“O coração de NA bate quando dois

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adictos partilha m sua recuper ação”.
Texto Básico
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Prefácio Os princípios espirituais de Narcóticos Anônimos estão no centro de nossa recuperação da doença da adicção. Os passos são “os princípios que tornam nossa recuperação possível”, mas não trabalhamos o programa de NA em isolamento. Apadrinhamento é a chave para trabalhar os passos – para compreender os princípios espirituais e praticá-los em todas nossas atividades. O foco deste livro é apadrinhamento em NA – suas recompensas e seus desafios, e seu lugar no dia-a-dia da nossa recuperação. Quando Serviços Mundiais perguntou à irmandade em 2000, o que ela gostaria de ver num livro sobre apadrinhamento, a resposta foi esmagadora. Milhares de páginas de experiência, opiniões e idéias chegaram numa enxurrada, e tornou-se claro imediatamente que apadrinhamento varia de país para país, região para região, e indivíduo para indivíduo. O livro que resultou reflete essa rica diversidade. Ele tenta apresentar um retrato de como nossa irmandade, em constante mudança, pratica o apadrinhamento hoje.

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Os outros livros de NA oferecem mais informação sobre o programa, incluindo os passos e tradições. O Livro Narcóticos Anônimos é o Texto Básico de nosso programa. Isso Resulta: Como e Porque discute os passos e tradições e o Guia para trabalhar os Passos de Narcótico Anônimos é seu livro companheiro sobre os passos. Só Por Hoje é nosso livro de meditações diárias. Alguns de nós pegaremos este livro com a esperança de que responderá definitivamente nossas perguntas: Tenho experiência o suficiente para ser um padrinho ou madrinha? Quantas pessoas devo apadrinhar? Meu padrinho/madrinha deverá ser do mesmo sexo que eu? O que devo fazer se não confio em meu padrinho/madrinha? E assim por diante. Mas isso não é um livro didático que dá um “Como fazer” de forma concreta para padrinhos e afilhados. É uma coleção de nossas experiências diversas sobre apadrinhamento, e sua leitura pode nos ajudar a chegar às nossas próprias conclusões sobre o que é certo para nós. Experiências de primeira mão aparecem ao longo do livro. As citações
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em primeira pessoa foram coletadas de membros de NA ao redor do mundo. Enquanto essas citações não representam, necessariamente, a opinião de NA como um todo, elas apresentam a cada um de nós, uma oportunidade para crescer e aprender se lermos com o coração e a mente abertos. Algumas coisas que leremos aqui poderão desafiar as crenças que sustentamos por muito tempo, mas, como numa reunião, podemos tirar proveito do que nos serve e largar o resto. Se fecharmos esse livro sentindo que ainda temos perguntas nãorespondidas sobre apadrinhamento, podemos seguir as sugestões que freqüentemente recebemos quando encaramos uma pergunta que não sabemos como responder: procuramos nos passos, rezamos e meditamos a respeito, ligamos para nosso padrinho/madrinha...

CAPÍTULO UM O QUE É APADRINHAMENTO?

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Uma pedra fundamental do programa de Narcóticos Anônimos Nenhuma crença ou filosofia, por si só, descreve ou define adequadamente o que é um padrinho ou o que faz um padrinho. Ao longo dos anos, apadrinhamento se tornou uma ferramenta básica e importante do programa de NA e é praticada de várias formas. O relacionamento de apadrinhamento, para muitos membros, é pessoal e privado. Um padrinho de NA é um membro experiente de Narcóticos Anônimos a quem procuramos para ajudar-nos em nosso programa de recuperação. Muitos membros acreditam que apadrinhamento é uma parte vital do processo de recuperação. Junto com os Doze Passos e as Doze Tradições, apadrinhamento é considerado uma das pedras angulares do programa e da maneira de viver de NA. O valor terapêutico de um adicto ajudando o outro é exemplificado neste relacionamento com um outro membro de NA. Antes de chegar às salas de NA, a maioria de nós estava vivendo à margem
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nossas vidas começam a mudar e percebemos a importância de procurar apoio. “Para mim. isolamento e desespero.da humanidade. Queríamos encontrar outro modo de viver. esse alguém foi meu primeiro padrinho. Uma vez que começamos a assistir reuniões e aprender sobre o programa de Narcóticos Anônimos. Ele era um rosto amigo num mundo de dor emocional. meu relacionamento com meu padrinho se tornou (e ainda é) o primeiro relacionamento com outro ser humano que abriu meu coração à possibilidade de me tornar um membro da raça humana”. Ele foi alguém que me fez sentir parte de NA. “Se precisei de alguém em minha vida. mas a solução sempre nos iludiu. Uma das maiores dádivas de NA é ouvir 7 . afundando cada vez mais em medo. Ele foi alguém que me ajudou a continuar indo em frente quando não mais conseguia andar sozinho.

Precisamos de ajuda e queremos estender a mão para outro membro. enquanto outros evitavam todo tipo de contato com as pessoas. Agora que nossas mentes começaram a clarear e acordamos de nossa névoa induzida por drogas. Quando vim a essas salas. e indefesos. estava perdido. Enquanto nas garras de nossa doença.a mensagem levada através do amor e bondade”. Porém. nos sentimos vulneráveis. machucado. expostos. tínhamos percepções e pensamentos distorcidos. Alguns de nós acreditávamos que eram invencíveis e poderosos. aceitação é uma das partes mais importantes do programa de NA. “Para mim. para que não precisemos fugir deles. sozinho. 8 . vemos que um padrinho/madrinha pode nos ajudar a lidar com estes sentimentos. Durante esse tempo frágil em nossa recuperação. muitas vezes tememos rejeição e podemos experimentar ansiedade avassaladora com a idéia de nos aproximarmos de alguém e pedirmos que seja nosso padrinho/madrinha.

Estava quebrado e sentia que ninguém queria ter nada a ver comigo. Mal conseguia juntar duas frases e tinha medo de tudo e todos.e sentindo como se nada importava exceto a morte. Porém. muito menos sobre pedir ajuda de um outro ser humano. Não confiava em ninguém nem acreditava em nada. Eu me odiava tanto. com meu problema com drogas. eu estava acabado. e especialmente. Era uma idéia assustadora – falar com um estranho – mas era mais assustador pensar que se eu não pedisse ajuda. 9 . Demorou um tempo para criar a coragem de pedir que alguém fosse meu padrinho”. ouvi dizer que era importante arrumar um padrinho. poderia voltar a usar drogas de novo”. Não sabia o que fazer dos Doze Passos. “Quando fiquei limpo no início.

e nossa confiança cresce. começamos a acreditar que funcionará para nós também. mas ela me deu o telefone dela e me disse para ligar. Conforme vemos que o processo funciona para outros. Gaguejei e falei baixo. Se formos novos ao programa.Enquanto procuramos por um padrinho. o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Estava nervosa. mesmo após anos e a distância de quilômetros que há entre nós. 10 . e sei que nossos espíritos estarão sempre conectados”. Não foi um sim firme. mas liguei assim mesmo. precisamos lembrar que ainda podemos trabalhar o programa de recuperação. Continuo aprendendo com ela até hoje. começamos a desenvolver relacionamentos com outros membros e nos envolvemos. “Cheguei perto de uma mulher após uma reunião e esperei impacientemente para falar com ela. Temos um relacionamento maravilhoso.

Ela falava comigo sobre a vida dela. literatura. e eventualmente eu consegui falar com ela sobre a minha vida também". a estrutura de serviço. um padrinho pode facilitar a transição para fora e esclarecer quaisquer dúvidas que possamos ter a respeito das diferenças entre tratamento e NA.“Meu relacionamento com minha madrinha foi muito desconfortável no início. e assim por diante. Nossos padrinhos podem nos orientar ao partilharem sua experiência e conhecimento do programa de NA. Especialmente quando somos novos ao programa. formatos de reunião. 11 . mas tudo que via era ela vivendo a vida como a vida é. podemos ter dúvidas a respeito da terminologia. Eu buscava todas as respostas dela. Se ficamos limpos em um centro de tratamento ou outra instituição. No início. Um padrinho pode nos oferecer um elo pessoal ao aprendizado do programa de recuperação de NA. foi difícil achar coisas para partilhar sobre mim mesma.

tipo ‘ele está comigo’. Achava que era algum tipo de sociedade secreta. Ligava para minha madrinha e perguntava ‘O que significa impotência?’ ou ‘O que é ser um “membro produtivo da sociedade”?’ Essas ligações me ajudaram a desenvolver minha própria compreensão sobre os princípios de NA”. “Sou uma pessoa inteligente. 12 . não tem problema’. precisava de muita ajuda e precisava compreender o programa. Achei que um padrinho era o chefe de NA! Hoje percebo que um padrinho é um professor que ensina por exemplo e experiência”. Ele deu risada e disse ‘Oh não. mas quando era nova no programa.“Achei que precisava de um padrinho para entrar numa reunião fechada (somente para adictos). Eu liguei e perguntei para meu padrinho se isso era verdade.

temos semelhanças. “De conhecimento de primeira-mão de adicção e recuperação.Apadrinhamento nos ajuda. Aprendemos a focar nossa atenção nas semelhanças ao invés das diferenças. Uma das razões que o apadrinhamento funciona é que partilhamos a mesma doença. Mesmo que estejamos em fases diferentes de nossa recuperação e trabalhando em nosso próprio ritmo. e todos buscamos recuperação desta doença. Membros que acumularam algum tempo limpo podem ser exemplos para recémchegados e membros com mais tempo. “Meu relacionamento com meu padrinho têm me ajudado a ficar mais honesto ao longo do tempo. meu padrinho compreende o que eu preciso passar para ficar limpo. Já que ele tem a 13 . independente de quanto tempo temos no programa. O sucesso de meu padrinho em ficar limpo serve como fonte de esperança para mim”. que uma nova maneira de viver é possível.

boa vontade. incluindo o conceito de apadrinhamento. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. e um compromisso para guiar e partilhar uma caminhada de recuperação através dos Doze Passos. O espírito que energiza e enriquece Narcóticos Anônimos se encontra na nossa união através da diversidade. o alicerce do apadrinhamento é um serviço abnegado. ele entende a minha maneira de pensar”. Independente das diferenças entre nossas práticas. 14 . Definições totalmente diferentes do apadrinhamento existem em NA. A beleza de nosso programa é que cada um de nós pode ter uma compreensão pessoal do relacionamento de apadrinhamento. No entusiasmo de nossa irmandade para assegurar que nossa mensagem é claramente compreendida – por adictos assim como por outros membros da sociedade – freqüentemente fazemos muito esforço para providenciar descrições definitivas de cada detalhe do programa de NA.mesma doença que eu e tem tido muitas das mesmas experiências.

mas também é alguém que me ajuda a ver como realmente sou e quem posso ser. Não saio com ela nem vou à casa dela toda hora. Ligo para ela regularmente. “Minha madrinha faz uma coisa por mim que não confio em mais ninguém para fazer – ela simplesmente me guia através dos passos de Narcóticos Anônimos. Alguns adictos compreendem o apadrinhamento como um ato de amor incondicional.“Meu padrinho não só é um guia através dos passos. Outros colocam condições ou requisitos para aqueles a quem apadrinhamos. Meu padrinho parece saber meus motivos muitas vezes antes de eu saber realmente o que esses motivos são”. Não somos amiguinhas. Alguns membros acreditam que a interação entre padrinho e afilhado deve ser um de não 15 . ouço-a e falo com ela”.

Eu queria tanto ficar limpo. Quando fiquei limpo. enquanto outros buscam certos tipos de julgamento e direção de seus padrinhos. mas eu queria o que ela tinha para oferecer”. servir a irmandade.julgamento. ir às reuniões. Ela me deu a recuperação mastigadinha. ele pediu que eu comesse uma fruta. “Meu padrinho foi uma das pessoas em NA que me amou até que eu pude amar a mim mesmo. Ela era durona e a força dela me assustava. e rezar e meditar diariamente. Eu fazia o 16 . Ela tinha uma lista de cinco coisas que eu tinha que fazer para que ela me apadrinhasse. trabalhar os passos. cereal ou qualquer coisa de café da manhã antes de começar meu dia. Ela me dizia o que fazer. “Minha primeira madrinha foi ótima para mim quando eu era nova no programa. Tinha que ligar para ela todos os dias.

Independente dessas diferenças. apesar de não saber o que tinha isso a ver com ficar limpo. comecei a entender o que ele estava fazendo – ele estava me mostrando como me amar e cuidar de mim mesmo”. muitos membros acreditam que cooperação. posso depender dele e confiar meus pensamentos. “Meu padrinho é minha base de apoio. Posso receber suas sugestões e orientação através dos passos com mente aberta e coração confiante. sentimentos e acontecimentos a ele. compaixão. Com a crescente diversidade de nossos membros. aceitação e responsabilidade são alguns 17 . Não importa o quão traumático ou insignificante alguma coisa é. o apadrinhamento pode tomar variadas formas que refletem nossa individualidade. Logo.que ele pedia. Deixo que ele me conheça bem – provavelmente melhor do que eu mesmo me conheço”.

“Poder ter um padrinho é a maior dádiva que a recuperação oferece para mim. é minha amiga. Antes de ter uma madrinha. Minha madrinha me ajudou a ver a razão e ofereceu um caminho de mudança para que eu não tivesse que doer tanto. sobretudo. Saber que sempre que eu precisar dela ela estará lá para me apoiar é um pensamento confortante. amorosa e me dá apoio. 18 . Ela é gentil. às vezes meu salvavidas. nem por tanto tempo”. simplesmente flutuava à deriva. mas. Minha madrinha permite que eu cresça em meu próprio ritmo e progrida nos passos conforme minha prontidão”.dos princípios espirituais encontrados no apadrinhamento. “Minha madrinha é meu mentor. carinhosa. Eu sentia dor o tempo todo e não sabia por que. sem direção real.

“Em minha recuperação houve vezes que eu não tinha uma madrinha. Isso não significa que somos “menos que” membros que têm um padrinho ou madrinha. há muitas vezes nas quais nos encontramos sem um padrinho ou madrinha. Durante esses momentos podemos buscar apoio no grupo e em nossos companheiros em recuperação. Acho que estava esperando que uma caísse do céu. Entretanto. o apadrinhamento pode nos dar apoio quando damos de cara com aqueles desafios que vêm de viver a vida. Mas a realidade é que sentia falta de alguém na minha vida que fosse ‘meu padrinho’”. até que encontremos um padrinho novo. e fiquei bem. ou simplesmente não queria fazer muito esforço 19 .Para muitos de nós. “Tive períodos em recuperação sem um padrinho. Continuei crescendo e trabalhando o programa.

Alguns de nós podemos estar sem afilhados. apesar de todos nossos anos no programa. nem era ter uma madrinha só para dizer que tinha. se não estamos apadrinhando alguém. ainda há muitas formas que podemos servir. Acredito que quanto mais esforço que coloco no meu relacionamento com minha madrinha. levando uma reunião á uma instituição. Pode ser que ninguém nos tenha pedido. escolhemos não apadrinhar outro adicto. Depender de amigos não era a mesma coisa do que ter uma madrinha. ou pode ser que. dando boas vindas e encorajando os recémchegados.para achar uma. Trabalhando numa linha de ajuda. por alguma razão. ou pegando um encargo em nosso grupo de escolha são algumas das maneiras que podemos levar a mensagem. Minha experiência mostra quer preciso de uma madrinha para trabalhar os passos com sucesso”. Qualquer que seja a razão. mais posso me beneficiar de sua experiência. 20 .

e tenho sido e continuo sendo aquela pessoa que ‘acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação’ para muitos amigos em NA. aquelas mais em harmonia com minhas circunstâncias e aptidões naturais. Sou um fracasso? Minha recuperação é uma fachada por minha ‘inabilidade’ de preencher esse aspecto do programa ainda? Acho que não. e nosso talentos e habilidades estão em áreas diferentes. mas isso é me menosprezar e menosprezar o programa de NA. Faço muito serviço em NA. Todos são diferentes. a quem amo”.“Estou em recuperação há 15 anos e nunca apadrinhei ninguém. 21 . Dou livremente aquilo que me foi dado de outras formas. Eu brincava (mais ou menos) com um amigo que não me pedem para ser padrinho porque ninguém ‘quer o que eu tenho’.

é importante permitirmos que membros adaptem o programa de NA para se encaixar em suas comunidades. Foi o melhor relacionamento ‘via correio’”. outras podem ter dificuldades legais ou culturais para estabelecer reuniões ou com os princípios do programa. Ela trabalha os passos 22 . Enquanto nossa irmandade se diversifica. “Nos primeiros dias. Em desespero. Funcionou! As cartas de minha madrinha sempre pareciam chegar quando eu mais precisava. eu era a primeira mulher em recuperação no meu país. Algumas dessas comunidades são geograficamente isoladas de comunidades já estabelecidas de NA.Narcóticos Anônimos continua a crescer e alcançar diversas comunidades ao redor do mundo. “A mulher que pedi para me amadrinhar estava visitando meu país para a convenção anual. confiei em alguém que viajava e me conhecia bem para achar uma madrinha para mim.

Eu leio 23 . Tenho trabalhado os passos com ela. falando a língua dela (toda minha recuperação é feita em outra língua). Eu demorei a entendesse os horários dela. temos culturas diferentes. Agora estou fazendo o Sétimo Passo. aprendido sua língua e praticado fé no Poder Superior. e por uns oito meses eu acordava às 4:30 para ligar para ela. e eu a amo. Iniciamos nosso relacionamento por e-mail. pessoas e em mim mesma.de NA. Felizmente. segura de si. Moramos em continentes diferentes. Escrevo os passos e os mando por correio. Ela é prática. Quando eu a visitei no ano passado. e na língua dela!” “Encontrei minha madrinha na Internet. conhecíamos alguém no programa que podia traduzir para nós. partilhei meu Quinto Passo com ela. e eu tinha que me esforçar para ligar para alguém que não conhecia.

junto pelo telefone. e o 24 . apadrinhamento – tanto como afilhado quanto como padrinho – tem tido um papel importante em minha jornada. mas eu me permito. Os altos e baixos do início da recuperação faziam com que eu ficasse perdido emocionalmente. Podemos tentar atravessar algumas de nossas dificuldades sozinhos. No entanto. No início. “Ao longo dos últimos oito anos de minha recuperação. Com o tempo. Fica caro. Esse é o relacionamento mais enriquecedor que já tive com outra mulher”. as ligações diárias me ajudaram a aprender como pedir ajuda. através de amor incondicional. aceitação e união. muitos de nós encontram alívio do vazio criado pela nossa doença. O conceito de apadrinhamento tem ajudado a moldar o programa de Narcóticos Anônimos que conhecemos hoje. percebemos que a recuperação é um processo em evolução.

Quando era nova e estava perdida. Quando ela ouviu meu Quinto Passo obsessivamente longo. Hoje. e mais tarde em minha recuperação. Agora busco dela conselhos e encorajamento para continuar me arriscando e crescendo. 25 . ajudou a tornar o passeio de montanha russa mais brando. ela foi carinhosa e falou que eu tinha feito um bom trabalho. Ela me apoiou quando mudei de carreira. ela me liga para chorar”. Às vezes nos encontramos só para nos divertirmos. Nenhuma outra coisa me fez sentir tão aceito e amado como o apoio de meu padrinho”. minha madrinha me dava direções claras e muito amor. quando ela está tendo dificuldade. nos tornamos amigas. “Meu relacionamento de apadrinhamento mudou com o tempo.compromisso que eu fiz de ligar para meu padrinho diariamente.

Ficar limpo e freqüentar reuniões de NA não significa que nossas vidas se tornarão livres de dificuldades enquanto nossos problemas vão desaparecendo. Recuperação é. Trabalhar com um padrinho pode facilitar nosso aprendizado deste novo modo de vida. mas temos medo de pedir quando primeiro ficamos limpos.Um Adicto Ajudando ao Outro Apadrinhamento pode oferecer a ajuda que tão desesperadamente precisamos. precisamos fazer um esforço para sermos honestos. Se fosse simples assim. e termos mente aberta e boa vontade. Esses velhos hábitos não somem com um passe de mágica. ódio próprio e desespero tornaram muitos de nós raivosos e desconfiados. as salas de NA não poderiam conter a multidão de pessoas que buscariam recuperação! Os anos que passamos praticando comportamentos auto-destrutivos e vivendo em prisões auto-impostas de medo. “Não posso expressar a importância de meu primeiro 26 . freqüentemente. Se quisermos melhorar. um processo dolorosamente lento.

Lá estava alguém para me guiar na minha escuridão. Para mim.padrinho – aquela primeiríssima pessoa que estava preparada para me ouvir e me deixar chorar pelo telefone. o maior benefício de ter um padrinho é que eu tenho a chance de aprender como viver a vida através dos Doze Passos. e que ele podia compreender como eu me sentia através da própria experiência dele. Tenho confiado em meu padrinho para me aconselhar e ajudar quando não sei o que fazer. “Sei que ter um padrinho ainda é vital para minha recuperação. oferecendo uma mão que se estendia para dentro do meu inferno pessoal e me ajudou a ficar de pé sozinho novamente”. Tenho certeza que meu padrinho não sabe de quantas formas e 27 . Foi muito importante que ele não me julgava.

fazer o que não podíamos fazer sozinhos. Nem sempre é fácil. por nós mesmos. amor e tolerância. e tento repassar esses princípio espirituais aos meus afilhados. Cuidadosamente baixando nossas defesas. o valor terapêutico de um adicto ajudando o outro. nos abrimos para outro adicto.” 28 . Aprendemos que é possível com a ajuda de outros. mas eu o faço.quantas vezes ele me ajudou ao longo dos anos”. tenho aprendido muito sobre a necessidade de usar meu padrinho e pedir ajuda. Temos agora a oportunidade de experimentar. Meu padrinho tem me mostrado muita compaixão. “Sendo um adicto muito independente e autosuficiente. e começamos a quebrar os padrões de isolamento emocional e falsa independência que marcaram nossas vidas por tanto tempo.

que pela primeira vez. Eu podia dizer que o amava e precisava dele em minha vida”. para muitos de nós. pode ser nosso primeiro relacionamento que envolve confiança e intimidade – isto é. a confiar em alguém e honestamente falar 29 . Eu o deixei entrar em minha vida e me conhecer bem. pela primeira vez em minha vida. enquanto outros constroem confiança através de empatia e amor incondicional. Esse elo pode ajudar a nos livrar do isolamento e da falta de confiança que fazem parte da enorme obsessão e compulsão da adicção ativa. para que ele pudesse me confrontar quando eu agia mal. “Trabalhar com meu padrinho me permitiu. Alguns de nós sentimos um elo de confiança com nosso padrinho ou afilhados imediatamente.“O que foi mais importante para mim com meu primeiro padrinho foi. eu podia ter um relacionamento íntimo com outro homem. honestidade verdadeira e proximidade a outra pessoa. e com 42 anos. Apadrinhamento.

“Partilhar meus segredos com meu padrinho foi a primeira ação de confiança e humildade por minha parte. aprendi a confiar e aprendi a ser confiável”. ou me falava que eu estava errada.com outra pessoa sobre mim. Me senti apoiado. comecei a ter objetividade e uma perspectiva equilibrada a respeito das situações em minha vida”. e ainda sinto”. Nesse relacionamento. e foi o primeiro passo para quebrar meu isolamento. nem me fazia sentir mal. Minha madrinha não me culpava. “A primeira vez que aprendi a desenvolver confiança em outra pessoa foi quando arrumei uma madrinha (me tornei madrinha). 30 . desesperançado e perdido. Parei de me sentir sozinho. Conforme o tempo foi passando.

Começamos a apreciar a generosidade. voltar à escola. companheirismo e responsabilidade que esse relacionamento geralmente oferece. Experimentamos o amor incondicional e uma conexão com outras pessoas. “Hoje. muitos de nós começamos a encontrar conforto na identificação que achamos em Narcóticos Anônimos. nos reunirmos com família e amigos. e realizar sonhos perdidos. Para alguns de nós.Quando a solidão e alienação da adicção começam a amenizar. Podemos arranjar empregos. apadrinhamento evoluiu a um nível muito mais profundo do que eu jamais imaginei possível. As habilidades que aprendemos no apadrinhamento podem nos dar a oportunidade de participar em nossas próprias vidas novamente. Escrever os passos tem sido uma parte muito importante da minha recuperação. essa é a primeira vez que temos a oportunidade de nos tornarmos parte da sociedade. O relacionamento entre padrinho e afilhado pode se tornar um sistema de apoio mútuo. e o amor e 31 .

cuidado que meu padrinho demonstra quando falamos sobre o que eu escrevi têm me ajudado tremendamente nas áreas de honestidade e confiança. O elo que nós temos como resultado de trabalhar os passos tem sido extremamente poderoso”. “Quando primeiro cheguei a NA, senti que ninguém podia compreender os sentimentos intensos de desespero, falta de esperança e vergonha que eu sentia. Em minha primeira reunião, conheci um homem que logo se tornaria meu padrinho. Ele me deu um folheto e pediu que eu lesse a parte ‘Quem é um adicto?’. Conforme eu lia, comecei a sentir aquele medo que carregava por tanto tempo, se amenizar. A simples sugestão de um companheiro adicto foi o início de um relacionamento profundo e amoroso com respeito mútuo e partilhas honestas”.

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“Não conseguia entender porque meu padrinho era tão feliz e contente com todas as coisas pequenas em sua vida. Ele posteriormente me contou que é mais importante contribuir do que exigir. Depois, eu entendi que isso era a chave para me tornar parte da sociedade”. Nosso trabalho com padrinhos e afilhados freqüentemente ajuda a dar sentido para muitas das nossas experiências – passadas e presentes. “Me lembro do primeiro Quinto Passo que fiz com uma madrinha. Partilhei meus segredos mais profundos e sombrios. Achei que minha madrinha não ia querer mais nada comigo. Ela, no entanto, partilhou parte de seu passado comigo, e eu percebi que eu não era a pior pessoa na face da terra. Na verdade, minha madrinha me ajudou a ver que algumas coisas, das quais eu
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tinha mais vergonha – algumas das minha experiências sexuais – nem eram minha culpa”. Através do percurso de trabalhar e vivenciar os Doze Passos e as Doze Tradições, a ilusão de auto-suficiência pode ser suavemente quebrada, enquanto nos tornamos mais responsáveis por nossa própria recuperação. Ao partilhar honesta e abertamente, ambos o padrinho e o afilhado começam a aprender um com o outro. Percebemos que não mais estamos sós e não precisamos encarar o processo de recuperação sozinhos. “Meu padrinho é um professor, um exemplo, alguém em quem confio, um ouvinte, um confortador, um espelho, e dispensa a verdade que ele vê em mim. Ele é um barômetro para minha recuperação e, de acordo com o quanto eu permito, é a voz da razão quando estou tomando decisões difíceis e confusas”.
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“Apadrinhar outros reforça minha recuperação e mantém minha gratidão viva através da partilha de minha recuperação. Serviço abnegado é o antídoto para o egocentrismo, que é o centro de minha doença. Se eu sugerir que um afilhado vá a uma reunião ou escreva algum passo, é mais provável que eu faça o mesmo”. “Ter um padrinho me deu um senso de responsabilidade. Esse relacionamento tem ajudado a reconquistar a confiança em outros seres humanos. Tenho aprendido ao longo dos anos que posso falar com meu padrinho em completa confiança sobre qualquer coisa que eu pensar ou fizer. Ele mantém o anonimato que nós temos, e não me julga”. O relacionamento de apadrinhamento é humanidade em ação, providenciando compaixão e apoio, não

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importando as experiências de vida que cada membro pode estar atravessando. “Ainda preciso de uma madrinha após tantos anos no programa. Hoje os tópicos não são como ficar limpa, etc., mas mais os problemas cotidianos que aparecem como resultado de ficar limpa. Muitas vezes descubro que ainda acredito na ilusão de que ficar limpa significa automaticamente viver uma vida livre de problemas. E, na maioria das vezes, descubro através de partilhar com minha madrinha, que tenho uma vida normal, como qualquer outra pessoa que não usa drogas”. Durante nossa adicção ativa, o único compromisso que a maioria de nós tinha era o de conseguir e usar mais drogas. Em NA, muitos de nós assumimos o compromisso de trabalhar com um padrinho e, mais tarde, um afilhado. Não mais fugimos de nossas responsabilidades. Cumprir com nosso compromisso de apadrinhamento pode
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nos ajudar a sentir o valor próprio que vem de encararmos nossos medos.

“Pedir que alguém me apadrinhasse foi um grande compromisso para mim. Significa que eu ia ter que fazer mais do que falar sobre minha recuperação. Eu ia pedir que alguém se comprometesse comigo e isso era assustador. Tinha tanta dificuldade em confiar nos outros, mas no final percebi que meu grande problema era coragem”. “Meu compromisso com apadrinhamento ajudou a me tornar uma pessoa amorosa, digna de confiança e apoio. Antes de assumir a responsabilidade de ser uma madrinha, eu era egoísta, egocêntrica, e só pensava em mim. Como resultado do meu trabalho com minhas afilhadas, descobri o verdadeiro sentido de
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aceito e respeito-as exatamente como são. a maioria de nós descobre que a “cura” emocional e espiritual que pode vir de partilhar com um padrinho/afilhado vale a pena o esforço. Mais importante é o meu compromisso em guiá-las através dos passos e apoiá-las em seus processos de recuperação”. Hoje sou comprometida com minhas afilhadas. professor e confidente. Alguém que acredita em mim e quer ajudar na minha recuperação Um padrinho/madrinha pode ser um mentor. Às vezes. não só 38 . Mal-entendidos podem surgir. podemos sentir que nossas necessidades não estão sendo atendidas. ouço com mente aberta e coração aberto.compromisso. compartilho suas alegrias e tristezas. o relacionamento padrinho/afilhado pode ser desafiador. amo incondicionalmente. Por alguma razão. Porém. e sentimentos podem ser feridos.

e outras tribulações da vida. as Doze Tradições e os Doze Conceitos. perda.para aqueles que são novos no programa. Apadrinhamento pode nos ajudar a aprender maneiras saudáveis de viver e oferecer um santuário de apoio e empatia durante tempos de luto. e. Outros membros procuram um padrinho estritamente para conhecimento sobre e orientação através dos Doze Passos. Não importa como entendemos o papel do padrinho. mas para membros com tempo limpo significante também. Um padrinho pode ainda participar em nossas experiências alegres. Ela é meu banco de memória de experiências. É importante ter alguém para 39 . podemos todos concordar sobre uma coisa: um padrinho é “alguém que acredita em mim e quer me ajudar em minha recuperação”. detalhes e padrões. para alguns membros. que celebram nossa vida e nossa recuperação. minha madrinha foi a primeira pessoa que eu permiti que visse o verdadeiro eu. “Para mim.

quem posso jogar minhas idéias e mudanças possíveis. Meu padrinho é alguém com quem posso ser honesto e para quem posso me revelar. e preciso poder partilhar essas coisas e sentir-me confortável o suficiente para permitir que meu padrinho revele coisas para mim”. e ela os jogará de volta. Algumas das coisas que aprendo sobre mim mesmo me chocam. Eu o adorava. “Meu padrinho é alguém em quem confio. Me vi frente a frente com muita dor e raiva. e senti que elas iam me 40 . Ele era o mundo para mim. Estava desolada e me senti totalmente impotente. Essas emoções se tornaram entidades vivas para mim. Dois corações são sempre melhores do que um só”. “Estava no início de minha recuperação quando meu pai morreu. além de respeitálo – e isso é importante também.

conforme cada membro pode partilhar e identificar-se com muitos dos mesmos sentimentos. O elo que freqüentemente se forma entre um padrinho e afilhado pode ser poderoso. Mas. e como resultado. “Em recuperação eu tenho experimentado uma gama de sentimentos que eu me recusava a reconhecer.consumir. Eu não me valorizava. Quando começamos a viver sem o uso de drogas. Esses sentimentos me fizeram sentir que eu não era importante. era mais sobre ela estar lá e me ouvir e amar durante tudo isso”. Nem é que ela me disse alguma coisa profunda. que podem ter experimentado muitas das mesmas emoções e circunstâncias que nós. vemos que o apadrinhamento pode oferecer uma amizade e conexão espiritual com outros adictos. não tinha a 41 . minha madrinha me ouviu – a qualquer hora do dia.

Eu tinha a amadrinhado por muitos anos. Através do amor e orientação do meu padrinho. e nosso relacionamento se tornou realmente uma via de mão dupla. e pedir ajuda. Meu padrinho me ajudou a expressar-me honestamente. A atração inicial para mim era não ter que fazer tudo sozinho. O que aprendi através do apadrinhamento não tem preço.habilidade de colocar limites. e a beleza verdadeira está em partilhar essas experiências com meus afilhados”. Aquela época era um dos momentos mais difíceis de minha recuperação. que tipo de pessoas eu queria em minha vida. e aprendi que não tinha problema não saber algumas coisas. e o que eu precisava para conseguir tudo isso. mas falar com ela e escutar 42 . “Minha afilhada e eu passamos por divórcios na mesma época. adquiri uma idéia de quem eu era.

