“O coração de NA bate quando dois

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adictos partilha m sua recuper ação”.
Texto Básico
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Prefácio Os princípios espirituais de Narcóticos Anônimos estão no centro de nossa recuperação da doença da adicção. Os passos são “os princípios que tornam nossa recuperação possível”, mas não trabalhamos o programa de NA em isolamento. Apadrinhamento é a chave para trabalhar os passos – para compreender os princípios espirituais e praticá-los em todas nossas atividades. O foco deste livro é apadrinhamento em NA – suas recompensas e seus desafios, e seu lugar no dia-a-dia da nossa recuperação. Quando Serviços Mundiais perguntou à irmandade em 2000, o que ela gostaria de ver num livro sobre apadrinhamento, a resposta foi esmagadora. Milhares de páginas de experiência, opiniões e idéias chegaram numa enxurrada, e tornou-se claro imediatamente que apadrinhamento varia de país para país, região para região, e indivíduo para indivíduo. O livro que resultou reflete essa rica diversidade. Ele tenta apresentar um retrato de como nossa irmandade, em constante mudança, pratica o apadrinhamento hoje.

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Os outros livros de NA oferecem mais informação sobre o programa, incluindo os passos e tradições. O Livro Narcóticos Anônimos é o Texto Básico de nosso programa. Isso Resulta: Como e Porque discute os passos e tradições e o Guia para trabalhar os Passos de Narcótico Anônimos é seu livro companheiro sobre os passos. Só Por Hoje é nosso livro de meditações diárias. Alguns de nós pegaremos este livro com a esperança de que responderá definitivamente nossas perguntas: Tenho experiência o suficiente para ser um padrinho ou madrinha? Quantas pessoas devo apadrinhar? Meu padrinho/madrinha deverá ser do mesmo sexo que eu? O que devo fazer se não confio em meu padrinho/madrinha? E assim por diante. Mas isso não é um livro didático que dá um “Como fazer” de forma concreta para padrinhos e afilhados. É uma coleção de nossas experiências diversas sobre apadrinhamento, e sua leitura pode nos ajudar a chegar às nossas próprias conclusões sobre o que é certo para nós. Experiências de primeira mão aparecem ao longo do livro. As citações
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em primeira pessoa foram coletadas de membros de NA ao redor do mundo. Enquanto essas citações não representam, necessariamente, a opinião de NA como um todo, elas apresentam a cada um de nós, uma oportunidade para crescer e aprender se lermos com o coração e a mente abertos. Algumas coisas que leremos aqui poderão desafiar as crenças que sustentamos por muito tempo, mas, como numa reunião, podemos tirar proveito do que nos serve e largar o resto. Se fecharmos esse livro sentindo que ainda temos perguntas nãorespondidas sobre apadrinhamento, podemos seguir as sugestões que freqüentemente recebemos quando encaramos uma pergunta que não sabemos como responder: procuramos nos passos, rezamos e meditamos a respeito, ligamos para nosso padrinho/madrinha...

CAPÍTULO UM O QUE É APADRINHAMENTO?

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Uma pedra fundamental do programa de Narcóticos Anônimos Nenhuma crença ou filosofia, por si só, descreve ou define adequadamente o que é um padrinho ou o que faz um padrinho. Ao longo dos anos, apadrinhamento se tornou uma ferramenta básica e importante do programa de NA e é praticada de várias formas. O relacionamento de apadrinhamento, para muitos membros, é pessoal e privado. Um padrinho de NA é um membro experiente de Narcóticos Anônimos a quem procuramos para ajudar-nos em nosso programa de recuperação. Muitos membros acreditam que apadrinhamento é uma parte vital do processo de recuperação. Junto com os Doze Passos e as Doze Tradições, apadrinhamento é considerado uma das pedras angulares do programa e da maneira de viver de NA. O valor terapêutico de um adicto ajudando o outro é exemplificado neste relacionamento com um outro membro de NA. Antes de chegar às salas de NA, a maioria de nós estava vivendo à margem
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da humanidade. “Se precisei de alguém em minha vida. afundando cada vez mais em medo. isolamento e desespero. esse alguém foi meu primeiro padrinho. “Para mim. Ele era um rosto amigo num mundo de dor emocional. meu relacionamento com meu padrinho se tornou (e ainda é) o primeiro relacionamento com outro ser humano que abriu meu coração à possibilidade de me tornar um membro da raça humana”. Ele foi alguém que me fez sentir parte de NA. Ele foi alguém que me ajudou a continuar indo em frente quando não mais conseguia andar sozinho. mas a solução sempre nos iludiu. Uma das maiores dádivas de NA é ouvir 7 . Uma vez que começamos a assistir reuniões e aprender sobre o programa de Narcóticos Anônimos. nossas vidas começam a mudar e percebemos a importância de procurar apoio. Queríamos encontrar outro modo de viver.

e indefesos. tínhamos percepções e pensamentos distorcidos. nos sentimos vulneráveis. expostos. enquanto outros evitavam todo tipo de contato com as pessoas. Agora que nossas mentes começaram a clarear e acordamos de nossa névoa induzida por drogas. sozinho. Precisamos de ajuda e queremos estender a mão para outro membro. vemos que um padrinho/madrinha pode nos ajudar a lidar com estes sentimentos. aceitação é uma das partes mais importantes do programa de NA. Porém. Quando vim a essas salas. machucado. Enquanto nas garras de nossa doença. “Para mim. estava perdido. Durante esse tempo frágil em nossa recuperação.a mensagem levada através do amor e bondade”. Alguns de nós acreditávamos que eram invencíveis e poderosos. para que não precisemos fugir deles. 8 . muitas vezes tememos rejeição e podemos experimentar ansiedade avassaladora com a idéia de nos aproximarmos de alguém e pedirmos que seja nosso padrinho/madrinha.

e especialmente. muito menos sobre pedir ajuda de um outro ser humano. eu estava acabado. Demorou um tempo para criar a coragem de pedir que alguém fosse meu padrinho”. Mal conseguia juntar duas frases e tinha medo de tudo e todos. Não confiava em ninguém nem acreditava em nada. 9 . “Quando fiquei limpo no início. Eu me odiava tanto.e sentindo como se nada importava exceto a morte. Era uma idéia assustadora – falar com um estranho – mas era mais assustador pensar que se eu não pedisse ajuda. poderia voltar a usar drogas de novo”. ouvi dizer que era importante arrumar um padrinho. com meu problema com drogas. Estava quebrado e sentia que ninguém queria ter nada a ver comigo. Não sabia o que fazer dos Doze Passos. Porém.

Enquanto procuramos por um padrinho. mas liguei assim mesmo. e nossa confiança cresce. o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. 10 . Temos um relacionamento maravilhoso. começamos a desenvolver relacionamentos com outros membros e nos envolvemos. começamos a acreditar que funcionará para nós também. Conforme vemos que o processo funciona para outros. mas ela me deu o telefone dela e me disse para ligar. Gaguejei e falei baixo. e sei que nossos espíritos estarão sempre conectados”. Continuo aprendendo com ela até hoje. Se formos novos ao programa. Estava nervosa. mesmo após anos e a distância de quilômetros que há entre nós. precisamos lembrar que ainda podemos trabalhar o programa de recuperação. Não foi um sim firme. “Cheguei perto de uma mulher após uma reunião e esperei impacientemente para falar com ela.

“Meu relacionamento com minha madrinha foi muito desconfortável no início. Ela falava comigo sobre a vida dela. literatura. Eu buscava todas as respostas dela. Nossos padrinhos podem nos orientar ao partilharem sua experiência e conhecimento do programa de NA. e eventualmente eu consegui falar com ela sobre a minha vida também". e assim por diante. Especialmente quando somos novos ao programa. Um padrinho pode nos oferecer um elo pessoal ao aprendizado do programa de recuperação de NA. um padrinho pode facilitar a transição para fora e esclarecer quaisquer dúvidas que possamos ter a respeito das diferenças entre tratamento e NA. mas tudo que via era ela vivendo a vida como a vida é. No início. foi difícil achar coisas para partilhar sobre mim mesma. a estrutura de serviço. Se ficamos limpos em um centro de tratamento ou outra instituição. podemos ter dúvidas a respeito da terminologia. formatos de reunião. 11 .

“Achei que precisava de um padrinho para entrar numa reunião fechada (somente para adictos). 12 . Achava que era algum tipo de sociedade secreta. Eu liguei e perguntei para meu padrinho se isso era verdade. tipo ‘ele está comigo’. “Sou uma pessoa inteligente. Ligava para minha madrinha e perguntava ‘O que significa impotência?’ ou ‘O que é ser um “membro produtivo da sociedade”?’ Essas ligações me ajudaram a desenvolver minha própria compreensão sobre os princípios de NA”. precisava de muita ajuda e precisava compreender o programa. não tem problema’. mas quando era nova no programa. Achei que um padrinho era o chefe de NA! Hoje percebo que um padrinho é um professor que ensina por exemplo e experiência”. Ele deu risada e disse ‘Oh não.

Mesmo que estejamos em fases diferentes de nossa recuperação e trabalhando em nosso próprio ritmo. “Meu relacionamento com meu padrinho têm me ajudado a ficar mais honesto ao longo do tempo. “De conhecimento de primeira-mão de adicção e recuperação. O sucesso de meu padrinho em ficar limpo serve como fonte de esperança para mim”. temos semelhanças. e todos buscamos recuperação desta doença. Membros que acumularam algum tempo limpo podem ser exemplos para recémchegados e membros com mais tempo. independente de quanto tempo temos no programa. que uma nova maneira de viver é possível. meu padrinho compreende o que eu preciso passar para ficar limpo. Já que ele tem a 13 .Apadrinhamento nos ajuda. Aprendemos a focar nossa atenção nas semelhanças ao invés das diferenças. Uma das razões que o apadrinhamento funciona é que partilhamos a mesma doença.

A beleza de nosso programa é que cada um de nós pode ter uma compreensão pessoal do relacionamento de apadrinhamento. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. O espírito que energiza e enriquece Narcóticos Anônimos se encontra na nossa união através da diversidade.mesma doença que eu e tem tido muitas das mesmas experiências. Independente das diferenças entre nossas práticas. Definições totalmente diferentes do apadrinhamento existem em NA. ele entende a minha maneira de pensar”. e um compromisso para guiar e partilhar uma caminhada de recuperação através dos Doze Passos. No entusiasmo de nossa irmandade para assegurar que nossa mensagem é claramente compreendida – por adictos assim como por outros membros da sociedade – freqüentemente fazemos muito esforço para providenciar descrições definitivas de cada detalhe do programa de NA. incluindo o conceito de apadrinhamento. 14 . o alicerce do apadrinhamento é um serviço abnegado. boa vontade.

Não somos amiguinhas. Alguns adictos compreendem o apadrinhamento como um ato de amor incondicional.“Meu padrinho não só é um guia através dos passos. “Minha madrinha faz uma coisa por mim que não confio em mais ninguém para fazer – ela simplesmente me guia através dos passos de Narcóticos Anônimos. Alguns membros acreditam que a interação entre padrinho e afilhado deve ser um de não 15 . Outros colocam condições ou requisitos para aqueles a quem apadrinhamos. ouço-a e falo com ela”. Não saio com ela nem vou à casa dela toda hora. mas também é alguém que me ajuda a ver como realmente sou e quem posso ser. Meu padrinho parece saber meus motivos muitas vezes antes de eu saber realmente o que esses motivos são”. Ligo para ela regularmente.

Eu fazia o 16 . ir às reuniões.julgamento. e rezar e meditar diariamente. “Meu padrinho foi uma das pessoas em NA que me amou até que eu pude amar a mim mesmo. Ela era durona e a força dela me assustava. cereal ou qualquer coisa de café da manhã antes de começar meu dia. Quando fiquei limpo. ele pediu que eu comesse uma fruta. Eu queria tanto ficar limpo. Tinha que ligar para ela todos os dias. Ela me dizia o que fazer. servir a irmandade. Ela me deu a recuperação mastigadinha. trabalhar os passos. Ela tinha uma lista de cinco coisas que eu tinha que fazer para que ela me apadrinhasse. “Minha primeira madrinha foi ótima para mim quando eu era nova no programa. mas eu queria o que ela tinha para oferecer”. enquanto outros buscam certos tipos de julgamento e direção de seus padrinhos.

Independente dessas diferenças. posso depender dele e confiar meus pensamentos. Com a crescente diversidade de nossos membros. Deixo que ele me conheça bem – provavelmente melhor do que eu mesmo me conheço”. o apadrinhamento pode tomar variadas formas que refletem nossa individualidade. Logo.que ele pedia. compaixão. apesar de não saber o que tinha isso a ver com ficar limpo. “Meu padrinho é minha base de apoio. sentimentos e acontecimentos a ele. Não importa o quão traumático ou insignificante alguma coisa é. comecei a entender o que ele estava fazendo – ele estava me mostrando como me amar e cuidar de mim mesmo”. aceitação e responsabilidade são alguns 17 . Posso receber suas sugestões e orientação através dos passos com mente aberta e coração confiante. muitos membros acreditam que cooperação.

carinhosa. simplesmente flutuava à deriva. “Minha madrinha é meu mentor. amorosa e me dá apoio. “Poder ter um padrinho é a maior dádiva que a recuperação oferece para mim.dos princípios espirituais encontrados no apadrinhamento. às vezes meu salvavidas. Antes de ter uma madrinha. Minha madrinha permite que eu cresça em meu próprio ritmo e progrida nos passos conforme minha prontidão”. Eu sentia dor o tempo todo e não sabia por que. Saber que sempre que eu precisar dela ela estará lá para me apoiar é um pensamento confortante. mas. sem direção real. é minha amiga. Ela é gentil. Minha madrinha me ajudou a ver a razão e ofereceu um caminho de mudança para que eu não tivesse que doer tanto. 18 . nem por tanto tempo”. sobretudo.

até que encontremos um padrinho novo. “Em minha recuperação houve vezes que eu não tinha uma madrinha. há muitas vezes nas quais nos encontramos sem um padrinho ou madrinha. Isso não significa que somos “menos que” membros que têm um padrinho ou madrinha. Acho que estava esperando que uma caísse do céu. Durante esses momentos podemos buscar apoio no grupo e em nossos companheiros em recuperação. e fiquei bem.Para muitos de nós. “Tive períodos em recuperação sem um padrinho. Mas a realidade é que sentia falta de alguém na minha vida que fosse ‘meu padrinho’”. Entretanto. ou simplesmente não queria fazer muito esforço 19 . Continuei crescendo e trabalhando o programa. o apadrinhamento pode nos dar apoio quando damos de cara com aqueles desafios que vêm de viver a vida.

Depender de amigos não era a mesma coisa do que ter uma madrinha. mais posso me beneficiar de sua experiência. por alguma razão. Trabalhando numa linha de ajuda. Qualquer que seja a razão. apesar de todos nossos anos no programa. se não estamos apadrinhando alguém. Acredito que quanto mais esforço que coloco no meu relacionamento com minha madrinha. Alguns de nós podemos estar sem afilhados.para achar uma. ou pegando um encargo em nosso grupo de escolha são algumas das maneiras que podemos levar a mensagem. Pode ser que ninguém nos tenha pedido. escolhemos não apadrinhar outro adicto. Minha experiência mostra quer preciso de uma madrinha para trabalhar os passos com sucesso”. 20 . nem era ter uma madrinha só para dizer que tinha. dando boas vindas e encorajando os recémchegados. ou pode ser que. levando uma reunião á uma instituição. ainda há muitas formas que podemos servir.

e nosso talentos e habilidades estão em áreas diferentes. Faço muito serviço em NA. 21 . Eu brincava (mais ou menos) com um amigo que não me pedem para ser padrinho porque ninguém ‘quer o que eu tenho’. mas isso é me menosprezar e menosprezar o programa de NA. Sou um fracasso? Minha recuperação é uma fachada por minha ‘inabilidade’ de preencher esse aspecto do programa ainda? Acho que não. aquelas mais em harmonia com minhas circunstâncias e aptidões naturais. Todos são diferentes. a quem amo”. Dou livremente aquilo que me foi dado de outras formas.“Estou em recuperação há 15 anos e nunca apadrinhei ninguém. e tenho sido e continuo sendo aquela pessoa que ‘acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação’ para muitos amigos em NA.

confiei em alguém que viajava e me conhecia bem para achar uma madrinha para mim. “Nos primeiros dias. Funcionou! As cartas de minha madrinha sempre pareciam chegar quando eu mais precisava. Em desespero. Ela trabalha os passos 22 . outras podem ter dificuldades legais ou culturais para estabelecer reuniões ou com os princípios do programa. Algumas dessas comunidades são geograficamente isoladas de comunidades já estabelecidas de NA. eu era a primeira mulher em recuperação no meu país. é importante permitirmos que membros adaptem o programa de NA para se encaixar em suas comunidades. “A mulher que pedi para me amadrinhar estava visitando meu país para a convenção anual. Enquanto nossa irmandade se diversifica.Narcóticos Anônimos continua a crescer e alcançar diversas comunidades ao redor do mundo. Foi o melhor relacionamento ‘via correio’”.

falando a língua dela (toda minha recuperação é feita em outra língua). Felizmente. e eu tinha que me esforçar para ligar para alguém que não conhecia. Eu demorei a entendesse os horários dela. conhecíamos alguém no programa que podia traduzir para nós. Eu leio 23 . Escrevo os passos e os mando por correio. Agora estou fazendo o Sétimo Passo. Quando eu a visitei no ano passado. Ela é prática. aprendido sua língua e praticado fé no Poder Superior.de NA. temos culturas diferentes. Tenho trabalhado os passos com ela. e eu a amo. partilhei meu Quinto Passo com ela. Iniciamos nosso relacionamento por e-mail. segura de si. pessoas e em mim mesma. e na língua dela!” “Encontrei minha madrinha na Internet. Moramos em continentes diferentes. e por uns oito meses eu acordava às 4:30 para ligar para ela.

muitos de nós encontram alívio do vazio criado pela nossa doença. Os altos e baixos do início da recuperação faziam com que eu ficasse perdido emocionalmente. apadrinhamento – tanto como afilhado quanto como padrinho – tem tido um papel importante em minha jornada.junto pelo telefone. Podemos tentar atravessar algumas de nossas dificuldades sozinhos. e o 24 . No entanto. aceitação e união. No início. Com o tempo. mas eu me permito. percebemos que a recuperação é um processo em evolução. as ligações diárias me ajudaram a aprender como pedir ajuda. “Ao longo dos últimos oito anos de minha recuperação. através de amor incondicional. O conceito de apadrinhamento tem ajudado a moldar o programa de Narcóticos Anônimos que conhecemos hoje. Fica caro. Esse é o relacionamento mais enriquecedor que já tive com outra mulher”.

e mais tarde em minha recuperação. Agora busco dela conselhos e encorajamento para continuar me arriscando e crescendo. Às vezes nos encontramos só para nos divertirmos. ela foi carinhosa e falou que eu tinha feito um bom trabalho. ela me liga para chorar”. “Meu relacionamento de apadrinhamento mudou com o tempo. ajudou a tornar o passeio de montanha russa mais brando. Quando era nova e estava perdida. 25 . Quando ela ouviu meu Quinto Passo obsessivamente longo. quando ela está tendo dificuldade. nos tornamos amigas. minha madrinha me dava direções claras e muito amor. Ela me apoiou quando mudei de carreira.compromisso que eu fiz de ligar para meu padrinho diariamente. Hoje. Nenhuma outra coisa me fez sentir tão aceito e amado como o apoio de meu padrinho”.

e termos mente aberta e boa vontade. ódio próprio e desespero tornaram muitos de nós raivosos e desconfiados. Se quisermos melhorar. Trabalhar com um padrinho pode facilitar nosso aprendizado deste novo modo de vida. Se fosse simples assim. Recuperação é. precisamos fazer um esforço para sermos honestos. “Não posso expressar a importância de meu primeiro 26 .Um Adicto Ajudando ao Outro Apadrinhamento pode oferecer a ajuda que tão desesperadamente precisamos. Esses velhos hábitos não somem com um passe de mágica. as salas de NA não poderiam conter a multidão de pessoas que buscariam recuperação! Os anos que passamos praticando comportamentos auto-destrutivos e vivendo em prisões auto-impostas de medo. freqüentemente. um processo dolorosamente lento. Ficar limpo e freqüentar reuniões de NA não significa que nossas vidas se tornarão livres de dificuldades enquanto nossos problemas vão desaparecendo. mas temos medo de pedir quando primeiro ficamos limpos.

e que ele podia compreender como eu me sentia através da própria experiência dele. o maior benefício de ter um padrinho é que eu tenho a chance de aprender como viver a vida através dos Doze Passos. oferecendo uma mão que se estendia para dentro do meu inferno pessoal e me ajudou a ficar de pé sozinho novamente”. “Sei que ter um padrinho ainda é vital para minha recuperação. Tenho certeza que meu padrinho não sabe de quantas formas e 27 . Tenho confiado em meu padrinho para me aconselhar e ajudar quando não sei o que fazer. Foi muito importante que ele não me julgava. Lá estava alguém para me guiar na minha escuridão. Para mim.padrinho – aquela primeiríssima pessoa que estava preparada para me ouvir e me deixar chorar pelo telefone.

“Sendo um adicto muito independente e autosuficiente. por nós mesmos. mas eu o faço. Aprendemos que é possível com a ajuda de outros. Nem sempre é fácil. e começamos a quebrar os padrões de isolamento emocional e falsa independência que marcaram nossas vidas por tanto tempo. fazer o que não podíamos fazer sozinhos.quantas vezes ele me ajudou ao longo dos anos”. amor e tolerância.” 28 . Temos agora a oportunidade de experimentar. tenho aprendido muito sobre a necessidade de usar meu padrinho e pedir ajuda. o valor terapêutico de um adicto ajudando o outro. nos abrimos para outro adicto. Cuidadosamente baixando nossas defesas. e tento repassar esses princípio espirituais aos meus afilhados. Meu padrinho tem me mostrado muita compaixão.

para muitos de nós. Eu podia dizer que o amava e precisava dele em minha vida”. honestidade verdadeira e proximidade a outra pessoa. Eu o deixei entrar em minha vida e me conhecer bem. eu podia ter um relacionamento íntimo com outro homem. e com 42 anos. Esse elo pode ajudar a nos livrar do isolamento e da falta de confiança que fazem parte da enorme obsessão e compulsão da adicção ativa. enquanto outros constroem confiança através de empatia e amor incondicional. a confiar em alguém e honestamente falar 29 . para que ele pudesse me confrontar quando eu agia mal. Alguns de nós sentimos um elo de confiança com nosso padrinho ou afilhados imediatamente. “Trabalhar com meu padrinho me permitiu. pode ser nosso primeiro relacionamento que envolve confiança e intimidade – isto é.“O que foi mais importante para mim com meu primeiro padrinho foi. pela primeira vez em minha vida. Apadrinhamento. que pela primeira vez.

“A primeira vez que aprendi a desenvolver confiança em outra pessoa foi quando arrumei uma madrinha (me tornei madrinha). e ainda sinto”. Minha madrinha não me culpava. desesperançado e perdido. Nesse relacionamento. comecei a ter objetividade e uma perspectiva equilibrada a respeito das situações em minha vida”. Parei de me sentir sozinho. nem me fazia sentir mal. Conforme o tempo foi passando. Me senti apoiado. ou me falava que eu estava errada. 30 .com outra pessoa sobre mim. aprendi a confiar e aprendi a ser confiável”. e foi o primeiro passo para quebrar meu isolamento. “Partilhar meus segredos com meu padrinho foi a primeira ação de confiança e humildade por minha parte.

As habilidades que aprendemos no apadrinhamento podem nos dar a oportunidade de participar em nossas próprias vidas novamente. O relacionamento entre padrinho e afilhado pode se tornar um sistema de apoio mútuo. muitos de nós começamos a encontrar conforto na identificação que achamos em Narcóticos Anônimos. apadrinhamento evoluiu a um nível muito mais profundo do que eu jamais imaginei possível. Podemos arranjar empregos.Quando a solidão e alienação da adicção começam a amenizar. Para alguns de nós. e o amor e 31 . nos reunirmos com família e amigos. Experimentamos o amor incondicional e uma conexão com outras pessoas. essa é a primeira vez que temos a oportunidade de nos tornarmos parte da sociedade. Começamos a apreciar a generosidade. companheirismo e responsabilidade que esse relacionamento geralmente oferece. voltar à escola. e realizar sonhos perdidos. “Hoje. Escrever os passos tem sido uma parte muito importante da minha recuperação.

cuidado que meu padrinho demonstra quando falamos sobre o que eu escrevi têm me ajudado tremendamente nas áreas de honestidade e confiança. O elo que nós temos como resultado de trabalhar os passos tem sido extremamente poderoso”. “Quando primeiro cheguei a NA, senti que ninguém podia compreender os sentimentos intensos de desespero, falta de esperança e vergonha que eu sentia. Em minha primeira reunião, conheci um homem que logo se tornaria meu padrinho. Ele me deu um folheto e pediu que eu lesse a parte ‘Quem é um adicto?’. Conforme eu lia, comecei a sentir aquele medo que carregava por tanto tempo, se amenizar. A simples sugestão de um companheiro adicto foi o início de um relacionamento profundo e amoroso com respeito mútuo e partilhas honestas”.

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“Não conseguia entender porque meu padrinho era tão feliz e contente com todas as coisas pequenas em sua vida. Ele posteriormente me contou que é mais importante contribuir do que exigir. Depois, eu entendi que isso era a chave para me tornar parte da sociedade”. Nosso trabalho com padrinhos e afilhados freqüentemente ajuda a dar sentido para muitas das nossas experiências – passadas e presentes. “Me lembro do primeiro Quinto Passo que fiz com uma madrinha. Partilhei meus segredos mais profundos e sombrios. Achei que minha madrinha não ia querer mais nada comigo. Ela, no entanto, partilhou parte de seu passado comigo, e eu percebi que eu não era a pior pessoa na face da terra. Na verdade, minha madrinha me ajudou a ver que algumas coisas, das quais eu
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tinha mais vergonha – algumas das minha experiências sexuais – nem eram minha culpa”. Através do percurso de trabalhar e vivenciar os Doze Passos e as Doze Tradições, a ilusão de auto-suficiência pode ser suavemente quebrada, enquanto nos tornamos mais responsáveis por nossa própria recuperação. Ao partilhar honesta e abertamente, ambos o padrinho e o afilhado começam a aprender um com o outro. Percebemos que não mais estamos sós e não precisamos encarar o processo de recuperação sozinhos. “Meu padrinho é um professor, um exemplo, alguém em quem confio, um ouvinte, um confortador, um espelho, e dispensa a verdade que ele vê em mim. Ele é um barômetro para minha recuperação e, de acordo com o quanto eu permito, é a voz da razão quando estou tomando decisões difíceis e confusas”.
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“Apadrinhar outros reforça minha recuperação e mantém minha gratidão viva através da partilha de minha recuperação. Serviço abnegado é o antídoto para o egocentrismo, que é o centro de minha doença. Se eu sugerir que um afilhado vá a uma reunião ou escreva algum passo, é mais provável que eu faça o mesmo”. “Ter um padrinho me deu um senso de responsabilidade. Esse relacionamento tem ajudado a reconquistar a confiança em outros seres humanos. Tenho aprendido ao longo dos anos que posso falar com meu padrinho em completa confiança sobre qualquer coisa que eu pensar ou fizer. Ele mantém o anonimato que nós temos, e não me julga”. O relacionamento de apadrinhamento é humanidade em ação, providenciando compaixão e apoio, não

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importando as experiências de vida que cada membro pode estar atravessando. “Ainda preciso de uma madrinha após tantos anos no programa. Hoje os tópicos não são como ficar limpa, etc., mas mais os problemas cotidianos que aparecem como resultado de ficar limpa. Muitas vezes descubro que ainda acredito na ilusão de que ficar limpa significa automaticamente viver uma vida livre de problemas. E, na maioria das vezes, descubro através de partilhar com minha madrinha, que tenho uma vida normal, como qualquer outra pessoa que não usa drogas”. Durante nossa adicção ativa, o único compromisso que a maioria de nós tinha era o de conseguir e usar mais drogas. Em NA, muitos de nós assumimos o compromisso de trabalhar com um padrinho e, mais tarde, um afilhado. Não mais fugimos de nossas responsabilidades. Cumprir com nosso compromisso de apadrinhamento pode
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nos ajudar a sentir o valor próprio que vem de encararmos nossos medos.

“Pedir que alguém me apadrinhasse foi um grande compromisso para mim. Significa que eu ia ter que fazer mais do que falar sobre minha recuperação. Eu ia pedir que alguém se comprometesse comigo e isso era assustador. Tinha tanta dificuldade em confiar nos outros, mas no final percebi que meu grande problema era coragem”. “Meu compromisso com apadrinhamento ajudou a me tornar uma pessoa amorosa, digna de confiança e apoio. Antes de assumir a responsabilidade de ser uma madrinha, eu era egoísta, egocêntrica, e só pensava em mim. Como resultado do meu trabalho com minhas afilhadas, descobri o verdadeiro sentido de
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aceito e respeito-as exatamente como são. Por alguma razão. Mal-entendidos podem surgir. amo incondicionalmente. não só 38 . o relacionamento padrinho/afilhado pode ser desafiador. a maioria de nós descobre que a “cura” emocional e espiritual que pode vir de partilhar com um padrinho/afilhado vale a pena o esforço. podemos sentir que nossas necessidades não estão sendo atendidas. ouço com mente aberta e coração aberto. Porém. Hoje sou comprometida com minhas afilhadas. Às vezes.compromisso. e sentimentos podem ser feridos. Alguém que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação Um padrinho/madrinha pode ser um mentor. professor e confidente. compartilho suas alegrias e tristezas. Mais importante é o meu compromisso em guiá-las através dos passos e apoiá-las em seus processos de recuperação”.

Um padrinho pode ainda participar em nossas experiências alegres. “Para mim. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. mas para membros com tempo limpo significante também.para aqueles que são novos no programa. Ela é meu banco de memória de experiências. Apadrinhamento pode nos ajudar a aprender maneiras saudáveis de viver e oferecer um santuário de apoio e empatia durante tempos de luto. perda. É importante ter alguém para 39 . detalhes e padrões. e outras tribulações da vida. podemos todos concordar sobre uma coisa: um padrinho é “alguém que acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação”. Não importa como entendemos o papel do padrinho. para alguns membros. Outros membros procuram um padrinho estritamente para conhecimento sobre e orientação através dos Doze Passos. que celebram nossa vida e nossa recuperação. e. minha madrinha foi a primeira pessoa que eu permiti que visse o verdadeiro eu.

Me vi frente a frente com muita dor e raiva. Meu padrinho é alguém com quem posso ser honesto e para quem posso me revelar. e ela os jogará de volta. “Meu padrinho é alguém em quem confio. Algumas das coisas que aprendo sobre mim mesmo me chocam. além de respeitálo – e isso é importante também. Estava desolada e me senti totalmente impotente. e preciso poder partilhar essas coisas e sentir-me confortável o suficiente para permitir que meu padrinho revele coisas para mim”. Eu o adorava. Ele era o mundo para mim. Essas emoções se tornaram entidades vivas para mim.quem posso jogar minhas idéias e mudanças possíveis. e senti que elas iam me 40 . “Estava no início de minha recuperação quando meu pai morreu. Dois corações são sempre melhores do que um só”.

