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Biologia - Suplemento de Apoio do Professor - Manual 3

Biologia - Suplemento de Apoio do Professor - Manual 3

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SUPLEMENTO PARA O PROFESSOR

Sumário
Apresentação da obra, 5 Estrutura geral da coleção, 5
Organização dos capítulos, 6
Texto e imagens, 6 Quadros temáticos, 6 Leitura, 6 Atividades, 6 Bibliografia, respostas, nova nomenclatura anatômica, índice remissivo, 7 Capítulo 11 – Origem das espécies e dos grandes grupos de seres vivos, 11 Capítulo 12 – Evolução humana, 12 Sugestões de atividades complementares, 12 Exemplo de mapas de conceitos, 12

PARTE III – Ecologia, 12
Capítulo 13 – Fundamentos da Ecologia, 12 Capítulo 14 – Energia e matéria nos ecossistemas, 12 Capítulo 15 – Dinâmica das populações biológicas, 12 Capítulo 16 – Relações ecológicas entre seres vivos, 13 Capítulo 17 – Sucessão ecológica e biomas, 13 Capítulo 18 – Humanidade e ambiente, 13 Sugestões de atividades complementares, 13 Exemplos de mapas de conceitos, 13

Sugestões para utilizar esta obra como instrumento de aprendizagem e avaliação, 7
Orientação de leitura, 7 Conhecimentos prévios dos estudantes, 7 Ligações com o cotidiano, 7 Integração da Biologia com outras disciplinas, 7 Atividades didáticas, 8 Utilização dos mapas de conceitos, 8

Atividades complementares, 13
Anexo - Páginas para fotocopiar, 21

Trabalhando com mapas de conceitos, 28
Exemplos de mapas de conceitos, 30

Destaques temáticos, objetivos de ensino e sugestões para este volume, 8
PARTE I - Genética, 9
Capítulo 1 – As origens da Genética, 9 Capítulo 2 – Lei da segregação genética, 9 Capítulo 3 – Relação entre genótipo e fenótipo, 9 Capítulo 4 – Lei da segregação independente dos genes, 10 Capítulo 5 – O mapeamento dos genes nos cromossomos, 10 Capítulo 6 – Herança e sexo, 10 Capítulo 7 – Do genótipo ao fenótipo: como se expressam os genes, 10 Capítulo 8 – Aplicações do conhecimento genético, 10 Sugestões de atividades complementares, 11 Exemplos de mapas de conceitos, 11

Respostas às questões das atividades, 39
Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 39 40 41 44 46 48 50 52 54 56 59 62 65 66 69 70 72 76

PARTE II – Evolução biológica, 11
Capítulo 9 – Breve história das idéias evolucionistas, 11 Capítulo 10 – Teoria moderna da evolução, 11

Apresentação da obra
Idealizamos esta coleção como ferramenta de estudo e de consulta voltada ao ensino médio, visando a atender diversas opções de conteúdo adotadas pelos professores brasileiros. A amplitude dos assuntos tratados, além de refletir o alentado arcabouço conceitual das ciências biológicas, procura contemplar temas que nossas pesquisas indicam serem os preferidos pela maioria dos(as) colegas. Entendemos o livro didático como um instrumento flexível, que deve servir de fonte de informação confiável e atualizada e também propor atividades e exercícios capazes de estimular e de promover a aprendizagem. Para ser um apoio efetivo nesse sentido, procuramos apresentar livros com texto bem estruturado, ilustrado e explicativo, capazes de influenciar o desenvolvimento da capacidade de leitura e de organização do pensamento, além de compor harmoniosamente textos e imagens, de modo a convidar os estudantes a vencer os desafios inerentes à aquisição de novos conhecimentos. Foi com essas perspectivas que elaboramos esta coleção em três volumes. Esperamos que a obra leve os estudantes a compreender os conceitos fundamentais em Biologia e facilite sua ligação aos fatos do cotidiano; esperamos também que eles percebam o quanto as ciências biológicas têm sido importantes para a humanidade e seu grande potencial para novas descobertas que se delineia neste século XXI. Nossa expectativa é que cada professor possa utilizar esta obra da melhor maneira possível, de acordo com a disponibilidade de sua carga horária e de seus objetivos de aprendizagem.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Estrutura geral da coleção
A obra aborda diferentes níveis de organização da vida: as células, os organismos e as populações. Procuramos incorporar, aos conceitos tradicionalmente tratados no ensino médio, as muitas novidades da Biologia da última década, de modo a levar os estudantes a conhecer e acompanhar os grandes debates científicos da atualidade. O Volume 1 focaliza o nível celular de organização da vida, relacionando-o com o nível das moléculas e também com o dos tecidos. Os principais assuntos tratados no volume são: a. as características típicas do fenômeno vida e as teorias atuais sobre a origem da vida em nosso planeta; b. estrutura e função nas células vivas (Citologia) e organização celular dos tecidos animais (Histologia); c. aspectos gerais da reprodução, dos ciclos de vida e do desenvolvimento animal (Reprodução e Embriologia). O Volume 2 aborda a vida no nível dos organismos, estudando sua diversidade, anatomia e fisiologia. Os principais assuntos tratados no volume são: a. noções básicas de Sistemática, com destaque para a classificação biológica; b. estudo sistemático dos principais representantes dos grandes reinos de seres vivos; c. anatomia e fisiologia de plantas e animais, com ênfase nas plantas angiospermas e no organismo humano. O Volume 3 trata de conceitos e processos relacionados mais diretamente com o nível populacional de organização dos seres vivos, estudando-o sob os pontos de vista da Genética, da Evolução Biológica e da Ecologia. Os principais assuntos tratados no volume são: a. aspectos históricos e modernos da Genética, de Gregor Mendel até os recentes avanços no conhecimento genético e suas aplicações; b. aspectos históricos e modernos das teorias de evolução biológica, de Darwin à moderna teoria evolucionista, com ênfase na evolução da espécie humana; c. conceitos fundamentais de Ecologia e de Educação Ambiental. Em cada capítulo, o conteúdo é apresentado por meio de um texto integrado a fotos, ilustrações e esquemas, além de Quadros temáticos, Leitura e Atividades.
ESTRUTURA GERAL DA COLEÇÃO

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Organização dos capítulos
Texto e imagens
A linguagem empregada na obra procura aliar a precisão conceitual da comunicação científica à clareza didática. Sempre que possível utilizamos analogias e comparações, exemplificando com assuntos do cotidiano, de modo a tornar conceitos e fenômenos biológicos mais concretos para os estudantes. As imagens são fundamentais para a compreensão mais ampla dos assuntos, e suas legendas complementam o texto básico. Além das fotografias, há esquemas com comparações didáticas e sínteses conceituais e, nesse caso, é importante levar os alunos a perceber os elementos em diferentes escalas e em cores-fantasia.

Quadros temáticos
Cada capítulo pode conter um ou mais quadros temáticos em que determinados assuntos – aprofundamentos, aspectos históricos, novidades científicas e tecnológicas etc. – são apresentados paralelamente ao desenvolvimento do conteúdo explicativo seqüencial. Os quadros temáticos possibilitam que os assuntos específicos neles tratados possam ser utilizados em diferentes momentos da aprendizagem, a critério do professor, garantindo maior flexibilidade no trabalho com o texto didático.

Leitura
Ao final de cada capítulo há um item denominado Leitura, em que é apresentado um texto selecionado de livros, revistas científicas, jornais ou da internet. Um dos objetivos da Leitura é fornecer aos estudantes textos de diferentes autores, com diferentes enfoques para assuntos tratados no capítulo. O trabalho com o item Leitura pode preceder o estudo do capítulo, servindo de problematização e de referência para os conceitos e processos tratados no texto básico. A partir do texto da Leitura é possível também solicitar aos estudantes, como atividade de pesquisa, que encontrem textos sobre o mesmo tema em diferentes meios de divulgação

Atividades
Após a Leitura apresentamos um elenco de atividades, dimensionando-o para abranger os assuntos fundamentais do capítulo. As atividades estão divididas em três módulos: Guia de estudo, Questões para pensar e discutir e A Biologia no vestibular. O primeiro módulo orienta os estudantes a rever, passo a passo, os principais conceitos e processos tratados no capítulo; compõe-se de questões discursivas, cujas respostas são fornecidas apenas ao professor. O módulo seguinte, Questões para pensar e discutir, traz questões objetivas e discursivas que desafiam os estudantes a ligar fatos, conceitos e processos em situações reais ou simuladas; as respostas dessas questões também são fornecidas exclusivamente para o professor. O terceiro módulo, A Biologia no vestibular, traz uma seleção das melhores questões de vestibulares sobre os assuntos tratados no capítulo. Ao trabalhar com essas questões, cujas respostas são fornecidas no Livro do Aluno, os estudantes entram em contato com o que se avalia nos diversos exames de ingresso ao Ensino Superior. Sugira aos estudantes que, após a leitura do texto de cada capítulo, sempre façam os exercícios do Guia de estudo. Para facilitar sua utilização, esses exercícios estão divididos em blocos, correspondentes aos itens numerados do capítulo. Estimule os estudantes a rever o texto em caso de dúvida em algum exercício. Para que os estudantes possam explorar mais amplamente os temas do capítulo, solicite que façam as atividades propostas no módulo Questões para pensar e discutir, em que são apresentadas questões mais desafiadoras e/ou sugestões de pesquisas e atividades, úteis para discussões de fechamento dos assuntos. O elenco de questões de A Biologia no vestibular pode ser utilizado, a seu critério, tanto após o Guia de estudo como após as Questões para pensar e discutir. Além de ajudar os alunos a estudar, os diferentes módulos de atividades podem ser utilizados pelo professor como instrumentos de avaliação da aprendizagem, em especial o Guia de estudo e as Questões para pensar e discutir, cujas respostas são fornecidas exclusivamente no livro do professor.

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ESTRUTURA GERAL DA COLEÇÃO

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Bibliografia, respostas, nova nomenclatura anatômica, índice remissivo
Após o último capítulo de cada volume, no Livro do Aluno, apresentamos, em seqüência: a) a principal bibliografia consultada na elaboração do livro; b) as respostas às questões do módulo A Biologia no vestibular; c) uma tabela com as principais alterações na nomenclatura do corpo humano sugeridas pela mais recente Nomina Anatomica; d) índice remissivo. Sugerimos que o(a)s colegas professore(a)s estimulem a utilização do índice remissivo pelos estudantes, tanto para localizar rapidamente assuntos no texto como para relacionar informações de diferentes temas. Isso pode familiarizá-los com obras de consulta.

Sugestões para utilizar esta obra como instrumento de aprendizagem e avaliação
Orientação de leitura
Para habituar os estudantes à estrutura do livro didático, de modo que este se torne um verdadeiro aliado nos estudos, sugerimos aos(às) colegas professore(a)s que sempre orientem os estudantes para a leitura do texto selecionando e indicando trechos para serem lidos antes, durante ou após a aula. Um diálogo aberto sobre os objetivos a serem alcançados com o estudo do capítulo pode facilitar a comunicação com os estudantes, estimulando-os a dividir com o(a) professor(a) a responsabilidade por sua aprendizagem. Chambliss, M. J. e Calfee, R. C., no livro Textbooks for Learning (Malden, Massachussets, Blackwell Publishers Inc., 1998), propõem questões a serem levantadas em situações como essa, tais como: I Que informações do texto se relacionam com algo que você conhece? I Que partes do texto você considera mais interessantes? I Como você resumiria o que aprendeu na leitura do texto? I Daqui a um mês, o que você acha que poderá lembrar do texto? I Se você for discutir o assunto do texto com outras pessoas, que idéias, argumentos e exemplos utilizaria?

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Conhecimentos prévios dos estudantes
Diversas correntes pedagógicas destacam a importância de se levantar os conhecimentos prévios dos estudantes, tanto suas concepções baseadas no senso comum, como conceitos aprendidos em ciclos escolares anteriores e que são pré-requisitos para construir e ancorar os novos conhecimentos. Vale a pena investir algum tempo para levantar e discutir os conceitos sobre os seres vivos e sobre seu próprio corpo que os estudantes trazem em sua bagagem de conhecimentos e ajudá-los a analisar suas concepções e a adquirir outras, fundamentadas no conhecimento científico. Em geral, apresentar os objetivos do estudo do capítulo e discutir com os estudantes as idéias que eles têm a respeito do tema é suficiente para detectar conceitos que vão exigir mais discussões e explicações.

Ligações com o cotidiano
A idéia de ligar o que se aprende na escola ao mundo aparece em muitos dos objetivos sugeridos para cada capítulo e volume em que se encontram. Os estudantes geralmente se motivam a aprender quando percebem conexões entre fatos próximos à sua vida e conteúdos estudados na escola. Isso fica evidente no interesse que eles manifestam em conteúdos referentes a saúde, higiene, questões sobre reprodução, contracepção e DSTs, por exemplo. Assuntos veiculados pela imprensa podem ser utilizados como instrumentos de problematização de conteúdos. Jornais e revistas costumam ter seções especializadas em ciências; é possível estabelecer, na classe, uma rotina para acompanhar notícias de interesse científico, que podem ser apresentadas em um mural, por exemplo. Os textos da Leitura apresentados ao final de cada capítulo do livro também podem ser empregados para tal finalidade.
SUGESTÕES PARA A UTILIZAÇÃO DA OBRA

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Integração da Biologia com outras disciplinas
Modernas tendências pedagógicas apontam a integração interdisciplinar como uma importante estratégia de ensino. Por um lado, o(a)s professore(a)s das diferentes disciplinas complementam informações, trocam idéias e desenvolvem o trabalho em equipe. Os estudantes percebem mais facilmente as relações entre os diferentes fenômenos da natureza quando estudam os mesmos conceitos em diferentes disciplinas. Considere a possibilidade de integração interdisciplinar formal ou informal e, se possível, que se inclua no planejamento ao menos uma atividade de integração interdisciplinar.

Atividades didáticas
O aprendizado requer participação ativa dos estudantes. Atividades de pesquisa bibliográfica, seminários, aulas práticas e estudos do meio, entre outras estratégias pedagógicas, podem tornar altamente dinâmico e motivador um curso de Biologia. A partir da página 14 deste suplemento sugerimos algumas atividades complementares relacionadas aos conteúdos tratados neste volume. Somadas ou adaptadas às do repertório do próprio(a) professor(a), essas atividades podem motivar os estudantes e ajudá-los a se apropriar de novos conhecimentos e habilidades desejadas.

Utilização dos mapas de conceitos
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Identificar os conceitos básicos apresentados no texto de cada capítulo constitui um aspecto importante do processo de ensino-aprendizagem. Se o(a) professor(a) dispõe de poucas aulas semanais para desenvolver o conteúdo, pode ser melhor destacar os conceitos mais importantes, deixando em segundo plano aspectos de detalhamento ou temas não-pertinentes aos objetivos didáticos que se deseja alcançar. Uma das maneiras de trabalhar criteriosamente com conceitos é por meio da elaboração de mapas de conceitos. Trata-se de uma estratégia didática que é muito útil também no planejamento de unidades didáticas e na preparação de aulas. Um mapa de conceitos consiste de um conjunto de conceitos interligados por palavras de ligação, que identificam o tipo de relação que há entre eles. Embora simples em sua concepção, os mapas de conceitos constituem-se em uma ferramenta poderosa para o processo de ensino-aprendizagem e para a avaliação da aprendizagem. Para o(a)s professor(a)s que desejarem se aprofundar no assunto, apresentamos, na página 38, um texto sobre os princípios de construção de mapas de conceitos, acompanhado de bibliografia suplementar e de exemplos de mapas de conceitos referentes a assuntos tratados no volume.

Destaques temáticos, objetivos de ensino e sugestões para este volume
A seguir apresentamos os destaques temáticos e os principais objetivos de ensino de cada capítulo deste volume. Apresentamos também sugestões de atividades complementares e exemplos de mapas de conceitos relativos aos assuntos tratados em cada parte do volume.

Destaques temáticos e objetivos de ensino
Os destaques temáticos são apresentados na forma de uma breve sinopse dos temas de cada capítulo, acompanhada dos principais objetivos que tivemos em mente ao elaborá-los. Os objetivos foram divididos em duas categorias: objetivos gerais, referentes ao desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e valores que ultrapassam os limites da Biologia, e objetivos didáticos, mais específicos, que se referem ao desenvolvimento de conhecimentos e habilidades específicas de Biologia. Um exemplo de objetivo geral é: Valorizar os aspectos históricos da ciência, tais como os relativos ao desenvolvimento da Genética, reconhecendo que os avanços científicos de uma época dependem de conhecimentos desenvolvidos em épocas anteriores. Um exemplo de objetivo didático é: Caracterizar alelos como formas diferentes de um mesmo gene e conceituar os seguintes termos: alelo dominante, alelo recessivo, indivíduo homozigótico, indivíduo heterozigótico, dominância incompleta e co-dominância.

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DESTAQUES TEMÁTICOS, OBJETIVOS E SUGESTÕES

ESTRUTURA GERAL DA COLEÇÃO

Se desejar, utilize os objetivos que sugerimos para cada capítulo em seu planejamento e como parâmetro de avaliação, adequando-os às suas necessidades.

Sugestões de atividades complementares
Para auxiliar o(a) professor(a) em sua tarefa de obter participação mais ativa dos estudantes no processo de aprendizagem, reunimos neste suplemento sugestões de atividades complementares de diferentes tipos: pesquisas bibliográficas, seminários, aulas de laboratório, estudos do meio e montagens, entre outras estratégias pedagógicas. Se desejar, utilize essas atividades em complementação àquelas presentes no livro do estudante.

Mapas de conceitos
Os mapas de conceitos são construções pessoais e contextuais, de modo que sua utilização mais produtiva como ferramenta pedagógica é produzir os próprios mapas. Entretanto, analisar e avaliar mapas de conceitos já prontos é um excelente ponto de partida para a elaboração de mapas conceituais próprios. Assim, neste suplemento, após a sugestão de atividades complementares, apresentamos alguns exemplos de mapas de conceitos envolvendo os principais conceitos tratados nos capítulos. Se desejar, utilize os mapas sugeridos como base para discussão com os estudantes, que podem modificá-los ou ampliá-los, dependendo dos conceitos tratados e dos objetivos almejados.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

PARTE I - GENÉTICA
I Objetivos gerais para todos os capítulos desta parte Valorizar os aspectos históricos da ciência, tais como os relativos ao desenvolvimento da Genética, reconhecendo que os avanços científicos de uma época dependem de conhecimentos desenvolvidos em épocas anteriores. Compreender que a herança biológica se baseia na transmissão de informações hereditárias – os genes – de geração a geração, o que possibilita reflexões sobre a continuidade da vida e sobre a natureza das relações entre os seres vivos ao longo do tempo. Compreender os princípios teóricos que explicam a hereditariedade e as variações nas manifestações genéticas; utilizar esses conhecimentos para entender situações reais, como casos que envolvem genes letais, características genéticas humanas de interesse médico e determinação do sexo, e para atuar positivamente na prevenção e no tratamento de certas doenças que ocorrem em casos de incompatibilidade genética.

Capítulo 2 – Lei da segregação genética
I Destaques temáticos Apresenta a parte do trabalho de Gregor Mendel referente à lei da segregação. Discute as bases celulares da segregação dos fatores genéticos. Apresenta exemplos de herança monogênica. I Sugestões de objetivos didáticos Explicar como a segregação dos cromossomos homólogos na meiose determina a separação (segregação) dos alelos de um gene. Representar, por meio de esquemas ou modelos, a separação (segregação) dos cromossomos e dos alelos de um gene na meiose. Conceituar herança monogênica, ou monoibridismo. Compreender os princípios de construção do quadrado de Punnett, aplicando-os na solução de problemas sobre herança monogênica.

Capítulo 1 – As origens da Genética
I Destaques temáticos Discute algumas idéias antigas sobre hereditariedade, como a pangênese de Hipócrates, os escritos de Aristóteles sobre a herança biológica e a polêmica entre os defensores das teorias da pré-formação e da epigênese. Apresenta uma breve história dos conhecimentos essenciais à compreensão da hereditariedade: o papel dos gametas na fecundação, dos cromossomos, da mitose e da meiose. Mostra os principais avanços e marcos históricos relacionados à Genética no século XX. I Sugestões de objetivos didáticos Compreender a hipótese da pangênese de Hipócrates e explicar por que Aristóteles se opunha a ela. Explicar os pontos centrais das teorias da pré-formação e da epigênese, comparando-os. Estar informado sobre como foram descobertos os gametas e em que época isso ocorreu. Conceituar mitose e descrever sucintamente o processo, representando-o simplificadamente por meio de esquemas e ilustrações. Conceituar meiose e descrever sucintamente o processo, representando-o simplificadamente por meio de esquemas e ilustrações.
ESTRUTURA GERAL DA COLEÇÃO

Capítulo 3 – Relação entre genótipo e fenótipo
I Destaques temáticos Discute os conceitos de fenótipo e de genótipo e a determinação do genótipo de indivíduos com fenótipo dominante por meio de cruzamento-teste. Apresenta o conceito de heredograma e os princípios básicos de sua construção. Discute os diferentes modos de interação entre alelos de um mesmo gene, distinguindo herança recessiva, herança dominante, dominância incompleta e co-dominância. Conceitua e discute exemplos de pleiotropia, de alelos letais e de alelos múltiplos. Discute as variações no modo de expressão dos genes, conceituando variação descontínua, norma de reação, penetrância e expressividade dos genes. Apresenta a genética dos principais sistemas de grupos sangüíneos humanos: ABO, Rh e MN. Trabalha as noções fundamentais de probabilidade aplicadas à Genética. I Sugestões de objetivos didáticos Conceituar genótipo e explicar sua relação com o fenótipo. Explicar a utilidade dos cruzamentos-teste. Caracterizar alelos como formas diferentes de um mesmo gene e conceituar os seguintes termos: alelo dominante, alelo recessivo, indivíduo homozigótico, indivíduo heterozigótico, dominância incompleta e co-dominância.
PARTE I — GENÉTICA

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Relacionar dominância, segregação dos alelos e combinação dos gametas ao acaso com as proporções obtidas nos cruzamentos genéticos que envolvem um gene. Conceituar pleiotropia, alelos letais e alelos múltiplos. Compreender variações no modo de expressão dos genes: variação descontínua, norma de reação dos genes, penetrância gênica e expressividade gênica. Conhecer o sistema de grupos sangüíneos ABO, compreendendo os princípios envolvidos na incompatibilidade entre certos tipos sangüíneos. Conhecer a determinação genética do sistema de grupos sangüíneos Rh, compreendendo os princípios envolvidos na incompatibilidade entre mãe e feto responsável pela eritroblastose fetal. Conhecer a determinação genética dos tipos sangüíneos humanos (ABO, MN e Rh) e resolver problemas sobre esse assunto. Aplicar conhecimentos relativos à segregação de um par de alelos e à probabilidade na resolução de problemas envolvendo cruzamentos genéticos.

cromátides de cromossomos homólogos. Discute os princípios de construção de mapas genéticos e o significado da unidade de distância entre genes ligados. I Sugestões de objetivos didáticos Explicar, por meio de esquemas e modelos, a transmissão de genes localizados em um mesmo cromossomo (genes ligados), na ausência e na presença de permutação cromossômica. Compreender os princípios de construção de mapas gênicos com base nas freqüências de recombinação entre genes ligados.

Capítulo 6 – Herança e sexo
I Destaques temáticos Aborda mecanismos genéticos e não-genéticos de determinação do sexo. Discute a herança de genes localizados em cromossomos sexuais. Apresenta exemplos de herança ligada ao cromossomo X na espécie humana: daltonismo, hemofilia e distrofia muscular. Explica a compensação de dose em fêmeas de mamíferos. I Sugestões de objetivos didáticos Conceituar cromossomo sexual e conhecer os principais sistemas de determinação cromossômica do sexo: XY, XO, ZW e haplodiplóide. Compreender e explicar os processos de determinação genética do daltonismo, da hemofilia e da distrofia muscular. Compreender e explicar o mecanismo de compensação de dose em mamíferos. Aplicar os conhecimentos relativos à herança de genes localizados em cromossomos sexuais e à probabilidade na resolução de problemas que envolvem cruzamentos genéticos.

Capítulo 4 – Lei da segregação independente dos genes
I Destaques temáticos Discute o conceito de segregação independente e o fato de esse fenômeno ser conseqüência da segregação independente dos pares de cromossomos homólogos na meiose. Apresenta exemplos de segregação independente em diferentes organismos. Discute e exemplifica o conceito de interação gênica, analisando as proporções fenotípicas em cruzamentos que envolvem diversos tipos de interação. Discute os princípios da herança quantitativa, ou poligênica, e as explicações mais recentes sobre a herança da cor dos olhos na espécie humana. I Sugestões de objetivos didáticos Compreender por que a segregação independente dos cromossomos homólogos na meiose determina a proporção 1 : 1 : 1 : 1 dos quatro tipos de gameta (1/4 AB : 1/4 Ab: 1/4 aB : 1/4 ab) formados por um indivíduo duplo heterozigótico (AaBb). Representar, por meio de esquemas ou modelos, a segregação independente de dois pares de alelos localizados em dois pares de cromossomos homólogos. Relacionar os conceitos de dominância, segregação independente de alelos e combinação ao acaso dos gametas com as proporções obtidas nos cruzamentos genéticos que envolvem dois genes com segregação independente. Aplicar conhecimentos relativos à segregação independente de dois pares de alelos e à probabilidade na resolução de problemas que envolvem cruzamentos genéticos. Compreender que certas características são determinadas pela ação conjunta de alelos de diferentes genes (interação gênica); explicar e exemplificar genes com segregação independente que interagem na determinação de uma única característica (cor da plumagem em periquitos, forma da crista em galinhas, cor da pelagem em cães labradores etc.). Caracterizar herança quantitativa e estar informado sobre a existência desse tipo de herança na espécie humana. Reconhecer que as cores castanha, azul e verde do olho humano têm base genética e explicar a relação entre genótipos e fenótipos quanto a essa característica.

Capítulo 7 – Do genótipo ao fenótipo: como se expressam os genes
I Destaques temáticos Apresenta um breve histórico da identificação do DNA como material genético e a elucidação de sua estrutura molecular. Aborda a descoberta do modo de ação dos genes, apresentando alguns exemplos de erros inatos do metabolismo: fenilcetonúria, alcaptonúria e albinismo tipo 1. Discute a teoria “um gene-uma enzima” e a relação entre genes, RNA e proteínas. Trata dos recentes avanços relativos ao conceito de gene, apresentando as diferenças fundamentais entre genes bacterianos e genes eucarióticos. Discute a organização interrompida dos genes eucarióticos, com presença de regiões codificadoras (exons) e não-codificadoras (introns), e o mecanismo básico de processamento do RNA no núcleo das células eucarióticas (splicing). I Sugestões de objetivos didáticos Conhecer a estrutura da molécula de DNA e compreender a maneira pela qual essa substância armazena informação genética. Explicar, em termos gerais, como os genes determinam as características estruturais e funcionais dos seres vivos por meio do controle da síntese das proteínas. Compreender o papel de cada um dos tipos de RNA (RNA mensageiro, RNA transportador e RNA ribossômico) no processo de síntese de proteínas. Reconhecer a existência de DNA codificante e de DNA nãocodificante e compreender a organização descontínua dos genes eucarióticos, distinguindo intron e exon.

Capítulo 5 – O mapeamento dos genes nos cromossomos
I Destaques temáticos Discute a descoberta do papel dos cromossomos na herança. Aborda a questão da ligação gênica e explica a recombinação entre genes ligados como conseqüência de permutas entre

Capítulo 8 – Aplicações do conhecimento genético
I Destaques temáticos Aborda as principais aplicações do conhecimento genético na sociedade contemporânea, tais como o melhoramento,

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PARTE I — GENÉTICA

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

o aconselhamento genético e prevenção de doenças hereditárias. Discute os recentes avanços relativos à genética molecular e suas aplicações, como o estudo do DNA por meio da utilização de enzimas de restrição e da eletroforese, os princípios de identificação de pessoas por meio do DNA, as técnicas fundamentais de clonagem molecular e a produção de organismos transgênicos. Discute o projeto Genoma Humano e explica os fundamentos da técnica de seqüenciamento do DNA. I Sugestões de objetivos didáticos Compreender como os conhecimentos genéticos podem ser aplicados na biotecnologia e no diagnóstico e prevenção de doenças hereditárias. Conhecer os princípios básicos da manipulação genética e algumas de suas principais aplicações, como a identificação de pessoas pelo DNA e a clonagem molecular. Explicar, em linhas gerais, o que são organismos transgênicos e compreender as polêmicas que envolvem os possíveis benefícios e prejuízos da manipulação genética.

I Sugestões de objetivos didáticos Conhecer e compreender as principais evidências da evolução biológica: documentário fóssil; adaptação; semelhanças anatômicas, fisiológicas e bioquímicas entre os organismos. Caracterizar órgãos homólogos e órgãos análogos, reconhecendo os primeiros como evidências da evolução biológica e os segundos como resultado da adaptação a ambientes semelhantes. Explicar os pontos principais do lamarckismo (uso e desuso e transmissão de características adquiridas) e do darwinismo (seleção natural e diversificação das espécies). Estar informado sobre os princípios das datações relativa e absoluta dos fósseis, compreendendo sua importância na teoria evolucionista moderna.

Capítulo 10 – Teoria moderna da evolução
I Destaques temáticos Trata da teoria moderna da evolução, com destaque para os principais fatores evolutivos: mutação gênica; recombinação gênica; seleção natural. Traz também um quadro que apresenta as mutações cromossômicas e seu papel na evolução. Discute o conceito de seleção natural e os principais tipos de seleção: estabilizadora, direcional e disruptiva, além da seleção sexual. Comenta a camuflagem, a coloração de aviso e o mimetismo (batesiano e muleriano) como exemplos de adaptação pela seleção natural. Traz, ainda, o princípio de Hardy-Weinberg e alguns conceitos da genética de populações, tais como: freqüência gênica, deriva gênica e princípio do fundador. I Sugestões de objetivos didáticos Reconhecer a mutação gênica e a recombinação gênica como os principais fatores responsáveis pela variabilidade, sobre a qual atua a seleção natural. Caracterizar os seguintes tipos de seleção natural: seleção estabilizadora; seleção direcional; seleção disruptiva; seleção sexual. Explicar a adaptação dos seres vivos pela ação da seleção natural, exemplificando com a camuflagem, a coloração de aviso e o mimetismo. Aplicar os princípios da genética de populações e do equilíbrio gênico para resolver problemas que envolvem cálculos de freqüências gênicas.

Sugestões de atividades complementares
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1. Observando traços humanos hereditários (página 13) 2. Simulando o comportamento de genes e de cromossomos durante as divisões celulares (página 14) 3. Simulando a transmissão de algumas características humanas (página 15) 4. Simulando a ocorrência de recombinação gênica na meiose (página 16) 5. Simulando uma técnica para identificar pessoas pelo DNA (página 17)

Exemplos de mapas de conceitos
1. Alelos múltiplos e grupos sangüíneos (página 31) 2. Ligação gênica (página 32) 3. Herança genética e sexo (página 33)

PARTE II - EVOLUÇÃO BIOLÓGICA
I Objetivos para todos os capítulos da Parte II: evolução biológica Conhecer as principais evidências da evolução biológica e compreender os fundamentos da teoria evolucionista moderna, o que fornece subsídios para a reflexão sobre questões polêmicas, tais como as relativas às origens da vida e da espécie humana. Conhecer os fundamentos básicos da história da espécie humana de acordo com a moderna teoria evolucionista, desde nossos ancestrais mais remotos até hoje, o que permite reflexões sobre a origem, o presente e o futuro de nossa própria espécie.

Capítulo 11 – Origem das espécies e dos grandes grupos de seres vivos
I Destaques temáticos Apresenta os conceitos de anagênese e cladogênese e idéias recentes sobre a formação de novas espécies (especiação). Comenta os tipos de especiação: alopátrica (dicopátrica e peripátrica) e simpátrica. Discute também o papel do isolamento reprodutivo na especiação e processos pré-zigóticos e pós-zigóticos de isolamento. Apresenta critérios para divisão do tempo geológico e hipóteses sobre a origem dos principais grupos de seres vivos. I Sugestões de objetivos didáticos Definir anagênese e cladogênese. Conhecer o conceito atual de espécie biológica, reconhecendo-a como um grupo de organismos reprodutivamente isolado de outros grupos (outras espécies). Explicar, em linhas gerais, o processo de formação de novas espécies e compreender a importância do isolamento reprodutivo no processo de especiação.
PARTE II — EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

Capítulo 9 – Breve história das idéias evolucionistas
I Destaques temáticos Apresenta um breve histórico das idéias evolucionistas; além do lamarckismo, comenta o desenvolvimento do darwinismo e do conceito de seleção natural. Discute as principais evidências da evolução biológica: documentário fóssil; adaptação; semelhanças anatômicas, fisiológicas e bioquímicas entre os organismos. Traz ainda um quadro sobre a datação relativa e absoluta dos fósseis e uma leitura que comenta a questão do criacionismo.

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Definir e distinguir especiação alopátrica (dicopátrica e peripátrica) e especiação simpátrica. Conceituar tempo geológico e suas divisões (eras, períodos e épocas), compreendendo os critérios empregados nessas divisões.

I Sugestões de objetivos didáticos Compreender e inter-relacionar os seguintes conceitos em Ecologia: biosfera; população biológica; comunidade biológica (biocenose); biótopo; hábitat; nicho ecológico; ecossistema. Reconhecer o ecossistema como resultante da interação entre componentes bióticos (seres vivos) e componentes abióticos (clima e fatores químicos). Identificar os níveis tróficos de um ecossistema (produtores, consumidores e decompositores) e compreender as relações entre eles e o papel destas na constituição das cadeias e das teias alimentares.

Capítulo 12 – Evolução humana
I Destaques temáticos Apresenta as principais evidências da evolução humana e a classificação de nossa espécie no reino Animal. Discute as principais tendências evolutivas na linhagem primata: primeiro dedo oponível; visão binocular (estereoscópica); vida familiar e cuidados com a prole. Apresenta as recentes descobertas fósseis na ancestralidade humana e os principais estágios da “hominização”: o estágio pré-humano adaptado à vida nas árvores; o estágio de adaptação à savana arbórea (australopitecos); o estágio adaptado à savana arbustiva (gênero Homo); a emergência da espécie humana moderna (Homo sapiens). Traz ainda, em um quadro, as recentes hipóteses sobre o parentesco entre os neandertalenses (“homens de Neandertal”) e a espécie humana. Na leitura, uma notícia sobre a mais recente descoberta de um hominídeo: o Homo floresiensis, extinto há cerca de 12 mil anos. I Sugestões de objetivos didáticos Conhecer as principais evidências que relacionam evolutivamente a espécie humana e seus ancestrais primatas (fósseis e semelhanças anatômicas e moleculares). Conhecer a moderna classificação da espécie humana entre os primatas (ordem Primates, subordem Anthropoidea, infraordem Catarrhini, superfamília Hominoidea, família Hominidae, subfamília Homininae, gênero Homo). Caracterizar e explicar os principais estágios pelos quais teria passado a linhagem humana: estágio pré-humano adaptado à vida arborícola; estágio de adaptação à savana arbórea (australopitecos); estágio adaptado à savana arbustiva (gênero Homo); emergência da espécie humana moderna (Homo sapiens).

Capítulo 14 – Energia e matéria nos ecossistemas
I Destaques temáticos Trata do fluxo da energia e da matéria nos ecossistemas. Comenta os princípios das pirâmides de energia e biomassa e apresenta o conceito de produtividade em Ecologia. Traz também os ciclos biogeoquímicos da água, do carbono, do nitrogênio, do oxigênio e do fósforo. Um quadro temático destaca o papel do gás oxigênio na formação da camada de ozônio que protege a atmosfera terrestre.
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I Objetivo geral Conhecer as maneiras pelas quais ocorre o fluxo de energia e de matéria na natureza, o que permite refletir sobre a utilização de recursos renováveis e não-renováveis necessários à sobrevivência da humanidade. I Sugestões de objetivos didáticos Compreender que o fluxo de energia nas cadeias alimentares é unidirecional, o que permite interpretar e construir esquemas denominados pirâmides ecológicas. Reconhecer o comportamento cíclico dos elementos químicos que constituem as substâncias orgânicas e representar por meio de esquemas as etapas fundamentais dos ciclos biogeoquímicos da água, do carbono, do nitrogênio, do oxigênio e do fósforo. Conceituar produtividade e explicar por que o custo de produção de alimentos vegetais (grãos, frutos, legumes etc.) é geralmente menor que o dos alimentos de origem animal (carne bovina, por exemplo). Compreender o princípio e a importância da adubação verde, plantação consorciada, ou rotação de cultura, com plantas fabáceas (leguminosas) para o plantio e a produção de alimentos. Compreender como se forma a camada de ozônio na atmosfera e reconhecer sua importância na proteção dos seres vivos, inclusive a espécie humana, da radiação ultravioleta solar.

Sugestões de atividades complementares
6. Produzindo “fósseis” em sala de aula (página 18) 7. Interpretando restos e impressões fósseis (página 18) 8. Construindo um anuário do tempo geológico (página 18)

Exemplo de mapas de conceitos
4. Teorias de evolução biológica (página 34)

Capítulo 15 – Dinâmica das populações biológicas

PARTE III – ECOLOGIA
Capítulo 13 – Fundamentos da Ecologia
I Destaques temáticos Apresenta a Ecologia e conceitua os seguintes níveis de organização ecológica: populações, comunidades, ecossistemas e biosfera. Discute os conceitos de hábitat e nicho ecológico e comenta o princípio de Gause (exclusão competitiva). Apresenta os conceitos de cadeia e de teia alimentar. I Objetivos gerais Conhecer os fundamentos da Ecologia e justificar a importância dos estudos ecológicos para o futuro da humanidade. Compreender a complexidade das relações entre os seres vivos e o ambiente nos ecossistemas, reconhecendo o alto grau de interdependência que há entre os diversos componentes da biosfera.

I Destaques temáticos Trata das características das populações biológicas e conceitua: densidade populacional; taxas de crescimento populacional (absoluto e relativo); taxas de natalidade e de mortalidade; índice de fertilidade. Discute os fatores que regulam o tamanho das populações e conceitua carga biótica máxima. Um quadro temático destaca as populações humanas, a curva de crescimento demográfico e o conceito de pirâmide etária. A leitura apresenta uma entrevista polêmica sobre o futuro do crescimento populacional na espécie humana. I Objetivo geral Conhecer e compreender os fatores que afetam o crescimento das populações, em especial as humanas, para avaliar os riscos atuais e futuros da explosão demográfica; aplicar esses conhecimentos e avaliações em reflexões sobre temas atuais de cidadania, tais como controle da natalidade, planejamento familiar, sustentabilidade etc.

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PARTE III — ECOLOGIA

I Sugestões de objetivos didáticos Conhecer e conceituar algumas características gerais das populações (densidade demográfica, taxa de crescimento, taxa de natalidade e taxa de mortalidade) e aplicar esses conhecimentos na interpretação de curvas de crescimento populacional e em pirâmides etárias. Reconhecer a tendência de crescimento das populações humanas e compreender os riscos decorrentes da explosão demográfica, discutindo e formando opinião sobre controle da natalidade, planejamento familiar e sociedade sustentável.

araucárias; campo cerrado; pampa; caatinga; mata de cocais; pantanal mato-grossense; manguezais. Caracterizar os principais ecossistemas aquáticos e conceituar: plâncton, bentos e nécton.

Capítulo 18 – Humanidade e ambiente
I Destaques temáticos Apresenta diversos aspectos do impacto ambiental produzido pela espécie humana, tais como a poluição ambiental (do ar, da água e do solo) e a interferência da espécie humana nas comunidades naturais (desmatamentos, extinção e introdução de espécies etc.). Discute temas ecológicos de importância na atualidade, entre eles o aumento do efeito estufa, a destruição da camada de ozônio e as inversões térmicas, decorrentes da poluição do ar. Comenta o protocolo de Kyoto e as metas de redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa. Traz, ainda, uma breve discussão sobre caminhos e perspectivas da humanidade para a preservação ambiental. I Objetivo geral Conhecer os principais problemas decorrentes da exploração dos recursos naturais e do desenvolvimento tecnológico (poluição, desequilíbrios ecológicos etc.), de modo a formar opinião sobre as possíveis maneiras de melhorar a qualidade de vida das gerações futuras. I Sugestões de objetivos didáticos Conhecer as principais formas de poluição ambiental (poluição do ar, da água e do solo) e discutir maneiras de minimizar seus efeitos sobre o ambiente natural. Compreender que a interferência humana em comunidades naturais (desmatamentos, introdução e extinção de espécies etc.) pode causar desequilíbrios ecológicos; aplicar esses conhecimentos na discussão de maneiras para evitar ou minimizar os efeitos prejudiciais dessas interferências no ambiente natural.

Capítulo 16 – Relações ecológicas entre seres vivos
I Destaques temáticos Apresenta os principais tipos de relação ecológica entre seres vivos. Discute o conceito de simbiose e estuda relações intraespecíficas (competição intra-específica, colônias e sociedades) e relações interespecíficas (protocooperação, herbivoria, predação, competição interespecífica, inquilinismo, comensalismo, mutualismo e parasitismo). I Objetivo geral
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Conhecer os principais tipos de relação ecológica e compreendê-los tanto no aspecto individual quanto pela perspectiva do equilíbrio ecológico global. I Sugestão de objetivo didático Conhecer e compreender os principais tipos de relação ecológica: relações intra-específicas (competição intra-específica, colônia e sociedade) e relações interespecíficas (protocooperação, herbivoria, inquilinismo, predação, competição interespecífica, comensalismo, mutualismo e parasitismo).

Capítulo 17 – Sucessão ecológica e biomas
I Destaques temáticos Apresenta o conceito de sucessão ecológica e discute o papel das espécies pioneiras na sucessão primária; comenta também as características da sucessão secundária. Discute os principais fatores que afetam o tipo de ecossistema que se desenvolve em determinada região: insolação; circulação de energia na atmosfera; correntes oceânicas; composição do solo. Apresenta o conceito de bioma e as características dos principais biomas do mundo e do Brasil. Comenta, ainda, as principais características dos ecossistemas aquáticos. I Objetivo geral Conhecer os principais biomas do mundo, em particular os brasileiros, compreendendo-os como ecossistemas estáveis e característicos das regiões em que ocorrem; aplicar esses conhecimentos na reflexão sobre temas polêmicos da atualidade, como a preservação dos ambientes naturais, o desenvolvimento sustentável, a exploração racional de recursos etc. I Sugestões de objetivos didáticos Conceituar sucessão ecológica e distinguir sucessão primária de sucessão secundária; explicar as principais tendências observadas no decorrer da sucessão (aumentos da biomassa, da estabilidade, da biodiversidade etc.). Conceituar microclima, homeostase e comunidade clímax. Conhecer os principais fatores que afetam o tipo de ecossistema que se desenvolve em determinada região: insolação; circulação de energia na atmosfera; correntes oceânicas; composição do solo. Conceituar bioma, caracterizando e localizando geograficamente os principais biomas do mundo: tundra; taiga; floresta temperada; floresta pluvial tropical; estepe; savana; deserto. Caracterizar e localizar geograficamente os principais biomas brasileiros: floresta amazônica; mata atlântica; mata de

Sugestões de atividades complementares
9. Construindo um ecossistema experimental (página 18)

Exemplos de mapas de conceitos
5. Cadeias e teias alimentares (página 35) 6. Sucessão ecológica (página 36) 7. Populações (página 37) 8. Desequilíbrios ambientais (página 38)

Atividades complementares
1. OBSERVANDO TRAÇOS HUMANOS HEREDITÁRIOS
Uma atividade interessante é propor aos estudantes que observem algumas características humanas herdadas segundo um padrão de herança monogênica em seus familiares e em famílias conhecidas e que construam heredogramas para cada uma das características observadas, procurando determinar seu padrão de herança. Diversas características humanas são herdadas segundo um padrão de herança monogênica. Por exemplo, a capacidade de enrolar a língua na forma de uma letra U parece ser condicionada por um alelo dominante, e pessoas homozigóticas recessivas são incapazes de tal proeza. Outra característica condicionada por um alelo dominante é o lobo solto das orelhas; a pessoa homozigótica recessiva tem sempre lobos presos. Outros exemplos de características hereditárias são o modo de cruzar os braços (com o braço direito por cima e o esquerdo por baixo, ou vice-versa) e o modo de cruzar as mãos: algumas pessoas cruzam as mãos com o polegar direito por cima, e outras fazem o contrário.
ATIVIDADES COMPLEMENTARES

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Deve-se tomar cuidado especial com exemplos de herança genética na espécie humana. Apesar de muitos traços de nossa espécie seguirem o padrão de herança monogênica, não é raro aparecerem casos não explicáveis a partir do fenótipo dos pais. Por exemplo, ter cabelos lisos é uma característica recessiva em nossa espécie, mas ocorrem casos de um casal com cabelos lisos ter um filho com cabelo crespo. Uma das explicações para esses casos é o fenômeno da penetrância incompleta dos genes, ou seja, o indivíduo é portador de um determinado alelo, mas não expressa a característica condicionada por ele. Por exemplo, certas pessoas portadoras de um alelo dominante que condiciona presença de dedos extras nas mãos e nos pés (polidactilia) não apresentam a característica (dedos extras), apesar de transmitirem o alelo aos filhos, que podem manifestá-lo. Esse alelo, além disso, apresenta expressividade variada, ou seja, apenas determinada parte do corpo do indivíduo apresenta a característica condicionada pelo gene. Há pessoas portadoras do alelo para polidactilia que possuem dedos extras apenas em uma mão ou em um pé. A explicação para a penetrância incompleta e a expressividade variada é que a expressão de um alelo pode ser influenciada pelo resto do genótipo da pessoa e pelo ambiente. Se estudantes perguntarem sobre a possibilidade de um casal com olhos azuis ter um filho com olhos castanhos; a melhor resposta é que se trata de um caso raríssimo, mas não impossível. O mesmo se aplica a perguntas sobre a herança de tipos sangüíneos etc. Outro fator que pode complicar a análise genética é a característica ser determinada por mais de um gene. Por exemplo, apesar de o albinismo ser tido como uma característica condicionada por um alelo recessivo do gene que controla a produção de melanina, existem casos de cruzamento entre albinos em que toda a prole tem pigmentação normal. A explicação é que os indivíduos cruzados têm mutações em diferentes genes que atuam sobre síntese de melanina; assim, se um dos pais for albino por ter genótipo aaBB e o outro por ter genótipo AAbb, os filhos serão normais porque recebem um alelo dominante normal de cada um dos pais: têm genótipo AaBb.

Oriente-os a confeccionar dois bastões de massa de cores diferentes, com aproximadamente 10 cm de comprimento e 0,5 cm de diâmetro, para representar o cromossomo materno e o paterno. Um grão de lentilha, ou de feijão, inserido na região mediana de cada um dos bastões, representará o centrômero desse par de cromossomos, que serão, portanto, metacêntricos. Em seguida, devem ser representados os dois alelos de um gene. Para isso, peça aos estudantes que escrevam, em dois círculos de cartolina, as letras A e a, e que apliquem esses círculos nos dois bastões de massa; lembre-os de que, sendo alelos, esses genes devem ocupar a mesma posição relativa nos cromossomos homólogos. O objetivo da primeira etapa da atividade, a seguir, é recordar a mitose e ressaltar que as duas células-filhas originadas nesse processo são idênticas pelo fato de receberem uma cópia de cada um dos cromossomos e, portanto, de cada um dos alelos presentes na célula-mãe. Simulação da mitose com um par de cromossomos Com os modelos do par de cromossomos homólogos sobre a folha de cartolina, o primeiro passo será representar a duplicação cromossômica. Para isso, os estudantes devem confeccionar dois novos bastões de massa idênticos aos anteriores e unir cada um deles, pela região do centrômero, a um dos bastões preparados anteriormente. O tipo de alelo a ser colocado em cada novo bastão de massa deve ser idêntico ao do bastão ao qual ele estiver unido, pois as duas cromátides de cada cromossomo resultam da duplicação do cromossomo original. Assim, cada cromossomo ficará constituído por duas cromátides portadoras de alelos idênticos, ou seja, um deles terá cromátides portadoras do alelo A e o outro, cromátides portadoras do alelo a. Em seguida, oriente os estudantes a realizar a separação das cromátides-irmãs de cada cromossomo para pólos opostos da célula, onde se formarão as duas células-filhas. Eles devem perceber que as duas células são geneticamente idênticas porque cada uma delas recebe uma cópia de cada um dos cromossomos presentes na célula-mãe. Chame a atenção para o fato de que na mitose não há emparelhamento dos homólogos, como ocorre na meiose. Simulação da meiose com um par de cromossomos Esta atividade é semelhante à anterior, e podem ser utilizados os mesmos bastões de massa (cromossomos) preparados anteriormente. Seu objetivo é mostrar que, na meiose, os cromossomos homólogos separam-se para as duas células-filhas originadas na divisão I, e isso leva à segregação dos alelos neles presentes. Como na atividade anterior, simula-se inicialmente a duplicação cromossômica, unindo cada bastão a outro idêntico a ele, com o mesmo tipo de alelo. Em seguida simula-se o emparelhamento dos homólogos, colocando-se os cromossomos lado a lado, de modo que os centrômeros e os locos gênicos fiquem emparelhados. Desconsidere a existência de permutação, que será simulada em outra atividade, quando tratarmos de genes ligados. O passo seguinte é simular a separação dos cromossomos homólogos que ocorre na primeira divisão da meiose; cada homólogo, com suas duas cromátides unidas, fica em um dos pólos da célula. Lembre aos estudantes que, ao final da divisão I da meiose, ocorre a formação de duas células-filhas, que ingressam imediatamente na divisão II. Se for o caso, sugira aos estudantes que representem na cartolina os novos contornos das duas células formadas. Na segunda divisão meiótica, em cada célula ocorrerá a separação das cromátides-irmãs de cada cromossomo. Os estudantes devem perceber que o processo meiótico leva à formação de quatro células, duas portadoras do alelo A e duas portadoras do alelo a (50% A : 50% a).

