Caldeira VMH

Artigo

et al.

Original

CrItérIos para adMIssão de paCIentes na unIdade de terapIa IntensIva e MortalIdade
vanessa MarIa Horta CaldeIra1, joão Manoel sIlva júnIor2, aManda MarIa rIbas rosa de olIveIra1*, seyna rezende3, leonardo ateM Golçalves de araújo4, MarCus rIbeIro de olIveIra santana4, CrIstIna prata aMendola1, ederlon rezende5 Trabalho realizado no Serviço de Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira - HSPE - FMO, São Paulo, SP

*Correspondência: Rua Pedro de Toledo, 1800 6º andar - Vila Clementino São Paulo - SP CEP: 04039-901 Fone/Fax (11) 5088-8146

Resumo objetIvo. O objetivo do estudo foi avaliar os critérios utilizados na prática clínica, no processo de triagem de pacientes para admissão em UTI. Métodos. Estudo de coorte prospectivo, em hospital terciário. Foram comparados quatro grupos diferentes de pacientes em relação à necessidade para admissão na UTI e divididos em prioridades 1, 2, 3 e 4, ou seja, prioridade 1 mais necessária até prioridade 4, menos necessária. resultados. Incluiu-se 359 pacientes, idade 66 (53,2-75,0) anos. APACHE II foi 23 (18-30). Obtevese 70,4% de vagas cedidas na UTI. A idade foi maior nos pacientes para os quais foram recusadas vagas em UTI 66,2±16,1 vs 61,9±15,2 anos (p= 0,02) e a prioridade 1 apresentou mais vagas cedidas 39,1% vs 23,8% vagas recusadas (p=0,01), o contrário ocorreu com prioridades 3 e 4. Pacientes com prioridades 3 e 4 apresentaram maiores idade, escores prognósticos e mais disfunções orgânicas, assim como maiores taxas de recusas. Ocorreram altas mortalidades destes grupos na UTI, 86,7% vs 31,3% no grupo de prioridades 1 e 2 (p<0,001). ConClusão. A idade, o escore prognóstico e a disfunção orgânica são maiores nas categorias 3 e 4, sendo estas relacionadas com a recusa na UTI. Os pacientes recusados para admissão na UTI apresentam taxa de mortalidade elevada, que permanece alta entre pacientes prioridades 3 e 4, mesmo quando estes são admitidos na UTI. UniterMos: Admissão do paciente. Unidades de terapia intensiva. Prognóstico. Seleção de pacientes. Mortalidade.

Introdução
A escassez de leitos especializados em cuidados intensivos para atender a demanda de pacientes elegíveis em todo o mundo 1,2 é um dos principais limitantes para admissões em unidades de terapia intensiva (UTI). Devido aos elevados custos despendidos com recursos de alta tecnologia, deve-se atentar para a necessidade de se ocupar tais leitos com pacientes em reais probabilidades de recuperação 3-6. A Sociedade Americana de Terapia Intensiva (SCCM) elaborou critérios para admissão da UTI3, com a finalidade de priorizar, no processo de triagem, a internação dos pacientes que mais se beneficiarão do tratamento intensivo e para melhorar alocação dos recursos disponíveis. Sendo assim, os pacientes são divididos em quatro prioridades para internação, ou seja, prioridade 1 - pacientes graves, instáveis, que necessitam de tratamento intensivo e monitorização em UTI, até prioridade 4 - pacientes sem indicação de admissão em UTI,

por estarem muito bem ou muito mal para se beneficiarem do tratamento na terapia intensiva. Dessa forma, faz-se necessário racionalizar uma conduta para admissão de pacientes em UTI, principalmente quando os leitos são escassos. Isso torna muitas vezes a escolha de pacientes direcionada aos mais graves com múltiplas disfunções e poucas possibilidades de tratamento, fato que limita a monitorização em pacientes com potenciais riscos que acabam sendo atendidos tardiamente em piores condições7. Portanto, os critérios sugeridos pela SSCM 3 podem auxiliar neste problema, pois são de fácil implementação e tem caráter mais objetivo aos utilizados na prática clínica, que habitualmente seguem o modelo por gravidade, estes muitas vezes se baseiam em cálculos matemáticos complexos ou em avaliações muito subjetivas. Então, o objetivo do presente estudo foi correlacionar o processo de triagem de pacientes para admissão em UTI com

1. 2. 3. 4. 5.