Quando começamos a viver sem o uso de drogas. Esses sentimentos me fizeram sentir que eu não era importante. que podem ter experimentado muitas das mesmas emoções e circunstâncias que nós.consumir. O elo que freqüentemente se forma entre um padrinho e afilhado pode ser poderoso. “Em recuperação eu tenho experimentado uma gama de sentimentos que eu me recusava a reconhecer. minha madrinha me ouviu – a qualquer hora do dia. Eu não me valorizava. não tinha a 41 . vemos que o apadrinhamento pode oferecer uma amizade e conexão espiritual com outros adictos. conforme cada membro pode partilhar e identificar-se com muitos dos mesmos sentimentos. Nem é que ela me disse alguma coisa profunda. Mas. era mais sobre ela estar lá e me ouvir e amar durante tudo isso”. e como resultado.

habilidade de colocar limites. A atração inicial para mim era não ter que fazer tudo sozinho. e pedir ajuda. “Minha afilhada e eu passamos por divórcios na mesma época. Aquela época era um dos momentos mais difíceis de minha recuperação. O que aprendi através do apadrinhamento não tem preço. e a beleza verdadeira está em partilhar essas experiências com meus afilhados”. adquiri uma idéia de quem eu era. e o que eu precisava para conseguir tudo isso. e aprendi que não tinha problema não saber algumas coisas. Meu padrinho me ajudou a expressar-me honestamente. Através do amor e orientação do meu padrinho. e nosso relacionamento se tornou realmente uma via de mão dupla. que tipo de pessoas eu queria em minha vida. mas falar com ela e escutar 42 . Eu tinha a amadrinhado por muitos anos.

mas simplesmente a de um adicto partilhando de seu coração e levando a mensagem. Alguns membros trabalham profissionalmente como terapeutas. Partilhávamos uma com a outra.ajudaram a amenizar. que nos torna todos iguais em NA. mas não devemos esperar que nosso padrinho ou afilhado nos preste serviço profissional de qualquer tipo. Às vezes precisamos buscar ajuda profissional de algum tipo. Escolhemos um padrinho baseado em sua recuperação em NA. 43 . Isso se baseia em nosso alicerce espiritual de anonimato. por exemplo. chorávamos juntas. Temos que perceber que um padrinho é um adicto praticando serviço abnegado e não um profissional num emprego. e dividimos insights e ferramentas”. No entanto. ou médicos. a responsabilidade de um padrinho não é a de um profissional. advogados. Podemos discutir essa necessidade com nosso padrinho.

e nutri nosso 44 . talvez. e participar em várias funções. posso apadrinhá-los. Digo a eles que estou em NA para me recuperar. mas não me envolvo em assuntos fora de NA nem faço favores especiais.“Membros da irmandade em minha área sabem que trabalho no setor de recuperação de dependência química. “Os benefícios de ser apadrinhado tem me servido bem nesse programa. Eu deixo meus limites bem claros. me envolver em serviço. Isso torna nosso relacionamento na irmandade mais igual e menos aberto a complicações”. mas eu ainda me sentia sozinho e vazio por dentro. Quando permiti que um padrinho entrasse em minha vida. ir a reuniões. Por muito tempo eu pude ficar limpo. e às vezes se aproximavam de mim para facilitar sua admissão a uma clínica de tratamento.

mas também é verdade que temos que ter nossa própria recuperação para poder “dar”. onde cada pessoa. da qual o Texto Básico fala me ajudou mais do que qualquer médico ou terapeuta poderia ter ajudado naquele ponto em minha vida”. Muitas vezes dizemos “só podemos manter o que temos ao dar para outros”. Apadrinhamento pode ser uma oportunidade para praticar os princípios do programa de NA em todas as nossas atividades.relacionamento como parte do meu processo. e minha recuperação deslanchou. está recebendo o melhor que cada uma tem a oferecer. não as de seus afilhados. Queremos nos assegurar que levamos a mensagem de recuperação aos nossos afilhados. Acho que a linguagem sem palavras da empatia. 45 . comecei a crescer e mudar. e vice-versa. É importante para padrinhos manterem sua própria identidade e serem responsáveis por sua própria recuperação. e não a bagunça de nossa doença. idealmente.

eu me sentia como se fosse um peso. então estou passando minha doença aos meus afilhados”. diminui minha freqüência a reuniões porque senti que estava muito ocupada. eu estava estressada e sem energia. No final da ligação. nem lia muito. Não ligava para minha madrinha com muita freqüência. “Quando voltei a estudar.“Se eu não cuidar de minha doença em minha própria recuperação. e sempre que alguma delas ligava. Estava apadrinhando várias pessoas. Engraçado com quando eu dediquei mais tempo à minha própria recuperação. O Décimo Segundo passo em ação Apadrinhamento muitas vezes se torna parte do serviço abnegado do qual 46 . me senti menos estressada e não via a hora de chegar um intervalo nos meus estudos para falar com uma afilhada”.

Parte disso envolve um compromisso de trabalhar com outros e providenciar um sentido de aceitação através de empatia e compreensão. Me sinto obrigado a fazer o melhor que posso em minha própria recuperação. O caminho que ele percorreu antes de mim me trouxe a ele nesse 47 . compaixão. “Meu padrinho cria uma atração para mim. “Para mim.ouvimos no décimo segundo passo. Muitos membros acreditam que o apadrinhamento é uma oportunidade de levar a mensagem de recuperação e praticar os princípios encontrados no programa de NA. não há pressão maior do que um afilhado dedicado que trabalha os passos com paixão. Sinto empatia pelos meus afilhados quando fazem tantas perguntas e se esforçam para aprender e entender o cominho de NA. Sinto também. pois eu estava no lugar deles em algum momento de minha recuperação”.

muitos de nós não sabiam quem eram ou como nos tornarmos membros produtivos da sociedade. um programa sólido e trabalha conscientemente os Doze Passos. sólido e espiritualmente equilibrado. um padrinho pode acalmar a confusão que muitos de nós experimentam quando ficam limpos. “Meu padrinho me dá uma perspectiva totalmente diferente da minha vida. já que minha bagagem tende a 48 . Após passar muitos anos na adicção ativa. e trabalhando com. quero o que ele tem a oferecer”. Ele é sereno. Um padrinho pode providenciar uma perspectiva mais objetiva sobre nossa realidade. força e esperança. Ele leva uma vida simples e calma.momento centrado. Achando. Simplesmente. padrinhos podem guiar afilhados na construção de um alicerce em recuperação. Através da partilha de sua experiência.

49 . Aquela conversa foi um momento de virada. Eu estava lhe contando como eu gostava dos ‘homens maus’ e ela sacudiu a cabeça. Estamos juntos a 16 anos”. eu aprenderia a parar de tomar decisões péssimas – que eu viria a apreciar o amor verdadeiro e o apoio que eu poderia vir a ter num relacionamento. e como resultado. comecei a sair com um homem ‘bom’ que não teria pensado em sair antes.influenciar minha perspectiva e minha percepção”. “Cedo em minha recuperação. Finalmente. ao longo do tempo. dizendo que o desejo dela para mim era que. como resultado de trabalhar os passos com ela. minha madrinha meio que me ‘falou um monte’. quando tinha alguns anos limpa. tinha uma ‘reputação’ por causa de meu comportamento com homens.

dando deles mesmos e não esperando nada em troca. Tradições e Conceitos. e nesse relacionamento podemos a aprender como expressar nossa gratidão através do serviço seja ele formal ou informal. trabalhar com um padrinho pode começar a nos mostrar a importância do serviço. ainda é uma parte 50 . Apesar dela não ser mais minha madrinha. O apadrinhamento é uma espécie de serviço abnegado.Além de nos ajudar a nos enxergarmos mais claramente. outros simplesmente agem pelo poder de exemplo. Alguns padrinhos encorajam aqueles a quem apadrinham a se envolverem formalmente na estrutura de serviço de NA. Ela plantou em mim a importância de ‘devolver’ a NA através da estrutura de serviço. “Minha primeira madrinha foi a alma mais maravilhosa. carinhosa e amorosa que sabia exatamente quando segurar minha mão e quando largá-la. Ela me deu a base de compreensão de NA e os Passos.

Apadrinhamento.ativa de minha recuperação e uma amiga querida”. mas ele nunca perdeu a oportunidade de me encorajar a servir. Agora faço bastante serviço formal. Um padrinho é simplesmente um adicto em 51 . como muitas aspectos de nossa vida em recuperação. mas aprendi muito daquele primeiro padrinho sobre o espírito do serviço e como não tem a ver com um encargo específico. é um relacionamento-em-progresso. “Meu primeiro padrinho não estava muito envolvido na estrutura de serviço. mas sim com a boa vontade de dar”. mas ele me demonstrou que nunca era cedo demais para começar a ‘dar livremente’. Depois da reunião. meu padrinho perguntou ‘Você deu seu telefone àquele companheiro?’ Não achava que eu tinha muito a dar. Lembro quando eu era novo no programa. eu fui a uma reunião e um companheiro ingressou.

Para mim. e trabalhar para manter o foco na solução ao invés do problema”. 52 . “Meu padrinho é um ser humano que tem alegrias e tristezas. confiança e esperança. “Tenho tido afilhados ao longo de minha recuperação. necessidades e sonhos. que não poderíamos ficar limpos sem a orientação e apoio de nosso padrinho. É um presente maravilhoso poder ajudar aos outros e me abrir para que os outros possam ver quem eu sou. não um perito infalível. às vezes. adictos partilhando sua experiência. para ver outra pessoa ter dificuldades às vezes. mas sim. Enquanto muitos de nós sentimos.recuperação. e defeitos de caráter com os quais ele tem dificuldades. e ainda ter fé. forças e fraqueza. precisamos manter em mente que padrinhos não são Poderes Superiores. isso é uma grande lição. como eu tenho. força e esperança.

Eles me ensinam sobre confiança e compromisso. meus afilhados me ajudam a sair disso. quando me perco em mim mesmo. Tenho aprendido através deles que não sou o único que tem dificuldades ou o único que está perdido e tem medo”. Isso faz parte da via de mão dupla: o dar e receber que faz do Décimo Segundo 53 .Freqüentemente. A simplicidade do relacionamento padrinho/afilhado – aquele de um adicto ajudando outro – pode ajudar ambos os membros a entrar em contato com sua própria humanidade enquanto passando pelas dificuldades da vida. É uma lição de humildade no serviço. A mensagem de recuperação não vem só do padrinho. Muitas vezes meus afilhados têm mais respostas do que eu. Trabalhar os passos com eles é nada mais do que eu mesmo trabalhar os passos. e suas soluções são minhas também. Muitas vezes seus problemas são meus. em muitos casos o afilhado partilha insights e sabedoria. juntos.

e conhecer mais sobre. “Quanto a ser um padrinho. os Doze Passos e as Doze Tradições. “A importância de apadrinhar outros é que me ajuda a me envolver mais com. é também essencial para enriquecer nossa condição espiritual. Quando meus afilhados partilham os 54 . Levar a mensagem a outros adictos e dar livremente o que nos foi dado livremente não é só uma honra e privilégio. Tenho que estar trabalhando meu programa pessoal para poder oferecer algo aos meus afilhados”.passo uma parte necessária do processo de recuperação. “Recentemente tive um afilhado partilhar honestamente um assunto sobre o qual eu mesmo não tinha sido honesto. tento incorporar as coisas que aprendi sobre como eu gosto de ser apadrinhado em meu apadrinhamento. O quanto isso vale para o meu programa? Vale ouro”.

Apadrinhamento me ensina humildade. Preciso ser humilde para ligar para minha madrinha e pedir ajuda. Acho que a lição mais valiosa que o apadrinhamento me dá é a oportunidade de praticar o amor incondicional. partilho minhas próprias experiências com passos também.passos comigo. apadrinhamento. Uma das maiores dádivas em recuperação é encontrar as semelhanças em nossas jornadas e aprender sobre nossas diferenças. Aprofunda minha apreciação do que me foi dado”. Preciso também ser humilde em relação a minhas afilhadas estando disponível e ouvindoas sem ser julgadora ou controladora. é a coisa mais importante em NA. “Para mim. junto com reuniões. Minha madrinha e afilhadas têm me ensinado sobre a importância de ter relacionamentos com outras mulheres e como amar e ser 55 .

amada pelo meu próprio gênero. e o apadrinhamento para muitos de nós. aprendi a me amar”. está no centro de um senso de comunidade e apoio mútuo. preocupados somente com nós mesmos. que passamos tanto tempo de nossa vida recebendo. 56 . acordamos para um mundo de possibilidades quando nos abrimos para as dádivas que o apadrinhamento pode nos dar. E a melhor ajuda que um adicto pode receber vem de outro adicto em recuperação. Muitas vezes ouvimos dizer que Narcóticos Anônimos é um programa “nós”. Nós. Com isso. NA funciona por causa da ajuda que damos uns aos outros.

Esses conceitos podem contrariar nossa maneira de encarar o mundo. mas não percebemos que viver uma vida em recuperação requereria tanto esforço. Sabemos que não será fácil parar de usar drogas. Ouvindo o que outros membros dizem sobre “trabalhar” e “praticar” os passos e tradições ou desenvolver contato consciente com um Poder Superior pode nos encher de confusão e suspeita.CAPÍTULO DOIS PARA O AFILHADO Porque adictos buscam um padrinho Temos aprendido de nossa experiência como irmandade que precisamos fazer mais do que apenas assistir às reuniões de Narcóticos Anônimos. Podemos não querer aprender a viver 57 . O programa de NA ensina conceitos e princípios dos quais a maioria de nos não tinha conhecimento durante nossa adicção ativa. Agora. limpos e novos a NA. estamos em território desconhecido.

e partilharam sua compreensão do programa. mas meu padrinho. com o tempo. encorajamento. Tudo o que queria era só parar de usar. trabalhei-os com um padrinho. tanto como outros adictos em recuperação que eu conheci. Ter um padrinho ajuda muitos de nós a aprendermos sobre o programa de NA e adquirirmos “insights” sobre nós 58 . me deram amor incondicional. “Quando cheguei a NA. não tinha idéia do que era o programa. Foi difícil no início. E funcionou: tenho tido muito mais do que simples abstinência”. li os passos. Tudo o que queremos é parar a dor e o ciclo horroroso de desespero e remorso causado por nossa doença.com integridade ou nos oferecermos em serviço abnegado a outros adictos. Mas. A ultima coisa que muitos de nós esperam fazer ou saber fazer quando ficamos limpos é “trabalhar” nesta coisa chamada de recuperação. e fiz o mesmo com as tradições.

“Não acordei um dia e disse: ‘Puxa.mesmos. fazendo algumas reparações ou entregando minha vida e minha vontade aos cuidados do meu Poder Superior.. como para o membro que já acumulou algum tempo limpo. Um padrinho é alguém com quem podemos partilhar nossos segredos profundos e escuros. 59 . que seria difícil fazermos sozinhos. Precisava de alguém que estava do lado de fora do meu processo de tomada de decisões para me dar um empurrão que eu precisava na direção certa”. acho que gostaria de tornar minha vida muito melhor escrevendo um inventário. Isso é verdade tanto para aqueles de nós que são novos ao programa..’ quando nunca tinha feito nenhuma dessas coisas antes. Mais importante para muitos de nós. nosso padrinho/madrinha é a pessoa para quem podemos ligar quando temos vontade de usar. e ainda alguém que pode partilhar novas idéias conosco e nos oferecer direção quando pedimos.

talvez é onde deveria estar. Ele me disse ‘Se é para você ir preso. Era exatamente o que eu buscava”.“Lembro quando escolhi meu primeiro padrinho. Era para eu ir preso por muito tempo. que pode nos levar a ter uma 60 . Em quem poderia confiar nesse nível? Não queria saber sobre os passos. Podemos ter históricos ou outras características em comum. Precisava achar aquela pessoa em quem podia confiar 15 minutos antes de usar ou 15 minutos depois de ter usado. Às vezes. um elo especial se forma. temos simplesmente um sentimento intuitivo que alguém é o padrinho certo para nós. permitindo que confiemos mais nas sugestões que eles oferecem. Muitos de nós escolhemos nossos padrinhos pela honestidade ou profundidade de suas partilhas. Precisava que ele me dissesse isso.’ Eu queria responder ‘Quem pediu a sua opinião’? mas pedi para que ele fosse meu padrinho. Freqüentemente.

Mais tarde naquela noite. Ela ainda é a mulher que quero ser quando eu crescer. Fiquei chocada! Ela mal me conhecia. ela me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa que eu tinha conhecido. Mas. Ela pediu que ficasse junto com ela. eu sabia que queria que essa pessoa me guiasse em minha recuperação. “Acredito que minha madrinha hoje (e há sete anos) foi enviada por Deus! Nos conhecemos em uma convenção.profunda conexão espiritual com nosso padrinho. na verdade. Até o sábado de manhã. de um membro do meu grupo de apoio. ela me desafiou abertamente quando deixei passar um comportamento inadequado que estava tolerando há tempos. Mas nunca quero me vestir como ela!” 61 . e ficamos conversando o final de semana inteiro.

mas quando preciso de atenção especial. em busca de sua carreira. Ela parecia segura e confortável. meu padrinho é o adicto em recuperação especial enviado pelo Deus da minha compreensão”.“Para mim. Não pensei em minha decisão antecipadamente. minha madrinha se mudou para outra cidade. Escolhi uma mulher que havia me confortado uma noite quando eu estava mal. Posso ir a reuniões e coletar experiência. força e esperança da irmandade. tinha a tarefa de achar outra madrinha. Mais uma vez. “Alguns meses antes do meu terceiro ano limpa. simplesmente perguntei se ela havia trabalhado os passos e 62 . meu padrinho é aquela pessoa a quem posso levar minhas perguntas pessoais – aquelas que poderiam me envergonhar ou aquelas de natureza muito particular.

Só tínhamos sete reuniões naquela época. Era como uma família grande e no início me senti um estranho. e assim por diante. então muitos dos membros eram bem próximos.depois pedi que fosse minha madrinha. Desenvolver um relacionamento com um padrinho pode nos fazer sentir parte de algo maior do que nós. um padrinho pode facilitar o processo de ficarmos confortáveis com fazer parte da irmandade de NA. Meu 63 . Nosso padrinho pode nos apresentar a outros membros que têm mais tempo limpo ou que tiveram experiências de vida semelhantes. Quando chegamos ao programa. “Fiquei limpo numa pequena área de NA. Ela ficou maravilhada’. quando estamos prontos para aceitar certos compromissos. Trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a entender aspectos do programa que podem ser confusos para nós: que tipo de coisas queremos partilhar nas reuniões e o que é melhor ser discutido particularmente.

padrinho me convidava para ir quando o grupo saia para tomar café ou comer. e logo. Eu fui e descobri que gostei do serviço e das pessoas prestando o serviço. Foi tão confortante que logo comecei a me sentir parte do grupo. Foi a primeira vez que senti que pertencia”. Aprendi a trabalhar com outros. Senti que fazia parte da irmandade e aprendi muito a respeito”. muitas das pessoas no comitê se tornaram meus amigos. minha madrinha me convidou para uma das reuniões do comitê de serviço que traduzia literatura de NA para nossa língua. Me tornei membro regular. Apadrinhamento é tão vital para membros que estão na irmandade há vários anos quanto para aqueles que são 64 . Ele sempre me incluía nas conversas. como minha madrinha. “Quando eu era nova no programa.

seus princípios têm uma riqueza que se aprofunda conforme nossa recuperação amadurece. Estou 65 . É como olhar as nuvens e vêlas se tornarem centenas de rostos e imagens. Quanto mais tempo ficarmos limpos e trabalharmos o programa. Assim como nossa doença é progressiva.novos no programa. Enquanto o programa de Narcóticos Anônimos pode ser simples. nossa recuperação também é. “Continuando a ficar limpo em NA. mais mágicos e místicos os passos se tornam. mais ferramentas teremos e mais rica nossa vida espiritual pode ser tornar. Vejo os passos assim – mudando conforme cresço e evoluo em minha recuperação. “Quanto mais tempo fico limpa. vim a acreditar que uma das minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação é crescer através do aprendizado de novas idéias e experimentando-as através de ação”.

e tinha que trabalhar duro para ouvir com mente aberta o que os outros tinham a dizer em reuniões. e nada nela é como eu poderia ter imaginado ou sonhado para mim se eu não tivesse aprendido a me abrir a possibilidades novas”. meus sonhos. pensava sobre mente-aberta somente em termos de meu sistema de crenças. Era um ateu evangelista. englobando idéias sobre o que me faz feliz. Rezo para que eu nunca veja os passos ou a mim mesma como um trabalho ‘completo’”. e assim por diante. e sei que será uma jornada emocionante.fazendo os passos novamente com minha nova madrinha. o que quero para mim. Amo minha vida hoje. meu padrinho me ajudou a ver que mente aberta vai muito além de minhas idéias a respeito de Deus ou um Poder Superior. “Quando era novo em NA. anos depois. 66 . Agora.

Nossa doença não some. Meu padrinho (hoje) partilhou 67 . “Após sete anos sólidos de trabalhar o programa e os passos com um padrinho.mas eventualmente – parei de ligar para meu padrinho. estou num hotel em uma cidade conhecida por seu brilho e jogatina com estranhos que estão se drogando. e não somos libertados dos problemas da vida simplesmente porque estamos limpos há alguns anos. A próxima coisa que eu sei. Ter um padrinho durante tempos difíceis tem valor enorme. Tudo isso aconteceu com nove anos limpo.Membros com tempo limpo razoável podem se ver tão vulneráveis quanto recém-chegados ao encarar certas incertezas em suas vidas. mas eu não tinha um padrinho. Tempo limpo não significa sempre que um membro entende facilmente os princípios do programa de NA. Estava verdadeiramente perdido. e obviamente não tinha um programa. eu lentamente .

às vezes. Sempre reagi bem à amizade e carinho das pessoas. Muitos membros olham ao padrinho para ajuda em aceitar os desafios e 68 .comigo que meu Poder Superior me ama muito e que eu fui o cara mais sortudo por sobreviver a minha jogatina sem desastre!” “Houve épocas em recuperação onde me sentia perdida ou abandonada ou como se tivesse perdido minha conexão com Deus e NA. Mas eu fui ensinada que a porta está sempre aberta. E. é uma madrinha ou um amigo muito próximo que estende a mão para mim e me leva de volta “para casa”. o que realmente precisava era me sentir amada e aceita independente de quem eu era ou o que tinha feito”. Acho que passei tanto tempo nos meus dias de uso me machucando que quando cheguei a NA totalmente quebrada e cabisbaixa.

69 . “Quando minha irmã morreu de overdose há cinco meses. mas quando eu ligava para ele parecia que ele estava ali ao meu lado. Sei que largar tudo e pegar um vôo para estar ali apoiando alguém não está na ‘descrição do encargo’ de um padrinho. estava arrasado pela perda.obstáculos que às vezes nos encaramos enquanto aprendemos a viver uma vida limpa. Meu padrinho escutou sobre minha dor e disponibilizou tempo para mim quando eu precisei. mas nunca encontrei as palavras para dizer o quanto significou para mim tê-lo perto naquele momento e quanto me ajudou a atravessar meu luto”. Um padrinho pode oferecer sugestões sobre como lidar com “os destroços de nosso passado” e os desafios de nosso presente. Ele apareceu de surpresa no funeral dela só para me apoiar. Moramos a 640 quilômetros um do outro.

um padrinho trilhou o mesmo caminho que um afilhado e pode partilhar seu conhecimento e experiência a respeito da situação. Partilhar intimamente com outro membro igual a nós ressalta o fato de que os sentimentos e as experiências que temos não são tão únicos. mas conhecia 70 . fazer reparações com restituição financeira. pode ajudar o afilhado a evitar algumas das armadilhas que o padrinho já experimentou. e me tornar livre para o meu futuro”. Isso. Meu padrinho me ajudou a reconhecer a importância de encarar o passado.“Estava à beira de um desastre financeiro quando minha ex-esposa me processou por pensão atrasada. Precisava de uma nova madrinha. estava passando por dificuldades da meia-idade em relação à minha sexualidade. Freqüentemente. “Quando estava com dez anos limpa. por sua vez.

mas sim que o apadrinhamento nos guia nas nossas tomadas de decisão e auto-compreensão. Apadrinhamento pode ter um papel crucial no Segundo Passo. muitos creditam o apadrinhamento como fator importante em vir a acreditar que podemos ser devolvidos à sanidade.pouquíssimas pessoas que tinham passado por esses problemas e que tinham mais tempo limpas do que eu. Nossos padrinhos podem nos ajudar a obter uma perspectiva melhor sobre nós mesmos e nossas vidas. Isso pode ser um dos benefícios de ter o mesmo padrinho por um período longo de tempo. mas tinha dez anos a mais de idade e tinha acabado de passar pela mesma coisa que eu. Então pedi a uma mulher que tinha um ano a menos em recuperação. eles nos conhecem cada vez melhor. conforme os anos vão passando. 71 . Ela tinha procurado por amor em todos os lugares errados e havia aprendido a amar com responsabilidade”. Isso não significa que um padrinho é como um Poder Superior.

Ela me ensinou a respeito de insanidade e me ajudou a ver onde eu estava tentando fazer as mesmas velhas (e ineficazes) coisas para resolver meus problemas. Ela fazia isso de forma amorosa. “Após muitos anos limpo.“Minha madrinha me ajudou a compreender que ‘incontrolável’ não se aplicava somente a coisas ‘externas’. Ele me ouviu e me trouxe de vota aos passos. mas também à maneira que eu me sentia. sem pisar nos meus calos”. Achei que havia progredido além desse tipo de comportamento. Meu padrinho me lembrou que eu sou um trabalho em andamento. 72 . Me vi indo em direção à solução e não mais preso no problema”. eu entrei numa briga física e logo desenvolvi uma série de medos.

porém. Muitos de nós valorizamos nossos relacionamentos em NA. “Anonimato – a condição de não ter nome – é essencial nos meus relacionamentos de apadrinhamento. Podemos ficar unidos e saber que não temos que enfrentar os desafios sozinhos. às vezes. diferentes de nossos relacionamentos fora do programa. As razões pelas quais adictos procuram padrinhos são inúmeras.“Meu padrinho é aquele que ajuda a segurar a lanterna espiritual para mim”. O princípio espiritual de anonimato assegura que somos todos iguais dentro das salas de NA. vemos que o que nos une é que todos buscamos recuperação. pelas formas nas quais eles são. e particularmente os relacionamentos com nossos padrinhos. Os princípios de nosso programa muitas vezes podem nos ajudar a encarar e ultrapassar nossos problemas de maneira produtiva e responsável. Uma sólida compreensão da Décima Segunda Tradição significa 73 .

Como sabemos se alguém tem “o que nós queremos”? Narcóticos Anônimos não tem regras rígidas a respeito da seleção de um padrinho. iguais. 74 . Uma dessas é encontrar alguém com quem nos identificamos e que “tem o que nós queremos”. é metade de nosso nome). Muitos membros procuram por um padrinho. ou até mais.compreender o anonimato em vários níveis (deve ser importante – não só é o alicerce espiritual de todas as nossa tradições. Outro. No entanto. Um é que não divulgamos os segredos dos outros. Meu padrinho não é uma pessoa melhor ou um adicto melhor do que eu. mais importante para mim. é que somos todos. queremos manter em mente algumas qualidades básicas. para aprender de meus afilhados do que eles de mim”. que eles sentem que irão aceitá-los e respeitá-los não importando o que possam partilhar. tenho tanto quanto. em alguns sentidos.

e é comprometido com o programa. participa no serviço. Como com qualquer outro elemento de nossa recuperação. quero um padrinho que tem o que eu tenho e sabe viver com isso”. Eles procuram alguém que vai às reuniões. trabalha os passos. O que buscamos num padrinho no início de recuperação pode ser diferente do que buscamos mais adiante em recuperação. podemos sempre buscar orientação de nosso Poder Superior para tomar uma decisão. Aqueles que são novos no 75 . É importante nos perguntarmos não só o que queremos para nossa vida e recuperação. “Não quero um padrinho que tem o que eu quero. tem um padrinho/madrinha. enquanto outros tentam encontrar um padrinho que será seu companheiro e amigo. Encontrar um padrinho com mais tempo limpo também é importante para muitas pessoas.Alguns membros simplesmente querem um guia através dos passos. mas também o que sentimos que precisamos. Para alguns. o relacionamento do padrinho em potencial com o programa é a consideração mais significativa.

é mais importante encontrar alguém amistoso e disponível que é respeitoso e confiável. independente disso. a não ser que não haja tais indivíduos em sua comunidade. Porque nosso padrinho é humano. Alguns de nós podemos querer alguém que nos direciona firmemente.programa. é claro. Uma lista das considerações poderia continuar interminavelmente. 76 . podemos considerar outras qualidades pessoais. e que tem mente aberta. e. provavelmente deveriam procurar por um membro mais experiente como padrinho. Para alguns. Como determinamos exatamente quais características sentimos que são necessárias depende inteiramente de nós. por exemplo. ele ou ela terá qualidades e defeitos. especialmente. Podemos achar alguém que tem apenas uma (ou nenhuma) dessas qualidades. ninguém terá todas essas qualidades. Além de olhar o que as pessoas fazem por sua recuperação. Outros explicam que achar alguém divertido é tão importante quanto o resto. Alguns procuram primeiramente por um membro que é honesto e íntegro. mas que. é o padrinho perfeito para nós.

Queria alguém que tinha mais tempo limpo do que eu. Queria alguém que tinha lidado com os mesmos tipos de problemas que eu tinha. não consegui encontrar ninguém que preenchia os requisitos. Queria alguém que fosse gay como eu.enquanto outros podem procurar por alguém que nos deixará tomar nossos próprios tombos. etc. etc. 77 . etc. pedi que ele fosse meu padrinho. “Uma vez cheguei a um padrinho com uma lista de problemas que queria que meu padrinho abordasse. e sem nem saber nada sobre ele. Queria alguém cuja visão do programa era semelhante à minha. conheci um cara numa reunião. muitos pedimos à pessoa que nos faz sentir mais bem-vindo. No final. Escolher um padrinho é nossa decisão. Depois de vários meses. Quando somos novos. Enquanto essas expectativas não pareciam exorbitantes.

ele preenchia cada um dos meus requisitos prédeterminados. Eu tinha apenas que sair do caminho”. ele disse que iria perguntar ao padrinho dele se ele devia me apadrinhar. Quando pedi que ele fosse meu padrinho. O companheiro que eu finalmente pedi tinha uma barba cinza e a aparência que eu achava que um padrinho deveria ter. então para mim. Faço a mesma coisa hoje quando alguém me pede para ser seu padrinho”. Tinha tanto medo de rejeição que tinha uma lista de três pessoas que eu poderia pedir caso uma me rejeitasse. Ele tinha alguma coisa que eu gostava. “Eu já sou muito duro comigo mesmo. a 78 . Era mais uma ocasião que os planos de Deus eram melhores que os meus. “Eu olhava bem as pessoas. pois às vezes o que elas dizem não combina com como elas vivem.

