“O coração de NA bate quando dois

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adictos partilha m sua recuper ação”.
Texto Básico
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Prefácio Os princípios espirituais de Narcóticos Anônimos estão no centro de nossa recuperação da doença da adicção. Os passos são “os princípios que tornam nossa recuperação possível”, mas não trabalhamos o programa de NA em isolamento. Apadrinhamento é a chave para trabalhar os passos – para compreender os princípios espirituais e praticá-los em todas nossas atividades. O foco deste livro é apadrinhamento em NA – suas recompensas e seus desafios, e seu lugar no dia-a-dia da nossa recuperação. Quando Serviços Mundiais perguntou à irmandade em 2000, o que ela gostaria de ver num livro sobre apadrinhamento, a resposta foi esmagadora. Milhares de páginas de experiência, opiniões e idéias chegaram numa enxurrada, e tornou-se claro imediatamente que apadrinhamento varia de país para país, região para região, e indivíduo para indivíduo. O livro que resultou reflete essa rica diversidade. Ele tenta apresentar um retrato de como nossa irmandade, em constante mudança, pratica o apadrinhamento hoje.

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Os outros livros de NA oferecem mais informação sobre o programa, incluindo os passos e tradições. O Livro Narcóticos Anônimos é o Texto Básico de nosso programa. Isso Resulta: Como e Porque discute os passos e tradições e o Guia para trabalhar os Passos de Narcótico Anônimos é seu livro companheiro sobre os passos. Só Por Hoje é nosso livro de meditações diárias. Alguns de nós pegaremos este livro com a esperança de que responderá definitivamente nossas perguntas: Tenho experiência o suficiente para ser um padrinho ou madrinha? Quantas pessoas devo apadrinhar? Meu padrinho/madrinha deverá ser do mesmo sexo que eu? O que devo fazer se não confio em meu padrinho/madrinha? E assim por diante. Mas isso não é um livro didático que dá um “Como fazer” de forma concreta para padrinhos e afilhados. É uma coleção de nossas experiências diversas sobre apadrinhamento, e sua leitura pode nos ajudar a chegar às nossas próprias conclusões sobre o que é certo para nós. Experiências de primeira mão aparecem ao longo do livro. As citações
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em primeira pessoa foram coletadas de membros de NA ao redor do mundo. Enquanto essas citações não representam, necessariamente, a opinião de NA como um todo, elas apresentam a cada um de nós, uma oportunidade para crescer e aprender se lermos com o coração e a mente abertos. Algumas coisas que leremos aqui poderão desafiar as crenças que sustentamos por muito tempo, mas, como numa reunião, podemos tirar proveito do que nos serve e largar o resto. Se fecharmos esse livro sentindo que ainda temos perguntas nãorespondidas sobre apadrinhamento, podemos seguir as sugestões que freqüentemente recebemos quando encaramos uma pergunta que não sabemos como responder: procuramos nos passos, rezamos e meditamos a respeito, ligamos para nosso padrinho/madrinha...

CAPÍTULO UM O QUE É APADRINHAMENTO?

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Uma pedra fundamental do programa de Narcóticos Anônimos Nenhuma crença ou filosofia, por si só, descreve ou define adequadamente o que é um padrinho ou o que faz um padrinho. Ao longo dos anos, apadrinhamento se tornou uma ferramenta básica e importante do programa de NA e é praticada de várias formas. O relacionamento de apadrinhamento, para muitos membros, é pessoal e privado. Um padrinho de NA é um membro experiente de Narcóticos Anônimos a quem procuramos para ajudar-nos em nosso programa de recuperação. Muitos membros acreditam que apadrinhamento é uma parte vital do processo de recuperação. Junto com os Doze Passos e as Doze Tradições, apadrinhamento é considerado uma das pedras angulares do programa e da maneira de viver de NA. O valor terapêutico de um adicto ajudando o outro é exemplificado neste relacionamento com um outro membro de NA. Antes de chegar às salas de NA, a maioria de nós estava vivendo à margem
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esse alguém foi meu primeiro padrinho. meu relacionamento com meu padrinho se tornou (e ainda é) o primeiro relacionamento com outro ser humano que abriu meu coração à possibilidade de me tornar um membro da raça humana”. Uma vez que começamos a assistir reuniões e aprender sobre o programa de Narcóticos Anônimos. Uma das maiores dádivas de NA é ouvir 7 . nossas vidas começam a mudar e percebemos a importância de procurar apoio. Ele foi alguém que me ajudou a continuar indo em frente quando não mais conseguia andar sozinho. Ele foi alguém que me fez sentir parte de NA.da humanidade. “Se precisei de alguém em minha vida. afundando cada vez mais em medo. isolamento e desespero. Ele era um rosto amigo num mundo de dor emocional. Queríamos encontrar outro modo de viver. “Para mim. mas a solução sempre nos iludiu.

enquanto outros evitavam todo tipo de contato com as pessoas. Alguns de nós acreditávamos que eram invencíveis e poderosos. vemos que um padrinho/madrinha pode nos ajudar a lidar com estes sentimentos. e indefesos. Durante esse tempo frágil em nossa recuperação. Agora que nossas mentes começaram a clarear e acordamos de nossa névoa induzida por drogas. sozinho. Quando vim a essas salas. expostos. “Para mim.a mensagem levada através do amor e bondade”. para que não precisemos fugir deles. machucado. tínhamos percepções e pensamentos distorcidos. 8 . aceitação é uma das partes mais importantes do programa de NA. Porém. Precisamos de ajuda e queremos estender a mão para outro membro. muitas vezes tememos rejeição e podemos experimentar ansiedade avassaladora com a idéia de nos aproximarmos de alguém e pedirmos que seja nosso padrinho/madrinha. Enquanto nas garras de nossa doença. estava perdido. nos sentimos vulneráveis.

eu estava acabado. Era uma idéia assustadora – falar com um estranho – mas era mais assustador pensar que se eu não pedisse ajuda. 9 . e especialmente. muito menos sobre pedir ajuda de um outro ser humano. Eu me odiava tanto. Demorou um tempo para criar a coragem de pedir que alguém fosse meu padrinho”. poderia voltar a usar drogas de novo”. Não sabia o que fazer dos Doze Passos. Não confiava em ninguém nem acreditava em nada.e sentindo como se nada importava exceto a morte. ouvi dizer que era importante arrumar um padrinho. “Quando fiquei limpo no início. Porém. Estava quebrado e sentia que ninguém queria ter nada a ver comigo. com meu problema com drogas. Mal conseguia juntar duas frases e tinha medo de tudo e todos.

Estava nervosa. e sei que nossos espíritos estarão sempre conectados”. mesmo após anos e a distância de quilômetros que há entre nós. Se formos novos ao programa. precisamos lembrar que ainda podemos trabalhar o programa de recuperação. mas liguei assim mesmo.Enquanto procuramos por um padrinho. começamos a acreditar que funcionará para nós também. o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Gaguejei e falei baixo. mas ela me deu o telefone dela e me disse para ligar. começamos a desenvolver relacionamentos com outros membros e nos envolvemos. “Cheguei perto de uma mulher após uma reunião e esperei impacientemente para falar com ela. Não foi um sim firme. Continuo aprendendo com ela até hoje. Conforme vemos que o processo funciona para outros. 10 . e nossa confiança cresce. Temos um relacionamento maravilhoso.

Eu buscava todas as respostas dela. a estrutura de serviço. Um padrinho pode nos oferecer um elo pessoal ao aprendizado do programa de recuperação de NA.“Meu relacionamento com minha madrinha foi muito desconfortável no início. mas tudo que via era ela vivendo a vida como a vida é. literatura. um padrinho pode facilitar a transição para fora e esclarecer quaisquer dúvidas que possamos ter a respeito das diferenças entre tratamento e NA. podemos ter dúvidas a respeito da terminologia. Ela falava comigo sobre a vida dela. 11 . No início. e assim por diante. Especialmente quando somos novos ao programa. foi difícil achar coisas para partilhar sobre mim mesma. Nossos padrinhos podem nos orientar ao partilharem sua experiência e conhecimento do programa de NA. e eventualmente eu consegui falar com ela sobre a minha vida também". Se ficamos limpos em um centro de tratamento ou outra instituição. formatos de reunião.

Achei que um padrinho era o chefe de NA! Hoje percebo que um padrinho é um professor que ensina por exemplo e experiência”. Eu liguei e perguntei para meu padrinho se isso era verdade. Achava que era algum tipo de sociedade secreta. “Sou uma pessoa inteligente. 12 . mas quando era nova no programa.“Achei que precisava de um padrinho para entrar numa reunião fechada (somente para adictos). Ligava para minha madrinha e perguntava ‘O que significa impotência?’ ou ‘O que é ser um “membro produtivo da sociedade”?’ Essas ligações me ajudaram a desenvolver minha própria compreensão sobre os princípios de NA”. não tem problema’. precisava de muita ajuda e precisava compreender o programa. tipo ‘ele está comigo’. Ele deu risada e disse ‘Oh não.

que uma nova maneira de viver é possível. meu padrinho compreende o que eu preciso passar para ficar limpo. independente de quanto tempo temos no programa. temos semelhanças. e todos buscamos recuperação desta doença. Já que ele tem a 13 . Mesmo que estejamos em fases diferentes de nossa recuperação e trabalhando em nosso próprio ritmo.Apadrinhamento nos ajuda. O sucesso de meu padrinho em ficar limpo serve como fonte de esperança para mim”. Membros que acumularam algum tempo limpo podem ser exemplos para recémchegados e membros com mais tempo. Uma das razões que o apadrinhamento funciona é que partilhamos a mesma doença. Aprendemos a focar nossa atenção nas semelhanças ao invés das diferenças. “De conhecimento de primeira-mão de adicção e recuperação. “Meu relacionamento com meu padrinho têm me ajudado a ficar mais honesto ao longo do tempo.

No entusiasmo de nossa irmandade para assegurar que nossa mensagem é claramente compreendida – por adictos assim como por outros membros da sociedade – freqüentemente fazemos muito esforço para providenciar descrições definitivas de cada detalhe do programa de NA. boa vontade. e um compromisso para guiar e partilhar uma caminhada de recuperação através dos Doze Passos. o alicerce do apadrinhamento é um serviço abnegado. Independente das diferenças entre nossas práticas. 14 . incluindo o conceito de apadrinhamento. ele entende a minha maneira de pensar”.mesma doença que eu e tem tido muitas das mesmas experiências. Definições totalmente diferentes do apadrinhamento existem em NA. O espírito que energiza e enriquece Narcóticos Anônimos se encontra na nossa união através da diversidade. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. A beleza de nosso programa é que cada um de nós pode ter uma compreensão pessoal do relacionamento de apadrinhamento.

“Meu padrinho não só é um guia através dos passos. Alguns membros acreditam que a interação entre padrinho e afilhado deve ser um de não 15 . “Minha madrinha faz uma coisa por mim que não confio em mais ninguém para fazer – ela simplesmente me guia através dos passos de Narcóticos Anônimos. Não somos amiguinhas. Não saio com ela nem vou à casa dela toda hora. ouço-a e falo com ela”. Alguns adictos compreendem o apadrinhamento como um ato de amor incondicional. mas também é alguém que me ajuda a ver como realmente sou e quem posso ser. Outros colocam condições ou requisitos para aqueles a quem apadrinhamos. Ligo para ela regularmente. Meu padrinho parece saber meus motivos muitas vezes antes de eu saber realmente o que esses motivos são”.

Ela tinha uma lista de cinco coisas que eu tinha que fazer para que ela me apadrinhasse. enquanto outros buscam certos tipos de julgamento e direção de seus padrinhos. Ela era durona e a força dela me assustava. Ela me dizia o que fazer. trabalhar os passos. Quando fiquei limpo. cereal ou qualquer coisa de café da manhã antes de começar meu dia. Eu fazia o 16 . ir às reuniões. mas eu queria o que ela tinha para oferecer”. e rezar e meditar diariamente.julgamento. servir a irmandade. ele pediu que eu comesse uma fruta. Eu queria tanto ficar limpo. Ela me deu a recuperação mastigadinha. “Minha primeira madrinha foi ótima para mim quando eu era nova no programa. “Meu padrinho foi uma das pessoas em NA que me amou até que eu pude amar a mim mesmo. Tinha que ligar para ela todos os dias.

que ele pedia. sentimentos e acontecimentos a ele. compaixão. o apadrinhamento pode tomar variadas formas que refletem nossa individualidade. comecei a entender o que ele estava fazendo – ele estava me mostrando como me amar e cuidar de mim mesmo”. Logo. Não importa o quão traumático ou insignificante alguma coisa é. apesar de não saber o que tinha isso a ver com ficar limpo. aceitação e responsabilidade são alguns 17 . Deixo que ele me conheça bem – provavelmente melhor do que eu mesmo me conheço”. Independente dessas diferenças. muitos membros acreditam que cooperação. “Meu padrinho é minha base de apoio. posso depender dele e confiar meus pensamentos. Com a crescente diversidade de nossos membros. Posso receber suas sugestões e orientação através dos passos com mente aberta e coração confiante.

Minha madrinha permite que eu cresça em meu próprio ritmo e progrida nos passos conforme minha prontidão”. “Poder ter um padrinho é a maior dádiva que a recuperação oferece para mim. mas. nem por tanto tempo”. 18 . carinhosa. Minha madrinha me ajudou a ver a razão e ofereceu um caminho de mudança para que eu não tivesse que doer tanto. “Minha madrinha é meu mentor.dos princípios espirituais encontrados no apadrinhamento. às vezes meu salvavidas. Ela é gentil. é minha amiga. Eu sentia dor o tempo todo e não sabia por que. simplesmente flutuava à deriva. Antes de ter uma madrinha. Saber que sempre que eu precisar dela ela estará lá para me apoiar é um pensamento confortante. sem direção real. sobretudo. amorosa e me dá apoio.

e fiquei bem. Durante esses momentos podemos buscar apoio no grupo e em nossos companheiros em recuperação. o apadrinhamento pode nos dar apoio quando damos de cara com aqueles desafios que vêm de viver a vida.Para muitos de nós. Mas a realidade é que sentia falta de alguém na minha vida que fosse ‘meu padrinho’”. há muitas vezes nas quais nos encontramos sem um padrinho ou madrinha. Isso não significa que somos “menos que” membros que têm um padrinho ou madrinha. “Em minha recuperação houve vezes que eu não tinha uma madrinha. “Tive períodos em recuperação sem um padrinho. Continuei crescendo e trabalhando o programa. até que encontremos um padrinho novo. Acho que estava esperando que uma caísse do céu. ou simplesmente não queria fazer muito esforço 19 . Entretanto.

Minha experiência mostra quer preciso de uma madrinha para trabalhar os passos com sucesso”. Depender de amigos não era a mesma coisa do que ter uma madrinha. se não estamos apadrinhando alguém. mais posso me beneficiar de sua experiência. Qualquer que seja a razão.para achar uma. por alguma razão. nem era ter uma madrinha só para dizer que tinha. dando boas vindas e encorajando os recémchegados. escolhemos não apadrinhar outro adicto. levando uma reunião á uma instituição. Trabalhando numa linha de ajuda. apesar de todos nossos anos no programa. Pode ser que ninguém nos tenha pedido. ainda há muitas formas que podemos servir. ou pode ser que. Acredito que quanto mais esforço que coloco no meu relacionamento com minha madrinha. 20 . Alguns de nós podemos estar sem afilhados. ou pegando um encargo em nosso grupo de escolha são algumas das maneiras que podemos levar a mensagem.

Eu brincava (mais ou menos) com um amigo que não me pedem para ser padrinho porque ninguém ‘quer o que eu tenho’. aquelas mais em harmonia com minhas circunstâncias e aptidões naturais.“Estou em recuperação há 15 anos e nunca apadrinhei ninguém. e nosso talentos e habilidades estão em áreas diferentes. Sou um fracasso? Minha recuperação é uma fachada por minha ‘inabilidade’ de preencher esse aspecto do programa ainda? Acho que não. e tenho sido e continuo sendo aquela pessoa que ‘acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação’ para muitos amigos em NA. Faço muito serviço em NA. Dou livremente aquilo que me foi dado de outras formas. Todos são diferentes. mas isso é me menosprezar e menosprezar o programa de NA. a quem amo”. 21 .

Em desespero. Funcionou! As cartas de minha madrinha sempre pareciam chegar quando eu mais precisava. Algumas dessas comunidades são geograficamente isoladas de comunidades já estabelecidas de NA.Narcóticos Anônimos continua a crescer e alcançar diversas comunidades ao redor do mundo. Ela trabalha os passos 22 . outras podem ter dificuldades legais ou culturais para estabelecer reuniões ou com os princípios do programa. “Nos primeiros dias. Enquanto nossa irmandade se diversifica. é importante permitirmos que membros adaptem o programa de NA para se encaixar em suas comunidades. “A mulher que pedi para me amadrinhar estava visitando meu país para a convenção anual. confiei em alguém que viajava e me conhecia bem para achar uma madrinha para mim. Foi o melhor relacionamento ‘via correio’”. eu era a primeira mulher em recuperação no meu país.

Quando eu a visitei no ano passado. Felizmente.de NA. partilhei meu Quinto Passo com ela. Eu leio 23 . e eu tinha que me esforçar para ligar para alguém que não conhecia. Agora estou fazendo o Sétimo Passo. Tenho trabalhado os passos com ela. Iniciamos nosso relacionamento por e-mail. pessoas e em mim mesma. e na língua dela!” “Encontrei minha madrinha na Internet. Eu demorei a entendesse os horários dela. e eu a amo. falando a língua dela (toda minha recuperação é feita em outra língua). segura de si. Escrevo os passos e os mando por correio. Ela é prática. conhecíamos alguém no programa que podia traduzir para nós. aprendido sua língua e praticado fé no Poder Superior. e por uns oito meses eu acordava às 4:30 para ligar para ela. Moramos em continentes diferentes. temos culturas diferentes.

Os altos e baixos do início da recuperação faziam com que eu ficasse perdido emocionalmente. percebemos que a recuperação é um processo em evolução. No entanto. através de amor incondicional. “Ao longo dos últimos oito anos de minha recuperação. Fica caro. mas eu me permito. Esse é o relacionamento mais enriquecedor que já tive com outra mulher”.junto pelo telefone. O conceito de apadrinhamento tem ajudado a moldar o programa de Narcóticos Anônimos que conhecemos hoje. as ligações diárias me ajudaram a aprender como pedir ajuda. aceitação e união. Podemos tentar atravessar algumas de nossas dificuldades sozinhos. No início. e o 24 . apadrinhamento – tanto como afilhado quanto como padrinho – tem tido um papel importante em minha jornada. Com o tempo. muitos de nós encontram alívio do vazio criado pela nossa doença.

e mais tarde em minha recuperação. Quando era nova e estava perdida. ajudou a tornar o passeio de montanha russa mais brando. quando ela está tendo dificuldade. ela foi carinhosa e falou que eu tinha feito um bom trabalho. Ela me apoiou quando mudei de carreira. nos tornamos amigas. ela me liga para chorar”. Hoje.compromisso que eu fiz de ligar para meu padrinho diariamente. 25 . Agora busco dela conselhos e encorajamento para continuar me arriscando e crescendo. Quando ela ouviu meu Quinto Passo obsessivamente longo. minha madrinha me dava direções claras e muito amor. Nenhuma outra coisa me fez sentir tão aceito e amado como o apoio de meu padrinho”. “Meu relacionamento de apadrinhamento mudou com o tempo. Às vezes nos encontramos só para nos divertirmos.

Se fosse simples assim. freqüentemente.Um Adicto Ajudando ao Outro Apadrinhamento pode oferecer a ajuda que tão desesperadamente precisamos. as salas de NA não poderiam conter a multidão de pessoas que buscariam recuperação! Os anos que passamos praticando comportamentos auto-destrutivos e vivendo em prisões auto-impostas de medo. Trabalhar com um padrinho pode facilitar nosso aprendizado deste novo modo de vida. Esses velhos hábitos não somem com um passe de mágica. “Não posso expressar a importância de meu primeiro 26 . Ficar limpo e freqüentar reuniões de NA não significa que nossas vidas se tornarão livres de dificuldades enquanto nossos problemas vão desaparecendo. e termos mente aberta e boa vontade. mas temos medo de pedir quando primeiro ficamos limpos. Se quisermos melhorar. ódio próprio e desespero tornaram muitos de nós raivosos e desconfiados. um processo dolorosamente lento. precisamos fazer um esforço para sermos honestos. Recuperação é.

“Sei que ter um padrinho ainda é vital para minha recuperação. e que ele podia compreender como eu me sentia através da própria experiência dele. Tenho certeza que meu padrinho não sabe de quantas formas e 27 . Para mim. Tenho confiado em meu padrinho para me aconselhar e ajudar quando não sei o que fazer. oferecendo uma mão que se estendia para dentro do meu inferno pessoal e me ajudou a ficar de pé sozinho novamente”. o maior benefício de ter um padrinho é que eu tenho a chance de aprender como viver a vida através dos Doze Passos. Foi muito importante que ele não me julgava. Lá estava alguém para me guiar na minha escuridão.padrinho – aquela primeiríssima pessoa que estava preparada para me ouvir e me deixar chorar pelo telefone.

por nós mesmos. Nem sempre é fácil. “Sendo um adicto muito independente e autosuficiente. e começamos a quebrar os padrões de isolamento emocional e falsa independência que marcaram nossas vidas por tanto tempo. nos abrimos para outro adicto. e tento repassar esses princípio espirituais aos meus afilhados. Temos agora a oportunidade de experimentar. mas eu o faço. fazer o que não podíamos fazer sozinhos. Meu padrinho tem me mostrado muita compaixão. Aprendemos que é possível com a ajuda de outros.quantas vezes ele me ajudou ao longo dos anos”. tenho aprendido muito sobre a necessidade de usar meu padrinho e pedir ajuda. o valor terapêutico de um adicto ajudando o outro. amor e tolerância. Cuidadosamente baixando nossas defesas.” 28 .

Eu o deixei entrar em minha vida e me conhecer bem. Apadrinhamento. pela primeira vez em minha vida. Eu podia dizer que o amava e precisava dele em minha vida”. para que ele pudesse me confrontar quando eu agia mal. Alguns de nós sentimos um elo de confiança com nosso padrinho ou afilhados imediatamente. honestidade verdadeira e proximidade a outra pessoa. “Trabalhar com meu padrinho me permitiu. eu podia ter um relacionamento íntimo com outro homem.“O que foi mais importante para mim com meu primeiro padrinho foi. Esse elo pode ajudar a nos livrar do isolamento e da falta de confiança que fazem parte da enorme obsessão e compulsão da adicção ativa. enquanto outros constroem confiança através de empatia e amor incondicional. pode ser nosso primeiro relacionamento que envolve confiança e intimidade – isto é. e com 42 anos. que pela primeira vez. para muitos de nós. a confiar em alguém e honestamente falar 29 .

“Partilhar meus segredos com meu padrinho foi a primeira ação de confiança e humildade por minha parte. desesperançado e perdido. nem me fazia sentir mal. aprendi a confiar e aprendi a ser confiável”.com outra pessoa sobre mim. Conforme o tempo foi passando. comecei a ter objetividade e uma perspectiva equilibrada a respeito das situações em minha vida”. “A primeira vez que aprendi a desenvolver confiança em outra pessoa foi quando arrumei uma madrinha (me tornei madrinha). Parei de me sentir sozinho. ou me falava que eu estava errada. Nesse relacionamento. Minha madrinha não me culpava. 30 . e ainda sinto”. e foi o primeiro passo para quebrar meu isolamento. Me senti apoiado.

muitos de nós começamos a encontrar conforto na identificação que achamos em Narcóticos Anônimos. e o amor e 31 . apadrinhamento evoluiu a um nível muito mais profundo do que eu jamais imaginei possível. Para alguns de nós. essa é a primeira vez que temos a oportunidade de nos tornarmos parte da sociedade. e realizar sonhos perdidos. Podemos arranjar empregos.Quando a solidão e alienação da adicção começam a amenizar. nos reunirmos com família e amigos. companheirismo e responsabilidade que esse relacionamento geralmente oferece. As habilidades que aprendemos no apadrinhamento podem nos dar a oportunidade de participar em nossas próprias vidas novamente. “Hoje. O relacionamento entre padrinho e afilhado pode se tornar um sistema de apoio mútuo. Começamos a apreciar a generosidade. voltar à escola. Experimentamos o amor incondicional e uma conexão com outras pessoas. Escrever os passos tem sido uma parte muito importante da minha recuperação.

cuidado que meu padrinho demonstra quando falamos sobre o que eu escrevi têm me ajudado tremendamente nas áreas de honestidade e confiança. O elo que nós temos como resultado de trabalhar os passos tem sido extremamente poderoso”. “Quando primeiro cheguei a NA, senti que ninguém podia compreender os sentimentos intensos de desespero, falta de esperança e vergonha que eu sentia. Em minha primeira reunião, conheci um homem que logo se tornaria meu padrinho. Ele me deu um folheto e pediu que eu lesse a parte ‘Quem é um adicto?’. Conforme eu lia, comecei a sentir aquele medo que carregava por tanto tempo, se amenizar. A simples sugestão de um companheiro adicto foi o início de um relacionamento profundo e amoroso com respeito mútuo e partilhas honestas”.

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“Não conseguia entender porque meu padrinho era tão feliz e contente com todas as coisas pequenas em sua vida. Ele posteriormente me contou que é mais importante contribuir do que exigir. Depois, eu entendi que isso era a chave para me tornar parte da sociedade”. Nosso trabalho com padrinhos e afilhados freqüentemente ajuda a dar sentido para muitas das nossas experiências – passadas e presentes. “Me lembro do primeiro Quinto Passo que fiz com uma madrinha. Partilhei meus segredos mais profundos e sombrios. Achei que minha madrinha não ia querer mais nada comigo. Ela, no entanto, partilhou parte de seu passado comigo, e eu percebi que eu não era a pior pessoa na face da terra. Na verdade, minha madrinha me ajudou a ver que algumas coisas, das quais eu
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tinha mais vergonha – algumas das minha experiências sexuais – nem eram minha culpa”. Através do percurso de trabalhar e vivenciar os Doze Passos e as Doze Tradições, a ilusão de auto-suficiência pode ser suavemente quebrada, enquanto nos tornamos mais responsáveis por nossa própria recuperação. Ao partilhar honesta e abertamente, ambos o padrinho e o afilhado começam a aprender um com o outro. Percebemos que não mais estamos sós e não precisamos encarar o processo de recuperação sozinhos. “Meu padrinho é um professor, um exemplo, alguém em quem confio, um ouvinte, um confortador, um espelho, e dispensa a verdade que ele vê em mim. Ele é um barômetro para minha recuperação e, de acordo com o quanto eu permito, é a voz da razão quando estou tomando decisões difíceis e confusas”.
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“Apadrinhar outros reforça minha recuperação e mantém minha gratidão viva através da partilha de minha recuperação. Serviço abnegado é o antídoto para o egocentrismo, que é o centro de minha doença. Se eu sugerir que um afilhado vá a uma reunião ou escreva algum passo, é mais provável que eu faça o mesmo”. “Ter um padrinho me deu um senso de responsabilidade. Esse relacionamento tem ajudado a reconquistar a confiança em outros seres humanos. Tenho aprendido ao longo dos anos que posso falar com meu padrinho em completa confiança sobre qualquer coisa que eu pensar ou fizer. Ele mantém o anonimato que nós temos, e não me julga”. O relacionamento de apadrinhamento é humanidade em ação, providenciando compaixão e apoio, não

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importando as experiências de vida que cada membro pode estar atravessando. “Ainda preciso de uma madrinha após tantos anos no programa. Hoje os tópicos não são como ficar limpa, etc., mas mais os problemas cotidianos que aparecem como resultado de ficar limpa. Muitas vezes descubro que ainda acredito na ilusão de que ficar limpa significa automaticamente viver uma vida livre de problemas. E, na maioria das vezes, descubro através de partilhar com minha madrinha, que tenho uma vida normal, como qualquer outra pessoa que não usa drogas”. Durante nossa adicção ativa, o único compromisso que a maioria de nós tinha era o de conseguir e usar mais drogas. Em NA, muitos de nós assumimos o compromisso de trabalhar com um padrinho e, mais tarde, um afilhado. Não mais fugimos de nossas responsabilidades. Cumprir com nosso compromisso de apadrinhamento pode
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nos ajudar a sentir o valor próprio que vem de encararmos nossos medos.

“Pedir que alguém me apadrinhasse foi um grande compromisso para mim. Significa que eu ia ter que fazer mais do que falar sobre minha recuperação. Eu ia pedir que alguém se comprometesse comigo e isso era assustador. Tinha tanta dificuldade em confiar nos outros, mas no final percebi que meu grande problema era coragem”. “Meu compromisso com apadrinhamento ajudou a me tornar uma pessoa amorosa, digna de confiança e apoio. Antes de assumir a responsabilidade de ser uma madrinha, eu era egoísta, egocêntrica, e só pensava em mim. Como resultado do meu trabalho com minhas afilhadas, descobri o verdadeiro sentido de
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compromisso. Porém. ouço com mente aberta e coração aberto. Alguém que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação Um padrinho/madrinha pode ser um mentor. Por alguma razão. não só 38 . Hoje sou comprometida com minhas afilhadas. podemos sentir que nossas necessidades não estão sendo atendidas. e sentimentos podem ser feridos. amo incondicionalmente. compartilho suas alegrias e tristezas. Mais importante é o meu compromisso em guiá-las através dos passos e apoiá-las em seus processos de recuperação”. a maioria de nós descobre que a “cura” emocional e espiritual que pode vir de partilhar com um padrinho/afilhado vale a pena o esforço. Mal-entendidos podem surgir. o relacionamento padrinho/afilhado pode ser desafiador. aceito e respeito-as exatamente como são. Às vezes. professor e confidente.

Outros membros procuram um padrinho estritamente para conhecimento sobre e orientação através dos Doze Passos. Um padrinho pode ainda participar em nossas experiências alegres. minha madrinha foi a primeira pessoa que eu permiti que visse o verdadeiro eu. perda. para alguns membros. Apadrinhamento pode nos ajudar a aprender maneiras saudáveis de viver e oferecer um santuário de apoio e empatia durante tempos de luto. “Para mim. podemos todos concordar sobre uma coisa: um padrinho é “alguém que acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação”. detalhes e padrões. e outras tribulações da vida. e. Não importa como entendemos o papel do padrinho. É importante ter alguém para 39 .para aqueles que são novos no programa. que celebram nossa vida e nossa recuperação. Ela é meu banco de memória de experiências. mas para membros com tempo limpo significante também. as Doze Tradições e os Doze Conceitos.

“Estava no início de minha recuperação quando meu pai morreu. Meu padrinho é alguém com quem posso ser honesto e para quem posso me revelar. Estava desolada e me senti totalmente impotente. Ele era o mundo para mim. além de respeitálo – e isso é importante também. e ela os jogará de volta. Me vi frente a frente com muita dor e raiva.quem posso jogar minhas idéias e mudanças possíveis. Dois corações são sempre melhores do que um só”. Essas emoções se tornaram entidades vivas para mim. e senti que elas iam me 40 . Eu o adorava. “Meu padrinho é alguém em quem confio. Algumas das coisas que aprendo sobre mim mesmo me chocam. e preciso poder partilhar essas coisas e sentir-me confortável o suficiente para permitir que meu padrinho revele coisas para mim”.

vemos que o apadrinhamento pode oferecer uma amizade e conexão espiritual com outros adictos. minha madrinha me ouviu – a qualquer hora do dia. era mais sobre ela estar lá e me ouvir e amar durante tudo isso”. Quando começamos a viver sem o uso de drogas. que podem ter experimentado muitas das mesmas emoções e circunstâncias que nós.consumir. e como resultado. Mas. Eu não me valorizava. conforme cada membro pode partilhar e identificar-se com muitos dos mesmos sentimentos. Nem é que ela me disse alguma coisa profunda. Esses sentimentos me fizeram sentir que eu não era importante. O elo que freqüentemente se forma entre um padrinho e afilhado pode ser poderoso. “Em recuperação eu tenho experimentado uma gama de sentimentos que eu me recusava a reconhecer. não tinha a 41 .