Residentes em Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Coordenador da Unidade Crítica de Paciente Cirúrgico do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Interna do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Residentes em Clínica Médica do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Diretor do Serviço de Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Rev Assoc Med Bras 2010; 56(5): 528-34

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com chances significativas de recuperação. Dos pacientes incluídos. sendo eles. necessidade de ventilação mecânica. Para análise estatística.2% respectivamente). Os pacientes foram acompanhados até alta ou óbito hospitalar e o pesquisador não exercia qualquer influência nas decisões dos médicos que cederam as vagas em UTI ou assistiram os pacientes. clínicos (da emergência ou enfermaria).4% prioridade 2 e 14% somaram as prioridades 3 e 4. monitorização hemodinâmica invasiva e não-invasiva.6% de admissões na UTI e 70. os piores valores utilizados nos escores. Variáveis que apresentaram probabilidade de significância (valor-p) menor que 0.3% e 6. tempo de permanência em UTI e hospitalar. Foi realizada ainda análise multivariada através de análise em “enter”. Métodos Após aprovação pelo Comitê Institucional de Ética e pesquisa da instituição. procedência e serviço solicitante. estado de coma. além de conhecimentos e experiência do médico coordenador. A equipe da terapia intensiva é coordenada diariamente por um médico e uma enfermeira especializados. A análise estatística dos dados foi efetuada através do programa SPSS 13. O tempo até a admissão na UTI foi elevado. diagnóstico(s). O choque séptico foi o diagnóstico mais presente nos grupos prioridades 3 e 4 (25.7%) e mais em coma induzido ou não por sedativos (30. os pacientes prioridades 3 e 4 estavam mais em uso de ventilação mecânica (76. sendo que a maior causa de admissão na UTI foi por choque séptico com 5. realizou-se estudo de coorte prospectivo observacional. pacientes do grupo 4 apresentavam antecipadamente pouco ou nenhum benefício com a internação na UTI.5% e 16. mediana (intervalo interquartis) ou porcentagens. médicos residentes prestam assistência aos pacientes supervisionados por médicos assistentes. exceto para os pacientes em suporte dialítico.9%.9%).4% de vagas cedidas.8 respectivamente) foram maiores nos pacientes prioridade 3.5%) provenientes da enfermaria (Tabela 1). resultados Foram envolvidos no estudo 359 pacientes que preenchiam os critérios de inclusão. Portanto. Análises de sobrevida foram realizadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo log rank test. hemodiálise.9%) em comparação com os grupos 3 e 4 (8. A mediana dos escores APACHE II e MODS foram respectivamente de 23 (18-30) e 5 (3-8). Durante a vigência do estudo não existia nenhuma diretriz institucional quanto ao preenchimento das vagas de UTI. pacientes/ enfermeiro é 5. que é especialista em terapia intensiva e com maior tempo de trabalho na instituição.3%) (Tabela 1). mediana de 12 (5-26) dias.2%) e de pacientes clínicos no grupo prioridade 4 (89. com o objetivo de identificar fatores de risco independentes e controlar efeitos confundidores (variáveis mutuamente ajustadas).05 na análise univariada foram consideradas como candidatas ao modelo de regressão múltipla. presença ou não de vagas em UTI. cuja relação restringe-se a 1. droga vasoativa. Para a realização dos índices prognósticos APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) 8 e MODS (Multiple Organ Dysfunction Score) 9 que contemplam variáveis fisiológicas. se houve admissão posterior na UTI. A relação entre pacientes/médicos é 8. em Serviço de Terapia Intensiva de um hospital público terciário. A idade foi maior nos pacientes prioridade 4 (média de 71. todos os pacientes acima de 18 anos com solicitação de vaga em UTI foram classificados em quatro grupos distintos. Para análise de mais do que duas variáveis contínuas foi utilizado o teste ANOVA. Estas variáveis foram descritas utilizando mediana e intervalo interquartil.6% apresentaram classificação como prioridade 1.5 anos).8% e 35. mas que necessitassem de monitorização intensiva pela possibilidade de descompensação. 52. A mortalidade na UTI foi 34. Odds ratios e seus respectivos intervalos de confiança 95% foram estimados pela regressão logística. assim como os escores APACHE II e MODS (média de 34.5 % dos casos. terapia renal.3%) do que os pacientes prioridade 1 e 2 (Tabela 1). que dispensou o termo de consentimento livre e esclarecido.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade os critérios sugeridos pela SCCM 3 e definir quais os fatores relacionados com a recusa para admissão na terapia intensiva de um hospital público terciário. pois alguns pacientes evoluíram a óbito ou apresentaram melhora antes da internação na terapia intensiva. Variáveis categóricas foram analisadas pelo teste do Qui quadrado. Outras informações como dados demográficos. variáveis sem distribuição normal foi utilizado o teste de Mann-Whitney assim como variáveis ordinais. mas com baixa probabilidade de recuperação por conta da gravidade da doença aguda ou presença de comorbidades. A avaliação quanto ao mérito da internação na UTI era feita com Rev Assoc Med Bras 2010.05 foram considerados estatisticamente significantes. que se apresentassem instáveis. sendo 52. Os critérios de inclusão no estudo foram idade maior que 18 anos e solicitação de vaga na UTI. endoscopia e broncoscopia que podem ser oferecidas para todos os pacientes nas 24 horas do dia. Houve 66. presença de doença crônica.2-75) anos. Todas as probabilidades de significância (valores de p) apresentadas são do tipo bicaudal e valores menores que 0. A ausência de doenças prévias foi maior nos pacientes prioridades 1 e 2 (20. de acordo com critérios de prioridades de admissão em UTI 3. 34. constituído de 28 leitos.8% e hospitalar foi 42. do período de 1º de julho a 30 de setembro de 2005. Os dados foram expressos como média ± desvio padrão. e entre pacientes/técnico auxiliar de enfermagem é 2. foram coletados no decorrer do estudo.9% e 64. cirúrgicos (eletivos ou de urgência) e cirúrgicos com complicações clínicas. prioridade na solicitação de vagas. Em adição. A idade mediana foi de 66 (53.0. laboratoriais. das primeiras 24 horas a partir da solicitação de vaga em UTI foram coletados. A UTI possui próteses ventilatórias microprocessadas. Houve prevalência de pacientes cirúrgicos no grupo prioridade 2 (90.9% e 21. 56(5): 528-34 base na disponibilidade de leitos. idade e comorbidades prévias. Apresentaram maior prevalência os pacientes cirúrgicos (56.6% do sexo feminino. necessitando de monitorização e tratamento intensivo. No grupo 1 foram incluídos os pacientes gravemente doentes.9 e 7. no grupo 2 foram classificados pacientes sem instabilidade. 529 . pacientes do grupo 3 apresentavam-se instáveis.

coordenadores de plantão . Brett et al. Este dado pode sugerir evolução desfavorável de uma doença que inicialmente não tinha indicação de cuidados de terapia intensiva. a comparação entre as vagas cedidas e as vagas recusadas mostrou uma maior porcentagem de vagas cedidas para pacientes prioridade 1 e recusadas para pacientes prioridades 3 e 4. mostrando a incapacidade de categorizar pacientes com precisão3. no que se refere a critérios de admissão. sobretudo. a Sociedade Americana de Terapia Intensiva (SCCM) elaborou critérios de prioridades de vagas para admissão em UTI3. A análise entre vagas recusadas e cedidas observou que a idade. quando este são internados na UTI (Figura 1). por exemplo. sobretudo. a sobrevida dos pacientes dos grupos prioridades 1 e 2 foi maior aos grupos prioridades 3 e 4 (Figura 2). o escore APACHE II8. pela perspectiva de assegurar vagas a pacientes com elevadas chances de recuperação3. o que sugere que os grupos prioridades 1 e 2 têm maiores benefícios na internação de UTI que os prioridades 3 e 4. a análise multivariada mostrou que prioridade 1 foi fator protetor independente para recusa de vagas na UTI. além de maior permanência hospitalar e na UTI. A taxa de recusa de vagas para internação em UTI esteve aproximadamente em 30% das solicitações das mesmas. Em Rev Assoc Med Bras 2010. pois a mortalidade foi maior nos pacientes prioridades 3 e 4. A classificação dos pacientes em prioridades mostrou que pacientes prioridades 1 e 2 apresentaram maiores benefícios na internação à UTI do que pacientes prioridades 3 e 4. Na tentativa de se uniformizar condutas de triagem a pacientes candidatos à internação em terapia intensiva. no estudo atual o tempo de internação hospitalar antes da admissão na UTI foi de 12 dias. examinaram admissões em UTI de pacientes pós-transplantes de medula óssea. Alguns estudos mostraram que existe imprecisão na previsão de mortalidade e morbidade em pacientes de UTI27. Dessa forma.8% (Tabela 2). Além disso. Por outro lado. 56(5): 528-34 530 . foi observado neste estudo que os pacientes categorizados como prioridades 3 e 4 eram mais idosos. pacientes com intoxicação exógena são comumente admitidos em UTI.3% daqueles que não precisaram deste suporte20. Em virtude disso. Na análise univariada.19 demonstraram que pacientes sem determinados critérios clínicos de alto risco nunca utilizarão procedimentos de UTI. escores prognósticos menos elevados e a presença de menos doenças crônicas (especialmente cardiovasculares) presentes. média de 28.24-26. o escore MODS9 avalia apenas disfunções orgânicas e foi desenvovido para avaliações diárias. principalmente em pacientes oncológicos28-29. Griner identificou duas condições nas quais a UTI não oferece maior benefício do que o cuidado convencional. com mais comorbidades e com escores prognósticos e de disfunções orgânicas maiores. O uso apropriado dos recursos de terapia intensiva faz-se fundamental. Apesar da aparente praticidade deste assunto.recaíam nos pacientes com prioridades 1 e 2.2. choque séptico e maior recusa na UTI. ou pode demonstrar um atraso na admissão da UTI.3 dias (Tabela 1). O tempo de internação na UTI e hospital foi maior nos pacientes prioridade 4. porque infelizmente poucos estudos avaliaram as indicações e os resultados de internação na UTI. o que certamente contribui com o agravamento do quadro clínico.8% comparado com 81. escores prognósticos nem sempre são precisos para determinar o desfecho dos pacientes. Pacientes com prioridades 3 e 4. determinando a tendência evolutiva dos pacientes.8 e 38. e ao elevado investimento empregado nestes centros especializados no atendimento de pacientes graves. Portanto. respectivamente. admitir estes pacientes na UTI tem “benefício substancial”? Esta pergunta teria respostas discrepantes entre médicos e instituições. mais elevado quanto maior a presença de pacientes clínicos em relação aos cirúrgicos 16-17. aqueles que necessitaram de ventilação mecânica tiveram uma taxa de alta da UTI de 3. mostram que o tempo de internação hospitalar antes da admissão na UTI é um preditor independente de mortalidade e quanto maior este tempo maior a mortalidade31. O óbito hospitalar foi maior nos pacientes com vagas recusadas na UTI 52. mesmo com todo o tratamento em UTI. Apenas pacientes com prioridade 1 foi fator protetor independente para recusa de vagas na UTI (Tabela 3). 70% destes são admitidos em UTI para observação. dentre os quais foram divididos em quatro prioridades conforme a gravidade do caso. e ele é implementado para avaliação global da UTI e não em pacientes individualmente. mesmo assim. Entretanto.0%) para pacientes submetidos a transplante de medula óssea que necessitam de suporte ventilatório21-23. a procedência dos pacientes e as prioridades 1. surgimento de sepse e o acúmulo de disfunções de múltiplos órgãos e sistemas30. Outras publicações apontam taxas de sobrevivência baixas (2. Goldhill et al. dIsCussão Os resultados mostram que os critérios utilizados na seleção de vagas de UTI pelos médicos responsáveis . a seleção de pacientes para ocupação dos leitos de UTI tem se tornado um assunto relevante. Na curva de Kaplan Meier.18. Em adição. dentro do percentual esperado na literatura que é de 16% a 51. por exemplo. idade menos avançada.5% a 7. quando são internados na UTI. Desta maneira. 3 e 4 foram os fatores determinantes entre recusar vagas de UTI ou não (p ≤ 0. O que está de acordo com a literatura que mostra como fatores independentes para admissão em UTI. tem mortalidade maior que pacientes prioridades 1 e 2. Existe também critério específico de “benefício substancial” da admissão do paciente na UTI. existe um caráter subjetivo que o envolve. e categorizar os pacientes para triagem de admissão é uma maneira eficiente de usar os recursos disponíveis. portanto não é capaz com única avaliação determinar prognóstico hospitalar. que são os extremos da condição de risco de morte: muito baixo risco e muito alto risco3. coma.2%11-15. nos pacientes clínicos10. os quais realmente tiveram mais benefícios com o tratamento em UTI. além de apresentarem-se mais em uso de ventilação mecânica. tornando menor a probabilidade de reversão do quadro.18. as variáveis com maior risco na análise univariada foram submetidas à análise multivariada com a finalidade de evitar fatores confundidores.05). foi desenvolvido em população geral de terapia intensiva e não em populações especificas. Por outro lado. Paz et al. que está sujeita a interpretações3. Categorizar estes dois grupos se torna mais difícil se utilizamos apenas o diagnóstico.Caldeira VMH et al. dada à escassez de leitos no Brasil e no mundo1.

949 <0.6 9.5 16.3 6.9 27.001 0.6 20.4±37.0 65.6±10.0 89.6 0 0.6 16.3 18.1 3.001 <0.3 9. o Coma poderia ser induzido ou não por sedativos.9 3.1 20.9 Prioridade 4 71.001 <0.9 76.3 10.1 Prioridade 2 61.6 55.3±16.4 10.3 38.4 7.9 0 29.7 8.001 <0.5±18.0±4.6±13.001 72.8 73.5 22.0 0.feminino % Pacientes % Clínico Cirúrgico eletivo Cirúrgico urgência Procedência % Pronto Socorro Centro Cirúrgico Enfermaria Outrosa Doença prévia (%) Cardiovascular Renal Imunossuprimidos Respiratório Hepático Ausente Choque séptico % Ventilação Mecânica invasiva % uso de droga vasoativa % Necessidade de Diálise% Coma % Permanência em uTI* Permanência hospitalar* Permanência hospitalar antes da admissão em UTI* * média.0±13.0±10.4 51.0 11.3 28.5 45.3 8.0 35.8 12.817 Idade* APACHe* moDs* sexo.8±3.7 2.4±7.2 81 16.2±30.4 66.8±7.5 7.7±4.002 <0.1 2.9 51.3±59.4±17.5±16.6 21.0 3.7 4.5 10.001 0.3±8.5 0.8 28.3 34.3 25.7 21.Características dos pacientes conforme a classificação de prioridades Características Variáveis Prioridade 1 63.6 6.5 0.5 6.8 8.5±0.2 0.0 0.8±24.5 30.8±26.1 38.7 35. 56(5): 528-34 531 .4 p 0. Rev Assoc Med Bras 2010.3 11.4 3.7 5.9 Prioridade 3 69.5 100 0.005 51.1 28.2 26.010 <0.9±10.6 54.8 6.5 6.7 46.044 0.0 <0.0 56.3 12.2 14.014 <0.5 23.3 0.3±35.3 25.5 24.9 2.001 33.1 20.0 0.001 0.9±2.5 4.8 3.1 16.2 47.3 5.3 21.3 5. a= outra unidade de terapia intensiva ou outro hospital.3 90.8 2.9 42.4 3.2 64.3 6.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade Tabela 1 .8±2.8 0 19.

1 0.8 47.6 0.9±8.0 39.5 25.9 14.1 51.02 0.1 40.7 3.80 0.5 39.8 18.410 0.0 58.0 9.92 0.6 2.29 0.5 14.1 38.8 5.Caldeira VMH et al.6 19.6 59.2 46.4 11.9 24.7 52.1 54.3 8.0 1.6 0.4 2.0 48.7 0.2±3.18 0.6 57.7 5.01 0.9±15.0 1.80 0.8 3.1 12.003 Vagas recusadas (n=107) 66.0 15.00 0.5 7.8 23.21 0. 56(5): 528-34 .4 26.1 Vagas cedidas (n=252) 61.0 7.5 32.6±10.0 9.6 7.01 0.8 40.1 5.08 532 Rev Assoc Med Bras 2010.0 25.8 37.4 0.3±3.03 45.18 56.0±22.002 p 0.8±31.2 59.5 16.2 50.6 23.00 0.Comparação entre vagas cedidas e vagas não cedidas na UTI Variáveis Idade (anos) Masculino (%) Feminino (%) APACHe II moDs Pacientes (%) Clínicos Cirúrgicos eletivos Cirúrgicos de urgência Procedência (%) Enfermaria Cirurgia Pronto socorro Outro hospital Doença prévia (%) Cardiovascular Renal Imunossupressão Respiratório Hepático Ausente Coma (%) Diálise (%) Ventilação invasiva (%) Droga vasoativa (%) Óbito hospitalar (%) Tempo de internação hospitalar Prioridade (%) 1 2 3 4 23.6 15.87 0.9 3.4 49.2±16. Tabela 2 .

993 0. Conflito de interesse: não há suMMary CrIterIa for patIent adMIssIwwon In tHe IntensIve Care unIt and MortalIty rate Objective.234 0.292 2.324 oR 0.150 0. mesmo quando estes são admitidos na UTI.Curva de sobrevida hospitalar dos grupos internados na UTI. critérios objetivos.Evolução dos pacientes internados na UTI em relação às prioridades para admissão.096 0. pautados em níveis de prioridades. ConClusão sobreviventes Não sobreviventes um estudo realizado em cinco hospitais israelenses1.131 0.Análise multivariada para vagas recusadas em uTI Variáveis Prioridade 1 Prioridade 3 Prioridade 4 Idade Procedência Clínico Cirurgia Eletiva Cirurgia urgência p 0.519 0. Em pacientes idosos. Em contrapartida não podemos desconsiderar que existe piora da qualidade de vida destes pacientes após admissão na UTI32-35.700 0. A idade.007 1.001 Dias Uma limitação não apenas deste estudo.029 Figura 2 .522 0. além de complexas. p=0. Não testamos uma ferramenta de triagem antes da sua admissão na UTI.237 2.616 1.2±16.365 0. Os pacientes recusados para admissão na UTI apresentam taxa de mortalidade elevada e esta taxa permanece alta entre pacientes prioridades 3 e 4.391 1.031 0.1 vs 61. desafiadoras. Então. The aim of the study was to evaluate criteria used in clinical practice.02). os pesquisadores observaram que a sobrevida foi maior nos pacientes internados na terapia intensiva nos três primeiros dias seguintes à deterioração do quadro clínico. melhorando a utilização dos recursos disponíveis. como num estudo onde apenas 31% dos pacientes com sepse grave e choque séptico tiveram este diagnóstico pela equipe do departamento de emergência7. é o fato de avaliarmos ferramentas aplicadas a pacientes já admitidos na terapia intensiva. mas esta diferença não se manteve na análise multivariada. Este atraso na admissão reflete tanto a escassez de leitos especializados em cuidados intensivos quanto o atraso no diagnóstico de patologias que necessitam de UTI.010 IC95% 0.526 0. Outra limitação é o desenho observacional com as restrições inerentes a este tipo de estudo. sendo estas relacionadas com a recusa do paciente na UTI.116 3.2. for screening of patients for ICU admission. Houve maior mortalidade dos pacientes prioridades 3 e 4 (p<0.431 0.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade Tabela 3 . a presença de comorbidades e o escore prognóstico e de disfunção orgânica são maiores nas categorias 3 e 4. parecem ser eficientes na triagem de pacientes que terão maiores benefícios do suporte de terapia intensiva.780 4.001) % 100 80 60 40 20 0 Prioridade <3 Prioridade ≥3 p<0. como de outros relacionados a este assunto.891 9. 56(5): 528-34 Decisões acerca de recusa de vagas para admissão de pacientes em UTI são.993 0.250 0.337 1. os estudos apontam que melhor do que a idade per si para predizer mortalidade na UTI seria o status funcional prévio e a gravidade da doença aguda. Sobrevida % 533 .001 Figura 1 . A idade na análise univariada foi maior nos pacientes recusados quando comparada com pacientes admitidos (66.9±15.568 1.118 0.153 0. log rank teste p<0. Os estudos que examinam critérios objetivos para admissão e benefício da admissão na UTI devem ser incentivados a fim de melhor definir a utilização adequada dos recursos. Rev Assoc Med Bras 2010.

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