uma instituição por mais de três anos.durante a reunião de NA marcada. Hoje. É o que funcionou para mim”. “Com 17 anos limpo. e eu tive a benção de poder apadrinhar quatro outros companheiros presos. Pude ficar limpo durante esse tempo através do trabalho dos Doze Passos e mantendo contato com meu grupo de apoio em NA pelo correio e os orelhões. para ouvir o Quinto Passo de algum cara que vai sair. Eu pude continuar meu relacionamento de apadrinhamento não só com 256 . Eu sempre os encorajo a arrumarem um padrinho e começarem a trabalhar os passos assim que saem. às vezes sou chamado para a Unidade de Tratamento Intensivo da cadeia. um que.

algumas facilidades têm regras rígidas que devemos seguir se vamos apadrinhar alguém lá. Adicionalmente. Apadrinhar um membro em uma instituição pode tomar muito de nosso tempo e energia. obrigam adictos a passarem uma certa quantia de tempo com padrinhos e trabalharem os passos de uma determinada forma. tem sido minha verdade em todos esses anos”. alguns de nós têm encontrado afilhados ou padrinhos em tais situações. instituições. centros de tratamento e fóruns. mas dentro também. Devemos estar atentos para o impacto que a instituição pode ter em nosso relacionamento de apadrinhamento. Em algumas partes do mundo. Apesar de a maioria dos comitês de serviço pedirem que não apadrinhemos membros de uma instituição enquanto servindo no painel. com certeza. Nossa visão e experiência de 257 .alguns membros fora das paredes da instituição. Que presente! É dito em NA que ‘nunca mais precisamos estar sós’ e isso.

Ela me disse que o centro de tratamento requeria que eu a pegasse 258 . “Recentemente tive o privilegio de amadrinhar uma companheira internada. os regulamentos que muitas instituições têm podem ser muito inflexíveis ou até conflitantes com nossa visão do programa. devemos aprender sobre os requerimentos do local para podermos tomar uma decisão informada. Dessa forma. Enquanto não queremos abandonar nosso afilhado.trabalhar os passos pode ser diferente de como a instituição direciona nosso afilhado. Antes de concordar em apadrinhar alguém na prisão ou outra instituição. e devemos pensar honestamente sobre nossa capacidade de apadrinhar alguém nessas circunstâncias. poderemos assegurar que nossa decisão beneficiará da melhor forma nosso afilhado ou afilhada. Tenho apadrinhado pessoas em tratamento antes. mas essa foi provavelmente a experiência mais maravilhosa de todas para mim.

outros compromissos de serviço. Expliquei que eu tinha uma família. Ela disse que entendia que eu tinha outros compromissos.uma vez por semana para ir a uma reunião de que trabalhássemos os passos juntas. Porém. ficou claro que ela tinha expectativas diferentes de mim do que concordamos inicialmente. e baseado nas expectativas das duas. Fui apresentada. e trabalhava mais que 40 horas por semana. Ela sutilmente me indicava que os ‘outros padrinhos’ levavam os afilhados para jantar fora. 259 . Eu disse que não poderia ter esses tipos de obrigações. Eu fiquei ressentida. Ela fez bico. davam-lhes dinheiro e deixavam os internos ficarem em suas casas nos finais de semana. uma vez que começamos a trabalhar juntas. concordamos em trabalhar juntas.

“Eu passei por um centro de tratamento quando fiquei limpa. Acho extremamente difícil às vezes. 260 . percebo que a idéia e ajudar o recém chegado. cirurgia ou lesão. Durante esses tempos. Doença em recuperação Às vezes em nossa recuperação. a oportunidade de trabalhar minhas tendências a agradar as pessoas. por que o centro tem muitas regras rígidas com as quais nem sempre concordo. e hoje sinto que tenho muito a oferecer para alguém que e novo”. e tento ajudar. Isso tem sempre sido meio difícil para mim. podemos precisar mais do que nunca de um padrinho.mais uma vez. Tinha que deixá-la ficar brava comigo por não atender aos seus desejos”. apadrinhando mulheres lá. temos que manter nosso tempo limpo em face de doença. Apesar disso.

“Graças a Deus por meu padrinho e NA. Nossas condições médicas podem requerer que tomemos remédios que podem causar vontade de usar. devemos no manter vigilantes com nosso programa. e precisamos partilhar sobre nossas dificuldades de saúde com nosso padrinho e membros em quem confiamos. Estou limpo ha mais de 25 anos. e nossa recuperação pode estar em perigo. Muitos membros recaíram por não seguirem as sugestões de seu médico. Já que a adicção não diferencia entre usar e tomar medicamentos para tratar dor ou doença. trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a aceitar que isso faz parte de viver a vida.Devemos lembrar que doença e dor não são desculpas para usar. Qualquer que seja a causa. e durante esse tempo tive que 261 . Precisamos informar nossos médicos sobre nossa doença da adicção para que somos tratados de forma apropriada. Somos particularmente vulneráveis durante esse tempo. Nossa recuperação é nossa responsabilidade. ou prestar atenção aos sinais de uma ameaça que acordou – sua adicção. pedir ajuda ao seu padrinho.

Alguns 262 . eu lia o folheto Em Tempos de Doença. Fui ensinado cedo em recuperação que minha doença não sabe a diferença entre usar remédio para dor ‘real’ e usar remédio por causa de pensamentos adictivos. Já vi muitos companheiros adictos com tempo limpo variado começarem a usar de novo como resultado de subestimar o poder dessa doença”. Procuramos nosso Poder Superior para nos apoiar e continuamos praticando nosso programa espiritual. Toda vez.passar por várias cirurgias. e mais importante. deixava meu padrinho e meu grupo de apoio em NA saber que estava tomando remédio para que eles pudessem ajudar a monitorar meu uso durante esse período critico. Rezava e meditava. antes de ter que passar por algum procedimento médico que requer o uso de medicamentos.

partilhando nossos medos e dor. “Com oito anos limpo. e o que minha família de NA iria pensar. fofoca. nos matemos próximos a nosso padrinho e rede de apoio. me vi em uma situação que necessitava o uso de medicamentos. Coletamos tanta informação quanto possível para que possamos tomar a melhor decisão para nossa saúde. trabalho dos 263 .membros da irmandade podem ser julgadores a respeito de outros membros tomando remédios. Tomei meu remédio conforme ele me foi prescrito. Tinha medo de recaída. e queremos nos assegurar que isso não nos desvia do que precisamos tomar para tomar conta de nós mesmos. Alguns dos meus medos foram realizados – fui severamente julgado por alguns membros e alguns fofocaram sobre mim – mas eu não recaí. e mantive minha recuperação através de oração. Se precisarmos tomar algum medicamento. Estava com muito medo.

precisamos tratar cada situação individualmente. oferecendo nossa experiência força e esperança. continuo minha jornada de recuperação com mais de 13 anos de tempo limpo ininterrupto. Graças a Deus por apadrinhamento”. Me senti seguro no conhecimento de que se eu mantiver minha recuperação aberta e honesta. tudo estará bem. e mantermos em mente que o que funciona para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra. Com a orientação de um Poder Superior e um médico maravilhoso que sabe que sou adicto.passos. Nossos afilhados podem pedir ajuda de diversas formas. indo a reuniões. Hoje. e falando sobre minha situação com meu padrinho. Como padrinhos. pude tomar uma decisão informada a respeito de minha saúde. Afilhados com doenças crônicas podem precisar nosso apoio 264 . Talvez nosso afilhado vai precisar falar conosco com maior freqüência.

