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LAPLANTINE, F. O campo e a abordagem antropológicos

LAPLANTINE, F. O campo e a abordagem antropológicos

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J'fi\' ·I~~IGI.NAL Pr\.:) ti~ ~..

L /0/';1

\b·rr--~·,,' 'I ~t":J J:t.rol Á~i ~A1 A. r-v J J fi PL F'l rJ ri rJE-;~ Q ~ .R6<.. I . _ .INTRODUÇÃO ,-','1 ~/a!.or·.dn '~~~É A ABORDAGEM ~·~1 qir ·1 ANTROPOLóGICOS 1

I; ~ ~i l., ir o homem nunca parou de interrogar-se sobre si mesmo. Em todas as sociedades existiram homens que observavam ~ homens. Houve até alguns que eram teóricos e forjaram, como diz Léví-Strauss, modelos elaborados "em casa". A ORIGINAL :.:st

reflexão do homem sobre o homem e sua sociedade, e a CENTRAL CÓPIAS elaboração de um saber são, portanto, tão antigos quanto CLCH -CEFD-CECA a humanidade, e se deram tanto na Ásia como na África, na América, na. Oceania ou na Europa. Mas o projeto de PASTA:3QqPág.:.!.l

fundar uma ciência do homem -uma antropologia -é; ao c~uito recente. De fato, apenas no final do sécu~ que começa a se constituir um saber científico (ou pretensamente científico) que toma o homem comQ.. objeto de conhecimento, e não mais a natureza; apenas ~ nessa época é que oespmto cien!ffico pensa, pela primeira vez, em aplicar ao

próprio homem os métodos até então utilizados na área física ou da biologla.

. Isso constitui u~vent~nsiderável na história do pensamento do homem sobre o home~ Um evento do qual talvez ainõa hOle não estejamos medindo todas as conse

14 o CAMPO E " ABORDAGEM ANTROPOLóGICOS qüências. Esse pensamento tinha sido até então mitológico, ar' . o teoió ico ' filosófic;'-mas mw-,-ª-científico no que dizia respeito ao homem em SI. Trata-se, desta vez, de fazer passar este último do estauto de sujeito do conhecimento ao de objeto da ciência. Finalmente, a antropologia, ou mais precisamente, o

evidentemente. conseqüências importantes.projeto antropológico que se esboça nessa época muito tardia na História -não podia existir o conceito de homem enquanto regiões da humanidade permaneciam inexploradas -surge em uma região muito pequena de mundo: a Europa. como veremos mais adiante. para que o novo saber comece a . Para que esse projeto alcance suas primeiras realizações. Isso trará.

u seja.e outras disciplinas científicas. ao menos tal como é concebida na época. . será preciso esperar a segunda metade do século XIX.adquirir um início de legitimidade entr. A ciência.tr~-º observador e seu objeto. uIob'etos empíricos autônomos: as sociedades então di primitivas". supõe uma dualidade radicaLeD. durante o qual a antropologia se . exteriores às áreas e civilização. europel órte-americanas.

b b' b débid " I) . ... ----------. ~:. ve entre o sujeito o servante e o o jeto o serva o o tI a . _' _..I que a separaçao (sem a qual nao ha experimentação POSSI . _. . "" ria ..Enquanto {.

~ dj~tancia.\1 ~/\ ~ :!" na his~?rja.. no te~P? .-e por .física (c~~o na biolo~ia.a socIedade estuda. natureza sufICIentem.mUlto tem~o -em . ou zoologia).d8:.t epoca -... ela consístírá na ant.. pela.ro~õI~gia~e~s~ '.' (/1& \~ (li is-. botânica.. .~ separa o histori~or f~ ~. .~te dlvers~ dos dOIS termos presentes.

~. e .uma .. ~dades de dimensões restritas: que tiveram poucos contatos com os gr~pos vizinhos. 1". cuja te~é pouco desenvolvidaem relação à nossa. As socied adas p~~pnmeIros ~tropólogos são sociedades longínqua' às quais são atribuíú das as seguintes características..' .i'/ nas . (.distância ~efl~ItI i vamente geográfica.' 'I" .

. tJ~7J V~.Q .'V . elas irão permitir a compreensão.como numa ' t " ! '\ '\ ~ V .quais há uma' menor especialização das . São também qua1mCãdas de "si~".f-i\\ :l\J~e\J 'O".atividades e funções sociais. S~{'l L ~v (Jl. JD\f7 .~AV~'po\ \.J~. em conseqüência.

_. da organização "complexa" de nossas próprias sociedades. ~ {\ V\{i i i 11 . situação de laboratório. das populações que . portanto._-. \'1 e.l'I (JY\'. *** A antropologia acaba. de atribuir-se um objeto que lhe é próprio: o estudo.~-APRENDER ANTROPOLOGIA.tJ (J ~.

está desaparecendo. pois o próprio . Mas logo após te a: 0_ '___ róprios métodos de pesquisa -no iníci do XX a pologia '~e o objeto empírico q inha escolhido (as sociedades "primitivas") . Serão necessárias ainda algumas décadas para elaborar ferramentas de investigação que permitam a coleta direta no campo das observações e informações.não pertencem à civilização ocidental.