Temos que perceber que um padrinho é um adicto praticando serviço abnegado e não um profissional num emprego. 43 . Podemos discutir essa necessidade com nosso padrinho. Alguns membros trabalham profissionalmente como terapeutas. que nos torna todos iguais em NA. mas simplesmente a de um adicto partilhando de seu coração e levando a mensagem. chorávamos juntas.ajudaram a amenizar. mas não devemos esperar que nosso padrinho ou afilhado nos preste serviço profissional de qualquer tipo. advogados. Isso se baseia em nosso alicerce espiritual de anonimato. Escolhemos um padrinho baseado em sua recuperação em NA. ou médicos. Partilhávamos uma com a outra. e dividimos insights e ferramentas”. No entanto. Às vezes precisamos buscar ajuda profissional de algum tipo. a responsabilidade de um padrinho não é a de um profissional. por exemplo.

Digo a eles que estou em NA para me recuperar. Eu deixo meus limites bem claros. posso apadrinhá-los. Por muito tempo eu pude ficar limpo. Quando permiti que um padrinho entrasse em minha vida. ir a reuniões. e nutri nosso 44 . mas eu ainda me sentia sozinho e vazio por dentro. “Os benefícios de ser apadrinhado tem me servido bem nesse programa. talvez. me envolver em serviço. mas não me envolvo em assuntos fora de NA nem faço favores especiais.“Membros da irmandade em minha área sabem que trabalho no setor de recuperação de dependência química. Isso torna nosso relacionamento na irmandade mais igual e menos aberto a complicações”. e às vezes se aproximavam de mim para facilitar sua admissão a uma clínica de tratamento. e participar em várias funções.

e não a bagunça de nossa doença. da qual o Texto Básico fala me ajudou mais do que qualquer médico ou terapeuta poderia ter ajudado naquele ponto em minha vida”. mas também é verdade que temos que ter nossa própria recuperação para poder “dar”. 45 . Muitas vezes dizemos “só podemos manter o que temos ao dar para outros”. Apadrinhamento pode ser uma oportunidade para praticar os princípios do programa de NA em todas as nossas atividades. comecei a crescer e mudar. e vice-versa. idealmente. está recebendo o melhor que cada uma tem a oferecer.relacionamento como parte do meu processo. Queremos nos assegurar que levamos a mensagem de recuperação aos nossos afilhados. Acho que a linguagem sem palavras da empatia. e minha recuperação deslanchou. onde cada pessoa. não as de seus afilhados. É importante para padrinhos manterem sua própria identidade e serem responsáveis por sua própria recuperação.

nem lia muito. eu estava estressada e sem energia. me senti menos estressada e não via a hora de chegar um intervalo nos meus estudos para falar com uma afilhada”.“Se eu não cuidar de minha doença em minha própria recuperação. No final da ligação. Não ligava para minha madrinha com muita freqüência. então estou passando minha doença aos meus afilhados”. diminui minha freqüência a reuniões porque senti que estava muito ocupada. Estava apadrinhando várias pessoas. Engraçado com quando eu dediquei mais tempo à minha própria recuperação. eu me sentia como se fosse um peso. “Quando voltei a estudar. O Décimo Segundo passo em ação Apadrinhamento muitas vezes se torna parte do serviço abnegado do qual 46 . e sempre que alguma delas ligava.

Me sinto obrigado a fazer o melhor que posso em minha própria recuperação. Muitos membros acreditam que o apadrinhamento é uma oportunidade de levar a mensagem de recuperação e praticar os princípios encontrados no programa de NA.ouvimos no décimo segundo passo. “Para mim. compaixão. Sinto empatia pelos meus afilhados quando fazem tantas perguntas e se esforçam para aprender e entender o cominho de NA. pois eu estava no lugar deles em algum momento de minha recuperação”. Parte disso envolve um compromisso de trabalhar com outros e providenciar um sentido de aceitação através de empatia e compreensão. “Meu padrinho cria uma atração para mim. O caminho que ele percorreu antes de mim me trouxe a ele nesse 47 . não há pressão maior do que um afilhado dedicado que trabalha os passos com paixão. Sinto também.

Achando. muitos de nós não sabiam quem eram ou como nos tornarmos membros produtivos da sociedade. um programa sólido e trabalha conscientemente os Doze Passos. Após passar muitos anos na adicção ativa. já que minha bagagem tende a 48 . Ele é sereno. padrinhos podem guiar afilhados na construção de um alicerce em recuperação. força e esperança. sólido e espiritualmente equilibrado. e trabalhando com. Um padrinho pode providenciar uma perspectiva mais objetiva sobre nossa realidade. um padrinho pode acalmar a confusão que muitos de nós experimentam quando ficam limpos. Através da partilha de sua experiência. Ele leva uma vida simples e calma. Simplesmente. “Meu padrinho me dá uma perspectiva totalmente diferente da minha vida.momento centrado. quero o que ele tem a oferecer”.

“Cedo em minha recuperação.influenciar minha perspectiva e minha percepção”. como resultado de trabalhar os passos com ela. comecei a sair com um homem ‘bom’ que não teria pensado em sair antes. Aquela conversa foi um momento de virada. 49 . e como resultado. quando tinha alguns anos limpa. eu aprenderia a parar de tomar decisões péssimas – que eu viria a apreciar o amor verdadeiro e o apoio que eu poderia vir a ter num relacionamento. ao longo do tempo. Finalmente. Eu estava lhe contando como eu gostava dos ‘homens maus’ e ela sacudiu a cabeça. Estamos juntos a 16 anos”. tinha uma ‘reputação’ por causa de meu comportamento com homens. dizendo que o desejo dela para mim era que. minha madrinha meio que me ‘falou um monte’.

ainda é uma parte 50 . outros simplesmente agem pelo poder de exemplo. trabalhar com um padrinho pode começar a nos mostrar a importância do serviço. e nesse relacionamento podemos a aprender como expressar nossa gratidão através do serviço seja ele formal ou informal. carinhosa e amorosa que sabia exatamente quando segurar minha mão e quando largá-la. “Minha primeira madrinha foi a alma mais maravilhosa.Além de nos ajudar a nos enxergarmos mais claramente. Ela plantou em mim a importância de ‘devolver’ a NA através da estrutura de serviço. Alguns padrinhos encorajam aqueles a quem apadrinham a se envolverem formalmente na estrutura de serviço de NA. dando deles mesmos e não esperando nada em troca. Ela me deu a base de compreensão de NA e os Passos. Apesar dela não ser mais minha madrinha. O apadrinhamento é uma espécie de serviço abnegado. Tradições e Conceitos.

Apadrinhamento. Agora faço bastante serviço formal.ativa de minha recuperação e uma amiga querida”. Lembro quando eu era novo no programa. mas sim com a boa vontade de dar”. é um relacionamento-em-progresso. eu fui a uma reunião e um companheiro ingressou. meu padrinho perguntou ‘Você deu seu telefone àquele companheiro?’ Não achava que eu tinha muito a dar. mas aprendi muito daquele primeiro padrinho sobre o espírito do serviço e como não tem a ver com um encargo específico. “Meu primeiro padrinho não estava muito envolvido na estrutura de serviço. como muitas aspectos de nossa vida em recuperação. mas ele nunca perdeu a oportunidade de me encorajar a servir. Depois da reunião. Um padrinho é simplesmente um adicto em 51 . mas ele me demonstrou que nunca era cedo demais para começar a ‘dar livremente’.

Para mim. e ainda ter fé. às vezes. precisamos manter em mente que padrinhos não são Poderes Superiores. forças e fraqueza. 52 . mas sim. isso é uma grande lição. para ver outra pessoa ter dificuldades às vezes. adictos partilhando sua experiência. e defeitos de caráter com os quais ele tem dificuldades. confiança e esperança. e trabalhar para manter o foco na solução ao invés do problema”. “Tenho tido afilhados ao longo de minha recuperação. É um presente maravilhoso poder ajudar aos outros e me abrir para que os outros possam ver quem eu sou.recuperação. que não poderíamos ficar limpos sem a orientação e apoio de nosso padrinho. Enquanto muitos de nós sentimos. necessidades e sonhos. força e esperança. como eu tenho. não um perito infalível. “Meu padrinho é um ser humano que tem alegrias e tristezas.

Eles me ensinam sobre confiança e compromisso. A simplicidade do relacionamento padrinho/afilhado – aquele de um adicto ajudando outro – pode ajudar ambos os membros a entrar em contato com sua própria humanidade enquanto passando pelas dificuldades da vida. quando me perco em mim mesmo. e suas soluções são minhas também. Muitas vezes seus problemas são meus. em muitos casos o afilhado partilha insights e sabedoria. juntos. Trabalhar os passos com eles é nada mais do que eu mesmo trabalhar os passos. Isso faz parte da via de mão dupla: o dar e receber que faz do Décimo Segundo 53 . A mensagem de recuperação não vem só do padrinho. É uma lição de humildade no serviço. Muitas vezes meus afilhados têm mais respostas do que eu. Tenho aprendido através deles que não sou o único que tem dificuldades ou o único que está perdido e tem medo”.Freqüentemente. meus afilhados me ajudam a sair disso.

“Quanto a ser um padrinho. “Recentemente tive um afilhado partilhar honestamente um assunto sobre o qual eu mesmo não tinha sido honesto. O quanto isso vale para o meu programa? Vale ouro”. Levar a mensagem a outros adictos e dar livremente o que nos foi dado livremente não é só uma honra e privilégio. tento incorporar as coisas que aprendi sobre como eu gosto de ser apadrinhado em meu apadrinhamento. os Doze Passos e as Doze Tradições. Quando meus afilhados partilham os 54 . é também essencial para enriquecer nossa condição espiritual. Tenho que estar trabalhando meu programa pessoal para poder oferecer algo aos meus afilhados”. e conhecer mais sobre. “A importância de apadrinhar outros é que me ajuda a me envolver mais com.passo uma parte necessária do processo de recuperação.

é a coisa mais importante em NA. Preciso ser humilde para ligar para minha madrinha e pedir ajuda. partilho minhas próprias experiências com passos também.passos comigo. Aprofunda minha apreciação do que me foi dado”. Minha madrinha e afilhadas têm me ensinado sobre a importância de ter relacionamentos com outras mulheres e como amar e ser 55 . Apadrinhamento me ensina humildade. junto com reuniões. “Para mim. Uma das maiores dádivas em recuperação é encontrar as semelhanças em nossas jornadas e aprender sobre nossas diferenças. apadrinhamento. Acho que a lição mais valiosa que o apadrinhamento me dá é a oportunidade de praticar o amor incondicional. Preciso também ser humilde em relação a minhas afilhadas estando disponível e ouvindoas sem ser julgadora ou controladora.

Muitas vezes ouvimos dizer que Narcóticos Anônimos é um programa “nós”. que passamos tanto tempo de nossa vida recebendo. acordamos para um mundo de possibilidades quando nos abrimos para as dádivas que o apadrinhamento pode nos dar. e o apadrinhamento para muitos de nós. E a melhor ajuda que um adicto pode receber vem de outro adicto em recuperação. NA funciona por causa da ajuda que damos uns aos outros. Com isso. está no centro de um senso de comunidade e apoio mútuo. Nós.amada pelo meu próprio gênero. 56 . aprendi a me amar”. preocupados somente com nós mesmos.

mas não percebemos que viver uma vida em recuperação requereria tanto esforço.CAPÍTULO DOIS PARA O AFILHADO Porque adictos buscam um padrinho Temos aprendido de nossa experiência como irmandade que precisamos fazer mais do que apenas assistir às reuniões de Narcóticos Anônimos. Ouvindo o que outros membros dizem sobre “trabalhar” e “praticar” os passos e tradições ou desenvolver contato consciente com um Poder Superior pode nos encher de confusão e suspeita. limpos e novos a NA. Agora. Sabemos que não será fácil parar de usar drogas. estamos em território desconhecido. O programa de NA ensina conceitos e princípios dos quais a maioria de nos não tinha conhecimento durante nossa adicção ativa. Esses conceitos podem contrariar nossa maneira de encarar o mundo. Podemos não querer aprender a viver 57 .

Tudo o que queremos é parar a dor e o ciclo horroroso de desespero e remorso causado por nossa doença. me deram amor incondicional. Tudo o que queria era só parar de usar. li os passos. trabalhei-os com um padrinho. Mas. encorajamento.com integridade ou nos oferecermos em serviço abnegado a outros adictos. e fiz o mesmo com as tradições. A ultima coisa que muitos de nós esperam fazer ou saber fazer quando ficamos limpos é “trabalhar” nesta coisa chamada de recuperação. não tinha idéia do que era o programa. mas meu padrinho. e partilharam sua compreensão do programa. E funcionou: tenho tido muito mais do que simples abstinência”. “Quando cheguei a NA. tanto como outros adictos em recuperação que eu conheci. Ter um padrinho ajuda muitos de nós a aprendermos sobre o programa de NA e adquirirmos “insights” sobre nós 58 . Foi difícil no início. com o tempo.

.mesmos. acho que gostaria de tornar minha vida muito melhor escrevendo um inventário. Um padrinho é alguém com quem podemos partilhar nossos segredos profundos e escuros. e ainda alguém que pode partilhar novas idéias conosco e nos oferecer direção quando pedimos. “Não acordei um dia e disse: ‘Puxa.. como para o membro que já acumulou algum tempo limpo. fazendo algumas reparações ou entregando minha vida e minha vontade aos cuidados do meu Poder Superior. Mais importante para muitos de nós.’ quando nunca tinha feito nenhuma dessas coisas antes. nosso padrinho/madrinha é a pessoa para quem podemos ligar quando temos vontade de usar. Isso é verdade tanto para aqueles de nós que são novos ao programa. Precisava de alguém que estava do lado de fora do meu processo de tomada de decisões para me dar um empurrão que eu precisava na direção certa”. 59 . que seria difícil fazermos sozinhos.

Precisava achar aquela pessoa em quem podia confiar 15 minutos antes de usar ou 15 minutos depois de ter usado. Muitos de nós escolhemos nossos padrinhos pela honestidade ou profundidade de suas partilhas. Ele me disse ‘Se é para você ir preso. Era exatamente o que eu buscava”. Freqüentemente. permitindo que confiemos mais nas sugestões que eles oferecem. um elo especial se forma. temos simplesmente um sentimento intuitivo que alguém é o padrinho certo para nós. que pode nos levar a ter uma 60 . Precisava que ele me dissesse isso. Era para eu ir preso por muito tempo. Podemos ter históricos ou outras características em comum. Em quem poderia confiar nesse nível? Não queria saber sobre os passos.“Lembro quando escolhi meu primeiro padrinho. talvez é onde deveria estar. Às vezes.’ Eu queria responder ‘Quem pediu a sua opinião’? mas pedi para que ele fosse meu padrinho.

Fiquei chocada! Ela mal me conhecia. eu sabia que queria que essa pessoa me guiasse em minha recuperação. Mais tarde naquela noite. Ela pediu que ficasse junto com ela. e ficamos conversando o final de semana inteiro. Até o sábado de manhã. ela me desafiou abertamente quando deixei passar um comportamento inadequado que estava tolerando há tempos. Mas. de um membro do meu grupo de apoio. na verdade.profunda conexão espiritual com nosso padrinho. Ela ainda é a mulher que quero ser quando eu crescer. “Acredito que minha madrinha hoje (e há sete anos) foi enviada por Deus! Nos conhecemos em uma convenção. ela me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa que eu tinha conhecido. Mas nunca quero me vestir como ela!” 61 .

Posso ir a reuniões e coletar experiência. tinha a tarefa de achar outra madrinha. Mais uma vez. mas quando preciso de atenção especial. meu padrinho é o adicto em recuperação especial enviado pelo Deus da minha compreensão”. força e esperança da irmandade. Não pensei em minha decisão antecipadamente. meu padrinho é aquela pessoa a quem posso levar minhas perguntas pessoais – aquelas que poderiam me envergonhar ou aquelas de natureza muito particular. Ela parecia segura e confortável. minha madrinha se mudou para outra cidade. “Alguns meses antes do meu terceiro ano limpa. Escolhi uma mulher que havia me confortado uma noite quando eu estava mal. simplesmente perguntei se ela havia trabalhado os passos e 62 .“Para mim. em busca de sua carreira.

um padrinho pode facilitar o processo de ficarmos confortáveis com fazer parte da irmandade de NA. então muitos dos membros eram bem próximos. quando estamos prontos para aceitar certos compromissos. Nosso padrinho pode nos apresentar a outros membros que têm mais tempo limpo ou que tiveram experiências de vida semelhantes. Só tínhamos sete reuniões naquela época. “Fiquei limpo numa pequena área de NA. Ela ficou maravilhada’. Trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a entender aspectos do programa que podem ser confusos para nós: que tipo de coisas queremos partilhar nas reuniões e o que é melhor ser discutido particularmente. Meu 63 . Desenvolver um relacionamento com um padrinho pode nos fazer sentir parte de algo maior do que nós. e assim por diante. Quando chegamos ao programa.depois pedi que fosse minha madrinha. Era como uma família grande e no início me senti um estranho.

Apadrinhamento é tão vital para membros que estão na irmandade há vários anos quanto para aqueles que são 64 . minha madrinha me convidou para uma das reuniões do comitê de serviço que traduzia literatura de NA para nossa língua. Eu fui e descobri que gostei do serviço e das pessoas prestando o serviço. Foi a primeira vez que senti que pertencia”. Senti que fazia parte da irmandade e aprendi muito a respeito”.padrinho me convidava para ir quando o grupo saia para tomar café ou comer. como minha madrinha. e logo. Me tornei membro regular. Foi tão confortante que logo comecei a me sentir parte do grupo. Ele sempre me incluía nas conversas. muitas das pessoas no comitê se tornaram meus amigos. “Quando eu era nova no programa. Aprendi a trabalhar com outros.

Vejo os passos assim – mudando conforme cresço e evoluo em minha recuperação. mais mágicos e místicos os passos se tornam. Assim como nossa doença é progressiva. nossa recuperação também é. mais ferramentas teremos e mais rica nossa vida espiritual pode ser tornar. É como olhar as nuvens e vêlas se tornarem centenas de rostos e imagens. Quanto mais tempo ficarmos limpos e trabalharmos o programa. vim a acreditar que uma das minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação é crescer através do aprendizado de novas idéias e experimentando-as através de ação”. Estou 65 . Enquanto o programa de Narcóticos Anônimos pode ser simples.novos no programa. “Continuando a ficar limpo em NA. seus princípios têm uma riqueza que se aprofunda conforme nossa recuperação amadurece. “Quanto mais tempo fico limpa.

englobando idéias sobre o que me faz feliz. e assim por diante. 66 . e tinha que trabalhar duro para ouvir com mente aberta o que os outros tinham a dizer em reuniões. Amo minha vida hoje. meus sonhos. Rezo para que eu nunca veja os passos ou a mim mesma como um trabalho ‘completo’”. Era um ateu evangelista.fazendo os passos novamente com minha nova madrinha. meu padrinho me ajudou a ver que mente aberta vai muito além de minhas idéias a respeito de Deus ou um Poder Superior. pensava sobre mente-aberta somente em termos de meu sistema de crenças. e sei que será uma jornada emocionante. o que quero para mim. anos depois. “Quando era novo em NA. Agora. e nada nela é como eu poderia ter imaginado ou sonhado para mim se eu não tivesse aprendido a me abrir a possibilidades novas”.

Meu padrinho (hoje) partilhou 67 . e obviamente não tinha um programa. Tempo limpo não significa sempre que um membro entende facilmente os princípios do programa de NA.mas eventualmente – parei de ligar para meu padrinho. Ter um padrinho durante tempos difíceis tem valor enorme. A próxima coisa que eu sei. eu lentamente . e não somos libertados dos problemas da vida simplesmente porque estamos limpos há alguns anos. estou num hotel em uma cidade conhecida por seu brilho e jogatina com estranhos que estão se drogando. Estava verdadeiramente perdido. Nossa doença não some. “Após sete anos sólidos de trabalhar o programa e os passos com um padrinho.Membros com tempo limpo razoável podem se ver tão vulneráveis quanto recém-chegados ao encarar certas incertezas em suas vidas. Tudo isso aconteceu com nove anos limpo. mas eu não tinha um padrinho.

o que realmente precisava era me sentir amada e aceita independente de quem eu era ou o que tinha feito”.comigo que meu Poder Superior me ama muito e que eu fui o cara mais sortudo por sobreviver a minha jogatina sem desastre!” “Houve épocas em recuperação onde me sentia perdida ou abandonada ou como se tivesse perdido minha conexão com Deus e NA. Muitos membros olham ao padrinho para ajuda em aceitar os desafios e 68 . é uma madrinha ou um amigo muito próximo que estende a mão para mim e me leva de volta “para casa”. Sempre reagi bem à amizade e carinho das pessoas. Mas eu fui ensinada que a porta está sempre aberta. E. Acho que passei tanto tempo nos meus dias de uso me machucando que quando cheguei a NA totalmente quebrada e cabisbaixa. às vezes.

mas quando eu ligava para ele parecia que ele estava ali ao meu lado. Moramos a 640 quilômetros um do outro. 69 . Meu padrinho escutou sobre minha dor e disponibilizou tempo para mim quando eu precisei. estava arrasado pela perda. “Quando minha irmã morreu de overdose há cinco meses. mas nunca encontrei as palavras para dizer o quanto significou para mim tê-lo perto naquele momento e quanto me ajudou a atravessar meu luto”. Ele apareceu de surpresa no funeral dela só para me apoiar. Sei que largar tudo e pegar um vôo para estar ali apoiando alguém não está na ‘descrição do encargo’ de um padrinho.obstáculos que às vezes nos encaramos enquanto aprendemos a viver uma vida limpa. Um padrinho pode oferecer sugestões sobre como lidar com “os destroços de nosso passado” e os desafios de nosso presente.

fazer reparações com restituição financeira. Partilhar intimamente com outro membro igual a nós ressalta o fato de que os sentimentos e as experiências que temos não são tão únicos. um padrinho trilhou o mesmo caminho que um afilhado e pode partilhar seu conhecimento e experiência a respeito da situação. e me tornar livre para o meu futuro”. por sua vez. Freqüentemente. pode ajudar o afilhado a evitar algumas das armadilhas que o padrinho já experimentou. “Quando estava com dez anos limpa. Precisava de uma nova madrinha.“Estava à beira de um desastre financeiro quando minha ex-esposa me processou por pensão atrasada. Isso. estava passando por dificuldades da meia-idade em relação à minha sexualidade. Meu padrinho me ajudou a reconhecer a importância de encarar o passado. mas conhecia 70 .

mas tinha dez anos a mais de idade e tinha acabado de passar pela mesma coisa que eu. Então pedi a uma mulher que tinha um ano a menos em recuperação. Isso pode ser um dos benefícios de ter o mesmo padrinho por um período longo de tempo. eles nos conhecem cada vez melhor. Apadrinhamento pode ter um papel crucial no Segundo Passo. Isso não significa que um padrinho é como um Poder Superior. conforme os anos vão passando. muitos creditam o apadrinhamento como fator importante em vir a acreditar que podemos ser devolvidos à sanidade. mas sim que o apadrinhamento nos guia nas nossas tomadas de decisão e auto-compreensão.pouquíssimas pessoas que tinham passado por esses problemas e que tinham mais tempo limpas do que eu. 71 . Ela tinha procurado por amor em todos os lugares errados e havia aprendido a amar com responsabilidade”. Nossos padrinhos podem nos ajudar a obter uma perspectiva melhor sobre nós mesmos e nossas vidas.

sem pisar nos meus calos”. mas também à maneira que eu me sentia. Achei que havia progredido além desse tipo de comportamento. 72 . Meu padrinho me lembrou que eu sou um trabalho em andamento. “Após muitos anos limpo. Ela fazia isso de forma amorosa. Ele me ouviu e me trouxe de vota aos passos. eu entrei numa briga física e logo desenvolvi uma série de medos.“Minha madrinha me ajudou a compreender que ‘incontrolável’ não se aplicava somente a coisas ‘externas’. Me vi indo em direção à solução e não mais preso no problema”. Ela me ensinou a respeito de insanidade e me ajudou a ver onde eu estava tentando fazer as mesmas velhas (e ineficazes) coisas para resolver meus problemas.

O princípio espiritual de anonimato assegura que somos todos iguais dentro das salas de NA. Uma sólida compreensão da Décima Segunda Tradição significa 73 . e particularmente os relacionamentos com nossos padrinhos. As razões pelas quais adictos procuram padrinhos são inúmeras.“Meu padrinho é aquele que ajuda a segurar a lanterna espiritual para mim”. Os princípios de nosso programa muitas vezes podem nos ajudar a encarar e ultrapassar nossos problemas de maneira produtiva e responsável. diferentes de nossos relacionamentos fora do programa. vemos que o que nos une é que todos buscamos recuperação. pelas formas nas quais eles são. Muitos de nós valorizamos nossos relacionamentos em NA. Podemos ficar unidos e saber que não temos que enfrentar os desafios sozinhos. às vezes. porém. “Anonimato – a condição de não ter nome – é essencial nos meus relacionamentos de apadrinhamento.

é que somos todos. iguais. Outro. para aprender de meus afilhados do que eles de mim”. No entanto. que eles sentem que irão aceitá-los e respeitá-los não importando o que possam partilhar.compreender o anonimato em vários níveis (deve ser importante – não só é o alicerce espiritual de todas as nossa tradições. Muitos membros procuram por um padrinho. queremos manter em mente algumas qualidades básicas. Uma dessas é encontrar alguém com quem nos identificamos e que “tem o que nós queremos”. tenho tanto quanto. é metade de nosso nome). Meu padrinho não é uma pessoa melhor ou um adicto melhor do que eu. 74 . Um é que não divulgamos os segredos dos outros. mais importante para mim. Como sabemos se alguém tem “o que nós queremos”? Narcóticos Anônimos não tem regras rígidas a respeito da seleção de um padrinho. em alguns sentidos. ou até mais.

podemos sempre buscar orientação de nosso Poder Superior para tomar uma decisão. o relacionamento do padrinho em potencial com o programa é a consideração mais significativa. Como com qualquer outro elemento de nossa recuperação. enquanto outros tentam encontrar um padrinho que será seu companheiro e amigo. É importante nos perguntarmos não só o que queremos para nossa vida e recuperação. Eles procuram alguém que vai às reuniões.Alguns membros simplesmente querem um guia através dos passos. participa no serviço. “Não quero um padrinho que tem o que eu quero. Para alguns. mas também o que sentimos que precisamos. Aqueles que são novos no 75 . tem um padrinho/madrinha. trabalha os passos. Encontrar um padrinho com mais tempo limpo também é importante para muitas pessoas. O que buscamos num padrinho no início de recuperação pode ser diferente do que buscamos mais adiante em recuperação. e é comprometido com o programa. quero um padrinho que tem o que eu tenho e sabe viver com isso”.

Uma lista das considerações poderia continuar interminavelmente. a não ser que não haja tais indivíduos em sua comunidade.programa. ele ou ela terá qualidades e defeitos. Para alguns. e que tem mente aberta. provavelmente deveriam procurar por um membro mais experiente como padrinho. ninguém terá todas essas qualidades. podemos considerar outras qualidades pessoais. mas que. é mais importante encontrar alguém amistoso e disponível que é respeitoso e confiável. e. 76 . especialmente. Porque nosso padrinho é humano. independente disso. é o padrinho perfeito para nós. Além de olhar o que as pessoas fazem por sua recuperação. Alguns de nós podemos querer alguém que nos direciona firmemente. Como determinamos exatamente quais características sentimos que são necessárias depende inteiramente de nós. Outros explicam que achar alguém divertido é tão importante quanto o resto. Alguns procuram primeiramente por um membro que é honesto e íntegro. é claro. Podemos achar alguém que tem apenas uma (ou nenhuma) dessas qualidades. por exemplo.

enquanto outros podem procurar por alguém que nos deixará tomar nossos próprios tombos. etc. “Uma vez cheguei a um padrinho com uma lista de problemas que queria que meu padrinho abordasse. Quando somos novos. 77 . Queria alguém que fosse gay como eu. etc. Queria alguém que tinha mais tempo limpo do que eu. e sem nem saber nada sobre ele. Queria alguém cuja visão do programa era semelhante à minha. não consegui encontrar ninguém que preenchia os requisitos. conheci um cara numa reunião. Depois de vários meses. Escolher um padrinho é nossa decisão. pedi que ele fosse meu padrinho. Queria alguém que tinha lidado com os mesmos tipos de problemas que eu tinha. Enquanto essas expectativas não pareciam exorbitantes. etc. muitos pedimos à pessoa que nos faz sentir mais bem-vindo. No final.