Uma vez que cuidei do que eu precisava fazer no meu programa. O valor de um adicto ajudando a outro é como funciona nosso programa. minha madrinha teve que fazer cirurgia cerebral. Não temos que passar por isso sozinhos. e estar em um relacionamento de apadrinhamento com alguém diagnosticado com doença 265 . pude apoiar – com amor e gratidão – minha madrinha. Os sintomas de doença mental são sutis às vezes. uma mulher que sempre acreditei que me apoiou e me apóia”. Após a cirurgia. “Um ano atrás. já que minha madrinha estava doente.enquanto mantém a saúde que têm e encaram a perspectiva de morte. talvez tenhamos que pedir ajuda extra enquanto tentamos apoiar nosso padrinho em qualquer forma que pudermos. imediatamente achei alguém que admirava e pedi que ela me amadrinhasse. Se for nosso padrinho quem está doente.

Mas preciso lembrar que meu papel como padrinho é ajudar aos outros a aplicarem os Doze Passos em todas as áreas de suas vidas. como padrinhos. Focar o trabalho dos passos. não somos terapeutas. Pode haver 266 . tenho gratidão pela oportunidade de poder apadrinhar outros que também convivem com doença mental. Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. parte do que podemos fazer como padrinhos é ajudar nossos afilhados que convivem com doenças mentais. a encontrarem equilíbrio em suas vidas. irá ajudar cada um de nós em nossa recuperação. mesmo quando a adicção não é nossa única doença. psiquiatras ou psicólogos. em conjunto com seu tratamento médico prescrito. “Como adicto em recuperação com uma doença mental. Devemos nos manter vigilantes para nos resguardarmos contra qualquer confusão de papéis que podem emergir no nosso relacionamento.mental pode ser desafiador.

Porém. “Nunca tive uma opinião a respeito de medicamentos ou terapia e como eles se relacionam com trabalhar os programa de NA. tive que admitir que ela tinha que buscar ajuda externa devido a sua inabilidade de se concentrar. Os princípios de honestidade. o melhor que ela pode. quando comecei a amadrinhar uma mulher com uma doença mental. Já se passaram onze anos e ela vive uma vida 267 . mente aberta e boa vontade são essenciais à recuperação para meus afilhados e para mim”. Minha afilhada tinha a mente aberta e aceitou a sugestão. Hoje ela consegue se manter focada em viver e trabalhar o programa. mas podemos nos recuperar se praticarmos esses princípios o melhor que pudermos.áreas nas quais a doença mental nos limita.

absolutamente fabulosa, da maneira de NA”. “Um dos desafios no apadrinhamento para mim tem sido apadrinhar pessoas que convivem com doença mental. Às vezes eles se sentem com se não pertencessem. Uso o panfleto Em Tempos de Doença e lhes lembro da Terceira Tradição – que o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Quero fazer meu melhor para que eles sintam que pertencem, que não são separados da irmandade”. O tratamento de outras doenças além da doença da adicção é além do alcance do que Narcóticos Anônimos pode lidar. Como padrinhos, somos adictos em recuperação, não profissionais. Se, por acaso, formos um profissional de saúde física ou mental, como padrinho nosso papel não é receitar ou desencorajar tratamento médico de qualquer tipo.

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“Quando tomei a decisão de tomar remédio para minha depressão, também tomei a decisão de mudar de madrinha, pois minha madrinha na época não acreditava em tomar antidepressivos. Passei os primeiros quatro anos e meio de minha recuperação lutando com a depressão e imaginei que se fosse a um numero suficiente de reuniões, fizesse serviço o suficiente, e trabalhasse arduamente os passos, passaria. Finalmente tive que me render ao fato de que isso não era algo que eu podia controlar, que levou à pergunta “Como quero viver minha vida?’ No final, sou eu quem precisa conviver comigo, e precisava me sentir apoiada o suficiente para me sentir segura com minha decisão”. “Uma de minhas afilhadas regularmente se
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desestabiliza, e preciso constantemente lembrá-la de tomar seu remédio. Preciso lembrá-la do que pode acontecer se ela parar de tomar seus remédios – zanzando por ai sem propósito, não me ligando ou indo a reuniões, e eventualmente usando de novo. Passamos por esse ciclo muitas vezes e é muito difícil mas eu a amo e quero ajudá-la a melhorar. Uma vez que ela se estabiliza, ela começa a me ligar de novo, vai a reuniões e trabalha os passos de novo”. Em tempos críticos dentro de nosso relacionamento de apadrinhamento Às vezes temos uma crise em nossos relacionamentos de apadrinhamento, como morte, recaída, quebra de anonimato, ou abuso. Há muitas razões pelas quais nosso relacionamento pode ter problemas. No entanto, lidamos com essas situações conforme elas acontecem e fazemos o que podemos para alcançar uma solução.
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Aceitamos uns aos outros como adictos caminhando na mesma estrada em busca de recuperação, sabendo que tudo que temos a oferecer ao outro é nossa experiência, força e esperança.

A realidade da recaída Não importa quanto tempo estamos limpos, recaída é uma possibilidade. Enquanto muitos de nós lutamos com diversas manifestações de nossa adicção, não podemos nunca esquecer que o sintoma mais destrutivo de nossa doença sempre será o uso de drogas. Assistir a um membro e companheiro mergulhar na insanidade da adicção ativa pode partir nosso coração. Podemos nos sentir abandonados ou inseguros, especialmente se a pessoa que recaiu é nosso padrinho ou afilhado. Independente de nossos sentimentos, precisamos nos esforçar para oferecermos nosso amor incondicional e dar as boas-vindas ao nosso padrinho ou afilhado se ele ou ela voltar à irmandade. Enquanto a dinâmica de nosso
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relacionamento de apadrinhamento será sem dúvida afetada por uma recaída, podemos encontrar meios de dar nosso apoio através dos princípios que aprendemos em NA. Infelizmente, nem todos voltam depois de uma recaída. Alguns morrem; outros continuam vivendo, perdidos nos horrores da adicção ativa. “O maior desafio que tive que encarar desde que entrei em recuperação foi quando meu padrinho recaiu e largou a comunidade de NA. Eu, é claro, levei isso para o lado pessoal e comecei a me perguntar o que é que eu tinha sido ensinado. Me vi duvidando e analisando quase tudo que eu fazia. Tinha que lidar com o sentimento de abandono e falta de confiança. Sei que meu padrinho é apenas humano, mas ainda me amedrontou muito. Depois de alguns anos, e muito apoio de amigos e gente em NA,
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ainda estou limpo. Finalmente achei um padrinho novo, também. Ainda tenho um pouco de raiva, mas estou mais forte hoje”. “Após estar no mesmo relacionamento de apadrinhamento pelos últimos dez anos, liguei para meu padrinho e perguntei se ele trocaria minha ficha de dez anos. Percebi que ele tinha usado. O processo de luto daquele relacionamento foi muito difícil. A tristeza, raiva, e medo foram difíceis de lidar. Mas o mais difícil foi ir buscá-lo no hospital de desintoxicação e levá-lo a uma reunião. O que eu queria fazer era chutá-lo por ter me abandonado. Uma vez que tirei meus sentimentos egoístas do caminho, com a ajuda do meu Poder Superior pude ajudá-lo como a qualquer recém chegado, com amor,