Nos primeiros dez anos de minha recuperação. Simplesmente não tinha homens em minha área com mais tempo limpo. então tive que decidir o que era mais importante para mim e fazer concessões”. Como recém-chegados ao programa de NA. ironicamente. emocionalmente e espiritualmente. Quando muitos de nós chegamos às portas do NA. podemos ser atraídos a outros membros por causa de 79 . O único homem que preenchia essa descrição era. mentalmente. e freqüentemente necessitados financeiramente.coisa mais importante tem sempre sido encontrar um padrinho gentil. meu afilhado. estávamos quebrados fisicamente. não conseguia encontrar alguém que preenchia todos os ‘ideais’ em minha lista de padrinho ideal. estabilidade emocional e um bom senso de humor. Examinar nossos motivos para considerar alguém na escolha de um padrinho também é uma boa idéia.

suas posses ou sua aparência. Podemos ver seu “dinheiro, propriedade e prestígio” como medida de seu status e sucesso em recuperação. Podemos não compreender inteiramente que o programa de NA é trabalho interior e suas recompensas têm mais a ver com crescimento espiritual e paz mental do que estilo de vida e bens materiais. “Minha primeira madrinha tinha um carro novo, se vestia bem, e tinha uma casa maravilhosa. Achei que ela me mostraria como conseguir todas essas coisas, mas ela me levou aos passos e um despertar do meu espírito”. “Procurava alguém que tinha o que eu queira: a maior quantidade de jóias, o melhor carro, e mais mulheres. Descobri depois que eu deveria arrumar um padrinho com o que eu precisava – aceitação!”. Alguns membros tem tido experiências de relacionamento difíceis
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com relacionamentos familiares, amorosos, no trabalho, e outros membros da sociedade antes de entrar em recuperação. Às vezes sentimentos como carência ou desespero podem nos tornar hesitantes a cometer os mesmos erros do passado, ou podem nos encorajar a desenvolver novos relacionamentos que parecem iguais aos antigos. Quando escolhemos um padrinho, podemos não identificar que tipo de relacionamento de apadrinhamento será melhor para nossa recuperação. “Meu primeiro padrinho era muito rígido, e pensei que isso tornaria mais fácil para eu introduzir disciplina em minha vida, como a criancinha que faz a coisa certa porque tem medo dos pais. Na verdade essa é a forma que eu fui criado, e estava acostumado ao abuso e ser forçado a me provar. Esse relacionamento durou dois encontros, e eu acabei chorando no meu grupo de escolha, me sentindo quebrado por causa de sua
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crítica severa e controle. Me senti rejeitado”. “A verdade é que, quando era nova no programa, queria uma madrinha para que as pessoas parassem de me dizer que eu precisava arrumar uma. A mulher que pedi para ser minha madrinha era, de muitas maneiras, meu oposto, e achei que era isso que eu deveria querer. Era baixinha, loira e estava sempre sorrindo. Eu gostava de seu namorado, que era médico. O cabelo dela nunca estava fora do lugar, e ela era muito determinada, que eu achava legal. E, ela tinha mais que cinco anos limpa e não me tratava come se fosse idiota. O problema é que éramos tão diferentes que nenhuma das duas conseguiu aprender a entender a outra. A frase que ela mais usava comigo era ‘Estou tentando te entender, realmente estou.’, frustrada. Mas ela nunca conseguia. E eu não lembro
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de ela ter mencionado os passos para mim, mas ela me deu um monte de sugestões práticas úteis – mais do que eu sabia na época”. Achar um padrinho pode ser um dos compromissos mais importantes que faremos em recuperação. Precisamos fazer todo esforço possível para olhar para dentro de nós mesmos, não importando a dificuldade de manter a objetividade. É claro, que porque essa escolha é tão pessoal e há tanta diversidade entre nossos membros, algumas considerações podem não ser tão importantes quanto outras para nós. Por outro lado, podemos sentir que certas características de personalidade, não mencionadas aqui, são cruciais. Independente, é importante lembrar que um padrinho é um ser humano que pode errar. “A tendência de colocar padrinhos, especialmente aqueles que apadrinham muitas outras pessoas, em pedestais, isola profundamente esses membros. A primeira vez que
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perguntei para uma pessoa como era ter muito tempo limpo, ele respondeu ‘solitário’”. “Eu escolhi minha madrinha porque ela partilhou sobre ser humana e cometer erros, e eu achei que isso significava que ela teria que ser gentil comigo se eu não fosse perfeita. Sua filha estava na adicção ativa, e a luta obsessiva de minha madrinha para administrá-la freqüentemente significava que ela não estaria emocionalmente disponível ou que ela não retornaria minhas ligações quando queria que o fizesse. Aprendi a depender de outras pessoas para me apoiarem nessas horas, pois ela era quem eu queria que fosse minha madrinha. Apesar de ser imperfeita, às vezes louca, em minha opinião ela era gentil e amorosa e era disso que eu precisava”. Muitos de nós achamos que ajuda ter um sentido de nossas próprias
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expectativas para o relacionamento de apadrinhamento e para ser direto a respeito dessas expectativas quando pedimos para alguém ser nosso padrinho. Para aqueles de nós que são novos no programa, isso pode ser mais difícil. Pode levar algum tempo no programa para desenvolver esse tipo de compreensão. No entanto, se, como um membro novo, precisamos de mais tempo e atenção de um padrinho, temos que aprender a pedir. Podemos querer perguntar a padrinhos em potencial se podemos ligar tarde à noite se queremos usar, e quais são suas expectativas se recairmos (eles ainda irão nos apadrinhar?). Aqueles de nós com algum tempo limpo estabelecido também têm que pedir o que precisamos. Se buscarmos ajuda com um passo ou tradição, como lidar com um encargo de serviço ou com uma situação de vida, podemos discutir essas necessidades com um padrinho em potencial. “Quando pedi que minha atual madrinha me apadrinhasse, falei com ela sobre confidência. Ela é a melhor amiga de minha chefa, e eu precisava saber
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Ao aprendermos a arriscar e superar nosso medo. Isso é uma ferramenta que podemos usar em todos nossos relacionamentos ao crescermos em recuperação. 86 . podemos desenvolver a habilidade de expressar nossas necessidades.que poderia falar com ela sobre o trabalho com certeza de que minha confidência seria mantida. NA como um todo não tem opinião sobre muitos assuntos polêmicos a respeito de apadrinhamento. e que ela se sentiria confortável com isso. nos tornamos boas amigas (apesar de seu ‘aviso’)”. Ele deixou claras suas expectativas e também me explicou que só porque era minha madrinha. No final. não significava que seríamos melhores amigas. Nossa experiência tem mostrado Enquanto a maioria dos membros de nossa irmandade podem concordar entre si sobre vários aspectos de apadrinhamento.

é importante que nós. 87 . além de seu padrinho de muito tempo. Padrinhos múltiplos A maioria de nossos membros sente que é importante ter somente um padrinho. Alguns membros. porém. Às vezes circunstâncias especiais.Nossos membros individuais. sentem que há uma maneira “correta” para abordar o apadrinhamento. doença ou divórcio. como serviço. não façamos que qualquer grupo de membros se sinta excluído ou defender a idéia de que um método de praticar o princípio de apadrinhamento é melhor que outro. Entretanto. um padrinho é como um “único ponto de decisão e responsabilidade” explicado no quinto conceito. como uma irmandade. têm tido sucesso com mais de um padrinho. no entanto. motivam membros a procurar alguém com experiência semelhante para apadrinhar ou guiá-los. freqüentemente desenvolvem crenças fortes e em muitos casos. Esses membros têm visto que ter um padrinho ajuda a manter as coisas simples e minimizar o risco de escolher entre várias respostas que recebemos.

o que eu pensava. e o outro queria que eu recomeçasse o Primeiro Passo”. integridade. o que era importante – honestidade. Demorou mais para eu me enxergar. Paguei o preço. eu diria ‘Ah. “Ter dois padrinhos era confuso no começo. mas acho que o processo aconteceu no 88 . Um queria que eu continuasse com o Quarto Passo. viver com princípios. sentia. mas acabei nessa situação por uma semana. estou cuidando dessa parte com meu outro padrinho’. e foi muito confuso. Os dois queriam que eu fizesse coisas opostas. No início. etc. mas me ajudou a decidir o quão honesto eu realmente queria ser. tinha saídas com os dois – se um tentasse me confrontar sobre algum defeito e não estava pronto. acreditava.“Não era para eu ter dois padrinhos.

e eu comecei a trabalhar os passos o melhor que podia. tinha que completar o encargo ou 89 . então arrumei uma ‘madrinha de serviço’. Minha madrinha de serviço me ajudou muito. Estava sobrecarregada e queria desistir de tudo. me interessei muito pelo serviço. Aprendi tanto por ter tido dois padrinhos que só posso dizer que foi positivo”. Ela disse que uma vez que tivesse me comprometido com o serviço. Quando completei três meses limpa. “Achei uma madrinha antes até de ficar limpa. Assim que fiquei limpa.tempo de Deus. Ela me trouxe às reuniões. mas minha madrinha não tinha experiência nessa área. tinha quatro encargos de serviço que tomavam todo meu tempo. que me guiou nessa área do meu programa.

larguei o padrinho de AA e só usei o de NA. Se quiser 90 . Então. Essa experiência realmente ajudou que eu me desenvolvesse na pessoa que sou hoje. mas completei os outros encargos.achar um substituto. o que estava ouvindo de meu padrinho do AA não condizia com o que ouvia do padrinho de NA. Logo. Achei um substituto para uma de minhas posições. “Quando entrei em recuperação. A lição que aprendi era que se quero aprender carpintaria. Nenhuma dessas mulheres é minha madrinha hoje. Se quiser aprender a consertar carros. tinha um padrinho em NA e um em AA. mas sou amiga das duas. preciso falar com um carpinteiro. devo falar com um mecânico. e sou grata pela orientação que elas me deram nas áreas diferentes”.

Apesar dessa pratica ser popular em algumas regiões. ela é desencorajada em outras. eles explicam. Apadrinhamento temporário Em algumas regiões. 91 . Podemos também pedir que alguém seja nosso padrinho temporário quando temos uma circunstância impedindo que nosso padrinho esteja disponível por um período de tempo: se. nosso padrinho está doente ou temos que nos mudar por um período de tempo. preciso um padrinho de NA”.aprender como viver o programa de NA. uma prática denominada apadrinhamento “temporário” ou de “transição” é comum. Às vezes instituições obrigam seus pacientes a arrumar um padrinho temporário. “Essa doença não é temporária”. por exemplo. Alguns membros sentem que ter um padrinho temporário indica falta de compromisso ou reservas. Um padrinho temporário ou de transição é alguém que pode trabalhar conosco até encontrarmos uma pessoa que sentimos que podemos pedir para ser nosso padrinho. especialmente para aqueles novos no programa.

“Meu primeiro padrinho temporário durou quatro anos”. “Tive relacionamentos temporários suficientes; é hora de aprender a ter relacionamentos permanentes”. “Meu centro de tratamento me obrigou a ter um padrinho, então pedi à primeira pessoa que encontrei numa reunião que fui quando internado. Ambos estávamos cientes que o acordo era temporário”. Gênero O gênero de nosso padrinho/madrinha – isso é, se eles deverão ser do mesmo sexo que nós - é outra área na qual opiniões variam de comunidade em comunidade e adicto para adicto. Muitos adictos sentem fervorosamente que um padrinho/madrinha do mesmo sexo pode melhor ajudá-los a trabalhar certas dificuldades e mais facilmente identificarse com eles e sentir empatia. Outros não
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vêem o sexo como um fator determinante em trabalhar as questões de recuperação ou estabelecer empatia. Em algumas comunidades pequenas de NA, o número de padrinhos locais em potencial pode ser limitado, influenciando as escolhas dos membros nesse sentido. Independente do que decidirmos a respeito do sexo de nosso padrinho ou madrinha, devemos tomar cuidado para que a atração sexual não se torne parte de nosso relacionamento de apadrinhamento. “Tenho um padrinho amoroso e bondoso do mesmo sexo porque só posso partilhar algumas das coisas em minha vida que dizem respeito ao sexo oposto com alguém que se identifica. Por exemplo, ele compreende minhas dificuldades de comunicação com minha ex-mulher. Ambos temos filhos que moram com nossas ex-mulheres, e ambos temo experiência com tentar fazer isso funcionar”. “Como homem gay, tenho tido alguns tipos diferentes de
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padrinhos. Fui apadrinhado por outro homem gay, uma mulher gay, um homem heterossexual, e uma mulher bissexual. Acredito que o sexo de meu padrinho só é importante no seguinte sentido: que ninguém deve ser apadrinhado por alguém, onde qualquer nível de tensão romântica ou sexual existe”. “Preciso de uma madrinha mulher não só por causa de dificuldades com atração sexual, mas principalmente para aprender a confiar, gostar de, e amar alguém do mesmo gênero que eu, e confiar em mim mesma como mulher”. “Sempre tive padrinhos do sexo oposto porque quando entrei em recuperação, a irmandade estava apenas começando no meu país, e não havia mulheres em recuperação. Acho que apadrinhamento pelo sexo oposto pode funcionar quando o único propósito é
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recuperação. Minha própria experiência é que eu me aproximei de um membro por quem eu sentia atração, com a intenção de pedir que ele fosse meu padrinho. Felizmente, ele me rejeitou, dizendo que sentia atração por mim e não seria meu padrinho. Sugeriu que eu procurasse outra pessoa. Me senti muito magoada pela rejeição; nenhum homem jamais me rejeitou antes, mas foi a primeira lição em dignidade que recebi nos grupos de Narcóticos Anônimos”. “Quando entrei em recuperação e procurava um padrinho, alguém explicou para mim que ‘Recuperação não e sexualmente transmitida’; não escolha alguém por quem sente atração’”. “Percebi que desde minha infância, homens eram competidores – por atenção, em esportes, por mulheres, no
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trabalho por uma posição, salário, etc. Agora, preciso vêlos com outros olhos. Preciso vê-los como amigos e confidentes em vez de competidores. Isso demorou um tempo. Mas uma vez que superei o medo de intimidade com um homem, minha recuperação deslanchou. Acredito que essa intimidade é muito importante para o relacionamento padrinho/afilhado”. “Quando tinha quatro meses limpa, pedi para um homem ser meu padrinho. Era minha forma de rebelar; afinal, homens e mulheres são iguais, disse a mim mesma. Achei que a sugestão de apadrinhamento do mesmo sexo só tinha a ver com sexo. Meu padrinho emprestava meu dinheiro e não me pagava depois. A gota d’água foi quando descobri que ele não pedia dinheiro a seus afilhados homens, e eu percebi que homens e
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mulheres se manipulam de várias outras formas além de sexualmente”. E se eu não puder achar um padrinho de NA? Às vezes não conseguimos achar um padrinho imediatamente. Especialmente em comunidades mais novas ou menores de NA, pode haver poucos membros com tempo limpo significante. Em tal situação, alguns membros tem tido que achar padrinhos em outras irmandades de Doze Passos ou pela Internet, e alguns têm usado co-apadrinhamento (uma situação na qual cada pessoa apadrinha a outra) para ajudá-los em sua recuperação. Alguns desses arranjos funcionam e duram por muitos anos. “Não tinha nenhuma outra mulher em recuperação com minha quantidade de tempo limpo, então procurei uma madrinha no exterior para trabalhar os passos tradições e conceitos. Quando pedi à mulher, ela disse que tinha o mesmo problema e sugeriu o co-apadrinhamento. Desde
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Nos escrevemos regularmente. “Como moro numa comunidade de NA pequena. correio e telefone. Ela também parou de ir às reuniões. Por agora. Escrever nos dá tempo para pensar entre comentários e isso realmente dá bons resultados. Mas. está funcionando”. fui a outra irmandade buscar uma madrinha. Percebi que tinha que encontrar outra madrinha. “A maioria de minha comunicação com meu padrinho ocorre on-line. No telefone posso enrolar por horas dentro da minha doença. Ela me ajudou com os passos e me amadrinhou por alguns anos. nos comunicamos via e-mail. mas escrever 98 . onde não há mulheres com mais tempo do que eu. aí percebi que eu estava muito mais envolvida em trabalhar o programa do que ela.então. e comecei a procurar em um país vizinho”.

. E nós dois nos beneficiamos de ter nossas conversas por escrito. No entanto. aprendemos que as qualidades particulares ou filiações de nossos membros como indivíduos. Claro.me dá estímulo para ser mais preciso e mais direto. Nosso Texto Básico explica que qualquer um pode ser membro de NA independente de sua raça. eles deverão 99 . É importante que eu lembre que e-mail não é uma forma anônima ou confidencial de comunicação. religião. idade. há algumas coisas que simplesmente não posso discutir on-line”. etc.. então é uma dádiva e também uma dificuldade.? Em NA. Independente de. meu serviço de e-mail é através do meu trabalho. alguns adictos se perguntam se eles deverão considerar estes fatores quando escolherem um padrinho. não afetam seus direitos a ser membro de NA e status como adicto em recuperação. identidade sexual. Significa que meu chefe tem acesso a todas as conversas com meu padrinho.

Sou grato por ter tomado conta do interior dele antes de o julgar por seu exterior”. “Conheci meu padrinho por sete anos antes de pedir que ele fosse meu padrinho. muitos outros têm visto que esses aspectos quase não têm importância frente a trabalhar um programa espiritual. Não acredito que eu teria pedido para ser meu padrinho se soubesse de antemão sobre seu status econômico. Ele já tinha me apadrinhado por mais de um ano antes de descobrir que ele era rico. dividimos o mesmo padrinho. e uma cultura ou passado semelhante? Enquanto alguns adictos procuram um padrinho que é igual a eles em algumas dessas características. 100 . e alguns. Nos primeiros cinco anos. buscam alguém que não é semelhante a eles.procurar alguém com crenças políticas ou religiosas semelhantes. ou etnia e status sócio-econômico semelhante. na verdade.

fui ensinado a odiar todas as religiões e tons de pele que não fossem os meus. “Minha madrinha e eu éramos diferentes radicalmente em termos de cultura e morais.“Em minha adicção. Viemos de partes diferentes do país. Então havia muitas coisinhas estranhas que não compreendíamos uma sobre a outra. minha intolerância foi substituída por amor. Em recuperação. por exemplo. paciência e tolerância”. Cheguei a esperar e até me divertir com a pergunta ‘Isso é uma diferença cultural ou um defeito de caráter?’ Falamos muito sobre a Quarta Tradição porque ser sua afilhada não significava que eu teria que me tornar igual a ela – significava que ela me 101 . religiões diferentes e classes sociais diferentes. Ele me ensinou. fui atraído por um padrinho ministro. que em NA o espírito de anonimato poderia substituir todos os meus julgamentos.

ajudaria a me tornar mais e mais como mim mesma. as drogas não foram impedidas pelas fronteiras da cor. pois a minha não conseguia me dar sugestões sem a influência de sua crença particular sobre Deus”. 102 . Não enxergava cores nem bairros. então porque minha recuperação devia ser?” “Se eu esperasse por um homem da mesma raça entrar nas salas para arrumar um padrinho. Autonomia significava não ser igual. “Fiquei limpo na cidade. “Tive que trocar de madrinha. não confundir unidade com uniformidade”. Só me lembro de sentir tanta dor e lutar tanto para não usar drogas. e esse adicto dizendo sim quando pedi que ele fosse meu padrinho. Como eu vejo. A raça do meu padrinho era diferente que a minha. estaria usando agora”.

mas não buscamos uniformidade. membros individuais de NA. Em NA. valorizamos nossa unidade. minha maior dificuldade foi pedir que meu atual padrinho norte americano me apadrinhasse. Aprendi que a linguagem do amor é mais forte do que qualquer barreira”. Tinha que superar meu julgamento. que protege nossa diversidade. Como cada um de nós encara essas várias diferenças não é certo nem errado. Meu relacionamento com ele é principalmente através da Internet. também valorizamos o princípio espiritual da autonomia. 103 . é simplesmente como nós. Enquanto os princípios espirituais de unidade e anonimato expressados nas tradições enfatizam nosso elo comum como adictos em recuperação. encaramos essas diferenças.“Como afilhado. assim como barreiras de linguagem e distância.

Eu era tímido e não teria pedido 104 . Eu disse que tudo bem e ele concordou. Ele foi meu padrinho por dois anos.Estendendo a mão Pedir que alguém seja nosso padrinho pode ser assustador. nossa arrogância e auto-suficiência podem nos impedir de admitir que sequer precisamos de ajuda e. Ela me disse que achava que ele seria um bom padrinho para mim. “Outra pessoa conseguiu meu primeiro padrinho para mim. Por outro lado. como conseqüência. Como membros novos. Uma menina que conhecia na clínica me apresentou seu namorado numa reunião. Nossa auto-estima pode ser tão baixa que acreditamos não ser merecedores de um padrinho. podemos resistir nos envolver com outro membro. podemos nos sentir amedrontados pelo tempo limpo de outro membro ou acreditar que de alguma forma somos mais doentes do que os outros.

sempre me sentia culpado quando pedia que passasse algum tempo comigo. “Quando pedi que meu padrinho me apadrinhasse. Estava limpo há dois dias.’ Essa única frase fez mais para fortalecer o elo entre mim e meu padrinho do que qualquer outro evento em nosso relacionamento”. A resposta dele foi linda: ‘Não ouse tirar meu direito de devolver o que me foi dado. Eu era muito bravo e ‘durão’ nos primeiros dias. Ninguém 105 . e morava num prédio abandonado. O primeiro cara que pedi me rejeitou.sozinho. Finalmente partilhei meus sentimentos de culpa sobre tomar seu tempo. Eu o via como o ‘grande Deus de NA!’ Como resultado. “Conheci meu primeiro padrinho na minha primeira reunião. estava nervoso e duvidaria se ele teria tempo para mim. Teria tentado fazer parte fingindo”.

mas eu não tinha mais aonde ir. Recém-chegados não são os únicos que tem dificuldades em pedir que alguém os apadrinhe. Ele era meu afilhado irmão – isso é. Podemos precisar achar um novo padrinho por inúmeras razões. Eventualmente. fiquei humilde o bastante para pedir a outra pessoa. nossas vidas podem se transformar tremendamente. podemos nos ver crescendo em direções diferentes. Estamos juntos há 18 anos”. então fiquei na sala. tínhamos o mesmo padrinho. Meu atual padrinho é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Após trabalhar com o mesmo padrinho há anos.queria muito a minha companhia. Obrigações familiares podem encurtar o 106 . Conforme ficamos limpos e nos tornamos membros produtivos da sociedade. Membros com bastante tempo limpo podem relutar em trocar de padrinho. Responsabilidades de trabalho ou oportunidades de carreira podem fazer com que seja necessária uma mudança da atual comunidade de NA – ou nossa ou de nosso padrinho.

significa também que posso trabalhar muito mais conscientemente na 107 . Nossos padrinhos podem ficar doentes.tempo que nosso padrinho tem para dedicar a nós. Qualquer que seja a razão. mas pode ser especialmente difícil após estarmos limpos por algum tempo. Mas. podemos nos ver sem padrinho e saber que precisamos pedir a alguém. apesar de estar em luto do último. Não é fácil escolher um padrinho em quaisquer circunstâncias. “Trabalhei duro para construir um novo relacionamento com um novo padrinho. Isso faz com que seja mais difícil lembrar que eu não posso apadrinhar a mim mesmo. Tenho uma idéia muito mais clara sobre quem eu sou e do que preciso (ou penso que preciso) agora do que quando era novo no programa e achei meu primeiro padrinho. num nível tão íntimo. morrer ou até recair. Muitos membros acham difícil a idéia de conhecer alguém novamente.

“Com três anos limpa. mas alguns de nós evitamos pedir que outro membro nos apadrinhe por medo de rejeição. e senti que precisava de outra mulher para me guiar nos passos. me vi estagnando em recuperação. que se eu quisesse crescer em recuperação. precisaria de outra madrinha. Não estava crescendo. Sabemos que podemos encontrar aceitação nas reuniões de NA que freqüentamos. porém. pois não queria perder sua amizade. No entanto. Sabia.construção desse relacionamento e que posso lidar com problemas no relacionamento muito melhor do que antes”. não devemos nos negar a possibilidade de participar em um relacionamento enriquecedor simplesmente por causa de nossos medos. Podemos não querer perder aquela sensação de “fazer parte”. Hoje. Tinha medo de mudar de madrinha. estou trabalhando os 108 .

Podemos ainda falar com outros membros para ver se eles podem sugerir alguém como padrinho em potencial. enquanto outros analisam e tomam essa decisão racionalmente. Isso é uma boa maneira de conhecer outro membro. pegar o telefone deles e começar a ligar. serviço. na maioria das vezes. Se a partilha de alguém nos emociona. Não precisamos estar no final de nossa corda para pedir ajuda.passos e crescendo em recuperação com a orientação de minha nova madrinha”. mesmo se nossa vida parece estar fluindo bem no momento e não temos nenhum problema a resolver. Podemos começar por ir às reuniões e ouvir aos membros presentes. buscamos um padrinho de maneira semelhante. muitos de nós acham melhor usarmos nossa intuição. Podemos querer considerar ainda aqueles adictos que parecem estar interessados em nossa 109 . Independente do tempo que temos no programa. Convenções. workshops. e outras atividades relacionadas a NA também são solo fértil para seleção. devemos chegar até eles. Ao escolher um padrinho.

e quando a primeira mulher a quem pedi disse que não podia ser minha madrinha. pois era isso que eu queria – e ela disse sim. Mas. “Pedi para cinco ou seis homens. Acredito que eu sou o tipo de pessoa que valoriza coisas difíceis de conseguir e provavelmente foi importante 110 . e finalmente minha persistência deu frutos. continuei pedindo às pessoas. Tenho certeza que foi um Deus amoroso me guiando para o padrinho certo”. É importante lembrar de ir com calma. Finalmente pedi a uma mulher que parecia saber como ter relacionamentos e pertencer a NA. antes de meu primeiro padrinho aceitar. que disseram não. me senti sem valor nenhum e burra por ter pedido a ela. serem meu padrinho. Se alguém que pedirmos disser não. então continuamos nossa busca.recuperação. “Sou uma mulher muito orgulhosa.

As outras coisas que minha experiência com persistência me ensinou é viver a vida como a vida se apresenta”.ter que dar duro para achar uma madrinha. “Conheci minha primeira madrinha nua reunião de serviço regional.para mim . e apesar dela 111 . Apadrinhamento à distância pode ser também uma solução para membros encarcerados ou aqueles de nós em hospitais ou instituições nas quais o contato pessoal é limitado. podemos precisar buscar um padrinho à distância: alguém que conhecemos na Internet. Em comunidades com poucos membros de NA. em uma convenção ou outra maneira similar. mas alguns de nós têm tido sucesso com tais relacionamentos. particularmente em comunidades pequenas de NA onde apadrinhamento à distância pode ser um elo vital para o resto da irmandade. Nem todos os membros acreditam que essa opção funcionará para eles. através do serviço.

e tenho aprendido aceitação. uso o telefone. convenções! Chamávamos de recuperação na estrada. responsabilidades.morar a mais de 100 quilômetros de distância. reuniões de comitês de serviço e é claro. e dádivas demais para escrever todas aqui”. Sua 112 . mas tenho um sistema de apoio maravilhoso onde moro. admito que há momentos em que gostaria de encontrar minha madrinha para tomar um café – NAQUELE MOMENTO! Mas. escrevo. Sim. paciência. e vou a reuniões regularmente. e nós pudemos manter contato regular e trabalhar através de encontros em oficinas. A distância entre nós tornou ligar difícil às vezes. “A distância simplesmente desaparece quando ouço a voz de minha madrinha do outro lado do telefone. eu queria o que ela tinha e estava disposta a fazer qualquer coisa para conseguir.

experiência em viver o programa e os passos é o que eu quero dela. mulheres que podem me ajudar a viver princípios espirituais. e me dizer quando preciso ligar para minha madrinha”. Grande parte do quanto ganhamos com apadrinhamento depende de nossa boa-vontade em ser apadrinhado. perdemos nosso egocentrismo e nos tornamos sensíveis às necessidades de nosso padrinho. me amar. Muitas vezes. Começamos a desenvolver 113 . Descobrimos como enxergar a vida através de uma outra perspectiva. Quando abrimos nossos corações e mentes e fazemos um compromisso de trabalhar com um padrinho. A chave é ter outras mulheres à minha volta. Desenvolvendo nosso afilhado/afilhada papel como Podemos tomar várias medidas para assegurar que nosso relacionamento com nosso padrinho é enriquecedor e satisfatório. temos a oportunidade de aprender muitas coisas novas e novas maneiras de pensar.

“Quando estou confuso e preciso de orientação. Fiz os passos com minha nova madrinha.confiança conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento. me sentia vazia e miserável. Não usei. Muitos de nós aprendemos a desenvolver equilíbrio em nossas vidas. e ele pode me ajudar a limpar minha cabeça com uma ou duas sugestões. “Tinha cinco anos limpa. Não confiava em ninguém. Não acredito ter todas as respostas e experiências. A perspectiva dele sobre o assunto pode ser diferente. Não confiava nela. Eu odiava. e minha madrinha abriu mão de mim porque não seguia suas sugestões. Quando encontrei minha atual madrinha. Ela pediu que eu ligasse todos os dias para ela. Continuei voltando. ligo para meu padrinho. então mantenho meu ego no seu lugar seguindo meu padrinho”. mas 114 .

nunca perguntava. Por conseguinte. talvez ‘direcionada’ é uma palavra melhor .o fazia. 115 . não queria nem conseguia me conhecer. No início do relacionamento. E aí.ok . Alguma coisa começou a acontecer. Meu telefone começou a tocar. A razão que eu sempre tinha amizades e relacionamentos amorosos insatisfatórios é que não deixava ninguém chegar perto de mim para me conhecer.para construir o primeiro relacionamento íntimo de minha recuperação e talvez de minha vida. Acho que o que aconteceu é que eu fui forçada . me lembro de perguntar como ele está. Percebi que eu ria mais. “Cada vez que falo com meu padrinho. ficou estranho. Trabalhar com uma madrinha e aprender a confiar nela tem feito uma diferença enorme em minha vida. As pessoas sentavam perto de mim nas reuniões e eu falava com elas. Depois.

Nosso padrinho simplesmente partilha sua experiência força e esperança conosco. no final. Temos que fazer nossa parte. Agora quando ele pergunta ‘Como está?’ partilho o que está acontecendo. E para fazer essa parte. Ter um padrinho envolve mais do que conversa. “Ter um padrinho é um lembrete de minha responsabilidade para comigo para progredir nos passos. Ser um afilhado é uma ação. recuperação é possível”. Ao 116 . Buscando apoio individual de outro adicto em recuperação nos ajuda a perceber que podemos fazer muito mais juntos do que jamais poderíamos fazer sozinhos. somos responsáveis por nossa própria recuperação. analisar. não estamos contratando um profissional para nos ensinar. tratar ou salvar.quando perguntava. Quando escolhemos um padrinho. e depois digo ‘E como está você?’ Sim. temos que nos abrir. era a última coisa que perguntava antes de desligar o telefone.

As quatro maiores diferenças na minha opinião: Apadrinhamento não custa dinheiro. 117 . Não posso ligar para minha terapeuta todos os dias.partilhar esse processo com um padrinho. “Demorou bastante para eu conseguir distinguir terapia de apadrinhamento. Ninguém nunca pediu comprovante de pagamento numa reunião de NA. Minha madrinha nunca me disse que ‘O tempo acabou’ quando estava chorando”. “Quando entrei em recuperação. sempre ligava para minha madrinha para pedir que ela me dissesse o que fazer em certas situações. Desse modo. meu relacionamento com meu padrinho me mantém honesto sobre meu progresso em recuperação”. tenho uma testemunha sobre quanto trabalho estou fazendo e a velocidade na qual estou indo adiante com meu trabalho de passos.

Na época. Se você não sabe o que fazer. mas agora posso ver que ela não queria a responsabilidade que pertencia a mim. então espere’. Agora. isso me frustrava enormemente.Ela sempre disse para rezar. faço o mesmo com minhas afilhadas”. Se sentirmos vontade de usar. Ao 118 . Muitos dos princípios que aprendemos quando somos novos sobre como o programa de NA funciona são os mesmos para o membro com bastante tempo. ela me dizia ‘não seu Poder Superior. comunicação tem um papel vital num relacionamento funcional de padrinho/afilhado. na verdade – mas ela nunca dava. nos abrir e aprender a confiar. precisamos fazer o esforço para fazê-lo. devemos ligar para nosso padrinho e “nos dedurar”. Quer sejamos novos ao programa ou tenhamos bastante tempo limpo. Lembro ter implorado que ela me desse direcionamento – ordens. Temos que passar por nosso medo. Se nosso padrinho pede que liguemos regularmente. ‘Sou sua madrinha’.

partilhar honestamente com e ouvir ao nosso padrinho. Partilhar meus pensamentos mais 119 . “Eu me mudava tanto quando era criança que perdi a oportunidade de ter uma melhor amiga por muito tempo. senti como se tivesse escolhido minha primeira melhor amiga. Eu sabia e ela sabia. isso é empatia. Lembro como minha madrinha era gentil e como ouvia com tanta paciência e um coração sábio. Ela é provavelmente a primeira pessoa que eu verdadeiramente deixei entrar no meu mundo. Éramos todos bastante novos em recuperação naquela época então apadrinhamento era muito via de mão-dupla. Quando finalmente cheguei a NA e arrumei uma madrinha. e nos arriscarmos. como foi sugerido que eu fizesse. podemos freqüentemente aprender a ouvir sugestões.

De uma certa forma. entreguei minha vida e minha vontade a ele e esse programa até que encontrasse meu próprio Poder Superior. liguei para meu padrinho e lhe disse que eu estava usando. e que ‘prisões. Quando voltei entendi o que a ‘dádiva do desespero’ significava. e me desejou sorte. A última foi a pior experiência de todas. Ele disse que era uma pena. senti minha primeira conexão com ser um ser humano”. 120 . instituições e morte’ não vinham necessariamente nessa ordem. “Sempre recaía. A última vez. Desespero me trouxe a rendição que eu precisava para seguir as sugestões do meu padrinho e fazer desse programa minha nova maneira de viver”.íntimos e segredos com ela. Sabia que morreria se não estivesse disposto a fazer o que meu padrinho sugeria.

ou pensava. Minha melhor experiência foi partilhar o Quinto Passo – minha confiança aumentou e hoje vivo muito mais feliz”. selecionando as coisas que partilharia com minha madrinha. Um dia. Sofria muito. 121 . como nos ajudar. porque sofro. Depois de lhe contar tudo isso. percebi que era tudo paranóia. Se nosso padrinho sugere que devemos ir a mais reuniões. consegui contar-lhe as terríveis coisas que pensava de meu marido. ou começar nosso inventário.“Nunca pensei que teria que contar para alguém as coisas que fazia. Desde aquela experiência de confiar em minha madrinha. Não queremos dizer ao adicto a quem pedimos ajuda. tem sido mais fácil para mim hoje. que ele se envolveria com muitas outras mulheres mesmo estando casado comigo. e outras coisas. Não posso ficar muito tempo sem contatá-la. ler literatura de NA regularmente. sentia. temos que fazer o esforço de fazê-lo.

cujas recuperações eu admirava. “Sempre relutei em ligar para outras pessoas em recuperação – até hoje. Porém.Quando pedimos ajuda. Em certo ponto de minha recuperação. Estou trabalhando um programa que inclui a ajuda e sugestões dos outro. e os pensamentos de usar sumiram”. para perguntar sobre recuperação. estava seriamente considerando a recaída. meus pensamentos então ficaram focados em todas as minhas novas associações. Fazer essas ligações tem me ajudado a ter uma melhor perspectiva sobre minha vida. meu padrinho não faria os passos comigo até que eu tivesse ligado para pelo menos cinco pessoas. Tinha a visão de um adicto a quem admirava. precisamos nos manter ensináveis. 122 .