2. SIMULANDO O COMPORTAMENTO DE GENES E DE CROMOSSOMOS DURANTE AS DIVISÕES CELULARES
O objetivo da atividade é facilitar a compreensão de que a segregação e a segregação independente dos alelos resultam da separação meiótica dos cromossomos. Além disso, a realização da atividade permite concretizar os conceitos de cromátides-irmãs, centrômero, locos gênico etc. Sugerimos que as atividades sejam realizadas em grupos de três ou quatro estudantes, de modo a permitir discussões e trocas de idéias. Esses momentos facilitam detectar eventuais problemas de compreensão de conceitos, que poderiam passar despercebidos em uma aula expositiva. Na atividade, os estudantes representarão, com massa de modelar (ou outro material semelhante), um par de cromossomos homólogos, nos quais se localiza um par de alelos na condição heterozigótica (Aa). Serão simuladas a duplicação dos cromossomos (e dos genes) e sua separação na mitose e na meiose. Material • massa de modelar de pelo menos quatro cores diferentes • folha de cartolina ou de papel grande • círculos de cartolina com 0,5 cm de diâmetro • grãos de lentilha Procedimentos Peça aos estudantes que desenhem um círculo grande na cartolina para representar os limites da célula que sofrerá divisão celular.

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ATIVIDADES COMPLEMENTARES

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Simulação da meiose com dois pares de cromossomos Antes de iniciar esta atividade, os estudantes devem utilizar a massa de modelar para confeccionar um par de cromossomos metacêntricos (de cores diferentes, como anteriormente) e um par de cromossomos acrocêntricos (isto é, com o centrômero próximo da extremidade), também de cores diferentes, entre si e do outro par. No par de cromossomos metacêntricos devem ser aplicados os círculos de cartolina com as letras A e a, como anteriormente, e nos cromossomos acrocêntricos devem ser aplicados círculos de cartolina com as letras B e b, para representar os alelos de um outro gene. Novamente, o primeiro passo é simular a duplicação cromossômica e, em seguida, distribuir os cromossomos homólogos duplicados e emparelhados sobre a folha de papel, simulando a metáfase da meiose. Nesse momento do processo, ficará claro que há duas possibilidades de orientação dos pares de homólogos em relação aos pólos da célula; dependendo da orientação, serão formados gametas de tipos diferentes. Não comente previamente esse fato com os estudantes; deixe-os terminar a simulação e pergunte aos diversos grupos quais foram os tipos de gametas obtidos.
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priadamente sobre a ilustração do contorno do rosto previamente sorteado, na página fotocopiável 22. Cada dupla de estudantes deve receber uma fotocópia da página 22 e duas fotocópias da página 23. Foram escolhidas as seguintes características humanas, consideradas, cada uma delas, como condicionada por um par de alelos: 1. Forma do rosto; pode ser oval (genótipos QQ ou Qq) ou quadrado (genótipo qq). A escolha da letra Q para representar os alelos segue a convenção de empregar a inicial do caráter recessivo; 2. Tipo de cabelo; pode ser crespo (genótipo CCCC), liso (genótipo CLCL) ou ondulado (genótipo CCCL). Neste caso, como se trata de ausência de dominância, escolhemos a inicial da característica (letra C) com o índice C ou L para representar os alelos; 3. Espessura da sobrancelha; pode ser grossa (genótipos FF ou Ff) ou fina (genótipo ff). 4. Espaço entre os olhos; os olhos podem ser mais juntos (genótipo OJOJ), mais separados (genótipo OSOS) ou medianamente separados (genótipo OJOS). 5. Largura do nariz; o nariz pode ser estreito (genótipo NENE), largo (genótipo NLNL) ou de largura média (genótipo NENL). 6. Espessura dos lábios; os lábios podem ser finos (genótipo LFLF), grossos (genótipo LGLG) ou de espessura média (genótipo LFLG). 7. Forma do lobo da orelha; o lobo pode ser livre (genótipos AA ou Aa) ou aderente (genótipo aa). Existe também a possibilidade de sortear previamente o sexo do descendente, considerando que a mãe sempre fornece o cromossomo X e que o pai pode fornecer um cromossomo X ou cromossomo Y. Se for o caso, depois de montado o rosto, pode-se acrescentar ao desenho características como a presença de “covinhas” em torno da boca (genótipos CC ou Cc) ou sua ausência (genótipo cc), e a presença de “furinho” no queixo (genótipos FF ou Ff) ou sua ausência (genótipo ff). Sugerimos que o par de estudantes sorteie cada característica de seu “filho” pelo lançamento de uma moeda. Por exemplo, vamos supor que ambos os estudantes, de rosto oval, concluam que têm genótipo heterozigótico (Qq) para a forma do rosto. Nesse caso, convenciona-se que uma das faces da moeda representa o alelo Q, e que a outra face representa o alelo q. A probabilidade de se formar um gameta portador de Q é 1/2, e a de se formar um gameta portador de q é também 1/2. Os dois estudantes lançam a moeda e anotam o resultado. Se for QQ ou Qq, eles usarão o contorno de rosto oval como referência para sua montagem; se for qq, eles usarão o contorno de rosto quadrado. Deixe bem claro aos estudantes que a atividade não passa de um jogo, e que apenas simula a herança de certas características humanas, sujeitas a grande variação de pessoa para pessoa devido à penetrância incompleta e à expressividade variável dos genes, como já comentamos anteriormente. Oriente os estudantes para que escolham as características na ordem em que as apresentamos, primeiro sorteando a forma de rosto, depois de cabelo, de sobrancelhas etc. colando-as, em seguida, no local apropriado, sobre o contorno do rosto. Note que cada contorno apresenta linhas pontilhadas que indicam a posição aproximada para a colagem de cada parte. De cima para baixo, as linhas indicam o limite superior das sobrancelhas e o limite inferior dos olhos, nariz e boca. Lembre aos estudantes que os dois olhos devem ser recortados juntos, para manter a distância entre eles. A seguir apresentamos a ilustração de alguns rostos que podem ser montados a partir das ilustrações que estão nas páginas fotocopiáveis.
ATIVIDADES COMPLEMENTARES

Uma das possibilidades é colocar os homólogos portadores dos alelos dominantes (A e B) voltados para um dos pólos da célula, e os portadores dos alelos recessivos (a e b) voltados para o outro. A outra possibilidade é colocar os homólogos portadores dos alelos A e b voltados para um dos pólos, e os portadores dos alelos a e B voltados para o outro. Depois de escolher uma das possibilidades de orientação dos homólogos, os estudantes devem simular a separação dos homólogos na primeira divisão da meiose. Em seguida, simula-se a segunda divisão, na qual ocorre separação das cromátides de cada cromossomo. Serão obtidas quatro células-filhas, cada uma com um cromossomo metacêntrico e um acrocêntrico. As células serão iguais duas a duas, e sua constituição genética dependerá de como foram orientados os pares de cromossomos homólogos na primeira divisão meiótica. Em um dos casos, o resultado será duas células AB e duas ab; no outro, o resultado será duas células Ab e duas aB. Observe que é mais comum os estudantes direcionarem, talvez por uma questão de senso de simetria, os cromossomos com os dois alelos dominantes voltados para um dos pólos, e os dois recessivos para o outro; observe que os dois posicionamentos são igualmente possíveis e com mesma chance de ocorrer, e é exatamente por isso que se formam quatro tipos de gametas em mesma proporção. A atividade mostra claramente que o processo de segregação de dois pares de alelos Aa e Bb em uma célula leva à formação de apenas dois tipos de gameta. Na população de gametas, entretanto, devido às duas possibilidades de orientação dos pares de cromossomos homólogos, formam-se quatro tipos de gameta, na proporção de 1/4 AB : 1/4 Ab : 1/4 aB : 1/4 ab.

3. SIMULANDO A TRANSMISSÃO DE ALGUMAS CARACTERÍSTICAS HUMANAS
A atividade a seguir é lúdica e altamente motivadora, podendo reforçar a compreensão de que os filhos de um casal diferem entre si e de seus pais por apresentarem diferentes combinações de alelos. Na página fotocopiável 22 fornecemos ilustrações de dois contornos de um rosto humano e na página fotocopiável 23, de diferentes tipos de características faciais (tipo de cabelo, de olhos, de sobrancelhas etc.). A atividade consiste em sortear, com o lançamento de moedas, quais serão as características do filho ou filha de um casal hipotético, representado por uma dupla de estudantes. Em seguida, os estudantes devem recortar, na página fotocopiável 23, a ilustração correspondente à característica sorteada, colando-a apro-

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4. SIMULANDO A OCORRÊNCIA DE RECOMBINAÇÃO GÊNICA NA MEIOSE
A atividade consiste em simular a permutação dos cromossomos na meiose utilizando massa de modelar ou argila. A ênfase, agora, é para dois pares de alelos localizados no mesmo par de cromossomos homólogos e que, por isso, não apresentam segregação independente. Os estudantes deverão representar apenas um par de cromossomos homólogos, no qual há dois pares de alelos em condição heterozigótica (AaBb). Em seguida, serão simuladas a duplicação dos cromossomos e dos genes e sua separação na meiose, sem e com a ocorrência de permutação cromossômica entre os locos dos genes A e B. Material • massa de modelar de duas cores diferentes • folha de cartolina ou de papel grande • círculos de cartolina com 0,5 cm de diâmetro • grãos de lentilha Procedimentos Oriente os estudantes para que desenhem um círculo grande na cartolina, para representar os limites da célula que sofrerá divisão celular. Deverão ser confeccionados dois bastões de massa de cores diferentes, com aproximadamente 10 cm de comprimento e 0,5 cm de diâmetro cada um, para representar o cromossomo materno e o cromossomo paterno. Um grão de lentilha, ou de feijão, colocado na região mediana de cada um dos bastões, representará o centrômero desse par de cromossomos. Em seguida, oriente os estudantes para que escrevam, em dois círculos de cartolina, as letras A e a (os alelos do gene A); em outros

dois círculos, eles deverão escrever as letras B e b (os alelos do gene B). Os círculos com as letras devem ser aplicados nos dois bastões de massa, seguindo o critério de que os alelos A e a devem ocupar a mesma posição relativa nos cromossomos homólogos, o mesmo ocorrendo com os alelos B e b. Sugira aos estudantes que coloquem os alelos do par A/a a uma distância relativamente grande dos alelos do par B/b, o que facilitará a simulação da permutação. Deixe a cargo dos estudantes decidir qual será a constituição da célula duplo-heterozigótica, se com os alelos dominantes de cada gene no mesmo homólogo (constituição AB/ab) ou se com os alelos dominantes de cada gene em homólogos diferentes (constituição Ab/aB). Com os modelos do par de cromossomos homólogos dispostos sobre a folha de cartolina, o primeiro passo será representar a duplicação cromossômica. Para isso, os estudantes deverão confeccionar dois novos bastões de massa idênticos a cada um dos anteriores, unindo-os a cada um dos bastões preparados anteriormente. O alelo colocado em cada novo bastão de massa deve ser idêntico ao do bastão ao qual ele estiver unido, pois as duas cromátides de cada cromossomo são idênticas, resultando da duplicação exata do cromossomo original. Assim, cada cromossomo ficará constituído por duas cromátides portadoras de alelos idênticos. Em uma primeira etapa deve ser simulada a meiose sem ocorrência de permutação. Chame a atenção dos estudantes para o fato de se formarem apenas dois tipos de gameta com a constituição genética de um e de outro cromossomos (gametas parentais). Em seguida, oriente os estudantes a simular a meiose com a ocorrência de uma permutação entre os dois locos gênicos repre-

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ATIVIDADES COMPLEMENTARES

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ILUSTRAÇÕES: AUTOR

sentados. Para isso, os cromossomos homólogos duplicados devem ser colocados lado a lado, representando o emparelhamento cromossômico que ocorre na prófase I da meiose. Uma vez emparelhados, deve-se cortar uma das cromátides de cada um dos cromossomos em pontos correspondentes, entre os dois locos gênicos representados. Cada cromátide cortada deve ser colada à cromátide cortada do cromossomo homólogo, e vice-versa. Terminada a troca de pedaços entre as cromátides homólogas, que representa a permutação, continua-se a simular o processo meiótico. Chame a atenção dos estudantes para o fato de que, com a permutação, formam-se quatro tipos de gameta, dois com as combinações gênicas parentais e dois com novas combinações de alelos (gametas recombinantes). Ressalte também que, em uma população de células, a porcentagem de gametas recombinantes será menor do que a de parentais, porque apenas uma certa porcentagem das células tem permutação entre dois locos gênicos considerados. Lembre-se de que as permutações que não ocorrerem entre os locos A e B não levarão à recombinação dos alelos desses locos. Se for o caso, repita a simulação com uma permutação que ocorra fora do intervalo entre os locos A e B. É importante os estudantes perceberem que, quanto mais distantes estão dois locos no cromossomo, maior será a chance de ocorrer uma permutação entre eles. Portanto, a freqüência de células que sofrem permutação entre dois locos será diretamente proporcional à distância entre eles: esse é o princípio que norteia a construção dos mapas cromossômicos.

As duas questões devem ser respondidas analisando o mesmo diagrama. Sugerimos que o(a) professor(a) oriente verbalmente os estudantes sobre a diferença de procedimentos na identificação do criminoso e na identificação do pai da criança. No caso da Questão I, basta encontrar entre os suspeitos (P-1, P-2 e P-3) um padrão eletroforético idêntico ao da amostra de pele do criminoso sob as unhas da vítima (P-5). No caso da Questão II, é preciso inicialmente identificar, na criança (P-4), as faixas eletroforéticas correspondentes à sua mãe (P-3), para em seguida verificar nos pretendentes a pai (P-1 e P-2) aquele que possui as faixas que faltam. Essas faixas devem estar necessariamente presentes no pai, uma vez que a criança recebe um cromossomo homólogo materno e um paterno. A identificação positiva do DNA de um suspeito (como no caso da Questão I) pela técnica simulada na atividade, particularmente se forem utilizados diferentes tipos de enzimas de restrição, atinge mais de 99% de acerto. Excetuando-se o caso de gêmeos idênticos, a probabilidade de duas pessoas apresentarem o mesmo padrão eletroforético do DNA é menos de 1%.

Resolução da atividade 5
Apresentamos, a seguir, as respostas às Questões I e II, e, abaixo, o diagrama que representa, esquematicamente, a eletroforese dos fragmentos de DNA das pessoas envolvidas nas situações citadas no enunciado dessas questões. É importante deixar claro para os estudantes que, para responder às duas questões, utiliza-se o mesmo diagrama. Este, porém, em cada situação representa fragmentos de DNA de um conjunto diferente de pessoas.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

5. SIMULANDO UMA TÉCNICA PARA IDENTIFICAR PESSOAS PELO DNA
As técnicas da Engenharia Genética permitem identificar pessoas pela análise de suas moléculas de DNA (ácido desoxirribonucléico), a substância que constitui os genes. Com exceção dos gêmeos univitelinos, cada pessoa possui um conjunto de genes, e portanto de moléculas de DNA, único e particular. O processo mais simples para caracterizar um DNA consiste em cortar as moléculas dessa substância com o auxílio de “tesouras moleculares”, as chamadas enzimas de restrição, analisando em seguida o tamanho dos fragmentos que se formaram. Uma enzima de restrição corta a molécula de DNA em pontos específicos, somente onde ocorre determinada seqüência de bases nitrogenadas. Como cada pessoa tem seqüências típicas de bases nitrogenadas, o número e os tamanhos dos fragmentos (número de pares de bases) obtidos pelo corte enzimático acabam por caracterizar seu DNA. O tamanho dos “fragmentos de restrição”, como são chamados os fragmentos obtidos após o corte enzimático, é determinado por meio da técnica de eletroforese. A mistura de fragmentos de DNA é aplicada em uma camada de gelatina (gel) e submetida a um campo elétrico. Nessas condições, os fragmentos se movem a velocidades inversamente proporcionais ao seu tamanho, isto é, os fragmentos menores deslocam-se mais rapidamente que os maiores. Quando o campo elétrico é desligado, fragmentos de mesmo tamanho (mesmo número de pares de bases) estacionam juntos em determinada posição do gel, formando uma faixa. O padrão de faixas que surge é característico para cada pessoa, e corresponde à sua “impressão digital” genética. A seguir sugerimos a simulação de um experimento no qual amostras de DNA de diferentes pessoas são tratadas com uma enzima de restrição hipotética, que corta as moléculas onde houver dois pares de bases C-G/C-G em seqüência. Veja na Resolução da atividade 5 o preenchimento do diagrama, em que os fragmentos do DNA são dispostos por ordem de tamanho, simulando a separação eletroforética. Orientações para esta atividade Distribua fotocópia da página 24 para cada estudante. Nela se encontram todas as informações para resolver as duas questões formuladas na simulação: (I) “Quem é o criminoso? (II) Quem é o pai da criança?”.

I
Resposta: P-2.

Quem é o criminoso?

O padrão eletroforético do DNA desse suspeito é idêntico ao da amostra de pele encontrada sob as unhas da vítima (P-5).

II

Quem é o pai da criança? Resposta: P-1.

A criança P-4 pode ter recebido da mãe (P-3) DNA relativo às faixas de números 1, 4, 10, 12, 13, 18 e 19. As faixas 5, 8, 11 e 15 de P-4 provêm necessariamente do pai, P-2; o outro postulante não apresenta as faixas 5, 8 e 11.

P-1
22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1

P-2

P-3

P-4

P-5

Número de pares de bases por fragmento

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

17

6. PRODUZINDO “FÓSSEIS” EM SALA DE AULA
O objetivo desta atividade é facilitar a compreensão do mecanismo de formação de alguns tipos de fósseis (moldes, contramoldes e impressões) pela utilização de materiais simples como gesso, argila ou massa de modelar. A simulação de alguns processos de fossilização concretiza os conceitos estudados, motivando e facilitando o aprendizado. Material • argila ou massa para modelar • gesso em pó • facas e colheres de plástico • tigelas de plástico • copos de plástico grandes • papel-toalha e papel de embrulho • tampas de caixas de sapato • conchas de moluscos • folhas de plantas com nervuras bem evidentes • pequenos animais feitos de plástico Fósseis tipo “impressão” A primeira providência é forrar o local de trabalho com as folhas de papel de embrulho. Em uma tigela de plástico, misture o pó de gesso com água até obter uma massa homogênea e consistente. Preencha a tampa de caixa de papelão com o gesso, alisando a superfície com uma faca de plástico; se necessário, pulverize água sobre a superfície do gesso para facilitar o processo. Coloque com cuidado folhas e conchas sobre a superfície do gesso, pressionandoas para que deixem sua impressão. Coloque as tampas de papelão em um local protegido, para secar. Quando o gesso estiver completamente seco, remova as conchas e as folhas e observe as marcas deixadas na superfície da peça. Discuta com os estudantes a simulação, comentando que esse tipo de fossilização ocorreu, de fato, em superfícies moles e lamacentas que logo se solidificaram, resistindo à erosão e registrando fielmente detalhes do contorno de partes de plantas e animais do passado. Fósseis tipo “molde” Despeje massa de gesso em um copo de plástico até preenchêlo pela metade. Coloque um animal de plástico no copo e pressione-o sobre o gesso, enterrando-o parcialmente. Despeje mais gesso no copo até cobrir o animal totalmente. Deixe secar. Quando o gesso estiver completamente seco, rasgue o copo de plástico e desenforme a peça de gesso. Quebre-a com um martelo. As marcas do animal de plástico na superfície dos fragmentos de gesso constituem fósseis do tipo molde. Chame a atenção dos estudantes para a semelhança entre molde e impressão; o termo molde é utilizado quando toda a peça é envolvida por sedimentos, enquanto impressão refere-se a marcas deixadas em uma superfície mole. Fósseis tipo “contramolde” Preencha uma tampa de caixa de sapato com uma camada de argila (ou de massa para modelar). Coloque conchas ou os animais de plástico sobre a superfície da massa e pressione-os com força. Remova as conchas e/ou animais de plástico com cuidado, para não alterar as marcas deixadas na argila. Despeje massa de gesso nas depressões da argila e deixe secar. Retire as peças de gesso, que são os contramoldes dos moldes deixados na argila. Comente que esse tipo de fóssil forma-se quando o molde deixado por um animal ou planta em uma rocha sedimentar é preenchido por minerais de diferentes tipos, formando um contramolde do organismo no interior do sedimento. Quando este é quebrado, o contramolde diferencia-se nitidamente, por sua composição, do material sedimentar, em muitos casos formando um perfeito modelo em rocha do organismo que deixou a marca.

7. INTERPRETANDO RESTOS E IMPRESSÕES FÓSSEIS
O objetivo desta atividade é simular a análise de um registro fossilífero, tentando reconstituir a história mais provável do acontecimento que ficou registrado na rocha. Distribua, para cada grupo de estudantes, uma fotocópia da página 25, que representa o registro fossilífero. Cada grupo deve reconstruir, com base nas evidências fósseis, uma história provável a partir das impressões fósseis. Peça aos estudantes que escrevam suas histórias e organize uma discussão, para que os diferentes grupos possam comparar suas conclusões. Uma possível interpretação do registro fóssil representado é que dois pássaros caminhavam lado a lado, talvez em busca de alimento, quando foram atacados por um predador. Um dos pássaros conseguiu fugir, enquanto o outro foi capturado e arrastado. Diversas evidências podem ser consideradas para justificar essa interpretação. Por exemplo, o padrão de pegadas do predador dá claramente a impressão de que ele tenha se preparado para o ataque. Os supostos sinais de luta, as impressões de penas e o traço entre as pegadas do predador sugerem que um dos pássaros tenha sido capturado, enquanto o outro teria fugido correndo, o que seria evidenciado por suas pegadas bem mais espaçadas.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Uma alternativa de interpretação é que os registros fósseis dos pássaros e do suposto predador tenham sido deixados em momentos diferentes (há evidências contrárias ou favoráveis a essa interpretação?). É possível imaginar, também, que um dos pássaros voou ao ser atacado, ou mesmo que já estivesse morto, tendo sido encontrado e então levado pelo predador.

8. CONSTRUINDO UM ANUÁRIO DO TEMPO GEOLÓGICO
O objetivo desta atividade é que os estudantes se familiarizem com escala de tempo geológico, sendo capazes de localizar temporalmente os principais eventos relacionados ao aparecimento e à evolução da vida na Terra, desde seus primórdios até hoje. Os procedimentos estão descritos nas páginas fotocopiáveis 26 e 27. Veja, nas páginas 19 e 20, em Resolução da atividade 8, o preenchimento da tabela de dados e do Anuário do Tempo Geológico.

9. CONSTRUINDO UM ECOSSISTEMA EXPERIMENTAL
O principal objetivo desta atividade é construir um ecossistema de terra firme em escala reduzida, que simula as condições básicas encontradas nos ecossistemas naturais. Assim como ocorre nestes últimos, o ecossistema experimental é constituído por elementos abióticos (água, pedras, areia, argila etc.) e bióticos (plantas e organismos presentes no solo, tais como pequenos vermes nematóides, microartrópodes, bactérias, algas e fungos). Uma vez fechado, o ecossistema experimental não deve ser aberto; o único fator externo que ingressa no recipiente é a energia solar, essencial para a fotossíntese. Não é preciso regar o ecossistema, pois a água que evapora do solo e o vapor d‘água que as plantas liberam por meio da transpiração condensam-se na superfície interna do recipiente e escorre, umedecendo novamente a terra. Material • recipiente limpo de vidro ou plástico transparente, com tampa • pedrinhas • areia • terra de jardim • água • plantas de pequeno porte com raízes, tais como trevos, quebrapedras ou crassuláceas (suculentas) • pinça longa ou palitos de madeira • cola de silicone ou fita adesiva

18

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

Procedimentos 1. Introduzir as pedras no recipiente, formando uma camada no fundo. Sobre ela, colocar uma camada de areia e, em seguida, uma camada de terra. As pedras e a areia permitem drenar o excesso de água, evitando o apodrecimento das raízes. 2. Introduzir as plantas no interior do recipiente. Se a boca do vidro for muito estreita, as raízes podem ser inseridas na terra com a ajuda de uma pinça ou de palitos de madeira. Os musgos podem ser simplesmente colocados sobre a terra. 3. Regar com água suficiente para umedecer a terra e a camada de areia, porém sem encharcar a camada de pedras. A quantidade adequada de água é importante para que o ecossistema experimental se mantenha. 4. Depois de montado, o ecossistema experimental deve ficar aberto por alguns dias para garantir que as plantas estejam vivas e enraizadas. 5. Tampar hermeticamente o recipiente, vedando bem a tampa com cola de silicone ou fita adesiva. Sugerimos pedir aos estudantes que montem o ecossistema experimental em casa, levando-o à escola depois de seu fechamento. Em classe, o professor poderá avaliar a montagem e sugerir como corrigir eventuais problemas (por exemplo, o excesso de água ou plantas muito grandes, vedação pouco eficiente etc.). Após a avaliação, os estudantes retornam com o ecossistema para casa, observando-o se-

manalmente e anotando as eventuais transformações que ocorram. Uma sugestão é que os estudantes voltem com o ecossistema para a escola ao final do semestre ou do ano letivo. Nessa ocasião, o professor podéra propor, aos estudantes, questões como as que seguem: 1. Ocorreram transformações no ecossistema experimental? Em caso afirmativo, quais foram elas? Que hipóteses podem ser propostas para explicar as transformações? 2. Como as plantas conseguem se manter vivas por tanto tempo em um ambiente fechado? Como elas conseguem gás oxigênio para respirar? 3. Seria possível que um animal sobrevivesse nessas mesmas condições? 4. Por que não é necessário regar o ecossistema experimental? 5. Alguns ecossistemas experimentais conservam-se por muito tempo (há notícias de alguns que duraram 20 anos ou mais). Entretanto, as plantas de ecossistemas como esses geralmente não crescem tanto quanto exemplares da mesma espécie que vivem em ambiente aberto. Por quê? Qual seria o fator limitante do crescimento das plantas no ecossistema experimental fechado? 6. Eventualmente, os ecossistemas experimentais montados por alguns estudantes não se conservaram. Que hipóteses podem ser propostas para explicar esses casos? 7. Que semelhanças podem ser encontradas entre o ecossistema experimental e o planeta Terra?

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Resolução da atividade 8 (I)
DADOS PARA A CONSTRUÇÃO DO ANUÁRIO DO TEMPO GEOLÓGICO
Evento Primeiras evidências de seres vivos Origem da fotossíntese Origem dos seres eucarióticos Abundância de fósseis (“explosão cambriana”) Origem das plantas de terra firme Origem dos anfíbios Origem dos répteis Origem dos dinossauros e dos mamíferos Extinção dos dinossauros e início da expansão dos mamíferos Origem dos primatas Ancestral comum de pongídeos e hominídeos Primeiros hominídeos Origem da espécie humana moderna Ocorrido há aproximadamente 3,5 bilhões de anos 2,5 bilhões de anos 2 bilhões de anos 570 milhões de anos 438 milhões de anos 408 milhões de anos 360 milhões de anos 245 milhões de anos 66 milhões de anos 55 milhões de anos 8 milhões de anos 2 milhões de anos 150 mil anos Dias decorridos em nosso anuário 87 Dia do evento

27 de março

167

15 de junho

206

24 de junho

320

15 de novembro

331 333 337 346

26 de novembro 28 de novembro 2 de dezembro 11 de dezembro

360 361 365 (+ 9h) 365 (+ 20h) 365 (+ 23h 43min)

25 de dezembro 27 de dezembro 31 de dezembro, 9h 31 de dezembro, 19h 31 de dezembro, 23h 43min

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

19

Resolução da atividade 8 (II)
CONSTRUINDO UM ANUÁRIO DO TEMPO GEOLÓGICO
MARÇO
S
3 10 17 24

JANEIRO

FEVEREIRO
S D
S
5 12 19 26

Origem da Terra
4,6 bilhões de anos

S

T

Q

Q

S

T
6 13 20 27

Q
7 14 21 28

Q
1 8 15 22

S
2 9 16 23

D
4 11 18 25

S
4 11 18 26

T
5 12 19 26

Q
6 13 20 27

Q
7 14 21 28

S
1 8 15 22 28

S
2 9 16 23 30

D
3 10 17 24

1 8 15 22 29

2 9 16 23 30

3 10 17 24 31

4 11 18 25

5 12 19 26

6 13 20 27

7 14 21 28

29

31

Primeiros vestígios de seres vivos
3,5 bilhões de anos

ABRIL
S
1 8 15 22 29

MAIO
S
5 12 19 26

JUNHO
S S D
S T Q Q S S D

T
2 9 16 23 30

Q
3 10 17 24

Q
4 11 18 25

S
6 13 20 27

D
7 14 21 28

S

T

Q

Q

1 6 13 20 27 7 14 21 28 8 15 22 29

2 9 16 23 30

3 10 17 24 31

4 11 18 25

5 12 19 26
3 10 17 24 4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 7 14 21 28

1 8 15 22 29

2 9 16 23 30

Origem da fotossíntese
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

2,5 bilhões de anos

JULHO
S
1 8 15

T
2 9 16 23 30

Q
3 10 17 24 31

Q
4 11 18 25

S
5 12 19 26

S
6 13 20 27

D
7 14 21 28

S
5 12 19 26

T
6 13 20 27

Q
7

AGOSTO Q S 1 2
8 15 22 29 9 16 23 30

SETEMBRO
S
3 10 17 24 31

D
4 11 18 25

S
2 9 16 23 30

T
3 10 17 24

Q
4 11 18 25

Q
5 12 19 26

S
6 13 20 27

S
7 14 21 28

D
1 8 15 22 29

14 21 28

Primeiros seres eucarióticos
2 bilhões de anos

22 29

OUTUBRO
S
7 14 21 28

T
1 8 15 22 29

Q
2 9 16 23 30

Q
3 10 17 24 31

S
4 11 18 25

S
5 12 19 26

D
6 13 20 27

S
2

T
3 10 17 24 31

DEZEMBRO Q Q S S
4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 7 14 21 28

D
1 8 15 22 29

360 milhões Origem dos répteis
NOVEMBRO
S T Q Q S S D

9 16 23 30

Origem dos dinossauros e dos mamíferos
245 milhões de anos

Origem dos primatas
55 milhões de anos

1

2 9 16 23 30

3 10 17 24

“Explosão cambriana”
570 milhões de anos

4 18 26

5 19 26

6 13 20 27

7 14 21 28

8 15 22 28

11 12

Ancestral comum de pongídeos e hominídeos
8 milhões de anos

9h

Extinção dos dinossauros e início da expansão dos mamíferos
66 milhões de anos

Origem das plantas de terra firme
438 milhões de anos

Origem dos anfíbios 408 milhões de anos

Primeiros hominídeos
2,4 milhões de anos

19h 23h43min Origem da espécie humana moderna
150 mil anos

20

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ANEXO

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

PÁGINAS PARA FOTOCOPIAR

ANEXO

21

Nome:

Simulando a transmissão de algumas características humanas

ILUSTRAÇÕES: AUTOR

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

OVAL QQ ou Qq

Característica 1 Forma do rosto
Série:

QUADRADO qq

22

ATIVIDADE 3

ANEXO

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Característica 2 Tipo de cabelo GROSSA FF ou Ff FINOS LFLF

Característica 3 Espessura das sobrancelhas

Característica 6 Espessura dos lábios

CRESPO CCCC

FINA ff

MÉDIOS LFLG

Característica 4 Espaço entre os olhos JUNTOS OJOJ GROSSOS LGLG

ONDULADO CCCL MÉDIOS OJOS Característica 7 Forma do lobo da orelha LIVRE AA ou Aa SEPARADOS OSOS

ANEXO

LISO CLCL Característica 5 Largura do nariz ESTREITO NENE MÉDIO NENL LARGO NLNL ADERENTE aa

23

ILUSTRAÇÕES: AUTOR

ATIVIDADE 5 Simulando uma técnica para identificar pessoas pelo DNA
Nome: Série:

P-1
CA CB
C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C C-G C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T G-C T-A A-T A-T G-C C-G C-G T-A A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T C-G C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T C-G T-A A-T C-G A-T T-A G-C G-C C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C C-G C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T A-T T-A A-T A-T G-C T-A C-G T-A A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T T-A C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T C-G T-A G-C C-G A-T T-A G-C G-C

P-2
CA CB
C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C C-G C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T A-T T-A A-T A-T G-C T-A C-G C-G A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T T-A C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T C-G T-A G-C C-G A-T T-A G-C G-C C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C T-A C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T G-C T-A A-T A-T G-C T-A C-G C-G A-T T-A G-C A-T A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T C-G C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G T-A T-A A-T C-G T-A A-T C-G A-T T-A G-C G-C

P-3
CA CB
C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C T-A C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T A-T T-A A-T G-C G-C T-A C-G T-A A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T T-A C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T C-G T-A G-C C-G A-T T-A G-C G-C C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C T-A C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T G-C T-A A-T A-T G-C T-A C-G C-G A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T C-G C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G T-A T-A A-T C-G T-A G-C C-G A-T T-A G-C G-C C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C C-G C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T A-T T-A A-T A-T G-C C-G C-G T-A A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T C-G C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T C-G T-A A-T C-G A-T T-A G-C G-C

P-4
C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C T-A C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T A-T T-A A-T A-T G-C T-A C-G C-G A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T C-G C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G T-A T-A A-T C-G T-A G-C C-G A-T T-A G-C G-C

P-5
CA CB
C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C T-A C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T A-T T-A A-T A-T G-C T-A C-G C-G A-T T-A G-C A-T A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T C-G C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G T-A T-A A-T C-G T-A G-C C-G A-T T-A G-C G-C C-G C-G A-T T-A T-A A-T A-T A-T T-A C-G G-C C-G T-A A-T G-C C-G C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T G-C A-T A-T T-A A-T A-T G-C T-A C-G C-G A-T T-A G-C G-C A-T G-C A-T T-A C-G G-C A-T A-T T-A G-C A-T T-A C-G A-T T-A G-C C-G A-T T-A C-G C-G T-A A-T C-G T-A G-C C-G A-T T-A G-C G-C

1

19

17

P-1
22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1

P-2

P-3

P-4

P-5

Número de pares de bases por fragmento

I

Restos de pele encontrados sob as unhas de uma pessoa assassinada foram submetidos ao teste de DNA, revelando o padrão eletroforético P-5. Três pessoas, P-1, P-2 e P-3, suspeitas do crime, também foram submetidas ao teste de DNA. Qual delas é a provável culpada?

II

Dois homens, P-1 e P-2, disputam a paternidade de uma criança, P-4, filha da mulher P-3. Com base no teste de DNA dos quatro implicados, quem é o provável pai da criança?

24

ANEXO

18

✃ ✃

12

12 4

Localize, nos dois segmentos de DNA de cada pessoa (CA e CB), todas as seqüências de corte. Marque-as a lápis com um traço horizontal, de modo a separar um par C-G do par C-G adjacente. 2. O passo seguinte é organizar os fragmentos obtidos por ordem de tamanho (quantidade de bases). Para isso, conte o número de pares de bases de cada fragmento e indique-o completando o preenchimento do diagrama abaixo, à esquerda. Cada coluna desse diagrama simula o padrão eletroforético de uma pessoa, em que os fragmentos de DNA se distribuem em faixas por ordem de tamanho. Como exemplo, a coluna correspondente ao padrão da pessoa P-5 já está preenchida. A seguir, responda às questões abaixo.

21

10

Quem é o criminoso?

Quem é o pai da criança?

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


1

✃ ✃

✃ ✃ ✃ ✃ ✃

CA CB

Nesta atividade você aplicará os princípios da identificação de pessoas pelo DNA na solução de duas questões judiciais. Em uma delas, identificará um criminoso entre três suspeitos e, em outra, descobrirá quem é o pai de uma criança. Ao lado estão representados segmentos de DNA de cinco pessoas (P-1 a P-5). Cada pessoa tem dois segmentos de DNA, correspondentes a um par de cromossomos homólogos (CA e CB). As seqüências de bases dos homólogos podem ser ligeiramente diferentes devido à diferença entre os genes alelos. 1. O primeiro passo para a análise do DNA é cortá-lo com uma enzima de restrição hipotética (representado pela tesoura) que, neste exemplo, reconhece em cada segmento a seqüência de dois pares de bases C-G adjacentes (dois C em uma cadeia e dois G na outra). Para facilitar a visualização dessas “seqüências de corte” elas estão destacadas.

15 4

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Nome:

N

L

O

S

ATIVIDADE 7

Interpretando restos e impressões fósseis

ANEXO

Série:

25

ILUSTRAÇÕES: AUTOR

ATIVIDADE 8 Construindo um anuário do tempo geológico
Nome: Série:

DADOS PARA A CONSTRUÇÃO DO ANUÁRIO DO TEMPO GEOLÓGICO
Evento Primeiras evidências de seres vivos Origem da fotossíntese Origem dos seres eucarióticos Abundância de fósseis (“explosão cambriana”) Origem das plantas de terra firme Origem dos anfíbios Origem dos répteis Origem dos dinossauros e dos mamíferos Extinção dos dinossauros e início da expansão dos mamíferos Origem dos primatas Ancestral comum de pongídeos e hominídeos Primeiros hominídeos Origem da epécie humana moderna Ocorrido há aproximadamente Dias decorridos em nosso anuário Dia do evento

26

ANEXO

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Pesquise, no livro texto, na Tabela 11.1, o tempo aproximado em que ocorreram eventos importantes na história da vida na Terra. Como critério, considere sempre a datação mais antiga. Por exemplo, se, na tabela, a data de um evento é entre 360 milhões e 348 milhões de anos atrás, escolha 360 milhões. Com os dados encontrados, preencha a primeira coluna da tabela abaixo. O passo seguinte é “condensar” os 4,6 bilhões de anos de existência de nosso planeta em um ano e construir um “Anuário do Tempo Geológico”. Esse anuário tem o formato de um calendário com doze meses; nele deve-se marcar a ocorrência de eventos importantes na história da vida. Por exemplo, nesse calendário, a Terra surgiu no dia 1o de janeiro, correspondendo a 4,6 bilhões de anos atrás. Para obter o valor de um dia nesse Anuário do Tempo Geológico, dividem-se os 4,6 bilhões de anos de existência da Terra pelos 366 dias do calendário (consideramos um ano bissexto). Assim, um dia é equivalente a 12.586.000 (12,586 milhões) de anos. Dividindo-se esse valor por 24 (o número de horas do dia), obtém-se o equivalente a uma hora no anuário: 523 mil anos. Se dividirmos o valor, em anos, de uma hora por 60 (o número de minutos

em uma hora), obteremos o valor de um minuto no anuário: 8.700 anos. Por exemplo, para calcular quantos dias teriam se passado, em nosso ano geológico, desde o surgimento da Terra até os primeiros vestígios de seres vivos, basta subtrair 3,5 bilhões de anos (primeiros vestígios de vida) de 4,6 bilhões de anos (origem da Terra) e dividir o resultado por 12,586 milhões (4.600.000.000 - 3.500.000.000 = 1.100.000.000 ÷ ÷ 12.586.000 = 87 dias). Assim, no Anuário do Tempo Geológico, os primeiros vestígios de seres vivos surgiram em 27 de março (87 dias após o surgimento da Terra). Para calcular eventos ocorridos há poucos milhões de anos, é mais fácil considerar o número de horas ou de minutos e contar o tempo a partir do final do ano. Por exemplo, para localizar no anuário a origem da espécie humana moderna (150 mil anos atrás), basta dividir 150.000 por 8.700 (o valor de um minuto em nosso anuário): 150.000 ÷ 8.700 = 17. Isso quer dizer que a espécie humana surgiu apenas 17 minutos antes de nosso ano imaginário terminar, ou seja, às 23h43min do dia 31 de dezembro. Depois de preencher a tabela abaixo, registre os eventos no anuário impresso na outra página.

ATIVIDADE 8 Construindo um anuário do tempo geológico
Nome:
JANEIRO
FEVEREIRO
S D
S
5 12 19 26

Série:
MARÇO
S
3 10 17 24

Origem da Terra
4,6 bilhões de anos

S

T

Q

Q

S

T
6 13 20 27

Q
7 14 21 28

Q
1 8 15 22

S
2 9 16 23

D
4 11 18 25

S
4 11 18 26

T
5 12 19 26

Q
6 13 20 27

Q
7 14 21 28

S
1 8 15 22 28

S
2 9 16 23 30

D
3 10 17 24

1 8 15 22 29

2 9 16 23 30

3 10 17 24 31

4 11 18 25

5 12 19 26

6 13 20 27

7 14 21 28

29

31

ABRIL
S
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

MAIO
S
5 12 19 26

JUNHO
S S D
S T Q Q S S D

T
2 9 16 23 30

Q
3 10 17 24

Q
4 11 18 25

S
6 13 20 27

D
7 14 21 28

S

T

Q

Q

1 8 15 22 29

1 6 13 20 27 7 14 21 28 8 15 22 29

2 9 16 23 30

3 10 17 24 31

4 11 18 25

5 12 19 26
3 10 17 24 4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 7 14 21 28

1 8 15 22 29

2 9 16 23 30

JULHO
S
1 8 15 22 29

T
2 9 16 23 30

Q
3 10 17 24 31

Q
4 11 18 25

S
5 12 19 26

S
6 13 20 27

D
7 14 21 28

S
5 12 19 26

T
6 13 20 27

Q
7

AGOSTO Q S 1 2
8 15 22 29 9 16 23 30

SETEMBRO
S
3 10 17 24 31

D
4 11 18 25

S
2 9 16 23 30

T
3 10 17 24

Q
4 11 18 25

Q
5 12 19 26

S
6 13 20 27

S
7 14 21 28

D
1 8 15 22 29

14 21 28

OUTUBRO
S
7 14 21 28

T
1 8 15 22 29

Q
2 9 16 23 30

Q
3 10 17 24 31

S
4 11 18 25

S
5 12 19 26

D
6 13 20 27

S
2 9 16

T
3 10 17 24 31

DEZEMBRO Q Q S S
4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 7 14 21 28

D
1 8 15 22 29

NOVEMBRO
S T Q Q S S D

23 30

1 4 18 26 5 19 26 6 13 20 27 7 14 21 28 8 15 22 28 11 12

2 9 16 23 30

3 10 17 24

ANEXO

27

Trabalhando com mapas de conceitos
I O que são mapas de conceitos?
Mapas de conceitos são diagramas bidimensionais que relacionam conceitos de uma determinada área de conhecimento. O termo “conceito” tem diversas conotações, dependendo do contexto em que é utilizado. Nos mapas de conceitos, o termo conceito é definido como “um rótulo usado para caracterizar objetos ou eventos”. Objeto, por sua vez, é qualquer entidade material, e evento é um acontecimento qualquer, real ou imaginário. Por exemplo, o rótulo que identifica o objeto “cadeira” relaciona-se a um conjunto de características, tais como ter pernas, ter assento individual, ter encosto, servir para sentar etc. O conceito de “inseto” refere-se a animais que apresentam três pares de pernas, um par de antenas e corpo constituído por cabeça, tórax e abdome, entre outras características. Conhecer e compreender as características que definem um conceito é essencial para aprendê-lo. Como essas características também são conceitos, o aprendiz deve conhecê-los previamente ou deve aprendê-los simultaneamente ao novo conceito trabalhado. Por exemplo, para se aprender o conceito de DNA é preciso dominar diversos conceitos prévios, desde as noções básicas do que é uma substância até o conceito específico de “desoxirribonucleotídio”, a unidade que compõe a molécula de DNA. Nesse aspecto, os mapas de conceitos são particularmente úteis, pois permitem identificar rapidamente quais são os conceitos prévios necessários ao aprendizado de novos conceitos. A importância dos conceitos prévios para a aprendizagem significativa é o ponto central da teoria de aprendizagem de Ausubel, a partir da qual os mapas de conceitos foram desenvolvidos. A proposta básica dos mapas de conceitos é tornar claras as relações importantes que há entre conceitos de uma área de conhecimento. Em sua forma mais simples, um mapa de conceitos consiste em dois conceitos unidos por uma ou mais palavras de ligação, formando uma proposição; esta expressa a relação que há entre os dois conceitos considerados. Por exemplo, os conceitos “DNA” e “CADEIAS POLINUCLEOTÍDICAS”, unidos pela frase de ligação “é constituído por duas”, formam a proposição:

O encadeamento de várias proposições aumenta a complexidade do mapa. Observe, a seguir, várias proposições interligadas relativas ao DNA:
DNA

é constituído por duas

apresenta separam-se na

CADEIAS POLINUCLEOTÍDICAS

dispõem-se no são espaço como uma mantêm-se constituídas emparelhadas por por meio de

é catalisada pela

DUPLA-HÉLICE

DESOXIRRIBONUCLEOTÍDIOS

LIGAÇÕES DE HIDROGÊNIO

POLIMERASE DO DNA

I Importância dos mapas de conceitos
Os mapas de conceitos foram desenvolvidos no início da década de 1970 pela equipe de Joseph Novak para serem utilizados em pesquisas educacionais. No entanto, logo se percebeu o valor dos mapas como técnica de ensino-aprendizagem, e eles passaram a ser utilizados com sucesso tanto na área da educação como em outras atividades que envolvem estruturação de conhecimentos. Mapas de conceitos dependem do contexto, ou seja, um mesmo grupo de conceitos pode ser organizado de diferentes maneiras, dependendo das relações conceituais a que se dá prioridade. Os mapas organizam o conhecimento, o que facilita a estudantes e a professores vislumbrar maior número de significados no material de aprendizagem. Mapas de conceitos tornam claras as idéias-chave que devem ser focalizadas em qualquer atividade de ensino-aprendizagem, fornecendo um roteiro das etapas que se devem

DNA

é constituído por duas

CADEIAS POLINUCLEOTÍDICAS

28

TRABALHANDO COM MAPAS DE CONCEITOS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

➤ ➤

➤ ➤

DUPLICAÇÃO SEMICONSERVATIVA

seguir para conectar conceitos em proposições. Dessa forma, os mapas contribuem para aumentar a precisão e a qualidade do trabalho pedagógico. Entre as diversas utilidades dos mapas de conceitos como organizadores prévios da atividade de ensino, podem-se destacar as seguintes: a) aumentam a integração de conceitos; b) diminuem a possibilidade de omissão de conceitos importantes; c) aumentam as chances de encontrar múltiplos caminhos para a construção de significados. Como auxiliadores do processo de aprendizagem, os mapas de conceitos ajudam os estudantes, entre outras coisas, a:
a) ter uma compreensão mais unificada de um tópico;
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tratégia para ensinar aos estudantes a construção de mapas de conceitos, que apresentamos resumidamente a seguir.

Atividades preparatórias
1. Caracterizando objetos e eventos Apresente aos estudantes duas listas de palavras, uma de objetos (por exemplo, cachorro, gato, panela, cadeira, caneta etc.) e outra de eventos (por exemplo, jogo, chuva, amor, festa, pensamento etc.). Pergunte se eles são capazes de diferenciar as duas listas; ajude-os a perceber que a primeira lista trata de entidades com existência material, e a segunda, de acontecimentos. 2. Trabalhando com a noção de conceito Peça aos estudantes que descrevam o que pensam quando ouvem cada uma das palavras da primeira e da segunda lista. Ajude-os a reconhecer que, embora utilizando as mesmas palavras, cada pessoa pensa em coisas ligeiramente diferentes. Apresente a noção de conceito como o conjunto das representações mentais que associamos a cada palavra. Palavras são rótulos para conceitos, mas cada pessoa lhes atribui um significado próprio. 3. Apresentando as palavras de ligação Apresente aos estudantes uma lista de palavras, tais como: é, foram, tem, quanto, quem, como, onde, o, um, com etc. Peça a eles que descrevam o que pensam quando ouvem ou lêem cada uma dessas palavras. Faça-os perceber que elas não têm significado próprio, mas que são palavras de ligação, utilizadas junto com conceitos para construir proposições com significado. 4. Distinguindo nomes próprios de conceitos Apresente uma lista de nomes próprios, tais como: Ana, João, Brasil, Canadá etc. Peça aos estudantes que descrevam o que pensam quando ouvem ou lêem cada uma dessas palavras. Faça-os perceber que nomes próprios não são conceitos, sendo empregados para designar pessoas e lugares específicos. Utilize esses exemplos para fazer a distinção entre rótulos que descrevem regularidades em eventos ou objetos (os conceitos) de nomes de objetos e eventos específicos (nomes próprios). 5. Construindo proposições Apresente duplas de conceitos e palavras de ligação entre eles para construir sentenças que ilustrem como essas combinações podem expressar sigTRABALHANDO COM MAPAS DE CONCEITOS

b) organizar o conhecimento para solucionar problemas; c) compreender melhor o processo de aprendizagem.

Os mapas de conceitos também fornecem um sumário esquemático do conteúdo aprendido. Sobre o emprego de mapas de conceitos em Biologia, Schmidt e Telaro (1990) dizem o seguinte: “Biologia é tão difícil de se aprender porque lida com uma grande quantidade de conceitos nãofamiliares ao aprendiz e que apresentam relações complexas entre si. A estratégia dos estudantes para lidar com material não-familiar [e sem ligação evidente com sua rede cognitiva] é o aprendizado por memorização, que falha completamente diante das complexas interações conceituais inerentes à Biologia. Nesse sentido, os mapas de conceitos favorecem o aprendizado com significado e parecem ser o caminho ideal para tratar o conteúdo biológico”. Mapas de conceitos são ferramentas importantes no planejamento e na preparação de atividades didáticas, além de auxiliarem os estudantes em sua aprendizagem formativa. E quando o estudante aprende a fazer mapas de conceitos, estes também podem ser usados como poderoso instrumento de avaliação.