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precisamos lembrar que no final. somos impotentes perante nosso afilhado e a adicção de 274 . Talvez sentimos que não encorajamos bastante o trabalho com os passos ou que não estivemos tão disponíveis quanto “deveríamos” estar. Podemos lutar com nossos sentimentos que como padrinhos dissemos ou fizemos algo que levou nosso afilhado a recair. Podemos sentir a mesma dor se nosso padrinho recair. A recaída de um afilhado é diferente. mas o relacionamento de apadrinhamento tem maior chance de ser reconstruído se nosso afilhado sobrevive e retorna.compaixão – e eu o levei àquela reunião!” Não precisamos abandonar nosso padrinho ou madrinha se eles voltarem a NA após uma recaída. Porém. Mas enquanto tentamos ter alguma influência sobre aqueles que tentamos ajudar. não podemos permanecer na negação sobre a escolha feita por essa pessoa. ou não oferecemos apoio o suficiente. e provavelmente iremos querer procurar outro membro para ser nosso padrinho ou madrinha. ou podemos acreditar que não dissemos ou fizemos o suficiente. A lista de “deveríamos” e “não deveríamos” pode ser interminável.

Cada um de nós é responsável por sua própria recuperação – e a de mais ninguém. é como se tudo tivesse acontecido em câmera lenta. mas provou ser uma lição muito valiosa para mim. Veja. Minha recuperação foi realmente 275 . Não estava lembrando a sobre seu trabalho com os passos. que demorou mais de um ano. A recaída de nosso afilhado não é nem nossa culpa nem responsabilidade. ela tinha algum tempo em recuperação. “Fiquei realmente devastada quando descobri que minha afilhada tinha recaído. e ela não estava me ligando tão freqüentemente.nosso afilhado. Eu nem percebi que ela tinha recaído ate que ela me contou. Olhando hoje. Nos duas nos tornamos muito confortáveis em nossas vidas. e ficamos um pouco complacente. achei que ela tinha uma compreensão de como trabalhar o programa.

Antes de falar com nosso afilhado sobre se devemos continuar ou não nosso relacionamento de apadrinhamento. Não e que senti como se tivesse feito algo de errado. novamente. Como resultado. ou tomar qualquer 276 . uma escolha individual. Porem. devo estar presente e disponível se esse conceito vai funcionar.afetada. e faço tempo para ouvir e me abrir com maior freqüência. lida com a recaída de um afilhado é. como padrinhos. Hoje acredito que sou uma madrinha melhor”. É mais como se eu não tivesse prestado atenção. A forma que cada um de nós. Estava tão absorvida em minha própria vida que achei que a recuperação dela estava meio garantida. Hoje. tenho aprendido que o valor de um adicto ajudando outro realmente não tem igual. sempre pergunto as minhas afilhadas como estão nos passos.

especialmente quando se sentia emocionalmente estressado. Essas emoções são naturais. Naturalmente. Seu comportamento se tornou evasivo e adictivo. Ele dobrava sua dose. Podemos querer abrir mão de nosso afilhado. podemos querer partilhar nossos sentimentos com nosso afilhado. e precisamos partilhá-las tão honestamente quanto possível com nosso padrinho ou outro membro em quem confiamos. Ele não trabalhava os passos nem aceitava sugestões. ou pior. muitos de nós sentirão raiva e frustração ou se sentirão traídos. Às vezes ele estava tão chapado que não conseguíamos falar. “Apadrinhei um companheiro que estava tomando remédio para dor.decisão. é rejeição. Um dos piores sentimentos que podemos experimentar após voltar de uma recaída. como padrinho ou afilhado. Ele ficava ignorado minhas sugestões de procurar por supervisão médica qualificada. podemos querer excluílos de nossas vidas. e aí começou a usar outras 277 .

ou podemos escolher recomendar um ritmo mais lento. ou parou de freqüentar reuniões regularmente? A recuperação estava no centro de sua vida? Podemos querer direcionar nosso afilhado ou afilhada de volta aos básicos da recuperação – 90 reuniões em 90 dias. pois ele se recusava a aceitar minhas sugestões e estava negando seu uso de drogas. voltou a freqüentar lugares de ativa. nos ligar regularmente.drogas. Finalmente disse que não poderia mais apadrinhá-lo. Suas ações tinham falado”. provavelmente vamos querer conversar com nosso afilhado sobre o que aconteceu. Se escolhermos permanecer como padrinho ou madrinha. Ele ou ela tinha reservas. Ao longo de tudo isso. se possível. Podemos sugerir que nosso afilhado comece a trabalhar o Primeiro Passo imediatamente. mesmo se recusando a abrir isso na sala. ele ainda esperava que eu o apadrinhasse. Alguns membros sugerem que seus afilhados deverão desintoxicar 278 . e partilhar honesta e abertamente sobre a experiência da recaída.

primeiro. e pode alcançar os fins previsíveis: prisões. Quando ela começava a passar pela abstinência. ela me ligava. Nunca larguei essa mulher como afilhada. Enquanto ela 279 . Nossa orientação provavelmente dependerá da situação. desesperada. pois ela dizia que queria ficar limpa. instituições e morte. pedindo ajuda e sugestões. só queria um salva-vidas. e não queria mudar. Fazemos o melhor que podemos para aceitar e apoiar sua decisão. Precisamos deixar os resultados dos esforços de nossos afilhados aos cuidados de um Poder Superior. Estava terrivelmente confusa. Mas não era. Com cada recaída ela me assegurava que ‘dessa vez vai ser diferente’. “Tinha uma afilhada que passou por uma série de recaídas. Nosso afilhado pode decidir que a melhor coisa para sua recuperação é achar outro padrinho. há sempre a chance que o afilhado não voltará ao programa. Claro.

quando na realidade ela não queria o que eu tinha. recaímos? Orgulho e ego podem ser fatais e freqüentemente nos impedem de voltar a NA e permanecer em recuperação. Podemos nos sentir totalmente devastados por termos usado. mas não podemos nos dar ao luxo de deixar isso impedir nossa volta às reuniões. graças a Deus.sem considerava membro eu senti um dever de ajudá-la. É nas reuniões de Narcóticos Anônimos que mais provavelmente encontraremos alívio dos danos que nossa recaída nos causou. Podemos nos sentir envergonhados 280 . não podemos nos melhorar se não encararmos a realidade de nossa recaída. Ele finalmente morreu de overdose. Hoje. Porém. O que acontece se nós. compreendo que ela teria morrido não importando o que qualquer pessoa tivesse feito”. Tinha uma sensação terrível sobre essa companheira porque parte de mim sentiu como se tinha a falhado deixando-a fazer de conta que eu era sua madrinha. como padrinhos.