Eu tinha a amadrinhado por muitos anos. A atração inicial para mim era não ter que fazer tudo sozinho. mas falar com ela e escutar 42 . e pedir ajuda. “Minha afilhada e eu passamos por divórcios na mesma época. e aprendi que não tinha problema não saber algumas coisas. O que aprendi através do apadrinhamento não tem preço. que tipo de pessoas eu queria em minha vida. e nosso relacionamento se tornou realmente uma via de mão dupla. adquiri uma idéia de quem eu era.habilidade de colocar limites. Através do amor e orientação do meu padrinho. e o que eu precisava para conseguir tudo isso. e a beleza verdadeira está em partilhar essas experiências com meus afilhados”. Aquela época era um dos momentos mais difíceis de minha recuperação. Meu padrinho me ajudou a expressar-me honestamente.

advogados. Podemos discutir essa necessidade com nosso padrinho. que nos torna todos iguais em NA. mas simplesmente a de um adicto partilhando de seu coração e levando a mensagem. Temos que perceber que um padrinho é um adicto praticando serviço abnegado e não um profissional num emprego. Isso se baseia em nosso alicerce espiritual de anonimato. Alguns membros trabalham profissionalmente como terapeutas. Partilhávamos uma com a outra. mas não devemos esperar que nosso padrinho ou afilhado nos preste serviço profissional de qualquer tipo. Às vezes precisamos buscar ajuda profissional de algum tipo. por exemplo. No entanto. chorávamos juntas. ou médicos. e dividimos insights e ferramentas”. 43 .ajudaram a amenizar. Escolhemos um padrinho baseado em sua recuperação em NA. a responsabilidade de um padrinho não é a de um profissional.

ir a reuniões. mas eu ainda me sentia sozinho e vazio por dentro. Digo a eles que estou em NA para me recuperar. talvez. me envolver em serviço. e às vezes se aproximavam de mim para facilitar sua admissão a uma clínica de tratamento. Por muito tempo eu pude ficar limpo.“Membros da irmandade em minha área sabem que trabalho no setor de recuperação de dependência química. e nutri nosso 44 . Isso torna nosso relacionamento na irmandade mais igual e menos aberto a complicações”. posso apadrinhá-los. e participar em várias funções. Quando permiti que um padrinho entrasse em minha vida. “Os benefícios de ser apadrinhado tem me servido bem nesse programa. mas não me envolvo em assuntos fora de NA nem faço favores especiais. Eu deixo meus limites bem claros.

não as de seus afilhados. Muitas vezes dizemos “só podemos manter o que temos ao dar para outros”. mas também é verdade que temos que ter nossa própria recuperação para poder “dar”. idealmente. 45 . comecei a crescer e mudar. e não a bagunça de nossa doença. da qual o Texto Básico fala me ajudou mais do que qualquer médico ou terapeuta poderia ter ajudado naquele ponto em minha vida”. onde cada pessoa.relacionamento como parte do meu processo. Apadrinhamento pode ser uma oportunidade para praticar os princípios do programa de NA em todas as nossas atividades. e minha recuperação deslanchou. Acho que a linguagem sem palavras da empatia. É importante para padrinhos manterem sua própria identidade e serem responsáveis por sua própria recuperação. e vice-versa. está recebendo o melhor que cada uma tem a oferecer. Queremos nos assegurar que levamos a mensagem de recuperação aos nossos afilhados.

então estou passando minha doença aos meus afilhados”. O Décimo Segundo passo em ação Apadrinhamento muitas vezes se torna parte do serviço abnegado do qual 46 . diminui minha freqüência a reuniões porque senti que estava muito ocupada. Estava apadrinhando várias pessoas. “Quando voltei a estudar. eu me sentia como se fosse um peso. Não ligava para minha madrinha com muita freqüência.“Se eu não cuidar de minha doença em minha própria recuperação. eu estava estressada e sem energia. me senti menos estressada e não via a hora de chegar um intervalo nos meus estudos para falar com uma afilhada”. Engraçado com quando eu dediquei mais tempo à minha própria recuperação. No final da ligação. nem lia muito. e sempre que alguma delas ligava.

ouvimos no décimo segundo passo. não há pressão maior do que um afilhado dedicado que trabalha os passos com paixão. pois eu estava no lugar deles em algum momento de minha recuperação”. compaixão. Me sinto obrigado a fazer o melhor que posso em minha própria recuperação. Muitos membros acreditam que o apadrinhamento é uma oportunidade de levar a mensagem de recuperação e praticar os princípios encontrados no programa de NA. “Meu padrinho cria uma atração para mim. O caminho que ele percorreu antes de mim me trouxe a ele nesse 47 . Sinto empatia pelos meus afilhados quando fazem tantas perguntas e se esforçam para aprender e entender o cominho de NA. Sinto também. “Para mim. Parte disso envolve um compromisso de trabalhar com outros e providenciar um sentido de aceitação através de empatia e compreensão.

padrinhos podem guiar afilhados na construção de um alicerce em recuperação. Ele é sereno. um padrinho pode acalmar a confusão que muitos de nós experimentam quando ficam limpos. e trabalhando com. Um padrinho pode providenciar uma perspectiva mais objetiva sobre nossa realidade. força e esperança.momento centrado. já que minha bagagem tende a 48 . Simplesmente. sólido e espiritualmente equilibrado. um programa sólido e trabalha conscientemente os Doze Passos. Através da partilha de sua experiência. Ele leva uma vida simples e calma. “Meu padrinho me dá uma perspectiva totalmente diferente da minha vida. muitos de nós não sabiam quem eram ou como nos tornarmos membros produtivos da sociedade. Achando. quero o que ele tem a oferecer”. Após passar muitos anos na adicção ativa.

dizendo que o desejo dela para mim era que. quando tinha alguns anos limpa. eu aprenderia a parar de tomar decisões péssimas – que eu viria a apreciar o amor verdadeiro e o apoio que eu poderia vir a ter num relacionamento. “Cedo em minha recuperação. minha madrinha meio que me ‘falou um monte’. como resultado de trabalhar os passos com ela. ao longo do tempo. comecei a sair com um homem ‘bom’ que não teria pensado em sair antes. 49 . tinha uma ‘reputação’ por causa de meu comportamento com homens. e como resultado. Estamos juntos a 16 anos”.influenciar minha perspectiva e minha percepção”. Eu estava lhe contando como eu gostava dos ‘homens maus’ e ela sacudiu a cabeça. Aquela conversa foi um momento de virada. Finalmente.

Ela plantou em mim a importância de ‘devolver’ a NA através da estrutura de serviço. Apesar dela não ser mais minha madrinha. ainda é uma parte 50 . trabalhar com um padrinho pode começar a nos mostrar a importância do serviço. Tradições e Conceitos.Além de nos ajudar a nos enxergarmos mais claramente. Ela me deu a base de compreensão de NA e os Passos. dando deles mesmos e não esperando nada em troca. e nesse relacionamento podemos a aprender como expressar nossa gratidão através do serviço seja ele formal ou informal. “Minha primeira madrinha foi a alma mais maravilhosa. Alguns padrinhos encorajam aqueles a quem apadrinham a se envolverem formalmente na estrutura de serviço de NA. outros simplesmente agem pelo poder de exemplo. carinhosa e amorosa que sabia exatamente quando segurar minha mão e quando largá-la. O apadrinhamento é uma espécie de serviço abnegado.

“Meu primeiro padrinho não estava muito envolvido na estrutura de serviço. como muitas aspectos de nossa vida em recuperação. mas ele me demonstrou que nunca era cedo demais para começar a ‘dar livremente’. eu fui a uma reunião e um companheiro ingressou. Agora faço bastante serviço formal. meu padrinho perguntou ‘Você deu seu telefone àquele companheiro?’ Não achava que eu tinha muito a dar. mas aprendi muito daquele primeiro padrinho sobre o espírito do serviço e como não tem a ver com um encargo específico.ativa de minha recuperação e uma amiga querida”. Depois da reunião. Um padrinho é simplesmente um adicto em 51 . Apadrinhamento. é um relacionamento-em-progresso. mas ele nunca perdeu a oportunidade de me encorajar a servir. Lembro quando eu era novo no programa. mas sim com a boa vontade de dar”.

forças e fraqueza. “Tenho tido afilhados ao longo de minha recuperação. às vezes. força e esperança. Enquanto muitos de nós sentimos. 52 . adictos partilhando sua experiência. que não poderíamos ficar limpos sem a orientação e apoio de nosso padrinho. e ainda ter fé. para ver outra pessoa ter dificuldades às vezes. e trabalhar para manter o foco na solução ao invés do problema”. “Meu padrinho é um ser humano que tem alegrias e tristezas. Para mim. e defeitos de caráter com os quais ele tem dificuldades.recuperação. precisamos manter em mente que padrinhos não são Poderes Superiores. não um perito infalível. É um presente maravilhoso poder ajudar aos outros e me abrir para que os outros possam ver quem eu sou. como eu tenho. mas sim. confiança e esperança. necessidades e sonhos. isso é uma grande lição.

Eles me ensinam sobre confiança e compromisso. Muitas vezes meus afilhados têm mais respostas do que eu. em muitos casos o afilhado partilha insights e sabedoria. Tenho aprendido através deles que não sou o único que tem dificuldades ou o único que está perdido e tem medo”. Isso faz parte da via de mão dupla: o dar e receber que faz do Décimo Segundo 53 . A simplicidade do relacionamento padrinho/afilhado – aquele de um adicto ajudando outro – pode ajudar ambos os membros a entrar em contato com sua própria humanidade enquanto passando pelas dificuldades da vida. juntos. e suas soluções são minhas também. quando me perco em mim mesmo.Freqüentemente. Trabalhar os passos com eles é nada mais do que eu mesmo trabalhar os passos. Muitas vezes seus problemas são meus. A mensagem de recuperação não vem só do padrinho. É uma lição de humildade no serviço. meus afilhados me ajudam a sair disso.

Tenho que estar trabalhando meu programa pessoal para poder oferecer algo aos meus afilhados”. é também essencial para enriquecer nossa condição espiritual. os Doze Passos e as Doze Tradições. “Quanto a ser um padrinho. Quando meus afilhados partilham os 54 . O quanto isso vale para o meu programa? Vale ouro”. Levar a mensagem a outros adictos e dar livremente o que nos foi dado livremente não é só uma honra e privilégio. tento incorporar as coisas que aprendi sobre como eu gosto de ser apadrinhado em meu apadrinhamento. e conhecer mais sobre. “A importância de apadrinhar outros é que me ajuda a me envolver mais com. “Recentemente tive um afilhado partilhar honestamente um assunto sobre o qual eu mesmo não tinha sido honesto.passo uma parte necessária do processo de recuperação.

Preciso ser humilde para ligar para minha madrinha e pedir ajuda. Apadrinhamento me ensina humildade. Aprofunda minha apreciação do que me foi dado”. junto com reuniões. Uma das maiores dádivas em recuperação é encontrar as semelhanças em nossas jornadas e aprender sobre nossas diferenças. apadrinhamento. Preciso também ser humilde em relação a minhas afilhadas estando disponível e ouvindoas sem ser julgadora ou controladora. Acho que a lição mais valiosa que o apadrinhamento me dá é a oportunidade de praticar o amor incondicional. partilho minhas próprias experiências com passos também. é a coisa mais importante em NA. Minha madrinha e afilhadas têm me ensinado sobre a importância de ter relacionamentos com outras mulheres e como amar e ser 55 . “Para mim.passos comigo.

aprendi a me amar”. acordamos para um mundo de possibilidades quando nos abrimos para as dádivas que o apadrinhamento pode nos dar. que passamos tanto tempo de nossa vida recebendo. e o apadrinhamento para muitos de nós. está no centro de um senso de comunidade e apoio mútuo. E a melhor ajuda que um adicto pode receber vem de outro adicto em recuperação. Com isso. Muitas vezes ouvimos dizer que Narcóticos Anônimos é um programa “nós”. NA funciona por causa da ajuda que damos uns aos outros. preocupados somente com nós mesmos. Nós.amada pelo meu próprio gênero. 56 .

O programa de NA ensina conceitos e princípios dos quais a maioria de nos não tinha conhecimento durante nossa adicção ativa. limpos e novos a NA. Agora. Podemos não querer aprender a viver 57 . Ouvindo o que outros membros dizem sobre “trabalhar” e “praticar” os passos e tradições ou desenvolver contato consciente com um Poder Superior pode nos encher de confusão e suspeita. Esses conceitos podem contrariar nossa maneira de encarar o mundo. mas não percebemos que viver uma vida em recuperação requereria tanto esforço.CAPÍTULO DOIS PARA O AFILHADO Porque adictos buscam um padrinho Temos aprendido de nossa experiência como irmandade que precisamos fazer mais do que apenas assistir às reuniões de Narcóticos Anônimos. estamos em território desconhecido. Sabemos que não será fácil parar de usar drogas.

“Quando cheguei a NA. com o tempo. e partilharam sua compreensão do programa. mas meu padrinho. Ter um padrinho ajuda muitos de nós a aprendermos sobre o programa de NA e adquirirmos “insights” sobre nós 58 . Tudo o que queremos é parar a dor e o ciclo horroroso de desespero e remorso causado por nossa doença. trabalhei-os com um padrinho. e fiz o mesmo com as tradições. encorajamento. Mas. E funcionou: tenho tido muito mais do que simples abstinência”. não tinha idéia do que era o programa. tanto como outros adictos em recuperação que eu conheci.com integridade ou nos oferecermos em serviço abnegado a outros adictos. me deram amor incondicional. Foi difícil no início. Tudo o que queria era só parar de usar. A ultima coisa que muitos de nós esperam fazer ou saber fazer quando ficamos limpos é “trabalhar” nesta coisa chamada de recuperação. li os passos.

Mais importante para muitos de nós. Precisava de alguém que estava do lado de fora do meu processo de tomada de decisões para me dar um empurrão que eu precisava na direção certa”.’ quando nunca tinha feito nenhuma dessas coisas antes. como para o membro que já acumulou algum tempo limpo.mesmos.. acho que gostaria de tornar minha vida muito melhor escrevendo um inventário. “Não acordei um dia e disse: ‘Puxa. e ainda alguém que pode partilhar novas idéias conosco e nos oferecer direção quando pedimos.. que seria difícil fazermos sozinhos. 59 . fazendo algumas reparações ou entregando minha vida e minha vontade aos cuidados do meu Poder Superior. Um padrinho é alguém com quem podemos partilhar nossos segredos profundos e escuros. Isso é verdade tanto para aqueles de nós que são novos ao programa. nosso padrinho/madrinha é a pessoa para quem podemos ligar quando temos vontade de usar.

talvez é onde deveria estar. um elo especial se forma. Às vezes.“Lembro quando escolhi meu primeiro padrinho. Precisava que ele me dissesse isso. Precisava achar aquela pessoa em quem podia confiar 15 minutos antes de usar ou 15 minutos depois de ter usado. Era exatamente o que eu buscava”. que pode nos levar a ter uma 60 . Podemos ter históricos ou outras características em comum.’ Eu queria responder ‘Quem pediu a sua opinião’? mas pedi para que ele fosse meu padrinho. Freqüentemente. permitindo que confiemos mais nas sugestões que eles oferecem. temos simplesmente um sentimento intuitivo que alguém é o padrinho certo para nós. Era para eu ir preso por muito tempo. Ele me disse ‘Se é para você ir preso. Em quem poderia confiar nesse nível? Não queria saber sobre os passos. Muitos de nós escolhemos nossos padrinhos pela honestidade ou profundidade de suas partilhas.

“Acredito que minha madrinha hoje (e há sete anos) foi enviada por Deus! Nos conhecemos em uma convenção. Ela pediu que ficasse junto com ela. na verdade. Mas. eu sabia que queria que essa pessoa me guiasse em minha recuperação. Ela ainda é a mulher que quero ser quando eu crescer. Até o sábado de manhã.profunda conexão espiritual com nosso padrinho. de um membro do meu grupo de apoio. ela me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa que eu tinha conhecido. ela me desafiou abertamente quando deixei passar um comportamento inadequado que estava tolerando há tempos. e ficamos conversando o final de semana inteiro. Mais tarde naquela noite. Mas nunca quero me vestir como ela!” 61 . Fiquei chocada! Ela mal me conhecia.

simplesmente perguntei se ela havia trabalhado os passos e 62 . Escolhi uma mulher que havia me confortado uma noite quando eu estava mal. meu padrinho é aquela pessoa a quem posso levar minhas perguntas pessoais – aquelas que poderiam me envergonhar ou aquelas de natureza muito particular. Não pensei em minha decisão antecipadamente. força e esperança da irmandade. “Alguns meses antes do meu terceiro ano limpa.“Para mim. Ela parecia segura e confortável. Mais uma vez. mas quando preciso de atenção especial. em busca de sua carreira. minha madrinha se mudou para outra cidade. Posso ir a reuniões e coletar experiência. meu padrinho é o adicto em recuperação especial enviado pelo Deus da minha compreensão”. tinha a tarefa de achar outra madrinha.

Só tínhamos sete reuniões naquela época. Meu 63 . Desenvolver um relacionamento com um padrinho pode nos fazer sentir parte de algo maior do que nós. um padrinho pode facilitar o processo de ficarmos confortáveis com fazer parte da irmandade de NA. e assim por diante.depois pedi que fosse minha madrinha. Trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a entender aspectos do programa que podem ser confusos para nós: que tipo de coisas queremos partilhar nas reuniões e o que é melhor ser discutido particularmente. quando estamos prontos para aceitar certos compromissos. Ela ficou maravilhada’. Era como uma família grande e no início me senti um estranho. Quando chegamos ao programa. então muitos dos membros eram bem próximos. Nosso padrinho pode nos apresentar a outros membros que têm mais tempo limpo ou que tiveram experiências de vida semelhantes. “Fiquei limpo numa pequena área de NA.

como minha madrinha. Ele sempre me incluía nas conversas. Apadrinhamento é tão vital para membros que estão na irmandade há vários anos quanto para aqueles que são 64 . Aprendi a trabalhar com outros. Me tornei membro regular. Foi a primeira vez que senti que pertencia”. e logo. minha madrinha me convidou para uma das reuniões do comitê de serviço que traduzia literatura de NA para nossa língua. muitas das pessoas no comitê se tornaram meus amigos. Senti que fazia parte da irmandade e aprendi muito a respeito”. Eu fui e descobri que gostei do serviço e das pessoas prestando o serviço.padrinho me convidava para ir quando o grupo saia para tomar café ou comer. “Quando eu era nova no programa. Foi tão confortante que logo comecei a me sentir parte do grupo.

seus princípios têm uma riqueza que se aprofunda conforme nossa recuperação amadurece. Assim como nossa doença é progressiva. nossa recuperação também é. É como olhar as nuvens e vêlas se tornarem centenas de rostos e imagens.novos no programa. Estou 65 . Vejo os passos assim – mudando conforme cresço e evoluo em minha recuperação. mais mágicos e místicos os passos se tornam. “Quanto mais tempo fico limpa. Enquanto o programa de Narcóticos Anônimos pode ser simples. Quanto mais tempo ficarmos limpos e trabalharmos o programa. mais ferramentas teremos e mais rica nossa vida espiritual pode ser tornar. “Continuando a ficar limpo em NA. vim a acreditar que uma das minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação é crescer através do aprendizado de novas idéias e experimentando-as através de ação”.

o que quero para mim. Rezo para que eu nunca veja os passos ou a mim mesma como um trabalho ‘completo’”. Amo minha vida hoje. meu padrinho me ajudou a ver que mente aberta vai muito além de minhas idéias a respeito de Deus ou um Poder Superior. Agora. e sei que será uma jornada emocionante. englobando idéias sobre o que me faz feliz. Era um ateu evangelista. e assim por diante. e tinha que trabalhar duro para ouvir com mente aberta o que os outros tinham a dizer em reuniões. pensava sobre mente-aberta somente em termos de meu sistema de crenças.fazendo os passos novamente com minha nova madrinha. “Quando era novo em NA. anos depois. 66 . meus sonhos. e nada nela é como eu poderia ter imaginado ou sonhado para mim se eu não tivesse aprendido a me abrir a possibilidades novas”.

A próxima coisa que eu sei.Membros com tempo limpo razoável podem se ver tão vulneráveis quanto recém-chegados ao encarar certas incertezas em suas vidas. e não somos libertados dos problemas da vida simplesmente porque estamos limpos há alguns anos. Tempo limpo não significa sempre que um membro entende facilmente os princípios do programa de NA. Estava verdadeiramente perdido. Tudo isso aconteceu com nove anos limpo. Meu padrinho (hoje) partilhou 67 . “Após sete anos sólidos de trabalhar o programa e os passos com um padrinho. e obviamente não tinha um programa. estou num hotel em uma cidade conhecida por seu brilho e jogatina com estranhos que estão se drogando.mas eventualmente – parei de ligar para meu padrinho. eu lentamente . mas eu não tinha um padrinho. Nossa doença não some. Ter um padrinho durante tempos difíceis tem valor enorme.

Muitos membros olham ao padrinho para ajuda em aceitar os desafios e 68 . às vezes. o que realmente precisava era me sentir amada e aceita independente de quem eu era ou o que tinha feito”. Sempre reagi bem à amizade e carinho das pessoas. Acho que passei tanto tempo nos meus dias de uso me machucando que quando cheguei a NA totalmente quebrada e cabisbaixa.comigo que meu Poder Superior me ama muito e que eu fui o cara mais sortudo por sobreviver a minha jogatina sem desastre!” “Houve épocas em recuperação onde me sentia perdida ou abandonada ou como se tivesse perdido minha conexão com Deus e NA. é uma madrinha ou um amigo muito próximo que estende a mão para mim e me leva de volta “para casa”. E. Mas eu fui ensinada que a porta está sempre aberta.

Ele apareceu de surpresa no funeral dela só para me apoiar. estava arrasado pela perda. 69 . Moramos a 640 quilômetros um do outro. “Quando minha irmã morreu de overdose há cinco meses. Um padrinho pode oferecer sugestões sobre como lidar com “os destroços de nosso passado” e os desafios de nosso presente.obstáculos que às vezes nos encaramos enquanto aprendemos a viver uma vida limpa. mas quando eu ligava para ele parecia que ele estava ali ao meu lado. Sei que largar tudo e pegar um vôo para estar ali apoiando alguém não está na ‘descrição do encargo’ de um padrinho. Meu padrinho escutou sobre minha dor e disponibilizou tempo para mim quando eu precisei. mas nunca encontrei as palavras para dizer o quanto significou para mim tê-lo perto naquele momento e quanto me ajudou a atravessar meu luto”.

fazer reparações com restituição financeira.“Estava à beira de um desastre financeiro quando minha ex-esposa me processou por pensão atrasada. Freqüentemente. Meu padrinho me ajudou a reconhecer a importância de encarar o passado. pode ajudar o afilhado a evitar algumas das armadilhas que o padrinho já experimentou. um padrinho trilhou o mesmo caminho que um afilhado e pode partilhar seu conhecimento e experiência a respeito da situação. Partilhar intimamente com outro membro igual a nós ressalta o fato de que os sentimentos e as experiências que temos não são tão únicos. Isso. mas conhecia 70 . e me tornar livre para o meu futuro”. estava passando por dificuldades da meia-idade em relação à minha sexualidade. “Quando estava com dez anos limpa. Precisava de uma nova madrinha. por sua vez.

Então pedi a uma mulher que tinha um ano a menos em recuperação. Ela tinha procurado por amor em todos os lugares errados e havia aprendido a amar com responsabilidade”. mas sim que o apadrinhamento nos guia nas nossas tomadas de decisão e auto-compreensão. eles nos conhecem cada vez melhor. 71 . muitos creditam o apadrinhamento como fator importante em vir a acreditar que podemos ser devolvidos à sanidade. conforme os anos vão passando. Isso pode ser um dos benefícios de ter o mesmo padrinho por um período longo de tempo. mas tinha dez anos a mais de idade e tinha acabado de passar pela mesma coisa que eu. Nossos padrinhos podem nos ajudar a obter uma perspectiva melhor sobre nós mesmos e nossas vidas. Isso não significa que um padrinho é como um Poder Superior.pouquíssimas pessoas que tinham passado por esses problemas e que tinham mais tempo limpas do que eu. Apadrinhamento pode ter um papel crucial no Segundo Passo.

Me vi indo em direção à solução e não mais preso no problema”. “Após muitos anos limpo. 72 . Ela fazia isso de forma amorosa. Meu padrinho me lembrou que eu sou um trabalho em andamento. sem pisar nos meus calos”. Ela me ensinou a respeito de insanidade e me ajudou a ver onde eu estava tentando fazer as mesmas velhas (e ineficazes) coisas para resolver meus problemas. mas também à maneira que eu me sentia. Ele me ouviu e me trouxe de vota aos passos. eu entrei numa briga física e logo desenvolvi uma série de medos. Achei que havia progredido além desse tipo de comportamento.“Minha madrinha me ajudou a compreender que ‘incontrolável’ não se aplicava somente a coisas ‘externas’.

O princípio espiritual de anonimato assegura que somos todos iguais dentro das salas de NA. Muitos de nós valorizamos nossos relacionamentos em NA. às vezes. As razões pelas quais adictos procuram padrinhos são inúmeras. Os princípios de nosso programa muitas vezes podem nos ajudar a encarar e ultrapassar nossos problemas de maneira produtiva e responsável. pelas formas nas quais eles são. e particularmente os relacionamentos com nossos padrinhos. vemos que o que nos une é que todos buscamos recuperação. Podemos ficar unidos e saber que não temos que enfrentar os desafios sozinhos. “Anonimato – a condição de não ter nome – é essencial nos meus relacionamentos de apadrinhamento. diferentes de nossos relacionamentos fora do programa. Uma sólida compreensão da Décima Segunda Tradição significa 73 .“Meu padrinho é aquele que ajuda a segurar a lanterna espiritual para mim”. porém.

Outro. 74 . Muitos membros procuram por um padrinho.compreender o anonimato em vários níveis (deve ser importante – não só é o alicerce espiritual de todas as nossa tradições. para aprender de meus afilhados do que eles de mim”. ou até mais. em alguns sentidos. mais importante para mim. No entanto. que eles sentem que irão aceitá-los e respeitá-los não importando o que possam partilhar. queremos manter em mente algumas qualidades básicas. Uma dessas é encontrar alguém com quem nos identificamos e que “tem o que nós queremos”. é metade de nosso nome). Um é que não divulgamos os segredos dos outros. iguais. Meu padrinho não é uma pessoa melhor ou um adicto melhor do que eu. tenho tanto quanto. é que somos todos. Como sabemos se alguém tem “o que nós queremos”? Narcóticos Anônimos não tem regras rígidas a respeito da seleção de um padrinho.

trabalha os passos. podemos sempre buscar orientação de nosso Poder Superior para tomar uma decisão. mas também o que sentimos que precisamos. Aqueles que são novos no 75 . enquanto outros tentam encontrar um padrinho que será seu companheiro e amigo. “Não quero um padrinho que tem o que eu quero. Encontrar um padrinho com mais tempo limpo também é importante para muitas pessoas. e é comprometido com o programa. Para alguns. tem um padrinho/madrinha. Como com qualquer outro elemento de nossa recuperação. Eles procuram alguém que vai às reuniões. É importante nos perguntarmos não só o que queremos para nossa vida e recuperação.Alguns membros simplesmente querem um guia através dos passos. o relacionamento do padrinho em potencial com o programa é a consideração mais significativa. O que buscamos num padrinho no início de recuperação pode ser diferente do que buscamos mais adiante em recuperação. quero um padrinho que tem o que eu tenho e sabe viver com isso”. participa no serviço.

e. ninguém terá todas essas qualidades. Uma lista das considerações poderia continuar interminavelmente. mas que. ele ou ela terá qualidades e defeitos. e que tem mente aberta. a não ser que não haja tais indivíduos em sua comunidade.programa. Alguns procuram primeiramente por um membro que é honesto e íntegro. Além de olhar o que as pessoas fazem por sua recuperação. provavelmente deveriam procurar por um membro mais experiente como padrinho. Alguns de nós podemos querer alguém que nos direciona firmemente. especialmente. é mais importante encontrar alguém amistoso e disponível que é respeitoso e confiável. Podemos achar alguém que tem apenas uma (ou nenhuma) dessas qualidades. é o padrinho perfeito para nós. 76 . por exemplo. podemos considerar outras qualidades pessoais. Porque nosso padrinho é humano. Outros explicam que achar alguém divertido é tão importante quanto o resto. Como determinamos exatamente quais características sentimos que são necessárias depende inteiramente de nós. independente disso. é claro. Para alguns.

Queria alguém cuja visão do programa era semelhante à minha. Quando somos novos. conheci um cara numa reunião. 77 . No final. Depois de vários meses. e sem nem saber nada sobre ele. Escolher um padrinho é nossa decisão. Queria alguém que tinha mais tempo limpo do que eu. etc. etc. muitos pedimos à pessoa que nos faz sentir mais bem-vindo. etc. pedi que ele fosse meu padrinho. “Uma vez cheguei a um padrinho com uma lista de problemas que queria que meu padrinho abordasse. Queria alguém que fosse gay como eu. Queria alguém que tinha lidado com os mesmos tipos de problemas que eu tinha. não consegui encontrar ninguém que preenchia os requisitos. Enquanto essas expectativas não pareciam exorbitantes.enquanto outros podem procurar por alguém que nos deixará tomar nossos próprios tombos.

Quando pedi que ele fosse meu padrinho. “Eu já sou muito duro comigo mesmo. Tinha tanto medo de rejeição que tinha uma lista de três pessoas que eu poderia pedir caso uma me rejeitasse. Eu tinha apenas que sair do caminho”. O companheiro que eu finalmente pedi tinha uma barba cinza e a aparência que eu achava que um padrinho deveria ter. “Eu olhava bem as pessoas. ele disse que iria perguntar ao padrinho dele se ele devia me apadrinhar. Era mais uma ocasião que os planos de Deus eram melhores que os meus. Ele tinha alguma coisa que eu gostava.ele preenchia cada um dos meus requisitos prédeterminados. então para mim. pois às vezes o que elas dizem não combina com como elas vivem. Faço a mesma coisa hoje quando alguém me pede para ser seu padrinho”. a 78 .

e freqüentemente necessitados financeiramente. mentalmente. então tive que decidir o que era mais importante para mim e fazer concessões”. não conseguia encontrar alguém que preenchia todos os ‘ideais’ em minha lista de padrinho ideal.coisa mais importante tem sempre sido encontrar um padrinho gentil. Quando muitos de nós chegamos às portas do NA. estabilidade emocional e um bom senso de humor. emocionalmente e espiritualmente. ironicamente. Simplesmente não tinha homens em minha área com mais tempo limpo. Examinar nossos motivos para considerar alguém na escolha de um padrinho também é uma boa idéia. Nos primeiros dez anos de minha recuperação. O único homem que preenchia essa descrição era. Como recém-chegados ao programa de NA. estávamos quebrados fisicamente. meu afilhado. podemos ser atraídos a outros membros por causa de 79 .

suas posses ou sua aparência. Podemos ver seu “dinheiro, propriedade e prestígio” como medida de seu status e sucesso em recuperação. Podemos não compreender inteiramente que o programa de NA é trabalho interior e suas recompensas têm mais a ver com crescimento espiritual e paz mental do que estilo de vida e bens materiais. “Minha primeira madrinha tinha um carro novo, se vestia bem, e tinha uma casa maravilhosa. Achei que ela me mostraria como conseguir todas essas coisas, mas ela me levou aos passos e um despertar do meu espírito”. “Procurava alguém que tinha o que eu queira: a maior quantidade de jóias, o melhor carro, e mais mulheres. Descobri depois que eu deveria arrumar um padrinho com o que eu precisava – aceitação!”. Alguns membros tem tido experiências de relacionamento difíceis
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com relacionamentos familiares, amorosos, no trabalho, e outros membros da sociedade antes de entrar em recuperação. Às vezes sentimentos como carência ou desespero podem nos tornar hesitantes a cometer os mesmos erros do passado, ou podem nos encorajar a desenvolver novos relacionamentos que parecem iguais aos antigos. Quando escolhemos um padrinho, podemos não identificar que tipo de relacionamento de apadrinhamento será melhor para nossa recuperação. “Meu primeiro padrinho era muito rígido, e pensei que isso tornaria mais fácil para eu introduzir disciplina em minha vida, como a criancinha que faz a coisa certa porque tem medo dos pais. Na verdade essa é a forma que eu fui criado, e estava acostumado ao abuso e ser forçado a me provar. Esse relacionamento durou dois encontros, e eu acabei chorando no meu grupo de escolha, me sentindo quebrado por causa de sua
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crítica severa e controle. Me senti rejeitado”. “A verdade é que, quando era nova no programa, queria uma madrinha para que as pessoas parassem de me dizer que eu precisava arrumar uma. A mulher que pedi para ser minha madrinha era, de muitas maneiras, meu oposto, e achei que era isso que eu deveria querer. Era baixinha, loira e estava sempre sorrindo. Eu gostava de seu namorado, que era médico. O cabelo dela nunca estava fora do lugar, e ela era muito determinada, que eu achava legal. E, ela tinha mais que cinco anos limpa e não me tratava come se fosse idiota. O problema é que éramos tão diferentes que nenhuma das duas conseguiu aprender a entender a outra. A frase que ela mais usava comigo era ‘Estou tentando te entender, realmente estou.’, frustrada. Mas ela nunca conseguia. E eu não lembro
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de ela ter mencionado os passos para mim, mas ela me deu um monte de sugestões práticas úteis – mais do que eu sabia na época”. Achar um padrinho pode ser um dos compromissos mais importantes que faremos em recuperação. Precisamos fazer todo esforço possível para olhar para dentro de nós mesmos, não importando a dificuldade de manter a objetividade. É claro, que porque essa escolha é tão pessoal e há tanta diversidade entre nossos membros, algumas considerações podem não ser tão importantes quanto outras para nós. Por outro lado, podemos sentir que certas características de personalidade, não mencionadas aqui, são cruciais. Independente, é importante lembrar que um padrinho é um ser humano que pode errar. “A tendência de colocar padrinhos, especialmente aqueles que apadrinham muitas outras pessoas, em pedestais, isola profundamente esses membros. A primeira vez que
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perguntei para uma pessoa como era ter muito tempo limpo, ele respondeu ‘solitário’”. “Eu escolhi minha madrinha porque ela partilhou sobre ser humana e cometer erros, e eu achei que isso significava que ela teria que ser gentil comigo se eu não fosse perfeita. Sua filha estava na adicção ativa, e a luta obsessiva de minha madrinha para administrá-la freqüentemente significava que ela não estaria emocionalmente disponível ou que ela não retornaria minhas ligações quando queria que o fizesse. Aprendi a depender de outras pessoas para me apoiarem nessas horas, pois ela era quem eu queria que fosse minha madrinha. Apesar de ser imperfeita, às vezes louca, em minha opinião ela era gentil e amorosa e era disso que eu precisava”. Muitos de nós achamos que ajuda ter um sentido de nossas próprias
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expectativas para o relacionamento de apadrinhamento e para ser direto a respeito dessas expectativas quando pedimos para alguém ser nosso padrinho. Para aqueles de nós que são novos no programa, isso pode ser mais difícil. Pode levar algum tempo no programa para desenvolver esse tipo de compreensão. No entanto, se, como um membro novo, precisamos de mais tempo e atenção de um padrinho, temos que aprender a pedir. Podemos querer perguntar a padrinhos em potencial se podemos ligar tarde à noite se queremos usar, e quais são suas expectativas se recairmos (eles ainda irão nos apadrinhar?). Aqueles de nós com algum tempo limpo estabelecido também têm que pedir o que precisamos. Se buscarmos ajuda com um passo ou tradição, como lidar com um encargo de serviço ou com uma situação de vida, podemos discutir essas necessidades com um padrinho em potencial. “Quando pedi que minha atual madrinha me apadrinhasse, falei com ela sobre confidência. Ela é a melhor amiga de minha chefa, e eu precisava saber
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Nossa experiência tem mostrado Enquanto a maioria dos membros de nossa irmandade podem concordar entre si sobre vários aspectos de apadrinhamento. 86 . Ao aprendermos a arriscar e superar nosso medo. podemos desenvolver a habilidade de expressar nossas necessidades. Isso é uma ferramenta que podemos usar em todos nossos relacionamentos ao crescermos em recuperação. nos tornamos boas amigas (apesar de seu ‘aviso’)”. NA como um todo não tem opinião sobre muitos assuntos polêmicos a respeito de apadrinhamento.que poderia falar com ela sobre o trabalho com certeza de que minha confidência seria mantida. Ele deixou claras suas expectativas e também me explicou que só porque era minha madrinha. No final. não significava que seríamos melhores amigas. e que ela se sentiria confortável com isso.

