“O coração de NA bate quando dois

1

adictos partilha m sua recuper ação”.
Texto Básico
2

Prefácio Os princípios espirituais de Narcóticos Anônimos estão no centro de nossa recuperação da doença da adicção. Os passos são “os princípios que tornam nossa recuperação possível”, mas não trabalhamos o programa de NA em isolamento. Apadrinhamento é a chave para trabalhar os passos – para compreender os princípios espirituais e praticá-los em todas nossas atividades. O foco deste livro é apadrinhamento em NA – suas recompensas e seus desafios, e seu lugar no dia-a-dia da nossa recuperação. Quando Serviços Mundiais perguntou à irmandade em 2000, o que ela gostaria de ver num livro sobre apadrinhamento, a resposta foi esmagadora. Milhares de páginas de experiência, opiniões e idéias chegaram numa enxurrada, e tornou-se claro imediatamente que apadrinhamento varia de país para país, região para região, e indivíduo para indivíduo. O livro que resultou reflete essa rica diversidade. Ele tenta apresentar um retrato de como nossa irmandade, em constante mudança, pratica o apadrinhamento hoje.

3

Os outros livros de NA oferecem mais informação sobre o programa, incluindo os passos e tradições. O Livro Narcóticos Anônimos é o Texto Básico de nosso programa. Isso Resulta: Como e Porque discute os passos e tradições e o Guia para trabalhar os Passos de Narcótico Anônimos é seu livro companheiro sobre os passos. Só Por Hoje é nosso livro de meditações diárias. Alguns de nós pegaremos este livro com a esperança de que responderá definitivamente nossas perguntas: Tenho experiência o suficiente para ser um padrinho ou madrinha? Quantas pessoas devo apadrinhar? Meu padrinho/madrinha deverá ser do mesmo sexo que eu? O que devo fazer se não confio em meu padrinho/madrinha? E assim por diante. Mas isso não é um livro didático que dá um “Como fazer” de forma concreta para padrinhos e afilhados. É uma coleção de nossas experiências diversas sobre apadrinhamento, e sua leitura pode nos ajudar a chegar às nossas próprias conclusões sobre o que é certo para nós. Experiências de primeira mão aparecem ao longo do livro. As citações
4

em primeira pessoa foram coletadas de membros de NA ao redor do mundo. Enquanto essas citações não representam, necessariamente, a opinião de NA como um todo, elas apresentam a cada um de nós, uma oportunidade para crescer e aprender se lermos com o coração e a mente abertos. Algumas coisas que leremos aqui poderão desafiar as crenças que sustentamos por muito tempo, mas, como numa reunião, podemos tirar proveito do que nos serve e largar o resto. Se fecharmos esse livro sentindo que ainda temos perguntas nãorespondidas sobre apadrinhamento, podemos seguir as sugestões que freqüentemente recebemos quando encaramos uma pergunta que não sabemos como responder: procuramos nos passos, rezamos e meditamos a respeito, ligamos para nosso padrinho/madrinha...

CAPÍTULO UM O QUE É APADRINHAMENTO?

5

Uma pedra fundamental do programa de Narcóticos Anônimos Nenhuma crença ou filosofia, por si só, descreve ou define adequadamente o que é um padrinho ou o que faz um padrinho. Ao longo dos anos, apadrinhamento se tornou uma ferramenta básica e importante do programa de NA e é praticada de várias formas. O relacionamento de apadrinhamento, para muitos membros, é pessoal e privado. Um padrinho de NA é um membro experiente de Narcóticos Anônimos a quem procuramos para ajudar-nos em nosso programa de recuperação. Muitos membros acreditam que apadrinhamento é uma parte vital do processo de recuperação. Junto com os Doze Passos e as Doze Tradições, apadrinhamento é considerado uma das pedras angulares do programa e da maneira de viver de NA. O valor terapêutico de um adicto ajudando o outro é exemplificado neste relacionamento com um outro membro de NA. Antes de chegar às salas de NA, a maioria de nós estava vivendo à margem
6

Ele foi alguém que me ajudou a continuar indo em frente quando não mais conseguia andar sozinho. afundando cada vez mais em medo.da humanidade. Uma vez que começamos a assistir reuniões e aprender sobre o programa de Narcóticos Anônimos. isolamento e desespero. “Para mim. Queríamos encontrar outro modo de viver. esse alguém foi meu primeiro padrinho. meu relacionamento com meu padrinho se tornou (e ainda é) o primeiro relacionamento com outro ser humano que abriu meu coração à possibilidade de me tornar um membro da raça humana”. “Se precisei de alguém em minha vida. mas a solução sempre nos iludiu. Ele era um rosto amigo num mundo de dor emocional. Uma das maiores dádivas de NA é ouvir 7 . Ele foi alguém que me fez sentir parte de NA. nossas vidas começam a mudar e percebemos a importância de procurar apoio.

muitas vezes tememos rejeição e podemos experimentar ansiedade avassaladora com a idéia de nos aproximarmos de alguém e pedirmos que seja nosso padrinho/madrinha. Quando vim a essas salas. enquanto outros evitavam todo tipo de contato com as pessoas. 8 . vemos que um padrinho/madrinha pode nos ajudar a lidar com estes sentimentos. estava perdido. para que não precisemos fugir deles. tínhamos percepções e pensamentos distorcidos. expostos. Alguns de nós acreditávamos que eram invencíveis e poderosos. Enquanto nas garras de nossa doença. sozinho. Agora que nossas mentes começaram a clarear e acordamos de nossa névoa induzida por drogas. Durante esse tempo frágil em nossa recuperação. e indefesos. “Para mim. Precisamos de ajuda e queremos estender a mão para outro membro. machucado.a mensagem levada através do amor e bondade”. nos sentimos vulneráveis. aceitação é uma das partes mais importantes do programa de NA. Porém.

muito menos sobre pedir ajuda de um outro ser humano. Mal conseguia juntar duas frases e tinha medo de tudo e todos. Porém. Não sabia o que fazer dos Doze Passos. e especialmente. poderia voltar a usar drogas de novo”. “Quando fiquei limpo no início. Era uma idéia assustadora – falar com um estranho – mas era mais assustador pensar que se eu não pedisse ajuda. ouvi dizer que era importante arrumar um padrinho. 9 .e sentindo como se nada importava exceto a morte. Não confiava em ninguém nem acreditava em nada. Estava quebrado e sentia que ninguém queria ter nada a ver comigo. eu estava acabado. com meu problema com drogas. Eu me odiava tanto. Demorou um tempo para criar a coragem de pedir que alguém fosse meu padrinho”.

Se formos novos ao programa.Enquanto procuramos por um padrinho. mas ela me deu o telefone dela e me disse para ligar. e sei que nossos espíritos estarão sempre conectados”. o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Não foi um sim firme. Conforme vemos que o processo funciona para outros. Gaguejei e falei baixo. começamos a acreditar que funcionará para nós também. mas liguei assim mesmo. e nossa confiança cresce. Temos um relacionamento maravilhoso. Continuo aprendendo com ela até hoje. Estava nervosa. 10 . começamos a desenvolver relacionamentos com outros membros e nos envolvemos. “Cheguei perto de uma mulher após uma reunião e esperei impacientemente para falar com ela. precisamos lembrar que ainda podemos trabalhar o programa de recuperação. mesmo após anos e a distância de quilômetros que há entre nós.

No início. formatos de reunião. Nossos padrinhos podem nos orientar ao partilharem sua experiência e conhecimento do programa de NA. 11 . a estrutura de serviço.“Meu relacionamento com minha madrinha foi muito desconfortável no início. podemos ter dúvidas a respeito da terminologia. Um padrinho pode nos oferecer um elo pessoal ao aprendizado do programa de recuperação de NA. Eu buscava todas as respostas dela. foi difícil achar coisas para partilhar sobre mim mesma. e eventualmente eu consegui falar com ela sobre a minha vida também". Especialmente quando somos novos ao programa. um padrinho pode facilitar a transição para fora e esclarecer quaisquer dúvidas que possamos ter a respeito das diferenças entre tratamento e NA. literatura. e assim por diante. mas tudo que via era ela vivendo a vida como a vida é. Ela falava comigo sobre a vida dela. Se ficamos limpos em um centro de tratamento ou outra instituição.

12 . não tem problema’. mas quando era nova no programa. Achava que era algum tipo de sociedade secreta. tipo ‘ele está comigo’. Achei que um padrinho era o chefe de NA! Hoje percebo que um padrinho é um professor que ensina por exemplo e experiência”. precisava de muita ajuda e precisava compreender o programa.“Achei que precisava de um padrinho para entrar numa reunião fechada (somente para adictos). Ligava para minha madrinha e perguntava ‘O que significa impotência?’ ou ‘O que é ser um “membro produtivo da sociedade”?’ Essas ligações me ajudaram a desenvolver minha própria compreensão sobre os princípios de NA”. Eu liguei e perguntei para meu padrinho se isso era verdade. “Sou uma pessoa inteligente. Ele deu risada e disse ‘Oh não.

Apadrinhamento nos ajuda. meu padrinho compreende o que eu preciso passar para ficar limpo. Membros que acumularam algum tempo limpo podem ser exemplos para recémchegados e membros com mais tempo. Mesmo que estejamos em fases diferentes de nossa recuperação e trabalhando em nosso próprio ritmo. Uma das razões que o apadrinhamento funciona é que partilhamos a mesma doença. Já que ele tem a 13 . O sucesso de meu padrinho em ficar limpo serve como fonte de esperança para mim”. “Meu relacionamento com meu padrinho têm me ajudado a ficar mais honesto ao longo do tempo. “De conhecimento de primeira-mão de adicção e recuperação. e todos buscamos recuperação desta doença. temos semelhanças. independente de quanto tempo temos no programa. que uma nova maneira de viver é possível. Aprendemos a focar nossa atenção nas semelhanças ao invés das diferenças.

A beleza de nosso programa é que cada um de nós pode ter uma compreensão pessoal do relacionamento de apadrinhamento. No entusiasmo de nossa irmandade para assegurar que nossa mensagem é claramente compreendida – por adictos assim como por outros membros da sociedade – freqüentemente fazemos muito esforço para providenciar descrições definitivas de cada detalhe do programa de NA. e um compromisso para guiar e partilhar uma caminhada de recuperação através dos Doze Passos. O espírito que energiza e enriquece Narcóticos Anônimos se encontra na nossa união através da diversidade. Independente das diferenças entre nossas práticas. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. ele entende a minha maneira de pensar”. boa vontade. o alicerce do apadrinhamento é um serviço abnegado. incluindo o conceito de apadrinhamento.mesma doença que eu e tem tido muitas das mesmas experiências. Definições totalmente diferentes do apadrinhamento existem em NA. 14 .

mas também é alguém que me ajuda a ver como realmente sou e quem posso ser. Não somos amiguinhas.“Meu padrinho não só é um guia através dos passos. Não saio com ela nem vou à casa dela toda hora. ouço-a e falo com ela”. Alguns adictos compreendem o apadrinhamento como um ato de amor incondicional. Outros colocam condições ou requisitos para aqueles a quem apadrinhamos. Meu padrinho parece saber meus motivos muitas vezes antes de eu saber realmente o que esses motivos são”. Alguns membros acreditam que a interação entre padrinho e afilhado deve ser um de não 15 . Ligo para ela regularmente. “Minha madrinha faz uma coisa por mim que não confio em mais ninguém para fazer – ela simplesmente me guia através dos passos de Narcóticos Anônimos.

Eu fazia o 16 . enquanto outros buscam certos tipos de julgamento e direção de seus padrinhos. mas eu queria o que ela tinha para oferecer”.julgamento. “Minha primeira madrinha foi ótima para mim quando eu era nova no programa. e rezar e meditar diariamente. Ela me deu a recuperação mastigadinha. trabalhar os passos. “Meu padrinho foi uma das pessoas em NA que me amou até que eu pude amar a mim mesmo. Tinha que ligar para ela todos os dias. servir a irmandade. cereal ou qualquer coisa de café da manhã antes de começar meu dia. Ela me dizia o que fazer. ele pediu que eu comesse uma fruta. Ela tinha uma lista de cinco coisas que eu tinha que fazer para que ela me apadrinhasse. Quando fiquei limpo. Eu queria tanto ficar limpo. Ela era durona e a força dela me assustava. ir às reuniões.

Com a crescente diversidade de nossos membros. Não importa o quão traumático ou insignificante alguma coisa é. posso depender dele e confiar meus pensamentos. Posso receber suas sugestões e orientação através dos passos com mente aberta e coração confiante. comecei a entender o que ele estava fazendo – ele estava me mostrando como me amar e cuidar de mim mesmo”. apesar de não saber o que tinha isso a ver com ficar limpo. “Meu padrinho é minha base de apoio. o apadrinhamento pode tomar variadas formas que refletem nossa individualidade. Deixo que ele me conheça bem – provavelmente melhor do que eu mesmo me conheço”. compaixão. Independente dessas diferenças. sentimentos e acontecimentos a ele. muitos membros acreditam que cooperação. Logo. aceitação e responsabilidade são alguns 17 .que ele pedia.

é minha amiga. Antes de ter uma madrinha. carinhosa. 18 . Minha madrinha me ajudou a ver a razão e ofereceu um caminho de mudança para que eu não tivesse que doer tanto. mas. Saber que sempre que eu precisar dela ela estará lá para me apoiar é um pensamento confortante. Minha madrinha permite que eu cresça em meu próprio ritmo e progrida nos passos conforme minha prontidão”. sobretudo. Eu sentia dor o tempo todo e não sabia por que. Ela é gentil. amorosa e me dá apoio.dos princípios espirituais encontrados no apadrinhamento. “Poder ter um padrinho é a maior dádiva que a recuperação oferece para mim. nem por tanto tempo”. simplesmente flutuava à deriva. às vezes meu salvavidas. sem direção real. “Minha madrinha é meu mentor.

e fiquei bem. há muitas vezes nas quais nos encontramos sem um padrinho ou madrinha. “Tive períodos em recuperação sem um padrinho. Isso não significa que somos “menos que” membros que têm um padrinho ou madrinha. Mas a realidade é que sentia falta de alguém na minha vida que fosse ‘meu padrinho’”. Continuei crescendo e trabalhando o programa.Para muitos de nós. Entretanto. o apadrinhamento pode nos dar apoio quando damos de cara com aqueles desafios que vêm de viver a vida. ou simplesmente não queria fazer muito esforço 19 . até que encontremos um padrinho novo. Durante esses momentos podemos buscar apoio no grupo e em nossos companheiros em recuperação. Acho que estava esperando que uma caísse do céu. “Em minha recuperação houve vezes que eu não tinha uma madrinha.

mais posso me beneficiar de sua experiência. nem era ter uma madrinha só para dizer que tinha. Depender de amigos não era a mesma coisa do que ter uma madrinha. por alguma razão. apesar de todos nossos anos no programa. Acredito que quanto mais esforço que coloco no meu relacionamento com minha madrinha. Minha experiência mostra quer preciso de uma madrinha para trabalhar os passos com sucesso”. ou pode ser que. se não estamos apadrinhando alguém.para achar uma. Pode ser que ninguém nos tenha pedido. escolhemos não apadrinhar outro adicto. ou pegando um encargo em nosso grupo de escolha são algumas das maneiras que podemos levar a mensagem. 20 . Trabalhando numa linha de ajuda. Alguns de nós podemos estar sem afilhados. Qualquer que seja a razão. ainda há muitas formas que podemos servir. levando uma reunião á uma instituição. dando boas vindas e encorajando os recémchegados.

e nosso talentos e habilidades estão em áreas diferentes. mas isso é me menosprezar e menosprezar o programa de NA. e tenho sido e continuo sendo aquela pessoa que ‘acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação’ para muitos amigos em NA. Sou um fracasso? Minha recuperação é uma fachada por minha ‘inabilidade’ de preencher esse aspecto do programa ainda? Acho que não.“Estou em recuperação há 15 anos e nunca apadrinhei ninguém. Todos são diferentes. a quem amo”. Dou livremente aquilo que me foi dado de outras formas. Faço muito serviço em NA. aquelas mais em harmonia com minhas circunstâncias e aptidões naturais. Eu brincava (mais ou menos) com um amigo que não me pedem para ser padrinho porque ninguém ‘quer o que eu tenho’. 21 .

Funcionou! As cartas de minha madrinha sempre pareciam chegar quando eu mais precisava. Ela trabalha os passos 22 . Algumas dessas comunidades são geograficamente isoladas de comunidades já estabelecidas de NA. Em desespero.Narcóticos Anônimos continua a crescer e alcançar diversas comunidades ao redor do mundo. Enquanto nossa irmandade se diversifica. é importante permitirmos que membros adaptem o programa de NA para se encaixar em suas comunidades. Foi o melhor relacionamento ‘via correio’”. “A mulher que pedi para me amadrinhar estava visitando meu país para a convenção anual. “Nos primeiros dias. outras podem ter dificuldades legais ou culturais para estabelecer reuniões ou com os princípios do programa. eu era a primeira mulher em recuperação no meu país. confiei em alguém que viajava e me conhecia bem para achar uma madrinha para mim.

segura de si. Quando eu a visitei no ano passado. Tenho trabalhado os passos com ela.de NA. falando a língua dela (toda minha recuperação é feita em outra língua). pessoas e em mim mesma. conhecíamos alguém no programa que podia traduzir para nós. Eu leio 23 . Felizmente. Eu demorei a entendesse os horários dela. Agora estou fazendo o Sétimo Passo. Escrevo os passos e os mando por correio. Moramos em continentes diferentes. temos culturas diferentes. e eu a amo. e eu tinha que me esforçar para ligar para alguém que não conhecia. Iniciamos nosso relacionamento por e-mail. e por uns oito meses eu acordava às 4:30 para ligar para ela. Ela é prática. partilhei meu Quinto Passo com ela. e na língua dela!” “Encontrei minha madrinha na Internet. aprendido sua língua e praticado fé no Poder Superior.

junto pelo telefone. Fica caro. No início. percebemos que a recuperação é um processo em evolução. através de amor incondicional. Os altos e baixos do início da recuperação faziam com que eu ficasse perdido emocionalmente. Com o tempo. “Ao longo dos últimos oito anos de minha recuperação. Esse é o relacionamento mais enriquecedor que já tive com outra mulher”. apadrinhamento – tanto como afilhado quanto como padrinho – tem tido um papel importante em minha jornada. O conceito de apadrinhamento tem ajudado a moldar o programa de Narcóticos Anônimos que conhecemos hoje. Podemos tentar atravessar algumas de nossas dificuldades sozinhos. as ligações diárias me ajudaram a aprender como pedir ajuda. aceitação e união. No entanto. e o 24 . muitos de nós encontram alívio do vazio criado pela nossa doença. mas eu me permito.

Quando ela ouviu meu Quinto Passo obsessivamente longo. Nenhuma outra coisa me fez sentir tão aceito e amado como o apoio de meu padrinho”. e mais tarde em minha recuperação. Às vezes nos encontramos só para nos divertirmos. ela foi carinhosa e falou que eu tinha feito um bom trabalho.compromisso que eu fiz de ligar para meu padrinho diariamente. Hoje. Agora busco dela conselhos e encorajamento para continuar me arriscando e crescendo. Ela me apoiou quando mudei de carreira. “Meu relacionamento de apadrinhamento mudou com o tempo. quando ela está tendo dificuldade. ajudou a tornar o passeio de montanha russa mais brando. 25 . Quando era nova e estava perdida. minha madrinha me dava direções claras e muito amor. nos tornamos amigas. ela me liga para chorar”.

mas temos medo de pedir quando primeiro ficamos limpos. Recuperação é.Um Adicto Ajudando ao Outro Apadrinhamento pode oferecer a ajuda que tão desesperadamente precisamos. Ficar limpo e freqüentar reuniões de NA não significa que nossas vidas se tornarão livres de dificuldades enquanto nossos problemas vão desaparecendo. um processo dolorosamente lento. Se quisermos melhorar. Se fosse simples assim. freqüentemente. as salas de NA não poderiam conter a multidão de pessoas que buscariam recuperação! Os anos que passamos praticando comportamentos auto-destrutivos e vivendo em prisões auto-impostas de medo. e termos mente aberta e boa vontade. ódio próprio e desespero tornaram muitos de nós raivosos e desconfiados. precisamos fazer um esforço para sermos honestos. Esses velhos hábitos não somem com um passe de mágica. Trabalhar com um padrinho pode facilitar nosso aprendizado deste novo modo de vida. “Não posso expressar a importância de meu primeiro 26 .

oferecendo uma mão que se estendia para dentro do meu inferno pessoal e me ajudou a ficar de pé sozinho novamente”. Foi muito importante que ele não me julgava. o maior benefício de ter um padrinho é que eu tenho a chance de aprender como viver a vida através dos Doze Passos. Tenho certeza que meu padrinho não sabe de quantas formas e 27 .padrinho – aquela primeiríssima pessoa que estava preparada para me ouvir e me deixar chorar pelo telefone. Para mim. Tenho confiado em meu padrinho para me aconselhar e ajudar quando não sei o que fazer. Lá estava alguém para me guiar na minha escuridão. “Sei que ter um padrinho ainda é vital para minha recuperação. e que ele podia compreender como eu me sentia através da própria experiência dele.

Meu padrinho tem me mostrado muita compaixão. mas eu o faço. e tento repassar esses princípio espirituais aos meus afilhados. Cuidadosamente baixando nossas defesas. nos abrimos para outro adicto. fazer o que não podíamos fazer sozinhos. “Sendo um adicto muito independente e autosuficiente. por nós mesmos. o valor terapêutico de um adicto ajudando o outro. tenho aprendido muito sobre a necessidade de usar meu padrinho e pedir ajuda. Temos agora a oportunidade de experimentar. Aprendemos que é possível com a ajuda de outros.” 28 . amor e tolerância. Nem sempre é fácil.quantas vezes ele me ajudou ao longo dos anos”. e começamos a quebrar os padrões de isolamento emocional e falsa independência que marcaram nossas vidas por tanto tempo.

e com 42 anos. Alguns de nós sentimos um elo de confiança com nosso padrinho ou afilhados imediatamente. Eu o deixei entrar em minha vida e me conhecer bem. enquanto outros constroem confiança através de empatia e amor incondicional. pela primeira vez em minha vida. para muitos de nós. a confiar em alguém e honestamente falar 29 . eu podia ter um relacionamento íntimo com outro homem.“O que foi mais importante para mim com meu primeiro padrinho foi. pode ser nosso primeiro relacionamento que envolve confiança e intimidade – isto é. honestidade verdadeira e proximidade a outra pessoa. Apadrinhamento. que pela primeira vez. para que ele pudesse me confrontar quando eu agia mal. Esse elo pode ajudar a nos livrar do isolamento e da falta de confiança que fazem parte da enorme obsessão e compulsão da adicção ativa. “Trabalhar com meu padrinho me permitiu. Eu podia dizer que o amava e precisava dele em minha vida”.

“A primeira vez que aprendi a desenvolver confiança em outra pessoa foi quando arrumei uma madrinha (me tornei madrinha). e ainda sinto”. nem me fazia sentir mal. 30 . e foi o primeiro passo para quebrar meu isolamento. Parei de me sentir sozinho. Me senti apoiado. Nesse relacionamento. “Partilhar meus segredos com meu padrinho foi a primeira ação de confiança e humildade por minha parte. Minha madrinha não me culpava. desesperançado e perdido. ou me falava que eu estava errada. aprendi a confiar e aprendi a ser confiável”.com outra pessoa sobre mim. comecei a ter objetividade e uma perspectiva equilibrada a respeito das situações em minha vida”. Conforme o tempo foi passando.

muitos de nós começamos a encontrar conforto na identificação que achamos em Narcóticos Anônimos. nos reunirmos com família e amigos. Podemos arranjar empregos. Experimentamos o amor incondicional e uma conexão com outras pessoas. Escrever os passos tem sido uma parte muito importante da minha recuperação. O relacionamento entre padrinho e afilhado pode se tornar um sistema de apoio mútuo. e o amor e 31 . essa é a primeira vez que temos a oportunidade de nos tornarmos parte da sociedade. companheirismo e responsabilidade que esse relacionamento geralmente oferece. Começamos a apreciar a generosidade.Quando a solidão e alienação da adicção começam a amenizar. As habilidades que aprendemos no apadrinhamento podem nos dar a oportunidade de participar em nossas próprias vidas novamente. e realizar sonhos perdidos. Para alguns de nós. “Hoje. apadrinhamento evoluiu a um nível muito mais profundo do que eu jamais imaginei possível. voltar à escola.

cuidado que meu padrinho demonstra quando falamos sobre o que eu escrevi têm me ajudado tremendamente nas áreas de honestidade e confiança. O elo que nós temos como resultado de trabalhar os passos tem sido extremamente poderoso”. “Quando primeiro cheguei a NA, senti que ninguém podia compreender os sentimentos intensos de desespero, falta de esperança e vergonha que eu sentia. Em minha primeira reunião, conheci um homem que logo se tornaria meu padrinho. Ele me deu um folheto e pediu que eu lesse a parte ‘Quem é um adicto?’. Conforme eu lia, comecei a sentir aquele medo que carregava por tanto tempo, se amenizar. A simples sugestão de um companheiro adicto foi o início de um relacionamento profundo e amoroso com respeito mútuo e partilhas honestas”.

32

“Não conseguia entender porque meu padrinho era tão feliz e contente com todas as coisas pequenas em sua vida. Ele posteriormente me contou que é mais importante contribuir do que exigir. Depois, eu entendi que isso era a chave para me tornar parte da sociedade”. Nosso trabalho com padrinhos e afilhados freqüentemente ajuda a dar sentido para muitas das nossas experiências – passadas e presentes. “Me lembro do primeiro Quinto Passo que fiz com uma madrinha. Partilhei meus segredos mais profundos e sombrios. Achei que minha madrinha não ia querer mais nada comigo. Ela, no entanto, partilhou parte de seu passado comigo, e eu percebi que eu não era a pior pessoa na face da terra. Na verdade, minha madrinha me ajudou a ver que algumas coisas, das quais eu
33

tinha mais vergonha – algumas das minha experiências sexuais – nem eram minha culpa”. Através do percurso de trabalhar e vivenciar os Doze Passos e as Doze Tradições, a ilusão de auto-suficiência pode ser suavemente quebrada, enquanto nos tornamos mais responsáveis por nossa própria recuperação. Ao partilhar honesta e abertamente, ambos o padrinho e o afilhado começam a aprender um com o outro. Percebemos que não mais estamos sós e não precisamos encarar o processo de recuperação sozinhos. “Meu padrinho é um professor, um exemplo, alguém em quem confio, um ouvinte, um confortador, um espelho, e dispensa a verdade que ele vê em mim. Ele é um barômetro para minha recuperação e, de acordo com o quanto eu permito, é a voz da razão quando estou tomando decisões difíceis e confusas”.
34

“Apadrinhar outros reforça minha recuperação e mantém minha gratidão viva através da partilha de minha recuperação. Serviço abnegado é o antídoto para o egocentrismo, que é o centro de minha doença. Se eu sugerir que um afilhado vá a uma reunião ou escreva algum passo, é mais provável que eu faça o mesmo”. “Ter um padrinho me deu um senso de responsabilidade. Esse relacionamento tem ajudado a reconquistar a confiança em outros seres humanos. Tenho aprendido ao longo dos anos que posso falar com meu padrinho em completa confiança sobre qualquer coisa que eu pensar ou fizer. Ele mantém o anonimato que nós temos, e não me julga”. O relacionamento de apadrinhamento é humanidade em ação, providenciando compaixão e apoio, não

35

importando as experiências de vida que cada membro pode estar atravessando. “Ainda preciso de uma madrinha após tantos anos no programa. Hoje os tópicos não são como ficar limpa, etc., mas mais os problemas cotidianos que aparecem como resultado de ficar limpa. Muitas vezes descubro que ainda acredito na ilusão de que ficar limpa significa automaticamente viver uma vida livre de problemas. E, na maioria das vezes, descubro através de partilhar com minha madrinha, que tenho uma vida normal, como qualquer outra pessoa que não usa drogas”. Durante nossa adicção ativa, o único compromisso que a maioria de nós tinha era o de conseguir e usar mais drogas. Em NA, muitos de nós assumimos o compromisso de trabalhar com um padrinho e, mais tarde, um afilhado. Não mais fugimos de nossas responsabilidades. Cumprir com nosso compromisso de apadrinhamento pode
36

nos ajudar a sentir o valor próprio que vem de encararmos nossos medos.

“Pedir que alguém me apadrinhasse foi um grande compromisso para mim. Significa que eu ia ter que fazer mais do que falar sobre minha recuperação. Eu ia pedir que alguém se comprometesse comigo e isso era assustador. Tinha tanta dificuldade em confiar nos outros, mas no final percebi que meu grande problema era coragem”. “Meu compromisso com apadrinhamento ajudou a me tornar uma pessoa amorosa, digna de confiança e apoio. Antes de assumir a responsabilidade de ser uma madrinha, eu era egoísta, egocêntrica, e só pensava em mim. Como resultado do meu trabalho com minhas afilhadas, descobri o verdadeiro sentido de
37

não só 38 . ouço com mente aberta e coração aberto. Hoje sou comprometida com minhas afilhadas. Por alguma razão. Mais importante é o meu compromisso em guiá-las através dos passos e apoiá-las em seus processos de recuperação”. e sentimentos podem ser feridos. a maioria de nós descobre que a “cura” emocional e espiritual que pode vir de partilhar com um padrinho/afilhado vale a pena o esforço.compromisso. Às vezes. Mal-entendidos podem surgir. compartilho suas alegrias e tristezas. aceito e respeito-as exatamente como são. Alguém que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação Um padrinho/madrinha pode ser um mentor. amo incondicionalmente. o relacionamento padrinho/afilhado pode ser desafiador. Porém. professor e confidente. podemos sentir que nossas necessidades não estão sendo atendidas.

para alguns membros. e. minha madrinha foi a primeira pessoa que eu permiti que visse o verdadeiro eu. e outras tribulações da vida. as Doze Tradições e os Doze Conceitos.para aqueles que são novos no programa. “Para mim. Ela é meu banco de memória de experiências. É importante ter alguém para 39 . Outros membros procuram um padrinho estritamente para conhecimento sobre e orientação através dos Doze Passos. Não importa como entendemos o papel do padrinho. mas para membros com tempo limpo significante também. Apadrinhamento pode nos ajudar a aprender maneiras saudáveis de viver e oferecer um santuário de apoio e empatia durante tempos de luto. que celebram nossa vida e nossa recuperação. detalhes e padrões. perda. podemos todos concordar sobre uma coisa: um padrinho é “alguém que acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação”. Um padrinho pode ainda participar em nossas experiências alegres.

e preciso poder partilhar essas coisas e sentir-me confortável o suficiente para permitir que meu padrinho revele coisas para mim”. além de respeitálo – e isso é importante também. Dois corações são sempre melhores do que um só”. “Meu padrinho é alguém em quem confio. “Estava no início de minha recuperação quando meu pai morreu. e senti que elas iam me 40 . Me vi frente a frente com muita dor e raiva.quem posso jogar minhas idéias e mudanças possíveis. Estava desolada e me senti totalmente impotente. e ela os jogará de volta. Eu o adorava. Meu padrinho é alguém com quem posso ser honesto e para quem posso me revelar. Algumas das coisas que aprendo sobre mim mesmo me chocam. Essas emoções se tornaram entidades vivas para mim. Ele era o mundo para mim.

Nem é que ela me disse alguma coisa profunda. “Em recuperação eu tenho experimentado uma gama de sentimentos que eu me recusava a reconhecer. O elo que freqüentemente se forma entre um padrinho e afilhado pode ser poderoso. não tinha a 41 .consumir. Quando começamos a viver sem o uso de drogas. conforme cada membro pode partilhar e identificar-se com muitos dos mesmos sentimentos. Mas. e como resultado. vemos que o apadrinhamento pode oferecer uma amizade e conexão espiritual com outros adictos. minha madrinha me ouviu – a qualquer hora do dia. que podem ter experimentado muitas das mesmas emoções e circunstâncias que nós. Esses sentimentos me fizeram sentir que eu não era importante. Eu não me valorizava. era mais sobre ela estar lá e me ouvir e amar durante tudo isso”.