.t -OCl ris entidade loca. a ~ua.? '. " _ o seu estudo. como seu ~asc1mento: o Mercier (1966)'dsera causar a morte aque es que aVIam se ' a o como tare a . A essa perguntavãríos tipos de resposta pu d" ded'dd .universo dos "selvagens" não é de forma alguma poupado el evoli..

uma questão se co. . trê eram e po em am a ser aos. confrontada a uma -uito rapidamente. e en amo-nos em res ~. ?. po~~anto. ' Ela se vê.IZ yaul lque a h' . .del~" .."'D t' h'. permanec: desde " m ou. .~. '.. e do pnmttíy ha dfe . ro.

l~. este selvagem de. por aSSIm dizer. outras 'ciência$ humanas. sua morte. CjYEle sai em busca de uma outra área de investigação: o camponês. disci plina reencontrando. Ele resolve a quest. . e notadame~ que é chamado de Hsociolog~comparada"~ . dentro. e ~ara o âmbito das. esP-ecialmente a sociologia.ão da autonomia problemática de sua. antropologo aceita.

' 1. ernpe . de início..que foi deixado : de lado pelos outros ramos das ciências do homem. já . qualificada pelo nome de [olklore. seu ~articularmente bem adequado. Foi Van Gennep que elaborou os métodos próprios desse campo de estudo.objeto ideal de.A pesquisa etnográfica cujo objeto pertence à mesma sociedade que o observador' foi.

que in~ não exclui o anterior (pelo menos enquanto campo de estudo). ele afirma a especificidade de sua prática.oCAMPO E A ABORDAGEM ANTROPOLóGICOS 16 ~Finalmente. o camponês).bordagem epistemolá~ constituinte. e aqui temos um terceiro caminho. Essa é a . mas através de uma t!. não mais através de um objeto empírico constituído (o selvagem.

culturalou histórico particular. na perspectiva na qual começamos a nos situar a partir de agora. O objeto teórico da antropologia não está ligado. a um espaço geográfico.terceira via que comêÇaremos--a esboêãt=rras-páginas que se seguem. e que será desenvolvida no conjunto deste trabalho. Pois a antropologia não é senão um ~ um certo enfoque que consiste em: --4>a .

sob todas as latitudes em todos os seus estados e em todas as épocas. .L!!> b) o estudo do homem em todas as sociedades.o estudo do homem inteiro. --. o ESTUDO DO HOMEM INTEIRO Só pode ser considerada como antropológica uma abordagem Integrativa que objetive levar em consideração as múltiplas dimensões do ser humano em sociedade.

. . bem como o aperfeiçoamento das técnicas de investigação. conduzem necessariamente a uma especialização do saber. Ora. ao contrário. o acúmulo dos dados colhidos a partir de observações diretas. em tentar relacionar campos de investi -üentemente separados.Porém.Certa " mente. existem . uma das vocações maiores de nossa "abordagem consiste em não parcelar o homem mas.

::_ delas..-. antropologia biol6gi~esignada antigamente sob o nom~tIºpologia física) consiste no estudo das varia . que nenhum pesquisador pode.. APRENDER ANTROPOLOGIA .co' áreas rincipais antropologia. evidentemente... dado que essas cinco áreas mantêm relações estreitas e~ -f:..-" 'zado quando trabalha de forma profissional em algumas ._.

O que . ela analisa as particularidades morfológicas e fisiológicas liga das a um meio ambiente.ções dos caracteres biológicos do homem no espaço e no tempo. bem como a evolução destas par ticularidades. Sua problemática é a das relações entre o patrimô nio genético e o meio (geográfico. social). ecológico.

por exemplo: por que o. Ele se per guntará. o antropólogo biologis ta levará em consideração os fatores culturais que influen ciam o cerscimento e a maturação do indivíduo.deve. mas também. especialmente. a cultura a este patrimônio.desenvolvimento psicomotor . o que esse patrimônio (que se transforma) deve à cultura? Assim.

da criança africana é mais adiantado do que o da criança européia? Essa parte da antropologia.50 . anatomia comparada as raças e dos sexos. cor da pele. tamanho. mensurações do esqueleto. interessa-se em especial-desde os anos . peso. longe' de consistir apenas no estudo das formas de crânios.

Ela tem. r~.pela genética das populações.. que permite discernir o que diz respeito ao inato e ao adquirido. um papel particularmente importante -)1 exercer para que não sejam. sendo que um e outro estão interagindo continuamente. a meu ver.as.vi~~ .-relações entre as pesquisas das ciências da.

e o estudo do homem atra vés dosvestígíos mareriai enterrados no solo (ossadas. mas !fJ também quaisquer marcas da atividade humana). Seu pro dominar hoje em dia. tanto em . mas às quais ele deve estar sensibili-f1. ~" /.antropologia pré-hist6ri . que se liga à arqueologia./ jeto. visa reconstituir as socieda des' desaparecidas.

substituindonessecasoadistânciageográficada antro-J I~ . U\ tamos que esse ramo da antropologia trabalha com uma objetodosujeito. a distância sociale cultural que separa o i"rt. quanto em suas produções culturais e artísticas.suas técnicas e organizações nhando-ee em explorar exclusivamente (mas de uma forma magistral) as LJl \'v w'Úf sociais. Notradições populares camponesas.~e~ abordagem idêntica às .

:~~_a~p ·exóti~:·.--I-· .. .da antropologia histórica e da antro-. -..

Ele realiza um trabalho de campo.\BORDAGEM ANTROPOLóGICOS pologia social e cultural de que trataremos mais adiante. um 'pesguisador que trabalha a partir do acesso direto aQ.o CAMPO E A .s~s. O especialista em pré-história recolhe. isto é. como o realizado na antropologia social na . objetos no solo. pessoalmente. O jlistodador é ant m historiógrafo.