raiva e medo que estavam sentindo. somos dados uma nova chance para nos recuperarmos. e também falar a respeito da dor. e uma mulher na reunião era madrinha de uma e afilhada de outra. trouxeram uma reunião à clinica.sobre o que aconteceu. algumas há anos. mas quando admitimos que recaímos. entendi que as muitas mulheres que eu tinha apadrinhado. uma mulher partilhando estava celebrando dez anos limpa. confusão. Naquele momento senti a terrível dor de como o 281 . a coordenadora tinha um ano limpa. Uma noite. estavam tendo que partilhar que sua madrinha tinha recaído. Quando vi as três maravilhadas por causa dos relacionamentos e o amor que partilhavam. Enquanto estava internada. “Recai após 15 anos limpo em Narcóticos Anônimos e acabei numa clínica de tratamento.

egocentrismo por trás de minhas escolhas tinha afetado tantas pessoas que eu amava”. 282 . “Tinha muita raiva comigo por ter recaído. Porem. não foi conseqüências físicas. Foi assustador como algumas pessoas ainda me tratavam como se nunca tivesse recaído. Precisava me cercar de pessoas que me amariam e me fariam aceitar responsabilidade. Estava cheio de ódio e me senti falhado. O problema. Ele me levou para tomar sorvete uma noite depois de uma reunião. e nunca quero me esquecer como me senti péssimo emocionalmente e espiritualmente”. me senti desesperançado e desesperado. quando eu sabia que era recém chegado novamente. pelo menos para mim. Estou de volta (e limpo) há mais de 17 anos. Meu padrinho foi uma dessas pessoas.

Como começamos a construir um relacionamento com outro membro como padrinho ou afilhado após passar por tamanha perda? Às vezes parece impossível que novamente poderemos encontrar uma pessoa especial para amarmos e em quem confiaremos. meu padrinho de 16 anos morreu subitamente de forma trágica. perguntando como estava. a tristeza e a confusão emocional que senti foram incríveis. Sabemos que a morte é inevitável. O choque. Essa reversão de 283 . Mas imediatamente meu telefone começou a tocar diariamente com ligações de meus afilhados. se não é esperada como no caso de uma doença terminal. “Com vinte anos limpo. no mínimo. e no entanto. sempre parece vir como surpresa.Lidando com a morte O que acontece se nosso padrinho ou afilhado morre? Perder alguém com quem temos desenvolvido um relacionamento tão profundo e amoroso é chocante.

mas descobrimos que a vida continua. que morreu num acidente de carro enquanto levava um recém chegado para casa após uma reunião em seu grupo de escolha.papéis teve um impacto positivo em minha habilidade de trabalhar esse período difícil”. devemos compreender a importância de achar outra pessoa para ser nosso padrinho. Podemos honrar a memória de nosso padrinho ficando limpos a continuando a partilhar o que temos aprendido com aqueles a quem apadrinhamos. Nosso relacionamento cresceu até um nível profundo de 284 . “Tinha um afilhado com 14 anos limpo. e sempre levaremos o espírito dele ou dela em nossos corações. A perda que sentimos com a morte de nosso padrinho ou afilhado pode ser avassaladora. Se for nosso padrinho quem morre. Tinha o apadrinhado por mais de sete anos e o conheci desde seu primeiro dia limpo.

285 . trabalho de Décimo Segundo Passo. “Meu primeiro padrinho me pegou como afilhado quando tinha menos de 90 dias limpo. mas também honrado por ter experimentado as dádivas de ser o padrinho desse homem e amigo ao longo dos anos. Ele morreu limpo e levando a mensagem Que legado”. que nosso trabalho juntos estava nos ajudando a lidar com essa situação.confiança e admiração mútua. Quando ajudei a carregar seu caixão no enterro. Acredito que nosso relacionamento pessoal com Deus. me senti muito triste. Ele me apadrinhou até meu sexto ano antes de adoecer e falecer. Ele me disse no dia que faleceu que eu tinha sido preparado para sua morte através do trabalho com os Doze Passos. e envolvimento com a irmandade nos prepara para recaída ou doença em recuperação”.

Não podemos nos dar ao luxo de deixar que o luto nos remova os benefícios de apadrinharmos e sermos apadrinhados. Para alguns de nós. queremos fazer tudo o que pudermos para continuar conectados à recuperação. Não importa o tamanho de nossa dor ou perda. Como decidimos trabalhar nossos sentimentos é nossa escolha. Quebras de confidência Requer muita coragem para conseguirmos começar a confiar em alguém. Com a ajuda do tempo e os princípios espirituais do programa. partilhar nossos sentimentos de luto e perda com outros adictos em recuperação pode ajudar. sabendo que os 286 . podemos eventualmente encontrar aceitação e começarmos a ir em frente com nossas vidas de novo. assim com quando qualquer um querido por nós morre.Quando nosso padrinho ou afilhado morre. Alguns de nós buscamos ajuda profissional para conciliarmos os sentimentos de raiva e impotência. leva anos trabalhando com um padrinho para estabelecer aquele elo especial para nos sentirmos seguros.

mas morrem à luz da 287 . mas no final devemos tomar uma decisão pessoal a respeito do que fazer. alguns de nós somos confrontados com acontecimentos que nos fazem pensar que não manter a confidência pode ser a ação mais ética a tomar. Mas pode haver vezes nas quais nossas confidências são quebradas ou vezes que temos dúvidas sobre manter uma confidência ou não. “Como padrinho sei que minha responsabilidade para com meus afilhados é manter suas confidências e sua confiança.segredos que partilhamos permanecerão entre nós e nosso padrinho. Em casos extremos. Durante esses momentos devemos procurar conselhos de outros e orientação de nosso Poder Superior. Lutei com isso quando um de meus afilhados partilhou comigo que estava tendo um caso com a esposa de outro dos meus afilhados! Lembrei ao meu afilhado que o Texto Básico diz que nossos defeitos crescem no escuro.

podemos causar mais danos e ferir nosso padrinho ou afilhado desnecessariamente. e muito bravo. meditasse. Podemos nos sentir violados e traídos.exposição. e depois tomasse sua própria decisão sobre o que achava que deveria fazer e com o que sua consciência pudesse lidar”. “Ficava ouvindo coisas em meu grupo de apoio que eu tinha especificamente pedido que meu padrinho não repetisse. mas não tentei tomar nenhuma decisão ou ditar um resultado a ele. Sugeri que ele escrevesse. Ofereci orientação. E agora? Antes de tomarmos conclusões. Se agirmos somente com suspeitas antes de sabermos todos os fatos. Fiquei chateado. Termos nossa confidência quebrada por ouvir nosso segredo partilhado por alguém que não é nosso padrinho ou afilhado pode der devastador. Falei com ele a 288 . devemos ter certeza que a fonte da fofoca foi realmente nosso padrinho ou afilhado. rezasse.