Através do amor e orientação do meu padrinho. A atração inicial para mim era não ter que fazer tudo sozinho. O que aprendi através do apadrinhamento não tem preço. e pedir ajuda. Eu tinha a amadrinhado por muitos anos. e nosso relacionamento se tornou realmente uma via de mão dupla. e o que eu precisava para conseguir tudo isso. “Minha afilhada e eu passamos por divórcios na mesma época. Aquela época era um dos momentos mais difíceis de minha recuperação. Meu padrinho me ajudou a expressar-me honestamente. e a beleza verdadeira está em partilhar essas experiências com meus afilhados”.habilidade de colocar limites. que tipo de pessoas eu queria em minha vida. e aprendi que não tinha problema não saber algumas coisas. mas falar com ela e escutar 42 . adquiri uma idéia de quem eu era.

por exemplo. que nos torna todos iguais em NA. Temos que perceber que um padrinho é um adicto praticando serviço abnegado e não um profissional num emprego. Isso se baseia em nosso alicerce espiritual de anonimato. Partilhávamos uma com a outra. advogados. mas não devemos esperar que nosso padrinho ou afilhado nos preste serviço profissional de qualquer tipo. Às vezes precisamos buscar ajuda profissional de algum tipo. mas simplesmente a de um adicto partilhando de seu coração e levando a mensagem. a responsabilidade de um padrinho não é a de um profissional. 43 . chorávamos juntas. No entanto. Alguns membros trabalham profissionalmente como terapeutas. ou médicos. e dividimos insights e ferramentas”.ajudaram a amenizar. Escolhemos um padrinho baseado em sua recuperação em NA. Podemos discutir essa necessidade com nosso padrinho.

e nutri nosso 44 . mas não me envolvo em assuntos fora de NA nem faço favores especiais. e às vezes se aproximavam de mim para facilitar sua admissão a uma clínica de tratamento. Por muito tempo eu pude ficar limpo. me envolver em serviço. posso apadrinhá-los. talvez. mas eu ainda me sentia sozinho e vazio por dentro. Quando permiti que um padrinho entrasse em minha vida. Isso torna nosso relacionamento na irmandade mais igual e menos aberto a complicações”. “Os benefícios de ser apadrinhado tem me servido bem nesse programa.“Membros da irmandade em minha área sabem que trabalho no setor de recuperação de dependência química. Digo a eles que estou em NA para me recuperar. Eu deixo meus limites bem claros. e participar em várias funções. ir a reuniões.

É importante para padrinhos manterem sua própria identidade e serem responsáveis por sua própria recuperação. Muitas vezes dizemos “só podemos manter o que temos ao dar para outros”. Apadrinhamento pode ser uma oportunidade para praticar os princípios do programa de NA em todas as nossas atividades. mas também é verdade que temos que ter nossa própria recuperação para poder “dar”. e não a bagunça de nossa doença. Queremos nos assegurar que levamos a mensagem de recuperação aos nossos afilhados. onde cada pessoa. e minha recuperação deslanchou. e vice-versa.relacionamento como parte do meu processo. da qual o Texto Básico fala me ajudou mais do que qualquer médico ou terapeuta poderia ter ajudado naquele ponto em minha vida”. está recebendo o melhor que cada uma tem a oferecer. 45 . idealmente. não as de seus afilhados. comecei a crescer e mudar. Acho que a linguagem sem palavras da empatia.

e sempre que alguma delas ligava. Engraçado com quando eu dediquei mais tempo à minha própria recuperação. Estava apadrinhando várias pessoas. diminui minha freqüência a reuniões porque senti que estava muito ocupada. me senti menos estressada e não via a hora de chegar um intervalo nos meus estudos para falar com uma afilhada”. eu me sentia como se fosse um peso. nem lia muito. No final da ligação. O Décimo Segundo passo em ação Apadrinhamento muitas vezes se torna parte do serviço abnegado do qual 46 . então estou passando minha doença aos meus afilhados”. Não ligava para minha madrinha com muita freqüência. eu estava estressada e sem energia. “Quando voltei a estudar.“Se eu não cuidar de minha doença em minha própria recuperação.

“Para mim. Parte disso envolve um compromisso de trabalhar com outros e providenciar um sentido de aceitação através de empatia e compreensão. “Meu padrinho cria uma atração para mim. não há pressão maior do que um afilhado dedicado que trabalha os passos com paixão. Me sinto obrigado a fazer o melhor que posso em minha própria recuperação. pois eu estava no lugar deles em algum momento de minha recuperação”.ouvimos no décimo segundo passo. compaixão. Muitos membros acreditam que o apadrinhamento é uma oportunidade de levar a mensagem de recuperação e praticar os princípios encontrados no programa de NA. Sinto empatia pelos meus afilhados quando fazem tantas perguntas e se esforçam para aprender e entender o cominho de NA. Sinto também. O caminho que ele percorreu antes de mim me trouxe a ele nesse 47 .

Através da partilha de sua experiência. Após passar muitos anos na adicção ativa. já que minha bagagem tende a 48 . Simplesmente. Ele leva uma vida simples e calma. Um padrinho pode providenciar uma perspectiva mais objetiva sobre nossa realidade. e trabalhando com. Ele é sereno. muitos de nós não sabiam quem eram ou como nos tornarmos membros produtivos da sociedade. sólido e espiritualmente equilibrado. um programa sólido e trabalha conscientemente os Doze Passos. força e esperança. “Meu padrinho me dá uma perspectiva totalmente diferente da minha vida. padrinhos podem guiar afilhados na construção de um alicerce em recuperação. um padrinho pode acalmar a confusão que muitos de nós experimentam quando ficam limpos.momento centrado. quero o que ele tem a oferecer”. Achando.

Finalmente. comecei a sair com um homem ‘bom’ que não teria pensado em sair antes. e como resultado. eu aprenderia a parar de tomar decisões péssimas – que eu viria a apreciar o amor verdadeiro e o apoio que eu poderia vir a ter num relacionamento.influenciar minha perspectiva e minha percepção”. minha madrinha meio que me ‘falou um monte’. “Cedo em minha recuperação. Estamos juntos a 16 anos”. tinha uma ‘reputação’ por causa de meu comportamento com homens. ao longo do tempo. Aquela conversa foi um momento de virada. como resultado de trabalhar os passos com ela. quando tinha alguns anos limpa. 49 . Eu estava lhe contando como eu gostava dos ‘homens maus’ e ela sacudiu a cabeça. dizendo que o desejo dela para mim era que.

Ela me deu a base de compreensão de NA e os Passos. outros simplesmente agem pelo poder de exemplo. Alguns padrinhos encorajam aqueles a quem apadrinham a se envolverem formalmente na estrutura de serviço de NA. e nesse relacionamento podemos a aprender como expressar nossa gratidão através do serviço seja ele formal ou informal. dando deles mesmos e não esperando nada em troca. Apesar dela não ser mais minha madrinha. trabalhar com um padrinho pode começar a nos mostrar a importância do serviço. carinhosa e amorosa que sabia exatamente quando segurar minha mão e quando largá-la. ainda é uma parte 50 . Ela plantou em mim a importância de ‘devolver’ a NA através da estrutura de serviço. Tradições e Conceitos. O apadrinhamento é uma espécie de serviço abnegado.Além de nos ajudar a nos enxergarmos mais claramente. “Minha primeira madrinha foi a alma mais maravilhosa.

mas ele nunca perdeu a oportunidade de me encorajar a servir. Lembro quando eu era novo no programa. Um padrinho é simplesmente um adicto em 51 . é um relacionamento-em-progresso. eu fui a uma reunião e um companheiro ingressou.ativa de minha recuperação e uma amiga querida”. Apadrinhamento. Agora faço bastante serviço formal. como muitas aspectos de nossa vida em recuperação. Depois da reunião. mas sim com a boa vontade de dar”. mas ele me demonstrou que nunca era cedo demais para começar a ‘dar livremente’. “Meu primeiro padrinho não estava muito envolvido na estrutura de serviço. mas aprendi muito daquele primeiro padrinho sobre o espírito do serviço e como não tem a ver com um encargo específico. meu padrinho perguntou ‘Você deu seu telefone àquele companheiro?’ Não achava que eu tinha muito a dar.

É um presente maravilhoso poder ajudar aos outros e me abrir para que os outros possam ver quem eu sou. precisamos manter em mente que padrinhos não são Poderes Superiores. mas sim. força e esperança. que não poderíamos ficar limpos sem a orientação e apoio de nosso padrinho. e ainda ter fé. e trabalhar para manter o foco na solução ao invés do problema”. 52 . como eu tenho. isso é uma grande lição. não um perito infalível.recuperação. Enquanto muitos de nós sentimos. confiança e esperança. “Tenho tido afilhados ao longo de minha recuperação. às vezes. forças e fraqueza. “Meu padrinho é um ser humano que tem alegrias e tristezas. e defeitos de caráter com os quais ele tem dificuldades. para ver outra pessoa ter dificuldades às vezes. adictos partilhando sua experiência. necessidades e sonhos. Para mim.

quando me perco em mim mesmo. Trabalhar os passos com eles é nada mais do que eu mesmo trabalhar os passos. Eles me ensinam sobre confiança e compromisso. A simplicidade do relacionamento padrinho/afilhado – aquele de um adicto ajudando outro – pode ajudar ambos os membros a entrar em contato com sua própria humanidade enquanto passando pelas dificuldades da vida. Isso faz parte da via de mão dupla: o dar e receber que faz do Décimo Segundo 53 . É uma lição de humildade no serviço.Freqüentemente. A mensagem de recuperação não vem só do padrinho. Muitas vezes seus problemas são meus. meus afilhados me ajudam a sair disso. Tenho aprendido através deles que não sou o único que tem dificuldades ou o único que está perdido e tem medo”. em muitos casos o afilhado partilha insights e sabedoria. juntos. Muitas vezes meus afilhados têm mais respostas do que eu. e suas soluções são minhas também.

Quando meus afilhados partilham os 54 . Levar a mensagem a outros adictos e dar livremente o que nos foi dado livremente não é só uma honra e privilégio. “A importância de apadrinhar outros é que me ajuda a me envolver mais com. e conhecer mais sobre. “Quanto a ser um padrinho. tento incorporar as coisas que aprendi sobre como eu gosto de ser apadrinhado em meu apadrinhamento. Tenho que estar trabalhando meu programa pessoal para poder oferecer algo aos meus afilhados”. é também essencial para enriquecer nossa condição espiritual. “Recentemente tive um afilhado partilhar honestamente um assunto sobre o qual eu mesmo não tinha sido honesto. os Doze Passos e as Doze Tradições.passo uma parte necessária do processo de recuperação. O quanto isso vale para o meu programa? Vale ouro”.

Minha madrinha e afilhadas têm me ensinado sobre a importância de ter relacionamentos com outras mulheres e como amar e ser 55 . é a coisa mais importante em NA. Aprofunda minha apreciação do que me foi dado”. Uma das maiores dádivas em recuperação é encontrar as semelhanças em nossas jornadas e aprender sobre nossas diferenças.passos comigo. junto com reuniões. Preciso ser humilde para ligar para minha madrinha e pedir ajuda. Apadrinhamento me ensina humildade. Preciso também ser humilde em relação a minhas afilhadas estando disponível e ouvindoas sem ser julgadora ou controladora. apadrinhamento. “Para mim. Acho que a lição mais valiosa que o apadrinhamento me dá é a oportunidade de praticar o amor incondicional. partilho minhas próprias experiências com passos também.

NA funciona por causa da ajuda que damos uns aos outros. Muitas vezes ouvimos dizer que Narcóticos Anônimos é um programa “nós”. preocupados somente com nós mesmos. que passamos tanto tempo de nossa vida recebendo. Nós. 56 .amada pelo meu próprio gênero. aprendi a me amar”. Com isso. e o apadrinhamento para muitos de nós. E a melhor ajuda que um adicto pode receber vem de outro adicto em recuperação. acordamos para um mundo de possibilidades quando nos abrimos para as dádivas que o apadrinhamento pode nos dar. está no centro de um senso de comunidade e apoio mútuo.

O programa de NA ensina conceitos e princípios dos quais a maioria de nos não tinha conhecimento durante nossa adicção ativa. Esses conceitos podem contrariar nossa maneira de encarar o mundo. Ouvindo o que outros membros dizem sobre “trabalhar” e “praticar” os passos e tradições ou desenvolver contato consciente com um Poder Superior pode nos encher de confusão e suspeita. Podemos não querer aprender a viver 57 . Sabemos que não será fácil parar de usar drogas.CAPÍTULO DOIS PARA O AFILHADO Porque adictos buscam um padrinho Temos aprendido de nossa experiência como irmandade que precisamos fazer mais do que apenas assistir às reuniões de Narcóticos Anônimos. Agora. mas não percebemos que viver uma vida em recuperação requereria tanto esforço. estamos em território desconhecido. limpos e novos a NA.

e partilharam sua compreensão do programa. tanto como outros adictos em recuperação que eu conheci. E funcionou: tenho tido muito mais do que simples abstinência”. com o tempo. Foi difícil no início. e fiz o mesmo com as tradições. Ter um padrinho ajuda muitos de nós a aprendermos sobre o programa de NA e adquirirmos “insights” sobre nós 58 . trabalhei-os com um padrinho. Tudo o que queria era só parar de usar. encorajamento. “Quando cheguei a NA. não tinha idéia do que era o programa. li os passos. Tudo o que queremos é parar a dor e o ciclo horroroso de desespero e remorso causado por nossa doença. me deram amor incondicional. mas meu padrinho. A ultima coisa que muitos de nós esperam fazer ou saber fazer quando ficamos limpos é “trabalhar” nesta coisa chamada de recuperação. Mas.com integridade ou nos oferecermos em serviço abnegado a outros adictos.

fazendo algumas reparações ou entregando minha vida e minha vontade aos cuidados do meu Poder Superior. Precisava de alguém que estava do lado de fora do meu processo de tomada de decisões para me dar um empurrão que eu precisava na direção certa”.’ quando nunca tinha feito nenhuma dessas coisas antes. Isso é verdade tanto para aqueles de nós que são novos ao programa. como para o membro que já acumulou algum tempo limpo... que seria difícil fazermos sozinhos. e ainda alguém que pode partilhar novas idéias conosco e nos oferecer direção quando pedimos. Um padrinho é alguém com quem podemos partilhar nossos segredos profundos e escuros. acho que gostaria de tornar minha vida muito melhor escrevendo um inventário. “Não acordei um dia e disse: ‘Puxa.mesmos. nosso padrinho/madrinha é a pessoa para quem podemos ligar quando temos vontade de usar. 59 . Mais importante para muitos de nós.

Muitos de nós escolhemos nossos padrinhos pela honestidade ou profundidade de suas partilhas. Freqüentemente. temos simplesmente um sentimento intuitivo que alguém é o padrinho certo para nós. Podemos ter históricos ou outras características em comum. Em quem poderia confiar nesse nível? Não queria saber sobre os passos. Ele me disse ‘Se é para você ir preso. talvez é onde deveria estar. Precisava que ele me dissesse isso. Era para eu ir preso por muito tempo. Às vezes.’ Eu queria responder ‘Quem pediu a sua opinião’? mas pedi para que ele fosse meu padrinho.“Lembro quando escolhi meu primeiro padrinho. Era exatamente o que eu buscava”. Precisava achar aquela pessoa em quem podia confiar 15 minutos antes de usar ou 15 minutos depois de ter usado. que pode nos levar a ter uma 60 . um elo especial se forma. permitindo que confiemos mais nas sugestões que eles oferecem.

Mas. Ela pediu que ficasse junto com ela. Ela ainda é a mulher que quero ser quando eu crescer. Até o sábado de manhã. ela me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa que eu tinha conhecido. “Acredito que minha madrinha hoje (e há sete anos) foi enviada por Deus! Nos conhecemos em uma convenção. Fiquei chocada! Ela mal me conhecia. e ficamos conversando o final de semana inteiro. ela me desafiou abertamente quando deixei passar um comportamento inadequado que estava tolerando há tempos. Mais tarde naquela noite. eu sabia que queria que essa pessoa me guiasse em minha recuperação. de um membro do meu grupo de apoio. na verdade.profunda conexão espiritual com nosso padrinho. Mas nunca quero me vestir como ela!” 61 .

Mais uma vez. mas quando preciso de atenção especial. tinha a tarefa de achar outra madrinha. Posso ir a reuniões e coletar experiência. minha madrinha se mudou para outra cidade. força e esperança da irmandade. meu padrinho é aquela pessoa a quem posso levar minhas perguntas pessoais – aquelas que poderiam me envergonhar ou aquelas de natureza muito particular. simplesmente perguntei se ela havia trabalhado os passos e 62 . meu padrinho é o adicto em recuperação especial enviado pelo Deus da minha compreensão”.“Para mim. “Alguns meses antes do meu terceiro ano limpa. Não pensei em minha decisão antecipadamente. em busca de sua carreira. Ela parecia segura e confortável. Escolhi uma mulher que havia me confortado uma noite quando eu estava mal.

então muitos dos membros eram bem próximos. Quando chegamos ao programa. e assim por diante. Só tínhamos sete reuniões naquela época. um padrinho pode facilitar o processo de ficarmos confortáveis com fazer parte da irmandade de NA. Ela ficou maravilhada’. Desenvolver um relacionamento com um padrinho pode nos fazer sentir parte de algo maior do que nós. Trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a entender aspectos do programa que podem ser confusos para nós: que tipo de coisas queremos partilhar nas reuniões e o que é melhor ser discutido particularmente. quando estamos prontos para aceitar certos compromissos. “Fiquei limpo numa pequena área de NA. Meu 63 . Era como uma família grande e no início me senti um estranho.depois pedi que fosse minha madrinha. Nosso padrinho pode nos apresentar a outros membros que têm mais tempo limpo ou que tiveram experiências de vida semelhantes.

“Quando eu era nova no programa. Foi tão confortante que logo comecei a me sentir parte do grupo. Me tornei membro regular. Apadrinhamento é tão vital para membros que estão na irmandade há vários anos quanto para aqueles que são 64 . Senti que fazia parte da irmandade e aprendi muito a respeito”.padrinho me convidava para ir quando o grupo saia para tomar café ou comer. muitas das pessoas no comitê se tornaram meus amigos. Eu fui e descobri que gostei do serviço e das pessoas prestando o serviço. Foi a primeira vez que senti que pertencia”. Ele sempre me incluía nas conversas. como minha madrinha. e logo. Aprendi a trabalhar com outros. minha madrinha me convidou para uma das reuniões do comitê de serviço que traduzia literatura de NA para nossa língua.

mais ferramentas teremos e mais rica nossa vida espiritual pode ser tornar. Enquanto o programa de Narcóticos Anônimos pode ser simples. mais mágicos e místicos os passos se tornam. É como olhar as nuvens e vêlas se tornarem centenas de rostos e imagens. “Continuando a ficar limpo em NA.novos no programa. seus princípios têm uma riqueza que se aprofunda conforme nossa recuperação amadurece. Vejo os passos assim – mudando conforme cresço e evoluo em minha recuperação. Quanto mais tempo ficarmos limpos e trabalharmos o programa. vim a acreditar que uma das minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação é crescer através do aprendizado de novas idéias e experimentando-as através de ação”. Assim como nossa doença é progressiva. Estou 65 . nossa recuperação também é. “Quanto mais tempo fico limpa.

Agora. e assim por diante.fazendo os passos novamente com minha nova madrinha. meus sonhos. o que quero para mim. e sei que será uma jornada emocionante. 66 . Era um ateu evangelista. anos depois. meu padrinho me ajudou a ver que mente aberta vai muito além de minhas idéias a respeito de Deus ou um Poder Superior. pensava sobre mente-aberta somente em termos de meu sistema de crenças. Amo minha vida hoje. englobando idéias sobre o que me faz feliz. Rezo para que eu nunca veja os passos ou a mim mesma como um trabalho ‘completo’”. e nada nela é como eu poderia ter imaginado ou sonhado para mim se eu não tivesse aprendido a me abrir a possibilidades novas”. e tinha que trabalhar duro para ouvir com mente aberta o que os outros tinham a dizer em reuniões. “Quando era novo em NA.

mas eventualmente – parei de ligar para meu padrinho. mas eu não tinha um padrinho. eu lentamente . e obviamente não tinha um programa. estou num hotel em uma cidade conhecida por seu brilho e jogatina com estranhos que estão se drogando. e não somos libertados dos problemas da vida simplesmente porque estamos limpos há alguns anos. Tudo isso aconteceu com nove anos limpo. Ter um padrinho durante tempos difíceis tem valor enorme. A próxima coisa que eu sei. Tempo limpo não significa sempre que um membro entende facilmente os princípios do programa de NA.Membros com tempo limpo razoável podem se ver tão vulneráveis quanto recém-chegados ao encarar certas incertezas em suas vidas. Nossa doença não some. Meu padrinho (hoje) partilhou 67 . Estava verdadeiramente perdido. “Após sete anos sólidos de trabalhar o programa e os passos com um padrinho.

Muitos membros olham ao padrinho para ajuda em aceitar os desafios e 68 . é uma madrinha ou um amigo muito próximo que estende a mão para mim e me leva de volta “para casa”. às vezes. Acho que passei tanto tempo nos meus dias de uso me machucando que quando cheguei a NA totalmente quebrada e cabisbaixa. Sempre reagi bem à amizade e carinho das pessoas.comigo que meu Poder Superior me ama muito e que eu fui o cara mais sortudo por sobreviver a minha jogatina sem desastre!” “Houve épocas em recuperação onde me sentia perdida ou abandonada ou como se tivesse perdido minha conexão com Deus e NA. E. Mas eu fui ensinada que a porta está sempre aberta. o que realmente precisava era me sentir amada e aceita independente de quem eu era ou o que tinha feito”.

Um padrinho pode oferecer sugestões sobre como lidar com “os destroços de nosso passado” e os desafios de nosso presente. “Quando minha irmã morreu de overdose há cinco meses. Ele apareceu de surpresa no funeral dela só para me apoiar. Sei que largar tudo e pegar um vôo para estar ali apoiando alguém não está na ‘descrição do encargo’ de um padrinho. mas quando eu ligava para ele parecia que ele estava ali ao meu lado. 69 . estava arrasado pela perda.obstáculos que às vezes nos encaramos enquanto aprendemos a viver uma vida limpa. mas nunca encontrei as palavras para dizer o quanto significou para mim tê-lo perto naquele momento e quanto me ajudou a atravessar meu luto”. Moramos a 640 quilômetros um do outro. Meu padrinho escutou sobre minha dor e disponibilizou tempo para mim quando eu precisei.

mas conhecia 70 .“Estava à beira de um desastre financeiro quando minha ex-esposa me processou por pensão atrasada. Freqüentemente. Precisava de uma nova madrinha. “Quando estava com dez anos limpa. estava passando por dificuldades da meia-idade em relação à minha sexualidade. Isso. por sua vez. e me tornar livre para o meu futuro”. Meu padrinho me ajudou a reconhecer a importância de encarar o passado. fazer reparações com restituição financeira. Partilhar intimamente com outro membro igual a nós ressalta o fato de que os sentimentos e as experiências que temos não são tão únicos. pode ajudar o afilhado a evitar algumas das armadilhas que o padrinho já experimentou. um padrinho trilhou o mesmo caminho que um afilhado e pode partilhar seu conhecimento e experiência a respeito da situação.

eles nos conhecem cada vez melhor. Apadrinhamento pode ter um papel crucial no Segundo Passo. Isso pode ser um dos benefícios de ter o mesmo padrinho por um período longo de tempo. Então pedi a uma mulher que tinha um ano a menos em recuperação. mas sim que o apadrinhamento nos guia nas nossas tomadas de decisão e auto-compreensão. muitos creditam o apadrinhamento como fator importante em vir a acreditar que podemos ser devolvidos à sanidade. conforme os anos vão passando. Isso não significa que um padrinho é como um Poder Superior. Ela tinha procurado por amor em todos os lugares errados e havia aprendido a amar com responsabilidade”. mas tinha dez anos a mais de idade e tinha acabado de passar pela mesma coisa que eu.pouquíssimas pessoas que tinham passado por esses problemas e que tinham mais tempo limpas do que eu. Nossos padrinhos podem nos ajudar a obter uma perspectiva melhor sobre nós mesmos e nossas vidas. 71 .

Meu padrinho me lembrou que eu sou um trabalho em andamento. sem pisar nos meus calos”. Achei que havia progredido além desse tipo de comportamento. Ele me ouviu e me trouxe de vota aos passos. mas também à maneira que eu me sentia. Ela me ensinou a respeito de insanidade e me ajudou a ver onde eu estava tentando fazer as mesmas velhas (e ineficazes) coisas para resolver meus problemas.“Minha madrinha me ajudou a compreender que ‘incontrolável’ não se aplicava somente a coisas ‘externas’. eu entrei numa briga física e logo desenvolvi uma série de medos. Me vi indo em direção à solução e não mais preso no problema”. Ela fazia isso de forma amorosa. 72 . “Após muitos anos limpo.

e particularmente os relacionamentos com nossos padrinhos. “Anonimato – a condição de não ter nome – é essencial nos meus relacionamentos de apadrinhamento. Podemos ficar unidos e saber que não temos que enfrentar os desafios sozinhos. O princípio espiritual de anonimato assegura que somos todos iguais dentro das salas de NA. Muitos de nós valorizamos nossos relacionamentos em NA. Os princípios de nosso programa muitas vezes podem nos ajudar a encarar e ultrapassar nossos problemas de maneira produtiva e responsável. porém. diferentes de nossos relacionamentos fora do programa. às vezes. vemos que o que nos une é que todos buscamos recuperação. pelas formas nas quais eles são. Uma sólida compreensão da Décima Segunda Tradição significa 73 .“Meu padrinho é aquele que ajuda a segurar a lanterna espiritual para mim”. As razões pelas quais adictos procuram padrinhos são inúmeras.

em alguns sentidos. Outro. iguais. Muitos membros procuram por um padrinho. mais importante para mim.compreender o anonimato em vários níveis (deve ser importante – não só é o alicerce espiritual de todas as nossa tradições. ou até mais. é que somos todos. Meu padrinho não é uma pessoa melhor ou um adicto melhor do que eu. Uma dessas é encontrar alguém com quem nos identificamos e que “tem o que nós queremos”. queremos manter em mente algumas qualidades básicas. que eles sentem que irão aceitá-los e respeitá-los não importando o que possam partilhar. Um é que não divulgamos os segredos dos outros. Como sabemos se alguém tem “o que nós queremos”? Narcóticos Anônimos não tem regras rígidas a respeito da seleção de um padrinho. 74 . para aprender de meus afilhados do que eles de mim”. No entanto. é metade de nosso nome). tenho tanto quanto.

mas também o que sentimos que precisamos. Aqueles que são novos no 75 . o relacionamento do padrinho em potencial com o programa é a consideração mais significativa.Alguns membros simplesmente querem um guia através dos passos. Para alguns. e é comprometido com o programa. quero um padrinho que tem o que eu tenho e sabe viver com isso”. “Não quero um padrinho que tem o que eu quero. O que buscamos num padrinho no início de recuperação pode ser diferente do que buscamos mais adiante em recuperação. É importante nos perguntarmos não só o que queremos para nossa vida e recuperação. enquanto outros tentam encontrar um padrinho que será seu companheiro e amigo. trabalha os passos. participa no serviço. Eles procuram alguém que vai às reuniões. tem um padrinho/madrinha. Encontrar um padrinho com mais tempo limpo também é importante para muitas pessoas. Como com qualquer outro elemento de nossa recuperação. podemos sempre buscar orientação de nosso Poder Superior para tomar uma decisão.

podemos considerar outras qualidades pessoais. Para alguns. Como determinamos exatamente quais características sentimos que são necessárias depende inteiramente de nós. é mais importante encontrar alguém amistoso e disponível que é respeitoso e confiável. especialmente. e. é o padrinho perfeito para nós. Porque nosso padrinho é humano. Uma lista das considerações poderia continuar interminavelmente. independente disso. ele ou ela terá qualidades e defeitos. Além de olhar o que as pessoas fazem por sua recuperação. é claro. provavelmente deveriam procurar por um membro mais experiente como padrinho. Alguns de nós podemos querer alguém que nos direciona firmemente. e que tem mente aberta. Outros explicam que achar alguém divertido é tão importante quanto o resto. a não ser que não haja tais indivíduos em sua comunidade. mas que. 76 .programa. ninguém terá todas essas qualidades. Podemos achar alguém que tem apenas uma (ou nenhuma) dessas qualidades. por exemplo. Alguns procuram primeiramente por um membro que é honesto e íntegro.

No final. pedi que ele fosse meu padrinho. Quando somos novos.enquanto outros podem procurar por alguém que nos deixará tomar nossos próprios tombos. “Uma vez cheguei a um padrinho com uma lista de problemas que queria que meu padrinho abordasse. 77 . conheci um cara numa reunião. etc. e sem nem saber nada sobre ele. Queria alguém que tinha lidado com os mesmos tipos de problemas que eu tinha. etc. muitos pedimos à pessoa que nos faz sentir mais bem-vindo. Escolher um padrinho é nossa decisão. Depois de vários meses. Enquanto essas expectativas não pareciam exorbitantes. etc. Queria alguém que fosse gay como eu. Queria alguém cuja visão do programa era semelhante à minha. Queria alguém que tinha mais tempo limpo do que eu. não consegui encontrar ninguém que preenchia os requisitos.

ele preenchia cada um dos meus requisitos prédeterminados. Quando pedi que ele fosse meu padrinho. Era mais uma ocasião que os planos de Deus eram melhores que os meus. “Eu já sou muito duro comigo mesmo. a 78 . O companheiro que eu finalmente pedi tinha uma barba cinza e a aparência que eu achava que um padrinho deveria ter. Ele tinha alguma coisa que eu gostava. então para mim. ele disse que iria perguntar ao padrinho dele se ele devia me apadrinhar. Eu tinha apenas que sair do caminho”. “Eu olhava bem as pessoas. Tinha tanto medo de rejeição que tinha uma lista de três pessoas que eu poderia pedir caso uma me rejeitasse. pois às vezes o que elas dizem não combina com como elas vivem. Faço a mesma coisa hoje quando alguém me pede para ser seu padrinho”.

emocionalmente e espiritualmente. não conseguia encontrar alguém que preenchia todos os ‘ideais’ em minha lista de padrinho ideal. estabilidade emocional e um bom senso de humor. Como recém-chegados ao programa de NA. podemos ser atraídos a outros membros por causa de 79 . ironicamente. e freqüentemente necessitados financeiramente. estávamos quebrados fisicamente. Simplesmente não tinha homens em minha área com mais tempo limpo.coisa mais importante tem sempre sido encontrar um padrinho gentil. Quando muitos de nós chegamos às portas do NA. meu afilhado. mentalmente. Nos primeiros dez anos de minha recuperação. Examinar nossos motivos para considerar alguém na escolha de um padrinho também é uma boa idéia. então tive que decidir o que era mais importante para mim e fazer concessões”. O único homem que preenchia essa descrição era.

suas posses ou sua aparência. Podemos ver seu “dinheiro, propriedade e prestígio” como medida de seu status e sucesso em recuperação. Podemos não compreender inteiramente que o programa de NA é trabalho interior e suas recompensas têm mais a ver com crescimento espiritual e paz mental do que estilo de vida e bens materiais. “Minha primeira madrinha tinha um carro novo, se vestia bem, e tinha uma casa maravilhosa. Achei que ela me mostraria como conseguir todas essas coisas, mas ela me levou aos passos e um despertar do meu espírito”. “Procurava alguém que tinha o que eu queira: a maior quantidade de jóias, o melhor carro, e mais mulheres. Descobri depois que eu deveria arrumar um padrinho com o que eu precisava – aceitação!”. Alguns membros tem tido experiências de relacionamento difíceis
80

com relacionamentos familiares, amorosos, no trabalho, e outros membros da sociedade antes de entrar em recuperação. Às vezes sentimentos como carência ou desespero podem nos tornar hesitantes a cometer os mesmos erros do passado, ou podem nos encorajar a desenvolver novos relacionamentos que parecem iguais aos antigos. Quando escolhemos um padrinho, podemos não identificar que tipo de relacionamento de apadrinhamento será melhor para nossa recuperação. “Meu primeiro padrinho era muito rígido, e pensei que isso tornaria mais fácil para eu introduzir disciplina em minha vida, como a criancinha que faz a coisa certa porque tem medo dos pais. Na verdade essa é a forma que eu fui criado, e estava acostumado ao abuso e ser forçado a me provar. Esse relacionamento durou dois encontros, e eu acabei chorando no meu grupo de escolha, me sentindo quebrado por causa de sua
81

crítica severa e controle. Me senti rejeitado”. “A verdade é que, quando era nova no programa, queria uma madrinha para que as pessoas parassem de me dizer que eu precisava arrumar uma. A mulher que pedi para ser minha madrinha era, de muitas maneiras, meu oposto, e achei que era isso que eu deveria querer. Era baixinha, loira e estava sempre sorrindo. Eu gostava de seu namorado, que era médico. O cabelo dela nunca estava fora do lugar, e ela era muito determinada, que eu achava legal. E, ela tinha mais que cinco anos limpa e não me tratava come se fosse idiota. O problema é que éramos tão diferentes que nenhuma das duas conseguiu aprender a entender a outra. A frase que ela mais usava comigo era ‘Estou tentando te entender, realmente estou.’, frustrada. Mas ela nunca conseguia. E eu não lembro
82

de ela ter mencionado os passos para mim, mas ela me deu um monte de sugestões práticas úteis – mais do que eu sabia na época”. Achar um padrinho pode ser um dos compromissos mais importantes que faremos em recuperação. Precisamos fazer todo esforço possível para olhar para dentro de nós mesmos, não importando a dificuldade de manter a objetividade. É claro, que porque essa escolha é tão pessoal e há tanta diversidade entre nossos membros, algumas considerações podem não ser tão importantes quanto outras para nós. Por outro lado, podemos sentir que certas características de personalidade, não mencionadas aqui, são cruciais. Independente, é importante lembrar que um padrinho é um ser humano que pode errar. “A tendência de colocar padrinhos, especialmente aqueles que apadrinham muitas outras pessoas, em pedestais, isola profundamente esses membros. A primeira vez que
83

perguntei para uma pessoa como era ter muito tempo limpo, ele respondeu ‘solitário’”. “Eu escolhi minha madrinha porque ela partilhou sobre ser humana e cometer erros, e eu achei que isso significava que ela teria que ser gentil comigo se eu não fosse perfeita. Sua filha estava na adicção ativa, e a luta obsessiva de minha madrinha para administrá-la freqüentemente significava que ela não estaria emocionalmente disponível ou que ela não retornaria minhas ligações quando queria que o fizesse. Aprendi a depender de outras pessoas para me apoiarem nessas horas, pois ela era quem eu queria que fosse minha madrinha. Apesar de ser imperfeita, às vezes louca, em minha opinião ela era gentil e amorosa e era disso que eu precisava”. Muitos de nós achamos que ajuda ter um sentido de nossas próprias
84

expectativas para o relacionamento de apadrinhamento e para ser direto a respeito dessas expectativas quando pedimos para alguém ser nosso padrinho. Para aqueles de nós que são novos no programa, isso pode ser mais difícil. Pode levar algum tempo no programa para desenvolver esse tipo de compreensão. No entanto, se, como um membro novo, precisamos de mais tempo e atenção de um padrinho, temos que aprender a pedir. Podemos querer perguntar a padrinhos em potencial se podemos ligar tarde à noite se queremos usar, e quais são suas expectativas se recairmos (eles ainda irão nos apadrinhar?). Aqueles de nós com algum tempo limpo estabelecido também têm que pedir o que precisamos. Se buscarmos ajuda com um passo ou tradição, como lidar com um encargo de serviço ou com uma situação de vida, podemos discutir essas necessidades com um padrinho em potencial. “Quando pedi que minha atual madrinha me apadrinhasse, falei com ela sobre confidência. Ela é a melhor amiga de minha chefa, e eu precisava saber
85

86 .que poderia falar com ela sobre o trabalho com certeza de que minha confidência seria mantida. podemos desenvolver a habilidade de expressar nossas necessidades. Isso é uma ferramenta que podemos usar em todos nossos relacionamentos ao crescermos em recuperação. nos tornamos boas amigas (apesar de seu ‘aviso’)”. No final. e que ela se sentiria confortável com isso. Ao aprendermos a arriscar e superar nosso medo. NA como um todo não tem opinião sobre muitos assuntos polêmicos a respeito de apadrinhamento. não significava que seríamos melhores amigas. Nossa experiência tem mostrado Enquanto a maioria dos membros de nossa irmandade podem concordar entre si sobre vários aspectos de apadrinhamento. Ele deixou claras suas expectativas e também me explicou que só porque era minha madrinha.