Pode haver momentos nos quais nosso padrinho não estará disponível quando precisamos de ajuda. não acreditava verdadeiramente que as outras pessoas tinham idéias muito melhores que as minhas. não estava disposto a seguir as sugestões de um padrinho – ou de mais ninguém – até que a agonia e solidão de fazer as coisas do meu jeito era tão grande que não tinha escolha se quisesse ficar limpo. Mesmo assim.“Durante muito de minha recuperação. Com o tempo. Em algumas comunidades. cada vez mais eu vejo que qualquer pessoa pode me dar melhor direção do que eu posso me dar”. é uma prática comum buscar ajuda de outros membros conectados a nós através de 123 . além de nosso padrinho. Muitos de nós encontramos uma necessidade de criar uma rede de pessoas no programa para quem podemos pedir ajuda e apoio. conforme minha vida tem melhorado devido à minha abertura a sugestões.

em outros locais. Independente da terminologia. fazer parte de uma rede desse tipo é importante e pode dar-lhes uma sensação de segurança e de pertencer a algo maior do que eles. Agora eu tenho tido uma madrinha em outro país há dois anos. “linha” ou “árvore” de apadrinhamento. SOMENTE queria trabalhar os passos com minha madrinha e receber sugestões dela. para alguns membros. Se não podemos falar com nosso padrinho. e 124 . podemos sempre ligar para alguém na nossa rede de apadrinhamento.apadrinhamento. “Em minha área. Em alguns lugares. há poucas mulheres que tem madrinhas. em vez de toda a social e viagens de longa distância necessárias em muitas das redes de apadrinhamento locais. isso é denominado “família de apadrinhamento”. e eu tive que ir a outra cidade onde a ‘família’ de apadrinhamento é a forma primária de apadrinhamento. Conhecer outros membros que também são afilhados de nossos padrinhos pode nos oferecer uma rede de segurança.

“Participo em uma reunião mensal da minha linha de apadrinhamento. ter esse tipo de rede anexada ao apadrinhamento pode parecer muito restringente ou que traz certas obrigações indesejadas. com quem me identifico. 125 .viajei até lá para conhecê-la e minhas afilhadas ‘irmãs’. consideram o apadrinhamento um relacionamento muito pessoal e não querem incluir nele uma “família” estendida. então se em algum momento eu precisar arrumar outro padrinho. Para esses membros. Gostei tanto do companheirismo de fazer as coisas juntas que decidi voltar por seis meses e passar tempo com as afilhadas ‘irmãs’ porque quero”. porém. já tenho um grupo de adictos em recuperação em quem posso confiar. Alguns membros. de quem gosto e não tenho medo de intimidade”.

Pode parecer. que nosso padrinho gosta mais de alguns afilhados do que de outros. Nada 126 . Nem gosto muito de algumas das outras pessoas em minha rede de apadrinhamento. às vezes. às vezes. Não preciso de mais uma”. ela não liga se eu vou ou não aos eventos. me identificar com dezenas de mulheres que são afilhadas da fulana ou afilhada das afilhadas dela. ou nosso ego pode ficar inflado ao nos sentirmos o afilhado favorito. mas não tenho interesse nisso. Mesmo se somos felizes em fazer parte de uma rede de apadrinhamento. Felizmente. podemos ser tentados. Cada um tem seus próprios desafios e suas próprias dádivas. Penso que já tenho uma família disfuncional.“Minha madrinha faz parte do que chamam aqui de ‘família de apadrinhamento’. É importante reconhecermos que cada relacionamento de apadrinhamento é único. a nos compararmos com os outros. Me parece que é como fazer parte de um rebanho.

Quer tenhamos ou não uma rede estendida de apadrinhamento. falo com minha madrinha. Aprender a amar outras pessoas e não ter ciúmes tem sido um processo longo e doloroso para mim. e elas todas são mulheres maravilhosas. e fiquei muito surpresa e insegura quando ela aceitou outra afilhada. Em vez de agir por emoção. “Sempre tive necessidade de ser a ‘favorita’ em todas as situações. Eu as amo muito e estou honrada por tê-las em minha vida”.ganhamos ao nos compararmos com outros. Construir 127 . tento me aproximar das outras mulheres a quem ela apadrinha. Tenho quatro ‘irmãs’ agora. podemos desenvolver uma rede de apoio sólida para que não precisemos depender unicamente de nosso padrinho. Quando me sinto insegura ou desconfortável. Fui a única afilhada de minha madrinha por mais de um ano.

“Meu Deus está comigo sempre. Juntos. “A orientação suave que tenho recebido de meu padrinho tem dado resultados. e graças a Deus por todos eles. nosso Poder Superior e a ajuda de nosso padrinho. Mas passei por períodos em minha recuperação quando não tinha um padrinho e usava amigos próximos em recuperação como meus guias. muitos de nós podemos alcançar uma 128 .amizades com outros no programa e fortalecer nosso relacionamento com um Poder Superior pode nos ajudar a atravessar momentos nos quais nosso padrinho não está à nossa disposição. Ao longo dos anos. com Narcóticos Anônimos. às vezes meu padrinho não pode estar”. Deus sempre colocou o professor em minha vida quando pedi”. Nossa recuperação pode ser uma jornada incrível através da autodescoberta e auto-aceitação.

como afilhados podemos absorver o conhecimento e sabedoria que nosso padrinho tem a oferecer a respeito do programa de NA. Se escolhermos. É um relacionamento responsável e parte de como podemos oferecer serviço abnegado a outros. 129 . podemos devolver livremente o que nos foi dado tão livremente.sensação de liberdade e alegria de viver que não acreditávamos ser possível. Muitos adictos acreditam que apadrinhar um companheiro membro de NA é a melhor maneira de experimentar e expressar gratidão pela dádiva de recuperação. Como padrinhos. e é uma das principais maneiras pelas quais levamos a mensagem de NA. Podemos aprender a viver sem o uso de drogas e vir a amar e apreciar nossa nova vida em recuperação. CAPITULO TRÊS PARA O PADRINHO Minha gratidão fala: Sobre ser um padrinho Apadrinhamento está no âmago do Décimo Segundo passo.

‘Em momentos de dificuldade.Enquanto cada um de nós pode usar palavras diferentes para explicar nosso papel como padrinhos. estou em 130 . preciso ser honesta e dizer que não achava tão grande coisa assim. Muitas vezes eu tenho dito. não fosse pelo meu padrinho. Acredito que apadrinhamento seja uma via de mão dupla na qual o padrinho adquire insights sobre si mesmo. e o afilhado adquire conhecimento da experiência do padrinho. Hoje. ajudamos a nós mesmos também. não estaria limpo hoje’”. “Apadrinhamento é um dos relacionamentos mais importantes no programa de recuperação de NA. Era o que o programa dizia que eu deveria fazer para me manter limpa. é simplesmente uma questão de um adicto ajudando outro. Vemos que quando ajudamos outros. “Quando comecei a amadrinhar mulheres. e eu queria ficar limpa.

A experiência pessoal partilhada pelo padrinho pode fazer com que seus afilhados se sintam aceitos. e guiados através do programa. Um padrinho freqüentemente oferece apoio e encorajamento ao afilhado. Vimos uma à outra em nossos piores momentos. quer sejamos novos ao programa ou quer estejamos limpo a algum tempo. Essa partilha pode trazer a sensação de aproximação para ambos o padrinho e o afilhado. e assim mesmo permanecemos juntas. amenizando um pouco do isolamento emocional que muitos de nós sentimos. compreendidos.recuperação há algum tempo. e não consigo imaginar minha vida sem essas mulheres maravilhosas. 131 . É como se tivéssemos crescido juntas. De fazer esse salto em fé para ‘devolver o que me foi dado tão livremente’ tenho relacionamentos ricos e profundos que não teriam entrado em minha vida de outra forma”. Recebi tanto quanto dei. e elas também.

Para minha surpresa. ainda não tinha experimentado uma mudança significativa até que tive que 132 . a vida era chata. repetitiva. Quando só havia a mim mesma no mundo. “Ser uma madrinha tem me ajudado a sair da escuridão de minha auto-obsessão e entrar no mundo dos relacionamentos verdadeiros. eu não tinha idéia de quanta alegria e autoaceitação poderiam vir de amar e gostar de outra pessoa. comecei a me valorizar e aceitar mais”. e pequena.“Antes de ter apadrinhado outros. Todos os meus relacionamentos anteriores tinham sido baseados em conseguir o que eu queria. Mesmo que a recuperação me mostrou que isso poderia mudar. quando comecei a ajudar meus afilhados e aprendi a dar sem esperar retorno. mas ainda me sentindo necessitado e não amável.

e quando saía do cinema às três da manhã saia desorientado.compreender e ter empatia com as vidas das mulheres a quem eu amadrinhava. Eu entendia exatamente como ele se sentia. amá-las e fazer parte da raça humana”. Ele disse que sentia como se se escondia num cinema à noite. e abandonado. mas ao mesmo tempo tinha muito medo de deixar alguém saber que eu sentia a mesma solidão gélida. aprender com elas. tenho tentado ser exemplo do que ele me mostrou naquela época. Ele se sentia só. Agora que estou limpo a algum tempo e estou apadrinhando outros membros. sem saber aonde ir. “Muito cedo em recuperação ouvi meu padrinho falando em uma reunião. perdido. amadrinhá-las me tem dado a oportunidade de ouvi-las. Em várias outras formas no nosso relacionamento ele tornou claro que se eu quisesse 133 .

“Meus três afilhados me dão a oportunidade de estar disponível incondicionalmente para as outras pessoas.aceitação de mim mesmo. e sobre como entregar”. Quando aceitamos a responsabilidade de apadrinhar as pessoas. Apadrinhar outros me põe em uma posição de responsabilidade onde é mais importante ser honesto do que ser gostado. e às vezes pessoalmente desafiados – a olhar para nós mesmos enquanto tentamos dar sugestões àqueles que apadrinhamos. Nesse relacionamento individual. somos encorajados. Me tem ensinado a respeito dos meus motivos ao fazer as coisas. tentamos trazer o melhor de nós ao relacionamento. 134 . independente de seu tempo limpo. eu tinha que ter a coragem e fé para ser honesto e partilhar com outros adictos sobre meus pensamentos e medos. Acho que comunico a mesma coisa a meus afilhados através de minhas palavras e ações”.

135 . também percebi – através de meus inventários – que nem todo adicto respondia bem àquelas coisas que me motivaram. ou reagissem. Um padrinho pode ser um exemplo. mas eu tenho que merecer sua ajuda e respeito. Não era justo insistir que eles agissem. Com o tempo. vim a entender mais profundamente que uma de minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação e padrinho é abrir minha mente a novas idéias e estar disposto a tentar novas coisas. Ensino o mesmo às minhas afilhadas. de como viver os princípios espirituais encontrados em Narcóticos Anônimos. como eu”. “Minha madrinha me ensinou que seu amor é incondicional. Um padrinho pode guiar afilhados numa jornada espiritual e ensiná-los sobre o programa de NA.“Conforme fui ficando limpo. providenciando um modelo aos seus afilhados.

Não posso estar em recuperação por elas. mas posso apoiá-las enquanto trabalham o programa de NA em suas vidas. 136 . não puxar e arrastar”. tento guiá-las para a construção de ferramentas de recuperação baseadas nos princípios espirituais do programa de NA”. estarei ao seu lado. “Minha abordagem ao apadrinhamento das mulheres em minha vida é encorajá-las a tomarem decisões sadias por si próprias.Contanto que vejo uma faísca de boa vontade de sua parte em continuar a jornada. “Acredito que seja minha responsabilidade preparar meu afilhado para ser um padrinho ao ajudá-lo a praticar os princípios espirituais encontrados nos Doze Passos”. Meu trabalho como madrinha é liderar e guiar. Em vez de tomar decisões por elas.

Também não corremos atrás uns dos outros nem nos damos tarefas. Apenas partilhamos uma experiência similar se temos uma ou partilhamos o que podemos fazer ou sentir em situação similar. Tentamos manter uma perspectiva equilibrada a respeito de nossa vida e nossos relacionamentos com nossos afilhados.Quando apadrinhamos. Precisamos lembrar que estamos apenas partilhando nossa experiência força e esperança com nossos afilhados. não nossa. a recuperação de nossos afilhados é a responsabilidade deles. “A filosofia que meu padrinho tem e que uso com meus afilhados é que raramente damos conselhos. Enquanto podemos tentar prevenir que eles cometam os mesmos erros que nós cometemos. não ditando cada passo que eles tomam. Uma das coisas ótimas que meu padrinho me dizia quando estava pensando se eu deveria 137 . freqüentemente aprendemos sobre os princípios de rendição e tolerância.

Ser um 138 . que se eu não for responsável por seu sucesso em ficarem limpos. “Aprendi a amar e aceitar as pessoas que apadrinho por quem elas são – não pequenas imagens de mim ou de qualquer outra pessoa em recuperação”. “Apadrinhar me ajudou a compreender melhor minha impotência perante outras pessoas. também não preciso me responsabilizar por suas recaídas”. Muitos adictos descobrem que ser um padrinho ou madrinha se torna parte significante de sua recuperação. mas logo percebi com a ajuda de meu padrinho. me sentia responsável por seus sucessos ou falhas.sair com uma mulher seria me perguntar ‘Estaria disposto a casar com esta mulher?’ Isso ajudou a me manter fora de muitos relacionamentos nocivos”. A princípio.

As mulheres a quem amadrinho freqüentemente me ajudam e apóiam. É minha responsabilidade dizer a verdade às minhas afilhadas.padrinho nos dá uma avenida espiritual para partilhar num nível mais profundo e íntimo e nos oferece a oportunidade de partilhar nossa recuperação com aqueles que querem e precisam. podemos guiar nossos afilhados na prática dos Doze Passos de Narcótico Anônimos e mostrar-lhes o modo de vida de NA. Cada um de nós leva consigo uma riqueza de experiência e como padrinhos podemos partilhar aquilo que funcionou e não funcionou para nós. Às 139 . então saberei quando meu Poder Superior me toca com a luz da verdade. “Apadrinhamento tem sido um presente enorme em minha vida. É meu dever como madrinha dizer a verdade às minhas afilhadas. mas nem sempre sou bemvinda quando o faço. Somos todas professoras e alunas. Se estiver bem com meu Poder Superior. Como padrinhos.

que preciso para manter minha recuperação na trilha certa. Tenho testemunhado bravura profunda. ele sempre diz ‘Obrigado por me ouvir’. é que meu papel como padrinho tem colocado o meu foco de volta no programa. “Minha experiência. especialmente recentemente. apadrinhamento está sendo uma via de mão dupla – eu recebo conforme eu dou”. e eu sempre respondo ‘Obrigado por ligar’. Tenho aprendido a amar e 140 . Como diz o ditado: ‘a verdade te libertará. Tem me ajudado a manter o contato com os passos. e espíritos corajosos. me deparo com resistência e raiva. “Ser um padrinho me tem dado uma oportunidade de ouvir sobre as vidas dos outros. Para mim. No final de cada ligação com meu afilhado. corações fortes. mas primeiro te fará ficar com raiva’”.vezes.

141 . pessoas bem diferentes de nós mesmos. Esse relacionamento pode nos ajudar a colocar nossos próprios problemas em perspectiva conforme nos aproximamos de outras pessoas. presenciamos suas dificuldades. Como padrinhos. e aprendemos a amar e aceitá-los. Escapando do fardo do egocentrismo Apadrinhamento pode ajudar a contrabalançar o egocentrismo e encorajar generosidade de espírito entre nós. Podemos aprender a dar carinho aos outros – em muitos casos. alguns de nós atingimos um novo nível de humildade ao percebermos nossos limites e forças. “Algumas das maiores coisas que aprendi sobre apadrinhamento são como levar a mensagem através do exemplo e como praticar honestidade de compaixão o melhor que posso.respeitar aos outros mais profundamente do que em qualquer outra experiência anterior”.

Quando apadrinhamos alguém novo ao programa. “Recuperação parece amadurecer com apadrinhamento. Sermos padrinhos pode nos manter focados em nossa própria recuperação. Tenho uma chance de focar os passos novamente sempre que ajudo um afilhado a trabalhá-los. não conte’”. Apadrinhamento nos dá meios de lembrarmos de nossos desafios no início de recuperação. É uma lição em abrir mão do controle e não necessariamente forçar regras rígidas ou caminhos aos outros”. é difícil esquecer de onde viemos. Nos 142 .Apadrinhamento me tem ensinado a necessidade de ‘mostre. quando uma pessoa aceita o desafio de ajudar a outra – profundamente e individualmente. Apadrinhamento me dá uma lição sobre deixar outra pessoa crescer na direção que o Poder Superior escolhe para ela.

Só posso manter o que tenho ao dá-lo para outros. Muitos de nós encontramos dificuldades em sermos complacentes quando estamos ativamente apadrinhando outros adictos. Praticar os princípios de compaixão. que eu mesmo precisava ouvir!” “Apadrinhar outros me mantém ciente de onde vim e o que me mantém indo adiante em minha recuperação. 143 . e partilha. muitas vezes. bondade. Me ajuda a permanecer responsável por um relacionamento com compromisso”.tornarmos padrinho é normalmente uma afirmação de crescimento e pode enriquecer nossa recuperação. “Muitas. me peguei dizendo algo a um afilhado. carinho. me mantém conectado com meu Poder Superior enquanto sirvo a outro ser humano. empatia.

nossos afilhados começam a confiar em nós conforme expomos nossas fraquezas. um de meus afilhados e eu vamos até o interior. Partilhar nossas experiências com nossos afilhados pode ser curativo para ambos. Com freqüência. os meus tempos difíceis. Como padrinho. É um momento de paz para nós dois. mas isso não significa que não posso ter uma semana dura. como é o pôr-do-sol. Falamos sobre tempos difíceis dele.“Ser padrinho sempre me traz de volta à minha própria recuperação e seu progresso”. Parece que estamos a milhões de quilômetros de distância de tudo e nada pode nos perturbar ou ferir. De vez 144 . sei mais sobre passos e tradições. Esse tipo de partilha honesta nos lembra ainda que somos meros mortais e não o Poder Superior da compreensão de nosso afilhado! “No final de cada semana. contamos sobre nossos erros e somos honestos a respeito de nossos medos. tudo.

eu fui escolhido para ser o padrinho porque tenho mais experiência do que o afilhado. minha responsabilidade é não só colocar tanto esforço no relacionamento quanto faz meu afilhado. Afinal. Quando posso oferecer minha experiência a afilhadas sem me sentir ou agir melhor ou pior do que elas. Me parece que deveria ser pelo menos um relacionamento ‘51/49’”. no mínimo. mas adicionar. 145 . ‘um centavo a mais’. sinto como se estivesse cumprindo meu dever como madrinha”. acredito que Deus nos ama a todos igualmente. “Pessoalmente. acredito que como padrinho.em quando sou eu que digo oi com um cumprimento ‘nãomuito-padrinho’: ‘Graças a Deus você está aqui’!” “Tento passar para minhas afilhadas que não importa como sentimos sobre nós mesmas.

ia ao meu Poder Superior. “Eu tinha uma afilhada que era a rainha do drama. “É importante para mim me desvencilhar de qualquer tentativa de controlar meu afilhado.Com o tempo. De muitas maneiras. ser um bom ouvinte e não cortar meu afilhado enquanto está falando ou colocar palavras em sua boca. É importante também. o apadrinhamento nos ensina como desenvolver e manter relacionamentos sadios. Imediatamente. Conforme o tempo foi passando. aceitar sem condições e amar sem expectativas. ser um padrinho pode nos ajudar a ouvir sem julgamento. Às vezes temia ouvir a voz dela do outro lado da linha. se eu deixá-lo falar o suficiente. a solução sairá naturalmente após a partilha do problema”. pedindo ajuda. totalmente auto-centrada com um caso severo de ‘Eu-ismo’. A maioria do tempo. fui 146 .

ainda sou madrinha da não-mais rainha do drama.melhorando. Hoje. Tenho me beneficiado de formas que são difíceis descrever. que ainda sofre às vezes de ‘Eu-ismo’. Somente aprendi essas lições porque estava disposta a ouvir . Tenho certeza que sou uma pessoa melhor como resultado dela ter me ensinado muitas das lições da vida. Meu Poder Superior geralmente me dava mente aberta. convidando o Poder Superior a me guiar na conversa.apesar de achar que a maioria das coisas que ela dizia pareciam loucas. tolerância e amor incondicional. Como saber se somos certos um para o outro? 147 . me tornei mais dependente de meu Poder Superior quando interagia com qualquer uma de minhas afilhadas”. Mais importante.

Se tivermos expectativas quanto aos nossos afilhados. “Uma mulher que chegou à sala estava sempre brava. ela se aproximou de mim e perguntou se eu seria sua madrinha. compaixão e compreensão. temos que ser claros sobre essas expectativas. e essa raiva a distanciava das outras pessoas. queremos tomar um tempo para examinar nosso próprio sistema de valores e nos perguntar se podemos apadrinhar com aceitação. Ao longo dos próximos anos ela me pediu algumas vezes novamente. Nossa recuperação pessoal deve vir em primeiro lugar.Como padrinho ou madrinha. então disse que não poderia. Um dia. Fiquei surpresa e não achava que tinha o tempo para dar a ela. Fiquei emocionada com sua boa vontade e humildade que ela estava escondendo por trás de seu comportamento 148 . asseguramos que o relacionamento terá boas chances de sucesso. Quando estabelecemos parâmetros claros sobre o que podemos e não podemos dar.

Era sua boa vontade de continuar pedindo diversas vezes e encarar o que ela pode ter sentido como rejeição que me permitiu ver além da raiva que ela tinha usado para se proteger da vida”.raivoso. Há momentos 149 . Antes de nos comprometermos com um afilhado. amoroso e repleto de confiança de minha vida. podemos querer considerar quantos afilhados já temos. e se nossa situação de vida atual nos permitirá passar tempo adequado com nosso afilhado. se estamos ou não disponíveis. “Eu sou madrinha de várias mulheres em recuperação. se nós mesmos temos um padrinho ou madrinha. Decidi que independente de eu ter tempo ou não. Esse relacionamento se tornou o mais íntimo. Tenho também uma vida cheia fora da sala. precisava ser sua madrinha.

Não acredito que tempo limpo é tão importante quanto a habilidade de ser honesto consigo mesmo”. as coisas se equilibram – quando algumas precisam de mais atenção.nos quais me pergunto se estou disponível o suficiente para suprir suas necessidades. e é isso que sugiro às mulheres que amadrinho. A maioria do tempo. e 150 . “Tento não ter mais afilhadas do que minha agenda permite. me relacionar com meus filhos e netos. as outras não precisam. “Me foi sugerido esperar até que fizesse um Quinto Passo antes de apadrinhar alguém. Eu também acredito que é importante que eu as ajude a desenvolverem relacionamentos com outras mulheres em recuperação para apoio”. Preciso levar em consideração o tempo que preciso para trabalhar com minha madrinha.

Me senti extremamente inadequada. “Não tinha muito tempo no programa quando fui convidada a ser madrinha. Porém. Só tinha feito os primeiros três passos e estava no quarto. mas ela insistiu que eu podia ajudá-la. e suas necessidades também diferem”. Bom. Muitos de nós pedimos orientação ao nosso Poder Superior e perguntam a nosso próprio padrinho ou madrinha se eles acham que estamos prontos para apadrinhar alguém. Se nunca apadrinhamos alguém antes. não querendo negar um 151 . Três afilhadas é o máximo que consigo manejar.trabalhar. Podemos querer considerar se trabalhamos ou não todos os passos e se estamos preparados para guiar alguém em seu trabalho. isso não constitui uma fórmula para julgar o número de afilhadas que posso apoiar confortavelmente. sem dúvida teremos que nos perguntarmos se estamos prontos para fazê-lo. Cada uma é diferente.

Talvez a pessoa pedindo que sejamos seu padrinho tenha mais tempo limpo que nós mesmos. esperei até estar mais tempo limpa e tinha trabalhado mais passos até amadrinhar outra pessoa”.pedido de NA. ou nossas situações de vida são radicalmente diferentes. e eu fiz o melhor que pude naquele momento. Qualquer que seja a razão. Ela me ligava todos os dias. devemos ser honestos sobre nossos sentimentos enquanto 152 . e ela conheceu uma mulher numa reunião de área com cinco anos limpa. Ela se desculpou bastante e me agradeceu por todo meu tempo e esforço. Isso durou uns três ou quatro meses. Na verdade. Podemos ter dúvidas a respeito de apadrinhar certas pessoas. Há momentos que não nos sentimos “qualificados” para ajudar. comecei a amadrinhá-la. Ela descobriu que tinha bastante em comum com essa mulher então ela abriu mão de mim. Depois disso. eu me senti aliviada.

que era bem antiga no programa. e ela também tinha várias afilhadas. Me perguntei o que eu teria a oferecer. Essa mulher tinha sido minha amiga durante os últimos cinco anos. e ainda sou sua madrinha. A madrinha dela. Eu me senti honrada que ela me considerou. ela pegou sua ficha de 15 anos. Isso já faz oito anos. há mais ou menos uma semana. uma mulher com três meses a menos do que eu pediu que eu fosse sua madrinha.lembramos que nos pediram por alguma razão. Sua primeira madrinha e eu lhe demos um bolo. É impressionante como funciona 153 . e muito inferior por causa de sua última madrinha. “Quando eu tinha em torno de sete anos limpa. Por sinal. Talvez tudo que precisemos seja fé. tinha acabado de se mudar. Ela me falou que me escolheu por causa de minha conexão com um Deus amoroso.

o apadrinhamento: nós não decidimos o que temos a oferecer. Esses relacionamentos podem trazer desafios específicos devido aos nossos diferentes papéis nesses relacionamentos. devemos pensar cuidadosamente se podemos apadrinhar essa pessoa de maneira eficaz. se 154 . força e esperança”. como chefe e padrinho)? Seremos muito afetados pelo que já sabemos a respeito da pessoa para podermos apadrinhá-la? Poderemos “abrir mão” e deixar que eles cresçam em seu próprio ritmo? Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. quem decide é o Poder Superior. É possível que nossas responsabilidades nesses papéis diferentes serão conflitantes (por exemplo. Em tal situação. O que nós fazemos é partilhar nossa experiência. Podemos querer falar com nosso próprio padrinho ou madrinha sobre a situação. Às vezes. alguém com quem tivemos um relacionamento prévio ou primário – como membros de nossa família. colega de cela ou amigo – pode nos pedir que o apadrinhemos. colega de trabalho.

Quando ele recaiu. e eu não tomei isso como um pedido frívolo. e foi uma experiência triste e importante para mim. comunicação é a chave para trabalharmos bem juntos. mas sempre o aceitei como afilhado”. “Eu desenvolvi amizades muito próximas com mulheres que amadrinhei ao longo dos últimos 13 anos. e às vezes eu o dava sugestões que ele nunca seguia. Ele pediu que eu fosse seu padrinho. Estava com raiva dele como parente. Nós nos encontrávamos nas reuniões e em casa.decidirmos aceitar. “Eu apadrinhei meu cunhado. as amizades podem às vezes ter um impacto sobre minha 155 . O tempo mais longo que ele ficou limpo foi o tempo que nós tivemos contato mais intenso. eu sabia que era impotente. Infelizmente. nem ele foi frívolo ao pedir.

Ainda.eficácia como madrinha se eu não tomar cuidado. às vezes tenho medo de confrontá-las a respeito de suas ‘coisas’ porque não quero que a amizade seja ameaçada. Nossa experiência tem mostrado Ao longo dos anos. Muitas dessas práticas são adaptadas à cultura daquela 156 . opiniões individuais. Quero dar a elas tudo que esse programa de recuperação tem a oferecer. diferenças culturais. A intimidade do relacionamento tem a capacidade de distorcer minha visão. em membros e países ao redor do mundo. Comunidades de NA ao redor do mundo usam praticas variadas de apadrinhamento. e outras circunstâncias específicas têm levantado uma gama de opiniões a respeito do apadrinhamento. Narcóticos Anônimos tem experimentado crescimento incrível. Então tenho que rezar muito nesses relacionamentos para que eu não prejudique minha amiga e afilhada. e isso começa com honestidade”.

Os seguintes tópicos podem apresentar desafios específicos para nossa adicção a respeito de apadrinhar alguém. Devemos. Alguns membros sentem que a irmandade que o membro freqüenta é menos importante do que a vontade do afilhado em seguir sugestões e praticar os princípios do programa de NA. “Me arrependo das oportunidades que neguei por causa de minha visão ‘somente NA’ – oportunidades de adicionar idéias novas e perspectivas frescas à nossa comunidade e modo de vida. como padrinhos. considerar como nós. Diretrizes definitivas provavelmente seriam muito rígidas para a diversidade de NA hoje. seremos afetados por nossa decisão em apadrinhar alguém que freqüenta outras irmandades além de NA. Freqüentar outras irmandades Muitos membros acreditam que podemos melhor apadrinhar aqueles membros que freqüentam somente reuniões de NA. no entanto.comunidade em particular. 157 .

“Como padrinho. Imediatamente senti medo. Após dar uma olhada em mim mesmo e sentir o que estava acontecendo comigo. e baixa auto-estima. Eu disse que se eles quisesse continuar a trabalhar com a literatura da outra irmandade. pois não tinha familiaridade com o material deles. acho que se alguém demonstra que quer o que NA tem a oferecer. tive um afilhado que sentiu que precisava ir a outras irmandades por razões que ele não compreendia muito bem. Senti como se eu estivesse fazendo algo errado no meu apadrinhamento desse homem. eu não poderia ser seu guia. Após dois meses de estar dividido entre as duas irmandades. eu não julgo o quanto eu acho que ele quer”. tomei a decisão que eu continuaria a amar e apadrinhá-lo.Hoje. ele decidiu que Narcóticos Anônimos supria todas as 158 . raiva.

e faço o que posso para não julgar. é isso que funciona para ela. Não funciona para mim. Tenho apadrinhado uma mulher há 14 anos. “As mulheres que eu amadrinho são todas pessoas individuais especiais. mas isso é minha experiência. e ela ocasionalmente freqüenta outra irmandade. Cada uma tem sua própria visão sobre recuperação e como ela mentem sua recuperação. Gênero 159 . Se parte disso envolve ir a reuniões de outra irmandade. Respeito suas decisões. Eu abriria mão da nossa história maravilhosa por essa razão? Absolutamente não”. bom. Ele ficou muito grato pela liberdade e amor que ele teve para tomar sua própria decisão”. e minha experiência é realmente tudo o que tenho para partilhar.suas necessidades de recuperação.

e eu precisava 160 . considerei pedir que um dos homens mais velhos me apadrinhasse. Eles sentem que pode haver falta de atenção e empatia entre membros do sexo oposto. Isso foi um conselho ótimo. muitos membros acreditam que o processo interno para se alcançar esta meta é diferente para homens e mulheres. esses membros estão firmes em suas crenças a respeito de apadrinhamento do mesmo sexo. esses assuntos são ligados a muita vergonha.Apesar de todos nós estarmos em recuperação para atingir a mesma meta. Portanto. Uma das mulheres me explicou que é fortemente sugerido que mulheres busquem apadrinhamento de outras mulheres. No meu caso. e eu estava interessada em ser cuidada. Ele parecia a boa figura paterna. “Quando comecei a freqüentar reuniões. Nunca poderia ter partilhado minha experiência sexual e de relacionamentos com um homem.

mas mais cedo em recuperação. Afinal. mas definitivamente somos diferentes”. há igualdade entre homens e mulheres. “Eu só amadrinho mulheres agora. um homem pediu que eu fosse sua madrinha. Ele disse que eu tinha o tipo de recuperação que ele queria e ele não se identificava com nenhum dos homens em 161 . “Amadrinhei um jovem rapaz (sou mulher) por um longo período de tempo. e trabalhamos os primeiros três passos juntos.partilhá-los com alguém que realmente compreendia como era para uma mulher ter que se comprometer para sobreviver como adicta na ativa”. Não acredito que seja fácil se identificar completamente com um padrinho ou afilhado do sexo oposto. Porém. ele foi trabalhar com um padrinho homem quando chegou no Quarto Passo.