Me senti traído. Acho que isso. Foi uma das coisas mais difíceis que tive que fazer. Falamos e choramos juntos. mas não confio mais nele. larguei meu padrinho. Amava meu padrinho muito e tinha confiado nele sem questionar. Abri mão dele e arrumei um padrinho novo.respeito dessas coisas e ele sempre negou ter contado a outra pessoa. Ainda somos amigos. Finalmente. após um amigo querido disse que se sentiu ferido por algo que eu tinha partilhado exclusivamente com meu padrinho. Era como se ele não me levasse a sério. “Estava apadrinhando alguém que me contou sobre um assunto de saúde muito 289 . é o que me deixa mais triste”. mais do que qualquer coisa. Isso continuou por alguns anos. Eu lhe dei esse presente e ele escolheu jogá-lo fora. Confiar em alguém é um presente. mas eu fiquei firme.

Alguns dias depois. mesmo tendo traído minha confiança. ouvi meu padrinho perguntar para meu afilhado sobre a condição. para meu horror. decidi mantê-lo como padrinho. Alguns de nós vamos escolher terminar o 290 .sensível que o preocupava. Já que não tinha certeza como lidar com isso. Depois que meu estresse inicial se acalmou. Ele ajudou a estabelecer NA no meu país. perguntei a meu padrinho. Isso magoou a mim e a meu afilhado. Não acho que ele mudara sua visão sobre isso. pois ele continua me dando estabilidade de outras formas”. e acredito que seu interesse nos outros é apenas manifestação de gentileza. Precisamos encarar o assunto de forma orientada para a recuperação. Ainda é difícil saber como lidar com isso porque meu padrinho é como se fosse o pai ou irmão mais velho em nossa comunidade de NA.

“Minha madrinha partilhou minha informação muito pessoal com uma de minhas irmãs afilhadas. atravessando a situação mais fortes e comprometidos. podemos sentir que não há alternativa. Se nossa confiança foi violada. Freqüentemente nosso relacionamento de apadrinhamento se aprofunda quando encaramos esses obstáculos juntos. Podemos não ser capazes de reparar os danos e. percebendo o quão difícil é reconstruir o relacionamento. Ela imediatamente admitiu que tinha falado sobre meus assuntos e disse que estava profundamente arrependida. Falamos sobre nossos sentimentos e tentamos chegar em uma solução favorável para os dois.relacionamento imediatamente. com amor e compaixão. portanto podemos decidir romper o relacionamento. Fiquei com raiva e magoada. Ouvi e confrontei minha madrinha. Alguns de nós podemos escolher confrontar nosso padrinho ou afilhado para discutir como restabelecer nosso relacionamento. 291 .

Uma das muitas dádivas que NA nos dá é a habilidade de vivermos com dignidade. Perdão tem sido uma ferramenta e princípio espiritual muito poderoso desde então”. e ela ainda é minha madrinha. Narcóticos Anônimos nos ensina a amar incondicionalmente e a ajudar outros adictos em recuperação. Porém. mesmo se eu escolhesse ter outra madrinha. Isso foi há quatro anos. agindo dos velhos modos destrutivos. podemos às vezes regredir. e pode comprometer nossa recuperação. em recuperação. Abuso no relacionamento apadrinhamento de Estar num relacionamento de apadrinhamento abusivo é desmoralizante. Acredito que passar por esse incidente anos atrás tornou nosso relacionamento mais profundo e muito mais íntimo. 292 .mas estava aliviada que ela tinha sido honesta comigo. Ela disse que não comprometeria minha confiança novamente.

Eventualmente começou a parecer que ela estava tirando vantagem de mim. podemos causar dor e fazer com que um outro adicto sofra. “Minha primeira madrinha pedia que eu a fizesse favores. e achei que fazer esses trabalhos era tudo o que eu podia dar. Sempre sentia como de tivesse que retribuir. trabalhar no quintal. Na adicção ativa. Ela me pagava para fazer a limpeza. Era muito difícil pensar em dizer não ou pedir que ela 293 . como limpar sua casa. Esses velhos padrões podem tornar difícil.Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. pintar. e sempre havia coisas extras a serem feitas. as únicas maneiras que muitos de nós sabíamos nos relacionar com outro ser humano era sendo auto-destrutivos ou abusivos. ir à lavanderia. mesmo estando em recuperação. determinar se um relacionamento é sadio. mas parecia que não me pagava uma quantia justa. e coisas assim.

Foi difícil dizer alguma coisa. desrespeitam ou são condescendentes pode ser considerado formas sutis de abuso. tinha que ser porque ela queria alguma coisa de mim. ameaçar de machucar nós mesmos ou a outra pessoa para 294 . apadrinhando mulheres no programa. Me senti presa e ressentida. Agora. não estava trabalhando na época. Por outro lado. faço o melhor que posso para não tirar vantagem delas. e cada vez que penso que uma delas poderia fazer alguma coisa por mim.me pagasse pelas coisas extras. e pago-as como pagaria a qualquer outra pessoa”. podemos nos engajar em comportamentos mais extremos como assédio sexual. Senti que cada vez que ela ligasse. Achei que se dissesse não. Dizer coisas que machucam. Era uma situação terrível. ela não me amaria mais. me lembro de como me sentia. afinal. Atrapalhar a dignidade e autorespeito de um adicto pode também ser visto como abuso.

Depois que começamos o Segundo Passo. No início concordei porque parecia que sua idéia de um Poder Superior funcionava para ele. outras não são tão óbvias. ou assediar alguém verbalmente se as coisas não acontecem como queremos. Abuso pode se manifestar de tantas formas diferentes que seria impossível listar todas. E enquanto algumas formas de abuso são gritantes. Tinha me perdido e queria alguns direcionamentos claros a respeito de como trabalhar o programa. “Escolhi meu padrinho porque ele era forte e parecia saber o que queria de sua vida. ele exigiu que eu acreditasse em suas crenças religiosas. O que parece abuso para uns pode não parecer para outros. na forma que rezava.atrairmos atenção. Ele me disse que eu tinha que fazer grandes mudanças na forma que eu compreendia meu Poder Superior. É importante continuar a fazer nosso inventário sobre como o apadrinhamento nos faz sentir. 295 .

e tinha feito um compromisso comigo mesmo de fazer o que meu padrinho mandasse.e como estava criando meus filhos. Levou alguns anos antes que pudesse acreditar que meu Poder Superior cuidaria de mim novamente. Finalmente contei para os meus amigos. Minha fé nas pessoas e no 296 . Disse que eu iria para o inferno se não fizesse o que ele dizia. Queria melhorar. Depois ele me disse que eu teria que me separar de minha esposa se ela não aceitasse suas idéias. especialmente quando ele me disse que minha vida estaria pior como resultado de minha decisão. e eles me ofereceram seu apoio. mas me senti encurralado e ameaçado. dizendo que eu deveria mudar de padrinhos novamente. Estava confuso. Foi difícil dizer ao meu padrinho que queria sair de nosso relacionamento.