Entretanto. Às vezes circunstâncias especiais. porém. como serviço. no entanto. Alguns membros. freqüentemente desenvolvem crenças fortes e em muitos casos.Nossos membros individuais. um padrinho é como um “único ponto de decisão e responsabilidade” explicado no quinto conceito. é importante que nós. não façamos que qualquer grupo de membros se sinta excluído ou defender a idéia de que um método de praticar o princípio de apadrinhamento é melhor que outro. têm tido sucesso com mais de um padrinho. como uma irmandade. 87 . sentem que há uma maneira “correta” para abordar o apadrinhamento. doença ou divórcio. além de seu padrinho de muito tempo. Esses membros têm visto que ter um padrinho ajuda a manter as coisas simples e minimizar o risco de escolher entre várias respostas que recebemos. Padrinhos múltiplos A maioria de nossos membros sente que é importante ter somente um padrinho. motivam membros a procurar alguém com experiência semelhante para apadrinhar ou guiá-los.

e foi muito confuso. eu diria ‘Ah. acreditava. sentia. Paguei o preço. viver com princípios. e o outro queria que eu recomeçasse o Primeiro Passo”. “Ter dois padrinhos era confuso no começo.“Não era para eu ter dois padrinhos. Os dois queriam que eu fizesse coisas opostas. estou cuidando dessa parte com meu outro padrinho’. Um queria que eu continuasse com o Quarto Passo. Demorou mais para eu me enxergar. mas acabei nessa situação por uma semana. integridade. etc. No início. o que era importante – honestidade. mas me ajudou a decidir o quão honesto eu realmente queria ser. o que eu pensava. mas acho que o processo aconteceu no 88 . tinha saídas com os dois – se um tentasse me confrontar sobre algum defeito e não estava pronto.

Ela me trouxe às reuniões. Estava sobrecarregada e queria desistir de tudo.tempo de Deus. mas minha madrinha não tinha experiência nessa área. Minha madrinha de serviço me ajudou muito. me interessei muito pelo serviço. e eu comecei a trabalhar os passos o melhor que podia. “Achei uma madrinha antes até de ficar limpa. tinha quatro encargos de serviço que tomavam todo meu tempo. então arrumei uma ‘madrinha de serviço’. Assim que fiquei limpa. Quando completei três meses limpa. Ela disse que uma vez que tivesse me comprometido com o serviço. Aprendi tanto por ter tido dois padrinhos que só posso dizer que foi positivo”. tinha que completar o encargo ou 89 . que me guiou nessa área do meu programa.

o que estava ouvindo de meu padrinho do AA não condizia com o que ouvia do padrinho de NA. preciso falar com um carpinteiro. mas completei os outros encargos. Essa experiência realmente ajudou que eu me desenvolvesse na pessoa que sou hoje. Nenhuma dessas mulheres é minha madrinha hoje. devo falar com um mecânico. Então. A lição que aprendi era que se quero aprender carpintaria. Achei um substituto para uma de minhas posições. Se quiser 90 . tinha um padrinho em NA e um em AA.achar um substituto. e sou grata pela orientação que elas me deram nas áreas diferentes”. Logo. Se quiser aprender a consertar carros. larguei o padrinho de AA e só usei o de NA. “Quando entrei em recuperação. mas sou amiga das duas.

preciso um padrinho de NA”. Apesar dessa pratica ser popular em algumas regiões. ela é desencorajada em outras. nosso padrinho está doente ou temos que nos mudar por um período de tempo.aprender como viver o programa de NA. Podemos também pedir que alguém seja nosso padrinho temporário quando temos uma circunstância impedindo que nosso padrinho esteja disponível por um período de tempo: se. Às vezes instituições obrigam seus pacientes a arrumar um padrinho temporário. por exemplo. eles explicam. Um padrinho temporário ou de transição é alguém que pode trabalhar conosco até encontrarmos uma pessoa que sentimos que podemos pedir para ser nosso padrinho. Alguns membros sentem que ter um padrinho temporário indica falta de compromisso ou reservas. especialmente para aqueles novos no programa. uma prática denominada apadrinhamento “temporário” ou de “transição” é comum. “Essa doença não é temporária”. 91 . Apadrinhamento temporário Em algumas regiões.

“Meu primeiro padrinho temporário durou quatro anos”. “Tive relacionamentos temporários suficientes; é hora de aprender a ter relacionamentos permanentes”. “Meu centro de tratamento me obrigou a ter um padrinho, então pedi à primeira pessoa que encontrei numa reunião que fui quando internado. Ambos estávamos cientes que o acordo era temporário”. Gênero O gênero de nosso padrinho/madrinha – isso é, se eles deverão ser do mesmo sexo que nós - é outra área na qual opiniões variam de comunidade em comunidade e adicto para adicto. Muitos adictos sentem fervorosamente que um padrinho/madrinha do mesmo sexo pode melhor ajudá-los a trabalhar certas dificuldades e mais facilmente identificarse com eles e sentir empatia. Outros não
92

vêem o sexo como um fator determinante em trabalhar as questões de recuperação ou estabelecer empatia. Em algumas comunidades pequenas de NA, o número de padrinhos locais em potencial pode ser limitado, influenciando as escolhas dos membros nesse sentido. Independente do que decidirmos a respeito do sexo de nosso padrinho ou madrinha, devemos tomar cuidado para que a atração sexual não se torne parte de nosso relacionamento de apadrinhamento. “Tenho um padrinho amoroso e bondoso do mesmo sexo porque só posso partilhar algumas das coisas em minha vida que dizem respeito ao sexo oposto com alguém que se identifica. Por exemplo, ele compreende minhas dificuldades de comunicação com minha ex-mulher. Ambos temos filhos que moram com nossas ex-mulheres, e ambos temo experiência com tentar fazer isso funcionar”. “Como homem gay, tenho tido alguns tipos diferentes de
93

padrinhos. Fui apadrinhado por outro homem gay, uma mulher gay, um homem heterossexual, e uma mulher bissexual. Acredito que o sexo de meu padrinho só é importante no seguinte sentido: que ninguém deve ser apadrinhado por alguém, onde qualquer nível de tensão romântica ou sexual existe”. “Preciso de uma madrinha mulher não só por causa de dificuldades com atração sexual, mas principalmente para aprender a confiar, gostar de, e amar alguém do mesmo gênero que eu, e confiar em mim mesma como mulher”. “Sempre tive padrinhos do sexo oposto porque quando entrei em recuperação, a irmandade estava apenas começando no meu país, e não havia mulheres em recuperação. Acho que apadrinhamento pelo sexo oposto pode funcionar quando o único propósito é
94

recuperação. Minha própria experiência é que eu me aproximei de um membro por quem eu sentia atração, com a intenção de pedir que ele fosse meu padrinho. Felizmente, ele me rejeitou, dizendo que sentia atração por mim e não seria meu padrinho. Sugeriu que eu procurasse outra pessoa. Me senti muito magoada pela rejeição; nenhum homem jamais me rejeitou antes, mas foi a primeira lição em dignidade que recebi nos grupos de Narcóticos Anônimos”. “Quando entrei em recuperação e procurava um padrinho, alguém explicou para mim que ‘Recuperação não e sexualmente transmitida’; não escolha alguém por quem sente atração’”. “Percebi que desde minha infância, homens eram competidores – por atenção, em esportes, por mulheres, no
95

trabalho por uma posição, salário, etc. Agora, preciso vêlos com outros olhos. Preciso vê-los como amigos e confidentes em vez de competidores. Isso demorou um tempo. Mas uma vez que superei o medo de intimidade com um homem, minha recuperação deslanchou. Acredito que essa intimidade é muito importante para o relacionamento padrinho/afilhado”. “Quando tinha quatro meses limpa, pedi para um homem ser meu padrinho. Era minha forma de rebelar; afinal, homens e mulheres são iguais, disse a mim mesma. Achei que a sugestão de apadrinhamento do mesmo sexo só tinha a ver com sexo. Meu padrinho emprestava meu dinheiro e não me pagava depois. A gota d’água foi quando descobri que ele não pedia dinheiro a seus afilhados homens, e eu percebi que homens e
96

mulheres se manipulam de várias outras formas além de sexualmente”. E se eu não puder achar um padrinho de NA? Às vezes não conseguimos achar um padrinho imediatamente. Especialmente em comunidades mais novas ou menores de NA, pode haver poucos membros com tempo limpo significante. Em tal situação, alguns membros tem tido que achar padrinhos em outras irmandades de Doze Passos ou pela Internet, e alguns têm usado co-apadrinhamento (uma situação na qual cada pessoa apadrinha a outra) para ajudá-los em sua recuperação. Alguns desses arranjos funcionam e duram por muitos anos. “Não tinha nenhuma outra mulher em recuperação com minha quantidade de tempo limpo, então procurei uma madrinha no exterior para trabalhar os passos tradições e conceitos. Quando pedi à mulher, ela disse que tinha o mesmo problema e sugeriu o co-apadrinhamento. Desde
97

Nos escrevemos regularmente. correio e telefone. mas escrever 98 . está funcionando”. “Como moro numa comunidade de NA pequena. Escrever nos dá tempo para pensar entre comentários e isso realmente dá bons resultados.então. Percebi que tinha que encontrar outra madrinha. aí percebi que eu estava muito mais envolvida em trabalhar o programa do que ela. “A maioria de minha comunicação com meu padrinho ocorre on-line. Por agora. Ela também parou de ir às reuniões. onde não há mulheres com mais tempo do que eu. Ela me ajudou com os passos e me amadrinhou por alguns anos. e comecei a procurar em um país vizinho”. fui a outra irmandade buscar uma madrinha. No telefone posso enrolar por horas dentro da minha doença. nos comunicamos via e-mail. Mas.

Independente de. Claro. É importante que eu lembre que e-mail não é uma forma anônima ou confidencial de comunicação.. aprendemos que as qualidades particulares ou filiações de nossos membros como indivíduos. E nós dois nos beneficiamos de ter nossas conversas por escrito. identidade sexual. Nosso Texto Básico explica que qualquer um pode ser membro de NA independente de sua raça. então é uma dádiva e também uma dificuldade. meu serviço de e-mail é através do meu trabalho.. etc. religião. idade. não afetam seus direitos a ser membro de NA e status como adicto em recuperação. No entanto. Significa que meu chefe tem acesso a todas as conversas com meu padrinho. há algumas coisas que simplesmente não posso discutir on-line”. alguns adictos se perguntam se eles deverão considerar estes fatores quando escolherem um padrinho. eles deverão 99 .me dá estímulo para ser mais preciso e mais direto.? Em NA.

100 . “Conheci meu padrinho por sete anos antes de pedir que ele fosse meu padrinho. dividimos o mesmo padrinho. Ele já tinha me apadrinhado por mais de um ano antes de descobrir que ele era rico. Sou grato por ter tomado conta do interior dele antes de o julgar por seu exterior”. na verdade. Não acredito que eu teria pedido para ser meu padrinho se soubesse de antemão sobre seu status econômico. ou etnia e status sócio-econômico semelhante. buscam alguém que não é semelhante a eles. Nos primeiros cinco anos. muitos outros têm visto que esses aspectos quase não têm importância frente a trabalhar um programa espiritual. e alguns.procurar alguém com crenças políticas ou religiosas semelhantes. e uma cultura ou passado semelhante? Enquanto alguns adictos procuram um padrinho que é igual a eles em algumas dessas características.

Em recuperação. paciência e tolerância”. por exemplo. religiões diferentes e classes sociais diferentes.“Em minha adicção. minha intolerância foi substituída por amor. Então havia muitas coisinhas estranhas que não compreendíamos uma sobre a outra. fui ensinado a odiar todas as religiões e tons de pele que não fossem os meus. que em NA o espírito de anonimato poderia substituir todos os meus julgamentos. Cheguei a esperar e até me divertir com a pergunta ‘Isso é uma diferença cultural ou um defeito de caráter?’ Falamos muito sobre a Quarta Tradição porque ser sua afilhada não significava que eu teria que me tornar igual a ela – significava que ela me 101 . Ele me ensinou. “Minha madrinha e eu éramos diferentes radicalmente em termos de cultura e morais. Viemos de partes diferentes do país. fui atraído por um padrinho ministro.

e esse adicto dizendo sim quando pedi que ele fosse meu padrinho. 102 . A raça do meu padrinho era diferente que a minha. Não enxergava cores nem bairros. pois a minha não conseguia me dar sugestões sem a influência de sua crença particular sobre Deus”. “Fiquei limpo na cidade. Só me lembro de sentir tanta dor e lutar tanto para não usar drogas. as drogas não foram impedidas pelas fronteiras da cor. estaria usando agora”. então porque minha recuperação devia ser?” “Se eu esperasse por um homem da mesma raça entrar nas salas para arrumar um padrinho.ajudaria a me tornar mais e mais como mim mesma. “Tive que trocar de madrinha. Como eu vejo. não confundir unidade com uniformidade”. Autonomia significava não ser igual.

Em NA. Enquanto os princípios espirituais de unidade e anonimato expressados nas tradições enfatizam nosso elo comum como adictos em recuperação. é simplesmente como nós. Aprendi que a linguagem do amor é mais forte do que qualquer barreira”. Meu relacionamento com ele é principalmente através da Internet. Como cada um de nós encara essas várias diferenças não é certo nem errado. membros individuais de NA. que protege nossa diversidade. assim como barreiras de linguagem e distância.“Como afilhado. 103 . valorizamos nossa unidade. encaramos essas diferenças. mas não buscamos uniformidade. Tinha que superar meu julgamento. minha maior dificuldade foi pedir que meu atual padrinho norte americano me apadrinhasse. também valorizamos o princípio espiritual da autonomia.

Estendendo a mão Pedir que alguém seja nosso padrinho pode ser assustador. Eu era tímido e não teria pedido 104 . Ela me disse que achava que ele seria um bom padrinho para mim. Eu disse que tudo bem e ele concordou. como conseqüência. Uma menina que conhecia na clínica me apresentou seu namorado numa reunião. Por outro lado. Ele foi meu padrinho por dois anos. nossa arrogância e auto-suficiência podem nos impedir de admitir que sequer precisamos de ajuda e. “Outra pessoa conseguiu meu primeiro padrinho para mim. Como membros novos. podemos nos sentir amedrontados pelo tempo limpo de outro membro ou acreditar que de alguma forma somos mais doentes do que os outros. Nossa auto-estima pode ser tão baixa que acreditamos não ser merecedores de um padrinho. podemos resistir nos envolver com outro membro.

’ Essa única frase fez mais para fortalecer o elo entre mim e meu padrinho do que qualquer outro evento em nosso relacionamento”. O primeiro cara que pedi me rejeitou. A resposta dele foi linda: ‘Não ouse tirar meu direito de devolver o que me foi dado. “Conheci meu primeiro padrinho na minha primeira reunião. Ninguém 105 . Eu o via como o ‘grande Deus de NA!’ Como resultado. e morava num prédio abandonado. Eu era muito bravo e ‘durão’ nos primeiros dias. sempre me sentia culpado quando pedia que passasse algum tempo comigo. “Quando pedi que meu padrinho me apadrinhasse. Estava limpo há dois dias. Finalmente partilhei meus sentimentos de culpa sobre tomar seu tempo.sozinho. Teria tentado fazer parte fingindo”. estava nervoso e duvidaria se ele teria tempo para mim.

Podemos precisar achar um novo padrinho por inúmeras razões. tínhamos o mesmo padrinho. nossas vidas podem se transformar tremendamente. Membros com bastante tempo limpo podem relutar em trocar de padrinho. Ele era meu afilhado irmão – isso é. Obrigações familiares podem encurtar o 106 . Conforme ficamos limpos e nos tornamos membros produtivos da sociedade. então fiquei na sala. Estamos juntos há 18 anos”. mas eu não tinha mais aonde ir. Meu atual padrinho é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Eventualmente. Responsabilidades de trabalho ou oportunidades de carreira podem fazer com que seja necessária uma mudança da atual comunidade de NA – ou nossa ou de nosso padrinho. Após trabalhar com o mesmo padrinho há anos. fiquei humilde o bastante para pedir a outra pessoa. podemos nos ver crescendo em direções diferentes.queria muito a minha companhia. Recém-chegados não são os únicos que tem dificuldades em pedir que alguém os apadrinhe.

mas pode ser especialmente difícil após estarmos limpos por algum tempo. apesar de estar em luto do último.tempo que nosso padrinho tem para dedicar a nós. “Trabalhei duro para construir um novo relacionamento com um novo padrinho. Não é fácil escolher um padrinho em quaisquer circunstâncias. morrer ou até recair. podemos nos ver sem padrinho e saber que precisamos pedir a alguém. Isso faz com que seja mais difícil lembrar que eu não posso apadrinhar a mim mesmo. significa também que posso trabalhar muito mais conscientemente na 107 . Nossos padrinhos podem ficar doentes. Tenho uma idéia muito mais clara sobre quem eu sou e do que preciso (ou penso que preciso) agora do que quando era novo no programa e achei meu primeiro padrinho. Qualquer que seja a razão. Mas. num nível tão íntimo. Muitos membros acham difícil a idéia de conhecer alguém novamente.

construção desse relacionamento e que posso lidar com problemas no relacionamento muito melhor do que antes”. Não estava crescendo. pois não queria perder sua amizade. e senti que precisava de outra mulher para me guiar nos passos. Sabemos que podemos encontrar aceitação nas reuniões de NA que freqüentamos. não devemos nos negar a possibilidade de participar em um relacionamento enriquecedor simplesmente por causa de nossos medos. “Com três anos limpa. precisaria de outra madrinha. Sabia. me vi estagnando em recuperação. Podemos não querer perder aquela sensação de “fazer parte”. estou trabalhando os 108 . mas alguns de nós evitamos pedir que outro membro nos apadrinhe por medo de rejeição. Tinha medo de mudar de madrinha. Hoje. que se eu quisesse crescer em recuperação. No entanto. porém.

Se a partilha de alguém nos emociona. enquanto outros analisam e tomam essa decisão racionalmente. Ao escolher um padrinho. Podemos começar por ir às reuniões e ouvir aos membros presentes. devemos chegar até eles. Independente do tempo que temos no programa. Podemos querer considerar ainda aqueles adictos que parecem estar interessados em nossa 109 . muitos de nós acham melhor usarmos nossa intuição. Não precisamos estar no final de nossa corda para pedir ajuda. workshops. Isso é uma boa maneira de conhecer outro membro. pegar o telefone deles e começar a ligar. mesmo se nossa vida parece estar fluindo bem no momento e não temos nenhum problema a resolver. na maioria das vezes.passos e crescendo em recuperação com a orientação de minha nova madrinha”. buscamos um padrinho de maneira semelhante. e outras atividades relacionadas a NA também são solo fértil para seleção. Podemos ainda falar com outros membros para ver se eles podem sugerir alguém como padrinho em potencial. Convenções. serviço.

“Sou uma mulher muito orgulhosa.recuperação. e finalmente minha persistência deu frutos. Tenho certeza que foi um Deus amoroso me guiando para o padrinho certo”. É importante lembrar de ir com calma. serem meu padrinho. Mas. antes de meu primeiro padrinho aceitar. que disseram não. pois era isso que eu queria – e ela disse sim. e quando a primeira mulher a quem pedi disse que não podia ser minha madrinha. então continuamos nossa busca. Acredito que eu sou o tipo de pessoa que valoriza coisas difíceis de conseguir e provavelmente foi importante 110 . “Pedi para cinco ou seis homens. me senti sem valor nenhum e burra por ter pedido a ela. Finalmente pedi a uma mulher que parecia saber como ter relacionamentos e pertencer a NA. continuei pedindo às pessoas. Se alguém que pedirmos disser não.

ter que dar duro para achar uma madrinha. através do serviço. podemos precisar buscar um padrinho à distância: alguém que conhecemos na Internet. e apesar dela 111 . Nem todos os membros acreditam que essa opção funcionará para eles. “Conheci minha primeira madrinha nua reunião de serviço regional. em uma convenção ou outra maneira similar.para mim . particularmente em comunidades pequenas de NA onde apadrinhamento à distância pode ser um elo vital para o resto da irmandade. As outras coisas que minha experiência com persistência me ensinou é viver a vida como a vida se apresenta”. Apadrinhamento à distância pode ser também uma solução para membros encarcerados ou aqueles de nós em hospitais ou instituições nas quais o contato pessoal é limitado. mas alguns de nós têm tido sucesso com tais relacionamentos. Em comunidades com poucos membros de NA.

responsabilidades. e dádivas demais para escrever todas aqui”. reuniões de comitês de serviço e é claro. eu queria o que ela tinha e estava disposta a fazer qualquer coisa para conseguir. e vou a reuniões regularmente. Sim. Sua 112 . “A distância simplesmente desaparece quando ouço a voz de minha madrinha do outro lado do telefone. escrevo. e tenho aprendido aceitação.morar a mais de 100 quilômetros de distância. paciência. uso o telefone. convenções! Chamávamos de recuperação na estrada. mas tenho um sistema de apoio maravilhoso onde moro. admito que há momentos em que gostaria de encontrar minha madrinha para tomar um café – NAQUELE MOMENTO! Mas. A distância entre nós tornou ligar difícil às vezes. e nós pudemos manter contato regular e trabalhar através de encontros em oficinas.

e me dizer quando preciso ligar para minha madrinha”. Descobrimos como enxergar a vida através de uma outra perspectiva. Começamos a desenvolver 113 . Muitas vezes. A chave é ter outras mulheres à minha volta. mulheres que podem me ajudar a viver princípios espirituais.experiência em viver o programa e os passos é o que eu quero dela. perdemos nosso egocentrismo e nos tornamos sensíveis às necessidades de nosso padrinho. Grande parte do quanto ganhamos com apadrinhamento depende de nossa boa-vontade em ser apadrinhado. me amar. Desenvolvendo nosso afilhado/afilhada papel como Podemos tomar várias medidas para assegurar que nosso relacionamento com nosso padrinho é enriquecedor e satisfatório. temos a oportunidade de aprender muitas coisas novas e novas maneiras de pensar. Quando abrimos nossos corações e mentes e fazemos um compromisso de trabalhar com um padrinho.

Muitos de nós aprendemos a desenvolver equilíbrio em nossas vidas. mas 114 . Quando encontrei minha atual madrinha. me sentia vazia e miserável.confiança conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento. “Quando estou confuso e preciso de orientação. “Tinha cinco anos limpa. Eu odiava. Continuei voltando. e ele pode me ajudar a limpar minha cabeça com uma ou duas sugestões. Não confiava nela. então mantenho meu ego no seu lugar seguindo meu padrinho”. e minha madrinha abriu mão de mim porque não seguia suas sugestões. Não usei. Fiz os passos com minha nova madrinha. Não acredito ter todas as respostas e experiências. A perspectiva dele sobre o assunto pode ser diferente. Ela pediu que eu ligasse todos os dias para ela. ligo para meu padrinho. Não confiava em ninguém.

talvez ‘direcionada’ é uma palavra melhor . Trabalhar com uma madrinha e aprender a confiar nela tem feito uma diferença enorme em minha vida. Alguma coisa começou a acontecer. me lembro de perguntar como ele está. 115 . ficou estranho. não queria nem conseguia me conhecer. No início do relacionamento. As pessoas sentavam perto de mim nas reuniões e eu falava com elas. nunca perguntava.ok . Meu telefone começou a tocar.para construir o primeiro relacionamento íntimo de minha recuperação e talvez de minha vida. Acho que o que aconteceu é que eu fui forçada . A razão que eu sempre tinha amizades e relacionamentos amorosos insatisfatórios é que não deixava ninguém chegar perto de mim para me conhecer. Percebi que eu ria mais.o fazia. Depois. Por conseguinte. “Cada vez que falo com meu padrinho. E aí.

somos responsáveis por nossa própria recuperação. analisar. no final. Temos que fazer nossa parte. E para fazer essa parte. Ser um afilhado é uma ação. temos que nos abrir. não estamos contratando um profissional para nos ensinar.quando perguntava. era a última coisa que perguntava antes de desligar o telefone. tratar ou salvar. Buscando apoio individual de outro adicto em recuperação nos ajuda a perceber que podemos fazer muito mais juntos do que jamais poderíamos fazer sozinhos. recuperação é possível”. Ao 116 . Quando escolhemos um padrinho. Ter um padrinho envolve mais do que conversa. e depois digo ‘E como está você?’ Sim. Agora quando ele pergunta ‘Como está?’ partilho o que está acontecendo. Nosso padrinho simplesmente partilha sua experiência força e esperança conosco. “Ter um padrinho é um lembrete de minha responsabilidade para comigo para progredir nos passos.

Não posso ligar para minha terapeuta todos os dias. sempre ligava para minha madrinha para pedir que ela me dissesse o que fazer em certas situações. Minha madrinha nunca me disse que ‘O tempo acabou’ quando estava chorando”. tenho uma testemunha sobre quanto trabalho estou fazendo e a velocidade na qual estou indo adiante com meu trabalho de passos. meu relacionamento com meu padrinho me mantém honesto sobre meu progresso em recuperação”. 117 . Ninguém nunca pediu comprovante de pagamento numa reunião de NA. “Demorou bastante para eu conseguir distinguir terapia de apadrinhamento. “Quando entrei em recuperação. Desse modo. As quatro maiores diferenças na minha opinião: Apadrinhamento não custa dinheiro.partilhar esse processo com um padrinho.

nos abrir e aprender a confiar.Ela sempre disse para rezar. comunicação tem um papel vital num relacionamento funcional de padrinho/afilhado. faço o mesmo com minhas afilhadas”. precisamos fazer o esforço para fazê-lo. Quer sejamos novos ao programa ou tenhamos bastante tempo limpo. Lembro ter implorado que ela me desse direcionamento – ordens. Se nosso padrinho pede que liguemos regularmente. isso me frustrava enormemente. então espere’. devemos ligar para nosso padrinho e “nos dedurar”. Agora. Se sentirmos vontade de usar. Muitos dos princípios que aprendemos quando somos novos sobre como o programa de NA funciona são os mesmos para o membro com bastante tempo. na verdade – mas ela nunca dava. Temos que passar por nosso medo. ‘Sou sua madrinha’. Na época. Ao 118 . ela me dizia ‘não seu Poder Superior. Se você não sabe o que fazer. mas agora posso ver que ela não queria a responsabilidade que pertencia a mim.

Quando finalmente cheguei a NA e arrumei uma madrinha. Partilhar meus pensamentos mais 119 . Éramos todos bastante novos em recuperação naquela época então apadrinhamento era muito via de mão-dupla. podemos freqüentemente aprender a ouvir sugestões. senti como se tivesse escolhido minha primeira melhor amiga. como foi sugerido que eu fizesse. Eu sabia e ela sabia. e nos arriscarmos. Ela é provavelmente a primeira pessoa que eu verdadeiramente deixei entrar no meu mundo.partilhar honestamente com e ouvir ao nosso padrinho. Lembro como minha madrinha era gentil e como ouvia com tanta paciência e um coração sábio. isso é empatia. “Eu me mudava tanto quando era criança que perdi a oportunidade de ter uma melhor amiga por muito tempo.

Quando voltei entendi o que a ‘dádiva do desespero’ significava. “Sempre recaía. Sabia que morreria se não estivesse disposto a fazer o que meu padrinho sugeria. e que ‘prisões. entreguei minha vida e minha vontade a ele e esse programa até que encontrasse meu próprio Poder Superior. Ele disse que era uma pena. senti minha primeira conexão com ser um ser humano”. A última vez. instituições e morte’ não vinham necessariamente nessa ordem. De uma certa forma. Desespero me trouxe a rendição que eu precisava para seguir as sugestões do meu padrinho e fazer desse programa minha nova maneira de viver”. A última foi a pior experiência de todas. e me desejou sorte. liguei para meu padrinho e lhe disse que eu estava usando.íntimos e segredos com ela. 120 .

como nos ajudar. Desde aquela experiência de confiar em minha madrinha. Se nosso padrinho sugere que devemos ir a mais reuniões. Não posso ficar muito tempo sem contatá-la. 121 . tem sido mais fácil para mim hoje. que ele se envolveria com muitas outras mulheres mesmo estando casado comigo.“Nunca pensei que teria que contar para alguém as coisas que fazia. ler literatura de NA regularmente. porque sofro. consegui contar-lhe as terríveis coisas que pensava de meu marido. Minha melhor experiência foi partilhar o Quinto Passo – minha confiança aumentou e hoje vivo muito mais feliz”. e outras coisas. selecionando as coisas que partilharia com minha madrinha. sentia. percebi que era tudo paranóia. ou pensava. Não queremos dizer ao adicto a quem pedimos ajuda. Sofria muito. ou começar nosso inventário. Depois de lhe contar tudo isso. Um dia. temos que fazer o esforço de fazê-lo.

Quando pedimos ajuda. precisamos nos manter ensináveis. estava seriamente considerando a recaída. “Sempre relutei em ligar para outras pessoas em recuperação – até hoje. Fazer essas ligações tem me ajudado a ter uma melhor perspectiva sobre minha vida. Estou trabalhando um programa que inclui a ajuda e sugestões dos outro. Porém. Tinha a visão de um adicto a quem admirava. meu padrinho não faria os passos comigo até que eu tivesse ligado para pelo menos cinco pessoas. para perguntar sobre recuperação. meus pensamentos então ficaram focados em todas as minhas novas associações. cujas recuperações eu admirava. e os pensamentos de usar sumiram”. Em certo ponto de minha recuperação. 122 .