I Etapas da construção de mapas de conceitos
A elaboração de um mapa de conceitos inicia-se com a identificação das idéias e conceitos mais importantes em determinado assunto. Esse processo, por si só, já ajuda a separar os princípios gerais dos detalhes. Novak e Gowin (1996) propõem uma es-

29

nificados. Peça aos estudantes que descrevam o que pensam ao ouvir ou ler cada uma das sentenças: “Células têm metabolismo” ou “Seres vivos são formados de células”, por exemplo. Peça a eles que construam frases curtas semelhantes a essas, identificando as palavras-chave e classificando os conceitos em eventos ou objetos. 6. Aprendendo novos conceitos Apresente aos estudantes uma lista de palavras não familiares a eles, mas que designem conceitos já conhecidos, como por exemplo, Canis, lúgubre, conciso etc. Essas palavras têm um significado especial e ajudam os estudantes a perceber que os significados dos conceitos não são rígidos e fixos, mas podem ampliar-se e mudar à medida que se aprende.

res. Quanto maior é o número de relações identificadas, mais detalhado é o conhecimento sobre o assunto. 5. Rearranjando o mapeamento inicial As primeiras tentativas de mapeamento dos conceitos resultam, em geral, em mapas espacialmente assimétricos ou com blocos de conceitos mal localizados em relação a outros. Esclareça os estudantes que geralmente é necessário reconstruir um mapa para obter uma representação adequada das proposições e que proporcione uma leitura fluente das relações entre os conceitos. 6. Testando o aprendizado de construção Selecione novos textos e solicite a cada estudante, ou grupo de estudantes, que elabore mapas de conceitos segundo os critérios apresentados anteriormente. Peça aos estudantes que façam a versão final dos mapas em folhas de tamanho grande, o que facilita a discussão em classe. Sugira que um dos estudantes, responsável pela construção de um mapa, o apresente à classe, explicando-o. Estimule a comparação entre mapas feitos sobre um mesmo texto, para mostrar suas semelhanças e diferenças.

Mapeando os conceitos
1. Selecionando conceitos em um texto Escolha um texto que contenha um conjunto de conceitos interligados. Peça aos estudantes que selecionem uma lista dos conceitos relevantes para o tema que está sendo estudado. 2. Classificando os conceitos selecionados Solicite aos estudantes que classifiquem os conceitos selecionados por ordem decrescente de importância (ou de abrangência). Em geral, não há plena concordância entre os estudantes quanto à ordenação obtida, mas as diferenças são pequenas. Isso ocorre porque pode haver mais de uma maneira de ver o significado de um texto. 3. Iniciando a construção do mapa Após avaliar a importância relativa dos conceitos selecionados, solicite aos estudantes que escrevam frases curtas de ligação entre os conceitos de modo a formar proposições válidas. Dentro de cada proposição, os conceitos podem ser unidos por uma linha sobre a qual é escrita a frase de ligação. Uma boa maneira para iniciar a prática de construção dos mapas é escrever os conceitos e as palavras de ligação em retângulos de papel, tentando então arranjá-los de modo a formar relações válidas. 4. Identificando ligações cruzadas Procure identificar ligações cruzadas entre conceitos de um setor do mapa com conceitos de outros seto-

I Para saber mais
NOVAK, J. D. & GOWIN, D. B. Aprendendo a aprender. Lisboa: Plátano Edições Técnicas, 1996. KINCHIN, I. M. Concept mapping in Biology. Journal of Biological Education, v. 34, p. 61-68, 2000. SCHMIDT, R. F. & TELARO, G. Concept mapping as an instructional strategy for high school biology. Journal of Educational Research, v. 84, p. 78-85, 1990. TAYLOR, M. Student Study Guide for Campbell’s Biology. 2th ed. New York, Benjamin/Cummings, 1990. Perspectives on Concept Mapping. Journal of Research in Science Teaching, v. 27 (edição especial), 1990.

I Exemplos de mapas de conceitos
Nas páginas seguintes apresentamos exemplos de mapas de conceitos referentes ao conteúdo deste volume.

30

TRABALHANDO COM MAPAS DE CONCEITOS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Mapa de conceitos 1 - ALELOS MÚLTIPLOS E GRUPOS SANGÜÍNEOS GENE(S)
são constituídos por trechos de moléculas de

podem apresentar formas alternativas chamadas

DNA
ocorrem aos pares em organismos

ALELOS
quando há três ou mais de um mesmo gene fala-se em

ALELOS MÚLTIPLOS
ocorrem, por exemplo, na determinação genética do

DIPLÓIDES

➤ ➤

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

um outro exemplo na espécie humana é o

SISTEMA Rh
é dominante sobre o

ALELO R

ALELO r

juntos determinam na condição homozigótica ou com o alelo i determina na condição homozigótica ou com o alelo i determina na condição homozigótica determina

é dominante sobre o sua presença determina na condição homozigótica determina

SANGUE Rh+

SANGUE Rh➤

SANGUE AB

não pode ser doado para pode ser doado para

tem nas hemácias em pessoas sensibilizadas pode conter

AGLUTININA ANTI-A

não tem no plasma a pessoa que o possui é chamada de

RECEPTORA UNIVERSAL

EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

ANTICORPOS ANTI-Rh

AGLUTINOGÊNIO B

não tem nas hemácias

a pessoa que o possui é chamada de

DOADORA UNIVERSAL

➤ ➤

AGLUTININA ANTI-B

é determinado por

ALELO IA

➤ ➤ ➤

GRUPOS SANGÜÍNEOS

é um sistema de

SISTEMA ABO
é determinado por

➤ ➤ ➤ ➤
não tem dominância sobre

ALELO IB

é dominante sobre o

ALELO i


➤ ➤

SANGUE A
tem nas hemácias apenas tem no plasma apenas

AGLUTINOGÊNIO A


tem nas hemácias apenas

SANGUE B
tem no plasma apenas

SANGUE O
tem no plasma

➤ ➤

31

Mapa de conceitos 2 - LIGAÇÃO GÊNICA

LIGAÇÃO GÊNICA

refere-se à herança de genes de um mesmo par de ocupam o mesmo lócus em

ALELOS

têm

CROMOSSOMOS HOMÓLOGOS

emparelhamse na é a troca de pedaços entre é uma representação gráfica da seqüência de genes no ocorre na prófase I da podem apresentar

MEIOSE

ocorre na

PERMUTAÇÃO CROMOSSÔMICA
leva à

sua freqüência é usada na construção do


RECOMBINAÇÃO GÊNICA

MAPA CROMOSSÔMICO

equivale a 1% de

ocorre também por meio da

usam como unidade de distância entre genes a

UNIDADE DE MAPA

SEGREGAÇÃO INDEPENDENTE

32

EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


permite recombinar genes de pares diferentes de

➤ ➤

Mapa de conceitos 3 - HERANÇA GENÉTICA E SEXO

CROMOSSOMOS
os que variam nos sexos são chamados constituem um par equivalente no os que não variam nos sexos são chamados

HOMEM

na espécie humana é a

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

na espécie humana é o

MULHER
➤ ➤

SEXO HETEROGAMÉTICO

SISTEMA XY

SISTEMA XO CROMATINA SEXUAL

SISTEMA ZW

nesse sistema nesse sistema as nesse sistema os machos têm fêmeas têm um par de os machos têm apenas um

nesse sistema os machos têm um par de

nesse sistema as fêmeas têm

um deles é inativado nas fêmeas de mamíferos formando a

CROMOSSOMO Z

CROMOSSOMO W

seus genes são chamados

seus genes seguem a


HEMOFILIA

GENES HOLÂNDRICOS

HERANÇA LIGADA AO CROMOSSOMO X

na espécie humana essa herança ocorre, por exemplo, na(o)

DALTONISMO

EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

CROMOSSOMO Y

CROMOSSOMO X

33


constituem um par não-equivalente no

SEXO HOMOGAMÉTICO

CROMOSSOMOS SEXUAIS

variam de acordo com o

AUTOSSOMOS

seus genes seguem a chamada

SISTEMA DE DETERMINAÇÃO DO SEXO

HERANÇA AUTOSSÔMICA

pode ser

➤ ➤ ➤

Mapa de conceitos 4 - TEORIAS DE EVOLUÇÃO BIOLÓGICA EVOLUCIONISMO
entre suas principais teorias estão suas principais evidências são

LEI DA HERANÇA DE LEI DO USO E DO DESUSO CARACTERES ADQUIRIDOS SELEÇÃO NATURAL MUTAÇÃO GÊNICA

originam-se pelo processo de seus principais tipos são

ESPECIAÇÃO

caracterizam-se por apresentar

SELEÇÃO DIRECIONAL

atua sobre a

ALELO(S)

um tipo especial é a são as principais responsáveis pela

são os que têm mesma

pode levar à

SELEÇÃO ESTABILIZADORA


ÓRGÃOS HOMÓLOGOS

ISOLAMENTO REPRODUTIVO

SELEÇÃO DISRUPTIVA

SELEÇÃO SEXUAL

ÓRGÃOS VESTIGIAIS VARIABILIDADE GÊNICA

SEMELHANÇAS BIOQUÍMICAS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

34

serviu de base para a

opõe-se ao

CRIACIONISMO

admite como fixo o número inicialmente criado de

EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

ESPÉCIE(S) BIOLÓGICA(S)
tem como pontos centrais tem como pontos centrais tem como ponto central a

admite a transformação e o surgimento de novas

FÓSSEIS


LAMARCKISMO

DARWINISMO TEORIA SINTÉTICA DA EVOLUÇÃO

ADAPTAÇÃO
um exemplo éo

MIMETISMO


pode levar ao surgimento de novos

RECOMBINAÇÃO GÊNICA

a modos de vida semelhantes pode levar ao surgimento de

ÓRGÃOS ANÁLOGOS
leva à formação de novas combinações de


são os que têm mesma função, mas diferente

ORIGEM EMBRIONÁRIA

Mapa de conceitos 5 - CADEIAS E TEIAS ALIMENTARES

CADEIA(S) ALIMENTAR(ES)

em conjunto na comunidade formam a

é a seqüência em que ocorre a transferência de substâncias orgânicas do alimento entre

TEIA ALIMENTAR
compõe-se de três principais

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

são representados por

PRODUTOR(ES)
os principais são

servem de alimento para os

CONSUMIDOR(ES)
podem ser são

servem de alimento para os ➤

DECOMPOSITOR(ES)

➤ ➤
são

ALGAS PLANTAS

é o que se alimenta dos

é um tipo especial de são

BACTÉRIAS ➤ AUTOTRÓFICAS

é o que se alimenta dos

a maioria realiza

BACTÉRIAS

FOTOSSÍNTESE

é o principal processo de formação das

CONSUMIDOR(ES) TERCIÁRIO(S)

etc.

SUBSTÂNCIAS ORGÂNICAS

EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

é o que se alimenta dos

e certos tipos de

FUNGOS

SERES AUTOTRÓFICOS

CONSUMIDOR(ES) SECUNDÁRIO(S)

CONSUMIDOR(ES) PRIMÁRIO(S)

SERES HETEROTRÓFICOS
➤ ➤

ANIMAIS PROTOZOÁRIOS


são certos tipos de

NÍVEIS TRÓFICOS

➤ ➤
utilizam como alimento cadáveres de seres de todos os outros



35

Mapa de conceitos 6 - SUCESSÃO ECOLÓGICA SUCESSÃO ECOLÓGICA

inicia-se pela colonização de uma área desértica por

COMUNIDADE(S) BIOLÓGICA(S)
é um conjunto de

SERES VIVOS

ocorre, por exemplo, em aumenta durante a

RELAÇÕES ECOLÓGICAS

ESPÉCIES PIONEIRAS

ocorre, por exemplo, em

POPULAÇÕES BIOLÓGICAS
LAVOURAS ABANDONADAS ➤ LAGOS SECOS etc. ➤

as principais são

DUNAS DE AREIA

HOMEOSTASE

são conjuntos de indivíduos de mesma

ROCHAS NUAS etc.

BIODIVERSIDADE

ESPÉCIE(S) BIOLÓGICA(S)

é a variedade, em uma área, de

etc.

LIQUENS

GRAMÍNEAS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

36

nela ocorrem mudanças quanto à(s) é a mudança temporal ordenada das aumenta durante a seu número aumenta durante a

pode ser

pode levar ao estabelecimento de uma

SUCESSÃO PRIMÁRIA

SUCESSÃO SECUNDÁRIA

EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

ocorre em locais inóspitos, onde não há

ocorre em locais onde há (ou houve)

BIOMASSA

é uma

COMUNIDADE CLÍMAX


podem constituir

BIOMAS

exemplos são

FLORESTA AMAZÔNICA MATA ATLÂNTICA CERRADOS etc.

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Mapa de conceitos 7 - POPULAÇÕES POPULAÇÃO BIOLÓGICA

é um conjunto de indivíduos de mesma


➤ ➤ ➤

ESPÉCIE BIOLÓGICA
é estudada, entre outros aspectos, quanto à sua

sua composição em idades é representada em é a variação, em certo tempo, do número de indivíduos de uma

PIRÂMIDES DE IDADE TAXA DE CRESCIMENTO

resulta da interação entre na espécie humana denomina-se

DENSIDADE DEMOGRÁFICA

➤ ➤

é a razão, em certo intervalo de tempo, entre o número de mortes e o tamanho da depende da interação entre determina a acima de certo limite caracteriza a seu controle demanda

é a razão entre o número de indivíduos e a área ou volume ocupados por uma

➤ ➤
é a capacidade de crescimento típica de cada

DENSIDADE POPULACIONAL

POTENCIAL BIÓTICO
impede a manifestação plena do

RESISTÊNCIA DO MEIO

é a razão, em certo intervalo de tempo, entre o número de nascimentos e o tamanho da

CONTROLE DA NATALIDADE

PLANEJAMENTO FAMILIAR

EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

SUPERPOPULAÇÃO

faz parte do

➤ ➤

TAXA DE NATALIDADE

TAXA DE MORTALIDADE

permitem controlar a

IMIGRAÇÃO

é a entrada de indivíduos em uma

37

EMIGRAÇÃO

é a saída de indivíduos de uma

Mapa de conceitos 8 - DESEQUILÍBRIOS AMBIENTAIS DESEQUILÍBRIOS AMBIENTAIS
são causados principalmente por

pode ser classificada em pode levar à redução da pode levar à reduz a é a variedade de pode levar à

BIODIVERSIDADE ➤
é agravada pela ocorrência de

é a separação dos diferentes tipos de

POLUIÇÃO DO SOLO POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

tem como principais poluentes

POLUIÇÃO DAS ÁGUAS

TRIAGEM

inicia-se pela

➤ ➤

HIDROCARBONETOS PARTÍCULAS GÁS CARBÔNICO (CO2) METANO (CH4) GÁS OZÔNIO (O3)

forma a são os principais responsáveis pelo

GÁS OXIGÊNIO (O2)

CLOROFLUORCARBONOS (CFCs)

são os principais responsáveis pela destruição da

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EXEMPLOS DE MAPAS DE CONCEITOS

RECICLAGEM
de componentes orgânicos é feita em

tem como principais poluentes

tem como principais poluentes


INVERSÃO TÉRMICA

MONÓXIDO DE CARBONO (CO) DIÓXIDO DE ENXOFRE (SO2) DIÓXIDO DE NITROGÊNIO (NO2)
são os principais responsáveis pelas

FERTILIZANTES ESGOTOS
causam

INSETICIDAS

BIODIGESTORES

CHUVAS ÁCIDAS RADIAÇÃO INFRAVERMELHA

éo excesso de

EUTROFICAÇÃO
leva à proliferação de

COMBUSTÍVEL

é causado pela reirradiação de é usado como

NUTRIENTES ORGÂNICOS

competem com outros seres pelo

são usados como alimento por

BACTÉRIAS AERÓBIAS
➤ ➤ ➤

EFEITO ESTUFA

é outra denominação para o

CAMADA DE OZÔNIO

protege a Terra da

RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA

38
ESPÉCIES BIOLÓGICAS DESMATAMENTO EXTINÇÃO DE ESPÉCIES
➤ ➤

POLUIÇÃO

INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES

LIXO URBANO

pode ser reaproveitado pela

➤ ➤

➤ ➤ ➤

produzem, por fermentação, o chamado

GÁS NATURAL

RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES
CAPÍTULO

1

AS ORIGENS DA GENÉTICA
GUIA DE ESTUDO
1. Genética é a área da Biologia que estuda a herança biológica, ou hereditariedade, que é a transmissão de características de uma geração à geração seguinte. 2. A hipótese da pangênese, originalmente proposta por Hipócrates, admitia que cada órgão ou parte do corpo de um organismo vivo produziria partículas hereditárias chamadas de gêmulas, que seriam transmitidas aos descendentes no momento da concepção. Por exemplo, uma pessoa produziria, nos olhos, gêmulas de olho, nos braços, gêmulas de braço, no fígado, gêmula de fígado, e assim por diante. Essas gêmulas provenientes de todas as partes do corpo migrariam para o sêmen do macho e da fêmea e seriam passadas para os filhos. O novo ser teria seu corpo elaborado a partir das gêmulas recebidas dos pais, daí advindo as semelhanças entre pais e filhos.
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9. Weismann previu que, na formação dos gametas, deveria ocorrer um tipo diferente de divisão celular, em que o número de cromossomos das células-filhas seria reduzido à metade. 10. Descobriu-se que, durante a formação dos gametas, ocorrem duas divisões celulares sucessivas, após uma única multiplicação cromossômica, de modo que as quatro células-filhas formadas ficam com metade do número de cromossomos existente na célula original — como Weismann previu que deveria acontecer. Essas duas divisões são mitoses modificadas e foram denominadas meiose (do grego meíosis, diminuição). 11. Na primeira divisão da meiose, os cromossomos homólogos se emparelham, formando os bivalentes, ou tétrades. Cada cromossomo de um bivalente se prende a fibras de pólos opostos, de modo que um dos cromossomos do par, com suas duas cromátides, migra para um dos pólos da célula e o outro, para o pólo oposto. Assim, o que se separa na primeira divisão da meiose são os cromossomos homólogos e não as cromátides-irmãs, como em uma mitose. Na mitose, cada cromossomo se prende individualmente a fibras de ambos os pólos do fuso, de modo que uma das cromátides migra para um dos pólos e a cromátide-irmã, para o pólo oposto. 12. A resposta deve estar de acordo com a Fig. 1.5.
Célula-mãe antes da duplicação dos cromossomos Célula-mãe após a duplicação dos cromossomos MITOSE

3. A teoria da pré-formação postulava a existência de um ser préformado no ovo fertilizado; o desenvolvimento consistia apenas em seu crescimento. Os pré-formistas dividiam-se entre os que admitiam ser o óvulo o portador do ser pré-formado (ovistas) e os que afirmavam sua presença no esperma (espermistas). 4. A teoria da epigênese postulava que o ovo fertilizado contém um material inicialmente amorfo, com potencial para originar um novo ser; este se estrutura e se diferencia à medida que o desenvolvimento ocorre. 5. Em 1841 foram observados todos os estágios de transformação de células dos testículos em espermatozóides. Pouco tempo depois, demonstrou-se que os espermatozóides de rã entram no óvulo durante a fecundação. 6. Na segunda metade do século XVII, o médico holandês Regnier de Graaf relacionou os inchaços observados na superfície dos ovários de fêmeas de mamíferos, na época da reprodução, com a formação de elementos reprodutivos. Em 1828, descobriu-se o óvulo no interior do folículo ovariano. A natureza celular dos óvulos foi estabelecida em 1829; em 1861 chegou-se à conclusão de que o óvulo dos animais vertebrados é uma única célula. 7. Cromossomos são os fios finos e longos, com grande afinidade por corantes, que se tornam visíveis no núcleo das células em processo de divisão. Cromátide é cada um dos dois fios que formam cada cromossomo de uma célula em início de divisão e que se separam para constituir os núcleos das células-filhas. Centrômero é a região dos cromossomos onde uma cromátide se une à sua irmã e por meio da qual os cromossomos se unem às fibras do fuso para serem puxados para pólos celulares opostos. Mitose foi o termo usado por Flemming para descrever as alterações no núcleo celular, durante a divisão de uma célula, e que mais tarde se tornou sinônimo de divisão celular. 8. No início da divisão de uma célula os cromossomos se condensam tornando-se progressivamente mais curtos e grossos. Flemming chamou a atenção para o fato de que, nessa fase, eles já estão duplos. Em uma etapa seguinte do processo, o limite do núcleo desaparece e os cromossomos se espalham pelo citoplasma. Eles, então, se deslocam para a região equatorial da célula e se prendem a fibras do fuso. Imediatamente após terem se alinhado na região equatorial da célula, os dois fios que constituem cada cromossomo (cromátides-irmãs) se separam e passam a se deslocar para pólos opostos, puxados por fibras do fuso unidas a seus centrômeros. Ao chegarem aos pólos da célula, os cromossomos se descondensam e formam dois núcleos-filhos idênticos entre si. Enquanto os núcleos-filhos se reestruturam nos pólos da célula, o citoplasma se divide, dando origem a duas novas células.

MEIOSE

Separação dos cromossomos homólogos Separação das cromátides-irmãs Separação das cromátides-irmãs
JURANDIR RIBEIRO

A meiose forma 4 células com metade do número de cromossomos da célula-mãe: 4 células n

A mitose forma 2 células com o mesmo número de cromossomos da célula-mãe: 2 células 2 n

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

13. c

14. a

15. c

16. d

17. b

QUESTÕES DISCURSIVAS

18. Os gametas são a única ligação física entre as gerações e, portanto, devem conter toda a informação hereditária. 19. A meiose reduz o número de cromossomos das células à metade, ou seja, por meio dela células diplóides (2n) originam células haplóides (n). Na fecundação, ocorre a fusão de dois gametas, que são células haplóides, reconstituindo a condição diplóide típica da espécie; os biólogos costumam dizer que a fecundação contrabalança a redução cromossômica ocorrida na meiose.
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

39

CAPÍTULO

2

Lei da segregação genética
GUIA DE ESTUDO
1. Mendel escolheu como material de estudo a ervilha-de-cheiro Pisum sativum. As principais razões que o levaram a optar por essa espécie foram: a) facilidade de cultivo; b) existência de variedades facilmente identificáveis por características marcadamente distintas; c) ciclo de vida curto, que permite obter várias gerações em pouco tempo; d) descendência fértil ao cruzar variedades diferentes; e) facilidade de realizar polinização artificial. 2. Autofecundação, no caso de plantas, é a fecundação dos óvulos de uma planta por seus próprios grãos de pólen. As ervilhas são leguminosas e apresentam fruto em forma de vagem (legume). A flor da ervilha é hermafrodita, isto é, possui órgãos reprodutores masculinos e femininos, que ficam encerrados em uma espécie de quilha formada por duas pétalas modificadas e sobrepostas. A quilha impede a polinização por pólen de outras flores; conseqüentemente, os óvulos de uma flor são quase sempre fecundados por seus próprios grãos de pólen, processo denominado autofecundação. 3. Para realizar fecundação cruzada entre duas plantas de ervilha, é preciso abrir previamente a quilha de algumas flores e cortar suas anteras, o que corresponde a “castrar” a parte masculina. Quando a parte feminina está madura, abre-se novamente a quilha e coloca-se, sobre o estigma, pólen retirado de flores intactas de outra planta. Assim, podem-se cruzar variedades distintas e obter sementes híbridas. 4. Para Mendel, eram puras as linhagens que, por autofecundação, davam origem somente a plantas iguais a si. Uma linhagem pura alta, por exemplo, quando autofecundada ou cruzada com outra idêntica a si, só produz descendentes altos. Linhagens híbridas são aquelas que, cruzadas com uma linhagem pura, produzem descendentes de dois tipos. 5. Mendel observou que os indivíduos híbridos da geração F1 eram sempre iguais a um dos pais. Por exemplo, os híbridos originados do cruzamento de plantas puras altas com plantas puras anãs eram sempre altos e indistinguíveis da planta alta pura. O traço “baixa estatura” aparentemente desaparecia na geração F1. No entanto, a autofecundação das plantas híbridas produzia uma descendência constituída por plantas altas e por plantas anãs. Isso levou Mendel a concluir que, nas plantas da geração F1, o traço de um dos pais ficava “em recesso”, isto é, encoberto, reaparecendo novamente na geração F2. O traço que desaparecia nas plantas híbridas foi chamado de recessivo, enquanto o traço que se manifestava foi chamado de dominante. No caso da estatura das plantas, o traço alto é dominante e o traço baixo, recessivo. 6. Alguns predecessores de Mendel já haviam observado que certos traços desapareciam em uma geração, reaparecendo na geração seguinte. A originalidade de Mendel consistiu em estabelecer a relação entre as quantidades de plantas que exibiam o traço dominante e as que exibiam o traço recessivo, ou seja, a proporção (ou razão) entre os dois tipos de planta da geração F2. Essa visão matemática, quantitativa, aplicada aos cruzamentos, foi uma das grandes novidades que Mendel introduziu nos estudos genéticos. 7. O fato de as proporções entre os traços dominantes e recessivos serem tão parecidas, em todas as características analisadas, levou Mendel a pensar na existência de uma lei geral, responsável pela herança das características em ervilhas.

8. Para explicar o desaparecimento do caráter recessivo em F1 e seu reaparecimento em F2, na proporção de 3 dominantes para 1 recessivo, Mendel elaborou uma hipótese, cujas premissas são: a) cada característica hereditária é determinada por fatores, herdados em igual quantidade da mãe e do pai; b) os fatores de cada par separam-se (Mendel utilizou o termo “segregam-se”) quando os indivíduos produzem gametas; se o indivíduo é puro quanto a determinada característica, todos os gametas que ele forma terão o mesmo fator para aquela característica; se o indivíduo é híbrido, ele produzirá dois tipos de gameta, em mesma proporção, metade com o fator para um dos traços e metade com o fator para o outro. 9. O aspecto essencial da hipótese proposta por Mendel é a separação dos fatores hereditários na formação dos gametas. Esse princípio ficou conhecido como lei da segregação dos fatores, ou primeira lei de Mendel, e pode ser enunciado nos seguintes termos: os fatores que condicionam uma característica segregam-se (separam-se) na formação dos gametas; estes, portanto, são puros com relação a cada fator. 10. Em 1902, enquanto estudava a formação dos gametas em gafanhotos, o norte-americano Walter S. Sutton notou surpreendente semelhança entre o comportamento dos cromossomos homólogos, que se separam durante a meiose, e os fatores imaginados por Mendel. Sutton lançou a hipótese de que os pares de fatores hereditários estariam localizados em cromossomos homólogos, de tal maneira que sua separação na meiose levaria à segregação dos fatores. Na mesma época, o pesquisador alemão Boveri lançou também a hipótese de que os fatores hereditários estariam localizados nos cromossomos. 11. Hoje sabemos que os fatores a que Mendel se referiu são os genes (do grego genos, que origina), e que eles realmente estão localizados nos cromossomos, como Sutton e Boveri haviam previsto. O par de fatores imaginado por Mendel corresponde ao par de alelos de um gene, localizados em um par de cromossomos homólogos. É a separação dos cromossomos homólogos na divisão I da meiose o fenômeno responsável pela segregação dos fatores hereditários. A descoberta da lei da segregação, chave para a compreensão da herança biológica, ilustra o poder do modo científico de pensar e proceder. Mesmo sem conhecer a natureza e a localização dos fatores genéticos, Mendel descobriu a lei que rege seu comportamento. Seus sucessores terminaram de montar o quebra-cabeça da segregação quando a Citologia avançou e permitiu descobrir quem eram e onde se localizavam os fatores genéticos. 12. A) Os filhos herdam dos pais “instruções genéticas”, os genes, a partir das quais desenvolvem suas características. B) Os genes são transmitidos pelos gametas. C) Cada gameta contém um conjunto completo de genes (um genoma), típico da espécie. D) Os genes ocorrem aos pares em cada indivíduo, pois este se forma pela fusão de dois gametas, um de origem materna e o outro de origem paterna. E) As duas versões de cada gene, uma recebida do pai e outra da mãe, são denominadas alelos, e não se misturam no filho, separando-se quando este forma gametas. 13. O indivíduo portador de dois alelos iguais de um gene é denominado homozigótico, chamado de puro por Mendel. Se apresentar dois alelos diferentes do gene, o indivíduo é chamado de heterozigótico (ou híbrido, na terminologia mendeliana). No exemplo da cor da pelagem de coelhos, os indivíduos das linhagens chinchila pura e albina são homozigóticos AA e aa, respectivamente. Os descendentes do cruzamento entre coelhos dessas duas linhagens são todos heterozigóticos Aa, com pelagem cinza. Basta um alelo funcional (A) para produzir pigmentos do pêlo em quantidades normais. 14. O termo herança monogênica, ou monoibridismo, aplica-se a casos em que apenas um par de alelos de um gene está envolvido na herança da característica. Por exemplo, a herança da característica cor da semente é um caso de monoibridismo.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

15. É um diagrama para representar o cruzamento entre dois indivíduos, na forma de uma tabela com colunas correspondentes aos gametas de um dos sexos e com linhas correspondentes aos gametas do sexo oposto. 16. Os geneticistas usam o termo selvagem para se referir às características apresentadas pelos indivíduos que vivem na natureza. As características hereditárias que diferem das selvagens e que, em geral, só estão presentes em populações ou linhagens criadas em laboratório são chamadas de mutantes. Por exemplo, entre as diversas linhagens mutantes de drosófila, há uma que apresenta apenas rudimentos de asas, característica conhecida como asa vestigiaI.

3. Cruzamento-teste é um tipo de experimento utilizado para se determinar o genótipo de um indivíduo de fenótipo dominante. Esse indivíduo é cruzado com um indivíduo de fenótipo recessivo e, portanto, necessariamente homozigótico. Se no cruzamentoteste forem produzidos descendentes com fenótipos dominante e recessivo, conclui-se que o genitor testado é heterozigótico. Se, por outro lado, todos os descendentes, em número razoável, tiverem fenótipo dominante, pode-se inferir que o indivíduo testado é homozigótico. 4. O termo “dominante” leva à idéia equivocada de que um alelo inibe a ação de outro. Em nenhuma situação um alelo exerce qualquer tipo de ação sobre seu par localizado no cromossomo homólogo. As relações entre os alelos de um gene são decorrentes do modo como seus produtos afetam o funcionamento celular. Na maioria dos casos, os alelos que têm sua seqüência de bases nitrogenadas alterada não se expressam corretamente. 5. Dominância completa é um tipo de relação entre alelos de um gene em que o fenótipo do indivíduo heterozigótico é idêntico ao de um dos homozigóticos. Um exemplo é o do gene que determina a cor dos cotilédones da semente da ervilha: as sementes homozigóticas VV e as heterozigóticas Vv são ambas amarelas, enquanto as sementes vv são verdes. Dominância incompleta é o termo que os geneticistas usam para descrever situações em que o fenótipo dos indivíduos heterozigóticos é intermediário, em termos quantitativos, entre os fenótipos dos dois homozigóticos. Por exemplo, na planta boca-de-leão, os indivíduos portadores de dois alelos idênticos (homozigóticos) de um determinado gene apresentam flores vermelhas, os homozigóticos para a outra versão desse gene apresentam flores brancas e os heterozigóticos têm flores cor-de-rosa. 6. Os geneticistas chamam de co-dominância a situação em que dois alelos diferentes de um gene se expressam no indivíduo heterozigótico, o qual apresenta, por isso, características de ambos os homozigóticos. Um exemplo de alelos co-dominantes é o do gene que determina o sistema MN de grupos sangüíneos na espécie humana. As pessoas homozigóticas AgMAgM apresentam apenas o antígeno M na membrana de suas hemácias e, por isso, pertencem ao grupo sangüíneo M. As pessoas homozigóticas AgNAgN apresentam apenas o antígeno N em suas hemácias e, por isso, pertencem ao grupo sangüíneo N. Já as pessoas heterozigóticas AgMAgN possuem ambos os antígenos nas hemácias e, por isso, pertencem ao grupo sangüíneo MN. 7. Pleiotropia refere-se à propriedade de um gene afetar mais de uma característica no indivíduo. Por exemplo, o gene que condiciona a cor da casca da semente em ervilha é pleiotrópico, determinando também a cor da flor e a presença de mancha na axila das estípulas. Outro exemplo, na espécie humana, é o de alelo que causa a síndrome de Marfan. As pessoas portadoras desse alelo dominante apresentam aracnodactilia, que se caracteriza por dedos anormalmente longos, finos e curvos, que lembram pernas de aranha, além de outras anomalias ósseas e defeitos nos olhos, no coração e nos pulmões. 8. Chamamos de genes letais os alelos que causam a morte prematura do portador, seja em homozigose, letal recessivo, seja em heterozigose, letal dominante. Na espécie humana a acondroplasia, uma forma de nanismo, é condicionada por um alelo dominante (D), que interfere com o crescimento dos ossos durante o desenvolvimento. Os raros indivíduos que apresentam fenótipo acondroplásico são heterozigóticos (Dd), enquanto o restante da população humana é homozigótica para o alelo recessivo (dd). Nunca foi detectada uma pessoa homozigótica dominante (DD), o que levou os cientistas à conclusão de que o alelo mutante em homozigose tem efeito tão severo que o portador não é viável. Trata-se, portanto, de um alelo letal recessivo.
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

17. b 23. d

18. a 24. a

19. d 25. d

20. c 26. b

21. d 27. a

22. c 28. b

QUESTÕES DISCURSIVAS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

29. a) O alelo que condiciona o caráter semente amarela (V) é dominante sobre o alelo que condiciona o caráter semente verde (v), ou seja, o alelo para semente amarela se manifesta mesmo na condição heterozigótica (Vv), enquanto o alelo para semente verde só se manifesta na condição homozigótica (vv). b) Aproximadamente 3 : 1 (6.022 sementes amarelas de um total de 8.023 e 2.001 sementes verdes de um total de 8.023). c) Sim, porque os alelos segregam-se ao acaso na formação dos gametas e também se reúnem ao acaso na fecundação. 30. Esperaria obter 50% de indivíduos heterozigóticos e 50% de indivíduos homozigóticos (metade com o fenótipo dominante e metade com o fenótipo recessivo). 31. Serão amarelas as que apresentarem genótipos VV (1/4) e Vv (2/4). Portanto, a fração de heterozigóticas entre amarelas é 2/3.

CAPÍTULO

3

RELAÇÃO ENTRE GENÓTIPO E FENÓTIPO
GUIA DE ESTUDO
1. O termo genótipo refere-se à constituição genética do indivíduo, ou seja, aos tipos de alelos que ele possui. Estamos nos referindo ao genótipo quando dizemos, por exemplo, que uma planta de ervilha é homozigótica dominante para cor dos cotilédones, isto é, possui dois alelos dominantes (VV), ou heterozigótica, possui um alelo dominante e um recessivo (Vv). O termo fenótipo (do grego pheno, evidente, e typos, característico) é empregado para designar as características apresentadas por um indivíduo, sejam elas morfológicas, fisiológicas ou comportamentais. Também fazem parte do fenótipo características microscópicas e de natureza bioquímica, que necessitam de testes especiais para sua identificação, como o tipo sangüíneo ou a seqüência de aminoácidos de uma proteína. 2. A expressão refere-se ao fato de o fenótipo ser resultado da interação do genótipo com o ambiente. Consideremos, por exemplo, duas pessoas que tenham os mesmos tipos de alelo para pigmentação da pele; se uma delas toma sol com mais freqüência que a outra, suas tonalidades de pele — fenótipos — serão diferentes. O fenótipo também sofre transformações com o passar do tempo, basta ver como diversas características de uma pessoa, como a cor do cabelo ou a textura da pele, modificam-se com a idade.

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9. Denominamos alelos múltiplos às diferentes versões (mais do que duas) de um determinado gene. Um exemplo clássico de alelos múltiplos é o de um gene envolvido na determinação da cor da pelagem de coelhos. Esse gene possui quatro alelos: C, que determina pelagem castanho-acinzentada (selvagem ou aguti); cch, que determina pelagem cinzento-prateada (chinchila); ch, que determina pelagem branca com extremidades (patas, focinho, orelhas e cauda) escuras (himalaia); c, que condiciona pelagem branca (albina). 10. Chamamos de variação descontínua a situação em que os diversos genótipos correspondem a fenótipos alternativos bem distintos. Por exemplo, no caso da cor dos cotilédones em ervilha, ou eles são amarelos, genótipos VV e Vv, ou verdes, genótipo vv. No caso da cor da flor de boca-de-leão também ocorre variação descontínua, podendo as flores serem vermelhas, um dos homozigóticos, brancas, o outro homozigótico, ou cor-de-rosa, o heterozigótico. 11. Norma de reação é a gama de variação fenotípica que um genótipo pode apresentar. No caso do feijão-carioca, por exemplo, o genótipo LL, que condiciona a presença de listras nas sementes apresenta uma gama de variação bem ampla, variando desde sementes totalmente marrons, em que o pigmento recobre toda a casca, até sementes sem nenhuma mancha. 12. Os biólogos chamam de penetrância a porcentagem de indivíduos com um dado genótipo que expressa o fenótipo correspondente. Na ervilha, o alelo que condiciona a cor amarela dos cotilédones apresenta penetrância completa, de 100%, pois todas as sementes que possuem esse alelo têm cor amarela. No feijão, o alelo que condiciona a presença de listras na casca das sementes tem penetrância incompleta de 95%, pois 5% das sementes portadoras desse alelo não apresentam listras. Na espécie humana, o alelo que condiciona a presença de dedos extras (polidactilia) apresenta penetrância incompleta de 64,9%, pois 35,1% dos portadores desse alelo têm número normal de dedos. 13. A manifestação de um gene, isto é, o fenótipo que ele expressa, pode ser definido como sua expressividade. Em muitos casos, o mesmo tipo de alelo expressa-se de maneira diferente em seus portadores; fala-se, nesse caso, em expressividade gênica variável. No exemplo do feijão-carioca, por exemplo, vemos que o alelo L, que condiciona fenótipo variegado, “penetra”, isto é, expressa-se, em 95% de seus portadores. Nestes, o padrão e a quantidade de faixas varia, mostrando que o alelo L apresenta expressividade variável. 14. Aglutininas são anticorpos presentes no plasma sangüíneo de certas pessoas, capazes de reagir e se ligar especificamente a determinadas substâncias, os aglutinogênios, presentes na membrana das hemácias. No sistema ABO de grupos sangüíneos estão envolvidos duas aglutininas, anti-A e anti-B, e dois aglutinogênios, A e B. 15.
Grupo sangüíneo A B AB O Genótipos IAIA ou IAi IBIB ou IBi IAIB ii Aglutinogênios (nas hemácias) A B AB — Recebe de AeO BeO A, B, AB e O O Aglutininas (no plasma) anti-B anti-A — Anti-A e anti-B Doa para A e AB B e AB AB A, B, AB e O

17. O grupo O é considerado doador universal, pois suas hemácias não possuem nenhum dos dois aglutinogênios e, portanto, não são aglutinadas por nenhum tipo de plasma sangüíneo, podendo ser doadas para pessoas de qualquer outro grupo. O grupo AB é considerado receptor universal, pois seu plasma sangüíneo não possui nenhuma das duas aglutininas e, portanto, não aglutina nenhum tipo de hemácia; as pessoas desse grupo podem, portanto, receber sangue de qualquer outro grupo. 18. A determinação dos grupos sangüíneos é feita misturando-se duas gotas de sangue da pessoa com duas soluções, uma delas contendo aglutinina anti-A e a outra, aglutinina anti-B. Se ocorrer aglutinação apenas com a solução anti-A, a pessoa é do grupo A; se as hemácias aglutinarem apenas com a solução anti-B, ela é do grupo B; se houver aglutinação com ambas as soluções, ela pertence ao grupo AB; se não houver aglutinação com nenhuma das duas soluções, a pessoa pertence ao grupo O. 19. Os cientistas acreditam que esses anticorpos são produzidos, em resposta a substâncias antigênicas semelhantes a eles, presentes em bactérias e outros microrganismos que invadem o trato digestório durante, ou logo após, o nascimento. 20.
Genótipos AgMAgM AgNAgN AgMAgN Fenótipos (antígeno nas hemácias) Antígeno M Antígeno N Antígenos M e N Grupos sangüíneos M N MN
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21. Na década de 1940, Landsteiner e seus colaboradores injetaram hemácias de um pequeno macaco, conhecido como reso (Macaca mulatta), em coelhos e obtiveram um anticorpo que foi denominado anti-Rh (abreviatura de “anti-rhesus”). Ao testarem esse anticorpo em sangue humano, verificaram que ele provocava aglutinação das hemácias de cerca de 85% das pessoas testadas. Essas pessoas, cujas hemácias foram aglutinadas pelos anticorpos anti-Rh, foram denominadas Rh positivas (Rh+), para indicar que suas hemácias têm um antígeno semelhante ao dos macacos, o fator Rh. As hemácias de aproximadamente 15% das pessoas testadas não reagiram com os anticorpos anti-Rh, e por isso elas foram denominadas Rh negativas (Rh–), para indicar a ausência do fator Rh em suas hemácias. 22. A determinação dos grupos sangüíneos no sistema Rh é simples; basta adicionar algumas gotas da solução com anticorpos anti-Rh a uma gota do sangue da pessoa em exame; se as hemácias aglutinarem, a pessoa tem sangue Rh+; se não houver aglutinação, o sangue é do tipo Rh–. 23. Os grupos sangüíneos do sistema Rh são condicionados por dois alelos (R e r) com dominância completa de R sobre r. Pessoas portadoras de pelo menos um alelo dominante, ou seja, com genótipos RR ou Rr, apresentam o fator Rh em suas hemácias e têm, portanto, fenótipo Rh+; os homozigóticos recessivos (rr) não têm fator Rh, e apresentam fenótipo Rh–. 24. Durante a gravidez e, principalmente, na hora do parto, ocorrem rupturas na placenta e passagem de hemácias da criança para a circulação materna. As hemácias de um feto Rh+ estimulam a mãe, Rh-, a produzir anticorpos e a adquirir memória imunitária, tornando-se sensibilizada para o fator Rh. Na primeira gravidez, o nível de sensibilização é pequeno, e a quantidade de anticorpos presentes no sangue da mãe não chega a afetar a criança. Na hora do parto, porém, pode ocorrer forte sensibilização da mãe, que terá conseqüências para gestações posteriores. Se uma próxima criança gerada for Rh+, anticorpos antiRh serão rapidamente produzidos pelas células de memória imunitária da mãe sensibilizada. Eles atravessam a placenta e destroem as hemácias fetais, processo que continua a ocorrer no recém-nascido. A destruição das hemácias causa forte anemia no recém-nascido; além disso, ocorre acúmulo de bilirrubina

16.