Nossos membros individuais. Entretanto. 87 . Padrinhos múltiplos A maioria de nossos membros sente que é importante ter somente um padrinho. Esses membros têm visto que ter um padrinho ajuda a manter as coisas simples e minimizar o risco de escolher entre várias respostas que recebemos. porém. não façamos que qualquer grupo de membros se sinta excluído ou defender a idéia de que um método de praticar o princípio de apadrinhamento é melhor que outro. freqüentemente desenvolvem crenças fortes e em muitos casos. sentem que há uma maneira “correta” para abordar o apadrinhamento. têm tido sucesso com mais de um padrinho. motivam membros a procurar alguém com experiência semelhante para apadrinhar ou guiá-los. no entanto. além de seu padrinho de muito tempo. é importante que nós. Alguns membros. como uma irmandade. doença ou divórcio. um padrinho é como um “único ponto de decisão e responsabilidade” explicado no quinto conceito. como serviço. Às vezes circunstâncias especiais.

mas acho que o processo aconteceu no 88 . viver com princípios. e o outro queria que eu recomeçasse o Primeiro Passo”. o que eu pensava. eu diria ‘Ah.“Não era para eu ter dois padrinhos. tinha saídas com os dois – se um tentasse me confrontar sobre algum defeito e não estava pronto. etc. Demorou mais para eu me enxergar. e foi muito confuso. No início. o que era importante – honestidade. integridade. sentia. mas me ajudou a decidir o quão honesto eu realmente queria ser. estou cuidando dessa parte com meu outro padrinho’. “Ter dois padrinhos era confuso no começo. acreditava. Os dois queriam que eu fizesse coisas opostas. mas acabei nessa situação por uma semana. Paguei o preço. Um queria que eu continuasse com o Quarto Passo.

tinha quatro encargos de serviço que tomavam todo meu tempo. Estava sobrecarregada e queria desistir de tudo. Aprendi tanto por ter tido dois padrinhos que só posso dizer que foi positivo”. tinha que completar o encargo ou 89 . me interessei muito pelo serviço. Ela me trouxe às reuniões.tempo de Deus. mas minha madrinha não tinha experiência nessa área. Ela disse que uma vez que tivesse me comprometido com o serviço. e eu comecei a trabalhar os passos o melhor que podia. Minha madrinha de serviço me ajudou muito. Assim que fiquei limpa. que me guiou nessa área do meu programa. “Achei uma madrinha antes até de ficar limpa. Quando completei três meses limpa. então arrumei uma ‘madrinha de serviço’.

Logo. mas sou amiga das duas. devo falar com um mecânico. larguei o padrinho de AA e só usei o de NA. Se quiser 90 .achar um substituto. mas completei os outros encargos. Essa experiência realmente ajudou que eu me desenvolvesse na pessoa que sou hoje. Então. o que estava ouvindo de meu padrinho do AA não condizia com o que ouvia do padrinho de NA. tinha um padrinho em NA e um em AA. Achei um substituto para uma de minhas posições. Nenhuma dessas mulheres é minha madrinha hoje. preciso falar com um carpinteiro. e sou grata pela orientação que elas me deram nas áreas diferentes”. “Quando entrei em recuperação. Se quiser aprender a consertar carros. A lição que aprendi era que se quero aprender carpintaria.

Às vezes instituições obrigam seus pacientes a arrumar um padrinho temporário. ela é desencorajada em outras. Alguns membros sentem que ter um padrinho temporário indica falta de compromisso ou reservas. Apadrinhamento temporário Em algumas regiões. Apesar dessa pratica ser popular em algumas regiões. 91 . eles explicam. uma prática denominada apadrinhamento “temporário” ou de “transição” é comum. nosso padrinho está doente ou temos que nos mudar por um período de tempo. Podemos também pedir que alguém seja nosso padrinho temporário quando temos uma circunstância impedindo que nosso padrinho esteja disponível por um período de tempo: se. “Essa doença não é temporária”. por exemplo. especialmente para aqueles novos no programa. preciso um padrinho de NA”.aprender como viver o programa de NA. Um padrinho temporário ou de transição é alguém que pode trabalhar conosco até encontrarmos uma pessoa que sentimos que podemos pedir para ser nosso padrinho.

“Meu primeiro padrinho temporário durou quatro anos”. “Tive relacionamentos temporários suficientes; é hora de aprender a ter relacionamentos permanentes”. “Meu centro de tratamento me obrigou a ter um padrinho, então pedi à primeira pessoa que encontrei numa reunião que fui quando internado. Ambos estávamos cientes que o acordo era temporário”. Gênero O gênero de nosso padrinho/madrinha – isso é, se eles deverão ser do mesmo sexo que nós - é outra área na qual opiniões variam de comunidade em comunidade e adicto para adicto. Muitos adictos sentem fervorosamente que um padrinho/madrinha do mesmo sexo pode melhor ajudá-los a trabalhar certas dificuldades e mais facilmente identificarse com eles e sentir empatia. Outros não
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vêem o sexo como um fator determinante em trabalhar as questões de recuperação ou estabelecer empatia. Em algumas comunidades pequenas de NA, o número de padrinhos locais em potencial pode ser limitado, influenciando as escolhas dos membros nesse sentido. Independente do que decidirmos a respeito do sexo de nosso padrinho ou madrinha, devemos tomar cuidado para que a atração sexual não se torne parte de nosso relacionamento de apadrinhamento. “Tenho um padrinho amoroso e bondoso do mesmo sexo porque só posso partilhar algumas das coisas em minha vida que dizem respeito ao sexo oposto com alguém que se identifica. Por exemplo, ele compreende minhas dificuldades de comunicação com minha ex-mulher. Ambos temos filhos que moram com nossas ex-mulheres, e ambos temo experiência com tentar fazer isso funcionar”. “Como homem gay, tenho tido alguns tipos diferentes de
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padrinhos. Fui apadrinhado por outro homem gay, uma mulher gay, um homem heterossexual, e uma mulher bissexual. Acredito que o sexo de meu padrinho só é importante no seguinte sentido: que ninguém deve ser apadrinhado por alguém, onde qualquer nível de tensão romântica ou sexual existe”. “Preciso de uma madrinha mulher não só por causa de dificuldades com atração sexual, mas principalmente para aprender a confiar, gostar de, e amar alguém do mesmo gênero que eu, e confiar em mim mesma como mulher”. “Sempre tive padrinhos do sexo oposto porque quando entrei em recuperação, a irmandade estava apenas começando no meu país, e não havia mulheres em recuperação. Acho que apadrinhamento pelo sexo oposto pode funcionar quando o único propósito é
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recuperação. Minha própria experiência é que eu me aproximei de um membro por quem eu sentia atração, com a intenção de pedir que ele fosse meu padrinho. Felizmente, ele me rejeitou, dizendo que sentia atração por mim e não seria meu padrinho. Sugeriu que eu procurasse outra pessoa. Me senti muito magoada pela rejeição; nenhum homem jamais me rejeitou antes, mas foi a primeira lição em dignidade que recebi nos grupos de Narcóticos Anônimos”. “Quando entrei em recuperação e procurava um padrinho, alguém explicou para mim que ‘Recuperação não e sexualmente transmitida’; não escolha alguém por quem sente atração’”. “Percebi que desde minha infância, homens eram competidores – por atenção, em esportes, por mulheres, no
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trabalho por uma posição, salário, etc. Agora, preciso vêlos com outros olhos. Preciso vê-los como amigos e confidentes em vez de competidores. Isso demorou um tempo. Mas uma vez que superei o medo de intimidade com um homem, minha recuperação deslanchou. Acredito que essa intimidade é muito importante para o relacionamento padrinho/afilhado”. “Quando tinha quatro meses limpa, pedi para um homem ser meu padrinho. Era minha forma de rebelar; afinal, homens e mulheres são iguais, disse a mim mesma. Achei que a sugestão de apadrinhamento do mesmo sexo só tinha a ver com sexo. Meu padrinho emprestava meu dinheiro e não me pagava depois. A gota d’água foi quando descobri que ele não pedia dinheiro a seus afilhados homens, e eu percebi que homens e
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mulheres se manipulam de várias outras formas além de sexualmente”. E se eu não puder achar um padrinho de NA? Às vezes não conseguimos achar um padrinho imediatamente. Especialmente em comunidades mais novas ou menores de NA, pode haver poucos membros com tempo limpo significante. Em tal situação, alguns membros tem tido que achar padrinhos em outras irmandades de Doze Passos ou pela Internet, e alguns têm usado co-apadrinhamento (uma situação na qual cada pessoa apadrinha a outra) para ajudá-los em sua recuperação. Alguns desses arranjos funcionam e duram por muitos anos. “Não tinha nenhuma outra mulher em recuperação com minha quantidade de tempo limpo, então procurei uma madrinha no exterior para trabalhar os passos tradições e conceitos. Quando pedi à mulher, ela disse que tinha o mesmo problema e sugeriu o co-apadrinhamento. Desde
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onde não há mulheres com mais tempo do que eu. correio e telefone.então. Mas. Escrever nos dá tempo para pensar entre comentários e isso realmente dá bons resultados. Por agora. “A maioria de minha comunicação com meu padrinho ocorre on-line. “Como moro numa comunidade de NA pequena. nos comunicamos via e-mail. No telefone posso enrolar por horas dentro da minha doença. está funcionando”. aí percebi que eu estava muito mais envolvida em trabalhar o programa do que ela. mas escrever 98 . Percebi que tinha que encontrar outra madrinha. Ela me ajudou com os passos e me amadrinhou por alguns anos. Ela também parou de ir às reuniões. fui a outra irmandade buscar uma madrinha. e comecei a procurar em um país vizinho”. Nos escrevemos regularmente.

Nosso Texto Básico explica que qualquer um pode ser membro de NA independente de sua raça. então é uma dádiva e também uma dificuldade. religião. identidade sexual..? Em NA. alguns adictos se perguntam se eles deverão considerar estes fatores quando escolherem um padrinho.me dá estímulo para ser mais preciso e mais direto. No entanto. E nós dois nos beneficiamos de ter nossas conversas por escrito. não afetam seus direitos a ser membro de NA e status como adicto em recuperação. Significa que meu chefe tem acesso a todas as conversas com meu padrinho. eles deverão 99 . meu serviço de e-mail é através do meu trabalho. Independente de. idade. há algumas coisas que simplesmente não posso discutir on-line”. É importante que eu lembre que e-mail não é uma forma anônima ou confidencial de comunicação. aprendemos que as qualidades particulares ou filiações de nossos membros como indivíduos. Claro.. etc.

100 . e uma cultura ou passado semelhante? Enquanto alguns adictos procuram um padrinho que é igual a eles em algumas dessas características. buscam alguém que não é semelhante a eles. Ele já tinha me apadrinhado por mais de um ano antes de descobrir que ele era rico. Não acredito que eu teria pedido para ser meu padrinho se soubesse de antemão sobre seu status econômico. e alguns. Sou grato por ter tomado conta do interior dele antes de o julgar por seu exterior”. na verdade. muitos outros têm visto que esses aspectos quase não têm importância frente a trabalhar um programa espiritual. Nos primeiros cinco anos. “Conheci meu padrinho por sete anos antes de pedir que ele fosse meu padrinho. dividimos o mesmo padrinho.procurar alguém com crenças políticas ou religiosas semelhantes. ou etnia e status sócio-econômico semelhante.

Em recuperação. “Minha madrinha e eu éramos diferentes radicalmente em termos de cultura e morais. Viemos de partes diferentes do país. religiões diferentes e classes sociais diferentes.“Em minha adicção. Ele me ensinou. Cheguei a esperar e até me divertir com a pergunta ‘Isso é uma diferença cultural ou um defeito de caráter?’ Falamos muito sobre a Quarta Tradição porque ser sua afilhada não significava que eu teria que me tornar igual a ela – significava que ela me 101 . fui ensinado a odiar todas as religiões e tons de pele que não fossem os meus. que em NA o espírito de anonimato poderia substituir todos os meus julgamentos. por exemplo. paciência e tolerância”. Então havia muitas coisinhas estranhas que não compreendíamos uma sobre a outra. minha intolerância foi substituída por amor. fui atraído por um padrinho ministro.

pois a minha não conseguia me dar sugestões sem a influência de sua crença particular sobre Deus”. Não enxergava cores nem bairros. 102 . estaria usando agora”. “Tive que trocar de madrinha. as drogas não foram impedidas pelas fronteiras da cor. não confundir unidade com uniformidade”. então porque minha recuperação devia ser?” “Se eu esperasse por um homem da mesma raça entrar nas salas para arrumar um padrinho. Autonomia significava não ser igual.ajudaria a me tornar mais e mais como mim mesma. e esse adicto dizendo sim quando pedi que ele fosse meu padrinho. A raça do meu padrinho era diferente que a minha. “Fiquei limpo na cidade. Como eu vejo. Só me lembro de sentir tanta dor e lutar tanto para não usar drogas.

103 . Enquanto os princípios espirituais de unidade e anonimato expressados nas tradições enfatizam nosso elo comum como adictos em recuperação. também valorizamos o princípio espiritual da autonomia. Tinha que superar meu julgamento. é simplesmente como nós. Aprendi que a linguagem do amor é mais forte do que qualquer barreira”. Como cada um de nós encara essas várias diferenças não é certo nem errado. Meu relacionamento com ele é principalmente através da Internet. mas não buscamos uniformidade. minha maior dificuldade foi pedir que meu atual padrinho norte americano me apadrinhasse. valorizamos nossa unidade. que protege nossa diversidade. Em NA. membros individuais de NA.“Como afilhado. encaramos essas diferenças. assim como barreiras de linguagem e distância.

como conseqüência. Uma menina que conhecia na clínica me apresentou seu namorado numa reunião. Por outro lado. Ela me disse que achava que ele seria um bom padrinho para mim. “Outra pessoa conseguiu meu primeiro padrinho para mim. Eu era tímido e não teria pedido 104 . Eu disse que tudo bem e ele concordou. nossa arrogância e auto-suficiência podem nos impedir de admitir que sequer precisamos de ajuda e.Estendendo a mão Pedir que alguém seja nosso padrinho pode ser assustador. Nossa auto-estima pode ser tão baixa que acreditamos não ser merecedores de um padrinho. Como membros novos. podemos resistir nos envolver com outro membro. podemos nos sentir amedrontados pelo tempo limpo de outro membro ou acreditar que de alguma forma somos mais doentes do que os outros. Ele foi meu padrinho por dois anos.

Eu era muito bravo e ‘durão’ nos primeiros dias. sempre me sentia culpado quando pedia que passasse algum tempo comigo. Teria tentado fazer parte fingindo”. Eu o via como o ‘grande Deus de NA!’ Como resultado.’ Essa única frase fez mais para fortalecer o elo entre mim e meu padrinho do que qualquer outro evento em nosso relacionamento”. e morava num prédio abandonado. “Conheci meu primeiro padrinho na minha primeira reunião.sozinho. Estava limpo há dois dias. estava nervoso e duvidaria se ele teria tempo para mim. Ninguém 105 . A resposta dele foi linda: ‘Não ouse tirar meu direito de devolver o que me foi dado. Finalmente partilhei meus sentimentos de culpa sobre tomar seu tempo. “Quando pedi que meu padrinho me apadrinhasse. O primeiro cara que pedi me rejeitou.

Conforme ficamos limpos e nos tornamos membros produtivos da sociedade. fiquei humilde o bastante para pedir a outra pessoa. nossas vidas podem se transformar tremendamente. tínhamos o mesmo padrinho. Estamos juntos há 18 anos”. Obrigações familiares podem encurtar o 106 .queria muito a minha companhia. podemos nos ver crescendo em direções diferentes. Recém-chegados não são os únicos que tem dificuldades em pedir que alguém os apadrinhe. Após trabalhar com o mesmo padrinho há anos. mas eu não tinha mais aonde ir. Membros com bastante tempo limpo podem relutar em trocar de padrinho. Responsabilidades de trabalho ou oportunidades de carreira podem fazer com que seja necessária uma mudança da atual comunidade de NA – ou nossa ou de nosso padrinho. Ele era meu afilhado irmão – isso é. Meu atual padrinho é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Eventualmente. Podemos precisar achar um novo padrinho por inúmeras razões. então fiquei na sala.

mas pode ser especialmente difícil após estarmos limpos por algum tempo. Nossos padrinhos podem ficar doentes. Qualquer que seja a razão.tempo que nosso padrinho tem para dedicar a nós. Muitos membros acham difícil a idéia de conhecer alguém novamente. “Trabalhei duro para construir um novo relacionamento com um novo padrinho. significa também que posso trabalhar muito mais conscientemente na 107 . apesar de estar em luto do último. Não é fácil escolher um padrinho em quaisquer circunstâncias. podemos nos ver sem padrinho e saber que precisamos pedir a alguém. Mas. num nível tão íntimo. morrer ou até recair. Isso faz com que seja mais difícil lembrar que eu não posso apadrinhar a mim mesmo. Tenho uma idéia muito mais clara sobre quem eu sou e do que preciso (ou penso que preciso) agora do que quando era novo no programa e achei meu primeiro padrinho.

me vi estagnando em recuperação. Sabemos que podemos encontrar aceitação nas reuniões de NA que freqüentamos. Podemos não querer perder aquela sensação de “fazer parte”. precisaria de outra madrinha. estou trabalhando os 108 . que se eu quisesse crescer em recuperação. porém. Tinha medo de mudar de madrinha. Hoje.construção desse relacionamento e que posso lidar com problemas no relacionamento muito melhor do que antes”. “Com três anos limpa. mas alguns de nós evitamos pedir que outro membro nos apadrinhe por medo de rejeição. Sabia. e senti que precisava de outra mulher para me guiar nos passos. No entanto. Não estava crescendo. pois não queria perder sua amizade. não devemos nos negar a possibilidade de participar em um relacionamento enriquecedor simplesmente por causa de nossos medos.

workshops. mesmo se nossa vida parece estar fluindo bem no momento e não temos nenhum problema a resolver. Se a partilha de alguém nos emociona. pegar o telefone deles e começar a ligar. Podemos querer considerar ainda aqueles adictos que parecem estar interessados em nossa 109 . enquanto outros analisam e tomam essa decisão racionalmente. Convenções. na maioria das vezes. Podemos ainda falar com outros membros para ver se eles podem sugerir alguém como padrinho em potencial. buscamos um padrinho de maneira semelhante. serviço. e outras atividades relacionadas a NA também são solo fértil para seleção. Isso é uma boa maneira de conhecer outro membro. Podemos começar por ir às reuniões e ouvir aos membros presentes. Independente do tempo que temos no programa. muitos de nós acham melhor usarmos nossa intuição. Ao escolher um padrinho. devemos chegar até eles. Não precisamos estar no final de nossa corda para pedir ajuda.passos e crescendo em recuperação com a orientação de minha nova madrinha”.

recuperação. Mas. Tenho certeza que foi um Deus amoroso me guiando para o padrinho certo”. pois era isso que eu queria – e ela disse sim. Se alguém que pedirmos disser não. continuei pedindo às pessoas. e quando a primeira mulher a quem pedi disse que não podia ser minha madrinha. É importante lembrar de ir com calma. que disseram não. e finalmente minha persistência deu frutos. Finalmente pedi a uma mulher que parecia saber como ter relacionamentos e pertencer a NA. Acredito que eu sou o tipo de pessoa que valoriza coisas difíceis de conseguir e provavelmente foi importante 110 . antes de meu primeiro padrinho aceitar. me senti sem valor nenhum e burra por ter pedido a ela. então continuamos nossa busca. “Sou uma mulher muito orgulhosa. serem meu padrinho. “Pedi para cinco ou seis homens.

Nem todos os membros acreditam que essa opção funcionará para eles. e apesar dela 111 . As outras coisas que minha experiência com persistência me ensinou é viver a vida como a vida se apresenta”. Apadrinhamento à distância pode ser também uma solução para membros encarcerados ou aqueles de nós em hospitais ou instituições nas quais o contato pessoal é limitado. em uma convenção ou outra maneira similar. mas alguns de nós têm tido sucesso com tais relacionamentos.ter que dar duro para achar uma madrinha. podemos precisar buscar um padrinho à distância: alguém que conhecemos na Internet. “Conheci minha primeira madrinha nua reunião de serviço regional. particularmente em comunidades pequenas de NA onde apadrinhamento à distância pode ser um elo vital para o resto da irmandade. Em comunidades com poucos membros de NA.para mim . através do serviço.

reuniões de comitês de serviço e é claro. e vou a reuniões regularmente. Sua 112 . responsabilidades. e tenho aprendido aceitação. paciência. “A distância simplesmente desaparece quando ouço a voz de minha madrinha do outro lado do telefone. e nós pudemos manter contato regular e trabalhar através de encontros em oficinas. admito que há momentos em que gostaria de encontrar minha madrinha para tomar um café – NAQUELE MOMENTO! Mas. escrevo. A distância entre nós tornou ligar difícil às vezes. eu queria o que ela tinha e estava disposta a fazer qualquer coisa para conseguir. convenções! Chamávamos de recuperação na estrada. uso o telefone. e dádivas demais para escrever todas aqui”. Sim.morar a mais de 100 quilômetros de distância. mas tenho um sistema de apoio maravilhoso onde moro.

A chave é ter outras mulheres à minha volta. temos a oportunidade de aprender muitas coisas novas e novas maneiras de pensar. Descobrimos como enxergar a vida através de uma outra perspectiva. e me dizer quando preciso ligar para minha madrinha”. Muitas vezes. Começamos a desenvolver 113 . Grande parte do quanto ganhamos com apadrinhamento depende de nossa boa-vontade em ser apadrinhado. perdemos nosso egocentrismo e nos tornamos sensíveis às necessidades de nosso padrinho. me amar. mulheres que podem me ajudar a viver princípios espirituais. Desenvolvendo nosso afilhado/afilhada papel como Podemos tomar várias medidas para assegurar que nosso relacionamento com nosso padrinho é enriquecedor e satisfatório. Quando abrimos nossos corações e mentes e fazemos um compromisso de trabalhar com um padrinho.experiência em viver o programa e os passos é o que eu quero dela.

Não usei. Não confiava em ninguém. ligo para meu padrinho. Não confiava nela. então mantenho meu ego no seu lugar seguindo meu padrinho”. Fiz os passos com minha nova madrinha. e ele pode me ajudar a limpar minha cabeça com uma ou duas sugestões. Muitos de nós aprendemos a desenvolver equilíbrio em nossas vidas. Quando encontrei minha atual madrinha. A perspectiva dele sobre o assunto pode ser diferente. “Tinha cinco anos limpa. Continuei voltando. Não acredito ter todas as respostas e experiências. Eu odiava. me sentia vazia e miserável.confiança conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento. e minha madrinha abriu mão de mim porque não seguia suas sugestões. mas 114 . Ela pediu que eu ligasse todos os dias para ela. “Quando estou confuso e preciso de orientação.

Acho que o que aconteceu é que eu fui forçada . No início do relacionamento. me lembro de perguntar como ele está. não queria nem conseguia me conhecer. nunca perguntava. Trabalhar com uma madrinha e aprender a confiar nela tem feito uma diferença enorme em minha vida. Meu telefone começou a tocar. A razão que eu sempre tinha amizades e relacionamentos amorosos insatisfatórios é que não deixava ninguém chegar perto de mim para me conhecer. Percebi que eu ria mais. 115 . talvez ‘direcionada’ é uma palavra melhor .ok .para construir o primeiro relacionamento íntimo de minha recuperação e talvez de minha vida. ficou estranho. Por conseguinte. Depois. “Cada vez que falo com meu padrinho. As pessoas sentavam perto de mim nas reuniões e eu falava com elas. E aí. Alguma coisa começou a acontecer.o fazia.

Nosso padrinho simplesmente partilha sua experiência força e esperança conosco. Buscando apoio individual de outro adicto em recuperação nos ajuda a perceber que podemos fazer muito mais juntos do que jamais poderíamos fazer sozinhos. no final. somos responsáveis por nossa própria recuperação. Quando escolhemos um padrinho. Agora quando ele pergunta ‘Como está?’ partilho o que está acontecendo. analisar. Ter um padrinho envolve mais do que conversa. tratar ou salvar.quando perguntava. Temos que fazer nossa parte. Ser um afilhado é uma ação. Ao 116 . não estamos contratando um profissional para nos ensinar. recuperação é possível”. temos que nos abrir. era a última coisa que perguntava antes de desligar o telefone. “Ter um padrinho é um lembrete de minha responsabilidade para comigo para progredir nos passos. e depois digo ‘E como está você?’ Sim. E para fazer essa parte.

sempre ligava para minha madrinha para pedir que ela me dissesse o que fazer em certas situações. tenho uma testemunha sobre quanto trabalho estou fazendo e a velocidade na qual estou indo adiante com meu trabalho de passos. Minha madrinha nunca me disse que ‘O tempo acabou’ quando estava chorando”. Não posso ligar para minha terapeuta todos os dias.partilhar esse processo com um padrinho. 117 . Desse modo. “Demorou bastante para eu conseguir distinguir terapia de apadrinhamento. Ninguém nunca pediu comprovante de pagamento numa reunião de NA. As quatro maiores diferenças na minha opinião: Apadrinhamento não custa dinheiro. meu relacionamento com meu padrinho me mantém honesto sobre meu progresso em recuperação”. “Quando entrei em recuperação.

Ao 118 . Se sentirmos vontade de usar. Lembro ter implorado que ela me desse direcionamento – ordens. na verdade – mas ela nunca dava. ela me dizia ‘não seu Poder Superior. Se você não sabe o que fazer. mas agora posso ver que ela não queria a responsabilidade que pertencia a mim. isso me frustrava enormemente. nos abrir e aprender a confiar. Temos que passar por nosso medo. precisamos fazer o esforço para fazê-lo. comunicação tem um papel vital num relacionamento funcional de padrinho/afilhado. Muitos dos princípios que aprendemos quando somos novos sobre como o programa de NA funciona são os mesmos para o membro com bastante tempo. Na época. devemos ligar para nosso padrinho e “nos dedurar”. então espere’.Ela sempre disse para rezar. Se nosso padrinho pede que liguemos regularmente. Quer sejamos novos ao programa ou tenhamos bastante tempo limpo. Agora. faço o mesmo com minhas afilhadas”. ‘Sou sua madrinha’.

Éramos todos bastante novos em recuperação naquela época então apadrinhamento era muito via de mão-dupla. e nos arriscarmos. Ela é provavelmente a primeira pessoa que eu verdadeiramente deixei entrar no meu mundo.partilhar honestamente com e ouvir ao nosso padrinho. Lembro como minha madrinha era gentil e como ouvia com tanta paciência e um coração sábio. Quando finalmente cheguei a NA e arrumei uma madrinha. Partilhar meus pensamentos mais 119 . como foi sugerido que eu fizesse. isso é empatia. senti como se tivesse escolhido minha primeira melhor amiga. Eu sabia e ela sabia. podemos freqüentemente aprender a ouvir sugestões. “Eu me mudava tanto quando era criança que perdi a oportunidade de ter uma melhor amiga por muito tempo.

e me desejou sorte. 120 . A última vez. Ele disse que era uma pena. senti minha primeira conexão com ser um ser humano”. A última foi a pior experiência de todas. liguei para meu padrinho e lhe disse que eu estava usando. Sabia que morreria se não estivesse disposto a fazer o que meu padrinho sugeria. Desespero me trouxe a rendição que eu precisava para seguir as sugestões do meu padrinho e fazer desse programa minha nova maneira de viver”. “Sempre recaía. De uma certa forma.íntimos e segredos com ela. entreguei minha vida e minha vontade a ele e esse programa até que encontrasse meu próprio Poder Superior. instituições e morte’ não vinham necessariamente nessa ordem. e que ‘prisões. Quando voltei entendi o que a ‘dádiva do desespero’ significava.

Sofria muito. que ele se envolveria com muitas outras mulheres mesmo estando casado comigo. selecionando as coisas que partilharia com minha madrinha. Desde aquela experiência de confiar em minha madrinha. e outras coisas. temos que fazer o esforço de fazê-lo. ou pensava. ler literatura de NA regularmente. consegui contar-lhe as terríveis coisas que pensava de meu marido. 121 . Minha melhor experiência foi partilhar o Quinto Passo – minha confiança aumentou e hoje vivo muito mais feliz”. Um dia.“Nunca pensei que teria que contar para alguém as coisas que fazia. tem sido mais fácil para mim hoje. Depois de lhe contar tudo isso. como nos ajudar. Se nosso padrinho sugere que devemos ir a mais reuniões. sentia. Não queremos dizer ao adicto a quem pedimos ajuda. Não posso ficar muito tempo sem contatá-la. ou começar nosso inventário. percebi que era tudo paranóia. porque sofro.

meus pensamentos então ficaram focados em todas as minhas novas associações.Quando pedimos ajuda. meu padrinho não faria os passos comigo até que eu tivesse ligado para pelo menos cinco pessoas. Tinha a visão de um adicto a quem admirava. Fazer essas ligações tem me ajudado a ter uma melhor perspectiva sobre minha vida. Estou trabalhando um programa que inclui a ajuda e sugestões dos outro. 122 . e os pensamentos de usar sumiram”. estava seriamente considerando a recaída. cujas recuperações eu admirava. precisamos nos manter ensináveis. “Sempre relutei em ligar para outras pessoas em recuperação – até hoje. Porém. Em certo ponto de minha recuperação. para perguntar sobre recuperação.