Mesmo assim. cada vez mais eu vejo que qualquer pessoa pode me dar melhor direção do que eu posso me dar”. Em algumas comunidades. Com o tempo. além de nosso padrinho. Pode haver momentos nos quais nosso padrinho não estará disponível quando precisamos de ajuda. é uma prática comum buscar ajuda de outros membros conectados a nós através de 123 . não acreditava verdadeiramente que as outras pessoas tinham idéias muito melhores que as minhas. não estava disposto a seguir as sugestões de um padrinho – ou de mais ninguém – até que a agonia e solidão de fazer as coisas do meu jeito era tão grande que não tinha escolha se quisesse ficar limpo. conforme minha vida tem melhorado devido à minha abertura a sugestões.“Durante muito de minha recuperação. Muitos de nós encontramos uma necessidade de criar uma rede de pessoas no programa para quem podemos pedir ajuda e apoio.

fazer parte de uma rede desse tipo é importante e pode dar-lhes uma sensação de segurança e de pertencer a algo maior do que eles. em outros locais. Conhecer outros membros que também são afilhados de nossos padrinhos pode nos oferecer uma rede de segurança. em vez de toda a social e viagens de longa distância necessárias em muitas das redes de apadrinhamento locais. podemos sempre ligar para alguém na nossa rede de apadrinhamento.apadrinhamento. isso é denominado “família de apadrinhamento”. SOMENTE queria trabalhar os passos com minha madrinha e receber sugestões dela. Independente da terminologia. “linha” ou “árvore” de apadrinhamento. “Em minha área. Se não podemos falar com nosso padrinho. Agora eu tenho tido uma madrinha em outro país há dois anos. e eu tive que ir a outra cidade onde a ‘família’ de apadrinhamento é a forma primária de apadrinhamento. e 124 . para alguns membros. há poucas mulheres que tem madrinhas. Em alguns lugares.

com quem me identifico. Para esses membros.viajei até lá para conhecê-la e minhas afilhadas ‘irmãs’. já tenho um grupo de adictos em recuperação em quem posso confiar. 125 . consideram o apadrinhamento um relacionamento muito pessoal e não querem incluir nele uma “família” estendida. Alguns membros. “Participo em uma reunião mensal da minha linha de apadrinhamento. Gostei tanto do companheirismo de fazer as coisas juntas que decidi voltar por seis meses e passar tempo com as afilhadas ‘irmãs’ porque quero”. de quem gosto e não tenho medo de intimidade”. ter esse tipo de rede anexada ao apadrinhamento pode parecer muito restringente ou que traz certas obrigações indesejadas. então se em algum momento eu precisar arrumar outro padrinho. porém.

mas não tenho interesse nisso. Não preciso de mais uma”. ou nosso ego pode ficar inflado ao nos sentirmos o afilhado favorito. Felizmente.“Minha madrinha faz parte do que chamam aqui de ‘família de apadrinhamento’. às vezes. Nem gosto muito de algumas das outras pessoas em minha rede de apadrinhamento. que nosso padrinho gosta mais de alguns afilhados do que de outros. a nos compararmos com os outros. às vezes. Mesmo se somos felizes em fazer parte de uma rede de apadrinhamento. me identificar com dezenas de mulheres que são afilhadas da fulana ou afilhada das afilhadas dela. É importante reconhecermos que cada relacionamento de apadrinhamento é único. Me parece que é como fazer parte de um rebanho. Cada um tem seus próprios desafios e suas próprias dádivas. podemos ser tentados. Nada 126 . ela não liga se eu vou ou não aos eventos. Penso que já tenho uma família disfuncional. Pode parecer.

Aprender a amar outras pessoas e não ter ciúmes tem sido um processo longo e doloroso para mim. Eu as amo muito e estou honrada por tê-las em minha vida”. Fui a única afilhada de minha madrinha por mais de um ano. e elas todas são mulheres maravilhosas. Tenho quatro ‘irmãs’ agora. Quando me sinto insegura ou desconfortável. Em vez de agir por emoção. “Sempre tive necessidade de ser a ‘favorita’ em todas as situações. tento me aproximar das outras mulheres a quem ela apadrinha. Construir 127 . falo com minha madrinha.ganhamos ao nos compararmos com outros. Quer tenhamos ou não uma rede estendida de apadrinhamento. e fiquei muito surpresa e insegura quando ela aceitou outra afilhada. podemos desenvolver uma rede de apoio sólida para que não precisemos depender unicamente de nosso padrinho.

amizades com outros no programa e fortalecer nosso relacionamento com um Poder Superior pode nos ajudar a atravessar momentos nos quais nosso padrinho não está à nossa disposição. Ao longo dos anos. às vezes meu padrinho não pode estar”. Deus sempre colocou o professor em minha vida quando pedi”. Nossa recuperação pode ser uma jornada incrível através da autodescoberta e auto-aceitação. “Meu Deus está comigo sempre. Juntos. muitos de nós podemos alcançar uma 128 . “A orientação suave que tenho recebido de meu padrinho tem dado resultados. nosso Poder Superior e a ajuda de nosso padrinho. com Narcóticos Anônimos. e graças a Deus por todos eles. Mas passei por períodos em minha recuperação quando não tinha um padrinho e usava amigos próximos em recuperação como meus guias.

como afilhados podemos absorver o conhecimento e sabedoria que nosso padrinho tem a oferecer a respeito do programa de NA.sensação de liberdade e alegria de viver que não acreditávamos ser possível. É um relacionamento responsável e parte de como podemos oferecer serviço abnegado a outros. Se escolhermos. e é uma das principais maneiras pelas quais levamos a mensagem de NA. Podemos aprender a viver sem o uso de drogas e vir a amar e apreciar nossa nova vida em recuperação. 129 . Muitos adictos acreditam que apadrinhar um companheiro membro de NA é a melhor maneira de experimentar e expressar gratidão pela dádiva de recuperação. Como padrinhos. CAPITULO TRÊS PARA O PADRINHO Minha gratidão fala: Sobre ser um padrinho Apadrinhamento está no âmago do Décimo Segundo passo. podemos devolver livremente o que nos foi dado tão livremente.

e o afilhado adquire conhecimento da experiência do padrinho. ajudamos a nós mesmos também. preciso ser honesta e dizer que não achava tão grande coisa assim. estou em 130 . “Quando comecei a amadrinhar mulheres. não estaria limpo hoje’”.Enquanto cada um de nós pode usar palavras diferentes para explicar nosso papel como padrinhos. e eu queria ficar limpa. Era o que o programa dizia que eu deveria fazer para me manter limpa. é simplesmente uma questão de um adicto ajudando outro. não fosse pelo meu padrinho. Vemos que quando ajudamos outros. Muitas vezes eu tenho dito. “Apadrinhamento é um dos relacionamentos mais importantes no programa de recuperação de NA. ‘Em momentos de dificuldade. Hoje. Acredito que apadrinhamento seja uma via de mão dupla na qual o padrinho adquire insights sobre si mesmo.

Essa partilha pode trazer a sensação de aproximação para ambos o padrinho e o afilhado. e assim mesmo permanecemos juntas. Recebi tanto quanto dei. quer sejamos novos ao programa ou quer estejamos limpo a algum tempo. e elas também. A experiência pessoal partilhada pelo padrinho pode fazer com que seus afilhados se sintam aceitos. De fazer esse salto em fé para ‘devolver o que me foi dado tão livremente’ tenho relacionamentos ricos e profundos que não teriam entrado em minha vida de outra forma”. É como se tivéssemos crescido juntas. Vimos uma à outra em nossos piores momentos. amenizando um pouco do isolamento emocional que muitos de nós sentimos. e guiados através do programa. 131 . compreendidos. Um padrinho freqüentemente oferece apoio e encorajamento ao afilhado.recuperação há algum tempo. e não consigo imaginar minha vida sem essas mulheres maravilhosas.

Todos os meus relacionamentos anteriores tinham sido baseados em conseguir o que eu queria. repetitiva. ainda não tinha experimentado uma mudança significativa até que tive que 132 .“Antes de ter apadrinhado outros. eu não tinha idéia de quanta alegria e autoaceitação poderiam vir de amar e gostar de outra pessoa. Quando só havia a mim mesma no mundo. “Ser uma madrinha tem me ajudado a sair da escuridão de minha auto-obsessão e entrar no mundo dos relacionamentos verdadeiros. quando comecei a ajudar meus afilhados e aprendi a dar sem esperar retorno. mas ainda me sentindo necessitado e não amável. a vida era chata. comecei a me valorizar e aceitar mais”. Para minha surpresa. e pequena. Mesmo que a recuperação me mostrou que isso poderia mudar.

compreender e ter empatia com as vidas das mulheres a quem eu amadrinhava. Agora que estou limpo a algum tempo e estou apadrinhando outros membros. e quando saía do cinema às três da manhã saia desorientado. Em várias outras formas no nosso relacionamento ele tornou claro que se eu quisesse 133 . Eu entendia exatamente como ele se sentia. mas ao mesmo tempo tinha muito medo de deixar alguém saber que eu sentia a mesma solidão gélida. Ele disse que sentia como se se escondia num cinema à noite. tenho tentado ser exemplo do que ele me mostrou naquela época. sem saber aonde ir. e abandonado. amá-las e fazer parte da raça humana”. “Muito cedo em recuperação ouvi meu padrinho falando em uma reunião. amadrinhá-las me tem dado a oportunidade de ouvi-las. perdido. aprender com elas. Ele se sentia só.

Acho que comunico a mesma coisa a meus afilhados através de minhas palavras e ações”. Me tem ensinado a respeito dos meus motivos ao fazer as coisas. e às vezes pessoalmente desafiados – a olhar para nós mesmos enquanto tentamos dar sugestões àqueles que apadrinhamos. Apadrinhar outros me põe em uma posição de responsabilidade onde é mais importante ser honesto do que ser gostado.aceitação de mim mesmo. e sobre como entregar”. 134 . tentamos trazer o melhor de nós ao relacionamento. somos encorajados. Quando aceitamos a responsabilidade de apadrinhar as pessoas. independente de seu tempo limpo. “Meus três afilhados me dão a oportunidade de estar disponível incondicionalmente para as outras pessoas. Nesse relacionamento individual. eu tinha que ter a coragem e fé para ser honesto e partilhar com outros adictos sobre meus pensamentos e medos.

mas eu tenho que merecer sua ajuda e respeito. Com o tempo. como eu”. “Minha madrinha me ensinou que seu amor é incondicional. de como viver os princípios espirituais encontrados em Narcóticos Anônimos. ou reagissem. Não era justo insistir que eles agissem. Um padrinho pode guiar afilhados numa jornada espiritual e ensiná-los sobre o programa de NA. 135 . vim a entender mais profundamente que uma de minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação e padrinho é abrir minha mente a novas idéias e estar disposto a tentar novas coisas. também percebi – através de meus inventários – que nem todo adicto respondia bem àquelas coisas que me motivaram.“Conforme fui ficando limpo. Um padrinho pode ser um exemplo. Ensino o mesmo às minhas afilhadas. providenciando um modelo aos seus afilhados.

Em vez de tomar decisões por elas. estarei ao seu lado. 136 .Contanto que vejo uma faísca de boa vontade de sua parte em continuar a jornada. Não posso estar em recuperação por elas. Meu trabalho como madrinha é liderar e guiar. mas posso apoiá-las enquanto trabalham o programa de NA em suas vidas. não puxar e arrastar”. “Minha abordagem ao apadrinhamento das mulheres em minha vida é encorajá-las a tomarem decisões sadias por si próprias. tento guiá-las para a construção de ferramentas de recuperação baseadas nos princípios espirituais do programa de NA”. “Acredito que seja minha responsabilidade preparar meu afilhado para ser um padrinho ao ajudá-lo a praticar os princípios espirituais encontrados nos Doze Passos”.

Quando apadrinhamos. a recuperação de nossos afilhados é a responsabilidade deles. Enquanto podemos tentar prevenir que eles cometam os mesmos erros que nós cometemos. Uma das coisas ótimas que meu padrinho me dizia quando estava pensando se eu deveria 137 . freqüentemente aprendemos sobre os princípios de rendição e tolerância. não nossa. não ditando cada passo que eles tomam. Precisamos lembrar que estamos apenas partilhando nossa experiência força e esperança com nossos afilhados. “A filosofia que meu padrinho tem e que uso com meus afilhados é que raramente damos conselhos. Tentamos manter uma perspectiva equilibrada a respeito de nossa vida e nossos relacionamentos com nossos afilhados. Apenas partilhamos uma experiência similar se temos uma ou partilhamos o que podemos fazer ou sentir em situação similar. Também não corremos atrás uns dos outros nem nos damos tarefas.

também não preciso me responsabilizar por suas recaídas”. Muitos adictos descobrem que ser um padrinho ou madrinha se torna parte significante de sua recuperação. “Apadrinhar me ajudou a compreender melhor minha impotência perante outras pessoas. Ser um 138 . A princípio.sair com uma mulher seria me perguntar ‘Estaria disposto a casar com esta mulher?’ Isso ajudou a me manter fora de muitos relacionamentos nocivos”. mas logo percebi com a ajuda de meu padrinho. “Aprendi a amar e aceitar as pessoas que apadrinho por quem elas são – não pequenas imagens de mim ou de qualquer outra pessoa em recuperação”. me sentia responsável por seus sucessos ou falhas. que se eu não for responsável por seu sucesso em ficarem limpos.

Se estiver bem com meu Poder Superior.padrinho nos dá uma avenida espiritual para partilhar num nível mais profundo e íntimo e nos oferece a oportunidade de partilhar nossa recuperação com aqueles que querem e precisam. Como padrinhos. mas nem sempre sou bemvinda quando o faço. É minha responsabilidade dizer a verdade às minhas afilhadas. então saberei quando meu Poder Superior me toca com a luz da verdade. “Apadrinhamento tem sido um presente enorme em minha vida. Cada um de nós leva consigo uma riqueza de experiência e como padrinhos podemos partilhar aquilo que funcionou e não funcionou para nós. Às 139 . Somos todas professoras e alunas. podemos guiar nossos afilhados na prática dos Doze Passos de Narcótico Anônimos e mostrar-lhes o modo de vida de NA. As mulheres a quem amadrinho freqüentemente me ajudam e apóiam. É meu dever como madrinha dizer a verdade às minhas afilhadas.

Tenho testemunhado bravura profunda. “Ser um padrinho me tem dado uma oportunidade de ouvir sobre as vidas dos outros. “Minha experiência. Como diz o ditado: ‘a verdade te libertará.vezes. que preciso para manter minha recuperação na trilha certa. Tem me ajudado a manter o contato com os passos. corações fortes. mas primeiro te fará ficar com raiva’”. especialmente recentemente. e eu sempre respondo ‘Obrigado por ligar’. e espíritos corajosos. apadrinhamento está sendo uma via de mão dupla – eu recebo conforme eu dou”. é que meu papel como padrinho tem colocado o meu foco de volta no programa. me deparo com resistência e raiva. Tenho aprendido a amar e 140 . ele sempre diz ‘Obrigado por me ouvir’. No final de cada ligação com meu afilhado. Para mim.

respeitar aos outros mais profundamente do que em qualquer outra experiência anterior”. presenciamos suas dificuldades. Esse relacionamento pode nos ajudar a colocar nossos próprios problemas em perspectiva conforme nos aproximamos de outras pessoas. “Algumas das maiores coisas que aprendi sobre apadrinhamento são como levar a mensagem através do exemplo e como praticar honestidade de compaixão o melhor que posso. e aprendemos a amar e aceitá-los. pessoas bem diferentes de nós mesmos. Como padrinhos. Podemos aprender a dar carinho aos outros – em muitos casos. 141 . Escapando do fardo do egocentrismo Apadrinhamento pode ajudar a contrabalançar o egocentrismo e encorajar generosidade de espírito entre nós. alguns de nós atingimos um novo nível de humildade ao percebermos nossos limites e forças.

Sermos padrinhos pode nos manter focados em nossa própria recuperação. Tenho uma chance de focar os passos novamente sempre que ajudo um afilhado a trabalhá-los.Apadrinhamento me tem ensinado a necessidade de ‘mostre. Apadrinhamento me dá uma lição sobre deixar outra pessoa crescer na direção que o Poder Superior escolhe para ela. “Recuperação parece amadurecer com apadrinhamento. é difícil esquecer de onde viemos. É uma lição em abrir mão do controle e não necessariamente forçar regras rígidas ou caminhos aos outros”. Apadrinhamento nos dá meios de lembrarmos de nossos desafios no início de recuperação. Quando apadrinhamos alguém novo ao programa. Nos 142 . não conte’”. quando uma pessoa aceita o desafio de ajudar a outra – profundamente e individualmente.

Praticar os princípios de compaixão. que eu mesmo precisava ouvir!” “Apadrinhar outros me mantém ciente de onde vim e o que me mantém indo adiante em minha recuperação. carinho. 143 . empatia. me mantém conectado com meu Poder Superior enquanto sirvo a outro ser humano. Muitos de nós encontramos dificuldades em sermos complacentes quando estamos ativamente apadrinhando outros adictos. e partilha. Só posso manter o que tenho ao dá-lo para outros. me peguei dizendo algo a um afilhado. Me ajuda a permanecer responsável por um relacionamento com compromisso”. “Muitas.tornarmos padrinho é normalmente uma afirmação de crescimento e pode enriquecer nossa recuperação. muitas vezes. bondade.

Com freqüência. sei mais sobre passos e tradições. como é o pôr-do-sol. Parece que estamos a milhões de quilômetros de distância de tudo e nada pode nos perturbar ou ferir. Falamos sobre tempos difíceis dele. os meus tempos difíceis. É um momento de paz para nós dois. Esse tipo de partilha honesta nos lembra ainda que somos meros mortais e não o Poder Superior da compreensão de nosso afilhado! “No final de cada semana. De vez 144 . nossos afilhados começam a confiar em nós conforme expomos nossas fraquezas. mas isso não significa que não posso ter uma semana dura. Como padrinho.“Ser padrinho sempre me traz de volta à minha própria recuperação e seu progresso”. Partilhar nossas experiências com nossos afilhados pode ser curativo para ambos. contamos sobre nossos erros e somos honestos a respeito de nossos medos. um de meus afilhados e eu vamos até o interior. tudo.

mas adicionar. Afinal. sinto como se estivesse cumprindo meu dever como madrinha”. “Pessoalmente. 145 . no mínimo. acredito que como padrinho. Quando posso oferecer minha experiência a afilhadas sem me sentir ou agir melhor ou pior do que elas. ‘um centavo a mais’. acredito que Deus nos ama a todos igualmente. minha responsabilidade é não só colocar tanto esforço no relacionamento quanto faz meu afilhado. Me parece que deveria ser pelo menos um relacionamento ‘51/49’”. eu fui escolhido para ser o padrinho porque tenho mais experiência do que o afilhado.em quando sou eu que digo oi com um cumprimento ‘nãomuito-padrinho’: ‘Graças a Deus você está aqui’!” “Tento passar para minhas afilhadas que não importa como sentimos sobre nós mesmas.

Conforme o tempo foi passando. “É importante para mim me desvencilhar de qualquer tentativa de controlar meu afilhado. aceitar sem condições e amar sem expectativas. “Eu tinha uma afilhada que era a rainha do drama. A maioria do tempo. De muitas maneiras. pedindo ajuda. fui 146 . ser um padrinho pode nos ajudar a ouvir sem julgamento. totalmente auto-centrada com um caso severo de ‘Eu-ismo’. a solução sairá naturalmente após a partilha do problema”. Às vezes temia ouvir a voz dela do outro lado da linha. ia ao meu Poder Superior. o apadrinhamento nos ensina como desenvolver e manter relacionamentos sadios. se eu deixá-lo falar o suficiente. É importante também.Com o tempo. Imediatamente. ser um bom ouvinte e não cortar meu afilhado enquanto está falando ou colocar palavras em sua boca.

Mais importante.melhorando. Meu Poder Superior geralmente me dava mente aberta. me tornei mais dependente de meu Poder Superior quando interagia com qualquer uma de minhas afilhadas”. tolerância e amor incondicional. Tenho me beneficiado de formas que são difíceis descrever. Somente aprendi essas lições porque estava disposta a ouvir . convidando o Poder Superior a me guiar na conversa. Hoje. Tenho certeza que sou uma pessoa melhor como resultado dela ter me ensinado muitas das lições da vida. Como saber se somos certos um para o outro? 147 . ainda sou madrinha da não-mais rainha do drama.apesar de achar que a maioria das coisas que ela dizia pareciam loucas. que ainda sofre às vezes de ‘Eu-ismo’.

e essa raiva a distanciava das outras pessoas. queremos tomar um tempo para examinar nosso próprio sistema de valores e nos perguntar se podemos apadrinhar com aceitação. compaixão e compreensão. temos que ser claros sobre essas expectativas. “Uma mulher que chegou à sala estava sempre brava. Um dia. asseguramos que o relacionamento terá boas chances de sucesso. Fiquei emocionada com sua boa vontade e humildade que ela estava escondendo por trás de seu comportamento 148 .Como padrinho ou madrinha. então disse que não poderia. Se tivermos expectativas quanto aos nossos afilhados. Fiquei surpresa e não achava que tinha o tempo para dar a ela. ela se aproximou de mim e perguntou se eu seria sua madrinha. Ao longo dos próximos anos ela me pediu algumas vezes novamente. Quando estabelecemos parâmetros claros sobre o que podemos e não podemos dar. Nossa recuperação pessoal deve vir em primeiro lugar.

Era sua boa vontade de continuar pedindo diversas vezes e encarar o que ela pode ter sentido como rejeição que me permitiu ver além da raiva que ela tinha usado para se proteger da vida”.raivoso. precisava ser sua madrinha. Antes de nos comprometermos com um afilhado. amoroso e repleto de confiança de minha vida. “Eu sou madrinha de várias mulheres em recuperação. Tenho também uma vida cheia fora da sala. se estamos ou não disponíveis. e se nossa situação de vida atual nos permitirá passar tempo adequado com nosso afilhado. podemos querer considerar quantos afilhados já temos. se nós mesmos temos um padrinho ou madrinha. Decidi que independente de eu ter tempo ou não. Esse relacionamento se tornou o mais íntimo. Há momentos 149 .

Eu também acredito que é importante que eu as ajude a desenvolverem relacionamentos com outras mulheres em recuperação para apoio”. Preciso levar em consideração o tempo que preciso para trabalhar com minha madrinha. as outras não precisam. as coisas se equilibram – quando algumas precisam de mais atenção. “Tento não ter mais afilhadas do que minha agenda permite. A maioria do tempo. e 150 . Não acredito que tempo limpo é tão importante quanto a habilidade de ser honesto consigo mesmo”. e é isso que sugiro às mulheres que amadrinho. “Me foi sugerido esperar até que fizesse um Quinto Passo antes de apadrinhar alguém. me relacionar com meus filhos e netos.nos quais me pergunto se estou disponível o suficiente para suprir suas necessidades.

Porém. Muitos de nós pedimos orientação ao nosso Poder Superior e perguntam a nosso próprio padrinho ou madrinha se eles acham que estamos prontos para apadrinhar alguém. “Não tinha muito tempo no programa quando fui convidada a ser madrinha. Me senti extremamente inadequada. Três afilhadas é o máximo que consigo manejar. Se nunca apadrinhamos alguém antes. sem dúvida teremos que nos perguntarmos se estamos prontos para fazê-lo. Podemos querer considerar se trabalhamos ou não todos os passos e se estamos preparados para guiar alguém em seu trabalho. mas ela insistiu que eu podia ajudá-la. e suas necessidades também diferem”. Bom. Cada uma é diferente. não querendo negar um 151 . Só tinha feito os primeiros três passos e estava no quarto. isso não constitui uma fórmula para julgar o número de afilhadas que posso apoiar confortavelmente.trabalhar.

Isso durou uns três ou quatro meses. Ela descobriu que tinha bastante em comum com essa mulher então ela abriu mão de mim. Talvez a pessoa pedindo que sejamos seu padrinho tenha mais tempo limpo que nós mesmos. e eu fiz o melhor que pude naquele momento. Ela se desculpou bastante e me agradeceu por todo meu tempo e esforço. Na verdade.pedido de NA. Qualquer que seja a razão. Podemos ter dúvidas a respeito de apadrinhar certas pessoas. devemos ser honestos sobre nossos sentimentos enquanto 152 . e ela conheceu uma mulher numa reunião de área com cinco anos limpa. eu me senti aliviada. Depois disso. Há momentos que não nos sentimos “qualificados” para ajudar. Ela me ligava todos os dias. comecei a amadrinhá-la. ou nossas situações de vida são radicalmente diferentes. esperei até estar mais tempo limpa e tinha trabalhado mais passos até amadrinhar outra pessoa”.

há mais ou menos uma semana. A madrinha dela. É impressionante como funciona 153 . Me perguntei o que eu teria a oferecer. e ainda sou sua madrinha. “Quando eu tinha em torno de sete anos limpa. que era bem antiga no programa. Ela me falou que me escolheu por causa de minha conexão com um Deus amoroso. Essa mulher tinha sido minha amiga durante os últimos cinco anos. Por sinal. e ela também tinha várias afilhadas. uma mulher com três meses a menos do que eu pediu que eu fosse sua madrinha. e muito inferior por causa de sua última madrinha. Talvez tudo que precisemos seja fé. Isso já faz oito anos. tinha acabado de se mudar. Eu me senti honrada que ela me considerou. ela pegou sua ficha de 15 anos.lembramos que nos pediram por alguma razão. Sua primeira madrinha e eu lhe demos um bolo.

alguém com quem tivemos um relacionamento prévio ou primário – como membros de nossa família. Às vezes. Em tal situação. O que nós fazemos é partilhar nossa experiência.o apadrinhamento: nós não decidimos o que temos a oferecer. Podemos querer falar com nosso próprio padrinho ou madrinha sobre a situação. se 154 . É possível que nossas responsabilidades nesses papéis diferentes serão conflitantes (por exemplo. quem decide é o Poder Superior. devemos pensar cuidadosamente se podemos apadrinhar essa pessoa de maneira eficaz. força e esperança”. Esses relacionamentos podem trazer desafios específicos devido aos nossos diferentes papéis nesses relacionamentos. colega de cela ou amigo – pode nos pedir que o apadrinhemos. colega de trabalho. como chefe e padrinho)? Seremos muito afetados pelo que já sabemos a respeito da pessoa para podermos apadrinhá-la? Poderemos “abrir mão” e deixar que eles cresçam em seu próprio ritmo? Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento.

e foi uma experiência triste e importante para mim. Estava com raiva dele como parente. O tempo mais longo que ele ficou limpo foi o tempo que nós tivemos contato mais intenso. as amizades podem às vezes ter um impacto sobre minha 155 . “Eu desenvolvi amizades muito próximas com mulheres que amadrinhei ao longo dos últimos 13 anos. Infelizmente. comunicação é a chave para trabalharmos bem juntos. Quando ele recaiu. Ele pediu que eu fosse seu padrinho. mas sempre o aceitei como afilhado”.decidirmos aceitar. e eu não tomei isso como um pedido frívolo. nem ele foi frívolo ao pedir. e às vezes eu o dava sugestões que ele nunca seguia. “Eu apadrinhei meu cunhado. Nós nos encontrávamos nas reuniões e em casa. eu sabia que era impotente.

diferenças culturais. Narcóticos Anônimos tem experimentado crescimento incrível. Comunidades de NA ao redor do mundo usam praticas variadas de apadrinhamento. Nossa experiência tem mostrado Ao longo dos anos. Ainda. às vezes tenho medo de confrontá-las a respeito de suas ‘coisas’ porque não quero que a amizade seja ameaçada. Então tenho que rezar muito nesses relacionamentos para que eu não prejudique minha amiga e afilhada. em membros e países ao redor do mundo. Muitas dessas práticas são adaptadas à cultura daquela 156 . e isso começa com honestidade”. opiniões individuais. A intimidade do relacionamento tem a capacidade de distorcer minha visão. e outras circunstâncias específicas têm levantado uma gama de opiniões a respeito do apadrinhamento.eficácia como madrinha se eu não tomar cuidado. Quero dar a elas tudo que esse programa de recuperação tem a oferecer.

Devemos. Alguns membros sentem que a irmandade que o membro freqüenta é menos importante do que a vontade do afilhado em seguir sugestões e praticar os princípios do programa de NA. no entanto. Freqüentar outras irmandades Muitos membros acreditam que podemos melhor apadrinhar aqueles membros que freqüentam somente reuniões de NA.comunidade em particular. Os seguintes tópicos podem apresentar desafios específicos para nossa adicção a respeito de apadrinhar alguém. seremos afetados por nossa decisão em apadrinhar alguém que freqüenta outras irmandades além de NA. como padrinhos. 157 . Diretrizes definitivas provavelmente seriam muito rígidas para a diversidade de NA hoje. considerar como nós. “Me arrependo das oportunidades que neguei por causa de minha visão ‘somente NA’ – oportunidades de adicionar idéias novas e perspectivas frescas à nossa comunidade e modo de vida.

Após dois meses de estar dividido entre as duas irmandades. acho que se alguém demonstra que quer o que NA tem a oferecer. Após dar uma olhada em mim mesmo e sentir o que estava acontecendo comigo. tive um afilhado que sentiu que precisava ir a outras irmandades por razões que ele não compreendia muito bem. “Como padrinho. eu não poderia ser seu guia. raiva. e baixa auto-estima. Senti como se eu estivesse fazendo algo errado no meu apadrinhamento desse homem. eu não julgo o quanto eu acho que ele quer”.Hoje. ele decidiu que Narcóticos Anônimos supria todas as 158 . Eu disse que se eles quisesse continuar a trabalhar com a literatura da outra irmandade. pois não tinha familiaridade com o material deles. tomei a decisão que eu continuaria a amar e apadrinhá-lo. Imediatamente senti medo.

Respeito suas decisões. mas isso é minha experiência. e faço o que posso para não julgar. e minha experiência é realmente tudo o que tenho para partilhar. Ele ficou muito grato pela liberdade e amor que ele teve para tomar sua própria decisão”. Cada uma tem sua própria visão sobre recuperação e como ela mentem sua recuperação.suas necessidades de recuperação. Gênero 159 . bom. “As mulheres que eu amadrinho são todas pessoas individuais especiais. Eu abriria mão da nossa história maravilhosa por essa razão? Absolutamente não”. é isso que funciona para ela. Se parte disso envolve ir a reuniões de outra irmandade. Não funciona para mim. Tenho apadrinhado uma mulher há 14 anos. e ela ocasionalmente freqüenta outra irmandade.

“Quando comecei a freqüentar reuniões. muitos membros acreditam que o processo interno para se alcançar esta meta é diferente para homens e mulheres. No meu caso.Apesar de todos nós estarmos em recuperação para atingir a mesma meta. Ele parecia a boa figura paterna. Portanto. esses membros estão firmes em suas crenças a respeito de apadrinhamento do mesmo sexo. Uma das mulheres me explicou que é fortemente sugerido que mulheres busquem apadrinhamento de outras mulheres. esses assuntos são ligados a muita vergonha. Eles sentem que pode haver falta de atenção e empatia entre membros do sexo oposto. e eu estava interessada em ser cuidada. Isso foi um conselho ótimo. Nunca poderia ter partilhado minha experiência sexual e de relacionamentos com um homem. considerei pedir que um dos homens mais velhos me apadrinhasse. e eu precisava 160 .