Grupo sangüíneo da pessoa A B AB O

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

no sangue, com icterícia (pele amarelada). A bilirrubina é produzida no fígado do recém-nascido a partir da hemoglobina liberada pelas hemácias destruídas pelos anticorpos anti-Rh. Para compensar a destruição das hemácias, ocorre liberação de eritroblastos (hemácias imaturas) na circulação do recém-nascido. Esse conjunto de sintomas caracteriza a doença conhecida como eritroblastose fetal, nome que ressalta o fato de haver eritroblastos na circulação da criança doente. Outro nome desse quadro clínico é doença hemolítica do recém-nascido, que dá ênfase ao fato de estar ocorrendo destruição de hemácias pelos anticorpos anti-Rh. 25. Probabilidade é a chance de um determinado evento ocorrer, entre dois ou mais eventos possíveis. Por exemplo, a chance de uma moeda cair com a face “cara” voltada para cima representa um entre dois eventos possíveis: sair “cara” ou sair “coroa”. Nesse caso, dizemos que a probabilidade de sair “cara”, por exemplo, é 1/2 (uma chance em duas possíveis) ou 50%, pois espera-se que em metade dos lançamentos de uma moeda seja obtida a face “cara”. 26. A obtenção de “cara” no lançamento de uma moeda, o sorteio de um ás de ouro do baralho ou a obtenção de “face 6” no lançamento de um dado são eventos aleatórios (do latim alea, sorte). Em cada um dos casos, há um conjunto de eventos possíveis, e o evento selecionado (“cara”, ás de ouro ou “face 6”) tem a mesma chance de ocorrer que qualquer outro evento possível naquele conjunto. Por exemplo, a probabilidade de se obter “cara” no lançamento de uma moeda é 1/2, pois o conjunto de possibilidades é composto por dois eventos — “cara” ou “coroa” — com a mesma chance de ocorrer. A probabilidade de se sortear o ás de ouro em um baralho é 1/52, pois o conjunto de possibilidades é formado por 52 cartas, cada uma com igual chance de ser sorteada. A probabilidade de se obter “face 6” ao se lançar um dado é 1/6, que corresponde a 1 entre seis eventos possíveis. 27. Eventos independentes são aqueles em que a ocorrência de um deles não afeta a probabilidade de outro evento ocorrer. Por exemplo, obter “cara” ao lançar uma moeda não aumenta nem diminui a chance de sair “cara” em um novo lançamento da mesma moeda, ou de outra moeda qualquer. Assim, o resultado obtido em cada lançamento de moeda é um evento independente de qualquer outro. 28. A teoria das probabilidades diz que a probabilidade de dois ou mais eventos independentes ocorrerem conjuntamente é igual ao produto das probabilidades deles ocorrerem separadamente. Esse princípio é conhecido popularmente como regra do “e”, pois corresponde à pergunta: qual é a probabilidade de ocorrer um evento e outro evento? Se jogarmos uma moeda duas vezes, qual é a probabilidade de obtermos duas vezes a face “cara”, isto é, face “cara” no primeiro lançamento e face “cara” no segundo lançamento? A chance de sair “cara” na primeira jogada é 1/2, e a chance de sair “cara” na segunda jogada também é 1/2. Assim, a probabilidade desses dois eventos ocorrerem conjuntamente é 1/2 1/2 = 1/4. 29. A teoria das probabilidades diz que a ocorrência de dois eventos que se excluem mutuamente é igual à soma das probabilidades de ocorrência de cada um dos eventos isoladamente. Esse princípio é conhecido popularmente como regra do “ou”, pois corresponde à pergunta: qual é a probabilidade de ocorrer um evento ou outro evento (eventos mutuamente exclusivos)? Por exemplo, a probabilidade de se obter “cara” ou “coroa”, no lançamento de uma moeda, é igual a 1, ou seja, a probabilidade de sair “cara” somada à probabilidade de sair “coroa” (1/2 + 1/2 = 1). Da mesma forma, a probabilidade de se obter “face 1” ou “face 6” no lançamento de um dado é 1/6 + 1/6 = 1/3.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

30. b 33. a 36. c 39. d 42. b 45. a 48. c 51. b

31. a 34. d 37. b 40. c 43. b 46. d 49. d 52. d

32. d 35. a 38. c 41. a 44. c 47. c 50. d

QUESTÕES DISCURSIVAS

53. Realizar um cruzamento-teste, ou seja, cruzar esta mosca com uma mosca de asa vestigial e verificar os fenótipos dos descendentes. O nascimento de moscas com asa vestigial permite concluir que a mosca em questão é heterozigótica. Uma prole numerosa constituída apenas por moscas de asa longa é um indício de que a mosca é homozigótica. 54. Indivíduos heterozigóticos: 1, 2, 6, 7 e 8. 55. A probabilidade de que o indivíduo 4 seja heterozigótico é de 2/3. 56. A probabilidade é de 2/6 = 1/3 (2/3 de chance de o indivíduo 4 ser heterozigótico X 1/2 de nascer uma criança aa). 57. A probabilidade de que o indivíduo 19 seja heterozigótico é de 2/3. 58. A probabilidade é de 1/6. O indivíduo 15 é Aa, e o indivíduo 21 (A_) tem 2/3 de chance de ser Aa. Se for este o caso, a probabilidade de gerarem um filho aa é de 1/4. Portanto, 2/3 X 1/4 = 2/12 = 1/6. 59. a) É um caso de ausência de dominância entre as cores vermelha e branca, que dá origem ao ruão. b) Sim. Houve segregação dos alelos e encontro ao acaso na fecundação. 60. a) Vermelha, ruã e branca. b) 150 vermelhas, 300 ruãs, 150 brancas. 61. a) Ausência de dominância. b) 1 arredondada : 2 ovaladas : 1 alongada. c) Sim, porque a proporção é semelhante à esperada (1 : 2 : 1). d) Chamando de FR o alelo para a forma arredondada e de FA o alelo para a forma alongada, temos 50% FRFA (ovalada) e 50% FRFR (arredondada). 62. a) 1. ghgh; 2. Gmgc; 3. gcgb; 4. gcgb; 5. Gmgb; 6. gcgb; 7. gbgb; 8. Gm_; 9. gcgb; 10 gbgb. b) O indivíduo 7 é gbgb. Para que esse cruzamento possa produzir um descendente branco, 8 tem de ser Gmgb, cuja probabilidade é 1/2. Nesse caso, cruzado com 7, tem 1/2 de chance de gerar descendente branco. Assim, 1/2 X 1/2 = 1/4 . c) O indivíduo 7 é gbgb e o indivíduo 5 é Gmgb. A probabilidade de, neste cruzamento, ser produzido um indivíduo marrom-escuro heterozigótico é 1/2. Assim, em 12 descendentes, 6 seriam marrons heterozigóticos. 63. Indivíduos que têm ambos os aglutinogênios nas hemáceas pertencem ao grupo AB. Eles podem receber sangue de indivíduos A, B, AB e O. Excluindo-se a transfusão idêntica, ele teria à sua disposição 12 litros de sangue B e 20 litros de sangue O, totalizando 42 litros. 64. Genótipo da mãe: IBi rr; genótipo da criança: IAi Rr; genes que a criança recebeu do pai: IAR. O único que pode ser o pai da criança é o indivíduo e), de fenótipo AB, Rh+. 65. a) 1. IBi; 2. IAi; 3. IB_; 4. ii; 5. ii; 6. IAi; 7. IBi; 8. IBi; 9. IAIB; 10. ii; 11. IAi; 12. IBi; 13. IB_; 14. IAi; 15. IAi. b) Casal 12 X 13 = IBi X IB_. A probabilidade de 13 ser heterozigótico é 1/2; nesse caso, a chance de ter filho ii é 1/4. Portanto, a probabilidade final é de 1/2 X 1/4 = 1/8.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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CAPÍTULO

4

LEI DA SEGREGRAÇÃO INDEPENDENTE DOs GENEs
GUIA DE ESTUDO
1. A descendência distribuía-se aproximadamente nas seguintes frações: 9/16 amarelas-lisas; 3/16 amarelas-rugosas; 3/16 verdeslisas; 1/16 verde-rugosa. Em proporção, essas frações representam 9 amarelas-lisas : 3 amarelas-rugosas : 3 verdes-lisas : 1 verde-rugosa. 2. Uma planta duplo-heterozigótica VvRr formaria, de acordo com a hipótese da segregação independente, quatro tipos de gameta em igual proporção: 1 VR : 1 Vr : 1 vR : 1 vr. 3. A segunda lei de Mendel pode ser enunciada da seguinte forma: os fatores para duas ou mais características segregam-se independentemente no híbrido, distribuindo-se para os gametas, onde se combinam ao acaso. 4. Os alelos de um gene segregam-se por estarem situados em cromossomos homólogos, nas células precursoras dos gametas. Os homólogos de cada par cromossômico são originalmente provenientes dos gametas materno e paterno. Durante a meiose, homólogos de origem materna e paterna segregam-se com total independência uns dos outros, ou seja, cromossomos homólogos de origem materna e paterna podem se combinar livremente. Portanto, os genes que se situam em diferentes pares de cromossomos homólogos também se segregam independentemente. 5. 27 amarelas-lisas-cinzas : 9 amarelas-lisas-brancas : 9 amarelasrugosas-cinzas : 9 verdes-lisas-cinzas : 3 amarelas-rugosas-brancas : 3 verdes-lisas-brancas : 3 verdes-rugosas-cinzas : 1 verderugosa-branca. 6. Para determinar o número de tipos de gameta formados por um indivíduo em relação a pares de alelos com segregação independente, basta aplicar a expressão 2n, em que n representa o número de pares de alelos no genótipo que se encontram na condição heterozigótica. a) 2 pares heterozigóticos (Aa e Bb): 22 = 4 tipos; b) 2 pares heterozigóticos (Aa e Bb): 22 = 4 tipos; c) um par heterozigótico (Ff ): 21 = 2 tipos. 7. Interação gênica é a ação conjunta de dois ou mais genes, localizados ou não no mesmo cromossomo, na determinação de uma característica. 8. Na determinação das cores básicas da plumagem dos periquitos — verde, azul, amarela e branca — estão envolvidos apenas dois genes, A e B, cada um deles com dois alelos, que se segregam independentemente. Periquitos homozigóticos recessivos quanto a esses dois genes (aabb) são brancos; periquitos homozigóticos recessivos aa, mas que possuem pelo menos um alelo dominante B (aaBB ou aaBb), são amarelos; periquitos homozigóticos recessivos bb, mas que possuem pelo menos um alelo dominante A (AAbb ou Aabb), são azuis; periquitos que apresentam pelo menos um alelo dominante de cada gene (AABB, AABb, AaBB ou AaBb) têm cor verde. Periquitos com genótipo aabb não têm nenhum dos dois pigmentos nas penas, sendo, portanto, brancos. Periquitos que apresentam pelo menos um alelo normal (dominante) de cada gene (genótipos A_B_) têm os dois pigmentos, apresentando penas verdes; essa cor resulta da mistura do efeito azul, causado pela presença de melanina, e do amarelo, causado pela presença do pigmento psitacina. Periquitos que apresentam pelo menos um alelo normal (dominante) do gene para a presença de psitacina (B_), sendo homozigóticos para a forma recessiva do gene para produzir melanina (aa), têm cor amarela. Periquitos que apresentam pelo

menos um alelo normal (dominante) do gene para a produção de melanina (A_), sendo homozigóticos para a forma recessiva do gene para a produção de psitacina (bb), têm cor azul. 9. Esses tipos de crista em galinhas são condicionados por dois pares de alelos, R/r e E/e, que segregam de forma independente e interagem entre si na produção do fenótipo. A interação entre os alelos dominantes R e E resulta em crista noz; entre o alelo dominante R e o recessivo e, resulta em crista rosa; entre o alelo recessivo r e o dominante E, resulta em crista ervilha, e entre os alelos recessivos r e e, resulta em crista simples. 10. Epistasia é o fenômeno em que alelos de um gene inibem a ação de alelos de outro gene, que pode ou não estar no mesmo cromossomo. Os alelos que exercem a ação inibitória são chamados de epistáticos, e os que sofrem a inibição são chamados de hipostáticos. Se o alelo epistático atuar em dose simples, isto é, se a presença de um único exemplar for suficiente para causar a inibição do hipostático, fala-se em epistasia dominante. Se o alelo que determina a epistasia atuar somente em dose dupla, fala-se em epistasia recessiva. 11. Nos cães labradores, apenas dois genes condicionam as três pelagens típicas dessa raça: preta, chocolate e dourada. Um dos genes determina o tipo de pigmento produzido; o alelo dominante B determina a produção de pigmento preto, e o alelo recessivo b determina a produção de pigmento marrom. O outro gene envolvido na determinação da cor da pelagem dos labradores controla a deposição dos pigmentos nos pêlos; o alelo dominante E condiciona a deposição de pigmentos, enquanto o alelo recessivo e não condiciona essa deposição. Um cachorro homozigótico recessivo ee não tem pigmentos nos pêlos e sua pelagem é dourada. Animais com pelo menos um alelo dominante desse gene, com genótipos EE ou Ee, terão pêlos pigmentados, cuja cor dependerá do tipo de pigmento produzido. A pelagem será preta se o cão apresentar pelo menos um alelo dominante do gene B (BB ou Bb), ou marrom, se ele for homozigótico recessivo bb. 12. A proporção 9 : 3 : 4 pode ser explicada admitindo-se a existência de dois pares de alelos, com segregação independente, que controlam a cor da pelagem. Um dos pares, P/p, é responsável pela cor dos pêlos: o alelo P condiciona pelagem aguti, e o alelo p, pelagem pigmentada. Outro par de alelos, A/a, afeta a expressão do gene para cor da pelagem: o alelo A permite a manifestação de P e de p, enquanto o alelo a é epistático, isto é, sua presença em homozigose determina a ausência de pigmentos. Basta que um camundongo tenha o par aa em seu genótipo (__aa) para que não haja produção de pigmento. O gene epistático a, portanto, comporta-se como recessivo, daí esse tipo de interação gênica ser conhecida como epistasia recessiva. 13. A cor aguti resulta do fato de os pêlos serem pigmentados com extremidades amarelas, e o alelo P é o responsável por esse traço. Se o camundongo for homozigótico recessivo (pp), seus pêlos não terão pontas amarelas e a pelagem será totalmente preta. A formação de qualquer pigmento no pêlo depende da presença do alelo A, responsável pela produção de uma enzima necessária para a fabricação dos precursores de pigmento. Basta ter um alelo A no genótipo para que a coloração seja produzida. O alelo recessivo a produz uma enzima alterada, inativa. Assim, se o camundongo for homozigótico recessivo (aa), nenhum pigmento será produzido e o animal será albino. 14. Em galinhas, o alelo C condiciona plumagem colorida, enquanto o alelo c condiciona plumagem branca. Esses alelos interagem com os alelos de outro par (I/i) de tal maneira que, para ter plumagem colorida, a ave não pode apresentar o alelo I em seu genótipo. Assim, apenas as aves de genótipo C_ii são coloridas. Aves ccii são brancas por não apresentarem o alelo para pigmentação (C) e aves C_I_ são brancas porque o alelo I impede a pigmentação. Portanto, o alelo epistático I atua em dose simples, comportando-se como se fosse dominante. Daí esse tipo

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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de interação gênica ser conhecida como epistasia dominante. Quando se cruzam galinhas brancas duplo-heterozigóticas CcIi, a descendência é constituída pela proporção de 13 aves brancas (9/16 C_I_ + 3/16 ccI_ + 1/16 ccii) para 3 aves coloridas (2/16 Ccii +1/16 Ccii). 15. Para ter flor colorida, a planta precisa apresentar ao menos um alelo dominante de cada gene (A_B_), o que corresponde à fração de 9/16 da descendência. Conseqüentemente, os genótipos aa__, __bb e aabb produzem flores brancas, resultando no total 7/16. Portanto, a descendência é de 9 coloridas : 7 brancas. 16. Herança quantitativa, ou poligênica, é aquela em que participam dois ou mais pares de alelos, com ou sem segregação independente, sendo que cada alelo “dominante” exerce um efeito cumulativo, contribuindo com uma parcela no fenótipo. Por exemplo, pessoas em que há maior número de alelos “dominantes” para altura tendem a ser mais altas que pessoas que apresentam menor número desses alelos. 17. Nilsson-Ehlen classificou o fenótipo relativo à cor das sementes de trigo em cinco categorias: vermelho-escuras, vermelhomédias, vermelhas, vermelho-claras e brancas. As proporções em que cada fenótipo ocorre, no cruzamento entre linhagens duplo-heterozigóticas, é de, respectivamente, 1 : 4 : 6 : 4 : 1. Esses resultados foram explicados admitindo-se que o caráter “cor da semente” é condicionado por dois genes, cada um com dois alelos (R1/r1 e R2/r2), que se segregam independentemente. Cada alelo representado pela letra maiúscula contribui para a produção de pigmento vermelho, e seus efeitos se somam. Os alelos representados por letras minúsculas não contribuem para a coloração da semente. Assim, uma semente portadora de quatro alelos para vermelho no genótipo (R1R1R2R2) tem coloração vermelho-escura, enquanto uma semente sem alelos para vermelho (r1r1r2r2) não tem pigmento, sendo branca. Sementes portadoras de um, dois e três alelos para pigmentação têm cores, respectivamente, vermelho-clara, vermelha e vermelho-média. 18. O modelo mais simples para explicar a herança da cor da pele na espécie humana classifica as pessoas em cinco fenótipos básicos: negro, mulato-escuro, mulato-médio, mulato-claro e branco. Essas cinco classes fenotípicas seriam controladas por dois genes, cada um com dois alelos (A/a e B/b). Um dos alelos de cada par seria mais ativo na produção de melanina, sendo por isso representado pelas letras maiúsculas A e B; o outro alelo, menos ativo na produção de melanina, é representado pelas letras minúsculas a e b. Negro: AABB; mulato-escuro: AaBB e AABb; mulato-médio: AaBb, AAbb e aaBB; mulato-claro: Aabb e aaBb; branco: aabb. 19. A cor da íris do olho humano varia do cinza e azul-claro ao quase negro, passando pelo verde e por algumas tonalidades de castanho. Não há pigmentos azuis ou verdes na íris, e as diversas cores de olhos são produzidas pela presença de diferentes quantidades de melanina, um pigmento marrom-amarelado, e por efeitos ópticos. O olho escuro, por exemplo, resulta do acúmulo de células pigmentadas (ricas em melanina) na camada de tecido da porção anterior da íris. Essas células absorvem a maior parte da luz incidente, refletindo uma certa quantidade de luz marrom-amarelada. O resultado é a cor castanho-escura da íris. Nos olhos claros, a quantidade de células pigmentadas (melanócitos), na camada anterior da íris, é muito reduzida, e apenas uma parte da luz incidente é refletida como luz marromamarelada pelo pigmento residual. A maior parte da luz incidente atravessa a camada despigmentada da íris, que é um meio túrbido devido à presença de células, partículas e fibras. Quando a luz atravessa um meio túrbido, com partículas de tamanho comparável ao comprimento de onda dos raios incidentes, os comprimentos de onda mais curtos (luz azul) são seletivamente refletidos, fenômeno conhecido como “dispersão Rayleigh”.

É justamente esse efeito óptico o responsável pela predominância do azul na luz refletida por uma íris desprovida de melanina na camada anterior. No caso de a camada anterior da íris conter uma quantidade intermediária de melanina, a luz refletida pelo pigmento, de cor marrom-amarelada, combinada com a luz azul produzida pelo efeito Rayleigh, resultará na cor verde da íris. Assim, uma progressiva diminuição da quantidade de melanina na camada anterior da íris produz a gradação de cores desde o castanho-escuro até o verde e, finalmente, na quase ausência do pigmento, do azul ao cinza. Essa é a explicação para as diversas cores de olhos na espécie humana. 20. Os cientistas identificaram dois genes envolvidos na determinação da cor dos olhos na espécie humana: o gene EYCL1, mais conhecido por GEY, no cromossomo 19, e o EYCL3, mais conhecido por BEY, no cromossomo 15. O gene GEY (EYCL1) apresenta dois alelos já bem caracterizados (admite-se que possam existir outros); um dominante (GV), que condiciona cor verde à íris, e outro recessivo (GA), que condiciona cor azul. A denominação GEY deriva do inglês green eye color gene. O gene BEY também apresenta dois alelos: um dominante (BM), que condiciona cor castanha (marrom), e outro recessivo (BA), que condiciona cor azul. A denominação BEY deriva do inglês brown eye color gene. Com base na identificação desses genes e no estudo de certos padrões de herança da cor dos olhos em algumas famílias, os pesquisadores concluíram que esses dois genes apresentam interação, sendo que o alelo para marrom do BEY (BM) atua como epistático dominante sobre o gene GEY. De acordo com esse modelo, a pessoa portadora de pelo menos um alelo BM terá olhos castanhos. Para ter olhos azuis, a pessoa precisa ser homozigótica recessiva quanto aos dois genes BABA/GAGA. As pessoas terão olhos verdes se forem homozigóticas recessivas quanto ao gene BEY e tiverem um alelo para verde do gene GEY (BABA/GVGA).

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

21. d

22. c

23. b

24. b

25. b

26. d

QUESTÕES DISCURSIVAS

27. a) 2 tipos; b) 2 tipos; c) 4 tipos; d) Porque os alelos segregam-se independentemente e ao acaso na formação dos gametas (veja abaixo o desenho que mostra os dois caminhos possíveis da meiose).

Célula AaBb

Célula AaBb

Divisão I

Células AB e ab Divisão II

Células aB e Ab

RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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28. a) Diagrama do cruzamento (a seguir).

33. A diferença entre as alturas das plantas de genótipos extremos é de 160 cm (260 cm – 100 cm). Os quatro pares de fatores têm efeitos iguais e cumulativos; portanto, cada um dos oito fatores representados por letras maiúsculas adiciona 20 cm à alturabase de 100 cm. O genótipo das plantas F1, resultantes do cruzamento entre as duas linhagens puras, será AaBbCcDd, portanto, 180 cm. 34. a) Cruzamento AaBBccdd (160 cm) X AabbCcdd (140 cm); descendência: mais alto (AABbCcdd) = 180 cm; mais baixo (aaBbccdd) = 120 cm. b) Cruzamento aaBBccdd (140 cm) X aaBBccdd (140 cm); descendência: todos aaBBccdd (140 cm). c) Cruzamento AaBbCcDd (180 cm) X AabbCcDd (160 cm); descendência: mais alto (AABbCCDD), altura = 240 cm (100 + 7 20); mais baixo (aabbccdd) = 100 cm. d) Cruzamento AABBCcDD (240 cm) X aaBBccDd (160 cm); descendência: mais alto (AaBBCcDD) = 220 cm; mais baixo (AaBBccDd) = 180 cm.

b) Sim. A proporção obtida entre os descendentes 1 : 1 : 1 : 1 indica que a planta híbrida formou 4 tipos de gametas em iguais proporções, do que se conclui que houve segregação independente. c) Serão formados gametas nas seguintes proporções: BbAa: 25% AB : 25% Ab: 25% aB : 25% ab; bbAa: 50% Ab : 50% ab; BbAa: 50% aB : 50% ab; bbaa: 100% ab. 29. a) 9 X 16 = 144. b) A fração esperada de indivíduos iguais aos pais, isto é, duplo-heterozigotos (PpFf) é 1/4 do total. Assim, 1/4 X 144 = 36. 30. a) Podem ser determinados com certeza os genótipos de 1 (CcVv), de 2 (Ccvv) e de 5 (ccVv). Os outros são: 3 (C_Vv); 4 (C_vv); 6 (C_vv) e 7 (C_Vv). b) O indivíduo 1 é CcVc e o indivíduo 5 é ccVv. Do cruzamento resultam 3/8 com crista e penas pretas (CcVV, CcVv, CcVv), 3/8 sem crista e penas pretas (ccVV, ccVv, ccVv), 1/8 com crista e penas vermelhas (Ccvv) e 1/8 sem crista e penas vermelhas (ccvv). 31. a) Cruzamento RrEe X RrEe: descendência: 9/16 crista noz (1/16 RREE + 2/16 RrEE + 2/16 RREe + 4/16 RrEe) : 3/16 crista rosa (1/16 RRee + 2/16 Rree) : 3/16 crista ervilha (1/16 rrEE + 2/16 rrEe) : 1/16 crista simples (1/16 rree). Cruzamento RREe X rrEe: descendência: 3/4 crista noz (1/4 RrEE + 2/4 RrEe) : 1/4 crista rosa (1/4 Rree). Cruzamento rrEE X RrEe: descendência: 1/2 crista noz (1/4 RrEE + RrEe) : 1/2 crista ervilha (1/4 rrEE + 1/4 rrEe). b) O fato de terem sido produzidos indivíduos de crista simples (genótipo rree) indica que ambos os pais são portadores dos alelos r e e. O tipo parental com crista rosa tem, portanto, genótipo Rree, e aquele com crista ervilha tem genótipo rrEe. c) O indivíduo de crista simples é homozigótico recessivo quanto a ambos os pares de alelos: rree. Como entre os descendentes há indivíduos de crista simples, pode-se concluir que o pai de crista noz é portador dos alelos recessivos r e e, sendo seu genótipo, portanto, RrEe. d) O fato de haver entre os descendentes indivíduos de crista rosa, sabidamente homozigóticos ee, indica que ambos os pais são portadores do alelo e. O genótipo do tipo parental de crista ervilha é, portanto, rrEe. O tipo parental de crista rosa pode ser Rree ou RRee, mais provavelmente deste último tipo, pois, entre seus onze descendentes, não apareceu nenhum com crista tipo ervilha. Isso seria esperado caso o genótipo do tipo parental de crista rosa fosse Rree. e) O fato de ter sido produzido um indivíduo de crista tipo simples na prole, portanto de genótipo rree, indica que ambos os pais são portadores dos alelos r e e, portanto com genótipos RrEe. 32. a) Todos os descendentes homozigóticos aa serão brancos, pois essa condição impede a síntese de qualquer tipo de pigmento. Os indivíduos que apresentam pelo menos um alelo dominante A (A_) têm cor creme juntamente com o genótipo cc, ou cor vermelha, juntamente com o genótipo Cc ou CC. A proporção genotípica entre os descendentes será: 3/8 vermelhos (1/8 AACc + 2/8 AaCc) : 3/8 creme (1/8 AAcc + 2/8 Aacc) : 2/8 brancos (1/8 aaCc + 1/8 aacc). b) O fato de terem sido produzidas plantas de flores brancas indica que ambos os pais eram heterozigóticos Aa. Um dos pais apresentava flores creme, sendo, portanto, cc; o outro apresentava flores vermelhas, podendo ser Cc ou CC. Caso essa última planta fosse heterozigótica Cc, deveriam ter sido produzidas na descendência plantas de flores creme cc; como isso não ocorreu, deduz-se que o tipo parental de flores vermelhas era homozigótico CC.

CAPÍTULO

5

GUIA DE ESTUDO
1. Segundo a teoria cromossômica da herança, os cromossomos são a base física da hereditariedade; em outras palavras, os genes localizam-se nos cromossomos. 2. As provas científicas de que os genes realmente se localizam nos cromossomos foram obtidas durante a década de 1910 pelo pesquisador norte-americano Thomas Hunt Morgan e por três de seus estudantes, Alfred H. Sturtevant, Calvin B. Bridges e Herman J. Muller. Em uma série de experimentos com a moscado-vinagre Drosophila melanogaster, Morgan e seus colaboradores estabeleceram as bases da teoria cromossômica da herança, iniciando assim o desenvolvimento da Genética, que se tornou um importante ramo da Biologia moderna. 3. O termo ligação gênica (tradução do inglês linkage) designa o fato de genes localizados em um mesmo par de cromossomos homólogos não se segregarem independentemente durante a meiose. 4. A evidência é que os quatro tipos de gameta produzidos por indivíduos duplo-heterozigóticos não se encontram na mesma proporção (25% de cada tipo), como esperado pela segunda lei de Mendel. Por exemplo, quando fêmeas selvagens de corpo cinzento-amarelado e asas normais (PPVV) são cruzadas com machos pretos de asas vestigiais (ppvv), a geração F1 é inteiramente constituída por machos e fêmeas com fenótipo selvagem (corpo cinzento-amarelado e asas normais). As fêmeas da geração F1, no cruzamento-teste com machos pretos de asas vestigiais (ppvv), produzem quatro tipos de descendente, nas seguintes porcentagens: 41,5% cinzento-amarelados de asas normais; 41,5% pretos de asas vestigiais; 8,5% cinzento-amarelados de asas vestigiais; 8,5% pretos de asas normais. Isso indica que as fêmeas duplo-heterozigóticas produzem quatro tipos de gameta, embora não na mesma proporção: 41,5% são PV, 41,5% pv, 8,5% Pv e 8,5% pV. O fenótipo dos descendentes é determinado pela constituição genética do óvulo, uma vez que o macho, sendo duplo-recessivo, fornece apenas alelos recessivos para os descendentes. Gametas portadores dos alelos P/V e dos alelos p/v ocorrem em porcentagens bem maiores do que gametas portadores dos alelos P/v e p/V. 5. A ligação entre genes localizados em um mesmo cromossomo não é completa porque, durante a meiose, ocorrem quebras e trocas de pedaços entre cromátides de cromossomos homólogos.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mAPEAMENTO DOS GENES NOS CROMOSSOMOS

Esse fenômeno, conhecido como permutação, ou crossing-over, em inglês, leva à formação de um certo número de gametas com novas combinações entre os alelos (gametas recombinantes), diferentes daquelas existentes nos cromossomos herdados dos pais (gametas parentais). 6. O termo loco gênico designa o local do cromossomo onde fica um determinado gene. 7. Considerando-se dois genes ligados, como, por exemplo, A/a e B/b, os alelos podem estar arranjados de duas maneiras nos cromossomos: a) cis, se os alelos dominantes A e B situam-se em um cromossomo, e os alelos recessivos a e b situam-se no homólogo correspondente; b) trans, se o alelo dominante A e o alelo recessivo b situam-se em um cromossomo, e o alelo recessivo a e o alelo dominante B situam-se no homólogo correspondente. 8. Os geneticistas costumam representar os genes ligados em uma linha horizontal simples ou dupla, como é mostrado a seguir para um arranjo do tipo trans:
A a
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13. Uma vez estimada a distância entre genes ligados, a partir da taxa de recombinação entre eles, pode-se construir um mapa genético do cromossomo, que mostra a distribuição dos genes e as distâncias relativas entre eles, estimadas por meio das taxas de recombinação. 14. A unidade usada como medida de distância entre genes no cromossomo é a unidade de recombinação (UR), ou centimorgan (esta última denominação em homenagem a Morgan). Uma unidade de recombinação, ou centimorgan, corresponde à taxa de 1% de recombinantes. Assim, quando se diz que a distância entre dois genes (ou entre dois locos gênicos) é de 17 UR, ou 17 centimorgans, significa que a taxa de recombinantes entre eles é de 17%.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

15. b 19. a

16. d 20. c

17. e 21. b

18. c 22. c

b ou B

A a

b B

QUESTÕES DISCURSIVAS

23.

Os arranjos de genes ligados podem ser representados de uma maneira mais simples, separando os alelos por uma barra inclinada: AB/ab para o arrranjo cis e Ab/aB para o arranjo trans. 9. O arranjo dos alelos de dois genes ligados em um indivíduo duplo-heterozigótico pode ser identificado em um cruzamento-teste. Cruza-se o indivíduo duplo-heterozigótico com um indivíduo duplo-recessivo e analisa-se a descendência. As classes que aparecem em maior quantidade portam as combinações parentais dos alelos; as que aparecem em menor freqüência são as recombinantes. As combinações parentais correspondem a arranjos dos alelos similares às presentes no indivíduo duplo-heterozigótico. 10. A taxa de permutação entre dois locos gênicos é a soma das porcentagens dos descendentes recombinantes em um cruzamento-teste. Por exemplo, em Drosophila melanogaster, a taxa de permutação entre o gene para corpo cinzento-amarelado/ corpo preto (loco black) e o gene para asa longa/asa vestigial (loco vestigial) é igual a 8,5% + 8,5%, ou seja, 17%. 11. Morgan propôs a seguinte explicação: se a recombinação entre genes ligados é realmente conseqüência da permutação entre eles, é de supor que, quanto menor for a distância entre dois genes, menor será a probabilidade de ocorrer permutação entre eles e, portanto, menor a taxa de recombinantes. 12. Supondo-se, por exemplo, três pares de alelos A/a, B/b e C/c, situados no mesmo cromossomo e dispostos da forma mostrada a seguir:
A Homólogo 1 Homólogo 2 a b c B C

Número de indivíduos 68 431 432 69

Comprimento do pêlo Longo Longo Curto Curto

Tipo de coloração Malhada Homogênea Malhada Homogênea

Vamos chamar de A o alelo para pêlos curtos e de a o que condiciona pêlos longos; de B o alelo condicionante de pelagem malhada e de b o que condiciona pelagem homogênea. Como os coelhos cruzados inicialmente pertenciam a linhagens de fenótipos definidos, pode-se concluir que eles eram homozigóticos e o cruzamento pode ser esquematizado da seguinte maneira: AABB X aabb Os F1 eram, portanto, duplo-heterozigóticos AaBb e foram cruzados com duplo-recessivos aabb. Nesse cruzamento são esperados 4 tipos de indivíduos (AaBb, Aabb, aaBb e aabb) correspondentes aos quatro tipos de gameta produzidos pelo duplo-heterozigótico:
Número de indivíduos 68 (aaBb) 431 (aabb) 432 (AaBb) 69 (Aabb) Tipos de pelagem (fenótipos) Longa – malhada Longa – homogênea Curta – malhada Curta – homogênea Genótipos dos gametas do duplo-heterozigótico aB ab AB Ab % 6,8 43,1 43,2 6,9

a) Apesar de terem sido produzidos quatro tipos de gametas, a proporção não foi de 1 : 1 : 1 : 1, indicando que os dois genes não estão se segregando independentemente, ocorrendo ligação gênica entre eles. b) A porcentagem de recombinação é igual à soma das porcentagens das classes recombinantes, ou seja, 6,8 + 6,9 = 13,7%. 24. a) A fêmea duplo-heterozigótica com configuração trans é Cv/cV produz quatro tipos de gametas, dois parentais (Cv e cV) e dois recombinantes (CV e cv). Como a distância entre os locos corresponde à porcentagem de recombinantes, sabemos que tal fêmea produz 4,75% de gametas CV e 4,75% de gametas cv, sendo as porcentagens dos gametas parentais de 45,25% Cv e 45,25% cV. Assim, em 360 descendentes desse cruzamento espera-se: 17 CV/cv olhos marrom-avermelhados e asas longas 17 cv/cv olhos vermelhos e asas vestigiais 163 Cv/cv olhos marrom-avermelhados e asas vestigiais 163 cV/cv olhos vermelhos e asas longas
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

Toda permutação que ocorrer entre os locos A/a e C/c causará a recombinação dos alelos desses genes. Para haver recombinação entre os alelos B/b e C/c, a permutação terá de ocorrer exatamente entre esses dois locos. A freqüência de recombinação entre os genes mais distantes (A/a e C/c) será maior do que entre os genes mais próximos (A/a e B/b ou B/b e C/c), pois toda permutação entre os genes próximos (A/a e B/b ou B/b e C/c) estará ocorrendo também entre os genes mais distantes (A/a e C/c), mas o inverso não é verdadeiro. Esse raciocínio parte do pressuposto de que os genes se distribuem linearmente ao longo dos cromossomos, ocupando posições bem definidas. As experiências confirmaram essa suposição em todas as espécies de seres vivos estudadas, incluindo a espécie humana.

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b) As fêmeas selvagens (olhos marrom-avermelhados e asas longas) são as de genótipo CV/cv e formarão quatro tipos de gameta: dois tipos recombinantes (4,75% Cv e 4,75% cV) e dois tipos parentais (45,25% CV e 45,25% cv). Assim, ao serem cruzadas com machos duplo-recessivos, elas produzirão: 4,75% Cv/cv olhos marrom-avermelhados e asas vestigiais; cerca de 14 indivíduos em 1.200 (1.200 x 0,0475 = 57) 4,75% cV/cv olhos vermelhos e asas longas; cerca de 14 indivíduos em 1.200 (1.200 x 0,0475 = 57) 45,25% CV/cv olhos marrom-avermelhados e asas longas; cerca de 142 indivíduos em 1.200 (1.200 x 0,4525 = 543) 45,25% cv/cv olhos vermelhos e asas vestigiais; cerca de 142 indivíduos em 1.200 (1.200 x 0,4525 = 543) 25. A proporção diferente de 1 : 1 : 1 : 1 em um cruzamento-teste indica que a segregação não está sendo independente, portanto os genes A/a e B/b estão em ligação. No primeiro caso, a fêmea duplo-heterozigótica formou os seguintes gametas na proporção de 9 AB : 9 ab : 1 Aa : 1 aB. Os recombinantes (em menor quantidade) Aa e Bb indicam que os alelos estavam em configuração cis na fêmea: AB/ab. No segundo caso, a fêmea duplo-heterozigótica formou os seguintes gametas na proporção de 1 AB : 1 ab : 9 Aa : 9 aB. Os recombinantes (em menor quantidade) AB e ab indicam que os alelos estavam em configuração trans na fêmea: Ab/aB. Portanto, os resultados nos dois cruzamentos foram diferentes pelo fato de no primeiro os alelos estarem em configuração cis na fêmea parental e, no segundo, em configuração trans.

a atuar, fazendo com que o embrião desenvolva as características típicas do sexo masculino. Na ausência de cromossomo Y e, portanto, do gene SRY, os embriões se desenvolvem em fêmeas. 5. A determinação do sexo na drosófila depende da relação entre as quantidades de conjuntos autossômicos e de cromossomos X nas células. Se existirem tantos lotes de autossomos quanto de cromossomos X, o fenótipo será feminino; as fêmeas possuem, normalmente, dois conjuntos de autossomos e dois cromossomos X. Se a quantidade de lotes de autossomos for o dobro da quantidade de cromossomos X, o fenótipo será masculino. O cromossomo Y da drosófila porta genes relacionados com a produção dos espermatozóides, mas que não determinam o sexo do indivíduo. Assim, moscas com apenas um cromossomo sexual X, ou seja, sem cromossomo Y, apresentam fenótipo masculino, mas são estéreis. 6. O sistema XO é essencialmente semelhante ao XY, mas não há o cromossomo Y: as fêmeas têm um par de cromossomos homólogos XX, enquanto os machos possuem um único cromossomo X. Esses machos têm, portanto, número ímpar de cromossomos no cariótipo, um a menos que as fêmeas. 7. No sistema ZW de determinação do sexo, machos e fêmeas também diferem entre si quanto a um par de cromossomos, mas são as fêmeas que possuem o par heteromórfico, ou seja, apresentam dois cromossomos sexuais diferentes. O cromossomo sexual presente tanto em fêmeas quanto em machos é chamado de cromossomo Z. O cromossomo sexual que só existe nas fêmeas é denominado cromossomo W. Assim, no sistema ZW, os machos são ZZ e as fêmeas, ZW. 8. Sexo homogamético é aquele em que se forma apenas um tipo de gameta quanto aos cromossomos sexuais; sexo heterogamético é o que forma dois tipos de gametas quanto ao cromossomo sexual. Nos sistemas XY e XO, o sexo homogamético é o feminino, pois as fêmeas formam óvulos portadores apenas de um cromossomo X. Os machos XY constituem o sexo heterogamético, formando espermatozóides com cromossomo X e espermatozóides com cromossomo Y. Da mesma forma, no sistema XO o sexo heterogamético também é o masculino, pois os machos XO formam espermatozóides com cromossomo X e espermatozóides sem cromossomo sexual. Nos sistemas ZW, o sexo masculino é o homogamético, pois os machos só formam gametas com o cromossomo Z; nesse caso, as fêmeas é que formam dois tipos de gameta, metade com cromossomo Z e metade com cromossomo W. 9. O sistema de determinação do sexo nos insetos himenópteros, como abelhas e formigas, é conhecido como haplóide/diplóide, ou haplodiplóide, pois nesses organismos os machos são haplóides (n) e as fêmeas, diplóides (2n). Em abelhas, os machos, chamados de zangões, originam-se normalmente de óvulos não-fecundados, fenômeno conhecido como partenogênese. Conseqüentemente, eles são haplóides (n), portadores de apenas um lote de cromossomos, sempre de origem materna. Os ovos fecundados diplóides (2n) originam normalmente fêmeas que poderão se desenvolver em rainhas férteis ou operárias estéreis, dependendo do tipo de alimentação que receberem durante a fase larval. 10. O fato de os cromossomos sexuais não apresentarem homologia na maior parte de seu comprimento tem implicações na maneira pela qual são herdados os genes em relação ao sexo dos indivíduos. Suponha, por exemplo, um gene com dois alelos (A e a) localizado no cromossomo X, na região não-homóloga ao Y. As fêmeas podem apresentar três tipos de genótipo: XAXA, XAXa e XaXa, mas os machos só apresentarão uma versão desse gene, podendo ser XAY ou XaY. Por isso, em relação aos genes localizados no cromossomo X, na região não-homóloga ao Y, os machos são chamados de hemizigóticos, pois têm apenas uma versão de cada um deles, metade do que possuem as fêmeas. As mesmas conclusões são válidas para os sistemas de determinação do sexo tipo XX/XO e ZZ/ZW.

CAPÍTULO

6

HERANÇA E SEXO
GUIA DE ESTUDO
1. Em crocodilos e jacarés, em muitas tartarugas e em alguns lagartos, o sexo é determinado pela temperatura em que os ovos são incubados. Nos crocodilos, por exemplo, embriões que se desenvolvem em temperaturas relativamente baixas são sempre do sexo feminino; machos só são produzidos se a incubação ocorre acima de 30 °C. Nas tartarugas marinhas ocorre o inverso, ou seja, são as temperaturas mais elevadas que induzem o desenvolvimento de fêmeas. 2. Na maioria das espécies animais, o ambiente externo não influi na determinação do sexo, que é definido pela constituição cromossômica dos indivíduos. Nesses casos, a diferença entre machos e fêmeas reside, geralmente, em um par de cromossomos, chamados de cromossomos sexuais, ou heterossomos. Os outros cromossomos, que não variam entre machos e fêmeas, são chamados de autossomos. 3. Nas espécies com sistema XY de determinação do sexo, as fêmeas têm um par de cromossomos sexuais homólogos, enquanto os machos têm um cromossomo sexual correspondente aos da fêmea e outro tipicamente masculino, sem correspondente no sexo feminino. O cromossomo sexual presente tanto em fêmeas quanto em machos é chamado de cromossomo X. O cromossomo sexual que só existe em machos é denominado cromossomo Y. Assim, nesse sistema, as fêmeas portam dois cromossomos X (XX), e machos portam um cromossomo X e um Y (XY). 4. Nos mamíferos, a determinação do sexo masculino depende de um gene localizado no cromossomo Y, denominado SRY, sigla de sex-determining region Y. A proteína codificada por esse gene induz no embrião a formação dos testículos, aparentemente por ativar outros genes em diversos cromossomos. Em seguida, a testosterona e outras substâncias produzidas nos testículos passam

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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11. Genes localizados no cromossomo X (ou Z) que não têm alelo correspondente no cromossomo Y (ou W) seguem o que se denomina herança ligada ao cromossomo sexual (X ou Z). Os genes localizados nos autossomos seguem o padrão de herança denominado herança autossômica. O padrão de herança ligada ao cromossomo sexual X caracteriza-se pelo fato de os filhos do sexo masculino herdarem seus genes do cromossomo X apenas de sua mãe, enquanto as filhas herdam metade deles da mãe e metade do pai. Este, por sua vez, só transmite seus genes localizados no cromossomo X às suas filhas. 12.
XD XD XD Xd Xd Xd Mulheres Genótipos Fenótipos Normal Normal Daltônica XD Y Xd Y Homens Genótipos Fenótipos Normal Daltônico

rística muito mais comum em homens do que em mulheres. O padrão de herança da calvície pode ser explicado por um alelo autossômico, que se comporta como dominante no homem — basta ter um deles para ser calvo — e recessivo na mulher, pois somente mulheres homozigóticas para o gene são calvas. Essa diferença de comportamento do gene é determinada pelo ambiente hormonal do corpo da pessoa: o alelo C só atua como dominante na presença de hormônios masculinos.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

20. d 26. d

21. a 27. d

22. b 28. a

23. a 29. c

24. c 30. d

25. d 31. c

QUESTÕES DISCURSIVAS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

13. A hemofilia A é uma doença hereditária ligada ao cromossomo X, em que há uma falha no sistema de coagulação do sangue por deficiência do fator VIII de coagulação; a pessoa hemofílica pode ter hemorragias abundantes mesmo em pequenos ferimentos. O alelo normal do gene (H) produz fator VIII funcional e atua como dominante, condicionando fenótipo nãohemofílico; o alelo mutante (h), recessivo, condiciona ausência do fator VIII, sendo responsável pela hemofilia. Homens de genótipo XhY e mulheres de genótipo XhXh são hemofílicos; homens de genótipo XHY e mulheres de genótipos XHXH e XHXh são, em geral, normais quanto a essa característica. A transmissão hereditária da hemofilia segue o padrão típico de herança ligada ao cromossomo X. 14. No decorrer do desenvolvimento embrionário das fêmeas de mamíferos, um de seus cromossomos X é inativado, em cada uma das células do organismo. O cromossomo X inativo tornase extremamente condensado e assume o aspecto de um pequeno grânulo no núcleo das células em interfase. Esse grânulo, facilmente observado em preparações de células tratadas com corantes para núcleo, recebe o nome de cromatina sexual. 15. Os cientistas admitem que a condensação de um dos cromossomos X das fêmeas seja uma estratégia para inativar os genes nele contidos, igualando assim a quantidade de genes ativos em fêmeas e em machos. Esse mecanismo, conhecido por compensação de dose, compensaria a dose dupla de genes do cromossomo X das fêmeas em relação à dose simples desses genes nos machos. Essa idéia foi proposta originalmente pela pesquisadora inglesa Mary Lyon em 1961, sendo também conhecida como hipótese de Lyon. 16. Em gatos, a pelagem preta e a pelagem amarela são condicionadas por alelos de um gene localizado no cromossomo X. Como os machos têm somente um cromossomo X, eles nunca têm essas duas cores simultaneamente, pois apresentam apenas um ou outro alelo. As fêmeas heterozigóticas são geralmente malhadas, com partes do corpo pretas e partes amarelas. A explicação para esse fato é que, nas regiões pretas, o cromossomo X inativado é o portador do alelo para amarelo, enquanto, nas regiões amarelas, o cromossomo X inativado é o portador do alelo para cor preta. 17. Genes localizados no cromossomo Y são denominados genes holândricos porque só ocorrem no sexo masculino. Um exemplo é o gene SRY, responsável pela determinação do sexo masculino em mamíferos. 18. Genes com expressão limitada ao sexo são aqueles que, apesar de estarem presentes em ambos os sexos, só se expressam em um deles. Um exemplo é o dos genes envolvidos na produção de leite dos mamíferos, que só se expressam nas fêmeas. 19. São genes que se expressam de modos diversos em indivíduos de sexos diferentes. Um exemplo desse tipo de gene na espécie humana é o que condiciona a calvície hereditária, uma caracte-

32. Em F2 apenas os machos apresentaram o fenótipo recessivo, o que indica o alelo recessivo em hemizigose (dose simples). O sexo heterogamético é o masculino. 33. Uma criança do sexo masculino tem o cromossomo Y vindo de seu pai, que, por sua vez, herdou-o de seu pai (avô paterno da criança). A probabilidade de que seu cromossomo Y venha de seu avô paterno é 1 (100%). O cromossomo X veio da mãe da criança, que recebeu um dos cromossomos X de sua mãe (avó materna) e outro de seu pai (avô materno). A chance de transmitir o X da avó materna é, portanto, 1/2. Combinando as probabilidades, temos 1/2 (probabilidade de o X vir da avó materna) X 1 (probabilidade de o Y vir do avô paterno) = 1/2. 34. a) Geração P: macho hemofílico (XhY) X fêmea normal (XHXH); descendência: 1/2 fêmeas normais (XHXh) : 1/2 machos normais (XHY). b) Geração P: macho normal (XHY) X fêmea normal portadora (XHXh); descendência: 1/4 fêmeas normais (XHXH) : 1/4 fêmeas normais (XHXh) : 1/4 machos normais (XHY) : 1/4 machos hemofílicos (XhY). 35. a) A mãe da mulher tinha visão normal, pois portava pelo menos um alelo XD, que transmitiu à filha; seu genótipo poderia ser XDXD ou XDXd. A mãe do homem portava pelo menos um Xd, que transmitiu ao filho; seu genótipo poderia ser XDXd ou XdXd. b) A probabilidade de que qualquer filho homem do casal, inclusive o primeiro, seja daltônico é de 1/2 ou 50%. c) Das filhas do casal, 50% XDXd (normais) e 50% XdXd (daltônicas). d) Dos filhos (homens e mulheres) do casal, 50% serão normais (25% homens e 25% mulheres). 36. Genótipos da mulher e de seu marido (a seguir).
X Mulher X d D H X h d H X Homem Y

a) Admitindo-se 20% de permutação, a mulher formará quatro tipos de gametas com as seguintes freqüências: 0,40 dH, 0,40 Dh; 0,10 dh e 0,10 DH. O homem formará dois tipos de gametas: 0,50 dH e 0,50 Y. Portanto, 10% dos homens (DH) e 50% das mulheres (Dh/dh e DH/dH) serão normais para ambas as características, ou seja, 30% da prole. b) 0,10, ou 10%/(dh). 37. a) 100% de asas curtas. b) 100% das fêmeas com asas longas e 100% dos machos com asas curtas. c) 100% com asas longas. d) 100% das fêmeas com asas longas; 50% dos machos com asas longas e 50% com asas curtas. e) 50% de fêmeas com asas longas e 50% com asas curtas; 50% de machos com asas longas e 50% com asas curtas. 38. Entre os machos, todos terão penas barradas e crista rosa. Entre as fêmeas, todas terão penas uniformes e crista rosa. 39. a) Será 25% ou 1/4 (1/2 de probabilidade de a mulher ser portadora X 1/2 de probabilidade de um filho ser afetado). b) Será 25% ou 1/4 (1/2 de probabilidade de a mãe da mulher ser portadora X 1/2 de probabilidade de a mulher ter recebido o gene da mãe).
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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CAPÍTULO

7

DO GENÓTIPO AO FENÓTIPO: COMO SE EXPRESSAM OS GENES
GUIA DE ESTUDO
1. Nas últimas cinco décadas, os progressos no estudo do DNA foram enormes: determinou-se sua estrutura molecular; o código genético foi desvendado; descobriu-se como as informações codificadas no DNA são traduzidas em mensagens que controlam o funcionamento celular. Além disso, técnicas sofisticadas de análise e de manipulação de moléculas de DNA foram desenvolvidas, levando à criação de novos campos de pesquisa e de novas tecnologias. O estopim dessa revolução nos conhecimentos genéticos foi a publicação, em 1953, do modelo de duplahélice do DNA, pelos pesquisadores James Watson e Francis Crick. 2. O DNA foi descoberto por Friedrich Miescher, no final da década de 1860. Em um de seus experimentos, Miescher obteve, a partir de células do pus, um precipitado que diferia quimicamente de todas as substâncias protéicas conhecidas. Ele descobriu que a nova substância se concentrava no núcleo celular, na época considerado uma estrutura de pouca importância para o funcionamento da célula. A análise química mostrou que as quantidades relativas dos elementos hidrogênio (H), carbono (C), oxigênio (O) e nitrogênio (N) presentes na nova substância diferiam das encontradas nas proteínas; além disso, ela continha o elemento fósforo (P), ausente nas proteínas. Convencido de que havia realmente descoberto uma nova substância, Miescher denominou-a nucleína, pelo fato de estar concentrada no núcleo das células. 3. A interpretação das figuras obtidas pela técnica de difração de raios X, realizada pela pesquisadora Rosalind Franklin no laboratório de H. F. Wilkins, permitiu concluir que a molécula de DNA tem estrutura helicoidal (semelhante a uma mola espiral com 2 nm, 0,000002 mm, ou 2 milionésimos de mm) de espessura. 4. No DNA, a quantidade de timina é igual à de adenina, e a quantidade de citosina é igual à de guanina porque as duas cadeias polinucleotídicas são rigorosamente complementares: se houver um nucleotídio com adenina em uma das cadeias, haverá na outra cadeia, na mesma posição, um nucleotídio com timina. Da mesma forma, se houver um nucleotídio com citosina em uma das cadeias, haverá um com guanina na cadeia complementar. 5. O modelo da dupla-hélice de Watson e Crick foi prontamente aceito pela comunidade científica porque explicava pelo menos três características fundamentais do material genético: a capacidade de duplicação; a capacidade de conter informações para a produção de proteínas; a capacidade de sofrer mutação. 6. Os pneumococos podem apresentar-se em forma capsulada, em que as células são envoltas por uma camada de muco (cápsula), ou desprovidos de cápsula, em que as células não apresentam o envoltório mucoso. Bactérias capsuladas são patogênicas, isto é, causam pneumonia em animais; as bactérias sem cápsula não causam a doença. A presença de cápsula é hereditária; bactérias capsuladas, quando se reproduzem, originam bactérias-filhas capsuladas, enquanto bactérias sem cápsula, ao se reproduzirem, originam bactérias-filhas idênticas a si, sem cápsula. Com o objetivo de verificar se era a cápsula o fator desencadeante da pneumonia, o pesquisador Griffith injetou em camundongos bactérias capsuladas previamente mortas pelo calor. Os animais continuaram saudáveis, o que o levou a concluir que as bactérias capsuladas tinham de estar vivas para causar a doença. Ele,

então, injetou em camundongos uma mistura de bactérias capsuladas mortas pelo calor e bactérias sem cápsula vivas. Os animais que haviam recebido injeção da mistura morreram de pneumonia e em seu sangue havia bactérias capsuladas vivas. Griffith concluiu que bactérias vivas sem cápsula haviam se transformado em bactérias encapsuladas devido a algum tipo de influência das bactérias capsuladas mortas e chamou o fenômeno de transformação bacteriana. 7. Avery e seus colaboradores isolaram um extrato de bactéria com cápsula com alto poder transformante e o trataram com amilase (enzima que degrada polissacarídios), com proteases (enzimas que degradam proteínas) e com ribonucleases (enzimas que degradam RNA); constataram que esses tratamentos não afetavam o poder do extrato de transformar bactérias sem cápsula em bactérias capsuladas. No entanto, quando o extrato foi tratado com desoxirribonuclease, enzima que degrada DNA, ele perdeu completamente o poder de transformar bactérias sem cápsula em bactérias capsuladas. Assim, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a substância transformante era o DNA. 8. Eles marcaram o DNA de alguns fagos com fósforo radioativo e o de outros com enxofre radioativo e, em seguida, infectaram bactérias com cada um dos fagos marcados radioativamente. Foi possível verificar, então, que o fósforo radioativo incorporado nos fagos era transferido para as bactérias infectadas e que a radioatividade aparecia posteriormente na progênie de fagos produzida pela lise bacteriana. A radioatividade devida ao enxofre tinha um destino diferente, ela não penetrava na bactéria infectada e não aparecia na progênie produzida. Esses resultados permitiram concluir que apenas o DNA do fago penetra na bactéria por ocasião de infecção e que, a partir dele, é produzida toda uma geração de fagos com DNA e proteínas típicos da espécie de fago utilizada. Portanto, a fonte das informações hereditárias é o DNA, pois a partir dele pode ser formado tanto DNA quanto proteínas virais. 9. O primeiro pesquisador a sugerir que os genes atuavam por meio de enzimas foi o médico inglês Archibald E. Garrod, que propôs essa hipótese para explicar a enfermidade conhecida como alcaptonúria no começo do século XX, quando ainda se sabia muito pouco sobre genes e enzimas. Garrod havia examinado uma criança portadora de alcaptonúria e o fato de os pais de seu paciente serem primos em primeiro grau levou-o a pensar que a enfermidade podia ser hereditária. Em 1902, após estudar, juntamente com Bateson, a genealogia de outros alcaptonúricos, Garrod concluiu que a doença devia ser condicionada por um alelo recessivo. 10. A fenilcetonúria é uma doença hereditária causada por um alelo recessivo de um gene localizado no cromossomo 12 humano. O alelo normal desse gene codifica uma enzima que catalisa a reação química de transformação da fenilalanina em tirosina. No caso de essa enzima estar ausente, ou seja, se a pessoa for homozigótica para o alelo alterado do gene, as células não conseguem transformar fenilalanina em tirosina. Nessas pessoas, denominadas fenilcetonúricas, a fenilalanina não utilizada na síntese das proteínas acumula-se no sangue e é convertida em outras substâncias, como ácido fenil-pirúvico, ácido fenil-lático e fenil-acetil-glutamina. Algumas dessas substâncias são tóxicas e causam lesões cerebrais; por isso, os fenilcetonúricos não tratados adequadamente tornam-se deficientes mentais. Isso pode ser evitado se a deficiência for detectada precocemente. Por essa razão, em muitos países, entre eles o Brasil, é obrigatório submeter os recém-nascidos a exame laboratorial (o chamado “teste do pezinho”) para identificar os afetados. Uma vez diagnosticada a doença, a pessoa deve ter uma dieta que contenha apenas o mínimo de fenilalanina requerido pelo organismo.