Em algumas comunidades. além de nosso padrinho. Com o tempo. não acreditava verdadeiramente que as outras pessoas tinham idéias muito melhores que as minhas. Pode haver momentos nos quais nosso padrinho não estará disponível quando precisamos de ajuda. Muitos de nós encontramos uma necessidade de criar uma rede de pessoas no programa para quem podemos pedir ajuda e apoio. conforme minha vida tem melhorado devido à minha abertura a sugestões. Mesmo assim.“Durante muito de minha recuperação. cada vez mais eu vejo que qualquer pessoa pode me dar melhor direção do que eu posso me dar”. não estava disposto a seguir as sugestões de um padrinho – ou de mais ninguém – até que a agonia e solidão de fazer as coisas do meu jeito era tão grande que não tinha escolha se quisesse ficar limpo. é uma prática comum buscar ajuda de outros membros conectados a nós através de 123 .

“Em minha área.apadrinhamento. Agora eu tenho tido uma madrinha em outro país há dois anos. Se não podemos falar com nosso padrinho. Independente da terminologia. podemos sempre ligar para alguém na nossa rede de apadrinhamento. “linha” ou “árvore” de apadrinhamento. e 124 . e eu tive que ir a outra cidade onde a ‘família’ de apadrinhamento é a forma primária de apadrinhamento. SOMENTE queria trabalhar os passos com minha madrinha e receber sugestões dela. em outros locais. Em alguns lugares. isso é denominado “família de apadrinhamento”. em vez de toda a social e viagens de longa distância necessárias em muitas das redes de apadrinhamento locais. para alguns membros. Conhecer outros membros que também são afilhados de nossos padrinhos pode nos oferecer uma rede de segurança. fazer parte de uma rede desse tipo é importante e pode dar-lhes uma sensação de segurança e de pertencer a algo maior do que eles. há poucas mulheres que tem madrinhas.

de quem gosto e não tenho medo de intimidade”. consideram o apadrinhamento um relacionamento muito pessoal e não querem incluir nele uma “família” estendida. “Participo em uma reunião mensal da minha linha de apadrinhamento. ter esse tipo de rede anexada ao apadrinhamento pode parecer muito restringente ou que traz certas obrigações indesejadas. já tenho um grupo de adictos em recuperação em quem posso confiar. Alguns membros. com quem me identifico. 125 . então se em algum momento eu precisar arrumar outro padrinho.viajei até lá para conhecê-la e minhas afilhadas ‘irmãs’. porém. Gostei tanto do companheirismo de fazer as coisas juntas que decidi voltar por seis meses e passar tempo com as afilhadas ‘irmãs’ porque quero”. Para esses membros.

mas não tenho interesse nisso.“Minha madrinha faz parte do que chamam aqui de ‘família de apadrinhamento’. Me parece que é como fazer parte de um rebanho. ou nosso ego pode ficar inflado ao nos sentirmos o afilhado favorito. me identificar com dezenas de mulheres que são afilhadas da fulana ou afilhada das afilhadas dela. às vezes. às vezes. Penso que já tenho uma família disfuncional. Nem gosto muito de algumas das outras pessoas em minha rede de apadrinhamento. que nosso padrinho gosta mais de alguns afilhados do que de outros. Mesmo se somos felizes em fazer parte de uma rede de apadrinhamento. a nos compararmos com os outros. ela não liga se eu vou ou não aos eventos. Nada 126 . É importante reconhecermos que cada relacionamento de apadrinhamento é único. Felizmente. Cada um tem seus próprios desafios e suas próprias dádivas. Não preciso de mais uma”. Pode parecer. podemos ser tentados.

Construir 127 . Fui a única afilhada de minha madrinha por mais de um ano. Quando me sinto insegura ou desconfortável. Tenho quatro ‘irmãs’ agora. Em vez de agir por emoção. tento me aproximar das outras mulheres a quem ela apadrinha.ganhamos ao nos compararmos com outros. “Sempre tive necessidade de ser a ‘favorita’ em todas as situações. podemos desenvolver uma rede de apoio sólida para que não precisemos depender unicamente de nosso padrinho. Eu as amo muito e estou honrada por tê-las em minha vida”. e fiquei muito surpresa e insegura quando ela aceitou outra afilhada. Aprender a amar outras pessoas e não ter ciúmes tem sido um processo longo e doloroso para mim. e elas todas são mulheres maravilhosas. falo com minha madrinha. Quer tenhamos ou não uma rede estendida de apadrinhamento.

“Meu Deus está comigo sempre. com Narcóticos Anônimos. Nossa recuperação pode ser uma jornada incrível através da autodescoberta e auto-aceitação. Mas passei por períodos em minha recuperação quando não tinha um padrinho e usava amigos próximos em recuperação como meus guias. Ao longo dos anos. nosso Poder Superior e a ajuda de nosso padrinho. muitos de nós podemos alcançar uma 128 . e graças a Deus por todos eles. Deus sempre colocou o professor em minha vida quando pedi”. Juntos. às vezes meu padrinho não pode estar”. “A orientação suave que tenho recebido de meu padrinho tem dado resultados.amizades com outros no programa e fortalecer nosso relacionamento com um Poder Superior pode nos ajudar a atravessar momentos nos quais nosso padrinho não está à nossa disposição.

É um relacionamento responsável e parte de como podemos oferecer serviço abnegado a outros. Muitos adictos acreditam que apadrinhar um companheiro membro de NA é a melhor maneira de experimentar e expressar gratidão pela dádiva de recuperação. 129 . podemos devolver livremente o que nos foi dado tão livremente. Podemos aprender a viver sem o uso de drogas e vir a amar e apreciar nossa nova vida em recuperação. CAPITULO TRÊS PARA O PADRINHO Minha gratidão fala: Sobre ser um padrinho Apadrinhamento está no âmago do Décimo Segundo passo. Como padrinhos.sensação de liberdade e alegria de viver que não acreditávamos ser possível. como afilhados podemos absorver o conhecimento e sabedoria que nosso padrinho tem a oferecer a respeito do programa de NA. e é uma das principais maneiras pelas quais levamos a mensagem de NA. Se escolhermos.

preciso ser honesta e dizer que não achava tão grande coisa assim. Vemos que quando ajudamos outros. Acredito que apadrinhamento seja uma via de mão dupla na qual o padrinho adquire insights sobre si mesmo. “Apadrinhamento é um dos relacionamentos mais importantes no programa de recuperação de NA. Hoje. é simplesmente uma questão de um adicto ajudando outro. Muitas vezes eu tenho dito. Era o que o programa dizia que eu deveria fazer para me manter limpa. ajudamos a nós mesmos também. não estaria limpo hoje’”. ‘Em momentos de dificuldade. estou em 130 . e eu queria ficar limpa. e o afilhado adquire conhecimento da experiência do padrinho. não fosse pelo meu padrinho. “Quando comecei a amadrinhar mulheres.Enquanto cada um de nós pode usar palavras diferentes para explicar nosso papel como padrinhos.

A experiência pessoal partilhada pelo padrinho pode fazer com que seus afilhados se sintam aceitos. De fazer esse salto em fé para ‘devolver o que me foi dado tão livremente’ tenho relacionamentos ricos e profundos que não teriam entrado em minha vida de outra forma”. quer sejamos novos ao programa ou quer estejamos limpo a algum tempo. e não consigo imaginar minha vida sem essas mulheres maravilhosas. e guiados através do programa. compreendidos. 131 . Um padrinho freqüentemente oferece apoio e encorajamento ao afilhado.recuperação há algum tempo. amenizando um pouco do isolamento emocional que muitos de nós sentimos. Vimos uma à outra em nossos piores momentos. É como se tivéssemos crescido juntas. e elas também. e assim mesmo permanecemos juntas. Recebi tanto quanto dei. Essa partilha pode trazer a sensação de aproximação para ambos o padrinho e o afilhado.

e pequena. a vida era chata. Para minha surpresa. Todos os meus relacionamentos anteriores tinham sido baseados em conseguir o que eu queria. ainda não tinha experimentado uma mudança significativa até que tive que 132 . mas ainda me sentindo necessitado e não amável. eu não tinha idéia de quanta alegria e autoaceitação poderiam vir de amar e gostar de outra pessoa. quando comecei a ajudar meus afilhados e aprendi a dar sem esperar retorno. repetitiva. comecei a me valorizar e aceitar mais”. “Ser uma madrinha tem me ajudado a sair da escuridão de minha auto-obsessão e entrar no mundo dos relacionamentos verdadeiros. Mesmo que a recuperação me mostrou que isso poderia mudar. Quando só havia a mim mesma no mundo.“Antes de ter apadrinhado outros.

e abandonado. sem saber aonde ir. Ele se sentia só. “Muito cedo em recuperação ouvi meu padrinho falando em uma reunião. aprender com elas.compreender e ter empatia com as vidas das mulheres a quem eu amadrinhava. Em várias outras formas no nosso relacionamento ele tornou claro que se eu quisesse 133 . Agora que estou limpo a algum tempo e estou apadrinhando outros membros. Ele disse que sentia como se se escondia num cinema à noite. amá-las e fazer parte da raça humana”. e quando saía do cinema às três da manhã saia desorientado. perdido. Eu entendia exatamente como ele se sentia. amadrinhá-las me tem dado a oportunidade de ouvi-las. mas ao mesmo tempo tinha muito medo de deixar alguém saber que eu sentia a mesma solidão gélida. tenho tentado ser exemplo do que ele me mostrou naquela época.

Quando aceitamos a responsabilidade de apadrinhar as pessoas. independente de seu tempo limpo. e sobre como entregar”. Acho que comunico a mesma coisa a meus afilhados através de minhas palavras e ações”. Apadrinhar outros me põe em uma posição de responsabilidade onde é mais importante ser honesto do que ser gostado. “Meus três afilhados me dão a oportunidade de estar disponível incondicionalmente para as outras pessoas. eu tinha que ter a coragem e fé para ser honesto e partilhar com outros adictos sobre meus pensamentos e medos. tentamos trazer o melhor de nós ao relacionamento. somos encorajados. e às vezes pessoalmente desafiados – a olhar para nós mesmos enquanto tentamos dar sugestões àqueles que apadrinhamos. Nesse relacionamento individual.aceitação de mim mesmo. Me tem ensinado a respeito dos meus motivos ao fazer as coisas. 134 .

“Conforme fui ficando limpo. providenciando um modelo aos seus afilhados. “Minha madrinha me ensinou que seu amor é incondicional. Um padrinho pode ser um exemplo. Não era justo insistir que eles agissem. mas eu tenho que merecer sua ajuda e respeito. Um padrinho pode guiar afilhados numa jornada espiritual e ensiná-los sobre o programa de NA. como eu”. Com o tempo. Ensino o mesmo às minhas afilhadas. vim a entender mais profundamente que uma de minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação e padrinho é abrir minha mente a novas idéias e estar disposto a tentar novas coisas. 135 . ou reagissem. de como viver os princípios espirituais encontrados em Narcóticos Anônimos. também percebi – através de meus inventários – que nem todo adicto respondia bem àquelas coisas que me motivaram.

Contanto que vejo uma faísca de boa vontade de sua parte em continuar a jornada. 136 . Meu trabalho como madrinha é liderar e guiar. “Acredito que seja minha responsabilidade preparar meu afilhado para ser um padrinho ao ajudá-lo a praticar os princípios espirituais encontrados nos Doze Passos”. não puxar e arrastar”. mas posso apoiá-las enquanto trabalham o programa de NA em suas vidas. tento guiá-las para a construção de ferramentas de recuperação baseadas nos princípios espirituais do programa de NA”. Não posso estar em recuperação por elas. Em vez de tomar decisões por elas. estarei ao seu lado. “Minha abordagem ao apadrinhamento das mulheres em minha vida é encorajá-las a tomarem decisões sadias por si próprias.

“A filosofia que meu padrinho tem e que uso com meus afilhados é que raramente damos conselhos. não ditando cada passo que eles tomam. Enquanto podemos tentar prevenir que eles cometam os mesmos erros que nós cometemos. Também não corremos atrás uns dos outros nem nos damos tarefas. Uma das coisas ótimas que meu padrinho me dizia quando estava pensando se eu deveria 137 . a recuperação de nossos afilhados é a responsabilidade deles. Precisamos lembrar que estamos apenas partilhando nossa experiência força e esperança com nossos afilhados. não nossa. freqüentemente aprendemos sobre os princípios de rendição e tolerância. Tentamos manter uma perspectiva equilibrada a respeito de nossa vida e nossos relacionamentos com nossos afilhados. Apenas partilhamos uma experiência similar se temos uma ou partilhamos o que podemos fazer ou sentir em situação similar.Quando apadrinhamos.

que se eu não for responsável por seu sucesso em ficarem limpos. também não preciso me responsabilizar por suas recaídas”. Muitos adictos descobrem que ser um padrinho ou madrinha se torna parte significante de sua recuperação. Ser um 138 .sair com uma mulher seria me perguntar ‘Estaria disposto a casar com esta mulher?’ Isso ajudou a me manter fora de muitos relacionamentos nocivos”. “Aprendi a amar e aceitar as pessoas que apadrinho por quem elas são – não pequenas imagens de mim ou de qualquer outra pessoa em recuperação”. A princípio. “Apadrinhar me ajudou a compreender melhor minha impotência perante outras pessoas. me sentia responsável por seus sucessos ou falhas. mas logo percebi com a ajuda de meu padrinho.

podemos guiar nossos afilhados na prática dos Doze Passos de Narcótico Anônimos e mostrar-lhes o modo de vida de NA. Como padrinhos. “Apadrinhamento tem sido um presente enorme em minha vida. Se estiver bem com meu Poder Superior.padrinho nos dá uma avenida espiritual para partilhar num nível mais profundo e íntimo e nos oferece a oportunidade de partilhar nossa recuperação com aqueles que querem e precisam. É meu dever como madrinha dizer a verdade às minhas afilhadas. Somos todas professoras e alunas. As mulheres a quem amadrinho freqüentemente me ajudam e apóiam. mas nem sempre sou bemvinda quando o faço. Cada um de nós leva consigo uma riqueza de experiência e como padrinhos podemos partilhar aquilo que funcionou e não funcionou para nós. então saberei quando meu Poder Superior me toca com a luz da verdade. Às 139 . É minha responsabilidade dizer a verdade às minhas afilhadas.

apadrinhamento está sendo uma via de mão dupla – eu recebo conforme eu dou”. Para mim. é que meu papel como padrinho tem colocado o meu foco de volta no programa. Tenho aprendido a amar e 140 . No final de cada ligação com meu afilhado. “Ser um padrinho me tem dado uma oportunidade de ouvir sobre as vidas dos outros. “Minha experiência. me deparo com resistência e raiva. especialmente recentemente. ele sempre diz ‘Obrigado por me ouvir’. que preciso para manter minha recuperação na trilha certa. e espíritos corajosos. Tem me ajudado a manter o contato com os passos. mas primeiro te fará ficar com raiva’”. Tenho testemunhado bravura profunda. corações fortes. e eu sempre respondo ‘Obrigado por ligar’.vezes. Como diz o ditado: ‘a verdade te libertará.

Esse relacionamento pode nos ajudar a colocar nossos próprios problemas em perspectiva conforme nos aproximamos de outras pessoas. pessoas bem diferentes de nós mesmos. Como padrinhos. alguns de nós atingimos um novo nível de humildade ao percebermos nossos limites e forças. 141 . Escapando do fardo do egocentrismo Apadrinhamento pode ajudar a contrabalançar o egocentrismo e encorajar generosidade de espírito entre nós.respeitar aos outros mais profundamente do que em qualquer outra experiência anterior”. presenciamos suas dificuldades. Podemos aprender a dar carinho aos outros – em muitos casos. e aprendemos a amar e aceitá-los. “Algumas das maiores coisas que aprendi sobre apadrinhamento são como levar a mensagem através do exemplo e como praticar honestidade de compaixão o melhor que posso.

não conte’”. Sermos padrinhos pode nos manter focados em nossa própria recuperação. Apadrinhamento nos dá meios de lembrarmos de nossos desafios no início de recuperação. Apadrinhamento me dá uma lição sobre deixar outra pessoa crescer na direção que o Poder Superior escolhe para ela. “Recuperação parece amadurecer com apadrinhamento. é difícil esquecer de onde viemos. Nos 142 . quando uma pessoa aceita o desafio de ajudar a outra – profundamente e individualmente. É uma lição em abrir mão do controle e não necessariamente forçar regras rígidas ou caminhos aos outros”.Apadrinhamento me tem ensinado a necessidade de ‘mostre. Quando apadrinhamos alguém novo ao programa. Tenho uma chance de focar os passos novamente sempre que ajudo um afilhado a trabalhá-los.

e partilha. me mantém conectado com meu Poder Superior enquanto sirvo a outro ser humano. muitas vezes. Praticar os princípios de compaixão. empatia.tornarmos padrinho é normalmente uma afirmação de crescimento e pode enriquecer nossa recuperação. Me ajuda a permanecer responsável por um relacionamento com compromisso”. que eu mesmo precisava ouvir!” “Apadrinhar outros me mantém ciente de onde vim e o que me mantém indo adiante em minha recuperação. me peguei dizendo algo a um afilhado. 143 . carinho. Só posso manter o que tenho ao dá-lo para outros. Muitos de nós encontramos dificuldades em sermos complacentes quando estamos ativamente apadrinhando outros adictos. “Muitas. bondade.

Com freqüência. tudo.“Ser padrinho sempre me traz de volta à minha própria recuperação e seu progresso”. Esse tipo de partilha honesta nos lembra ainda que somos meros mortais e não o Poder Superior da compreensão de nosso afilhado! “No final de cada semana. Parece que estamos a milhões de quilômetros de distância de tudo e nada pode nos perturbar ou ferir. como é o pôr-do-sol. mas isso não significa que não posso ter uma semana dura. Falamos sobre tempos difíceis dele. um de meus afilhados e eu vamos até o interior. É um momento de paz para nós dois. Como padrinho. os meus tempos difíceis. contamos sobre nossos erros e somos honestos a respeito de nossos medos. sei mais sobre passos e tradições. Partilhar nossas experiências com nossos afilhados pode ser curativo para ambos. De vez 144 . nossos afilhados começam a confiar em nós conforme expomos nossas fraquezas.

mas adicionar. Me parece que deveria ser pelo menos um relacionamento ‘51/49’”. acredito que como padrinho. Afinal. acredito que Deus nos ama a todos igualmente.em quando sou eu que digo oi com um cumprimento ‘nãomuito-padrinho’: ‘Graças a Deus você está aqui’!” “Tento passar para minhas afilhadas que não importa como sentimos sobre nós mesmas. Quando posso oferecer minha experiência a afilhadas sem me sentir ou agir melhor ou pior do que elas. eu fui escolhido para ser o padrinho porque tenho mais experiência do que o afilhado. no mínimo. minha responsabilidade é não só colocar tanto esforço no relacionamento quanto faz meu afilhado. ‘um centavo a mais’. “Pessoalmente. 145 . sinto como se estivesse cumprindo meu dever como madrinha”.

Às vezes temia ouvir a voz dela do outro lado da linha. Imediatamente. o apadrinhamento nos ensina como desenvolver e manter relacionamentos sadios. aceitar sem condições e amar sem expectativas. A maioria do tempo. “É importante para mim me desvencilhar de qualquer tentativa de controlar meu afilhado. ia ao meu Poder Superior. pedindo ajuda. totalmente auto-centrada com um caso severo de ‘Eu-ismo’. se eu deixá-lo falar o suficiente. ser um padrinho pode nos ajudar a ouvir sem julgamento. fui 146 .Com o tempo. ser um bom ouvinte e não cortar meu afilhado enquanto está falando ou colocar palavras em sua boca. É importante também. a solução sairá naturalmente após a partilha do problema”. “Eu tinha uma afilhada que era a rainha do drama. Conforme o tempo foi passando. De muitas maneiras.

Como saber se somos certos um para o outro? 147 .apesar de achar que a maioria das coisas que ela dizia pareciam loucas. me tornei mais dependente de meu Poder Superior quando interagia com qualquer uma de minhas afilhadas”. tolerância e amor incondicional. convidando o Poder Superior a me guiar na conversa. ainda sou madrinha da não-mais rainha do drama.melhorando. Meu Poder Superior geralmente me dava mente aberta. Tenho certeza que sou uma pessoa melhor como resultado dela ter me ensinado muitas das lições da vida. que ainda sofre às vezes de ‘Eu-ismo’. Somente aprendi essas lições porque estava disposta a ouvir . Tenho me beneficiado de formas que são difíceis descrever. Hoje. Mais importante.

“Uma mulher que chegou à sala estava sempre brava. Se tivermos expectativas quanto aos nossos afilhados. ela se aproximou de mim e perguntou se eu seria sua madrinha. Nossa recuperação pessoal deve vir em primeiro lugar. então disse que não poderia. e essa raiva a distanciava das outras pessoas.Como padrinho ou madrinha. Fiquei surpresa e não achava que tinha o tempo para dar a ela. asseguramos que o relacionamento terá boas chances de sucesso. Um dia. compaixão e compreensão. Ao longo dos próximos anos ela me pediu algumas vezes novamente. queremos tomar um tempo para examinar nosso próprio sistema de valores e nos perguntar se podemos apadrinhar com aceitação. Fiquei emocionada com sua boa vontade e humildade que ela estava escondendo por trás de seu comportamento 148 . Quando estabelecemos parâmetros claros sobre o que podemos e não podemos dar. temos que ser claros sobre essas expectativas.

podemos querer considerar quantos afilhados já temos. e se nossa situação de vida atual nos permitirá passar tempo adequado com nosso afilhado. se nós mesmos temos um padrinho ou madrinha. Decidi que independente de eu ter tempo ou não. Era sua boa vontade de continuar pedindo diversas vezes e encarar o que ela pode ter sentido como rejeição que me permitiu ver além da raiva que ela tinha usado para se proteger da vida”. amoroso e repleto de confiança de minha vida. se estamos ou não disponíveis. precisava ser sua madrinha. Antes de nos comprometermos com um afilhado.raivoso. “Eu sou madrinha de várias mulheres em recuperação. Há momentos 149 . Esse relacionamento se tornou o mais íntimo. Tenho também uma vida cheia fora da sala.

as outras não precisam. “Tento não ter mais afilhadas do que minha agenda permite. “Me foi sugerido esperar até que fizesse um Quinto Passo antes de apadrinhar alguém. e 150 .nos quais me pergunto se estou disponível o suficiente para suprir suas necessidades. e é isso que sugiro às mulheres que amadrinho. me relacionar com meus filhos e netos. Eu também acredito que é importante que eu as ajude a desenvolverem relacionamentos com outras mulheres em recuperação para apoio”. as coisas se equilibram – quando algumas precisam de mais atenção. Preciso levar em consideração o tempo que preciso para trabalhar com minha madrinha. Não acredito que tempo limpo é tão importante quanto a habilidade de ser honesto consigo mesmo”. A maioria do tempo.

“Não tinha muito tempo no programa quando fui convidada a ser madrinha. Podemos querer considerar se trabalhamos ou não todos os passos e se estamos preparados para guiar alguém em seu trabalho. Muitos de nós pedimos orientação ao nosso Poder Superior e perguntam a nosso próprio padrinho ou madrinha se eles acham que estamos prontos para apadrinhar alguém. Três afilhadas é o máximo que consigo manejar. Me senti extremamente inadequada. Cada uma é diferente. Bom. não querendo negar um 151 .trabalhar. Porém. Só tinha feito os primeiros três passos e estava no quarto. mas ela insistiu que eu podia ajudá-la. sem dúvida teremos que nos perguntarmos se estamos prontos para fazê-lo. Se nunca apadrinhamos alguém antes. e suas necessidades também diferem”. isso não constitui uma fórmula para julgar o número de afilhadas que posso apoiar confortavelmente.

Na verdade. e eu fiz o melhor que pude naquele momento. eu me senti aliviada. ou nossas situações de vida são radicalmente diferentes. Talvez a pessoa pedindo que sejamos seu padrinho tenha mais tempo limpo que nós mesmos. Qualquer que seja a razão. Isso durou uns três ou quatro meses. esperei até estar mais tempo limpa e tinha trabalhado mais passos até amadrinhar outra pessoa”. Podemos ter dúvidas a respeito de apadrinhar certas pessoas. e ela conheceu uma mulher numa reunião de área com cinco anos limpa.pedido de NA. Há momentos que não nos sentimos “qualificados” para ajudar. devemos ser honestos sobre nossos sentimentos enquanto 152 . Depois disso. Ela se desculpou bastante e me agradeceu por todo meu tempo e esforço. Ela me ligava todos os dias. comecei a amadrinhá-la. Ela descobriu que tinha bastante em comum com essa mulher então ela abriu mão de mim.

A madrinha dela. Por sinal. há mais ou menos uma semana. Isso já faz oito anos.lembramos que nos pediram por alguma razão. uma mulher com três meses a menos do que eu pediu que eu fosse sua madrinha. que era bem antiga no programa. e ainda sou sua madrinha. Me perguntei o que eu teria a oferecer. ela pegou sua ficha de 15 anos. Essa mulher tinha sido minha amiga durante os últimos cinco anos. Ela me falou que me escolheu por causa de minha conexão com um Deus amoroso. e muito inferior por causa de sua última madrinha. Talvez tudo que precisemos seja fé. tinha acabado de se mudar. É impressionante como funciona 153 . e ela também tinha várias afilhadas. Eu me senti honrada que ela me considerou. “Quando eu tinha em torno de sete anos limpa. Sua primeira madrinha e eu lhe demos um bolo.

colega de trabalho. Em tal situação. Esses relacionamentos podem trazer desafios específicos devido aos nossos diferentes papéis nesses relacionamentos. quem decide é o Poder Superior. força e esperança”. devemos pensar cuidadosamente se podemos apadrinhar essa pessoa de maneira eficaz. O que nós fazemos é partilhar nossa experiência. Às vezes. alguém com quem tivemos um relacionamento prévio ou primário – como membros de nossa família. colega de cela ou amigo – pode nos pedir que o apadrinhemos.o apadrinhamento: nós não decidimos o que temos a oferecer. Podemos querer falar com nosso próprio padrinho ou madrinha sobre a situação. como chefe e padrinho)? Seremos muito afetados pelo que já sabemos a respeito da pessoa para podermos apadrinhá-la? Poderemos “abrir mão” e deixar que eles cresçam em seu próprio ritmo? Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. É possível que nossas responsabilidades nesses papéis diferentes serão conflitantes (por exemplo. se 154 .

Estava com raiva dele como parente. nem ele foi frívolo ao pedir. Quando ele recaiu. “Eu desenvolvi amizades muito próximas com mulheres que amadrinhei ao longo dos últimos 13 anos. e foi uma experiência triste e importante para mim. mas sempre o aceitei como afilhado”. e às vezes eu o dava sugestões que ele nunca seguia. Nós nos encontrávamos nas reuniões e em casa.decidirmos aceitar. O tempo mais longo que ele ficou limpo foi o tempo que nós tivemos contato mais intenso. “Eu apadrinhei meu cunhado. as amizades podem às vezes ter um impacto sobre minha 155 . eu sabia que era impotente. Infelizmente. comunicação é a chave para trabalharmos bem juntos. Ele pediu que eu fosse seu padrinho. e eu não tomei isso como um pedido frívolo.

diferenças culturais. opiniões individuais. Nossa experiência tem mostrado Ao longo dos anos. Quero dar a elas tudo que esse programa de recuperação tem a oferecer. às vezes tenho medo de confrontá-las a respeito de suas ‘coisas’ porque não quero que a amizade seja ameaçada. e isso começa com honestidade”. A intimidade do relacionamento tem a capacidade de distorcer minha visão. Então tenho que rezar muito nesses relacionamentos para que eu não prejudique minha amiga e afilhada. Comunidades de NA ao redor do mundo usam praticas variadas de apadrinhamento.eficácia como madrinha se eu não tomar cuidado. Narcóticos Anônimos tem experimentado crescimento incrível. e outras circunstâncias específicas têm levantado uma gama de opiniões a respeito do apadrinhamento. em membros e países ao redor do mundo. Ainda. Muitas dessas práticas são adaptadas à cultura daquela 156 .

“Me arrependo das oportunidades que neguei por causa de minha visão ‘somente NA’ – oportunidades de adicionar idéias novas e perspectivas frescas à nossa comunidade e modo de vida. como padrinhos. Freqüentar outras irmandades Muitos membros acreditam que podemos melhor apadrinhar aqueles membros que freqüentam somente reuniões de NA. seremos afetados por nossa decisão em apadrinhar alguém que freqüenta outras irmandades além de NA. 157 .comunidade em particular. Os seguintes tópicos podem apresentar desafios específicos para nossa adicção a respeito de apadrinhar alguém. no entanto. Devemos. considerar como nós. Diretrizes definitivas provavelmente seriam muito rígidas para a diversidade de NA hoje. Alguns membros sentem que a irmandade que o membro freqüenta é menos importante do que a vontade do afilhado em seguir sugestões e praticar os princípios do programa de NA.

acho que se alguém demonstra que quer o que NA tem a oferecer.Hoje. Imediatamente senti medo. pois não tinha familiaridade com o material deles. ele decidiu que Narcóticos Anônimos supria todas as 158 . Senti como se eu estivesse fazendo algo errado no meu apadrinhamento desse homem. tomei a decisão que eu continuaria a amar e apadrinhá-lo. Após dois meses de estar dividido entre as duas irmandades. raiva. Após dar uma olhada em mim mesmo e sentir o que estava acontecendo comigo. eu não poderia ser seu guia. Eu disse que se eles quisesse continuar a trabalhar com a literatura da outra irmandade. tive um afilhado que sentiu que precisava ir a outras irmandades por razões que ele não compreendia muito bem. “Como padrinho. eu não julgo o quanto eu acho que ele quer”. e baixa auto-estima.

e faço o que posso para não julgar. “As mulheres que eu amadrinho são todas pessoas individuais especiais. e minha experiência é realmente tudo o que tenho para partilhar. Ele ficou muito grato pela liberdade e amor que ele teve para tomar sua própria decisão”.suas necessidades de recuperação. Cada uma tem sua própria visão sobre recuperação e como ela mentem sua recuperação. Tenho apadrinhado uma mulher há 14 anos. Não funciona para mim. mas isso é minha experiência. e ela ocasionalmente freqüenta outra irmandade. bom. é isso que funciona para ela. Gênero 159 . Se parte disso envolve ir a reuniões de outra irmandade. Respeito suas decisões. Eu abriria mão da nossa história maravilhosa por essa razão? Absolutamente não”.

Ele parecia a boa figura paterna. Uma das mulheres me explicou que é fortemente sugerido que mulheres busquem apadrinhamento de outras mulheres.Apesar de todos nós estarmos em recuperação para atingir a mesma meta. Eles sentem que pode haver falta de atenção e empatia entre membros do sexo oposto. “Quando comecei a freqüentar reuniões. Nunca poderia ter partilhado minha experiência sexual e de relacionamentos com um homem. esses assuntos são ligados a muita vergonha. e eu estava interessada em ser cuidada. Isso foi um conselho ótimo. Portanto. No meu caso. e eu precisava 160 . esses membros estão firmes em suas crenças a respeito de apadrinhamento do mesmo sexo. considerei pedir que um dos homens mais velhos me apadrinhasse. muitos membros acreditam que o processo interno para se alcançar esta meta é diferente para homens e mulheres.

Não acredito que seja fácil se identificar completamente com um padrinho ou afilhado do sexo oposto. Ele disse que eu tinha o tipo de recuperação que ele queria e ele não se identificava com nenhum dos homens em 161 . “Eu só amadrinho mulheres agora. mas definitivamente somos diferentes”. Porém. e trabalhamos os primeiros três passos juntos. há igualdade entre homens e mulheres. Afinal.partilhá-los com alguém que realmente compreendia como era para uma mulher ter que se comprometer para sobreviver como adicta na ativa”. “Amadrinhei um jovem rapaz (sou mulher) por um longo período de tempo. ele foi trabalhar com um padrinho homem quando chegou no Quarto Passo. mas mais cedo em recuperação. um homem pediu que eu fosse sua madrinha.