. parte do patri cultural de uma sociedade. linguagem é.:-. seus pensamentos.qual se beneficia de depoimentos vivos. com toda idência.". suas preocupações. »-» --antropologia lingüística. Apenas o estudo da língua permite compreender: como os homens pensam . A' ~Qda--que os indivíduos que compõem uma sociedade se expressam e expressam seus valores.

que se situa . não apenas escrita. A antropologia . isto é.o que vivem e o que sentem. suas categorias psicoafetivas e psicocognitivas (etnolingüística) . como eles expressam o universo e o social (estudo da literatura. que é uma disciplina.lingülstica. eles interpretam seus próprios saber e saber-fazer (área das chamadas etnociências). mas também de tradição oral). finalmente. como.

no encontro de várias outras.' não diz respeito apenas. e de longe. ao. estudo dos dialetos (dialetologia). Ela 2. Foi notadamente graças a pesquisadores como Paul Rivet e André Leroi-Gourhan (1964) que a articulação entre as áreas da antropologia física. biológica e sócio-cultural nunca foi rompida na França. Mas continua sempre ameaçada de ruptura devido a um movimento

de especialização facilmente compreensível. Assim. colocando-se do' ponto de vista da antropologia social. Edmund Leach (1980) fala da "desagradável obrigação de fazer ménage à trois com os representantes da arqueologia pré-histórica e 9" da antropologia física", c.omparando-a à coabitação dos .psicólogos e dos especialistas da observação de ratos em laboratório. /\ 3. Foi o antropólogo Edward Sapir (1967)

quem, alérrr de introduzir o estudo da linguagem entre os materiais antropológicos, começou também a mostrar que um estudo antropológico da língua (a língua como objeto de pesquisa inscrevendo-se na cultura) conduzia a um estudo Iingüístico da cultura (a língua como modelo de conhecimento da cultura).-'--=c'-' APRENDER ANTROPOLOGIA se interessa também pelas imensas .áreas abertas pelas

os. e que são habitual mente os umcos considerados como constitutivos (com a antropologia social e a cultural. fazemos questão pessoalmente de acrescentar um quinto . s três primeiros pólos esquisa que foram menc' .~de comunicação (mass media e cultura UdTovisual). .das quais falaremos a seguir) do campo global da antropologia.novas técnicas modert}_~. A. ~ :4antropologia psicológica.

J! a razão pela .pólo: o da antropologia psicológica. Ou .seja. De fato. e sim a indivíduos. o antropó ~go é em primeira instânciãCõnírôntado não a conjuntos sociais. que consiste no estudo .dos pr~c~ funcionamento do psiguismo humano. somente através dos comportamentos -conscientes e'inconscientes -dos seres humanos particulares podemos apreender essa totalidade sem a qual não é antropologia.

e este livro tratará essencialmente dela. nos deterá por muito mãis tempo. ar conta. -ro 01 ia social e cultural (ou e .qual a dimensão psicológica (e também psicopatológica) é absolutamente indissociável do campo do ual rocuramos . egrante dele.. Ela' é . Assim sendo. toda vez que utilizarmos a partir . Apenas nessa área temos alguma competência.

econômica. estaremos nos referindo à antropologia social e cultural. suas técni~.de agora o termo antropologia mais genericamente. seus sistem~ntesco. sua organização polít~ca e jurídica. seus SlS . (ou etnologia). masprocuraremos nuncaesquecer que ela é apenas um dos aspectos' da antropologia. já que diz \respeito a tudo-que constitui uma sociedade: seus modos de p'rodução. Um dos aspectos cuja abrangência é considerável.

emas e con eCllilln o. esclareçamos desde já ~logia consiste menos no levantamento sistemático desses aspectos do que em mostrar a maneira particular com a qual estão relacionados entre si e através da qual aparece a especifici . Isso posto. suas cre~ sas.--=-~ =-'-' .~ ~ suas criações artísticas..

os.20 oCAMPO E A ABORDAGEM ANTROPOLóGICOS APRENDER ANTROPOLOGIA 21 ~-ciedade.c.es-detal~.. nossasjrQcas simbólicas.. que faz dessa abordagem um tratamento fUndamentalmente diferente dos utilizados setorialmente . E precisamente esse ponto de vista aátotalidade.menor. nossos comportamentos). o fato de que o antropólogo procura com~ OOIw. aquilo "não pensam habitualmente em fixar na no a~l" (nosso~ gestos.~eoJfhO diz Lévi-Strauss.

pelos geógrafos, economistas, juristas, sociólogos, psi-// cólogos. . . /// o ESTUDO DO HOMEM EM SUA DIVERSIDADE A antropologia não é apenas o estudo de tudo que compõe uma sociedade. Ela é o estudo de todas as sociedades ~(a nossa inclusive'), ou seja, das culturas da humanidade como um todo em SUas diversidades históricas e geográficas.

'V'isand&-constituir os "arquivos" da humanidade em suas diferenças significativas, ela, inicialmente privilegiou claramente as áreas de civilização exteriores à nossa. Mas a antropologia não poderia ser definida por um objeto empírico qualquer (e, em especial, pelo tipo de sociedade ao qual ela a princípio se dedicou preferencialmente ou mesmo exclusivamente). Se seu campo de observação consistisse no estudo

das sociedades preservadas do contato com o Ocidente, ela se encontraria hoje, como já comentamos, sem objeto. . Oçorre, porém, que se a especifícidade da contribuição dos antropólogos em relação aos outros pesquisadores em ciências. humanas não pode ser confundida com a natureza . 4. Os antropólogos começaram a se dedicar ao estudo das sociedades .