Ele tinha alguma coisa que eu gostava. ele disse que iria perguntar ao padrinho dele se ele devia me apadrinhar. O companheiro que eu finalmente pedi tinha uma barba cinza e a aparência que eu achava que um padrinho deveria ter. Eu tinha apenas que sair do caminho”. Tinha tanto medo de rejeição que tinha uma lista de três pessoas que eu poderia pedir caso uma me rejeitasse. “Eu olhava bem as pessoas. Faço a mesma coisa hoje quando alguém me pede para ser seu padrinho”. a 78 . “Eu já sou muito duro comigo mesmo. Era mais uma ocasião que os planos de Deus eram melhores que os meus. pois às vezes o que elas dizem não combina com como elas vivem. então para mim. Quando pedi que ele fosse meu padrinho.ele preenchia cada um dos meus requisitos prédeterminados.

estávamos quebrados fisicamente. e freqüentemente necessitados financeiramente. emocionalmente e espiritualmente. mentalmente. então tive que decidir o que era mais importante para mim e fazer concessões”.coisa mais importante tem sempre sido encontrar um padrinho gentil. podemos ser atraídos a outros membros por causa de 79 . estabilidade emocional e um bom senso de humor. Nos primeiros dez anos de minha recuperação. Como recém-chegados ao programa de NA. Simplesmente não tinha homens em minha área com mais tempo limpo. Quando muitos de nós chegamos às portas do NA. não conseguia encontrar alguém que preenchia todos os ‘ideais’ em minha lista de padrinho ideal. ironicamente. Examinar nossos motivos para considerar alguém na escolha de um padrinho também é uma boa idéia. O único homem que preenchia essa descrição era. meu afilhado.

suas posses ou sua aparência. Podemos ver seu “dinheiro, propriedade e prestígio” como medida de seu status e sucesso em recuperação. Podemos não compreender inteiramente que o programa de NA é trabalho interior e suas recompensas têm mais a ver com crescimento espiritual e paz mental do que estilo de vida e bens materiais. “Minha primeira madrinha tinha um carro novo, se vestia bem, e tinha uma casa maravilhosa. Achei que ela me mostraria como conseguir todas essas coisas, mas ela me levou aos passos e um despertar do meu espírito”. “Procurava alguém que tinha o que eu queira: a maior quantidade de jóias, o melhor carro, e mais mulheres. Descobri depois que eu deveria arrumar um padrinho com o que eu precisava – aceitação!”. Alguns membros tem tido experiências de relacionamento difíceis
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com relacionamentos familiares, amorosos, no trabalho, e outros membros da sociedade antes de entrar em recuperação. Às vezes sentimentos como carência ou desespero podem nos tornar hesitantes a cometer os mesmos erros do passado, ou podem nos encorajar a desenvolver novos relacionamentos que parecem iguais aos antigos. Quando escolhemos um padrinho, podemos não identificar que tipo de relacionamento de apadrinhamento será melhor para nossa recuperação. “Meu primeiro padrinho era muito rígido, e pensei que isso tornaria mais fácil para eu introduzir disciplina em minha vida, como a criancinha que faz a coisa certa porque tem medo dos pais. Na verdade essa é a forma que eu fui criado, e estava acostumado ao abuso e ser forçado a me provar. Esse relacionamento durou dois encontros, e eu acabei chorando no meu grupo de escolha, me sentindo quebrado por causa de sua
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crítica severa e controle. Me senti rejeitado”. “A verdade é que, quando era nova no programa, queria uma madrinha para que as pessoas parassem de me dizer que eu precisava arrumar uma. A mulher que pedi para ser minha madrinha era, de muitas maneiras, meu oposto, e achei que era isso que eu deveria querer. Era baixinha, loira e estava sempre sorrindo. Eu gostava de seu namorado, que era médico. O cabelo dela nunca estava fora do lugar, e ela era muito determinada, que eu achava legal. E, ela tinha mais que cinco anos limpa e não me tratava come se fosse idiota. O problema é que éramos tão diferentes que nenhuma das duas conseguiu aprender a entender a outra. A frase que ela mais usava comigo era ‘Estou tentando te entender, realmente estou.’, frustrada. Mas ela nunca conseguia. E eu não lembro
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de ela ter mencionado os passos para mim, mas ela me deu um monte de sugestões práticas úteis – mais do que eu sabia na época”. Achar um padrinho pode ser um dos compromissos mais importantes que faremos em recuperação. Precisamos fazer todo esforço possível para olhar para dentro de nós mesmos, não importando a dificuldade de manter a objetividade. É claro, que porque essa escolha é tão pessoal e há tanta diversidade entre nossos membros, algumas considerações podem não ser tão importantes quanto outras para nós. Por outro lado, podemos sentir que certas características de personalidade, não mencionadas aqui, são cruciais. Independente, é importante lembrar que um padrinho é um ser humano que pode errar. “A tendência de colocar padrinhos, especialmente aqueles que apadrinham muitas outras pessoas, em pedestais, isola profundamente esses membros. A primeira vez que
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perguntei para uma pessoa como era ter muito tempo limpo, ele respondeu ‘solitário’”. “Eu escolhi minha madrinha porque ela partilhou sobre ser humana e cometer erros, e eu achei que isso significava que ela teria que ser gentil comigo se eu não fosse perfeita. Sua filha estava na adicção ativa, e a luta obsessiva de minha madrinha para administrá-la freqüentemente significava que ela não estaria emocionalmente disponível ou que ela não retornaria minhas ligações quando queria que o fizesse. Aprendi a depender de outras pessoas para me apoiarem nessas horas, pois ela era quem eu queria que fosse minha madrinha. Apesar de ser imperfeita, às vezes louca, em minha opinião ela era gentil e amorosa e era disso que eu precisava”. Muitos de nós achamos que ajuda ter um sentido de nossas próprias
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expectativas para o relacionamento de apadrinhamento e para ser direto a respeito dessas expectativas quando pedimos para alguém ser nosso padrinho. Para aqueles de nós que são novos no programa, isso pode ser mais difícil. Pode levar algum tempo no programa para desenvolver esse tipo de compreensão. No entanto, se, como um membro novo, precisamos de mais tempo e atenção de um padrinho, temos que aprender a pedir. Podemos querer perguntar a padrinhos em potencial se podemos ligar tarde à noite se queremos usar, e quais são suas expectativas se recairmos (eles ainda irão nos apadrinhar?). Aqueles de nós com algum tempo limpo estabelecido também têm que pedir o que precisamos. Se buscarmos ajuda com um passo ou tradição, como lidar com um encargo de serviço ou com uma situação de vida, podemos discutir essas necessidades com um padrinho em potencial. “Quando pedi que minha atual madrinha me apadrinhasse, falei com ela sobre confidência. Ela é a melhor amiga de minha chefa, e eu precisava saber
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86 . e que ela se sentiria confortável com isso. Nossa experiência tem mostrado Enquanto a maioria dos membros de nossa irmandade podem concordar entre si sobre vários aspectos de apadrinhamento. não significava que seríamos melhores amigas. podemos desenvolver a habilidade de expressar nossas necessidades. NA como um todo não tem opinião sobre muitos assuntos polêmicos a respeito de apadrinhamento. nos tornamos boas amigas (apesar de seu ‘aviso’)”. Isso é uma ferramenta que podemos usar em todos nossos relacionamentos ao crescermos em recuperação. No final. Ao aprendermos a arriscar e superar nosso medo.que poderia falar com ela sobre o trabalho com certeza de que minha confidência seria mantida. Ele deixou claras suas expectativas e também me explicou que só porque era minha madrinha.

sentem que há uma maneira “correta” para abordar o apadrinhamento.Nossos membros individuais. freqüentemente desenvolvem crenças fortes e em muitos casos. como serviço. 87 . um padrinho é como um “único ponto de decisão e responsabilidade” explicado no quinto conceito. Entretanto. além de seu padrinho de muito tempo. Às vezes circunstâncias especiais. porém. é importante que nós. como uma irmandade. no entanto. doença ou divórcio. motivam membros a procurar alguém com experiência semelhante para apadrinhar ou guiá-los. têm tido sucesso com mais de um padrinho. Esses membros têm visto que ter um padrinho ajuda a manter as coisas simples e minimizar o risco de escolher entre várias respostas que recebemos. Padrinhos múltiplos A maioria de nossos membros sente que é importante ter somente um padrinho. Alguns membros. não façamos que qualquer grupo de membros se sinta excluído ou defender a idéia de que um método de praticar o princípio de apadrinhamento é melhor que outro.

“Não era para eu ter dois padrinhos. Os dois queriam que eu fizesse coisas opostas. mas me ajudou a decidir o quão honesto eu realmente queria ser. acreditava. o que eu pensava. o que era importante – honestidade. No início. Um queria que eu continuasse com o Quarto Passo. mas acho que o processo aconteceu no 88 . Demorou mais para eu me enxergar. Paguei o preço. estou cuidando dessa parte com meu outro padrinho’. e foi muito confuso. etc. e o outro queria que eu recomeçasse o Primeiro Passo”. sentia. “Ter dois padrinhos era confuso no começo. eu diria ‘Ah. integridade. viver com princípios. tinha saídas com os dois – se um tentasse me confrontar sobre algum defeito e não estava pronto. mas acabei nessa situação por uma semana.

mas minha madrinha não tinha experiência nessa área. e eu comecei a trabalhar os passos o melhor que podia. Ela disse que uma vez que tivesse me comprometido com o serviço. me interessei muito pelo serviço. Minha madrinha de serviço me ajudou muito. que me guiou nessa área do meu programa. Quando completei três meses limpa. Estava sobrecarregada e queria desistir de tudo. então arrumei uma ‘madrinha de serviço’.tempo de Deus. Ela me trouxe às reuniões. tinha quatro encargos de serviço que tomavam todo meu tempo. “Achei uma madrinha antes até de ficar limpa. tinha que completar o encargo ou 89 . Aprendi tanto por ter tido dois padrinhos que só posso dizer que foi positivo”. Assim que fiquei limpa.

Logo. e sou grata pela orientação que elas me deram nas áreas diferentes”. tinha um padrinho em NA e um em AA. preciso falar com um carpinteiro. Essa experiência realmente ajudou que eu me desenvolvesse na pessoa que sou hoje. Se quiser aprender a consertar carros. larguei o padrinho de AA e só usei o de NA. Então. mas completei os outros encargos. “Quando entrei em recuperação. devo falar com um mecânico. o que estava ouvindo de meu padrinho do AA não condizia com o que ouvia do padrinho de NA. Achei um substituto para uma de minhas posições. mas sou amiga das duas. A lição que aprendi era que se quero aprender carpintaria. Nenhuma dessas mulheres é minha madrinha hoje.achar um substituto. Se quiser 90 .

aprender como viver o programa de NA. Alguns membros sentem que ter um padrinho temporário indica falta de compromisso ou reservas. por exemplo. Podemos também pedir que alguém seja nosso padrinho temporário quando temos uma circunstância impedindo que nosso padrinho esteja disponível por um período de tempo: se. especialmente para aqueles novos no programa. “Essa doença não é temporária”. ela é desencorajada em outras. Um padrinho temporário ou de transição é alguém que pode trabalhar conosco até encontrarmos uma pessoa que sentimos que podemos pedir para ser nosso padrinho. Apadrinhamento temporário Em algumas regiões. uma prática denominada apadrinhamento “temporário” ou de “transição” é comum. Apesar dessa pratica ser popular em algumas regiões. 91 . nosso padrinho está doente ou temos que nos mudar por um período de tempo. Às vezes instituições obrigam seus pacientes a arrumar um padrinho temporário. preciso um padrinho de NA”. eles explicam.

“Meu primeiro padrinho temporário durou quatro anos”. “Tive relacionamentos temporários suficientes; é hora de aprender a ter relacionamentos permanentes”. “Meu centro de tratamento me obrigou a ter um padrinho, então pedi à primeira pessoa que encontrei numa reunião que fui quando internado. Ambos estávamos cientes que o acordo era temporário”. Gênero O gênero de nosso padrinho/madrinha – isso é, se eles deverão ser do mesmo sexo que nós - é outra área na qual opiniões variam de comunidade em comunidade e adicto para adicto. Muitos adictos sentem fervorosamente que um padrinho/madrinha do mesmo sexo pode melhor ajudá-los a trabalhar certas dificuldades e mais facilmente identificarse com eles e sentir empatia. Outros não
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vêem o sexo como um fator determinante em trabalhar as questões de recuperação ou estabelecer empatia. Em algumas comunidades pequenas de NA, o número de padrinhos locais em potencial pode ser limitado, influenciando as escolhas dos membros nesse sentido. Independente do que decidirmos a respeito do sexo de nosso padrinho ou madrinha, devemos tomar cuidado para que a atração sexual não se torne parte de nosso relacionamento de apadrinhamento. “Tenho um padrinho amoroso e bondoso do mesmo sexo porque só posso partilhar algumas das coisas em minha vida que dizem respeito ao sexo oposto com alguém que se identifica. Por exemplo, ele compreende minhas dificuldades de comunicação com minha ex-mulher. Ambos temos filhos que moram com nossas ex-mulheres, e ambos temo experiência com tentar fazer isso funcionar”. “Como homem gay, tenho tido alguns tipos diferentes de
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padrinhos. Fui apadrinhado por outro homem gay, uma mulher gay, um homem heterossexual, e uma mulher bissexual. Acredito que o sexo de meu padrinho só é importante no seguinte sentido: que ninguém deve ser apadrinhado por alguém, onde qualquer nível de tensão romântica ou sexual existe”. “Preciso de uma madrinha mulher não só por causa de dificuldades com atração sexual, mas principalmente para aprender a confiar, gostar de, e amar alguém do mesmo gênero que eu, e confiar em mim mesma como mulher”. “Sempre tive padrinhos do sexo oposto porque quando entrei em recuperação, a irmandade estava apenas começando no meu país, e não havia mulheres em recuperação. Acho que apadrinhamento pelo sexo oposto pode funcionar quando o único propósito é
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recuperação. Minha própria experiência é que eu me aproximei de um membro por quem eu sentia atração, com a intenção de pedir que ele fosse meu padrinho. Felizmente, ele me rejeitou, dizendo que sentia atração por mim e não seria meu padrinho. Sugeriu que eu procurasse outra pessoa. Me senti muito magoada pela rejeição; nenhum homem jamais me rejeitou antes, mas foi a primeira lição em dignidade que recebi nos grupos de Narcóticos Anônimos”. “Quando entrei em recuperação e procurava um padrinho, alguém explicou para mim que ‘Recuperação não e sexualmente transmitida’; não escolha alguém por quem sente atração’”. “Percebi que desde minha infância, homens eram competidores – por atenção, em esportes, por mulheres, no
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trabalho por uma posição, salário, etc. Agora, preciso vêlos com outros olhos. Preciso vê-los como amigos e confidentes em vez de competidores. Isso demorou um tempo. Mas uma vez que superei o medo de intimidade com um homem, minha recuperação deslanchou. Acredito que essa intimidade é muito importante para o relacionamento padrinho/afilhado”. “Quando tinha quatro meses limpa, pedi para um homem ser meu padrinho. Era minha forma de rebelar; afinal, homens e mulheres são iguais, disse a mim mesma. Achei que a sugestão de apadrinhamento do mesmo sexo só tinha a ver com sexo. Meu padrinho emprestava meu dinheiro e não me pagava depois. A gota d’água foi quando descobri que ele não pedia dinheiro a seus afilhados homens, e eu percebi que homens e
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mulheres se manipulam de várias outras formas além de sexualmente”. E se eu não puder achar um padrinho de NA? Às vezes não conseguimos achar um padrinho imediatamente. Especialmente em comunidades mais novas ou menores de NA, pode haver poucos membros com tempo limpo significante. Em tal situação, alguns membros tem tido que achar padrinhos em outras irmandades de Doze Passos ou pela Internet, e alguns têm usado co-apadrinhamento (uma situação na qual cada pessoa apadrinha a outra) para ajudá-los em sua recuperação. Alguns desses arranjos funcionam e duram por muitos anos. “Não tinha nenhuma outra mulher em recuperação com minha quantidade de tempo limpo, então procurei uma madrinha no exterior para trabalhar os passos tradições e conceitos. Quando pedi à mulher, ela disse que tinha o mesmo problema e sugeriu o co-apadrinhamento. Desde
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então. Escrever nos dá tempo para pensar entre comentários e isso realmente dá bons resultados. Ela me ajudou com os passos e me amadrinhou por alguns anos. “Como moro numa comunidade de NA pequena. fui a outra irmandade buscar uma madrinha. Por agora. onde não há mulheres com mais tempo do que eu. No telefone posso enrolar por horas dentro da minha doença. e comecei a procurar em um país vizinho”. aí percebi que eu estava muito mais envolvida em trabalhar o programa do que ela. está funcionando”. “A maioria de minha comunicação com meu padrinho ocorre on-line. correio e telefone. Mas. mas escrever 98 . Nos escrevemos regularmente. Percebi que tinha que encontrar outra madrinha. Ela também parou de ir às reuniões. nos comunicamos via e-mail.

idade. não afetam seus direitos a ser membro de NA e status como adicto em recuperação. E nós dois nos beneficiamos de ter nossas conversas por escrito.. etc. meu serviço de e-mail é através do meu trabalho.. Significa que meu chefe tem acesso a todas as conversas com meu padrinho.me dá estímulo para ser mais preciso e mais direto. Claro.? Em NA. aprendemos que as qualidades particulares ou filiações de nossos membros como indivíduos. No entanto. alguns adictos se perguntam se eles deverão considerar estes fatores quando escolherem um padrinho. religião. eles deverão 99 . há algumas coisas que simplesmente não posso discutir on-line”. Nosso Texto Básico explica que qualquer um pode ser membro de NA independente de sua raça. identidade sexual. É importante que eu lembre que e-mail não é uma forma anônima ou confidencial de comunicação. Independente de. então é uma dádiva e também uma dificuldade.

dividimos o mesmo padrinho. buscam alguém que não é semelhante a eles. Ele já tinha me apadrinhado por mais de um ano antes de descobrir que ele era rico. 100 . “Conheci meu padrinho por sete anos antes de pedir que ele fosse meu padrinho. muitos outros têm visto que esses aspectos quase não têm importância frente a trabalhar um programa espiritual. e uma cultura ou passado semelhante? Enquanto alguns adictos procuram um padrinho que é igual a eles em algumas dessas características. ou etnia e status sócio-econômico semelhante. na verdade.procurar alguém com crenças políticas ou religiosas semelhantes. e alguns. Sou grato por ter tomado conta do interior dele antes de o julgar por seu exterior”. Nos primeiros cinco anos. Não acredito que eu teria pedido para ser meu padrinho se soubesse de antemão sobre seu status econômico.

paciência e tolerância”. Cheguei a esperar e até me divertir com a pergunta ‘Isso é uma diferença cultural ou um defeito de caráter?’ Falamos muito sobre a Quarta Tradição porque ser sua afilhada não significava que eu teria que me tornar igual a ela – significava que ela me 101 . que em NA o espírito de anonimato poderia substituir todos os meus julgamentos. Então havia muitas coisinhas estranhas que não compreendíamos uma sobre a outra. fui atraído por um padrinho ministro. minha intolerância foi substituída por amor. fui ensinado a odiar todas as religiões e tons de pele que não fossem os meus. Em recuperação. “Minha madrinha e eu éramos diferentes radicalmente em termos de cultura e morais.“Em minha adicção. Viemos de partes diferentes do país. Ele me ensinou. por exemplo. religiões diferentes e classes sociais diferentes.

“Fiquei limpo na cidade. 102 . Como eu vejo. estaria usando agora”. “Tive que trocar de madrinha.ajudaria a me tornar mais e mais como mim mesma. Só me lembro de sentir tanta dor e lutar tanto para não usar drogas. as drogas não foram impedidas pelas fronteiras da cor. Não enxergava cores nem bairros. então porque minha recuperação devia ser?” “Se eu esperasse por um homem da mesma raça entrar nas salas para arrumar um padrinho. não confundir unidade com uniformidade”. Autonomia significava não ser igual. A raça do meu padrinho era diferente que a minha. e esse adicto dizendo sim quando pedi que ele fosse meu padrinho. pois a minha não conseguia me dar sugestões sem a influência de sua crença particular sobre Deus”.

assim como barreiras de linguagem e distância.“Como afilhado. Aprendi que a linguagem do amor é mais forte do que qualquer barreira”. Tinha que superar meu julgamento. também valorizamos o princípio espiritual da autonomia. que protege nossa diversidade. 103 . é simplesmente como nós. membros individuais de NA. valorizamos nossa unidade. mas não buscamos uniformidade. Meu relacionamento com ele é principalmente através da Internet. minha maior dificuldade foi pedir que meu atual padrinho norte americano me apadrinhasse. Enquanto os princípios espirituais de unidade e anonimato expressados nas tradições enfatizam nosso elo comum como adictos em recuperação. encaramos essas diferenças. Em NA. Como cada um de nós encara essas várias diferenças não é certo nem errado.

Eu era tímido e não teria pedido 104 . Eu disse que tudo bem e ele concordou. podemos nos sentir amedrontados pelo tempo limpo de outro membro ou acreditar que de alguma forma somos mais doentes do que os outros. Ele foi meu padrinho por dois anos. nossa arrogância e auto-suficiência podem nos impedir de admitir que sequer precisamos de ajuda e. Por outro lado. Uma menina que conhecia na clínica me apresentou seu namorado numa reunião. Como membros novos. Ela me disse que achava que ele seria um bom padrinho para mim. Nossa auto-estima pode ser tão baixa que acreditamos não ser merecedores de um padrinho. “Outra pessoa conseguiu meu primeiro padrinho para mim.Estendendo a mão Pedir que alguém seja nosso padrinho pode ser assustador. podemos resistir nos envolver com outro membro. como conseqüência.

O primeiro cara que pedi me rejeitou. Teria tentado fazer parte fingindo”. Ninguém 105 . Eu o via como o ‘grande Deus de NA!’ Como resultado. Finalmente partilhei meus sentimentos de culpa sobre tomar seu tempo. Estava limpo há dois dias. sempre me sentia culpado quando pedia que passasse algum tempo comigo. e morava num prédio abandonado. “Conheci meu primeiro padrinho na minha primeira reunião. estava nervoso e duvidaria se ele teria tempo para mim.sozinho. “Quando pedi que meu padrinho me apadrinhasse. Eu era muito bravo e ‘durão’ nos primeiros dias. A resposta dele foi linda: ‘Não ouse tirar meu direito de devolver o que me foi dado.’ Essa única frase fez mais para fortalecer o elo entre mim e meu padrinho do que qualquer outro evento em nosso relacionamento”.

mas eu não tinha mais aonde ir. Após trabalhar com o mesmo padrinho há anos. Membros com bastante tempo limpo podem relutar em trocar de padrinho. então fiquei na sala. nossas vidas podem se transformar tremendamente. fiquei humilde o bastante para pedir a outra pessoa. Obrigações familiares podem encurtar o 106 . Recém-chegados não são os únicos que tem dificuldades em pedir que alguém os apadrinhe. Estamos juntos há 18 anos”. tínhamos o mesmo padrinho. Eventualmente. Conforme ficamos limpos e nos tornamos membros produtivos da sociedade. podemos nos ver crescendo em direções diferentes. Podemos precisar achar um novo padrinho por inúmeras razões. Meu atual padrinho é uma das pessoas mais importantes na minha vida. Responsabilidades de trabalho ou oportunidades de carreira podem fazer com que seja necessária uma mudança da atual comunidade de NA – ou nossa ou de nosso padrinho.queria muito a minha companhia. Ele era meu afilhado irmão – isso é.

Nossos padrinhos podem ficar doentes. “Trabalhei duro para construir um novo relacionamento com um novo padrinho. num nível tão íntimo. podemos nos ver sem padrinho e saber que precisamos pedir a alguém. morrer ou até recair. apesar de estar em luto do último. significa também que posso trabalhar muito mais conscientemente na 107 .tempo que nosso padrinho tem para dedicar a nós. Muitos membros acham difícil a idéia de conhecer alguém novamente. Não é fácil escolher um padrinho em quaisquer circunstâncias. Isso faz com que seja mais difícil lembrar que eu não posso apadrinhar a mim mesmo. Mas. mas pode ser especialmente difícil após estarmos limpos por algum tempo. Qualquer que seja a razão. Tenho uma idéia muito mais clara sobre quem eu sou e do que preciso (ou penso que preciso) agora do que quando era novo no programa e achei meu primeiro padrinho.

porém. não devemos nos negar a possibilidade de participar em um relacionamento enriquecedor simplesmente por causa de nossos medos. “Com três anos limpa. precisaria de outra madrinha. Sabemos que podemos encontrar aceitação nas reuniões de NA que freqüentamos. Hoje. estou trabalhando os 108 . Podemos não querer perder aquela sensação de “fazer parte”. Tinha medo de mudar de madrinha. me vi estagnando em recuperação. e senti que precisava de outra mulher para me guiar nos passos. que se eu quisesse crescer em recuperação. pois não queria perder sua amizade. No entanto. Sabia.construção desse relacionamento e que posso lidar com problemas no relacionamento muito melhor do que antes”. mas alguns de nós evitamos pedir que outro membro nos apadrinhe por medo de rejeição. Não estava crescendo.

Podemos ainda falar com outros membros para ver se eles podem sugerir alguém como padrinho em potencial. Convenções. devemos chegar até eles. enquanto outros analisam e tomam essa decisão racionalmente. workshops. Se a partilha de alguém nos emociona. buscamos um padrinho de maneira semelhante. Podemos querer considerar ainda aqueles adictos que parecem estar interessados em nossa 109 . Podemos começar por ir às reuniões e ouvir aos membros presentes. Independente do tempo que temos no programa. serviço. muitos de nós acham melhor usarmos nossa intuição. Não precisamos estar no final de nossa corda para pedir ajuda.passos e crescendo em recuperação com a orientação de minha nova madrinha”. na maioria das vezes. pegar o telefone deles e começar a ligar. mesmo se nossa vida parece estar fluindo bem no momento e não temos nenhum problema a resolver. e outras atividades relacionadas a NA também são solo fértil para seleção. Isso é uma boa maneira de conhecer outro membro. Ao escolher um padrinho.

É importante lembrar de ir com calma. pois era isso que eu queria – e ela disse sim.recuperação. e quando a primeira mulher a quem pedi disse que não podia ser minha madrinha. Se alguém que pedirmos disser não. Mas. “Pedi para cinco ou seis homens. serem meu padrinho. e finalmente minha persistência deu frutos. continuei pedindo às pessoas. antes de meu primeiro padrinho aceitar. “Sou uma mulher muito orgulhosa. que disseram não. me senti sem valor nenhum e burra por ter pedido a ela. Tenho certeza que foi um Deus amoroso me guiando para o padrinho certo”. Acredito que eu sou o tipo de pessoa que valoriza coisas difíceis de conseguir e provavelmente foi importante 110 . Finalmente pedi a uma mulher que parecia saber como ter relacionamentos e pertencer a NA. então continuamos nossa busca.

mas alguns de nós têm tido sucesso com tais relacionamentos.para mim . e apesar dela 111 . Nem todos os membros acreditam que essa opção funcionará para eles. em uma convenção ou outra maneira similar. através do serviço. particularmente em comunidades pequenas de NA onde apadrinhamento à distância pode ser um elo vital para o resto da irmandade. Em comunidades com poucos membros de NA.ter que dar duro para achar uma madrinha. Apadrinhamento à distância pode ser também uma solução para membros encarcerados ou aqueles de nós em hospitais ou instituições nas quais o contato pessoal é limitado. podemos precisar buscar um padrinho à distância: alguém que conhecemos na Internet. “Conheci minha primeira madrinha nua reunião de serviço regional. As outras coisas que minha experiência com persistência me ensinou é viver a vida como a vida se apresenta”.

reuniões de comitês de serviço e é claro. Sim. uso o telefone. “A distância simplesmente desaparece quando ouço a voz de minha madrinha do outro lado do telefone. e tenho aprendido aceitação. e dádivas demais para escrever todas aqui”. paciência. escrevo. mas tenho um sistema de apoio maravilhoso onde moro. A distância entre nós tornou ligar difícil às vezes.morar a mais de 100 quilômetros de distância. convenções! Chamávamos de recuperação na estrada. e nós pudemos manter contato regular e trabalhar através de encontros em oficinas. eu queria o que ela tinha e estava disposta a fazer qualquer coisa para conseguir. Sua 112 . e vou a reuniões regularmente. admito que há momentos em que gostaria de encontrar minha madrinha para tomar um café – NAQUELE MOMENTO! Mas. responsabilidades.

e me dizer quando preciso ligar para minha madrinha”. perdemos nosso egocentrismo e nos tornamos sensíveis às necessidades de nosso padrinho. Começamos a desenvolver 113 . A chave é ter outras mulheres à minha volta. Descobrimos como enxergar a vida através de uma outra perspectiva. Muitas vezes.experiência em viver o programa e os passos é o que eu quero dela. temos a oportunidade de aprender muitas coisas novas e novas maneiras de pensar. mulheres que podem me ajudar a viver princípios espirituais. Quando abrimos nossos corações e mentes e fazemos um compromisso de trabalhar com um padrinho. me amar. Desenvolvendo nosso afilhado/afilhada papel como Podemos tomar várias medidas para assegurar que nosso relacionamento com nosso padrinho é enriquecedor e satisfatório. Grande parte do quanto ganhamos com apadrinhamento depende de nossa boa-vontade em ser apadrinhado.

me sentia vazia e miserável. Fiz os passos com minha nova madrinha. e minha madrinha abriu mão de mim porque não seguia suas sugestões. ligo para meu padrinho. então mantenho meu ego no seu lugar seguindo meu padrinho”. Não acredito ter todas as respostas e experiências. “Tinha cinco anos limpa. Muitos de nós aprendemos a desenvolver equilíbrio em nossas vidas. e ele pode me ajudar a limpar minha cabeça com uma ou duas sugestões. Quando encontrei minha atual madrinha. “Quando estou confuso e preciso de orientação. Não confiava em ninguém.confiança conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento. Não confiava nela. Continuei voltando. Eu odiava. mas 114 . Não usei. Ela pediu que eu ligasse todos os dias para ela. A perspectiva dele sobre o assunto pode ser diferente.

Por conseguinte. Percebi que eu ria mais. Alguma coisa começou a acontecer. Trabalhar com uma madrinha e aprender a confiar nela tem feito uma diferença enorme em minha vida.ok . Acho que o que aconteceu é que eu fui forçada . “Cada vez que falo com meu padrinho. A razão que eu sempre tinha amizades e relacionamentos amorosos insatisfatórios é que não deixava ninguém chegar perto de mim para me conhecer.para construir o primeiro relacionamento íntimo de minha recuperação e talvez de minha vida. nunca perguntava. Depois. As pessoas sentavam perto de mim nas reuniões e eu falava com elas.o fazia. E aí. Meu telefone começou a tocar. me lembro de perguntar como ele está. talvez ‘direcionada’ é uma palavra melhor . No início do relacionamento. 115 . ficou estranho. não queria nem conseguia me conhecer.

E para fazer essa parte. Agora quando ele pergunta ‘Como está?’ partilho o que está acontecendo. Ter um padrinho envolve mais do que conversa. “Ter um padrinho é um lembrete de minha responsabilidade para comigo para progredir nos passos. Quando escolhemos um padrinho. recuperação é possível”. e depois digo ‘E como está você?’ Sim. Temos que fazer nossa parte. no final. Ao 116 . Ser um afilhado é uma ação. temos que nos abrir. tratar ou salvar.quando perguntava. era a última coisa que perguntava antes de desligar o telefone. Buscando apoio individual de outro adicto em recuperação nos ajuda a perceber que podemos fazer muito mais juntos do que jamais poderíamos fazer sozinhos. não estamos contratando um profissional para nos ensinar. somos responsáveis por nossa própria recuperação. analisar. Nosso padrinho simplesmente partilha sua experiência força e esperança conosco.

sempre ligava para minha madrinha para pedir que ela me dissesse o que fazer em certas situações. 117 . Não posso ligar para minha terapeuta todos os dias. As quatro maiores diferenças na minha opinião: Apadrinhamento não custa dinheiro. tenho uma testemunha sobre quanto trabalho estou fazendo e a velocidade na qual estou indo adiante com meu trabalho de passos. “Quando entrei em recuperação.partilhar esse processo com um padrinho. Ninguém nunca pediu comprovante de pagamento numa reunião de NA. “Demorou bastante para eu conseguir distinguir terapia de apadrinhamento. meu relacionamento com meu padrinho me mantém honesto sobre meu progresso em recuperação”. Minha madrinha nunca me disse que ‘O tempo acabou’ quando estava chorando”. Desse modo.

Temos que passar por nosso medo. na verdade – mas ela nunca dava. faço o mesmo com minhas afilhadas”. Quer sejamos novos ao programa ou tenhamos bastante tempo limpo. comunicação tem um papel vital num relacionamento funcional de padrinho/afilhado. Ao 118 . Agora. nos abrir e aprender a confiar. mas agora posso ver que ela não queria a responsabilidade que pertencia a mim. Se sentirmos vontade de usar. Se você não sabe o que fazer. Lembro ter implorado que ela me desse direcionamento – ordens. então espere’. devemos ligar para nosso padrinho e “nos dedurar”. Se nosso padrinho pede que liguemos regularmente. Muitos dos princípios que aprendemos quando somos novos sobre como o programa de NA funciona são os mesmos para o membro com bastante tempo. isso me frustrava enormemente. precisamos fazer o esforço para fazê-lo.Ela sempre disse para rezar. ela me dizia ‘não seu Poder Superior. Na época. ‘Sou sua madrinha’.

Lembro como minha madrinha era gentil e como ouvia com tanta paciência e um coração sábio. Ela é provavelmente a primeira pessoa que eu verdadeiramente deixei entrar no meu mundo. Partilhar meus pensamentos mais 119 . como foi sugerido que eu fizesse. e nos arriscarmos. isso é empatia. Quando finalmente cheguei a NA e arrumei uma madrinha. Éramos todos bastante novos em recuperação naquela época então apadrinhamento era muito via de mão-dupla. Eu sabia e ela sabia. podemos freqüentemente aprender a ouvir sugestões.partilhar honestamente com e ouvir ao nosso padrinho. senti como se tivesse escolhido minha primeira melhor amiga. “Eu me mudava tanto quando era criança que perdi a oportunidade de ter uma melhor amiga por muito tempo.