Afinal.partilhá-los com alguém que realmente compreendia como era para uma mulher ter que se comprometer para sobreviver como adicta na ativa”. mas definitivamente somos diferentes”. Porém. “Amadrinhei um jovem rapaz (sou mulher) por um longo período de tempo. ele foi trabalhar com um padrinho homem quando chegou no Quarto Passo. mas mais cedo em recuperação. e trabalhamos os primeiros três passos juntos. Ele disse que eu tinha o tipo de recuperação que ele queria e ele não se identificava com nenhum dos homens em 161 . um homem pediu que eu fosse sua madrinha. “Eu só amadrinho mulheres agora. há igualdade entre homens e mulheres. Não acredito que seja fácil se identificar completamente com um padrinho ou afilhado do sexo oposto.

eu co confrontava mais do que confrontava as mulheres. e porque não havia nenhuma química sexual entre nós eu achei que não teria problema. mas senti que não podia dar o amor incondicional que é preciso no relacionamento de apadrinhamento”. Gostava muito dele. sempre falo com afilhados em potencial sobre o fato que sou gay. Quando reconheci que estava me comportando desta forma. não gostei então eu disse a ele que achava que ele precisava trabalhar com homens. Eu lhe dava mais tarefas do que jamais tinha dado às mulheres. Se eles estão interessados em trabalhar sua 162 . e fiquei frustrada com seu progresso. “Como homem gay.nossa pequena comunidade de NA. Acredito que me senti lisonjeada. Mas esse relacionamento trouxe à tona toda a raiva que eu tinha escondido em relação aos homens.

sexualidade. 163 . mas ainda havia diferenças o suficiente para tomar a decisão de dizer não a pedidos futuros”. eles precisam ir a outro lugar. e uma vez apadrinhei uma mulher gay. Apadrinhamento é sobre os princípios de NA. Eu a apadrinhei por mais ou menos uma semana. Algumas mulheres me pediram para apadrinhá-las já que sou gay. Foi uma verdadeira experiência de aprendizado para mim”. e sou grato que não agi nem machuquei nenhum de nós dois. Sou um homem. Alguns membros têm tido sucesso com apadrinhamento do sexo oposto. Tenho que ser perfeitamente honesto e dizer que a energia sexual e desejo por essa mulher eram os mesmos para mim se ela fosse uma mulher heterossexual. Não havia atração sexual. “Acho importante ter um padrinho ou madrinha do mesmo sexo.

Aqui membros de NA exercitam sua criatividade em fazer seu melhor para assegurar que estão levando a mensagem de NA. tudo estará bem”. 164 . sinto que esses homens me vêem com respeito. Por outro lado. e o relacionamento funciona bem. Em algumas comunidades de NA. De minha experiência. “Sou mulher em uma comunidade onde eu era um dos primeiros membros limpos. acho que isso é um programa espiritual. pode não haver uma proporção equilibrada entre homens e mulheres dos quais poderão selecionar um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. Me vi dizendo ‘sim’ para amadrinhar homens. mas não acho que seja saudável para nenhum dos dois. e se conseguirmos manter nosso relacionamento focado em recuperação.Ambos os membros permanecem focados em sua recuperação. já que não havia outra pessoa naquela época. sem maiores complicações.

A primeira mulher que pediu que eu a apadrinhasse já tinha sido afilhada das três mulheres em NA em nossa área que tinham mais tempo limpas do que ela. e éramos uma área nova). e ainda apadrinha. Assegurar que ele se mantenha assim requer que o padrinho trabalhe um programa ativo que inclui fazer inventário de intenções regularmente. com as quais concordei e continuo a honrar hoje. apadrinhamento não é um serviço de namoro.“Como homem que tem apadrinhado. Segundo. (Isso era em meados da década de oitenta. um partido político ou psicanálise. tenho tido que trabalhar alguns assuntos para poder me manter responsável com meu compromisso. Finalmente. é 165 . apadrinhamento é platônico. mulheres. Primeiro. Busquei orientação de meu padrinho e ele me deu algumas regras para apadrinhamento.

Mas eu sou grata por ter seguido minha ‘intuição’.essencial permitir que afilhados cheguem a suas próprias compreensões de uma forma que funciona para eles. se sugerimos que heterossexuais tenham padrinhos do mesmo sexo. Eu me pergunto. também conhecida como Poder Superior. já que nossa literatura no passado tem sugerido que tenhamos padrinhos e madrinhas do mesmo gênero. Graças aos conselhos de meu padrinho. Quando ele me pediu. já que esse relacionamento tem sido um dos mais recompensadores que eu já tive em apadrinhamento. minha primeira intenção era dizer não. ainda sou padrinho daquela mulher e nosso relacionamento funciona”. então como aplicar esse 166 . “Eu tenho apadrinhado um homem gay (sou mulher) por aproximadamente oito anos.

estarmos cientes do potencial para atração sexual. é nossa responsabilidade examinarmos nossos motivos assim como os motivos do afilhado em potencial. então cabe a nós. como padrinhos.mesmo conjunto de normas à comunidade homossexual. na qual intimidade é baseada em parceiros do mesmo sexo”? Se membros do sexo oposto nos pedem para lhes apadrinhar. em apadrinhamento do sexo oposto. Temos que ter certeza que levamos a mensagem de NA e não abrigamos desejos secretos em relação a nossos afilhados. Se parecer que o afilhado tem segundas intenções. Esses tipos de sentimentos normalmente resultam em um relacionamento arriscado para ambos os membros. que façamos todos os esforços possíveis para distinguir entre atração romântica ou sexual e o desejo sincero de nosso afilhado de buscar conhecimento sobre o programa de NA. O potencial se aplica aos dois membros envolvidos no relacionamento de apadrinhamento. 167 . É imprescindível. Sentimentos românticos ou atrações por parte de qualquer um dos dois membros podem não ser óbvios.

Rezo para ser guiada e peço que a atração sexual. e tenho sido bem sucedida apadrinhando homens em meu papel como mulher. “Como mulher bissexual. posso ser mais útil para os 168 . uma vez que minha transição estava bem avançada. tenho possibilidades de relacionamento românticas com pessoas de ambos os sexos. um homem me apadrinhou. seja revelada se houver. Acredito que eu perderia a objetividade. tive que mudar para uma madrinha. “Eu sou um homem que não apadrinhará mulheres nesse ponto em minha recuperação. o único homem que apadrinho é gay”.“Sou uma pessoa transexual. Agora. Dessa forma. mas acho que poderia apadrinhar um homem gay”. Porém. Durante minha transição. por menor que seja.

NA é um programa 169 . Temos que tomar cuidado especial quando consideramos se devemos apadrinhar ou não um membro que ainda está em tratamento. Amo a mim e aos meus companheiros o suficiente para honrar a intenção do relacionamento padrinho/afilhado”. em uma instituição ou encarcerado. dizendo ‘sim’ para aqueles que vejo verdadeiramente como irmã ou irmão em recuperação e ‘não’ a qualquer um que eu possa ver como namorado/a em potencial. alguns membros de NA acham padrinhos e afilhados em situações institucionais. No entanto. Para esse fim. Apadrinhar membros em prisões e instituições A maioria dos comitês de serviço que leva reuniões a adictos em instituições pede que seus membros não participem em apadrinhamento quando conduzem apresentações. normalmente apadrinho mulheres heterossexuais e homens gays.dois.

temos que considerar quanto esforço estamos prontos a fazer. muitas instituições têm seu próprio conjunto de regras que pode afetar nossa interação com um membro residindo lá. Qualquer que seja nossa decisão. sem dúvida. 170 . Não é como apadrinhamento normal. “Sou madrinha de uma mulher que conheci quando fui fazer um painel institucional. Se formos incapazes de estarmos presentes para nós mesmos. devemos nos proteger de nossas vidas se tornarem incontroláveis como resultado dessa decisão. Enquanto os princípios do apadrinhamento são iguais para membros nessas circunstâncias especiais. então seremos incapazes de estarmos presentes para outra pessoa. Alguns de nós podemos dar mais do que outros.espiritual que pode ser trabalhado em qualquer lugar. podem afetar nossa decisão em aceitar tal afilhado. e alguns de nós sentem que as demandas de nosso tempo e energia podem ser demais. tanto como quanto tempo podemos dar. porém. Essas circunstâncias.

Nos encontramos semanalmente e falamos sobre os passos. quando vou visitar. Eles já têm muitas tarefas escritas para fazerem. revisamos o que ela escreveu. “Quando me pedem para apadrinhar alguém em tratamento. No mês seguinte. Dessa forma. sinto que 171 . Acredito que me colocar à disposição para recém chegados é uma parte importante da minha recuperação”. dou leitura e tarefas para ela fazer. “Dou meu telefone a adictos em tratamento e peço que eles mantenham contato comigo até que eles saiam do tratamento. Cada mês. não peço que eles escrevam nada. e eu respondo quaisquer perguntas que ela possa ter”.Ela não tem meu telefone. Peço que eles leiam o Primeiro Passo todos os dias. grifando palavras e frases que tenham especial significado para eles.

Posteriormente. estou apadrinhando alguém que está em uma instituição. Qualquer informação que era incriminadora ou sensível. Trabalhamos os passos via correio e telefone. só para lembrarmos do que se tratava. Quando chegou a hora de ouvir o Quinto Passo dele. funcionou bem. Ambos estávamos comprometidos e dispostos a fazer esse relacionamento funcionar – dentro das paredes . e uma vez por mês nos encontramos na sala de visitas.e até agora tem sido uma bênção enorme para nós dois”. pois paredes e cercas nos separam.estamos construindo nosso relacionamento”. escrevíamos em código. 172 . “No momento. É difícil nos comunicarmos. pudemos falar mais a fundo em particular.

Apadrinhar membros com culturas diferentes A doença da adicção não discrimina. “‘Como esses princípios podem funcionar para mim quando NA é sobre unidade e minha religião é sobre nós como um povo escolhido?’ uma afilhada com muitos anos limpa me perguntou. Assim como a doença não diferencia. religião ou falta de religião. a recuperação também não. classe social. Tive a oportunidade de olhar para como as tradições poderiam funcionar na vida dela. Ela nos prende independente de nossa família. mas os passos e tradições são princípios universais que podemos partilhar não importando de onde viemos. Fazemos o possível para apadrinhar sem discriminação. Qualquer adicto disposto a trabalhar o programa de NA pode encontrar recuperação. raça. 173 . Apadrinhar membros com experiências de vida diferentes e históricos familiares diferentes pode ser desafiador.

e ajudá-las a alcançarem uma compreensão de nossos princípios que podem funcionar com suas outras crenças. As tradições. tornam claro que tal reconciliação é possível”. sai que algumas pessoas me chamariam de uma adicta que teve um fundo de poço ‘alto’. “Mesmo com o caos e miséria em minha vida quando cheguei a NA. tenho um 174 . Cresci numa família de classe média e fiquei limpa relativamente jovem.Acredito que muitos de nós que saem pelas portas pelo zelo religioso o fazem porque não conseguem conciliar recuperação com religião. independente de sua religião. Parte de meu dever como madrinha é levar a sério as dificuldades de minhas afilhadas com as Tradições. Hoje. com seus firmes direcionamentos contra misturar NA com outros sistemas de crenças ou estruturas de serviço.

como saberia com é perdê-los? Porém. Sinto tanto amor e respeito por ela. Me preocupei que não teria nada a oferecer para ela. ao longo dos meses que a amadrinhei. Nunca tive filhos. Ela não tem dinheiro. Temos essas coisas em comum.diploma avançado e um estilo de vida confortável. Em cima de tudo isso. e acho que isso provavelmente é mais importante do que ter a mesma história”. ela perdeu a guarda de seus filhos. “Moro numa área repleta de imigrantes. pude falar com ela a respeito de perda e aceitação e impotência. Recentemente. então 175 . após ser presa. nem emprego e tem um carro quebrado. Acho que minha recuperação pessoal é fortalecida por variedade e diversidade. mas minha comunidade local de NA não reflete essa diversidade. arrumei uma afilhada nova que vem a NA por ordem judicial.

Eu os encorajo a rezar. Tendo a liberdade de escolher. assim como espero que eles respeitem minha escolha. fique aqui e me beneficie desse programa de recuperação. tem permitido que eu.fiz um compromisso com me tornar disponível como padrinho a pessoas desses grupos. meditar e manter contato consciente com seus Poderes Superiores. como ateu. os passos oferecem verdades universais que atravessam as barreiras de 176 . mas estou feliz por ver mais desses adictos em nossas salas hoje”. “Uma das razões que acredito que NA pode alcançar uma população tão diversa é a liberdade de escolha que nos é dada. Não tenho certeza se isso fez alguma diferença. Os adictos a quem apadrinho têm suas próprias compreensões de um Poder Superior. Respeito isso. Para mim. especialmente meu Poder Superior.

Alguns padrinhos pedem a um afilhado ou outro membro se eles gostariam de ter um afilhado ao invés de simplesmente falar não. tanto como a nosso afilhado em potencial. compreenderemos que não tem problema dizermos não. e às vezes essa decisão pode incluir dizer não quando nos pedem para apadrinhar alguém. credo. até que ele ou ela ache alguém com quem se sentem mais confortável. podemos ajudar a um afilhado com sua recuperação por um período curto. podemos sentir que entrar em um relacionamento temporário ou de transição pode nos beneficiar. com o que aprendemos em NA e de nosso padrinho ou madrinha. Tomando a decisão Queremos tomar a melhor decisão que podemos. Não temos que acreditar no mesmo Poder Superior para trabalharmos os passos juntos”.‘idade. Idealmente. raça. Como padrinho temporário. Por outro lado. religião ou falta de religião’. identidade sexual. podemos ajudar ao 177 . Dessa forma.

não queremos que adictos buscando recuperação se sintam sozinhos ou que não pertencem aqui. “Não sei qual é o problema em ter padrinhos temporários – parece uma opção viável para mim. Acho que é só jogo de 178 . normalmente pego seu telefone e ligo para eles. e eles não se sentem rejeitados”. Daí. ambos temos uma saída – eu posso encaminhá-los a outro. Por que estragar um relacionamento maravilhoso”? “Quando alguém me pede e eu preciso dizer não. Às vezes digo que se sentem atraídos por minha recuperação. “Sou o padrinho temporário de um companheiro há quase doze anos.afilhado em potencial a conseguir o apoio e orientação de um padrinho. para que não se sintam rejeitados. talvez eles se sintam atraídos por um de meus afilhados. por qualquer razão. Não importando quais são as circunstâncias.

palavras de qualquer forma. O espírito de apadrinhamento pode ser encontrado no fato de ajudarmos aos outros e dar a eles o que nos foi dado. Muitos de nós sabemos como confiança. 179 . Independentemente. não-profissionalismo e serviço – providenciam uma pedra fundamental em comum para todos os relacionamentos de apadrinhamento. Alguns acreditam que não há regras para apadrinhamento a não ser oferecimento de amor e aceitação incondicionais. enquanto outros apadrinham da forma que gostaríamos de ter sido apadrinhado. Alguns de nós apadrinhamos da forma que fomos apadrinhados. os princípios espirituais nas tradições – incluindo anonimato. O que é temporário? Um dia? Uma semana? Um mês? Acho que é melhor ter um padrinho por um tempo do que nenhum padrinho”. Desenvolvendo nosso papel como padrinho Métodos de apadrinhamento diferem de adicto para adicto.

fé e honestidade podem providenciar o alicerce necessário para ambos o padrinho e afilhado trabalharem na construção de seu relacionamento. e é meu papel como padrinho guiar meus afilhados pelos passos até o Deus de sua compreensão. “Meu maior desafio como padrinho foi desenvolver paciência e rendição quando apadrinhei dois adictos muito jovens. “Acredito que o propósito dos passos é ter um despertar espiritual. “É difícil apadrinhar alguém sem trabalhar o programa 180 . não só por serem recém chegados. Sinto que o contato mais forte com meu Poder Superior vem quando estou ativamente levando a mensagem”. Eles precisavam viver seu momento de cabeça-dura. mas por serem jovens experimentando algumas situações de vida. às vezes pela primeira vez”.

ele se mudou e eu tive que achar outro padrinho. Relutei e disse que já tinha trabalhado os passos. Meu padrinho novo me disse para começar no primeiro passo – impotência. Após dez anos. Eu trabalhei os passos com ele. então isso me encoraja a trabalhar os passos com meu padrinho. ele se tornou um amigo em quem podia confiar completamente com qualquer coisa. Desenvolvo mais habilidades com os dos passos através de ajudar outros a encontrarem seu caminho na mesma estrada”. Ele queria que eu os trabalhasse com ele sobre assuntos da vida. mas acabou sendo a melhor 181 . “Meu primeiro padrinho me levou pelo exemplo. Foi muito difícil conseguir aquela intimidade e confiança com outro padrinho. Ele me levou a diversas reuniões e me envolver com H&I.diretamente. não só drogas. Depois.

“Eu nunca tive que ligar tanto para meu padrinho na minha recuperação inteira. Cada vez que desligava o telefone com um afilhado. nosso relacionamento com nosso próprio padrinho ou madrinha pode crescer e mudar. Me sentia muito inseguro com o direcionamento que eu dava. um novo desafio. Ir mais a fundo do que anteriormente tem sido recompensador”. A experiência coletada conforme passamos pelos Doze Passos juntos nos ensina como ser um padrinho. ganhamos um sentido sobre o que funciona melhor para nós e para cada um dos nossos relacionamentos de apadrinhamento. Com o tempo. 182 . Como resultado. Muitos de nós começamos seguindo o exemplo de nossos próprios padrinhos. Apadrinhar alguém pela primeira vez pode parecer demais para nós. quanto quando comecei a apadrinhar pessoas. uma voz nova.coisa que podia ter acontecido: uma nova perspectiva.

Se meus afilhados quisessem alguém exatamente igual ao meu padrinho. Algumas vezes aprendemos lições dolorosas quando tentamos administrar.ligava para meu padrinho para dizer o que tinha falado ao meu afilhado. No entanto. Aceitei que não sou exatamente como meu padrinho e que tenho minha própria abordagem. eles me escolheram porque eu sou a pessoa a quem eles querem pedir ajuda para trabalhar os passos”. controlar ou consertar a vida e recuperação de nosso afilhado ou afilhada. Mas. então eu ligava para meu afilhado para revisar minha sugestão. Tiveram muitas vezes quando meu padrinho me dizia algo completamente diferente. Podemos nem perceber que estamos engajando nesse tipo de comportamento. afilhados precisam aprender a tomar suas próprias 183 . Hoje meu padrinho e eu nem sempre concordamos sobre as sugestões que dou aos meus afilhados. teriam pedido a ele.

Não só escrevemos a respeito deles. não aquelas que nós queremos que eles tomem. estou feliz por ter um ex-afilhado que está vivo. Apesar de eu ter um pouco de vergonha. Tentei. “Uma vez apadrinhei um adicto que manifestou tendências suicidas.decisões. ao invés de um que está morto”. tentamos praticar os princípios em nossas vidas diárias. Não sabia o que fazer. mas sentia que tinha que fazer alguma coisa. Ele se sentiu traído e abriu mão de mim como padrinho. sem sucesso. “Meu foco principal com meus afilhados é o trabalho de passos e tradições. e ele foi hospitalizado contra sua vontade. encaminhá-lo a um profissional para ajudá-lo. Fiz algumas ligações. Parte de meu dever como padrinho é ajudar meus afilhados a definirem seus 184 .

é também importante deixar que afilhados sofram as conseqüências de suas próprias ações. Na verdade. Isso não significa que ignoraremos uma ação em particular. Precisamos ser vigilantes conosco mesmos para permitirmos que nossos afilhados cresçam em seu próprio ritmo. Enquanto queremos oferecer orientação com amor. Foi quando aprendi o que significa ter um relacionamento sadio e que eu precisava resistir tentar controlar meus afilhados”.próprios valores e não copiar os meus”. nem que abandonaremos ou viraremos nossas costas para eles. deixamos os resultados nas mãos do Poder Superior e apoiamos nossos afilhados durante suas dificuldades. Desde então aprendi que não me tornei um bom padrinho até trabalhar o Nono Passo. “Fui ensinado a não apadrinhar até que tivesse feito o Quinto Passo. Alguns de nós deixam seus afilhados tropeçarem e crescerem conforme tomam 185 .

Conforme experimentamos o quão recompensador é ver alguém crescer. Ela sentia que roubar de um provedor de serviços públicos era justificado porque eles cobravam demais de seus clientes. recebemos uma chance de aprender sobre impotência perante nossos afilhados e sua doença. Infelizmente. Eu acredito 186 . ela se justificou até a prisão.suas próprias decisões. Hoje ela ainda paga restituição por seu crime. Outros podem usar um enfoque mais didático. Praticamos o princípio de rendição e tentamos nos lembrar que recuperação é um processo. “Minha afilhada estava determinada a continuar praticando comportamentos que estavam em conflito com os princípios que ela estava aprendendo através dos passos. Eu lhe falei que escrever os passos não tem fundamento nenhum se ela não incorporar aqueles princípios em sua vida e fazer mudanças sadias.

que o adicto que não muda usará novamente. Só posso amá-los incondicionalmente enquanto eles experimentam a vida. Acredito que uma das maiores responsabilidades de ser um padrinho é encorajar avanço. Tento pegar cada oportunidade que posso para ajudar meus afilhados rumo ao despertar espiritual que eu. eu posso diminuí-lo. cada adicto é diferente e segue a estrada de recuperação em seu próprio ritmo. Nunca tive que dizer ‘não falei?’ Não posso negar meus afilhados a dor de suas conseqüências. “Sim. Mas uma regra geral a respeito do ritmo é que. e 187 . não atraso. enquanto não posso fazer muito (se é que posso fazer alguma coisa) para aumentálo. e não seu comportamento”. Eu a amei e apoiei ao longo das conseqüências de suas ações. Deixo bem claro que estou apoiando a elas.

é um relacionamento 188 .outros adictos. Queremos ter certeza de que levamos a mensagem de esperança e não o desespero de nossa doença. precisamos estar cientes dos recursos que nós temos e o que temos a oferecer. força e esperança ao invés de teoria. Idealmente. Alguns membros acreditam que a partilha de experiência. sentir que alguém os ouve. “Uma das coisas mais legais sobre apadrinhamento é que me lembra de praticar as Tradições de NA – nãoorganização e nãoprofissionalismo. Alguns de nossos afilhados podem precisar mais do que qualquer outra coisa. ajuda a esclarecer a diferença entre apadrinhamento e terapia. Como padrinho ou madrinha. Outros membros preferem partilhar pouco de sua experiência pessoal e depender mais de literatura de NA para explicar como usar as ferramentas do programa. tem tido como resultados desses passos”. Às vezes nosso papel mais importante como padrinho é de ouvinte.

Faço o melhor que posso para guiá-los aos passos para obterem respostas e orientação em seus problemas. carreiras. etc. relacionamentos com família. Acredito que as respostas se encontram nos passos e nas tradições. “Normalmente digo aos meus afilhados no começo de nosso relacionamento que não sou conselheiro ou terapeuta. sugiro procurar ajuda profissional”. mas não tento dar as soluções. Para esses e outros assuntos.totalmente informal. Encorajo meus afilhados a falarem sobre as coisas comigo. 189 . Também acho útil falar sobre a Décima Tradição – não tendo opiniões sobre assuntos alheios – especialmente ao lidar com assuntos como remédio. Meu papel como padrinho é falar sobre ficar limpo em NA. e se torna o que os dois indivíduos querem que se torne”.

precisamos ser vigilantes em manter nossas responsabilidades perante aqueles que apadrinhamos. ou cônjuges de nossos afilhados. A confiança 190 . e como padrinhos devemos ter a capacidade de manter as confidências das pessoas a quem apadrinhamos. Apadrinhamento depende de confiança. Enquanto todo relacionamento é diferente.“Antes de pedir para um afilhado novo ler ou trabalhar no Texto Básico. Isso Resulta: Como e Porque. sugiro que eles leiam nossos folhetos. por exemplo. Isso parece ser menos intimidador ou sobrecarregador e os acostuma com os básicos – particularmente quando são novos e estão confusos”. ou Só Por Hoje. Em quaisquer circunstâncias. Se apadrinharmos um menor de idade. somos confrontados por membros da família. Isso pode apresentar desafios se. talvez precisemos criar alguma espécie de relacionamento com seus pais. alguns dos fatores fundamentais que tornam um relacionamento saudável e produtivo são constantes.

assegurando que ele se sentia confortável e seguro com isso. às vezes tinha que ligar para a mãe dele e explicar as coisas para ela. mas ela começou a confiar em mim porque eu tomava o tempo para explicar o processo de recuperação a ela. Ela aprendeu que 191 . tinha que falar com meu afilhado o tempo todo sobre minhas conversas com sua mãe. e devemos honrá-la. como o fato de que eu tinha falado ao meu afilhado que ele deveria ir a reuniões todos os dias. Hoje.de nosso afilhado ou afilhada é uma dádiva preciosa. limpo há 5 anos. E. meu afilhado de 19 anos. Quando apadrinhei um recém chegado de 15 anos. claro. Demorou. tem um relacionamento incrível com sua mãe. “Um dos aspectos mais difíceis de apadrinhar alguém menor de 18 anos é que às vezes você tem que criar um relacionamento com o pai ou responsável do afilhado.

“Em um momento de minha recuperação. fui madrinha de uma mulher que estava saindo com um de meus parentes. Depois que as 192 . mas na verdade eu lutei com isso até que tudo explodiu numa grande briga e nós quebramos a confidência uma da outra. Gostaria de dizer que lidei com isso de forma madura. vindo dela e de meu parente. Eu tinha informação que eu não queria. e foi ficando mais difícil para eu ser sua quaseparente e sua madrinha. Nos feriados eles me convidavam para a casa deles e tudo o que ela podia fazer era me agradecer por devolver seu filho a ela. O tempo passou e seu relacionamento foi ficando mais sério. mas sim agradecer a Narcóticos Anônimos”.ela podia ser somente sua mãe e não tinha que estar envolvida em seu relacionamento de apadrinhamento. Disse a ela para não me agradecer.

mais fácil é para nos enchermos de auto-importância. somos amigas e eu aprendi minha lição e não apadrinho mais pessoas que estão envolvidas em minha vida dessa forma”. Nós concordamos que ela estaria melhor com outra madrinha. conversamos a respeito do que aconteceu. podemos nos ver caindo na armadilha do “superpadrinho” – pensando que sabemos tudo e somos infalíveis! “Você nunca sabe quem vai dar certo nessa irmandade. Hoje.coisas se acalmaram. Quanto mais pessoas procuram respostas em nós. já que aquela pessoa 193 . às vezes ficamos entusiasmados demais em mostrar nosso conhecimento do programa. Por mais que tentemos resistir ficarmos confiantes e egoísticos demais. Eu não posso ignorar ninguém nem nada que é dito em uma reunião. especialmente se vários membros nos pedem. Quando somos pedidos para apadrinhar alguém.

Mas meu padrinho disse ‘Não ache que você é tão importante’”. Ao admitirmos essas limitações e sermos honestos com nossos afilhados. Nos mantendo cientes de nossas limitações e continuando a fazer nosso inventário pessoal pode impedir que entremos no pensamento de “melhor que”. que não me ligavam mais tanto. deve ainda haver mais para eu aprender!” “Eu fiquei muito julgador a respeito de meus afilhados com nove ou dez anos em recuperação. percebi que já que eu nunca fui a uma formatura do NA. fortalecemos o elo entre nós. “Como um padrinho com bastante tempo limpo. 194 . Apadrinhamento permite que cresçamos por experimentarmos nossas limitações.ou o que ela disse pode ser exatamente o que eu preciso em algum momento do futuro”.

Tinha ouvido que eu não posso salvar minha pele e meu ego ao mesmo tempo. Se não tive nenhuma experiência. Era eu quem tinha mais tempo daquela área. Estava sentindo tamanha dor emocional.“O negócio é partilhar experiência. acredito que não tenha problema indicar alguém que tenha tido. Isso não significa que sou um ‘mau’ padrinho. O que exatamente isso significa? Significa não falar sobre o que eu faria se estivesse naquela situação. mas sim falar sobre o que eu fiz em situação similar. 195 . Significa que sou um bom padrinho que leva recuperação a sério”. força e esperança. mas estava com medo de partilhar como estava sentindo em meu grupo de escolha. e vários afilhados também freqüentavam aquele grupo. “Me lembro de ter 21 anos limpo e querendo simplesmente morrer.

Não queremos oferecer orientação a respeito daquilo que não temos experiência. podemos buscar ajuda de outros sobre como lidar com as coisas. Vai entender!” Haverá momentos nos quais nossa experiência não se aplica ao momento de um afilhado ou ele ou ela está com algum problema além de nosso conhecimento.Finalmente deixei o ego de lado e partilhei como estava realmente sentindo. arrumei mais dois afilhados que queriam o que eu tinha. Pelo contrário. Oferecer sugestões aos nossos afilhados sobre onde eles poderão encontrar ajuda não significa que falhamos como padrinhos. podemos lhes oferecer um ombro amigo e 196 . Talvez tenhamos que dizer “Não sei” ou encaminhar nossos afilhados a outros que podem ajudar quando nós não podemos. tendo certeza de manter a confidencia e anonimato de nosso afilhado ou afilhada. Nós. na verdade. Sabia que meus afilhados iam ficar envergonhados e me largar como seu padrinho. Significa o oposto. Enquanto podemos nem sempre saber o que é melhor para nossos afilhados. também.

Se eu der conselhos. Deixo os conselhos para os profissionais que sabem lidar com essas conseqüências”. Sei que estou sendo honesto. assim como com minha recuperação em geral. e que se meu afilhado fizer o que eu fiz. ele pode ficar limpo.assegurar-lhes sozinhos. estou me comprometendo com outra pessoa e comigo mesmo. Se meu afilhado segue meus conselhos e acaba usando ou experimentando conseqüências desfavoráveis. estou em solo firme. eu seria responsável. mas partilhar minha experiência. Vejo meu papel não como dar conselhos. não estou em base firme. “Quando digo ‘sim’ a alguém que pede que eu seja seu padrinho. força e esperança num nível mais 197 . que eles não estão “Partilhando somente minha experiência.

muitos de nós descobrimos que nosso padrinho tem a resposta exata que estamos precisando.íntimo. Isso começa por ouvir”. Se não temos certeza sobre como encarar uma pergunta ou pedido de nosso afilhado ou afilhada. “Falo para meus afilhados que crescimento pode ser doloroso e solitário às vezes. Na maioria dos casos. Um dos maiores desafios como padrinho pode ser o desejo de protegermos nossos afilhados das situações avassaladoras em suas vidas. Aqui. mas ajudá-los a usar os princípios do programa para viver a vida plenamente. É como remover as rodinhas da bicicleta. Não estamos a sós nos nosso processos de tomada de decisões. Nem sempre 198 . a corrente de recuperação pode ser vista em sua mais pura forma – um adicto ajudando outro a ajudar a outro. Devemos estar cientes que nosso papel como padrinho não é proteger nossos afilhados da vida. podemos perguntar a nosso padrinho.

talvez. “Para mim. ser um bom padrinho significa que. Tudo o que posso fazer é estar lá para te ajudar a levantar e te estimular para tentar novamente. Podemos nos sentir mais próximos a algumas pessoas que apadrinhamos do que 199 . meu afilhado irá aprender tanto com seus próprios erros quanto com seu padrinho!” Para a maioria de nós. apadrinhamento oferece muitas vantagens e dádivas. Apadrinhamento pode se tornar um relacionamento saudável e respeitoso. Cada relacionamento é especial de seu próprio jeito. È uma forma de nos mantermos conectados a NA. Temos a oportunidade de compartilhar o despertar espiritual em outro membro. a servirmos. e aprofundarmos nossa intimidade. até que você aprenda a andar. e freqüentemente uma amizade profunda.posso correr do lado da bicicleta para impedir que você caia. Aqueles cortes e hematomas vão compensar bastante no futuro”.

Também. Eu trabalho com eles somente em recuperação. banco. 200 . não como melhores amigos.outras. acreditando que meu único interesse é sua recuperação lhes dá a habilidade de ouvir o que digo sobre certos assuntos”. “Muitos dos relacionamentos que entrei como padrinho me deram grandes amigos”. conselheiro matrimonial. mas tentamos dar o melhor de nós em cada relacionamento e assegurarmos que estamos igualmente disponíveis e receptivos a todos os nossos afilhados. É importante que eles saibam que meu único interesse é sua recuperação. etc. “Eu não me aproximo muito dos meus afilhados por algumas razões que acho importantes. Isso lhes dá a oportunidade de serem honestos comigo e não enfeitar nada por medo que eu os julgue ou desaprove. conselheiro profissional.

Usamos o novo guia para trabalhar os passos. e outros são emocionalmente distantes. “Trabalho com meus afilhados num grupo de estudo de passos. Tento não pré-julgar que tipo de relacionamento deveria ter com um afilhado. Através de trabalhar os passos e tradições com nossos afilhados. alguns são mais como ‘negócios’. assim como individualmente. junto com o Texto 201 . Enquanto nossa jornada através do apadrinhamento irá variar de membro para membro e comunidade para comunidade. permitindo que o relacionamento cresça e mude naturalmente”. aprendemos a ser consistentes e termos boa vontade para praticarmos os princípios espirituais.“Tenho muitos tipos de relacionamento com as pessoas que apadrinho. estamos todos buscando o mesmo destino em recuperação. Alguns são meus ‘melhores amigos’.