“Como homem gay. Se eles estão interessados em trabalhar sua 162 . e fiquei frustrada com seu progresso. Acredito que me senti lisonjeada. Quando reconheci que estava me comportando desta forma. Gostava muito dele. eu co confrontava mais do que confrontava as mulheres. não gostei então eu disse a ele que achava que ele precisava trabalhar com homens. Mas esse relacionamento trouxe à tona toda a raiva que eu tinha escondido em relação aos homens.nossa pequena comunidade de NA. mas senti que não podia dar o amor incondicional que é preciso no relacionamento de apadrinhamento”. Eu lhe dava mais tarefas do que jamais tinha dado às mulheres. e porque não havia nenhuma química sexual entre nós eu achei que não teria problema. sempre falo com afilhados em potencial sobre o fato que sou gay.

Eu a apadrinhei por mais ou menos uma semana. Sou um homem. Tenho que ser perfeitamente honesto e dizer que a energia sexual e desejo por essa mulher eram os mesmos para mim se ela fosse uma mulher heterossexual. Foi uma verdadeira experiência de aprendizado para mim”.sexualidade. “Acho importante ter um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. e uma vez apadrinhei uma mulher gay. Apadrinhamento é sobre os princípios de NA. Alguns membros têm tido sucesso com apadrinhamento do sexo oposto. Algumas mulheres me pediram para apadrinhá-las já que sou gay. 163 . Não havia atração sexual. mas ainda havia diferenças o suficiente para tomar a decisão de dizer não a pedidos futuros”. eles precisam ir a outro lugar. e sou grato que não agi nem machuquei nenhum de nós dois.

Me vi dizendo ‘sim’ para amadrinhar homens. mas não acho que seja saudável para nenhum dos dois. já que não havia outra pessoa naquela época. De minha experiência. sem maiores complicações. Aqui membros de NA exercitam sua criatividade em fazer seu melhor para assegurar que estão levando a mensagem de NA. tudo estará bem”. Por outro lado. e se conseguirmos manter nosso relacionamento focado em recuperação. pode não haver uma proporção equilibrada entre homens e mulheres dos quais poderão selecionar um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. “Sou mulher em uma comunidade onde eu era um dos primeiros membros limpos. sinto que esses homens me vêem com respeito. 164 .Ambos os membros permanecem focados em sua recuperação. e o relacionamento funciona bem. Em algumas comunidades de NA. acho que isso é um programa espiritual.

Finalmente. mulheres. e éramos uma área nova). apadrinhamento não é um serviço de namoro. Assegurar que ele se mantenha assim requer que o padrinho trabalhe um programa ativo que inclui fazer inventário de intenções regularmente. apadrinhamento é platônico. é 165 . Primeiro.“Como homem que tem apadrinhado. A primeira mulher que pediu que eu a apadrinhasse já tinha sido afilhada das três mulheres em NA em nossa área que tinham mais tempo limpas do que ela. Busquei orientação de meu padrinho e ele me deu algumas regras para apadrinhamento. um partido político ou psicanálise. Segundo. (Isso era em meados da década de oitenta. e ainda apadrinha. com as quais concordei e continuo a honrar hoje. tenho tido que trabalhar alguns assuntos para poder me manter responsável com meu compromisso.

“Eu tenho apadrinhado um homem gay (sou mulher) por aproximadamente oito anos. ainda sou padrinho daquela mulher e nosso relacionamento funciona”. então como aplicar esse 166 . já que esse relacionamento tem sido um dos mais recompensadores que eu já tive em apadrinhamento. Graças aos conselhos de meu padrinho. Eu me pergunto. já que nossa literatura no passado tem sugerido que tenhamos padrinhos e madrinhas do mesmo gênero.essencial permitir que afilhados cheguem a suas próprias compreensões de uma forma que funciona para eles. se sugerimos que heterossexuais tenham padrinhos do mesmo sexo. minha primeira intenção era dizer não. Mas eu sou grata por ter seguido minha ‘intuição’. Quando ele me pediu. também conhecida como Poder Superior.

167 . então cabe a nós. O potencial se aplica aos dois membros envolvidos no relacionamento de apadrinhamento. em apadrinhamento do sexo oposto. é nossa responsabilidade examinarmos nossos motivos assim como os motivos do afilhado em potencial. estarmos cientes do potencial para atração sexual. Esses tipos de sentimentos normalmente resultam em um relacionamento arriscado para ambos os membros. Temos que ter certeza que levamos a mensagem de NA e não abrigamos desejos secretos em relação a nossos afilhados. Sentimentos românticos ou atrações por parte de qualquer um dos dois membros podem não ser óbvios. que façamos todos os esforços possíveis para distinguir entre atração romântica ou sexual e o desejo sincero de nosso afilhado de buscar conhecimento sobre o programa de NA. É imprescindível.mesmo conjunto de normas à comunidade homossexual. Se parecer que o afilhado tem segundas intenções. na qual intimidade é baseada em parceiros do mesmo sexo”? Se membros do sexo oposto nos pedem para lhes apadrinhar. como padrinhos.

seja revelada se houver. um homem me apadrinhou. Acredito que eu perderia a objetividade. “Como mulher bissexual. Rezo para ser guiada e peço que a atração sexual. tenho possibilidades de relacionamento românticas com pessoas de ambos os sexos. e tenho sido bem sucedida apadrinhando homens em meu papel como mulher. “Eu sou um homem que não apadrinhará mulheres nesse ponto em minha recuperação. mas acho que poderia apadrinhar um homem gay”. o único homem que apadrinho é gay”.“Sou uma pessoa transexual. posso ser mais útil para os 168 . por menor que seja. Durante minha transição. Agora. Dessa forma. Porém. uma vez que minha transição estava bem avançada. tive que mudar para uma madrinha.

No entanto. dizendo ‘sim’ para aqueles que vejo verdadeiramente como irmã ou irmão em recuperação e ‘não’ a qualquer um que eu possa ver como namorado/a em potencial. Amo a mim e aos meus companheiros o suficiente para honrar a intenção do relacionamento padrinho/afilhado”. NA é um programa 169 .dois. alguns membros de NA acham padrinhos e afilhados em situações institucionais. Temos que tomar cuidado especial quando consideramos se devemos apadrinhar ou não um membro que ainda está em tratamento. normalmente apadrinho mulheres heterossexuais e homens gays. Para esse fim. Apadrinhar membros em prisões e instituições A maioria dos comitês de serviço que leva reuniões a adictos em instituições pede que seus membros não participem em apadrinhamento quando conduzem apresentações. em uma instituição ou encarcerado.

podem afetar nossa decisão em aceitar tal afilhado. Essas circunstâncias. e alguns de nós sentem que as demandas de nosso tempo e energia podem ser demais. “Sou madrinha de uma mulher que conheci quando fui fazer um painel institucional. temos que considerar quanto esforço estamos prontos a fazer. Se formos incapazes de estarmos presentes para nós mesmos. Não é como apadrinhamento normal. 170 . Alguns de nós podemos dar mais do que outros. Enquanto os princípios do apadrinhamento são iguais para membros nessas circunstâncias especiais. muitas instituições têm seu próprio conjunto de regras que pode afetar nossa interação com um membro residindo lá. Qualquer que seja nossa decisão. porém. devemos nos proteger de nossas vidas se tornarem incontroláveis como resultado dessa decisão. então seremos incapazes de estarmos presentes para outra pessoa. tanto como quanto tempo podemos dar.espiritual que pode ser trabalhado em qualquer lugar. sem dúvida.

e eu respondo quaisquer perguntas que ela possa ter”. quando vou visitar. Nos encontramos semanalmente e falamos sobre os passos. No mês seguinte. Peço que eles leiam o Primeiro Passo todos os dias. Dessa forma. revisamos o que ela escreveu.Ela não tem meu telefone. grifando palavras e frases que tenham especial significado para eles. sinto que 171 . “Quando me pedem para apadrinhar alguém em tratamento. Cada mês. Eles já têm muitas tarefas escritas para fazerem. Acredito que me colocar à disposição para recém chegados é uma parte importante da minha recuperação”. não peço que eles escrevam nada. dou leitura e tarefas para ela fazer. “Dou meu telefone a adictos em tratamento e peço que eles mantenham contato comigo até que eles saiam do tratamento.

e até agora tem sido uma bênção enorme para nós dois”.estamos construindo nosso relacionamento”. e uma vez por mês nos encontramos na sala de visitas. Ambos estávamos comprometidos e dispostos a fazer esse relacionamento funcionar – dentro das paredes . escrevíamos em código. Qualquer informação que era incriminadora ou sensível. “No momento. só para lembrarmos do que se tratava. pois paredes e cercas nos separam. Posteriormente. 172 . É difícil nos comunicarmos. estou apadrinhando alguém que está em uma instituição. Quando chegou a hora de ouvir o Quinto Passo dele. Trabalhamos os passos via correio e telefone. pudemos falar mais a fundo em particular. funcionou bem.

Apadrinhar membros com culturas diferentes A doença da adicção não discrimina. religião ou falta de religião. classe social. raça. “‘Como esses princípios podem funcionar para mim quando NA é sobre unidade e minha religião é sobre nós como um povo escolhido?’ uma afilhada com muitos anos limpa me perguntou. Assim como a doença não diferencia. Qualquer adicto disposto a trabalhar o programa de NA pode encontrar recuperação. Tive a oportunidade de olhar para como as tradições poderiam funcionar na vida dela. Ela nos prende independente de nossa família. a recuperação também não. Fazemos o possível para apadrinhar sem discriminação. Apadrinhar membros com experiências de vida diferentes e históricos familiares diferentes pode ser desafiador. 173 . mas os passos e tradições são princípios universais que podemos partilhar não importando de onde viemos.

Cresci numa família de classe média e fiquei limpa relativamente jovem. sai que algumas pessoas me chamariam de uma adicta que teve um fundo de poço ‘alto’. com seus firmes direcionamentos contra misturar NA com outros sistemas de crenças ou estruturas de serviço. As tradições.Acredito que muitos de nós que saem pelas portas pelo zelo religioso o fazem porque não conseguem conciliar recuperação com religião. “Mesmo com o caos e miséria em minha vida quando cheguei a NA. tenho um 174 . Parte de meu dever como madrinha é levar a sério as dificuldades de minhas afilhadas com as Tradições. e ajudá-las a alcançarem uma compreensão de nossos princípios que podem funcionar com suas outras crenças. tornam claro que tal reconciliação é possível”. independente de sua religião. Hoje.

Sinto tanto amor e respeito por ela. como saberia com é perdê-los? Porém. ao longo dos meses que a amadrinhei. ela perdeu a guarda de seus filhos. Ela não tem dinheiro. arrumei uma afilhada nova que vem a NA por ordem judicial. então 175 . mas minha comunidade local de NA não reflete essa diversidade. pude falar com ela a respeito de perda e aceitação e impotência. Acho que minha recuperação pessoal é fortalecida por variedade e diversidade.diploma avançado e um estilo de vida confortável. “Moro numa área repleta de imigrantes. Em cima de tudo isso. Recentemente. Nunca tive filhos. Temos essas coisas em comum. após ser presa. Me preocupei que não teria nada a oferecer para ela. nem emprego e tem um carro quebrado. e acho que isso provavelmente é mais importante do que ter a mesma história”.

mas estou feliz por ver mais desses adictos em nossas salas hoje”. Tendo a liberdade de escolher. Eu os encorajo a rezar. Não tenho certeza se isso fez alguma diferença. meditar e manter contato consciente com seus Poderes Superiores. especialmente meu Poder Superior. Os adictos a quem apadrinho têm suas próprias compreensões de um Poder Superior. os passos oferecem verdades universais que atravessam as barreiras de 176 .fiz um compromisso com me tornar disponível como padrinho a pessoas desses grupos. Para mim. assim como espero que eles respeitem minha escolha. Respeito isso. fique aqui e me beneficie desse programa de recuperação. tem permitido que eu. como ateu. “Uma das razões que acredito que NA pode alcançar uma população tão diversa é a liberdade de escolha que nos é dada.

com o que aprendemos em NA e de nosso padrinho ou madrinha. podemos ajudar ao 177 . até que ele ou ela ache alguém com quem se sentem mais confortável. identidade sexual. raça. religião ou falta de religião’. Tomando a decisão Queremos tomar a melhor decisão que podemos. e às vezes essa decisão pode incluir dizer não quando nos pedem para apadrinhar alguém.‘idade. podemos sentir que entrar em um relacionamento temporário ou de transição pode nos beneficiar. tanto como a nosso afilhado em potencial. credo. Por outro lado. Idealmente. podemos ajudar a um afilhado com sua recuperação por um período curto. Dessa forma. Como padrinho temporário. Não temos que acreditar no mesmo Poder Superior para trabalharmos os passos juntos”. compreenderemos que não tem problema dizermos não. Alguns padrinhos pedem a um afilhado ou outro membro se eles gostariam de ter um afilhado ao invés de simplesmente falar não.

ambos temos uma saída – eu posso encaminhá-los a outro. Acho que é só jogo de 178 . não queremos que adictos buscando recuperação se sintam sozinhos ou que não pertencem aqui. Por que estragar um relacionamento maravilhoso”? “Quando alguém me pede e eu preciso dizer não. normalmente pego seu telefone e ligo para eles. talvez eles se sintam atraídos por um de meus afilhados. por qualquer razão. Daí. Não importando quais são as circunstâncias.afilhado em potencial a conseguir o apoio e orientação de um padrinho. “Não sei qual é o problema em ter padrinhos temporários – parece uma opção viável para mim. para que não se sintam rejeitados. “Sou o padrinho temporário de um companheiro há quase doze anos. Às vezes digo que se sentem atraídos por minha recuperação. e eles não se sentem rejeitados”.

Desenvolvendo nosso papel como padrinho Métodos de apadrinhamento diferem de adicto para adicto. O espírito de apadrinhamento pode ser encontrado no fato de ajudarmos aos outros e dar a eles o que nos foi dado.palavras de qualquer forma. Independentemente. Muitos de nós sabemos como confiança. enquanto outros apadrinham da forma que gostaríamos de ter sido apadrinhado. O que é temporário? Um dia? Uma semana? Um mês? Acho que é melhor ter um padrinho por um tempo do que nenhum padrinho”. Alguns acreditam que não há regras para apadrinhamento a não ser oferecimento de amor e aceitação incondicionais. os princípios espirituais nas tradições – incluindo anonimato. não-profissionalismo e serviço – providenciam uma pedra fundamental em comum para todos os relacionamentos de apadrinhamento. Alguns de nós apadrinhamos da forma que fomos apadrinhados. 179 .

não só por serem recém chegados. “É difícil apadrinhar alguém sem trabalhar o programa 180 . às vezes pela primeira vez”. Eles precisavam viver seu momento de cabeça-dura. “Acredito que o propósito dos passos é ter um despertar espiritual.fé e honestidade podem providenciar o alicerce necessário para ambos o padrinho e afilhado trabalharem na construção de seu relacionamento. Sinto que o contato mais forte com meu Poder Superior vem quando estou ativamente levando a mensagem”. mas por serem jovens experimentando algumas situações de vida. e é meu papel como padrinho guiar meus afilhados pelos passos até o Deus de sua compreensão. “Meu maior desafio como padrinho foi desenvolver paciência e rendição quando apadrinhei dois adictos muito jovens.

Eu trabalhei os passos com ele. ele se mudou e eu tive que achar outro padrinho. Após dez anos. Ele me levou a diversas reuniões e me envolver com H&I. então isso me encoraja a trabalhar os passos com meu padrinho. Ele queria que eu os trabalhasse com ele sobre assuntos da vida. Depois. ele se tornou um amigo em quem podia confiar completamente com qualquer coisa. Foi muito difícil conseguir aquela intimidade e confiança com outro padrinho. Desenvolvo mais habilidades com os dos passos através de ajudar outros a encontrarem seu caminho na mesma estrada”. mas acabou sendo a melhor 181 . não só drogas. Relutei e disse que já tinha trabalhado os passos.diretamente. “Meu primeiro padrinho me levou pelo exemplo. Meu padrinho novo me disse para começar no primeiro passo – impotência.

Como resultado. 182 . Me sentia muito inseguro com o direcionamento que eu dava. A experiência coletada conforme passamos pelos Doze Passos juntos nos ensina como ser um padrinho. ganhamos um sentido sobre o que funciona melhor para nós e para cada um dos nossos relacionamentos de apadrinhamento. Apadrinhar alguém pela primeira vez pode parecer demais para nós. “Eu nunca tive que ligar tanto para meu padrinho na minha recuperação inteira. uma voz nova. Muitos de nós começamos seguindo o exemplo de nossos próprios padrinhos. Ir mais a fundo do que anteriormente tem sido recompensador”. um novo desafio. Com o tempo. Cada vez que desligava o telefone com um afilhado.coisa que podia ter acontecido: uma nova perspectiva. quanto quando comecei a apadrinhar pessoas. nosso relacionamento com nosso próprio padrinho ou madrinha pode crescer e mudar.

eles me escolheram porque eu sou a pessoa a quem eles querem pedir ajuda para trabalhar os passos”. afilhados precisam aprender a tomar suas próprias 183 . Aceitei que não sou exatamente como meu padrinho e que tenho minha própria abordagem. Algumas vezes aprendemos lições dolorosas quando tentamos administrar. teriam pedido a ele. controlar ou consertar a vida e recuperação de nosso afilhado ou afilhada. então eu ligava para meu afilhado para revisar minha sugestão. Podemos nem perceber que estamos engajando nesse tipo de comportamento. Hoje meu padrinho e eu nem sempre concordamos sobre as sugestões que dou aos meus afilhados. Mas. Tiveram muitas vezes quando meu padrinho me dizia algo completamente diferente. No entanto. Se meus afilhados quisessem alguém exatamente igual ao meu padrinho.ligava para meu padrinho para dizer o que tinha falado ao meu afilhado.

e ele foi hospitalizado contra sua vontade. Tentei. mas sentia que tinha que fazer alguma coisa.decisões. encaminhá-lo a um profissional para ajudá-lo. Ele se sentiu traído e abriu mão de mim como padrinho. “Uma vez apadrinhei um adicto que manifestou tendências suicidas. Não sabia o que fazer. Fiz algumas ligações. Parte de meu dever como padrinho é ajudar meus afilhados a definirem seus 184 . Apesar de eu ter um pouco de vergonha. estou feliz por ter um ex-afilhado que está vivo. Não só escrevemos a respeito deles. não aquelas que nós queremos que eles tomem. ao invés de um que está morto”. tentamos praticar os princípios em nossas vidas diárias. sem sucesso. “Meu foco principal com meus afilhados é o trabalho de passos e tradições.

nem que abandonaremos ou viraremos nossas costas para eles. Alguns de nós deixam seus afilhados tropeçarem e crescerem conforme tomam 185 . é também importante deixar que afilhados sofram as conseqüências de suas próprias ações. Enquanto queremos oferecer orientação com amor. Desde então aprendi que não me tornei um bom padrinho até trabalhar o Nono Passo. Precisamos ser vigilantes conosco mesmos para permitirmos que nossos afilhados cresçam em seu próprio ritmo. “Fui ensinado a não apadrinhar até que tivesse feito o Quinto Passo.próprios valores e não copiar os meus”. Isso não significa que ignoraremos uma ação em particular. Foi quando aprendi o que significa ter um relacionamento sadio e que eu precisava resistir tentar controlar meus afilhados”. deixamos os resultados nas mãos do Poder Superior e apoiamos nossos afilhados durante suas dificuldades. Na verdade.

Eu acredito 186 .suas próprias decisões. Hoje ela ainda paga restituição por seu crime. “Minha afilhada estava determinada a continuar praticando comportamentos que estavam em conflito com os princípios que ela estava aprendendo através dos passos. Ela sentia que roubar de um provedor de serviços públicos era justificado porque eles cobravam demais de seus clientes. ela se justificou até a prisão. Praticamos o princípio de rendição e tentamos nos lembrar que recuperação é um processo. recebemos uma chance de aprender sobre impotência perante nossos afilhados e sua doença. Outros podem usar um enfoque mais didático. Infelizmente. Conforme experimentamos o quão recompensador é ver alguém crescer. Eu lhe falei que escrever os passos não tem fundamento nenhum se ela não incorporar aqueles princípios em sua vida e fazer mudanças sadias.

Nunca tive que dizer ‘não falei?’ Não posso negar meus afilhados a dor de suas conseqüências. Deixo bem claro que estou apoiando a elas. Tento pegar cada oportunidade que posso para ajudar meus afilhados rumo ao despertar espiritual que eu. Só posso amá-los incondicionalmente enquanto eles experimentam a vida. “Sim. e não seu comportamento”. Mas uma regra geral a respeito do ritmo é que. enquanto não posso fazer muito (se é que posso fazer alguma coisa) para aumentálo. não atraso. eu posso diminuí-lo. cada adicto é diferente e segue a estrada de recuperação em seu próprio ritmo. e 187 . Eu a amei e apoiei ao longo das conseqüências de suas ações.que o adicto que não muda usará novamente. Acredito que uma das maiores responsabilidades de ser um padrinho é encorajar avanço.

Queremos ter certeza de que levamos a mensagem de esperança e não o desespero de nossa doença. Alguns membros acreditam que a partilha de experiência. tem tido como resultados desses passos”. Idealmente. Às vezes nosso papel mais importante como padrinho é de ouvinte. força e esperança ao invés de teoria. precisamos estar cientes dos recursos que nós temos e o que temos a oferecer. sentir que alguém os ouve. Como padrinho ou madrinha. “Uma das coisas mais legais sobre apadrinhamento é que me lembra de praticar as Tradições de NA – nãoorganização e nãoprofissionalismo. Outros membros preferem partilhar pouco de sua experiência pessoal e depender mais de literatura de NA para explicar como usar as ferramentas do programa. é um relacionamento 188 . Alguns de nossos afilhados podem precisar mais do que qualquer outra coisa. ajuda a esclarecer a diferença entre apadrinhamento e terapia.outros adictos.

etc. mas não tento dar as soluções. sugiro procurar ajuda profissional”. Faço o melhor que posso para guiá-los aos passos para obterem respostas e orientação em seus problemas.totalmente informal. “Normalmente digo aos meus afilhados no começo de nosso relacionamento que não sou conselheiro ou terapeuta. 189 . e se torna o que os dois indivíduos querem que se torne”. Acredito que as respostas se encontram nos passos e nas tradições. Para esses e outros assuntos. Meu papel como padrinho é falar sobre ficar limpo em NA. Encorajo meus afilhados a falarem sobre as coisas comigo. carreiras. Também acho útil falar sobre a Décima Tradição – não tendo opiniões sobre assuntos alheios – especialmente ao lidar com assuntos como remédio. relacionamentos com família.

“Antes de pedir para um afilhado novo ler ou trabalhar no Texto Básico. ou Só Por Hoje. talvez precisemos criar alguma espécie de relacionamento com seus pais. somos confrontados por membros da família. alguns dos fatores fundamentais que tornam um relacionamento saudável e produtivo são constantes. ou cônjuges de nossos afilhados. Em quaisquer circunstâncias. Isso Resulta: Como e Porque. Isso parece ser menos intimidador ou sobrecarregador e os acostuma com os básicos – particularmente quando são novos e estão confusos”. e como padrinhos devemos ter a capacidade de manter as confidências das pessoas a quem apadrinhamos. sugiro que eles leiam nossos folhetos. por exemplo. Apadrinhamento depende de confiança. Se apadrinharmos um menor de idade. precisamos ser vigilantes em manter nossas responsabilidades perante aqueles que apadrinhamos. Enquanto todo relacionamento é diferente. Isso pode apresentar desafios se. A confiança 190 .

às vezes tinha que ligar para a mãe dele e explicar as coisas para ela. E. Demorou. assegurando que ele se sentia confortável e seguro com isso. e devemos honrá-la. Ela aprendeu que 191 . tinha que falar com meu afilhado o tempo todo sobre minhas conversas com sua mãe. limpo há 5 anos. claro. meu afilhado de 19 anos. Hoje. Quando apadrinhei um recém chegado de 15 anos. como o fato de que eu tinha falado ao meu afilhado que ele deveria ir a reuniões todos os dias. tem um relacionamento incrível com sua mãe.de nosso afilhado ou afilhada é uma dádiva preciosa. mas ela começou a confiar em mim porque eu tomava o tempo para explicar o processo de recuperação a ela. “Um dos aspectos mais difíceis de apadrinhar alguém menor de 18 anos é que às vezes você tem que criar um relacionamento com o pai ou responsável do afilhado.

vindo dela e de meu parente. fui madrinha de uma mulher que estava saindo com um de meus parentes. “Em um momento de minha recuperação. Depois que as 192 . mas na verdade eu lutei com isso até que tudo explodiu numa grande briga e nós quebramos a confidência uma da outra. O tempo passou e seu relacionamento foi ficando mais sério. e foi ficando mais difícil para eu ser sua quaseparente e sua madrinha. Eu tinha informação que eu não queria. Gostaria de dizer que lidei com isso de forma madura.ela podia ser somente sua mãe e não tinha que estar envolvida em seu relacionamento de apadrinhamento. Nos feriados eles me convidavam para a casa deles e tudo o que ela podia fazer era me agradecer por devolver seu filho a ela. mas sim agradecer a Narcóticos Anônimos”. Disse a ela para não me agradecer.

às vezes ficamos entusiasmados demais em mostrar nosso conhecimento do programa. Quando somos pedidos para apadrinhar alguém. conversamos a respeito do que aconteceu. Nós concordamos que ela estaria melhor com outra madrinha. especialmente se vários membros nos pedem. já que aquela pessoa 193 . mais fácil é para nos enchermos de auto-importância. Por mais que tentemos resistir ficarmos confiantes e egoísticos demais. podemos nos ver caindo na armadilha do “superpadrinho” – pensando que sabemos tudo e somos infalíveis! “Você nunca sabe quem vai dar certo nessa irmandade. Hoje.coisas se acalmaram. Quanto mais pessoas procuram respostas em nós. somos amigas e eu aprendi minha lição e não apadrinho mais pessoas que estão envolvidas em minha vida dessa forma”. Eu não posso ignorar ninguém nem nada que é dito em uma reunião.

que não me ligavam mais tanto. Apadrinhamento permite que cresçamos por experimentarmos nossas limitações. deve ainda haver mais para eu aprender!” “Eu fiquei muito julgador a respeito de meus afilhados com nove ou dez anos em recuperação.ou o que ela disse pode ser exatamente o que eu preciso em algum momento do futuro”. Nos mantendo cientes de nossas limitações e continuando a fazer nosso inventário pessoal pode impedir que entremos no pensamento de “melhor que”. “Como um padrinho com bastante tempo limpo. fortalecemos o elo entre nós. 194 . Ao admitirmos essas limitações e sermos honestos com nossos afilhados. Mas meu padrinho disse ‘Não ache que você é tão importante’”. percebi que já que eu nunca fui a uma formatura do NA.

O que exatamente isso significa? Significa não falar sobre o que eu faria se estivesse naquela situação.“O negócio é partilhar experiência. Tinha ouvido que eu não posso salvar minha pele e meu ego ao mesmo tempo. mas estava com medo de partilhar como estava sentindo em meu grupo de escolha. Se não tive nenhuma experiência. mas sim falar sobre o que eu fiz em situação similar. e vários afilhados também freqüentavam aquele grupo. “Me lembro de ter 21 anos limpo e querendo simplesmente morrer. Era eu quem tinha mais tempo daquela área. 195 . Significa que sou um bom padrinho que leva recuperação a sério”. Isso não significa que sou um ‘mau’ padrinho. acredito que não tenha problema indicar alguém que tenha tido. força e esperança. Estava sentindo tamanha dor emocional.

na verdade.Finalmente deixei o ego de lado e partilhei como estava realmente sentindo. Nós. podemos lhes oferecer um ombro amigo e 196 . Não queremos oferecer orientação a respeito daquilo que não temos experiência. Enquanto podemos nem sempre saber o que é melhor para nossos afilhados. Oferecer sugestões aos nossos afilhados sobre onde eles poderão encontrar ajuda não significa que falhamos como padrinhos. Talvez tenhamos que dizer “Não sei” ou encaminhar nossos afilhados a outros que podem ajudar quando nós não podemos. Vai entender!” Haverá momentos nos quais nossa experiência não se aplica ao momento de um afilhado ou ele ou ela está com algum problema além de nosso conhecimento. tendo certeza de manter a confidencia e anonimato de nosso afilhado ou afilhada. também. arrumei mais dois afilhados que queriam o que eu tinha. podemos buscar ajuda de outros sobre como lidar com as coisas. Significa o oposto. Sabia que meus afilhados iam ficar envergonhados e me largar como seu padrinho. Pelo contrário.

não estou em base firme. estou me comprometendo com outra pessoa e comigo mesmo. que eles não estão “Partilhando somente minha experiência. Vejo meu papel não como dar conselhos. “Quando digo ‘sim’ a alguém que pede que eu seja seu padrinho. e que se meu afilhado fizer o que eu fiz. estou em solo firme.assegurar-lhes sozinhos. eu seria responsável. Se meu afilhado segue meus conselhos e acaba usando ou experimentando conseqüências desfavoráveis. ele pode ficar limpo. assim como com minha recuperação em geral. Sei que estou sendo honesto. força e esperança num nível mais 197 . mas partilhar minha experiência. Se eu der conselhos. Deixo os conselhos para os profissionais que sabem lidar com essas conseqüências”.

Nem sempre 198 . Na maioria dos casos. Isso começa por ouvir”. muitos de nós descobrimos que nosso padrinho tem a resposta exata que estamos precisando. Aqui. Não estamos a sós nos nosso processos de tomada de decisões. Se não temos certeza sobre como encarar uma pergunta ou pedido de nosso afilhado ou afilhada. a corrente de recuperação pode ser vista em sua mais pura forma – um adicto ajudando outro a ajudar a outro. É como remover as rodinhas da bicicleta. podemos perguntar a nosso padrinho.íntimo. mas ajudá-los a usar os princípios do programa para viver a vida plenamente. Devemos estar cientes que nosso papel como padrinho não é proteger nossos afilhados da vida. “Falo para meus afilhados que crescimento pode ser doloroso e solitário às vezes. Um dos maiores desafios como padrinho pode ser o desejo de protegermos nossos afilhados das situações avassaladoras em suas vidas.

“Para mim. e aprofundarmos nossa intimidade. Aqueles cortes e hematomas vão compensar bastante no futuro”. Tudo o que posso fazer é estar lá para te ajudar a levantar e te estimular para tentar novamente. meu afilhado irá aprender tanto com seus próprios erros quanto com seu padrinho!” Para a maioria de nós. apadrinhamento oferece muitas vantagens e dádivas. Podemos nos sentir mais próximos a algumas pessoas que apadrinhamos do que 199 .posso correr do lado da bicicleta para impedir que você caia. È uma forma de nos mantermos conectados a NA. talvez. Apadrinhamento pode se tornar um relacionamento saudável e respeitoso. até que você aprenda a andar. e freqüentemente uma amizade profunda. ser um bom padrinho significa que. Cada relacionamento é especial de seu próprio jeito. Temos a oportunidade de compartilhar o despertar espiritual em outro membro. a servirmos.

É importante que eles saibam que meu único interesse é sua recuperação. não como melhores amigos. acreditando que meu único interesse é sua recuperação lhes dá a habilidade de ouvir o que digo sobre certos assuntos”. Isso lhes dá a oportunidade de serem honestos comigo e não enfeitar nada por medo que eu os julgue ou desaprove. conselheiro profissional. mas tentamos dar o melhor de nós em cada relacionamento e assegurarmos que estamos igualmente disponíveis e receptivos a todos os nossos afilhados. Eu trabalho com eles somente em recuperação. Também. banco. 200 .outras. “Muitos dos relacionamentos que entrei como padrinho me deram grandes amigos”. conselheiro matrimonial. etc. “Eu não me aproximo muito dos meus afilhados por algumas razões que acho importantes.

permitindo que o relacionamento cresça e mude naturalmente”. estamos todos buscando o mesmo destino em recuperação. assim como individualmente. junto com o Texto 201 . Tento não pré-julgar que tipo de relacionamento deveria ter com um afilhado. Alguns são meus ‘melhores amigos’. Enquanto nossa jornada através do apadrinhamento irá variar de membro para membro e comunidade para comunidade. aprendemos a ser consistentes e termos boa vontade para praticarmos os princípios espirituais.“Tenho muitos tipos de relacionamento com as pessoas que apadrinho. Através de trabalhar os passos e tradições com nossos afilhados. alguns são mais como ‘negócios’. Usamos o novo guia para trabalhar os passos. e outros são emocionalmente distantes. “Trabalho com meus afilhados num grupo de estudo de passos.

Básico e Isso Resulta: como e porque. rezamos e agradecemos a Deus por mais uma oportunidade de nos curarmos aplicando os princípios. e poucos são novos ao programa. Peço sabedoria. conhecimento. Após trabalharmos o passo. Também enfoco as tradições e fortemente encorajo adesão à Décima Segunda Tradição”. Precisamos lembrar que Deus é o poder maior. A maioria dos companheiros que apadrinho têm múltiplos anos limpos. rezo e convido Deus para a experiência. “Antes de trabalhar com minhas afilhadas. e coragem para ver a verdade e significados dos passos para que mais cura possa ocorrer. É incrível a distância que podemos percorrer com os Doze Passos!” “As tarefas que dou aos meus afilhados dependem de seu 202 .