A última foi a pior experiência de todas. e me desejou sorte. Quando voltei entendi o que a ‘dádiva do desespero’ significava. instituições e morte’ não vinham necessariamente nessa ordem. entreguei minha vida e minha vontade a ele e esse programa até que encontrasse meu próprio Poder Superior. Sabia que morreria se não estivesse disposto a fazer o que meu padrinho sugeria. Desespero me trouxe a rendição que eu precisava para seguir as sugestões do meu padrinho e fazer desse programa minha nova maneira de viver”. A última vez. “Sempre recaía. Ele disse que era uma pena. senti minha primeira conexão com ser um ser humano”. e que ‘prisões.íntimos e segredos com ela. De uma certa forma. liguei para meu padrinho e lhe disse que eu estava usando. 120 .

sentia. Não posso ficar muito tempo sem contatá-la. temos que fazer o esforço de fazê-lo. ou começar nosso inventário. tem sido mais fácil para mim hoje. 121 . Minha melhor experiência foi partilhar o Quinto Passo – minha confiança aumentou e hoje vivo muito mais feliz”. porque sofro. Sofria muito. Desde aquela experiência de confiar em minha madrinha. Depois de lhe contar tudo isso. e outras coisas. como nos ajudar. ou pensava. Um dia. que ele se envolveria com muitas outras mulheres mesmo estando casado comigo.“Nunca pensei que teria que contar para alguém as coisas que fazia. Se nosso padrinho sugere que devemos ir a mais reuniões. selecionando as coisas que partilharia com minha madrinha. consegui contar-lhe as terríveis coisas que pensava de meu marido. Não queremos dizer ao adicto a quem pedimos ajuda. ler literatura de NA regularmente. percebi que era tudo paranóia.

estava seriamente considerando a recaída. “Sempre relutei em ligar para outras pessoas em recuperação – até hoje. Em certo ponto de minha recuperação. e os pensamentos de usar sumiram”. precisamos nos manter ensináveis. Fazer essas ligações tem me ajudado a ter uma melhor perspectiva sobre minha vida. 122 . Estou trabalhando um programa que inclui a ajuda e sugestões dos outro. Tinha a visão de um adicto a quem admirava. para perguntar sobre recuperação. Porém. meus pensamentos então ficaram focados em todas as minhas novas associações. meu padrinho não faria os passos comigo até que eu tivesse ligado para pelo menos cinco pessoas.Quando pedimos ajuda. cujas recuperações eu admirava.

não acreditava verdadeiramente que as outras pessoas tinham idéias muito melhores que as minhas. Muitos de nós encontramos uma necessidade de criar uma rede de pessoas no programa para quem podemos pedir ajuda e apoio. Em algumas comunidades. Mesmo assim. Com o tempo. Pode haver momentos nos quais nosso padrinho não estará disponível quando precisamos de ajuda. não estava disposto a seguir as sugestões de um padrinho – ou de mais ninguém – até que a agonia e solidão de fazer as coisas do meu jeito era tão grande que não tinha escolha se quisesse ficar limpo. é uma prática comum buscar ajuda de outros membros conectados a nós através de 123 .“Durante muito de minha recuperação. conforme minha vida tem melhorado devido à minha abertura a sugestões. cada vez mais eu vejo que qualquer pessoa pode me dar melhor direção do que eu posso me dar”. além de nosso padrinho.

apadrinhamento. fazer parte de uma rede desse tipo é importante e pode dar-lhes uma sensação de segurança e de pertencer a algo maior do que eles. Em alguns lugares. “linha” ou “árvore” de apadrinhamento. em vez de toda a social e viagens de longa distância necessárias em muitas das redes de apadrinhamento locais. para alguns membros. isso é denominado “família de apadrinhamento”. Conhecer outros membros que também são afilhados de nossos padrinhos pode nos oferecer uma rede de segurança. há poucas mulheres que tem madrinhas. SOMENTE queria trabalhar os passos com minha madrinha e receber sugestões dela. Agora eu tenho tido uma madrinha em outro país há dois anos. “Em minha área. Independente da terminologia. e 124 . e eu tive que ir a outra cidade onde a ‘família’ de apadrinhamento é a forma primária de apadrinhamento. Se não podemos falar com nosso padrinho. em outros locais. podemos sempre ligar para alguém na nossa rede de apadrinhamento.

ter esse tipo de rede anexada ao apadrinhamento pode parecer muito restringente ou que traz certas obrigações indesejadas. “Participo em uma reunião mensal da minha linha de apadrinhamento. Para esses membros. porém.viajei até lá para conhecê-la e minhas afilhadas ‘irmãs’. Gostei tanto do companheirismo de fazer as coisas juntas que decidi voltar por seis meses e passar tempo com as afilhadas ‘irmãs’ porque quero”. 125 . consideram o apadrinhamento um relacionamento muito pessoal e não querem incluir nele uma “família” estendida. Alguns membros. já tenho um grupo de adictos em recuperação em quem posso confiar. de quem gosto e não tenho medo de intimidade”. com quem me identifico. então se em algum momento eu precisar arrumar outro padrinho.

me identificar com dezenas de mulheres que são afilhadas da fulana ou afilhada das afilhadas dela. Felizmente. Não preciso de mais uma”. ou nosso ego pode ficar inflado ao nos sentirmos o afilhado favorito. É importante reconhecermos que cada relacionamento de apadrinhamento é único. às vezes. Nem gosto muito de algumas das outras pessoas em minha rede de apadrinhamento. Cada um tem seus próprios desafios e suas próprias dádivas. a nos compararmos com os outros. Me parece que é como fazer parte de um rebanho. Mesmo se somos felizes em fazer parte de uma rede de apadrinhamento. Pode parecer. mas não tenho interesse nisso. que nosso padrinho gosta mais de alguns afilhados do que de outros. Penso que já tenho uma família disfuncional. às vezes.“Minha madrinha faz parte do que chamam aqui de ‘família de apadrinhamento’. podemos ser tentados. Nada 126 . ela não liga se eu vou ou não aos eventos.

Aprender a amar outras pessoas e não ter ciúmes tem sido um processo longo e doloroso para mim. e fiquei muito surpresa e insegura quando ela aceitou outra afilhada. falo com minha madrinha.ganhamos ao nos compararmos com outros. Tenho quatro ‘irmãs’ agora. Quando me sinto insegura ou desconfortável. Em vez de agir por emoção. Eu as amo muito e estou honrada por tê-las em minha vida”. Quer tenhamos ou não uma rede estendida de apadrinhamento. Construir 127 . e elas todas são mulheres maravilhosas. tento me aproximar das outras mulheres a quem ela apadrinha. “Sempre tive necessidade de ser a ‘favorita’ em todas as situações. Fui a única afilhada de minha madrinha por mais de um ano. podemos desenvolver uma rede de apoio sólida para que não precisemos depender unicamente de nosso padrinho.

Ao longo dos anos. Juntos. nosso Poder Superior e a ajuda de nosso padrinho.amizades com outros no programa e fortalecer nosso relacionamento com um Poder Superior pode nos ajudar a atravessar momentos nos quais nosso padrinho não está à nossa disposição. e graças a Deus por todos eles. muitos de nós podemos alcançar uma 128 . às vezes meu padrinho não pode estar”. “Meu Deus está comigo sempre. “A orientação suave que tenho recebido de meu padrinho tem dado resultados. Mas passei por períodos em minha recuperação quando não tinha um padrinho e usava amigos próximos em recuperação como meus guias. Deus sempre colocou o professor em minha vida quando pedi”. com Narcóticos Anônimos. Nossa recuperação pode ser uma jornada incrível através da autodescoberta e auto-aceitação.

Se escolhermos. 129 . É um relacionamento responsável e parte de como podemos oferecer serviço abnegado a outros. CAPITULO TRÊS PARA O PADRINHO Minha gratidão fala: Sobre ser um padrinho Apadrinhamento está no âmago do Décimo Segundo passo. como afilhados podemos absorver o conhecimento e sabedoria que nosso padrinho tem a oferecer a respeito do programa de NA.sensação de liberdade e alegria de viver que não acreditávamos ser possível. Como padrinhos. e é uma das principais maneiras pelas quais levamos a mensagem de NA. podemos devolver livremente o que nos foi dado tão livremente. Muitos adictos acreditam que apadrinhar um companheiro membro de NA é a melhor maneira de experimentar e expressar gratidão pela dádiva de recuperação. Podemos aprender a viver sem o uso de drogas e vir a amar e apreciar nossa nova vida em recuperação.

é simplesmente uma questão de um adicto ajudando outro.Enquanto cada um de nós pode usar palavras diferentes para explicar nosso papel como padrinhos. estou em 130 . não fosse pelo meu padrinho. ‘Em momentos de dificuldade. “Quando comecei a amadrinhar mulheres. Muitas vezes eu tenho dito. Hoje. Vemos que quando ajudamos outros. e eu queria ficar limpa. “Apadrinhamento é um dos relacionamentos mais importantes no programa de recuperação de NA. e o afilhado adquire conhecimento da experiência do padrinho. Era o que o programa dizia que eu deveria fazer para me manter limpa. preciso ser honesta e dizer que não achava tão grande coisa assim. ajudamos a nós mesmos também. Acredito que apadrinhamento seja uma via de mão dupla na qual o padrinho adquire insights sobre si mesmo. não estaria limpo hoje’”.

131 . e não consigo imaginar minha vida sem essas mulheres maravilhosas. compreendidos. e guiados através do programa. Um padrinho freqüentemente oferece apoio e encorajamento ao afilhado. A experiência pessoal partilhada pelo padrinho pode fazer com que seus afilhados se sintam aceitos. Vimos uma à outra em nossos piores momentos. É como se tivéssemos crescido juntas. e elas também. amenizando um pouco do isolamento emocional que muitos de nós sentimos. De fazer esse salto em fé para ‘devolver o que me foi dado tão livremente’ tenho relacionamentos ricos e profundos que não teriam entrado em minha vida de outra forma”.recuperação há algum tempo. e assim mesmo permanecemos juntas. Essa partilha pode trazer a sensação de aproximação para ambos o padrinho e o afilhado. quer sejamos novos ao programa ou quer estejamos limpo a algum tempo. Recebi tanto quanto dei.

repetitiva. “Ser uma madrinha tem me ajudado a sair da escuridão de minha auto-obsessão e entrar no mundo dos relacionamentos verdadeiros.“Antes de ter apadrinhado outros. quando comecei a ajudar meus afilhados e aprendi a dar sem esperar retorno. Todos os meus relacionamentos anteriores tinham sido baseados em conseguir o que eu queria. Quando só havia a mim mesma no mundo. mas ainda me sentindo necessitado e não amável. ainda não tinha experimentado uma mudança significativa até que tive que 132 . Mesmo que a recuperação me mostrou que isso poderia mudar. Para minha surpresa. e pequena. eu não tinha idéia de quanta alegria e autoaceitação poderiam vir de amar e gostar de outra pessoa. comecei a me valorizar e aceitar mais”. a vida era chata.

Eu entendia exatamente como ele se sentia. Agora que estou limpo a algum tempo e estou apadrinhando outros membros. “Muito cedo em recuperação ouvi meu padrinho falando em uma reunião. e quando saía do cinema às três da manhã saia desorientado.compreender e ter empatia com as vidas das mulheres a quem eu amadrinhava. e abandonado. tenho tentado ser exemplo do que ele me mostrou naquela época. Ele se sentia só. amadrinhá-las me tem dado a oportunidade de ouvi-las. Em várias outras formas no nosso relacionamento ele tornou claro que se eu quisesse 133 . mas ao mesmo tempo tinha muito medo de deixar alguém saber que eu sentia a mesma solidão gélida. perdido. amá-las e fazer parte da raça humana”. Ele disse que sentia como se se escondia num cinema à noite. aprender com elas. sem saber aonde ir.

Me tem ensinado a respeito dos meus motivos ao fazer as coisas.aceitação de mim mesmo. Nesse relacionamento individual. Apadrinhar outros me põe em uma posição de responsabilidade onde é mais importante ser honesto do que ser gostado. Acho que comunico a mesma coisa a meus afilhados através de minhas palavras e ações”. somos encorajados. e sobre como entregar”. 134 . eu tinha que ter a coragem e fé para ser honesto e partilhar com outros adictos sobre meus pensamentos e medos. “Meus três afilhados me dão a oportunidade de estar disponível incondicionalmente para as outras pessoas. independente de seu tempo limpo. tentamos trazer o melhor de nós ao relacionamento. Quando aceitamos a responsabilidade de apadrinhar as pessoas. e às vezes pessoalmente desafiados – a olhar para nós mesmos enquanto tentamos dar sugestões àqueles que apadrinhamos.

vim a entender mais profundamente que uma de minhas responsabilidades em ser um adicto em recuperação e padrinho é abrir minha mente a novas idéias e estar disposto a tentar novas coisas.“Conforme fui ficando limpo. Um padrinho pode guiar afilhados numa jornada espiritual e ensiná-los sobre o programa de NA. também percebi – através de meus inventários – que nem todo adicto respondia bem àquelas coisas que me motivaram. como eu”. Um padrinho pode ser um exemplo. Ensino o mesmo às minhas afilhadas. ou reagissem. mas eu tenho que merecer sua ajuda e respeito. 135 . Com o tempo. Não era justo insistir que eles agissem. providenciando um modelo aos seus afilhados. “Minha madrinha me ensinou que seu amor é incondicional. de como viver os princípios espirituais encontrados em Narcóticos Anônimos.

não puxar e arrastar”. Meu trabalho como madrinha é liderar e guiar. mas posso apoiá-las enquanto trabalham o programa de NA em suas vidas. estarei ao seu lado. “Minha abordagem ao apadrinhamento das mulheres em minha vida é encorajá-las a tomarem decisões sadias por si próprias. 136 . Em vez de tomar decisões por elas. Não posso estar em recuperação por elas. tento guiá-las para a construção de ferramentas de recuperação baseadas nos princípios espirituais do programa de NA”. “Acredito que seja minha responsabilidade preparar meu afilhado para ser um padrinho ao ajudá-lo a praticar os princípios espirituais encontrados nos Doze Passos”.Contanto que vejo uma faísca de boa vontade de sua parte em continuar a jornada.

Quando apadrinhamos. Tentamos manter uma perspectiva equilibrada a respeito de nossa vida e nossos relacionamentos com nossos afilhados. freqüentemente aprendemos sobre os princípios de rendição e tolerância. “A filosofia que meu padrinho tem e que uso com meus afilhados é que raramente damos conselhos. Apenas partilhamos uma experiência similar se temos uma ou partilhamos o que podemos fazer ou sentir em situação similar. Precisamos lembrar que estamos apenas partilhando nossa experiência força e esperança com nossos afilhados. Enquanto podemos tentar prevenir que eles cometam os mesmos erros que nós cometemos. Uma das coisas ótimas que meu padrinho me dizia quando estava pensando se eu deveria 137 . não ditando cada passo que eles tomam. não nossa. a recuperação de nossos afilhados é a responsabilidade deles. Também não corremos atrás uns dos outros nem nos damos tarefas.

Muitos adictos descobrem que ser um padrinho ou madrinha se torna parte significante de sua recuperação. A princípio.sair com uma mulher seria me perguntar ‘Estaria disposto a casar com esta mulher?’ Isso ajudou a me manter fora de muitos relacionamentos nocivos”. mas logo percebi com a ajuda de meu padrinho. “Apadrinhar me ajudou a compreender melhor minha impotência perante outras pessoas. também não preciso me responsabilizar por suas recaídas”. que se eu não for responsável por seu sucesso em ficarem limpos. Ser um 138 . me sentia responsável por seus sucessos ou falhas. “Aprendi a amar e aceitar as pessoas que apadrinho por quem elas são – não pequenas imagens de mim ou de qualquer outra pessoa em recuperação”.

É minha responsabilidade dizer a verdade às minhas afilhadas. então saberei quando meu Poder Superior me toca com a luz da verdade. Cada um de nós leva consigo uma riqueza de experiência e como padrinhos podemos partilhar aquilo que funcionou e não funcionou para nós.padrinho nos dá uma avenida espiritual para partilhar num nível mais profundo e íntimo e nos oferece a oportunidade de partilhar nossa recuperação com aqueles que querem e precisam. mas nem sempre sou bemvinda quando o faço. Somos todas professoras e alunas. “Apadrinhamento tem sido um presente enorme em minha vida. Às 139 . Se estiver bem com meu Poder Superior. Como padrinhos. podemos guiar nossos afilhados na prática dos Doze Passos de Narcótico Anônimos e mostrar-lhes o modo de vida de NA. É meu dever como madrinha dizer a verdade às minhas afilhadas. As mulheres a quem amadrinho freqüentemente me ajudam e apóiam.

que preciso para manter minha recuperação na trilha certa. Tem me ajudado a manter o contato com os passos. me deparo com resistência e raiva. ele sempre diz ‘Obrigado por me ouvir’. Como diz o ditado: ‘a verdade te libertará.vezes. “Ser um padrinho me tem dado uma oportunidade de ouvir sobre as vidas dos outros. mas primeiro te fará ficar com raiva’”. e espíritos corajosos. e eu sempre respondo ‘Obrigado por ligar’. corações fortes. Tenho testemunhado bravura profunda. No final de cada ligação com meu afilhado. “Minha experiência. é que meu papel como padrinho tem colocado o meu foco de volta no programa. apadrinhamento está sendo uma via de mão dupla – eu recebo conforme eu dou”. Para mim. Tenho aprendido a amar e 140 . especialmente recentemente.

Esse relacionamento pode nos ajudar a colocar nossos próprios problemas em perspectiva conforme nos aproximamos de outras pessoas.respeitar aos outros mais profundamente do que em qualquer outra experiência anterior”. Escapando do fardo do egocentrismo Apadrinhamento pode ajudar a contrabalançar o egocentrismo e encorajar generosidade de espírito entre nós. “Algumas das maiores coisas que aprendi sobre apadrinhamento são como levar a mensagem através do exemplo e como praticar honestidade de compaixão o melhor que posso. 141 . e aprendemos a amar e aceitá-los. Podemos aprender a dar carinho aos outros – em muitos casos. Como padrinhos. presenciamos suas dificuldades. alguns de nós atingimos um novo nível de humildade ao percebermos nossos limites e forças. pessoas bem diferentes de nós mesmos.

Apadrinhamento me tem ensinado a necessidade de ‘mostre. Quando apadrinhamos alguém novo ao programa. Sermos padrinhos pode nos manter focados em nossa própria recuperação. Nos 142 . Apadrinhamento nos dá meios de lembrarmos de nossos desafios no início de recuperação. Apadrinhamento me dá uma lição sobre deixar outra pessoa crescer na direção que o Poder Superior escolhe para ela. não conte’”. Tenho uma chance de focar os passos novamente sempre que ajudo um afilhado a trabalhá-los. quando uma pessoa aceita o desafio de ajudar a outra – profundamente e individualmente. É uma lição em abrir mão do controle e não necessariamente forçar regras rígidas ou caminhos aos outros”. é difícil esquecer de onde viemos. “Recuperação parece amadurecer com apadrinhamento.

Me ajuda a permanecer responsável por um relacionamento com compromisso”. que eu mesmo precisava ouvir!” “Apadrinhar outros me mantém ciente de onde vim e o que me mantém indo adiante em minha recuperação. Só posso manter o que tenho ao dá-lo para outros. me mantém conectado com meu Poder Superior enquanto sirvo a outro ser humano. muitas vezes. 143 . Muitos de nós encontramos dificuldades em sermos complacentes quando estamos ativamente apadrinhando outros adictos. me peguei dizendo algo a um afilhado. bondade. empatia. carinho. Praticar os princípios de compaixão. “Muitas.tornarmos padrinho é normalmente uma afirmação de crescimento e pode enriquecer nossa recuperação. e partilha.

nossos afilhados começam a confiar em nós conforme expomos nossas fraquezas. Com freqüência. os meus tempos difíceis. mas isso não significa que não posso ter uma semana dura. De vez 144 . um de meus afilhados e eu vamos até o interior. Parece que estamos a milhões de quilômetros de distância de tudo e nada pode nos perturbar ou ferir. Partilhar nossas experiências com nossos afilhados pode ser curativo para ambos. como é o pôr-do-sol. Esse tipo de partilha honesta nos lembra ainda que somos meros mortais e não o Poder Superior da compreensão de nosso afilhado! “No final de cada semana. sei mais sobre passos e tradições. Falamos sobre tempos difíceis dele. Como padrinho. tudo. É um momento de paz para nós dois. contamos sobre nossos erros e somos honestos a respeito de nossos medos.“Ser padrinho sempre me traz de volta à minha própria recuperação e seu progresso”.

sinto como se estivesse cumprindo meu dever como madrinha”. acredito que como padrinho. Me parece que deveria ser pelo menos um relacionamento ‘51/49’”. Quando posso oferecer minha experiência a afilhadas sem me sentir ou agir melhor ou pior do que elas. acredito que Deus nos ama a todos igualmente. no mínimo. minha responsabilidade é não só colocar tanto esforço no relacionamento quanto faz meu afilhado. Afinal. eu fui escolhido para ser o padrinho porque tenho mais experiência do que o afilhado.em quando sou eu que digo oi com um cumprimento ‘nãomuito-padrinho’: ‘Graças a Deus você está aqui’!” “Tento passar para minhas afilhadas que não importa como sentimos sobre nós mesmas. 145 . ‘um centavo a mais’. mas adicionar. “Pessoalmente.

fui 146 . ia ao meu Poder Superior. Imediatamente. a solução sairá naturalmente após a partilha do problema”.Com o tempo. “É importante para mim me desvencilhar de qualquer tentativa de controlar meu afilhado. “Eu tinha uma afilhada que era a rainha do drama. Às vezes temia ouvir a voz dela do outro lado da linha. o apadrinhamento nos ensina como desenvolver e manter relacionamentos sadios. De muitas maneiras. totalmente auto-centrada com um caso severo de ‘Eu-ismo’. se eu deixá-lo falar o suficiente. É importante também. ser um bom ouvinte e não cortar meu afilhado enquanto está falando ou colocar palavras em sua boca. aceitar sem condições e amar sem expectativas. A maioria do tempo. pedindo ajuda. ser um padrinho pode nos ajudar a ouvir sem julgamento. Conforme o tempo foi passando.

Somente aprendi essas lições porque estava disposta a ouvir . tolerância e amor incondicional. convidando o Poder Superior a me guiar na conversa. Hoje. ainda sou madrinha da não-mais rainha do drama.apesar de achar que a maioria das coisas que ela dizia pareciam loucas.melhorando. me tornei mais dependente de meu Poder Superior quando interagia com qualquer uma de minhas afilhadas”. Meu Poder Superior geralmente me dava mente aberta. Tenho me beneficiado de formas que são difíceis descrever. Como saber se somos certos um para o outro? 147 . que ainda sofre às vezes de ‘Eu-ismo’. Mais importante. Tenho certeza que sou uma pessoa melhor como resultado dela ter me ensinado muitas das lições da vida.

“Uma mulher que chegou à sala estava sempre brava. temos que ser claros sobre essas expectativas. Nossa recuperação pessoal deve vir em primeiro lugar. compaixão e compreensão. queremos tomar um tempo para examinar nosso próprio sistema de valores e nos perguntar se podemos apadrinhar com aceitação. e essa raiva a distanciava das outras pessoas. ela se aproximou de mim e perguntou se eu seria sua madrinha. Se tivermos expectativas quanto aos nossos afilhados. Ao longo dos próximos anos ela me pediu algumas vezes novamente. Fiquei surpresa e não achava que tinha o tempo para dar a ela. Quando estabelecemos parâmetros claros sobre o que podemos e não podemos dar.Como padrinho ou madrinha. asseguramos que o relacionamento terá boas chances de sucesso. então disse que não poderia. Fiquei emocionada com sua boa vontade e humildade que ela estava escondendo por trás de seu comportamento 148 . Um dia.

se nós mesmos temos um padrinho ou madrinha. Há momentos 149 . “Eu sou madrinha de várias mulheres em recuperação. e se nossa situação de vida atual nos permitirá passar tempo adequado com nosso afilhado. Tenho também uma vida cheia fora da sala. Esse relacionamento se tornou o mais íntimo. precisava ser sua madrinha.raivoso. podemos querer considerar quantos afilhados já temos. Decidi que independente de eu ter tempo ou não. Antes de nos comprometermos com um afilhado. amoroso e repleto de confiança de minha vida. Era sua boa vontade de continuar pedindo diversas vezes e encarar o que ela pode ter sentido como rejeição que me permitiu ver além da raiva que ela tinha usado para se proteger da vida”. se estamos ou não disponíveis.

Preciso levar em consideração o tempo que preciso para trabalhar com minha madrinha.nos quais me pergunto se estou disponível o suficiente para suprir suas necessidades. e 150 . Eu também acredito que é importante que eu as ajude a desenvolverem relacionamentos com outras mulheres em recuperação para apoio”. e é isso que sugiro às mulheres que amadrinho. “Tento não ter mais afilhadas do que minha agenda permite. as coisas se equilibram – quando algumas precisam de mais atenção. me relacionar com meus filhos e netos. “Me foi sugerido esperar até que fizesse um Quinto Passo antes de apadrinhar alguém. as outras não precisam. Não acredito que tempo limpo é tão importante quanto a habilidade de ser honesto consigo mesmo”. A maioria do tempo.

sem dúvida teremos que nos perguntarmos se estamos prontos para fazê-lo. Se nunca apadrinhamos alguém antes. Porém. mas ela insistiu que eu podia ajudá-la. Bom. isso não constitui uma fórmula para julgar o número de afilhadas que posso apoiar confortavelmente.trabalhar. Só tinha feito os primeiros três passos e estava no quarto. Cada uma é diferente. Podemos querer considerar se trabalhamos ou não todos os passos e se estamos preparados para guiar alguém em seu trabalho. “Não tinha muito tempo no programa quando fui convidada a ser madrinha. não querendo negar um 151 . e suas necessidades também diferem”. Três afilhadas é o máximo que consigo manejar. Me senti extremamente inadequada. Muitos de nós pedimos orientação ao nosso Poder Superior e perguntam a nosso próprio padrinho ou madrinha se eles acham que estamos prontos para apadrinhar alguém.

Isso durou uns três ou quatro meses. devemos ser honestos sobre nossos sentimentos enquanto 152 . comecei a amadrinhá-la. Depois disso. Ela se desculpou bastante e me agradeceu por todo meu tempo e esforço. Ela descobriu que tinha bastante em comum com essa mulher então ela abriu mão de mim. Há momentos que não nos sentimos “qualificados” para ajudar. Talvez a pessoa pedindo que sejamos seu padrinho tenha mais tempo limpo que nós mesmos. e eu fiz o melhor que pude naquele momento. e ela conheceu uma mulher numa reunião de área com cinco anos limpa. Qualquer que seja a razão. eu me senti aliviada. Ela me ligava todos os dias. esperei até estar mais tempo limpa e tinha trabalhado mais passos até amadrinhar outra pessoa”.pedido de NA. Podemos ter dúvidas a respeito de apadrinhar certas pessoas. ou nossas situações de vida são radicalmente diferentes. Na verdade.

Eu me senti honrada que ela me considerou. e ela também tinha várias afilhadas. Sua primeira madrinha e eu lhe demos um bolo. Por sinal. Me perguntei o que eu teria a oferecer. uma mulher com três meses a menos do que eu pediu que eu fosse sua madrinha. e muito inferior por causa de sua última madrinha. Essa mulher tinha sido minha amiga durante os últimos cinco anos. A madrinha dela. que era bem antiga no programa. ela pegou sua ficha de 15 anos. Talvez tudo que precisemos seja fé. há mais ou menos uma semana. “Quando eu tinha em torno de sete anos limpa. e ainda sou sua madrinha. Ela me falou que me escolheu por causa de minha conexão com um Deus amoroso. tinha acabado de se mudar. Isso já faz oito anos.lembramos que nos pediram por alguma razão. É impressionante como funciona 153 .

Esses relacionamentos podem trazer desafios específicos devido aos nossos diferentes papéis nesses relacionamentos. Em tal situação. força e esperança”. devemos pensar cuidadosamente se podemos apadrinhar essa pessoa de maneira eficaz. como chefe e padrinho)? Seremos muito afetados pelo que já sabemos a respeito da pessoa para podermos apadrinhá-la? Poderemos “abrir mão” e deixar que eles cresçam em seu próprio ritmo? Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. alguém com quem tivemos um relacionamento prévio ou primário – como membros de nossa família. É possível que nossas responsabilidades nesses papéis diferentes serão conflitantes (por exemplo. Às vezes. colega de trabalho. quem decide é o Poder Superior. colega de cela ou amigo – pode nos pedir que o apadrinhemos. Podemos querer falar com nosso próprio padrinho ou madrinha sobre a situação. O que nós fazemos é partilhar nossa experiência. se 154 .o apadrinhamento: nós não decidimos o que temos a oferecer.

Nós nos encontrávamos nas reuniões e em casa. Ele pediu que eu fosse seu padrinho. Quando ele recaiu. Estava com raiva dele como parente. O tempo mais longo que ele ficou limpo foi o tempo que nós tivemos contato mais intenso.decidirmos aceitar. “Eu apadrinhei meu cunhado. e eu não tomei isso como um pedido frívolo. e às vezes eu o dava sugestões que ele nunca seguia. mas sempre o aceitei como afilhado”. eu sabia que era impotente. as amizades podem às vezes ter um impacto sobre minha 155 . nem ele foi frívolo ao pedir. comunicação é a chave para trabalharmos bem juntos. Infelizmente. “Eu desenvolvi amizades muito próximas com mulheres que amadrinhei ao longo dos últimos 13 anos. e foi uma experiência triste e importante para mim.

às vezes tenho medo de confrontá-las a respeito de suas ‘coisas’ porque não quero que a amizade seja ameaçada. Comunidades de NA ao redor do mundo usam praticas variadas de apadrinhamento. Então tenho que rezar muito nesses relacionamentos para que eu não prejudique minha amiga e afilhada. A intimidade do relacionamento tem a capacidade de distorcer minha visão. opiniões individuais. Narcóticos Anônimos tem experimentado crescimento incrível. Ainda. e outras circunstâncias específicas têm levantado uma gama de opiniões a respeito do apadrinhamento. em membros e países ao redor do mundo. e isso começa com honestidade”.eficácia como madrinha se eu não tomar cuidado. Nossa experiência tem mostrado Ao longo dos anos. diferenças culturais. Muitas dessas práticas são adaptadas à cultura daquela 156 . Quero dar a elas tudo que esse programa de recuperação tem a oferecer.

Alguns membros sentem que a irmandade que o membro freqüenta é menos importante do que a vontade do afilhado em seguir sugestões e praticar os princípios do programa de NA. Devemos. seremos afetados por nossa decisão em apadrinhar alguém que freqüenta outras irmandades além de NA. Os seguintes tópicos podem apresentar desafios específicos para nossa adicção a respeito de apadrinhar alguém.comunidade em particular. Freqüentar outras irmandades Muitos membros acreditam que podemos melhor apadrinhar aqueles membros que freqüentam somente reuniões de NA. considerar como nós. no entanto. Diretrizes definitivas provavelmente seriam muito rígidas para a diversidade de NA hoje. “Me arrependo das oportunidades que neguei por causa de minha visão ‘somente NA’ – oportunidades de adicionar idéias novas e perspectivas frescas à nossa comunidade e modo de vida. como padrinhos. 157 .

“Como padrinho. Imediatamente senti medo. raiva. e baixa auto-estima. Após dar uma olhada em mim mesmo e sentir o que estava acontecendo comigo. eu não poderia ser seu guia. tomei a decisão que eu continuaria a amar e apadrinhá-lo. acho que se alguém demonstra que quer o que NA tem a oferecer. tive um afilhado que sentiu que precisava ir a outras irmandades por razões que ele não compreendia muito bem. Eu disse que se eles quisesse continuar a trabalhar com a literatura da outra irmandade. Após dois meses de estar dividido entre as duas irmandades. ele decidiu que Narcóticos Anônimos supria todas as 158 . pois não tinha familiaridade com o material deles. Senti como se eu estivesse fazendo algo errado no meu apadrinhamento desse homem.Hoje. eu não julgo o quanto eu acho que ele quer”.

e ela ocasionalmente freqüenta outra irmandade. Respeito suas decisões. Eu abriria mão da nossa história maravilhosa por essa razão? Absolutamente não”. e faço o que posso para não julgar. Ele ficou muito grato pela liberdade e amor que ele teve para tomar sua própria decisão”. Cada uma tem sua própria visão sobre recuperação e como ela mentem sua recuperação. Se parte disso envolve ir a reuniões de outra irmandade.suas necessidades de recuperação. Não funciona para mim. “As mulheres que eu amadrinho são todas pessoas individuais especiais. e minha experiência é realmente tudo o que tenho para partilhar. mas isso é minha experiência. bom. Gênero 159 . Tenho apadrinhado uma mulher há 14 anos. é isso que funciona para ela.

“Quando comecei a freqüentar reuniões. muitos membros acreditam que o processo interno para se alcançar esta meta é diferente para homens e mulheres. e eu precisava 160 . Portanto. e eu estava interessada em ser cuidada. Ele parecia a boa figura paterna. No meu caso. considerei pedir que um dos homens mais velhos me apadrinhasse. esses assuntos são ligados a muita vergonha. esses membros estão firmes em suas crenças a respeito de apadrinhamento do mesmo sexo. Nunca poderia ter partilhado minha experiência sexual e de relacionamentos com um homem. Uma das mulheres me explicou que é fortemente sugerido que mulheres busquem apadrinhamento de outras mulheres. Isso foi um conselho ótimo.Apesar de todos nós estarmos em recuperação para atingir a mesma meta. Eles sentem que pode haver falta de atenção e empatia entre membros do sexo oposto.

Afinal. mas mais cedo em recuperação. Porém. mas definitivamente somos diferentes”. há igualdade entre homens e mulheres. um homem pediu que eu fosse sua madrinha. e trabalhamos os primeiros três passos juntos. ele foi trabalhar com um padrinho homem quando chegou no Quarto Passo. “Amadrinhei um jovem rapaz (sou mulher) por um longo período de tempo.partilhá-los com alguém que realmente compreendia como era para uma mulher ter que se comprometer para sobreviver como adicta na ativa”. Ele disse que eu tinha o tipo de recuperação que ele queria e ele não se identificava com nenhum dos homens em 161 . “Eu só amadrinho mulheres agora. Não acredito que seja fácil se identificar completamente com um padrinho ou afilhado do sexo oposto.