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11. O termo albinismo refere-se a um conjunto de condições hereditárias que leva certas pessoas a ter pouca ou nenhuma pigmentação nas estruturas de origem epidérmicas. O albinismo tipo 1 é condicionado por um alelo recessivo de um gene localizado no cromossomo 11 humano, que codifica a enzima tirosinase, a qual atua na transformação de tirosina em melanina. Os homozigóticos recessivos para o alelo mutante desse gene apresentam ausência completa do pigmento melanina na pele, nos olhos, pêlos e cabelos. 12. Beadle e Tatum imaginaram que, para produzir todos os seus componentes, as células do fungo deveriam realizar milhares de reações químicas, cada uma delas catalisada por uma enzima específica. Se a hipótese de que cada enzima é codificada por um gene específico estivesse correta, para cada reação metabólica deveria haver um gene correspondente, responsável pela produção da enzima catalisadora específica. Sendo a neuróspora um organismo haplóide, o mutante para um gene essencial não sobreviveria, a menos que a substância cuja síntese era controlada por ele fosse fornecida ao organismo como alimento. 13. Em uma primeira etapa, Beadle e Tatum irradiaram esporos com raios X para aumentar a freqüência de mutação dos genes. Os esporos irradiados eram colocados separadamente em tubos de ensaio que continham diferentes meios de cultura. Para selecionar um mutante incapaz de produzir o aminoácido arginina, por exemplo, bastava suplementar o meio mínimo com arginina: os fungos mutantes absorviam essa substância do meio e sobreviviam à sua deficiência genética. Para diferenciar um fungo selvagem, em que o gene para sintetizar arginina é funcional (arg+), de um fungo mutante, portador de um alelo defeituoso (arg–), eles retiravam uma pequena amostra de cada fungo cultivado no meio suplementado e transferiam-na para meio mínimo. Os fungos que se desenvolviam também em meio mínimo eram, com certeza, selvagens (arg+); os que não sobreviviam no meio mínimo eram mutantes, no caso, incapazes de produzir arginina (arg–). 14. Segundo essa teoria, os genes atuam por meio do controle da síntese dos polipeptídios; uma vez que uma proteína pode ser formada por dois ou mais deles, ela pode ser codificada por mais de um gene. A hemoglobina humana, por exemplo, é uma proteína formada por quatro cadeias de dois tipos de polipeptídios, alfa e beta. Os dois locos gênicos responsáveis pela produção desses polipeptídios localizam-se em cromossomos humanos diferentes. 15. O DNA constituinte dos genes não atua diretamente na síntese das proteínas, mas por meio de moléculas mensageiras de RNA. As instruções codificadas nas seqüências de bases nitrogenadas do DNA constituinte dos genes são transcritas em moléculas de RNA e, destas, traduzidas nas seqüências de aminoácidos dos polipeptídios que constituem as proteínas. 16. Três tipos básicos de RNA participam diretamente da síntese das proteínas nas células de todos os seres vivos: RNA ribossômico (RNAr), RNA transportador (RNAt) e RNA mensageiro (RNAm). Os RNAr constituem, juntamente com certas proteínas, minúsculos grânulos denominados ribossomos, capazes de unir os aminoácidos e formar as cadeias polipeptídicas que constituem as proteínas. Os RNAt têm por função capturar aminoácidos livres na célula, levando-os até os ribossomos, onde eles se unem para formar a molécula polipeptídica. Os RNAm são cópias dos genes codificadores de proteínas e contêm em sua seqüência de bases nitrogenadas as instruções sobre a ordem em que os aminoácidos devem unir-se para produzir determinado polipeptídio. 17. Unidade de transcrição pode ser definida como um segmento de DNA que é transcrito de forma contínua para uma molécula de RNA. Esse segmento de DNA caracteriza-se por apresentar uma seqüência especial de bases nitrogenadas, a região promotora (ou apenas promotor), na qual se encaixa a enzima polimerase do RNA, responsável pela transcrição. O término da unidade de transcrição é definido por uma outra seqüência especial de bases

nitrogenadas, denominada seqüência de término de transcrição, que determina o desligamento da polimerase do RNA da molécula-molde de DNA, completando o processo. 18. A transcrição de um RNA tem início quando uma polimerase do RNA se encaixa na região promotora e separa, nesse local, as duas cadeias da molécula de DNA. A enzima passa, então, a orientar o encaixe de ribonucleotídios (nucleotídios do RNA, cuja pentose é a ribose) às bases de uma das cadeias do DNA, unindo-os entre si à medida que os ordena na cadeia de modeloDNA. Ao atingir a seqüência sinalizadora de término de transcrição, a polimerase solta-se do DNA e a transcrição termina. Dessa forma, a polimerase do RNA percorre o segmento de DNA e copia uma de suas cadeias em uma molécula de RNA, cuja seqüência de bases nitrogenadas é rigorosamente complementar à da cadeia de DNA que serviu de molde. 19. Em bactérias, a molécula de RNAm transcrita contém, em geral, instrução para a síntese de mais de uma cadeia polipeptídica; corresponde, portanto, a mais de um gene. Por exemplo, em Escherichia coli, os genes que codificam as enzimas betagalactosidase, galactosídio-permease e acetilase são transcritos em uma única molécula de RNA mensageiro. Os ribossomos traduzem as regiões desse RNA mensageiro, correspondentes a cada um dos genes, de modo independente e geram três polipeptídios diferentes, que constituem as três enzimas. Nos organismos eucarióticos, a regra é cada RNA mensageiro conter instrução para um único tipo de polipeptídio, correspondendo, portanto, a um único gene. 20. Em bactérias, a seqüência de aminoácidos de um polipeptídio corresponde exatamente à seqüência de bases do segmento de DNA que foi transcrito para o RNAm. Os cientistas costumam dizer, por isso, que em bactérias há colinearidade entre as cadeias polipeptídicas e os segmentos de DNA que as codificam. Nos organismos eucarióticos a situação é diferente; a maioria das cadeias polipeptídicas não é perfeitamente colinear à seqüência de bases do DNA que as codifica. A razão disso é que a instrução para a síntese de proteínas nos genes eucarióticos não é contínua como nos genes bacterianos; a instrução genética eucariótica é geralmente interrompida por trechos da molécula que não codificam aminoácidos. 21. Em uma unidade de transcrição de organismos eucarióticos há segmentos da molécula de DNA que serão traduzidos em seqüências de aminoácidos e segmentos intercalares, que não serão traduzidos. Em 1978, o geneticista Walter Gilbert propôs os termos: exon para designar as regiões de um gene que são traduzidas em seqüências de aminoácidos, e intron para designar as regiões de um gene não traduzidas, localizadas entre os exons. 22. A polimerase do RNA ao percorrer uma unidade de transcrição eucariótica, transcreve tanto regiões dos exons quanto dos introns, gerando uma molécula de RNA chamada de RNA pré-mensageiro (ou RNA heterogêneo, devido ao seu grande tamanho). Ainda dentro do núcleo, a molécula de RNA recém-sintetizada passa por uma série de modificações químicas até ser transformada no RNA mensageiro que irá para o citoplasma reger a síntese da proteína. Entre as modificações pelas quais passa o RNA pré-mensageiro, a mais notável é a retirada dos introns, ou seja, das porções que não codificarão aminoácidos na proteína a ser produzida. O processo de remoção dos introns de uma molécula de RNA prémensageiro recebeu a denominação, em inglês, de splicing, termo que poderia ser traduzido por “corte e emenda”. 23. Os cientistas descobriram que uma mesma molécula de pré-RNA mensageiro pode sofrer tipos diferentes de splicing em tipos celulares diferentes. Em outras palavras, em diferentes tipos de células pode haver eliminação de diferentes tipos de segmentos de um mesmo pré-RNA mensageiro, de modo que o RNAm originado por uma mesma unidade de transcrição pode ser montado de diferentes maneiras, dependendo do tipo de célula. Esse fenômeno é chamado de splicing alternativo.
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QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

24. c 30. b 36. d

25. d 31. c 37. a

26. b 32. c 38. c

27. a 33. c 39. c

28. c 34. a

29. c 35. a

QUESTÕES DISCURSIVAS

40. Basta um alelo normal para que ocorra a produção correta da enzima tirosinase, que transforma tirosina em melanina; assim, apenas os homozigóticos recessivos são incapazes de realizar a reação e não conseguem produzir o pigmento. 41. Todos os mutantes necessitam de arginina para sobreviver, pois esse é um aminoácido que entra na composição de praticamente todas as proteínas. Se o mutante I é capaz de sobreviver em um meio mínimo suplementado apenas com citrulina, é porque ele consegue transformar essa substância em arginina, do que se conclui que ele possui a versão normal do gene C, que catalisa a reação 3. Como ele não consegue viver em meio suplementado apenas com ornitina é porque ele não consegue transformar essa substância em citrulina, podendo-se concluir que ele é portador da mutação b. O mesmo raciocínio permite concluir que o mutante II é capaz de realizar as reações 2 e 3; logo, ele possui as versões normais dos genes B e C; mas como não consegue realizar a reação 1, é portador da mutação a. O mutante III só consegue sobreviver em meio que seja suplementado com arginina; portanto, seu defeito genético deve afetar a reação 3 de síntese desse composto; por isso, conclui-se que ele é portador da mutação c. 42. Não, pois os genes eucarióticos apresentam introns que devem ser eliminados do RNA transcrito antes de ele ser traduzido pela célula, e as bactérias não possuem o sistema para realizar o splicing. Assim, os RNA transcritos do DNA humano implantado seriam traduzidos com seus introns (dois, no caso da hemoglobina) e gerariam proteínas diferentes. Para que genes eucarióticos possam funcionar corretamente em células bacterianas, produzindo proteínas tipicamente eucarióticas, é necessário que os introns sejam eliminados do DNA antes da transferência gênica para o microrganismo.

3. Uma maneira de propagar assexuadamente variedades de plantas de interesse é a enxertia (de enxertar, do latim insertare, inserir, introduzir), que consiste em implantar parte de uma planta viva em outra. Essa técnica tem sido muito empregada na disseminação de plantas frutíferas, como laranjas, uvas, abacates, maçãs etc. Outra maneira de fazer essa propagação é por meio da cultura de tecidos vegetais, que consiste em retirar uma pequena porção de tecido vivo de uma planta e cultivá-la em um meio nutritivo, suplementado com hormônios e fatores de crescimento. Nessas condições, células vegetais retomam a capacidade de se dividir e podem originar uma planta completa, geneticamente idêntica à planta-mãe. Essa técnica tem sido empregada com sucesso na produção em larga escala de plantas como orquídeas e violetas. A vantagem é que se podem produzir milhares de plantas idênticas a partir da cultura de células de uma única planta. 4. Nos animais e nas plantas dióicas, os descendentes de uns poucos indivíduos escolhidos são cruzados entre si por várias gerações, o que se denomina endogamia. A descendência que resulta da endogamia é mais homogênea do que aquela proveniente de cruzamentos livres. Os filhos dos cruzamentos endogâmicos tendem a ser mais semelhantes aos pais e a apresentar maior número de genes na condição homozigótica. Dessa forma, um determinado genótipo de interesse pode ser propagado por reprodução sexuada com pouca modificação ao longo das gerações. As raças puras, das quais muito se ouve falar, são linhagens altamente homozigóticas que produzem indivíduos com as mesmas características fenotípicas geração após geração. Os indivíduos dessas raças são semelhantes entre si porque possuem genótipos semelhantes, homozigóticos para diversos genes. 5. Um dos problemas decorrentes da endogamia é a diminuição da variabilidade genética, isto é, os indivíduos passam a apresentar pouca diferença genética entre si, o que reduz a capacidade da população em se adaptar eficientemente a alterações ambientais. Os antigos agricultores, mesmo antes do desenvolvimento da Genética, já lidavam com esse problema. Em campos de trigo, era comum plantar diversas variedades, o que aumentava a chance de se preservar ao menos parte da lavoura em caso de seca, enchente ou pragas. Essa técnica milenar foi amplamente abandonada, e hoje predominam as lavouras de monocultura, em que grandes áreas são ocupadas com uma única variedade de planta. Apesar de as monoculturas produzirem maiores lucros em curto prazo, os resultados poderão ser desastrosos. Monoculturas são mais vulneráveis a doenças, pois, como todas as plantas são geneticamente muito parecidas, uma praga pode dizimar completamente uma plantação inteira, sem encontrar indivíduos geneticamente resistentes. 6. Aconselhamento genético é a orientação que especialistas no campo da Genética Humana dão a um casal sobre os riscos de eventuais filhos apresentarem alguma doença genética, principalmente no caso das existentes no histórico familiar. 7. Um casal só deve se preocupar em procurar aconselhamento genético se já teve alguma criança com problemas ou se souber de parentes afetados por doenças genéticas. Mulheres com mais de 35 anos que desejam engravidar devem procurar um serviço de aconselhamento genético, para serem orientadas sobre o risco de gerar filhos com número anormal de cromossomos, que aumenta significativamente depois dessa idade. 8. Alelos deletérios são aqueles que causam doenças ou diminuem a taxa de sobrevivência ou de reprodução de um organismo. Muitos alelos deletérios presentes nas populações humanas surgem por mutações de alelos normais e são recessivos. Para calcular o risco de uma doença genética recessiva se manifestar, tenta-se descobrir se os pais são ou não portadores do alelo para a doença. A maioria das crianças com problemas causados por alelos recessivos tem pais normais. Todas as pessoas têm pelo menos alguns alelos deletérios e só não os manifestam porque eles estão em condição heterozigótica.

CAPÍTULO

8

APLICAÇÕES DO CONHECIMENTO GENÉTICO
GUIA DE ESTUDO
1. O melhoramento consiste em selecionar e aprimorar as qualidades das espécies, tendo em vista sua utilização pelos humanos. Antes do advento da Genética, era feito de forma puramente intuitiva; quando um agricultor desejava aumentar o número de grãos nas espigas de milho, por exemplo, ele selecionava sementes entre os grãos das espigas maiores para plantar. Se desejava aumentar o peso médio das galinhas, selecionava os indivíduos maiores e mais pesados como reprodutores. Com o desenvolvimento de novos conceitos e técnicas genéticas tornouse possível racionalizar e aperfeiçoar a seleção. O melhoramento das espécies em função de sua utilidade tornou-se científico. 2. Os produtos do cruzamento entre linhagens diferentes de uma mesma espécie, como entre linhagens de milho, apresentam em diversos casos qualidades superiores às das linhagens parentais (por exemplo, são mais vigorosos, resistentes a doenças etc.). Os cientistas concluíram que os híbridos são mais vigorosos que as linhagens puras, altamente homozigóticas, por possuírem muitos genes em condição heterozigótica. Esse fenômeno ficou conhecido como vigor híbrido, ou heterose.

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9. A probabilidade de alelos deletérios recessivos se encontrarem, originando uma pessoa homozigótica doente, aumenta nos casamentos consangüíneos, ou seja, em que as pessoas que se casam são parentes próximos, tais como primos em primeiro grau. Pessoas aparentadas, por terem herdado seus genes de ancestrais comuns, têm maior chance de possuir um mesmo tipo de alelo “familiar” que pessoas não-aparentadas. Diversas culturas têm leis que proíbem ou desaconselham o casamento entre parentes próximos. Essas leis surgiram, provavelmente, da observação empírica de que defeitos presentes ao nascer são mais comuns nos casamentos entre parentes. Problemas causados por casamentos consangüíneos também podem ser observados nos animais domésticos e de zoológicos, onde o número pequeno de animais leva parentes próximos a serem cruzados entre si. 10. Diagnóstico pré-natal refere-se à investigação de doenças genéticas graves ainda durante a vida intra-uterina. Em diversos países, uma vez identificada uma doença grave no embrião ou feto, o casal pode optar pelo aborto terapêutico ou preparar-se para criar um filho portador da anomalia. Há dois métodos básicos para diagnosticar possíveis defeitos genéticos de um embrião em desenvolvimento: a amniocentese e a amostragem vilo-coriônica.
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obtiveram 11 tipos de fragmentos que diferiam quanto ao tamanho. Como o DNA desse vírus é uma molécula circular, concluiuse que ela foi cortada em 11 locais, sendo que o tamanho de cada fragmento correspondia à distância entre os dois sítios de corte que o produziram. 16. Os fragmentos de diferentes tamanhos, gerados pela digestão de um DNA com determinada endonuclease de restrição, podem ser separados uns dos outros por meio de uma técnica denominada eletroforese (do grego phoresis, ação de transportar, migração). Nesse processo, os fragmentos são separados por tamanho, ficando dispostos como faixas transversais ao longo de uma placa de gelatina, constituindo o que se convencionou chamar de padrão de restrição. 17. Os pesquisadores comparam amostras de DNA por meio de seus padrões de restrição: moléculas que produzem padrão de fragmentos distintos com uma mesma endonuclease são certamente diferentes, pois foram cortadas em pontos não coincidentes; já moléculas de DNA que apresentam exatamente o mesmo padrão de fragmentos têm uma grande chance de serem idênticas. 18. A clonagem molecular consiste em unir um segmento de DNA de interesse que se quer multiplicar a um DNA vetor, um plasmídio ou um DNA viral, e multiplicar a construção obtida em células hospedeiras, em geral bactérias. O conjunto dessas moléculas de DNA, geradas pela multiplicação da célula bacteriana transformada, constitui um clone da construção original, daí a metodologia ter ficado conhecida como clonagem molecular. 19. A região mediana do cromossomo do vírus, onde se localizam os genes não-essenciais, pode ser retirada e substituída por um pedaço de DNA de qualquer outro organismo. Quando o cromossomo viral se multiplica, o DNA estranho incorporado a ele também é multiplicado. Assim, a partir de uma única partícula viral podem-se obter bilhões de partículas idênticas, cada uma delas contendo uma cópia do fragmento de DNA que foi introduzido no cromossomo do vírus. 20. YAC, ou cromossomos artificiais de levedura, são vetores de clonagem molecular constituídos por DNA plasmidial capaz de se multiplicar em células da levedura e que contém uma seqüência correspondente ao centrômero do fungo e seqüências teloméricas nas extremidades. O DNA a ser clonado é introduzido nesse vetor e a construção recombinante é usada para transformar células de levedura. Nelas a construção comporta-se como um de seus cromossomos, duplicando-se a cada divisão celular e sendo transmitida a ambas as células-filhas. Assim, todas as células de um clone de levedura gerado por uma única célula onde a construção foi originalmente introduzida conterá o cromossomo artificial constituído pelo DNA de interesse unido ao vetor. 21. Um segmento de DNA de uma espécie é transferido para indivíduos de uma outra espécie. Pode-se, por exemplo, introduzir um gene humano clonado em um camundongo ou um gene de inseto em uma planta. Os organismos que recebem e incorporam genes de outra espécie são chamados transgênicos. 22. O Projeto Genoma Humano teve início oficialmente em outubro de 1990, com a publicação de um plano de pesquisa para se determinar a seqüência de todos os nucleotídeos dos 24 cromossomos constituintes do genoma humano (os 22 autossomos e os cromossomos sexuais X e Y). Além disso, outro objetivo do projeto era identificar todos os genes de nossa espécie. No plano inicial estava previsto o desenvolvimento de técnicas para análise dos dados e de normas para os problemas éticos, legais e sociais que certamente iriam surgir com o aumento de conhecimento na área. Previa-se, também, o seqüenciamento do genoma de organismos usados como modelo na investigação biológica, como a bactéria Escherichia coli, o verme nematódeo Caenorhabditis elegans, a mosca Drosophila melanogaster e o camundongo Mus musculus, entre outros.

11. A amniocentese é uma técnica rápida, precisa e de pouco risco para a mãe e para o feto, sendo empregada para análise de fetos entre a 14a e a 16a semanas de gravidez. Uma agulha longa é introduzida na barriga até atingir a bolsa amniótica, operação monitorada por um aparelho de ultra-sonografia. Bastam alguns mililitros de líquido amniótico para realizar diversos tipos de exame. Certas doenças podem ser detectadas pela presença, no líquido amniótico, de substâncias químicas indicativas da doença. Podem-se, também, cultivar células fetais presentes no líquido amniótico, fazendo com que elas se multipliquem, o que permite estudar seus cromossomos e construir idiogramas, assim como realizar exame do DNA fetal. 12. A amostragem vilo-coriônica permite diagnosticar doenças hereditárias entre a 8a e a 10a semanas de gravidez, antes, portanto, que a amniocentese. Com o auxílio de um longo instrumento de punção introduzido pela vagina até o interior do útero, retira-se uma pequena porção do envoltório embrionário, o chamado cório. As células embrionárias podem, então, ser cultivadas em meio nutritivo ou ser analisadas imediatamente, dependendo do tipo de estudo que se quer realizar. A operação de retirada de amostras de vilosidades coriônicas causa aborto do embrião em cerca de 1% dos casos. Por isso, esse tipo de diagnóstico é empregado apenas quando há alto risco de doença genética, o que pode justificar sua identificação precoce, para um eventual aborto terapêutico. 13. As endonucleases de restrição são enzimas bacterianas que atuam como “tesouras moleculares”, reconhecendo seqüências de pares de bases específicas em moléculas de DNA e cortando-as nesses pontos. Elas são altamente específicas, cada tipo reconhece e corta uma única seqüência de nucleotídeos, em geral constituída por 4 ou 6 pares de bases nitrogenadas. 14. Acredita-se que as bactérias desenvolveram essas enzimas, ao longo da evolução, como proteção ao ataque de bacteriófagos. Uma molécula de DNA viral que contenha sítios para uma endonuclease bacteriana, ao ser injetada na bactéria, é prontamente cortada nesses pontos e deixa de funcionar. Hoje são conhecidas centenas de endonucleases de restrição, que são purificadas e comercializadas por diversos laboratórios no mundo. 15. Como uma determinada endonuclease de restrição reconhece sítios específicos no DNA, se moléculas idênticas forem tratadas com a mesma enzima, elas serão cortadas nos mesmos pontos, originando fragmentos de tamanhos idênticos. Por exemplo, no primeiro estudo envolvendo endonuclease de restrição, os pesquisadores trataram DNA do vírus SV40 com a enzima Hind II e

RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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23. O genoma humano é constituído por cerca de 3 bilhões de pares de nucleotídios. Apenas 3% desses pares de bases correspondem a genes; 97% são seqüências não-codificantes, isto é, que não são transcritas para moléculas de RNA. O número de genes humanos é bem menor do que antes se imaginava, havendo entre 27 mil e 40 mil genes. Isso nos coloca em pé de igualdade com os camundongos e apenas um patamar acima das moscas, cujo genoma possui apenas 13 mil genes. O seqüenciamento do DNA humano revelou que cerca de 40% de nossos genes são semelhantes aos dos vermes nematódeos, 60% são semelhantes aos das moscas e nada menos do que 90% de nossos genes são semelhantes aos dos camundongos. Diferimos de nosso parente mais próximo, o chimpanzé, em apenas 1% das seqüências de DNA, ou seja, em apenas um par de bases nitrogenadas a cada 100 pares.

inquestionáveis. A visão científica parte do princípio de que não há verdades inquestionáveis e que sempre existe possibilidade de a explicação para um fenômeno estar errada. A teoria da evolução biológica vem resistindo a todos os testes a que tem sido submetida, apresentando uma explicação coerente para o conjunto de fatos sobre a diversificação dos seres vivos. 3. Partindo da observação de que certos órgãos corporais se desenvolvem quando são muito utilizados, atrofiando-se quando pouco solicitados, Lamarck imaginou que características adquiridas pelo uso intenso ou pela falta de uso dos órgãos (lei do uso e do desuso) poderiam ser transmitidas à descendência (lei da transmissão de caracteres adquiridos). 4. Hoje sabe-se que as alterações causadas pelo uso ou pelo desuso dos órgãos corporais não se transmitem à descendência, o que invalida a explicação de Lamarck para a evolução biológica. O grande mérito do lamarckismo foi ter chamado a atenção para o fenômeno da adaptação, ao sugerir que ela era decorrente de modificações lentas e graduais dos seres vivos ao longo de inúmeras gerações. 5. A cada geração morre grande número de indivíduos, muitos deles sem deixar descendentes. Os que sobrevivem e se reproduzem, a cada geração, são preferencialmente os que apresentam determinadas características, relacionadas com a adaptação às condições ambientais. Uma vez que, a cada geração, os mais aptos têm maior chance de sobreviver e de se reproduzir, a geração seguinte tende a apresentar as características relacionadas a essa maior aptidão para sobreviver. Em outras palavras, a seleção natural favorece, ao longo das gerações sucessivas, a permanência e o aprimoramento de características relacionadas à adaptação. 6. Darwin concluiu que a flora e a fauna de ilhas próximas são semelhantes porque se originaram de ancestrais comuns, provenientes dos continentes próximos. Em cada uma das ilhas, as populações colonizadoras sofreram adaptações específicas, originando diferentes variedades ou espécies. Por exemplo, as diversas espécies de pássaros fringilídeos de Galápagos provavelmente se originaram de uma única espécie ancestral, oriunda do continente sul-americano. A diversificação da espécie original, que teria originado as diferentes espécies atuais, deu-se como resultado da adaptação às condições particulares em cada ilha do arquipélago de Galápagos. 7. Malthus sugeriu que uma população, se não encontra obstáculos, cresce de acordo com uma progressão geométrica, enquanto os meios de subsistência aumentam de acordo com uma progressão aritmética. Malthus não se referiu apenas às populações humanas, mas tentou imaginar a humanidade submetida às mesmas leis gerais que regem populações de outras espécies de seres vivos. Esse foi o aspecto que chamou a atenção de Darwin para as idéias de “luta pela vida” e “sobrevivência dos mais aptos”. 8. Darwin sugeriu que a seleção artificial podia ser comparada à seleção que a natureza exerce sobre as espécies selvagens. Da mesma forma que os seres humanos selecionam reprodutores de uma determinada variedade ou raça, permitindo que se reproduzam apenas os que têm as características desejadas, a natureza seleciona, nas espécies selvagens, os indivíduos mais adaptados às condições reinantes. Estes deixam um número proporcionalmente maior de descendentes, contribuindo significativamente para a formação da geração seguinte. 9. Fósseis são vestígios deixados por seres que viveram no passado. Esses vestígios podem ser ossos, dentes, pegadas impressas em rochas, fezes petrificadas, animais conservados no gelo etc. O estudo dos fósseis permite aos cientistas deduzir o tamanho e a forma dos organismos que os deixaram, possibilitando a reconstituição de uma imagem mental, possivelmente bem realista, dos animais quando vivos. Os fósseis constituem a mais forte evidência de que nosso planeta já foi habitado por seres diferentes dos que existem atualmente, sendo uma das principais evidências da evolução biológica.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

24. c 30. d 36. b

25. b 31. a 37. d

26. d 32. a 38. a

27. a 33. d 39. a

28. a 34. a

29. c 35. d

QUESTÕES DISCURSIVAS

40. Os estudantes deverão ser orientados a pesquisar, em diversas fontes (jornais, revistas, livros, Internet etc.) aspectos da polêmica que envolvem a produção de organismos transgênicos. Em linhas gerais, a produção de transgênicos visa obter vantagens econômicas, mas ainda não se sabe se a tecnologia é segura. Por exemplo, têm sido produzidas plantas transgênicas com genes que produzem substâncias tóxicas a insetos que as comem; a dúvida é se esse gene não poderia passar a outras plantas e matar indiscriminadamente insetos úteis. 41. A criança 2, pois é a única que não possui nenhuma banda coincidente com a do homem, indicando que não herdou DNA dele. 42. Os resultados excluem o réu como fonte do esperma presente na vagina da vítima, pois a banda de maior peso molecular, mais acima no gel, da quarta raia, da direita para a esquerda, não está presente na amostra de sangue do réu, o que o exclui como fonte desse DNA. 43. A primeira raia da esquerda para a direita é a única que compartilha uma banda com todas as outras raias, o que indica ser a que contém o perfil do pai. Assim, o pai possui os alelos B e C; a mãe deve ter contribuído com os alelos A e D para as crianças.

CAPÍTULO

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Breve história das idéias evolucionistas
GUIA DE ESTUDO
1. Evolução biológica é a transformação e a adaptação dos seres vivos ao longo do tempo. Esses processos de transformação e adaptação são inerentes à própria vida. 2. Criacionismo é a teoria segundo a qual todas as espécies viventes foram criadas por ato divino, tal e qual se apresentam hoje. De acordo com a teoria criacionista, o número de espécies foi determinado no momento da criação. Evolucionismo é a teoria segundo a qual os seres vivos se modificam ao longo do tempo, com novas espécies surgindo a partir de espécies ancestrais que se extinguiram. Apesar de ambas as teorias buscarem explicar os fatos, o criacionismo não é uma teoria científica, pois se baseia em um conjunto de dogmas, isto é, “verdades” consideradas

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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10. Os fósseis são relativamente raros porque, a não ser em condições especiais, logo que um organismo morre entram em ação agentes decompositores, que destroem completamente seu cadáver. Para que ocorra a fossilização, ou seja, a formação de um fóssil, são necessárias condições extremamente favoráveis à preservação do cadáver ou do vestígio deixado por um organismo. Essas condições podem ocorrer, por exemplo, quando restos de um organismo são cobertos por sedimentos, como areia, argila etc., em geral, em ambientes alagados. Os sedimentos depositados sobre os restos do organismo podem se compactar com o decorrer do tempo, originando o que os geólogos denominam rocha sedimentar. No interior da rocha, os vestígios do organismo podem ser preservados de diversas maneiras, vindo a constituir os diferentes tipos de fóssil. 11. Um tipo de fóssil conhecido como molde forma-se quando os restos soterrados do organismo, depois de deixarem sua forma gravada na rocha, desaparecem completamente. Em alguns casos, o vazio deixado pelos restos orgânicos é preenchido por minerais, que se solidificam formando uma cópia, em rocha, do organismo original: trata-se do contramolde. Em certos casos, as substâncias orgânicas do cadáver sepultado na rocha sedimentar são gradualmente substituídas por minerais trazidos pela água. Lentamente, os minerais ocupam o lugar das substâncias orgânicas, em uma substituição tão exata que todos os detalhes do corpo do organismo ficam preservados na rocha, embora não reste mais nada do material orgânico original. Esse processo de fossilização é chamado de permineralização, ou petrificação. Outros tipos de fóssil são as marcas ou pegadas que um organismo deixou sobre um terreno mole, que posteriormente se transformou em rocha. Esse tipo de fóssil, denominado impressão, pode fornecer informações importantes sobre o organismo que o produziu. 12. Decaimento radioativo é a transformação do isótopo radioativo em isótopos do mesmo elemento ou em outros elementos químicos. Por exemplo, o decaimento do 14C leva à formação do 14 N. Meia-vida de um elemento é o período de tempo que leva para metade dos átomos de um elemento radioativo contido em uma amostra sofrer decaimento radioativo. No caso do 14C, a meia-vida é de 5.730 anos. A meia-vida do isótopo 235U do urânio é de 700 milhões de anos. A do isótopo 40K do potássio (potássio-40) é 1,3 bilhão de anos. 13. A descoberta de que o decaimento dos elementos radioativos ocorre em tempos bem definidos levou os cientistas a utilizá-los como “relógios radiométricos”, que permitem calcular há quanto tempo certos eventos ocorreram. Por exemplo, se soubermos quanto de carbono-14 tem um animal ao morrer e formar um fóssil, poderemos calcular quanto tempo transcorreu desde sua morte pela medição do carbono-14 que restou no fóssil. Por exemplo, se um fóssil apresenta 1/16 do carbono radioativo estimado para o organismo vivo, isso significa que sua morte ocorreu há, aproximadamente, 23 mil anos. 14. Adaptação é o ajustamento que todo organismo apresenta em relação ao ambiente em que vive. Basta observar qualquer ser vivo com atenção para constatar que muitos detalhes de sua anatomia, de sua fisiologia e de seu comportamento estão altamente ajustados ao seu modo de vida. 15. O evolucionismo explica a adaptação como resultado do fato de os indivíduos portadores de características adaptativas terem mais chance de sobreviver e deixar descendentes, aos quais transmitem suas características. Dessa forma, as características vão se modificando ao longo das gerações e gradativamente se tornam mais adequadas e eficientes, dando ao final do processo a falsa impressão de que foram intencionalmente projetadas com um fim específico. 16. Camuflagem é o fenômeno de uma espécie desenvolver, ao longo de sua evolução, uma ou mais características que se assemelham ao ambiente, dificultando sua localização por espécies com as quais convive. A pelagem das raposas-do-ártico, por exem-

plo, é totalmente branca no inverno, quando o ambiente em que vive está coberto pela neve, mas se torna acinzentada nas outras épocas do ano, dificultando assim sua localização. Mimetismo refere-se ao fato de duas espécies diferentes compartilharem alguma semelhança que é reconhecida por outras espécies, de modo que a semelhança compartilhada confere vantagens para uma ou para ambas as espécies miméticas. As cobras-corais constituem um exemplo de mimetismo. Uma espécie não-peçonhenta, conhecida como falsa-coral, mimetiza o padrão de coloração da coral-verdadeira, altamente peçonhenta, e desse modo afasta os eventuais atacantes. 17. De acordo com o evolucionismo, as semelhanças anatômicas entre determinados seres devem-se ao fato de eles descenderem de uma mesma espécie ancestral que viveu em um passado remoto, da qual herdaram o padrão de estrutura óssea. Durante a evolução de cada grupo de vertebrado, a forma de muitos ossos modificou-se em função da adaptação das espécies a modos de vida diferentes, mas conservou o projeto básico do ancestral. Assim, a semelhança anatômica entre os membros anteriores dos vertebrados testemunha seu parentesco evolutivo. 18. a) Órgãos homólogos são os que se desenvolvem de modo semelhante em embriões de diferentes espécies, como os membros anteriores de grande parte dos animais vertebrados. Apesar de terem origem embrionária semelhante, órgãos homólogos podem desempenhar funções diferentes, como é o caso das asas dos morcegos, adaptadas ao vôo, e das nadadeiras peitorais dos golfinhos, adaptadas à natação. b) Órgãos análogos são os que desempenham a mesma função em espécies diferentes, mas têm origens embrionárias completamente diversas. É o caso das asas de aves e de insetos que, apesar de estarem adaptadas à função de voar, têm origens embrionárias totalmente distintas. c) Órgãos vestigiais são estruturas atrofiadas e sem função evidente, como é o caso do apêndice vermiforme humano, pequena estrutura em forma de dedo de luva presente na junção entre o intestino delgado e o intestino grosso. A presença do apêndice em nossa espécie é explicada pelo fato de esse órgão ter sido importante em nossos ancestrais remotos que tinham dieta predominantemente herbívora, em que o ceco (porção inicial do intestino grosso, onde se abre o intestino delgado) e o apêndice abrigavam microrganismos auxiliares da digestão de celulose. Com o desenvolvimento de outros tipos de dieta, na linhagem que originou nossa espécie, o ceco e o apêndice vermiforme deixaram de ser vantajosos e regrediram no decorrer da evolução, restando apenas como vestígios de sua existência passada. 19. Convergência evolutiva designa a adaptação que leva grupos de organismos pouco aparentados a desenvolver estruturas e formas corporais semelhantes ao adotar modos de vida semelhantes. As asas, por exemplo, são estruturas adaptadas para voar e, por isso, apresentam superfície ampla, o que permite obter sustentação no ar. Esse princípio estrutural está presente tanto nas asas de insetos como nas asas dos morcegos, que têm origens embrionárias totalmente distintas.

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QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

20. a 26. b 32. d

21. a 27. b 33. b

22. c 28. a 34. a

23. a 29. b 35. c

24. c 30. a 36. b

25. a 31. d

QUESTÕES DISCURSIVAS

37. No processo de domesticação, a espécie humana exerce seleção artificial sobre plantas e animais, pois escolhe os espécimes que apresentam características de interesse econômico e promove seu cruzamento, o que leva à diferenciação entre as espécies domesticadas e seus ancestrais selvagens.
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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38. As populações originais de cactos provavelmente eram plantas rasteiras, com flores próximas ao solo. Plantas arborescentes com flores elevadas do chão surgiam eventualmente, ao acaso. Nas ilhas em que existiam iguanas, as flores rasteiras eram comidas por esses animais, enquanto as plantas com flores altas não eram afetadas, o que lhes conferia uma vantagem reprodutiva. Com o tempo, nessas ilhas restaram apenas os cactos altos, com flores distantes do solo. Nas ilhas em que não existiam iguanas, não houve esse tipo de seleção e preservou-se a população original, com predominância de indivíduos rasteiros.

porta como uracila, orientará o emparelhamento de um nucleotídeo com adenina, e não com guanina, como deveria ser. Conseqüentemente, uma das moléculas que se originam da duplicação fica com a seqüência de bases alterada. Quando a molécula mutante se reproduz, origina cópias idênticas a si e a mutação se perpetua. 7. A substituição de um par de bases nitrogenadas do DNA por outro nem sempre altera a proteína codificada, pois o código genético é degenerado, isto é, alguns aminoácidos são codificados por mais de um tipo de trinca de bases nitrogenadas. Por exemplo, na cadeia de DNA que atua como molde para transcrição do RNA mensageiro, as trincas AAA e AAG codificam ambas o aminoácido fenilalanina, de modo que, se uma mutação substituir o último par A/T de uma trinca AAA/TTT por um par G/C, não haverá alteração na proteína, pois o aminoácido codificado pelo DNA mutante continuará a ser fenilalanina. 8. A perda ou adição de um par de nucleotídios na molécula de DNA leva a mutações muito mais drásticas do que a substituição de um único par de bases nitrogenadas, pois, enquanto esta afeta apenas um aminoácido, a perda ou adição de um par de nucleotídios altera todos os aminoácidos da proteína a partir do ponto da mutação.
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CAPÍTULO

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teoria moderna DA evoluÇÃO
GUIA DE ESTUDO
1. Síntese evolucionária refere-se à incorporação dos conhecimentos genéticos às idéias darwinianas, que ocorre nas décadas de 1930 e 1940. Segundo Mayr, a expressão síntese evolucionária foi introduzida por Julian Huxley para designar a aceitação de duas conclusões: a) que a evolução pode ser explicada pelas mutações e pela recombinação, orientadas pela seleção natural; b) que o fenômeno evolutivo pode ser explicado de maneira consistente com base nos mecanismos genéticos conhecidos. A incorporação do conhecimento genético aos princípios darwinianos resultou em uma teoria evolucionista mais abrangente e consistente, que ficou conhecida como teoria moderna da evolução ou teoria sintética. 2. Os conceitos de variação e seleção natural enunciados por Darwin não foram afetados de maneira alguma pela revolução que ocorreu no conhecimento genético, ao longo do século XX. Pelo contrário, a compreensão mais clara da natureza das variações fortaleceu o darwinismo e confirmou que a herança de caracteres adquiridos não é possível. 3. Variabilidade gênica, ou diversidade genética, é a ocorrência de diferenças genéticas entre os indivíduos de uma população. A variabilidade gênica é a matéria-prima sobre a qual a seleção natural atua. 4. As diferenças genéticas entre os indivíduos de uma população (variabilidade gênica) decorrem da mutação, que introduz novas versões de genes (alelos) na população, e da recombinação, por meio da qual se formam novas combinações gênicas, garantindo que os indivíduos de uma espécie sejam geneticamente variados a cada geração. 5. Mutações gênicas são alterações do código de bases nitrogenadas do DNA, que originam novas versões de genes (alelos), as quais podem produzir novas características nos portadores da mutação. Eventualmente, um gene mutante pode conferir alguma vantagem ao seu possuidor e, nesse caso, tende a ser preservado pela seleção natural. O conjunto de genes típico de cada espécie atual é resultado do acúmulo de mutações vantajosas que vêm ocorrendo e perpetuando-se pela ação da seleção natural, durante bilhões de anos de evolução biológica. Muitas das mutações vantajosas possíveis já foram selecionadas; a maioria das mutações são deletéris, e tendem a ser eliminadas por seleção natural. 6. Uma das causas de mutações espontâneas é a transformação temporária de uma base nitrogenada em outra, fenômeno chamado de tautomeria, que pode causar erros na duplicação do gene. Por exemplo, sabe-se que a citosina de uma cadeia de DNA pode sofrer perda espontânea de seu grupo amina, transformando-se em uracila. Se isso ocorrer exatamente no momento da duplicação do DNA, a citosina alterada, que agora se com-

9. Os mecanismos de reparo de erros no DNA envolvem um conjunto de enzimas que reconhece o DNA alterado, liga-se a ele e, em seguida, corta e elimina a cadeia onde se localiza o defeito. Na seqüência, outras enzimas sintetizam um novo segmento de DNA, tendo por molde a cadeia complementar à que foi eliminada e que não contém erros. 10. Agentes mutagênicos são agentes físicos e químicos que aumentam as taxas de mutação dos genes nos seres vivos. Os principais agentes mutagênicos são as radiações ionizantes (que causam a formação de íons dentro das células) como raios X, raios gama e radiação ultravioleta, além de diversas substâncias. 11. Recombinação gênica refere-se à mistura de genes provenientes de indivíduos diferentes, que ocorre na reprodução sexuada. Nesse tipo de reprodução, os genes provenientes de cada um dos pais são misturados antes de serem transmitidos à descendência. Assim, embora a mutação seja a única maneira de surgir uma nova forma gênica (novo alelo) na população, é por meio da recombinação que os genes se organizam em novos arranjos nos indivíduos, sobre os quais a seleção natural atua. 12. Na meiose, cromossomos homólogos originalmente provenientes dos pais combinam-se livremente, de tal maneira que os gametas formados podem conter apenas cromossomos do tipo materno, apenas cromossomos do tipo paterno ou, o que é mais provável, misturas de cromossomos maternos e paternos. O número de combinações possíveis entre cromossomos maternos e paternos pode ser calculado pela expressão 2n, onde n é o número de pares de cromossomos do indivíduo. Na espécie humana, por exemplo, em que n = 23, uma pessoa pode produzir 223 (8.388.608) tipos de gametas, com diferentes combinações entre os cromossomos da mãe e do pai. A probabilidade de um gameta humano conter, por exemplo, apenas cromossomos de origem paterna é, portanto, igual a 1/8.388.608. Além da segregação independente dos cromossomos, a diversidade de tipos de gametas é em muito aumentada pela permutação ou crossing over, fenômeno em que cromossomos homólogos maternos e paternos trocam pedaços durante a meiose. 13. Mutação cromossômica, ou aberração cromossômica, é qualquer alteração que afeta o número ou a estrutura dos cromossomos de uma célula. As mutações cromossômicas, em geral, não originam novas versões de genes, mas contribuem para o aparecimento de novas combinações gênicas. Embora menos importantes para a evolução do que a mutação gênica e a recombinação, as mutações cromossômicas têm papel acessório na manutenção da variabilidade gênica de certas populações naturais.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

14. As mutações cromossômicas podem ser classificadas em dois tipos: numéricas e estruturais. Mutações numéricas são aquelas em que há alteração no número de cromossomos da célula. Mutações estruturais são aquelas em que há alteração na forma ou no tamanho de um ou mais cromossomos da célula. 15. Aneuploidias são alterações em que há perda ou acréscimo de um ou alguns cromossomos da célula. Euploidias são alterações em que há perda ou acréscimo de lotes cromossômicos (genomas) completos. Aneuploidias surgem devido a erros na distribuição dos cromossomos durante as divisões celulares, tanto na mitose quanto na meiose. As células resultantes da divisão anormal ficam com excesso ou falta de cromossomos. Euploidias surgem quando os cromossomos se duplicam, mas a célula não se divide. 16. Mutações cromossômicas estruturais resultam de quebras cromossômicas seguidas de perda de pedaços ou de ressoldaduras dos pedaços em posições diferentes da original. As mutações estruturais podem ser classificadas em: a) deficiência, ou deleção, quando falta um pedaço ao cromossomo; b) duplicação, quando o cromossomo tem um pedaço repetido; c) inversão, quando o cromossomo tem um pedaço invertido; d) translocação, quando o cromossomo tem um pedaço proveniente de um outro cromossomo.
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reconhece que são os indivíduos, atuando em seu contexto populacional, os principais alvos da seleção natural. Genes são apenas componentes do genótipo, enquanto o alvo da seleção natural é o organismo como um todo. Os genes atuam em conjunto e, na maioria dos casos, é impossível destacar a participação de um gene individual na cadeia de processos que resulta no fenótipo, sobre o qual a seleção atua. 21. Quanto aos efeitos que exercem nas populações, a seleção natural costuma ser classificada em três tipos: estabilizadora, direcional e disruptiva. Admitindo-se a variação fenotípica entre os indivíduos de uma população, a seleção estabilizadora confere vantagem aos indivíduos com fenótipos médios; a seleção direcional favorece os indivíduos de um ou outro fenótipo; a seleção disruptiva, por sua vez, favorece os indivíduos com fenótipos extremos da curva normal, em detrimento dos indivíduos médios. 22. Um exemplo de seleção estabilizadora na espécie humana é o favorecimento das pessoas heterozigóticas para o alelo da siclemia, ou anemia falciforme, em regiões onde a malária é endêmica. Como as pessoas homozigóticas para o alelo condicionante da siclemia (ss) são fortemente anêmicas e, em geral, morrem antes de se reproduzir, a tendência seria esse alelo praticamente desaparecer da população. É isso realmente que acontece na maior parte do mundo. Entretanto, estudos genéticos mostraram que, em locais onde a malária é endêmica, a freqüência do alelo mutante é surpreendentemente elevada. Descobriu-se que isso ocorre porque as pessoas heterozigóticas (Ss) são mais resistentes à malária que as pessoas homozigóticas normais (SS). Como estas tendem a morrer de malária, e as homozigóticas siclêmicas (ss) a morrer de anemia, quem tem maior chance de sobreviver e se reproduzir são as pessoas heterozigóticas (Ss), que assim transmitem o alelo s à geração seguinte. É por isso que o alelo para a siclemia mantém-se em freqüências relativamente altas nessas populações. 23. Pode-se supor que, se a malária fosse erradicada dessas regiões, a atual “inferioridade” das pessoas normais homozigóticas (SS) em relação às heterozigóticas (Ss) desapareceria, pois a malária deixaria de atuar como agente seletivo. Na ausência da doença, o alelo s seria progressivamente eliminado da população, pois as pessoas homozigóticas para a siclemia continuariam a morrer de anemia. Foi isso o que aconteceu com populações negras que viviam em áreas de malária endêmica, na África, e que foram levadas como escravas para a América do Norte, onde a doença é praticamente inexistente. Nos afro-americanos descendentes dessas populações, a freqüência do alelo s vem diminuindo progressivamente ao longo das gerações. 24. Quando ocorrem mudanças ambientais e um fenótipo antes desfavorável passa a ser favorecido, fala-se em seleção direcional. O aparecimento de linhagens de bactérias resistentes a antibióticos e de moscas resistentes a inseticidas são dois bons exemplos. A explicação para o desenvolvimento de linhagens de bactérias resistentes a antibióticos é que, nas populações bacterianas, estão sempre surgindo indivíduos resistentes, mesmo na ausência de antibióticos. As bactérias mutantes são, na maioria dos casos, menos eficientes que as selvagens originais, sendo rapidamente eliminadas na competição com estas últimas. Quando um antibiótico é aplicado, mata as bactérias selvagens e deixa à disposição das bactérias resistentes todos os recursos do ambiente. Estas se reproduzem originando populações de indivíduos resistentes, contra os quais aquele antibiótico terá pequeno efeito. Desde que essas substâncias antibacterianas começaram a ser empregadas, após a Segunda Guerra Mundial, já foram selecionadas inúmeras linhagens bacterianas altamente resistentes aos mais diversos tipos de antibiótico. O desenvolvimento de resistência a inseticidas por certos insetos ocorre de modo semelhante. Nas populações de insetos surgem indivíduos mutantes resistentes à droga, que em condições normais são geralmente
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

17. Inversões e translocações podem ocorrer nas condições homozigóticas ou heterozigóticas. Uma inversão ou translocação cromossômicas estão em homozigose se os dois membros de um par de cromossomos homólogos apresentam a mutação. Elas estão em heterozigose se apenas um dos cromossomos do par de homólogos apresenta a mutação. As inversões e translocações em heterozigose podem ser percebidas durante o emparelhamento dos homólogos na meiose. Como os genes dos cromossomos homólogos emparelham-se rigorosamente, loco por loco, se um deles apresentar uma inversão ou uma translocação envolvendo um segmento cromossômico de tamanho relativamente grande, forma-se uma figura típica quando o emparelhamento meiótico ocorre. Na inversão cromossômica em heterozigose, a figura tem forma de alça, enquanto na translocação em heterozigose, tem forma de cruz. 18. Segundo Darwin, todo organismo, desde uma planta até uma bactéria, “luta” para sobreviver a cada minuto de sua vida. Apenas os mais capacitados a enfrentar os desafios, em cada contexto particular, sobrevivem. A luta pela sobrevivência, metáfora utilizada por Darwin para a seleção natural, é bastante evidente entre os animais, em que alguns desempenham o papel de presas e têm de evitar ser devorados, e outros desempenham o papel de predadores e têm de capturar animais que lhes sirvam de alimento, ou morrerão de fome. Entretanto, há formas mais sutis de lutar pela vida: plantas competem umas com as outras pela umidade do solo, pelos nutrientes e até mesmo pela luz solar. Machos disputam a atenção das fêmeas e o direito de cruzar com elas e, assim, perpetuar suas características. 19. A seleção natural significa reprodução diferencial dos indivíduos de uma população, porque os mais bem adaptados têm maior chance de deixar descendentes. A seleção decorre das restrições que o meio impõe à sobrevivência dos organismos, tais como a disponibilidade de alimento, competição, predadores, parasitas, doenças etc. Nessas condições, os mais aptos são aqueles que herdam combinações gênicas favoráveis à sobrevivência e reprodução em um ambiente particular. 20. Para Darwin e a maioria dos naturalistas que o sucederam, a seleção natural atua sobre os indivíduos. São estes que lutam pela sobrevivência, sobrevivem e reproduzem-se, transmitindo suas características favoráveis à prole. O desenvolvimento da Genética e o reconhecimento da importância dos genes na evolução levaram alguns geneticistas mais radicais a reivindicar, como alvos da seleção, os genes e não os indivíduos: estes seriam nada mais do que veículos genéticos. A maioria dos biólogos, porém,

