Caldeira VMH

Artigo

et al.

Original

CrItérIos para adMIssão de paCIentes na unIdade de terapIa IntensIva e MortalIdade
vanessa MarIa Horta CaldeIra1, joão Manoel sIlva júnIor2, aManda MarIa rIbas rosa de olIveIra1*, seyna rezende3, leonardo ateM Golçalves de araújo4, MarCus rIbeIro de olIveIra santana4, CrIstIna prata aMendola1, ederlon rezende5 Trabalho realizado no Serviço de Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira - HSPE - FMO, São Paulo, SP

*Correspondência: Rua Pedro de Toledo, 1800 6º andar - Vila Clementino São Paulo - SP CEP: 04039-901 Fone/Fax (11) 5088-8146

Resumo objetIvo. O objetivo do estudo foi avaliar os critérios utilizados na prática clínica, no processo de triagem de pacientes para admissão em UTI. Métodos. Estudo de coorte prospectivo, em hospital terciário. Foram comparados quatro grupos diferentes de pacientes em relação à necessidade para admissão na UTI e divididos em prioridades 1, 2, 3 e 4, ou seja, prioridade 1 mais necessária até prioridade 4, menos necessária. resultados. Incluiu-se 359 pacientes, idade 66 (53,2-75,0) anos. APACHE II foi 23 (18-30). Obtevese 70,4% de vagas cedidas na UTI. A idade foi maior nos pacientes para os quais foram recusadas vagas em UTI 66,2±16,1 vs 61,9±15,2 anos (p= 0,02) e a prioridade 1 apresentou mais vagas cedidas 39,1% vs 23,8% vagas recusadas (p=0,01), o contrário ocorreu com prioridades 3 e 4. Pacientes com prioridades 3 e 4 apresentaram maiores idade, escores prognósticos e mais disfunções orgânicas, assim como maiores taxas de recusas. Ocorreram altas mortalidades destes grupos na UTI, 86,7% vs 31,3% no grupo de prioridades 1 e 2 (p<0,001). ConClusão. A idade, o escore prognóstico e a disfunção orgânica são maiores nas categorias 3 e 4, sendo estas relacionadas com a recusa na UTI. Os pacientes recusados para admissão na UTI apresentam taxa de mortalidade elevada, que permanece alta entre pacientes prioridades 3 e 4, mesmo quando estes são admitidos na UTI. UniterMos: Admissão do paciente. Unidades de terapia intensiva. Prognóstico. Seleção de pacientes. Mortalidade.

Introdução
A escassez de leitos especializados em cuidados intensivos para atender a demanda de pacientes elegíveis em todo o mundo 1,2 é um dos principais limitantes para admissões em unidades de terapia intensiva (UTI). Devido aos elevados custos despendidos com recursos de alta tecnologia, deve-se atentar para a necessidade de se ocupar tais leitos com pacientes em reais probabilidades de recuperação 3-6. A Sociedade Americana de Terapia Intensiva (SCCM) elaborou critérios para admissão da UTI3, com a finalidade de priorizar, no processo de triagem, a internação dos pacientes que mais se beneficiarão do tratamento intensivo e para melhorar alocação dos recursos disponíveis. Sendo assim, os pacientes são divididos em quatro prioridades para internação, ou seja, prioridade 1 - pacientes graves, instáveis, que necessitam de tratamento intensivo e monitorização em UTI, até prioridade 4 - pacientes sem indicação de admissão em UTI,

por estarem muito bem ou muito mal para se beneficiarem do tratamento na terapia intensiva. Dessa forma, faz-se necessário racionalizar uma conduta para admissão de pacientes em UTI, principalmente quando os leitos são escassos. Isso torna muitas vezes a escolha de pacientes direcionada aos mais graves com múltiplas disfunções e poucas possibilidades de tratamento, fato que limita a monitorização em pacientes com potenciais riscos que acabam sendo atendidos tardiamente em piores condições7. Portanto, os critérios sugeridos pela SSCM 3 podem auxiliar neste problema, pois são de fácil implementação e tem caráter mais objetivo aos utilizados na prática clínica, que habitualmente seguem o modelo por gravidade, estes muitas vezes se baseiam em cálculos matemáticos complexos ou em avaliações muito subjetivas. Então, o objetivo do presente estudo foi correlacionar o processo de triagem de pacientes para admissão em UTI com

1. 2. 3. 4. 5.