Quando reconheci que estava me comportando desta forma. Acredito que me senti lisonjeada. eu co confrontava mais do que confrontava as mulheres.nossa pequena comunidade de NA. e fiquei frustrada com seu progresso. e porque não havia nenhuma química sexual entre nós eu achei que não teria problema. mas senti que não podia dar o amor incondicional que é preciso no relacionamento de apadrinhamento”. sempre falo com afilhados em potencial sobre o fato que sou gay. “Como homem gay. Mas esse relacionamento trouxe à tona toda a raiva que eu tinha escondido em relação aos homens. não gostei então eu disse a ele que achava que ele precisava trabalhar com homens. Eu lhe dava mais tarefas do que jamais tinha dado às mulheres. Se eles estão interessados em trabalhar sua 162 . Gostava muito dele.

eles precisam ir a outro lugar. e uma vez apadrinhei uma mulher gay. Eu a apadrinhei por mais ou menos uma semana. Não havia atração sexual. Algumas mulheres me pediram para apadrinhá-las já que sou gay. “Acho importante ter um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. Foi uma verdadeira experiência de aprendizado para mim”. Alguns membros têm tido sucesso com apadrinhamento do sexo oposto. 163 . mas ainda havia diferenças o suficiente para tomar a decisão de dizer não a pedidos futuros”.sexualidade. e sou grato que não agi nem machuquei nenhum de nós dois. Sou um homem. Apadrinhamento é sobre os princípios de NA. Tenho que ser perfeitamente honesto e dizer que a energia sexual e desejo por essa mulher eram os mesmos para mim se ela fosse uma mulher heterossexual.

e se conseguirmos manter nosso relacionamento focado em recuperação. 164 . sem maiores complicações. mas não acho que seja saudável para nenhum dos dois. “Sou mulher em uma comunidade onde eu era um dos primeiros membros limpos. tudo estará bem”. acho que isso é um programa espiritual. sinto que esses homens me vêem com respeito. Em algumas comunidades de NA. Por outro lado. já que não havia outra pessoa naquela época.Ambos os membros permanecem focados em sua recuperação. Me vi dizendo ‘sim’ para amadrinhar homens. De minha experiência. pode não haver uma proporção equilibrada entre homens e mulheres dos quais poderão selecionar um padrinho ou madrinha do mesmo sexo. Aqui membros de NA exercitam sua criatividade em fazer seu melhor para assegurar que estão levando a mensagem de NA. e o relacionamento funciona bem.

Segundo. é 165 . tenho tido que trabalhar alguns assuntos para poder me manter responsável com meu compromisso. (Isso era em meados da década de oitenta. e ainda apadrinha. Busquei orientação de meu padrinho e ele me deu algumas regras para apadrinhamento. A primeira mulher que pediu que eu a apadrinhasse já tinha sido afilhada das três mulheres em NA em nossa área que tinham mais tempo limpas do que ela.“Como homem que tem apadrinhado. apadrinhamento não é um serviço de namoro. um partido político ou psicanálise. Primeiro. Assegurar que ele se mantenha assim requer que o padrinho trabalhe um programa ativo que inclui fazer inventário de intenções regularmente. com as quais concordei e continuo a honrar hoje. e éramos uma área nova). Finalmente. mulheres. apadrinhamento é platônico.

Graças aos conselhos de meu padrinho. se sugerimos que heterossexuais tenham padrinhos do mesmo sexo. Quando ele me pediu. “Eu tenho apadrinhado um homem gay (sou mulher) por aproximadamente oito anos. então como aplicar esse 166 . ainda sou padrinho daquela mulher e nosso relacionamento funciona”. Mas eu sou grata por ter seguido minha ‘intuição’. já que nossa literatura no passado tem sugerido que tenhamos padrinhos e madrinhas do mesmo gênero. já que esse relacionamento tem sido um dos mais recompensadores que eu já tive em apadrinhamento. Eu me pergunto. minha primeira intenção era dizer não. também conhecida como Poder Superior.essencial permitir que afilhados cheguem a suas próprias compreensões de uma forma que funciona para eles.

como padrinhos. Temos que ter certeza que levamos a mensagem de NA e não abrigamos desejos secretos em relação a nossos afilhados. É imprescindível. Sentimentos românticos ou atrações por parte de qualquer um dos dois membros podem não ser óbvios. O potencial se aplica aos dois membros envolvidos no relacionamento de apadrinhamento. em apadrinhamento do sexo oposto. estarmos cientes do potencial para atração sexual. 167 . então cabe a nós. é nossa responsabilidade examinarmos nossos motivos assim como os motivos do afilhado em potencial. Esses tipos de sentimentos normalmente resultam em um relacionamento arriscado para ambos os membros. na qual intimidade é baseada em parceiros do mesmo sexo”? Se membros do sexo oposto nos pedem para lhes apadrinhar.mesmo conjunto de normas à comunidade homossexual. Se parecer que o afilhado tem segundas intenções. que façamos todos os esforços possíveis para distinguir entre atração romântica ou sexual e o desejo sincero de nosso afilhado de buscar conhecimento sobre o programa de NA.

mas acho que poderia apadrinhar um homem gay”. Acredito que eu perderia a objetividade. tenho possibilidades de relacionamento românticas com pessoas de ambos os sexos. e tenho sido bem sucedida apadrinhando homens em meu papel como mulher. o único homem que apadrinho é gay”. Dessa forma. posso ser mais útil para os 168 . Rezo para ser guiada e peço que a atração sexual. um homem me apadrinhou. tive que mudar para uma madrinha. Porém.“Sou uma pessoa transexual. Agora. “Como mulher bissexual. por menor que seja. uma vez que minha transição estava bem avançada. “Eu sou um homem que não apadrinhará mulheres nesse ponto em minha recuperação. seja revelada se houver. Durante minha transição.

em uma instituição ou encarcerado. Amo a mim e aos meus companheiros o suficiente para honrar a intenção do relacionamento padrinho/afilhado”. NA é um programa 169 . No entanto. dizendo ‘sim’ para aqueles que vejo verdadeiramente como irmã ou irmão em recuperação e ‘não’ a qualquer um que eu possa ver como namorado/a em potencial. Apadrinhar membros em prisões e instituições A maioria dos comitês de serviço que leva reuniões a adictos em instituições pede que seus membros não participem em apadrinhamento quando conduzem apresentações. Temos que tomar cuidado especial quando consideramos se devemos apadrinhar ou não um membro que ainda está em tratamento. normalmente apadrinho mulheres heterossexuais e homens gays. Para esse fim.dois. alguns membros de NA acham padrinhos e afilhados em situações institucionais.

temos que considerar quanto esforço estamos prontos a fazer. tanto como quanto tempo podemos dar. Alguns de nós podemos dar mais do que outros. muitas instituições têm seu próprio conjunto de regras que pode afetar nossa interação com um membro residindo lá. “Sou madrinha de uma mulher que conheci quando fui fazer um painel institucional. porém. Se formos incapazes de estarmos presentes para nós mesmos. devemos nos proteger de nossas vidas se tornarem incontroláveis como resultado dessa decisão.espiritual que pode ser trabalhado em qualquer lugar. então seremos incapazes de estarmos presentes para outra pessoa. Não é como apadrinhamento normal. 170 . Enquanto os princípios do apadrinhamento são iguais para membros nessas circunstâncias especiais. sem dúvida. Qualquer que seja nossa decisão. podem afetar nossa decisão em aceitar tal afilhado. e alguns de nós sentem que as demandas de nosso tempo e energia podem ser demais. Essas circunstâncias.

revisamos o que ela escreveu. sinto que 171 . e eu respondo quaisquer perguntas que ela possa ter”. Eles já têm muitas tarefas escritas para fazerem. grifando palavras e frases que tenham especial significado para eles. “Quando me pedem para apadrinhar alguém em tratamento. No mês seguinte. Peço que eles leiam o Primeiro Passo todos os dias. Acredito que me colocar à disposição para recém chegados é uma parte importante da minha recuperação”. não peço que eles escrevam nada. dou leitura e tarefas para ela fazer. Dessa forma. “Dou meu telefone a adictos em tratamento e peço que eles mantenham contato comigo até que eles saiam do tratamento. Cada mês.Ela não tem meu telefone. Nos encontramos semanalmente e falamos sobre os passos. quando vou visitar.

funcionou bem. “No momento. 172 . pudemos falar mais a fundo em particular. Qualquer informação que era incriminadora ou sensível. Posteriormente.estamos construindo nosso relacionamento”. pois paredes e cercas nos separam. Quando chegou a hora de ouvir o Quinto Passo dele. Trabalhamos os passos via correio e telefone. Ambos estávamos comprometidos e dispostos a fazer esse relacionamento funcionar – dentro das paredes . É difícil nos comunicarmos. escrevíamos em código. e uma vez por mês nos encontramos na sala de visitas. só para lembrarmos do que se tratava. estou apadrinhando alguém que está em uma instituição.e até agora tem sido uma bênção enorme para nós dois”.

Tive a oportunidade de olhar para como as tradições poderiam funcionar na vida dela. Apadrinhar membros com experiências de vida diferentes e históricos familiares diferentes pode ser desafiador. Ela nos prende independente de nossa família. “‘Como esses princípios podem funcionar para mim quando NA é sobre unidade e minha religião é sobre nós como um povo escolhido?’ uma afilhada com muitos anos limpa me perguntou. classe social. a recuperação também não. Qualquer adicto disposto a trabalhar o programa de NA pode encontrar recuperação. Assim como a doença não diferencia. raça. mas os passos e tradições são princípios universais que podemos partilhar não importando de onde viemos.Apadrinhar membros com culturas diferentes A doença da adicção não discrimina. 173 . Fazemos o possível para apadrinhar sem discriminação. religião ou falta de religião.

tenho um 174 . Parte de meu dever como madrinha é levar a sério as dificuldades de minhas afilhadas com as Tradições. com seus firmes direcionamentos contra misturar NA com outros sistemas de crenças ou estruturas de serviço. sai que algumas pessoas me chamariam de uma adicta que teve um fundo de poço ‘alto’. As tradições. “Mesmo com o caos e miséria em minha vida quando cheguei a NA. tornam claro que tal reconciliação é possível”. Cresci numa família de classe média e fiquei limpa relativamente jovem. independente de sua religião. Hoje. e ajudá-las a alcançarem uma compreensão de nossos princípios que podem funcionar com suas outras crenças.Acredito que muitos de nós que saem pelas portas pelo zelo religioso o fazem porque não conseguem conciliar recuperação com religião.

mas minha comunidade local de NA não reflete essa diversidade. como saberia com é perdê-los? Porém. Ela não tem dinheiro. arrumei uma afilhada nova que vem a NA por ordem judicial. e acho que isso provavelmente é mais importante do que ter a mesma história”. após ser presa. pude falar com ela a respeito de perda e aceitação e impotência. “Moro numa área repleta de imigrantes. Temos essas coisas em comum. Recentemente. Acho que minha recuperação pessoal é fortalecida por variedade e diversidade.diploma avançado e um estilo de vida confortável. Nunca tive filhos. Me preocupei que não teria nada a oferecer para ela. Em cima de tudo isso. ela perdeu a guarda de seus filhos. então 175 . Sinto tanto amor e respeito por ela. ao longo dos meses que a amadrinhei. nem emprego e tem um carro quebrado.

tem permitido que eu. mas estou feliz por ver mais desses adictos em nossas salas hoje”. Os adictos a quem apadrinho têm suas próprias compreensões de um Poder Superior. Eu os encorajo a rezar. como ateu. os passos oferecem verdades universais que atravessam as barreiras de 176 .fiz um compromisso com me tornar disponível como padrinho a pessoas desses grupos. Não tenho certeza se isso fez alguma diferença. assim como espero que eles respeitem minha escolha. especialmente meu Poder Superior. Tendo a liberdade de escolher. Respeito isso. Para mim. “Uma das razões que acredito que NA pode alcançar uma população tão diversa é a liberdade de escolha que nos é dada. meditar e manter contato consciente com seus Poderes Superiores. fique aqui e me beneficie desse programa de recuperação.

tanto como a nosso afilhado em potencial. identidade sexual. raça.‘idade. Idealmente. Como padrinho temporário. credo. e às vezes essa decisão pode incluir dizer não quando nos pedem para apadrinhar alguém. com o que aprendemos em NA e de nosso padrinho ou madrinha. até que ele ou ela ache alguém com quem se sentem mais confortável. Por outro lado. podemos ajudar a um afilhado com sua recuperação por um período curto. religião ou falta de religião’. podemos sentir que entrar em um relacionamento temporário ou de transição pode nos beneficiar. podemos ajudar ao 177 . Dessa forma. Alguns padrinhos pedem a um afilhado ou outro membro se eles gostariam de ter um afilhado ao invés de simplesmente falar não. Tomando a decisão Queremos tomar a melhor decisão que podemos. compreenderemos que não tem problema dizermos não. Não temos que acreditar no mesmo Poder Superior para trabalharmos os passos juntos”.

ambos temos uma saída – eu posso encaminhá-los a outro. Acho que é só jogo de 178 . Daí. talvez eles se sintam atraídos por um de meus afilhados. por qualquer razão. Por que estragar um relacionamento maravilhoso”? “Quando alguém me pede e eu preciso dizer não. e eles não se sentem rejeitados”. normalmente pego seu telefone e ligo para eles. “Não sei qual é o problema em ter padrinhos temporários – parece uma opção viável para mim. “Sou o padrinho temporário de um companheiro há quase doze anos. Às vezes digo que se sentem atraídos por minha recuperação. para que não se sintam rejeitados. não queremos que adictos buscando recuperação se sintam sozinhos ou que não pertencem aqui.afilhado em potencial a conseguir o apoio e orientação de um padrinho. Não importando quais são as circunstâncias.

Desenvolvendo nosso papel como padrinho Métodos de apadrinhamento diferem de adicto para adicto. Muitos de nós sabemos como confiança. Alguns acreditam que não há regras para apadrinhamento a não ser oferecimento de amor e aceitação incondicionais. O que é temporário? Um dia? Uma semana? Um mês? Acho que é melhor ter um padrinho por um tempo do que nenhum padrinho”.palavras de qualquer forma. O espírito de apadrinhamento pode ser encontrado no fato de ajudarmos aos outros e dar a eles o que nos foi dado. 179 . Alguns de nós apadrinhamos da forma que fomos apadrinhados. os princípios espirituais nas tradições – incluindo anonimato. não-profissionalismo e serviço – providenciam uma pedra fundamental em comum para todos os relacionamentos de apadrinhamento. enquanto outros apadrinham da forma que gostaríamos de ter sido apadrinhado. Independentemente.

e é meu papel como padrinho guiar meus afilhados pelos passos até o Deus de sua compreensão. Sinto que o contato mais forte com meu Poder Superior vem quando estou ativamente levando a mensagem”. “Meu maior desafio como padrinho foi desenvolver paciência e rendição quando apadrinhei dois adictos muito jovens.fé e honestidade podem providenciar o alicerce necessário para ambos o padrinho e afilhado trabalharem na construção de seu relacionamento. não só por serem recém chegados. “Acredito que o propósito dos passos é ter um despertar espiritual. às vezes pela primeira vez”. mas por serem jovens experimentando algumas situações de vida. Eles precisavam viver seu momento de cabeça-dura. “É difícil apadrinhar alguém sem trabalhar o programa 180 .

diretamente. ele se tornou um amigo em quem podia confiar completamente com qualquer coisa. então isso me encoraja a trabalhar os passos com meu padrinho. ele se mudou e eu tive que achar outro padrinho. Foi muito difícil conseguir aquela intimidade e confiança com outro padrinho. Desenvolvo mais habilidades com os dos passos através de ajudar outros a encontrarem seu caminho na mesma estrada”. Ele queria que eu os trabalhasse com ele sobre assuntos da vida. “Meu primeiro padrinho me levou pelo exemplo. Meu padrinho novo me disse para começar no primeiro passo – impotência. Relutei e disse que já tinha trabalhado os passos. Ele me levou a diversas reuniões e me envolver com H&I. mas acabou sendo a melhor 181 . não só drogas. Eu trabalhei os passos com ele. Depois. Após dez anos.

quanto quando comecei a apadrinhar pessoas. Me sentia muito inseguro com o direcionamento que eu dava. Como resultado. A experiência coletada conforme passamos pelos Doze Passos juntos nos ensina como ser um padrinho. Com o tempo. Apadrinhar alguém pela primeira vez pode parecer demais para nós. Ir mais a fundo do que anteriormente tem sido recompensador”. “Eu nunca tive que ligar tanto para meu padrinho na minha recuperação inteira. ganhamos um sentido sobre o que funciona melhor para nós e para cada um dos nossos relacionamentos de apadrinhamento. um novo desafio. Muitos de nós começamos seguindo o exemplo de nossos próprios padrinhos. Cada vez que desligava o telefone com um afilhado. uma voz nova. 182 . nosso relacionamento com nosso próprio padrinho ou madrinha pode crescer e mudar.coisa que podia ter acontecido: uma nova perspectiva.

No entanto.ligava para meu padrinho para dizer o que tinha falado ao meu afilhado. eles me escolheram porque eu sou a pessoa a quem eles querem pedir ajuda para trabalhar os passos”. então eu ligava para meu afilhado para revisar minha sugestão. Tiveram muitas vezes quando meu padrinho me dizia algo completamente diferente. Aceitei que não sou exatamente como meu padrinho e que tenho minha própria abordagem. Hoje meu padrinho e eu nem sempre concordamos sobre as sugestões que dou aos meus afilhados. afilhados precisam aprender a tomar suas próprias 183 . Podemos nem perceber que estamos engajando nesse tipo de comportamento. Algumas vezes aprendemos lições dolorosas quando tentamos administrar. controlar ou consertar a vida e recuperação de nosso afilhado ou afilhada. Se meus afilhados quisessem alguém exatamente igual ao meu padrinho. Mas. teriam pedido a ele.

Apesar de eu ter um pouco de vergonha. mas sentia que tinha que fazer alguma coisa. Tentei.decisões. e ele foi hospitalizado contra sua vontade. sem sucesso. Fiz algumas ligações. Não sabia o que fazer. estou feliz por ter um ex-afilhado que está vivo. encaminhá-lo a um profissional para ajudá-lo. “Meu foco principal com meus afilhados é o trabalho de passos e tradições. Ele se sentiu traído e abriu mão de mim como padrinho. não aquelas que nós queremos que eles tomem. ao invés de um que está morto”. Parte de meu dever como padrinho é ajudar meus afilhados a definirem seus 184 . “Uma vez apadrinhei um adicto que manifestou tendências suicidas. Não só escrevemos a respeito deles. tentamos praticar os princípios em nossas vidas diárias.

“Fui ensinado a não apadrinhar até que tivesse feito o Quinto Passo. Alguns de nós deixam seus afilhados tropeçarem e crescerem conforme tomam 185 . Enquanto queremos oferecer orientação com amor. Desde então aprendi que não me tornei um bom padrinho até trabalhar o Nono Passo. nem que abandonaremos ou viraremos nossas costas para eles. Isso não significa que ignoraremos uma ação em particular. Precisamos ser vigilantes conosco mesmos para permitirmos que nossos afilhados cresçam em seu próprio ritmo. Foi quando aprendi o que significa ter um relacionamento sadio e que eu precisava resistir tentar controlar meus afilhados”. deixamos os resultados nas mãos do Poder Superior e apoiamos nossos afilhados durante suas dificuldades.próprios valores e não copiar os meus”. Na verdade. é também importante deixar que afilhados sofram as conseqüências de suas próprias ações.

Ela sentia que roubar de um provedor de serviços públicos era justificado porque eles cobravam demais de seus clientes. “Minha afilhada estava determinada a continuar praticando comportamentos que estavam em conflito com os princípios que ela estava aprendendo através dos passos. Outros podem usar um enfoque mais didático. ela se justificou até a prisão. recebemos uma chance de aprender sobre impotência perante nossos afilhados e sua doença. Hoje ela ainda paga restituição por seu crime. Infelizmente. Conforme experimentamos o quão recompensador é ver alguém crescer. Eu acredito 186 . Eu lhe falei que escrever os passos não tem fundamento nenhum se ela não incorporar aqueles princípios em sua vida e fazer mudanças sadias.suas próprias decisões. Praticamos o princípio de rendição e tentamos nos lembrar que recuperação é um processo.

Tento pegar cada oportunidade que posso para ajudar meus afilhados rumo ao despertar espiritual que eu.que o adicto que não muda usará novamente. Só posso amá-los incondicionalmente enquanto eles experimentam a vida. Eu a amei e apoiei ao longo das conseqüências de suas ações. eu posso diminuí-lo. Nunca tive que dizer ‘não falei?’ Não posso negar meus afilhados a dor de suas conseqüências. “Sim. e não seu comportamento”. cada adicto é diferente e segue a estrada de recuperação em seu próprio ritmo. não atraso. Deixo bem claro que estou apoiando a elas. Mas uma regra geral a respeito do ritmo é que. e 187 . Acredito que uma das maiores responsabilidades de ser um padrinho é encorajar avanço. enquanto não posso fazer muito (se é que posso fazer alguma coisa) para aumentálo.

Outros membros preferem partilhar pouco de sua experiência pessoal e depender mais de literatura de NA para explicar como usar as ferramentas do programa. é um relacionamento 188 . tem tido como resultados desses passos”. Alguns de nossos afilhados podem precisar mais do que qualquer outra coisa. sentir que alguém os ouve. Alguns membros acreditam que a partilha de experiência.outros adictos. Como padrinho ou madrinha. Às vezes nosso papel mais importante como padrinho é de ouvinte. força e esperança ao invés de teoria. precisamos estar cientes dos recursos que nós temos e o que temos a oferecer. Queremos ter certeza de que levamos a mensagem de esperança e não o desespero de nossa doença. “Uma das coisas mais legais sobre apadrinhamento é que me lembra de praticar as Tradições de NA – nãoorganização e nãoprofissionalismo. ajuda a esclarecer a diferença entre apadrinhamento e terapia. Idealmente.

carreiras. relacionamentos com família. “Normalmente digo aos meus afilhados no começo de nosso relacionamento que não sou conselheiro ou terapeuta. 189 . e se torna o que os dois indivíduos querem que se torne”. Acredito que as respostas se encontram nos passos e nas tradições. Também acho útil falar sobre a Décima Tradição – não tendo opiniões sobre assuntos alheios – especialmente ao lidar com assuntos como remédio.totalmente informal. sugiro procurar ajuda profissional”. Meu papel como padrinho é falar sobre ficar limpo em NA. etc. mas não tento dar as soluções. Para esses e outros assuntos. Encorajo meus afilhados a falarem sobre as coisas comigo. Faço o melhor que posso para guiá-los aos passos para obterem respostas e orientação em seus problemas.

Enquanto todo relacionamento é diferente. Isso parece ser menos intimidador ou sobrecarregador e os acostuma com os básicos – particularmente quando são novos e estão confusos”. ou Só Por Hoje. Apadrinhamento depende de confiança. Isso pode apresentar desafios se. Isso Resulta: Como e Porque.“Antes de pedir para um afilhado novo ler ou trabalhar no Texto Básico. somos confrontados por membros da família. alguns dos fatores fundamentais que tornam um relacionamento saudável e produtivo são constantes. Se apadrinharmos um menor de idade. A confiança 190 . Em quaisquer circunstâncias. e como padrinhos devemos ter a capacidade de manter as confidências das pessoas a quem apadrinhamos. talvez precisemos criar alguma espécie de relacionamento com seus pais. precisamos ser vigilantes em manter nossas responsabilidades perante aqueles que apadrinhamos. por exemplo. ou cônjuges de nossos afilhados. sugiro que eles leiam nossos folhetos.

como o fato de que eu tinha falado ao meu afilhado que ele deveria ir a reuniões todos os dias. E. às vezes tinha que ligar para a mãe dele e explicar as coisas para ela. claro. Hoje. tem um relacionamento incrível com sua mãe. e devemos honrá-la. mas ela começou a confiar em mim porque eu tomava o tempo para explicar o processo de recuperação a ela. assegurando que ele se sentia confortável e seguro com isso. limpo há 5 anos. “Um dos aspectos mais difíceis de apadrinhar alguém menor de 18 anos é que às vezes você tem que criar um relacionamento com o pai ou responsável do afilhado.de nosso afilhado ou afilhada é uma dádiva preciosa. Demorou. tinha que falar com meu afilhado o tempo todo sobre minhas conversas com sua mãe. Quando apadrinhei um recém chegado de 15 anos. Ela aprendeu que 191 . meu afilhado de 19 anos.

Depois que as 192 . Eu tinha informação que eu não queria. mas sim agradecer a Narcóticos Anônimos”.ela podia ser somente sua mãe e não tinha que estar envolvida em seu relacionamento de apadrinhamento. fui madrinha de uma mulher que estava saindo com um de meus parentes. Gostaria de dizer que lidei com isso de forma madura. e foi ficando mais difícil para eu ser sua quaseparente e sua madrinha. O tempo passou e seu relacionamento foi ficando mais sério. Nos feriados eles me convidavam para a casa deles e tudo o que ela podia fazer era me agradecer por devolver seu filho a ela. mas na verdade eu lutei com isso até que tudo explodiu numa grande briga e nós quebramos a confidência uma da outra. “Em um momento de minha recuperação. Disse a ela para não me agradecer. vindo dela e de meu parente.

às vezes ficamos entusiasmados demais em mostrar nosso conhecimento do programa. somos amigas e eu aprendi minha lição e não apadrinho mais pessoas que estão envolvidas em minha vida dessa forma”. Por mais que tentemos resistir ficarmos confiantes e egoísticos demais. especialmente se vários membros nos pedem.coisas se acalmaram. já que aquela pessoa 193 . Eu não posso ignorar ninguém nem nada que é dito em uma reunião. Hoje. podemos nos ver caindo na armadilha do “superpadrinho” – pensando que sabemos tudo e somos infalíveis! “Você nunca sabe quem vai dar certo nessa irmandade. Quando somos pedidos para apadrinhar alguém. conversamos a respeito do que aconteceu. Nós concordamos que ela estaria melhor com outra madrinha. Quanto mais pessoas procuram respostas em nós. mais fácil é para nos enchermos de auto-importância.

194 . Apadrinhamento permite que cresçamos por experimentarmos nossas limitações. fortalecemos o elo entre nós.ou o que ela disse pode ser exatamente o que eu preciso em algum momento do futuro”. Nos mantendo cientes de nossas limitações e continuando a fazer nosso inventário pessoal pode impedir que entremos no pensamento de “melhor que”. Ao admitirmos essas limitações e sermos honestos com nossos afilhados. deve ainda haver mais para eu aprender!” “Eu fiquei muito julgador a respeito de meus afilhados com nove ou dez anos em recuperação. percebi que já que eu nunca fui a uma formatura do NA. “Como um padrinho com bastante tempo limpo. que não me ligavam mais tanto. Mas meu padrinho disse ‘Não ache que você é tão importante’”.

Significa que sou um bom padrinho que leva recuperação a sério”. Tinha ouvido que eu não posso salvar minha pele e meu ego ao mesmo tempo. e vários afilhados também freqüentavam aquele grupo.“O negócio é partilhar experiência. “Me lembro de ter 21 anos limpo e querendo simplesmente morrer. Era eu quem tinha mais tempo daquela área. 195 . acredito que não tenha problema indicar alguém que tenha tido. Isso não significa que sou um ‘mau’ padrinho. mas sim falar sobre o que eu fiz em situação similar. Estava sentindo tamanha dor emocional. O que exatamente isso significa? Significa não falar sobre o que eu faria se estivesse naquela situação. mas estava com medo de partilhar como estava sentindo em meu grupo de escolha. força e esperança. Se não tive nenhuma experiência.

Talvez tenhamos que dizer “Não sei” ou encaminhar nossos afilhados a outros que podem ajudar quando nós não podemos. Oferecer sugestões aos nossos afilhados sobre onde eles poderão encontrar ajuda não significa que falhamos como padrinhos. podemos buscar ajuda de outros sobre como lidar com as coisas. Não queremos oferecer orientação a respeito daquilo que não temos experiência. arrumei mais dois afilhados que queriam o que eu tinha. Vai entender!” Haverá momentos nos quais nossa experiência não se aplica ao momento de um afilhado ou ele ou ela está com algum problema além de nosso conhecimento. tendo certeza de manter a confidencia e anonimato de nosso afilhado ou afilhada. Significa o oposto. Pelo contrário.Finalmente deixei o ego de lado e partilhei como estava realmente sentindo. podemos lhes oferecer um ombro amigo e 196 . na verdade. Enquanto podemos nem sempre saber o que é melhor para nossos afilhados. também. Sabia que meus afilhados iam ficar envergonhados e me largar como seu padrinho. Nós.

Se eu der conselhos. assim como com minha recuperação em geral. que eles não estão “Partilhando somente minha experiência. “Quando digo ‘sim’ a alguém que pede que eu seja seu padrinho. estou em solo firme. eu seria responsável. Se meu afilhado segue meus conselhos e acaba usando ou experimentando conseqüências desfavoráveis. e que se meu afilhado fizer o que eu fiz.assegurar-lhes sozinhos. Deixo os conselhos para os profissionais que sabem lidar com essas conseqüências”. estou me comprometendo com outra pessoa e comigo mesmo. Sei que estou sendo honesto. força e esperança num nível mais 197 . mas partilhar minha experiência. Vejo meu papel não como dar conselhos. não estou em base firme. ele pode ficar limpo.

Se não temos certeza sobre como encarar uma pergunta ou pedido de nosso afilhado ou afilhada. Não estamos a sós nos nosso processos de tomada de decisões. Aqui. Devemos estar cientes que nosso papel como padrinho não é proteger nossos afilhados da vida. a corrente de recuperação pode ser vista em sua mais pura forma – um adicto ajudando outro a ajudar a outro. muitos de nós descobrimos que nosso padrinho tem a resposta exata que estamos precisando. É como remover as rodinhas da bicicleta. Isso começa por ouvir”. podemos perguntar a nosso padrinho. mas ajudá-los a usar os princípios do programa para viver a vida plenamente. Nem sempre 198 . Um dos maiores desafios como padrinho pode ser o desejo de protegermos nossos afilhados das situações avassaladoras em suas vidas. Na maioria dos casos. “Falo para meus afilhados que crescimento pode ser doloroso e solitário às vezes.íntimo.

ser um bom padrinho significa que. Podemos nos sentir mais próximos a algumas pessoas que apadrinhamos do que 199 . apadrinhamento oferece muitas vantagens e dádivas. Aqueles cortes e hematomas vão compensar bastante no futuro”. “Para mim. Tudo o que posso fazer é estar lá para te ajudar a levantar e te estimular para tentar novamente. até que você aprenda a andar. e freqüentemente uma amizade profunda. Apadrinhamento pode se tornar um relacionamento saudável e respeitoso. È uma forma de nos mantermos conectados a NA. e aprofundarmos nossa intimidade. a servirmos.posso correr do lado da bicicleta para impedir que você caia. meu afilhado irá aprender tanto com seus próprios erros quanto com seu padrinho!” Para a maioria de nós. Temos a oportunidade de compartilhar o despertar espiritual em outro membro. Cada relacionamento é especial de seu próprio jeito. talvez.

É importante que eles saibam que meu único interesse é sua recuperação. “Muitos dos relacionamentos que entrei como padrinho me deram grandes amigos”.outras. 200 . acreditando que meu único interesse é sua recuperação lhes dá a habilidade de ouvir o que digo sobre certos assuntos”. Também. não como melhores amigos. etc. conselheiro matrimonial. “Eu não me aproximo muito dos meus afilhados por algumas razões que acho importantes. mas tentamos dar o melhor de nós em cada relacionamento e assegurarmos que estamos igualmente disponíveis e receptivos a todos os nossos afilhados. Isso lhes dá a oportunidade de serem honestos comigo e não enfeitar nada por medo que eu os julgue ou desaprove. banco. Eu trabalho com eles somente em recuperação. conselheiro profissional.

“Trabalho com meus afilhados num grupo de estudo de passos. aprendemos a ser consistentes e termos boa vontade para praticarmos os princípios espirituais. Através de trabalhar os passos e tradições com nossos afilhados. Enquanto nossa jornada através do apadrinhamento irá variar de membro para membro e comunidade para comunidade. estamos todos buscando o mesmo destino em recuperação. Usamos o novo guia para trabalhar os passos. junto com o Texto 201 . e outros são emocionalmente distantes. Alguns são meus ‘melhores amigos’. permitindo que o relacionamento cresça e mude naturalmente”. Tento não pré-julgar que tipo de relacionamento deveria ter com um afilhado. assim como individualmente. alguns são mais como ‘negócios’.“Tenho muitos tipos de relacionamento com as pessoas que apadrinho.

A maioria dos companheiros que apadrinho têm múltiplos anos limpos.Básico e Isso Resulta: como e porque. Também enfoco as tradições e fortemente encorajo adesão à Décima Segunda Tradição”. Precisamos lembrar que Deus é o poder maior. e poucos são novos ao programa. Após trabalharmos o passo. rezamos e agradecemos a Deus por mais uma oportunidade de nos curarmos aplicando os princípios. e coragem para ver a verdade e significados dos passos para que mais cura possa ocorrer. rezo e convido Deus para a experiência. Peço sabedoria. É incrível a distância que podemos percorrer com os Doze Passos!” “As tarefas que dou aos meus afilhados dependem de seu 202 . “Antes de trabalhar com minhas afilhadas. conhecimento.