é para nós nos conhecermos melhor e criarmos um elo”. Digo a todos os recém-chegados: ligue para mim todos os dias e deixe um recado se eu não estiver em casa. se você mentir não posso te ajudar. se você tiver vontade de usar.tempo limpo. nem conselheiro matrimonial nem alguém que vai ser facilitador. Mas independente das tarefas diferentes. não sou conselheiro. vá a 90 reuniões em 90 dias e começaremos a trabalhar o Primeiro Passo juntos. se você quer ficar limpo. 203 . Quando eles ligam. mas se não vai fazer nenhum esforço. me ligue antes de fazê-lo. não empresto dinheiro. posso ajudar. então por favor não minta. Dou sugestões diferentes a afilhados com mais tempo limpo. não posso te fazer bem nenhum. trato todos os meus afilhados com o mesmo respeito e amor.

escolhem partilhá-lo comigo”. é possível partilharmos uma vida de liberdade além dos nossos mais incríveis sonhos. 204 . Elas acham motivador fazer isso. Através da simplicidade do programa de Narcóticos Anônimos. e podemos aprender a não nos levarmos tão a sério.“Algumas de minhas afilhadas se encontram com mulheres com o mesmo tempo limpo para trabalhar nos guias dos passos juntas. verdade e decepção. coragem e medo. e dizem que isso ajuda a criar relacionamento mais fortes. Apadrinhamento abre a porta para nossos próprios corações. Partilhamos as realidades da vida com nosso afilhado ou afilhada – alegria e tristeza. nascimento e morte. felicidade e depressão. Conforme completam o passo.

ensinar uns aos outros. No apadrinhamento. O apadrinhamento nos mostra como trabalhar com os outros enquanto nos 205 . Para adictos. essas coisas são especialmente difíceis. A maioria das pessoas acha difícil ser vulnerável. e gostar uns dos outros. freqüentemente nos fechando para aqueles que mais se importavam conosco. Em nossa adicção. Muitos de nós não tivemos exemplos ótimos no que diz respeito a respeito mútuo e carinho. temos a oportunidade rara para aprendermos uns dos outros. aprender a confiar e a ser confiável. e se comprometer.CAPÍTULO QUATRO O RELACIONAMENTO DE APADRINHAMENTO: DESENVOLVENDO E SUSTENTANDOO Desenvolvendo e sustentando o relacionamento de apadrinhamento Relacionamentos requerem trabalho. corremos de intimidade.

” “Se estar em recuperação significasse somente ir às reuniões. Podemos aprender a confiar. Elas em escolheram para guiá-las através dos passos. podemos aprender a viver mais plenamente. o relacionamento nem sempre será fácil. e ir para 206 . Sei agora que tenho algo a dar: minha experiência de recuperação em NA. vim a entender que tenho a capacidade de gostar e até amar outras pessoas. Tenho orgulho disso. Naturalmente. Fui forçado a ver que elas precisam de mim. “Ao apadrinhar outros adictos. ficar com companheiros. poderia continuar com minha vida sem nem trabalhar em mim. Poderia somente ir às reuniões. Mas nos tornamos dispostos a arriscar e encarar aqueles medos que nos impedem de experimentar relacionamentos ricos e significativos.conhecemos. Através do apadrinhamento. Iremos cometer alguns erros. Nem precisaria de ajuda.

minhas dificuldade se minhas crenças afetam a maneira que lido com as outras pessoas.casa. Se eu fizer isso sem a orientação e o apoio de meu padrinho. provavelmente eu não iria tão a fundo quanto poderia ir. Preciso trabalhar em meus relacionamentos – a maneira que meus defeitos de caráter. Meu relacionamento com minha madrinha é precioso 207 . Sem seu percebimento.” “Estou ciente de quem eu era antes de ter uma madrinha: uma pessoa solitária e isolada. Mas essa não é a realidade. através dos quais eu tenho aprendido a lidar com meus comportamentos adictivos. Minha madrinha me tem ajudado a construir um relacionamento forte com meu Poder Superior e ao trabalhar os Doze Passos. Preciso fazer bastante para me tornar a pessoa que quero ser. não crescerei tanto.

para mim. Contato freqüente com nosso padrinho ou afilhado pode nos ajudar a abrir nossos corações e permitir que intimidade se desenvolva. e o relacionamento precisa de pouco trabalho. Às vezes o relacionamento de apadrinhamento de desenvolve com facilidade desde o começo. Ambos os membros se sentem confortáveis um com o outro quase imediatamente e partilham com entusiasmo. Aprender a comunicar bem é um dos desafios que encaramos ao longo da nossa caminhada em recuperação. Autorevelação honesta e respeito mútuo podem providenciar um alicerce sólido sobre o qual pode-se construir esse relacionamento excepcional. Tenho trabalhado com uma afilhada há 15 anos. cuja visão para ela mesma tem sempre sido igual à minha. Sou grata por sua presença em minha vida”. “Tenho descoberto que às vezes apadrinhamento é fácil. Outras vezes. Às vezes me 208 . fazer o esforço de conhecer outra pessoa pode parecer difícil ou quase impossível.

energia e oração. eu e minha madrinha trabalhamos somente os passos e meus problemas. mas sei que 209 . “No início. aprendi que a vida nem sempre é uma luta. porque nos conhecemos tão bem (durante os últimos 16 anos). Hoje. É como ter uma melhor amiga.pergunto se o trabalho que fazemos juntas é tão importante espiritualmente quanto aquele que faço com pessoas que requerem bastante tempo. Às vezes ainda é difícil pedir ajuda. E sabe o que? Após anos de dramas girando em torno das drogas. podemos partilhar sobre tudo. e dificuldades. e relacionamentos que são fáceis são preciosos”. Ter uma madrinha me fez pensar em outra pessoa em me tem dado ferramentas para construir um relacionamento duradouro. que eu nunca tive no passado. que paz de espírito é possível. pois não confiava em mulheres.

achei que um padrinho era um super-herói ou cavaleiro de armadura brilhante que sempre viria me salvar. as recompensas são maiores do que jamais imaginei”. Esses desejos não são errados ou prejudiciais. Alguns de nós enxergarão o apadrinhamento como a forma de ter o melhor amigo que nunca tivemos nossa vida inteira. sempre.quando peço. Depois de achar um 210 . Ficar limpo e manter a mente aberta muitas vezes traz dádivas muito além do que imaginamos para nós mesmos. Podemos sempre querer ter as respostas certas para aquelas perguntas difíceis que os afilhados fazem. “Quando cheguei ao programa. mas impor condições para o que queremos ou o que achamos que queremos. limita nossas possibilidades e pode atrasar nosso crescimento. Muitos de nós temos expectativas irrealistas sobre o que um relacionamento de apadrinhamento deve ser. Podemos querer ser o afilhado preferido fazendo a coisa certa.

Isso inclui a boa vontade para passar por dificuldades sem deixar medo ou raiva destruírem o relacionamento. querendo algo mais ou diferente do que estamos recebendo. Às vezes a reação inicial de qualquer uma das partes é defensiva. a coragem e humildade necessária para resolver essas questões freqüentemente levam o relacionamento de apadrinhamento a níveis mais profundos.padrinho. Como em qualquer relacionamento. percebi que. “Não estava muito preparado para o fato de quanto apadrinhamento iria me 211 . Nosso padrinho poderá nos desafiar. na verdade ele está lá para me ajudar a trabalhar os passos”. pedindo que olhemos para algo desconfortável. ou talvez desafiemos nosso padrinho. Um elo dinâmico e significativo entre um padrinho e afilhado depende de um alicerce sólido de boa vontade. Podemos até trocar palavras ásperas ou dizer coisas das quais depois nos arrependeremos. enquanto meu padrinho me dava enorme conforto em momentos de dificuldade.

mas às vezes a coisa que precisa ser dita não é muito gostosa. Vim a enxergar esses momentos de dor e conflito como oportunidades de ganhar habilidades básicas de 212 . Em outros momentos. sou eu quem diz algo que acredito que precisa ser dito. admitindo que cometo erros e sou totalmente humano. Eu convido abertamente os companheiros que apadrinho a me confrontarem livremente. minha primeira reação instintiva é defensiva. mas quando eles fazem exatamente isso. Tento sempre ser sensível e respeitoso. e eles se tornam magoados ou defensivos.desafiar a me estender e crescer. E talvez em outros momentos não estou tão amoroso e centrado. Pensava que como o padrinho era eu quem ia desafiar os afilhados. e digo alguma coisa que machuca. que eu levo ao meu Décimo Passo. ou dor. ou raiva.

que conflito e raiva entre as pessoas não tem que significar rejeição ou abandono. O relacionamento de apadrinhamento tem sido a oficina onde tenho aprendido a confiar no amor e compromisso de outros homens em recuperação o suficiente para ficar e ter conversas difíceis. Vivi com muito medo desses momentos de desconforto interpessoal antes de encontrar NA. Aprendi não só a não ter medo desses momentos desafiadores.relacionamento que posso aplicar posteriormente em meu casamento. mas a aceitá-los de braços abertos 213 . com meus filhos ou em qualquer outro lugar. Tive que aprender. e se eu me manter focado em princípios. nós saímos das coisas com um elo maior de confiança e respeito mútuo do que entramos. às vezes dolorosamente. Em quase todos os casos. se eu ficar ali com amor e respeito.

posso construir um relacionamento baseado em amor incondicional e compromisso. Ego não tem lugar em meu processo de tomada de decisão. Com a orientação do Poder Superior e um sincero desejo de ajuda a outro adicto. e dispostos a aprender mais a respeito dos princípios espirituais de NA. Ambos os membros devem estar motivados a trabalharem um com o outro. “É imperativo que eu examine meus motivos quando concordo em apadrinhar alguém. Entrar no apadrinhamento é arriscado.como os momentos chave para o aprofundamento do relacionamento”. esse relacionamento providencia um dos nossos elos mais básicos ao programa de Narcóticos Anônimos e pode nos mostrar como viver as soluções que os passos têm a nos oferecer. comprometidos com sua própria recuperação. Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. Partilhar algumas de minhas 214 .

vá a uma reunião. mais confiança se desenvolve. “Porque é que afilhados sempre parecem ter uma ‘crise’ durante meus exames finais na escola? Minha solução no último semestre foi deixar uma mensagem simples de NA em minha caixa postal: ‘Se isso for um afilhado. e esse processo ajuda a manter um relacionamento duradouro”. Verdade cria confiança. confio que meu Poder Superior está no meio do relacionamento e me ajudará a partilhar livremente. e quanto mais verdades partilhamos. Porém. mais recebo. trabalhe seu passo.’ Quando eles queriam me contar tudo sobre o drama em suas vidas eu simplesmente perguntei onde estavam com o passo atual.verdades mais íntimas pode se assustador. Após o longo silêncio. Quanto mais dou. e depois me ligue. eu dizia ‘Exatamente! Escreva o passo e depois me 215 .

e comigo”. Preciso ir a reuniões regularmente. às vezes me torno complacente e muito confortável. estou aprendendo tudo novamente sobre compromisso. Sei que preciso fazer minha parte. “Como uma afilhada que acabou de começar a trabalhar com outra madrinha. mas parece ter funcionado bem com meus afilhados. e trabalhar os passos. Esses são os momentos que preciso voltar aos básicos – aquelas coisas que eu fazia sem perguntar quando comecei a ficar limpa. Às vezes essas coisas são difíceis de fazer. Tenho certeza que essa abordagem não funcionaria com todo mundo.ligue’. As desculpas que estou muito cansada para ir a uma reunião ou que está muito tarde para ligar podem me meter em grandes encrencas. Depois de estar limpa por mais de 20 anos. Não quero ir à minha próxima reunião só para pegar uma 216 .

trabalharmos os passos e trabalharmos com nossos padrinhos não nos isentam das realidades de viver a vida. “Fui recentemente diagnosticado com uma doença que os médicos dizem irá tomar minha vida em mais ou menos um ano. e tentamos fazer o melhor que podemos. Medo e 217 . mas a questão não é realmente essa? O Texto Básico diz: ‘tempo limpo não é igual a recuperação’. Encontramos dádivas aqui em NA que a maioria das pessoas nunca experimenta em sua vida. Temos uma conexão que nos mantém unidos: compartilhamos a recuperação de uma doença devastadora. Nossos relacionamentos como padrinhos e afilhados podem oferecer o apoio e compreensão que precisamos para continuar indo em frente. Ficarmos limpos.ficha branca. Somos todos sobreviventes. Às vezes nos vemos frente às circunstâncias mais difíceis da vida. Sei que isso parece dramático.

sempre achei que eu seria um daqueles velhinhos que levanta numa convenção com 50 anos limpo. dizendo para mim ‘Ei. agora pode começar a usar drogas de novo porque você está morrendo’.. trabalhando os passos. da adicção. choramos. e começamos a fazer o que fazemos há anos juntos.. Encaro minha mortalidade diariamente indo a reuniões.pânico me envolveram no início. Sabia no fundo do meu coração que não queria passar meus últimos dias na terra preso nos horrores da adicção. mas aí senti uma estranha sensação de calma. mas percebo agora que tenho a dádiva de 218 . Percebi que a calma era minha doença. Imediatamente liguei para meu padrinho! Nós conversamos. falando com meus afilhados e padrinho. Sabe. praticamos os princípios espirituais desse lindo programa. e confiando no meu Poder Superior amoroso.

Isso mudou para mim quando ouvia o Quinto Passo de minha afilhada. me lembrei de ter apanhado do meu pai. e meu coração se partiu. parecia que meu coração tinha virado pedra. É daí que vem a minha liberdade”. e enquanto falava. “Quando estava usando. Imediatamente. Tinha feito e visto tanto que não conseguia mais chorar ou sentir. com muita tristeza para nós duas.estar limpo só por hoje. os olhos dela permaneciam sem lágrimas. e duvidava que iria fazê-lo novamente. 219 . eu via seu corpinho sendo machucado por ele. Ela partilhou sobre ser espancada por seu padrasto. Ela só tinha seis meses limpa – o tempo do despertar emocional dela estava por vir”. Enquanto eu chorava. Sua partilha honesta foi a conexão de volta para uma vida emocional para mim. e não me sinto só.

Ele confiou que a vontade do Poder Superior dele era o melhor para ele. Estava preocupado que ele não ia conseguir sair dessa limpo ou vivo. Ele ficou arrasado e sentiu muita dor por muito tempo. não importando como isso sentia. Para minha surpresa. Tudo o que conseguia dizer a ele era para continuar tentando entregar sua vida e vontade ao Poder Superior de sua compreensão. Minha própria confiança em Deus e no poder do Terceiro Passo foi imensamente melhorado por essa experiência”.“Meu afilhado estava no Terceiro Passo quando sua namorada o largou de repente para ficar com outro membro de NA com muito mais tempo limpo que ele. 220 . Conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento. nos tornamos cientes do impacto de trabalharmos com os princípios de NA. ele finalmente alcançou aceitação da situação.

Com isso não quero dizer que me tornei menos gentil ou amoroso. nas vidas daqueles à nossa volta. mas sim. e em como enxergamos nosso lugar no mundo. raivoso ou hostil. Posso me sentir mais confortável sendo honesto. sempre procurando 221 . que eu abri mão de minhas tendências de agradar o outro. mas logo começamos a entender que crescer em recuperação vai muito além de simplesmente não usar.Começamos a ver os resultados de aplicarmos os passos e tradições em nossas vidas diárias. Aprendi como defender minhas crenças e praticar os princípios espirituais que NA me ensinou. NA nos ajuda a nos libertarmos das drogas. Agora tenho mais experiência para dar orientação e direcionamento a afilhados. mesmo quando estou falando com alguém que pode se tornar defensivo. “Me tornei menos e menos motivado pela necessidade dos meus afilhados gostarem de mim.

por sua vez. com maior habilidade para confiar no meu padrinho e revelar o que está realmente acontecendo em minha cabeça e coração. Hoje confio que meu padrinho me ama incondicionalmente e verdadeiramente me compreende com o coração cheio de empatia e ajuda”. o que pode iniciar como um relacionamento desbalanceado. com a mente aberta.usar os Doze Passos como base da solução. Posso ouvir críticas construtivas. descobrimos que. sugestões e aquelas velhas verdades que tenho dificuldade de enxergar sem a ajuda de outro. tem me ajudado a ser um afilhado com mais mente aberta. com uma pessoa dando toda a ajuda. Já que confio mais em mim. Isso. aprendi a confiar mais nos outros. com cada adicto ajudando ao outro. 222 . se desenvolve em uma “via de mão dupla” que tanto ouvimos falar. Através do processo de trabalhar os passos juntos.

fazemos nosso melhor para ajudarmos um ao outro. Cada vez que eu sento com um afilhado para trabalhar os passos. tenho novas revelações. ou ouvido certo conceito ou principio antes.Alguns membros experimentam o apadrinhamento como um elo amoroso e incondicional. As palavras nas paginas de nossa literatura parecem ganhar vida e falar comigo como nunca antes. Continuo crescendo em minha recuperação pessoal por causa da perspectiva nova que suas interpretações dos passos oferece. Independente de como nosso relacionamento de apadrinhamento se desenvolve. enquanto outros o verão em termos da instrução ou até disciplina que ele pode providenciar. Às vezes e como se eu nunca tivesse visto certos trechos. “O processo de trabalhar os passos com meus afilhados nunca pára de me surpreender. Agradeço a Deus e a meus 223 .

o que gostava nele. Depois. “Fiquei muito chateado com meu padrinho quando senti que ele estava fazendo corpo mole com o compromisso dele comigo. Foi um processo incrível para mim. o que funcionava e o que não estava funcionando. e que ele fez a mesma coisa. Eu não mais me sentia frustrado e sozinho. Ao me tornar honesto com ele. o que ele fazia que me deixava com raiva. Ele partilhou que esteve numa situação similar com um padrinho.afilhados por suas contribuições a minha recuperação”. Escrevi sobre tudo – porque eu o escolhi e continuei com ele. nosso 224 . nos encontramos e discutimos o inventario de forma amorosa e madura. Ficava dizendo isso a ele varias vezes. ate que ele pediu que eu fizesse um inventario sobre ele.

esses princípios são elementos básicos para estabelecermos e mantermos relacionamentos saudáveis – com nosso Poder Superior. Ajudarmos nossos afilhados a trabalharem os passos enriquece nossa própria espiritualidade. aprendemos a trilhar um caminho espiritual. “Minha madrinha tem me ajudado a ver que relacionamentos com homens me causaram muitos problemas no passado. Nossa habilidade para partilhar nossos pensamentos sobre princípios espirituais com outra pessoa é um presente poderoso de recuperação. Ela me ajudou com minha decisão de me distanciar de romance ate que tenha meu Poder Superior como meu primeiro 225 . nós mesmos e outro ser humano. Em muitas formas. Como trabalhamos os passos Quando trabalhamos os Doze Passos.relacionamento pode continuar a evoluir”.

frustrado e sozinho. Me encontrei com meu padrinho e li o que eu tinha escrito nos últimos dias. qual era a alternativa. e sabia disso. Sabia. Isso foi ha quatro anos. meu padrinho me assegurou que se ele acreditasse que a solução para minha insanidade fosse outra coisa senão os Doze Passos de NA.e mais importante relacionamento”. Estava julgando o meu interior pelo exterior dos outros. a não ser que eu queira estar”. Após ouvir a leitura e me deixar partilhar do coração. 226 . ele me avisaria. “Em um determinado momento de minha jornada. Foi intenso. e sei hoje que nunca estou só. estava me sentindo espiritualmente inadequado. e doeu por aqueles sentimentos para fora. Eu entendi e segui em frente. e muito bem.

tive que depender de minha nova madrinha para me dar apoio. empatia. Quando estava escrevendo meu Quarto Passo usando o guia. mas de maneiras novas e antes desconhecidas. Mas minha vida ainda estava sendo regida por um desejo de aceitação social no programa. Minha doença ainda estava ativa em minha vida. e amor incondicional par que pudesse fazer o inventario profundo. Você precisa do espaço porque a 227 .“Trabalhar o Quarto e Quinto passo com minha nova madrinha foi assustador no início. Já tinha feito os passos com duas madrinhas anteriores e tinha recebido uma sensação de liberdade duradoura. e meus muros de defesa ainda me bloqueavam da intimidade. As palavras que minha madrinha usou ainda estão na minha cabeça: ‘Largue a velha você.

e os Guias para Trabalhar os Passos em Narcóticos Anônimos. então podemos encontrar uma maneira de trabalharmos os passos e compreendermos o programa de NA. Muitos dos textos e panfletos de NA são publicados em um grande número de línguas. “Quando apadrinho alguém que não lê ou escreve.nova você esta se mudando para cá’”. também. 228 . Se estamos dispostos a nos esforçarmos. Podemos pedir que afilhados escrevam a respeito de certas partes desses textos e outra literatura de NA. Como padrinhos. assim como as diversas ferramentas do programa. Alguns de nós usam dicionários. versões em áudio da literatura de NA para ajudar aqueles de nós com deficiências físicas ou que não têm habilidades literárias fortes. Há. Isso Resulta: Como e Porque. como o Texto Básico. cada um de nós tem desenvolvido sus própria maneira de trabalhar os passos com afilhados. Recuperação é uma experiência altamente pessoal.

Primeiro. Ela esta aberta a aprofundar sua própria experiência de 229 . peço para minha afilhada ouvir a versão áudio do texto básico.dependo do uso de fitas cassete.” “Minha madrinha me ensina como trabalhar os passos. para que complete. Dou a fita a ela. Ela pode sempre rebobinar a fita e voltar ao começo se precisar lembrar como fazer a tarefa. gravando seus passos na fita. Ela aprende a fazer isso através de escrever os passos com sua madrinha. e por essa razão gravo a tarefa no inicio da fita”. Acredito que e essencial para sua recuperação e seu bemestar. Depois. “Somente apadrinho adictos que estão dispostos a continuarem indo em frente com os passos. gravo como eu quero que minha afilhada faça a tarefa.

mesmo estando 24 anos limpa. Alguns de nós temos visto que a chave para construir confiança é partilha aberta e íntima entre padrinho e afilhado. O processo de trabalhar os passos juntos pode tornar mais fácil o desenvolvimento da confiança. Minha madrinha tem uma mente de recém chegado e ver sua boa vontade me inspira a ter a mesma atitude. A autorevelação honesta de um padrinho pode ajudar o afilhado a ganhar confiança na direção do padrinho.recuperação e não age como se ela tivesse ‘conseguido’ a recuperação e não precisa mais crescer. Estamos juntas ha dez anos. Tento repassar os conceitos que aprendi dela as minhas afilhadas”. Eu tenho visto ela continuar a mudar e crescer ao longo dos anos. 230 . Isso me da esperança de que eu também posso.

Ser vulnerável envolve um certo risco. me vi me tornando mais e mais confortável com ela. Achava que tinha que ser perfeito sempre. “Uma vez que eu pude falar sobre coisas pessoais com minha madrinha.“Antigamente achava difícil falar aos meus afilhados que eu tinha experimentado o mesmo medo e vergonha que eles estavam sentindo. ajuda aos dois desenvolverem e aprofundarem nossa compreensão e confiança”. e aprendi que ao trabalhar os Doze Passos. Foi somente ao falar com meu padrinho que eu aprendi que podia ter a humildade e honestidade de ser quem sou e partilhar isso com meus afilhados. Foi somente depois que comecei a confiar nela que 231 . dos pontos de vista tanto do afilhado quanto do padrinho.

e quando fazê-lo. Se passarmos muito tempo falando apenas sobre nós mesmos.. podemos tirar o foco dos nossos 232 . Ele disse que eu tinha que parar de tentar ser meu próprio padrinho e parar de controlar o processo de trabalhar os passos. confie no processo!” Outros de nós descobriram que revelar muitos detalhes pessoais quando ajudamos nossos afilhados a trabalharem os passos pode causar incerteza a respeito do papel do padrinho. Não queremos jogar todos os nossos problemas para aqueles a quem apadrinhamos. nem queremos dominar a conversa. Queria escolher o passo no qual iria trabalhar.pude começar o processo de escrever os passos”. questionava meu padrinho quando ele me dava direcionamentos sobre trabalho de passos. Depois ele disse que havia uma razão pela qual os passos estão enumerados de um a doze. “No começo..

Cada relacionamento de apadrinhamento é único. Mas.afilhados. Encorajar meus afilhados a partilhar honesta e livremente tem às vezes sido desafiador. Houve vezes que parecia que eu estava arrancando dentes. “Desenvolver novos relacionamentos de apadrinhamento não tem sido sempre fácil para mim. e devemos descobrir o que funcionará melhor. Parte de desenvolver um relacionamento de apadrinhamento é encorajar nossos afilhados a partilharem suas experiências. ligava para minha madrinha pedindo apoio e ela passava tanto tempo falando dela que não tinha a oportunidade de expressar 233 . tempo e experiência me tem ensinado que paciência e encorajamento amoroso são as chaves que destravam os lábios e o coração”. individualmente. “Como recém chegado.

Fiquei impaciente e achei outra madrinha. Meu único remorso e que não falei com ela sobre a frustração naquele momento”. enquanto outros não têm uma abordagem tão estruturada. Alguns favorecem um processo metódico e detalhado. Conforme comentado anteriormente. Naquela época. pedindo que o afilhado escreva extensamente a respeito de cada passo e princípio. não tinha guia para trabalhar os passos. alguns membros usarão dicionários para esclarecer certos princípios e conceitos. É importante lembrar que não temos todos a mesma abordagem em ralação aos passos. “Quando cheguei.minhas necessidades ou adquirir a orientação que queria nos passos. cada padrinho e madrinha 234 . Muitos de nós temos orações que dizemos antes e após o trabalho com os passos. Vários de nós desenvolveram métodos específicos que usamos ao guiar afilhados pelos passos.

arrumei um padrinho novo. comecei a ficar com ressentimento. e se ainda quero tudo isso preciso estar disposto a aprender sobre mim mesmo 235 . Recentemente. Senti que algumas das perguntas eram repetitivas. me foi mostrado uma maneira diferente de trabalhar os passos Dez a Doze diariamente e como incorporá-los em minha vida. eu aprendi que esse programa e sobre mudança.tinha um jeito diferente de trabalhar os passos. Quando terminei os passos. como se fosse uma revisão. Cada dois anos eu fazia um novo Quarto Passo. e me preocupava que usar um guia iria tirar um pouco da orientação pessoal que tanto valorizo no processo de apadrinhamento. Porem. que pediu que eu começasse no inicio do Guia Para Trabalhar os Passos de NA. Conforme comecei a fazer os primeiros passos.

sempre fazendo uma oração antes de começarmos e depois falado de minha experiência do Quinto passo com meu padrinho. eu peco que escrevam sobre cada passo. Lhes falo sobre os sentimentos que passei ao partilhar minhas experiências intimas pela primeira vez. “Eu ajudo meus afilhados com o Quinto Passo.e meu relacionamento com Deus e outros nesse novo processo”. Quando chega a hora de nos encontrarmos e revisarmos o passo. Antes do afilhado começar a ler o 236 . “Quando trabalho com meus afilhados. às vezes pego o que escreveu e leio para ele. Isso nos da uma perspectiva bastante diferente e tem provado ser uma forma eficaz e poderosa de partilharmos nossa experiência e aprofundar nosso relacionamento”.

237 . mas que podem ter prejudicado. “No Oitavo Passo. as restituições financeiras. tirada de seu inventario do Quarto Passo e adicionando qualquer pessoa que não esteja no inventario.Quinto Passo. peco que coloquem os nomes em cartões com uma breve descrição do dano causado. falamos sobre todos os cartões. peco que meus afilhados façam uma lista das pessoas a quem causaram danos. Tento ser tão honesto e aberto com meus afilhados quanto quero que sejam comigo”. pergunto quais os seus sentimentos naquele exato momento. Depois. Olhamos as reparações que podem ser feitas imediatamente. Ai. Isso parece relaxá-los. Procuramos por padrões repetitivos e danos pelos quais eles possam estar se atribuindo muita responsabilidade.

Falamos sobre elas detalhadamente e sempre lembramos que um Poder Superior nos ajudara ao fazer essas reparações”. me vi em tumulto no meu emprego – um dos melhores empregos que já tinha tido.qualquer reparação que não pode ser feita. Aprendemos a confiar mais num Poder Superior. Uma das dádivas que a recuperação oferece é uma nova perspectiva sobre os outros e nós mesmos através de nossa experiência partilhada com os passos. e as que precisam ser adiadas. Estava trabalhando lá há três anos. “Quando estava limpa mais ou menos nove anos. ficamos inspirados. Explicar os princípios do programam nos ajuda com nossa maior compreensão desses princípios. Nos dispomos a mudar e começamos a ver que se não mudarmos nossa recuperação irá estagnar. e meus defeitos 238 . Quando assistimos ao crescimento de um afilhado.

Fiz um Quarto Passo sobre minha historia profissional.de caráter estavam vindo à tona claramente. Depois de vários desentendimentos com meu chefe. ficava com raiva quando alguém pedia que eu lhes ajudasse. Sexto e Sétimo Passos com minha madrinha. e comecei a ver como poderia me modificar 239 . e depois fiz os Quinto. Tinha trabalhado os passos varias vezes em meus nove anos limpa. Ela amorosamente me guiou a observar meus defeitos de caráter. e estava começando a expressar essa raiva de forma inadequada. percebi que tinha que mudar alguma coisa ou perderia meu emprego. mas era hora de fazê-los de novo – desta vez focando meus relacionamentos no trabalho. Estava com ressentimento de meu chefe e meus colegas.

e mais uma 240 .com a ajuda do meu Poder Superior. teria sido mais um emprego do qual pedi demissão. as coisas no trabalho melhoraram muito. Que milagre! Se a ajuda da opinião imparcial de minha madrinha. mais uma situação desconfortável da qual fugi. Pude enxergar claramente minha parte e iniciar o processo de mudança. Quando finalmente sai daquele emprego por uma posição num setor que sempre sonhei trabalhar. Ela estava feliz por mim e disse que tinha visto muita mudança em mim. Nunca tinha trabalhado os passos numa situação de trabalho como aquela antes. Estou feliz em poder dizer que após mais ou menos um mês. meu chefe estava honestamente triste em me ver partir.

Nossa diversidade se estende para credo. idade. educacionais e profissionais. temos diferenças que podem apresentar dificuldades em nosso relacionamento de apadrinhamento. Nossa diversidade é nossa força Enquanto o princípio de anonimato nos torna todos iguais. NA nos oferece somente uma promessa – liberdade da adicção ativa. Às vezes ficar limpo significa que estamos inteiramente presentes aos obstáculos que encaramos. Afinal. Recuperação significa encarar o que a vida apresentar e tentar enxergar nossas circunstâncias como oportunidades em vez de obstáculos. Somos provenientes de diversos históricos étnicos. Oportunidades contínuo para crescimento Chegamos a NA para aprendermos como parar de usar drogas e nos recuperarmos da doença da adicção. Mas recuperação é muito mais do que simplesmente parar de usar drogas. religião (ou 241 .oportunidade para me ver como péssima profissional”.

Também era mias velho do que a maioria dos membros no grupo. Crescer com as crenças e cultura de minha família. não estava acostumado a partilhar o que estava acontecendo em minha vida com ninguém. mas seria impossível todos aprendermos essa linguagem da mesma forma. especialmente pessoas de outra cultura. As diferenças entre nós oferecem inúmeras oportunidades para crescermos conforme trabalhamos juntos como padrinho e afilhado.falta de religião). aprendi que cor. e além. Podemos todos falar a mesma língua de recuperação. Porem. raça ou proveniência não importa e que somos todos adictos recuperando da mesma doença. 242 . “Hoje. quando fiquei limpo. entrei em uma comunidade de NA que era composta por praticamente todos membros de uma cultura diferente da minha.