Residentes em Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Coordenador da Unidade Crítica de Paciente Cirúrgico do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Interna do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Residentes em Clínica Médica do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Diretor do Serviço de Terapia Intensiva do Hospital do Servidor Público Estadual, São Paulo, SP Rev Assoc Med Bras 2010; 56(5): 528-34

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Estas variáveis foram descritas utilizando mediana e intervalo interquartil. Durante a vigência do estudo não existia nenhuma diretriz institucional quanto ao preenchimento das vagas de UTI.5 % dos casos. das primeiras 24 horas a partir da solicitação de vaga em UTI foram coletados. mas que necessitassem de monitorização intensiva pela possibilidade de descompensação. Para análise de mais do que duas variáveis contínuas foi utilizado o teste ANOVA. todos os pacientes acima de 18 anos com solicitação de vaga em UTI foram classificados em quatro grupos distintos. que dispensou o termo de consentimento livre e esclarecido. sendo que a maior causa de admissão na UTI foi por choque séptico com 5. e entre pacientes/técnico auxiliar de enfermagem é 2. 52. A mediana dos escores APACHE II e MODS foram respectivamente de 23 (18-30) e 5 (3-8). clínicos (da emergência ou enfermaria). se houve admissão posterior na UTI. cuja relação restringe-se a 1. variáveis sem distribuição normal foi utilizado o teste de Mann-Whitney assim como variáveis ordinais.6% apresentaram classificação como prioridade 1.8% e hospitalar foi 42. do período de 1º de julho a 30 de setembro de 2005. mediana (intervalo interquartis) ou porcentagens. que se apresentassem instáveis. A UTI possui próteses ventilatórias microprocessadas.4% prioridade 2 e 14% somaram as prioridades 3 e 4. droga vasoativa. além de conhecimentos e experiência do médico coordenador.6% do sexo feminino.8 respectivamente) foram maiores nos pacientes prioridade 3. resultados Foram envolvidos no estudo 359 pacientes que preenchiam os critérios de inclusão. pacientes/ enfermeiro é 5.5 anos). Variáveis categóricas foram analisadas pelo teste do Qui quadrado. no grupo 2 foram classificados pacientes sem instabilidade. Odds ratios e seus respectivos intervalos de confiança 95% foram estimados pela regressão logística.2% respectivamente). presença de doença crônica.8% e 35.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade os critérios sugeridos pela SCCM 3 e definir quais os fatores relacionados com a recusa para admissão na terapia intensiva de um hospital público terciário. A análise estatística dos dados foi efetuada através do programa SPSS 13. estado de coma. idade e comorbidades prévias. diagnóstico(s). prioridade na solicitação de vagas. Portanto.3%) (Tabela 1). monitorização hemodinâmica invasiva e não-invasiva. mas com baixa probabilidade de recuperação por conta da gravidade da doença aguda ou presença de comorbidades. Os dados foram expressos como média ± desvio padrão. Outras informações como dados demográficos. pacientes do grupo 3 apresentavam-se instáveis. foram coletados no decorrer do estudo.2%) e de pacientes clínicos no grupo prioridade 4 (89. pacientes do grupo 4 apresentavam antecipadamente pouco ou nenhum benefício com a internação na UTI. No grupo 1 foram incluídos os pacientes gravemente doentes. cirúrgicos (eletivos ou de urgência) e cirúrgicos com complicações clínicas.6% de admissões na UTI e 70. de acordo com critérios de prioridades de admissão em UTI 3. necessitando de monitorização e tratamento intensivo.4% de vagas cedidas. os piores valores utilizados nos escores.9 e 7. com chances significativas de recuperação. realizou-se estudo de coorte prospectivo observacional. Apresentaram maior prevalência os pacientes cirúrgicos (56.05 foram considerados estatisticamente significantes.9% e 21. os pacientes prioridades 3 e 4 estavam mais em uso de ventilação mecânica (76. 56(5): 528-34 base na disponibilidade de leitos.05 na análise univariada foram consideradas como candidatas ao modelo de regressão múltipla. A avaliação quanto ao mérito da internação na UTI era feita com Rev Assoc Med Bras 2010. Dos pacientes incluídos. Foi realizada ainda análise multivariada através de análise em “enter”.9% e 64. presença ou não de vagas em UTI. Análises de sobrevida foram realizadas pelo método de Kaplan-Meier e comparadas pelo log rank test.5% e 16.7%) e mais em coma induzido ou não por sedativos (30. endoscopia e broncoscopia que podem ser oferecidas para todos os pacientes nas 24 horas do dia. Houve 66. procedência e serviço solicitante.5%) provenientes da enfermaria (Tabela 1). sendo 52. Todas as probabilidades de significância (valores de p) apresentadas são do tipo bicaudal e valores menores que 0. Os critérios de inclusão no estudo foram idade maior que 18 anos e solicitação de vaga na UTI. Os pacientes foram acompanhados até alta ou óbito hospitalar e o pesquisador não exercia qualquer influência nas decisões dos médicos que cederam as vagas em UTI ou assistiram os pacientes. pois alguns pacientes evoluíram a óbito ou apresentaram melhora antes da internação na terapia intensiva. hemodiálise.9%) em comparação com os grupos 3 e 4 (8. A relação entre pacientes/médicos é 8. médicos residentes prestam assistência aos pacientes supervisionados por médicos assistentes. terapia renal. O choque séptico foi o diagnóstico mais presente nos grupos prioridades 3 e 4 (25. constituído de 28 leitos. Métodos Após aprovação pelo Comitê Institucional de Ética e pesquisa da instituição. A mortalidade na UTI foi 34. A idade mediana foi de 66 (53. tempo de permanência em UTI e hospitalar.9%). necessidade de ventilação mecânica. sendo eles. Houve prevalência de pacientes cirúrgicos no grupo prioridade 2 (90. Variáveis que apresentaram probabilidade de significância (valor-p) menor que 0.3%) do que os pacientes prioridade 1 e 2 (Tabela 1). laboratoriais. 34.9%. em Serviço de Terapia Intensiva de um hospital público terciário.2-75) anos. assim como os escores APACHE II e MODS (média de 34. A idade foi maior nos pacientes prioridade 4 (média de 71. O tempo até a admissão na UTI foi elevado.3% e 6. Para análise estatística. 529 . Para a realização dos índices prognósticos APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) 8 e MODS (Multiple Organ Dysfunction Score) 9 que contemplam variáveis fisiológicas. A equipe da terapia intensiva é coordenada diariamente por um médico e uma enfermeira especializados. A ausência de doenças prévias foi maior nos pacientes prioridades 1 e 2 (20. que é especialista em terapia intensiva e com maior tempo de trabalho na instituição. mediana de 12 (5-26) dias. Em adição.0. com o objetivo de identificar fatores de risco independentes e controlar efeitos confundidores (variáveis mutuamente ajustadas). exceto para os pacientes em suporte dialítico.