. dos grupos marginais. como vimos. .. _-~-_ .. ela é . há alguns anos apenas na França. dos aspectos' tradicicnais" das 'sociedades 'não tradícíonaís" (as comunidades camponesas européias). do setor urbano. e finalmente. ..industriais avançadas apenas muito recentemente. em seguida.... As primeiras pesquisas trataram primeiro._." das primeiras sociedades estudadas (as sociedades extra-euro . péias). ..

a meu ver indissociavelmente ligada ao modo 0!(f de conhecimento que foi elaborado a partir do estudo dessas .4í '\ /!J 'soc~~~ades: a observação direta. ~ { ú"" ( -Ãlém disso. apenas a distancia em relação a nossa sociedade (mas .l()lê cont~rupos h~anos mmúscu m os quais man/ lefiÍOs'uma re~oal. r impregnação lenta e .

aquilo que não hesitarei em chamar 2' de 'estranhamento" depaysement). aqui o ra evidente é infinitamente problemátlco.uma distância que faz com que nos tomemos extremamente próximos daquilo que é longínquo) nos permite '}fazer esta descoberta: ~. cultural. uilo ue tomávamos por natural nós mesmos é. de fato. Disso decorrêã necessidade. na )V6JhLJ I orma ca. a perplexidade .

gos~__dQ§. presos a uma ~ J J lQ{Ikún. s. mas ~7JtWndo se trata da noss. somos não apenas_çe.icacultura.provo1/1(v cada pe o das culturas que são para n~ais : distantes.. A experiê . De fato.a.. e cujo encontro vai levar a utna mode: do olhar que 'se tinha sobre si mesmo..

Começamos. a nos . cotidiano. dada a nossa difi culdade em fixar nossa atenção no que nos é habitual. então. reações afetivas) não tem realmente nada. posturas. notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos. familiar. mímicas. Aos poucos.cia da alteridade (e a~aboração dessa experiência) leva-nos a Ul o teríamos conseguido imaginar. e que consideramos "evidente". de "natural".

de . mas não a única. a' nos espiar.surpreender com aquilo que diz respeito a' nós mesmos.!ras. e deve~os . Aquilo que. entre tantas outras.: J 'r' velm~nte pelo conhecimento das outr~1t. especlaIíriente reconIíec~r que somos uma cultura possível . O co ' nhecimento (antropológico) da nossa cultura passa ~a. ' .

como já o dissemos e voltaremos a dizer.organu:acao socIal. apenas a nossa disci . extremamente diversos.. ~~tidãO prat~am.e . caracteriza a unidade do homem. E. a meu ver.ent: infin~ta p~nventar~odos de VI a e·form~4. faz tanta questão.. de que a antropologia.fato.

oCAMPO E A ABORDAGEM ANTROPOLóGICOS 22 APRENDER ANTROPOLOGIA plina permite notar. que uma mutação de si mesmo. com a maior proximidade possível. Como escreve Roger Bastide essas formas de comportamento e de vid iedade em sua Anatomia de André Giâe: "Eu sou mil possíveis em que tomávamos todos' espontaneamente .

o .pssa~XisteficJ.inatas ( ossas 'J 1 mim.~sfc..S:~=J1t~ar. A descob a'd~ alteridad "a de uma relação que nos ar os eventos de n..'~.rJQ . mas não posso querer apenas um deles".-. nos_ emociona: > e. de r_~ade. ar n~ssa pequena província. ~ar> dQJmir..:h /}7~ikI1 / pennit~ deixa de identi ..

. se di uns dos outros. para elaborar costumes. a priori enigmática. das .produto de r s -culturais u seja. aquilõ"que (V. línConfrontados à multiplicidade. hUma~l?ade com a h_umamdade.: e correlattvam:nte deixar os seres humanos em co é sua capacidade para de rejeitar o presumido "selvagem" fora de nos mesmos.

somos 'aos poucos levados a romper com a abordagem mente diversos: pois se há algo natural nessa espécie particomum que opera sempre a naturalização do social (como cular que é a espécie humana.cul guas. jogos profunda turas. instituições. é sua aptidão à variação se nossos . modos de conhecimento.

no reconhe cultura· na qual' nascemos). e não fossem adquiridos no contato com a O projeto antropológico consiste. portanto.comportamentos estivessem inscritos em nós desde cultural._~-o' nascimento.P humanismo clássico que também . juntamente com a compreensão de I . A romper igualmente com o cimento. ' -. conhecimento.

e . a filosofia clássica (antolôgica com São Tomás. e da cultura com a nossa cultura. tura com a figura da monotonia do duplo..consiste na identificação uma humanidade plural. re idêntico.}' De fato. / do sujeito com ele mesmo. Isso supõe ao mesmo tempo a rup-Ji. do igual do ~ v-<v.

mesmo sendo filosofia social. histórica com sociedades mais diferentes da nossa. criticista com Kant. que consideramos esponHegel). flexiva com Descartes.com a exclusão num irredutível "alhures~ Y. bem como as grandes taneamente como indiferenciadas . nunca se deram como objetivo o de pensar a dife rentes . são na realidade tão difereligiões.

por viajantes vindos da Ásia.entre si quantoo são da nossa. extremamente diver como atestam notadamente os relatos de viagens realizadas na Europa sificadas. participando ao mesmo tempo de uma comum desde a Idade Média. E. E os índios . elas são para cada uma delas muito raramente homogêneas (como seria de se esperar) mas. pelo contrário. mais ainda.

