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A) Os fenômenos financeiros

Os fenômenos financeiros são fatos de natureza econômica, política, e


jurídica que constituem a atividade desenvolvida pelo Estado, objetivando a
obtenção, aplicação, e gestão dos meios de que precisa para promover o bem
público.Manifesta-se, sobretudo, na atividade de obtenção de ingressos de
recursos e na realização de gastos. Situando-se no contexto interventivo dos
entes públicos tanto no tráfico jurídico quanto na atividade econômica.
Esses fenômenos são objeto de análise no âmbito das ciências sociais.
Diversas são as teorias elaboradas, principalmente por autores italianos, que
procuram explicar esse fenômeno, ora conceituando-a como puramente
econômica, ora como política ou político-sociológica.

A.1) Teorias acerca do Fenômeno Financeiro

A.1.1) Teoria da troca (William Senior e Frédéric Bastiat)

O fenômeno financeiro é um fato de troca, sendo que os indivíduos


pagam o tributo e as comunidades políticas efetuam o serviço. Se
estabelecem, assim, relações de troca, nas quais os impostos constituem o
preço a que os serviços correspondem. O imposto seria o preço do serviço
público executado.
Tal teoria foi veementemente refutada ,já que, nos estados modernos
verificamos que há vários tipos de arrecadação, como por exemplo os próprios
impostos, cuja a característica não é a reciprocidade, isto é,esses tributos não
são vinculados, onde vale dizer, o particular não recebe nada em troca da
importância recolhida pelo Estado. Juridicamente, esta teoria também se
mostra falha, visto que, a condição principal à troca econômica é a liberdade de
contrato. Aí, ela não existe, porque o tributo é imposto. Logo, não é troca.

A.1.2) Teoria do consumo ou improdutiva ( Jean Baptiste Say )

Por esta teoria, o estado arrecada as receitas tributárias e não tributárias


do povo, com o escopo de apenas consumir as receitas na manutenção dos
encargos estatais, significando que o mesmo não produz, apenas consome
aquilo que arrecada da sociedade.
Refutando esta teoria, é possível citar que: “produzir é criar utilidade:
quando o Estado paga, cria bens. Os legisladores, os juízes, os
administradores, os engenheiros, os professores, são tão produtores
econômicos como os agricultores.”(Jèse, 1934, apud Deodato, 1969)
A.1.3) Teoria da produtividade e reprodutividade das despesas públicas

O fenômeno financeiro é o da própria e verdadeira produção econômica.


Tinha como principais doutrinadores os escritores alemães: Dietzel, Liszt,
Wagner e Stein. As finanças consistem em um complexo de meios pecuniários
ao exercício de uma industria especial, em uma transformação útil de riquezas
materiais em bens imateriais de segurança, poder e civilização. Para estes
autores, as despesas são sempre produtivas ou reprodutivas, como as chama
Liszt.
O imposto empregado na execução dos serviços públicos volta à
coletividade com o efeito de aumentar a soma dos bens disponíveis ou de
acrescer a eficácia dos meios privados de produção.

A.1.4) Teoria do cooperativismo ou corporativista – (Citti di Marco)

Compara o estado moderno a uma grande indústria, a qual funciona


como uma grande cooperativa, onde há a participação de todos os
contribuintes, que se beneficiam dos serviços públicos , a um custo mínimo.

A.1.5) Teoria da repartição de encargos (Gaston Jèze)

Tal teoria consiste em que o Estado some todos os seus encargos


(despesas públicas) e em seguida divida-os com a sociedade. Esta teoria
também não se mostra verdadeira em sua essência, pois seria necessário
encontrar uma receita homogênea, ou seja, todos deveriam pagar o mesmo
ônus. Sabemos que a sociedade é constituída de um todo heterogêneo, e
portanto seria impossível que todos arcassem com a mesma carga tributária.

A.1.6) Explicação sociológica de Loria

Segundo este estudioso, dada a existência de classes sociais


contrapostas, o sistema financeiro se constrói efetivamente, de modo a
corresponder aos interesses das classes economicamente dominantes em
detrimento das classes mais fracas, visto que o custo do serviço público a ser
suportado por todos é desproporcional a capacidade contributiva da classe
mais fraca.

A.2) Características do fenômeno financeiro no Estado moderno

a) Repartição do custo dos encargos públicos – Norteado pelo princípio da


capacidade contributiva, o qual é regulado através da progressividade
(ou proporcionalidade), das isenções e dos mínimos de existência, e
pela conveniência social, a qual se enquadra nos princípios da justiça
tributária.

b) Redistribuição da renda nacional – Deslocamento das rendas dos que


tem mais a favor dos que necessitam, através dos tributos.

c) Compulsoriedade – É decorrente da potestade tributária.

Bibliografia
DEODATO, Alberto. Manual de Ciência das Finanças. São Paulo:Saraiva,
1969.

BALEEIRO, Aliomar. Uma introdução à ciência das Finanças. Rio de Janeiro:


Forense, 2004.

ROVERONI, Antônio. Atividade financeira.


http://professores.unirg.edu.br/roveroni/dir_arq/trib/trib1_arq/03_atvfinan_caract
.pdf Acesso em: 27 de janeiro de 2011.

SILVA, Emerson dos Santos. A evolução ao longo dos tempos até a atualidade
da análise financeira.
http://www.unescnet.br/NIP/Edicao_Anterior/Revista_Eletronica3/ARTIGOS/TE
XTO2.asp Acesso em: 27 de janeiro de 2011.