18. Na análise univariada. mais elevado quanto maior a presença de pacientes clínicos em relação aos cirúrgicos 16-17. o escore MODS9 avalia apenas disfunções orgânicas e foi desenvovido para avaliações diárias. foi observado neste estudo que os pacientes categorizados como prioridades 3 e 4 eram mais idosos. respectivamente. portanto não é capaz com única avaliação determinar prognóstico hospitalar.2%11-15. O uso apropriado dos recursos de terapia intensiva faz-se fundamental. Existe também critério específico de “benefício substancial” da admissão do paciente na UTI. por exemplo. e ele é implementado para avaliação global da UTI e não em pacientes individualmente. O óbito hospitalar foi maior nos pacientes com vagas recusadas na UTI 52. escores prognósticos nem sempre são precisos para determinar o desfecho dos pacientes.Caldeira VMH et al. Griner identificou duas condições nas quais a UTI não oferece maior benefício do que o cuidado convencional. o escore APACHE II8. o que sugere que os grupos prioridades 1 e 2 têm maiores benefícios na internação de UTI que os prioridades 3 e 4.2. pela perspectiva de assegurar vagas a pacientes com elevadas chances de recuperação3. Por outro lado. por exemplo. Em Rev Assoc Med Bras 2010. idade menos avançada. a sobrevida dos pacientes dos grupos prioridades 1 e 2 foi maior aos grupos prioridades 3 e 4 (Figura 2). Outras publicações apontam taxas de sobrevivência baixas (2. Apenas pacientes com prioridade 1 foi fator protetor independente para recusa de vagas na UTI (Tabela 3). existe um caráter subjetivo que o envolve. pacientes com intoxicação exógena são comumente admitidos em UTI. aqueles que necessitaram de ventilação mecânica tiveram uma taxa de alta da UTI de 3.3 dias (Tabela 1).18. escores prognósticos menos elevados e a presença de menos doenças crônicas (especialmente cardiovasculares) presentes. A análise entre vagas recusadas e cedidas observou que a idade. sobretudo. mesmo assim. Desta maneira. mostrando a incapacidade de categorizar pacientes com precisão3. surgimento de sepse e o acúmulo de disfunções de múltiplos órgãos e sistemas30. principalmente em pacientes oncológicos28-29. O que está de acordo com a literatura que mostra como fatores independentes para admissão em UTI. o que certamente contribui com o agravamento do quadro clínico. mesmo com todo o tratamento em UTI. dentre os quais foram divididos em quatro prioridades conforme a gravidade do caso. coma. as variáveis com maior risco na análise univariada foram submetidas à análise multivariada com a finalidade de evitar fatores confundidores. ou pode demonstrar um atraso na admissão da UTI. a Sociedade Americana de Terapia Intensiva (SCCM) elaborou critérios de prioridades de vagas para admissão em UTI3. Categorizar estes dois grupos se torna mais difícil se utilizamos apenas o diagnóstico. Dessa forma. no estudo atual o tempo de internação hospitalar antes da admissão na UTI foi de 12 dias. porque infelizmente poucos estudos avaliaram as indicações e os resultados de internação na UTI. 3 e 4 foram os fatores determinantes entre recusar vagas de UTI ou não (p ≤ 0.8 e 38.0%) para pacientes submetidos a transplante de medula óssea que necessitam de suporte ventilatório21-23. examinaram admissões em UTI de pacientes pós-transplantes de medula óssea. dada à escassez de leitos no Brasil e no mundo1. mostram que o tempo de internação hospitalar antes da admissão na UTI é um preditor independente de mortalidade e quanto maior este tempo maior a mortalidade31. que está sujeita a interpretações3. 56(5): 528-34 530 . Alguns estudos mostraram que existe imprecisão na previsão de mortalidade e morbidade em pacientes de UTI27. Na tentativa de se uniformizar condutas de triagem a pacientes candidatos à internação em terapia intensiva.24-26. que são os extremos da condição de risco de morte: muito baixo risco e muito alto risco3. sobretudo. tornando menor a probabilidade de reversão do quadro. a procedência dos pacientes e as prioridades 1. choque séptico e maior recusa na UTI. Portanto. nos pacientes clínicos10. Por outro lado.19 demonstraram que pacientes sem determinados critérios clínicos de alto risco nunca utilizarão procedimentos de UTI. admitir estes pacientes na UTI tem “benefício substancial”? Esta pergunta teria respostas discrepantes entre médicos e instituições. e ao elevado investimento empregado nestes centros especializados no atendimento de pacientes graves. além de apresentarem-se mais em uso de ventilação mecânica. no que se refere a critérios de admissão.3% daqueles que não precisaram deste suporte20. Em virtude disso. além de maior permanência hospitalar e na UTI. Entretanto. os quais realmente tiveram mais benefícios com o tratamento em UTI.coordenadores de plantão .5% a 7. quando este são internados na UTI (Figura 1). Paz et al. e categorizar os pacientes para triagem de admissão é uma maneira eficiente de usar os recursos disponíveis. 70% destes são admitidos em UTI para observação. Além disso. determinando a tendência evolutiva dos pacientes. a comparação entre as vagas cedidas e as vagas recusadas mostrou uma maior porcentagem de vagas cedidas para pacientes prioridade 1 e recusadas para pacientes prioridades 3 e 4. Na curva de Kaplan Meier.8% (Tabela 2). média de 28. a análise multivariada mostrou que prioridade 1 foi fator protetor independente para recusa de vagas na UTI. A taxa de recusa de vagas para internação em UTI esteve aproximadamente em 30% das solicitações das mesmas. dIsCussão Os resultados mostram que os critérios utilizados na seleção de vagas de UTI pelos médicos responsáveis . Goldhill et al. Este dado pode sugerir evolução desfavorável de uma doença que inicialmente não tinha indicação de cuidados de terapia intensiva. Apesar da aparente praticidade deste assunto. pois a mortalidade foi maior nos pacientes prioridades 3 e 4.recaíam nos pacientes com prioridades 1 e 2. a seleção de pacientes para ocupação dos leitos de UTI tem se tornado um assunto relevante. foi desenvolvido em população geral de terapia intensiva e não em populações especificas. com mais comorbidades e com escores prognósticos e de disfunções orgânicas maiores. Pacientes com prioridades 3 e 4. quando são internados na UTI. Em adição.8% comparado com 81. A classificação dos pacientes em prioridades mostrou que pacientes prioridades 1 e 2 apresentaram maiores benefícios na internação à UTI do que pacientes prioridades 3 e 4. tem mortalidade maior que pacientes prioridades 1 e 2. dentro do percentual esperado na literatura que é de 16% a 51. Brett et al. O tempo de internação na UTI e hospital foi maior nos pacientes prioridade 4.05).