urna ver-fim de encontrã-los.de . Poderíamos multipílcar os exemplos. Isso não impede dadeira revolução epistemológica. dos brancos que tomaram um dia a Iniciativa de organizar expedições' a A_ abordagem antropolôgica provoca. que começa por uma re-que a constituição de um' saber .Flarhead dê quem nos fala Lévi-Strauss eram tão curiosos do que ouviam dizer humanidade. assim.

um americanismo. um orientalismo. e. um oceanismo. que teria se constimundo". Esta elaborou volução do olhar.sobre a alteridade sempre tenha se desenvolvido' a' partir' da cultura européia. . um africanismo. enuma ruptura com a idéia de que existe um "centro do quanto que nunca ouvimos falar de um europeísmo'."vocação científica . Ela implica um descentramento radical.

antropologia constituem um aspecto que seria rigorosamente ~o léclatement] . sociais e 5. Veremos que a antropologia supõe não apenas esse desmembramenculturais da . Isso posto. da Áfrka ou da Oceania. geográficas. uma ampliação do saber" e tuído como campo de saber teórico a' partir da Ásia. r.correlativamente. as condições de produção históricas.

mas que não' devem ocultar a vocaçâo :Léry) ou no ceticismo (de um Montaigne). ligados ao questionamento da (evidentementeproblemâtica) de nossa disciplina. mas também uma nova pesquisa e uma .do saber. que visa superar a irredu cultura à qual se pertence. que se expressa no relativismo (de um [ean de antiantropolõgico perder de vista.

e sim de seus métodos de pensamento.tuição deste saber. do grupo do antropologia é o discurso do Ocidente (e somente dele) sobre a alteridade? observador.valores próprios. é .de elevar-se acima_. Lévi-Strauss: "Nâo se trata apenast.recons tibilidade das culturas. Como._dos . escreve. Mas nesse ponto coloca-se uma qu~~ será que a . da sociedade ou.

. e objetivo.~~_. ~ . A recíproca' também é verdadeira. -não apenas para um observador honesto. o europeu não foi o único a interessar-se pelos hábitos formulação 'válida.preciso alcançar uma Evidentemente._. mas para todos os observadores possíveis' . e pelas instituições do não-europeu.

O pensamento antropológico. e sim o de reduzi-Ia. rença (e~muito menos. de pensá-Ia cientificamente). assim como uma civilização .APRENDER ANTROPOLOGIA O CAMPO E A ABORDAGEM ANTROPOLóGICOS . freqüentem ente inclusive de uma forma iguali tária e coín as melhores intenções do mundo. por sua vez. considera que.

no direito de nos perguntar como a humanidade pôde permanecer por tanto tempo cega para consigo mesma.sí própria e fazendo. também adultas. Estamos. de tudo que não . . amputando parte de .adulta deve aceitar que' seus membros se tornem adultos.eviden temente. ela deve igualmente aceitar a diversidade das culturas.

um objeto de exclusão: Desconfiemos porém do pensamento -que seria o cúmulo em se tratando de antropologia -de que estamos finalmente mais "lúcidos". como acabamos de escrever. mais "conscientes". mais "adultos".eram suas ideologias dominantes sucessivas. mais "livres". do que em uma época da qual seria errôneo pensar que está definitivamente encerrada. Pois essa .

transgressão de uma das tendências dominantes de nossa sociedade -o expansionismo ocidental sob todas as suas formas econômicas.. ao adotar ... frJtwUr ~ ... O que significa de forma alguma que o antropólogo esteja destinado...:.~r guma crise de identidade. seja levado por al-...... AluJ~. políticas. intelectuais -deve ser sempre retomada....::'-.~.~ .' .

. contrário.Se os antropólogos estão hoje convencidos de que uma das .. DIFICULDADES ..{./. pelo '< ). Procuraremos. outras sociedades e a censurar a sua.~gi~s \ 1//".. si mesmos6 são cientificamente fundainentadas se forem acompanhadas da interpelação crítica dos de outrem.ipso_jacto a 1.. mostrar nesse livro que a dúvida e a crítica de (.:~.

com os quaisestlvemo yi-. isto é. a família dos antropólogos é. i'. convencidos do fato de .( .! . se eles são tam m unan em pensarl que há unidade da família humana.características maiores de sua prática reside no confronessoal com a alteridade. por . que os fe socIais que estudamos sãó fenômenos que seres humanos. yendo.

I) específica da sociedade que se 'estuda. (0. . . 'i aparecer a lógica /J l'A/(.-etnolo' nsiste em um primeiro nível :V . de abstração: analisando os maten IS c .(/ I J f v \IV~ 1 / Lv IN podem ser recolhidos tomandO-S~. também por gravaçao sonora.J Yly fotográfica ou cinematográfica. A ropolo 'a.

Como escreve Lévi-Strauss. além da imagem consciente e sempre diferente que os homens f'\ \ q fonnam de seu devir. um inventário das possibilidades inconscientes.finalmente. consiste . que não existem .J U f'L em um segundo nível de inteligibilidade: cons ir modelos que permitam \ \ çomparar as sociedades entre si. seu objetivo é /' fiV \NiYY' \N"ralcançar.