“Meu maior desafio tem sido apadrinhar um adolescente. Quando ele partilhou que estava morando a uma quadra de onde eu comprava drogas e que ele estava limpo há seis anos. Finalmente conheci o membro que tinha atendido minha ligação à linha de ajuda. Quando comecei a apadrinhar esse companheiro. acreditei que ele era o único que podia me ajudar a ficar limpo e trabalhar os passos. ele tinha uns 16 anos. Cresci em todas as áreas por causa de sua ajuda. no inicio. Ambos tínhamos a mesma proveniência. e eu uns 16 anos limpo! Tenho muito cuidado com o que digo porque sei 243 . e pude fazer uma conexão com ele.Não confiava em muitas pessoas no programa. e esse crescimento tem me ajudado a entender que outras pessoas também podem me ajudar”.

alguns de nós sofremos conseqüências físicas que continuam 244 . Ele escreve os passos tão bem. Adoro que temos um relacionamento tão honesto”. Necessidades adicionais Como resultado de nossa adicção ativa.que ele esta ainda aprendendo sobre a vida. Não tenho que ser outra pessoa com ele. Penso nele como se fosse o filho que nunca tive. Ele agora tem pouco mais de um ano limpo e é uma inspiração para mim. Ele me da muita esperança. especialmente como trabalha os passos. que muitas vezes preciso pedir que ele não escreva como se estivesse escrevendo um livro! Ele me liga quase todos os dias e me lembra de como eu era no inicio de minha recuperação e como eu deveria tentar ser novamente.

descobri que poderia levá-lo de 20 a 30 horas de esforço para aquela pagina. tive que repensar. “No inicio de minha recuperação. Claro. Em muitos casos. nem todas as necessidades adicionais de nossos membros são relacionados à doença da adicção. nossa saúde sofreu danos irreparáveis devido ao uso de drogas ou nos colocarmos em situações de risco para alimentarmos nossa adicção. Mas quando comecei a trabalhar com um companheiro que tinha lesão cerebral devido a um acidente de motocicleta. eu pedia a meus afilhados fizessem o que meu padrinho fazia comigo. e os resultados de acidentes e doenças. mas ele o faria – mesmo se não conseguisse entender aquilo 245 .conosco em recuperação. temos que lidar com os mesmos desafios físicos que afetam a população geral: deficiências físicas e problemas congênitos. Se eu pedisse que ele escrevesse uma pagina sobre algum tópico.

tive que começar a tomar um medicamento para uma doença que contraí como resultado direto de minha adicção. Na verdade. e eu dormia umas doze horas por dia. Só faltei em 246 . Foram pacientes e compreensivas do fato que eu não poderia estar disponível tanto quanto estive no passado. “Cinco anos atrás. Minhas afilhadas realmente me ajudaram em meu momento de necessidade. indo ao médico comigo. Os efeitos colaterais eram horríveis. Acabou com minha energia. Então agora falamos muito sobre os passos e como ele pode aplicá-los em sua vida diária”.que tinha acabado de escrever. estavam disponíveis para mim: fazendo tarefas para mim. etc. me levando a reuniões. me dando injeções quando precisava.

muitos de nós vivemos tempo suficiente para encararmos problemas de saúde que vêm com o passar dos anos. Como adictos em recuperação. aceitação. temos crescido em NA. à situação pela qual estava passando. Com a ajuda de nossos padrinhos e o apoio de nossos afilhados. minha madrinha foi incrível. Realmente me mostrou que isso é um programa ‘nós’. Mais e mais de nossos membros estão acumulando tempo limpo no programa. e falávamos por horas. Nunca esquecerei a amizade e amor que me foi mostrado durante um dos momentos mais difíceis de minha recuperação”. especialmente gratidão. e humildade. fazemos as mudanças possíveis e aceitamos o que precisamos 247 .três reuniões do meu grupo de escolha aquele ano inteiro. E. e agora estamos envelhecendo. Ela me ligava todos os dias. Ela me encorajou e me ajudou a aplicar os princípios do programa.

Às vezes somos forçados a pedir ajuda. descobri que já que ele foi ficando mais velho. perguntei aonde íamos.. indo a reuniões comigo. Achei que ele realmente amava ficar comigo. Ele continuou me dando tempo toda semana. A resposta dele foi ‘O consultório do meu medico’. e crescemos e prosperamos como resultado. Estava muito animado. Quando cheguei a sua casa aquela manha. dirigindo. “Uma das coisas que queria de um padrinho era alguém que me daria algum tempo toda semana. sabendo que ia ser algum lugar muito espiritual. Meu padrinho disse ‘Sem problemas.aceitar. apesar da diferença de 40 anos em nossas idades. Esteja aqui sábado de manha.. já não gostava mais tanto de dirigir. Graças a Deus ele precisava de mim para ajudá-lo porque me deu 248 .

e às vezes evitaremos escrever os passos. “Fui madrinha de uma mulher que lia muito pouco. eu lia. parando para explicar o que significavam as frases. me falava quando não tinha entendido. Muitos de nós não escrevemos bem. ela me fazia perguntas. podemos nos sentir inadequados. Uma vez que ela começou a confiar mais em mim. ou podemos ter dificuldades para ler. e tentava ler em voz alta para mim.tanto tempo com ele e tornou nosso relacionamento incrível. No inicio. Como resultado. Eu a encorajei-a e desafiei-a a escrever sobre 249 . com compreensão limitada do material. etc. palavras e parágrafos. Nos encontrávamos cinco ou seis vezes por mês para ler os passos. Fui dado a oportunidade de ajudar alguém que tem me dado muito”.

Por uma variedade de razões. e me ajudou a aumentar minha compreensão deles. desenhar símbolos ou figuras. Ela deixou a fita no meu trabalho.cada passo. Se apadrinhamos membros com necessidades adicionais. ouvimos a fita juntas. podemos ajudá-los a perceber o que o NA tem a oferecer. Então. parando para que ela partilhasse o que ela sentia ao longo do processo. alguns de nós lutamos com completar tarefas diárias que são fáceis e naturais para outros. Isso foi para mim uma renovação dos passos. e 250 . tolerância e auto estima foram levantados. Minha paciência. mas eu não quis ouvir desta maneira. Muitas de nossas reuniões têm acesso para cadeiras de rodas. qualquer coisa para conseguir fazê-lo. Após o Terceiro Passo concordamos que ela tentaria gravar o Quarto. e ela estava florescendo em sua nova vida”.

Ele digitava para um operador que lia a mensagem para mim. Eu tinha dificuldade 251 . Enquanto muitos membros acreditam que a melhor maneira de fazer os passos é por escrito. Um dos pacientes tinha vindo de outro estado para se tratar. e normalmente nos comunicavam através de um sistema de intermédio. não há nenhuma regra rígida que se encaixe para todos os membros da irmandade.algumas têm até interpretes para aqueles com dificuldades auditivas. Isso foi bem antes de e-mail e chats online. Podemos ainda trabalhar os passos com afilhados simplesmente com partilha individual. e eu me tornei seu padrinho temporário enquanto morasse lá. Há um número de versões áudio dos textos de NA e panfletos assim como literatura em Braille e fonte grande. “Morava em uma cidade onde havia um centro de tratamento de longo prazo que se especializava em tratar adictos surdos.

Tinha sido um servidor em Narcóticos Anônimos por décadas e estava no serviço mundial ha anos. Me vi fisicamente dependente de outros para fazer minhas tarefas diárias. tive uma serie de doenças debilitantes.com o esquema no inicio. Podia me identificar com o nível de boa vontade dele. Amava servir em todos os níveis. e começamos a falar mais livremente após o despertar por minha parte”. e isso me endireitou rapidinho. Eu era sempre a pessoa que estava a disposição para ajudar os outros. pois ficava um pouco envergonhado com alguns dos detalhes pessoais que ele estava revelando a um estranho (o operador). mas ai tudo 252 . Ele me explicou que isso e o que ele precisava para ficar limpo. Isso foi uma reversão total para mim. “Alguns anos atrás.

Como afilhados e padrinhos. especialmente com meu Poder Superior”. padrinho. usando os meios possíveis. Sempre foi mais fácil para mim. Independente dos desafios que nos confrontam. Uma das maiores dádivas da minha doença e que deu a meus afilhados.mudou. Tive que me render ao fato de que eu tinha que praticar o que tinha aprendido a respeito do principio espiritual de receber. a oportunidade de me ajudarem. é nossa responsabilidade trabalharmos os passos da melhor maneira possível. encontraremos uma maneira de trabalharmos juntos. família e amigos. Prisões e instituições 253 . Como resultado. se tivermos boa vontade para fazermos um esforço. dar do que receber. tenho experimentado um sentido mais profundo de amor e intimidade nos meus relacionamentos.

Ambos os membros terão que manter a mente muito aberta e ter boa vontade excepcional para que esse relacionamento seja eficaz.Estar num relacionamento de apadrinhamento enquanto preso. talvez não possamos ver nosso afilhado padrinho regularmente. teremos que levar em conta as regras do local e como essas regras afetarão nossa habilidade de comunicarmos com alguém “dentro”. só estava limpo há 11 dias. “Quando fui preso. oferece um grupo diferente de desafios. A necessidade de manter o foco na recuperação e trabalhar os passos será especialmente importante durante esse tempo. quer seja nosso afilhado ou padrinho que está na instituição. Dependendo da situação específica. Pode funcionar como apadrinhamento à distância. Nunca 254 . Se nosso padrinho ou afilhado está encarcerado. Talvez tenhamos que depender de comunicação via telefone ou cartas. e funciona. mas pode funcionar. num centro de tratamento ou outra instituição na qual está confinado.

e ele concordou em se corresponder comigo. Acredito que estar limpo e ter alguma experiência em NA naquela época foram grandes dádivas naquela época. Não queria mais carregar aquelas coisas comigo mais. mas quando o vi comecei a chorar – na frente de todos. Li o Texto Básico de capa a capa e comecei o Quarto Passo. Havia uma reunião de NA que vinha a cada duas semanas para a cadeia onde eu estava. como eu estava feliz em vê-lo! Eu era o traficante durão. Acabei fazendo meu Quinto Passo com um ministro porque o meu padrinho só podia me visitar 255 . e ele me ajudou a começar os passos. Nos escrevemos algumas vezes. Conhecia um dos caras porque tínhamos nos conhecido em reuniões antes de eu ser preso. pedi para ele ser meu padrinho. Puxa.saberei se eu teria ficado limpo se não tivesse sido preso. mas gosto de pensar que sim. Em todo caso.

cumpri minha pena e sai. Pude ficar limpo durante esse tempo através do trabalho dos Doze Passos e mantendo contato com meu grupo de apoio em NA pelo correio e os orelhões. Hoje. e eu tive a benção de poder apadrinhar quatro outros companheiros presos.durante a reunião de NA marcada. Eu sempre os encorajo a arrumarem um padrinho e começarem a trabalhar os passos assim que saem. estava limpo antes de ser preso. fui trancado em uma instituição por mais de três anos. Eu pude continuar meu relacionamento de apadrinhamento não só com 256 . um que. Com o tempo. O tempo passou. às vezes sou chamado para a Unidade de Tratamento Intensivo da cadeia. “Com 17 anos limpo. para ouvir o Quinto Passo de algum cara que vai sair. É o que funcionou para mim”. como eu.

mas dentro também. Adicionalmente. algumas facilidades têm regras rígidas que devemos seguir se vamos apadrinhar alguém lá.alguns membros fora das paredes da instituição. tem sido minha verdade em todos esses anos”. instituições. com certeza. Devemos estar atentos para o impacto que a instituição pode ter em nosso relacionamento de apadrinhamento. Em algumas partes do mundo. centros de tratamento e fóruns. Que presente! É dito em NA que ‘nunca mais precisamos estar sós’ e isso. obrigam adictos a passarem uma certa quantia de tempo com padrinhos e trabalharem os passos de uma determinada forma. Nossa visão e experiência de 257 . Apadrinhar um membro em uma instituição pode tomar muito de nosso tempo e energia. Apesar de a maioria dos comitês de serviço pedirem que não apadrinhemos membros de uma instituição enquanto servindo no painel. alguns de nós têm encontrado afilhados ou padrinhos em tais situações.

Tenho apadrinhado pessoas em tratamento antes. mas essa foi provavelmente a experiência mais maravilhosa de todas para mim. Enquanto não queremos abandonar nosso afilhado. devemos aprender sobre os requerimentos do local para podermos tomar uma decisão informada. “Recentemente tive o privilegio de amadrinhar uma companheira internada.trabalhar os passos pode ser diferente de como a instituição direciona nosso afilhado. Antes de concordar em apadrinhar alguém na prisão ou outra instituição. os regulamentos que muitas instituições têm podem ser muito inflexíveis ou até conflitantes com nossa visão do programa. e devemos pensar honestamente sobre nossa capacidade de apadrinhar alguém nessas circunstâncias. Ela me disse que o centro de tratamento requeria que eu a pegasse 258 . Dessa forma. poderemos assegurar que nossa decisão beneficiará da melhor forma nosso afilhado ou afilhada.

e baseado nas expectativas das duas. Ela disse que entendia que eu tinha outros compromissos. 259 . davam-lhes dinheiro e deixavam os internos ficarem em suas casas nos finais de semana.uma vez por semana para ir a uma reunião de que trabalhássemos os passos juntas. outros compromissos de serviço. Fui apresentada. Ela fez bico. Ela sutilmente me indicava que os ‘outros padrinhos’ levavam os afilhados para jantar fora. concordamos em trabalhar juntas. Eu fiquei ressentida. e trabalhava mais que 40 horas por semana. ficou claro que ela tinha expectativas diferentes de mim do que concordamos inicialmente. Porém. Expliquei que eu tinha uma família. Eu disse que não poderia ter esses tipos de obrigações. uma vez que começamos a trabalhar juntas.

mais uma vez. apadrinhando mulheres lá. “Eu passei por um centro de tratamento quando fiquei limpa. Acho extremamente difícil às vezes. 260 . Durante esses tempos. e tento ajudar. podemos precisar mais do que nunca de um padrinho. cirurgia ou lesão. e hoje sinto que tenho muito a oferecer para alguém que e novo”. por que o centro tem muitas regras rígidas com as quais nem sempre concordo. Apesar disso. Isso tem sempre sido meio difícil para mim. Doença em recuperação Às vezes em nossa recuperação. a oportunidade de trabalhar minhas tendências a agradar as pessoas. Tinha que deixá-la ficar brava comigo por não atender aos seus desejos”. temos que manter nosso tempo limpo em face de doença. percebo que a idéia e ajudar o recém chegado.

Nossas condições médicas podem requerer que tomemos remédios que podem causar vontade de usar. e precisamos partilhar sobre nossas dificuldades de saúde com nosso padrinho e membros em quem confiamos. Muitos membros recaíram por não seguirem as sugestões de seu médico. Já que a adicção não diferencia entre usar e tomar medicamentos para tratar dor ou doença. Precisamos informar nossos médicos sobre nossa doença da adicção para que somos tratados de forma apropriada. Nossa recuperação é nossa responsabilidade. e nossa recuperação pode estar em perigo. pedir ajuda ao seu padrinho. “Graças a Deus por meu padrinho e NA. e durante esse tempo tive que 261 . Qualquer que seja a causa. ou prestar atenção aos sinais de uma ameaça que acordou – sua adicção.Devemos lembrar que doença e dor não são desculpas para usar. Somos particularmente vulneráveis durante esse tempo. devemos no manter vigilantes com nosso programa. Estou limpo ha mais de 25 anos. trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a aceitar que isso faz parte de viver a vida.

Alguns 262 . antes de ter que passar por algum procedimento médico que requer o uso de medicamentos. Fui ensinado cedo em recuperação que minha doença não sabe a diferença entre usar remédio para dor ‘real’ e usar remédio por causa de pensamentos adictivos. Toda vez. Já vi muitos companheiros adictos com tempo limpo variado começarem a usar de novo como resultado de subestimar o poder dessa doença”. eu lia o folheto Em Tempos de Doença. Rezava e meditava.passar por várias cirurgias. Procuramos nosso Poder Superior para nos apoiar e continuamos praticando nosso programa espiritual. e mais importante. deixava meu padrinho e meu grupo de apoio em NA saber que estava tomando remédio para que eles pudessem ajudar a monitorar meu uso durante esse período critico.

trabalho dos 263 . “Com oito anos limpo. Tinha medo de recaída. Se precisarmos tomar algum medicamento. e o que minha família de NA iria pensar. nos matemos próximos a nosso padrinho e rede de apoio. Alguns dos meus medos foram realizados – fui severamente julgado por alguns membros e alguns fofocaram sobre mim – mas eu não recaí.membros da irmandade podem ser julgadores a respeito de outros membros tomando remédios. me vi em uma situação que necessitava o uso de medicamentos. Coletamos tanta informação quanto possível para que possamos tomar a melhor decisão para nossa saúde. Estava com muito medo. e queremos nos assegurar que isso não nos desvia do que precisamos tomar para tomar conta de nós mesmos. e mantive minha recuperação através de oração. fofoca. Tomei meu remédio conforme ele me foi prescrito. partilhando nossos medos e dor.

Nossos afilhados podem pedir ajuda de diversas formas. Talvez nosso afilhado vai precisar falar conosco com maior freqüência. precisamos tratar cada situação individualmente. tudo estará bem. Graças a Deus por apadrinhamento”. Como padrinhos. e mantermos em mente que o que funciona para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra. e falando sobre minha situação com meu padrinho. Hoje. indo a reuniões. pude tomar uma decisão informada a respeito de minha saúde.passos. Com a orientação de um Poder Superior e um médico maravilhoso que sabe que sou adicto. Afilhados com doenças crônicas podem precisar nosso apoio 264 . Me senti seguro no conhecimento de que se eu mantiver minha recuperação aberta e honesta. oferecendo nossa experiência força e esperança. continuo minha jornada de recuperação com mais de 13 anos de tempo limpo ininterrupto.

“Um ano atrás. O valor de um adicto ajudando a outro é como funciona nosso programa. minha madrinha teve que fazer cirurgia cerebral. Não temos que passar por isso sozinhos. imediatamente achei alguém que admirava e pedi que ela me amadrinhasse.enquanto mantém a saúde que têm e encaram a perspectiva de morte. pude apoiar – com amor e gratidão – minha madrinha. Se for nosso padrinho quem está doente. Os sintomas de doença mental são sutis às vezes. uma mulher que sempre acreditei que me apoiou e me apóia”. Após a cirurgia. já que minha madrinha estava doente. e estar em um relacionamento de apadrinhamento com alguém diagnosticado com doença 265 . talvez tenhamos que pedir ajuda extra enquanto tentamos apoiar nosso padrinho em qualquer forma que pudermos. Uma vez que cuidei do que eu precisava fazer no meu programa.

a encontrarem equilíbrio em suas vidas. parte do que podemos fazer como padrinhos é ajudar nossos afilhados que convivem com doenças mentais. irá ajudar cada um de nós em nossa recuperação. Focar o trabalho dos passos. não somos terapeutas. tenho gratidão pela oportunidade de poder apadrinhar outros que também convivem com doença mental. “Como adicto em recuperação com uma doença mental.mental pode ser desafiador. como padrinhos. Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. Mas preciso lembrar que meu papel como padrinho é ajudar aos outros a aplicarem os Doze Passos em todas as áreas de suas vidas. mesmo quando a adicção não é nossa única doença. em conjunto com seu tratamento médico prescrito. psiquiatras ou psicólogos. Pode haver 266 . Devemos nos manter vigilantes para nos resguardarmos contra qualquer confusão de papéis que podem emergir no nosso relacionamento.

Os princípios de honestidade. mente aberta e boa vontade são essenciais à recuperação para meus afilhados e para mim”. “Nunca tive uma opinião a respeito de medicamentos ou terapia e como eles se relacionam com trabalhar os programa de NA. tive que admitir que ela tinha que buscar ajuda externa devido a sua inabilidade de se concentrar. o melhor que ela pode.áreas nas quais a doença mental nos limita. Hoje ela consegue se manter focada em viver e trabalhar o programa. Minha afilhada tinha a mente aberta e aceitou a sugestão. quando comecei a amadrinhar uma mulher com uma doença mental. Já se passaram onze anos e ela vive uma vida 267 . mas podemos nos recuperar se praticarmos esses princípios o melhor que pudermos. Porém.

absolutamente fabulosa, da maneira de NA”. “Um dos desafios no apadrinhamento para mim tem sido apadrinhar pessoas que convivem com doença mental. Às vezes eles se sentem com se não pertencessem. Uso o panfleto Em Tempos de Doença e lhes lembro da Terceira Tradição – que o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Quero fazer meu melhor para que eles sintam que pertencem, que não são separados da irmandade”. O tratamento de outras doenças além da doença da adicção é além do alcance do que Narcóticos Anônimos pode lidar. Como padrinhos, somos adictos em recuperação, não profissionais. Se, por acaso, formos um profissional de saúde física ou mental, como padrinho nosso papel não é receitar ou desencorajar tratamento médico de qualquer tipo.

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“Quando tomei a decisão de tomar remédio para minha depressão, também tomei a decisão de mudar de madrinha, pois minha madrinha na época não acreditava em tomar antidepressivos. Passei os primeiros quatro anos e meio de minha recuperação lutando com a depressão e imaginei que se fosse a um numero suficiente de reuniões, fizesse serviço o suficiente, e trabalhasse arduamente os passos, passaria. Finalmente tive que me render ao fato de que isso não era algo que eu podia controlar, que levou à pergunta “Como quero viver minha vida?’ No final, sou eu quem precisa conviver comigo, e precisava me sentir apoiada o suficiente para me sentir segura com minha decisão”. “Uma de minhas afilhadas regularmente se
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desestabiliza, e preciso constantemente lembrá-la de tomar seu remédio. Preciso lembrá-la do que pode acontecer se ela parar de tomar seus remédios – zanzando por ai sem propósito, não me ligando ou indo a reuniões, e eventualmente usando de novo. Passamos por esse ciclo muitas vezes e é muito difícil mas eu a amo e quero ajudá-la a melhorar. Uma vez que ela se estabiliza, ela começa a me ligar de novo, vai a reuniões e trabalha os passos de novo”. Em tempos críticos dentro de nosso relacionamento de apadrinhamento Às vezes temos uma crise em nossos relacionamentos de apadrinhamento, como morte, recaída, quebra de anonimato, ou abuso. Há muitas razões pelas quais nosso relacionamento pode ter problemas. No entanto, lidamos com essas situações conforme elas acontecem e fazemos o que podemos para alcançar uma solução.
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Aceitamos uns aos outros como adictos caminhando na mesma estrada em busca de recuperação, sabendo que tudo que temos a oferecer ao outro é nossa experiência, força e esperança.

A realidade da recaída Não importa quanto tempo estamos limpos, recaída é uma possibilidade. Enquanto muitos de nós lutamos com diversas manifestações de nossa adicção, não podemos nunca esquecer que o sintoma mais destrutivo de nossa doença sempre será o uso de drogas. Assistir a um membro e companheiro mergulhar na insanidade da adicção ativa pode partir nosso coração. Podemos nos sentir abandonados ou inseguros, especialmente se a pessoa que recaiu é nosso padrinho ou afilhado. Independente de nossos sentimentos, precisamos nos esforçar para oferecermos nosso amor incondicional e dar as boas-vindas ao nosso padrinho ou afilhado se ele ou ela voltar à irmandade. Enquanto a dinâmica de nosso
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relacionamento de apadrinhamento será sem dúvida afetada por uma recaída, podemos encontrar meios de dar nosso apoio através dos princípios que aprendemos em NA. Infelizmente, nem todos voltam depois de uma recaída. Alguns morrem; outros continuam vivendo, perdidos nos horrores da adicção ativa. “O maior desafio que tive que encarar desde que entrei em recuperação foi quando meu padrinho recaiu e largou a comunidade de NA. Eu, é claro, levei isso para o lado pessoal e comecei a me perguntar o que é que eu tinha sido ensinado. Me vi duvidando e analisando quase tudo que eu fazia. Tinha que lidar com o sentimento de abandono e falta de confiança. Sei que meu padrinho é apenas humano, mas ainda me amedrontou muito. Depois de alguns anos, e muito apoio de amigos e gente em NA,
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ainda estou limpo. Finalmente achei um padrinho novo, também. Ainda tenho um pouco de raiva, mas estou mais forte hoje”. “Após estar no mesmo relacionamento de apadrinhamento pelos últimos dez anos, liguei para meu padrinho e perguntei se ele trocaria minha ficha de dez anos. Percebi que ele tinha usado. O processo de luto daquele relacionamento foi muito difícil. A tristeza, raiva, e medo foram difíceis de lidar. Mas o mais difícil foi ir buscá-lo no hospital de desintoxicação e levá-lo a uma reunião. O que eu queria fazer era chutá-lo por ter me abandonado. Uma vez que tirei meus sentimentos egoístas do caminho, com a ajuda do meu Poder Superior pude ajudá-lo como a qualquer recém chegado, com amor,

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compaixão – e eu o levei àquela reunião!” Não precisamos abandonar nosso padrinho ou madrinha se eles voltarem a NA após uma recaída. Podemos lutar com nossos sentimentos que como padrinhos dissemos ou fizemos algo que levou nosso afilhado a recair. Mas enquanto tentamos ter alguma influência sobre aqueles que tentamos ajudar. Talvez sentimos que não encorajamos bastante o trabalho com os passos ou que não estivemos tão disponíveis quanto “deveríamos” estar. não podemos permanecer na negação sobre a escolha feita por essa pessoa. ou não oferecemos apoio o suficiente. mas o relacionamento de apadrinhamento tem maior chance de ser reconstruído se nosso afilhado sobrevive e retorna. precisamos lembrar que no final. e provavelmente iremos querer procurar outro membro para ser nosso padrinho ou madrinha. ou podemos acreditar que não dissemos ou fizemos o suficiente. A recaída de um afilhado é diferente. Porém. somos impotentes perante nosso afilhado e a adicção de 274 . A lista de “deveríamos” e “não deveríamos” pode ser interminável. Podemos sentir a mesma dor se nosso padrinho recair.

Cada um de nós é responsável por sua própria recuperação – e a de mais ninguém. “Fiquei realmente devastada quando descobri que minha afilhada tinha recaído.nosso afilhado. Não estava lembrando a sobre seu trabalho com os passos. e ela não estava me ligando tão freqüentemente. mas provou ser uma lição muito valiosa para mim. Olhando hoje. Veja. Eu nem percebi que ela tinha recaído ate que ela me contou. que demorou mais de um ano. Minha recuperação foi realmente 275 . Nos duas nos tornamos muito confortáveis em nossas vidas. é como se tudo tivesse acontecido em câmera lenta. e ficamos um pouco complacente. achei que ela tinha uma compreensão de como trabalhar o programa. A recaída de nosso afilhado não é nem nossa culpa nem responsabilidade. ela tinha algum tempo em recuperação.

Como resultado. É mais como se eu não tivesse prestado atenção. A forma que cada um de nós. uma escolha individual. e faço tempo para ouvir e me abrir com maior freqüência. Hoje. Estava tão absorvida em minha própria vida que achei que a recuperação dela estava meio garantida. sempre pergunto as minhas afilhadas como estão nos passos. Antes de falar com nosso afilhado sobre se devemos continuar ou não nosso relacionamento de apadrinhamento. Não e que senti como se tivesse feito algo de errado. devo estar presente e disponível se esse conceito vai funcionar. lida com a recaída de um afilhado é. Hoje acredito que sou uma madrinha melhor”. Porem. como padrinhos.afetada. novamente. ou tomar qualquer 276 . tenho aprendido que o valor de um adicto ajudando outro realmente não tem igual.

podemos querer partilhar nossos sentimentos com nosso afilhado. ou pior. Ele não trabalhava os passos nem aceitava sugestões. Às vezes ele estava tão chapado que não conseguíamos falar.decisão. Ele dobrava sua dose. e precisamos partilhá-las tão honestamente quanto possível com nosso padrinho ou outro membro em quem confiamos. como padrinho ou afilhado. “Apadrinhei um companheiro que estava tomando remédio para dor. podemos querer excluílos de nossas vidas. e aí começou a usar outras 277 . Ele ficava ignorado minhas sugestões de procurar por supervisão médica qualificada. Naturalmente. Um dos piores sentimentos que podemos experimentar após voltar de uma recaída. especialmente quando se sentia emocionalmente estressado. Essas emoções são naturais. Seu comportamento se tornou evasivo e adictivo. é rejeição. Podemos querer abrir mão de nosso afilhado. muitos de nós sentirão raiva e frustração ou se sentirão traídos.

drogas. Ao longo de tudo isso. ou parou de freqüentar reuniões regularmente? A recuperação estava no centro de sua vida? Podemos querer direcionar nosso afilhado ou afilhada de volta aos básicos da recuperação – 90 reuniões em 90 dias. nos ligar regularmente. pois ele se recusava a aceitar minhas sugestões e estava negando seu uso de drogas. Finalmente disse que não poderia mais apadrinhá-lo. Alguns membros sugerem que seus afilhados deverão desintoxicar 278 . ele ainda esperava que eu o apadrinhasse. provavelmente vamos querer conversar com nosso afilhado sobre o que aconteceu. Ele ou ela tinha reservas. Se escolhermos permanecer como padrinho ou madrinha. se possível. ou podemos escolher recomendar um ritmo mais lento. mesmo se recusando a abrir isso na sala. Suas ações tinham falado”. Podemos sugerir que nosso afilhado comece a trabalhar o Primeiro Passo imediatamente. e partilhar honesta e abertamente sobre a experiência da recaída. voltou a freqüentar lugares de ativa.

Fazemos o melhor que podemos para aceitar e apoiar sua decisão. Claro. desesperada. Nunca larguei essa mulher como afilhada. e pode alcançar os fins previsíveis: prisões. Enquanto ela 279 . instituições e morte. Mas não era. Com cada recaída ela me assegurava que ‘dessa vez vai ser diferente’. ela me ligava. “Tinha uma afilhada que passou por uma série de recaídas. há sempre a chance que o afilhado não voltará ao programa. pois ela dizia que queria ficar limpa. pedindo ajuda e sugestões. Nosso afilhado pode decidir que a melhor coisa para sua recuperação é achar outro padrinho.primeiro. Quando ela começava a passar pela abstinência. só queria um salva-vidas. Precisamos deixar os resultados dos esforços de nossos afilhados aos cuidados de um Poder Superior. Estava terrivelmente confusa. e não queria mudar. Nossa orientação provavelmente dependerá da situação.

recaímos? Orgulho e ego podem ser fatais e freqüentemente nos impedem de voltar a NA e permanecer em recuperação. não podemos nos melhorar se não encararmos a realidade de nossa recaída. compreendo que ela teria morrido não importando o que qualquer pessoa tivesse feito”. Porém. Podemos nos sentir totalmente devastados por termos usado. É nas reuniões de Narcóticos Anônimos que mais provavelmente encontraremos alívio dos danos que nossa recaída nos causou. mas não podemos nos dar ao luxo de deixar isso impedir nossa volta às reuniões. Tinha uma sensação terrível sobre essa companheira porque parte de mim sentiu como se tinha a falhado deixando-a fazer de conta que eu era sua madrinha. como padrinhos. quando na realidade ela não queria o que eu tinha. Ele finalmente morreu de overdose. Hoje. graças a Deus.sem considerava membro eu senti um dever de ajudá-la. O que acontece se nós. Podemos nos sentir envergonhados 280 .

algumas há anos. mas quando admitimos que recaímos. “Recai após 15 anos limpo em Narcóticos Anônimos e acabei numa clínica de tratamento. uma mulher partilhando estava celebrando dez anos limpa. raiva e medo que estavam sentindo. entendi que as muitas mulheres que eu tinha apadrinhado. Quando vi as três maravilhadas por causa dos relacionamentos e o amor que partilhavam. e uma mulher na reunião era madrinha de uma e afilhada de outra. Naquele momento senti a terrível dor de como o 281 . Enquanto estava internada. e também falar a respeito da dor. a coordenadora tinha um ano limpa. trouxeram uma reunião à clinica.sobre o que aconteceu. Uma noite. estavam tendo que partilhar que sua madrinha tinha recaído. somos dados uma nova chance para nos recuperarmos. confusão.

me senti desesperançado e desesperado. quando eu sabia que era recém chegado novamente. “Tinha muita raiva comigo por ter recaído. Precisava me cercar de pessoas que me amariam e me fariam aceitar responsabilidade. Porem. e nunca quero me esquecer como me senti péssimo emocionalmente e espiritualmente”. Foi assustador como algumas pessoas ainda me tratavam como se nunca tivesse recaído. Meu padrinho foi uma dessas pessoas. Estava cheio de ódio e me senti falhado. 282 . Ele me levou para tomar sorvete uma noite depois de uma reunião. não foi conseqüências físicas. pelo menos para mim. O problema.egocentrismo por trás de minhas escolhas tinha afetado tantas pessoas que eu amava”. Estou de volta (e limpo) há mais de 17 anos.