Após trabalharmos o passo. rezamos e agradecemos a Deus por mais uma oportunidade de nos curarmos aplicando os princípios.Básico e Isso Resulta: como e porque. “Antes de trabalhar com minhas afilhadas. A maioria dos companheiros que apadrinho têm múltiplos anos limpos. É incrível a distância que podemos percorrer com os Doze Passos!” “As tarefas que dou aos meus afilhados dependem de seu 202 . Precisamos lembrar que Deus é o poder maior. conhecimento. e poucos são novos ao programa. e coragem para ver a verdade e significados dos passos para que mais cura possa ocorrer. rezo e convido Deus para a experiência. Peço sabedoria. Também enfoco as tradições e fortemente encorajo adesão à Décima Segunda Tradição”.

Mas independente das tarefas diferentes. nem conselheiro matrimonial nem alguém que vai ser facilitador. 203 . trato todos os meus afilhados com o mesmo respeito e amor. não sou conselheiro. Quando eles ligam. então por favor não minta. vá a 90 reuniões em 90 dias e começaremos a trabalhar o Primeiro Passo juntos. não empresto dinheiro. se você mentir não posso te ajudar. não posso te fazer bem nenhum. é para nós nos conhecermos melhor e criarmos um elo”. mas se não vai fazer nenhum esforço. Dou sugestões diferentes a afilhados com mais tempo limpo. me ligue antes de fazê-lo. posso ajudar. se você quer ficar limpo.tempo limpo. se você tiver vontade de usar. Digo a todos os recém-chegados: ligue para mim todos os dias e deixe um recado se eu não estiver em casa.

Partilhamos as realidades da vida com nosso afilhado ou afilhada – alegria e tristeza. felicidade e depressão. é possível partilharmos uma vida de liberdade além dos nossos mais incríveis sonhos.“Algumas de minhas afilhadas se encontram com mulheres com o mesmo tempo limpo para trabalhar nos guias dos passos juntas. 204 . Apadrinhamento abre a porta para nossos próprios corações. coragem e medo. Elas acham motivador fazer isso. verdade e decepção. Através da simplicidade do programa de Narcóticos Anônimos. e podemos aprender a não nos levarmos tão a sério. e dizem que isso ajuda a criar relacionamento mais fortes. nascimento e morte. escolhem partilhá-lo comigo”. Conforme completam o passo.

CAPÍTULO QUATRO O RELACIONAMENTO DE APADRINHAMENTO: DESENVOLVENDO E SUSTENTANDOO Desenvolvendo e sustentando o relacionamento de apadrinhamento Relacionamentos requerem trabalho. temos a oportunidade rara para aprendermos uns dos outros. essas coisas são especialmente difíceis. Muitos de nós não tivemos exemplos ótimos no que diz respeito a respeito mútuo e carinho. ensinar uns aos outros. corremos de intimidade. freqüentemente nos fechando para aqueles que mais se importavam conosco. No apadrinhamento. e gostar uns dos outros. e se comprometer. Em nossa adicção. A maioria das pessoas acha difícil ser vulnerável. Para adictos. O apadrinhamento nos mostra como trabalhar com os outros enquanto nos 205 . aprender a confiar e a ser confiável.

Mas nos tornamos dispostos a arriscar e encarar aqueles medos que nos impedem de experimentar relacionamentos ricos e significativos. Tenho orgulho disso. e ir para 206 . ficar com companheiros. Elas em escolheram para guiá-las através dos passos. Fui forçado a ver que elas precisam de mim. Sei agora que tenho algo a dar: minha experiência de recuperação em NA.” “Se estar em recuperação significasse somente ir às reuniões. Podemos aprender a confiar. Poderia somente ir às reuniões. Através do apadrinhamento. vim a entender que tenho a capacidade de gostar e até amar outras pessoas.conhecemos. o relacionamento nem sempre será fácil. podemos aprender a viver mais plenamente. “Ao apadrinhar outros adictos. Naturalmente. Iremos cometer alguns erros. poderia continuar com minha vida sem nem trabalhar em mim. Nem precisaria de ajuda.

Minha madrinha me tem ajudado a construir um relacionamento forte com meu Poder Superior e ao trabalhar os Doze Passos. através dos quais eu tenho aprendido a lidar com meus comportamentos adictivos. Sem seu percebimento. Se eu fizer isso sem a orientação e o apoio de meu padrinho. Mas essa não é a realidade. minhas dificuldade se minhas crenças afetam a maneira que lido com as outras pessoas. Preciso fazer bastante para me tornar a pessoa que quero ser. Preciso trabalhar em meus relacionamentos – a maneira que meus defeitos de caráter. não crescerei tanto. Meu relacionamento com minha madrinha é precioso 207 .” “Estou ciente de quem eu era antes de ter uma madrinha: uma pessoa solitária e isolada.casa. provavelmente eu não iria tão a fundo quanto poderia ir.

“Tenho descoberto que às vezes apadrinhamento é fácil. Tenho trabalhado com uma afilhada há 15 anos. Às vezes me 208 .para mim. Às vezes o relacionamento de apadrinhamento de desenvolve com facilidade desde o começo. Outras vezes. Aprender a comunicar bem é um dos desafios que encaramos ao longo da nossa caminhada em recuperação. Sou grata por sua presença em minha vida”. fazer o esforço de conhecer outra pessoa pode parecer difícil ou quase impossível. e o relacionamento precisa de pouco trabalho. Ambos os membros se sentem confortáveis um com o outro quase imediatamente e partilham com entusiasmo. Autorevelação honesta e respeito mútuo podem providenciar um alicerce sólido sobre o qual pode-se construir esse relacionamento excepcional. cuja visão para ela mesma tem sempre sido igual à minha. Contato freqüente com nosso padrinho ou afilhado pode nos ajudar a abrir nossos corações e permitir que intimidade se desenvolva.

“No início. pois não confiava em mulheres. e dificuldades. E sabe o que? Após anos de dramas girando em torno das drogas. mas sei que 209 . aprendi que a vida nem sempre é uma luta. que paz de espírito é possível. Hoje. energia e oração. podemos partilhar sobre tudo. eu e minha madrinha trabalhamos somente os passos e meus problemas. É como ter uma melhor amiga. que eu nunca tive no passado. porque nos conhecemos tão bem (durante os últimos 16 anos).pergunto se o trabalho que fazemos juntas é tão importante espiritualmente quanto aquele que faço com pessoas que requerem bastante tempo. e relacionamentos que são fáceis são preciosos”. Ter uma madrinha me fez pensar em outra pessoa em me tem dado ferramentas para construir um relacionamento duradouro. Às vezes ainda é difícil pedir ajuda.

Alguns de nós enxergarão o apadrinhamento como a forma de ter o melhor amigo que nunca tivemos nossa vida inteira. sempre. mas impor condições para o que queremos ou o que achamos que queremos. Esses desejos não são errados ou prejudiciais. as recompensas são maiores do que jamais imaginei”. Podemos sempre querer ter as respostas certas para aquelas perguntas difíceis que os afilhados fazem. Muitos de nós temos expectativas irrealistas sobre o que um relacionamento de apadrinhamento deve ser. Depois de achar um 210 . Podemos querer ser o afilhado preferido fazendo a coisa certa. limita nossas possibilidades e pode atrasar nosso crescimento.quando peço. achei que um padrinho era um super-herói ou cavaleiro de armadura brilhante que sempre viria me salvar. “Quando cheguei ao programa. Ficar limpo e manter a mente aberta muitas vezes traz dádivas muito além do que imaginamos para nós mesmos.

Às vezes a reação inicial de qualquer uma das partes é defensiva. pedindo que olhemos para algo desconfortável. Nosso padrinho poderá nos desafiar. a coragem e humildade necessária para resolver essas questões freqüentemente levam o relacionamento de apadrinhamento a níveis mais profundos. ou talvez desafiemos nosso padrinho. enquanto meu padrinho me dava enorme conforto em momentos de dificuldade. na verdade ele está lá para me ajudar a trabalhar os passos”. Como em qualquer relacionamento. Um elo dinâmico e significativo entre um padrinho e afilhado depende de um alicerce sólido de boa vontade. Isso inclui a boa vontade para passar por dificuldades sem deixar medo ou raiva destruírem o relacionamento.padrinho. “Não estava muito preparado para o fato de quanto apadrinhamento iria me 211 . percebi que. querendo algo mais ou diferente do que estamos recebendo. Podemos até trocar palavras ásperas ou dizer coisas das quais depois nos arrependeremos.

e digo alguma coisa que machuca.desafiar a me estender e crescer. Tento sempre ser sensível e respeitoso. que eu levo ao meu Décimo Passo. E talvez em outros momentos não estou tão amoroso e centrado. minha primeira reação instintiva é defensiva. mas às vezes a coisa que precisa ser dita não é muito gostosa. ou raiva. Eu convido abertamente os companheiros que apadrinho a me confrontarem livremente. ou dor. Pensava que como o padrinho era eu quem ia desafiar os afilhados. e eles se tornam magoados ou defensivos. sou eu quem diz algo que acredito que precisa ser dito. mas quando eles fazem exatamente isso. admitindo que cometo erros e sou totalmente humano. Em outros momentos. Vim a enxergar esses momentos de dor e conflito como oportunidades de ganhar habilidades básicas de 212 .

relacionamento que posso aplicar posteriormente em meu casamento. Aprendi não só a não ter medo desses momentos desafiadores. Vivi com muito medo desses momentos de desconforto interpessoal antes de encontrar NA. e se eu me manter focado em princípios. nós saímos das coisas com um elo maior de confiança e respeito mútuo do que entramos. O relacionamento de apadrinhamento tem sido a oficina onde tenho aprendido a confiar no amor e compromisso de outros homens em recuperação o suficiente para ficar e ter conversas difíceis. Tive que aprender. às vezes dolorosamente. Em quase todos os casos. mas a aceitá-los de braços abertos 213 . com meus filhos ou em qualquer outro lugar. se eu ficar ali com amor e respeito. que conflito e raiva entre as pessoas não tem que significar rejeição ou abandono.

como os momentos chave para o aprofundamento do relacionamento”. Partilhar algumas de minhas 214 . esse relacionamento providencia um dos nossos elos mais básicos ao programa de Narcóticos Anônimos e pode nos mostrar como viver as soluções que os passos têm a nos oferecer. posso construir um relacionamento baseado em amor incondicional e compromisso. Com a orientação do Poder Superior e um sincero desejo de ajuda a outro adicto. Ego não tem lugar em meu processo de tomada de decisão. Ambos os membros devem estar motivados a trabalharem um com o outro. “É imperativo que eu examine meus motivos quando concordo em apadrinhar alguém. Entrar no apadrinhamento é arriscado. Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. comprometidos com sua própria recuperação. e dispostos a aprender mais a respeito dos princípios espirituais de NA.

vá a uma reunião. Verdade cria confiança. trabalhe seu passo. e quanto mais verdades partilhamos. Quanto mais dou.verdades mais íntimas pode se assustador. Após o longo silêncio. mais confiança se desenvolve. eu dizia ‘Exatamente! Escreva o passo e depois me 215 . Porém. e esse processo ajuda a manter um relacionamento duradouro”. confio que meu Poder Superior está no meio do relacionamento e me ajudará a partilhar livremente. mais recebo. “Porque é que afilhados sempre parecem ter uma ‘crise’ durante meus exames finais na escola? Minha solução no último semestre foi deixar uma mensagem simples de NA em minha caixa postal: ‘Se isso for um afilhado. e depois me ligue.’ Quando eles queriam me contar tudo sobre o drama em suas vidas eu simplesmente perguntei onde estavam com o passo atual.

Esses são os momentos que preciso voltar aos básicos – aquelas coisas que eu fazia sem perguntar quando comecei a ficar limpa. estou aprendendo tudo novamente sobre compromisso. e comigo”. Tenho certeza que essa abordagem não funcionaria com todo mundo. Não quero ir à minha próxima reunião só para pegar uma 216 . Sei que preciso fazer minha parte. mas parece ter funcionado bem com meus afilhados. “Como uma afilhada que acabou de começar a trabalhar com outra madrinha. Às vezes essas coisas são difíceis de fazer. às vezes me torno complacente e muito confortável. As desculpas que estou muito cansada para ir a uma reunião ou que está muito tarde para ligar podem me meter em grandes encrencas. Preciso ir a reuniões regularmente. Depois de estar limpa por mais de 20 anos.ligue’. e trabalhar os passos.

Ficarmos limpos. “Fui recentemente diagnosticado com uma doença que os médicos dizem irá tomar minha vida em mais ou menos um ano. Encontramos dádivas aqui em NA que a maioria das pessoas nunca experimenta em sua vida. Às vezes nos vemos frente às circunstâncias mais difíceis da vida. Temos uma conexão que nos mantém unidos: compartilhamos a recuperação de uma doença devastadora. Nossos relacionamentos como padrinhos e afilhados podem oferecer o apoio e compreensão que precisamos para continuar indo em frente. Medo e 217 . Somos todos sobreviventes. trabalharmos os passos e trabalharmos com nossos padrinhos não nos isentam das realidades de viver a vida. Sei que isso parece dramático. mas a questão não é realmente essa? O Texto Básico diz: ‘tempo limpo não é igual a recuperação’.ficha branca. e tentamos fazer o melhor que podemos.

choramos. Imediatamente liguei para meu padrinho! Nós conversamos. trabalhando os passos. falando com meus afilhados e padrinho.pânico me envolveram no início. Encaro minha mortalidade diariamente indo a reuniões.. praticamos os princípios espirituais desse lindo programa. mas percebo agora que tenho a dádiva de 218 . da adicção. Sabia no fundo do meu coração que não queria passar meus últimos dias na terra preso nos horrores da adicção. agora pode começar a usar drogas de novo porque você está morrendo’. e confiando no meu Poder Superior amoroso. dizendo para mim ‘Ei. sempre achei que eu seria um daqueles velhinhos que levanta numa convenção com 50 anos limpo. e começamos a fazer o que fazemos há anos juntos. mas aí senti uma estranha sensação de calma. Sabe. Percebi que a calma era minha doença..

Tinha feito e visto tanto que não conseguia mais chorar ou sentir. e duvidava que iria fazê-lo novamente. eu via seu corpinho sendo machucado por ele. Ela só tinha seis meses limpa – o tempo do despertar emocional dela estava por vir”. parecia que meu coração tinha virado pedra. e enquanto falava. Sua partilha honesta foi a conexão de volta para uma vida emocional para mim. com muita tristeza para nós duas.estar limpo só por hoje. e meu coração se partiu. Imediatamente. me lembrei de ter apanhado do meu pai. os olhos dela permaneciam sem lágrimas. 219 . É daí que vem a minha liberdade”. Enquanto eu chorava. e não me sinto só. Isso mudou para mim quando ouvia o Quinto Passo de minha afilhada. “Quando estava usando. Ela partilhou sobre ser espancada por seu padrasto.

Conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento. não importando como isso sentia. Ele ficou arrasado e sentiu muita dor por muito tempo. 220 .“Meu afilhado estava no Terceiro Passo quando sua namorada o largou de repente para ficar com outro membro de NA com muito mais tempo limpo que ele. Para minha surpresa. Estava preocupado que ele não ia conseguir sair dessa limpo ou vivo. Tudo o que conseguia dizer a ele era para continuar tentando entregar sua vida e vontade ao Poder Superior de sua compreensão. Ele confiou que a vontade do Poder Superior dele era o melhor para ele. nos tornamos cientes do impacto de trabalharmos com os princípios de NA. ele finalmente alcançou aceitação da situação. Minha própria confiança em Deus e no poder do Terceiro Passo foi imensamente melhorado por essa experiência”.

NA nos ajuda a nos libertarmos das drogas. raivoso ou hostil. “Me tornei menos e menos motivado pela necessidade dos meus afilhados gostarem de mim.Começamos a ver os resultados de aplicarmos os passos e tradições em nossas vidas diárias. Posso me sentir mais confortável sendo honesto. sempre procurando 221 . mas sim. que eu abri mão de minhas tendências de agradar o outro. nas vidas daqueles à nossa volta. mesmo quando estou falando com alguém que pode se tornar defensivo. Com isso não quero dizer que me tornei menos gentil ou amoroso. Aprendi como defender minhas crenças e praticar os princípios espirituais que NA me ensinou. e em como enxergamos nosso lugar no mundo. mas logo começamos a entender que crescer em recuperação vai muito além de simplesmente não usar. Agora tenho mais experiência para dar orientação e direcionamento a afilhados.

Já que confio mais em mim. descobrimos que. por sua vez. com uma pessoa dando toda a ajuda. se desenvolve em uma “via de mão dupla” que tanto ouvimos falar. Através do processo de trabalhar os passos juntos. com cada adicto ajudando ao outro.usar os Doze Passos como base da solução. aprendi a confiar mais nos outros. com a mente aberta. 222 . Posso ouvir críticas construtivas. tem me ajudado a ser um afilhado com mais mente aberta. o que pode iniciar como um relacionamento desbalanceado. sugestões e aquelas velhas verdades que tenho dificuldade de enxergar sem a ajuda de outro. Isso. com maior habilidade para confiar no meu padrinho e revelar o que está realmente acontecendo em minha cabeça e coração. Hoje confio que meu padrinho me ama incondicionalmente e verdadeiramente me compreende com o coração cheio de empatia e ajuda”.

Alguns membros experimentam o apadrinhamento como um elo amoroso e incondicional. Independente de como nosso relacionamento de apadrinhamento se desenvolve. As palavras nas paginas de nossa literatura parecem ganhar vida e falar comigo como nunca antes. Às vezes e como se eu nunca tivesse visto certos trechos. Agradeço a Deus e a meus 223 . “O processo de trabalhar os passos com meus afilhados nunca pára de me surpreender. tenho novas revelações. fazemos nosso melhor para ajudarmos um ao outro. Continuo crescendo em minha recuperação pessoal por causa da perspectiva nova que suas interpretações dos passos oferece. enquanto outros o verão em termos da instrução ou até disciplina que ele pode providenciar. Cada vez que eu sento com um afilhado para trabalhar os passos. ou ouvido certo conceito ou principio antes.

o que gostava nele. Ele partilhou que esteve numa situação similar com um padrinho. Foi um processo incrível para mim. Ficava dizendo isso a ele varias vezes. Ao me tornar honesto com ele. “Fiquei muito chateado com meu padrinho quando senti que ele estava fazendo corpo mole com o compromisso dele comigo. Escrevi sobre tudo – porque eu o escolhi e continuei com ele. Eu não mais me sentia frustrado e sozinho. nos encontramos e discutimos o inventario de forma amorosa e madura. Depois.afilhados por suas contribuições a minha recuperação”. nosso 224 . ate que ele pediu que eu fizesse um inventario sobre ele. e que ele fez a mesma coisa. o que funcionava e o que não estava funcionando. o que ele fazia que me deixava com raiva.

Ela me ajudou com minha decisão de me distanciar de romance ate que tenha meu Poder Superior como meu primeiro 225 . aprendemos a trilhar um caminho espiritual. Em muitas formas. Nossa habilidade para partilhar nossos pensamentos sobre princípios espirituais com outra pessoa é um presente poderoso de recuperação. nós mesmos e outro ser humano.relacionamento pode continuar a evoluir”. Ajudarmos nossos afilhados a trabalharem os passos enriquece nossa própria espiritualidade. Como trabalhamos os passos Quando trabalhamos os Doze Passos. “Minha madrinha tem me ajudado a ver que relacionamentos com homens me causaram muitos problemas no passado. esses princípios são elementos básicos para estabelecermos e mantermos relacionamentos saudáveis – com nosso Poder Superior.

frustrado e sozinho. estava me sentindo espiritualmente inadequado. “Em um determinado momento de minha jornada. e muito bem. Me encontrei com meu padrinho e li o que eu tinha escrito nos últimos dias. meu padrinho me assegurou que se ele acreditasse que a solução para minha insanidade fosse outra coisa senão os Doze Passos de NA. e doeu por aqueles sentimentos para fora. Foi intenso. Após ouvir a leitura e me deixar partilhar do coração.e mais importante relacionamento”. e sei hoje que nunca estou só. a não ser que eu queira estar”. Sabia. Isso foi ha quatro anos. Estava julgando o meu interior pelo exterior dos outros. Eu entendi e segui em frente. 226 . qual era a alternativa. ele me avisaria. e sabia disso.

As palavras que minha madrinha usou ainda estão na minha cabeça: ‘Largue a velha você. Você precisa do espaço porque a 227 . Quando estava escrevendo meu Quarto Passo usando o guia. empatia. Já tinha feito os passos com duas madrinhas anteriores e tinha recebido uma sensação de liberdade duradoura. mas de maneiras novas e antes desconhecidas. e amor incondicional par que pudesse fazer o inventario profundo. e meus muros de defesa ainda me bloqueavam da intimidade.“Trabalhar o Quarto e Quinto passo com minha nova madrinha foi assustador no início. Minha doença ainda estava ativa em minha vida. Mas minha vida ainda estava sendo regida por um desejo de aceitação social no programa. tive que depender de minha nova madrinha para me dar apoio.

Há. 228 . “Quando apadrinho alguém que não lê ou escreve. Alguns de nós usam dicionários. Muitos dos textos e panfletos de NA são publicados em um grande número de línguas. como o Texto Básico. Se estamos dispostos a nos esforçarmos.nova você esta se mudando para cá’”. versões em áudio da literatura de NA para ajudar aqueles de nós com deficiências físicas ou que não têm habilidades literárias fortes. Como padrinhos. Podemos pedir que afilhados escrevam a respeito de certas partes desses textos e outra literatura de NA. também. Isso Resulta: Como e Porque. Recuperação é uma experiência altamente pessoal. e os Guias para Trabalhar os Passos em Narcóticos Anônimos. cada um de nós tem desenvolvido sus própria maneira de trabalhar os passos com afilhados. assim como as diversas ferramentas do programa. então podemos encontrar uma maneira de trabalharmos os passos e compreendermos o programa de NA.

“Somente apadrinho adictos que estão dispostos a continuarem indo em frente com os passos. Depois. Ela aprende a fazer isso através de escrever os passos com sua madrinha. gravando seus passos na fita. Primeiro.” “Minha madrinha me ensina como trabalhar os passos. gravo como eu quero que minha afilhada faça a tarefa.dependo do uso de fitas cassete. Ela esta aberta a aprofundar sua própria experiência de 229 . Acredito que e essencial para sua recuperação e seu bemestar. Ela pode sempre rebobinar a fita e voltar ao começo se precisar lembrar como fazer a tarefa. Dou a fita a ela. peço para minha afilhada ouvir a versão áudio do texto básico. e por essa razão gravo a tarefa no inicio da fita”. para que complete.

Eu tenho visto ela continuar a mudar e crescer ao longo dos anos. Isso me da esperança de que eu também posso. mesmo estando 24 anos limpa.recuperação e não age como se ela tivesse ‘conseguido’ a recuperação e não precisa mais crescer. A autorevelação honesta de um padrinho pode ajudar o afilhado a ganhar confiança na direção do padrinho. Minha madrinha tem uma mente de recém chegado e ver sua boa vontade me inspira a ter a mesma atitude. Tento repassar os conceitos que aprendi dela as minhas afilhadas”. O processo de trabalhar os passos juntos pode tornar mais fácil o desenvolvimento da confiança. 230 . Estamos juntas ha dez anos. Alguns de nós temos visto que a chave para construir confiança é partilha aberta e íntima entre padrinho e afilhado.

Foi somente depois que comecei a confiar nela que 231 . Foi somente ao falar com meu padrinho que eu aprendi que podia ter a humildade e honestidade de ser quem sou e partilhar isso com meus afilhados. dos pontos de vista tanto do afilhado quanto do padrinho. me vi me tornando mais e mais confortável com ela. ajuda aos dois desenvolverem e aprofundarem nossa compreensão e confiança”. Ser vulnerável envolve um certo risco. Achava que tinha que ser perfeito sempre. “Uma vez que eu pude falar sobre coisas pessoais com minha madrinha.“Antigamente achava difícil falar aos meus afilhados que eu tinha experimentado o mesmo medo e vergonha que eles estavam sentindo. e aprendi que ao trabalhar os Doze Passos.

Depois ele disse que havia uma razão pela qual os passos estão enumerados de um a doze. podemos tirar o foco dos nossos 232 . Se passarmos muito tempo falando apenas sobre nós mesmos. questionava meu padrinho quando ele me dava direcionamentos sobre trabalho de passos. Não queremos jogar todos os nossos problemas para aqueles a quem apadrinhamos.. Ele disse que eu tinha que parar de tentar ser meu próprio padrinho e parar de controlar o processo de trabalhar os passos.pude começar o processo de escrever os passos”. e quando fazê-lo. confie no processo!” Outros de nós descobriram que revelar muitos detalhes pessoais quando ajudamos nossos afilhados a trabalharem os passos pode causar incerteza a respeito do papel do padrinho. “No começo. Queria escolher o passo no qual iria trabalhar.. nem queremos dominar a conversa.

Houve vezes que parecia que eu estava arrancando dentes. individualmente. “Como recém chegado.afilhados. “Desenvolver novos relacionamentos de apadrinhamento não tem sido sempre fácil para mim. Mas. ligava para minha madrinha pedindo apoio e ela passava tanto tempo falando dela que não tinha a oportunidade de expressar 233 . Parte de desenvolver um relacionamento de apadrinhamento é encorajar nossos afilhados a partilharem suas experiências. tempo e experiência me tem ensinado que paciência e encorajamento amoroso são as chaves que destravam os lábios e o coração”. e devemos descobrir o que funcionará melhor. Encorajar meus afilhados a partilhar honesta e livremente tem às vezes sido desafiador. Cada relacionamento de apadrinhamento é único.

Meu único remorso e que não falei com ela sobre a frustração naquele momento”. pedindo que o afilhado escreva extensamente a respeito de cada passo e princípio. Muitos de nós temos orações que dizemos antes e após o trabalho com os passos. enquanto outros não têm uma abordagem tão estruturada. Naquela época. Vários de nós desenvolveram métodos específicos que usamos ao guiar afilhados pelos passos. não tinha guia para trabalhar os passos. Fiquei impaciente e achei outra madrinha. “Quando cheguei. cada padrinho e madrinha 234 . Alguns favorecem um processo metódico e detalhado. É importante lembrar que não temos todos a mesma abordagem em ralação aos passos.minhas necessidades ou adquirir a orientação que queria nos passos. alguns membros usarão dicionários para esclarecer certos princípios e conceitos. Conforme comentado anteriormente.

como se fosse uma revisão. me foi mostrado uma maneira diferente de trabalhar os passos Dez a Doze diariamente e como incorporá-los em minha vida. arrumei um padrinho novo. Senti que algumas das perguntas eram repetitivas. Recentemente. comecei a ficar com ressentimento.tinha um jeito diferente de trabalhar os passos. Porem. que pediu que eu começasse no inicio do Guia Para Trabalhar os Passos de NA. Cada dois anos eu fazia um novo Quarto Passo. eu aprendi que esse programa e sobre mudança. Conforme comecei a fazer os primeiros passos. e me preocupava que usar um guia iria tirar um pouco da orientação pessoal que tanto valorizo no processo de apadrinhamento. Quando terminei os passos. e se ainda quero tudo isso preciso estar disposto a aprender sobre mim mesmo 235 .

Antes do afilhado começar a ler o 236 . sempre fazendo uma oração antes de começarmos e depois falado de minha experiência do Quinto passo com meu padrinho. Isso nos da uma perspectiva bastante diferente e tem provado ser uma forma eficaz e poderosa de partilharmos nossa experiência e aprofundar nosso relacionamento”. eu peco que escrevam sobre cada passo. “Eu ajudo meus afilhados com o Quinto Passo. às vezes pego o que escreveu e leio para ele. Lhes falo sobre os sentimentos que passei ao partilhar minhas experiências intimas pela primeira vez. Quando chega a hora de nos encontrarmos e revisarmos o passo. “Quando trabalho com meus afilhados.e meu relacionamento com Deus e outros nesse novo processo”.

Quinto Passo. Isso parece relaxá-los. peco que coloquem os nomes em cartões com uma breve descrição do dano causado. pergunto quais os seus sentimentos naquele exato momento. falamos sobre todos os cartões. tirada de seu inventario do Quarto Passo e adicionando qualquer pessoa que não esteja no inventario. 237 . peco que meus afilhados façam uma lista das pessoas a quem causaram danos. mas que podem ter prejudicado. Ai. “No Oitavo Passo. Procuramos por padrões repetitivos e danos pelos quais eles possam estar se atribuindo muita responsabilidade. as restituições financeiras. Depois. Tento ser tão honesto e aberto com meus afilhados quanto quero que sejam comigo”. Olhamos as reparações que podem ser feitas imediatamente.

e meus defeitos 238 . e as que precisam ser adiadas. Explicar os princípios do programam nos ajuda com nossa maior compreensão desses princípios. ficamos inspirados.qualquer reparação que não pode ser feita. Aprendemos a confiar mais num Poder Superior. Nos dispomos a mudar e começamos a ver que se não mudarmos nossa recuperação irá estagnar. “Quando estava limpa mais ou menos nove anos. me vi em tumulto no meu emprego – um dos melhores empregos que já tinha tido. Uma das dádivas que a recuperação oferece é uma nova perspectiva sobre os outros e nós mesmos através de nossa experiência partilhada com os passos. Quando assistimos ao crescimento de um afilhado. Falamos sobre elas detalhadamente e sempre lembramos que um Poder Superior nos ajudara ao fazer essas reparações”. Estava trabalhando lá há três anos.

Sexto e Sétimo Passos com minha madrinha. ficava com raiva quando alguém pedia que eu lhes ajudasse. percebi que tinha que mudar alguma coisa ou perderia meu emprego. Depois de vários desentendimentos com meu chefe. Tinha trabalhado os passos varias vezes em meus nove anos limpa. e comecei a ver como poderia me modificar 239 . Fiz um Quarto Passo sobre minha historia profissional.de caráter estavam vindo à tona claramente. e estava começando a expressar essa raiva de forma inadequada. mas era hora de fazê-los de novo – desta vez focando meus relacionamentos no trabalho. Estava com ressentimento de meu chefe e meus colegas. Ela amorosamente me guiou a observar meus defeitos de caráter. e depois fiz os Quinto.

Pude enxergar claramente minha parte e iniciar o processo de mudança. Quando finalmente sai daquele emprego por uma posição num setor que sempre sonhei trabalhar. Nunca tinha trabalhado os passos numa situação de trabalho como aquela antes. Estou feliz em poder dizer que após mais ou menos um mês. mais uma situação desconfortável da qual fugi. meu chefe estava honestamente triste em me ver partir. Ela estava feliz por mim e disse que tinha visto muita mudança em mim. as coisas no trabalho melhoraram muito.com a ajuda do meu Poder Superior. Que milagre! Se a ajuda da opinião imparcial de minha madrinha. e mais uma 240 . teria sido mais um emprego do qual pedi demissão.

idade.oportunidade para me ver como péssima profissional”. Recuperação significa encarar o que a vida apresentar e tentar enxergar nossas circunstâncias como oportunidades em vez de obstáculos. Às vezes ficar limpo significa que estamos inteiramente presentes aos obstáculos que encaramos. Mas recuperação é muito mais do que simplesmente parar de usar drogas. Nossa diversidade é nossa força Enquanto o princípio de anonimato nos torna todos iguais. Somos provenientes de diversos históricos étnicos. Afinal. Nossa diversidade se estende para credo. temos diferenças que podem apresentar dificuldades em nosso relacionamento de apadrinhamento. religião (ou 241 . Oportunidades contínuo para crescimento Chegamos a NA para aprendermos como parar de usar drogas e nos recuperarmos da doença da adicção. NA nos oferece somente uma promessa – liberdade da adicção ativa. educacionais e profissionais.

quando fiquei limpo. “Hoje. Também era mias velho do que a maioria dos membros no grupo. e além. Podemos todos falar a mesma língua de recuperação. entrei em uma comunidade de NA que era composta por praticamente todos membros de uma cultura diferente da minha. não estava acostumado a partilhar o que estava acontecendo em minha vida com ninguém. As diferenças entre nós oferecem inúmeras oportunidades para crescermos conforme trabalhamos juntos como padrinho e afilhado. raça ou proveniência não importa e que somos todos adictos recuperando da mesma doença. Crescer com as crenças e cultura de minha família. especialmente pessoas de outra cultura. Porem. mas seria impossível todos aprendermos essa linguagem da mesma forma. aprendi que cor. 242 .falta de religião).

Quando ele partilhou que estava morando a uma quadra de onde eu comprava drogas e que ele estava limpo há seis anos. Finalmente conheci o membro que tinha atendido minha ligação à linha de ajuda. Ambos tínhamos a mesma proveniência. e esse crescimento tem me ajudado a entender que outras pessoas também podem me ajudar”. e eu uns 16 anos limpo! Tenho muito cuidado com o que digo porque sei 243 . Cresci em todas as áreas por causa de sua ajuda. e pude fazer uma conexão com ele. “Meu maior desafio tem sido apadrinhar um adolescente.Não confiava em muitas pessoas no programa. no inicio. ele tinha uns 16 anos. Quando comecei a apadrinhar esse companheiro. acreditei que ele era o único que podia me ajudar a ficar limpo e trabalhar os passos.