001 0.0 11.6 9.2 26.9 3.4±17.044 0.7 46.7 4.5 7.4±37.5 6.5 23.3±8.3 28.2 47.9 27.8 3.3 18.Características dos pacientes conforme a classificação de prioridades Características Variáveis Prioridade 1 63.7 35.8 2.949 <0.1 38.3 0.0 35.1 28.1 3.7±4.2 0.5 30.3 90.0 <0.6±13.014 <0.3±59.8 0 19.feminino % Pacientes % Clínico Cirúrgico eletivo Cirúrgico urgência Procedência % Pronto Socorro Centro Cirúrgico Enfermaria Outrosa Doença prévia (%) Cardiovascular Renal Imunossuprimidos Respiratório Hepático Ausente Choque séptico % Ventilação Mecânica invasiva % uso de droga vasoativa % Necessidade de Diálise% Coma % Permanência em uTI* Permanência hospitalar* Permanência hospitalar antes da admissão em UTI* * média.8 28.6 16.6 6.0 65. 56(5): 528-34 531 .8±24.4 7.5 0.7 8.817 Idade* APACHe* moDs* sexo.4 3.6 21.5±18.3 12.001 <0.2 64.3 34.0 0.001 0.3 8.8±3.0±13.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade Tabela 1 .001 0.5 10.3 6. o Coma poderia ser induzido ou não por sedativos.4 10.001 <0.1 20.3 38.0 89.3 25.9 51.4±7.4 p 0.0±4.5 16.2 14.002 <0.6 20.1 Prioridade 2 61.0 56.0 0.3 5.9 2.6 0 0.5±16.5 45.1 16.9 76.3 9.010 <0.1 2.001 72.6 55.3±16.7 21.5 0.0 0.9±10.8 73.8±2.3 11.5 22.3±35.001 33.8±7.9 Prioridade 3 69.5 6.1 20.4 51.6 54.9 0 29.3 5.2 81 16.8 6. Rev Assoc Med Bras 2010.2±30.0 3.8±26.6±10.9±2.3 10.9 Prioridade 4 71.9 42.4 66.5±0.001 <0.0±10.005 51. a= outra unidade de terapia intensiva ou outro hospital.5 4.5 24.8 12.8 8.3 25.3 21.4 3.7 2.7 5.3 6.5 100 0.

0 48.7 0.8 37.Caldeira VMH et al.0 15.9 24.0 58.1 54.00 0.4 26.003 Vagas recusadas (n=107) 66.0 7.002 p 0.87 0.6 19.5 16.5 14.2±16.9 3.1 12.3±3.4 2.7 3.6 57.9 14.4 11. Tabela 2 .7 5.5 32.02 0.8 40.0 1.1 5.18 0.8 5.0±22.6 15.2 50.1 38. 56(5): 528-34 .0 9.8 3.7 52.0 9.0 1.6 23.2±3.5 25.9±8.1 40.1 Vagas cedidas (n=252) 61.6 0.08 532 Rev Assoc Med Bras 2010.6 7.92 0.6±10.00 0.01 0.4 49.29 0.03 45.2 59.01 0.9±15.5 39.8 23.1 51.1 0.6 2.6 59.3 8.8 47.18 56.2 46.8 18.8±31.80 0.4 0.5 7.21 0.0 25.Comparação entre vagas cedidas e vagas não cedidas na UTI Variáveis Idade (anos) Masculino (%) Feminino (%) APACHe II moDs Pacientes (%) Clínicos Cirúrgicos eletivos Cirúrgicos de urgência Procedência (%) Enfermaria Cirurgia Pronto socorro Outro hospital Doença prévia (%) Cardiovascular Renal Imunossupressão Respiratório Hepático Ausente Coma (%) Diálise (%) Ventilação invasiva (%) Droga vasoativa (%) Óbito hospitalar (%) Tempo de internação hospitalar Prioridade (%) 1 2 3 4 23.410 0.80 0.6 0.0 39.