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menos bem-sucedidos que os insetos selvagens. Com a aplicação do inseticida, os indivíduos selvagens são eliminados, deixando espaço para a proliferação dos resistentes; estes logo passam a constituir a quase totalidade da população. Tanto no caso da aquisição de resistência a antibióticos como na resistência a inseticidas, é a própria droga que atua como agente seletivo, eliminando os portadores de genótipos sensíveis e favorecendo a proliferação dos portadores de genótipos resistentes. 25. Seleção disruptiva é aquela que favorece os indivíduos portadores de características extremas em uma curva normal, enquanto os indivíduos médios levam desvantagem. Esse tipo de seleção leva à diversificação da população, favorecendo os extremos e eliminando a média. Em um exemplo hipotético, se uma espécie de pássaro tivesse apenas dois tipos de alimento — sementes duras e larvas escondidas na madeira —, seriam favorecidos aqueles dotados de bico fino e delicado, que apresentam mais facilidade em capturar as larvas, e os de bico maior e mais forte, capaz de quebrar sementes. Pássaros de bico intermediário levariam desvantagem, por não serem muito hábeis na obtenção de nenhum dos dois tipos de alimento. Acredita-se que, por ser capaz de promover a diversificação de uma população, a seleção disruptiva represente um primeiro passo para a formação de novas espécies. 26. Um caso particular de seleção natural, que resulta da preferência de indivíduos de certas espécies (em geral as fêmeas) por se acasalar com parceiros portadores de determinadas características, é a seleção sexual. Esta não depende da luta pela existência, mas sim da luta travada pelos machos visando à posse das fêmeas. Para o derrotado a conseqüência não é a morte, e sim a redução parcial ou total de sua descendência. Por conseguinte, a seleção sexual é menos rigorosa do que a seleção natural. Em muitas espécies de animais, os machos exibem seus atributos masculinos com o intuito de conquistar as fêmeas e fecundá-las, garantindo assim a perpetuação de suas características. Esses atributos podem ser o canto ou a plumagem colorida, no caso de muitos pássaros, e a agressividade e a força física, no caso de certos mamíferos. Darwin observou que as características sexuais secundárias dos machos estavam relacionadas com a atração e a conquista das fêmeas. Os machos mais bem-dotados, de acordo com o critério de cada espécie, têm maiores chances de se reproduzir e, assim, de perpetuar suas características. 27. O termo adaptação significa a capacidade que todo ser vivo tem de se ajustar ao ambiente, isto é, de mudar em resposta a uma alteração ambiental. A adaptação pode ser entendida em nível de indivíduo e de espécie. No primeiro caso, constitui um processo de ajustamento individual conhecido como homeostase (do grego homoios, da mesma natureza, igual, e stasis, estabilidade), em que um organismo percebe as condições ambientais e se ajusta a elas. No segundo, é a adaptação evolutiva, em que uma população se ajusta ao ambiente ao longo de sucessivas gerações. Em ambos os casos, a adaptação é, em última análise, resultado da seleção natural. 28. Norma de reação de um genótipo é sua capacidade de produzir diferentes fenótipos em resposta ao ambiente. Grande parte dos genes é capaz de modificar sua expressão conforme as condições ambientais. Geralmente, o genótipo comanda não um único fenótipo, mas uma faixa de possibilidades fenotípicas que se manifestam de acordo com a influência ambiental. 29. Camuflagem é a propriedade de os membros de uma espécie apresentarem uma ou mais características que os assemelham ao ambiente, dificultando sua localização por espécies com as quais interage, sejam eles predadores ou presas. 30. Coloração de aviso, ou de advertência, é um padrão de coloração vistosa e destacada, que alerta possíveis predadores de que o animal portador tem sabor desagradável, é tóxico ou perigoso, sendo melhor evitá-lo. Exemplos de organismos que osten-

tam coloração de aviso são borboletas de cores vivas (geralmente de sabor desagradável e tóxicas aos seus predadores), rãs e sapos coloridos, em cuja pele há venenos poderosíssimos, e répteis peçonhentos como as cobras-corais e certos lagartos, cujo padrão e cores vivas da pele alertam sobre o perigo que representam. Um predador inexperiente ataca presas dotadas da coloração de aviso, mas logo aprende a associar a sensação ruim à cor vistosa. Mesmo que ensinar a “lição” ao predador possa custar a vida de alguns indivíduos da população, esta será beneficiada no futuro. 31. Mimetismo é um exemplo de adaptação em que duas espécies diferentes assemelham-se em certas características, o que constitui vantagem para uma ou para ambas, em relação a um terceiro componente que pode ser uma espécie ou algumas espécies. A imitação evolutiva, em que um modelo tóxico ou perigoso é imitado evolutivamente por espécies “saborosas” ou inofensivas, é denominada mimetismo batesiano. Entre os muitos exemplos, podem-se citar as semelhanças entre as serpentes conhecidas como corais-verdadeiras, altamente peçonhentas, e as falsas-corais, bem menos perigosas que as primeiras. As falsas-corais imitadoras, por ostentar a coloração de aviso das corais-verdadeiras, beneficiam-se de sua “fama” e são evitadas por outros animais, eventualmente predadores. Mimetismo mülleriano é a imitação evolutiva em que um modelo tóxico ou perigoso é imitado evolutivamente por espécies igualmente tóxicas ou perigosas. Se todas são parecidas, todas levam vantagem. Entre as serpentes corais-verdadeiras, todas elas peçonhentas, ocorre esse tipo de mimetismo. O fato de várias espécies de corais-verdadeiras serem parecidas reforça o aviso de que é melhor evitá-las. 32. Do ponto de vista genético, população é um conjunto de indivíduos que se reproduzem sexuadamente, compartilhando um patrimônio gênico comum. Essa definição, proposta em 1950 por Theodosius Dobzhansky, caracteriza o que se convencionou chamar população mendeliana, por aludir ao seu aspecto genético. Em uma população mendeliana, com exceção dos gêmeos univitelinos, os indivíduos diferem uns dos outros em uma série de características. Cada indivíduo possui seu conjunto gênico particular, diferente do conjunto gênico de todos os demais membros da população. 33. Número de alelos A: 7.200 (2 3.600 AA) + 6.000 (1 6.000 Aa) = 13.200. Total de alelos do loco: 24.000. Portanto, a freqüência de A (f(A)) é 13.200 / 24.000 = 55% ou 0,55. A freqüência de a (f(a)) é 1 – (f(A)), ou seja, 1 – 0,55 = 0,45 ou 45%. 34. Uma população mendeliana estará em equilíbrio gênico se as freqüências de seus alelos permanecerem inalteradas ao longo das gerações. As condições necessárias para que uma população se mantenha em equilíbrio gênico, segundo Hardy e Weinberg, são as seguintes: a) a população deve ser muito grande, de modo que possam ocorrer todos os tipos de cruzamento possíveis, de acordo com as leis das probabilidades; b) a população deve ser panmítica (do grego pan, todos, e do latim miscere, misturar), isto é, os cruzamentos entre os indivíduos de diferentes genótipos devem ocorrer ao acaso, sem qualquer preferência. Uma população que reúna essas características e na qual não esteja ocorrendo nenhum fator evolutivo, tal como mutação, seleção ou migração, permanecerá indefinidamente em equilíbrio gênico, ou seja, as freqüências de seus alelos não sofrerão alteração ao longo das gerações. 35. O princípio de Hardy-Weinberg estabelece que, para um determinado par de alelos com freqüências p e q, em uma população mendeliana em equilíbrio, a freqüência dos diferentes genótipos em cada geração estará de acordo com a expressão p2 + 2pq + q2 = 1. No caso da população perguntada, se ela estiver em equilíbrio gênico, esperaremos encontrar 49% (0,6) de indivíduos AA, 42% (0,32) de indivíduos Aa e 9% (0,08) de indivíduos aa.

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36. O princípio de Hardy-Weinberg estabelece um padrão teórico para o comportamento gênico ao longo das gerações. Na prática, ele nos ajuda a perceber se uma população se encontra ou não em equilíbrio, chamando a atenção para os possíveis fatores evolutivos que estão atuando. Segundo o princípio de HardyWeinberg, na ausência de fatores evolutivos as freqüências gênicas mantêm-se constantes, em uma população teórica. Sempre há fatores evolutivos em ação nas populações reais, no entanto a lei de Hardy-Weinberg é importante porque permite determinar quanto e como o equilíbrio de uma população está sendo afetado pelos fatores evolutivos. 37. A mutação, processo pelo qual um alelo se transforma em outro, pode alterar a freqüência gênica de uma população. Por exemplo, se a taxa de mutação de um gene A para seu alelo a for maior que a taxa de mutação inversa (de a para A), ocorrerá aumento na freqüência do alelo a e diminuição na freqüência de A. A seleção natural é o principal fator responsável pela alteração das freqüências gênicas de uma população. Ao atuar na eliminação ou preservação de determinados genótipos, a seleção altera a composição gênica das populações. 38. Migração é a saída ou entrada de indivíduos em uma população. Como diferentes populações de uma mesma espécie nem sempre são isoladas, indivíduos podem migrar; ao se incorporar a uma população, denominam-se imigrantes e, ao sair dela, chamam-se emigrantes. Se um grupo de migrantes, constituído predominantemente por pessoas com determinada característica genética, migrar para uma região onde a maioria das pessoas não apresenta esta característica, haverá aumento da freqüência do alelo que condiciona a característica em questão e diminuição correspondente na freqüência do alelo alternativo. 39. Deriva gênica é a alteração súbita das freqüências gênicas de uma população pelo efeito do acaso e não por critérios de adaptação. Isso pode ocorrer devido a desastres ecológicos como incêndios florestais, inundações, desmatamentos etc. que podem reduzir tão drasticamente o tamanho de uma população que os poucos sobreviventes não constituem uma amostra representativa da população original, do ponto de vista genético. 40. Princípio do fundador é um caso extremo de deriva gênica em que uma nova população é “fundada” por um ou por poucos indivíduos, seja porque a população ancestral sofreu uma diminuição drástica, seja porque um pequeno número de indivíduos de uma população migrou para outra região, onde deu origem a uma nova população. Nessas condições, os indivíduos que iniciaram a nova população, por serem poucos, não constituem uma amostra representativa da população original. Há casos em que uma única fêmea grávida funda uma nova população. Essa fêmea obviamente não possuirá uma amostra significativa dos diferentes tipos de alelos presentes na população original. A deriva gênica parece ter sido um fenômeno comum na colonização de ilhas distantes dos continentes, às quais conseguem chegar poucos indivíduos provenientes das populações continentais. Nas ilhas, os “fundadores” iniciam populações cujas freqüências gênicas são geralmente bem diferentes das populações continentais originais.

A freqüência do alelo recessivo i (f(i) ou q) é obtida extraindo-se a raiz quadrada da freqüência dos homozigóticos, que é igual a q2. Assim, a freqüência do alelo recessivo é: q = √q2 = √0,09 = 0,3 Uma vez que p + q = 1, a freqüência do alelo dominante (f(I) ou p) pode ser assim calculada, com base na expressão p = 1 – q: p = 1 – 0,3 = 0,7 Uma vez calculadas as freqüências dos alelos I e i, podem-se estimar as freqüências de cada um dos genótipos, admitindo-se que a população esteja em equilíbrio quanto a esse par de alelos: f(II) = p2 = (0,7)2 = 0,49 ou 49% f(Ii) = 2pq = 2 x (0,7) x (0,3) = 0,42 ou 42% f(ii) = q2 = (0,3)2 = 0,09 ou 9% Basta multiplicar a freqüência com que ocorre cada uma dessas classes de fenótipos pelo número total de indivíduos da população para obtermos uma estimativa numérica para os genótipos sensíveis ao PTC: Número de pessoas com genótipo II = 0,49 x 800 = 392 Número de pessoas com genótipo Ii = 0,42 x 800 = 336

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CAPÍTULO

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Origem das espécies e dos grandes grupos de seres vivos
GUIA DE ESTUDO
1. Anagênese refere-se às mudanças evolutivas que ocorrem dentro de uma população, isto é, que podem ser compartilhadas por todos os seus componentes. Os processos anagenéticos são responsáveis pela lenta e contínua adaptação de uma população ao seu ambiente, e costumam ser denominados microevolução. 2. Cladogênese refere-se aos processos em que duas populações de uma mesma espécie se diversificam em duas novas espécies. 3. Os processos que levam à diversificação das categorias superiores à espécie na hierarquia taxonômica — gêneros, famílias, ordens etc. — e que continuam a ser motivo de controvérsia entre os cientistas constituem a macroevolução. 4. Gradualismo filético, ou simplesmente gradualismo, é a idéia de que as mudanças evolutivas processam-se lenta e continuamente, com os seres vivos adaptando-se gradualmente aos ambientes. Dois fatos levaram os cientistas a questionar o gradualismo. Primeiro: o documentário fóssil não mostra a sucessão gradual de mudanças dos fósseis mais antigos para os mais recentes, como seria esperado; novas variedades parecem surgir de repente, ao longo do tempo evolutivo. Um segundo argumento contra o gradualismo é a existência de tantas espécies diferentes atualmente. Se tivesse ocorrido apenas evolução gradual e constante, não deveríamos esperar mais semelhanças e intergradações entre os seres vivos? 5. A teoria do equilíbrio pontuado, proposta em 1972 pelos paleontologistas Niles Eldredge e Stephen Jay Gould, admite que as populações de seres vivos passam longos períodos evoluindo lentamente, sem alterações expressivas em suas características, seguidos por períodos rápidos de grandes mudanças. Nas fases evolutivas de poucas mudanças, denominadas estases (do latim stasis, estabilidade), que poderiam durar milhões de anos, estaria em atividade a seleção estabilizadora, que tende a conservar as características de populações bem adaptadas ao ambiente. De tempos em tempos, populações dessas espécies originariam
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

41. a

42. b

43. d

44. b

45. e

QUESTÕES DISCURSIVAS

46. A partir da freqüência dos indivíduos homozigóticos recessivos na população pode-se estimar a freqüência do alelo recessivo i. A freqüência de homozigóticos recessivos ii é obtida dividindo-se seu número (72) pelo total da população (800): 72 ÷ 800 = 0,09 ou 9%.

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linhagens novas (clados), que se diferenciariam “rapidamente” em novas espécies. Essa “rapidez” seria da ordem de algumas dezenas de milhares de anos, ou mais, um período muito curto na escala de tempo geológico. 6. Rélicos são “fósseis vivos”, isto é, organismos atuais que se assemelham muito a fósseis datados de milhões de anos atrás. Exemplos são os celacantos (Latimeria), os caranguejos-ferradura (Limulus), as cicas (Cycas) e a gincobiloba (Ginkgo biloba), entre outros. De acordo com o equilíbrio pontuado, espécies como essas estão bem adaptadas aos seus ambientes há muito tempo, encontrando-se em um longo período de estase. 7. De acordo com o conceito de Lineu, o termo espécie designa um conjunto de seres vivos em que os indivíduos têm grandes semelhanças físicas, apresentando um padrão morfológico comum e típico da espécie. 8. Para Mayr, espécie é um grupo de populações cujos indivíduos são capazes de se cruzar e produzir descendentes férteis, em condições naturais, estando reprodutivamente isolados de indivíduos de outras espécies. O critério fundamental dessa definição não é a morfologia, mas a capacidade de cruzamento entre seres de mesma espécie e a incapacidade de cruzamento entre seres de espécies diferentes. A limitação desta definição é que ela não se aplica a espécies que se reproduzem assexuadamente, como bactérias, vírus e certas espécies de outros grupos. Embora esses seres possam apresentar processos de mistura de material genético, não há reprodução sexuada como nos organismos eucarióticos. Nesses casos, a classificação deve usar critérios morfológicos, fisiológicos, bioquímicos e genéticos, na tentativa de estabelecer as diferenças entre os grupos e os possíveis graus de parentesco entre eles. 9. A espécie biológica é uma unidade reprodutiva porque seus membros não se cruzam com membros de outras espécies. É uma unidade ecológica porque tem características próprias e mantém relações bem definidas com o ambiente e com outras espécies. É uma unidade genética, porque tem um patrimônio gênico característico, que não se mistura com o de outras espécies. A espécie é uma unidade evolutiva porque está reprodutivamente isolada de outras espécies, seguindo um caminho evolutivo próprio e diferenciando-se de outras espécies. 10. Subespécies, ou raças, são populações de mesma espécie que diferem em determinadas características, estando adaptadas a ambientes diferentes. A formação de subespécies ocorre geralmente pelo isolamento de populações de uma espécie que, por deixarem de trocar genes entre si, vão se tornando geneticamente diferentes, devido ao acúmulo de mutações novas e à seleção de diferentes combinações gênicas, imposta pelos ambientes distintos. Pelo fato de estarem relativamente isoladas, adaptadas a ambientes particulares, as subespécies tendem a manter e a acentuar sua identidade. A formação de subespécies pode representar uma etapa de transição na formação de novas espécies. 11. Especiação alopátrica (do grego allós, outro, diferente) considera que o primeiro passo para a formação de duas novas espécies é a separação geográfica entre populações de uma espécie ancestral. Uma vez isoladas geograficamente, os cruzamentos entre os membros de duas populações deixam de ocorrer. Assim, mutações que ocorram em uma delas e que sejam adaptativas, não serão compartilhadas com a outra. A seleção natural atua diferenciadamente sobre os membros de cada população, conduzindo cada uma delas a uma adaptação particular. À medida que o tempo passa, a tendência é a progressiva diversificação do conjunto gênico de populações isoladas. 12. Especiação dicopátrica é uma forma de especiação alopátrica em que os indivíduos de uma espécie ancestral se separam inicialmente em duas grandes populações. O isolamento geográfico entre as duas populações pode ocorrer de diversas maneiras: o aparecimento de um rio cortando uma planície, o deslizamento de uma geleira, um derramamento de lava etc. O isolamento

geográfico também poderia ocorrer, por exemplo, se uma parcela significativa de uma população migrasse para outra região e deixasse de ter contato com a população original. À medida que o tempo passa, a tendência é a progressiva diversificação do conjunto gênico das duas populações isoladas, que terminam por perder a capacidade de se cruzar, tornando-se reprodutivamente isoladas. A partir daí, as populações são consideradas espécies distintas. 13. O conceito de isolamento reprodutivo, que distingue duas espécies, é mais abrangente do que a simples incapacidade de elas se cruzarem. Mesmo que os membros de duas populações se cruzem e produzam descendentes, elas serão consideradas isoladas reprodutivamente se a descendência nas gerações seguintes não for fértil. Assim, o isolamento reprodutivo refere-se à capacidade de os conjuntos gênicos de duas populações se manterem isolados no decorrer do tempo. 14. No modelo da especiação peripátrica, grupos de indivíduos que vivem em áreas territoriais marginais da ocupada pelo grosso da população podem acumular diferenças em relação aos demais indivíduos. Isso porque, nessas áreas limítrofes, as condições ambientais diferem das condições da área geral, havendo microambientes aos quais as populações marginais se adaptam. Esses grupos periféricos podem, eventualmente, se isolar da população original, como se “brotassem” a partir dela. Segundo Mayr, esses grupos que se isolam da população original já apresentam características ligeiramente diferenciadas, em função da adaptação prévia às regiões periféricas da área de distribuição da população central. Nessas condições, um breve período de isolamento pode desencadear mudanças muito rápidas nos isolados periféricos, levando seus componentes a perder ou reduzir drasticamente a capacidade de se cruzar com os componentes da população original. Surgiriam, assim, novas espécies. 15. Especiação simpátrica é a formação de novas espécies sem que haja qualquer isolamento geográfico prévio. Uma das explicações para a especiação simpátrica seria a seleção disruptiva. Nesse caso, o favorecimento dos indivíduos com fenótipos extremos para uma característica poderia levar à seleção de genes ligados. Assim, ocorreria a diferenciação de conjuntos gênicos distintos dentro da mesma população, o que poderia, eventualmente, levar ao isolamento reprodutivo de seus portadores. 16. Em decorrência de erros ocorridos na meiose, alguns indivíduos podem formar gametas diplóides, em vez de haplóides. O encontro de gametas diplóides forma zigotos tetraplóides, que podem se desenvolver e originar indivíduos com número de cromossomos duplicado, em relação à espécie ancestral. Dois indivíduos tetraplóides podem se cruzar e produzir descendência fértil, enquanto o cruzamento entre um tetraplóide e um diplóide gera indivíduos triplóides, que são estéreis. A esterilidade dos indivíduos triplóides decorre do fato de seus cromossomos não poderem se emparelhar corretamente na meiose, o que produz gametas inviáveis. Assim, os indivíduos tetraplóides se tornam reprodutivamente isolados dos diplóides e passam a constituir uma nova espécie. A especiação por poliploidia é bem mais comum em plantas do que em animais. Há evidências de que diversas espécies de plantas cultivadas surgiram a partir de híbridos entre duas espécies diferentes. Por exemplo, o trigo comum (Triticum sativum), que possui 42 cromossomos, surgiu há aproximadamente 8 mil anos por hibridização de uma espécie de trigo de 28 cromossomos (Triticum turgidum) com um trigo selvagem de 14 cromossomos (Triticum tauchii). Além do trigo, o algodão, a batata e o tabaco, entre outras plantas, são espécies poliplóides originadas, provavelmente, por hibridização entre espécies diferentes. 17. Os processos de isolamento reprodutivo impedem que indivíduos de espécies diferentes troquem genes por cruzamento. Alguns desses processos impedem a formação do zigoto, sendo por isso chamados de pré-zigóticos, enquanto outros atuam depois de o zigoto ter-se formado, sendo por isso chamados de pós-zigóticos.

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18. a) No isolamento reprodutivo de hábitat duas espécies não se cruzam principalmente pelo fato de viverem em hábitats diferentes. b) No isolamento sazonal, ou estacional, os membros de duas espécies não se cruzam porque seus períodos de reprodução não coincidem. c) No isolamento etológico, ou comportamental, os membros de duas espécies não se cruzam porque seus comportamentos de corte, antes do acasalamento, são diferentes e incompatíveis. d) No isolamento mecânico, os membros de duas espécies não se cruzam por incompatibilidade entre seus órgãos reprodutores. Isso pode ocorrer tanto em animais, em que a diferença de tamanho ou forma dos órgãos genitais impede a cópula, como em plantas, em que o tubo polínico não consegue germinar no estigma de uma flor de outra espécie. 19. a) A inviabilidade do híbrido é um tipo de isolamento reprodutivo pós-zigótico em que os membros de duas espécies copulam e o zigoto se forma, mas o embrião morre prematuramente, devido à incompatibilidade entre os genes maternos e paternos. b) No caso da esterilidade do híbrido, as espécies cruzam-se e formase um híbrido entre elas, que pode ser até mais vigoroso que os membros das espécies parentais, porém é estéril. A esterilidade geralmente ocorre porque as gônadas se desenvolvem anormalmente ou porque a meiose é anormal. c) No caso conhecido como deterioração de F2, as espécies cruzam-se, a primeira geração de híbridos (F1) é normal e fértil, mas seus filhos, a geração F 2, são indivíduos fracos ou estéreis. Isso se deve à recombinação gênica incompatível durante a formação dos gametas que originam a geração F2. 20. Tempo geológico é o intervalo de tempo desde a origem da Terra até hoje. O tempo geológico costuma ser dividido em quatro grandes intervalos de tempo, as eras geológicas (Précambriana, Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica), cada uma caracterizada por ocorrências marcantes. As eras são subdivididas em unidades menores, os períodos geológicos. Até recentemente, a era Pré-cambriana era a única não subdividida em períodos, mas, em maio de 2004, a Comissão Internacional de Estratigrafia passou a incorporar um novo período à era Précambriana, denominado período Ediacara, caracterizado pela grande diversificação de animais invertebrados. Na era Cenozóica, os períodos são ainda subdivididos em unidades menores, as épocas geológicas. 21. O limite entre as eras Pré-cambriana e Paleozóica é marcado por um aumento significativo no número de fósseis, a partir de 570 milhões de anos atrás. As rochas pré-cambrianas contêm pouco fósseis, enquanto as rochas paleozóicas são relativamente ricas em vestígios de organismos que viveram na época de sua formação. A análise das rochas formadas no limite entre as duas primeiras eras revela profundas mudanças climáticas, com o término de um período de 200 milhões de anos de frio intenso, em que o planeta permaneceu totalmente coberto de gelo, e o início de um período com temperaturas mais amenas. Os cientistas acreditam que o aumento de temperatura tornou o ambiente mais favorável à vida, o que permitiu o surgimento de diversas espécies novas, fenômeno que ficou conhecido por “explosão cambriana”. O registro fóssil sugere que os ancestrais da maioria dos filos animais atuais surgiram em menos de 10 milhões de anos, durante a fase de transição entre a era Précambriana e a era Paleozóica. 22. O fim da era Paleozóica e início da era Mesozóica é marcado pela extinção de grande quantidade de espécies de seres vivos. Muitos fósseis presentes em rochas do fim do paleozóico não são mais encontrados nas rochas formadas em seguida, no início do mesozóico. Acredita-se que ocorreu uma grande catástrofe há cerca de 250 milhões de anos, que levou ao desaparecimento de cerca de 90% das espécies de seres vivos. Foi nessa época que emergiu dos mares um grande continente, a Pangea, que mais tarde viria a se fragmentar e originar os continentes atuais.

23. O limite entre as eras Mesozóica e Cenozóica também é marcado pela extinção de mais de metade das espécies de animais e de plantas, tanto marinhas como de terra firme. As mais conhecidas espécies extintas nessa transição foram as de dinossauros. Há evidências de que, na transição entre as eras Mesozóica e Cenozóica, a Terra novamente esfriou. Essa não seria, porém, a verdadeira causa das extinções, e sim a colisão de um grande asteróide com a Terra, que teria ocorrido há cerca de 65 milhões de anos. 24. Um passo importante na história da vida foi o aparecimento dos seres eucarióticos multicelulares, isto é, constituídos por muitas células. Nessa “estratégia”, células resultantes da multiplicação de uma célula inicial (o zigoto) passaram a viver juntas e a dividir as tarefas de sobrevivência. Com o tempo, surgiram organismos com células cada vez mais especializadas no desempenho de funções específicas, o que permitiu o aparecimento dos tecidos e dos órgãos dos organismos multicelulares. Fósseis de seres multicelulares aparecem pela primeira vez em rochas com cerca de 670 milhões de anos, pertencendo a algas filamentosas e animais invertebrados de corpo mole, semelhantes a águas-vivas e a certos vermes marinhos atuais. 25. Até cerca de 438 milhões de anos atrás, quando teve início o período Siluriano, a vida estava restrita aos mares. Nesse período, provavelmente a partir de um grupo de algas verdes, começaram a surgir as primeiras plantas dotadas de adaptações que lhes permitiam viver fora d’água. A quantidade de fósseis de plantas aumenta nas camadas de rocha seguintes, revelando que os continentes se tornaram habitados por uma vegetação primitiva, constituída por plantas de pequeno porte. A presença de plantas em terra firme criou condições para que animais também pudessem sair da água para o ambiente seco, pois agora tinham onde se abrigar e o que comer. Os fósseis revelam que os primeiros animais a conquistar o ambiente de terra firme foram os insetos e os aracnídeos. Em seguida, uma linhagem de peixes primitivos também conseguiu adaptar-se ao ambiente de terra firme, originando os anfíbios. 26. Os peixes com nadadeiras lobadas, os crossopterígios, cujos representantes atuais são os celacantos, teriam originado os animais de quatro pernas, os tetrápodes, grupo ao qual pertencem os anfíbios, os répteis, as aves e os mamíferos atuais. Os peixes crossopterígios apresentavam, na base de suas nadadeiras peitorais e pélvicas, uma parte carnosa suportada por um esqueleto ósseo interno. Acredita-se que esses peixes podiam apoiar-se no solo com as nadadeiras e “caminhar” pelo fundo de rios e lagos. Esse modo peculiar de movimentação teria permitido aos crossopterígios realizar incursões em terra firme, à procura de alimento. Gradativamente, eles teriam se adaptado às condições do meio aéreo e suas nadadeiras evoluíram, transformando-se em pernas. Essa foi a provável origem dos anfíbios, que teria ocorrido entre 408 e 360 milhões de anos atrás. 27. Os anfíbios expandiram-se durante o período Carbonífero, entre 360 milhões e 286 milhões de anos atrás, tendo sido o grupo de animais de grande porte dominante em terra firme por cerca de 75 milhões de anos. Eles declinaram no período Permiano, entre 286 milhões e 245 milhões de anos atrás, simultaneamente à expansão dos répteis, com os quais devem ter competido em desvantagem. 28. O desenvolvimento de vasos condutores de seiva permitiu que as plantas atingissem grande tamanho, formando matas nas margens de regiões alagadas. As primeiras plantas vasculares reproduziam-se de modo semelhante ao das pteridófitas atuais, com gametófitos que dependiam de ambientes úmidos para se desenvolver. No decorrer do período Devoniano, entre 408 e 360 milhões de anos atrás, surgiram espécies cujos gametófitos se desenvolviam sobre o corpo da planta-mãe, formando um tipo primitivo de semente. O aparecimento dessa inovação evolutiva foi um grande passo para a conquista definitiva do ambiente de terra firme pelas plantas. Tornando-se independentes da água
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líquida para a reprodução, as plantas puderam se expandir para locais distantes das regiões alagadas. Durante o período Carbonífero, entre 360 milhões e 286 milhões de anos atrás, grandes florestas passaram a cobrir os continentes, criando ambientes úmidos e protegidos, favoráveis à vida de insetos e de anfíbios. 29. Os répteis surgiram no período Carbonífero, entre 360 e 286 milhões de anos atrás, diversificando-se muito e tornando-se o grupo dominante no período seguinte, o Permiano. Uma aquisição evolutiva importante, que contribuiu definitivamente para o grande sucesso dos répteis, foi o aparecimento de ovos dotados de casca impermeável e que podiam armazenar grande quantidade de nutrientes. Com isso, os répteis deixaram de depender de ambientes aquáticos para se reproduzir e espalharam-se nos ambientes até então dominados por anfíbios de grande porte, competindo com eles e, provavelmente, causando sua extinção. 30. A partir do período Jurássico, entre 208 milhões e 144 milhões de anos atrás, um grupo de répteis conhecidos como dinossauros diversificou-se muito, passando a ser o grupo dominante nos ambientes de terra firme. Havia desde dinossauros pequenos, de tamanho comparável ao de uma galinha, até formas gigantescas, com mais de 10 metros de altura e dezenas de toneladas de massa. A maioria dos dinossauros era herbívora, mas também havia diversas espécies carnívoras, que se alimentavam de insetos, de anfíbios e de outros dinossauros. Alguns cientistas admitem que pelo menos alguns dinossauros tinham “sangue quente”, isto é, eram endotérmicos, como ocorre com as aves e mamíferos atuais. Há 65 milhões de anos, fim da era Mesozóica, ocorreu extinção em massa de diversas espécies de plantas e de animais, entre elas a maioria dos dinossauros. Acredita-se que essas extinções tenham sido causadas por uma mudança climática desencadeada pela queda de um cometa ou asteróide na superfície da Terra. 31. Acredita-se que as aves tenham surgido entre 245 milhões e 208 milhões de anos atrás, a partir de um grupo primitivo de répteis. Alguns zoólogos consideram que aves e répteis atuais, apesar das aparentes diferenças, são essencialmente semelhantes e deveriam ser incluídos na mesma classe. As novas descobertas paleontológicas revelaram que muitos répteis primitivos tinham o corpo coberto de penas, como o famoso Archaeopteryx, que viveu no fim do período Jurássico, há cerca de 150 milhões de anos. Em 1986 foram descobertos fósseis de um animal extinto classificado como Protoavis, que parece ser mais diretamente relacionado às aves atuais que o Archaeopteryx. No fim do período Cretáceo, há pouco mais de 65 milhões de anos, as aves já apresentavam muitas de suas características atuais, mas ainda conservavam dentes no bico. Atualmente, a classe das aves é muito diversificada, explorando com sucesso os ambientes aéreo, de terra firme e aquático. 32. Os mamíferos surgiram no período Triássico, há cerca de 230 milhões de anos, mas tiveram pouca expressão até por volta de 65 milhões de anos atrás, provavelmente devido à supremacia dos dinossauros. Com o desaparecimento destes, os primitivos mamíferos, então pouco maiores que um camundongo e com hábitos noturnos, diversificaram-se e expandiram-se. Segundo os cientistas, praticamente todos os mamíferos atuais surgiram a partir de dois grupos de mamíferos primitivos, que sobreviveram à catástrofe do final do mesozóico. Na Austrália, os marsupiais tiveram grande diversificação, originando diversas espécies, adaptadas aos mais diferentes hábitats. Na América do Sul, os mamíferos placentários foram os que mais se diversificaram e se expandiram, embora também tenha ocorrido certa diversificação de marsupiais. Na Europa e na América do Norte, não houve aparecimento de marsupiais, os mamíferos que evoluíram com grande sucesso nessas regiões foram os placentários, que se adaptaram aos mais diversos hábitats. Alguns grupos de placentários retornaram ao ambiente aquático, onde originaram os ancestrais de baleias, golfinhos, focas etc., enquanto outros, como roedores, carnívoros, ungulados e primatas, tornaram-se predominantes em terra firme. No final do período Terciário, há 2 milhões de anos, a América do Norte e a América

do Sul tornaram-se ligadas novamente pelo istmo do Panamá, após terem permanecido isoladas por cerca de 40 milhões de anos. Graças a essa ligação, diversas espécies de mamíferos migraram entre os dois continentes. Placentários invadiram a América do Sul, competindo com os placentários e com os marsupiais locais, causando a extinção da maioria das espécies. Apenas algumas espécies de marsupial sobreviventes, entre elas o gambá, conseguiram se estabelecer com sucesso no continente norte-americano. Durante o período Quaternário, iniciado há 2 milhões de anos, evoluíram as espécies modernas de mamíferos placentários, entre eles os ancestrais dos cavalos, dos elefantes, dos ursos e da espécie humana, que rapidamente se expandiram pelos diversos continentes, com exceção do australiano.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

33. d 39. c

34. a 40. b

35. c 41. b

36. b 42. a

37. d 43. e

38. a

QUESTÕES DISCURSIVAS

45. Duas situações podem ocorrer: 1) os membros das duas populações não serão mais capazes de se cruzar e/ou produzir descendentes férteis, constituindo duas espécies distintas; 2) os membros das duas populações poderão se cruzar e produzir descendentes férteis, misturando seus patrimônios genéticos. Nesse caso, ainda não teria havido especiação e as eventuais diferenças tenderiam a desaparecer com o tempo. 46. a) São espécies diferentes, pois estão isoladas reprodutivamente nas condições naturais. b) As duas espécies apresentam isolamento reprodutivo do tipo pré-zigótico, no caso, isolamento etológico ou comportamental.

CAPÍTULO

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evolução humana
GUIA DE ESTUDO
1. Os evolucionistas atualmente consideram que esses antropóides e a espécie humana tiveram um ancestral em comum há relativamente pouco tempo, possivelmente entre 8 e 5 milhões de anos atrás. 2. Para desvendar o parentesco e a história evolutiva dos organismos, os cientistas utilizam basicamente três tipos de evidências: a) semelhaças anatômicas e fisiológicas — no contexto da evolução humana, todos os estudos têm mostrado a grande semelhança anatômica entre a espécie humana e os antropóides, principalmente o chimpanzé. b) fósseis — Charles Darwin previu, em 1871, que seriam encontrados fósseis de ancestrais humanos na África. Ele baseou-se no fato de gorilas e chimpanzés, nossos prováveis parentes, serem encontrados apenas nesse continente, em que devia ter residido nossa ancestralidade. Em 1924, Raymond Dart (1893-1989), um professor de anatomia australiano, encontrou pela primeira vez, na África, o crânio fóssil de um hominídeo, classificado como Australopithecus africanus. c) semelhanças moleculares — um dos grandes avanços dos estudos de evolução veio da constatação de que a evolução das moléculas orgânicas dos seres vivos seguem os mesmos princípios que a das características anatômicas e fisiológicas. Conse-

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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44. Dois aspectos podem ser considerados: a) o desenvolvimento cultural e tecnológico da humanidade atenuou muito o papel da seleção natural, o que dificulta a especiação; b) graças aos cruzamentos inter-raciais, o fluxo gênico é mantido e impede a acentuação das eventuais diferenças.

qüentemente, as semelhanças moleculares, do mesmo modo que as semelhanças anatômicas, ajudam-nos a inferir o grau de parentesco evolutivo entre os organismos. Recentemente têm sido feitas comparações detalhadas entre ácidos nucléicos e proteínas dos mais diversos seres vivos. No caso da espécie humana, os resultados das análises comparativas mostraram que, de fato, os chimpanzés são mais semelhantes a nós, do ponto de vista molecular, que qualquer outro animal. 3. Filo Chordata – Classe Mammalia – Ordem Primates – Subordem Anthropoidea – Infra-ordem Catarrhini – Superfamília Hominoidea – Família Hominidae – Subfamília Homininae – Gênero Homo – Espécie Homo sapiens. 4. Acredita-se que os primatas tenham surgido por volta de 70 milhões de anos atrás, no fim do período Cretáceo, pouco antes da extinção dos dinossauros. Um fóssil supostamente pertencente ao ancestral de todos os primatas é o Purgatorius unio, um animal pequeno, do tamanho de um esquilo, de hábitos noturnos e que provavelmente se alimentava de insetos, sendo parecido com os musaranhos atuais da ordem Insetivora. O fóssil do mais antigo primata conhecido é o Plesiadapis, animal de pequeno porte, pesando entre 1kg e 3 kg, que viveu nas florestas da Europa e da América do Norte, e provavelmente também na África, há cerca de 60 milhões de anos. Nessa época, o clima voltava a esquentar, depois de uma longa glaciação, e estava ocorrendo grande diversificação das plantas angiospermas (plantas frutíferas). Os primeiros primatas logo se adaptaram à vida nas florestas em expansão, vivendo na copa das árvores e suplementando sua dieta insetívora com frutas e folhas. 5. Os macacos ou símios (subordem Anthropoidea) surgiram entre 33 milhões e 24 milhões de anos atrás, provavelmente do mesmo ancestral que originou prossímios e társios. Acredita-se que os primeiros macacos surgiram no sul da África, vivendo nas árvores e alimentando-se de folhas e frutos. De acordo com alguns estudiosos, grupos desses macacos teriam acidentalmente cruzado o Oceano Atlântico em jangadas naturais e assim invadido a América do Sul. Nessa época, a costa oeste da África e a costa leste da América do Sul situavam-se a pouco mais 1.000 km de distância. Aí teriam originado os platirrinos (infra-ordem Platyrrhini da subordem Anthropoidea, macacos do Novo Mundo). Os platirrinos apresentam 36 dentes e a maioria tem cauda preênsil, isto é, que permite agarrar fortemente as árvores. A infra-ordem dos platirrinos é dividida em duas famílias: Cebidae (sagüis, mico-leãodourado, mico-leão-de-cara-preta etc.) e Atelidae (macaco-aranha, mono-carvoeiro, guariba, uacari etc.). 6. Por volta de 33 milhões de anos atrás surgiram no norte da África os ancestrais dos catarrinos (infra-ordem Catarrhini da subordem Anthropoidea), grupo a que pertencemos. Os catarrinos têm crânio semelhante ao dos platirrinos, mas o nariz é mais estreito e a dentição é constituída por 32 dentes. Um fóssil representativo desse suposto ancestral dos catarrinos é o Aegyptopithecus sp., que viveu no Egito no fim do período Oligoceno, há cerca de 28 milhões de anos. Entre 23 milhões e 14 milhões de anos atrás, uma linhagem provavelmente derivada do Aegyptopithecus sp. teria originado, na África oriental, os ancestrais dos catarrinos atuais. O fóssil representativo dessa ancestralidade é o Proconsul africanus, pertencente a um grupo de fósseis denominados driopitecos. O mais antigo driopiteco teria surgido por volta de 20 milhões de anos atrás, e uma de suas linhagens teria originado o gênero Proconsul. Supõe-se que esses macacos pesassem cerca de 20 kg, assemelhando-se, em tamanho, aos chimpanzés atuais, com encéfalo relativamente menor. Ocupavam desde hábitats de florestas densas até matas mais abertas, eventualmente realizando incursões ao solo. As principais famílias de catarrinos são Cercopithecidae (babuínos, mandris, bonobos, colobos etc.), também chamados de macacos do Velho Mundo, Hylobatidae (gibões) e Hominidae (orangotangos, gorilas, chimpanzés e espécie humana). Os macacos destas duas últimas famílias são chamados de antropóides.

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7. A vida nas árvores influenciou fortemente a evolução dos primatas. A adaptação à vida arborícola exigiu que estes mudassem sua alimentação, que se tornou essencialmente herbívora, constituída de folhas, frutos e sementes, e desenvolvessem a capacidade de se agarrar e se locomover com segurança na copa das árvores. Acredita-se que o sucesso dos primatas no ambiente arborícola permitiu-lhes aumentar sua sobrevivência, prolongando assim a duração de seu ciclo de vida. Com isso, eles tiveram mais tempo para cuidar da prole e estabelecer os princípios da vida social, característica importante nos antropóides em geral e na espécie humana em particular. a) Primeiro dedo oponível: os primatas desenvolveram, entre outros atributos, membros superiores extremamente ágeis e habilidosos. Além da cintura escapular, que permite ampla rotação e liberdade de movimentos dos ombros e dos braços, as mãos dos primatas (e em certas espécies também os pés) são dotadas de grande mobilidade e flexibilidade, sendo capazes de agarrar objetos com força e precisão, graças à presença do primeiro dedo oponível, isto é, em posição que permite aproximar-se frontalmente de qualquer outro dedo, funcionando como pinça para agarrar. Essas características permitiram a nossos ancestrais saltar de galho em galho e explorar ativamente o ambiente à procura de alimento. b) Visão binocular ou estereoscópica: a proximidade entre os olhos, situados na região frontal do crânio, permite mirar o mesmo objeto com pequena diferença de ângulo visual; desse modo o cérebro pode calcular, por triangulação, a que distância se encontra o objeto. Essa capacidade, denominada visão binocular ou estereoscópica, foi de fundamental importância para a sobrevivência de nossos ancestrais no ambiente arborícola, onde um salto mal calculado podia ser fatal. c) Vida familiar e cuidado com a prole: os primatas são dedicados à prole. A maioria tem um único filhote por parto e cuida dele durante longo tempo. Na espécie humana, a maturidade é atrasada em relação à de todos os outros primatas. Com isso, os jovens seres humanos dependem dos pais por muito tempo, durante o qual aprendem valores culturais básicos. Essa característica, aliada a um sistema nervoso bem desenvolvido, foi fundamental para a evolução cultural da humanidade. 8. Os mais recentes estudos atribuem muitas das características tipicamente humanas à adaptação de nossos ancestrais a ambientes arborícolas, em um estágio inicial de sua evolução. Ao estágio arborícola sucedeu-se a adaptação da linhagem primata ao ambiente de savana, primeiro na orla das florestas e depois nas savanas abertas. Evidências geológicas sugerem que, por volta de 8 milhões de anos atrás, ocorreram na África movimentos de placas tectônicas, que elevaram as terras planas e fizeram surgir cadeias de montanhas. Com isso, houve modificação drástica do clima no leste do continente africano, que se tornou mais quente e seco que no lado oeste. Enquanto no lado oeste perduraram florestas exuberantes, onde viveram os ancestrais dos gorilas e chimpanzés, o lado leste (oriental) tornava-se progressivamente mais árido, com o aparecimento e a expansão de amplas áreas de savana, um tipo de campo com vegetação árborea, semelhante aos encontrados na África atual. Tudo indica que, nesses ambientes de transição entre florestas e savanas — as savanas arbóreas —, surgiram os ancestrais dos seres humanos. 9. O documentário fóssil mostra que, por volta de 4 milhões de anos atrás, surgiu na África o primeiro grupo de primatas considerados inequivocamente hominídeos, possivelmente ancestrais diretos do gênero humano: os australopitecos (gênero Australopithecus). Esses primatas adaptaram-se muito bem a um novo ambiente então em expansão no continente africano: as savanas arbóreas, campos que se desenvolviam na orla das florestas tropicais, as quais estavam em retração devido a mudanças climáticas. 10. Os australopitecos mediam entre 1 m e 1,5 m de altura (os machos eram maiores que as fêmeas), tinham testa relativamente curta e oblíqua e maxilares proeminentes. Seu volume craniano, que reflete o tamanho do encéfalo, situava-se em torno de 400 cm3 e 500 cm3, pouco maior que o de um chimpanzé atual (cerca de 400 cm3) e três vezes menor que a média dos seres humanos atuais (cerca de 1.350 cm3)
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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11. Os cientistas acreditam que os australopitecos constituíram um grupo de espécies muito bem-sucedido e diversificado, possivelmente distribuindo-se por grande parte da África, entre 4 milhões e 1 milhão de anos atrás, vivendo nas savanas arbóreas que se formavam junto à orla das florestas em retração. Na savana, as árvores eram menores que as da floresta e a distância entre elas era maior, impossibilitando a movimentação pela copa vegetal, como faziam os ancestrais dos australopitecos na mata tropical. Atualmente acredita-se que diversas espécies de australopitecos eram capazes de andar eretas ou semi-eretas sobre os membros inferiores, o que se denomina bipedalismo. Apesar disso, esses primatas provavelmente ainda dependiam muito de suas adaptações ao ambiente arborícola para se proteger e se alimentar. O grande desafio dos australopitecos era encontrar alimento na savana, bem mais árida que as florestas tropicais. Isso exigiu adaptações na dentição que permitissem mastigar alimentos vegetais duros, como sementes e raízes. 12. A história da evolução humana foi profundamente marcada pelas mudanças ambientais ocorridas na África, por volta de 2,5 milhões de anos atrás. O clima tornava-se progressivamente mais seco, semi-árido, o que coincidia com o início de um período glacial no Hemisfério Norte. As florestas reduziam-se e grande parte das savanas arbóreas transformava-se em savanas arbustivas, ou savanas abertas, constituídas por árvores e arbustos menores, e grandes áreas cobertas por gramíneas. Nas savanas abertas, os australopitecos ficavam em desvantagem em relação à savana arbórea, pois seu abrigo diminuíra. As savanas abertas, tendo vastas áreas de pastagens, possibilitaram a evolução de muitos tipos de mamíferos herbívoros (gnus, búfalos, girafas, antílopes etc.), e conseqüentemente de seus predadores (leões, leopardos, hienas, cães selvagens etc.), que também incluíram primatas em sua dieta. Nesse ambiente adverso, a maioria dos australopitecos extinguiu-se, mas algumas linhagens conseguiram desenvolver adaptações e sobreviver. As pressões seletivas sobre os australopitecos, nas savanas abertas, levaram ao aparecimento de novas linhagens de hominídeos, capazes de andar eretos, fabricar e utilizar ferramentas rudimentares e o fogo. O grande sucesso dessas linhagens deveu-se, certamente, ao desenvolvimento do sistema nervoso e da inteligência; começavam a surgir espécies primatas tipicamente humanas, as primeiras do gênero Homo. 13. Supõe-se que havia várias linhagens de H. erectus (grupo erectus) na África, há cerca de 1,8 milhão de anos. Uma ou algumas delas teria migrado para o leste e o sul da Ásia, há cerca de 1 milhão de anos, originando as linhagens asiáticas de H. erectus, que se extinguiram há cerca de 200 mil anos. Outra teria permanecido na África e originado o H. ergaster, considerado por alguns uma subespécie de H. erectus. Ancestrais do H. ergaster teriam migrado para a Europa e oeste da Ásia, onde fundaram linhagens ocidentais de H. erectus, uma das quais teria originado o H. neanderthalensis (neandertalenses ou “homens de Neandertal”), que se extinguiu há cerca de 27 mil anos. Por volta dos 200 mil anos atrás, na África, possivelmente a partir de linhagens de H. ergaster, surgiu a espécie humana moderna, Homo sapiens, à qual pertencemos. 14. Embora variado, o grupo de espécies classificado como Homo erectus tinha como representantes hominídeos de postura ereta e maxilares menos proeminentes que seus antecessores australopitecos. Eram mais altos, possivelmente entre 1,50 m e 1,60 m, e pesavam entre 55 kg e 85 kg. A testa era baixa, dotada de grandes protuberâncias ósseas em torno das órbitas oculares (pregas supra-orbitais) características que ainda revelavam claramente o parentesco com os símios. Os fósseis mais antigos de H. erectus indicam que seu volume craniano era da ordem de 850 cm3. Fósseis mais recentes apresentam volume craniano superior a 1.000 cm3, indicando que houve aumento significativo do tamanho do encéfalo do H. erectus, durante o período em que ele existiu. O aumento expressivo do volume craniano está relaciona-

do ao aumento do tamanho do cérebro e da inteligência. H. erectus era capaz de fabricar ferramentas relativamente avançadas, dotadas de cabo e com grande variedade de formatos e aplicações. Para se proteger do frio e dos inimigos, vestia-se com pele de animais, fazia fogueiras e morava em cavernas. Essas habilidades permitiram ao H. erectus explorar diferentes ambientes. Alguns cientistas acreditam que H. erectus era um caçador eficiente, capaz de abater presas de grande porte, o que indicaria cooperação entre os indivíduos de um grupo que, posteriormente, repartiam o alimento. Outros acham que, embora inteligente, ele talvez fosse um coletor de alimento e comedor de carniça, aproveitando os restos de caça deixados por outros animais. 15. No período que vai de 200 mil a 27 mil anos atrás, viveram na Europa e no Oriente Médio os conhecidos “homens de Neandertal” ou neandertalenses, atualmente classificados como Homo neanderthalensis. Esqueletos fósseis de neandertalenses indicam que eles eram fortes e atarracados, tinham entre 1,55 m e 1,65 m de altura e pesavam entre 60 kg e 70 kg. Seu volume craniano — em alguns fósseis até 1.600 cm3 — é ligeiramente maior que o dos seres humanos modernos, mas sua testa (parte frontal do crânio) era oblíqua, e a maior parte do volume craniano estava concentrada na parte occipital. O rosto dos neandertalenses tinha feições rústicas, com pregas supra-orbitais proeminentes e maxilares salientes. As características físicas dos neandertalenses, como o corpo e os membros curtos e compactos, indicam sua adaptação ao clima frio da Europa, na época em que viveram. Pesquisas recentes sugerem que as linhagens que originaram H. neanderthalensis e H. sapiens separaram-se há mais de 500 mil anos, possivelmente a partir de populações ancestrais de H. ergaster (do grupo erectus). Na Europa, há fósseis que documentam a sucessão de formas representadas por H. erectus até H. heidelbergensis, entre 500 mil e 200 anos mil atrás. Esta última espécie teria originado, por sua vez, populações arcaicas de H. neanderthalensis, que se expandiram pela Europa e Oriente Médio. 16. O desaparecimento relativamente súbito dos neandertalenses na Europa, entre 30 mil e 27 mil anos atrás, é atribuído à chegada de populações de H. sapiens provenientes da África (via oeste da Ásia), entre 40 mil e 35 mil anos atrás. Estes, muito mais avançados culturalmente que os neandertalenses, colonizaram a Europa e o Oriente Médio, competindo com eles e possivelmente levando-os à extinção. 17. O grupo de espécies do Homo erectus dominou o mundo entre 1,8 milhão e 200 mil anos atrás, quando se extinguiu. De acordo com a hipótese mais aceita atualmente, a espécie humana moderna, Homo sapiens, surgiu na África, entre 200 mil e 150 mil anos atrás, a partir de linhagens de H. ergaster. Daí teria irradiado para fora da África e colonizado os outros continentes (hipótese da “origem única na África”). Acredita-se que entre 100 mil e 70 mil anos atrás, a espécie humana moderna irradiou da África para a Ásia, de onde atingiu o continente australiano, entre 60 mil e 50 mil anos atrás, e a Europa, há cerca de 40 mil anos. Entre 14 mil e 11 mil anos atrás, grupos humanos vindos da Ásia atravessaram o Estreito de Bering e chegaram ao continente americano. Segundo alguns estudiosos, a passagem pelo Estreito de Bering poderia ter ocorrido por volta de 40 mil anos, mas há poucas evidências a respeito.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