programa tinha realmente sido abalada. Isso durou mais ou menos um ano – até que eu precisei de cirurgia para remover um osso quebrado do meu pé. Graças a Deus eu tinha meus bons amigos. Foi bom perdoá-lo e começar a gostar dele de novo”. E eu o faria. “Acho que às vezes (especialmente quando somos novos ao programa) escolhemos padrinhos que são tão doentes quanto nós ou que irão reforçar nossas dúvidas e ódio próprio. esse homem fez uma reparação comigo. Uma de minhas primeiras madrinhas era assim comigo. e bastante tempo para me ajudar a passar por isso. Eu ligaria para ela e choraria que eu era uma pessoa horrível. meu grupo de escolha. você precisa escrever sobre isso e pedir perdão a Deus’. Ela me disse que eu não poderia usar 297 . ‘Você está certa. e ela me dizia. Alguns anos depois.

mesmo em minha própria escuridão. Devemos alimentá-los se queremos que continuem a crescer. Então liguei para outra mulher com tempo limpa que me ajudou a ver a natureza de meu relacionamento com minha madrinha. Em retrospecto. vejo que eu a escolhi porque ela não tinha barriga e tinha uma conta corrente em ordem – não porque ela estava espiritualmente saudável ou tinha um bom programa. sabia que algo nessa direção dela estava errado.anestesia geral – que eu teria que usar acupuntura – anestesia é droga e seria igual a usar. Como sempre. 298 . somos dados a habilidade de encarar aquelas dificuldades que às vezes acompanham qualquer relacionamento íntimo. e passam naturalmente por ciclos. Através do processo de trabalhar os passos. devemos ter cuidado com o que pedimos!” É hora de mudar? Relacionamentos evoluem. Bom.

tinha colocado minha madrinha num pedestal – contra seus desejos. família e pessoas em geral. Ela me ensina sobre aceitação e como permitir que as pessoas sejam humanas. Acordar à realidade de que ela era apenas uma pessoa foi um choque. No entanto. aprendemos a nos relacionar de forma sadia. “Minha madrinha me tem ajudado a aprender a não ter tantas expectativas em relação a amigos.Conforme passamos pelos desafios e decepções da vida. Fiquei com raiva e magoada quando eu a vi sendo humana. Achei que de alguma forma ela deveria ser um guru espiritual porque ela estava limpa há alguns anos e parecia ter uma boa conexão com Deus. Claro que eu aprendi isso da forma mais difícil! Cedo em recuperação. enquanto trabalhamos com outros em nosso relacionamento de apadrinhamento. me ajudou não só a entrar em 299 .

tinha começado a me tratar como se fosse paciente. E a pior situação foi a morte de um homem que apadrinhava muitas pessoas em minha área. Um padrinho mudou para o outro lado do país. há momentos que veremos que simplesmente não está funcionando. Simplesmente significa que não está funcionando. tornando contato regular impossível. Mesmo que possamos estar fazendo tudo que podemos para apoiar e contribuir para nossos relacionamentos de apadrinhamento.contato com sua humanidade. Enquanto cada uma dessas situações. “Ao longo de 16 anos em recuperação. os horários de trabalho de outro mudaram. um terapeuta profissional. 300 . e pode ser a hora de passar para outro. Outro padrinho. Isso não significa que falhamos. como também a minha”. tive que mudar de padrinhos por uma variedade de razões.

NA tem dado a mim e a meus vários padrinhos e afilhados novas vidas. Foi muito difícil dizer isso e não mencionar como 301 . Pude dizer. nossa situação tem mudado. Não fico mais emocional quando um relacionamento como padrinho ou afilhado muda. Aprendi em NA que meus sentimentos não precisam ditar minhas ações. nos obrigando a irmos adiante. levantaram sentimentos desagradáveis. É maravilhoso quando. como resultado dessa dádiva. pode ser um sinal de sucesso espetacular”. ‘Que fantástico. “Um afilhado chegou para mim e disse que tinha achado um novo padrinho. Senti um negócio no meu estômago e imediatamente me senti inseguro. Mudar de padrinhos não precisa ser um sinal de falha. Fico feliz que você tomou uma decisão positiva para si mesmo’.especialmente a última. tenho gratidão por elas.

Tive um relacionamento de 15 anos com essa pessoa. Se não cuidarmos de nosso relacionamento de apadrinhamento. “Acabei de pedir que uma afilhada achasse uma nova madrinha.estava realmente me sentindo. Apatia e mente fechada são obstáculos comuns e podem danificar o relacionamento. pode começar a se desintegrar e se tornar nocivo. mais fácil é sermos desonestos ou termos má vontade. mas diferente”. Uma vez que nos fechamos e paramos de partilhar honestamente um com o outro. não queria fazer isso. mas ela se recusava a 302 . construímos muros que podem ser altos demais para serem transpassados. como padrinho ou afilhado. e ela é uma das minhas melhores amigas. Muitos de nós temos visto que quanto mais apáticos nos tornamos. mas realmente ajudou a nós dois mantermos um relacionamento positivo. Isso foi uma decisão difícil para mim.

Apadrinhamento é voluntário. talvez seja hora de reavaliar nosso relacionamento. De minha perspectiva. O que podemos fazer nesse ponto é examinarmos nossa parte e determinarmos se realmente precisamos terminar o relacionamento ou se podemos consertar as coisas com nosso padrinho ou afilhado. Se. 303 . em sã consciência. no final das contas.trabalhar os passos. sentimos que nossas necessidades não estão sendo preenchidas ou se como padrinhos não podemos preencher as expectativas de nossos afilhados. e como lidamos com as dificuldades que surgem é nossa decisão. Não estamos casados com nossos padrinhos ou afilhados. éramos amigas. e não precisamos permanecer no relacionamento. Não poderia. como afilhados. continuar a deixá-la pensar e dizer que eu era sua madrinha. mas não estávamos no caminho espiritual que experimento como madrinha e afilhada”.

Falei do meu coração e tive seu apoio. Quando ele 304 . que era hora de ir em frente em minha recuperação. mas ele estava mais interessado em pedir conselhos a respeito de coisas que eu não tinha experimentado. Eventualmente. “Eu tinha um afilhado que tinha idéias diferentes do que eu sobre como trabalhar o programa e sobre como eu deveria fazer como padrinho.“Após cinco anos. ficou claro que meu relacionamento de apadrinhamento tinha se estagnado e não estava funcionando. Se que ele me ama incondicionalmente o suficiente para me ajudar nessa transição”. Tentei manter o foco em minha experiência com o trabalho dos passos. Tinha que dizer ao homem que ajudou a salvar minha vida e que me ensinou tanto sobre recuperação. pude ver que não tem problema buscar crescimento através de mudança.

Algumas semanas frustrantes depois. Até sugeri algumas pessoas me nossa área. 305 . Após estarmos confortáveis. Falei com meu padrinho. fiquei frustrado.começou a resistir ir às reuniões. Disse que eu o amava. eu marquei de encontrar com meu afilhado para tomar um café. lembrando que quando não podemos servir em NA. para fazê-lo de forma amorosa. mas que seria melhor para ele se ele achasse alguém que estivesse passando pelas mesmas coisas que ele. eu disse que minha recuperação tinha tomado um rumo diferente daquele que ele queria percorrer e que ele realmente tinha que encontrar outro padrinho. devemos sempre indicar outra pessoa. que me lembrou de manter o foco em mim. e que se eu tivesse que interromper o relacionamento.