Quando eles ligam. vá a 90 reuniões em 90 dias e começaremos a trabalhar o Primeiro Passo juntos. trato todos os meus afilhados com o mesmo respeito e amor. Mas independente das tarefas diferentes. me ligue antes de fazê-lo. se você mentir não posso te ajudar. se você tiver vontade de usar. posso ajudar. se você quer ficar limpo. mas se não vai fazer nenhum esforço. então por favor não minta. é para nós nos conhecermos melhor e criarmos um elo”. não posso te fazer bem nenhum. nem conselheiro matrimonial nem alguém que vai ser facilitador.tempo limpo. não empresto dinheiro. Digo a todos os recém-chegados: ligue para mim todos os dias e deixe um recado se eu não estiver em casa. não sou conselheiro. 203 . Dou sugestões diferentes a afilhados com mais tempo limpo.

Partilhamos as realidades da vida com nosso afilhado ou afilhada – alegria e tristeza. Conforme completam o passo. é possível partilharmos uma vida de liberdade além dos nossos mais incríveis sonhos. Através da simplicidade do programa de Narcóticos Anônimos. Apadrinhamento abre a porta para nossos próprios corações. nascimento e morte.“Algumas de minhas afilhadas se encontram com mulheres com o mesmo tempo limpo para trabalhar nos guias dos passos juntas. Elas acham motivador fazer isso. escolhem partilhá-lo comigo”. felicidade e depressão. e podemos aprender a não nos levarmos tão a sério. verdade e decepção. e dizem que isso ajuda a criar relacionamento mais fortes. 204 . coragem e medo.

essas coisas são especialmente difíceis. O apadrinhamento nos mostra como trabalhar com os outros enquanto nos 205 . Em nossa adicção. A maioria das pessoas acha difícil ser vulnerável.CAPÍTULO QUATRO O RELACIONAMENTO DE APADRINHAMENTO: DESENVOLVENDO E SUSTENTANDOO Desenvolvendo e sustentando o relacionamento de apadrinhamento Relacionamentos requerem trabalho. ensinar uns aos outros. aprender a confiar e a ser confiável. freqüentemente nos fechando para aqueles que mais se importavam conosco. Muitos de nós não tivemos exemplos ótimos no que diz respeito a respeito mútuo e carinho. e se comprometer. Para adictos. No apadrinhamento. corremos de intimidade. e gostar uns dos outros. temos a oportunidade rara para aprendermos uns dos outros.

Iremos cometer alguns erros. Elas em escolheram para guiá-las através dos passos. Nem precisaria de ajuda. ficar com companheiros. Fui forçado a ver que elas precisam de mim. “Ao apadrinhar outros adictos. vim a entender que tenho a capacidade de gostar e até amar outras pessoas. Podemos aprender a confiar. o relacionamento nem sempre será fácil. Sei agora que tenho algo a dar: minha experiência de recuperação em NA. Através do apadrinhamento. Mas nos tornamos dispostos a arriscar e encarar aqueles medos que nos impedem de experimentar relacionamentos ricos e significativos. e ir para 206 . Poderia somente ir às reuniões.conhecemos.” “Se estar em recuperação significasse somente ir às reuniões. Tenho orgulho disso. podemos aprender a viver mais plenamente. Naturalmente. poderia continuar com minha vida sem nem trabalhar em mim.

minhas dificuldade se minhas crenças afetam a maneira que lido com as outras pessoas. não crescerei tanto. através dos quais eu tenho aprendido a lidar com meus comportamentos adictivos. provavelmente eu não iria tão a fundo quanto poderia ir. Preciso fazer bastante para me tornar a pessoa que quero ser.casa. Mas essa não é a realidade. Meu relacionamento com minha madrinha é precioso 207 . Preciso trabalhar em meus relacionamentos – a maneira que meus defeitos de caráter. Se eu fizer isso sem a orientação e o apoio de meu padrinho. Sem seu percebimento. Minha madrinha me tem ajudado a construir um relacionamento forte com meu Poder Superior e ao trabalhar os Doze Passos.” “Estou ciente de quem eu era antes de ter uma madrinha: uma pessoa solitária e isolada.

Outras vezes. Aprender a comunicar bem é um dos desafios que encaramos ao longo da nossa caminhada em recuperação. Autorevelação honesta e respeito mútuo podem providenciar um alicerce sólido sobre o qual pode-se construir esse relacionamento excepcional. Sou grata por sua presença em minha vida”. e o relacionamento precisa de pouco trabalho. Contato freqüente com nosso padrinho ou afilhado pode nos ajudar a abrir nossos corações e permitir que intimidade se desenvolva. “Tenho descoberto que às vezes apadrinhamento é fácil. Às vezes o relacionamento de apadrinhamento de desenvolve com facilidade desde o começo.para mim. Ambos os membros se sentem confortáveis um com o outro quase imediatamente e partilham com entusiasmo. cuja visão para ela mesma tem sempre sido igual à minha. Tenho trabalhado com uma afilhada há 15 anos. fazer o esforço de conhecer outra pessoa pode parecer difícil ou quase impossível. Às vezes me 208 .

porque nos conhecemos tão bem (durante os últimos 16 anos). energia e oração. Hoje. Ter uma madrinha me fez pensar em outra pessoa em me tem dado ferramentas para construir um relacionamento duradouro. que paz de espírito é possível. mas sei que 209 . É como ter uma melhor amiga. Às vezes ainda é difícil pedir ajuda. eu e minha madrinha trabalhamos somente os passos e meus problemas. e dificuldades. que eu nunca tive no passado. e relacionamentos que são fáceis são preciosos”. aprendi que a vida nem sempre é uma luta. “No início. E sabe o que? Após anos de dramas girando em torno das drogas. podemos partilhar sobre tudo. pois não confiava em mulheres.pergunto se o trabalho que fazemos juntas é tão importante espiritualmente quanto aquele que faço com pessoas que requerem bastante tempo.

mas impor condições para o que queremos ou o que achamos que queremos. Alguns de nós enxergarão o apadrinhamento como a forma de ter o melhor amigo que nunca tivemos nossa vida inteira. achei que um padrinho era um super-herói ou cavaleiro de armadura brilhante que sempre viria me salvar. Muitos de nós temos expectativas irrealistas sobre o que um relacionamento de apadrinhamento deve ser. Depois de achar um 210 . Podemos querer ser o afilhado preferido fazendo a coisa certa. sempre. limita nossas possibilidades e pode atrasar nosso crescimento. Ficar limpo e manter a mente aberta muitas vezes traz dádivas muito além do que imaginamos para nós mesmos. “Quando cheguei ao programa. Esses desejos não são errados ou prejudiciais.quando peço. Podemos sempre querer ter as respostas certas para aquelas perguntas difíceis que os afilhados fazem. as recompensas são maiores do que jamais imaginei”.

Às vezes a reação inicial de qualquer uma das partes é defensiva. Nosso padrinho poderá nos desafiar. na verdade ele está lá para me ajudar a trabalhar os passos”. pedindo que olhemos para algo desconfortável. “Não estava muito preparado para o fato de quanto apadrinhamento iria me 211 . querendo algo mais ou diferente do que estamos recebendo. a coragem e humildade necessária para resolver essas questões freqüentemente levam o relacionamento de apadrinhamento a níveis mais profundos.padrinho. enquanto meu padrinho me dava enorme conforto em momentos de dificuldade. percebi que. Podemos até trocar palavras ásperas ou dizer coisas das quais depois nos arrependeremos. Como em qualquer relacionamento. ou talvez desafiemos nosso padrinho. Um elo dinâmico e significativo entre um padrinho e afilhado depende de um alicerce sólido de boa vontade. Isso inclui a boa vontade para passar por dificuldades sem deixar medo ou raiva destruírem o relacionamento.

E talvez em outros momentos não estou tão amoroso e centrado.desafiar a me estender e crescer. sou eu quem diz algo que acredito que precisa ser dito. e eles se tornam magoados ou defensivos. e digo alguma coisa que machuca. Tento sempre ser sensível e respeitoso. mas quando eles fazem exatamente isso. ou raiva. mas às vezes a coisa que precisa ser dita não é muito gostosa. que eu levo ao meu Décimo Passo. admitindo que cometo erros e sou totalmente humano. ou dor. Pensava que como o padrinho era eu quem ia desafiar os afilhados. Em outros momentos. minha primeira reação instintiva é defensiva. Eu convido abertamente os companheiros que apadrinho a me confrontarem livremente. Vim a enxergar esses momentos de dor e conflito como oportunidades de ganhar habilidades básicas de 212 .

nós saímos das coisas com um elo maior de confiança e respeito mútuo do que entramos. Aprendi não só a não ter medo desses momentos desafiadores. e se eu me manter focado em princípios. que conflito e raiva entre as pessoas não tem que significar rejeição ou abandono. às vezes dolorosamente. Em quase todos os casos. com meus filhos ou em qualquer outro lugar. Vivi com muito medo desses momentos de desconforto interpessoal antes de encontrar NA. O relacionamento de apadrinhamento tem sido a oficina onde tenho aprendido a confiar no amor e compromisso de outros homens em recuperação o suficiente para ficar e ter conversas difíceis. se eu ficar ali com amor e respeito.relacionamento que posso aplicar posteriormente em meu casamento. Tive que aprender. mas a aceitá-los de braços abertos 213 .

Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. Entrar no apadrinhamento é arriscado. e dispostos a aprender mais a respeito dos princípios espirituais de NA. posso construir um relacionamento baseado em amor incondicional e compromisso. Com a orientação do Poder Superior e um sincero desejo de ajuda a outro adicto. “É imperativo que eu examine meus motivos quando concordo em apadrinhar alguém. esse relacionamento providencia um dos nossos elos mais básicos ao programa de Narcóticos Anônimos e pode nos mostrar como viver as soluções que os passos têm a nos oferecer.como os momentos chave para o aprofundamento do relacionamento”. comprometidos com sua própria recuperação. Ambos os membros devem estar motivados a trabalharem um com o outro. Partilhar algumas de minhas 214 . Ego não tem lugar em meu processo de tomada de decisão.

verdades mais íntimas pode se assustador. mais recebo.’ Quando eles queriam me contar tudo sobre o drama em suas vidas eu simplesmente perguntei onde estavam com o passo atual. trabalhe seu passo. eu dizia ‘Exatamente! Escreva o passo e depois me 215 . Verdade cria confiança. e quanto mais verdades partilhamos. Porém. Quanto mais dou. Após o longo silêncio. mais confiança se desenvolve. “Porque é que afilhados sempre parecem ter uma ‘crise’ durante meus exames finais na escola? Minha solução no último semestre foi deixar uma mensagem simples de NA em minha caixa postal: ‘Se isso for um afilhado. e esse processo ajuda a manter um relacionamento duradouro”. confio que meu Poder Superior está no meio do relacionamento e me ajudará a partilhar livremente. vá a uma reunião. e depois me ligue.

Não quero ir à minha próxima reunião só para pegar uma 216 . e trabalhar os passos. “Como uma afilhada que acabou de começar a trabalhar com outra madrinha.ligue’. Esses são os momentos que preciso voltar aos básicos – aquelas coisas que eu fazia sem perguntar quando comecei a ficar limpa. Sei que preciso fazer minha parte. Preciso ir a reuniões regularmente. As desculpas que estou muito cansada para ir a uma reunião ou que está muito tarde para ligar podem me meter em grandes encrencas. e comigo”. estou aprendendo tudo novamente sobre compromisso. Depois de estar limpa por mais de 20 anos. às vezes me torno complacente e muito confortável. mas parece ter funcionado bem com meus afilhados. Às vezes essas coisas são difíceis de fazer. Tenho certeza que essa abordagem não funcionaria com todo mundo.

“Fui recentemente diagnosticado com uma doença que os médicos dizem irá tomar minha vida em mais ou menos um ano. Medo e 217 . Somos todos sobreviventes. Temos uma conexão que nos mantém unidos: compartilhamos a recuperação de uma doença devastadora. Nossos relacionamentos como padrinhos e afilhados podem oferecer o apoio e compreensão que precisamos para continuar indo em frente. Às vezes nos vemos frente às circunstâncias mais difíceis da vida. Encontramos dádivas aqui em NA que a maioria das pessoas nunca experimenta em sua vida. trabalharmos os passos e trabalharmos com nossos padrinhos não nos isentam das realidades de viver a vida. mas a questão não é realmente essa? O Texto Básico diz: ‘tempo limpo não é igual a recuperação’. e tentamos fazer o melhor que podemos. Sei que isso parece dramático.ficha branca. Ficarmos limpos.

Sabia no fundo do meu coração que não queria passar meus últimos dias na terra preso nos horrores da adicção. falando com meus afilhados e padrinho. mas percebo agora que tenho a dádiva de 218 . Imediatamente liguei para meu padrinho! Nós conversamos. trabalhando os passos.pânico me envolveram no início. dizendo para mim ‘Ei. da adicção. Encaro minha mortalidade diariamente indo a reuniões. mas aí senti uma estranha sensação de calma. praticamos os princípios espirituais desse lindo programa... e confiando no meu Poder Superior amoroso. agora pode começar a usar drogas de novo porque você está morrendo’. Percebi que a calma era minha doença. e começamos a fazer o que fazemos há anos juntos. choramos. sempre achei que eu seria um daqueles velhinhos que levanta numa convenção com 50 anos limpo. Sabe.

os olhos dela permaneciam sem lágrimas. 219 . com muita tristeza para nós duas. e não me sinto só. Tinha feito e visto tanto que não conseguia mais chorar ou sentir. e meu coração se partiu. e duvidava que iria fazê-lo novamente.estar limpo só por hoje. Ela partilhou sobre ser espancada por seu padrasto. Sua partilha honesta foi a conexão de volta para uma vida emocional para mim. me lembrei de ter apanhado do meu pai. É daí que vem a minha liberdade”. “Quando estava usando. eu via seu corpinho sendo machucado por ele. Isso mudou para mim quando ouvia o Quinto Passo de minha afilhada. Enquanto eu chorava. Ela só tinha seis meses limpa – o tempo do despertar emocional dela estava por vir”. parecia que meu coração tinha virado pedra. Imediatamente. e enquanto falava.

Minha própria confiança em Deus e no poder do Terceiro Passo foi imensamente melhorado por essa experiência”. Ele ficou arrasado e sentiu muita dor por muito tempo. Tudo o que conseguia dizer a ele era para continuar tentando entregar sua vida e vontade ao Poder Superior de sua compreensão. 220 . não importando como isso sentia. Para minha surpresa. ele finalmente alcançou aceitação da situação. nos tornamos cientes do impacto de trabalharmos com os princípios de NA.“Meu afilhado estava no Terceiro Passo quando sua namorada o largou de repente para ficar com outro membro de NA com muito mais tempo limpo que ele. Estava preocupado que ele não ia conseguir sair dessa limpo ou vivo. Ele confiou que a vontade do Poder Superior dele era o melhor para ele. Conforme crescemos em nosso relacionamento de apadrinhamento.

Aprendi como defender minhas crenças e praticar os princípios espirituais que NA me ensinou. Com isso não quero dizer que me tornei menos gentil ou amoroso.Começamos a ver os resultados de aplicarmos os passos e tradições em nossas vidas diárias. Agora tenho mais experiência para dar orientação e direcionamento a afilhados. “Me tornei menos e menos motivado pela necessidade dos meus afilhados gostarem de mim. sempre procurando 221 . que eu abri mão de minhas tendências de agradar o outro. mas logo começamos a entender que crescer em recuperação vai muito além de simplesmente não usar. Posso me sentir mais confortável sendo honesto. mesmo quando estou falando com alguém que pode se tornar defensivo. NA nos ajuda a nos libertarmos das drogas. nas vidas daqueles à nossa volta. raivoso ou hostil. e em como enxergamos nosso lugar no mundo. mas sim.

com maior habilidade para confiar no meu padrinho e revelar o que está realmente acontecendo em minha cabeça e coração. descobrimos que. Através do processo de trabalhar os passos juntos. Já que confio mais em mim. Hoje confio que meu padrinho me ama incondicionalmente e verdadeiramente me compreende com o coração cheio de empatia e ajuda”. Isso. por sua vez. com uma pessoa dando toda a ajuda. tem me ajudado a ser um afilhado com mais mente aberta. se desenvolve em uma “via de mão dupla” que tanto ouvimos falar. 222 . sugestões e aquelas velhas verdades que tenho dificuldade de enxergar sem a ajuda de outro. aprendi a confiar mais nos outros. Posso ouvir críticas construtivas.usar os Doze Passos como base da solução. com cada adicto ajudando ao outro. com a mente aberta. o que pode iniciar como um relacionamento desbalanceado.

Agradeço a Deus e a meus 223 . Às vezes e como se eu nunca tivesse visto certos trechos. enquanto outros o verão em termos da instrução ou até disciplina que ele pode providenciar. ou ouvido certo conceito ou principio antes. fazemos nosso melhor para ajudarmos um ao outro. Cada vez que eu sento com um afilhado para trabalhar os passos. “O processo de trabalhar os passos com meus afilhados nunca pára de me surpreender. Independente de como nosso relacionamento de apadrinhamento se desenvolve. tenho novas revelações. Continuo crescendo em minha recuperação pessoal por causa da perspectiva nova que suas interpretações dos passos oferece. As palavras nas paginas de nossa literatura parecem ganhar vida e falar comigo como nunca antes.Alguns membros experimentam o apadrinhamento como um elo amoroso e incondicional.

Depois. o que funcionava e o que não estava funcionando.afilhados por suas contribuições a minha recuperação”. Ficava dizendo isso a ele varias vezes. Ele partilhou que esteve numa situação similar com um padrinho. Foi um processo incrível para mim. nos encontramos e discutimos o inventario de forma amorosa e madura. e que ele fez a mesma coisa. “Fiquei muito chateado com meu padrinho quando senti que ele estava fazendo corpo mole com o compromisso dele comigo. nosso 224 . Eu não mais me sentia frustrado e sozinho. Ao me tornar honesto com ele. o que ele fazia que me deixava com raiva. ate que ele pediu que eu fizesse um inventario sobre ele. Escrevi sobre tudo – porque eu o escolhi e continuei com ele. o que gostava nele.

“Minha madrinha tem me ajudado a ver que relacionamentos com homens me causaram muitos problemas no passado. Ajudarmos nossos afilhados a trabalharem os passos enriquece nossa própria espiritualidade. nós mesmos e outro ser humano. Em muitas formas. Como trabalhamos os passos Quando trabalhamos os Doze Passos. aprendemos a trilhar um caminho espiritual. Ela me ajudou com minha decisão de me distanciar de romance ate que tenha meu Poder Superior como meu primeiro 225 . Nossa habilidade para partilhar nossos pensamentos sobre princípios espirituais com outra pessoa é um presente poderoso de recuperação. esses princípios são elementos básicos para estabelecermos e mantermos relacionamentos saudáveis – com nosso Poder Superior.relacionamento pode continuar a evoluir”.

meu padrinho me assegurou que se ele acreditasse que a solução para minha insanidade fosse outra coisa senão os Doze Passos de NA. a não ser que eu queira estar”. Me encontrei com meu padrinho e li o que eu tinha escrito nos últimos dias. Isso foi ha quatro anos. Estava julgando o meu interior pelo exterior dos outros. e muito bem. Foi intenso. “Em um determinado momento de minha jornada. Sabia.e mais importante relacionamento”. e sei hoje que nunca estou só. estava me sentindo espiritualmente inadequado. 226 . Após ouvir a leitura e me deixar partilhar do coração. Eu entendi e segui em frente. ele me avisaria. qual era a alternativa. e sabia disso. frustrado e sozinho. e doeu por aqueles sentimentos para fora.

Você precisa do espaço porque a 227 . empatia.“Trabalhar o Quarto e Quinto passo com minha nova madrinha foi assustador no início. mas de maneiras novas e antes desconhecidas. tive que depender de minha nova madrinha para me dar apoio. Quando estava escrevendo meu Quarto Passo usando o guia. As palavras que minha madrinha usou ainda estão na minha cabeça: ‘Largue a velha você. Mas minha vida ainda estava sendo regida por um desejo de aceitação social no programa. Minha doença ainda estava ativa em minha vida. e meus muros de defesa ainda me bloqueavam da intimidade. Já tinha feito os passos com duas madrinhas anteriores e tinha recebido uma sensação de liberdade duradoura. e amor incondicional par que pudesse fazer o inventario profundo.

e os Guias para Trabalhar os Passos em Narcóticos Anônimos. “Quando apadrinho alguém que não lê ou escreve. Se estamos dispostos a nos esforçarmos. assim como as diversas ferramentas do programa. Recuperação é uma experiência altamente pessoal.nova você esta se mudando para cá’”. versões em áudio da literatura de NA para ajudar aqueles de nós com deficiências físicas ou que não têm habilidades literárias fortes. também. Alguns de nós usam dicionários. então podemos encontrar uma maneira de trabalharmos os passos e compreendermos o programa de NA. 228 . como o Texto Básico. Há. Como padrinhos. Muitos dos textos e panfletos de NA são publicados em um grande número de línguas. Podemos pedir que afilhados escrevam a respeito de certas partes desses textos e outra literatura de NA. cada um de nós tem desenvolvido sus própria maneira de trabalhar os passos com afilhados. Isso Resulta: Como e Porque.

“Somente apadrinho adictos que estão dispostos a continuarem indo em frente com os passos. Ela aprende a fazer isso através de escrever os passos com sua madrinha.dependo do uso de fitas cassete. Depois. gravando seus passos na fita. peço para minha afilhada ouvir a versão áudio do texto básico. Acredito que e essencial para sua recuperação e seu bemestar. Ela pode sempre rebobinar a fita e voltar ao começo se precisar lembrar como fazer a tarefa. para que complete. e por essa razão gravo a tarefa no inicio da fita”. gravo como eu quero que minha afilhada faça a tarefa.” “Minha madrinha me ensina como trabalhar os passos. Dou a fita a ela. Primeiro. Ela esta aberta a aprofundar sua própria experiência de 229 .

Tento repassar os conceitos que aprendi dela as minhas afilhadas”. A autorevelação honesta de um padrinho pode ajudar o afilhado a ganhar confiança na direção do padrinho. mesmo estando 24 anos limpa. Estamos juntas ha dez anos. Eu tenho visto ela continuar a mudar e crescer ao longo dos anos. 230 . Alguns de nós temos visto que a chave para construir confiança é partilha aberta e íntima entre padrinho e afilhado. Minha madrinha tem uma mente de recém chegado e ver sua boa vontade me inspira a ter a mesma atitude.recuperação e não age como se ela tivesse ‘conseguido’ a recuperação e não precisa mais crescer. Isso me da esperança de que eu também posso. O processo de trabalhar os passos juntos pode tornar mais fácil o desenvolvimento da confiança.

dos pontos de vista tanto do afilhado quanto do padrinho. ajuda aos dois desenvolverem e aprofundarem nossa compreensão e confiança”. e aprendi que ao trabalhar os Doze Passos. Foi somente depois que comecei a confiar nela que 231 .“Antigamente achava difícil falar aos meus afilhados que eu tinha experimentado o mesmo medo e vergonha que eles estavam sentindo. Ser vulnerável envolve um certo risco. Foi somente ao falar com meu padrinho que eu aprendi que podia ter a humildade e honestidade de ser quem sou e partilhar isso com meus afilhados. me vi me tornando mais e mais confortável com ela. “Uma vez que eu pude falar sobre coisas pessoais com minha madrinha. Achava que tinha que ser perfeito sempre.

confie no processo!” Outros de nós descobriram que revelar muitos detalhes pessoais quando ajudamos nossos afilhados a trabalharem os passos pode causar incerteza a respeito do papel do padrinho. Queria escolher o passo no qual iria trabalhar. podemos tirar o foco dos nossos 232 .. e quando fazê-lo. Se passarmos muito tempo falando apenas sobre nós mesmos. questionava meu padrinho quando ele me dava direcionamentos sobre trabalho de passos. nem queremos dominar a conversa. Não queremos jogar todos os nossos problemas para aqueles a quem apadrinhamos.pude começar o processo de escrever os passos”. Depois ele disse que havia uma razão pela qual os passos estão enumerados de um a doze. “No começo. Ele disse que eu tinha que parar de tentar ser meu próprio padrinho e parar de controlar o processo de trabalhar os passos..

tempo e experiência me tem ensinado que paciência e encorajamento amoroso são as chaves que destravam os lábios e o coração”. Parte de desenvolver um relacionamento de apadrinhamento é encorajar nossos afilhados a partilharem suas experiências. Mas. Encorajar meus afilhados a partilhar honesta e livremente tem às vezes sido desafiador. ligava para minha madrinha pedindo apoio e ela passava tanto tempo falando dela que não tinha a oportunidade de expressar 233 .afilhados. “Como recém chegado. Cada relacionamento de apadrinhamento é único. individualmente. Houve vezes que parecia que eu estava arrancando dentes. e devemos descobrir o que funcionará melhor. “Desenvolver novos relacionamentos de apadrinhamento não tem sido sempre fácil para mim.

Alguns favorecem um processo metódico e detalhado. Fiquei impaciente e achei outra madrinha. cada padrinho e madrinha 234 . não tinha guia para trabalhar os passos. Conforme comentado anteriormente. “Quando cheguei.minhas necessidades ou adquirir a orientação que queria nos passos. Meu único remorso e que não falei com ela sobre a frustração naquele momento”. Vários de nós desenvolveram métodos específicos que usamos ao guiar afilhados pelos passos. Naquela época. alguns membros usarão dicionários para esclarecer certos princípios e conceitos. pedindo que o afilhado escreva extensamente a respeito de cada passo e princípio. É importante lembrar que não temos todos a mesma abordagem em ralação aos passos. Muitos de nós temos orações que dizemos antes e após o trabalho com os passos. enquanto outros não têm uma abordagem tão estruturada.

comecei a ficar com ressentimento. Quando terminei os passos.tinha um jeito diferente de trabalhar os passos. Porem. arrumei um padrinho novo. que pediu que eu começasse no inicio do Guia Para Trabalhar os Passos de NA. e se ainda quero tudo isso preciso estar disposto a aprender sobre mim mesmo 235 . como se fosse uma revisão. e me preocupava que usar um guia iria tirar um pouco da orientação pessoal que tanto valorizo no processo de apadrinhamento. Senti que algumas das perguntas eram repetitivas. eu aprendi que esse programa e sobre mudança. me foi mostrado uma maneira diferente de trabalhar os passos Dez a Doze diariamente e como incorporá-los em minha vida. Cada dois anos eu fazia um novo Quarto Passo. Conforme comecei a fazer os primeiros passos. Recentemente.

eu peco que escrevam sobre cada passo. Lhes falo sobre os sentimentos que passei ao partilhar minhas experiências intimas pela primeira vez. Quando chega a hora de nos encontrarmos e revisarmos o passo. “Quando trabalho com meus afilhados. Isso nos da uma perspectiva bastante diferente e tem provado ser uma forma eficaz e poderosa de partilharmos nossa experiência e aprofundar nosso relacionamento”.e meu relacionamento com Deus e outros nesse novo processo”. às vezes pego o que escreveu e leio para ele. sempre fazendo uma oração antes de começarmos e depois falado de minha experiência do Quinto passo com meu padrinho. “Eu ajudo meus afilhados com o Quinto Passo. Antes do afilhado começar a ler o 236 .

peco que coloquem os nomes em cartões com uma breve descrição do dano causado. mas que podem ter prejudicado. Olhamos as reparações que podem ser feitas imediatamente. falamos sobre todos os cartões. as restituições financeiras. peco que meus afilhados façam uma lista das pessoas a quem causaram danos.Quinto Passo. Procuramos por padrões repetitivos e danos pelos quais eles possam estar se atribuindo muita responsabilidade. Isso parece relaxá-los. Ai. Depois. tirada de seu inventario do Quarto Passo e adicionando qualquer pessoa que não esteja no inventario. Tento ser tão honesto e aberto com meus afilhados quanto quero que sejam comigo”. pergunto quais os seus sentimentos naquele exato momento. “No Oitavo Passo. 237 .

“Quando estava limpa mais ou menos nove anos.qualquer reparação que não pode ser feita. ficamos inspirados. e meus defeitos 238 . Falamos sobre elas detalhadamente e sempre lembramos que um Poder Superior nos ajudara ao fazer essas reparações”. Quando assistimos ao crescimento de um afilhado. Explicar os princípios do programam nos ajuda com nossa maior compreensão desses princípios. Uma das dádivas que a recuperação oferece é uma nova perspectiva sobre os outros e nós mesmos através de nossa experiência partilhada com os passos. Estava trabalhando lá há três anos. e as que precisam ser adiadas. me vi em tumulto no meu emprego – um dos melhores empregos que já tinha tido. Nos dispomos a mudar e começamos a ver que se não mudarmos nossa recuperação irá estagnar. Aprendemos a confiar mais num Poder Superior.

percebi que tinha que mudar alguma coisa ou perderia meu emprego. ficava com raiva quando alguém pedia que eu lhes ajudasse. e comecei a ver como poderia me modificar 239 . mas era hora de fazê-los de novo – desta vez focando meus relacionamentos no trabalho.de caráter estavam vindo à tona claramente. Ela amorosamente me guiou a observar meus defeitos de caráter. e estava começando a expressar essa raiva de forma inadequada. Depois de vários desentendimentos com meu chefe. Fiz um Quarto Passo sobre minha historia profissional. Estava com ressentimento de meu chefe e meus colegas. Tinha trabalhado os passos varias vezes em meus nove anos limpa. e depois fiz os Quinto. Sexto e Sétimo Passos com minha madrinha.

Estou feliz em poder dizer que após mais ou menos um mês. Que milagre! Se a ajuda da opinião imparcial de minha madrinha. mais uma situação desconfortável da qual fugi. meu chefe estava honestamente triste em me ver partir. e mais uma 240 . Ela estava feliz por mim e disse que tinha visto muita mudança em mim. teria sido mais um emprego do qual pedi demissão. Quando finalmente sai daquele emprego por uma posição num setor que sempre sonhei trabalhar.com a ajuda do meu Poder Superior. Pude enxergar claramente minha parte e iniciar o processo de mudança. Nunca tinha trabalhado os passos numa situação de trabalho como aquela antes. as coisas no trabalho melhoraram muito.

NA nos oferece somente uma promessa – liberdade da adicção ativa. educacionais e profissionais. Oportunidades contínuo para crescimento Chegamos a NA para aprendermos como parar de usar drogas e nos recuperarmos da doença da adicção. religião (ou 241 . Recuperação significa encarar o que a vida apresentar e tentar enxergar nossas circunstâncias como oportunidades em vez de obstáculos. Afinal. Mas recuperação é muito mais do que simplesmente parar de usar drogas. idade. Às vezes ficar limpo significa que estamos inteiramente presentes aos obstáculos que encaramos. Nossa diversidade se estende para credo. Nossa diversidade é nossa força Enquanto o princípio de anonimato nos torna todos iguais. Somos provenientes de diversos históricos étnicos.oportunidade para me ver como péssima profissional”. temos diferenças que podem apresentar dificuldades em nosso relacionamento de apadrinhamento.

Crescer com as crenças e cultura de minha família. entrei em uma comunidade de NA que era composta por praticamente todos membros de uma cultura diferente da minha.falta de religião). Porem. As diferenças entre nós oferecem inúmeras oportunidades para crescermos conforme trabalhamos juntos como padrinho e afilhado. Podemos todos falar a mesma língua de recuperação. mas seria impossível todos aprendermos essa linguagem da mesma forma. “Hoje. raça ou proveniência não importa e que somos todos adictos recuperando da mesma doença. aprendi que cor. 242 . especialmente pessoas de outra cultura. não estava acostumado a partilhar o que estava acontecendo em minha vida com ninguém. Também era mias velho do que a maioria dos membros no grupo. e além. quando fiquei limpo.

acreditei que ele era o único que podia me ajudar a ficar limpo e trabalhar os passos. Quando comecei a apadrinhar esse companheiro. e esse crescimento tem me ajudado a entender que outras pessoas também podem me ajudar”. ele tinha uns 16 anos. e eu uns 16 anos limpo! Tenho muito cuidado com o que digo porque sei 243 . Cresci em todas as áreas por causa de sua ajuda. “Meu maior desafio tem sido apadrinhar um adolescente. no inicio.Não confiava em muitas pessoas no programa. Ambos tínhamos a mesma proveniência. Quando ele partilhou que estava morando a uma quadra de onde eu comprava drogas e que ele estava limpo há seis anos. Finalmente conheci o membro que tinha atendido minha ligação à linha de ajuda. e pude fazer uma conexão com ele.