18. d 24. c

19. b 25. a

20. d 26. d

21. c

22. b

23. a

QUESTÕES DISCURSIVAS

Professor, oriente a discussão do grupo de modo que as hipóteses apresentadas sejam debatidas considerando as variáveis: escolaridade, profissão, religião e idade dos entrevistados.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

CAPÍTULO

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Fundamentos da Ecologia
GUIA DE ESTUDO
1. Ecologia é o ramo da ciência que estuda as relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem. Trata-se de uma ciência multidisciplinar, que engloba diversos ramos do conhecimento. Além da Biologia, da Física e da Química, também as ciências econômicas e sociais têm de ser integradas para que se possa entender a complexidade das relações entre a humanidade, os outros seres vivos e o planeta. 2. Felizmente, nas últimas décadas, a humanidade parece ter despertado para os problemas ambientais causados pela expansão da população humana. Estamos tomando consciência de que é preciso fazer algo para evitar a degradação do ambiente favorável à vida em nosso planeta. Nesse contexto, os conhecimentos ecológicos são fundamentais para tentarmos reverter alguns dos graves problemas ambientais que nós mesmos provocamos. A primeira atitude para proteger o ambiente é compreender a intrincada rede que interliga os seres vivos e o meio. 3. Biosfera é a região do ambiente terrestre onde encontramos seres vivos. Ela estende-se desde as profundezas dos oceanos até o topo das mais altas montanhas. A maioria dos seres vivos habita regiões situadas até 5 km acima do nível do mar. Nos oceanos, a maioria dos seres vivos vive na faixa que vai da superfície até 150 m de profundidade, embora diversas espécies de animais e de bactérias vivam a mais de 9 km de profundidade. 4. a) População biológica é um conjunto de seres de mesma espécie que vive em determinada área geográfica; b) O conjunto de populações de diferentes espécies que vivem em uma mesma região constitui a comunidade biológica, também chamada biota ou biocenose. A comunidade de uma floresta, por exemplo, compõe-se de populações de arbustos, árvores, pássaros, formigas, microrganismos etc., que convivem e se inter-relacionam. Além de se inter-relacionar, os seres de uma comunidade biológica, denominados componentes bióticos da comunidade, interagem com fatores não-vivos do ambiente, denominados componentes abióticos, dos quais dependem para viver; c) Os fatores abióticos, representados por aspectos físicos e geoquímicos do meio, constituem o biótopo, termo que significa “o local em que vive a biocenose”. No exemplo da floresta, o biótopo é a área que contém o solo (com seus minerais e água) e a atmosfera (com seus gases, umidade, temperatura, grau de luminosidade etc.). 5. Hábitat é o ambiente em que vive determinada espécie ou comunidade, caracterizado por suas propriedades físicas e bióticas. Quando dizemos que certa espécie vive na praia e que outra vive na copa das árvores, estamos nos referindo aos hábitats dessas espécies. 6. Nicho ecológico é o conjunto de interações adaptativas de uma espécie em seu hábitat. Essa adaptação envolve um conjunto de relações e de atividades características da espécie no ambiente, que vai desde os tipos de alimento utilizados até as condições de reprodução, tipo de moradia, hábitos, inimigos naturais, estratégias de sobrevivência etc. Segundo o zoólogo inglês C. Elton: “Nicho ecológico é o conjunto de relações e atividades próprias de uma espécie, ou seja, o ‘modo de vida’ único e particular que cada espécie explora no hábitat”. 7. Quando duas espécies de uma biocenose exploram nichos ecológicos semelhantes, estabelece-se entre elas uma competição por um ou mais recursos limitados do meio. Por exemplo, espécies que comem capim, como os gafanhotos e o gado, competem

por alimento. Plantas cujas raízes estão na mesma profundidade do solo competem por água e por nutrientes minerais limitados. Com base nessas observações, o cientista russo Gause concluiu que, se duas espécies ocuparem exatamente o mesmo nicho ecológico, a competição entre elas será tão severa que não poderão conviver. Essa premissa ficou conhecida como princípio de Gause ou princípio da exclusão competitiva. 8. A competição entre duas espécies que exploram o mesmo nicho ecológico pode levar a três diferentes situações: a) a extinção de uma das espécies; b) a explulsão de uma das espécies do território; c) a adaptação de uma ou ambas as espécies a seus nichos ecológicos, considerando a competição. 9. Ecossistema é uma unidade discreta em que seres vivos (biocenose) e componentes não-vivos (biótopo) interagem, formando um sistema estável. Os princípios que definem um ecossistema se aplicam em todas as escalas, desde um pequeno lago até o nível planetário. Assim, um ecossistema pode ser tanto uma floresta, um lago, uma ilha, um recife de corais ou um aquário auto-suficiente, com plantas, peixes, bactérias, algas etc. O maior ecossistema do planeta é a própria biosfera, tomada em sua totalidade. 10. Cadeia alimentar pode ser definida como uma série linear de organismos através dos quais flui a energia captada originalmente pelos seres autotróficos (fossintetizantes e quimiossintetizantes) e a matéria onde essa energia fica armazenada. Cada elo da cadeia, representada por um organismo, alimenta-se do organismo que o precede e serve de alimento para o organismo que o sucede. Na construção de uma cadeia alimentar admitese que cada organismo ou espécie participante alimenta-se exclusivamente de um outro tipo de organismo. Isso, no entanto, raramente ocorre na natureza, em que o normal é um organismo alimentar-se de diversas outras espécies. Por exemplo, em um ecossistema de campo, a série constituída por plantas de capim, que são comidas por gafanhotos, que são comidos por pássaros insetívoros, que são comidos por serpentes constitui uma cadeia alimentar. 11. Cada um dos elos de uma cadeia alimentar constitui um nível trófico. Os produtores formam o primeiro nível trófico de qualquer cadeia alimentar. Os seres que se alimentam diretamente dos produtores, denominados consumidores primários, constituem o segundo nível trófico; os seguintes, que se alimentam dos consumidores primários, denominados consumidores secundários, constituem o terceiro nível trófico e assim por diante. 12. Decompositores são certos fungos e bactérias que, para obter energia, decompõem a matéria orgânica dos cadáveres, além das substâncias contidas em resíduos e excreções dos animais. A decomposição é importante por permitir a reciclagem de elementos e substâncias, que podem voltar a fazer parte de outros seres vivos. 13. Cadeias alimentares não ocorrem isoladas nos ecossistemas. As relações alimentares entre os organismos de uma comunidade são muito complexas e um mesmo organismo pode participar de diversas cadeias alimentares, até mesmo em níveis tróficos diferentes. As relações alimentares entre os diversos organismos de um ecossistema costumam ser representadas por meio de diagramas, denominados teias alimentares, ou redes alimentares. Estes compõem-se de diversas cadeias alimentares interligadas por meio de linhas que unem os diversos componentes da comunidade entre si, evidenciando suas relações alimentares. 14. Onívoros são organismos que apresentam alimentação variada. É o caso da espécie humana, por exemplo. Comemos vegetais, desempenhando o papel de consumidores primários, mas também comemos carne de animais, desempenhando o papel de consumidores secundários ou terciários.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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15. a) Na maioria dos ecossistemas terrestres, os produtores são representados por plantas como árvores, arbustos e plantas herbáceas. Os consumidores primários de uma floresta podem variar desde pequenos invertebrados (minhocas, insetos, caracóis etc.) até vertebrados (pássaros, roedores etc.). Os consumidores secundários e terciários de uma floresta são insetos predadores, anfíbios e aves insetívoras, serpentes, aves de rapina e mamíferos carnívoros, entre outros. b) No mar e nos grandes lagos, os produtores são seres microscópicos, principalmente bactérias e algas microscópicas, que flutuam próximo à superfície, constituindo o fitoplâncton (do grego phyton, planta, e plankton, errante). A maioria dos consumidores de fitoplâncton é de seres minúsculos, que flutuam ao sabor das correntezas e constituem o zooplâncton (do grego zoon, animal). Os principais componentes do zooplâncton são protozoários, pequenos crustáceos, vermes, moluscos e larvas de diversas espécies. Outros consumidores de fitoplâncton, além dos animais do zooplâncton, são certas espécies de peixe. No mar e nos lagos, os consumidores secundários e terciários são representados principalmente por peixes.

CAPÍTULO

14

ENERGIA E MATÉRIA NOS ECOSSISTEMAS
GUIA DE ESTUDO
1. A transferência de energia na cadeia alimentar é unidirecional porque tem início com a captação da energia luminosa pelos produtores, que é liberada ao longo das cadeias alimentares na forma de calor; a transferência de energia termina com a ação dos decompositores. 2. Em uma cadeia alimentar, a quantidade de energia de um nível trófico é sempre maior que a do nível seguinte. Isso ocorre porque todos os seres vivos consomem parte da energia do alimento para a manutenção de sua própria vida, não a transferindo, portanto, para o nível trófico seguinte. Por exemplo, do total de matéria orgânica produzida por uma planta, cerca de 15% são degradados no processo de respiração celular, que fornece energia para a manutenção dos processos vitais. Quando comem as plantas, portanto, os herbívoros têm à sua disposição apenas 85% da energia originalmente armazenada nas substâncias orgânicas produzidas pela fotossíntese. Além disso, quando um animal come uma planta ou outro animal, parte da energia contida no alimento não é aproveitada, sendo perdida nas fezes. Por exemplo, um herbívoro consegue aproveitar apenas 10% da energia contida no alimento que ingere; o restante, cerca de 90%, é eliminado nas substâncias que compõem as fezes do animal. Da energia efetivamente aproveitada, cerca de 15% a 20% são empregados na manutenção do metabolismo, e o que sobra fica acumulado nas substâncias que compõem os tecidos corporais. Quando come um herbívoro, um carnívoro aproveita aproximadamente 50% da energia disponível no alimento que ingere; o restante é eliminado nas fezes. Da metade aproveitada, 15% a 20% são utilizados na manutenção do metabolismo. O mesmo ocorre nos níveis tróficos seguintes. Assim, a energia obtida originalmente do Sol vai se dissipando ao longo dos níveis tróficos dos ecossistemas. Conseqüentemente, para se manterem, os ecossistemas dependem do fornecimento constante da energia luminosa do Sol. 3. Biomassa é a massa de matéria orgânica contida em um ser vivo (ou em um conjunto de seres vivos); ela reflete a quantidade de energia contida nos organismos e disponível para transferência ao nível trófico seguinte. 4. Pirâmides de energia são gráficos que apresentam forma de pirâmide e representam as quantidades de energia ou de biomassa em cada nível trófico. Nesse tipo de representação, a base corresponde ao nível trófico dos produtores; na seqüência são representados os níveis dos consumidores primários, dos consumidores secundários, e assim por diante. A largura de cada nível representa a quantidade de energia ou de matéria orgânica disponível para o nível trófico seguinte. 5. Pirâmide de números é um tipo de representação gráfica que indica a quantidade de indivíduos que compõem cada nível trófico de uma cadeia alimentar. Por exemplo, na cadeia alimentar formada por capim, gafanhotos e sapos, uma pirâmide de números mostra a quantidade de plantas, de insetos e de sapos, que compõem, respectivamente, o nível dos produtores, o nível dos consumidores primários e o nível dos consumidores secundários. Eventualmente, se há apenas um produtor de tamanho grande (uma árvore, por exemplo) e muitos consumidores secundários (lagartas de borboleta, por exemplo), o gráfico não terá formato de pirâmide, embora receba a denominação pirâmide de números.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

16. c 20. 2

17. d 21. d

18. 3 22. c

19. 1 23. b

QUESTÕES DISCURSIVAS

24. Teia alimentar
PEIXES CARNÍVOROS BACTÉRIAS E FUNGOS

ZOOPLÂNCTON

PEIXES HERBÍVOROS

FITOPLÂNCTON

PLANTAS LACUSTRES

25. Teia alimentar
BACTÉRIAS E FUNGOS

PIOLHO VÍBORAS CORRUÍRAS MOSQUITOS CORUJAS

GAFANHOTOS

COELHOS

ALFAFA

26. O aquário A se assemelha mais a um ecossistema, uma vez que nele encontramos representantes de diversos níveis tróficos; eventualmente, ele poderia se manter sem interferência externa. Já no aquário B, pela falta de produtores, é fundamental a colocação de alimento para que seus componentes permaneçam vivos.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

6. Produtividade primária bruta (PPB) é a quantidade de energia que os seres fotossintetizantes conseguem converter em biomassa, em determinado intervalo de tempo. Produtividade primária líquida (PPL) é a energia que está realmente disponível para transferência ao nível trófico seguinte, depois de descontadas as perdas energéticas ocorridas na respiração celular. Representando respiração celular por R, temos que: PPL = PPB – R. O estudo da transferência de energia entre os seres vivos é de grande importância para a humanidade, pelo fato de a espécie humana participar de diversas cadeias alimentares, de terra firme e aquáticas. 7. Se uma cadeia alimentar apresentar menos níveis tróficos, nela ocorrerão perdas energéticas relativamente menores, uma vez que as maiores perdas de energia ocorrem, precisamente, na transferência de um nível trófico para outro. Por exemplo, é preciso usar quase 1 tonelada de vegetais para alimentar um número de coelhos que forneça apenas 250 kg de carne. Portanto, é menos dispendioso, embora nem sempre adequado ao paladar humano, usar diretamente os vegetais como alimento, evitando a perda energética que ocorre na transferência para o nível dos herbívoros.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

13.
CICLO DA ÁGUA Formas de obtenção Funções nos seres vivos Formas de devolução ao ambiente

Plantas obtêm Solvente; a água As plantas eliminam água por transágua do solo, constitui os flui- piração; os animais eliminam água por pela absorção das dos celulares e transpiração e também na urina e nas raízes. Animais corporais; é rea- fezes. Ao morrerem, plantas e animais bebem ou obtêm gente de inúme- são decompostos e a água que fazia água contida nos ras reações quí- parte de sua constituição retorna ao alimentos. micas biológicas. ambiente.

14.
CICLO DO CARBONO Forma química disponível no ambiente Formas de obtenção pelos seres vivos Formas de devolução ao ambiente

Na atmosfera, o As plantas captam CO2 Plantas e animais eliminam CO2 carbono está dis- e o utilizam na fo- na respiração celular; os aniponível na forma tossíntese para produ- mais eliminam carbono (C) nas de gás carbônico zir substâncias orgâni- substâncias das fezes. Ao mor(CO2). cas. Animais obtêm rerem, plantas e animais são carbono (C) comendo decompostos e os átomos de plantas ou outros ani- C que faziam parte de sua mais. constituição retornam ao ambiente na forma de CO2.

8. A explicação para a maior produtividade do ecossistema marinho é que nas algas do fitoplâncton não há, como nas plantas, tecidos não-produtivos, isto é, que não fazem fotossíntese, como madeira, fibras etc. O ciclo de vida das algas é curto, possibilitando que a quantidade de energia por elas absorvida seja rapidamente liberada pela morte e decomposição dos indivíduos, sem acúmulo de biomassa. Por outro lado, em uma floresta grande parte da energia absorvida na fotossíntese fica armazenada na madeira das árvores, constituindo uma biomassa improdutiva e de longa duração. 9. Produtividade secundária líquida (PSL) é a biomassa elaborada no corpo de um animal herbívoro em determinado intervalo de tempo; ela corresponde à energia que o herbívoro conseguiu absorver dos alimentos que ingeriu, já subtraído o que foi gasto para manter seu metabolismo. Por exemplo, com uma tonelada de alfafa pode-se alimentar um bezerro ou trezentos coelhos. Ambos produzirão a mesma quantidade de carne a partir da alfafa, mas os coelhos estarão prontos para o abate em 30 dias, enquanto o bezerro levará 120 dias. Portanto a PSL dos coelhos é quatro vezes maior que a dos bezerros. 10. Ciclo biogeoquímico é a passagem de elementos químicos (ou água) da matéria orgânica constituinte dos seres vivos ao ambiente e vice-versa. Uma vez que elementos químicos que faziam parte de seres vivos voltam ao ambiente não-vivo, fala-se em ciclo biogeoquímico (do grego bios, vida, e geo, Terra), para ressaltar o fato de que os elementos químicos circulam entre os seres vivos e o planeta. 11. O processo de reciclagem dos elementos químicos na natureza é realizado principalmente por certos fungos e bactérias decompositores. Nutrindo-se dos cadáveres dos mais diversos seres vivos, os decompositores promovem sua degradação, transformando as substâncias orgânicas do cadáver em substâncias mais simples, que passam para o ambiente não-vivo e podem ser reutilizadas por outros seres, como matéria-prima para a fabricação de suas substâncias orgânicas. Se não houvesse reaproveitamento dos componentes da matéria dos cadáveres, alguns dos elementos fundamentais para constituir novos seres vivos poderiam se esgotar. 12. O pequeno ciclo da água é o ciclo das chuvas, em que a água dos oceanos, lagos, rios, geleiras e mesmo a embebida no solo evapora, passando à forma gasosa. Nas camadas mais altas da atmosfera, o vapor d’água condensa-se e origina nuvens, retornando à crosta terrestre na forma de chuva. O grande ciclo da água é aquele do qual participam os seres vivos.

15. No passado, cadáveres de grande quantidade de organismos não foram decompostos, em geral por terem sido rapidamente sepultados no fundo do mar sob depósitos de sedimentos que depois se tornaram rochas. Os resíduos orgânicos desses seres soterrados sofreram lentas transformações químicas e se transformaram nos chamados combustíveis fósseis, como o carvão mineral, o gás natural e o petróleo. A energia contida nas substâncias que formam esses combustíveis foi, portanto, originalmente captada da luz solar pela fotossíntese, milhões de anos atrás. A utilização de combustíveis fósseis pela humanidade tem restituído à atmosfera, na forma de CO2, os átomos de carbono que ficaram fora de circulação durante milhões de anos. Devido à queima desses combustíveis, a concentração de gás carbônico no ar aumentou, nos últimos 100 anos, de 0,029% para quase 0,04%. Embora pareça pequeno, esse aumento representa, em termos proporcionais, quase 40%. De acordo com muitos cientistas, o aumento do teor de CO2 na atmosfera tem provocado a elevação da temperatura média da Terra, em razão do efeito estufa. 16. Fixação do nitrogênio é a incorporação de átomos de nitrogênio do N2 atmosférico (gás nitrogênio ou nitrogênio molecular) em moléculas orgânicas. A grande maioria dos seres vivos não consegue utilizar nitrogênio na forma de N2 e por isso depende de umas poucas espécies de bactéria, conhecidas genericamente como bactérias fixadoras de nitrogênio, capazes de utilizar diretamente o nitrogênio do N2, incorporando-o em suas moléculas. 17. Algumas bactérias de vida livre, entre elas as cianobactérias, fixam o nitrogênio da atmosfera. Outras bactérias fixadoras de nitrogênio, no entanto, vivem no interior de células de organismos eucarióticos. Esse é o caso das bactérias do gênero Rhizobium (rizóbios), que vivem associadas principalmente às plantas leguminosas (feijão, soja, ervilha etc.). Essas bactérias invadem as raízes de plantas jovens, instalando-se e reproduzindo-se no interior de suas células. As bactérias estimulam a multiplicação das células infectadas, o que leva à formação de tumores, denominados nódulos. Graças à associação com os rizóbios, as plantas leguminosas podem viver em solos pobres

RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

67

em compostos nitrogenados, nos quais outras plantas não se desenvolvem bem. Os rizóbios, por sua vez, também se beneficiam com a associação, pois utilizam como alimento substâncias orgânicas produzidas pela planta. Ao morrerem e se decomporem, as plantas leguminosas liberam, em forma de amônia, o nitrogênio de suas moléculas orgânicas, fertilizando o solo. 18. Nitrificação é o processo de formação de nitratos no solo que ocorre pela ação conjunta de dois grupos de bactérias quimiossintetizantes, conhecidas genericamente como bactérias nitrificantes. As primeiras bactérias a atuar na nitrificação pertencem ao gênero Nitrosomonas. Elas realizam a oxidação da amônia (NH3), processo em que essa substância se combina com moléculas de gás oxigênio (O2), produzindo o ânion nitrito – (NO 2 ). Essa reação libera energia, utilizada pela bactéria em seu metabolismo. O nitrito é tóxico para as plantas, mas raramente se acumula no solo por muito tempo, pois é rapidamente oxidado por bactérias do gênero Nitrobacter, que o transfor– mam em nitratos (NO 3 ). Essa reação também libera energia, utilizada pelas bactérias em seu metabolismo. O nitrato é facilmente assimilado pelas plantas. O nitrogênio (N) que o compõe passa a fazer parte de moléculas orgânicas vegetais, principalmente proteínas e ácidos nucléicos. Quando as plantas são comidas por herbívoros, as substâncias orgânicas nitrogenadas são utilizadas para a constituição das moléculas animais. O mesmo ocorre nos níveis tróficos superiores das cadeias alimentares. 19. Desnitrificação é a degradação de compostos nitrogenados realizada para obtenção de energia, por certas bactérias do solo, denominadas genericamente bactérias desnitrificantes. Essas bactérias liberam gás nitrogênio, que retorna à atmosfera. 20. Adubação verde é o aumento do teor de nitrogênio disponível no solo por meio do cultivo de plantas leguminosas como soja, alfafa, feijão, ervilha etc., que abrigam em suas raízes bactérias fixadoras de nitrogênio do gênero Rhizobium. As leguminosas podem ser plantadas tanto junto com plantas não-leguminosas, formando as chamadas plantações consorciadas, como em períodos alternados com cultivo de outras plantas, processo que é chamado de rotação de culturas. Em campos experimentais plantados com leguminosas como alfafa e soja, verificou-se aumento de até 100 vezes na quantidade de nitrogênio fixado, em relação a um ecossistema natural. 21.
CICLO DO NITROGÊNIO Forma química disponível no ambiente Formas de obtenção pelos seres vivos Formas de devolução ao ambiente

versa. Trata-se de um ciclo complexo, pois o oxigênio é utilizado e liberado pelos seres vivos na forma de substâncias diversas, como gás carbônico, gás oxigênio e água. O principal reservatório de oxigênio para os seres vivos é a atmosfera, onde esse elemento se encontra nas formas de gás oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2). O O2 é utilizado na respiração aeróbia de plantas e animais. Nesse processo, os átomos de oxigênio combinam-se com átomos de hidrogênio, formando moléculas de água, que podem ser utilizadas na síntese de outras substâncias, de modo que seus átomos de oxigênio tornam-se componentes delas. O CO2 atmosférico é utilizado no processo de fotossíntese e os átomos de oxigênio dessa molécula passam a fazer parte da matéria orgânica das plantas. Pela respiração celular, e também pela decomposição dessa matéria orgânica, o oxigênio é restituído à atmosfera passando a fazer parte de moléculas de água e de gás carbônico. 23. Nas altas camadas da atmosfera, uma das formas de radiação ultravioleta emitida pelo Sol (ultravioleta curta) causa a ruptura de uma certa quantidade de moléculas de gás oxigênio (O2), com liberação de átomos isolados que imediatamente reagem com moléculas de O2, formando o gás ozônio (O3). Essa reação ocorre a altitudes entre 20 km e 40 km acima do nível do mar.
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24. O ozônio forma, na alta atmosfera, uma camada que constitui um escudo protetor contra a penetração de um tipo de radiação ultravioleta do Sol, a ultravioleta longa, muito prejudicial aos seres vivos. Se essa radiação atingisse livremente a superfície do planeta, muitos organismos morreriam. A radiação ultravioleta longa aumenta significativamente a taxa de mutação dos genes, sendo um dos principais fatores responsáveis pela ocorrência de câncer de pele na espécie humana. 25. A principal causa da destruição da camada de ozônio é a liberação, na atmosfera, de gases do grupo dos clorofluorcarbonos, abreviadamente chamados de CFCs. Os CFCs são gases sintéticos (isto é, produzidos em laboratórios e indústrias) utilizados em aerossóis, em compressores de geladeiras e liberados durante a fabricação de certos tipos de plástico utilizados em embalagens. Os CFCs acumulam-se nas altas camadas da atmosfera, onde o cloro presente em suas moléculas reage com moléculas de ozônio, quebrando-as. O ozônio forma um escudo protetor contra a penetração de um tipo de radiação ultravioleta do Sol, a ultravioleta longa, muito prejudicial aos seres vivos. Se essa radiação ultravioleta atingisse livremente a superfície do planeta, muitos organismos morreriam. A radiação ultravioleta longa aumenta significativamente a taxa de mutação dos genes, sendo um dos principais fatores responsáveis pela ocorrência do câncer de pele na espécie humana. 26. a) O fósforo faz parte de moléculas orgânicas importantes, como o material hereditário e o ATP. O composto de fósforo 3– importante para os seres vivos é o íon fosfato (PO4 ). As plantas obtêm fósforo do ambiente absorvendo fosfatos dissolvidos na água e no solo. Os animais obtêm fosfatos na água e no alimento. b) Por meio dos processos de decomposição da matéria orgânica, o fósforo é devolvido ao solo ou à água. Parte dele é levada pelas chuvas para lagos e mares, onde acaba se incorporando às rochas. Nesse caso, o fósforo só retorna aos ecossistemas bem mais tarde, quando essas rochas se elevam em conseqüência de processos geológicos e, na superfície, são decompostas e transformadas em solo. Assim, podemse distinguir dois aspectos do ciclo do fósforo, relacionados a escalas de tempo bem diferentes. Uma parte do elemento é reciclada localmente entre o solo, plantas, consumidores e decompositores, em um tempo relativamente curto, que podemos chamar de ciclo de tempo ecológico. Outra parte do fósforo ambiental é sedimentada e incorporada às rochas, e seu ciclo dá-se em um tempo bem mais longo que, por isso, pode ser chamado de ciclo de tempo geológico.

Na atmosfera, na Bactérias fixadoras de nitrogê- Plantas e animais, ao morforma de gás ni- nio como os rizóbios fixam o rer, são decompostos e o trogênio (N2). nitrogênio atmosférico. Com nitrogênio volta ao ambia decomposição, o nitrogênio ente na forma de amônia. na forma de amônia chega ao Animais excretam comsolo. Bactérias nitrificantes postos nitrogenados (uréia convertem amônia em nitra- etc.). Bactérias desnitos, a forma que é mais bem trificantes no solo utilizam assimilada pelas plantas. Ani- compostos nitrogenados e mais obtêm nitrogênio ao co- liberam gás nitrogênio mer plantas ou outros animais. para o ambiente.

22. Gás oxigênio, gás carbônico e água constituem as três principais fontes inorgânicas de átomos de oxigênio para os seres vivos e realizam constantes trocas de átomos entre si, durante os processos metabólicos da biosfera. O ciclo do oxigênio consiste na passagem de átomos de oxigênio de compostos inorgânicos do ambiente para substâncias orgânicas dos seres vivos, e vice-

68

RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

Taxa de crescimento = absoluto

Nf – Ni t

27. c

28. b

29. c

30. c

31. d

32. b

em que Ni = número de indivíduos no início do período considerado; Nf = número de indivíduos no final do período considerado; t = duração do período considerado. 4. Taxa de crescimento relativo é a variação do número de indivíduos de uma população em relação ao seu número inicial. Para se determinar a taxa de crescimento relativo toma-se o número de indivíduos da população no tempo final (Nf), subtrai-se dele o número de indivíduos da população no tempo inicial (Ni), e divide-se o resultado obtido pelo número de indivíduos que havia na população no tempo inicial (Ni). Com isso, determina-se a taxa de crescimento em relação ao tamanho da população.
Taxa de crescimento (Nf – Ni) / Ni = relativo t

QUESTÕES DISCURSIVAS

33. Nesse ecossistema não haveria decomposição dos dejetos e dos cadáveres, o que levaria ao acúmulo de matéria orgânica não-decomposta e, posteriormente, à falta de matéria-prima para a formação de novos indivíduos. É pela decomposição que os nutrientes retornam ao ambiente, participando dos ciclos biogeoquímicos. 34. Esquema da pirâmide:
Consumidores terciários: 1,5 g/m2 Consumidores secundários: 11 g/m2 Consumidores primários: 37 g/m2 Produtores: 809 g/m2

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35. Orientar os estudantes a calcular o comprimento, em centímetros, de cada nível trófico das pirâmides de biomassa; as dimensões calculadas mostram como ficaria difícil fazer a representação em escala, devido à grande diferença de tamanho dos níveis. Para o ecossistema terrestre, os dados seriam: produtores = 520 cm; consumidores primários = 0,07 cm; consumidores secundários = 0,01 cm. Para o ecossistema aquático, os dados seriam: produtores = 680 cm; consumidores primários = 120 cm; consumidores secundários = 9 cm 36. Professor, oriente os estudantes a pesquisar e a discutir os resultados de suas pesquisas. Se sua escola estiver conectada à Internet, pode-se pesquisar o assunto nos sites da Petrobras (www.petrobras.com.br) e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) (www.anp.gov.br).

Para uma população em que o número inicial de indivíduos era 10.000 e passou a 40.000, em 3 horas, TCR = (40.000 – 10.000) / 10.000 / 3 h = 1 indivíduo / hora. Para outra em que o número inicial de indivíduos era 200.000 e passou a 500.000, em 3 horas, TCR = (500.000 – 200.000) / 200.000 / 3 h = 0,5 indivíduo / hora. 5. O crescimento de uma população é determinado, fundamentalmente, por dois fenômenos opostos: a natalidade (número de indivíduos que nascem) e a mortalidade (número de indivíduos que morrem). Outros fatores que também afetam o tamanho de uma população são a imigração, que é a entrada de novos indivíduos na população, e a emigração, que é a saída de indivíduos da população. 6. Na espécie humana, costuma-se expressar a taxa de natalidade como o número de crianças nascidas no período de um ano para cada 1.000 habitantes da população. Analogamente, taxa de mortalidade é o número de óbitos (mortes) ocorridos no período de um ano para cada 1.000 habitantes da população. Ao expressarmos esses números por 1.000 habitantes, estamos “relativizando-os”, ou seja, tornando-os comparáveis aos de outras populações. Por exemplo, se ocorreram dois nascimentos no ano em uma população de 1.000 habitantes, a taxa de natalidade é igual a 2 /1.000, o dobro da taxa de natalidade de uma população de 4.000 habitantes na qual tenham nascido 4 pessoas no ano (4/4.000 ou 1/1.000). Taxa de natalidade = Número de nascimentos no ano/1.000 pessoas Taxa de mortalidade = Número de mortes no ano/1.000 pessoas 7. Índice de fertilidade é o número médio de descendentes produzidos por uma fêmea durante seu período reprodutivo. Na espécie humana, se uma população tiver índice de fertilidade igual a 2, isso significa que a média de filhos de um casal é 2; nesse caso, os filhos da geração seguinte simplesmente substituem seus pais, em termos do número de pessoas da população. Em outras palavras, a população tende a se manter estável. Por isso, costuma-se dizer que, com um índice de fertilidade igual a 2, a reprodução atua em nível de substituição da geração anterior. Se o índice de fertilidade for superior a 2, isso indica uma tendência ao crescimento populacional; se for inferior a 2, indica diminuição do tamanho da população. 8. Potencial biótico é a capacidade de crescimento pleno de uma população biológica. 9. Resistência do meio é o conjunto de fatores ambientais que limitam o crescimento de uma população. Em condições natuRESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

CAPÍTULO

15

DINÂMICA DAS POPULAÇÕES BIOLÓGICAS
GUIA DE ESTUDO
1. População biológica é um grupo de indivíduos de mesma espécie que convivem em determinada área geográfica. A população é uma unidade importante no estudo da Ecologia porque evolui e se adapta ao ambiente, comportando-se de forma dinâmica no ecossistema. 2. Densidade populacional é o número de indivíduos de uma mesma espécie que vive em determinada área ou volume:
Densidade = populacional Número de indivíduos Área ou volume

A densidade das populações humanas, denominada densidade demográfica, é calculada a partir de recenseamentos periódicos, os censos demográficos. Por exemplo, o censo realizado no ano 2000 mostrou que a população brasileira estava constituída por 169 milhões de pessoas distribuídas pelos quase 8,5 milhões de quilômetros quadrados de superfície do território nacional. Assim, a densidade demográfica do Brasil, naquele ano, era de 19,8 habitantes por quilômetro quadrado (hab./km2). 3. Taxa de crescimento de uma população é a variação (aumento ou diminuição) no número de indivíduos em determinado intervalo de tempo. Fala-se em taxa de crescimento absoluto quando não se leva em conta o tamanho da população, mas apenas a variação do número de indivíduos no período considerado. Essa relação está expressa no esquema a seguir:

69

rais, o potencial de crescimento de uma população é limitado pela disponibilidade de alimento, de espaço e de abrigo, além do fato de poderem existir predadores, parasitas e populações competidoras. A resistência do meio aumenta proporcionalmente ao aumento da densidade populacional, até se atingir um ponto em que as taxas de natalidade e de mortalidade sejam equivalentes e o número de indivíduos da população permaneça mais ou menos constante ao longo do tempo. 10. Carga biótica máxima do meio é o tamanho máximo de determinada população que um ambiente pode suportar. 11. Segundo o princípio da exclusão competitiva, se duas espécies apresentam nichos ecológicos muito semelhantes, elas tendem a competir acirradamente e, provavelmente, uma acabará eliminando a outra ou a forçará a emigrar. 12. Os principais fatores ambientais que limitam o crescimento de uma população são: densidade populacional, disponibilidade de alimentos, competição entre os indivíduos da própria espécie (competição intra-específica), competição entre indivíduos de espécies diferentes (interespecífica), predatismo e parasitismo. Uma população em equilíbrio pode sofrer os efeitos do aumento da intensidade de um ou mais fatores limitantes, o que causa diminuição do tamanho populacional. O abrandamento de um fator limitante, por outro lado, pode determinar maior taxa de crescimento. Os fatores limitantes variam constantemente de intensidade, o que acarreta flutuações no tamanho das populações naturais. 13. Pirâmides de idade, ou pirâmides etárias, são representações gráficas que expressam a distribuição dos indivíduos de uma população por faixas de idade. Populações jovens, com alta taxa de crescimento, têm gráficos realmente em forma de pirâmide, com a base mais larga que o ápice, o que indica elevada taxa de natalidade. Em populações que controlam a natalidade, o gráfico pode perder a forma de pirâmide, sendo a base, em certos casos, mais estreita que o ápice. A análise de pirâmides de idade pode revelar futuras tendências da população. Por exemplo, uma população com muitas pessoas na faixa de idade entre 0-14 anos (pirâmide de base larga) indica que, nos anos seguintes, grande número de pessoas entrará na idade reprodutiva, o que permite prever crescimento da população nos próximos anos.

24. No gráfico 1 estão representadas as curvas de potencial biótico para as espécies A e B. A curva para a espécie B, no gráfico 2, representa curva de crescimento logística. Quando as espécies A e B estão reunidas, as condições para ambas as espécies pioram depois de algum tempo. É possível, por exemplo, que haja competição entre as espécies. 25. Pirâmides de idade:
País A 65 ou mais 40-64 15-39 0-14 3,8% 16,4% 39,2% 40,6% País B 17,3% 30,6% 33,3% 18,8%

CAPÍTULO

16

Relações ECOLÓGICAS entre seres vivos
GUIA DE ESTUDO
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1. Relações intra-específicas são as que se estabelecem entre indivíduos de mesma espécie, enquanto relações interespecíficas são as que se estabelecem entre indivíduos de espécies diferentes. Exemplo de relação intra-específica é a sociedade; de relação interespecífica é a predação. 2. Competição intra-específica é a disputa, entre indivíduos de mesma espécie, por um ou mais recursos do ambiente. Dependendo da espécie, pode ocorrer competição por água, alimento, minerais, luz, locais para construir os ninhos, parceiros para reprodução etc. Além da luta física por alimento ou por parceiros de reprodução, a competição também pode se manifestar de outras formas. Por exemplo, se um animal é muito ativo na procura de alimento, ele tende a levar vantagem competitiva sobre outro mais lento, principalmente se o alimento for escasso. Plantas podem competir por água e por nutrientes disponíveis no solo, e também por locais onde a luminosidade seja mais adequada. Em certas regiões desérticas, por exemplo, nota-se uma distribuição espaçada dos indivíduos de certas populações de plantas. Isso se deve à competição pelo suprimento de água no solo: como duas plantas não podem crescer muito perto uma da outra devido à escassez de água, elas distribuem-se com certa homogeneidade na área ocupada pela população. 3. Colônias são relações de cooperação intra-específica, em que indivíduos de mesma espécie vivem agrupados, interagindo de forma mutuamente vantajosa. Entre os componentes de uma colônia há sempre divisão de trabalho, cujo grau varia de acordo com a espécie. Quando os indivíduos de uma colônia são semelhantes, a colônia é considerada isomorfa; quando a colônia é formada por indivíduos diferentes, fala-se em colônia heteromorfa. A alga colonial Volvox, que vive em água doce, é um exemplo de colônia heteromorfa. Outro exemplo de colônia heteromorfa é o cnidário Physalia pelagica, conhecido como caravela-portuguesa. Outro cnidário colonial é a Obelia, em que as colônias são heteromorfas, com indivíduos alimentadores, chamados de gastrozóides, e indivíduos reprodutores, chamados de gonozóides. Os corais são cnidários que apresentam colônias isomorfas, com um esqueleto calcário compartilhado por centenas, milhares ou milhões de indivíduos muito semelhantes. 4. Sociedades são grupos de organismos de mesma espécie em que os indivíduos apresentam algum grau de cooperação entre si e relativa independência e mobilidade. Estas últimas características distinguem sociedade de colônia, na qual os indivíduos são fisicamente unidos. Diversas espécies, inclusive a nossa, vivem em sociedade. Exemplos de sociedades altamente organizadas são encontrados nos insetos sociais das ordens Hymenoptera (abelhas, formigas e vespas) e Isoptera (cupins).

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

14. b 18. a

15. c 19. c

16. b; d 20. b

17. a; c 21. d

QUESTÕES DISCURSIVAS

22. A curva de potencial biótico (CPB) representa o potencial de crescimento de uma população que encontrasse condições ideais de alimento, de espaço etc. O meio, entretanto, impõe restrições ao crescimento potencial, o que se chama resistência do meio (R), caracterizada pela restrição de espaço, de obtenção de alimento, pela competição, predação, parasitismo etc. Da interação do potencial biótico com a resistência do meio surge a curva de crescimento real para dada situação ambiental a que se encontra submetida uma espécie. 23. a) Número de indivíduos em cada ano: 1) 140; 2) 211; 3) 312; 4) 433; 5) 453; 6) 449. Os estudantes devem ser orientados a construir um gráfico de linhas com esses dados (ordenadas = número de indivíduos; abscissas = tempo em anos). b) Densidade populacional a cada ano (indivíduos por km2): 1) 140; 2) 211; 3) 312; 4) 433; 5) 453; 6) 449. Os estudantes devem ser orientados a construir um gráfico de barras com esses dados. c) Aparentemente o tamanho da população se estabilizou. O fator mais provável para isso é a escassez de recursos do meio devido ao aumento populacional. Nos anos seguintes é provável que o número de indivíduos oscile em torno do mesmo valor observado no último ano, considerando-se que já foi atingido o número de indivíduos que o meio pode suportar.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

5. Castas sociais são os diferentes tipos de indivíduo, que exercem funções bem definidas em certas espécies de insetos sociais. Na sociedade das abelhas, por exemplo, há três castas básicas: rainha, zangão e operária. Na sociedade de certas formigas há a casta dos reis (rainha e rei), dos soldados etc. 6. Em Apis mellifera, a rainha pode colocar dois tipos de ovo: nãofecundado e fecundado. Os ovos não-fecundados desenvolvemse normalmente, fenômeno conhecido como partenogênese (do grego partenós, virgem, não-fecundado, e genesis, origem), e originam machos haplóides com cromossomos exclusivamente maternos. Ovos fecundados originam fêmeas diplóides. Estas podem desenvolver-se como operárias ou como rainhas, dependendo do tipo de alimentação que recebem na fase larval. Larvas de operárias e de zangões são alimentadas principalmente com mel, enquanto certas larvas, alimentadas com uma substância especial, a geléia real, transformam-se em rainhas. Ao atingir a maturidade sexual, as jovens rainhas abandonam a colméia, seguidas por um pequeno “séquito” de operárias e zangões, e fundam colméias novas. 7. Quando analisadas sob o ponto de vista de ganho ou perda para os indivíduos envolvidos, as relações ecológicas interespecíficas podem ser classificadas em positivas ou negativas. Relações ecológicas positivas são aquelas em que um ou ambos os indivíduos associados beneficiam-se e não há prejuízo para nenhuma das partes. Relações ecológicas negativas são aquelas em que há prejuízo para um dos participantes da relação, ou para ambos. 8. Protocooperação ou mutualismo facultativo, também chamado apenas cooperação, é um tipo de relação ecológica em que as espécies associadas trocam benefícios, mas também podem viver sozinhas. Um exemplo de protocooperação é a relação entre crustáceos do gênero Pagurus, conhecidos como caranguejoseremita, e algumas espécies de anêmona-do-mar (filo Cnidaria). Outro exemplo de protocooperação é a relação entre grandes mamíferos, como bois, búfalos e rinocerontes, e aves que comem seus carrapatos. Crocodilos também convivem cooperativamente com aves que entram em sua boca, removendo detritos e sanguessugas de suas gengivas. 9. Herbivoria é a relação em que animais herbívoros comem partes vivas de plantas. Do ponto de vista individual, há prejuízo para as plantas e benefício para os animais que delas se alimentam. Essa relação, entretanto, é uma das mais importantes na natureza: é por meio da herbivoria que a energia captada da luz solar pelos produtores pode passar para os demais níveis tróficos das cadeias alimentares. 10. Predação é a relação em que uma espécie animal, predadora, mata e come indivíduos de outra espécie animal, que constituem suas presas. Do ponto de vista individual, as espécies predadoras beneficiam-se, enquanto as presas são prejudicadas. Do ponto de vista ecológico, a predação é um mecanismo que regula a densidade populacional, tanto para presas como para predadores. A estreita correlação observada entre as flutuações no tamanho das populações de predadores e presas é da maior importância para a sobrevivência de ambas. 11. Quando duas espécies de uma comunidade disputam os mesmos recursos do ambiente, pode-se dizer que seus nichos ecológicos se “sobrepõem”, e ocorre competição interespecífica. Por exemplo, espécies que comem capim, como os gafanhotos e o gado, competem por alimento: ocorre sobreposição da parte de seus nichos referentes à alimentação. Plantas cujas raízes estão na mesma profundidade do solo competem por água e por nutrientes minerais. Quanto mais os nichos ecológicos das espécies são semelhantes, ou seja, quanto mais sobrepostos eles são, mais intensa é a competição entre as espécies. A competição interespecífica pode resultar tanto na extinção de uma das espécies como levá-la a migrar, procurando uma área disponível e sem espécies competidoras.

12. Simbiose é toda relação ecológica próxima e interdependente de certas espécies de uma comunidade, com conseqüências vantajosas ou desvantajosas para pelo menos uma das partes. Podem-se distinguir quatro tipos de simbiose: inquilinismo, comensalismo, mutualismo e parasitismo. 13. Inquilinismo é a relação em que uma espécie “inquilina” vive sobre ou no interior de uma espécie hospedeira, sem prejudicá-la. O recurso principal buscado pelo inquilino, como o próprio nome indica, é abrigo e moradia. Por exemplo, orquídeas, bromélias e samambaias que crescem sobre outras plantas são exemplos de inquilinismo. Nesses casos, as espécies inquilinas são chamadas de epífitas (do grego epi, sobre, e phytos, planta). A vantagem das epífitas em crescer sobre árvores de grande porte é obter maior suprimento de luz para a fotossíntese, principalmente no ambiente pouco iluminado do interior das florestas. 14. No comensalismo, assim como no inquilinismo, uma das espécies é beneficiada pela simbiose, enquanto a outra, aparentemente, não obtém nenhum benefício com a relação, embora não sofra prejuízo. O recurso principal buscado pelo comensal, como o próprio nome indica, é alimento. Um exemplo clássico de comensalismo é a associação entre a rêmora (ou peixe-piloto) e o tubarão. A rêmora possui uma estrutura dorsal aderente, comparável a uma ventosa, o apreensório, com o qual se prende ao corpo de tubarões. O tubarão fornece transporte gratuito para a rêmora e parece não se importar com sua presença. As rêmoras alimentam-se dos restos das presas caçadas pelos tubarões, obtendo vantagens com a associação. A relação entre hienas e leões também é um caso de comensalismo. As hienas acompanham, a distância, bandos de leões, servindo-se dos restos da caça abandonados por eles. Em certos casos, é difícil estabelecer a diferença entre inquilinismo e comensalismo. Por exemplo, diversas espécies de peixe-palhaço encontram abrigo e proteção entre os tentáculos de certas anêmonas-do-mar. Falaríamos, portanto, que se trata de uma relação de inquilinismo. Entretanto, se os peixes-palhaço aproveitarem restos da alimentação da anêmona, além de utilizá-la como abrigo, a relação seria mais bem classificada como comensalismo. 15. Mutualismo, também chamado de mutualismo obrigatório, é um tipo de simbiose em que ambas as espécies que interagem obtêm benefícios. O mutualismo obrigatório difere da protocooperação pelo fato de ser permanente e indispensável à sobrevivência dos indivíduos associados; como vimos, na protocooperação os indivíduos das espécies participantes da relação podem viver associados ou não. Um exemplo de mutualismo é a interação de certas espécies de cupins de madeira e microrganismos (bactérias e protozoários) que habitam seu intestino. Outro exemplo de mutualismo é encontrado nos liquens, que são organismos formados pela associação de certas espécies de fungos e certas algas ou cianobactérias. Um terceiro exemplo de mutualismo é a associação entre determinados fungos e as raízes de certas plantas, formando as chamadas micorrizas. 16. Parasitismo é o tipo de simbiose em que uma espécie parasita associa-se a outra — a espécie hospedeira —, causando-lhe prejuízos por alimentar-se à sua custa. Em geral, espécies parasitas e hospedeiras estão bem adaptadas umas às outras, de modo que a relação causa poucos prejuízos ao organismo parasitado. Basta pensar que, se um parasita matar seu hospedeiro, ele também morrerá; portanto, a tendência é que a relação parasitária se torne equilibrada ao longo das gerações, o parasita adaptando-se ao hospedeiro, e vice-versa, fenômeno denominado coadaptação. Organismos parasitas podem viver na superfície externa do hospedeiro, sendo então chamados ectoparasitos, ou viver no interior do corpo do hospedeiro, sendo chamados endoparasitos. Exemplos de ectoparasitos são piolhos e carrapatos, e de endoparasitos são as lombrigas, solitárias, bactérias, vírus e muitos outros. Há animais ectoparasitos
RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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de plantas, como os pulgões, por exemplo, que sugam seiva elaborada dos caules através de suas longas trombas. Há também plantas parasitas de outras plantas. O cipó-chumbo, por exemplo, é uma planta parasita de cor amarela, sem folhas nem clorofila, com aparência de “fios-de-ovos”, que cresce sobre outras plantas. A erva-de-passarinho é uma planta “hemiparasita”, pois extrai das plantas hospedeiras apenas substâncias inorgânicas.