Alguns de nós achamos grandes recompensas ao permanecermos com nossos padrinhos e afilhados nos tempos difíceis do relacionamento. aprendi a lição valiosa que há muitas maneiras de trabalhar o programa. e minha maneira pode não ser atrativa para todos”. ele continua limpo e ainda está aqui. especialmente no que diz respeito a relacionamentos. comecei a vê-lo em mais reuniões e mais envolvido com a irmandade. me perco em minha vida ocupada e me distancio de meu padrinho. Atravessarmos dificuldades com nossos padrinhos ou afilhados pode nos ensinar novos níveis de compromisso. honestidade e intimidade. 306 . “Ocasionalmente. Muitos de nós temos um histórico de desistência e não fazer nada até o final. Antes de muito tempo. Muitos anos depois.Aquele afilhado conseguiu encontrar alguém com quem fez uma conexão. De nossas interações.

Ele deixa a escolha a meu critério. Claramente. meu padrinho conhece esses meus ciclos e me diz que preciso participar ativamente do relacionamento – senão. Fui um desistente na maioria de minha vida. eu ligo para ele. Seria fácil ir em frente e não olhar para trás. Estou disposto a trabalhar para que o relacionamento funcione. Felizmente. ou escolho não continuá-lo? Ele me ajuda a perceber que minha vida nem sempre será balanceada. não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por um 307 . No entanto. que terá seus altos e baixos. não há relacionamento. Sou grato por ter escolhido continuar a crescer nesse relacionamento maravilhoso que tenho com meu padrinho.Quando percebo o que está acontecendo. ele me ensina que posso passar por isso e perceber meus padrões para que posso mudá-los e impedir que eles aconteçam com tanta freqüência.

colegas de trabalho. cônjuges. amantes. Nossos relacionamentos de apadrinhamento podem nos ajudar a desenvolvermos aquelas qualidades que buscamos e gradualmente nos tornarmos a pessoa que sempre quisemos ser. mesmo quando encontramos dificuldades em fazê-lo. Nos mostra as coisas que precisamos saber para participarmos ativamente em todos os nossos relacionamentos.compromisso que fiz para ficar com meu padrinho e tentar ser mais consistente. parceiros. Passar por isso com meu padrinho me tem ajudado a ser uma pessoa que é capaz de ter um relacionamento íntimo”. 308 . e assim por diante. Com o tempo aprendemos a ser melhores amigos. Apadrinhamento nos ensina a tomar decisões saudáveis para nós mesmos. pais.

A adicção nos rouba a habilidade de nos relacionarmos. O apoio e amor que recebemos quando andamos juntos em nossa jornada através dos Doze Passos ajuda a nos libertar do medo egocêntrico que está no âmago de nossa doença. 309 . a sociedade. podemos crescer em nosso relacionamento conosco mesmos. nossa primeira conexão verdadeiramente espiritual com outro ser humano ocorre quando nos abrimos e partilhamos honestamente com nossos padrinhos. A recuperação restaura nossa conexão a nós mesmos e ao mundo. serviço e Deus.CAPÍTULO CINCO APADRINHAMENTO: UMA JORNADA CONTÍNUA A jornada continua Para muitos de nós. Apadrinhamento nos oferece um caminho para a mudança e uma ponte para desenvolver outros relacionamentos. Com boa vontade que forma o alicerce do símbolo de NA e o apadrinhamento. Nós temos agora a liberdade de viver uma vida com significado.

Aprendemos a viver responsavelmente reparando comportamentos passados e buscando compreender os outros através de perdoá-los e a nós mesmos.Um programa universal: Sociedade. nossos espíritos acordam e começamos a melhorar. e encaramos alguns de nossos maiores medos e permanecemos vigilantes para evitarmos auto-destruição. Hoje. Ao ficarmos limpos e vivermos o programa. Aos poucos. muitos de nós descobrimos que somos libertados dos defeitos de caráter que nos atazanaram durante nossa adicção ativa. nosso padrinho ou madrinha e outros membros no programa. Percebo que o mundo nem sempre gira em torno de mim. Minha 310 . com a ajuda de nosso Poder Superior. tenho a habilidade de focar em outras coisas e pessoas fora de mim. Serviço e Deus Eu. “Minha madrinha tem me mostrado como sair de mim mesma. Isso tem me ajudado em todas as áreas da minha vida. Não mais estamos sozinhos.

em me ajudar a trabalhar os passos. que é baseado em integridade. e sua honestidade a respeito da minha recuperação. que agora tem sua própria auto-confiança”. têm me ajudado a moldar meu relacionamento.madrinha também me ajuda a permanecer na minha verdade e partilhar minha verdade sem atacar outra pessoa. Posso passar isso agora para minha filha. desenvolvi um sentido saudável de mim mesma. Ele nunca 311 . A boa vontade de meu padrinho em partilhar o que sabe. Por causa do que aprendi de minha madrinha. e isso tem afetado minha família como um todo. Aprendi a ter jogo de cintura. Minha madrinha me mostrou essas coisas de forma amorosa e carinhosa sem ser muito dura comigo. “Meu padrinho tem sido essencial em me ajudar a formar um relacionamento com minha parceira. e amor. sinceridade.

Um sub-produto desse trabalho é que meu relacionamento com minha parceira se fortaleceu”. não em meu relacionamento. “Ser um bom padrinho me tem ajudado a ser um pai melhor.ofereceu ser um conselheiro matrimonial e sempre manteve o foco em minha recuperação. e queremos partilhar esse sentimento de humildade com outros. Estamos freqüentemente impressionados que alguém realmente quer nos ajudar. 312 . demonstramos compromisso com Narcóticos Anônimos. Quando pedimos ajuda. E então o círculo do apadrinhamento continua quando apadrinhamos nosso afilhado ou afilhada – queremos dar a eles o que nos foi dado. Agora sei que devo continuar a fazer minha parte se vou crescer em recuperação. Aprendi a ser compassivo e compreensivo e olhar as pessoas de forma diferente. começamos a sentir amor incondicional profundo e aceitação dos outros. Em troca.

“Fiquei limpo quando ainda adolescente. assisti ao meu padrinho praticando princípios do programa quando interagia com sua mulher. tem seu próprio negócio e é profundamente comprometido com o programa. e era muito difícil sentar numa reunião e ficar honesto com o que estava acontecendo. e eu sabia que ele ia ficar limpo e em recuperação.Aprendi que a vida é ser feliz. Meu padrinho é mais velho do que eu. Agora me olho como alguém com fragilidades que é humano. Meu padrinho ter sido um exemplo. Depois que eu passei por um relacionamento falido no início de minha recuperação. não deprimido e quebrado. Foi duro pedir ajuda. me ajudando a encarar alguns dos assuntos chaves em minha vida”. ele tem um relacionamento de muito tempo. Ele era estável. alegre e livre. Precisava depender de alguém 313 .

não importa onde estamos. assim como os desafios e momentos difíceis que podemos passar. Começamos a entender que. Através de NA. Parte da lição que o apadrinhamento nos ensina é parar de colocar expectativas irrealistas nas pessoas em nossas vidas. e mim. Às vezes através de nossas dificuldades no apadrinhamento. Podia ver isso só pelo jeito que ele vivia sua vida.que acreditava no que ele falava para mim. Porém. Vemos que crescemos devido a todos os aspectos desse relacionamento – as experiências enaltecedoras que partilhamos. desenvolvemos maior compreensão sobre humildade. Tenho um padrinho hoje que acredita em Narcóticos Anônimos. nos é dada a liberdade de escolher quem e o que é 314 . sempre temos nosso Poder Superior e os princípios do programa. Nosso relacionamento é verdadeiramente um presente”. ninguém pode sempre estar disponível para nós. os Doze Passos. apesar de não estarmos nunca a sós.