' 6.Bretanha a partir de 1908 (Prazer. .seguido por Leroi-Gourhan).em número Ilimitado". 7. Para que o leitor que não te. Na Grã. ílíarídade com esses conceitos possa localizar-se. ena França a partir de 1943(Griaule na Sorbonne.vale peiíã~especifi bem o sígníficado dessas palavras. Lembremos que a antropologia só começou a ser ensinada nas uníversidades há algumas décadas. emLiverpool).

a etnologia e constituem os três momentos de uma mesma abordagem. por uma impregnação duradoura e conúnua eumprocessoqu~serealiza poraproximaçõessucessivas. e o mais minuciosa possível.Esses~enômenos . etnografia coleta direta. dos fenômenos qu amos. que a etnografia.abeleçamos. co o Lévi s.

do que .POLOGIA 2) A segunda dificuldade diz respeito ao grau de cien-) ~dades sem história".sociedades que não quer tificidade que convém atribuir à antropologiã:'ÜTíomem está estórias'':'-'(únicos objetos da antrop Ia c asslca) a nessas em condições de estudar cientificamente ohomem. um . isto' é.o CAMPO 'E A ABORDAGEM ANTROPOLOGICOS '-1/ APRENDER ANTRq.

.:com-unânime. como veremos. e a história recente .objeto que é de mesma natureza que o sujeito? E nossa próprias sociedades qualificadas ti "sociedades quentes" prática ra nov ente dividida entre os que pensam. Essa preocupação de separaç entre ordagens Radcliffe-Bro (1968). de ser na evem ser estudados segundo-:OS métodos. que as sociedade são sistemas histórica e antropológica está longe.

que é preciso tratar as sociedades Aqui. livro. onde. um autor corno Gilberto Freyre. começo a escrever este -fta2 eonlo si Leinas orgânif.os. ma~ sistemas simbólicos.li e os que pensam.da antropologia testemunha rova os pelas reza . com também um desejo de coabitação' entre as duas disciplinas. no Nordeste do Brasil. --ritchard 69). desde 1933. empePara .

estes últimos. J) Uma terceira dificuldade provém da relação . longe de ser uma li ciencia natural da nhando-se em compreender a formação da sociedade brasi sociedade"~). a antropologia deve antes ser leira. considerada como uma "arte" (Evans-Pritchard). ". . mostrou o proveito que a antropologia podia tirar do y conhecimento histórico.

~ h. e isso desde seu nascimento.~ Estreitamente vinculadas nos séculos XVIII e XIX. que a antropologia mantém desde sua gênese com a História. as dua~s r: designado sob o termo de'''antropologia anlk práticas vão . ·/ 'pe~ri'~a que se pode qualificar.ambígua quarta dificuldade provém do fato de que Clsem parar.

rapidamente se emancipar uma da outra no yt.. .se 1 mente os pesquisadores'.Eva -' : '~Om~n~e~den~. procurando ao mesmo tempo se reencontrar pe riodicamente.is-nativa .manife as se devem essencialmen e' Começaremos examinando o segundo termo da altera antropólo s. Durkheim onsiderava que .~ século XX./f I ..aqui colocada e a dividindo' profundatória das socie -e e nennu a uu~ndo.

a socio' procura compreender o funci nto lnstítuições". os antropólogos compartilham sua opipõlogos à qual perte u orgulho de sempre ter-se nião. estudando o comporta 'rewsado a tomar . argaret Me por exemplo.."Ageração deantro-t' -.~ '. a . logia não valeria sequer . de dedicação se ela não Maiscategonco ainda e:.a História em consideração" . ~ mento os.

icana.tpr6ximas do uma pedagogia menos frustrante ti s .histórica". . que são'menoij'sog. isto é.o escentes das ilhas Samoa (1969). Hoje gniu zero' de terrtperiitura . fa~osa ~ que seuséstudos deveriam permitira instauração de uma sociedade melhor.' e.r vários co egas nossos . mais especificamente' a aplicação de ~pondo as "sociedades frias". pensava t~mbém lembrar aqui' a distinção~gora··.

e mostrou 'que trabalhando no Iean Copans:-T975). um miplJlllO de encontro da natureza (o inato)' e da cultura (tudo o que não é [tante. um modelo lingüístico.consi eram que a~!1tropologia deve ~Ã~ model â 'co dos funcionalistas in lese Lévi-Strauss substi-colocar-se "a' serviço da revolução" (segundo especíalmente tURa.O s uisador toma-se. o veremos. ~m . então.

.homens onde a. mas se se resigna em. Numerosos R*reza não programou nada).da libertação".~A antropologia pertence às ciências . a antropologia deveaspirara-tornar-se uma ci&lcia natural: . construção de uma '~antropologla . co tribuindo na hcftditariamente programado e deve ser inventado pelos -.seu nome pesquisadores ainda reivindicam a qualidade de especialistas.hum~lIS.'~opólogo revoluclonálio". o jeoclema suficientemente.

especíal dos programas de enbe as ciências sociais.'desenvolvimento' e das decisões políticas relacionâdas à elaci~ias naturais na hora do julgamento final" (Lévi-Strauss. Queríamos simplesmente observar . participando em' ."'-. boração desses programas. 1973). ---:r"". .fazer seu purgatório de conselheiros. é porque' não desespera de despertar ventre as ..

..~...."dPO E A ABORDAGEM ANTROPOLOGlCOS APRENDER ANTROPOLOGIA 1 1 29 '" .28 o CA... .:-_. a antropologia teve quanto missionário a fim de converter a população que ..__ ~.. e: por ela que. aqui que a ..antropologia aplicada"? não é uma grande novi-Perfeitamente à vontade entre os astecas.. ele estava lá endade. com a colonização.