“Como homem gay. eu co confrontava mais do que confrontava as mulheres. sempre falo com afilhados em potencial sobre o fato que sou gay. Eu lhe dava mais tarefas do que jamais tinha dado às mulheres. Se eles estão interessados em trabalhar sua 162 .nossa pequena comunidade de NA. e fiquei frustrada com seu progresso. e porque não havia nenhuma química sexual entre nós eu achei que não teria problema. Acredito que me senti lisonjeada. não gostei então eu disse a ele que achava que ele precisava trabalhar com homens. mas senti que não podia dar o amor incondicional que é preciso no relacionamento de apadrinhamento”. Gostava muito dele. Quando reconheci que estava me comportando desta forma. Mas esse relacionamento trouxe à tona toda a raiva que eu tinha escondido em relação aos homens.

163 . “Acho importante ter um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. e sou grato que não agi nem machuquei nenhum de nós dois.sexualidade. e uma vez apadrinhei uma mulher gay. Eu a apadrinhei por mais ou menos uma semana. Tenho que ser perfeitamente honesto e dizer que a energia sexual e desejo por essa mulher eram os mesmos para mim se ela fosse uma mulher heterossexual. Apadrinhamento é sobre os princípios de NA. mas ainda havia diferenças o suficiente para tomar a decisão de dizer não a pedidos futuros”. Foi uma verdadeira experiência de aprendizado para mim”. Sou um homem. eles precisam ir a outro lugar. Algumas mulheres me pediram para apadrinhá-las já que sou gay. Não havia atração sexual. Alguns membros têm tido sucesso com apadrinhamento do sexo oposto.

e se conseguirmos manter nosso relacionamento focado em recuperação. acho que isso é um programa espiritual. 164 .Ambos os membros permanecem focados em sua recuperação. pode não haver uma proporção equilibrada entre homens e mulheres dos quais poderão selecionar um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. Me vi dizendo ‘sim’ para amadrinhar homens. Aqui membros de NA exercitam sua criatividade em fazer seu melhor para assegurar que estão levando a mensagem de NA. mas não acho que seja saudável para nenhum dos dois. sem maiores complicações. e o relacionamento funciona bem. De minha experiência. já que não havia outra pessoa naquela época. Por outro lado. Em algumas comunidades de NA. tudo estará bem”. sinto que esses homens me vêem com respeito. “Sou mulher em uma comunidade onde eu era um dos primeiros membros limpos.

Primeiro. é 165 . apadrinhamento não é um serviço de namoro.“Como homem que tem apadrinhado. com as quais concordei e continuo a honrar hoje. Finalmente. um partido político ou psicanálise. mulheres. e éramos uma área nova). tenho tido que trabalhar alguns assuntos para poder me manter responsável com meu compromisso. (Isso era em meados da década de oitenta. Busquei orientação de meu padrinho e ele me deu algumas regras para apadrinhamento. apadrinhamento é platônico. A primeira mulher que pediu que eu a apadrinhasse já tinha sido afilhada das três mulheres em NA em nossa área que tinham mais tempo limpas do que ela. e ainda apadrinha. Assegurar que ele se mantenha assim requer que o padrinho trabalhe um programa ativo que inclui fazer inventário de intenções regularmente. Segundo.

“Eu tenho apadrinhado um homem gay (sou mulher) por aproximadamente oito anos. ainda sou padrinho daquela mulher e nosso relacionamento funciona”. Eu me pergunto. então como aplicar esse 166 . se sugerimos que heterossexuais tenham padrinhos do mesmo sexo. Quando ele me pediu. já que nossa literatura no passado tem sugerido que tenhamos padrinhos e madrinhas do mesmo gênero. Mas eu sou grata por ter seguido minha ‘intuição’. também conhecida como Poder Superior. Graças aos conselhos de meu padrinho. minha primeira intenção era dizer não. já que esse relacionamento tem sido um dos mais recompensadores que eu já tive em apadrinhamento.essencial permitir que afilhados cheguem a suas próprias compreensões de uma forma que funciona para eles.

estarmos cientes do potencial para atração sexual. Esses tipos de sentimentos normalmente resultam em um relacionamento arriscado para ambos os membros. em apadrinhamento do sexo oposto. Se parecer que o afilhado tem segundas intenções. Sentimentos românticos ou atrações por parte de qualquer um dos dois membros podem não ser óbvios. O potencial se aplica aos dois membros envolvidos no relacionamento de apadrinhamento.mesmo conjunto de normas à comunidade homossexual. é nossa responsabilidade examinarmos nossos motivos assim como os motivos do afilhado em potencial. na qual intimidade é baseada em parceiros do mesmo sexo”? Se membros do sexo oposto nos pedem para lhes apadrinhar. 167 . então cabe a nós. Temos que ter certeza que levamos a mensagem de NA e não abrigamos desejos secretos em relação a nossos afilhados. como padrinhos. É imprescindível. que façamos todos os esforços possíveis para distinguir entre atração romântica ou sexual e o desejo sincero de nosso afilhado de buscar conhecimento sobre o programa de NA.

“Como mulher bissexual. Rezo para ser guiada e peço que a atração sexual. “Eu sou um homem que não apadrinhará mulheres nesse ponto em minha recuperação. Durante minha transição. por menor que seja. mas acho que poderia apadrinhar um homem gay”. seja revelada se houver. e tenho sido bem sucedida apadrinhando homens em meu papel como mulher. uma vez que minha transição estava bem avançada. um homem me apadrinhou. Agora.“Sou uma pessoa transexual. o único homem que apadrinho é gay”. Acredito que eu perderia a objetividade. posso ser mais útil para os 168 . Dessa forma. Porém. tenho possibilidades de relacionamento românticas com pessoas de ambos os sexos. tive que mudar para uma madrinha.

normalmente apadrinho mulheres heterossexuais e homens gays. No entanto. alguns membros de NA acham padrinhos e afilhados em situações institucionais.dois. Para esse fim. NA é um programa 169 . Temos que tomar cuidado especial quando consideramos se devemos apadrinhar ou não um membro que ainda está em tratamento. Apadrinhar membros em prisões e instituições A maioria dos comitês de serviço que leva reuniões a adictos em instituições pede que seus membros não participem em apadrinhamento quando conduzem apresentações. Amo a mim e aos meus companheiros o suficiente para honrar a intenção do relacionamento padrinho/afilhado”. dizendo ‘sim’ para aqueles que vejo verdadeiramente como irmã ou irmão em recuperação e ‘não’ a qualquer um que eu possa ver como namorado/a em potencial. em uma instituição ou encarcerado.

Essas circunstâncias. Enquanto os princípios do apadrinhamento são iguais para membros nessas circunstâncias especiais. Alguns de nós podemos dar mais do que outros. “Sou madrinha de uma mulher que conheci quando fui fazer um painel institucional. porém. muitas instituições têm seu próprio conjunto de regras que pode afetar nossa interação com um membro residindo lá. devemos nos proteger de nossas vidas se tornarem incontroláveis como resultado dessa decisão. tanto como quanto tempo podemos dar. podem afetar nossa decisão em aceitar tal afilhado. Qualquer que seja nossa decisão.espiritual que pode ser trabalhado em qualquer lugar. 170 . temos que considerar quanto esforço estamos prontos a fazer. Não é como apadrinhamento normal. Se formos incapazes de estarmos presentes para nós mesmos. sem dúvida. e alguns de nós sentem que as demandas de nosso tempo e energia podem ser demais. então seremos incapazes de estarmos presentes para outra pessoa.

Peço que eles leiam o Primeiro Passo todos os dias. revisamos o que ela escreveu. Cada mês. No mês seguinte. não peço que eles escrevam nada. grifando palavras e frases que tenham especial significado para eles. “Quando me pedem para apadrinhar alguém em tratamento. Acredito que me colocar à disposição para recém chegados é uma parte importante da minha recuperação”. “Dou meu telefone a adictos em tratamento e peço que eles mantenham contato comigo até que eles saiam do tratamento.Ela não tem meu telefone. sinto que 171 . e eu respondo quaisquer perguntas que ela possa ter”. Eles já têm muitas tarefas escritas para fazerem. Dessa forma. Nos encontramos semanalmente e falamos sobre os passos. dou leitura e tarefas para ela fazer. quando vou visitar.

É difícil nos comunicarmos. Qualquer informação que era incriminadora ou sensível. “No momento.e até agora tem sido uma bênção enorme para nós dois”. Ambos estávamos comprometidos e dispostos a fazer esse relacionamento funcionar – dentro das paredes . escrevíamos em código. Posteriormente. pois paredes e cercas nos separam. Trabalhamos os passos via correio e telefone. pudemos falar mais a fundo em particular. estou apadrinhando alguém que está em uma instituição.estamos construindo nosso relacionamento”. 172 . Quando chegou a hora de ouvir o Quinto Passo dele. e uma vez por mês nos encontramos na sala de visitas. só para lembrarmos do que se tratava. funcionou bem.

a recuperação também não. Ela nos prende independente de nossa família. Fazemos o possível para apadrinhar sem discriminação. “‘Como esses princípios podem funcionar para mim quando NA é sobre unidade e minha religião é sobre nós como um povo escolhido?’ uma afilhada com muitos anos limpa me perguntou. Assim como a doença não diferencia. 173 . raça. classe social. Apadrinhar membros com experiências de vida diferentes e históricos familiares diferentes pode ser desafiador.Apadrinhar membros com culturas diferentes A doença da adicção não discrimina. Tive a oportunidade de olhar para como as tradições poderiam funcionar na vida dela. Qualquer adicto disposto a trabalhar o programa de NA pode encontrar recuperação. mas os passos e tradições são princípios universais que podemos partilhar não importando de onde viemos. religião ou falta de religião.

“Mesmo com o caos e miséria em minha vida quando cheguei a NA. Hoje. com seus firmes direcionamentos contra misturar NA com outros sistemas de crenças ou estruturas de serviço. Cresci numa família de classe média e fiquei limpa relativamente jovem. sai que algumas pessoas me chamariam de uma adicta que teve um fundo de poço ‘alto’. tenho um 174 . Parte de meu dever como madrinha é levar a sério as dificuldades de minhas afilhadas com as Tradições. e ajudá-las a alcançarem uma compreensão de nossos princípios que podem funcionar com suas outras crenças.Acredito que muitos de nós que saem pelas portas pelo zelo religioso o fazem porque não conseguem conciliar recuperação com religião. independente de sua religião. tornam claro que tal reconciliação é possível”. As tradições.

ao longo dos meses que a amadrinhei. mas minha comunidade local de NA não reflete essa diversidade. ela perdeu a guarda de seus filhos.diploma avançado e um estilo de vida confortável. após ser presa. arrumei uma afilhada nova que vem a NA por ordem judicial. Em cima de tudo isso. como saberia com é perdê-los? Porém. Sinto tanto amor e respeito por ela. Me preocupei que não teria nada a oferecer para ela. Recentemente. Nunca tive filhos. Ela não tem dinheiro. Acho que minha recuperação pessoal é fortalecida por variedade e diversidade. pude falar com ela a respeito de perda e aceitação e impotência. então 175 . Temos essas coisas em comum. nem emprego e tem um carro quebrado. “Moro numa área repleta de imigrantes. e acho que isso provavelmente é mais importante do que ter a mesma história”.

Tendo a liberdade de escolher. Não tenho certeza se isso fez alguma diferença. os passos oferecem verdades universais que atravessam as barreiras de 176 . mas estou feliz por ver mais desses adictos em nossas salas hoje”. Respeito isso. “Uma das razões que acredito que NA pode alcançar uma população tão diversa é a liberdade de escolha que nos é dada. meditar e manter contato consciente com seus Poderes Superiores. fique aqui e me beneficie desse programa de recuperação. Eu os encorajo a rezar. Os adictos a quem apadrinho têm suas próprias compreensões de um Poder Superior. especialmente meu Poder Superior. tem permitido que eu.fiz um compromisso com me tornar disponível como padrinho a pessoas desses grupos. assim como espero que eles respeitem minha escolha. como ateu. Para mim.

identidade sexual.‘idade. Tomando a decisão Queremos tomar a melhor decisão que podemos. Dessa forma. até que ele ou ela ache alguém com quem se sentem mais confortável. credo. podemos ajudar ao 177 . podemos sentir que entrar em um relacionamento temporário ou de transição pode nos beneficiar. podemos ajudar a um afilhado com sua recuperação por um período curto. religião ou falta de religião’. Alguns padrinhos pedem a um afilhado ou outro membro se eles gostariam de ter um afilhado ao invés de simplesmente falar não. Como padrinho temporário. compreenderemos que não tem problema dizermos não. Não temos que acreditar no mesmo Poder Superior para trabalharmos os passos juntos”. raça. Idealmente. Por outro lado. com o que aprendemos em NA e de nosso padrinho ou madrinha. tanto como a nosso afilhado em potencial. e às vezes essa decisão pode incluir dizer não quando nos pedem para apadrinhar alguém.

Daí. “Sou o padrinho temporário de um companheiro há quase doze anos. talvez eles se sintam atraídos por um de meus afilhados. Não importando quais são as circunstâncias. Acho que é só jogo de 178 . “Não sei qual é o problema em ter padrinhos temporários – parece uma opção viável para mim. não queremos que adictos buscando recuperação se sintam sozinhos ou que não pertencem aqui. por qualquer razão. para que não se sintam rejeitados. Às vezes digo que se sentem atraídos por minha recuperação. ambos temos uma saída – eu posso encaminhá-los a outro. e eles não se sentem rejeitados”. Por que estragar um relacionamento maravilhoso”? “Quando alguém me pede e eu preciso dizer não. normalmente pego seu telefone e ligo para eles.afilhado em potencial a conseguir o apoio e orientação de um padrinho.

enquanto outros apadrinham da forma que gostaríamos de ter sido apadrinhado. Muitos de nós sabemos como confiança. Independentemente. Desenvolvendo nosso papel como padrinho Métodos de apadrinhamento diferem de adicto para adicto.palavras de qualquer forma. O espírito de apadrinhamento pode ser encontrado no fato de ajudarmos aos outros e dar a eles o que nos foi dado. 179 . não-profissionalismo e serviço – providenciam uma pedra fundamental em comum para todos os relacionamentos de apadrinhamento. os princípios espirituais nas tradições – incluindo anonimato. O que é temporário? Um dia? Uma semana? Um mês? Acho que é melhor ter um padrinho por um tempo do que nenhum padrinho”. Alguns acreditam que não há regras para apadrinhamento a não ser oferecimento de amor e aceitação incondicionais. Alguns de nós apadrinhamos da forma que fomos apadrinhados.

Eles precisavam viver seu momento de cabeça-dura. e é meu papel como padrinho guiar meus afilhados pelos passos até o Deus de sua compreensão. “Meu maior desafio como padrinho foi desenvolver paciência e rendição quando apadrinhei dois adictos muito jovens.fé e honestidade podem providenciar o alicerce necessário para ambos o padrinho e afilhado trabalharem na construção de seu relacionamento. às vezes pela primeira vez”. “É difícil apadrinhar alguém sem trabalhar o programa 180 . mas por serem jovens experimentando algumas situações de vida. Sinto que o contato mais forte com meu Poder Superior vem quando estou ativamente levando a mensagem”. não só por serem recém chegados. “Acredito que o propósito dos passos é ter um despertar espiritual.

Ele queria que eu os trabalhasse com ele sobre assuntos da vida. não só drogas. Relutei e disse que já tinha trabalhado os passos. Eu trabalhei os passos com ele. mas acabou sendo a melhor 181 . “Meu primeiro padrinho me levou pelo exemplo. ele se tornou um amigo em quem podia confiar completamente com qualquer coisa. Após dez anos.diretamente. ele se mudou e eu tive que achar outro padrinho. Depois. Meu padrinho novo me disse para começar no primeiro passo – impotência. Foi muito difícil conseguir aquela intimidade e confiança com outro padrinho. Ele me levou a diversas reuniões e me envolver com H&I. então isso me encoraja a trabalhar os passos com meu padrinho. Desenvolvo mais habilidades com os dos passos através de ajudar outros a encontrarem seu caminho na mesma estrada”.

nosso relacionamento com nosso próprio padrinho ou madrinha pode crescer e mudar. um novo desafio. quanto quando comecei a apadrinhar pessoas. A experiência coletada conforme passamos pelos Doze Passos juntos nos ensina como ser um padrinho. Me sentia muito inseguro com o direcionamento que eu dava. Ir mais a fundo do que anteriormente tem sido recompensador”. “Eu nunca tive que ligar tanto para meu padrinho na minha recuperação inteira. ganhamos um sentido sobre o que funciona melhor para nós e para cada um dos nossos relacionamentos de apadrinhamento. Como resultado. Com o tempo. 182 . Apadrinhar alguém pela primeira vez pode parecer demais para nós. uma voz nova. Muitos de nós começamos seguindo o exemplo de nossos próprios padrinhos. Cada vez que desligava o telefone com um afilhado.coisa que podia ter acontecido: uma nova perspectiva.

eles me escolheram porque eu sou a pessoa a quem eles querem pedir ajuda para trabalhar os passos”. Hoje meu padrinho e eu nem sempre concordamos sobre as sugestões que dou aos meus afilhados. Se meus afilhados quisessem alguém exatamente igual ao meu padrinho. teriam pedido a ele.ligava para meu padrinho para dizer o que tinha falado ao meu afilhado. Mas. Podemos nem perceber que estamos engajando nesse tipo de comportamento. Algumas vezes aprendemos lições dolorosas quando tentamos administrar. então eu ligava para meu afilhado para revisar minha sugestão. Aceitei que não sou exatamente como meu padrinho e que tenho minha própria abordagem. controlar ou consertar a vida e recuperação de nosso afilhado ou afilhada. afilhados precisam aprender a tomar suas próprias 183 . Tiveram muitas vezes quando meu padrinho me dizia algo completamente diferente. No entanto.

e ele foi hospitalizado contra sua vontade. “Meu foco principal com meus afilhados é o trabalho de passos e tradições.decisões. tentamos praticar os princípios em nossas vidas diárias. “Uma vez apadrinhei um adicto que manifestou tendências suicidas. Ele se sentiu traído e abriu mão de mim como padrinho. encaminhá-lo a um profissional para ajudá-lo. Parte de meu dever como padrinho é ajudar meus afilhados a definirem seus 184 . Não só escrevemos a respeito deles. não aquelas que nós queremos que eles tomem. sem sucesso. Tentei. Apesar de eu ter um pouco de vergonha. Não sabia o que fazer. Fiz algumas ligações. estou feliz por ter um ex-afilhado que está vivo. ao invés de um que está morto”. mas sentia que tinha que fazer alguma coisa.

Isso não significa que ignoraremos uma ação em particular. Na verdade. Desde então aprendi que não me tornei um bom padrinho até trabalhar o Nono Passo. Enquanto queremos oferecer orientação com amor. deixamos os resultados nas mãos do Poder Superior e apoiamos nossos afilhados durante suas dificuldades. Precisamos ser vigilantes conosco mesmos para permitirmos que nossos afilhados cresçam em seu próprio ritmo. é também importante deixar que afilhados sofram as conseqüências de suas próprias ações. Foi quando aprendi o que significa ter um relacionamento sadio e que eu precisava resistir tentar controlar meus afilhados”. nem que abandonaremos ou viraremos nossas costas para eles. “Fui ensinado a não apadrinhar até que tivesse feito o Quinto Passo.próprios valores e não copiar os meus”. Alguns de nós deixam seus afilhados tropeçarem e crescerem conforme tomam 185 .

Outros podem usar um enfoque mais didático. Conforme experimentamos o quão recompensador é ver alguém crescer. Hoje ela ainda paga restituição por seu crime. ela se justificou até a prisão. recebemos uma chance de aprender sobre impotência perante nossos afilhados e sua doença. Praticamos o princípio de rendição e tentamos nos lembrar que recuperação é um processo.suas próprias decisões. Ela sentia que roubar de um provedor de serviços públicos era justificado porque eles cobravam demais de seus clientes. Eu acredito 186 . “Minha afilhada estava determinada a continuar praticando comportamentos que estavam em conflito com os princípios que ela estava aprendendo através dos passos. Infelizmente. Eu lhe falei que escrever os passos não tem fundamento nenhum se ela não incorporar aqueles princípios em sua vida e fazer mudanças sadias.

e 187 . cada adicto é diferente e segue a estrada de recuperação em seu próprio ritmo. não atraso. Tento pegar cada oportunidade que posso para ajudar meus afilhados rumo ao despertar espiritual que eu. eu posso diminuí-lo. Mas uma regra geral a respeito do ritmo é que. “Sim. Eu a amei e apoiei ao longo das conseqüências de suas ações. e não seu comportamento”.que o adicto que não muda usará novamente. Só posso amá-los incondicionalmente enquanto eles experimentam a vida. Deixo bem claro que estou apoiando a elas. Nunca tive que dizer ‘não falei?’ Não posso negar meus afilhados a dor de suas conseqüências. Acredito que uma das maiores responsabilidades de ser um padrinho é encorajar avanço. enquanto não posso fazer muito (se é que posso fazer alguma coisa) para aumentálo.

ajuda a esclarecer a diferença entre apadrinhamento e terapia.outros adictos. é um relacionamento 188 . Alguns membros acreditam que a partilha de experiência. força e esperança ao invés de teoria. “Uma das coisas mais legais sobre apadrinhamento é que me lembra de praticar as Tradições de NA – nãoorganização e nãoprofissionalismo. Alguns de nossos afilhados podem precisar mais do que qualquer outra coisa. sentir que alguém os ouve. Idealmente. tem tido como resultados desses passos”. Outros membros preferem partilhar pouco de sua experiência pessoal e depender mais de literatura de NA para explicar como usar as ferramentas do programa. Queremos ter certeza de que levamos a mensagem de esperança e não o desespero de nossa doença. Como padrinho ou madrinha. Às vezes nosso papel mais importante como padrinho é de ouvinte. precisamos estar cientes dos recursos que nós temos e o que temos a oferecer.

Faço o melhor que posso para guiá-los aos passos para obterem respostas e orientação em seus problemas. sugiro procurar ajuda profissional”. mas não tento dar as soluções. e se torna o que os dois indivíduos querem que se torne”. carreiras. relacionamentos com família. “Normalmente digo aos meus afilhados no começo de nosso relacionamento que não sou conselheiro ou terapeuta. Acredito que as respostas se encontram nos passos e nas tradições. Para esses e outros assuntos. Meu papel como padrinho é falar sobre ficar limpo em NA. etc. Também acho útil falar sobre a Décima Tradição – não tendo opiniões sobre assuntos alheios – especialmente ao lidar com assuntos como remédio. 189 .totalmente informal. Encorajo meus afilhados a falarem sobre as coisas comigo.

A confiança 190 . Isso pode apresentar desafios se. Isso parece ser menos intimidador ou sobrecarregador e os acostuma com os básicos – particularmente quando são novos e estão confusos”. Isso Resulta: Como e Porque. e como padrinhos devemos ter a capacidade de manter as confidências das pessoas a quem apadrinhamos. Apadrinhamento depende de confiança. alguns dos fatores fundamentais que tornam um relacionamento saudável e produtivo são constantes. ou Só Por Hoje.“Antes de pedir para um afilhado novo ler ou trabalhar no Texto Básico. ou cônjuges de nossos afilhados. precisamos ser vigilantes em manter nossas responsabilidades perante aqueles que apadrinhamos. talvez precisemos criar alguma espécie de relacionamento com seus pais. Em quaisquer circunstâncias. Enquanto todo relacionamento é diferente. Se apadrinharmos um menor de idade. somos confrontados por membros da família. por exemplo. sugiro que eles leiam nossos folhetos.

limpo há 5 anos. claro. Hoje. Quando apadrinhei um recém chegado de 15 anos. tinha que falar com meu afilhado o tempo todo sobre minhas conversas com sua mãe. às vezes tinha que ligar para a mãe dele e explicar as coisas para ela. Ela aprendeu que 191 . meu afilhado de 19 anos. E. como o fato de que eu tinha falado ao meu afilhado que ele deveria ir a reuniões todos os dias.de nosso afilhado ou afilhada é uma dádiva preciosa. e devemos honrá-la. mas ela começou a confiar em mim porque eu tomava o tempo para explicar o processo de recuperação a ela. assegurando que ele se sentia confortável e seguro com isso. “Um dos aspectos mais difíceis de apadrinhar alguém menor de 18 anos é que às vezes você tem que criar um relacionamento com o pai ou responsável do afilhado. tem um relacionamento incrível com sua mãe. Demorou.

Depois que as 192 . “Em um momento de minha recuperação.ela podia ser somente sua mãe e não tinha que estar envolvida em seu relacionamento de apadrinhamento. mas na verdade eu lutei com isso até que tudo explodiu numa grande briga e nós quebramos a confidência uma da outra. e foi ficando mais difícil para eu ser sua quaseparente e sua madrinha. Gostaria de dizer que lidei com isso de forma madura. Eu tinha informação que eu não queria. Nos feriados eles me convidavam para a casa deles e tudo o que ela podia fazer era me agradecer por devolver seu filho a ela. fui madrinha de uma mulher que estava saindo com um de meus parentes. Disse a ela para não me agradecer. mas sim agradecer a Narcóticos Anônimos”. vindo dela e de meu parente. O tempo passou e seu relacionamento foi ficando mais sério.

Hoje. às vezes ficamos entusiasmados demais em mostrar nosso conhecimento do programa.coisas se acalmaram. Quando somos pedidos para apadrinhar alguém. somos amigas e eu aprendi minha lição e não apadrinho mais pessoas que estão envolvidas em minha vida dessa forma”. já que aquela pessoa 193 . mais fácil é para nos enchermos de auto-importância. podemos nos ver caindo na armadilha do “superpadrinho” – pensando que sabemos tudo e somos infalíveis! “Você nunca sabe quem vai dar certo nessa irmandade. especialmente se vários membros nos pedem. Eu não posso ignorar ninguém nem nada que é dito em uma reunião. Por mais que tentemos resistir ficarmos confiantes e egoísticos demais. conversamos a respeito do que aconteceu. Nós concordamos que ela estaria melhor com outra madrinha. Quanto mais pessoas procuram respostas em nós.

194 . Ao admitirmos essas limitações e sermos honestos com nossos afilhados. deve ainda haver mais para eu aprender!” “Eu fiquei muito julgador a respeito de meus afilhados com nove ou dez anos em recuperação. Apadrinhamento permite que cresçamos por experimentarmos nossas limitações. Nos mantendo cientes de nossas limitações e continuando a fazer nosso inventário pessoal pode impedir que entremos no pensamento de “melhor que”.ou o que ela disse pode ser exatamente o que eu preciso em algum momento do futuro”. fortalecemos o elo entre nós. que não me ligavam mais tanto. “Como um padrinho com bastante tempo limpo. percebi que já que eu nunca fui a uma formatura do NA. Mas meu padrinho disse ‘Não ache que você é tão importante’”.

“O negócio é partilhar experiência. acredito que não tenha problema indicar alguém que tenha tido. mas estava com medo de partilhar como estava sentindo em meu grupo de escolha. Se não tive nenhuma experiência. O que exatamente isso significa? Significa não falar sobre o que eu faria se estivesse naquela situação. Estava sentindo tamanha dor emocional. e vários afilhados também freqüentavam aquele grupo. Tinha ouvido que eu não posso salvar minha pele e meu ego ao mesmo tempo. força e esperança. 195 . Significa que sou um bom padrinho que leva recuperação a sério”. “Me lembro de ter 21 anos limpo e querendo simplesmente morrer. Era eu quem tinha mais tempo daquela área. mas sim falar sobre o que eu fiz em situação similar. Isso não significa que sou um ‘mau’ padrinho.

na verdade. Sabia que meus afilhados iam ficar envergonhados e me largar como seu padrinho. Nós. Oferecer sugestões aos nossos afilhados sobre onde eles poderão encontrar ajuda não significa que falhamos como padrinhos. podemos buscar ajuda de outros sobre como lidar com as coisas. arrumei mais dois afilhados que queriam o que eu tinha. também. tendo certeza de manter a confidencia e anonimato de nosso afilhado ou afilhada. Pelo contrário.Finalmente deixei o ego de lado e partilhei como estava realmente sentindo. Enquanto podemos nem sempre saber o que é melhor para nossos afilhados. Vai entender!” Haverá momentos nos quais nossa experiência não se aplica ao momento de um afilhado ou ele ou ela está com algum problema além de nosso conhecimento. Significa o oposto. Talvez tenhamos que dizer “Não sei” ou encaminhar nossos afilhados a outros que podem ajudar quando nós não podemos. podemos lhes oferecer um ombro amigo e 196 . Não queremos oferecer orientação a respeito daquilo que não temos experiência.

estou em solo firme. ele pode ficar limpo.assegurar-lhes sozinhos. Se eu der conselhos. Vejo meu papel não como dar conselhos. mas partilhar minha experiência. que eles não estão “Partilhando somente minha experiência. Sei que estou sendo honesto. estou me comprometendo com outra pessoa e comigo mesmo. e que se meu afilhado fizer o que eu fiz. Se meu afilhado segue meus conselhos e acaba usando ou experimentando conseqüências desfavoráveis. assim como com minha recuperação em geral. força e esperança num nível mais 197 . não estou em base firme. Deixo os conselhos para os profissionais que sabem lidar com essas conseqüências”. “Quando digo ‘sim’ a alguém que pede que eu seja seu padrinho. eu seria responsável.

mas ajudá-los a usar os princípios do programa para viver a vida plenamente. podemos perguntar a nosso padrinho. “Falo para meus afilhados que crescimento pode ser doloroso e solitário às vezes. Não estamos a sós nos nosso processos de tomada de decisões. Nem sempre 198 . Se não temos certeza sobre como encarar uma pergunta ou pedido de nosso afilhado ou afilhada. Aqui.íntimo. Um dos maiores desafios como padrinho pode ser o desejo de protegermos nossos afilhados das situações avassaladoras em suas vidas. muitos de nós descobrimos que nosso padrinho tem a resposta exata que estamos precisando. Isso começa por ouvir”. a corrente de recuperação pode ser vista em sua mais pura forma – um adicto ajudando outro a ajudar a outro. Na maioria dos casos. Devemos estar cientes que nosso papel como padrinho não é proteger nossos afilhados da vida. É como remover as rodinhas da bicicleta.

apadrinhamento oferece muitas vantagens e dádivas. Podemos nos sentir mais próximos a algumas pessoas que apadrinhamos do que 199 . e aprofundarmos nossa intimidade. “Para mim. Temos a oportunidade de compartilhar o despertar espiritual em outro membro. Aqueles cortes e hematomas vão compensar bastante no futuro”. a servirmos. È uma forma de nos mantermos conectados a NA.posso correr do lado da bicicleta para impedir que você caia. Cada relacionamento é especial de seu próprio jeito. até que você aprenda a andar. meu afilhado irá aprender tanto com seus próprios erros quanto com seu padrinho!” Para a maioria de nós. Apadrinhamento pode se tornar um relacionamento saudável e respeitoso. e freqüentemente uma amizade profunda. ser um bom padrinho significa que. Tudo o que posso fazer é estar lá para te ajudar a levantar e te estimular para tentar novamente. talvez.

outras. etc. “Muitos dos relacionamentos que entrei como padrinho me deram grandes amigos”. acreditando que meu único interesse é sua recuperação lhes dá a habilidade de ouvir o que digo sobre certos assuntos”. “Eu não me aproximo muito dos meus afilhados por algumas razões que acho importantes. Eu trabalho com eles somente em recuperação. banco. Isso lhes dá a oportunidade de serem honestos comigo e não enfeitar nada por medo que eu os julgue ou desaprove. mas tentamos dar o melhor de nós em cada relacionamento e assegurarmos que estamos igualmente disponíveis e receptivos a todos os nossos afilhados. Também. conselheiro matrimonial. 200 . conselheiro profissional. É importante que eles saibam que meu único interesse é sua recuperação. não como melhores amigos.

permitindo que o relacionamento cresça e mude naturalmente”. Tento não pré-julgar que tipo de relacionamento deveria ter com um afilhado. Alguns são meus ‘melhores amigos’. assim como individualmente. alguns são mais como ‘negócios’.“Tenho muitos tipos de relacionamento com as pessoas que apadrinho. “Trabalho com meus afilhados num grupo de estudo de passos. aprendemos a ser consistentes e termos boa vontade para praticarmos os princípios espirituais. Através de trabalhar os passos e tradições com nossos afilhados. Usamos o novo guia para trabalhar os passos. e outros são emocionalmente distantes. Enquanto nossa jornada através do apadrinhamento irá variar de membro para membro e comunidade para comunidade. estamos todos buscando o mesmo destino em recuperação. junto com o Texto 201 .