Adoro que temos um relacionamento tão honesto”. Não tenho que ser outra pessoa com ele. Penso nele como se fosse o filho que nunca tive. Necessidades adicionais Como resultado de nossa adicção ativa. Ele agora tem pouco mais de um ano limpo e é uma inspiração para mim. Ele me da muita esperança. Ele escreve os passos tão bem. alguns de nós sofremos conseqüências físicas que continuam 244 .que ele esta ainda aprendendo sobre a vida. especialmente como trabalha os passos. que muitas vezes preciso pedir que ele não escreva como se estivesse escrevendo um livro! Ele me liga quase todos os dias e me lembra de como eu era no inicio de minha recuperação e como eu deveria tentar ser novamente.

Em muitos casos. Claro.conosco em recuperação. eu pedia a meus afilhados fizessem o que meu padrinho fazia comigo. “No inicio de minha recuperação. temos que lidar com os mesmos desafios físicos que afetam a população geral: deficiências físicas e problemas congênitos. descobri que poderia levá-lo de 20 a 30 horas de esforço para aquela pagina. tive que repensar. e os resultados de acidentes e doenças. nem todas as necessidades adicionais de nossos membros são relacionados à doença da adicção. nossa saúde sofreu danos irreparáveis devido ao uso de drogas ou nos colocarmos em situações de risco para alimentarmos nossa adicção. mas ele o faria – mesmo se não conseguisse entender aquilo 245 . Se eu pedisse que ele escrevesse uma pagina sobre algum tópico. Mas quando comecei a trabalhar com um companheiro que tinha lesão cerebral devido a um acidente de motocicleta.

Só faltei em 246 . Na verdade. Acabou com minha energia. indo ao médico comigo. Minhas afilhadas realmente me ajudaram em meu momento de necessidade. e eu dormia umas doze horas por dia. tive que começar a tomar um medicamento para uma doença que contraí como resultado direto de minha adicção. estavam disponíveis para mim: fazendo tarefas para mim.que tinha acabado de escrever. me dando injeções quando precisava. etc. Os efeitos colaterais eram horríveis. Foram pacientes e compreensivas do fato que eu não poderia estar disponível tanto quanto estive no passado. me levando a reuniões. Então agora falamos muito sobre os passos e como ele pode aplicá-los em sua vida diária”. “Cinco anos atrás.

Ela me ligava todos os dias. e falávamos por horas. Como adictos em recuperação. especialmente gratidão. Realmente me mostrou que isso é um programa ‘nós’. fazemos as mudanças possíveis e aceitamos o que precisamos 247 .três reuniões do meu grupo de escolha aquele ano inteiro. e humildade. Nunca esquecerei a amizade e amor que me foi mostrado durante um dos momentos mais difíceis de minha recuperação”. à situação pela qual estava passando. muitos de nós vivemos tempo suficiente para encararmos problemas de saúde que vêm com o passar dos anos. E. minha madrinha foi incrível. Com a ajuda de nossos padrinhos e o apoio de nossos afilhados. Mais e mais de nossos membros estão acumulando tempo limpo no programa. temos crescido em NA. Ela me encorajou e me ajudou a aplicar os princípios do programa. aceitação. e agora estamos envelhecendo.

descobri que já que ele foi ficando mais velho. sabendo que ia ser algum lugar muito espiritual. indo a reuniões comigo. “Uma das coisas que queria de um padrinho era alguém que me daria algum tempo toda semana. Às vezes somos forçados a pedir ajuda. perguntei aonde íamos. Graças a Deus ele precisava de mim para ajudá-lo porque me deu 248 .aceitar. Esteja aqui sábado de manha. Meu padrinho disse ‘Sem problemas.. apesar da diferença de 40 anos em nossas idades. Achei que ele realmente amava ficar comigo. Ele continuou me dando tempo toda semana. Quando cheguei a sua casa aquela manha. já não gostava mais tanto de dirigir.. A resposta dele foi ‘O consultório do meu medico’. e crescemos e prosperamos como resultado. dirigindo. Estava muito animado.

Como resultado. ela me fazia perguntas. Eu a encorajei-a e desafiei-a a escrever sobre 249 . Nos encontrávamos cinco ou seis vezes por mês para ler os passos. e tentava ler em voz alta para mim. Uma vez que ela começou a confiar mais em mim. podemos nos sentir inadequados.tanto tempo com ele e tornou nosso relacionamento incrível. “Fui madrinha de uma mulher que lia muito pouco. me falava quando não tinha entendido. palavras e parágrafos. No inicio. com compreensão limitada do material. Fui dado a oportunidade de ajudar alguém que tem me dado muito”. parando para explicar o que significavam as frases. e às vezes evitaremos escrever os passos. etc. eu lia. Muitos de nós não escrevemos bem. ou podemos ter dificuldades para ler.

podemos ajudá-los a perceber o que o NA tem a oferecer. tolerância e auto estima foram levantados. Por uma variedade de razões. Minha paciência. e 250 . alguns de nós lutamos com completar tarefas diárias que são fáceis e naturais para outros. Muitas de nossas reuniões têm acesso para cadeiras de rodas. e me ajudou a aumentar minha compreensão deles. mas eu não quis ouvir desta maneira. Ela deixou a fita no meu trabalho. e ela estava florescendo em sua nova vida”. Após o Terceiro Passo concordamos que ela tentaria gravar o Quarto. Então.cada passo. Isso foi para mim uma renovação dos passos. desenhar símbolos ou figuras. parando para que ela partilhasse o que ela sentia ao longo do processo. Se apadrinhamos membros com necessidades adicionais. ouvimos a fita juntas. qualquer coisa para conseguir fazê-lo.

“Morava em uma cidade onde havia um centro de tratamento de longo prazo que se especializava em tratar adictos surdos. Podemos ainda trabalhar os passos com afilhados simplesmente com partilha individual. Eu tinha dificuldade 251 . e normalmente nos comunicavam através de um sistema de intermédio. Isso foi bem antes de e-mail e chats online. Um dos pacientes tinha vindo de outro estado para se tratar. e eu me tornei seu padrinho temporário enquanto morasse lá. Enquanto muitos membros acreditam que a melhor maneira de fazer os passos é por escrito. não há nenhuma regra rígida que se encaixe para todos os membros da irmandade. Ele digitava para um operador que lia a mensagem para mim. Há um número de versões áudio dos textos de NA e panfletos assim como literatura em Braille e fonte grande.algumas têm até interpretes para aqueles com dificuldades auditivas.

Podia me identificar com o nível de boa vontade dele. e isso me endireitou rapidinho. Isso foi uma reversão total para mim. Amava servir em todos os níveis. Me vi fisicamente dependente de outros para fazer minhas tarefas diárias. tive uma serie de doenças debilitantes. e começamos a falar mais livremente após o despertar por minha parte”. mas ai tudo 252 . pois ficava um pouco envergonhado com alguns dos detalhes pessoais que ele estava revelando a um estranho (o operador). Tinha sido um servidor em Narcóticos Anônimos por décadas e estava no serviço mundial ha anos.com o esquema no inicio. Eu era sempre a pessoa que estava a disposição para ajudar os outros. Ele me explicou que isso e o que ele precisava para ficar limpo. “Alguns anos atrás.

se tivermos boa vontade para fazermos um esforço. Uma das maiores dádivas da minha doença e que deu a meus afilhados. padrinho.mudou. a oportunidade de me ajudarem. Como afilhados e padrinhos. especialmente com meu Poder Superior”. família e amigos. Prisões e instituições 253 . Como resultado. tenho experimentado um sentido mais profundo de amor e intimidade nos meus relacionamentos. é nossa responsabilidade trabalharmos os passos da melhor maneira possível. Sempre foi mais fácil para mim. usando os meios possíveis. dar do que receber. Tive que me render ao fato de que eu tinha que praticar o que tinha aprendido a respeito do principio espiritual de receber. Independente dos desafios que nos confrontam. encontraremos uma maneira de trabalharmos juntos.

talvez não possamos ver nosso afilhado padrinho regularmente. “Quando fui preso. mas pode funcionar. quer seja nosso afilhado ou padrinho que está na instituição. e funciona. Nunca 254 . Talvez tenhamos que depender de comunicação via telefone ou cartas. Se nosso padrinho ou afilhado está encarcerado. Dependendo da situação específica. Pode funcionar como apadrinhamento à distância. num centro de tratamento ou outra instituição na qual está confinado. oferece um grupo diferente de desafios. A necessidade de manter o foco na recuperação e trabalhar os passos será especialmente importante durante esse tempo. teremos que levar em conta as regras do local e como essas regras afetarão nossa habilidade de comunicarmos com alguém “dentro”. só estava limpo há 11 dias. Ambos os membros terão que manter a mente muito aberta e ter boa vontade excepcional para que esse relacionamento seja eficaz.Estar num relacionamento de apadrinhamento enquanto preso.

mas gosto de pensar que sim. Nos escrevemos algumas vezes.saberei se eu teria ficado limpo se não tivesse sido preso. Em todo caso. como eu estava feliz em vê-lo! Eu era o traficante durão. Acabei fazendo meu Quinto Passo com um ministro porque o meu padrinho só podia me visitar 255 . Não queria mais carregar aquelas coisas comigo mais. pedi para ele ser meu padrinho. mas quando o vi comecei a chorar – na frente de todos. Conhecia um dos caras porque tínhamos nos conhecido em reuniões antes de eu ser preso. Puxa. e ele me ajudou a começar os passos. Acredito que estar limpo e ter alguma experiência em NA naquela época foram grandes dádivas naquela época. e ele concordou em se corresponder comigo. Li o Texto Básico de capa a capa e comecei o Quarto Passo. Havia uma reunião de NA que vinha a cada duas semanas para a cadeia onde eu estava.

Pude ficar limpo durante esse tempo através do trabalho dos Doze Passos e mantendo contato com meu grupo de apoio em NA pelo correio e os orelhões. fui trancado em uma instituição por mais de três anos. cumpri minha pena e sai. O tempo passou. como eu. É o que funcionou para mim”. Eu pude continuar meu relacionamento de apadrinhamento não só com 256 . um que.durante a reunião de NA marcada. Com o tempo. às vezes sou chamado para a Unidade de Tratamento Intensivo da cadeia. para ouvir o Quinto Passo de algum cara que vai sair. “Com 17 anos limpo. Hoje. estava limpo antes de ser preso. Eu sempre os encorajo a arrumarem um padrinho e começarem a trabalhar os passos assim que saem. e eu tive a benção de poder apadrinhar quatro outros companheiros presos.

Adicionalmente. mas dentro também. com certeza. instituições. Que presente! É dito em NA que ‘nunca mais precisamos estar sós’ e isso. Em algumas partes do mundo. Devemos estar atentos para o impacto que a instituição pode ter em nosso relacionamento de apadrinhamento. tem sido minha verdade em todos esses anos”. centros de tratamento e fóruns. obrigam adictos a passarem uma certa quantia de tempo com padrinhos e trabalharem os passos de uma determinada forma. Apesar de a maioria dos comitês de serviço pedirem que não apadrinhemos membros de uma instituição enquanto servindo no painel. algumas facilidades têm regras rígidas que devemos seguir se vamos apadrinhar alguém lá. Nossa visão e experiência de 257 .alguns membros fora das paredes da instituição. Apadrinhar um membro em uma instituição pode tomar muito de nosso tempo e energia. alguns de nós têm encontrado afilhados ou padrinhos em tais situações.

mas essa foi provavelmente a experiência mais maravilhosa de todas para mim. Ela me disse que o centro de tratamento requeria que eu a pegasse 258 . devemos aprender sobre os requerimentos do local para podermos tomar uma decisão informada. “Recentemente tive o privilegio de amadrinhar uma companheira internada.trabalhar os passos pode ser diferente de como a instituição direciona nosso afilhado. e devemos pensar honestamente sobre nossa capacidade de apadrinhar alguém nessas circunstâncias. poderemos assegurar que nossa decisão beneficiará da melhor forma nosso afilhado ou afilhada. Dessa forma. os regulamentos que muitas instituições têm podem ser muito inflexíveis ou até conflitantes com nossa visão do programa. Enquanto não queremos abandonar nosso afilhado. Tenho apadrinhado pessoas em tratamento antes. Antes de concordar em apadrinhar alguém na prisão ou outra instituição.

ficou claro que ela tinha expectativas diferentes de mim do que concordamos inicialmente. Fui apresentada. e baseado nas expectativas das duas. Expliquei que eu tinha uma família. Eu fiquei ressentida. Ela disse que entendia que eu tinha outros compromissos. Eu disse que não poderia ter esses tipos de obrigações. uma vez que começamos a trabalhar juntas. Ela sutilmente me indicava que os ‘outros padrinhos’ levavam os afilhados para jantar fora.uma vez por semana para ir a uma reunião de que trabalhássemos os passos juntas. Ela fez bico. Porém. 259 . davam-lhes dinheiro e deixavam os internos ficarem em suas casas nos finais de semana. concordamos em trabalhar juntas. outros compromissos de serviço. e trabalhava mais que 40 horas por semana.

Doença em recuperação Às vezes em nossa recuperação. 260 . apadrinhando mulheres lá. Apesar disso. cirurgia ou lesão. percebo que a idéia e ajudar o recém chegado. por que o centro tem muitas regras rígidas com as quais nem sempre concordo. “Eu passei por um centro de tratamento quando fiquei limpa. Acho extremamente difícil às vezes. Durante esses tempos. Isso tem sempre sido meio difícil para mim. e tento ajudar. e hoje sinto que tenho muito a oferecer para alguém que e novo”.mais uma vez. a oportunidade de trabalhar minhas tendências a agradar as pessoas. Tinha que deixá-la ficar brava comigo por não atender aos seus desejos”. temos que manter nosso tempo limpo em face de doença. podemos precisar mais do que nunca de um padrinho.

Já que a adicção não diferencia entre usar e tomar medicamentos para tratar dor ou doença. Precisamos informar nossos médicos sobre nossa doença da adicção para que somos tratados de forma apropriada. e nossa recuperação pode estar em perigo. Nossas condições médicas podem requerer que tomemos remédios que podem causar vontade de usar. Qualquer que seja a causa. “Graças a Deus por meu padrinho e NA. Estou limpo ha mais de 25 anos. Muitos membros recaíram por não seguirem as sugestões de seu médico. devemos no manter vigilantes com nosso programa. trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a aceitar que isso faz parte de viver a vida. e durante esse tempo tive que 261 . Nossa recuperação é nossa responsabilidade. e precisamos partilhar sobre nossas dificuldades de saúde com nosso padrinho e membros em quem confiamos. pedir ajuda ao seu padrinho. Somos particularmente vulneráveis durante esse tempo. ou prestar atenção aos sinais de uma ameaça que acordou – sua adicção.Devemos lembrar que doença e dor não são desculpas para usar.

e mais importante. Já vi muitos companheiros adictos com tempo limpo variado começarem a usar de novo como resultado de subestimar o poder dessa doença”.passar por várias cirurgias. Rezava e meditava. Alguns 262 . deixava meu padrinho e meu grupo de apoio em NA saber que estava tomando remédio para que eles pudessem ajudar a monitorar meu uso durante esse período critico. eu lia o folheto Em Tempos de Doença. Toda vez. Procuramos nosso Poder Superior para nos apoiar e continuamos praticando nosso programa espiritual. antes de ter que passar por algum procedimento médico que requer o uso de medicamentos. Fui ensinado cedo em recuperação que minha doença não sabe a diferença entre usar remédio para dor ‘real’ e usar remédio por causa de pensamentos adictivos.

e o que minha família de NA iria pensar. nos matemos próximos a nosso padrinho e rede de apoio. Tinha medo de recaída. Alguns dos meus medos foram realizados – fui severamente julgado por alguns membros e alguns fofocaram sobre mim – mas eu não recaí. Estava com muito medo. fofoca. Tomei meu remédio conforme ele me foi prescrito. e queremos nos assegurar que isso não nos desvia do que precisamos tomar para tomar conta de nós mesmos. e mantive minha recuperação através de oração. Se precisarmos tomar algum medicamento. “Com oito anos limpo.membros da irmandade podem ser julgadores a respeito de outros membros tomando remédios. Coletamos tanta informação quanto possível para que possamos tomar a melhor decisão para nossa saúde. trabalho dos 263 . me vi em uma situação que necessitava o uso de medicamentos. partilhando nossos medos e dor.

pude tomar uma decisão informada a respeito de minha saúde. e falando sobre minha situação com meu padrinho. Nossos afilhados podem pedir ajuda de diversas formas. Talvez nosso afilhado vai precisar falar conosco com maior freqüência. Com a orientação de um Poder Superior e um médico maravilhoso que sabe que sou adicto. Afilhados com doenças crônicas podem precisar nosso apoio 264 . e mantermos em mente que o que funciona para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra. Hoje. indo a reuniões. oferecendo nossa experiência força e esperança. Graças a Deus por apadrinhamento”. tudo estará bem. continuo minha jornada de recuperação com mais de 13 anos de tempo limpo ininterrupto. Como padrinhos. Me senti seguro no conhecimento de que se eu mantiver minha recuperação aberta e honesta.passos. precisamos tratar cada situação individualmente.

pude apoiar – com amor e gratidão – minha madrinha.enquanto mantém a saúde que têm e encaram a perspectiva de morte. Após a cirurgia. “Um ano atrás. Uma vez que cuidei do que eu precisava fazer no meu programa. O valor de um adicto ajudando a outro é como funciona nosso programa. Se for nosso padrinho quem está doente. Não temos que passar por isso sozinhos. uma mulher que sempre acreditei que me apoiou e me apóia”. imediatamente achei alguém que admirava e pedi que ela me amadrinhasse. já que minha madrinha estava doente. Os sintomas de doença mental são sutis às vezes. talvez tenhamos que pedir ajuda extra enquanto tentamos apoiar nosso padrinho em qualquer forma que pudermos. e estar em um relacionamento de apadrinhamento com alguém diagnosticado com doença 265 . minha madrinha teve que fazer cirurgia cerebral.

a encontrarem equilíbrio em suas vidas. “Como adicto em recuperação com uma doença mental. Focar o trabalho dos passos. Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. tenho gratidão pela oportunidade de poder apadrinhar outros que também convivem com doença mental. mesmo quando a adicção não é nossa única doença. como padrinhos. parte do que podemos fazer como padrinhos é ajudar nossos afilhados que convivem com doenças mentais. Mas preciso lembrar que meu papel como padrinho é ajudar aos outros a aplicarem os Doze Passos em todas as áreas de suas vidas. Devemos nos manter vigilantes para nos resguardarmos contra qualquer confusão de papéis que podem emergir no nosso relacionamento. Pode haver 266 . psiquiatras ou psicólogos. não somos terapeutas. irá ajudar cada um de nós em nossa recuperação.mental pode ser desafiador. em conjunto com seu tratamento médico prescrito.

mente aberta e boa vontade são essenciais à recuperação para meus afilhados e para mim”. o melhor que ela pode. Os princípios de honestidade. mas podemos nos recuperar se praticarmos esses princípios o melhor que pudermos. Porém. Já se passaram onze anos e ela vive uma vida 267 . quando comecei a amadrinhar uma mulher com uma doença mental. Minha afilhada tinha a mente aberta e aceitou a sugestão. tive que admitir que ela tinha que buscar ajuda externa devido a sua inabilidade de se concentrar. Hoje ela consegue se manter focada em viver e trabalhar o programa.áreas nas quais a doença mental nos limita. “Nunca tive uma opinião a respeito de medicamentos ou terapia e como eles se relacionam com trabalhar os programa de NA.

absolutamente fabulosa, da maneira de NA”. “Um dos desafios no apadrinhamento para mim tem sido apadrinhar pessoas que convivem com doença mental. Às vezes eles se sentem com se não pertencessem. Uso o panfleto Em Tempos de Doença e lhes lembro da Terceira Tradição – que o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Quero fazer meu melhor para que eles sintam que pertencem, que não são separados da irmandade”. O tratamento de outras doenças além da doença da adicção é além do alcance do que Narcóticos Anônimos pode lidar. Como padrinhos, somos adictos em recuperação, não profissionais. Se, por acaso, formos um profissional de saúde física ou mental, como padrinho nosso papel não é receitar ou desencorajar tratamento médico de qualquer tipo.

268

“Quando tomei a decisão de tomar remédio para minha depressão, também tomei a decisão de mudar de madrinha, pois minha madrinha na época não acreditava em tomar antidepressivos. Passei os primeiros quatro anos e meio de minha recuperação lutando com a depressão e imaginei que se fosse a um numero suficiente de reuniões, fizesse serviço o suficiente, e trabalhasse arduamente os passos, passaria. Finalmente tive que me render ao fato de que isso não era algo que eu podia controlar, que levou à pergunta “Como quero viver minha vida?’ No final, sou eu quem precisa conviver comigo, e precisava me sentir apoiada o suficiente para me sentir segura com minha decisão”. “Uma de minhas afilhadas regularmente se
269

desestabiliza, e preciso constantemente lembrá-la de tomar seu remédio. Preciso lembrá-la do que pode acontecer se ela parar de tomar seus remédios – zanzando por ai sem propósito, não me ligando ou indo a reuniões, e eventualmente usando de novo. Passamos por esse ciclo muitas vezes e é muito difícil mas eu a amo e quero ajudá-la a melhorar. Uma vez que ela se estabiliza, ela começa a me ligar de novo, vai a reuniões e trabalha os passos de novo”. Em tempos críticos dentro de nosso relacionamento de apadrinhamento Às vezes temos uma crise em nossos relacionamentos de apadrinhamento, como morte, recaída, quebra de anonimato, ou abuso. Há muitas razões pelas quais nosso relacionamento pode ter problemas. No entanto, lidamos com essas situações conforme elas acontecem e fazemos o que podemos para alcançar uma solução.
270

Aceitamos uns aos outros como adictos caminhando na mesma estrada em busca de recuperação, sabendo que tudo que temos a oferecer ao outro é nossa experiência, força e esperança.

A realidade da recaída Não importa quanto tempo estamos limpos, recaída é uma possibilidade. Enquanto muitos de nós lutamos com diversas manifestações de nossa adicção, não podemos nunca esquecer que o sintoma mais destrutivo de nossa doença sempre será o uso de drogas. Assistir a um membro e companheiro mergulhar na insanidade da adicção ativa pode partir nosso coração. Podemos nos sentir abandonados ou inseguros, especialmente se a pessoa que recaiu é nosso padrinho ou afilhado. Independente de nossos sentimentos, precisamos nos esforçar para oferecermos nosso amor incondicional e dar as boas-vindas ao nosso padrinho ou afilhado se ele ou ela voltar à irmandade. Enquanto a dinâmica de nosso
271

relacionamento de apadrinhamento será sem dúvida afetada por uma recaída, podemos encontrar meios de dar nosso apoio através dos princípios que aprendemos em NA. Infelizmente, nem todos voltam depois de uma recaída. Alguns morrem; outros continuam vivendo, perdidos nos horrores da adicção ativa. “O maior desafio que tive que encarar desde que entrei em recuperação foi quando meu padrinho recaiu e largou a comunidade de NA. Eu, é claro, levei isso para o lado pessoal e comecei a me perguntar o que é que eu tinha sido ensinado. Me vi duvidando e analisando quase tudo que eu fazia. Tinha que lidar com o sentimento de abandono e falta de confiança. Sei que meu padrinho é apenas humano, mas ainda me amedrontou muito. Depois de alguns anos, e muito apoio de amigos e gente em NA,
272

ainda estou limpo. Finalmente achei um padrinho novo, também. Ainda tenho um pouco de raiva, mas estou mais forte hoje”. “Após estar no mesmo relacionamento de apadrinhamento pelos últimos dez anos, liguei para meu padrinho e perguntei se ele trocaria minha ficha de dez anos. Percebi que ele tinha usado. O processo de luto daquele relacionamento foi muito difícil. A tristeza, raiva, e medo foram difíceis de lidar. Mas o mais difícil foi ir buscá-lo no hospital de desintoxicação e levá-lo a uma reunião. O que eu queria fazer era chutá-lo por ter me abandonado. Uma vez que tirei meus sentimentos egoístas do caminho, com a ajuda do meu Poder Superior pude ajudá-lo como a qualquer recém chegado, com amor,

273

ou podemos acreditar que não dissemos ou fizemos o suficiente. e provavelmente iremos querer procurar outro membro para ser nosso padrinho ou madrinha. mas o relacionamento de apadrinhamento tem maior chance de ser reconstruído se nosso afilhado sobrevive e retorna. Podemos sentir a mesma dor se nosso padrinho recair. Talvez sentimos que não encorajamos bastante o trabalho com os passos ou que não estivemos tão disponíveis quanto “deveríamos” estar. Porém. somos impotentes perante nosso afilhado e a adicção de 274 . ou não oferecemos apoio o suficiente. A lista de “deveríamos” e “não deveríamos” pode ser interminável. precisamos lembrar que no final.compaixão – e eu o levei àquela reunião!” Não precisamos abandonar nosso padrinho ou madrinha se eles voltarem a NA após uma recaída. não podemos permanecer na negação sobre a escolha feita por essa pessoa. Mas enquanto tentamos ter alguma influência sobre aqueles que tentamos ajudar. A recaída de um afilhado é diferente. Podemos lutar com nossos sentimentos que como padrinhos dissemos ou fizemos algo que levou nosso afilhado a recair.

achei que ela tinha uma compreensão de como trabalhar o programa. Eu nem percebi que ela tinha recaído ate que ela me contou. e ela não estava me ligando tão freqüentemente. Veja. e ficamos um pouco complacente. Minha recuperação foi realmente 275 . Nos duas nos tornamos muito confortáveis em nossas vidas. Olhando hoje. A recaída de nosso afilhado não é nem nossa culpa nem responsabilidade. que demorou mais de um ano. Cada um de nós é responsável por sua própria recuperação – e a de mais ninguém. Não estava lembrando a sobre seu trabalho com os passos. “Fiquei realmente devastada quando descobri que minha afilhada tinha recaído. é como se tudo tivesse acontecido em câmera lenta. mas provou ser uma lição muito valiosa para mim.nosso afilhado. ela tinha algum tempo em recuperação.

Como resultado. sempre pergunto as minhas afilhadas como estão nos passos. lida com a recaída de um afilhado é. tenho aprendido que o valor de um adicto ajudando outro realmente não tem igual. Hoje acredito que sou uma madrinha melhor”. ou tomar qualquer 276 . Antes de falar com nosso afilhado sobre se devemos continuar ou não nosso relacionamento de apadrinhamento. Hoje. Porem. e faço tempo para ouvir e me abrir com maior freqüência. uma escolha individual. devo estar presente e disponível se esse conceito vai funcionar.afetada. A forma que cada um de nós. novamente. Não e que senti como se tivesse feito algo de errado. É mais como se eu não tivesse prestado atenção. Estava tão absorvida em minha própria vida que achei que a recuperação dela estava meio garantida. como padrinhos.

podemos querer excluílos de nossas vidas. e precisamos partilhá-las tão honestamente quanto possível com nosso padrinho ou outro membro em quem confiamos. como padrinho ou afilhado. Ele dobrava sua dose. Podemos querer abrir mão de nosso afilhado. é rejeição. e aí começou a usar outras 277 . Às vezes ele estava tão chapado que não conseguíamos falar. ou pior. “Apadrinhei um companheiro que estava tomando remédio para dor.decisão. Ele não trabalhava os passos nem aceitava sugestões. Naturalmente. especialmente quando se sentia emocionalmente estressado. Um dos piores sentimentos que podemos experimentar após voltar de uma recaída. Essas emoções são naturais. Ele ficava ignorado minhas sugestões de procurar por supervisão médica qualificada. Seu comportamento se tornou evasivo e adictivo. podemos querer partilhar nossos sentimentos com nosso afilhado. muitos de nós sentirão raiva e frustração ou se sentirão traídos.

drogas. Ele ou ela tinha reservas. Ao longo de tudo isso. ou parou de freqüentar reuniões regularmente? A recuperação estava no centro de sua vida? Podemos querer direcionar nosso afilhado ou afilhada de volta aos básicos da recuperação – 90 reuniões em 90 dias. Finalmente disse que não poderia mais apadrinhá-lo. Alguns membros sugerem que seus afilhados deverão desintoxicar 278 . voltou a freqüentar lugares de ativa. Podemos sugerir que nosso afilhado comece a trabalhar o Primeiro Passo imediatamente. pois ele se recusava a aceitar minhas sugestões e estava negando seu uso de drogas. Suas ações tinham falado”. nos ligar regularmente. Se escolhermos permanecer como padrinho ou madrinha. provavelmente vamos querer conversar com nosso afilhado sobre o que aconteceu. ou podemos escolher recomendar um ritmo mais lento. se possível. ele ainda esperava que eu o apadrinhasse. mesmo se recusando a abrir isso na sala. e partilhar honesta e abertamente sobre a experiência da recaída.

desesperada. Com cada recaída ela me assegurava que ‘dessa vez vai ser diferente’.primeiro. Estava terrivelmente confusa. Quando ela começava a passar pela abstinência. instituições e morte. ela me ligava. Enquanto ela 279 . Nossa orientação provavelmente dependerá da situação. “Tinha uma afilhada que passou por uma série de recaídas. Fazemos o melhor que podemos para aceitar e apoiar sua decisão. há sempre a chance que o afilhado não voltará ao programa. e pode alcançar os fins previsíveis: prisões. pois ela dizia que queria ficar limpa. Claro. pedindo ajuda e sugestões. Mas não era. só queria um salva-vidas. Precisamos deixar os resultados dos esforços de nossos afilhados aos cuidados de um Poder Superior. e não queria mudar. Nosso afilhado pode decidir que a melhor coisa para sua recuperação é achar outro padrinho. Nunca larguei essa mulher como afilhada.

mas não podemos nos dar ao luxo de deixar isso impedir nossa volta às reuniões. quando na realidade ela não queria o que eu tinha. graças a Deus. Podemos nos sentir totalmente devastados por termos usado. É nas reuniões de Narcóticos Anônimos que mais provavelmente encontraremos alívio dos danos que nossa recaída nos causou. compreendo que ela teria morrido não importando o que qualquer pessoa tivesse feito”. Podemos nos sentir envergonhados 280 . recaímos? Orgulho e ego podem ser fatais e freqüentemente nos impedem de voltar a NA e permanecer em recuperação. como padrinhos. Ele finalmente morreu de overdose. Porém.sem considerava membro eu senti um dever de ajudá-la. Hoje. não podemos nos melhorar se não encararmos a realidade de nossa recaída. O que acontece se nós. Tinha uma sensação terrível sobre essa companheira porque parte de mim sentiu como se tinha a falhado deixando-a fazer de conta que eu era sua madrinha.

uma mulher partilhando estava celebrando dez anos limpa. Enquanto estava internada. e uma mulher na reunião era madrinha de uma e afilhada de outra. Naquele momento senti a terrível dor de como o 281 . e também falar a respeito da dor.sobre o que aconteceu. Quando vi as três maravilhadas por causa dos relacionamentos e o amor que partilhavam. “Recai após 15 anos limpo em Narcóticos Anônimos e acabei numa clínica de tratamento. Uma noite. mas quando admitimos que recaímos. estavam tendo que partilhar que sua madrinha tinha recaído. raiva e medo que estavam sentindo. confusão. trouxeram uma reunião à clinica. algumas há anos. a coordenadora tinha um ano limpa. somos dados uma nova chance para nos recuperarmos. entendi que as muitas mulheres que eu tinha apadrinhado.

