Métodos sintéticos ou analíticos

Existem duas opções para o ensino da leitura: ou parte-se da parte para o todo, que são os métodos sintéticos, ou parte-se do todo para as partes, os chamados métodos analíticos. A partir desses métodos, é possível delinear também como funcionam os métodos de alfabetização. Método sintéticoO método sintético estabelece uma correspondência entre o som e a grafia, entre o oral e o escrito, através do aprendizado por letra por letra, ou sílaba por sílaba e palavra por palavra. Os métodos sintéticos podem ser divididos em três tipos: o alfabético, o fônico e o silábico. No alfabético, o estudante aprende inicialmente as letras, depois forma as sílabas juntando as consoantes com as vogais, para, depois, formar as palavras que constroem o texto. No fônico, também conhecido como fonético, o aluno parte do som das letras, unindo o som da consoante com o som da vogal, pronunciando a sílaba formada. Já no silábico, ou silabação, o estudante aprende primeiro as sílabas para formar as palavras. Por este método, a aprendizagem é feita primeiro através de uma leitura mecânica do texto, através da decifração das palavras, vindo posteriormente a sua leitura com compreensão. Neste método, as cartilhas são utilizadas para orientar os alunos e professores no aprendizado, apresentando um fonema e seu grafema correspondente por vez, evitando confusões auditivas e visuais. Como este aprendizado é feito de forma mecânica, através da repetição, o método sintético é tido pelos críticos como mais cansativo e enfadonho para as crianças, pois é baseado apenas na repetição e é fora da realidade da criança, que não cria nada, apenas age sem autonomia. Método analítico O método analítico, também conhecido como ³método olhar-e-dizer´, defende que a leitura é um ato global e audiovisual. Partindo deste princípio, os seguidores do método começam a trabalhar a partir de unidades completas de linguagem para depois dividi -las em partes menores. Por exemplo, a criança parte da frase para extrair as palavras e, depois, dividi-las em unidades mais simples, as sílabas. Este método pode ser divido em palavração, setenciação ou global. Na palavração, como o próprio nome diz, parte-se da palavra. Primeiro, existe o contato com os vocábulos em uma seqüência que engloba todos os sons da língua e, depois da aquisição de um certo número de palavras, inicia-se a formação das frases. Na setenciação, a unidade inicial do aprendizado é a frase, que é depois dividida em palavras, de onde são extraídos os elementos mais simples: as sílabas. Já no global, também conhecido como conto e estória, o método é composto por várias unidades de leitura que têm começo, meio e fim, sendo ligadas por frases com sentido para formar um enredo de interesse da criança. Os críticos deste método dizem que a criança não aprende a ler, apenas decora.

a criança vai soletrando as sílabas até decodificar a palavra. teve um grande sucesso devido à simplicidade de sua técnica. também conhecido como soletração. A velha cartilha Caminho Suave Centro de Referência em Educação Mário Covas Uma das primeiras capas da cartilha A grande maioria dos brasileiros alfabetizados até os anos de 1970 e início dos 80 teve na cartilha Caminho Suave o seu primeiro passo para o aprendizado das letras. todas as suas combinações silábicas e. A partir daí. vogais e consoantes. ainda é muito utilizado em diversas cidades do interior do Nordeste e Norte do país. a palavra casa soletra-se assim c. e na alfabetização doméstica. As principais críticas a este método estão relacionadas à repetição dos exercícios. o método alfabético. e depois das sílabas para aprender a formar as palavras. a. além de não respeitar os conhecimentos adquiridos pelos alunos antes de eles ingressarem na escola. criou uma série de desenhos que continham a inicial das palavras: o ³A´ no corpo da abelha. Na tentativa de facilitar a memorização das letras. Por exemplo. o ³G´.Método alfabético Um dos mais antigos sistemas de alfabetização. a. apesar de não ser o indicado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. tem como princípio de que a leitura parte da decoração oral das letras do alfabeto. a criança começa a ler sentenças curtas e vai evoluindo até conhecer histórias. a então professora Branca. O método Alfabético permite a utilização de cartilhas. aos 90 anos. no final da década de 40. ca. as palavras. Com mais de 40 milhões de exemplares vendidos desde a sua criação. casa. em seguida. sa. O método alfabético. já que é mais simples de ser aplicado por professores leigos. no corpo do gato. o ³F´ no cabo da faca. . Por este processo. a cartilha idealizada pela educadora Branca Alves de Lima. depois. s. através da repetição das Cartas de ABC. que morreu em 2001. o que o tornaria tedioso para as crianças.