Também enfoco as tradições e fortemente encorajo adesão à Décima Segunda Tradição”.Básico e Isso Resulta: como e porque. Peço sabedoria. É incrível a distância que podemos percorrer com os Doze Passos!” “As tarefas que dou aos meus afilhados dependem de seu 202 . e poucos são novos ao programa. rezo e convido Deus para a experiência. conhecimento. e coragem para ver a verdade e significados dos passos para que mais cura possa ocorrer. “Antes de trabalhar com minhas afilhadas. Precisamos lembrar que Deus é o poder maior. A maioria dos companheiros que apadrinho têm múltiplos anos limpos. Após trabalharmos o passo. rezamos e agradecemos a Deus por mais uma oportunidade de nos curarmos aplicando os princípios.

nem conselheiro matrimonial nem alguém que vai ser facilitador. não posso te fazer bem nenhum. me ligue antes de fazê-lo. não empresto dinheiro. trato todos os meus afilhados com o mesmo respeito e amor. não sou conselheiro. 203 . Mas independente das tarefas diferentes. mas se não vai fazer nenhum esforço.tempo limpo. Quando eles ligam. vá a 90 reuniões em 90 dias e começaremos a trabalhar o Primeiro Passo juntos. Dou sugestões diferentes a afilhados com mais tempo limpo. se você tiver vontade de usar. se você mentir não posso te ajudar. então por favor não minta. Digo a todos os recém-chegados: ligue para mim todos os dias e deixe um recado se eu não estiver em casa. é para nós nos conhecermos melhor e criarmos um elo”. se você quer ficar limpo. posso ajudar.

Elas acham motivador fazer isso. e dizem que isso ajuda a criar relacionamento mais fortes. coragem e medo. Partilhamos as realidades da vida com nosso afilhado ou afilhada – alegria e tristeza. felicidade e depressão. verdade e decepção. Através da simplicidade do programa de Narcóticos Anônimos. Apadrinhamento abre a porta para nossos próprios corações. nascimento e morte. 204 . Conforme completam o passo. é possível partilharmos uma vida de liberdade além dos nossos mais incríveis sonhos.“Algumas de minhas afilhadas se encontram com mulheres com o mesmo tempo limpo para trabalhar nos guias dos passos juntas. escolhem partilhá-lo comigo”. e podemos aprender a não nos levarmos tão a sério.

CAPÍTULO QUATRO O RELACIONAMENTO DE APADRINHAMENTO: DESENVOLVENDO E SUSTENTANDOO Desenvolvendo e sustentando o relacionamento de apadrinhamento Relacionamentos requerem trabalho. essas coisas são especialmente difíceis. e gostar uns dos outros. Em nossa adicção. temos a oportunidade rara para aprendermos uns dos outros. A maioria das pessoas acha difícil ser vulnerável. No apadrinhamento. ensinar uns aos outros. Muitos de nós não tivemos exemplos ótimos no que diz respeito a respeito mútuo e carinho. aprender a confiar e a ser confiável. e se comprometer. freqüentemente nos fechando para aqueles que mais se importavam conosco. corremos de intimidade. Para adictos. O apadrinhamento nos mostra como trabalhar com os outros enquanto nos 205 .

Fui forçado a ver que elas precisam de mim. vim a entender que tenho a capacidade de gostar e até amar outras pessoas. Elas em escolheram para guiá-las através dos passos. Sei agora que tenho algo a dar: minha experiência de recuperação em NA.” “Se estar em recuperação significasse somente ir às reuniões. Tenho orgulho disso. Poderia somente ir às reuniões.conhecemos. ficar com companheiros. “Ao apadrinhar outros adictos. Naturalmente. Podemos aprender a confiar. Através do apadrinhamento. podemos aprender a viver mais plenamente. o relacionamento nem sempre será fácil. Nem precisaria de ajuda. Iremos cometer alguns erros. poderia continuar com minha vida sem nem trabalhar em mim. e ir para 206 . Mas nos tornamos dispostos a arriscar e encarar aqueles medos que nos impedem de experimentar relacionamentos ricos e significativos.

” “Estou ciente de quem eu era antes de ter uma madrinha: uma pessoa solitária e isolada. Mas essa não é a realidade. minhas dificuldade se minhas crenças afetam a maneira que lido com as outras pessoas. Se eu fizer isso sem a orientação e o apoio de meu padrinho. Sem seu percebimento. provavelmente eu não iria tão a fundo quanto poderia ir. Minha madrinha me tem ajudado a construir um relacionamento forte com meu Poder Superior e ao trabalhar os Doze Passos. Preciso trabalhar em meus relacionamentos – a maneira que meus defeitos de caráter. não crescerei tanto.casa. Meu relacionamento com minha madrinha é precioso 207 . através dos quais eu tenho aprendido a lidar com meus comportamentos adictivos. Preciso fazer bastante para me tornar a pessoa que quero ser.

Autorevelação honesta e respeito mútuo podem providenciar um alicerce sólido sobre o qual pode-se construir esse relacionamento excepcional. Outras vezes. Ambos os membros se sentem confortáveis um com o outro quase imediatamente e partilham com entusiasmo. Às vezes me 208 . Contato freqüente com nosso padrinho ou afilhado pode nos ajudar a abrir nossos corações e permitir que intimidade se desenvolva. Às vezes o relacionamento de apadrinhamento de desenvolve com facilidade desde o começo. e o relacionamento precisa de pouco trabalho. Tenho trabalhado com uma afilhada há 15 anos. Sou grata por sua presença em minha vida”. fazer o esforço de conhecer outra pessoa pode parecer difícil ou quase impossível. “Tenho descoberto que às vezes apadrinhamento é fácil. cuja visão para ela mesma tem sempre sido igual à minha. Aprender a comunicar bem é um dos desafios que encaramos ao longo da nossa caminhada em recuperação.para mim.

Hoje. mas sei que 209 . que eu nunca tive no passado. aprendi que a vida nem sempre é uma luta. porque nos conhecemos tão bem (durante os últimos 16 anos). Às vezes ainda é difícil pedir ajuda. É como ter uma melhor amiga. energia e oração. E sabe o que? Após anos de dramas girando em torno das drogas. que paz de espírito é possível. e dificuldades. eu e minha madrinha trabalhamos somente os passos e meus problemas. podemos partilhar sobre tudo.pergunto se o trabalho que fazemos juntas é tão importante espiritualmente quanto aquele que faço com pessoas que requerem bastante tempo. Ter uma madrinha me fez pensar em outra pessoa em me tem dado ferramentas para construir um relacionamento duradouro. “No início. pois não confiava em mulheres. e relacionamentos que são fáceis são preciosos”.

mas impor condições para o que queremos ou o que achamos que queremos. Podemos sempre querer ter as respostas certas para aquelas perguntas difíceis que os afilhados fazem. sempre.quando peço. Podemos querer ser o afilhado preferido fazendo a coisa certa. achei que um padrinho era um super-herói ou cavaleiro de armadura brilhante que sempre viria me salvar. Muitos de nós temos expectativas irrealistas sobre o que um relacionamento de apadrinhamento deve ser. Esses desejos não são errados ou prejudiciais. limita nossas possibilidades e pode atrasar nosso crescimento. “Quando cheguei ao programa. Alguns de nós enxergarão o apadrinhamento como a forma de ter o melhor amigo que nunca tivemos nossa vida inteira. Ficar limpo e manter a mente aberta muitas vezes traz dádivas muito além do que imaginamos para nós mesmos. Depois de achar um 210 . as recompensas são maiores do que jamais imaginei”.

ou talvez desafiemos nosso padrinho. querendo algo mais ou diferente do que estamos recebendo. pedindo que olhemos para algo desconfortável. Podemos até trocar palavras ásperas ou dizer coisas das quais depois nos arrependeremos. a coragem e humildade necessária para resolver essas questões freqüentemente levam o relacionamento de apadrinhamento a níveis mais profundos.padrinho. enquanto meu padrinho me dava enorme conforto em momentos de dificuldade. “Não estava muito preparado para o fato de quanto apadrinhamento iria me 211 . Nosso padrinho poderá nos desafiar. Isso inclui a boa vontade para passar por dificuldades sem deixar medo ou raiva destruírem o relacionamento. Um elo dinâmico e significativo entre um padrinho e afilhado depende de um alicerce sólido de boa vontade. percebi que. Às vezes a reação inicial de qualquer uma das partes é defensiva. Como em qualquer relacionamento. na verdade ele está lá para me ajudar a trabalhar os passos”.

que eu levo ao meu Décimo Passo. E talvez em outros momentos não estou tão amoroso e centrado. e digo alguma coisa que machuca. sou eu quem diz algo que acredito que precisa ser dito. admitindo que cometo erros e sou totalmente humano. e eles se tornam magoados ou defensivos. Eu convido abertamente os companheiros que apadrinho a me confrontarem livremente. Vim a enxergar esses momentos de dor e conflito como oportunidades de ganhar habilidades básicas de 212 . Em outros momentos.desafiar a me estender e crescer. mas às vezes a coisa que precisa ser dita não é muito gostosa. ou dor. Pensava que como o padrinho era eu quem ia desafiar os afilhados. minha primeira reação instintiva é defensiva. mas quando eles fazem exatamente isso. Tento sempre ser sensível e respeitoso. ou raiva.

O relacionamento de apadrinhamento tem sido a oficina onde tenho aprendido a confiar no amor e compromisso de outros homens em recuperação o suficiente para ficar e ter conversas difíceis. Tive que aprender. mas a aceitá-los de braços abertos 213 . Em quase todos os casos.relacionamento que posso aplicar posteriormente em meu casamento. se eu ficar ali com amor e respeito. Aprendi não só a não ter medo desses momentos desafiadores. Vivi com muito medo desses momentos de desconforto interpessoal antes de encontrar NA. com meus filhos ou em qualquer outro lugar. nós saímos das coisas com um elo maior de confiança e respeito mútuo do que entramos. que conflito e raiva entre as pessoas não tem que significar rejeição ou abandono. e se eu me manter focado em princípios. às vezes dolorosamente.

Ego não tem lugar em meu processo de tomada de decisão. Ambos os membros devem estar motivados a trabalharem um com o outro. comprometidos com sua própria recuperação. Partilhar algumas de minhas 214 . Com a orientação do Poder Superior e um sincero desejo de ajuda a outro adicto.como os momentos chave para o aprofundamento do relacionamento”. posso construir um relacionamento baseado em amor incondicional e compromisso. e dispostos a aprender mais a respeito dos princípios espirituais de NA. Entrar no apadrinhamento é arriscado. esse relacionamento providencia um dos nossos elos mais básicos ao programa de Narcóticos Anônimos e pode nos mostrar como viver as soluções que os passos têm a nos oferecer. Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. “É imperativo que eu examine meus motivos quando concordo em apadrinhar alguém.

vá a uma reunião. Quanto mais dou. e quanto mais verdades partilhamos. Verdade cria confiança.’ Quando eles queriam me contar tudo sobre o drama em suas vidas eu simplesmente perguntei onde estavam com o passo atual. Após o longo silêncio. trabalhe seu passo. confio que meu Poder Superior está no meio do relacionamento e me ajudará a partilhar livremente. e esse processo ajuda a manter um relacionamento duradouro”. mais confiança se desenvolve.verdades mais íntimas pode se assustador. Porém. mais recebo. eu dizia ‘Exatamente! Escreva o passo e depois me 215 . “Porque é que afilhados sempre parecem ter uma ‘crise’ durante meus exames finais na escola? Minha solução no último semestre foi deixar uma mensagem simples de NA em minha caixa postal: ‘Se isso for um afilhado. e depois me ligue.

Às vezes essas coisas são difíceis de fazer. Sei que preciso fazer minha parte. Não quero ir à minha próxima reunião só para pegar uma 216 . Preciso ir a reuniões regularmente. Tenho certeza que essa abordagem não funcionaria com todo mundo. e trabalhar os passos. As desculpas que estou muito cansada para ir a uma reunião ou que está muito tarde para ligar podem me meter em grandes encrencas. e comigo”. Esses são os momentos que preciso voltar aos básicos – aquelas coisas que eu fazia sem perguntar quando comecei a ficar limpa.ligue’. estou aprendendo tudo novamente sobre compromisso. mas parece ter funcionado bem com meus afilhados. Depois de estar limpa por mais de 20 anos. às vezes me torno complacente e muito confortável. “Como uma afilhada que acabou de começar a trabalhar com outra madrinha.

ficha branca. “Fui recentemente diagnosticado com uma doença que os médicos dizem irá tomar minha vida em mais ou menos um ano. mas a questão não é realmente essa? O Texto Básico diz: ‘tempo limpo não é igual a recuperação’. Nossos relacionamentos como padrinhos e afilhados podem oferecer o apoio e compreensão que precisamos para continuar indo em frente. Encontramos dádivas aqui em NA que a maioria das pessoas nunca experimenta em sua vida. Medo e 217 . trabalharmos os passos e trabalharmos com nossos padrinhos não nos isentam das realidades de viver a vida. Ficarmos limpos. e tentamos fazer o melhor que podemos. Temos uma conexão que nos mantém unidos: compartilhamos a recuperação de uma doença devastadora. Sei que isso parece dramático. Somos todos sobreviventes. Às vezes nos vemos frente às circunstâncias mais difíceis da vida.

Sabia no fundo do meu coração que não queria passar meus últimos dias na terra preso nos horrores da adicção. choramos. trabalhando os passos. Percebi que a calma era minha doença. praticamos os princípios espirituais desse lindo programa. agora pode começar a usar drogas de novo porque você está morrendo’. e confiando no meu Poder Superior amoroso. mas aí senti uma estranha sensação de calma. dizendo para mim ‘Ei..pânico me envolveram no início. e começamos a fazer o que fazemos há anos juntos. Encaro minha mortalidade diariamente indo a reuniões. da adicção. mas percebo agora que tenho a dádiva de 218 . sempre achei que eu seria um daqueles velhinhos que levanta numa convenção com 50 anos limpo.. Imediatamente liguei para meu padrinho! Nós conversamos. Sabe. falando com meus afilhados e padrinho.

Tinha feito e visto tanto que não conseguia mais chorar ou sentir. “Quando estava usando. Isso mudou para mim quando ouvia o Quinto Passo de minha afilhada. os olhos dela permaneciam sem lágrimas. e meu coração se partiu. Ela partilhou sobre ser espancada por seu padrasto. com muita tristeza para nós duas. É daí que vem a minha liberdade”. 219 . Ela só tinha seis meses limpa – o tempo do despertar emocional dela estava por vir”. e não me sinto só. Enquanto eu chorava. e duvidava que iria fazê-lo novamente. e enquanto falava. parecia que meu coração tinha virado pedra. me lembrei de ter apanhado do meu pai. eu via seu corpinho sendo machucado por ele. Imediatamente. Sua partilha honesta foi a conexão de volta para uma vida emocional para mim.estar limpo só por hoje.

ele finalmente alcançou aceitação da situação. Conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento.“Meu afilhado estava no Terceiro Passo quando sua namorada o largou de repente para ficar com outro membro de NA com muito mais tempo limpo que ele. não importando como isso sentia. Ele confiou que a vontade do Poder Superior dele era o melhor para ele. Tudo o que conseguia dizer a ele era para continuar tentando entregar sua vida e vontade ao Poder Superior de sua compreensão. Para minha surpresa. nos tornamos cientes do impacto de trabalharmos com os princípios de NA. Ele ficou arrasado e sentiu muita dor por muito tempo. Minha própria confiança em Deus e no poder do Terceiro Passo foi imensamente melhorado por essa experiência”. Estava preocupado que ele não ia conseguir sair dessa limpo ou vivo. 220 .

mesmo quando estou falando com alguém que pode se tornar defensivo.Começamos a ver os resultados de aplicarmos os passos e tradições em nossas vidas diárias. Posso me sentir mais confortável sendo honesto. raivoso ou hostil. mas logo começamos a entender que crescer em recuperação vai muito além de simplesmente não usar. Agora tenho mais experiência para dar orientação e direcionamento a afilhados. e em como enxergamos nosso lugar no mundo. NA nos ajuda a nos libertarmos das drogas. Aprendi como defender minhas crenças e praticar os princípios espirituais que NA me ensinou. que eu abri mão de minhas tendências de agradar o outro. “Me tornei menos e menos motivado pela necessidade dos meus afilhados gostarem de mim. sempre procurando 221 . mas sim. Com isso não quero dizer que me tornei menos gentil ou amoroso. nas vidas daqueles à nossa volta.

aprendi a confiar mais nos outros. com cada adicto ajudando ao outro. por sua vez. tem me ajudado a ser um afilhado com mais mente aberta. descobrimos que. Isso. se desenvolve em uma “via de mão dupla” que tanto ouvimos falar.usar os Doze Passos como base da solução. Já que confio mais em mim. o que pode iniciar como um relacionamento desbalanceado. Através do processo de trabalhar os passos juntos. Hoje confio que meu padrinho me ama incondicionalmente e verdadeiramente me compreende com o coração cheio de empatia e ajuda”. sugestões e aquelas velhas verdades que tenho dificuldade de enxergar sem a ajuda de outro. Posso ouvir críticas construtivas. com maior habilidade para confiar no meu padrinho e revelar o que está realmente acontecendo em minha cabeça e coração. 222 . com uma pessoa dando toda a ajuda. com a mente aberta.

tenho novas revelações. fazemos nosso melhor para ajudarmos um ao outro. Cada vez que eu sento com um afilhado para trabalhar os passos. enquanto outros o verão em termos da instrução ou até disciplina que ele pode providenciar. As palavras nas paginas de nossa literatura parecem ganhar vida e falar comigo como nunca antes. Às vezes e como se eu nunca tivesse visto certos trechos. “O processo de trabalhar os passos com meus afilhados nunca pára de me surpreender.Alguns membros experimentam o apadrinhamento como um elo amoroso e incondicional. Continuo crescendo em minha recuperação pessoal por causa da perspectiva nova que suas interpretações dos passos oferece. Agradeço a Deus e a meus 223 . Independente de como nosso relacionamento de apadrinhamento se desenvolve. ou ouvido certo conceito ou principio antes.

o que gostava nele. Eu não mais me sentia frustrado e sozinho. nos encontramos e discutimos o inventario de forma amorosa e madura. e que ele fez a mesma coisa. o que funcionava e o que não estava funcionando. nosso 224 .afilhados por suas contribuições a minha recuperação”. Ficava dizendo isso a ele varias vezes. Escrevi sobre tudo – porque eu o escolhi e continuei com ele. Ao me tornar honesto com ele. ate que ele pediu que eu fizesse um inventario sobre ele. o que ele fazia que me deixava com raiva. Depois. “Fiquei muito chateado com meu padrinho quando senti que ele estava fazendo corpo mole com o compromisso dele comigo. Foi um processo incrível para mim. Ele partilhou que esteve numa situação similar com um padrinho.

Em muitas formas. nós mesmos e outro ser humano. Ela me ajudou com minha decisão de me distanciar de romance ate que tenha meu Poder Superior como meu primeiro 225 .relacionamento pode continuar a evoluir”. “Minha madrinha tem me ajudado a ver que relacionamentos com homens me causaram muitos problemas no passado. Nossa habilidade para partilhar nossos pensamentos sobre princípios espirituais com outra pessoa é um presente poderoso de recuperação. Como trabalhamos os passos Quando trabalhamos os Doze Passos. Ajudarmos nossos afilhados a trabalharem os passos enriquece nossa própria espiritualidade. aprendemos a trilhar um caminho espiritual. esses princípios são elementos básicos para estabelecermos e mantermos relacionamentos saudáveis – com nosso Poder Superior.

ele me avisaria. Foi intenso. e muito bem. Sabia. 226 . e sabia disso. a não ser que eu queira estar”. e sei hoje que nunca estou só. meu padrinho me assegurou que se ele acreditasse que a solução para minha insanidade fosse outra coisa senão os Doze Passos de NA. e doeu por aqueles sentimentos para fora. estava me sentindo espiritualmente inadequado.e mais importante relacionamento”. Me encontrei com meu padrinho e li o que eu tinha escrito nos últimos dias. qual era a alternativa. “Em um determinado momento de minha jornada. Após ouvir a leitura e me deixar partilhar do coração. Estava julgando o meu interior pelo exterior dos outros. frustrado e sozinho. Eu entendi e segui em frente. Isso foi ha quatro anos.

“Trabalhar o Quarto e Quinto passo com minha nova madrinha foi assustador no início. e meus muros de defesa ainda me bloqueavam da intimidade. Minha doença ainda estava ativa em minha vida. As palavras que minha madrinha usou ainda estão na minha cabeça: ‘Largue a velha você. mas de maneiras novas e antes desconhecidas. Mas minha vida ainda estava sendo regida por um desejo de aceitação social no programa. Já tinha feito os passos com duas madrinhas anteriores e tinha recebido uma sensação de liberdade duradoura. e amor incondicional par que pudesse fazer o inventario profundo. Você precisa do espaço porque a 227 . tive que depender de minha nova madrinha para me dar apoio. Quando estava escrevendo meu Quarto Passo usando o guia. empatia.

cada um de nós tem desenvolvido sus própria maneira de trabalhar os passos com afilhados. então podemos encontrar uma maneira de trabalharmos os passos e compreendermos o programa de NA. Recuperação é uma experiência altamente pessoal. “Quando apadrinho alguém que não lê ou escreve. 228 . Muitos dos textos e panfletos de NA são publicados em um grande número de línguas. Isso Resulta: Como e Porque. Podemos pedir que afilhados escrevam a respeito de certas partes desses textos e outra literatura de NA. também. como o Texto Básico. e os Guias para Trabalhar os Passos em Narcóticos Anônimos. Se estamos dispostos a nos esforçarmos. assim como as diversas ferramentas do programa. Como padrinhos. Alguns de nós usam dicionários. versões em áudio da literatura de NA para ajudar aqueles de nós com deficiências físicas ou que não têm habilidades literárias fortes.nova você esta se mudando para cá’”. Há.

peço para minha afilhada ouvir a versão áudio do texto básico. “Somente apadrinho adictos que estão dispostos a continuarem indo em frente com os passos. Ela esta aberta a aprofundar sua própria experiência de 229 . Acredito que e essencial para sua recuperação e seu bemestar. gravo como eu quero que minha afilhada faça a tarefa. Dou a fita a ela.dependo do uso de fitas cassete. Ela pode sempre rebobinar a fita e voltar ao começo se precisar lembrar como fazer a tarefa. Depois. gravando seus passos na fita.” “Minha madrinha me ensina como trabalhar os passos. e por essa razão gravo a tarefa no inicio da fita”. Primeiro. Ela aprende a fazer isso através de escrever os passos com sua madrinha. para que complete.

Alguns de nós temos visto que a chave para construir confiança é partilha aberta e íntima entre padrinho e afilhado. Minha madrinha tem uma mente de recém chegado e ver sua boa vontade me inspira a ter a mesma atitude. Estamos juntas ha dez anos. mesmo estando 24 anos limpa. A autorevelação honesta de um padrinho pode ajudar o afilhado a ganhar confiança na direção do padrinho. Isso me da esperança de que eu também posso. Tento repassar os conceitos que aprendi dela as minhas afilhadas”. O processo de trabalhar os passos juntos pode tornar mais fácil o desenvolvimento da confiança.recuperação e não age como se ela tivesse ‘conseguido’ a recuperação e não precisa mais crescer. Eu tenho visto ela continuar a mudar e crescer ao longo dos anos. 230 .

Achava que tinha que ser perfeito sempre. “Uma vez que eu pude falar sobre coisas pessoais com minha madrinha. dos pontos de vista tanto do afilhado quanto do padrinho. Foi somente depois que comecei a confiar nela que 231 . Foi somente ao falar com meu padrinho que eu aprendi que podia ter a humildade e honestidade de ser quem sou e partilhar isso com meus afilhados. me vi me tornando mais e mais confortável com ela.“Antigamente achava difícil falar aos meus afilhados que eu tinha experimentado o mesmo medo e vergonha que eles estavam sentindo. e aprendi que ao trabalhar os Doze Passos. ajuda aos dois desenvolverem e aprofundarem nossa compreensão e confiança”. Ser vulnerável envolve um certo risco.

Queria escolher o passo no qual iria trabalhar. podemos tirar o foco dos nossos 232 .. Depois ele disse que havia uma razão pela qual os passos estão enumerados de um a doze. questionava meu padrinho quando ele me dava direcionamentos sobre trabalho de passos. confie no processo!” Outros de nós descobriram que revelar muitos detalhes pessoais quando ajudamos nossos afilhados a trabalharem os passos pode causar incerteza a respeito do papel do padrinho.pude começar o processo de escrever os passos”. Ele disse que eu tinha que parar de tentar ser meu próprio padrinho e parar de controlar o processo de trabalhar os passos. Se passarmos muito tempo falando apenas sobre nós mesmos.. e quando fazê-lo. nem queremos dominar a conversa. Não queremos jogar todos os nossos problemas para aqueles a quem apadrinhamos. “No começo.

afilhados. tempo e experiência me tem ensinado que paciência e encorajamento amoroso são as chaves que destravam os lábios e o coração”. “Desenvolver novos relacionamentos de apadrinhamento não tem sido sempre fácil para mim. Cada relacionamento de apadrinhamento é único. Houve vezes que parecia que eu estava arrancando dentes. ligava para minha madrinha pedindo apoio e ela passava tanto tempo falando dela que não tinha a oportunidade de expressar 233 . e devemos descobrir o que funcionará melhor. “Como recém chegado. Parte de desenvolver um relacionamento de apadrinhamento é encorajar nossos afilhados a partilharem suas experiências. individualmente. Encorajar meus afilhados a partilhar honesta e livremente tem às vezes sido desafiador. Mas.

alguns membros usarão dicionários para esclarecer certos princípios e conceitos. não tinha guia para trabalhar os passos. Conforme comentado anteriormente. Vários de nós desenvolveram métodos específicos que usamos ao guiar afilhados pelos passos.minhas necessidades ou adquirir a orientação que queria nos passos. pedindo que o afilhado escreva extensamente a respeito de cada passo e princípio. Fiquei impaciente e achei outra madrinha. Alguns favorecem um processo metódico e detalhado. “Quando cheguei. Muitos de nós temos orações que dizemos antes e após o trabalho com os passos. cada padrinho e madrinha 234 . enquanto outros não têm uma abordagem tão estruturada. Naquela época. É importante lembrar que não temos todos a mesma abordagem em ralação aos passos. Meu único remorso e que não falei com ela sobre a frustração naquele momento”.

Porem. Recentemente. arrumei um padrinho novo.tinha um jeito diferente de trabalhar os passos. Cada dois anos eu fazia um novo Quarto Passo. e me preocupava que usar um guia iria tirar um pouco da orientação pessoal que tanto valorizo no processo de apadrinhamento. como se fosse uma revisão. eu aprendi que esse programa e sobre mudança. que pediu que eu começasse no inicio do Guia Para Trabalhar os Passos de NA. Conforme comecei a fazer os primeiros passos. Quando terminei os passos. comecei a ficar com ressentimento. Senti que algumas das perguntas eram repetitivas. e se ainda quero tudo isso preciso estar disposto a aprender sobre mim mesmo 235 . me foi mostrado uma maneira diferente de trabalhar os passos Dez a Doze diariamente e como incorporá-los em minha vida.

eu peco que escrevam sobre cada passo. às vezes pego o que escreveu e leio para ele. “Eu ajudo meus afilhados com o Quinto Passo.e meu relacionamento com Deus e outros nesse novo processo”. Antes do afilhado começar a ler o 236 . Lhes falo sobre os sentimentos que passei ao partilhar minhas experiências intimas pela primeira vez. Isso nos da uma perspectiva bastante diferente e tem provado ser uma forma eficaz e poderosa de partilharmos nossa experiência e aprofundar nosso relacionamento”. Quando chega a hora de nos encontrarmos e revisarmos o passo. sempre fazendo uma oração antes de começarmos e depois falado de minha experiência do Quinto passo com meu padrinho. “Quando trabalho com meus afilhados.

Quinto Passo. Tento ser tão honesto e aberto com meus afilhados quanto quero que sejam comigo”. “No Oitavo Passo. Isso parece relaxá-los. 237 . Ai. peco que coloquem os nomes em cartões com uma breve descrição do dano causado. as restituições financeiras. Procuramos por padrões repetitivos e danos pelos quais eles possam estar se atribuindo muita responsabilidade. mas que podem ter prejudicado. peco que meus afilhados façam uma lista das pessoas a quem causaram danos. Olhamos as reparações que podem ser feitas imediatamente. Depois. tirada de seu inventario do Quarto Passo e adicionando qualquer pessoa que não esteja no inventario. falamos sobre todos os cartões. pergunto quais os seus sentimentos naquele exato momento.

Falamos sobre elas detalhadamente e sempre lembramos que um Poder Superior nos ajudara ao fazer essas reparações”. ficamos inspirados. Uma das dádivas que a recuperação oferece é uma nova perspectiva sobre os outros e nós mesmos através de nossa experiência partilhada com os passos. e as que precisam ser adiadas. “Quando estava limpa mais ou menos nove anos. Explicar os princípios do programam nos ajuda com nossa maior compreensão desses princípios. Estava trabalhando lá há três anos. Aprendemos a confiar mais num Poder Superior. me vi em tumulto no meu emprego – um dos melhores empregos que já tinha tido. Quando assistimos ao crescimento de um afilhado.qualquer reparação que não pode ser feita. e meus defeitos 238 . Nos dispomos a mudar e começamos a ver que se não mudarmos nossa recuperação irá estagnar.

Depois de vários desentendimentos com meu chefe.de caráter estavam vindo à tona claramente. ficava com raiva quando alguém pedia que eu lhes ajudasse. e estava começando a expressar essa raiva de forma inadequada. Sexto e Sétimo Passos com minha madrinha. Estava com ressentimento de meu chefe e meus colegas. Tinha trabalhado os passos varias vezes em meus nove anos limpa. Ela amorosamente me guiou a observar meus defeitos de caráter. e depois fiz os Quinto. mas era hora de fazê-los de novo – desta vez focando meus relacionamentos no trabalho. percebi que tinha que mudar alguma coisa ou perderia meu emprego. Fiz um Quarto Passo sobre minha historia profissional. e comecei a ver como poderia me modificar 239 .

Ela estava feliz por mim e disse que tinha visto muita mudança em mim. Nunca tinha trabalhado os passos numa situação de trabalho como aquela antes. teria sido mais um emprego do qual pedi demissão.com a ajuda do meu Poder Superior. e mais uma 240 . Que milagre! Se a ajuda da opinião imparcial de minha madrinha. mais uma situação desconfortável da qual fugi. Estou feliz em poder dizer que após mais ou menos um mês. as coisas no trabalho melhoraram muito. Pude enxergar claramente minha parte e iniciar o processo de mudança. Quando finalmente sai daquele emprego por uma posição num setor que sempre sonhei trabalhar. meu chefe estava honestamente triste em me ver partir.

oportunidade para me ver como péssima profissional”. idade. religião (ou 241 . Somos provenientes de diversos históricos étnicos. NA nos oferece somente uma promessa – liberdade da adicção ativa. Às vezes ficar limpo significa que estamos inteiramente presentes aos obstáculos que encaramos. educacionais e profissionais. Recuperação significa encarar o que a vida apresentar e tentar enxergar nossas circunstâncias como oportunidades em vez de obstáculos. Nossa diversidade se estende para credo. temos diferenças que podem apresentar dificuldades em nosso relacionamento de apadrinhamento. Afinal. Mas recuperação é muito mais do que simplesmente parar de usar drogas. Nossa diversidade é nossa força Enquanto o princípio de anonimato nos torna todos iguais. Oportunidades contínuo para crescimento Chegamos a NA para aprendermos como parar de usar drogas e nos recuperarmos da doença da adicção.

entrei em uma comunidade de NA que era composta por praticamente todos membros de uma cultura diferente da minha. As diferenças entre nós oferecem inúmeras oportunidades para crescermos conforme trabalhamos juntos como padrinho e afilhado. quando fiquei limpo. Crescer com as crenças e cultura de minha família. e além. Podemos todos falar a mesma língua de recuperação. especialmente pessoas de outra cultura. mas seria impossível todos aprendermos essa linguagem da mesma forma.falta de religião). Porem. não estava acostumado a partilhar o que estava acontecendo em minha vida com ninguém. Também era mias velho do que a maioria dos membros no grupo. raça ou proveniência não importa e que somos todos adictos recuperando da mesma doença. “Hoje. 242 . aprendi que cor.

e eu uns 16 anos limpo! Tenho muito cuidado com o que digo porque sei 243 . “Meu maior desafio tem sido apadrinhar um adolescente. Ambos tínhamos a mesma proveniência. Quando comecei a apadrinhar esse companheiro.Não confiava em muitas pessoas no programa. e esse crescimento tem me ajudado a entender que outras pessoas também podem me ajudar”. e pude fazer uma conexão com ele. ele tinha uns 16 anos. acreditei que ele era o único que podia me ajudar a ficar limpo e trabalhar os passos. no inicio. Quando ele partilhou que estava morando a uma quadra de onde eu comprava drogas e que ele estava limpo há seis anos. Finalmente conheci o membro que tinha atendido minha ligação à linha de ajuda. Cresci em todas as áreas por causa de sua ajuda.

que muitas vezes preciso pedir que ele não escreva como se estivesse escrevendo um livro! Ele me liga quase todos os dias e me lembra de como eu era no inicio de minha recuperação e como eu deveria tentar ser novamente. Não tenho que ser outra pessoa com ele. Adoro que temos um relacionamento tão honesto”. Ele escreve os passos tão bem. alguns de nós sofremos conseqüências físicas que continuam 244 . Penso nele como se fosse o filho que nunca tive. Ele agora tem pouco mais de um ano limpo e é uma inspiração para mim. especialmente como trabalha os passos. Ele me da muita esperança.que ele esta ainda aprendendo sobre a vida. Necessidades adicionais Como resultado de nossa adicção ativa.

nossa saúde sofreu danos irreparáveis devido ao uso de drogas ou nos colocarmos em situações de risco para alimentarmos nossa adicção.conosco em recuperação. Se eu pedisse que ele escrevesse uma pagina sobre algum tópico. tive que repensar. nem todas as necessidades adicionais de nossos membros são relacionados à doença da adicção. Claro. temos que lidar com os mesmos desafios físicos que afetam a população geral: deficiências físicas e problemas congênitos. mas ele o faria – mesmo se não conseguisse entender aquilo 245 . descobri que poderia levá-lo de 20 a 30 horas de esforço para aquela pagina. “No inicio de minha recuperação. Mas quando comecei a trabalhar com um companheiro que tinha lesão cerebral devido a um acidente de motocicleta. e os resultados de acidentes e doenças. Em muitos casos. eu pedia a meus afilhados fizessem o que meu padrinho fazia comigo.