Não tenho que ser outra pessoa com ele. alguns de nós sofremos conseqüências físicas que continuam 244 .que ele esta ainda aprendendo sobre a vida. especialmente como trabalha os passos. Necessidades adicionais Como resultado de nossa adicção ativa. Ele agora tem pouco mais de um ano limpo e é uma inspiração para mim. que muitas vezes preciso pedir que ele não escreva como se estivesse escrevendo um livro! Ele me liga quase todos os dias e me lembra de como eu era no inicio de minha recuperação e como eu deveria tentar ser novamente. Penso nele como se fosse o filho que nunca tive. Ele me da muita esperança. Ele escreve os passos tão bem. Adoro que temos um relacionamento tão honesto”.

nossa saúde sofreu danos irreparáveis devido ao uso de drogas ou nos colocarmos em situações de risco para alimentarmos nossa adicção. descobri que poderia levá-lo de 20 a 30 horas de esforço para aquela pagina.conosco em recuperação. Claro. tive que repensar. Mas quando comecei a trabalhar com um companheiro que tinha lesão cerebral devido a um acidente de motocicleta. temos que lidar com os mesmos desafios físicos que afetam a população geral: deficiências físicas e problemas congênitos. “No inicio de minha recuperação. nem todas as necessidades adicionais de nossos membros são relacionados à doença da adicção. e os resultados de acidentes e doenças. eu pedia a meus afilhados fizessem o que meu padrinho fazia comigo. Em muitos casos. Se eu pedisse que ele escrevesse uma pagina sobre algum tópico. mas ele o faria – mesmo se não conseguisse entender aquilo 245 .

Acabou com minha energia. “Cinco anos atrás. Os efeitos colaterais eram horríveis. me levando a reuniões. me dando injeções quando precisava. e eu dormia umas doze horas por dia.que tinha acabado de escrever. Só faltei em 246 . Foram pacientes e compreensivas do fato que eu não poderia estar disponível tanto quanto estive no passado. Minhas afilhadas realmente me ajudaram em meu momento de necessidade. indo ao médico comigo. Então agora falamos muito sobre os passos e como ele pode aplicá-los em sua vida diária”. etc. estavam disponíveis para mim: fazendo tarefas para mim. Na verdade. tive que começar a tomar um medicamento para uma doença que contraí como resultado direto de minha adicção.

Nunca esquecerei a amizade e amor que me foi mostrado durante um dos momentos mais difíceis de minha recuperação”. Com a ajuda de nossos padrinhos e o apoio de nossos afilhados. e humildade. fazemos as mudanças possíveis e aceitamos o que precisamos 247 . e falávamos por horas. Realmente me mostrou que isso é um programa ‘nós’. aceitação. Como adictos em recuperação. Ela me encorajou e me ajudou a aplicar os princípios do programa. e agora estamos envelhecendo.três reuniões do meu grupo de escolha aquele ano inteiro. minha madrinha foi incrível. especialmente gratidão. temos crescido em NA. à situação pela qual estava passando. Mais e mais de nossos membros estão acumulando tempo limpo no programa. E. muitos de nós vivemos tempo suficiente para encararmos problemas de saúde que vêm com o passar dos anos. Ela me ligava todos os dias.

Achei que ele realmente amava ficar comigo. Ele continuou me dando tempo toda semana. perguntei aonde íamos. A resposta dele foi ‘O consultório do meu medico’. Meu padrinho disse ‘Sem problemas. Quando cheguei a sua casa aquela manha. apesar da diferença de 40 anos em nossas idades.. e crescemos e prosperamos como resultado. Esteja aqui sábado de manha.aceitar. Graças a Deus ele precisava de mim para ajudá-lo porque me deu 248 . Estava muito animado. descobri que já que ele foi ficando mais velho. Às vezes somos forçados a pedir ajuda.. “Uma das coisas que queria de um padrinho era alguém que me daria algum tempo toda semana. sabendo que ia ser algum lugar muito espiritual. indo a reuniões comigo. já não gostava mais tanto de dirigir. dirigindo.

me falava quando não tinha entendido. com compreensão limitada do material. Fui dado a oportunidade de ajudar alguém que tem me dado muito”. Como resultado. parando para explicar o que significavam as frases. Eu a encorajei-a e desafiei-a a escrever sobre 249 . eu lia. Uma vez que ela começou a confiar mais em mim. e às vezes evitaremos escrever os passos. “Fui madrinha de uma mulher que lia muito pouco. ou podemos ter dificuldades para ler. Muitos de nós não escrevemos bem. ela me fazia perguntas. e tentava ler em voz alta para mim. palavras e parágrafos. etc. Nos encontrávamos cinco ou seis vezes por mês para ler os passos. No inicio. podemos nos sentir inadequados.tanto tempo com ele e tornou nosso relacionamento incrível.

Muitas de nossas reuniões têm acesso para cadeiras de rodas. Então. Minha paciência. desenhar símbolos ou figuras. Após o Terceiro Passo concordamos que ela tentaria gravar o Quarto. tolerância e auto estima foram levantados. podemos ajudá-los a perceber o que o NA tem a oferecer. Isso foi para mim uma renovação dos passos. Se apadrinhamos membros com necessidades adicionais. alguns de nós lutamos com completar tarefas diárias que são fáceis e naturais para outros. parando para que ela partilhasse o que ela sentia ao longo do processo. e 250 . e ela estava florescendo em sua nova vida”. qualquer coisa para conseguir fazê-lo. e me ajudou a aumentar minha compreensão deles.cada passo. mas eu não quis ouvir desta maneira. ouvimos a fita juntas. Por uma variedade de razões. Ela deixou a fita no meu trabalho.

e eu me tornei seu padrinho temporário enquanto morasse lá. “Morava em uma cidade onde havia um centro de tratamento de longo prazo que se especializava em tratar adictos surdos. Podemos ainda trabalhar os passos com afilhados simplesmente com partilha individual. não há nenhuma regra rígida que se encaixe para todos os membros da irmandade. Há um número de versões áudio dos textos de NA e panfletos assim como literatura em Braille e fonte grande. Ele digitava para um operador que lia a mensagem para mim. e normalmente nos comunicavam através de um sistema de intermédio. Enquanto muitos membros acreditam que a melhor maneira de fazer os passos é por escrito. Um dos pacientes tinha vindo de outro estado para se tratar. Isso foi bem antes de e-mail e chats online.algumas têm até interpretes para aqueles com dificuldades auditivas. Eu tinha dificuldade 251 .

“Alguns anos atrás. Tinha sido um servidor em Narcóticos Anônimos por décadas e estava no serviço mundial ha anos. pois ficava um pouco envergonhado com alguns dos detalhes pessoais que ele estava revelando a um estranho (o operador). Me vi fisicamente dependente de outros para fazer minhas tarefas diárias. tive uma serie de doenças debilitantes. mas ai tudo 252 .com o esquema no inicio. e começamos a falar mais livremente após o despertar por minha parte”. Podia me identificar com o nível de boa vontade dele. Eu era sempre a pessoa que estava a disposição para ajudar os outros. Ele me explicou que isso e o que ele precisava para ficar limpo. e isso me endireitou rapidinho. Isso foi uma reversão total para mim. Amava servir em todos os níveis.

tenho experimentado um sentido mais profundo de amor e intimidade nos meus relacionamentos. é nossa responsabilidade trabalharmos os passos da melhor maneira possível. Uma das maiores dádivas da minha doença e que deu a meus afilhados. Independente dos desafios que nos confrontam. a oportunidade de me ajudarem.mudou. usando os meios possíveis. família e amigos. encontraremos uma maneira de trabalharmos juntos. Sempre foi mais fácil para mim. padrinho. Prisões e instituições 253 . Como afilhados e padrinhos. dar do que receber. Como resultado. especialmente com meu Poder Superior”. Tive que me render ao fato de que eu tinha que praticar o que tinha aprendido a respeito do principio espiritual de receber. se tivermos boa vontade para fazermos um esforço.

Dependendo da situação específica. num centro de tratamento ou outra instituição na qual está confinado. Nunca 254 . Se nosso padrinho ou afilhado está encarcerado. “Quando fui preso. só estava limpo há 11 dias.Estar num relacionamento de apadrinhamento enquanto preso. mas pode funcionar. e funciona. talvez não possamos ver nosso afilhado padrinho regularmente. quer seja nosso afilhado ou padrinho que está na instituição. Ambos os membros terão que manter a mente muito aberta e ter boa vontade excepcional para que esse relacionamento seja eficaz. A necessidade de manter o foco na recuperação e trabalhar os passos será especialmente importante durante esse tempo. oferece um grupo diferente de desafios. Talvez tenhamos que depender de comunicação via telefone ou cartas. teremos que levar em conta as regras do local e como essas regras afetarão nossa habilidade de comunicarmos com alguém “dentro”. Pode funcionar como apadrinhamento à distância.

Puxa. e ele concordou em se corresponder comigo. mas quando o vi comecei a chorar – na frente de todos. mas gosto de pensar que sim. Acredito que estar limpo e ter alguma experiência em NA naquela época foram grandes dádivas naquela época. como eu estava feliz em vê-lo! Eu era o traficante durão. Não queria mais carregar aquelas coisas comigo mais. Conhecia um dos caras porque tínhamos nos conhecido em reuniões antes de eu ser preso. Em todo caso. Li o Texto Básico de capa a capa e comecei o Quarto Passo. pedi para ele ser meu padrinho. Acabei fazendo meu Quinto Passo com um ministro porque o meu padrinho só podia me visitar 255 . Nos escrevemos algumas vezes. Havia uma reunião de NA que vinha a cada duas semanas para a cadeia onde eu estava. e ele me ajudou a começar os passos.saberei se eu teria ficado limpo se não tivesse sido preso.

durante a reunião de NA marcada. para ouvir o Quinto Passo de algum cara que vai sair. fui trancado em uma instituição por mais de três anos. Eu sempre os encorajo a arrumarem um padrinho e começarem a trabalhar os passos assim que saem. Pude ficar limpo durante esse tempo através do trabalho dos Doze Passos e mantendo contato com meu grupo de apoio em NA pelo correio e os orelhões. Hoje. O tempo passou. Eu pude continuar meu relacionamento de apadrinhamento não só com 256 . às vezes sou chamado para a Unidade de Tratamento Intensivo da cadeia. estava limpo antes de ser preso. como eu. “Com 17 anos limpo. Com o tempo. É o que funcionou para mim”. um que. e eu tive a benção de poder apadrinhar quatro outros companheiros presos. cumpri minha pena e sai.

Nossa visão e experiência de 257 . Apadrinhar um membro em uma instituição pode tomar muito de nosso tempo e energia. mas dentro também. centros de tratamento e fóruns. com certeza. Em algumas partes do mundo. instituições. alguns de nós têm encontrado afilhados ou padrinhos em tais situações. tem sido minha verdade em todos esses anos”. algumas facilidades têm regras rígidas que devemos seguir se vamos apadrinhar alguém lá. Adicionalmente. Devemos estar atentos para o impacto que a instituição pode ter em nosso relacionamento de apadrinhamento.alguns membros fora das paredes da instituição. Que presente! É dito em NA que ‘nunca mais precisamos estar sós’ e isso. Apesar de a maioria dos comitês de serviço pedirem que não apadrinhemos membros de uma instituição enquanto servindo no painel. obrigam adictos a passarem uma certa quantia de tempo com padrinhos e trabalharem os passos de uma determinada forma.

os regulamentos que muitas instituições têm podem ser muito inflexíveis ou até conflitantes com nossa visão do programa. “Recentemente tive o privilegio de amadrinhar uma companheira internada. Dessa forma. devemos aprender sobre os requerimentos do local para podermos tomar uma decisão informada. mas essa foi provavelmente a experiência mais maravilhosa de todas para mim. Tenho apadrinhado pessoas em tratamento antes. poderemos assegurar que nossa decisão beneficiará da melhor forma nosso afilhado ou afilhada. Ela me disse que o centro de tratamento requeria que eu a pegasse 258 .trabalhar os passos pode ser diferente de como a instituição direciona nosso afilhado. e devemos pensar honestamente sobre nossa capacidade de apadrinhar alguém nessas circunstâncias. Enquanto não queremos abandonar nosso afilhado. Antes de concordar em apadrinhar alguém na prisão ou outra instituição.

uma vez por semana para ir a uma reunião de que trabalhássemos os passos juntas. Ela sutilmente me indicava que os ‘outros padrinhos’ levavam os afilhados para jantar fora. uma vez que começamos a trabalhar juntas. davam-lhes dinheiro e deixavam os internos ficarem em suas casas nos finais de semana. 259 . ficou claro que ela tinha expectativas diferentes de mim do que concordamos inicialmente. e trabalhava mais que 40 horas por semana. Fui apresentada. Ela fez bico. Eu fiquei ressentida. e baseado nas expectativas das duas. Eu disse que não poderia ter esses tipos de obrigações. Ela disse que entendia que eu tinha outros compromissos. Expliquei que eu tinha uma família. Porém. concordamos em trabalhar juntas. outros compromissos de serviço.

cirurgia ou lesão. e tento ajudar. Apesar disso.mais uma vez. 260 . a oportunidade de trabalhar minhas tendências a agradar as pessoas. e hoje sinto que tenho muito a oferecer para alguém que e novo”. podemos precisar mais do que nunca de um padrinho. “Eu passei por um centro de tratamento quando fiquei limpa. por que o centro tem muitas regras rígidas com as quais nem sempre concordo. Acho extremamente difícil às vezes. Isso tem sempre sido meio difícil para mim. Doença em recuperação Às vezes em nossa recuperação. apadrinhando mulheres lá. percebo que a idéia e ajudar o recém chegado. Tinha que deixá-la ficar brava comigo por não atender aos seus desejos”. temos que manter nosso tempo limpo em face de doença. Durante esses tempos.

trabalhar com um padrinho pode nos ajudar a aceitar que isso faz parte de viver a vida. pedir ajuda ao seu padrinho. Nossas condições médicas podem requerer que tomemos remédios que podem causar vontade de usar. Somos particularmente vulneráveis durante esse tempo. Nossa recuperação é nossa responsabilidade. Muitos membros recaíram por não seguirem as sugestões de seu médico. Precisamos informar nossos médicos sobre nossa doença da adicção para que somos tratados de forma apropriada. ou prestar atenção aos sinais de uma ameaça que acordou – sua adicção. e nossa recuperação pode estar em perigo.Devemos lembrar que doença e dor não são desculpas para usar. devemos no manter vigilantes com nosso programa. Qualquer que seja a causa. e durante esse tempo tive que 261 . “Graças a Deus por meu padrinho e NA. Já que a adicção não diferencia entre usar e tomar medicamentos para tratar dor ou doença. Estou limpo ha mais de 25 anos. e precisamos partilhar sobre nossas dificuldades de saúde com nosso padrinho e membros em quem confiamos.

Fui ensinado cedo em recuperação que minha doença não sabe a diferença entre usar remédio para dor ‘real’ e usar remédio por causa de pensamentos adictivos. e mais importante. Alguns 262 . antes de ter que passar por algum procedimento médico que requer o uso de medicamentos. Toda vez. Procuramos nosso Poder Superior para nos apoiar e continuamos praticando nosso programa espiritual. eu lia o folheto Em Tempos de Doença.passar por várias cirurgias. Rezava e meditava. Já vi muitos companheiros adictos com tempo limpo variado começarem a usar de novo como resultado de subestimar o poder dessa doença”. deixava meu padrinho e meu grupo de apoio em NA saber que estava tomando remédio para que eles pudessem ajudar a monitorar meu uso durante esse período critico.

e mantive minha recuperação através de oração. trabalho dos 263 . partilhando nossos medos e dor. Tomei meu remédio conforme ele me foi prescrito. “Com oito anos limpo. Estava com muito medo. Se precisarmos tomar algum medicamento. fofoca. e o que minha família de NA iria pensar.membros da irmandade podem ser julgadores a respeito de outros membros tomando remédios. me vi em uma situação que necessitava o uso de medicamentos. Tinha medo de recaída. Alguns dos meus medos foram realizados – fui severamente julgado por alguns membros e alguns fofocaram sobre mim – mas eu não recaí. Coletamos tanta informação quanto possível para que possamos tomar a melhor decisão para nossa saúde. e queremos nos assegurar que isso não nos desvia do que precisamos tomar para tomar conta de nós mesmos. nos matemos próximos a nosso padrinho e rede de apoio.

Hoje.passos. Nossos afilhados podem pedir ajuda de diversas formas. Afilhados com doenças crônicas podem precisar nosso apoio 264 . Me senti seguro no conhecimento de que se eu mantiver minha recuperação aberta e honesta. Graças a Deus por apadrinhamento”. Talvez nosso afilhado vai precisar falar conosco com maior freqüência. Com a orientação de um Poder Superior e um médico maravilhoso que sabe que sou adicto. e mantermos em mente que o que funciona para uma pessoa não necessariamente funcionará para outra. precisamos tratar cada situação individualmente. tudo estará bem. Como padrinhos. indo a reuniões. e falando sobre minha situação com meu padrinho. continuo minha jornada de recuperação com mais de 13 anos de tempo limpo ininterrupto. pude tomar uma decisão informada a respeito de minha saúde. oferecendo nossa experiência força e esperança.

Não temos que passar por isso sozinhos. Os sintomas de doença mental são sutis às vezes. talvez tenhamos que pedir ajuda extra enquanto tentamos apoiar nosso padrinho em qualquer forma que pudermos. uma mulher que sempre acreditei que me apoiou e me apóia”. “Um ano atrás. O valor de um adicto ajudando a outro é como funciona nosso programa.enquanto mantém a saúde que têm e encaram a perspectiva de morte. Se for nosso padrinho quem está doente. minha madrinha teve que fazer cirurgia cerebral. e estar em um relacionamento de apadrinhamento com alguém diagnosticado com doença 265 . Após a cirurgia. Uma vez que cuidei do que eu precisava fazer no meu programa. já que minha madrinha estava doente. pude apoiar – com amor e gratidão – minha madrinha. imediatamente achei alguém que admirava e pedi que ela me amadrinhasse.

irá ajudar cada um de nós em nossa recuperação. Devemos nos manter vigilantes para nos resguardarmos contra qualquer confusão de papéis que podem emergir no nosso relacionamento. a encontrarem equilíbrio em suas vidas. Como em qualquer relacionamento de apadrinhamento. Mas preciso lembrar que meu papel como padrinho é ajudar aos outros a aplicarem os Doze Passos em todas as áreas de suas vidas. Pode haver 266 .mental pode ser desafiador. mesmo quando a adicção não é nossa única doença. não somos terapeutas. Focar o trabalho dos passos. “Como adicto em recuperação com uma doença mental. como padrinhos. psiquiatras ou psicólogos. tenho gratidão pela oportunidade de poder apadrinhar outros que também convivem com doença mental. em conjunto com seu tratamento médico prescrito. parte do que podemos fazer como padrinhos é ajudar nossos afilhados que convivem com doenças mentais.

mente aberta e boa vontade são essenciais à recuperação para meus afilhados e para mim”. Minha afilhada tinha a mente aberta e aceitou a sugestão. o melhor que ela pode.áreas nas quais a doença mental nos limita. quando comecei a amadrinhar uma mulher com uma doença mental. Já se passaram onze anos e ela vive uma vida 267 . “Nunca tive uma opinião a respeito de medicamentos ou terapia e como eles se relacionam com trabalhar os programa de NA. mas podemos nos recuperar se praticarmos esses princípios o melhor que pudermos. tive que admitir que ela tinha que buscar ajuda externa devido a sua inabilidade de se concentrar. Porém. Os princípios de honestidade. Hoje ela consegue se manter focada em viver e trabalhar o programa.

absolutamente fabulosa, da maneira de NA”. “Um dos desafios no apadrinhamento para mim tem sido apadrinhar pessoas que convivem com doença mental. Às vezes eles se sentem com se não pertencessem. Uso o panfleto Em Tempos de Doença e lhes lembro da Terceira Tradição – que o único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar. Quero fazer meu melhor para que eles sintam que pertencem, que não são separados da irmandade”. O tratamento de outras doenças além da doença da adicção é além do alcance do que Narcóticos Anônimos pode lidar. Como padrinhos, somos adictos em recuperação, não profissionais. Se, por acaso, formos um profissional de saúde física ou mental, como padrinho nosso papel não é receitar ou desencorajar tratamento médico de qualquer tipo.

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“Quando tomei a decisão de tomar remédio para minha depressão, também tomei a decisão de mudar de madrinha, pois minha madrinha na época não acreditava em tomar antidepressivos. Passei os primeiros quatro anos e meio de minha recuperação lutando com a depressão e imaginei que se fosse a um numero suficiente de reuniões, fizesse serviço o suficiente, e trabalhasse arduamente os passos, passaria. Finalmente tive que me render ao fato de que isso não era algo que eu podia controlar, que levou à pergunta “Como quero viver minha vida?’ No final, sou eu quem precisa conviver comigo, e precisava me sentir apoiada o suficiente para me sentir segura com minha decisão”. “Uma de minhas afilhadas regularmente se
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desestabiliza, e preciso constantemente lembrá-la de tomar seu remédio. Preciso lembrá-la do que pode acontecer se ela parar de tomar seus remédios – zanzando por ai sem propósito, não me ligando ou indo a reuniões, e eventualmente usando de novo. Passamos por esse ciclo muitas vezes e é muito difícil mas eu a amo e quero ajudá-la a melhorar. Uma vez que ela se estabiliza, ela começa a me ligar de novo, vai a reuniões e trabalha os passos de novo”. Em tempos críticos dentro de nosso relacionamento de apadrinhamento Às vezes temos uma crise em nossos relacionamentos de apadrinhamento, como morte, recaída, quebra de anonimato, ou abuso. Há muitas razões pelas quais nosso relacionamento pode ter problemas. No entanto, lidamos com essas situações conforme elas acontecem e fazemos o que podemos para alcançar uma solução.
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Aceitamos uns aos outros como adictos caminhando na mesma estrada em busca de recuperação, sabendo que tudo que temos a oferecer ao outro é nossa experiência, força e esperança.

A realidade da recaída Não importa quanto tempo estamos limpos, recaída é uma possibilidade. Enquanto muitos de nós lutamos com diversas manifestações de nossa adicção, não podemos nunca esquecer que o sintoma mais destrutivo de nossa doença sempre será o uso de drogas. Assistir a um membro e companheiro mergulhar na insanidade da adicção ativa pode partir nosso coração. Podemos nos sentir abandonados ou inseguros, especialmente se a pessoa que recaiu é nosso padrinho ou afilhado. Independente de nossos sentimentos, precisamos nos esforçar para oferecermos nosso amor incondicional e dar as boas-vindas ao nosso padrinho ou afilhado se ele ou ela voltar à irmandade. Enquanto a dinâmica de nosso
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relacionamento de apadrinhamento será sem dúvida afetada por uma recaída, podemos encontrar meios de dar nosso apoio através dos princípios que aprendemos em NA. Infelizmente, nem todos voltam depois de uma recaída. Alguns morrem; outros continuam vivendo, perdidos nos horrores da adicção ativa. “O maior desafio que tive que encarar desde que entrei em recuperação foi quando meu padrinho recaiu e largou a comunidade de NA. Eu, é claro, levei isso para o lado pessoal e comecei a me perguntar o que é que eu tinha sido ensinado. Me vi duvidando e analisando quase tudo que eu fazia. Tinha que lidar com o sentimento de abandono e falta de confiança. Sei que meu padrinho é apenas humano, mas ainda me amedrontou muito. Depois de alguns anos, e muito apoio de amigos e gente em NA,
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ainda estou limpo. Finalmente achei um padrinho novo, também. Ainda tenho um pouco de raiva, mas estou mais forte hoje”. “Após estar no mesmo relacionamento de apadrinhamento pelos últimos dez anos, liguei para meu padrinho e perguntei se ele trocaria minha ficha de dez anos. Percebi que ele tinha usado. O processo de luto daquele relacionamento foi muito difícil. A tristeza, raiva, e medo foram difíceis de lidar. Mas o mais difícil foi ir buscá-lo no hospital de desintoxicação e levá-lo a uma reunião. O que eu queria fazer era chutá-lo por ter me abandonado. Uma vez que tirei meus sentimentos egoístas do caminho, com a ajuda do meu Poder Superior pude ajudá-lo como a qualquer recém chegado, com amor,

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não podemos permanecer na negação sobre a escolha feita por essa pessoa. mas o relacionamento de apadrinhamento tem maior chance de ser reconstruído se nosso afilhado sobrevive e retorna.compaixão – e eu o levei àquela reunião!” Não precisamos abandonar nosso padrinho ou madrinha se eles voltarem a NA após uma recaída. Porém. ou não oferecemos apoio o suficiente. e provavelmente iremos querer procurar outro membro para ser nosso padrinho ou madrinha. A recaída de um afilhado é diferente. Podemos lutar com nossos sentimentos que como padrinhos dissemos ou fizemos algo que levou nosso afilhado a recair. somos impotentes perante nosso afilhado e a adicção de 274 . ou podemos acreditar que não dissemos ou fizemos o suficiente. Talvez sentimos que não encorajamos bastante o trabalho com os passos ou que não estivemos tão disponíveis quanto “deveríamos” estar. Mas enquanto tentamos ter alguma influência sobre aqueles que tentamos ajudar. precisamos lembrar que no final. A lista de “deveríamos” e “não deveríamos” pode ser interminável. Podemos sentir a mesma dor se nosso padrinho recair.

A recaída de nosso afilhado não é nem nossa culpa nem responsabilidade. ela tinha algum tempo em recuperação. Minha recuperação foi realmente 275 . e ficamos um pouco complacente. e ela não estava me ligando tão freqüentemente.nosso afilhado. é como se tudo tivesse acontecido em câmera lenta. Não estava lembrando a sobre seu trabalho com os passos. Olhando hoje. achei que ela tinha uma compreensão de como trabalhar o programa. que demorou mais de um ano. Nos duas nos tornamos muito confortáveis em nossas vidas. mas provou ser uma lição muito valiosa para mim. Veja. “Fiquei realmente devastada quando descobri que minha afilhada tinha recaído. Cada um de nós é responsável por sua própria recuperação – e a de mais ninguém. Eu nem percebi que ela tinha recaído ate que ela me contou.

Não e que senti como se tivesse feito algo de errado. uma escolha individual. sempre pergunto as minhas afilhadas como estão nos passos. e faço tempo para ouvir e me abrir com maior freqüência. Porem. tenho aprendido que o valor de um adicto ajudando outro realmente não tem igual. ou tomar qualquer 276 .afetada. Hoje. Como resultado. Antes de falar com nosso afilhado sobre se devemos continuar ou não nosso relacionamento de apadrinhamento. lida com a recaída de um afilhado é. como padrinhos. A forma que cada um de nós. Hoje acredito que sou uma madrinha melhor”. devo estar presente e disponível se esse conceito vai funcionar. Estava tão absorvida em minha própria vida que achei que a recuperação dela estava meio garantida. novamente. É mais como se eu não tivesse prestado atenção.

e precisamos partilhá-las tão honestamente quanto possível com nosso padrinho ou outro membro em quem confiamos. Seu comportamento se tornou evasivo e adictivo. especialmente quando se sentia emocionalmente estressado.decisão. “Apadrinhei um companheiro que estava tomando remédio para dor. Às vezes ele estava tão chapado que não conseguíamos falar. como padrinho ou afilhado. Podemos querer abrir mão de nosso afilhado. é rejeição. Um dos piores sentimentos que podemos experimentar após voltar de uma recaída. Ele dobrava sua dose. Ele não trabalhava os passos nem aceitava sugestões. Essas emoções são naturais. Naturalmente. podemos querer excluílos de nossas vidas. muitos de nós sentirão raiva e frustração ou se sentirão traídos. e aí começou a usar outras 277 . ou pior. Ele ficava ignorado minhas sugestões de procurar por supervisão médica qualificada. podemos querer partilhar nossos sentimentos com nosso afilhado.

Suas ações tinham falado”. Ele ou ela tinha reservas. ele ainda esperava que eu o apadrinhasse. Alguns membros sugerem que seus afilhados deverão desintoxicar 278 . Ao longo de tudo isso. Se escolhermos permanecer como padrinho ou madrinha. ou parou de freqüentar reuniões regularmente? A recuperação estava no centro de sua vida? Podemos querer direcionar nosso afilhado ou afilhada de volta aos básicos da recuperação – 90 reuniões em 90 dias. se possível. Podemos sugerir que nosso afilhado comece a trabalhar o Primeiro Passo imediatamente. Finalmente disse que não poderia mais apadrinhá-lo. nos ligar regularmente. voltou a freqüentar lugares de ativa. provavelmente vamos querer conversar com nosso afilhado sobre o que aconteceu. pois ele se recusava a aceitar minhas sugestões e estava negando seu uso de drogas. e partilhar honesta e abertamente sobre a experiência da recaída.drogas. mesmo se recusando a abrir isso na sala. ou podemos escolher recomendar um ritmo mais lento.

Com cada recaída ela me assegurava que ‘dessa vez vai ser diferente’. “Tinha uma afilhada que passou por uma série de recaídas. Mas não era. Nosso afilhado pode decidir que a melhor coisa para sua recuperação é achar outro padrinho. e não queria mudar. instituições e morte. Enquanto ela 279 . Precisamos deixar os resultados dos esforços de nossos afilhados aos cuidados de um Poder Superior. pois ela dizia que queria ficar limpa. só queria um salva-vidas. ela me ligava. há sempre a chance que o afilhado não voltará ao programa. Quando ela começava a passar pela abstinência. Estava terrivelmente confusa. pedindo ajuda e sugestões. Claro. Nossa orientação provavelmente dependerá da situação. Nunca larguei essa mulher como afilhada.primeiro. e pode alcançar os fins previsíveis: prisões. Fazemos o melhor que podemos para aceitar e apoiar sua decisão. desesperada.

Tinha uma sensação terrível sobre essa companheira porque parte de mim sentiu como se tinha a falhado deixando-a fazer de conta que eu era sua madrinha. É nas reuniões de Narcóticos Anônimos que mais provavelmente encontraremos alívio dos danos que nossa recaída nos causou. Hoje. Podemos nos sentir totalmente devastados por termos usado. não podemos nos melhorar se não encararmos a realidade de nossa recaída. graças a Deus.sem considerava membro eu senti um dever de ajudá-la. Ele finalmente morreu de overdose. como padrinhos. recaímos? Orgulho e ego podem ser fatais e freqüentemente nos impedem de voltar a NA e permanecer em recuperação. Porém. mas não podemos nos dar ao luxo de deixar isso impedir nossa volta às reuniões. Podemos nos sentir envergonhados 280 . quando na realidade ela não queria o que eu tinha. O que acontece se nós. compreendo que ela teria morrido não importando o que qualquer pessoa tivesse feito”.

trouxeram uma reunião à clinica. e também falar a respeito da dor. Uma noite. raiva e medo que estavam sentindo. Enquanto estava internada.sobre o que aconteceu. a coordenadora tinha um ano limpa. estavam tendo que partilhar que sua madrinha tinha recaído. uma mulher partilhando estava celebrando dez anos limpa. Quando vi as três maravilhadas por causa dos relacionamentos e o amor que partilhavam. Naquele momento senti a terrível dor de como o 281 . e uma mulher na reunião era madrinha de uma e afilhada de outra. algumas há anos. mas quando admitimos que recaímos. somos dados uma nova chance para nos recuperarmos. entendi que as muitas mulheres que eu tinha apadrinhado. “Recai após 15 anos limpo em Narcóticos Anônimos e acabei numa clínica de tratamento. confusão.

Precisava me cercar de pessoas que me amariam e me fariam aceitar responsabilidade. 282 . Estou de volta (e limpo) há mais de 17 anos. O problema. Meu padrinho foi uma dessas pessoas. me senti desesperançado e desesperado. Foi assustador como algumas pessoas ainda me tratavam como se nunca tivesse recaído. pelo menos para mim. Porem. “Tinha muita raiva comigo por ter recaído. quando eu sabia que era recém chegado novamente.egocentrismo por trás de minhas escolhas tinha afetado tantas pessoas que eu amava”. e nunca quero me esquecer como me senti péssimo emocionalmente e espiritualmente”. Estava cheio de ódio e me senti falhado. não foi conseqüências físicas. Ele me levou para tomar sorvete uma noite depois de uma reunião.