Ser um padrinho me ajudou a contrabalançar meu egocentrismo. e eu era rígido. porque NA estava ainda se desenvolvendo no meu país. 315 . Nos meus primeiros dias. aprendi a ser flexível. e eles se sentem muito confortáveis em me desafiar. Através do apadrinhamento. Tenho começado a aprender sobre amor incondicional com meus afilhados. estava desesperado para ter outros membros.melhor para pessoais. Minhas expectativas eram altas. Meus afilhados me conhecem. nossas necessidades “Apadrinhamento tem sido uma experiência enriquecedora para mim. Tenho aprendido muito a respeito de meus defeitos e vim a me aceitar. Adoro o componente de mão dupla do relacionamento de apadrinhamento e o componente ‘nós’ do programa”.

deprimida. A parte mais significativa de minha recuperação é a serenidade e sanidade que sinto por dentro.“Quando cheguei nas salas de NA. e uma madrinha. uma amiga. apesar de mim. e continua 316 . Isso não significa que outros não estiveram lá para me ajudar. e meu Poder Superior. e a maturidade com a qual posso agora navegar através de minha vida – muito do que se tornou possível através da ajuda de minha madrinha. insana. Tenho um casamento feliz. sou adicta em recuperação. trabalho bem no meu emprego. Hoje. e sou um membro ativo em minha igreja. estava espiritualmente morta. uma aluna. dos Doze Passos. mas minha madrinha foi. e tinha uma vida completamente descontrolada. Meu casamento estava em ruínas. meus filhos eram negligenciados e sobreviveram de alguma forma. uma boa mãe.

trabalhe com um recém chegado.sendo. Aprendemos do apadrinhamento que relacionamentos nunca são bem do jeito que nós os imaginamos. me abro para as dádivas profundas que NA oferece”. que me lembra de uma frase que meu padrinho me fala quando fico egocêntrico e auto-obcecado – quando tudo o resto parece estar falhando. sem nenhum motivo a não ser ajudar a outro adicto. Tenho visto que quando me torno humilde o suficiente para trabalhar o programa espiritual e dar. uma parte instrumental de minha recuperação”. Nosso Texto Básico diz que a melhor ferramenta em recuperação é o adicto em recuperação. “Sinto que serviço em NA me beneficia mais do que a qualquer pessoa que eu tento ajudar. Apadrinhamento nos ensina que encarar problemas verdadeiros traz recompensas 317 .

A primeira vez que namorei foi quando cheguei a NA. Começamos a apreciar as pessoas por quem elas são. Através do apadrinhamento. “Nunca tive relacionamentos significativos durante minha adicção ativa. Nos aceitamos por quem nós somos e reconhecemos o valor de nossa contribuição. Levamos nossa nova compreensão mais realista sobre relacionamentos para o mundo enquanto brincamos. Meus relacionamentos eram sempre superficiais. não por quem queremos que sejam. Desde que comecei a trabalhar com minha madrinha. tive uma chance de ser um ‘eu’ diferente. aprendi a checar meus motivos. e meus motivos incertos. trabalhamos e amamos. Aprendi sobre compromisso e como ser vulnerável e altruísta. Nossa gratidão pelo Poder Superior e NA fala quando colocamos em prática os princípios que aprendemos através do apadrinhamento. Um dos maiores 318 .profundamente ricas e realizadoras.

“Minha primeira madrinha era muito dependente de Deus e tinha um relacionamento profundo e significativo com seu Poder Superior. Aprendi a me manter firme nos meus compromissos. e tenho um monte de velhos comportamentos com os quais ela me ajudou. Eu certamente queria o que ela tinha então percebi que tinha que escolher fazer o 319 .eventos foi o casamento de minha filha. Tinha tanta dificuldade em confiar nos homens. Através do apadrinhamento. Ela me dizia para lhe ligar primeiro e contar as coisas para ela que eu queria dizer ao meu marido. Ela fazia Deus parecer tão real e pessoal. “Minha madrinha tem me ajudado a aprender a ser uma boa esposa. Seu padrasto e eu levamos a noiva ao altar juntos”. aprendi a não ser um capacho e a me respeitar”.

Isso significava sem televisão. Isso me deu a base que tenho hoje. rádio.que ela fazia para consegui-lo. O Deus de minha 320 . Comecei a rezar e meditar regularmente e me tornei disposta a seguir quaisquer sugestões que ela me desse para desenvolver esse relacionamento especial. música. telefone. tinha um relacionamento com o Poder Superior de minha compreensão. e ele era tão real para mim quanto o pão na mesa. A sugestão foi incrível – funcionou para mim! Quando terminei com os 90 dias. livros. etc. – só Deus e eu. minha madrinha hoje também é dependente do Poder Superior e continua me direcionado para a prática de minha fé a cada dia. Enquanto não tenho a mesma madrinha que eu tinha naquela época. Parte de seus direcionamentos foi ir a 90 reuniões em 90 dias e voltar direto para casa (sem social) para passar mais uma hora sozinha com Deus.

e especialmente a minha madrinha.compreensão trabalha de várias formas. NA. Praticar serviço abnegado não só beneficia nossos esforços em viver uma vida limpa. O círculo do apadrinhamento Logo percebemos que não podemos manter esse maravilhoso presente de recuperação sem dar o que recebemos. e família) em ordem. o resto estará bem”. e a primeira língua do meu Poder Superior é silêncio então preciso ficar quieta e ouvir à natureza. aos outros. Minha experiência tem mostrado que se eu manter minhas prioridades (Deus. Queremos partilhar a esperança de viver uma vida rica e plena com aqueles que buscam seguir o mesmo caminho que nós. Podemos fazer isso com o apadrinhamento. ajudamos a fortalecer o 321 . Ao partilhar nossa experiência e esperança com outro adicto. mas também ajuda a fortalecer nosso desejo de permanecermos em recuperação.

oferecemos a outro adicto a oportunidade de dar. nossa experiência manifesta aquilo que ouvimos em reuniões desde o começo: quando pedimos ajuda. e quando estendemos a mão a outro adicto necessitado. O alimento espiritual que recebemos quando damos aos outros é uma das razões que escolhemos permanecer em NA. 322 . Mais e mais. Apadrinhamento pode ser onde aprendemos a praticar nossos novos princípios. recebemos muito mais de volta. recebemos as maiores recompensas de todas.espírito do programa de Narcóticos Anônimos. e é o relacionamento no qual nossa gratidão fala mais claramente. Sempre que damos livremente do que temos encontrado em recuperação.

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