estima-se que ainda são vendidas 10 mil cartilhas por ano no Brasil. Em seguida. Em 1995. Esse método de ensino permite primeiro descobrir o princípio alfabético e. de um personagem associado a um fonema. Este é o método mais recomendado nas diretrizes curriculares dos países desenvolvidos que utilizam a linguagem alfabética. O método fônico nasceu como uma crítica ao método da soletração ou alfabético. A maior crítica a este método é que não serve para trabalhar com as muitas exceções da língua portuguesa. Visando aproximar os alunos de algum significado é que foram criadas variações do método fônico. sendo. de uma palavra vinculada à imagem e som. dominar o conhecimento ortográfico próprio de sua língua. Cada letra é aprendida como um fonema que. Por exemplo.Por causa da facilidade no aprendizado por meio desta técnica. O método é baseado no ensino do código alfabético de forma dinâmica. A partir do conhecimento já adquirido. Os especialistas dizem que este método alfabetiza crianças. ou seja. aos poucos. juntamente com outro. forma sílabas e palavras. quando o construtivismo começou a tomar forma. sons e letras. o aluno pode apresentar outras palavras com esta letra. o Ministério da Educação retirou a cartilha do seu catálogo de livros. progressivamente. Depois são ensinadas as consoantes. Primeiro são ensinadas as formas e os sons das vogais. as relações entre sons e letras devem ser feitas através do planejamento de atividades lúdicas para levar as crianças a aprender a codificar a fala em escrita e a decodificar a escrita no fluxo da fala e do pensamento. São ensinadas primeiro as sílabas mais simples e depois as mais complexas. escreve várias palavras no quadro e pede para os alunos apontarem a letra inicialmente apresentada. O que difere uma modalidade da outra é a maneira de apresentar os sons: seja a partir de uma palavra significativa. rapidamente a cartilha tornou-se o principal aliado na alfabetização brasileira até o início dos anos 80. Apesar disto. estabelecidas relações mais complexas. ou seja. em média. de uma onomatopéia ou de uma história para dar sentido à apresentação dos fonemas. Um exemplo deste método é o professor que escreve uma letra no quadro e apresenta imagens de objetos que comecem com esta letra. Método fônico O método fônico consiste no aprendizado através da associação entre fonemas e grafemas. como explicar que cassa e caça têm a mesma pronúncia e se escrevem de maneira diferente? . através de textos produzidos especificamente para este fim. no período de quatro a seis meses.

ao desenvolvimento do currículo da escola. dificultando a sua adaptação a este método. e rejeitam a prioridade do processo fônico. socializando discussões.Os parâmetros nacionais e o método construtivista Os Parâmetros Curriculares Nacionais. pesquisas e recomendações. sobretudo. Criado em 1998. as escolas. ao planejamento das aulas e. significa saber se informar. ignora que os estudantes de classe baixa. Os PCNs propõem um currículo baseado no domínio das competências básicas e que esteja em consonância com os diversos contextos de vida dos alunos. A sua ênfase é na leitura e na língua escrita. Os PCN´s foram estabelecidos a partir de uma série de encontros. base dos Parâmetros Curriculares Nacionais. estar formado para a vida. compreender e agir. este documento tem como função orientar e garantir a coerência dos investimentos no sistema educacional. participar socialmente. enfrentar problemas de qualquer natureza. de forma prática e solidária. vindos de famílias menos letradas. servindo de estímulo e apoio à reflexão sobre a sua prática diária. como as cartilhas. argumentar. . Segundo os críticos. subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros. Segundo o MEC. adquirir uma atitude de permanente aprendizado". num mundo como o atual. em muitos casos. Os construtivistas são contra a elaboração de um material único para ser aplicado a todas as crianças. principalmente daqueles que se encontram mais isolados. de acordo com as diretrizes gerais estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases. trazem de casa uma bagagem cultural muito pequena. reuniões e de discussão realizados por especialistas e educadores de todo o país. a concepção construtivista. a partir de estudiosas da área como Ana Teberowsky e Emília Ferreiro. durante o processo de alfabetização. são uma espécie de manual para as escolas sobre como deveria ser a orientação para o ensino. Por este método. Os defensores do método fônico culpam o construtivismo. com menor contato com a produção pedagógica atual. Surgida na década de 80. denominar classificações ou identificar símbolos. formando jovens brasileiros para enfrentar a vida adulta com mais segurança. estes documentos foram feitos para ajudar o professor na execução de seu trabalho. Os Parâmetros Curriculares Nacionais defendem a linha construtivista como método de alfabetização. ser capaz de elaborar críticas ou propostas e. também conhecido como PCN´s. devem utilizar textos que estejam próximos do universo da criança. pelos problemas de alfabetização no Brasil. especialmente. se comunicar. esta linha defende que a escola deve valorizar o conhecimento que a criança tem antes de ingressar no estabelecimento. diz o documento. de acordo com o Ministério da Educação. "Mais do que reproduzir dados. de tão rápidas transformações e de tão difíceis contradições.