“Com vinte anos limpo.Lidando com a morte O que acontece se nosso padrinho ou afilhado morre? Perder alguém com quem temos desenvolvido um relacionamento tão profundo e amoroso é chocante. Essa reversão de 283 . O choque. Sabemos que a morte é inevitável. meu padrinho de 16 anos morreu subitamente de forma trágica. Como começamos a construir um relacionamento com outro membro como padrinho ou afilhado após passar por tamanha perda? Às vezes parece impossível que novamente poderemos encontrar uma pessoa especial para amarmos e em quem confiaremos. Mas imediatamente meu telefone começou a tocar diariamente com ligações de meus afilhados. se não é esperada como no caso de uma doença terminal. sempre parece vir como surpresa. no mínimo. a tristeza e a confusão emocional que senti foram incríveis. e no entanto. perguntando como estava.

Podemos honrar a memória de nosso padrinho ficando limpos a continuando a partilhar o que temos aprendido com aqueles a quem apadrinhamos. e sempre levaremos o espírito dele ou dela em nossos corações. que morreu num acidente de carro enquanto levava um recém chegado para casa após uma reunião em seu grupo de escolha. Nosso relacionamento cresceu até um nível profundo de 284 . mas descobrimos que a vida continua. “Tinha um afilhado com 14 anos limpo. A perda que sentimos com a morte de nosso padrinho ou afilhado pode ser avassaladora. devemos compreender a importância de achar outra pessoa para ser nosso padrinho. Tinha o apadrinhado por mais de sete anos e o conheci desde seu primeiro dia limpo.papéis teve um impacto positivo em minha habilidade de trabalhar esse período difícil”. Se for nosso padrinho quem morre.

“Meu primeiro padrinho me pegou como afilhado quando tinha menos de 90 dias limpo. Ele morreu limpo e levando a mensagem Que legado”.confiança e admiração mútua. que nosso trabalho juntos estava nos ajudando a lidar com essa situação. me senti muito triste. Ele me disse no dia que faleceu que eu tinha sido preparado para sua morte através do trabalho com os Doze Passos. 285 . Quando ajudei a carregar seu caixão no enterro. Acredito que nosso relacionamento pessoal com Deus. trabalho de Décimo Segundo Passo. e envolvimento com a irmandade nos prepara para recaída ou doença em recuperação”. Ele me apadrinhou até meu sexto ano antes de adoecer e falecer. mas também honrado por ter experimentado as dádivas de ser o padrinho desse homem e amigo ao longo dos anos.

Não podemos nos dar ao luxo de deixar que o luto nos remova os benefícios de apadrinharmos e sermos apadrinhados. Não importa o tamanho de nossa dor ou perda.Quando nosso padrinho ou afilhado morre. Como decidimos trabalhar nossos sentimentos é nossa escolha. Quebras de confidência Requer muita coragem para conseguirmos começar a confiar em alguém. sabendo que os 286 . assim com quando qualquer um querido por nós morre. queremos fazer tudo o que pudermos para continuar conectados à recuperação. Com a ajuda do tempo e os princípios espirituais do programa. partilhar nossos sentimentos de luto e perda com outros adictos em recuperação pode ajudar. podemos eventualmente encontrar aceitação e começarmos a ir em frente com nossas vidas de novo. Para alguns de nós. leva anos trabalhando com um padrinho para estabelecer aquele elo especial para nos sentirmos seguros. Alguns de nós buscamos ajuda profissional para conciliarmos os sentimentos de raiva e impotência.

Em casos extremos. Lutei com isso quando um de meus afilhados partilhou comigo que estava tendo um caso com a esposa de outro dos meus afilhados! Lembrei ao meu afilhado que o Texto Básico diz que nossos defeitos crescem no escuro. Durante esses momentos devemos procurar conselhos de outros e orientação de nosso Poder Superior. alguns de nós somos confrontados com acontecimentos que nos fazem pensar que não manter a confidência pode ser a ação mais ética a tomar. mas no final devemos tomar uma decisão pessoal a respeito do que fazer. mas morrem à luz da 287 .segredos que partilhamos permanecerão entre nós e nosso padrinho. Mas pode haver vezes nas quais nossas confidências são quebradas ou vezes que temos dúvidas sobre manter uma confidência ou não. “Como padrinho sei que minha responsabilidade para com meus afilhados é manter suas confidências e sua confiança.

exposição. Termos nossa confidência quebrada por ouvir nosso segredo partilhado por alguém que não é nosso padrinho ou afilhado pode der devastador. Fiquei chateado. E agora? Antes de tomarmos conclusões. Sugeri que ele escrevesse. podemos causar mais danos e ferir nosso padrinho ou afilhado desnecessariamente. rezasse. Se agirmos somente com suspeitas antes de sabermos todos os fatos. mas não tentei tomar nenhuma decisão ou ditar um resultado a ele. Podemos nos sentir violados e traídos. e depois tomasse sua própria decisão sobre o que achava que deveria fazer e com o que sua consciência pudesse lidar”. meditasse. “Ficava ouvindo coisas em meu grupo de apoio que eu tinha especificamente pedido que meu padrinho não repetisse. Falei com ele a 288 . devemos ter certeza que a fonte da fofoca foi realmente nosso padrinho ou afilhado. e muito bravo. Ofereci orientação.

Abri mão dele e arrumei um padrinho novo. Ainda somos amigos. Eu lhe dei esse presente e ele escolheu jogá-lo fora.respeito dessas coisas e ele sempre negou ter contado a outra pessoa. Acho que isso. “Estava apadrinhando alguém que me contou sobre um assunto de saúde muito 289 . Amava meu padrinho muito e tinha confiado nele sem questionar. Foi uma das coisas mais difíceis que tive que fazer. Finalmente. é o que me deixa mais triste”. Confiar em alguém é um presente. mas eu fiquei firme. Me senti traído. mas não confio mais nele. Falamos e choramos juntos. após um amigo querido disse que se sentiu ferido por algo que eu tinha partilhado exclusivamente com meu padrinho. mais do que qualquer coisa. Era como se ele não me levasse a sério. larguei meu padrinho. Isso continuou por alguns anos.

Ainda é difícil saber como lidar com isso porque meu padrinho é como se fosse o pai ou irmão mais velho em nossa comunidade de NA. Precisamos encarar o assunto de forma orientada para a recuperação. Já que não tinha certeza como lidar com isso. Não acho que ele mudara sua visão sobre isso. decidi mantê-lo como padrinho. Depois que meu estresse inicial se acalmou. e acredito que seu interesse nos outros é apenas manifestação de gentileza. Alguns de nós vamos escolher terminar o 290 . para meu horror. Isso magoou a mim e a meu afilhado. mesmo tendo traído minha confiança. Ele ajudou a estabelecer NA no meu país. Alguns dias depois. ouvi meu padrinho perguntar para meu afilhado sobre a condição. pois ele continua me dando estabilidade de outras formas”. perguntei a meu padrinho.sensível que o preocupava.

Freqüentemente nosso relacionamento de apadrinhamento se aprofunda quando encaramos esses obstáculos juntos. 291 . percebendo o quão difícil é reconstruir o relacionamento. Fiquei com raiva e magoada. Alguns de nós podemos escolher confrontar nosso padrinho ou afilhado para discutir como restabelecer nosso relacionamento. portanto podemos decidir romper o relacionamento. com amor e compaixão. Ouvi e confrontei minha madrinha. Se nossa confiança foi violada. Falamos sobre nossos sentimentos e tentamos chegar em uma solução favorável para os dois. Ela imediatamente admitiu que tinha falado sobre meus assuntos e disse que estava profundamente arrependida. “Minha madrinha partilhou minha informação muito pessoal com uma de minhas irmãs afilhadas. podemos sentir que não há alternativa. atravessando a situação mais fortes e comprometidos. Podemos não ser capazes de reparar os danos e.relacionamento imediatamente.

mesmo se eu escolhesse ter outra madrinha. e ela ainda é minha madrinha. Abuso no relacionamento apadrinhamento de Estar num relacionamento de apadrinhamento abusivo é desmoralizante. Uma das muitas dádivas que NA nos dá é a habilidade de vivermos com dignidade. Porém. agindo dos velhos modos destrutivos. 292 . Acredito que passar por esse incidente anos atrás tornou nosso relacionamento mais profundo e muito mais íntimo. Isso foi há quatro anos. Narcóticos Anônimos nos ensina a amar incondicionalmente e a ajudar outros adictos em recuperação. Perdão tem sido uma ferramenta e princípio espiritual muito poderoso desde então”. e pode comprometer nossa recuperação. podemos às vezes regredir. em recuperação.mas estava aliviada que ela tinha sido honesta comigo. Ela disse que não comprometeria minha confiança novamente.

ir à lavanderia. mas parecia que não me pagava uma quantia justa. Na adicção ativa. e sempre havia coisas extras a serem feitas. Era muito difícil pensar em dizer não ou pedir que ela 293 . Sempre sentia como de tivesse que retribuir. Esses velhos padrões podem tornar difícil. pintar. como limpar sua casa. trabalhar no quintal.Quer sejamos o padrinho ou o afilhado. e achei que fazer esses trabalhos era tudo o que eu podia dar. Eventualmente começou a parecer que ela estava tirando vantagem de mim. podemos causar dor e fazer com que um outro adicto sofra. mesmo estando em recuperação. Ela me pagava para fazer a limpeza. “Minha primeira madrinha pedia que eu a fizesse favores. determinar se um relacionamento é sadio. e coisas assim. as únicas maneiras que muitos de nós sabíamos nos relacionar com outro ser humano era sendo auto-destrutivos ou abusivos.

Atrapalhar a dignidade e autorespeito de um adicto pode também ser visto como abuso. não estava trabalhando na época. me lembro de como me sentia.me pagasse pelas coisas extras. faço o melhor que posso para não tirar vantagem delas. Me senti presa e ressentida. Dizer coisas que machucam. tinha que ser porque ela queria alguma coisa de mim. Foi difícil dizer alguma coisa. afinal. e pago-as como pagaria a qualquer outra pessoa”. Achei que se dissesse não. Agora. podemos nos engajar em comportamentos mais extremos como assédio sexual. desrespeitam ou são condescendentes pode ser considerado formas sutis de abuso. e cada vez que penso que uma delas poderia fazer alguma coisa por mim. ameaçar de machucar nós mesmos ou a outra pessoa para 294 . Era uma situação terrível. Por outro lado. Senti que cada vez que ela ligasse. apadrinhando mulheres no programa. ela não me amaria mais.

295 . No início concordei porque parecia que sua idéia de um Poder Superior funcionava para ele. E enquanto algumas formas de abuso são gritantes. Tinha me perdido e queria alguns direcionamentos claros a respeito de como trabalhar o programa. na forma que rezava. ele exigiu que eu acreditasse em suas crenças religiosas. Abuso pode se manifestar de tantas formas diferentes que seria impossível listar todas.atrairmos atenção. “Escolhi meu padrinho porque ele era forte e parecia saber o que queria de sua vida. ou assediar alguém verbalmente se as coisas não acontecem como queremos. O que parece abuso para uns pode não parecer para outros. Depois que começamos o Segundo Passo. É importante continuar a fazer nosso inventário sobre como o apadrinhamento nos faz sentir. Ele me disse que eu tinha que fazer grandes mudanças na forma que eu compreendia meu Poder Superior. outras não são tão óbvias.

Foi difícil dizer ao meu padrinho que queria sair de nosso relacionamento. mas me senti encurralado e ameaçado. especialmente quando ele me disse que minha vida estaria pior como resultado de minha decisão. Levou alguns anos antes que pudesse acreditar que meu Poder Superior cuidaria de mim novamente. e eles me ofereceram seu apoio. Estava confuso.e como estava criando meus filhos. e tinha feito um compromisso comigo mesmo de fazer o que meu padrinho mandasse. Minha fé nas pessoas e no 296 . Disse que eu iria para o inferno se não fizesse o que ele dizia. Depois ele me disse que eu teria que me separar de minha esposa se ela não aceitasse suas idéias. Finalmente contei para os meus amigos. dizendo que eu deveria mudar de padrinhos novamente. Queria melhorar.

Isso durou mais ou menos um ano – até que eu precisei de cirurgia para remover um osso quebrado do meu pé. Graças a Deus eu tinha meus bons amigos. Alguns anos depois. “Acho que às vezes (especialmente quando somos novos ao programa) escolhemos padrinhos que são tão doentes quanto nós ou que irão reforçar nossas dúvidas e ódio próprio. ‘Você está certa. e ela me dizia. meu grupo de escolha.programa tinha realmente sido abalada. Uma de minhas primeiras madrinhas era assim comigo. Foi bom perdoá-lo e começar a gostar dele de novo”. esse homem fez uma reparação comigo. e bastante tempo para me ajudar a passar por isso. você precisa escrever sobre isso e pedir perdão a Deus’. Ela me disse que eu não poderia usar 297 . Eu ligaria para ela e choraria que eu era uma pessoa horrível. E eu o faria.

anestesia geral – que eu teria que usar acupuntura – anestesia é droga e seria igual a usar. Como sempre. Em retrospecto. mesmo em minha própria escuridão. Então liguei para outra mulher com tempo limpa que me ajudou a ver a natureza de meu relacionamento com minha madrinha. 298 . vejo que eu a escolhi porque ela não tinha barriga e tinha uma conta corrente em ordem – não porque ela estava espiritualmente saudável ou tinha um bom programa. Devemos alimentá-los se queremos que continuem a crescer. Através do processo de trabalhar os passos. devemos ter cuidado com o que pedimos!” É hora de mudar? Relacionamentos evoluem. Bom. e passam naturalmente por ciclos. sabia que algo nessa direção dela estava errado. somos dados a habilidade de encarar aquelas dificuldades que às vezes acompanham qualquer relacionamento íntimo.

“Minha madrinha me tem ajudado a aprender a não ter tantas expectativas em relação a amigos. Fiquei com raiva e magoada quando eu a vi sendo humana. Achei que de alguma forma ela deveria ser um guru espiritual porque ela estava limpa há alguns anos e parecia ter uma boa conexão com Deus. aprendemos a nos relacionar de forma sadia. família e pessoas em geral. No entanto. Acordar à realidade de que ela era apenas uma pessoa foi um choque. tinha colocado minha madrinha num pedestal – contra seus desejos. enquanto trabalhamos com outros em nosso relacionamento de apadrinhamento.Conforme passamos pelos desafios e decepções da vida. me ajudou não só a entrar em 299 . Ela me ensina sobre aceitação e como permitir que as pessoas sejam humanas. Claro que eu aprendi isso da forma mais difícil! Cedo em recuperação.

e pode ser a hora de passar para outro. Isso não significa que falhamos. Enquanto cada uma dessas situações. um terapeuta profissional. tinha começado a me tratar como se fosse paciente. 300 .contato com sua humanidade. Um padrinho mudou para o outro lado do país. Mesmo que possamos estar fazendo tudo que podemos para apoiar e contribuir para nossos relacionamentos de apadrinhamento. “Ao longo de 16 anos em recuperação. tornando contato regular impossível. E a pior situação foi a morte de um homem que apadrinhava muitas pessoas em minha área. Outro padrinho. os horários de trabalho de outro mudaram. Simplesmente significa que não está funcionando. tive que mudar de padrinhos por uma variedade de razões. como também a minha”. há momentos que veremos que simplesmente não está funcionando.

NA tem dado a mim e a meus vários padrinhos e afilhados novas vidas. Não fico mais emocional quando um relacionamento como padrinho ou afilhado muda. como resultado dessa dádiva. pode ser um sinal de sucesso espetacular”. nos obrigando a irmos adiante. Aprendi em NA que meus sentimentos não precisam ditar minhas ações.especialmente a última. Senti um negócio no meu estômago e imediatamente me senti inseguro. tenho gratidão por elas. “Um afilhado chegou para mim e disse que tinha achado um novo padrinho. ‘Que fantástico. Fico feliz que você tomou uma decisão positiva para si mesmo’. Foi muito difícil dizer isso e não mencionar como 301 . levantaram sentimentos desagradáveis. Mudar de padrinhos não precisa ser um sinal de falha. nossa situação tem mudado. É maravilhoso quando. Pude dizer.

Se não cuidarmos de nosso relacionamento de apadrinhamento. “Acabei de pedir que uma afilhada achasse uma nova madrinha. Tive um relacionamento de 15 anos com essa pessoa. pode começar a se desintegrar e se tornar nocivo. Muitos de nós temos visto que quanto mais apáticos nos tornamos. não queria fazer isso. Isso foi uma decisão difícil para mim.estava realmente me sentindo. construímos muros que podem ser altos demais para serem transpassados. Uma vez que nos fechamos e paramos de partilhar honestamente um com o outro. mas realmente ajudou a nós dois mantermos um relacionamento positivo. mais fácil é sermos desonestos ou termos má vontade. mas ela se recusava a 302 . como padrinho ou afilhado. e ela é uma das minhas melhores amigas. Apatia e mente fechada são obstáculos comuns e podem danificar o relacionamento. mas diferente”.

éramos amigas.trabalhar os passos. talvez seja hora de reavaliar nosso relacionamento. 303 . como afilhados. O que podemos fazer nesse ponto é examinarmos nossa parte e determinarmos se realmente precisamos terminar o relacionamento ou se podemos consertar as coisas com nosso padrinho ou afilhado. no final das contas. Não estamos casados com nossos padrinhos ou afilhados. Não poderia. sentimos que nossas necessidades não estão sendo preenchidas ou se como padrinhos não podemos preencher as expectativas de nossos afilhados. mas não estávamos no caminho espiritual que experimento como madrinha e afilhada”. e não precisamos permanecer no relacionamento. em sã consciência. continuar a deixá-la pensar e dizer que eu era sua madrinha. De minha perspectiva. e como lidamos com as dificuldades que surgem é nossa decisão. Apadrinhamento é voluntário. Se.

mas ele estava mais interessado em pedir conselhos a respeito de coisas que eu não tinha experimentado. que era hora de ir em frente em minha recuperação.“Após cinco anos. Tinha que dizer ao homem que ajudou a salvar minha vida e que me ensinou tanto sobre recuperação. Tentei manter o foco em minha experiência com o trabalho dos passos. Eventualmente. Se que ele me ama incondicionalmente o suficiente para me ajudar nessa transição”. pude ver que não tem problema buscar crescimento através de mudança. “Eu tinha um afilhado que tinha idéias diferentes do que eu sobre como trabalhar o programa e sobre como eu deveria fazer como padrinho. Falei do meu coração e tive seu apoio. ficou claro que meu relacionamento de apadrinhamento tinha se estagnado e não estava funcionando. Quando ele 304 .

Até sugeri algumas pessoas me nossa área. mas que seria melhor para ele se ele achasse alguém que estivesse passando pelas mesmas coisas que ele. devemos sempre indicar outra pessoa. eu marquei de encontrar com meu afilhado para tomar um café. 305 . e que se eu tivesse que interromper o relacionamento. que me lembrou de manter o foco em mim. para fazê-lo de forma amorosa. lembrando que quando não podemos servir em NA. Após estarmos confortáveis. Disse que eu o amava. eu disse que minha recuperação tinha tomado um rumo diferente daquele que ele queria percorrer e que ele realmente tinha que encontrar outro padrinho. Falei com meu padrinho.começou a resistir ir às reuniões. Algumas semanas frustrantes depois. fiquei frustrado.

“Ocasionalmente. comecei a vê-lo em mais reuniões e mais envolvido com a irmandade. Antes de muito tempo. ele continua limpo e ainda está aqui. honestidade e intimidade. me perco em minha vida ocupada e me distancio de meu padrinho. Atravessarmos dificuldades com nossos padrinhos ou afilhados pode nos ensinar novos níveis de compromisso. De nossas interações. Muitos de nós temos um histórico de desistência e não fazer nada até o final. 306 . especialmente no que diz respeito a relacionamentos.Aquele afilhado conseguiu encontrar alguém com quem fez uma conexão. Alguns de nós achamos grandes recompensas ao permanecermos com nossos padrinhos e afilhados nos tempos difíceis do relacionamento. e minha maneira pode não ser atrativa para todos”. aprendi a lição valiosa que há muitas maneiras de trabalhar o programa. Muitos anos depois.

Sou grato por ter escolhido continuar a crescer nesse relacionamento maravilhoso que tenho com meu padrinho. Felizmente. Seria fácil ir em frente e não olhar para trás. Claramente. eu ligo para ele. Ele deixa a escolha a meu critério.Quando percebo o que está acontecendo. não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por um 307 . No entanto. Fui um desistente na maioria de minha vida. ele me ensina que posso passar por isso e perceber meus padrões para que posso mudá-los e impedir que eles aconteçam com tanta freqüência. Estou disposto a trabalhar para que o relacionamento funcione. que terá seus altos e baixos. meu padrinho conhece esses meus ciclos e me diz que preciso participar ativamente do relacionamento – senão. ou escolho não continuá-lo? Ele me ajuda a perceber que minha vida nem sempre será balanceada. não há relacionamento.

Com o tempo aprendemos a ser melhores amigos. Passar por isso com meu padrinho me tem ajudado a ser uma pessoa que é capaz de ter um relacionamento íntimo”. Nossos relacionamentos de apadrinhamento podem nos ajudar a desenvolvermos aquelas qualidades que buscamos e gradualmente nos tornarmos a pessoa que sempre quisemos ser. Nos mostra as coisas que precisamos saber para participarmos ativamente em todos os nossos relacionamentos. cônjuges. mesmo quando encontramos dificuldades em fazê-lo. pais. Apadrinhamento nos ensina a tomar decisões saudáveis para nós mesmos.compromisso que fiz para ficar com meu padrinho e tentar ser mais consistente. parceiros. colegas de trabalho. amantes. 308 . e assim por diante.

CAPÍTULO CINCO APADRINHAMENTO: UMA JORNADA CONTÍNUA A jornada continua Para muitos de nós. 309 . serviço e Deus. A adicção nos rouba a habilidade de nos relacionarmos. podemos crescer em nosso relacionamento conosco mesmos. a sociedade. nossa primeira conexão verdadeiramente espiritual com outro ser humano ocorre quando nos abrimos e partilhamos honestamente com nossos padrinhos. A recuperação restaura nossa conexão a nós mesmos e ao mundo. Apadrinhamento nos oferece um caminho para a mudança e uma ponte para desenvolver outros relacionamentos. Nós temos agora a liberdade de viver uma vida com significado. O apoio e amor que recebemos quando andamos juntos em nossa jornada através dos Doze Passos ajuda a nos libertar do medo egocêntrico que está no âmago de nossa doença. Com boa vontade que forma o alicerce do símbolo de NA e o apadrinhamento.

Aos poucos. Aprendemos a viver responsavelmente reparando comportamentos passados e buscando compreender os outros através de perdoá-los e a nós mesmos.Um programa universal: Sociedade. tenho a habilidade de focar em outras coisas e pessoas fora de mim. nosso padrinho ou madrinha e outros membros no programa. nossos espíritos acordam e começamos a melhorar. Percebo que o mundo nem sempre gira em torno de mim. com a ajuda de nosso Poder Superior. muitos de nós descobrimos que somos libertados dos defeitos de caráter que nos atazanaram durante nossa adicção ativa. Serviço e Deus Eu. Hoje. Ao ficarmos limpos e vivermos o programa. Isso tem me ajudado em todas as áreas da minha vida. “Minha madrinha tem me mostrado como sair de mim mesma. e encaramos alguns de nossos maiores medos e permanecemos vigilantes para evitarmos auto-destruição. Não mais estamos sozinhos. Minha 310 .

e sua honestidade a respeito da minha recuperação. Minha madrinha me mostrou essas coisas de forma amorosa e carinhosa sem ser muito dura comigo. Aprendi a ter jogo de cintura. que agora tem sua própria auto-confiança”. A boa vontade de meu padrinho em partilhar o que sabe.madrinha também me ajuda a permanecer na minha verdade e partilhar minha verdade sem atacar outra pessoa. Por causa do que aprendi de minha madrinha. que é baseado em integridade. têm me ajudado a moldar meu relacionamento. desenvolvi um sentido saudável de mim mesma. Posso passar isso agora para minha filha. Ele nunca 311 . e isso tem afetado minha família como um todo. sinceridade. “Meu padrinho tem sido essencial em me ajudar a formar um relacionamento com minha parceira. em me ajudar a trabalhar os passos. e amor.

não em meu relacionamento. e queremos partilhar esse sentimento de humildade com outros. 312 . Em troca. E então o círculo do apadrinhamento continua quando apadrinhamos nosso afilhado ou afilhada – queremos dar a eles o que nos foi dado. Estamos freqüentemente impressionados que alguém realmente quer nos ajudar.ofereceu ser um conselheiro matrimonial e sempre manteve o foco em minha recuperação. Quando pedimos ajuda. “Ser um bom padrinho me tem ajudado a ser um pai melhor. Aprendi a ser compassivo e compreensivo e olhar as pessoas de forma diferente. Agora sei que devo continuar a fazer minha parte se vou crescer em recuperação. começamos a sentir amor incondicional profundo e aceitação dos outros. Um sub-produto desse trabalho é que meu relacionamento com minha parceira se fortaleceu”. demonstramos compromisso com Narcóticos Anônimos.

Ele era estável. Depois que eu passei por um relacionamento falido no início de minha recuperação. não deprimido e quebrado. Agora me olho como alguém com fragilidades que é humano.Aprendi que a vida é ser feliz. Precisava depender de alguém 313 . e era muito difícil sentar numa reunião e ficar honesto com o que estava acontecendo. ele tem um relacionamento de muito tempo. e eu sabia que ele ia ficar limpo e em recuperação. “Fiquei limpo quando ainda adolescente. Meu padrinho é mais velho do que eu. me ajudando a encarar alguns dos assuntos chaves em minha vida”. assisti ao meu padrinho praticando princípios do programa quando interagia com sua mulher. tem seu próprio negócio e é profundamente comprometido com o programa. Meu padrinho ter sido um exemplo. Foi duro pedir ajuda. alegre e livre.

e mim. nos é dada a liberdade de escolher quem e o que é 314 . os Doze Passos. assim como os desafios e momentos difíceis que podemos passar. Começamos a entender que.que acreditava no que ele falava para mim. apesar de não estarmos nunca a sós. ninguém pode sempre estar disponível para nós. sempre temos nosso Poder Superior e os princípios do programa. Tenho um padrinho hoje que acredita em Narcóticos Anônimos. Vemos que crescemos devido a todos os aspectos desse relacionamento – as experiências enaltecedoras que partilhamos. não importa onde estamos. Porém. Nosso relacionamento é verdadeiramente um presente”. Podia ver isso só pelo jeito que ele vivia sua vida. Através de NA. Às vezes através de nossas dificuldades no apadrinhamento. desenvolvemos maior compreensão sobre humildade. Parte da lição que o apadrinhamento nos ensina é parar de colocar expectativas irrealistas nas pessoas em nossas vidas.

Adoro o componente de mão dupla do relacionamento de apadrinhamento e o componente ‘nós’ do programa”. Minhas expectativas eram altas. e eu era rígido. Tenho começado a aprender sobre amor incondicional com meus afilhados. Nos meus primeiros dias. e eles se sentem muito confortáveis em me desafiar. Meus afilhados me conhecem. Através do apadrinhamento. porque NA estava ainda se desenvolvendo no meu país. nossas necessidades “Apadrinhamento tem sido uma experiência enriquecedora para mim. aprendi a ser flexível. estava desesperado para ter outros membros.melhor para pessoais. Ser um padrinho me ajudou a contrabalançar meu egocentrismo. Tenho aprendido muito a respeito de meus defeitos e vim a me aceitar. 315 .

dos Doze Passos. Isso não significa que outros não estiveram lá para me ajudar. e sou um membro ativo em minha igreja. Meu casamento estava em ruínas. Hoje.“Quando cheguei nas salas de NA. A parte mais significativa de minha recuperação é a serenidade e sanidade que sinto por dentro. uma aluna. uma amiga. sou adicta em recuperação. meus filhos eram negligenciados e sobreviveram de alguma forma. e a maturidade com a qual posso agora navegar através de minha vida – muito do que se tornou possível através da ajuda de minha madrinha. trabalho bem no meu emprego. deprimida. e uma madrinha. apesar de mim. e continua 316 . Tenho um casamento feliz. mas minha madrinha foi. e meu Poder Superior. insana. estava espiritualmente morta. e tinha uma vida completamente descontrolada. uma boa mãe.

sem nenhum motivo a não ser ajudar a outro adicto. Aprendemos do apadrinhamento que relacionamentos nunca são bem do jeito que nós os imaginamos. Apadrinhamento nos ensina que encarar problemas verdadeiros traz recompensas 317 . “Sinto que serviço em NA me beneficia mais do que a qualquer pessoa que eu tento ajudar. Tenho visto que quando me torno humilde o suficiente para trabalhar o programa espiritual e dar. uma parte instrumental de minha recuperação”.sendo. que me lembra de uma frase que meu padrinho me fala quando fico egocêntrico e auto-obcecado – quando tudo o resto parece estar falhando. Nosso Texto Básico diz que a melhor ferramenta em recuperação é o adicto em recuperação. trabalhe com um recém chegado. me abro para as dádivas profundas que NA oferece”.

Começamos a apreciar as pessoas por quem elas são.profundamente ricas e realizadoras. Através do apadrinhamento. aprendi a checar meus motivos. trabalhamos e amamos. A primeira vez que namorei foi quando cheguei a NA. “Nunca tive relacionamentos significativos durante minha adicção ativa. Desde que comecei a trabalhar com minha madrinha. Nos aceitamos por quem nós somos e reconhecemos o valor de nossa contribuição. Aprendi sobre compromisso e como ser vulnerável e altruísta. Nossa gratidão pelo Poder Superior e NA fala quando colocamos em prática os princípios que aprendemos através do apadrinhamento. e meus motivos incertos. tive uma chance de ser um ‘eu’ diferente. Meus relacionamentos eram sempre superficiais. Um dos maiores 318 . Levamos nossa nova compreensão mais realista sobre relacionamentos para o mundo enquanto brincamos. não por quem queremos que sejam.

“Minha madrinha tem me ajudado a aprender a ser uma boa esposa. Ela fazia Deus parecer tão real e pessoal. e tenho um monte de velhos comportamentos com os quais ela me ajudou. Ela me dizia para lhe ligar primeiro e contar as coisas para ela que eu queria dizer ao meu marido. “Minha primeira madrinha era muito dependente de Deus e tinha um relacionamento profundo e significativo com seu Poder Superior. Seu padrasto e eu levamos a noiva ao altar juntos”. Através do apadrinhamento. aprendi a não ser um capacho e a me respeitar”. Aprendi a me manter firme nos meus compromissos. Eu certamente queria o que ela tinha então percebi que tinha que escolher fazer o 319 . Tinha tanta dificuldade em confiar nos homens.eventos foi o casamento de minha filha.

tinha um relacionamento com o Poder Superior de minha compreensão. Enquanto não tenho a mesma madrinha que eu tinha naquela época. rádio. minha madrinha hoje também é dependente do Poder Superior e continua me direcionado para a prática de minha fé a cada dia. – só Deus e eu.que ela fazia para consegui-lo. A sugestão foi incrível – funcionou para mim! Quando terminei com os 90 dias. Parte de seus direcionamentos foi ir a 90 reuniões em 90 dias e voltar direto para casa (sem social) para passar mais uma hora sozinha com Deus. O Deus de minha 320 . livros. música. e ele era tão real para mim quanto o pão na mesa. Isso me deu a base que tenho hoje. Comecei a rezar e meditar regularmente e me tornei disposta a seguir quaisquer sugestões que ela me desse para desenvolver esse relacionamento especial. etc. Isso significava sem televisão. telefone.

Ao partilhar nossa experiência e esperança com outro adicto. e a primeira língua do meu Poder Superior é silêncio então preciso ficar quieta e ouvir à natureza. O círculo do apadrinhamento Logo percebemos que não podemos manter esse maravilhoso presente de recuperação sem dar o que recebemos. Praticar serviço abnegado não só beneficia nossos esforços em viver uma vida limpa. e família) em ordem. Minha experiência tem mostrado que se eu manter minhas prioridades (Deus. ajudamos a fortalecer o 321 . mas também ajuda a fortalecer nosso desejo de permanecermos em recuperação. aos outros.compreensão trabalha de várias formas. Podemos fazer isso com o apadrinhamento. e especialmente a minha madrinha. o resto estará bem”. NA. Queremos partilhar a esperança de viver uma vida rica e plena com aqueles que buscam seguir o mesmo caminho que nós.

Mais e mais. e quando estendemos a mão a outro adicto necessitado. e é o relacionamento no qual nossa gratidão fala mais claramente. recebemos as maiores recompensas de todas. recebemos muito mais de volta. Apadrinhamento pode ser onde aprendemos a praticar nossos novos princípios. oferecemos a outro adicto a oportunidade de dar. O alimento espiritual que recebemos quando damos aos outros é uma das razões que escolhemos permanecer em NA. Sempre que damos livremente do que temos encontrado em recuperação. nossa experiência manifesta aquilo que ouvimos em reuniões desde o começo: quando pedimos ajuda. 322 .espírito do programa de Narcóticos Anônimos.