Mas imediatamente meu telefone começou a tocar diariamente com ligações de meus afilhados. no mínimo. se não é esperada como no caso de uma doença terminal. “Com vinte anos limpo. meu padrinho de 16 anos morreu subitamente de forma trágica. O choque.Lidando com a morte O que acontece se nosso padrinho ou afilhado morre? Perder alguém com quem temos desenvolvido um relacionamento tão profundo e amoroso é chocante. perguntando como estava. Como começamos a construir um relacionamento com outro membro como padrinho ou afilhado após passar por tamanha perda? Às vezes parece impossível que novamente poderemos encontrar uma pessoa especial para amarmos e em quem confiaremos. Essa reversão de 283 . a tristeza e a confusão emocional que senti foram incríveis. e no entanto. Sabemos que a morte é inevitável. sempre parece vir como surpresa.

Se for nosso padrinho quem morre.papéis teve um impacto positivo em minha habilidade de trabalhar esse período difícil”. que morreu num acidente de carro enquanto levava um recém chegado para casa após uma reunião em seu grupo de escolha. devemos compreender a importância de achar outra pessoa para ser nosso padrinho. Tinha o apadrinhado por mais de sete anos e o conheci desde seu primeiro dia limpo. Podemos honrar a memória de nosso padrinho ficando limpos a continuando a partilhar o que temos aprendido com aqueles a quem apadrinhamos. Nosso relacionamento cresceu até um nível profundo de 284 . A perda que sentimos com a morte de nosso padrinho ou afilhado pode ser avassaladora. e sempre levaremos o espírito dele ou dela em nossos corações. mas descobrimos que a vida continua. “Tinha um afilhado com 14 anos limpo.

Acredito que nosso relacionamento pessoal com Deus. trabalho de Décimo Segundo Passo. 285 . que nosso trabalho juntos estava nos ajudando a lidar com essa situação. Ele morreu limpo e levando a mensagem Que legado”. Ele me disse no dia que faleceu que eu tinha sido preparado para sua morte através do trabalho com os Doze Passos. Ele me apadrinhou até meu sexto ano antes de adoecer e falecer.confiança e admiração mútua. me senti muito triste. mas também honrado por ter experimentado as dádivas de ser o padrinho desse homem e amigo ao longo dos anos. Quando ajudei a carregar seu caixão no enterro. “Meu primeiro padrinho me pegou como afilhado quando tinha menos de 90 dias limpo. e envolvimento com a irmandade nos prepara para recaída ou doença em recuperação”.

Não podemos nos dar ao luxo de deixar que o luto nos remova os benefícios de apadrinharmos e sermos apadrinhados. partilhar nossos sentimentos de luto e perda com outros adictos em recuperação pode ajudar. podemos eventualmente encontrar aceitação e começarmos a ir em frente com nossas vidas de novo. assim com quando qualquer um querido por nós morre. Com a ajuda do tempo e os princípios espirituais do programa. sabendo que os 286 . Alguns de nós buscamos ajuda profissional para conciliarmos os sentimentos de raiva e impotência. Para alguns de nós. queremos fazer tudo o que pudermos para continuar conectados à recuperação. Quebras de confidência Requer muita coragem para conseguirmos começar a confiar em alguém. leva anos trabalhando com um padrinho para estabelecer aquele elo especial para nos sentirmos seguros.Quando nosso padrinho ou afilhado morre. Não importa o tamanho de nossa dor ou perda. Como decidimos trabalhar nossos sentimentos é nossa escolha.

“Como padrinho sei que minha responsabilidade para com meus afilhados é manter suas confidências e sua confiança. mas morrem à luz da 287 . Durante esses momentos devemos procurar conselhos de outros e orientação de nosso Poder Superior. Em casos extremos. Mas pode haver vezes nas quais nossas confidências são quebradas ou vezes que temos dúvidas sobre manter uma confidência ou não. alguns de nós somos confrontados com acontecimentos que nos fazem pensar que não manter a confidência pode ser a ação mais ética a tomar. mas no final devemos tomar uma decisão pessoal a respeito do que fazer.segredos que partilhamos permanecerão entre nós e nosso padrinho. Lutei com isso quando um de meus afilhados partilhou comigo que estava tendo um caso com a esposa de outro dos meus afilhados! Lembrei ao meu afilhado que o Texto Básico diz que nossos defeitos crescem no escuro.

devemos ter certeza que a fonte da fofoca foi realmente nosso padrinho ou afilhado. rezasse.exposição. Falei com ele a 288 . e depois tomasse sua própria decisão sobre o que achava que deveria fazer e com o que sua consciência pudesse lidar”. e muito bravo. Se agirmos somente com suspeitas antes de sabermos todos os fatos. podemos causar mais danos e ferir nosso padrinho ou afilhado desnecessariamente. Termos nossa confidência quebrada por ouvir nosso segredo partilhado por alguém que não é nosso padrinho ou afilhado pode der devastador. Ofereci orientação. mas não tentei tomar nenhuma decisão ou ditar um resultado a ele. Sugeri que ele escrevesse. meditasse. E agora? Antes de tomarmos conclusões. “Ficava ouvindo coisas em meu grupo de apoio que eu tinha especificamente pedido que meu padrinho não repetisse. Podemos nos sentir violados e traídos. Fiquei chateado.

Falamos e choramos juntos. “Estava apadrinhando alguém que me contou sobre um assunto de saúde muito 289 . mais do que qualquer coisa. Finalmente. Amava meu padrinho muito e tinha confiado nele sem questionar. Abri mão dele e arrumei um padrinho novo. Foi uma das coisas mais difíceis que tive que fazer. Confiar em alguém é um presente. após um amigo querido disse que se sentiu ferido por algo que eu tinha partilhado exclusivamente com meu padrinho. mas não confio mais nele. Isso continuou por alguns anos. larguei meu padrinho. Era como se ele não me levasse a sério. Acho que isso.respeito dessas coisas e ele sempre negou ter contado a outra pessoa. Ainda somos amigos. é o que me deixa mais triste”. Eu lhe dei esse presente e ele escolheu jogá-lo fora. Me senti traído. mas eu fiquei firme.

Precisamos encarar o assunto de forma orientada para a recuperação. Ainda é difícil saber como lidar com isso porque meu padrinho é como se fosse o pai ou irmão mais velho em nossa comunidade de NA.sensível que o preocupava. mesmo tendo traído minha confiança. ouvi meu padrinho perguntar para meu afilhado sobre a condição. e acredito que seu interesse nos outros é apenas manifestação de gentileza. Já que não tinha certeza como lidar com isso. para meu horror. pois ele continua me dando estabilidade de outras formas”. Ele ajudou a estabelecer NA no meu país. Alguns de nós vamos escolher terminar o 290 . perguntei a meu padrinho. Isso magoou a mim e a meu afilhado. decidi mantê-lo como padrinho. Alguns dias depois. Não acho que ele mudara sua visão sobre isso. Depois que meu estresse inicial se acalmou.

Falamos sobre nossos sentimentos e tentamos chegar em uma solução favorável para os dois. Fiquei com raiva e magoada. “Minha madrinha partilhou minha informação muito pessoal com uma de minhas irmãs afilhadas. Se nossa confiança foi violada. Freqüentemente nosso relacionamento de apadrinhamento se aprofunda quando encaramos esses obstáculos juntos. Ela imediatamente admitiu que tinha falado sobre meus assuntos e disse que estava profundamente arrependida. Ouvi e confrontei minha madrinha. com amor e compaixão. Podemos não ser capazes de reparar os danos e. percebendo o quão difícil é reconstruir o relacionamento. portanto podemos decidir romper o relacionamento. 291 . atravessando a situação mais fortes e comprometidos. Alguns de nós podemos escolher confrontar nosso padrinho ou afilhado para discutir como restabelecer nosso relacionamento. podemos sentir que não há alternativa.relacionamento imediatamente.

Abuso no relacionamento apadrinhamento de Estar num relacionamento de apadrinhamento abusivo é desmoralizante. e pode comprometer nossa recuperação. agindo dos velhos modos destrutivos. em recuperação. 292 . Perdão tem sido uma ferramenta e princípio espiritual muito poderoso desde então”. podemos às vezes regredir. Acredito que passar por esse incidente anos atrás tornou nosso relacionamento mais profundo e muito mais íntimo. Uma das muitas dádivas que NA nos dá é a habilidade de vivermos com dignidade. Ela disse que não comprometeria minha confiança novamente. Porém. Isso foi há quatro anos. Narcóticos Anônimos nos ensina a amar incondicionalmente e a ajudar outros adictos em recuperação. e ela ainda é minha madrinha.mas estava aliviada que ela tinha sido honesta comigo. mesmo se eu escolhesse ter outra madrinha.

e coisas assim. pintar. e achei que fazer esses trabalhos era tudo o que eu podia dar. Era muito difícil pensar em dizer não ou pedir que ela 293 . Eventualmente começou a parecer que ela estava tirando vantagem de mim. como limpar sua casa. e sempre havia coisas extras a serem feitas.Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. Na adicção ativa. trabalhar no quintal. Ela me pagava para fazer a limpeza. mas parecia que não me pagava uma quantia justa. podemos causar dor e fazer com que um outro adicto sofra. mesmo estando em recuperação. Esses velhos padrões podem tornar difícil. as únicas maneiras que muitos de nós sabíamos nos relacionar com outro ser humano era sendo auto-destrutivos ou abusivos. “Minha primeira madrinha pedia que eu a fizesse favores. Sempre sentia como de tivesse que retribuir. determinar se um relacionamento é sadio. ir à lavanderia.

Foi difícil dizer alguma coisa. ela não me amaria mais. não estava trabalhando na época. e cada vez que penso que uma delas poderia fazer alguma coisa por mim. Agora. podemos nos engajar em comportamentos mais extremos como assédio sexual. e pago-as como pagaria a qualquer outra pessoa”. Senti que cada vez que ela ligasse. apadrinhando mulheres no programa. Dizer coisas que machucam. Me senti presa e ressentida. Era uma situação terrível. Atrapalhar a dignidade e autorespeito de um adicto pode também ser visto como abuso. tinha que ser porque ela queria alguma coisa de mim. faço o melhor que posso para não tirar vantagem delas. Por outro lado. afinal.me pagasse pelas coisas extras. desrespeitam ou são condescendentes pode ser considerado formas sutis de abuso. me lembro de como me sentia. ameaçar de machucar nós mesmos ou a outra pessoa para 294 . Achei que se dissesse não.

No início concordei porque parecia que sua idéia de um Poder Superior funcionava para ele. na forma que rezava. É importante continuar a fazer nosso inventário sobre como o apadrinhamento nos faz sentir. Abuso pode se manifestar de tantas formas diferentes que seria impossível listar todas. 295 . E enquanto algumas formas de abuso são gritantes. ele exigiu que eu acreditasse em suas crenças religiosas. ou assediar alguém verbalmente se as coisas não acontecem como queremos. O que parece abuso para uns pode não parecer para outros. outras não são tão óbvias.atrairmos atenção. Tinha me perdido e queria alguns direcionamentos claros a respeito de como trabalhar o programa. Depois que começamos o Segundo Passo. “Escolhi meu padrinho porque ele era forte e parecia saber o que queria de sua vida. Ele me disse que eu tinha que fazer grandes mudanças na forma que eu compreendia meu Poder Superior.

Foi difícil dizer ao meu padrinho que queria sair de nosso relacionamento. Depois ele me disse que eu teria que me separar de minha esposa se ela não aceitasse suas idéias. especialmente quando ele me disse que minha vida estaria pior como resultado de minha decisão. Levou alguns anos antes que pudesse acreditar que meu Poder Superior cuidaria de mim novamente.e como estava criando meus filhos. Disse que eu iria para o inferno se não fizesse o que ele dizia. e tinha feito um compromisso comigo mesmo de fazer o que meu padrinho mandasse. Estava confuso. Minha fé nas pessoas e no 296 . Finalmente contei para os meus amigos. dizendo que eu deveria mudar de padrinhos novamente. mas me senti encurralado e ameaçado. Queria melhorar. e eles me ofereceram seu apoio.

Alguns anos depois. esse homem fez uma reparação comigo. Ela me disse que eu não poderia usar 297 . Graças a Deus eu tinha meus bons amigos. e bastante tempo para me ajudar a passar por isso. e ela me dizia. meu grupo de escolha. “Acho que às vezes (especialmente quando somos novos ao programa) escolhemos padrinhos que são tão doentes quanto nós ou que irão reforçar nossas dúvidas e ódio próprio. Uma de minhas primeiras madrinhas era assim comigo. Foi bom perdoá-lo e começar a gostar dele de novo”.programa tinha realmente sido abalada. ‘Você está certa. Isso durou mais ou menos um ano – até que eu precisei de cirurgia para remover um osso quebrado do meu pé. você precisa escrever sobre isso e pedir perdão a Deus’. Eu ligaria para ela e choraria que eu era uma pessoa horrível. E eu o faria.

Em retrospecto. mesmo em minha própria escuridão. e passam naturalmente por ciclos. 298 . Através do processo de trabalhar os passos. sabia que algo nessa direção dela estava errado. devemos ter cuidado com o que pedimos!” É hora de mudar? Relacionamentos evoluem. somos dados a habilidade de encarar aquelas dificuldades que às vezes acompanham qualquer relacionamento íntimo. Bom.anestesia geral – que eu teria que usar acupuntura – anestesia é droga e seria igual a usar. Como sempre. vejo que eu a escolhi porque ela não tinha barriga e tinha uma conta corrente em ordem – não porque ela estava espiritualmente saudável ou tinha um bom programa. Devemos alimentá-los se queremos que continuem a crescer. Então liguei para outra mulher com tempo limpa que me ajudou a ver a natureza de meu relacionamento com minha madrinha.

Conforme passamos pelos desafios e decepções da vida. Claro que eu aprendi isso da forma mais difícil! Cedo em recuperação. Achei que de alguma forma ela deveria ser um guru espiritual porque ela estava limpa há alguns anos e parecia ter uma boa conexão com Deus. enquanto trabalhamos com outros em nosso relacionamento de apadrinhamento. família e pessoas em geral. No entanto. me ajudou não só a entrar em 299 . aprendemos a nos relacionar de forma sadia. Acordar à realidade de que ela era apenas uma pessoa foi um choque. Fiquei com raiva e magoada quando eu a vi sendo humana. Ela me ensina sobre aceitação e como permitir que as pessoas sejam humanas. “Minha madrinha me tem ajudado a aprender a não ter tantas expectativas em relação a amigos. tinha colocado minha madrinha num pedestal – contra seus desejos.

contato com sua humanidade. e pode ser a hora de passar para outro. 300 . Simplesmente significa que não está funcionando. há momentos que veremos que simplesmente não está funcionando. Outro padrinho. os horários de trabalho de outro mudaram. tive que mudar de padrinhos por uma variedade de razões. como também a minha”. E a pior situação foi a morte de um homem que apadrinhava muitas pessoas em minha área. “Ao longo de 16 anos em recuperação. tornando contato regular impossível. Mesmo que possamos estar fazendo tudo que podemos para apoiar e contribuir para nossos relacionamentos de apadrinhamento. tinha começado a me tratar como se fosse paciente. um terapeuta profissional. Um padrinho mudou para o outro lado do país. Enquanto cada uma dessas situações. Isso não significa que falhamos.

É maravilhoso quando. Pude dizer. Foi muito difícil dizer isso e não mencionar como 301 . ‘Que fantástico.especialmente a última. NA tem dado a mim e a meus vários padrinhos e afilhados novas vidas. Mudar de padrinhos não precisa ser um sinal de falha. como resultado dessa dádiva. tenho gratidão por elas. Senti um negócio no meu estômago e imediatamente me senti inseguro. nos obrigando a irmos adiante. Fico feliz que você tomou uma decisão positiva para si mesmo’. levantaram sentimentos desagradáveis. “Um afilhado chegou para mim e disse que tinha achado um novo padrinho. pode ser um sinal de sucesso espetacular”. Não fico mais emocional quando um relacionamento como padrinho ou afilhado muda. nossa situação tem mudado. Aprendi em NA que meus sentimentos não precisam ditar minhas ações.

mas diferente”. Muitos de nós temos visto que quanto mais apáticos nos tornamos. Uma vez que nos fechamos e paramos de partilhar honestamente um com o outro. Apatia e mente fechada são obstáculos comuns e podem danificar o relacionamento.estava realmente me sentindo. mas ela se recusava a 302 . como padrinho ou afilhado. construímos muros que podem ser altos demais para serem transpassados. não queria fazer isso. Se não cuidarmos de nosso relacionamento de apadrinhamento. e ela é uma das minhas melhores amigas. Isso foi uma decisão difícil para mim. “Acabei de pedir que uma afilhada achasse uma nova madrinha. Tive um relacionamento de 15 anos com essa pessoa. pode começar a se desintegrar e se tornar nocivo. mas realmente ajudou a nós dois mantermos um relacionamento positivo. mais fácil é sermos desonestos ou termos má vontade.

mas não estávamos no caminho espiritual que experimento como madrinha e afilhada”.trabalhar os passos. O que podemos fazer nesse ponto é examinarmos nossa parte e determinarmos se realmente precisamos terminar o relacionamento ou se podemos consertar as coisas com nosso padrinho ou afilhado. sentimos que nossas necessidades não estão sendo preenchidas ou se como padrinhos não podemos preencher as expectativas de nossos afilhados. Se. Não poderia. Não estamos casados com nossos padrinhos ou afilhados. talvez seja hora de reavaliar nosso relacionamento. éramos amigas. 303 . Apadrinhamento é voluntário. como afilhados. De minha perspectiva. continuar a deixá-la pensar e dizer que eu era sua madrinha. e não precisamos permanecer no relacionamento. no final das contas. e como lidamos com as dificuldades que surgem é nossa decisão. em sã consciência.

que era hora de ir em frente em minha recuperação. “Eu tinha um afilhado que tinha idéias diferentes do que eu sobre como trabalhar o programa e sobre como eu deveria fazer como padrinho. Eventualmente. Se que ele me ama incondicionalmente o suficiente para me ajudar nessa transição”. pude ver que não tem problema buscar crescimento através de mudança. mas ele estava mais interessado em pedir conselhos a respeito de coisas que eu não tinha experimentado. Tentei manter o foco em minha experiência com o trabalho dos passos. Falei do meu coração e tive seu apoio.“Após cinco anos. Quando ele 304 . Tinha que dizer ao homem que ajudou a salvar minha vida e que me ensinou tanto sobre recuperação. ficou claro que meu relacionamento de apadrinhamento tinha se estagnado e não estava funcionando.

mas que seria melhor para ele se ele achasse alguém que estivesse passando pelas mesmas coisas que ele. Até sugeri algumas pessoas me nossa área. fiquei frustrado. Após estarmos confortáveis. para fazê-lo de forma amorosa. eu marquei de encontrar com meu afilhado para tomar um café. Algumas semanas frustrantes depois. lembrando que quando não podemos servir em NA. Falei com meu padrinho. Disse que eu o amava. e que se eu tivesse que interromper o relacionamento. 305 . que me lembrou de manter o foco em mim. eu disse que minha recuperação tinha tomado um rumo diferente daquele que ele queria percorrer e que ele realmente tinha que encontrar outro padrinho. devemos sempre indicar outra pessoa.começou a resistir ir às reuniões.

aprendi a lição valiosa que há muitas maneiras de trabalhar o programa.Aquele afilhado conseguiu encontrar alguém com quem fez uma conexão. honestidade e intimidade. Atravessarmos dificuldades com nossos padrinhos ou afilhados pode nos ensinar novos níveis de compromisso. ele continua limpo e ainda está aqui. 306 . Antes de muito tempo. Muitos anos depois. me perco em minha vida ocupada e me distancio de meu padrinho. De nossas interações. Muitos de nós temos um histórico de desistência e não fazer nada até o final. especialmente no que diz respeito a relacionamentos. e minha maneira pode não ser atrativa para todos”. “Ocasionalmente. comecei a vê-lo em mais reuniões e mais envolvido com a irmandade. Alguns de nós achamos grandes recompensas ao permanecermos com nossos padrinhos e afilhados nos tempos difíceis do relacionamento.

ou escolho não continuá-lo? Ele me ajuda a perceber que minha vida nem sempre será balanceada.Quando percebo o que está acontecendo. que terá seus altos e baixos. Fui um desistente na maioria de minha vida. Seria fácil ir em frente e não olhar para trás. Ele deixa a escolha a meu critério. não há relacionamento. meu padrinho conhece esses meus ciclos e me diz que preciso participar ativamente do relacionamento – senão. eu ligo para ele. ele me ensina que posso passar por isso e perceber meus padrões para que posso mudá-los e impedir que eles aconteçam com tanta freqüência. Sou grato por ter escolhido continuar a crescer nesse relacionamento maravilhoso que tenho com meu padrinho. No entanto. Felizmente. Estou disposto a trabalhar para que o relacionamento funcione. não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por um 307 . Claramente.

Nossos relacionamentos de apadrinhamento podem nos ajudar a desenvolvermos aquelas qualidades que buscamos e gradualmente nos tornarmos a pessoa que sempre quisemos ser.compromisso que fiz para ficar com meu padrinho e tentar ser mais consistente. e assim por diante. Com o tempo aprendemos a ser melhores amigos. pais. colegas de trabalho. amantes. 308 . Apadrinhamento nos ensina a tomar decisões saudáveis para nós mesmos. Nos mostra as coisas que precisamos saber para participarmos ativamente em todos os nossos relacionamentos. mesmo quando encontramos dificuldades em fazê-lo. parceiros. cônjuges. Passar por isso com meu padrinho me tem ajudado a ser uma pessoa que é capaz de ter um relacionamento íntimo”.

a sociedade.CAPÍTULO CINCO APADRINHAMENTO: UMA JORNADA CONTÍNUA A jornada continua Para muitos de nós. podemos crescer em nosso relacionamento conosco mesmos. Apadrinhamento nos oferece um caminho para a mudança e uma ponte para desenvolver outros relacionamentos. A adicção nos rouba a habilidade de nos relacionarmos. Nós temos agora a liberdade de viver uma vida com significado. Com boa vontade que forma o alicerce do símbolo de NA e o apadrinhamento. nossa primeira conexão verdadeiramente espiritual com outro ser humano ocorre quando nos abrimos e partilhamos honestamente com nossos padrinhos. 309 . serviço e Deus. O apoio e amor que recebemos quando andamos juntos em nossa jornada através dos Doze Passos ajuda a nos libertar do medo egocêntrico que está no âmago de nossa doença. A recuperação restaura nossa conexão a nós mesmos e ao mundo.

com a ajuda de nosso Poder Superior.Um programa universal: Sociedade. e encaramos alguns de nossos maiores medos e permanecemos vigilantes para evitarmos auto-destruição. Isso tem me ajudado em todas as áreas da minha vida. Não mais estamos sozinhos. nossos espíritos acordam e começamos a melhorar. Hoje. nosso padrinho ou madrinha e outros membros no programa. Percebo que o mundo nem sempre gira em torno de mim. Aprendemos a viver responsavelmente reparando comportamentos passados e buscando compreender os outros através de perdoá-los e a nós mesmos. Aos poucos. Minha 310 . tenho a habilidade de focar em outras coisas e pessoas fora de mim. “Minha madrinha tem me mostrado como sair de mim mesma. muitos de nós descobrimos que somos libertados dos defeitos de caráter que nos atazanaram durante nossa adicção ativa. Serviço e Deus Eu. Ao ficarmos limpos e vivermos o programa.

e amor.madrinha também me ajuda a permanecer na minha verdade e partilhar minha verdade sem atacar outra pessoa. têm me ajudado a moldar meu relacionamento. e isso tem afetado minha família como um todo. “Meu padrinho tem sido essencial em me ajudar a formar um relacionamento com minha parceira. Minha madrinha me mostrou essas coisas de forma amorosa e carinhosa sem ser muito dura comigo. Aprendi a ter jogo de cintura. Por causa do que aprendi de minha madrinha. Posso passar isso agora para minha filha. em me ajudar a trabalhar os passos. desenvolvi um sentido saudável de mim mesma. Ele nunca 311 . que é baseado em integridade. sinceridade. que agora tem sua própria auto-confiança”. A boa vontade de meu padrinho em partilhar o que sabe. e sua honestidade a respeito da minha recuperação.

começamos a sentir amor incondicional profundo e aceitação dos outros. não em meu relacionamento. demonstramos compromisso com Narcóticos Anônimos. e queremos partilhar esse sentimento de humildade com outros. E então o círculo do apadrinhamento continua quando apadrinhamos nosso afilhado ou afilhada – queremos dar a eles o que nos foi dado. Um sub-produto desse trabalho é que meu relacionamento com minha parceira se fortaleceu”.ofereceu ser um conselheiro matrimonial e sempre manteve o foco em minha recuperação. 312 . Aprendi a ser compassivo e compreensivo e olhar as pessoas de forma diferente. Em troca. Estamos freqüentemente impressionados que alguém realmente quer nos ajudar. “Ser um bom padrinho me tem ajudado a ser um pai melhor. Agora sei que devo continuar a fazer minha parte se vou crescer em recuperação. Quando pedimos ajuda.

ele tem um relacionamento de muito tempo. Ele era estável. Precisava depender de alguém 313 . “Fiquei limpo quando ainda adolescente. Meu padrinho é mais velho do que eu. tem seu próprio negócio e é profundamente comprometido com o programa. alegre e livre. e era muito difícil sentar numa reunião e ficar honesto com o que estava acontecendo. não deprimido e quebrado.Aprendi que a vida é ser feliz. Meu padrinho ter sido um exemplo. Foi duro pedir ajuda. Agora me olho como alguém com fragilidades que é humano. assisti ao meu padrinho praticando princípios do programa quando interagia com sua mulher. me ajudando a encarar alguns dos assuntos chaves em minha vida”. Depois que eu passei por um relacionamento falido no início de minha recuperação. e eu sabia que ele ia ficar limpo e em recuperação.

Começamos a entender que.que acreditava no que ele falava para mim. assim como os desafios e momentos difíceis que podemos passar. apesar de não estarmos nunca a sós. não importa onde estamos. Vemos que crescemos devido a todos os aspectos desse relacionamento – as experiências enaltecedoras que partilhamos. Porém. ninguém pode sempre estar disponível para nós. Nosso relacionamento é verdadeiramente um presente”. Podia ver isso só pelo jeito que ele vivia sua vida. nos é dada a liberdade de escolher quem e o que é 314 . Através de NA. sempre temos nosso Poder Superior e os princípios do programa. e mim. os Doze Passos. Parte da lição que o apadrinhamento nos ensina é parar de colocar expectativas irrealistas nas pessoas em nossas vidas. Às vezes através de nossas dificuldades no apadrinhamento. Tenho um padrinho hoje que acredita em Narcóticos Anônimos. desenvolvemos maior compreensão sobre humildade.

Nos meus primeiros dias. 315 . Tenho começado a aprender sobre amor incondicional com meus afilhados. nossas necessidades “Apadrinhamento tem sido uma experiência enriquecedora para mim. Adoro o componente de mão dupla do relacionamento de apadrinhamento e o componente ‘nós’ do programa”. Minhas expectativas eram altas. Meus afilhados me conhecem.melhor para pessoais. porque NA estava ainda se desenvolvendo no meu país. e eu era rígido. Tenho aprendido muito a respeito de meus defeitos e vim a me aceitar. estava desesperado para ter outros membros. Através do apadrinhamento. aprendi a ser flexível. e eles se sentem muito confortáveis em me desafiar. Ser um padrinho me ajudou a contrabalançar meu egocentrismo.

meus filhos eram negligenciados e sobreviveram de alguma forma. mas minha madrinha foi. trabalho bem no meu emprego. Tenho um casamento feliz. sou adicta em recuperação. e tinha uma vida completamente descontrolada. insana. uma boa mãe. A parte mais significativa de minha recuperação é a serenidade e sanidade que sinto por dentro. e sou um membro ativo em minha igreja. Hoje. Isso não significa que outros não estiveram lá para me ajudar. estava espiritualmente morta. Meu casamento estava em ruínas. uma amiga. apesar de mim. e continua 316 . e meu Poder Superior.“Quando cheguei nas salas de NA. deprimida. e uma madrinha. dos Doze Passos. uma aluna. e a maturidade com a qual posso agora navegar através de minha vida – muito do que se tornou possível através da ajuda de minha madrinha.

Nosso Texto Básico diz que a melhor ferramenta em recuperação é o adicto em recuperação. uma parte instrumental de minha recuperação”. sem nenhum motivo a não ser ajudar a outro adicto. trabalhe com um recém chegado. me abro para as dádivas profundas que NA oferece”. Aprendemos do apadrinhamento que relacionamentos nunca são bem do jeito que nós os imaginamos. “Sinto que serviço em NA me beneficia mais do que a qualquer pessoa que eu tento ajudar. que me lembra de uma frase que meu padrinho me fala quando fico egocêntrico e auto-obcecado – quando tudo o resto parece estar falhando. Tenho visto que quando me torno humilde o suficiente para trabalhar o programa espiritual e dar. Apadrinhamento nos ensina que encarar problemas verdadeiros traz recompensas 317 .sendo.

Um dos maiores 318 . Através do apadrinhamento. Meus relacionamentos eram sempre superficiais. Aprendi sobre compromisso e como ser vulnerável e altruísta. Desde que comecei a trabalhar com minha madrinha.profundamente ricas e realizadoras. Nos aceitamos por quem nós somos e reconhecemos o valor de nossa contribuição. Começamos a apreciar as pessoas por quem elas são. trabalhamos e amamos. e meus motivos incertos. “Nunca tive relacionamentos significativos durante minha adicção ativa. Nossa gratidão pelo Poder Superior e NA fala quando colocamos em prática os princípios que aprendemos através do apadrinhamento. tive uma chance de ser um ‘eu’ diferente. não por quem queremos que sejam. aprendi a checar meus motivos. Levamos nossa nova compreensão mais realista sobre relacionamentos para o mundo enquanto brincamos. A primeira vez que namorei foi quando cheguei a NA.

“Minha madrinha tem me ajudado a aprender a ser uma boa esposa. aprendi a não ser um capacho e a me respeitar”. Eu certamente queria o que ela tinha então percebi que tinha que escolher fazer o 319 .eventos foi o casamento de minha filha. Tinha tanta dificuldade em confiar nos homens. Aprendi a me manter firme nos meus compromissos. “Minha primeira madrinha era muito dependente de Deus e tinha um relacionamento profundo e significativo com seu Poder Superior. Ela fazia Deus parecer tão real e pessoal. e tenho um monte de velhos comportamentos com os quais ela me ajudou. Seu padrasto e eu levamos a noiva ao altar juntos”. Ela me dizia para lhe ligar primeiro e contar as coisas para ela que eu queria dizer ao meu marido. Através do apadrinhamento.

telefone. – só Deus e eu. livros. Parte de seus direcionamentos foi ir a 90 reuniões em 90 dias e voltar direto para casa (sem social) para passar mais uma hora sozinha com Deus. Isso significava sem televisão. rádio.que ela fazia para consegui-lo. tinha um relacionamento com o Poder Superior de minha compreensão. Enquanto não tenho a mesma madrinha que eu tinha naquela época. Isso me deu a base que tenho hoje. etc. música. e ele era tão real para mim quanto o pão na mesa. O Deus de minha 320 . minha madrinha hoje também é dependente do Poder Superior e continua me direcionado para a prática de minha fé a cada dia. A sugestão foi incrível – funcionou para mim! Quando terminei com os 90 dias. Comecei a rezar e meditar regularmente e me tornei disposta a seguir quaisquer sugestões que ela me desse para desenvolver esse relacionamento especial.

Minha experiência tem mostrado que se eu manter minhas prioridades (Deus. NA. Queremos partilhar a esperança de viver uma vida rica e plena com aqueles que buscam seguir o mesmo caminho que nós. e especialmente a minha madrinha. e família) em ordem. e a primeira língua do meu Poder Superior é silêncio então preciso ficar quieta e ouvir à natureza.compreensão trabalha de várias formas. O círculo do apadrinhamento Logo percebemos que não podemos manter esse maravilhoso presente de recuperação sem dar o que recebemos. Podemos fazer isso com o apadrinhamento. Ao partilhar nossa experiência e esperança com outro adicto. mas também ajuda a fortalecer nosso desejo de permanecermos em recuperação. aos outros. o resto estará bem”. Praticar serviço abnegado não só beneficia nossos esforços em viver uma vida limpa. ajudamos a fortalecer o 321 .

recebemos as maiores recompensas de todas. e quando estendemos a mão a outro adicto necessitado. O alimento espiritual que recebemos quando damos aos outros é uma das razões que escolhemos permanecer em NA.espírito do programa de Narcóticos Anônimos. e é o relacionamento no qual nossa gratidão fala mais claramente. Sempre que damos livremente do que temos encontrado em recuperação. Mais e mais. oferecemos a outro adicto a oportunidade de dar. Apadrinhamento pode ser onde aprendemos a praticar nossos novos princípios. nossa experiência manifesta aquilo que ouvimos em reuniões desde o começo: quando pedimos ajuda. recebemos muito mais de volta. 322 .

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