“Cinco anos atrás. me dando injeções quando precisava. indo ao médico comigo. tive que começar a tomar um medicamento para uma doença que contraí como resultado direto de minha adicção. estavam disponíveis para mim: fazendo tarefas para mim. Acabou com minha energia.que tinha acabado de escrever. Na verdade. Os efeitos colaterais eram horríveis. Só faltei em 246 . me levando a reuniões. Então agora falamos muito sobre os passos e como ele pode aplicá-los em sua vida diária”. e eu dormia umas doze horas por dia. Foram pacientes e compreensivas do fato que eu não poderia estar disponível tanto quanto estive no passado. Minhas afilhadas realmente me ajudaram em meu momento de necessidade. etc.

Com a ajuda de nossos padrinhos e o apoio de nossos afilhados. E. Ela me ligava todos os dias. especialmente gratidão. Realmente me mostrou que isso é um programa ‘nós’. muitos de nós vivemos tempo suficiente para encararmos problemas de saúde que vêm com o passar dos anos. à situação pela qual estava passando.três reuniões do meu grupo de escolha aquele ano inteiro. e falávamos por horas. minha madrinha foi incrível. Ela me encorajou e me ajudou a aplicar os princípios do programa. e agora estamos envelhecendo. Como adictos em recuperação. temos crescido em NA. e humildade. Mais e mais de nossos membros estão acumulando tempo limpo no programa. fazemos as mudanças possíveis e aceitamos o que precisamos 247 . Nunca esquecerei a amizade e amor que me foi mostrado durante um dos momentos mais difíceis de minha recuperação”. aceitação.

Graças a Deus ele precisava de mim para ajudá-lo porque me deu 248 . dirigindo. Às vezes somos forçados a pedir ajuda. e crescemos e prosperamos como resultado. Quando cheguei a sua casa aquela manha. Esteja aqui sábado de manha.aceitar. já não gostava mais tanto de dirigir. descobri que já que ele foi ficando mais velho. “Uma das coisas que queria de um padrinho era alguém que me daria algum tempo toda semana. sabendo que ia ser algum lugar muito espiritual. perguntei aonde íamos.. apesar da diferença de 40 anos em nossas idades. Achei que ele realmente amava ficar comigo. A resposta dele foi ‘O consultório do meu medico’. Meu padrinho disse ‘Sem problemas.. indo a reuniões comigo. Ele continuou me dando tempo toda semana. Estava muito animado.

Como resultado. Eu a encorajei-a e desafiei-a a escrever sobre 249 . Uma vez que ela começou a confiar mais em mim. palavras e parágrafos. ou podemos ter dificuldades para ler. ela me fazia perguntas. parando para explicar o que significavam as frases. eu lia.tanto tempo com ele e tornou nosso relacionamento incrível. etc. me falava quando não tinha entendido. e às vezes evitaremos escrever os passos. No inicio. com compreensão limitada do material. “Fui madrinha de uma mulher que lia muito pouco. Nos encontrávamos cinco ou seis vezes por mês para ler os passos. Fui dado a oportunidade de ajudar alguém que tem me dado muito”. e tentava ler em voz alta para mim. podemos nos sentir inadequados. Muitos de nós não escrevemos bem.

Muitas de nossas reuniões têm acesso para cadeiras de rodas. desenhar símbolos ou figuras. qualquer coisa para conseguir fazê-lo. ouvimos a fita juntas. e me ajudou a aumentar minha compreensão deles. alguns de nós lutamos com completar tarefas diárias que são fáceis e naturais para outros. Por uma variedade de razões. Se apadrinhamos membros com necessidades adicionais. mas eu não quis ouvir desta maneira. Ela deixou a fita no meu trabalho. Isso foi para mim uma renovação dos passos. parando para que ela partilhasse o que ela sentia ao longo do processo. Após o Terceiro Passo concordamos que ela tentaria gravar o Quarto. e ela estava florescendo em sua nova vida”. tolerância e auto estima foram levantados.cada passo. Então. Minha paciência. podemos ajudá-los a perceber o que o NA tem a oferecer. e 250 .

Há um número de versões áudio dos textos de NA e panfletos assim como literatura em Braille e fonte grande. Isso foi bem antes de e-mail e chats online. não há nenhuma regra rígida que se encaixe para todos os membros da irmandade.algumas têm até interpretes para aqueles com dificuldades auditivas. Um dos pacientes tinha vindo de outro estado para se tratar. e eu me tornei seu padrinho temporário enquanto morasse lá. Ele digitava para um operador que lia a mensagem para mim. “Morava em uma cidade onde havia um centro de tratamento de longo prazo que se especializava em tratar adictos surdos. Eu tinha dificuldade 251 . Podemos ainda trabalhar os passos com afilhados simplesmente com partilha individual. Enquanto muitos membros acreditam que a melhor maneira de fazer os passos é por escrito. e normalmente nos comunicavam através de um sistema de intermédio.

Isso foi uma reversão total para mim. tive uma serie de doenças debilitantes. Ele me explicou que isso e o que ele precisava para ficar limpo. Podia me identificar com o nível de boa vontade dele.com o esquema no inicio. Me vi fisicamente dependente de outros para fazer minhas tarefas diárias. “Alguns anos atrás. e isso me endireitou rapidinho. pois ficava um pouco envergonhado com alguns dos detalhes pessoais que ele estava revelando a um estranho (o operador). mas ai tudo 252 . e começamos a falar mais livremente após o despertar por minha parte”. Amava servir em todos os níveis. Eu era sempre a pessoa que estava a disposição para ajudar os outros. Tinha sido um servidor em Narcóticos Anônimos por décadas e estava no serviço mundial ha anos.

Sempre foi mais fácil para mim. Independente dos desafios que nos confrontam. é nossa responsabilidade trabalharmos os passos da melhor maneira possível.mudou. família e amigos. dar do que receber. Prisões e instituições 253 . a oportunidade de me ajudarem. Uma das maiores dádivas da minha doença e que deu a meus afilhados. padrinho. tenho experimentado um sentido mais profundo de amor e intimidade nos meus relacionamentos. Como resultado. especialmente com meu Poder Superior”. encontraremos uma maneira de trabalharmos juntos. Como afilhados e padrinhos. Tive que me render ao fato de que eu tinha que praticar o que tinha aprendido a respeito do principio espiritual de receber. se tivermos boa vontade para fazermos um esforço. usando os meios possíveis.

Se nosso padrinho ou afilhado está encarcerado. quer seja nosso afilhado ou padrinho que está na instituição. oferece um grupo diferente de desafios. talvez não possamos ver nosso afilhado padrinho regularmente. “Quando fui preso. Talvez tenhamos que depender de comunicação via telefone ou cartas. Dependendo da situação específica. Nunca 254 . só estava limpo há 11 dias. teremos que levar em conta as regras do local e como essas regras afetarão nossa habilidade de comunicarmos com alguém “dentro”. mas pode funcionar. e funciona. Pode funcionar como apadrinhamento à distância.Estar num relacionamento de apadrinhamento enquanto preso. A necessidade de manter o foco na recuperação e trabalhar os passos será especialmente importante durante esse tempo. num centro de tratamento ou outra instituição na qual está confinado. Ambos os membros terão que manter a mente muito aberta e ter boa vontade excepcional para que esse relacionamento seja eficaz.

Nos escrevemos algumas vezes. Havia uma reunião de NA que vinha a cada duas semanas para a cadeia onde eu estava.saberei se eu teria ficado limpo se não tivesse sido preso. Li o Texto Básico de capa a capa e comecei o Quarto Passo. Puxa. Acredito que estar limpo e ter alguma experiência em NA naquela época foram grandes dádivas naquela época. mas gosto de pensar que sim. Não queria mais carregar aquelas coisas comigo mais. pedi para ele ser meu padrinho. mas quando o vi comecei a chorar – na frente de todos. como eu estava feliz em vê-lo! Eu era o traficante durão. e ele concordou em se corresponder comigo. Conhecia um dos caras porque tínhamos nos conhecido em reuniões antes de eu ser preso. Em todo caso. e ele me ajudou a começar os passos. Acabei fazendo meu Quinto Passo com um ministro porque o meu padrinho só podia me visitar 255 .

um que.durante a reunião de NA marcada. como eu. Hoje. Eu pude continuar meu relacionamento de apadrinhamento não só com 256 . Pude ficar limpo durante esse tempo através do trabalho dos Doze Passos e mantendo contato com meu grupo de apoio em NA pelo correio e os orelhões. É o que funcionou para mim”. Com o tempo. e eu tive a benção de poder apadrinhar quatro outros companheiros presos. cumpri minha pena e sai. às vezes sou chamado para a Unidade de Tratamento Intensivo da cadeia. O tempo passou. “Com 17 anos limpo. para ouvir o Quinto Passo de algum cara que vai sair. estava limpo antes de ser preso. Eu sempre os encorajo a arrumarem um padrinho e começarem a trabalhar os passos assim que saem. fui trancado em uma instituição por mais de três anos.

mas dentro também. Adicionalmente. alguns de nós têm encontrado afilhados ou padrinhos em tais situações. Nossa visão e experiência de 257 . centros de tratamento e fóruns. algumas facilidades têm regras rígidas que devemos seguir se vamos apadrinhar alguém lá. Devemos estar atentos para o impacto que a instituição pode ter em nosso relacionamento de apadrinhamento. Em algumas partes do mundo. tem sido minha verdade em todos esses anos”. com certeza. Apadrinhar um membro em uma instituição pode tomar muito de nosso tempo e energia. Apesar de a maioria dos comitês de serviço pedirem que não apadrinhemos membros de uma instituição enquanto servindo no painel. instituições.alguns membros fora das paredes da instituição. Que presente! É dito em NA que ‘nunca mais precisamos estar sós’ e isso. obrigam adictos a passarem uma certa quantia de tempo com padrinhos e trabalharem os passos de uma determinada forma.

mas essa foi provavelmente a experiência mais maravilhosa de todas para mim. e devemos pensar honestamente sobre nossa capacidade de apadrinhar alguém nessas circunstâncias. os regulamentos que muitas instituições têm podem ser muito inflexíveis ou até conflitantes com nossa visão do programa. poderemos assegurar que nossa decisão beneficiará da melhor forma nosso afilhado ou afilhada. devemos aprender sobre os requerimentos do local para podermos tomar uma decisão informada. Enquanto não queremos abandonar nosso afilhado. Antes de concordar em apadrinhar alguém na prisão ou outra instituição. Ela me disse que o centro de tratamento requeria que eu a pegasse 258 .trabalhar os passos pode ser diferente de como a instituição direciona nosso afilhado. “Recentemente tive o privilegio de amadrinhar uma companheira internada. Tenho apadrinhado pessoas em tratamento antes. Dessa forma.

concordamos em trabalhar juntas. davam-lhes dinheiro e deixavam os internos ficarem em suas casas nos finais de semana. outros compromissos de serviço. Eu fiquei ressentida. Fui apresentada. e trabalhava mais que 40 horas por semana. Ela disse que entendia que eu tinha outros compromissos. 259 . Eu disse que não poderia ter esses tipos de obrigações. e baseado nas expectativas das duas. uma vez que começamos a trabalhar juntas.uma vez por semana para ir a uma reunião de que trabalhássemos os passos juntas. Ela sutilmente me indicava que os ‘outros padrinhos’ levavam os afilhados para jantar fora. Ela fez bico. ficou claro que ela tinha expectativas diferentes de mim do que concordamos inicialmente. Porém. Expliquei que eu tinha uma família.

Apesar disso. Doença em recuperação Às vezes em nossa recuperação. apadrinhando mulheres lá. Durante esses tempos. “Eu passei por um centro de tratamento quando fiquei limpa. percebo que a idéia e ajudar o recém chegado. Tinha que deixá-la ficar brava comigo por não atender aos seus desejos”. e tento ajudar. Isso tem sempre sido meio difícil para mim. temos que manter nosso tempo limpo em face de doença. e hoje sinto que tenho muito a oferecer para alguém que e novo”. Acho extremamente difícil às vezes. podemos precisar mais do que nunca de um padrinho.mais uma vez. 260 . a oportunidade de trabalhar minhas tendências a agradar as pessoas. cirurgia ou lesão. por que o centro tem muitas regras rígidas com as quais nem sempre concordo.

e precisamos partilhar sobre nossas dificuldades de saúde com nosso padrinho e membros em quem confiamos. e nossa recuperação pode estar em perigo. e durante esse tempo tive que 261 . Estou limpo ha mais de 25 anos. pedir ajuda ao seu padrinho.Devemos lembrar que doença e dor não são desculpas para usar. ou prestar atenção aos sinais de uma ameaça que acordou – sua adicção. “Graças a Deus por meu padrinho e NA. Nossa recuperação é nossa responsabilidade. devemos no manter vigilantes com nosso programa. Muitos membros recaíram por não seguirem as sugestões de seu médico. trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a aceitar que isso faz parte de viver a vida. Somos particularmente vulneráveis durante esse tempo. Precisamos informar nossos médicos sobre nossa doença da adicção para que somos tratados de forma apropriada. Qualquer que seja a causa. Já que a adicção não diferencia entre usar e tomar medicamentos para tratar dor ou doença. Nossas condições médicas podem requerer que tomemos remédios que podem causar vontade de usar.

antes de ter que passar por algum procedimento médico que requer o uso de medicamentos. e mais importante.passar por várias cirurgias. Fui ensinado cedo em recuperação que minha doença não sabe a diferença entre usar remédio para dor ‘real’ e usar remédio por causa de pensamentos adictivos. Já vi muitos companheiros adictos com tempo limpo variado começarem a usar de novo como resultado de subestimar o poder dessa doença”. eu lia o folheto Em Tempos de Doença. deixava meu padrinho e meu grupo de apoio em NA saber que estava tomando remédio para que eles pudessem ajudar a monitorar meu uso durante esse período critico. Procuramos nosso Poder Superior para nos apoiar e continuamos praticando nosso programa espiritual. Alguns 262 . Toda vez. Rezava e meditava.

membros da irmandade podem ser julgadores a respeito de outros membros tomando remédios. Se precisarmos tomar algum medicamento. trabalho dos 263 . Coletamos tanta informação quanto possível para que possamos tomar a melhor decisão para nossa saúde. e mantive minha recuperação através de oração. Estava com muito medo. Tomei meu remédio conforme ele me foi prescrito. fofoca. “Com oito anos limpo. e o que minha família de NA iria pensar. Tinha medo de recaída. partilhando nossos medos e dor. Alguns dos meus medos foram realizados – fui severamente julgado por alguns membros e alguns fofocaram sobre mim – mas eu não recaí. e queremos nos assegurar que isso não nos desvia do que precisamos tomar para tomar conta de nós mesmos. nos matemos próximos a nosso padrinho e rede de apoio. me vi em uma situação que necessitava o uso de medicamentos.

Com a orientação de um Poder Superior e um médico maravilhoso que sabe que sou adicto. oferecendo nossa experiência força e esperança. tudo estará bem. Nossos afilhados podem pedir ajuda de diversas formas. Afilhados com doenças crônicas podem precisar nosso apoio 264 . continuo minha jornada de recuperação com mais de 13 anos de tempo limpo ininterrupto.passos. Hoje. Graças a Deus por apadrinhamento”. precisamos tratar cada situação individualmente. e falando sobre minha situação com meu padrinho. Como padrinhos. pude tomar uma decisão informada a respeito de minha saúde. Me senti seguro no conhecimento de que se eu mantiver minha recuperação aberta e honesta. Talvez nosso afilhado vai precisar falar conosco com maior freqüência. indo a reuniões. e mantermos em mente que o que funciona para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra.

e estar em um relacionamento de apadrinhamento com alguém diagnosticado com doença 265 . O valor de um adicto ajudando a outro é como funciona nosso programa. uma mulher que sempre acreditei que me apoiou e me apóia”. Os sintomas de doença mental são sutis às vezes. minha madrinha teve que fazer cirurgia cerebral. “Um ano atrás.enquanto mantém a saúde que têm e encaram a perspectiva de morte. já que minha madrinha estava doente. Se for nosso padrinho quem está doente. Não temos que passar por isso sozinhos. Após a cirurgia. pude apoiar – com amor e gratidão – minha madrinha. Uma vez que cuidei do que eu precisava fazer no meu programa. talvez tenhamos que pedir ajuda extra enquanto tentamos apoiar nosso padrinho em qualquer forma que pudermos. imediatamente achei alguém que admirava e pedi que ela me amadrinhasse.

em conjunto com seu tratamento médico prescrito. tenho gratidão pela oportunidade de poder apadrinhar outros que também convivem com doença mental. não somos terapeutas. “Como adicto em recuperação com uma doença mental. psiquiatras ou psicólogos. como padrinhos. Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento.mental pode ser desafiador. Pode haver 266 . a encontrarem equilíbrio em suas vidas. parte do que podemos fazer como padrinhos é ajudar nossos afilhados que convivem com doenças mentais. irá ajudar cada um de nós em nossa recuperação. Focar o trabalho dos passos. Mas preciso lembrar que meu papel como padrinho é ajudar aos outros a aplicarem os Doze Passos em todas as áreas de suas vidas. mesmo quando a adicção não é nossa única doença. Devemos nos manter vigilantes para nos resguardarmos contra qualquer confusão de papéis que podem emergir no nosso relacionamento.

Porém. mente aberta e boa vontade são essenciais à recuperação para meus afilhados e para mim”. quando comecei a amadrinhar uma mulher com uma doença mental. o melhor que ela pode. Os princípios de honestidade. tive que admitir que ela tinha que buscar ajuda externa devido a sua inabilidade de se concentrar. mas podemos nos recuperar se praticarmos esses princípios o melhor que pudermos. Minha afilhada tinha a mente aberta e aceitou a sugestão.áreas nas quais a doença mental nos limita. Hoje ela consegue se manter focada em viver e trabalhar o programa. “Nunca tive uma opinião a respeito de medicamentos ou terapia e como eles se relacionam com trabalhar os programa de NA. Já se passaram onze anos e ela vive uma vida 267 .

absolutamente fabulosa, da maneira de NA”. “Um dos desafios no apadrinhamento para mim tem sido apadrinhar pessoas que convivem com doença mental. Às vezes eles se sentem com se não pertencessem. Uso o panfleto Em Tempos de Doença e lhes lembro da Terceira Tradição – que o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Quero fazer meu melhor para que eles sintam que pertencem, que não são separados da irmandade”. O tratamento de outras doenças além da doença da adicção é além do alcance do que Narcóticos Anônimos pode lidar. Como padrinhos, somos adictos em recuperação, não profissionais. Se, por acaso, formos um profissional de saúde física ou mental, como padrinho nosso papel não é receitar ou desencorajar tratamento médico de qualquer tipo.

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“Quando tomei a decisão de tomar remédio para minha depressão, também tomei a decisão de mudar de madrinha, pois minha madrinha na época não acreditava em tomar antidepressivos. Passei os primeiros quatro anos e meio de minha recuperação lutando com a depressão e imaginei que se fosse a um numero suficiente de reuniões, fizesse serviço o suficiente, e trabalhasse arduamente os passos, passaria. Finalmente tive que me render ao fato de que isso não era algo que eu podia controlar, que levou à pergunta “Como quero viver minha vida?’ No final, sou eu quem precisa conviver comigo, e precisava me sentir apoiada o suficiente para me sentir segura com minha decisão”. “Uma de minhas afilhadas regularmente se
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desestabiliza, e preciso constantemente lembrá-la de tomar seu remédio. Preciso lembrá-la do que pode acontecer se ela parar de tomar seus remédios – zanzando por ai sem propósito, não me ligando ou indo a reuniões, e eventualmente usando de novo. Passamos por esse ciclo muitas vezes e é muito difícil mas eu a amo e quero ajudá-la a melhorar. Uma vez que ela se estabiliza, ela começa a me ligar de novo, vai a reuniões e trabalha os passos de novo”. Em tempos críticos dentro de nosso relacionamento de apadrinhamento Às vezes temos uma crise em nossos relacionamentos de apadrinhamento, como morte, recaída, quebra de anonimato, ou abuso. Há muitas razões pelas quais nosso relacionamento pode ter problemas. No entanto, lidamos com essas situações conforme elas acontecem e fazemos o que podemos para alcançar uma solução.
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Aceitamos uns aos outros como adictos caminhando na mesma estrada em busca de recuperação, sabendo que tudo que temos a oferecer ao outro é nossa experiência, força e esperança.

A realidade da recaída Não importa quanto tempo estamos limpos, recaída é uma possibilidade. Enquanto muitos de nós lutamos com diversas manifestações de nossa adicção, não podemos nunca esquecer que o sintoma mais destrutivo de nossa doença sempre será o uso de drogas. Assistir a um membro e companheiro mergulhar na insanidade da adicção ativa pode partir nosso coração. Podemos nos sentir abandonados ou inseguros, especialmente se a pessoa que recaiu é nosso padrinho ou afilhado. Independente de nossos sentimentos, precisamos nos esforçar para oferecermos nosso amor incondicional e dar as boas-vindas ao nosso padrinho ou afilhado se ele ou ela voltar à irmandade. Enquanto a dinâmica de nosso
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relacionamento de apadrinhamento será sem dúvida afetada por uma recaída, podemos encontrar meios de dar nosso apoio através dos princípios que aprendemos em NA. Infelizmente, nem todos voltam depois de uma recaída. Alguns morrem; outros continuam vivendo, perdidos nos horrores da adicção ativa. “O maior desafio que tive que encarar desde que entrei em recuperação foi quando meu padrinho recaiu e largou a comunidade de NA. Eu, é claro, levei isso para o lado pessoal e comecei a me perguntar o que é que eu tinha sido ensinado. Me vi duvidando e analisando quase tudo que eu fazia. Tinha que lidar com o sentimento de abandono e falta de confiança. Sei que meu padrinho é apenas humano, mas ainda me amedrontou muito. Depois de alguns anos, e muito apoio de amigos e gente em NA,
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ainda estou limpo. Finalmente achei um padrinho novo, também. Ainda tenho um pouco de raiva, mas estou mais forte hoje”. “Após estar no mesmo relacionamento de apadrinhamento pelos últimos dez anos, liguei para meu padrinho e perguntei se ele trocaria minha ficha de dez anos. Percebi que ele tinha usado. O processo de luto daquele relacionamento foi muito difícil. A tristeza, raiva, e medo foram difíceis de lidar. Mas o mais difícil foi ir buscá-lo no hospital de desintoxicação e levá-lo a uma reunião. O que eu queria fazer era chutá-lo por ter me abandonado. Uma vez que tirei meus sentimentos egoístas do caminho, com a ajuda do meu Poder Superior pude ajudá-lo como a qualquer recém chegado, com amor,

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Podemos sentir a mesma dor se nosso padrinho recair. ou podemos acreditar que não dissemos ou fizemos o suficiente. A lista de “deveríamos” e “não deveríamos” pode ser interminável. mas o relacionamento de apadrinhamento tem maior chance de ser reconstruído se nosso afilhado sobrevive e retorna. Mas enquanto tentamos ter alguma influência sobre aqueles que tentamos ajudar. não podemos permanecer na negação sobre a escolha feita por essa pessoa. Talvez sentimos que não encorajamos bastante o trabalho com os passos ou que não estivemos tão disponíveis quanto “deveríamos” estar. Porém. A recaída de um afilhado é diferente.compaixão – e eu o levei àquela reunião!” Não precisamos abandonar nosso padrinho ou madrinha se eles voltarem a NA após uma recaída. precisamos lembrar que no final. somos impotentes perante nosso afilhado e a adicção de 274 . ou não oferecemos apoio o suficiente. Podemos lutar com nossos sentimentos que como padrinhos dissemos ou fizemos algo que levou nosso afilhado a recair. e provavelmente iremos querer procurar outro membro para ser nosso padrinho ou madrinha.

e ficamos um pouco complacente. Nos duas nos tornamos muito confortáveis em nossas vidas. Cada um de nós é responsável por sua própria recuperação – e a de mais ninguém. “Fiquei realmente devastada quando descobri que minha afilhada tinha recaído. que demorou mais de um ano. Olhando hoje. mas provou ser uma lição muito valiosa para mim. achei que ela tinha uma compreensão de como trabalhar o programa. Veja. e ela não estava me ligando tão freqüentemente. é como se tudo tivesse acontecido em câmera lenta. A recaída de nosso afilhado não é nem nossa culpa nem responsabilidade. Não estava lembrando a sobre seu trabalho com os passos. Minha recuperação foi realmente 275 .nosso afilhado. Eu nem percebi que ela tinha recaído ate que ela me contou. ela tinha algum tempo em recuperação.

É mais como se eu não tivesse prestado atenção. novamente. Hoje. Como resultado.afetada. Antes de falar com nosso afilhado sobre se devemos continuar ou não nosso relacionamento de apadrinhamento. tenho aprendido que o valor de um adicto ajudando outro realmente não tem igual. Hoje acredito que sou uma madrinha melhor”. como padrinhos. lida com a recaída de um afilhado é. e faço tempo para ouvir e me abrir com maior freqüência. Não e que senti como se tivesse feito algo de errado. Porem. uma escolha individual. sempre pergunto as minhas afilhadas como estão nos passos. ou tomar qualquer 276 . Estava tão absorvida em minha própria vida que achei que a recuperação dela estava meio garantida. A forma que cada um de nós. devo estar presente e disponível se esse conceito vai funcionar.

“Apadrinhei um companheiro que estava tomando remédio para dor. e aí começou a usar outras 277 . Às vezes ele estava tão chapado que não conseguíamos falar. Seu comportamento se tornou evasivo e adictivo. especialmente quando se sentia emocionalmente estressado.decisão. muitos de nós sentirão raiva e frustração ou se sentirão traídos. é rejeição. ou pior. e precisamos partilhá-las tão honestamente quanto possível com nosso padrinho ou outro membro em quem confiamos. Ele não trabalhava os passos nem aceitava sugestões. Um dos piores sentimentos que podemos experimentar após voltar de uma recaída. podemos querer partilhar nossos sentimentos com nosso afilhado. Naturalmente. Ele dobrava sua dose. Essas emoções são naturais. como padrinho ou afilhado. podemos querer excluílos de nossas vidas. Podemos querer abrir mão de nosso afilhado. Ele ficava ignorado minhas sugestões de procurar por supervisão médica qualificada.

ou parou de freqüentar reuniões regularmente? A recuperação estava no centro de sua vida? Podemos querer direcionar nosso afilhado ou afilhada de volta aos básicos da recuperação – 90 reuniões em 90 dias. e partilhar honesta e abertamente sobre a experiência da recaída. nos ligar regularmente. Se escolhermos permanecer como padrinho ou madrinha. Suas ações tinham falado”. ou podemos escolher recomendar um ritmo mais lento. Podemos sugerir que nosso afilhado comece a trabalhar o Primeiro Passo imediatamente. pois ele se recusava a aceitar minhas sugestões e estava negando seu uso de drogas. Finalmente disse que não poderia mais apadrinhá-lo. Alguns membros sugerem que seus afilhados deverão desintoxicar 278 . mesmo se recusando a abrir isso na sala. Ele ou ela tinha reservas.drogas. Ao longo de tudo isso. ele ainda esperava que eu o apadrinhasse. se possível. voltou a freqüentar lugares de ativa. provavelmente vamos querer conversar com nosso afilhado sobre o que aconteceu.

Fazemos o melhor que podemos para aceitar e apoiar sua decisão. Mas não era.primeiro. Com cada recaída ela me assegurava que ‘dessa vez vai ser diferente’. ela me ligava. Nosso afilhado pode decidir que a melhor coisa para sua recuperação é achar outro padrinho. instituições e morte. pedindo ajuda e sugestões. pois ela dizia que queria ficar limpa. há sempre a chance que o afilhado não voltará ao programa. Nossa orientação provavelmente dependerá da situação. e não queria mudar. desesperada. Enquanto ela 279 . “Tinha uma afilhada que passou por uma série de recaídas. e pode alcançar os fins previsíveis: prisões. Quando ela começava a passar pela abstinência. Precisamos deixar os resultados dos esforços de nossos afilhados aos cuidados de um Poder Superior. só queria um salva-vidas. Nunca larguei essa mulher como afilhada. Claro. Estava terrivelmente confusa.

recaímos? Orgulho e ego podem ser fatais e freqüentemente nos impedem de voltar a NA e permanecer em recuperação. não podemos nos melhorar se não encararmos a realidade de nossa recaída. Porém. mas não podemos nos dar ao luxo de deixar isso impedir nossa volta às reuniões. como padrinhos. Ele finalmente morreu de overdose. Tinha uma sensação terrível sobre essa companheira porque parte de mim sentiu como se tinha a falhado deixando-a fazer de conta que eu era sua madrinha. Hoje. compreendo que ela teria morrido não importando o que qualquer pessoa tivesse feito”. É nas reuniões de Narcóticos Anônimos que mais provavelmente encontraremos alívio dos danos que nossa recaída nos causou. O que acontece se nós. Podemos nos sentir totalmente devastados por termos usado.sem considerava membro eu senti um dever de ajudá-la. graças a Deus. quando na realidade ela não queria o que eu tinha. Podemos nos sentir envergonhados 280 .

algumas há anos. somos dados uma nova chance para nos recuperarmos. raiva e medo que estavam sentindo. Naquele momento senti a terrível dor de como o 281 . confusão. a coordenadora tinha um ano limpa. e uma mulher na reunião era madrinha de uma e afilhada de outra. uma mulher partilhando estava celebrando dez anos limpa. Uma noite. estavam tendo que partilhar que sua madrinha tinha recaído. entendi que as muitas mulheres que eu tinha apadrinhado.sobre o que aconteceu. e também falar a respeito da dor. Enquanto estava internada. “Recai após 15 anos limpo em Narcóticos Anônimos e acabei numa clínica de tratamento. Quando vi as três maravilhadas por causa dos relacionamentos e o amor que partilhavam. mas quando admitimos que recaímos. trouxeram uma reunião à clinica.

Foi assustador como algumas pessoas ainda me tratavam como se nunca tivesse recaído. Precisava me cercar de pessoas que me amariam e me fariam aceitar responsabilidade. “Tinha muita raiva comigo por ter recaído. Meu padrinho foi uma dessas pessoas. não foi conseqüências físicas. pelo menos para mim. quando eu sabia que era recém chegado novamente. 282 . me senti desesperançado e desesperado. Ele me levou para tomar sorvete uma noite depois de uma reunião. Estava cheio de ódio e me senti falhado. Estou de volta (e limpo) há mais de 17 anos. Porem. O problema. e nunca quero me esquecer como me senti péssimo emocionalmente e espiritualmente”.egocentrismo por trás de minhas escolhas tinha afetado tantas pessoas que eu amava”.