No ex osto das atí '-. durante a colonização.esInício. tudes "engajadas" das quais ontramos a posição determinada de u laude Lévi-Strauss ue. após ter lembrado que o saber cíentí em ainda se encontrava num estágio . inclusive." ' " Foi com ela.'? .. que se deu o início da Antropologia. tuda.

As duas atitudes .extremamente primitivo em relação ao saber sobre a natureza. nada ou quase nada a oferecer. escreve: "Supondo que nossas ciências um dia possam ser colocadas a serviço da ação prática. mas sobretudo não lhes pedir nada". O verdadeiro meio de permitir sua existência. é dar muito a elas. no momento. elas não têm.

começa a seimplantar aquilooquealgunschamariam de'''arquétipos'' do discurso etnológico. [ean . de Leiy foi um huguenote" francês que . Desde o século XVI. de fato.que acabamos de citar -aantropologia "pura" ou a antropologia "diluída" como diz ainda Lévi-Strauss -encontram na realidade suas primeiras formulações desde os primórdios da confrontação do europeu Como "selvagem". que podem ser ilustrados pelas posiçõesrespectivasdeumIeandeLeryedeumSahagun.

Longe de procurar convencer seus hóspedes da superioridade da cultura européia edareligiãoreformada. cí. Sahagun foi um franciscano espanhol que alguns anos mais tarde realizou uma verdadeira investigação no México. 1971. 9. seInterroga. eleosinterrogae. Sobre a antropologia aplicada. ' tempo no Brasil entre os Tupinambãs. A maioria dos antropólogos ingleses.permaneceu algum. realizou suas pesquisas . R. especialmente. 10. Bastide.sobretudo.

a "revolução". 'O fato da diversidade das ideologias sucessivamente defendidas (a conversão religiosa. . Fortes estudou os Tallensi a pedido do governo da Costa do Ouro" Nadei foi conselheiro do governo do Sudão. etc. a ajuda ao l "Terceiro Mundo". (N.T.a pedido das administrações: Os Nuers de Evans-Prítchard foram encomendados pelo governo britânico. as .) '' . -Protestante.

no que me diz respeito. que é o seguinte:' q · o antropólogo deve contribuir. da seguinte forma: nossa abordagem. que consiste . para a transformação das sociedades que ele estuda? f Eu responderia. enquanto antropólogo.estratégias daquilo que é hoje chamado "desenvolvimento" ou ainda "mudança social") não altera nada quanto ao âmago do problema.

está diretamente confrontada hoje a um movimento . as crenças.antes em nos surpreender com aquilo que nos é mais familiar (aquilo que vive 'l mos cotidianamente na sociedade na' qual nascemos) e em tornar mais familiar aquilo que nos é estranho (os comportamentos. os costumes das sociedades que não são as nossas. mas nas quais poderíamos ter nascido).

dehomogeneização. no decorrer de minhas estadias sucessivas entre os Berberes do Médio Atlas e entre os Baulés da Costa do Marfim.uma forma de cultura industrial-urbana e de uma forma de pensamento que é a do racionalismo social. perturbando completamente os . Eu pude. perceber realmente o fascínio que exerce este modelo. sem precedente na História: o desenvolvimento de. ao meu ver.

vida (a maneira de se alimentar. 1963) se .. Essa dupla' abordagem da relação ao outro pode muito bem ser realizada por um único pesquisador. franc. de se encontrar. de . de se vestir. de se distrair.pensar12 e levando a novos comportamentos que não decorrem de uma escolha)" ' n.modos de . Assim Malinowski chegando às ilhas Trobriand (trad.

comportamentos geradasporessafonna decivilização mundialista podem também evidentemente ser encontradas nas nossás ~ .Asmutaçõesde. próprias .deixa literalmente levar pela cultura que descobre e que o encanta. parecem-me bastante fracas aqui.culturas' rurais e urbanas. 12. no Nordeste do Brasil. Em compensação. 1968) participa do que chama "uma experiência controlada" do desenvolvimento.. Mas vários anos depois (trad. onde comepo a . franc.

.redigir este livro.

APRENDER ANTROPOLOGIA oCAMPO E A ABORDAGEM ANTROPOLúGICOS 30 t con encer reciprocamente da necessidade de não deixar se A questão que está hoje colocada para qualquer antro pe er ormas de pensamento e atividade únicas. pólogo é a seguinte: há uma possibilidade em minha socieb Urgência de análise .

sem risco de despersonalização? dicionais". que não são mais "sociedades tra dramático.das mutações culturais impostas dade (qualquer que seja) permitindo-lhe o acesso a um estáp o esenvolvimento extremamente rápido de todas as so gio de sociedade industrial (ou pós-industrial) sem conflito ciedades contemporâneas. e sim sociedades que estão passando .