431 0. Sobrevida % 533 . A idade na análise univariada foi maior nos pacientes recusados quando comparada com pacientes admitidos (66.519 0.234 0. The aim of the study was to evaluate criteria used in clinical practice. Não testamos uma ferramenta de triagem antes da sua admissão na UTI.001 Dias Uma limitação não apenas deste estudo.365 0. sendo estas relacionadas com a recusa do paciente na UTI.096 0. for screening of patients for ICU admission.780 4.Análise multivariada para vagas recusadas em uTI Variáveis Prioridade 1 Prioridade 3 Prioridade 4 Idade Procedência Clínico Cirurgia Eletiva Cirurgia urgência p 0.2±16. Outra limitação é o desenho observacional com as restrições inerentes a este tipo de estudo.292 2.1 vs 61.02).993 0. A idade.324 oR 0. log rank teste p<0. desafiadoras.150 0.9±15. além de complexas. como de outros relacionados a este assunto. Em pacientes idosos. p=0.616 1. 56(5): 528-34 Decisões acerca de recusa de vagas para admissão de pacientes em UTI são. critérios objetivos.250 0.337 1.031 0. os estudos apontam que melhor do que a idade per si para predizer mortalidade na UTI seria o status funcional prévio e a gravidade da doença aguda.2.Curva de sobrevida hospitalar dos grupos internados na UTI. Os estudos que examinam critérios objetivos para admissão e benefício da admissão na UTI devem ser incentivados a fim de melhor definir a utilização adequada dos recursos.131 0. Então. Houve maior mortalidade dos pacientes prioridades 3 e 4 (p<0.029 Figura 2 .007 1.153 0. a presença de comorbidades e o escore prognóstico e de disfunção orgânica são maiores nas categorias 3 e 4.118 0.237 2.Evolução dos pacientes internados na UTI em relação às prioridades para admissão. Este atraso na admissão reflete tanto a escassez de leitos especializados em cuidados intensivos quanto o atraso no diagnóstico de patologias que necessitam de UTI.001 Figura 1 . Rev Assoc Med Bras 2010. Conflito de interesse: não há suMMary CrIterIa for patIent adMIssIwwon In tHe IntensIve Care unIt and MortalIty rate Objective. Os pacientes recusados para admissão na UTI apresentam taxa de mortalidade elevada e esta taxa permanece alta entre pacientes prioridades 3 e 4. Em contrapartida não podemos desconsiderar que existe piora da qualidade de vida destes pacientes após admissão na UTI32-35.891 9. pautados em níveis de prioridades.993 0. ConClusão sobreviventes Não sobreviventes um estudo realizado em cinco hospitais israelenses1. é o fato de avaliarmos ferramentas aplicadas a pacientes já admitidos na terapia intensiva.391 1.001) % 100 80 60 40 20 0 Prioridade <3 Prioridade ≥3 p<0.522 0.526 0. os pesquisadores observaram que a sobrevida foi maior nos pacientes internados na terapia intensiva nos três primeiros dias seguintes à deterioração do quadro clínico.700 0.116 3.Critérios para adMissão de paCientes na Unidade de terapia intensiVa e Mortalidade Tabela 3 . mas esta diferença não se manteve na análise multivariada. como num estudo onde apenas 31% dos pacientes com sepse grave e choque séptico tiveram este diagnóstico pela equipe do departamento de emergência7. parecem ser eficientes na triagem de pacientes que terão maiores benefícios do suporte de terapia intensiva. melhorando a utilização dos recursos disponíveis. mesmo quando estes são admitidos na UTI.010 IC95% 0.568 1.

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