Essa reversão de 283 .Lidando com a morte O que acontece se nosso padrinho ou afilhado morre? Perder alguém com quem temos desenvolvido um relacionamento tão profundo e amoroso é chocante. se não é esperada como no caso de uma doença terminal. sempre parece vir como surpresa. O choque. perguntando como estava. Mas imediatamente meu telefone começou a tocar diariamente com ligações de meus afilhados. meu padrinho de 16 anos morreu subitamente de forma trágica. no mínimo. e no entanto. “Com vinte anos limpo. Sabemos que a morte é inevitável. a tristeza e a confusão emocional que senti foram incríveis. Como começamos a construir um relacionamento com outro membro como padrinho ou afilhado após passar por tamanha perda? Às vezes parece impossível que novamente poderemos encontrar uma pessoa especial para amarmos e em quem confiaremos.

que morreu num acidente de carro enquanto levava um recém chegado para casa após uma reunião em seu grupo de escolha. Nosso relacionamento cresceu até um nível profundo de 284 . “Tinha um afilhado com 14 anos limpo. Se for nosso padrinho quem morre. mas descobrimos que a vida continua. e sempre levaremos o espírito dele ou dela em nossos corações. devemos compreender a importância de achar outra pessoa para ser nosso padrinho. Tinha o apadrinhado por mais de sete anos e o conheci desde seu primeiro dia limpo. A perda que sentimos com a morte de nosso padrinho ou afilhado pode ser avassaladora. Podemos honrar a memória de nosso padrinho ficando limpos a continuando a partilhar o que temos aprendido com aqueles a quem apadrinhamos.papéis teve um impacto positivo em minha habilidade de trabalhar esse período difícil”.

285 . Ele me apadrinhou até meu sexto ano antes de adoecer e falecer. Quando ajudei a carregar seu caixão no enterro. Ele me disse no dia que faleceu que eu tinha sido preparado para sua morte através do trabalho com os Doze Passos. “Meu primeiro padrinho me pegou como afilhado quando tinha menos de 90 dias limpo. mas também honrado por ter experimentado as dádivas de ser o padrinho desse homem e amigo ao longo dos anos. Ele morreu limpo e levando a mensagem Que legado”. que nosso trabalho juntos estava nos ajudando a lidar com essa situação. trabalho de Décimo Segundo Passo. Acredito que nosso relacionamento pessoal com Deus.confiança e admiração mútua. e envolvimento com a irmandade nos prepara para recaída ou doença em recuperação”. me senti muito triste.

Quebras de confidência Requer muita coragem para conseguirmos começar a confiar em alguém. Não importa o tamanho de nossa dor ou perda. partilhar nossos sentimentos de luto e perda com outros adictos em recuperação pode ajudar. podemos eventualmente encontrar aceitação e começarmos a ir em frente com nossas vidas de novo. queremos fazer tudo o que pudermos para continuar conectados à recuperação.Quando nosso padrinho ou afilhado morre. Para alguns de nós. assim com quando qualquer um querido por nós morre. sabendo que os 286 . leva anos trabalhando com um padrinho para estabelecer aquele elo especial para nos sentirmos seguros. Alguns de nós buscamos ajuda profissional para conciliarmos os sentimentos de raiva e impotência. Não podemos nos dar ao luxo de deixar que o luto nos remova os benefícios de apadrinharmos e sermos apadrinhados. Com a ajuda do tempo e os princípios espirituais do programa. Como decidimos trabalhar nossos sentimentos é nossa escolha.

Mas pode haver vezes nas quais nossas confidências são quebradas ou vezes que temos dúvidas sobre manter uma confidência ou não.segredos que partilhamos permanecerão entre nós e nosso padrinho. mas no final devemos tomar uma decisão pessoal a respeito do que fazer. Em casos extremos. Durante esses momentos devemos procurar conselhos de outros e orientação de nosso Poder Superior. alguns de nós somos confrontados com acontecimentos que nos fazem pensar que não manter a confidência pode ser a ação mais ética a tomar. “Como padrinho sei que minha responsabilidade para com meus afilhados é manter suas confidências e sua confiança. mas morrem à luz da 287 . Lutei com isso quando um de meus afilhados partilhou comigo que estava tendo um caso com a esposa de outro dos meus afilhados! Lembrei ao meu afilhado que o Texto Básico diz que nossos defeitos crescem no escuro.

Termos nossa confidência quebrada por ouvir nosso segredo partilhado por alguém que não é nosso padrinho ou afilhado pode der devastador. mas não tentei tomar nenhuma decisão ou ditar um resultado a ele. e muito bravo. e depois tomasse sua própria decisão sobre o que achava que deveria fazer e com o que sua consciência pudesse lidar”. podemos causar mais danos e ferir nosso padrinho ou afilhado desnecessariamente. Fiquei chateado. Falei com ele a 288 . meditasse. Se agirmos somente com suspeitas antes de sabermos todos os fatos. E agora? Antes de tomarmos conclusões. “Ficava ouvindo coisas em meu grupo de apoio que eu tinha especificamente pedido que meu padrinho não repetisse. devemos ter certeza que a fonte da fofoca foi realmente nosso padrinho ou afilhado. Sugeri que ele escrevesse.exposição. Podemos nos sentir violados e traídos. rezasse. Ofereci orientação.

Falamos e choramos juntos. larguei meu padrinho. Eu lhe dei esse presente e ele escolheu jogá-lo fora. Acho que isso. mas eu fiquei firme. Ainda somos amigos. Foi uma das coisas mais difíceis que tive que fazer. “Estava apadrinhando alguém que me contou sobre um assunto de saúde muito 289 .respeito dessas coisas e ele sempre negou ter contado a outra pessoa. mas não confio mais nele. Amava meu padrinho muito e tinha confiado nele sem questionar. Era como se ele não me levasse a sério. Finalmente. após um amigo querido disse que se sentiu ferido por algo que eu tinha partilhado exclusivamente com meu padrinho. Abri mão dele e arrumei um padrinho novo. Isso continuou por alguns anos. Confiar em alguém é um presente. mais do que qualquer coisa. é o que me deixa mais triste”. Me senti traído.

Ainda é difícil saber como lidar com isso porque meu padrinho é como se fosse o pai ou irmão mais velho em nossa comunidade de NA. e acredito que seu interesse nos outros é apenas manifestação de gentileza. Depois que meu estresse inicial se acalmou. perguntei a meu padrinho. Alguns de nós vamos escolher terminar o 290 . ouvi meu padrinho perguntar para meu afilhado sobre a condição. decidi mantê-lo como padrinho.sensível que o preocupava. mesmo tendo traído minha confiança. para meu horror. Já que não tinha certeza como lidar com isso. Precisamos encarar o assunto de forma orientada para a recuperação. Não acho que ele mudara sua visão sobre isso. Isso magoou a mim e a meu afilhado. pois ele continua me dando estabilidade de outras formas”. Ele ajudou a estabelecer NA no meu país. Alguns dias depois.

portanto podemos decidir romper o relacionamento.relacionamento imediatamente. podemos sentir que não há alternativa. Alguns de nós podemos escolher confrontar nosso padrinho ou afilhado para discutir como restabelecer nosso relacionamento. Falamos sobre nossos sentimentos e tentamos chegar em uma solução favorável para os dois. 291 . “Minha madrinha partilhou minha informação muito pessoal com uma de minhas irmãs afilhadas. Freqüentemente nosso relacionamento de apadrinhamento se aprofunda quando encaramos esses obstáculos juntos. Se nossa confiança foi violada. Ela imediatamente admitiu que tinha falado sobre meus assuntos e disse que estava profundamente arrependida. percebendo o quão difícil é reconstruir o relacionamento. Ouvi e confrontei minha madrinha. Fiquei com raiva e magoada. Podemos não ser capazes de reparar os danos e. com amor e compaixão. atravessando a situação mais fortes e comprometidos.

Perdão tem sido uma ferramenta e princípio espiritual muito poderoso desde então”. podemos às vezes regredir. agindo dos velhos modos destrutivos. Acredito que passar por esse incidente anos atrás tornou nosso relacionamento mais profundo e muito mais íntimo. Narcóticos Anônimos nos ensina a amar incondicionalmente e a ajudar outros adictos em recuperação.mas estava aliviada que ela tinha sido honesta comigo. em recuperação. Isso foi há quatro anos. e pode comprometer nossa recuperação. Ela disse que não comprometeria minha confiança novamente. e ela ainda é minha madrinha. Porém. mesmo se eu escolhesse ter outra madrinha. Abuso no relacionamento apadrinhamento de Estar num relacionamento de apadrinhamento abusivo é desmoralizante. Uma das muitas dádivas que NA nos dá é a habilidade de vivermos com dignidade. 292 .

Ela me pagava para fazer a limpeza. Na adicção ativa. mas parecia que não me pagava uma quantia justa. e coisas assim. mesmo estando em recuperação. determinar se um relacionamento é sadio. ir à lavanderia. Esses velhos padrões podem tornar difícil. podemos causar dor e fazer com que um outro adicto sofra. e sempre havia coisas extras a serem feitas. Sempre sentia como de tivesse que retribuir. trabalhar no quintal. “Minha primeira madrinha pedia que eu a fizesse favores. as únicas maneiras que muitos de nós sabíamos nos relacionar com outro ser humano era sendo auto-destrutivos ou abusivos. e achei que fazer esses trabalhos era tudo o que eu podia dar. como limpar sua casa. Era muito difícil pensar em dizer não ou pedir que ela 293 .Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. pintar. Eventualmente começou a parecer que ela estava tirando vantagem de mim.

ameaçar de machucar nós mesmos ou a outra pessoa para 294 . ela não me amaria mais. afinal. desrespeitam ou são condescendentes pode ser considerado formas sutis de abuso. não estava trabalhando na época. Foi difícil dizer alguma coisa. Senti que cada vez que ela ligasse. faço o melhor que posso para não tirar vantagem delas. apadrinhando mulheres no programa. tinha que ser porque ela queria alguma coisa de mim. Me senti presa e ressentida. e cada vez que penso que uma delas poderia fazer alguma coisa por mim. Era uma situação terrível. Dizer coisas que machucam. Atrapalhar a dignidade e autorespeito de um adicto pode também ser visto como abuso. Agora. Por outro lado. Achei que se dissesse não. me lembro de como me sentia. podemos nos engajar em comportamentos mais extremos como assédio sexual.me pagasse pelas coisas extras. e pago-as como pagaria a qualquer outra pessoa”.

ou assediar alguém verbalmente se as coisas não acontecem como queremos. Tinha me perdido e queria alguns direcionamentos claros a respeito de como trabalhar o programa. O que parece abuso para uns pode não parecer para outros. ele exigiu que eu acreditasse em suas crenças religiosas. Ele me disse que eu tinha que fazer grandes mudanças na forma que eu compreendia meu Poder Superior.atrairmos atenção. E enquanto algumas formas de abuso são gritantes. na forma que rezava. Abuso pode se manifestar de tantas formas diferentes que seria impossível listar todas. No início concordei porque parecia que sua idéia de um Poder Superior funcionava para ele. 295 . É importante continuar a fazer nosso inventário sobre como o apadrinhamento nos faz sentir. Depois que começamos o Segundo Passo. outras não são tão óbvias. “Escolhi meu padrinho porque ele era forte e parecia saber o que queria de sua vida.

Minha fé nas pessoas e no 296 . Estava confuso. e eles me ofereceram seu apoio. Levou alguns anos antes que pudesse acreditar que meu Poder Superior cuidaria de mim novamente. Foi difícil dizer ao meu padrinho que queria sair de nosso relacionamento.e como estava criando meus filhos. mas me senti encurralado e ameaçado. Finalmente contei para os meus amigos. dizendo que eu deveria mudar de padrinhos novamente. Disse que eu iria para o inferno se não fizesse o que ele dizia. especialmente quando ele me disse que minha vida estaria pior como resultado de minha decisão. e tinha feito um compromisso comigo mesmo de fazer o que meu padrinho mandasse. Queria melhorar. Depois ele me disse que eu teria que me separar de minha esposa se ela não aceitasse suas idéias.

Eu ligaria para ela e choraria que eu era uma pessoa horrível. E eu o faria. Graças a Deus eu tinha meus bons amigos. Alguns anos depois. meu grupo de escolha. Isso durou mais ou menos um ano – até que eu precisei de cirurgia para remover um osso quebrado do meu pé. Foi bom perdoá-lo e começar a gostar dele de novo”. Ela me disse que eu não poderia usar 297 . ‘Você está certa. e ela me dizia. e bastante tempo para me ajudar a passar por isso. Uma de minhas primeiras madrinhas era assim comigo. “Acho que às vezes (especialmente quando somos novos ao programa) escolhemos padrinhos que são tão doentes quanto nós ou que irão reforçar nossas dúvidas e ódio próprio. esse homem fez uma reparação comigo. você precisa escrever sobre isso e pedir perdão a Deus’.programa tinha realmente sido abalada.

sabia que algo nessa direção dela estava errado. Como sempre. Então liguei para outra mulher com tempo limpa que me ajudou a ver a natureza de meu relacionamento com minha madrinha.anestesia geral – que eu teria que usar acupuntura – anestesia é droga e seria igual a usar. e passam naturalmente por ciclos. mesmo em minha própria escuridão. vejo que eu a escolhi porque ela não tinha barriga e tinha uma conta corrente em ordem – não porque ela estava espiritualmente saudável ou tinha um bom programa. Devemos alimentá-los se queremos que continuem a crescer. devemos ter cuidado com o que pedimos!” É hora de mudar? Relacionamentos evoluem. Em retrospecto. Através do processo de trabalhar os passos. 298 . somos dados a habilidade de encarar aquelas dificuldades que às vezes acompanham qualquer relacionamento íntimo. Bom.

“Minha madrinha me tem ajudado a aprender a não ter tantas expectativas em relação a amigos. Claro que eu aprendi isso da forma mais difícil! Cedo em recuperação. No entanto. família e pessoas em geral. tinha colocado minha madrinha num pedestal – contra seus desejos. Achei que de alguma forma ela deveria ser um guru espiritual porque ela estava limpa há alguns anos e parecia ter uma boa conexão com Deus. me ajudou não só a entrar em 299 . Fiquei com raiva e magoada quando eu a vi sendo humana. Ela me ensina sobre aceitação e como permitir que as pessoas sejam humanas. enquanto trabalhamos com outros em nosso relacionamento de apadrinhamento. Acordar à realidade de que ela era apenas uma pessoa foi um choque.Conforme passamos pelos desafios e decepções da vida. aprendemos a nos relacionar de forma sadia.

como também a minha”.contato com sua humanidade. Isso não significa que falhamos. os horários de trabalho de outro mudaram. há momentos que veremos que simplesmente não está funcionando. Simplesmente significa que não está funcionando. um terapeuta profissional. Um padrinho mudou para o outro lado do país. E a pior situação foi a morte de um homem que apadrinhava muitas pessoas em minha área. “Ao longo de 16 anos em recuperação. tive que mudar de padrinhos por uma variedade de razões. e pode ser a hora de passar para outro. tornando contato regular impossível. Outro padrinho. Mesmo que possamos estar fazendo tudo que podemos para apoiar e contribuir para nossos relacionamentos de apadrinhamento. 300 . Enquanto cada uma dessas situações. tinha começado a me tratar como se fosse paciente.

pode ser um sinal de sucesso espetacular”. Pude dizer. Senti um negócio no meu estômago e imediatamente me senti inseguro. tenho gratidão por elas. nossa situação tem mudado. É maravilhoso quando. Foi muito difícil dizer isso e não mencionar como 301 . “Um afilhado chegou para mim e disse que tinha achado um novo padrinho.especialmente a última. Mudar de padrinhos não precisa ser um sinal de falha. Fico feliz que você tomou uma decisão positiva para si mesmo’. levantaram sentimentos desagradáveis. como resultado dessa dádiva. Aprendi em NA que meus sentimentos não precisam ditar minhas ações. nos obrigando a irmos adiante. Não fico mais emocional quando um relacionamento como padrinho ou afilhado muda. NA tem dado a mim e a meus vários padrinhos e afilhados novas vidas. ‘Que fantástico.

Apatia e mente fechada são obstáculos comuns e podem danificar o relacionamento. mas realmente ajudou a nós dois mantermos um relacionamento positivo. construímos muros que podem ser altos demais para serem transpassados. não queria fazer isso. e ela é uma das minhas melhores amigas. “Acabei de pedir que uma afilhada achasse uma nova madrinha. Tive um relacionamento de 15 anos com essa pessoa. Muitos de nós temos visto que quanto mais apáticos nos tornamos. Isso foi uma decisão difícil para mim. Se não cuidarmos de nosso relacionamento de apadrinhamento. mas ela se recusava a 302 . como padrinho ou afilhado. pode começar a se desintegrar e se tornar nocivo. mas diferente”.estava realmente me sentindo. mais fácil é sermos desonestos ou termos má vontade. Uma vez que nos fechamos e paramos de partilhar honestamente um com o outro.

De minha perspectiva. continuar a deixá-la pensar e dizer que eu era sua madrinha. e não precisamos permanecer no relacionamento. éramos amigas. Apadrinhamento é voluntário. em sã consciência. Se. O que podemos fazer nesse ponto é examinarmos nossa parte e determinarmos se realmente precisamos terminar o relacionamento ou se podemos consertar as coisas com nosso padrinho ou afilhado. mas não estávamos no caminho espiritual que experimento como madrinha e afilhada”. 303 . talvez seja hora de reavaliar nosso relacionamento.trabalhar os passos. sentimos que nossas necessidades não estão sendo preenchidas ou se como padrinhos não podemos preencher as expectativas de nossos afilhados. Não estamos casados com nossos padrinhos ou afilhados. Não poderia. e como lidamos com as dificuldades que surgem é nossa decisão. no final das contas. como afilhados.

ficou claro que meu relacionamento de apadrinhamento tinha se estagnado e não estava funcionando. Quando ele 304 . Falei do meu coração e tive seu apoio. que era hora de ir em frente em minha recuperação. Se que ele me ama incondicionalmente o suficiente para me ajudar nessa transição”. mas ele estava mais interessado em pedir conselhos a respeito de coisas que eu não tinha experimentado. pude ver que não tem problema buscar crescimento através de mudança. Tinha que dizer ao homem que ajudou a salvar minha vida e que me ensinou tanto sobre recuperação.“Após cinco anos. Eventualmente. “Eu tinha um afilhado que tinha idéias diferentes do que eu sobre como trabalhar o programa e sobre como eu deveria fazer como padrinho. Tentei manter o foco em minha experiência com o trabalho dos passos.

Até sugeri algumas pessoas me nossa área. lembrando que quando não podemos servir em NA. Algumas semanas frustrantes depois. e que se eu tivesse que interromper o relacionamento. que me lembrou de manter o foco em mim. para fazê-lo de forma amorosa. 305 . Falei com meu padrinho. Após estarmos confortáveis. devemos sempre indicar outra pessoa. fiquei frustrado. Disse que eu o amava.começou a resistir ir às reuniões. eu marquei de encontrar com meu afilhado para tomar um café. mas que seria melhor para ele se ele achasse alguém que estivesse passando pelas mesmas coisas que ele. eu disse que minha recuperação tinha tomado um rumo diferente daquele que ele queria percorrer e que ele realmente tinha que encontrar outro padrinho.

aprendi a lição valiosa que há muitas maneiras de trabalhar o programa. Antes de muito tempo. Atravessarmos dificuldades com nossos padrinhos ou afilhados pode nos ensinar novos níveis de compromisso. especialmente no que diz respeito a relacionamentos. Muitos anos depois. De nossas interações. comecei a vê-lo em mais reuniões e mais envolvido com a irmandade. Muitos de nós temos um histórico de desistência e não fazer nada até o final. ele continua limpo e ainda está aqui. e minha maneira pode não ser atrativa para todos”. me perco em minha vida ocupada e me distancio de meu padrinho. “Ocasionalmente. Alguns de nós achamos grandes recompensas ao permanecermos com nossos padrinhos e afilhados nos tempos difíceis do relacionamento.Aquele afilhado conseguiu encontrar alguém com quem fez uma conexão. honestidade e intimidade. 306 .

Seria fácil ir em frente e não olhar para trás. Sou grato por ter escolhido continuar a crescer nesse relacionamento maravilhoso que tenho com meu padrinho. ele me ensina que posso passar por isso e perceber meus padrões para que posso mudá-los e impedir que eles aconteçam com tanta freqüência. Fui um desistente na maioria de minha vida. não há relacionamento. Claramente. ou escolho não continuá-lo? Ele me ajuda a perceber que minha vida nem sempre será balanceada. que terá seus altos e baixos. Felizmente. No entanto.Quando percebo o que está acontecendo. Ele deixa a escolha a meu critério. eu ligo para ele. não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por um 307 . Estou disposto a trabalhar para que o relacionamento funcione. meu padrinho conhece esses meus ciclos e me diz que preciso participar ativamente do relacionamento – senão.

Apadrinhamento nos ensina a tomar decisões saudáveis para nós mesmos. e assim por diante.compromisso que fiz para ficar com meu padrinho e tentar ser mais consistente. Nossos relacionamentos de apadrinhamento podem nos ajudar a desenvolvermos aquelas qualidades que buscamos e gradualmente nos tornarmos a pessoa que sempre quisemos ser. mesmo quando encontramos dificuldades em fazê-lo. 308 . Passar por isso com meu padrinho me tem ajudado a ser uma pessoa que é capaz de ter um relacionamento íntimo”. parceiros. amantes. pais. cônjuges. Com o tempo aprendemos a ser melhores amigos. Nos mostra as coisas que precisamos saber para participarmos ativamente em todos os nossos relacionamentos. colegas de trabalho.

O apoio e amor que recebemos quando andamos juntos em nossa jornada através dos Doze Passos ajuda a nos libertar do medo egocêntrico que está no âmago de nossa doença. Com boa vontade que forma o alicerce do símbolo de NA e o apadrinhamento. Apadrinhamento nos oferece um caminho para a mudança e uma ponte para desenvolver outros relacionamentos. A adicção nos rouba a habilidade de nos relacionarmos. 309 . Nós temos agora a liberdade de viver uma vida com significado. a sociedade. nossa primeira conexão verdadeiramente espiritual com outro ser humano ocorre quando nos abrimos e partilhamos honestamente com nossos padrinhos. serviço e Deus. A recuperação restaura nossa conexão a nós mesmos e ao mundo. podemos crescer em nosso relacionamento conosco mesmos.CAPÍTULO CINCO APADRINHAMENTO: UMA JORNADA CONTÍNUA A jornada continua Para muitos de nós.

nossos espíritos acordam e começamos a melhorar. nosso padrinho ou madrinha e outros membros no programa. Hoje. Serviço e Deus Eu. Aprendemos a viver responsavelmente reparando comportamentos passados e buscando compreender os outros através de perdoá-los e a nós mesmos. tenho a habilidade de focar em outras coisas e pessoas fora de mim.Um programa universal: Sociedade. e encaramos alguns de nossos maiores medos e permanecemos vigilantes para evitarmos auto-destruição. com a ajuda de nosso Poder Superior. Ao ficarmos limpos e vivermos o programa. Aos poucos. Percebo que o mundo nem sempre gira em torno de mim. “Minha madrinha tem me mostrado como sair de mim mesma. Minha 310 . muitos de nós descobrimos que somos libertados dos defeitos de caráter que nos atazanaram durante nossa adicção ativa. Isso tem me ajudado em todas as áreas da minha vida. Não mais estamos sozinhos.

A boa vontade de meu padrinho em partilhar o que sabe. Por causa do que aprendi de minha madrinha. desenvolvi um sentido saudável de mim mesma. têm me ajudado a moldar meu relacionamento. e isso tem afetado minha família como um todo.madrinha também me ajuda a permanecer na minha verdade e partilhar minha verdade sem atacar outra pessoa. que agora tem sua própria auto-confiança”. “Meu padrinho tem sido essencial em me ajudar a formar um relacionamento com minha parceira. Minha madrinha me mostrou essas coisas de forma amorosa e carinhosa sem ser muito dura comigo. Posso passar isso agora para minha filha. e sua honestidade a respeito da minha recuperação. e amor. Ele nunca 311 . que é baseado em integridade. Aprendi a ter jogo de cintura. em me ajudar a trabalhar os passos. sinceridade.

Quando pedimos ajuda. Em troca. “Ser um bom padrinho me tem ajudado a ser um pai melhor. não em meu relacionamento. Estamos freqüentemente impressionados que alguém realmente quer nos ajudar. demonstramos compromisso com Narcóticos Anônimos. E então o círculo do apadrinhamento continua quando apadrinhamos nosso afilhado ou afilhada – queremos dar a eles o que nos foi dado. e queremos partilhar esse sentimento de humildade com outros. 312 . Aprendi a ser compassivo e compreensivo e olhar as pessoas de forma diferente. Um sub-produto desse trabalho é que meu relacionamento com minha parceira se fortaleceu”.ofereceu ser um conselheiro matrimonial e sempre manteve o foco em minha recuperação. Agora sei que devo continuar a fazer minha parte se vou crescer em recuperação. começamos a sentir amor incondicional profundo e aceitação dos outros.

alegre e livre. Agora me olho como alguém com fragilidades que é humano. e era muito difícil sentar numa reunião e ficar honesto com o que estava acontecendo. “Fiquei limpo quando ainda adolescente. Ele era estável. Precisava depender de alguém 313 . Depois que eu passei por um relacionamento falido no início de minha recuperação. ele tem um relacionamento de muito tempo. me ajudando a encarar alguns dos assuntos chaves em minha vida”.Aprendi que a vida é ser feliz. assisti ao meu padrinho praticando princípios do programa quando interagia com sua mulher. tem seu próprio negócio e é profundamente comprometido com o programa. Meu padrinho é mais velho do que eu. Foi duro pedir ajuda. não deprimido e quebrado. e eu sabia que ele ia ficar limpo e em recuperação. Meu padrinho ter sido um exemplo.

Tenho um padrinho hoje que acredita em Narcóticos Anônimos. ninguém pode sempre estar disponível para nós. assim como os desafios e momentos difíceis que podemos passar. Porém. Através de NA. apesar de não estarmos nunca a sós. Começamos a entender que. Vemos que crescemos devido a todos os aspectos desse relacionamento – as experiências enaltecedoras que partilhamos. Podia ver isso só pelo jeito que ele vivia sua vida. os Doze Passos. não importa onde estamos. desenvolvemos maior compreensão sobre humildade. Nosso relacionamento é verdadeiramente um presente”. e mim.que acreditava no que ele falava para mim. nos é dada a liberdade de escolher quem e o que é 314 . sempre temos nosso Poder Superior e os princípios do programa. Parte da lição que o apadrinhamento nos ensina é parar de colocar expectativas irrealistas nas pessoas em nossas vidas. Às vezes através de nossas dificuldades no apadrinhamento.

Adoro o componente de mão dupla do relacionamento de apadrinhamento e o componente ‘nós’ do programa”. porque NA estava ainda se desenvolvendo no meu país. Nos meus primeiros dias.melhor para pessoais. Tenho aprendido muito a respeito de meus defeitos e vim a me aceitar. Minhas expectativas eram altas. aprendi a ser flexível. Tenho começado a aprender sobre amor incondicional com meus afilhados. Através do apadrinhamento. e eu era rígido. e eles se sentem muito confortáveis em me desafiar. Meus afilhados me conhecem. estava desesperado para ter outros membros. 315 . nossas necessidades “Apadrinhamento tem sido uma experiência enriquecedora para mim. Ser um padrinho me ajudou a contrabalançar meu egocentrismo.

Meu casamento estava em ruínas. trabalho bem no meu emprego. A parte mais significativa de minha recuperação é a serenidade e sanidade que sinto por dentro. e a maturidade com a qual posso agora navegar através de minha vida – muito do que se tornou possível através da ajuda de minha madrinha. e meu Poder Superior. uma aluna. e sou um membro ativo em minha igreja. e uma madrinha. estava espiritualmente morta. e continua 316 . apesar de mim. uma boa mãe.“Quando cheguei nas salas de NA. insana. deprimida. Isso não significa que outros não estiveram lá para me ajudar. Tenho um casamento feliz. meus filhos eram negligenciados e sobreviveram de alguma forma. e tinha uma vida completamente descontrolada. uma amiga. mas minha madrinha foi. sou adicta em recuperação. dos Doze Passos. Hoje.

uma parte instrumental de minha recuperação”.sendo. trabalhe com um recém chegado. Aprendemos do apadrinhamento que relacionamentos nunca são bem do jeito que nós os imaginamos. Nosso Texto Básico diz que a melhor ferramenta em recuperação é o adicto em recuperação. Tenho visto que quando me torno humilde o suficiente para trabalhar o programa espiritual e dar. Apadrinhamento nos ensina que encarar problemas verdadeiros traz recompensas 317 . “Sinto que serviço em NA me beneficia mais do que a qualquer pessoa que eu tento ajudar. sem nenhum motivo a não ser ajudar a outro adicto. me abro para as dádivas profundas que NA oferece”. que me lembra de uma frase que meu padrinho me fala quando fico egocêntrico e auto-obcecado – quando tudo o resto parece estar falhando.

não por quem queremos que sejam.profundamente ricas e realizadoras. Um dos maiores 318 . Aprendi sobre compromisso e como ser vulnerável e altruísta. Meus relacionamentos eram sempre superficiais. trabalhamos e amamos. A primeira vez que namorei foi quando cheguei a NA. aprendi a checar meus motivos. Começamos a apreciar as pessoas por quem elas são. tive uma chance de ser um ‘eu’ diferente. Através do apadrinhamento. Nossa gratidão pelo Poder Superior e NA fala quando colocamos em prática os princípios que aprendemos através do apadrinhamento. Nos aceitamos por quem nós somos e reconhecemos o valor de nossa contribuição. Levamos nossa nova compreensão mais realista sobre relacionamentos para o mundo enquanto brincamos. Desde que comecei a trabalhar com minha madrinha. “Nunca tive relacionamentos significativos durante minha adicção ativa. e meus motivos incertos.

“Minha madrinha tem me ajudado a aprender a ser uma boa esposa. Tinha tanta dificuldade em confiar nos homens. Ela fazia Deus parecer tão real e pessoal. aprendi a não ser um capacho e a me respeitar”. Eu certamente queria o que ela tinha então percebi que tinha que escolher fazer o 319 .eventos foi o casamento de minha filha. Através do apadrinhamento. Ela me dizia para lhe ligar primeiro e contar as coisas para ela que eu queria dizer ao meu marido. “Minha primeira madrinha era muito dependente de Deus e tinha um relacionamento profundo e significativo com seu Poder Superior. Seu padrasto e eu levamos a noiva ao altar juntos”. e tenho um monte de velhos comportamentos com os quais ela me ajudou. Aprendi a me manter firme nos meus compromissos.

Comecei a rezar e meditar regularmente e me tornei disposta a seguir quaisquer sugestões que ela me desse para desenvolver esse relacionamento especial. telefone. rádio. O Deus de minha 320 . Isso significava sem televisão. e ele era tão real para mim quanto o pão na mesa. Parte de seus direcionamentos foi ir a 90 reuniões em 90 dias e voltar direto para casa (sem social) para passar mais uma hora sozinha com Deus. Enquanto não tenho a mesma madrinha que eu tinha naquela época. minha madrinha hoje também é dependente do Poder Superior e continua me direcionado para a prática de minha fé a cada dia. tinha um relacionamento com o Poder Superior de minha compreensão. A sugestão foi incrível – funcionou para mim! Quando terminei com os 90 dias.que ela fazia para consegui-lo. Isso me deu a base que tenho hoje. – só Deus e eu. música. etc. livros.

ajudamos a fortalecer o 321 . NA. mas também ajuda a fortalecer nosso desejo de permanecermos em recuperação. e a primeira língua do meu Poder Superior é silêncio então preciso ficar quieta e ouvir à natureza. aos outros. e família) em ordem. O círculo do apadrinhamento Logo percebemos que não podemos manter esse maravilhoso presente de recuperação sem dar o que recebemos. Praticar serviço abnegado não só beneficia nossos esforços em viver uma vida limpa. o resto estará bem”. Queremos partilhar a esperança de viver uma vida rica e plena com aqueles que buscam seguir o mesmo caminho que nós. Minha experiência tem mostrado que se eu manter minhas prioridades (Deus. Podemos fazer isso com o apadrinhamento. e especialmente a minha madrinha.compreensão trabalha de várias formas. Ao partilhar nossa experiência e esperança com outro adicto.

Apadrinhamento pode ser onde aprendemos a praticar nossos novos princípios. recebemos as maiores recompensas de todas.espírito do programa de Narcóticos Anônimos. e é o relacionamento no qual nossa gratidão fala mais claramente. e quando estendemos a mão a outro adicto necessitado. Sempre que damos livremente do que temos encontrado em recuperação. O alimento espiritual que recebemos quando damos aos outros é uma das razões que escolhemos permanecer em NA. Mais e mais. oferecemos a outro adicto a oportunidade de dar. 322 . recebemos muito mais de volta. nossa experiência manifesta aquilo que ouvimos em reuniões desde o começo: quando pedimos ajuda.

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