Através das sociedades que estuda. Caso . pelo ções de suas relações sociais. por mutaos atores sociais a responder a essa questão. não deve. trabalhar para a transformação interna. por movimentos de migração menos enquanto antropólogo.por um deMinha convicção é de que o antropólogo. e por um processo de urbanização acelerado. para ajudar -'!senvolvimento tecnológico absolutamente inédito.

e sim for dico. agrônomo.--~ .. que se convertesse em economista.eles. ica s colocann-. mé-não fornecer respostas no lugar do~ interessados.contrário. elaborar com eles uma reflexão racional (e não mai / . de fato. da especificidade de sua abordagem. nossà disciplina deve. político. seria conveniente. a não ser que ele seja motivado por alguma mular questões com .

econômica e de li técnicas. Auxiliar uma deterpela crise mundial u --m-'~~u ris . . ta idades. to é. organizar política. o e onn-t. entidade minada cultura na explicitação para ela mesma de sua pró-'}.. -' ou sobre lurarismo cultural.concepção messiânica da antropologia.-~-· pria diferença é uma coisa.

a participação do antropólogo naquilo que é hoje notar. que não e m uma. sem./ . como podemos Ou seja. a pesquisa an socialmente a evolução dessa diferença é uma outra coisa.Em a.nunca se substituir aos a vanguarda do anticolonialismo e da luta para os .tropológica.> . uma atividade de luxo.

direitos projetos e às decisões dos próprios atores sociais. uma conse como vocação maior a de propor não soluções mas instruqüência de nossa profissão. mas não é a nossa profissão '. tem hoje humanos e das minorias étnicas é.! mentos de investigação que poderão ser utilizados em espepropriamente dita. a meu ver. .

diretamente confrontados a uma gadora das particularidades econô~cas.de r~sp~~~er..à qual te. culturais de d~ên~ia. ao risco de um desenvolvimento conflituoso levando à violência neSomos.cial para reagir ao choque da aculturação. I I um povo. ' ..m. sociais.os ~_deve:. isto é. por outro lado. / a) rgencia de r erva ao dos atr17'r!omos .

meaçadC!! (e a respeito disso a etnologia es sde \ natureza desta obra que deve apresentar.culturais 5) Uma quinta dificuldade diz-rêspeito. em uin número de. o seu nascimento lutando contra o tempo para que a trans-I·· Ipáginasreduzido.~·finalmen{ê. 'uni"campo de pesquisa imenso.à loc~. cujo desencrição dos arquivos orais e visuais possa ser realizada ..

-volvimento recente é extremamente especializado. de restituição aos habitantes das I minar o campo global da antropologia (Boas fez pesquisas diversas regiões nas quais trabalhamos. cultural. lingüística. . no limite. No final tempo. de seu próprio saber em antropologia social. um único pesquisador podia. doestão vivos) e. sobretudo.a f. enquanto os últimos depositários das tradições ainda i do século XIX.

o caso hoje em dia.pré-histérica. provavelmétrica da pesquisa. e e saber-fazer. baseada na captação di~informações. antropologia 'sein "troca. Isso supõe uma ruptura com aconcepção assi-também mais recentemente o caso de Ktoeber.uma área tão extensa). Não é. evidentemente. O antropólogo . de fato. isto é~sem itine-. mente o último antropólogo que explorou -com sucesso ' Não há.

.-...considera agora -com razão -que rário no decorrer do qual as parfeSenvolviãas chegam a se ~.. " .:._-'~.

ao mais amplo público possível.Eu queria finalmente acrescentar que este livro dirige-se própria disciplina e. Não àqueles que têm por Era-me portanto .para uma área geográfica delimitada.I~ -ri }2 oCAMPO E A ABORDAGEM ANTROPOLOGICOS APRENDER ANTROPOLOGIA j é competente apenas dentro de uma área restrita 13 de sua .

Muito mais modestamente. interessar-se em ir mais adiante. mesmo de uma forma parcial. dentro de um texto de dimensões tão restritas. espero.impossível. do alcance e da riqueza dos campos abertos pela antropologia. Ver-se-á que este livro caminha em . dar conta. definir alguns conceitos a partir dos quais o leitor poderá. tentei colocar um certo número de referências.

foram se colocando progressivamente as questões que continuam nos interessando até hoje. As preocupações que estão no centro de qualquer abordagem antropológica e que acabam de ser mencionadas serão retomadas. mas de diversos pontos de vista. Eu lembrarei em primeiro lugar quais foram as principais etapas da constituição de nossa disciplina e como.' Em .espiral. através dessa história da antropologia.

mas também mutuamente exclusivas. se. entre as quais é preciso . a antropologia permanecesse monolítica. . surpreendente.que existein perspectivas complementares. Teria sido.escolher. procurando dar conta da pluraridade. de fato.seguida. Ela é ao contrário claramente pluraL Veremos no decorrer deste livro . esboçarei os pólos teóricos -a meu ver cinco -" em volta dos "quàis oscilamo pensamento e a prática antropológica.

E. os principais eixos anteriormente examinados serão. em uma última parte. Finalmente. não dissimularei as minhas' próprias opções. esforçando-me ao mesmo tempo para apresentar. com o máximo de objetividade o pensamento dos outros. em vez de fingir ter adotado o ponto de vistade Sirius. em um movimento . em vez de pretender uma neutralidade. que nas cíências humanas é um engodo.

a antropologia do parentesco. a especificidade da antropologia. A antropologia das técnicas.. a meu ver. a antropologia econômica. política.por assim dizer retroativo.. 13. profissão a antropologia -duvido que encontrem nele um grande:'interesse -mas a todos . a antropologia religiosa. artístjca. reavaliados com o objetivo de definir aquilo que constitui. das organizações sociais. a antropologia dos sistemas de comunicações.

que é a ciência . mas também pessoal). Esta é a razão pela qual.que. entre o inconve . possam ser levados a utilizar o modo de conhecimento tão característico da antropologia. Pois a antropologia.niente de utilizar uma linguagem técnica e o de adotar uma linguagem menos especializada. optei voluntariamente pela segunda. em algum momento de sua vida (profissional.

'. pertence a todo o mundo. '.do homem por excelência. . Ela diz respeito a todos nós. . v' .

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