36. Nos dois casos há benefícios mútuos. Na situação em que há alta especificidade entre inseto e planta, fala-se em mutualismo, e quando não há especificidade, fala-se em protocooperação. 37. I) Predatismo, pois a espécie B se desenvolve melhor quando associada à espécie A, a qual é claramente prejudicada. II) Comensalismo: a espécie B é claramente beneficiada com a associação, e a espécie A não é afetada. 38. a) Parasitismo, pois a broca (parasita) causa danos às árvores (hospedeiras). b) Predatismo, pois os pica-paus (predadores) alimentam-se das brocas (presas). c) Poderia ser classificado como protocooperação, pois os pica-paus beneficiam as árvores ao comer as brocas. As árvores, por sua vez, beneficiam os picapaus porque lhes fornecem alimento (as brocas). 39. A relação entre os fungos e as formigas é um exemplo de mutualismo, porque um depende do outro para sobreviver; o fungo precisa das condições criadas pelas formigas para se desenvolver e as formigas dependem do fungo como alimento.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

17. g 23. b 29. c

18. g 24. h 30. d

19. f 25. i 31. e

20. c 26. b 32. d

21. e 27. d 33. a

22. b 28. c 34. e

QUESTÕES DISCURSIVAS

35. Relações ecológicas

CAPÍTULO
RELAÇÃO INFRAESPECÍFICA COLÔNIA CARACTERÍSTICAS Indivíduos agrupados, com união física entre si, com ou sem divisão de trabalho (ex.: corais). Indivíduos agrupados, sem união física entre si, com organização social e divisão de trabalho (ex.: colméia de abelhas). Disputa entre indivíduos pelos mesmos recursos (em praticamente todas as espécies). EFEITOS DE UM ASSOCIADO SOBRE OUTRO +/+

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Sucessão ecológica e biomas
GUIA DE ESTUDO
1. Espécies pioneiras são aquelas que conseguem se instalar em lugares inóspitos, suportando suas severas condições e abrindo caminho para a chegada de outras espécies. Gramíneas que colonizam dunas de areia e liquens que colonizam rochas nuas são exemplos de espécies pioneiras. 2. Sucessão ecológica é um processo gradativo de colonização de um hábitat, em que a composição das comunidades vai se alterando ao longo do tempo. Sucessão primária é a que ocorre em uma área antes desabitada, cujas condições iniciais eram altamente desfavoráveis à vida. Ex.: a sucessão que ocorre em uma lava vulcânica. Sucessão secundária é a que ocorre em locais desabitados, mas que já foram anteriormente ocupados por uma comunidade biológica e, por isso, apresentam condições iniciais relativamente favoráveis ao estabelecimento de uma comunidade biológica. Ex.: a sucessão que ocorre em um campo de cultivo abandonado em uma área florestal. 3. Microclima refere-se às condições ambientais particulares do biótopo ao qual estão adaptadas determinadas espécies.

SOCIEDADE

+/+

COMPETIÇÃO

–/–

RELAÇÃO INTERESPECÍFICA

CARACTERÍSTICAS Associação não obrigatória entre indivíduos, com benefícios mútuos (ex.: anêmona-do-mar / caranguejo-eremita). Associação em que um dos associados usa o outro como apoio ou moradia, sem prejudicá-lo (ex.: planta epífita / planta que a abriga). Relação entre animais e as plantas que lhes servem de alimento (ex.: gafanhoto / capim). Relação em que um animal mata e devora outro (ex.: camundongo / coruja). Relação entre organismos que ocupam nichos ecológicos semelhantes (ex.: gafanhoto / taturanas). Relação em que um dos associados se beneficia de outro, sem prejudicá-lo (ex.: hiena / leão). Relação em que um dos associados se beneficia de outro, causando-lhe prejuízos (ex.: lombriga / ser humano). Associação obrigatória, com benefícios mútuos (ex.: alga / fungo no liquen).

EFEITOS DE UM ASSOCIADO SOBRE OUTRO

PROTOCOOPERAÇÃO

+/+

INQUILINISMO

+/0

HERBIVORIA

+/–

PREDAÇÃO

+/–

COMPETIÇÃO

–/–

COMENSALISMO

+/0

PARASITISMO

+/–

4. a) Os organismos das comunidades em sucessão provocam modificações na estrutura física do hábitat e no clima, inaugurando nichos ecológicos novos, que favorecem a chegada de novas espécies. Por exemplo, plantas suculentas criam o nicho ideal para pulgões e para outros insetos herbívoros. Estes, por sua vez, servem de alimento a insetos predadores, que servirão de alimento a pássaros insetívoros e assim por diante. b) O aparecimento de novos nichos ecológicos leva ao aumento da diversidade de espécies na comunidade, ou seja, ao aumento da biodiversidade. Com isso, aumenta o número total de indivíduos capazes de viver na comunidade e, portanto, a biomassa do ecossistema em sucessão. c) O crescimento da teia de relações entre seus componentes permite à comunidade ajustar-se cada vez mais às variações impostas pelo meio, aumentando sua homeostase, isto é, sua capacidade de manter-se estável apesar das variações ambientais. 5. Comunidade clímax é uma comunidade estável, em que a biodiversidade, a biomassa e as condições microclimáticas tendem a manter-se constantes. Nesse estágio é atingido o máximo da homeostase. O clímax é um estado de estabilidade da comunidade resultante da sucessão compatível com as condições da região.

MUTUALISMO

+/+

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

6. O desenvolvimento que uma comunidade pode atingir, isto é, seu clímax, depende de um conjunto de características do meio. As mais importantes são o clima — que inclui a temperatura ambiental, o índice de chuvas etc. — e o tipo de solo presentes na região. 7. Insolação é a quantidade de radiação solar que atinge a superfície terrestre. A insolação depende de dois fatores principais: a latitude e a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao ângulo de incidência dos raios solares. Na linha do equador, isto é, na latitude zero, os feixes de radiação solar incidem quase perpendicularmente à superfície terrestre, enquanto nas regiões situadas em latitudes crescentes, norte e sul, os feixes incidem obliquamente, devido à curvatura da Terra. Conseqüentemente, no equador, a mesma quantidade de energia solar distribui-se em uma área menor de superfície terrestre que junto dos pólos; por isso no equador, a mesma quantidade de energia solar aquece mais determinada área da superfície que nos pólos. 8. O eixo de rotação da Terra apresenta uma inclinação da ordem de 23,5° (graus de circunferência) em relação ao Sol. A inclinação do eixo não se altera ao longo do ano, de tal maneira que, no início do ano, o hemisfério norte está inclinado para longe do Sol. Isso, além de fazer os feixes de radiação incidirem obliquamente à superfície do hemisfério norte, também diminui a duração dos dias, resultando em temperaturas baixas. No hemisfério sul ocorre o contrário. 9. Nas regiões equatoriais, o ar, por estar fortemente aquecido pelo calor que irradia do solo, sobe (por estar menos denso) e gera uma zona de baixa pressão, que é imediatamente ocupada por ar mais frio. Esse movimento do ar devido ao aquecimento desigual é conhecido como corrente de convecção. O ar aquecido desloca-se afastando-se do equador e, próximo das latitudes de 30° norte e sul, a massa de ar desce. Junto à superfície, a atmosfera novamente se aquece, subindo e deslocando-se até 60° de latitude, onde desce novamente. Uma terceira e última convecção leva massas atmosféricas até as regiões polares. Pesadas chuvas ocorrem quando o ar aquecido sobe e se resfria, principalmente nas regiões tropicais, onde a evaporação é intensa. Muitas das regiões desérticas do planeta encontram-se justamente nas latitudes de 30° norte e sul, onde as massas de ar seco descem sobre a superfície terrestre. Ao se aquecerem, subindo novamente, as massas de ar carregam a umidade da região, tornando-a seca. 10. A água dos mares e dos oceanos circula, formando correntes resultantes do efeito combinado dos ventos e da rotação da Terra. No hemisfério norte, as correntes oceânicas circulam no sentido horário, enquanto no hemisfério sul circulam no sentido anti-horário. Duas correntes oceânicas muito importantes são a Corrente do Golfo e a Corrente de Humboldt. A primeira leva água aquecida do equador até a costa da América do Norte e da Europa, tornando mais amenas as temperaturas dessas regiões. A segunda leva águas resfriadas da região polar até a costa pacífica da América do Sul. Além de contribuírem na circulação de energia, as correntes oceânicas são também importantes na circulação de nutrientes no ambiente marinho. 11. O solo forma-se pela desagregação das rochas da superfície terrestre. O aquecimento pelo Sol e o resfriamento brusco pelas chuvas, aliados à ação dos ventos, são os fatores que constituem o intemperismo, responsável pela fragmentação das rochas, que são reduzidas a pequenas partículas. As partículas que compõem as camadas superiores do solo, que estão mais sujeitas aos efeitos do intemperismo, são menores que as das camadas mais profundas. A rocha não-decomposta, localizada na posição mais inferior do solo, é denominada rocha matriz. 12. Quanto à textura, os solos podem ser formados por partículas maiores ou menores, desde areia grossa, com partículas entre 0,2 mm e 2 mm de diâmetro, até areia fina e argila, esta última com menos de 2 µm de diâmetro. Se as partículas do solo forem

grandes, a água das chuvas infiltra-se rapidamente e pouca umidade fica retida. Por outro lado, solos constituídos por bastante argila retêm água e minerais (Ca2+, K+ e Mg2+). O solo mais apropriado para as plantas compõe-se de uma mistura adequada de partículas grandes e pequenas, de modo a reter água sem, no entanto, encharcar-se demais. A vegetação também participa da formação do solo. Quando a vegetação é densa, a camada mais superficial pode ser formada quase totalmente por matéria orgânica decomposta, o húmus, rico em nutrientes que se infiltram no solo e são absorvidos pelas raízes das plantas. Minhocas e diversos tipos de microrganismos têm papel fundamental na formação do húmus. 13. Em locais onde as chuvas são abundantes, a água infiltra-se no solo e acumula-se junto à rocha matriz, formando uma zona permanentemente saturada de água, o lençol freático. A água do lençol freático pode deslocar-se sobre a rocha matriz e aflorar à superfície, formando um “olho-d‘água”, que pode originar um riacho e, eventualmente, um rio. Nas camadas acima do lençol freático, o solo fica saturado de água apenas após as grandes chuvas. Acima delas existe ar entre as partículas, além de água. Certas árvores possuem raízes tão profundas que chegam a atingir o lençol freático; isso torna-as capazes de resistir à eventual falta de água nas camadas superficiais do solo, enquanto prejudica plantas menores. 14. Bioma é um conjunto de ecossistemas terrestres com vegetação característica e fisionomia típica, onde predomina certo tipo de clima. Regiões da Terra com latitudes coincidentes, em que prevalecem condições climáticas parecidas, apresentam ecossistemas semelhantes e mesmos tipos de bioma. Por exemplo, o bioma denominado floresta tropical pluvial ocorre na faixa equatorial, tanto no continente americano como na África, no sudeste da Ásia e na Oceania. A savana, bioma do qual o cerrado brasileiro é um exemplo, ocorre em latitudes coincidentes da América do Sul, da África e da Austrália. 15. O bioma denominado tundra situa-se nas regiões próximas ao pólo Ártico, no norte do Canadá, da Europa e da Ásia. Nesses locais a neve cobre o solo durante quase todo o ano, exceto nos três meses de verão, quando a temperatura chega, no máximo, a 10 °C positivos. No verão, apenas uma fina camada superficial do solo descongela-se; poucos centímetros abaixo da superfície, o solo permanece congelado, impedindo a drenagem da água do degelo, o que leva à formação de vastos pântanos. Na tundra situada mais ao norte, a vegetação é constituída basicamente por musgos e liquens; mais ao sul, onde a temperatura média é um pouco mais elevada, há também gramíneas e pequenos arbustos. Com relação à fauna, os mamíferos mais típicos da tundra são a rena, o caribu e o boi almiscarado. Esses animais são protegidos por uma pelagem densa e podem sobreviver comendo apenas liquens, que procuram revolvendo a neve com os cascos. As aves da tundra, em sua maioria aves aquáticas pernaltas, migram para regiões mais quentes durante os meses de inverno. Há também algumas espécies de insetos, que hibernam no inverno como forma de resistir às baixas temperaturas, entrando em atividade logo que se inicia o degelo. 16. O bioma denominado taiga situa-se principalmente no hemisfério norte, ao sul da tundra ártica, onde o clima é frio, com invernos quase tão rigorosos quanto os da tundra, embora a estação quente seja um pouco mais longa e amena. A taiga é conhecida também como floresta de coníferas, pois é constituída basicamente por árvores do grupo das coníferas, como os pinheiros e abetos, além de apresentar musgos e liquens. Em contraste com as árvores das florestas tropicais e temperadas, as coníferas apresentam folhas estreitas e afiladas — folhas aciculadas — adaptadas para resistir às baixas temperaturas. A fauna da taiga é composta por mamíferos típicos, como alces, ursos, lobos, raposas, visons, martas e esquilos. Como na tundra, a maioria das aves da taiga migra para o sul no inverno.
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17. O bioma denominado floresta temperada decídua é típico de certas regiões da Europa e da América do Norte, onde o clima é temperado e as quatro estações do ano são bem delimitadas. Na floresta temperada predominam árvores que perdem as folhas no final do outono e as readquirem na primavera; daí serem chamadas plantas decíduas, ou caducifólias. A perda das folhas é uma adaptação ao inverno rigoroso, pois permite reduzir a atividade metabólica da planta, o que é necessário para suportar as baixas temperaturas. Na Europa, as árvores mais características da floresta temperada são os carvalhos e as faias. Na América do Norte, predominam os bordos e algumas espécies de carvalhos e faias. Além dessas árvores, tanto na Europa quanto na América do Norte, estão presentes arbustos, plantas herbáceas e musgos. Com relação à fauna, a floresta temperada abriga muitas espécies de mamíferos, entre eles javalis, veados, raposas e doninhas, além de pequenos mamíferos arborícolas, como esquilos e arganazes. Vários tipos de pássaros e corujas também estão presentes, assim como várias espécies de insetos. 18. O bioma denominado floresta tropical, também chamado de floresta pluvial tropical, localiza-se em regiões de clima quente e com alto índice pluviométrico, ou seja, na faixa equatorial da Terra. Há florestas tropicais no norte da América do Sul (Bacia Amazônica), na América Central, na África, na Austrália e na Ásia. A vegetação da floresta tropical é exuberante e com árvores de grande porte, cujas folhas não caem no inverno pouco rigoroso; por isso, as plantas da floresta pluvial tropical são denominadas perenifólias. As plantas têm, em geral, folhas largas e delicadas, sendo por isso denominadas latifoliadas. As copas das árvores mais altas formam um “teto” de vegetação, sob o qual existe um “andar” interno, formado pelas copas de árvores mais baixas. Pode haver andares gradativamente menores, até chegar aos arbustos e às plantas rasteiras. A estratificação resultante dos diversos andares de vegetação origina diversos microclimas, com diferentes graus de luminosidade e umidade. Sobre os troncos das árvores, disputando condições melhores de luminosidade, há muitas plantas epífitas, como bromélias e samambaias. Nas florestas tropicais, a reciclagem da matéria orgânica é muita rápida; folhas que caem e plantas e animais que morrem são continuamente decompostos, e seus elementos químicos, reciclados. Forma-se, no solo, uma camada fértil, de cor escura – o húmus – que resulta da decomposição da matéria orgânica misturada aos componentes minerais do solo. A derrubada da floresta empobrece rapidamente o solo dos nutrientes; sem a cobertura vegetal e a constante reciclagem de elementos químicos, os nutrientes minerais do solo são carreados pelas chuvas, em um processo denominado lixiviação. Na floresta pluvial tropical há grande quantidade de nichos ecológicos, o que permite a existência de fauna rica e variada. Há muitos vertebrados nas árvores, como mamíferos (macacos e esquilos), répteis (serpentes e lagartos) e anfíbios (sapos e pererecas). No solo também vivem anfíbios, répteis, mamíferos herbívoros (veados, antas etc.) e mamíferos carnívoros (onças, gatos-do-mato etc.); há também muitos invertebrados, principalmente insetos (mosquitos, besouros, formigas etc.). 19. O bioma do tipo savana caracteriza-se por apresentar arbustos e árvores de pequeno porte, além de gramíneas. É encontrado na África, na Ásia, na Austrália e nas Américas. Na savana africana, a fauna compõe-se de variados herbívoros de grande porte (antílopes, zebras, girafas, elefantes e rinocerontes) e de grandes carnívoros (leões, leopardos e guepardos). Há diversas espécies de pássaros, de gaviões e de aves corredoras, entre elas o avestruz. No Brasil, um tipo de savana é o cerrado, que será estudado mais adiante. 20. O bioma denominado pradaria, ou campo, apresenta vegetação constituída predominantemente por gramíneas. Esse bioma é encontrado em regiões com períodos marcados de seca, como certas áreas da América do Norte e da América do Sul. Os pampas gaúchos, que serão vistos adiante, são um tipo de pradaria. A fauna da pradaria é constituída por roedores (pequenos mamí-

feros como hamsters e marmotas) e carnívoros (lobos, coiotes e raposas). Nas pradarias também são abundantes os insetos. 21. O bioma denominado deserto localiza-se em regiões de pouca umidade. Sua vegetação, constituída por gramíneas e por pequenos arbustos, é rala e espaçada, ocupando apenas os locais em que a pouca água existente pode se acumular (fendas do solo ou debaixo das rochas). As maiores regiões desérticas do globo situam-se na África (deserto do Saara) e na Ásia (deserto de Gobi). A fauna predominante no deserto é composta de animais roedores (ratos-cangurus e marmotas), por répteis (serpentes e lagartos) e por insetos. Animais e plantas do deserto têm marcantes adaptações à falta de água. Os cactos, por exemplo, têm espinhos em vez de folhas, o que reduz a área da planta que perderia água por transpiração. Muitos animais saem das tocas somente à noite, e outros podem passar a vida inteira sem beber água, extraindo-a do alimento que ingerem. 22. A floresta amazônica, denominada hiléia, localiza-se na região Norte do Brasil, ocupando os estados do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins, Amapá e Roraima, a parte norte de Mato Grosso e Goiás, além da parte oeste do Maranhão. O clima da região amazônica reúne condições propícias ao desenvolvimento de um exuberante bioma do tipo floresta pluvial tropical. As precipitações pluviométricas são superiores a 1.800 mm/ano e a temperatura é estável no decorrer do ano, situando-se entre 25 °C e 28 °C. A floresta amazônica apresenta diversos estratos ou andares formados pelas copas das árvores; o mais alto localiza-se, em geral, entre 30 m e 40 m acima do solo. Entre as árvores de grande porte da hiléia amazônica destaca-se a castanheira-do-pará, cujo tronco pode atingir até 3 m de diâmetro e 50 m de altura. Muitos gêneros de árvores, como Virola e Pterocapus, apresentam raízes tabulares que fornecem maior apoio ao tronco. A árvore mais conhecida da região amazônica é, sem dúvida, a seringueira (Hevea brasiliensis), que pode atingir até 30 m de altura, com tronco de mais de 1 m de diâmetro. É do tronco da seringueira que se extrai o látex, a partir do qual é fabricada a borracha natural. Embora a borracha sintética venha sendo cada vez mais utilizada, a exploração da borracha natural ainda é muito importante para a economia da região amazônica. A floresta amazônica é rica em plantas epífitas, entre as quais se destacam grandes bromeliáceas. Há também epífitas da família das aráceas e begoniáceas, cujas raízes aéreas chegam até o solo, constituindo densas cortinas de cipós. 23. O bioma denominado floresta pluvial costeira, ou floresta atlântica, situa-se nas montanhas e planícies costeiras, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. A floresta atlântica tem árvores com folhas largas (latifoliadas) e perenes (perenifólias), como as da floresta amazônica. A altura média do andar superior oscila entre 30 m e 35 m, mas a maior densidade da vegetação é a do andar arbustivo. Há grande diversidade de epífitas, como bromélias e orquídeas. Na Bahia, extensas áreas de florestas costeiras foram totalmente destruídas para dar lugar a plantações de cana-de-açúcar, cacau e banana. No sul desse estado, além de serem desmatadas para dar lugar a culturas de cana-de-açúcar e banana, as florestas costeiras têm sido exploradas para extração irregular de palmito. A floresta atlântica é um dos biomas mais devastados pela exploração humana; calcula-se que reste apenas 5% das florestas costeiras que havia por ocasião da chegada dos primeiros colonizadores europeus. 24. O bioma denominado cerrado situa-se nos estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no oeste de São Paulo e Paraná. Há também algumas “ilhas” de cerrado na região amazônica. O cerrado é um bioma do tipo savana, com vegetação arbórea esparsa formada por pequenas árvores e arbustos, muitos deles com cascas espessas. O solo, na estação das chuvas, é relativamente rico em gramíneas, que secam na época das secas. As árvores do cerrado geralmente têm casca grossa e troncos retorcidos; dentre as espécies

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mais comuns estão o ipê (Tabebuia sp.), a peroba-do-campo (Aspidosperma tomentosum) e a caviúna (Dalbergia sp). O clima do cerrado é relativamente quente, com temperatura média anual por volta de 26 °C e índices pluviométricos entre 1.100 mm e 2.000 mm por ano, mas sua vegetação parece ser influenciada pelas características do solo. 25. O bioma denominado pampa, ou campo, é um tipo de pradaria. Localiza-se principalmente no norte do Rio Grande do Sul. Os pampas ocupam áreas de planície e caracterizam-se pela predominância de gramíneas. Eventualmente podem ser encontrados pequenos bosques de arbustos no interior do pampa, mas são formações isoladas, que não chegam a quebrar a homogeneidade do bioma. O índice de chuvas no pampa fica entre 500 mm e 1.000 mm anuais. A temperatura varia de acordo com a estação, sendo, no inverno, entre 10 °C e 14 °C e, no verão, entre 20 °C e 23 °C. Atualmente, a maior parte da vegetação original do pampa foi destruída para dar lugar a áreas cultiváveis. 26. A caatinga é um bioma que ocupa cerca de 10% do território brasileiro, estendendo-se pelos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e norte de Minas Gerais. A caatinga tem índices pluviométricos baixos, em torno de 500 mm a 700 mm anuais. Em certas regiões do Ceará, por exemplo, embora a média para os anos ricos em chuvas seja de 1.000 mm, pode chegar a chover apenas 200 mm, nos anos secos. A temperatura situa-se entre 24 °C e 26 °C, variando pouco ao longo do ano. Além de suas condições climáticas serem rigorosas, a região das caatingas está submetida a ventos fortes e secos, que contribuem para a aridez da paisagem nos meses de seca. A vegetação da caatinga é formada por plantas com marcantes adaptações ao clima seco, como folhas transformadas em espinhos, cutículas altamente impermeáveis, caules suculentos etc. Essas adaptações compõem o aspecto característico das plantas da caatinga, denominadas xeromórficas. São plantas cactáceas, como Cereus sp. (mandacaru e facheiro) e Pilocereus sp. (xiquexique), e também arbustos e árvores baixas, como mimosas, acácias e amburanas (leguminosas) que, em sua maioria, perdem as folhas (caducifólias) na estação das secas, conferindo à região seu aspecto típico, espinhoso e agreste. Entre as poucas espécies da caatinga que não perdem as folhas na época da seca destaca-se o juazeiro (Zizyphus joazeiro), uma das plantas mais típicas desse bioma. 27. O bioma denominado floresta de cocais, ou babaçual, localizase em certas áreas dos estados do Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte; sua espécie vegetal mais típica é a palmeira Orbignya martiana, o babaçu. A região onde ocorre a floresta de cocais tem índice elevado de chuvas, entre 1.500 m e 2.200 mm anuais, e temperatura média anual de 26 °C. Um aspecto interessante é que o solo, na região dos babaçuais, possui um lençol freático pouco profundo, permanecendo úmido o ano todo. A floresta de babaçu tem importância econômica; das sementes da palmeira extrai-se óleo, e as folhas são utilizadas para a cobertura de casas e para a fabricação de utensílios domésticos. 28. Pantanal mato-grossense é uma vasta planície inundável que ocupa, em território brasileiro, a parte oeste dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, estendendo-se ainda pelo Paraguai, Bolívia e Argentina. No Pantanal há grande número de espécies vegetais, a maioria delas também presente em outros biomas brasileiros; poucas espécies são endêmicas, isto é, exclusivas da região. Entre estas destaca-se o carandá, uma espécie de palmeira parecida com a carnaúba, que forma bosques conhecidos como carandazais. Em algumas áreas do rio Paraguai pode-se encontrar a vitória-amazônica, planta típica da floresta amazônica. Em alguns locais mais altos, onde o solo não retém água da chuva, a vegetação pode apresentar a feição típica da caatinga, com cactos, barrigudas e gravatás. Nas áreas que são inundadas durante as cheias anuais, crescem diferentes tipos de gramíneas, além de arbustos e árvores isoladas, formando ex-

tensas pastagens naturais. O bioma do Pantanal é constituído por uma fauna aquática bem variada, que se beneficia das cheias periódicas. Além de moluscos e crustáceos, há centenas de espécies de peixes, entre eles o dourado, o pacu, o jaú, o pintado, o surubim, os lambaris e as piranhas. Durante as cheias, os peixes abandonam os leitos dos rios e saem à procura de alimento nos campos e nas florestas inundados. No fim da estação das cheias, quando as águas começam a baixar, os peixes retornam aos leitos dos rios, formando gigantescos cardumes que migram para as águas calmas dos brejos e nascentes para desovar. Esse fenômeno é conhecido como piracema. A fauna aquática do Pantanal garante a existência de mais de 200 espécies de aves, entre as quais garças, tuiuiús, colhereiros, cabeçassecas, socós e saracuras. Há também répteis, como o jacaré-dopantanal e o jacaretinga, que se alimentam de peixes. Entre as serpentes, a espécie mais impressionante é a sucuri, espécie nãovenenosa que pode atingir até 10 m de comprimento. Entre os mamíferos destacam-se as capivaras, roedores de grande porte que podem atingir até 70 kg de peso. Há ainda onças-pardas, onças-pintadas, ariranhas, macacos, porcos-do-mato e veados. 29. Os manguezais, ou mangues, são ecossistemas litorâneos com vegetação característica, onde o solo é lodoso e salgado. Formam-se junto a desembocaduras de rios e em litorais protegidos da ação direta do mar, tais como baías de águas paradas ou litorais guarnecidos por diques de areia. Durante a maré cheia, o solo do mangue fica coberto por água salgada. Os manguezais estendem-se por toda a costa brasileira, com interrupção nas regiões de litoral rochoso. Existem mangues bem desenvolvidos no Pará, Amazonas, Maranhão, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Os manguezais não se restringem estritamente à orla marítima; eles podem penetrar vários quilômetros no continente, seguindo o curso dos rios cujas águas se misturam com o mar durante as marés cheias. Em Belém (PA) e São Luís (MA), a vegetação típica de mangue penetra até cerca de 40 km pelo interior. Mangues internos também são encontrados no litoral sul de São Paulo (na região de Cananéia) e no litoral norte do Paraná (nas regiões de Ararapira e do Parque Nacional do Superagüi). Os mangueizais são restritos ao clima tropical e suas características se devem predominantemente aos chamados fatores edáficos, isto é, relativos ao solo. Este é formado por areia fina e lodo, e apresenta teor variado de sal, dependendo de sua proximidade e contato com a água do mar. Por estar constantemente alagado, o solo do mangue é pobre em gás oxigênio, o que determina a sobrevivência apenas de bactérias anaeróbias produtoras de gás sulfídrico, que conferem a esse bioma um cheiro característico. 30. Uma característica importante que distingue os ecossistemas de água doce é se a água é parada, como nos lagos, lagoas e charcos, ou se está em movimento, como nos rios, riachos e corredeiras. Lagos, lagoas e charcos geralmente apresentam maior biodiversidade que os ecossistemas de águas em movimento. Nas águas paradas, os produtores são organismos fotossintetizantes representados tanto por plantas que vivem parcial ou totalmente submersas, quanto pelo fitoplâncton ou plâncton fotossintetizante, constituído por uma infinidade de seres microscópicos como algas verdes, cianobactérias e diatomáceas, que flutuam próximo à superfície. O fitoplâncton serve de alimento ao zooplâncton, ou plâncton não-fotossintetizante, formado por microcrustáceos, protozoários e larvas de diversos organismos. Os habitantes de maior porte dos ecossistemas de águas paradas são os peixes. Os maiores ecossistemas lacustres do mundo são o lago Baikal, localizado na Sibéria, e o lago Tanganica, na África. Os ecossistemas de águas em movimento são pobres em plâncton. Seus habitantes são principalmente algas fixadas às rochas e também moluscos, insetos e peixes, que dependem de alimento proveniente das margens.
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31. Podem-se distinguir dois grandes domínios marinhos: um relativo ao fundo — o domínio bentônico — e outro relativo às massas d’água, o domínio pelágico. 32. A luz consegue penetrar na água do mar até a profundidade máxima de 200 m, estabelecendo o que se denomina zona fótica. Abaixo dos 200 m de profundidade não há luz, e essa região escura é denominada zona afótica. Na metade superior da zona fótica vive o fitoplâncton marinho, formado por algas fotossintetizantes que produzem praticamente todo alimento necessário à manutenção da vida nos mares. Essa zona também é rica em plâncton não-fotossintetizante e em grandes cardumes de peixes. 33. A região que se estende dos 200 m até os 2.000 m de profundidade é a região batial. Suas águas são frias e pobres em fauna. Os peixes, moluscos e alguns outros animais que aí vivem são sustentados pela matéria orgânica proveniente da superfície. A região seguinte, que se estende dos 2.000 m aos 6.000 m de profundidade, é a região abissal. Nela encontram-se apenas umas poucas espécies, que chamam a atenção por suas características exóticas, como peixes bioluminescentes e lulas gigantes. A região mais profunda dos oceanos, abaixo de 6.000 m, é conhecida como região hadal. Sua fauna é ainda pouco conhecida, constituída principalmente por esponjas e moluscos. 34. Os organismos que habitam os mares podem ser classificados em três grandes grupos: plâncton, bentos e nécton. O plâncton é constituído de seres flutuantes. O plâncton é subdividido em duas categorias: plâncton fotossintetizante (fitoplâncton) e plâncton não-fotossintetizante (zooplâncton). O plâncton fotossintetizante é representado por algas microscópicas como as diatomáceas e dinoflagelados. Juntamente com bactérias fotossintetizantes, elas são as principais produtoras das cadeias alimentares marinhas. O plâncton não-fotossintetizante é representado por organismos consumidores como os foraminíferos (protozoários), crustáceos, celenterados, larvas de moluscos, equinodermos, anelídeos e peixes. O bentos é constituído de organismos relacionados ao fundo do mar. Os organismos bentônicos podem ser sésseis, isto é, fixados ao fundo, ou errantes, deslocando-se sobre o fundo. Os animais bentônicos geralmente alimentam-se de cadáveres e detritos orgânicos, embora existam representantes carnívoros que caçam ativamente suas presas. O bentos séssil é representado por algas macroscópicas e por animais como celenterados e vermes. O bentos errante, por sua vez, é representado principalmente por crustáceos (camarões, caranguejos e lagostas), equinodermos (ouriços-do-mar, holotúrias e estrelas-do-mar), e também por moluscos (caramujos e polvos). O nécton é constituído de organismos que se deslocam ativamente na água e não estão à mercê das correntezas, como os seres do plâncton. Fazem parte desse grupo a maioria dos peixes, as baleias, os golfinhos, certos crustáceos (camarões) e alguns moluscos (lulas e sépias). Os peixes herbívoros e as baleias são os consumidores secundários mais importantes da comunidade nectônica. Tubarões, peixes, lulas e outros animais carnívoros estão situados em níveis superiores das cadeias alimentares.

52. a) A biomassa aumenta, pois ocorre aumento da quantidade de nutrientes e de matéria orgânica, o que torna as teias alimentares mais complexas, com um maior número de seres vivos. b) A diversidade de espécies aumenta, pois passam a existir novos nichos ecológicos, que poderão ser ocupados por espécies diferentes, vindas de outras regiões. c) O número de nichos ecológicos aumenta ao longo dos diferentes estágios de sucessão, em decorrência das modificações no microclima, à medida que se estabelecem novos organismos. d) A dependência do microclima em relação ao clima regional diminui; devido à ação dos organismos, o microclima torna-se cada vez mais independente do clima regional. 53. Homeostase significa manutenção de um estado de equilíbrio dinâmico, capaz de ajustar-se às flutuações impostas. O termo é válido para uma célula, um organismo ou uma comunidade. Em uma comunidade clímax, a diversidade em espécies propicia grande número de interações alimentares, o que significa dizer que há inúmeras possibilidades de as populações se manterem em equilíbrio. Além disso, a temperatura é mantida constante em virtude do efeito da cobertura vegetal, o que também impede a lixiviação do solo (lavagem dos nutrientes minerais) pelas chuvas. Há também reciclagem dos componentes da matéria orgânica, o que permite a manutenção do equilíbrio da situação estável da comunidade. 54. Fatores determinantes: latitude, temperaturas médias e extremas da região, relevo, regime de chuvas, tipo de solo. Nas regiões equatoriais, o clima e o alto índice pluviométrico são os principais determinantes da comunidade clímax.

CAPÍTULO

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HUMANIDADE E AMBIENTE
GUIA DE ESTUDO
1. O crescimento da população humana e o desenvolvimento industrial e tecnológico, implementados pelo progresso científico, têm exposto o planeta Terra a sérias ameaças: poluição, aumento da temperatura global, destruição da camada de ozônio, esgotamento de recursos naturais, extinção de espécies etc. Felizmente, nas últimas duas décadas, muitas pessoas têm percebido a necessidade de se empenhar em um uso mais racional dos recursos naturais, sob o risco de deixar aos nossos descendentes um mundo inabitável. 2. Todas as espécies exploram recursos do ambiente, causando algum tipo de “impacto” sobre seus estoques; a espécie humana não é exceção. O grande desafio da humanidade, neste século XXI, é modificar o antigo conceito desenvolvimentista de progresso. É necessário refletir sobre o impacto que cada um de nós causa sobre o ambiente, em termos dos recursos que utilizamos e da destinação do lixo que produzimos. Só assim poderemos suavizar nosso impacto sobre a natureza e garantir um local habitável para as gerações futuras. 3. Poluição é a presença concentrada de determinadas substâncias químicas ou agentes físicos no ambiente, em geral, subprodutos da atividade humana, os poluentes. Estes prejudicam a vida de uma ou mais espécies de organismos de um ambiente. 4. As atividades humanas, principalmente nas sociedades industrializadas modernas, geram diversos tipos de poluentes: excrementos, urina, lixo, fumaça e resíduos industriais, gases do escapamento de veículos motorizados etc. Em Londres, no inverno de 1952, as condições climáticas não permitiram a dispersão dos poluentes liberados pelos automóveis, pelas fábricas e pelos sistemas de aquecimento das residências, o que causou efeitos dramáticos: mais de quatro mil pessoas morreram em poucos dias, em decorrência de problemas respiratórios causa-

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

35. a 41. d 47. d
QUESTÕES

36. d 42. c 48. c

37. b 43. c 49. b

38. c 44. b 50. a

39. a 45. a

40. e 46. e

DISCURSIVAS

51. Professor, oriente os alunos a destacar as idéias básicas dos textos nas páginas 360 a 362.

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RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS ATIVIDADES

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dos pelos poluentes que se concentraram na baixa atmosfera. Nos dois meses seguintes, mais oito mil pessoas morreram de enfermidades causadas pela poluição atmosférica. 5. O controle da poluição depende, fundamentalmente, do esclarecimento e da educação da população. Somente uma sociedade civil amplamente organizada será capaz de exercer uma fiscalização ambiental sistemática, exigindo a criação e principalmente o cumprimento de leis ecológicas eficientes. 6. As principais fontes geradoras da poluição atmosférica são os motores de veículos, as indústrias (siderurgias, fábricas de cimento e papel, refinarias etc.), a incineração de lixo doméstico e as queimadas de campos e florestas. Essas liberam anualmente na atmosfera milhões de toneladas de gases tóxicos, como monóxido de carbono, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e hidrocarbonetos, além de partículas que ficam em suspensão. 7. Um dos poluentes mais perigosos para os habitantes das grandes metrópoles é o monóxido de carbono (CO), um gás incolor, inodoro, um pouco mais leve do que o ar e muito tóxico. Esse gás é produzido durante a queima incompleta de moléculas orgânicas e sua maior fonte de emissão são os motores a combustão de veículos como automóveis, motocicletas, ônibus, caminhões etc. O monóxido de carbono tem a propriedade de se combinar irreversivelmente com a hemoglobina do sangue, inutilizando-a para o transporte de gás oxigênio. A exposição prolongada ao monóxido de carbono pode levar à perda de consciência e à morte; o indivíduo intoxicado por esse gás tem sintomas de asfixia, com aumento dos ritmos respiratório e cardíaco. 8. O dióxido de enxofre (SO2), um gás tóxico proveniente da queima industrial de combustíveis como o carvão mineral e o óleo diesel, os quais contêm enxofre como impureza, assim como o dióxido de nitrogênio (NO2), também liberado pela atividade industrial, reagem com vapor d’água na atmosfera, formando ácido sulfúrico e ácido nítrico, respectivamente. Esses compostos dissolvem-se na água das nuvens e precipitam com elas nas chamadas chuvas ácidas. Em certos países europeus, nos quais a produção de energia é baseada na queima de carvão e óleo diesel, as chuvas ácidas têm provocado grandes danos à vegetação, além de corroer construções e monumentos. 9. Nas cidades modernas há grande quantidade de partículas em suspensão no ar, produzidas principalmente pelo desgaste de pneus e freios de automóveis. Pastilhas de freio, por exemplo, liberam partículas de amianto, que podem causar doenças pulmonares e câncer. Outras grandes poluidoras são as siderúrgicas e as fábricas de cimento, estas últimas responsáveis pela liberação de partículas de sílica. A sílica, como o amianto, quando se encontra na forma de partículas em suspensão no ar, é a causa comprovada de diversas doenças pulmonares, tais como fibroses e enfisemas. A utilização do amianto já é proibida em vários países; no Brasil, onde é utilizado principalmente na fabricação de telas e de caixas d’água, sua proibição vem sendo discutida. 10. Normalmente, as camadas mais baixas da atmosfera são mais quentes, pelo fato de o ar absorver calor da superfície terrestre. Como o ar quente é menos denso, sua tendência é subir, carregando consigo os poluentes em suspensão. O ar quente que sobe é substituído por ar frio que desce, o qual, ao se aquecer, volta a subir. Esta corrente ascendente e descendente de ar, denominada convecção, é responsável pela dispersão dos poluentes atmosféricos que são continuamente produzidos em uma cidade. Nos meses de inverno, em conseqüência do resfriamento do solo, a camada de ar mais baixa pode se tornar mais fria do que a imediatamente acima dela: é a chamada inversão térmica. Com isso a convecção é interrompida e os poluentes, por deixarem de se dispersar para as camadas mais altas da atmosfera, aumentam em concentração na camada de ar “aprisionada” próxima da superfície. Nessas ocasiões ocorre grande aumento de casos de irritação das mucosas e problemas respiratórios nos habitantes dos grandes centros urbanos.

11. Parte da radiação solar que chega à Terra é refletida pelas nuvens e pela superfície terrestre, e parte é absorvida pela superfície e pela atmosfera. Parte dessa energia absorvida é, em seguida, reirradiada na forma de calor (radiação infravermelha), mantendo a superfície terrestre aquecida. Esse fenômeno é denominado efeito estufa. Os componentes atmosféricos responsáveis pelo efeito estufa são principalmente vapor d’água, gás carbônico, metano e dióxido de nitrogênio. O efeito estufa tem sido importante, desde a origem da vida na Terra, para manter a superfície terrestre aquecida, impedindo a perda rápida de calor para o espaço. 12. Muitos cientistas acreditam que, nos próximos anos, a temperatura média na superfície terrestre sofrerá elevação significativa devido ao aumento da concentração de certos gases na atmosfera, principalmente o gás carbônico (CO2), o metano (CH4) e o dióxido de nitrogênio (NO2). A quantidade de gás carbônico, um dos principais causadores do efeito estufa, vem aumentando significativamente na atmosfera desde a Revolução Industrial, quando a humanidade começou a empregar a queima de combustíveis fósseis (carvão mineral e petróleo) em larga escala para produzir energia. Com isso, a concentração de gás carbônico no ar passou, nestes últimos 100 anos, de 0,029% para quase 0,040% da composição atmosférica, o que corresponde a um aumento da ordem de 38%. Embora sem estimativas precisas, sabe-se que a quantidade de metano (CH4) presente na atmosfera também vem crescendo. Esse gás resulta da decomposição da matéria orgânica, e sua concentração na atmosfera aumenta proporcionalmente ao crescimento da população. Isso ocorre devido à maior produção de lixo e esgotos e ao aumento das áreas de terrenos alagados, onde se cultiva arroz e há grande decomposição de matéria orgânica. Outras fontes emissoras de metano são os rebanhos de gado bovino e caprino. Por serem ruminantes, esses animais fermentam o alimento em seus tubos digestórios, produzindo e eliminando por flatulência quantidades significativas de gás metano, que se incorpora à atmosfera e acentua o efeito estufa. 13. Alguns cientistas acreditam que, se os gases que provocam o efeito estufa continuarem a se acumular na atmosfera, devemos esperar uma elevação de até 4 °C na temperatura média mundial, nos próximos 50 anos. Um aumento dessa ordem provocaria grandes mudanças no clima da Terra, com efeitos catastróficos. Nas regiões tropicais, ocorreriam tempestades torrenciais; nas regiões temperadas, o clima poderia se tornar mais quente e mais seco; nas regiões polares, parte do gelo poderia derreter (o que parece já estar acontecendo), com elevação do nível dos mares e inundação de cidades litorâneas e planícies. Uma inundação da Amazônia, com submersão da floresta, levaria à formação de uma imensa bacia de decomposição, o que produziria mais metano, acentuando ainda mais o efeito estufa. 14. O Protocolo de Kioto tem sido considerado o mais importante mecanismo para reverter os danos provocados pelo aquecimento global. Neste documento, estão orientações para que os governos possam colaborar, garantindo um planeta saudável para as futuras gerações. Trata-se de um compromisso acertado, em 1997, na cidade de Kioto, no Japão, em que os países industrializados reduziriam, até o período entre 2008 e 2012, suas emissões combinadas de gases de efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Com isso se obteria uma reversão da tendência histórica de crescimento das emissões iniciadas nesses países há cerca de 150 anos como resultado da Revolução Industrial. 15. Apesar de a presença de ozônio ser benéfica nas altas camadas atmosféricas, quando se forma em baixa altitude esse gás é poluente, causando irritação nos olhos e problemas respiratórios. Nas grandes cidades, os poluentes liberados pelos veículos motorizados potencializam a reação de formação de ozônio na atmosfera junto ao solo. Nos meses de inverno, o problema é agravado pela ocorrência de inversões térmicas, como já foi mencionado.
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16. A forma comum (e antiga) de poluir as águas é o lançamento de dejetos humanos e de animais domésticos nos rios, lagos e mares. Por serem constituídos de matéria orgânica, esses dejetos aumentam a quantidade de nutrientes disponíveis no ambiente, fenômeno denominado eutroficação (do grego eu, bem, bom, e trofos, nutrição). A eutroficação geralmente leva à grande multiplicação de bactérias aeróbias (isto é, que utilizam gás oxigênio em sua respiração), o que acaba por consumir rapidamente todo o gás oxigênio existente na água. Como conseqüência, a maioria das formas de vida morre, inclusive as próprias bactérias. 17. Em alguns casos, a eutroficação pode levar à grande proliferação de dinoflagelados (protistas fotossintetizantes), causando o fenômeno conhecido como maré vermelha, devido à coloração que os dinoflagelados conferem à água. As marés vermelhas causam a morte de milhares de peixes, principalmente porque os dinoflagelados competem com eles pelo gás oxigênio, além de liberarem substâncias tóxicas na água. 18. Em determinados ecossistemas, um poluente é absorvido pelos produtores e consumidores primários, passando para os consumidores secundários, e assim por diante. Como cada organismo de um nível trófico superior geralmente come diversos organismos do nível inferior, o poluente tende a se concentrar nos níveis tróficos superiores. 19. Uma solução para o problema do lixo é sua reciclagem, isto é, seu reaproveitamento. Entretanto, para que se possa reciclar o lixo, é fundamental separar os diversos tipos, processo conhecido como triagem do lixo. Latas, por exemplo, podem ter seu metal reaproveitado; plásticos e papel podem também ser reciclados. A parte orgânica do lixo, uma vez separada, pode ser degradada por microrganismos em tanques chamados biodigestores. Com a biodigestão, forma-se o metano (CH4), também chamado gás natural, que pode ser aproveitado como combustível residencial, industrial ou em veículos motorizados. Os resíduos sólidos da biodigestão podem ser utilizados como fertilizante do solo. 20. A reciclagem é ainda muito cara, sendo mais fácil e barato usar matéria-prima virgem que matérias recicladas. Nesse cálculo, no entanto, não está sendo levada em conta a degradação ambiental, que pode vir a ter um custo altíssimo para as futuras gerações. No futuro, porém, com a escassez das matérias-primas e o avanço das tecnologias de reciclagem, o reaproveitamento do lixo deverá ser superior a 50%. É cada vez mais urgente educar a população acerca do problema do lixo. Mais cedo ou mais tarde o poder público e a população terão de conjugar esforços para resolvê-lo não só por meio da reciclagem, mas também por meio da educação e de campanhas para estimular as pessoas a desperdiçar menos, produzindo assim menor quantidade de lixo. 21. Ambos os processos interferem em comunidades equilibradas e coloca em risco toda a intrincada trama de relações, que levou centenas ou milhares de anos para se estabelecer. 22. Os desmatamentos indiscriminados, além de levar comunidades e espécies à extinção, têm outras graves conseqüências: a erosão e o empobrecimento do solo. A erosão é causada principalmente pelas chuvas e pelo vento. Sem a proteção da cobertura vegetal, as camadas férteis do solo podem ser carregadas e os minerais podem ser levados pelas chuvas, que se torna pobre e acidentado.

23. A energia hidrelétrica é produzida pela passagem de água por turbinas, que geram energia elétrica. Embora seja uma das formas menos poluente de se obter energia, a produção de energia hidrelétrica não deixa de causar impacto negativo sobre o ambiente, pois é necessário desviar cursos de rios e alagar regiões para construir as usinas hidrelétricas, o que pode provocar alterações no clima e levar ao desaparecimento comunidades que habitam a região alagada. 24. A energia nuclear é obtida pelo emprego de substâncias denominadas “combustíveis nucleares”, cujos núcleos atômicos são desintegrados nos chamados reatores de fissão nuclear, que compõem as usinas nucleares. Esse tipo de tecnologia para produzir energia tem se mostrado perigoso: diversos acidentes já ocorreram e não se sabe o que fazer com o “lixo radioativo”, extremamente perigoso, produzido pelas usinas nucleares. Esses riscos têm levado inúmeros países a deixar de investir nesse tipo de alternativa energética. 25. A produção de combustíveis renováveis, como o álcool etílico (etanol), o biodiesel e o gás natural (metano) constituem alternativas viáveis para suprir parte da demanda energética. O Brasil foi o primeiro país a utilizar em larga escala o etanol, obtido da fermentação da cana-de-açúcar, como combustível de automóveis; atualmente incentiva-se o uso do biodiesel, extraído principalmente do dendê e da mamona, como substituto do diesel obtido do petróleo. Uma das alternativas energéticas ainda em desenvolvimento é o aproveitamento de energia solar, que pode ser transformada em energia elétrica e acumulada, ou mesmo ser usada diretamente no aquecimento de água. Ainda em fase de estudos, a energia solar e a energia eólica (energia dos ventos) podem ser promissoras em certas regiões, em médio prazo.

QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR
QUESTÕES OBJETIVAS

26. d 30. c 34. b QUESTÕES

27. c 31. d 35. d

28. d 32. c 36. a

29. a 33. b 37. a

DISCURSIVAS

38. A intensificação do efeito estufa é o aquecimento da superfície terrestre provocado pelo aumento de gases como gás carbônico (CO2) e gás metano (CH4) na atmosfera. O aumento de CO2 na atmosfera deve-se principalmente à queima de combustíveis fósseis para a produção de energia. Parte desse combustível é queimada pelos veículos e outra é consumida nas indústrias. A sociedade industrial ainda contribui para a queima de combustíveis ao produzir bens que devem ser transportados para locais distantes das indústrias. A quantidade de metano, produzido pela decomposição anaeróbia da matéria orgânica, aumenta proporcionalmente ao aumento da população humana, que produz lixo orgânico e esgotos. Outra fonte importante de metano são as plantações de arroz — nos alagados onde esse cereal é cultivado, os restos de matéria orgânica se decompõem gerando metano — cujo aumento também está relacionado ao aumento da população humana. 39. A poluição aumenta nos meses de inverno devido ao fenômeno de inversão térmica, que impede a dispersão dos poluentes. 40. A oxigenação da água poderia compensar a falta de gás oxigênio dissolvido, causada pela atividade dos microrganismos que degradam matéria orgânica.

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