Porem. não foi conseqüências físicas. Meu padrinho foi uma dessas pessoas. quando eu sabia que era recém chegado novamente.egocentrismo por trás de minhas escolhas tinha afetado tantas pessoas que eu amava”. me senti desesperançado e desesperado. Precisava me cercar de pessoas que me amariam e me fariam aceitar responsabilidade. Foi assustador como algumas pessoas ainda me tratavam como se nunca tivesse recaído. pelo menos para mim. e nunca quero me esquecer como me senti péssimo emocionalmente e espiritualmente”. O problema. “Tinha muita raiva comigo por ter recaído. Estou de volta (e limpo) há mais de 17 anos. 282 . Estava cheio de ódio e me senti falhado. Ele me levou para tomar sorvete uma noite depois de uma reunião.

se não é esperada como no caso de uma doença terminal. meu padrinho de 16 anos morreu subitamente de forma trágica.Lidando com a morte O que acontece se nosso padrinho ou afilhado morre? Perder alguém com quem temos desenvolvido um relacionamento tão profundo e amoroso é chocante. sempre parece vir como surpresa. O choque. Como começamos a construir um relacionamento com outro membro como padrinho ou afilhado após passar por tamanha perda? Às vezes parece impossível que novamente poderemos encontrar uma pessoa especial para amarmos e em quem confiaremos. e no entanto. Sabemos que a morte é inevitável. a tristeza e a confusão emocional que senti foram incríveis. no mínimo. perguntando como estava. Mas imediatamente meu telefone começou a tocar diariamente com ligações de meus afilhados. “Com vinte anos limpo. Essa reversão de 283 .

devemos compreender a importância de achar outra pessoa para ser nosso padrinho. Tinha o apadrinhado por mais de sete anos e o conheci desde seu primeiro dia limpo. Podemos honrar a memória de nosso padrinho ficando limpos a continuando a partilhar o que temos aprendido com aqueles a quem apadrinhamos. e sempre levaremos o espírito dele ou dela em nossos corações.papéis teve um impacto positivo em minha habilidade de trabalhar esse período difícil”. A perda que sentimos com a morte de nosso padrinho ou afilhado pode ser avassaladora. Se for nosso padrinho quem morre. Nosso relacionamento cresceu até um nível profundo de 284 . “Tinha um afilhado com 14 anos limpo. mas descobrimos que a vida continua. que morreu num acidente de carro enquanto levava um recém chegado para casa após uma reunião em seu grupo de escolha.

Ele morreu limpo e levando a mensagem Que legado”. Acredito que nosso relacionamento pessoal com Deus. Ele me apadrinhou até meu sexto ano antes de adoecer e falecer. Ele me disse no dia que faleceu que eu tinha sido preparado para sua morte através do trabalho com os Doze Passos.confiança e admiração mútua. me senti muito triste. 285 . “Meu primeiro padrinho me pegou como afilhado quando tinha menos de 90 dias limpo. e envolvimento com a irmandade nos prepara para recaída ou doença em recuperação”. Quando ajudei a carregar seu caixão no enterro. mas também honrado por ter experimentado as dádivas de ser o padrinho desse homem e amigo ao longo dos anos. que nosso trabalho juntos estava nos ajudando a lidar com essa situação. trabalho de Décimo Segundo Passo.

partilhar nossos sentimentos de luto e perda com outros adictos em recuperação pode ajudar. Alguns de nós buscamos ajuda profissional para conciliarmos os sentimentos de raiva e impotência. queremos fazer tudo o que pudermos para continuar conectados à recuperação. podemos eventualmente encontrar aceitação e começarmos a ir em frente com nossas vidas de novo. Não podemos nos dar ao luxo de deixar que o luto nos remova os benefícios de apadrinharmos e sermos apadrinhados. assim com quando qualquer um querido por nós morre. leva anos trabalhando com um padrinho para estabelecer aquele elo especial para nos sentirmos seguros. sabendo que os 286 . Como decidimos trabalhar nossos sentimentos é nossa escolha.Quando nosso padrinho ou afilhado morre. Para alguns de nós. Quebras de confidência Requer muita coragem para conseguirmos começar a confiar em alguém. Com a ajuda do tempo e os princípios espirituais do programa. Não importa o tamanho de nossa dor ou perda.

Durante esses momentos devemos procurar conselhos de outros e orientação de nosso Poder Superior. mas no final devemos tomar uma decisão pessoal a respeito do que fazer. Lutei com isso quando um de meus afilhados partilhou comigo que estava tendo um caso com a esposa de outro dos meus afilhados! Lembrei ao meu afilhado que o Texto Básico diz que nossos defeitos crescem no escuro. Em casos extremos. “Como padrinho sei que minha responsabilidade para com meus afilhados é manter suas confidências e sua confiança. alguns de nós somos confrontados com acontecimentos que nos fazem pensar que não manter a confidência pode ser a ação mais ética a tomar. mas morrem à luz da 287 .segredos que partilhamos permanecerão entre nós e nosso padrinho. Mas pode haver vezes nas quais nossas confidências são quebradas ou vezes que temos dúvidas sobre manter uma confidência ou não.

devemos ter certeza que a fonte da fofoca foi realmente nosso padrinho ou afilhado. Falei com ele a 288 . e muito bravo. “Ficava ouvindo coisas em meu grupo de apoio que eu tinha especificamente pedido que meu padrinho não repetisse. Se agirmos somente com suspeitas antes de sabermos todos os fatos. E agora? Antes de tomarmos conclusões. podemos causar mais danos e ferir nosso padrinho ou afilhado desnecessariamente. Sugeri que ele escrevesse. Termos nossa confidência quebrada por ouvir nosso segredo partilhado por alguém que não é nosso padrinho ou afilhado pode der devastador. Fiquei chateado. rezasse. meditasse.exposição. Ofereci orientação. Podemos nos sentir violados e traídos. mas não tentei tomar nenhuma decisão ou ditar um resultado a ele. e depois tomasse sua própria decisão sobre o que achava que deveria fazer e com o que sua consciência pudesse lidar”.

após um amigo querido disse que se sentiu ferido por algo que eu tinha partilhado exclusivamente com meu padrinho. Me senti traído. Era como se ele não me levasse a sério. Falamos e choramos juntos. Abri mão dele e arrumei um padrinho novo. Eu lhe dei esse presente e ele escolheu jogá-lo fora. Ainda somos amigos.respeito dessas coisas e ele sempre negou ter contado a outra pessoa. Finalmente. mas eu fiquei firme. Amava meu padrinho muito e tinha confiado nele sem questionar. mais do que qualquer coisa. Confiar em alguém é um presente. “Estava apadrinhando alguém que me contou sobre um assunto de saúde muito 289 . é o que me deixa mais triste”. Isso continuou por alguns anos. larguei meu padrinho. Acho que isso. mas não confio mais nele. Foi uma das coisas mais difíceis que tive que fazer.

Ainda é difícil saber como lidar com isso porque meu padrinho é como se fosse o pai ou irmão mais velho em nossa comunidade de NA. ouvi meu padrinho perguntar para meu afilhado sobre a condição. para meu horror. Ele ajudou a estabelecer NA no meu país. decidi mantê-lo como padrinho. Depois que meu estresse inicial se acalmou. e acredito que seu interesse nos outros é apenas manifestação de gentileza.sensível que o preocupava. Precisamos encarar o assunto de forma orientada para a recuperação. Alguns dias depois. Já que não tinha certeza como lidar com isso. pois ele continua me dando estabilidade de outras formas”. mesmo tendo traído minha confiança. perguntei a meu padrinho. Alguns de nós vamos escolher terminar o 290 . Isso magoou a mim e a meu afilhado. Não acho que ele mudara sua visão sobre isso.

291 . Falamos sobre nossos sentimentos e tentamos chegar em uma solução favorável para os dois. atravessando a situação mais fortes e comprometidos. Fiquei com raiva e magoada. com amor e compaixão. Se nossa confiança foi violada. Alguns de nós podemos escolher confrontar nosso padrinho ou afilhado para discutir como restabelecer nosso relacionamento. Podemos não ser capazes de reparar os danos e. Ouvi e confrontei minha madrinha.relacionamento imediatamente. “Minha madrinha partilhou minha informação muito pessoal com uma de minhas irmãs afilhadas. Ela imediatamente admitiu que tinha falado sobre meus assuntos e disse que estava profundamente arrependida. percebendo o quão difícil é reconstruir o relacionamento. podemos sentir que não há alternativa. portanto podemos decidir romper o relacionamento. Freqüentemente nosso relacionamento de apadrinhamento se aprofunda quando encaramos esses obstáculos juntos.

Abuso no relacionamento apadrinhamento de Estar num relacionamento de apadrinhamento abusivo é desmoralizante. Ela disse que não comprometeria minha confiança novamente. Uma das muitas dádivas que NA nos dá é a habilidade de vivermos com dignidade. Perdão tem sido uma ferramenta e princípio espiritual muito poderoso desde então”. Acredito que passar por esse incidente anos atrás tornou nosso relacionamento mais profundo e muito mais íntimo. agindo dos velhos modos destrutivos. em recuperação. e ela ainda é minha madrinha. Narcóticos Anônimos nos ensina a amar incondicionalmente e a ajudar outros adictos em recuperação. podemos às vezes regredir. Isso foi há quatro anos. 292 .mas estava aliviada que ela tinha sido honesta comigo. Porém. mesmo se eu escolhesse ter outra madrinha. e pode comprometer nossa recuperação.

Eventualmente começou a parecer que ela estava tirando vantagem de mim. Ela me pagava para fazer a limpeza. mesmo estando em recuperação. Na adicção ativa. e sempre havia coisas extras a serem feitas. mas parecia que não me pagava uma quantia justa. determinar se um relacionamento é sadio. pintar. trabalhar no quintal.Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. ir à lavanderia. Esses velhos padrões podem tornar difícil. como limpar sua casa. e coisas assim. Era muito difícil pensar em dizer não ou pedir que ela 293 . as únicas maneiras que muitos de nós sabíamos nos relacionar com outro ser humano era sendo auto-destrutivos ou abusivos. Sempre sentia como de tivesse que retribuir. e achei que fazer esses trabalhos era tudo o que eu podia dar. “Minha primeira madrinha pedia que eu a fizesse favores. podemos causar dor e fazer com que um outro adicto sofra.

Era uma situação terrível. e pago-as como pagaria a qualquer outra pessoa”. faço o melhor que posso para não tirar vantagem delas. Atrapalhar a dignidade e autorespeito de um adicto pode também ser visto como abuso. e cada vez que penso que uma delas poderia fazer alguma coisa por mim. Dizer coisas que machucam. apadrinhando mulheres no programa. Por outro lado. me lembro de como me sentia. Achei que se dissesse não. Senti que cada vez que ela ligasse.me pagasse pelas coisas extras. ela não me amaria mais. Me senti presa e ressentida. podemos nos engajar em comportamentos mais extremos como assédio sexual. desrespeitam ou são condescendentes pode ser considerado formas sutis de abuso. afinal. ameaçar de machucar nós mesmos ou a outra pessoa para 294 . Foi difícil dizer alguma coisa. Agora. não estava trabalhando na época. tinha que ser porque ela queria alguma coisa de mim.

“Escolhi meu padrinho porque ele era forte e parecia saber o que queria de sua vida. E enquanto algumas formas de abuso são gritantes. Abuso pode se manifestar de tantas formas diferentes que seria impossível listar todas. Ele me disse que eu tinha que fazer grandes mudanças na forma que eu compreendia meu Poder Superior.atrairmos atenção. O que parece abuso para uns pode não parecer para outros. É importante continuar a fazer nosso inventário sobre como o apadrinhamento nos faz sentir. Tinha me perdido e queria alguns direcionamentos claros a respeito de como trabalhar o programa. Depois que começamos o Segundo Passo. na forma que rezava. No início concordei porque parecia que sua idéia de um Poder Superior funcionava para ele. ele exigiu que eu acreditasse em suas crenças religiosas. outras não são tão óbvias. ou assediar alguém verbalmente se as coisas não acontecem como queremos. 295 .

e eles me ofereceram seu apoio. especialmente quando ele me disse que minha vida estaria pior como resultado de minha decisão. Levou alguns anos antes que pudesse acreditar que meu Poder Superior cuidaria de mim novamente. e tinha feito um compromisso comigo mesmo de fazer o que meu padrinho mandasse. Queria melhorar. dizendo que eu deveria mudar de padrinhos novamente. Minha fé nas pessoas e no 296 . mas me senti encurralado e ameaçado. Depois ele me disse que eu teria que me separar de minha esposa se ela não aceitasse suas idéias.e como estava criando meus filhos. Estava confuso. Foi difícil dizer ao meu padrinho que queria sair de nosso relacionamento. Finalmente contei para os meus amigos. Disse que eu iria para o inferno se não fizesse o que ele dizia.

Uma de minhas primeiras madrinhas era assim comigo. e ela me dizia. Graças a Deus eu tinha meus bons amigos. “Acho que às vezes (especialmente quando somos novos ao programa) escolhemos padrinhos que são tão doentes quanto nós ou que irão reforçar nossas dúvidas e ódio próprio. Foi bom perdoá-lo e começar a gostar dele de novo”. Isso durou mais ou menos um ano – até que eu precisei de cirurgia para remover um osso quebrado do meu pé. meu grupo de escolha. Eu ligaria para ela e choraria que eu era uma pessoa horrível. Alguns anos depois. e bastante tempo para me ajudar a passar por isso. esse homem fez uma reparação comigo. ‘Você está certa.programa tinha realmente sido abalada. Ela me disse que eu não poderia usar 297 . E eu o faria. você precisa escrever sobre isso e pedir perdão a Deus’.

mesmo em minha própria escuridão. sabia que algo nessa direção dela estava errado. somos dados a habilidade de encarar aquelas dificuldades que às vezes acompanham qualquer relacionamento íntimo. e passam naturalmente por ciclos. vejo que eu a escolhi porque ela não tinha barriga e tinha uma conta corrente em ordem – não porque ela estava espiritualmente saudável ou tinha um bom programa. Em retrospecto. Como sempre. 298 . Devemos alimentá-los se queremos que continuem a crescer. Através do processo de trabalhar os passos. Então liguei para outra mulher com tempo limpa que me ajudou a ver a natureza de meu relacionamento com minha madrinha. Bom. devemos ter cuidado com o que pedimos!” É hora de mudar? Relacionamentos evoluem.anestesia geral – que eu teria que usar acupuntura – anestesia é droga e seria igual a usar.

Conforme passamos pelos desafios e decepções da vida. Acordar à realidade de que ela era apenas uma pessoa foi um choque. enquanto trabalhamos com outros em nosso relacionamento de apadrinhamento. Achei que de alguma forma ela deveria ser um guru espiritual porque ela estava limpa há alguns anos e parecia ter uma boa conexão com Deus. tinha colocado minha madrinha num pedestal – contra seus desejos. Ela me ensina sobre aceitação e como permitir que as pessoas sejam humanas. família e pessoas em geral. Fiquei com raiva e magoada quando eu a vi sendo humana. me ajudou não só a entrar em 299 . aprendemos a nos relacionar de forma sadia. No entanto. Claro que eu aprendi isso da forma mais difícil! Cedo em recuperação. “Minha madrinha me tem ajudado a aprender a não ter tantas expectativas em relação a amigos.

Um padrinho mudou para o outro lado do país. tinha começado a me tratar como se fosse paciente. há momentos que veremos que simplesmente não está funcionando. como também a minha”. Outro padrinho. tive que mudar de padrinhos por uma variedade de razões. 300 . e pode ser a hora de passar para outro. E a pior situação foi a morte de um homem que apadrinhava muitas pessoas em minha área. um terapeuta profissional. “Ao longo de 16 anos em recuperação. Simplesmente significa que não está funcionando. os horários de trabalho de outro mudaram.contato com sua humanidade. Isso não significa que falhamos. Mesmo que possamos estar fazendo tudo que podemos para apoiar e contribuir para nossos relacionamentos de apadrinhamento. Enquanto cada uma dessas situações. tornando contato regular impossível.

Aprendi em NA que meus sentimentos não precisam ditar minhas ações. É maravilhoso quando. Fico feliz que você tomou uma decisão positiva para si mesmo’. NA tem dado a mim e a meus vários padrinhos e afilhados novas vidas. pode ser um sinal de sucesso espetacular”. nos obrigando a irmos adiante. “Um afilhado chegou para mim e disse que tinha achado um novo padrinho. Não fico mais emocional quando um relacionamento como padrinho ou afilhado muda. tenho gratidão por elas. Pude dizer. ‘Que fantástico. Foi muito difícil dizer isso e não mencionar como 301 . Mudar de padrinhos não precisa ser um sinal de falha. levantaram sentimentos desagradáveis. como resultado dessa dádiva. Senti um negócio no meu estômago e imediatamente me senti inseguro.especialmente a última. nossa situação tem mudado.

“Acabei de pedir que uma afilhada achasse uma nova madrinha. mas realmente ajudou a nós dois mantermos um relacionamento positivo. Uma vez que nos fechamos e paramos de partilhar honestamente um com o outro. mas ela se recusava a 302 . Isso foi uma decisão difícil para mim. Apatia e mente fechada são obstáculos comuns e podem danificar o relacionamento. Se não cuidarmos de nosso relacionamento de apadrinhamento. e ela é uma das minhas melhores amigas. pode começar a se desintegrar e se tornar nocivo. mais fácil é sermos desonestos ou termos má vontade. Tive um relacionamento de 15 anos com essa pessoa. mas diferente”. como padrinho ou afilhado. Muitos de nós temos visto que quanto mais apáticos nos tornamos.estava realmente me sentindo. construímos muros que podem ser altos demais para serem transpassados. não queria fazer isso.

De minha perspectiva. Apadrinhamento é voluntário. no final das contas. como afilhados. Se. continuar a deixá-la pensar e dizer que eu era sua madrinha. e não precisamos permanecer no relacionamento. O que podemos fazer nesse ponto é examinarmos nossa parte e determinarmos se realmente precisamos terminar o relacionamento ou se podemos consertar as coisas com nosso padrinho ou afilhado. 303 . éramos amigas.trabalhar os passos. em sã consciência. e como lidamos com as dificuldades que surgem é nossa decisão. mas não estávamos no caminho espiritual que experimento como madrinha e afilhada”. Não estamos casados com nossos padrinhos ou afilhados. sentimos que nossas necessidades não estão sendo preenchidas ou se como padrinhos não podemos preencher as expectativas de nossos afilhados. talvez seja hora de reavaliar nosso relacionamento. Não poderia.

Se que ele me ama incondicionalmente o suficiente para me ajudar nessa transição”. pude ver que não tem problema buscar crescimento através de mudança. Tentei manter o foco em minha experiência com o trabalho dos passos. que era hora de ir em frente em minha recuperação. Quando ele 304 . Falei do meu coração e tive seu apoio. ficou claro que meu relacionamento de apadrinhamento tinha se estagnado e não estava funcionando. Eventualmente.“Após cinco anos. Tinha que dizer ao homem que ajudou a salvar minha vida e que me ensinou tanto sobre recuperação. mas ele estava mais interessado em pedir conselhos a respeito de coisas que eu não tinha experimentado. “Eu tinha um afilhado que tinha idéias diferentes do que eu sobre como trabalhar o programa e sobre como eu deveria fazer como padrinho.

Falei com meu padrinho. Disse que eu o amava. fiquei frustrado. devemos sempre indicar outra pessoa. para fazê-lo de forma amorosa. que me lembrou de manter o foco em mim. Até sugeri algumas pessoas me nossa área.começou a resistir ir às reuniões. 305 . eu marquei de encontrar com meu afilhado para tomar um café. e que se eu tivesse que interromper o relacionamento. lembrando que quando não podemos servir em NA. Após estarmos confortáveis. Algumas semanas frustrantes depois. mas que seria melhor para ele se ele achasse alguém que estivesse passando pelas mesmas coisas que ele. eu disse que minha recuperação tinha tomado um rumo diferente daquele que ele queria percorrer e que ele realmente tinha que encontrar outro padrinho.

aprendi a lição valiosa que há muitas maneiras de trabalhar o programa. ele continua limpo e ainda está aqui. me perco em minha vida ocupada e me distancio de meu padrinho. Alguns de nós achamos grandes recompensas ao permanecermos com nossos padrinhos e afilhados nos tempos difíceis do relacionamento.Aquele afilhado conseguiu encontrar alguém com quem fez uma conexão. 306 . e minha maneira pode não ser atrativa para todos”. Atravessarmos dificuldades com nossos padrinhos ou afilhados pode nos ensinar novos níveis de compromisso. Antes de muito tempo. Muitos anos depois. honestidade e intimidade. De nossas interações. comecei a vê-lo em mais reuniões e mais envolvido com a irmandade. Muitos de nós temos um histórico de desistência e não fazer nada até o final. especialmente no que diz respeito a relacionamentos. “Ocasionalmente.

Ele deixa a escolha a meu critério. Fui um desistente na maioria de minha vida. Claramente. que terá seus altos e baixos. Estou disposto a trabalhar para que o relacionamento funcione. Sou grato por ter escolhido continuar a crescer nesse relacionamento maravilhoso que tenho com meu padrinho. não há relacionamento. eu ligo para ele. não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por um 307 . ele me ensina que posso passar por isso e perceber meus padrões para que posso mudá-los e impedir que eles aconteçam com tanta freqüência. Seria fácil ir em frente e não olhar para trás. ou escolho não continuá-lo? Ele me ajuda a perceber que minha vida nem sempre será balanceada. No entanto.Quando percebo o que está acontecendo. meu padrinho conhece esses meus ciclos e me diz que preciso participar ativamente do relacionamento – senão. Felizmente.

Apadrinhamento nos ensina a tomar decisões saudáveis para nós mesmos. 308 . Nossos relacionamentos de apadrinhamento podem nos ajudar a desenvolvermos aquelas qualidades que buscamos e gradualmente nos tornarmos a pessoa que sempre quisemos ser. e assim por diante. colegas de trabalho. mesmo quando encontramos dificuldades em fazê-lo. pais. parceiros. Passar por isso com meu padrinho me tem ajudado a ser uma pessoa que é capaz de ter um relacionamento íntimo”.compromisso que fiz para ficar com meu padrinho e tentar ser mais consistente. amantes. Nos mostra as coisas que precisamos saber para participarmos ativamente em todos os nossos relacionamentos. cônjuges. Com o tempo aprendemos a ser melhores amigos.

Nós temos agora a liberdade de viver uma vida com significado. 309 . A adicção nos rouba a habilidade de nos relacionarmos. O apoio e amor que recebemos quando andamos juntos em nossa jornada através dos Doze Passos ajuda a nos libertar do medo egocêntrico que está no âmago de nossa doença. serviço e Deus. A recuperação restaura nossa conexão a nós mesmos e ao mundo.CAPÍTULO CINCO APADRINHAMENTO: UMA JORNADA CONTÍNUA A jornada continua Para muitos de nós. podemos crescer em nosso relacionamento conosco mesmos. a sociedade. nossa primeira conexão verdadeiramente espiritual com outro ser humano ocorre quando nos abrimos e partilhamos honestamente com nossos padrinhos. Com boa vontade que forma o alicerce do símbolo de NA e o apadrinhamento. Apadrinhamento nos oferece um caminho para a mudança e uma ponte para desenvolver outros relacionamentos.

e encaramos alguns de nossos maiores medos e permanecemos vigilantes para evitarmos auto-destruição. Isso tem me ajudado em todas as áreas da minha vida. tenho a habilidade de focar em outras coisas e pessoas fora de mim.Um programa universal: Sociedade. Aos poucos. muitos de nós descobrimos que somos libertados dos defeitos de caráter que nos atazanaram durante nossa adicção ativa. Aprendemos a viver responsavelmente reparando comportamentos passados e buscando compreender os outros através de perdoá-los e a nós mesmos. Serviço e Deus Eu. Não mais estamos sozinhos. Ao ficarmos limpos e vivermos o programa. “Minha madrinha tem me mostrado como sair de mim mesma. Hoje. com a ajuda de nosso Poder Superior. nosso padrinho ou madrinha e outros membros no programa. Percebo que o mundo nem sempre gira em torno de mim. Minha 310 . nossos espíritos acordam e começamos a melhorar.

e amor. Ele nunca 311 . que agora tem sua própria auto-confiança”. Minha madrinha me mostrou essas coisas de forma amorosa e carinhosa sem ser muito dura comigo. “Meu padrinho tem sido essencial em me ajudar a formar um relacionamento com minha parceira. Por causa do que aprendi de minha madrinha. Posso passar isso agora para minha filha. Aprendi a ter jogo de cintura. e isso tem afetado minha família como um todo. em me ajudar a trabalhar os passos. e sua honestidade a respeito da minha recuperação.madrinha também me ajuda a permanecer na minha verdade e partilhar minha verdade sem atacar outra pessoa. sinceridade. têm me ajudado a moldar meu relacionamento. que é baseado em integridade. A boa vontade de meu padrinho em partilhar o que sabe. desenvolvi um sentido saudável de mim mesma.

demonstramos compromisso com Narcóticos Anônimos. 312 . não em meu relacionamento. Aprendi a ser compassivo e compreensivo e olhar as pessoas de forma diferente. Quando pedimos ajuda. começamos a sentir amor incondicional profundo e aceitação dos outros. E então o círculo do apadrinhamento continua quando apadrinhamos nosso afilhado ou afilhada – queremos dar a eles o que nos foi dado.ofereceu ser um conselheiro matrimonial e sempre manteve o foco em minha recuperação. Agora sei que devo continuar a fazer minha parte se vou crescer em recuperação. “Ser um bom padrinho me tem ajudado a ser um pai melhor. Em troca. e queremos partilhar esse sentimento de humildade com outros. Estamos freqüentemente impressionados que alguém realmente quer nos ajudar. Um sub-produto desse trabalho é que meu relacionamento com minha parceira se fortaleceu”.

ele tem um relacionamento de muito tempo. Agora me olho como alguém com fragilidades que é humano. me ajudando a encarar alguns dos assuntos chaves em minha vida”. alegre e livre. e eu sabia que ele ia ficar limpo e em recuperação. tem seu próprio negócio e é profundamente comprometido com o programa. não deprimido e quebrado. e era muito difícil sentar numa reunião e ficar honesto com o que estava acontecendo. Precisava depender de alguém 313 . “Fiquei limpo quando ainda adolescente. Foi duro pedir ajuda.Aprendi que a vida é ser feliz. Ele era estável. Depois que eu passei por um relacionamento falido no início de minha recuperação. Meu padrinho é mais velho do que eu. assisti ao meu padrinho praticando princípios do programa quando interagia com sua mulher. Meu padrinho ter sido um exemplo.

sempre temos nosso Poder Superior e os princípios do programa. Às vezes através de nossas dificuldades no apadrinhamento. ninguém pode sempre estar disponível para nós. Vemos que crescemos devido a todos os aspectos desse relacionamento – as experiências enaltecedoras que partilhamos. Começamos a entender que. Podia ver isso só pelo jeito que ele vivia sua vida. não importa onde estamos. desenvolvemos maior compreensão sobre humildade. Através de NA. assim como os desafios e momentos difíceis que podemos passar. Parte da lição que o apadrinhamento nos ensina é parar de colocar expectativas irrealistas nas pessoas em nossas vidas. nos é dada a liberdade de escolher quem e o que é 314 . apesar de não estarmos nunca a sós.que acreditava no que ele falava para mim. Tenho um padrinho hoje que acredita em Narcóticos Anônimos. Porém. os Doze Passos. Nosso relacionamento é verdadeiramente um presente”. e mim.

Tenho aprendido muito a respeito de meus defeitos e vim a me aceitar. estava desesperado para ter outros membros.melhor para pessoais. aprendi a ser flexível. Meus afilhados me conhecem. nossas necessidades “Apadrinhamento tem sido uma experiência enriquecedora para mim. e eles se sentem muito confortáveis em me desafiar. 315 . Através do apadrinhamento. Adoro o componente de mão dupla do relacionamento de apadrinhamento e o componente ‘nós’ do programa”. e eu era rígido. Tenho começado a aprender sobre amor incondicional com meus afilhados. Nos meus primeiros dias. porque NA estava ainda se desenvolvendo no meu país. Ser um padrinho me ajudou a contrabalançar meu egocentrismo. Minhas expectativas eram altas.

e uma madrinha. sou adicta em recuperação. uma aluna. estava espiritualmente morta. e meu Poder Superior. e a maturidade com a qual posso agora navegar através de minha vida – muito do que se tornou possível através da ajuda de minha madrinha. meus filhos eram negligenciados e sobreviveram de alguma forma. trabalho bem no meu emprego. dos Doze Passos. insana. uma boa mãe. e tinha uma vida completamente descontrolada. uma amiga. e sou um membro ativo em minha igreja. Tenho um casamento feliz.“Quando cheguei nas salas de NA. mas minha madrinha foi. e continua 316 . deprimida. A parte mais significativa de minha recuperação é a serenidade e sanidade que sinto por dentro. Isso não significa que outros não estiveram lá para me ajudar. apesar de mim. Hoje. Meu casamento estava em ruínas.

Nosso Texto Básico diz que a melhor ferramenta em recuperação é o adicto em recuperação. Apadrinhamento nos ensina que encarar problemas verdadeiros traz recompensas 317 . que me lembra de uma frase que meu padrinho me fala quando fico egocêntrico e auto-obcecado – quando tudo o resto parece estar falhando. sem nenhum motivo a não ser ajudar a outro adicto. Aprendemos do apadrinhamento que relacionamentos nunca são bem do jeito que nós os imaginamos. Tenho visto que quando me torno humilde o suficiente para trabalhar o programa espiritual e dar. me abro para as dádivas profundas que NA oferece”.sendo. trabalhe com um recém chegado. uma parte instrumental de minha recuperação”. “Sinto que serviço em NA me beneficia mais do que a qualquer pessoa que eu tento ajudar.

Começamos a apreciar as pessoas por quem elas são. não por quem queremos que sejam. A primeira vez que namorei foi quando cheguei a NA.profundamente ricas e realizadoras. Levamos nossa nova compreensão mais realista sobre relacionamentos para o mundo enquanto brincamos. Nos aceitamos por quem nós somos e reconhecemos o valor de nossa contribuição. Através do apadrinhamento. trabalhamos e amamos. e meus motivos incertos. Um dos maiores 318 . Desde que comecei a trabalhar com minha madrinha. aprendi a checar meus motivos. tive uma chance de ser um ‘eu’ diferente. “Nunca tive relacionamentos significativos durante minha adicção ativa. Aprendi sobre compromisso e como ser vulnerável e altruísta. Meus relacionamentos eram sempre superficiais. Nossa gratidão pelo Poder Superior e NA fala quando colocamos em prática os princípios que aprendemos através do apadrinhamento.

Aprendi a me manter firme nos meus compromissos. Eu certamente queria o que ela tinha então percebi que tinha que escolher fazer o 319 . e tenho um monte de velhos comportamentos com os quais ela me ajudou. aprendi a não ser um capacho e a me respeitar”.eventos foi o casamento de minha filha. Através do apadrinhamento. “Minha madrinha tem me ajudado a aprender a ser uma boa esposa. Seu padrasto e eu levamos a noiva ao altar juntos”. Ela fazia Deus parecer tão real e pessoal. Ela me dizia para lhe ligar primeiro e contar as coisas para ela que eu queria dizer ao meu marido. “Minha primeira madrinha era muito dependente de Deus e tinha um relacionamento profundo e significativo com seu Poder Superior. Tinha tanta dificuldade em confiar nos homens.

Isso me deu a base que tenho hoje. Isso significava sem televisão.que ela fazia para consegui-lo. Enquanto não tenho a mesma madrinha que eu tinha naquela época. – só Deus e eu. etc. tinha um relacionamento com o Poder Superior de minha compreensão. A sugestão foi incrível – funcionou para mim! Quando terminei com os 90 dias. rádio. livros. e ele era tão real para mim quanto o pão na mesa. minha madrinha hoje também é dependente do Poder Superior e continua me direcionado para a prática de minha fé a cada dia. Parte de seus direcionamentos foi ir a 90 reuniões em 90 dias e voltar direto para casa (sem social) para passar mais uma hora sozinha com Deus. telefone. O Deus de minha 320 . Comecei a rezar e meditar regularmente e me tornei disposta a seguir quaisquer sugestões que ela me desse para desenvolver esse relacionamento especial. música.

O círculo do apadrinhamento Logo percebemos que não podemos manter esse maravilhoso presente de recuperação sem dar o que recebemos. mas também ajuda a fortalecer nosso desejo de permanecermos em recuperação. e família) em ordem. e especialmente a minha madrinha. o resto estará bem”. ajudamos a fortalecer o 321 . Minha experiência tem mostrado que se eu manter minhas prioridades (Deus. Queremos partilhar a esperança de viver uma vida rica e plena com aqueles que buscam seguir o mesmo caminho que nós. Praticar serviço abnegado não só beneficia nossos esforços em viver uma vida limpa. aos outros. Podemos fazer isso com o apadrinhamento. NA. e a primeira língua do meu Poder Superior é silêncio então preciso ficar quieta e ouvir à natureza. Ao partilhar nossa experiência e esperança com outro adicto.compreensão trabalha de várias formas.

recebemos muito mais de volta.espírito do programa de Narcóticos Anônimos. Apadrinhamento pode ser onde aprendemos a praticar nossos novos princípios. Mais e mais. recebemos as maiores recompensas de todas. nossa experiência manifesta aquilo que ouvimos em reuniões desde o começo: quando pedimos ajuda. oferecemos a outro adicto a oportunidade de dar. Sempre que damos livremente do que temos encontrado em recuperação. 322 . e é o relacionamento no qual nossa gratidão fala mais claramente. O alimento espiritual que recebemos quando damos aos outros é uma das razões que escolhemos permanecer em NA. e quando estendemos a mão a outro adicto necessitado.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful