P. 1
admissao UTI

admissao UTI

|Views: 1.032|Likes:
Publicado porlyapiva

More info:

Published by: lyapiva on Feb 05, 2011
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/19/2013

pdf

text

original

Caldeira VMH

Artigo

et al.

Original

CrItérIos para adMIssão de paCIentes na unIdade de terapIa IntensIva e MortalIdade
vanessa MarIa Horta CaldeIra1, joão Manoel sIlva júnIor2, aManda MarIa rIbas rosa de olIveIra1*, seyna rezende3, leonardo ateM Golçalves de araújo4, MarCus rIbeIro de olIveIra santana4, CrIstIna prata aMendola1, ederlon rezende5 Trabalho realizado no Serviço de Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira - HSPE - FMO, São Paulo, SP

*Correspondência: Rua Pedro de Toledo, 1800 6º andar - Vila Clementino São Paulo - SP CEP: 04039-901 Fone/Fax (11) 5088-8146

Resumo objetIvo. O objetivo do estudo foi avaliar os critérios utilizados na prática clínica, no processo de triagem de pacientes para admissão em UTI. Métodos. Estudo de coorte prospectivo, em hospital terciário. Foram comparados quatro grupos diferentes de pacientes em relação à necessidade para admissão na UTI e divididos em prioridades 1, 2, 3 e 4, ou seja, prioridade 1 mais necessária até prioridade 4, menos necessária. resultados. Incluiu-se 359 pacientes, idade 66 (53,2-75,0) anos. APACHE II foi 23 (18-30). Obtevese 70,4% de vagas cedidas na UTI. A idade foi maior nos pacientes para os quais foram recusadas vagas em UTI 66,2±16,1 vs 61,9±15,2 anos (p= 0,02) e a prioridade 1 apresentou mais vagas cedidas 39,1% vs 23,8% vagas recusadas (p=0,01), o contrário ocorreu com prioridades 3 e 4. Pacientes com prioridades 3 e 4 apresentaram maiores idade, escores prognósticos e mais disfunções orgânicas, assim como maiores taxas de recusas. Ocorreram altas mortalidades destes grupos na UTI, 86,7% vs 31,3% no grupo de prioridades 1 e 2 (p<0,001). ConClusão. A idade, o escore prognóstico e a disfunção orgânica são maiores nas categorias 3 e 4, sendo estas relacionadas com a recusa na UTI. Os pacientes recusados para admissão na UTI apresentam taxa de mortalidade elevada, que permanece alta entre pacientes prioridades 3 e 4, mesmo quando estes são admitidos na UTI. UniterMos: Admissão do paciente. Unidades de terapia intensiva. Prognóstico. Seleção de pacientes. Mortalidade.

Introdução
A escassez de leitos especializados em cuidados intensivos para atender a demanda de pacientes elegíveis em todo o mundo 1,2 é um dos principais limitantes para admissões em unidades de terapia intensiva (UTI). Devido aos elevados custos despendidos com recursos de alta tecnologia, deve-se atentar para a necessidade de se ocupar tais leitos com pacientes em reais probabilidades de recuperação 3-6. A Sociedade Americana de Terapia Intensiva (SCCM) elaborou critérios para admissão da UTI3, com a finalidade de priorizar, no processo de triagem, a internação dos pacientes que mais se beneficiarão do tratamento intensivo e para melhorar alocação dos recursos disponíveis. Sendo assim, os pacientes são divididos em quatro prioridades para internação, ou seja, prioridade 1 - pacientes graves, instáveis, que necessitam de tratamento intensivo e monitorização em UTI, até prioridade 4 - pacientes sem indicação de admissão em UTI,

por estarem muito bem ou muito mal para se beneficiarem do tratamento na terapia intensiva. Dessa forma, faz-se necessário racionalizar uma conduta para admissão de pacientes em UTI, principalmente quando os leitos são escassos. Isso torna muitas vezes a escolha de pacientes direcionada aos mais graves com múltiplas disfunções e poucas possibilidades de tratamento, fato que limita a monitorização em pacientes com potenciais riscos que acabam sendo atendidos tardiamente em piores condições7. Portanto, os critérios sugeridos pela SSCM 3 podem auxiliar neste problema, pois são de fácil implementação e tem caráter mais objetivo aos utilizados na prática clínica, que habitualmente seguem o modelo por gravidade, estes muitas vezes se baseiam em cálculos matemáticos complexos ou em avaliações muito subjetivas. Então, o objetivo do presente estudo foi correlacionar o processo de triagem de pacientes para admissão em UTI com

1. 2. 3. 4. 5.

Residentes em Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Coordenador da Unidade Crítica de Paciente Cirúrgico do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Interna do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Residentes em Clínica Médica do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Diretor do Serviço de Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Rev Assoc Med Bras 2010; 56(5): 528-34

528

5% e 16. Odds ratios e seus respectivos intervalos de confiança 95% foram estimados pela regressão logística. O tempo até a admissão na UTI foi elevado. necessidade de ventilação mecânica. A UTI possui próteses ventilatórias microprocessadas. O choque séptico foi o diagnóstico mais presente nos grupos prioridades 3 e 4 (25. mas com baixa probabilidade de recuperação por conta da gravidade da doença aguda ou presença de comorbidades. realizou-se estudo de coorte prospectivo observacional. cirúrgicos (eletivos ou de urgência) e cirúrgicos com complicações clínicas. que é especialista em terapia intensiva e com maior tempo de trabalho na instituição. mas que necessitassem de monitorização intensiva pela possibilidade de descompensação. 34.2-75) anos. foram coletados no decorrer do estudo. procedência e serviço solicitante. Todas as probabilidades de significância (valores de p) apresentadas são do tipo bicaudal e valores menores que 0. laboratoriais. A mediana dos escores APACHE II e MODS foram respectivamente de 23 (18-30) e 5 (3-8). Os dados foram expressos como média ± desvio padrão. A idade foi maior nos pacientes prioridade 4 (média de 71.9%) em comparação com os grupos 3 e 4 (8. constituído de 28 leitos. do período de 1º de julho a 30 de setembro de 2005. Dos pacientes incluídos. Estas variáveis foram descritas utilizando mediana e intervalo interquartil. além de conhecimentos e experiência do médico coordenador. A equipe da terapia intensiva é coordenada diariamente por um médico e uma enfermeira especializados. pacientes do grupo 4 apresentavam antecipadamente pouco ou nenhum benefício com a internação na UTI. Para a realização dos índices prognósticos APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) 8 e MODS (Multiple Organ Dysfunction Score) 9 que contemplam variáveis fisiológicas. Para análise de mais do que duas variáveis contínuas foi utilizado o teste ANOVA. todos os pacientes acima de 18 anos com solicitação de vaga em UTI foram classificados em quatro grupos distintos.6% do sexo feminino. os piores valores utilizados nos escores. Portanto. com chances significativas de recuperação.9%).9% e 21.4% prioridade 2 e 14% somaram as prioridades 3 e 4.3% e 6. Em adição. diagnóstico(s). mediana (intervalo interquartis) ou porcentagens. assim como os escores APACHE II e MODS (média de 34. prioridade na solicitação de vagas.7%) e mais em coma induzido ou não por sedativos (30.8% e 35. clínicos (da emergência ou enfermaria). com o objetivo de identificar fatores de risco independentes e controlar efeitos confundidores (variáveis mutuamente ajustadas). médicos residentes prestam assistência aos pacientes supervisionados por médicos assistentes. resultados Foram envolvidos no estudo 359 pacientes que preenchiam os critérios de inclusão. Houve prevalência de pacientes cirúrgicos no grupo prioridade 2 (90. os pacientes prioridades 3 e 4 estavam mais em uso de ventilação mecânica (76. Houve 66. A mortalidade na UTI foi 34. A análise estatística dos dados foi efetuada através do programa SPSS 13.3%) (Tabela 1). Os pacientes foram acompanhados até alta ou óbito hospitalar e o pesquisador não exercia qualquer influência nas decisões dos médicos que cederam as vagas em UTI ou assistiram os pacientes.5%) provenientes da enfermaria (Tabela 1). presença de doença crônica. 52. que se apresentassem instáveis. cuja relação restringe-se a 1.9 e 7. Variáveis categóricas foram analisadas pelo teste do Qui quadrado. Outras informações como dados demográficos. presença ou não de vagas em UTI. monitorização hemodinâmica invasiva e não-invasiva. mediana de 12 (5-26) dias.2% respectivamente).5 % dos casos.6% de admissões na UTI e 70. sendo eles. Análises de sobrevida foram realizadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo log rank test.8 respectivamente) foram maiores nos pacientes prioridade 3. em Serviço de Terapia Intensiva de um hospital público terciário.4% de vagas cedidas. Durante a vigência do estudo não existia nenhuma diretriz institucional quanto ao preenchimento das vagas de UTI. no grupo 2 foram classificados pacientes sem instabilidade. sendo 52. A ausência de doenças prévias foi maior nos pacientes prioridades 1 e 2 (20. endoscopia e broncoscopia que podem ser oferecidas para todos os pacientes nas 24 horas do dia. das primeiras 24 horas a partir da solicitação de vaga em UTI foram coletados. estado de coma. 529 . Métodos Após aprovação pelo Comitê Institucional de Ética e pesquisa da instituição. pois alguns pacientes evoluíram a óbito ou apresentaram melhora antes da internação na terapia intensiva. necessitando de monitorização e tratamento intensivo. hemodiálise. No grupo 1 foram incluídos os pacientes gravemente doentes. tempo de permanência em UTI e hospitalar. de acordo com critérios de prioridades de admissão em UTI 3.9% e 64. droga vasoativa.05 foram considerados estatisticamente significantes. terapia renal. que dispensou o termo de consentimento livre e esclarecido. 56(5): 528-34 base na disponibilidade de leitos. pacientes/ enfermeiro é 5. Variáveis que apresentaram probabilidade de significância (valor-p) menor que 0. pacientes do grupo 3 apresentavam-se instáveis.6% apresentaram classificação como prioridade 1. A avaliação quanto ao mérito da internação na UTI era feita com Rev Assoc Med Bras 2010. Os critérios de inclusão no estudo foram idade maior que 18 anos e solicitação de vaga na UTI. e entre pacientes/técnico auxiliar de enfermagem é 2. exceto para os pacientes em suporte dialítico. variáveis sem distribuição normal foi utilizado o teste de Mann-Whitney assim como variáveis ordinais.2%) e de pacientes clínicos no grupo prioridade 4 (89. Foi realizada ainda análise multivariada através de análise em “enter”. A idade mediana foi de 66 (53. idade e comorbidades prévias. Apresentaram maior prevalência os pacientes cirúrgicos (56.05 na análise univariada foram consideradas como candidatas ao modelo de regressão múltipla.8% e hospitalar foi 42.9%. se houve admissão posterior na UTI. A relação entre pacientes/médicos é 8. Para análise estatística.5 anos). sendo que a maior causa de admissão na UTI foi por choque séptico com 5.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade os critérios sugeridos pela SCCM 3 e definir quais os fatores relacionados com a recusa para admissão na terapia intensiva de um hospital público terciário.0.3%) do que os pacientes prioridade 1 e 2 (Tabela 1).

Outras publicações apontam taxas de sobrevivência baixas (2.2. Na curva de Kaplan Meier. a procedência dos pacientes e as prioridades 1. portanto não é capaz com única avaliação determinar prognóstico hospitalar. Alguns estudos mostraram que existe imprecisão na previsão de mortalidade e morbidade em pacientes de UTI27. Existe também critério específico de “benefício substancial” da admissão do paciente na UTI. tem mortalidade maior que pacientes prioridades 1 e 2. Entretanto. Em virtude disso. aqueles que necessitaram de ventilação mecânica tiveram uma taxa de alta da UTI de 3. 3 e 4 foram os fatores determinantes entre recusar vagas de UTI ou não (p ≤ 0. 56(5): 528-34 530 . Além disso.24-26. pela perspectiva de assegurar vagas a pacientes com elevadas chances de recuperação3. sobretudo.5% a 7. no que se refere a critérios de admissão. porque infelizmente poucos estudos avaliaram as indicações e os resultados de internação na UTI. Apenas pacientes com prioridade 1 foi fator protetor independente para recusa de vagas na UTI (Tabela 3). Este dado pode sugerir evolução desfavorável de uma doença que inicialmente não tinha indicação de cuidados de terapia intensiva.Caldeira VMH et al. Desta maneira. O que está de acordo com a literatura que mostra como fatores independentes para admissão em UTI.recaíam nos pacientes com prioridades 1 e 2. sobretudo. Portanto. o escore APACHE II8. O óbito hospitalar foi maior nos pacientes com vagas recusadas na UTI 52. principalmente em pacientes oncológicos28-29. admitir estes pacientes na UTI tem “benefício substancial”? Esta pergunta teria respostas discrepantes entre médicos e instituições. coma.coordenadores de plantão .2%11-15. O uso apropriado dos recursos de terapia intensiva faz-se fundamental. o que certamente contribui com o agravamento do quadro clínico. choque séptico e maior recusa na UTI.3 dias (Tabela 1).18. A taxa de recusa de vagas para internação em UTI esteve aproximadamente em 30% das solicitações das mesmas.8 e 38. foi observado neste estudo que os pacientes categorizados como prioridades 3 e 4 eram mais idosos. a comparação entre as vagas cedidas e as vagas recusadas mostrou uma maior porcentagem de vagas cedidas para pacientes prioridade 1 e recusadas para pacientes prioridades 3 e 4. Dessa forma. mostram que o tempo de internação hospitalar antes da admissão na UTI é um preditor independente de mortalidade e quanto maior este tempo maior a mortalidade31. respectivamente. que são os extremos da condição de risco de morte: muito baixo risco e muito alto risco3. Apesar da aparente praticidade deste assunto. que está sujeita a interpretações3. mostrando a incapacidade de categorizar pacientes com precisão3. escores prognósticos menos elevados e a presença de menos doenças crônicas (especialmente cardiovasculares) presentes. além de maior permanência hospitalar e na UTI. com mais comorbidades e com escores prognósticos e de disfunções orgânicas maiores.18. o que sugere que os grupos prioridades 1 e 2 têm maiores benefícios na internação de UTI que os prioridades 3 e 4. a análise multivariada mostrou que prioridade 1 foi fator protetor independente para recusa de vagas na UTI. A análise entre vagas recusadas e cedidas observou que a idade.05). dentro do percentual esperado na literatura que é de 16% a 51. Goldhill et al. pacientes com intoxicação exógena são comumente admitidos em UTI. Na tentativa de se uniformizar condutas de triagem a pacientes candidatos à internação em terapia intensiva.3% daqueles que não precisaram deste suporte20. a Sociedade Americana de Terapia Intensiva (SCCM) elaborou critérios de prioridades de vagas para admissão em UTI3. existe um caráter subjetivo que o envolve. Griner identificou duas condições nas quais a UTI não oferece maior benefício do que o cuidado convencional. surgimento de sepse e o acúmulo de disfunções de múltiplos órgãos e sistemas30.8% comparado com 81.19 demonstraram que pacientes sem determinados critérios clínicos de alto risco nunca utilizarão procedimentos de UTI. pois a mortalidade foi maior nos pacientes prioridades 3 e 4. dentre os quais foram divididos em quatro prioridades conforme a gravidade do caso. 70% destes são admitidos em UTI para observação. a seleção de pacientes para ocupação dos leitos de UTI tem se tornado um assunto relevante. Paz et al. tornando menor a probabilidade de reversão do quadro. e ele é implementado para avaliação global da UTI e não em pacientes individualmente. Por outro lado.8% (Tabela 2). no estudo atual o tempo de internação hospitalar antes da admissão na UTI foi de 12 dias. Na análise univariada. Brett et al. Por outro lado. o escore MODS9 avalia apenas disfunções orgânicas e foi desenvovido para avaliações diárias. quando este são internados na UTI (Figura 1). mesmo com todo o tratamento em UTI. dada à escassez de leitos no Brasil e no mundo1. por exemplo. mais elevado quanto maior a presença de pacientes clínicos em relação aos cirúrgicos 16-17. Pacientes com prioridades 3 e 4. e ao elevado investimento empregado nestes centros especializados no atendimento de pacientes graves. foi desenvolvido em população geral de terapia intensiva e não em populações especificas. quando são internados na UTI. O tempo de internação na UTI e hospital foi maior nos pacientes prioridade 4. Em Rev Assoc Med Bras 2010.0%) para pacientes submetidos a transplante de medula óssea que necessitam de suporte ventilatório21-23. os quais realmente tiveram mais benefícios com o tratamento em UTI. e categorizar os pacientes para triagem de admissão é uma maneira eficiente de usar os recursos disponíveis. Em adição. examinaram admissões em UTI de pacientes pós-transplantes de medula óssea. dIsCussão Os resultados mostram que os critérios utilizados na seleção de vagas de UTI pelos médicos responsáveis . escores prognósticos nem sempre são precisos para determinar o desfecho dos pacientes. Categorizar estes dois grupos se torna mais difícil se utilizamos apenas o diagnóstico. por exemplo. determinando a tendência evolutiva dos pacientes. A classificação dos pacientes em prioridades mostrou que pacientes prioridades 1 e 2 apresentaram maiores benefícios na internação à UTI do que pacientes prioridades 3 e 4. ou pode demonstrar um atraso na admissão da UTI. nos pacientes clínicos10. idade menos avançada. média de 28. mesmo assim. além de apresentarem-se mais em uso de ventilação mecânica. a sobrevida dos pacientes dos grupos prioridades 1 e 2 foi maior aos grupos prioridades 3 e 4 (Figura 2). as variáveis com maior risco na análise univariada foram submetidas à análise multivariada com a finalidade de evitar fatores confundidores.

0 56.3 8.3 38.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade Tabela 1 .0 3.0 65.3 21.001 0.6 21.8 3.005 51.6 9.2 81 16.001 <0.9 Prioridade 4 71.8 28.8±2.1 16.0±4.4 3.1 20.2 14.6 0 0.9 3.3 5.7 46.5 22.3 11.4 7.8 0 19.5 0.5 23.7±4.3 28.817 Idade* APACHe* moDs* sexo.6±13. a= outra unidade de terapia intensiva ou outro hospital.1 20.2 26.4±37.9 27.5 6.0±13.8 8.6 20.5 6.7 2.001 0.8±26.9 51.014 <0. o Coma poderia ser induzido ou não por sedativos.949 <0.5 10.4 10.2 47. Rev Assoc Med Bras 2010.8 12.6 55.044 0.1 28.4 3.7 8.5 4.3 5.001 72.7 35.8±24.001 33.6±10.9 Prioridade 3 69.3 25.8 2.9 0 29.3 6.3 90.4 51.001 <0.001 0.0 0.2 0.0 <0.7 21.5±16.5 30.Características dos pacientes conforme a classificação de prioridades Características Variáveis Prioridade 1 63.4 66. 56(5): 528-34 531 .9±2.5 16.3 12.1 38.9±10.001 <0.5±0.5 24.0 0.0 35.9 42.2±30.6 6.1 3.4±7.feminino % Pacientes % Clínico Cirúrgico eletivo Cirúrgico urgência Procedência % Pronto Socorro Centro Cirúrgico Enfermaria Outrosa Doença prévia (%) Cardiovascular Renal Imunossuprimidos Respiratório Hepático Ausente Choque séptico % Ventilação Mecânica invasiva % uso de droga vasoativa % Necessidade de Diálise% Coma % Permanência em uTI* Permanência hospitalar* Permanência hospitalar antes da admissão em UTI* * média.9 76.5 45.8±3.5 7.3 10.7 4.6 54.002 <0.1 2.5 100 0.010 <0.2 64.3±8.0 0.3 34.3 6.5 0.3±59.3±35.0±10.8 73.0 11.5±18.1 Prioridade 2 61.7 5.0 89.3±16.3 9.8 6.3 18.6 16.3 0.4 p 0.3 25.9 2.8±7.4±17.

0 7.8 5.0 58.0±22.02 0.0 9.3 8.9±15.4 26.5 32.003 Vagas recusadas (n=107) 66.Comparação entre vagas cedidas e vagas não cedidas na UTI Variáveis Idade (anos) Masculino (%) Feminino (%) APACHe II moDs Pacientes (%) Clínicos Cirúrgicos eletivos Cirúrgicos de urgência Procedência (%) Enfermaria Cirurgia Pronto socorro Outro hospital Doença prévia (%) Cardiovascular Renal Imunossupressão Respiratório Hepático Ausente Coma (%) Diálise (%) Ventilação invasiva (%) Droga vasoativa (%) Óbito hospitalar (%) Tempo de internação hospitalar Prioridade (%) 1 2 3 4 23.9 24.9 3.0 1.2 50.6 7.6 2.0 15.4 11.21 0.8 47.1 40.2±3. 56(5): 528-34 .7 5.2±16.2 46.00 0.8 3.1 51.0 39.1 12.410 0.8 18.5 25.9 14.18 56.0 1.6 23.0 48.08 532 Rev Assoc Med Bras 2010.6 15.0 25.9±8.8±31.80 0.4 2.1 0.6 19.2 59.8 23.6 59.3±3.03 45.92 0.0 9.4 0.80 0.1 Vagas cedidas (n=252) 61.18 0.8 40.7 3.6 0.4 49.002 p 0.5 7.01 0.29 0. Tabela 2 .01 0.1 5.6 0.5 16.7 52.5 39.6 57.8 37.1 54.00 0.6±10.1 38.5 14.Caldeira VMH et al.7 0.87 0.

Análise multivariada para vagas recusadas em uTI Variáveis Prioridade 1 Prioridade 3 Prioridade 4 Idade Procedência Clínico Cirurgia Eletiva Cirurgia urgência p 0. Os pacientes recusados para admissão na UTI apresentam taxa de mortalidade elevada e esta taxa permanece alta entre pacientes prioridades 3 e 4. como num estudo onde apenas 31% dos pacientes com sepse grave e choque séptico tiveram este diagnóstico pela equipe do departamento de emergência7. 56(5): 528-34 Decisões acerca de recusa de vagas para admissão de pacientes em UTI são.519 0. mesmo quando estes são admitidos na UTI.993 0. Em pacientes idosos. Outra limitação é o desenho observacional com as restrições inerentes a este tipo de estudo. parecem ser eficientes na triagem de pacientes que terão maiores benefícios do suporte de terapia intensiva. critérios objetivos. Este atraso na admissão reflete tanto a escassez de leitos especializados em cuidados intensivos quanto o atraso no diagnóstico de patologias que necessitam de UTI.116 3.250 0.365 0.292 2.118 0. os estudos apontam que melhor do que a idade per si para predizer mortalidade na UTI seria o status funcional prévio e a gravidade da doença aguda. Rev Assoc Med Bras 2010.02). Em contrapartida não podemos desconsiderar que existe piora da qualidade de vida destes pacientes após admissão na UTI32-35. log rank teste p<0.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade Tabela 3 . A idade.007 1.2±16.001) % 100 80 60 40 20 0 Prioridade <3 Prioridade ≥3 p<0.568 1. desafiadoras. é o fato de avaliarmos ferramentas aplicadas a pacientes já admitidos na terapia intensiva. sendo estas relacionadas com a recusa do paciente na UTI.029 Figura 2 .522 0.780 4.001 Dias Uma limitação não apenas deste estudo.234 0. pautados em níveis de prioridades. for screening of patients for ICU admission.010 IC95% 0.Curva de sobrevida hospitalar dos grupos internados na UTI.700 0.616 1.001 Figura 1 .1 vs 61.2.431 0. melhorando a utilização dos recursos disponíveis. Houve maior mortalidade dos pacientes prioridades 3 e 4 (p<0.Evolução dos pacientes internados na UTI em relação às prioridades para admissão.096 0.237 2. a presença de comorbidades e o escore prognóstico e de disfunção orgânica são maiores nas categorias 3 e 4. mas esta diferença não se manteve na análise multivariada. p=0.031 0. os pesquisadores observaram que a sobrevida foi maior nos pacientes internados na terapia intensiva nos três primeiros dias seguintes à deterioração do quadro clínico. Conflito de interesse: não há suMMary CrIterIa for patIent adMIssIwwon In tHe IntensIve Care unIt and MortalIty rate Objective.9±15.131 0.150 0.153 0. The aim of the study was to evaluate criteria used in clinical practice. Os estudos que examinam critérios objetivos para admissão e benefício da admissão na UTI devem ser incentivados a fim de melhor definir a utilização adequada dos recursos.337 1.993 0. como de outros relacionados a este assunto. Então.526 0. Não testamos uma ferramenta de triagem antes da sua admissão na UTI. Sobrevida % 533 .891 9.324 oR 0.391 1. ConClusão sobreviventes Não sobreviventes um estudo realizado em cinco hospitais israelenses1. além de complexas. A idade na análise univariada foi maior nos pacientes recusados quando comparada com pacientes admitidos (66.

Metcalfe MA.02) and the priority 1 group had less refusal of beds. Sinuff T. 1992. et al. Higgins TL.2-75.1 versus 61. Garrouste M. Outcome of recipients of bone marrow transplants who require intensive care unit support. 1994. Canfield DA. Sprung CL. et al. Brett AS. Intensive Care Med. Philippart F. Kahnamoui K. 1995. Lancet.25:A43 27. Amendola CP. 2004. and pre-intensive care unit length of stay.33:750-5. Draper EA. ICU mortality rates were higher for priority groups 3 and 4 when compared to 1 and 2 priority groups. O’Brien JM. The ICU made available 70. Gray-Rerry M. Washington (DC): Government Printing Office. 11. Cook DJ. 35. Gurman G. cOnclusiOn. Critch S. Patients refused admission to the ICU showed higher mortality rates and these remained higher among priority groups 3 and 4 even when patients were admitted to the ICU. Luce JM. 15. p. 34.23:1048-54. Artigo recebido: 23/10/09 Aceito para publicação: 31/05/10 534 Rev Assoc Med Bras 2010. Intensive care units. Timsit JF. Crilley PC. Soares M.147:133-7. The opposite occurred with priorities 3 and 4. Feitosa FS. Wagner DP. McGee WT. Critical care medicine. 18. Predictors of intensive care unit refusal in French intensive care units: a mulitiple-center study. Chest. McPherson K. Pochard F. 1999. 2004. Compliance with triage to intensive care recommendations.4% of beds. clinical characteristics and prognosis. Rocco JR. Prospective evaluation of patients refused admission to an intensive care unit: triage. Campos EV. Crit Car Clin 1994. Teres D. Rationing critical care beds: A systematic review.13:818-29. Burke G. Age. 1972. which means.2506:798-804. Weiner M. 13.32:3-5. Sousa JMA. 2. Crit Care Med. Mandoni B. Almeida SLS. The allocation of resources for medical intensive care.01). MethOds. outcome and 1 . Sousa E. 1994. physician staffing. Weil MH. 1992. Almeida SL. Guidelines for intensive care unit admission. 39.23:1638-52. Cohen Y et al.29:3132-6. 1983.27:1441-5. 20.9±15. Doença oncológica não deve ser um fator limitante para admissão na UTI de pacientes submetidos a cirurgia de alto risco.18:2:114-20. Task Force of the American Colllege of Critical Care Medcine. Rapoport J. Toledo DO. Prognosis. Oye RK. Tefferi A. 2001. 4. Egol A. 2005. 56(5): 528-34] Key words: Patient admission. Patients who were refused beds in the ICU were older. Survival of critically ill patients hospitalized in and out of intensive care under paucity of intensive care unit beds. 24. 6. 14. 5. 28. Prager R. Diette GB. et al. Desmettre T. Willmitch B.285-311.year quality of life of octogenarians referred for intensive care unit admission. highest priority 1. 23. 2003.148:510-4. Lemeshow S. Intensive Care Med. Hospital discharge to care facility: a patient-centered outcome for the evaluation of intensive care for octogenarians. Gunman D. 10. Mulley AG. Azoulay E. Ali NA. Bellamy PE. Crawford SW. Stein FC. Gago MF. Sloggett A. Levy MM. 2004. and economic incentives on the rationing of surgical intensive care unit beds. 21. Letendre L. 2006.150:1455-9. 2009. Galai N. Crit Care Med. Mayo Clin Proc. 1997. Shapira A.31:45-51. discharge. 3. 32. APACHE II was 23 (18-30). Orsina M. Crit Care Med. medical provincialism. score system and more organ dysfunctions as well as more refusals of beds. Durbin CG.18:251-5. 1995.3% (p<0. Silva JM. 8. Gattolliat O. Predicting ICU Outcomes with Scoring Systems: Underlying Concepts and Principles. Short-stay carotid endarterectomy is safe and cost-effective. Early indicators of prolonged intensive care unit stay: impact of illness severity. 66 (53. [Rev Assoc Med Bras 2010. Knaus WA. et al.17:4-6. Cheng CAY. Chevret S. 2001. Rationing critical care . Hoagland HC. Rev Bras Ter Intensiva. Lemeshow S.67:117-22.13:R96. Crit Care Med. NIH Consensus Conference. 66. 19. Christou NV. Rothschild N. Kilberg L. Peters SG.63:457-64. Colvez A. Enrolled were 359 patients. Decision-making process. Isola AM. 1997. 22. Gomersall CD. APACHE II: A severity of disease classification.39:208-11. 1993.Clinics. Kraiss LW.1% versus 23. Crit Care Med. Barros RK. Afessa B.77:501-6. Crit Care Med. Triage considerations for patients with acute gastrointestinal hemorrhage admitted to a medical intensive care unit. et al. Johnson D.20:387-94. Cohort prospective study in a tertiary hospital. Am Rev Resp Dis. Griner PF. Paz HL. Outcome of patients requiring medical ICU admission following bone marrow transplantation. Arch Intern Med. 2006.32:1045-51. 1989. 1992. Epidemiology of severe sepsis in the emergency department and difficulties in the initial assistance. 2006. 350:7-12. Patients in priority 3 and 4 showed older ages. Crit Care Med.what happens to patients who are not admitted? Theor Surg. Kollef MH. score system and organ dysfunctions were greater in priority groups 3 and 4 and these were related with refusal from the ICU. JAMA. Gusmão CAB. Johansen KJ. 9. 16. Sprung CL. Joynt GM. Patient selection. Brodsky I. Mortality among appropriatelly referred patients refused admission to intensive care units. Marshall MF. Orgeas-Garrouste M. Aberegg SK. Long-term survival from respiratory failure after bone marrow transplantation for malignancy. Referred medical patients not admitted to the intensive care unit: prevalence. Lee A. Bar-Lavi Y. Outcome equivalency for femoral bypass patients admitted to step down units. 1985.126:1583-91. 86. Results. Rev Bras Ter Intensiva. lowest priority 4. 1987. 1995. Simchen E. Intensive Care Med. Intensive Care Med.21:3:255-61. Amendola CP.2 years of age (p= 0.16:54-61.8% had beds refused (p=0. 30. Zitser-Gurevich Y. Rev Bras Ter Intensiva. 3 and 4. Tan P. 2006.104:527-531. JAMA. Montuclard L. Cook DJ. Horta VM. Shuster DP. Marshall JC. 1990. referênCIas 1.32:1588-97. 25. Schwenzer KJ. Bernard GR.169:512-5 26. Porath A. Vinsonneau C. Chest. Predicting the Clinical Course in Intentional Drug Overdose: Implications for the Use of the Intensive Care Unit. Sibbald WJ: Multiple organ dysfunction score: a reliable descriptor of a complex clinical outcome.271:1200-3. Crit Care Med. Crit Care Med. Friso-Lima P. In: Presidents Commission for the Study of Ethical Problems in Medicine and Biomedical Research: Securing Access to Health Care. 56(5): 528-34 . Garrouste-Orgeas M.7% versus 31. Fletcher JC. The intensive care support of patients with malignancy: do everything that can be done. Rady M. Results from the national sepsis practice survey: predictions about mortality and morbidity and recomendations for limitation of care orders. 12. Petersen FB. Crit Care Med. Timsit JF. 17. Reignier J.001). and triage. Zimmermann JE. Afessa B.0) years old. Crit Care Med.2±16.30:1908-13. Rackow EC. Silva JM. Arch Intern Med. Rezende E.Caldeira VMH et al. 1983.2008. 101-18 7. Treatment of acute pulmonary edema: conventional or intensive care? Ann Intern Med. Care Med. 2004. Goldhill DR. Efficacy of intensive care for bone marrow transplant patients with respiratory failure. Four groups were compared in relation to ICU admission by ranking priorities into groups 1. McMarry AF. Montuclard L. 33. Zuckerman GR. Crit Care Med. 2009. Franklin C. Kollef MH. Triage considerations in medical intensive care. Influence of political power. 31. Karoubi P. Azoulay E. Mortality. Am J Surg. 2. The longer patients are in hospital before Intensive Care admission the higher their mortality. futility and outcome. Fatores prognósticos em pacientes idosos admitidos em unidade de terapia intensiva. 27:633-8. 29. Wong ELY. Society of Critical Care Ethics Committee: Consensus statement on the triage of critically ill patients. Denardo SJ. Steingrub JS. Isola AM.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->